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REVISTA FRAPPÉ 2ed

O tema da vez é Nostalgia e abordamos ele em diversos aspectos da Cultura Pop! Vem com a gente. ✨

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FRAPPÉ

FRAPPÉ 02

Dezembro 2024

ELAS VOLTARAM:

A TRAJETÓRIA DAS

COMÉDIAS

ROMÂNTICAS

“BOTA ESSA P#RR@

PRA FUNCIONAR”

MTV BRASIL: O CANAL QUE MOLDOU UMA GERAÇÃO

AINDA ESTOU AQUI

BRASIL PODE

RETORNAR AO

OSCAR DEPOIS DE 26

ANOS


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Se você

leu esse

texto,

seu cliente

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vai ler.

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ÍN

DI

CE

10 12

Balinha de Café

As indicações da galera do Clubinho!

Calendário do Pop

Rolês e estreias imperdíveis!

13

Cinema

A editoria dos amantes da 7ª arte!

24 Televisão

30

36 Capa

Sua nova série favorita está aqui!

Literatura

Descubra sua próxima leitura!

A história da MTV Brasil!


ÍN

DI

CE

40 Música

Pegue seus fones de ouvido e venha!

52

Café com Pauta

Uma entrevista com a banda perrnambucana Volver

57

Moda

Qual o impacto da nostalgia nas tendências?

60 Especial

Fala, povo: o que achamos de Ainda Estou Aqui?

62

#OFFTOPIC

Caso P. Diddy transforma a Hollywood que conhecíamos

68 Teste

Prove que você viveu os anos 2000!

E muito mais!


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Editorial

Existe um termo científico para a falta que sentimos de

momentos que nunca vivemos – e nem é meme. Se

chama anemoia. Esse sentimento é, basicamente, a

saudade de um passado no qual você nunca esteve, mas

gostaria de ter vivido.

Mas, quando a gente sente aquela saudade genuína de

um tempo bom – e bem vivido –, existe outro termo que

tenta contemplar essa sensação: é a nostalgia. O termo

foi criado no século 17, por um médico que vivia na Suíça, e

queria expressar a saudade de casa que mercenários

estrangeiros sentiam, estando longe. É a soma de “nostos”,

do grego, que significa “voltar para casa”, com “algos”, que

significa dor.

Para os profissionais, a nostalgia é um sentimento que,

sem excessos, pode ser considerado saudável. Ele

combate a solidão ou a ansiedade existencial. Também

está relacionado a duas coisas, que andam lado a lado: o

desejo e a memória.

Existe, inclusive, todo um estudo que busca avaliar se há

relação entre a nostalgia, a anemoia e o crescimento de

movimentos populistas como o “Make America Great

Again”, mas esse é um assunto para outro dia. Hoje a

pauta é outra.

Para nós, a nostalgia é quase como um estilo de vida e,

nas próximas páginas, tentamos colocar em palavras

algumas explicações e porquês desse sentimento tão

latente – e comum de toda uma geração, seja ela qual for.

Aqui, ao contrário do filme Divertida Mente 2, a Nostalgia

não precisa se preocupar em estar adiantada. É como se

ela estivesse presente desde sempre. Portanto, esse é um

convite para você pegar seu café e embarcar com a

gente nessa verdadeira viagem no tempo. Você está

preparado?

y

Bea

EDITORA-GERAL

7 Revista Frappé


Expediente

Edição geral

Bea Alcântara

Editorias

Cinema

Micael Menezes

Música

Luiz de França

Literatura

Paloma Xavier

Revisão geral

Carol Cassoli

Diagramação

Bea Alcântara

Amanda Furniel

Colunistas

Ana Victória Borges

Maria Eduarda Camilo

Siérgia Almeida

Repórteres

Alice Costa

Gabriell Vinícyus

Lucas Salatiel

Amanda Furniel

Micael Menezes

Ana Flávia Lima

Nalim Tavares

Bea Alcântara

Paloma Xavier

Carol Cassoli

Thaissa Freitas

8 Revista Frappé


5


dica do editor dica do editor

Balinha de Café

indicações do clube

Amor da Minha Vida

AINDA ESTOU AQUI

Série de comédia romântica

nacional que não perde em

nada para “Ninguém Quer”.

Com Bruna Marquezine e

Sérgio Malheiros, é muito

10/10.

Wicked

O filme do ano não podia ficar de fora da

nossa lista de indicações. Emocionante,

doloroso e necessário, “Ainda Estou Aqui”

é cura e também resgate.

Todo mundo precisa desafiar

a gravidade assistindo esse

ícone!

Melhor do que Nos Filmes

Se o tema é nostalgia, esse livro

tem todos os elementos para os

apaixonados por romances dos

anos 2000. Vale cada segundo de

leitura!

As Namoradas do Papai

Filminho com todo toque

nostálgico que a gente precisa: as

gêmeas Olsen. Tá disponível no

YouTube e é o puro suco dos anos

90.

Mary Jane

Uma menina de 14 anos, que

encontra conforto em uma família

bem diferente da dela, em plenos

anos 1970.

VOCÊ, DE NOVO

E por falar em nostalgia, Kate

Goldbeck tirou Você, de novo do

forno outro dia e, sem me

prometer muita coisa, entregou

personagens que estão

amadurecendo juntas em uma

vida adulta confusa, irregular e

sem muitas certezas.

10 Revista Frappé


dica do editor dica do editor

CHALLENGERS

Triângulo amoroso envolto no mundo sempre midíatico

do circuito profissional do tênis. Show de atuações da

Zendaya, Josh O'Connor e Mike Faist e uma trilha sonora

marcante.

Malu

PRIMEIRO EU TIVE QUE MORRER

Uma história que abre e fecha

portas. Ideal pra quem sente

que chegou a hora de encerrar

ciclos - e também pra quem não

faz ideia de que chegou esse

momento.

dica do editor dica do editor

Assim como Ainda Estou

Aqui, o longa nacional de

Pedro Freire aborda os

efeitos da Ditadura Militar

em um mulher brasileira

e como sua vida se

desenrolou a partir disso.

Agatha Desde Sempre

Ninguém Quer

FROM ZERO

Retorno triunfal da banda com a

nova vocalista, Emily Armstrong.

As músicas têm muito do estilo

já consagrado, mas também

mesclando com uma nova

roupagem. Que venha muito

mais!

O que acontece se a gente juntar a voz da Gossip Girl

com o Seth Cohen? O resultado é a série “Ninguém Quer”,

da Netflix.

dica do editor dica do editor

Aubrey Plaza e Kathryn

Han? É tudo que

precisamos! Assista no

Disney Plus e aproveite a

dica.

Macaco Sessions

Quem ainda não conhece

Rachel Reis, precisa ouvir

AGORA! A gravação

desse álbum ao vivo é

uma das coisas mais

gostosas do mundo e

vicia tanto que você vai

decorar até as falas

entre as músicas

Paterson

É de uma naturalidade corrosiva, que conquista pela banalidade da vida e pela poesia das

pequenas coisas. Me gerou uma incontrolável vontade de casar com a pessoa mais

normal do mundo (e ter a rotina mais comum de todas)! y

11 Revista Frappé


do pop

CALENDÁRIO

Rolês que vêm aí!

16 e 17/01: Ally Brooke

22 a 26/01: Twenty One

Pilots

29 e 30/01: Patti Smith

08/02: Christina Aguilera

08/02: Numanice RN

11 a 13/02: Shakira

25/02: Ensaios da Anitta

em Recife

Estreias no cinema

Janeiro/2025

Chico Bento e a Goiabeira

Maraviosa

Pequenas Coisas como Estas

O Aprendiz

Ameaça no Ar

Chegando ao streaming

Janeiro/2025

Beleza Fatal (Max)

O Agente Noturno – 2ª temporada (Netflix)

Ruptura – 2º temporada (AppleTV+)

Goosebumps (Disney+)

12 Revista Frappé


Foto: Divulgação

Elas estão

de volta:

a ascensão

e queda das

comédias

românticas

por Nalim Tavares

13 Cinema


O amor está no ar

Cena de Aconteceu Naquela Noite

(divulgação)

Aconteceu Naquela

Noite: em 1934, Ellie

Andrews, filha de um

milionário, fugiu de casa

para encontrar o homem

que amava — um piloto

de corrida não aprovado

por seu pai. O caminho

dela cruzou com o de

Peter Warne, um

jornalista recémdemitido

que viu, na fuga

de Ellie, a chance de

escrever uma grande

história. Essa é a

premissa do filme

dirigido por Frank Capra

que, ao misturar

comédia, romance e

uma pitada de enemies

to lovers, se tornou o

primeiro a vencer os

cinco principais prêmios

do Oscar — uma façanha

que mostrou para

Hollywood que água com

açúcar, na verdade,

podia ser uma boa

receita.

A fórmula mais básica de

uma comédia romântica

— garota conhece garoto

e a química cresce entre

eles, mas um obstáculo

precisa ser vencido para

que eles possam ficar

juntos — não apenas deu

certo, como se

popularizou e encontrou

seu auge na década de

90.

Alguns dos filmes

lançados na época,

como Uma Linda Mulher

e 10 Coisas que eu Odeio

em Você são, até hoje,

produções que precisam

estar carimbadas nas

carteirinhas de todo

cinéfilo

(ou,

simplesmente, dos fãs de

romance). O cinema dos

anos 2000 também

começou forte em obras

do gênero e, no Brasil,

programas como Sessão

da Tarde, da Rede Globo,

cuja proposta envolve a

exibição de filmes para

toda a família, só

ajudaram a impulsionar

clássicos como De

Repente 30, E se Fosse

Verdade e A Proposta.

(...) água com

açúcar, na

verdade, podia

ser uma boa

receita.

Ainda nos anos 2000, o

gênero decaiu... Não por

uma razão específica,

mas por várias. A

indústria do Cinema

estava passando por

inovações, investindo

cada vez mais em efeitos

especiais. Em 2008, o

filme Homem de Ferro

deu origem ao Universo

Cinematográfico da

Marvel e, em 2009, o

primeiro

longametragem

da franquia

Avatar surpreendeu ao

mostrar os Na’vi e o

exuberante mundo de

Pandora. Obras com

enredo mais complexo,

cheias de ação e

reviravoltas, começaram

a chamar a atenção do

público.

14 Cinema


Com o avanço das pautas sociais, a

popularidade do gênero caiu ainda mais

rápido. A representação de estereótipos,

falta de diversidade e o homem como

solução para os problemas da

personagem feminina foram identificados

como alguns dos fatores que mais

incomodavam o público. Para a psicóloga

Rayanne Moreira, de 27 anos, que é uma

fã assídua de comédias românticas,

basicamente, desde sempre, “ninguém

espera uma reviravolta nesse tipo de

filme, e tudo bem. O que a gente quer é

sentar e se divertir enquanto descobrimos

o desenrolar das histórias de amor. Não é

o final que interessa, é o caminho. Mas,

ainda assim, ficou cansativo ver sempre

as mesmas pessoas na tela”.

Para Rayanne, o que faltava nas

comédias românticas era um pouco mais

de vida real. “Acho que o público

começou a sentir falta de profundidade,

de se reconhecer nos personagens,

porque identificação e projeção contam

muito quando assistimos um filme.

Curiosamente, agora que os filmes de

super-heroi saturaram, é isso que elas

têm feito”.

Produções mais recentes, como Meu

Eterno Talvez, Amor com Data Marcada,

O Jogo do Amor-Ódio e Na sua Casa ou

na Minha? não fogem da proposta do

gênero, mas trazem personagens mais

complexos e atualizam as piadas. Mesmo

com as narrativas previsíveis, os

personagens conversam com os sonhos e

inseguranças da audiência. “Acho que

esses foram os sinais de ressurgimento

das comédias românticas, que se

consagraram mais uma vez entre 2023 e

2024, com filmes como ‘Todos Menos

Você’,” conta Rayanne.

E nem é só no cinema que a popularidade

das comédias românticas está

crescendo.

No mundo dos livros, os elementos do

gênero nunca foram para muito longe do

público, que gosta de um pouco de graça

nas histórias de amor — sejam elas

coming of age, enemies to lovers, fake

dating, friends to lovers ou qualquer que

seja o tropo favorito do leitor, a proposta

tem enchido, cada vez mais, as livrarias.

Algumas dessas obras, inclusive, foram

adaptados para os serviços de

streaming, como Vermelho, Branco e

Sangue Azul, livro de Casey McQuiston

que se tornou filme em 2023, e Uma Ideia

de Você, protagonizado por Anne

Hathaway e Nicholas Galitzine, que surgiu

de uma fanfic escrita por Robinne Lee,

com um protagonista inspirado pelo

Harry Styles. Talvez esse seja o diferencial

das comédias românticas atuais: a

capacidade de conversar com novas

gerações, sem deixar de lado a estrutura

do gênero, que conquistou o público

antigo.

y

Opinião dos leitores:

LETÍCIA SOARES, 24

“Pra mim, é a emoção de torcer pelo casal.

Isso está presente em todas as comédias

românticas.”

INGRID SOUZA, 24

“Em tempos em que o amor é banalizado, é

bom, às vezes, assistir filmes desse gênero

para rir e sonhar, mesmo que por algumas

horas, sobre o amor.”

ANDREY SANTOS, 19

“Gosto de comédias românticas porque acho

que conversa com qualquer faixa etária. É

divertido assistir ao desenrolar dos

relacionamentos.”

GABRIEL FERNANDES, 20

“Comparadas a comédias românticas

fantásticas como ‘Um lugar chamado Nothing

Hill’ e ‘Questão de Tempo’, primorosas em

todos os quesitos, as recentes não cativam a

maioria dos telespectadores. Porém, sempre

há esperança no fim do túnel.”

15 Cinema


Clássico atemporal

Em 2024, o clássico O Rei Leão, da Disney,

completa 30 anos. E, com o aniversário da

animação, muitos fãs se sentem nostálgicos

– principalmente com a aproximação do

lançamento de Mufasa, novo filme

ambientado no mesmo universo da obra

original.

O Rei Leão marcou a infância de milhares de

pessoas e foi considerado sucesso

instantâneo. Quem já assistiu ao filme,

provavelmente se lembra das músicas

‘Hakuna Matata’; ‘Ciclo Sem Fim’ e ‘Nesta

Noite o Amor Chegou’.

O Rei Leão:

30 ANOS DE LEGADO E

NOSTALGIA PARA OS FÃS

por Thaissa Freitas e Carol Cassoli

Em 1994, o sucesso foi tanto que o filme

atingiu recorde de bilheteria, se tornando

um dos principais lançamentos da Disney e

maior daquele ano, arrecadando 312

milhões de dólares apenas nos Estados

Unidos e elevando o faturamento do estúdio

para mais de US$ 858 milhões mundo afora.

Se somados os valores, o arrecadamento

total do filme chega a 1 bilhão de dólares.

Com tanta aprovação da plateia que lotou

cinemas em todo o mundo, não demorou

muito para que a obra se tornasse uma

franquia. Assim, além de continuações

cinematográficas, O Rei Leão conta com

séries animadas igualmente queridas pelo

público. No Brasil, em 2019, a versão live

action do clássico levou mais de 15 milhões

de espectadores aos cinemas de todo o

país, comprovando que a franquia segue

sendo um prato cheio.

É possível dar risada de O Rei Leão 3, com a

perspectiva de Timão e Pumba e também

se emocionar com ‘Somos Um’ de O Rei Leão

2, bem como com o romance de Kiara e seu

amadurecimento para se tornar rainha das

Terras do Reino.

Mas, essa não era a real expectativa do

estúdio na época de seu lançamento.

Um clássico que quase não vinga

A ideia era que O Rei Leão fosse um “filme

que ninguém deveria se importar”. A

afirmação pode soar estranha, mas, à

época, a história do filhote de leão que foge

para a selva após ver a morte do pai

“competiria” audiência com Pocahontas,

real aposta do estúdio.

Em entrevista ao portal estadunidense IGN,

membros da equipe original do filme

contaram que O Rei Leão foi uma jogada

ousada daqueles que acreditavam no

projeto e no quão grande ele poderia ser.

16 Cinema


Para a surpresa de quem renegava a força

da produção, o filme abalou as estruturas

das animações desde o lançamento de seu

trailer e conquistou o coração de milhares de

fãs que têm o mesmo como um filme

conforto.

E a nostalgia dos fãs não é um fenômeno

isolado ou solitário. Débora Cristina dos

Santos, uma fã da franquia, falou sobre o seu

sentimento com o filme. Apesar de não

lembrar como foi a primeira vez que o

assistiu, Débora sabe que via bastante. “Era o

filme que eu mais repetia na fita cassete e

sempre era uma experiência legal.

Comparando com os outros, pela

quantidade de vezes que vi, acredito que era

meu filme preferido”, disse.

Débora pode não entender, mas os detalhes

- incluindo a morte de Mufasa - que a faziam

querer assistir ao filme mais e mais vezes na

infância eram propositais.

Tudo foi pensado para se diferenciar.

Inclusive, os diretores ficaram com medo da

cena de morte ser cortada na animação

final. Contudo, perceberam que se fossem

falar do ciclo da vida, teriam que abordar,

também, essa parte triste e importante da

jornada. No fundo, Mufasa vivia em Simba e é

justamente este elo familiar que faz com que

tantas pessoas ainda amem o filme, mesmo

três décadas depois.

Como fã desde a infância, Débora tem um

lugar reservado para O Rei Leão em seu

coração, o que a faz ter dificuldades para

escolher uma produção favorita dentro da

franquia. “Cada um tem a sua pegada. O

primeiro tem essa coisa dele aceitar o

destino, o segundo vai mais pro lado do

romance com meu personagem preferido

(que é o Kovu) com a Kiara, e o terceiro é

uma comédia. Esses três fazem parte da

minha infância igualmente, então fica difícil

escolher um só”, explica, indecisa.

Um ícone atemporal

Toda a franquia de O Rei Leão pode ser considerada atemporal. Isto porque suas reflexões,

canções e a sensação gostosa de voltar num tempo mais simples conquistam gerações. “É

muito bom assistir hoje em dia uma coisa que eu via quando era criança e me impactar

ainda mais do que antigamente. Parece que o significando aumenta conforme os anos

passam. A gente enxerga aquele desenho como algo muito maior, começa a apreciar ele de

várias maneiras, observa a arte, a dublagem icônica”, ressalta Débora. Ela ainda brinca que

sempre que vê os dois primeiros filmes, alguém começa a cortar cebolas ao seu lado. Quem

sabe essa coincidência não seja, na verdade, uma mãozinha do destino para incentivá-la a

sentir o que é necessário durante o filme. Hakuna Matata, vá em frente!

17 Cinema


Mufasa: um novo marco para O Rei Leão

A onda de nostalgia não para e Hollywood já entendeu quão lucrativo isso pode ser. É por isso

que dezembro chega com Mufasa, novo filme que contará a história do pai de Simba. A

história promete responder a um dos principais questionamentos que envolvem o filme

original: como Mufasa subiu ao trono quando não era príncipe se seu irmão Taka (mais tarde

conhecido como Scar) era o herdeiro e estava vivo?

Na série animada A Guarda do Leão há pistas do passado de Scar, como o surgimento de sua

cicatriz e quando ele passou a ver Mufasa como inimigo. Porém, ainda não se sabe se a nova

trama dará continuidade a história já pincelada no desenho animado ou não. Até lá, os fãs

seguem com a certeza de que O Rei Leão é um clássico que traz lições atemporais e merece

reconhecimento e carinho de toda a família.

O Rei Leão e franquia completa

y

● O Rei Leão;

● O Rei Leão 2: O Reinado de Simba;

● O Rei Leão 3: Hakuna Matata;

● Série: A Guarda do Leão;

● Série: Timão e Pumba

● O Rei Leão live action

● Mufasa: O Rei Leão (lançamento em Dezembro de 2024)

Todos os filmes e spin-offs estão disponíveis no Disney+.

18 Cinema


Então é Natal

quentinho

O QUE EXPLICA O

DOS FILMES NATALINOS?

por Paloma Xavier

Esqueceram de Mim, Grinch e Expresso

Polar: esses são alguns dos títulos de filmes

considerados clássicos de Natal. A época é

conhecida pela “vibe” de união e

celebração. Por isso, muitas produções

exploram a temática e se destacam. Mas

por que o Natal tem um efeito diferente

sobre as pessoas?

Para a administradora Ana Cláudia Dias, de

54 anos, a festividade é um misto de

nostalgia com tradição e cultura. “Eu venho

de uma família onde o Natal tem um valor

para todo mundo. É um momento de união

que leva a gente a ser pessoas melhores”,

afirma.

Além da troca de presentes e encontro

com a família no Natal, o período de fim de

ano na casa de Ana também é marcado

por maratonas de filmes temáticos: “Não

tem um dia certo para assistir, eu e minhas

filhas amamos ver filmes natalinos. Meu

marido nem tanto, mas sempre chega

junto nesses momentos”.

“Eu adoro um romancezinho, aquela coisa

mais emocional. Gosto muito de um com

Emilia Clarke, ‘Uma Segunda Chance para

Amar’, e da mensagem que ele passa. Para

mim, o cinema é uma grande forma de eu

me desligar do mundo e sentir o que os

personagens sentiram. Todas as vezes que

eu passo por aquilo, independentemente

de qual seja a reflexão, eu sinto que a

gente pode olhar para a vida e pensar

como pode ser melhor”, conta.

Será que Freud explica?

O psicanalista Paulo Silva explica por que

os últimos dias do ano têm uma carga

emocional mais elevada. É que, durante o

ano, há o fim de semana e os feriados para

dar um respiro, uma parada no trabalho e

na rotina. No Natal, no entanto, esse respiro

é maior e grande parte das pessoas se

reúnem com a família para confraternizar e

preencher algumas lacunas, já que,

segundo Paulo, as pessoas são seres

faltantes.

Ana conta que, às vezes, descobre que já

viu determinado filme na hora de assistir

com a família, porque não guarda os

nomes e os assiste o ano inteiro. “Eu nunca

decoro o nome dos filmes, então várias

vezes a gente dá play e eu descubro que já

conheço aquela história porque, na

verdade, eu assisto filmes de Natal o ano

todo. E minha família fica brincando com

isso”, comenta a administradora.

Entre os filmes de Natal, um gênero se

destaca nas preferências da

administradora: os de romance.

19 Cinema


O Natal é um momento

de retornar ao útero, de

ser acolhido.

“Existe uma lacuna entre o real e o simbólico,

que é o que a gente deseja. Para muitas

pessoas, esses dois ficam alinhados no

Natal. Surge um sentimento positivo, que

pode ser uma nostalgia dos momentos bons

com a família ou mesmo uma fantasia”,

acrescenta o psicanalista.

Essa sensação prazerosa também pode ser

estimulada através de filmes que remetem

ao período, afirma Paulo. “O Natal é um

momento de retornar ao útero, de ser

acolhido. Algumas pessoas podem assistir

só para fantasiar, outras querem lembrar

dessa sensação de maternagem”, pontua.

Não é à toa que plataformas de streaming

como a Netflix criaram uma seção de filmes

natalinos e investem fortemente nessas

produções. Analista de marketing, Thyago

Ribeiro explica que as campanhas de

marketing focam na emoção. “No Natal tem

aquele desejo de conforto, de querer ficar

junto de quem é importante. Às vezes elas

despertam esse sentimento que a pessoa

nem sabia que precisava”, afirma.

“Com a pandemia, as marcas têm apelado

ainda mais para o ficar junto porque a gente

não sabe o dia de amanhã. É uma época

que as pessoas não pensam tanto em

economizar dinheiro e muito menos o

quentinho no coração de estar junto”,

finaliza.

20

Seja pela saudade de momentos especiais,

seja pela vontade de construir esses

momentos, o Natal tem uma magia que vai

além de cada pessoa, ao mesmo passo que

não seria tão incrível se não aquecesse o

coração de cada um.

y

Cinema


Requentados?

Remake, reboots &

spin-offs:

A INDÚSTRIA NÃO SABE

MAIS SER ORIGINAL?

por Micael Menezes

Quando buscamos uma lista de lançamentos mais esperados do ano ou o que sairá

em um mês específico, é comum encontrarmos cada vez mais nomes familiares.

Spin-offs de franquias consagradas, remakes de clássicos, reboots que tentam dar

uma nova roupagem para filmes, e sequências de títulos que só precisaram ter o

mínimo de sucesso - e, às vezes, nem isso. Por que arriscar se existe uma opção mais

fácil? Esse, com certeza, é o pensamento predominante em Hollywood, resultando em

cada vez menos espaço para o novo.

Independentemente de qualidade, as ideias originais são, aos poucos, deixadas de

lado. Em 2024, tivemos dois exemplos de diretores renomados que buscaram apoio

dos estúdios para financiarem e distribuírem filmes já planejados há anos, mas que

foram rejeitados. Como resultado, Francis Ford Coppola produziu Megalópolis

utilizando dinheiro do próprio bolso e o Kevin Costner seguiu o mesmo caminho com

Horizon: Uma Saga Americana, lançando a primeira parte nos cinemas, mas a

continuidade que ele traçou para essa história foi posta em dúvida por falta de

incentivo financeiro.

Ao mesmo tempo, diversos remakes, reboots e spin-offs estão sendo anunciados e

desenvolvidos por essas mesmas companhias. Há uma tentativa de mudar a

percepção do público, tentando dizer que não é a mesma coisa e que, de certa

maneira, é uma inovação. Os filmes de Harry Potter agora serão adaptados em uma

série. A animação Avatar: A Lenda de Aang já foi filme e, neste ano, recebeu uma

série. As Crônicas de Nárnia tendo filmes refeitos, mas agora direto para streaming,

com selo da Netflix. A Disney está relançando as próprias animações em um novo

formato, os live-actions, com a prerrogativa de alcançar novas audiências.

Entretanto, é importante ressaltar que esse comportamento não é novidade ou

exclusividade da nossa época. Basta lembrar das várias versões de Nasce uma

Estrela, Eu sou a Lenda, King Kong, Adoráveis Mulheres, e vários outros exemplos

com longas refeitos em décadas diferentes.

21 Cinema


Sabendo que isso é algo recorrente

na indústria, será que também é

possível atribuir parte dessa “culpa”

para o público? Afinal, quem

alimenta quem? Destacando as

animações da Pixar, o último filme

da empresa que não faz parte de

uma franquia – o que podemos

classificar como um novo original -

e que conseguiu grande sucesso de

bilheteria foi Viva: A Vida é uma

Festa, em 2017. De lá para cá, outras

cinco tentativas foram feitas com

Dois Irmãos: Uma Jornada

Fantástica (2020), Soul (2020), Luca

(2021), Red: Crescer É uma Fera

(2022) e Elementos (2023), com

este último tendo uma péssima

estreia, mas alcançando um bom

resultado no fim, ao ter se mantido

muito tempo em cartaz.

E apesar de não haver uma fórmula

mágica, a tendência é que se

busquem títulos com mais

probabilidades de acerto, gerando

assim mais do mesmo. Não à toa,

vemos franquias como Velozes e

Furiosos indo para o 11º filme, o

mesmo número que Jogos Mortais

irá alcançar com o próximo longa já

anunciado, ainda sem data. Pânico

7 também foi anunciado, e por aí

vai… exemplos não faltam. Outro

possível motivo é um

desencorajamento da criatividade,

que, por sua vez, pode estar ligado à

busca constante pelo corte de

gastos.

É possível argumentar que alguns

desses títulos foram prejudicados

pela pandemia de Covid-19 e a

política da Disney de lançamento

simultâneo nos cinemas e na

plataforma de streaming, além de

um notável fracasso com um spinoff,

Lightyear (2022). Mas não é

coincidência que, nesse mesmo

período, outros três filmes que

fazem parte de franquias distintas

foram lançados e passaram a

marca do bilhão de dólares em

arrecadação: Os Incríveis 2 (2018),

Toy Story 4 (2019) e Divertida Mente

2 (2024). Até por isso, a Pixar

anunciou que teremos um Toy Story

5 e Os Incríveis 3 nos próximos

anos.

Tentar achar uma única justificativa

para tudo isso não é simples, sendo

mais fácil destacar alguns pontos

que vão se juntando. Primeiramente,

é preciso dizer o óbvio: é tudo um

negócio. Os grandes conglomerados

de mídia, no fim das contas, querem

o lucro.

22 Cinema


Em 2023 tivemos greves históricas em

Hollywood. Tanto atores quanto roteiristas

pararam de trabalhar e ambas as

paralisações passaram dos 100 dias. Uma

pauta importante dos escritores foi a

preservação das salas de roteiristas, prática

comum para o desenvolvimento de uma

série e que da qual vários profissionais

renomados de hoje em dia utilizaram para o

desenvolvimento profissional.

Esse tipo de prática em que histórias já

existentes são reaproveitadas

provavelmente não irá se encerrar na

indústria e isso, por si só, não é ruim.

Saindo do cenário utópico, a realidade é

que nem todo mundo terá o interesse

para assistir algo muito antigo, e

mesmo quando se tem, o acesso para

grande parte desse conteúdo nos

streamings disponíveis é bastante

escasso, por muitas vezes inexistente,

dependendo da mídia física para

consumi-los. O lançamento de um novo

filme de Nosferatu em 2024, dirigido

pelo Robert Eggers, um diretor

respeitado da nova safra do terror, tem

o potencial para fazer com que a

audiência crie curiosidade e busque por

outras versões clássicas, sendo

benéfico para todos os lados. A

principal questão é a dosagem: o

excesso em se apostar só nisso, tirando

espaço e inibindo as ideias originais

pode ser prejudicial. Infelizmente,

Hollywood não é conhecida por ser

ponderada.

Ao passar das décadas e com o formato

dessas séries mudando, o número de

episódios que já foi de 24 por temporada,

pulou para 20, 16, 12, 10, chegando até 6 em

anos mais recentes. Como consequência, as

salas de roteiristas foram diminuindo,

ficando mais difícil de encontrar novas

promessas no ramo. Para não ficar parada,

Hollywood foi atrás de produtos “prontos”.

Nos anos 2000 o que não faltavam eram

adaptações de livros, a partir da década de

2010 vimos cada vez filmes e séries

originários dos quadrinhos, e nos últimos

anos a nova tendência parece ser

adaptações de jogos de videogame.

23 Cinema


Oi, oi, oi

Nem Nazaré,

nem Carminha:

QUEM O QUE MATOU A RELAÇÃO DOS

BRASILEIROS COM AS TELENOVELAS?

por Bea Alcântara e Micael Menezes

Tieta, A Viagem, Senhora do Destino,

Avenida Brasil… As novelas são um dos

pilares da televisão brasileira, estando

presente nas telinhas há várias décadas,

tornando-se, inclusive, referência para

produções estrangeiras. Com o mundo

atual ultraconectado, não é difícil

encontrar pessoas de outros países nas

redes sociais aclamando as produções do

Brasil e seus elencos. Porém, essa conexão

dispersou parte do público para outras

possibilidades, como os streamings.

Os números comprovam o

enfraquecimento do formato, ao menos

no modelo atual. De acordo com a

pesquisa Kantar Ibope, o remake da

novela Renascer, por exemplo, teve uma

média geral de 24,5 pontos na região

metropolitana de São Paulo. O capítulo

final alcançou uma média de 27 pontos,

com pico de 29, se consagrando como a

segunda pior audiência em um final de

novela das nove da Rede Globo, estando

atrás apenas de Um Lugar ao Sol, que

ficou na média dos 25 pontos.

Antes de entender a raiz do problema, a

pesquisadora, professora e doutora em

Comunicação e Cultura pela Escola de

Comunicação da UFRJ, Talitha Ferraz,

explicou que a relação do brasileiro com

as novelas antecede a própria televisão.

“Antes do sucesso dessa narrativa na TV, a

gente já tinha no Brasil uma certa relação

de intimidade com esse tipo narrativo,

quando ele era conduzido na esfera do

rádio, com as radionovelas”, disse.

Segundo a especialista, as novelas constituem

um gênero que gera – e conquista pelo –

encantamento. “As novelas sempre tiveram

esse potencial de articulação com a audiência

através da provocação do imaginário e,

principalmente, através da construção de um

laço identitário, de espelhamento, de

identificação ou, às vezes, a possibilidade de

fornecer para essas audiências um escape.

Uma possibilidade de criar um mundo

imaginário e se conectar de forma muito

íntima com a personagem, com as histórias e,

por sua vez, até transpor isso para os próprios

artistas”, pontuou.

Dessa forma, o que poderia explicar o

afastamento do público com o formato? Para

Ferraz, uma das razões é o streaming, de fato.

“Quando o streaming entra no cenário de

possibilidades de acesso a conteúdos

audiovisuais, ele traz justamente isso, mais

oferta e mais modelos. As audiências têm

acesso àquilo na hora em que elas quiserem”,

destacou.

A queda dos números de audiência em tempo

real, porém, não ditam que o público não se

interessa mais pelo formato. Talitha cita o

exemplo das novelas com horários fixos, que

hoje em dia podem ser assistidas em qualquer

horário, ou até com semanas e meses de

atraso, graças às plataformas. Mesmo não

sendo consumido no dia do lançamento, as

novelas ainda chegam ao espectador, mas

isso pode influenciar nas métricas e naquela

falta de reverberação no cotidiano, já que

cada pessoa assiste no seu próprio ritmo.

24 TV


O público mais jovem é um dos que

mais se diferencia na forma de

consumir as telenovelas e a

quantidade de opções, aliada ao

desprendimento dessa geração com

os programas televisivos, trazem

impactos para o modo de se

acompanhar os lançamentos. “A

galera mais nova tem outras práticas

de consumo audiovisual. Às vezes

assistem cenas picotadas no TikTok.

Assistem também novelas em

plataformas de novelas feitas para as

redes sociais. Por exemplo, o Kwai, que

é fantástico. Então, são outros tipos de

consumo”, complementou Talitha

Ferraz.

Marcos Palmeira, Duda Santos e

Humberto Carrão para Renascer

Vale Tudo ou qual A Regra do Jogo

para manter A Força do Querer?

E, para atrair esse público, a indústria

das telenovelas segue a receita de

Hollywood: os remakes. Com

sucessivos fracassos de audiência,

tratando-se de histórias novas, as

emissoras buscam atrair pela

memória. Afinal, mais fácil do que

emplacar um novo sucesso, é trazer

de volta algo que já deu certo,

repaginando e reapresentando para

os que não o conhecem.

Conforme aponta Talitha, essa

decisão está ligada a uma

oportunidade de mercado, a

chamada Economia da Nostalgia.

“Nostalgia virou um ativo. A nostalgia

vende, o passado vende. E a

curiosidade de representar o passado

é atrativa e sedutora. É um mercado

que tem ali o seu nicho forte de

consumidores”, justificou a professora.

Chay Suede é Mavi em Mania de

Você, novela das 21h atual

Há também uma ideia de que isso

possa ser uma ‘falência criativa’.

“Diante de um mundo em que não há

mais nada para ser contado, a gente

recorre às narrativas antigas, porque

elas nos oferecem mais segurança

em termos de retorno e de aderência

do público. Essa religação com algo

que fez parte da sua vida. Fazer

remake atiça a curiosidade e engaja

as pessoas”, ressaltou Ferraz.

Nina (Débora Falabella) e Carminha

(Adriana Esteves) em Avenida Brasil

25 TV


Pã pã pã, pã pã pã

Foto: Divulgação

Ayrton Senna:

30 ANOS DE SAUDADE DA

LENDA DO AUTOMOBILISMO

por Lucas Salatiel

26 TV


Gabriel Leone interpreta Senna na produção de

mesmo nome da Netflix

Este ano completa três décadas

desde que Ayrton Senna, uma das

maiores lendas do automobilismo

mundial, nos deixou em 1º de maio

de 1994, durante o Grande Prêmio

de San Marino, em Ímola, na Itália.

30 anos depois, seu legado

continua vivo e é refletido nas

produções recentes de plataformas

de streaming como Netflix e

Globoplay, que revive sua história,

vitórias, desafios e, inevitavelmente,

a tragédia.

Para os brasileiros, Senna

representa muito mais do que um

esportista, ele se tornou um símbolo

de coragem e amor à profissão.

Nascido em 21 de março de 1960,

em São Paulo, começou a competir

ainda criança no kart e seu talento

logo chamou atenção. Estreando

na Fórmula 1 em 1984, ele conseguiu

criar um estilo agressivo e uma

técnica única, garantindo três

campeonatos mundiais e 41 vitórias

ao longo de 10 anos.

Para compreender a grande

influência de Senna, a Frappé

conversou com o jornalista

esportivo Julio Silva, que falou um

pouco sobre a carreira do astro.

Julio analisa que o talento de Senna

era algo fora do normal e nunca

visto antes em outro piloto. “O

Senna ficou muito marcado por ser

um piloto com um talento acima do

normal, né? Piloto com talento

extraordinário que conseguia extrair

muito mais do carro do que os

outros pilotos”, disse.

Para o jornalista, outro destaque do

piloto era a facilidade que tinha de

pilotar na chuva, o que não era

muito comum na época. “A primeira

vitória que ele teve na F1 foi debaixo

de um temporal no Grande Prêmio

de Portugal, em 1975, e tudo isso

contribuiu para que o mito Ayrton

Senna se formasse daquele jeito:

um piloto obstinado e corajoso”,

completou.

A imagem de Ayrton Senna

também se consolidou devido a seu

comportamento para além da

Fórmula 1. Todo esse sucesso dentro

e fora das pistas levou ao choque

mundial em relação a morte do

piloto.

Em 1º de maio de 1994, ele se

acidentou ao sair da curva

Tamburello a mais de 300 km/h.

A corrida foi transmitida ao vivo e

milhares de brasileiros assistiram à

tragédia. O professor Marcos Fábio

relembra que estava reunido com a

família para acompanhar a corrida

naquele dia, “como se fosse Copa do

Mundo”. Para ele, a sensação de

acompanhar o acidente foi de muita

tristeza. “Parecia que tinha

acontecido algo com uma pessoa

próxima, foi muito triste”, contou.

Mesmo 30 anos depois, Senna ainda

permanece presente na cultura

popular, sendo tema de vários filmes,

documentários e homenagens. A

exemplo de Senna, da Netflix, e

Senna por Ayrton, da Globoplay, que

exploram detalhes da sua vida

pessoal.

Ayrton Senna deixou muito mais do

que suas vitórias, deixou um legado

que até hoje pode ser sentido no dia

a dia. Sua vida foi uma inspiração e

sua morte transformou-o em mito. O

Brasil carrega um símbolo eterno e

Senna sempre será alguém que faz

lembrar que é possível sonhar alto.

Senna já está disponível na Netflix e

Senna por Ayrton no Globoplay.

y

27 TV


Elas bombaram

5 séries que definem

o streaming em 2024

por Ana Flávia Lima

De Volta aos 15

Estrelada por Maisa Silva (sim, a nossa

prima!) e Camila Queiroz, De Volta aos 15

seguiu no top 10 de séries mais

assistidas na Netflix durante sua última

temporada. O elenco conta com Larissa

Manoela e Klara Castanho. Baseada no

best-seller da autora Bruna Vieira, o

sucesso da série é explicado por ser

uma produção bem elaborada, cheia de

afeto do público e também do elenco

principal.

A equipe de bastidores é atenta ao

potencial das séries nacionais de gênero

como um todo: ficção científica, viagem

no tempo, música pop e atores tão pop

quanto. A atenção aos gostos do público

é o ponto de partida para transformar

uma obra amada em uma peça

audiovisual que não fica muito para trás.

Agatha Desde Sempre

É quase impossível elencar produções

sem incluir alguma derivação da Marvel,

ainda que apenas pelo volume em

massa, mas Kathryn Hahn roubou a

cena em WandaVision e dominou o

universo em Agatha Desde Sempre. O

sucesso de ambas pode ser atribuído a

uma quebra de estrutura que não

compromete a qualidade.

Fun Fact:

Nila e Maisa em cena em De

Volta aos 15

A série consegue alcançar até mesmo

quem não é fã de carteirinha. Sim, fan

favorites contribuem para a

repercussão. Temos Joe Locke e Aubrey

Plaza; que formam um elenco colorido

com artistas em ascensão e veteranos

do show business.

A atriz trans e não-binárie Nila, que também participou

de Malhação: Vidas Brasileiras, vive Camila em De Volta

aos 15 e é uma história de sucesso da Paraíba para o

mundo. Aos 15 anos, ela saiu de João Pessoa para

estudar no Rio de Janeiro e agora é possível vê-la em

produções LGBTQIAPN+ do audiovisual brasileiro, na

maior plataforma de streaming do mundo.

28 TV


Monstros: A História de Lyle e Erik Menendez

Parte do cânone de séries true crime de Ryan

Murphy para a Netflix, Monstros entra em destaque

devido a uma petição recente, com 300 mil

assinaturas, e a vontade do público por justiça. Lyle

e Erik Menéndez estão presos há quase 35 anos por

assassinato.

Esta edição faz parte da antologia Monsters, que já

explorou a vida e trajetória de figuras como Jeffrey

Dahmer. Nesta segunda temporada, Ryan Murphy

apresenta diversas perspectivas sobre a história da

família Menendez, abrangendo desde a infância de

Erik e Lyle até os acontecimentos posteriores ao

assassinato de seus pais.

Amor na Cidade Grande

O papel de produções do tipo true crime, diante da

complexidade de narrativas sobre abuso, vem

sendo debatido com fervor conforme adaptações

como essa ganham destaque. Como essas

narrativas são construídas e consumidas levanta

questões sobre a ética do gênero e a exploração do

sofrimento alheio.

Um dorama não podia faltar, não é? Baseado em

um livro de Sang Young Park, Amor fala sobre a

jornada de crescimento pessoal de um homem gay,

Go Young (Nam Yoon-su), e sua colega de quarto

hétero, Choi Mi-ae (Lee Soo-kyung), enquanto

enfrentam os típicos dilemas românticos que

tumultuam a vida adulta.

A série charmosa, com uma química entre atores

muito legal e a possibilidade de desenvolver

narrativas queer explicitamente, mas cativando a

juventude com um romance envolvente —

quebrando as entrelinhas.

Pinguim

Totalmente fora de curva, as séries da DC são, em

sua maioria, nichadas para o público que gosta de

quadrinhos mais sóbrios ou personagens com mais

nuances que vão além da velha história de vilão e

mocinho dos blockbusters.

Na linha de Coringa, essas adaptações realistas da

galeria de vilões de Gotham são sempre muito

prazerosas para o espectador, com um carisma

atual na estética dos filmes de gângster da década

de 30. Além disso, é uma oportunidade de

apresentar dinâmicas únicas e intrigantes dentro do

mundo de Batman.

y

29 TV


Do papel para as telonas:

apego ou fidelidade?

“Ao longo dos anos diversos livros ganharam vida nas

telas dos cinemas e nos streamings, deixando os fãs

com o coração quentinho ou com os cabelos em pé.”

por Amanda Furniel

30 Literatura


Todo mundo já passou por aquele frio na

barriga quando se deparou com a notícia

de adaptação dos nossos livros

queridinhos para as telonas. Clássicos

atemporais - como Harry Potter, Senhor

dos Anéis e Percy Jackson -, distopias

amadas - como Jogos Vorazes e

Divergente - e romances de aquecer o

coração - como Orgulho e Preconceito ou

Vermelho, Branco e Sangue Azul - tiveram

suas versões literárias adaptadas para as

telas, fazendo os fãs irem à loucura. Isso

porque as adaptações são vistas sempre

como um divisor de águas: enquanto uns

amam essa “aproximação” maior que as

histórias ganham no audiovisual, outros

sentem falta da essência ou detalhes das

suas histórias preferidas.

Quando se fala de livros, também pode-se

falar de apego. As obras literárias ocupam

um espaço muito grande na vida dos seus

amantes, são um lugar de acolhimento e

pertencimento. Passar essas histórias para

as telonas, seja filmes ou séries, é uma

tarefa delicada. Os roteiristas, diretores,

produtores estão mexendo com o

emocional dos fãs, com a nostalgia que

essas produções vão trazer para os

telespectadores que esperaram tanto para

ter seus personagens preferidos, seus

mundos encantados, ganhando vida. “Eu

acho que acima de tudo os fãs querem ver

mais daquilo que fez daquela obra

especial para eles. Ela não precisa ser

literalmente traduzida, até porque são

meios diferentes”, afirma a cantora e

influenciadora literária Giulia on Fire.

A influenciadora acumula mais de 100 mil

seguidores no Instagram e mais de 490 mil

no Tiktok. Giulia divide suas redes entre

seu lado leitora e seu lado artístico,

entretendo seu público com diversos

vídeos sobre seus livros preferidos e seu

amor pela literatura.

Para ela, a saga Jogos Vorazes acertou

em cheio em suas adaptações para as

telonas, em especial o segundo filme, Em

Chamas. “Séries que adaptaram muito

bem seus livros também foram

Heartstopper e Desventuras em Série”,

conta a cantora.

A franquia Jogos Vorazes é uma das mais

aclamadas quando se trata de

adaptação para os cinemas, inclusive sua

adaptação mais recente, A cantiga dos

pássaros e das serpentes. Com um

roteiro fiel aos livros, atores que

conseguiram captar a essência de seus

personagens e uma ambientação muito

bem trabalhada, os longas foram muito

bem recebidos pelos fãs desse mundo

distópico.

Por outro lado, existem as adaptações

para os cinemas que deixaram a desejar,

como Percy Jackson e o ladrão de raios e

Percy Jackson e o mar de monstros,

respectivamente lançados em 2010 e 2013.

“Adaptação ruim não dá pra não falar

dos filmes de Percy Jackson. Isso mostra

que não basta ‘pegar’ apenas o conceito

da história e criar algo ao redor. Aquela

história já está pronta, já teve muito

pensamento por trás, e quando isso tudo

é desconsiderado a gente chega numa

adaptação boba e rasa”, expõe a

influenciadora.

Os dois longas desapontaram os fãs dos

semideuses, com mudanças no enredo

da história, personagens principais com

idades e personalidades diferentes das

dos livros e figuras importantes dos livros

que nunca foram apresentadas nas

telonas. Diferente da produção de Jogos

Vorazes e Harry Potter, por exemplo, os

longas de Percy Jackson não contaram

com a participação de Rick Riordan, autor

dos livros.

31 Literatura


Porém, a Disney ouviu os fãs dessa

saga tão querida e resolveu dar

vida aos livros do Rick em formato

de série em seu streaming. A

produção foi lançada em dezembro

de 2023 e foi um verdadeiro

sucesso de audiência, tendo

superado 13 milhões de

espectadores em 6 dias. A série

contou com a participação do

autor desta vez, com a

preocupação de se manter o mais

fiel possível aos livros,

especialmente na escalação do

elenco principal.

E é claro que não podemos deixar

de fora a saga Harry Potter que,

assim como os livros, os filmes se

tornaram os xodós dos fãs. Há

muita polêmica em volta da

adaptação de Harry Potter para o

cinema - e eu nem estou falando

da problemática em volta das falas

da JK Rowling. “Eu sou muito fã de

Harry Potter, e por mais que

sempre me divirta vendo os filmes

e ache eles ótimos, eles pisaram na

bola em muitos aspectos na

adaptação”, conta Giulia, se

referindo às partes importantes e

queridas pelos fãs dos livros que

foram cortadas nos longas.

“Acredito que os dois primeiros

filmes foram muito bem

adaptados. Talvez pelos livros

serem mais curtos, ou pela direção

do Chris Columbus. E a pior

adaptação com certeza foi Enigma

do Príncipe, eles cortaram cenas

importantíssimas para adicionar

cenas desnecessárias, e estavam

agindo como se o filme fosse pra

ser uma comédia romântica — algo

que não tem nada a ver com o

livro”, continua a influenciadora.

Foto: Arquivo pessoal

Ainda assim, os filmes de Harry Potter deram vida a

um mundo totalmente mágico e imaginário,

trazendo à tona todo o apego dos fãs. Ver todos os

feitiços, os artefatos e o mundo mágico ganhando

vida despertou a sensação de nostalgia.

A verdade é que sempre vai haver a tendência ao

ciúme dos livros preferidos. Os fãs querem que seus

companheiros de longa data sejam adaptados com

o mesmo amor e carinho que eles têm para as telas,

querem ver seus mundos imaginários ganhando

vida do jeitinho que eles sempre viram dentro de

suas cabeças. Mas também é verdade que são dois

formatos completamente diferentes e que detalhes

se perdem e outros são adicionados ao longo de

uma adaptação. O que vale é o quentinho que fica

no coração quando os créditos sobem, validando

um trabalho bem feito.

y

32 Literatura


Literatura dos anos 00

impactaram

HISTÓRIAS QUE

UMA GERAÇÃO

por Gabriell Vinícyus

Se você ama uma boa história, com certeza já ouviu falar de livros que

explodiram na cultura pop desde os anos 2000. Esse foi o período em que a

literatura de ficção ganhou novos heróis, mundos distópicos e narrativas

que influenciaram jovens a embarcar no mundo da literatura. O início dos

anos 2000 trouxe personagens que são referências até hoje.

33 Literatura


“Harry Potter”, a fantasia que uniu gerações

Tudo começou antes dos anos 2000, mas foi nessa década que J.K. Rowling

consolidou o bruxinho mais famoso do mundo como um ícone. A saga Harry

Potter (1997-2007) não só cativou crianças e adolescentes, como também

transformou a indústria editorial. Lançamentos à meia-noite, filas nas livrarias

e discussões intermináveis sobre quem era o verdadeiro herdeiro da

Sonserina: o impacto cultural foi imenso.

A série de livros e a adaptação, que conta com oito filmes, ajudaram a

popularizar a literatura jovem adulta como um gênero respeitado e rentável.

“Crepúsculo”, um toque sombrio e romântico à fantasia

Se a fantasia já estava em alta, foi Stephenie Meyer que deu um toque

romântico e sombrio com a série Crepúsculo (2005-2008). Bella e Edward se

tornaram sinônimos de amor impossível entre humanos e vampiros. O

impacto foi tão grande que gerou uma febre mundial: filas em pré-estreias

de filmes, fanfics que mais tarde viraram sucessos próprios e uma legião de

fãs que até hoje debate se Jacob merecia mais atenção.

Muitos leitores relatam que embarcaram na literatura pela curiosidade em

saber como terminaria o drama amoroso de Bella Swan. Para muitos,

Crepúsculo foi a porta de entrada para o mundo da literatura.

“Jogos Vorazes” e o hype das distopias

Em 2008, Suzanne Collins trouxe para o público uma protagonista feroz e

cheia de camadas: Katniss Everdeen, de Jogos Vorazes (2008-2010).

Ambientado em um futuro distópico onde jovens lutam até a morte em um

reality show macabro, a saga resgatou questões sociais e políticas que

ressoaram com o público jovem. A trilogia se tornou um marco e abriu

caminho para outros sucessos do gênero, como Divergente (Veronica Roth)

e Maze Runner (James Dashner).

John Green e as lágrimas da geração Z

Se falamos de clássicos YA, não podemos esquecer John Green, o autor que

trouxe histórias emocionantes e realistas. A Culpa é das Estrelas (2012) talvez

seja sua obra mais emblemática, narrando o romance entre dois

adolescentes com câncer. O livro virou filme e arrancou lágrimas (e memes)

de milhões de fãs. Green também acertou com títulos como Quem é Você,

Alasca? e Cidades de Papel, que capturaram as dores e delícias da

juventude.

Os livros de John Green também foram portas de entradas para vários

adolescentes da época, por abordarem temas de maneira sensível,

aproximando-se do público jovem.

34 Literatura


O ressurgimento da fantasia épica: George R.R. Martin

Com a YA dominando o mercado e a busca por literatura aumentando, a fantasia épica ganhou um

novo fôlego com As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin. Os livros, iniciados em 1996,

explodiram em popularidade com o lançamento da série Game of Thrones (2011-2019). Dragões, guerras

e intrigas políticas atraíram até quem nunca tinha pegado um livro de fantasia antes. O penúltimo

volume das crônicas, Os ventos do Inverno, virou lenda urbana, ainda sem previsão de lançamento.

Por que esses livros marcaram?

A chave do sucesso desses clássicos foi a combinação de histórias bem construídas, personagens

relacionáveis e temas universais. Amor, sobrevivência, identidade e luta por um mundo melhor são

questões que atravessam gerações, e esses autores souberam como explorá-las.

Seja para escapar da realidade, encontrar conforto ou refletir sobre a sociedade, os clássicos da

literatura dos anos 2000 provaram que a ficção ainda é uma das melhores formas de conexão humana.

y

Foto: Divulgação/HBO

35 Literatura


Canal 7

MTV BRASIL:

o canal que botou essa

p#rr@ pra funcionar

por Bea Alcântara

36 Capa


O ano era 1990 e um canal estreava na

televisão aberta, prometendo nada e

entregando tudo. Na época em que foi

lançada, a MTV Brasil sustentou o posto

de ser a terceira versão do canal

estadunidense “Music Television” e a

primeira como uma emissora de TV

aberta.

A premissa até então era única:

videoclipes e uma programação própria

transmitida 24 horas por dia. Em

reportagem de Ayne Regina para a Meio

& Mensagem, em março de 1990, a TV

Abril, empresa de radiodifusão do Grupo

Abril – responsável por marcas como

Veja, Capricho etc –, anunciava que

queria causar uma revolução na

televisão brasileira com o acordo feito

com a MTV. O objetivo era alcançar o

público jovem e obter, pelo menos, 1%

da audiência da Grande São Paulo.

Na época, o canal americano tinha uma

força que atingia 91 milhões de lares

enquanto TV por assinatura em 33

países. Para cá, a aposta era uma

programação que mesclasse esportes,

humor e jornalismo, sem perder o

protagonismo musical. Tudo isso

voltado para um público de 12 a 34

anos.

Quase 35 anos depois, é fácil dizer que

a MTV conseguiu. Afinal, ninguém pode

negar o impacto do canal para os

jovens que acompanharam seus anos

de ouro. Hoje, a MTV Brasil não existe

mais enquanto emissora underground e

musical na TV aberta. Desde 2013, a

Abril devolveu os direitos para a

Paramount, emissora responsável pela

operação do canal originalmente, e o

formato da MTV no Brasil mudou,

trazendo uma programação nova e, de

certa maneira, distante da proposta

original.

Contudo, até hoje o canal segue nos

corações de quem o acompanhou. Para

muitos, o contato com a MTV Brasil

apresentou um novo mundo. Há quem

assuma que ela moldou sua forma de

consumir música, que a fez conhecer

bandas e artistas novos, através do Disk

MTV ou Acesso MTV. Indo mais além, há

quem defenda que adquiriu um humor

“sofisticado” influenciado por

programas como o Comédia MTV,

Quinta Categoria e Furo MTV.

O universitário Victor Monteiro, de 29

anos, é um exemplo de extelespectador

da MTV que, apesar de

não lembrar da primeira vez que

assistiu à emissora, não esquece de que

foi por lá que conheceu bandas como

Linkin Park e System of a Down. Ele conta

que entrou em contato com o canal a

partir de uma prima mais velha – e

soube repassar essa influência para os

primos mais novos, alguns anos depois.

Segundo ele, para a sua geração, que

era adolescente no início dos anos

2000, a MTV era a única coisa que

assistiam. “O canal moldou totalmente

a forma de me vestir, de consumir arte

no geral, especialmente a música. Da

black music/R&B até o Nu metal, foram

muitas referências. O caráter meio

contraventor, muito ligado ao rock,

influenciou bastante. Até a fase que

imperavam os programas de humor foi

marcante nesse sentido de preferências

e estilo de consumir entretenimento”,

disse.

37 Capa


O período de 2000 a 2010 é

considerado como a era de ouro

da MTV Brasil. Foi ao longo desses

anos que o canal se colocou –

ainda mais – como disruptivo.

Enquanto em algumas emissoras

mais tradicionais, como a Rede

Globo, o beijo gay era censurado,

a MTV mostrava dois homens se

beijando no Beija Sapo, por

exemplo.

Foi, também, durante essa época

que programas voltados para

temas femininos surgiram na

grade da programação, como o

Menina Veneno. Atrelado ao

crescimento da MTV, a primeira

década dos anos 2000 também é

um período conhecido por ter

bons frutos na música nacional e

internacional, do pop ao hip-hop,

do R&B ao rock, o que ajudou a

consagrar ainda mais o nome da

Music Television.

Nesse sentido, Victor confessa

que a MTV faz muita falta.

“Desconheço um canal tão

pioneiro quanto era a MTV. Dava

pra ver que lá as coisas eram

feitas bem ‘na raça’, acho que por

isso gerava tanta identificação”,

completou o jovem.

Apesar do jeito irreverente, o

canal soube pautar esses temas

relevantes com a juventude com

o Ponto Pê, Beija Sapo e séries

como Awkward, My Mad Fat Diary

e Skins.

O impacto do canal para os

millennials e geração Z, que

conseguiram acompanhá-lo na

ativa, pode ser comparado com a

relação da geração X ou os

babyboomers com as revistas e

suplementos impressos, segundo

aponta Alan Mangabeira,

professor de Comunicação e

coordenador do curso de Rádio e

TV da Universidade Federal da

Paraíba (UFPB). “Impactou na

forma de se vestir, no estilo de

vida, nas formas de consumo e de

se relacionar socialmente; sobre

formas de criar comunidades, de

expressar afetos pelos produtos

que consumimos, de ser fã”,

completou.

“Um jeitinho de falar que pirou o

cabeção”

É oficial: a MTV Brasil tinha um

jeito próprio de se comunicar e

isso foi o que fez dela um sucesso.

Sua determinação em dialogar

com o público mais jovem foi

fundamental, por muito tempo,

para levantar debates sem pudor

em áreas como relacionamento,

educação sexual, consumo de

drogas e diversidade.

38 Capa


A relação de Mangabeira com a MTV é antiga e foi fundamental para sua formação

pessoal e profissional. Em meados de 2007, Alan trabalhou no Popline, portal de

Cultura Pop e Entretenimento que chamou a atenção da emissora na época. “A MTV

quis trazer o Popline para dentro dela, começando pelo Portal MTV. Era a parte de

mídias digitais e Zico Góes, diretor-geral da época, queria adotar o formato

transmídia”, comentou.

O emprego no “canal dos sonhos” foi o primeiro remunerado de Alan Mangabeira e,

apesar do desafio, também foi uma realização. Hoje, professor, ele acredita que o

canal foi responsável pelo caminho que traçou na comunicação.

Infelizmente, à medida que a internet foi ganhando força na sociedade, o papel do

canal foi declinando, sendo substituído pelo consumo mais imediato de plataformas

como YouTube, Spotify e Netflix. A MTV começou a ter prejuízo e queda de audiência, o

que resultou no fim daquele formato como havia se consagrado.

Ainda há tentativas de manter parte do jeito original da emissora vivo, como o caso

do Beija Sapo, que hoje é um programa patrocinado pela Tinder e é considerado a

primeira produção exclusiva do serviço de streaming gratuito da Paramount, a Pluto

TV. Marimoon e Titi Muller também tentam reavivar esse público, com o podcast

Acessíveis, resgatando histórias e a forma de se comunicar (em partes) do Acesso

MTV.

Para o professor Alan Mangabeira, a MTV gerou “um afeto e uma nostalgia que a

gente tenta replicar até hoje, por onde a gente passa”. Nostalgia essa que se torna

muito importante como um modo de registrar a história, incluindo com os resquícios

de sua forma de produzir conteúdo já mencionada. “Muito do arquivo da MTV se

perdeu, então eu acho importante que os VJs e pessoas que estavam no canal

ocupem espaços, midiaticamente falando”, explicou.

Apesar disso, hoje em dia, é difícil acreditar que um canal no formato em que a MTV

Brasil lançou se consagre novamente. Com as novas formas de consumo, a televisão

perde força junto aos jovens, principalmente em relação à música. É por isso que o

saudosismo e a nostalgia são tão fortes em relação ao canal. Rolar o feed repleto de

vídeos com duração de até um minuto não se compara à espera de uma hora

específica para acompanhar a estreia do videoclipe de sua banda preferida. Para

alguns, isso é bom. Para outros, nada será como antes.

39 Capa

y


Os mais mais

Os 10 melhores álbuns do

ano, segundo a Billboard

por Redação

1. Brat

de Charli XCX

2. Cowboy Carter

de Beyoncé

3. Short N’ Sweet

de Sabrina Carpenter

4. GNX

de Kendrick Lamar

5. Hit Me Hard and Soft

de Billie Eilish

6. Eternal Sunshine

de Ariana Grande

7. Chromakopia

de Tyler, the Creator

8. The Tortured Poets Department

de Taylor Swift

9. Two Star & The Dream Police

de Mk.Gee

10. Alligator Bites Never Heal

de Doechii

40 Música


Nostalgia

Saudade

DAQUILO QUE A

GENTE NÃO VIVEU?

por Paloma Xavier

Ambientada nos EUA nos anos 80,

Stranger Things conquista especialmente

adolescentes e crianças

“Saudades de algo, de um estado, de

uma forma de existência que se deixou

de ter; desejo de voltar ao passado”:

esta é a definição de nostalgia de

acordo com o Oxford Languages. No

entanto, nem sempre esse sentimento

está relacionado com o passado ou

com a saudade. É o que explica a

pesquisadora de nostalgia e

professora universitária Talitha Ferraz:

“As gerações podem apresentar algum

tipo de produção nostálgica tendo em

vista uma lembrança ou uma ideia, às

vezes romantizadas, do que foi, por

exemplo, uma geração atrás ou 20

anos atrás”.

A pesquisadora afirma que essa

nostalgia pode remeter ao passado do

indivíduo e a elementos de épocas que

nem foram vivenciadas.

“A série Stranger Things é um caso bem

forte da cultura pop. É um imaginário da

década de 80, que voltou a estar na moda.

E quem consome isso não são as pessoas

que vivenciaram esse período, o públicoalvo

são os jovens, que sequer viveram

essa época”, afirma Ferraz.

A professora também elenca séries

antigas que ganharam o carinho de

gerações mais novas, como Sex and the

City e Friends; e de filmes que têm como

público-alvo tanto quem acompanhou a

época dos primeiros lançamentos, quanto

das próximas gerações, como o remake de

Meninas Malvadas e a sequência Star

Wars: A Ascensão Skywalker.

Reflexo dessa predileção por filmes que

envolvem a nostalgia está evidenciada

nas 10 maiores bilheterias de 2024 do Box

Office Mojo.

41 Especial


E sequências cujas as primeiras

produções foram lançadas há mais de

10 anos:

Meu Malvado Favorito 4 – US$ 968,2

milhões

Godzilla e Kong: O Novo Império –

US$ 571,7 milhões

Kung Fu Panda 4 – US$ 547,6

milhões

Bad Boys: Até o Fim – US$ 404,5

milhões

Planeta dos Macacos: O Reinado –

US$ 397,3 milhões

No ranking estão sequências que

estrearam poucos anos depois:

Divertida Mente 2 – US$ 1,698

bilhão

Deadpool & Wolverine – US$ 1,337

bilhão

Duna: Parte Dois – US$ 714,4

milhões

Os Fantasmas Ainda se Divertem:

Beetlejuice Beetlejuice – US$ 451,07

milhões

Venom: A Última Rodada – US$

439,9 milhões

Além disso, a adesão à campanha de

marketing do filme Barbie foi um

sucesso: pessoas vestiram roupas da

cor rosa para assistir à produção

sobre a história da boneca mais

famosa do mundo - que marcou

infâncias.

Outro impacto da nostalgia

mencionado por Talitha é o hype das

vitrolas, inclusive as que têm entrada

para pen drive ou acesso pelo

bluetooth. Dessa forma, emulando o

passado, mas não sendo

necessariamente aquele objeto

antigo.

42 Especial


Ela pontua que o sentimento nostálgico é explorado tanto na produção de filmes e séries, quanto

na de bens de consumo: “Os próprios objetos antigos podem ser retomados, reutilizados e

transferidos para o cotidiano. No mundo pop, na Indústria Cultural, é possível encontrar essa

produção de bens simbólicos e tangíveis ligados à nostalgia”, complementa Talitha.

Esperança e futuro

Talitha afirma que fatores

como a crise climática

intensificam a busca pela

sensação nostálgica. “A

gente não é mais um tipo de

sociedade que acredita

tanto no futuro, mesmo

depois da pandemia. Parece

que estamos sempre à beira

de alguma crise. Então, por

conta dessa falência da

expectativa, muitos dos

movimentos culturais e

produções de afetividade se

voltam para o passado. É

uma forma de segurança,

como um lugar mesmo de

aconchego.”

“É um lugar onde você

consegue encontrar alguma

referência palpável que a

realidade atual já não é

mais capaz de te dar,

porque é tudo muito fluido e

impermanente”, acrescenta.

Uma trend do TikTok -

rede social popular

especialmente entre o

público jovem - sobre

consumo de conteúdo

flashback tem ganhado

bastante repercussão.

Nela, pessoas publicam

vídeos sobre elementos

nostálgicos, como passos

de dança dos anos 80 e

refazer fotos de famílias

de anos atrás.

A especialista destaca

que essa busca pela

nostalgia motivada pela

desesperança afeta

especialmente a geração

Z - pessoas nascidas

entre o final da década de

1990 e o início da década

de 2010.

“Às vezes o indivíduo não

tem, de fato, experimentado

aquela vivência, mas sente

uma conexão com

conteúdos midiáticos como

filmes, séries ou novelas

ambientadas nesse período

passado”, pontua. Já os

millennials tendem a voltar

para o passado, em busca

da sensação de aconchego.

Por outro lado, a

pesquisadora ressalta que o

futuro também pode estar

associado à nostalgia.

Os millennials

tendem a

voltar para o

passado, em

busca da

sensação de

aconchego.

43 Especial


“Uma nostalgia de futuros possíveis, cenários que a gente pensou que fossem existir,

mas não se efetivaram. Uma saudade de uma coisa que nunca aconteceu e que

talvez nunca vá acontecer. Décadas atrás, nós imaginávamos que hoje teríamos

carros voadores, por exemplo. Então a gente também é capaz de projetar isso com o

sentido nostálgico, esse futuro que nunca aconteceu, mas eu sinto falta dele porque

eu gostaria que ele tivesse se tornado real”, explica Talitha.

A chamada comodificação da nostalgia é uma forma de utilizar o sentimentalismo do

passado para suportar momentos de crise. “De alguma forma, isso traz alguma

satisfação em relação ao que a gente pensa do futuro”, reforça a pesquisadora.

Dessa forma, as produções - que vão além da cultura pop - têm lançado mão da

nostalgia para envolver mais o público.y

44 Especial


Só falta

você!

Clube

do Lido

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Fita K7

Nostalgia: músicas com cor, cheiro

e sabor de saudade

por Ana Victória Borges

Vamos aos fatos: a música é uma das formas

mais poderosas de reviver memórias. E aqui

no Brasil, onde cultura e emoção são mais

que friends, as melodias não só contam

histórias, mas também eternizam momentos.

Todo mundo tem aquela música que é a

verdadeira trilha sonora da vida, remetendo

a lugares, pessoas, emoções, sabores e até

cheiros, numa sinestesia muito louca e muito

gostosa também.

Sabe aquele aperto quentinho no peito que a

gente sente quando lembra de algo que foi

marcante? Isso tem um nome, e não é

taquicardia. É nostalgia, um sentimento

coletivo e universal, mas que aqui ganha

uma dimensão ainda mais especial porque

se mistura com outra coisa que só o Brasil

consegue nomear: a saudade.

Seja pela lembrança de momentos em

família, de hits que embalaram trilhas de

novelas, as rodinhas de violão, as festas com

os amigos ou aquela viagem que rendeu

várias histórias, a nostalgia é essa saudade

batida no liquidificador com pitadas de

alegria e melancolia. Nesse contexto, existem

músicas que transcendem o tempo e se

tornam verdadeiros hinos, traduzindo as

emoções de uma experiência, de uma fase

da vida ou de uma geração.

Por tudo isso, preparamos uma listinha com 7

canções que não são apenas sucessos do

passado. Elas representam uma conexão

quase mágica com momentos que

ganharam a imortalidade através da música.

Mais do que hits, elas são parte da memória

coletiva de um país que transforma quase

tudo em arte.

y

Anna Júlia - Los Hermanos

Você pode até não aguentar mais ouvir, mas nunca

poderá dizer que esse hit não marcou toda uma geração

de violeiros amadores e jovens alternativos.

Era Uma Vez - Sandy & Júnior

Aquela que é pra cantar com uma mão pra cima e outra

no peito, tal qual o hino que ela é.

Sonífera Ilha - Titãs

Essa tem um dos solos de guitarra mais inconfundíveis

de todos os tempos, e não deixa ninguém parado ou

calado quando toca nas festas até hoje.

Meu Erro - Paralamas do Sucesso

Um clássico que marcou gerações, já ganhou inúmeras

versões e segue sendo o hit que ela nasceu pra ser.

Pelados em Santos - Mamonas Assassinas

Dá pra falar de nostalgia no Brasil sem falar desses

queridos? De fazer sucesso e de deixar saudades, eles

entendem muito bem.

Vou te levar - Charlie Brown Jr

Se você não sente nada quando ouve essa aqui, você

não viveu o auge da adolescência tardia brasileira. Não

é à toa que Malhação rima com Chorão, e nesse caso

deveria rimar com saudades também.

Tô nem aí - Luka

Hino atemporal do desapego que todo mundo cantava

sem nem ter de quem se desapegar. Quando essa era

hit, a gente era feliz e sabia.

Minha Vida - Rita Lee

Bonustrack

Se a nostalgia escrevesse uma música sobre si mesma,

seria essa. E ouvir essa letra na voz de Rita Lee é um

presente, então escuta lá e depois agradece.

46 Colunas


Sisi and The Beauty

O bom e velho glam está de

volta para matar a saudade!

por Siérgia Almeida

Modéstia à parte, poucas gerações foram

tão felizes quanto aquelas que viveram os

anos 90 e 2000. A nostalgia dessas

décadas continua viva e, hoje, influencia

intensamente as tendências de beleza e

moda.

Essa foi uma época muito marcante e

emblemática e, de lá para cá, vimos

surgir estilos e tendências que

ultrapassaram seu tempo. Agora, vivemos

uma explosão nostálgica, especialmente

do estilo dos anos 2000, o famoso Y2K

aesthetic (ou “estética Y2K”). A

abreviação de year 2000, popularizada no

TikTok e por influenciadoras como Bella

Hadid, Addison Rae e as Kardashians,

revive tendências lançadas originalmente

por ícones como as integrantes do

Destiny’s Child e socialites como Paris

Hilton.

Grandes marcas de beleza estão

aproveitando o clima nostálgico,

inspiradas nesses anos que marcaram

nossa infância e adolescência. Nós, it girls

desde o ventre das nossas mães, não

vivíamos sem um bom gloss com

gostinho de morango ou uma bolsinha de

bichinhos de pelúcia. Parcerias como

Carmed e Fini, Bubbaloo e O Boticário

despertaram memórias afetivas e a

saudade bateu forte!

Quer fazer uma viagem no tempo e matar

a saudade? Confira algumas das

tendências de beleza que são um sucesso

e vão fazer você voltar à infância e fazer a

sua criança interior feliz:

47 Colunas


Glow and glow

Francesinhas

As sombras cintilantes, conhecidas

como frosty, voltaram com tudo!

Resgatando o brilho ousado dos

anos 90, agora são um queridinho da

Geração Z, dando um toque ousado

e vibrante ao olhar.

Nos anos 2000, as unhas

francesinhas eram o auge. E,

embora nunca tenham saído de

moda, hoje elas aparecem

repaginadas e muito mais criativas,

oferecendo novas maneiras de

brincar com esse clássico.

Pretinho nada básico!

Quem nunca usou o clássico “olhão

preto”? O lápis preto na linha

d’água, levemente esfumado,

ressurge com um toque grunge,

trazendo todo o drama que

adoramos. Esse look poderoso é

perfeito para quem quer transmitir

uma atitude confiante.

O termo grunge – em tradução livre

significa sujeira– descreve tanto o estilo

visual (cabelo bagunçado, com roupas

“destroyed” e folgadas), quanto o som

distorcido das guitarras e letras

angustiadas e sarcásticas que dão o tom

as músicas de bandas como Nirvana.

Cabelos em camadas e naturais

Queridinho e polêmico, o cabelo em

camadas marcou os anos 90 e está de

volta, trazendo movimento e combinando

com todas as texturas. Além disso, os

cabelos naturais estão em alta: menos

alisamento e mais volume, como uma

homenagem ao estilo icônico das

modelos, atrizes e cantoras da época.

Trancinhas e acessórios chamativos no cabelo

As tranças nunca saem de tendência e têm salvado nossos bad hair

days. O estilo que bombou nos anos 90 está de volta, especialmente

as trancinhas finas usadas como mechas na frente do cabelo.

E mais: os pompons fofinhos e as clássicas piranhas de cabelo são

uma das tendências preferidas do momento. Vamos confessar?

Estamos morrendo de saudade de usar aquela velha e mega

piranha!

A tendência de resgatar estilos dos anos 90 e 00 não é apenas uma questão de moda,

mas também uma forma de nos conectarmos com boas memórias. As marcas de

beleza entenderam que, mais do que seguir predisposições, estamos todos buscando

uma sensação de conforto e autenticidade. E nada melhor do que revisitar o passado

para encontrar um pouco disso.

Esses estilos não são apenas algo passageiro, mas uma lembrança de quem sempre

fomos — e de quem sempre seremos. Então, reviva esses momentos icônicos, porque

algumas memórias nunca saem de moda!

48 Colunas


DOT

DESCULPE O TRANSTORNO,

MAS A EXALTAÇÃO DA

MAGREZA JÁ NÃO DEVIA SER

DÉMODÉ?

por Bea Alcântara

Eu sou uma pessoa nostálgica. Estou

sempre com saudade de momentos bons,

de uma época em que a minha maior

preocupação era decidir com que

brinquedo ia brincar ou qual site de jogos

ia acessar. E não sou a única.

A geração chamada de “millennial” já é

conhecida por sentir saudade de coisas

específicas que vivenciaram entre o final

dos anos 1990 e início dos anos 2000.

Porém, esse sentimento não se restringe a

eles. Uma pesquisa feita pela DCDX,

agência focada em realizar

levantamentos sobre a Geração Z,

constatou que 97% dos Zoomers sentem

nostalgia e, deste total, 53% revela sentir

isso com frequência.

É esse sentimento saudoso que traz de

volta, de tempos em tempos, coisas

clássicas de épocas passadas. Bandas

hitam seus antigos sucessos graças ao

TikTok. Séries antigas conquistam um

novo público através das plataformas de

streaming, como aconteceu com a Netflix

e Sex and The City. E, infelizmente, até os

problemas de anos anteriores conseguem

seus 15 minutos de fama novamente.

“magras,

magras,

magras”

Sabemos que o culto à magreza – e o

combo de transtornos alimentares –

não se restringe aos anos 2000.

Inclusive, em toda geração ele

encontra uma brecha para crescer.

Nos anos 1990, por exemplo, tivemos a

chamada heroin chic. Corpos

extremamente magros, olhos fundos,

um pouco de messy girl e a onda do

visual grunge.

Esse visual teve seu auge durante a

última década do século 20. Nomes

como Kate Moss, Jodie Kidd e Jaime

King foram fundamentais para

popularizar esse lifestyle, que

encontrou terreno fértil no universo da

moda para se fortalecer. Porém, não

ficou só nisso. O cinema abraçou a

nova vibe do momento e o uso de

drogas ganhou ainda mais destaque

em produções da época, como Pulp

Fiction e Diário de Um Adolescente. Na

música, os créditos podem ir, por

exemplo, para Nirvana, Pearl Jam e

Hole.

Pouco tempo depois, entendemos que

o vício não era sexy, muito menos cool.

Mas a magreza se estendeu pelos anos

2000.

A Victoria Secrets nunca fez tanto

sucesso. Os looks repletos de baby tees

e cintura baixa nunca fizeram tanto

sentido. E os transtornos alimentares

nunca estiveram tão em alta.

49 Colunas


Segundo uma análise de Pinzon &

Nogueira realizada em 2004, naquele

ano, estimava-se que 8 em cada 100

mil mulheres desenvolviam anorexia

nervosa no mundo. Já atualmente,

dados da Associação Brasileira de

Psiquiatria avaliam que mais de 70

milhões de pessoas no mundo podem

possuir algum distúrbio alimentar. No

Brasil, esse número seria de 15 milhões,

de acordo com o coordenador do

programa de transtornos alimentares

do Hospital da Universidade de São

Paulo (USP), Táki Cordás. Ainda

segundo ele, 1% da população brasileira

ainda tem anorexia nervosa.

Depois de alguns anos na vibe do body

positive, o culto à magreza retorna para

a pauta com a trend “magras, magras,

magras” e é assustador – pois é, não é

engraçado.

Em resumo, a trend consiste em zoar a

perda de peso causada por situações

de doença ou sintomas. Um exemplo:

“quando a gente almoça e percebe que

o almoço vai dar dor de barriga” e isso

se torna um “ponto positivo”, pois vai

fazer perder alguns quilos.

Como alguém que até hoje lida com

suas próprias questões em relação ao

corpo e aos transtornos alimentares, é

difícil ver que a nostalgia de tempos

passados se estende a coisas tão

preocupantes e sérias. No fundo, eu sei

que a exaltação do corpo magro e

padrão nunca foi embora, mas estava

sutilmente disfarçada e, aos poucos,

encontrou lugar de ascensão, se unindo

ao estilo de vida “saudável” de corridas

e gummy jellies – que existe,

genuinamente; mas também há quem

se valha dele para propagar gordofobia

e afins.

Segundo o levantamento feito e

divulgado pela Semrush, plataforma de

marketing digital, somente em abril de

2024, o termo “Ozempic” foi pesquisado

1,5 milhão de vezes, registrando um

crescimento de mais de 300% em

comparação ao mesmo período no

ano passado. O medicamento, que foi

desenvolvido para o tratamento de

diabetes, se popularizou pelos seus

efeitos de emagrecimento.

E eu nem sei como finalizar essa

coluna. Ela surgiu da vontade de falar

sobre como a nostalgia é um

sentimento bom, mas também pode

ser acompanhada de ideias distorcidas

de saudade.

A cintura baixa voltou, a Victoria

Secrets também. Eu já vi esse filme

antes, sei como ele termina.

Sim, eu sou uma pessoa nostálgica. E

sei que não estou sozinha nessa.

Contudo, ninguém sente falta da dor

no estômago. Da compulsão gritando

na mente. Da garganta ardendo e do

cheiro de vômito no banheiro.

Eu, pelo menos, não sinto.

a

nostalgia

também

ama um

dedo na

garganta.

50 Colunas


cena de as

branquelas

51 Colunas


Café com Pauta

Volver,

de novo

Surgida no Recife em 2003, a banda Volver construiu uma identidade única no rock

nacional, misturando influências da Jovem Guarda, rock dos anos 60 e uma forte carga

emocional em suas composições. Após um hiato, o grupo voltou aos palcos recentemente,

trazendo uma química renovada entre seus membros e lançando novos trabalhos, como o

single Volver de Novo.

Com Bruno Souto nos vocais, a banda se destaca por sua abordagem intuitiva à

composição e pela constante evolução criativa, mesmo com as mudanças em sua

formação. Nesta entrevista, exploramos a conexão da Volver com suas raízes, a dinâmica

de revisitar influências do passado em uma era digital e os planos futuros que prometem

manter viva a autenticidade de sua música.

52 Especial


A música da Volver mistura elementos do rock

dos anos 60, jovem guarda e influências

regionais. Como vocês equilibram essas

referências e mantêm a identidade da banda?

Bem, eu acho que as influências regionais não

rolam muito, a gente não tem um som muito

da nossa região. Talvez esteja muito nas

entrelinhas. Quanto ao equilíbrio entre as

referências, é uma coisa que é intuitiva, não

saberia explicar tecnicamente, é uma coisa

que acontece, né? Mesmo com várias

formações que a banda teve, essa identidade

eu acho que apareceu de uma forma ou de

outra, porque quando a gente está no estúdio

ou está compondo a gente tem, como todo

músico tem, suas referências e ele vai, através

do seu filtro, transformar numa coisa autoral e

todo mundo que participa da banda tem esse

mesmo sentimento, esse mesmo proceder.

Então, é assim que rola e o resultado é o que já

lançamos até hoje. Acho que fomos felizes em,

por mais que transpareça as influências A, B ou

C, ficar sendo uma coisa da Volver, né? Nossa!

Ao longo dos anos, a formação da banda

passou por alterações. Como essas mudanças

impactaram o som e a dinâmica criativa da

Volver?

Verdade, cada disco da banda é uma

formação diferente e ainda teve outras

formações que não chegaram a gravar disco,

mas fizeram shows e tal, criaram músicas…. O

fato é que o processo criativo geralmente é

assim: eu chego com uma música pronta ou

praticamente pronta no estúdio e todos nós

ficamos trabalhando nela, arranjando, vendo a

melhor maneira para a gente finalizar a

música. Às vezes é rápido, às vezes demora um

pouco mais, mas o mais importante disso é

que, independente das formações que

passaram, um fato predominante é que todo

mundo que entrou, que participou da banda,

entendeu, entendia que a gente tava ali para o

melhor da canção, da música. A música,

quando queria se mostrar, a gente entendia na

hora. Quando estava pronto, quando não

estava pronto, e isso é meio inexplicável, é

como mágica.

Canções como "Saudades do Verão" refletem

uma conexão emocional com Pernambuco,

mesmo quando estão longe. Como essa

relação com a terra natal influencia o

processo criativo da banda?

Saudades do Verão foi composta em São

Paulo, após a nossa ida para lá, quando a

gente já estava residindo lá. Até então, eu

nunca havia tido nenhum anseio em ficar

cantando sobre Pernambuco, nunca senti essa

necessidade, não por nada, não tinha

problema nenhum, só não sentia que aquilo

era um tema que eu fosse trabalhar na letra de

uma música. Mas, chegando em São Paulo,

apesar de eu já ter me identificado e me

ambientado muito rápido, rolou uma saudade.

Naqueles dias mais chuvosos, a gente ficava

mais melancólico, com saudades da família,

dos amigos, saudades de um clima mais

quente. Então, naturalmente, surgiu a ideia de

fazer a canção que não é só sobre

Pernambuco, Recife e tal, mas tá inserida no

contexto e é isso. Quanto ao processo criativo,

eu não acho que a relação com a terra natal,

pelo menos da minha parte, como compositor

e como letrista, seja uma coisa muito explícita.

Às vezes aparece nas entrelinhas, mas eu não

sou do tipo bairrista, sabe? Então acaba

influenciando de alguma forma, mas não é

predominante.

Desde a formação em 2003, como vocês

avaliam a evolução do cenário musical

independente no Brasil? É mais fácil

sobreviver de música autoral hoje?

Eu acho que sempre foi difícil. Mas, em 2003, na

minha percepção, acho que o tipo de música

que a Volver faz tinha uma atração para um

público maior, em termos quantitativos. A gente

estava no momento em que tinha muitos

festivais independentes rolando, tinha muito

apoio por parte de editais e tinha muita coisa

para o tipo de música que a gente faz. Ainda

existem apoios, mas, por exemplo, festivais de

rock independente, tinha aos montes na época

que a gente surgiu, nos 10 primeiros anos… e foi

diminuindo ao longo do tempo. A gente pegou

também uma fase em que ainda tinha MTV e

foi muito bom. A cena era mais urgente, tava

borbulhando. Mas sempre foi difícil e acredito

que sempre será. Hoje a gente toca única e

exclusivamente por gostar de estar junto.

53 Especial


Muitas das músicas da Volver têm uma

sensação nostálgica, como em "Canções

Perdidas Num Canto Qualquer". Essa escolha

estética reflete experiências pessoais ou uma

tentativa de capturar um sentimento

universal?

Bem, eu acho que a minha forma de compor

são as coisas que saem. Sabe, não é uma coisa

muito programada. Tanto que raramente,

muito raramente, pouquíssimas vezes

aconteceu de eu fazer uma letra antes da

música. Então, a melodia sempre vem primeiro,

ou juntamente com algumas frases, ou

algumas palavras, ou pelo menos fonemas. A

melodia, para mim, vem muito fácil. A estrutura

da música também é muito fácil pra mim. A

transpiração está na questão de desenvolver e

finalizar uma letra, que às vezes demora mais

do que eu gostaria, mas eu já aprendi a não

brigar com elas, que na hora certa elas vêm. E

eu sou uma pessoa muito criteriosa, sabe?

Com as letras, com o ritmo das palavras, com a

palavra no lugar certo. Então é um processo

demorado e o conteúdo é uma coisa que vem

naturalmente. E existe uma sensação de

nostalgia. O próprio nome da banda, né, que é

Volver, significa voltar, retroceder. Inclusive, eu

peguei do dicionário. Folheando a esmo,

cheguei nessa palavra e achei que era a cara

do que eu pensava na época. Principalmente

no começo de carreira, isso era mais forte, mas

ainda continua sendo. E, acaba que fica um

sentimento universal.

Como vocês veem a importância de revisitar

influências musicais do passado em uma era

tão voltada para novas tecnologias e

tendências digitais?

É natural que várias músicas, esteticamente

falando, remetam a décadas passadas,

principalmente os anos 60, que até hoje são a

minha década preferida na música, mas não

só. A gente escuta tanto músicas mais

clássicas como coisas novas que estão

aparecendo, então tudo influencia, sabe? E,

nesse caldeirão, às vezes, a gente não sabe o

que é que vai acontecer. Entramos no estúdio

para fazer uma música, cada um coloca as

suas influências, a gente conversa, a dinâmica

sempre é muito livre, todo mundo dá pitaco no

instrumento do outro e tal. O bem da música, o

melhor pra música, esse é o lema sempre.

E eu acho que essa questão das novas

tecnologias e tendências digitais não anulam

isso, não. Acho que, pelo contrário, você usa

essas novas tecnologias justamente a seu

favor, independente da estética que você quer

mostrar. Não acho que sejam coisas que se

anulem, não. Elas podem andar tranquilamente

em harmonia. Tanto é que, por exemplo, em

Volver de novo, nosso último single lançado, a

gente usou muita gravação remota. A gente

não tava todo mundo naquela hora fazendo ali

no estúdio como tinha sido nos discos

anteriores. Então, foi uma experiência nova.

Cada um grava uma coisa na sua casa, aí,

“poxa, ficou legal?” ou se não, tipo, “tenta fazer

assim nessa parte e tal”, tudo com muito

diálogo e muita vontade de fazer o melhor

trabalho possível.

Depois de um hiato, a banda voltou à cena no

ano passado com shows comemorativos. O

que mais surpreendeu vocês nessa retomada,

tanto em termos de público quanto de

experiências pessoais?

Foi uma volta aos poucos e natural. A gente se

reuniu para fazer um show, vamos dizer assim

“comemorativo", para reencontrar os amigos,

para tocar junto. E, a partir desse show, a gente

sentiu um carinho muito grande do público e a

gente se divertiu muito. Toda banda tem seus

problemas, suas questões… e o tempo, esse

hiato, fez com que, naturalmente, essas

questões fossem sendo resolvidas. Então,

quando a gente retomou nesse primeiro show,

já tava tudo pacificado. A gente já tava mais

amadurecido.

Quais são os próximos passos da banda?

Existe algum projeto ou colaboração especial

que vocês possam compartilhar?

A gente está com um single novo, já gravado,

já pronto e estamos nos preparando pra

gravar um videoclipe, pra acompanhar essa

canção inédita e lançar junto. Esse é o próximo

passo e vamos ver ao longo de 2025 se vamos

continuar lançando singles ou vamos nos

preparar pra lançar um álbum. Isso é uma

coisa que demanda um esforço muito maior,

que é bem mais difícil hoje em dia. Como

agora a gente não se dedica 100% à banda,

isso tem as suas vantagens e desvantagens.

54 Especial


E a desvantagem é essa: a gente não tem mais

muito tempo livre para se enfurnar dentro do

estúdio e fazer. Por enquanto é isso, 2025 vai

entrar e aí vamos ver o que é que é que vai

acontecer.

Apesar da produção de vocês não seguir a

música regional, existe uma identificação

bairrista com o rock pernambucano? Como é

isso pra vocês?

Olha, da minha parte não tem, como eu já falei,

bairrismo nenhum. Eu acho que existem

bandas boas, bandas nem tão boas e bandas

em qualquer lugar. Mas como moramos em

Pernambuco, a gente acaba tendo um contato,

um corpo a corpo, com pessoas e artistas e

grupos e músicos daqui. Então a gente acaba

tendo um contato maior nesse sentido. Dividir o

palco, conhecer bandas e ir para shows de

outras bandas e tal. Então, da minha parte, é

isso. Aqui a gente tem muitos artistas

maravilhosos, uma efervescência e uma

criatividade incrível, mas no rock não tem tanta

coisa rolando como a cidade merecia. Claro

que tem bandas boas, bandas se

movimentando e tal, mas eu ainda acho que

poderia ser um volume maior, mas tudo bem, o

importante é que quem quer fazer rock aqui em

Pernambuco está lutando, está procurando

conquistar os seus espaços. E eu,

particularmente, acho massa quando vejo

bandas boas surgindo e fico muito feliz. Espero

que esse movimento de novos artistas dentro

do rock aumente aqui em Pernambuco.

Qual a relação de vocês com a fama? E com os

fãs?

Fama é um negócio meio ficção, porque a

fama é aquele negócio que, sei lá, de repente, é

uma coisa mais gigante, mas se você for olhar

com uma questão de microfama, é uma coisa

que é efêmera, sabe? Enquanto a gente estava

na ativa, mesmo antes do nosso hiato, a gente

se via em situações em que você é

reconhecido na rua, pedem para tirar foto e

isso é massa, mas nunca subiu à cabeça essa

sensação de fama, pelo menos o máximo que

a gente conseguiu. A gente sempre foi muito pé

no chão, mas tem a história de que, tipo assim,

se era um tipo de fama, era um tipo de fama

pelos motivos certos, que era pelo trabalho que

a gente sempre prezou.

Não posso ser hipócrita e dizer o contrário. Esse

tipo de coisa é massa, mas não é o foco, nunca

foi, não é o objetivo. Isso aí é uma

consequência de um trabalho árduo e (na

minha visão) bem feito, que a gente fez. Tenho

maior orgulho do que a gente já construiu até

aqui. Em relação aos fãs, eles lutam pela

banda, eles vibram com a gente, muitos deles

se tornaram amigos e, assim, a gente se

conhece por nome e tal. A gente percebe o que

o nosso trabalho causa nas pessoas, nessas

pessoas que acompanham a gente, que

gostam da gente, e sempre me surpreendo.

Você fez a música ali na sala da sua casa e vai

com a banda, constrói a música, chega, lança,

e daqui a pouco aquilo que você fez toca as

pessoas de uma forma que elas cantam, se

emocionam, vão no show, poderiam estar em

qualquer lugar e estão ali pra ver você, ver a

banda, cantar junto, compartilhar aquele

momento. Isso é muito impressionante. Eu

nunca canso de me surpreender com isso. Essa

troca é realmente a maior alegria que a gente

sente com os fãs.

Nesta edição da revista, a gente faz um

resgate da importância da MTV e das

mudanças no cenário musical com ela e a

partir do encerramento do formato. Como a

banda se adapta às mudanças no consumo

de música na era do streaming?

Na minha opinião, é um caminho sem volta.

Pelo contrário, ninguém sabe ainda onde vai

parar, mas voltar, não vai. Mas é o hábito de

consumo de cada um, pode ser feito do jeito

que a pessoa quiser. Eu ainda consumo,

compro e ouço música, principalmente, no

formato físico. Minha mídia favorita é o disco de

vinil e logo em seguida vem o CD, eu consumo

música assim, independente de como tá o

mercado. Pessoalmente, enxergo como uma

coisa que só veio ajudar, enquanto consumidor,

porque, por exemplo, no meu carro não tem

mais CD player, então eu uso o streaming para

escutar o que eu quiser ali na hora.

Em relação à importância da MTV, ela foi

fundamental. A banda mesmo deve muito a

essa exposição. Tanto a Volver, como centenas

de artistas, devem alguma coisa, vamos dizer

assim, a MTV, né? Que foi massa. Fica faltando,

a gente fica com aquela nostalgia de “porra,

que massa seria se ainda tivesse aquele canal”.

55 Especial


Apesar de que isso é uma coisa que não se

sustenta mais, né? Infelizmente é isso. Tenho

saudade daquela época, descobri muita coisa

pela MTV, tanto como consumidor quanto

como músico também. Agora a gente tem,

para o bem e para o mal, toda a liberdade para

garimpar, caçar, descobrir coisas novas na

internet. Sinto falta da curadoria, que tinha

muito na era pré-internet. A gente tem é que

tentar se adaptar mesmo.

Em quais locais vocês ainda não tocaram e

tem esse sonho?

Ah, eu gostaria de fazer uma turnê, ou uma mini

turnê que seja, pela Europa. Nunca surgiu essa

oportunidade para a banda, mas quem sabe

um dia, né? E aqui no Brasil, eu tenho vontade

de tocar em dois lugares que a banda nunca

tocou, e eu acho que seria maravilhoso, que é

em Manaus e Belém.

Se pudessem definir o som da Volver com uma

palavra, qual seria?

Eu definiria como sincero.

Qual o seu filme favorito?

Difícil, a pergunta. Eu vou dizer que é a trilogia

do Poderoso Chefão.

Uma série que assistiu e vale a indicação?

Eu não sou muito de assistir série, eu sou mais

de filmes. Então, pra não ficar sem resposta,

vou indicar uma série que muita gente não

deve conhecer, que é bem antiga, mas que

marcou muito a minha adolescência, que é

Anos Incríveis.

Uma música favorita do rock nacional?

Como essa pergunta é praticamente

impossível de responder com uma única

música, vou citar uma que escutei hoje pela

manhã: Um Lugar do Caralho, de Júpiter Maçã.

Uma banda internacional que todo mundo

deveria conhecer?

The Kinks.

Uma música para conhecer o som da Volver?

Pergunta dificílima. Se quer conhecer a Volver

como está hoje, escute nosso single mais

recente, Volver de novo.

Com quem vocês tomariam um cafezinho?

Arnaldo Baptista. Acho que seria bem massa!

Uma meta para 2025?

A meta para 2025 é continuar vivo e criativo.

56 Especial


It girls

Good Days Old:

A VOLTA DAS TENDÊNCIAS E SEU IMPACTO NA MODA

por Alice Costa

Nostalgia é definida pelo sentimento de

falta, tendo a vontade de regresso aos

momentos felizes vividos em outra época

como pilar principal. Apesar de ser uma

emoção, é uma das maiores engrenagens

no mercado de moda e a consolidação de

uma economia de nostalgia dentro da

indústria fez com que fosse necessário, até o

alto escalão da moda, revisitar os bons e

velhos tempos.

Existe um elo eterno entre épocas e

gerações que foi reforçado pelo período

pandêmico, já que, durante o auge do

isolamento o único escape que as pessoas

tinham em mãos era a tecnologia, fazendo

com que as mesmas voltassem para os

momentos de antes e desejassem viver

novamente daquela forma. Segundo o

relatório internacional Youth Culture, em

julho deste ano, o birô de tendências WGSN

pontuou que a pandemia catalisou a

necessidade de fuga da situação vivida no

momento. Nos posts das redes sociais,

tópicos relacionados à nostalgia cresceram

19%, registrando um pico em abril de 2020.

Ou seja, juntos, a popularização da internet

e a rapidez que os novos meios de

comunicação proporcionam levaram as

revisitações ao passado além, literalmente

exaltando e trazendo de volta as

características vividas em outros tempos.

Na cultura pop em geral, músicas antigas

voltam à tona, cantores de décadas

distantes retornam ao top charts e na moda

não é diferente. O “Ciclo de tendência de 20

anos” está aí para provar!

57 Especial


Acredita-se que, a cada 20 anos, a

geração que era criança em determinada

época e agora está adulta, desenterra as

tendências de gerações passadas,

ressignificando-as. Isso é extremamente

influenciado pela cultura de conforto

dentro da moda, pois, vivendo em uma

sociedade regada à rapidez e ansiedade,

voltar para os tempos de calmaria é um

refúgio.

A economia na indústria utiliza de todos

esses quesitos para alimentar a roda

imparável e cada vez mais produtiva do

neoliberalismo, fazendo com que lojas de

departamento produzam cada vez mais a

necessidade exigida pelo consumidor e

marcas de alto luxo coloquem em suas

passarelas itens que remetem à década

passada. Com a disseminação do

mercado de influencer, principalmente no

TikTok tendências antigas estão se

popularizando cada vez mais, como o Y2K

ou year 2000 (anos 2000, em tradução

literal), que foi uma época da moda

bastante experimental e fazia apelo ao

futurismo, devido ao momento social e

econômico vivido com o surgimento da

tecnologia. Foi um estilo de vestimenta

nada minimalista, sempre com muitas

cores e brilho, levando o glamour e o

maximalismo de logotipos ao extremo.

Em contrapartida à freneticidade dos anos

2000, a repopularização do boho chic

demonstra o verdadeiro “paz e amor” da

ascensão do movimento hippie. Com

peças mais despojadas e artesanais

remetendo a naturalidade e a

descontração, o boho - nascido com os

artistas franceses em 1920 que

procuravam unir a moda e arte - foi

ressignificado com o movimento hippie em

1970 e teve sua volta triunfal mais

recentemente, principalmente em festivais

como o Coachella, onde a tendência

máxima é a utilização de elementos

referência do boho, como modelagens

amplas, mix de acessórios e padronagens

florais.

58 Especial


E pode parecer que não,

mas as tendências de 2010

já estão datadas ao ponto

de, aos poucos, estarem

voltando. As redes sociais

apenas engatinhavam

neste momento, mas o

Tumblr era o que dominava

os corações das garotas

“diferentes”. A estética indie,

que pregava a comunidade,

envolvia blusa de flanela

vermelha, calças skinny

rasgadas, chapéu fedora, All

Star e bandas alternativas,

está voltando com tudo.

Já o irmão comportado definido

de Twee também está caindo

nas graças da geração Z.

Definido pelo Dicionário de

Oxford como "excessivamente

ou afetadamente pitoresco,

bonito ou sentimental" o estilo

consiste em um ar vintage e

mais sereno, remetendo a atos

analógicos como ler ou escutar

músicas em vinil. Os sapatos

modelo oxford, cardigans, golas

peter pan, armações grossas,

sapatilhas e tricôs são apenas

alguns dos elementos que

rodeiam essa estética.

A volta das tendências

antigas faz o mercado girar

através do conforto do

consumidor que viveu essas

trends na pele e apela para

a criatividade do novo

consumidor

para

reformulação dessas (e de

muitas outras) estéticas. A

indústria cultural necessita

da fusão das gerações para

girar baseada no afeto

nostálgico e na selvageria

jovial. y

59 Especial


Oscar 2025

Sim, ainda

estamos aqui...

por Redação

depois de 16 anos, um filme brasileiro integra a

shortlist da Academia para Melhor Filme Internacional

60 Especial


O drama Ainda Estou Aqui, do

diretor Walter Salles, é a

produção brasileira mais

comentada do ano e também

a maior bilheteria do cinema

nacional depois da pandemia

de Covid-19. O longa, baseado

no livro homônimo e

autobiográfico do jornalista

Marcelo Rubens Paiva, é o

representante do Brasil para a

maior premiação do Cinema

internacional, o Oscar 2025.

“é o maior filme do ano SIM!

Fernanda Torres merece todas

as honrarias!”

Bea

“é um grito silencioso!”

Luke

“potente e sensível,

merecedor de muitas

premiações.”

Paloma Xavier

O filme, que retrata o período

da ditadura militar brasileira,

no início dos anos 1970, conta

a história do ex-deputado

Rubens Paiva, que

desapareceu após ser levado

por agentes do regime. O

enredo foca na luta de sua

esposa, Eunice Paiva, por

justiça e na forma como ela

conduz sua família de cinco

filhos depois desse

acontecimento. Nos papéis

protagonistas temos Selton

Mello e Fernanda Torres.

A obra possui performances

emocionantes, direção de arte

impecável e abordagem

sensível à memória – tanto do

período histórico quanto da

família Paiva. O destaque fica

para a direção de Walter Salles

e a atuação de Fernanda

Torres, com licença poética

para a participação especial

de Fernanda Montenegro.

Ainda Estou Aqui é a indicação

do Brasil na premiação da

Academia de Cinema e as

apostas se direcionam às

categorias de Melhor Atriz,

Melhor Filme, Melhor Filme

Internacional, Melhor Roteiro

Adaptado e Melhor Direção. A

concorrência pode até vir forte,

mas a história já foi feita.

“deixa um buraco... daqueles

que a gente sabe que nunca

vai ser preenchido. E isso é

bom!”

Carol Cassoli

“filme imprescindível e que de

forma tocante reforça que

devemos lembrar sempre,

comemorar nunca!”

Carla Keuren

“talented, brilliant, incredible,

amazing, show stopping,

spectacular, never the same,

totally unique, completely not

ever been done before,

unafraid to reference or not

reference, etc etc etc”

Matheus Couto

“um impacto da verdadeira

história do Brasil!”

“uma verdadeira obra

de arte! Um trabalho

espetacular de

memória do nosso

país.”

Amanda Furniel

“tocante, bonito e

necessário... 3 adjetivos

corretos que não

conseguem expressar a

grandiosidade desse

filme.”

Luiz França

“causa identificação e

emociona, retratando a

realidade brutal que o

nosso país viveu.”

Iluska Cavalcante

Mateus de Medeiros

61 Especial


Chega de silêncio

O sistema do silêncio:

por Ana Flávia Lima

como Sean “Diddy” Combs usou poder

e influência para reinar na música

62 #OFFTopic


A trajetória de Sean “Diddy”

Combs é marcada por uma

ascensão meteórica na

indústria da música, mas

também por uma série de

escândalos que, ao longo dos

anos, nos esclarecem as

dinâmicas

abusivas

intimamente associadas à

fama e ao estrelato. Fãs e

entusiastas da música

passam um pente fino em

todos os artistas associados a

sua trajetória, e esse alvoroço

busca por justiça em um

mundo onde a internet é

capaz de documentar quase

todas as coisas.

Conhecido inicialmente pelo

recrutamento

e

desenvolvimento artístico que

guiou Biggie Smalls, Mary J.

Blige e Usher, ele transformou

sua carreira de produtor

musical em um império que

abrange desde gravadoras

até marcas de roupas e

bebidas. Esse legado de

sucesso foi permeado por

acusações graves e um

histórico de comportamento

violento até mesmo no início,

mas novas evidências

retomam discussões sobre a

cultura que sustenta essa

notoriedade.

Em setembro deste ano, Diddy

foi preso em Manhattan após

uma investigação federal

revelar alegações de tráfico

sexual, extorsão e organização

de festas conhecidas como

freak-offs. Esses eventos,

descritos como produções

ostensivas que envolviam uso

coercitivo de drogas e abusos

sexuais, desenham um padrão

comportamental que inclui

violência, manipulação e

intimidação.

Entre os detalhes

perturbadores, destaca-se a

alegação de que Combs usava

lubrificantes e óleos corporais

potencialmente misturados

com substâncias como GHB,

droga associada ao “boa noite,

Cinderela”.

Nomes como Cassie Ventura e

a ex-Danity Kane, Dawn

Richard, compartilharam

experiências de abuso e

ameaças. Cassie, cuja relação

com Combs resultou em um

processo civil em 2023, relatou

episódios de violência e

controle, incluindo a destruição

do carro de Kid Cudi em um ato

de intimidação. Outros relatos

de artistas que vivenciaram

episódios estranhos sob a

tutela de Combs, vide Usher e

Justin Bieber, reforçam uma

narrativa de um ambiente

onde a violência sexual e moral

eram sinônimas a

glamorização da fama.

Com a negação absoluta de

todas as acusações, a batalha

judicial do Puff Daddy deve ser

longa.

Mas as histórias crescentes e

as investigações federais em

curso sugerem que a indústria

da música está diante de um

momento de ajuste de contas,

onde o poder e a fama como

instrumento de silêncio

coercitivo são, novamente,

revisitados — como Jeffrey

Epstein e Harvey Weinstein

revelam dentro do eixo político

e cinematográfico.

Essas figuras poderosas

muitas vezes mantêm sua

influência até que uma

evidência esmagadora venha

à tona. Bill Cosby, Weinstein,

Epstein — tratam-se de

segredos abertos dentro da

indústria e das páginas de

fofocas; o poder executivo, a

mídia e os círculos sociais

sabiam dessas acusações por

anos, mas não agiram por

medo de se queimarem.

Vários relatos apontam que

Combs mantinha gravações

comprometedoras envolvendo

outras celebridades, usando

essas filmagens para obter

vantagem e silenciar qualquer

dissidência. Isso reflete o caso

de Jeffrey Epstein: o registro

desses podres, muitas vezes

envolvendo pessoas públicas

de alto-porte, garante o

silêncio e conformidade.

Segundo Gi Ismael, jornalista

cultural, em relação às

consequências e repercussões

de um caso como esse, “é

difícil dar uma lição de moral

no final. O que exatamente as

pessoas não devem fazer? As

pessoas sabem que não pode

drogar uma pessoa e estuprar

ela. As pessoas sabem que

não podem. A lição é não

façam, pronto”, afirmou.

63 #OFFTopic


Evitar que crimes como esses

continuem acontecendo é um

trabalho coletivo, conforme

aponta Gi. “Ensinem seus filhos

a não serem assim. Ensinem

seus filhos a não serem assim,

mas a também denunciarem

comportamentos de amigos.

Não tem lição de moral, tem

um trabalho conjunto da

sociedade para que isso não

continue acontecendo”.

O sistema capitalista e sua

união com o poder é o que

facilita o controle dos homens

como os donos do jogo. “Tem

o caso Neymar, o caso de

Daniel Alves, o caso do goleiro

Bruno, temos Robinho. São

inúmeros no mundo inteiro, os

personagens vão se

repetindo,” pontua a jornalista.

Para Gi, as coisas devem

mudar com o passar do

tempo. As pessoas passam a

temer a repercussão e o modo

como uma reputação pode

cair por água abaixo do dia

para a noite. “Aconteceu dessa

forma no cinema, com o

escândalo de Harvey

Weinstein. Na indústria da

música é isso também.

Estamos em um momento da

cultura muito plural. Não são

só as grandes corporações

que conseguem alcançar um

certo nível de fama, de poder,

de grana, o que seja”, explica.

A jornalista cita como exemplo

a Billie Eilish, uma das maiores

cantoras do mundo, que é

totalmente independente. É

claro que ela possui privilégios

de cor e de classe, mas é uma

história de sucesso para dois

irmãos e um computador em

casa. “As mudanças vão

acontecendo

pela

globalização, por causa desse

nível da internet que temos

hoje em dia”, justifica.

Se o público vai ou não parar

de beber Cîroc ou banir

músicas da Bad Boy das suas

playlists, ainda não dá pra

saber. É difícil acreditar que as

informações criminosas em

circulação irão mudar o jogo

de forma significativa. Mas a

esperança é de que, apesar

das consequências globais do

movimento #MeToo, no que

concerne às movimentações

políticas de alto-perfil, o caso

de Diddy possa expor tanta

gente quanto as especulações

sobre a lista do avião de

Epstein.

“Então que venham várias

outras denúncias para ir

desmanchando esse sistema

de um por um. Não é algo de

uma pessoa só. As pessoas

começam a perceber que o

caminho mais fácil, entre

muitas aspas, o mais

conveniente, nem sempre será

a melhor escolha para uma

pessoa. A custo de quê? É

muito doido”, finaliza Gi.

Considerando as batidas

policiais realizadas em suas

mansões em Los Angeles e

Miami, tudo indica que as

autoridades esperaram para

reunir evidências suficientes e

construir um caso sólido.

Até o momento, o rapper teve

a fiança negada duas vezes

devido a tentativas repetidas

de contatar e intimidar

testemunhas. Centenas de

chamadas evidenciam um

padrão de pressão sobre

quaisquer testemunhas que

possam ganhar coragem.

Fontes informaram à People

que P. Diddy foi colocado sob

vigilância suicida enquanto

aguarda seu julgamento no

Centro de Detenção

Metropolitano em Brooklyn.

64 #OFFTopic


Jennifer Lopez namorou o

rapper e teria escondido

uma arma após um tiroteio

em uma boate, onde uma

mulher foi ferida e um

amigo de Diddy levou a

culpa. A vítima e o rapper

Shyne, sentenciado a 10

anos de prisão, afirmam

ambos que os disparos

vieram de Diddy.

LINHA DO

final dos anos

1990

novembro de

2009

Bieber, com apenas 15 anos,

passou 48 horas com Diddy, nas

quais eles iriam “enlouquecer”.

Essa relação passa por ainda

mais escrutínio por causa de

um clipe do programa Keeping

Up With the Kardashians, onde

Khloe relembra um encontro

com Bieber em uma das festas

de Diddy, onde “metade dos

convidados estavam nus”.

Ainda que Cassie Ventura

tenha sido inicialmente

desacreditada pelo

público em geral, imagens

de vigilância de maio

mostraram Diddy a

agredindo fisicamente, no

corredor de um hotel. As

desculpas públicas de

Diddy se isentam de

responsabilidade.

2016

2024

Tony Buzbee começou a

representar mais de 50

autores em processos

que alegam abuso sexual

da parte de Diddy.

Buzbee, um advogado

famoso do Texas,

recebeu mais de 3.000

acusações relacionadas

ao caso.

65 #OFFTopic


A Rolling Stone publicou

um relatório em que

dezenas de amigos,

colegas e pessoas

próximas detalharam

essas tendências

maio de

2024

violentas ao longo de

décadas.

julho de

2024

A jornalista Danyel Smith

escreveu para o The New

York Times, contando

uma experiência que teve

em 1997, quando era

editora-chefe da Vibe. Ela

negou o pedido de Diddy

para a capa e ele disse

que a veria “morta no

porta-malas de um

carro”.

Aubrey O'Day, exintegrante

do Danity

Kane, compartilhou no

Instagram que se sentiu

validada pela progressão

dos casos, especialmente

no contexto do que as

mulheres enfrentam para

obter justiça.

setembro de

2024

dezembro de

2024

Diddy foi acusado de

pendurar Bryana “Bana”

Bongolan, então aspirante a

designer, em uma sacada

de 17 andares. No processo,

ela alega "conduta

ultrajante" que violou sua

autonomia e segurança,

com Cassie Ventura e

outras pessoas presentes

no local.

y

66 #OFFTopic


no instagram no instagram

no instagram no instagram

Clubinho Convida

o instagram

nno instagram

5 dicas com um

creator parceiro. Toda

2ª quarta-feira de

cada mês.

o instagram

nno instagram

Fita K7

7 músicas com um

toque de nostalgia.

Toda última quartafeira

de cada mês.

Sisi and The Beauty

Dicas de beleza &

skincare. Toda última

sexta-feira de cada

mês.

Rinha de Galãs

Escolhas muito difíceis

entre galãs e nem tão

galãs assim. Todo último

domingo de cada mês.


Hora do chá revelação de

idade, hein?! ?

Prove que você viveu os

Anos 2000

marcando o que você já fez/teve:

Teve uma bolsa de cachorrinho

Tem um ensaio de fotos com a

roupa dos bichinhos da Parmalat

Já teve uma pelúcia da Parmalat

Colou pôsteres de artistas na

parede do quarto

Usou munhequeira

Usou uma pulseira do reggae

Teve um short com a bandeira dos

EUA ou UK

Assistia ao programa Acesso MTV

Sabe até hoje as músicas de

abertura de desenhos da TV Cultura

Ligou para o 4002-8922 para ganhar

Playstation 2

Sofreu com o fim da TV Globinho

Teve um batom no formato de morango

Comprou livros pela revista da Avon

Teve um gloss ColorTrend

Foi ao cinema para pré-estreia de 00h

Assistia clipes no canal VEVO porque

eram os oficiais

Jogava no Habbo Hotel

Amava ou odiava o “chamar atenção”

do MSN

Baixava músicas no 4shared ou Ares

Já pegou um cavalo de tróia no PC

Tomou susto com “a menina do Exorcista”

no jogo do pontinho vermelho

Se apaixonou por alguma saga/série de

livros

Teve um CD de Malhação

Estava na comunidade “Eu Odeio Acordar

Cedo” no Orkut - aquela da foto do Garfield

Teve um perfil fake

Assistiu a novelas como RBD, Floribella, Isa

TKM, Quase Anjos, Rebelde Brasil, etc

Lia revistas como Capricho, Atrevida, etc

Não entrava para beber água em casa com

medo de não poder mais sair pra brincar

Colecionou brindes da Coca-Cola

Ganhou um poupançudo da Caixa

Gabarito

Se você marcou mais de 20

itens: parabéns, você viveu os

anos 2000 intensamente!

68 Teste


eu sou o seu

subnick do msn (8)

Firework – Katy Perry

Call Me Maybe – Carly Rae Jepsen

Poker Face – Lady Gaga

Toxic – Britney Spears

Party in the U.S.A – Miley Cyrus

Hips Don’t Lie – Shakira

Don’t Cha – The Pussycat Dolls

Hollaback Girl– Gwen Stefani

Girlfriend – Avril Lavigne

Raise Your Glass – P!nk

I Gotta Feeling – Black Eyed Peas

Give Me Everything – Pitbull

Best Song Ever – One Direction

Bye, Bye, Bye – *NSYNC

I Want It That Way – The Backstreet Boys

A Thousand Miles – Vanessa Carlton

Bad Day – Daniel Powter

Wannabe – Spice Girls

Glad You Came – The Wanted

69 Playlist


ENTRE ASPAS

ENTRE ASPAS

ENTRE ASPAS

por Maria Eduarda Camilo

“deveria ser imperativo nos

permitir voltar, porque fazer o

caminho de volta é abraçar

uma versão nossa e dizer: ei,

você existe”

Outro dia, numa conversa corriqueira de

WhatsApp — afinal, estamos longe de conversas

longas nesta rede social que não sejam a

trabalho — enviei uma figurinha que, há muito

tempo, não mandava para um amigo e,

automaticamente, fomos tomados por uma

sensação deliciosa de nostalgia. Sentimos juntos

aquela coisa de “quando nos enviávamos essa

figurinha a vida era tão boa” que dissemos,

interrompendo o diálogo, o quanto o tempo voa

e as coisas mudam. Passei aquele dia todo

pensando sobre.

Quando me apliquei à colunista da Frappé,

resgatei um desejo muito particular, mas que, há

muito, me persegue: o de dizer e fazer o que era

bom em outro tempo mas que deixei de lado por

alguma razão (sem dúvidas, a maior delas foi a

urgência de conquistar uma vida melhor na

esteira da corrida capitalista). Sou jornalista de

formação e, apesar do diploma me dizer que me

formei, tenho sonhado em entrar na faculdade,

vislumbrar um futuro novo cheio de desafios e

fazer novas amizades. Não sei ao certo, mas

tenho apostado minhas fichas na melhor

explicação para isso, que seria a saudade de ser

quem se é quando se tem vinte poucos.

Antes disso, ainda adolescente, eu almejava um

lugar diferente mas não sabia, ainda, que onde

eu estava tinha as melhores músicas, os

melhores filmes, as melhores risadas e uma

despreocupação de quem não sabe se pinta a

unha de azul ou de glitter. Estamos todos com

saudade desse lugar. Não à toa, as bandas estão

fazendo suas tours de retorno, o que é vintage é

muito melhor e nada como reunir uns amigos

para jogar Uno ou Imagem & Ação e rir de coisas

completamente sem razão.

A nostalgia nos lembra de nós mesmos. É como

se em algum ponto da vida atingíssemos o ápice

de existir e, quando somos tomados pela

performance de uma vida adulta, ou pela cisão

de um evento esmagador, nos deixamos

guardados em alguma prateleira empoeirando.

Odeio pensar que estamos velhos demais para

algo que nos faz resgatar a essência de se

reencontrar. Como não amar acordar e levar o

cobertor para o sofá, colocar um desenho, e se

sentir abraçado pelo sentimento de estar apenas

ali? E como conseguir atravessar uma semana

cheia sem colocar aquele álbum da melhor

banda de rock dos anos 2000 no último volume e

cantar a plenos pulmões?

O sentimento nostálgico pode parecer cruel a

quem somos agora, ditando que nunca mais

vamos voltar, mas a verdade é que esse

sentimento é a coisa mais real que podemos

carregar sobre ainda estarmos aqui no meio de

tanta coisa que não nos dá tempo de ser.

Deveria ser imperativo nos permitir voltar, porque

fazer o caminho de volta é abraçar uma versão

nossa e dizer: ei, você existe.

Quão tolos podemos ser por ficarmos horas

numa fila de show esperando a chance de

chegar perto de um ídolo que viveu em pôsteres

dos nossos quartos ou estampando a capa de

nossos cadernos? Ser bobo é parte disso tudo!

Crescer é um envelhecimento biológico, mas

clamamos para sermos jovens, livres e

divertidos…sempre.

E, depois daquela figurinha, lembrei de dizer ao

meu amigo o quanto aquela época foi boa, mas

que a gente podia sair pra dançar como nos

velhos tempos, porque somente o tempo passou,

mas ainda temos a chance de sermos, de novo,

a gente.

Tópico nostálgico da autora: o que me levou

muito à nostalgia nos últimos meses, e me

lembrou que I’M JUST GIRL IN THE WORLD, foi

reassistir — dessa vez em sequência e completa

— à série Sex and The City. Como não se

reencontrar ao ver Carrie, Miranda, Samantha e

Charlotte se aventurando em novas ideias, vidas,

amores e sonhos aos 30+? Definitivamente, um

prato cheio de pura nostalgia, moda, amizade e

coisas de garota. Recomendo!y

70 Crônica


Quem Somos

conheça a equipe por trás da Frappé!

Bea Alcântara

Fã de comédias românticas,

blogueira não-praticante e

emo que não morreu.

Ana Lima

Pisciana, lendo romances

estranhíssimos e refletindo

demais sobre fandoms.

Carol Cassoli

A fofoqueira do Clubinho,

obcecada pelo Adam Driver

e correspondente no RJ.

Paloma Xavier

Fã de Carla Madeira, lê mais

do que contabiliza e é

entusiasta de Bacurau.

Nalim Tavares

Dorameira, torcedora da

Loud, artista da casa e

romântica incurável.

Gabriell Alves

Adora ler, principalmente

distopias, e é tiktoker nas

horas vagas.

Micael Menezes

Humor moldado por

Sopranos, fã de Tarantino e

não assiste animações.

Lucas Salatiel

Aficionado por cultura pop e

tudo que envolve mistério e

suspense.

Amanda Furniel

Carioca paulista, aspirante a

poetisa, apaixonada por

livros e toda sua magia.

Thaissa Freitas

Escritora, metida à

marketeira e pregadora da

palavra do Pinterest.

Alice Costa

Leitora incurável, uma

aficionada por suspensa e

apaixonada por moda.

Luiz de França

Apaixonado por música,

expert em Kylie Minogue, e

tenta trazer hits de volta.

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71 Equipe


em breve!

Oi, Clubinho

Foto: Bianca Letícia


FRAPPÉ

dez/24

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