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Mala Direta
Básica
9912281412/2011-SE/SPM
Correcta Editora
NOVEMBRO | 2024
Nº 303 • ANO 29
IMPRESSO FECHADO
Pode ser aberto pela ECT
CONNECTING DOTS
Assistência à Reparação
Civil torna-se cobertura de
seguro de Responsabilidade
Akad Seguros incorpora nova
cobertura ao seu Programa de Seguro
para Prestadores de Serviços
INTERprotección inicia
operação no Brasil
com atendimento
personalizado para
clientes mexicanos
>> Saiba o que muda
com a aprovação do
novo Marco Legal dos
Seguros
>> Seguradoras apostam
na gamificação
para engajar
colaboradores,
corretores e clientes
>> Riscos cibernéticos
desafiam o mercado
de seguros
Évora Corretora de Seguros
>>
renova sua marca e expande operação
para seguros de benefícios
EDITORIAL
Tecnologia a serviço do
homem ou o homem a
serviço da tecnologia?
NOVEMBRO • 2024 • Nº 303 • ANO 29
EXPEDIENTE
Diretora de Redação:
Kelly Lubiato - MTB 25933
klubiato@revistaapolice.com.br
Esta é uma discussão que vai permear as conversas comerciais
e também as informais (é claro, se o contato direto
com o celular permitir que haja um tempo para conversas).
A Inteligência Artificial tem sido o centro das atenções, muito
por conta do seu impacto nas atividades de seguros e do quanto
ela pode ampliar a capacidade humana de realizar tarefas repetitivas.
Porém, não se engane: enquanto ela não tiver capacidade de
decisão, ela não substituirá o ser humano.
É justamente esta capacidade humana que torna algumas
empresas especiais. Em nossa capa, mostramos como a Akad Seguros
incorporou a assistência às vítimas de sinistros de danos oferecida
pela Connecting Dots. É sabido e comprovado que o atendimento
prestado às pessoas logo após a ocorrência do sinistro é
mais humano, é capaz de minimizar os prejuízos e ainda diminui os
litígios judiciais. Acima de tudo, é uma demonstração de empatia
com a dor do outro.
Nesta edição falamos sobre o novo Marco Legal dos Seguros,
que acaba de ser aprovado pelo Congresso Nacional e deve passar
pela sanção presidencial. Mais do que novas regras para os contratos
de seguro, o objetivo da nova lei é proteger o consumidor.
Ainda que existam arestas a serem aparadas, segundo a Susep a
Lei representa mais um avanço do mercado em favor da sociedade
como um todo.
Outro tema que debatemos em nossas páginas é gamificação
do setor de seguros. Seguradoras e corretores de seguros investem
em desafios para fidelizar seus clientes, oferecendo cashbacks e
outras recompensas. Muitas empresas também ‘apostam’ em jogos
para treinar seus colaboradores e engajá-los em suas políticas internas.
Em tempos de distanciamento promovido pela ‘cultura’ do
celular, promover desafios é uma forma de unir grupos dispersos.
Boa leitura!
Diretora de Negócios:
Graciane Pereira
graciane@revistaapolice.com.br
Colaborador:
André Felipe de Lima
Diagramação e Arte:
Enza Lofrano
Tiragem:
12.000 exemplares
Circulação:
Nacional
Periodicidade:
Mensal
Os artigos assinados são de
responsabilidade exclusiva de
seus autores, não representando,
necessariamente, a opinião desta revista.
Esta revista é uma
publicação independente
da Correcta Editora Ltda e
de público dirigido
CORRECTA EDITORA LTDA
Administração, Redação e Publicidade:
Rua Gaivota, 615 - sala 181
04522-031 - São Paulo/SP
CNPJ: 00689066/0001-30
Diretora de Redação
Mande suas dúvidas,
críticas e sugestões para
redacao@revistaapolice.com.br
CONTEÚDO
CAPA
A Assistência à Reparação
Civil da Connecting
Dots é incorporada ao
Programa de Seguros de
Prestadores de Serviços
da Akad Seguros como
cobertura para empresas
de todos os portes.
>> PÁG. 8
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ÍNDICE
05 Tecnologia
Artigo da Shift mostra como a Inteligência Artificial já
está revolucionando o mercado de seguros e mudando a
forma como as empresas atuam no setor.
06 Novidade
A corretora de seguros mexicana INTERprotección abre
escritório em São Paulo para atender seus clientes
globais.
21 Gente
Crawford amplia sua área GTS (Global Technical Services)
para padronizar e agilizar respostas aos clientes.
LEGISLAÇÃO
Marco Legal do Seguro
é aprovado na Câmara
dos Deputados, após
20 anos de tramitação.
Advogados contam
o que muda para o
mercado e quando ele
deve entrar em vigor.
>> PÁG. 12
22 Riscos Cibernéticos
A ameaça à segurança cibernética das empresas existe e
deve ser encarada de frente para coibir a ação dos ladrões
invisíveis.
27 Entrevista com o senador Esperidião Amim,
presidente da Subcomissão Permanente de Defesa
Cibernética do Senado, sobre a criação de um órgão para
coordenar a Defesa Cibernética Nacional.
30 Corretora
Évora Corretora de Seguros expande sua atuação para a
área de benefícios. Ela já é reconhecida no mercado pela
sua especialização no seguro de automóveis.
Eventos
GAMIFICAÇÃO
Seguradoras e
prestadores de serviços
apostam em jogos
motivacionais para
estimular colaboradores,
funcionários e corretores
a se engajarem em
missões especiais.
>> PÁG. 16
29 CQCS Insurtech & Inovação se consolida com a
realização de quase 50 paineis, com especialistas do
mundo inteiro e mais quase três mil espectadores.
32 CNseg, em parceria com a Associação Britânica de
Seguradoras, realiza o Brazil-UK Insurance Forum para
estimular a troca de informações e o investimento no
setor brasileiro.
34 A jornada da comunicação no mercado de seguros
é novamente destaque em evento promovido pela Freela.
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores, não representando, necessariamente, a opinião desta revista.
4
TECNOLOGIA
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
O papel da IA em seguros: do hype à prática
Dino Draghi
P owered by
Como a inteligência artificial (IA) promete
revolucionar quase todos os aspectos da
maneira como trabalhamos, a IA no setor
de seguros já está gerando resultados importantes
para as seguradoras.
É preciso melhorar da experiência do cliente,
que espera um atendimento de seguro rápido
e fácil, para que não leve seus negócios para outro
lugar. O processamento de sinistros com base em
IA oferece a velocidade necessária para atender os
clientes e, ao mesmo tempo, mitiga com eficácia as
fraudes e os riscos.
Equipe da Shift no Brasil
MELHORA DO ÍNDICE COMBINADO
Na análise de sinistros feita pela Shift foi indicado que as seguradoras
conseguem deter com sucesso um incremento de US$
60.000 para cada 1.000 sinistros analisados, usando a detecção de
fraudes em sinistros com IA. Embora esses ganhos individuais sejam
impactantes, uma solução abrangente de tecnologia de seguros
com IA pode ampliar esses resultados, melhorando o índice combinado
em até 6 pontos.
AUMENTO DA EFICIÊNCIA OPERACIONAL
O setor de seguros equilibra a necessidade de velocidade e
precisão, e a redução do número de talentos amplia o desafio de
manter a eficiência. A IA tem se mostrado valiosa nessa área, podendo
não apenas detectar, mas também explicar os motivos dos
alertas e das decisões.
PROCESSAMENTO DE SINISTROS E TOMADA DE DECISÕES
Sabemos que os segurados ficam insatisfeitos quando o processamento
de sinistros é demorado. As soluções de seguro baseadas
em IA criam uma experiência de sinistros rápida, justa e consistente,
minimizando perdas por sinistros. Além disso, os modelos
de IA podem processar documentos com mesma ou maior precisão
que a de um avaliador humano, liberando os melhores talentos
para trabalhar em tarefas importantes que impactam positivamente
a experiência do segurado.
DETECÇÃO DE FRAUDES EM SINISTROS
Com o custo da fraude em sinistros chegando a US$ 308 bilhões
por ano e representando entre 2-3% do índice combinado,
o uso da IA na detecção de fraudes é primordial para maximizar a
lucratividade. A análise pode detectar irregularidades, como fotos e
documentos adulterados ou reutilizados,
além de fatos ocorridos em momentos
distintos.
O FUTURO DA IA EM SEGUROS
Nos últimos anos, o uso da IA em
seguros possibilitou que as seguradoras
superassem alguns dos maiores desafios
do setor e, ao mesmo tempo, estabeleceram
novos padrões de eficiência e lucratividade.
Embora os riscos e desafios sejam
inerentes à adoção de qualquer nova tecnologia,
a recente pesquisa da Shift com
líderes de seguros constatou que 81%
dos entrevistados consideram a IA uma
parte importante de seu roteiro de inovação,
sinalizando que os possíveis benefícios
e custos de oportunidade superam
quaisquer riscos percebidos.
QUEM É A SHIFT TECHNOLOGY
A Shift Technology é uma empresa
fornecedora de soluções de IA para seguros
e planos de saúde, contando com a
parceria de mais de 115 clientes globais,
oferecendo um portfólio diverso, o qual
cobre desde a etapa de cotação até a liquidação
e renovação de apólices e contratos.
De origem francesa, a empresa já
está representada no Brasil desde 2018,
com seu escritório baseado em São Paulo,
contando com uma equipe de especialistas
com anos de vivência no mercado.
>> Para saber mais sobre a SHIFT, acesse o link: https://www.shift-technology.com/pt/
5
NOVIDADE
INTERPROTECCIÓN
Brasil abre as portas para corretora mexicana
INTERPROTECCIÓN CHEGA COM A PROPOSTA DE OFERECER SERVIÇOS PERSONALIZADOS AOS
CLIENTES MEXICANOS NO PAÍS
Santiago Casanueva
6
Aabertura do escritório brasileiro
da INTERprotección, em São
Paulo, é simbólica: ela marca a
expansão da maior corretora de seguros
da América Latina para atender clientes
mexicanos com operação no Brasil.
Essa expansão reforça o compromisso
em oferecer um atendimento próximo e
personalizado em um mercado tão promissor
como o brasileiro, continuando
seu crescimento junto com seus clientes.
De acordo com Santiago Casanueva,
Vice-presidente de Seguros e
Cauções da INTERprotección, a corretora
já possui negócios fora do México há
mais de 20 anos. “O Brasil é o terceiro
maior gerador de prêmios da empresa
e já atuávamos aqui através de parceiros
comerciais. Com a consolidação
global de alguns parceiros, decidimos
vir para cá atuar diretamente”, explica o
executivo.
Esta decisão aproxima a corretora do maior mercado de seguros
da América Latina em termos de prêmios, atuando de acordo
com as suas particularidades. “Queremos atender nossos clientes
das áreas de telecomunicações, alimentos, bebidas, que estão no
País e que desejam esta proximidade. A Gallagher é um parceiro
global da INTERprotección e, além disso, firmamos um acordo estratégico
com a Latin Re, para oferecer capacidade de resseguro para o
mercado brasileiro”, conta Casanueva.
Outro foco da parceria com a Latin Re é realizar a oferta de
produtos maduros no Brasil para clientes mexicanos. “Através desta
aliança vamos gerar conhecimento tanto para o mercado brasileiro
quanto para nós mesmos”, comemora o vice-presidente.
O Brasil é o mercado líder da América Latina, por isso a corretora
investiu em parcerias e conhecimento locais. O mercado de
seguros da América Latina é o que mais cresce no mundo, com um
valor estimado de 174 bilhões de dólares, e apresenta uma oportunidade
significativa para a INTERprotección e seus clientes, enquanto
a empresa se posiciona estrategicamente para capitalizar esse
A empresa oferecerá uma ampla gama
de serviços em suas diferentes linhas de
negócios: fianças, sinistros, linhas financeiras,
automóveis e benefícios”
Xavier León de la Barra, Vice-presidente de resseguros INTERprotección; Juan Ignacio
Casanueva, CEO e Presidente do Conselho INTERprotección e Santiago Casanueva, Vicepresidente
de Seguros e Cauções INTERprotección
crescimento. Nesse contexto, o Brasil se
consolidou como um destino-chave para
os investimentos mexicanos, oferecendo
um intenso ambiente para os negócios.
A nova sede da INTERprotección
está localizada na região da Faria Lima,
em São Paulo. A empresa oferecerá uma
ampla gama de serviços em suas diferentes
linhas de negócios: fianças, sinistros,
linhas financeiras, automóveis e benefícios.
Além disso, garantirá uma conexão
direta e eficiente com suas plataformas
eletrônicas para seguradoras e clientes,
garantindo respostas rápidas e eficientes
em todas as linhas de negócios.
Como parte de seu compromisso
com o país, a INTERprotección firmou
um acordo filantrópico com o Instituto
Ayrton Senna, reconhecido por seu trabalho
de melhorar a qualidade da educação
no Brasil e seu apoio a milhões de
crianças e jovens para que tenham acesso
a melhores oportunidades. Através
dessa parceria, a corretora reafirma sua
responsabilidade social ao promover
programas que fomentem o desenvolvimento
integral e fortaleçam o bem-estar
da sociedade, gerando um impacto positivo
nas comunidades.
7
CAPA
CONNECTING DOTS
Assistência à Reparação Civil torna-se mais
uma cobertura de seguro de Responsabilidade
AKAD SEGUROS INCORPORA NOVA COBERTURA DA CONNECTING DOTS AO SEU PROGRAMA DE
SEGUROS PARA PRESTADORES DE SERVIÇOS
OServiço de Assistência à Reparação
Civil comercializado pela
empresa Connecting Dots (CD)
diretamente com o cliente final, acaba
de ser incorporado ao Programa de Seguros
para Prestadores de Serviços da
Akad Seguros, como mais uma cobertura.
Com uma equipe formada por advogados,
engenheiros, assistentes sociais e
negociadores, acionada em caso de acidentes
com terceiros, este trabalho gera
economia financeira para as empresas
que o contratam e, também, promove a
queda dos litígios judiciais.
Frederico Geraldo, CEO da Connecting
Dots, comemorou o feito lembrando
que quando fazia a apresentação dos serviços da sua empresa,
poucas seguradoras viam oportunidade de inovar: “Tudo o
que a CD almejava era encontrar uma seguradora que entendesse
e vislumbrasse as vantagens de um serviço como este, que é pró-
-cliente, pró-mercado e pró-seguro, inclusive, totalmente aderente
ao novo ordenamento jurídico que surgiu com a nova Lei de
Seguros”, enfatiza.
"Criamos uma camada adicional de proteção colocada à disposição,
pela Akad, às grandes empresas que trabalham com diversos
prestadores de serviços. Estipulantes e segurados passam a
contar com o apoio da seguradora no momento de um incidente
envolvendo terceiros", destaca Frederico.
O Serviço de Assistência à Reparação Civil prestado pela
Connecting Dots funciona também como um hedge de risco,
ajudando a mitigar a ocorrência de abertura de processos de sinistros.
8
Criamos uma camada adicional de
proteção colocada à disposição,
pela Akad, às grandes empresas
que trabalham com diversos
prestadores de serviços.
Estipulantes e segurados passam a
contar com o apoio da seguradora
no momento de um incidente
envolvendo terceiros”
FREDERICO GERALDO
a Connecting Dots (CD) introduziu essa
inovação no mercado com a qual tem a
expectativa de inverter essa lógica por
meio do pioneirismo da Akad.
Caroline Santos, Head de RC da Akad Seguros, que atua há
24 anos no mercado de seguros em diferentes campos, como em
seguradoras, resseguradora, corretora de seguros, de resseguros e
também como gerente de riscos de um grande conglomerado, foi
quem enxergou essa oportunidade de parceria entre as empresas.
“O Programa de Seguros para Prestadores de Serviços é um
negócio novo no Brasil, lançado em setembro de 2024, que vem agregar
serviços para um público com reais necessidades”, comemora a
executiva. O Programa já existia, mas faltava ‘a cereja do bolo’. “Este
produto será o carro-chefe da Akad para 2025", afirma a Carol.
O acordo entre a CD e a Akad aconteceu de forma muito rápida.
Desde a apresentação do serviço até a sua inclusão no Programa
não demorou mais do que dois meses.
Com a sinalização da Akad sobre o interesse na parceria,
Caroline e Frederico promoveram um roadshow com os principais
corretores do mercado, que apoiaram integralmente a iniciativa,
ratificaram a relevância do novo produto e ajudaram a formatar o
modelo final que hoje integra esse programa da seguradora.
Historicamente, lembra Frederico, o seguro de Responsabilidade
Civil tem sido encarado como um seguro de “condenação civil”,
cuja responsabilidade é normalmente apurada em juízo, o que
pode acontecer anos após a ocorrência. Partindo dessa premissa,
CARACTERÍSTICAS E INOVAÇÃO
O Programa de Seguros para Prestadores
de Serviços nasceu como uma
evolução do OCIP (Owner-Controlled Insurance
Program), um produto elaborado
nos Estados Unidos, que acolhe todos os
contratados e subcontratados que prestam
serviço para o contratante, sendo
ele o estipulante do seguro, sem perder a
condição de terceiro reclamante.
“Estamos fazendo algo bastante
diferente, que entrega muitas coberturas
e benefícios. Ele nasce na Responsabilidade
Civil Geral, porque é a sua maior exposição
de risco, mas irradia para outras
linhas de negócios. Com o entendimento
que possuímos hoje do que é a dor do
cliente e tudo que um programa de seguros
pode proporcionar, comercializamos
o Programa para riscos de engenharia,
E&O e garantia, além da responsabilidade
civil”, explica Carol.
“Não basta dizer ao mercado que
é um produto novo. Mais do que isso, ele
é inovador”, comemora Frederico. Carol
conta que no processo de elaboração do
Programa de Seguros para Prestadores
de Serviços, ela identificou que várias
coberturas existentes no clausulado de
Responsabilidade Civil Geral não eram
9
CAPA
CONNECTING DOTS
“Nós começamos a pensar em
produtos, sendo ágil e digital,
mas sem perder o lado humano.
Queremos soluções nas quais
possamos agregar estes valores
CAROLINE SANTOS
comercializadas. “O primeiro ponto foi inserir
mais coberturas do que o mercado
tradicional vendia”, explica.
Uma dessas coberturas é a despesa
de contenção de sinistro, utilizada
para dar apoio ao segurado. Caso ele
identifique um risco potencial, é possível
receber um valor para que o sinistro
não aconteça. Por exemplo, o segurado
verifica que seu muro pode cair para
o terreno ao lado, que é de uma concessionária
de veículos. Antes que o
muro caia, a seguradora vai dar apoio.
“Se este muro cair, existe toda uma burocracia
para o pagamento do sinistro,
como a documentação a ser entregue,
perícia para apuração do dano, toda a
regulação em si. A vinda do Fred é para
dar o atendimento à vítima no momento
mais desafiador, que é o do sinistro”,
aponta Carol.
Ao contratar uma empresa para
proporcionar este conforto ao cliente,
que oferece assistentes sociais para
realizar uma primeira visita, que disponibiliza
psicólogos para dar apoio à
perda etc., quando chegar o momento
da indenização as coisas acontecem de
forma mais fluída, rápida, com maior
possibilidade de acordos, que muitas
vezes nem precisam chegar aos processos
de fato.
A intenção da seguradora é encurtar
a cauda do sinistro de responsabilidade
civil geral, porque é possível
oferecer soluções mais rápidas e mais
empáticas, sem expectativas de que
o reclamante venha com ‘sangue nos
olhos’, porque no momento do sinistro
ele recebeu apoio.
Para a Akad Seguros, priorizar o ser humano é um dos valores
da cultura da seguradora. “Nós começamos a pensar em produtos,
sendo ágil e digital, mas sem perder o lado humano. Queremos soluções
nas quais possamos agregar estes valores”, ratifica Carol.
PRODUTO EM CRESCIMENTO
A expectativa da seguradora é que este produto cresça bastante
na carteira da Akad Seguros. Para se ter uma ideia, o Brasil é o
quarto país no mundo com mais sinistros envolvendo prestadores
de serviços. Como um país emergente, há muitos novos empreendedores
a cada dia. A publicação Empreendedorismo no Brasil
2023, editada pelo Sebrae (Serviço de Apoio à Micro e Pequena
Empresa), mostra que em 2020, cerca de 49,6% das atividades
empreendedoras no Brasil surgiram por necessidade, refletindo o
cenário de crise. Contudo, a recuperação já é visível, com 61,4%
dos novos empreendimentos em 2023 sendo fruto de oportunidades
de mercado. A expectativa para os próximos anos é que esse
número continue a crescer, podendo chegar a 70%, impulsionado
pela retomada econômica, a queda do desemprego e o controle
da inflação.
O crescimento deste número pode se refletir na quantidade
de prestadores de serviços que atendem diversos segmentos.
10
“O maior sinistro da América Latina nos últimos 10 anos aconteceu
no Brasil. Ele é midiático, foi o sinistro no Porto de Santos,
que queimou por quase uma semana por conta de uma operação
realizada por um prestador de serviços", lembra Caroline Santos,
que na época atuava como corretora de seguros conhecedora da
colocação do seguro do contratante, que esgotou sua apólice e,
mesmo assim, sem a cobertura suficiente para fazer o pagamento
total do sinistro.
Os grandes grupos econômicos, para aceitarem empresas
menores como prestadores de serviços, muitas vezes, realizam processos
de análise de capacidade econômica e técnica dessas empresas.
“Uma das exigências destes grupos econômicos é a apresentação
de apólices de Responsabilidade Civil. O problema é que o
prestador pode ser uma empresa super capacitada ou um empreendedor
Eireli. Os dois são prestadores de serviços, um podendo ter
um contrato de R$ 2 milhões e o outro de R$ 5 mil por mês. O problema
é que a dimensão do contrato celebrado para prestação de
serviços não tem relação diretamente proporcional com o tamanho
do estrago que ele pode causar”, explica Fred.
Vale ressaltar que quando se fala sobre seguro de Property
é possível estipular exatamente o valor de um bem. Mas quando se
trata de produtos de responsabilidade, é possível ter um contrato
de R$ 50 mil e a exposição a danos ultrapassar R$ 10 milhões, porque
um sinistro de incêndio pode afetar todo o entorno e envolver
um hospital, uma fábrica ou uma creche, por exemplo, causando
perdas e grandes transtornos.
Os pequenos prestadores, para contratar o seguro, têm dificuldades,
porque o seu faturamento não é suficiente para bancar o
valor da cobertura necessária para prestar o serviço. O que a Akad
fez foi elaborar um grande guarda-chuvas de limite, onde é possível
colocar todos os seus prestadores. “O objetivo da Akad é que todas
as empresas que utilizam terceiros tenham a oportunidade de
contratar uma apólice de seguros. Uma grande rede de shopping
center, por exemplo, já possui uma apólice de seguros, porém as coberturas
podem estar muito aquém da necessidade pela exposição
de riscos”, esclarece Caroline.
Na apólice do prestador de serviços também é comum que ela
já tenha sido usada em outro sinistro. “Ele tem uma apólice amparando
toda a sua operação no Brasil. Quando eu peço para acessar aquela
apólice para um sinistro que eu sofri, este seguro não existe mais.
Nós fazemos a ligação entre o estipulante e todos os seus prestadores
de serviços, que entram na mesma apólice e compartilham do limite.
Isso traz segurança para todos os envolvidos: tanto para o prestador,
que se causar sinistro (mesmo com valores que superem, em muito o
seu faturamento) garante a continuidade para o seu negócio, quanto
para o estipulante, que não precisa acionar a sua apólice, que prevê
franquias muito altas”, explica a executiva da seguradora.
Para se ter uma ideia, o estipulante consegue oferecer limites
mais altos para os seus prestadores de serviços. Normalmente, um
prestador de serviços consegue contratar uma apólice, em média,
com importância segurada entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão. A Akad
consegue oferecer para um estipulante maior uma cobertura de
até R$ 50 milhões, com mais coberturas capazes de amparar toda a
gama de riscos. A contratação desta apólice
é anual, que ampara todos os prestadores
de serviços.
Na contratação é analisada a razão
social, o CNPJ, número de contrato do
prestador, número de prestadores envolvidos
nessa operação, valor do contrato e
um breve descritivo do tipo de atividade
que ele irá fazer. Com estas informações,
será feito o processo de subscrição e precificação
na companhia. “O produto pode
incluir desde a pessoa que vai cuidar de
um ar-condicionado ou um serviço de
limpeza até a pessoa que virá do exterior
para montar um maquinário. A intenção
é que o estipulante consiga colocar um
grande número de prestadores na mesma
apólice, para diminuir os custos para
os prestadores e o seu limite de contratação”,
considera Carol, ressaltando que
os prestadores incluídos na apólice, normalmente,
já passaram pelo crivo do estipulante
para fazer parte de seu hall de
prestadores. São profissionais que já atuam
no mercado, com histórico de sinistro
controlado ou inexistente.
O público-alvo deste produto são
grandes corporações, desde indústrias
pesadas, concessões de transmissão,
geração e comercialização de energia
(principalmente renováveis), shopping
centers, hospitais, rede de hotéis, aeroportos
etc.
Do ponto de vista de vantagens,
Fred pontua que o estipulante ganha
uma gestão muito maior do risco, porque
ele consegue ter controle sobre os
limites utilizados, sobre os pagamentos
dos prêmios, ou seja, este programa traz
ao estipulante a gestão efetiva do Risco
de Responsabilidade Civil e a compreensão
de que esse risco, uma vez materializando-se,
será acompanhado pela
seguradora. “Do ponto de vista de risco
do prestador, a vantagem está na facilidade
de contratação, porque o fornecedor
passa a ter possibilidade de trabalhar
com um grande grupo econômico.
Porque as grandes empresas exigem um
limite alto, mesmo dos pequenos empreendedores.
É uma chance de crescer
e trabalhar com os ‘grandes’”, completa
Fred, da Connecting Dots.
11
LEGISLAÇÃO
MARCO LEGAL DE SEGUROS
O
dia 5 de novembro deste ano
entrou para a história do seguro
com a aprovação, na Câmara dos
Deputados, do projeto de lei (PL 2.597,
de 2024), conhecido como o novo marco
legal de seguros. A história é, contudo,
longa, com duas décadas de uma discussão
que parecia interminável. O PL foi
apresentado no já remoto ano de 2004
pelo então deputado federal José Eduardo
Cardozo (PT-SP) e somente aprovado
pela Câmara em 2017, em uma tentativa
inicial de reformulação do setor. Levada
ao Senado, a proposta de Cardozo sofreu
alterações sendo, enfim, aprovada em
junho deste ano até retornar à Câmara,
onde foi sacramentado o novo marco
do seguro. Falta, entretanto, a seção presidencial.
O presidente Lula ainda não o
assinou para torná-lo lei.
Muitas indagações vêm sendo
feitas pelo mercado e, sobretudo, seus
especialistas. Uma delas é acerca das circunstâncias
que fizeram o Brasil demorar
tanto para criar seu marco legal de seguros
depois de, por exemplo, países latino-americanos
com mercados menores,
como México e Argentina.
No Brasil, o idealizador das linhas
que desenham o marco do seguro é o
advogado Ernesto Tzirulnik, que preside
o Instituto Brasileiro de Direito do Seguro
(IBDS) e redigiu a proposta antes mesmo
de que se tornasse um projeto de lei em
Enfim, novas regras
APÓS DUAS DÉCADAS DE INTENSOS DEBATES E DE
IDAS E VINDAS, ENFIM FOI APROVADO NA CÂMARA DOS
DEPUTADOS O PROJETO DE LEI 2597/24, CONHECIDO
COMO “MARCO LEGAL DOS SEGUROS”, QUE AGORA
AGUARDA SANÇÃO PRESIDENCIAL PARA QUE COMECE
A SER APLICADO AO MERCADO. APÓLICE CONVERSOU
COM ALGUNS ESPECIALISTAS, DENTRE ELES ERNESTO
TZIRULNIK, O IDEALIZADOR DO TEXTO E CONSIDERADO O
“PAI” DO MARCO LEGAL DO SETOR
André Felipe de Lima
2004. Ele explica que, até o final dos anos de 1980, o mercado tinha
uma vida própria, independentemente do seu regime jurídico.
Segundo Tzirulnik, isso ao mesmo tempo foi um problema porque,
quando se desmantelou o regime de monopólio do Instituto de Resseguros
do Brasil (IRB), em 2007, com a sanção da Lei Complementar
126/2007. Não existia no Brasil uma cultura jurídica securitária desenvolvida.
A lei, portanto, como explica Tzirulnik, abriu o mercado
sem trazer qualquer amparo para as relações contratuais securitárias.
“O que certamente seria diferente caso tivéssemos passado pela
discussão de uma lei especial de contrato de seguro, porque esses
processos legislativos relevantes formam a consciência jurídica dos
operadores do direito de uma maneira muito acentuada. O nosso
conhecimento de direito do consumidor se deve muito ao processo
de discussão do Código de Defesa do Consumidor, o direito societário,
a discussão da Lei das S.A.s, e assim por diante. Se o Brasil tivesse
tido esse momento, ele teria antecipado, talvez, a sua cultura jurídica
securitária”, assegura o “pai do marco do seguro”, como Tzirulnik é
merecidamente reconhecido pelo mercado.
Em 2004, quando a Câmara “abraçou” a minuta embrionária
do “marco”, o projeto recebeu apoio até mesmo de um ressegurador
estrangeiro. “Entretanto, com o passar do tempo, houve uma espécie
de reação da própria classe dos advogados dedicados ao direito
do seguro, que começaram a ‘demonizar’ o projeto. E o projeto mexia,
sem sombra de dúvida, em interesses das seguradoras. O projeto
privilegiava a defesa dos interesses das empresas contratantes
de seguro, seguradas, e dos consumidores de seguro”, diz Tzirulnik.
O presidente do IBDS recorda que a partir da proposta tentava-se
fazer uma mediação bastante cuidadosa daquele momento
pelo qual o mercado iria passar a qualquer instante, ou seja, uma
abertura sem regras.
“Houve uma reação concentrada. Primeiro, na comissão jurídica
da então Fenaseg, e depois a CNSeg e a Fenacor se posicionaram
frontalmente contra o projeto, que teve de tramitar com esse enfrentamento
de interesses poderosos, que eram das seguradoras e dos
12
ERNESTO TZIRULNIK,
do IBDS
corretores. Mas os interesses que dominaram a reação ao projeto são
os interesses das seguradoras e corretores. A Susep [Superintendência
de Seguros Privados] fez um parecer inicial que concluía favoravelmente.
Para se ter uma ideia, aparece depois um parecer da Susep
que tem o mesmo conteúdo, só muda a conclusão.”
Coordenador dos cursos de direito do seguro e resseguro da
FGV Direito Rio, Ilan Goldberg é enfático em relação à extensa discussão
em torno do marco do seguro em Brasília: “São questões políticas,
não jurídicas. É difícil prever como será a tramitação de um
projeto de lei no Congresso. As pautas mudam conforme forem os
interesses dos políticos. Muda o governo, pode mudar a pauta, o
que, em alguma medida, explica a tramitação do PL dos contratos de
seguros por cerca de 20 anos.”
Goldberg diz haver uma “certa confusão” conceitual quando
se fala em criação, agora, de um marco legal do seguro. O que se
criou agora, reforça ele, foi uma lei específica que trata dos contratos
de seguros no Brasil. “Por marco legal pode-se pensar em todo o
ambiente legislativo próprio à operação de seguros, o que, no Brasil,
existe há muito tempo”, argumenta o especialista, referindo-se ao
Decreto-lei 73, de 1966 e à própria Lei Complementar 126, de 2007,
do resseguro. Até então, o Código Civil (artigos 757-802) prevalecia
para os contratos de seguros. “A criação foi de uma lei específica que
trata dos contratos de seguros, temática até então prevista no Código
Civil. Acrescento que essa longa tramitação por 20 anos motivou
a aprovação da lei num contexto social-econômico-jurídico bem diferente
do original, em 2004. O influxo das novas tecnologias — insurtechs,
open insurance, novas formas de distribuição de seguros
etc. — não foi acompanhado pela nova lei”, complementa o professor
da FGV Direito Rio.
Advogada do escritório TozziniFreire São Paulo, Bárbara Bassani
atua com ampla experiência nas áreas de seguros e resseguros.
Para ela, é difícil prever quais verdadeiramente serão os desdobramentos
do novo marco do seguro, na medida em que não há um
estudo de impacto econômico acerca das principais disposições da
nova Lei. “Ninguém sabe, ao certo, os benefícios reais aos segurados,
visto que é muito provável que, com o passar do tempo, existam impactos
na colocação, precificação e até mesmo apetite para determinados
riscos. Vai depender muito do processo de interpretação da
Lei e da própria regulamentação”, avalia.
Para Tzirulnik, no entanto, não há dúvida de que a mudança
no setor a partir do novo marco legal será “boa para todo mundo”.
Ele explica que, hoje, existem grupos de juristas franceses especializados
em direito do seguro que se dedicam a estudar mudanças no
regime francês da regulação de sinistro a partir da experiência que
tiveram com o projeto de lei de contrato de seguro brasileiro. “Vamos
ter muitas novidades dessa ordem. O projeto é bom também
para os segurados e para os beneficiários de contratos de seguro. Eu
acho que ele pacifica bastante. Tudo aquilo que eram direitos que
teria que buscar no STJ [Superior Tribunal de Justiça] ao longo de
anos, ou décadas até, de processos judiciais já estão na lei”, diz.
Segundo o “pai” do novo marco legal do seguro, o novo cenário
começará com a solução de conflitos potenciais na lei. “Além
disso, a lei respeita a técnica securitária. Ela não é uma lei desajustada,
ela é uma lei bastante ajustada. Isso
é muito bom para as seguradoras, isso é
muito bom para os resseguradores. Claro
que existem alguns clamores. Alguns entendem
que nós não deveríamos regular
o resseguro. Mas o Brasil tem uma história
particular, diferente de outras histórias.
Nós precisamos sim, as nossas seguradoras
precisam bastante de algum grau de
proteção para que possamos desenvolver
técnica e cultura próprias no mercado
brasileiro”, assevera Tzirulnik.
DISCIPLINA JURÍDICA
Bárbara Bassani não avalia como
“vulnerável”a ordem jurídica do setor antes
do marco legal, pois, como afirma a
ILAN GOLDBERG,
da FGV
13
LEGISLAÇÃO
MARCO LEGAL DE SEGUROS
BÁRBARA BASSANI,
do TozziniFreire
advogada, o contrato de seguro estava
“bem disciplinado” no Código Civil, além
de ter a tutela da “legislação consumerista”,
quando aplicável. “Tanto que a jurisprudência
e a doutrina foram se consolidando
ao longo do tempo, firmando
posições importantes sobre o contrato de
seguro. Essas decisões são até mais sobre
interpretações de dispositivos e de casos
concretos do que referentes a eventuais
lacunas do legislador”, justifica.
Bárbara pondera, entretanto, que
com uma lei própria do seguro, o tema
ganha mais destaque perante outros setores,
inclusive. Por outro lado, ressalta a
advogada, a nova lei trará uma necessária
revisão desta consolidação jurisprudencial
e doutrinária, além da mudança de
paradigma em muitos aspectos. “Inicialmente,
haverá um custo para adaptação,
como toda mudança. Se considerarmos
a quantidade de artigos existentes hoje
e aqueles que a lei traz, estamos falando
do dobro de disposições. É muita novidade”,
assinala.
Bárbara salienta que o marco legal
do seguro detalha mais aspectos de
coberturas, exclusões, interpretação do
contrato de seguro e traz um novo regramento
para determinados temas, como
regulação de sinistros e aspectos processuais,
envolvendo litígios securitários
e ressecuritários. “Esse nível de detalhamento
não é necessariamente positivo,
ao passo que dependerá da formação de
novas teses, sendo muito importante o bom senso e a razoabilidade
no processo hermenêutico para evitar retrocessos em questões já
pacificadas e que funcionam bem para o setor”, afirma.
Ilan Goldberg arrisca uma “crítica coerente” à nova lei, que decorre
da inexistência de tratamento diferente aos seguros para grandes
riscos e para os seguros massificados. “As normas previstas, em
sua grande maioria, tutelam os interesses dos consumidores de seguros,
propondo esse mesmo tratamento para os seguros para grandes
riscos. Se a ideia do Brasil era ter uma lei moderna de seguros,
inspirada em ordenamentos/mercados mais avançados que o nosso,
praticamente todas as leis estrangeiras de seguros estabelecem a distinção
entre massificados e grandes riscos, justamente porque não
se deve conferir tratamento protetivo àqueles que não o merecem.
Se em relações marcadas pela vulnerabilidade isto faz sentido, o contrário
também precisa prevalecer”, analisa o professor da FGV Direito
Rio, que acrescenta: “Além disso, vale dizer que o Código de Defesa
do Consumidor expressamente incluiu a atividade de seguros em seu
rol protetivo, ou seja, a lei específica de seguros não precisava dizer o
que, há muito tempo, já vinha sendo observado pelo Poder Judiciário.”
CLAMORES ATENDIDOS?
Há clamores do setor que perduram há, pelo menos, duas décadas.
Ernesto Tzirulnik não tem dúvida de que o projeto promoverá
alguns movimentos. “Para se ter uma ideia, poucos poucos advogados
especializados ou dedicados ao direito do seguro haviam lido o
projeto. Ouvia muita crítica ao projeto que era típica de quem não o
conhecia. Eu diria que tínhamos uma compreensão jurídica reacionária
estática. Com os impulsos finais do projeto, tenho visto exatamente
o contrário. Tenho visto muita gente estudando, preparando-
-se e escrevendo sobre a Lei de Contrato de Seguro. Tenho certeza
de que a aprovação de uma lei, e esse ano inteiro que ela vai ter de
vacatio legis, vão ser muito importantes para formar cultura, para
desenvolver, porque os profissionais do direito vão ser muito solicitados
a prestar serviços para adequação das práticas das seguradores,
dos documentos e dos processos das seguradores e corretores
à nova lei”, prevê.
Para seguros massificados, diz Bárbara Bassani, o novo arcabouço
legal pode contribuir para a melhora da confiança no produto,
já que a lei traz uma tutela ao segurado, até mesmo maior do que a
própria legislação consumerista, em alguns aspectos. “Todavia não é
possível afirmar que irá melhorar a cultura do seguro no país, pois
isso passa pela necessidade de incentivos econômicos, não tratados
na lei, por questões óbvias”, alerta a advogada, para quem existe uma
pauta em discussão para ampliação da cultura do seguro, acesso a
produtos de seguros, etc., assim como projetos de lei, discutindo seguros
para coberturas de catástrofes, como a ocorrida no Rio Grande
do Sul. “Ao que tudo indica, há predisposição política para isso, mas
que depende do alinhamento de diversos atores tanto do setor público,
como do setor privado, seguradoras e resseguradores. De todo
modo, para seguros de grandes riscos e de determinados nichos, os
benefícios da nova Lei ainda são obscuros e há disposições que causam
preocupação legítima, sendo muito importante o processo de
interpretação e regulamentação”, observa.
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Em termos abstratos, o fato de se ter uma lei específica realmente
chamará a atenção para o setor de seguros de uma forma
diferenciada, o que se revela positivo, resume Ilan Goldberg.
Quanto ao aumento da penetração dos seguros na sociedade,
ele tem “sérias dúvidas” quanto à procedência desse argumento.
“Tome-se como exemplo o seguro de pessoas. Segundo a nova
disciplina proposta pela lei, nesta espécie contratual não mais haverá
agravamento de risco (art. 17); quanto ao suicídio, a lei institui
sistemática que, mesmo no prazo de dois anos a contar da contratação,
caberá à seguradora provar a voluntariedade da conduta
do segurado (art. 120), o que, na prática, revela-se de enorme dificuldade.
Apenas por esses dois aspectos nota-se que a operação
dos seguros de pessoas deverá ficar mais onerosa às seguradoras
e esses custos, obviamente precisarão de uma fonte de custeio.
São os segurados, ao fim e ao cabo, que pagarão a conta. Nesse
cenário, haverá aumento da penetração do seguro na sociedade?”,
questiona Goldberg, complementando: “Me chamou a atenção a
disciplina da prescrição, prevista no art. 126, II. A norma determina
que a contagem do prazo prescricional se inicia a partir da ‘ciência
da recepção da recusa expressa e motivada da seguradora’, o que
se amolda à conhecida teoria da actio nata, conforme previsto no
art. 189 do Código Civil.”
“A lei, ao invés de estabelecer um prazo em dias para o cumprimento
dessa obrigação, consignou a expressão: ‘Avisar prontamente
a seguradora, por qualquer meio idôneo, e seguir suas instruções
para a contenção ou salvamento’. A casuística revela que há
casos em que o avisar prontamente se alonga demasiadamente no
tempo, causando sérios prejuízos à seguradora. O problema decorre
da necessidade de, in concreto, comprovar esses prejuízos. Se a lei
tivesse definido o prazo em dias para o aviso do sinistro, o segurado
que não avisasse decairia desse direito, evitando que a seguradora
precisasse manter reservas constituídas por prazo indeterminado.
Repare-se, aqui, a diferença de tratamento: se a seguradora não concluir
a regulação do sinistro no prazo de 30 dias, decairá do direito de
defesa (art. 86); se o segurado não avisar o sinistro prontamente, não
se vê a mesma penalidade. Por que, então, dois pesos e duas medidas?
A manutenção de reservas por prazos longos e indeterminados
encarece a operação de seguros. Esses custos serão absorvidos pelos
próprios segurados. Como ensina o célebre Milton Friedman, ‘não há
almoço grátis’”, salienta Goldberg.
COMO FICA A RELAÇÃO ENTRE SEGURADORES E
SEGURADOS?
Bárbara Bassani argumenta que a disciplina do contrato de
seguro passa a ser mais detalhada na nova lei do que era até então.
Isso significa, reforça a advogada, que todo e qualquer seguro,
de qualquer ramo, deverá observar o novo regramento, com uma
margem menor de discussão sobre coberturas e exclusões. “O impacto
imediato é a revisão dos contratos de seguro, isto é, dos termos
e das condições das apólices e na relação entre seguradoras e
segurados para prever uma confiança tamanha no segurado, que
pode diminuir as hipóteses de negativas por parte das seguradoras.
O segurado ganha um ‘superpoder’, tendo, em diversas vezes,
posição favorável com relação à seguradora.
Agora, o custo desse poder não
está mensurado”, enfatiza a especialista.
A advogada observa que um dos
principais aspectos é a questão da boa-fé,
que, segundo ela, ganha nova roupagem:
“O contrato de seguro sempre foi pautado
na boa-fé entre as partes, mas a lei traz
uma dinâmica de deveres relacionados à
boa-fé que diminuem as possibilidades
de questionamento da conduta do segurado
relacionada à falta de boa-fé, por
exemplo, na medida em que condiciona
situações de perda de direito à comprovação
do dolo do segurado por parte da
seguradora.”
PRAZOS A CUMPRIR
Outro ponto em discussão é se as
seguradoras terão condições de cumprir
prazos da nova lei no mesmo patamar
dos serviços. Bárbara Bassani diz não ver
muitas discussões sobre o aumento do
prazo para a recusa da proposta do seguro,
salvo nos casos em que depende de
resseguro. A forma de aceitação do resseguro,
cita a advogada, está disciplinada
na lei e gera inúmeros questionamentos.
Já o prazo para a finalização da regulação
e liquidação (pagamento), sob pena de
multa de 2% tem gerado mais discussões,
enfatiza Bárbara. A maior dificuldade, segundo
a especialista, é prever todos os
documentos necessários para a regulação,
pois a solicitação está limitada a até
duas vezes, para casos de maior valor. “O
próprio segurado pode ter dificuldade no
envio dessa documentação dentro da limitação
imposta. Sinistros envolvendo
retomadas de obras e grandes projetos
dificilmente se enquadram nesses prazos,
assim como outros seguros de grandes
riscos ou mesmo situações mais complexas
relacionadas a determinadas causas”,
analisa Bárbara.
Ainda no âmbito da regulação de
sinistros, a advogada explica que alguns
outros pontos geram discussão, como
o fato de a seguradora estar legalmente
impedida de inovar posteriormente o fundamento,
salvo quando, depois da recusa,
vier a tomar conhecimento de fatos que
anteriormente desconhecia.
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MERCADO
GAMIFICAÇÃO
Brincadeira levada a sério
SEGURADORAS APOSTAM NA
GAMIFICAÇÃO, OS BADALADOS
JOGOS MOTIVACIONAIS E DE
ENGAJAMENTO, PARA ESTIMULAR
A INTEGRAÇÃO FUNCIONÁRIOS,
CORRETORES E CLIENTES. TAXAS
DE FIDELIZAÇÃO E RESPOSTAS
NAS EMPRESAS SURPREENDEM
André Felipe de Lima
Em um movimentado escritório de
Nova Iorque, funcionários da Deloitte
mostravam-se desinteressados
e menos produtivos. Obviamente
que a situação preocupou a direção da
companhia. Para combater a pasmaceira
reinante, decidiram introduzir nas salas e
corredores da Deloitte uma plataforma
de gamificação chamada Greenhouse,
que começa com a seguinte pergunta:
“Qual é o desafio da sua equipe?”. O fato
é que a “brincadeira” transformou tarefas
mundanas dos desmotivados funcionários
em desafios envolventes. Ao ganhar
pontos e recompensas por concluir módulos
de treinamento e atingir metas, o
pessoal ganhou alma nova e se tornou
muito mais disposto para o dia a dia
corrido de um escritório nova-iorquino.
Essa abordagem não apenas aumentou
a participação em 40%, mas também
promoveu um senso de camaradagem
entre eles. Outro exemplo bacana do uso
da gamificação no mercado americano
vem da rede de fast-food McDonald’s,
que integrou o conceito em seu aplicativo
de vendas, permitindo aos clientes
ganharem prêmios e descontos por meio
de jogos interativos. O que parecia uma
grande brincadeira transformou-se em
algo notavelmente bem-sucedido. O engajamento
de cada cliente dos famosos
hambúrgueres aumentou 30%. Empregados
motivados, clientes felizes e fidelizados.
Os casos de sucesso às vezes não bastam para os mais,
digamos, “resistentes”. Vamos aos estudos de mercado, portanto:
um deles, o da TalentLMS, indica que 89% dos funcionários
sentem que a gamificação os torna mais produtivos. Além disso,
88% responderam que se sentem mais felizes e engajados quando
seu trabalho é gamificado. Isso mostra uma clara preferência
por processos gamificados em ambientes profissionais, ilustrando
sua eficácia em aumentar o moral e o desempenho dos funcionários.
16
Lá fora é assim. E aqui, sobretudo no mercado de seguros,
que tradicionalmente é visto pela sociedade como “tradicional” e
“conservador”? A gamificação vem mudando significativamente
esse perfil nos escritórios de muitas seguradoras que atuam no
Brasil. Tarefas rotineiras entre sinistros e apólices estão mais dinâmicas
e envolventes graças a treinamentos, palestras e programas
variados e longe do lugar comum que permitem um cotidiano
bem mais interessante no setor. O que é ainda mais empático e
expressivo para as seguradoras: o empregado se sente para lá de
valorizado e feliz por estar ali, vestindo
literalmente a camisa da companhia.
Exemplo disso vem da Dinamarca,
onde a seguradora Tryg, uma das
maiores do país, contratou a empresa
de gamificação Playlable, que desenvolveu
o Dental Health Quiz, um joguinho
sobre saúde bucal com o objetivo
de gerar leads de qualidade e aumentar
a conscientização sobre seus produtos
de seguro odontológico. O quiz continha
várias perguntas sobre dentes e
oferecia aos participantes a chance de
ganhar uma escova de dentes elétrica.
Essa abordagem gamificada não apenas
proporcionou uma sensação de
realização aos usuários, mas também
promoveu com sucesso a marca Tryg e
educou os clientes sobre suas ofertas. O
resultado da “brincadeira”: o joguinho
atraiu 595 leads e alcançou uma taxa de
conversão de 29%. “É muito importante
para nós termos o equilíbrio certo entre
ser divertido e ser sério. Como somos
uma marca séria em uma indústria tradicional,
temos que pensar em como
o que estamos fazendo é percebido.
As pessoas confiam em nós. Foi assim
que a Playable criou uma oportunidade
para termos um ângulo diferente sobre
seguros, educando as pessoas de uma
forma mais envolvente e divertida”, declarou,
na época, a gerente de CRM da
Tryg, Josefine Falch.
Existem outras referências e
exemplos de aplicação da gamificação
no setor de seguros. Um exemplo recente
do uso bem-sucedido da gamificação
é o programa da Aviva, uma seguradora
multinacional britânica. A empresa lançou
um aplicativo gamificado que incentiva
os motoristas a adotarem hábitos de
direção segura. Os usuários acumulam
pontos conforme dirigem com segurança,
podendo resgatar esses pontos
em forma de descontos ou outros benefícios.
Essa abordagem tem ajudado
a aumentar o engajamento dos clientes,
ao mesmo tempo em que promove a segurança
no trânsito, reduzindo assim o
risco para a seguradora.
Podemos definir em poucas palavras
a gamificação como uma “diversão”
17
MERCADO
GAMIFICAÇÃO
DANILO PARISE,
da Ludos Pro
com clientes e funcionários “levada a
sério”? E como funciona no mercado de
seguros?
CEO e cofundador da Ludos Pro,
uma plataforma de gestão de aprendizagem
gamificada, Danilo Parise é enfático:
“Sim, a gamificação pode ser entendida
como uma forma de “diversão
levada a sério”. Embora seja baseada em
elementos lúdicos, como recompensas,
pontuação e competição, seu objetivo
vai além do entretenimento. Ela visa
aumentar o engajamento, estimular
comportamentos desejados e melhorar
resultados, seja no relacionamento com
os clientes ou na motivação e produtividade
dos funcionários.”
CEO da LoySci, outra empresa do
ramo da gamificação, Carlos André não
pensa diferente e vai além: a gamificação
é importante caminho para sustentabilidade
nas empresas ao incentivar práticas
ecológicas entre colaboradores e clientes.
“Por meio de desafios, recompensas
e feedback em tempo real, as empresas
podem motivar ações como redução do
consumo de energia, reciclagem e uso
consciente de recursos. Isso não apenas
reforça a responsabilidade ambiental,
mas também fortalece a cultura sustentável
dentro da organização”, diz André.
“Nós ainda não implementamos nenhum
projeto nesta área [de seguros], mas temos
algumas propostas sendo negociadas”,
acrescenta o CEO da LoySci.
Segundo Parise, a gamificação pode apoiar práticas de sustentabilidade
ao incentivar comportamentos responsáveis dentro
ou mesmo fora da organização. “Pense sempre na gamificação como
um meio para atingir seus objetivos de forma mais prazerosa e estimulante.
No setor de seguros, por exemplo, programas de incentivo
gamificados podem promover hábitos sustentáveis, como o uso de
meios de transporte alternativos”, garante.
O amparo da gamificação para as seguradoras não cessam.
Parise afirma que o setor pode se beneficiar ao melhorar o engajamento
do cliente e aumentar a adesão a práticas que reduzem riscos.
Através de jogos, desafios e recompensas, os segurados podem
ser incentivados a adotar comportamentos preventivos, igualmente
aos da seguradora dinamarquesa Tryg, como revisões periódicas de
veículos ou práticas saudáveis que diminuem o risco de sinistros.
Além disso, gamificar o processo de vendas pode ajudar corretores e
agentes a atingirem metas de forma mais eficiente e agradável. “Estes
são apenas alguns dos exemplos, pois as possibilidades estarão
sempre atreladas aos objetivos da organização”, reforça Parise.
Hoje, a Ludos Pro atende clientes na área de seguros, entre
os quais a Sompo Seguros. Com uma taxa de adesão de 60%, a
proposta de gamificação da Ludos Pro à seguradora, que inclui vários
recursos, entre eles de inteligência artificial, consiste em uma
temática espacial, onde cada colaborador é convidado a viajar por
desafios semanais, aprendendo na prática cada ponto do mapa estratégico
da companhia. Além disso, os administradores da plataforma
da Sompo Seguros podem identificar pontos fortes e fracos
de seus funcionários e tomar decisões estratégicas para aprimorar
o treinamento e oferecer novos conteúdos de reforço para todos. A
campanha interna de gamificação intitulada Conquistadores 2022
permaneceu no ar por 10 meses e teve mais de 1400 jogadores. A
Sompo tem cerca de 2000 funcionários em todo o Brasil. Ao final
do projeto implantado pela Ludos Pro, a Sompo realizou pesquisa
com os funcionários sobre o conteúdo empregado na gamificação.
A resposta foi positiva, com 98% satisfeitos com o novo modelo de
treinamento.
A seguradora Prudential do Brasil também aposta na gamificação
para, de forma lúdica, interagir com o cliente para engajá-lo
e, consequentemente, fidelizá-lo. Vice-presidente de marketing e
clientes da Prudential do Brasil, Carlos Cortez observa que a gamificação
traz novos públicos para a conversa atraindo, especialmente,
os mais jovens. “Na Prudential, também vemos o uso da gamificação
como uma estratégica eficaz para treinamentos e incentivo às vendas.
Utilizamos essa dinâmica para engajar nossa rede franqueada,
tornando o aprendizado mais envolvente e eficiente. Ao integrar
rankings, competições e desafios, garantimos que o conteúdo seja
assimilado de forma dinâmica e que todos se mantenham engajados
e motivados. Nas vendas, a gamificação funciona como uma ferramenta
de impulso à performance. Campanhas com metas claras,
prêmios e sistemas de pontuação incentivam a rede franqueada e os
parceiros comerciais a alcançarem melhores resultados e a se comprometerem
de forma consistente”, salienta Cortez.
As recompensas também estimulam uma competição saudável,
ressalta o executivo da Prudential: “Com essas abordagens,
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conseguimos aprimorar a capacitação dos parceiros e estimular um
desempenho mais consistente nas vendas, conectando aprendizado
e resultados de forma prática e divertida.”
A principal iniciativa da Prudential com gamificação é o seu
programa de bem-estar, lançado em julho de 2021 para clientes, colaboradores,
corretoras franqueadas e parceiros de negócios através
da parceria com Vitality e, recentemente, evoluído para Fully. Baseado
em dinâmicas de jogos, a plataforma é um programa de bem-
-estar que incentiva hábitos saudáveis e gera recompensas, estimulando
a prática de atividades físicas e o cuidado com a saúde mental
e financeira.
Quanto mais atividades o cliente fizer, mais moedas acumula
para trocar por vouchers de descontos em aplicativos e serviços
parceiros. Ao mesmo tempo que o cliente pontua ao realizar exercícios
físicos, ele recebe incentivos para fazer atividades relacionadas
à mente e organização das finanças. “Desde o lançamento do Fully,
observamos que os clientes que usufruem do benefício são mais
engajados com a Prudential do que aqueles que não usam. Outro
resultado é a saúde dos clientes. Aqueles que acessam a plataforma
são mais ativos fisicamente e se cuidam mais”, assinala Cortez.
Nas vendas da Prudential, a gamificação tem se mostrado
uma forma eficaz de engajar parceiros e franqueados, confirma
o vice-presidente da seguradora. “Além de usarmos esse recurso
em campanhas de vendas, investimos também na gamificação
dos treinamentos, incluindo desafios, rankings e competições
CARLOS ANDRÉ,
da LoySci
que incentivam o aprendizado ativo e
contínuo. Desde a implementação dessa
abordagem nos treinamentos, observamos
uma evolução significativa na
aprendizagem, no engajamento e no
resultado de negócios dos participantes.
No entanto é importante destacar
MERCADO
GAMIFICAÇÃO
CARLOS CORTEZ,
da Prudential
que os resultados positivos não são fruto
somente da gamificação, mas de um
conjunto de ações estratégicas que a
empresa vem adotando para melhorar
a capacitação e o desempenho de seus
canais de distribuição”, pondera Cortez.
CORRETORES E SEGURADOS
O primeiro passo é conscientizar
as duas pontas de que transformar tarefas
do dia a dia em atividades emocionantes
e gratificantes, seja no ambiente de trabalho
ou na relação com uma marca, produto
ou conceito, consiste na estratégiachave
da gamificação, principalmente
no contexto atual da sociedade, onde o
ritmo acelerado da vida faz com que a
percepção dos fatos e comportamentos
sociais sejam, em muitas situações, turva.
O setor de seguros também experimenta
essa realidade. Em um setor no
qual é comum a rotatividade entre agentes
de vendas relutantes em se envolver
em treinamento, a gamificação surgiu
como uma solução para injetar nova vida
na relação entre corretores e segurados.
Cabe às seguradoras, com seus recursos
de gamificação, abordar as preocupações
comuns dos profissionais de seguros
para impulsionar o desempenho e
reduzir a rotatividade em longo prazo.
“Para envolver clientes e corretores de seguros,
é possível implementar programas
gamificados que ofereçam incentivos por
ações específicas, como completar perfis,
participar de treinamentos ou fornecer feedback. A gamificação está
no centro desse processo ao tornar as interações mais dinâmicas e
recompensadoras, aumentando a satisfação e a lealdade dos participantes”,
diz Carlos André, da LoySci.
Como explica Daniela Parise, a gamificação pode, sim, estar
no centro desse processo ao criar mecanismos que incentivem tanto
o corretor quanto o cliente. “Para o cliente, plataformas gamificadas
podem oferecer recompensas por comportamentos que minimizam
riscos, como a realização de check-ups ou o cumprimento de metas
de direção segura, por exemplo. Para os corretores, é possível incluir
sistemas de metas com recompensas que incentivem o cross-selling
ou a venda de produtos complementares. Esse engajamento pode
ser aprimorado por rankings, prêmios e desafios que tornam o processo
de venda e de uso de seguros mais interativo e motivador”, diz
o executivo da Ludos Pro.
Para Cortez, da Prudential, a gamificação já faz parte do processo
de envolver os clientes e corretores no dia a dia, possibilitando
oportunidades de contato e de comunicação de forma mais
atrativa. “Ao usarmos essa estratégia, ampliamos nossos pontos
de contato e possibilidades de engajar o segurado. Ter pontos de
contato contínuos com o cliente é essencial em produtos de longo
prazo, como é o caso do seguro, especialmente, o de vida. Na prática,
o Fully está sempre lembrando o cliente de praticar exercícios
ou informando sobre novos vouchers. Isso aumenta a conexão do
cliente com a Prudential e pode ser tema de conversas regulares
entre corretor e segurado, criando outras oportunidades de pontos
de contato”, afirma.
Há muitos benefícios para os melhores clientes, como telemetria
que premia segurados de automóveis, desconto para quem
faz exames preventivos em saúde etc. Na Prudential, por exemplo,
os clientes que batem suas metas de atividades físicas são recompensados
com moedas que geram recompensas. Elas podem ser
acumuladas e convertidas em cupons para serem usados em restaurantes,
lojas de artigos esportivos, aplicativos de serviços de entrega
e de transporte, jogos, entre outros. As moedas podem ainda virar
dinheiro, com crédito em conta corrente. Os usuários de Fully também
podem usar o cashback para obter descontos na compra de relógios
inteligentes e em marcas integrantes do clube de benefícios
da plataforma.
OLHO VIVO NOS RISCOS
A gamificação permite modelar o comportamento dos
clientes, identificar fraudes e ajudar os funcionários na área de
mitigação de riscos. “A gamificação também pode ajudar na detecção
de fraudes, utilizando dados gerados por atividades gamificadas
para identificar padrões de comportamento suspeitos”,
declara Parise.
Carlos André endossa Parise: “A gamificação pode ser uma
ferramenta eficaz para modelar comportamentos desejados, incentivando
ações que reduzem riscos. Ao engajar os clientes em atividades
monitoradas, as empresas podem coletar dados valiosos que
ajudam a identificar padrões anômalos ou suspeitos, auxiliando na
detecção de fraudes”, conclui.
20
GENTE
CRAWFORD
Pessoas que fazem a diferença na regulação de sinistros
CRAWFORD AMPLIA GTS (GLOBAL TECHNICAL SERVICES), SOB A LIDERANÇA DE GLAUCO
RODRIGUES, PARA PADRONIZAR E AGILIZAR AS RESPOSTAS AOS CLIENTES
Osonho de toda organização é contar com uma equipe de especialistas
que seja reconhecida por seus clientes como sendo
altamente capacitada e resolutiva. A Crawford Brasil está
vivendo este momento com a liderança de seu country manager,
Eduardo Ribeiro, que está implementando mudanças na estrutura
da área de GTS (Global Technical Services), agora sob a direção de
Glauco Rodrigues, que realiza o atendimento aos sinistros de grandes
riscos (riscos nomeados, riscos operacionais, riscos de engenharia
e compreensivo empresarial).
Muito mais do que uma abordagem técnica, com 23 anos de
experiência na empresa, Rodrigues agrega ao GTS sua disponibilidade
para gerenciar conflitos, agilizar processos e conduzir as regulações
de forma padronizada, mantendo a forma de atendimento em
todos os tipos de sinistros e nas diversas indústrias.
Eduardo Ribeiro, country manager da Crawford no Brasil, explica
que há ainda outros fatores agregados com esta nomeação,
como aplicação das melhores práticas em sinistros vultosos e a entrega
dos trabalhos respeitando as SLA’s dos clientes. “A qualidade
do trabalho é garantida por métricas estruturadas e especialização
dos profissionais, com o objetivo de tornar a área de GTS uma “boutique”
em atendimento de sinistros de grandes riscos para os nossos
clientes e corretores”.
A padronização será a grande marca do atendimento realizado
pela equipe de Glauco Rodrigues. “Haverá um bom trânsito de
informações. O padrão não é apenas entregar um relatório bem escrito,
mas, principalmente, esta área demanda uma postura e uma
abordagem diferenciada, com transparência e atualização em qualquer
situação. A palavra de ouro para o prestador de serviços é a
‘disponibilidade’”, enfatiza Ribeiro. Nos sinistros de catástrofes, de
grandes proporções, o cliente quer ter acesso a quem vai conduzir
todo o processo de regulação.
O regulador de sinistros é, na verdade, um gerenciador de
crise, porque ele normalmente é acionado enquanto o evento ainda
está ocorrendo. “Nós precisamos levar ao cliente a tranquilidade de
que estamos atuando para ajudá-lo e orientá-lo no que for preciso,
para que o processo de acionamento do seguro seja o mais rápido
possível”, informa Rodrigues.
A equipe de GTS é formada por advogados, contadores e
engenheiros de diversas áreas. Ao serem acionados, é agendada a
vistoria para colher as informações a respeito da ocorrência, da empresa,
da operação e quais os impactos do sinistro para a empresa
(operacional e financeiro). O time trabalha não apenas para apurar
os prejuízos, mas também para levantar as causas dos sinistros. Todo
o trabalho é feito em conjunto com os profissionais designados pelas
seguradoras para garantir o efetivo cumprimento contratual das
apólices.
Glauco Rodrigues, Eduardo Ribeiro e Salvador Giuliano
De acordo com Salvador Giuliano,
diretor técnico de P&C da Crawford, a expectativa
da empresa é se aproximar das
necessidades dos clientes. “Além desse
foco na especialização e padronização
no GTS, vamos olhar o cliente de P&C de
forma completa, aplicando os mesmos
princípios no atendimento dos negócios
de Responsabilidade Civil, D&O, Garantias,
Cyber etc. Buscamos a especialização
dos reguladores em indústrias e ramos
específicos”.
A Crawford irá fazer uma combinação
de duas experiências. Já possui a área
de GTS com reguladores capacitados,
destacando-se profissionais de engenharia
para atuar em eventos relacionados
a grandes obras de infraestrutura, como
rodovias, portos e aeroportos e, as mais
diversas atividades industriais. Essa mesma
experiência será aplicada nas áreas de
garantias e responsabilidades, com um
profissional com formação e experiência
jurídica analisando os contratos e os engenheiros
e demais especialistas acompanhando
as obras, projetos e plantas
afetadas em um sinistro. “Vamos conectar
o setor de P&C como um todo”, completa
Giuliano.
21
TENDÊNCIAS
RISCOS CIBERNÉTICOS
Ladrões
INVISÍVEIS
ELES ESTÃO AÍ, EM TODAS
AS REDES, COMPUTADORES,
E SISTEMAS, PROVOCANDO
CRIMES VIRTUAIS DE TODOS
OS TIPOS, ROUBANDO
CIFRAS BILIONÁRIAS E
DESENCADEANDO UM
TEMOR GENERALIZADO NA
SOCIEDADE E EM TODOS
OS MERCADOS. APÓLICE
REÚNE ESPECIALISTAS EM
SEGUROS CIBERNÉTICOS
PARA DEBATER POSSÍVEIS
RESPOSTAS DO SETOR
A ESTE QUE, HOJE, É
CONSIDERADO UM DOS
MAIORES DESAFIOS DO
MUNDO, SOBRETUDO
AGORA, EM PERIGOSOS
TEMPOS DE INTELIGÊNCIA
ARTIFICIAL E AFINS
André Felipe de Lima
O
apagão tecnológico global da
CrowdStrike, uma empresa americana
de segurança cibernética,
com sede no Texas, deixou o mundo de
joelhos em julho. Provocado pela atualização
do sensor Falcon em computadores
Windows, a gravíssima falha impactou
as operações comerciais de milhões
de empresas, funcionários e clientes. O
mundo voltou ao “normal” após o lamentável
episódio, mas os indesejáveis desdobramentos
financeiros por conta dos
ataques cibernéticos por conta da vulnerabilidade
tecnológica reinante permanecem
até hoje, e sem prazo para acabar.
Embora muitos tenham retornado à normalidade, as empresas
estão lidando com os impactos em cascata que esse incidente
global desencadeou, com implicações financeiras e com, sobretudo,
cibercriminosos buscando se aproveitar do contexto de vulnerabilidade
reinante.
A edição de 2024 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública
já acendeu o alerta: com menos dinheiro vivo em circulação e
digitalização acelerada da economia, os crimes, digamos, “corpo a
corpo”, ou seja, aqueles cometidos pelas ruas das grandes e pequenas
cidades contra transeuntes, residências, bancos e comércio em
geral, diminuiu frente ao crescimento vertiginoso dos crimes virtuais.
“Entre 2022 e 2023, os estelionatos por meio virtual subiram
13,6%; o total de estelionatos cresceu 8,2%. Na ponta oposta, chama
atenção a forte queda no registro de roubos a bancos e demais instituições
financeiras, de quase 30% no mesmo período, seguidos dos
22
roubos a estabelecimentos comerciais, que caíram 18,8%”, revela o
documento. E não será mesmo fácil lidar com a escalada dos riscos
cibernéticos, que estão entre os dez maiores riscos globais até 2025,
teme o Fórum Econômico Mundial, após ouvir líderes empresariais
de 113 países. Ao abordarmos exclusivamente o nosso, digamos,
“quintal”, hoje, no Brasil, conforme indicadores do Índice Global de
Proteção de Dados (GDPI), aproximadamente seis em cada dez empresas
brasileiras sofreram ataques ou incidentes cibernéticos que
impediram o acesso aos seus dados no ano passado. Esse contexto,
bem como o advento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD),
obriga ao mercado a cuidar melhor de seu “quintal”.
O setor de seguros está com o radar a mil por hora e atento
aos riscos cibernéticos. A procura pelo seguro cyber cresceu quase
900% nos últimos cinco anos, como atestam as estatísticas da Superintendência
de Seguros Privados (Susep). De janeiro até agosto,
conforme os dados da autarquia que rege o setor, a carteira movimentou
cerca de R$ 145 milhões em prêmios (valor que o segurado
paga à seguradora) e com sinistralidade na casa dos R$ 25 milhões.
Foi também em agosto que a Susep anunciou o grupo de trabalho
chamado de Seguros e Segurança Cibernética, cuja finalidade é
discutir e elaborar estudos técnicos sobre a segurança cibernética
do setor supervisionado e os desafios e oportunidades que o desenvolvimento
da economia digital traz para o mercado segurador
brasileiro.
O prêmio deste produto saltou de R$ 21 milhões, em 2019,
para R$ 174 milhões, em 2022. Em 2023, o volume de prêmio saltou
para R$ 205 milhões. Até dezembro de 2024 este valor certamente
será superado.
No ano passado, o número de ataques de ransomware (sequestro
de dados) cresceu 150% em comparação com o ano anterior,
segundo o relatório da Cybersecurity Ventures. Esses ataques
não apenas criptografam dados, mas também ameaçam a divulgação
de informações sensíveis, forçando as empresas a pagarem
resgates. Até 2031, o custo anual a ser pago pelos ataques de ransomware
será cerca de US$ 265 bilhões.
É vasta a lista de ataques que impactaram o setor de seguros.
Um deles, em maio de 2021, contra a Colonial Pipeline resultou em
um pagamento de resgate de US$ 4,4 milhões. Este ataque não apenas
interrompeu o fornecimento de combustível em grande parte
da costa leste dos Estados Unidos, mas também destacou a vulnerabilidade
das infraestruturas críticas. A resposta do setor incluiu uma
reavaliação das políticas de cobertura, com muitas seguradoras
aumentando os prêmios para empresas em setores de alto risco e
implementando requisitos mais rigorosos de segurança. A resposta
a ataques em outros setores foi semelhante, com seguradoras ajustando
suas apólices para incluir cláusulas que exigem que as empresas
demonstrem medidas de segurança adequadas antes de serem
cobertas, além de aumentar a conscientização sobre a importância
da segurança cibernética”, destaca o gerente de seguros cyber da
Marsh McLennan, André Leão.
Este ano, houve o caso da Change Healthcare, que afetou
gravemente o sistema de saúde americano, interrompendo o processamento
de pagamentos em hospitais e farmácias. “A invasão
ANDRÉ LEÃO,
da Marsh McLennan
resultou no roubo de dados médicos de
milhões de americanos e exigiu um resgate
de US$ 22 milhões, impactando a
seguradora UnitedHealth com altos custos
em pagamentos e ações de resposta
à crise”, recorda o CEO da Zentek, Ailton
Cardozo.
Entre as empresas, a líder em seguro
cyber é a AIG, conforme informações
fornecidas pelo Sistema de Estatísticas da
Susep (SES). Ela fornece seguros contra
riscos cibernéticos desde 1999. Logo atrás
dela no ranking da Susep estão Akad,
Allianz e Axa. Dados da AIG apontam que
mais de 60% dos incidentes de ransomware
estão vinculados ao protect privileged
accounts, que é quando as organizações
falham em proteger adequadamente as
contas privilegiadas. Hoje, os criminosos
cibernéticos invadem sistemas corporativos.
Phishing e vulnerabilidades comuns
e exposições (common vulnerabilities
and exposures, as “CVE’s”) são as principais
maneiras pelas quais os criminosos
cibernéticos atacam. A AIG, em seu relatório
intitulado 2024 Ransomware Threat
Insights, ressalta que 45% das organizações
relataram a exploração de CVE’s
como o vetor de ataque inicial em 2023,
correspondendo a um aumento de 26%
em relação a 2020. Quando os dados de
backup de uma organização são afetados
durante um incidente de ransomware, a
média de horas de interrupção crítica de
negócios aumenta em 65%.
TENDÊNCIAS
RISCOS CIBERNÉTICOS
AILTON CARDOZO,
da Zentek
“Na mesma crescente do seguro
cyber segue a sinistralidade ligada ao
ransomware, com mais frequência e severidade
nos últimos anos. Dados globais
da AIG mostram um aumento superior a
150% na frequência das notificações de sinistros
de resgate e extorsão desde 2018.
Além de crescente, os crimes virtuais estão
também com técnicas mais aprimoradas,
utilizando ataques mais invasivos e
profundos. Por isso, é fundamental que as
empresas contem com ferramentas mais
robustas de prevenção e proteção cibernética”,
alerta o consultor de riscos para a
América Latina da AIG, Ronald Tavares.
Como metodologia do estudo, a
AIG coletou dados agregados, de janeiro
RONALD TAVARES,
da AIG
de 2021 a dezembro de 2023, de análises de causa-raiz e diálogo de
incidentes compreendendo 344 organizações, entre clientes e não
clientes da seguradora. Aproximadamente 75% das participantes do
estudo tinham, na ocasião, uma receita anual de U$ 100 milhões. O
conjunto de dados consiste em dados globais e é limitado a incidentes
de ransomware.
Diante de contexto tão adverso e hostil, a maioria das apólices
de risco cibernético hoje pagam sinistros por riscos em evolução,
sobretudo os de ransomware, contemplando custos de resgate, recuperação
de dados e proteção da reputação. “No entanto, é essencial
que as empresas revisem regularmente suas apólices para garantir
que as coberturas estejam atualizadas conforme as ameaças
cibernéticas evoluem constantemente”, recomenda Ailton Cardozo.
Há, inclusive, seguradoras que oferecem um suporte especializado
aos segurados por meio de um painel de fornecedores de
resposta a incidentes que podem ser imediatamente acionados em
situações críticas. “Este tipo de apoio é fundamental para empresas
que ainda estão realizando sua jornada de amadurecimento em cyber
segurança”, diz André Leão.
Embora as apólices de seguro ofereçam coberturas em relação
a incidência de ransomware, como reconhece o sócio-líder de
segurança cibernética e privacidade da KPMG no Brasil e na América
do Sul, Leandro Augusto, o que ele vem observando é uma discussão
intensa nas empresas de quanto realmente o seguro cibernético
auxilia nesses incidentes de uma maneira ampla: “Os valores
envolvidos [nos prêmios da apólice] muitas vezes acabam por ser
insuficientes para algumas empresas, para cobertura de todos os
prejuízos que são ocasionados por um ataque de ransomware. O
que precisamos fazer como gestores é nos preparar para que isso
seja bem estruturado do ponto de vista da contratação do seguro.
Em segundo lugar, observar muito bem o tipo de contratação que
está sendo feita e quais são os passos exigidos pela seguradora sempre
que tivermos incidentes. Por último, e não menos importante,
as questões de testes que precisamos fazer. Saber exatamente em
que momentos durante o incidente acontece uma crise, contactar e
como contactar a seguradora é bastante importante porque, obviamente
a evidenciação e algumas tomadas de decisão precisam ser
feitas baseadas em características definidas pela própria seguradora,
que, inclusive, às vezes até recomenda outras empresas terceiras
para serem envolvidas nos incidentes. Não basta só ter o seguro, é
necessário que também se faça toda a interpretação das cláusulas e
os testes para saber como proceder em caso de uma crise.”
TENDÊNCIAS DE RISCOS
Além dos ataques de ransomware, outros deverão ser notados
daqui em diante. As principais tendências incluem, também,
a exploração de vulnerabilidades em cadeias de suprimentos e o
crescimento de ameaças em ambientes de trabalho remoto. Setores
como saúde, financeiro, de governo e de manufatura são especialmente
vulneráveis, pois operam com dados altamente sensíveis e
demandam sistemas sempre disponíveis. Pequenas e médias empresas
e grandes corporações, alerta Cardozo, da Zentek, são impactadas
de forma distinta: “PME’s, por contarem com menos recursos,
24
podem enfrentar perdas financeiras irreparáveis, enquanto grandes
empresas, embora mais capazes de lidar com custos de recuperação,
enfrentam riscos significativos à sua reputação e custos elevados
com a recuperação e proteção de dados.”
Especialista em subscrição de riscos cibernéticos da AIG,
Victor Perego afirma que os criminosos digitais estão cada vez
mais criativos e profissionais. Além das práticas de ransomware e
phishing para captura de dados, ele acrescenta na preocupante lista
de riscos a inteligência artificial, capaz de criar deepfakes e outros
artifícios para induzir à extorsão de dinheiro e dados. Essa tendência
é ratificada pelo recente relatório da Garnet: até 2027, 17% por ciberataques
serão a partir da IA. “Com relação aos setores vulneráveis,
o financeiro e de saúde e órgãos de governos são, historicamente,
os mais visados, uma vez que os dados transacionados por esses
segmentos são valiosos na deepweb. No entanto, outros segmentos
e empresas de médio e pequeno porte também devem investir em
ferramentas de proteção, profissionais especializados e treinamento
às equipes, uma vez que a frequência de ataques tem aumentado
ano a ano, com o Brasil entre os top 3 ou 5 dos países que mais detecta
malware. Segundo a Kaspersky, o Brasil é o mais atacado por
hackers na América Latina: de junho de 2023 a julho de 2024, foram
mais de 487 mil ataques de ransomware”, alerta.
Independentemente do porte da empresa, o estrago de um
ciberataque tem inúmeras implicações, complementa o executivo
da AIG. “Empresas no Brasil vítimas de ransomware tiveram de desembolsar,
em média, R$ 6 milhões para recuperar seus dados, segundo
a consultoria britânica Sophos. Se não bastasse o roubo dos
dados, de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados [LGPD], empresas
vítimas de vazamento de dados devem reportar o ocorrido e
responder pelos danos causados aos usuários/clientes proprietários
desses dados. As multas aplicadas pela Autoridade Nacional de Proteção
de Dados às empresas podem variar de 2% do faturamento
até R$ 50 milhões (no máximo)”, ressalta Perego.
André Leão, da Marsh, cita como exemplo de vulnerabilidade
da área de saúde o ataque ao sistema de saúde da Universal Health
Services em 2020, que resultou em um custo estimado de US$ 67
milhões. Ele também se mostra bastante preocupado com as pequenas
e médias empresas que são alvos mais vulneráveis devido à
falta de recursos de segurança robustos: “Um estudo recente revelou
que 43% dos ataques cibernéticos visam pequenas empresas.
No entanto, as grandes empresas enfrentam consequências financeiras
mais severas, com o custo médio de uma violação de dados
em 2023 estimado em US$ 4,45 milhões, segundo a IBM. Assim, enquanto
as PME’s podem ser mais suscetíveis, as grandes empresas
enfrentam impactos financeiros e reputacionais mais significativos,
justamente por as grandes empresas possuírem uma maior dependência
de sistemas do que as PMEs.”
Os alvos dos ataques cibernéticos definitivamente não se restringem
às grandes empresas e nem em setores específicos. Todas as
empresas que armazenam algum tipo de informação — incluindo de
funcionários — podem ser vítimas destes criminosos, afirma Tavares,
da AIG. “Por isso, em termos gerais, os riscos são similares, independentemente
do tamanho da companhia ou da sua área de atuação.
LEANDRO AUGUSTO,
da KPMG
Então é importante que as empresas, sejam
elas de qualquer segmento, invistam
em ferramentas de ponta de proteção
e blindagem dos dados, treinamento e
conscientização de todos os funcionários,
não somente concentrando os esforços
na capacitação dos profissionais de TI – diferentes
áreas lidam com dados pessoais
diariamente, e a responsabilidade deve
ser compartilhada, pois o que importa é a
prevenção e a ação rápida a qualquer sinal
de suspeita de ataque externo.”
COBERTURAS
O mercado de seguros cibernéticos
está em rápida evolução, com várias
inovações em produtos e serviços. André
Leão indica algumas novidades. A primeira
delas, a cobertura para interrupção de
negócios. “Muitas apólices agora oferecem
cobertura para perdas financeiras
resultantes de interrupções operacionais
causadas por ataques cibernéticos. Um
estudo da Allianz revelou que 40% das
empresas que sofreram um ataque cibernético
enfrentaram interrupções significativas”,
explica Leão.
Outra inovação em cobertura de
seguros corresponde aos serviços de resposta
a incidentes: “Algumas seguradoras
estão oferecendo serviços de consultoria
em segurança cibernética como parte do
pacote de seguro, ajudando as empresas
a desenvolverem planos de resposta a
incidentes e a fortalecerem suas defesas.
25
TENDÊNCIAS
RISCOS CIBERNÉTICOS
VICTOR PEREGO,
da AIG
Isso é crucial, pois 60% das empresas
que enfrentam um ataque cibernético
não conseguem se recuperar completamente,
conforme indicado pelo relatório
da Allianz”, diz o executivo da Marsh
McLennan, que, por fim, cita a cobertura
para ataques de ransomware: “Com o aumento
dos ataques de ransomware, muitas
seguradoras estão agora oferecendo
cláusulas específicas que cobrem os custos
de resgate e recuperação de dados,
refletindo a necessidade de proteção
contra essas ameaças emergentes.”
O mercado de seguros cibernéticos
se expandiu para cobrir perdas de
receita e custos de recuperação, além de
oferecer monitoramento preditivo. As
CLAUDIO MACEDO PINTO,
da Bluecyber
insurtechs estão inovando ao incorporar tecnologias de IA e monitoramento
em tempo real para detectar e responder rapidamente
a ameaças. “A TrustOps, por exemplo, combina cobertura de seguro
com monitoramento ativo na Deep e Dark Web e programas de
conscientização para mitigar vulnerabilidades internas”, cita Cardozo,
da Zentek.
Cofundador da Bluecyber Seguros, Claudio Macedo Pinto
atua no mercado de seguros desde 1987, com passagens por grandes
corretoras e seguradoras no Brasil e no exterior. Para ele, o risco
cibernético é uma coisa, seguro cibernético é outra. “O risco cibernético
é algo gigantesco, já o seguro cyber só cobre uma parte. A
essência do seguro cibernético, não só no Brasil, mas também no exterior,
é a responsabilidade civil por vazamento de dados. A essência
é essa. Uma apólice só é considerada seguro cyber se ela tem, pelo
menos, cobertura de responsabilidade civil de vazamento de dados.
Esse é o primeiro ponto para se ter em mente. Obviamente, há outras
coberturas, como danos ao próprio segurado, lucros cessantes,
pagamento de resgate, o tal do ransomware etc., que são coisas distintas”,
explica Pinto. “O golpe do PIX é um evento cibernético, mas
não é no seguro cyber que cobre. Há seguro específico para isso.
Golpe no cartão de crédito é um evento cibernético, um seguro específico.
Enfim, há outras situações que são riscos cibernéticos, mas
não é a apólice cibernética que cobre, vai estar coberto atrás de outros
ramos específicos”, acrescenta.
Professor de seguro cibernético na Escola de Negócios e Seguros
(ENS), na Ventura Cyber Academy, ISQ Portugal, entre outras
instituições nacionais e internacionais, Pinto destaca três pilares
para o seguro cyber: O primeiro é a responsabilidade civil, que é o
essencial; o segundo são os danos próprios; e o terceiro pilar o 0800
das seguradoras, onde um atendente fará a triagem e dará o suporte
ao cliente, acionando, inclusive, um perito forense. “Há essa essência
também de consultoria que, dependendo da empresa, é mais importante
que a indenização em si, porque o suporte da seguradora
ajuda o cliente a agir rápido e, quanto mais rápido reagir, menor o
prejuízo”, diz ele, complementando: “Cyber risks é um nome comercialmente
legal, mas é ruim porque dá a impressão de que [a apólice]
cobre tudo que é cibernético. Não, [cobre] só a responsabilidade
civil e os danos específicos”, resume.
CORRETORES E A CARTEIRA “CYBER”
Na AIG, por exemplo, como assinala Ronald Tavares, o número
de corretores que atuam com seguro cyber cresce ano a ano, consistindo
em uma fonte nova de receita que ajuda a diversificar os
negócios. “De certa forma, o seguro cyber demanda a familiaridade
dos corretores com um tema visto como mais complexo e específico.
Entendemos que a AIG, como seguradora líder no segmento, deve
apoiar os corretores e seus clientes em assuntos específicos e nos
quais é referência, ou seja, no seguro, sua colocação, cobertura e vigência
e como pode amparar eventuais multas, a exemplo da cobertura
de multas no seguro de riscos cibernéticos. Nesse sentido, nossa
equipe na AIG tem trabalhado constantemente na conscientização e
abertura do mercado de segurança cibernética, por meio de treinamentos
e relacionamento constante com nossos parceiros”, conclui.
26
RISCOS CIBERNÉTICOS
ENTREVISTA
Estamos atrás da Argentina
SENADOR ESPERIDIÃO AMIN (PP/SC), QUE PRESIDE A SUBCOMISSÃO
PERMANENTE DE DEFESA CIBERNÉTICA DO SENADO, CONVERSOU COM
APÓLICE SOBRE OS RECENTES TRABALHOS QUE VÊM SENDO EXECUTADOS
A PARTIR DO PODER PÚBLICO EM RELAÇÃO AOS RISCOS CIBERNÉTICOS.
“NÃO TER UM ÓRGÃO QUE RESPONDA PELA COORDENAÇÃO DO QUE SE
DEVE CRIAR DE DEFESA CIBERNÉTICA, EU ACHO QUE É UMA TEMERIDADE
PARA O BRASIL”, ALERTA O SENADOR, QUE FOI DESIGNADO RELATOR DO
PLANO DE DEFESA NACIONAL DAS FORÇAS ARMADAS E ANUNCIOU QUE
INCLUIRÁ NO RELATÓRIO A NECESSIDADE DE REFORÇAR O ORÇAMENTO
DESTINADO À SEGURANÇA CIBERNÉTICA
André Felipe de Lima
APÓLICE: Qual é o papel da Subcomissão Permanente de Defesa
Cibernética do Senado e o que, pontualmente, ela tem como pauta
principal sobre o tema “riscos cibernéticos”?
Esperidião Amin: A Comissão de Relações Exteriores e Defesa
Nacional percebeu, especialmente nesses últimos anos, que
a questão dos crimes cibernéticos deixou de ser um episódio que
acontece lá longe e reconheceu que isso está acontecendo no nosso
dia a dia. Os números de ataques cibernéticos que ocorrem no
Brasil são inacreditáveis, verdadeiramente. Quando se percebe que
o número de quase 100 bilhões baixou para 70 bilhões no ano de
2023, com o diferencial de que os crimes passaram a ser, ou os ataques
passaram a ser, mais, digamos, refinados, trouxe para nós uma
realidade que a gente imaginava que pertencia a outros países. As
informações de que os ataques cibernéticos provocam prejuízos
significativos no PIB nacional nos leva a uma análise mais acurada.
Por isso, criou-se uma subcomissão para dar, pelo menos, um caráter
orgânico às pesquisas, à interação, ao conhecimento e ao reconhecimento
do problema. E creio que no final deste ano, ao apresentarmos
o relatório do ano e as propostas, inclusive versando sobre
a Agência Nacional de Defesa Cibernética, deve-se criar ou não se
deve criar, eu creio que nós teremos cumprido o nosso dever. Estamos
a um mês dessa proposição. No último mês de outubro, do
dia 14 ao dia 18, foi realizado o projeto Guardião, o exercício de ataque
cibernético, desta feita na Escola Superior de Defesa Nacional.
E só como ponto de partida, então, eu já assisti a quatro desses seis
eventos, que são organizados pela defesa cibernética do Exército
Brasileiro. E neste ano contou com 143 empresas e agências, com
616 participantes, ou seja, algo de envergadura internacional, o que
mostra que o assunto é sério.
APÓLICE: Quais são as barreiras políticas que o senhor identifica
para que haja mais vigor no combate ao crime cibernético, apesar
de termos em vigor a Lei Geral de Proteção de Dados?
Bom, a Lei Geral de Proteção dos Dados é retórica perto
do que está acontecendo. Em 2016, eu fui relator geral da CPI dos
crimes cibernéticos na Câmara dos Deputados.
Nós ficamos, na época, muito
impressionados. Olha bem, faz oito anos.
Ficamos muito impressionados com a realidade
que o Brasil vivia, especialmente
os crimes financeiros e as agressões principalmente
aos mais sensíveis, leia-se,
mulheres e jovens. O relatório que foi produzido
na época mostrava a amplitude
das agressões e dos ataques cibernéticos
há oito anos. Portanto, o que falta hoje?
Falta um convencimento político, convencimento
pelo reconhecimento de que
o problema é real. Eu acho que compete
à nossa subcomissão ajudar a esclarecer o
assunto. Esse é o nosso objetivo.
APÓLICE: Em agosto, o senhor e outros
membros da Subcomissão Permanente de
Defesa Cibernética do Senado estiveram
no encontro do National Cyber-Forensics
and Training Alliance (NCFTA), em Pittsburgh,
nos Estados Unidos e, em seguida,
participaram de um intercâmbio organizado
pelo Banco de Desenvolvimento
(BID), em parceria com a Digi Americas
Alliance, dedicada ao estudo e aperfeiçoamento
da cibersegurança mundial. Quais
foram os desdobramentos dessa jornada
do senhor e de toda a subcomissão nos
Estados Unidos? O que foi apreendido lá
que deva ser seguido pela sociedade brasileira
e setores de mercado?
Sobre a nossa excursão, a nossa incursão
em agosto nesses dois gêneros, no
27
RISCOS CIBERNÉTICOS
ENTREVISTA
NCFTA e no programa de intercâmbio do
BID, serviu para mostrar que o assunto é
verdadeiro e mundial. Mais do que isso,
talvez a grande contribuição seja termos
conhecido a visão americana da interface
entre governo e iniciativa privada. Que o
exercício de defesa cibernética, o guardião,
já enseja. Ou seja, há uma semelhança
entre o que nós vimos lá e o que
nós temos assistido aqui. As Forças Armadas
têm dado essa contribuição. Elas
têm permitido não apenas a participação
de organismos governamentais daqui e
de fora, mas também de representantes
da iniciativa privada. Há uma convergência,
portanto, de reconhecimento de que
esse assunto não é somente “chapa branca”.
Esse assunto é de interesse real do Estado
brasileiro e da sociedade brasileira.
O grande aprendizado, então, o que foi
aprendido lá e que deve ser seguido na
sociedade brasileira é o aperfeiçoamento
da interface poder público-poder privado.
Ou seja, criar uma agência para ser
mais um órgão governamental não vale
a pena. Agora, criar uma agência que dinamize
o intercâmbio, que facilite aquilo
que nós vimos no NCFTA, para isto vale a
pena. Já estou aqui antecipando. Eu não
tenho dúvida de que nós vamos ter que
propor a criação.
APÓLICE: Como foi noticiado, falou-se,
naquela ocasião, nos Estados Unidos, na
criação de uma agência de defesa cibernética,
bem como na formação e capacitação
profissional para estruturação do
órgão. O senhor poderia detalhar essa
questão e em que estágio se encontra?
Há entraves para a criação dessa agência
internacional? Estaria sob qual guarda-chuva?
Não falamos de uma agência internacional,
até porque desenvolver assunto
de segurança nacional, acho que
não é o primeiro passo. O primeiro passo
é cuidarmos de termos uma agência a
serviço do Brasil. Primeiro aprendizado:
interface, poder público, iniciativa privada,
ou seja, cooperação. A formação de
recursos humanos já é uma grande movimentação.
Já se imagina hoje qual é o
currículo, qual é o conteúdo programático
de um curso de um agente de defesa cibernética. Já há propostas.
Isso afeta até o Conselho Nacional de Educação e afeta também o
processo de habilitação. Sem nós termos um profissional para conduzir
essa questão, fica difícil imaginar. Todo sistema bancário e financeiro
brasileiro tem muitos especialistas em defesa cibernética,
mas para cuidar do que é deles, ali tem uma boa parte do curso, não
tem o curso todo. O agente de defesa cibernética é um conteúdo
programático que já existe no mundo e que tem que ser adaptado
às nossas circunstâncias. Mas tem que ser também formalmente
criado um nível de habilitação, profissão, reconhecimento de uma
categoria profissional.
APÓLICE: Quando falamos em riscos cibernéticos, o maior risco
está no homem ou na máquina e sistemas? É o velho ditado: “Quem
nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?”
O ataque cibernético, nós podemos dizer que nasceu com
o “primeiro espião”. Se você olhar o Livro dos Números [o quarto
dos cinco livros da Torá, a primeira seção da Bíblia hebraica, e do
Antigo Testamento cristão] na Bíblia, Moisés mandou espiões para
verem se a terra era boa, se tinha gente forte. Eles trouxeram notícias
para Moisés, não muito boas. “Olha, o pessoal é muito grande,
muito forte, não vale a pena, e a terra não é boa”. Então, o “primeiro
espião”, digamos, foi um “hacker físico”, ele foi lá e deu uma
espiada. Talvez tenha feito alguma pergunta, se disfarçou. Nós temos
hoje vários livros que ensinam o que é que faz um vírus que
fica “dormindo” na tua casa e só toma o que quer e quando lhe é
oportuno. Parece que é “ransomware”, o nome desse “bicho”. Então,
primeiro, existe a natureza humana e agora, com a ferramenta
e com a inteligência artificial, você imagina onde é que nós vamos
parar. Com a computação quântica, vai dar uma velocidade diabólica,
vamos dizer assim, uma velocidade impressionante. Hoje,
a gente não consegue perceber a diferença, mas é avassaladora a
diferença em relação aos meios. Se você comparar, já que eu falei
dos Livros dos Números, os primeiros espiões que o Moisés mandou
para espiar a terra prometida por Deus, trouxeram notícias
que não eram boas. Depois ele foi afinando. Eu acho que outros
países estão querendo saber o que o Brasil vai fazer com uma
agência de defesa cibernética. Só para concluir, estamos recebendo
um argumento definitivo da Argentina. O presidente [Javier]
Milei falou em extinguir o Banco Central, o Ministério da Educação.
Eu não sei quantos ministérios têm a Argentina, mas tem muito
pouco. O Banco Central ele ia fechar. E ele criou agora a Agência
de Defesa Cibernética, entregou aos cuidados de um especialista
em criptomoedas e estabeleceu uma dotação orçamentária anual
de US$ 80 milhões, que seria mais ou menos o custo, depois de
implantada, de uma agência de cibersegurança do Brasil. Se faltava
alguma coisa para nos convencer de que é preciso fazer algo
institucionalmente, o Milei colocou aquela gota que faz o copo
transbordar. Não há dúvida de que nós precisamos nos instrumentar
institucionalmente. Se é com agência, se é com outra forma,
isso cabe discussão. Agora, não ter um órgão que responda pela
coordenação do que se deve criar de defesa cibernética, eu acho
que é uma temeridade para o Brasil.
28
EVENTO
TECNOLOGIA
O maior encontro de insurtechs da
América Latina
CQCS INSURTECH & INOVAÇÃO SE CONSOLIDA COM A REALIZAÇÃO DE
QUASE 50 PAINEIS, COM ESPECIALISTAS DO MUNDO INTEIRO E MAIS
QUASE TRÊS MIL ESPECTADORES
Kelly Lubiato
O
propósito de criar uma reflexão para entender o caminho das
inteligências, seja ela humana ou artificial, permeou as discussões
do CQCS Insurtech & Inovação. “Não queremos nos perder
na tecnologia como um caminho para nos deixar de ser humanos”,
elucubra Gustavo Doria, CEO do CQCS.
A inteligência humana é insubstituível, mas ela precisa ser potencializada.
O homem que utilizar a IA será mais eficiente. Estas são
conclusões do evento. A Inteligência Artificial pode levar o mercado de
seguros a crescer de 800 a 1200% até o final de 2030. Esta estimativa é
de Amin Toufani, CEO da TLabs, uma empresa do Vale do Silício. “Deste
total, 80% deve ser dirigido por empresas que não são do mercado”,
previu Toufani.
Para ele, nos próximos seis anos veremos mudanças tecnológicas
equivalentes aos últimos 60 anos. “O futuro pertence aos supertimes
que fazem a disrupção, usando a tecnologia para produzir ainda
mais. A tendência exponencial para a maioria das empresas é ter muito
sucesso, até criar uma tragédia”, sentenciou.
Várias empresas participaram de paineis espalhados por seis
salas com programação simultânea. Cerca de três mil pessoas passaram
pelo Centro de Eventos Pro-Magno, participando das plenárias e
Gustavo Doria, Patricia Chacon e Pedro London
Caribou Honig
da feira que reuniu mais de 40 expositores,
além de espaço para adoção de pets e palco
para pitchs de novas empresas.
Muitos palestrantes internacionais,
executivos de seguradoras e resseguradoras,
prestadores de serviços participaram
da intensa programação. Segundo Doria, a
plenária montada, com dois mil e quinhentos
lugares, ficou sempre lotada. “O brasileiro
é mais focado em conteúdo de inovação
que todo o mundo”.
Rodrigo Garcia, da Suyana, e Tim
Macosh falaram sobre as mudanças climáticas
e as perdas seguradas. O gap de proteção
é um problema global e os seguros
paramétricos foram apresentados como
uma solução para seguros sociais.
Caribou Honig, fundador da Supervirens,
apresentou um painel sobre o fim
das insurtechs. Ele falou sobre temas que
se concretizaram, como a adoção de API’s,
novas fontes de dados e sobre coisas que
não viraram, como os seguros paramétricos.
“A distribuição digital se consolidou
como uma força, tanto para os corretores
tradicionais quanto para os digitais. Mas o
mundo mudou e todos precisam se adaptar
à nova realidade digital”, completou.
29
CORRETORA
ÉVORA
Muito além do
automóvel
A ÉVORA SEGUROS NASCEU COM FOCO EM
AUTOMÓVEIS, MAS AGORA EXPANDE SUA
ATUAÇÃO PARA BENEFÍCIOS
Eduardo Rizi, Aline Freire, Thiago Rocha, Milena Piva e Marcelo Leite
Uma corretora que surgiu com
forte foco no seguro de automóveis,
a Évora Seguros agora
amplia sua atuação para a área de benefícios.
Divididas em verticais, as áreas
oferecem, além do seguro auto, seguros
de vida, viagem, saúde e odonto para
todos os públicos.
O Grupo Évora nasceu, há 35 anos,
a partir da atuação como despachante
dentro das concessionárias, quando
identificaram a oportunidade de fornecer
também o seguro para os veículos.
Foi aí que Thiago Rocha, Diretor Geral da
Évora Seguros, recebeu o convite para
gerir o novo negócio e começou a se dedicar
ao mercado de seguros. “Tinha 17
anos na época e mergulhei fundo em todos
os processos de uma corretora para
cuidar desta vertical”, conta Thiago.
O mercado foi se abrindo e as marcas de veículos se multiplicaram.
Os acordos comerciais com as concessionárias envolviam
normalmente a atuação do despachante e da corretora de seguros.
Rocha conta que quando existia uma corretora cativa na concessionária,
o Grupo fazia uma oferta para compra destas operações.
A corretora Évora Seguros cresceu e hoje está presente em
400 pontos de vendas, cobrindo mais de 75% do território do Estado
de São Paulo. Os outros 25% ficam espalhados por todo o Brasil.
A partir da identificação de novas oportunidades, tanto nas
concessionárias quanto dentro da própria carteira, a corretora, decidiu
ampliar sua atuação para a área de benefícios. Para tanto, Marcelo
Leite foi contratado como Diretor de Benefícios, com a missão de
atrair novos negócios.
O processo de captação de novos leads começa com a classificação
da carteira, olhando para os clientes na carteira de automóveis
e categorizando-os, para saber se eles possuem empresas, de
qual tamanho e as suas possibilidades. “Estamos checando com os
clientes todas as suas demandas”. Outra fonte importante de novos
negócios é a prospecção via ferramentas digitais, usando tecnologia
para abrir mercados e identificar novos clientes.
30
Leite explica que a empresa quer ser diferente dos corretores
de seguros e planos de saúde que normalmente atuam apenas
com vendas. “Nós oferecemos uma consultoria, com muito
cuidado com o cliente, pois ele já conhece a eficiência da nossa
marca. Quando fazemos o cross-sell, a relação do cliente do automóvel
já é tão forte, que ele nos enxerga como parceiros de
bons negócios.”
É preciso analisar a base de clientes e segmentá-los para fazer
uma oferta alinhada para cada público. “Ter um papel consultivo,
com atuação em gestão de saúde e ter uma área de operação eficiente
faz com que nos vejam de forma diferente”, acredita Leite. Os
executivos trabalham para que o cliente enxergue a Évora não como
uma corretora de seguro de automóveis, mas como uma empresa
360º, em todas as linhas de produtos.
Os canais de distribuição de benefícios da corretora são, além
da equipe própria que fica na unidade da Avenida Paulista (em São
Paulo), o cross-sell e a geração de leads no ambiente digital. “A vantagem
do nosso negócio é o direcionamento e a diversidade de produtos,
com preços compatíveis com o mercado, além de um atendimento
personalizado e suporte aos clientes.
“Não queremos simplesmente vender. Fazemos a gestão da
saúde e operacionalizamos com muito cuidado os produtos de saúde,
odonto, vida e viagem”, ratifica o executivo de benefícios.
VALORIZANDO AS PESSOAS
Eduardo Rizi, diretor de automóveis, ressalta que a Évora possui
mais de um milhão de seguros comercializados ao longo de sua
história, por qualquer via que seja. “Temos frentes de trabalho com
operadores especialistas que ficam nas concessionárias e também
equipes focadas em renovação, pós-venda, sinistros e cobrança
dentro da nossa sede. Estas equipes precisam estar muito alinhadas,
porque a venda vai além da comercialização, concretiza-se no
atendimento”.
Quando a equipe especializada em automóveis completa a
venda do seguro, automaticamente oferece outros produtos, como
saúde, odonto e vida. “Estamos trabalhando a cabeça do colaborador
para que ele esteja preparado para fazer a indicação. Sempre
conversamos com o colaborador para reforçar a atuação da corretora
em outros segmentos”, acrescenta Rizi.
A Évora Seguros conta com 210 colaboradores em todas as
áreas de atuação. Já o Grupo, tem ao todo mais de 1200 colaboradores.
É um grupo diverso, com pessoas que atuam há muito
tempo na companhia. “Os mais antigos, tanto em idade quanto em
tempo de casa, estão colocados em locais estratégicos. Sabemos
que temos que ter velocidade no atendimento e paciência. Mesclamos
as experiências para oferecer as melhores opções para os
clientes”, valoriza Thiago Rocha.
Para cuidar da evolução da marca da Évora, que passou por
um rebranding recente, Aline Freire chegou há seis meses na cadeira
de Gerente de Marketing. “Vim para fazer a evolução da marca
nas cinco empresas do Grupo, incluindo a Évora Seguros, que é uma
corretora com muita solidez, bastante reconhecida pelo mercado”,
comemora.
Sabemos que temos que ter
velocidade no atendimento
e paciência. Mesclamos as
experiências para oferecer as
melhores opções para os clientes”
THIAGO ROCHA
A abordagem para a nova marca
foi feita na linha institucional, trazendo a
história da empresa. “Évora é uma cidade
portuguesa, cuja origem remete a uma
árvore, reconhecida por sua longevidade
e raízes profundas. Queremos reforçar a
renovação em nossas comunicações, mas
mantendo nossa essência”, explica Aline.
“A mudança não foi apenas estética.
Mantemos os nossos valores institucionais
- segurança, confiança e excelência
em atendimento - e o conceito está
amarrado com um novo posicionamento
que reflete esse novo momento, focado
na nossa expansão e na consolidação da
nossa referência para os clientes.”
O lançamento da marca foi feito
primeiramente para os colaboradores,
por meio de canais exclusivos da corretora
e, depois, para os parceiros de mercado
e, agora, para os clientes e prospects, explica
Aline.
Rizi diz que esse é o primeiro passo
para que a empresa possa continuar evoluindo
e acredita que o futuro da empresa
depende do que for plantado agora.
“Nossos valores se mantém e nossa marca
nos coloca mais alinhados com esse novo
momento, com uma equipe capacitada e
alinhada para os próximos passos. Nosso
time está capacitado para oferecer a melhor
solução em seguros seja qual for a
necessidade dos nossos clientes”.
“Para o próximo ano, entraremos
em outros ramos. A ideia é expandir para
outras áreas que tenham volume e nas
quais possamos crescer exponencialmente”,
complementa Rocha.
31
EVENTO
CNSEG
Fórum Brasil-Reino Unido de Seguros: parcerias estratégicas para o futuro
REPRESENTANTES DE SEGURADORAS, RESSEGURADORAS, BROKERS INTERNACIONAIS E ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS
DEMONSTRARAM OTIMISMO AO DISCUTIR DESENVOLVIMENTO DE INFRAESTRUTURA, RISCOS CLIMÁTICOS E CIBERNÉTICOS
O
mercado global de seguros é um
pilar essencial para a economia,
garantindo proteção em momentos
de incerteza e facilitando investimentos
de longo prazo. No contexto das mudanças
climáticas, da digitalização e dos desafios
econômicos globais, o setor segurador se
encontra diante de uma oportunidade única
para redefinir suas estratégias e ampliar
sua relevância. No Brasil, com um mercado
de seguros que ainda é pequeno em relação
ao seu potencial econômico, iniciativas
como o Brazil-UK Insurance Forum, organizado
pela Confederação Nacional das
Seguradoras (CNseg) em parceria com a Association
of British Insurers (ABI), destacam
o potencial dos acordos internacionais para
transformar desafios em oportunidades.
Realizado em Londres, o evento
reuniu líderes do setor, representantes governamentais
e especialistas, promovendo
discussões sobre mudanças climáticas, infraestrutura,
riscos cibernéticos e a modernização
do mercado de seguros.
O evento destacou o enorme potencial
de crescimento do mercado brasileiro
que, embora ainda pequeno em relação
ao seu tamanho econômico, está bem
posicionado para se tornar um dos principais
players globais.
Painel sobre cibersegurança
Kelly Lubiato
Um dos maiores desafios enfrentados pelo setor no Brasil é a
percepção do seguro como um custo, e não como um investimento.
Essa visão limita a penetração do mercado e reduz a adesão a produtos
que poderiam mitigar riscos significativos. Durante o fórum, vários
especialistas destacaram a importância de mudar essa mentalidade,
tanto entre consumidores quanto entre empresas.
O Brasil e o Reino Unido compartilham um interesse mútuo em
fortalecer suas relações comerciais, especialmente no setor financeiro e
segurador. Durante o fórum, Cathryn Law, do Departamento de Negócios
e Comércio do Reino Unido, destacou a prioridade atribuída aos serviços
financeiros no relacionamento bilateral. Ela enfatizou que o Brasil é
um parceiro estratégico na América Latina, com um mercado promissor
para seguradoras britânicas que desejam expandir sua atuação.
A assinatura de um Memorando de Entendimento entre a CNseg
e a ABI demonstra o compromisso de ambos os países em promover
o intercâmbio de conhecimento e desenvolver soluções conjuntas
para desafios como riscos climáticos, infraestrutura e cibersegurança.
O embaixador brasileiro em Londres, Antonio Patriota, ressaltou
que o Brasil já é o quarto maior receptor de investimentos estrangeiros
diretos no mundo. Patriota destacou que mais de 50% da energia consumida
no País é proveniente de fontes renováveis, o que abre novas
possibilidades de investimentos. E completou: “as relações bilaterais
entre os dois países geram cerca de US$ 6,1 bilhões em negócios. Este
número pode crescer bastante ainda”.
Antonio Patriota, embaixador
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
As mudanças climáticas já não são um risco futuro; são uma realidade
que afeta diretamente a indústria seguradora. No Reino Unido,
tempestades severas como as 12 registradas em 2024 geraram prejuízos
de bilhões de libras. No Brasil, desastres naturais, como enchentes
32
e secas, são igualmente devastadores, mas a lacuna de proteção é alarmante.
De acordo com Pedro Farme, CEO da Guy Carpenter, apenas
6% das perdas causadas por enchentes no Rio Grande do Sul foram
seguradas, enquanto a média global de cobertura chega a 60%.
Essa discrepância reflete tanto a falta de conscientização sobre
a importância do seguro quanto a dificuldade de acesso a produtos
acessíveis e eficazes. Programas sociais podem desempenhar um papel
crucial nesse cenário.
Sid Miller Obe, Conselheiro Estratégico do Lloyd’s, ressaltou
a necessidade de uma mudança de mentalidade. Ele destacou que,
“embora o setor de seguros não resolva os problemas climáticos, sua
expertise em precificação e mitigação de riscos é essencial para a construção
de um futuro mais resiliente. No Brasil, essa abordagem é particularmente
relevante, dado o aumento na frequência e na intensidade
dos eventos climáticos extremos”.
INFRAESTRUTURA: UM MOTOR PARA O DESENVOLVIMENTO
A robustez da economia brasileira foi ressaltada por Gustavo
Guimarães, secretário executivo do Ministério do Planejamento. No
painel sobre investimentos em infraestrutura, ele falou sobre os números
do novo PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, com
investimentos da ordem de R$ 1,7 trilhão, que demandarão a atuação
do setor segurador e ressegurador para garantia das obras no Brasil.
Ele representa uma oportunidade histórica para o setor de seguros.
Com a aprovação da nova Lei de Licitações, o percentual do Seguro
Garantia pode chegar a 30% do valor do contrato, assegurando
a conclusão de obras e aumentando a atratividade para investidores
estrangeiros.
Segundo Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, essa medida
pode adicionar entre R$ 5 e 10 bilhões em prêmios anuais ao mercado
segurador até 2030. No entanto, para atender à demanda do PAC,
será necessário mobilizar capital internacional. Jorge Sant’Anna, CEO
da BMG Seguros, estima que entre R$ 40 e R$ 45 bilhões em resseguros
serão necessários. Essa integração é vital para evitar que obras fiquem
paradas — atualmente, cerca de 40% das obras públicas no Brasil estão
interrompidas por falta de garantias adequadas.
A subsecretaria de Desenvolvimento e Planejamento do Ministério
dos Transportes pontuou que a missão é aumentar a participação
do capital privado no desenvolvimento de rodovias e ferrovias. “O Ministério
dos Transportes faz, em média, 1,5 leilão de rodovias por ano.
Para 2024 foram planejados 24 leilões ligados à infraestrutura. O leilão
é dividido em etapas, que permitem entregar os resultados esperados
para aumentar a extensão da malha rodoviária em 150% até 2026, administradas
pela iniciativa privada”. Este programa vai tornar o país cada
vez mais interessante para receber os investimentos internacionais.
Para atender a toda esta demanda, Leonardo Deeke, chairman
do Conselho da Junto Seguros, convocou os seguradores e resseguradores
a criar um grupo de trabalho para discutir os contratos e oportunidades
do seguro garantia.
Para o presidente do IRB Re, Marcos Falcão, o seguro garantia
cresceu rápido demais, baseado no mercado internacional, com diversificação
e divisão geográfica. “É preciso entender porque há um histórico
de obras paradas. Mas quero ver funcionando o Step in das obras
Hannah Gurga, da ABI, e Dyogo Oliveira, da CNseg
para saber que elas estão protegidas”. Para
ele, a atração de capital para seguros e resseguros
será grande porque o retorno será
compensador.
CIBERSEGURANÇA É DESAFIO PARA
MERCADO
Com a digitalização acelerada, os
riscos cibernéticos estão se tornando uma
das maiores preocupações para seguradoras
em todo o mundo. Caroline Dunn, chefe
de Subscrição da Zurich UK, apresentou
como a inteligência artificial (IA) e o big
data estão sendo usados para melhorar a
precificação e a gestão de riscos. No Reino
Unido, essas tecnologias permitem prever
incêndios ou danos com base na proximidade
a estações de bombeiros ou na análise
de características dos imóveis vizinhos.
No Brasil, o mercado de seguros
cibernéticos ainda está em estágio inicial,
mas seu potencial de crescimento é enorme.
Roberto Santos, presidente do Conselho
da CNseg, destacou a necessidade de
o setor adotar tecnologias avançadas para
criar produtos mais eficazes e acessíveis.
Ele enfatizou que a proteção cibernética
será tão comum quanto o seguro D&O nos
próximos 10 a 15 anos.
O CEO da EZZE Seguros, Richard
Vinhosa, disse que a indústria de seguros
segue o indivíduo desde o início, acompanhando
desde o nascimento com um seguro
saúde, até a morte, com uma assistência
funeral. “Às vezes não conseguimos captar
a informação e utilizá-las no momento em
que o indivíduo está atuando. O ser humano
é previsível, portanto, este é um desafio
grande, mas importante”.
33
EVENTO
FREELA
Melhorar a comunicação é desafio do setor
AS RODAS DE CONVERSA SOBRE A JORNADA DA COMUNICAÇÃO NO MERCADO DE SEGUROS
AMPLIAM O DEBATE SOBRE GRANDE EMPECILHO PARA CRESCIMENTO DO SETOR
A
2ª edição do evento “A força da
comunicação no mercado de seguros”,
evento promovido pela
Freela, em São Paulo, reuniu representantes
de empresas do mercado na Câmara de Comércio
Árabe Brasileira (CCAB), em São Paulo,
para discutir ‘a jornada da comunicação e
do atendimento no seguro automóvel’.
Na primeira Roda de Conversa,
Kelly Lubiato, editora da Revista Apólice,
conduziu o papo entre Regina Macedo,
superintendente de comunicação do Grupo
Bradesco Seguros; Ednei Delfim, superintendente
de comunicação e marketing
da Lockton Brasil e Sandra Lima, superintendente
de marketing e comunicação da
Zurich Seguros, que contaram como usam
a comunicação para conectar as empresas
com o público interno e o consumidor.
Regina destacou que, no caso da
comunicação interna, voltada para o colaborador,
um dos desafios é criar conteúdo
que promova engajamento desse público.
“As pessoas são impactadas por muitas informações
e isso dificulta conquistar relevância”,
afirmou.
A executiva contou que a opção na
Bradesco foi criar conteúdo que impactasse
as pessoas por meio de canais tradicionais
e também programas de vídeo feito
pelos funcionários para os funcionários.
“Queremos que os colaboradores se sintam
protagonistas e conheçam o que a
companhia oferece, não só em termos de
produtos, mas em questões de sustentabilidade
e entendam que elas estão construindo
a empresa”, disse.
Pela Zurich Seguros, Sandra Lima,
gerente de comunicação, destacou que o
colaborador é o porta-voz da empresa e
garantir a consistência da mensagem é um
desafio. Ela ressaltou as transformações na
forma de comunicar como conseguir que
a cultura do mercado segurador permeie
a conversa dos brasileiros. “Precisamos
Kelly Lubiato, Regina Macedo, Ednei Delfim e Sandra Lima
Kelly Lubiato
fomentar o seguro além do produto, precisamos falar do motivo que as
pessoas devem considerar para estarem sendo protegidas”, disse.
Ednei compartilhou sua experiência e afirmou que o marketing
agrega a divulgação de produtos e prestação de serviço para clientes
que queiram uma comunicação mais direcionada. Ele apontou que
é mais fácil engajar as pessoas quando elas enxergam um propósito.
“Para falar sobre produtos de previdência, por exemplo, podemos usar
storytelling e apresentar todo o ciclo de vida de uma pessoa, para gerar
identificação. Não falamos sobre as condições do plano. Isso vem depois
que o consumidor tiver interesse na proteção”, destacou.
A segunda parte do encontro que abordou o Atendimento e
Comunicação de Valor focou mais especificamente no seguro de automóvel.
Denis Nogueira Severino, diretor de sinistros judiciais, grandes
riscos e massificados da Allianz Seguros, explicou como a companhia
faz para se comunicar com segurados, corretores e prestadores de serviço
no seguro auto. Já Beto Rubim, diretor Executivo de Operações da
Suhai Seguradora, falou das especificidades e experiência da companhia
com seguro de motos. O executivo revelou que a companhia tem
50% de market share do mercado inteiro de motocicletas. Essa peculiaridade
leva a companhia a buscar uma transformação em seus sistema
e processos para melhorar o atendimento aos clientes.
Jacqueline Izabel Gomes da Silva, diretora de Clientes e Desempenho
Comercial da Mafre Seguros, ressaltou o trabalho que a
companhia faz para facilitar a linguagem e não fazer uso do segurês.
“Buscamos uma comunicação assertiva e integrada. As comunicação é
fundamental e é preciso que todos tenham essa consciência o cuidado
de ser simples sem ser simplista”, disse.
Daniela Costa, superintendente de Marketing Corporativos da
Wiz Concept, comentou a importância do corretor de seguros que é
quem tem contato direto com o cliente e quem faz a ‘tradução” do que
é e como funciona o seguro. “Essa função de simplificar é do corretor”,
afirmou.
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