AAFFlorestal_266OPS
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ENTREVISTA<br />
Barbara Bonfim conta os desafios e conquistas para presidir a Rede Mulher Florestal<br />
EXCELÊNCIA<br />
NA FLORESTA<br />
PARCERIAS E NOVOS<br />
IMPLEMENTOS<br />
CONTRIBUEM NA<br />
EVOLUÇÃO DA<br />
COLHEITA<br />
FOREST<br />
EXCELLENCE<br />
PARTNERSHIPS AND<br />
NEW IMPLEMENTS<br />
CONTRIBUTE TO<br />
THE EVOLUTION<br />
OF THE HARVEST
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SUMÁRIO<br />
SETEMBRO 2024<br />
58<br />
HISTÓRIA<br />
FLORESTAL<br />
16 Editorial<br />
18 Cartas<br />
20 Bastidores<br />
22 Notas<br />
40 Coluna CIPEM<br />
42 Frases<br />
44 Entrevista<br />
56 Coluna<br />
58 Principal<br />
64 Minuto Floresta<br />
66 Integração<br />
74 Artigo<br />
78 Greve<br />
86 Compostagem<br />
90 Pragas<br />
96 Pesquisa<br />
102 Agenda<br />
104 Espaço Aberto<br />
86<br />
90<br />
ANUNCIANTES DA EDIÇÃO<br />
21 Agroceres<br />
99 Bellé Suporte<br />
19 BKT<br />
17 Bruno<br />
31 Carrocerias Bachiega<br />
93 D’Antonio Equipamentos<br />
47 Denis Cimaf<br />
02 Dinagro<br />
29 DRV Ferramentas<br />
77 Duffatto Viveiro Florestal<br />
83 Ecoserra<br />
53 Eloforte<br />
45 Emex Brasil<br />
51 Engeforest<br />
108 Envimat<br />
23 Envimat/CBI<br />
89 Envimat/Compostagem<br />
15 Envu<br />
67 Equilíbrio Florestal<br />
71 Felipe Diesel<br />
35 Fex<br />
65 Fezer<br />
43 Hennings<br />
04 Himev<br />
08 Lion Equipamentos<br />
27 LS Tractor<br />
81 Lufer Forest<br />
73 Manos Implementos<br />
85 Mill Indústrias<br />
55 Nordtech<br />
101 Penz Saur<br />
79 Planalto Picadores<br />
69 Potenza<br />
105 Prêmio REFERÊNCIA<br />
95 Recimac<br />
91 Remsoft<br />
39 Rocha Facas<br />
06 Rotary-Ax<br />
10 Rotor Equipamentos<br />
12 Sergomel<br />
106 Sparta Brasil<br />
25 Syngenta<br />
33 Tecmater<br />
103 Terra Seguros<br />
97 Timbeter<br />
41 Unibrás<br />
57 Vale do Tibagi<br />
37 Vantec<br />
49 WDS Pneumática<br />
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que as comunidades continuem crescendo.<br />
Florestas<br />
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EDITORIAL<br />
Crescendo juntos<br />
Uma floresta não se faz com apenas uma árvore. É o conjunto<br />
de uma ou centenas de espécies que crescem e constituem<br />
um ambiente com características próprias, estrutura única e que<br />
fortalecem a biodiversidade onde estão presentes. Assim também<br />
é o segmento de base florestal. É na união das pessoas que fazem<br />
esse setor crescer, se desenvolver e deixar sua marca na sociedade.<br />
A Revista REFERÊNCIA FLORESTAL atua desde sua iniciação, na<br />
criação de pontes e no fortalecimento das parcerias que fazem o<br />
setor de base florestal sempre promissor. Nessa edição a história<br />
da J de Souza e a garra traçadora lançada em parceria com a Rotary-Ax,<br />
as preocupações causadas por uma nova praga florestal,<br />
integração lavoura pecuária floresta, as dificuldades causadas pela<br />
greve dos servidores públicos do Ibama, no Mato Grosso, as novidades<br />
do segmento de compostagem e uma entrevista exclusiva<br />
com Barbara Bonfim, presidenta da Rede Mulher Florestal. Até a<br />
próxima!<br />
<br />
<br />
<br />
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<br />
2<br />
<br />
<br />
<br />
1<br />
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<br />
<br />
<br />
<br />
FOREST<br />
EXCELLENCE<br />
PARTNERSHIPS AND<br />
NEW IMPLEMENTS<br />
CONTRIBUTE TO<br />
THE EVOLUTION<br />
OF THE HARVEST<br />
Na capa dessa<br />
edição a J de Souza,<br />
completando 45 anos de<br />
comprometimento com o<br />
segmento florestal<br />
A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product<br />
www.referenciaflorestal.com.br<br />
Ano XXVI • Nº266 • Setembro 2024<br />
ENTREVISTA<br />
<br />
Barbara Bonfim conta os desafios e conquistas para presidir a Rede Mulher Florestal<br />
EXCELÊNCIA<br />
NA FLORESTA<br />
PARCERIAS E NOVOS<br />
IMPLEMENTOS<br />
CONTRIBUEM NA<br />
EVOLUÇÃO DA<br />
COLHEITA<br />
GROWING TOGETHER<br />
You cannot make a forest with just one tree. It is a collection<br />
of one or hundreds of species that grow together to create an<br />
environment with its own characteristics and unique structure, enhancing<br />
the biodiversity of the place where it is found. This is also<br />
true of forestry. It is in the union of the people who make up the<br />
Sector that it grows, develops, and leaves its mark on society. Since<br />
its inception, REFERÊNCIA Florestal has worked to build bridges<br />
and strengthen the partnerships that make the Forest Sector so<br />
promising. In this Issue, we tell the story of J. de Souza and the<br />
tracer claw launched in partnership with Rotary-Ax, the concerns<br />
raised by a new forest pest, the integration of crop and livestock<br />
forestry, the difficulties caused by the public servants’ strike in<br />
Mato Grosso, news from the Composting Sector, and an exclusive<br />
interview with Barbara Bonfim, President of the Forest Women’s<br />
Network. Until next time!<br />
Entrevista com Barbara<br />
Bonfim, presidenta da<br />
Rede Mulher Florestal<br />
Greve do Ibama provoca crise econômica<br />
no setor florestal de Mato Grosso<br />
3<br />
EXPEDIENTE<br />
ANO XXVI - EDIÇÃO 266 - SETEMBRO 2024<br />
Diretor Comercial / Commercial Director<br />
Fábio Alexandre Machado<br />
fabiomachado@revistareferencia.com.br<br />
Diretor Executivo / Executive Director<br />
Pedro Bartoski Jr<br />
bartoski@revistareferencia.com.br<br />
Redação / Writing<br />
Vinicius Santos<br />
jornalismo@revistareferencia.com.br<br />
Colunista<br />
Cipem<br />
Gabriel Dalla Costa Berger<br />
Depto. de Criação / Graphic Design<br />
Fabiana Tokarski - Supervisão<br />
Julia Harumi<br />
criacao@revistareferencia.com.br<br />
Tradução / Translation<br />
John Wood Moore<br />
Depto. Comercial / Sales Departament<br />
Gerson Penkal<br />
comercial@revistareferencia.com.br<br />
fone: +55 (41) 3333-1023<br />
Depto. de Assinaturas / Subscription<br />
assinatura@revistareferencia.com.br<br />
0800 600 2038<br />
ASSINATURAS<br />
0800 600 2038<br />
Periodicidade Advertising<br />
GARANTIDA GARANTEED<br />
Veículo filiado a:<br />
A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente,<br />
dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira,<br />
instituições de pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais,<br />
ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente<br />
ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor<br />
Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em<br />
matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais<br />
de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,<br />
armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos<br />
textos, fotos e outras criações intelectuais da Revista REFERÊNCIA são<br />
terminantemente proibidos sem autorização escrita dos titulares dos<br />
direitos autorais, exceto para fins didáticos.<br />
Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication<br />
directed at the producers and consumers of the good and services of the<br />
lumberz industry, research institutions, university students, governmental<br />
agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked<br />
to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself<br />
responsible for the concepts contained in the material, articles or columns<br />
signed by others. These are the exclusive responsibility of the authors,<br />
themselves. The use, reproduction, appropriation and databank storage<br />
under any form or means of the texts, photographs and other intellectual<br />
property in each publication of Revista REFERÊNCIA is expressly prohibited<br />
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CARTAS<br />
ENTREVISTA<br />
Pedro Francio Filho apresenta sua visão e experiência em silvicultura de alta performance<br />
A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product<br />
<br />
Capa da Edição 265 da<br />
Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,<br />
mês de agosto de 2024<br />
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TECNOLOGIA EM COMPOSTAGEM<br />
RESÍDUOS ORGÂNICOS:<br />
PASSIVO AMBIENTAL OU OPORTUNIDADE?<br />
Ano XXVI • Nº265 • Agosto 2024<br />
COMPOSTING TECHNOLOGY<br />
ORGANIC WASTE: ENVIRONMENTAL<br />
LIABILITY OR OPPORTUNITY?<br />
PRINCIPAL<br />
Por Carlos de Paula, Londrina (PR)<br />
Que grande trabalho na expansão de um mercado como o florestal. São<br />
oportunidades como essa que movimentam o nosso setor.<br />
ENTREVISTA<br />
Foto: divulgação<br />
Por Rogério de Oliveira, Campo Grande (MS)<br />
Quando o profissional conhece do que fala, tudo parece simples e fácil.<br />
Muito sucesso para Pedro Francio na valorização da consultoria florestal.<br />
LEGISLAÇÃO<br />
Por Carla Carvalho, Campinas (SP)<br />
A parceria com o setor público é chave para abrirmos ainda mais oportunidades e<br />
facilitar o trabalho florestal. Parabéns ao Estado de Minas Gerais pela conquista.<br />
Foto: divulgacão<br />
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CURTA NOSSAS PÁGINAS<br />
E INSCREVA-SE NO NOSSO<br />
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18 www.referenciaflorestal.com.br<br />
Revista Referência Florestal<br />
@referenciaflorestal<br />
@revistareferencia9702<br />
E-mails, críticas e sugestões podem ser<br />
enviados também para redação<br />
jornalismo@revistareferencia.com.br<br />
Mande sua opinião sobre a Revista REFERÊNCIA FLORESTAL<br />
ou a respeito de reportagem produzida pelo veículo.
BASTIDORES<br />
Revista<br />
Foto: REFERÊNCIA<br />
ENCONTRO<br />
Encontro de peso durante a<br />
BioComForest em Botucatu (SP), com<br />
os diretores das empresas Equilíbrio<br />
Proteção Florestal, Mirex-S Iscas<br />
Formicidas e REFERÊNCIA FLORESTAL.<br />
Foto: REFERÊNCIA<br />
EM MÃOS<br />
O diretor comercial da<br />
REFERÊNCIA FLORESTAL, Fábio<br />
Machado, foi até a cidade de<br />
São Carlos (SP), para entregar<br />
pessoalmente a edição de<br />
Agosto/24, que teve a participação<br />
especial da Komptech na<br />
reportagem sobre Compostagem.<br />
A entrega foi feita aos diretores da<br />
Envimat (empresa que representa<br />
a Komptech), Arnaldo Casselli e<br />
Vinícius Casselli.<br />
Foto: REFERÊNCIA<br />
PODCAST<br />
O diretor florestal da TFC<br />
(The Forest Company), José<br />
Sawinski Júnior, participou<br />
do PodCast REFERÊNCIA,<br />
contando sobre a sua carreira<br />
e experiência profissional de<br />
mais de 20 anos no segmento<br />
florestal. Na foto, ao lado<br />
dos diretores da Revista<br />
REFERÊNCIA FLORESTAL,<br />
Fábio Machado e Pedro<br />
Bartoski Jr.<br />
VERBA LIBERADA<br />
ALTA<br />
A Diretoria do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento<br />
Econômico e Social) aprovou o contrato da<br />
nova doação do governo dos EUA (Estados Unidos<br />
da América) ao Fundo Amazônia, no valor de US$<br />
47 milhões, o equivalente a R$ 270 milhões. Este<br />
novo aporte do governo dos EUA completa a<br />
entrega inicial de US$ 50 milhões, cerca de R$ 285<br />
milhões, ao Fundo, e faz parte do compromisso de<br />
US$ 500 milhões feito pelo presidente Biden em<br />
abril de 2023. Segundo a embaixada americana, o<br />
presidente Biden continua trabalhando com o Congresso<br />
norte-americano para solicitar e garantir o<br />
financiamento restante para o Fundo Amazônia e<br />
atividades relacionadas até 2028.<br />
SETEMBRO 2024<br />
AMAZÔNIA EM CHAMAS<br />
A Amazônia está em chamas, com 59 mil focos<br />
de incêndio registrados desde janeiro até agora.<br />
Esse é o maior número desde 2008 e pode subir<br />
ainda mais, já que a contagem é atualizada mensalmente<br />
e agosto não teve seu total de dados<br />
contabilizados até o fechamento dessa edição. A<br />
fumaça que cobre a floresta está se espalhando<br />
por milhares de quilômetros. Durante o mês foi<br />
registrada a presença de fumaça em 11 Estados:<br />
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso<br />
do Sul, Mato Grosso, Acre, Rondônia, Paraná,<br />
Minas Gerais, São Paulo e Amazonas.<br />
BAIXA<br />
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Qualidade<br />
Sistema de Gestão de Qualidade<br />
certificado pela ISO 9001: 2015,<br />
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comercialização e serviços pós-venda.<br />
Eficiência<br />
Resultados de controle comprovado em<br />
campo e por ensaios técnicos de universidades.<br />
Precisão
NOTAS<br />
Podcast REFERÊNCIA<br />
Durante o mês de agosto o estúdio do Podcast REFERÊNCIA teve a honra de receber convidados muito especiais que trataram<br />
de grandes temas e compartilharam belas histórias. No episódio sobre compostagem contamos com a presença de Vinicius Casselli,<br />
diretor da Envimat, Rossana Baldanzi, chefe da divisão de licenciamento ambiental de atividade despoluidora do IAT (Instituto Água<br />
e Terra) e José Luiz Tomita, consultor especialista em compostagem (foto de cima).<br />
O programa trouxe grandes esclarecimentos sobre o tema e abriu uma porta de oportunidade para que o segmento florestal<br />
pudesse conhecer a realidade da compostagem. Em sua participação, Tomita, como é conhecido no meio, pôde responder a uma<br />
série de perguntas enviadas pelos ouvintes e expectadores do programa, como a possibilidade de compostagem de recuperação de<br />
áreas através da compostagem ou ainda se há como criar um composto específico para uma área. “Temos que olhar o solo brasileiro<br />
de maneira muito específica, entendendo nossa realidade e tratando da maneira certa para atingir nossos objetivos”, comentou Tomita.<br />
Vinicius Casselli, destacou a importância da compostagem no segmento de celulose e papel e como outras partes do segmento<br />
florestal podem ter benefícios com a compostagem. “O grande ativo do segmento florestal e a compostagem vem como uma janela<br />
de oportunidade de valorização desse ativo”, destacou<br />
Vinicius.<br />
Já Rossana, apontou a legislação e a parte técnica da<br />
operação de compostagem no Paraná, Estado onde trabalha<br />
há quatro décadas. Segundo a chefe do IAT há uma<br />
série de regras muito bem estabelecidas para que a compostagem<br />
possa ser realizada da maneira correta. “Todo<br />
os parâmetros que foram criados e fiscalizamos constantemente<br />
foram feitos não apenas para criar empecilhos,<br />
mas sim gerar resultados de alto padrão e condizentes<br />
com um processo de reaproveitamento de matéria orgânica”,<br />
concluiu Rossana.<br />
No outro episódio os convidados foram Álvaro Scheffer<br />
e Álvaro Scheffer Jr (foto de baixo), respectivamente,<br />
presidente e diretor florestal da Águia Florestal, empresa<br />
paranaense de reflorestamento e processamento de<br />
madeira. Um dos destaques desse programa ficou pela<br />
respeitabilidade e dignidade que o setor florestal conquistou<br />
com o passar dos anos. “Houve uma evolução muito<br />
grande em relação a equipamentos, ao cuidado com as<br />
pessoas e com a estrutura que é oferecida, gerando uma<br />
relação diferente para quem está dentro e para quem vê<br />
de fora nosso setor”, destacou Álvaro Scheffer.<br />
Em um momento especial, os dois convidados puderam<br />
falar sobre Ferdinando Scheffer Junior, patriarca<br />
da família. Enquanto seu filho valorizou a persistência e<br />
a honestidade do pai, Álvaro Scheffer Jr. ressaltou o empenho<br />
e a vontade de continuar aprendendo com o avô.<br />
“Ele está sempre pronto para tirar o melhor das pessoas,<br />
a aprender algo novo e vejo nele uma serenidade e uma<br />
alegria sem igual, tanto que até hoje contamos com ele<br />
para nos aconselhar”, valorizou Álvaro Scheffer Jr.<br />
O episódio completo o Leitor pode conferir<br />
no canal do youtube da Revista REFERÊNCIA:<br />
Fotos: REFERÊNCIA<br />
22 www.referenciaflorestal.com.br
NOTAS<br />
Máquinas de alta tecnologia<br />
A Vantec, uma das líderes em soluções industriais para o setor madeireiro, está preparada para surpreender o mercado<br />
na próxima edição da feira Lignum, que ocorrerá de 17 a 19 de setembro de 2024. Com foco na inovação e na eficiência,<br />
a empresa apresentará suas mais recentes máquinas equipadas com tecnologia de ponta, que prometem elevar os<br />
padrões de produtividade e sustentabilidade no setor.<br />
As novas máquinas da Vantec foram desenvolvidas para atender às demandas crescentes de eficiência operacional e<br />
automação. Com sistemas avançados de controle, maior precisão nos processos e integração com soluções digitais, essas<br />
máquinas proporcionam uma experiência de uso mais intuitiva e produtiva. Além disso, elas foram projetadas com foco<br />
na sustentabilidade, reduzindo o consumo de energia e aumentando a durabilidade dos componentes.<br />
DESTAQUES TECNOLÓGICOS<br />
Automação Inteligente: as máquinas contam com tecnologia de automação inteligente, que ajusta os parâmetros<br />
operacionais em tempo real, garantindo maior precisão e eficiência no corte e processamento de madeira.<br />
Conectividade: A integração com sistemas de controle digital permite o monitoramento remoto das máquinas, possibilitando<br />
ajustes e diagnósticos em tempo real, otimizando o tempo de operação e minimizando paradas não planejadas.<br />
Sustentabilidade: A Vantec mantém o compromisso com a sustentabilidade, e nossas novas máquinas são projetadas<br />
para operar com menor consumo de energia, reduzindo o impacto ambiental sem comprometer a performance.<br />
A Vantec convida a todos os nossos parceiros, clientes e interessados a visitarem o estande na feira Lignum. Será uma<br />
excelente oportunidade para conhecer de perto as inovações tecnológicas que a empresa está trazendo para o mercado<br />
e explorar como essas soluções podem transformar o seu negócio.<br />
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NOTAS<br />
Florestal mais forte<br />
A balança comercial do setor florestal brasileiro registrou um saldo positivo de US$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre<br />
deste ano, um aumento de 1,5% em relação ao mesmo período de 2023, conforme o Mosaico IBÁ, boletim da IBÁ (Indústria<br />
Brasileira de Árvores). Embora a celulose continue sendo o principal produto exportado, as vendas externas de painéis de<br />
madeira foram o grande destaque no período.<br />
O setor de árvores cultivadas é atualmente um dos pilares da economia brasileira, respondendo por 4,4% do total das<br />
exportações do país no primeiro trimestre de 2024 e ocupando o quarto lugar nas exportações agropecuárias brasileiras,<br />
com uma participação de 9,2% do total exportado pelo agronegócio.<br />
Em termos de produção, o Brasil produziu 6,3 milhões de toneladas de celulose no primeiro trimestre, representando<br />
um aumento de 3,6% em relação ao trimestre anterior. A produção de papel também cresceu, alcançando 2,8 milhões de<br />
toneladas até o final de março, uma alta de 6,1%, com um aumento nas exportações de 24,5%. O destaque foi para o papel<br />
para embalagem, cuja produção subiu 10,4%.<br />
As exportações de painéis de madeira registraram uma forte alta entre janeiro e março deste ano, totalizando 369 mil m³<br />
(metros cúbicos), um aumento de 57% em comparação com o mesmo período de 2023. As vendas domésticas também cresceram<br />
10,4%, atingindo 1,8 milhão m³. No mercado internacional, a China continua sendo o principal destino dos produtos<br />
florestais brasileiros, especialmente para a celulose, com compras no valor de US$ 1 bilhão, sendo 95% desse montante em<br />
celulose. A China manteve suas compras de celulose estáveis, mas aumentou as importações de papel em 270% e de painéis<br />
de madeira em 139%.<br />
Foto: divulgação<br />
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NOTAS<br />
Encontro com o futuro<br />
A AGEFLOR (Associação Gaúcha de Empresas Florestais) promoveu no auditório da associada CMPC, em Guaíba (RS), um encontro<br />
técnico com apresentação de trabalhos de professores da Engenharia Florestal da UFSM (Universidade Federal de Santa<br />
Maria) e de empresas associadas. Esta foi a segunda agenda realizada no ano numa empresa associada, pois anteriormente já<br />
havia ocorrido atividade em dia de campo em área das associadas Tanac/Tanagro.<br />
O objetivo do encontro foi de estreitar laços das empresas com a universidade, promover sinergia de conhecimento e<br />
fomentar novos projetos. Agradecemos a presença de todos, a disponibilidade dos apresentadores e a hospitalidade da CMPC,<br />
que gentilmente também ofereceu café de recepção e churrasco de almoço. Confira abaixo mais imagens do dia do evento e as<br />
apresentações realizadas.<br />
Os professores da UFSM apresentaram temas como: Aspectos sociais e econômicos das florestas plantadas no Rio Grande<br />
do Sul; Estudos de materiais lignocelulósicos para a biotecnologia; Fisiologia Florestal, sua importância para os desafios atuais;<br />
Manejo de pragas florestais; Monitoramento Ambiental Florestal; Pesquisa na área de extrativos vegetais; Relações do Curso de<br />
Engenharia Florestal com o setor de base florestal; Técnicas de Inteligência Artificial e Inovações na Melhoria Preditiva de Florestas<br />
Equiâneas; Tecnologias de Inteligência Artificial para a predição de cenários em florestas plantadas; e Uso de sensoriamento<br />
remoto com aeronaves remotamente pilotadas e inteligência artificial na silvicultura/manejocultura/manejo de Eucalyptus sp.<br />
Já os membros da AGEFLOR trataram dos temas: Avaliação de diferentes materiais genéticos de pinus; Correção de solos<br />
e bioativadores em plantios de pinus; Experimento diferentes espaçamentos de plantio; Avaliação experimentos com pinus<br />
híbrido; Dados monitoramento sobre dispersão de sementes de pinus; Inteligência Florestal: Do suporte à estratégia; e Plantio e<br />
sistema convencional (aberto e fechado) de resinagem.<br />
Foto: Diogo Botti/Matthi Comunicação<br />
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NOTAS<br />
EM 2025 A REVISTA BIOMAIS<br />
PASSA A SER MENSAL!<br />
NOVIDADE NA ÁREA<br />
A partir de 2025 a JOTA EDITORA vai ampliar sua produção. A<br />
Revista REFERÊNCIA BIOMAIS, que hoje é bimensal, passará a ser<br />
publicada mensalmente. A publicação será de fevereiro a<br />
novembro, atendendo a expansão do mercado de biomassa e<br />
energias renováveis que vem crescendo no Brasil. A publicação é<br />
destinada exclusivamente para produtores e consumidores de<br />
energias limpas e alternativas e há mais de 15 anos a equipe da<br />
editora vem buscando divulgar tecnologias, produtos e serviços<br />
para atender o setor. Com a publicação mensal esperamos<br />
ampliar a cobertura de produtos, novidades e políticas do<br />
segmento. A JOTA EDITORA atua há mais de 25 anos diretamente<br />
no mercado da informação, comunicação e marketing. Pelo<br />
respeito adquirido com as publicações, os produtos da editora se<br />
tornaram importantes formadores de opinião para diversos<br />
segmentos de mercado. As Revistas REFERÊNCIA (BIOMAIS,<br />
FLORESTAL, MADEIRA INDUSTRIAL, CELULOSE e PRODUTOS DE<br />
MADEIRA) são responsáveis pela divulgação de tudo que há de<br />
mais atual nas diversas áreas por meio de nossas publicações, que<br />
chegam em todas regiões do Brasil e vários países do exterior.<br />
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COLUNA<br />
Mato Grosso<br />
mais forte<br />
Por Ednei Blasius, presidente do CIPEM<br />
(Centro das Indústrias Produtoras e<br />
Exportadoras de Madeira do Estado de<br />
Mato Grosso)<br />
A técnica do manejo<br />
florestal sustentável, ao<br />
garantir a floresta em pé,<br />
não apenas contribui para<br />
a preservação ambiental<br />
e biodiversidade, mas<br />
também atende à<br />
demanda por produtos<br />
que respeitam as normas<br />
de sustentabilidade<br />
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Avanços e<br />
perspectivas<br />
do setor de<br />
base florestal<br />
M<br />
ato Grosso se destaca no cenário nacional como importante<br />
polo de madeira nativa. Além do seu potencial de produção<br />
madeireira, o setor de base florestal do Estado tem avançado<br />
significativamente nos últimos anos nos aspectos de<br />
legalidade, sustentabilidade e gestão, agregando valor e um<br />
diferencial competitivo a seus produtos, com garantia de origem e qualidade.<br />
A rígida observação e adoção de normas e mecanismos legais pelo setor<br />
de base florestal fortalecem o desenvolvimento socioeconômico sustentável,<br />
conforme afirmou recentemente, em entrevista, a secretária adjunta de Licenciamento<br />
Ambiental e Recursos Hídricos da SEMA-MT (Secretaria de Estado<br />
de Meio Ambiente de Mato Grosso), Lilian Ferreira dos Santos.<br />
Entre os mecanismos vigentes está o SISFLORA 2.0 (Sistema de Comercialização<br />
e Transporte de Produtos Florestais), que configura uma cadeia de<br />
custódia, ou seja, um conjunto de procedimentos de controle em todos os<br />
estágios de produção, desde a origem até a comercialização.<br />
Com a rastreabilidade da madeira nativa, o setor de base florestal tem<br />
fortalecido sua credibilidade perante o mercado consumidor interno e internacional<br />
como um fornecedor confiável de produtos sustentáveis, com<br />
qualidade e certificação de origem. O resultado tem sido a melhoria contínua<br />
de sua performance produtiva, contribuindo para o desenvolvimento econômico<br />
e conservação do meio ambiente, mantendo a floresta por meio dos<br />
planos de manejo florestal.<br />
Alinhar a produção madeireira com boas práticas ambientais é um compromisso<br />
do setor de base florestal. Ao implementar a gestão das matas<br />
nativas em áreas de reservas particulares por meio dos planos de manejo, o<br />
setor de base florestal contribui para o sequestro de carbono e mitigação das<br />
mudanças climáticas. A técnica do manejo florestal sustentável, ao garantir a<br />
floresta em pé, não apenas contribui para a preservação ambiental e da biodiversidade,<br />
mas também atende à demanda por produtos que respeitam as<br />
normas de sustentabilidade.<br />
Esses diferenciais intrínsecos aos produtos florestais de Mato Grosso<br />
têm sido demonstrados em eventos setoriais, dentro e fora do Brasil. Após<br />
participações recentes em feiras internacionais na China, Índia e França, os<br />
empresários do setor de base florestal associados ao CIPEM (Centro das Indústrias<br />
Produtoras e Exportadoras de Madeira de Estado de Mato Grosso)<br />
estarão em novembro na feira nacional Espírito Madeira - Design de Origem<br />
2024, que acontecerá na cidade de Venda Nova do Imigrante, no Estado do<br />
Espírito Santo.<br />
Eventos como esse permitem demonstrar as boas práticas e eficiência<br />
dos processos de rastreabilidade da madeira nativa mato-grossense, possibilitam<br />
o intercâmbio de conhecimentos sobre gestão florestal e de informações<br />
para que profissionais de diversas áreas, como arquitetura, estejam<br />
informados sobre a legalidade e a qualidade dos produtos florestais locais.<br />
Foto: divulgação<br />
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ENTREVISTA<br />
A<br />
s mulheres estão presentes no segmento florestal<br />
e conquistam cada vez mais espaço. Em um<br />
setor predominantemente masculino, através<br />
de muito trabalho e dedicação têm se mostrado<br />
capazes de não apenas participar, mas também<br />
de liderar e fazer a diferença. Barbara Bonfim, presidente da<br />
RMF (Rede Mulher Florestal) desde 2023, conta sua história,<br />
conquistas da entidade e atual realidade das mulheres no segmento<br />
florestal.<br />
Barbara Bonfim<br />
W<br />
omen are present and gaining ground in<br />
the forest industry. Through hard work and<br />
dedication, they have shown that they can<br />
not only participate but also lead and make<br />
a difference in a predominantly male sector. Barbara Bomfim,<br />
President of the Women’s Forest Network (RMF) since 2023,<br />
shares her story, the Organization’s achievements, and the<br />
reality of women in the Forest Sector.<br />
ATIVIDADE/ ACTIVITY:<br />
Engenheira florestal, possui mestrado em Manejo de<br />
Florestas Tropicais pela UNB (Universidade de Brasília) e<br />
doutorado em Solos e Biogeoquímica pela Universidade da<br />
Califórnia, Davis - traçando uma trajetória acadêmica com<br />
foco em conservação, uso sustentável de recursos naturais,<br />
mercados de carbono e soluções baseadas na natureza.<br />
A Forestry Engineer with a Master’s degree in Tropical Forest<br />
Management from the University of Brasilia (UNB) and<br />
a Ph.D. in Soils and Biogeochemistry from the University<br />
of California, Davis, her academic career has focused on<br />
conservation, sustainable use of natural resources, carbon<br />
markets, and nature-based solutions.<br />
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O X da questão em segurança<br />
no transporte de carga florestal!<br />
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COLUNA<br />
Acidentes no Manejo<br />
de Árvores: Falta de<br />
conscientização ou<br />
excesso de confiança?<br />
Gabriel Dalla Costa Berger<br />
Engenheiro Florestal e Segurança do Trabalho<br />
Mestre em Manejo Florestal<br />
gabrielberger.com.br<br />
gabriel@gabrielberger.com.br<br />
Foto: divulgação<br />
O comportamento do trabalhador pode levar a tomada de decisões arriscadas durante as operações.<br />
Conscientização, humildade e respeito pela atividade são fundamentais para a redução de acidentes.<br />
N<br />
o setor florestal, o manejo de árvores é uma atividade<br />
essencial que demanda conhecimento técnico,<br />
habilidade e, acima de tudo, uma postura rigorosa<br />
com relação à segurança. No entanto, muitas<br />
vezes, os acidentes acontecem não apenas pela<br />
falta de conscientização dos riscos, mas também por um fator<br />
mais sutil: o excesso de confiança dos trabalhadores experientes.<br />
A IMPORTÂNCIA DA CONSCIENTIZAÇÃO<br />
A conscientização sobre os riscos associados ao manejo de<br />
árvores é o primeiro passo para a segurança na atividade. Operações<br />
como poda e corte de árvores envolvem o uso de máquinas,<br />
ferramentas e equipamentos perigosos e, em alguns casos, trabalhos<br />
em altura. Esses fatores aumentam significativamente o risco<br />
de acidentes graves, como quedas, amputações, ferimentos por<br />
objetos cortantes e até acidentes fatais.<br />
Para minimizar esses riscos, é essencial que as empresas<br />
florestais invistam em treinamentos regulares para todos os funcionários,<br />
desde os recém-contratados, até os mais experientes.<br />
Treinamentos sobre o uso correto de EPIs (equipamentos de<br />
proteção individual), como capacetes, óculos, luvas, botas de<br />
segurança e roupas de proteção, devem ser obrigatórios. Além<br />
disso, é importante ensinar os trabalhadores a identificar riscos<br />
potenciais, como árvores instáveis, galhos secos ou próximos a<br />
redes elétricas, e como proceder em cada situação.<br />
O PERIGO DO EXCESSO DE CONFIANÇA<br />
Enquanto a falta de conscientização pode ser um problema<br />
para trabalhadores novos no setor, o excesso de confiança é<br />
frequentemente observado em trabalhadores mais experientes.<br />
Aqueles que já realizaram o manejo de árvores por muitos anos<br />
podem subestimar os riscos, assumindo que sua experiência é<br />
suficiente para evitar acidentes. Este comportamento pode levar<br />
ao relaxamento das normas de segurança, como o uso incorreto<br />
ou a não utilização de EPIs, o descumprimento de procedimentos<br />
estabelecidos, ou a tomada de decisões arriscadas durante as<br />
operações.<br />
O excesso de confiança pode ser tão perigoso quanto a ignorância.<br />
Por isso, é fundamental que as empresas criem uma cultura<br />
de segurança onde todos, independentemente da experiência,<br />
sejam incentivados a seguir os protocolos de segurança rigorosamente.<br />
Estabelecer um programa de monitoramento e feedback<br />
constante pode ajudar a identificar comportamentos arriscados e<br />
reforçar a necessidade de seguir as diretrizes de segurança.<br />
ESTRATÉGIAS PARA REDUZIR RISCOS<br />
Capacitação e educação continuada: manter os trabalhadores<br />
atualizados sobre práticas seguras, normas e uso adequado de<br />
máquinas, ferramentas e equipamentos. Isso é fundamental para<br />
identificar riscos e evitar comportamentos inseguros, promovendo<br />
uma cultura de segurança constante e reduzindo acidentes.<br />
Cultura de segurança: promover uma cultura onde a segurança<br />
seja prioridade. Recompense comportamentos seguros e incentive<br />
os trabalhadores a apontarem riscos e práticas perigosas<br />
sem medo de retaliações.<br />
Supervisão e monitoramento ativo: supervisores devem<br />
estar atentos a quaisquer desvios de segurança e prontamente<br />
corrigir práticas inseguras.<br />
Manutenção preventiva de equipamentos: máquinas e equipamentos<br />
de segurança precisam ser inspecionados e mantidos<br />
regularmente para garantir sua eficácia. Qualquer defeito ou dano<br />
deve ser reportado imediatamente.<br />
A segurança no manejo de árvores é uma responsabilidade<br />
compartilhada que requer tanto conscientização quanto humildade.<br />
Enquanto novos trabalhadores devem ser educados sobre os<br />
perigos do trabalho, aqueles mais experientes precisam reconhecer<br />
que o excesso de confiança pode ser um inimigo silencioso.<br />
O equilíbrio entre treinamento, monitoramento e criação<br />
de uma cultura de segurança é a chave para evitar acidentes e<br />
garantir a saúde e o bem-estar de todos os envolvidos. Afinal, a<br />
verdadeira segurança não vem apenas do conhecimento, mas do<br />
respeito constante pelas práticas de segurança.<br />
Foto: divulgação<br />
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Empresa celebra 45<br />
anos de trabalho no<br />
segmento florestal<br />
mirando no futuro e<br />
no fortalecimento de<br />
parcerias<br />
Fotos: divulgação<br />
Setembro 2024<br />
59
PRINCIPAL<br />
N<br />
o coração do polo florestal de Santa Catarina<br />
está localizada uma das principais empresas<br />
fabricantes de equipamentos para silvicultura<br />
do Brasil. A J de Souza foi fundada por<br />
João de Souza, torneiro mecânico, filho de<br />
agricultores da região, que aos 17 anos saiu de casa para<br />
construir sua própria história. Foi em uma indústria em<br />
Rio do Sul (SC), ainda nos anos 1960, que João aprendeu<br />
seu ofício e na busca de melhores salários, se mudou para<br />
Lages (SC), onde trabalhou primeiramente em uma oficina<br />
de caminhões e pôde fazer faculdade de economia. A J de<br />
Souza nasce quando João compra um pequeno torno e faz<br />
as primeiras peças e serviços para produtores da região no<br />
contraturno de seu trabalho, sendo julho de 1979 o mês<br />
que marca sua saída da oficina mecânica e início oficial das<br />
atividades da nova empresa.<br />
Hoje quem gerencia a empresa que completou há pouco<br />
tempo 45 anos é Anderson de Souza, diretor da J de Souza<br />
e Dayane de Souza, diretora Administrativa e Financeira<br />
(irmãos). Anderson tem muito orgulho do legado de seu pai<br />
e celebra como uma das principais conquistas da empresa o<br />
aumento da abrangência de atividades e de alcance dentro do<br />
mercado nacional. “Foi no início dos anos 2000, que tivemos<br />
essa virada de chave, nos tornamos uma empresa relevante<br />
no mercado de implementos florestais em nível nacional,<br />
deixando de ser apenas uma prestadora de serviços e nos<br />
tornamos uma indústria, que mudou completamente a nossa<br />
realidade”, relata Anderson sobre um dos momentos mais<br />
importantes e desafiadores que a J de Souza passou.<br />
Para o diretor, o grande marco foi a obtenção do selo ISO<br />
9001, que completou 11 anos em 2024 e a quebra das frontei-<br />
Forestry History<br />
A company celebrates 45 years in the<br />
forestry equipment segment, looks to the<br />
future, and strengthens partnerships<br />
O<br />
ne of Brazil’s leading forestry equipment<br />
manufacturers is located in the heart of<br />
Santa Catarina’s forestry hub. J de Souza<br />
was founded by João de Souza, a machinist<br />
and son of local farmers, who left home at<br />
the age of 17 to make his own way. de Souza learned his<br />
trade in a company in Rio do Sul (SC) in the 1960s and, in<br />
search of better wages, moved to Lages (SC), where he first<br />
worked in a truck workshop and was able to study economics.<br />
J de Souza was born when João bought a small lathe<br />
and began to produce parts and services for producers in the<br />
region during his working hours. July 1979 was the month<br />
that marked his departure from the mechanical workshop<br />
and the official start of the new company’s activities.<br />
Today, Anderson de Souza, Managing Director of J de<br />
Souza, and Dayane de Souza, Administrative and Financial<br />
Director (siblings of the Founder), run the Company, which<br />
recently celebrated its 45th year in business. Anderson de<br />
Souza is very proud of his father’s legacy and celebrates<br />
as one of the Company’s main achievements the increase<br />
in scope and reach within the Brazilian market. “It was in<br />
the early 2000s that we had this turning point; we became<br />
a relevant company in the forestry equipment market at<br />
a national level, we stopped being a service provider, and<br />
became an equipment manufacturing company, which completely<br />
changed our reality,” says Anderson de Souza about<br />
one of the most important and challenging moments J de<br />
Souza has experienced.<br />
For the Managing Director, the most important milestone<br />
was obtaining the ISO 9001 certification, which we<br />
received in 2024. Crossing boundaries was also an important<br />
part of the Company’s history. “In 2004, we sold our first<br />
machine to Uruguay, which opened doors for us to conquer<br />
markets all over the world,” says Anderson de Souza. Today,<br />
J de Souza has a presence in all three Americas, Europe,<br />
and Africa, and later this year will set up shop in Asia with<br />
attachments that will be taken to Indonesia.<br />
For the future, the plans are well defined, and the effort<br />
and seriousness that have strengthened the Company in these<br />
45 years will be the basis for the next steps that will create<br />
jobs and promote the Brazilian forestry equipment segment<br />
in the world. “We have plans to open a branch in Mato<br />
Grosso do Sul, which has received very strong investments in<br />
the pulp segment. The Company has already participated in<br />
several trade shows on other continents, and we will attend<br />
60 www.referenciaflorestal.com.br
MINUTO FLORESTA<br />
Valorização<br />
DO TRABALHO<br />
Congresso reúne especialistas<br />
no combate as plantas daninhas<br />
e destaca os novos produtos e<br />
tecnologias aplicadas<br />
Fotos: divulgação<br />
Promovido desde 1956 pela SBCPD (Sociedade<br />
Brasileira da Ciência das Plantas<br />
Daninhas), o XXXIII Congresso Brasileiro da<br />
Ciência das Plantas Daninhas foi realizado<br />
entre os dias 12 e 15 de agosto de 2024, no<br />
Centro de Convenções Expo Dom Pedro – Centro de<br />
Convenções de Campinas (SP), junto ao XXV Congresso<br />
Latinoamericano de Malezas. O evento contou com a<br />
organização conjunta da SBCPD e ALAM (Asociación Latinoamericana<br />
de Malezas), reunindo o que há de mais<br />
atual nas discussões no Brasil e no mundo. O tema central<br />
do congresso foi: Do laboratório ao campo - transformação<br />
das descobertas científicas em inovação.<br />
O evento teve como um dos destaques a Envu, empresa<br />
fundada em 2022, com base em meio século de<br />
experiência no segmento de saúde ambiental, com o<br />
objetivo único de promover ambientes saudáveis para<br />
todos, em qualquer lugar. A Envu oferece serviços especializados<br />
em manejo profissional de pragas, silvicultura,<br />
manejo da vegetação industrial. Em cada uma das<br />
áreas de atuação, foram estabelecidas parcerias com os<br />
clientes para que a natureza e a sociedade prosperem<br />
juntas.<br />
A Envu teve a oportunidade de ter seus profissionais<br />
presentes e tiveram a oportunidade de apresentar<br />
duas palestras institucionais destacando suas soluções<br />
em florestas plantadas e restauração florestal, além<br />
de duas apresentações orais em painéis sobre culturas<br />
perenes e nove pôsteres, que reforçam o compromisso<br />
da empresa com inovação e a sustentabilidade. Este<br />
congresso refletiu a crescente importância das florestas<br />
plantadas, do manejo de vegetação em áreas não-agrícolas<br />
e da restauração florestal, temas que se destacaram<br />
e mostraram sua relevância dentro das discussões.<br />
Um destaque especial foi dado para Natalia da<br />
Cunha Bevilaqua, gerente de desenvolvimento para a<br />
linha florestal da Envu, que recebeu o prêmio Destaque<br />
Oral na área de Manejo de Plantas Daninhas em<br />
Culturas Perenes e Áreas Não-Agrícola. Para a gerente,<br />
o evento foi uma oportunidade única de representar a<br />
Envu juntamente com o time da empresa, como Fabricio<br />
Sebok, Jessica Faria, Joana Peloia, Caique Medauar e<br />
Luciana Freitas. “Esse reconhecimento é extremamente<br />
gratificante e reflete a dedicação e o esforço contínuos<br />
que temos colocado em nossas pesquisas”, celebrou<br />
Natalia.<br />
Esse reconhecimento é<br />
extremamente gratificante e<br />
reflete a dedicação e o esforço<br />
contínuos que temos colocado<br />
em nossas pesquisas<br />
Natalia da Cunha Bevilaqua, gerente de<br />
desenvolvimento para a linha florestal<br />
da Envu<br />
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INTEGRAÇÃO<br />
AEmbrapa Agrossilvipastoril (Empresa Brasileira<br />
de Pesquisa Agropecuária) está fechando<br />
o primeiro ciclo de 12 anos do maior experimento<br />
do mundo com sistemas de ILPF<br />
(integração lavoura-pecuária-floresta), em<br />
Sinop (MT). As pesquisas trouxeram resultados que ajudam<br />
a fazer recomendações sobre uso do componente arbóreo<br />
nesses sistemas produtivos.<br />
A definição da estratégia de uso das árvores em sistemas<br />
de integração varia entre as propriedades, conforme o<br />
interesse do produtor. Fatores como destinação da madeira,<br />
mercado consumidor, forma de colheita, uso das árvores<br />
como adição ou substituição de renda, características da<br />
propriedade, entre outros, devem ser avaliados. Isso torna<br />
cada projeto único. Porém, a tomada de decisão deve ser<br />
baseada em fundamentos técnicos como os obtidos na<br />
pesquisa.<br />
O trabalho utilizou o eucalipto (clone H13), uma vez<br />
que é uma espécie com crescimento rápido, com técnicas<br />
silviculturais desenvolvidas e com múltiplos usos. As árvores<br />
foram testadas em sistema de ILF (integração lavoura-<br />
-floresta), IPF (integração pecuária-floresta) e ILPF, além da<br />
monocultura utilizada como testemunha. O plantio ocorreu<br />
inicialmente em renques de três linhas distantes 30m (metros)<br />
entre si e, após intervenções, alguns dos tratamentos<br />
tiveram as linhas externas suprimidas e ficaram como linhas<br />
simples espaçadas em 37m.<br />
A pesquisa acompanhou todo o desenvolvimento das<br />
árvores, as operações de manejo como poda de galhos e<br />
desbastes (corte seletivo de árvores), dados de crescimento,<br />
acúmulo de biomassa e carbono, efeito bordadura dos<br />
renques, estoque de madeira, entre outros.<br />
Ao longo dos 12 anos os sistemas integrados produziram<br />
entre 87 m³ (metros cúbicos) e 114 m³ de madeira por<br />
ha (hectare). Os volumes variaram conforme o número de<br />
árvores conduzidas até o fim do experimento. Entretanto,<br />
quanto mais árvores, maior o impacto sobre a produção de<br />
grãos e forragem dentro do sistema produtivo. “Quando<br />
falamos em sistemas de integração, temos que pensar na<br />
produtividade de todo o sistema. Se aumento o número de<br />
árvores, terei redução na produção da lavoura e da pecuária.<br />
Sendo assim, o maior número de árvores tem que fazer<br />
sentido na avaliação global”, explica o pesquisador Maurel<br />
Behling.<br />
A área testemunha, com monocultura de eucalipto,<br />
produziu 350 m³/ha ao longo dos 12 anos, ficando dentro<br />
da média de incremento anual do H13 em áreas de silvicultura<br />
em Mato Grosso, que é de 32 m³/ha.<br />
COMPORTAMENTO DE CRESCIMENTO E CARBONO<br />
Os dados de crescimento em altura, DAP (diâmetro à<br />
altura do peito) e volume de madeira medidos ao longo dos<br />
anos indicaram que os sistemas integrados proporcionam o<br />
chamado efeito bordadura. É o efeito causado nas árvores<br />
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ARTIGO<br />
Irrigação e uso de<br />
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Por<br />
Marcelo Dionísio dos Santos - Consultor Florestal | Técnico Agrícola | Engenheiro de Produção<br />
Pedro Francio Filho - Consultor Florestal | Engenheiro Agrônomo | Diretor Francio Soluções Florestais<br />
Mateus Rodrigues Rocha - Estagiário de Silvicultura | Graduando em Engenharia Florestal - UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)<br />
Fotos: Francio Soluções Florestais<br />
O<br />
setor florestal brasileiro está em constante desenvolvimento,<br />
com uma área de aproximadamente<br />
9,94 milhões de ha (hectares) plantados, combinados<br />
ao clima e solo favoráveis, impulsiona, cada<br />
vez mais, a demanda por produtos de base florestal<br />
(IBÁ, 2023). Por sua vez, o êxito na formação de florestas de alta produção<br />
depende, na maior parte, da qualidade das mudas plantadas,<br />
que, além de terem que resistir às condições adversas encontradas<br />
no campo, após o plantio, deverão sobreviver e, por fim, produzir<br />
árvores com crescimento volumétrico economicamente desejável.<br />
Desta forma, além das condições mencionadas com relação<br />
à qualidade das mudas, as condições adversas, principalmente a<br />
escassez de água e temperaturas devem ser levadas em conta, haja<br />
vista a importância destas no cenário do plantio e sobrevivência das<br />
mudas recém plantadas. É importante conhecer o comportamento<br />
do regime de chuvas, temperatura, altitude, solo e outros fatores<br />
para tomada de decisão do melhor momento de realizar o plantio,<br />
bem como na escolha de material genético adequado.<br />
Entende-se que além de uma muda de qualidade, genética<br />
adequada, correção e preparo dos solos, necessita-se da realização<br />
de um bom plantio e da disponibilidade de água, haja vista que a<br />
água é fator limitante à vida e está presente nos tecidos vegetais,<br />
participando ativamente, desde o controle das condições fisiológicas<br />
da planta, bem como de sua nutrição.<br />
A disponibilidade hídrica para as raízes das plantas e a capacidade<br />
de retenção desta é crucial, especialmente em solos com baixa<br />
capacidade de retenção ou durante períodos de estresse hídrico.<br />
No manejo da irrigação é interessante que a planta não gaste<br />
energia para realizar a absorção, evitando possíveis quedas na<br />
produtividade. Sendo assim, deve-se procurar manter a umidade<br />
do solo sempre acima do ponto onde a planta não sofra por estresse<br />
hídrico.<br />
Abaixo exemplo de levantamento de dados para tomada de decisão da melhor época de plantio,<br />
considerando a média histórica regional.<br />
Janeiro<br />
Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro<br />
Temperatura média ( O C)<br />
23.9<br />
23.7<br />
24<br />
23.9<br />
23.3<br />
23.3<br />
23.4<br />
25.1<br />
26<br />
25.4<br />
24.4<br />
24.1<br />
Temperatura mínima ( O C)<br />
21.2<br />
21.1<br />
21.1<br />
20.5<br />
19.5<br />
18.6<br />
18.4<br />
19.7<br />
21.2<br />
21.7<br />
21.4<br />
21.3<br />
Temperatura máxima ( O C)<br />
27.7<br />
27.5<br />
27.9<br />
27.9<br />
27.8<br />
28.5<br />
29.1<br />
31<br />
31.4<br />
30.1<br />
28.6<br />
27.9<br />
Chuva (mm)<br />
265<br />
251<br />
213<br />
106<br />
47<br />
10<br />
7<br />
16<br />
65<br />
137<br />
202<br />
256<br />
Umidade (%)<br />
86%<br />
86%<br />
85%<br />
81%<br />
74%<br />
63%<br />
56%<br />
48%<br />
59%<br />
74%<br />
82%<br />
85%<br />
Dias chuvosos (d)<br />
20<br />
18<br />
20<br />
14<br />
7<br />
2<br />
1<br />
2<br />
8<br />
15<br />
18<br />
19<br />
Horas de sol (h)<br />
7.5<br />
7.0<br />
7.1<br />
7.8<br />
8.4<br />
9.3<br />
9.9<br />
10.3<br />
10.0<br />
9.3<br />
8.1<br />
7.9<br />
Temperaturas mensais, precipitações e umidade<br />
Fonte: Climate-data<br />
74 www.referenciaflorestal.com.br
Ao lado, exemplo de plantadeira com aplicador<br />
de gel seco, plantio e confecção de bacia de<br />
irrigação, necessária para comportar tanto a<br />
água das irrigações como chuvas.<br />
Plantio com plantadeira com gel seco<br />
Efeito do hidrorretentor específico, seco, a base de<br />
celulose que tem simbiose perfeita com a raiz do<br />
eucalipto, disponibilizando durante aproximadamente<br />
20 dias pra planta, ate a próxima chuva ou irrigação,<br />
além de disponibilizar N e K<br />
Assim sendo, considerando o processo de irrigação onde não se<br />
tenha chuvas regulares e/ou ausência destas por períodos prolongados,<br />
torna-se necessário pensar na otimização dos custos desta<br />
operação e da sua utilização de forma racional.<br />
A utilização de hidrorretentores no solo otimiza a disponibilidade<br />
de água, reduz as perdas por percolação e lixiviação de nutrientes e<br />
melhora a aeração e drenagem do solo, acelerando, o desenvolvimento<br />
do sistema radicular e da parte aérea das plantas. A aplicação<br />
de polímeros hidrorretentores é um método que tem sido usado<br />
recentemente no plantio de mudas florestais. Esse polímero sintético<br />
a base de poliacrilamida, também conhecido como hidrogel, tem<br />
grande capacidade de armazenar e reter água.<br />
BREVE HISTÓRICO<br />
Os hidrogéis ou condicionadores de solo surgiram na década<br />
de 1950 por uma empresa americana. Na época, a capacidade de<br />
armazenamento de água deionizada era limitada a vinte vezes sua<br />
massa. Após a expiração da patente nos anos 70, uma empresa<br />
britânica aumentou a capacidade de retenção do polímero de vinte<br />
para quarenta vezes e de quarenta para quatrocentas vezes em<br />
1982. Mas, como esperado, o produto não funcionou bem, devido<br />
principalmente ao preço alto, que o tornou inviável para uso agrícola.<br />
Além disso, havia pouca pesquisa que incentivasse o uso e aplicação<br />
do hidrogel na agricultura (Wofford Jr. & Koski, 1990).<br />
A partir dos anos 80, muitos estudos foram desenvolvidos para<br />
provar a eficácia dos hidrogéis como condicionadores do solo e<br />
principalmente como um produto capaz de reter e disponibilizar<br />
água para os cultivos agrícolas, bem como aumentar a capacidade de<br />
armazenamento de água no solo onde os hidrogéis são adicionados.<br />
Wofford Jr.; Koski (1990) afirmaram que nos EUA (Estados Unidos<br />
da América), o Serviço Florestal do Estado do Colorado obteve<br />
aumento no índice de sobrevivência de mudas florestais somente<br />
com o uso de polímeros agrícolas no momento do transplantio e<br />
semeio, além de acelerar o crescimento dessas plantas pelo maior<br />
suprimento e disponibilidade de água. Buzetto et al. (2002) estudando<br />
a eficiência do hidrogel no fornecimento de água para mudas<br />
de Eucalyptus urophylla em pós-plantio, constatou que o polímero<br />
reteve a água de irrigação por maior período, disponibilizando-a de<br />
maneira gradativa para as plantas, o que resultou na diminuição da<br />
mortalidade das mudas cultivadas com o hidrogel sem, contudo,<br />
acelerar o crescimento em altura das mesmas. Adams; Lockaby<br />
(1987), estudando o efeito de polímeros em sementeiras de espécies<br />
florestais observaram que 18 dias após a primeira irrigação, 100%<br />
das mudas utilizadas como testemunha murcharam, enquanto as<br />
que receberam o hidrogel permaneceram túrgidas.<br />
Assim como em outros países, não poderia ser diferente, considerando<br />
que a necessidade por água é uma necessidade fisiológica<br />
das plantas, indiferentemente do local onde esteja plantada. Na<br />
maior parte do Brasil, principalmente nordeste e centro-oeste, os<br />
solos mais arenosos com baixa presença de matéria orgânica e/<br />
ou argila em condições ideais, associadas às altas temperaturas<br />
e baixas condição pluviométrica, limitam os plantios florestais,<br />
principalmente o de eucalipto, exigindo desde materiais genéticos<br />
adaptados, bem como o uso de estimuladores de crescimento e/ou<br />
hidrorretentores, a fim de proporcionar melhores condições para o<br />
pegamento e desenvolvimento inicial das mudas recém plantadas.<br />
Embora ainda haja realização do plantio na época chuvosa,<br />
por minimizar os custos com a irrigação, as condições climáticas<br />
cada vez mais desfavoráveis e incertas, têm acarretado altas taxas<br />
de replantio e florestas desuniformes em função, principalmente,<br />
dos períodos de veranico (ausência de chuvas) inesperados. Com<br />
isso, cada vez mais têm-se buscado alternativas a baixo custo, que<br />
propicie a realização de um plantio de qualidade com ótimas taxas<br />
de sobrevivências (≥ 95% aos 30 dias de plantio).<br />
O gel de irrigação é uma tecnologia que retém água e nutrientes<br />
no solo, liberando-os gradualmente para as plantas, o que é<br />
especialmente útil em regiões com baixa disponibilidade hídrica.<br />
Quando combinado com a calda de irrigação contendo Bacillus aryabhattai,<br />
um microrganismo benéfico, essa prática pode promover<br />
um ambiente mais saudável para as raízes, melhorando a absorção<br />
de nutrientes e a resistência das plantas a estresses abióticos.<br />
O Bacillus aryabhattai é uma rizobactéria que atua como um<br />
Plantio com hidrorretentor seco na matraca com<br />
dosador e suporte para carregamento das mudas<br />
Irrigação sem gel<br />
de irrigação<br />
Tanque de irrigação adequado com válvulas para<br />
uniformizar a quantidade de água por planta<br />
Setembro 2024<br />
75
ARTIGO<br />
Gel de irrigação na bacia da muda, aplicado na<br />
válvula com Bacillus Aryabhattai utilizado no plantio<br />
Plantio com plantadeira e dosador de hidrorretentor<br />
seco com regulagem de 2 gramas por acionamento<br />
Muda de qualidade<br />
bioinsumo inovador, promovendo o crescimento de culturas agrícolas<br />
mesmo sob condições de estresse hídrico. Este microrganismo<br />
contribui para o aumento da resiliência das plantas, auxiliando na<br />
adaptação a períodos de seca. Quando aplicado ao solo, ele induz<br />
o enraizamento, ajusta o potencial osmótico e reduz o estresse<br />
causado por veranicos, fortalecendo as plantas e promovendo um<br />
desenvolvimento mais saudável em ambientes adversos. O uso<br />
conjunto desses componentes potencializa o crescimento vegetal<br />
e a eficiência hídrica, resultando em um manejo mais sustentável.<br />
Desta forma, a adição de elementos promotores (ou estimuladores)<br />
de crescimento radiculares nas mudas florestais, tornam-se<br />
necessária, visando aumentar o número e tamanho de raízes, o vigor<br />
inicial, a uniformidade, a produtividade e o índice de sobrevivência<br />
após o plantio, conforme as recomendações comuns de hidrorretentores<br />
na irrigação de mudas de eucalipto, nos primeiros estágios de<br />
desenvolvimento no campo. O desenvolvimento do sistema radicular<br />
e da parte aérea das plantas é acelerado pela adição de hidrogéis no<br />
solo. Isso melhora a disponibilidade de água, reduz as perdas de nutrientes<br />
por percolação e lixiviação e melhora a aeração e drenagem<br />
do solo. Desde as primeiras tentativas de uso de hidrorretentores,<br />
até os dias atuais, vários tipos de géis têm sido utilizados, variando<br />
desde os pré-diluídos nos tanques de irrigação, até os géis secos.<br />
Os hidrorretentores são polímeros superabsorventes capazes de<br />
reter uma quantidade significativa de água em relação ao seu peso,<br />
devido à sua capacidade de reter água no solo, facilitando o controle<br />
hídrico das plantações, sendo usado com frequência na agricultura<br />
aplicado ao solo, através da irrigação, incorporando-se às camadas<br />
de plantio, onde serve como um reservatório de água. Em seguida,<br />
ele é lentamente liberado para as raízes das plantas, criando um<br />
ambiente ideal para o crescimento saudável das plantas (Santos<br />
et al., 2017). Os géis pré-diluídos nos tanques são aplicados diretamente<br />
na bacia de plantio na irrigação das mudas em pós-plantio.<br />
Os hidrorretentores são diluídos nos tanques, sendo assim, são<br />
aplicados diretamente na bacia de plantio na irrigação das mudas<br />
em pós-plantio. Pode ser adicionado o Bacillus aryabhattai, que<br />
é um indutor a seca e outras intempéries de acordo com a região<br />
e disponibilidade hídrica, podem ser adicionados principalmente<br />
nas regiões secas. Esses polímeros superabsorventes aumentam<br />
significativamente a retenção de água no solo, disponibilizando-a<br />
gradativamente para as plantas, o que é crítico em períodos de<br />
escassez de água. Além disso, a aplicação de hidrogéis contribui<br />
para a melhoria do desenvolvimento radicular e da parte aérea das<br />
plantas, aumentando a sobrevivência das mudas após o plantio e<br />
promovendo um crescimento mais uniforme e vigoroso.<br />
Em ambos os casos, a finalidade seria o funcionamento como<br />
um reservatório de água para as plantas, em função da necessidade<br />
da mesma. Cabe ressaltar que o gel seco precisa ser hidratado, a<br />
fim de cumprir com seu papel, ou seja, com o solo úmido ou com<br />
uma irrigação satisfatória de pelo menos 5 litros de água por planta.<br />
Com isso há um aumento no intervalo entre as irrigações, o que<br />
minimiza ou suprime a quantidade de irrigação, justificando os<br />
custos do uso do produto.<br />
Conclui-se, portanto, que a utilização de hidrorretentores ou<br />
hidrogéis na irrigação têm se mostrado uma técnica eficiente e<br />
sustentável para o setor florestal brasileiro. Embora nem sempre acelerem<br />
o crescimento em altura, os hidrorretentores desempenham<br />
um papel crucial na conservação dos recursos hídricos, associadas<br />
a todas as boas práticas citadas anteriormente, representa uma<br />
estratégia promissora para o desenvolvimento de florestas de alto<br />
rendimento, alinhando a produção de madeira com a preservação<br />
ambiental, contribuindo, desta forma, na promoção da sustentabilidade<br />
nas práticas agrícolas e florestais.<br />
Funções do gel seco Polyter - Fonte: Forth, 2019<br />
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MUDAS DE<br />
ARAUCÁRIA<br />
ENXERTADA<br />
(produção precoce do pinhão)<br />
Variedades;<br />
BRS 406, BRS 405, BRS 407, BRS 426, BRS 427, BRS 428<br />
Porte mais baixo;<br />
Maior produtividade;<br />
Mudas com produção precoce<br />
(média de 6 a 8 anos de idade).<br />
BOM RETIRO - MONTE CASTELO/SC
GREVE<br />
Impacto<br />
FINANCEIRO<br />
Greve do Ibama provoca crise<br />
econômica no setor florestal<br />
de Mato Grosso<br />
Fotos: divulgação<br />
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GREVE<br />
O setor, infelizmente, é mais<br />
uma vez prejudicado, mas a<br />
gente sabe que não é só o<br />
setor de base florestal, é todo<br />
setor de exportações que<br />
passam obrigatoriamente pela<br />
fiscalização do Ibama<br />
sendo visto com maus olhos perante outros países, que não<br />
está entregando, no caso, a sua matéria-prima, a sua mercadoria,<br />
em um tempo hábil de acordo com os contratos.<br />
“Está sendo realmente um grande entrave para o nosso<br />
setor, essa greve do Ibama. Como é uma greve a nível federal,<br />
não afetou somente o setor de base florestal, afetou<br />
os adubos, insumos agrícolas, é todo o setor do agro, setor<br />
do petrolífero, então não é só o setor de base florestal que<br />
foi prejudicado com essa greve. Precisamos que realmente<br />
o governo consiga articular de maneira que haja um equilíbrio<br />
aí, para que o órgão governamental do Ibama volte<br />
a trabalhar e sanar os problemas que estão ocorrendo”,<br />
cobrou Felipe ainda durante a paralização.<br />
Felipe destacou que diretorias dos setores afetados<br />
tem procurado os órgãos governamentais, federações e<br />
indústrias, para haver diálogo positivo com os servidores<br />
do Ibama, para que as exportações de indústrias mato-<br />
-grossenses possam ser retomadas. “A gente não é contra<br />
o pleito deles, a gente entende que realmente tem que ter<br />
essa melhora, mas também que não pode atrapalhar de<br />
forma tão brutal o setor igual que está sendo prejudicado<br />
no caso. Procuramos várias vezes, o Cipem, que acionou<br />
também já o FNBF (Fórum Nacional de Bases Florestais).<br />
Felipe Antoniolli, presidente do<br />
Sindicato das Indústrias Madeireiras<br />
do Norte de Mato Grosso<br />
Procuramos o presidente do Ibama, comentamos sobre a<br />
greve, todos os impactos causados para o setor de base florestal,<br />
para todos os empresários que dependem realmente<br />
exclusivamente das exportações e o tamanho colapso que<br />
está gerando para o setor de base florestal essa greve. O setor,<br />
infelizmente, é mais uma vez prejudicado, mas a gente<br />
sabe que não é só o setor de base florestal, é todo setor de<br />
exportações que passam obrigatoriamente pela fiscalização<br />
do Ibama”, ressaltou.<br />
Servidores do Ibama permaneceram em greve do dia 24<br />
de junho ao dia 12 de agosto, com intuito de ter as reivindicações<br />
por reestruturação de carreira e reajuste salarial,<br />
além de terem atenção pública voltada ao sucateamento<br />
dos órgãos de proteção ambiental. O Ibama foi procurado<br />
pela reportagem, não atendeu e não retornou o contato.<br />
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LODOS INDUSTRIAIS, RESÍDUOS ORGÂNICOS, COMPOST BARN E ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO<br />
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Foi realizado entre os dias 20 e 22 de agosto na cidade<br />
de São Carlos (SP), o II Encontro Técnico de<br />
Compostagem de Lodos Industriais, ETEs, Resíduos<br />
Orgânicos e Compost Barn, organizado pela ENVI-<br />
MAT. Foram dois dias de palestras sobre as mais diversas<br />
abordagens ao tema, passando por práticas e legislação<br />
que envolvem o tema e um dia de campo, onde os participantes<br />
foram levados à EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa<br />
Agropecuária) Instrumentação para ver a operação de equipamentos<br />
e amostras de compostagem em diferentes pontos de<br />
desenvolvimento.<br />
Um dos principais destaques do evento foi a sua responsabilidade<br />
com a produção de resíduos, uma vez que todos<br />
os materiais que poderiam ser compostados foram recolhidos<br />
e levados para serem processados da maneira mais efetiva e<br />
benéfica para o meio ambiente. Até mesmo o crachá entregue<br />
aos participantes era 100% compostável, mostrando o empenho<br />
dos organizadores com a pauta ali apresentada.<br />
Dentre as mais de 20 palestras realizadas nesses três dias<br />
de evento, destacamos algumas, como a do pesquisador Alberto<br />
Bernardi, da EMBRAPA Pecuária, que apontou o cenário<br />
nacional de fertilizantes e como o Brasil aumentou sua demanda<br />
desses materiais em 300% nos últimos 20 anos, mesmo que<br />
a produção tenha caído 30% no mesmo período. “Temos hoje<br />
uma situação praticamente insustentável, importamos mais<br />
de 85% dos nutrientes utilizados em nossa produção, por isso<br />
a compostagem pode entrar como parte da solução para uma<br />
demanda existente e crescente”, alertou Alberto.<br />
Por outro lado, Andreas Kunter, CEO da Komptech, uma<br />
das principais empresas de equipamentos de compostagem do<br />
mundo, levou para o evento toda a expertise que a multinacional<br />
tem no segmento. Andreas apresentou a realidade do país<br />
de origem da Komptech, a Áustria, e como lá a cultura da compostagem<br />
já é uma realidade na vida da maioria da população.<br />
“Temos algo em torno de 80% dos materiais orgânicos produzidos<br />
sendo processados para ter o fim correto e mais útil para<br />
toda a sociedade”, valorizou Andreas.<br />
Marcelo Santos, da ABISOLO (Associação Brasileira das Indústrias<br />
de Tecnologia em Nutrição Vegetal), valorizou a realização<br />
do evento. Para Marcelo o evento une duas indústrias que<br />
Setembro 2024<br />
87
COMPOSTAGEM<br />
são a base da associação: orgânico e orgânico-mineral. “Fico<br />
muito feliz de estar aqui representando a associação, temos<br />
trabalhado muito nas normatizações e na áreas técnicas e ver<br />
essa movimentação dentro da compostagem é importante e<br />
deve ser muito valorizada”, ressaltou Marcelo.<br />
Cristiano Kenji, assistente executivo da diretoria de controle<br />
e licenciamento ambiental da CETESB (Companhia Ambiental<br />
do Estado de São Paulo) falou sobre a legislação que vigora no<br />
Estado onde atua e como algumas mudanças têm possibilitado<br />
o desenvolvimento da atividade da compostagem. “Tivemos<br />
em 2020 a publicação da resolução que dispensa a licença<br />
ambiental para atividades de compostagem, isso abriu portas e<br />
facilitou o trabalho de quem quer investir nesse campo”, enalteceu<br />
Cristiano.<br />
Pelo lado do governo, Alberto Rocha, coordenador geral<br />
de resíduos sólidos urbanos do MMA (Ministério do Meio<br />
Ambiente), focou sua apresentação na diminuição da perda<br />
de alimentos que ocorrem nos grandes centros. “Temos trabalhado<br />
com um plano nacional focado no não desperdício e na<br />
melhor destinação dos alimentos e aqueles que venham a ser<br />
descartados, tenham como principal destino a compostagem”,<br />
sublinhou Alberto.<br />
Esse segundo encontro nos deu a<br />
oportunidade de juntar as pessoas<br />
e as forças da compostagem<br />
Vinicius Casselli, diretor<br />
da ENVIMAT<br />
A ABCompostagem (Associação Brasileira de Compostagem),<br />
foi representada por Lara Laranjo, diretora de comunicação<br />
da entidade. Para a diretora, a união das empresas que<br />
atuam no segmento da compostagem ajuda no desenvolvimento<br />
da atividade e na representatividade desse segmento<br />
para conquistar mais espaço e avançar em legislações que<br />
favoreçam a compostagem. “Somos mais de 60 empresas sob o<br />
guarda-chuva da associação e o crescimento tem sido contínuo,<br />
valorizando o trabalho que estamos fazendo”, apontou Lara.<br />
José Luiz Tomita, especialista em implantação e desenvolvimento<br />
de plantas de compostagem destacou tópicos relacionados<br />
a qualidade da compostagem e como as boas práticas<br />
podem gerar resultados de aumento de produtividade agrícola.<br />
“Em áreas onde o produto da compostagem é aplicado temos<br />
plantas com raízes mais fortes, mais estruturadas e maior crescimento.<br />
Na compostagem há o valor ambiental, mas também<br />
há o valor econômico que pode ser sim uma chave de mudança<br />
na realidade de quem pratica”, exaltou Tomita.<br />
Vinicius Casselli, diretor da ENVIMAT, se mostrou muito feliz<br />
com o evento, sendo este o maior evento de compostagem do<br />
país. “Esse segundo encontro nos deu a oportunidade de juntar<br />
as pessoas e as forças da compostagem. Tivemos um dia a mais<br />
de evento, mais palestras, mais equipamentos apresentados ao<br />
público e para o próximo ano os composteiros podem esperar<br />
algo ainda melhor”, completou Vinicius.<br />
88 www.referenciaflorestal.com.br
PRAGAS<br />
90 www.referenciaflorestal.com.br
ALERTA<br />
na silvicultura<br />
Pesquisadores encontram nova praga<br />
em produção de pinus e alertam para<br />
disseminação pelo Brasil e Mercosul<br />
Fotos: divulgação<br />
TOP OF MIND EM<br />
PLANEJAMENTO<br />
FLORESTAL<br />
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PRAGAS<br />
E<br />
m novembro de 2023, durante visita de<br />
campo à fazenda de uma empresa de comercialização<br />
e produção de resinas, no interior<br />
de São Paulo, o engenheiro agrônomo Carlos<br />
Frederico Wilcken encontrou árvores com<br />
respingos de resina no tronco, indicando que houve postura<br />
de ovos no local, e com orifícios circulares típicos<br />
da emergência de insetos adultos. A propriedade abriga<br />
plantações de híbridos de pinus utilizados na produção de<br />
resina e alguns dos seus plantios registravam alta infestação<br />
de uma espécie inédita no Brasil de vespa-da-madeira<br />
responsável pela mortalidade de aproximadamente 50%<br />
das árvores.<br />
Denominada Sirex obesus, a nova praga é originária<br />
do sul dos EUA (Estados Unidos da América) e do México,<br />
e foi detectada e identificada pela primeira vez no país<br />
pela equipe de pesquisadores do Departamento de Proteção<br />
Vegetal da FCA (Faculdade de Ciências Agronômicas)<br />
da UNESP (Universidade do Estado de São Paulo), no câmpus<br />
de Botucatu (SP), do qual Carlos Wilcken é professor.<br />
Devido à relevância econômica do pinus, a descoberta<br />
de uma nova espécie de vespa-da-madeira que vem<br />
atacando plantações no Estado de São Paulo acendeu<br />
um sinal de alerta no setor florestal para o risco real de<br />
disseminação para outras áreas e potencial de gerar prejuízos<br />
significativos aos produtores. A árvore é a segunda<br />
espécie florestal mais plantada no país, atrás apenas do<br />
eucalipto, e seu plantio ocupa uma área de 1.9 milhão de<br />
ha (hectares), segundo o relatório de 2023 da IBÁ (Indústria<br />
Brasileira de Árvores), associação responsável pela representação<br />
institucional da cadeia produtiva de árvores<br />
plantadas.<br />
Até o momento, a presença da praga já foi confirmada<br />
em 16 municípios paulistas, entre eles Itararé, na divisa<br />
com o Paraná, o principal Estado produtor de pinus no<br />
Brasil. Os pesquisadores consideram muito alto o risco<br />
dessa nova espécie de vespa-da-madeira se dispersar para<br />
o estado vizinho e para a região sul em geral, onde se concentram<br />
mais de 80% das plantações da espécie. Existe<br />
ainda o risco da Sirex obesus chegar a outros países do<br />
Mercosul, como Argentina, Chile e Uruguai, que também<br />
são importantes produtores de pinus.<br />
O Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) já foi<br />
notificado da existência da praga e o PROTEF (Programa<br />
92 www.referenciaflorestal.com.br
PESQUISA<br />
Estimativa de variáveis dendrométricas em<br />
plantios experimentais de Eucalyptus sp.<br />
utilizando imagens de VANT (Veículo Aéreo Não<br />
Tripulado)<br />
Fotos: divulgação<br />
STHEFANY NOBRE<br />
UFRPE (UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO)<br />
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UFRPE<br />
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PESQUISA<br />
RESUMO<br />
O<br />
objetivo do trabalho é estimar variáveis<br />
dendrométricas em plantios experimentais<br />
de Eucalyptus sp. utilizando imagens<br />
aéreas obtidas por meio de VANT<br />
(Veículo Aéreo não Tripulado). A área<br />
de estudo fica localizada no Campus de Engenharias<br />
e Ciências Agrárias da UFAL (Universidade Federal de<br />
Alagoas) situado no município de Rio Largo (AL). O levantamento<br />
dos dados foi realizado em uma área experimental<br />
de povoamento florestal do híbrido Eucalyptus<br />
urograndis (Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla).<br />
A coleta dos dados em campo foi realizada a partir de<br />
parcelas da população de eucalipto. Mediu-se a altura<br />
total, DAP (diâmetro à altura do peito) e diâmetro de<br />
copa de todos os indivíduos em cada parcela. Para a<br />
obtenção das imagens aéreas foi utilizado o VANT da<br />
empresa DJI modelo Phantom 4 PRO com câmera RGB.<br />
Utilizando os arquivos derivados das imagens aéreas,<br />
foram testados os pacotes lidR e itcSegment do software<br />
R. Por meio dos dados provenientes do inventário<br />
florestal e do processamento das imagens obtidas por<br />
meio do voo de VANT, foram construídas equações<br />
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de regressão linear e não linear. Os dois pacotes do<br />
software R apresentaram bons resultados em relação<br />
as métricas florestais e, apesar de detectarem menos<br />
indivíduos e valores diferentes dos reais, foram capazes<br />
de proporcionar equações com bons parâmetros para<br />
a estimativa de variáveis dendrométricas. Isso facilita<br />
os processos de inventários florestais e torna o uso de<br />
VANT uma alternativa viável às medições dos parâmetros<br />
florestais.<br />
INTRODUÇÃO<br />
A quantificação de variáveis dendrométricas e alométricas<br />
é uma das principais atividades em um inventário<br />
florestal. Existem diferentes métodos para predição<br />
dessas variáveis, tais como a mensuração, por meio<br />
de métodos diretos (destrutivos) e métodos indiretos,<br />
utilizando técnicas de amostragem ou sensoriamento<br />
remoto (Fiorentin et al., 2015; Pertille et al., 2019).<br />
O avanço das técnicas de sensoriamento remoto<br />
possibilitou o uso de VANTs (veículos aéreos não tripulados),<br />
aplicados no campo do mapeamento e na<br />
estimativa das propriedades biofísicas das florestas.<br />
Diversas informações relacionadas à estrutura florestal<br />
podem ser obtidas por meio de técnicas de sensoria-<br />
À vista disso, no contexto<br />
das determinações<br />
ao nível da árvore, os<br />
VANTs se apresentam<br />
como um sistema eficaz<br />
para estimar variáveis<br />
biométricas
Puliti et al. (2017), consideram que o uso de dados<br />
obtidos por meio de VANTs são eficazes no inventário<br />
florestal, pois a combinação de dados espaciais com<br />
dados de campo aumenta a precisão das estimativas, e<br />
oferece uma alternativa econômica para avaliação de<br />
recursos florestais em larga escala.<br />
Porém, apesar de todas as vantagens proporcionadas<br />
pelas abordagens de sensoriamento remoto,<br />
a estrutura do povoamento continua sendo um dos<br />
principais fatores que impactam os aspectos da seleção<br />
do instrumento ou da precisão da medição. Dentro das<br />
opções de sensoriamento remoto disponíveis, destaca-<br />
-se recentemente o algoritmo de visão computacional<br />
Estrutura de Movimento (SfM) (Furukawa; Ponce,<br />
2010), que tem demonstrado uma notável melhoria na<br />
eficiência na construção de conjuntos de dados 3D extremamente<br />
densos e precisos. Essas nuvens de pontos<br />
3D exibem uma qualidade comparável aos métodos<br />
tradicionais baseados em laser (Wallace et al., 2016).<br />
Quando aplicado a imagens de alta resolução capturadas<br />
por VANTs, o SfM tem revelado sua capacidade de<br />
gerar modelos de altura do dossel (CHM). Esses modelos<br />
mostraram-se eficazes na estimativa precisa da<br />
altura total das árvores em inventários florestais, como<br />
evidenciado por estudos anteriores (Goobody et al.,<br />
2017; Panaglotidis et al., 2017; Tudoran et al., 2021).<br />
À vista disso, no contexto das determinações ao<br />
nível da árvore, os VANTs se apresentam como um<br />
sistema eficaz para estimar variáveis biométricas. No<br />
que diz respeito às limitações da técnica VANT-SfM, é<br />
notável que nem todas as árvores de um povoamento<br />
são visíveis nos MDSs (modelos digitais de superfície)<br />
resultantes, o que implica que os cálculos são aplicados<br />
exclusivamente às árvores de nível superior ou a indivíduos<br />
isolados (Tudoran et al., 2021).<br />
Dessa maneira, o presente trabalho fundamenta-se<br />
na hipótese de que os parâmetros dendrométricos,<br />
como altura, DAP, diâmetro de copa, entre outros, obtidos<br />
a partir de dados utilizando imagens de VANT sejam<br />
equiparáveis com as medições realizadas por meio<br />
de inventário florestal convencional.<br />
Essa é uma versão parcial deste<br />
artigo, o material completo<br />
pode ser acessado em: https://<br />
periodicos.ufsm.br/geografia/<br />
article/view/84504<br />
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AGENDA<br />
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SETEMBRO<br />
2024<br />
Imagem: reprodução<br />
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Data: 19 e 21<br />
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Data: 9 e 10<br />
Local: São Petesburgo (Rússia)<br />
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Imagem: reprodução<br />
Workshop do Mogno Africano<br />
Data: 19<br />
Local: São Paulo (SP)<br />
Informações: https://<br />
workshopmognoafricano.org.br/<br />
OUTUBRO<br />
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diversas áreas da Engenharia Florestal, abrangendo<br />
temas como: planejamento florestal; economia;<br />
pesquisa; operações florestais; entre outros. Além<br />
disso, oferece várias abordagens na temática de gestão<br />
de pessoas, autoconhecimento e soft skills. Além dos<br />
treinamentos e vivências, o Programa realiza visitas<br />
técnicas, que proporcionam uma compreensão prática do<br />
funcionamento do setor de plantações florestais.<br />
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AGENDA 2024/25<br />
NOVEMBRO<br />
2024<br />
JANEIRO<br />
2024<br />
Expocorma<br />
Data: 20 a 22<br />
Local: Coronel (Chile)<br />
Informações: https://www.expocorma.cl/<br />
Programa de Preparação de Gestores<br />
Florestais<br />
Data: 15/01 a 19/02<br />
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A liderança humanizada na<br />
era da inteligência artificial<br />
Ainterseção entre liderança e inteligência artificial tem sido<br />
um tema de discussão fervorosa nos últimos anos. À medida<br />
que a IA avança, surgem questionamentos sobre a<br />
possibilidade de sistemas controlados liderarem equipes<br />
com a mesma maestria que líderes humanos. Contudo,<br />
enquanto a tecnologia evolui e redefine a dinâmica de trabalho, uma<br />
verdade permanece clara: a essência da liderança, baseada em empatia,<br />
criatividade e visão, permanece inimitável pela IA. Neste artigo, exploraremos<br />
a importância de uma liderança humanizada em uma era de inteligência<br />
artificial, destacando as habilidades essenciais que os líderes<br />
precisarão desenvolver para prosperar nesse cenário.<br />
A liderança transcende a atribuição de tarefas e metas. Ela envolve<br />
uma compreensão profunda das emoções e motivações individuais de<br />
cada membro da equipe. Um líder habilidoso não apenas aloca funções,<br />
mas também nutre o crescimento pessoal e profissional de seus liderados.<br />
É nesse aspecto humano que a IA encontra sua limitação. Embora<br />
sistemas avançados possam criar processos eficientes, estabelecer prazos<br />
e gerar cronogramas, a capacidade de incentivar, motivar e compreender<br />
emocionalmente os membros da equipe permanecem além do<br />
alcance das máquinas.<br />
Um estudo recente da McKinsey em 2023, analisando tendências<br />
até 2030, destacou uma mudança significativa na demanda por habilidades.<br />
Enquanto as habilidades tecnológicas continuam a ser cruciais,<br />
uma ênfase cada vez maior está sendo colocada nas habilidades sociais<br />
e emocionais. Isso ressalta a importância da interação humana, mesmo<br />
em um ambiente de trabalho cada vez mais digitalizado. Habilidades<br />
como empatia, respeito e habilidades de comunicação estão se tornando<br />
fundamentais para o sucesso, especialmente para os líderes. O<br />
sucesso da IA pode auxiliar na seleção de talentos, mas a habilidade<br />
de inspirar colaboração, torcendo pelo conjunto, continua sendo um<br />
traço humano. Refletindo sobre os líderes que nos inspiramos, é notável<br />
como as características que se destacam estão relacionadas às habilidades<br />
sociais e emocionais. Esses líderes eram mais do que gestores de<br />
tarefas; eles eram visionários que se conectavam com as aspirações de<br />
suas equipes. Sua empatia permite entender os desafios individuais,<br />
cultivando um ambiente onde cada membro se sente valorizado e motivado.<br />
Eles não apenas direcionavam, mas também ouviam atentamente,<br />
demonstrando respeito genuíno pela equipe.<br />
A evolução da liderança em tempos de IA exige que os líderes<br />
desenvolvam habilidades distintamente humanas. A criatividade, que<br />
permite pensar além dos limites, e a empatia, que estabelece conexões<br />
genuínas, se tornam ainda mais cruciais. A capacidade de comunicar<br />
visões e ideias de maneira envolvente e a habilidade de resolver problemas<br />
complexos continuam sendo características inestimáveis.<br />
A liderança no cenário da IA exige uma abordagem humanizada.<br />
Embora as máquinas possam automatizar tarefas, o papel do líder<br />
transcende a eficiência mecânica. A habilidade de inspirar, conectar e<br />
capacitar os membros da equipe permanece como um aspecto intrínseco<br />
da liderança que não pode ser substituído pela tecnologia. O futuro<br />
da liderança é moldado pela coexistência entre as capacidades da IA e<br />
as características distintamente humanas, destacando a importância<br />
de uma liderança humanizada e habilidosa para enfrentar os desafios e<br />
oportunidades que estão por vir.<br />
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