26.09.2024 Visualizações

REVISTA FRAPPÉ 1ed

Com o tema "O Nordeste é Pop", a revista Frappé, suplemento do @oiclubinho, vem ao mundo! Aqui você vai encontrar muita cultura pop e entretenimento. <3

Com o tema "O Nordeste é Pop", a revista Frappé, suplemento do @oiclubinho, vem ao mundo! Aqui você vai encontrar muita cultura pop e entretenimento. <3

SHOW MORE
SHOW LESS

Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!

Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.

FRAPPÉ

FRAPPE 01

Setembro 2024

MANGUEBEAT:

OS 30 ANOS DO

DISCO DA LAMA

AO CAOS

ZEZITA MATOS:

DAMA DO TEATRO

PARAIBANO NO

CAFÉ COM PAUTA

O NORDESTE É POP:

UMA CURADORIA DE ROLÊS CULTURAIS IMPERDÍVEIS

NA REGIÃO MAIS CALOROSA DO BRASIL!


entre para o clube!

@oiclubinho

@oiclubinho

@oiclubinho


Se você

leu esse

texto,

seu cliente

também

vai ler.

Anuncie aqui!


ÍN

DI

CE

10 12

Balinha de Café

As indicações da galera do Clubinho!

Calendário do Pop

Rolês e estreias imperdíveis!

13

Cinema

A editoria dos amantes da 7ª arte!

21 Televisão

Sua nova série favorita está aqui!

27

Capa

O nordeste é Pop!

31 Literatura

Descubra sua próxima leitura!


ÍN

DI

CE

38 Música

Pegue seus fones de ouvido e venha!

48 Colunas

Fita K7, Sisi and The Beauty e Desculpe o Transtorno!

51

Café com Pauta

Uma entrevista exclusiva com Zezita Matos

56 Moda

Marcas nordestinas para entrar no seu radar!

58

#OFFTOPIC

Os 30 anos de Friends estão fora do tópico na Frappé!

62 Teste

Qual dos irmãos Bridgerton você seria?

E muito mais!


Seja nosso apoiador!

apoia.se/oiclubinho


Editorial

Pense no Nordeste por um

tempo. Qual o cenário que se

formou na sua cabeça? Para

alguns, praia. Para outros,

seca. Mas, certamente, quem

tem uma relação mais íntima

com a região pensou em

algo mais específico: um

lugar, uma comida, um rolê.

Alguma lembrança gostosa

relacionada a essa região.

Para esta editora que vos

fala, e você vai entender

mais para frente na leitura

desse material, é fácil se

encantar com cada detalhe

do Nordeste. Da ponta lá do

Maranhão, com seu reggae e

o Boi Bumbá, até o menor

estado, Sergipe, com a maior

orla, as mil formas de

consumir caranguejo e todo

seu charme.

Dentre as várias memórias

que podemos ter, não dá

para deixar de mencionar a

razão disso tudo: o Clubinho.

Nossa iniciativa, que hoje já

pode ser considerada como

multimídia e multiplataforma,

começou no Nordeste, em

uma mistura de Paraíba e

Pernambuco que têm dado

muito certo. Aos poucos,

outros pedaços do Brasil se

juntam a nós, mas tudo

começou aqui. E é por isso

que para a estreia dessa

nova empreitada, o tema

não poderia ser outro.

A primeira edição da Frappé

é um convite para conhecer

um outro lado do Nordeste, o

lado mais pop dele. Para os

amantes de cinema, de

televisão, de arte como um

todo, a revista é um prato

cheio de cores e sabores

prontos para serem

(re)descobertos. Que pelas

próximas páginas, você

possa embarcar com a

gente nessa viagem pelos

nove estados da região mais

calorosa do Brasil.

Vem tomar um café com a

gente?

y

Bea

EDITORA-GERAL

7 Revista Frappé


Expediente

Repórteres

Adan Cavalcante

Alice Costa

Amanda Furniel

Amanda Oliveira

Ana Flávia Lima

Gabriell Vinycius

Lucas Salatiel

Revisão geral

Edição geral

Bea Alcântara

Editorias

Cinema

Micael Menezes

Séries e TV

Adan Cavalcante

Luiz de França

Micael Menezes

Nalim Tavares

Paloma Xavier

Rayssa Oliveira

Thaissa Freitas

Carol Cassoli

Diagramação

Amanda Oliveira

Música

Luiz de França

Literatura

Paloma Xavier

Colunistas

Ana Victória Borges

Siérgia Almeida

8 Revista Frappé


5


dica do editor dica do editor

Balinha de Café

indicações do clube

I Saw the TV Glow

Quem nunca foi obcecado por uma

serie de TV? Nessa obra, que divide

opniões, Jane Schoenbrun aborda

de maneira inteligente o

amadurecimento e as coisas que

perdemos nesse processo.

CAJU (Liniker)

Um dos melhores álbuns de 2024, Liniker

transborda arte, sentimentos e muita

qualidade. Mesclando vários gêneros, a

artista inova (mais uma vez) e mostra

como fazer um álbum incrível!

Batman: Cruzado Encapuzado

A animação do Prime Video traz o

morcego em sua caçada para

limpar Gotham da violência e

reimagina algumas histórias de

origens de personagens icônicos,

como Harley Quinn e Pinguim.

Amores Expressos

O filme de Wong Kar-Wai fala

sobre amor e solidão, usando duas

histórias de background para

desenvolver sua trama. A estética

é perfeita e todo mundo deveria

assistir!

Depois Daquele Verão

Uma leitura perfeita para a

chegada da primavera! Fala sobre

amor, amizade e sobre segundas

chances. Eu amei!

Selling Sunset

Todo mundo precisa de uma série

comfort, no estilo reality, que seja

meio fútil. Essa é a minha!

Corretoras de imóveis de luxo,

cheias de rich people problem,

servindo looks e fofocas!

MOTEL DESTINO

Pega o Guanabara e vem assistir

essa delícia colorida, neon, fúcsia

e profundamente inquietante! O

filme de 2024 de Karim Aïnouz é

sobre estar, mas nem sempre ser,

naquele espaço.

10 Revista Frappé


dica do editor dica do editor

ALIEN - ROMULUS

Volta às origens da franquia Alien. O diretor Fede Alvarez

consegue mesclar bem as características dos dois

primeiros filmes - que foram os mais aclamados - com

dose certa de terror e ação. E o filme também não deixa

de se conectar com a geração atual, trazendo um

elenco mais jovem. Vale inclusive como porta de

entrada para a franquia.

Um Pequeno Passo

Shogun

A NATUREZA DA MORDIDA

Ame ou odeie: mais um livro de

Carla Madeira que vai devastar

o leitor e depois deixá-lo se

perguntando se positiva ou

negativamente. Não tem como

ser atravessado pelas histórias

dela.

SHORT ‘N’ SWEET

Que esse é um dos melhores

álbuns desse ano, eu nem

preciso dizer. Mas vocês já

prestaram atenção na faixa de

encerramento, "Don't Smile"?

Caso não, coloque os fones de

ouvido, feche os olhos e

aproveite o ritmo lento e

gostoso. Você sente como um

abraço quentinho!

Atual vencedora do Emmy, nessa série acompanhamos

as intrigas de famílias e samurais no Japão do século

XVI. Muitas traições, batalhas e ótimos personagens

dica do editor dica do editor

dica do editor dica do editor

Indicado ao Oscar em

2019, o curta animado do

Taiko Studios emociona

ao mostrar que a vida é

cheia de dificuldades,

mas saber que alguém

acredita em você faz

toda a diferença.

Alphaville - Do lado de

dentro do muro

Recomendo esse pra

todo mundo quando o

assunto é documentário.

Pra entender as (des)

identificações do lado de

baixo do mapa do Brasil,

mas também dos lados

de dentro e de cima. Vale

pra ontem, hoje e

amanhã.

Singular

Delicado e doloroso

como a vida. Miguel

Atanes corrói pelos

deslocamentos que vêm

de dentro.

Vinte e cinco, vinte e um

Frustrada com o ballet, Kim Min-chae foge para a casa da avó e encontra o antigo diário

da mãe, Na Hee-do. Disponível na Netflix, esse dorama é um coming of age que mistura

romance, drama e comédia, temperado com uma boa dose de nostalgia. y

11 Revista Frappé


do pop

CALENDÁRIO

Rolês que vêm aí!

05/10 a 05/11: Bruno Mars

19 e 20/10: Knotfest

19/10: Festival MADA

02/11: Rock n’ Hall

23/11: Numanice Recife

23/11: Forfun, Scracho,

Dibob e Darvin

Estreias no cinema

03/10: Coringa 2

10/10: Tudo por Um Popstar 2,

Maurício de Sousa: O Filme e

A Menina e o Dragão

17/10: Sorria 2

31/10: Terrifier 3, Megalopolis,

Anora

07/11: Venom 3

21/11: Gladiador 2

28/11: Wicked pt. 1 e Moana 2

Chegando ao streaming

Novembro: Arcane - 2ª temporada (Netflix)

Novembro: Duna: Profecia (Max)

15/11: Silo - 2ª temporada (Apple tv+)

29/11: Senna (Netflix)

12 Revista Frappé


Foto: Reprodução/Cintia di Giorgi

Revitalizando

Tradições:

O Renascimento

do

Drama

por Amanda Oliveira

13 Cinema


O Drama Potiguar é uma expressão

artística única e fascinante, que vem de

séculos atrás, mas que esteve adormecida

até recentemente. Originária da região da

Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte, essa

forma de arte envolve contos, músicas e

danças tradicionais, transmitidos

oralmente por gerações de mulheres. As

apresentações do Drama são ricas em

história e cultura, refletindo o cotidiano e as

emoções das mulheres que as executam.

Nos últimos anos, essa tradição quase

esquecida na região foi revitalizada graças

ao trabalho apaixonado de Cintia di Giorgi,

diretora e pesquisadora de Teatro. Com

uma extensa carreira que inclui trabalhos

na TV Globo e colaborações com

renomados cineastas brasileiros, Cintia

trouxe sua experiência e visão artística

para a Praia da Pipa, onde se deparou com

o Drama Potiguar. Sua dedicação e esforço

em reavivar essa tradição não só foram,

como continuam sendo essenciais para

manter viva essa expressão cultural tão

importante para a comunidade.

Hoje, o Drama Potiguar não é apenas uma

forma de entretenimento, mas uma

maneira de preservar e valorizar a história

e as tradições da região. Depois de muitos

anos ajudando a organizar apresentações

e reacendendo a chama do Drama

Potiguar, Cintia está produzindo um filme,

resultado do seu projeto de mestrado na

Universidade Federal da Paraíba,

A motivação para trabalhar com esse tipo

de arte foi, para além da forte presença

feminina no Drama, a curiosidade de

descobrir porque esse gênero

cinematográfico, e até teatral, estava

adormecido. Para ela, o encontro com o

drama foi uma experiência reveladora,

especialmente ao ver a profundidade

cultural e a riqueza das histórias contadas,

que documenta essa arte e destaca as

mulheres que a mantêm viva.

14 Cinema


Segundo Cintia, o Drama Potiguar tem

suas raízes nas cortes ibéricas e foi

trazido ao Brasil pelos portugueses. A

tradição foi então adaptada pela

comunidade local da Praia da Pipa,

tornando-se uma parte vital da cultura

da região. Cintia ressaltou a importância

da transmissão oral dessas histórias e

como elas refletem a vida e os valores

da comunidade ao longo dos séculos.

A cineasta sempre teve uma paixão por

expressões culturais autênticas e

comunitárias. Ao se mudar para a Praia

da Pipa, ela ficou intrigada com o Drama

Potiguar, porque nunca tinha visto uma

forma de teatro onde as mulheres

fossem as protagonistas. A força da

tradição e o papel central das mulheres

nessa arte tocaram-na profundamente,

motivando-a a ajudar a manter essa

expressão cultural viva.

O Drama Potiguar vai além de uma

performance teatral; é a história viva da

comunidade. Ele fortalece os laços entre

as pessoas e oferece um espaço onde as

mulheres podem se expressar livremente.

Desde o início das iniciativas de

revitalização, houve um aumento no

interesse tanto dos moradores quanto

dos turistas, o que ajuda a preservar

essa tradição única. Cintia enfatizou

como o drama contribui para a

identidade cultural da região e para a

coesão social.

Desde 2017, Cintia tem organizado várias

apresentações e documentado tudo

para garantir que o Drama não se perca

novamente. Em 2018, as apresentações

foram retomadas de forma mais regular.

Cintia está atualmente produzindo um

filme sobre o Drama Potiguar, focando

nas mulheres incríveis que mantêm essa

tradição viva. Para ela, esse trabalho é

uma forma de amor e uma maneira de

garantir que essa rica herança cultural

seja apreciada por futuras gerações.

15 Cinema

y


40 anos

anos

DE CABRA MARCADO

PARA MORRER

por Adan Cavalcante

A sétima arte é um registro histórico.

Independente de seu enquadramento, de

toda forma, ele irá refletir uma época e um

estado social. Quando se materializa em

contexto documental, a sua função se

personifica na mais pura essência de relato

histórico. É sobre apresentar a ideia e trazer

ao mundo aquela realidade. Ninguém fazia

isso com tanta maestria como o

documentarista Eduardo Coutinho.

Nascido em São Paulo, em 1933, onde o Brasil

já vivia uma efervescente situação política,

Eduardo Coutinho estudou Direito, mas não

chegou a concluir, pois o seu coração

pertencia ao Cinema. Essa paixão perdurou e

na década de 1950, conheceu mais a fundo o

funcionamento da sétima arte, buscando

aprender mais e mais sobre todas as suas

funções, o que o tornaria o maior

documentarista da história do cinema do

Brasil.

Pode-se dizer que sua carreira

cinematográfica começa, de fato, ao aceitar

ser o gerente de produção do longametragem

de Cinco Vezes Favela, uma das

obras mais importantes do Cinema Novo, da

produtora CPC (Centro Popular da Cultura).

Criada em 1962 e associada à União

Nacional de Estudantes (UNE), foi através

desse espaço que Coutinho viajou para o

Nordeste e teve contato com a figura de

Elizabeth Teixeira, o que mudou sua história

para sempre.

Ela, sendo a viúva do líder das Ligas

Camponesas, João Pedro Teixeira, ajudou

Coutinho a trazer para o cinema uma das

obras mais notórias de sua história – e que

seria lembrada por todo o período posterior

aos acontecimentos. Foi ao assistir o comício

dado por Elizabeth Teixeira, como forma de

protesto pelo assassinato de João, na cidade

do interior da Paraíba, em Sapé, que nasceu

aquele que viria se tornar a obra-prima do

cinema de documentário: “Cabra Marcado

Para Morrer”.

16 Cinema


Eduardo Coutinho não sabia, mas estava

criando um novo conceito de se produzir

cinema. O então filme, em sua gênese, seria

uma obra ficcional, com os atores e atrizes

sendo os próprios moradores da região do

Engenho da Galileia, no interior de

Pernambuco. Entretanto, com o golpe de

1964, a obra sofreu repressão, com parte da

equipe sendo presa sob a acusação de

comunismo, tendo sua produção paralisada

por quase duas décadas.

Somente no início da década de 1980, mas

precisamente em 1981, Coutinho reencontrou

os negativos do filme, que para sobreviver à

batida policial, foram escondidos por um

membro da equipe, e, assim, resolveu

retornar a produção. Nessa retomada, surge

o desejo de alterar o que seria uma ficção

para um documentário, abordando a

paralisação da obra e a vida dos

personagens.

Financiado com recursos próprios e auxiliado

pelas viagens para o Nordeste, pautado pela

sua função na época como parte da equipe

do Globo Repórter, ele conseguiu localizar os

atores da versão original e entrevistá-los,

para assim formar o novo conteúdo. O foco

ainda seria a figura inolvidável da Elizabeth

Teixeira.

Cabra Marcado para Morrer é um filme que

aborda o começo, o meio e o fim de um

período nefasto na história do povo brasileiro,

trazendo pessoas normais como o seu

grande foco. De fato, a história se inicia em

meados de 1962, antes do início de suas

filmagens, pois seu estopim se dá pela luta

de João Pedro Teixeira, símbolo da

resistência camponesa, onde teve seu

destino encomendado pelo grupo de

latifundiários e foi assassinado a tiros em 02

de abril, pelas mãos de dois policiais

enquanto voltava de João Pessoa e levava

cadernos e livros aos seus filhos.

Quando em 1964, o documentarista começa

sua jornada, ele ouviu Elizabeth Teixeira, que

se tornaria a porta-voz da luta do seu

marido, e manteria acesa a luta camponesa.

A viúva, mãe de 11 filhos, enfrentou de frente

os algozes de seu marido e, junto a

população, buscou justiça pelo sangue

derramado, não só de João, mas de muitos

outros. Com o golpe militar e a perseguição

aumentando, a produção foi interrompida.

Mas a vida continuaria para essas

importantes figuras, e nesse ponto, onde

quase 20 anos depois Coutinho quer mostrar

aqui.

Para sobreviver, Elizabeth teve que deixar

seus filhos e viver uma vida clandestina, até

ser encontrada em 1981. As marcas da vida

estão para sempre nela, mesmo vivendo

agora como Marta Maria Costa,

interpretando uma vida que não lhe pertence

na cidade de São Rafael no Rio Grande do

Norte. A figura do que ela é, do legado que

ela pavimentou, é algo que sem palavras,

apenas com o olhar, é sentido. Ela passou

pela morte do seu parceiro, pela exclusão

social, passou a viver longe dos seus e sim,

demonstra toda a força de uma

sobrevivente.

17 Cinema


Em 2013, Eduardo Coutinho retornou à família

Teixeira, gravando o documentário “A Família

de Elizabeth Teixeira”, um reencontro 30 anos

depois do lançamento. Em 2023, foi lançado

o documentário “Elizabeth”, dos diretores

Alceu Castilho e Laura Faerman, retratando a

história da líder camponesa.

Em 2015, o documentário “Cabra Marcado

para Morrer” entrou na lista dos 100 melhores

filmes brasileiros de todos os tempos, de

acordo com a Associação Brasileira de

Críticos de Cinema (Abraccine), e se

mantém atual, como já foi dito

anteriormente, trazendo um reflexo da

repressão estatal e da luta dos povos menos

afortunados. O premiado diretor foi

assassinado de forma chocante pelo seu

filho que sofria de esquizofrenia a facadas.

Seu legado se mantém forte e sua visão

continua a perpetuar os novos diretores.

Ao sair em busca dos filhos de Elizabeth,

onde apenas o Carlos continuou com ela no

exílio, o documentário entra num território

mais pungente, onde cada um dos pedaços

deixados pela mãe, traz suas próprias

marcas. A revolta e o padecimento causado

pelo Estado, com a falta de respeito com a

figura humana, é algo que todos replicam,

independente de onde se encontram

geograficamente. Mesmo viva, é importante

ressaltar que todos perderam uma mãe e

guardam suas mágoas diante do passado.

Cabra Marcado para Morrer só foi lançado

após o fim da ditadura militar, e mesmo 40

anos depois, e 62 anos após a morte de João

Teixeira, ao se assistir, é impactante enxergar

como ainda há tanto dele vivo atualmente. O

tempo passou, a política se alterou, mas,

intrinsecamente, a sonegação de direitos

ainda tenta persistir.

Elizabeth Altino Teixeira, após o lançamento

de sua história foi morar em João Pessoa,

numa casa que ganhou de Coutinho, e em

2006 ganhou o Diploma Bertha Lutz, por sua

contribuição lutando pelo Brasil, e a medalha

Epitácio Pessoa. O ex-governador Ricardo

Coutinho tombou a casa onde viveu junto

com João Pedro, no sítio Antas do Sono, pelo

grande significado que exerce na cultura e

por seu valor histórico, se tornando o

Memorial das Ligas Camponesas.

y

18 Cinema


O cinema nordestino

por décadas

por Bea Alcântara

Mesmo com toda sua riqueza e

diversidade de gêneros, o cinema

nacional ainda sofre muito preconceito

diante da sociedade. Mesmo com uma

cartela de produções que passeiam do

terror ao drama, para muitos, o cinema do

Brasil é restrito às comédias consideradas

“pastelão”, com o senso de humor ainda

muito atrelado a programas como o Zorra

Total, da TV Globo.

E, se o cenário é de quebra de paradigmas

no contexto nacional, quando o assunto é

cinema nordestino, é possível encontrar

ainda mais obstáculos. Apesar disso, a

região não deixa a desejar em nada e traz

alguns dos principais nomes do cinema

brasileiro em sua bagagem. Segundo

dados do informe anual do Mercado

Cinematográfico, feito pela Abraccine e

OCA, cerca de 20% dos ingressos para

filmes brasileiros são nordestinos. Além

disso, constatou-se que entre 1995 e 2023,

a região do Nordeste lançou pelo menos 1

filme a cada ano, com mais de 5 milhões

de espectadores ao todo.

Para celebrar – e pavimentar ainda mais

– isso, abra o coração e embarque com a

gente nessa linha do tempo com 8 dos

filmes mais importantes do cinema do

Nordeste ao longo das décadas!

1960

ARUANDA

1980

BYE BYE BRASIL

2000

O AUTO DA

COMPADECIDA

2020

MAIS PESADO

É O CÉU

1950

REDENÇÃO

1970

DI-GLAUBER

1990

TIETA DO AGRESTE

2010

BACURAU

19 Cinema


O cinema nordestino

por décadas:

A LINHA DO TEMPO

1950: Redenção

Esse filme, do diretor Roberto Pires, é considerado

o primeiro longa-metragem da Bahia. Foi o

responsável por lançar o ator Geraldo Del Rey. É

também a partir de Redenção que surge o Ciclo

Baiano de Cinema, que durou de 1959 a 1963 e é

considerado um precursor do movimento do

Cinema Novo.

1960: Aruanda

Falando em precursor do tão famoso Cinema

Novo, o documentário de curta-metragem,

Aruanda, é um dos principais nomes nesse

sentido. Dirigido por Linduarte Noronha, a obra

mistura elementos de ficção e é, talvez, a obraprima

do cineasta, que se radicou como

paraibano.

1970: Di-Glauber/Di Cavalcanti

Di-Glauber é um curta-metragem de 1977,

dirigido por Glauber Rocha, que prestou

homenagem ao pintor Di Cavalcanti, falecido no

ano anterior. Desde 2015, o filme faz parte da lista

feita pela Associação Brasileira de Críticos de

Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes

brasileiros de todos os tempos.

1980: Bye Bye Brasil

Do final da década de 1970 e início dos anos

1980, Bye Bye Brasil é uma comédia dirigida por

Carlos Diegues e considerada por muitos como

uma das mais importantes produções desse

período. Também faz parte da lista dos 100

melhores filmes brasileiros de todos os tempos.

1990: Tieta do Agreste

Esse nome é conhecido, eu sei. No longa, Sônia

Braga vive uma das mais icônicas personagens

da dramaturgia brasileira: a Tieta do Agreste. O

filme é uma produção de Cacá Diegues e tem

um elenco de peso, com nomes como Chico

Anysio e Marília Pêra, que viveu a vilã Perpétua.

2000: O Auto da Compadecida

Se é para falar de marco, não pode faltar O Auto

da Compadecida. O filme lançado em 2000, do

diretor Guel Arraes, é baseado na peça teatral

de mesmo nome, de 1955 de Ariano Suassuna,

com elementos de outras obras do autor, além

de influências de Decamerão.

2010: Bacurau

Um clássico moderno, Bacurau, de Kléber

Mendonça Filho, é um filme de 2019 que engloba

os gêneros drama, faroeste, terror gore, fantasia

e ficção científica. Estrelado por Sônia Braga, Udo

Kier, Silvero Pereira e Bárbara Colen, seu título é

uma referência a uma ave de hábitos noturnos

comum nos sertões brasileiros, o bacurau.

O que implica dizer que inspirou

também o apelido do último

ônibus da madrugada no Recife.

2020: Mais Pesado é o Céu

Recém-chegado aos cinemas, Mais Pesado é o

Céu é um filme dramático dirigido pelo cineasta

Petrus Cariry, com Matheus Nachtergaele no

papel principal, abordando uma narrativa de

solidão. O longa conta a história de três pessoas

abandonadas pela vida que se encontram e

tentam sobreviver juntas.

y

20 Cinema


Série animada

NO SERTÃO DO NORDESTE,

VIRAMAventuras

SONHOS Aventuras

“Caçadores de Botija”, animação paraibana, espalha o folclore nordestino pelo Brasil — e o

financiamento coletivo está aberto para quem puder ajudar!

por Nalim Tavares

Eis aqui uma experiência pela qual toda criança

já passou: escutar histórias assustadoras dos

mais velhos. Você já deve ter ouvido falar de

uma casa assombrada, de um homem que

carrega crianças dentro de um saco ou de uma

tal mulher de branco parada na estrada,

esperando para pegar carona com algum

desavisado. Foi a partir dessas histórias que a

gente escuta de avô e avó que surgiu

“Caçadores de Botija”, uma série animada

desenvolvida pelo Mold Studio, único estúdio de

animação em João Pessoa, na Paraíba. Com o

objetivo de obter recursos para produzir 13

episódios da animação, uma campanha de

financiamento coletivo está aberta no Catarse.

O projeto, que surgiu no final de 2021,

acompanha um grupo de amigos em uma

jornada para encontrar botijas — panelas de

barro escondidas com o tesouro de uma

pessoa morta, cujo fantasma está cativo dentro

do objeto. Acontece que, para encontrar uma

botija, é necessário sonhar com ela, e é assim

que Lina embarca com seus melhores amigos,

Júlia, João, e Beto — seu bode de estimação,

nomeado em homenagem ao maior caçador

de botija de todos os tempos, Roberto Carneiro,

segundo os cordeis — em uma busca que, se

bem sucedida, vai libertar o espírito

aprisionado.

Para a estudante de História e pesquisadora

de lendas e manifestações populares,

Edryelle Marques, produções como essa têm

se mostrado uma das formas mais eficazes

de manter e disseminar a cultura nordestina

atualmente. “Na minha infância, época em

que eu brincava na rua, sentava nas

calçadas dos vizinhos e ouvia histórias,” ela

conta e observa que, hoje em dia, esse

costume não é mais tão comum. “Por outro

lado, todos estão muito conectados aos

celulares e às produções que são veiculadas

através das plataformas digitais.” Portanto,

para Edryelle, o acesso a animações sobre

lendas populares é um novo meio para

despertar nos mais jovens a curiosidade

pelo folclore local, e garantir que as histórias

vão continuar sendo passadas de geração

em geração.

Aos poucos, Lina e os amigos vão descobrindo

os mistérios que permeiam Serra Encantada,

cidade fictícia onde a trama acontece. Do

mesmo modo, nós, espectadores, esperamos

para saber o que o futuro reserva para os

Caçadores de Botija: a animação está em fase

de desenvolvimento, e a previsão é que o

lançamento aconteça em 2026.

21 TV


O Mold Studio foi fundado em janeiro de 2015

por quatro paraibanos que cursavam design

gráfico. Atualmente, conta com dois sócios:

Dennis Sabino e Dimítri Maia. Como diretor de

animação do estúdio, Dennis é uma das

principais mentes por trás do projeto. “Eu

sempre gostei de desenhos com um toque de

mistério, um background que tenha essa

pegada do terror. Não um terror do tipo que dá

sustos, mas que constrói aquela tensão e traz

uma sensação de estranheza, como ‘Coragem,

o Cão Covarde’, fazia”, ele relata. “Quando a

gente criou o ‘Caçadores de Botija’, imaginei

que esse era o melhor cenário para fazer algo

com terror e humor.”

Responsável pelo design dos personagens e

por planejar a base de cada episódio, Dennis

explica que buscou inspiração em outras

animações com uma atmosfera assombrada

— “A Casa da Coruja”, “O Segredo Além do

Jardim” e “Gravity Falls: um Verão de Mistérios”.

No entanto, o principal objetivo é disseminar a

cultura do Nordeste, com o sotaque, humor e

outros elementos característicos da região.

Com 25 mil visualizações desde o lançamento

há um ano, o trailer de “Caçadores de Botija”

gerou uma repercussão enorme. O apoio

popular é tanto que, para Dennis, a série se

tornou uma produção coletiva: através das

redes sociais do Mold Studio, seguidores

contaram suas próprias histórias com

assombrações, deram ideias de lendas

populares e, continuamente, manifestam sua

empolgação na sessão de comentários das

publicações.

O maior suporte que a

gente tem do público não

vem só das visualizações e

do Catarse, vem também

do auxílio com as ideias”,

Dennis afirma.

O processo para selecionar as lendas que

aparecem na primeira temporada foi longo.

A Manguda, a Mulher de Branco e o Velho do

Saco são algumas das figuras populares

com presença confirmada, mas o destaque

vai para o personagem Pesadelo,

adaptação da Pisadeira, que se apresenta

como antagonista da história. “O

personagem mais emblemático, disparado!

Às vezes ele nem aparece, mas você sente

que ele está lá. Ele pode entrar nos sonhos

para mudar o que acontece neles, então

pode fazer as crianças pensarem o que ele

quiser que elas pensem.” o diretor expõe.

“Tem tanta história na série! Uma delas,

inclusive, é baseada em uma história real,

que aconteceu na Paraíba, em Pedra Bonita.

Mas eu ainda não posso revelar muita coisa,

embora queira muito”.

Toda essa aura de mistério é justificada: do

desenvolvimento até o produto final, muita

coisa ainda pode mudar. Atualmente, nove

dos 13 roteiros estão prontos, mas existe,

inclusive, a possibilidade de que o número

de episódios planejados para a primeira

temporada se torne 26 — tudo depende do

financiamento e do canal ou plataforma em

que “Caçadores de Botija” será veiculada.

y

22 TV


10 SÉRIES PARA

OS ÓRFÃOS DE

House of The Dragon

O segundo ano da série “A Casa do Dragão”, produção original da Max,

foi finalizado no início de agosto e conquistou mais uma porção de fãs

sedentos pelos embates entre os irmãos Rhaenyra e Aegon Targaryen

pelo trono de ferro. Contudo, os próximos capítulos dessa trama só

retornam em 2026, deixando de saldo para os espectadores dois anos

de muita espera. Portanto, para você, caro leitor, aguentar firme até lá,

preparamos uma lista com 10 produções que trazem intriga familiar,

guerra e dragões na mesma medida.

Ficou curioso? Confere a lista abaixo:

1) Game of Thrones

O topo dessa lista não podia ser diferente,

né? A série original, da qual surgiu o

prequel, é a primeira quando pensamos no

assunto. Baseada em "As Crônicas de Gelo

e Fogo", a série explora Westeros com

tramas complexas sobre poder, corrupção

e guerras. Ganhadora de vários prêmios

Emmy, fez sucesso global desde sua

estreia em 2011.

2) Família Soprano

Tony Soprano, chefe da máfia de Nova

Jersey, lida com dilemas entre família e

crime. Exibida de 1999 a 2007, ganhou 21

Emmys e 5 Globos de Ouro, sendo pioneira

em personagens multifacetados.

3) Succession

Logan Roy, patriarca de uma família

poderosa, se recusa a ceder seu império.

Com atuações premiadas, a série aborda

com maestria as dinâmicas familiares e

luta pelo controle.

4) Médici: O Magnífico

Focada na dinastia Médici, a série explora

o crescimento do poder da família na

Florença renascentista. Com excelente

produção, recria a ambientação histórica

da época.

5) The Witcher

Geralt de Rívia, um caçador de monstros,

navega em um mundo de alianças

políticas e batalhas. Baseada nos livros, a

série mistura fantasia e aventura em uma

atmosfera intrigante.

6) The Last Kingdom

Uhtred, levado pelos vikings na infância,

busca recuperar suas terras no século IX. A

série retrata a Inglaterra medieval com

maestria, baseada nos livros "Crônicas

Saxônicas".

7) Merlin

Uma releitura moderna da lenda de Arthur

e Merlin, com foco na política e magia em

Camelot. A série equilibra drama e

fantasia, encantando diferentes gerações.

8) The Tudors

A série acompanha o reinado de Henrique

VIII e suas complexas intrigas políticas.

Com quatro temporadas, atraiu fãs com

seu drama histórico e personagens

cativantes.

9) Black Sails

Capitão Flint luta pelo controle da ilha de

New Providence, um refúgio para piratas.

Com quatro temporadas, a série combina

aventura, intrigas e grande ambientação.

10) Vikings

Inspirada em Ragnar Lothbrok, a série

narra sua ascensão de fazendeiro a rei.

Sucesso desde 2014, Vikings é elogiada por

sua fiel representação da cultura viking.

y

23 TV


Anéis de Poder:o guia

por Micael Menezes

A segunda temporada de O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder estreou no fim de agosto. Os

episódios do primeiro ano, contudo, foram ao ar em 2022 e, em dois anos, é normal não se lembrar

de tudo o que aconteceu. Neste guia, iremos te ambientar na Terra Média, relembrando os locais,

personagens e mais detalhes deste universo de fantasia. Vamos lá!

Para começar, você sabia que a principal fonte da série são os apêndices escritos pelo o J. R. R.

Tolkien? Sabemos o quanto a aventura na Terra Média é estimulante e nos deixa fascinados com

todo esse universo, e esse mesmo fascínio atingiu os leitores na época em que os livros ainda

estavam sendo publicados, gerando várias dúvidas e curiosidades que chegaram ao autor.

Por isso, com a publicação do último livro da trilogia, O Retorno do Rei, Tolkien incluiu seis

apêndices com informações reunidas de anotações que ele vinha escrevendo desde O Hobbit,

tudo isso para enriquecer ainda mais esse universo. Esses apêndices dão mais detalhes sobre os

anos anteriores, reinos, culturas, línguas e muito mais.

Eles são separados da seguinte forma:

Apêndice A – Anais dos Reis e Governantes

Apêndice B – O Conto dos Anos

Apêndice C – Árvores Genealógicas

Apêndice D – Calendário do Condado

Apêndice E – Escrita e Ortografia

Apêndice F – As Línguas e os Povos da Terceira Era

E é a partir desse conteúdo - com

pouco mais de 100 páginas - que

a série faz uma adaptação para

retratar e expandir aventuras na

Segunda Era da Terra Média.

24 TV


Locais

Terra Média: É o principal continente de Arda, o mundo deste universo. É aqui onde a maioria das

histórias criadas por Tolkien acontecem.

Lindon: Um dos reinos dos Elfos. Governada pelo Alto Rei Gil-galad.

Eregion: Um dos reinos élficos e onde os Três Anéis Élficos foram forjados na primeira temporada.

Uma importante batalha é esperada na segunda temporada.

Khazad-dûm/Moria: Khazad-dûm é o reino subterrâneo dos Anãos na Segunda Era e que mais

tarde também será chamado de Moria, local muito conhecido dos fãs de Senhor dos Anéis.

Númenor: Terra dos Humanos descendentes de Edain, também chamados de númenorianos. Foi o

lugar onde vimos mais da parte política da série.

Mordor: Teremos uma visão mais próxima da trilogia principal, já que no final da primeira

temporada as Terras do Sul foram destruídas por uma super erupção e se transformaram em

Mordor, o futuro reino de Sauron.

Rhûn: Destino escolhido pelo Estranho no fim da primeira temporada, é uma região que fica no

leste da Terra Média. É conhecida por ter vários apoiadores de Sauron.

25 TV


Personagens

Galadriel (Morfydd Clark): A protagonista da primeira temporada segue atrás

de Sauron em busca de vingança pela morte do irmão. Não se opondo à

criação dos Três Anéis para os elfos, a personagem terá um grande senso de

responsabilidade no segundo ano da série.

Elrond (Robert Aramayo): Ao fim dos primeiros episódios, o meio-elfo Elrond

também descobriu que Halbrand era Sauron, mas os Três Anéis já haviam

sido forjados. Veremos como será a relação dele com Galadriel por conta

dessa decisão.

Sauron/Halbrand/Annatar (Charlie Vickers): Veremos uma nova faceta do

Lorde das Trevas nesta segunda temporada. Após a revelação de que

Halbrand na verdade é Sauron, ele também aparecerá como o elfo Annatar, o

“Senhor dos Presentes”, pronto para enganar os demais elfos em busca do

poder.

Celebrimbor (Charles Edwards): Um elfo e mestre ferreiro que com um

“empurrãozinho” de Halbrand e encorajado por Galadriel, usou Mithril para

forjar os Três Anéis Élficos no fim da primeira temporada. Agora veremos os

desdobramentos que essa decisão trará para ele e os elfos.

Círdan: Único elfo conhecido a ter barba e um dos mais sábios.

Provavelmente aparecerá na segunda temporada. Ele é o portador de Narya,

o Anel de Fogo.

Durin IV (Owain Arthur): Príncipe anão que foi deserdado pelo pai, Durin III,

após ter sido descoberto fazendo a mineração de Mithril, o que tinha sido

proibido. A mina foi selada, e agora veremos qual será o futuro do

personagem.

Míriel (Cynthia Addai-Robinson): Rainha de Númenor que após a batalha nas

Terras do Sul perdeu a visão. Ela retornou para o seu reino em busca de mais

apoio militar na luta contra os Orques, mas terá que superar a morte do pai,

antigo Rei de Númenor.

Isildur (Maxim Baldry): Um númenoriano que teve um fim trágico na primeira

temporada, sendo soterrado por uma casa em chamas. Mas ele é uma figura

importante no universo de O Senhor dos Anéis, então a sua volta para a série é

certa, tendo inclusive aparecido no trailer.

O Estranho (Daniel Weyman): Um mago misterioso que não teve a identidade

revelada em toda a primeira temporada. Foi alvo de várias teorias, a mais

popular de que ele seria Gandalf. Veremos o que os novos episódios nos

mostrarão já que ele partiu em uma nova jornada.

Tom Bombadil (Rory Kinnear): Personagem dos livros e querido pelos fãs que

não apareceu nos filmes de O Senhor dos Anéis, mas foi confirmado na

segunda temporada.

y

26 TV


Foto: Jacieny Dias

O Nordeste é Pop

Nossa terra tem tudo de bom e mais um pouco! De paisagens únicas a convenções

nerds e shows de artistas queridinhos do nosso país, todo mundo é feliz por aqui.

por Amanda Furniel

Com suas praias que são refúgios e casas de felicidade, sua cultura contagiante

e seu povo acolhedor, o Nordeste é um dos destinos turísticos mais populares do

Brasil, atraindo gente do mundo todo. Salvador, por exemplo, recebeu cerca de 4

milhões de turistas até junho deste ano, segundo o Observatório de Turismo de

Salvador. Contudo, o Nordeste é muito mais do que suas praias e tais paisagens

de tirar o fôlego. O Nordeste é POP!

“Acho que a pluralidade de coisas aqui na região é muito grande. O maior

diferencial creio que sejam as tradições, que se mantém mesmo com o passar

do tempo e com a modernização. A tradição cultural se mantém forte nas suas

raízes ancestrais”, afirma a jornalista e influenciadora Mikhaela Araújo, que é

apaixonada por tudo que envolve cultura e está sempre entre os melhores rolês

nordestinos.

O Nordeste é a região brasileira com mais

estados, sendo nove ao total: Alagoas,

Ceará, Paraíba, Bahia, Piauí, Pernambuco,

Maranhão, Sergipe e Rio Grande do Norte.

A Bahia é o maior entre eles, com uma

grande riqueza cultural influenciada pelos

8 estados brasileiros que fazem fronteira

com ele – Alagoas, Sergipe, Pernambuco,

Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Piauí e

Tocantins.

27 Capa


João Pessoa, capital da Paraíba, é a

primeira cidade em todo o continente

sul-americano a ser abençoada pela luz

do sol. A capital paraibana abriga o

ponto mais oriental da América,

chamado de Ponta do Seixas, e, como o

nascer do sol é ao leste, a cidade é a

primeira a recebê-lo.

Mas não pensem que é só turismo que

você vai encontrar por lá, Recife abriga

o maior parque tecnológico do Brasil, o

Porto Digital. Ele é considerado um dos

principais ambientes de inovação do

nosso país, reunindo mais de 240

startups do setor tecnológico.

Casa de Ivete Sangalo, Luiz Gonzaga,

Alcione, Alceu Valença e diversos outros

nomes gigantes, a cultura pop

nordestina é ouro brasileiro. Festivais de

música, convenções geeks, museus,

teatro e audiovisual... Tem de tudo para

todo mundo. Para celebrar essa região,

a Frappé reúne um guia que vai te

mostrar o que o Nordeste tem para

oferecer. Segue o mapa aí!

Bônus da

Mikha

Se perguntarem para a Mikha qual foi o

melhor o rolê que ela já foi no Nordeste,

ela vai te dizer sem hesitar: Coquetel

Molotov!

O Coquetel Molotov é um festival de

música independente que se tornou um

marco na cena musical de Recife e do

Nordeste. Realizado anualmente, o evento

reúne um público diverso e apaixonado

pela música autoral, promovendo a troca

cultural e a valorização de novos talentos.

O festival se destaca por apresentar uma

programação eclética, com uma

curadoria que busca trazer o melhor da

música independente brasileira, com foco

especial nos artistas locais e regionais. A

cada edição, o festival revela novas

bandas e cantores, consolidando a sua

posição como um importante lançador de

carreiras.

Além da música, o Coquetel Molotov

oferece uma experiência completa para o

público. A cada edição, o festival ocupa

diversos espaços da cidade,

transformando ruas, praças e centros

culturais em verdadeiros palcos. Além dos

shows, o público pode contar com

atividades paralelas como workshops,

debates, exposições de arte e feiras de

artesanato, criando um ambiente vibrante

e democrático.

y

28 Capa


Maranhão

Se você busca uma experiência autêntica e

quer conhecer a alma do Maranhão, o Cacuriá

da Dona Teté é imperdível. Prepare-se para se

emocionar, se divertir e se conectar com a rica

cultura maranhense. Essa é uma oportunidade

única de vivenciar uma tradição que resiste ao

tempo e continua a encantar gerações.

Piauí

O Theatro 4 de Setembro, em Teresina, é um

convite irresistível para uma jornada pela

história e pela arte do Piauí. Com sua

arquitetura imponente e uma história rica, o

teatro é um dos mais importantes palcos para

as artes cênicas do estado.

Rio Grande do Norte

Criado em 1998, o MADA se tornou um dos

principais eventos do cenário musical

brasileiro, reunindo grandes nomes e novos

talentos em um mesmo palco. A programação

eclética, que abrange desde o rock e o pop até

a MPB e o eletrônico, garante que todos

encontrem algo para chamar de seu.

Ceará

A Pinacoteca do Ceará é um verdadeiro portal

para a rica história e produção artística do

estado. Inaugurada em dezembro de 2022,

essa instituição é um convite para uma

imersão na alma cearense, através de suas

obras de arte. É uma experiência única, que vai

além da simples contemplação das obras.

29 Capa


Paraíba

O Imagineland é o maior evento de cultura pop

do Nordeste e transforma anualmente o Centro

de Convenções de João Pessoa em um portal

para outros mundos. Se você é fã de séries,

cinema, anime, games, k-pop, cosplay e tudo o

que há de mais incrível na cultura pop, não

pode perder essa experiência única!

Pernambuco

Mergulhe no coração pulsante de Pernambuco!

O Recife Antigo é um convite irresistível para

uma jornada pela história, cultura e arte. Em

um único passeio, você poderá explorar

diversos pontos turísticos que contam a rica

história da cidade e do estado.

Alagoas

Prepare-se para uma explosão de criatividade

e cultura no Festival Carambola! Mais que um

festival, é um movimento que celebra a

música, a arte e a diversidade. Imagine um

lugar onde ritmos se misturam com cores

vibrantes e a energia contagiante te convida a

dançar.

Sergipe

O Museu da Gente Sergipana é parada

obrigatória. Com fácil acesso e

estacionamento, além de opções de

alimentação e descanso nas proximidades, sua

visita será ainda mais prazerosa. Uma

experiência única para todas as idades!

Bahia

Festival de Inverno da Bahia é muito mais

do que um simples evento musical. É uma

verdadeira celebração da cultura, que

aquece o coração de Vitória da Conquista

e transforma a cidade em um polo cultural

durante os meses mais frios do ano.

Quer saber mais? Confira o

material completo no nosso site!

30 Capa


Contação de histórias

como recurso

terapêutico

Encontros no Recife

convidam mulheres a

refletir e repensar a

estrutura da

sociedade a partir de

contos do livro

“Mulheres que correm

com os lobos”

Primeiros encontros do grupo

foram realizados em uma livraria.

por Paloma Xavier

O termo “loba” tem sido cada vez mais utilizado

nas redes sociais como sinônimo de mulher

intimidadora, confiante e bem resolvida. A figura

- que já aparecia em um dos hits de Alcione e na

fase da “idade da loba” - ficou mais popular com

o best seller “Mulheres que Correm com os

Lobos”, da psicanalista estadunidense Clarissa

Pinkola Estés.

Esse último tem sido, inclusive, ferramenta para a

jornada de autoconhecimento de muitas

mulheres. No Recife, em Pernambuco, um projeto

de contação de histórias leva os capítulos do

livro para reuniões reflexivas com o público

feminino.

Encabeçado pela psicóloga Élida Barros, o

projeto do MVI começou em outubro de 2023.

“Surgiu do encontro de pacientes. Eu atendo na

parte clínica e vi que alguns casos davam para

trabalhar através de contação de histórias, com

recursos lúdicos. Eu levo isso para minha clínica,

essa parte mais artística”, conta.

“Levando algumas vezes para as mulheres esses

contos, eu vi o efeito que tinha, como aquilo era

potente. Notei que as histórias de três delas se

pareciam e pensei em fazer um grupo com elas.

Então eu contaria aquela história em vez de

repetir a história várias vezes”, acrescenta a

psicóloga.

Élida relata que a recepção foi tão boa que o

grupo foi expandindo e até ganhou um apelido

especial: “Essas pacientes gostaram muito e

queriam convidar amigas, familiares,

companheiras. E assim foi crescendo o

movimento, daí fizemos as ‘foquinhas’.”

Com a expansão, a psicóloga decidiu investir na

abordagem do livro “Mulheres que correm com

os lobos”, da psicanalista Clarissa Pinkola Estés.

Nos encontros mensais que começaram em

fevereiro, a psicóloga tinha como objetivo

provocar as convidadas a repensar a estrutura

da sociedade e afetos, inclusive através do

compartilhamento das próprias vivências.

31 Literatura


Em um encontro imersivo, as “lobas”

participaram de um evento com mais contato

com a natureza no intuito de estabelecer uma

conexão maior com a “mulher selvagem”

Michelle afirma que essa potência

surge dentro de cada mulher: “Eu

comecei a perceber que a força da

voz eu tenho em qualquer espaço

que eu estiver inserida. E é possível a

partir do momento que eu perceba a

importância e o valor que eu tenho

dentro da sociedade. Eu comecei a

ver que essa força é como se fosse

uma de uma loba mesmo”

“Esse livro tem um significado na

minha própria história, me resgatou

para esse lugar sagrado feminino e

me reconectou comigo mesma. Foi

um livro que me direcionou para

um lugar de acolhimento e de

reflexão. Trabalhei esse livro por

muitos e muitos tempos sozinha. E

estudando esse projeto tive essa

‘mensagem’ de por onde começar”,

destaca.

Nos encontros, Élida conta a história

- sem ler - de um dos contos do

livro, omitindo e mudando alguns

detalhes para provocar a reflexão

das convidadas. Em seguida, o

grupo opina sobre o conteúdo e até

compartilha vivências.

Com as “foquinhas”, já havia um

acompanhamento, além de

propostas para programas

diferenciados. No grupo de

contação de histórias - que

também inclui as foquinhas que

desejarem frequentar -, Élida teve o

cuidado de coletar o feedback de

cada uma das participantes após o

primeiro encontro e se dispor a uma

escuta terapêutica quando alguma

convidada sentir necessidade.

O projeto continua explorando o

livro e outras atividades e pode

continuar expandindo. “Eu sou a

mulher que busca crescer e gosto

de usar recursos artísticos, como

literatura e contação de histórias. A

vivência do experimento com a arte

não requer explicações prévias ou

um entendimento posterior. E fico

muito feliz que tem funcionado e o

grupo vai crescendo por divulgação

boca a boca, por indicação, sem

precisar fazer marketing.”

Lobas

A instrutora de aprendizagem

Michelle Moura é uma das mulheres

que frequenta os eventos de

contação de histórias. Aos 46 anos,

ela redescobriu sua potência

através da experiência, mesmo sem

ter lido a obra de Clarissa.

“Descobri a força dessa união de

mulheres. Um grupo que pudesse

se apoiar, ouvir, acolher, empoderar

e oferecer justamente esse espaço

de escuta. A partir dele, esse desejo

de querer estar junto e unindo

forças com as mulheres foi

aumentando”, relata.

“Eu e uma outra colega começamos

a trazer um pouco esse olhar e

cuidado com o jovem. Usamos essa

força que nós temos em observar os

detalhes e analisar os fatos de

maneira mais cuidadosa. Saber do

meu valor e saber que tenho essa

voz pode ajudar a ecoar reverberar

esse cuidado e me levar para

espaços que eu nem imagino”,

complementa.

Michelle exemplifica esse impacto

com um convite feito por um grupo

de mulheres do Sebrae para falar

sobre empoderamento feminino,

quando aproveitou o momento para

reforçar a importância da sororidade.

“A gente também pode ser exemplo

para outras e sem precisar pagar a

luz de uma pra brilhar. Esse brilhar

não é para você tornar isso uma

arma contra outras mulheres. Pelo

contrário, é para mostrar que nós

podemos ser multiplicadoras”,

finaliza.

y

A gente também

pode ser exemplo

para outras e sem

precisar pagar a

luz de uma pra

brilhar.

32 Literatura


Foto: Rayssa Soares/Divulgação

Verde Gás:

UMA JORNADA DISTÓPICA

PARAIBANA

por Gabriell Alves

33 Literatura


Você sabe o que é uma distopia? Nada mais é do que

uma história que se passa em um cenário que tem

um sistema de governo autoritário. O gênero serve

como crítica social e política, pois nesse cenário

opressivo, as condições de vida dos personagens são

desumanas. Os enredos distópicos também envolvem,

geralmente, os protagonistas passarem por uma

jornada de autoconhecimento e situações extremas

para derrotar o governo totalitário.

A primeira distopia surgiu no final do século XIX, com

obras como “A Máquina do Tempo” (1895), de H.G

Wells. Nessa época, esse estilo literário era muito

relacionado à ficção científica. Só a partir do século

20, em um período pós-Primeira Guerra, que os

grandes clássicos distópicos surgem, como “Nós”

(1920-1921), do russo Zamiátin, que é considerado um

dos pilares do gênero, por que influenciou grandes

obras como “Admirável Mundo Novo” (1932), de Aldous

Huxley, “Revolução do Bichos” (1945) e “1984” (1949), de

George Orwell, e “Fahrenheit 451” (1953), de Ray

Bradbury.

Na segunda metade dos anos 2000, o gênero volta a

cair nas graças do público, mais precisamente nos

adolescentes e jovens, a partir de sagas literárias

conhecidas como as trilogias Jogos Vorazes (2008-

2010), Maze Runner (2009-2011) e Divergente (2011-

2013). O sucesso foi estrondoso, principalmente porque

essas obras ganharam adaptações para o cinema

que foram muito bem nas bilheterias.

Com tantos exemplos internacionais, imagine uma

distopia onde o principal cenário é a sua cidade, as

ruas que você cresceu e todo esse ambiente que lhe é

familiar. Essa é a proposta de Verde Gás.

Ideal para os fãs de The Last of Us, Verde Gás é

um livro distópico que se passa na cidade de João

Pessoa, na Paraíba. Escrito por Ricardo Oliveira,

também paraibano, o livro narra a jornada de

João, um arquiteto que vê a vida mudar

radicalmente ao encontrar seu condomínio

tomado por um gás tóxico. A tensão aumenta

quando João nota que todos os moradores

morreram e que ele é o único sobrevivente. João

então decide passar dias enterrando os corpos,

limpando casas e mexendo no passado dos

vizinhos, familiares e amigos de infância.

Verde Gás tem um ritmo peculiar, não espere um

frenesi. O leitor precisa estar aberto ao que o livro

traz e ao que ele fala. João precisa entender onde

ele está e isso faz com que o protagonista

necessite ser resiliente, mas como ter resiliência

quando todo o cenário à sua volta muda

radicalmente? Quando se está em um pesadelo?

Quando não há como voltar para o passado e

impedir que a tragédia aconteça? O protagonista

se agarra aos enredos vivenciados por aqueles

que morreram e isso o ajuda a descobrir quem ele

é.

A história se passar na capital paraibana faz com

que o leitor sinta uma proximidade maior com

João. É como se ele fosse um conhecido distante,

ou como se a qualquer momento você pudesse

encontrá-lo na praia ou nas feirinhas de João

Pessoa. Essa decisão de Ricardo, de fazer da

capital um cenário distópico, surgiu como um ato

político para quebrar com o forte consumo de

produções hollywoodianas – histórias que se

passam em Nova York, Londres, etc.

34 Literatura


Ricardo diz que a inspiração também veio da

observação de prédios abandonados de João

Pessoa. Quando ele passava por cenários

parecidos, lembrava-se de universos distópicos,

como The Last of Us, e decidiu usar como referência.

“Tem muitas casas no centro que estão

abandonadas, mas ainda assim estão no meio de

espaços residenciais, espaços comerciais. Eu

brincava de chamar de mini apocalipse. Você

passa, está relativamente normal e tem aquele mini

apocalipse no meio das coisas”, conta o escritor.

Esses apocalipses pequenos podem ser visualizados

nas descrições dos cenários do livro. O leitor vê uma

João Pessoa devastada pelo caos tranquilo. Para

moradores pessoenses e paraibanos, o livro pode

ser uma nova perspectiva sobre a cidade. Para

turistas, um despertar de curiosidade e

conhecimento sobre a capital onde o sol nasce

primeiro.

O trabalho de Ricardo foi recebido com entusiasmo

pelo público, não só local, mas também por turistas.

A ideia de narrar uma distopia que traz uma jornada

de autoconhecimento na capital da Paraíba trouxe

um novo significado para leitores do gênero, pela

carga um pouco dramática e introspectiva que

oferece.

O projeto gráfico, dessa vez, foi um processo

diferente. Ao invés de eu estar montando um

briefing para uma editora, e a editora tomar as

decisões, eu montei o briefing e me sentei com uma

pessoa com quem já trabalhei outras vezes, que é o

Ryan Rodrigues. Ele vem mudando, me

entrevistando e fazendo uma série de perguntas.

Mostro trabalhos que são referência e trabalhos

dele que são referências para mim. Daí, chegamos

nesse resultado: uma capa linda e esse projeto

fantástico que acho expressar mais ainda do livro”,

explica o autor.

Verde Gás tem um caminho promissor pela frente:

como dito anteriormente, foram 300 exemplares

vendidos em menos de um ano e a segunda edição

lançada em um evento local reconhecido. E, além

disso, o livro e o escritor também contam com o

apoio de canais de comunicação da Paraíba, como

o portal G1 e a rádio CBN, e de espaços literários

como a Livraria do Luiz.

O autor – Ricardo Oliveira também é autor de “Eu Te

Filmei e Isso Não Fez de Mim Um Cineasta” (2020) e

do conto “Mais Uma Ficha” (2023), ambos

disponíveis para empréstimo pelo Kindle Unlimited,

que podem ser lidos através do app ou dispositivos

Kindle. y

“As pessoas receberam muito bem e mostraram

para mim que mais do que só ser um gesto político,

também tem uma força de mercado, mais pessoas

estão interessadas em ler. Quando as pessoas que

são turistas e olham o livro e veem a informação de

que o livro é uma distopia que se passa em João

Pessoa, eles se interessam pelo livro e levam”,

destaca Ricardo.

Lançado no final de 2023, a obra ganhou uma

segunda edição em 2024, porque a primeira, com

300 exemplares, esgotou. A edição nova,

independente e financiada por uma campanha

coletiva de patrocinadores, possui design e

identidade visual completamente novos, que visa

trazer a vibe da história. O autor sentiu essa

necessidade de recircular o livro para intensificar o

hype. A estratégia foi lançar perto do Imagineland,

evento realizado em João Pessoa no mês de julho, e

estar com as impressões em mãos durante os três

dias de evento. Ricardo diz que essa edição é

especial, pois há conteúdos extras e traz algo novo

sobre a trama.

35 Literatura


por Thaissa Freitas

5 dicas de

marketing para

autores iniciantes

Um dos maiores desejos dos autores iniciantes é que

suas ideias, histórias e pensamentos sejam vistos e,

principalmente, amados pelos leitores. No entanto,

ser visto é um pouco mais complexo quando se opta

por ser um autor independente.

Isso porque existem os custos de produção, é preciso

vender seu peixe sem dar spoiler, escrever,

diagramar e ainda pensar em como vai fazer da

experiência de compra a mais incrível possível.

Bom, talvez você não tenha pensado por esse lado,

mas ser um autor independente é como ser dono de

uma empresa. Parabéns, você está empreendendo

com palavras!

Marketing digital para autores - as coisas podem

ser mais simples

O marketing digital não se resume apenas às redes

sociais e vídeos virais. Marketing, antes de qualquer

coisa, é comunicação de algo que existe. A era do

marketing digital não muda isso, muda a forma

como comunicamos e o alcance que podemos ter.

Para ter sucesso no marketing digital, é preciso ser

estratégico e autêntico. Saber o que está em alta,

mas usar apenas aquilo que realmente faz sentido

para você - o efeito manada nem sempre vai ser

bom.

Foto: Divulgação

Ah! Não precisa se complicar pensando em câmeras

de milhões, a edição de milhões. Basta começar, mas

começar da maneira correta.

Vamos às nossas dicas?

36 Literatura


3 - Use a abuse das ferramentas que as

redes sociais oferecem

1 - Esteja onde seu leitor está, mas que

poucos escritores estejam

Sempre experimente as novas formas de

conteúdo que as redes lançam. Elas vão

priorizar entregar o conteúdo que utilizam

de suas ferramentas.

No começo, pode ser um pouco

complicado “competir” com livros e autores

já reconhecidos. E geralmente, eles estão

nas principais plataformas de redes sociais,

como o Instagram e o Tik Tok.

Há diversas redes e novas plataformas

surgindo a quase todo momento, mas eu

quero falar de uma que teve o seu hype

alguns anos atrás e que vai bombar

novamente: o Pinterest.

Crescer no Pinterest pode ser mais fácil do

que nas redes sociais, já que o Pinterest é

uma plataforma de negócios, não uma

rede social. O que significa que, não

importa número de seguidores, você vai ter

um bom alcance se seguir as diretrizes e

manter a frequência com a otimização dos

títulos, descrição e hashtags.

Quando a função do reels foi lançada no

Instagram para bater de frente com o Tik

Tok, o alcance de diversas contas

pequenas foi para a casa dos milhões.

Essas plataformas precisam de público e

presença. É óbvio que vão priorizar o

creator que conseguem fazer isso por meio

de suas funções - novas e antigas.

Sem vergonha, apenas use o que as redes

oferecem a seu favor.

4 - Não tenha vergonha de estar

começando

Essa dica serve para as redes sociais e

também funciona se você está escrevendo

e lançando seu primeiro livro. Não espere

perfeição e 100% de acertos. Nem os

autores mais reconhecidos conseguem

acertar tudo e agradar seu público todo.

2 - Não complica, faz o básico bem feito

Sem grandes produções, o simples tem

funcionado muito bem nas redes sociais!

As gerações de Z em diante estão cada vez

mais focadas no que é real, em posts que

não parecem anúncios e conteúdos que

entretenham ou ensinem algo que elas

considerem úteis. Um bom celular com

câmera e áudio de qualidade e as mídias

postadas na vertical já são um bom

começo.

É importante que você leia as diretrizes e

acompanhe as dicas das próprias

plataformas para entregar conteúdos de

qualidade e que façam sentido para sua

audiência.

Eles se concentram naquilo que escrevem

bem e no que perceberam que a maioria

de seus leitores amam e comentam

positivamente na internet.

Então, diminui a autocobrança e pressão

que está fazendo com si mesmo.

5 - Divirta-se

Tanto a escrita como o marketing precisam

ser uma coisa leve e divertida para fluir

bem. Apesar da recomendação de

aproveitar as ferramentas que as redes

sociais fornecem, saiba limitar aquilo que

te causa irritação em fazer e faça mais

daquilo que você sente prazer - sem deixar

o comprometimento de lado. y

37 Literatura


por Rayssa Oliveira

Do Recife ao mundo:

os 30 anos e o legado

de “Da Lama ao Caos”

38 Música


Em abril de 1994, há pouco mais de 30

anos, o mundo descobriu que um bom

músico não precisa de notas. Para tal

artista, basta deixar “tudo soando bem

ao pé do ouvido”. Não é exagero a

utilização da palavra “mundo”. Afinal,

essa descoberta transcendeu as

fronteiras do Brasil e chegou a terras

distantes. O passageiro que ultrapassou

essa ponte cultural e linguística cravou

sua marca na história de Pernambuco e,

em 2024, continua tão atual quanto foi

há três décadas. “Da Lama ao Caos”, de

Chico Science & Nação Zumbi (CSNZ),

foi uma revolução coletiva que ainda

carrega consigo não somente o título

de principal expoente do manguebeat,

mas também de diplomata da música

brasileira no exterior.

O local que permite o nascimento do

movimento não é desconhecido a quem

já prestou atenção ao que Chico

Science diz na canção “Antene-se”,

décima faixa do disco: “na quarta pior

cidade do mundo, Recife”. De certa

forma, a história do manguebeat se

confunde com a história da decadência

que assolava a cena recifense nos anos

90. Durante boa parte da história do

Brasil, a capital pernambucana foi uma

das cidades mais importantes do país e

um destacado polo cultural e

intelectual do Nordeste. A famosa

Faculdade de Direito do Recife

(integrada atualmente à Universidade

Federal de Pernambuco) é uma das

instituições superiores de Direito mais

antigas do Brasil, onde importantes

figuras se formaram. O maior pedagogo

da América Latina, Paulo Freire, era

recifense. E também caminhou pelas

margens do Capibaribe, João Cabral de

Melo Neto.

Entretanto, o berço de tantas riquezas

culturais encontrava-se praticamente

abandonado pelo poder público. Quem

passeia pelo belo Centro Histórico de

Recife hoje talvez não imagine que, em

1990, a cidade tenha sido considerada a

quarta pior do mundo para se viver, de

acordo com o Population Crisis

Committee, índice que levava em

consideração variáveis como

desemprego e violência. Mas a

aparente decadência do Recife Antigo

abria espaço para jovens que estavam

dispostos a utilizar suas vivências de

discriminação e desigualdade como

fonte para produzir arte. E é nessa cena

que as mentes por trás de Da Lama ao

Caos ganham destaque.

Não é novidade que tempos difíceis

podem ser terreno fértil para as mais

belas e complexas expressões artísticas.

Foi assim nos Estados Unidos, na

chamada “Era do Jazz”. Foi assim no

Brasil da ditadura militar. E foi assim no

Recife dos anos 90. Mais

especificamente, em 1992, quando foi

distribuído o manifesto “Caranguejos

com Cérebro”, escrito por Fred 04,

considerado o marco inicial do

movimento que seria batizado de

manguebeat. Os “mangueboys” e

“manguegirls” anunciavam a sua

chegada (ou existência) avassaladora

em uma cidade que já não conseguia

mais sustentar a ilusão de progresso

que um dia ostentou. Dessa lama

energizada sairiam grupos como Mundo

Livre S/A e, claro, Chico Science &

Nação Zumbi.

39 Música


Dois anos depois do marco fundador do manguebeat, foi lançado o seu principal

representante. Intitulado Da Lama ao Caos, o disco conta com 14 faixas e produção

do veterano Liminha, conhecido pelo seu envolvimento com grandes nomes da

música brasileira. O álbum traz em cada uma das suas canções o amálgama de

gêneros musicais que caracteriza o manguebeat. A mistura de rock, hip hop, pop,

maracatu, samba, soul e psicodelia é um deleite sonoro que apenas uma mente

como as que compõem a CSNZ poderiam proporcionar. A estranheza dessa mescla

não passou despercebida nem ao próprio Liminha, que afirmou ainda em 1994 que

teve dificuldades na gravação dos tambores e caixa - amplamente vindos do

maracatu. “É uma bateria desmembrada”, teria dito o músico.

Apesar de ter recebido elogios da crítica (que na época parecia dividida entre

categorizar o trabalho como pop ou como rock), inicialmente, o álbum não vendeu o

esperado para a época. Segundo o jornalista José Teles em “Do Frevo ao

Manguebeat”, a gravadora da banda dava prioridade a outros atos “alternativos”

como Planet Hemp e Gabriel O Pensador. Mesmo assim, conseguiu o título de Disco

de Ouro em 1995 e CSNZ embarcou em turnês internacionais. Os shows nos Estados

Unidos renderam duas menções repletas de elogios nada econômicos à banda no

conceituado The New York Times. Não faltou também o principal atestado que uma

música precisa ter para virar sucesso no Brasil: fazer parte da trilha sonora de uma

novela. “A Praieira” tocava nos capítulos do folhetim Tropicaliente, da Rede Globo. E

em 2007, o disco foi listado como o décimo terceiro melhor álbum da música

brasileira.

Listar as múltiplas conquistas de um

trabalho feito por jovens recifenses

advindos da cena alternativa é, sem

dúvidas, um trabalho que dá prazer de

ser realizado. Mas a atemporalidade

de Da Lama ao Caos não mora nos

prêmios, rankings, vendas ou no

reconhecimento de estrangeiros. A

poesia quase profética de Chico

Science & Nação Zumbi, marcada pela

denúncia de problemas estruturais

como desigualdade, urbanização

desenfreada, decadência cultural,

falta de oportunidades para a

juventude, racismo e violência policial,

é relevante ainda hoje, em 2024, 30

anos após a primeira vez que a banda

gravou suas canções.

40 Música


Apesar do contexto ser uma parte fundamental do manguebeat, se tirássemos os

versos de qualquer música de Da Lama ao Caos e pedíssemos para uma pessoa que

não conhece a banda lê-los, ela poderia facilmente achar que eles foram inspirados

por eventos recentes do cotidiano brasileiro. É um legado agridoce o de resistir ao

tempo pela qualidade da obra, mas também pela ausência de transformação e

erradicação dos problemas criticados por ela.

Algumas coisas mudaram e outras continuam sendo precedidas pelo advérbio

“ainda”. O Recife Antigo foi revitalizado nos anos 2000. Suas ruas definitivamente

melhoraram em relação aos anos 90. Um novo ranking definiu que Harare, no

Zimbábue, agora é a quarta pior cidade do mundo para se viver. Nação Zumbi

continua lançando ótimos trabalhos. A cantora pernambucana Duda Beat

“sampleou” “Coco Dub” na sua música “DRAMA”. A polícia ainda mata gente

inocente. O homem coletivo ainda sente a necessidade de lutar. O de cima ainda

sobe e o de baixo ainda desce. Uma cerveja antes do almoço ainda é muito boa

para ficar pensando melhor. A morte de Chico Science ainda dói. E o Recife continua

exalando cheiro de mangue.

y

41 Música


Era agosto de 2009. Na música nacional,

vários segmentos mostravam um

cenário bastante diversificado de

gêneros e ritmos. O sertanejo

universitário, liderado na época por

artistas como Luan Santana, começava

a dar os primeiros indícios do sucesso

que dura até hoje. Por outro lado, a

influência do pop rock também estava

em alta, com grupos como NX Zero e

Fresno, que venceram até mesmo

categorias no Prêmio Multishow daquele

ano. Para agregar a este cenário, uma

música não parava de tocar nas rádios:

Me Adora, da Pitty, envolvia a todos

com sua crítica ácida à imprensa e aos

haters na sociedade.

TRAGO SEU HIT DE VOLTA:

Pitty em

“Chiaroscuro”

De origem baiana e com o gênero rock

como seu carro-chefe, Pitty não era um

rostinho novo ao lançar este smash hit.

Ela surgiu no cenário musical seguindo

na contramão do que estava em alta

naquele momento, em que músicas de

artistas como Kelly Key e Luka estavam

tocando incessantemente nas rádios.

Seu primeiro álbum, intitulado

Admirável Chip Novo, se tornou um dos

projetos de rock nacional mais vendidos

do ano de 2003. Sua notoriedade só

aumentou no álbum Anacrônico,

lançado em 2005, até alcançar um novo

pico no lançamento do Chiaroscuro,

álbum de 2009 que teve “Me Adora”

como primeiro material de trabalho.

Com o aniversário de 15 anos do

“Chiaroscuro” neste ano de 2024, decidi

trazer minhas percepções sobre essa

obra. A seguir, dividirei a tracklist do

Chiaroscuro em três categorias: TE

CONECTA, EQUALIZE e A SAIDEIRA — sim,

são todos títulos de músicas dela, cada

um com significado especial.

por Luiz de França

42 Música


Te Coneccta

O Chiaroscuro é um álbum que mistura,

de forma bastante inteligente, questões

sociais, reflexão pessoal, diversão e

uma pitada de sarcasmo. Sendo assim,

é possível que você se conecte com

várias canções, seja por ter passado

por situações próximas à letra, seja pelo

instrumental e melodia on point criados

por Pitty e sua banda.

A partir disso, decidi começar com os

meus destaques do álbum. Aquelas que

se conectaram comigo ou que se

conectarem melhor ao projeto. Batizei

essa categoria de Te Conecta, música

do 5° álbum de estúdio da artista.

▶ 8 ou 80

Esta foi uma escolha precisa e

insubstituível, já que combina com o

título do álbum, “Chiaroscuro”, que em

italiano significa luz e sombra ou claro e

escuro. Assim como o título sugere, “8

ou 80” trata sobre a dualidade que

vivemos, em não acharmos um meio

termo nas situações.

▶ Me Adora

Essa é uma música com múltiplos

significados: você pode se identificar

em nível amoroso, pessoal, social…

Enfim, todas aquelas situações em que

você se sente menosprezado ou julgado

por algo, mas sai com o queixo

levantado. Essa é uma das músicas de

maior sucesso da Pitty, e não tem nem

segredo: junção perfeita entre melodia,

letra e instrumental, com intervalos

ótimos para momentos ao vivo em

shows com o público.

▶ Fracasso

Sexta música do Chiaroscuro, também

foi single e caiu no gosto dos fãs. A letra

é ácida, como uma autocrítica para

aqueles momentos em que duvidamos

de nós mesmos e não aceitamos errar.

Tem uma mistura de punk rock, rock

progressivo e pop-rock que, com

certeza, constitui uma das minhas

preferidas do álbum.

▶ Só Agora

É uma canção de ninar quase

impossível de não se emocionar. A letra

deixa implícita no significado uma

relação maternal, em que a mãe

demonstraria a sua proteção ao filho ao

cantar a canção. É uma das músicas

mais lentas e um destaque do material,

sem dúvidas.

▶ Trapézio

Por último nesta categoria, a nona faixa

do álbum é a mais descompromissada

do projeto e narra um sonho da Pitty

após uma noite regada a bastante

tequila, sal e limão. Talvez não entre nas

favoritas de muitos, mas me marcou

bastante na escuta.

43 Música


Equalize

Durante a audição, nem todas conseguem chegar em um nível de destaque

máximo, mas várias possuem qualidades tão visíveis que preferi criar um conjunto

só para elas. Chamei essa categoria de Equalize, título de uma das músicas mais

populares do 1° álbum de estúdio da Pitty.

▶ Água Contida

Um bom exemplo de uma música que teve essa ótima equalização para mim foi

Água Contida. Quem nunca passou por aquela experiência de se sentir no fundo do

poço, sofrendo por aquele crush e deixando as lágrimas tomarem conta? O

instrumental mistura tango e rock, o que se torna um diferencial positivo no

conjunto da obra.

▶ Desconstruindo Amélia

Com sua letra abordando o feminismo e o papel da mulher na sociedade, essa

música é, ao mesmo tempo, didática e fundamental. Ela, ainda, traz um conceito do

livro O Segundo Sexo, da Simone de Beauvoir, no refrão ao citar a passagem “Já não

quer ser o Outro, hoje ela é Um também”.

▶ Rato na Roda

“Rato na Roda” é uma discussão sobre a forma que a sociedade enxerga o trabalho,

a rotina e a produtividade. O instrumental vai crescendo, numa tentativa de nos

deixar sem fôlego, o que é bem condizente com o que ela quer passar na letra. O

rock misturado com o reggae me deixou intrigado de início, mas deu super certo.

▶ Todos Estão Mudos

Já “Todos Estão Mudos”, em uma espécie de continuação, fala sobre o aspecto

anestesiado que assumimos frente a situações complicadas e degradantes

enquanto comunidade. Considero essa uma forma intrigante de encerrar o álbum,

com sua crítica forte e uma súplica para que as pessoas expressem o que estão

sentindo.

44 Música


Saideira

O Chiaroscuro é um álbum ótimo, não me entenda mal. Porém, há algumas

músicas que não me chamaram tanto a atenção. Para mim, são aquelas que eu

escutaria em último plano, na saideira, sabe? Por isso, decidi este nome para a

categoria, em homenagem à faixa do álbum “Anacrônico” de 2005.

▶ Medo

A faixa tem um conceito simples de entender, mas bem projetado. Discutir sobre

saborear os nossos medos e lutar contra eles poderia não funcionar tão bem após

uma música como “Me Adora”. Mas, ao meu ver, deu certo. Colocar o ditado

popular “se corre, o bicho pega. Se fica, o bicho come” foi uma sacada de mestre.

▶ A Sombra

Para finalizar, cito aqui a única que, realmente, não se conectou comigo de forma

alguma: A Sombra. Entendi o conceito de termos um lado sombrio e um lado mais

pacífico, lembrando a definição de Chiaroscuro, porém as minhas expectativas não

foram alcançadas.

Ou seja, se você for como eu e toda vez que começa a ouvir um álbum se questiona

sobre o que esperar do material a ser reproduzido, encontra várias questões no

disco mencionado. Pensamos se podemos esperar uma obra conjunta de músicas

mais comerciais, como “Me Adora”, ou se virar algo diferente, que apresente

aspectos divergentes do cenário encontrado no rock nacional. São tantas opções

que podemos nos preocupar com o resultado final. Porém, meus amigos, devo

acalmá-los: Chiaroscuro é um conjunto e tanto, e deve agradar seja qual for a

expectativa que tiver sobre ele. A quem nunca ouviu um álbum completo da Pitty,

essa é uma boa porta de entrada a uma discografia riquíssima. y

Faixas de Destaque: Me Adora, Fracasso,

Trapézio, Só Agora, Água Contida.

Nota: 9/10

Artista: Pitty

Álbum: Chiaroscuro

Ano: 2009

Selo: DeckDisc

Gênero: Rock alternativo, hard rock.

45 Música


A

baianidade

nagô de

Rachel Reis

por Thaissa Freitas

O Brasil é rico em cultura e disso você já

sabe. Em um país tão grande como o

nosso, com toda essa diversidade cultural,

sempre há pessoas, lugares e sons para

conhecer. E já que ‘O Nordeste é Pop’, aqui

está uma artista que você precisa

conhecer: Rachel Reis.

Rachel Reis nasceu em Feira de Santana,

na Bahia, no dia 04 de fevereiro de 1997.

Sua carreira musical começou quando ela

tinha 18 anos e não podia ser diferente, já

que ela tem boas raízes na música e na

arte. Sua mãe, Maura Reis, foi cantora de

seresta em Feira de Santana, e sua irmã,

Sara Reis, foi para o forró.

Durante dois anos, a jovem cantora atuou

na noite, em bares. Porém, devido ao

repertório mais melancólico, os

estabelecimentos- e ela própria -

optaram por encerrar os shows. Rachel

chegou a cursar Direito, mas trocou para

Publicidade. Ainda sim, o desejo de ser

artista continuava vivo. E, em 2020, ela

voltou à música,, com trabalhos autorais.

A voz da cantora encantou tanto, que

suas composições já foram trilha sonora

em novelas da Globo: "Bateu", com

Gilsons, e “Mulú” são trilha sonora de

Renascer e “Maresia” esteve em Fuzuê.

Rachel Reis é brasileira raiz e nordestina –

e a valorização da nossa cultura, com

certeza, é o maior motivo para você se

permitir ouvi-la.Uma característica

marcante da cantora – para além da voz

suave com sotaque gostoso de ouvir – é a

mistura de suas melodias, combinando

letras profundas sobre paixões e

sentimentos com os ritmos característicos

do arrocha e do afrobeat.

Como você só sabe se gosta de algo

quando vivencia a experiência por

completo, fica aqui o atestado de que

essa é uma artista que merece espaço na

sua playlist. Até porque Rachel Reis é uma

experiência musical única. E arretada!

Acompanhe a artista:

@rachelreisc

@rachelreisc

y

46 Música


Só falta

você!

Clube

do Lido

O seu encontro mensal com o clube de leitura do Clubinho!

Acesse @clubedolido e participe!


#FitaK7

Nordestiny Child's Edition

por Ana

Victória Borges

Impossível ser do Nordeste e não ser completamente apaixonada por tudo que vem

dessa terra. Transbordamos orgulho e somos referência nos quatro cantos do planeta

quando o assunto é cultura, tradições, festas, gastronomia, belezas naturais, gente

legal, memória, história e resistência.

No meio disso tudo, a música que nasce aqui encanta o mundo, e não é de hoje. O rei

do baião? É nosso. O rei do brega? Também. Adivinha de onde é a rainha do rock

nacional? E a maior cantora drag do Brasil? Nordestinah! Ritmos tradicionais como

frevo, maracatu, axé, coco e manguebeat pulsam no nosso coração tal qual o brega

funk, o piseiro, o melô e tudo mais que é Original Nordeste Style.

Como disse Chico Science, "modernizar o passado é uma evolução musical", e as

novas gerações de artistas nordestinos ganham cada vez mais espaço, público e

visibilidade. Seja misturando tradição e atualidade, seguindo tendências gringas com

o nosso molho tropical ou inventando coisas completamente novas, tem muita gente

fazendo música muito boa por aqui, e eu posso provar!

Estou chamando carinhosamente essa edição de #fitak7x7, pois separei 49 nomes da

nova geração musical nordestina pra você conhecer, acompanhar e curtir muito. Tem

gente de todos os estados, de todos os ritmos e pra todos os gostos, afinal,

diversidade também é uma palavra que representa o que nos faz ser Nordeste.

y

ALAGOAS

Vibrações Rasta

Tequila Bomb

Banda Saputi

Danny Bond

Wado

BAHIA

Afrocidade

Vivendo do Ócio

Melly

Hiran

Lucas Santtana

CEARÁ

Getúlio Abelha

RAPadura

Daniel Peixoto

Selvagens à Procura

de Lei

Nayra Costa

MARANHÃO

Enme Paixão

Pantera Black

Paolo Ravley

Elias Monkbel

Tribo de Jah

PERNAMBUCO

Mombojó

Academia da Berlinda

Mestre Ambrósio

Joyce Alane

MC Troinha

PARAÍBA

Jessica Caitano

Seu Pereira e Coletivo

401

Bixarte

Juzé e Lukette

Escurinho

PIAUÍ

Danilo Rudah

Preto Kedé

Bia e os Becks

Validuaté

Caju Pinga Fogo

SERGIPE

The Baggios

Iguinho e Lulinha

Heloá

Dj Dolores

Cidade Dormitório

RIO GRANDE DO NORTE

Luíza e os Alquimistas

Potyguara Bardo

Far From Alaska

DuSouto

Zezo

48 Colunas


Sisi and The Beauty

por Siérgia Almeida

Nordeste é pop, nordeste é

moda, nordeste é beauty!

Prepare-se para uma viagem pelas

passarelas e tradições do Nordeste, onde

a moda é tão rica quanto as histórias que

a cercam.

Não poderíamos deixar de começar com

uma lenda: Lino Villaventura. Surgida em

Fortaleza, Ceará, lá em 1982, essa marca

não só colocou o Nordeste no mapa

fashion, como também foi uma das

fundadoras do São Paulo Fashion Week!

Lino Villaventura é sinônimo de uma

moda que une o artesanal ao sofisticado,

levando nosso Nordeste para as

passarelas do mundo. Nada menos que

incrível, né?

E falando em artesanato, a Renda-se,

marca da minha terra, ou melhor, meu

país Pernambuco, nos mostra como a

renda renascença se transformou em um

luxo desejado internacionalmente. Uma

técnica tão tradicional tinha que brilhar

nas vitrines mais exclusivas! A verdade é

que a arte pernambucana conquistou

corações pelo mundo afora!

Ainda em Pernambuco, temos a icônica

Dona Santa. Começou como uma simples

multimarcas, mas logo se tornou o

epicentro da moda nacional. Lá, estilistas

nordestinos ganham espaço para brilhar

e mostrar ao Brasil todo o talento do

Nordeste.

Essas marcas abriram as portas da

moda nordestina para o mundo,

transformando percepções e colocando

nossa cultura no centro das atenções.

Elas nos mostraram que o Nordeste não

só preserva suas raízes, mas também as

reinventa de forma inovadora e

moderna. É resistência, é orgulho, é

cultura em cada fio de tecido.

A moda no Nordeste é uma celebração

de tradições. Imagine tecidos naturais

como o algodão, bordados que contam

histórias e rendas que nos fazem

suspirar. Tudo isso foi ressignificado ao

longo do tempo, transformando-se em

símbolo de identidade cultural.

E não para por aí! Hoje, a moda

nordestina se destaca pela

sustentabilidade. Muitas peças são

criadas com consciência, respeitando a

natureza e exaltando o trabalho

artesanal que faz parte da nossa

história. E essa combinação de tradição

com design contemporâneo faz com que

cada peça seja uma verdadeira obra de

arte.

A moda nordestina é uma fonte

inesgotável de inspiração que influencia

o Brasil e o mundo. Então, bora celebrar

essa cultura tão rica e cheia de estilo?

y

49 Colunas


DESCULPE O TRANSTORNO,

MAS EU AMO O (CENTRO DO)

RECIFE.

por Bea Alcântara

Eu tenho fama de bairrista. Esse é um dos

primeiros adjetivos que eu recebo depois

de mencionar que sou natural de Recife.

Mas, sempre que penso nisso, me

questiono: e como não ser?

Sou nordestina, nascida em Pernambuco,

um dos maiores berços culturais do país.

Em Recife, cresci cercada de lugares,

monumentos e figuras importantes para a

história do Brasil. Reconheço o meu

privilégio de ter acesso a esses espaços, o

que, provavelmente, é responsável por

parte da minha paixão pela Cultura e é

por isso que o tema dessa coluna não

poderia ser diferente.

Cada cantinho de Recife me remete a

uma memória – e na maioria delas tem a

Cultura Pop envolvida em alguma

instância. Na minha casa, tive o primeiro

contato com esses personagens, tendo,

inclusive, como tema do aniversário de

dois anos o Piu-Piu dos Looney Tunes. Na

esquina da minha rua, uma locadora.

Todo aquele acervo de filmes à

disposição e o vício de toda sexta-feira

aproveitar a promoção de três filmes pelo

preço de dois para ficar durante o fim de

semana inteiro. Amo!

A primeira vez que fui ao cinema não foi

em qualquer um. Foi no Cinema São Luiz,

no Centro do Recife. Aquele lugar tem

uma espécie de mágica diferente, o

tempo parece que para enquanto você

está imerso naquelas horas de filme. É

quase como um estado de espírito.

Para além do cinema, a minha livraria

favorita também fica em Recife.

O espaço amplo, que antes pertencia à

Livraria Cultura, hoje abraça a Livraria

Jaqueira e mantém o mesmo aconchego

e quentinho no coração de antes. Às

margens do Rio Capibaribe, pertinho do

Marco Zero, também no Centro do Recife.

Os primeiros filmes, os primeiros shows,

os primeiros livros.

É por isso que assistir Retratos

Fantasmas, filme de Kleber Mendonça

Filho, foi uma experiência à parte. A obra

soa quase como uma carta de amor do

diretor para a cidade do Recife e eu me

sinto assinando embaixo a cada minuto.

Todas aquelas ruas, paisagens, cinemas,

espaços em geral, fazem parte da minha

vida e ver aquilo tudo em tela teve um

gostinho especial.

Eu me emocionei no cinema, porque é um

misto de sentimentos entre a alegria de

pertencer e a tristeza de notar o descaso

que existe com grande parte desses

lugares. Como, por exemplo, o Cais

sumindo para dar lugar a um polo

empresarial, o rio poluído e a

insegurança. E ainda assim, não amo

menos. Nem poderia.

Eu te entendo, KMF. Eu amo o Centro do

Recife. Eu amo o Centro do Recife. Eu

amo o Centro do Recife. Eu amo Recife. E

eu sempre vou amar. Eu amo

Pernambuco. Eu amo o Nordeste. Eu não

queria ter nascido em nenhum outro lugar

do mundo. E é por isso que eu entendo

quando me chamam de bairrista. Mas,

sempre que penso nisso, me questiono: e

como não ser?

y

50 Colunas


por Ana Flávia Lima

Antes da novela das nove, antes mesmo até de

‘Mãe e Filha’ (2012), a primeira dama do teatro

paraibano é, acima de tudo, uma operária. Em

22 de agosto de 1942 na Fazenda Una em

Juripiranga, nasce Severina de Souza Pontes, a

mais velha de cinco irmãos.

Qualquer adjetivo impõe limitação de

significado para Severina. Na educação, atuou

nas salas de aula e na direção do Instituto Dom

Adauto, na coordenação de Letras e Pedagogia

do Centro Universitário de João Pessoa, assim

como, lá no início, como professora da

Campanha de Educação Popular (CEPLAR) em

cidades interioranas. No teatro, já foi Presidente

da Academia Paraibana de Cinema (APC),

diretora do Teatro Santa Roza e uma das

fundadoras do Coletivo de Teatro Alfenim, junto

à grandes nomes como Márcio Marciano e

Verônica Cavalcanti.

Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro, Academia

de Cordel do Vale do Paraíba, Festival

Internacional de Cinema da Fronteira, Festival

Paulínia de Cinema, Festival de Cinema no

Ceará — suas consagrações como atriz se

estendem por todo o território nacional. Na

televisão, viveu Piedade em ‘Velho Chico’,

atuando ao lado de Irandhir Santos e Lucy

Alves. Começou no cinema em ‘O Menino do

Engenho’ (1965) e ficou quase quatro décadas

longe das telonas, mas depois disso nunca

mais parou.

CAFÉ COM PAUTA

Zezita

Matos

Atualmente, ela reside em Intermares, ali em

Cabedelo. Seu Instagram pessoal conta com

retratos da alvorada e do entardecer a beiramar

em agradecimento a vida e a um novo dia.

Fora das redes sociais, seu apartamento é

afeiçoado de ponta a ponta: inúmeros portaretratos,

desenhos, molduras, obras de arte,

estatuetas decorativas e prêmios. Não há

nenhum espacinho que não tenha sido

preenchido por afeto, seja por conta dos

desenhos de sua neta, os quais ela exibe com

orgulho para quem deseja saber, ou a razão de

ser de sua casa: no hall de entrada, uma

mesinha sem nenhum centímetro sobrando,

cheia de fotos da sua família.

recebe

A ativista sempre existiu. Desde o primeiro

momento em que pediu ao seu pai para

ingressar no teatro. No dia 18 de agosto de 1958,

começa Zezita. A convite do Clubinho, a atriz

concedeu uma entrevista especial e foi possível

conhecê-lá. Acompanhe na próxima página.

51 Especial


Você não é natural de João Pessoa, tendo

inicialmente se mudado para Campina

Grande para estudar e depois passado por

cidades como Cabedelo e Intermares. Você

ainda mantém algum vínculo com a cena

artística do interior?

Eu nasci na fazenda Una, que ficava no

município de Juripiranga, mas depois passou a

ser parte de Pilar, cidade que também se

tornou o meu lar. Pilar, a terra de José Lins do

Rego, sempre foi uma referência bem

importante.

Como eu gosto de semear a arte, meu olho

vibra quando tô fazendo. Porque eu sei que tem

pessoas que nunca foram.

Você morava em Cruz das Almas durante o

período da ditadura militar?

Também morei. Em 64, quando o Breno foi

preso, eu estava com o Breno numa reunião na

API. E na hora que Breno tinha que ir para a

faculdade de Direito encontrar a turma, eu

tinha que ir para o Varjão. Fomos à General

Osório, descendo, ele segue o caminho e eu

dobro para pegar ônibus lá na Lagoa. E por isso

eu não fui presa com o Breno. E pronto, veio a

história: por que não me encontraram?

Zezita, nessa época, não era meu nome. Era

meu apelido só. Meu nome no batismo, no

registro, no Liceu onde eu estudava, era

Severina. Então eles foram procurar a Zezita. E

isso também será trabalhado em um filme, que

começamos a fazer.

Da última vez que você foi entrevistada, você

mencionou que esse filme [Severina Me

Salvou] ainda estava na época de coletar as

evidências e pela ditadura vocês não

mantinham registros dessa época. Como vai

ser?

É, não tem. O pessoal está fazendo entrevistas

ainda com as pessoas que foram meus

contemporâneos. E estão atrás dos jornais. Tem

dois lugares que eles estão pesquisando

justamente para descobrir alguma coisa.

Porque eu não tenho fotografia. O partido não

deixava a gente fotografar.

Como foi o convite para Velho Chico?

O Velho Chico foi interessante, visse? A gente

estava em Belo Horizonte. Eu estava numa feira

de joias, de anéis. Eu e Verônica [Cavalcanti] do

meu lado. Aí o telefone tocou. Zezita. E digo,

sim? Aqui é da Rede Globo.

O preparador de atores, que convoca, disse

que estava em nome de Luiz Fernando

Carvalho convidando para fazer a novela das

nove, para fazer um papel principal e ser mãe

de Irandir.

Tem gente que conheceu o seu trabalho a

partir da novela. Mas como era até então?

Eu faço teatro há 66 anos e nunca parei. No

cinema, eu fiz o Menino de Engenho em 1965 e

só voltei a fazer cinema em 1999, com o Marcos

Vilar, em ‘A Canga’. Lgo em seguida a Canga,

eu fiz Cinema, Aspirinas e Urubus. Eu, João

Miguel e o Alemão. Depois do filme do Aspirina

e da Canga, aí eu não parei mais também no

cinema. Mas continuo morrendo de saudade

do teatro.

Você ainda faz parte do grupo Alfenim?

Sim! Ave Maria, eu não me desligo do Alfenim.

Eu sou fundadora. Eu vou direto assistir aos

ensaios, assistir aos espetáculos.

Quinze anos está fazendo agora. Quando o

Márcio [Marciano] chegou aqui, ele pediu o

nome de pessoas a Everaldo, que é meu irmão.

Na época, eles disseram que eu estava no

Grupo de Teatro Contratempo. Eu estava

exatamente no momento quando chegou

Márcio. Isso já faz 15 anos. Ave, Maria, o tempo

realmente...

Por que Primeira-Dama do Teatro?

Porque eu fui a primeira mulher a dirigir o Santa

Roza. Aí Everaldo Vasconcelos, toda vez

chegava dizia: diga, primeira-dama. Ele

também era coordenador do [Teatro] Lima

Penante, e eu respondia: diga, primeiro damo.

Pronto, as pessoas ouviram pensando que era

a primeira-dama.

52 Especial


Você acha que é importante, por exemplo,

você se descrever mais como operária do que

como primeira dama ao tratar da sua

abordagem como atriz?

É, assim, é interessante. Eu me preocupo em

fazer um papel bem feito, me preocupo em

pesquisar, não pensando no prêmio.

Mas seu primeiro papel também foi de

primadona.

Sim, ainda teve a história da primadona. A

primeira peça foi que eu entrei para fazer uma

pontinha. A família da primeira-dama teve um

problema de saúde na família. Ela morava em

Santa Rita, não me lembro do nome dela. Ela

não pôde vir mais. Todo mundo: “Eita, quem é

que a gente vai chamar para fazer o papel?” O

diretor José Domingues, que já não está mais

entre nós, disse... “O quê? Chamar? Ah, eu já sei

quem é. Zezita. Porque ela sabe o papel todo

decorado”. E eu sabia mesmo.

Como você fez a transição de atriz para

coordenadora?

Eu fiz concomitantemente teatro e educação.

Isso foi uma coisa na minha vida desde esse

início. Quando eu comecei teatro, comecei a

fazer educação. Fiz Letras, claro, porque eu

achava que Letras era mais importante. Na

época, jamais pensei em dirigir escola. Pensei

em dar aula. Fui fazer meu estágio

supervisionado de Letras. Porque eu morava

em Jaguaribe, fui fazer no [Instituto] Dom

Adauto.

Você acha que, como atriz, as atrizes,

mulheres dedicadas à arte, ao teatro de rua,

levam mais zombaria do que os colegas

atores?

Um jornalista já me fez essa pergunta. Não,

meus colegas do teatro nunca fizeram isso, só

na educação. Pra você ver.

Não, e outra coisa se disseram piada comigo,

eu nem escuto. Eu vou discutir? Eu não ia dar

meios para ele se animarem demais. Não vou

brigar, não, mas não vou mesmo.

Em meio a todas as experiências que você

viveu — como atriz, pedagoga, professora e

mãe —, você sente que conseguiu aproveitar

tudo o que aprendeu?

Tudo, olha, de tudo, não. De tudo, é impossível,

mas de grande parte, sim. Tem um detalhe

também, eu gosto de pensar coletivamente. Eu

tenho a ideia, mas ela tem que circular com o

que eu estiver trabalhando na época. Para as

pessoas também participarem desse

pensamento sem ser uma coisa imposta. Foi

isso que eu fiz sempre.

Você tem três filhos, seis netos, cinco bisnetos

e uma família inteira. Tem alguém que seguiu

o mesmo caminho que você, a mesma

aspiração?

Não, não tem. Tem a neta que desenha. Mas

somente essa parte de desenho. Teatro, nada.

Alguns dos seus irmãos também

participavam dos coletivos estudantis?

Everaldo. Eles iam comigo, sim. Porque é uma

das coisas que papai me obrigou quando me

deixou fazer teatro com uma condição: de levar

um irmão para um ensaio, para eu não ir só.

Era nos anos cinquenta. Quem fazia teatro era

chamada de prostituta. Aí ele disse: “Deixo se

você levar um irmão”. “Tá bom”. E só Everaldo

que ficou, que faz teatro. Agora ele reconhece.

Ele não dizia que não tinha influência minha,

mas agora ele diz.

Você falou que todos os espetáculos que você

participou foram marcantes. Foram

igualmente marcantes. Mas qual, você diria,

que foi o mais gratificante como atriz?

Não tem. Não dá pra ter. Olha, até a pontinha

de Aspirina é linda. Tá entendendo? É uma

mera coincidência, eu acho, mas, até agora,

todos os filmes que fiz são referência do

cinema brasileiro.

E é coincidência?

Não é por mim, é uma coincidência, que é o

filme todo.

53 Especial


Como foi sua experiência com esses diretores

e de que forma essas colaborações

impactaram seu trabalho como atriz?

O curso de cinema que eu tive com o Marcelo

Gomes fazendo o Cinema, Aspirinas e Urubus.

Eu não tinha nem fala. Aí, quando eu fiz a fala,

bem pequenininha, Marcelo me chama. Eu vou

lá junto dele, e ele diz: “Zezita, cinema não é

teatro. Diminua 70% da força que você está

dando”.

Na terceira vez que ele me chamou, perguntei:

"Ô, Marcelo, me diz uma coisa. É nada?" E ele

respondeu: "É nada"! Aí eu aprendi que cinema

é nada. É nada a fala, a expressão é que vale.

Foi um aprendizado pro resto da minha vida, e

Karim foi o meu pós-doutorado.

Como foi seu “pós-doutorado” com ele,

então?

A gente ficou dois meses em Iguatum vivendo

a vida de Iguatum. Um mês vivendo e outro

gravando. Um dia, Maria olhou pra mim e disse

“Mami” – ela me chamava de Mami – “olha,

aqui tem um negócio que você gosta”. Aí ele

disse: “tá no ponto”. O que ele queria era isso,

essa convicção, essa interação.

Como essa imersão influenciou sua

interpretação e conexão com os personagens?

Foi maravilhoso, é tanto que o filme foi um

sucesso. Aí eu digo, é mera coincidência. Ele fez

teste aqui, lá no Santa Roza. Fez no Ceará e fez

aqui, repara só. Na minha hora todo mundo

perguntou: “Zezita, o que você decorou para

dizer a Karim?” Falei: “menina, eu não decorei

nada, não. Na hora eu vou fazer qualquer

coisa”. Isso aconteceu também em Menino de

Engenho. Quando eu entrei, ele disse: “e aí

Zezita? Como é?”

Eu digo: “Karim, eu vou lhe perguntar uma

coisa. Você quer me dar uma cena para eu

improvisar?” Repara, perguntar isso. E ele

mandou eu fazer uma cena lá, eu fiz, pronto,

passei. De fato, foi muita coincidência de eu

pedir a ele para fazer aquela cena.

Qual o filme que você assistiu recentemente

que você mais gostou?

Menina, foi o de Petrus Cariry (Mais Pesado É o

Céu) com o Matheus Nachtergaele.

Teve gente que falou mal do filme, disse que na

hora que Nachtergaele está matando, é

demais. Mas eu achei foi demais aquele filme,

aquele final é visceral demais. É bonito demais,

é muito bonito o filme. Quando eu vi agora me

lembrei da solidão e das coisas que Petrus

inventa. Menina, eu adorei.

‘Pacarrete’ está na Netflix, entrou no dia do

Cinema (19 de junho). Uma pessoa em

qualquer lugar do país, em qualquer lugar da

América Latina, tem a possibilidade de assistir

um filme que você fez e também ser tocada

por isso. De onde você iniciou no teatro, em

agosto de 1958, desse momento em diante

você imaginava que a arte poderia ser

distribuída dessa forma?

Não, não pensava, claro, nem pensava. Em

1958, pensar isso? Eu não pensava nem que ia

ficar fazendo teatro, nem cinema. Não pensava

que ia ser a minha vida, está entendendo? Eu fiz

grávida, amamentando, fiz de todo jeito. Nunca

pensei que ia, realmente, continuar. Eu

agradeço isso a minha família, porque eu me

casei e fui morar com meus sogros e isso que

me deu abertura para continuar fazendo.

As pessoas ficam perguntando porque você

trabalha tanto, se você não vai se aposentar.

Tem essa pressão ainda?

Pergunta, pergunta indiretamente, mas estão

sempre perguntando. Cinema não, porque

cinema é convite, mas teatro, eu digo, eu pago

para Márcio me dirigir. Não deixo de fazer, não,

enquanto eu tiver voz.

Se você tivesse que escolher uma peça de

teatro para recomendar para alguém

entender, sentir essa mesma coisa, qual peça

que você recomendaria?

Qualquer uma. Desde que você se debruce.

Estude a peça. Entenda. Situe historicamente. É

isso que a gente faz.

54 Especial


Eu quero saber dessa história com o James Dean, como foi que você se tornou fã?

Os primeiros filmes que assisti foram de James Dean. Lá em Pilar a gente assistia, mas era

seriado, né? Aí quando começaram os filmes dele, Juventude Transviada... A primeira vez que vi,

me apaixonei. Comprava revista Cinelândia que vinha, que eu nem sabia o que era, um making

of que contava as coisas que aconteceram com ele, a Elizabeth Taylor, quando estava fazendo

‘Assim Caminha a Humanidade’. E eu me apaixonei.

Nesses momentos do frio na barriga, do improviso, você consegue sentir a magia do teatro

nesse momento?

Consigo. É a mãe de tudo.

Porque o teatro tem isso. A televisão, por exemplo, a gente repete. O cinema, a gente repete.

Teatro não. Errou, você está lascada.

Pensando nisso, eu vi em uma entrevista que você tinha três filmes para gravar até julho. Eu

queria saber um pouco mais sobre os seus projetos futuros. O que tá vindo aí ainda?

Eu acabei de gravar dois lá em Cabaceiras. Que, aliás, pela primeira vez na minha história, eu

dei uma data que coincidiu com o outro. Tu já pensasse? Ainda bem que era um ali perto em

São Domingos [do Cariri] e outro em Cabaceiras. Então deu tudo certo. Uma foi eu e Marcélia,

com Marlom Meirelles. É a história da ‘Umbilina e sua grande rival’, que é a morte. E o outro foi

com o filho de Hipólito [Lucena], Haniel. E o nome eu não sei, é o primeiro filme dele. Agora vou

fazer um com o Gian Orsini.

y

55 Especial


Made in Nordeste:

A REPRESENTAÇÃO DA CULTURA

NORDESTINA ATRAVÉS DA MODA

por Alice Costa

Ser nordestino de nascimento ou coração é

como um trunfo, conforme descreve a

designer de moda Duda Carvalho, criadora

da marca paraibana Carnavália. A região

que carrega as praias mais paradisíacas do

território brasileiro, patrimônios imateriais,

uma fauna e flora incomparáveis, sabores

inesquecíveis e o nome de morada de sol,

também ostenta uma cultura muito única.

Os nove estados que compõem o Nordeste

contam histórias por si só. É previsto que, em

2024, mais de 50% do turismo interno no

país seja recebido pela região, de acordo

com dados do Ministério do Turismo do

Brasil. Os atributos nordestinos são alimento

para o trabalho de inúmeros artistas, seja no

carnaval de Salvador, no São João de

Campina Grande ou em um dia tranquilo

nas dunas cearenses de Jericoacoara.

As belezas naturais e culturais são

combustível para os filhos dessa terra, como

Guilherme Sizá, que relata que o insumo

para as histórias que conta através da

moda são as pessoas, a cultura e as

crenças ao redor das ruas da Bahia.

Entretanto, apesar de todo potencial que a

região possui, fabricantes de histórias como

Sizá e Carvalho lutam em meio a falta de

investimento em setores culturais

extremamente importantes, tal qual a moda

nordestina.

E mais, os stylings que atendem o clima

ensolarado, acessórios feitos a mão,

beachwear presente assiduamente durante

todo ano, a força do bordado e do

artesanato. Essas são apenas algumas das

individualidades que banham o Nordeste

quando se fala de moda.

De geração em geração, a semente é

plantada e foi exatamente isso que

aconteceu com a designer e diretora

criativa cearense Sherida Livas, vendo a avó

e a mãe produzirem arte através da moda

fomentou uma paixão que hoje faz de sua

marca, SHERIDA, ser um conjunto de

vivências e histórias.

É comum que, quando se trata de

inspiração, moda e indústria têxtil, voltemos

os olhos para o exterior, ou, às vezes, nem

vamos tão longe e focamos nossas energias

no sul e sudeste. Porém, temos tudo que

precisamos e muito mais, na nossa própria

casa. Livas conta que foi a proximidade com

o litoral que sempre a conectou com suas

raízes, as produções da designer são

sempre um reflexo de sua morada. Embora

o Nordeste abarque dois dos três mais

importantes polos de produção e varejo de

moda, o Agreste Pernambucano e o Ceará,

a moda nordestina ainda não é um setor

valorizado dentro da indústria nacional.

Do Cariri até ao Litoral, a moda está

efetivamente presente no dia a dia

nordestino. Os tecidos como linho e jeans

produzidos na região, as peças coloridas e

cheias de vida que contrastam com as

produções mais neutras e básicas.

56 Especial


Infelizmente, as escassas

políticas estaduais e nacionais

de investimento não permitem

que tamanha riqueza seja

desenvolvida e reconhecida.

Designers e marcas nordestinas

lutam constantemente para

permanecer no mercado e

representarem a cultura

nordestina. A dificuldade de

acesso a matéria-prima, a falta

de investimento e a escassa

cultura de moda são apenas

algumas das dificuldades

enfrentadas pelo fundador da

marca baiana Sizá. Mesmo que

Guilherme veja a moda como

uma “forma de expressão que

transcende a estética, atuando

como uma poderosa ferramenta

de comunicação e identidade”,

o menino que se apaixonou por

moda através dos cuidados da

mãe e que sempre a usou como

uma ferramenta de proteção

contra o racismo, se tornou

homem e combate às

adversidades com maestria. As

suas coleções “Mar de Sonhos” e

“Corpo Fechado” são prova

disso. São canções de puro

amor à Bahia, que transmitem

em essência a potência da

moda nordestina.

Entre tantas problemáticas,

trabalhos como Sherida

fomentam o cenário da moda

regional. A marca da designer já

passou por lugares

incomparáveis, como a

passarela de um dos eventos de

moda mais famosos do Brasil, o

DFB Festival, que ocorre há mais

de 20 anos em Fortaleza;

colaboração criativa para uma

coleção da C&A; e até mesmo já

ocupou espaços nas estimadas

páginas da Vogue Brasil. Mesmo

não residindo no Ceará, Livas

não deixa suas origens para trás.

Sua ancestralidade e herança

fazem com que a cultura que ela

carrega reflita em suas criações

cheias de estampas singulares e

texturas únicas, brilhando de

forma incomparável.

Duda Carvalho não foge dessa

perspectiva, a Carnavália foi

criada como uma marca

sazonal fazendo peças e

acessórios focados nos festejos

carnavalescos vestindo figuras

como Duda Beat, Letrux e Liniker.

Contudo, na pandemia,

enfrentou percalços, visto que

não houve carnaval.

Carvalho se reergueu com a

alegria característica da festa

anual e após um conselho de

seu avô de levar esse espírito

para além dos 4 dias de festa.

Apesar da dificuldade, recalcular

a rota mostrou para ela que os

anseios da Duda de 7 anos, que

vendia desenhos embaixo da

escada do seu colégio, eram

apenas um prelúdio do futuro

incrível que a esperava. Mesmo

com contratempos como a

grande busca por tendências no

mundo da moda e a

necessidade de remar contra a

corrente da fast fashion,

Carvalho mantém produzindo a

essência nordestina através das

suas peças.

Duda Carvalho, Guilherme Sizá e

Sherida Livas dividem muito em

comum além da ancestralidade

nordestina, são personagens

como eles que mantêm a moda

dessa região tão ardente. Todo

trabalho desenvolvido por eles

tem um objetivo que ecoa em

toda peça e em todo desfile:

levar a voz nordestina até todos

os 4 cantos do mundo.y

57 Especial


30 anos de Friends:

o que fica depois do fim?

por Bea Alcântara

58 #OFFTopic


A série Friends completou, em

setembro, 30 anos desde a

exibição do seu episódio piloto.

Por outro lado, isso também

significa que há 20 anos as

cortinas se fecharam pela

última vez. De lá para cá,

muita coisa mudou no mundo

e entre o elenco, que se

despediu de nomes

importantes, como Matthew

Perry – o eterno Chandler Bing

– em outubro de 2023.

Apesar de passado todos

esses anos, e acontecimentos,

constantemente a produção é

lembrada pelos internautas,

seja com carinho ou com

discordância. Em quaisquer

um desses lados, não dá para

negar que a série continua

impactando nos dias atuais.

Sob a linha tênue do amor e

do ódio, será que é possível

mensurar, 20 anos depois, qual

o legado de Friends?

10 anos, 236 episódios, 10

temporadas, cerca de 160

participações especiais e

muitas histórias contadas em

tela. A vida dos seis amigos,

seus dilemas amorosos,

problemas de carreira e

relações familiares com Nova

Iorque de pano de fundo não

podia ser mais atraente. O

estilo, que abraçou (e lançou)

tendências dos anos 1990, é

copiado até hoje. Os bordões

se tornaram clássicos, seus

ícones e referências seguem

em alta e, mesmo com a

parcela de pessoas que não

gostam da série ou nunca

assistiram, é impossível dizer

que não ouviu falar em Friends.

O episódio piloto foi ao ar no

dia 22 de setembro de 2004,

alcançou pontos de 21,5 na

média de audiência e já

garantiu uma temporada

completa de sucesso. Os

nomes, até então, não eram

conhecidos, mas hoje não há

quem não os conheça: Jennifer

Aniston, Lisa Kudrow, Courteney

Cox, David Schwimmer, Matt

LeBlanc e, nosso saudoso,

Matthew Perry.

Esses seis atores e,

consequentemente, seus

personagens

com

personalidades diversas geram

identificação do público, um

dos principais motivos para a

série ser tão cativa pelos fãs.

Todo mundo acha um pouco

de si mesmo em Rachel,

Phoebe, Monica, Ross, Joey e

Chandler.

É exatamente o que diz Renata

Siqueira, natural de Caruaru.

“Eu acredito que toda a série

me pega demais, mas acho

que o principal são as histórias

de cada um dos personagens.

Elas são únicas e eles [os

personagens] têm uma

química incrível entre si. As

piadas, a linguagem, os

choros, a amizade, enfim”,

afirmou.

Para a jovem, Friends já está

cravada como “série conforto

da vida”. “Em todos os

momentos, sejam eles tristes

ou felizes, eu estou assistindo

ela”, completou. O sentimento

é comum a muitos outros

integrantes da fanbase. Há

histórias de pessoas que, em

determinados momentos da

vida, puderam contar apenas

com a companhia desses seis

personagens.

A cearense Rita Santana segue

na mesma linha de

pensamento. Quando decidiu

assistir a série pela primeira

vez, o que lhe chamou atenção

foi “a ligação e a união deles,

que foi se construindo com o

passar dos anos e da série”.

Além disso, seu próprio núcleo

“Friends” também incentivou o

start. “Por ter um grupo de

amigos e todos os três serem

viciados em Friends, eu decidi

assistir, afinal, era a única que

ainda não tinha assistido”,

disse.

59 #OFFTopic


Apesar de todo o amor

envolvido, não há como fechar

os olhos para as

problemáticas envolvidas na

sitcom. Desde a falta de

representatividade negra até

uma acusação de plágio, em

muitos aspectos, Friends é o

“puro suco” dos anos 1990.

Para Letícia Villarinho,

produtora cultural e uma das

autoras do artigo “O Impacto

Cultural e os Novos Olhares

sobre o Seriado Friends ao

Longo dos Anos”, alguns

pontos da série causam

divergência, inclusive, entre os

fãs.

“Há um contraponto em

relação sobre a recepção de

Ross por parte do público mais

atual e do público que

acompanhava a série quando

ela ainda estava no ar”,

exemplificou ela. “Na época de

exibição o mesmo era um

personagem muito querido, a

ponto de receber um destaque

maior que os demais

personagens principais. Em

contraponto, boa parte do

público de hoje não enxerga a

relação do casal como

saudável e até possuem

antipatia pelo Ross”, pontuou

Villarinho.

O colega Arthur Santos,

bacharelando em Artes na

Universidade

Federal

Fluminense e coautor do

trabalho, corrobora com Letícia

e vai além. “É possível

identificar diversas outras

passagens problemáticas da

série em que o humor

atravessa o limite da misoginia,

lgbtfobia, racismo, entre outras

questões. É necessário apontar

esses problemas, que são

injustificáveis apesar de serem

produto de uma época

específica e usar de exemplo

do que não fazer nas comédias

atuais”, ressaltou.

É possível dizer que esse

exemplo, até mesmo do que

não fazer, também faz parte do

legado de Friends. Legado esse

que pode ser mensurado em

muitos fatores tangíveis e

intangíveis.

Raíssa Monteiro, bacharelanda

de Produção Cultural no

Instituto Federal do Rio de

Janeiro (IFRJ), aponta que

Friends está sempre em alta, de

alguma maneira. “Seja na

famosa cena do Chandler

segurando o disco de Lionel

Richie, que é substituído por

infinitas variações de álbuns.

Seja impactando looks, visuais

de cabelo, estilos de vida ou

frases. Até mesmo

popularizando termos como

aconteceu com “Friendzone” e

a situação entre Rachel e Ross”,

explicou.

Não há como negar: Friends é

um fenômeno. 20 anos depois

do fim e o formato de

cotidiano entre amigos,

popularizado pela série,

continua sendo replicado. A

sitcom não inventou a roda,

mas, com certeza, ajudou a

fortalecer um cenário que

estava em ascensão em

Hollywood. Em um período

com tantas produções com

enfoque nas relações

familiares, falar de amizade foi

um ato de pioneirismo –

apesar de não ter sido a

primeira, vale ressaltar.

Living Single, Seinfeld, Friends,

How I Met Your Mother, The Big

Bang Theory… Todas essas são

produções que beberam da

mesma fonte. Umas mais

conhecidas do que outras,

cada uma pavimentou um

espaço para a seguinte. E, 20

anos depois, Friends continua

sendo uma estrada que todos

querem percorrer.

y

60 #OFFTopic


no instagram no instagram

Clubinho Convida

o instagram

nno instagram

5 dicas com um

creator parceiro. Toda

2ª quarta-feira de

cada mês.

o instagram

nno instagram

Fita K7

7 músicas com um

toque de nostalgia.

Toda última quartafeira

de cada mês.

Sisi and The Beauty

o instagram

nno instagram

Dicas de beleza &

skincare. Toda última

sexta-feira de cada

mês.

Rinha de Galãs

Escolhas muito difíceis

entre galãs e nem tão

galãs assim. Todo último

domingo de cada mês.


Monte sua temporada de

Bridgerton

e descubra qual dos irmãos

você seria:

1. Qual a cor principal da temporada?

a) Azul

b) Branco

c) Bege

d) Verde

e) Rosa

f ) Roxo

g) Prata

h) Amarelo

4. Quem seria o diamante?

a) Eu, naturalmente

b) Isso é uma convenção patriarcal

c) Eu, depois de impressionar a rainha

d) Qualquer pessoa, menos eu

e) Não ligo pra isso

f ) Minha irmã

g) Escolheram um?

h) Minha melhor amiga

2. Qual o cenário ideal para o seu

primeiro date?

a) Jardim

b) Casa da pessoa

c) Baile

d) Carruagem

e) Concerto musical

f ) Parque

g) Baile de máscaras

h) No casamento da pessoa

3. Escolha um item favorito:

a) Bordado

b) Livro

c) Piano

d) Caneta

e) Colar

f ) Cachorro

g) Pincel

h) Flor

5. Qual seria seu clichê romântico?

a) Fake dating

b) Marriage of convenience

c) Second chance

d) Friends to lovers

e) Slow burn

f ) Enemies to lovers

g) Class relations

h) Soulmates

Gabarito

Vire de ponta-cabeça para conferir o resultado,

mas só depois de preencher o teste.

Não vale roubar, hein! ?

Se você marcou mais A, você seria Daphne Bridgerton.

Se você marcou mais H, você seria Gregory Bridgerton.

Se você marcou mais G, você seria Benedict Bridgerton.

Se você marcou mais F, você seria Anthony Bridgerton.

Se você marcou mais B, você seria Eloise Bridgerton.

Se você marcou mais E, você seria Hyacinth Bridgerton.

Se você marcou mais D, você seria Colin Bridgerton.

Se você marcou mais C, você seria Francesca Bridgerton.

62 Teste


Música nordestina

gostoso d+

Anunciação – Alceu Valença

Quem É o Louco Entre Nós? – Raphaela Santos

Equalize – Pitty

Você Me Vira a Cabeça – Alcione

Já Era – Seu Pereira e Coletivo 401

Para Mim, Você – Val Donato

Asa Branca – Luiz Gonzaga

Alvejante – Priscila Senna e Zé Vaqueiro

Ai que Saudade d’Ocê – Elba Ramalho, Zé

Ramalho e Geraldo Azevedo

À Primeira Vista – Chico César

Espumas ao Vento – Fagner

Tareco & Mariola – Flávio José

Apenas Um Rapaz Latino Americano – Belchior

Tarde Demais – Dorgival Dantas

Não Precisa Mudar – Ivete Sangalo e Saulo

Pitbull Sem Coleira – Bixarte e Urias

São Amores – Pabllo Vittar

Manchete dos Jornais – Calcinha Preta

Maracatu Atômico – Nação Zumbi & Chico

Science

Dengo – João Gomes

Abril – Banda Fôrra

Alma Sebosa – Johnny Hooker

Andarilho – Majur

Desde Menina – Lia de Itamaracá

Cheiro de Amor – Maria Bethânia

63 Playlist


COISA SÉRIA

COISA SÉRIA

COISA SÉRIA

Uma obra com final polêmico - e

um enredo que também dá o

que falar - rendeu a Carla

Madeira muitas críticas. Alguns

amigos até disseram que não

voltariam a ler a escritora pelo

estilo da escrita e

problematizaram o desfecho de

“Tudo é rio”. Decidi não me

contaminar e dar mais chances

à autora.

Escolhi “Véspera”, um livro com

duas linhas temporais que

acompanha a trajetória (ou

tragédia?) de gêmeos que são

registrados com os nomes Caim

e Abel. Achei a escrita um pouco

diferente da outra obra de Carla

que eu havia lido, mas ainda

atrativo.

Eis que: “Ser desejado sem

pressa ofende”. Foi com esse

simples trecho que Carla

Madeira simplesmente alugou

um triplex na minha cabeça. Veja

bem, já me disseram que eu

tenho certa inteligência

emocional, mas quem nunca se

sentiu ofendido ao ver que o

outro não lhe deseja com a

mesma intensidade?

Lembrei de Ana Suy, outra autora

- e psicanalista - cujo conteúdo

costumo consumir. Em “A gente

mira no amor e acerta na

solidão”, ela fala sobre a

urgência da paixão… esse desejo

intenso inicial, uma fase que

antecede o amor, que é vem a

ser mais calmo.

mas quem nunca se sentiu

ofendido ao ver que o outro

não lhe deseja com a

mesma intensidade?

Não é que eu tivesse pressa de

ser desejada - ainda que eu

quisesse sim ser desejada -, mas

é que hoje em dia tudo parece

tão urgente. É como se a paixão

virasse algo que queremos

consumir: usufruir até a última

gota daquilo e muitas vezes pular

fora.

Será que foi por aí que a turma

de Bauman começou a elaborar

o tal do AmOr LíQqUiDo e a

FrAgIliDaDe DaS rElAçÕeS? E

depois as pessoas começaram a

banalizar os termos e o debate?

Pra mim parece coisa séria.

y

Paloma Xavier

EDITORA DE LITERATURA

64 Crônica


Quem Somos

conheça a equipe por trás da Frappé!

Adan Cavalcante

Apaixonado por filmes de

terror, novelas e por bandas

que nunca foram embora.

Amanda Furniel

Carioca paulista, aspirante a

poetisa, apaixonada por

livros e toda sua magia.

Paloma Xavier

Fã de Carla Madeira, lê mais

do que contabiliza e é

entusiasta de Bacurau.

Bea Alcântara

Fã de comédias românticas,

blogueira não-praticante e

emo que não morreu.

Rayssa Oliveira

Lady Bird na vida passada,

viciada em Elena Ferrante e

a única fã de Mad Men.

Luiz de França

Apaixonado por música,

expert em Kylie Minogue, e

tenta trazer hits de volta.

Carol Cassoli

A fofoqueira do Clubinho,

obcecada pelo Adam Driver

e correspondente no RJ.

Gabriell Alves

Adora ler, principalmente

distopias, e é tiktoker nas

horas vagas.

Ana Lima

Pisciana, lendo romances

estranhíssimos e refletindo

demais sobre fandoms.

Nalim Tavares

Dorameira, torcedora da

Loud, artista da casa e

romântica incurável.

Lucas Salatiel

Aficionado por cultura pop e

tudo que envolve mistério e

suspense.

Alice Costa

Leitora incurável, uma

aficionada por suspensa e

apaixonada por moda.

Micael Menezes

Humor moldado por

Sopranos, fã de Tarantino e

não assiste animações.

Thaissa Freitas

Escritora, metida à

marketeira e pregadora da

palavra do Pinterest.

Amanda Oliveira

Mais uma emo, adora falar

sobre tudo e sonha até hoje

com uma vaga na Runway.

siga @oiclubinho

críticas & sugestões? revistafrappe@gmail.com

65 Equipe


em breve!

Oi, Clubinho

Foto: Bianca Letícia


FRAPPÉ

set/24

Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!