20.11.2024 Visualizações

Um-Plano-Irreversivel-Maria-Isabel-Mello

Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!

Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.

— Por que é que você sempre precisa fazer um show, Asher? — questiona, me fazendo

franzir a testa. Ok, agora aparentemente me engasgar e quase morrer significa fazer um show.

Ótimo. Podem me aplaudir! — Por que simplesmente não pode me parabenizar e dizer que está

feliz por mim, como alguém normal?

— Porque não é tão fácil assim — respondo no mesmo instante, minha voz saindo mais

áspera do que o planejado. Me encolho na cadeira, odiando essa conversa. Odiando cada maldito

segundo deste jantar, para ser mais exato. — Você poderia ter esperado mais um pouco. Sabe,

por respeito à minha mãe.

O imbatível Jared Hartford não diz nada. Ele apenas continua me encarando, sem deixar

que nenhum traço da sua expressão mude. Sem deixar que qualquer sinal de que ele é um ser

humano com outros sentimentos além de raiva, tédio e impaciência escape.

Travo a mandíbula, tentando me conter. Não sei ao certo se para não começar a chorar ou

xingar.

— Enfim, caso esteja se perguntando, contei para a sua irmã na semana passada. — Ele

pigarreia, endireitando a postura e levando uma das mãos até sua taça de vinho. E sei que esse é

o seu jeito estranho de tentar contornar as coisas e deixar a conversa mais leve. Desde quando

Alexa e eu éramos apenas crianças, nunca ouvimos um pedido de desculpas ou fomos instruídos

a manter a calma. Ao invés disso, Jared sempre pigarreava e continuava com a mesma frieza de

sempre, agindo como se nada tivesse acontecido. Exatamente como agora. — Sabe o que eu

digo. Um grande homem precisa de uma grande mulher para se manter grande.

Sinto meu peito borbulhar em raiva quando ele bebe o maldito vinho, como se não tivesse

dito a maior merda que já ouvi na vida.

Essa é uma frase clássica do meu pai. A escuto desde pequeno. Mas levando em conta

toda a situação atual, ela não se encaixa. Porra, ela está muito longe de se encaixar.

Minha mãe era a grande mulher da sua história. Sempre foi. E é sério que ele acha

mesmo que Daisy Killerton, sendo dezoito anos mais nova e tendo acabado de entrar na bosta do

caminho dele, pode mesmo ocupar o lugar dela?

Faz só seis meses desde que minha mãe morreu, cacete!

— Não sabia que você considerava as mulheres que conhece em clubes como grandes —

solto a frase mais machista de toda a minha vida, sem conseguir me conter.

E se fosse em outro contexto, eu com certeza me arrependeria de tê-la dito no mesmo

instante. Mas quando meu pai afasta a taça dos lábios e me fuzila com seus olhos em chamas,

repletos de raiva, tudo o que consigo sentir é felicidade por tê-lo tirado do sério.

— Eu não sou um largado como você, Asher! — solta ele, a voz grossa saindo mais alta

do que o costume, mas não alta o suficiente para atrair a atenção de todos para a nossa mesa. —

Daisy é uma mulher boa, de família boa. Mas você não deve saber o que é isso, levando em

consideração todas as pessoas que você anda...

Chacoalhando a cabeça, solto uma risadinha fraca, sem acreditar que estou ouvindo toda

essa merda.

— Você sabe muito bem que eu não sou um largado.

Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!