Um-Plano-Irreversivel-Maria-Isabel-Mello
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parede de armários.
E então conto tudo. Todos os mínimos detalhes. Desde quando me engasguei em meio ao
jantar com meu pai quando fiquei sabendo sobre o casamento, até suas últimas palavras naquela
noite, que carregavam o peso de todo o meu futuro. Digo que estou desesperado, perdido e
extremamente assustado. Revelo não duvidar dele, tendo certeza de que, se Jared decidir mesmo
me tirar do time, ele assim fará. Mesmo que tenha que mover mundos para isso. Mesmo que eu
passe meses, ou até mesmo anos, sem falar com ele. Porra, mesmo que eu já seja maior de idade
e dono do meu próprio nariz. Ele não está nem aí. Poderia facilmente inventar algo e acabar com
a minha história no time em questão de segundos.
Meu pai é capaz de tudo.
Os olhos dos meus melhores amigos vão se arregalando mais e mais à medida em que
conto a história. Choque toma suas expressões, e tenho certeza de que estão se perguntando
como é possível que um pai faça isso com um filho.
Mas esse é quem Jared é. Quem ele sempre foi.
Até o fim dos tempos, sempre serão as suas vontades que importarão.
E ele tem muitas delas para a minha vida. Muito mais do que para a da minha irmã.
— Cacete, eu sinto muito, cara — lamenta Seb, assim que chego ao fim da história.
— O que você está pensando em fazer a partir de agora? — questiona Joey. — Não
podemos te perder. Temos quase a temporada toda pela frente ainda.
Dou de ombros, voltando a tirar meus equipamentos.
— Não tenho escolha a não ser virar um fantoche — digo. — Se eu quiser continuar no
time, tenho que ser o filho que Jared quer. Caso contrário, sei que ele vai inventar alguma coisa
para me fazer perder o cargo de capitão e causar a minha expulsão.
— Você acha mesmo que seu pai seria capaz disso? — Seb questiona.
Ergo a cabeça, o encarando nos olhos. E sem sequer hesitar, concordo.
— Ele é capaz de muita coisa. — É a última coisa que digo antes de ir para a área dos
chuveiros e tomar a ducha mais gelada e rápida de toda a minha vida.
O caminho entre o nosso rinque e o prédio de direito, onde minhas aulas acontecem, não
é longo, mas se dependesse de mim, seria pelo menos umas cinco vezes mais curto.
Não sou do tipo de cara que se atrasa. Muito pelo contrário. Sempre fui meio chato com
horários, e depois que virei capitão passei a tratar a pontualidade ainda mais a sério. Por isso,
sinto uma inquietude gigantesca dominar meu corpo quando vejo, ainda ao longe, que terei que
parar em um semáforo fechado.
Geralmente tenho um longo intervalo entre o fim dos treinos e o começo das aulas, mas
hoje não. Graças ao treinador Mack e toda a sequência de tacadas que fomos obrigados a repetir