Revista eMOBILIDADE+ Nº 9
A revista eMobilidade + dedica-se, em exclusivo, à mobilidade de pessoas e bens, nos seus vários modos de transporte (rodoviário, ferroviário, aéreo, fluvial e marítimo), conferindo deste modo espaço aos mais proeminentes “stakeholders” do setor, sejam eles indivíduos, empresas, instituições ou entidades académicas.
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www.eurotransporte.pt/mobilidade-mais/
N.º9
janeiro/fevereiro/março | 2025
Diretora: Cátia Mogo
DESCARBONIZARt
OBJETIVOS DE
DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
TRANSPORTES PÚBLICOS E IA
Num contexto em que o transporte
público se encontra em constante
mudança, a Inteligência Artificial
(IA) assume um papel de caráter
revolucionário, ao conceber
sistemas que se distinguem pela
eficiência, segurança e acessibilidade,
colocando-se ao alcance de todos.
COMBATER O ASSÉDIO NA MOBILIDADE
As experiências vivenciadas
em meio urbano são diferentes
para homens e mulheres, e
estatisticamente, as mulheres
sofrem mais assédio, o que pode
resultar numa maior perceção de
insegurança nas deslocações que
têm de realizar.
MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL
As estatísticas que acompanham a
evolução dos padrões de mobilidade
e da sinistralidade rodoviária
mostram que, ano após ano, Portugal
se afasta das metas com as quais
se comprometeu, justificando uma
mudança estrutural no planeamento
das políticas de mobilidade.
REVISTA Nº9
JANEIRO | FEVEREIRO | MARÇO 2025
EDIÇÃO TRIMESTRAL
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CARLOS BRANCO
MOBILIDADE
COM CONGESTIONAMENTOS
E PARADOXOS
Há pouco mais de um mês, a cidade de Nova Iorque começou
a impor aos automobilistas uma tarifa de congestionamento
automóvel, a primeira do género no país. De imediato contestada,
haveria de ser suavizada, tal foi o impacte provocado. E porquê?
Porque a “brincadeira” da portagem pode custar, em hora de
ponta, nove dólares (cerca de 8,70€)? Nem por isso, mas também porque, em
um mês, as autoridades contabilizaram menos um milhão de viaturas na zona
em monitorização (250 mil por semana, o equivalente a 7,5% de redução de
circulação de veículos no Central Business District, o seu coração financeiro, na
ilha de Manhattan. Sendo aquela zona densamente povoada - porventura, por m2
a mais povoada do Estado - a saúde da população agradece. E também porque o
montante da taxa será aplicado para melhorar os sistemas de metro e de autocarros
que servem a cidade.
Singapura foi pioneira em tal medida, seguindo-se-lhe Londres, Estocolmo ou
Milão. Outras grandes urbes ensaiaram o mesmo, mas sem sucesso. Lisboa até a
estudou, mas o documento ficou sempre na gaveta, com a indicação de que tal
medida poderia ter elevados custos políticos associáveis à autarquia. Também se
criaram as Vias de Alta Ocupação (VAO), mas só no Código da Estrada. E chegouse
às ZER (zonas de emissões reduzidas), mas desprovidas de qualquer, mesmo
que mínima, fiscalização sistemática. Proliferam os congestionamentos, há poucos
parques dissuasores nas periferias e os limites de poluição são sistematicamente
ultrapassados, assim nos dizem estações de monitorização da qualidade do ar em
Lisboa.
Em Madrid, desde 2018 que vigora o Plano de Qualidade do Ar e Mudanças
Climáticas e desde 2020 que as viaturas sem o distintivo ambiental não podem
aceder a parqueamento nas zonas restritas. Quer dizer que andam às voltas pela
cidade e que ali não há espaço para permanecer, ficando à mercê das penalidades.
A prioridade é para o transporte público, que a capital espanhola tem em
qualidade - desde 2023 que já não circulam autocarros a diesel na cidade e
acaba de adquirir dez unidades a hidrogénio da CaetanoBus - e em quantidade.
Adiante falamos nisso, e no que está para ser feito, mas que também gera grandes
paradoxos, como o facto de 50% dos madrilenos continuar a optar pela viatura
própria na suas deslocações diárias pendulares (estudo da transportadora pública
de Madrid). É também por isto que se diz que os prazos para a neutralidade
carbónica nos transportes, em 2030, são irreais.
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DIRETORA
Cátia Mogo
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EDITOR EXECUTIVO
Eduardo de Carvalho
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REDAÇÃO
Ana Filipe
Carlos Branco
Márcia Dores
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COLABORADORES
António Macedo, Filipe Carvalho
e Acácio Pires
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PUBLICIDADE
Margarida Nascimento
Rui Garrett
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PAGINAÇÃO
Invesporte
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ASSINATURAS
Fernanda Teixeira
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Registo ERC N.º 127896
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PROPRIEDADE
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INVESPORTE
EDITORA DE PUBLICAÇÕES, LDA
Contribuinte N.º 505 500 086
Edição, Redação e Administração
R. António Albino Machado, 35 G
1600-259 Lisboa
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escrito do Editor. Os artigos assinados
bem como as opiniões expressas são da
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do Conselho Editorial ou do Editor.
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ESTATUTO EDITORIAL:
https://www.eurotransporte.pt/noticia/38/5193/
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REVISTA Nº 9
JAN/FEV/MAR 2025
10
CONGRESSO GLOBAL MOBILITY CALL FEZ A
CHAMADA DE ATENÇÃO
Começa a querer parecer que não são exequíveis os calendários para a mobilidade isenta de emissões de GEE.
22 MOBILIDADE INCLUSIVA
As mulheres caminham mais e utilizam
mais os transportes públicos
do que os homens, enfrentando
diariamente obstáculos como a falta
de paragens de transportes públicos
adequadas, reduzida iluminação
nas ruas ou de segurança. Por Inês
Sarti Pascoal.
24 AS SMART CITIES E OS
DESAFIOS DA MOBILIDADE
URBANA
No campo da mobilidade urbana há
pelo menos três grandes desafios
que podem ser resumidos nestas três
palavras: evitar, substituir e melhorar.
Evitar a realização de viagens ou
reduzir as suas distâncias, substituir
viagens motorizadas por mobilidade
ativa e melhorar a oferta de transporte
público, com uma política de utilização
do espaço e investimentos em
infraestruturas.
28 O EXEMPLO DE PARIS
Quem já lá esteve, ou mesmo quem
viu fotos, terá a imagem de uma Paris
grande, monumental, bonita, com
uma atmosfera meio cinzenta e…
cheia de automóveis. No espaço de
um mandato, a presidente da Câmara
conseguiu, segundo um estudo
do Instituto da Região de Paris já
referente a 2023, que haja já muito
mais viagens dentro da cidade de
bicicleta do que de automóvel. Por
António Gonçalves Pereira.
e a consequente dependência do
automóvel. A opinião de Carlos
Gaivoto.
44 AUTOCARROS CADA VEZ
MAIS VERDES
A Daimler Buses Portugal consolida a
sua posição de liderança no setor de
transporte de passageiros, com o ano de
2024 fechado. A combinação de inovação
tecnológica e sustentabilidade foi
fundamental para a jornada que coloca a
empresa na vanguarda do mercado.
N.º9
janeiro/fevereiro/março | 2025
Diretora: Cátia Mogo
+
4 e-MOBILIDADE
+
40
40 ACESSIBILIDADE
SUSTENTÁVEL E A UETV
Nestes cinquenta anos, a lógica
capitalista da construção de
urbanizações em mancha de
óleo, impôs a dispersão urbana
generalizada no espaço geográfico
da AML, cuja reprodução moldou
o território em “capital fixo” com a
excessiva infraestrutura rodoviária
TRANSPORTES PÚBLICOS E IA
Empresas como a Google, com o
Google Maps, e a Uber, estão
a utilizar a Inteligência Artificial
para prever congestionamentos
e ajustar rotas em tempo real. Tal
não só melhora a experiência dos
passageiros, como também reduz
os custos operacionais das empresas.
DESCARBONIZAR
t
OBJETIVOS DE
DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
COMBATER O ASSÉDIO NA MOBILIDADE
As experiências vivenciadas
em meio urbano são diferentes
para homens e mulheres, e
estatisticamente, as mulheres
sofrem mais assédio, o que pode
resultar numa maior perceção de
insegurança nas deslocações que
têm de realizar.
SUBSCREVA A
MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL
As estatísticas que acompanham a
evolução dos padrões de mobilidade
e da sinistralidade rodoviária
mostram que, ano após ano, Portugal
se afasta das metas com as quais
se comprometeu, justificando uma
mudança estrutural no planeamento
das políticas de mobilidade.
REVISTA DIGITAL
Via Rápida
Acesso Guimard volta à estação de Picoas
A emblemática entrada Guimard da estação Picoas do Metropolitano de
Lisboa, na Rua Andrade Corvo, voltou a ser colocada após um processo
de restauração integral efetuado inteiramente em Portugal. O restauro
envolveu uma colaboração estreita entre o Metropolitano de Lisboa (ML)
e a RATP (Metropolitano de Paris), responsável pelo património histórico
do metro de Paris. Para a realização dos trabalhos de restauro, a estrutura
do acesso Guimard foi cuidadosamente desmontada e retirada entre os
dias 18 e 23 de novembro de 2023. Posteriormente, após a conclusão
dos processos de recuperação e conservação, a reposição da estrutura foi
executada entre 30 de setembro e 23 de novembro de 2024, garantindo a
devolução deste emblemático elemento à sua localização original, com a
dignidade e o esplendor que lhe são devidos.
Grupo Emile Weber adquire 11
autocarros elétricos da Irizar
“A Emile Weber é um cliente importante na história da
eletromobilidade da Irizar, porque foi um dos primeiros
operadores a confiar nas nossas soluções de eletromobilidade
em 2018, quando ainda mal tínhamos
fabricado uma centena de veículos. Estamos muito
gratos por voltarem a depositar a sua confiança em nós.
E esperamos continuar a colaborar e a construir juntos
um mundo melhor durante muitos mais anos”, declarou
Iñigo Etxeberria, diretor-geral da Irizar e-mobility. Os veículos
estarão equipados com baterias Irizar NMC 3.0 de
última geração e cumprirão os mais elevados padrões
de segurança e proteção segundo a nova norma GSR2.
Além disso, terão um desempenho significativamente
melhorado graças a uma nova unidade de tração. O
grupo Voyages Emile Weber é uma das maiores empresas
de transporte de passageiros do Luxemburgo.
Conheça o Curso de Direito da Mobilidade:
tecnologia e regulação
O I Curso de Direito da Mobilidade: Tecnologia e Regulação, promovido e organizado
da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em parceria com a PLMJ, decorrerá
de 28 de fevereiro a 11 de abril, no Auditório da PMLJ, em Lisboa. O objetivo da
formação passa por percorrer os múltiplos problemas jurídicos da mobilidade pública
e privada a partir desta dupla perspetiva jurídica: da regulação tecnológica e dos seus
impactos. A mobilidade é hoje transversal a todos os setores da atividade económica
e assume profundos efeitos sociais, ambientais e económicos com capacidade para
potenciar o investimento, o emprego, a coesão social, a inovação tecnológica e a
valorização territorial. As alterações decorrentes da regulação tecnológica nos sistemas
de mobilidade pública e privada obrigam também a ponderar os impactos que advêm,
neste quadro, dos novos regulamentos europeus em matéria de tratamento de dados,
governação de dados, inteligência artificial, sistemas inteligentes de transportes,
multimodalidade e conectividade, dado que todas estas novas regras se fundam em
novos princípios e conceitos para o setor da mobilidade.
Extensão do Metro à Caparica e Trafaria
abre participação pública
A primeira fase de participação pública do projeto de expansão
do Metro Sul do Tejo (MST) à Costa da Caparica e à Trafaria
começa já nas próximas semanas. A divulgação do projeto
e a recolha de dúvidas e questões são passos essenciais
para o envolvimento das comunidades locais, assegurando
que este projeto de mobilidade sustentável vai ao encontro das necessidades das
pessoas. Esta fase de participação pública surge depois de concluídos os primeiros
estudos do plano de expansão da linha 3 do Metro Sul do Tejo, desenhados
pelo grupo de trabalho constituído pela Transportes Metropolitanos de Lisboa,
pelo Município de Almada e pelo Metropolitano de Lisboa.
Ovnitur amplia frota com viatura Setra ComfortClass S 519 HD
A elevada satisfação dos modelos Tourismo, graças ao conforto, segurança e eficiência
no consumo, levou a Ovnitur a reforçar o investimento, adquirindo mais cinco unidades
que foram entregues no início de 2024. Mantendo o ritmo de crescimento, a Ovnitur,
sediada em Viana do Castelo, encomendou para este ano seis novos veículos, incluindo
um Setra 519 HD, cuja entrega foi concluída no final de janeiro. A Setra ComfortClass adquirida
pela Ovnitur é a 13.ª a circular nas estradas portuguesas desde 2023. Este modelo
destaca-se pela aerodinâmica otimizada, concebida especialmente para a rentabilidade
no transporte de longa distância. O motor, que cumpre a mais recente norma de emissões
Euro VI Stage E, proporciona um desempenho ecológico exemplar. Além disso, tecnologias
inovadoras permitem alcançar uma poupança de combustível de cerca de 4,5% na
ComfortClass em comparação com os modelos anteriores.
6 e-MOBILIDADE
HIDROGÉNIO
PRF Gas Solutions apresenta
HYKE
Módulo de Transporte
de Hidrogénio
A empresa é um dos principais fornecedores de serviços de tecnologia, engenharia, construção, operação
e manutenção no setor do gás combustível. Com um historial que abrange mais de três décadas,
destaca-se no fornecimento de soluções inovadoras para redes de transporte, distribuição e utilização,
bem como na liderança de projetos de energias renováveis e outros projetos relacionados.
A
PRF Gas Solutions, líder
em tecnologia, engenharia
e construção para o setor
dos gases combustíveis,
tem o prazer de anunciar
o lançamento do HYKE, um inovador
módulo de transporte de hidrogénio
concebido para redefinir o transporte
e a distribuição da energia
do hidrogénio.
HYKE combina tecnologia de ponta
com um design robusto para
proporcionar um desempenho excecional.
» As principais caraterísticas incluem:
• Opções de pressão operacional: 300
bar, 380 bar e 500 bar para diferentes
necessidades;
• Cilindros Tipo IV: Permitindo armazenamento
de alta capacidade e peso de
transporte reduzido;
• Normas de segurança certificadas:
Totalmente em conformidade com os
regulamentos ADR e ISO;
• Design modular e adaptável: Adaptado
para estações de reabastecimento,
aplicações industriais e muito mais.
“Na PRF, estamos empenhados em desenvolver
soluções de energia sustentável”,
disse Bruno Faustino, Gestor
de Produto Hidrogénio.
“O HYKE reflete a nossa dedicação
em criar sistemas seguros, eficientes
e amigos do ambiente para a economia
do hidrogénio.”
O HYKE está agora disponível
para os mercados globais, oferecendo
uma plataforma versátil e eficiente
para a logística do hidrogénio.
8 e-MOBILIDADE
TEMA DE CAPA
Descarbonizar até 2050
tende a ser irrealista
Objetivos de Desenvolvimento
Em Madrid, o Congresso anual da Global Mobility Call
voltou a pedir a Governos, empresas e agentes envolvidos
no desenho da mobilidade e da descarbonização que
redobrem esforços e colaborações para um futuro
mais sustentável. Também ali se conheceu um caso
paradigmático: conhecida a excelência das redes
de transportes públicos de Madrid (Metro e bus),
a contradição 50% dos madrilenos optarem pela viatura
própria na suas deslocações diárias.
Que fazer? Impor mais restrições à circulação, taxar
o acesso aos grandes centros e tornar gratuita
a utilização dos transportes públicos?
10 e-MOBILIDADE
e-MOBILIDADE 11
TEMA DE CAPA
Descarbonizar até 2050
O
Congresso da Mobilidade
Sustentável Global
Mobility Call, realizado
em Madrid, finalizou a
terceira edição com a
sensação de que alguns dos Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável, e nomeadamente
o da mobilidade isenta de
emissão de gases com efeito de estufa
(GEE), não serão atingidos na data estabelecida
pelos políticos europeus, esta
em 2030, a sociedade em si mesma,
atingindo a neutralidade carbónica em
2050.
Os transportes rodoviários terrestres
são os segundos maiores contribuidores
daqueles GEE, antecedidos pelo setor
da produção de energia. E o cenário
dito de difícil realização é conferido
pela constatação de que a transferência
modal não está a ser feita a velocidade
considerada, no mínimo, razoável e
que a transição energética das viaturas
particulares para a energia elétrica está
a ser demasiado lenta.
Parte da realidade europeia, pela amostra
dada no GMC, através do modelo de
descarbonização espanhol, coloca a nú
debilidades e grandes vulnerabilidades
e mostra como todo o processo pode
ser colocado em causa, ou não exequível
na data-chave. Há quem lhe chame
de cenário irrealista. Ou então é descrito
por atores demasiado céticos, mas
sendo tantos, e ainda por cima altos
responsáveis de instituições públicas,
mas também privadas, e académicos,
há que os levar em consideração.
Alguns exemplos que atestam a dificuldade
para exercer o Plano Nacional
Integrado de Energia e Clima de
Espanha, foram revelados no Congresso.
Assentando, como na maioria
dos países europeus, em três grandes
pilares - transferência modal, redução
de emissões e eletrificação -, a estratégia
espanhola passa por eletrificar toda
a frota pública de transportes públicos
até 2030, o que seria um importante
contributo para descarbonizar a
sociedade até 2050. Mas tal processo
tem um custo absurdo: seriam necessários
14,3 mil milhões de euros, na
medida de renovação de 1300 autocarros
por ano. Outro óbice detetado:
a incapacidade de quem os produz de
realizar entregas de tal volume... Parte
da solução apontada: os privados têm
que colaborar no processo, ainda que
com ajuda de fundos públicos, como
incentivos à eletrificação das frotas.
RESTRIÇÕES À CIRCULAÇÃO?
Voltou a ser aflorada a questão da
excelência das redes de transportes
públicos de Madrid, o que entra em
contradição com o facto de 50% dos
madrilenos optarem pela viatura própria
na suas deslocações diárias. Ora,
contra este facto há poucos argumentos.
A não ser... impor mais restrições
à circulação, taxar o acesso aos grandes
centros e tornar gratuita a utilização
dos transportes públicos, cujas redes
devem ser ampliadas em 40%. Mais:
evitar a ‘mobilidade obrigada’ nos dias
de semana, reforçando a vertente de
teletrabalho e outras formas de trabalho
remoto, e promover vias de elevada
ocupação (dois ou mais passageiros por
viatura), o uso de viaturas partilhadas e
os modos suaves.
São necessárias infraestruturas de qualidade,
em vias segregadas do trânsito
particular, para que o transporte público
seja mais competitivo que aque-
A estratégia espanhola
passa por eletrificar
toda a frota pública
de transportes públicos
até 2030
12 e-MOBILIDADE
le, que seja mais barato ou gratuito,
previsível, fiável, e que os sistemas de
bilhética e de informação sejam digitalizados.
BATERIAS GERAM RECEIO
Em outra sessão foram examinadas as
lições aprendidas com iniciativas
privadas e com investimentos feitos
através de parcerias público-privadas, e
se já se ficou a saber que Espanha está
atrasada na transição para o carro elétrico
- necessitando de expandir a rede
de pontos de carregamento, foi dito
por Pierre-Yves Sache, vice-presidente
executivo de Mobilidade & Novo Comércio
da MOEVE, que “em Espanha
ainda há medo de ficar sem energia da
bateria, por isso o número de pontos de
PARTE DA SOLUÇÃO
APRESENTADA:
Os privados têm que colaborar
no processo, ainda que com
ajuda de fundos públicos,
como incentivos à
eletrificação das frotas
“Se não descarbonizarmos
dificilmente cresceremos”
Oscar Puente Santiago, ministro espanhol dos
Transportes e da Mobilidade Sustentável lançou ao
Congresso um desafio, segundo o qual
“a descarbonização e o crescimento económico
terão que andar a par, caso contrário, “o clima será
mais uma ameaça à própria democracia.” Aquele
governante não admite que se possa descarbonizar
a sociedade à custa do desenvolvimento económico,
comprometendo-o, e às empresas. “Não podemos
pedir que se descarbonizem as frotas comerciais
deixando às empresas um encargo pesado. É preciso
crescer, todos juntos, em paralelo. Não podemos
pedir à aviação que faça menos voos sem usar o
combustível sustentável, que atualmente é mais caro.
O crescimento económico tem que ser uma realidade
e sustentável.”
Recorde de afluência
Mais de 10.000 profissionais (8.000 presenciais e
2.000 online) constituíram-se em afluência recorde
ao evento sobre mobilidade sustentável organizado
pela IFEMA MADRID e Smobhub, em formato de
Congresso e Expo que reuniu cerca de 450 líderes
de opinião e influentes especialistas nacionais e
internacionais num total de 115 mesas redondas
e keynote speechs, observados por mais de 230
jornalistas credenciados. As sessões mergulharam
nas últimas tendências, projetos e soluções para
fortalecer e acelerar a transformação que as empresas
e instituições estão a realiza.
e-MOBILIDADE 13
TEMA DE CAPA
Descarbonizar até 2050
carregamento deve ser multiplicado.
Outra realidade, na Noruega foi descrita
por Sampo Hietanen, proprietário
da Aspectu Oy, citando o exemplo do
sistema de fortes incentivos à compra e
uso generalizado de veículos elétricos e
que mantém o mercado em funcionamento.
Na sua opinião, a mobilidade
é um enorme ecossistema, por isso é
necessária liderança política e há bons
exemplos disto na Europa.
Maya Ben Dror, cofundadora da Coo
Complexchaos, destacou a China, que
tem uma maneira diferente de gerir a
sua transição e fá-lo de uma forma muito
bem coordenada. O consumidor está
mais envolvido com a tecnologia e os
chineses estão a adaptar-se muito bem.
Já Roger Atkins, fundador da Electric
Vehicles Outlook, a realidade é que os
veículos elétricos no mercado têm sido
vendidos a preços elevados, liderados
pela BMW ou Tesla, mas a chegada de
carros mais baratos de outras marcas,
como a Renault, por exemplo, pode
mudar este estado de coisas.
Porém, Atkins aliviou o ambiente com
um cenário mais otimista: “Em 2023,
um em cada cinco carros vendidos
globalmente era elétrico, enquanto as
entregas no primeiro trimestre deste
ano ultrapassaram todas as entregas
anuais de há quatro anos e espera-se
que as vendas totais do ano rondem os
17 milhões.”
CARROS MAIS BARATOS
A mobilidade é um
enorme ecossistema,
por isso é necessária
liderança política
dos trabalhem em conjunto. Também
foi valorizado o facto de que os subsídios
para começar essa transição estão
no caminho certo e todos concordaram
que os preços se tornarão gradualmente
mais acessíveis, tanto das viaturas
particulares como para os autocarros de
transporte coletivo.
AVIÕES ELÉTRICOS OU A H2 LONGE
DO ATLÂNTICO
Juan Cierco, diretor corporativo da Iberia,
destacou que não será possível
cruzar o oceano Atlântico em aeronave
A corroborá-lo, Jorge Muñoz, responsável
pela Mobilidade Inteligente na
Iberdrola, disse que o próximo ano será
de transição para os carros elétricos,
graças a novos modelos que serão mais
baratos e, a partir de 2026, espera-se
que o mercado se relance e comece a
crescer muito fortemente. Esta empresa
já construiu 8000 pontos de carregamento,
revelando que está a realizar
mais investimentos para se antecipar à
procura.
Já a diretora-geral de Transporte
Rodoviário e Ferroviário, Roser Obrer
Marco, destacou que o clima é favorável
para que os diferentes atores envolvielétrica
ou de combustão de hidrogénio
no curto prazo e que a descarbonização
terá que ser alcançada tornando o combustível
de aviação sustentável (SAF)
mais barato.
O SAF é "a única ferramenta concreta"
para cumprir as metas de emissões
líquidas zero em 2050, pois reduz as
emissões de dióxido de carbono (CO2)
em 80% e até 100% quando o SAF
sintético, um combustível que está
atualmente em desenvolvimento, puder
ser usado.
Outros atores da cadeia de valor da
aviação comercial também participaram
do evento, pedindo maior proximidade
com os governantes nessa discussão, a
fim de acelerar a produção de SAF, que
custa de quatro a cinco vezes mais que
os combustíveis fósseis.
SOLUÇÕES DIGITAIS
E INTEROPERÁVEIS
A Indra apresentou as últimas inovações
que incorporou na sua plataforma
In-Mova Traffic para gestão de tráfego
e infraestruturas, como nuvem, IA ou
14 e-MOBILIDADE
tecnologia C-ITS para carros conectados,
já implementada em países como
Estados Unidos, Austrália, Reino Unido
e Irlanda. E em Espanha está a desenvolver
um projeto pioneiro à escala
global para a Direção Geral de Trânsito.
Um sistema dinâmico de portagens de
fluxo livre que melhora o tráfego em
estradas de alta ocupação ou no acesso
às cidades e está a ser implementado
em diferentes rodovias nos EUA, país
que optou pelo sistema de Deteção Automática
de Veículos de Alta Ocupação
(DAVAO) da Indra, com inteligência
artificial e deep learning, que permite
a deteção automática, em tempo real,
do tipo de veículo que circula em uma
via, bem como dos ocupantes, para dar
prioridade e promover o uso de veículos
de alta ocupação e baixa emissão.
O FUTURO DOS ROBOTÁXIS
A Waymo, subsidiária robotáxi da
Google que opera em várias cidades
dos EUA, faz 150.000 viagens diárias e
percorre 1,6 milhões de quilómetros, e
forneceu a sua primeira viagem sem
condutor em 2015. Opera nas cidades
americanas de São Francisco, Los
Angeles, Phoenix e Austin e em breve
também o fará em Atlanta. Em Austin e
Atlanta, os serviços são requeridos pelo
aplicativo Uber. Nos primeiros 40
milhões de quilómetros percorridos
apenas com passageiros sem motorista,
houve 81% menos acidentes. Da mesma
forma, houve 72% menos acidentes
com ferimentos e 57% menos acidentes
relatados pela polícia, detalhou a empresa.
Com 100% menos reclamações
de lesões corporais e 76% menos reclamações
de danos materiais, a resseguradora
Swiss Re concluiu que a Waymo é
"significativamente mais segura do que
os veículos dirigidos por humanos",
disse. Sem segurança, os veículos autónomos
não têm sentido, e a prioridade
da Waymo é garantir uma experiência
de viagem segura para quem entra e sai
de seus veículos.
e-MOBILIDADE 15
TEMA DE CAPA
Descarbonizar até 2050
Uma revolução
(sustentável)
em Madrid
O
alcaide de Madrid, Jose Luis
Martinez-Almeida, anunciou-
-o como uma grande agenda
para a mobilidade mais sustentável na
capital espanhola, para, e a partir dos
centros urbanos em seu redor, que
será assente numa política de reforço
dos transportes público sem recurso a
combustíveis fósseis. Disse o autarca
que Madrid conta de momento com
13,5 milhões de deslocações diárias
pendulares, somando já no corrente
ano 470 milhões de viagens feitas
pela empresa municipal de transportes,
valores que constituem um novo
recorde e que impõem a assunção de
outras medidas.
Entre estas, destacou a gratuitidade
do transporte público urbano num
futuro muito próximo e a total eletrificação
de 34 das linhas de autocarros,
numa frota que conta com 2000
viaturas, sendo parte deste contingente
passará a ser movida a hidrogénio
(ver outro texto). Jose Almeida
destacou também que a autarquia
dispõe de 80 milhões de euros para
subsidiar a renovação de equipamentos
de transportes privados, acima de
tudo táxis e frotas que se dedicam à
logística urbana.
Para o efeito, já foi inaugurada uma
estação de carregamento de hidrogénio,
que também é a primeira estação
de hidrogénio pública e de propriedade
pública na Europa. “E para...
uma empresa pública”, destacou o
presidente da câmara, que também
enalteceu o facto de Madrid ser “a
primeira cidade da Europa, a primeira
grande capital da Europa onde nenhum
autocarro a diesel circula desde
1 de janeiro de 2023.”
CANAIS PARA AUTOCARROS
Os constantes congestionamentos
na cidade, mas particularmente nos
acessos a esta, são motivos mais que
suficientes para fazer enterrar algumas
das principais vias (duas delas, a M5 e
M30), proporcionando a libertação de
80 mil m2 para zonas verdes de fruição
para os residentes. Tal desocupação
de espaço também proporcionará, à
superfície, a reserva de canais exclusivos
para autocarros. “Esta é a estratégia
estratégia de sustentabilidade ambiental
que denominamos Madrid 360, que visa
também entender a mobilidade como
um elemento determinante da política
de sustentabilidade que tínhamos nesta
cidade, que era a qualidade do ar e,
portanto, da geração de um sistema
de alternativas que permitisse que o
uso do veículo privado pudesse ser
reduzido não apenas por restrições
de circulação, mas porque existe um
conjunto de alternativas que tornam
mais barato, em tempo e dinheiro para
os usuários se moverem por uma cidade
como Madrid”, disse o alcaide, que
enfatizou e rematou: “Madrid tem um
compromisso com a sustentabilidade.”
AUTOMAÇÃO DE LINHAS DE METRO
Segundo o presidente da Empresa
Municipal de Transportes (EMT),
Alfonso Sánchez, a empresa está
preparada para inovar e incrementar a
rede noturna de autocarros urbanos,
criando uma linha circular e outras
que já foram ou serão prolongadas
na distância a percorrer. “Assim
possibilitamos que mais cidadãos
possam movimentar-se mais
livremente à noite, quer vão em
trabalho, ou simplesmente em lazer.”
O mesmo responsável adiantou
que já está em funcionamento
uma estação com 260 pontos de
carregamento elétrico, e que outras
60 serão inaugurados até ao final
do ano, fazendo de tal estação uma
das maiores da Europa. E que o
hidrogénio que servirá várias linhas
será produzido inteiramente com
energia solar captada pela companhia.
16 e-MOBILIDADE
CaetanoBus vendeu
dez City Gold H2
à EMT Madrid
No que respeita ao Metropolitano,
como dizem alguns peritos em
transportes sustentáveis, Madrid vai à
frente do pelotão. Como disse Ignacio
Vázquez, CEO da transportadora, já
se estão a criar as fundações do Metro
do futuro, que “será mais eficiente,
mais flexível, com maior capacidade
e sustentabilidade”. A materialização
deste propósito ocorrerá com a
automação de linhas, que já envolveu
a aquisição de 80 novos comboios
e que irão operar sem condutor nas
linhas 1 e 6. Para que este sistema
funcione sem incidentes, a companhia
já está a preparar a colocação de
portas nas plataformas.
A encomenda
reforça a parceria
da CaetanoBus
com operadores de
autocarros relevantes
na área do hidrogénio
O
operador de transportes
públicos da capital espanhola,
EMT Madrid, já apresentou
os seus mais recentes autocarros
elétricos movidos a hidrogénio
da CaetanoBus. Trata-de de dez
unidades do modelo City Gold H2,
reforçando a posição da Caetano-
Bus como pioneira tecnológica em
Espanha e na Europa, onde já vendeu
mais de 200
unidades para
várias cidades,
mas principalmente
na Alemanha,
Espanha,
França, Portugal,
Itália, e também
na Áustria.
A encomenda
reforça a parceria
da CaetanoBus
com operadores
de autocarros
relevantes na
área do hidrogénio.
Na ocasião, a EMT mostrou
os novos veículos junto da fábrica
de hidrogénio verde construída
no Centro de Operações da EMT
Madrid em Entrevías, com o objetivo
de abastecer a frota de transportes
públicos da EMT e que é a primeira
infraestrutura pública de hidrogénio
verde numa capital europeia. Ela
é capaz de abastecer cada autocarro
em menos de 15 minutos
com hidrogénio
verde produzido no
local através de um
eletrólito PEN capaz
de produzir 18 kg/h.
Estes autocarros da
CaetanoBus permitirão
também uma
operação contínua de
20 horas por dia. O
objetivo é que toda
a frota EMT opere
com zero emissões até
2030.
e-MOBILIDADE 17
APRESENTAÇÃO
Segway-Ninebot
Segway apresenta
NOVA GERAÇÃO
DE TROTINETES ELÉTRICAS
A Segway-Ninebot, que tem mais de 13 milhões de trotinetes elétricas (eKickScooters) vendidas em todo
o mundo e é reconhecida como a marca n.º 1 global neste produto, apresenta uma nova gama com sete
modelos, com opções que vão da gama média à premium.
Tendo por base o já impressionante
conjunto de tecnologia
inteligente e segura da Segway,
os novos modelos incluem:
o sistema de melhoria de
estabilidade SegRide, a tecnologia
de otimização de alcance SegRange,
notificações de navegação e de chamadas
no novo ecrã TFT, o sistema de desbloqueio
de proximidade mãos-livres Segway
AirLock, o Controlo Dinâmico de Tração
Segway (SDTC), o Sistema de Travagem
Antibloqueio Segway (S-ABS), faróis automáticos,
um Sistema de Gestão de Bateria
melhorado (BMS 2.0) e a Segway Mobi-
Série GT3
lity, uma nova versão da antiga aplicação
Segway-Ninebot.
SÉRIE GT3
Para substituir as lendárias gamas GT2
P e GT1 E, as novíssimas SuperScooters
Segway GT3 Pro e GT3 E materializam o
máximo desempenho:
GT3 Pro – No topo da gama, é líder com
aceleração de 0 a 48km/h em apenas
3.9 segundos, velocidade máxima de
80km/h e autonomia de até 138km (a
25 km/h) com uma única carga, graças
18 e-MOBILIDADE
O modelo estrela
da série Ninebot
da Segway,
a nova MAX G3 E,
marca uma referência
para as trotinetes
elétricas mais
modernas.
à sua potência de 7.000W (dois motores
de 3.500W) e bateria de 2.160Wh. Esta
potência é controlada por travões de disco
hidráulicos de dois pistões com rotores
de alto desempenho e S-ABS. A tração às
duas rodas do veículo, a suspensão dianteira
hidráulica ajustável e as suspensões
traseiras de braço oscilante trabalham em
conjunto para manter os largos pneus auto-reparáveis
de 11 polegadas firmemente
no chão. A GT3 Pro estará disponível no
segundo trimestre de 2025.
GT3 E – Oferecendo viagens emocionantes
a um preço mais acessível, conta com
um motor de 2.400 W que proporciona
uma forte aceleração. A sua bateria de
899Wh permite uma autonomia de até
95km. Tem também travões de disco
dianteiros e traseiros, e a suspensão
hidráulica dianteira suaviza o processo,
juntamente com uma suspensão hidráulica
traseira com braço hidráulico. Estará
disponível no primeiro trimestre de 2025.
Ambos os modelos partilham múltiplas
funções inteligentes em tempo real,
incluindo: navegação[4], velocidade,
autonomia restante, estatísticas de viagem,
notificações de chamadas recebidas e
muito mais, todas elas apresentadas num
ecrã TFT a cores de 2.4 polegadas que
permanece visível de diferentes ângulos,
mesmo sob luz solar direta.
NINEBOT MAX G3 E
O modelo estrela da série Ninebot da
Segway, a nova MAX G3 E, marca uma
referência para as trotinetes elétricas mais
modernas. A Ninebot MAX G3 E eleva a
experiência de condução quotidiana, dando
prioridade ao conforto e combinando
tecnologia e desempenho num único
produto otimizado. Ultrapassa o modelo
que a antecede (a MAX G2 E, campeã de
vendas) com mais autonomia (80km) e
uma aceleração mais rápida, graças à sua
potência máxima de 2.000W.
A MAX G3 E apresenta a condução mais
suave da série Ninebot graças aos pneus
auto-reparáveis de 11 polegadas, e às
suspensões hidráulicas duplas ajustáveis
dianteiras e traseiras combinadas com
o sistema de melhoria de estabilidade
SegRide. Com a sua avançada tecnologia
FlashCharge, a MAX G3 E pode
ser totalmente carregada em apenas 3.5
e-MOBILIDADE 19
APRESENTAÇÃO
Segway-Ninebot
horas, e até em 2 horas quando se utiliza
um carregador DC (vendido de forma
separada).
Tal como a série GT3, a Ninebot MAX
G3 E inclui o novo ecrã TFT inteligente
que fornece informações essenciais aos
condutores, como a autonomia restante,
os modos de condução, o estado de
carregamento e muito mais. Quando
emparelhada com um smartphone,
também apresenta novas funcionalidades
interessantes, como notificações de navegação
e de chamadas, disponíveis através
da aplicação Segway Mobility. Para além
disso, a Ninebot MAX G3 E oferece a conveniência
de desbloqueio remoto através
do Segway AirLock e pode ser localizada
através do Apple Find My. O modelo
também possui um sistema de iluminação
atualizado com um farol automático que é
três vezes mais brilhante do que antes.
A Ninebot MAX G3 E estará disponível
no primeiro semestre de 2025.
NINEBOT F3 E F3 PRO E
O motor da Ninebot F3 E e da F3 Pro
E oferece a potência necessária para
conquistar facilmente qualquer terreno
urbano. Concebidas para deslocações
confortáveis, possuem suspensões hidráulicas
dianteiras e traseiras de elastómero,
um estribo maior e geometria e ergonomia
SegRide para maior estabilidade.
Ninebot F3
F3 PRO
Ambos os modelos são capazes de percorrer
até 70 km antes de precisarem de ser
carregados, graças à capacidade da bateria
de 477Wh.
Os modelos Ninebot F3 estão equipados
com tecnologias que garantem uma
experiência de utilizador conectada
e conveniente, combinando funções
práticas como notificações de navegação
e de chamadas apresentadas no ecrã TFT
inteligente com funcionalidades de segurança,
como o sistema AirLock e o Apple
Find My. A F3 E e a F3 Pro E vão estar
disponíveis a partir do final do primeiro
trimestre de 2025.
GT3 E
NINEBOT E3 E E3 PRO E
As Ninebot E3 E e E3 Pro E estão
equipadas com um motor com potência
máxima de 800W que, combinado com
as suspensões dianteira e traseira, proporciona
viagens citadinas confortáveis.
Oferece uma excelente experiência de
condução, graças ao Sistema de Melhoria
de Estabilidade SegRide que funciona
em conjunto com o Sistema de Controlo
de Tração. Ambos os modelos são fáceis
de transportar para qualquer lugar, graças
a um quadro de magnésio mais leve e a
um prático e compacto mecanismo de
dobragem.
Ambos os modelos vão estar disponíveis a
partir do segundo trimestre de 2025.
20 e-MOBILIDADE
MOBILIDADE INCLUSIVA
A (in)segurança das mulheres
na mobilidade
As mulheres caminham mais e utilizam mais os transportes públicos
do que os homens, enfrentando diariamente obstáculos como a falta
de paragens de transportes públicos adequadas, reduzida iluminação
nas ruas ou de segurança.
A
segurança no espaço
público pode ser abordada
na dimensão rodoviária, em
termos de atropelamentos
sofridos por veículos
automóveis, ou na dimensão pessoal,
incluindo questões de roubos ou
assédio. Pode também ser abordada na
dimensão objectiva, quando há efectiva
ocorrência de crimes, ou de forma
subjectiva, que consiste no medo do
crime. Independentemente do caso, a
percepção de insegurança tem um efeito
negativo na adopção de modos activos
de deslocação, influenciando a escolha
dos meios de transporte utilizados, assim
como as rotas, horários, e até a escolha
do vestuário.
As experiências vivenciadas em meio
urbano são diferentes para homens e
mulheres, e estatisticamente, as mulheres
sofrem mais assédio, o que pode resultar
numa maior percepção de insegurança
nas deslocações que têm de realizar.
O assédio sexual em espaço público e
nos transportes é um problema grave,
ainda pouco debatido aquando do
planeamento urbano. Como as políticas
de mobilidade não têm considerado
as necessidades das mulheres, são
geradas cidades com mobilidade e
urbanismo pouco inclusivos. Garantir
a segurança das mulheres no espaço
público e nos transportes públicos é,
então, fundamental para acelerar a
mudança modal rumo a uma mobilidade
sustentável.
MAS EXISTE ASSÉDIO NOS
TRANSPORTES?
Os transportes públicos podem
desempenhar um papel importante
na inclusão social e na equidade,
proporcionando acesso a oportunidades
sociais, políticas e económicas. No
entanto, cada vez mais evidências
apontam o assédio e a violência de
género, como barreiras importantes às
deslocações das mulheres em transporte
público, o que levanta questões sobre a
justiça nos transportes.
Desde piropos, assédio, insultos,
violência física, muitas mulheres
experimentam o espaço público através
deste prisma. (ver quadro)
Um estudo em Santiago do Chile,
explorou a violência e o assédio com
base no género, experienciados no
acesso, à saída e durante a utilização
dos transportes públicos. Os resultados
revelam que quase metade das
pessoas inquiridas relataram já ter tido
INÊS SARTI PASCOAL
Doutoranda em geografia e planeamento
territorial
experiências pessoais de assédio, das
quais 11% tiveram uma experiência,
17% tiveram duas a três experiências
e 18% tiveram mais de quatro. Neste,
66% de homens e 42% de mulheres
revela nunca ter passado por situações
de assédio, enquanto 6% dos homens
e 18% das mulheres reporta mais
de 5 situações de assédio. Para além
do factor género associado ao maior
risco de sofrer assédio, como mostram
os dados, foi também notada maior
prevalência em pessoas mais jovens (e
que por isso estão mais dependentes do
transporte público), pessoas que utilizam
o transporte de forma mais frequente,
pessoas com menores rendimentos e que
vivem mais longe do centro da cidade,
onde também as paragens de transportes
são localizadas em regiões com baixo
22 e-MOBILIDADE
rendimento per capita 1 .
Em Bogotá, oito em cada 10 mulheres
referem que já sofreram situações de
assédio nos transportes colectivos e no
espaço público 2 . No Brasil, 97% das
mulheres já sofreram assédio sexual,
sendo o transporte público o local
em que as mulheres se sentem mais
vulneráveis a sofrer assédio (46%),
seguido da rua (24%) 3 . Em França,
100% das mulheres refere já ter sido
vítima de assédio nos transportes
públicos 4 . Em Londres, quase duas vezes
mais mulheres do que homens se sentem
inseguras ao usar o transporte público 5 .
Em Lisboa, o transporte público é o
segundo local mais mencionado para
a violência sexual contra mulheres –
onde 36,4% das mulheres relatam já ter
tido situações de assédio ou violência,
enquanto homens foram 4,9%. Neste
estudo foi apurado que 4,2% das
mulheres terão evitado uma ou mais
viagens em determinada semana por
receio de assédio 6 .
De notar que nos casos de agressão
sexual contra mulheres, culturalmente a
culpa costuma ser atribuída às vítimas,
justificando a sua escolha de roupa
ou a presença em determinado lugar.
Para contrariar este paradigma, será
necessária uma nova dinâmica cultural,
identificando soluções que sejam sociais
e criativas.
vezes e passem a ser mais transportadas
por cuidadores, resultando numa
eventual perda de autonomia nas suas
deslocações.
COMO COMBATER O ASSÉDIO NA
MOBILIDADE?
Para combater o assédio, o Fórum
Internacional de Transportes destaca
a importância dos programas de
formação, campanhas de sensibilização
pública, colaboração entre as partes
interessadas e tecnologias que podem
apoiar na redução das situações de
assédio e na operação de sistemas de
transporte público seguros. Algumas
medidas sugeridas passam por melhorar
QUADRO
o design e as infraestruturas do espaço
público, tornando, por exemplo, as
paragens de transportes públicos mais
seguras, implementar medidas de
segurança como câmeras de vigilância,
desenvolver ferramentas de denúncia
como SMS, botões de pânico, aplicações
ou linhas directas, e realizar campanhas
educativas para a comunidade, quer para
utilizadores dos transportes, como para
os trabalhadores na área da mobilidade.
A integração de uma perspetiva de
género no planeamento da mobilidade,
dos transportes e do urbanismo é
essencial para ter cidades mais inclusivas,
com maior equidade.
DESIGUALDADES NA UTILIZAÇÃO
DO ESPAÇO PÚBLICO
As diferentes necessidades consoante
o género e a desigualdade no acesso ao
espaço público parecem iniciar logo
desde crianças. Em 2021, foi feito um
estudo na Holanda 7 , de observação das
crianças e jovens que se encontravam
a brincar em espaços públicos. Neste,
constatou-se que 2/3 das crianças a
brincar em espaço público eram rapazes,
e apenas 1/3 eram raparigas, havendo
uma diferença relacionada com género e
idade, sendo mais evidente quanto maior
a idade. De facto, é na adolescência
que as raparigas começam a vivenciar
assédio sexual na rua, levando a que
possivelmente passem a utilizá-lo menos
1. Uncovering gender-based violence and harassment in public transport: Lessons for spatial and transport justice.
2. Cycling Assessment: A tool to inform policymakers and enhance the cyclist’s travel experience, with a gender perspective
3. Gênero e cidades: Guia prático e interseccional para cidades mais inclusivas. Banco Interamericano de Desenvolvimento
4. Les femmes et la pratique du vélo
5. A Feminist European Green Deal. Towards an Ecological and Gender Just Transition.
6. Transit Crime and Sexual Violence in Cities. Lisbon, Portugal.
7. Playing outside: who, where and what?
e-MOBILIDADE 23
SUSTENTABILIDADE
Smart Cities
e os Desafios
da Mobilidade Urbana
Uma cidade inteligente é, antes de mais, uma cidade que tem como prioridade a otimização do uso dos recursos, a inclusão
social, económica e digital, a desburocratização e a capacidade de inovação e de mudança disruptiva.
Sempre que ouvimos a expressão
"Cidades Inteligentes",
a nossa imaginação viaja
para robôs a limpar as ruas,
sensores super sofisticados
a recolher dados e imagens, drones a
sobrevoar as nossas cabeças a efetuar
entregas ou a transportar passageiros.
Embora esse cenário futurista possa
fazer parte daquilo a que chamamos de
cidade inteligente, não será nunca essa a
sua essência.
Uma cidade inteligente é, antes de mais,
uma cidade que tem como centro das
suas políticas a otimização do uso dos
recursos, a inclusão social, económica
e digital, a desburocratização e a capacidade
de ser inovadora e disruptiva.
Tudo pode acontecer com o uso da
tecnologia, mas também podem ser
aplicadas soluções simples e pouco
onerosas.
No campo da mobilidade urbana, há
pelo menos três grandes desafios que
podem ser resumidos nestas três palavras:
evitar, substituir e melhorar. Evitar
a realização de viagens ou reduzir as
suas distâncias, substituir viagens motorizadas
por mobilidade ativa e melhorar
a oferta de transporte público, com uma
política de utilização do espaço e investimentos
em infraestruturas.
COMO PODE UMA CIDADE
INTELIGENTE REALIZAR ESSAS
TRÊS AÇÕES E ALCANÇAR UMA
MOBILIDADE MAIS SUSTENTÁVEL,
SEGURA E INCLUSIVA?
As cidades inteligentes focam-se em
promover um novo desenvolvimento
urbano que replique as centralidades
económicas em diversas áreas,
diminuindo a necessidade de
deslocação, uma vez que as pessoas
terão a oportunidade de encontrar
empregos mais próximos das suas
zonas de residência ou em regiões
muito mais próximas, evitando as
grandes deslocações que, em geral, são
necessárias com o desenho atual das
cidades. Esta é a solução mais eficiente
para uma mobilidade sustentável.
Depois disso, as cidades inteligentes
promovem a mobilidade ativa. Criam
infraestruturas e desenvolvem soluções
destinadas a incrementar percursos a pé
e a promover a utilização da bicicleta.
Não há nada menos inteligente
do que cuidar apenas das estradas
destinadas à circulação de veículos
motorizados. A título de exemplo,
Paris redesenhou as ruas mais centrais
para os pedestres e para as bicicletas,
24 e-MOBILIDADE
NO CAMPO DA
MOBILIDADE URBANA,
HÁ PELO MENOS TRÊS
GRANDES DESAFIOS QUE
PODEM SER RESUMIDOS
NESTAS TRÊS PALAVRAS:
EVITAR, SUBSTITUIR E
MELHORAR.
e-MOBILIDADE 25
SUSTENTABILIDADE
Smart Cities
além de ter implementado outras
políticas de incentivo à mobilidade
ativa. Rapidamente se assistiu a uma
explosão de novos ciclistas que viajam
sem emissões de gases poluentes, sem
causar barulho e praticamente sem
colocar em risco a segurança. O que
poderia ser mais inteligente?
Por fim, a prioridade deve ser dada
ao transporte público, que, depois
da mobilidade ativa, é o modo de
transporte mais sustentável, inclusivo e
seguro. Um autocarro pode transportar
quase 80 passageiros. Priorizar o
transporte público numa cidade
inteligente significa garantir espaços
exclusivos. Idealmente, deveria haver
a construção de mais corredores de
autocarros, de modo a praticamente
eliminar ou minimizar a interferência
dos congestionamentos na operação
dos transportes coletivos. Fica uma
dica: a implantação de faixas exclusivas
não exige investimentos avultados,
sendo apenas necessária tinta para a
sinalização horizontal, placas para a
sinalização vertical e um sistema de
fiscalização eficiente.
Também é importante implementar
tecnologia que permita aos utentes
gerir completamente as suas viagens,
diminuindo o tempo de espera pelos
transportes.
Outra prioridade fundamental numa
cidade inteligente é a eliminação de
mortes e feridos graves em acidentes
de viação. Nenhuma morte no trânsito
deveria ser aceite. Neste domínio, com
inteligência e pouco dinheiro é possível
fazer muito. Controlar a velocidade
nas vias (o principal fator de risco),
redesenhar os espaços para proteção
de peões e ciclistas, fiscalizar o
comportamento no trânsito e envolver
a sociedade numa agenda de segurança
são características de inteligência.
Como se pode verificar, falamos muito
de soluções inteligentes e quase nada
sobre drones ou robôs. Por vezes, a
inteligência está apenas em aplicar
soluções simples, mas que implicam
ampliar a sustentabilidade, a inclusão
social e a segurança rodoviária.
NO CAMPO DA
MOBILIDADE URBANA,
HÁ PELO MENOS TRÊS
GRANDES DESAFIOS QUE
PODEM SER RESUMIDOS
NESTAS TRÊS PALAVRAS:
EVITAR, SUBSTITUIR E
MELHORAR.
26 e-MOBILIDADE
A IMPLANTAÇÃO
DE FAIXAS EXCLUSIVAS
NÃO EXIGE INVESTIMENTOS
AVULTADOS, SENDO APENAS
NECESSÁRIA TINTA PARA A
SINALIZAÇÃO HORIZONTAL,
PLACAS PARA A SINALIZAÇÃO
VERTICAL E UM SISTEMA DE
FISCALIZAÇÃO EFICIENTE.
O EXEMPLO DE PARIS
Mais bicicletas
do que carros
no espaço de um mandato
Quem já lá esteve, ou mesmo quem viu fotos, terá a imagem de uma Paris grande, monumental,
bonita, com uma atmosfera meio cinzenta e… cheia de automóveis. No espaço de um mandato,
a presidente da Câmara conseguiu, segundo um estudo do Instituto da Região de Paris já referente
a 2023, que haja já muito mais viagens dentro da cidade de bicicleta do que de automóvel. E foi esse
um dos grandes argumentos usados para ser reeleita. Esse e o da Cidade dos 15 Minutos,
que está ainda atrasado mas em curso.
Paris constou, durante muitos
anos, na minha lista de locais
onde já estive mas não estive.
Ou seja, onde estive em trânsito,
em trabalho, de fugida.
E que, portanto, não consegui conhecer.
Até que, há já uns 15 anos, também
numa breve deslocação de trabalho à
Unesco, decidi que tinha de a tirar dessa
lista, pelo que dei uma enorme e solitária
volta a pé depois de jantar, que durou
ANTÓNIO GONÇALVES PEREIRA
Coordenador do Ecomood Portugal,
Associação para a Promoção Solidária da
Sustentabilidade na Mobilidade Humana;
Embaixador do Pacto Climático Europeu
até de madrugada. Trocadéro, Champs
Élysées, La Concorde, Louvre, Châtelet,
la Bastille, Gare de Lyon, passei o Sena
na ponte Charles de Gaulle e seguiu-se,
em sentido contrário na margem sul,
Austerlitz, Jardin des Plantes, Sorbonne,
vi a Ille de Saint-Louis e Notre Dame e,
um pouco mais adiante, fui salvo pela
passagem de um táxi, que eu já não
aguentava mais. Não entrei em lado
algum, dado o horário, mas foi a forma
possível de conhecer um pouco dessa
mítica Paris.
Não que na altura me preocupasse ainda
com estas coisas, confesso, mas pensan-
do agora nisso, não me lembro
de ver bicicletas. Carros,
muitos. E só.
Por altura da pandemia,
começou um processo quase
natural de grande aumento
da utilização da bicicleta por
parte dos parisienses. Segundo
o jornal 20 Minutes,
tal deveu-se também a um
crescimento muito sensível
na consciência climática e…
à vontade política de quem
podia tomar as medidas certas.
Logo em Maio de 2021
promoveu um referendo para a redução
do trânsito na cidade. Dois meses
depois, arrancou o Plano Metropolitano
de Bicicletas que, entre outras medidas,
incluía a construção de 215 quilómetros
de grandes corredores cicláveis, urbanos
e metropolitanos. Isto a somar às ‘coronapistes’,
que surgiram como temporárias
e, dada a popularidade, se tornaram
permanentes. E assim vamos já em cerca
de 1000 quilómetros de ciclovias.
Mas não se ficou por aí para ter uma
cidade mais amiga do peão e do utilizador
de bicicleta. Em 2023 foi votado
em referendo um aumento para o triplo
28 e-MOBILIDADE
do custo de estacionamento para SUVs.
Foram criadas zonas sem carros, sobretudo
aos fins-de-semana, o que resultou
em áreas recreativas muito frequentadas
e vibrantes. Os passeios e travessias pedonais
foram aumentados e, em grande
parte da cidade, o limite de velocidade
baixou para os 30 kms/h, o que só por
si não somente reduziu drasticamente
o número de acidentes e vítimas, como
fez com que seja frequentemente mais
rápido ir de bicicleta. Ao que se juntou
um dos maiores sistemas de partilha de
bicicletas do mundo.
A mais recente medida arrancou há dias,
trata-se da uniformização das tarifas de
transporte público, e a sua integração intermodal
(mesmo se ficaram mais caros).
Por exemplo, por 2,5€ pode usar-se o
metro e os comboios suburbanos, independentemente
da distância.
Pelo meio, dois erros: o primeiro quando
se apostou numa inundação quase
selvática de partilha de trotinetas (onde
é que eu já vi isto?). O segundo quando,
ao invés de corrigir essa situação,
limitando velocidades, obrigando a
locais adequados para paragem e fim
de operação e reduzindo o número de
trotinetas disponíveis, optou-se por fazer
um referendo quando a população estava
muito farta das consequências do erro
inicial. Resultado: fim das plataformas
de partilha destes veículos, que podem
também tero seu papel no combo de
mobilidade integrada.
O resto é exemplar, sobretudo na rapidez
com que se conseguiu vencer as
resistências, alterar comportamentos e
atingir números ainda impensáveis para
a maioria das grandes cidades. Segundo
o relatório que mencionei, aqui ficam
alguns número, entretanto já ultrapassados
em muito: dentro da cidade, apenas
4,3% das deslocações são de automóvel,
11,2% de bicicleta. O restante é sobretudo
transporte colectivo, nas suas várias
formas. E mesmo alargando aos arredores
mais próximos, a bicicleta aumenta
a sua escolha para 14%, enquanto o
carro o faz para 11,8%. É necessário
afastarmo-nos uns bons quilómetros de
Paris para a escolha do carro ganhar à da
bicicleta.
Os resultados são já muito sensíveis em
várias vertentes: redução de emissões,
aumento dos indicadores de saúde pública
e, claro está, melhoria da qualidade
de vida. E, ao contrário do que muitos
advogam, há resultados também de
crescimento económico. Porque, por
exemplo, de carro apenas se passa, a pé
ou de bicicleta vê-se, pára-se e entra-se
no comércio.
Um destes dias, tiro-me dos meus cuidados
e meto-me num comboio para ir ver
tudo isso com os meus próprios olhos e
conhecer melhor a bela Paris, agora também
de dia. Perdão, meto-me em vários
comboios, queria eu dizer, que não há
ligação directa. Mas isso é tema para uma
próxima ECOnversa destas. Ou ECOmonólogo,
pronto.
Nota: este artigo está escrito em português
de Portugal, apenas com as evoluções
do (des)acordo ortográfico que me fazem
sentido.
Foto de Jorge Matreno/@thechainbits
Por cá, continuamos com acidentes graves e mortes de
utilizadores de bicicletas com uma frequência assustadora. E com
manifestações cada vez mais frequentes a exigir a mudança de
paradigma, ruas mais seguras para todos. Como a que aconteceu
no passado dia 12 de Janeiro no seguimento da morte do
presidente da Associação de Editores e Livreiros, Pedro Sobral,
causada por um automobilista alcoolizado e em excesso de
velocidade, numa artéria de Lisboa. Foram mais de 500 pessoas
de todas as idades e perfis a fazer o trajecto entre Lisboa e Cascais
e que, no regresso, logo após o minuto de silêncio no local do
acidente, ficaram a saber que mais dois utilizadores de bicicleta
tinham sido mortos no dia anterior.
Inspiremo-nos urgentemente no exemplo de Paris.
e-MOBILIDADE 29
MOBILIDADE URBANA
PARE, ESCUTE E OLHE:
Planos de Mobilidade
Urbana Sustentável
A mobilidade urbana é, atualmente, um dos principais focos de atuação
das políticas públicas de planeamento, pela sua importância para o
cumprimento das metas climáticas, para a promoção da qualidade de vida
da população e para a competitividade dos territórios. Porém, a esfera de
atuação da gestão da mobilidade é altamente complexa, comprometendo o
sucesso de ações avulsas ou de quaisquer estratégias que desconsiderem
essa mesma complexidade.
MIGUEL LOPES
Coordenador da Área de Mobilidade
e Transportes da OPT
As estatísticas que acompanham
a evolução dos
padrões de mobilidade e
da sinistralidade rodoviária
mostram que, ano após
ano, Portugal se afasta das metas com
as quais se comprometeu, justificando
uma mudança estrutural no planeamento
das políticas de mobilidade.
Desde 2013, com o “Pacote da Mobilidade
Urbana” publicado pela UE, os
Planos de Mobilidade Urbana Sustentável
(PMUS) tornaram-se o conceito
padrão para o desenvolvimento de
instrumentos estratégicos na área da
mobilidade. Estes planos fazem parte
de uma linhagem de instrumentos estratégicos,
que tiveram origem com os
PAMUS (Plano de Ação de Mobilidade
Urbana Sustentável). Todavia, pelas limitações
impostas por uma abordagem
meramente à escala regional e por uma
integração deficiente dos diferentes stakeholders,
o impacto real dos PAMUS
foi manifestamente incipiente.
A necessidade de compatibilização das
escalas regional e local levou ao desenvolvimento
de Planos de Mobilidade
e Transportes (PMT) e dos PMUS de
primeira geração. Apesar do seu papel
importante na integração das diferentes
escalas territoriais, a não incorporação
das mudanças sociais e económicas e
a abordagem superficial a mecanismos
de monitorização foram os principais
fatores que condicionaram o sucesso
das estratégias propostas.
A segunda geração dos PMUS, orientada
por diretrizes comunitárias, procurou
corrigir os vazios contextuais e processuais
dos instrumentos anteriores,
atuando transversalmente em diversos
domínios que regem o funcionamento
do sistema urbano e criando sinergias
com os planos energéticos e de ação
climática. Um PMUS deve, assim,
abordar não só a oferta de infraestrutura
de serventia aos diferentes modos de
transporte, desde a mobilidade ativa, ao
transporte público e ao estacionamen-
30 e-MOBILIDADE
Interface do Hospital de São João, Porto
to, mas também a procura associada, o
impacto respetivo, a logística urbana, a
sinistralidade rodoviária, os sistemas de
transporte inteligentes (ITS) e os fatores
de diversidade e inclusão no transporte.
Por sua vez, cada concelho não opera
num vazio geográfico, já que diariamente
são vários os movimentos que
cruzam as fronteiras municipais. Estas
interações deverão integrar não só a
fase de diagnóstico, mas também a fase
de definição do plano de ação, devendo
procurar-se a articulação com investimentos
já planeados nos territórios
vizinhos.
Os mecanismos de participação cívica,
em especial pelo conhecimento tácito
que é transmitido à equipa projetista
nas sucessivas interações com a população,
devem também acompanhar todo
o processo de elaboração de um PMUS.
Pela sua abrangência, entende-se que
um PMUS representa, atualmente, para
um sistema de transportes o mesmo
que um Plano Diretor Municipal para
o sistema de uso do solo. Porém, ao
contrário de um PDM, os PMUS devem
ser desenvolvidos não só à escala
municipal, mas também ao nível das
Áreas Metropolitanas e das Comunidades
Intermunicipais, embora para estes
casos se deverá assumir uma natureza
Integração dos Modos Ativos em Paris, França
mais estratégica, idealmente guiando a
jusante a estratégia dos planos à escala
dos concelhos.
Vários fatores jogam atualmente a favor
da elaboração destes planos. A Lei de
Bases do Clima, de 2021, contempla a
necessidade do seu desenvolvimento
por parte das autarquias locais e das
Desde 2013, com o “Pacote
da Mobilidade Urbana”
publicado pela UE, os
Planos de Mobilidade
Urbana Sustentável
(PMUS) tornaram-se o
conceito padrão para
o desenvolvimento de
instrumentos estratégicos
na área da mobilidade.
Aplicação móvel ANDA, solução de bilhética
para os transportes públicos
regiões autónomas. Já o novo Regulamento
da Rede Transeuropeia de
Transportes (RTE-T), de 2024, definiu
a obrigatoriedade, até 2027, dos PMUS
para os nós urbanos da rede. No final
e-MOBILIDADE 31
MOBILIDADE URBANA
Miguel Lopes
de 2024, com a publicação do pacote
Mobilidade Verde, ficou patente a
necessidade de se acelerar o desenvolvimento
destes planos a nível nacional,
autorizando-se uma linha de financiamento
pelo Fundo Ambiental, no
montante de 3 milhões de euros, com a
contrapartida de se garantir a execução
financeira dos contratos até ao final de
outubro de 2025.
Um terço deste financiamento destina-se
à implementação de sistemas de monitorização,
que permitam avaliar, de forma
eficaz, os impactos das estratégias dos
PMUS. Este facto aplica-se, principalmente,
aos nós urbanos, onde a partir
de 2025 existirá, à escala europeia, a
recolha de dados de mobilidade urbana
em matéria de sustentabilidade, segurança
e acessibilidade. A uniformização
dos mecanismos de monitorização, nomeadamente
dos indicadores recolhidos,
fontes de dados e métodos de cálculo,
possibilitará uma comparação histórica e
temporal, e um maior acompanhamento
por parte dos decisores políticos e da
população, facilitando a identificação
de quaisquer alterações necessárias à
estratégia em curso.
Porém, é fundamental alertar para os
riscos que a urgência da execução deste
Plataforma de monitorização
dos PMUS. Desenvolvida pela OPT
Mapa Síntese elaborado para o PMUS da cidade de Vila Real
Sessão de Participação Pública desenvolvida para o PMUS do Município de Ílhavo
programa de apoio financeiro acarreta,
nomeadamente a compressão do
faseamento da execução dos PMUS e o
incorreto encadeamento das diferentes
escalas territoriais de atuação. O sucesso
do plano passa, obrigatoriamente, pela
realização de um diagnóstico detalhado,
que explore, as relações entre o sistema
territorial e de mobilidade, sendo um
processo necessariamente demorado.
Por outro lado, o risco de desenvolver
PMUS concelhios órfãos de um plano
equivalente à escala regional é uma
ameaça à coerência das políticas de mobilidade,
potenciando a desarticulação
das ações.
Riscos à parte, os dados estão lançados
para que o novo ano que agora começa
seja o momento de afirmação dos PMUS
no território nacional, realinhando a
bússola das políticas públicas de planeamento
da mobilidade urbana em direção
às boas práticas internacionais.
32 e-MOBILIDADE
PMUS
Plano de Mobilidade
Urbana Sustentável
Definição da estratégia global de
mobilidade para o território;
Reequilíbrio dos diferentes modos
de transporte
Construção de perfis de
acessibilidade territorial
Compatibilização com os planos
energéticos e de ação climática
Plataforma de Monitorização
Acompanhamento da execução das ações
do PMUS;
Parametrização dos diferentes indicadores
de acompanhamento;
Definição de diferentes perfis de utilização.
www.opt.pt
geral@opt.pt
34 e-MOBILIDADE
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Como a IA está
a transformar
os transportes públicos?
Num contexto em que o transporte público se encontra em constante mudança, a
Inteligência Artificial (IA) assume um papel de caráter revolucionário, ao conceber
sistemas que se distinguem pela eficiência, segurança e acessibilidade, colocando-se ao
alcance de todos. A presente comunicação tem como objetivo a análise da transformação
emergente em diversas áreas do setor dos transportes.
A
Inteligência Artificial
(IA) permite a análise de
grandes volumes de dados
em tempo real, otimizando
as rotas de autocarros,
comboios e outros meios de transporte
público.A utilização de algoritmos
avançados permite às operadoras ajustar
horários e rotas com base em padrões
de tráfego e procura de passageiros,
garantindo a pontualidade e eficiência
dos serviços.
Empresas como a Google, com o Google
Maps, e a Uber, estão a utilizar a IA para
prever congestionamentos e ajustar rotas
em tempo real.Tal não só melhora a experiência
dos passageiros, como também reduz
os custos operacionais das empresas.
A utilização da IA neste contexto também
ajuda a detetar e a solucionar problemas
antes que estes afetem o funcionamento,
permitindo um uso mais inteligente da
infraestrutura e dos recursos.
Adicionalmente, cidades inteiras, como
Nova Iorque e Londres, que implementaram
sistemas de IA para gerir e prever
o tráfego em tempo real, também estão a
beneficiar.
CONDUÇÃO AUTÓNOMA
A Inteligência Artificial (IA) está a deixar
uma marca significativa em diversas
áreas, incluindo a da condução autónoma.
A introdução de autocarros
e comboios autónomos promete um
transporte público mais seguro e eficiente,
graças ao uso de sensores e câmaras
que utilizam IA para detetar obstáculos,
seguir rotas predefinidas e adaptar-se às
condições de tráfego.
Empresas como a Tesla e a Waymo estão
na vanguarda dessas inovações, com
projetos em várias fases de implementação
em todo o mundo.Em Singapura,
por exemplo, já estão em funcionamento
autocarros autónomos em algumas rotas,
proporcionando uma ideia de como o
futuro do transporte público poderá ser.
Além de aumentar a segurança ao eliminar
o erro humano, esses veículos têm
o potencial de reduzir drasticamente os
custos com mão de obra.
Monitorização e manutenção preventivaA
utilização de sensores equipados
com Inteligência Artificial (IA) permite
não só a monitorização do estado dos
veículos e da infraestrutura, como também
a previsão de falhas antes que estas
ocorram. Esta possibilidade possibilita
a manutenção preventiva, reduzindo o
tempo de inatividade e os custos de reparações
de emergência.Empresas como
a Siemens e a General Electric estão a
investir fortemente nesta tecnologia,
oferecendo soluções completas de monitorização
e manutenção preditiva.
A aplicação da IA neste domínio não
só aumenta a durabilidade dos equi-
e-MOBILIDADE 35
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Transportes públicos
pamentos, como também assegura a
segurança dos passageiros, ao identificar
antecipadamente possíveis avarias
estruturais que ponham em risco a
segurança.Adicionalmente, esta prática
reduz o impacto ambiental, uma vez
que a manutenção proativa evita o desperdício
de peças e materiais.
EXPERIÊNCIA DOS UTENTES
A Inteligência Artificial (IA) está igualmente
a modificar a experiência dos
utentes nos transportes públicos.As
aplicações de mobilidade, como o Moovit
e o Citymapper, recorrem à IA para
disponibilizar informações em tempo
real sobre horários, rotas e condições de
tráfego, otimizando substancialmente a
conveniência e a pontualidade.
Estes serviços são capazes de alertar os
utilizadores para atrasos, sugerir percursos
alternativos e até fornecer estimativas
precisas de chegada, graças à análise
de dados em tempo real.Adicionalmente,
a integração com assistentes virtuais,
como o Google Assistant e a Alexa,
permite aos utilizadores planear as suas
viagens apenas com comandos de voz.
Estas tecnologias contribuem para a
inclusão social, facilitando o acesso ao
transporte público, inclusive para pessoas
com deficiência visual ou mobilidade
reduzida.Sistemas de Pagamento
InteligenteA aplicação da Inteligência
Artificial (IA) nos sistemas de pagamento
está a modernizar os métodos
tradicionais.Os cartões de transporte
inteligentes e as aplicações que utilizam
a IA para processar pagamentos de maneira
eficiente e segura estão a tornar-se
padrão.
A redução das filas para compra de
títulos de transporte e o subsequente
aumento da velocidade de embarque
e desembarque dos passageiros contribuem
para uma melhoria da eficiência
global dos sistemas de transporte.
Cidades como Londres, com o seu
sistema Oyster, e outras metrópoles
encontram-se na vanguarda desta
inovação.Adicionalmente, a segurança
das transações é aprimorada com o uso
de algoritmos que detetam e previnem
fraudes em tempo real..
NECESSIDADES ESPECÍFICAS
A integração da Inteligência Artificial
(IA) no setor dos transportes públicos
fomenta uma maior inclusão e acessibilidade,
uma vez que os sistemas de
IA têm a capacidade de personalizar
as opções de transporte, de modo a
satisfazer as necessidades específicas
de diferentes grupos de utilizadores,
incluindo idosos e cidadãos com deficiência.As
empresas e os municípios
estão progressivamente mais conscientes
da importância de um sistema de
transporte inclusivo, tendo em vista
o investimento em inovações que o
tornem uma realidade.
A título ilustrativo, as aplicações com
funcionalidades de acessibilidade, tais
como a leitura de ecrã e mapas auditivos,
já são uma realidade e continuam a
expandir-se.A acessibilidade está igualmente
a ser ampliada com a utilização
da IA para planear a infraestrutura,
nomeadamente através da implementação
de rampas e elevadores inteligentes,
que se ajustam automaticamente às
necessidades dos utentes.
PRIVACIDADE E SEGURANÇA
Os sistemas de vigilância equipados
com IA estão a aperfeiçoar a segurança
no transporte público. Os algoritmos
de reconhecimento facial e análise de
vídeo podem identificar comportamentos
suspeitos e alertar as autoridades
em tempo real.
Estes sistemas podem operar 24 horas
por dia, 7 dias por semana, sem
necessidade de intervenção humana,
aumentando a eficiência e reduzindo os
custos.
Embora existam preocupações relacionadas
com a privacidade, as vantagens
de uma segurança aprimorada muitas
vezes superam as desvantagens, principalmente
em áreas de elevado tráfego.
INTEGRAÇÃO MULTIMODAL
A Inteligência Artificial (IA) possibilita
a integração de diversos modos
de transporte num sistema unificado,
permitindo a coordenação de veículos
como autocarros, comboios e bicicletas,
entre outros, de modo a proporcionar
uma experiência de viagem mais suave
e eficiente.Plataformas como a Whim
implementaram tais soluções em cidades
como Helsínquia, onde os utilizadores
podem planear e pagar por viagens multimodais
numa única aplicação.
Esta integração não só melhora a
eficiência, como também incentiva
a utilização de opções de transporte
mais sustentáveis, contribuindo para
a redução da pegada de carbono das
cidades.Com a aplicação da IA, o futuro
do transporte público será não apenas
mais eficiente e seguro, mas também
mais inclusivo e sustentável.A transformação
que a IA está a promover no
transporte público representa apenas
o início de uma revolução mais ampla.
A aplicação contínua destas tecnologias
permitirá a criação de um sistema
de transporte mais eficiente, seguro e
acessível a todos os cidadãos.
36 e-MOBILIDADE
SEGURANÇA DIGITAL
O
s autocarros utilizam
tecnologias cada vez
mais avançadas para
facilitar o seu funcionamento
e manutenção.
Este avanço tecnológico, associado à
conetividade dos veículos, pode torná-
-los alvos potenciais de ciberataques.
Por conseguinte, o sector do transpor-
IVECO BUS
na vanguarda da proteção
dos seus veículos
À medida que os autocarros se tornam cada vez mais conectados,
a cibersegurança representa um grande desafio estratégico e uma
prioridade para a IVECO BUS, desde a fase de conceção do veículo.
Para além dos avanços no sentido de uma mobilidade cada vez
mais limpa, os técnicos, engenheiros e especialistas da IVECO
BUS desempenham também um papel crucial na prevenção e
proteção contra o risco de incidentes cibernéticos. Isto permite
oferecer aos clientes uma solução única que garante segurança e
proteção num cenário regulatório em constante evolução.
38 e-MOBILIDADE
te de passageiros não tem outra opção
senão reforçar a sua cibersegurança.
A prioridade é combinar inovação,
cibersegurança e segurança funcional
sendo que na IVECO BUS trabalham
há vários anos para reforçar a proteção
contra os riscos de ciberataques. Com
mais de 10.000 autocarros conectados,
a marca oferece uma gama completa de
serviços conectados, permitindo a partilha
de dados dos veículos, bem como
a supervisão e otimização da utilização
pelos clientes de toda uma frota de
veículos elétricos ou térmicos.
Para além dos custos que podem
resultar de um ciberataque, o objetivo
principal é garantir a máxima proteção
contra o roubo de dados e a violação
do controlo dos veículos. Trata-se de
um elemento crucial para a proteção
dos operadores de transportes e para a
segurança dos passageiros.
Um veículo conectado efetua trocas de
dados com o mundo exterior através de
diversos canais de comunicação.
Os especialistas em cibersegurança
concentraram-se fundamentalmente na
conformidade com o regulamento europeu
UN R155, aplicável a autocarros
desde julho de 2024. O principal objetivo
deste regulamento é proteger os veículos
contra ciberataques e garantir que
os sistemas de gestão da cibersegurança
são eficazes. Isto inclui a prevenção,
a deteção e a resposta a ciberameaças
através de vários requisitos.
1. Medidas de cibersegurança desde
a fase de projeto: os veículos
IVECO BUS incorporam medidas
de cibersegurança desde a fase de
conceção para minimizar os riscos.
As unidades elétricas e eletrónicas
estão protegidas por um bloqueio
mecânico, bem como por uma
porta de entrada segura para proteger
os sistemas informáticos de
bordo contra incidentes, acidentais
ou maliciosos.
2. Sistemas de Gestão da Cibersegurança
(GSRII): os veículos
estão equipados com sistemas
de gestão da cibersegurança para
detetar, prevenir e responder a
ciberameaças. Estes sistemas são
capazes de monitorizar continuamente
os potenciais ciberataques,
alertando os operadores em caso
de ameaça e implementando
contramedidas para neutralizar os
ataques.
3. Conformidade e provas: o
construtor apresentou provas da
conformidade com os requisitos
de segurança para obter a homologação
dos veículos. Isto envolveu
testes de penetração, auditorias
de segurança e certificações de
terceiros de forma a garantir que
os veículos cumprem as normas de
cibersegurança estabelecidas pela
regulamentação.
4. Atualizações de software: a regulamentação
inclui também requisitos
para a gestão de atualizações
de software para garantir que os
veículos permanecem protegidos
contra novas ameaças.
“Num sector cada vez mais conectado,
os riscos cibernéticos estão a tornar-se
cada vez mais significativos. Enfrentar
este desafio é crucial para garantir que
os nossos clientes podem utilizar os
nossos veículos em segurança. É por
isso que, na IVECO BUS, desenvolvemos
soluções técnicas para proteção
contra estes riscos, cumprindo
simultaneamente os atuais requisitos
regulamentares. Consequentemente,
os nossos veículos estão conectados,
mas de uma forma segura”, afirmou
Philippe Grand, Diretor de Produtos
Digitais para Autocarros.
e-MOBILIDADE 39
OPINIÃO
Acessibilidade Sus
(Urban Ecological Transit Village) p
CARLOS GAIVOTO
Mestre Engenheiro em Sistemas
de Transporte
Nestes cinquenta anos,
a lógica capitalista da
construção de urbanizações
em mancha de
óleo, impôs a dispersão
urbana generalizada no espaço geográfico
da AML, cuja reprodução moldou
o território em “capital fixo” com a
excessiva infraestrutura rodoviária e
a consequente dependência do automóvel.
Associados a esta lógica, as
condições de transporte e mobilidade
agravaram o tempo e a distância média
das deslocações diárias nesta geografia
de acessibilidade, como aumentaram
os custos escondidos com Infraestruturas
dos orçamentos municipais com
um peso de 66% , os custos residenciais
(cerca de 60% do rendimento
familiar na habitação e transporte),
os das externalidades negativas (5%
do PIB em acidentes, emissões CO2 e
GEE, congestionamento, saúde) e os
de exploração das redes de TC (Kms
perdidos em engarrafamentos e avarias,
acidentes, manutenção), ou seja,
o antivalor criado por este “capital
fixo” da dispersão, obriga a repensar
a acessibilidade e os gastos do Estado
com a Dívida.
Esta geografia de “acumulação”, além
de produzir o antivalor com o aumento
a Dívida, acarreta ainda a intemporalidade
deste agravamento para as futuras
gerações (amortizações, hipotecas) e
atrasa o Transit Act e a Reforma de
Organização Institucional do TC Urbano,
quando o importante é mitigar o
excedente e grande parte do consumo
do Transporte Individual, através da
Política Pública com recurso ao Planeamento
Estratégico e Operacional do
Investimento em redes TCSP (Transporte
Colectivo em Sítio Próprio)
e na interoperabilidade do sistema
ferroviário. Com efeito, a exploração
simultânea de Tram, LRT, Tram-Train
e CRT/RRT (Commuter and Rapid
Rail Transit), dum modelo resiliente e
sustentável cidade-região, baseado na
ecologia urbana, em que o ordenamento
do território e o urbanismo ecológico
assentam na Geografia Humana do
Lugar e do Ecossistema com a entidade
político-geográfica (cidade, concelho,
cim e região); cria outra condição
40 e-MOBILIDADE
tentável e a UETV
ara o Concelho de Lisboa e AML
ALTERNATIVAS
Apesar de estarmos perante um
Plano Ferroviário, que reconhece
que o transporte ferroviário tem o
papel central na estruturação da
mobilidade, à escala do território
continental, não devem
excluir outras alternativas
tecnológicas
e-MOBILIDADE 41
OPINIÃO
Carlos Gaivoto
político-económica de justiça social,
territorial, ambiental e energética pois,
trata-se de “irradicar” aquela geografia
histórica do capitalismo. Uma fórmula
de transição adoptada em França é a
realizada pela regulação do PDU (Plano
Deslocações Urbanas), ECOT (Esquema
Coerência Territorial) e Conta Pública
de Transporte.
A MULTIMODALIDADE DA REDE
“TRAM, LRT E TRAM-TRAIN”
DA METRÓPOLE DE LISBOA E A
MODERNIZAÇÃO FERROVIÁRIA
Natureza dos Custos Escondidos da Dispersão Urbana
modelo, aplicado na Região de Lisboa,
permite que a UETV seja o substituto
ao modelo “policêntrico”, em que
a construção de sub-redes de Tram,
Cargo-Tram e LRT nas “Cinco Cidades”
de Lisboa e na interligação com a
AML, consolidam a ecologia urbana.
Com efeito, para que isso aconteça, o
excedente gerado pelo “capital fixo”
é redistribuído pela sustentabilidade
defendida na UETV, em que se promove
mais controlo do valor de uso e
de troca em cada município da AML,
entre habitação/emprego/escola/saúde/cultura/desporto/lazer,
de modo
a eliminar-se o antivalor gerado nas
distâncias e tempos percorridos diariamente,
as emissões de CO2 e GEE e
aumentar, em simultâneo, a qualidade
de saúde e de trabalho. Na política
pública de transporte, alternativa à da
dispersão urbana, é urgente o aumento
de capacidade da rede ferroviária com
a modernização tecnológica do “bloco
móvel” do ERTMS (ETCS L2 e L3) e do
Tram - Train, para construir-se as redes
multimodais entre Operadores de TC,
Autoridades de Urbanismo e Transporte
Regionais e Locais, sem cair nas lógicas
do SWSR ou do RCSR. Isto obriga
rever o PNPOT2018, o PNI2030 e o
PNF para que haja uma geografia de
acessibilidade resiliente.
“SMART GROWTH”??
“PROSPERITY WITHOUT
GROWTH”? OU A ECOLOGIA
URBANA DA UETV E A
MULTIMODALIDADE LRT
E TRAM-TRAIN!
Nesta geografia da metrópole de
Lisboa, ao mitigar-se o excedente
criado na diferente renda do espaço
capitalista, reduzir-se-ão os padrões
Para consolidar a multimodalidade
oferecida pela rede TCSP na Metrópole
e Concelho de Lisboa, a metodologia
do “Contrat d’Axe” e do TCL (Transit
Corridor Livability, USA) cria as regras
de inserção urbana do sistema ferroviário
ligeiro de superfície, em sítio
próprio com o sistema CRT/RRT. Neste
método, o urbanismo é reconfigurado
como existe na rede interoperável de
Karlsruhe. Este paradigma é feito na
base duma estratégia de multimodalidade
ferroviária e pode ser desmultiplicado
em várias áreas metropolitanas
(Braga/ Barcelos/Famalicão; Aveiro/
Coimbra; Faro/Loulé/Albufeira/ Olhão
e outras regiões do país (Oeste e Alto
da Estremadura; Alentejo; Beiras; …),
sustentado num PFN para que o TC
venha a deter 60% em 2050. Este
Rede LRT, Tram-Train, Metro e CRT e o ERTMS/ETCS
42 e-MOBILIDADE
Cargo-Tram em Dresden
regionais de desenvolvimento desigual
e eliminam-se as disputas de território,
além das diferenciações residenciais
dentro das áraes urbanas e os
problemas de alienação e deterioração
das relações sociais. Mas, na transição
para a economia sustentável, a
tecnoutopia da “inteligência artifical”
e a ortodoxia da “ciência económica”
suportada em metadados, de per si,
não resolvem a crise pois, a transição
ecológica e a energética requer ainda
outra metodologia de abordagem,
ou seja, a valorização das actividades
sociais e humanas, transfigurando
o espaço ao atribuir outro valor
de uso social. O modelo da UETV,
com a rede de TCSP, pode ajudar a
ultrapassar a versão actual do valor
de uso do “capital fixo” como valor
de troca especulativo, ao atribuir-lhe
a dimensão social na distribuição
de riqueza criada, com igualdade e
prioridade à resiliência do ambiente
urbano, sem entrar nas lógicas de
desvalorização do “capital fixo”e da
“aniquilação do espaço pelo tempo”.
As propostas do modelo UETV
conseguirão que o ordenamento
do território responda não só aos
problemas das “leis coercivas da
competição” como reabilitam o espaço
geográfico com a sustentabilidade
e resiliência doutro modo de vida
com o TCSP, ao retirar a localização
como fonte de mais-valor relativo.
A rede multimodal ferroviária na
AML e no Concelho de Lisboa
poderá fazer convergir uma rápida
solução de transição para se combater
os custos da dispersão urbana e
abrir o modelo UETV (com pleno
emprego) às mudanças tecnológicas
e organizacionais das actividades
dentro de centros urbanos. A rede
de LRT e Tram-Train reconfigura a
mobilidade no espaço geográfico da
AML e oferece a multimodalidade na
AML, cumprindo o PROTAML, tanto
no curto (2030), médio (2040) e longo
prazo (2050).
Nas mobilidades de capital e trabalho,
o valor de uso social das redes de
TCSP não se joga na relação de valor
de troca, entre público e privado mas,
antes, pela criação das condições de
sustentabilidade da vida humana e
pela resiliência do “capital fixo” com a
melhoria da qualidade do ecossistema.
Os custos da dispersão urbana
tendem a ser mitigados com medidas
de transição ecológica e energética,
introduzidos pelo modelo UETV e
pela rede de TCSP de capacidade
intermédia no reforço social de
habitação, emprego, saúde, cultura,
desporto e lazer em cada município.
Para isso, é preciso que o Transit Act
e a Reforma do TC urbano sejam
cumpridos.
A Interoperabilidade ferroviária
com ETCS L2 e a conexão do
TCSP (LRT, Tram-Train
e o Cargo-Tram) com ferrovia
Tram-Train em Karlsruhe
Peter Calthorpe, em “Urbanism in the Age of
Climate Change” ed. Calthorpe Califórnia, 2011
e-MOBILIDADE 43
MOBILIDADE AUTOCARRO
Mercedes-Benz
cada vez mais verde
Daimler Buses Portugal
44 e-MOBILIDADE
A Daimler Buses
Portugal celebra mais
um ano de sucesso,
consolidando a sua
posição de liderança
no setor de transporte
de passageiros, com o
ano de 2024 fechado.
A combinação de
inovação tecnológica
e sustentabilidade foi
fundamental para a
jornada que coloca a
empresa na vanguarda
do mercado.
Apesar de uma ligeira contração
no mercado global,
a Daimler Buses Portugal
manteve um desempenho
forte, alinhado com a
tendência dos últimos anos. A empresa
alcançou o seu segundo melhor ano de
sempre, com um Marketshare de 31,7%
para a Mercedes-Benz e 1,0% para a Setra,
liderando o segmento acima das oito
toneladas. Este desempenho representa
um aumento de 6,8% em relação ao ano
anterior, refletindo a adoção de soluções
tecnológicas que estão a redefinir os
padrões da mobilidade.
Duarte Almeida, Diretor Comercial da
Daimler Buses Portugal afirma: “É um
prazer ver a Daimler Buses ficar novamente
e pela 10.º vez nos últimos 13
anos, na líderança do mercado português.
É um sucesso que espelha a qualidade
dos nossos produtos, a confiança
dos nossos clientes e o bom trabalho da
nossa equipa.”
O ano 2024, apesar de desafiante, foi
repleto de momentos significativos. A
conquista de novos clientes, a celebração
de 20 anos da existência da marca de
serviço OMNIplus, a entrega do 500.º
autocarro Tourismo, visitas de membros
do Conselho de Administração dos HQs
na Alemanha e o lançamento de uma
conta nas redes sociais para manter a
proximidade com clientes, parceiros e
e-MOBILIDADE 45
Os autocarros da Mercedes-Benz estão cada
vez mais verdes, com planos de introdução de
modelos elétricos em todos os segmentos. A Setra
continua a destacar-se pelo design, luxo e conforto
destintivo, estabelecendo padrões elevados no
setor. A OMNIplus, por sua vez, tem investido em
soluções de conectividade que otimizam a gestão
de frotas, reduzem custos operacionais e melhoram
a experiência dos passageiros.
admiradores – são momentos a destacar.
Os autocarros da Mercedes-Benz estão
cada vez mais verdes, com planos de
introdução de modelos elétricos em
todos os segmentos. A Setra continua a
destacar-se pelo design, luxo e conforto
destintivo, estabelecendo padrões
elevados no setor. A OMNIplus, por
sua vez, tem investido em soluções de
conectividade que otimizam a gestão de
frotas, reduzem custos operacionais e
melhoram a experiência dos passageiros.
Com sistemas avançados de gestão
de frotas e plataformas digitais, os operadores
podem monitorizar e otimizar
rotas em tempo real, contribuindo para
maior eficiência e sustentabilidade. Este
compromisso com a inovação tecnológica
não apenas melhora a experiência
dos utilizadores, mas também reforça o
papel de destaque da Daimler Buses na
liderança da compatibilidade ambiental.Salvador
Bobone, Diretor de Após
Venda da Daimler Buses Portugal,
resume o ano de sucesso: “2024 foi um
excelente ano para toda a empresa.
Os serviços da OMNIplus têm aumentado
todos os anos e estão prontos
para a mobilidade do futuro, apoiando
com ferramentas fundamentais para o
trabalho diário dos operadores e dos
seus condutores. Os nossos serviço
da OMNIplus ON, não só avaliam
remotamente o estado da viatura, como
também avaliam a condução do motorista.
Além disso disponibiliza também
funções adicionais como a gestão de
frota, mapeamento e analise de consumos
diários, mensais e anuais. Estou
seguro que 2025 será um ano de mais
inovação e de uma colaboração ainda
mais próxima com os nossos clientes.”
Com o sucesso alcançado em 2024, o
segmento de veículos pesados de passageiros
em Portugal está preparado para
continuar sua trajetória de crescimento
e inovação. Os investimentos significativos
em tecnologias aplicadas à mobilidade
apontam para um futuro ainda
mais promissor nos anos vindouros,
alinhados com as metas de segurança
rodoviária e de neutralidade carbónica.
A Daimler Buses Portugal está pronta
para o compromisso!
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TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO
eCMR
A tecnologia que simplifica
o trabalho administrativo
dos motoristas
A CMR (Convenção relativa ao Contrato de Transporte Internacional de Mercadorias por
Estrada) é um acordo internacional que regula o transporte de mercadorias por estrada
entre diferentes países.
A
CMR foi criada com o
objetivo de estabelecer
normas uniformes e
claras para o transporte
rodoviário internacional,
oferecendo segurança jurídica tanto
para transportadores quanto para
destinatários, bem como para as partes
envolvidas no processo logístico.
Aplica-se a transportes internacionais
realizados por estrada, com algumas
excepções e variantes conforme os diferentes
contextos legais e geográficos.
COMPONENTES PRINCIPAIS
DA CMR:
» 1. Contrato de transporte: A CMR
define as condições do contrato de
transporte entre o expedidor e o
transportador.
FILIPE CARVALHO
CEO Wide Scope
» 2. Carta de porte: O transporte é
documentado por meio da "Carta de
Porte CMR", um documento legal
que detalha as condições e res-
e-MOBILIDADE 49
TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO
Filipe Carvalho
ponsabilidades do transporte. Este
documento é essencial tanto para o
transportador quanto para o expedidor
e serve como prova do contrato
e da entrega da carga.
» 3. Responsabilidade: A CMR
estabelece a responsabilidade do
transportador em relação à carga, incluindo
os casos de perda, dano ou
atraso na entrega das mercadorias.
» 4. Normas de Regulação: A CMR
prevê regras claras para as acções a
serem tomadas em caso de disputa,
ajudando a mediar e resolver questões
relacionadas com o transporte
de mercadorias por estrada.
A eCMR é a versão digital da tradicional Carta de
Porte CMR, e a sua utilização traz várias vantagens em
comparação com o modelo em papel, tanto para empresas
de transporte quanto para os seus motoristas e clientes.
Além disso, a digitalização facilita o
rastreamento de todas as alterações e
acções realizadas no documento.
» 3. Redução de custos: Ao eliminar
os custos associados ao manuseio
e envio de documentos em papel
(como impressão, correio e armazenamento
físico), as empresas podem
reduzir as suas despesas operacionais.
A eCMR também facilita o
arquivamento digital, reduzindo
custos com espaço de armazenamento
físico.
Apesar das suas vantagens, a CMR passou
a ser mais um processo burocático
na vida de transportadores e motoristas,
com a utilização de mais papel.
Por este motivo, em 2008 foi regulamentado
um protocolo adicional à
convenção CMR para a adopção de
documentos electrónicos no transporte
internacional de mercadorias por estrada,
ratificado por Portugal em 2013, e
que ficou conhecido por eCMR.
ECMR: A DIGITALIZAÇÃO DA CMR
A eCMR é a versão digital da tradicional
Carta de Porte CMR, e a sua utilização
traz várias vantagens em comparação
com o modelo em papel, tanto
para empresas de transporte quanto
para os seus motoristas e clientes,
como por exemplo:
» 1. Eficiência operacional: A eCMR
elimina o uso de papel, acelerando
o processo de emissão e troca de
documentos. Ela pode ser gerida de
forma rápida e digital, o que reduz
o tempo necessário para completar
a documentação do transporte e
minimiza o risco de erros administrativos.
» 2. Segurança e confiabilidade: A
versão digital da CMR é mais segura,
pois garante maior integridade e autenticidade
dos documentos, através
de assinaturas digitais e criptografia.
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» 4. Melhor rastreabilidade: A eCMR
oferece uma visão clara e imediata
do estado do transporte, com a
possibilidade de realizar verificações
em tempo real sobre o progresso da
entrega e os documentos associados.
Isso ajuda a manter o controlo sobre
o processo logístico e a resolver
problemas rapidamente.
» 5. Sustentabilidade: A adopção
de soluções digitais, como a eCMR,
contribui para a redução do impacto
ambiental ao diminuir o consumo
de papel e recursos associados à impressão
e ao transporte de documentos
físicos.
» 6. Facilidade de acesso e partilha:
A eCMR facilita a partilha de documentos
entre as partes envolvidas
(transportadores, expedidores, destinatários,
seguradoras), garantindo
que todos os participantes tenham
acesso rápido e fácil à informação
necessária, independentemente da
sua localização geográfica.
» 7. Conformidade legal: A eCMR
segue os mesmos princípios da CMR
original, estando em conformidade
com as regulamentações internacionais,
o que garante que o transporte
esteja sempre dentro das exigências
legais. A adopção de soluções de
eCMR bem implementadas facilita a
gestão e o cumprimento de normas e
regras do transporte internacional.
COMO ADOPTAR UMA SOLUÇÃO
DE ECMR?
Existem várias aplicações de subscrição
online e outras que são parte integrante
de um software de gestão de transportes
com funcionalidades mais abrangentes.
Estas soluções são geralmente comerciais
mas algumas permitem a emissão
gratuita de alguns documentos por mês.
No entanto, existe também uma solução
open-source, disponível em https://github.com/openecmr/ecmr.
Esta solução
é constituída por uma aplicação web e
por uma aplicação móvel para os motoristas.
Ou seja, uma vez que se trata do
código-fonte é necessário instalá-la num
servidor e instalar a app directamente
nos dispositivos (Android) dos motoristas.
A componente de servidor permite definir
os dados de uma eCMR, através da
sua interface gráfica. O documento fica
depois disponível para os motoristas
visualizarem na app mobile.
Convem no entanto notar que a escolha
de uma boa solução de eCMR permite
não apenas a conformidade com os requisitos
legais, mas também ambiciona
melhorar a eficiência, segurança, sustentabilidade
e controle dos processos
logísticos, pelo que deve ser cuidada.
Em suma, a digitalização do processo de
transporte de mercadorias por estrada,
com a eCMR, representa um grande
avanço para as empresas que pretendem
optimizar as suas operações, reduzir
custos e melhorar a experiência do
cliente, ao mesmo tempo que mantêm
um alto padrão de responsabilidade e
transparência no transporte internacional.
A eCMR elimina o uso de papel, acelerando o processo
de emissão e troca de documentos. Ela pode ser gerida
de forma rápida e digital, o que reduz o tempo necessário
para completar a documentação do transporte e minimiza
o risco de erros administrativos.
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