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Ugh! Asher é bonito na mesma medida em que é um babaca. O que é uma grande desfeita

para a sociedade.

Sabe, eu poderia escolher qualquer outro cara para ser o meu alvo. A Universidade de

Toronto está lotada de atletas babacas. Mas é a minha vaga no estágio que está em jogo. E se

quero mesmo que minha coluna fique boa de verdade, preciso escolher o pior. Samantha foi bem

clara em relação a isso.

E Asher Hartford é, sem dúvida nenhuma, o pior.

Nossa história de ódio começou no exato instante em que eu nasci. Nossas mães eram

melhores amigas e pensaram que seria legal se engravidassem na mesma época. Alexa e eu

nascemos com 3 semanas de diferença. Asher tinha 2 anos. Ele me mordia sempre que tinha a

chance, apenas para me fazer chorar. E todos pensavam que era apenas uma fase, já que ele não

passava de um bebê. Achavam que era por ciúmes, já que agora ele estava dividindo a atenção.

Afinal, é impossível que um bebê inofensivo tenha maldade no coração, certo?

Errado!

Asher sempre teve.

Quando eu tinha quatro anos, ele tinha seis. Nossos pais precisaram trabalhar nos Estados

Unidos e nos levaram com eles, levando também uma legião de babás. Estávamos em Santa

Monica, na Califórnia, brincando em um daqueles parquinhos sobre a areia da praia, quando

Asher pensou que seria engraçado me balançar alto o suficiente para me ver chorar. E depois que

eu já estivesse em prantos, ele julgou que seria ainda mais hilário me empurrar do balanço.

Resultado: me esgoelei ao ralar meus joelhos na areia, ele começou a rir sem parar, Alexa

me viu chorando e começou a chorar também, nossas babás se desesperaram e nunca mais

voltamos para Santa Monica.

Aos oito anos, em uma das várias vezes em que os Hartford foram jantar na casa dos

meus pais, Asher aproveitou que Alexa e eu estávamos brincando no quintal, completamente

distraídas, invadiu o meu quarto e arrancou a cabeça de todas as minhas bonecas caras que

falavam, comiam e faziam xixi. De todas mesmo. Sem exceção.

Nunca vi Aubrey, sua mãe, tão brava quanto naquela noite. Ela parecia um personagem

de desenho animado, quase como se pudesse soltar fumaça pelo nariz e ficar vermelha até sua

cabeça explodir de raiva.

Quando eu tinha dez anos, comecei a gostar de um menino na escola. O nome dele era

Thomas, foi coisa de criança e bem bobo, mas foi a primeira vez que experimentei a sensação de

ter meu coração batendo mais forte só de estar perto de alguém. Quando contei para Alexa,

Asher acabou escutando. E não demorou muito para que ele desse início a mais um dos seus

vários planos de destruir a minha vida, inventando para a escola toda que eu tinha um altar com

várias fotos do Thomas no meu guarda-roupa, que fazia orações para ele ser meu todas as noites

e dormia abraçada a um travesseiro com a cara dele.

Foi humilhante. E depois que Thomas ficou sabendo, nunca mais falou comigo.

A mesma coisa aconteceu durante toda a minha adolescência. Sempre que eu me

interessava e começava a conversar com algum garoto, Asher encontrava um jeito de estragar

tudo. Pelo puro prazer de me ver infeliz.

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