Revista eMOBILIDADE+ Nº 8
A revista eMobilidade + dedica-se, em exclusivo, à mobilidade de pessoas e bens, nos seus vários modos de transporte (rodoviário, ferroviário, aéreo, fluvial e marítimo), conferindo deste modo espaço aos mais proeminentes “stakeholders” do setor, sejam eles indivíduos, empresas, instituições ou entidades académicas.
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www.eurotransporte.pt/mobilidade-mais/<br />
N.º8<br />
outubro/novembro/dezembro | 2024<br />
Diretora: Cátia Mogo<br />
XEV YOYO PRO t<br />
O quadriciclo elétrico<br />
que mais parece um<br />
automóvel e que gasta<br />
1€ por cada 100 km<br />
VEL<br />
Os veículos elétricos<br />
ligeiros serão a solução<br />
para a mobilidade<br />
urbana moderna?<br />
EMEL desafia empresas<br />
As empresas que operam em Lisboa<br />
foram desafiadas pela EMEL a<br />
desenvolver a Mobilidade-comoum-serviço<br />
para fomentar o uso de<br />
modos sustentáveis e a integração dos<br />
processos de gestão e pagamento de<br />
transportes. Entrevista com Carlos<br />
Silva, presidente da EMEL.<br />
Corredores exclusivos para Bus<br />
O Bus Rapid Transit, vulgo BRT<br />
está prestes a integrar o vocabulário<br />
dos transportes em Portugal. Este<br />
sistema de Autocarros de Trânsito<br />
Rápido promete transformar<br />
significativamente o panorama da<br />
mobilidade urbana no país e chega já<br />
em 2025.<br />
As estradas já são elétricas<br />
A autonomia cria ansiedade<br />
e mantém afastados muitos<br />
automobilistas dos veículos elétricos.<br />
Ora, se o carregamento ultrarrápido<br />
tarda em desenvolver-se, as estradas<br />
com carregamento indutivo podem<br />
redefinir a forma como pensamos o<br />
abastecimento dos veículos.
REVISTA <strong>Nº</strong>8<br />
OUTUBRO/NOVEMBRO/DEZEMBRO 2024<br />
EDIÇÃO TRIMESTRAL<br />
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+351 215 914 293<br />
CARLOS BRANCO<br />
O CARBONO, OU A<br />
AUSÊNCIA DESTE?<br />
Os combustíveis continuarão a subir, por via do<br />
descongelamento da taxa de carbono previsto no Orçamento<br />
do Estado para 2025, que prevê um encaixe adicional para<br />
as Finanças de 650 milhões de euros. A política ambiental<br />
de Bruxelas não desfavorece a adoção de tal medida, mas o<br />
espectro de nova escalada da inflação preocupa os meios económicos. Sabese<br />
como o aumento dos combustíveis contamina as demais produções, e<br />
particularmente a alimentar, mas sobremaneira o setor dos transportes.<br />
Fatores externos, de ordem geopolítica armada, no Médio Oriente e no Leste<br />
europeu têm contribuído para temer pelo aumento do preço do crude, de<br />
referência para o mercado português, e no gás engarrafado. Só a fazenda<br />
pública ficará satisfeita com tal encaixe, pois muitos outros já se manifestam<br />
com muita preocupação, sejam a ANAREC (revendedores de combustível),<br />
ou a ANTRAM (associação dos transportadores), que alerta para a repercussão<br />
de tais aumentos no cliente final, mas também para a possibilidade de<br />
despedimentos no setor.<br />
Ninguém gostará, enquanto a sociedade não estiver suficientemente<br />
descarbonizada, enquanto necessitarmos dos combustíveis fósseis. É por isso<br />
que é tão urgente encararmos as novas energias com outros olhos, ou com<br />
uma reação menos adversa. E não só pelo automóvel que se move a bateria<br />
elétrica, mas com todas as formas de locomoção mecânica com energias<br />
alternativas sem emissão de gases com efeito de estufa. Neste número falamos<br />
um pouco sobre o estudo que nos revela o poder da bateria nos veículos<br />
elétricos ligeiros, que está a revelar uma adesão significativa na Europa e uma<br />
diferente mobilidade urbana, feita de veículos de duas rodas e de microcarros.<br />
Ou de como as autoestradas podem carregar os nossos veículos por indução.<br />
Mas também alternativas como o BRT, menos onerosa que o modo ferroviário,<br />
e que está a chegar a Portugal.<br />
A tecnologia existe. Só temos que olhar para ela e entender um pouco mais do<br />
que está a acontecer...<br />
--------------------------------------------------------------------------------------<br />
DIRETORA<br />
Cátia Mogo<br />
--------------------------------------------------------------------------------------<br />
EDITOR EXECUTIVO<br />
Eduardo de Carvalho<br />
----------------------------------------------------------------------------------------<br />
REDAÇÃO<br />
Ana Filipe<br />
Carlos Branco<br />
Márcia Dores<br />
--------------------------------------------------------------------------------------<br />
COLABORADORES<br />
António Macedo, Filipe Carvalho<br />
e Acácio Pires<br />
--------------------------------------------------------------------------------------<br />
DIREÇÃO DE COMUNICAÇÃO E MARKETING<br />
Nuno Francisco<br />
---------------------------------------------------------------------------------------<br />
PUBLICIDADE<br />
Margarida Nascimento<br />
Rui Garrett<br />
--------------------------------------------------------------------------------------<br />
PAGINAÇÃO<br />
Rogério Grilho<br />
---------------------------------------------------------------------------------------<br />
ASSINATURAS<br />
Fernanda Teixeira<br />
--------------------------------------------------------------------------------------<br />
Registo ERC N.º 127896<br />
---------------------------------------------------------------------------------------<br />
PROPRIEDADE<br />
Eduardo de Carvalho<br />
--------------------------------------------------------------------------------------<br />
INVESPORTE<br />
EDITORA DE PUBLICAÇÕES, LDA<br />
Contribuinte N.º 505 500 086<br />
Edição, Redação e Administração<br />
R. António Albino Machado, 35 G<br />
1600-259 Lisboa<br />
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dos artigos, fotografias, ilustrações e<br />
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os pontos de vista da Direção da <strong>Revista</strong>,<br />
do Conselho Editorial ou do Editor.<br />
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ESTATUTO EDITORIAL:<br />
https://www.eurotransporte.pt/noticia/38/5193/<br />
estatuto-editorial-e-lei-da-transparencia/<br />
www.emobilidademais.pt<br />
www.eurotransporte.pt/mobilidade-mais/
REVISTA <strong>Nº</strong> 8<br />
OUT/NOV/DEZ 2024<br />
10<br />
SERÃO OS VEÍCULOS ELÉTRICOS LIGEIROS<br />
A SOLUÇÃO PARA AS NOSSAS CIDADES?<br />
O tema de capa desta edição resulta de um estudo da EIT Urban Mobility e EIT InnoEnergy, com o apoio do Instituto Europeu<br />
de Inovação e Tecnologia (EIT) e explica-nos como o aumento da produção europeia de baterias cilíndricas está a exponenciar a<br />
proliferação dos VEL, que assim se constituem um novo paradigma da mobilidade moderna nos centros urbanos.<br />
26 A CIDADE DOS 15 MINUTOS<br />
Este modelo de planeamento defende<br />
uma maior proximidade e interação<br />
social, surgindo do crono-urbanismo<br />
que prioriza a relação entre tempo e<br />
espaço para promover qualidade de<br />
vida. Um artigo de Inês Sarti Pascoal.<br />
28 UM DESAFIO À LOGÍSTICA<br />
A infraestrutura rodoviária em algumas<br />
áreas urbanas é insuficiente para<br />
suportar o volume de tráfego atual.<br />
Ruas estreitas, muitas delas de traçado<br />
setecentista e sem dimensionamento<br />
adequado para a circulação de veículos<br />
modernos, somadas à falta de zonas<br />
de carga e descarga, dificultam as<br />
operações logísticas. Por António<br />
Jorge Soares.<br />
28<br />
32 ESPAÇO PÚBLICO<br />
António Gonçalves Pereira revisita<br />
a sua infância e conta-nos como nas<br />
últimas décadas os espaços públicos<br />
disponíveis para as crianças brincarem<br />
ao ar livre encolheram drasticamente,<br />
especialmente nas áreas urbanas, onde<br />
o tráfego motorizado, a poluição do<br />
ar e o ruído se tornaram obstáculos<br />
significativos para a sua segurança e<br />
bem-estar. Como resultado, muitas<br />
crianças estão privadas do direito<br />
fundamental de brincar na rua, uma<br />
condição essencial da cidadania infantil<br />
que o poder local democrático tem o<br />
dever de garantir.<br />
38 AS ESTRADAS JÁ SÃO<br />
ELÉTRICAS<br />
Estas infraestruturas, muitas vezes<br />
negligenciadas do ponto de vista<br />
mediático, são um fator chave para o<br />
sucesso desta transformação. Entre<br />
as inovações mais promissoras que<br />
têm surgido estão o carregamento<br />
ultrarrápido, e as estradas com<br />
carregamento indutivo, que podem<br />
redefinir completamente a forma como<br />
pensamos sobre o abastecimento<br />
de veículos elétricos. A opinião de<br />
Gustavo Magalhães<br />
56 UMA MOBILIDADE DIFERENTE<br />
Todos se recordam do pão-de-forma,<br />
aquela carrinha Volkswagen que<br />
acordou parte de uma geração dos<br />
anos 50 para novas formas de vida,<br />
de espaço e liberdade de viajar. Mas<br />
ninguém imagina que esta Combi<br />
rodou (ainda roda) sobre carris de<br />
ferro. Ao mesmo tempo que nasceu<br />
para ser um veículo de lazer trabalhou<br />
muito para ser ainda hoje apreciado<br />
como objeto de culto.<br />
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Unindo o ecossistema<br />
de mobilidade<br />
sustentável.<br />
19-21<br />
Nov<br />
2024<br />
Recinto Ferial<br />
ifema.es
Via Rápida<br />
Irmãos Mota consolida presença internacional<br />
A Irmãos Mota, S.A. entregou mais duas unidades ATOMIC 9 para a empresa<br />
Croatia Bus, D.O.O., da Croácia, parte de uma encomenda de dez<br />
autocarros cujas entregas se iniciaram em maio, 2024. Com esta encomenda,<br />
a Irmãos Mota, S.A., consolida a sua presença internacional, com produtos<br />
em mais de 30 países e 4 continentes, desde o seu primeiro cliente<br />
internacional em 1999. Construídos sobre chassis Volvo, estes double-decker<br />
ATOMIC 9 com 4 metros de altura e comprimento de 15 metros têm<br />
capacidade para 77 passageiros (67 no piso superior e 10 no piso inferior)<br />
ou, quando aplicadas cadeiras de rodas, lotação de 73 passageiros (67 no<br />
piso superior e 4 no piso inferior com mais 2 cadeiras de rodas).<br />
Porto de Leixões com melhor<br />
semestre de sempre<br />
O Porto de Leixões registou no 1º semestre de 2024<br />
um crescimento de 10% no número de passageiros<br />
e de 27% no número de escalas de navios face ao<br />
mesmo período de 2023. Nos primeiros seis meses do<br />
ano, o Porto de Leixões recebeu 71 navios de cruzeiro<br />
e 73.341 passageiros traduzindo-se no melhor 1º<br />
semestre de sempre no que diz respeito à atividade de<br />
cruzeiros. Neste mesmo período, é ainda de assinalar<br />
as sete escalas inaugurais de um total de 19 esperadas<br />
até final do ano. Para estes números, muito contribuiu<br />
a atividade registada durante os meses de abril e<br />
maio, com 45 navios e quase 46.000 passageiros em<br />
conjunto. Abril foi um mês atípico, pois nunca se receberam<br />
tantos passageiros neste período. Foram mais<br />
de 24.000 passageiros, ou seja, um crescimento de 61%<br />
face a abril do ano anterior.<br />
Fertagus: 25 anos e 500 milhões de passageiros<br />
Foi há 25 anos que a Fertagus fez a sua primeira viagem sobre a Ponte 25 de Abril, sobre um<br />
tabuleiro ferroviário cuja obra atingiu 750 milhões de euros (então, em 1999, 150 milhões de<br />
contos). Levava no percurso inaugural António Guterres, então primeiro-ministro. Um quarto<br />
de século depois, aquela infraestrutura mais que provou os benefícios para as populações,<br />
uma vez transportados 498 milhões de passageiros - o equivalente à população de toda a<br />
União Europeia -, cerca de 51 milhões de<br />
quilómetros - o equivalente a 1273 voltas<br />
ao globo terrestre e evitou a emissão de mais<br />
de 900 mil toneladas de CO 2<br />
. Em 2023, a<br />
Fertagus transportou cerca de 27 milhões<br />
de passageiros e só no primeiro trimestre<br />
deste ano já foram contabilizados 14,8<br />
milhões. O prazo de concessão da travessia<br />
ferroviária do Tejo à Fertagus termina em 30<br />
de setembro de 2024.<br />
Porto de Lisboa acolhe Conferência Mundial AIVP<br />
O Porto de Lisboa vai ser o anfitrião da 19.ª<br />
Conferência Mundial da AIVP - Association<br />
Internationale Villes et Ports (Associação<br />
Internacional de Cidades Portuárias), que<br />
se realiza entre 27 e 29 de novembro de<br />
2024. O evento, que vai decorrer na sede da<br />
Fundação Champalimaud, situada na área<br />
de jurisdição do Porto de Lisboa, terá como<br />
tema principal “Open Piers: Steering flows<br />
between people, planet, and port cities” e também irá contar com várias iniciativas<br />
na Gare Marítima de Alcântara e no Terminal de Cruzeiros de Lisboa.<br />
Global Mobility Call abre registo para nova edição<br />
A Global Mobility Call (GMC), que explorará o presente e o futuro da mobilidade, de 19 a<br />
21 de novembro de 2024, está agora aberta ao registo de visitantes. Esta terceira edição,<br />
organizada pela IFEMA MADRID e pela Smobhub no recinto de feiras da capital espanhola,<br />
contará com a participação de personalidades do setor privado e de instituições<br />
e organismos nacionais e internacionais envolvidos no desenvolvimento da mobilidade<br />
sustentável. Todos os interessados em assistir a este evento internacional podem aceder<br />
ao registo dos seus bilhetes, válidos para todos os dias da feira, no seguinte link. Para<br />
além disso, os bilhetes estão disponíveis com um desconto de 50% até 30 de setembro.<br />
A Global Mobility Call apresenta uma oferta especializada de serviços, soluções e projetos<br />
que já estão a definir as tendências futuras do setor, em colaboração com os intervenientes<br />
públicos e privados.<br />
6 e-MOBILIDADE
A<br />
Conferência “ESG nos<br />
Transportes”, organizada<br />
pelas revistas EURO-<br />
TRANSPORTE e eMOBILI-<br />
DADE+, em parceria com<br />
a Universidade IP Luso-ESCAD, realiza-<br />
-se no dia 29 de outubro, em Lisboa, e<br />
tem como objetivo discutir e promover<br />
as práticas de ESG «Environmental,<br />
Social, and Governance» – ambientais,<br />
sociais e de governança - no transporte<br />
de passageiros e na carga e mercadorias.<br />
Os transportes são um dos principais<br />
responsáveis pelas emissões de gases de<br />
efeito estufa, contribuindo significativamente<br />
para as mudanças climáticas.<br />
Além disso, a indústria enfrenta desafios<br />
em termos de inclusão social, condições<br />
de trabalho e transparência nas práticas<br />
de governança. Como tal, as empresas<br />
de transporte têm um papel crucial na<br />
transição para um futuro mais sustentável<br />
e justo.<br />
Pretende-se explorar como as empresas<br />
podem adotar estratégias sustentáveis e<br />
responsáveis, alinhadas com os Objetivos<br />
de Desenvolvimento Sustentável<br />
(ODS) das Nações Unidas, para enfrentar<br />
os desafios ambientais, sociais e de<br />
governança neste setor vital.<br />
Os ODS fornecem um quadro abrangente<br />
para abordar as questões globais<br />
mais urgentes, incluindo a necessidade<br />
de uma energia limpa, cidades sustentáveis,<br />
inovação na indústria e ação<br />
climática. Esta conferência, que terá<br />
lugar no Auditório Alto dos Moinhos<br />
[Rua João de Freitas Branco, nº 37 -<br />
Estação Alto dos Moinhos do Metro de<br />
Lisboa], centrará as discussões nos ODS<br />
CONFERÊNCIA<br />
Os critérios<br />
“ESG nos Transportes”<br />
Iniciativa das revistas EUROTRANSPORTE e <strong>eMOBILIDADE+</strong><br />
em parceria com a Universidade IP Luso-ESCAD, realiza-se<br />
no dia 29 de outubro, em Lisboa<br />
particularmente relevantes para o setor<br />
dos transportes.<br />
OS CRITÉRIOS ESG<br />
Promover a Sustentabilidade Ambiental:<br />
Incentivar a adoção de práticas que<br />
reduzam a pegada ambiental do setor<br />
dos transportes, incluindo a utilização de<br />
energias renováveis, a eficiência energética<br />
e a redução de emissões de carbono.<br />
Fomentar a Responsabilidade Social:<br />
Encorajar as empresas de transporte a<br />
implementarem políticas que promovam<br />
o bem-estar social, a igualdade de oportunidades<br />
e a inclusão social, garantindo<br />
um impacto positivo nas comunidades<br />
onde operam.<br />
Garantir a Governança Eficaz: Difundir<br />
as melhores práticas de governança corporativa<br />
que assegurem a transparência,<br />
a ética e a responsabilidade nas operações<br />
das empresas de transporte.<br />
Disseminar Conhecimento e Inovação:<br />
Servir como uma plataforma de<br />
conhecimento que reúne e divulga as<br />
mais recentes inovações tecnológicas e<br />
tendências do setor, promovendo a troca<br />
de ideias e a colaboração entre diferentes<br />
stakeholders.<br />
A parceria com a IP LUSO: reforça o<br />
compromisso com a investigação e a<br />
educação como pilares fundamentais<br />
para a transformação do setor dos transportes.<br />
A IP LUSO, reconhecida pelo seu<br />
enfoque em sustentabilidade e inovação,<br />
aporta um valioso contributo académico<br />
e científico, garantindo que os debates<br />
e apresentações durante a conferência<br />
sejam informados pelas mais recentes<br />
pesquisas e práticas de ponta.<br />
PROGRAMA*<br />
09:00/09:30 - Receção de<br />
participantes<br />
09:30 - Abertura: Luís Cabaço<br />
Martins (ANTROP)<br />
Ministra do Ambiente e Energia,<br />
Maria da Graça Carvalho<br />
10:00/11:30 - A dimensão<br />
ambiental das práticas ESG no<br />
setor dos transportes<br />
Keynote: Ana Paula Vitorino (AMT)<br />
Moderação: Frederico Francisco<br />
(Consultor)<br />
Susana Migueis: ZERO<br />
Miguel Cruz (Infraestruturas de<br />
Portugal)<br />
Milan Chrenko (Agência Europeia do<br />
Ambiente)<br />
Hélder Rodrigues (ADENE)<br />
11:30/12:00 - Intervalo para café<br />
12:00/13:00 - Responsabilidade<br />
Social e Governança nos<br />
Transportes<br />
Keynote: TIS.pt<br />
Moderação: José Luís Moreira da<br />
Silva (SRS Legal)<br />
Cristina Dourado (Fertagus)<br />
Carlos Neto (Faculdade de<br />
Motricidade Humana)<br />
José Luís Simões ( LuÍs Simões -<br />
Transportes e Logística)<br />
Carlos Humberto Carvalho (AML -<br />
Área Metropolitana de Lisboa)<br />
Rui Rei (Parques Tejo)<br />
13:00/14:30 - Almoço livre<br />
14:30/16:00 - Inovação,<br />
Sustentabilidade e Eficiência nos<br />
Transportes<br />
Moderação: Filipe Beja<br />
(Infraestruturas de Portugal)<br />
Isabel Ribeiro (CP - Comboios de<br />
Portugal)<br />
Hélder Barata Pedro (ACAP)<br />
Luís Barroso (Mobi.e)<br />
Maria Helena Campos (Metropolitano<br />
de Lisboa)<br />
Rui Lopo (TML)<br />
16:00/17:30 - Financiamento da<br />
Mobilidade, aliada à Ação Climática<br />
Keynote: João Jesus Caetano (IMT)<br />
Moderação: Isabel Pimenta (VTM)<br />
Ana Malhó (CP - Comboios de<br />
Portugal)<br />
Ricardo Mourinho Félix (Advisor<br />
Banco de Portugal)<br />
Vanda de Jesus (iCapital)<br />
Carlos Silva (EMEL)<br />
Catarina Selada (CEiiA)<br />
17:30/18:00 - Encerramento:<br />
Ministro das Infraestruturas, Miguel<br />
Pinto Luz<br />
*Programa sujeito a confirmação<br />
A entrada é livre, mas sujeita a<br />
inscrição prévia. Garanta AQUI a sua<br />
inscrição<br />
8 e-MOBILIDADE
Participe do maior evento sobre as práticas de<br />
ESG «Environmental, Social, and Governance» nos<br />
transportes de passageiros, cargas e mercadorias.<br />
Conheça as novas estratégias sustentáveis e<br />
responsáveis, alinhadas com os Objetivos de<br />
Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações<br />
Unidas, para enfrentar os desafios ambientais,<br />
sociais e de governança nestes setores vitais.<br />
LOCALIZAÇÃO<br />
Auditório Alto dos Moinhos • Rua João de Freitas Branco, n.º 37<br />
Estação Alto dos Moinhos do Metro de Lisboa<br />
INICIATIVA<br />
ESCAD<br />
ESCOLA SU PERIOR<br />
DE C IÊ NCIAS<br />
DA ADM IN ISTR AÇÃO<br />
INSCRIÇÕES<br />
https://abre.ai/lfFu<br />
PATROCÍNIO
TEMA DE CAPA<br />
VEL<br />
Serão os<br />
a solução<br />
para a mobilidade<br />
urbana moderna?<br />
Um recente estudo apoiado pelo<br />
Instituto Europeu de Inovação e<br />
Tecnologia acredita que sim, a avaliar<br />
pelos dez milhões de unidades<br />
vendidas em 2022 na Europa.<br />
10 e-MOBILIDADE
e-MOBILIDADE 11
TEMA DE CAPA<br />
Veículos Elétricos Ligeiros<br />
Os veículos ligeiros e furgões comerciais elétricos já contribuem com 13% das deslocações de curta distância em ambiente<br />
urbano. Se se considerar que estes circuitos compreendem percursos inferiores a 8 km, a substituição de parte destes pelos<br />
VEL – ditos veículos elétricos ligeiros –, que incluem bicicletas, trotinetas e ciclomotores elétricos representaria até 30<br />
MtCO 2<br />
eq (milhões de toneladas de CO 2<br />
equivalentes), revela um novo estudo da EIT Urban Mobility e EIT InnoEnergy, com<br />
o apoio do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT), organismo da União Europeia, chegando à conclusão que os tais<br />
VEL estão a converter-se, rapidamente, numa das primeiras opções de mobilidade urbana moderna. Porém – há sempre um<br />
senão –, a utilização desregrada de alguns destes VEL, na modalidade de partilha, fez soar os alarmes das autoridades. Paris<br />
já baniu as trotinetas e Madrid já decidiu que as vai banir das suas ruas.<br />
Um novo estudo efetuado<br />
pela EIT Urban Mobility<br />
e EIT InnoEnergy - que<br />
pode ser consultado<br />
AQUI -, com o apoio<br />
do Instituto Europeu de Inovação e<br />
Tecnologia (EIT) conclui que, utilizando<br />
cerca de 2 a 3% da capacidade de<br />
produção de baterias prevista na UE se<br />
podem abastecer os mais de 25 milhões<br />
de Veículos Elétricos Ligeiros (VEL) que<br />
se espera que cheguem às estradas europeias<br />
em 2030. Este volume de VEL<br />
é suficiente para reduzir 30 milhões de<br />
toneladas de CO 2<br />
equivalentes, contribuindo<br />
para alcançar a meta de 165<br />
milhões de toneladas de emissões de<br />
CO 2<br />
produzidas pelos transportes na<br />
Europa. Além disso, o apoio à produção<br />
de baterias de baixa emissão na Europa<br />
pode reduzir significativamente a atual<br />
dependência das importações externas<br />
à UE, dado que 95% das baterias para<br />
VEL são atualmente provenientes da<br />
Ásia.<br />
De acordo com as previsões, a procura<br />
europeia de baterias para VEL triplicará<br />
em 2030 e voltará a duplicar em 2040,<br />
pelo que o estudo agora divulgado<br />
conclui que os VEL são os fornecedores<br />
ideais, no curto prazo, para a produção<br />
de células de baterias. Trata-se de uma<br />
realidade particularmente relevante no<br />
caso das células cilíndricas que são standard<br />
na maioria das aplicações de VEL.<br />
Até 2030, a capacidade de produção de<br />
baterias prevista na Europa é de 1.144-<br />
1.800 GWh e ultrapassará a procura<br />
prevista de 317-696 GWh por carros<br />
elétricos. Atribuir parte desta capacidade<br />
para apoiar a alteração modal para os<br />
VEL, cuja procura anual de baterias se<br />
prevê em apenas 36 GWh até 2030 e 71<br />
GWh até 2040, requererá 10 a 30 vezes<br />
menos metais críticos do que a opção<br />
por carros elétricos.<br />
No mesmo sumário executivo do estudo<br />
da EIT Urban Mobility e EIT InnoEnergy<br />
pode ler-se que a necessidade de<br />
inovação do setor dos VEL permitirá<br />
avanços e efeitos indiretos que podem<br />
beneficiar toda a indústria. Por exemplo,<br />
qualquer redução do custo, melhoramento<br />
do rendimento ou eliminação e<br />
reutilização das baterias pode criar um<br />
importante benefício de mercado para<br />
os fornecedores, especialmente na mobilidade<br />
partilhada, onde as baterias dos<br />
VEL são utilizadas e reutilizadas com<br />
frequência. O próprio aperfeiçoamento<br />
das tecnologias de baterias vai assim<br />
potenciar uma melhoria da acessibilidade<br />
do VEL e uma maior aceitação dos<br />
consumidores, aspetos cruciais para a<br />
sua adoção generalizada.<br />
De acordo com as<br />
previsões, a procura<br />
europeia de baterias<br />
para VEL triplicará<br />
em 2030 e voltará a<br />
duplicar em 2040<br />
12 e-MOBILIDADE
MOBILIDADE SUSTENTÁVEL E<br />
REDUÇÃO DE EMISSÕES<br />
Além dos benefícios industriais, o apoio<br />
ao mercado de VEL é vital para uma<br />
combinação de mobilidade sustentável.<br />
Esta alteração modal promove também<br />
o transporte público e partilhado, em<br />
consonância com as metas climáticas da<br />
Europa e o impulso para uma mobilidade<br />
mais sustentável. Por outro lado, é<br />
também crucial que se apoie a eficácia<br />
operacional do passaporte de baterias<br />
para se facilitar a sua reparação, reutilização<br />
e reciclagem, juntamente com a<br />
aplicação de normas de segurança mais<br />
claras e garantias de responsabilidade<br />
para reparações efetivas. O investimento<br />
na conceção das baterias para se facilitar<br />
a sua desmontagem e circularidade<br />
permitirá reforçar a sustentabilidade dos<br />
VEL, tanto na mobilidade partilhada<br />
TECNOLOGIA<br />
O aperfeiçoamento das<br />
tecnologias de baterias<br />
vai potenciar uma melhoria<br />
da acessibilidade do VEL e<br />
uma maior aceitação dos<br />
consumidores, aspetos<br />
cruciais para a sua adoção<br />
generalizada<br />
Principais<br />
conclusões<br />
Há espaço potencial para a produção de baterias da UE<br />
alimentar a mudança modal para LEVs, com demanda<br />
mínima por recursos críticos.<br />
Até 2030, a capacidade de produção de baterias<br />
planeada da Europa de 1.144-1.800 GWh excederá em<br />
muito a procura projetada de baterias de 317-696 GWh<br />
de carros elétricos sob as políticas atuais. Parte dessa<br />
capacidade poderia ser alocada para apoiar a mudança<br />
modal para LEVs, que têm uma procura anual estimada<br />
de baterias de 36 GWh até 2030 e 71 GWh até 2040 –<br />
exigindo de 10 a 30 vezes menos metais críticos do que<br />
os carros elétricos.<br />
Os intervenientes nos LEV podem enfrentar desafios<br />
para garantir o fornecimento de baterias na UE devido<br />
à baixa procura em comparação com os automóveis<br />
elétricos, agravando os riscos existentes na cadeia de<br />
abastecimento, uma vez que 95% das baterias LEV são<br />
atualmente provenientes da Ásia.<br />
Por sua vez, os LEV poderiam reforçar a cadeia de valor<br />
das baterias da UE, servindo como distribuidores ideais<br />
da produção de células cilíndricas de aplicação cruzada<br />
padrão - espera-se que a capacidade de produção de<br />
células cilíndricas da Europa aumente de 7,6 GWh em<br />
2021 (quota de 10%) para 100 GWh até 2030.<br />
Como o formato preferido para a maioria das aplicações<br />
LEV, os players de baterias da UE poderiam garantir até<br />
85 GWh de demanda cumulativa de baterias até 2030 a<br />
partir de LEVs produzidos internamente, estimulando o<br />
aumento da produção de células cilíndricas.<br />
A utilização de células cilíndricas como norma estratégica<br />
de aplicação cruzada permite que os intervenientes<br />
em baterias da UE respondam a diversas exigências da<br />
indústria, para além das LEV e da mobilidade elétrica,<br />
reforçando e diversificando a cadeia de valor europeia<br />
das baterias.<br />
e-MOBILIDADE 13
TEMA DE CAPA<br />
Veículos Elétricos Ligeiros<br />
TROTINETAS<br />
PARTILHADAS<br />
BANIDAS DE PARIS<br />
E MADRID<br />
Apreciadas pelos turistas, odiadas<br />
pelos residentes, as trotinetas<br />
elétricas partilhadas têm um futuro<br />
incerto em algumas das principais<br />
cidades europeias, depois que, à<br />
vez, Paris, primeiro, e Madrid, ainda<br />
recentemente, decidiram livrar-se<br />
delas. Isto é, não renovaram as<br />
concessões às empresas que as<br />
exploravam para utilização na via<br />
pública.<br />
Em Madrid, o anúncio foi feito<br />
pelo Alcaide da capital, segundo<br />
o qual os operadores licenciados<br />
falharam em garantir limites de<br />
circulação ou o parqueamento<br />
seguro dos veículos. Segundo José<br />
Luis Martínez-Almeida, Madrid<br />
não planeia voltar a conceder<br />
autorizações a trotinetes elétricas,<br />
pois “o mercado foi incapaz de<br />
cumprir os requisitos da autarquia<br />
para assegurar um maior nível de<br />
segurança aos cidadãos”,<br />
O sistema de partilha deste tipo<br />
de veículos começou a gerar uma<br />
grande oposição nas maiores<br />
cidades europeias, nomeadamente<br />
por causa dos muitos acidentes<br />
provocados, mas também porque<br />
os utilizadores não estacionam, em<br />
grande parte das vezes, da melhor<br />
forma, deixando a rua e os passeios<br />
cheios de trotinetas.<br />
Paris iniciou este processo em<br />
setembro de 2023, depois de<br />
um referendo em 2 de abril do<br />
mesmo ano, ter expresso que 89%<br />
dos parisienses estavam a favor<br />
de tal rejeição. Muitos habitantes<br />
queixaram-se da conduta<br />
imprópria dos condutores de<br />
trotinetas elétricas, em constante<br />
ziguezaguear no trânsito, a alta<br />
velocidade, por vezes provocando<br />
acidentes com condutores e peões.<br />
como em outras situações.<br />
Bernadette Bergsma, diretora de Comunicações<br />
e Assuntos da UE da EIT Urban<br />
Mobility, insiste na necessidade de se<br />
atuar imediatamente: “Os VEL complementam<br />
o transporte público e desempenham<br />
um papel fundamental na transição<br />
para a mobilidade partilhada nas<br />
cidades. Podem acelerar a eletrificação<br />
dos transportes por estrada e reduzir a<br />
pressão sobre recursos críticos. É urgente<br />
que se considere a indústria das baterias<br />
de lítio e a sua cadeia de valor como<br />
um ativo estratégico para a mobilidade<br />
urbana sustentável da Europa.”<br />
Jennifer Dungs, diretora global de Mobilidade<br />
da EIT InnoEnergy, acrescenta:<br />
“Colocamos as baterias no centro dos<br />
nossos esforços para descarbonizarmos<br />
os transportes por estrada. Estamos a<br />
impulsionar o desenvolvimento industrial<br />
da Aliança Europeia de Baterias<br />
(EBA250) e, mais recentemente, com o<br />
anúncio dos novos €500M para o Fundo<br />
Estratégico de Materiais para Baterias<br />
da EBA. No entanto, é necessário que<br />
se faça mais para apoiar a adoção de<br />
soluções de mobilidade alternativas de<br />
rápido crescimento com um impacto<br />
massivo nas metas de emissões líquidas<br />
zero da Europa”.<br />
O estudo aconselha a Europa a integrar<br />
os VEL na sua estratégia industrial mais<br />
ampla, apoiando o crescimento de toda a<br />
sua cadeia de valor, incluindo as baterias,<br />
garantindo uma transição global da UE<br />
para a mobilidade sustentável.<br />
O estudo recomenda também que se impulsione<br />
a inovação relacionada com as<br />
tecnologias das baterias e a circularidade.<br />
A investigação e o financiamento são<br />
cruciais para satisfazermos os requisitos<br />
específicos do VEL e ultrapassarmos as<br />
barreiras de adoção. O melhoramento<br />
da segurança, a redução de custos e o<br />
melhoramento do rendimento das baterias,<br />
juntamente com o apoio normativo<br />
à reparação, reutilização e reciclagem,<br />
garantirão o crescimento continuado do<br />
setor das baterias de lítio.<br />
14 e-MOBILIDADE
CONSTRUIR UMA MOBILIDADE SUSTENTÁVEL:<br />
O FUTURO DOS VEÍCULOS ELÉTRICOS LIGEIROS<br />
PEQUENA DIMENSÃO, GRANDE IMPACTO<br />
A procura europeia de baterias LEV deverá<br />
triplicar até 2030 e duplicar novamente até 2040.<br />
Isto faz com que os LEV sejam os fornecedores<br />
ideais para aumentar a produção europeia de<br />
células cilíndricas, um formato normalizado de<br />
aplicação cruzada que poderá servir diversas<br />
aplicações para além da mobilidade elétrica.<br />
Mais de 95% das baterias para trotinetas e<br />
ciclomotores elétricos provêm de fora da UE e<br />
70% para as bicicletas elétricas.<br />
A deslocalização da produção de baterias LEV<br />
asseguraria uma abordagem mais abrangente<br />
da mobilidade sustentável e da autonomia<br />
estratégica.<br />
OS LEVs ESTÃO<br />
A CRESCER<br />
Mais de 10 milhões de LEVs serão<br />
vendidos em 2022<br />
2x mais do que os automóveis elétricos<br />
5,5 milhões de e-bikes<br />
3,5 milhões de trotinetas elétricas<br />
150 mil veículos elétricos de duas rodas<br />
Em 2030, haverá mais de 23 milhões<br />
de LEVs<br />
Existem centenas de designs, tamanhos e<br />
conectores de baterias diferentes a servir o<br />
mercado de VLE, o que dificulta a construção de<br />
uma cadeia de valor circular.<br />
O design das baterias de LEV precisa de ser<br />
construído de forma a facilitar a sua reutilização<br />
e reciclagem. A normalização pode simplificar<br />
este processo e aumentar a sua eficiência.<br />
As novas tecnologias de baterias serão<br />
vitais para tornar os VLE um modo de<br />
transporte alternativo mais atrativo e<br />
viável, tendo em conta três fatoreschave:<br />
custos, segurança e desempenho<br />
MOBILIDADE EFICIENTE EM TERMOS DE RECURSOS<br />
2020<br />
Em 2020, a tonelagem de novas baterias<br />
de LEV era 10 vezes menor do que as<br />
baterias de carros elétricos, mas foram<br />
vendidos quase 3 vezes mais LEVs.<br />
2030<br />
Procura<br />
acumulada<br />
de LEVs<br />
Procura<br />
acumulada<br />
de carros<br />
elétricos<br />
20 vezes mais do que os LEVs<br />
13 vezes mais do que os LEVs<br />
Os LEVs podem satisfazer uma parte<br />
substancial das necessidades de<br />
mobilidade urbana, fazendo as mesmas<br />
viagens com baterias mais pequenas e<br />
muito menos materiais críticos do que os<br />
carros elétricos.<br />
21 vezes mais do que os LEVs<br />
11 vezes mais do que os LEVs<br />
e-MOBILIDADE 15
TEMA DE CAPA<br />
Veículos Elétricos Ligeiros<br />
EMISSÕES<br />
Os LEV têm potencial para<br />
reduzir significativamente<br />
as emissões dos transportes<br />
rodoviários e ajudar a<br />
colmatar o défice de<br />
emissões da UE para<br />
2030<br />
Alavancar a produção<br />
de baterias na UE<br />
As baterias têm estado no centro<br />
dos esforços da Europa para<br />
descarbonizar eficazmente o<br />
transporte rodoviário e cumprir os seus<br />
objetivos climáticos. Registaram-se progressos<br />
significativos no estabelecimento<br />
de uma cadeia de valor nacional de<br />
baterias, com 126 mil milhões de euros<br />
em investimentos em 111 grandes projetos,<br />
estimulando simultaneamente uma<br />
procura inicial suficiente de veículos elétricos<br />
para atravessar o ponto de inflexão<br />
de 5% para desencadear a adoção em<br />
massa, pode ler-se no mesmo estudo da<br />
EIT Urban Mobility e EIT InnoEnergy.<br />
Apesar destes progressos, as políticas<br />
existentes estão a ficar aquém do<br />
cumprimento dos objetivos da UE<br />
para 2030. Além disso, não estão a<br />
gerar uma procura de veículos elétricos<br />
suficiente para corresponder à produção<br />
de baterias planeada a médio prazo,<br />
podendo levar a uma sobrecapacidade<br />
até 3 vezes superior até 2030. Quase a<br />
meio desta década, a UE deve explorar<br />
alavancas adicionais para acelerar a<br />
transição para a mobilidade sustentável<br />
e colmatar o seu défice de emissões. No<br />
entanto, as baterias são apenas um meio<br />
para um fim.<br />
Para o transporte rodoviário, o objetivo<br />
é garantir a circulação segura, sustentável<br />
e acessível de pessoas e mercadorias.<br />
Para tal, é necessária uma visão abrangente<br />
da transição para a mobilidade<br />
da UE, a fim de apoiar igualmente a<br />
adoção de soluções alternativas de<br />
mobilidade eletrónica em rápido crescimento,<br />
reforçando simultaneamente<br />
as suas cadeias de valor industriais e de<br />
baterias. Esta abordagem permitirá a<br />
afetação estratégica de recursos valiosos<br />
e limitados e um esforço mais coordenado<br />
para alcançar um transporte rodoviário<br />
líquido zero. Os veículos elétricos<br />
leves (LEVs), como e-bikes, e-kickscoo-<br />
Os veículos elétricos leves (LEVs), como e-bikes,<br />
e-kickscooters, e-ciclomotores e e-motorcycles, são uma<br />
dessas soluções de rápido crescimento, pois estão a integrar-se<br />
rapidamente na mobilidade urbana atual<br />
16 e-MOBILIDADE
O potencial<br />
de descarbonização<br />
dos LEV<br />
ters, e-ciclomotores e e-motorcycles, são<br />
uma dessas soluções de rápido crescimento,<br />
pois estão a integrar-se rapidamente<br />
na mobilidade urbana atual. Os<br />
LEV têm potencial para reduzir significativamente<br />
as emissões dos transportes<br />
rodoviários e ajudar a colmatar o défice<br />
de emissões da UE para 2030, dando<br />
resposta a uma parte substancial das<br />
necessidades de mobilidade urbana com<br />
menos energia e pegada de CO 2<br />
.<br />
À luz da Lei da UE relativa à indústria<br />
Net Zero, que visa reforçar a produção<br />
nacional de tecnologias limpas, a próxima<br />
questão crítica é como sustentar e<br />
acelerar a adoção do LEV aproveitando<br />
os recursos industriais estratégicos da<br />
Europa, em particular a sua cadeia de<br />
valor em baterias.<br />
Os LEV podem<br />
satisfazer uma<br />
parte substancial<br />
dos quilómetros<br />
percorridos por<br />
automóveis, carrinhas<br />
e camiões<br />
De acordo com a Transport<br />
& Environment, as atuais<br />
medidas Fit-for-55 ficarão<br />
aquém do cumprimento do objetivo<br />
de redução de 40% das emissões<br />
dos transportes da UE até 2030 em<br />
relação a 2005. A lenta rotatividade<br />
do parque de veículos, com veículos<br />
durando em média de 5 a 10 anos,<br />
significa que 65 a 70% dos carros,<br />
vans e camiões na estrada não terão<br />
emissão zero até 2030, deixando uma<br />
lacuna de mais de 165 MtCO 2<br />
eq para<br />
resolver. A eliminação do défice de<br />
emissões exigirá novas medidas para<br />
reduzir diretamente as emissões ao<br />
nível do parque de veículos, transferindo<br />
a procura<br />
futura de mobilidade<br />
de pessoas e<br />
bens para alternativas<br />
mais respeitadoras<br />
do clima<br />
e eficientes em<br />
termos de custos,<br />
como os LEV.<br />
Os LEV podem<br />
satisfazer uma<br />
parte substancial<br />
dos quilómetros<br />
percorridos por automóveis, carrinhas<br />
e camiões, utilizando menos<br />
79% de energia e emitindo menos<br />
88% de CO 2<br />
eq por quilómetro ao<br />
longo da sua vida útil, principalmente<br />
nas zonas urbanas onde são emitidos<br />
23% do total de GEE dos transportes<br />
da UE. Cerca de 60% de todas as<br />
viagens de automóveis de passageiros<br />
na Europa têm menos de 8 km e,<br />
considerando restrições como idade,<br />
clima e adoção pelo consumidor, cerca<br />
de metade dessas viagens poderia<br />
ser potencialmente substituída por<br />
LEVs menores, como patinetes elétricos,<br />
bicicletas elétricas e ciclomotores<br />
elétricos. Com base nos resultados de<br />
um relatório anterior, a substituição<br />
de apenas 13% dos possíveis quilómetros<br />
percorridos destas viagens<br />
urbanas curtas em 100 cidades da UE<br />
poderia poupar cerca de 30 MtCO 2<br />
eq<br />
por ano – já 20% do défice de emissões<br />
previsto.<br />
O aumento da adoção de LEV,<br />
substituindo as viagens urbanas<br />
curtas efetuadas por automóveis de<br />
passageiros, tem potencial para criar<br />
quase 1 milhão de postos de trabalho<br />
diretos e indiretos na Europa – como<br />
referência, todo o setor automóvel<br />
proporciona cerca de 13,8 milhões de<br />
empregos diretos e indiretos. Assim,<br />
os LEV podem contribuir para o objetivo<br />
da Lei da UE relativa à indústria<br />
Net-Zero de impulsionar a produção<br />
de tecnologias limpas na Europa. E a<br />
pegada económica da<br />
indústria LEV fabricada<br />
na UE está a crescer.<br />
Desde 2015, a produção<br />
e montagem de<br />
bicicletas elétricas na<br />
Europa aumentou seis<br />
vezes, atingindo 5,4<br />
milhões de unidades<br />
vendidas em 2022.<br />
Nesse ano, mais de<br />
1000 PME em toda a<br />
indústria europeia de<br />
bicicletas criaram 180 mil postos de<br />
trabalho na indústria transformadora<br />
ecológica e investiram 1-2 mil<br />
milhões de euros em I&D. Em 2019,<br />
cerca de cinco em cada sete veículos<br />
de duas rodas vendidos foram<br />
fabricados na Europa. A indústria<br />
europeia de duas rodas, com marcas<br />
de renome mundial e mais de 40<br />
fábricas e pesquisa e desenvolvimento<br />
gerou 5,8 mil milhões de euros em<br />
PIB e empregou 133 mil pessoas em<br />
2019. No entanto, é apenas recentemente<br />
que a maioria dos OEMs anunciou<br />
novos modelos elétricos em seus<br />
roteiros, particularmente scooters<br />
movidos a bateria, passageiros e ciclomotores<br />
na faixa inferior de 1-4 kW<br />
(equivalente a 50-125 cc) atendendo<br />
ao segmento urbano.<br />
e-MOBILIDADE 17
TEMA DE CAPA<br />
Veículos Elétricos Ligeiros<br />
XEV Yoyo Pro<br />
APENAS 1€<br />
PARA 100 KM<br />
Carregar uma bateria com capacidade de<br />
10,3 kWh, na garagem de casa, com uma<br />
simples tomada de corrente doméstica,<br />
em período de vazio na rede, não custará<br />
mais que 1€, a mesma unidade que dará<br />
para percorrer 100 km com o XEV Yoyo<br />
Pro, sem produzir qualquer emissão de<br />
CO 2<br />
. E ainda lhe sobram mais 50 km de<br />
autonomia. Só é pena que o pacote fique<br />
por mais de 17 mil euros.<br />
A<br />
emergência climática gerou<br />
um novo paradigma da<br />
mobilidade e tem produzido<br />
avanços tecnológicos<br />
inimagináveis. Na indústria<br />
automóvel, então, a passada é acelerada,<br />
gigantesca e o processo de eletrificação<br />
é irrevogável. Tal transição atraiu novas<br />
empresas, gente com ideias fora da caixa e<br />
produtos que captam a atenção e interesse.<br />
Um deles foi o motivo do nosso teste<br />
- o XEV Yoyo Pro, um quadriciclo, 100%<br />
elétrico, desenhado e construído com um<br />
único propósito: a mobilidade urbana.<br />
A XEV é uma startup italiana com sede<br />
em Hong Kong e que produz o Yoyo em<br />
Xangai, na China. É importado e comercializado<br />
em Portugal pela Carclasse.<br />
O design foi idealizado em Turim e o<br />
produto é mesmo extremista, pois quase<br />
18 e-MOBILIDADE
e-MOBILIDADE 19
TEMA DE CAPA<br />
Veículos Elétricos Ligeiros<br />
PRATICIDADE<br />
toda a sua infraestrutura (57 componentes)<br />
é construída com recurso a<br />
impressão em 3D, à exceção do chassis,<br />
vidros e bancos. Quis-se leve, e é leve,<br />
com uma tara de 450 kg e um peso bruto<br />
de 774 kg, pois só assim se consegue<br />
que uma bateria com apenas 15 kW (20<br />
cv), que abastece o motor de 10,3 kWh<br />
possa manter o veículo em movimento<br />
por aproximadamente 150 km.<br />
Pode reabastecer na garagem de casa em<br />
apenas 3 horas, com simples recurso a<br />
tomada doméstica, que no horário de<br />
custo de energia mais favorável custará<br />
à volta de 1€ por cada 100 km, uma<br />
vez que o consumo anunciado é de<br />
apenas 7,8 kWh/100 km. Mas a XEV<br />
dispôs no Yoyo um sistema inteligente<br />
de permuta de baterias – está equipado<br />
com três packs de baterias cilíndricas,<br />
cada um com o peso de 4 kg –, facultando<br />
a possibilidade a quem necessita<br />
sempre de estar em carga total, de as<br />
trocar rapidamente num posto urbano<br />
da rede de assistência à marca. Ora, isso<br />
é algo que ainda não existe em Portugal.<br />
Um processo que não demorará mais<br />
que cinco minutos: baixando a chapa<br />
de matrícula traseira abre-se a porta às<br />
baterias que saem uma a uma, fixando-<br />
-se por encaixe. O motor está colocado<br />
atrás, junto das baterias e a tração<br />
também é traseira.<br />
É UM CARRO? NÃO, MAS É<br />
QUASE...<br />
O XEV Yoyo Pro continua em desenvolvimento.<br />
A primeira versão foi lançada<br />
em 2021, foi apresentado ao grande<br />
Pode reabastecer na<br />
garagem de casa em apenas<br />
3 horas, com simples recurso<br />
a tomada doméstica, que no<br />
horário de custo de energia<br />
mais favorável custará à<br />
volta de 1€ por cada<br />
100 km<br />
público no IAA Mobility em Munique<br />
(2023) e a versão Pro, que tem meses<br />
apenas, não difere das demais. O veículo<br />
mantém as suas características. Que<br />
para quadriciclo são, de longe, acima da<br />
média. Na sua classe não tem igual. A<br />
dinâmica é interessante, com velocidade<br />
máxima de 90 km/h, quando acionado<br />
o “boost”, ou os 70 km/h em situação<br />
standard. Dispõe de travões de disco.<br />
Houve cuidados com a direção, pois com<br />
tão curta distância entre eixos qualquer<br />
exagero pode provocar algum susto. Por<br />
isso, dispõe do modo Sport e Confort.<br />
Os bancos são de qualidade, mas a ergonomia<br />
e apoio destes não é a melhor, tal<br />
como a posição do volante.<br />
E é tudo? Não! O resto parece-se com<br />
um carro: ar condicionado, vidros<br />
elétricos, sistema keyless e botão start/<br />
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS<br />
Motor Elétrico, síncrono, de magneto permanente, de 10,3 kW (11<br />
kW máximo)<br />
Bateria<br />
Carregamento<br />
Transmissão<br />
Travões<br />
Dimensões<br />
Peso<br />
15 kW (20 cv), cilíndricas, LiFePO4<br />
Doméstico, tomada standard EU Schuko; público, Tomada<br />
EU tipo 2; tempo de carga inferior a 3 horas (desde 30%)<br />
Motor traseiro, tração traseira<br />
De disco, às 4 rodas, com ABS<br />
Comp.xLarg.xAlt. (2,53x1,50x1,56)<br />
450 kg (sem baterias)<br />
Pneus 155/65R14<br />
stop, comandos no volante (também<br />
para o telefone), display digital a cores de<br />
(muito) razoável dimensão, conexão para<br />
disposivos móveis e várias tomadas USB.<br />
O espaço do habitáculo é surpreendentemente<br />
espaçoso e há uma bagageira<br />
com capacidade de 180 litros. Os<br />
jovens com idade inferior a 18 anos,<br />
desde que habilitados com a licença B1<br />
podem conduzi-lo, e também desde que<br />
autorizados pelos pais, que terão que<br />
pagar o veículo, com um custo superior<br />
a 17 mil euros. Um valor algo elevado,<br />
é certo, quase o preço de um automóvel<br />
elétrico de classe inferior.<br />
20 e-MOBILIDADE
ENTREVISTA COM CARLOS SILVA,<br />
PRESIDENTE DA EMEL<br />
Empresas convidadas<br />
a adotar modos<br />
de transporte<br />
alternativos para<br />
os colaboradores<br />
O desenvolvimento de uma solução de MaaS (Mobilidade-como-um-Serviço),<br />
através de uma oferta de serviços integrados de mobilidade, para fomentar o uso<br />
de modos sustentáveis e a integração dos processos de gestão e pagamento de<br />
despesas de transportes, foi o repto lançado pela EMEL às empresas que operam no<br />
concelho de Lisboa, onde grande parte do tráfego rodoviário resulta de movimentos<br />
pendulares e deslocações profissionais. Mas também a mobilidade em bicicleta é<br />
uma das vertentes centrais da estratégia da EMEL, pretendendo-se, a curto prazo, o<br />
desenvolvimento da rede GIRA e a sua extensão a todas as freguesias do concelho.<br />
POR CARLOS BRANCO<br />
EUROTRANSPORTE - Como medida<br />
muito recente, a disponibilização,<br />
aos detentores de cartão Navegante,<br />
com passe válido, da possibilidade de<br />
estacionar gratuitamente nos parques<br />
da Ameixoeira, Colégio Militar e Av. de<br />
Pádua - de forma que evitem prosseguir<br />
com viatura particular até zonas<br />
mais centrais da cidade, retomando o<br />
percurso de outros modos - que efeitos<br />
já produziu, ou se já são mensuráveis?<br />
Carlos Silva - A EMEL, enquanto empresa<br />
de mobilidade na cidade de Lisboa,<br />
tem vindo a gizar uma estratégia que<br />
acompanha boas práticas ambientais e<br />
simultaneamente prossegue iniciativas<br />
que beneficiam a cidade e sirvam as<br />
necessidades de todos os lisboetas, numa<br />
nova mobilidade mais verde, suave e sustentável.<br />
Os Parques de Estacionamento<br />
Navegante são, de entre as várias iniciativas,<br />
um bom exemplo deste desígnio.<br />
Estes parques situam-se por norma nas<br />
proximidades dos limites do concelho<br />
de Lisboa, em zonas de interface de<br />
transportes públicos e permitem a todos<br />
cidadãos que se desloquem para Lisboa<br />
em trabalho, estudo ou lazer, estacionar<br />
as suas viaturas privadas gratuitamente<br />
e de forma segura, efetuando o resto<br />
da viagem para o interior de Lisboa em<br />
transporte público. A medida tem sido<br />
bem recebida pelos utentes e com menos<br />
de dois meses desde a sua implementação<br />
e ainda em período de férias já se<br />
ultrapassaram as 700 adesões.<br />
Pretende-se replicar tal medida em<br />
outros parques?<br />
Sim, neste momento, temos em curso a<br />
transformação de mais dois parques da<br />
EMEL, e até fim deste mandato a construção<br />
de outros dois novos parques,<br />
todos com a caraterística de se encontrarem<br />
próximos dos limites do município.<br />
O aumento da capacidade e o número<br />
de parques dissuasores para cobrir<br />
mais áreas da cidade insere-se na mesma<br />
política?<br />
O principal objetivo dos Parques Navegante<br />
é contribuir para a redução de<br />
atravessamentos e circulação das viaturas<br />
na cidade, incentivar o uso do transporte<br />
público e modos suaves de circulação,<br />
possibilitando a diminuição das emissões<br />
22 e-MOBILIDADE
de gases com efeito de estufa e uma cidade<br />
descarbonizada com o ambiente mais<br />
saudável e equilibrado para todos.<br />
A EMEL tem vindo a assumir novas e<br />
crescentes medidas que tendem a contribuir<br />
para uma gestão integrada da<br />
mobilidade em Lisboa. O que implica,<br />
certamente, mais coordenação com a<br />
gestão dos transportes. Isso tem acontecido/está<br />
a acontecer? De que forma?<br />
Quando foi criada, em 1994, a EMEL era<br />
uma empresa que geria e regulava apenas<br />
o estacionamento na cidade de Lisboa.<br />
Hoje, passados 30 anos, a EMEL passou<br />
a ser uma empresa de mobilidade,<br />
estendendo a sua ação a várias vertentes,<br />
nomeadamente a gestão de toda rede semafórica,<br />
as bicicletas partilhadas GIRA,<br />
os carregamentos elétricos e a construção<br />
de diversas infraestruturas que<br />
constituem hoje uma verdadeira rede<br />
de acessibilidade pedonal e ciclável na<br />
cidade, nomeadamente ciclovias, pontes<br />
ciclo pedonais como a do Rio Trancão<br />
e da Avenida Gago Coutinho, elevadores<br />
e Funicular da Graça. Projetos que<br />
colocam o cidadão no centro das nossas<br />
preocupações e que visam transformar<br />
comportamentos na sociedade.<br />
Neste contexto de intervenção na mobilidade<br />
urbana temos vindo a articular<br />
estratégias com outras entidades, nomeadamente<br />
a CARRIS, num projeto que<br />
visa possibilitar o aumento da velocidade<br />
comercial de algumas carreiras, reduzindo<br />
os tempos de espera e melhorar<br />
a eficiência do transporte público, contri-<br />
e-MOBILIDADE 23
ENTREVISTA<br />
Carlos Silva, presidente da EMEL<br />
buindo assim para uma melhor mobilidade<br />
na cidade.<br />
A ampliação e disponibilidade da frota<br />
das bicicletas GIRA, especialmente em<br />
áreas menos servidas atualmente, está<br />
a ser levada em conta com tal transferência<br />
modal?<br />
A mobilidade em bicicleta é uma das<br />
vertentes centrais da nossa estratégia. Foi<br />
decidido por este executivo municipal<br />
que a rede GIRA deveria ser estendida<br />
a todas as freguesias do concelho até ao<br />
fim deste mandato e o número de bicicletas<br />
disponibilizadas deveria duplicar.<br />
Estes objetivos estão próximos de ser<br />
concretizados e vem assegurar, no que ao<br />
acesso e ao território diz respeito, a democratização<br />
do sistema. O acesso passou<br />
a ser gratuito para todos os residentes<br />
em Lisboa e quanto ao território vai<br />
chegar a todas as freguesias, permitindo<br />
a redução das desigualdades sociais.<br />
Estamos perante um modo de transporte<br />
que promove estilos de vida saudáveis e<br />
sustentáveis, simultaneamente amigo do<br />
ambiente e inclusivo do ponto de vista<br />
social.<br />
Sinal do sucesso deste investimento<br />
são as mais de 2,7 milhões de viagens<br />
realizadas no ano passado, ultrapassando<br />
os 10 milhões de quilómetros percorridos.<br />
É nosso objetivo que a curto prazo,<br />
com a chegada a todas as freguesias do<br />
concelho de Lisboa, cada cidadão em<br />
Lisboa esteja a menos de 10 minutos a<br />
pé de uma estação GIRA.<br />
Sendo que o objetivo é diminuir a<br />
entrada de automóveis no centro da<br />
cidade (em número próximo dos 360<br />
mil veículos) e contribuir para a redução<br />
das emissões carbónicas, como<br />
pode a EMEL privilegiar a mobilidade<br />
das pessoas?<br />
Acreditamos que mais do que proibir a<br />
entrada dos automóveis, é fundamental<br />
transformar comportamentos na sociedade.<br />
Isto aliado à criação de infraestruturas<br />
adequadas para que tenhamos uma<br />
mobilidade mais ecológica, eficiente e<br />
sustentável.<br />
Uma das maiores dificuldades reside<br />
na necessidade de compatibilizar os<br />
interesses de todos os utilizadores do<br />
[A medida dos Parques Navegante] tem sido bem<br />
recebida pelos utentes e com menos de dois meses<br />
desde a sua implementação e ainda em período de<br />
férias já se ultrapassaram as 700 adesões<br />
espaço público urbano, fundamentalmente<br />
em cidades consolidadas e com<br />
casco histórico com algumas centenas de<br />
anos. Mesmo assim, temos desenvolvido<br />
vários projetos que se complementam e<br />
que tendem a transformar os comportamentos.<br />
Para além da GIRA, o maior projeto de<br />
mobilidade suave de Portugal, acreditamos<br />
que a mudança de comportamento<br />
por parte da sociedade se inicia com<br />
envolvimento das gerações mais novas.<br />
Nessa circunstância estamos a desenvolver<br />
um projeto pedagógico de educação<br />
para a mobilidade, o “Pela Cidade Fora”.<br />
Este programa vai às escolas do município<br />
e ajuda na sensibilização das crianças<br />
para a importância da mobilidade na vida<br />
urbana. A iniciativa incentiva os alunos a<br />
utilizarem transportes públicos e modos<br />
de mobilidade suave, promovendo comportamentos<br />
que contribuem para uma<br />
cidade mais verde e sustentável.<br />
O anunciado projeto de ligação<br />
ciclável Algés-Trancão é parte deste<br />
desígnio, mesmo que aquele corredor<br />
ribeirinho já seja servido por transportes<br />
coletivos [também já se fala<br />
em nova linha de elétrico a partir do<br />
Campo das Cebolas para Oriente]? Ou<br />
é meramente lúdico, para promoção<br />
da mobilidade ativa?<br />
Este projeto de ligação tem em vista a<br />
disponibilização de uma ligação ciclável<br />
contínua, entre Algés e a Ponte Ciclo<br />
Pedonal do Trancão, construída recentemente<br />
pela EMEL. Esta ciclovia faz parte<br />
de uma estratégia que visa o alargamento<br />
da rede ciclável e em simultâneo melhora<br />
a conectividade da rede, permitindo a<br />
ligação com diferentes partes da cidade.<br />
Este eixo, apesar da sua dimensão<br />
lúdica, é estruturante para o fecho da<br />
malha de ciclovias existentes na cidade,<br />
mas permite acima de tudo um objetivo<br />
mais amplo do ponto de vista regional,<br />
que é permitir um conjunto de ligações<br />
intermunicipais que possibilitarão no<br />
futuro um percurso contínuo de bicicleta<br />
de Cascais a Vila Franca de Xira.<br />
Que papel irá desempenhar a EMEL<br />
na futura regulamentação e/ou fiscalização<br />
(se lhe competir) dos veículos<br />
de animação turística (vulgo tuk-tuk)<br />
em zonas sensíveis da cidade, que não<br />
raras vezes contribuem para a menor<br />
fluidez do trânsito, senão mesmo para<br />
o congestionamento, ou ocupando<br />
‘impropriamente’ lugares de estacionamento?<br />
A EMEL, na base das suas competências<br />
na área de fiscalização de estacionamento,<br />
irá colaborar com a CML no cumprimento<br />
do que for regulamentado para<br />
esta atividade com especial atenção às<br />
zonas de “tolerância zero”, contribuindo<br />
24 e-MOBILIDADE
assim para libertar a cidade em zonas<br />
que hoje são alvo de enorme pressão ao<br />
nível da mobilidade.<br />
O mesmo se passa relativamente aos<br />
veículos comerciais. O existente regulamento<br />
de cargas/descargas deverá<br />
sofrer alterações?<br />
Os regulamentos existem e merecem<br />
sempre a melhoria pontual de alguns<br />
aspetos, pois nunca são perfeitos. A vida<br />
em sociedade altera-se, novos hábitos de<br />
consumo surgem e por esse motivo os<br />
regulamentos ficam sujeitos a constantes<br />
desatualizações. Mais importante do que<br />
um regulamento perfeito, será a existência<br />
de um processo de gestão de um<br />
sistema de estacionamento de cargas e<br />
descargas moderno, evoluído tecnologicamente,<br />
que permita de forma simples<br />
e eficaz a identificação de lugares para<br />
tal, bem como a possibilidade de um<br />
registo antecipado da reserva de lugar,<br />
contribuindo assim por um lado para o<br />
facilitar da vida dos operadores, que por<br />
vezes têm que dar voltas intermináveis<br />
ao quarteirão para efetuar uma entrega e,<br />
por outro, para uma redução significativa<br />
de congestionamentos de trânsito em<br />
segunda fila, permitindo melhor fluidez<br />
de tráfego.<br />
Ao aumento da quilometragem da<br />
rede ciclável subsiste o problema de<br />
um dos eixos centrais da cidade (Av.<br />
Almirante Reis). Que papel terá a<br />
EMEL nesta matéria?<br />
A configuração de todo o eixo encontra-se<br />
em revisão pela CML. Sobre esse<br />
tema, mais particularmente sobre a<br />
ciclovia, posso dizer que a EMEL está<br />
disponível para fazer parte da discussão<br />
para que se chegue à melhor solução<br />
possível.<br />
Muito se tem falado da Mobilidade-como-um-Serviço<br />
(MaaS). Que projeto<br />
estuda a EMEL; em que oferta de<br />
serviços integrados de mobilidade,<br />
para fomentar o uso de modos de mobilidade<br />
sustentáveis, está a empresa<br />
a pensar?<br />
A EMEL está a desenvolver uma solução<br />
de Mobilidade-como-um-Serviço (MaaS)<br />
para empresas. Será um MaaS corporativo,<br />
que irá oferecer serviços integrados<br />
de mobilidade. Este projeto está a<br />
ser desenvolvido pela nossa equipa de<br />
colaboradores no âmbito de um projeto<br />
financiado pela Comissão Europeia, o<br />
DeployEMDS.<br />
O objetivo é permitir que as empresas<br />
possam disponibilizar estes serviços de<br />
Ponte Ciclopedonal<br />
do Rio Trancão,<br />
que liga Loures a<br />
Lisboa<br />
Funicular da Graça, em Lisboa<br />
mobilidade aos seus trabalhadores para<br />
deslocações casa-trabalho-casa ou para<br />
deslocações profissionais em Lisboa.<br />
A solução está a ser desenvolvida em<br />
estreita colaboração com as empresas,<br />
para garantir que responde às suas reais<br />
necessidades e expectativas.<br />
A EMEL acredita que a promoção da<br />
mobilidade sustentável e a redução do<br />
número de automóveis em circulação<br />
devem ser trabalhadas de forma concertada,<br />
até porque uma grande parte do<br />
tráfego rodoviário em Lisboa resulta das<br />
viagens casa-trabalho-casa e das deslocações<br />
profissionais.<br />
Esta é, aliás, a razão que levou a EMEL a<br />
convidar as empresas, enquanto potenciais<br />
agentes ativos de mudança, a<br />
participar na criação de uma solução que<br />
promova a adoção de modos de transporte<br />
sustentáveis e alternativos ao carro.<br />
No âmbito do PRR, em que principais<br />
projetos participa a EMEL, e que se<br />
pode esperar para a melhoria da mobilidade<br />
dos munícipes?<br />
No âmbito do PRR, a EMEL participa no<br />
projeto “Bairro comercial digital de Alvalade”,<br />
encontrando-se a avaliar soluções<br />
tecnológicas que permitam a gestão e a<br />
fiscalização do estacionamento, incluindo<br />
bolsas de cargas e descargas, através<br />
da instalação de sensores de estacionamento<br />
e desenvolvimento de um sistema<br />
de verificação da ocupação e controlo<br />
dos tempos de paragem.<br />
e-MOBILIDADE 25
MOBILIDADE INCLUSIVA<br />
As<br />
cidades<br />
dos<br />
15 Minutos<br />
são mais inclusivas<br />
As Cidades dos 15 Minutos são mais inclusivas, seguras, resilientes e<br />
sustentáveis. Em Portugal, temos várias cidades com potencial para serem<br />
Cidades dos 15 Minutos, mas será necessário que as suas políticas de<br />
mobilidade, urbanismo, habitação e económicas, ascendam e se articulem<br />
numa mesma visão de sustentabilidade urbana.<br />
Não sendo recente, o<br />
conceito da Cidade<br />
dos 15 Minutos 1<br />
tem vindo a ser mais<br />
divulgado desde 2016,<br />
através do urbanista Carlos Moreno,<br />
tendo-se seguido a adoção política em<br />
Paris pela autarca Anne Hidalgo, que<br />
planeia políticas e executa medidas de<br />
acordo com esta visão para a cidade.<br />
Este modelo de planeamento defende<br />
uma maior proximidade e interação<br />
social, surgindo do crono-urbanismo 2<br />
que prioriza a relação entre tempo e<br />
espaço para promover qualidade de<br />
vida. Esta configuração urbana permite<br />
às pessoas terem acesso aos serviços<br />
básicos em distâncias a 15 minutos a<br />
pé ou de bicicleta, dotando os bairros<br />
com parques, praças e espaços públicos,<br />
podendo levar a um impulso económico,<br />
fomentando a coesão social e criação de<br />
ecossistemas urbanos saudáveis.<br />
Quais os pressupostos para que uma<br />
Cidade dos 15 Minutos funcione e as<br />
pessoas não dependam de um carro para<br />
fazer as suas deslocações quotidianas?<br />
UM MODELO DE PLANEAMENTO<br />
URBANO<br />
Nas Cidades dos 15 Minutos pretendese<br />
garantir o acesso às 6 funções sociais<br />
urbanas essenciais: viver, trabalhar,<br />
estudar, comércio/serviços, saúde e lazer.<br />
Para tal é necessário que a cidade seja<br />
construída de acordo com os parâmetros<br />
proximidade, diversidade, densidade e<br />
digitalização.<br />
A proximidade, temporal e espacial,<br />
pretende garantir que em 15 minutos,<br />
a população possa aceder a serviços<br />
básicos em menos tempo, reduzindo os<br />
impactos ambientais e económicos da<br />
mobilidade.<br />
A diversidade em bairros de uso misto,<br />
com habitação, comércio e serviços,<br />
sustenta ruas economicamente ativas,<br />
promovendo a habitabilidade. A<br />
participação e interação da comunidade<br />
resulta numa diversidade cultural de<br />
INÊS SARTI PASCOAL<br />
Doutoranda em geografia e planeamento<br />
territorial<br />
pessoas e capital social. Esta dimensão<br />
multicultural tem implicações positivas<br />
no aspecto económico, já que habitantes<br />
locais também desfrutam de uma<br />
variedade de produtos, levando a novas<br />
oportunidades de emprego.<br />
A densidade tem ligação direta com<br />
viagens e diversidade. Considerando<br />
o número ideal de pessoas que uma<br />
área pode albergar, pode-se planear a<br />
acessibilidade ao nível de serviços e<br />
consumo de recursos, sem a necessidade<br />
de recorrer a deslocações de carro.<br />
A digitalização permite ter serviços<br />
26 e-MOBILIDADE
como compras online, transações<br />
sem dinheiro ou mesmo partilha de<br />
velocípedes, promovendo a inclusão,<br />
participação da população e entrega de<br />
serviços em tempo real. O teletrabalho<br />
e as comunicações virtuais têm também<br />
impactos positivos na redução de<br />
deslocações pendulares na cidade.<br />
MERCADO<br />
A CIDADE DE 15 MINUTOS<br />
ESCOLA<br />
TRABALHO<br />
RECICLAGEM<br />
PLANEAMENTO DA MOBILIDADE<br />
INCLUSIVA<br />
O planeamento da mobilidade inclusiva<br />
tem como foco as deslocações de<br />
proximidade, a pé ou de bicicleta para<br />
distâncias mais curtas, e em transportes<br />
públicos para distâncias maiores, de<br />
modo a que seja confortável e eficiente<br />
não possuir um automóvel ou não usá-lo<br />
numa base regular. Como se faz isso?<br />
» Garantindo que todas as ruas têm<br />
uma mobilidade pedonal acessível<br />
para uma pessoa que se desloque<br />
em cadeira de rodas, de bengala ou<br />
andarilho, mães ou pais com um<br />
carrinho de bebé;<br />
» Promovendo a acalmia de tráfego<br />
rodoviário, para uma efetiva redução<br />
das velocidades de automóveis em<br />
ambiente urbano, para que possamos<br />
ter ruas seguras para quem anda a pé<br />
ou de bicicleta, incluindo crianças<br />
ou jovens a ir para a escola de forma<br />
autónoma;<br />
» Criando uma rede ciclável contínua,<br />
que faça a ligação dos centros urbanos<br />
às interfaces de transportes, entre<br />
freguesias e entre concelhos, para<br />
que as pessoas consigam adotar este<br />
meio de transporte, incluindo mais<br />
mulheres;<br />
» Apostando no aumento da qualidade<br />
e frequência dos transportes públicos,<br />
recuperando a confiança neste serviço,<br />
e garantindo que são espaços seguros<br />
em termos de roubos ou assédio<br />
sexual.<br />
As mulheres caminham mais e<br />
usam mais os transportes públicos,<br />
e ao mesmo tempo têm de gerir as<br />
suas deslocações para as atividades<br />
remuneradas (emprego), e as atividades<br />
não remuneradas (atividades de cuidado,<br />
nomeadamente cuidar de crianças<br />
DESPORTO<br />
TRANSPORTES<br />
SAÚDE<br />
ou familiares, ir às compras) 3 . Não<br />
sendo as atividades de cuidado tarefas<br />
exclusivas de mulheres ou de género,<br />
estatisticamente são as mulheres que<br />
as realizam com maior frequência,<br />
implicando um ritmo de vida diferente<br />
e uma gestão da mobilidade diferente da<br />
dos homens. Esta desigual distribuição<br />
de tarefas acaba por gerar uma<br />
desigualdade social, afetando também<br />
a mobilidade, principalmente se esta<br />
não for planeada de forma inclusiva.<br />
Aqui, importa perceber a necessidade<br />
da existência de equipamentos como<br />
CASA<br />
ESPAÇOS DE<br />
CONVÍVIO<br />
ESPAÇOS<br />
VERDES<br />
PADARIA<br />
creches, escolas, lares ou centros de<br />
dia, serviços de saúde, comércio,<br />
mercados, na proximidade das<br />
habitações. E que estejam conectadas<br />
com boas infraestruturas de mobilidade<br />
sustentável.<br />
A maioria da população vive em meios<br />
urbanos 4 , e as cidades contribuem, tanto<br />
para os problemas ambientais e sociais,<br />
como para as suas soluções, se forem<br />
planeadas de acordo com critérios de<br />
preservação ambiental e de inclusão.<br />
As Cidades dos 15 Minutos podem<br />
contribuir para ambos.<br />
1 Introducing the “15-Minute City”: Sustainability, Resilience and Place Identity in Future Post-<br />
Pandemic Cities: www.mdpi.com/2624-6511/4/1/6<br />
2 Cronourbanismo: www.researchgate.net/publication/299038564_Cronourbanismo<br />
3 Gender and (smart) mobility. Green paper 2021: https://womenmobilize.org/wp-content/<br />
uploads/2021/07/Gender-and-mobility_report-komprimiert.pdf<br />
4 Cities of tomorrow - Challenges, visions, ways forward: https://ec.europa.eu/regional_policy/en/<br />
information/publications/reports/2011/cities-of-tomorrow-challenges-visions-ways-forward<br />
e-MOBILIDADE 27
LOGÍSTICA<br />
O desafio do nosso tempo<br />
e das nossas cidades<br />
O desenvolvimento económico<br />
e a manutenção do bem-estar<br />
A infraestrutura rodoviária em algumas<br />
áreas urbanas é insuficiente para<br />
suportar o volume de tráfego atual.<br />
Ruas estreitas, muitas delas de traçado<br />
setecentista e sem dimensionamento<br />
adequado para a circulação de veículos<br />
modernos, somadas à falta de zonas<br />
de carga e descarga, dificultam as<br />
operações logísticas.<br />
A<br />
mobilidade urbana em<br />
Portugal enfrenta desafios<br />
crescentes, especialmente<br />
no contexto das empresas<br />
de logística e transporte. A<br />
crescente procura pelas cidades e pelos<br />
meios urbanos como fontes e polos de<br />
desenvolvimento social e económico<br />
tem um impacto crítico na mobilidade<br />
de pessoas e bens, agravado pelo<br />
aumento da população e, consequentemente,<br />
do tráfego urbano.<br />
As megalópoles, conhecidas desde os<br />
anos 70 e 80 do século passado em<br />
países mais desenvolvidos, começam a<br />
tornar-se uma realidade em Portugal,<br />
especialmente em Lisboa e no Porto,<br />
onde as localidades e as cidades se<br />
fundem geograficamente. As estruturas<br />
e infraestruturas, tanto públicas como<br />
privadas, começam a sentir saturação,<br />
limitando a capacidade de resposta e<br />
ANTÓNIO JORGE SOARES<br />
Director de Desenvolvimento e Negócio<br />
da RodoCargo<br />
constituindo um entrave ao desenvolvimento<br />
e bem-estar humano.<br />
O crescimento do turismo nas cidades<br />
e a proliferação de serviços de transporte<br />
relacionados com esta atividade<br />
exercem ainda mais pressão sobre as<br />
infraestruturas e os operadores. As<br />
cidades enfrentam um dilema entre<br />
a necessidade de desenvolvimento<br />
económico, impulsionado pelo turismo<br />
e outras atividades, e a manutenção do<br />
bem-estar e da sustentabilidade ambiental.<br />
A necessidade de soluções eficientes<br />
e sustentáveis torna-se crucial para<br />
garantir um serviço de qualidade aos<br />
clientes e, simultaneamente, minimizar<br />
o impacto ambiental.<br />
As principais cidades portuguesas,<br />
especialmente Lisboa e Porto, sofrem<br />
com congestionamentos significativos<br />
devido ao aumento do tráfego urbano,<br />
impulsionado pelo crescimento de<br />
visitantes e de residentes. Isso resulta<br />
em atrasos e ineficiências na entrega de<br />
28 e-MOBILIDADE
ens e serviços. O tráfego denso não<br />
só aumenta o tempo de viagem, mas<br />
também o consumo de combustível e as<br />
emissões de CO 2<br />
.<br />
A infraestrutura rodoviária em algumas<br />
áreas urbanas é insuficiente para<br />
suportar o volume de tráfego atual.<br />
Ruas estreitas, muitas delas de traçado<br />
setecentista e sem dimensionamento<br />
adequado para a circulação de veículos<br />
O crescimento do turismo nas cidades e a<br />
proliferação de serviços de transporte relacionados<br />
com esta atividade exercem ainda mais pressão<br />
sobre as infraestruturas e os operadores<br />
e-MOBILIDADE 29
LOGÍSTICA<br />
António Jorge Soares<br />
modernos, somadas à falta de zonas de<br />
carga e descarga, dificultam as operações<br />
logísticas.<br />
A "uberização" do transporte coletivo e<br />
a incapacidade dos transportes públicos<br />
de responder às necessidades da crescente<br />
população urbana aumentam o<br />
tráfego nas cidades. Isso levou algumas<br />
cidades portuguesas a implementar<br />
Zonas de Emissões Reduzidas (ZER)<br />
para combater a<br />
poluição, tanto<br />
SUSTENTABILIDADE<br />
Para enfrentar estes desafios, as<br />
empresas de logística e transporte em<br />
Portugal devem adotar estratégias<br />
sustentáveis, diferenciando-se no<br />
mercado e oferecendo um serviço de<br />
maior valor aos clientes<br />
atmosférica quanto<br />
sonora. Embora estas<br />
medidas sejam<br />
positivas para o<br />
ambiente, representam<br />
um desafio<br />
para as empresas<br />
de logística.<br />
Há uma pressão<br />
crescente para<br />
que as empresas reduzam a sua pegada<br />
ambiental. O uso de combustíveis<br />
fósseis e a emissão de gases poluentes<br />
são questões críticas que exigem<br />
soluções inovadoras. No entanto, a meu<br />
ver, essas soluções inovadoras devem<br />
ser exigidas a todos os operadores e<br />
utilizadores do espaço urbano. Enquanto<br />
os privados, gradualmente e devido<br />
ao aumento do custo dos combustíveis,<br />
começam a utilizar veículos elétricos ou<br />
híbridos, o mesmo não se verifica em<br />
todos os operadores. Recordo que, em<br />
2015, numa visita a Milão, a cidade já<br />
condicionava a atribuição de licenças<br />
e alvarás de táxi a viaturas híbridas,<br />
uma medida drástica, mas eficaz. Nos<br />
últimos anos, assistimos ao aumento<br />
deste tipo de transporte (a tal "uberização")<br />
com a utilização de viaturas mais<br />
antigas e poluentes.<br />
O aumento do comércio eletrónico,<br />
impulsionado pela pandemia, apesar de<br />
já registar crescimento de dois dígitos<br />
em 2018 e 2019, resultou num maior<br />
volume de entregas urbanas e, consequentemente,<br />
na necessidade de mais<br />
recursos logísticos e de distribuição, recorrendo<br />
às mesmas soluções, estruturas<br />
e processos. Novos negócios, velhas<br />
soluções, clássico!<br />
Para enfrentar estes desafios, as empresas<br />
de logística e transporte em Portugal<br />
devem adotar estratégias sustentáveis,<br />
diferenciando-se no mercado e oferecendo<br />
um serviço de maior valor aos<br />
clientes. Os clientes, tanto no canal<br />
consumidor como no canal retalhista,<br />
privilegiarão os operadores de logística<br />
e distribuição que lhes ofereçam mais<br />
alternativas, maior autonomia, controlo<br />
e acompanhamento do bem ou serviço<br />
adquirido. Há toda<br />
uma geração de<br />
clientes que gere os<br />
seus negócios através<br />
de plataformas digitais.<br />
Os operadores de logística<br />
e distribuição<br />
enfrentam aqui um<br />
desafio: estabelecer e<br />
implementar processos<br />
em que o cliente<br />
(seja ele qual for) assuma o controlo,<br />
exigindo flexibilidade, transparência e<br />
eficiência. Este é um paradigma diferente<br />
do que se verificava há uma década.<br />
Contrariamente ao que se pensa, o<br />
desafio não é apenas de processo ou<br />
de sistemas de informação; o desafio é<br />
cultural.<br />
Outra questão importante nesta nova<br />
urbanidade, mais diversa, informada<br />
e conectada, é saber se os clientes<br />
consideram a<br />
sustentabilidade nas<br />
suas opções ou se é<br />
apenas um tema de<br />
fachada. Creio que<br />
um pouco dos dois.<br />
Os clientes, tanto no<br />
canal B2B como no<br />
B2C, que optam por<br />
serviços e produtos<br />
sustentáveis ainda<br />
são minoritários,<br />
mas esta é uma tendência que veio para<br />
ficar. Este é o segundo desafio estrutural<br />
para os players no mercado: estabelecer<br />
toda uma cadeia de valor assente num<br />
produto e serviço sustentável.<br />
Muitas das propostas já são conhecidas:<br />
frota de veículos elétricos e híbridos; utilização<br />
de bicicletas de carga e scooters<br />
elétricas; sistemas de gestão de frotas<br />
ALIANÇA ENTRE OPERADORES<br />
Há toda uma série de infraestruturas<br />
dentro das cidades que podem<br />
ser aproveitadas e convertidas em<br />
plataformas de serviços logísticos:<br />
parques de estacionamento, estações<br />
de comboio, estações de serviço de<br />
autocarros, entre outros<br />
inteligentes; centros de distribuição<br />
urbanos mais próximos da malha urbana;<br />
e parcerias com entidades privadas<br />
e públicas, aproveitando sinergias já<br />
existentes.<br />
As parcerias entre privados e públicos<br />
podem, a meu ver, transformar este paradigma.<br />
Os problemas são transversais<br />
e de complexa resolução, e tornar-se-ão<br />
ainda mais crónicos sem a participação<br />
de todos os atores envolvidos na mobilidade<br />
urbana. Apenas com o estabelecimento<br />
de alianças entre operadores e<br />
parcerias com o setor público será possível<br />
apresentar soluções diferenciadoras<br />
no mercado, com rentabilidade para os<br />
operadores.<br />
Durante o Blitz, na Segunda Guerra<br />
Mundial, o Metro de Londres distribuía<br />
alimentos e produtos; o meio de<br />
transporte de passageiros transformou-<br />
-se, temporariamente, numa rede de<br />
distribuição capilar. Há toda uma série<br />
de infraestruturas dentro das cidades que<br />
podem ser aproveitadas e convertidas<br />
em plataformas de serviços logísticos:<br />
parques de estacionamento, estações de<br />
comboio, estações de serviço de autocarros,<br />
entre outros.<br />
Sempre que participo em conferências<br />
ou eventos de logística, noto que a<br />
mobilidade não é integrada. O passageiro<br />
não dialoga nem conhece os desafios e<br />
as dificuldades da<br />
carga, e vice-versa.<br />
Fico sempre com<br />
a sensação de que<br />
são mundos à parte,<br />
apesar de partilharem<br />
o mesmo espaço<br />
público e urbano<br />
e, mais importante,<br />
os mesmos clientes,<br />
apenas com mercados<br />
diferentes (ou<br />
talvez não). As infraestruturas, capacidades<br />
e valências existem, bem como<br />
as dificuldades de conjugar interesses,<br />
mas é crucial que os operadores possam<br />
dialogar e estabelecer alianças para<br />
melhorar o serviço, responder de forma<br />
sustentável aos desafios e obter ganhos<br />
de rentabilidade que, de outra forma,<br />
estarão condenados.<br />
30 e-MOBILIDADE
ESPAÇOS PÚBLICOS<br />
Cidades para<br />
brincar na rua<br />
como eu tanto fiz em criança<br />
Nas últimas décadas temos observado a redução dos espaços públicos disponíveis para as crianças<br />
brincarem ao ar livre, especialmente nas áreas urbanas, onde o tráfego motorizado, a poluição do ar e o<br />
ruído se tornaram obstáculos significativos para a sua segurança e bem-estar. Como resultado, muitas<br />
crianças estão privadas do direito fundamental de brincar na rua, uma condição essencial da cidadania<br />
infantil que o poder local democrático tem o dever de garantir.<br />
– Ó António, vem lanchar!<br />
– Vou já, Vó.<br />
E lá acelerava o jogo de guelas, da<br />
bola, o stop, a corrida de carrinhos ou<br />
as voltas de bicicleta, para ir lanchar.<br />
O que fazia a correr, a engolir tudo<br />
inteiro, “ó Vó, eu já fiz os trabalhos de<br />
casa, até já”, e lá voltava para baixo,<br />
continuar o convívio, muitas vezes<br />
no alcatrão. Até que alguém, de uma<br />
ANTÓNIO GONÇALVES PEREIRA<br />
Coordenador do Ecomood Portugal,<br />
Associação para a Promoção Solidária da<br />
Sustentabilidade na Mobilidade Humana;<br />
Embaixador do Pacto Climático Europeu<br />
qualquer janela…<br />
– Meninos, vamos jantar<br />
A voz da minha avó, lá de cima do 8º<br />
andar, ficou para sempre nos meus<br />
sentidos. Como as de outras mães,<br />
avós ou irmãos mais velhos dos meus<br />
companheiros e companheiras de brincadeira<br />
na rua. Na rua de trás, claro<br />
está, que na da frente já era impraticável.<br />
Estávamos em Benfica, Lisboa,<br />
nos anos 70, e já havia muito carro.<br />
Mas bem podíamos estar numa vila ou<br />
aldeia. Hoje, já quase nem aí.<br />
Como a maioria dos meus colegas, com<br />
10 anos ia para a escola a pé, sozinho.<br />
Ou em grupo, quando calhava. Eram<br />
uns dois quilómetros. Dois quilómetros<br />
de observação, de cumprimento<br />
a vários comerciantes, de vizinhança,<br />
de vida. Hoje isso já só se vê em meios<br />
pequenos ou em famílias sem recursos.<br />
São grandes os receios. De tudo, e<br />
também do perigo de atropelamento,<br />
da falta de espaço seguro para o peão.<br />
E chegam jovens à universidade com<br />
baixíssimos índices de independência.<br />
De mobilidade e de vida.<br />
Foi por isso mesmo que enderecei uma<br />
carta à Srª. Presidente da Associação<br />
Nacional dos Municípios Portugueses,<br />
32 e-MOBILIDADE
subscrita por outros 15 embaixadores<br />
e embaixadoras do Pacto Climático<br />
Europeu, pedindo que esta instituição<br />
tenha um papel activo na recuperação<br />
do espaço das nossas cidades e vilas<br />
para os cidadãos. Para a crianças. E<br />
para a mobilidade activa.<br />
Um apelo às câmaras municipais portuguesas<br />
para que criem zonas onde<br />
as crianças possam voltar a brincar na<br />
rua, em segurança e sem restrições.<br />
Numa primeira fase, a criação de zonas<br />
junto às escolas onde seja seguro para<br />
as crianças atravessarem as ruas e<br />
estradas sem a companhia de adultos e<br />
brincarem nas suas imediações, livres<br />
de poluição do ar, de ruído e de tráfego<br />
automóvel.<br />
Para além disso, consideramos essencial<br />
garantir rotas seguras para as<br />
escolas, tanto a pé como de bicicleta,<br />
promovendo a mobilidade activa e<br />
reduzindo a dependência dos automóveis<br />
e a sua circulação. Para alcançar<br />
este objetivo, sugerimos a implementação<br />
de leis de trânsito rodoviárias<br />
amigas da criança, que estabeleçam<br />
um limite de velocidade de 30 km/h<br />
Consideramos<br />
essencial garantir rotas<br />
seguras para as escolas,<br />
tanto a pé como de<br />
bicicleta, promovendo<br />
a mobilidade activa<br />
e reduzindo a<br />
dependência dos<br />
automóveis e a sua<br />
circulação<br />
na maioria das ruas com circulação de<br />
pessoas dentro das localidades. Isto<br />
proporcionará um ambiente mais seguro<br />
e acolhedor para todos os cidadãos,<br />
especialmente para as crianças.<br />
Nessa carta mencionamos também<br />
algumas das linhas propostas ao nível<br />
autárquico na petição ‘Todos a Bordo’,<br />
subscrita por diversas organizações da<br />
sociedade civil especialistas nestas matérias.<br />
Por exemplo, garantir a acessibilidade<br />
à rede de transportes públicos<br />
regulares (ferroviário, rodoviário) e<br />
a pedido para toda a população no<br />
conjunto do território, assegurando<br />
tempos de viagem para os principais<br />
pontos de residência, trabalho, serviços<br />
e lazer comparáveis com os do transporte<br />
individual.<br />
Há também que priorizar a segurança<br />
e conforto de quem se desloca a pé e/<br />
ou de bicicleta em torno de interfaces<br />
de transportes públicos. Transformar<br />
os espaços públicos de acesso a esses<br />
grandes interfaces de forma a torná-los<br />
confortáveis e seguros para caminhar e<br />
usar a bicicleta, bem como disponibilizar<br />
estacionamento para bicicletas e<br />
pontos de bicicletas partilhadas nestas<br />
interfaces.<br />
Acredito que estas medidas, não só<br />
contribuirão para a promoção da<br />
saúde e do bem-estar das crianças, mas<br />
também das suas famílias, contribuindo<br />
para a construção de comunidades<br />
mais coesas e sustentáveis, onde o<br />
espaço público é valorizado e utilizado<br />
de forma inclusiva.<br />
Para que volte a haver avós a chamar para<br />
lanchar os felizes Antónios que estão na<br />
rua a fazer tropelias. A (con)VIVER.<br />
Nota: este artigo está escrito em português<br />
de Portugal, apenas com as evoluções<br />
do (des)acordo ortográfico que me fazem<br />
sentido.<br />
e-MOBILIDADE 33
BUS RAPID TRANSIT<br />
2025<br />
O ano em que o BRT chega<br />
às cidades portuguesas<br />
A sigla inglesa BRT (Bus Rapid Transit) está prestes a integrar o<br />
vocabulário dos transportes em Portugal. Este sistema de Autocarros de<br />
Trânsito Rápido promete transformar significativamente o panorama da<br />
mobilidade urbana no país.<br />
SANDRA VASCONCELOS LAMEIRAS<br />
Administradora da OPT<br />
Com previsão de chegada<br />
em 2025, o BRT surge<br />
como uma solução para<br />
enfrentar os desafios de<br />
congestionamento e de sustentabilidade<br />
nas cidades. O sistema, já<br />
amplamente utilizado em várias metrópoles,<br />
utiliza corredores exclusivos para<br />
autocarros, garantindo maior velocidade,<br />
eficiência e capacidade de transporte<br />
público. A sua implementação em<br />
Portugal poderá melhorar a qualidade<br />
de vida urbana, tornando os transportes<br />
mais acessíveis e ecoeficientes, alinhando-se<br />
com as metas de descarbonização<br />
e modernização da rede de transporte<br />
público.<br />
O BRT é um sistema de transporte de<br />
alta capacidade que combina a velocidade<br />
e a regularidade de um sistema de<br />
Metro Ligeiro com a flexibilidade e o<br />
menor custo de aquisição dos autocarros.<br />
Isso é possível graças à adoção<br />
de vias exclusivas, um alinhamento na<br />
via, normalmente no separador princi-<br />
pal, que minimiza os conflitos com o<br />
restante tráfego, prioridade semafórica<br />
nas interseções, compra de títulos de<br />
transporte e validações fora dos veículos<br />
e embarque de passageiros em plataformas<br />
de nível. Enquanto o BRT oferece<br />
vantagens em termos de custo, flexibilidade<br />
de implementação e tempo de<br />
construção, o Metro Ligeiro oferece uma<br />
maior capacidade e uma operação mais<br />
eficiente a longo prazo.<br />
Em termos históricos, o primeiro<br />
sistema foi implementado em Curitiba,<br />
Brasil, em 1974, embora em Runcorn,<br />
Inglaterra, em finais da década de 1960<br />
tenha surgido um sistema pioneiro na<br />
ideia de faixas dedicadas para autocarros,<br />
que é uma das características fundamentais<br />
do BRT. O Stadtbahn Essen,<br />
na Alemanha, inaugurado em 1980, é<br />
frequentemente referido como o primeiro<br />
BRT da Europa, principalmente devido<br />
ao seu caráter formal e à introdução<br />
de elementos mais estruturados, que se<br />
aproximam do que entendemos hoje<br />
34 e-MOBILIDADE
O2MOVE - Hub de mobilidade sustentável<br />
como um verdadeiro sistema de BRT.<br />
A circulação em via dedicada e a priorização<br />
da circulação traduz-se num<br />
aumento da velocidade comercial e<br />
numa grande fiabilidade, em especial nas<br />
horas de ponta, comparativamente a um<br />
autocarro tradicional. Os reduzidos custos<br />
de construção, quando comparado<br />
com os sistemas ferroviários favorecem<br />
o seu custo-benefício, tornando-o uma<br />
opção atrativa para cidades com orçamentos<br />
limitados ou que precisam de<br />
uma implementação rápida. A título de<br />
exemplo refira-se que o custo de construção<br />
de 1 km de um sistema de BRT<br />
em Portugal pode variar entre 3 e 10<br />
milhões de euros, dependendo de fatores<br />
como a inserção urbana, a complexidade<br />
das estações, dos sistemas de controle<br />
de tráfego, sistemas de pagamento e de<br />
informação ao público. Já a expansão<br />
da rede de metro ligeiro do Porto, por<br />
exemplo, tem tido custos na faixa de 20<br />
a 25 milhões de euros por quilómetro,<br />
considerando troços à superfície.<br />
Para além de promover a redução do<br />
uso do automóvel, o uso de energias<br />
verdes no material circulante, que já<br />
integram autocarros elétricos ou a<br />
células de hidrogénio, contribui para<br />
a redução de emissões de carbono,<br />
essencial para o cumprimento das metas<br />
de neutralidade carbónica. A equidade e<br />
acessibilidade fazem também parte das<br />
suas características, oferecendo transporte<br />
acessível e fiável às comunidades<br />
menos servidas, melhorando o acesso<br />
ao emprego, à educação e a serviços<br />
essenciais. A sua integração com outros<br />
modos de transporte, como bicicletas e<br />
caminhos pedonais, melhora a mobilidade<br />
urbana no geral.<br />
O ITDP (Institute for Transportation<br />
and Development Policy), fundado<br />
em 1985 nos Estados Unidos, é uma<br />
organização não governamental que<br />
promove a mobilidade sustentável, e<br />
que é uma referência no sector a nível<br />
mundial, publica desde 2012, vários<br />
guias para a definição dos critérios<br />
básicos para um sistema de BRT, criando<br />
assim um Padrão de Qualidade.<br />
Em 2024 foi lançada a quinta versão.<br />
Trata-se de uma importante ferramenta<br />
que ajuda a entender o sistema e que<br />
avalia os corredores de BRT baseada em<br />
boas práticas internacionais. Tem como<br />
objetivo chegar a uma definição comum<br />
e uniforme sobre o que é caracterizado<br />
como BRT, garantindo que os corredores<br />
proporcionem, de forma consistente,<br />
experiências de excelência aos passageiros,<br />
benefícios económicos significativos<br />
e impactos ambientais positivos. Foi<br />
CLASSIFICAÇÃO DE PONTUAÇÃO<br />
DO PADRÃO DE QUALIDADE BRT<br />
Classificação de pontuação do Padrão de Qualidade<br />
BRT (máximo de 100 pontos).<br />
Fonte: ITDP. "Padrão de Qualidade BRT Edição 2024"<br />
e-MOBILIDADE 35
BUS RAPID TRANSIT<br />
Sandra Vasconcelos Lameiras<br />
EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE CIDADES COM BRT (POR ANO)<br />
lançado assim um sistema de reconhecimento:<br />
a certificação do corredor de<br />
BRT como Básico, Bronze, Prata ou<br />
Ouro que ajuda a inserir cada operação<br />
numa hierarquia de boas práticas<br />
internacionais. A pontuação máxima<br />
que um corredor pode obter é 100.<br />
As classificações Bronze, Prata e Ouro<br />
refletem corredores bem concebidos<br />
que alcançaram um nível de excelência.<br />
A classificação de BRT Básico significa<br />
que o corredor atende aos critérios<br />
mínimos para ser qualificado como BRT,<br />
o que é, por si só, uma conquista e deve<br />
ser reconhecido. Porém, por não ter<br />
atingido o mesmo nível de excelência<br />
dos sistemas classificados como Bronze,<br />
Prata ou Ouro, não recebe um certificado.<br />
Cidades com corredores de BRT<br />
certificados servem de referência, demonstrando<br />
um modelo de transporte<br />
público rápido e avançado que torna as<br />
comunidades mais habitáveis, competitivas<br />
e sustentáveis.<br />
Em Portugal, nos últimos anos temos<br />
assistido a uma proliferação de Projetos<br />
de BRT, entre a fase de projeto e de<br />
obra, estão planeados 225 quilómetros<br />
de percurso em BRT em 12 projetos<br />
distintos, num investimento de pelo<br />
menos, 1500 milhões de euros. Assim<br />
é importante que todos os envolvidos<br />
nestes projetos conheçam este Guia de<br />
Boas Práticas elaborado por especialistas<br />
da área que acompanham estas matérias<br />
há décadas, para que não se cometam<br />
Evolution of the Number of Cities per Year. Copyright © 2023 BRTDATA.ORG -<br />
Downloaded on 2023/12/06<br />
erros de arquitetura dos sistemas que<br />
impactem negativamente na operação e<br />
eficiência, ou seja, que nos permita ter<br />
em breve cidades com corredores de<br />
BRT certificados.<br />
O Sistema de Mobilidade do Mondego é<br />
o mais antigo e deverá entrar em operação<br />
no primeiro semestre de 2025, entre<br />
Coimbra e Serpins (Lousã), onde os<br />
veículos serão elétricos e circularão em<br />
faixa segregada, com um investimento<br />
que ronda os 111 M€. Já no Porto, a<br />
Metro do Porto e a Câmara Municipal<br />
do Porto decidiram optar pela ligação<br />
em BRT entre a Praça Mouzinho de<br />
Albuquerque e a Praça do Império, mas<br />
que padece de um erro estrutural dado<br />
que não cumpre o critério mínimo de<br />
3 km de faixa segregada de circulação<br />
exclusiva para autocarros, dado que na<br />
Avenida Marechal Gomes da Costa, o<br />
BRT vai circular numa via partilhada<br />
com o automóvel. Neste sistema os<br />
veículos serão movidos a hidrogénio e<br />
a operação ficará a cargo da STCP, com<br />
um investimento que ronda os 76M€.<br />
Estima-se que seja este sistema o primeiro<br />
a entrar em operação, em março<br />
de 2025.<br />
Em síntese, os sistemas BRT promovem<br />
inclusão social, sustentabilidade<br />
ambiental e desenvolvimento económico,<br />
proporcionando uma solução<br />
escalável e eficaz para os desafios da<br />
mobilidade urbana. A sua implementação<br />
a custos competitivos torna-o uma<br />
escolha estratégica para cidades que<br />
buscam modernizar as suas redes de<br />
transporte de forma acessível e eficiente.<br />
Com a introdução planeada para 2025,<br />
Portugal verá o início de uma nova era<br />
na mobilidade urbana, marcada pela<br />
integração de sistemas BRT no contexto<br />
nacional.<br />
O primeiro sistema<br />
foi implementado<br />
em Curitiba, Brasil,<br />
em 1974, embora em<br />
Runcorn, Inglaterra,<br />
em finais da década de<br />
1960 tenha surgido um<br />
sistema pioneiro na ideia<br />
de faixas dedicadas para<br />
autocarros<br />
BRT de Curitiba, Brasil. Padrão Ouro. Fonte: Wikimedia Commons<br />
36 e-MOBILIDADE
38 e-MOBILIDADE
MOBILIDADE<br />
Carregar o futuro:<br />
as estradas<br />
elétricas<br />
A revolução dos veículos elétricos deixou de ser<br />
uma tendência futura. É agora uma realidade bem<br />
presente, impulsionada pela urgência de reduzir as<br />
emissões de carbono e promover uma mobilidade<br />
sustentável. No entanto, a transição para esta nova<br />
era exige mais do que apenas o desenvolvimento<br />
de carros elétricos eficientes, sendo necessário um<br />
investimento em todo ecossistema, com destaque<br />
para os postos de carregamento.<br />
na promoção<br />
da mobilidade<br />
sustentável<br />
Estas infraestruturas, muitas<br />
vezes negligenciadas do<br />
ponto de vista mediático,<br />
são um fator chave para o<br />
sucesso desta transformação.<br />
Entre as inovações mais promissoras<br />
que têm surgido estão o carregamento<br />
ultrarrápido, e as estradas com carregamento<br />
indutivo, que podem redefinir<br />
completamente a forma como pensamos<br />
sobre o abastecimento de veículos<br />
elétricos.<br />
A expansão da rede de estações de carregamento<br />
rápido é um passo essencial.<br />
Atualmente, o baixo e limitado número<br />
de postos de recarregamento é uma das<br />
GUSTAVO MAGALHÃES<br />
Diretor na Beta-i<br />
principais barreiras para a adoção em<br />
massa dos carros elétricos. A falta de<br />
infraestrutura adequada gera "ansiedade<br />
de autonomia", uma preocupação que<br />
persiste na mente dos consumidores.<br />
Assim, um planeamento urbano adequado<br />
deve dar prioridade à instalação<br />
de carregadores rápidos em áreas<br />
estratégicas, como estradas, centros<br />
comerciais e zonas residenciais. É neste<br />
ponto que a parceria entre governos e<br />
empresas privadas é crucial, uma vez<br />
que apenas um esforço conjunto pode<br />
garantir uma rede de carregamento suficiente<br />
para atender à crescente procura.<br />
Além disso, os avanços tecnológicos,<br />
e-MOBILIDADE 39
MOBILIDADE<br />
Gustavo Magalhães<br />
como carregadores de alta potência,<br />
podem permitir a redução dos tempos<br />
de carga para poucos minutos, uma<br />
diferença competitiva relativamente aos<br />
veículos a combustão.<br />
Ainda assim, para que a transição para<br />
os veículos elétricos seja eficiente e tenha<br />
verdadeiramente impacto, é necessário<br />
ir além das estações tradicionais.<br />
O carregamento dinâmico nas estradas,<br />
através de sistemas de carregamento indutivo,<br />
oferece uma solução inovadora.<br />
Com esta tecnologia, os veículos podem<br />
recarregar as suas baterias enquanto<br />
estão em movimento, eliminando a necessidade<br />
de parar para abastecer. Embora<br />
ainda em fase experimental, como<br />
acontece na estrada 14 em Detroit, este<br />
conceito tem o potencial de transformar<br />
por completo a experiência da mobilidade<br />
elétrica. Para tal, é suficiente<br />
imaginar a possibilidade de ter estradas<br />
equipadas com sistemas que recarregam<br />
os carros em tempo real, que permitem<br />
viagens longas, sem interrupções.<br />
Contudo, os desafios técnicos, como a<br />
instalação dos componentes indutivos<br />
sob o asfalto, e a eficiência energética<br />
desta tecnologia ainda são fatores limitadores,<br />
mas os benefícios em termos de<br />
praticidade e redução de congestionamento<br />
são inegáveis.<br />
Outro aspeto fundamental é a padronização<br />
das tecnologias de carregamento.<br />
Para garantir que estas infraestruturas<br />
sejam eficientes, é obrigatório o<br />
estabelecimento de padrões, tanto para<br />
o carregamento por cabo como para<br />
o indutivo. A interoperabilidade entre<br />
veículos de diferentes fabricantes e sistemas<br />
de carregamento é essencial para<br />
criar uma rede inclusiva, que funcione<br />
de forma uniforme e em qualquer lugar.<br />
Sem essa padronização, arriscamos criar<br />
um cenário fragmentado, onde os condutores<br />
têm acesso a diferentes tipos de<br />
carregadores, complicando o processo e<br />
atrasando a adoção em massa.<br />
A procura pelas soluções elétricas,<br />
embora crescente, poderá não estar a<br />
ser tão explosiva como era expectável.<br />
No entanto, apesar de não ser constante,<br />
este deve continuar a ser o caminho,<br />
ficando claro que, para a transição<br />
elétrica da mobilidade, um dos pontos-<br />
-chave reside na infraestrutura de carregamento,<br />
seja ela em termos de estradas<br />
indutivas ou de carregamento ultrarrápido.<br />
Apenas com a criação de uma<br />
rede de carregamento que seja ampla,<br />
eficiente e padronizada, será possível<br />
superar as barreiras atuais e transformar<br />
o sonho da mobilidade sustentável<br />
numa realidade para todos.<br />
CARREGAMENTO<br />
INDUTIVO<br />
A instalação dos componentes<br />
indutivos sob o asfalto, e a eficiência<br />
energética desta tecnologia ainda são<br />
fatores limitadores, mas os benefícios<br />
em termos de praticidade e<br />
redução de congestionamento<br />
são inegáveis<br />
40 e-MOBILIDADE
TERRITÓRIOS SUSTENTÁVEIS<br />
Infraestruturas de transportes<br />
em transformação:<br />
o planeamento e inovação rumo à gestão<br />
de territórios mais sustentáveis<br />
O<br />
futuro das infraestruturas<br />
de transporte e dos<br />
territórios por elas servidos<br />
enfrenta desafios<br />
eminentemente globais<br />
e europeus. A crescente urbanização e<br />
a sua consequente transformação das<br />
dinâmicas de ocupação do território,<br />
as alterações climáticas e a necessidade<br />
de agir pela sustentabilidade do nosso<br />
planeta e da nossa sobrevivência estão a<br />
transformar os instrumentos de planeamento,<br />
construção, gestão, reutilização<br />
e desmantelamento de infraestruturas<br />
rodoviárias, ferroviárias, interfaces de<br />
transportes, portos ou aeroportos.<br />
Sendo a mobilidade e os transportes<br />
responsáveis por cerca de ¼ das<br />
emissões globais de Gases de Efeito<br />
FILIPE BEJA<br />
Engenheiro do Território pelo Instituto<br />
Superior Técnico<br />
42 e-MOBILIDADE
Estufa, é muito claro que existe uma<br />
larga margem de progressão para atingir<br />
os compromissos globais de neutralidade<br />
carbónica.<br />
Por outro lado, segundo a European<br />
Rail Infrastructure Managers (EIM),<br />
a Europa precisa de um investimento<br />
robusto para modernizar e expandir<br />
suas redes de transporte, mas, além<br />
disso, também a União Internacional<br />
dos Caminhos de Ferro (UIC) tem<br />
sucessivamente destacado a importância<br />
de uma gestão eficiente e sustentável<br />
para enfrentar o futuro destas transições<br />
económica, ambiental e social.<br />
O novo Regulamento da Rede Transeuropeia<br />
de Transportes (TEN-T) impõe<br />
obrigações para garantir a interoperabilidade<br />
e a eficiência das infraestruturas de<br />
transporte e, em Portugal, a recuperação<br />
gradual do investimento em rodovia e ferrovia<br />
é uma evidência. A EIM aponta que<br />
a modernização das infraestruturas ferroviárias<br />
melhora a conectividade e reduz as<br />
emissões de carbono, posição corroborada<br />
pela UIC que também enfatiza a necessidade<br />
de uma gestão de ativos orientada<br />
para o prolongamento da vida útil das<br />
infraestruturas e para a redução de custos<br />
ao longo do seu ciclo de vida.<br />
Portugal tem consolidado uma trajetória<br />
de crescimento no investimento das suas<br />
infraestruturas rodoferroviárias 1 . Em<br />
2023, a Infraestruturas de Portugal (IP)<br />
registou um investimento total de 621<br />
M€, representando um aumento de 31%<br />
em relação a 2022 e de mais de 813%<br />
face aos 68 M€ de 2016. Em 2023, 550<br />
M€ foram destinados à requalificação e<br />
modernização da Rede Ferroviária Nacional.<br />
Na rodovia, o investimento totalizou<br />
61 M€, um crescimento de 186% face ao<br />
ano anterior, impulsionado pelo Plano de<br />
Recuperação e Resiliência (PRR).<br />
A INOVAÇÃO AO SERVIÇO<br />
DE UM CAMINHO DE EFICIÊNCIA<br />
E SUSTENTABILIDADE<br />
Integrar critérios ambientais, sociais<br />
e de governança (ESG) na gestão das<br />
infraestruturas pode melhorar a sustentabilidade<br />
e a eficiência das organizações,<br />
reorientando processos estratégicos ou<br />
operacionais dos seus planos de atividades.<br />
Outro contributo direto desses<br />
Precisamos de aprender com as experiências do passado<br />
– boas e más – para evitar erros na tomada de decisão<br />
do presente e do futuro. Só faremos esse processo com<br />
eficácia coletiva, se atribuirmos a devida importância<br />
às nobres tarefas de análise de dados, avaliação de<br />
impactes e planeamento<br />
critérios é o potencial de atração de<br />
investimentos responsáveis, orientados<br />
para o cumprimento de obrigações de<br />
serviço público, desejavelmente “verdes”.<br />
Por outro lado, uma estratégia de gestão<br />
baseada no conhecimento, na análise<br />
de dados e na inovação – tanto processual,<br />
como tecnológica – são peças dum<br />
puzzle de uma profunda reflexão que<br />
as organizações estão paulatinamente a<br />
materializar, avaliando continuamente o<br />
respetivo alinhamento com os Objetivos<br />
de Desenvolvimento Sustentável (ODS)<br />
das Nações Unidas, ou com os objetivos<br />
estabelecidos pela Comissão Europeia,<br />
no Green Deal e na Estratégia para a<br />
Mobilidade Inteligente e Sustentável.<br />
Um país como Portugal, com algumas<br />
disparidades territoriais e sociais acentuadas,<br />
tem de acelerar instrumentos<br />
de política que permitam ambicionar<br />
uma gestão sustentável e eficiente das<br />
suas infraestruturas de transportes. O<br />
aumento de investimento na construção<br />
de infraestruturas é assinalável, mas<br />
temos de refletir sobre a proporção desse<br />
investimento relativamente a processos<br />
de inovação, digitalização, sensorização,<br />
estruturação de dados, automação, inteligência<br />
artificial, comando e controlo<br />
centralizado e apoio à decisão em real<br />
time. Só com esta reflexão poderemos<br />
dar saltos incrementais de eficiência nas<br />
organizações, nos seus planos de atividades<br />
e nos serviços que prestam.<br />
Sendo o ecossistema da inovação, por<br />
natureza, um espaço de discussão e<br />
reflexão permanente, as parcerias entre<br />
o setor público e privado, social ou<br />
cooperativo são bem-vindas, desde que<br />
devidamente estruturadas e orientadas<br />
para os princípios ESG e para a respetiva<br />
estratégia de eficiência coletiva.<br />
A gestão sustentável das infraestruturas<br />
de transporte é um desafio complexo<br />
que requer uma abordagem integrada e<br />
inovadora. Ao adotar práticas de gestão<br />
ESG, investir em tecnologia, promover a<br />
colaboração público-privada, fomentar a<br />
sustentabilidade e melhorar a gestão de<br />
ativos, podemos garantir um futuro mais<br />
eficiente e resiliente para as infraestruturas<br />
de transporte.<br />
O CAMINHO PARA MAIOR<br />
SUSTENTABILIDADE É UMA<br />
JORNADA CONTÍNUA<br />
Desta reflexão importa reter casos concretos<br />
que nos fazem perspetivar o futuro<br />
e que nos colocam um horizonte temporal<br />
de adaptação e de soluções. Não<br />
é por acaso que muitos e bons quadros<br />
técnicos trabalham em soluções societais,<br />
consolidando, por exemplo, instrumentos<br />
de profunda adaptação como: o<br />
Plano de Resiliência das Infraestruturas<br />
às Alterações Climáticas (PRIAC), a Alta<br />
Velocidade Ferroviária, o Regulamento<br />
do Parlamento Europeu relativo à<br />
Utilização da Capacidade da Infraestrutura<br />
Ferroviária, o Espaço Ferroviário<br />
Europeu Único ou a regulamentação dos<br />
Transportes Autónomos. Uma gestão<br />
mais sustentável das infraestruturas de<br />
transportes passará também pelo reconhecimento<br />
de um backlog europeu dessas<br />
infraestruturas, exigente em termos<br />
de recursos financeiros e, por isso, fator<br />
de pressão que condiciona opções de<br />
investimento para o futuro, mas que não<br />
devia limitar processos estratégicos para<br />
ganhos de eficiência como podem ser a<br />
eletrificação, o carregamento estático ou<br />
dinâmico de veículos, a produção mas<br />
também o armazenamento de energias<br />
renováveis ou até os processos de captura<br />
de carbono rumo a uma atividade<br />
económica negativa em carbono.<br />
Fonte: Relatórios de Contas IP: 2022: 466 M€<br />
Investimento total (sem PPP’s); 2021: 278 M€;<br />
2020: 205 M€; 2019: 157 M€; 2018: 107 M€;<br />
2017: 84 M€; 2016: 68 M€<br />
e-MOBILIDADE 43
OPINIÃO<br />
Plano ferroviá<br />
JOÃO REIS SIMÕES<br />
Engº Mecânico (IST - 1970)<br />
O<br />
Plano Ferroviário Nacional<br />
explicita, no ponto<br />
1.1 – Objetivos Gerais,<br />
na sua alínea 1, que um<br />
dos objetivos é “planear<br />
uma rede ferroviária para um horizonte<br />
de médio e longo prazo que permita ao<br />
caminho-de-ferro afirmar-se como um<br />
modo de transporte de elevada capacidade<br />
e sustentabilidade ambiental.<br />
Tal seria de esperar, pois tem sido<br />
esse pré-conceito que tem impedido o<br />
desenvolvimento global dos sistemas de<br />
transportes nacionais.<br />
No entanto, algures no ponto 1.1.2 –<br />
Avaliação e Condicionalidades (parágrafo<br />
6º, na página 8) é feita a seguinte<br />
afirmação que talvez contribua para<br />
a resolução do problema: “Apesar de<br />
estarmos perante um Plano Ferroviário,<br />
que reconhece que o transporte<br />
ferroviário tem o papel central na<br />
estruturação da mobilidade, à escala<br />
do território continental, não se devem<br />
excluir outras alternativas tecnológicas<br />
que nalguns casos particulares, se<br />
podem revelar mais adequadas. Isto poderá<br />
acontecer nalgumas ligações locais<br />
onde o nível de procura não justifica”,<br />
*Versão 0.2 de 2022.11.15<br />
44 e-MOBILIDADE
io nacional *<br />
ALTERNATIVAS<br />
Apesar de estarmos perante um<br />
Plano Ferroviário, que reconhece<br />
que o transporte ferroviário tem o<br />
papel central na estruturação da<br />
mobilidade, à escala do território<br />
continental, não devem<br />
excluir outras alternativas<br />
tecnológicas<br />
e-MOBILIDADE 45
OPINIÃO<br />
João Reis Simões<br />
sendo, ainda, afirmado, no parágrafo<br />
7º que “o transporte ferroviário nem<br />
sempre é a melhor solução para todas<br />
as situações”.<br />
Aqui chegados, isto é, sendo admitido<br />
que o modo ferroviário não é solução<br />
para satisfazer todo o tipo de procura,<br />
já podemos propor outros modos de<br />
transporte que poderão constituir uma<br />
solução e, assim, deverão ser considerados<br />
nas diversas fases de análise e,<br />
eventualmente,<br />
escolhidos para<br />
determinados<br />
casos.<br />
Uma dessas<br />
fases é a análise<br />
económico-financeira.<br />
O Gráfico<br />
1[ Transports<br />
collectifs Urbains<br />
et maîtrise<br />
de l’énergie; B.<br />
Jachimiak e C. Soulas; TEC nº 59 -<br />
AFME; França], que deve ser lido sem<br />
a preocupação de dar uma excessiva<br />
atenção aos valores absolutos da<br />
procura, por serem valores desatualizados<br />
no conjunto – a sua atualização<br />
deveria ser um objectivo permanente<br />
das Instituições Europeias – mas sim<br />
ao seu valor relativo, mostra que para<br />
cada modo existe uma faixa de procura<br />
para a qual ele é mais rentável do que<br />
qualquer outro.<br />
As faixas de sobreposição correspondem<br />
a valores da procura em que<br />
dois modos encontram rentabilidade,<br />
devendo a opção fazer-se em função da<br />
SOLUÇÃO ADEQUADA<br />
Sendo admitido que o modo ferroviário<br />
não é solução para satisfazer todo o tipo<br />
de procura, já podemos propor outros<br />
modos de transporte que poderão<br />
constituir uma solução e, assim, deverão<br />
ser considerados nas diversas fases de<br />
análise e, eventualmente, escolhidos para<br />
determinados casos<br />
evolução esperada para a procura no<br />
período da vida útil económica de cada<br />
modo.<br />
Refira-se que a vida útil económica de<br />
cada modo apenas considera os custos<br />
de investimento e de manutenção, mas,<br />
para esta análise, devem ser considerados<br />
os custos de energia de tração e os<br />
respectivos impactos ambientais.<br />
Em situações que não se refiram a áreas<br />
urbanas uma metodologia semelhante<br />
deve ser utilizada.<br />
Deve concluir-se,<br />
portanto que a<br />
variável a determinar,<br />
com precisão<br />
adequada e<br />
sem ambiguidades,<br />
é a procura.<br />
Não é admissível<br />
que, para um<br />
dado projecto,<br />
cada Operador<br />
(modo) concorrente, se apresente<br />
com um valor distinto da procura. A<br />
Autoridade de Transportes deve efetuar<br />
os convenientes estudos que<br />
lhe permitam estabelecer o<br />
valor da procura, que será<br />
explicitado no Programa do<br />
Concurso.<br />
Já em Março de 2005, a<br />
Real Academia Britânica de<br />
Engenharia editou o documento<br />
“Transportes 2050:<br />
a rota para a criação saudável<br />
e sustentável”[ March<br />
2005 – The Royal Academy<br />
of Engineering – Transport<br />
2005: the route to sustainable wealth<br />
creation.], onde explicita a seguinte<br />
consideração: “Nalgumas áreas urbanas<br />
os sistemas de metropolitano e carro<br />
eléctrico já disponibilizam serviços de<br />
elevada qualidade em corredores movimentados,<br />
e podem ser uma atrativa<br />
alternativa para os utilizadores de automóvel<br />
e autocarros convencionais. A<br />
experiência europeia demonstrou que<br />
eles também podem contribuir para a<br />
qualidade dos centros urbanos. Contudo,<br />
autocarros guiados de alta qualidade,<br />
circulando em canais parcialmente<br />
exclusivos, podem disponibilizar<br />
muitas das vantagens desses sistemas a<br />
partes mais amplas das áreas urbanas a<br />
custos mais baixos”.<br />
Apresento, em coerência, o modo<br />
autocarro guiado, que desde há muitos<br />
anos vem sendo utilizado em Essen<br />
(Alemanha), desde 1980, Adelaide<br />
(Austrália), desde 1986, e, mais recentemente,<br />
Cambridge (Reino Unido),<br />
desde 2011, e com a particularidade<br />
de utilizar um troço de linha férrea<br />
abandonada.<br />
Em 2007, quando assessorei os Presidentes<br />
das Câmaras de Portimão e de<br />
Lagos no domínio dos transportes, tive<br />
a oportunidade de acompanhar um<br />
estudo sobre a melhoria do sistema ferroviário<br />
do Algarve, tendo apresentado<br />
proposta para a reformulação do serviço<br />
e a alteração do modo de transporte<br />
para o realizar.<br />
Para o transporte interurbano entre<br />
Lagos e Tunes, no Algarve, de ligação à<br />
linha férrea de Faro a Lisboa, a opção<br />
pelo modo ferroviário atualmente<br />
existente, como se não houvesse alternativa,<br />
não foi devidamente discutida<br />
GRÁFICO 1 – MODOS DE TRANSPORTE URBANO<br />
46 e-MOBILIDADE
FIG. 1 – AUTOCARRO-GUIADO EM VIA DUPLA<br />
e analisada, apesar da minha proposta<br />
para a consideração do modo autocarro<br />
guiado, que integrava uma alteração<br />
do traçado para que, entre Figueira e<br />
Lagos servisse os aglomerados populacionais<br />
de Mexilhoeira, Odiáxere e<br />
Chinicato, por neles ser elevada a procura,<br />
e não pelo Bairro 1º de Maio, na<br />
Meia Praia, onde a procura é mínima.<br />
A linha ferroviária atualmente existente<br />
entre Lagos e Tunes apenas passa por<br />
uma povoação importante: Portimão.<br />
Longe do seu traçado ficam Albufeira,<br />
Alcantarilha, Armação de Pêra, Silves,<br />
Lagoa e Carvoeiro.<br />
O traçado centenário passou por onde<br />
foi possível, tendo em consideração<br />
a orografia da região. Apesar de ser<br />
considerado um modo estruturante,<br />
tal não ocorreu no Algarve – nenhum<br />
aglomerado urbano importante se<br />
desenvolveu junto das várias estações e<br />
apeadeiros existentes.<br />
Conclui-se, portanto, que o traçado<br />
não dá resposta à procura existente e<br />
as frequências também não, embora<br />
sejam atualmente a resposta da CP à<br />
redução da procura que resultou da<br />
melhor oferta proporcionada pelo<br />
autocarro e do aumento da taxa de<br />
motorização.<br />
Não ponho em causa a necessidade de<br />
uma ligação entre Lagos e Tunes que<br />
permita o acesso à população do Barlavento<br />
Algarvio a Lisboa, no entanto,<br />
é óbvio que tal procura não justifica o<br />
comboio.<br />
Sendo Portimão o centro empregador<br />
mais importante do Barlavento Algarvio,<br />
a comunidade urbana aí centrada,<br />
que inclui Lagos, Silves e Lagoa,<br />
tem de ser servida por um sistema de<br />
elevada frequência e que se aproxime<br />
do porta-a-porta que o automóvel faz,<br />
para que possa contribuir para evitar a<br />
sua utilização excessiva.<br />
A solução que preconizo, o autocarro-guiado,<br />
pode ser a instalada em<br />
muitas linhas ferroviárias abandonadas<br />
no País. Se fosse adotada no projecto<br />
do “Metro do Mondego”, como preconizei<br />
atempadamente, talvez permitisse<br />
a sua concretização com rentabilidade<br />
adequada, na ligação Coimbra-Lousã, e<br />
com acrescida segurança.<br />
A solução autocarro-guiado (Fig. 1<br />
a 4), utilizando o canal ferroviário<br />
existente, com as adaptações adequadas,<br />
permite que o autocarro saia do<br />
guiamento e, em via banalizada, possa<br />
servir povoações próximas do atual canal<br />
ferroviário. É o caso de Silves, que,<br />
pela pendente de acesso, só pode ser<br />
acessível por um modo rodoviário.<br />
A criação de uma linha de transporte<br />
colectivo em Lisboa, que utilize a 2ª<br />
circular, para estabelecer uma ligação<br />
de Algés à zona da EXPO, pode ser<br />
feita criando um canal no centro da<br />
via e utilizando autocarros-guiados<br />
pois assim será minimizada a ocupação<br />
do espaço existente, proposta que em<br />
tempo oportuno apresentei à Câmara<br />
Municipal de Lisboa.<br />
O comboio, que é um modo adequado<br />
para elevados valores da procura de<br />
passageiros, deveria ser organizado de<br />
modo a conseguir absorver uma parte<br />
substancial da procura de transporte<br />
de mercadorias, que atualmente é satisfeita<br />
pelo modo rodoviário.<br />
A questão do tempo de formação dos<br />
comboios, com elevada quantidade de<br />
vagões, é fundamental para combater<br />
a atual vantagem do camião, dado que<br />
neste caso apenas há uma operação de<br />
carga e outra de descarga, enquanto,<br />
para o modo ferroviário, será sempre<br />
necessário efetuar um transporte em<br />
camião entre o produtor e a estação<br />
ferroviária, e no final entre a estação<br />
ferroviária e o destino final, duplicando<br />
as operações de carga e descarga.<br />
O tipo de materiais a transportar por<br />
comboio deve ser aquele em que a demora<br />
associada à formação do comboio<br />
FIG. 2 – AUTOCARRO-GUIADO<br />
CIRCULANDO EM TÚNEL<br />
FIG. 3 E FIG. 4 – INFRA-ESTRUTURA PARA<br />
PERMITIR SAÍDA DO GUIAMENTO<br />
não coloca questões de depreciação da<br />
qualidade do produto: águas, produtos<br />
alimentares não perecíveis, materiais<br />
de construção e muitos outros.<br />
Em próximo artigo procurarei apresentar,<br />
com detalhe, as características da<br />
infra-estrutura e dos veículos.<br />
e-MOBILIDADE 47
este com 18,13 metros de comprimento.<br />
Com um diâmetro de viragem de apenas<br />
17,28 metros, o K sente-se em casa em<br />
linhas estreitas e angulares nos subúrbios<br />
e cascos urbanos antigas. Tem capacidade<br />
para 84 passageiros.<br />
O novo Setra MultiClass demonstra boa<br />
versatilidade, como já demonstrou o veículo<br />
de teste, com uma variante de dois<br />
eixos com equipamento de alta qualidade<br />
e entrada baixa. Com o logótipo da<br />
marca cromado no painel frontal preto<br />
brilhante emoldurado em prateado mate<br />
e os faróis pretos com lâmpadas total-<br />
MOBILIDADE AUTOCARRO<br />
Setra híbrido<br />
e eCitaro K<br />
novas apostas da Mercedes-Benz<br />
O Setra MultiClass S<br />
515 LE híbrido é um<br />
autocarro de entrada<br />
baixa para longas rotas<br />
interurbanas, enquanto<br />
o compacto elétrico<br />
reforça aptidão urbana<br />
Foi apresentado a título de<br />
veículo de teste, no IAA<br />
Transportation, em meados de<br />
setembro, em Hanover, mas já<br />
está apto a entrar em produção<br />
e é o primeiro autocarro com motorização<br />
híbrida da Mercedes-Benz. O Setra<br />
MultiClass 515 LE destina-se a serviço<br />
interurbano de duração prolongada. Já o<br />
eCitaro K, 100% elétrico, é uma versão<br />
compacta, com apenas 10,63 metros de<br />
comprimento, de típico transporte urbano,<br />
na linhagem do eCitaro, com 12,14<br />
metros de comprimento, e do eCitaro G,<br />
48 e-MOBILIDADE
mente LED, o rosto distinto da família<br />
Setra de próxima geração é reconhecível<br />
à distância.<br />
Os passageiros entram no veículo pela<br />
frente através de uma porta giratória para<br />
fora, de folha única, com 900 milímetros<br />
de largura e na traseira através de uma<br />
porta giratória para fora, esta de folha<br />
dupla, com 1380 milímetros de largura.<br />
No interior há acessórios “caseiros” e um<br />
piso com aparência de madeira, plataformas<br />
em ambos os lados e painéis de<br />
parede cobertos com feltro de agulha de<br />
granito, tudo para garantir que os passageiros<br />
se sintam confortáveis mesmo<br />
durante viagens mais longas.<br />
Uma rampa dobrável operada manualmente<br />
está disponível na entrada para<br />
passageiros com mobilidade reduzida.<br />
Na área de uso especial logo em frente,<br />
as cadeiras de rodas podem ser fixadas<br />
por meio de afastadores, que são embuti-<br />
dos nas plataformas.<br />
O equipamento de infoentretenimento<br />
inclui o sistema de áudio Bosch Smartradio<br />
com DAB+ e conexões media<br />
externa via USB, cartão mini SD ou<br />
conexão AUX. Os passageiros podem<br />
carregar os seus dispositivos móveis<br />
em tomadas USB duplas iluminadas na<br />
parede lateral de cada assento duplo. O<br />
conforto de longa distância pode ser opcionalmente<br />
melhorado com os assentos<br />
e-MOBILIDADE 49
Com um diâmetro de<br />
viragem de apenas 17,28<br />
metros, o K sente-se em<br />
casa em linhas estreitas e<br />
angulares nos subúrbios<br />
e cascos urbanos antigas.<br />
Tem capacidade para 84<br />
passageiros<br />
de autocarro Setra Route.<br />
O sistema de ar condicionado do veículo<br />
de teste também é de alta qualidade.<br />
O veículo de teste Setra S 515 LE está<br />
equipado com vários sistemas de segurança<br />
e assistência, alguns dos quais vão<br />
além do escopo exigido pelo Regulamento<br />
Geral de Segurança da UE para 2024.<br />
Por exemplo, o Assistente de Mudança<br />
de Direção 2 monitoriza não só o lado do<br />
passageiro dianteiro, mas também o lado<br />
do condutor. A velocidades superiores<br />
a 40 km/h, o Assistente de Mudança de<br />
Direção 2 também funciona como assistente<br />
de mudança de faixa. O Frontguard<br />
Assist monitoriza a área imediatamente<br />
à frente do veículo ao arrancar e conduzir<br />
lentamente e avisa sobre objetos<br />
parados ou em movimento. O Preventive<br />
Brake Assist 2, a próxima geração do<br />
primeiro assistente de travagem ativo<br />
para autocarros de serviço regular, pode<br />
reagir a objetos parados e em movimento,<br />
incluindo peões e ciclistas. O sistema<br />
de assistência usa sinais visuais e sonoros<br />
para alertar o motorista sobre possíveis<br />
colisões com objetos estacionários ou em<br />
movimento. Inicia automaticamente uma<br />
manobra de travagem parcial ao mesmo<br />
tempo. Outros sistemas de segurança e<br />
assistência a bordo do veículo de teste incluem<br />
o Assistente de Sinais de Trânsito,<br />
o Assistente de Atenção (AtAS), o sistema<br />
de monitoramento da pressão dos pneus<br />
(TPM), bem como o Assistente de Faixa<br />
(SPA) e o sensor de chuva/luz.<br />
O trem de força do veículo baseia-se no<br />
motor compacto e de baixas emissões<br />
OM 936 de seis cilindros em linha, agora<br />
com uma potência de 260 kW (354 cv).<br />
É acoplado à transmissão automática<br />
ZF Ecolife 2 com conversor de binário.<br />
Potente e económico, o Setra também<br />
reduz o consumo de combustível e as<br />
emissões, com um módulo de recuperação,<br />
um módulo híbrido e gestão<br />
inteligente de energia a bordo. Além<br />
disso, os motoristas do Setra MultiClass<br />
LE podem otimizar seu estilo de direção<br />
com a ajuda do sistema Driver Score.<br />
COMPACTO E ÁGIL<br />
A Daimler Buses está a expandir a gama<br />
de modelos Mercedes-Benz eCitaro e,<br />
com o eCitaro K, oferece agora uma<br />
versão curta do popular bus totalmente<br />
elétrico de piso baixo, mais ágil para<br />
enfrentar linhas estreitas e angulares nos<br />
subúrbios e cidades antigas. Diz a marca<br />
que também está apto a aventurar-se por<br />
outros percursos ao fim-de-semana, pois a<br />
capacidade de gerir a lotação (até 84 passageiros)<br />
permite-lhe tarefas de transporte<br />
a distâncias superiores, pois o seu raio de<br />
operação permanece grande – graças às<br />
baterias NMC altamente eficientes de última<br />
geração e à gestão térmica eficiente.<br />
Cinco baterias de alta tensão com uma<br />
capacidade de energia combinada de 491<br />
kWh, distribuídas pelo teto (três packs)<br />
e pela traseira (dois packs), garantem<br />
uma autonomia aproximada de 300<br />
km. O modelo de estreia está equipado<br />
com o novo sistema de câmera 360°,<br />
que fornece suporte significativo para<br />
os motoristas quando são necessárias<br />
manobras precisas. O Sideguard Assist<br />
2, o Frontguard Assist, o Tire Pressure<br />
Monitoring TPM, o Traffic Sign Assist e<br />
o Attention Assist são de série a bordo,<br />
como é o caso de todos os autocarros da<br />
Daimler Buses. Segurança e suporte para<br />
o motorista também significam o limite<br />
de velocidade comutável de 33 km/h e<br />
o Sistema de Alerta Acústico do Veículo.<br />
Uma porta da cabina do condutor com<br />
uma divisória em toda a largura da porta<br />
cria distância, filtro ativo com função<br />
antiviral e ar saudável a bordo.<br />
50 e-MOBILIDADE
52 e-MOBILIDADE
TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO<br />
A segurança cibernética<br />
na logística<br />
Phishing, ataques internos e malware<br />
são as principais ameaças<br />
As empresas de transporte e logística têm vindo a melhorar toda a sua operação através<br />
da digitalização dos seus processos de negócio, adotando mais e melhores ferramentas<br />
tecnológicas. E isso são boas notícias. A má notícia é que a digitalização expôs uma série de<br />
deficiências que tornaram essas empresas extremamente vulneráveis a ataques cibernéticos.<br />
Cada setor da indústria é<br />
afetado, desde o setor<br />
marítimo ao ferroviário e<br />
passando pelo rodoviário,<br />
quer entre expedidores<br />
e entre transportadores. O impacto é<br />
caro, perturbador para as operações, e<br />
tem o potencial de incorrer em responsabilidade<br />
criminal, especialmente<br />
quando os dados confidenciais de<br />
clientes são violados.<br />
Existem várias razões para o aumento<br />
do risco. Por um lado, a utilização<br />
mais abrangente de tecnologia que abre<br />
novas comunicações online conectadas<br />
diretamente aos ecossistemas digitais<br />
das empresas de transporte e logística,<br />
tornando-as num alvo fácil para os hackers.<br />
Adicionalmente, a indústria não<br />
apresenta o mesmo nível de avanços em<br />
termos de padrões cibernéticos. Aliás,<br />
FILIPE CARVALHO<br />
CEO Wide Scope<br />
existe uma lacuna grande na consciencialização<br />
para a segurança cibernética<br />
e mesmo talentos técnicos para uma<br />
defesa adequada.<br />
e-MOBILIDADE 53
TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO<br />
Filipe Carvalho<br />
OS TIPOS DE ATAQUES<br />
CIBERNÉTICOS MAIS COMUNS<br />
Não devemos tratar os ataques cibernéticos<br />
como uma categoria única. A<br />
probabilidade de ocorrência ampliou-<br />
-se no pós-pandemia, quando muitas<br />
empresas foram obrigadas a passar por<br />
um processo de transformação digital.<br />
Há diferentes abordagens e riscos que<br />
podemos considerar, especialmente:<br />
Phishing – É o tipo de ameaça que<br />
costuma ser enviada por email ou<br />
residir em websites falsos. Basicamente,<br />
uma pessoa clica num desses<br />
links, fornece informações sensíveis<br />
sobre a empresa e dá acesso a cibercriminosos<br />
que passam a poder atuar<br />
dentro do sistema. A maior falácia em<br />
que os gestores caem é pensarem que<br />
nenhum hacker estará interessado nos<br />
seus dados ou na sua empresa por ser<br />
demasiado pequena, desconhecida ou<br />
irrelevante. Não é assim que funciona.<br />
Os emails de phishing são enviados<br />
indiscriminadamente, e a atenção dos<br />
hackers é atraída para as empresas que<br />
“mordem o isco” quando os seus colaboradores<br />
clicam nos links maliciosos.<br />
Desengane-se se pensa que ainda assim<br />
um hacker não vai considerar a sua<br />
empresa relevante para um ataque uma<br />
vez que o processo de ataque é todo<br />
automático.<br />
Ataques internos – Colaboradores<br />
mal-intencionados ou até mesmo sem<br />
o conhecimento técnico adequado<br />
podem permitir o acesso a dados sensíveis,<br />
abrindo brechas para os ataques<br />
cibernéticos. Isto é frequente quando<br />
se partilham passwords entre várias<br />
pessoas da empresa, ou essas mesmas<br />
passwords e acessos não são alterados<br />
ou revogados quando as pessoas deixam<br />
a empresa.<br />
Malware – São softwares maliciosos<br />
que podem infectar um computador,<br />
causando dano ao sistema, roubando<br />
informações confidenciais ou abrir as<br />
portas para um acesso não autorizado.<br />
Um dos métodos mais comuns é o<br />
ransomware: que consiste no sequestro<br />
de dados empresariais, exigindo o<br />
pagamento de um resgate para devolvê-los.<br />
O foco dos criminosos ao obter dados<br />
sensíveis de empresas é impedir a<br />
Não devemos tratar os ataques cibernéticos como<br />
uma categoria única. A probabilidade de ocorrência<br />
ampliou-se no pós-pandemia, quando muitas<br />
empresas foram obrigadas a passar por um processo<br />
de transformação digital<br />
continuidade das suas operações, o<br />
que, em muitos casos, é um prejuízo<br />
financeiro e de reputação maior do que<br />
do próprio ataque cibernético.<br />
A INDÚSTRIA LOGÍSTICA É DAS<br />
MAIS APETECÍVEIS PARA OS<br />
HACKERS<br />
Raramente as empresas atacadas o<br />
revelam publicamente, mas já temos<br />
assistido a situações de ransomware em<br />
grandes empresas portuguesas. Empresas<br />
que perderam o acesso aos seus<br />
próprios servidores, às suas bases de<br />
dados, e que viram as suas operações<br />
serem fortemente atingidas durante<br />
meses até conseguirem restabelecer os<br />
seus sistemas.<br />
Mas apesar do ransomware ser o mais<br />
temido ataque, e também o mais popularizado,<br />
a indústria de transporte<br />
e logística sofre de outro ataque mais<br />
54 e-MOBILIDADE
grave e silencioso que é a venda dos<br />
seus dados na Dark Web.<br />
Uma empresa de segurança cibernética<br />
publicou um relatório1 avisando que<br />
“corretores de acesso a redes” vendem no<br />
submundo do crime cibernético, a dita<br />
Dark Web, credenciais e outras formas<br />
de acesso a redes de várias empresas de<br />
transporte e logística. Estes alvos operam<br />
na área do transporte aéreo, terrestre e<br />
marítimo em vários continentes, e são responsáveis<br />
pela movimentação de milhões<br />
de dólares em mercadorias em todo o<br />
mundo, de acordo com esta empresa.<br />
As empresas visadas podem não se<br />
aperceber que os seus sistemas estão a<br />
ser acedidos por piratas que extraem<br />
e vendem os dados na Dark Web. Os<br />
dados passam muitas vezes pela identificação<br />
dos clientes da empresa, quando<br />
colocam as suas encomendas, de que<br />
produtos e em que quantidades, e até<br />
quando são os dias em que pretendem<br />
receber as encomendas. Estas informações<br />
são extremamente valiosas para a<br />
sua concorrência e podem ser devastadoras<br />
a longo termo, sem que a empresa<br />
se aperceba que está a ser alvo de um<br />
ataque durante meses ou anos.<br />
BOAS PRÁTICAS DE PROTEÇÃO<br />
Então o que fazer para se proteger? Claramente<br />
que o recurso a especialistas é<br />
a melhor recomendação, especialmente<br />
para empresas de transporte e logística<br />
cuja vocação não é naturalmente a<br />
da tecnologia avançada de segurança<br />
informática.<br />
Mas o recurso a especialistas é sempre<br />
tido como algo dispendioso (mesmo<br />
que não o seja) e por isso as empresas<br />
acabam por confiar nos técnicos da<br />
casa. O que até pode ser suficiente, mas<br />
se for este o seu caso, aqui fica uma lista<br />
de iniciativas que pode verificar desde<br />
já se tem implementadas. E, caso não<br />
tenha, talvez seja um bom guia para começar<br />
a colocar questões internamente!<br />
Uma boa segurança informática deve assegurar<br />
os seguintes conceitos mínimos:<br />
» Estabelecer protocolos claros de acesso<br />
ao sistema, limitando o acesso que<br />
cada pessoa tem somente aos dados e<br />
sistemas essenciais ao seu trabalho. Se<br />
tem a impressão que todas as pessoas<br />
têm acesso ao mesmo nível de informação,<br />
e a mais informação do que é<br />
necessária estritamente para o desempenho<br />
das suas funções, desconfie dos<br />
protocolos de acesso aos sistemas.<br />
» Incluir camadas adicionais de segurança,<br />
como a autenticação de dois<br />
factores, ou seja, confirmar o acesso a<br />
um sistema com uma password, mas<br />
também por um código enviado para<br />
o telefone, por exemplo;<br />
» Adotar sistemas capazes de registar<br />
o histórico de acessos e as operações<br />
realizadas por cada indivíduo, o que<br />
vai permitir identificar a vulnerabilidade<br />
em caso de ocorrência, além<br />
de monitorizar as consultas massivas<br />
que cada um faz aos dados. Este<br />
conceito permite saber que houve<br />
uma fuga de dados e ser transparente<br />
com os terceiros envolvidos sobre a<br />
divulgação dos seus dados sensíveis<br />
antes que o saibam por outras vias e<br />
percam totalmente a confiança na sua<br />
organização;<br />
» Investir ao máximo em automação<br />
de operações, reduzindo o risco do<br />
fator humano, que são determinantes<br />
nos casos de phishing, malware e<br />
ransomware;<br />
» Realização de backups de dados<br />
de forma periódica e sistemática,<br />
evitando que a operação da empresa<br />
possa ser comprometida perante uma<br />
eventual ocorrência, e também que<br />
possa recuperar rapidamente e com<br />
pouco dano;<br />
» Criptografar os dados para que, em<br />
caso de ataque, os cibercriminosos<br />
não tenham acesso a informações<br />
sensíveis da empresa e dos seus<br />
clientes;<br />
» Investir em formação para reduzir o<br />
risco do “fator humano” relacionado<br />
com os ataques cibernéticos.<br />
Em resumo, as empresas de transporte<br />
e logística devem atribuir recursos adequados<br />
para se protegerem. E é preciso<br />
que vejam isso como um investimento.<br />
Proteger os dados do seu negócio e os<br />
dos seus clientes dever ser uma prioridade,<br />
sobretudo quando se consideram<br />
os riscos existentes com segurança<br />
cibernética na logística, que podem<br />
comprometer toda a sua operação por<br />
um tempo indeterminado.<br />
(1) https://cisomag.com/login-credentials-o-<br />
f-shipping-and-logistics-firms-being-traded-<br />
-on-dark-web/<br />
[...]“corretores de acesso a redes” vendem no<br />
submundo do crime cibernético, a dita Dark Web,<br />
credenciais e outras formas de acesso a redes de<br />
várias empresas de transporte e logística<br />
e-MOBILIDADE 55
NOME DE CÓD<br />
Desloca-se com<br />
mas é apenas u<br />
56 e-MOBILIDADE
IGO: KLV-20<br />
o um comboio,<br />
m Volkswagen<br />
e-MOBILIDADE 57
NOME DE CÓDIGO: KLV-20<br />
Autocarro ferroviário<br />
É o original Bulli, ou a carrinha Volkswagen T1 Combi original, mas<br />
sem volante, pois trata-se de uma versão construída para rodar sobre<br />
linha férrea. Está à guarda do departamento de veículos clássicos da<br />
Volkswagen Veículos Comerciais, que se orgulha de ter descoberto<br />
tal preciosidade. Trata-se de uma excelente ideia para uso ligeiro<br />
ferroviário de manutenção, seria mesmo genial se nos tempos que<br />
correm fosse adaptado para uma locomoção sem emissões.<br />
O<br />
Klv-20, nome de código<br />
atribuído ao veículo, datado<br />
de 1955, é descrito<br />
como um autocarro ferroviário.<br />
Os especialistas<br />
de Veículos Clássicos da Volkswagen Veículos<br />
Comerciais (VWNO) descobriram<br />
mais uma vez uma jóia histórica da marca.<br />
Após o espetacular Half-Track Fox,<br />
um Bulli convertido para uso off-road<br />
com quatro eixos e trilhos acionados<br />
por corrente na traseira, aquele departamento<br />
revelou agora o seu mais recente<br />
achado: o autocarro ferroviário Bulli de<br />
1955 – também conhecido como Klv-20,<br />
ou a T1 Combi, que realmente roda nos<br />
trilhos. E assim foi apresentado aos fãs<br />
da marca, em Hanover, em 2 de junho<br />
de 2024, que assinalou o Dia Internacional<br />
da Van VW.<br />
O processo de transformação está<br />
documentado: corria o ano era 1954<br />
quando a Deutsche Bundesbahn (Ferrovia<br />
Federal Alemã) foi confrontada com<br />
o desafio de adquirir novos veículos<br />
de serviço. Em vez de desenvolver um<br />
novo veículo do zero, combinaram o<br />
versátil Volkswagen Combi com um<br />
chassis ferroviário. Duas empresas<br />
foram contratadas para o construir, com<br />
um motor de combustão interna, que<br />
recebeu a designação Klv-20. No espaço<br />
de um ano, as empresas Martin Beilhack<br />
(Rosenheim) e Waggon-und Maschinenbau<br />
Donauwörth converteram,<br />
cada uma, 15 unidades para utilização<br />
ferroviária. O veículo agora na coleção<br />
VWNO foi fabricado pela Beilhack.<br />
Com o propósito de serem utilizados<br />
58 e-MOBILIDADE
EMISSÕES<br />
O motor é a gasolina,<br />
de quatro cilindros e<br />
quatro tempos e a caixa<br />
de velocidades é<br />
manual<br />
UM VIADUTO, SUBIDAS E DESCIDAS<br />
Este raro espécime teve seu primeiro passeio na pitoresca<br />
pista "draisine" em Lengenfeld unterm Stein.<br />
Tobias Twele, membro da equipa de veículos históricos<br />
da Volkswagen Veículos Comerciais, descreveu assim a<br />
jornada de colocar novamente nos trilhos o Bulli: “Uma<br />
experiência emocionante para a nossa equipa colocar<br />
o Klv-20 de volta em serviço. Foi uma emoção para<br />
todos quando atravessámos o viaduto de 24 metros de<br />
altura. No total, percorremos mais de 32 quilómetros<br />
na linha férrea nesta primeira viagem, cinco quilómetros<br />
dos quais através de túneis, e subimos desníveis de 154<br />
metros. Mais impressionante ainda foi ter percorrido<br />
inúmeras vezes o Viaduto Lengenfeld, com 244 metros<br />
de comprimento.”<br />
Há outros modelos, de outras marcas, igualmente históricos,<br />
que mereciam algum tipo de semelhante revivalismo.<br />
Tal como linhas férreas abandonadas, que poderiam<br />
voltar a ter atividade, que não meramente lúdica, mas<br />
de mobilidade para quem habita nas redondezas. É tudo<br />
uma questão de engenho e de imaginação.<br />
em depósitos ferroviários e de manutenção<br />
de sinais para efetuar inspeções<br />
e reparações, os Klv-20 permaneceram<br />
em serviço até à década de 1970. Hoje,<br />
restam apenas alguns desses veículos<br />
que ainda estão em boa ordem de marcha,<br />
como o Klv-20 da VWNO, que tem<br />
o número de veículo 20-5011.<br />
MOTOR ORIGINAL<br />
O Klv-20 é composto essencialmente<br />
por três componentes: a carroçaria de<br />
uma carrinha T1 Combi, um motor<br />
original Volkswagen de 21 kW/28 cv e<br />
um chassis com mecanismo hidráulico<br />
de elevação/viragem. Isso permitiu que o<br />
Klv-20 fosse levantado, virado e colocado<br />
de volta nos trilhos por uma pessoa.<br />
O motor é a gasolina, de quatro cilindros<br />
e quatro tempos. A caixa de velocidades<br />
é manual, montada diretamente no<br />
flange, com quatro relações para a frente<br />
e uma para trás. A potência é transmitida<br />
da caixa de velocidades para as rodas<br />
motrizes através de dois eixos oscilantes<br />
laterais com corpos articulares.<br />
A unidade de potência é montada em<br />
e-MOBILIDADE 59
NOME DE CÓDIGO: KLV-20<br />
Autocarro ferroviário<br />
ADMIRADORES<br />
Foi apresentado aos<br />
fãs da marca, em<br />
Hanover, em 2 de<br />
junho de 2024<br />
uma estrutura de chassis soldada em<br />
aço seccional forte.<br />
O Klv-20 da VWNO começou sua carreira<br />
no depósito ferroviário em Plattling/<br />
Baviera e mais tarde foi usado no depósito<br />
de manutenção de sinais e depois de<br />
retirado de serviço, na década de 1970,<br />
encontrou um novo lar na região do Palatinado,<br />
no sudoeste da Alemanha. Em<br />
1988, foi adquirida por um colecionador<br />
ferroviário no estado de Hesse. Até que<br />
foi descoberto pela VWNO.<br />
Com o propósito de serem utilizados em depósitos<br />
ferroviários e de manutenção de sinais para efetuar<br />
inspeções e reparações, os Klv-20 permaneceram em<br />
serviço até à década de 1970<br />
RUÍDO REDUZIDO<br />
As rodas são feitas de aço e têm um<br />
diâmetro de 550 mm. Os elementos<br />
de borracha são montados entre o aro<br />
da roda e o núcleo da roda de acordo<br />
com o sistema 'Bochumer Verein', o que<br />
resulta em um amortecimento muito<br />
eficaz do ruído do veículo. No entanto,<br />
os veículos também podem ser equipados<br />
com rodas regulares.<br />
Todas as quatro rodas têm gravões internos<br />
na sapata, que são ativados usando o<br />
pedal de travão por meio de um sistema<br />
hidráulico a óleo. Um par de rodas também<br />
pode ser travado mecanicamente<br />
usando a alavanca de mão bloqueável.<br />
O corpo é conectado ao quadro por<br />
elementos de borracha. Tem três bancos<br />
estofados: um no compartimento do<br />
condutor com dois lugares, dois no<br />
habitáculo com três lugares cada. Os<br />
dois bancos no habitáculo podem ser<br />
facilmente removidos para que o espaço<br />
possa ser utilizado para o transporte de<br />
mercadorias.<br />
60 e-MOBILIDADE