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Um-Plano-Irreversivel-Maria-Isabel-Mello

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por Hartford de verdade. Nem se os dinossauros voltassem, as árvores falassem e o céu virasse

chão.

N. U. N. C. A.

Sorrateiramente, me viro em direção a ele mais uma vez. E quando o encontro, seus olhos

já estão em mim, me encarando enquanto uma feição séria e pensativa demais toma seu rosto por

completo.

— Ah-há! — exclamo. — Agora é você que está me olhando!

Quando penso que Asher vai me xingar, revirar os olhos ou me dar mais uma das suas

respostas irritantes de sempre, sou surpreendida ao ver sangue. Ele xinga alto, sua expressão

transparecendo dor. E é só no momento em que ergue a mão, que me dou conta do que

aconteceu.

Há uma linha escarlate escorrendo do seu dedo, descendo por todo o seu braço, até

alcançar o cotovelo.

Asher se cortou. E não foi pouco.

— Cacete, calma — peço, me levantando às pressas.

Corro até a cozinha, agarrando o primeiro pano limpo que encontro. E então, agindo

completamente por impulso, fecho minha mão sobre o pulso de Asher, o trazendo para mim, e

pressiono o pano sobre o seu corte.

Me encarando, ele pisca repetidas vezes, como se tentasse entender o que está

acontecendo.

E de repente eu congelo, como se um balde de água fria tivesse caído sobre mim, meu

cérebro tentando processar a mesma coisa.

— Por que você está fazendo isso? — questiona Asher, igualmente estático.

— Fazendo o quê? — devolvo, apesar de saber muito bem o que caralhos estou fazendo.

Seus olhos piscam mais algumas vezes.

— Isso... Sabe, me ajudando e me tratando como um ser humano.

Separo os lábios, buscando responder, mas travo por completo. Nada sai. Até porque nem

eu sei a razão para eu ter corrido tanto para ajudá-lo. Não foi uma ação pensada propositalmente

para o meu plano de conquistá-lo. Pode ter sido um fruto do meu subconsciente, claro, mas...

acho que não. Acho que foi só bondade mesmo.

A dor toma seu rosto quando, sem querer, aumento a pressão do pano sobre o corte.

Asher faz uma careta, reclamando.

— Desculpa — peço, me dando conta do que fiz. Encaro o castanho dos seus olhos, e

eles me encaram de volta. — Não deve ser um corte muito profundo. Não foi dos mais leves

também, claro, mas deve parar de sangrar em breve.

Asher não diz nada, apenas assente.

Sinto quando uma tensão estranha passa a irradiar do seu corpo, seus olhos ainda

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