Um-Plano-Irreversivel-Maria-Isabel-Mello
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— Por que é que você sempre precisa fazer um show, Asher? — questiona, me fazendo
franzir a testa. Ok, agora aparentemente me engasgar e quase morrer significa fazer um show.
Ótimo. Podem me aplaudir! — Por que simplesmente não pode me parabenizar e dizer que está
feliz por mim, como alguém normal?
— Porque não é tão fácil assim — respondo no mesmo instante, minha voz saindo mais
áspera do que o planejado. Me encolho na cadeira, odiando essa conversa. Odiando cada maldito
segundo deste jantar, para ser mais exato. — Você poderia ter esperado mais um pouco. Sabe,
por respeito à minha mãe.
O imbatível Jared Hartford não diz nada. Ele apenas continua me encarando, sem deixar
que nenhum traço da sua expressão mude. Sem deixar que qualquer sinal de que ele é um ser
humano com outros sentimentos além de raiva, tédio e impaciência escape.
Travo a mandíbula, tentando me conter. Não sei ao certo se para não começar a chorar ou
xingar.
— Enfim, caso esteja se perguntando, contei para a sua irmã na semana passada. — Ele
pigarreia, endireitando a postura e levando uma das mãos até sua taça de vinho. E sei que esse é
o seu jeito estranho de tentar contornar as coisas e deixar a conversa mais leve. Desde quando
Alexa e eu éramos apenas crianças, nunca ouvimos um pedido de desculpas ou fomos instruídos
a manter a calma. Ao invés disso, Jared sempre pigarreava e continuava com a mesma frieza de
sempre, agindo como se nada tivesse acontecido. Exatamente como agora. — Sabe o que eu
digo. Um grande homem precisa de uma grande mulher para se manter grande.
Sinto meu peito borbulhar em raiva quando ele bebe o maldito vinho, como se não tivesse
dito a maior merda que já ouvi na vida.
Essa é uma frase clássica do meu pai. A escuto desde pequeno. Mas levando em conta
toda a situação atual, ela não se encaixa. Porra, ela está muito longe de se encaixar.
Minha mãe era a grande mulher da sua história. Sempre foi. E é sério que ele acha
mesmo que Daisy Killerton, sendo dezoito anos mais nova e tendo acabado de entrar na bosta do
caminho dele, pode mesmo ocupar o lugar dela?
Faz só seis meses desde que minha mãe morreu, cacete!
— Não sabia que você considerava as mulheres que conhece em clubes como grandes —
solto a frase mais machista de toda a minha vida, sem conseguir me conter.
E se fosse em outro contexto, eu com certeza me arrependeria de tê-la dito no mesmo
instante. Mas quando meu pai afasta a taça dos lábios e me fuzila com seus olhos em chamas,
repletos de raiva, tudo o que consigo sentir é felicidade por tê-lo tirado do sério.
— Eu não sou um largado como você, Asher! — solta ele, a voz grossa saindo mais alta
do que o costume, mas não alta o suficiente para atrair a atenção de todos para a nossa mesa. —
Daisy é uma mulher boa, de família boa. Mas você não deve saber o que é isso, levando em
consideração todas as pessoas que você anda...
Chacoalhando a cabeça, solto uma risadinha fraca, sem acreditar que estou ouvindo toda
essa merda.
— Você sabe muito bem que eu não sou um largado.