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Quem é Quem nas Águas 2024

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QUEM É QUEM

NAS ÁGUAS

2024



QUEM É QUEM

NAS ÁGUAS

2024

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


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OS QUE LUTAM POR

UM MUNDO MAIS

SUSTENTÁVEL


\\ NOTAS \\

7

MAIS DO QUE SLOGANS,

PRECISAMOS DE CONSCIÊNCIA

Aágua é, sem margem para qualquer dúvida, o recurso mais precioso do planeta. A sua disponibilidade, qualidade

e acesso determinam o bem-estar das populações, a estabilidade dos ecossistemas e a viabilidade de

múltiplas atividades económicas. Com o agravar das alterações climáticas e da intervenção (nem sempre

cuidada) humana, temos vindo a verificar contrastes cada vez mais acentuados. Desde cheias, inundações e tormentas em

locais pouco habituais a secas prolongadas e disponibilidade hídrica reduzida.

Por outro lado, os progressos alcançados no setor da água em Portugal, principalmente nas últimas décadas, merecem

reconhecimento. A melhoria dos processos de tratamento e aproximação aos padrões europeus de qualidade, a expansão

da rede de abastecimento, e a quase totalidade do país com água potável são marcos que representam conquistas inegáveis.

Se nos compararmos aos “alunos bons” do planeta estamos no pelotão da frente, mas o futuro do planeta não se faz apenas

de lugares cimeiros, ou, tão pouco, é uma competição. A água, e a sua disponibilidade, é um recurso finito, global e, cada vez

mais escasso. Se nos acomodarmos num tempo não muito longínquo da atualidade teremos situações ainda mais graves e,

cada vez mais, zonas do planeta sem recursos hídricos.

Os desafios do presente e do futuro exigem um esforço redobrado, tanto dos decisores políticos como das empresas, comunidades

e consumidores individuais.

Todos os setores estratégicos, como a indústria, a agricultura, comércio e o turismo dependem da estabilidade do ciclo

hidrológico. E a falta de água, a degradação da qualidade e a sobre-exploração dos aquíferos comprometem a produção

de alimentos, a competitividade económica e, sobretudo, o equilíbrio dos ecossistemas. Neste contexto, urge repensar as

políticas de uso, gestão e conservação da água, garantindo uma distribuição justa, eficiente e transparente.

Neste anuário que agora lhe chegou às mãos deixamos uma pequena análise da gestão da água no contexto português e

ibérico. Destacamos algumas das empresas que se comprometem diariamente a contribuir para que este recurso escasso

seja bem utilizado e perguntámos aos líderes como o estão a fazer e como anteveem o futuro.

As respostas vão sempre ao encontro do mesmo trilho. É preciso fazer mais e melhor. É fundamental investir em tecnologias

de monitorização, em sistemas inteligentes de deteção de perdas, na reutilização segura de águas residuais tratadas

e em melhores práticas agrícolas. As águas minerais e de nascente têm também um papel essencial. Deve igualmente

fomentar-se o diálogo entre todos os intervenientes: empresas de serviços públicos e privados, autoridades reguladoras,

organizações não-governamentais e cidadãos. Não se deve descurar também a educação ambiental, dos mais novos aos

mais velhos. Reconhecer que “cada gota conta” ou “água que nos une” não são apenas slogans, mas o ponto de partida para

uma atitude mais responsável. Só com uma gestão integrada, preocupada e consciente podemos chegar a um futuro mais

“molhado”. E esse é um objetivo que tem de estar sempre presente.

Rogério Junior, diretor geral

// FICHA TÉCNICA

DIRETOR GERAL Rogério Junior • DIRETORA EDITORIAL Ana Filipa Rego • COLABORADORES E REDAÇÃO Ana Rita Reis, Filipe Pimentel Rações, Joana Vicente Pinto

• DIREÇÃO DE COMUNICAÇÃO Marisa Silvestre • DIREÇÃO DE ARTE Sofia Marques • IMAGENS Getty Images • PUBLICIDADE Mário Serra (mario.serra@greensavers.pt)

• PERIODICIDADE Anual • TIRAGEM MÉDIA 15.000 exemplares • PROPRIEDADE | SEDE | EDITOR Neurónio Criativo, Unipessoal, LDa, Rua Cidade de Rabat, 41b, 1500-159

Lisboa NIPC: 514822228, geral@greensavers.pt • IMPRESSÃO E ACABAMENTO Louresgráfica - Sociedade de Artes Gráficas, Lda • Revista distribuída gratuitamente com a

Green Savers nº 17

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


8 \\ ÍNDICE \\

8

ANÁLISE

ÁGUA EM PORTUGAL

um ecossistema complexo

Atualmente, o setor da água em

Portugal caracteriza-se por uma rede

diversificada de atores empresariais,

institucionais e tecnológicos.

20

GESTÃO HÍDRICA

GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS:

O papel fundamental da cooperação

entre Portugal e Espanha

Com rios importantes, como o Tejo e o Guadiana,

a servir as populações de ambos os países,

a coordenação é fundamental para um bom

aproveitamento dos recursos partilhados.

14

INOVAÇÃO

PROJETO DE EFICIÊNCIA HÍDRICA NO ALTO ALENTEJO: UM

NOVO PARADIGMA NA GESTÃO DA ÁGUA EM PORTUGAL

Com um investimento de seis milhões de euros, a Águas do

Alto Alentejo e o Grupo INDAQUA lançam um projeto inovador

que, em oito anos, prevê poupar cerca de 10 mil milhões de

litros de água potável.

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


\\ ÍNDICE \\

9

26

OPINIÃO

Digitalização da Água

na Era da IA

28

ANÁLISE

Dessalinização: Será esta a solução

para a crise hídrica em Portugal?

A crise hídrica que Portugal enfrenta,

sobretudo no Alentejo e no Algarve,

está a tornar urgente encontrar novas

formas de garantir água potável à

população, à agricultura e ao turismo.

30

FÓRUM DE LÍDERES

1

De que forma a sua empresa/entidade está

comprometida com as melhores

práticas sustentáveis?

2

Como perspetiva o futuro

da eficiência hídrica

em Portugal?

34

DIRETÓRIO

Pensar o futuro

A escassez de água a nível global impõe-se

cada vez mais como um desafio

urgente, refletindo-se tanto em nações

em desenvolvimento como nos países

mais prósperos.

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


10 \\ ANÁLISE \\

ÁGUA EM

PORTUGAL

um ecossistema complexo

Atualmente, o setor da água em Portugal caracteriza-se por uma rede diversificada

de atores empresariais, institucionais e tecnológicos. Participam neste ecossistema

inúmeras entidades, tanto públicas como privadas, que atuam ao longo de todo o

ciclo urbano da água, abrangendo operações desde a captação e o tratamento até

à distribuição, recolha e tratamento final das águas

\\ Redação Ana Rita Reis

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


\\ ANÁLISE \\

11

Agestão e o aproveitamento dos recursos hídricos

em Portugal, bem como noutros países,

têm vindo a sofrer transformações significativas

ao longo das últimas décadas. Estas transformações

resultam da confluência de múltiplos fatores: as

alterações climáticas e a maior frequência de fenómenos extremos,

o crescimento da procura devido à expansão urbana

e agrícola, a necessidade de cumprir diretivas europeias rigorosas,

a expansão do conhecimento científico e tecnológico, e

uma sensibilidade pública crescente às questões ambientais.

Neste contexto, a água assume um estatuto estratégico, não

apenas por ser essencial à vida e ao bem-estar humano, mas

também pelo seu papel determinante no desenvolvimento

socioeconómico, na produção alimentar, na indústria, na

geração de energia e na proteção dos ecossistemas. Em Portugal,

este tema tem vindo a ganhar destaque, posicionando

a água como um pilar fundamental das políticas públicas e

das agendas setoriais.

O PESO ESTRATÉGICO DO SETOR DA ÁGUA NO CONTEXTO

NACIONAL

O setor da água em Portugal é hoje um tecido empresarial,

institucional e tecnológico complexo. Várias entidades, públicas

e privadas, intervêm em diferentes etapas do ciclo

urbano da água – desde a captação e tratamento até à distribuição,

recolha e depuração de águas residuais. Integram-se

também empresas de abastecimento público, operadores

privados, concessionárias mistas e pequenos prestadores

de serviços locais, bem como grupos empresariais de relevo,

como o da Águas de Portugal, um dos principais atores

nacionais. O país conta atualmente com cerca de 300 entidades

gestoras de serviços de abastecimento de água e saneamento,

responsáveis por assegurar o fornecimento a mais de

10 milhões de habitantes, incluindo populações flutuantes

e turísticas. A cobertura do abastecimento de água potável

ronda os 99%, um valor bastante elevado no contexto europeu,

enquanto o acesso a saneamento e tratamento de águas

residuais ultrapassa os 90%, fruto de investimentos significativos

realizados ao longo das últimas décadas.

Esta infraestruturação maciça, que inclui cerca de 1.000

Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) e mais

de 400 Estações de Tratamento de Água (ETA) distribuídas

pelo território, foi acompanhada pela adaptação do país às

diretivas europeias, como a Diretiva-Quadro da Água (Diretiva

2000/60/CE), e por uma melhoria considerável no

cumprimento dos parâmetros de qualidade. A harmonização

com normas internacionais, a par da adoção de indicadores

de desempenho, reforçou a transparência e a capacidade

de avaliação do setor.

AS EMPRESAS NO CICLO COMPLETO DA ÁGUA

O ecossistema empresarial que gravita em torno da água é

marcado por uma diversidade funcional. Existem empresas

especializadas na extração e engarrafamento de águas minerais,

cujas vendas anuais superam dezenas de milhões de

litros, abastecendo o mercado interno e externo. Outras focam-se

na engenharia, consultoria, manutenção e reparação

de redes, comercializando serviços de monitorização, deteção

de fugas, otimização de pressões e gestão inteligente de

sistemas. O avanço tecnológico permitiu que cerca de 60%

das empresas do setor implementassem, nos últimos cinco

anos, soluções digitais para controlo da qualidade da água,

análise preditiva de consumos e identificação precoce de

anomalias.

Ao mesmo tempo, empresas dedicadas ao tratamento de

águas residuais têm modernizado as ETAR, aumentando

a eficiência energética e a capacidade de remover contaminantes.

Em algumas destas unidades, a redução da carga

poluente medida em termos de DBO (Demanda Bioquímica

de Oxigénio) atinge já 98%, evidenciando a eficácia dos

processos. Em paralelo, a valorização de lamas residuais sob

a forma de fertilizante agrícola ou biogás possibilita uma

estratégia de economia circular, reduzindo o desperdício e

criando valor acrescentado.

A GESTÃO DA QUALIDADE E A PROTEÇÃO DOS RECURSOS

A preocupação com a qualidade da água e a proteção dos

aquíferos obriga as empresas a cumprir padrões rigorosos.

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


12

\\ ANÁLISE \\

Em Portugal, estima-se que mais de 60% da água

consumida vá para a agricultura, que reforça a

necessidade de sistemas de rega mais eficientes. A

adoção de técnicas de rega de precisão, a utilização

de sondas de humidade do solo e a implementação

de culturas menos exigentes em água resultaram

num aumento significativo da produtividade por

metro cúbico gasto.

Em Portugal, a Entidade Reguladora dos

Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) e a

Agência Portuguesa do Ambiente (APA) desempenham

um papel essencial, estabelecendo

metas, acompanhando a execução, emitindo

licenças e garantindo a conformidade com a

legislação nacional e comunitária. A percentagem

de amostras de água potável que cumpre

os parâmetros de qualidade fixados pela legislação

atinge consistentemente valores superiores

a 98%, um indicador notável do progresso

registado.

No mercado das águas engarrafadas – sejam

minerais, de nascente ou termais –, a

exploração de aquíferos deve respeitar limites

de extração que assegurem a perenidade

das fontes. Algumas empresas nacionais têm

vindo a investir em certificações de qualidade

e sustentabilidade, evidenciando boas práticas

de gestão ambiental. Em simultâneo, a busca

por embalagens mais ecológicas, a redução do

peso das garrafas de plástico em cerca de 20%

e o aumento da reciclagem ilustram o esforço

para mitigar o impacte ambiental da produção

e consumo de água engarrafada.

INVESTIMENTO EM INFRAESTRUTURAS E INO-

VAÇÃO TECNOLÓGICA

Os investimentos no setor da água em Portugal

foram significativos ao longo das últimas décadas.

Entre 2000 e 2020, estima-se que tenham

sido aplicados mais de 5 mil milhões de euros

em infraestruturas de abastecimento e saneamento.

Esta injeção de capital resultou, em

grande medida, do acesso a fundos europeus,

da celebração de parcerias público-privadas e

da modernização da administração pública.

As redes de abastecimento ultrapassam hoje

os 60.000 km, enquanto as redes de saneamento

se aproximam dos 40.000 km. Entretanto, a

necessidade de reduzir perdas de água, que em

média podem rondar os 30% do volume captado,

permanece um desafio central. Investir

na reabilitação de condutas antigas, na instalação

de sistemas de deteção acústica de fugas

ou na substituição de contadores obsoletos por

dispositivos inteligentes são algumas das vias

seguidas pelas entidades gestoras.

A inovação tecnológica é igualmente patente

no campo da monitorização. Graças a redes

de sensores, sistemas de informação geográfica

(SIG) e algoritmos de inteligência artificial, é

possível prever consumos, otimizar a utilização

de recursos, detetar poluentes emergentes

e reforçar a capacidade de resposta a incidentes

de contaminação. Pelo menos 40% das entidades

gestoras já recorrem a soluções digitais

integradas que permitem uma gestão mais ágil,

preventiva e eficiente do ciclo urbano da água.

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E RESILIÊNCIA

HÍDRICA

O contexto de alterações climáticas reflete-se

nas disponibilidades hídricas do país. A península

Ibérica enfrenta cada vez mais ciclos

de seca prolongada, alternados com episódios

de precipitações intensas. Antecipar estes fenómenos

e garantir a resiliência do sistema de

abastecimento exige uma visão estratégica de

longo prazo. A construção de novas barragens,

a interligação de sistemas regionais, o armazenamento

de água em períodos de abundância

e a recuperação de zonas húmidas e ecossistemas

ribeirinhos são abordagens que algumas

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


\\ ANÁLISE \\

13

empresas e entidades gestoras têm começado

a adotar.

O recurso a águas residuais tratadas para fins

não potáveis – como rega de espaços verdes, lavagem

de ruas ou usos industriais – está a crescer.

Em algumas regiões do país, cerca de 10%

da água reutilizada já é integrada nos circuitos,

contribuindo para reduzir a pressão sobre fontes

convencionais. A dessalinização, embora

ainda pouco expressiva em Portugal, poderá

tornar-se uma alternativa viável em áreas mais

vulneráveis à escassez, desde que se assegurem

soluções energeticamente eficientes.

PORTUGAL CONTA ATUALMENTE COM CERCA DE

300 ENTIDADES GESTORAS DE SERVIÇOS

DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E SANEAMENTO,

RESPONSÁVEIS POR ASSEGURAR O FORNECIMENTO

A MAIS DE 10 MILHÕES DE HABITANTES,

REGULAÇÃO, TRANSPARÊNCIA E PARTICIPA-

ÇÃO PÚBLICA

As regras que regem o setor da água têm-se

tornado cada vez mais exigentes. As diretivas

europeias, a legislação nacional, as metas de

qualidade e cobertura, as exigências da Direção-Geral

da Saúde e os critérios da ERSAR e

da APA fazem com que o ambiente regulatório

seja rigoroso. Este quadro incentiva a melhoria

contínua, a adoção de boas práticas e a

comparação de desempenhos entre entidades

gestoras. A publicação de indicadores e relatórios

anuais, disponíveis para consulta pública,

garante uma transparência crescente. Em

2022, por exemplo, mais de 95% das entidades

gestoras apresentaram relatórios sobre os seus

resultados operacionais, incluindo níveis de

eficiência, qualidade da água distribuída, cumprimento

de padrões de atendimento ao cliente

e sustentabilidade financeira.

A participação do público no processo de

tomada de decisão tem vindo a ser reforçada.

A existência de fóruns, consultas públicas online,

reuniões comunitárias e a participação

de organizações não-governamentais (ONG)

em processos de planeamento asseguram uma

governação mais inclusiva. Esta sensibilização

do público reflete-se na adoção de comportamentos

mais conscientes, com reduções do

consumo per capita de água da ordem dos 10%

na última década, fruto de campanhas de educação

ambiental e do ajustamento das tarifas a

níveis que reflitam o valor do recurso.

A ECONOMIA DA ÁGUA E O IMPACTO NO

DESENVOLVIMENTO

A água não é apenas um bem essencial, mas

um elemento que sustenta diversas atividades

económicas. Na agricultura, a irrigação é fundamental

para produzir alimentos com regularidade

e qualidade. Em Portugal, estima-se que

mais de 60% da água consumida vá para a agricultura,

o que reforça a necessidade de sistemas

de rega mais eficientes. A adoção de técnicas de

rega de precisão, a utilização de sondas de humidade

do solo e a implementação de culturas

menos exigentes em água resultaram num aumento

significativo da produtividade por metro

cúbico gasto.

A indústria, por sua vez, depende de água de

qualidade para as mais variadas aplicações, desde

processos químicos a operações de refrigeração.

A adoção de circuitos fechados de água e

a reciclagem interna reduziram a captação em

cerca de 15% em algumas unidades fabris. O turismo,

setor-chave para a economia portuguesa,

beneficia de ecossistemas aquáticos protegidos,

paisagens ribeirinhas intactas e qualidade da

água balnear reconhecida internacionalmente.

A existência de zonas costeiras, estuários e

rios adequadamente protegidos e abastecidos

contribui para a atratividade turística, criando

emprego e dinamizando as economias locais.

EDUCAÇÃO, LITERACIA HÍDRICA E CULTURA DO

RECURSO

A literacia hídrica da população influencia a

forma como a água é utilizada e valorizada.

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


14

\\ ANÁLISE \\

O setor da água em Portugal, numa fase de ele-vada

exigência e constante adaptação, concen-tra empresas,

instituições e profissionais em-penhados em

melhorar os serviços prestados, proteger os recursos

e alargar as fronteiras do conhecimento e da

inovação.

A introdução de programas escolares que

abordam a importância dos recursos hídricos,

a realização de visitas a ETAR e ETA, a

disponibilização de materiais pedagógicos,

exposições interativas em museus da ciência e

a divulgação de informação em meios digitais

ajudaram a elevar o nível de conhecimento do

público. Segundo inquéritos recentes, mais

de 70% dos consumidores reconhecem hoje

a necessidade de um uso mais parcimonioso

da água, e aproximadamente 50% afirmam ter

alterado hábitos domésticos, como diminuir

o tempo de banho ou reduzir a frequência de

lavagens de carro.

As empresas do setor também desempenham

um papel relevante na promoção da

educação ambiental. Ao patrocinar eventos,

apoiar projetos de investigação, promover atividades

com escolas ou trabalhar com ONG,

contribuem para criar uma cultura do recurso

assente no respeito, na responsabilidade e na

solidariedade intergeracional.

INVESTIGAÇÃO, INOVAÇÃO E COMPETITIVIDA-

DE INTERNACIONAL

A investigação e o desenvolvimento tecnológico

são motores da competitividade do setor.

Portugal conta com centros de investigação,

universidades e laboratórios que se dedicam

à análise da qualidade da água, ao estudo de

contaminantes emergentes, à melhoria dos

processos de tratamento, à conceção de novas

membranas filtrantes ou à aplicação de nanotecnologia.

Em parceria com empresas, estes

centros têm desenvolvido projetos-piloto, ensaios

e protótipos que resultam em patentes,

publicações científicas, formação de quadros

especializados e exportação de serviços e

know-how.

A internacionalização das empresas portuguesas

do setor da água, embora ainda incipiente,

tem vindo a crescer. Alguns grupos

nacionais prestam serviços de consultoria, engenharia

e manutenção em países da Europa,

África e América do Sul. A experiência acumulada

em Portugal, marcada por melhorias

significativas no abastecimento e saneamento,

é valiosa para regiões que enfrentam desafios

semelhantes. O intercâmbio de tecnologias, a

participação em feiras internacionais, a integração

em redes de investigação e a celebração

de protocolos de cooperação com países parceiros

permitem alargar horizontes e consolidar

uma reputação de competência e fiabilidade.

PERSPECTVAS FUTURAS E SUSTENTABILIDADE A

LONGO PRAZO

O setor da água em Portugal encontra-se num

momento crucial. A necessidade de garantir o

abastecimento de água a todos, sem exceção, a

preços acessíveis, em condições de segurança

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


\\ ANÁLISE \\

15

ENTRE 2000 E 2020,

ESTIMA-SE QUE TENHAM

SIDO APLICADOS MAIS DE

5 MIL MILHÕES DE EUROS

EM INFRAESTRUTURAS

DE ABASTECIMENTO E

SANEAMENTO EM PORTUGAL

EM PORTUGAL, ESTIMA-

SE QUE MAIS DE 60% DA

ÁGUA CONSUMIDA VÁ PARA

A AGRICULTURA, O QUE

REFORÇA A NECESSIDADE

DE SISTEMAS DE REGA MAIS

EFICIENTES

A EXISTÊNCIA DE ZONAS

COSTEIRAS, ESTUÁRIOS

E RIOS ADEQUADAMENTE

PROTEGIDOS E

ABASTECIDOS CONTRIBUI

PARA A ATRATIVIDADE

TURÍSTICA, CRIANDO

EMPREGO E DINAMIZANDO

AS ECONOMIAS LOCAIS.

e qualidade, e ao mesmo tempo salvaguardar

o meio ambiente e responder aos desafios

climáticos, exige uma abordagem integrada,

sistémica e flexível. O planeamento a longo

prazo, a atualização periódica dos Planos

de Gestão da Região Hidrográfica, a revisão

das tarifas para refletir o verdadeiro custo

do serviço, incluindo a dimensão ambiental,

e a promoção de parcerias público-privadas

com contratos bem estruturados serão

elementos-chave.

Esforços adicionais serão necessários para

incrementar a reutilização de águas residuais

tratadas, que atualmente representa uma

fração pequena do volume total consumido.

A meta de, por exemplo, alcançar 20% de reutilização

até 2035 implicará novas infraestruturas,

ajustes regulatórios, sensibilização dos

utilizadores e investimento em tecnologia. A

dessalinização poderá desempenhar um papel

crescente nas zonas litorais mais pressionadas,

desde que associada a energias renováveis e

processos de baixa intensidade energética. A

proteção dos aquíferos, que fornecem cerca de

25% do abastecimento de água potável, será

outra prioridade num cenário de disponibilidade

hídrica incerta. A concertação com outros

países, nomeadamente com Espanha, no

quadro da Convenção de Albufeira, manter-

-se-á essencial para gerir cursos de água partilhados,

assegurar caudais mínimos, prevenir

poluição transfronteiriça e garantir um uso

justo e racional dos recursos. A colaboração

internacional pode igualmente inspirar a adoção

de melhores práticas, a internalização de

soluções inovadoras e a criação de sinergias no

combate às pressões crescentes sobre a água.

ALINHAR O CAMINHO

O setor da água em Portugal, numa fase de elevada

exigência e constante adaptação, concentra

empresas, instituições e profissionais empenhados

em melhorar os serviços prestados,

proteger os recursos e alargar as fronteiras do

conhecimento e da inovação. Os progressos alcançados

nas últimas décadas, medidos em indicadores

de cobertura, qualidade e eficiência,

dão motivos de confiança, mas não permitem

complacência. O futuro trará desafios ainda

maiores, requerendo determinação, cooperação,

investimento, rigor científico, resiliência

face às alterações climáticas, abertura ao envolvimento

do público e vontade política de

longo alcance.

No essencial, o caminho passa por alinhar

a gestão da água com os Objetivos de Desenvolvimento

Sustentável da ONU, integrando

as dimensões social, económica e ambiental,

e garantindo que a água, este recurso inestimável,

continue a fluir de forma justa, segura,

limpa e sustentável para benefício das atuais e

futuras gerações.

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


16 \\ INOVAÇÃO \\

PROJETO DE EFICIÊNCIA HÍDRICA NO ALTO ALENTEJO

Um novo paradigma na

gestão da água em Portugal

COM UM INVESTIMENTO DE SEIS MILHÕES DE EUROS, A ÁGUAS DO ALTO ALENTEJO E O GRUPO

INDAQUA LANÇAM UM PROJETO INOVADOR QUE, EM OITO ANOS, PREVÊ POUPAR CERCA DE 10

MIL MILHÕES DE LITROS DE ÁGUA POTÁVEL – O EQUIVALENTE A 4.000 PISCINAS OLÍMPICAS.

\\ Redação Rogério Junior

Am novo e ambicioso Projeto de Eficiência Hídrica com

Remuneração por Desempenho promete reconfigurar a

gestão da água no Alto Alentejo, uma região particularmente

vulnerável à escassez hídrica e à pressão sobre os

recursos naturais. Com um investimento de 6 milhões de euros, esta

iniciativa, desenvolvida pela Águas do Alto Alentejo em parceria com

o Grupo INDAQUA, prevê reduzir drasticamente as perdas de água

potável nos dez municípios abrangidos, garantindo ao longo de oito

anos uma poupança estimada em cerca de 10 mil milhões de litros de

água — o suficiente para encher 4.000 piscinas olímpicas ou abastecer

a população local durante quase quatro anos.

O enquadramento não poderia ser mais pertinente: o Alto Alentejo,

composto por concelhos como Alter do Chão, Arronches, Castelo de

Vide, Crato, Fronteira, Gavião, Marvão, Nisa, Ponte de Sor e Sousel,

enfrenta há décadas um contexto de escassez hídrica recorrente. A

irregularidade das precipitações, agravada pelas alterações climáticas,

e a dispersão geográfica das populações colocam desafios adicionais à

gestão de um recurso tão vital. Consciente desta realidade, o projeto

aposta numa abordagem inovadora, tecnológica e altamente orientada

para resultados, transformando um problema estrutural num caso

exemplar de inovação e sustentabilidade.

UM MODELO CONTRATUAL INOVADOR: REMUNERAÇÃO POR

DESEMPENHO

Uma das principais inovações desta iniciativa reside no modelo contratual

adotado. Em vez de simplesmente pagar pelo investimento

inicial, a Águas do Alto Alentejo estabeleceu um contrato em que a

remuneração da empresa parceira — o Grupo INDAQUA, selecionado

por concurso público — depende diretamente do desempenho

efetivamente alcançado na redução de perdas. Conforme sublinha

Hugo Pereira Hilário, Presidente da Águas do Alto Alentejo e do Município

de Ponte de Sor.

“Este projeto é inovador no setor da água em Portugal na medida em

que responsabiliza todos os intervenientes, unindo-os ativamente na

prossecução do objetivo primordial: eficiência dos nossos recursos hídricos.

Isto é, transfere-se o risco do investimento para a empresa e

não para a entidade contratante, seja ela pública ou privada. Isto porque

a quase totalidade da remuneração da empresa parceira depende

do seu desempenho, ou seja, do real cumprimento dos objetivos definidos

contratualmente para a redução de perdas. Adicionalmente,

com a abrangência que vai ter, com oito anos de desenvolvimento e

este grande investimento, acredito vivamente que estamos perante

uma das maiores operações de sustentabilidade ambiental do país,

com uma poupança estimada de cerca de 10 mil milhões de litros de

água potável, o suficiente para abastecer os 10 municípios geridos pela

Águas do Alto Alentejo, durante quase 4 anos.”

Esta lógica de responsabilização, que alinha os incentivos económicos

com os interesses públicos, é ainda relativamente rara no setor

da água, mas ganha cada vez mais destaque a nível internacional. Em

relatórios da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos

(ERSAR) e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), tem-se enfatizado

a necessidade de reduzir perdas e melhorar a eficiência, indo

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


\\ INOVAÇÃO \\

17

ao encontro das orientações da Estratégia Nacional

para o Uso Eficiente da Água (ENUEA)

e do Plano Nacional da Água. O projeto do Alto

Alentejo surge como um exemplo prático e pioneiro

desta transformação.

TECNOLOGIA E INTELIGÊNCIA APLICADAS À

GESTÃO DA ÁGUA

A eficiência hídrica vai muito além de tapar fugas

visíveis. Neste projeto, a abordagem é holística,

integrando a reabilitação de infraestruturas

envelhecidas com a utilização de ferramentas

tecnológicas avançadas. A “sensorização” das redes

— equipando-as com medidores inteligentes,

sistemas de telemetria e software de análise

preditiva — é um dos pilares da intervenção.

Tais soluções permitem monitorizar, em tempo

real, fluxos, pressões e consumos, possibilitando

a deteção precoce de anomalias.

A inteligência artificial (IA) e algoritmos de

machine learning ajudam a localizar perdas difíceis

de detetar a olho nu e a ajustar a pressão de

forma segmentada, reduzindo o risco de ruturas

e aumentando a vida útil das condutas. Este tipo

de abordagem, semelhante aos sistemas de gestão

inteligente de energia já comuns em algumas

cidades, leva ao conceito de “redes de água inteligentes”

(Smart Water Grids), uma tendência

crescente a nível internacional.

Segundo Pedro Perdigão, CEO do Grupo IN-

DAQUA, a dimensão é complexa, mas motivadora,

neste desafio. “Os projetos em parceria

na área da eficiência hídrica têm-nos permitido

apoiar, a nível técnico e humano, várias entidades

gestoras pelo país fora. Neste caso em particular,

a diversidade de sistemas de abastecimento dispersos

num grande território torna, sem dúvida,

o desafio particularmente complexo. No entanto,

estamos certos de que a abordagem holística

que se estabeleceu e que inclui ações tanto a nível

das perdas comerciais como na eficiência das

próprias redes, irá também aqui dar os resultados

pretendidos. Embora seja muito desafiante,

o nível de escassez de água sentido nesta região

faz-nos encarar este projeto ainda com mais responsabilidade

e trará, estou certo, a todos os envolvidos,

ainda mais satisfação com os resultados

que se venham a alcançar.”, indica o responsável.

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


18

\\ INOVAÇÃO \\

A poupança de 10 mil

milhões de litros de

água potável ao longo

de oito anos não é

apenas um número

impressionante. Do

ponto de vista

ambiental, representa

um alívio considerável

sobre aquíferos e cursos

de água cada vez mais

pressionados.

AÇÕES CONCRETAS NO TERRENO: DA SETORIZA-

ÇÃO À ELIMINAÇÃO DE CONSUMOS ILÍCITOS

A lista de intervenções práticas é extensa. Entre elas,

a reabilitação de condutas antigas e a segmentação

da rede em setores menores, permitindo uma deteção

mais imediata de fugas. Será efetuada a substituição

e atualização de contadores para garantir uma

medição mais precisa, reduzindo perdas comerciais.

A gestão cuidadosa da pressão em pontos críticos

diminui o risco de ruturas, enquanto a deteção e

eliminação de ligações ilícitas asseguram equidade

no acesso e faturação, bem como a sustentabilidade

económica do sistema.

Estas medidas, aliadas a um acompanhamento rigoroso

dos indicadores de desempenho, criam um

ciclo virtuoso: menos perdas físicas e comerciais resultam

em maior disponibilidade de água, menor necessidade

de captação e tratamento, menos energia

consumida no bombeamento e, consequentemente,

menores custos operacionais. O resultado é uma

melhoria da resiliência face a secas, garantindo um

abastecimento mais fiável, previsível e sustentável.

BENEFÍCIOS AMBIENTAIS, ECONÓMICOS E

SOCIAIS

A poupança de 10 mil milhões de litros de água

potável ao longo de oito anos não é apenas um

número impressionante. Do ponto de vista

ambiental, representa um alívio considerável

sobre aquíferos e cursos de água cada vez mais

pressionados. A diminuição da necessidade de

captação reduz o impacto sobre ecossistemas

sensíveis, contribuindo para a preservação da

biodiversidade local. Este aspeto é fundamental

numa região em que as alterações climáticas já

são visíveis através da redução de precipitação

e aumento da frequência de secas prolongadas.

Do ponto de vista económico, a eficiência hídrica

implica uma gestão mais racional dos recursos

financeiros e energéticos. Diminuir as

perdas significa gastar menos em tratamentos e

bombeamentos, reduzir custos de manutenção

e prolongar a vida útil das infraestruturas. A

médio e longo prazo, estes ganhos podem refletir-se

numa maior estabilidade tarifária e num

serviço de qualidade superior para os consumidores

finais — cerca de 40.000 clientes distribuídos

pelos dez municípios.

Já no plano social, a disponibilidade segura

e constante de água potável tem um impacto

direto na qualidade de vida das populações.

Comunidades rurais, agricultores, indústrias

agroalimentares e setores emergentes, como o

turismo sustentável, beneficiam de um abastecimento

mais fiável, com menos interrupções. A

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


\\ INOVAÇÃO \\

19

AS NAÇÕES UNIDAS ESTIMAM QUE 20% DA POPULA-

ÇÃO MUNDIAL NÃO TEM HOJE ACESSO A ÁGUA POTÁ-

VEL E QUE O CONSUMO AUMENTOU 30% DESDE 1995.

consciência coletiva sobre o valor da água tende

também a aumentar. À medida que os resultados

se tornarem visíveis, espera-se uma maior

sensibilização dos consumidores, promovendo

o uso responsável deste recurso e incentivando

boas práticas de poupança a nível doméstico,

empresarial e institucional.

ENQUADRAMENTO NACIONAL E INTERNACIONAL

A relevância deste projeto vai além do território

do Alto Alentejo. Em Portugal, reduzir perdas

de água potável é um objetivo constante, refletido

nos Relatórios Anuais dos Serviços de Águas

e Resíduos (RASARP) da ERSAR e em documentos

da APA. A Estratégia Nacional para

o Uso Eficiente da Água (ENUEA) e o Plano

Nacional da Água apontam para a necessidade

de modernizar infraestruturas, aumentar o controlo

e mitigar o desperdício. A iniciativa agora

lançada cumpre estes desígnios, apresentando-

-se como um exemplo concreto de ação.

No panorama internacional, a União Europeia,

através da Diretiva-Quadro da Água

(2000/60/CE), insta os Estados-Membros a gerirem

os recursos hídricos de forma sustentável,

garantindo um bom estado ecológico das massas

de água. Outras instâncias, como a UNESCO e

a FAO, sublinham a importância da eficiência

hídrica na adaptação às alterações climáticas e

na garantia de segurança hídrica a longo prazo.

O relatório “World Water Development Report”

da ONU destaca a urgência de reduzir

perdas e aumentar a resiliência dos sistemas de

abastecimento, especialmente em regiões propensas

a secas e condições climáticas extremas.

Ao adotar tecnologias de ponta e um modelo

contratual inovador, o projeto do Alto Alentejo

posiciona-se como um caso de estudo que pode

inspirar outras regiões dentro e fora de Portugal.

A abordagem integradora — tecnologia, responsabilização,

sustentabilidade — representa

uma concretização prática das orientações europeias

e internacionais sobre gestão sustentável

da água, alinhando-se também com objetivos

ambientais mais amplos, como os do Pacto

Ecológico Europeu (European Green Deal) e

o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

(ODS) 6 da ONU, relativo à água limpa e saneamento

para todos.

CAPACITAÇÃO E LEGADO PARA A REGIÃO

Para além dos oito anos de duração, o projeto

deixará um importante legado no Alto Alentejo.

A capacitação das equipas da Águas do

Alto Alentejo, que irão trabalhar de perto com

técnicos e especialistas do Grupo INDAQUA,

garantirá que, após o termo do contrato, o

know-how permanece na região. As novas

metodologias, ferramentas e mentalidades

resultantes deste esforço conjunto permitirão

manter níveis elevados de eficiência hídrica,

assegurando a continuidade das práticas mais

eficazes e a adaptabilidade a desafios futuros.

O responsável da Águas do Alto Alentejo destaca

que até ao final dos oito anos do contrato,

a Águas do Alto Alentejo irá capacitar ainda

mais a sua estrutura, no sentido de continuar

a aplicar, findo o projeto em si, os melhores

métodos que permitem a redução de perdas de

água potável, gerando poupanças importantes

para todos os dez municípios

Esta visão de longo prazo é fundamental num

contexto em que as pressões sobre os recursos

hídricos tendem a aumentar devido às alterações

climáticas, ao crescimento económico e

às necessidades crescentes da população. Ao

consolidar uma cultura de eficiência e sustentabilidade,

o projeto prepara o Alto Alentejo

para enfrentar melhor as incertezas do futuro,

posicionando-o como território resiliente

e exemplar na gestão de um bem essencial à

vida.

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


20

\\ INOVAÇÃO \\

CONTRIBUINDO PARA O DESENVOLVIMENTO

REGIONAL SUSTENTÁVEL

A disponibilização mais estável de água potável

favorece o desenvolvimento económico regional,

sustenta a atividade agrícola, apoia a valorização

dos produtos locais e contribui para o

turismo de qualidade, num território rico em

património natural, histórico e cultural. Ao

estabilizar o abastecimento hídrico, criam-se

condições para investimentos a longo prazo, reforçando

a atratividade da região para empresas

e setores inovadores que valorizam a sustentabilidade.

Por outro lado, a melhoria da eficiência

hídrica pode ter efeitos positivos na imagem

internacional de Portugal, mostrando que o país

não só reconhece a importância estratégica da

água, como implementa soluções concretas e

eficazes. A experiência adquirida no Alto Alentejo

pode ser partilhada através de redes de conhecimento,

associações do setor, conferências

internacionais e iniciativas como a EIP Water

(European Innovation Partnership on Water),

tornando-se um paradigma de excelência na

gestão de recursos hídricos.

A disponibilização

mais estável de água

potável favorece o

desenvolvimento

económico regional,

sustenta a atividade

agrícola, apoia a

valorização dos produtos

locais e contribui

para o turismo

de qualidade, num

território rico em

património natural,

histórico e cultural.

UM MARCO NA GESTÃO HÍDRICA NACIONAL E

INTERNACIONAL

O Projeto de Eficiência Hídrica com Remuneração por Desempenho

no Alto Alentejo representa um passo sólido na

direção de uma gestão mais inteligente, responsável e sustentável

da água em Portugal. Ao conjugar um investimento de 6

milhões de euros com um modelo contratual baseado no desempenho,

a aplicação de tecnologias avançadas, a redução de

perdas e a capacitação de equipas, esta iniciativa desenha um

novo paradigma no setor da água.

O contributo eleva o nível de ambição e define novos standards

de atuação, mostrando que, mesmo em territórios com

condições naturais adversas, é possível transformar a gestão hídrica

num exemplo de inovação e sustentabilidade. A poupança

de 10 mil milhões de litros de água potável traduz-se numa

melhoria real da resiliência regional, na garantia de um futuro

mais equilibrado e na contribuição para metas nacionais e internacionais

de proteção ambiental e desenvolvimento sustentável.

O Alto Alentejo afirma-se, assim, como um território capaz de

superar desafios antigos e complexos, transformando-os em

oportunidades de progresso e reforçando a ideia de que a água,

longe de ser apenas um recurso, é um bem público estratégico,

cuja gestão inteligente e sustentável é condição essencial

para o bem-estar presente e a prosperidade futura.

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


INDÚSTRIA

TECNOLOGIA INOVAÇÃO

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


22

\\ GESTÃO HÍDRICA \\

GESTÃO DOS

RECURSOS HÍDRICOS

O PAPEL FUNDAMENTAL DA COOPERAÇÃO

ENTRE PORTUGAL E ESPANHA

COM RIOS IMPORTANTES, COMO O TEJO E O GUADIANA, A SERVIR AS

POPULAÇÕES DE AMBOS OS PAÍSES, A COORDENAÇÃO É FUNDAMENTAL

PARA UM BOM APROVEITAMENTO DOS RECURSOS PARTILHADOS.

\\ Redação Ana Rita Reis

Aágua é um recurso estratégico essencial para a sobrevivência

humana, o desenvolvimento socioeconómico e a

estabilidade política, especialmente em regiões onde a

disponibilidade hídrica é variável e, cada vez mais, afetada

por fatores como as alterações climáticas. Em Portugal,

a gestão dos recursos hídricos vem assumindo um papel central

na agenda governamental, o que se reflete, por exemplo, no facto de a

gestão da água estar entre os sete temas fundamentais do atual plano

de atuação, não apenas do Ministério do Ambiente e da Ação Climática,

mas como de todo o Governo. A frase “água que une” tornou-se

um mote que sintetiza a visão de que a água deve ser encarada não

apenas como um recurso físico, mas também como um elemento unificador

entre comunidades, regiões e países.

Neste contexto, a cooperação transfronteiriça entre Portugal e

Espanha destaca-se como um caso paradigmático. Com rios importantes,

como o Tejo e o Guadiana, compartilhados entre ambos os

países, a coordenação é fundamental. Nos últimos anos, novas revisões

e acordos entre Lisboa e Madrid têm sido assinados, procurando

aprimorar a gestão conjunta dos recursos hídricos, adequando-os aos

desafios atuais e futuros.

COOPERAÇÃO LUSO-ESPANHOLA NA GESTÃO DA ÁGUA

A cooperação entre Portugal e Espanha na gestão dos recursos hídricos

não é recente. A península Ibérica, marcada pela presença de

importantes bacias hidrográficas partilhadas, esteve desde cedo consciente

da necessidade de acordos que pudessem regular a utilização

dos recursos comuns. Ao longo do século XX, múltiplos tratados, protocolos

e memorandos de entendimento foram estabelecidos, visando

garantir tanto a quantidade como a qualidade da água a jusante das

fronteiras.

Porém, a necessidade de ajustes periódicos tornou-se evidente à medida

que as pressões demográficas, industriais, agrícolas e, mais recentemente,

ambientais, se intensificaram. Desta forma, a assinatura da

Convenção de Albufeira, em 1998, constituiu um marco fundamental.

Contudo, com o avanço das alterações climáticas e a ocorrência

de secas mais frequentes e severas, o quadro legal inicial precisou de

ser revisto e atualizado, o que levou as negociações dos novos acordos.

A CONVENÇÃO DE ALBUFEIRA (1998) E O QUADRO LEGAL EM VIGOR

A Convenção de Albufeira, assinada em 30 de novembro de 1998, é

considerada o instrumento basilar na gestão dos rios transfronteiriços

na Península Ibérica. Trata-se de um acordo que estabelece as regras

gerais para a utilização dos recursos hídricos partilhados, definindo objetivos,

mecanismos de cooperação técnica e institucional, bem como

parâmetros quantitativos e qualitativos para a distribuição da água entre

Portugal e Espanha.

Este tratado introduziu pela primeira vez a ideia de caudais mínimos

garantidos e criou a Comissão para a Aplicação e o Desenvolvimento

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


\\ GESTÃO HÍDRICA \\

23

Portugal e Espanha

partilham rios

importantes, como o

Tejo e o Guadiana,

sendo essencial um

planeamento conjunto

para assegurar o uso

sustentável e equitativo da

água, ajustando caudais e

prevenindo conflitos.

da Convenção (CADC), um organismo conjunto

encarregado de acompanhar a execução do

acordo, propor novas medidas e resolver potenciais

conflitos. No entanto, as mudanças no contexto

climático, a intensificação da agricultura

intensiva, o crescimento urbano e as crescentes

exigências ambientais têm colocado desafios

adicionais, obrigando à renegociação dos termos

e, mais recentemente, à celebração de novos

acordos suplementares.

O PAPEL DA DIRETIVA-QUADRO DA ÁGUA DA

UNIÃO EUROPEIA

A elaboração dos acordos entre Portugal e Espanha

não ocorre num vazio normativo. A

Diretiva-Quadro da Água (DQA), aprovada

pela União Europeia em 2000 (Diretiva

2000/60/CE), forneceu um enquadramento

legal e político abrangente para a gestão sustentável

dos recursos hídricos em toda a UE. Esta

diretiva estabeleceu o objetivo de alcançar um

“bom estado ecológico e químico” de todas as

águas superficiais e subterrâneas na União, promovendo

abordagens integradas e participativas

na gestão das bacias hidrográficas.

A DQA reforça a necessidade de coordenação

entre Estados-membros que partilham recursos

hídricos transfronteiriços, impondo planos de

gestão de bacia que considerem a totalidade do

curso do rio, independentemente das fronteiras

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


24

\\ GESTÃO HÍDRICA \\

consciência crescente de que a segurança hídrica

não se pode limitar à procura de soluções nacionais

isoladas, exigindo, pelo contrário, uma

lógica de integração regional, de longo prazo e

de prevenção de conflitos futuros.

NOVOS ACORDOS ENTRE PORTUGAL E ESPANHA

PARA O TEJO E O GUADIANA

As negociações recentes entre Portugal e Espanha,

culminando na assinatura de novos acordos

de gestão dos recursos hídricos do Tejo e do

Guadiana, foram motivadas por diversos fatores:

a necessidade de ajustar os caudais mínimos às

novas realidades climáticas, a procura de mecanismos

mais flexíveis e eficazes para responder a

políticas. Tal enquadramento europeu exige que

acordos bilaterais, como os assinados entre Portugal

e Espanha, sejam harmonizados com os

princípios e metas estabelecidas a nível comunitário,

assegurando a coerência entre os vários

níveis de governação da água.

A NOVA ABORDAGEM GOVERNAMENTAL: “A

ÁGUA QUE UNE”

A expressão “água que une” sintetiza a visão estratégica

do Governo português relativamente

aos seus recursos hídricos. Significa encarar a

água não apenas como um bem económico ou

um fator produtivo, mas também como um elo

de ligação cultural, social e ecológico entre povos

e territórios. O Governo tem assumido este

tema como um dos pilares centrais da sua agenda,

contemplando a necessidade de investimentos

em infraestruturas, o reforço da cooperação

internacional, a promoção de práticas agrícolas

mais sustentáveis e a proteção dos ecossistemas

ribeirinhos. Esta abordagem reflete uma

A ÁGUA, MAIS DO QUE UM RECURSO, É UM

ELO FUNDAMENTAL ENTRE AS NAÇÕES E AS

GERAÇÕES FUTURAS

QUEM É QUEM NA ÁGUA \ GREEN SAVERS \ 2024


\\ GESTÃO HÍDRICA \\

25

A Convenção de Albufeira estabeleceu regras

fundamentais para gerir rios transfronteiriços,

introduzindo caudais mínimos garantidos e um

quadro institucional para cooperação e resolução

de litígios.

períodos de seca e a vontade de reforçar a concertação

face às pressões que se fazem sentir

em ambas as margens da fronteira.

Entre as principais inovações destes acordos

destaca-se o ajustamento dos caudais mínimos,

através da aplicação de novas fórmulas

para o cálculo de caudais ecológicos capazes

de considerar a variabilidade anual e estacional,

preservando assim a manutenção dos

ecossistemas aquáticos. Acrescenta-se a criação

de sistemas integrados de monitorização

e partilha de dados hidrometeorológicos em

tempo real, o que permite uma resposta mais

célere a eventos extremos, bem como o planeamento

de infraestruturas conjuntas, que

abrange a identificação e o desenvolvimento

de projetos comuns de barragens, açudes e outros

dispositivos de armazenamento essenciais

para assegurar reservas estratégicas de água

em períodos de escassez. Finalmente, os acordos

incluem o aperfeiçoamento dos mecanismos

de resolução de conflitos, com a melhoria

dos procedimentos de arbitragem e mediação,

tornando mais eficaz a resolução de eventuais

disputas entre as partes envolvidas.

INFRAESTRUTURAS HÍDRICAS E MECANIS-

MOS DE ARMAZENAMENTO

A construção e modernização de infraestruturas

hídricas constituem um pilar

fundamental da estratégia governamental.

Portugal procura desenvolver sistemas de

reservatórios, barragens e estações de tratamento

que permitam, por um lado, armazenar

água em períodos de abundância e, por

outro, distribuí-la eficientemente nos momentos

de maior necessidade.

No caso do Tejo e do Guadiana, já existem

diversas barragens estratégicas, mas os acordos

recentes visam melhorar a coordenação

na sua gestão, garantindo que as reservas não

se esgotem numa margem enquanto o outro

país mantém excedentes, e assegurando que

os fluxos ecológicos sejam respeitados, para

proteger a vida piscícola e as zonas húmidas

associadas às margens ribeirinhas.

ANTECIPAR A SECA: ESTRATÉGIAS DE

MITIGAÇÃO E ADAPTAÇÃO

A seca é um fenómeno recorrente na Península

Ibérica, mas as previsões apontam para uma

intensificação deste problema no futuro, fruto

das alterações climáticas, como indica o relatório

do Intergovernmental Panel on Climate

Change. Antecipar a seca significa estruturar a

gestão da água de forma a que existam planos

de contingência prontos a entrar em ação, definindo

prioridades de uso, rotinas de monitorização

e mecanismos de alerta precoce.

Os novos acordos entre Portugal e Espanha

procuram, assim, dotar os governos de ferramentas

que lhes permitam agir proativamente,

ajustando os caudais e a alocação de água

conforme a gravidade das secas, evitando, na

ÁGUA QUE NOS UNE

A coordenação da nova gestão dos recursos hídricos ficará

a cargo de António Carmona Rodrigues, presidente

do conselho de administração da AdP – Águas de Portugal.

Integram ainda a equipa José Pimenta Machado,

enquanto membro do conselho diretivo da Agência

Portuguesa do Ambiente (APA) com responsabilidades

na área dos recursos hídricos; Rogério Lima Ferreira,

diretor-geral da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento

Rural (DGADR); e José Pedro Salema, presidente

do conselho de administração da Empresa de

Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA).

No âmbito desta iniciativa, está prevista a revisão do

Plano Nacional da Água, abrangendo o período de

2025 a 2035, bem como a elaboração do Plano REGA,

dedicado ao armazenamento e à distribuição eficiente

de água para a agricultura. Estas ações serão articuladas

com outros instrumentos de planeamento e gestão

em vigor, tais como o Plano Estratégico para o Abastecimento

de Água e Gestão de Águas Residuais e Pluviais

(PENSAARP 2030).

Para orientar os trabalhos, foram definidas seis prioridades:

o aumento da eficiência hídrica; a promoção do

uso racional da água; a redução das perdas hídricas; a

valorização da água residual tratada; a otimização das

infraestruturas existentes e o reforço da capacidade

de armazenamento; e, por fim, a criação de novas infraestruturas

e origens de água, incluindo soluções de

armazenamento, captação e dessalinização.

O Governo comprometeu-se a apresentar a estratégia

“Água que nos Une”, num contexto em que a seca,

sobretudo no Algarve, continua a ser um foco de preocupação.

Os vários setores ligados à água, bem como

atividades económicas dependentes deste recurso, têm

manifestado consenso quanto à necessidade de uma

estratégia mais integrada e de longo prazo, capaz de

responder estruturalmente aos desafios crescentes impostos

pelas alterações climáticas e pelo agravamento

das condições de escassez hídrica.

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


26

\\ GESTÃO HÍDRICA \\

medida do possível, racionamentos abruptos ou

conflitos entre utilizadores, sejam eles agrícolas, urbanos

ou industriais.

IMPACTOS DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS SOBRE

OS RECURSOS HÍDRICOS TRANSFRONTEIRIÇOS

As alterações climáticas têm implicações profundas

na disponibilidade, qualidade e distribuição

da água. O aumento das temperaturas e

a diminuição da precipitação média em algumas

regiões da Península Ibérica, acompanhado por

eventos extremos, como cheias repentinas ou

períodos prolongados de seca, criam um cenário

complexo de incerteza.

A gestão de bacias partilhadas, como a do Tejo

e do Guadiana, torna-se um desafio ainda maior

neste contexto. Os acordos recentes têm a ambição

de criar uma moldura adaptável, capaz de reagir

às mudanças climáticas e prevenir impactos

negativos sobre a agricultura, o abastecimento

Em 2020 os milhões

de litros desperdiçados

dariam para encher

nove piscinas olímpicas

por hora. Perderam-se

cerca de 190 mil milhões

de litros de água

nas redes de abastecimento

O AUMENTO DAS TEMPERATURAS E A DIMINUIÇÃO

DA PRECIPITAÇÃO MÉDIA EM ALGUMAS REGIÕES

DA PENÍNSULA IBÉRICA, ACOMPANHADO POR

EVENTOS EXTREMOS, COMO CHEIAS REPENTINAS

OU PERÍODOS PROLONGADOS DE SECA, CRIAM UM

CENÁRIO COMPLEXO DE INCERTEZA

humano, a indústria e os ecossistemas. Ainda assim,

a efetividade destas medidas dependerá da

sua aplicação prática e da capacidade de adaptação

contínua das políticas hídricas.

GOVERNANÇA DA ÁGUA: PARTICIPAÇÃO, TRANSPA-

RÊNCIA E TOMADA DE DECISÃO

A governança da água é um tema que ultrapassa

a mera questão técnica. É necessário garantir

que as decisões sejam informadas, inclusivas e

justas. Isso implica envolver não apenas os decisores

políticos e as empresas de gestão hídrica,

mas também as comunidades locais, as organizações

não-governamentais, os agricultores, os

empresários e outros stakeholders .

Os novos acordos devem reforçar espaços

de participação pública, de transparência nos

dados e de responsabilização dos gestores. Sem

mecanismos de fiscalização independentes e

processos participativos, há o risco de que as políticas

hídricas sejam capturadas por interesses

particulares e não sirvam o bem comum. Neste

sentido, a implementação dos acordos será tão

importante quanto a sua redação.

BENEFÍCIOS POTENCIAIS DOS NOVOS ACORDOS

Os novos acordos permitem perspetivar um conjunto

de benefícios que contribuem para uma maior

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


\\ GESTÃO HÍDRICA \\

27

segurança hídrica, ao assegurarem mecanismos mais

robustos de previsão, armazenamento e partilha,

reduzindo, deste modo, a vulnerabilidade perante

períodos de escassez. Além disso, o estabelecimento

de caudais ecológicos mais ajustados e a monitorização

conjunta dos recursos favorecem a proteção dos

ecossistemas e a conservação da biodiversidade, assegurando

simultaneamente a manutenção dos serviços

ecossistémicos associados aos rios partilhados. A

clareza nos termos do acordo e a existência de instrumentos

específicos de resolução de litígios diminuem

o risco de conflitos transfronteiriços, reforçando assim

a cooperação entre Portugal e Espanha. Por fim,

ao garantir água de forma sustentável para usos agrícolas,

industriais e urbanos, o acordo contribui para o

desenvolvimento socioeconómico das regiões ribeirinhas,

consolidando a sua coesão territorial e promovendo

um equilíbrio duradouro entre as necessidades

humanas e a preservação ambiental.

A IMPORTÂNCIA DO ENVOLVIMENTO DAS

COMUNIDADES LOCAIS E STAKEHOLDERS

Os acordos não podem limitar-se a uma perspetiva

top-down. As comunidades locais que dependem diretamente

dos recursos hídricos – pescadores, pequenos

agricultores, populações ribeirinhas – precisam

de ser ouvidas e envolvidas no processo de decisão.

A integração de conhecimentos locais, bem como o

respeito pelas dinâmicas sociais e culturais, é fundamental

para assegurar que as soluções acordadas não

gerem desigualdades ou conflitos internos.

Da mesma forma, o setor privado, incluindo empresas

de abastecimento, turismo, agricultura intensiva

e indústria, deve participar ativamente. A cooperação

público-privada, quando bem regulada, pode

mobilizar recursos financeiros, tecnológicos e de gestão

que reforcem a resiliência hídrica.

A PERSPETIVA ECONÓMICA: AGRICULTURA,

ENERGIA E TURISMO

A economia é um vetor central na gestão da água. O

setor agrícola depende crucialmente da irrigação, e a

escassez hídrica pode comprometer colheitas, gerar inflação

e provocar perdas económicas severas. O setor

energético, em especial as centrais hidroelétricas, também

depende dos caudais dos rios. Por sua vez, o turismo,

um setor fundamental para ambas as economias,

depende da manutenção de paisagens atrativas, qualidade

da água para atividades recreativas e segurança

hídrica nos centros urbanos que recebem visitantes.

Os novos acordos, ao garantirem uma gestão mais

previsível e sustentável, podem beneficiar todos estes

setores. No entanto, há que ter cautela: se a água for

canalizada prioritariamente para atividades económicas

de elevado consumo, em detrimento de usos

ecológicos ou comunitários, corre-se o risco de desequilibrar

a balança em favor de interesses imediatos,

comprometendo a sustentabilidade a longo prazo.

A INTEGRAÇÃO REGIONAL IBÉRICA E A

COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

A cooperação luso-espanhola na gestão da água insere-se

num contexto mais amplo de integração ibérica.

A península é vista não só como um espaço geográfico

partilhado, mas também como uma região com desafios

comuns e oportunidades de desenvolvimento

conjunto. Os acordos podem, neste sentido, fortalecer

a imagem da Península Ibérica como uma região

modelo na gestão sustentável da água, contribuindo

para a coesão europeia e o cumprimento das metas

ambientais e climáticas da UE.

Além disso, a experiência luso-espanhola pode

servir de exemplo para outras regiões do mundo com

recursos hídricos partilhados, inspirando abordagens

cooperativas e pacíficas para prevenir conflitos

hídricos.

FUTURAS PERSPETIVAS E RECOMENDAÇÕES

No futuro, revela-se essencial proceder a uma revisão

contínua dos acordos, atualizando-os periodicamente

de modo a refletir as mais recentes evidências

científicas, as projeções climáticas mais sólidas e a

evolução das necessidades socioeconómicas. Paralelamente,

é importante fortalecer a participação pública,

promovendo uma maior transparência e a inclusão

de diversos atores sociais através de fóruns de discussão,

consultas públicas e plataformas de partilha de

informação, criando assim um ambiente propício à

cooperação e ao escrutínio democrático. Outro aspeto

relevante consiste em recorrer a soluções baseadas

na natureza, como a restauração de zonas húmidas, a

recuperação da vegetação ripícola e o estímulo à infiltração

natural das águas pluviais, mitigando assim

a dependência exclusiva de infraestruturas cinzentas.

Por fim, a educação e a sensibilização da população

acerca do valor da água, do seu uso eficiente e das

consequências das alterações climáticas na disponibilidade

hídrica são fundamentais para fomentar comportamentos

responsáveis e duradouros.

Os novos acordos entre Portugal e Espanha para a

gestão dos recursos hídricos do Tejo e do Guadiana

representam um esforço significativo de atualização

e reforço da cooperação transfronteiriça. À medida

que o clima se torna mais incerto e a pressão sobre os

recursos hídricos aumenta, garantir uma partilha justa,

sustentável e baseada em evidências é um desafio

incontornável.

Embora ainda seja cedo para avaliar plenamente os

impactos destes acordos, a sua importância é inegável.

Podem contribuir para a prevenção de conflitos,

para a proteção dos ecossistemas fluviais, para a segurança

hídrica e para a estabilidade socioeconómica

da região. Contudo, a sua eficácia dependerá da

implementação fiel dos compromissos assumidos,

da capacidade de adaptação a novas realidades e da

participação ativa de todos os intervenientes na governação

da água.

Em última análise, a “água que une” não é apenas

um slogan, mas um objetivo estratégico que

requer esforço, vontade política, conhecimento

técnico-científico e envolvimento social contínuo.

Se bem sucedido, este modelo de cooperação

pode inspirar outros contextos e consolidar

a ideia de que a água, mais do que um recurso, é

um elo fundamental entre as nações e as gerações

futuras.

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


28

\\ OPINIÃO \\

DIGITALIZAÇÃO DA

ÁGUA NA ERA DA IA

Nos dias de hoje, é senso comum reconhecer que a água é

um recurso indispensável para a vida humana e para o

equilíbrio dos ecossistemas. Enquanto matéria-prima,

está na base de sustentação de sectores chave para a segurança

e o desenvolvimento económico dos Estados,

como a Agricultura, a Energia e a Indústria. Dados de 2021 estimam

que o valor económico da água tenha atingido US$58 triliões (fonte:

World Wildlife Fund Report). Contudo, a sua gestão enfrenta

desafios cada vez mais complexos devido ao rápido crescimento da

população mundial, às mudanças climáticas e às pressões sobre os

ecossistemas aquáticos. Se as práticas actuais não forem alteradas,

prevê-se que, em 2030, a diferença entre a oferta e a procura global

de água atinja 40% (fonte: World Economic Forum). Por conseguinte,

torna-se urgente gerir os recursos hídricos de forma inteligente

e sustentável, o que tem impulsionado a inovação tecnológica nesse

sector, indo muito além de meras melhorias nos sistemas existentes.

Com efeito, a revolução digital, firmemente enraizada no dia-a-

-dia de grande parte da população mundial, está a dar passos importantes

na gestão da água. A integração de tecnologias digitais

como a Internet das Coisas, a Inteligência Artificial (IA) e a Data

Analytics, tem gerado soluções disruptivas para enfrentar os actuais

e futuros desafios relacionados com a escassez e deterioração

da qualidade água. Os benefícios da digitalização da água, também

conhecida por Água 4.0, são de facto, imensos e diversificados. Por

exemplo, o uso de sensores inteligentes e de redes sem fio permite a

monitorização contínua da qualidade da água, bem como do nível

dos reservatórios e dos fluxos de água, à distância e em tempo real,

assegurando um abastecimento adequado e reacções imediatas

através de protocolos de notificação. A interligação deste tipo de

informação com técnicas de Machine Learning e Big Data permite

desenvolver modelos preditivos de consumo, melhorando significativamente

a eficiência operacional dos sistemas de água e prevenindo

a ocorrência de desastres ao viabilizar uma gestão proactiva

dos recursos hídricos. Por outro lado, a implementação de réplicas

digitais e de algoritmos inteligentes nos sistemas de distribuição de

água permite optimizar os processos de tomada de decisão, assim

como detectar atempadamente falhas nas redes de distribuição devido

a roturas, avarias e desvios, um problema persistente na União

Europeia e em Portugal, onde cerca de 27% da água é perdida antes

de chegar aos consumidores (fonte: RASARP 2023). As práticas de

Agricultura de Precisão são uma tendência sustentável que também

tem beneficiado muito da digitalização e análise inteligente de

dados resultantes da observação de superfície terrestre por satélite

ou drones, permitindo calcular a quantidade exata de água necessária

para irrigação.

É, portanto, evidente o impacto da digitalização na gestão da

água, com reflexos na redução de custos e desperdícios, na melhoria

da sustentabilidade dos processos, e no aumento de resiliência.

Além disso, oferece ganhos económicos acrescidos, associados ao

cumprimento da regulação e dos objectivos de desenvolvimento

sustentável e de governança. As soluções digitais constituem

ainda uma clara oportunidade de negócios para os fabricantes de

equipamentos, aos quais se poderá agregar valor através da oferta

de novos serviços, incluindo planos de implementação de IoT,

acesso à nuvem, e contratos de manutenção, entre outros.

Numa perspectiva social, importa realçar o papel da digitalização

da água na disponibilização pública de informações sobre consumo

e qualidade da água, resultando numa maior transparência

e na responsabilização de todos os intervenientes. Os sistemas

digitais domésticos, em particular, podem fornecer informações

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


\\ OPINIÃO \\

29

MARIA GABRIELA ALMEIDA

FUNDADORA E CEO DA NITROGEN SENSING SOLUTIONS (NS2)

detalhadas sobre o consumo de água, promovendo

um consumo consciente dos próprios cidadãos.

A Água 4.0 surge assim como uma estratégia transformadora

que promove uma gestão eficaz, integrada

e sustentável dos recursos hídricos, fomentando o

conceito unificador de “água para todos”. No entanto,

a sua implementação enfrenta vários desafios, como o

risco de ciberataques e o impacto ambiental negativo

associado ao consumo de grandes quantidades de água

de refrigeração. Outros aspectos críticos prendem-se

com a necessidade de investimentos significativos e de

capacitação técnica, além de uma possível lentidão na

adopção das tecnologias digital e IA, pois o sector da

água é tradicionalmente resistente à mudança.

Em conclusão, graças ao uso estratégico de sensores

remotos e de automação, combinados com tecnologias

digitais e IA, é possível optimizar a gestão dos

recursos aquáticos, proteger ecossistemas e assegurar

a disponibilidade de um recurso vital para as gerações

futuras. A adopção dessas ferramentas exige um compromisso

conjunto entre governos, empresas e a sociedade,

rumo a um modelo de gestão mais inteligente

e sustentável. Indo ao encontro destes objectivos, o

governo português lançou, em Maio de 2024, o grupo

de trabalho “Água que Une”, tendo por missão elaborar

uma nova estratégia nacional para a gestão sustentável

da água, através de uma abordagem holística, multissectorial

e colaborativa. Aguarda-se, com expectativa,

a sua apresentação, prevista para o início de 2025.

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


30 \\ DESSALINIZAÇÃO \\

DESSALINIZAÇÃO

SERÁ ESTA A SOLUÇÃO PARA A CRISE HÍDRICA EM PORTUGAL?

A CRISE HÍDRICA QUE PORTUGAL ENFRENTA, SOBRETUDO NO ALENTEJO E NO ALGARVE, ESTÁ A

TORNAR URGENTE ENCONTRAR NOVAS FORMAS DE GARANTIR ÁGUA POTÁVEL À POPULAÇÃO, À

AGRICULTURA E AO TURISMO.

\\ Por Rogério Junior

Aescassez de água potável é um dos maiores desafios do

nosso tempo. À medida que a população cresce, as alterações

climáticas intensificam períodos de seca e a gestão

ineficiente dos recursos hídricos se faz sentir, muitos países

procuram soluções alternativas para garantir o fornecimento

de água às suas comunidades. Em Portugal, a dessalinização

— processo que converte água salgada em água doce, pronta para consumo

humano, agrícola e industrial — tem vindo a ganhar cada vez

mais relevância, especialmente em regiões já duramente afetadas pela

seca, como o Alentejo e o Algarve.

Nesta última região, a falta de água é particularmente preocupante.

O Algarve, tão reconhecido pelas suas praias, resorts e campos de golfe,

depende fortemente do turismo e da agricultura, duas atividades

intimamente ligadas à disponibilidade de água. Nos últimos anos, a

escassez hídrica tem sido tão severa que as autoridades ponderam, se a

situação não melhorar, implementar novamente limitações ao consumo

no inicio de 2025. Neste contexto, a dessalinização surge como um

“balão de oxigénio”, capaz de garantir um abastecimento mais estável,

mesmo em cenários extremos de seca

Contudo, a dessalinização não é uma solução isolada. A sua real eficácia

depende de uma integração inteligente com outras medidas, desde

a modernização das redes de abastecimento até à reutilização de

águas residuais tratadas. Ao mesmo tempo, Portugal apresenta uma

vantagem estratégica: a elevada penetração das energias renováveis

no seu mix energético. Em 2023, fontes como a solar e a eólica abasteceram

cerca de 61% do consumo elétrico nacional, tornando mais

fácil — e mais “verde” — alimentar as plantas de dessalinização com

energia limpa, reduzindo custos operacionais e o impacto ambiental

do processo.

Essas sinergias entre dessalinização e renováveis podem ser um caminho

para a neutralidade carbónica, um objetivo que Portugal procura

alcançar. Ao apostar em tecnologia de ponta, o país pode tornar-se um

exemplo a nível internacional, mostrando que é possível responder à

crise hídrica sem deixar de lado a sustentabilidade ambiental e económica.

Além disso, iniciativas como o Plano Regional de Eficiência

Hídrica no Algarve, apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência

(PRR), estão a criar condições para otimizar as infraestruturas existentes,

reduzindo perdas e assegurando que cada gota de água é valorizada

ao máximo.

TECNOLOGIAS EMERGENTES

A dessalinização pode ser efetuada através de diversos métodos, dos quais

a osmose inversa é o mais conhecido. Consiste em forçar a água salgada a

atravessar membranas semipermeáveis, retendo sais e outras partículas

indesejadas. É um processo eficiente e amplamente utilizado em grandes

instalações a nível mundial. Contudo, é também intensivo em energia, algo

que pode ser mitigado com a integração de fontes renováveis.

Outro método, menos comum, é a destilação térmica, onde a água salgada

é aquecida até evaporar. O vapor, ao condensar, origina água doce. Este processo,

mais frequente em países do Golfo Pérsico, requer bastante energia

térmica, o que pode limitar a sua aplicação em regiões sem acesso a recursos

energéticos baratos.

Entretanto, novas tecnologias emergem com o objetivo de tornar a dessalinização

mais acessível, económica e sustentável. A eletrodiálise, por

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


\\ DESSALINIZAÇÃO \\

31

O QUE É A

DESSALINIZAÇÃO?

A dessalinização é o processo de remoção

de sais e outros minerais da

água salgada ou salobra, tornando-a

adequada para o consumo humano,

agrícola ou industrial. Este método tem

sido amplamente utilizado em regiões

áridas e semiáridas, como o Médio

Oriente e o sul da Espanha, mas a sua

aplicação está a crescer noutros locais

devido ao aumento da procura por

água potável.

exemplo, promete um consumo energético mais

equilibrado, enquanto projetos de dessalinização

alimentados integralmente por energia solar estão

a ser desenvolvidos para operar de forma descentralizada,

ideal para comunidades mais isoladas. Ao

combinar estas novas abordagens com melhorias

contínuas na eficiência das membranas e nos sistemas

de tratamento de resíduos, é possível vislumbrar

um futuro em que a água do mar se torna uma

fonte segura, estável e ambientalmente responsável

de água potável.

NEM TUDO SÃO BOAS NOTÍCIAS

Ainda assim, implementar a dessalinização em

grande escala acarreta desafios que não podem ser

ignorados. O consumo energético é um dos principais

obstáculos. Embora Portugal disponha de um

volume significativo de energias renováveis, a operação

contínua de grandes plantas de dessalinização

requer um equilíbrio cuidadoso entre a disponibilidade

de energia limpa e a procura por água. Sem

uma gestão eficaz, os custos operacionais podem aumentar,

tal como a pegada de carbono, se for necessário

recorrer a fontes energéticas mais poluentes.

Outro ponto crítico é a produção de salmoura, um

subproduto rico em sais e outros compostos químicos.

O descarte inadequado deste concentrado pode

afetar os ecossistemas marinhos, ameaçando a vida

marinha e deteriorando zonas costeiras sensíveis. É

vital investir em tecnologias e práticas de gestão que

permitam o reaproveitamento deste resíduo, por

exemplo, na produção de sal ou em processos industriais,

mitigando assim o impacto ambiental.

Por fim, existe também o fator humano. Nem

sempre a dessalinização é bem compreendida pela

população. Alguns temem que a água resultante não

seja de boa qualidade ou que a instalação de plantas

junto à costa prejudique a paisagem e o ambiente.

Muitos desconhecem que a dessalinização é uma

realidade consolidada noutros países, ou que as

tecnologias modernas garantem uma água perfeitamente

segura. É por isso essencial promover campanhas

de sensibilização, informar o público sobre as

vantagens desta solução e envolver as comunidades

locais nos processos de tomada de decisão, para que

a dessalinização seja entendida não como uma ameaça,

mas como uma oportunidade.

Portugal encontra-se num momento decisivo

para agir. A escassez de água, já visível no Algarve,

poderá alastrar-se se não forem tomadas medidas

atempadas e bem estruturadas. Ao responder com

inovação, cooperação entre setores e apoio político

sólido, a dessalinização pode tornar-se um pilar

fundamental na estratégia hídrica do país. Se bem

implementada, ajudará não só a garantir água

para as gerações presentes e futuras, mas também

a reforçar a posição de Portugal como referência

internacional em sustentabilidade e gestão inteligente

dos recursos hídricos.

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


32

FÓRUM DE LÍDERES

1

2

Quais os principais desafios e

oportunidades da sua empresa/entidade

na gestão e preservação dos recursos

hídricos?

Como vê o futuro da eficiência hídrica

em Portugal?

Seguindo o caminho de uma verdadeira sustentabilidade hídrica, é essencial reconhecer que praticamente todos

os bens que consumimos diariamente acarretam uma significativa pegada hídrica. Assim, a poupança de água

não se limita ao uso eficiente das torneiras, mas envolve uma mudança profunda nos nossos padrões de produção

e consumo.

Esta conjuntura coloca uma pressão adicional sobre as empresas, especialmente aquelas cujos processos industriais

e atividades comerciais dependem fortemente da água. Estas entidades devem assumir a responsabilidade

de reduzir o seu consumo, concentrando-se no estritamente necessário. Além disso, devem investir em tecnologias

e sistemas de gestão hídrica mais eficientes, apostando na reutilização, reaproveitamento e reciclagem do

recurso. A adoção destas soluções pode incluir, por exemplo, circuitos fechados de água, a recuperação de águas

residuais para usos não potáveis, ou a implementação de sistemas de captação de água pluvial.

No entanto, a dimensão da mudança exigida não se circunscreve ao setor empresarial ou industrial. Todos nós,

enquanto consumidores, podemos começar de imediato a evitar o desperdício, ajustando pequenos hábitos do

quotidiano e refletindo sobre o impacto das nossas escolhas. Ajustar as quantidades que compramos para evitar

o excesso, optar por produtos de menor pegada hídrica ou exigir maior transparência e responsabilidade das

marcas que consumimos são passos fundamentais. A consciencialização sobre os processos produtivos, a promoção

da literacia hídrica nas escolas, a partilha de informação nos meios de comunicação e a participação em

campanhas de sensibilização são ferramentas igualmente importantes para transformar esta visão em realidade.

Em suma, a mudança de paradigma passa por uma ação concertada entre cidadãos, empresas e decisores políticos,

articulada em torno de um objetivo comum: garantir a disponibilidade de água para as gerações futuras. Investir

em eficiência hídrica, promover novas tecnologias, adotar modos de produção menos intensivos e repensar

modelos de consumo são desafios incontornáveis no contexto atual.

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024

33


34

\\ FÓRUM DE LIDERES \\

CARLOS VIEIRA

Diretor delegado, SMAS de Sintra

PEDRO PERDIGÃO

CEO, Grupo INDAQUA

1 Redução da água não faturada e incremento do reaproveitamento da água residual tratada são

os principais desafios que se colocam aos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Sintra

(SMAS de Sintra), enquanto maior entidade municipal do setor, com mais de 196 mil clientes.

Continuamos a investir na área do abastecimento de água e, desde 2014, fruto de um investimento

de cerca de 30 milhões de euros, foi possível reduzir de 30,9% para 17,8% o indicador da água não

faturada no âmbito de um sistema com mais de 1.850 km de condutas. A aposta tem sido crescente

na remodelação das redes mais antigas, mas também na deteção de ruturas não visíveis, assim

como na monitorização da rede, através da criação de ZMC (Zonas de Medição e Controlo).

Na vertente do saneamento, por sua vez, para além de continuar a expandir a rede, que se traduziu

numa década num investimento de 27 milhões de euros, os SMAS de Sintra querem incrementar

o reaproveitamento de água residual tratada (ApR) para fins que não exigem água potável. Já reaproveitamos

cerca de 6% nas 18 estações de tratamento que integram o sistema de saneamento do

concelho de Sintra, quando a média nacional se situa nos 2%.

1 O desafio é global: teremos cada vez menos água disponível

para uma população mundial em crescimento e em concentração

em centros urbanos. Garantir um consumo eficiente é, por

isso, um desígnio incontornável para todos, sobretudo, para as

empresas responsáveis pela gestão hídrica.

Na INDAQUA, temos 30 anos de experiência na promoção

eficiência que se refletem nos melhores resultados nacionais

nesta área. Identificámos, desde há alguns anos, a oportunidade

de partilhar este conhecimento com outras empresas, seja através

de projetos de eficiência hídrica (modelo contratual em que

aplicamos todas as medidas necessárias à redução do desperdício)

ou de soluções tecnológicas (i2Water) que podem ajudar a

replicar os bons resultados da INDAQUA noutros territórios.

2 A melhoria da eficiência hídrica passa, necessariamente, por um reforço do investimento na

renovação das redes antigas, o que exige maior investimento das entidades gestoras que apresentem

números elevados ao nível da água não faturada.

A aposta em tecnologias como a dessalinização, para fazer face a necessidades de escassez de um

recurso cada vez mais escasso, é também um dos desafios que se colocam em Portugal. No caso de

Sintra, estamos a estudar a construção de uma central de dessalinização, com uma produção diária

de cerca de 7.000 m3 de água, o que asseguraria um caudal de sobrevivência, equivalente a 10%

do volume diário distribuído no concelho. Uma solução complementar ao atual fornecimento de

água proveniente da albufeira de Castelo de Bode, que assegura quase em exclusivo os 75 a 80.000

m3 distribuídos diariamente.

Também relevante é a vertente da educação ambiental, para que se evidencie, desde tenra idade,

a importância da poupança de água. Também em Sintra, com este pressuposto, criámos o MAR-

-Museu da Água e Resíduos, que se assume como um polo de sensibilização na área do ciclo urbano

da água.

2 Vejo-o como uma necessidade presente e urgente. Na IN-

DAQUA, acreditamos que a gestão eficiente dos recursos hídricos,

reduzindo drasticamente o volume de perdas de água

nas redes portuguesas (cerca de 30% há mais de uma década),

é a solução prioritária na promoção da resiliência do território

face a cenários de escassez e seca, que serão cada vez mais frequentes

e severos, pondo em risco as populações.

A redução de perdas deve ser priorizada pelas entidades gestoras,

mas também pelos órgãos decisores, por exemplo, na atribuição

de fundos e benefícios. Isto devido às claras vantagens

face a outras soluções, como a construção de barragens ou a

dessalinização. De uma forma muito menos onerosa, a gestão

de perdas permite obter melhorias muito mais rápidas no combate

ao desperdício.

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\\ FÓRUM DE LIDERES \\

35

FRANCISCO FURTADO DE MENDONÇA

Diretor geral, APIAM

HUGO HILÁRIO

Presidente do Conselho

de Administração, Águas do Alentejo

ANTÓNIO CUNHA

CEO, Aquapor

1 Os associados da APIAM assumem

como missão primordial a proteção ambiental

e a preservação dos recursos hidrogeológicos,

garantindo que as gerações

futuras possam desfrutar de água mineral

natural e de nascente com a mesma qualidade

e pureza que temos hoje.

As águas minerais e de nascente são rigorosamente

monitorizadas e geridas, assegurando

a sua renovação e implementando

mecanismos eficazes de proteção contra a

poluição. Através dos perímetros de proteção

previstos na legislação, a indústria compromete-se

não apenas com a preservação

dos aquíferos, mas também com a conservação

dos espaços naturais que os envolvem,

garantindo a pureza original dos nossos recursos.

O setor de águas minerais e de nascente está

igualmente comprometido com a sustentabilidade

das suas embalagens. As garrafas utilizadas,

sejam de PET ou vidro, são 100% recicláveis,

reforçando a aposta na circularidade.

A Águas Minerais e de Nascente de Portugal

tomou a dianteira ao promover e apoiar a

implementação do Sistema de Depósito Reembolso

(SDR). Este sistema permitirá que

as embalagens de PET sejam reutilizadas e

reincorporadas em novas garrafas.

1 A Águas do Alto Alentejo é a entidade

gestora do sistema intermunicipal

de abastecimento de água e saneamento

dos concelhos de Alter do

Chão, Arronches, Castelo de Vide,

Crato, Fronteira, Gavião, Marvão,

Nisa, Ponte de Sor e Sousel. Uma

missão que é em simultâneo um desafio

e uma oportunidade quando

estamos perante um recurso escasso,

mas tão precioso, a água.

Nestes dois anos de existência, a

Águas do Alto Alentejo investiu

mais de 7 milhões de euros nos

4.000km2 onde opera e está no encalce

da melhoria do sistema hídrico

através de um Projeto de Eficiência

Hídrica com Remuneração por Desempenho,

que representa um investimento

de 6 milhões de euros. Por

via deste investimento vai ser possível

reduzir as perdas de água potável

ao longo das redes de abastecimento

dos dez municípios, o que traduz

uma poupança de cerca de 10 mil

milhões de litros de água potável, o

suficiente para abastecer os 10 municípios

geridos pela empresa intermunicipal,

durante quase 4 anos.

1 O impacto das alterações climáticas no ciclo da água torna urgente a

adotação de medidas que promovam uma maior eficiência dos recursos hídricos.

Com este propósito, a Aquapor, através dos seus projetos de eficiência hídrica,

tem investido na implementação de medidas que contribuam para a

redução das perdas de água, através da otimização dos sistemas de abastecimento

e da deteção precoce de fugas.

Em paralelo, disponibiliza soluções que permitem explorar fontes alternativas

de água, como a reutilização de águas residuais e a dessalinização, que

desempenham um papel crucial para garantir a continuidade do abastecimento

em situações extremas.

Os fenómenos extremos também destacam a importância da gestão das

águas pluviais, um tema frequentemente subestimado, mas com impacto

significativo nas populações. A Aquapor oferece soluções avançadas para

otimizar a gestão operacional tanto das águas pluviais quanto das afluências

indevidas, contribuindo para um equilíbrio sustentável entre recursos e necessidades.

2 O futuro da eficiência hídrica em Portugal exige um compromisso sólido

com a sustentabilidade e uma abordagem inovadora na gestão dos recursos.

A Aquapor reafirma o seu compromisso em liderar este caminho, investindo

continuamente na otimização da gestão dos recursos hídricos em Portugal.

A adoção de tecnologias avançadas, como a Inteligência Artificial (IA) e a

Internet das Coisas (IoT), é central para essa transformação. Estas ferramentas

desempenham um papel estratégico, possibilitando a monitorização

em tempo real das redes de abastecimento, promovendo respostas rápidas

e baseadas em dados. Esta abordagem não só contribui para a redução de

perdas de água, mas também para a melhoria significativa do desempenho

dos sistemas de abastecimento, estabelecendo um novo patamar de eficiência

hídrica e energética.

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


36

\\ DIRETÓRIO \\

DIRETÓRIO

Pensar o futuro

Aescassez de água a nível global impõe-se cada vez mais como um desafio urgente,

refletindo-se tanto em nações em desenvolvimento como nos países

mais prósperos.

No conjunto dos recursos hídricos do planeta, a água encontra-se no gelo

das calotes polares, no vapor atmosférico, bem como em estado líquido nos

rios, lagos, mares e aquíferos subterrâneos. Este delicado equilíbrio depende de um ciclo

hidrológico dinâmico, que envolve a circulação da água entre a atmosfera e a superfície

terrestre. No entanto, diversas pressões externas – desde a poluição ao uso excessivo,

passando pela introdução de espécies exóticas e por alterações nas dinâmicas de caudal

– colocam em risco a estabilidade deste ciclo. A gestão sustentável dos recursos hídricos

exige, por isso, um controlo minucioso destas variáveis, garantindo não apenas a disponibilidade

do recurso, mas também a integridade dos ecossistemas que dele dependem.

Em Portugal, tem-se registado um esforço continuado de infraestruturação, aumento de

competências técnicas e criação de centros de excelência, permitindo que cerca de 95%

da população usufrua de abastecimento público de água. Esta realidade é fruto de investimentos

a longo prazo, orientados por políticas ambientais e estratégicas que visam,

simultaneamente, a proteção do ambiente e o bem-estar social. Apesar destes resultados

positivos, torna-se crucial enfrentar os desafios que se avizinham, especialmente num

contexto de alterações climáticas e crescente pressão sobre os recursos.

A sustentabilidade das Entidades Gestoras, responsáveis pela prestação dos serviços de

água e saneamento, depende da sua capacidade de atuar de forma ainda mais eficiente,

combatendo o desperdício e controlando as perdas nas redes e equipamentos. A execução

eficaz do PNUEA – Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água – é uma

prioridade estratégica, devendo incidir particularmente sobre os principais utilizadores,

sejam eles urbanos, agrícolas ou industriais.

A conjugação destes esforços, alicerçados na inovação tecnológica, na educação ambiental

e na cooperação entre autoridades públicas, setores privados e comunidades locais, é o

caminho para enfrentar a escassez hídrica em múltiplas frentes. Ao encarar a água como

um recurso limitado e inestimável, garante-se não só o cumprimento das necessidades

presentes, mas também a salvaguarda das condições de vida para as gerações futuras.

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\\ DIRETÓRIO \\

37

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


38 \\ DIRETÓRIO \\

SMAS DE SINTRA REFORÇAM

INVESTIMENTO NA MELHORIA

DA GESTÃO DA ÁGUA

Os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento

de Sintra (SMAS de Sintra) são

a maior entidade municipal na área do

abastecimento de água, com mais de 196 mil

clientes. Criados em maio de 1946, servindo

uma população de cerca de 385 mil pessoas,

distribuídos por uma área territorial de 320

km2, os SMAS de Sintra são responsáveis ainda

pela drenagem e tratamento de águas residuais

urbanas e pela recolha e transporte de

resíduos urbanos.

O sistema de abastecimento de água, em

exploração, é constituído por cinco captações

próprias, 51 reservatórios, 35 estações de bombagem,

1 estação de tratamento de água e um

total de 1.851 km de condutas e 68.535 ramais

de ligação.

Com um volume de água aduzida ao sistema

de 26 680 405 m3, os SMAS de Sintra registaram

17,8 por cento de água não faturada em

2023, mantendo a sua trajetória descendente,

iniciada em 2014, quando apresentavam

30,9%, acima do limiar técnico aceitável definido

pela Entidade Reguladora dos Serviços de

Água e Resíduos (ERSAR). Para alcançar este

indicador, abaixo dos 20% pelo quinto ano consecutivo,

os SMAS de Sintra têm desenvolvido

um plano de investimentos de remodelação das

redes em vários pontos do concelho e, nos últimos

12 anos, investiram cerca de 30 milhões de

euros na área do abastecimento de água.

Para além de um conjunto de intervenções

de renovação das infraestruturas mais antigas,

como sucede na Centralidade de Rio de Mouro

Velho, os SMAS de Sintra mantém a aposta

de deteção e localização de fugas não visíveis,

assim como a remodelação e impermeabilização

de reservatórios, como é o caso das empreitadas

em curso na Rinchoa e no Elevado das

Mercês, o que será complementado por novas

iniciativas na deteção e eliminação de consumos

ilícitos e na substituição de contadores.

Mantém-se o objetivo de reduzir para 15%, até

ao final de 2025, o valor de água não faturada/

perdas de água.

Dispondo de um laboratório próprio, que

assinala em 2025 os 40 anos de atividade, os

SMAS de Sintra foram, recentemente, distinguidos

com o Selo de Qualidade Exemplar de

Água para Consumo Humano, o que vem comprovar

a excelência da água distribuída na rede

pública do concelho, mas também a qualidade

dos serviços prestados pelos SMAS de Sintra,

já que, para além do controlo de qualidade, os

critérios da atribuição do galardão, por parte

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\\ DIRETÓRIO \\

39

da ERSAR, compreendem “uma avaliação qualitativa

tendo em conta aspetos relacionados

com a governança, cumprimento de obrigações

legais, conduta perante o regulador e ocorrências

significativas com impacto na prestação do

serviço”.

EXPANSÃO DA REDE DE SANEAMENTO

Na vertente do saneamento, os SMAS de Sintra

vão continuar a investir na expansão da rede e

na construção de infraestruturas de tratamento

e elevação das águas residuais. Desde o final de

2023, o sistema de saneamento já abrange cerca

de 1.038 km de coletores e emissários, em contraponto

com os 977 km de 2014, o que se traduziu

num investimento de 27 milhões de euros. O

sistema contempla, ainda, 18 Estações de Tratamento

de Águas Residuais (ETAR), mais quatro

do que em 2014, tendo sido, nestes 12 anos, reabilitadas

ainda seis unidades, envolvendo um investimento

total superior a 10 milhões de euros.

Os SMAS de Sintra pretendem, ainda, continuar

a assumir-se como um concelho de referência

a nível nacional no reaproveitamento das

águas residuais tratadas (ApR) para fins múltiplos,

para utilizações como a limpeza de órgãos

das ETAR, desidratação mecânica de lamas, limpeza

e desobstrução de coletores, lavagem e higienização

de contentores de recolha de resíduos, e,

ainda, a varrição e lavagem de arruamentos.

Atualmente, os SMAS de Sintra já reaproveitam

cerca de 6% de água residual tratada no âmbito

das 18 estações de tratamento que integram

o sistema, quando a média nacional se situa na

ordem dos 2%.

Em carteira está o incremento da utilização da

ApR na ETAR da Cavaleira, em Algueirão-Mem

Martins, que se encontra a beneficiar de obras de

requalificação no valor de 1 milhão e 600 mil euros,

permitindo a rega de espaços verdes do Parque

Urbano da Cavaleira e do Hospital de Sintra.

O reforço do reaproveitamento vai ocorrer, ainda,

no âmbito da ETAR da Azóia (intervenção

em curso no montante de 1 milhão e 100 mil euros)

e nas próximas intervenções de reabilitação a

lançar nas unidades de Sabugo, Montelavar e São

João das Lampas e na construção da nova ETAR

de Areias e Alvarinhos.

ÁREA DE ATUAÇÃO

/ Abastecimento de água

/ Drenagem e tratamento de águas residuais

/ Recolha e transporte de resíduos urbanos

ÁGUA POTÁVEL

E SANEA-

MENTO

CIDADES E

COMUNIDADES

SUSTENTÁVEIS

ACÇÃO

CLIMÁTICA

PROTEGER

A VIDA

TERRESTRE

INDÚSTRIA,

INOVAÇÃO E

INFRAESTRUTURAS

PRODUÇÃO E

CONSUMO

SUSTENTÁVEIS

PROTEGER A

VIDA MARINHA

BOARD

BASÍLIO HORTA

Presidente do Conselho

de Administração

MARIA PIEDADE MENDES

Vogal do Conselho de Administração

PEDRO VENTURA

Vogal do Conselho de Administração

CARLOS VIEIRA

Diretor delegado

CONTACTOS

Av. Movimento das Forças

Armadas, 16 Portela de Sintra

2714-503 Sintra

+351 219 119 000

geral@smas-sintra.pt

www.smas-sintra.pt

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40 \\ DIRETÓRIO \\

BOARD

COMPROMISSO COM A

VIDA, A QUALIDADE E

A SUSTENTABILIDADE

Hugo Hilário

Presidente do Conselho

de Administração

D

esde tenra idade aprendemos que a água é fundamental

para a nossa subsistência. Uma premissa

tão real, quanta a necessidade de assegurar que

as gerações futuras, tal como as atuais, usufruem do

bem mais precioso à face da terra. A água.

Norteados por este pensamento os autarcas de Alter

do Chão, Arronches, Castelo de Vide, Crato, Fronteira,

Gavião, Marvão, Nisa, Ponte de Sor e Sousel

formaram, em 2022, a entidade gestora do sistema

intermunicipal de abastecimento de água e saneamento,

vulgarmente designada por Águas do Alto

Alentejo.

Num território com mais de 4.000 km², povoações

dispersas, e um sistema de abastecimento de água

com mais de 900 km de rede de distribuição, 49 captações,

125 depósitos de água entre outras instalações

de elevação e tratamento de água para consumo

público, os municípios que integram a Águas do Alto

Alentejo vivem com recursos hídricos escassos, pese

o facto de haver perdas de água potável ao longo da

rede.

Para fazer face a esta situação, a empresa intermunicipal

iniciou, este ano, um projeto de Eficiência

Hídrica que tem como principal objetivo reduzir as

perdas de água potável ao longo das redes de abastecimento.

Ancorado em várias ações, nomeadamente

a reabilitação de infraestruturas, a sensorização das

redes de água e a implementação de softwares para

recolher e analisar dados cruciais para uma rápida

atuação na eliminação de fugas, este investimento

tem ainda a missão de gerir eficazmente a pressão em

zonas críticas, detetar e eliminar consumos e ligações

ilícitas, bem como efetuar uma avaliação/renovação

do parque de contadores. Um investimento no valor

de 6 milhões de euros que vai permitir uma poupança

de cerca de 10 mil milhões de litros de água

potável, o suficiente para abastecer os 10 municípios

durante quase quatro anos.

USUFRUIR DO BEM MAIS PRECIOSO DO

ALTO ALENTEJO

Gerir de forma eficiente o bem mais precioso à face

da terra é uma prioridade da Águas do Alto Alentejo,

que não abre mão de prestar um serviço com qualidade

aos seus 40.000 clientes. Uma postura que levou à

implementação de um Sistema de Gestão Integrado

de Qualidade e Ambiente na Organização.

Para alcançar esta Certificação, que compreende a

implementação da certificação do Sistema de Gestão

Integrado (Qualidade e Ambiente), elaborado de

acordo com as Normas da série NP EN ISO 9001 e

NP EN ISO 14001, deu-se início a um processo moroso

de auditorias, que concluíram que o sistema de

gestão se encontra de forma geral corretamente implementado

e pronto para receber a certificação no

âmbito das referidas Normas. Neste momento a empresa

intermunicipal aguarda o parecer do Comité de

Decisão da Quality Evaluation Center (QEC).

Com esta certificação, a Águas do Alto Alentejo não

só assegura práticas que trazem claros benefícios ambientais

e económicos para os dez municípios, como

posiciona a organização como entidade diferenciadora

e inovadora, que promove processos de trabalho

eficientes e focados num único objetivo: assegurar

que as gerações futuras, tal como as atuais, usufruem

do bem mais precioso do Alto Alentejo, a água.

António Pita

Vogal

Idalina Trindade

Vogal

ÁREAS DE ATUAÇÃO

/ Gestão do sistema de abastecimento

de água e saneamento dos

concelhos de Alter do Chão, Arronches,

Castelo de Vide, Crato, Fronteira,

Gavião, Marvão, Nisa, Ponte

de Sor e Sousel

CONTACTOS

Edifício do Mercado Municipal,

Praça da República

7400-232 Ponte de Sor

+351 242 038 990

geral@aguasdoaltoalentejo.pt

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


\\ DIRETÓRIO \\

41

BOARD

COMPROMISSO NA LIDERANÇA

DA TRANSIÇÃO HÍDRICA

EM PORTUGAL

A

eficiente gestão dos recursos hídricos é determinante

para a construção de um futuro mais

sustentável. Neste sentido, enquanto maior

empresa privada na gestão de concessões municipais

e na prestação de serviços de abastecimento de

água e saneamento de águas residuais, a Aquapor

está empenhada em liderar o processo de transição

hídrica em Portugal.

Com este propósito, a empresa aposta na adoção de

ferramentas tecnológicas e soluções inovadoras que

contribuam para a eficiência no uso da água, a redução

de perdas, o aumento da reutilização de águas

residuais e a promoção de soluções que garantam a

resiliência dos sistemas hídricos face às novas exigências

climáticas.

A empresa alcançou em 2024 o melhor resultado

de sempre no combate às perdas de água, assumindo

uma posição de destaque ao nível mundial.

Através da sua empresa Luságua Lisboa, registou

de forma inédita apenas 0,7% de perdas, um valor

muito abaixo da média nacional, que ronda atualmente

os 27%.

Em paralelo, e como reconhecimento do trabalho

que tem vindo a ser desenvolvido ao longo dos anos,

a Aquapor é nacional e internacionalmente reconhecida

pelos resultados que alcança.

Em 2024, seis concessões da Aquapor foram distinguidas

pela ERSAR - Entidade Reguladora dos Serviços

de Águas e Resíduos com selos de qualidade

exemplar de água para consumo humano.

Também a capacidade técnica e a excelência operacional

da Aquapor foram reconhecidas este ano pelas

diversas entidades do setor ao vencer o concurso

público para a conceção, construção e exploração

da dessalinizadora do Algarve, um projeto de enorme

importância para o país e que vai permitir garantir

o abastecimento público de água à população

da região. Com este projeto, a empresa demonstra

como a inovação tecnológica e a responsabilidade

ambiental podem andar de mãos dadas, promovendo

o crescimento sustentável e garantindo recursos

essenciais para as gerações futuras.

A Aquapor continua a apostar na expansão das

suas operações, através da aquisição da CTGA e da

Enviman, explorando novas oportunidades de negócios

e consolidando a sua implementação nacional.

Com esta estratégia, a empresa visa fortalecer

ainda mais a sua posição no mercado e expandir a

sua atuação, oferecendo soluções inovadoras e sustentáveis

em todo o território nacional. Atualmente,

a empresa serve já cerca de 2.2 milhões de habitantes

em Portugal, distribuídos por 61 municípios.

Consciente de que as crescentes pressões sobre

os sistemas hídricos exigem novas abordagens, a

Aquapor aposta na inovação tecnológica aliada a

uma gestão eficiente, por forma a promover a preservação

e o uso responsável dano nosso país água,

em prol de um futuro mais sustentável.

António Cunha

CEO

CONTACTOS

AQUAPOR

Av. Marechal Gomes da Costa,

33 – 1ºA

1800-255 Lisboa

geral@aquaporservicos.pt

www.aquaporservicos.pt

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42 \\ DIRETÓRIO \\

BOARD

Enrique Castiblanques

Chairman

EXPERIÊNCIA E CONHECIMENTO

COMO RESPOSTA À EFICIÊNCIA

E DIGITALIZAÇÃO

A

celebrar 30 anos, o Grupo INDAQUA é o

maior operador privado português no universo

das concessões de abastecimento de água e

gestão de saneamento. Ao longo de três décadas, a

empresa tem liderado o caminho nacional de promoção

da eficiência hídrica, refletindo-a nas suas

diferentes áreas de atuação.

Entre elas, destaca-se a gestão de oito concessões

municipais, através das quais serve mais de 800

mil cientes em Barcelos, Marco de Canaveses,

Matosinhos, Oliveira de Azeméis, Paços de Ferreira,

Santa Maria da Feira, Santo Tirso/Trofa e

Vila do Conde.

Estes territórios têm uma média de apenas 11% no

indicador Água Não Faturada, utilizado para medir

o nível de perdas nas redes de abastecimento.

O valor é muito inferior à média nacional (cerca

de 30%), o que comprova que este é um dos maiores

desafios que o setor enfrenta, a par da necessidade

de digitalização de toda a cadeia de valor.

Nos últimos anos, a INDAQUA tem procurado

associar estes dois desafios – eficiência e digitalização

-, estabelecendo respostas concretas e com

resultados mensuráveis. A experiência e conhecimento

adquiridos têm permitido não só a melhoria

da performance do Grupo, mas também a

criação de modelos replicáveis a outras empresas,

assumindo um claro contributo para o desenvolvimento

do setor.

Surgem, neste contexto, os projetos de eficiência

hídrica, atualmente, aplicados num conjunto

alargado de mais de 20 municípios. Este modelo

contratual, que abrange territórios de norte a

sul do país, permite à INDAQUA implementar,

noutras geografias, as boas práticas de eficiência

e sustentabilidade que desenvolveu, conduzindo

à redução de perdas no curto prazo e com custos

controlados.

Entre as medidas implementadas, destaca-se uma

estratégica aplicação de tecnologia de monitorização

das redes. Esta permite identificar pontos

de melhoria e necessidades de rápida intervenção

técnica em casos, por exemplo, de roturas ou fugas

– responsáveis por cerca de 1/3 das perdas a nível

nacional.

As respostas da INDAQUA aos desafios setoriais

centram-se ainda nas i2Water Solutions. Esta área

tem à disposição do mercado diferentes soluções

tecnológicas facilmente aplicáveis noutras entidades

gestoras.

As soluções com base tecnológica i2Water têm

em vista a promoção da eficiência não apenas na

vertente hídrica, mas também na gestão de operações

(recursos humanos e técnicos) e na relação

com o cliente. Na sua génese, está a capacidade

tecnológica para centralizar e simplificar grandes

quantidades de informação, tornando-a inteligível

na tomada de decisões mais assertivas.

Promover um setor mais eficiente é um desafio

de hoje, que assumirá cada vez mais relevância no

futuro próximo. Na INDAQUA, as respostas começaram

a ser pensadas há 30 anos.

Pedro Perdigão

Chief Executive Officer (CEO)

Eduardo Barbot

Chief Operating Officer (COO)

Vítor Damas

Chief Financial Officer (CFO)

CONTACTOS

INDAQUA

Avenida Joaquim Neves dos

Santos nº 122,

4450-394 Matosinhos

+351 229 997 970

indaqua@indaqua.pt

www.indaqua.pt

ÁGUA POTÁVEL

E SANEAMENTO

INDÚSTRIA,

INOVAÇÃO E

INFRAESTRUTURAS

CIDADES E

COMUNIDADES

SUSTENTÁVEIS

ACÇÃO

CLIMÁTICA

PROTEGER A

VIDA MARINHA

PROTEGER A VIDA

TERRESTRE

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


\\ DIRETÓRIO \\

43

A ÁGUA NÃO

É TODA IGUAL

As águas minerais naturais e de nascente engarrafadas são de todas as

bebidas as únicas puras e naturais. Sem que possamos ter um pódio

para cada água, a verdade é que, apesar de poderem todas parecer

iguais, as águas não são todas iguais.

As águas minerais naturais e de nascente são águas subterrâneas que habitam

aquíferos naturalmente protegidos de agentes poluidores. É esta

categoria de águas que pode ser consumida sem que sejam quimicamente

tratadas. São puras na origem. Ao contrário, as demais águas destinadas

ao consumo humano, como as águas da torneira e águas filtradas, têm de

ser submetidas a tratamentos físico-químicos necessários para lhes ser

devolvida a potabilidade. De forma resumida as Águas Minerais Naturais

e de Nascente:

São engarrafadas diretamente na nascente em condições extremamente

assépticas.

Não necessitam de qualquer tratamento químico antes do seu consumo,

uma vez que são potáveis desde a sua origem.

Através do rótulo facultam ao utilizador informação específica e detalhada

sobre o tipo de água adquirida, o nome da captação e a sua localização,

o nome do produtor e a sua composição físico química específica.

CONTACTOS

APIAM - Associação Portuguesa dos Industriais de Águas

Minerais Naturais e de Nascente

Av. Miguel Bombarda Nº110, 2º Dtº

1050-167 Lisboa

+351 217 940 574 / 75

geral@apiam.pt

LISTAGEM

Abrantaqua

Urbanização dos Plátanos,

Lote 2-D, Loja B

2200-025 Abrantes

t. 241 331 562

e. geral@abrantaqua.pt

w. www.abrantaqua.pt

AGERE

Praça Conde Agrolongo, 115

4700-312 Braga

t. 253 205 001

e. agere@agere.pt

w. www.agere.pt

Água São Martinho

Rua Nova da Telha, 327

4821-909 Fafe

t. 253 459 000

e. geral@aguasmartinho.com

w. www.aguasmartinho.com

Água Serrana

Cabril - Agadão

3754-909 Águeda

t. 234 655 102

e. geral@aguaserrana.pt

w. www.aguaserrana.pt

Águas da Azambuja

Rua Teodoro José da Silva, 37

2050-335 Azambuja

t. 263 002 470

e. geral@aguasdaazambuja.pt

w. www.aguasdaazambuja.pt

Águas da Covilhã

Rua Ruy Faleiro,

n.º 111

6201-905 Covilhã

t. 275 310 810

e. geral@aguasdacovilha.pt

w. www.aguasdacovilha.pt

Águas da Figueira

Rua Dr. Mendes Pinheiro

3080-032 Figueira da Foz

t. 233 401 450

e. geral@aguasdafigueira.com

w. www.aguasdafigueira.com

Águas da Região de Aveiro

Travessa Rua da Paz

nº 4

3800-587 Aveiro

t. 234 910 200

e. adra@adp.pt

w. www.adra.pt

Águas da Serra

Rua Senhora da Estrela, 20

6200-454 Boidobra

t. 275 313 260

e. aguasdaserra@ags.pt

w. www.aguasdaserra.pt

Águas da Teja

Av.ª Comunidades Europeias N.º 39

6420-044 Trancoso

t. 271 829 000

e. aguasdateja@aguasdateja.pt

w. www.aguasdateja.org

Águas das Caldas de Penacova

Mata das Caldas, 3360-192 Penacova

t. 239 470 470

e. penacova@caldasdpenacova.pt

w. www.caldasdepenacova.pt

Águas de Alenquer

Rua Sacadura Cabral, 22 C - R/C

2580-371 Alenquer

t. 263 731 217

e. geral@aguasdealenquer.pt

w. www.aguasdealenquer.pt

Águas de Barcelos

Rua Rosa Ramalho, n.º 9/A

4750-331 Barcelos

t. 253 813 814

e. geral@aguasdebarcelos.pt

w. www.aguasdebarcelos.pt

Águas de Carrazeda

Rua Vitor Guilhar, 90 - 92

5140-103 Carrazeda de Ansiães

t. 278 617 736

e. geral@aguasdecarrazeda.pt

w. www.cm-carrazedadeansiaes.pt

Águas de Carvalhelhos

Carvalhelhos

5460-130 Beça

t. 276 410 300

e. geral@carvalhelhos.pt

w. www.carvalhelhos.pt

Águas de Cascais

Estrada da Malveira, 1237

Aldeia de Juso, 2750-836 Cascais

t. 214 838 300

e. geral@aguasdecascais.pt

w. www.aguasdecascais.pt

Águas de Coimbra

Rua da Alegria, 111

3000-018 Coimbra

t. 239 096 000

e. geral@aguasdecoimbra.pt

w. www.aguasdecoimbra.pt

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


44

\\ DIRETÓRIO \\

Águas de Fafe

Largo 1.º de Dezembro

4820-142 Fafe

t. 253 700 020

e. geral@aguasdefafe.pt

w. www.aguasdefafe.pt

Águas de Gaia

Rua 14 de Outubro, 343

4431-954 Vila Nova de Gaia

t. 223 770 460

e. info@aguasgaia.pt

w. www.aguasdegaia.pt

Águas de Gondomar

Rua 5 de Outubro, 112

4420-086 Gondomar

t. 224 660 200

e. geral@aguasdegondomar.pt

w. www.aguasdegondomar.pt

Água de Luso

Quinta Cruzeiro

3050-511 Vacariça

t. 231 937 400

e. geral@aguadeluso.pt

w. www.aguadeluso.pt

Águas de Monchique

Caldas de Monchique

8550-232 Monchique

t. 282 910 120

e. marketing@aguamonchique.pt

w. www.aguamonchique.pt

Águas de Ourém

Rua Dr. Francisco Sá Carneiro

n.º 66 D – Loja A

2490-548 Ourém

t. 249 540 010

e. aguas.ourem@bewater.com.pt

w. www.ourem-bewater.com.pt

Águas de Paços de Ferreira

Rua Dr. Leão Meireles, 94

4590-586 Paços de Ferreira

t. 255 860 560

e. geral@adpf.pt

w. www.aguasdepacosferreira.pt

Águas de Paredes

Rua de Timor, 27,

4580-015 Paredes

t. 255 788 530

e. aguas.paredes@bewater.com.pt

w. www.paredes-bewater.com.pt

Águas de Portugal

Rua Visconde de Seabra, 3

1700-421 Lisboa

t. 212 469 400

e. info@adp.pt

w. www.adp.pt

Águas de S. João

Avenida da Liberdade

Edifício da Câmara Municipal

3701-956 S. Joao da Madeira

t. 256 100 700

e. geral@aguasdesjoao.pt

w. www.aguasdesjoao.pt

Águas de Santarém

Praça Visconde Serra do Pilar

2001-904 Santarém

t. 243 305 050

e. geral@aguasdesantarem.pt

w. www.aguasdesantarem.pt

Águas de Santo André

Cerca da Água - Rua dos Cravos

7500-999 Vila Nova de Santo André

t. 269 708 240

e. geral.adsa@adp.pt

w. www.adsa.pt

Águas de Valongo

Av. 5 de Outubro, 306

4440-503 Valongo

t. 224 227 390

e. aguas.valongo@bewater.com.pt

w. www.valongo-bewater.com.pt

Águas de Vila Real de Santo António

Zona Industrial de Vila Real de Santo

António, Lote 46

8900-216 Vila Real de Santo António

t. 281 249 510

e. advrsa.geral@aguas-vrsa.pt

w. www.aguas-vrsa.pt

Águas do Algarve

Rua do Repouso, 10, 8000-302 Faro

t. 289 899 070

e. geral.ada@adp.pt

w. www.aguasdoalgarve.pt

Águas do Alto Alentejo

Praça da República

Edifício do Mercado Municipal

7400-232 Ponte de Sor

t. 242 001 040

e. geral@aguasdoaltoalentejo.pt

w. www.aguasdoaltoalentejo.pt

Águas do Alto Minho

Rua Frei Bartolomeu Mártires n.º 156

4904-878 Viana do Castelo

t. 258 806 900

e. geral.adam@adp.pt

Águas do Baixo Mondego e Gândara

Rua Dr. Francisco Luís Coutinho Solar

dos Pinas

3140-256 Montemor-o-Velho

t. 239 246 600

e. geral@abmg.pt

w. www.abmg.pt

Águas do Caramulo

Fábrica das Águas do Caramulo

3475-020 Varzielas

t. 232 014 190

e. geral@aguasdocaramulo.pt

w. www.aguasdocaramulo.pt

Águas do Centro Litoral

ETA da Boavista

Av. Dr. Luís Albuquerque

3030-410 Coimbra

t. 239 980 900

e. geral.adcl@adp.pt

w. www.aguasdocentrolitoral.pt

Águas do Douro e Paiva

Edifício Scala, Rua de Vilar,

nº 235, 5º

4050-626 Porto

t. 226 059 300

e. geral.addp@adp.pt

w. www.addp.pt

Água do Fastio

Lugar do Gradouro Chamoim

4840-050 Pergoim

t. 214 998 860

e. fastio.net@eaa.pt

w. www.fastio.pt

Águas do Interior Norte

Av. Rainha Santa Isabel, n.º 1

5000-434 Vila Real

t. 309 101 101

e. geral@adin.pt

w. www.adin.pt

Águas do Lena

Rua Infante Dom Fernando

Lote 10 - Célula B

2440-901 Batalha

t. 244 764 080

e. aguasdolena@aguasdolena.pt

w. www.aguasdolena.pt

Águas do Marco

Travessa Eng. Adelino Amaro Costa,

nº 83 RC Dtº

4630-231 Marco de Canaveses

t. 255 538 350

e. geral@aguasdomarco.pt

w. www.aguasdomarco.pt

Águas do Norte

Rua Dom Pedro de Castro, n.º 1A

5000-669 Vila Real

t. 259 309 370

e. geral.adnorte@adp.pt

w. www.adnorte.pt

Águas do Planalto

Estação de Tratamento de Água

Mosteiro de Fráguas

3460-304 Tondela

t. 232 819 240

e. geral@aguasdoplanalto.pt

w. www.aguasdoplanalto.pt

Águas do Ribatejo

Rua Gaspar Costa Ramalho, 38

2120-098 Salvaterra de Magos

t. 263 509 400

e. geral@aguasdoribatejo.com

w. www.aguasdoribatejo.com

Águas do Tejo Atlântico

ETAR de Alcantara,

Avenida de Ceuta

1300-254 Lisboa

t. 213 107 900

e. geral.adta@adp.pt

w. www.aguasdotejoatlantico.adp.pt

Águas do Vale do Tejo

Rua Dr. Francisco Pissarra de Matos,

nº.21, R/C

6300-693 Guarda

t. 271 225 317

e. geral.advt@adp.pt

w. www.advt.pt

Água do Vimeiro

Rua da Ribeira

2560-084 Maceira

t. 261 980 000

e. geral@aguadovimeiro.pt

w. www.aguadovimeiro.pt

Águas do Vouga

Estrada Nacional n.º1

Lugar Feira Nova

3850-200 Albergaria-a-Velha

t. 234 520 090

e. avouga@aguasdovouga.pt

w. www.aguasdovouga.pt

Águas e Energia do Porto

Rua Barão de Nova Sintra, 285

4300-367 Porto

t. 225 190 800

e. geral@aguasdoporto.pt

w. www.aguasdoporto.pt

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


\\ DIRETÓRIO \\

45

Águas Públicas da Serra da Estrela

Praceta os 12 de Inglaterra,

n.º 11

6270-465 Seia

t. 238 310 230

e. geral@apdse.pt

w. www.apdse.pt

Águas Públicas do Alentejo

Rua Doutor Aresta Branco, 51

7800-310 Beja

t. 284 101 100

e. geral.agda@adp.pt

w. www.agda.pt

ALG - Tratamento de Águas

Rua Dr. Francisco Sá Carneiro,

25A

4780-448 Santo Tirso

t. 252 861 305

e. geral@alg.pt

w. www.alg.pt

APDA

Av. de Berlim, 15

1800-031 Lisboa

t. 218 551 359

e. geral@apda.pt

w. www.apda.pt

Aquaelvas

Praça da República, 12

7350-126 Elvas

t. 268 639 201

e. aquaelvas@fcc.es

w. www.aquaelvas.pt

Aquafundalia

Rua dos Restauradores,

Lote A e B, r/c, Loja A

6230-496 Fundão

t. 275 752 218

e. aquafundalia@fcc.es

w. www.aquafundalia.pt

Aquamaior

Rua de S. João, 2,

7370-202 Campo Maior

t. 268 689 309

e. aquamaior@fcc.es

w. www.aquamaior.pt

Aquanena

Rua 25 de Abril

2380-042 Alcanena

t. 249 899 414

e. geral@aquanena.pt

w. www.aquanena.pt

Aquapor

Av. Marechal Gomes da Costa,

33 – 1ºA

1800-255 Lisboa

t. 217 928 670

e. geral@aquaporservicos.pt

w. www.aquaporservicos.pt

Associação Portuguesa

de Recurso Hídricos

Avenida do Brasil, 101

1700-066 Lisboa

t. 218 443 428

e. aprh@aprh.pt

w. www.aprh.pt

BeWater

Avenida Conde Valbom, nº30- 3º

1050-068 Lisboa

t. 211 552 700

e. bewater@bewater.com.pt

w. www.bewater.com.pt

CARTÁGUA

Travessa do Quintino, Lote E, R/C

Esq.º

2070-143 Cartaxo

t. 243 750 110

e. geral@cartagua.pt

w. www.cartagua.pt

Central de Cervejas

Etrada da Alfarrobeira

2625-244 Vialonga

t. 219 528 600

e. scc@centralcervejas.pt

w. www.centralcervejas.pt

Desmiwater

Praceta Doutor Simplício Santos 5-lj

E-T

2725-460 Mem Martins

t. 219 260 966

e. geral@desmiwater.com

w. www.desmiwater.pt

Doya Ambiental

Av da. Da Liberdade Nº 36, 6º

1250-145 Lisboa

t. 211 217 661

e. geral@doyaambiental.com

w. www.doyaambiental.com

Earth Water (Tetra Pak)

Av. do Forte 12

2790-072 Carnaxide

t. 214 165 600

e. portugal@tetrapak.com

w. www.tetrapak.com

Eden Springs Portugal

Rua José Pereira,

Lote AE 04

1685-635 Famões

t. 219 948 900

e. apoio.cliente@edensprings.pt

w. www.edensprings.pt

EMAP

Rua de S. Dinis, 249

4250-434 Porto

t. 228 348 770

e. geral@portoambiente.pt

w. www.portoambiente.pt

EMAR de Portimão

R. José António Marques, 17

8501-953 Portimão

t. 282 400 260

e. geral@emarp.pt

w. www.emarp.pt

EMAS de Beja

Rua Conde da Boavista, 16

7800-456 Beja

t. 284 313 450

e. geral@emas-beja.pt

w. www.emas-beja.pt

Empresa de Cervejas da Madeira

Parque Empresarial Zona Oeste

9304-003 Câmara de Lobos

t. 291 911 100

e. coral@ecm.pt

w. www.ecm.pt

Enhidrica, Consultores

de Engenharia

Rua Dr. Carlos Pires Felgueiras,

98 - 3º E

4470-157 Maia

t. 229 414 445

e. enhidrica@enhidrica.com

w. www.enhidrica.com

EPAL

Av. da Liberdade, 24

1250-144 Lisboa

t. 213 251 000

e. geral.epal@adp.pt

w. www.epal.pt

ERSAR

Rua Tomás da Fonseca

Torre G - 8º

1600-209 Lisboa

t. 210 052 200

e. geral@ersar.pt

w. www.ersar.pt

Esposende Ambiente

Travessa Conde Agrolongo,

n.º 10

4740-245 Esposende

t. 253 969 380

e. geral@esposendeambiente.pt

w. www.esposendeambiente.pt

Etanor/Penha

Monte de Sta. Catarina

4801-911 Guimarães

t. 253 424 280

e. etanor@etanorpenha.com.pt

w. www.etanor.pt

FAGAR - Faro

Rua Prof. Norberto Silva

n.º8

8004-002 Faro

t. 289 860 900

e. mail@fagar.pt

w. www.fagar.pt

Fonte Viva

Centro Emp. Sintra/Estoril - I/J

2710-297 Sintra

t. 219 119 900

e. geral@fonteviva.pt

w. www.fonteviva.pt

Geoaqua

Alameda dos Oceanos 142

1990-502 Lisboa

t. 910 667 602

e. info@geoaqua.pt

w. www.geoaqua.pt

H2 Portugal

R. Manuel Tiago 81

2870-353 Montijo

t. 212 322 766

e. geral@h2 portugal.pt

w. www.h2portugal.pt

Luságua

Av. Marechal Gomes da Costa

33, 1ºA

1800-255 Lisboa

t. 217 928 670

e. geral@lusagua.pt

w. www.lusagua.pt

Penafiel Verde

Rua Abílio Miranda

4560-501 Penafiel

t. 255 710 130

e. geral@penafielverde.pt

w. www.penafielverde.com

QUEM É QUEM NAS ÁGUAS \ GREEN SAVERS \ 2024


46 \\ DIRETÓRIO \\

PWG Portugal

​Estrada Octávio Pato Centro

Empresarial Penedo Park ,

Armazém F14

2785-723 Talaíde

t. 219 108 570

e. pwg@pwgportugal.com

w. www.pwgportugal.com

SIMAR de Loures e Odivelas

Rua Ilha da Madeira, 2

2674-504 Loures

t. 219 848 500

e. geral@simar-louresodivelas.pt

w. www.simar-louresodivelas.pt

SIMARSUL

ETAR da Quinta do Conde

Estrada Nacional 10

2975-403 Quinta do Conde

t. 265 544 000

e. geral.simarsul@adp.pt

w. www.simarsul.adp.pt

SIMAS de Oeiras e Amadora

Av. Dr. Francisco Sá Carneiro, 19

Urb. Moinho das Antas

2784-541 Oeiras

t. 214 460 231

e. mcpaiva@simas-oeiras-amadora.pt

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SIMDOURO

Rua do Ribeirinho, 706

4415-679 Lever - Vila Nova de Gaia

t. 220 109 300

e. geral.simdouro@adp.pt

w. www.simdouro.pt

Sistragua

Rua Principal 76

2100-016 Azervadinha

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SM de Abrantes

Via Industrial 1, Lote 65

2200-480 Abrantes

t. 241 360 120

e. geral@smabrantes.pt

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SM de Alcobaça

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Ed. Paços do Concelho

2450-951 Nazaré

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SM de Setúbal

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n.º 146 e 148 - 2.ºC

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Praceta Ricardo Jorge, 2 - 2A

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SMAS de Caldas da Rainha

Prç. 25 de Abril

Edíficio Paços do Concelho

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SMAS de Leiria

Rua da Cooperativa Nº2

2410-256 Leiria

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SMAS de Mafra

Rua Constância Maria Rodrigues,

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e. smaspeniche@cm-peniche.pt

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2600-221 Vila Franca de Xira

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R. Conselheiro Afonso de Melo

3510-024 Viseu

t. 232 470 670

e. geral@smasviseu.pt

w. www.smasviseu.pt

SMAT de Portalegre

Rua Guilherme Gomes Fernandes,

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7300-186 Portalegre

t. 245 307 401

e. smatp@cm-portalegre.pt

w. www.cm-portalegre.pt

SMEAS de Maia

R. Dr. Carlos Felgueiras

4471-909 Maia

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e. smas-maia@smasmaia.pt

w. www.smasmaia.pt

Tejo Ambiente

Rua Dr. Francisco Sá Carneiro

2940-548 Ourém

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e. geral@tejoambiente.pt

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Tratave

Rua Etar de Serzedelo

4765-543 Serzedelo

t. 252 900 670

e. tratave@tratave.pt

w. www.tratave.pt

TROFÁGUAS

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Polo 2 do Município da Trofa

4785-684 Trofa

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Unicer Águas

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Veolia

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2770-129 Paço de Arcos

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VIMÁGUA

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4810-025 Guimarães

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Watercare - Tratamento De Águas

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