Book 343
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Marcas, Marketing e Negócios
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
3
EDITORIAL
Das marcas que
nos marcam
H
á marcas que nos marcam, num momento
ou para sempre. Nisso, todos
concordamos! Depois, há as marcas que
as mesmas nos deixam. As que consumimos,
que compramos, que não trocamos,
que queremos ter à mesa, em casa.
As que não nos importamos de pagar
mais porque o seu valor vai para além
do comercial, é emocional, é intangível,
é de relação e de emoção.
Ou as pessoas que nos marcam a
vida. As marcas em jeito de família e
amigos, aquelas que levamos da vida
pela vida. E as que se tornam gente em
forma de marca pública, as pessoais,
nas artes, nas ciências, na política. Em
muitas delas, há a voz. A voz que marca.
A voz da música, a voz da rádio, a
voz do teatro, a voz da campanha que
passa na TV e nos faz parar e olhar. A
voz, essa força maior que distingue,
mas que agrega.
E os sons, os sons dos lugares, os
sons da infância. Do rio, da lareira, da
onda do mar, dos risos, do campo, da
cidade. Os sons que mentalmente, em
ritmo de memória, nos colocam num
espaço de olhos fechados.
Texto
M.ª JOÃO
VIEIRA PINTO
Directora
de Redacção
da Marketeer
Nesta edição da Marketeer damos
particular destaque a uma marca que é
tudo isso, ao partilharmos o trabalho
que consubstancia a nova imagem de
Braga. É de marca cidade que aqui se
fala, mas é, também, de marcas nela,
entre os doces e o clero, a sapiência universitária
ou o artesanato. Os sons dos
sinos que repicam a cada 15 minutos.
As cores e formas das portas que abrem
as casas e a cidade a quem lá chega.
Porque uma marca só é uma boa
marca se trouxer alma consigo, se acarretar
todo um universo de histórias que
nos fazem querer contar-lhe a história.
Tudo o resto, bem tudo o resto será
areia que se esvairá entre os dedos, em
algum tempo. E esse tempo talvez não
lhe valha a pena!
Conselho de Fundadores Alberto da Ponte, César Branco,
Francisco Amaral, Hugo Correia Pires, José Villa de Freitas, Luís Filipe
Reis, Miguel Sousa Otto, Pedro Pereira da Silva e Ricardo Florêncio
Conselho Editorial Afonso Cruzeiro, Álvaro Covões, Anabela
Silva, Carla Cruz, Catarina Barradas, Diogo Pereira Dias, Fernando
Oliveira, Filipa Appleton, Gonçalo Rebelo de Almeida, Inês Mendes
da Silva, Inês Simões, Inês Veloso, Isabel Roseiro, Joana Garoupa,
João Epifânio, João Santos, Jorge Aguiar, José Germano de Sousa,
Leonor Dias, Luis Drummond Borges, Luiza Galindo, Miguel Rangel,
Moez Sacoor, Patrícia Fernandes, Paula Canada, Paulo Campos
Costa, Pedro Mota Carmo, Pedro Ribeiro, Pedro Rodrigues, Ricardo
Domingues, Rita Pinho Branco, Rita Torres Baptista, Rui Miguel
Nabeiro, Rui Piteira, Rui Rijo Ferreira, Sérgio Carvalho, Sergio Leal,
Teresa Burnay, Teresa Lameiras e Tiago Simões
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Mendes Dias, José Eduardo Nunes, José Villa de Freitas, Maria João
Matos, Miguel Magalhães Duarte, Nuno Pinto Magalhães, Pedro
Pereira da Silva, Ricardo Tomaz e Tomás Pinto Gonçalves
Director Editorial
Ricardo Florêncio (ricardo.florencio@marketeer.pt)
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Maria João Vieira Pinto (maria.joao@marketeer.pt)
Redacção e online
André Manuel Mendes (andre.mendes@multipublicacoes.pt),
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Operações José Sousa (Operations Manager)
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Proprietários com mais de 5% do capital social
AMLC, SA; Gonçalo Dias; Manuel Lopes da Costa; Ricardo Florêncio
4
CAPA
Ivity Brand Corp.
Pessoas
É nas crises que a Licor Beirão mais investe
em publicidade. A lição de José Carranca Redondo, administrador, que
revela ainda o desejo de continuar a levar a marca a novos mercados por
todo o mundo P. 16
Casos
COMUNICAÇÃO
Agências de meios:
procuram-se especialistas
em ecossistemas P. 110
Aos 30 anos, a Euro M
apresenta nova imagem
e ambição P. 118
A QUE SOA A NOVA
MARCA DE BRAGA?
Braga é imensa. No tempo e nas
camadas interconectáveis que
ecoam por ela. É histórica.
Transformadora. Criativa. Activista.
Cativante. Expansionista.
Experiencialista. Sonora.
Para a sistematização da identidade
visual da marca Braga, desde cedo
percebemos a exigência em
corporizar, precisamente, a mais
vibrante cidade do País – e uma das
mais da Europa. Exigimo-nos definir
uma propriedade visual para uma
filosofia de território: um sistema
simbólico contemporâneo, para
incorporar a experiência de Braga
numa experiência de passado,
presente e (tanto) futuro.
Nesta procura, percorremos vários
caminhos. Entre o Bom Jesus e a
Pedralva, entre o Sameiro e o
Maximinos, encontrámos a
permanência de uma cidade
polifónica: que efervesce pela
multiplicidade de vozes, histórias e
tradições. E, foi aqui, que soubemos
que a identidade física da nova
marca de Braga devia reflectir isso e
exponenciar um elemento que
ressoasse tudo isso: tudo o que
Braga é de forma tão vibrante.
P. 26
Texto Ivity Brand Corp.
António Maçanita: o guardião
das castas e da História P. 44
Ecolã: lã portuguesa aquece
mercados como o Japão P. 50
Os jogos da Infinity Games são
para exercitar a mente P. 54
Estratégias
A invasão dos snacks
saudáveis já chegou P. 72
A Caetano Auto é muito
mais que Toyota P. 78
Na LX Factory, também há
Fábricas de eventos P. 82
O futuro do luxo na visão
de Nini Andrade Silva P. 126
LIFESTYLE
Audi A5
e A6 e-tron
+ Gadgets
P. 134 + 138
Cadernos
especiais
Turismo + Seguros
P. 141 + 175
Pedro Corrêa da Silva
Dá balanço
à tua vida
6
CONSELHO EDITORIAL
JÁ HÁ
CATEGORIAS
para os Prémios Marketeer
A
arrancar o ano, e olhando já aos próximos
Prémios Marketeer, que acontecerão
em Julho no já habitual espaço do Convento
do Beato, em Lisboa, fechadas foram
finalmente todas as categorias que
chegarão a votação ainda durante o mês
de Março. Isto, porque todos os anos há
ligeiros ajustes nas referidas categorias,
tendo em conta alterações de mercado e
dos respectivos sectores. Ainda durante o
mais recente almoço do Conselho Editorial
da Marketeer, que decorreu no Hotel
Vila Galé Ópera, em Lisboa, tempo para
analisar mais uma vez a estrutura e alinhamento
da próxima Conferência da
Marketeer, que acontecerá a 15 de Maio,
na arena do Sagres Campo Pequeno. Um
almoço que serviu também para dar as
boas-vindas aos dois novos conselheiros,
nomeadamente, Ana Pinho, da Prio, e
Manuel Paula, do El Corte Inglés.
Presentes no almoço do Conselho
Editorial da Marketeer estiveram Ana
Pinho (Prio), Anabela Silva (BP), Inês
Simões (Ageas), Inês Veloso (Randstad),
Isabel Roseiro (Randstad), Joana Garoupa,
João Epifânio, Manuel Paula (El Corte
Inglés), Paula Canada, Paulo Campos
Costa, Pedro Rodrigues (Desafio Global),
Rui Piteira (PMI), Rui Rijo Ferreira (Recordati),
Sérgio Leal (McDonald’s), Teresa
Burnay (Unilever), Teresa Lameiras
(SIVA) e Tiago Simões (Betclic).
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
7
TIAGO SIMÕES INÊS SIMÕES SÉRGIO LEAL
MANUEL PAULA
PAULO CAMPOS COSTA TERESA LAMEIRAS ISABEL ROSEIRO
ANABELA SILVA
JOÃO EPIFÂNIO ANA PINHO PAULA CANADA RUI RIJO FERREIRA PEDRO RODRIGUES
JOANA GAROUPA RUI PITEIRA TERESA BURNAY
INÊS VELOSO
8
CONSELHO CONSULTIVO
Que marketing
vamos ter
EM 2025?
P
reparar a próxima Conferência da
Marketeer, esboçando os temas que serão
abordados, mas também os formatos
que serão explorados e os oradores
que subirão a palco no evento, foi um
dos principais pontos na agenda do
primeiro encontro em 2025 do Conselho
Consultivo da Marketeer, composto
por alguns elementos do Conselho de
Fundadores, bem como do Conselho
Editorial da revista.
Neste início do ano, a conversa centrou-se
ainda nos temas que mais impacto
terão na actividade das marcas e
dos marketeers em 2025, com os conselheiros
a anteverem um crescimento
cada vez mais exponencial da Inteligência
Artificial, mas também um
equilíbrio com o lado mais humanista
e criativo, que será essencial numa era
em que consumidores procuram (e exigem)
transparência e honestidade por
parte das marcas. Nesse sentido, o papel
do director de Marketing continuará
a transfigurar-se: mais do que um
analista de dados, terá que ser, cada vez
mais, um analista de informação.
Também a próxima edição dos Prémios
Marketeer esteve em destaque neste
encontro, em que foram discutidas as
categorias que estarão a concurso.
O encontro do Conselho Consultivo
decorreu no hotel Vila Galé Ópera,
em Lisboa, e contou com a presença
dos seguintes conselheiros: César
Branco, José Eduardo Nunes, José Villa
de Freitas, Maria João Matos, Miguel
Magalhães Duarte, Nelson Pires e Tomás
Pinto Gonçalves.
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
9
TOMÁS PINTO GONÇALVES
CÉSAR BRANCO
MIGUEL MAGALHÃES DUARTE
MARIA JOÃO MATOS
JOSÉ VILLA DE FREITAS
NELSON PIRES
JOSÉ EDUARDO NUNES
10
TENDÊNCIAS
JOSÉ
MOURINHO
LANÇA VINHO
INSPIRADO
EM PORTUGAL
01
Dos relvados para
o vinho, o treinador
português
José Mourinho
juntou mais um projecto ao
currículo: um novo vinho.
José Mourinho anunciou o
lançamento do “The Special
One”, um vinho da região do
Douro nomeado em tributo
ao nome pelo qual sempre
foi conhecido.
O treinador português,
actualmente ao serviço do
Fenerbahçe, lançou o “The
Special One” através de
uma publicação feita no
Instagram, onde destaca
a “precisão, a qualidade e a
excelência em tudo o que
faz”, não sendo este vinho
a excepção.
«Como alguém que valoriza
a precisão, a qualidade e a
excelência em todos os
desafios, tenho o orgulho de
apresentar o meu próprio
vinho: The Special One.
Escolhido a dedo de uma das
minhas regiões favoritas em
Portugal, este vinho reflecte
o espírito da minha terra natal
e o meu desejo incansável de
desfrutar de cada momento
na vida. Criado com paixão
e cuidado, é um presente de
uma pessoa especial [special
one] para outra», lê-se na
mensagem partilhada.
ALTICE VAI
MUDAR MARCA
INSTITUCIONAL
02
A Altice decidiu
alterar a designação
das marcas
institucionais em
Portugal para MEO, à excepção
da Altice Labs que, por
agora, irá manter-se. A
operadora justificou a
alteração com o objectivo de
“simplificar a comunicação e
unificar a sua presença no
mercado sob uma identidade
única”, explicou fonte oficial,
questionada pela Lusa.
Desta forma, as marcas
institucionais assumem a
marca MEO, nomeadamente
a Fundação Altice, que passa
a Fundação MEO, e a Altice
Cuidados de Saúde passa a
MEO Cuidados Saúde.
«Este caminho de simplificação
de marcas e comunicação
iniciou-se em 2023,
como é exemplo disso a MEO
Empresas», acrescentou a
empresa liderada por Ana
Figueiredo, sem revelar, contudo,
o custo desta mudança.
Além do segmento empresarial,
a marca MEO também
endereça os serviços para o
mercado residencial.
PAINÉIS PUBLICITÁRIOS VOLTAM
A SER LIGADOS EM LISBOA
04
O Tribunal Administrativo
de Lisboa homologou um
acordo entre ACP,
JCDecaux, CML e MOP,
após a providência cautelar para
travar a instalação de 125 painéis
publicitários de grande formato nas
principais vias de circulação de
Super Bock
lança máquina
portátil
de cerveja
03
A Super Bock
apresentou uma
inovação que permite
desfrutar de
cerveja à pressão em qualquer
ambiente. A nova
máquina Super Bock à
Pressão é portátil e utiliza
barris de até 7 litros, facilitando
o consumo ao ar livre.
Desenvolvida com tecnologia
e design 100% portugueses,
contou com o apoio do PRR e
a colaboração das empresas
nacionais WeADD, Simplastic
e Polipop. «Este projecto
reflecte a nossa ambição em
inovar e criar soluções que
permitam aos consumidores
desfrutar das marcas Super
Bock de uma forma prática
e autêntica», comenta Tiago
Brandão, director de I&D
e Inovação da Super Bock.
Lisboa. No seguimento da reanálise
dos casos indicados, a CML e a
JCDecaux acederam a fazer as
alterações, no que se refere à
dimensão, luminosidade e localização
de alguns dos equipamentos
correspondentes aos “painéis
digitais de grande formato”.
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12
TENDÊNCIAS
MODA DE ROUPA
EM SEGUNDA
MÃO CRESCE 17,6%
05
Em 2024, o mercado
global de vestuário
em segunda
mão cresceu 17,6%
em relação ao ano anterior.
O sector alcançou 204,7 mil
milhões de dólares, ultrapassando
o mercado tradicional
de vestuário, que registou
uma subida de apenas 0,1%.
De acordo com a GlobalData,
este aumento é reflexo da
crescente popularidade da
moda sustentável e do consumo
consciente, especialmente
entre as gerações mais jovens.
As previsões indicam que
o mercado de vestuário em
segunda mão manterá a sua
expansão nos próximos anos.
Estima-se que, em 2025, o
crescimento seja de 13,3%,
com uma taxa de crescimento
anual composta (CAGR) de
11,4%, entre 2023 e 2028.
Alice Price, analista de vestuário
na GlobalData, sublinha
que «a procura tem sido
alimentada pela necessidade
dos consumidores de encontrar
opções mais económicas,
especialmente em regiões
como a América do Norte e a
Europa. Além disso, cresce a
consciência ambiental, com os
consumidores mais atentos ao
impacto do excesso de roupas
nos aterros sanitários».
APPLE É A MARCA
MAIS VALIOSA DO MUNDO
06
A Apple é, mais uma vez,
a marca mais valiosa do
mundo. A consultora
global de avaliação de
marcas Brand Finance avalia a marca
fundada por Steve Jobs em 574,5 mil
milhões de dólares para 2025, man–
tendo-a à frente da rival mais próxi–
ma, a Microsoft, avaliada em 461 mil
Airbnb quer
ser a “Amazon
das viagens”
07
O aluguer de aloja–
mentos de curta
duração já não é o
único negócio da
Airbnb. A empresa está a expandir-se
com o objectivo de
se tornar numa plataforma
completa para viagens e
habitação, à semelhança da
diversificação da Amazon.
O CEO, Brian Chesky, anunciou
um investimento entre
200 e 250 milhões de dólares
para lançar novas funcionalidades,
previstas para Maio de
2025. A Airbnb pretende que
os utilizadores recorram à
aplicação com mais frequência
e que possam planear
as férias, ou outro deslocamento
que obrigue a viagem
e alojamento, de uma forma
mais rápida e completa. A
maioria usa-a uma ou duas
vezes por ano, mas a ambição
da empresa é que seja usada
de forma semanal.
milhões de dólares. De acordo com a
pesquisa Brand Finance’s 2025 Glo–
bal 500, quatro das cinco marcas
mais valiosas do mundo são de
tecnologia: em terceiro está a Goo–
gle (413 mil milhões de dólares), em
quarto a Amazon (356,4 mil milhões
de dólares) e a Walmart em quinto
(137,2 mil milhões de dólares).
MUDOU A
FORMA COMO
SE PROCURA
INFORMAÇÃO
08
De acordo com um
estudo recente
divulgado pelo
portal Statista,
intitulado “Geração Z na Era
da Informação Digital”, os
GenZ (nascidos entre 1995 e
2010) estão a transformar o
acesso, consumo e difusão da
informação na era digital. A
Geração Z prioriza as redes
sociais e o conteúdo audio–
visual curto. Segundo estes
dados, 46% dos jovens
procuram primeiro nas redes
sociais antes de recorrer ao
Google, com o TikTok a liderar
no que toca à descoberta de
produtos, moda e tendências,
ainda que o Google se
mantenha uma referência
quando o assunto são temas
mais complexos, como
finanças e educação.
Este fenómeno obriga as marcas
a optimizarem a sua presença
em plataformas como
TikTok, Instagram e YouTube,
onde a Geração Z realmente
procura informação. A Inteligência
Artificial é usada pela
GenZ no seu quotidiano, mas
ainda não representa uma
fonte primária de informação.
NOVA MÁQUINA DELTA Q
AINDA AGORA CHEGOU E JÁ É ICONIQ
A NOVA MÁQUINA DA DELTA Q COMBINA UM DESIGN ICÓNICO DE LINHAS
MINIMALISTAS E CORES SURPREENDENTES COM UM ECRÃ TOUCH INTUITIVO.
JÁ DISPONÍVEL NOS PONTOS DE VENDA HABITUAIS.
14
TENDÊNCIAS
QUAIS AS
EMPRESAS MAIS
ADMIRADAS
DO MUNDO?
09
Numa selecção
da consultora
global Korn
Ferry, em parceria
com a revista “Fortune”, a
Apple destacou-se como a
empresa mais admirada do
mundo para se trabalhar.
Pelo 17.º ano consecutivo, a
gigante da tecnologia ocupa
o topo da lista das Empresas
Mais Admiradas do Mundo,
que avalia a reputação
corporativa de mais de 650
companhias em diversos
sectores e mercados.
A selecção destas 50 empresas
considera factores como
inovação, eficácia operacional,
gestão de talentos, valor
como investimento de longo
prazo e responsabilidade
social e ambiental.
O ranking deste ano inclui,
além da Apple, empresas
como Microsoft, Amazon.
com, Nvidia, Berkshire
Hathaway, Costco Wholesale,
JPMorgan Chase e Walmart.
A selecção é dominada por
empresas dos EUA, com
algumas representantes da
Europa (como BMW, L’Oréal,
Novo Nordisk e SAP) e da
Ásia (como Samsung
Electronics, Toyota Motor e
Taiwan Semiconductor).
WHATSAPP TEM
NOVA FUNCIONALIDADE
10
Depois de ter fechado um
novo acordo com o Universal
Music Group para
que o utilizador possa
partilhar as músicas que pretende
através de actualizações de estado
e assim animar imagens ou vídeos, o
WhatsApp vai agora permitir ligar as
contas de redes sociais ao perfil do
Movimento
“no-buy” ganha
força entre
consumidores
11
De acordo com
um estudo do World
Advertising
Research Center
(WARC), o fenómeno do
movimento “no-buy” está a
crescer à medida que os
consumidores manifestam
cansaço face ao excesso de
consumo e passam a reduzir
significativamente as compras
que fazem.
O “no-buy 2025” já se tornou
um movimento, impulsionado
por influenciadores nas redes
sociais. Para as marcas, o desafio
passa por equilibrar o desejo
do consumidor de comprar
menos com ofertas que se
alinhem a estes valores.
Apostar na circularidade, na
transparência e na sustentabilidade
pode ser o caminho
para se manterem relevantes
neste novo cenário.
utilizador no WhatsApp. A ideia da
aplicação de chat é criar uma nova
secção no perfil do WhatsApp, que
permitiria aos utilizadores adicionar
links para os seus perfis na rede
social. A partir deste novo espaço
poderá partilhar conteúdos nas
suas contas de redes sociais sem
sair da aplicação.
GERAÇÃO Z
E A
TELEFOBIA
12
Fazer ou receber
chamadas tele–
fónicas, que
outrora era um
hábito comum, tornou-se
uma fonte de ansiedade para
muitos jovens da Geração Z.
Ao crescer na era digital, esta
geração, nascida entre 1997 e
2012, prefere mensagens de
texto ou de voz, ou interacções
via redes sociais na
hora de comunicar, em vez
das chamadas tradicionais.
Como resultado, muitos
jovens ganharam ansiedade
e têm dificuldades de comu–
nicação verbal, desenvolvendo
mesmo o receio de
atender ou fazer chamadas.
Uma investigação da
Uswitch, de 2024, revelou
que quase um quarto dos
adultos britânicos entre 18
e 34 anos nunca atende o
telefone, enquanto 61%
preferem mensagens a
chamadas. O medo do
desconhecido é apontado
como um dos principais
factores para essa fobia: sem
feedback visual, muitos
jovens sentem-se inseguros
sobre como estão a ser
entendidos na conversa.
16 Entrevista principal
PESSOAS
José
Carranca
Redondo
Texto
M.ª JOÃO
VIEIRA PINTO
Fotografia
PAULO
ALEXANDRINO
«É nas crises
que mais
investimos
em
publicidade»
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
17
Desde que se conhece, que
conhece Licor Beirão. A marca
criada pelo pai, que José Carranca
Redondo ajudou a promover,
comunicar e levar ao mundo, e
que entretanto já “passou” à nova
José Carranca Redondo,
administrador do Licor Beirão
geração, os filhos. Agora,
confirma que a marca pode
continuar a crescer mais ainda e
chegar a novos mercados
externos, conquistando
consumidores locais. Um
objectivo em marcha
18 Entrevista principal
PESSOAS
S D
ão dezenas de milhares de garrafas
esde o casamento do caixeiroque
saem por dia da Quinta do Meiral
– local onde é produzido o Licor
cêutico, até hoje, quais foram os
-viajante com a filha do farma-
Beirão – num total superior a oito
momentos mais determinantes e
milhões por ano. O elixir que há um
que fazem parte da história desta
marca?
século servia para curar problemas
estomacais é, desde 2008, a bebida espirituosa
mais vendida em Portugal e
pai me contou, porque trabalhou
Um é a parte histórica que o meu
tem vindo a reforçar nos mercados
nessa pequena fábrica que o tal
externos – são 40 hoje, no total –,
vendedor de Vinho do Porto fez
cujo peso nas vendas já chega a perto
na Lousã, onde produzia cerca de
de 30%. Desde sempre, que inovação, diferenciação, comunicação
e qualidade têm sido pilares desta marca que, como diz anos e esteve nessa fábrica de licores durante quatro ou cinco
60 a 70 bebidas. O meu pai começou lá a trabalhar com 12
José Carranca Redondo, o rosto da terceira geração, «é em momentos
de crise» que mais investe.
máquinas de escrever, tornou-se um vendedor de sucesso e,
anos. Mais tarde, já com 18, entrou na Remington, empresa de
No Marcas com Marca, da Marketeer, José Redondo desfiou
parte da história que começou a ser escrita em finais do regressou aos Estados Unidos da América, fechou todos os es-
em 1940, quando começou a II Guerra Mundial, a Remington
século XIX, quando um caixeiro-viajante de vinhos do Porto, critórios na Europa, passou a fabricar material de guerra, e o
de passagem pela Lousã, se apaixonou pela filha de um farmacêutico
e o namoro deu em casamento. A fórmula, essa conti-
mãe, decidiu propor-lhe casamento: “Eu compro a fábrica de
meu pai ficou desempregado. Como já andava atrás da minha
nua secreta e só conhecida por si e pelo filho Daniel – a quarta licores, tu ficas a tratar dos licores, e eu vou tratar dos meus
geração já está na empresa –, sendo que o portefólio tem vindo outros negócios.” O meu pai era um empreendedor nato, tivemos
sete ou oito grandes empresas, líderes no mercado a ser alargado num piscar de olhos à geração mais jovem.
em
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
19
vários sectores. Um ano depois, casaram. Foi aí que se iniciou
todo este processo.
São valores que continuam ainda presentes na empresa e que
vão assegurando de geração em geração, porque são todos
criativos, são todos marketeers, homens de negócios...
Exactamente, eu segui a filosofia do meu pai, porque ele teve
uma coisa absolutamente inacreditável: comprou a fábrica no
dia 11 de Março, quando estava a começar a II Guerra Mundial,
e, logo nesse mês, mandou fazer uns cartazes do Licor
Beirão, que era aquela célebre tabuleta com o passarinho em
cima. Começou com um balde de cola, um escadote e um pincel,
a afixar cartazes na região do Centro.
Havia, na altura, um ministro da Economia de Salazar, o
Dr. Ulisses Cortez, que tinha duas irmãs na Lousã e que mandou,
mais do que uma vez, recados para a irmã a dizer “digam
lá ao Zeca para parar com a publicidade, porque ele vai
abrir falência, isto não vai dar nada”.
Hoje, gostava que esse homem fosse vivo, para perceber o
que um homem com a 4.ª classe teve o engenho e a arte de
pensar. O meu pai dizia com frequência “até a galinha quando
põe o ovo cacareja”. Ou seja, se tivermos uma marca, ela
pode ser muito boa, pode ser um produto extraordinário, mas
se não a soubermos publicitar, não vendemos. O contrário
também é verdade, se gastarmos milhões em publicidade e o
produto não for bom, também não se vende. Porque podemos
durante um ano, dois ou três enganar o consumidor, mas não
o enganamos sempre.
Comecei logo com seis ou sete anos a acompanhar o meu
pai, toda a vida o acompanhei.
Começou a trabalhar na empresa também muito cedo!
Muito cedo. Eu gostava daquilo e todo o meu percurso académico
foi feito dentro da fábrica, ocupava todos os tempos
livres na fábrica, porque gostava. Além disso, o meu pai era
suficientemente inteligente e levava-me à fábrica onde eu brincava
e dava-me gratificações. Foi exactamente o que eu fiz com
os meus filhos e que já faço com os meus netos.
Por isso acredita que toda esta transmissão de valores já está
asseguradíssima para as gerações que aí vêm?
Penso que sim. Tenho 10 netos, todos eles passam as férias pela
fábrica, andam por lá, mas depois têm que vir ao meu gabinete
fazer um relatório daquilo que viram. E mais, discutimos
o valor que eles devem ganhar. A verdade é que começam a
conhecer a fábrica por dentro
E a fórmula de Licor Beirão?
O meu pai, quando comprou a fábrica, ela produzia cerca de
70 a 75 produtos. Logo aí o meu pai decidiu reduzir para seis
ou sete bebidas, entre as quais estava o Beirão. Como também
estavam outros dois licores, o da Raquel e o Monte Carlo.
« É nos períodos de maior crise que mais
apostamos na publicidade. A primeira
coisa que muitos directores-gerais têm
tendência a fazer é cortar na publicidade,
é poupar. Nós é exactamente
ao contrário…»
O meu pai pegou um dos três e começou a fazer propaganda
ao Beirão e quem começou a tratar da fórmula foi a
minha mãe. Ela pesava as plantas, as sementes eram colocadas
em bidons de 60 litros… Naquela altura comprava-se 15
quilos de funcho, 10 quilos de coentros. Agora compram-se
toneladas. Mas foi a minha mãe, até 1970, quem sempre tratou
disso.
Entretanto, quando eu regressei do Ultramar, comecei a
acompanhar a minha mãe e, desde aí até agora, sou eu que
uma ou duas vezes por semana vou ver as plantas, vou pesá-
-las e vou entregá-las aos funcionários.
A receita é secreta. Quem é que a conhece?
Só duas pessoas conhecem a receita, eu e o meu filho mais
novo, que também é um especialista, tem um bom nariz.
Ela é mesmo secreta. Mas, se fizessem um licor verdadeiramente
igual, eu colocava numa grande superfície o Licor
Beirão e, ao lado, um licor XPTO com Beirão lá dentro. E informava,
inclusive, que o outro também era Licor Beirão. Um
custaria 14 euros e outro sete, por exemplo. Sabe qual é que se
vendia? O Licor Beirão.
É a força e o valor da marca!
São os grandes valores.
Com meia dúzia de milhões de euros, faço outra fábrica
de Licor Beirão. Mas para se fazer a marca, uma nova marca,
é preciso 60 ou 70 anos, porque as marcas têm que ser alimentadas
diariamente. Faço muitas palestras por este País e
às vezes fico impressionado quando alguns jovens me dizem
que já não se lembram de campanhas que fizemos há 10 anos.
Um administrador ou um director de uma empresa que não
pense nisso está a afundar a empresa. É nos períodos de
maior crise que mais apostamos na publicidade. A primeira
coisa que muitos directores-gerais fazem é cortar na publicidade,
é poupar. Nós é exactamente ao contrário…
Recordo que mesmo na pandemia continuaram a investir!
Precisamente.
20 Entrevista principal
PESSOAS
Desde o início que o seu pai gostava de comunicar a marca
e partilhá-la. Vocês continuam a investir imenso em publicidade,
em acções de comunicação e marketing… É determinante
para continuar a crescer cá dentro e lá fora?
Sem dúvida. Aliás, é um tema quase diário perceber o que é
que podemos fazer para melhorar a comunicação da marca.
Isso faz parte quase do nosso ADN. Eu fui o produtor de todos
os materiais de merchandising do Licor Beirão até aos anos 70-
-80. Agora é completamente diferente, mas estamos sistematicamente
a tentar descobrir novas formas. Não estamos fechados
numa concha a pensar que sabemos tudo.
Recentemente, têm vindo a diversificar o portefólio. Não receia
que a marca se possa perder pelo caminho?
Isso é uma discussão recorrente que tenho com os meus filhos.
Muitas vezes dou o exemplo do meu pai, quando ele reduziu de
70 e tal marcas para cinco ou seis produtos. É uma coisa que
me preocupa, mas muitos destes assuntos já me ultrapassam e
são tratados pelos meus filhos. Ainda recentemente comprámos
Safari, sendo que fomos a primeira empresa portuguesa
de bebidas a comprar uma marca internacional Foi um investimento
relativamente grande, mas compensador.
Depois de Portugal, Licor Beirão começou a entrar noutras
geografias. Foi difícil?
Foi muito difícil naquela altura. Agora é relativamente fácil,
mas tem que se acertar nos nossos clientes, ter a sorte de encontrar
bons players. Agora é mais fácil, antigamente era tudo
por carta e podia demorar 15 dias. Começámos a exportar para
França e agora exportamos para 40-50 países. Neste momento
já procuramos conquistar o autóctone, não a exportação para o
português que vive no estrangeiro.
Exportamos pessoas, exportamos talentos, e com quem é
que esses talentos se dão nos sítios onde vivem? Com os au-
« Muita gente pensa que o Licor Beirão
é uma multinacional, até pelo volume de
vendas e pela dinâmica que temos, mas
tóctones. O que é que esses talentos, quando têm um jantar e
convidam amigos, oferecem? Um Licor Beirão. Os nossos
emigrantes, na década de 60 e 70, ajudaram muito, mas não
tinham esses contactos sociais.
E desses mercados externos, quais é que foram os que lhe deram
mais gosto conquistar?
O que me dava mais gosto era o americano. Para já, porque
eram quatro ou cinco empresas, que todos os anos vinham fazer
o circuito por Portugal. Todos os anos, tinha esses cinco
almoços com esses meus clientes americanos. Depois também
com o Luxemburgo, onde vendemos muito bem.
A Suíça também é um bom mercado. E agora estamos a
conquistar novos mercados.
Onde é que gostava de levar a marca?
A todo o mundo. A toda a parte onde houver uma pessoa que
aprecia um bom licor.
No total, são quantos milhões de litros por ano?
Se somarmos todas as garrafas de licor que fazemos, ultrapassa
largamente os oito milhões de garrafas. Quando pensávamos
em plantas, antigamente pesava-se cinco quilos de uma,
quatro quilos de outra, agora pesa-se 300-400 quilos de uma...
Agora compramos plantas às toneladas, de todo o mundo.
A transição para os filhos está assegurada, para os netos
eventualmente também… Alguma vez venderia esta marca?
Digo sempre a mesma coisa: isto é como vender um filho. Para
mim, Licor Beirão é como um filho. É um sentimento de pertença.
Mas, houve sempre, ao longo dos anos, tentativas de
compra da marca.
Em termos de empresa e de marca, qual é a grande ambição?
A grande ambição é ver o Daniel e o Ricardo terem sucessores
dentro da família. Mas não estou obcecado que a empresa seja
sempre dirigida por familiares. Os familiares estarão lá e, para
isso, existe um protocolo familiar muito bem elaborado.
Muita gente pensa que o Licor Beirão é uma multinacional,
até pelo volume de vendas e pela dinâmica que temos,
mas eu não quero que seja assim. Quero que o factor familiar
sobreviva a todos os outros. Se o conseguirei ou não, penso
que sim.
eu não quero que seja assim. Quero
que o factor familiar sobreviva
a todos os outros.»
Os portugueses reconhecem que a marca é portuguesa?
Penso que sim, até, para começar, pelo nome Beirão. Em segundo
lugar, estamos a falar de uma empresa familiar
Penso que um português que está a beber um Licor Beirão
sente algum orgulho e que aquilo é português.
Como é que marca a marca Licor Beirão?
É uma marca de excelência, reconhecida por todos como uma
marca de excelência.
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21
BI
JOSÉ REDONDO
Casado, pai de quatro filhos
e avô de 10 netos. Empresário
e dirigente desportivo.
José Redondo é administrador
da J. Carranca Redondo,
Lda., empresa produtora do
Licor Beirão. Desde criança
que acompanhou o pai nos
negócios da família. Aos 18
anos já era responsável pela
produção e distribuição de
publicidade e dedicou-se a
técnicas de fabrico revolucionárias
na altura, como a
serigrafia ou a aplicação em
fibra de vidro. Foi aluno de
Engenharia Mecânica até ao
3.º ano, até ser chamado
para cumprir o serviço
militar em Moçambique. Nas
décadas de 70 e 80 foi
administrador da sua
empresa de material
reflector e publicidade.
Os anos 90 trouxeram um
aumento exponencial do
consumo de Licor Beirão, em
Portugal e no mundo, o que
justificou que toda a sua
actividade passasse a estar
focada na produção e
promoção deste espirituoso.
De 2008 a 2011, foi
administrador da Active
Brands S.A, empresa que
distribuía o licor e, em 2011,
fundou a Companhia
Espirituosa, actual Casa
Redondo, distribuidora do
Licor Beirão e de outros
espirituosos. Em 2017, fundou
a Liquid Company, distribuidora
para o estrangeiro
do Licor Beirão e outras
bebidas portuguesas.
22
PESSOAS
perfil
JOANA CARDOSO
Na vida de...
Idade
47 anos
Formação
Licenciatura em
Comunicação
Empresarial
Música
“Bohemian
Rhapsody”, Queen
Livro
“Sapiens: História
Breve da Huma–
nidade”, de Yuval
Noah Harari
Filme
“E Tudo o Vento
Levou”, Victor
Fleming
Série
“Family Ties” (Quem
Sai aos Seus)
Hobbies
Ginástica e gerir as
actividades desportivas
dos filhos
Marca
Disney
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23
Competitiva
e
cooperativa
Texto
MARIA
JOÃO LIMA
Fotografia
PAULO
ALEXANDRINO
Ginasta desde tenra idade, a nova
directora de Marketing do Banco
Credibom cedo percebeu que
cair era só uma etapa de voltar
a tentar e superar
A
s instituições financeiras
têm sido a sua área de especialização
desde que, em
1999, quando frequentava o
último ano de Comunicação
Empresarial, no ISCEM, entrou
na área de marketing e
comunicação do Cetelem
para um estágio. Permaneceria
15 anos na empresa,
passando por várias áreas.
Descartado ficaria o jornalismo, uma das hipóteses quando
escolheu o curso. Depois de um estágio no Parque Mayer e outro
no gabinete de imprensa da Câmara Municipal de Lisboa,
começou a achar mais interessante a dinâmica da comunicação
empresarial e de marketing. «O curso permitiu ter uma visão
abrangente das disciplinas que existem numa empresa, compreendendo
as suas dinâmicas.»
E se inicialmente no Cetelem era necessário deitar mão a
tudo o que dizia respeito à área de Comunicação (do copy ao
design e à comunicação institucional), com o crescimento da
instituição começaram a ser lançados concursos para agências
de comunicação e de publicidade, «já que não havia capacidade
para internalizar tudo». Na fase seguinte enveredou para o lado
da gestão comercial e de marketing. Mais tarde acumula o marketing
directo e CRM. Desviando da comunicação, chegou a ter
a área de empréstimos pessoais e as equipas operacionais que
atendem os clientes. «Essa foi das passagens mais enriquecedoras
e que me fez dar um salto em termos de percepção do que é
o negócio. Fiquei em contacto com os clientes e os seus problemas.»
Algo que considera essencial para a função de marketing.
Entre as pessoas que a marcaram, ao longo dos anos, destaca
Ramon Corominas, com quem trabalhou no Cetelem e na
Cofidis. «Foi a pessoa que mais me ensinou na área comercial e
de negócio e me fez crescer mais.» Numa altura em que tinha a
parte do produto (cartões e meios de pagamento) do Cetelem,
desafiá-la-ia a sair para a Cofidis de maneira a lançar o cartão
de crédito. Acaba por ficar oito anos na empresa, lançando a
solução de pagamentos Cofidis Pay. «Foi um desvio da minha
origem do marketing, focando mais em produto.»
Resultado de uma formação numa escola de gestão de produto
digital, de São Francisco, Joana Cardoso apostou – naquele
que seria o seu último desafio na Cofidis, o Cofidis Pay – em
testar uma nova forma de desenvolver e pôr produtos no mercado,
bem diferente da que até então era usada, nomeadamente
no que respeita à forma de encarar a gestão de projectos versus a
gestão de produtos e o negócio versus a tecnologia. «O projecto
tem um início e um fim. O responsável de um produto é responsável
por ele de A a Z. E é uma só equipa a trabalhar com um
propósito comum para entregar um resultado a clientes.» A forma
de trabalhar típica nas empresas tecnológicas. Foi quando a
profissional se começou a perguntar como seria trabalhar numa
nativa tecnológica que funcionasse dessa forma. Encontrou uma
vaga na Revolut para lançar crédito em Portugal. Conquistou-a
e dessa experiência fica com a certeza de que não dá para fazer
igual. «Dificilmente vou conseguir fazer as mesmas coisas,
implementar as mesmas metodologias numa empresa com uma
estrutura diferente de outra que nasceu há menos tempo com
outras ferramentas.» Aquilo em que a nova directora de Marketing
do Banco Credibom acredita é que dá para começar a misturar
algumas realidades e para provocar mudanças de forma
mais acelerada. E afiança que as pessoas e a forma de interacção
com as mesmas é que fazem a diferença onde quer que estejam.
«A função do manager é gerir as pessoas que gerem os clientes.»
Aliás, reconhecendo-se como competitiva (algo que faz parte
de si desde que se lembra, tal como a prática de ginástica, que
lhe trouxe espírito de sacrifício, resiliência, capacidade de cair
e levantar), sublinha que é cooperativa. «Há que saber quando é
que se tem de cooperar para criar um resultado colectivo maior.
Aí entram temas como a confiança e a relação. Se não houver,
dificilmente o resultado colectivo é sustentável e durável.»
24
PESSOAS
mov
em
imento
Texto
MARIA JOÃO LIMA
MAFALDA S. MONTEIRO
Com mais de 10 anos de experiência
em estratégia de marca, projectos de
inovação e campanhas globais, cinco
dos quais na sede da Nespresso, na
Suíça, Mafalda Sttau Monteiro regressou
a Portugal assumindo a Direcção de
Marketing da Nespresso no País.
«Trabalhar com uma marca tão focada
nas pessoas, e em proporcionar momentos
tão inspiradores e de magia, tem
sido fantástico. Poder fazer parte de
uma marca tão criativa e que me permite
pensar fora da caixa é verdadeiramente
gratificante, e poder continuar a
trabalhar para o sucesso da Nespresso,
agora em Portugal, é a cereja no topo do
bolo», afirma. A profissional ingressou
na Nespresso em 2019. Como Senior Global
Brand Campaigns lead, desde 2022,
liderou a equipa na criação de plataformas
globais, bem como de campanhas
com George Clooney como “Até onde
iria por um Nespresso?”, “A Aposta” e,
a mais recente, “Detective George”.
Mónica
Brogueira
O Gato Preto nomeou Mónica Brogueira
como Chief Operations Officer, assumindo
a liderança da marca com a saída
de Carolina Afonso. Com mais de 20
anos de experiência no sector do retalho,
Mónica Brogueira, que está no Gato
Preto desde 2011, será responsável por
garantir a continuidade estratégica e
reforçar a posição da empresa no mercado.
A profissional tem uma licenciatura
em Gestão de Empresas e um MBA
no ISEG. Tem 48 anos e nos seus tempos
livres gosta de viajar.
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
25
CRISTÓVÃO MONTEIRO
O CH Group nomeou Cristóvão
Monteiro como novo director de Place
Branding da consultora portuguesa.
Assume a liderança de projectos de
desenvolvimento territorial, com um
foco estratégico no place branding e
no marketing territorial, contribuindo
para o fortalecimento da imagem e
identidade de territórios em todo o
mundo. Licenciado em Comunicação
Organizacional, mestre em Marketing e
Negócios Internacionais e doutorando
em Comunicação pela Universidade de
Vigo, coordenou diversos projectos de
investigação e consultoria estratégica.
Bárbara
Veríssimo
É a nova Global head of Communications
& Events da Emergn,
ficando com a responsabilidade
de gerir a comunicação
interna, employer branding,
relações públicas, eventos
globais, bem como os conteúdos
editoriais da empresa.
Bárbara Veríssimo ingressou
na Emergn em 2023. Durante
a sua carreira passou pela
Tlantic e agências como Porter
Novelli e H+K Strategies.
MARIANA
LIMA
O British Council nomeou
Mariana Lima como Marketing
manager, ficando a
profissional responsável por
apoiar o desenvolvimento e
a implementação da estratégia
e planos de marketing
da unidade de ensino.
Licenciada em Gestão pela
Puc-Rio, conta com mestrado
em Gestão de Negócios pela
IBMEC, e com um mestrado
em Gestão em Marketing pelo
IPAM. Com mais de 18 anos de
experiência na área do marketing,
trabalhou em retalho,
consultoria e comunicação.
Luís
Gomes
É o novo director de Marketing
do laboratório Biocodex.
Licenciado em Publicidade
e Marketing pela Escola
Superior de Comunicação
Social e com mestrado executivo
em Gestão pelo ISCTE,
Luís Gomes chega à Biocodex
após um percurso que
abrange cargos de liderança
em sectores como a indústria
farmacêutica, imobiliário,
retalho e grande consumo.
CAROLINA
AFONSO
A empresa de gestão de hotéis de luxo
Estoril 8023 contratou Carolina Afonso
como Chief Digital & Marketing Officer.
A profissional será responsável pelas
áreas de e-Commerce, Marketing e IT,
com o objectivo de impulsionar a transformação
digital e fortalecer a presença
da empresa no sector hoteleiro em
Portugal e nos mercados internacionais
onde opera. No seu percurso profissional,
Carolina Afonso conta com mais de
20 anos de experiência.
Jéssica
Lourenço
A Saint-Gobain Sekurit
Service Portugal e a Glassdrive
Portugal têm uma nova
directora de Marketing e de
Desenvolvimento de Negócio.
Jéssica Lourenço, anterior
coordenadora de Comunicação
Externa da Saint-Gobain
Solutions e de Comunicação
Corporativa de País, está há
quatro anos na Saint-Gobain
Portugal. É licenciada em
Marketing e pós-graduada em
Marketing Digital.
26 A que soa a nova Marca de Braga?
TEMA DE CAPA
A QUE SOAM AS MARCAS
DE UM PAÍS?
Esta pergunta poderá ser cada vez mais atual
nesta escalada de dúvidas identitárias que resultam
da ventania de modernidade que traz a
erosão de tudo o que nos distingue. No sentido
organizativo do termo: uma marca territorial
será um agregado de história e cultura que
se manifesta numa geografia concreta e se expressa,
em termos contemporâneos, numa sociedade
dominada por interesses económicos.
Ao longo deste caminho de 40 anos pelas
marcas de Portugal, aprendi que, para conhecer
realmente uma marca, temos de dormir
com ela. Sim, adormecer e acordar com ela.
Foi o que fiz, por exemplo, em 2022, na livraria Lello, quando
quis ouvir o que os livros tinham para me contar e constatei
que afinal são tímidos, que falam connosco, mas não se
ouvem. São barulhentos à sua maneira; são uma espécie de
pavões calados, que aguardam viçosos que os folheemos com
os olhos, traduzindo para o nosso imaginário as vontades impressas
nas páginas das suas almas.
Ouvir as intimidades das marcas foi, na verdade, o que
sempre fiz na minha forma desalinhada de ver o marketing
pós-Kotleniaro. Passei uma parte da minha vida nas estradas,
nas salas, nos aviões, nas conversas, nas dúvidas — das pessoas
e das marcas — a observar o que não estava escrito em
nenhum lado, mas que se ouvia por todo lado.
Tenho como convicção de que, para conhecer as marcas,
temos de ter ouvidos subtis, não devemos fazer perguntas objetivas
no sentido de obter respostas que, na maioria dos casos,
serão desinspiradas e funcionais. Devemos antes observar as
respostas e procurar as perguntas que vamos sentindo que as
marcas têm para nos fazer. No correr de uma conversa soltam-
-se as palavras como riachos da nascente que procuramos e
que nos soam a um princípio, ainda que nos indiquem um fim
e, por isso, temos de conhecer a natureza das marcas.
Uma marca territorial será um
agregado de história e cultura
que se manifesta numa geografia
concreta e se expressa, em termos
contemporâneos, numa sociedade
dominada por interesses económicos.
As marcas são assim, podem falar em sentido contrário.
Não se deixam ouvir por quem delas apenas procura o lucro,
ou as vendas, ou todas aquelas palavras de um vocabulário
interesseiro; como se as marcas não tivessem sentimentos
e fossem escravas dos interesses, promocionais, institucionais,
banais. Importa neste texto não confundir marcas com produtos.
Os produtos ajustam-se aos consumidores. As marcas são
sentimentos interiores. As marcas antes de serem rendimentos
são sentimentos. Por isso, os marquistas são os que ouvem
as marcas. Perguntam pouco, sentem muito!
As marcas, antes de mais, são palavras, árvores de palavras:
palavras-raízes, palavras-tronco, palavras-ramos, palavras-
‐folhas, palavras-flores. É com palavras que se escrevem
as marcas, é com palavras que se constroem os edifícios
de marca. Mas nem todas as palavras soam à mesma nota,
nem se traduzem no mesmo vocabulário. Temos de nos deixar
tocar, temos de nos sintonizar com a linguagem das marcas.
A essência da marca de Braga
sempre esteve lá. Soa a futuro
e soa a esperança, como em poucos
lugares de Portugal.
Texto
CARLOS COELHO,
Especialista em Marcas
Presidente, Ivity
Brand Corp.
Nota:
Os autores escrevem segundo o Novo Acordo Ortográfico.
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
27
Neste texto de introdução ao caderno especial da marca
Braga, partilho o sentimento de quem dormiu tantas noites
em Braga, na procura de uma palavra que sempre lá tivesse
estado e que fosse o som da eternidade que ligasse o futuro
ao passado. Foi preciso subir a escadaria da insatisfação, chegar
ao altar da nossa nacionalidade, para ouvir o som de Deus,
que anuncia o país desde antes que Portugal o começou a ser;
que liga a cidade às freguesias, que fala de quinze em quinze
minutos. A marca de Braga sempre esteve lá, soa a futuro e soa
a esperança, como em poucos lugares de Portugal. Ouvir o eco
das marcas do nosso país é a minha sinfonia de vida e saber
ouvir as marcas é o legado que gostaria de deixar, pois são elas
o nosso passado e, se cuidarmos bem delas, serão elas os sinos
do nosso futuro.
Marca a marca vamos ouvindo a que soa
a marca de Portugal.
As marcas antes de mais são palavras,
árvores de palavras: palavras-raízes,
palavras-tronco, palavras-ramos,
palavras-folhas, palavras-flores.
É com palavras que se escrevem
as marcas, é com palavras que
se constroem os edifícios de marca.
Mas nem todas as palavras soam
à mesma nota, nem se traduzem
no mesmo vocabulário. Temos de nos
deixar tocar, temos de nos sintonizar
com a linguagem das marcas.
28 A que soa a nova Marca de Braga?
TEMA DE CAPA
A QUE SOA A MARCA
NOVA DE BRAGA?
Braga é imensa. No tempo e nas camadas interconectáveis
que ecoam por ela.
É histórica. Transformadora. Criativa.
Ativista. Cativante. Expansionista. Experiencialista.
Sonora. Braga é vibrante.
Para a sistematização da identidade
visual da marca de Braga, desde cedo percebemos
a exigência em corporizar, precisamente,
a mais vibrante cidade do país
— e uma das mais da Europa. Exigimo-nos
definir uma propriedade visual para uma
filosofia de território: um sistema simbólico
contemporâneo, para incorporar
a experiência de Braga numa perspetiva de passado, presente
e (tanto) futuro.
Nesta procura, percorremos vários caminhos. Entre o Bom
Jesus e Pedralva, entre o Sameiro e Maximinos, encontrámos
a permanência de uma cidade polifónica: que efervesce
pela multiplicidade de vozes, histórias, tradições, ideias,
oportunidades — tantas são as camadas de afirmação desta
que é uma cidade de possibilidade, de esperança, de anunciação.
E, foi aqui, que soubemos que a identidade física da
nova marca de Braga devia refletir isso e exponenciar um elemento
que ressoasse tudo isso: tudo o que Braga é de forma
tão vibrante.
Escolhemos o sino como elemento
central de desenvolvimento.
O SINO: O QUE
REPRESENTA?
Eco histórico: a ligação entre a tradição e a
modernidade, corpo para tantos ecos do que
já foi e do que está para ser.
Dinamismo: um ritmo, vibração, pulso ativo
e em constante transformação.
Inclusividade: um som e movimento que
chama, convoca e conecta. Que une passado,
presente e futuro em permanência.
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
29
Enquanto signo, abordámos o sino como símbolo vivo.
No seu eco temporal e espacial: o sino é simultaneamente
memória e movimento. Cada badalada conecta o presente
com o passado, enquanto projeta (anuncia em permanência)
o futuro. É a voz de uma cidade que nunca se cala, que pulsa
em inovação e tradição. O sino é um símbolo que metaforicamente
vibra e ecoa as múltiplas versões de uma Braga imensa:
história, juventude, cultura, economia, inovação, desporto.
Na sua plasticidade multi-sensorial: a identidade de Braga
não se fixa numa dimensão (muito menos, apenas, na religiosa).
O sino ganha vida como forma visual, como assinatura sonora
e como espaço experiencial que convida à exploração. Este
símbolo-som cria um espaço sensorial, memória singular
e coletiva, transformando-se numa ponte entre as camadas
de tempo e de vida que Braga contém.
A identidade visual e sonora da marca-
‐cidade é uma expressão que afirma
a narrativa de Braga como uma cidade
vibrante e em permanente expansão.
Texto
DIANA CARVALHIDO,
Diretora Criativa
e Partner, Ivity
Brand Corp.
30 A que soa a nova Marca de Braga?
TEMA DE CAPA
A MARCA “SINOMATOGRÁFICA” DE BRAGA:
UMA IDENTIDADE QUE CRIA UM SISTEMA
QUE PERMITE ITERAR-SE A SI PRÓPRIO
INFINITAMENTE, COMO O SOM.
A marca “sinomatográfica” de Braga: mais do que uma
identidade gráfica estática, uma marca vibrante como a própria
cidade, que dá igual importância e elevação a elementos
visuais e sonoros.
Criámos uma marca baseada na sensorialidade, onde
as características visuais e sonoras de Braga se corporizam
numa linha gráfica capaz de representar a cidade ao mesmo
passo que produz mutações, um sentido de expansão e ecos
interiores, que oscilam entre a presença e a transitoriedade:
afinal, o som é a única coisa que pode fazer a ponte entre
tempo e espaço entre lugares. Entre o tangível e o intangível.
Como a própria noção de Braga.
A QUE SOA
A MARCA BRAGA?
BRAGA, SOA A CASA, A HISTÓRIA, A AMANHÃ.
BRAGA SOA AO PULSAR DO NORTE DE PORTUGAL,
SOA A NATUREZA QUE RESPIRA E INSPIRA.
SOA ÀS RAÍZES ROMANAS QUE CONSTROEM
UM PASSADO SEMPRE FUTURO.
SOA AO VERDE DOS PARQUES, JARDINS
E MONTES QUE ABRAÇAM.
SOA A UNIVERSIDADE QUE VIBRA, ALIMENTA
E QUALIFICA.
SOA A ECONOMIA QUE INVESTIGA, EDIFICA
E PROSPERA.
SOA AO DESPORTO QUE MOBILIZA.
AQUI É BRAGA!
A marca “sinomatográfica” de Braga:
uma identidade que não é estática,
mas pulsante. Símbolo de uma cidade
que nunca para de crescer e de se
transformar. Que traz plasticidade.
Atividade. Função. Sensorialidade.
O objetivo? Explorar as possibilidades de uma abordagem
multissensorial à cidade e à marca. Que a permitam viver, perdurar,
reverberar pelo espaço e tempo com uma plasticidade
única a Braga — uma abordagem estética, visual e sonora que
nasce da experiência (e dinâmica) da cidade.
Este conceito propõe um sistema vivo e em constante amplificação,
inspirado nos sinos que definem a paisagem sonora
e visual da cidade. Um sistema que incorpora as vibrações,
os ritmos, as pessoas e a energia de Braga — um território
fresco, jovem e em expansão contínua.
BRAGA, SOA A FUTURO. UMA ASSINATURA
VERBAL COM MÚLTIPLAS SONORIDADES.
Braga toca para a frente — ecoa possibilidades. Os sinos
que a vestem não são só símbolo de história ou tradição. São
uma chamada para a inovação, para a co-criação, para o encontro.
Braga é onde o som se torna matéria, e a matéria se torna
som. Onde viver soa a possibilidade e criar soa a amanhã.
UMA MARCA DE PAIXÕES QUE VIBRA NAS
GERAÇÕES QUE CRESCEM E INOVAM; CONFIANTES,
DESAFIANTES.
CIDADE DO CONHECIMENTO PALPÁVEL, AUDÍVEL,
COM PRONUNCIA A ECONOMIA QUE MOBILIZA,
QUE MEXE, QUE AGITA;
CIDADE ONDE A CULTURA É CAPITAL;
CIDADE-MÃE DE PORTUGAL, CIDADE DE FÉ
E DE ESPERANÇA; MELODIA DE QUALIDADE
E DE VIDA;
BRAGA É VIBRANTE; MARCA O COMPASSO
DE UMA NOVA ERA.
TOCA EM FRENTE, ECOA POSSIBILIDADES.
OS SINOS QUE A VESTEM, SÃO BRINCOS DE UM
PATRIMÓNIO MUNDIAL E DE UMA ESPIRITUALIDADE
UNIVERSAL QUE LIGA TODO O TERRITÓRIO
NUMA SINFONIA ANCESTRAL,
OS SINOS SÃO ÂNCORAS DE PORTUGAL
QUE TOCAM FUTURO DE 15 EM 15 MINUTOS.
SÃO ENERGIA INSISTENTE QUE CHAMAM PARA
A AÇÃO, PARA A CO-CRIAÇÃO,
PARA A INCLUSÃO, PARA A INOVAÇÃO.
SÃO NOTAS DE ESPERANÇA QUE SOAM A AMANHÃ,
SOAM A CULTURA, A CONHECIMENTO,
A DESENVOLVIMENTO, SOAM A TRANSFORMAÇÃO,
A DIVERSIDADE, A JUVENTUDE.
SÃO AS MARCAS DE BRAGA QUE SE OUVEM
NO PRESENTE E QUE SE SOAM PARA SEMPRE
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
31
Braga é uma cidade que vibra por dentro
e por fora, onde tradição e futuro coexistem
numa harmonia dinâmica.
Esta perspetiva "sinomatográfica" traduz-se,
assim, num sistema visual flexível e aberto,
que celebra a multiplicidade do território
e a sua capacidade de se reinventar
constantemente. Uma linguagem gráfica
singular, que vibra, que ressoa, com a
possibilidade de criar mutação e pluralismo—
agregada por uma forte estrutura visual,
proprietária do lugar, criada e exponenciada
pela memória de todos.
O sino transforma-se numa metáfora visual
de movimento e multiplicidade. Eco.
Vibração. Expansão. Braga com Braga dentro.
Cada “badalada” representa uma história,
uma ideia, uma pessoa(s), uma empresa que
nasce, um festival que acontece, um curso
que inova, uma evolução — entre milhares
de ecos e impactos possíveis. Memória,
contemporaneidade e futuro.
A "Os arcos ecoam o passado
romano da cidade, agora
fragmentados em cortes
e sobreposições."
B "Diagonais rasgam a tradição,
criando um ritmo de movimento —
como as escadarias do Bom Jesus,
estruturadas, mas fluidas."
A "Formas circulares, moldadas
como sinos invertidos, guardam
dentro de si um espaço oco, um
vazio cheio de possibilidades,
como se aguardasse o instante
certo para vibrar."
— RUI MORAIS
Design Director, Ivity Brand Corp.
32 A que soa a nova Marca de Braga?
TEMA DE CAPA
A B C D
E F G H
I J K L M
N O P Q
R S T U
V X Z
1 2 3 4 5
6 7 8 9 0
UMA TIPOGRAFIA CONTEMPORÂNEA
QUE PARTE DA PRÓPRIA CIDADE, QUE SE
DESENHA A PARTIR DELA E DE TRAMAS
GRÁFICAS ÚNICAS QUE OCUPAM A CIDADE,
E SE DINAMIZAM PELO PULSO E RITMO
QUE A PAUTA.
Braga evolui ao ritmo do compasso do que marca e dos que
marcam a sua história. Uma tipografia que sobe a escadaria
do Bom Jesus, que toca o futuro de 15 em 15 minutos e que se
reinventa com uma Nova Porta aberta a todas as possibilidades.
Tudo, numa melodia contínua marcada pelos sinos da cidade
e freguesias, que atravessam passados e futuros sempre presentes.
UMA PALETA CROMÁTICA EM TRÊS
ANDAMENTOS: TONS GRAVES, AGUDOS
E MÉDIOS.
Os tons graves sustentam a base, como o alicerce de uma
melodia sólida e profunda. Os agudos elevam-se, vibrantes,
trazendo luz e energia, ecoando criatividade e inovação. Entre
ambos, os tons médios encontram o equilíbrio, entre intensidade
e suavidade, criando harmonia e continuidade numa
composição visual que ressoa com emoção e significado.
UM TERRITÓRIO GRÁFICO E SONORO
ONDE CADA DETALHE É PARTE DE UM TODO
EM CONSTANTE MUTAÇÃO.
"Esta tipografia é mais do que
forma; é um diálogo entre passado
e futuro, onde o património
encontra a modernidade numa
harmonia angular e marcante."
— RUI MORAIS
Design Director, Ivity Brand Corp.
Que a toque de sino, pode mutar, girar, vibrar — expandir-se
em resposta ao ambiente visual e sonoro. Braga é,
e sempre será, compasso para o que está por vir.
Criámos uma “sinomatomarca” que ressoa e vibra, mesmo
que estaticamente. Mesmo que fotograficamente e em "mute".
Por isso, ecoa simbolicamente através de elementos que desenham
e recriam o sentido de onda, de expansão, de propagação,
de vibração e som — em forma e cor.
As ondulações, as irradiações, a fluidez que formam é um
eco visível: o som tornado matéria e a matéria tornada som,
sob uma imagem fotográfica que pulsa sempre mais do que
aparenta. Um universo visual sonoro por natureza.
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34 A que soa a nova Marca de Braga?
TEMA DE CAPA
A QUE SOAM AS MARCAS
DE BRAGA?
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
35
“Abre a tua porta e deixa entrar.
Deixa entrar a festa, deixa entrar
os sons, os ritmos e os tons,
e quem vier visitar. Abre a tua
porta e vem para a rua. Mostra que
a cultura é tua e que é feita para
partilhar. Abre a tua porta que
a cidade não é mais do que nossa!
E de quem nela escolher ficar."
BRAGA SOA
A CAPITAL
PORTUGUESA DA
CULTURA 2025
Em 2025, a Marca Braga acentua o tom da cultura
e abre a porta ao mundo da arte e da
cultura, pulsando a batida de Capital Portuguesa
da Cultura.
A cidade celebra a criação artística nacional,
em ligação com a Europa, mobilizando
a comunidade e os agentes culturais locais,
numa realização cultural inédita em mais
de 2000 anos de história.
A Estratégia Cultural de Braga 2020-2030
tem a cultura como eixo central do desenvolvimento
sustentável da cidade pelo que foi
dada primazia aos pilares da programação,
capacitação de agentes, descentralização cultural, internacionalização
e envolvimento de comunidades.
Inaugurado a 25 de janeiro, com um espetáculo único
e diferenciador que reuniu milhares de pessoas na cidade,
o programa levará a Braga nomes como o da pianista Maria
João Pires, do dramaturgo e encenador Tiago Rodrigues,
da fadista Mariza ou da coreógrafa e dançarina Meg Stuart,
que atuará ao lado de Francisco Camacho. Em coletivo,
será possível assistir também à apresentação da Companhia
Nacional de Bailado e da Orquestra do Algarve.
No panorama internacional, há espaço ainda para colaborações
nas áreas do cinema e da música como Daniel Blaufuks
e Matthew Herbert, bem como uma exposição antológica
de Kim Gordon, fundadora dos Sonic Youth.
“Abra a porta e deixe entrar” Sonoridades, ritmos,
tons e uma diversidade rica de quem faz e visita a cidade ao
longo deste ano, num compasso cultural com pulso e ritmo
para todos.
Tricórnio
da Universidade
do Minho
BRAGA SOA A
ORIGINALIDADE
Amarca mais distintiva da Universidade
do Minho talvez seja o seu traje peculiar,
com um tricórnio sinal de originalidade
e juventude. Ainda que a doutrina se divida
sobre a origem deste adereço, é certo que
os painéis de azulejo do Século XVIII que
estão na escadaria do Paço Episcopal Bracarense,
atual reitoria da Universidade do
Minho, ilustram vários homens a usar tricórnio.
Do Século XVIII a 1989 muitos anos
se passaram, mas a Academia quis recuperar
a tradição e, redesenhando o adereço,
introduziu-o oficialmente em 1989 no traje
da instituição. Agora, os milhares de alunos que frequentam
a Universidade do Minho e decidem trajar desfilam orgulhosos
este elemento distintivo pelas ruas da cidade.
Naquele que é considerado o concelho mais jovem do país
— tinha nos últimos censos cerca de 60 mil residentes com
idade inferior a 30 anos —, as várias instituições de ensino
têm um papel essencial também na fixação de quadros qualificados
que alimentam o tecido empresarial no município.
Quem vive em Braga não hesita em reclamar o título de “cidade
mais jovem” e diz que “basta um passeio pela cidade,
a qualquer hora” para constatar a dinâmica jovial, que contrasta
com a arquitetura milenar.
36
TEMA DE CAPA
A que soa a nova Marca de Braga?
BRAGA SOA/
CHEIRA A BOM
JESUS
No silêncio de uma mata onde tudo soa
a poesia, o Bom Jesus envolve-nos no seu
diálogo de sentidos. O vento carrega-lhe
a voz sussurrada, que a dada altura soa
a algo parecido com a nossa voz interior,
e as árvores entrelaçam-se como irmãs para
abraçar quem passa. No manto mais bonito
que a natureza decidiu usar, os Cedros,
Carvalhos, Sobreiros e Camélias, unidos
à Terra pelas raízes e pelo amor, embalam-
-nos em direção ao lago, lugar de todos os
encontros e memórias, significado daquilo
que somos.
"Braga soa a futuro, respira
história, e perfuma-se com
a frescura dos Cedros, Carvalhos,
Sobreiros e Camélias. Braga
envolve-nos num abraço sensorial,
onde a fragrância da natureza
se entrelaça com o suave
eco dos sinos…"
— DANIEL VILAÇA
CEO Nortempresa Perfumery & Cosmetics;
Presidente da AEB - Associação Empresarial
de Braga
BRAGA SOA
A FRIGIDEIRAS
Júlio Dinis descreveu-as como “divinais”
e Camilo Castelo Branco como “apetitosas".
A história desta marca-iguaria bracarense
remonta aos últimos anos do século XVIII,
mas acaba quase sempre ofuscada pelas
marcas gastronómicas principais: o Bacalhau
à Braga ou Pudim Abade de Priscos.
Reconhecida como uma das “Lojas com
História” pela autarquia de Braga, as Frigideiras
do Cantinho começaram a ser produzidas
artesanalmente em 1796 em pleno
coração da cidade de Braga, no Largo de São
João de Souto.
Há as simples, as mistas ou com guarnição que, ao gosto
do cliente, para quem resiste a comer na hora, podem ser embrulhadas
no papel da casa e atadas com um fio de algodão
para facilitar o transporte.
Reclamando o título de pastelaria mais antiga na cidade,
mais de 200 anos depois, as Frigideiras do Cantinho continuam
a ser produzidas seguindo a receita original, na versão
tradicional em que a massa folhada é recheada com carne
de vitela picada.
Mas o sabor das frigideiras não é a única surpresa que se
tem quando se visita a bi-centenária pastelaria. Quando em
1996 a família à frente do negócio decidiu ampliar o espaço
e fez obras, descobriu vestígios romanos que datam do século
III a V. Quando visitar a pastelaria, além da montra com as
frigideiras e os doces, não se esqueça de olhar também para
o chão em vidro que permite ver parte dos achados romanos
que constituíam parte de Bracara Augusta.
Fragrância
do Bom Jesus
Frigideiras
do Cantinho
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
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BRAGA SOA
A MIL-FOLHAS
DE SAIBRO
Um dos grandes mistérios para quem tenta
perceber a localização de uma tão importante
cidade na antiguidade era descortinar
porque motivo a atual Braga, ao contrário
do que era o padrão à data, se tinha
instalado afastada das margens do Cávado,
o principal rio que banha a região. Sendo
os rios as principais vias de comunicação
e fonte de rendimento, a fixação dos primeiros
povos numa zona afastada da água
era difícil entender, mas a explicação pode
ser simples e estar na terra: o saibro.
Ainda que não haja um consenso sobre
o motivo para a fixação dos povos naquela região, terá sido
a descoberta do saibro e respetivo potencial de utilização desta
matéria-prima um dos pretextos para fixação dos povos.
Em Braga, há historiadores que acreditam que haverá em
termos arqueológicos vestígios de toda a ocupação humana.
“Os que ainda não temos é porque a investigação ainda não
chegou”, defende-se para justificar a antiguidade da cidade
e a densidade histórica que encerra em si.
Não tendo Braga crescido exponencialmente em área,
a justificação pode estar na construção em “camadas”, num
esforço de ir sacralizando os lugares que até então eram tidos
como pagãos e de excesso.
Um dos exemplos é o culto à deusa egípcia Ísis que ainda
coexiste na Sé de Braga com a estátua de Nossa Senhora do
Leite. Nos montes onde existiam povoados da idade do ferro,
agora encontram-se capelas. Fenómeno, aliás, que ainda não
terminou. Mais recentemente, são as comunidades imigrantes
que dão nova vida às alminhas nos cruzamentos das estradas,
alminhas essas que já resultam da anterior conversão
de divindades protetoras da época anterior ao cristianismo.
Braga foi evoluindo, aprimorando-se em camadas no
compasso das várias civilizações que pisaram a região, num
mil-folhas de cultura e simbologia.
Há aliás, pontos conservados na cidade onde é possível
concretizar essa ideia de mil-folhas ao ver, através de um
vidro, parte da muralha romana e as várias camadas de história
e ocupação que lhe sucederam até à atualidade.
BRAGA SOA
A ARQUI-CULTURA
Se o Porto é a nascente, Braga é o expoente da
arquitetura. Como se não bastassem as inúmeras
marcas dos tempos, como as Barrocas do
Palácio dos Biscainhos, cuja construção teve
início no século XVII com Constantino Ribeiro
do Lago; ou as do ecletismo do Theatro Circo
que começou a tomar forma pela mão do
arquiteto João de Moura Coutinho; o arquiteto
Souto de Moura quis deixar a sua marca com
a mais bela ode ao futebol nacional, no Estádio
Municipal de Braga, a “Pedreira”. Mas o epicentro
da arquitetura contemporânea estende-se
além do centro da cidade. No Campus
da empresa dst está a nascer o mais ambicioso parque industrial
de Portugal com edifícios da autoria de uma concentração inédita
de (quase todos) Pritzker: Norman Foster, Alexandro Aravena,
Manuel Aires Mateus, Sotto de Moura e do grande Álvaro Siza
Vieira. E para que as artes e as marcas nunca deixem de cruzar
a empresa comandada por Hernani Teixeira, a dst convidou mais
um génio da arquitetura, usando a prata da casa. O bracarense
Carvalho Araújo vai assinar o futuro Museu de Arte Contemporânea
que se está a erguer na Praça do Município e que irá marcar
definitivamente a arqui-cultura da cidade.
Edição limitada da raquete
de Padel desenhada por Siza
Vieira para a QUAD
38
TEMA DE CAPA
A que soa a nova Marca de Braga?
BRAGA SOA
A MEDIA ARTS
Desde 2017 que a UNESCO nomeia Braga
como cidade criativa no domínio das Media
Arts. As Media Arts resultam por definição
do cruzamento entre a criatividade
e a tecnologia, conceitos chave para que
a cidade promova um desenvolvimento
urbano mais sustentável e inclusivo.
É nesta interseção entre artes, ciência,
tecnologia e inovação que surge o EDIG-
MA Semibreve Award (ESA). Resultado da
relação do festival Semibreve, plataforma
única para a celebração da música contemporânea
e da arte digital que figura entre
os melhores festivais do Mundo, e da EDIGMA, empresa líder
na implementação de experiências imersivas.
O prémio patrocinado pela EDIGMA foi estabelecido para
promover a criação de trabalhos que exploram a interatividade,
o som e a imagem através do uso de tecnologias digitais.
Em 2024, na sua 9ª edição, apresentou em Braga a obra vencedora
“Chasing Waterfalls”, instalação audiovisual que evoca
uma cascata suspensa com recurso a AI, criada pelo coletivo
canadiano Hidden Edges.
Citando Miguel Oliveira, CEO da EDIGMA: “Criar experiências
que combinam o mundo físico e digital tendo sempre
presente a criatividade como agente da transformação é um
talento merecedor de reconhecimento. A associação da empresa
a este prémio nasce de forma natural e inerente aos seus
valores e características identitárias e, em última instância,
pretende ser impulsionador da conceção de realidades futuras.”
BRAGA SOA
A NANO-
TECNOLOGIA
Instalado no município em 2013, o INL (Laboratório
Internacional Ibérico de Nanotecnologia) tem somado
ano após ano distinções e avanços na investigação
e desenvolvimento científicos. Braga foi cidade
escolhida para a instalação da única organização
intergovernamental totalmente dedicada à investigação
em nanotecnologia na Europa.
Contando com cerca de 500 pessoas, de 30
nacionalidades diferentes, só em 2023 conseguiu
10 famílias de patentes e cerca de três centenas
de publicações, afirmando-se como um dos líderes no
panorama internacional na área da nanotecnologia.
O INL anunciou recentemente a integração
numa linha piloto que faz parte do Ato Europeu dos chips,
com objetivo de aumentar os projetos de investigação e inovação
no campo dos semicondutores, para potenciar a produção
europeia.
Com a União Europeia a querer ter uma participação
no mercado global de semicondutores de 20% até 2030, será
também do berço do INL em Braga que serão criadas importantes
soluções para o futuro.
“Chasing
Waterfalls” de
Hidden Edges
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
39
BRAGA SOA
A INOVAÇÃO
EUROPEIA
Na mais recente edição da WebSummit
o Presidente da Câmara Municipal de Braga,
Ricardo Rio, subiu ao palco para receber o
galardão de Cidade Europeia Inovadora em
Ascensão de 2024. Destacando-se entre as
finalistas Linz, na Áustria, e Oulu, na Finlândia,
a escolha anunciada pela Comissária
Europeia para a Inovação, Iliana Ivanova,
sustentou-se no trabalho e estabelecimento
de um ecossistema de inovação robusto
e sustentável, alcançado pela cidade nos últimos
anos.
Da perspetiva de Ricardo Rio, o galardão
permite que Braga se posicione “no mapa europeu como
um centro de inovação, ao serviço da comunidade, reforçando
a atractividade para a captação de investimento, de talento
e novas parcerias internacionais.”
E os ecos da inovação soam um pouco por toda a cidade,
do distinto INL que concentra mais de duas centenas de
investigadores nas várias áreas da nanotecnologia, aos centros
de investigação da Universidade do Minho, passando pelas
empresas que “surgem como cogumelos” e no dinamismo
económico típico de sociedades jovens e empreendedoras.
Braga, uma das marcas-cidade mais emblemáticas de Portugal,
é também a concretização do exemplo de que tradição
e inovação podem coexistir, criando um futuro promissor
e sustentável. Conhecida pela riqueza histórica, que remonta
à época romana, a cidade tem demonstrado uma impressionante
evolução, tornando-se um polo de desenvolvimento
económico, cultural e tecnológico.
STARTUP BRAGA
Considerada, em 2024, a sétima melhor
incubadora e aceleradora da Europa, entre
125, em 10 anos de existência, a Startup Braga
distingue-se pela taxa de sobrevivência
de 75% dos projetos apoiados.
Na última década já ajudou a crescer mais
de um milhar de projetos empresariais, como
são exemplo as iniciativas como o Startup
Point, a School of CEOs, o SCB Innovation Hub
ou o iTech Tourism, entre muitos outros.
Contas feitas, os mais de 1.110 projetos
apoiados, dos quais 347 são estrangeiros,
contribuíram para a criação de uma
média de dois mil empregos por ano,
mais de 20 mil postos de trabalho,
considerando os 10 anos de existência
da agência de dinamização económica.
WebSummit 2024
“Temos registado crescimento em indicadores relevantes para
diferentes setores de atividade, como a criação de postos de trabalho,
aumento das exportações, do volume de investimento das empresas
ou o crescimento turístico. A isso junta-se o caráter inovador do nosso
tecido económico, que tem beneficiado da ligação existente entre
a base empresarial e os centros de conhecimento do território.”
— RICARDO RIO
Presidente da Câmara Municipal de Braga
40
TEMA DE CAPA
A que soa a nova Marca de Braga?
BRAGA SOA
A ESPIRITUALIDADE
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
41
Cidade das Igrejas e dos Arcebispos, a história
de Braga é indissociável da espiritualidade
e da presença da Igreja Católica. Com
dezenas de igrejas no centro da cidade e no
concelho, há outros trilhos a serem calcorreados
por milhares de turistas e peregrinos
todos os anos que atravessam grande
parte da mancha verde bracarense.
Os tão conhecidos Caminhos de Santiago
(de Compostela) fazem-se numa longa
extensão de território de Braga, cruzando
o Parque Nacional da Peneda-Gerês através
da emblemática “Geira Romana”, um troço
da via XVIII do Itinerário Antonino, que ligou em tempos
Bracara Augusta à Austrurica Augusta (atual Astorga). Desde
a Idade Média que os peregrinos utilizam esta rota para fazer
parte do percurso até à Catedral de Santiago de Compostela,
num percurso também de contemplação do imenso verde que
os envolve.
A CASA-MÃE DE PORTUGAL
Anterior à nacionalidade portuguesa, consagrada solenemente
a 28 de agosto de 1089, a Sé Catedral de Braga continua a ocupar
um lugar importante naquela que é conhecida como a “cidade
dos Arcebispos”.
Há quem lhe chame “casa-mãe de Portugal” e todos já
ouvimos o adágio popular “mais velho que a Sé de Braga”, mas
a que soa a Sé Catedral de Braga?
Só em 2024 recebeu cerca de 210 mil visitantes, dos quais
apenas cerca de 16 mil eram portugueses. O Tesouro-Museu
da Sé de Braga reúne mais de XV séculos de história da Arte
e da vida da Igreja em Braga, tendo, por exemplo, em exposição
a muito simbólica Cruz utilizada na primeira Missa
celebrada no Brasil, depois do descobrimento pelos navegadores
portugueses.
A construção da Sé atravessou vários períodos pelo que é
possível ver o românico original na entrada principal e nos arcos
das torres, já a nave interior é gótica e a zona do coro tem
influências manuelinas, com altares de estilo barroco cobertos
de folhas de ouro.
Além dos sinos na torre, distintos e facilmente identificáveis
(agora eixo principal da nova marca Braga), até por ouvidos
menos treinados para os diferentes tons que o cobre produz,
os órgãos da Sé de Braga são outro dos pontos de atração
do monumento.
Do lado do Evangelho é possível ver um órgão histórico
de tipo ibérico da autoria de Frei Simón Fontanes, construído
em 1737. Já do lado da Epístola, do mesmo autor, está um órgão
histórico Barroco de tipo também ele ibérico, construído dois
anos mais tarde, em 1739. Ainda antes da viragem do século,
em 1799, foi construído mais um órgão, para ser colocado no
transito da Sé, sendo um mais modesto órgão de armário.
É também na Sé de Braga que estão os túmulos do Conde
D. Henrique e Teresa de Leão, os pais de D. Afonso Henriques,
o que pode adensar também a justificação para o título de “casa-
-mãe de Portugal” que alguns lhe atribuem.
A SEMANA MAIS QUE SANTA
Desconhece-se o tempo e o modo que deu origem à realização
das festividades da Semana Santa em Braga, mas é consensual
que esta é uma marca com vários séculos de história.
Já no século XIII a Igreja de Braga tinha uma tradição litúrgica
própria, que foi sofrendo alterações ao longo dos séculos.
Parte da tradição continua ainda a celebrar-se na liturgia e,
por exemplo, em várias das procissões e momentos durante
a Semana Santa.
Não sendo de organização exclusiva da Igreja, foi sido
criada uma comissão oficial que engloba também entidades
como o Turismo Porto e Norte de Portugal ou a Associação
Empresarial de Braga e ainda bracarenses que, a título individual,
se mobilizam para a organização do evento anualmente.
Integrada na Rede Europeia de Celebrações da Semana
Santa e Páscoa, estima-se que cerca de 100 mil pessoas visitem
Braga durante a Semana Santa, para assistir aos vários momentos
religiosos um pouco por toda a cidade, com dezenas
de iniciativas de cariz religioso e cultural.
Sé Catedral
de Braga
42
TEMA DE CAPA
A “FÁBRICA” DE DEUS
É de Braga que saem os sinos que ecoam por todo o país.
Há quatro gerações nas mãos da família Jerónimo, a Fundição
De Sinos De Braga – Serafim Da Silva Jerónimo & Filhos,
mantém-se como a única fábrica de sinos ainda em funcionamento
em Portugal, desde 1932.
Os corredores da fábrica artesanal e o trabalho manual
em cada um dos moldes dos sinos, único e irrepetível — uma
vez que, para retirar o sino do interior do molde, é necessário
destruí-lo —, ilustra a particularidade desta indústria que se
mantém viva e marca o tempo nas torres das igrejas pelo país
fora e além-fronteiras. Estima-se que esta indústria, em tudo
semelhante ao trabalho minucioso de um relojoeiro, já tenha
dado som a mais dezenas de milhar de sinos.
Para cada sino uma nota, num compasso por todos reconhecido,
mas nem sempre ouvido já que a habituação ao toque
frequente dilui a sensibilidade de ouvir os toques a cada hora,
ou a cada quinze minutos.
Com tecnologia desenvolvida ao longo das últimas décadas
para automatizar os toques nos campanários, começam
agora a tentar também formar sineiros, com workshops e certificados
de uma função que há muito caiu em desuso.
A ÁRVORE DA VIDA
A que soa a nova Marca de Braga?
Vencedora do Prémio ArchDaily 2011 para o edifício religioso
com a melhor arquitetura, a capela da Árvore da Vida é uma
das mais belas marcas da espiritualidade de Braga. Construída
no interior do Seminário Conciliar de São Pedro e São Paulo,
é frequentada maioritariamente pelos seminaristas durante
o percurso formativo.
Diz-se que o facto de ser “quase um segredo” potencia
a obra, mas sem dúvida que merece uma visita demorada que
permita contemplar todos os pormenores da construção.
Assinada pelos Cerejeira Fontes Arquitetos, com a colaboração
do escultor norueguês Asbjörn Andresen, as 20 toneladas de
madeira utilizadas não foram pregadas, nem utilizadas dobradiças
para a erigir, antes foi tudo encaixado criando um jogo de
luz e sombras peculiar que reforça o convite à reflexão e silêncio.
A CAPELA DA HUMILDADE
O restauro da Capela Imaculada, no Seminário Menor de Braga
foi também da responsabilidade dos arquitetos Cerejeira
Fontes, que conquistaram novamente em 2019 o Prémio Arch-
Daily para o edifício religioso com a melhor arquitetura.
No Seminário Menor de Braga, a entrada faz-se por uma
pequena floresta de madeira que tem na copa da árvore a Capela
Cheia de Graça. O anterior coro alto da igreja deu lugar
a uma capela com acesso reservado aos seminaristas que frequentam
o seminário menor na cidade de Braga.
Ao centro uma pouco comum imagem de Nossa Senhora,
com a coroa no regaço, representando a Senhora da Humildade,
da autoria do norueguês Asbjörn Andresen.
Outra das particularidades, além do altar colocado sobre
água, é o confessionário, com uma simples cadeira de madeira
ao lado e uma orelha esculpida no pilar de granito.
As particularidades e contrastes com as traças das igrejas
em Braga são tantos que assimilar a diferença pode ser um
desafio. Só visitando as duas capelas é que é possível absorver
todo o significado das obras.
Fundição De Sinos
De Braga - Serafim
Da Silva Jerónimo
& Filhos
Confessionário
Capela da Humildade
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
43
O BOM JESUS DE PORTUGAL
Declarado, em 2019, Património Mundial da UNESCO, o Santuário
do Bom Jesus do Monte é uma das marcas de Portugal,
figurando como um dos apenas 17 lugares em Portugal que
mereceram a distinção do Comité do Património Mundial.
O escadório de quase seis centenas de degraus assusta até
o atleta mais bem preparado, mas a sedução do funicular mais
antigo do mundo ainda em funcionamento resolve o obstáculo
à primeira vista. Inaugurado em 1882, sob a direção de projeto
de um suíço, o ascensor movido com um sistema de contrapesos
de água permitiu ultrapassar o desnível de mais de 100 metros
de altura que separava a Ermida da cidade.
Com registos de atividade desde 1373, com a construção
de uma Ermida, só com D. Rodrigo de Moura Teles, em 1722
é que o projeto arquitetónico atualmente visível avançou.
O início da construção da basílica dá-se em 1784 e só fica concluída
27 anos depois, em 1811.
Quase dois séculos depois, o Santuário já ultrapassou
a marca de mais de dois milhões de visitantes por ano e continua
a ser um dos principais símbolos da cidade.
BRAGA SOA A MARCA-MÃE
DE PORTUGAL
44 Vinhos
CASOS
ANTÓNIO,
o
guardião
DAS CASTAS E DA HISTÓRIA!
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
45
Em duas décadas, António
Maçanita recuperou castas e
regiões; chegou ao
Alentejo, Douro, Açores ou
Porto Santo; somou
consultorias e prémios. E,
pelo meio, ainda restaurou
um paço, para enoturismo
Texto
M.ª JOÃO VIEIRA PINTO
H
avia quem lhe chamasse o
jovem rebelde da enologia
em Portugal. E o rótulo até
não é assim tão descabido
quando se fala de António
Maçanita, o produtor que
andou pelo mundo, se instalou
no Alentejo, mas que
hoje recupera vinhas e faz
vinho em praticamente todas as regiões do País. O seu sonho?
Esse, era conseguir um vinho que o traduzisse, a si, que é
como nos diz aquele que ainda pequeno divagou entre um dia
vir a ser astronauta, polícia ou bombeiro...
Amante do mar – ainda hoje pensa todas as suas viagens
com o olhar no oceano –, de caça submarina e bodyboard,
chegou a equacionar Biologia Marinha. Só um engano no
preenchimento da candidatura à universidade é que o haveria
de atirar para terra. «Há acasos na vida que nos levam para
um lado. Todos os que me aconteceram foram bons», partilha
António Maçanita, que, depois do dito “erro”, a verdade é que
já soma duas décadas a sonhar e a fazer vinhos com assinatura
em português.
«Quando acabei o curso, senti uma grande responsabilidade
em fazer o que disse que ia fazer. Fui para a Califórnia
duas vezes, Austrália, França...», recorda, enquanto enumera
países que lhe deram ensinamentos que só se aprendem ali,
estando, ouvindo, partilhando à mesa. «Houve uma ideia poderosa,
mas simples, que trouxe de lá, e que é a que tem que
se parar, para almoçar, para conversar...!» Momentos «felizes»
em que aprenderia imenso, do vinho e da vida: que há muitas
maneiras de fazer as coisas bem; que não há uma só forma de
fazer vinho; que há bons enólogos porque têm muita cultura e
outros muita técnica. «Foram todas estas voltas que me mostraram
que não tinha a capacidade financeira necessária para
avançar com o meu projecto de forma tradicional. É preciso
capital intenso para fazer uma vinha, uma adega, e o retorno
desse capital também é muito demorado...», diz, justificando
o que o levou a ter que seguir por um outro modelo, ou
não tivesse, na altura, não mais que 30 mil euros para investir
(emprestados pelos tios e os pais). O modelo passaria então
por encontrar uvas que tivesse capacidade para pagar por
elas (mais) e que pudesse controlar, sendo que teria ainda que
ser um parceiro que pudesse aguentar 12 meses até receber o
dinheiro na vindima seguinte. Idêntico para as adegas, onde
vinificava e só pagava quando levantava o vinho. «Depois, fui-
-me rodeando bem, entre a minha irmã Joana, que começou
comigo, a Sandra, o Filipe, a Alexandra», enumera.
Um modelo inicial que praticou de 2004 a 2018, ano em
que aterrou no Alentejo, terra de raízes maternas. De resto, só
equacionou que, a acontecer, teria que ser por ali ou, então, pelos
Açores. «Mas, ainda na faculdade, fui plantar uma vinha
nos Açores, 10 anos antes de ir lá fazer o meu primeiro vinho.
Uma tempestade queimou quase tudo. Talvez porque só estava
a plantar asneiras...» Açores de lado, o Alentejo haveria de
acontecer. E, mais ainda quando, num almoço, por terras de
Estremoz, conhece David Booth, um “viajante” com alma do
mundo que, aos seus 41 anos, acreditou no jovem António de
23. «Comecei a acompanhá-lo para aprender. Até que aceitou o
desafio de fazermos um vinho juntos.» Seria o grande momento
para a fase que se seguiu.
APRENDIZAGENS CÁ E LÁ FORA
Do primeiro vinho que lançou recorda a dureza que foi a também
primeira ronda de imprensa. «Fechei-me em casa uns três
ou quatro dias a pensar nas críticas...», partilha. Até que deci-
46 Vinhos
CASOS
diu organizar uma prova cega, igualmente em casa, com alguns
enólogos conhecidos. No final, o seu Preta acabaria em primeiro.
«Mau não podia ser, portanto!» Além de que as críticas ao
primeiro Preta acabariam por lhe confirmar a atitude que ainda
mantém: não se pode agradar a todos. «Desde o início que entendi
que o importante era focarmo-nos em fazer vinhos que
gostávamos, apresentá-los a bons sommeliers, e perceber que
se os nossos vinhos têm aceitação nos grandes restaurantes da
Suíça ou EUA, então é porque têm algum valor.»
Hoje, olhando para a prateleira que se estende ao longo da
sala de provas na cave da adega, que entretanto ergueu em Graça
do Divor, a uns poucos quilómetros de Évora, percebe-se a
evolução e o caminho. 2007 foi o último ano em que o blend
de Preta recebeu Cabernet. «Excomunguei a casta internacional»,
recorda, ele que a pouco e pouco foi “excomungando” outras
e mais. Em 2008, atirou-se para o ensaísmo, que o levou,
nomeadamente, ao primeiro branco de uvas tintas. Dois anos
depois, estaria como que com a cabeça a fervilhar: o primeiro
Terrantez do Pico, Branco de Talha, Tinto Castelão e Branco
Indígenas... era a fase de tentar fazer vinhos e conseguir ter um
negócio. «Em 2010, já há uma estrutura para começar a desenvolver
coisas e é neste ano que nos iniciámos nos Açores», com
a Maçanita no Douro – projecto a quatro mãos com a irmã Joana
– a arrancar no ano seguinte.
É em 2013 que chega literalmente ao Pico – depois das primeiras
experiências pelas ilhas terem arrancado a partir de São
Miguel –, tendo a Azores Wine Company sido fundada um ano
depois. «Hoje já falamos das castas dos Açores como se fossem
uma entidade que existia... Fizemos um trabalho de mostrar o
património da região», diz com orgulho.
E assim o tem feito para outras castas que engarrafa em
jeito de monocasta, como a Malvasia. Porque uma casta, ati-
ra, tem que estar associada a um sabor. «Quanto mais fui
avançando, mais fui vendo que há mais vidas, seja nos Açores
como em Porto Santo.»
Para António Maçanita, também é certo que há um eterno
conflito entre a memória colectiva, o que achamos que foi, a
história, e o que foi. E essa história pode ser encontrada em
escritos ou nas vinhas velhas, assim como na relação genética
entre as castas, sustenta. «Conseguimos ver, por exemplo, que
Aragonez chegou mais tarde e que tem os dois pais do outro
lado da fronteira...» É que António fala de castas, de famílias
CASTAS DE ELEIÇÃO
Em monocasta, António Maçanita deve trabalhar
com umas 30 e, em blend, com qualquer
coisa como 47… Mas diz ter um carinho especial
por aquelas que há pouco descobriu. Não por
serem melhores, mas porque se devem manter.
Por isso, no Alentejo elege a Tinta Carvalha,
mais fresca que Borgonha, como caracteriza.
Nos Açores, o Arinto da ilha, que é a casta
«todo-o-terreno, uma grande casta portuguesa
que pode fazer vinhos que transcendem».
E Caracol, aquela de Porto Santo, que alguns
enólogos diziam que só daria para comer, mas
com a qual António conseguiu fazer um
belo vinho.
«Se as estas castas se der espaço para serem,
muitas vezes ficaremos surpreendidos com a
qualidade que trazem», descreve.
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
47
e casamentos entre elas, de regiões e produções, da história
do vinho e das vinhas como se falasse da própria vida. Desfia
datas e dados num “recital” verdadeira e emocionalmente
histórico, ou também não fosse a História uma das suas outras
paixões.
E o seu trabalho é como que, igualmente um blend, de inovação
e tradição, de avanço em processos de produção e recuperação
de castas abandonadas e “malditas”, como é o caso da
Negra Mole. «Trabalhamos com umas 46 castas autóctones,
sem contar com as vinhas velhas do Douro, onde temos 82 castas
distintas», vai acrescentando, em jeito de partilha: «Quando
provo um vinho, mesmo dos tempos em que achava que
não os sabia fazer, até já os considero bons. Não tinha todas as
ferramentas, copiei algumas técnicas que gostei e, a partir daí,
fomos experimentando!»
Tudo isto, enquanto se foi casando com a consultoria, sendo
que em 2005 já se dividia entre seis clientes, como o Cem
Reis, no Alentejo, a Quinta de Sant’Ana, em Lisboa, ou João
Clara, no Algarve. «Todos os anos fui ensaiando nesta escala,
dos meus vinhos e dos vinhos dos outros», recorda.
Agora, diz ter finalmente capacidade, equipa e vinhas para
fazer vinho e mostrar o terroir como antes não o tinha: «Diria
que quando se prova o meu portefólio das várias regiões há
um fio condutor daquilo que entendo que é equilíbrio, apesar
de todos os vinhos serem tão diferentes. Um dos meus grandes
defeitos e talentos é que não venho da indústria do vinho, não
estou a cumprir um legado, antes olho mais para esse legado
com outra profundidade que é a de equacionar o que se fez há
100 ou mais anos... Isto é algo que os meus vinhos têm de base.
Assim como uma enologia muito pouco interventiva, mas em
que tudo tem que correr bem, em timings, acção, conhecimento
por parte da equipa. Hoje, quando se prova Açores ou Alentejo,
está-se a provar vinhos que mostram mesmo o que é o terroir, o
que são os Açores, o que é o Alentejo. E, este, é o fio condutor.»
GARANTIR QUE NÃO HÁ VOLTA ATRÁS
Passada a fase de comprar uva a outros produtores, António
Maçanita e a sua empresa Fita Preta respondem actualmente
por quatro vinhas no Alentejo, das quais metade são de solo
de granito e metade em xisto. Uma propriedade no vértice das
três bacias, do Guadiana, Tejo e Sado, que, além de terras e vinhedos,
trazia consigo um Paço entretanto recuperado – que
compra a 22 de Dezembro de 2016, depois de um ano e meio
de entrevistas consecutivas com João Saldanha, o proprietário
herdeiro –, e que, para além de casa de família, se afirmou
como peça-chave para todo o projecto e para o enoturismo que
começa a arrancar.
Toda a vinha do Alentejo, Douro e parte dos Açores está em
modo biológico, sequeiro, além de que nada é deitado fora, sendo
antes tudo aproveitado. «Quando comecei, deitava imensa
uva para o chão. Hoje, faço base de espumantes. Mas fazemos
um esforço de separar o melhor do pior», vai partilhando.
48 Vinhos
CASOS
Apesar de já ter uma mão-cheia de regiões, a verdade é que
ainda agarrou a oportunidade de mais uma aventura por terras
de Porto Santo, onde sentiu «que tinha mesmo que fazer». Foi
como «que encontrar um outro Açores. Como é que é possível
haver um tesouro daqueles, de vinhas velhas, desconhecido...»,
comenta com a incredibilidade de quem sabe que este é caminho
de conhecimento sem fim.
Por isso, também nunca diz nunca. Assim como confirma
que sempre teve muito interesse em Colares, mas adianta que
nada tem a acrescentar à zona; que adora a Bairrada ao ponto
de ter estado quase tentado a «fazer uma brincadeira», este ano,
com um produtor local; ou, quem sabe, «outras ilhas fora do
território nacional», já que confessa ser um processo interessante
sair da sua zona de conforto e experimentar outros terroirs.
Quando olha para tudo o que construiu, o que sabe é que já
não volta para trás. Mas o que mais o assusta é que, num futuro,
o seu esforço se possa vir a perder...
E 20 anos depois, foi necessário estas duas décadas para
lançar o grande topo de gama, António? «Desde 2010 que coloco
à parte vinhos que considero excepcionais face ao que
tínhamos feito. Coincidentemente, dois são do Alentejo. Fui
sentindo conforto, fui-me apercebendo da importância e da legitimidade
do local – o maior edifício rural medieval de que há
conhecimento em Portugal é em Graça do Divor –, saber que o
Enxarrama é daí... percebi que a fazer um topo de gama teria
que ser por ali.»
O que é que falta? Consolidação, ou não estivesse com uma
cesta repleta de desafios, como a que iniciará em 2026, com a
reabilitação de montes para 25 quartos abertos ao turismo... E,
em paralelo, «contribuir para o posicionamento de Portugal no
mundo do vinho», remata.
António Maçanita não chegou ao sector com nenhum legado
mas, hoje, pensa em tudo numa lógica de passagem à geração
seguinte, de construção de um património que tem que
ser continuado. «Não tenho espírito de empreendedor, de fazer
para vender», sublinha. Até porque já teve proposta que diz ter
sido irrecusável, mas que, claro, recusou.
E até que idade se vê então a fazer vinho? «Isso é algo que
me preocupa. É importante ir construindo de forma a que haja
espaço para a passagem. Terá mais que ver com elasticidade
mental, com o ser capaz...», partilha António Maçanita, um
dos guardiões das castas por território português!
VINHOS DE ELEIÇÃO
Nos Açores, Vinha dos Aards. Em Porto Santo,
o Crosta Calcária. No Alentejo, Enxarrama. No
Douro, Pala Pinta branco e tinto. E tantos que
já provou e bebeu e que confessa serem tão
fantásticos que, quando os prova, a única
questão que se coloca a si próprio é «como é
que se faz…». Como o Batard Montrachet 2019
da Domaine Leflaive.
50 Artesanato
CASOS
DAS OVELHAS DA
SERRA DA ESTRELA
À TERRA DO
Sol
Nascente
Texto
MARIA JOÃO LIMA
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
51
A centenária Ecolã produz, a
partir de Manteigas, mantas,
casacos e mochilas que chegam
a destinos tão díspares como
Dinamarca, Alemanha e Japão
É
uma tradição de família que atravessa
quatro gerações desde 1925.
A Ecolã é a Unidade Produtiva
Artesanal (UPA) certificada mais
antiga de Portugal, de origem familiar,
que acompanha todo o ciclo
da lã desde a tosquia até ao
produto final. Mais do que uma
fábrica de tecidos, apresenta-se
como uma empresa que zela pela qualidade e tradição, respeitando
um saber-fazer ancestral e promovendo um estilo de
vida sustentável e natural.
Nos comandos da Ecolã, desde 1995, está João Clara, neto
dos fundadores, que conta já com as suas filhas Joana e Margarida
(a quarta geração) nos trabalhos da empresa familiar,
que tem colaboradores distribuídos nas áreas da tecelagem,
costura, comercial e hotelaria.
Foi precisamente no ano em que João Clara assumiu a
Ecolã que a empresa começou a desbravar mercados internacionais
ao fazer as primeiras vendas para a Dinamarca. Exportando,
hoje, para 16 países, com destaque para Alemanha
e Japão, o peso dos produtos que saem do País já representa
mais de 50% do volume de negócios anual. «A Ecolã está sempre
receptiva a captar novos mercados que lhe permitam uma
expansão prudente e sustentada», confidencia António Fonseca
Costa, gestor comercial da Ecolã.
Para 2025 estabeleceram o objectivo de consolidar a presença
nos mercados onde já estão presentes e captar novos,
nomeadamente o Brasil e os EUA. Em ano de centenário está
ainda previsto o lançamento de produtos especiais ligados à
história da Ecolã, assim como um encontro com os clientes
nacionais e internacionais durante dois dias.
Com um perfil exportador há já três décadas, reconhecimento
internacional é algo que não tem faltado à empresa de
Manteigas que, ao longo da sua existência, desenvolveu alguns
projectos e produtos com marcas de luxo, nomeadamente
mantas para os hotéis da Bulgari e com a Louis Vuitton. Aliás,
recorda o gestor comercial, a Ecolã faz parte do Guia de Viagem
de Lisboa editado pela Louis Vuitton.
OVELHA BORDALEIRA SERRA DA ESTRELA
De cor branca, bege e castanha, encontra-se na Serra da Estrela
uma espécie ovina perfeitamente definida: a ovelha Bordaleira
Serra da Estrela, uma das 16 raças autóctones portuguesas. E
esta é a verdadeira razão do sucesso dos produtos que saem da
Ecolã. «Sem lã não existimos», assume António Fonseca Costa.
A lã é a fibra têxtil de origem animal com maior resistência.
Como a Ecolã explica no seu site, a lã é 100% natural,
contém uma proteína designada queratina, tal como o cabelo
humano. “Durante o seu crescimento é lubrificada pelas
glândulas sebáceas que segregam uma substância cerosa, cuja
principal componente é a lanolina.” Biodegradável e renovável,
ano após ano, a ovelha produz lã que é tosquiada em seu
próprio benefício, algo que acontece na Primavera, para dar
tempo de crescer até ao Inverno seguinte. Segundo a Ecolã são
52 Artesanato
CASOS
extraídos cerca de 6 kg de cada ovelha, dos quais apenas 3 kg
são lã fina. Só é aproveitada para fins têxteis a lã de melhor
qualidade, proveniente do lombo da ovelha, que é a mais longa
e limpa. Essa lã segue, então, para a fase da fiação, que pode
ser feita através de uma roca manual ou eléctrica, transformando
a lã em fio. Já a criação de tecidos é feita através do
entrelaçamento de fios de trama com fios de teia.
Na Ecolã têm-se mantido as tradições e técnicas artesanais,
desde logo pela selecção criteriosa da lã, manutenção dos
teares de várias épocas e formação dos colaboradores.
«O nosso desafio constante é inovar com respeito pelo
“saber-fazer” tradicional. Na criação de um novo padrão nas
mantas ou num novo modelo de casaco existe sempre uma
identidade tradicional que é o ponto de partida no acto de
criação», sublinha António Fonseca Costa.
Entre os produtos produzidos nos teares e no atelier de
costura da Ecolã em Manteigas, há uma oferta muito diversificada
na área da casa e da moda (com preços de venda que vão
dos 10 aos 450 euros): cobertores, mantas, almofadas, cortinados,
casacos, capas, chapéus, chinelos, echarpes, cachecóis,
mochilas, malas, entre outros. «A qualidade da lã e o saber-fazer
tradicional dos nossos artesãos conferem um carácter único
aos produtos da Ecolã.» Mas é inegável que os bestsellers
são, além das mantas e complementos de decoração, os casacos
de burel. Aliás, as mantas e os produtos de burel são produzidos
desde 1925.
O burel é um tecido 100% de lã de ovelha que resulta de
uma sequência de operações específicas no processo de fabrico.
A lã, após ter sido tosquiada, lavada, fiada, urdida no
órgão e tecida no tear, é pisada numa máquina (pisão), que a
bate e escalda, transformando o tecido (enxerga) em burel,
tornando-o mais apertado, resistente e impermeável.
MANTER A SUSTENTABILIDADE
Ao longo de todo o processo produtivo existe, na Ecolã, uma
preocupação constante com a sustentabilidade, nomeadamente
com a redução da pegada ecológica, utilizando as raças
autóctones da região, aproveitamento de desperdícios têxteis
para reciclagem ou criação de produtos, nomeadamente pregadeiras
e chinelos, conta o gestor comercial.
Aliás, o nome da própria marca – Ecolã – evidencia uma
especial atenção às questões de sustentabilidade, que vai ao
encontro das necessidades de clientes com maior literacia,
vocacionada para um consumo consciente e sustentável, sublinha.
Um trabalho a que os clientes, sejam os particulares
ou empresariais, não têm ficado indiferentes, a avaliar pelo
crescimento do volume de negócios que se tem registado e que
antecipam que se vá manter este ano, apesar do clima de incerteza
internacional e a recessão na Europa.
BEM-RECEBER COMO ÁREA DE NEGÓCIO
Nota
Os produtos da Ecolã podem ser adquiridos
nas lojas próprias em Lisboa, Manteigas e
Porto, para além do site www.ecolaportugal.
com. A marca está ainda disponível para
desenvolver gamas de produtos personalizados,
feitos à medida do cliente.
Na loja de Manteigas os clientes podem
fazer uma visita guiada, de cerca de 30
minutos, à Ecolã sobre o ciclo da lã desde
a tosquia até ao produto final, vivenciando
todo o processo produtivo.
Em 2012, a Ecolã adquiriu em Manteigas as instalações de
uma antiga fábrica no âmbito de um projecto de expansão da
sua actividade têxtil. O antigo edifício da Ecolã, então devoluto,
foi reconvertido no Hotel da Fábrica, que viria a ser inaugurado
em Dezembro de 2018.
António Fonseca Costa conta que «a decoração do hotel é
um tributo à região da Serra da Estrela com recurso ao burel
produzido pela Ecolã e diversos objectos afectos à tecelagem
da lã». O gestor comercial assevera que todos os quartos, com
vista serra e a piscina interior aquecida, «permitem uma experiência
inesquecível».
Em rigor, conta o mesmo profissional, a Ecolã, em paralelo
com a sua actividade têxtil, possui, desde 1935, o Alojamento
Local Santa Clara. «Nos últimos três anos expandiu-se
neste segmento com a aquisição do Alojamento São Marcos.
E no primeiro semestre deste ano será incluída uma nova unidade
hoteleira – Pensão Serralto, um dos mais antigos estabelecimentos
hoteleiros de Manteigas, após obras de remodelação
em curso.
EPAL distinguida com o 1º lugar
no índice Experiência do Cliente “Prémio BECX”
pelo segundo ano consecutivo.
É COM GRANDE ORGULHO
QUE MANTEMOS A LIDERANÇA!
Prémio BECX (Best European Customer Experience) no ranking do Setor
da Água distingue EPAL com o 1º lugar no índice Experiência do Cliente.
A qualidade da água da torneira, a fiabilidade do serviço, a competência dos nossos profissionais,
a diversidade de meios de pagamento e a eficácia dos canais de comunicação foram decisivos
para os nossos Clientes
54 Gaming
CASOS
fron -
teiras
JOGOS
SEM
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
55
A produtora portuguesa
Infinity Games desenvolve
jogos para smartphone
que já foram descarregados
mais de 200 milhões
de vezes em todo o mundo
Texto
DANIEL ALMEIDA
S
e costuma pegar no smartphone
para jogar, é possível que já
tenha experimentado pelo menos
um jogo “Made in Portugal”,
mesmo sem o saber. É
que há uma empresa nacional
que tem subido vários “níveis”
no mercado internacional e altamente
competitivo (e lucrativo)
dos jogos mobile. Os jogos desenvolvidos pela Infinity
Games contam com mais de 200 milhões de downloads nas
principais lojas de aplicações móveis (Google Play e App Store)
e três milhões de jogadores activos por mês.
Com sede em Odivelas e um portefólio que soma já mais de
35 títulos, a Infinity Games especializa-se no desenvolvimento
de jogos de puzzle e simulação que têm como objectivo promover
o relaxamento dos jogadores, ao mesmo tempo que apelam
ao raciocínio lógico, à concentração ou à destreza. Os jogos baseiam-se
num estilo de arte minimalista e numa jogabilidade
simples, para atrair uma audiência vasta e diversificada.
«A aposta em jogos mobile resulta de uma análise estratégica
que identificou o rápido crescimento e acessibilidade
dessas plataformas. Os dispositivos móveis têm uma base de
utilizadores global em constante expansão, com milhões de
pessoas a utilizá-los como principal meio de entretenimento»,
afirma à Marketeer Muhammad Satar, fundador e CEO
da Infinity Games. Já sobre a aposta nos géneros de puzzle e
simulação, o responsável sublinha que são «nichos que se adequam
perfeitamente à experiência móvel, onde os utilizadores
procuram um entretenimento relaxante e de curta duração».
Entre os jogos mais populares desenvolvidos pela Infinity
Games estão títulos como: Infinity Loop, o primeiro sucesso
da empresa, que consiste em resolver puzzles criando “loops”
perfeitos; Energy, um quebra-cabeças anti-stress, semelhante
ao Infinity Loop, no qual os jogadores têm de conectar pontos
de energia; Maze, uma experiência de navegação por labirintos
estilizados, onde o objectivo é encontrar a saída; Pack & Match
3D, um puzzle de combinação de peças; e Traffix, um simulador
de gestão de tráfego que exige planeamento estratégico
para evitar colisões. Recentemente, a produtora portuguesa
lançou a Chill, uma aplicação que vai além dos jogos tradicionais,
integrando terapias anti-stress, meditação guiada e jogos
para redução da ansiedade baseados em IA (veja caixa).
Os jogos desenvolvidos pela Infinity Games já conquistaram
gamers em todo o mundo, com destaque para mercados
tão díspares quanto os Estados Unidos da América, Europa
Ocidental (sobretudo Alemanha e Reino Unido), Brasil e outros
mercados na América Latina, e Ásia, com destaque para
Índia e Japão. Com um volume de negócios que rondou os
dois milhões de euros em 2024, a empresa integrou o ranking
“Deloittte Technology Fast 50 Portugal”, que distingue as 50
empresas nacionais do sector tecnológico com maior crescimento
nos últimos três anos.
O SHIFT PARA OS JOGOS
Curiosamente, a história da Infinity Games nem começou
pelo sector dos videojogos. A empresa foi fundada em 2014
por Muhammad Satar, logo após terminar o mestrado em Finanças
pela Universidade Católica Portuguesa. Inicialmente
sob o nome de WebAvenue, dedicava-se ao desenvolvimento
de serviços web, tais como criação de websites, consultoria e
gestão de lojas de e-Commerce e outras ferramentas web.
Em 2016, Muhammad Satar decide realizar um investimento
estratégico ao adquirir o seu primeiro jogo, o Infinity
Loop. Este passo levaria a uma reorientação completa do
negócio. Em 2018, a startup operou um rebranding, passando
a designar-se Infinity Games e a focar-se exclusivamente no
desenvolvimento de jogos mobile, nomeadamente puzzles e simuladores.
A partir daí, começou a recrutar os primeiros colaboradores
– até então tinha contado apenas com o apoio de
freelancers – para poder desenvolver o seu portefólio.
56 Gaming
CASOS
«A aposta na área de gaming adveio da constatação da inexistência
de jogos que fossem feitos para públicos-alvo maiores
– mesmo que não tivessem interesse em jogos de consola
– e da incessante procura de nichos de mercado inexplorados
por empresas maiores», recorda o fundador e CEO. «Este
mercado é atractivo por vários factores: os baixos custos de
entrada, uma vez que o desenvolvimento de jogos mobile requer
menos recursos iniciais em relação a outras plataformas,
como consolas ou PC; o alcance global, desde mercados maduros
até emergentes; e o facto de o consumo de conteúdo em
dispositivos móveis ser constante, o que facilita a retenção de
utilizadores», reitera.
Nos anos seguintes, a Infinity Games foi crescendo de
forma orgânica, adaptando-se às tendências do mercado de
videojogos para smartphones. Ou não se posicionasse como
uma empresa bootstrapped, ou seja, cujo crescimento sustentado
tem por base os lucros gerados pela sua actividade. Em
2022, a startup de Odivelas obteve financiamento através do
consórcio eGames Lab (financiado pelo Plano de Recuperação
e Resiliência), o que lhe permitiu desenvolver o primeiro projecto
fora do mundo dos videojogos, a aplicação Chill.
Já 2024 ficou marcado pela expansão para o segmento
B2B, com o desenvolvimento de soluções personalizadas para
empresas. Neste segmento, a carteira de clientes da Infinity
Games inclui empresas listadas no índice Nasdaq-100.
DE PORTUGAL PARA O MUNDO
Actualmente, a equipa da Infinity Games é constituída por 27
colaboradores em áreas como Arte, Game Design, Desenvolvimento,
Produção, Recursos Humanos e Marketing. A empresa
desenvolve a maioria dos seus jogos em Portugal, onde mantém
um núcleo criativo e de produção. «No entanto, há colaborações
pontuais com equipas internacionais, especialmente
Robson
Siebel,
Teresa
Alvadia e
Muhammad
Satar
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
57
A APP QUE REDUZ O STRESS
A mais recente novidade da Infinity Games é a
Chill, uma aplicação móvel que combina várias
ferramentas para melhorar o bem-estar dos
utilizadores. Entre os conteúdos disponibilizados
encontram-se mini-jogos desenhados para aliviar
o stress e a ansiedade, guias de meditação personalizada,
paisagens e sons relaxantes, exercícios
de respiração e ainda um “terapeuta” virtual
que recorre a IA generativa para dar sugestões
baseadas nas necessidades individuais de cada
utilizador. A app Chill já está disponível para equipamentos
Android e iOS.
Mas o projecto não ficará por aqui. A Infinity Games
está a trabalhar em conjunto com a Universidade
da Madeira e o Instituto Superior Técnico,
através do consórcio eGames Lab, com o objectivo
de explorar as capacidades da aplicação para
reduzir o stress e melhorar o bem-estar mental
de diferentes populações em todo o mundo.
em áreas específicas como Game Design e Marketing. Estas
parcerias ajudam a integrar perspectivas globais nos projectos»,
conforme explica Teresa Alvadia, directora de Recursos
Humanos da Infinity Games. «Da equipa core de 27 pessoas,
19 estão em Portugal, cinco na Índia, uma no Paquistão, uma
no Brasil e outra na Austrália», detalha.
Hoje, os 35 jogos que compõem o portefólio da Infinity
Games estão disponíveis em todo o mundo. Muitos desses jogos
estão acessíveis de forma gratuita, mas incluem compras
opcionais in-app para desbloquear funcionalidades, níveis ou
itens adicionais. Além do modelo freemium, a empresa monetiza
o seu negócio através da integração de anúncios nos jogos,
geralmente em formatos de vídeo ou banners, para gerar
receitas passivas. Em alternativa, a maioria dos jogos desenvolvidos
pela empresa está incluída no Google Play Pass, um
serviço de subscrição mensal que permite o acesso ilimitado,
sem anúncios nem interrupções.
Mas será que os jogadores sabem que se tratam de jogos
desenvolvidos no mercado português? «Muitos não têm noção
de que os nossos jogos são “Made in Portugal”, uma vez que a
empresa prioriza a experiência do utilizador e o apelo global
dos seus produtos, sem destacar a sua origem nacional. Contudo,
a qualidade e inovação dos jogos da Infinity Games têm
colocado Portugal no mapa como um País com potencial no
desenvolvimento de videojogos», salienta Muhammad Satar.
De acordo com o fundador da Infinity Games, a empresa
está a preparar algumas novidades para este ano, nomeadamente
o lançamento do primeiro jogo em Realidade Mista (que
combina as tecnologias de Realidade Aumentada e Realidade
Virtual) e de outros projectos originais que ainda estão em fase
de prototipagem. «Para 2025, a estratégia é de continuidade do
trabalho e parcerias desenvolvidas nos anos anteriores, dando
uma grande primazia à Pesquisa & Desenvolvimento, com o
objectivo da criação de jogos em segmentos tecnológicos altamente
inovadores», conclui Muhammad Satar.
58 Branded
CASOS
Na
tua
pele
OU NA MINHA?
A Skyn® está para os
preservativos como
o detergente líquido
está para o mercado
dos detergentes em pó.
A marca afirma ser
o preservativo next
generation, com
tecnologia inovadora,
capaz de mudar a
experiência íntima
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
59
A
chegada da marca Skyn®®
ao mercado português
surge com o objectivo de
oferecer uma alternativa
premium e sofisticada,
concebida para melhorar a
experiência de intimidade
dos consumidores. Segundo
Patrícia Nunes Coelho,
a marca pretende responder a algumas das principais barreiras
identificadas no uso de preservativos, como o odor a borracha,
a falta de conforto e a diminuição das sensações. «A
Skyn® vem fechar este gap», afirma a Marketing director do
Grupo LifeStyles, detentor de outras marcas bem conhecidas
pelos portugueses, como a Control.
A responsável destaca que, actualmente, «55% dos jovens
adultos não se protegem e não utilizam preservativo, muito por
causa destas barreiras». A proposta da Skyn® passa, assim, por
proporcionar uma sensação de pele com pele, graças a um material
inovador que permite uma espessura inferior à dos preservativos
tradicionais de látex, sem comprometer a segurança.
Além disso, Patrícia Nunes Coelho refere que a Skyn®
preenche uma lacuna no sector premium do mercado português,
onde as expectativas dos consumidores são cada vez
mais elevadas. Como explica, «imaginando que estamos no
mercado dos detergentes em pó, a Skyn® é o detergente líquido:
o preservativo next generation».
A Skyn® apresenta-se como uma marca que pretende garantir
segurança sem comprometer o prazer. Segundo Patrícia Nunes
Coelho, a proposta de valor assenta na ideia de que, ao utilizar
um preservativo Skyn®, «é como se este terceiro elemento – o
preservativo – não existisse». A insígnia posiciona-se no segmento
premium, oferecendo uma experiência diferenciadora,
caracterizada por um toque mais natural e por uma sensação de
pele com pele, definida pelo conceito “feel everything”.
O principal factor distintivo em relação às marcas já estabelecidas
no mercado português está, precisamente, no
material inovador. «A grande diferença assenta no tipo de
experiência que é proporcionada: é um produto totalmente diferente,
feito num material totalmente diverso. A Skyn® veio
revolucionar o prazer e é a marca ideal para quem procura elevar
a sua experiência íntima, e procura fugir da “norma” e do
“habitual”», sublinha a mesma responsável.
No que diz respeito aos desafios da introdução da Skyn®
em Portugal, Patrícia Nunes Coelho destaca a importância de
demonstrar que a marca veio acrescentar valor ao consumidor
e ao mercado. «O objectivo é sempre a criação de valor»,
refere. A aposta na diferenciação e inovação visa destacar um
novo segmento, complementar ao já existente dos preservativos
de látex. Nesse sentido, a diferenciação face à concorrência
é feita de forma simples e directa, mas sempre com um carácter
de exclusividade. «Enquanto criamos a awareness para alavancar
a nossa entrada no mercado, o consumidor pode logo
“respirar” um bocadinho da essência da marca», complementa
a responsável de Marketing.
Relativamente à relação entre a Skyn® e a Control, ambas
pertencentes ao mesmo grupo, a expectativa é que cada uma
mantenha o seu espaço no mercado sem interferências significativas.
«A Control é uma marca de confiança, com um longo
historial e com uma awareness completamente estabelecida»,
afirma Patrícia Nunes Coelho, sublinhando que a marca continuará
a ser o foco do Grupo LifeStyles e que continuará a
desempenhar um papel central na educação para o uso do preservativo
e protecção sexual. Como parte desse compromisso,
a insígnia mantém iniciativas como o serviço Control Talk,
desenvolvido com a psicóloga e sexóloga Vânia Beliz, que disponibiliza
um canal de comunicação via WhatsApp para esclarecer
dúvidas sobre sexualidade, contracepção e prevenção.
Por outro lado, enquanto a Control se mantém orientada
para um público mais jovem, a Skyn® posiciona-se como uma
APOSTA NO SEGMENTO PREMIUM
60 Branded
CASOS
marca premium dirigida a consumidores mais maduros. Apesar
da possibilidade de alguma canibalização entre as marcas,
Patrícia Nunes Coelho destaca que os targets estão bem definidos.
«A Skyn® é a marca para quem procura uma experiência
mais premium», explica, acrescentando que a oferta da marca
pode igualmente contribuir para ultrapassar as barreiras que
levam 55% dos jovens adultos, acima dos 25 anos, a não utilizarem
preservativo na sua vida íntima.
INOVAÇÃO AO SERVIÇO DO PRAZER
A Skyn® aposta na inovação como um dos seus pilares centrais,
destacando-se pelo uso da tecnologia Skynfeel® e do
poliisopreno sintético, um material que torna os preservativos
adequados para pessoas alérgicas ao látex. A directora de
Marketing explica que esta combinação confere ao produto
«uma maior elasticidade e suavidade, directamente ligada a
um maior conforto». Estes factores, aliados ao design e concepção
avançados, representam uma evolução significativa no
sector, considera a mesma responsável.
No que diz respeito à sustentabilidade do planeta e à saúde
e bem-estar das pessoas, a Skyn® procura responder às preocupações
dos consumidores através de produtos inclusivos e de
origem natural. «O facto de o preservativo ser non-latex permite
que todos os que são alérgicos ao látex o possam utilizar»,
refere Patrícia Nunes Coelho, sublinhando que a marca
não quer “fechar portas” a nenhum consumidor. Além disso,
apostam em fórmulas que incluem ingredientes de origem natural,
como é o caso do lubrificante Naturally Endless 80 ml, e
pretendem continuar a maximizar essa possibilidade sempre
que for tecnicamente viável.
Além disso, a construção de uma relação de confiança com
o público português baseia-se na reputação já consolidada
noutros mercados, como os Estados Unidos, onde a Skyn® é líder
de mercado. Além disso, a marca tem promovido iniciativas
como eventos privados, nos quais apresenta o seu universo
e distribui amostras para que os consumidores possam comprovar
a diferenciação do produto. «Contamos já com a confiança
de alguns consumidores que compraram e testaram os
preservativos Skyn®, e que ao experimentarem já não voltam
atrás», sublinha Patrícia Nunes Coelho, destacando o papel
do “passa a palavra” como um factor determinante. «Um dos
próximos passos naturais é apostar na promoção de sampling,
porque queremos que todos experimentem o produto, e que
esse feedback chegue até nós», admite.
No que toca à comunicação, a Skyn® pretende manter uma
abordagem disruptiva e inovadora, reflectida nas suas campanhas
de marketing. «Há duas características que são indissociáveis
da marca e que pretendemos que estejam sempre presentes:
a elegância e o foco na maximização do prazer», sublinha
Patrícia Nunes Coelho. Estes elementos serão a base para campanhas
diferenciadoras, algumas das quais deverão explorar a
experiência sensorial e a conexão entre os consumidores.
GAMA SKYN ®
Disponíveis em packs de 10 unidades, as cinco
referências incluem as seguintes gamas: Original,
descrito como “o primeiro de uma nova geração
de preservativos – o produto de entrada”, sendo
reconhecido por aumentar o estímulo e proporcionar
uma sensação de pele com pele. De acordo
com a marca, é tão macio e confortável que quase
não se sente. Já a Elite, é uma versão ainda mais
fina e suave, que “eleva a experiência íntima a um
outro nível”. O Intense Feel, por sua vez, inclui uma
textura com pontos externos para estimular e
intensificar o prazer, enquanto o Extra Lubricated
oferece mais 40% de lubrificante, para uma maior
durabilidade. Por fim, a gama Large, com um tamanho
maior para um conforto e ajuste superiores.
Além dos preservativos, a marca disponibiliza duas
opções de lubrificantes: o Naturally Endless 80 ml,
um lubrificante de longa duração à base de água,
composto por 99% de ingredientes de origem
natural, que hidrata e lubrifica, complementando
a lubrificação natural do corpo, sendo compatível
com preservativos de látex de borracha natural e
poliisopreno. Por outro lado, o All Night Long 80 ml
é um lubrificante à base de silicone, que proporciona
uma textura aveludada e maior conforto
durante a actividade sexual.
A distribuição da Skyn ® em Portugal passa essencialmente
pelas farmácias e pelo grande consumo.
«À data de hoje, já estamos presentes em 700 farmácias
por todo o país e vamos continuar a alargar
a distribuição», afirma a responsável, acrescentando
que a marca já pode ser encontrada também
nos espaços da Sonae. O objectivo é garantir que o
produto está acessível a todos os consumidores.
Em termos de portefólio, a Skyn ® mantém para
2025 as sete referências disponíveis, sem previsão
de novos lançamentos num futuro imediato. Para
os próximos anos, a expectativa é consolidar o reconhecimento
da marca em Portugal, garantindo a
sua acessibilidade. «Queremos continuar a reforçar
a proposta diferenciadora de Skyn ® , seja através
da nossa comunicação, seja da evolução natural do
portefólio, de forma a potenciar um crescimento
sustentado», conclui Patrícia Nunes Coelho.
NON-LATEX SOFT MATERIAL
®
— Bem-vindos ao mundo —
PRESERVATIVOS
SEM LÁTEX
DO MUNDO
A gama de preservativos SKYN® foi concebida para
satisfazer as necessidades de qualquer consumidor.
Os preservativos SKYN® são fabricados através da tecnologia patenteada SKYNFEEL®, um material de látex sintético
(poliisopreno) tecnologicamente avançado, tão suave e confortável que quase não se sente.
Características dos preservativos SKYN®
Suavidade
Sensação natural,
pele com pele
Conforto
e ajuste
superiores
Não têm odor
a borracha
São adequados
para pessoas com
alergia conhecida
ou suspeita ao látex
A linha SKYN® oferece dois
lubrificantes de longa duração
SKYN® não é apenas preservativos.
A marca também oferece um agama
de lubrificantes de alta qualidade
adequados aos consumidores de hoje.
SKYN®
ALL NIGHT
LONG
—
À base de
silicone,
adequado
também para
a prática de
sexo anal.
SKYN®
NATURALLY
ENDLESS
—
O gel lubrificante
mais inovador
do mercado.
Fórmula
à base de água
Efeito de longa duração
similar ao do
silicone
Os preservativos SKYN® e lubrificante SKYN® All Night Long são dispositivos médicos. Antes da sua utilização deve ler
cuidadosamente a rotulagem e instruções de utilização.
62 Branded
CASOS
RASCALS APOSTA
EM NOVA
IDENTIDADE PARA
CONSOLIDAR
presença
global
A marca de
produtos para
bebés quer
simplificar a
parentalidade e
reforçar a sua
presença em mais
de 30 países
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
63
A
Rascals foi criada em 2016,
na Nova Zelândia, por
uma mãe de quatro filhos
que procurava desenvolver
fraldas de alto desempenho,
seguras para a pele e
acessíveis. Desde então, a
marca tem registado um
crescimento acelerado a
nível global, estando agora presente em mais de 30 países. Em
apenas cinco anos, conquistou a confiança de milhares de
consumidores, acumulando mais de 210 mil avaliações máximas
e recebendo mais de 75 prémios relacionados com produtos
e marca. Além disso, consolidou uma forte presença digital,
sendo actualmente a marca de fraldas mais seguida e
apreciada no TikTok.
Em Maio de 2024, a marca passou a designar-se simplesmente
“Rascals”, numa decisão estratégica que teve como objectivo
modernizar a sua identidade e tornar o nome mais directo.
De resto, muitos consumidores já utilizavam essa designação.
Além de reforçar a proximidade com o público, a mudança
reflecte a expansão global da empresa e a consolidação da sua
presença em mais de 30 mercados. Em Portugal, a Rascals está
disponível em exclusivo nos supermercados Pingo Doce.
SIMPLIFICAR A MARCA
O rebranding da Rascals foi um processo que se prolongou por
dois anos e teve como principal objectivo modernizar a marca,
garantindo uma identidade visual forte e facilmente reconhecível
pelos pais no ponto de venda. Um dos desafios mais significativos
foi a necessidade de desenvolver internamente, tanto a
nova embalagem como a estratégia de marketing. Ao optar por
esta abordagem, a marca conseguiu manter-se ágil e eficiente,
garantindo um controlo total sobre o processo criativo e estratégico,
algo que considera uma vantagem competitiva essencial.
A nova identidade visual da Rascals reflecte a evolução da
marca, mantendo o compromisso com produtos de alta qualidade
que simplificam a parentalidade. O nome mais curto
e distinto reforça a sua acessibilidade e proximidade com os
consumidores, alinhando-se com a forma como muitos pais já
se referiam à marca.
Além da mudança no nome, a Rascals adoptou uma nova
imagem e embalagem, com um design mais moderno e arrojado.
O azul-petróleo, já característico da marca, foi totalmente
integrado na identidade visual de toda a gama de produtos,
tornando-a facilmente reconhecível no ponto de venda. Esta
actualização eleva a identidade da marca em todos os aspectos,
desde a comunicação até ao design das embalagens, destacando
de forma clara os benefícios e inovações dos produtos.
A nova embalagem enfatiza a segurança e a eficácia das fraldas,
apresentando certificações dermatológicas e a ausência de
substâncias como loções, látex e fragrâncias. Além disso, realça
as principais características inovadoras, como o núcleo Hydrolock,
que garante elevada absorção, e a cintura UltraFlex
360, que proporciona um ajuste confortável.
A directora de Marketing da Rascals, Amelia Watson, sublinha
que esta evolução reflecte o compromisso contínuo da
marca com os seus clientes. «Estamos muito entusiasmados
por partilhar a próxima evolução da marca Rascals com a nossa
comunidade. Eles são fundamentalmente a razão do nosso
sucesso até à data e mal podemos esperar para os levar na viagem
da Rascals connosco. A nossa missão sempre foi reduzir o
stress da parentalidade, fornecendo produtos líderes de mercado,
e estamos confiantes de que a evolução da Rascals nos
posiciona melhor para o fazermos no futuro», afirma.
A recepção dos consumidores à nova identidade visual e
ao nome abreviado tem sido muito positiva. De acordo com a
marca, muitos já utilizavam a designação “Rascals” antes da
mudança oficial, o que facilitou a aceitação da nova imagem.
O rebranding foi implementado de forma faseada a nível global,
permitindo uma adaptação gradual dos clientes. Em mercados
como Portugal, a chegada da nova embalagem gerou
grande expectativa, com consumidores ansiosos por experimentar
os produtos renovados.
QUALIDADE E SEGURANÇA
A qualidade e segurança dos produtos são prioridades centrais
para a Rascals, um compromisso que tem raízes na experiência
pessoal da fundadora da marca, cujo filho sofria de eczema.
Desde o início, a empresa procurou desenvolver fraldas
adequadas para peles sensíveis, garantindo ao mesmo tempo
um desempenho premium e um preço acessível.
A marca recorre a processos de produção de última geração
para assegurar a qualidade dos produtos, apostando em
materiais ultra-suaves e na utilização de tintas à base de água,
eliminando ingredientes potencialmente irritantes, como loções,
látex ou fragrâncias. As fraldas da Rascals incorporam
seis inovações essenciais que garantem um alto nível de desempenho,
oferecendo protecção e conforto ao bebé.
Além disso, a Rascals obteve certificações de organizações
reconhecidas mundialmente, que validam a segurança dos
seus produtos para peles sensíveis. Entre estas certificações
estão o OEKO-TEX Standard 100, que assegura a ausência de
substâncias nocivas; o selo Dermatest, que confirma a compatibilidade
dermatológica; e a certificação PETA Vegan &
Cruelty Free, que garante que os produtos não são testados em
animais nem contêm componentes de origem animal.
A Rascals adopta uma abordagem flexível para dar resposta
às diferentes necessidades e preferências que os pais apresentam
nos mercados internacionais, garantindo que os seus produtos
e estratégias de comunicação se ajustam às particularidades
de cada região.
64 Branded
CASOS
A nível de produto, a marca adapta o tamanho das fraldas
e os formatos das embalagens de acordo com os hábitos de
consumo e os ambientes de retalho de cada país. Nos Estados
Unidos, onde as grandes superfícies comerciais são predominantes,
a oferta inclui embalagens em grandes quantidades,
respondendo à procura por conveniência e economia. Por outro
lado, nos mercados europeus, onde as lojas tendem a ser
mais compactas, há uma maior preferência por embalagens
de menor dimensão.
Além da personalização dos produtos, a Rascals aposta
numa forte localização das suas estratégias de marketing,
privilegiando um envolvimento directo com os pais. A marca
investe em acções de proximidade, como parcerias com parteiras
e influenciadores parentais, e participa activamente em
feiras e eventos dedicados a bebés. Estas iniciativas permitem
reforçar a ligação com as comunidades locais e garantir que a
presença da marca é relevante e alinhada com as expectativas
dos consumidores em cada mercado.
A Rascals mantém um forte foco na inovação e na expansão
do mercado, procurando continuamente responder às
necessidades dos consumidores e reforçar a sua presença internacional.
Embora ainda não estejam disponíveis em Portugal,
a marca lançou recentemente novos produtos, incluindo
fraldas no tamanho 0 para recém-nascidos, fraldas de banho e
fraldas de noite.
A prioridade da empresa é disponibilizar uma gama completa
de fraldas premium, mas acessíveis, que cubram as necessidades
dos pais. A introdução de novos produtos reflecte
essa estratégia, garantindo soluções adequadas a diferentes
fases do crescimento do bebé e situações do dia-a-dia.
Além da diversificação do portefólio, a Rascals continua a
explorar oportunidades para expandir a sua presença geográfica.
Com uma ambição de se tornar uma marca verdadeiramente
global, a empresa procura novos mercados onde possa
consolidar a sua posição e disponibilizar os seus produtos a
um número crescente de famílias em todo o mundo.
A Rascals mantém-se na vanguarda do sector dos produtos
para bebés ao apostar continuamente na inovação e na qualidade.
A empresa conta com uma equipa interna especializada,
o que lhe confere agilidade e eficiência para responder rapidamente
às exigências do mercado e antecipar tendências.
Para sustentar o seu crescimento acelerado, a marca tem
investido na integração vertical, garantindo maior controlo
sobre a produção e distribuição. A fábrica totalmente automatizada
da Rascals, com uma capacidade de produção superior
a dois mil milhões de fraldas por ano, permite à empresa introduzir
novas soluções no mercado de forma mais rápida.
À medida que continua a expandir-se, a Rascals posiciona-se
como um concorrente directo das grandes marcas do
sector, como a Pampers (P&G) e a Huggies (Kimberly-Clark).
A empresa encara a concorrência como um estímulo para o
progresso, impulsionando a categoria das fraldas com o objectivo
de oferecer mais valor e soluções inovadoras aos pais
em todo o mundo.
66 Branded
CASOS
40 ANOS DE UMA
HISTÓRIA
de
amor...
O Fonte Nova está de
parabéns e não faltam
motivos para celebrar:
resiliência, inovação
e uma ligação única
com o público são
apenas alguns deles
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
67
O
Fonte Nova, um dos centros
comerciais mais
icónicos de Lisboa, celebra
40 anos de vida, com
uma história de muita
resiliência, capacidade de
adaptação e uma estratégia
de crescimento sempre
na base. Mas o Fonte
Nova é também uma história de amor entre um centro comercial
e o seu público, uma relação de suporte e companheirismo,
e eterna fidelidade.
Os centros comerciais começaram a surgir no país no final
dos anos de 1960, mas de forma ainda fragmentada. Na época,
o conceito era inovador, pois reuniam-se várias lojas num único
espaço. «Contudo, o funcionamento desses estabelecimentos
era diferente: cada lojista operava de forma independente,
alugando ou comprando um espaço, sem uma gestão centralizada»,
começa por partilhar Helda Lemos da Silva, directora
do Centro Comercial Fonte Nova.
Com a chegada do Fonte Nova, em 1985, um novo paradigma
foi estabelecido. Este foi o primeiro centro comercial a
adoptar um modelo de “comércio integrado”, com um único
proprietário e uma gestão centralizada para os espaços comuns
e lojas. Pela primeira vez, existia uma gestão unificada que definia
um mix comercial, coordenava a limpeza e a segurança
e implementava um horário de funcionamento uniforme para
todas as lojas. Este modelo trouxe estabilidade e atractividade
ao centro comercial, garantindo que a experiência dos clientes
fosse consistente e de qualidade.
Segundo Helda Lemos da Silva, responsável pela gestão do
centro há 27 anos, essa inovação foi essencial: «Ao contrário
dos espaços comerciais da época, o Fonte Nova oferecia uma
experiência completa e bem organizada. Criámos um ambiente
onde os clientes sabiam o que esperar e os lojistas tinham um
suporte mais eficiente.»
CRESCIMENTO E CONSOLIDAÇÃO
Durante os primeiros 15 anos, o Fonte Nova experimentou um
crescimento contínuo. Numa época em que Lisboa ainda não
tinha muitos centros comerciais, este espaço comercial, situado
em Benfica, destacava-se pela sua localização privilegiada e
pela oferta diferenciada relativamente aos centros já existentes.
Não obstante, a chegada de empreendimentos maiores, alguns
inaugurados igualmente em 1985, intensificou a concorrência.
Mas enquanto alguns tinham sido concebidos para um
público mais abrangente e com um conceito mais futurista, o
Centro Comercial Fonte Nova manteve-se fiel ao seu modelo de
proximidade e conveniência.
Nos anos de 1990, o Fonte Nova consolidou-se como um
ponto de referência e tornou-se um ícone para os lisboetas,
atraindo também clientes de zonas como a Linha de Cascais.
No entanto, à medida que novos centros comerciais foram surgindo
na região metropolitana, o público começou a dispersar-
-se. Alguns espaços inaugurados na década de 1990 trouxeram
uma oferta de lazer e entretenimento incomparável, tornando a
concorrência ainda mais desafiante.
Para enfrentar esse cenário, o Fonte Nova teve de redefinir
o público-alvo e apostou na fidelização do cliente, focando-se
na segurança, no conforto e numa oferta direccionada. Como
destaca Helda Lemos da Silva: «Percebemos que não podíamos
competir em escala com os gigantes do sector, então investimos
naquilo que nos torna únicos: proximidade, atendimento
personalizado e um ambiente acolhedor.»
Além disso, ajustando a oferta de lojas, a gestão do centro
percebeu, nesta fase, a importância da praticidade para os
clientes. Aqui, o cliente podia entrar, comprar algo e sair em
cinco minutos, enquanto, em superfícies comerciais maiores,
esse processo demorava mais tempo. A mudança de hábitos
de consumo foi gradual, mas o Fonte Nova soube adaptar-se e
pensar estrategicamente. «O maior desafio da gestão foi perceber
que o mercado está sempre a mudar e que não há planos
fixos. O que hoje parece seguro, amanhã pode não ser.»
A CRISE FINANCEIRA E A RENOVAÇÃO
Em 2008, a crise económica global trouxe desafios significativos
para o sector do retalho, sendo que até então continuavam
a proliferar espaços comerciais. Com a retracção do consumo e
o encerramento de diversas lojas, o Fonte Nova enfrentou um
dos momentos mais críticos da sua história. Muitos operadores,
alavancados por crédito, não conseguiram sustentar-se, levando
a um aumento de insolvências. O centro viu-se perante
um dilema: preencher os espaços vazios rapidamente, ou manter
a sua identidade? «A gestão do centro manteve a estratégia,
sempre validada pela administração. Se tivéssemos tomado decisões
precipitadas, poderíamos ter comprometido o futuro do
mesmo», complementa Helda Lemos da Silva.
A administração optou pela manutenção do conceito original,
recusando a adesão massiva de lojistas, que poderiam
descaracterizar o espaço. «Foi uma decisão difícil, mas sabíamos
que a identidade do Fonte Nova não podia ser comprometida»,
recorda a directora, acrescentando, «queríamos manter
um equilíbrio entre inovação e tradição, e isso significava fazer
escolhas estratégicas a longo prazo». A partir de 2012, o cenário
começou a estabilizar. Com o aumento da procura, as lojas
foram-se reocupando e o centro voltou a equilibrar-se.
Contudo, foi em 2015 que uma grande mudança aconteceu.
Com a chegada de uma nova administração, surgiram planos
de investimento e expansão do centro comercial e a sua história
mudaria para sempre.
Nos anos seguintes, o Fonte Nova passou por uma série de
transformações estruturais. Foram criados novos lugares de es-
68 Branded
CASOS
tacionamento interior, instalados mais elevadores e uma reformulação
da área de restauração. O Pingo Doce foi igualmente
modernizado e ganhou um espaço mais integrado no centro.
Paralelamente, decidiu-se encerrar os cinemas e substituí-los
por um ginásio. Uma decisão difícil e que afectaria as memórias
de muitos dos antigos clientes, mas que iria atrair um público
mais jovem, um dos objectivos desta mudança. «A renovação
foi essencial para garantir a sustentabilidade do centro»,
explica Helda Lemos da Silva. «Sabíamos que algumas mudanças
poderiam gerar nostalgia, mas eram necessárias para mantermos
o Fonte Nova relevante para as novas gerações.»
A assinatura do contrato com a cadeia de ginásios Fitness
Hut (hoje VivaGym) representou um marco nesta transição,
obrigando a gestão, mais uma vez, a repensar a lógica de ocupação
e consumo dentro do espaço. O ginásio atraía um público
jovem, mas que vinha exclusivamente para treinar, sem um
hábito consolidado de consumo no centro. O desafio, então,
era criar incentivos para que este novo público permanecesse e
consumisse nos demais espaços comerciais. «Para isso, adoptámos
estratégias, como a oferta de estacionamento, para tornar
o ambiente mais acessível e atractivo», acrescenta.
Houve, igualmente, uma necessidade de redimensionar e
modernizar a loja do Pingo Doce, o que levou à reconfiguração
da área de restauração, antes dispersa entre dois pisos. «Decidimos
concentrá-la no piso inferior, criando um food court
moderno e coeso. Esse movimento foi fundamental para a requalificação
do centro», destaca a directora.
A chegada de marcas icónicas reforçou a nova fase do Fonte
Nova. Aos poucos, o centro voltou a ganhar relevância e a fortalecer
a sua relação com o bairro e os seus moradores. «Ouvimos
sempre os nossos clientes. Sabemos que o Fonte Nova faz
parte da vida de muitas famílias há décadas e tentamos equilibrar
inovação com o respeito pela história do centro», enaltece.
Paralelamente, a Câmara Municipal requalificou a envolvente
do centro, melhorando a segurança e a acessibilidade da zona,
Helda Lemos da Silva, directora do Centro
Comercial Fonte Nova
atraindo novos moradores. «A região de Benfica passou por uma
transformação demográfica natural. Há 50 ou 60 anos, era um
bairro jovem, habitado por famílias que estavam a comprar as
primeiras casas. Hoje, muitas dessas pessoas envelheceram e o
ciclo de renovação começou: os mais velhos deixam as casas,
que passam para os filhos, ou são vendidas a casais jovens.»
O FUTURO: ENTRE A TRADIÇÃO E A INOVAÇÃO
O futuro do Fonte Nova passa por manter esta estratégia de modernização
sem perder a identidade. «Queremos crescer sem esquecer
o que nos torna especiais. O Fonte Nova é mais do que
um centro comercial, é um espaço de memórias e relações. Continuaremos
a inovar, mas com respeito pelo nosso legado.»
A campanha de comemoração dos 40 anos reflecte essa intenção,
sendo a apresentadora Ana Rita Clara a embaixadora
desta comemoração. A celebração do aniversário será o foco de
toda a comunicação da marca em 2025 e o início da celebração
vai acontecer no dia 8 de Março, onde se prevê muita animação
e diversas iniciativas. Este evento é aberto ao público e é sobretudo
para clientes, lojistas, prestadores de serviços e colaboradores.
«É aberto a todas as pessoas que fazem o centro existir
todos os dias, desde sempre. Esta celebração reforça o compromisso
do Fonte Nova com os seus clientes e com a história que
construíram juntos», assegura Helda Lemos da Silva.
Para o futuro, «a estratégia será continuar a adaptar-nos às
mudanças e a resolver os desafios conforme surgirem. Não sabemos
onde estaremos daqui a 10 anos, mas sabemos que queremos
estar melhores e mais modernos. Para isso, temos que
continuar com o processo de modernização do centro. Já temos
planos para uma nova intervenção, mantendo a identidade do
centro, mas renovando a sua estrutura», adianta a directora.
A verdade é que, entre passado e futuro, o Fonte Nova continuará
a ser um símbolo de inovação, conforto, segurança e
proximidade com a comunidade.
1985•2025
O FONTENOVA
FAZ 40 ANOS!
Venha celebrar connosco.
8 DE MARÇO
17H Concerto Marisa Liz
Várias gerações,
o mesmo lugar
40 ANOS A FAZER HISTÓRIA
70 Branded
CASOS
SETE EMPRESAS REFORÇAM
O SEU EMPLOYER BRANDING COM
A CERTIFICAÇÃO
GPTW
A Great Place to Work ®
Portugal certificou
recentemente sete empresas de
cinco sectores distintos,
sendo que a maioria tem menos
de 50 colaboradores
A
pesar das diferenças entre
as empresas certificadas,
todas partilham um elevado
sentimento de orgulho:
90% dos colaboradores
sentem orgulho em
dizer que trabalham na
empresa; 93% têm orgulho
nas conquistas; o índice
médio de confiança nestas empresas é de 86%, acima do
mínimo de 65% necessário para a Certificação.
Criar um excelente ambiente de trabalho exige ouvir continuamente
os colaboradores e transformar as suas opiniões
em acções concretas de melhoria. A Certificação não é apenas
um reconhecimento, mas uma ferramenta estratégica,
ano após ano, que permite monitorizar a experiência dos colaboradores,
mitigar oportunidades de melhoria e fortalecer
a cultura organizacional.
Das sete empresas certificadas, seis renovaram a Certificação
em 2025, demonstrando um compromisso contínuo
com as pessoas. A Food-Tech obteve a Certificação pela primeira
vez, juntando-se à comunidade de organizações que
colocam os colaboradores no centro das decisões.
AS EMPRESAS CERTIFICADAS
> Tecnologia – 32 colaboradores
Detentora do ESC Online, o primeiro
site legal de jogos de casino online em Portugal. Destaca-se
pela autonomia, flexibilidade e entreajuda.
> Tecnologia – 35 colaboradores
Com uma cultura de 100% mobilidade,
permite que a equipa trabalhe de qualquer
lugar. Desenvolve soluções inovadoras que dão
vantagem competitiva aos seus clientes.
> Indústria Alimentar
– 24 colaboradores
Sediada na Maia, promove um ambiente positivo, solidário
e inclusivo. Com mais de 20 anos de experiência,
especializa-se em equipamentos para a indústria e
retalho alimentar.
> Construção & Engenharia
– 34 colaboradores
Localizada em Vila Nova de Famalicão,
desenvolve soluções sustentáveis para eficiência energética
nos edifícios. Destaca-se pelo espírito de equipa
e colaboração.
> Tecnologia – 40 colaboradores
Parte do Grupo Aptos, tem um centro
tecnológico no Porto desde 2019. Fomenta um ambiente
de camaradagem e proximidade entre equipas.
> Farmacêutica – 75 colaboradores
Presente em Portugal há 90 anos,
opera nas áreas de Healthcare e Life Science. Oferece
apoio financeiro para tratamentos de fertilidade a todos
os colaboradores, independentemente do estado civil
ou orientação sexual.
> Tecnologia – 201 colaboradores
Com mais de 15 anos de experiência,
valoriza o reconhecimento e investe
no crescimento dos seus talentos, promovendo desenvolvimento
profissional e inovação.
72 Alimentação
ESTRATÉGIAS
A invasão
dos
snacks
saudáveis
A preocupação com
a saúde, o bem-estar
e a sustentabilidade,
aliada às neces–
sidades de estilos de
vida dinâmicos, está
a fazer crescer
a procura e, conse–
quente, oferta de
snacks práticos
com perfis nutri–
cionais equilibrados
Texto
MARIA JOÃO LIMA
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
73
E
m Portugal, à semelhança do que se tem
verificado em outros países, tem-se assistido
a uma mudança significativa no
comportamento do consumidor, marcada
por uma maior consciencialização
em temas que envolvam a saúde, o bem-
-estar e a sustentabilidade.
Os portugueses estão cada vez mais
conscientes das suas escolhas alimentares
e procuram produtos que combinem
o sabor com um valor nutricional equilibrado.
«Os consumidores estão mais
atentos à composição dos alimentos,
priorizando opções naturais, com menos
ingredientes artificiais, e alinhadas
com os seus valores», sublinha Flávio
Henriques Soares, Marketing manager
da Snack’In For You, salientando que
procuram também a praticidade.
São consumidores que valorizam
conveniência, nutrição e sabor. Trata-se
de pessoas activas, com estilos de vida
dinâmicos, que procuram snacks práticos
para diferentes momentos do dia.
É um público que necessita de soluções
práticas, em unidoses, e funcionais para
os diferentes momentos do dia, começando
no pequeno-almoço, escolhendo
alguns snacks para o decorrer do dia e
terminando com uma refeição completa
preparada em poucos minutos, descreve
Diogo Maurício, CEO da Gwiker.
Este público tende a procurar produtos
feitos de forma mais natural com
ingredientes reais, que se adaptem a
diferentes estilos de vida e hábitos de
consumo. De fora ficam açúcares adicionados,
corantes, conservantes ou intensificadores
de sabor.
DESIDRATAR COM ENERGIA SOLAR
Da vontade de criar um projecto na área
agroalimentar nasceu a Gwiker que,
como marca, foi criada em 2016 para
produção de Cogumelos Shiitake Biológicos.
«Deparámo-nos rapidamente com
um tema que nos tem impulsionado no
decorrer da nossa actividade: o desperdício
alimentar. No início não conseguíamos
escoar todos os cogumelos que
produzíamos, por questões estéticas,
tendo em conta a sua forma e calibre.
Para minimizar o impacto desse desperdício,
desenvolvemos uma unidade de
transformação por via da secagem», recorda
Diogo Maurício, CEO da Gwiker.
Esta decisão transformou completamente
o projecto, que se focou no
processo de transformação. «Testámos,
desenvolvemos e implementámos um
processo de desidratação com recurso a
energia solar, que nos permitia o desenvolvimento
de soluções de alimentação
saudável, utilizando fruta e legumes que,
de outra forma, seriam rejeitados pelo
seu calibre ou por pequenos defeitos»,
conta. Aliás, um dos grandes factores de
diferenciação que esta marca apresenta
tem a ver com o processo sustentável de
desidratação que utiliza o sol como fonte
primária de energia, desidratando frutas
e legumes que são incorporados nas
referências. «Este factor eleva o sabor e
a textura dos nossos produtos, contribuindo
de forma activa para a redução
do desperdício alimentar, através da recuperação
de matéria-prima que estaria
fora do circuito de consumo apenas
por questões estéticas.» Desta forma, a
Gwiker entrega ao consumidor produtos
reais, ou seja, 100% naturais, sem aditivos,
conservantes ou aromas artificiais.
E consegue fazer com que, em simultâneo,
«esse produto seja repleto de sabor».
Hoje, a Gwiker oferece ao mercado
uma vasta gama de produtos: snacks de
fruta desidratada, barras energéticas
de frutas e frutos secos, granolas de pequeno-almoço
e instant oats (papas de
aveia instantâneas) com adição de fruta
e ainda preparados de refeições – risottos
com cogumelos ou legumes desidratados.
Produtos que já não são exclusivos
do mercado português. A aposta nos
mercados internacionais iniciou-se em
2024, com a presença no Japão, Angola e
Arábia Saudita, e será reforçada este ano,
sendo expectável a entrada também na
Alemanha e nos Países Baixos.
«O nosso objectivo é deixar um legado
sustentável para as gerações futuras.
Acreditamos que cada um de nós pode
contribuir para a mudança. Por isso,
tudo o que produzimos tem um propósito
assente em três pilares: Sustentabi-
74 Alimentação
ESTRATÉGIAS
lidade, Economia Circular e Produtos
Reais (sem aditivos artificiais), sendo
que só desta forma podemos ser agentes
da mudança», defende Diogo Maurício.
E acrescenta: «O consumidor actual
é cada vez mais informado, exigente e
criterioso na escolha dos seus produtos,
principalmente quando se trata de produtos
alimentares. Procura saber mais
sobre quem produz, com que motivação
e se existem preocupações durante
o processo produtivo com temas como
a sustentabilidade, a economia circular
ou a redução do desperdício alimentar.»
Nesse sentido, acredita que surgem
oportunidades claras num mercado em
crescimento, com consumidores que se
alimentam cada vez mais em movimento
e onde categorias como os snacks saudáveis
ou as refeições rápidas impactam no
estilo de vida do consumidor. A Gwiker
responde com propostas saudáveis, mas
que não abdicam do sabor, da praticidade
e da funcionalidade.
A marca Gwiker tem no mercado
três grandes gamas de produtos (com
preços entre os 0,60 euros e os 4,18 euros)
que podem ser adquiridas nos principais
players do retalho nacional e no
site da marca: Pequeno-Almoço, Snacks
e Refeições. A gama de pequeno-almoço
é composta por Cereais de Arroz Infantis
Bio, Granola e Papas de Aveia Instantâneas.
Na linha de Snacks, tem um
conjunto diversificado de Barras de Fruta
e Healthy Balls. Segundo o responsável,
estes são os produtos que têm mais
procura, por serem bastante práticos e
funcionais para o dia-a-dia, e que mais
peso têm em termos de volume de negócios.
Ainda nos Snacks, têm Fruta Desidratada
e no decorrer do ano de 2024
lançaram as Veggie Bars, barras com legumes
que «surpreenderam o mercado
pela textura e sabor diferenciados». Encontram-se
nos FoodLab do Continente.
A gama de Refeições inclui os preparados
de Risotto nas variedades Legumes,
Pimentos & Caril, Shiitake e Tomate
& Manjericão. «Estamos a preparar
algumas novidades para alargar esta
gama neste primeiro semestre de 2025.
Mais uma vez, procuramos apresentar
soluções alinhadas com as tendências do
mercado e com a expectativa dos consumidores.
A aposta será no desenvolvimento
de uma linha com soluções de
proteína vegetal.»
O volume de negócios da Gwiker, em
2024, rondou os 280 mil euros havendo,
para 2025, perspectivas de crescimento,
sustentado na abertura de novos mercados
de exportação e uma aposta no segmento
Private Label & Manufacturing.
«Estamos a crescer no mercado nacional
com os produtos de marca própria, marca
Gwiker e não só. Muitos consumidores
já tiveram contacto com os nossos
produtos, mesmo sem saberem. Estamos
presentes em várias marcas nacionais
com as quais trabalhamos em projectos
de Private/White Label, e continuamos a
crescer neste segmento.»
BENEFÍCIOS PARA A SAÚDE
E se na Gwiker a história começou com
cogumelos, na Simple Foods tudo começou
com uma gama biológica de produtos
de coco (óleo, manteiga, açúcar e farinha)
que ditou, em 2018, o lançamento
da marca Simple Foods.
Esta marca viria a ser relançada, em
2022, com uma aposta clara em produtos
de alimentação saudável e com a
missão de proporcionar produtos alimentares
que contribuam para o bem-
-estar, permitindo escolhas equilibradas
a preços acessíveis.
Nascida no seio do grupo Farmodiética,
com décadas de experiência na área
da saúde e do bem-estar, a Simple é uma
marca criada pela empresa Zeltica Global
Health, contando com o legado que
lhe confere «um conhecimento profundo
sobre as necessidades dos consumidores»
e que lhe permite «desenvolver produtos
que aliam sabor, nutrição e benefícios
funcionais», sublinha Renata Pinto,
head of Sales da Zeltica.
Hoje, a oferta inclui açúcares e farinhas
de coco, infusões, pastas vegetais e
húmus, rebuçados, barras e bolas energéticas.
Tem, também, cereais e chocolates
funcionais, que se diferenciam por
aliarem sabor a funcionalidade, com benefícios
específicos para a saúde, sendo o
segmento mais diferenciador da marca.
«Estamos constantemente a inovar e planeamos
expandir a gama ainda neste 1.º
trimestre de 2025, com novos produtos
que respondam às necessidades dos nossos
consumidores», revela Renata Pinto.
Consumidores que procuram opções
alimentares mais saudáveis, sem abdicar
do sabor e da qualidade. Entre esses
encontram-se aqueles que seguem uma
dieta equilibrada, pouco processada, vegan
e/ou sem glúten (embora nem todos
os produtos sejam vegan/sem glúten),
bem como aqueles que procuram opções
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
75
alimentares mais sustentáveis. Um consumo
que, a avaliar pelo crescimento de
15% em 2024 face ao ano anterior, permite
afiançar que as perspectivas para
2025 incluem «o alargamento da gama
de produtos e o fortalecimento da posição
no mercado português».
Os produtos Simple Foods podem ser
encontrados nos principais retalhistas
em Portugal, em dietéticas e no site da
marca. Assumindo que, de momento, a
prioridade é reforçar a presença no mercado
nacional, Renata Pinto reconhece
o potencial de expansão internacional.
«Estamos em processo de avaliação de
outros mercados, mas ainda é cedo para
partilhar estes planos!»
UMA OFERTA PERSONALIZADA
Reconhecendo aqui uma oportunidade,
a Oh! My Snacks surgiu em 2021 com
intuito de ajudar as pessoas a comer
de forma mais equilibrada, oferecendo
opções saborosas e práticas. Mas nesta
oferta há algo que a distingue: a possibilidade
de personalizar a oferta aos gostos
e condições especiais de cada um.
A marca foi pensada para quem procura
fazer uma alimentação mais equilibrada
sem prescindir do prazer e do
sabor nos seus momentos de snacking,
mas não tem muito tempo ou conhecimento
para procurar opções saudáveis
para os snacks do seu dia-a-dia. «Na Oh!
My Snacks, os clientes sabem que têm a
confiança dos snacks serem escolhidos
e validados por nutricionistas, de forma
personalizada para cada um e serem
entregues directamente no local que indicarem»,
sublinha Rita Lima, nutricionista
e responsável pelo desenvolvimento
de produto da Oh! My Snacks, marca
que está já em mercados internacionais
como o Reino Unido e a Alemanha.
O facto de cada box de snacks ser seleccionada
por um nutricionista, de forma
personalizada para cada cliente, de
acordo com o seu perfil, é um dos eixos
de diferenciação desta marca, a par do
equilíbrio, sabor, praticidade (prontos a
comer) e poderem ser transportados facilmente.
«Salientamos também o facto
de o cliente poder dar feed back sobre os
snacks, de forma a melhorar as suas boxes
seguintes (receber snacks que mais
gosta e evitar aqueles que não tenha gostado
tanto).» Um sistema que, de resto,
ajuda a marca a validar o seu portefólio,
já que snacks que tenham feedbacks negativos
recorrentes por parte dos clientes
são eliminados da gama.
Entre as opções há várias categorias
de snacks, como barras e bolinhas proteicas,
barras de frutos secos e oleaginosos,
barras naturais, bolas e barras de fruta,
fruta desidratada, bolachas e biscoitos,
tartes e bolos, mixes salgados e picantes.
A inovação e procura por novos snacks
diferenciadores são a prioridade da
Oh! My Snacks. «Estamos empenhados
em testar vários snacks para encontrar
soluções que vão ao encontro das exigências
do nosso público, e para tornar
o portefólio ainda mais consistente e
diversificado, principalmente ao nível
das categorias de bolachas e barras de
cereais», comenta a nutricionista, salientando
que contam ter novidades em
breve de maneira a dar continuidade ao
crescimento nos mercados em que estão
presentes e terminar 2025 acima de um
milhão de euros em vendas.
Uma aposta recente foi o lançamento
de produtos específicos para crianças. A
ideia surgiu após análise de respostas e
feedbacks dos clientes, através dos quais
verificaram que muitos estavam a utilizar
os snacks da sua box para colocar
nas lancheiras dos filhos. A marca deparar-se-ia,
nessa altura, com a preocupação
de que os snacks destinados a adultos
não são necessariamente adequados
para crianças. «A presença de adoçantes,
por exemplo, não é recomendada para os
mais pequenos.» Foi então que nasceu a
Box Kids. Tal como a dos adultos, também
é personalizada, mas com a diferença
de que os snacks são apropriados para
a idade escolar dos 5 aos 12 anos.
Seja na oferta para adultos ou na
para crianças, o preço varia de acordo
76 Alimentação
ESTRATÉGIAS
com o número de snacks das boxes, que
podem ser adquiridas no site da marca.
Em Portugal, a box de 20 snacks custa
39,95 euros (cerca de 2 euros/snack); a
de 30 snacks custa 54,95 euros e a de 60
custa 104,95 euros.
REDUÇÃO DO TEOR DE GORDURA
No campeonato das empresas mais estabelecidas
no mercado, a marca Snack’In
For You é o mais recente lançamento da
Nobre e começou a ser desenvolvida em
2022, com o lançamento oficial em Portugal
em Dezembro de 2024. Portugal
foi identificado como um mercado estratégico
devido à crescente procura por
snacks nutritivos e práticos, alinhados
com as novas tendências de consumo.
«A frequência de consumo deste tipo de
produtos é elevada – 37% da população
consome pelo menos uma vez por dia.
Acreditamos que esta será uma tendência
com potencial de crescimento nos
próximos anos, considerando as alterações
nos hábitos alimentares dos consumidores»,
comenta Flávio Henriques
Soares, Marketing manager da Snack’In
For You, em Portugal.
O profissional explica: «Esta aposta
nasce da intenção de explorar novas
oportunidades, nomeadamente a crescente
procura dos consumidores por
snacks que combinem o sabor, a conveniência
e um valor nutricional equilibrado»,
reforçando que é a resposta para
quem procura «opções práticas, deliciosas
e equilibradas, adaptadas a diferentes
estilos de vida e hábitos alimentares». Os
produtos Snack’In For You são feitos a
partir de processos simples, como a cozedura
no forno em vez de fritura, reduzindo
bastante o teor de gordura face aos
snacks mais tradicionais.
A gama Snack’In For You em Portugal
(PVP recomendado de 1,79 euros por
unidade) é composta por quatro produtos,
adequados a vegetarianos e veganos,
que se dividem em duas categorias. Os
Simple Pops, que existem na versão de
brócolos ou cenoura, são, segundo descreve
a empresa, “snacks crocantes, leves
e muito saborosos”, feitos no forno (e
não fritos) permitindo que tenham um
teor de gordura inferior aos snacks mais
tradicionais. Na sua produção são utilizados
ingredientes como grão-de-bico,
arroz, ervilhas e vegetais verdadeiros (os
brócolos ou as cenouras), que proporcionam
produtos finais com alto teor em
fibra, fonte de proteína e isentos de glúten.
Já os Fruit Bites e os Fruit & Veggie
Cubes são snacks desenvolvidos para o
boost de energia a meio do dia ou para
adoçar o humor de forma mais saudável.
São cubos feitos com 96% de fruta verdadeira,
isto é, com polpa e sumo de fruta
gelificado com fibra de maçã (pectina) e
não contêm adição de açúcares (contêm
apenas os açúcares naturalmente presentes
na fruta) ou adoçantes. Os produtos
Snack’In For You podem ser encontrados
nas principais cadeias de supermercados
e hipermercados em Portugal.
O alargamento da gama está planeado
para este ano. A Snack’In For
You está, para já, presente em mercados
como Espanha, Reino Unido e Portugal.
Para 2025, o plano é divulgar a presença
da Snack’In For You nos mercados
já existentes, com um foco especial em
aumentar a notoriedade da marca em
Portugal – «a receptividade aos nossos
produtos, que tem sido muito positiva» –
e, por fim, promover a experimentação,
aumentando a penetração nos lares portugueses,
confidencia Flávio Henriques.
E a avaliar pelas marcas que estão a
despertar para esta categoria de produtos,
não será de estranhar que, nos próximos
meses, se veja chegarem novos
concorrentes que venham disputar esta
oportunidade de mercado.
78 Mobilidade
ESTRATÉGIAS
A Caetano
Auto
é muito
mais que
Toyota
E, este, é um
trabalho que tem
vindo a ser feito:
para posicionar a
empresa, no
mercado, com um
dos grandes players
do sector
Texto
M.ª JOÃO
VIEIRA PINTO
Fotografia
EGÍDIO
SANTOS
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
79
E
m resultado de uma estreita parceria de
há anos, para muitos portugueses Caetano
Auto ainda é sinónimo de Toyota.
Isso, apesar de a empresa ter hoje
no seu portefólio outras marcas, como
a Lexus, o que não deixa de obrigar a
um exercício de gestão e comunicação
«desafiante», como o define a directora
de Marketing da empresa, Maria João
Pires. «A maior complexidade está em
garantir que cada uma mantenha a sua
identidade e posicionamento claros. A
Toyota exige uma abordagem acessível,
que comunique inovação e mobilidade
para todos, enquanto a Lexus pede uma
comunicação que respire exclusividade,
luxo e atenção ao detalhe. Outro desafio
é encontrar o equilíbrio certo dentro
da própria estratégia da Caetano Auto,
para que, independentemente da marca,
a experiência do cliente seja consistente,
próxima e alinhada com os valores da
empresa», acrescenta a responsável que,
há anos na empresa e no sector, lida ainda
com as grandes mudanças que este
enfrenta, entre a mobilidade eléctrica e
a chegada de novos players low cost.
Há três décadas na Caetano Auto, quais
as mudanças de mercado mais relevantes
que identificaria, nos últimos anos?
O mercado automóvel mudou drasticamente,
e na Caetano Auto vivemos estas
mudanças muito de perto. A transição
para a mobilidade eléctrica é, sem dúvida,
a mais marcante. O mercado está a
ser revolucionado por uma maior consciência
ambiental, e isso trouxe desafios
que tivemos de abraçar com inovação.
Outra grande transformação foi a
digitalização. O processo de compra
mudou radicalmente – o cliente pesquisa,
compara e decide muito antes de
entrar num concessionário. Tivemos de
nos adaptar a esta realidade, investindo
numa comunicação mais directa e
centrada nas pessoas, mostrando que a
Caetano Auto não é só sobre produtos,
mas sobre confiança e proximidade. Estas
mudanças obrigaram-nos a repensar
quem somos e como queremos estar no
mercado, e acredito que foi o que nos
permitiu crescer e ganhar relevância.
Mas de que forma é que a empresa se
tem adaptado a essas mudanças?
Para nos adaptarmos a estas mudanças,
focámo-nos em três áreas principais:
inovação, proximidade com os clientes
e uma comunicação mais autêntica e
humanizada. Na transição para a mobilidade
eléctrica, preparámos as nossas
equipas, criámos infra-estruturas adequadas
e procurámos ser um parceiro
que inspira confiança num momento de
mudança. Não se trata apenas de vender
carros eléctricos, mas de ajudar o cliente
a entender e a sentir-se confortável
com esta nova realidade.
Por outro lado, a digitalização trouxe-nos
a oportunidade de melhorar a
experiência do cliente. Simplificámos
processos, investimos em plataformas
mais intuitivas e procurámos estar presentes
em todas as fases da jornada de
compra, mesmo à distância.
E, talvez o mais importante, mudámos
a nossa forma de comunicar. Hoje
falamos de pessoas, de relações e de
confiança, porque acreditamos que é
isso que nos diferencia e que nos torna
relevantes num mercado que está em
constante transformação.
No entanto, diria que, para a maioria
dos portugueses, Caetano Auto é quase
sinónimo de Toyota. Ainda é assim?
É verdade que para muitos portugueses
a associação entre Caetano Auto e Toyota
é forte, fruto de uma longa história de
parceria e representação da marca no
País. Mas, nos últimos anos, temos trabalhado
para que a Caetano Auto seja
vista não só como representante de uma
marca, mas como uma entidade própria,
que coloca as pessoas no centro e oferece
uma experiência diferenciadora. Queremos
que os nossos clientes reconheçam
a Caetano Auto como uma marca próxima,
humanizada e orientada para as
suas necessidades, independentemente
da marca que escolham.
E isso é uma fraqueza ou, antes pelo
contrário, algo positivo?
Eu diria que é algo positivo, porque reflecte
a confiança e o reconhecimento
80 Mobilidade
ESTRATÉGIAS
que a Toyota conquistou ao longo dos
anos em Portugal, com a Caetano Auto
como parceira de referência. No entanto,
a nossa visão vai além disso. Afirmar
a marca Caetano Auto como uma
entidade própria, com valores claros e
uma relação próxima com os clientes,
permite-nos capitalizar essa herança e,
ao mesmo tempo, mostrar que somos
muito mais do que um representante de
marcas, somos uma verdadeira Marca
Para a Vida. É essa combinação que nos
torna mais fortes.
Nesse contexto, como é que a empresa
se posiciona no mercado e de que forma
tem vindo a comunicar para manter
quota e vendas?
A Caetano Auto tem-se posicionado no
mercado através de uma estratégia sólida
de expansão geográfica, diversificação
de serviços e aposta no marketing
digital, reconhecendo a importância de
interagir directamente com os consumidores
e acompanhar as suas necessidades.
Além disso, o compromisso
com a sustentabilidade e a aposta numa
comunicação mais humanizada têm reforçado
a proximidade com os clientes.
Este equilíbrio entre tradição, inovação
e responsabilidade social tem permitido
manter a quota de mercado e o volume
de vendas, enquanto consolida a sua
identidade como uma marca próxima,
confiável e adaptada às exigências do
mercado actual.
No caso do marketing, e tendo em conta
que a Caetano Auto alberga desde
uma marca mais mass market a uma
mais premium (como a Lexus), quais os
maiores desafios?
Conciliar as especificidades de uma
marca mais mass market, como a Toyota,
com outra mais premium, como a
Lexus, é sempre um exercício desafiante.
A maior complexidade está em
garantir que cada uma mantenha a sua
identidade e posicionamento claros.
A Toyota exige uma abordagem
acessível, que comunique inovação e
mobilidade para todos, enquanto a Lexus
pede uma comunicação que respire
exclusividade, luxo e atenção ao detalhe.
Outro desafio é encontrar o equilíbrio
certo dentro da própria estratégia da
Caetano Auto, para que, independentemente
da marca, a experiência do cliente
seja consistente, próxima e alinhada com
os valores da empresa. Tudo isso exige
uma segmentação precisa e uma personalização
constante, tanto na mensagem
quanto nos canais de comunicação.
E como é que se gerem equipas e comunicação
perante cenários diversos?
Gerir equipas e comunicação num cenário
tão diverso exige, antes de mais,
uma estratégia clara e bem definida
para cada marca, mas que, ao mesmo
tempo, esteja alinhada com os valores
transversais da Caetano Auto.
As equipas precisam de ter um entendimento
profundo em relação ao
posicionamento de cada marca – Toyota
como acessível e inovadora, e Lexus
como sofisticada e premium – para garantir
que a comunicação reflecte estas
mesmas diferenças.
A formação contínua é essencial,
para que todos compreendam as nuances
de cada público-alvo e estejam preparados
para adaptar a abordagem.
Além disso, é fundamental promover
uma cultura de colaboração entre as
equipas, incentivando a partilha de boas
práticas e insights, mas respeitando as
especificidades de cada marca.
Por último, a liderança tem um papel
crucial em assegurar que todos estão
alinhados com a visão da empresa, mantendo
a motivação e um sentido de propósito,
independentemente dos desafios
do dia-a-dia.
Há algum cruzamento de trabalhos?
Ou cada marca é uma marca e só assim
é que faz sentido?
Cada marca tem a sua identidade e deve
ser respeitada para comunicar de forma
autêntica. No entanto, há uma série de
momentos em que os trabalhos se cruzam,
especialmente em acções que reforçam
a Caetano Auto como estrutura
principal. O equilíbrio está em garantir
que, mesmo juntas, cada marca mantenha
a sua essência e que tudo reflicta os
valores da empresa.
E perante a actual proliferação de marcas
neste sector – tendo em conta, ainda,
a chegada de novos players – de que
forma é possível fazer a diferença?
Num sector cada vez mais competitivo
e com a chegada constante de novos
players, a diferença faz-se pela autenticidade.
Na Caetano Auto, acreditamos
que não basta vender produtos e serviços;
é essencial criarmos ligações emocionais,
humanizar a comunicação e ser
verdadeiramente próximo das pessoas.
Além disso, o foco está em antecipar
tendências e necessidades, oferecendo
uma experiência que vá além do esperado.
É isso que nos permite estar um passo
à frente: combinar inovação com um
serviço que faça o cliente sentir-se único
e valorizado.
Como definiria a jornada do cliente
português, hoje, na compra um carro?
Hoje, o cliente português compra um
carro de forma muito mais informada
e consciente. O processo começa, quase
sempre, online. Antes de sequer visitar
um stand, já pesquisou modelos, já
comparou preços, configurou o carro
dos seus sonhos e ainda leu reviews de
outros consumidores.
No entanto, apesar desta digitalização,
a compra de um carro continua a
ser uma decisão emocional e importante.
Quando chega ao stand, o cliente quer
confirmar se aquilo que viu online corresponde
às suas expectativas e, acima
de tudo, procura uma experiência personalizada,
onde se sinta valorizado e bem
acompanhado no processo de decisão.
É aqui que fazemos a diferença: garantir
que o cliente não só encontra o
produto que precisa, como também uma
relação de confiança e proximidade que
vai além da transacção.
Como se responde a esse modelo
de comportamento?
A Caetano Auto responde a este modelo
de comportamento com uma abordagem
omnicanal e centrada no cliente.
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
81
QUE AMBIÇÃO E
QUE LEGADO GOSTARIA
DE DEIXAR?
A minha maior ambição é deixar um
impacto que vá além dos resultados
ou das conquistas profissionais. Quero
ser recordada pela forma como fiz
as pessoas se sentirem – inspiradas,
valorizadas e motivadas a crescer.
Para mim, liderança não passa apenas
por alcançar metas, mas sim criar um
ambiente onde as pessoas se sintam
respeitadas, desafiadas e onde possam
ser autênticas.
No trabalho, quero contribuir para um
marketing e uma comunicação mais
genuínos e humanos, capazes de criar
verdadeiras ligações – seja com as marcas,
seja entre as pessoas. Transformar
a maneira como nos conectamos é algo
que me move profundamente.
Mas, acima de tudo, quero que quem
esteve ao meu lado – seja no trabalho
ou na vida pessoal – sinta que, juntos,
conseguimos construir algo maior, mais
leve e mais significativo. Esse é o legado
que quero deixar: um impacto positivo
e autêntico na vida das pessoas.
Estamos onde o cliente está: seja online,
com uma forte presença no digital,
em plataformas intuitivas e com informação
clara; seja presencialmente, nos
nossos stands, onde a experiência é personalizada
e acolhedora.
A nossa estratégia passa por criar
uma jornada integrada, em que o cliente
possa começar online, com pesquisas e
configurações, e depois continuar presencialmente,
onde garantimos que cada
interacção supera as suas expectativas.
Além disso, investimos continuamente
em formação das equipas, para que estejam
preparadas para responder a um
cliente mais informado e exigente.
No final, o objectivo é simples: sermos
mais do que um simples ponto de
venda, mas sim parceiros numa das decisões
mais importantes da vida dos nossos
clientes.
Ao longo destes anos, quais elegeria
como os momentos mais determinantes
de carreira e trabalho?
Os momentos mais determinantes na
minha carreira foram, sem dúvida,
aqueles que me desafiaram a sair da
zona de conforto e a arriscar, mesmo
quando o caminho parecia incerto.
Um dos exemplos mais marcantes
foi a decisão de mudar a estratégia de
comunicação da Caetano Auto. Ao tirar
o foco exclusivo das marcas e produtos
para dar lugar a uma abordagem mais
humanizada, estávamos a pisar terreno
novo. Era um risco, mas acreditava profundamente
na visão e sabia que, com as
pessoas certas ao meu lado, podia fazer
a diferença. Os resultados – em notoriedade
e reconhecimento – só reforçaram
que, quando existe um propósito claro,
as coisas fluem.
Outro pilar determinante tem sido a
relação com a minha chefia. Ter ao meu
lado um líder que me desafia, que me
apoia e que me dá espaço para crescer
tem sido essencial. Essa confiança mútua
dá-me segurança para arriscar, mas
também a humildade para reconhecer o
que posso fazer melhor. Saber que sou
desafiada, mas nunca sozinha, é algo que
me dá força e motivação diariamente.
Ao mesmo tempo, descobri que liderar
vai muito além de estratégias e números.
É sobre as pessoas, sobre criar
ligações e cuidar. Quando me permiti
criar um espaço mais autêntico e de verdadeira
partilha na equipa, percebi o
impacto que isso tinha na dinâmica de
trabalho e no sentido de propósito de todos
– o meu incluído.
Por fim, os momentos em que as
coisas não correram como eu queria
também foram fundamentais.
Aprendi que falhar faz parte, desde
que saibamos ouvir, ajustar e seguir em
frente com coragem. Foi precisamente
nesses momentos que cresci mais, porque
me permiti ser vulnerável e aceitar
que nem sempre preciso de ter todas as
respostas. Hoje vejo que o equilíbrio
entre arriscar, aprender e confiar nos
outros é aquilo que tem marcado todo o
meu caminho.
82 Eventos
ESTRATÉGIAS
Nelson Carvalheiro
Fábrica L e
Fábrica XL de
portas
abertas
Lembra-se dos
espaços para eventos
da LX Factory?
Foram alvo de obras
de melhoria e pas–
saram a apresentar-
-se ao mercado sob a
marca Fábricas. São
os primeiros indícios
da gestão que
durante cinco anos
está a cargo da ASM
Global. E não faltam
novidades nos
respectivos espaços
Texto
MARIA JOÃO LIMA
O tudo
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
s espaços de eventos da LX Factory entraram,
desde o último trimestre de
2024, numa nova era, com a gestão a
ser entregue à ASM Global. A empresa,
que se especializou na gestão full-
-service deste tipo de espaços nos cinco
continentes, está responsável, até 2030,
não só pelos dois principais espaços de
eventos da LX Factory – a Fábrica L e
Fábrica XL, que, agregadas, têm capacidade
para 2870 pessoas –, como pelo
bar, terraço e galeria ao ar livre.
Neste renascimento os espaços apresentam-se
ao mercado sob a marca umbrella
Fábricas e reformulados. O tratamento
acústico das salas, a instalação
de uma nova cobertura (que permite
uma drenagem eficaz das águas pluviais)
e a melhoria das infra-estruturas
de telecomunicações/dados são apenas
algumas das novidades da renovação.
Foram ainda melhoradas as condições
para clientes e parceiros, dotando o espaço
de dois camarins com WC privativo
à disposição dos artistas convidados,
novos equipamentos de cozinha para
serviços de catering, a par do alargamento
e modernização das infra-estruturas
sanitárias, instalação de sistemas
de ventilação e reforço na segurança
contra incêndios.
Um investimento feito pelos accionistas
do espaço e negociado pela ASM,
«que conhece bem o que é necessário
nos eventos corporativos, de bilhética e
de música», sublinha Hugo Encarnação,
director-geral das Fábricas. Ou seja,
aquilo que normalmente é necessário e
basilar para fazer os eventos acontecer
com conforto. O objectivo passou por
reforçar a capacidade destes espaços
para entregar uma experiência ao vivo
totalmente imersiva e com elevados padrões
de qualidade.
Neste momento, as Fábricas estão
prontas para receber qualquer tipo de
evento e já tiveram alguns com duas
mil pessoas no ano passado, que foram
confirmados para este ano, «porque, de
facto, tudo correu bem», salienta o responsável.
A única coisa que falta, assegura,
«é espalhar a palavra de que está
bem».
83
84 Eventos
ESTRATÉGIAS
E não há propriamente limites quanto
ao que se pode fazer nos espaços, para
além da lotação e disponibilidade. Aqui
podem ser feitos concertos, festas, night
clubs, eventos corporativos e de desporto
(no Inverno, às vezes, é mais difícil
ter locais cobertos para fazer algum
tipo de desporto como escalada), team
buildings, eventos de autor, de motivação
pessoal ou de moda… E há abertura
para fazer eventos diferentes e em moldes
diversos.
«O facto de os espaços não terem
palco, som e luz em determinado sítio,
permite mudarmos as configurações
para o que o cliente quer. É muito versátil.
Costumamos sugerir algumas disposições
que estamos habituados a ver, que
são as mais comuns. Mas, às vezes, surgem
coisas completamente diferentes»,
conta Hugo Encarnação. E, sim, também
fazem casamentos, se os clientes
assim o entenderem. «Estamos abertos
a tudo. É uma questão de negociação.»
Com experiência em empresas como
a Central de Comunicação, Siemens,
Luso Pirotecnia, Europalco, uma agência
de booking de DJ e em campanhas
eleitorais, Hugo Encarnação sente que
no seu percurso tudo se foi encaixando
até chegar à posição que agora ocupa.
No fundo, conhece não só os vários
espaços dos eventos, mas também as
pessoas que fazem parte deste mundo
e que acabam por ser quase sempre as
mesmas neste País. «Acho que viram
em mim a pessoa indicada para agregar
estas áreas todas dos eventos, desde
os corporativos até aos de música. Mas
também com a capacidade de poder
olhar para o espaço e poder sugerir para
fazer outro tipo de eventos.»
Porque o foco é precisamente não
fazer apenas eventos corporativos. Mas
alargar o leque para fazer diferente.
«Estamos abertos e receptivos a projectos
novos para que possamos crescer em
conjunto. Como um evento que agora
tem 100, mas depois possa ter 2 mil pessoas
mais à frente.» Tudo isso ajudando
a fazer crescer os eventos de produtores
e promotores novos que queiram iniciar
a sua actividade. «Acho que isso é importante,
porque não há muitos espaços
em Lisboa que dêem essas facilidades
para quem quer criar eventos, especialmente
de bilhética.» Nos Fábricas
a capacidade é de até 3 mil pessoas de
plateia de pé. E, em bom rigor, não é fácil
ter um espaço em Lisboa com 3 mil
pessoas e, às vezes, quando o há, já está
ocupado para os dias que se pretende.
MARCA FÁBRICAS
A criação da marca umbrella Fábricas
para os espaços do LX Factory era um
imperativo, segundo o director-geral.
Apesar de haver uma partilha de localização,
«a estratégia da Fábricas é diferente
da do LX Factory e a marca tem de
ter o seu percurso e estratégia próprios».
Hugo Encarnação conta que estão a tentar
posicionar a marca de uma forma
em que o venue seja visto no mercado
externo como mais do que o venue do
LX Factory. Mas cientes de que o LX
Factory é uma parte interessante da vizinhança,
muitas vezes recomendam aos
eventos que deixem duas horas para as
pessoas poderem explorar a envolvente.
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
85
Neste trabalho de posicionamento,
importa à Fábricas chegar às agências
corporativas lá fora e nesse caminho
mostrar-se como facilitadora da tomada
de decisão, facultando plantas dos espaços
e imagens, e demonstrando as capacidades
dos mesmos. «Temos que dar o
conforto que precisam para que percebam
que este é o sítio certo para o fazer.»
E faz parte da forma de operar da
ASM ter uma shortlist de caterings que
são autorizados a funcionar nos eventos
corporativos, pela qualidade que demonstraram
ter neste espaço e que convém
manter. Também nos audiovisuais,
têm parcerias de recomendação, o mesmo
se passando nos serviços de bar (que
podem ou não ter animação) e com as
parcerias técnicas, nomeadamente plataformas
de elevação. «Portanto, todos
os elementos que são necessários para
se fazer o evento e que, ao serem facultados
pelo espaço, ajudam à venda passando
a sensação de confiança.» Identificados
estão ainda produtores locais e
freelancers que podem ajudar as empresas
não nacionais em questões de seguros
e licenças desconhecidas por esses
clientes. «O espaço não trata disso, mas
queremos sempre proporcionar as condições
para as pessoas poderem fazer os
eventos. Queremos muito ajudar e ser
facilitadores da sua organização.»
ENTRADA EM PORTUGAL
A ASM Global procura de forma permanente
espaços para juntar à sua carteira
de gestão full-service e Portugal
estava no radar quando surgiu a hipótese
dos espaços Fábricas. «Portugal é
obviamente um país de destino para
eventos corporativos, com empresas a
quererem fazê-los em Lisboa. O LX Factory
foi uma oportunidade.»
Mas a procura de mais espaços no
País continua. «É a primeira posição
da ASM Global em Portugal, mas esperamos
que não seja a última. Estamos
atentos ao mercado e aos espaços de
eventos, tentando ampliar a nossa presença
em Portugal. Não só em Lisboa.»
No entanto, essa expansão não deverá
acontecer já este ano – «já explo-
rámos dois ou três sítios no trimestre
passado e não foram avante porque
não tinham as condições que a ASM
gosta de ter nos seus espaços», explica.
E acrescenta que têm que permitir que
o revenue seja constante e aprimorado.
«Cada metro quadrado tem que ser
visto como uma oportunidade de ganhar
dinheiro. As Fábricas têm dois ou
três espaços, mas podemos dividi-los
e torná-los mais pequenos. Portanto,
a forma como os organizamos e como
tentamos olhar para eles é de maneira
a rentabilizá-los, que é algo totalmente
diferente do que ter só uma área, alugá-
-la e já está», explana Hugo Encarnação.
Em alguns casos, em que o negócio
não avança, pode ser apenas por uma
questão de desencontro de timings, não
podendo os accionistas fazer os investimentos
necessários para o negócio
se concretizar.
Os espaços – e isso acontece também
no caso das Fábricas – mantêm-se
dos seus accionistas. A ASM Global faz
a exploração, ou seja, a operação profissional
do mesmo. «O accionista paga
Nelson Carvalheiro
Nelson Carvalheiro
86 Eventos
ESTRATÉGIAS
um fee de operação e remunera-nos
também em função de objectivos atingidos.
Quanto melhor trabalharmos, melhor
vamos receber ao final do ano. E o
accionista recebe os seus lucros de uma
operação mais profissional», explica o
director-geral, garantindo que querem
que os accionistas ganhem dinheiro.
«Porque se eles ganharem, nós também
vamos ganhar.»
Uma forma de trabalhar que leva a
que a ASM não se limite a receber os pedidos
que lhe entram pela porta dentro
e procure novo negócio e novas formas
de operar, quer seja um evento pequeno,
quer seja grande.
Hugo Encarnação revela ainda que
uma das estratégias para o ano em curso
é tentarem falar com o cliente final.
Ou seja, antes do cliente chegar à agência
e dizer que quer um espaço para fazer
um jantar ou um concerto, o cliente
final já tem que saber que o quer realizar
nas Fábricas. «Isto implica chegarmos
um bocadinho mais a montante
da decisão. Faz parte de um trabalho
diário de procura de novos clientes e de
eventos diferentes.»
O director-geral não esconde que
acha importante ir bater à porta das empresas
e falar com o marketing e os recursos
humanos, dizer-lhes o que as Fábricas
têm e o que podem fazer nos seus
eventos. «Esta proactividade é muito
interessante e não se faz nos outros espaços.
Queremos ganhar vantagem em
chegar primeiro a esses clientes. E depois
fazer o acompanhamento no local,
no dia, que é o que fazemos sempre desde
o início das montagens até ao final.»
O plano é que 2025 seja um ano de
consolidação da marca, em Lisboa, de
fazerem o máximo possível de visitas,
de responderem à maior parte dos pedidos
que lhes dirigem e mostrar as
novidades a toda a gente. «No fundo,
voltar a pôr o espaço no mapa das agências,
dos concertos e da música para, em
2026, começarmos a pensar em taxas de
crescimento para os anos seguintes.»
Até porque já começaram a surgir também
alguns pedidos para momentos a
acontecerem em 2026 e 2027.
O objectivo é este ano terem cerca
de 100 eventos (que compara com o período
homólogo de 2023, em que tiveram
60 no total) num mix de corporativos,
musicais, festas e night clubs.
Hugo Encarnação conta que vão ter
no rooftop da sala mais pequena, de Junho
até ao final de Setembro, o projecto
Under the Bridge (que existiu em 2023),
que contará com animação permanente
e algumas festas temáticas que se estenderão
para o piso de baixo. Serão 24 festas
durante esse período.
Nos anos seguintes, o que os responsáveis
pretendem é ir aumentando o
número de dias de ocupação dos espaços
Fábricas até chegarem aos 365 (total do
ano), «porque não operamos as várias
áreas nos mesmos dias».
DO DUBAI A LISBOA
A ASM Global desenvolve e faz a
gestão full-service de espaços
de eventos. Com uma rede que se
estende pelos cinco continentes,
reúne mais de 400 arenas, estádios,
centros de convenções/exposições
e espaços de artes performativas.
A sua experiência estende-se à
gestão de recintos existentes, ao
desenvolvimento de recintos e a
projectos de renovação em propriedades
como o Kai Tak Sports Park
(Hong Kong), o Caesars Superdome
(EUA), a AO Arena (Reino Unido), a
Desert Diamond Arena (Arizona,
EUA) ou a Coca-Cola Arena (Dubai).
As Fábricas são os dois primeiros
espaços com gestão a cargo da
ASM Global no mercado português.
O contrato é válido por cinco anos.
Nelson Carvalheiro
Apaixonados por
resolver problemas
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Na Auren, não nos limitamos a resolver problemas
— impulsionamos o crescimento estratégico
e inovador das empresas.
Com uma presença global em mais de 25 países,
trazemos para o mercado português as melhores
práticas internacionais, ajustando cada solução
às necessidades locais. Desde a transformação
digital e a gestão de talentos à inteligência artificial
e sustentabilidade, estamos comprometidos em
maximizar o impacto das empresas e elevar
a competitividade.
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88 Cosmética
ESTRATÉGIAS
Sabia que Bioderma
marcas
e Esthederm são
irmãs?
E ainda têm uma
mais jovem, a Etat
Pur. É este trabalho,
de comunicação da
especificidade e
diferenciação de
cada marca, mas de
um grupo que é uno
e se distingue dos
demais players, que
tem vindo a ser feito
nos últimos três anos
Texto
M.ª JOÃO
VIEIRA PINTO
D Não
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
epois de desempenhar funções na Bioderma
Brasil, há três anos, Célia Lopes
atravessou o Altântico e veio abraçar a
Direcção-Geral da Naos Portugal. Começou
por reorganizar equipas, sublinhar
valores e missão do grupo e das
marcas, definir caminhos e ganhar pontos
em share. Agora, diz que quer aprofundar
e aprimorar o que construiu. No
fundo, «tornar a Naos ainda mais líder
e conhecida pelos seus valores, porque
tem marcas com especificidades muito
diferentes das restantes no mercado»,
partilha, numa energia contagiante, nas
novas instalações da empresa que ajudou
a conseguir. «Nos últimos três anos
conseguimos reposicionar as marcas,
mudámos modelos de negócio, reestruturámos
as equipas e dissemos que trabalhamos
de forma diferente. Por isso,
gostava de aprimorar e reforçar esse espírito.
Comunicar Naos e por que é que
somos diferentes é a nossa próxima fronteira»,
sublinha.
A Naos é um sistema coeso de três marcas
inspiradas na pele. Na prática, e ao
nível de gestão, em que é que isto se traduz
e como é que se substancia?
Quando cheguei do Brasil em 2022, tínhamos
um sistema de três marcas, mas
não era coeso. As três – Bioderma, Esthederm
e Etat Pur – nasceram dentro
do Grupo Naos, de forma muito diferente
do que regra geral acontece no nosso
mercado e que passa pela aquisição de
marcas. E elas têm não apenas o mesmo
ADN, filosofia e abordagem científicas,
como são complementares.
Quando cheguei a Portugal, percebi
que as marcas seguiam um modelo de
negócio muito diferente da visão que
eu tinha. Por isso, a primeira coisa a fazer
era dar aos colaboradores a visão do
que é um ecossistema de marcas. Porque
faz todo sentido pensar, também, num
consumidor Naos! Um consumidor que
entra, por exemplo, numa marca como
a Bioderma, que tem uma penetração
absolutamente espectacular no lar português,
e que pode tranquilamente transitar
para Esthederm... ou acumular.
existe fidelidade a uma só marca. O
89
90 Cosmética
ESTRATÉGIAS
mesmo consumidor pode comprar uma
marca premium e uma masstige.
Mas esta percepção do mercado e da
forma como os portugueses compram
implicou reformulação nas equipas?
Mudou tudo. Primeiro, porque Bioderma
tinha um modelo de negócio amparado
na recomendação do profissional de
saúde; Esthederm estava num posicionamento
mais de instituto, que funciona
muito bem para alguns modelos de negócio
em alguns países, mas não é o nosso
caso. Já Etat Pur é uma marca que estava
on hold ao nível do modelo de negócio,
aguardando que tomássemos decisões
sobre a forma de a comunicar, porque é
uma marca muito de vanguarda.
Quando cheguei, o que percebi foi
que não fazia sentido trabalhar as três
de forma separada. Então, fomos migrando
paulatinamente e começámos o
processo de expansão na farmácia. Hoje,
visitamos a mesma base de médicos com
as duas marcas, além de que fizemos
um estudo para perceber quem eram os
médicos que estavam a prescrever ou
a praticar medicina estética e tivemos
uma grata surpresa: cobrimos pelo menos
quase 500 profissionais que praticam
medicina estética e que passámos, também,
a visitar.
Hoje, qualquer colaborador da Naos
tem uma visão do que é ser Naos, além
de que percebe que as três marcas são
como que “irmãs”.
E isso é uma vantagem face a outros
grupos, outros players no mercado?
Absolutamente. Primeiro, porque na comunicação
com o consumidor, ele não
tem que optar por uma ou outra. Circula
entre as marcas de forma orgânica, até
porque temos uma marca dermatológica,
uma que cuida dos sinais do envelhecimento
e uma outra que é de vanguarda.
É um ecossistema de marcas.
Esse é o valor que diferencia este grupo!
Diria que, em primeiro lugar, o que distingue
é a sustentabilidade das marcas,
que são absolutamente complementares.
E essa sinergia é superimportante.
Qual é o vosso nível de notoriedade?
Por informações recolhidas através da
auditoria que fizemos, percebemos que
somos a marca número um em recomendação
dermatológica, dos dermatologistas,
com a Bioderma. Em relação
a Esthederm e Etat Pur, é um trabalho
que temos vindo a fazer paulatinamente.
Mas estão as três marcas no top of mind.
Este é um mercado completamente pulverizado.
Como é que conseguem garantir
a diferenciação na farmácia, para
que o cliente vos escolha?
São vários caminhos. Em primeiro lugar,
o aconselhamento farmacêutico
ainda é muito importante em Portugal.
Mais recentemente, investimos muito na
comunicação através do digital, na conversa
directa com o consumidor, para
que a informação dermatológica de qualidade
chegue aos quatro cantos do País.
Também investimos muito em trazer
líderes de opinião de fora, para conversar
com os nossos profissionais médicos
em Portugal. A nossa missão também é
criar valor para o nosso mercado. Formar
e informar.
Tendo chegado há tão poucos anos
a Portugal, do Brasil, percebeu uma
grande diferença entre os dois mercados
a este nível?
Até inverteria a pergunta e perguntaria
as semelhanças. As diferenças são tão
grandes… O modelo de mercado não
tem nada que ver, a escala também não
e o perfil de consumo é muito diferente.
Estou há 10 anos no Grupo Naos, sete no
Brasil e há três em Portugal. Mas tanto
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
91
no Brasil como aqui existe uma base na
relação com a comunidade médica muito
forte. Essa é a similaridade que temos
com Portugal. A partir daí, o modelo de
negócio, ou o consumo dos portugueses,
é muito diferente.
Mas há muitas oportunidades aqui.
O mercado é muito sazonal. Compra-se
protector solar quando é Verão. Depois
do Verão, começam os tratamentos clareadores
e investe-se em cuidados antienvelhecimento.
Quando faz frio, cuida-se
das dermatites e, eventualmente,
das seborreias… E quando penso, por
exemplo, que o maior consumo em valor,
o maior segmento, é justamente o
antienvelhecimento, então é óbvio e claro
que se deveria estar a investir muito
mais em protecção solar diária. Por isso,
existe uma oportunidade gigantesca de
literacia em dermatologia, em cuidados
para a pele. É preciso investir muito na
literacia, conversar com os dermatologistas
e com os nossos pacientes, investir
até em produto e em comunicação.
O que é que definiu para si, em termos
de objectivos?
O primeiro objectivo foram as equipas,
o segundo e o terceiro foram as equipas.
Em primeiro lugar, dar uma visão de
que a Naos é uma missão, tem uma visão
muito particular e as marcas caminham
juntas. Todos têm uma visão geral do
que acontece na Naos e todos têm uma
visão particular de qual é a missão de
cada marca. Mas, a nossa missão número
1, enquanto colaboradores e estando
na Naos, é ser feliz.
Em segundo, é ser Naos. E ser Naos
é ter a visão clara de qual é a missão da
companhia e viver e tomar atitudes no
dia-a-dia com base nos nossos valores,
que estão impressos na parede, mas que
não devem viver na parede, e que falam
sobre autenticidade, o dever de falar a
verdade. Em terceiro lugar, é dominar o
mercado, é market share, é fazer as marcas
acontecerem.
Quer conquistar quota de mercado com
qual, Esthederm?
Temos o objectivo não só de ampliar
como de blindar a nossa liderança com
Bioderma, sobretudo no que diz respeito
à prescrição dermatológica. Blindar
significa proteger a nossa liderança, ficar
intocável, porque o mercado é agressivo,
muito agressivo, e tem muitas novas
marcas. Depois disso, o que queremos é
fazer acontecer.
As três marcas estão com crescimentos
a duplo e triplo dígito. Estão superaceleradas
no sell out.
Cá, temos a operação e uma direcção,
o fabrico está todo em França.
www.coming-soon.pt
Chegámos à Avenida da Liberdade.
Novas instalações, na Avenida da Liberdade, nº 69, 3º B, em Lisboa
92 Cosmética
ESTRATÉGIAS
E a operação portuguesa é completamente
autónoma de França?
Temos muita autonomia. Não está nos
projectos uma hibernização. Isso não
faz parte do nosso projecto. Muito pelo
contrário. As três marcas têm um set
de valores muito fortes que têm que ser
sempre respeitados.
O que é importante, para nós, é a
sustentabilidade do trabalho com as
marcas. Sustentabilidade do trabalho a
longo prazo. Termos os meios para que
as marcas, mesmo numa velocidade que,
às vezes, não seja avassaladora, tenham
um crescimento contínuo, ano após ano,
ganhando mais distribuição, conquistando
mais consumidores.
Como é a sua liderança? Gosta que as
suas equipas estejam felizes. Mas é de
decidir sozinha, é de partilhar, é de trabalhar
de porta aberta…?
Em Portugal, desde o início que apostei
muito em trabalhar com pessoas, na direcção,
que tivessem uma senioridade e
um conhecimento muito profundo sobre
o mercado português. Então, o trabalho
é muito feito com essa equipa de sete
pessoas, com base na troca de experiências,
em construção conjunta. Acho que
esse é o meu estilo.
Mas no final, quem é que decide?
No final, quem decide sou eu.
O meu trabalho é muito mais de ter
a certeza de que eles sabem que estão no
caminho certo.
Olhando para estes três anos, quais são
os seus maiores desafios e as suas maiores
conquistas?
Dos três objectivos que me coloquei e
que coloquei às equipas desde o início,
temos tido muito sucesso na conquista
de todos. De forma orgânica.
Nestes três anos, tivemos uma reconstrução
da organização muito forte,
até mudei de instalações e isso era uma
ideia que tive desde que cá cheguei.
A visão Naos, isso tenho a certeza
que implementámos, com direcções
muito claras. Cada marca, hoje, tem a
sua brand manager e equipa, o que não
existia. Reforçámos a equipa de visita
médica e redesenhámos a equipa comercial,
para entender melhor as especificidades
do mercado. O nosso foco é
o consumidor e somos completamente
obcecados pela qualidade.
Conseguido tudo isto, o que lhe falta?
Que marca gostava de deixar no grupo?
Aprofundar e aprimorar o que construímos
nos três últimos anos. Tornar a
Naos ainda mais líder e conhecida pelos
seus valores, porque temos marcas com
especificidades muito diferentes das restantes
no mercado. Neste âmbito, ainda
temos muito para fazer.
Nos últimos três anos conseguimos
reposicionar as marcas, mudámos
modelos de negócio, reestruturámos as
equipas e dissemos que trabalhamos de
forma diferente.
Por isso, gostava de aprimorar e reforçar
esse espírito. Comunicar Naos e
por que é que somos diferentes é a nossa
próxima fronteira. Diria que já cumpri o
meu objectivo e nos próximos três anos
temos a obrigação de comunicar: o que
somos, as nossas marcas, a nossa diferença.
Hoje, ser Naos é ter orgulho de
ser um grupo independente que se auto-
-regula e autofinancia.
32 PRÉMIOS INTERNACIONAIS DE DESIGN RECEBIDOS EM 2024
GERMAN DESIGN AWARD WINNER
200 Anos – Cristal
200 Anos – Porcelana
Accento
Aguaviva
A Ilha do Pôr-do-Sol
Home Cosmetics
Pop Me Up
ARCHITECTURE MASTERPRIZE
HONORABLE MENTION
Accento
A Ilha do Pôr-do-Sol
Hommage
ADC AWARDS 2024 PLATINUM
200 Anos – Porcelana
EUROPEAN DESIGN AWARD 2024
WINNER
200 Anos – Porcelana
Trabalhadores
EUROPEAN DESIGN AWARD 2024
HONORABLE MENTION
200 Anos – Cristal
Aguaviva
DNA PARIS DESIGN AWARDS 2024
WINNER
Art.Made – Hotelaria
Trabalhadores
DNA PARIS DESIGN AWARDS 2024
HONORABLE MENTION
200 Anos – Porcelana
The Sin
GRAND PRIX DU DESIGN 2024
GOLD
Têxteis
GRAND PRIX DU DESIGN 2024
SILVER
The Meaning
IDA - DESIGN AWARDS 2023 SILVER
The Sin
IDA - DESIGN AWARDS 2023 BRONZE
Winter Garden
ADC AWARDS 2024 GOLD
200 Anos – Cristal
TABLEWARE EXCELANCE
AWARDS 2024 WINNER
Still Life
LIT_LIGHTING DESIGN AWARDS 2024
HONORABLE MENTION
Pássaro
ADC AWARDS 2024 SILVER
Pop Me Up
ICONIC AWARDS 2024 INNOVATIVE
INTERIOR WINNER
Art.Made – Hotelaria
Still Life
Minos
GOOD DESIGN AWARD 2024
WINNER
Home Cosmetics
LOOP DESIGN AWARDS 2024
WINNER
200 Anos – Porcelana
94 Branded
ESTRATÉGIAS
Tendência
ou hype?
Estudo dá a resposta
Novo estudo da
Publicis quer
esclarecer a diferença
entre o que
significa uma mudan
ça real e o que
não passa de uma
“moda” passageira
N está
o meio da avalanche de relatórios de
tendências que marcam o início de cada
ano, distinguir o que é realmente uma
mudança estrutural no comportamento
do consumidor e o que não passa de um
fenómeno passageiro tornou-se um desafio
crescente para os profissionais de
marketing. Para ajudar a clarificar essa
questão, a Publicis Groupe lançou o estudo
“Trend or Hype”, uma ferramenta
que visa preencher a lacuna entre percepção
e realidade, fornecendo dados
concretos para orientar as decisões estratégicas
das marcas.
De acordo com Patrícia Araújo,
Chief Strategy Officer (CSO) da Publicis,
o estudo surge como resposta à proliferação
de análises e previsões feitas por
diferentes entidades. «No início de cada
ano, muitas empresas, como a Mintel ou
a Warc, publicam relatórios que avançam
o que é tendência e o que não é. O
resultado é um manancial inacreditável
de previsões», explica. «O que nós fazemos
no “Trend or Hype” é olhar para todas
essas tendências, isolar dez fenómenos-chave
(de 300) e validá-los, de forma
a perceber se representam, de facto, uma
tendência relevante para o mercado», refere
a responsável.
O projecto, que nasceu em Espanha,
já está a ser realizado noutros países,
como Itália. No entanto, apesar de a metodologia
se manter e de os fenómenos
analisados serem os mesmos, os resultados
variam consoante os mercados. «Os
temas analisados são idênticos em todas
as edições, mas os resultados são sempre
diferentes. Isto é muito interessante,
porque mostra como o impacto das tendências
varia de país para país», destaca
Patrícia Araújo.
A importância da conexão genuína
na comunicação é um dos pontos-chave
desta reflexão sobre tendências e relevância
das marcas. Para Alexandra Varassin,
CEO da Publicis Groupe Portugal,
esta discussão não pretende definir
verdades absolutas, mas sim incentivar
um pensamento crítico sobre o impacto
real da comunicação na vida das pessoas.
«Numa sociedade onde a atenção
cada vez mais fragmentada e em que
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
tanta informação passa de forma superficial,
é essencial questionarmos o que
realmente vale a pena. O que mobiliza
as pessoas? O que resgata o verdadeiro
propósito da comunicação?», reflecte. No
seu entender, muitas marcas, ao tentarem
seguir tendências, acabam por perder
a conexão humana e a autenticidade.
DECISÕES ESTRATÉGICAS
MAIS INFORMADAS
Mais do que mapear tendências, o estudo
propõe-se a trazer rigor e clareza.
«O objectivo é precisamente ajudar as
empresas a decidir onde investir e de
que forma, percebendo em que ponto estão
as pessoas, como pensam e como se
comportam», acrescenta a CSO.
O estudo analisa anualmente dez
fenómenos que reflectem as principais
dinâmicas sociais e culturais do momento.
Inicialmente, quando o projecto
foi lançado no país vizinho, houve uma
abordagem mista, combinando fenómenos
sociológicos com temas mais ligados
ao marketing, como a sustentabilidade.
No entanto, a experiência desse
primeiro ano levou a uma reformulação
da metodologia. «O que percebemos foi
que olhar para fenómenos sociológicos e
de comportamento humano traz muito
mais riqueza e relevância para entender
o mercado», explica Patrícia Araújo.
Partindo da premissa de que “um
Hype é uma tendência sem (o comportamento
das) pessoas”, o estudo passou
a focar-se exclusivamente em fenómenos
sociais, analisando padrões de comportamento,
pensamentos e reflexões humanas.
Para a profissional, esta abordagem
é mais eficaz do ponto de vista estratégico,
e, por outro lado, intelectualmente
mais estimulante.
DIVERSOS FENÓMENOS
SOCIOLÓGICOS EM ANÁLISE
Um dos fenómenos analisados nesta edição
do “Trend or Hype” é o orgulho low-
-cost, que reflecte uma mudança na percepção
dos consumidores face às marcas
acessíveis. «Hoje em dia, as pessoas têm
95
96 Branded
ESTRATÉGIAS
orgulho em usar produtos low-cost, o
que é muito interessante», afirma Patrícia
Araújo. «Antes, havia um certo preconceito
associado a estas escolhas. Mas
o recente contexto económico instável
contribuiu para uma normalização e até
valorização destas opções.»
A transformação tornou-se visível na
cultura popular e no consumo do dia-
-a-dia. «Quando pensamos que, de repente,
um casaco do Lidl se tornou num
objecto desejado e cool, percebemos o
quão radical foi esta mudança de mentalidade.
É um verdadeiro game changer
na forma como as pessoas encaram o
consumo», sublinha.
Outro fenómeno identificado pelo
estudo é o Senior Power, que destaca o
crescente poder dos consumidores seniores.
No entanto, segundo Patrícia
Araújo, este ainda não é um movimento
dominante. «Quando olhamos para a sociedade
como um todo, percebemos que
o mercado ainda não está completamente
alinhado com esta realidade», explica.
Esta análise reforça a importância de
as marcas estarem atentas a fenómenos
emergentes e compreenderem quando e
como investir neles. «O estudo permite
perceber quais os temas que já fazem
parte do comportamento generalizado e
quais os que ainda estão em fase de desenvolvimento»,
avança.
Entre outros fenómenos analisados
pelo “Trend or Hype”, um dos que
mais surpreendeu a equipa foi a chamada
“sociedade sem tempo”. Isto, porque
as marcas têm um papel fundamental
na forma como as pessoas gerem o seu
tempo e interagem com o mundo ao seu
redor. Para Alexandra Varassin, CEO
da Publicis Groupe Portugal, a questão
não é apenas reconhecer a sociedade sem
tempo, mas sim reflectir sobre como as
marcas podem devolver tempo de qualidade
aos consumidores. «Se pensarmos,
por exemplo, numa marca de leite infantil,
há inúmeras possibilidades. Como
é que esta marca pode ajudar os pais a
terem mais tempo com os filhos? Como
pode simplificar o dia-a-dia e eliminar
aquilo que não vale a pena?», questiona.
Outro fenómeno incontornável é a
sociedade polarizada, que, segundo a
mesma, já não é apenas uma tendência,
mas sim um comportamento enraizado.
«Já não se trata de prever se a sociedade
se tornará polarizada – já vivemos assim
há pelo menos 10 ou 15 anos», observa.
Para as marcas, o desafio passa por criar
espaços de diálogo e trazer novas perspectivas.
«As redes sociais reflectem essa
polarização, mas o que as marcas podem
fazer é mostrar que não há apenas dois
pontos de vista. Existem múltiplas formas
de ver o mundo, e isso pode abrir
caminho para discussões mais ricas e
construtivas», explica a CEO.
AUTENTICIDADE E
COMPROMISSO DAS MARCAS
Um dos principais objectivos do “Trend
or Hype” é ajudar as empresas a construir
marcas culturalmente relevantes e
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
97
a estabelecer uma ligação mais autêntica
com os consumidores. Para Patrícia
Araújo, a relevância de uma marca passa
por um factor essencial: fazer parte da
vida das pessoas. «Ser relevante significa
entregar uma proposta de valor real. O
desafio é enorme, porque o mercado está
muito fragmentado, há um excesso de
comunicação e, por outro lado, marcas
que não comunicam acabam por não ser
conhecidas», explica.
A identificação das tendências mais
relevantes permite às marcas compreender
onde devem investir e como alinhar
a sua comunicação com os interesses
e comportamentos dos consumidores.
Para isso, a Publicis desenvolveu uma
metodologia própria, baseada num algoritmo
que cruza múltiplas fontes de
dados. Através da combinação desses
dados, o algoritmo calcula o índice de
relevância social de cada fenómeno, permitindo
perceber não só o que as pessoas
falam, mas como realmente agem.
O estudo reflecte, ainda, sobre o impacto
da polarização social e da crescente
discussão em torno da diversidade.
Neste contexto, as marcas podem
desempenhar um papel relevante – mas
apenas se forem autênticas e coerentes.
«Se uma marca decide intervir ou posicionar-se
sobre um tema, tem de ter
propriedade para o fazer. Se não houver
autenticidade e compromisso, essa
actuação perde credibilidade e não tem
impacto real», defende Patrícia Araújo.
Para que possam promover uma sociedade
mais inclusiva, as marcas devem
garantir que os valores que comunicam
estão alinhados com a sua proposta de
valor, produtos e serviços. «Uma marca
que fala sobre diversidade, sem ter nada
no seu ADN que sustente essa posição,
dificilmente será vista como genuína.
Mas aquelas que realmente têm algo
para oferecer nesse campo podem, de
facto, fazer a diferença», enaltece.
COMUNICAÇÃO NUM MUNDO
CHEIO DE ESTÍMULOS
Num contexto onde a informação circula
a uma velocidade sem precedentes, captar
a atenção do consumidor tornou-se
um dos maiores desafios das marcas. O
“Trend or Hype” identifica, nesse sentido,
a sobrecarga de informação como
um factor limitador da percepção e da
tomada de decisão.
«Vivemos num ciclo contínuo de estímulos
e escolhas, estamos numa espécie
de espiral», observa Patrícia Araújo.
«Acredito que a sociedade começará a
reflectir mais sobre este tema e que possam
surgir medidas para desacelerar este
ritmo. Isso terá impacto na forma como
gerimos a atenção, apesar de serem esferas
um pouco diferentes», destaca.
UM ESTUDO SOCIAL
EM CONSTANTE EVOLUÇÃO
Para as marcas, o caminho continua a
passar por um princípio essencial: relevância.
«Tem de haver um espaço autêntico
para comunicar. Se a marca tem algo
a oferecer, algo que realmente ajuda e facilita
a vida das pessoas, a sua mensagem
será mais clara e impactante», reforça a
CSO da Publicis.
Assim, mais do que identificar tendências,
o “Trend or Hype” pretende ser
uma ferramenta dinâmica que acompanha
a evolução dos fenómenos sociais e
antecipa novas realidades.
Alexandra Varassin considera que
este estudo representa apenas o início
de um trabalho contínuo que a Publicis
Groupe quer desenvolver no mercado
português. «O grupo está a fazer uma
aposta importante em Portugal», afirma.
A ambição passa por trazer cada
vez mais estudos proprietários, dados
relevantes e informação qualificada,
para ajudar o sector a fazer as perguntas
certas e a avançar de forma estruturada
nesta transformação. «O nosso papel é
contribuir com conhecimento e perspectiva
para esta evolução. No fundo,
este estudo é o nosso pequeno contributo
para uma sociedade em constante
mudança», conclui a CEO da Publicis
Groupe Portugal.
Tomás Navarro, José Maria Pimentel, Alexandra Machás, Marta Ruiz-Cuevas,
Patrícia Araújo, Carlos Capela, Alexandra Varassin e Anselmo Crespo
98 Debate
ESTRATÉGIAS
Como
vamos
tratar
da Saúde?
Talvez seja utópico
encarar 2025 como o
ano em que os
problemas do SNS
serão resolvidos. Mas
podem ser dados
passos nesse sentido,
a começar pela
reorganização de
recursos e serviços e
uma aposta mais
concertada na
literacia e prevenção
Texto
DANIEL
ALMEIDA
Fotografia
PAULO
ALEXANDRINO
A cimento
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
entrada no ano novo não afastou os receios
em relação à sustentabilidade do
Serviço Nacional de Saúde (SNS). Em
particular desde a pandemia de Covid-19,
têm sido recorrentes as notícias
sobre a crise do SNS, as demoras nas
urgências ou a dificuldade de acesso por
parte dos pacientes. Mas, mais do que a
falta de recursos humanos ou a escassez
de financiamento, o diagnóstico ao sector
terá que passar também pela análise
dos factores estruturais que põem em
causa a sustentabilidade do sistema nacional
de saúde como um todo. O tema
deu o mote ao mais recente pequeno-almoço
debate da Marketeer, onde responsáveis
dos mais diversos subsectores da
Saúde trocaram impressões sobre o estado
actual e o futuro do sector.
Entre os temas estruturais lançados
para a mesa, como tendo impacto para
a sustentabilidade da Saúde, estão o do
envelhecimento da população portuguesa
e o do aumento da esperança média
de vida. De acordo com os dados mais
recentes do Instituto Nacional de Estatística
(INE), relativos ao triénio 2021-
-2023, a esperança de vida à nascença
em Portugal situa-se nos 81,17 anos, colocando
o País em 9.º lugar entre os 26
países membros da União Europeia. Na
viragem do milénio, rondava os 76 anos.
«Estamos cada vez mais velhos, a viver
mais tempo e a precisar de mais cuidados
de saúde. Merecemos viver esse tempo
em bom», salientam os responsáveis
presentes no debate.
E a verdade é que o sector da Saúde,
seja através das inovações lançadas pelas
empresas farmacêuticas ou da melhoria
da prestação de cuidados, tem contribuído
largamente para a subida deste
indicador. «Os novos 65 anos são os 72,
ou seja, aquilo que esperávamos de uma
pessoa aos 65 é o que esperamos agora
de uma pessoa aos 72. Hoje, dizer que
uma pessoa é sénior com 60 anos parece
ridículo», acrescentam.
Além do tema estrutural da longevidade,
há outros factores que têm contribuído
para o desequilíbrio do sistema
nacional de saúde. Desde logo, o cresdos
seguros de saúde. Hoje,
99
100 Debate
ESTRATÉGIAS
cerca de 4,2 milhões de portugueses já
têm seguro de saúde, além de existirem
1,3 milhões de beneficiários da ADSE.
Contas feitas, mais de metade da população
nacional está coberta por um
plano ou seguro de saúde. E a frequência
de utilização destes produtos tem
aumentado consideravelmente nos últimos
anos, o que leva a um agravamento
dos custos na Saúde.
«Estamos todos a crescer, mas a verdade
é que o País continua com 10 milhões
de habitantes. Os seguros de saúde,
os prestadores privados – e cada vez
mais em parceria com o público –, os laboratórios,
as farmacêuticas, estão todos
a crescer. Mas não sabemos se a elasticidade
do nosso País aguenta o que todos
estamos a fazer em conjunto», alertam
os responsáveis do sector.
Em cima destes factores, que têm
adensado a pressão sobre o sistema como
um todo, há também uma questão cultural,
de mentalidade, que está relacionada
com o afluxo excessivo às urgências.
«Vivemos num País de 40% de urgências
“não urgentes” e onde temos uma média
de 67 idas à urgência por 100 habitantes,
quando a média no resto da União Europeia
são 30 idas», salientam os participantes.
«Temos de mudar esta cultura
de “hospital bar aberto”, que durante
muitos anos se instalou porque não havia
tanto foco na prevenção. A saúde não
pode ter um regime de “bar aberto”, tem
de ser guiada pelos especialistas e não
pelo Dr. Google. Esta cultura tem de
acabar de uma vez por todas», apelam.
Ana Allen Lima (CUF), Beatriz Paquito
(Opella), Inês Pimenta de Castro
(Multicare), Luísa Silva (Sanofi), Maria
do Carmo Silveira (Médis), Maria Perdigão
(Generali Tranquilidade), Marta
Cunha (Germano de Sousa), Pedro Silva
(ANF – Associação Nacional das Farmácias),
Rui Rijo Ferreira (Jaba Recordati),
Sónia Ratinho (EQA Medicina Integrativa),
Teresa Machado Luciano (Unidade
Local de Saúde Almada-Seixal), Vera
Grilo (Medinfar) e Victor Almeida (Lusíadas
Saúde) foram os participantes no
mais recente pequeno-almoço debate da
Saúde, que decorreu no hotel Vila Galé
Ópera, em Lisboa.
UM PROBLEMA DE
(DES)ORGANIZAÇÃO
Muito se tem debatido o tema da escassez
de recursos humanos na Saúde.
No entanto, os responsáveis inquiridos
pela Marketeer lembram que a verdade
é que o rácio de médicos em Portugal,
nas diversas especialidades, até é superior
quando comparado com países de
dimensão equivalente. Segundo o Eurostat,
Portugal é mesmo o segundo país
da UE com mais médicos (560) por cada
100 mil habitantes. Então, o problema
não está tanto relacionado com a falta de
recursos, mas com a «má gestão desses
recursos», defendem.
O que é preciso, advogam, é que haja
vontade e coragem política para promover
uma «reorganização» do sector,
em conjunto com os parceiros do sec-
«VIVEMOS NUM PAÍS DE 40%
DE URGÊNCIAS “NÃO URGENTES”
E ONDE TEMOS UMA MÉDIA
DE 67 IDAS À URGÊNCIA POR 100
HABITANTES, QUANDO A MÉDIA NA
UNIÃO EUROPEIA SÃO 30 IDAS.»
tor privado, tomando as decisões que
contribuam para uma melhor gestão
dos recursos, serviços e infra-estruturas
disponíveis no território nacional.
«A maternidade é um exemplo fácil de
perceber, porque não estão a nascer mais
bebés. Será que precisamos de cinco
maternidades na Grande Lisboa? O que
é preciso é reorganizar. Se calhar basta
termos duas urgências grandes a funcionar.
Mas é preciso ter coragem para tomar
essas decisões», sublinham.
Assim como apontam assimetrias
na gestão de recursos humanos. Insistindo
no exemplo das maternidades,
uma urgência de obstetrícia, para estar
a funcionar, precisa, no mínimo, de
dois especialistas. Ora, há hospitais em
Portugal que fazem uma média de dois
partos por dia e têm dois especialistas e
dois internos. Outros hospitais fazem 15
partos por dia, em média, e têm o mesmo
número de elementos na equipa.
Feito o “diagnóstico”, que caminhos
para promover uma maior eficiência no
sector? Desde logo, é preciso optimizar
a alocação de recursos, através da referenciação
de profissionais, por exemplo.
«Quando vamos para a periferia, efectivamente
há falta de especialistas. Mas
eles não têm de estar lá residentes. Pode
haver um hospital central com boas infra-estruturas
e referenciar os profissionais»,
sugerem os participantes.
Também a referenciação nos serviços
de urgência será crucial para aliviar alguma
da pressão sobre o SNS. O programa
“Ligue Antes, Salve Vidas”, que tem
sido implementado nas Unidades Locais
de Saúde (ULS) de todo o País, é um passo
nesse sentido, tendo como objectivo
reduzir a utilização indequada dos serviços
de urgência ao promover a triagem
através da linha SNS 24.
Também a aposta na prevenção e na
literacia em Saúde será fundamental, nomeadamente
para alertar a população
que nem todas as situações clínicas justificam
a ida às urgências e numa lógica
de promover determinados comportamentos
e estilos de vida – e não necessariamente
de incentivo à marcação de
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
101
Maria Perdigão (Generali
Tranquilidade), Pedro Silva
(ANF – Associação Nacional
das Farmácias), Maria do Carmo
Silveira (Médis), Vera Grilo
(Medinfar), Victor Almeida
(Lusíadas), Teresa Machado Luciano
(Unidade Local de Saúde Almada-
-Seixal), Ana Allen Lima (CUF) e
Inês Pimenta de Castro (Multicare)
consultas ou exames. As acções de literacia
até se têm multiplicado, com várias
acções dirigidas à população em geral,
mas geralmente são promovidas de forma
isolada pelos diferentes players da
área da Saúde e «muito pouco concertadas».
«Temos de perceber que o sistema
nacional de saúde somos todos – sectores
público, privado e social. Não é só
o Estado nem o ónus está só no Estado.
Uma coisa é o Serviço Nacional de Saúde,
outra é o sistema nacional de saúde.
E, portanto, temos de nos organizar todos,
contando com todos», frisam os responsáveis
presentes no debate.
De igual modo, o reforço das campanhas
de vacinação será estratégico para
promover a sustentabilidade do sector.
As farmácias portuguesas têm sido um
parceiro relevante nesta área, desde que
integraram a campanha de vacinação
contra a Covid-19 e a gripe, funcionando
em complementaridade com os centros
de saúde. Apesar do sucesso desta
medida até ao momento, os responsáveis
ouvidos pela Marketeer lembram que
continua a haver muita hesitação vacinal,
sobretudo em relação à Covid-19, o
que é «preocupante». «Há necessidade
de promover a mensagem da importância
da vacinação. O risco de não vacinar
não é uma responsabilidade individual;
é colectiva», lembram. A literacia será
uma ferramenta crucial para combater a
contra-informação que circula em relação
às vacinas.
PERSPECTIVAS MODERADAS
PARA 2025
Durante o primeiro pequeno-almoço
debate da Saúde organizado pela Marketeer
em 2025, houve ainda tempo para
102 Debate
ESTRATÉGIAS
perspectivar como serão os próximos 12
meses para o sector. E, de um modo geral,
as opiniões à volta da mesa denotam
um optimismo moderado.
No caso dos prestadores de saúde
privados, a tónica para 2025 passa por
dar continuidade ao movimento de expansão,
pela aposta em novos formatos
de prestação de serviços e pela consolidação
do negócio através de novas aquisições.
«Vai ser um ano de grandes desafios
em termos de crescimento orgânico.
Um ano com elevada pressão, uma tendência
que vem de meados do ano passado.
Somos assoberbados de uma forma
avassaladora em termos de pedidos para
tentar aceder a situações do SNS», referem
os responsáveis.
O tema dos recursos humanos vai
voltar a estar também em evidência ao
longo deste ano, à medida que os diversos
grupos privados abrem novas unidades
de norte a sul do País e se deparam
com a dificuldade de contratar pessoal
médico e não médico, em especial fora
dos principais centros urbanos. «A palavra-chave
é reorganização e funcionamento
em rede. Quando abrimos novas
unidades, a lógica é sempre de funcionamento
em rede, colocando os serviços
mais especializados nas clínicas e alta
diferenciação nos hospitais.»
No sector segurador, a perspectiva
é de manter a rota de crescimento dos
últimos anos. Ainda assim, 2025 afigura-se
como um «ano de eficiência e de
muita aposta na prevenção». «Temos de
conseguir que os nossos clientes percebam
que se todos fizermos o nosso papel,
nomeadamente na adopção de estilos de
vida mais saudáveis, conseguimos a médio-longo
prazo ter um ganho em saúde
e alguma poupança para as situações
graves. As seguradoras querem estar posicionadas
onde é mesmo necessário e no
que pode fazer a diferença na vida das
pessoas», ouve-se à volta da mesa.
No caso das empresas farmacêuticas,
o momento que se vive é um pouco diferente,
uma vez que este é um mercado
já maduro e que não tem «tanta margem
para crescer». E se no período pós-pandemia
houve um crescimento «muito
acima das expectativas», no final de
2024 já se começou a sentir «uma certa
retracção do mercado e um crescimento
menos dinâmico em relação aos dois
anos anteriores».
Assim, para 2025, os responsáveis
inquiridos pela Marketeer esperam um
«ano difícil», em que o sector se vai debater
com «muitas barreiras à inovação,
que é a forma que a tutela tem de travar
um pouco o aumento das despesas com
os medicamentos». À semelhança do que
aconteceu no ano passado, a perspectiva
passa por um crescimento (em valor)
mais vincado no segmento dos medicamentos
de venda livre (OTC, ou medicamentos
over-the-counter) do que nas
restantes áreas de negócio.
Apesar de tudo, continuarão a surgir
inovações no mercado. «A longevidade,
para a indústria farmacêutica, não é
uma oportunidade nem um desafio. É a
sua razão de ser», concluem.
Luísa Silva (Sanofi),
Beatriz Paquito (Opella),
Rui Rijo Ferreira (Jaba
Recordati), Sónia Ratinho
(EQA Medicina Integrativa)
e Marta Cunha (Germano
de Sousa)
104
LIVROS & AGENDA
2 0 2 5
A ARTE DE SE DESTACAR
Há uma razão pela qual algumas pessoas conseguem fazer
com que investidores ou chefes acreditem nelas, enquanto
outras… não. Muitas vezes, atribuímos isso ao talento natural
ou ao carisma: ou se tem ou não se tem. Será mesmo assim?
Suneel Gupta, reconhecido empreendedor e orador, fez
o longo caminho da rejeição e daí retirou ensinamentos.
Com base nas lições dos maiores pensadores do mundo,
descobriu como apresentar novas ideias de uma forma que
lhe permitiu angariar milhões de dólares, influenciar mudanças
em grande escala dentro de grandes empresas
e até convencer a sua filha de oito anos a arrumar o quarto.
Neste livro, revela os sete passos para fazer com que
as pessoas apostem em si.
Suneel Gupta e Carlye Adler, Vogais
10 A 19 MAR
Presencial (Porto) e online
Bootcamp de Adobe
Inteligência Artificial
flag.pt
11 MAR
B-learning
Programa Avançado em
Transmédia e Storytelling
Digital
fch.lisboa.ucp.pt
O DIREITO DE NÃO SER DESINFORMADO
Em “O Direito de Não Ser Desinformado” questiona-se o valor
da cultura informativa e do interesse pelo conhecimento
validado, analisam-se as dinâmicas intervenientes na comunicação
social e na formação e actuação das esferas públicas,
e faz-se um apelo à literacia mediática e democrática dos
produtores, mediadores e consumidores de informação.
Num mundo em que a mediação jornalística passou a dividir
o palco informacional com o espaço de opinião e as redes
sociais, um conjunto de investigadores e profissionais
da comunicação explora de forma inédita o caldo cultural a
partir do qual emergem os fenómenos desinformativos que
condicionam a vida política e social contemporânea.
Vania Baldi, Almedina
A ÁLGEBRA DA RIQUEZA
22 MAR
Curso presencial (Oeiras)
Uso de IA na Construção
de Estratégias Digitais
lisbondigitalschool.com
O autor deste livro não apresenta folhas de Excel para
preencher, nem conselhos para poupar na conta da luz.
Defende, isso sim, uma filosofia de vida, dirigida a quem
já tem um rendimento fixo, mas pretende ficar independente
das amarras do emprego (e da ansiedade económica).
É preciso, pois, viver as virtudes estoicas da temperança,
paciência e resiliência, aproveitar o tempo de forma produtiva
(sendo as redes sociais o maior inimigo) e diversificar os
investimentos. E tudo isto começa com a escolha da carreira
(esqueça a paixão e aposte antes naquilo em que for bom),
com a escolha da pessoa com quem vai viver (ou daqueles
que o rodeiam) e, por fim, dos diferentes “cestos” onde coloca
o seu dinheiro.
Scott Galloway, Lua de Papel
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
107
Corta
para
PACKSHOT
Cartoon
MARCELO
LOURENÇO
Marcelo Lourenço é criativo, fã
do Batman, e fundador da agência
Coming Soon, eleita duas vezes
Agência Portuguesa Independente
do Ano no El Ojo de Iberoamérica.
É pai de duas filhas adolescentes
que o colocam, constantemente,
no seu devido lugar.
108
Publicidade à lupa
COMUNICAÇÃO
DO
”SIM,
MAS”
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
109
D
e todas as coisas que me irritam, no mundo
em geral e neste métier em particular,
poucas são aquelas que me aborrecem
tanto como o ignóbil “sim, mas”.
E digo aborrecem como um eufemismo,
porque na verdade deveria dizer que
me deixam... que fico positivamente...
bom, fiquemo-nos pela figura de estilo,
que isto é uma revista séria.
O “sim, mas”, para os mais desatentos,
é aquele argumento que, parecendo,
não o é. Um argumento, entenda-se. Ou,
pelo menos, não no sentido que os gregos
lhe deram.
“Um mais um são dois” – “Sim, mas...”.
“A minha avó não tem rodas, ergo,
não é um camião” – “Sim, mas...”.
Ora, o problema do “sim, mas” é que,
não sendo um argumento lógico, não
pode – logicamente – dar lugar a uma
discussão; de onde resulta, no mais das
vezes, dar lugar à estupidez, à incompetência
e, pior, à minha profunda irritação.
Mas permitam-me que vos conte
uma história. Aqui há uns anos, à-propos
de uma peça digital para uma marca
de... grande distribuição, digamos assim,
dei por mim a esgrimir argumentos com
um cliente sobre que imagem deveríamos
usar na referida peça.
Eu dizia uma coisa, o cliente outra. E
a vida seguia, com normalidade, na medida
em que, não sendo uma peça verdadeiramente
importante no grande esquema
das coisas, poderia ter, ainda assim, algum
impacto no não-tão-pequeno plano
das vendas do cliente.
Algo que – erradamente, percebi depois
– achei ser a razão pela qual tínhamos
sido contratados.
Perante o impasse – e porque havia
tempo para isso –, sugeri fazermos um
teste A/B a uma pequena amostra de
10 mil consumidores, por forma a aferir
qual das imagens teria o maior (e melhor)
resultado, antes de pormos a peça online.
O cliente concordou e, poucos dias
depois, chegaram os números: a imagem
que tínhamos escolhido tinha superado,
em interacções (e, presumivelmente, em
vendas), a imagem escolhida pelo cliente
em mais de 300%. Altura em que o cliente,
perante os factos e pouco mais havendo
a acrescentar, sorriu e nos disse “Sim,
mas...”, procedendo a informar-nos que,
não obstante, deveríamos usar a imagem
escolhida por ele.
Seguiu-se alguma incredulidade da
minha parte, consubstanciada numa troca
de argumentos pouco construtiva e,
pouco depois, na peça como ele a tinha
pedido. O episódio, apesar de pouco relevante
– continuámos a trabalhar com
essa marca (mas não esse cliente, agora
que penso nisso) durante muitos e bons
anos –, foi, ainda assim, importante, entre
outras coisas, porque me serviu de
lição: evitar, por norma, responder a um
“sim, mas” com outra coisa que não seja
um “sim, claro”, ou parecido; e começar,
Texto
TIAGO
VIEGAS
Partner da
The Hotel
nesse mesmo momento, a procurar outro
cliente com um revenue equivalente que o
possa substituir, não vá eu não ter aprendido,
comme il faut, a lição.
Importa dizer que este barómetro
infame funciona em diversos sentidos: o
que não falta por aí são publicitários, designers
e demais agentes criativos a quem,
à falta de razões lógicas para justificar as
suas escolhas e opções criativas, se socorrem
do “sim, mas”.
“O disclaimer está mais pequeno do
que os requisitos legais” – “Sim, mas...”.
“O spot de 20 está com 30 segundos”
– “Sim, mas...”.
“Os estudos dizem que o consumidor
não percebeu o anúncio” – “Sim, mas...”.
O que, ainda assim, não é o mesmo
que dizer que não devemos argumentar
– pelo contrário. Devemos fazê-lo, sim,
sempre que acharmos que se justifica
– até porque há ideias que merecem 30
segundos, e os estudos não são verdades
absolutas (os disclaimers legais são o que
são, aí não há muito a acrescentar); mas
uma coisa é argumentar, debater, construir
– e outra é descartar factos, como se
não o fossem, para dizer o que nos apetecer
a seguir.
“Sim, mas – às vezes pode fazer sentido”,
dirão alguns dos meus pares, e ímpares,
aqui chegados.
“Sim, claro – que sim”, responderei
eu, terminando rapidamente a conversa.
E a crónica.
110 Debate
COMUNICAÇÃO
«Temos de ter
especialistas em
ECOSSIS
–
TEMAS»
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
111
Conhecer em profundidade o mercado
português e ter as pessoas certas,
ajudando-as a desenvolver as suas
potencialidades, são apenas dois dos
desafios com que as agências de meios
se deparam num sector em ebulição, com
a tecnologia a conquistar espaço e a
reinvenção dos media nacionais
Texto
MARIA
JOÃO LIMA
Fotografia
PAULO
ALEXANDRINO
C
ada vez mais tudo é mensurável, os clientes
procuram KPI e as suas agências têm
de comprovar que cada euro investido dá
retorno. Mas isso não tira espaço à criatividade.
Aliás, entre os convidados para
o mais recente pequeno-almoço, que juntou
responsáveis pelas agências de meios
presentes em Portugal, acredita-se que
tem de haver um equilíbrio entre as métricas
e a criatividade, portanto, integrar
os dados com a criatividade, que agora
pode ser adequada, segmentada e diferente.
«A criatividade continua a fazer
parte do ADN das agências.»
Uma voz sobrepõe-se salientando
que importa ver esta questão num
layer anterior. «A mensurabilidade vem
da evolução da tecnologia que nos traz
precisão e eficiência. E aqui estamos
nas métricas e na avaliação de tudo que
é mensurável. E temos, por outro lado,
aquilo que é o humanismo, a autenticidade
e a empatia. É aí que estamos no
domínio da criatividade, do desenvolvimento
estratégico.» A lógica é unir o
melhor dos dois mundos. Porque estes
mundos não são mutuamente exclusivos.
Não é porque medimos mais que
estamos a limitar a criatividade, o desenvolvimento
e a inovação. Antes pelo
contrário. O caminho é exactamente a
junção destes dois mundos. «Podemos
continuar a ter esta obsessão nas métricas/medição
e se calhar isso até nos obriga
a ser mais criativos.»
Onde não há espaço para a criatividade
é quando as campanhas são internacionais
e não há margem para a
adequar localmente, lembra-se entre
os profissionais presentes no pequeno-
-almoço realizado no Hotel Vila Galé
Ópera: Bernardo Rodo (OMD), Filipe
112 Debate
COMUNICAÇÃO
Bernardo Rodo (OMD), Teresa
Morgado (Universal McCann),
Maria Carvalho (Publicis) e
Rui Freire (Initiative)
Neves (Arena Media), Filipe Teotónio
Pereira (Nova Expressão), Frederico
Correia (Wavemaker), Maria Carvalho
(Publicis), Marta Machado (MediaGate),
Rita Amzalak (Havas Media), Rui Freire
(Initiative), Samuel Godinho (Carat),
Susana Silva (Mediacom), Teresa Morgado
(Universal McCann) e Teresa Oliveira
(Mindshare).
Em bom rigor, a estratégia a seguir
depende também dos objectivos das
marcas. Na história recente não faltam
marcas que no passado fizeram investimentos
gigantes na área de performance
e que, mais tarde, mudam o seu rumo
completamente quando começam a perceber
que trabalhar o fim do funil não
significa que não se continue a alimentar
o funil. Os profissionais da área salientam
que as marcas hoje já estão um bocadinho
mais conscientes da necessidade
de que, além de entregar resultados («todos
temos de o fazer»), importa fazer o
trabalho prévio que tem de ser contínuo.
«Temos que continuar a construir marcas
robustas, como as icónicas que havia há
20, 30, 40 anos.» Algo a que se calhar nos
últimos anos não se tem assistido tanto.
Trata-se de um equilíbrio que nem
sempre é fácil de fazer, em termos de investimento,
porque a pressão dos resultados
comerciais está sempre presente. O
que é preciso é que os responsáveis das
marcas se capacitem de que não se pode
querer medir tudo pelo mesmo peso.
A acrescer, nesta equação, está o facto
de, em muitos casos, o poder de decisão
ter saído de Portugal (não só não há
decisão localmente, como não há equipas
locais ou, quando as há, são muito juniores),
estando, hoje, assente na ditadura
do Excel. Factos que estão a condicionar
as estratégias de marketing das grandes
marcas, colocando um travão quando se
quer dar mais espaço à criatividade, ao
arrojo e ao arriscar. E se essa ditadura
começou por ter implicações na criati-
vidade, depois começou a estender-se à
media e às centrais.
GUERRA DA HIPERPERSONALIZAÇÃO
Entre os participantes há uma voz que
sobressai, afirmando que esta medição
traz mais responsabilidade para a criatividade,
deixando de fazer sentido a
mensagem generalista para todos. «As
pessoas têm de deixar a preguiça do
“one shoe fits all”. A capacidade de medição
obriga-nos a alertar e aos criativos
a criar uma peça direccionada para determinado
perfil com base na medição
e nos resultados. Dá mais trabalho a todos:
a nós e aos criativos.»
Mas atenção: ao querer personalizar-
-se tanto as mensagens para as pessoas
que a marca já conhece e para as quais a
mensagem está a ser direccionada, dá-se
o total afunilar das mesmas. Como este é
um país pequeno, as marcas e as agências
têm de ter algum cuidado e mostrar que
a hiperpersonalização tem vantagens e
desvantagens bastante grandes também.
«Podemos atingir aquelas três pessoas
que usam o champô, mas só se vende
àquelas pessoas. Há que ter atenção e
cuidado com isso.»
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
113
Os profissionais das agências de
meios não escondem que ouvem os clientes
dizer que querem coisas criativas e
que não se está a arriscar. «Mas, quando
arriscamos, começam as questões de
como é que se mede, qual é o retorno.»
Importa que percebam que não se mede
em CPM ou CPC. «Tudo é medido, não
se pode é medir tudo na mesma bitola.»
E não esqueçamos os clientes – quem
nunca os teve? – que, num briefing de digital,
pedem “uma campanha que viralize”…
«Se andarmos 20 anos para trás, é
o cliente que queria uma campanha que
tinha de ter um outdoor à porta de casa
Filipe Neves (Arena Media)
e Marta Machado (MediaGate)
e outro à porta da empresa. E era essa a
grande estratégia de comunicação!» Aos
dias de hoje também não falta quem tenha
o mesmo olhar sobre as estratégias
centradas nos seus próprios egos e em
teorias, ao invés de olhar para todas estas
questões de uma janela de observação
que seja real, que seja aquilo com que as
agências trabalham.
Aliás, recentemente houve um CEO
de uma agência de media da região
EMEA que, quando entrevistado pela
Campaign, dizia “os clientes não querem
teoria. Querem resultados e querem
estratégias que os ajudem a resolver os
problemas que têm”. No mercado português
não falta gente capaz de teorizar
sobre tudo...
GERAÇÕES EMERGENTES NA LIDERANÇA
Se é verdade que, no passado não muito
longínquo, havia muitos clientes com
equipas locais muito juniores e sem estarem
ao nível de decisão, hoje nas direcções
de marketing não se sente tanto
a junioridade ou então estão mais alicerçadas
nas direcções-gerais e já têm
mais apoio.
Trata-se de um mercado em completa
transformação, em que cada vez se vê
mais gerações emergentes a ocupar posições
de topo, «há pessoas novas que são
brilhantes e muito melhores do que nós
alguma vez fomos», escuta-se. E lembra-
-se que, do ponto de vista de indústria,
os responsáveis reunidos no pequeno-almoço
não podem transformar-se naquilo
que criticam, virando “Velhos do Restelo”
só porque há um turnaround muito
diferente do que era há dez anos. E se à
mesa se reconhece que há toda uma geração
que entra no mundo corporativo
que acha que tem muito mais direitos
do que deveres (seja nas agências ou
nos seus clientes), defende-se, no entanto,
que a obrigação daqueles que já têm
mais anos de mercado é de identificar o
talento e retê-lo. «Porque é fundamental,
não só para o crescimento, mas também
para a sobrevivência nas nossas empresas
e dos grupos. É crítico que consigamos
identificar o talento, nutri-lo e fazê-lo
crescer no caminho correcto.» E há que
não criticar por criticar essa não decisão,
a falta de audácia, porque é preciso ter
em consideração o contexto em que estão
a trabalhar e qual o poder de decisão que
têm.
Importa ainda pensar e observar
que, no passado, quando as marcas tinham
essa audácia e esse arrojo de correr
riscos, conseguiam calcular um bocadinho
do risco. Hoje, o cálculo desse
risco é muito mais difícil, não só por os
canais de comunicação e divulgação terem
aumentado exponencialmente, havendo
uma grande fragmentação, mas
também porque tem de se ter em consideração
que algo pode explodir num dia,
muito devido à ditadura das minorias
ruidosas. A título de exemplo, atente-se
nos valores da Diversidade e Inclusão
que viraram pânico e ditadura, o mesmo
acontecendo na comunicação.
Mas esta até pode ser uma oportunidade
para as agências de meios, desde
que as mesmas as consigam identificar e
agarrar. Numa época em que é mais difícil
tomar decisões, em que muitas delas
vêm do internacional, que não conhece
o mercado português – coloca shares de
investimento digital muito acima da capacidade
que o País tem para esse investimento,
por exemplo, ou a importância
que a televisão ainda tem –, demonstrar
que Portugal não é igual à Polónia ou à
Bélgica é função das agências.
Historicamente, as agências de meios
estão na triangulação de meios, anunciantes
e consumidor. E se numa determinada
fase eram fundamentais porque
o anunciante não sabia planear televisão,
mais recentemente, com o advento do digital,
o cliente sentiu que bastava ter uns
miúdos na empresa a colocar campanhas
no ar. E de repente estava tudo em autogestão,
com o internacional a centralizar
a decisão tomada num hub. Só que, lembram
os profissionais com muitos anos
de mercado reunidos pela Marketeer, as
vendas começam a descer e ninguém na
114 Debate
COMUNICAÇÃO
empresa percebe o que está a acontecer e
não consegue ver a correlação de terem
alocado 65% do investimento a digital…
E perante os resultados que não aparecem,
voltam a virar-se para as velhinhas
agências de meios. «Surgimos não para
dar confiança a um decisor inseguro que
não quer correr riscos, mas porque sem a
nossa intermediação eles não vão, de facto,
conseguir aguentar sustentavelmente
este ecossistema.» E não o conseguem
porque deixaram de construir avenidas
de comunicação.
«Estamos num momento em que
nunca os anunciantes precisaram tanto
de nós em Portugal. Se nós não existirmos
para os ajudar a tomar decisões com
menos risco, eles não vão conseguir tomá-las.
Se não estivermos a ajudá-los, o
dinheiro vai escoar muito rápida e facilmente.»
Daí que entre os comensais se
considere estarmos num momento histórico
em que as agências de meios ganharam
nova relevância.
INFRA-ESTRUTURAS DE DADOS
E entre a fase do desamor e do reapaixonar,
as agências de meios foram fazendo
o seu trabalho de formiguinhas, munindo-se
das ferramentas e das pessoas de
que vão necessitar daqui em diante. A
IA é apenas mais um desses recursos, estando
os grupos e as suas agências, a velocidades
diferentes, a capacitar-se para
utilizar mais este recurso. «Isto toca na
vantagem e na relevância das agências de
meios que, mesmo em contextos em que
há alguma centralização, com a saída
de Portugal dos centros de decisão, nós
continuamos a ser muito importantes
nos meios, porque a capacidade de gerar
e de contribuir para o negócio está muito
do nosso lado. Somos nós que temos
investido mais nestas infra-estruturas
de dados e somos nós que estamos mais
capacitados para localmente dar esse
serviço, apoiando estrategicamente o
negócio das marcas.»
Aliás, enquanto dentro das empresas
e marcas, no passado, se dava autoridade
ao digital, criando várias direcções
em áreas de e-Commerce e de disciplinas
do digital, nas agências fazia-se o
caminho de serem mais holísticas. Ou
seja, quando as empresas caíram em si e
perceberam que determinadas áreas não
podiam continuar a estar desagregadas e
a puxar, cada uma por si, as agências de
meios estavam lá com a sua visão global
de marca. «Isso deu-nos um poder maior
de mostrar a nossa forma e de contribuir
para as marcas. Aí está muita da nossa
força e do nosso contributo enquanto
agências de meios.»
Os responsáveis das agências em Portugal
não têm dúvidas de que foram provavelmente
dos players da triangulação
já referida que mais investiram, acreditando-se
que a aposta dos grupos de media
em novas valências, em tecnologia,
em infra-estrutura de dados foi a uma
velocidade mais rápida, muitas vezes,
que as próprias marcas e anunciantes.
Daí que acreditem que 2025 será um
ano de continuidade, não só da evolução,
mas também do crescimento do mercado,
com alguns sectores, como o automóvel,
a destacarem-se e a serem ajudados
pela entrada de novas marcas no mercado
português. A essas juntam-se as nativas
digitais, que começaram a alargar o
Todos os grupos estão a fazer
fortes investimentos em IA,
mas é necessário olhar para
a realidade em que as agências
portuguesas se movem.
seu investimento a plataformas não digitais
e vão continuar esse caminho, já que
perceberam o retorno que tinham com
esse investimento. Ou não fosse a capacidade
de medição de resultados uma característica
que une agências de meios e
os negócios nativos digitais.
Apesar das tecnologias emergentes
e que estão a ser usadas na substituição
de humanos em tarefas rotineiras (acelerando-as),
entre os profissionais no
pequeno-almoço defende-se que a recomendação
estratégica permanecerá nas
mãos de pessoas, uma vez que a IA não
consegue fazer a combinação de elementos.
E é precisamente na estratégia que
reside a variável diferencial das agências
de meios.
Ligado ao objecto da IA, há o tema
transformador do negócio das agências
da verticalização e de se estas correrem
o risco de perder o valor da especialização.
«Na nossa actividade e
nos nossos meios temos que deixar de
ter especialistas em canais e outros em
ecossistemas», escuta-se uma voz. Porque,
explica, também do lado do anunciante
começa a haver um entendimento
pelas equipas de marketing e pelas de
comunicação de que não há estratégia
nenhuma que sobreviva e seja eficaz se
não estiver enquadrada numa lógica de
solução end-to-end, que tem visibilidade
sobre todo o funil. «Para ter essa
visibilidade, nós temos que ter os nossos
planeadores, as nossas equipas, especialistas
em ecossistemas. Isto é paradigmático
e transformacional no nosso
negócio», assegura.
É um facto que todos os grupos estão
a fazer fortes investimentos em IA,
a acompanhar as tendências mundiais,
mas é necessário olhar para a realidade
em que as agências portuguesas se
movem. Porque essa é a forma correcta
de ajudarem os seus anunciantes. «Não
adianta pintar o mundo de uma cor e
depois andarmos todos a correr atrás do
prejuízo, à procura daquilo que prometemos»,
lembra outro dos participantes.
E para sermos rigorosos, há que não
escamotear a verdade: a IA está em estádios
completamente diferentes consoan-
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
115
Rita Amzalak (Havas Media),
Samuel Godinho (Carat), Filipe
Teotónio Pereira (Nova Expressão),
Teresa Oliveira (Mindshare), Susana
Silva (Mediacom) e Frederico
Correia (Wavemaker)
te os sectores (saúde, automóvel), porque
tem aplicabilidades completamente diferentes.
E consoante a curva de adopção
no negócio da comunicação, há que ir gerindo
investimentos, seja em tecnologias,
seja em pessoas. Porque, havendo perfis
e competências que são necessários, mas
que não existiam há quatro anos, dá-se o
caso de andarem as várias agências a disputar
os mesmos talentos para recrutar
para as suas equipas. Ou seja, há também
aqui uma curva de crescimento que leva
o seu tempo, mas investimentos que vão
tendo de ser feitos que, em bom rigor,
não se sabe quando darão retorno.
Daí que um dos grandes desafios
para 2025 esteja relacionado com o desenvolvimento
de talentos para trabalhar
com o IA da melhor forma possível. Toda
a gente pode usar IA, mas a forma como
se usa é que faz diferença. É como ter
duas pessoas a conduzir um Ferrari. Há
que saber fazê-lo. «Depois, é um mercado
livre e contratamo-nos uns aos outros.
Mas se todos não fizermos a nossa parte
de desenvolver o talento, quem perde no
final do dia é a indústria.»
É inegável o manancial de dados
que as novas tecnologias estão a trazer.
No entanto, importa lembrar que esses
dados, se não forem trabalhados e agregados
em informação, apenas servem
para gerar mais indecisão e incerteza. «É
preciso capacidade para eleger os dados
certos para cada caso específico. Daí a
importância de novas competências e
profissões novas nas agências, que são
fundamentais para organizar e para ter
a capacidade de monetizar essa informação.»
Há que saber o que se quer retirar
dos dados para se poder procurar e fazer
as perguntas certas à IA.
Com a disponibilização da IA a
qualquer pessoa, há a tentação do lado
dos clientes de integrar ferramentas
116 Debate
COMUNICAÇÃO
destas. Decisão que tem dado origem a
vários exemplos de clientes que fizeram
brincadeiras, correram mal e depois ligam
para as agências para os ajudarem.
Em outros casos, multinacionais tiveram
políticas in-house de determinados
aspectos e, ao fim de um ano, voltaram
para trás. Tem de haver essa capacidade
e esse arrojo de inverterem caminho.
Porque as estratégias, por definição, não
estão escritas na pedra. «Na descoberta
de novos caminhos e tecnologias, há
grande probabilidade de o tiro não ser
completamente certeiro. Tem de se ter
a capacidade de perceber que vai correr
mal e corrigir.»
Uma das descobertas que cedo se
tornou evidente é que as plataformas
pertencem a grandes grupos, ou seja,
os dados da empresa/marca não podem
ser partilhados em IA. O que leva a que
cada um dos grupos de agências tenha
que criar as suas plataformas de IA com
os dados internos e com fortes protecções
de segurança. Só quando tiver havido
a aprendizagem de como trabalhar
e fazer reportings é que a vida das equipas
operacionais estará verdadeiramente
facilitada. E mesmo aí importa ver
como é que as equipas vão tirar partido
disto, na prática.
Aliás, os recentes movimentos de
concentração, em termos de grandes
grupos, não estão alheios a tudo isto e
tem a ver com o facto da actividade se ter
tornado um negócio de escala. «Não vão
todos poder continuar a afirmar que são
o número um.»
PORTUGAL NÃO É O CHIADO
«É comum ouvirmos os clientes dizer
que já ninguém vê televisão, mas a verdade
é que 60% da população tem mais
de 45 anos. É importante, dentro das
organizações, que as pessoas continuem
a conhecer, transversalmente, o que é o
mercado português», ouve-se em jeito
de alerta entre os especialistas, que fazem
questão de dizer que Portugal não é
Lisboa, nem tão-pouco o Bairro Alto. «É
fácil confundir isso e ouvimo-lo muitas
vezes nas conversas dos clientes.» Entre
os convivas concorda-se que só ver a
própria bolha é perigoso por levar a decisões
que fazem com que se cometam
erros. «É preciso continuar a ter pessoas
a saber o que aí vem, mas, acima de
tudo, a saber o que é o hoje.»
Um dos desafios do Portugal de hoje
é a relevância dos media portugueses.
«Temos o papel de intermediação e para
nós é fundamental ter meios fortes e robustos
que tenham audiência, porque nós
compramos a audiência.» Para isso, os
especialistas acreditam que os meios têm
de evoluir, apostar em tecnologia, em
conteúdos diferenciadores e em parcerias.
Ainda que alguns estejam a fazê-lo,
outros não estão nesse caminho.
Ter um critério meramente de protecção
ou de missão ideológica de salvar
a comunicação social não vai resultar,
defendem, sublinhando que o foco das
agências de meios é comercial. Portanto,
a comunicação social tem de ter
audiências, competir entre si e ter produtos
que sejam relevantes, atraindo
audiências. E precisamente do ponto de
vista da comunicação comercial, a imprensa
tem vindo a perder a relevância
que tinha. «Temos publishers fortes, mas
só temos de estar disponíveis para ajudar
quem quer ser ajudado.» O negócio
das agências de meios é um negócio de
pessoas – na questão do talento, mas
também na intermediação e interacção
com os meios – e há a responsabilidade
de tornar o ecossistema equilibrado. «Os
meios não são mutuamente exclusivos,
fazem parte do ecossistema e temos de
garantir que ele seja equilibrado e tirar
as vantagens disso.»
29 anos a acompanhar as tendências do mundo
das marcas, das empresas e da gestão de pessoas
118 Agência
COMUNICAÇÃO
M DE
MELHOR
Texto
DANIEL ALMEIDA
A Euro M comemora
30 anos de existência
com um rebranding que
pretende reflectir
a evolução da agência
ao longo das décadas
e reforçar o seu
posicionamento,
ligado ao conceito
de “humanologia”
MARKETEER # 343 FEVEEIRO DE 2025
119
T
rinta anos é muito tempo no mercado
da publicidade e criatividade. Basta
lembrarmo-nos que, há três décadas,
o segundo canal privado de televisão e
quarto canal generalista contava apenas
com dois anos de existência. Desde então,
as plataformas de media e os ecrãs
multiplicaram-se, a tecnologia evoluiu
de forma vertiginosa e o mercado globalizou-se.
Algumas agências criativas
soçobraram, outras tantas emergiram,
muitas foram vendidas ou fundiram-
-se. Poucas terão sobrevivido ao teste do
tempo, como a Euro M.
A Euro M foi fundada em 1995 por
um grupo de pessoas com backgrounds
distintos, oriundos da Administração
e Gestão de Marketing de grandes empresas,
do sector das telecomunicações
e da publicidade. Na altura, os fundadores
da agência sabiam que o marketing
em Portugal estava em crescimento
e a tornar-se cada vez mais relevante
como disciplina de gestão nas empresas.
«Contudo, existia uma carência
significativa de agências capazes de assessorar
e prestar serviços de marketing
estratégico. Foi com essa visão que nasceu
a Euro M: para ser uma agência de
marketing estratégico, capaz de entender
os desafios das marcas também no
plano comunicacional», recorda Pedro
Serra, CEO da Euro M.
Desde o início, a agência prestou
muita importância à construção de
marcas relacionais e ao papel da inovação
no seu desenvolvimento. Numa
era que ainda não se vivia num mundo
digital, tal como hoje o conhecemos, já
fazia parte da proposta de valor da Euro
M o marketing interactivo. «E é por
isso que o nosso nome completo é Euro
M Marketing Interactivo. Todavia, somos
– e preferimos ser – conhecidos
apenas por Euro M», esclarece.
A celebrar três décadas de existência,
a agência criativa mantém-se de
pedra e cal no mercado. Para assinalar
a data, anuncia um rebranding que pretende
reflectir a sua evolução ao longo
do tempo, posicionando-se hoje como
uma agência criativa e estratégica «profundamente
conectada às pessoas e às
marcas». Visualmente, o lettering é inspirado
no sistema gráfico do designer
suíço Armid Hofman, que utiliza uma
grelha de pontos e linhas para criar uma
infinidade de formas. Na nova identidade
da Euro M, essas formas representam
a multiplicidade e individualidade de
cada uma das 60 pessoas que integram a
agência, incorporando novas dimensões
e linguagens visuais que vão da pintura
às artes plásticas, reforçando os valores
da autenticidade e emoção.
Desta forma, a nova marca equilibra
o lado estratégico com o emocional, tão
necessários no marketing e publicidade,
reforçando o compromisso com a filosofia
“From Thinkology to Humanology”.
O objectivo é consolidar a Euro
M como uma parceira criativa e estratégica
para marcas que procuram, mais
do que acções de comunicação, «ideias
criativas e implementações que criem
real impacto na vida das pessoas».
«Estamos num período de grande
crescimento e ambição e, por isso, sentimos
que este é o momento ideal para
reflectir toda a evolução da agência na
nossa identidade. O rebranding vem
alinhar quem somos hoje com a nossa
imagem, traduzindo-se numa identidade
que nos guia internamente e comunica
externamente o que já somos:
uma agência criativa que combina pensamento
estratégico e criatividade centrada
nas pessoas», frisa Pedro Serra.
«Este reposicionamento é também uma
oportunidade para atrair novos clientes
e talentos, mostrando o tipo de agência
que somos e o impacto que procuramos
ter no mercado. Mais do que uma renovação
visual, é uma afirmação da Euro
M enquanto agência empática, vibrante,
moderna e preparada para os desafios
do futuro.»
ABORDAGEM FULL-SERVICE
Ao longo de 30 anos, são vários os momentos
que marcam o percurso da Euro
M. No início do milénio, e durante cerca
de cinco anos, a agência teve uma passagem
pelo Grupo Media Capital, tendo
integrado a sociedade da empresa Media
Capital Projectos Globais, o que lhe permitiu
integrar o universo dos grandes
eventos desportivos, como Campeonatos
da Europa e do Mundo de Futebol
ou a gestão de marketing de clubes de
futebol, como o União de Leiria. Algum
tempo depois, e durante dois anos, a
Euro M teve uma filial em Madrid, para
atender a General Electric Access Distribution
em toda a Península Ibérica.
«Mais tarde, foi a vez de vivermos a
maior de todas as crises destes 30 anos,
entre 2010 e 2013. Apesar das dificuldades
incrivelmente pesadas, não retiraria
esse período da nossa história. A crise
testou a nossa capacidade de resistir e
vencer, obrigando-nos a emagrecer para
depois crescer. Desde 2014, mesmo com
uma pandemia pelo meio, vivemos uma
fase de grande crescimento e consoli-
120 Agência
COMUNICAÇÃO
dação a todos os níveis», recorda Pedro
Serra. «Ter 30 anos de agência é, antes
de mais, o acumular milhões de horas
de pensamento estratégico, criação, implementação
e gestão de relações. E são
essas horas que nos conferem uma condição
muito especial e diferenciadora de
conhecimento e competência, só alcançáveis
pela vivência intensa de cada um
desses anos», salienta o CEO da agência.
Hoje, com uma equipa multidisciplinar
constituída por cerca de 60 profissionais,
uma base sólida de clientes e
mais de 100 prémios nacionais e internacionais
acumulados, a Euro M prepara-se
para escrever os próximos 30
anos da sua história. Posicionando-se
como uma agência criativa full-service,
a empresa oferece um leque de serviços
e soluções variado, que se desdobra pelas
áreas de estratégia, design & publicidade,
marketing digital e activação de
marca. «A nossa abordagem integrada
permite aos clientes obterem, numa
única agência, uma resposta global e especializada
em cada etapa dos seus projectos»,
garante Pedro Serra. Embora o
volume de facturação esteja distribuído
por todas as áreas de actividade, a agência
tem assistido, nos últimos anos, a
um crescimento particularmente acelerado
em activação de marca e nalgumas
áreas de marketing digital, com destaque
para a produção de conteúdos e o
marketing de influência.
A carteira de clientes da Euro M
inclui nomes como Mondelez (com
marcas como Oreo, Milka, Triunfo ou
Philadelphia), PepsiCo (Lays, Doritos,
Cheetos ou Ruffles), Perfetti Van Melle
(Trident, Chupa Chups, Smint), Sovena
(Oliveira da Serra e Fula), Pernod Ricard,
Upfield, Repsol, Marsh, Ayvens,
Flama, Ticket, 5àSec, Carne d’Erva,
Mundu Nôbu, entre outros. Alguns destes
clientes trabalham com a agência há
mais de 15 anos.
No ano passado, a agência foi responsável
pelo branding da associação
Mundu Nôbu, de Liliana Valpaços e
Dino D’Santiago, que capacita e inspira
jovens de comunidades sub-representadas,
através da educação, do envolvimento
cívico e da celebração cultural.
Um projecto 360º que, além da criação
da marca e respectivo sistema de comunicação,
envolveu o desenvolvimento de
todo o ecossistema digital e preparação
de campanhas.
Além deste, a Euro M assinou outros
projectos ao longo do ano, como
a campanha “Flamin' Hot”, que promoveu
a gama de snacks picantes da
PepsiCo no Rock in Rio 2024; as activações
no NOS Alive para marcas como
Trident e Oreo; e a iniciativa Milka –
Calendário do Advento. «Além disso,
destaco o desenvolvimento de plataformas
digitais, como os sites para a 5àSec
e a Fullrent, e campanhas emocionais
como “A vida é melhor com partilha”,
para a Pernod Ricard, que reforçam a
nossa habilidade de trabalhar com diferentes
indústrias e canais», sublinha o
CEO da Euro M.
REFORÇO DE NOTORIEDADE
Um dos objectivos da Euro M passa por
aumentar a notoridade e reforçar o seu
posicionamento no mercado, destacando-se
pela inovação e capacidade de
gerar emoções através da criatividade.
«2025 marca o início de um novo ciclo
para a Euro M, em que procuramos dar
maior visibilidade à nossa marca, aos
projectos e às nossas pessoas. O rebranding
que estamos a implementar é a fase
zero deste ciclo, que nos prepara para
um futuro de crescimento, inovação e
conquista de novos desafios criativos.
Queremos que a Euro M continue a ser
reconhecida como uma agência capaz
de gerar impacto positivo, tanto para os
nossos clientes como para a sociedade»,
refere Pedro Serra.
Pedro Serra,
CEO da Euro M
46 a EDIÇÃO • PORTUGAL
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A equipa vencedora irá representar Portugal na final Internacional
PATROCÍNIOS
APOIOS
ORGANIZAÇÃO
122 Branded
COMUNICAÇÃO
Transformar
mensagens em
RESULTADOS
As apresentações
desempenham um
papel fundamental
na comunicação
corporativa, influenciando
a
tomada de decisões
estratégicas
e o alinhamento
entre equipas
MARKETEER # 343 FEVEEIRO DE 2025
123
H
oje, a maioria das decisões mais importantes
nas empresas é influenciada por
apresentações. Seja na aprovação de um
plano estratégico, na definição de objectivos
entre equipas, ou na apresentação
de uma ideia a um cliente, as apresentações
estão sempre presentes nos
momentos mais críticos. Contudo, em
entrevista à Marketeer, Margarida Candelária,
Managing partner da Slide Lab,
afirma que existe uma falsa sensação de
que dominamos o formato, simplesmente
porque o utilizamos com frequência,
mas a verdade é que a maioria parece
estar a falhar no essencial: transmitir
ideias de forma clara e estruturada.
Qual é a importância das apresentações
na comunicação corporativa e
como é que estas influenciam a eficácia
da mensagem transmitida?
Uma apresentação não é um documento
de trabalho de consulta de informação.
É uma ferramenta estratégica para alinhar
equipas, inspirar decisões e conquistar
resultados. Se a mensagem não
for clara e envolvente, o impacto perde-
-se – e, com ele, oportunidades valiosas
de crescimento.
Na Slide Lab, acreditamos que apresentações
são momentos-chave para
reforçar a credibilidade e inspirar a acção.
Investir numa comunicação bem
feita é garantir que as ideias não só são
ouvidas, mas também compreendidas e
transformadas em acções concretas.
Uma apresentação bem elaborada pode
impactar a percepção do público sobre
uma empresa ou produto?
É verdade que algumas apresentações
têm um papel comercial, como num
pitch ou numa equipa de vendas, onde
é crucial comunicar valor e reforçar
a credibilidade. Mas, na realidade, a
maioria das apresentações acontece
dentro das organizações – para alinhar
estratégias, definir objectivos, ou até
para partilhar ideias com stakeholders
e equipas de liderança.
Curiosamente, muitas empresas
estão dispostas a investir significativamente
na comunicação externa, para
atrair clientes ou fortalecer a marca,
mas subestimam a importância da comunicação
interna. E, no entanto, o sucesso
de qualquer organização começa
por dentro, na forma como as ideias são
partilhadas, alinhadas e executadas.
Uma apresentação bem elaborada
é mais do que uma ferramenta para
transmitir informação. É um ponto de
viragem: ela traz clareza às mensagens,
une diferentes visões num pensamento
comum e mobiliza acções estratégicas.
Além disso, reforça a credibilidade da
mensagem e do orador, consolidando o
profissionalismo e o conhecimento de
quem apresenta. Mais do que isso, uma
boa apresentação tem o poder de envolver
a audiência, gerando um sentimento
de pertença e alinhamento à visão ou ao
objectivo partilhado.
Quais são os elementos essenciais que
podem tornar uma apresentação mais
eficaz e memorável?
Uma apresentação eficaz e memorável é
aquela que prende a atenção da audiência
e transmite uma mensagem clara e
impactante. Para isso, existem três elementos
essenciais: propósito, narrativa
e design. Tudo começa com uma pergunta
simples: qual é o objectivo desta
apresentação? Sem um propósito claro,
a mensagem perde força e a audiência
pode não entender o que se espera – seja
informar, persuadir, alinhar ou motivar.
A narrativa é outro pilar fundamental.
Uma boa apresentação é uma história
bem contada, que guia a audiência
por uma jornada lógica e envolvente.
Não é apenas sobre o que se diz, mas
como se conta a história para criar impacto
e conexão.
O design, por sua vez, deve complementar
a mensagem e não roubar a
atenção. Slides limpos, com hierarquia
de informação, imagens relevantes e
pouco texto ajudam a amplificar o impacto
da narrativa e a tornar a mensagem
mais fácil de absorver.
Por fim, a entrega é o que dá vida à
apresentação. A forma como se comunica
– com confiança, energia e ligação
genuína com a audiência – é o que
transforma uma apresentação num momento
realmente marcante.
Como é que a Slide Lab ajuda as empresas
a transformar informações
complexas em visuais apelativos e fáceis
de compreender?
A Slide Lab é uma agência de comunicação
especialista em apresentações,
focada em transformar mensagens
complexas em histórias claras e visuais
impactantes. O nosso trabalho começa
por entender a essência da mensagem:
mergulhamos no conteúdo para identificar
o que é realmente relevante e estratégico
para a audiência.
Acreditamos que cada slide deve
funcionar como um outdoor – com
uma mensagem central clara, reforçada
por elementos visuais que simplifiquem
124 Branded
COMUNICAÇÃO
a compreensão. Seja através de gráficos
intuitivos, big numbers ou imagens estratégicas,
o design não é apenas estético,
mas uma ferramenta poderosa para
amplificar o impacto da narrativa.
Ao combinar storytelling com design
estratégico, ajudamos empresas a
tornar a sua comunicação mais clara,
apelativa e eficaz, garantindo que até
as informações mais densas se transformem
em apresentações que cativam e
convencem a audiência.
Pode partilhar exemplos de situações
em que uma apresentação desenvolvida
pela Slide Lab contribuiu significativamente
para o sucesso de um cliente?
Na Slide Lab, temos o privilégio de trabalhar
com empresas em momentos estratégicos,
criando apresentações que
realmente fazem a diferença. Um exemplo
disso foi uma das apresentações
que desenvolvemos para a Fundação
Francisco Manuel dos Santos (FFMS).
O desafio era transformar um estudo
extenso e denso em insights claros e accionáveis
para os stakeholders. Através
de uma narrativa bem desenhada e visuais
apelativos, conseguimos tornar os
dados acessíveis e práticos, garantindo
que a mensagem fosse transmitida com
clareza e impacto.
Outro exemplo foi uma das últimas
apresentações que fizemos para a
Amazon, num evento de Leadership.
Este projecto tinha um papel crucial:
alinhar mentalidades, reforçar objectivos
estratégicos e inspirar as equipas
de liderança. A apresentação ajudou a
criar um forte sentido de pertença, conectando
emocionalmente a audiência à
visão da empresa e gerando motivação
para atingir metas colectivas.
Quais são os erros mais comuns que
devemos evitar quando criamos apresentações
corporativas?
Os erros mais comuns na criação de
apresentações geralmente decorrem da
falta de propósito, excesso de informação
e uma entrega pouco envolvente.
Estes problemas podem transformar
uma apresentação, por mais importante
que seja, em algo monótono e pouco
eficaz. Um dos principais erros é começar
sem que exista um propósito claro.
A solução é simples: definir o objectivo
principal antes de criar qualquer slide,
perguntando: «O que quero que a minha
audiência saiba, sinta ou faça depois
desta apresentação?»
Outro erro frequente é o excesso de
informação. É comum querer colocar
tudo nos slides – texto, dados, gráficos
– mas isso sobrecarrega a audiência
e dificulta a retenção da mensagem. A
chave é simplificar: cada slide deve ter
uma mensagem principal, e os elementos
visuais devem reforçá-la. Além disso,
a ausência de narrativa é um problema
recorrente. A narrativa é aquilo que
liga as ideias e cria uma jornada para a
audiência. Assim, é essencial construir
a apresentação com uma estrutura clara
– introdução, desenvolvimento e conclusão
–, garantindo que cada slide se
conecta ao próximo.
O design também é um ponto crítico.
Slides com muitos elementos, fontes
diferentes ou imagens de baixa qualidade
distraem e retiram profissionalismo
à mensagem. O ideal é optar por um
design que ajude a tornar a informação
mais acessível e relacionável. Finalmente,
a entrega do orador pode comprometer
até as melhores apresentações.
Uma mensagem poderosa perde força se
o orador não for confiante e não falar
de uma forma eloquente e persuasiva.
De que forma a identidade visual de
uma empresa deve ser incorporada nas
apresentações para garantir consistência
na comunicação?
Incorporar a identidade visual de uma
empresa nas apresentações é garantir
consistência, fortalecer o reconhecimento
da marca e reforçar a credibilidade.
Mas não se trata apenas de aplicar
o logótipo ou as cores institucionais de
forma mecânica – o verdadeiro desafio
está em criar um conceito visual que
respeite o brandbook, mas que também
MARKETEER # 343 FEVEEIRO DE 2025
125
eleve a mensagem e se alinhe ao propósito
daquela apresentação.
É comum as pessoas ficarem presas
ao uso de templates genéricos, o que
muitas vezes resulta em apresentações
pouco diferenciadas e desconectadas do
objectivo. Cada apresentação estratégica
deve ser desenhada à medida, considerando
não apenas a identidade visual
da empresa, mas também a audiência a
que se destina, a mensagem e o contexto
em que será apresentada.
Como é que a Slide Lab personaliza
as apresentações para dar resposta às
necessidades específicas de diferentes
públicos e sectores?
Na Slide Lab, acreditamos que cada
apresentação é única e deve reflectir a
essência do cliente e o propósito da comunicação.
O nosso processo começa
com um mergulho profundo na marca:
estudamos a identidade visual para
garantir que o conceito criado respeita
o brandbook, mas que também eleva a
mensagem de forma estratégica e ajustada
ao contexto.
Personalizamos cada projecto analisando
três pilares fundamentais: a audiência,
a mensagem central e o perfil
do orador. Este enfoque permite-nos
criar apresentações que não só comunicam
eficazmente, mas que também geram
impacto emocional e deixam uma
impressão duradoura.
O know-how do negócio está sempre
do lado do cliente. Por outro lado,
o nosso papel, como consultores de
comunicação, é desafiar, fazer as perguntas
certas e encontrar a melhor
forma de estruturar a mensagem para
alcançar clareza e impacto. Do design
à narrativa, garantimos que todos os
elementos trabalham em harmonia para
proporcionar uma experiência coerente,
memorável e inspiradora.
De que maneira a utilização de animações
e outros recursos multimédia
pode melhorar a eficácia de uma apresentação
sem distrair o público?
Animações e recursos multimédia são
ferramentas poderosas para tornar as
João Tavares da Silva e Margarida Candelária, sócios da Slide Lab
apresentações mais envolventes, desde
que usados com equilíbrio e propósito.
Animações suaves podem ser úteis para
guiar o olhar da audiência, destacar
pontos-chave de forma gradual e criar
transições que proporcionem um efeito
de continuidade, essencial para que seja
mais fácil compreender um esquema ou
processo mais complexo.
Recursos como vídeos, GIF ou gráficos
animados ajudam a simplificar
conceitos densos e a torná-los visualmente
apelativos. No entanto, devem
sempre complementar a narrativa, reforçando
a mensagem sem competir
pela atenção.
O segredo está em equilibrar criatividade
e funcionalidade: estes elementos
devem dinamizar a apresentação,
tornar a experiência mais imersiva e facilitar
a compreensão, mantendo o foco
no essencial e garantindo que a mensagem
principal é clara e impactante.
Quais os principais objectivos da Slide
Lab para 2025?
Para 2025, a Slide Lab tem como prioridade
crescer de forma sustentada, consolidar
a presença no mercado nacional
e expandir os projectos internacionais.
Queremos afirmar-nos como referência
no sector das apresentações estratégicas,
com um grande foco na democratização
do conhecimento sobre o tema.
Estamos a investir na área da formação,
com mais workshops in-company
já em planeamento, e no lançamento
de formatos de e-learning
acessíveis e práticos. O objectivo é capacitar
profissionais, em qualquer fase
da carreira, com ferramentas e conhecimentos
que os ajudem a criar apresentações
impactantes.
2025 será o ano de levar o impacto
das apresentações a ainda mais pessoas,
ajudando-as a comunicar com eficácia e
a alcançar melhores resultados.
126 Design
COMUNICAÇÃO
O futuro do sector
DO LUXO
Texto
NINI
ANDRADE SILVA
Designer
de interiores
O
mundo do luxo está em constante
transformação. É uma paisagem dinâmica,
moldada por forças globais – desde
demografias até à revolução tecnológica
e ao impacto das novas gerações.
Como designer de interiores e líder de
um atelier que se dedica ao segmento
do luxo, vejo o futuro como uma
oportunidade para reflectir, adaptar e,
acima de tudo, inovar. Os desafios que
enfrentamos não são pequenos, mas são
o que tornam este trabalho tão estimulante.
O meu objectivo, enquanto profissional
e criativa, é acompanhar estas
mudanças e liderar com visão e intencionalidade.
Vamos analisar os principais
pontos que, acredito, moldarão o caminho
do meu atelier nos próximos anos.
1. ENTENDER A NOVA REALIDADE
DA RIQUEZA GLOBAL
Para projectar o futuro do luxo, é essencial
compreender o estado actual da
riqueza global. Estamos a assistir a um
cenário onde o “grande motor” do consumo
se desloca. Enquanto a Europa e
os Estados Unidos da América enfrentam
populações envelhecidas, mercados
em regiões como o é o caso do Sudeste
Asiático, o Médio Oriente e África apresentam
forças de trabalho jovens e em
forte crescimento.
Ao mesmo tempo, a transferência
intergeracional de riqueza, conhecida
como The Great Wealth Transfer, está a
mudar o perfil do consumidor. Embora
o foco nas gerações Z e Alpha seja natural,
não podemos esquecer os clientes
fiéis que construíram a história deste
sector. Há um equilíbrio delicado que
tem que ser alcançado: responder a novos
públicos, mas sem perder a autenticidade
que conquistou a confiança das
demais gerações.
A transição para uma cultura, onde
os limites entre gerações se diluem, exige
uma abordagem inclusiva e basea-
Pedro Corrêa da Silva
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
127
João Almeida
128 Design
Francisco Almeida Dias
COMUNICAÇÃO
da em valores muito bem definidos. O
luxo do futuro não será segmentado por
faixas etárias, mas guiado por aspirações
e experiências compartilhadas.
2. A DIVERSIDADE COMO PILAR
DO LUXO CONTEMPORÂNEO
A diversidade deixou de ser um objectivo
e passou a ser um pré-requisito.
Este é um tema crítico no atelier, onde
procuramos integrar a inclusão em cada
detalhe dos nossos projectos – desde a
escolha de materiais locais até à celebração
de culturas através do design.
No entanto, a diversidade no sector
do luxo não pode ser uma resposta
superficial às exigências do mercado.
Deve ser intrínseca, enraizada nos valores
que guiam a nossa própria prática.
Como designer, sinto a responsabilidade
de criar espaços que não apenas
acolhem a diversidade, mas a exaltam
como elemento essencial de autenticidade
e criatividade.
3. TECNOLOGIA E HUMANIDADE:
ENCONTRAR O EQUILÍBRIO
A revolução da Inteligência Artificial e
automação está a transformar todos os
sectores, e o luxo não é excepção. Contudo,
acredito que o toque humano continuará
a ser indispensável.
O design de interiores, especialmente
no segmento alto, vive das histórias
que criamos e das emoções que provocamos
– algo que o automatismo ainda
não consegue replicar. As experiências
personalizadas, embora promissoras,
devem ser autênticas e não um reflexo
de estratégias genéricas.
O verdadeiro luxo reside em momentos
inesperados, na surpresa de um
detalhe cuidadosamente pensado.
No atelier, o desafio daquilo que designamos
por silent tech será o de integrar
a tecnologia como uma ferramenta
que eleva verdadeiramente a experiência,
sem comprometer a alma que define
o nosso trabalho.
4. STATUS LÍQUIDO:
A NOVA LINGUAGEM DO LUXO
Estamos a entrar numa era em que o
status deixou de ser rígido e hierárqui-
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
129
Nick Baytun
co. A nova geração valoriza cada vez
mais a autenticidade acima da ostentação.
Isso significa que o luxo já deixou
de ser definido por etiquetas ou preço,
passando a ser por valores, como sejam
sustentabilidade, inovação e envolvimento
cultural.
Toda esta mudança representa uma
oportunidade única para repensar a forma
como criamos.
No meu atelier, o objectivo será
continuar a curar experiências que não
só reflictam as aspirações dos clientes,
mas também estabeleçam uma conexão
emocional duradoura.
Como criativos, somos guardiões do
passado e visionários do futuro, e é esse
equilíbrio que moldará o legado que
queremos construir.
5. O MULTIVERSO DAS MARCAS
E O PAPEL DO DESIGN
As marcas já não vivem isoladas. Funcionam
como ecossistemas, onde cada
interacção contribui para uma narrativa
maior. Este conceito aplica-se directamente
ao design de interiores – cada
projecto é uma peça de um universo
maior, onde cada detalhe conta uma
história e onde a experiência do cliente
transcende o tangível. O nosso objectivo
será criar experiências que vão além da
estética. Queremos que os espaços que
projectamos sejam portais para novas
formas de ver e viver o mundo. Inspirados
por exemplos como boas práticas
e o compromisso com a preservação da
tradição artesanal, pretendemos definir
um padrão que combina inovação com
valores fundamentais.
6. A CAMINHO DE 2025
E AINDA MAIS ALÉM
O futuro do atelier não será apenas sobre
projectar interiores luxuosos, mas sobre
construir um legado. É um caminho
onde a inovação será guiada por valores,
onde a tecnologia será uma aliada e não
uma substituta, e onde cada projecto será
uma expressão da nossa visão: transformar
o luxo em algo verdadeiramente intemporal.
Porque, no final de contas, o
verdadeiro luxo não é possuir algo, mas
fazer parte de algo significativo. Este é o
desafio e a promessa que assumimos enquanto
criativos e visionários.
130
COMUNICAÇÃO
A
CAMPANHA
DA MINHA
VIDA...
Texto
MIGUEL
MESTRE
Creative Copywriter
na Stream & Tough Guy
Todos os meses
a Marketeer desafia
um responsável de uma
agência ou produtora
a actuar na área
da comunicação para
eleger a campanha da
sua vida. Ou seja,
aquela que, até ao
momento, mais se orgulha
de ter assinado
M
ais do que a campanha mais premiada
que já fiz ou a que mais me orgulho de
ter feito, a campanha que escolhi para
esta rubrica talvez seja a que mais me
ajudou a explicar o que faço a uma boa
fatia das pessoas que fazem parte da minha
vida.
Em 2021, a Worten deixou de comunicar
como uma marca de tecnologia e
assumiu-se como uma one-stop-shop,
capaz de dar resposta a qualquer necessidade.
O briefing dizia-nos que, em
worten.pt, podemos encontrar tudo e
referia uma pequeníssima particularidade:
o protagonista seria um tal de Ricardo
Araújo Pereira. A ideia foi fazer
dele uma espécie de representação da
Inteligência Artificial que comandava os
acontecimentos em worten.pt. Ali, recebia
e encaminhava os visitantes para os
artigos que procuravam, ainda confusos
e surpreendidos por poderem encontrá-los
no site da Worten. Faltava então
uma frase que resumisse a nova oferta
da Worten e que também encaixasse no
tom que o Ricardo iria conferir à marca.
Um conceito que talvez fosse um headline,
mas que era, no fundo, o reflexo do
novo posicionamento da marca.
Dizem que as ideias vêm de qualquer
lado e esta veio da gíria que tanto enriquece
a nossa língua, em particular dos
meus tempos de cachopito, quando vivia
na Curia (Anadia) e tinha ainda mais
a mania que sou engraçado do que agora.
Antes de apresentar internamente
o “Tem tudo e mais não sei o quê”, fiz o
devido disclaimer: é uma expressão que
toda a gente conhece, parece-me muito
certa e simples, mas isto pode ser tudo
da minha cabeça. É que não há muitas
expressões que eu tenha dito e ouvido
tantas vezes da boca da minha família e
amigos como esta.
Quase quatro anos depois, o “Tudo e
mais não sei o quê” tornou-se quase indissociável
da Worten e continua a ser
reinventado pelos amigos e colegas que
entretanto deixei na Fuel. Já eu digo-o
hoje muito menos vezes do que dizia.
Quem é que me mandou misturar a vida
pessoal com a profissional?
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
131
FICHA
TÉCNICA:
Director Criativo: João
Madeira da Silva; Director
de Arte: Gabriel Mendes e
Ruben Santos; Redactor:
Miguel Mestre e Rita Carmo;
Director de Estratégia: Rita
Barreto; Director de Contas:
Duarte Simões; Executivo
de Contas: Catarina Duarte;
Arte Finalista: Daniel
Cocco, Frederico Almeida
e Pedro Soares.
132 Opinião
COMUNICAÇÃO
UMA BRASILEIRA
ENTRA NA SALA DO
PR português
A
primeira vez que alcancei um cargo de liderança
tinha 26 anos. Assumi a produção
executiva da GQ Brasil e, do alto da
minha imaturidade, estava mais preocupada
em cumprir bem a função do que
entender o que aquilo representava. Anos
depois, voltei ao mercado das agências
para assumir, primeiro, a coordenação de
PR de duas das maiores marcas de cerveja
do país e, logo depois, a gestão da conta
da Ambev (AB Inbev), dentro da terceira
maior agência de PR do Brasil. Uma
agência liderada por mulheres, quando a
discussão sobre diversidade e igualdade
começava a ebulir por todos os lados.
Num ambiente tão masculino como
uma cervejeira, era preciso ter firmeza,
jogo de cintura e muita competência para
sobreviver. Mas começávamos a mudar as
regras, dentro e fora da comunicação.
Com a confiança de quem já havia enfrentado
e feito muito, dei uma volta de 180° à
minha vida e emigrei. O primeiro golpe
foi perceber que, a partir de então, a
união das palavras “mulher” e “brasileira”
carregavam outro peso. E não era um
peso bom. O segundo foi perceber que
podia ter anos de experiência, mas tinha
que aceitar uma vaga júnior para provar o
meu valor e aprender sobre o mercado local.
Foi o que fiz.
As diferenças eram muitas e, depois
de muito falar, fiz o que já deveria ter feito:
calar, prestar atenção e aprender. Não
foram as diferenças no português, no uso
dos pronomes ou tratar alguém na terceira
pessoa que me impressionaram. Ou
não existirem, aqui, plataformas de mailing
dos jornalistas e não termos onde encontrar
os seus contactos. Muito menos a
velocidade, o tamanho do mercado, os limites
entre a vida pessoal e a profissional.
Mas sim perceber que a discussão pela
equidade e a diversidade ainda eram embrionárias.
Que ainda havia – e há – uma
xenofobia disfarçada e um machismo enraizado
que não quer ser discutido.
Se é mulher, é permitido diminuir-lhe
a voz e até assinar artigos com ideias suas.
Se é mulher e capaz, é obrigatório diminuí-la.
Se é mulher e brasileira, é permitido
questionar o carácter ou fazer piadas
que envolvam a “fama” deste grupo.
Foi preciso muita escuta para perceber
que o “brasileira” era apenas uma camada
a mais na contenção velada que as
mulheres aqui também enfrentam. E uma
grande dose de valentia para continuar a
Texto
ELINÁ
ENRIQUE
Head of PR &
Communications
ser elegante em situações cruéis. Hoje, lidero,
há três anos, a Omertà, uma agência
de PR que nasce da publicidade, com uma
carta branca inegociável. Doze anos depois
daquele primeiro cargo de liderança,
sei hoje o que isso realmente significa.
Ser mulher e líder é fazer valer a minha
e a voz de outras mulheres. É trazer o
tema para a mesa, é incomodar o acomodado
“boys club” e dialogar. Ser uma mulher
brasileira fora do Brasil é romper
com os estereótipos. Sem diversidade, não
existem discussões profundas e, sem elas,
os trabalhos são frágeis e esquecíveis. É
trabalhar a equidade, igualdade e pluralidade.
No ambiente de trabalho, nas contratações,
nas entregas e recomendações.
Cinco anos depois da minha chegada,
aproveito este espaço para partilhar a minha
história e, quem sabe, colaborar para
que mais mulheres se lembrem de engrandecer
as suas vozes e nunca diminuir a
importância dos espaços que ocupamos.
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134 Audi A5 e A6 e-tron
LIFESTYLE
Dois mundos,
a mesma
EXCELÊNCIA
A Audi chega com
novidades aos pares,
apresentando novos
trunfos: o A5, a com–
bustão, e o eléctrico A6
e-tron, apostas seguras
no processo de renovação
da marca alemã
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
135
T
rinta anos após o primeiro A4, chega agora até nós
a nova geração, designada A5. Passamos a explicar:
no ano passado, a Audi reestruturou a designação
dos veículos, atribuindo números pares aos
modelos eléctricos e ímpares para os com motor
de combustão. Isto foi válido até este mês, pois
após feedback de clientes e concessionários, esta
lógica deixou de ser aplicada, voltando o formato
alfanumérico a representar unicamente as dimensões
e posicionamento de cada novo modelo da
marca alemã.
Mas como o A5 estava a chegar e a regra ainda
não tinha sido posta em prática, a nova geração do Audi
A4 passa mesmo a chamar-se A5, uma proposta em quatro
variantes: A5 e S5 Limousine e A5 e S5 Avant, com ambas as
carroçarias a apresentarem um design bastante apelativo, reflectindo
a essência desportiva da marca. O agora A5 cresce
em comprimento e largura relativamente ao seu antecessor,
contando com tecnologia LED de última geração nos faróis e a
opção por luzes traseiras OLED, que combinam com uma elegante
faixa de luz contínua.
Posicionado no segmento médio superior, passou a incluir
uma maior oferta de equipamento de série, o que faz com que
continue a deslumbrar no seu interior: além de espaçoso, disponibiliza
uma série de ecrãs que saltam logo à vista de quem
se senta nele pela primeira vez, passando posteriormente a ser
encarados com naturalidade, pela harmonia e utilização prática
que oferecem. Trata-se do conceito Digital Stage, que inclui
um cockpit virtual de 11,9 polegadas (”) e um ecrã táctil principal
de 14,5”. Opcionalmente, é possível incluir também um
ecrã de 10,9”, dedicado para o passageiro da frente, que fica
perfeitamente integrado no painel.
O head-up display (HUD) dos novos A5 também foi desenvolvido
de raiz, com uma área de imagem visível 85%
maior. Passou a ser configurável e apresenta informações
como a velocidade, sistemas de assistência, instruções de navegação,
chamadas e dados multimédia, com os novos comandos
do volante a possibilitarem percorrer listas e fazer selecções
sem tirar os olhos da estrada.
O Audi assistant também merece referência, um assistente
de voz que compreende a linguagem e aprende de forma autónoma.
Além de com ele poderem ser executadas diversas funções
e iniciar a navegação, permite ainda que lhe façam perguntas.
Se não conseguir responder, utiliza o ChatGPT, que
fornece as informações através do Audi assistant.
Já a nível de motores, além da eficiência da combustão, a
escolha vai mais longe, incluindo soluções parcialmente electrificadas
ou os emocionantes modelos S, com as potências a
irem dos 150 CV na versão TFSI até aos 367 CV do desportivo
S5, ficando pelo meio o TDI, com 204 CV, que combina potência
e eficiência. O novo sistema híbrido MHEV plus, baseado
num sistema eléctrico de 48 volts, apoia o motor de combustão,
reduz as emissões de CO 2
e aumenta a performance. É
ainda possível uma condução parcialmente eléctrica a baixas
velocidades, que pode acrescentar até 18 kW (24 CV) de potência
eléctrica ao motor de combustão. Durante a desaceleração,
um gerador reencaminha a energia para a bateria e, como
resultado, é possível manobrar e estacionar usando apenas
electricidade. O sistema de ar condicionado também pode ser
operado quando o veículo está parado, por exemplo, em semáforos,
e o motor de combustão está desligado.
UMA IMPRESSIONANTE AUTONOMIA NO A6 E-TRON
Voltando ao plano que agora foi revisto, a designação A6 deveria
ser exclusiva dos eléctricos. O A6 a combustão era para
se chamar A7, mas manterá a designação pelo qual é conhecido
há 30 anos. Vamos então ter A6 a combustão, híbridos e
eléctricos, e o e-tron que agora chega ao mercado.
Dotado de uma aerodinâmica soberba e de uma autonomia
para até 754 quilómetros, o A6 e-tron, primeiro modelo
totalmente eléctrico da marca alemã com carroçarias Sportback
e Avant, está pronto para impressionar à sua chegada.
O efeito será ainda maior dependendo das opções escolhidas,
como os anéis iluminados na parte traseira.
Inúmeros ajustes de precisão resultaram num coeficiente
aerodinâmico (Cd) de 0,21 para o Sportback, tornando-o
não só o Audi mais aerodinâmico de todos os tempos: trata-
-se do melhor resultado da história em todo o Grupo VW. Já
o Avant, com um Cd de 0,24, posiciona-se também como um
dos melhores no seu segmento. Contribuem para isso os espelhos
exteriores virtuais opcionais, bem como as câmaras compactas
dos espelhos, que reduzem a área frontal do veículo. Os
displays dos espelhos ficam no interior da porta, exactamente
no mesmo campo de visão onde se encontrariam os espelhos
exteriores tradicionais.
No seu interior oferece o conceito Digital Stage, tal como o
A5, permitindo ao passageiro da frente assistir a filmes ou séries
em streaming, sem distrair o condutor. A luz no display é
direccionada (modo de privacidade activa) ou difundida (con-
136 Audi A5 e A6 e-tron
LIFESTYLE
teúdo visível para todos), dependendo da velocidade do carro
e da ocupação dos assentos.
O Android Automotive OS, sistema de infotainment,
pode realizar actualizações over-the-air, mantendo serviços
como o Audi connect e o planeador de rotas e-tron (de série),
sempre actualizados. Conte também com a Audi Application
Store, dispensando assim recorrer a um smartphone. E, tal
como no A5, existe o controlo por voz, o Audi assistant e a
ligação ao ChatGPT.
Olhando para cima, um tecto panorâmico em vidro inteligente,
com controlo de transparência, minimiza a luz solar
directa e torna-se opaco ao toque de um botão. Também opcional,
pode ser controlado como uma “cortina digital”, entre
quatro configurações predefinidas.
Motores eléctricos potentes altamente eficientes e uma recém-desenvolvida
bateria de iões de lítio, com uma capacidade
bruta total de 100 kWh (úteis: 94,9 kWh), garantem uma
autonomia que vai dos 625 km, no A6 Sportback e-tron, até
aos 754 km (A6 Sportback e-tron performance). Com a carroçaria
Avant, as mesmas versões apresentam valores dos 595
km até aos 716 km.
Em termos de potência, a versão de entrada, o Audi A6
e-tron conta com 210 kW (com Launch Control alcança 240
kW) e acelera de 0 a 100 km/h em 6 segundos. Se quiser ainda
mais, pode ir até ao Audi S6 e-tron, com uma potência de
370 kW (405 kW no modo Launch Control), que vai de 0 a
100 km/h em 3,9 segundos, sendo a sua velocidade máxima
de 240 km/h.
Graças à tecnologia de 800 volts e à capacidade de carregamento
DC máxima de 270 kW (225 kW para a variante de
entrada A6 e-tron), é possível realizar curtas paragens para
carregamento. Em estações HPC (carregamento de alta potência),
o A6 Sportback e-tron performance pode carregar até 310
quilómetros em apenas dez minutos, 245 no A6 e-tron Avant.
Em 21 minutos, o estado de carga sobe de 10 a 80%.
A recuperação através da travagem regenerativa optimizada
é um componente crucial para aumentar a eficiência e a
autonomia do A6 e-tron. O sistema regenera em cerca de 95%
das manobras de travagem quotidianas.
O A6 e-tron também oferece ao condutor a opção de ajustar
o nível de recuperação através das patilhas no volante e de
deslizar sem atrito (velejar). A opção pelo modo de condução
B, semelhante à condução “one pedal”, permite realizar quase
todas as manobras sem recorrer ao pedal de travão.
Conte ainda de série com funções de assistência ao condutor
que incluem park assist plus, câmara de marcha-atrás,
limitador de velocidade baseado em sinais de trânsito, reconhecimento
de sinais de trânsito baseado em câmara, adaptive
cruise assist, rear park assist plus com visualização da distância,
aviso de saída de faixa e detector de fadiga e sonolência.
Seja para os fiéis à combustão, que vão sentir o musculado
A5 a desenvolver, ou para quem pretende logo a potência toda
disponível e uma experiência de condução deliciosamente contínua,
que tem no A6 e-tron um diamante mesmo a pedir para
ser experimentado, a Audi segue no caminho certo para, passo
a passo, renovar a sua oferta num patamar de excelência.
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138
LIFESTYLE
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DANIEL ALMEIDA
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VÁLIDOS PARA
CONTINENTE
E ILHAS
TURISMO
CADERNO
ESPECIAL
PATROCINADORES
142 Debate
CADERNO TURISMO
O TURISMO É
“A” INDÚSTRIA
portuguesa
Texto
DANIEL
ALMEIDA
Fotografia
PAULO
ALEXANDRINO
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
143
É o principal motor da
economia e representa quase
13% do PIB nacional, sendo
fundamental para reequi–
librar as contas externas do
País. Mas a verdade é que o
Turismo ainda não é um sector
consensual. Porquê?
N
os últimos anos, o Turismo foi uma autêntica
“tábua de salvação” da economia nacional.
Entre crises financeiras, turbulência geopolítica
e uma pandemia que obrigou a fechar
portas, a indústria foi consolidando o seu papel
enquanto principal motor da economia,
numa aposta estratégica que colocou Portugal
como um dos destinos mais atractivos em todo o mundo. Um
destino que deixou de ser apenas conotado como sol e mar,
mas que se abriu a novos produtos turísticos, da gastronomia
à cultura, passando pelo desporto ou o enoturismo, que soube
crescer em valor e captar novos mercados emissores que
hoje são estratégicos, como o norte-americano.
144 Debate
CADERNO TURISMO
O tema deu o mote ao mais recente almoço-debate de Turismo
promovido pela Marketeer, com os responsáveis das
mais diversas áreas de actividade que compõem este sector a
comungarem da ideia de que «o Turismo é “a” indústria portuguesa
– e não mais uma indústria».
O crescimento do sector é particularmente notório desde
a crise financeira do subprime. «A partir de 2012, Portugal
tinha que reequilibrar as suas contas externas sem investimento
massivo. Não tínhamos nenhuma outra capacidade de
recuperar a nossa estrutura de contas externas sem exportarmos
massivamente. Éramos o terceiro país do mundo mais
endividado face ao PIB e isso tornava-nos totalmente incapazes
de sobreviver. E o Turismo era a única indústria que podíamos
utilizar para exportar um bem não transaccionável,
que é o próprio território», recordam.
A aposta compensou. Os números mais recentes do Instituto
Nacional de Estatística (INE) não deixam margem para
dúvidas: a actividade turística representou, em 2023, 12,7%
do Produto Interno Bruto (PIB), tendo gerado cerca de metade
do crescimento real do PIB nesse ano. Contudo, esse peso
relativo será ainda maior, uma vez que é impossível mensurar
todos os efeitos indirectos para a economia, seja na restauração,
no golfe, no consumo de vinho e cerveja ou em inúmeras
outras áreas. «Utilizámos muito bem o Turismo. Hoje já
não somos o terceiro país mais endividado do mundo, nem
sequer da Europa. Esta é uma indústria absolutamente essencial
e um ecossistema que importa preservar. Não podemos
perder a vantagem do Turismo», reiteram.
Não obstante o desenvolvimento registado nos últimos
anos, o sector é, não raras vezes, colocado em causa por vozes
oriundas de diversos quadrantes da sociedade e da política
portuguesa, que mostram «incompreensão em relação ao
Turismo». Para os responsáveis inquiridos pela Marketeer, é
importante abordar os «inconvenientes sociais» associados a
esta actividade, que são inegáveis, mas é igualmente crucial
que haja um esforço para comunicar os benefícios para a economia
e melhorar a percepção do sector. «Algumas pessoas
«JÁ NÃO SOMOS O
TERCEIRO PAÍS MAIS
ENDIVIDADO DO MUNDO.
ESTA É UMA INDÚSTRIA
ABSOLUTAMENTE
ESSENCIAL E QUE
IMPORTA PRESERVAR.»
podem não gostar do Turismo, mas a verdade é que vivem
dele», salientam os participantes.
Andrea Granja (Tivoli Hotels & Resorts), António Ramalho
(Lisboa FCE), Armando Rocha (Great Hotels of the
World), Dália Palma (BTL – Better Tourism Lisbon), Filipe
Bonina (Discovery Hotel Management), Francisco Pita (ANA
– Aeroportos de Portugal), Inês Aguiar (AVK), Isabel Tavares
(The Editory Collection Hotels), João Pinto Coelho (Onyria
Group), José D’Avó (Opção Global), José Duarte (FIL – Feira
Internacional de Lisboa), Justyna Valente (TAP), Lídia Monteiro
(Turismo de Portugal), Manuel di Pietro (Taste – Catering
& Events), Patrícia Magalhães (Food Events Network),
Patrícia Telo da Gama (Food Events Network), Paulo Monge
(SANA Hotels), Pedro Costa Braga (Lisboa FCE), Roberto
Santa Clara (Savoy), Teresa Gonçalves, Timóteo Gonçalves
e Verónica Soares Franco (Pestana Hotel Group) foram os
participantes no almoço-debate do Turismo, que decorreu na
FIL – Feira Internacional de Lisboa, a convite da Lisboa FCE
– Feiras, Congressos e Eventos.
COMUNICAR A BEM DO TURISMO
De acordo com os responsáveis ouvidos pela Marketeer, há
diversos temas que serão fundamentais para contrariar as
vozes que se opõem ao Turismo e promover, ao mesmo tempo,
a sustentabilidade do sector. Um deles passa por criar
uma estratégia que incentive a dispersão dos turistas pelo
território nacional e também que visitem o País fora da chamada
“época alta”. «O Turismo de Portugal, as regiões e as
empresas do sector têm feito esse trabalho de tentar que os
turistas não fiquem concentrados nas cidades, nem nos destinos
mais tradicionais. Mas é verdade que o impacto do Turismo
tem de ser trabalhado, acima de tudo, ao nível local
– mesmo ao nível de pequenas áreas geográficas, que podem
ser cidades ou freguesias. Por exemplo, em Lisboa, a relação
com o Turismo é completamente diferente na freguesia do
Martim Moniz ou na do Lumiar. O impacto do Turismo tem
de ser trabalhado a esse nível.»
De resto, a percepção dos residentes portugueses em relação
ao Turismo varia de região para região. Um inquérito
divulgado recentemente pela Direcção Regional de Estatística
da Madeira (DREM) revela que, apesar da maioria da
população madeirense considerar que o fluxo de turistas é
muito alto (53,9%), 92,2% dos residentes afirmam que não
precisaram de alterar os seus hábitos de vida para os evitar
e apenas 6,3% reportam incómodo com a presença de turistas.
Nos grandes centros urbanos, nomeadamente em Lisboa,
a percepção dos residentes não é tão favorável. Isso demonstra
que a questão do impacto do Turismo tem de ser trabalhada
«como uma filigrana», quer pelas entidades públicas,
quer pelas próprias empresas do sector, que devem promover
políticas de aproximação às comunidades onde se inserem.
«Temos de ver o ponto de vista do residente. Temos de fazer
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
145
Armando Rocha (Great Hotels of the World), João Pinto Coelho (Onyria Group) e Patrícia Telo da Gama (Food Events Network)
José Duarte (FIL – Feira Internacional de Lisboa), Verónica Soares Franco (Pestana Hotel Group) e Pedro Costa
Braga (Lisboa FCE)
Francisco Pita (ANA – Aeroportos de Portugal), Dália Palma (BTL – Better Tourism Lisbon) e António Ramalho (Lisboa FCE)
146 Debate
CADERNO TURISMO
essa reflexão. O Turismo tem impacto na recolha do lixo, nos
transportes e em muitas outras vertentes da vida das pessoas.
Mas também é por isso que os turistas pagam taxa turística.»
Temos, aqui ao lado, o exemplo de Espanha. Quando o
país vizinho se quis afirmar como uma potência mundial do
Turismo, a primeira acção que tomou foi dar formação aos
espanhóis em relação ao mesmo, gastando milhões de euros a
explicar às pessoas o que era esta actividade e que vantagens
teria para as suas vidas. «Na altura, sentia-se muito essa diferença
entre a atitude dos espanhóis e a dos portugueses em
relação ao Turismo», lembram os participantes.
O que falta, acima de tudo, é uma estratégia de comunicação
sustentada para transmitir as mais-valias que o Turismo
gera para a economia, não só do País mas para a própria
economia local das cidades e regiões. «Todos os players
do Turismo são muito hábeis e céleres a comentar os KPI de
crescimento, mas muito raramente o sector fala do que deu
à sociedade. O que falta é um programa integrado – o que
no nosso País é sempre difícil, porque o ciclo é sempre para
quatro anos – para mostrar o bem que o Turismo faz. Só no
momento em que formos capazes de consistentemente provar
isto é que o efeito se pode atenuar um bocado. Mas para isso
é preciso envolver o sector público (Câmaras, Juntas de Freguesia)
e criar fundos de comunicação, para fazer comunicação
pura», propõem.
Também a aplicação da taxa turística tem de ser repensada.
Se calhar, esta taxa não tem de ser canalizada apenas para
o sector; pode ser utilizada em prol dos residentes, na recuperação
de infra-estruturas e na qualificação de serviços para a
população. Algumas Câmaras Municipais têm-no feito. Nesse
sentido, o foco do sector não deve estar apenas no aumento
das receitas; o foco tem de ser o crescimento sustentável, criar
um propósito comum e envolver a sociedade nesse propósito.
Na vertente da comunicação, os responsáveis à volta da
mesa saudaram o Turismo de Portugal pelo lançamento das
mais recentes campanhas internacionais – “Portugal is Art” e
“Portugal, uma receita por escrever” –, que colocam a tónica
na cultura enquanto elemento diferenciador do País, seja do
ponto de vista do património, da arte ou da gastronomia.
VALORIZAR AS PROFISSÕES DO TURISMO
Um outro tópico que tem sido um problema recorrente para
o sector é o da escassez de mão-de-obra e captação de talento.
Para os responsáveis à volta da mesa na FIL, este é um
problema estrutural que está relacionado, a montante, com a
falta de oferta formativa nesta área e a pouco valorização das
profissões do sector. «O Turismo foi um parente pobre, do
ponto de vista da reflexão estratégica da economia, durante
anos. E esse ponto ainda não foi resolvido integralmente na
sociedade portuguesa. O exemplo mais claro disso é o facto
de não termos um valor universitário do Turismo. A verdade
«NÃO HÁ UMA ATRACÇÃO
DE TALENTO PORTUGUÊS
POR PARTE DO TURISMO.
SERIA NATURAL, NUMA
INDÚSTRIA COM UM
CRESCIMENTO QUE NÃO
TEM PARALELO.»
é que não há uma atracção de talento português por parte do
Turismo. Seria natural, numa indústria com um crescimento
que não tem paralelo, que tivéssemos mais alunos à procura
dessa solução alternativa», explanam os participantes.
Este é também um problema com raízes culturais. Durante
muitos anos, sublinham, alimentou-se a ideia de que,
na área dos Serviços, só a inovação ou a área financeira tinham
valor do ponto de vista da formação superior. Enquanto
nos países do Norte da Europa, por exemplo, há uma grande
aposta nos cursos técnico-profissionais, em Portugal estes
cursos continuam a ser percepcionados como inferiores. Para
adensar o problema, as principais universidades portuguesas
não têm cursos de Turismo. «Há um grande trabalho a fazer
para elevar o patamar do Turismo a um nível de prioridade
que ainda não existe.»
Além da falta de mão-de-obra, alguns subsectores, como
a hotelaria, debatem-se com problemas adicionais, como o
excesso de rotatividade nas equipas, o que dificulta a tarefa
de formar essas pessoas.
Para mitigar o problema, o Turismo de Portugal, em parceria
com a Rede de Escolas de Hotelaria e Turismo, a AIMA
– Agência de Integração de Migrações e Asilo e a Confederação
do Turismo de Portugal (CTP), lançou recentemente o
programa “Integrar Turismo”, que visa promover a integração
de migrantes no sector do Turismo, Hotelaria e Restauração.
Terminada a fase de candidaturas, já arrancou o período
de formação dos cerca de 1000 migrantes inscritos, que se irá
prolongar até 23 de Maio nas Escolas de Hotelaria e Turismo.
Os estágios decorrerão no mês de Junho, nas empresas que
demonstraram interesse em receber estes migrantes, para
ocuparem as mais diversas vagas.
A verdade é que o Turismo, actualmente, está «dependente
destes trabalhadores» e o sector «tem condições para integrar
estas pessoas». «Preocupa mais não termos talento superior.
Não estarmos a criar um nível de atracção do Turismo
para termos uma cultura que valorize a profissão. É contraditório»,
reforçam os responsáveis do sector. «Tem que haver
uma aposta numa profissão de Turismo que seja altamente
valorizada e que tenha competências altamente interessantes.
Porque um curador de Turismo pode ter uma importância
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
147
Lídia Monteiro (Turismo de Portugal), Paulo Monge (SANA Hotels) e Teresa Gonçalves
Filipe Bonina (Discovery Hotel Management), Isabel Tavares (The Editory Collection Hotels) e Manuel di Pietro
(Taste – Catering & Events)
Justyna Valente (TAP), Timóteo Gonçalves e Andrea Granja (Tivoli Hotels & Resorts)
148 Debate
CADERNO TURISMO
José D’Avó (Opção Global), Inês Aguiar (AVK),
Roberto Santa Clara (Savoy) e Patrícia Magalhães
(Food Events Network)
impressionante para o desenvolvimento dos territórios. Pode
identificar que potencialidades é que o território tem, que
negócios precisa de desenvolver, que talento precisa de captar.
É preciso criar uma profissão diferente.»
BTL ALMEJA AO TOP 3
Durante o almoço-debate na FIL, houve ainda tempo para antever
a próxima edição da BTL – Better Tourism Lisbon Travel
Market, que decorrerá neste espaço da capital, de 12 a 16
de Março. Esta será a primeira edição do certame após o rebranding
anunciado no final do ano passado.
António Ramalho, presidente da Comissão Executiva da
Lisboa FCE – Feiras, Congressos e Eventos, entidade responsável
pela organização da BTL, explicou o que levou à mudança
de identidade. «A Bolsa de Turismo de Lisboa era um
conceito datado, já antigo. O conceito de bolsa já não é entusiasmante.
Quisemos uma perspectiva de futuro diferente,
através de uma proposta de evolução verbal e visual da marca,
que tenta trazer um conceito muito mais actual, divertido
e próximo», referiu o responsável.
Num projecto com assinatura da Ivity Brand Corp., o que
surgiu foi uma nova marca que, sem perder o acrónimo BTL,
adapta essa mesma designação ao conceito Better Tourism
Lisbon, colocando o enfoque na sustentabilidade do sector e
reforçando ainda a localização (Lisboa), que é um activo importante.
«Não procurámos destruir nada da marca existente,
porque BTL tem força por si própria. Esta é uma feira simultaneamente
de profissionais e particulares, onde se transacciona
muito, sobretudo no último dia. É uma feira onde há dinheiro,
no sentido quase medieval. A maior parte das feiras
actuais são sítios onde se troca conhecimento, experiências e
networking. A BTL tem as duas vertentes», frisou.
Sobre a 35.ª edição, que se aproxima, contará com a representação
de nada menos do que 85 destinos turísticos e
são esperados mais de 85 mil visitantes, provenientes de cerca
de 42 mercados emissores, durante os cinco dias do evento.
Dando continuidade à estratégia de internacionalização
da BTL, esta edição terá Cuba como Destino Internacional
Convidado e irá estrear um programa de Hosted Buyers, com
o objectivo de apoiar a vinda de compradores internacionais,
com interesse específico no destino Portugal.
De acordo com António Ramalho, o objectivo é muito
claro para os próximos anos: «Queremos transformar a BTL
numa das três maiores feiras de Turismo da Europa. Estamos
à porta, mas ainda não o somos.» Pelo caminho, também a
FIL pode atingir o primeiro patamar no segmento das feiras
e eventos. «Desde logo, porque somos muito procurados – a
localização é uma vantagem –, mas também porque temos
um volume de facturação muito próximo de começarmos a
ser olhados como um dos grandes espaços de eventos e competirmos
com os melhores.»
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150 ANA | VINCI Airports
CADERNO TURISMO
Reforçar
A ATRACTIVIDADE
DO DESTINO PORTUGAL
Desenvolver novas rotas aéreas
estratégicas, diversificar os
mercados emissores e valorizar
Portugal, como um destino
polivalente e atractivo ao longo
de todo o ano, são as prioridades
da ANA | VINCI Airports para 2025
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
151
E
m 2024, os aeroportos portugueses geridos
pela ANA | VINCI Airports receberam mais
de 69 milhões de passageiros, um novo recorde
absoluto para o sector. Os resultados são o
corolário da estratégia desenvolvida pela gestora
aeroportuária nos últimos anos, em parceria
com o Governo e os parceiros do sector
do Turismo, para alargar a conectividade aérea do País. Só
desde 2019, os aeroportos nacionais ganharam 105 novas rotas,
aumentando a oferta para 827 ligações em 2024.
A conectividade aérea continuará a ser uma das prioridades
da ANA | VINCI Airports em 2025, contribuindo para a
redução da sazonalidade e na promoção de um Turismo mais
sustentável e diversificado. A companhia está igualmente empenhada
em dar continuidade ao plano de melhoria e desenvolvimento
de várias infra-estruturas aeroportuárias, bem
como na redução do impacte ambiental da sua actividade. Em
entrevista à Marketeer, Karen Strougo, Chief Commercial Officer
(CCO) da ANA | VINCI Airports, aborda os trabalhos
em curso em todas estas vertentes.
Que balanço é que a ANA | VINCI Airports faz do ano de
2024 nos aeroportos nacionais?
A VINCI Airports é o maior grupo privado de gestão aeroportuária
do mundo, operando mais de 70 aeroportos em 13
países. Com uma abordagem focada na eficiência operacional,
desenvolvimento sustentável e expansão da conectividade,
tem sido reconhecida internacionalmente pela sua capacidade
de impulsionar o crescimento dos aeroportos sob sua
gestão. Esta experiência global tem permitido não só melhorar
a experiência dos passageiros, mas também fortalecer as
ligações aéreas e dinamizar as economias locais.
Em Portugal, os resultados deste trabalho são visíveis.
Desde 2019, os aeroportos portugueses ganharam 105 novas
rotas, aumentando a oferta para 827 ligações em 2024, face às
722 existentes em 2019.
Em termos de tráfego, os aeroportos sob a gestão da
ANA |VINCI Airports voltaram a bater recordes em 2024,
consolidando o País como um dos mercados aéreos mais dinâmicos
da Europa no período pós-pandemia. No total, mais de
69 milhões de passageiros passaram pelos aeroportos nacionais
de Lisboa, Porto, Faro, Madeira, Ponta Delgada, Horta,
Porto Santo, Flores, Santa Maria e Beja – um crescimento de
4% face ao recorde de 2023 e 17% acima dos números de 2019.
Este dinamismo é resultado de um trabalho conjunto e
contínuo com todos os stakeholders do sector da aviação, governamentais,
turismo e hotelaria. A ANA| VINCI Airports
trabalha em parceria com companhias aéreas, prestadores
de serviço, operadores turísticos, hoteleiros, lojistas, entidades
oficiais e governamentais, nacionais e locais como agente
impulsionador da conectividade aérea e do desenvolvimento
económico do País.
Karen Strougo,
Chief Commercial
Officer (CCO) da ANA
| VINCI Airports
Como compara a performance dos diferentes aeroportos?
Lisboa ultrapassou pela primeira vez os 35 milhões de passageiros,
crescendo 4% em relação a 2023. Já o Porto, o segundo
aeroporto mais movimentado, ficou muito próximo dos 16
milhões de passageiros, acumulando um crescimento expressivo
de 22% desde 2019.
Nos arquipélagos, Ponta Delgada registou a maior subida
percentual entre os seis aeroportos mais movimentados, com
um aumento de 11% face a 2023 e 35% em relação a 2019. A
Madeira registou um crescimento de 4,8% em relação a 2023
e de 50% desde 2019, confirmando a forte expansão do turismo
nas ilhas. Já Faro, tradicionalmente associado ao turismo
sazonal de Verão, teve o melhor Inverno de sempre, demonstrando
o potencial crescente do Algarve como destino de viagem
fora da época alta.
Com o aumento da procura, Portugal tornou-se o 9.º
maior mercado aéreo da Europa em número de lugares disponíveis.
Este crescimento deve-se a factores como a subida de
12% no turismo internacional em relação a 2019, o aumento
de 77% no número de residentes estrangeiros no País e o dinamismo
económico, que fez de Portugal a segunda economia
de crescimento mais rápido da Europa.
O ano ficou marcado pelo início do plano de melhoria e desenvolvimento
em vários aeroportos nacionais. Que continuidade
será dada a este plano em 2025?
A ANA | VINCI Airports mantém o forte investimento nas
infra-estruturas aeroportuárias sob sua gestão, incluindo 233
milhões de euros para o Aeroporto de Lisboa, cujas obras de
melhoria incluirão 10 novas pontes de embarque e renovação
152
ANA | VINCI Airports
CADERNO TURISMO
José Luís Arnaut (ANA | VINCI
Airports), Thierry Ligonnière (ANA |
VINCI Airports) e Carlos Mota Santos
(Mota-Engil)
profunda do terminal de passageiros, e 50 milhões de euros
para a renovação da pista do Aeroporto do Porto. Estão ainda
previstas a duplicação da capacidade do terminal do Porto Santo
e a modernização dos terminais de Ponta Delgada e da Horta.
No Aeroporto Humberto Delgado – Lisboa, uma das principais
intervenções em curso é a expansão do Terminal 1,
com a construção do novo Pier Sul, que acrescentará 33 mil
m² de área e será projectado para um elevado desempenho
ambiental. Além disso, serão criadas 12 novas posições de
estacionamento para aeronaves, 10 das quais estarão directamente
ligadas ao terminal através de pontes telescópicas,
permitindo maior eficiência no embarque e desembarque de
passageiros. Também estão previstas a reformulação do Pier
Central e a reorganização do Busgate Sul, com o objectivo de
optimizar os fluxos operacionais e proporcionar uma experiência
mais fluida aos passageiros.
No Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, o investimento
em curso visa melhorar a segurança, a qualidade e o desempenho
ambiental do aeroporto, garantindo capacidade para
o crescimento futuro do tráfego. As obras arrancam a 31 de Julho
e decorrerão durante 19 meses – a maior intervenção já realizada
na pista deste aeroporto. A intervenção inclui a repavimentação
total da pista 17-35 e o reforço estrutural, bem como
ajustes na geometria e modernização da sinalização luminosa.
Será também feita a substituição das luzes da pista por LED,
aumentando a eficiência energética, e a renovação do sistema
de drenagem, garantindo melhor desempenho operacional.
A ANA | VINCI Airports iniciou também a primeira fase
das obras nos terminais dos aeroportos de Ponta Delgada e
Horta, intervenções imediatas para melhoria da qualidade de
serviço e conforto dos passageiros, num investimento de 18
milhões de euros. Nesta primeira fase, o foco será o desenvolvimento
de melhorias nas áreas públicas, com intervenções nas
fachadas exteriores, substituição de revestimentos (pavimentos,
paredes e tectos), instalação de novo mobiliário, implementação
de novas tecnologias e equipamentos no controlo de segurança,
fronteira e portas de embarque, nova sinalização, colocação de
iluminação LED, modernização de instalações sanitárias, entre
outras acções menos visíveis que trarão modernidade, fluidez e
conforto generalizado para quem nos visita.
Em termos de melhorias transversais, temos vindo a apostar
na diversificação do conforto, acessibilidade e melhoria
da experiência dos passageiros na sua jornada. Um dos exemplos
vem do investimento na melhoria dos serviços premium,
como o fast track, e o lançamento de uma nova plataforma de
e-Commerce, que permite aos passageiros reservar estacionamento,
lounge, fast track e até mesmo adquirir rent-a-car nas
empresas licenciadas nos nossos aeroportos.
Que estratégia é que a ANA | VINCI Airports, em conjunto
com o Governo e os parceiros do Turismo, delineou para o
destino Portugal em 2025?
Temos vindo a trabalhar numa estratégia integrada para reforçar
a atractividade de Portugal como destino de referência
em 2025. O foco mantém-se no aumento da conectividade aérea,
na redução da sazonalidade e na promoção de um Turismo
mais sustentável e diversificado. As oportunidades passam
pelo desenvolvimento de novas rotas estratégicas, a diversificação
dos mercados emissores e a valorização de Portugal não
apenas como um destino de lazer, mas também de negócios,
desporto, cultura e gastronomia disponíveis todo o ano, em
várias regiões.
Em termos de conectividade aérea, no Aeroporto do Porto,
por exemplo, será inaugurada no Verão a ligação Porto-
-Boston, operada pela TAP Air Portugal, a Air Canada reforçará
a conectividade com um novo voo entre Montreal e o
Porto, e a Azul vai também adicionar o voo directo Porto-Recife.
Com este crescimento, o Porto passa a contar com oito
destinos intercontinentais, consolidando-se como um hub
estratégico para ligações transatlânticas, além de várias liga-
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
153
impressionantes em alguns desses mercados, como a Turquia,
que registou um aumento de 34%, a Polónia e a Chéquia, ambas
com 20%, e os EUA, que cresceram 17%. Se fizermos uma
comparação com 2019, os números tornam-se ainda mais
impressionantes: a Chéquia avançou 78%, a Turquia cresceu
61%, os EUA aumentaram 57% e a Polónia registou uma subida
de 41%. Este aumento também se reflectiu no número
de dormidas, com a Polónia a crescer 24%, os EUA 11,8% e a
Chéquia a registar mais 7%.
Se olharmos para a evolução das faixas etárias dos passageiros,
vemos também uma mudança interessante. Entre 2019
e 2024, a faixa etária dos 25 aos 34 anos aumentou significativamente,
passando de 24% para 30% do total de passageiros,
reflectindo uma maior procura por parte de um público mais
jovem. Por outro lado, o segmento entre os 35 e os 44 anos
registou uma diminuição, passando de 32% para 25%.
No que diz respeito aos motivos de viagem, o lazer continua
a ser a principal razão para a visita a Portugal, embora
tenha havido uma ligeira queda, passando de 60% em 2019
para 55% em 2024. As viagens de negócios, por sua vez, mantiveram-se
estáveis, representando 15% do total de viagens.
ções a Marrocos (voos curtos), nomeadamente a Marraquexe,
Agadir e Casablanca.
Qual a estratégia para consolidar a conectividade nos mercados
de valor acrescentado, como o norte-americano?
A capacidade de Portugal para a América do Norte cresceu
significativamente, com um aumento de 61% nos lugares disponíveis
em 2024 face a 2019. Todas as rotas operadas por
companhias norte-americanas a partir de Lisboa estão agora
disponíveis durante todo o ano. Em 2025, a United Airlines
tornar-se-á a primeira companhia aérea norte-americana a
operar em cinco aeroportos portugueses. Depois de mais de
20 anos de presença em Lisboa, começou a voar para o Porto
em 2018 e para Ponta Delgada em 2022. Este ano, expandirá
a sua presença com novas ligações para Faro e Madeira. Esta
será a primeira ligação directa entre Faro e os EUA e a estreia
de uma companhia aérea norte-americana na Madeira.
Quanto aos mercados e ao perfil dos passageiros, a evolução
ao longo dos últimos anos revela um crescimento significativo
de alguns mercados emissores menos tradicionais
para Portugal. Entre 2023 e 2024, observámos crescimentos
E na área da sustentabilidade, que medidas permitirão melhorar
o desempenho ambiental da empresa?
A ANA tem adoptado várias medidas para melhorar o seu desempenho
ambiental, com foco em áreas-chave como a descarbonização,
economia circular, protecção dos recursos naturais
e sensibilização dos diversos stakeholders.
Na área da descarbonização e redução das emissões de
carbono, a ANA tem como objectivo reduzir as suas emissões
de carbono em 90% até 2030. Para alcançar esta meta, estão
em curso diversas acções, incluindo a conversão da iluminação
para LED, a renovação da sua frota, adquirindo veículos
eléctricos e utilizando combustíveis renováveis, como o HVO
(óleo vegetal hidrogenado), para as operações aeroportuárias e
a produção de electricidade verde, com a instalação de painéis
fotovoltaicos nos aeroportos.
Estas acções estão alinhadas com a acreditação ACA 4+
(Airport Carbon Accreditation) de toda a rede de aeroportos
ANA – sendo Portugal o primeiro país do mundo em que tal
aconteceu – e com a recente conquista de nível 5 de acreditação,
o mais elevado do mundo, para três aeroportos da rede
(Madeira, Ponta Delgada e Beja).
A ANA está também a adoptar práticas de economia circular,
com a meta de zero resíduos enviados para aterro até
2030. Algumas acções incluem a triagem e reaproveitamento
de materiais; com instalação de estações de triagem nos aeroportos
para garantir a separação adequada e o reaproveitamento
dos materiais recicláveis; e a valorização de resíduos,
através de projectos como a reutilização de vegetação resultante
dos cortes nas áreas operacionais para alimentação animal,
que contribuem para a redução do impacte ambiental e a
melhoria na gestão de resíduos.
154 AP Hotels
CADERNO TURISMO
Mergulhar
NA COSTA VICENTINA
Descubra o melhor da região
costeira no novo AP Sines
Costa Alentejana. A escolha
perfeita para quem procura
férias tranquilas em
família ou para organizar
eventos corporativos num
ambiente único
A
AP Hotels reforçou recentemente o seu portefólio
com o novo AP Sines Costa Alentejana,
que resulta da renovação do antigo
Sinerama Hotel, que foi totalmente remodelado
e apresenta-se agora como um espaço
contemporâneo e sofisticado.
Embora esta unidade tenha um conceito
orientado para o segmento corporativo, a intenção do Grupo
AP Hotels passa por potenciar também a vertente de grupos
e lazer, com um foco especial nas escapadinhas de fim-de-semana
e em atrair as famílias durante o Verão, uma vez que o
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
155
é uma cidade histórica, com um porto em expansão, rodeada
por uma beleza natural única e com praias deslumbrantes a
poucos minutos de distância», convida Mariline Andrade Silva,
directora-geral do AP Sines Costa Alentejana.
A nova unidade hoteleira promete oferecer uma experiência
de excelência a todos os hóspedes, independentemente do
motivo da visita. Para os viajantes de negócios, assegura um
ambiente funcional e confortável, com salas de conferência
bem equipadas e uma localização estratégica. Já para quem
procura momentos de descanso e lazer, dispõe de uma vasta
gama de serviços e comodidades, como o spa e o restaurante.
Na Costa Vicentina, os hóspedes poderão desfrutar de variadas
experiências e actividades que exploram a beleza natural
da região, desde caminhadas e trilhos a actividades aquáticas,
como surf, bodyboard, stand-up paddle e caiaque. «Quer seja
para uma estadia profissional ou uma escapadinha de lazer,
cada hóspede terá a oportunidade de desfrutar de um serviço
personalizado, com uma atenção meticulosa ao pormenor e
um ambiente acolhedor, que reflecte a qualidade e o conforto
que nos empenhamos em proporcionar em todas as circunstâncias»,
reforça Mariline Andrade Silva.
PROPORCIONAR EVENTOS MEMORÁVEIS
Em particular para o segmento corporativo, o AP Sines Costa
Alentejana dispõe de condições ideais para atender às necessidades
das empresas. Desde logo, conta com três modernas salas
de conferência, optimizadas para reuniões, apresentações,
workshops e eventos empresariais de diferentes dimensões.
Com capacidade para acolher até 100 pessoas, as salas são flexíveis,
adaptáveis a diferentes tipos de eventos, garantindo um
ambiente funcional e confortável.
Além das salas de conferência, o hotel oferece áreas comuns
para networking e eventos informais, como uma sala
polivalente, lounge bar e o restaurante, onde as empresas
podem organizar encontros ou almoços de negócios. Disponibiliza
ainda serviços como Wi-Fi gratuito, apoio administrativo,
impressão e serviços de secretaria, para garantir que
todos os aspectos logísticos das viagens de negócios sejam
atendidos de forma eficiente.
Quanto aos quartos, foram projectados para proporcionar
uma estadia confortável e tranquila aos hóspedes corporativos,
com áreas de trabalho e comodidades que atendem às necessidades
dos profissionais em viagem.
Além de tudo isso, mas não menos importante, o AP Sines
Costa Alentejana beneficia de bons acessos e de uma localização
estratégica, numa zona em forte crescimento industrial
e tecnológico, que o tornam o hotel ideal para empresas que
actuam nestes sectores. A proximidade ao porto de Sines, um
dos maiores e mais importantes do País, é também uma vantagem
para empresas com interesses logísticos e comerciais.
«O AP Sines atrai, em particular, aquelas empresas que opehotel
se encontra muito próximo de Porto Covo e das praias da
Costa Vicentina, que se estendem ao longo de cerca de 30 km.
O processo de transformação levado a cabo pelo Grupo
AP Hotels teve como principal objectivo diversificar e qualificar
a oferta desta unidade hoteleira. Nesse sentido, dos 105
estúdios/apartamentos iniciais, surgiram 136 novos quartos e
suítes, acolhedores e contemporâneos. Foram também inaugurados
o restaurante Latitude 37, onde a tradição alentejana
se funde com a sofisticação da cozinha internacional, e
o Lounge Bar, com uma vasta selecção de bebidas, num ambiente
relaxante. Além disso, o AP Sines Costa Alentejana estreia
um spa com piscina interior com jacuzzi, cromoterapia,
sauna, duas salas de massagem, ginásio e piscina exterior, assim
como três novas salas de conferências.
Esta é a segunda unidade do grupo na região alentejana,
depois do AP Lago Montargil, e a primeira situada junto à
Costa Vicentina. «O novo AP Sines Costa Alentejana surge
como uma oportunidade estratégica para expandir a marca
AP Hotel & Resorts para uma região de grande potencial,
aproveitando o desenvolvimento local para impulsionar o
crescimento do grupo. Sines destaca-se pelo seu enorme potencial
nas áreas industrial e tecnológica, com a cidade a viver
um crescimento significativo nestes sectores. Além disso,
156
AP Hotels
CADERNO TURISMO
ram nos sectores industrial, tecnológico e logístico. A região
tem vindo a crescer em termos de desenvolvimento industrial,
o que seduz empresas que necessitam de uma base sólida para
reuniões e eventos, sem perder a proximidade a centros empresariais
e industriais-chave. Além disso, empresas que organizam
eventos de formação, convenções ou acções de team
building encontrarão no AP Sines as condições ideais para a
realização de tais iniciativas», frisa Mariline Andrade Silva.
«Com a remodelação, a nossa intenção é diversificar os
tipos de eventos que recebemos, além dos corporativos, incluindo
aqueles ligados à cultura, DMC (Destination Management
Companies), incentivos e, claro, ao sector de lazer»,
sublinha a directora-geral do AP Sines Costa Alentejana.
UMA RENOVAÇÃO COMPLETA
O AP Sines Costa Alentejana já entrou na fase final da remodelação
– o hotel nunca encerrou para obras –, estando neste
momento o Grupo AP Hotels a realizar os últimos ajustes e
acabamentos para garantir a qualidade e alinhamento com os
objectivos iniciais. «A equipa tem trabalhado de forma intensa
para concluir esta etapa com excelência, oferecendo um ambiente
renovado e optimizado que atenda às necessidades de
todos», garante Mariline Andrade Silva.
Para trás fica um processo de profunda transformação,
que permitiu qualificar a oferta do hotel, nas suas mais variadas
vertentes. Com o objectivo de reforçar a oferta para
o segmento corporativo, foram melhoradas as facilidades de
conferências, reuniões e eventos – um dos principais pilares
de venda da unidade.
Foram ainda introduzidas mudanças que visam posicionar
o AP Sines Costa Alentejana noutros segmentos de mercado,
como os grupos e lazer. «No passado, a unidade dispunha
de um restaurante no piso -1, com o serviço limitado
ao pequeno-almoço. Reformulámos totalmente o restaurante,
introduzindo um novo conceito e reposicionando-o para o
piso de entrada, tornando-o completamente aberto à cidade.
Este é um dos nossos principais focos: oferecer um restaurante
que valorize a gastronomia local e que possibilite a recepção
de grupos e eventos com a componente de F&B (Food &
Beverages), algo que anteriormente não era possível», exemplifica
a directora-geral do hotel.
O segmento de férias e lazer também recebeu uma atenção
especial. Os novos quartos, modernos, cosmopolitas e
funcionais, são ideais para aqueles que escolhem a Costa Vicentina
como destino de férias, e que podem agora beneficiar
de um conjunto de instalações de lazer e bem-estar (como o
spa), que anteriormente não existiam. «Em resumo, a transformação
do hotel permite-nos agora expandir a promoção
e o posicionamento da unidade em segmentos para os quais
anteriormente não estava preparada, nomeadamente: lazer,
biking & walking, natureza, grupos, entre outros», salienta
a responsável.
Após a abertura do AP Sines Costa Alentejana, o grupo
AP Hotels & Resorts encontra-se neste momento a avaliar
novas oportunidades de investimento dentro do território
nacional, consolidando a sua fase de crescimento. «Actualmente,
temos algumas possibilidades em estudo, e embora
tenhamos definido o Algarve, Lisboa – onde estamos a analisar
um projecto – e Porto como mercados estratégicos, continuamos
a avaliar cuidadosamente as boas oportunidades que
surgirem, independentemente da sua localização», conclui
Mariline Andrade Silva.
ALGARVE . MONTARGIL . SINES . VIANA DO CASTELO
O refúgio perfeito
ENTRE O MAR E A SERENIDADE DO ALENTEJO
THE PERFECT REFUGE BETWEEN
THE SEA AND THE SERENITY OF THE ALENTEJO
BOOK@AP-HOTELSRESORTS.COM | WWW.AP-HOTELSRESORTS.COM
158 Casa Ruiva
CADERNO TURISMO
UM REFÚGIO
QUE
CONTINUA
a crescer
Há novidades para conhecer
na Casa Ruiva que prometem
reforçar o posicionamento
deste alojamento local,
a menos de uma hora de Lisboa,
como um refúgio perfeito
E
m 2022, quando a Casa Ruiva abriu as portas
ao alojamento local, um artigo aqui na revista
Marketeer destacou o seu encanto, a sua
atmosfera única e a ligação à natureza. Dois
anos depois, a Casa Ruiva não só consolidou
a sua posição como um destino de eleição na
região Oeste, como passou por um processo de
renovação e crescimento, que elevou ainda mais a experiência
dos seus hóspedes. Agora, preparamo-nos para um 2025 ainda
mais especial.
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
159
O conceito da Casa Ruiva sempre foi claro: oferecer um
refúgio acolhedor para quem procura desconectar da rotina e
mergulhar num ambiente tranquilo e inspirador. Localizada
na aldeia vinícola de A-dos-Ruivos, no Bombarral, esta casa
centenária foi restaurada respeitando a sua essência, combinando
materiais naturais e uma estética mediterrânica que se
destaca na paisagem.
Desde que entrou no mercado, a Casa Ruiva tem recebido
hóspedes de todas as partes do mundo, do Havai à Coreia do
Sul. As avaliações positivas reflectem não apenas a beleza do
espaço, mas também o conforto, a hospitalidade e os pequenos
detalhes, que tornam cada estadia única. Entre famílias,
casais e amigos, muitos são os que regressam, transformando
a Casa Ruiva num destino habitual e ideal para escapadelas
ao longo do ano.
O ano de 2024 marcou um novo ciclo para a Casa Ruiva.
Com um fluxo crescente de reservas e uma procura cada
vez maior, decidiu-se investir em melhorias para elevar ainda
mais o nível de conforto e qualidade. A zona exterior foi totalmente
renovada, tornando o espaço ao ar livre ainda mais
convidativo para momentos de lazer.
Os jardins, que sempre foram um dos destaques da propriedade,
receberam novos apontamentos paisagísticos para
reforçar a sensação de tranquilidade e integração com a natureza.
A piscina, um dos espaços preferidos dos hóspedes, foi
ajustada com novos elementos de conforto, criando um ambiente
perfeito para relaxar e aproveitar os dias ensolarados.
Além disso, pequenos detalhes na decoração e nos acabamentos
foram refinados, mantendo a identidade original da
casa, mas garantindo que cada recanto ofereça uma experiência
ainda mais autêntica e sofisticada.
EXPERIÊNCIAS ÚNICAS NA CASA RUIVA
O sector do alojamento local está cada vez mais orientado
para experiências personalizadas e imersivas, e a Casa Ruiva
está preparada para, em 2025, oferecer novidades que vão ao
encontro das tendências globais:
• Bem-estar & turismo regenerativo. A Casa Ruiva será um
refúgio perfeito para quem procura relaxamento e conexão
com a natureza. Estamos a criar um espaço especial
para yoga ao ar livre, bem como novas áreas de descanso
rodeadas de vegetação. Além disso, será possível desfrutar
de uma experiência sensorial única no jardim, com aromas
de ervas aromáticas e árvores de fruto locais;
• Workations & remote retreats. Com a crescente procura
por locais que combinem trabalho e lazer, a Casa Ruiva
passará em breve a disponibilizar um ambiente ideal para
estadas prolongadas de teletrabalho. Uma nova zona de
trabalho confortável, equipada com Wi-Fi e iluminação
adequada, permitirá que os hóspedes conciliem produtividade
e descanso;
• Estadia imersiva & personalizada. Queremos que cada
hóspede tenha uma experiência única e memorável. Desde
noites temáticas ao ar livre, com iluminação especial
e gastronomia local, até áreas instagramáveis cuidadosamente
decoradas, tudo será pensado para tornar cada estadia
especial. Além disso, um novo serviço de personalização
permitirá que os hóspedes escolham detalhes como
kits de boas-vindas ajustados ao seu perfil, ou até um
menu de almofadas para uma noite de descanso perfeita.
O QUE ESPERAR DE 2025?
Com um histórico de crescimento contínuo e um feedback
extremamente positivo por parte dos hóspedes, 2025 promete
ser um ano ainda mais marcante para a Casa Ruiva. As melhorias
feitas ao longo do último ano, onde podemos destacar
a instalação de ar condicionado central em todas as divisões,
consolidam o espaço como um destino que vai além do Verão,
tornando-se uma opção perfeita para todas as estações.
A localização privilegiada continua a ser um dos grandes
atractivos da Casa Ruiva. A poucos minutos do Buddha Eden,
do centro histórico de Óbidos e das praias icónicas do Oeste,
como Baleal e Supertubos, a casa mantém-se como o ponto de
partida ideal para explorar a região. Para quem prefere simplesmente
relaxar, o espaço convida a momentos de descanso,
seja junto à lareira nos meses mais frios, seja na piscina e no
jardim durante os dias quentes.
Olhando para o futuro, a Casa Ruiva reforça o compromisso
de continuar a oferecer uma experiência única, mantendo-se
fiel ao que a tornou especial: um refúgio onde cada
detalhe é pensado para proporcionar conforto, inspiração e
ligação à natureza. Com novas imagens profissionais já publicadas
no Airbnb e uma crescente comunidade de hóspedes
fiéis, a Casa Ruiva entra em 2025 mais forte do que nunca.
160 CVR Dão
CADERNO TURISMO
Promover
O ENOTURISMO
NO DÃO
A Rota dos Vinhos do Dão
combina a rica tradição
vitivinícola com uma
oferta turística diver–
sificada e de qualidade,
posicionando a região como
um destino enoturístico de
crescente importância
E
m 1908, tornou-se a primeira região de vinhos
não licorosos a ser demarcada e regulamentada
em Portugal. Nos anos mais recentes, em
especial a partir de meados dos anos 90, a Região
Demarcada do Dão entrou numa fase de
notável desenvolvimento, impulsionada por
investimentos de pequenos vitivinicultores,
que adoptaram técnicas mais modernas e sustentáveis.
O enoturismo tem sido um dos motores do crescimento
da região, situada no centro de Portugal. Um segmento que
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
161
foi dinamizado, em grande parte, pela criação da Rota dos
Vinhos do Dão, que tem contribuído para dar a conhecer o
que de melhor a região tem para oferecer.
Hoje, a Rota dos Vinhos do Dão é constituída por mais de
40 aderentes e está organizada em cinco roteiros: Terras de
Viseu, Silgueiros e Senhorim (Roteiro 1); Terras de Azurara
e Castendo (Roteiro 2); Terras de Besteiros (Roteiro 3); Terras
de Alva (Roteiro 4); Terras de Serra da Estrela (Roteiro 5). Estes
roteiros abrangem uma diversidade de paisagens, casas senhoriais,
adegas ancestrais e modernas, vilas históricas e rios
de águas límpidas. As vinhas da região estão frequentemente
escondidas por pinheiros, giestas, silvados e muros de pedra,
criando um cenário pitoresco e único.
Em entrevista à Marketeer, Arlindo Cunha, presidente da
Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão – a entidade actualmente
responsável pela rota –, aborda a importância deste
projecto para a região, não só em termos financeiros, mas também
sociais e na preservação e valorização do património do
Dão, bem como na promoção dos vinhos da região.
A Rota dos Vinhos do Dão surgiu a 20 de Setembro de 1995.
Em que contexto foi criada e com que objectivos?
Na verdade, existiu à época uma iniciativa nesse sentido, mas
que não teve continuidade. A Rota dos Vinhos do Dão só veio
a ser implementada a partir de 2015 e surgiu devido ao cres-
cente interesse pelo enoturismo em Portugal, através de um
protocolo celebrado entre várias entidades, incluindo a Secretaria
de Estado do Turismo, a Comissão Vitivinícola Regional
do Dão, as regiões de turismo Dão Lafões e da Serra da Estrela,
e a Associação dos Produtores de Vinho do Dão.
Entre os objectivos iniciais, destacamos o estreitar a ligação
entre o sector turístico e a cultura vitivinícola da região,
promover o enoturismo como factor de inovação no negócio
dos vinhos do Dão, aproveitar o potencial turístico da região,
valorizar o património cultural e paisagístico do Dão, além
de fomentar o desenvolvimento económico local através do
turismo vitivinícola.
Que momentos-chave destacaria na promoção da região
como destino enoturístico?
São vários os momentos, mas gostaria de destacar que, após
a criação da Rota dos Vinhos do Dão, foi muito importante
contar com novos aderentes ao longo do tempo, pois só com
uma maior oferta de experiências de enoturismo conseguimos
alcançar os merecidos resultados para a nossa região.
Destaco também outros dois pontos essenciais: o primeiro
foi a inauguração do Welcome Center no Solar do Vinho do
Dão, que serve como ponto de partida para a rota e que constitui
um elo de ligação entre os turistas e os agentes económicos.
Um outro ponto essencial foi a criação da app Rota dos
162
CVR Dão
CADERNO TURISMO
Arlindo Cunha, presidente da Comissão
Vitivinícola Regional do Dão
Vinhos do Dão, disponível para iOS e Android, tratando-se de
uma ferramenta essencial na promoção do nosso enoturismo.
A que target se destina a Rota dos Vinhos do Dão?
A rota destina-se a diversos perfis de visitantes, desde enoturistas
experientes e apreciadores de vinho, turistas interessados
em cultura e gastronomia, visitantes nacionais e internacionais
em busca de experiências autênticas, grupos de amigos
e casais, famílias interessadas em turismo rural e actividades
ao ar livre, até profissionais do sector vitivinícola em visitas
técnicas. Pretendemos que a rota seja um elemento de comunicação
dos Vinhos do Dão e do seu território.
Actualmente, são cinco os roteiros promovidos pela CVR do
Dão. Em que consistem e como se distinguem?
Devido a factores geográficos, culturais, históricos, entre outros,
são roteiros que oferecem diferentes experiências a cada
visitante. Além da já garantida prova de vinhos, os nossos
aderentes têm vindo a desenvolver novas actividades ligadas
à gastronomia, actividades desportivas, activações culturais,
workshops, entre outras. Felizmente, continua a haver interesse
de vários agentes económicos em integrarem a Rota do Vinhos
do Dão, pelo que iremos contar com mais opções, novas
experiências e oportunidades de dar a conhecer o nosso território
e as nossas marcas.
Os cinco circuitos reflectem a diversidade da nossa região,
abrangendo diferentes paisagens, casas senhoriais,
adegas ancestrais e modernas, vilas históricas e rios, sendo
transversal a todas elas o bem-receber tão característico do
nosso território.
Que novidades serão lançadas em 2025?
Pretendemos lançar uma campanha de comunicação que promova
a Rota dos Vinhos do Dão e conseguirmos assim contar
com mais visitantes nacionais e internacionais. Queremos
reforçar as campanhas digitais que canalizem a escolha do
turista em visitar a nossa região e, por consequência, o nosso
País, bem como continuar a trabalhar com qualidade para a
promoção da nossa rota.
Qual o perfil de visitantes da Rota dos Vinhos do Dão? E
qual o top de nacionalidades?
O perfil dos visitantes da Rota dos Vinhos do Dão é diversificado,
onde temos pessoas com um conhecimento mais básico
sobre vinhos, que demonstram curiosidade em aprofundar
o tema, além de interesse em explorar a cultura e a história
da região do Dão, como também temos pessoas com conhecimentos
mais avançados nesta área e que procuram experiências
mais específicas. O tipo de público que temos no nosso
Welcome Center costuma ser formado por casais, abrangendo
uma faixa etária que vai dos 25 aos 65 anos, sendo geralmente
apreciadores de experiências enoturísticas e culturais.
No que diz respeito às nacionalidades mais frequentes, os
visitantes portugueses lideram as visitas, seguidos por americanos,
australianos e franceses, indicando uma forte atracção,
tanto do público local quanto de mercados internacionais interessados
na autenticidade e qualidade dos vinhos do Dão.
Como é que a CVR do Dão encara o desenvolvimento do
enoturismo da região? E existe alguma relação entre o desenvolvimento
deste segmento e a venda de vinhos?
O bom enoturismo, ao promover a marca e os produtos, leva
naturalmente ao reforço da venda de vinho. No entanto, o
enoturismo não deve ser visto como um canal de venda de
vinhos per se. É essa sensibilidade que verificamos que existe
cada vez mais nos nossos agentes económicos, pois estão
atentos a novas tendências e que ofertas de qualidade podem
garantir para quem os visita, onde naturalmente o vinho está
presente, mas não pode ser visto como o foco exclusivo da experiência.
Caso contrário, ao pensarmos exclusivamente assim,
poderemos estar a excluir, por exemplo, um membro de
um casal ou de uma família que não aprecia vinho. Daí termos
de ter esse cuidado, o de proporcionar experiências cada vez
mais diversificadas dentro do enoturismo, e onde, nalgumas
delas, o vinho aparece como complemento.
Quais os principais objectivos da CVR do Dão para 2025 em
termos de promoção turística?
Além do trabalho contínuo na promoção do nosso território
enquanto destino de excelência para o enoturismo, iremos
continuar a marcar presença em eventos internacionais como
a FITUR (Madrid), a FINE #WineTourism (Valladolid) e a nível
nacional, como é o caso da Wine & Travel Week (Porto) e
da BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market.
Depois, é importante também referir que, já este ano,
realizámos pela primeira vez uma formação em enoturismo,
juntamente com a Maria João Almeida, que foi um verdadeiro
sucesso, pois o número de interessados superou as 50 vagas
disponíveis e isto também leva-nos a considerar realizar nova
formação, talvez ainda este ano ou no próximo.
Por fim, teremos em Novembro as Jornadas de Enoturismo
da Região Centro, que este ano se realizam no Dão, e é
realmente um momento a destacar para 2025 nesta área.
Disponível na
Disponível na
164 Grupo Onyria
CADERNO TURISMO
BEM-VINDO
AO
“Petit
Versailles”
A partir de agora, o Château des
Vigiers, um resort de luxo em França
conhecido como “Petit Versailles”,
tem gestão portuguesa. A novidade
representa um passo decisivo na
interna cionalização do Grupo Onyria
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
165
H
á uma nova “jóia da coroa” no portefólio do
Grupo Onyria. A cadeia hoteleira portuguesa
expandiu a sua operação no mercado internacional
ao assumir o controlo da gestão
do Château des Vigiers, uma propriedade
histórica localizada na região de Dordogne,
em França. O movimento permite ao grupo
nacional – que já era accionista deste projecto desde os anos
1990 – consolidar a sua aposta na gestão de unidades hoteleiras
de luxo.
Conhecido por “Pequeno Versalhes” (“Petit Versailles”)
da Dordonha, devido à sua arquitectura elegante e jardins
deslumbrantes, o Château des Vigiers oferece duas unidades
de alojamento distintas, combinando o charme de um palácio
do século XVI, com 25 quartos e uma classificação de
cinco estrelas, com a elegância moderna do Hotel Relais des
Vigiers, que proporciona 40 quartos adicionais. «O palácio
oferece uma experiência mais tradicional e romântica, ideal
para casais e amantes de património histórico, enquanto o
hotel apresenta uma opção contemporânea e funcional, perfeita
para famílias e grupos de golfe», apresenta João Pinto
Coelho, Chief Commercial Officer (CCO) do Grupo Onyria.
Situado entre Bergerac e Saint-Émilion, a cerca de uma
hora e meia de Bordéus, o resort inclui um campo de golfe de
27 buracos (três combinações de 18 buracos), desenhado pelo
arquitecto britânico Donald Steel, que oferece vistas deslumbrantes
– ou não estivesse rodeado por vinhas – e uma variedade
de desafios para jogadores de todos os níveis, incluindo
uma Academia de Golfe. Também o restaurante Les Fresques,
distinguido com estrela Michelin e liderado pelo chef Didier
Casaguana, é uma das principais atracções, oferecendo uma
cozinha criativa e refinada que celebra os melhores produtos
locais. A combinação de técnicas inovadoras e tradições regionais
promete uma experiência gastronómica memorável.
Além destas comodidades, o Château des Vigiers conta
com quatro salas para eventos e reuniões corporativas, um
spa de alto padrão com tratamentos exclusivos da marca Sothys,
piscina interior aquecida, piscina de hidroterapia, sauna,
hammam e jacuzzi, um ginásio e várias actividades para
realizar ao ar livre. Os hóspedes podem desfrutar de aulas de
culinária, tratamentos de spa, caminhadas, passeios de bicicleta
e degustações de vinhos, além de visitas guiadas à famosa
região vinícola de Saint-Émilion, a menos de uma hora.
Pelas características ímpares, o Château des Vigiers posiciona-se
como uma combinação única de história e modernidade,
oferecendo um cenário ideal para experiências de luxo.
DE CASTELO A RESORT
O Château des Vigiers tem uma história rica que remonta ao
século XVI. Originalmente um castelo tradicional, foi cuidadosamente
transformado ao longo dos anos num resort de
luxo que combina património histórico com confortos modernos.
Preservando a sua arquitectura clássica e charme rústico,
a unidade foi modernizada com instalações de spa, campo de
golfe e uma oferta gastronómica de excelência, mantendo a essência
francesa autêntica.
Mas as curiosidades sobre esta propriedade histórica não
ficam por aqui. O Château des Vigiers está localizado na
Dordonha, uma região que foi palco de diversos conflitos durante
a Guerra dos 100 Anos (1337-1453), que opôs França e
Inglaterra. A área ao redor do Château des Vigiers fazia parte
da antiga fronteira entre os territórios ingleses e franceses.
Durante grande parte da guerra, a Aquitânia (incluindo a
Dordonha) esteve sob domínio inglês, mas a região viu várias
batalhas e mudanças de controlo ao longo dos anos.
Um dos locais históricos próximos do Château des Vigiers
é a cidade de Bergerac, que foi disputada várias vezes durante
o conflito. Além disso, Castillon-la-Bataille, onde ocorreu a
batalha final da guerra, em 1453, fica a cerca de 40 km do
actual resort.
166
Grupo Onyria
CADERNO TURISMO
Agora, esta propriedade entra numa nova fase de desenvolvimento.
O Grupo Onyria já era accionista de referência
deste projecto desde a década de 90, mas assume o controlo
da gestão e operação. «A oportunidade surgiu como uma extensão
natural da longa parceria iniciada nos anos 90. Com o
crescimento e amadurecimento do Grupo Onyria em projectos
de luxo, a decisão de assumir a gestão permitiu expandir
o seu portefólio internacional, fortalecendo a sua presença no
mercado europeu com um destino sofisticado e completo»,
sublinha João Pinto Coelho.
PROJECÇÃO INTERNACIONAL
Com vasta experiência e conhecimento no mercado da hospitalidade,
o Grupo Onyria detém em Portugal o Onyria Quinta
da Marinha Hotel e o Onyria Marinha Boutique Hotel na
Quinta da Marinha, em Cascais. É ainda detentor dos restaurantes
Monte Mar Cascais, Monte Mar Lisboa, Monte Mar Lagos
e Monte Mar Mercado da Ribeira. Ao integrar a totalidade
da gestão e da operação do Château des Vigiers no seu portefólio,
o grupo português dá um passo decisivo no seu processo
de internacionalização, ainda para mais com um projecto que
se encaixa na perfeição no posicionamento do grupo, com experiência
acumulada na gestão de unidades hoteleiras, golfe e
restauração de topo.
Nesta fase inicial, o plano do Grupo Onyria não passará
por operar alterações estratégicas significativas que impactem
o funcionamento e nível de serviço do resort, mas antes
por consolidar o projecto como um dos principais destinos de
luxo na região. «O Château des Vigiers tem já, neste momento,
uma qualidade de serviço incrível, tendo como base uma
equipa operacional muito experiente e estabilizada. Queremos,
através do nosso plano de promoção internacional nos
segmentos B2B e B2C, divulgar este resort, que é um autêntico
tesouro escondido», salienta João Pinto Coelho.
Com know-how acumulado ao longo de décadas na gestão
de projectos de luxo em Portugal, o grupo focar-se-á, assim,
em consolidar uma abordagem centrada no cliente, com
atenção ao detalhe, gastronomia requintada e serviços diferenciadores.
«O Grupo Onyria coloca a excelência no atendimento
ao cliente como prioridade, o que está perfeitamente
alinhado com os valores e qualidade de serviço que encontramos
no Château des Vigiers. Cada pormenor é pensado para
criar uma experiência memorável, com serviço personalizado
e atenção ao detalhe», reitera o Chief Commercial Officer
(CCO) do Grupo Onyria. Além disso, o grupo irá aportar
mais-valias no segmento do golfe, resultado da forte rede de
contactos comerciais que desenvolveu ao longo de 30 anos.
Quanto à estratégia de promoção delineada, estão previstas
parcerias com operadores turísticos internacionais, campanhas
em meios digitais e participação em eventos do sector.
«O mercado francês é prioritário, mas há um esforço crescente
para atrair clientes dos Estados Unidos da América e outros
mercados europeus», adianta João Pinto Coelho.
Além da importância de que esta operação se reveste para
o Grupo Onyria no imediato, poderá ser determinante para
que o grupo hoteleiro nacional possa assumir outros projectos
além-fronteiras no futuro. «Este passo reforça a presença do
Grupo Onyria no mercado europeu e posiciona-o estrategicamente
para novos projectos internacionais. O sucesso desta
iniciativa será fundamental para abrir portas a futuras expansões
noutros destinos de luxo», conclui o responsável.
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168 Grupo SATA
CADERNO TURISMO
ÚLTIMA
CHAMADA
PARA OS
Açores
Nasceu há mais de 80 anos com o
objectivo de “abrir” os Açores ao
mundo. Hoje, o Grupo SATA respon–
de por 80% do tráfego interna–
cional que chega ao arquipélago
dos Açores e assegura os voos
entre as nove ilhas
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
169
C
om uma história que remonta a 1941, a SATA
é a companhia aérea mais antiga do País em
continuidade de operação. Ao longo destas
últimas décadas, a companhia contribuiu
para “abrir” os Açores ao mundo. Foi este,
de resto, o desígnio que esteve na sua génese
– na altura, sob a designação de Sociedade
Açoreana de Estudos Aéreos – e é este o sentido da missão
que tem acompanhado, desde então, a gestão das duas companhias
aéreas do grupo.
Mais de oito décadas volvidas, o posicionamento do grupo
comprova que esse desígnio está a ser cumprido, não só ao
nível da conectividade aérea com o exterior, mas garantindo
também a cobertura em todo o mercado açoriano, ao longo
do ano inteiro, a preços acessíveis. «As companhias aéreas do
grupo asseguram a acessibilidade ao arquipélago nos 365 dias
do ano, servem as nove ilhas e são responsáveis por 80% do
tráfego internacional que chega aos Açores», salienta Sandro
Raposo, Chief Operating Officer (COO) da SATA Holding.
O arquipélago dos Açores é o principal ponto de partida
e de chegada da frota das duas companhias aéreas que compõem
o grupo. A SATA Air Açores mantém as ligações às
nove ilhas do arquipélago, com a oferta de cerca de 550 voos
inter-ilhas por semana, no pico da estação de Verão. Tem à
sua responsabilidade o transporte de passageiros e de carga
entre as nove ilhas dos Açores.
A Azores Airlines é a única companhia aérea que liga todos
os aeroportos do continente português ao arquipélago
dos Açores, oferecendo voos de Faro para Ponta Delgada e
do Porto para Ponta Delgada e Terceira durante todo o ano,
sendo que a partir de Lisboa voa com destino às cinco portas
de entrada no arquipélago, a saber: as ilhas de São Miguel,
Santa Maria, Terceira, Faial e Pico. No continente europeu,
para além de Portugal Continental, a transportadora liga os
Açores (São Miguel) às cidades de Paris, Milão e Barcelona ao
longo de todo o ano, e acrescenta Frankfurt e Bilbau, a partir
de Abril e durante o período de Verão IATA.
A companhia aérea tem ainda uma operação consolidada
a partir dos Estados Unidos da América e Canadá, para as
cidades de Boston e Toronto, rotas que opera há mais de duas
décadas e às quais juntou a operação regular, e de ano inteiro,
para Nova Iorque e Montreal. Além destas, voa ainda entre os
arquipélago dos Açores, Madeira e Cabo Verde. A rede da Azores
Airlines reforça também as possibilidades de ligação entre
os destinos situados nos continentes europeu e norte-americano,
mediante uma breve escala nos Açores.
A operação das companhias aéreas do Grupo SATA tem
acompanhado o aumento da procura pelo destino Açores.
Só no ano passado, a SATA Air Açores e a Azores Airlines
transportaram um total de mais de 2,5 milhões de passageiros.
«Têm sucessivamente quebrado os recordes atingidos no
ano anterior. Este comportamento só pode confirmar a atracção
pelo destino Açores, que se mantém, e reafirma a posição
das companhias aéreas SATA enquanto primeira escolha para
quem procura descobrir este arquipélago tão singular», reitera
Sandro Raposo.
CONSOLIDAR A OPERAÇÃO
Depois de mais de um recorde batido no ano passado, o
Grupo SATA encara 2025 como um ano de consolidação da
operação de ambas as companhias aéreas do grupo, por forma
a oferecer um serviço cada vez mais eficiente, a preços
competitivos, e a atribuir um crescente poder de escolha aos
passageiros. «As companhias centralizam a operação no arquipélago
dos Açores, que é um destino único, com enorme
potencial, para o qual voam há quase oito décadas, conhecendo-o
como nenhum outro operador aéreo», frisa o COO
da SATA Holding.
Este será também, para o Grupo SATA, um ano de compromisso
e enfoque na sustentabilidade financeira. No início
do ano, a administração do grupo apresentou um plano de
sustentabilidade com 40 medidas para aplicar ao longo do
ano. «O plano de sustentabilidade traçado recentra esforços
na redução de custos, no incremento da eficiência operacional
e da reestruturação dos serviços de suporte, pelo que o
esforço irá no sentido da consolidação e da melhoria do desempenho
global», sublinha Sandro Raposo.
O plano de sustentabilidade em curso traduzir-se-á em
mudanças visíveis para os passageiros, nomeadamente ao
nível do conforto e de toda a experiência de voo. As companhias
aéreas do Grupo SATA investiram na modernização
das suas aeronaves, o que se tem reflectido no conforto a bordo.
Para além da performance mais económica das aeronaves
e a redução de emissões que promovem, os interiores das cabines
foram repensados com o objectivo de proporcionar um
ambiente acolhedor.
Além disso, a transformação do serviço comercial, que
está em curso, pretende proporcionar mais flexibilidade ao
passageiro, com uma crescente oferta de serviços adicionais,
que este poderá escolher consoante o tipo de viagem que pretende
realizar.
Em termos de operação internacional, o objectivo do grupo
para 2025 passa por continuar a consolidar a operação da
Azores Airlines nos mercados de valor acrescentado, em particular
os EUA. «O mercado norte-americano tem sido o de
maior crescimento nos últimos anos, e a aposta nesta região
mantém-se. As perspectivas para o Verão continuam a indicar
uma procura crescente pelos Açores, e, até ao momento,
não há sinais evidentes de uma inversão na tendência de
aumento de tráfego registada nos últimos anos. No entanto,
face à incerteza política mundial e à sua potencial influência
170
Grupo SATA
CADERNO TURISMO
nos mercados, mantemos uma abordagem atenta e prudente,
acompanhando de perto a evolução da procura», refere o
COO da SATA Holding.
Para consolidar a operação do grupo nos mercados onde
está presente, é fundamental um trabalho de promoção consistente
e permanente. Nos últimos anos tem-se intensificado
o investimento nas plataformas digitais, tendo em conta o seu
alcance. Além disso, valoriza-se a organização de um momento
de contacto e promoção em que há maior proximidade com
os operadores e agentes parceiros, designadamente através da
organização de viagens de familiarização com o destino, que
se concretizam com a cooperação de agentes promotores nos
vários destinos onde opera. «Tendo em conta a dimensão da
operação e a estratégia de consolidação das apostas dos últimos
anos, as companhias aéreas SATA marcam presença em
todos os mercados em que operam e estabeleceram parcerias
com agentes promotores em cada destino, considerando-os
um elo essencial, tendo em conta o conhecimento profundo
que têm de cada mercado», confirma o responsável.
APOSTA NA SUSTENTABILIDADE
O Grupo SATA reforça ainda o comprometido com a sustentabilidade
do destino Açores. Reconhecido como o “Melhor
Destino Sustentável da Europa” e, pelo segundo ano consecutivo,
o “Melhor Destino Aventura do Mundo” pela World Travel
Awards, a sustentabilidade é um tema incontornável para o
arquipélago dos Açores. Por seu turno, as companhias aéreas
SATA foram pioneiras em Portugal na obtenção da certificação
ambiental EInVA da IATA, o que comprova a importância
que a questão tem merecido do seio da organização.
Sendo o arquipélago dos Açores o principal destino das
companhias aéreas do Grupo SATA e a base da sua operação,
passou a ser uma prioridade alocar tempo e recursos para garantir
a implementação de medidas transversais às diversas
áreas e às empresas do grupo, que permitirão alcançar um
conjunto de objectivos essenciais à sustentabilidade ambiental
e que acautelem outros objectivos de desenvolvimento
sustentável. «As empresas do Grupo SATA acompanham as
linhas estratégicas definidas para o desenvolvimento do sector
do transporte aéreo e do turismo nos Açores. Manter um
crescimento consistente e sustentável, preservar o maior activo
do arquipélago, que é a sua exuberante natureza, preservar
o equilíbrio entre o crescimento do negócio e o ambiente e
o bem-estar social são as linhas orientadoras da SATA e da
generalidade dos parceiros que actuam no sector do turismo
e do transporte aéreo nos Açores», conclui Sandro Raposo.
A SATA Azores Airlines liga
Lisboa, Porto e Faro aos
Açores
www.azoresairlines.pt
172 Vila Galé
CADERNO TURISMO
ELVAS COM
NOVO
VILA GALÉ à vista
A antiga fábrica de ameixas de
Elvas será transformada num hotel
com chancela da Vila Galé. O
segundo projecto do grupo na
cidade raiana reforça o seu
compromisso com o interior do País
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
173
O
Grupo Vila Galé prepara-se para reforçar a sua
oferta hoteleira em território nacional com a
abertura do Vila Galé Casas D’Elvas. Com
inauguração prevista para este ano, este novo
hotel, localizado no coração da icónica cidade-fortaleza
alentejana, resulta de um investimento
de cerca de 6 milhões de euros e consolida
a aposta do grupo hoteleiro na região interior do País.
Esta será a segunda unidade Vila Galé na cidade raiana,
considerada Património Mundial da Humanidade pela
UNESCO, depois do Vila Galé Collection Elvas. Situado no
Largo de São Martinho, n.º 6, o novo Vila Galé Casas D’Elvas
contará com um total de 44 quartos cuidadosamente projectados
para garantir conforto e elegância, mantendo o respeito
pela história e identidade local. Os quartos serão distribuídos
por cinco tipologias com diferentes áreas e capacidades
(Standard, Standard T0, Familiar Nep e Familiar T0 e T1).
Entre os serviços e facilidades disponíveis nesta unidade,
destacam-se uma piscina panorâmica, um restaurante Massa
Fina com uma oferta gastronómica inspirada na cozinha
italiana, sala para reuniões, congressos, eventos ou acções de
team building – adaptável ainda para casamentos, baptizados
ou festas.
Assim como todos os empreendimentos do grupo hoteleiro,
o Vila Galé Casas D’Elvas caracteriza-se por ser um projecto
que une o turismo à cultura. Neste caso, o conceito do
hotel estará ligado à pintura, procurando «homenagear obras
de grandes pintores nacionais e internacionais de diferentes
estilos e origens», adianta Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador
do Grupo Vila Galé.
O posicionamento desta unidade de charme passará ainda
por «recriar uma rua da cidade de Elvas, com várias unidades
de alojamento distribuídas por essa rua, dando ao cliente a
sensação de estar a habitar a sua própria casa. Será assim um
conceito que dará mais autonomia ao cliente e uma sensação
de maior ligação ao espaço urbanístico envolvente», frisa Pedro
Ribeiro, Sales & Marketing director.
O novo Vila Galé Casas D’Elvas promete proporcionar
aos seus hóspedes uma experiência autêntica, onde o passado
e o presente se encontram em perfeita harmonia. Seja para
uma escapadinha romântica, uma viagem cultural ou um
evento especial, será o refúgio perfeito para quem procura
conforto, história e charme num só lugar.
PRESERVAR A HISTÓRIA
Tal como muitos outros projectos no portefólio do grupo hoteleiro
português, o Vila Galé Casas D’Elvas resulta de um
projecto de reabilitação de património histórico, envolvendo,
desta feita, a recuperação das antigas instalações da fábrica
de ameixas de Elvas e dos ex-edifícios do aljube eclesiástico
e do conselho de guerra, preservando a ligação com a história
e cultura da cidade que outrora foi considerada a “chave
do reino”. Além disso, representa um novo passo para consolidar
a aposta do grupo no interior do País. «A ideia surgiu
de um desafio realizado pela autarquia em 2020. É fácil
criar hotéis à beira-mar ou nos grandes centros urbanos; no
entanto, estes estabelecimentos no interior, além de promoverem
o dinamismo da região e gerarem emprego, desempenham
um papel social muito relevante para nós», sublinha
Porfírio Perdigão, director regional de Operações do Grupo
Vila Galé no Alentejo.
Com um enfoque na sustentabilidade, o Vila Galé Casas
D’Elvas incorpora um conjunto de práticas sustentáveis que
visam reduzir os consumos energéticos, promover a utilização
de energia renovável, gerir resíduos de forma eficiente e
minimizar o desperdício, estando alinhado com o compromisso
do Grupo Vila Galé com o ambiente.
A expectativa do grupo hoteleiro com esta nova abertura,
associada a uma marca com forte reconhecimento no mercado,
como é o caso de Vila Galé, passa por ter um impacto
imediato na economia local. «O acréscimo de mais uma
opção de alojamento na cidade e todo o esforço promocional
que as equipas de marketing e vendas da Vila Galé farão, para
colocar o produto no mercado, irão potenciar a captação de
um maior número de turistas e segmentos, potenciando adicionalmente
as vendas dos espaços museológicos, actividades
de animação, restaurantes e bares e comércio local. Por outro
lado, serão contratados novos recursos humanos, gerando
mais emprego na região, bem como existirá a aquisição de
mais produtos junto de fornecedores locais», refere Gonçalo
Rebelo de Almeida.
Segundo o responsável, para promover o novo Vila Galé Casas
D’Elvas está previsto um plano de comunicação multimeios
que inclui a presença em canais online, offline e redes sociais.
Em termos de desempenho, a expectativa do grupo é que
esta nova unidade hoteleira venha a atingir uma ocupação
média anual de cerca de 60%, captando clientes dos principais
mercados emissores, como Portugal, Espanha, EUA, Brasil,
Reino Unido e Alemanha. «Como habitual num hotel Vila
Galé em Portugal, o primeiro mercado é sempre o nacional.
Temos sempre uma resposta rápida dos nossos clientes frequentes,
que têm curiosidade em conhecer um novo Vila Galé
e os temas e conceitos que vamos apresentando. No entanto,
devido ao tipo de hotel que estamos a abrir, esperamos uma
boa receptividade dos mercados do norte da Europa, como o
escandinavo, alemão e holandês», vaticina Pedro Ribeiro.
Com este novo projecto em Elvas, o Grupo Vila Galé reforça
o seu compromisso com a valorização do património e
o desenvolvimento do turismo em Portugal.
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CADERNO
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176 Debate
CADERNO SEGUROS
Texto
MARIA
JOÃO LIMA
LITERACIA E INCENTIVOS
SÃO FUNDAMENTAIS para
crescer
Fotografia
PAULO
ALEXANDRINO
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
177
O negócio das seguradoras
segue uma trajectória
ascendente, apesar de
alguns reveses derivados
dos aumentos de custos dos
prestadores. Mas o sector
acredita que poderia
crescer mais e melhor se
os portugueses tivessem
mais literacia
H
ouve uma época, há não muito tempo, em que
a sustentabilidade se tornou moda. Ou seja,
todas as empresas andaram a tentar arranjar
formas de fazer algo que se enquadrasse em
sustentabilidade. Depois, numa segunda fase,
percebeu-se que estavam todos a fazer e a falar
do mesmo. Mas isso não quer dizer que tenha
havido um desapaixonar da sustentabilidade.
Em bom rigor, o que tem vindo a acontecer é que as empresas
têm começado a olhar para o core do seu negócio e a
perceber, a partir daí, como é que podem trabalhar a sustentabilidade
– em vez de andarem a falar em reciclagem. Talvez tenha
menos visibilidade este trabalho, mas tem mais a ver com
aquilo que elas são.
No debate periódico do sector de seguros escuta-se que a
estratégia passou a existir onde antes havia actos isolados ou
iniciativas um pouco aleatórias. «Hoje, todos temos dentro
das companhias estratégias de sustentabilidade com acções
mais incisivas e menos publicitadas, ou com expressão para
fora.» Um caminho necessário até para se distanciarem do
greenwashing que outras empresas fizeram.
Presentes no pequeno-almoço, que se realizou no Hotel
Vila Galé Ópera, estiveram Afonso Barata (Mudum Seguros),
Ana Sereno (Allianz), Fernanda Owczarek (MDS Seguros),
Inês Simões (Ageas), José Villa de Freitas (Fidelidade), Raquel
Almeida (CA Vida), Rita Leotte (Mudum Seguros) e Sofia
Mendes (Verlingue).
Aliás, entre os presentes há quem tenha matrizes internas
de construção de ofertas para clientes de maneira a que respondam
a vários desafios de sustentabilidade. Por exemplo,
num seguro casa vão olhar para o mercado da habitação e
perceber quais os temas de sustentabilidade que há, sejam de
carácter social ou de alterações climáticas. A partir daí, caracterizam
o produto em função de responder ou não a desafios,
tentando fazer a evolução do mesmo para responder o mais
possível. Claro que há uma análise custo/benefício sobre até
onde justifica o benefício face ao custo. Isto é tudo feito internamente,
não sendo objectivo ser divulgado. Ou seja, toda a
análise de risco existe e está a ser trabalhada, mas tem menos
visibilidade porque é uma parte técnica interna.
Por outro lado, para os mediadores e para as empresas com
as quais trabalham, as seguradoras estão a alertar para estes
temas. «É um caminho que está a ser feito com menos visibilidade
para fora, porque a parte mais difícil é tornar tangível
isto de que se está a falar. A preocupação existe, mas não é fácil
transformar isso em coisas tangíveis de produto», explica-se
entre os participantes na conversa.
O que continua a ser muito visível para fora, enquanto
sector, é pegar em temas que estão dentro da sustentabilidade
– como a literacia, a poupança, a diversidade, equidade e
inclusão – e fazer o caminho de dinamizar espaços onde esses
temas (que estão dentro do core das seguradoras) são discutidos.
Ainda que não sejam publicidade directa, dão palco às
178 Debate
CADERNO SEGUROS
empresas seguradoras. E como a sustentabilidade se tornou
numa buzzword e um chapéu muito grande, à mesa defende-
-se que se pode falar de literacia ou de poupança sem se falar,
obrigatoriamente, de sustentabilidade.
São várias as empresas sentadas à mesa que têm procurado
fazer esse trabalho de levar a literacia financeira e de seguros
para o mercado. «Aproveitando as alterações climáticas e as
grandes catástrofes, temos falado em outros ramos de seguros
que não são tão discutidos habitualmente, como os seguros
para médicos, a prevenção do risco...» Tem havido uma aposta
em levar esse conhecimento para o mercado, nomeadamente
com especialistas a falar nos media sob a óptica da prevenção.
Outra voz junta-se, assegurando que é aí que as seguradoras
acrescentam valor. A mudança de mentalidades demora tempo
e tem de se repetir muitas vezes para as pessoas interiorizarem.
E sob o tema das alterações climáticas, importa ainda salientar
que não está fora do radar destas empresas e dos grupos
a que pertencem a nível global, quer ao nível dos investimentos,
quer ao nível dos seus posicionamentos. Aliás, é um
dos pilares estratégicos de desenvolvimento para os próximos
anos. Mas transpondo para a realidade de Portugal, muitas vezes
deparam-se com a incapacidade de agir individualmente.
«Poderá haver algumas iniciativas, mas individualmente depende
muito da dimensão de cada empresa. Como o mercado é
pequeno, é difícil concretizar algo que tenha mais expressão.»
Certo é que, seja por via da legislação ou de exigências dos
clientes, todos os players serão pressionados, cada vez mais,
para cumprir determinados parâmetros ESG. «A CSRD (Corporate
Sustainability Reporting Directive) pode vir a pressionar,
além das cotadas em bolsa (que não têm outra hipótese),
também as restantes empresas», escuta-se. E isso pode voltar
a fazer as empresas “reapaixonarem-se” pela sustentabilidade,
uma vez que as coimas associadas ao não cumprimento são expressivas.
Em algumas das seguradoras sentadas à mesa, 2025
será um ano piloto para conseguirem perceber como é que vão
conseguir entregar a informação exigida pela directiva para
que, em 2026, seja, então, adoptada e cumprida.
Ou seja, enquanto os EUA e a China discutem vantagens
na IA, chips e tecnologias, na Europa a vantagem competitiva
EM PORTUGAL, O SEGURO
DE SAÚDE JOGA NA
LIGA DAS PRINCIPAIS
PRIORIDADES. NESTE
MOMENTO SÓ NÃO TEM
QUEM NÃO PUDER TER.
que se apresenta é relativa à regulação, inclusão e superioridade
moral. «Os outros fazem, continuam a avançar, nós continuamos
a perder terreno em relação àquilo que vai fazer mudar
a produtividade e o investimento.»
COMO CRESCER EM 2025?
Segundo a terceira edição do “Barómetro Seguro de Vida e
de Saúde”, da empresa de consultoria, corretagem e soluções
WTW, cerca de 4 milhões de pessoas têm seguro de saúde em
Portugal. Ainda está longe dos cerca de 10 milhões de habitantes,
mas é um número substancialmente mais expressivo
do que era num passado recente.
À mesa do pequeno-almoço acredita-se que com uma notoriedade
acima dos 80%, neste momento só não tem seguro
de saúde quem não puder ter, não sendo necessário convencer
quem quer que seja. «Até já há uma percepção bem melhor
do que são as coberturas de seguro de saúde ou dos planos de
saúde», sublinham, não restando dúvidas de que o seguro de
saúde joga na liga das principais prioridades dos portugueses.
Resta saber qual o rendimento disponível que as famílias terão
e que determinará se os seguros de saúde ainda vão crescer.
Há que não esquecer – salienta uma voz – que 30% dos
gastos nos hospitais privados estão a ser pagos directamente
do bolso das famílias. Ou seja, pessoas que não têm seguros e
uma oportunidade para crescer nestes produtos.
Outra aposta das seguradoras poderá ser a oferta de produtos
de seguro de saúde mais acessíveis, isto é, produtos light,
com um nível de coberturas diferente. «Não é a situação ideal
ao nível de protecção, mas já é alguma.» Também a maior aposta
na tecnologia e na digitalização ajudará ao fomento da telemedicina,
por exemplo, que ajuda à redução de custos. E entre
os convivas lembra-se que a questão da telemedicina – que ainda
não é amplamente abraçada por uma questão de iliteracia –
passa por fazer as pessoas perceber que quem está do outro lado
do ecrã são, de facto, médicos. «Em muitas situações o que é
feito presencialmente é o mesmo do que é feito pela telemedicina.
Em outros casos não e, por isso, têm de ser presenciais. Mas
é necessário que as pessoas entendam isso.»
Entre os participantes há também quem lembre a ineficiência
entre o privado e o público, com duplicações de custos
(nomeadamente exames que são feitas duas e três vezes por
não haver comunicação). «Se não se arranjar forma de reduzir
estas ineficiências, dificilmente os seguros não vão continuar
a aumentar preços para cobrir os riscos.» Um aumento que –
derivado do aumento da frequência, da demografia do País e
da subida de preço dos prestadores e serviço – veio colocar um
travão no crescimento das pessoas com seguro de saúde.
Outra área que as seguradoras identificam como tendo
potencial de crescimento, mas que não se está a verificar na
prática, é a financeira. E acreditam tratar-se, uma vez mais, de
um problema de literacia, de conhecimento e de notoriedade,
já que as seguradoras lançaram instrumentos financeiros que
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
179
Fernanda Owczarek (MDS), Afonso Barata (Mudum Seguros) e Ana Sereno (Allianz)
Inês Simões (Ageas) e Rita Leotte (Mudum Seguros)
Raquel Almeida (CA Vida), José Villa de Freitas (Fidelidade) e Sofia Mendes (Verlingue)
180 Debate
CADERNO SEGUROS
permitem ser alternativas aos depósitos a prazo. Aliás, no início
do ano, a presidente da ASF, Margarida Corrêa de Aguiar,
defendeu que os PPR perderam o seu ADN sem terem um
substituto. E entre os participantes no pequeno-almoço comenta-se
que não se percebe o tempo que se demora a corrigir
algo que só pode ajudar as pessoas no futuro. «A sustentabilidade
da Segurança Social está em causa. As pessoas têm de se
defender.» É importante que percebam do que é que vão viver
e como é que esses rendimentos podem ser prevenidos.
Recordando que as pessoas delapidaram os seus PPR com
as medidas implementadas desde a pandemia, lamenta-se que
se tenha deitado fora «o esforço que os portugueses fizeram ao
longo de muitos anos». E a partir do momento em que as pessoas
perdem o hábito de poupança, recuperá-lo é muito mais
difícil. Um dos caminhos poderá ser pela introdução de medidas
que incentivem essa poupança. Há que não esquecer que
continua a haver dinheiro para festivais, mas não há a preocupação
de reservar um montante para a poupança.
O desabafo surge: «Por muito bons produtos que se possam
vir a colocar no mercado – e no último ano até houve porque
as rentabilidades assim o permitiram –, o nível de poupança
não é tão elevado como seria expectável.» Um problema que,
não se cansam de repetir, se resolve com literacia. Mas o primeiro
passo tem de passar por medidas concretas de incentivo
à poupança, porque isso é que vai ajudar e mostrar às pessoas
que vale a pena. «As pessoas têm de ver o benefício imediato.»
É um pouco o que acontece com os seguros de vida. Porque
é que as pessoas não contratam um seguro de vida?, questionam.
«Porque na maior parte das vezes não vêem o benefício
imediato. Há os “ses”, mas estão lá muito à frente. Não temos
a cultura de prevenção. Tem de haver incentivos e estímulos
para que as pessoas façam essa prevenção.»
Nos PPR continua a haver benefícios (ainda que não sejam
os mesmos) e por isso as pessoas ainda correm um bocadinho
no final do ano para fazer as suas entregas, apesar de não ser
com o mesmo volume que existiu no passado. O sector acredita
que o Estado poderia e deveria fazer mais e melhor para
promover a poupança. «O nível de poupança é actualmente tão
baixo, que basta começar a haver um pouco de incentivos que
há um espaço interessantíssimo para crescer.»
No entanto, há quem duvide da eficácia dos estímulos, já
que numas alturas existem, depois são retirados, depois voltam
a existir. Desta forma as pessoas deixam de confiar.
Um caminho que poderá ser abraçado por empresas de diversos
sectores, como foi o dos seguros de saúde, é o dos fundos
de pensões. Com este mecanismo, todos os meses o colaborador
coloca uma percentagem do rendimento e a empresa
duplica essa percentagem. «Esse pode ser um caminho e uma
responsabilidade partilhada por empresas e colaboradores.»
À CONQUISTA DE NOVOS CLIENTES?
A realidade é inegável. Cerca de 20% da população activa em
Portugal são não portugueses. Mas isso não está a fazer alterar
– pelo menos para já – as estratégias de comunicação e marketing
das seguradoras presentes em Portugal. Em bom rigor,
grande parte dessa população fala português, isto é, todos os
que são originários dos PALOP e do Brasil. Em menor número
há os que estão integrados e procuram aprender português.
Para todos estes não há necessidade de grandes esforços de comunicar
de forma diferente, porque são falantes de português.
Os restantes e mais recentes no país não estão debaixo dos
holofotes das empresas seguradoras, ainda que haja um esforço
por parte dos mediadores para os trabalhar. «Há segmentação
a fazer. Os americanos são um público, os brasileiros
outro, os franceses outro e os indianos/nepaleses outro. O caminho
passará por ter áreas específicas para tratar estas comunidades,
com pessoas que falem nativamente essas línguas.»
A verdade é que começam a surgir pedidos para segurar o
quarto – e não a casa, uma vez que é partilhada – e há que analisar
o risco. «As pessoas não deixam de ter a preocupação dos
bens. São desafios para os quais temos de olhar», assume-se.
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182 AdvanceCare
CADERNO SEGUROS
Inovação
E SUSTENTABILIDADE
DOS SEGUROS DE SAÚDE
Só aliando eficiência na
gestão, investimento
estratégico em prevenção e
uma abordagem centrada no
cliente, o sector segurador
estará mais bem preparado
para superar os desafios que
o futuro vai trazer
Texto
JOSÉ
PEDRO
INÁCIO
CEO da AdvanceCare
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
183
O
ano de 2024 marca mais uma etapa no desenvolvimento
da AdvanceCare: foram alcançados
os objectivos traçados em várias frentes,
graças ao empenho e à determinação das nossas
equipas, que trabalham para impulsionar
a evolução da organização e melhorar continuamente
os serviços prestados aos clientes.
Um primeiro marco está relacionado com o número de
clientes sob gestão, que se aproximou dos 1,7 milhões no final
do ano. Este valor, que inclui seguradoras, subsistemas e clientes
provenientes das nossas parcerias estratégicas, foi impulsionado,
quer pelo crescimento orgânico, quer pela integração de
novas seguradoras, demonstrando a vitalidade da operação.
O crescimento, reflecte o foco da estratégia da AdvanceCare
em ser customer centric, analisando e acompanhando a customer
journey ao longo dos diversos touch points, de forma a proporcionar
a melhor experiência possível. O resultado da estratégia
impacta a qualidade do serviço prestado ao cliente final,
materializado através dos níveis estáveis e elevados de NPS (Net
Promoter Score), e ao qual não será alheio o facto de ter sido
eleita Prémio “Cinco Estrelas” na categoria de seguros de saúde.
No digital, aposta clara da estratégia da AdvanceCare para
melhor servir o cliente final, em que também alcançamos valores
de utilização elevados. Por exemplo, actualmente, mais de
90% dos reembolsos são submetidos via myAdvanceCare (app
e portal). Mais uma vez, a qualidade do serviço prestado através
do myAdvanceCare é reconhecida, tanto nos ratings das
lojas de apps, como também no Prémio “Best Tech Experience”,
atribuído à AdvanceCare, que distingue a experiência do
utilizador com tecnologia e serviços digitais.
Além do foco no cliente final, a relação de parceria com as
empresas é fundamental. O reconhecimento pelo quarto ano
consecutivo da AdvanceCare como marca “Escolha dos Profissionais”
atesta bem o empenho que colocamos nessa relação.
EXPANSÃO CLARA E AMBICIOSA
Outro marco em 2024 foi o lançamento da operação da AdvanceCare
nos países da Europa Central e de Leste, iniciado
com a entrada na Sérvia. Desta forma, é reatado o processo
de internacionalização, depois do que tinha sido realizado há
cerca de 10 anos com a entrada em Angola e Moçambique. E,
desta feita, com um plano de expansão muito claro e ambicioso,
esperando-se que a operação internacional venha a acrescentar
uma escala relevante à AdvanceCare. Assim, durante
2025 será finalizada a implementação na Hungria, estando já
em curso outras pré-implementações na mesma região.
Apesar das metas e sucessos alcançados, o sector dos seguros
de saúde apresenta importantes desafios aos quais a
AdvanceCare está atenta. Em primeiro lugar, a pirâmide demográfica
em Portugal não deve ser ignorada. O aumento da
esperança de vida e o envelhecimento da população – com
mais de 30% dos portugueses acima dos 65 anos – têm contribuído
para a maior prevalência de doenças crónicas, implicando
um aumento dos custos com sinistros. Para enfrentar
esta realidade, torna-se imprescindível que o sector segurador
adopte estratégias mais eficientes na gestão dos seguros
de saúde. É necessário um enfoque especial na prevenção
destas doenças, um esforço que exige planeamento rigoroso,
tendo em conta que muito do que é necessário fazer implica a
mudança de comportamentos dos consumidores.
Paralelamente, o sector enfrenta a pressão do aumento
dos custos médicos, impulsionados não só pela inflação, mas
também pelos elevados investimentos em tecnologias inovadoras
que estão a transformar os tratamentos. Se, por um
lado, estas inovações melhoram os cuidados prestados, por
184 AdvanceCare
CADERNO SEGUROS
outro lado, impactam significativamente o custo dos sinistros,
exigindo uma gestão rigorosa e sustentável.
Adicionalmente, o peso do “out of pocket” continua a ser
elevado, função de diversos factores, sendo que existem áreas
que podem (e devem) ser endereçadas pelo sector.
Por último, e como aspecto transversal a várias indústrias,
os consumidores, hoje mais informados e exigentes, têm expectativas
crescentes em relação aos serviços de saúde. A procura
por serviços personalizados é cada vez mais evidente, reflectindo
uma tendência particularmente relevante no sector
da saúde. Para acompanhar esta evolução, o sector segurador
precisa de se adaptar aos novos comportamentos dos clientes,
desenvolvendo soluções inovadoras, flexíveis e personalizadas
que respondam às suas preferências e necessidades.
Desta forma, só aliando eficiência na gestão, investimento
estratégico em prevenção e uma abordagem centrada no
cliente (quer pela satisfação das exigências, quer pelo suprir
das necessidades), o sector segurador estará mais bem preparado
para superar estes desafios, enquanto garante um serviço
de excelência e valor para os seus clientes.
É neste contexto que a AdvanceCare reafirma o seu compromisso
e o seu foco em continuar a apoiar o sector para o
seu desenvolvimento sustentável.
APOSTA NA PREVENÇÃO
A AdvanceCare acredita que a sustentabilidade dos seguros
de saúde passa por uma abordagem proactiva na prevenção e
no bem-estar. Para isso, desenvolve iniciativas que incentivam
hábitos de vida saudáveis e ajudam a reduzir custos de saúde
a longo prazo, enfrentando os desafios do envelhecimento e o
aumento das doenças crónicas. Além dos tradicionais check-
-ups, apostamos em áreas com verdadeiro impacto na prevenção,
como nutrição, actividade física, sono e saúde mental. Esta
abordagem garante que os nossos clientes dispõem de informação
fiável e ferramentas para melhorar a sua qualidade de vida,
enquanto contribui para a sustentabilidade do sector da saúde.
Apostamos no reforço dos nossos mecanismos de detecção
e mitigação de “fraude, abuso e utilização desnecessária”,
através do reforço e aperfeiçoamento de guidelines de acordo
com as melhores práticas clínicas. Este mecanismo, aliado à
análise de dados para deteção e protecção de eventuais comportamentos
desviantes, aumenta a resiliência da operação e
garante a qualidade do serviço que prestamos.
O investimento contínuo em digitalização e automação
operacional, com tecnologias como Inteligência Artificial, Automação
Robótica de Processos e Reconhecimento Óptico de
Caracteres, tem permitido optimizar os nossos serviços. Para
as seguradoras, mecanismos avançados agilizam processos de
subscrição, detecção de fraudes e outras operações críticas. Já
para os prestadores de cuidados de saúde, os sistemas de elegibilidade
e facturação foram melhorados, tornando toda a operação
mais eficiente. Estes desenvolvimentos fortalecem a experiência
e a operação para todos os intervenientes, tornando a
utilização dos seguros de saúde mais prática, eficaz e eficiente.
Por último, e central a tudo o resto, a cultura de centralidade
no cliente tem sido o motor do desenvolvimento de novos
serviços, produtos, ferramentas, novas formas de estar e
servir o cliente. Por exemplo, função de todas as inovações
introduzidas, o myAdvanceCare oferece uma gestão simplificada
do seguro de saúde, incluindo a submissão de reembolsos,
e o acesso a serviços como telemedicina, traduzindo-se
numa experiência digital personalizada. Tudo considerando
as reais necessidades e a customer journey, de forma a proporcionar
uma experiência de cliente única.
A aposta da inovação ao serviço do cliente e do sector tem
sido o foco da AdvanceCare, e assim continuará em 2025.
Há prémios para tudo.
Há 3 que nos distinguem
como a marca Nº1.
186 CA Seguros
CADERNO SEGUROS
FOCO NO
CRESCIMENTO
SUSTENTÁVEL
E NA
inovação
contínua
Com reconhecimentos
variados pela satisfação
dos clientes e dos
colaboradores, a CA
Seguros está empenhada em
continuar, nos próximos 30
anos, o seu trajecto de
busca de qualidade,
inovação e proximidade
F
undada em 1994, a CA Seguros tem trilhado
um percurso de crescimento sustentável. Em
2024, ano em que celebrou 30 anos de história,
reafirmando o seu compromisso de qualidade
e proximidade aos clientes, a empresa atingiu
mais de 30 milhões de euros em Produção
Nova. «Um resultado excepcional que reflecte
o empenho das nossas equipas e a parceria sólida com as
Caixas Agrícolas», sublinha João Pedro Borges, presidente da
CA Seguros.
A empresa foi distinguida pela satisfação dos clientes e
pelo envolvimento dos colaboradores, que reconheceram a
CA Seguros como uma excelente empresa para trabalhar. «O
crescimento e os resultados alcançados superaram todas as
expectativas, consolidando 2024 como o melhor ano de sem-
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
187
pre da CA Seguros», diz o presidente, salientando que protegendo,
hoje, mais de 450 mil clientes, a empresa mantém uma
liderança sólida na satisfação dos segurados.
Em 2024, a CA Seguros foi novamente distinguida pelos
seus clientes, sendo reconhecida pelo 7.º ano consecutivo
como líder no sector de Seguros Não Vida no estudo BECX
– Best European Customer Experience. Uma distinção que
reflecte a aposta na experiência do cliente, transparência e
clareza da comunicação.
A excelência foi também evidenciada no Relatório de Regulação
e Supervisão da Conduta de Mercado – 2023, da ASF,
onde a CA Seguros manteve o menor rácio de reclamações no
seguro automóvel, consolidando a sua posição no sector.
No reconhecimento interno, foi distinguida pelo 7.º ano
consecutivo no Índice da Excelência, alcançando o 1.º lugar
na categoria de Médias Empresas e no sector BSSF – Banca,
Seguros e Serviços Financeiros. Também integrou, pela 7.ª
vez consecutiva, o estudo Melhores Empresas para Trabalhar.
Adicionalmente, no Best Workplaces 2024, conquistou o
6.º lugar no ranking geral e o selo Best Workplaces em Wellbeing,
atribuído pela Great Place to Work, reforçando o compromisso
com o bem-estar dos colaboradores e com um ambiente
de trabalho saudável.
«Estes reconhecimentos validam o nosso compromisso
com a qualidade, a inovação e a proximidade. Destacam o investimento
contínuo no bem-estar dos colaboradores, na satisfação
dos clientes e na evolução constante dos nossos produtos
e serviços. Acreditamos que um ambiente de trabalho
positivo é determinante na prestação de um serviço de excelência,
e a inovação é essencial para oferecer soluções eficientes
e acessíveis, adaptadas às reais necessidades dos clientes»,
comenta João Pedro Borges. O mesmo profissional acrescenta
que estes prémios os motivam a superar desafios e a elevar os
padrões de excelência.
Para atingir estes reconhecimentos e fazer evoluir a CA
Seguros importa praticar a escuta activa dos clientes. Através
de inquéritos, análise de reclamações e interacções directas, a
empresa ajusta a sua oferta às necessidades, garantindo soluções
mais próximas e transparentes.
«Acompanhamos as tendências de mercado, lançando
produtos inovadores, como os planos Vintage do CA Saúde
e a cobertura de Saúde Mental. Reconhecendo a valorização
dos animais de estimação, criámos o CA Cães & Gatos, enquanto
o CA Ciclista responde ao crescimento da mobilidade
sustentável», salienta.
A digitalização é outra prioridade: a App CA Seguros, o
CA Seguros Online e o canal WhatsApp simplificam a gestão
de seguros, tornando-a mais célere e acessível aos clientes.
O presidente da CA Seguros recorda: «Fomos pioneiros
na digitalização de documentos há mais de 15 anos, e, mais
recentemente, introduzimos soluções como o eSign, a App CA
Seguros, a CA Seguros Online e o WhatsApp.»
AS GERAÇÕES MAIS NOVAS
Para criar relação com as gerações mais novas, a CA Seguros
tem investido fortemente na presença digital, com enfoque em
redes sociais, criando conteúdos relevantes e interactivos que
falam a sua linguagem e respondem às suas necessidades.
O desenvolvimento de produtos simplificados e canais digitais
reflecte a procura desta geração por soluções práticas,
acessíveis e imediatas. «A parceria com a moey! permitiu-nos
oferecer seguros alinhados com os seus hábitos de consumo,
como seguros de viagem e para animais, garantindo uma experiência
digital fluida e intuitiva», lembra João Pedro Borges.
Simultaneamente, a empresa marca presença em eventos
que captam o interesse deste público, como feiras e festivais
188 CA Seguros
CADERNO SEGUROS
de Verão nos stands do Crédito Agrícola e provas desportivas,
onde promove as suas soluções e interage directamente
com os visitantes.
ENRIQUECER A EXPERIÊNCIA DO CLIENTE
E entre as principais funcionalidades que os clientes poderão
encontrar no novo site da CA Seguros, destacam-se a possibilidade
de simular seguros, pedir assistência e participar sinistros
de forma rápida.
O site também disponibilizará acesso directo aos canais
de apoio ao cliente, garantindo um atendimento mais
ágil. Além disso, os utilizadores poderão consultar a rede de
parceiros, obter informações institucionais e submeter candidaturas
espontâneas, reforçando a transparência e a proximidade.
«Acima de tudo, o novo site será uma plataforma
interactiva, que enriquece a experiência digital dos nossos
clientes», assegura o presidente da empresa.
Para o futuro, o foco continuará a ser o crescimento sustentável
e a inovação contínua. «Queremos aumentar a penetração
dos seguros não vida entre os clientes do Crédito
Agrícola, através de cross-selling e reforço da actividade comercial»,
revela João Pedro Borges, que acrescenta: «Apostaremos
na inteligência artificial, optimizando processos e
personalizando a oferta.» A sustentabilidade será também
uma prioridade, com a integração de critérios ESG em todas
as áreas da operação da CA Seguros.
A empresa continua a apostar na qualidade, evidenciada
pelas certificações ISO 9001 (Certificação de Sistemas de
CELEBRAR 30 ANOS
As comemorações das três décadas de existência
da CA Seguros iniciaram-se em Outubro de 2024 e
prolongam-se até Dezembro de 2025, com
diversas actividades para envolver colaboradores,
parceiros e clientes. «Criámos um selo
comemorativo dos 30 anos, entregue como forma
de reconhecimento», conta João Pedro Borges,
presidente da CA Seguros.
Internamente, foram organizados eventos de
celebração e convívio e actividades interactivas.
Externamente, foi desenvolvida uma campanha
digital e institucional para destacar a história
e a visão para o futuro.
Gestão da Qualidade) e ISO 22301 (Business Continuity Management
Systems).
IMPACTO SOCIAL E AMBIENTAL
A sustentabilidade é um pilar essencial na CA Seguros, reflectindo-se
na forma como opera, nos seus produtos e no impacto
social e ambiental. Em 2024, a empresa reforçou este compromisso
com iniciativas que promovem a protecção ambiental, a
mobilidade sustentável, a literacia financeira e a saúde.
No âmbito ambiental, continuou a reflorestação na Serra
de Sintra com a associação “Plantar Uma Árvore”, apoiou
os Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique e realizou
uma limpeza de praia com a Brigada do Mar. Na mobilidade
sustentável, promoveu um inquérito aos colaboradores para
medir e reduzir a pegada carbónica das deslocações diárias.
A CA Seguros introduziu critérios ESG na concepção e tarifação
dos seguros, alinhando-os com desafios ambientais e sociais
e incentivou a desmaterialização de processos, promovendo
a adesão aos canais digitais e reduzindo o consumo de papel.
No âmbito da solidariedade social, apoiou instituições
como a Associação Protectora da Criança, O Dom Maior e
O Cantinho da Milu, através de doações de bens e contributos
financeiros. Promoveu ainda a iniciativa “Corrida à Box”,
recolhendo equipamentos electrónicos para doação à Instituição
Entreajuda. Também ofereceu medicamentos ao IPO e
levou esperança a crianças carenciadas no Natal, distribuindo
presentes e apoio. «Acreditamos que a solidariedade deve estar
presente em todas as áreas da nossa actividade e continuaremos
a desenvolver iniciativas com impacto positivo para a
comunidade», garante o presidente da CA Seguros.
Há 30 anos
a crescer consigo
Obrigado por nos deixar fazer parte da sua vida.
PUBLICIDADE 02/2024
Para mais informações:
CRÉDITO AGRÍCOLA SEGUROS
COMPANHIA DE SEGUROS DE RAMOS REAIS, S.A.
Rua de Campolide, 372 - 3º Dt.º • 1070-040 Lisboa
E-mail: geral@ca-seguros.pt • Capital Social: 18.000.000 €
Pessoa Colectiva nº 503 384 089 • Registo ASF 1122
ca-seguros.pt | 213 806 000
App CA Seguros 963 806 000
Atendimento personalizado,
dias úteis das 8h30 às 17h30.
anos
190 Fidelidade
CADERNO SEGUROS
PENSAR MAIOR
PARA CRIAR
IMPACTO
positivo
O Road To arrancou com o Pensar Maior
a Distribuição, em Janeiro,
seguindo-se o Pensar Maior a
Longevidade (em Março) e o Cliente
(em Maio). No dia 18 de Outubro,
teremos o grande evento, no MEO Arena
em Lisboa, para cerca de 4000 pessoas
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
191
O
Pensar Maior é um marco no calendário estratégico
do Grupo Fidelidade, reunindo colaboradores
de todas as empresas do grupo,
a nossa rede de distribuição, parceiros de negócio
e, também, os accionistas, em ciclos de
dois ou três anos. O seu propósito é inspirar
e partilhar a visão estratégica da Fidelidade
para os próximos anos, promovendo um alinhamento entre
os públicos envolvidos; representa o momento onde a visão
estratégica do grupo é apresentada de forma clara e onde os
resultados tangíveis das decisões tomadas são evidenciados.
Mas, além de ser um fórum de discussão estratégica, o Pensar
Maior é também uma celebração, reforçando o sentimento de
pertença e união entre colaboradores, parceiros e accionistas.
Outro dos pilares fundamentais do evento é o estímulo ao
conhecimento. Durante o Pensar Maior são disponibilizados
conteúdos que abrangem temáticas estratégicas e operacionais,
enriquecendo a visão de todos os participantes e esta
iniciativa não se limita ao momento do evento: ao longo do
ano, são disponibilizados conteúdos que visam envolver os
colaboradores e parceiros na cultura do grupo.
O Pensar Maior reflecte assim a essência do Grupo Fidelidade:
uma organização orientada para o futuro, comprometida
com o desenvolvimento do talento e determinada em
fortalecer as relações com todos os stakeholders.
“ROAD TO” PENSAR MAIOR
Até 2022, o Pensar Maior era um evento único, concentrado
num só dia, ainda que em 2014 tenhamos feito uma noite dedicada
apenas à nossa Rede de Distribuição e no dia seguinte
juntado colaboradores e parceiros. Mas foi a única excepção.
Em 2022, quando começámos a preparar o Pensar Maior,
ainda de máscara, sentimos necessidade de colocar um maior
foco na relação, na proximidade, na importância de pensar
com profundidade os diferentes eixos estratégicos da Fidelidade.
Vivíamos um tempo que nos exigia reflexão para podermos
seguir em frente e responder a um mundo em transformação.
E assim, mudámos o conceito. Fizemos o “road to” Pensar
Maior, com diversos eventos que combinaram o presencial
com o streaming para Pensar Maior as Empresas, a Saúde, a
Vida e a Poupança, a Distribuição e a Família. Foram meses
de estrada, em diferentes pontos do País, para dar vida a encontros
que voltaram a unir-nos.
Tivemos muitos oradores internos, mas também convidados
que aceitaram este nosso desafio de Pensar Maior e
tornaram mais ricos estes momentos. Os resultados demonstraram
que saímos todos maiores e, por isso mesmo, este ano
decidimos manter o modelo, ainda que com alguns ajustes.
Vamos fazer o Road To, em modelo híbrido, e Pensar
Maior a Distribuição, como aconteceu na Alfândega do Porto,
Texto
SÉRGIO
CARVALHO
Director de Marketing
da Fidelidade
no dia 23 de Janeiro, a Longevidade no dia 27 Março e o Cliente
a 29 de Maio. Depois, no dia 18 de Outubro, teremos o grande
evento, no MEO Arena em Lisboa, para cerca de 4000 pessoas.
Há tendências macro que vão marcar o futuro da actividade
seguradora. Desde logo, o aumento da longevidade
pressionado, em Portugal, por uma taxa de natalidade muito
baixa e por uma pressão na Segurança Social. De acordo com
os dados da OCDE, estima-se que em 2075 haja um rácio de
77,6 pensionistas por cada 100 pessoas activas e que Portugal
seja o 2.º país da OCDE com maior rácio de dependência.
Esta projecção implica uma diminuição abrupta no valor das
pensões, cerca de 34%, o que torna evidente a urgência da actividade
seguradora actuar activamente na área da poupança
e investimentos, não apenas apresentando soluções para o
ciclo de vida, considerando a acumulação e desacumulação,
mas também actuando proactivamente na educação, ou seja,
na área da literacia financeira. E aqui há também um caminho
imenso a percorrer, considerando que somos dos países
na Europa com um nível de literacia financeira mais baixo.
Por outro lado, o aumento da longevidade tem impacto
directo na saúde. Desde 1960, a esperança média de vida em
Portugal aumentou 17 anos (para 81 anos), mas só 59 anos
são de vida saudável, cinco anos abaixo da UE.
Para complementar os serviços prestados pelo Serviço Nacional
de Saúde, há cada vez mais portugueses com seguro de
saúde, sobretudo porque este se tornou no fringe benefit mais
valorizado pelos colaboradores das empresas, mas sabemos
que, mesmo assim, os números não são suficientes para dar resposta,
no futuro, a uma população cada vez mais envelhecida
e a doenças, como as oncológicas e sobretudo as neurodegenerativas,
que têm maior prevalência em idades mais avançadas.
A evolução da genética exige cada vez mais uma medicina
de precisão e até personalizada, o que torna o acesso a cuidados
de saúde extremamente oneroso. Isto coloca pressão no SNS,
mas também nos sistemas privados, exigindo respostas con-
192 Fidelidade
CADERNO SEGUROS
certadas não apenas no momento da doença, mas sobretudo na
prevenção e cuidado da saúde, para se tentar minimizar o risco.
Depois, e este fenómeno é muito significativo em Portugal,
existe um Protection Gap que é preciso reverter. Os portugueses
estão mal protegidos face a vários riscos: climáticos,
poupança, saúde, casa, automóvel e, até, empregada doméstica.
E se considerarmos as empresas, o panorama não é melhor.
Portanto, há aqui um dever de actuação que nos é imposto,
em termos de sustentabilidade económica e social, mas
também uma oportunidade de negócio, obviamente.
Por outro lado, temos a evolução natural dos consumidores,
fruto da evolução da sociedade. Os padrões e comportamentos
de consumo alteram-se e os dados indicam que hoje
exigimos serviços ao minuto e de excelência, personalizados,
gostamos de usar o digital para procurar e fazer comparações
e escolhas, mas continuamos a valorizar o contacto pessoal
na hora da aquisição, sobretudo quando falamos de seguros.
Por outro lado, as preocupações em matéria de comportamentos
sustentáveis estão cada vez mais presentes na vida dos
consumidores e este é um aspecto que também irá condicionar,
não apenas a nossa actuação, vou chamar-lhe corporativa,
mas também ao nível da oferta, serviço e até atendimento.
Por último, temos a inteligência artificial e o acesso massificado
à mesma, que está a trazer vantagens, mas irá exigir
transformações profundas em todas as áreas, impondo-se
também uma regulamentação ética do uso da mesma.
PENSAR MAIOR A DISTRIBUIÇÃO
Estes eventos não podiam ter começado de melhor forma. O
Pensar Maior Distribuição juntou quase 500 pessoas na Alfândega
do Porto e cerca de 3700 assistiram ao evento online,
por live streaming. Foi um dia dedicado à reflexão sobre
os desafios macro que irão orientar a nossa actividade, mas
sobretudo aqueles que estão a afectar especificamente a actividade
seguradora e a exigir uma transformação do sector, ao
nível da distribuição.
Desde logo, assistimos já nos últimos anos a uma concentração
de negócio, fruto da aquisição de muitas carteiras dos mediadores
por parte dos brokers e agora também sociedades de
corretagem a serem compradas por fundos de investimento, que
vêem nestes negócios a possibilidade de elevada rentabilidade.
A venda das carteiras por parte da mediação advém, algumas
vezes, da falta de sucessão para o negócio, o que coloca
aqui também um problema de aparente falta de atractividade
do mesmo. Perante a alteração da composição da
distribuição tradicional, se preferirem presencial, não são
apenas os mediadores e os corretores que têm de se posicionar,
mas as próprias seguradoras, como é caso da Fidelidade.
E este foi um dos temas centrais do evento.
Depois, não menos importante, é a entrada, já com bastante
expressão, de novos players que estão a desafiar seguradoras
e banca. Estamos a falar de intermediários de crédito,
insurtechs, suppliers de soluções directas – fringe benefits,
para colaboradores das empresas – e empresas de retalho e telecomunicações.
Isto está a ter impacto directo no negócio e
só temos uma de duas possibilidades: vê-los como mais-valias
e trabalhar sinergias ou encará-los como ameaça. Para a Fidelidade,
esta última não é hipótese e, por isso mesmo, este foi
outro dos temas que debatemos.
Perante tudo isto, projectámos o modelo de distribuição
do futuro e as oportunidades para cada um dos canais de
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
193
distribuição: mediação, corretores, contact center, digital e
parcerias e affinities. Estes últimos fazem parte da resposta
aos actuais desafios e a um modelo de negócio futuro que
não passa apenas pela venda de seguro, mas sim de soluções
abrangentes que permitam a venda em contexto, facilitem a
angariação de novos clientes e também o acesso a dados e a
novas tecnologias, essenciais para responder, de forma personalizada,
embora em muitos casos com técnicas de automation
e IA, a clientes cada vez mais exigentes.
PENSAR MAIOR A LONGEVIDADE
Agora já estamos a preparar o próximo, em Março: Pensar
Maior a Longevidade.
O foco na Longevidade reflecte o nosso propósito de conhecer
e entender as pessoas para dar resposta às suas necessidades
específicas, ao longo de cada etapa da sua vida, e
sermos um parceiro de confiança ao longo de toda a jornada
de Longevidade. Este posicionamento foi, aliás, lançado no
Pensar Maior de 2022 e consubstanciado na campanha “Fidelidade,
a todas as idades”.
Como já referi, desde 1960, a esperança média de vida em
Portugal aumentou 17 anos (para 81 anos), mas só 59 anos são
de vida saudável, cinco anos abaixo da UE. Isto significa que
os nossos últimos anos de vida, na generalidade, são passados
com pouca saúde ou sem condições financeiras para termos
um final de vida digno. E é isto que queremos contrariar ou,
no mínimo, contribuir para uma inversão de tendência.
Por outro lado, quando olhamos para o nosso negócio, vemos
que a maioria dos nossos clientes tem mais de 50 anos.
Assim a Longevidade tem um papel fundamental de preparar
a Fidelidade para o futuro. Para fazer isso estamos a trabalhar
targets diferentes: os seniores de hoje (+60 anos) e os já
adultos e também os jovens, e é de todos eles, e das tendências
macro que impactam e condicionam a sua vida, que vamos
falar no Pensar Maior a Longevidade, com foco em saúde,
poupança e também sustentabilidade.
PENSAR MAIOR O CLIENTE
Em Maio vamos Pensar Maior o Cliente e as tendências macro
com impacto na sua experiência são várias: uso de canais múltiplos;
acesso massificado e fácil informação; saúde e bem-estar
são prioridades; ambiente é preocupação constante e neste
espectro há preocupação com o futuro.
Para podermos responder a isto, vamos ter de evoluir em
diversas frentes, nomeadamente o nosso modelo de distribuição
omnicanal, passará a integrar novos distribuidores, como
parceiros e affinities; uso da inteligência artificial em diferentes
frentes – subscrição e pricing, sinistros, distribuição e
vendas, serviços ao cliente, operações, TI e, claro, marketing
e comunicação. Tudo isto para podermos personalizar e, num
futuro que já começa a ser presente na Fidelidade, chegarmos
à Apólice Única. Um cliente, um contrato.
A experiência do cliente evolui diariamente e sei que temos
um caminho muito desafiador e longo pela frente! Ainda
bem. É sinal que continuamos com o mesmo espírito inovador
de sempre e continuamos a Pensar Maior para criar impacto
positivo e continuar a surpreender cada cliente.
Em Outubro, estaremos no MEO Arena, com cerca de
4000 convidados para partilhar a visão e a estratégia do grupo
para os próximos anos e criar impacto positivo.
194 Generali Tranquilidade
CADERNO SEGUROS
Juntos,somos
inesquecíveis:
O IMPACTO DAS PARCERIAS
NO BRANDING
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
195
No mundo dos seguros, para
nos destacarmos não basta
oferecer produtos e
serviços de qualidade.
Nesse contexto, as
parcerias institucionais
desempenham
um papel crucial
Texto
MIGUEL
REYNOLDS
BRANDÃO
Head of Brand
Generali Tranquilidade
O
nosso mundo é fantástico, dinâmico! Na
realidade em que vivemos, todas as marcas
lutam pela atenção, cada vez mais limitada,
dos consumidores. É essencial que as marcas
encontrem formas de ficar no subconsciente
das pessoas. Mas como fazer?
Neste mundo de concorrência feroz, vemos
todo o tipo de marcas a implementar estratégias cada
vez mais sofisticadas para chegarem ao público-alvo. E
quando conquistamos um brevíssimo momento de atenção,
queremos transformá-lo numa ligação que evolua para uma
relação mais duradoura. Estas estratégias são cada vez mais
sofisticadas, não só com a introdução contínua de novos
meios e formatos, mas também com a orquestração cada vez
mais eficiente de todos os canais, dos mais tradicionais, aos
digitais e híbridos.
No mundo dos seguros, para nos destacarmos não basta
oferecer produtos e serviços de qualidade; para além de ser
difícil diferenciarmo-nos da concorrência, há um desafio
adicional: em regra, comprar seguros não gera grande entusiasmo.
Os seguros são um investimento essencial para a segurança
e tranquilidade das famílias, é certo, mas ninguém
anseia pelo dia em que vá subscrever um novo seguro… Ao
contrário de bens de consumo como carros, viagens de férias
ou moda, por exemplo, o seguro é visto apenas como
uma despesa obrigatória.
Para além da dificuldade de as companhias se diferenciarem
pela oferta, comunicar o valor que entregam de uma
forma clara e atractiva não é um desafio menor, ainda para
mais quando está normalmente associado a sinistros. Para
superar esse obstáculo, é essencial construir uma identidade
que acrescente valor aos produtos e serviços.
196 Generali Tranquilidade
CADERNO SEGUROS
A construção dessa identidade requer um posicionamento
estratégico que aproxime a marca dos clientes e da sociedade
em geral. Nesse contexto, as parcerias institucionais
desempenham um papel crucial.
As nossas parcerias assentam num alinhamento de valores,
objectivos e propósitos, permitindo-nos fortalecer o
posicionamento e ampliar o alcance da marca. A Generali
Tranquilidade aposta em diferentes vectores da sociedade,
como o desporto, saúde, cultura e responsabilidade social,
Leonor Beleza (Fundação Champalimaud), Cristina Vaz Tomé
(Secretaria de Estado da Gestão da Saúde), Daniela Cunha
(Fundação Champalimaud), Pedro Carvalho (Generali Tranqui–
lidade) e João Silveira Botelho (Fundação Champalimaud)
reforçando a ligação da marca com diferentes públicos e a
identidade corporativa.
Uma das estratégias mais impactantes e eficazes para ampliar
a notoriedade de uma marca é a associação ao desporto,
e na Generali Tranquilidade temos parcerias muito relevantes.
• Federação Portuguesa de Futebol: no âmbito desta nossa
parceria patrocinamos as selecções nacionais masculinas
e femininas de futebol, futsal e futebol de praia, reforçando
a presença da Generali Tranquilidade num desporto
que mobiliza milhões de adeptos, garantindo uma
exposição contínua e associando-nos a momentos emotivos.
Adicionalmente, somos naming sponsor da prova
rainha do futebol nacional, a Taça de Portugal Generali
Tranquilidade, que percorre o País de norte a sul.
• Federação Portuguesa de Natação: com Portugal cada vez
mais forte na natação, o apoio da Generali Tranquilidade
a esta modalidade reforça o compromisso com o apoio aos
nossos atletas e ao desenvolvimento do desporto.
E quando falamos de prevenção, especialmente em saúde,
destaco:
• A parceria com a Fundação Champalimaud, que permite
aos nossos clientes ter acesso às mais avançadas
formas de diagnóstico e tratamento. Recentemente,
reforçámos esta parceria com o Centro de Prevenção
de Risco Oncológico Generali Tranquilidade –
Champalimaud, que, através de uma nova tecnologia,
permite a detecção precoce do risco oncológico dermatológico.
Além disso, os nossos seguros de saúde já têm
coberturas relacionadas com a fundação, nomeadamente
o Programa Onco-risco e a duplicação de capital de hospitalização
para tratamentos na fundação.
O diagnóstico precoce aumenta a probabilidade de sucesso
face à doença e reduz os custos para as famílias, para
as seguradoras e para o Serviço Nacional de Saúde.
Apoiamos ainda instituições e iniciativas culturais e sociais
que nos permitem devolver também à comunidade a confiança
que esta deposita em nós. Destaco duas neste âmbito:
• Fundação Calouste Gulbenkian: colaborar com uma das
mais prestigiadas instituições culturais e filantrópicas
de Portugal evidencia a responsabilidade social da Generali
Tranquilidade e o seu apoio à arte, à educação e
à inovação.
• Rock in Rio: associar a nossa marca a um dos maiores
festivais de música do mundo reforça a nossa ligação a
emoções positivas e experiências memoráveis, alcançando
um público muito diversificado.
O crescimento sustentável de uma marca não acontece
isoladamente. Ao investirmos nestas parcerias de grande impacto,
ampliamos não apenas a nossa presença, mas também
reforçamos a nossa missão de protecção e compromisso com a
sociedade. As alianças estratégicas estruturadas podem fortalecer
a identidade de uma empresa, criando valor para todos os
stakeholders e, assim, juntos sermos inesquecíveis!
198 Grupo Ageas Portugal
CADERNO SEGUROS
Miguel Guedes,
Margarida
Montenÿ
e Luís Menezes
Premiar a arte
E A CULTURA NUM
PALCO COM HISTÓRIA
No Grupo Ageas Portugal
acredita-se que todas
as formas de expressão
cultural e artística
merecem ser reconhecidas
e que estas iniciativas
contribuem para a valorização
do sector cultural
N
asceu em 2021, a propósito das comemorações
dos 80 anos do Coliseu Porto Ageas, sendo
destinado a jovens talentos das artes circenses
ou da dança. De periodicidade anual, e
com o valor de 5.000 euros, o Prémio Jovens
Artistas Coliseu Porto Ageas tem como missão
promover talentos nas áreas artísticas do
circo e da dança. Abrange intérpretes, coreógrafos, cenógrafos,
produtores, programadores, entre outros profissionais
ligados a estas áreas, até aos 30 anos.
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
199
A acrobata e performer Margarida Montenÿ foi a vencedora
da terceira edição do Prémio Jovens Artistas Coliseu
Porto Ageas – Artes Circenses. «Receber este prémio é uma
honra imensa», afirma a artista, reconhecendo que o mesmo
«é o reflexo de um esforço colectivo, só possível graças a todos
aqueles que, ao longo dos anos, se dedicaram e trabalharam
para a afirmação do circo em Portugal – uma arte que
pulsa e que se reinventa continuamente. O caminho do circo
é grande: para a frente, mas também para trás».
Natural de Faro, Margarida Montenÿ tem 25 anos e fez
a sua formação na Escola Profissional de Artes e Ofícios do
Espectáculo – Chapitô. Enquanto intérprete, tem colaborado
com artistas e companhias de diferentes áreas, destacando-
-se o Ballet Contemporâneo do Norte, Orquestra Filarmónica
Portuguesa, Miguel Pereira, Companhia Erva Daninha, Circo
Caótico, Vanda R Rodrigues/Antípoda, entre outros.
A abordagem transdisciplinar na investigação do movimento
e da linguagem caracterizam o seu percurso, defendendo
uma visão ampla do que pode ser o circo.
No momento em que recebeu esta distinção, a acrobata sublinhou
que representa «uma única voz dentro de um movimento
muito maior». E acrescentou: «Espero que este prémio seja
também uma oportunidade para que os espaços culturais olhem
para o circo com mais atenção, permitindo que continue a reinventar-se.
Que o circo, em toda a sua diversidade, possa continuar
a crescer, a questionar, a provocar e a transformar-se.»
Para Miguel Guedes, presidente do Coliseu Porto Ageas,
prémios como este «são fundamentais em áreas artísticas de
menor visibilidade, como o circo e a dança, reforçando a certeza
dos artistas no seu caminho artístico e dando-lhes mais
reconhecimento». Acrescenta ainda: «Elencar jovens artistas,
premiando-os, surge como um desígnio do Coliseu. Nunca é
de mais reconhecer mérito. É isso que fazemos mais uma vez
este ano, premiando um novo valor no circo, área artística
que faz parte da génese desta casa.»
Já Luís Menezes, CEO do Grupo Ageas Portugal, afirma
que «o apoio aos jovens talentos encaixa-se exactamente naquilo
que acreditamos que é uma forma diferente de apoiar
a cultura. Este prémio pode ser uma alavanca para que estes
artistas possam continuar a apostar na sua arte».
A entrega do prémio antecedeu um momento icónico que
se repete há mais de 80 anos: o Circo de Natal. Na sala do
Coliseu do Porto Ageas juntaram-se clientes, parceiros e colaboradores
para um espectáculo único.
INICIATIVA DE VALORIZAÇÃO
DO SECTOR CULTURAL
Teresa Thöbe, responsável de Marca, Patrocínios e Parcerias
do Grupo Ageas Portugal, marca parceira do prémio e que
dá naming ao Coliseu, acrescenta: «Acreditamos que todas as
formas de expressão cultural e artística merecem ser reconhecidas
e iniciativas como esta não só contribuem para a valorização
do sector cultural, como fortalecem a relação de proximidade
com a comunidade.»
A responsável da marca reforça ainda que «a fruição cultural
é um direito de todos e todas», assegurando que «é com
enorme satisfação» que abriram as portas do Coliseu Porto
Ageas para, em conjunto com a família, amigos, clientes e
parceiros, celebrarem a arte, a magia e a vida. «Anteceder um
espectáculo extraordinário, com a entrega do Prémio Jovens
Artistas Coliseu Porto Ageas, é uma celebração a dobrar,
porque estamos a promover o talento, dando-lhe um merecido
incentivo e reconhecimento.»
NOTA
O júri da categoria Circo foi
constituído por Isabela Cardinali,
Israel Modesto, Luís de Matos,
João Paulo Santos e Julieta
Guimarães. Recorde-se que na
primeira edição do Prémio Jovens
Artistas Coliseu Porto Ageas, em
2022, foi vencedor o acrobata
aéreo Daniel Seabra. Em 2023, foi
vencedora a bailarina e coreógrafa
Ana Isabel Castro. Em 2025, é
novamente a vez de distinguir um
jovem talento na área da Dança.
200 Grupo Ageas Portugal
CADERNO SEGUROS
PROMOÇÃO
DA LITERACIA
PARA OS Direitos
Humanos
A mudança é urgente, sistémica
e precisa da contribuição
de cada pessoa de maneira a
ser promovida a diversidade,
a equidade e a inclusão
Luís Menezes
(Grupo Ageas
Portugal),
Nádia Cruz
(APPDI) e Pedro
Duarte, ministro
dos Assuntos
Parlamentares
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
201
C
ontribuir para a promoção da literacia para
os Direitos Humanos, reconhecendo a importância
da criação de um espaço de partilha
e de aprendizagem colectiva, bem como
potenciar o lugar de fala para as vozes mais
activas em mudanças sociais positivas em
Portugal. Foi este o propósito da 1.ª Grande
Conferência Nacional para a Diversidade, Equidade e Inclusão
– denominada DEI Summit –, organizada pela Associação
Portuguesa para a Diversidade e Inclusão (APPDI), em
conjunto com o Grupo Ageas Portugal.
Juntando mais de 45 oradores e 700 pessoas inscritas, ao
longo de dois dias reflectiu-se sobre diversidade, equidade e
inclusão nos sectores público e privado. Os painéis de discussão
abordaram, entre outros temas, a integração no mercado
de trabalho; práticas organizacionais inclusivas; o pilar
social e o impacto das políticas públicas no combate às desigualdades
históricas e sociais; e a importância dos meios de
comunicação tradicionais e do digital.
A DEI Summit «evidenciou que é preciso sempre muita
vontade e, acima de tudo, compreender que trabalhar a diversidade,
equidade e inclusão é um imperativo ético e moral.
As organizações só têm de pensar se querem ser líderes
ou serem lideradas por outros exemplos», comenta Paula
Carneiro, presidente da APPDI. E acrescenta: «Acreditamos
que liderar pelo exemplo é bem melhor. A diversidade é
também um factor distintivo nas vantagens económicas e de
competitividade nas empresas e organizações.»
As 16 horas de reflexão incluíram intervenções de decisores
políticos, dirigentes da administração pública, representantes
da academia, sector empresarial, jornalistas e sociedade
civil. Serão materializadas num relatório de boas práticas
e recomendações para organizações públicas e privadas, designadamente
empresas e administração pública.
«Com esta 1.ª Conferência Nacional para a Diversidade,
Equidade e Inclusão cumprimos o objectivo de envolver
o tecido empresarial, dirigentes da administração pública,
académicos e representantes de associações na partilha de
desafios e boas práticas. A consciencialização e mudança de
mentalidades começa nas organizações que estiveram aqui
presentes com recomendações de como é que podem abordar
estes temas e práticas dentro de portas», comenta Luís Menezes,
CEO do Grupo Ageas Portugal.
A DEI Summit foi um evento gratuito e inclusivo com a
disponibilização de tradução em língua gestual portuguesa,
legendagem em directo, sala de silêncio e podendo ser acompanhado
em português e inglês. Teve ainda em consideração
aspectos físicos relativos à acessibilidade ao local como rampas,
elevadores e sinalização clara e visível. No que respeita à
inclusão a nível de género, teve casas de banho género neutro
ou 3.ª opção disponível, uso de linguagem neutra nas comunicações
e uso de pronomes – na apresentação de speakers.
A organização faz um balanço positivo da primeira edição,
quer a nível de audiência, quer ao nível dos contributos
recolhidos para o desenvolvimento destas áreas, confirmando
que esta conferência foi «uma ferramenta útil de
net working e literacia». Deste encontro, saíram algumas
conclusões importantes como:
• Os Direitos Humanos não podem ser vistos como um dado
adquirido e a promoção da diversidade tem de ser um trabalho
colectivo e não apenas de uma minoria.
• Nem todas as pessoas têm a mesma oportunidade para participar.
É preciso promover lugares de fala e de partilha
para grupos e minorias discriminadas.
• As mudanças não se fazem só por decreto. É necessário
aproximar as leis das pessoas.
• A realidade de cada pessoa é distinta e, por isso, é importante
trabalhar com foco nas dimensões da interseccionalidade.
• É urgente criar ambientes seguros para progredir, passando
da inclusão ao sentido de pertença.
• É importante que as organizações continuem a apostar na
formação em temas como diversidade, equidade e inclusão,
bem como na revisão de procedimentos internos de
Recursos Humanos.
• As lideranças das organizações têm de estar comprometidas
na criação de espaços seguros e no reconhecimento do valor
acrescentado da diversidade, equidade e inclusão.
• As políticas públicas para a diversidade, equidade e inclusão
têm de ser comunicadas e divulgadas de forma a que a
sociedade em geral as reconheça no dia-a-dia e em todas as
áreas de intervenção.
• É necessário concretizar de forma mais evidente a articulação
entre Estado, empresas, sector social e sociedade civil
nos temas da diversidade, equidade e inclusão.
202 MDS
CADERNO SEGUROS
Seguro de
Vida:
MAIS DO QUE UMA
EXIGÊNCIA BANCÁRIA
Uma protecção pessoal
e familiar essencial.
É desta forma que a MDS
encara este produto
assegurando que “existe
mais vida” nesta solução
habitualmente associada
ao crédito habitação.
É o caso do seguro de
Vida Protecção Pessoal e
Familiar, um importante
suporte financeiro para
um futuro mais seguro
Texto de
ISABEL MANADAS,
directora de Acidentes de
Trabalho, Pessoais e Viagem
da MDS Portugal
e de
SANDRA CALEJO,
coordenadora de Seguros de
Pessoas, Vida e Pensões
da MDS Portugal
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
203
Q
uando referimos ou ouvimos falar sobre
seguro de Vida, pensamos de imediato no
seguro exigido pelos bancos para efeito de
acesso ao crédito habitação, mas não devemos
esquecer que “existe mais vida” para
além desse seguro de Vida muito específico.
O habitualmente denominado seguro
de Vida Crédito Habitação, não sendo obrigatório, traduz-se
numa exigência das entidades credoras para protecção da dívida
constituída.
Em caso de morte ou invalidez de uma das pessoas que
contraíram o empréstimo, a entidade credora assegura o recebimento
do valor em dívida, através da apólice de seguro
de Vida. Neste caso, o capital seguro do contrato deve corresponder
ao valor do empréstimo.
O custo é um factor a que todos somos sensíveis, no entanto,
é fundamental preocuparmo-nos com as coberturas
contratadas. A cobertura por morte é a garantia principal, e
as coberturas complementares mais usuais são a invalidez absoluta
definitiva e a invalidez total e permanente.
No que à invalidez diz respeito é necessário comparar a
percentagem a partir da qual pode ser accionada a cobertura
e as suas respectivas condicionantes. Quanto mais baixa for a
percentagem contratada associada à invalidez, maior é o nível
de protecção.
De notar que existem outras coberturas complementares
que podem ser contratadas, tornando a protecção do seguro
mais robusta. Exemplos dessas coberturas são as Doenças
Graves, Subsídios por Hospitalização, Capital Extra em Caso
de Filhos Menores a Cargo, entre outras.
Quando mencionamos que “existe mais vida”, estamos a
referir-nos ao seguro de Vida Protecção Pessoal e Familiar,
uma solução de protecção que não é frequentemente considerada.
Verificando-se desta forma um “gap de protecção”, que
significa que existe uma grande distância entre os seguros
que as pessoas têm e os que deveriam ter.
E SE A CAPACIDADE DE GERAR RENDIMENTO É
AFECTADA? COMO PROTEGER DEPENDENTES?
Cada um de nós tem consciência que existem riscos no dia-a-
-dia que podem representar consequências graves e de elevado
impacto no orçamento familiar.
Uma morte inesperada pode provocar uma substancial
redução nos rendimentos familiares, assim como uma situação
de invalidez que não só diminui os rendimentos auferidos
como aumenta as despesas.
O seguro de Vida desempenha, desta forma, um importante
papel de suporte financeiro para fazer face à eventual
perda de rendimentos da pessoa segurada. São estes riscos
que devem ser partilhados ou transferidos para um segura-
204 MDS
CADERNO SEGUROS
dor, via subscrição de um seguro de Vida de Protecção Pessoal
e/ou Familiar.
E o capital? Não existe montante em dívida, o que pode o
subscritor do produto segurar?
Não há uma fórmula mágica para este cálculo, mas existem
critérios que podemos considerar e que auxiliam no cálculo
do capital a segurar. Factores a considerar:
• Multiplicar por cinco o salário líquido anual;
• Calcular o montante de dívidas que não estão protegidas
por um seguro de Vida;
• A soma do montante das dívidas com o resultado da multiplicação
do salário resulta no capital a segurar.
Esta é uma das formas para realizar esta estimativa, existem
outras que terão diferentes factores em consideração
como a estrutura familiar, filhos financeiramente dependentes
ou outros dependentes como, por exemplo, os ascendentes.
O mercado de Vida, em 2024, cresceu 35,3%, sendo que,
desta percentagem, apenas 2,1% respeitam ao seguro de Vida
Risco, o grande volume deve-se ao aumento da venda de produtos
de Capitalização e de Investimento (como os PPR), ou
seja, resulta da poupança realizada, outra importante vertente
dos seguros de Vida (fonte: APS).
Ao longo deste artigo temos vindo sempre a referir o seguro
de Vida Individual, no entanto, devemos também ter
presente o papel fundamental que as entidades patronais podem
desempenhar na protecção dos seus colaboradores. Também
aqui as empresas têm, através da atribuição do seguro de
Vida Grupo, um factor de diferenciação ao nível dos benefícios
que proporcionam às suas pessoas.
MDS LANÇA LIVRO PARA
PROFISSIONAIS E FAMÍLIAS
SOBRE O SEGURO DE VIDA
Contribuir para reforçar o conhecimento e a
literacia sobre seguros de Vida, junto dos profissionais
do sector e do público em geral, é o
objectivo do mais recente livro lançado pela área
de publicações da MDS, multinacional líder em
corretagem de seguros e resseguros, consultoria
de risco e gestão de benefícios, e que conta com
a colaboração da Real Vida Seguros.
A obra “Seguro de Vida”, da autoria de Isabel
Manadas e Sandra Calejo, especialistas da MDS,
é a quinta da colecção intitulada “Keep it Simple”.
Em que consistem os seguros de Vida, quais as
diferentes tipologias, que coberturas abrangem,
quais as exclusões, como determinar o capital
seguro, em que medida um seguro de Vida é uma
poupança, quais as vantagens fiscais associadas
e quais os desafios e oportunidades, actuais e
futuros, deste mercado são algumas das matérias
tratadas no livro, numa linguagem simples e
acessível a todos.
“Pretendemos que o Keep it Simple sobre o seguro
de Vida que a MDS está actualmente a lançar
contribua para a partilha de conhecimento,
desmistificando e simplificando o seguro de Vida,
capacitando a sociedade em geral de um maior
entendimento sobre esta solução tão fundamental.
Desta forma, poderão tomar decisões informadas
que garantam um futuro mais seguro e
financeiramente estável para a sua estrutura
familiar”, destacam as autoras.
A colecção Keep it Simple faz parte das MDS
Publications, um conjunto de publicações
(revistas, livros, entre outras) editadas pela MDS,
que abordam temas do mundo dos seguros e
gestão de risco, com o propósito de criar e
promover uma cultura de risco e seguro, áreas
essenciais ao desenvolvimento da sociedade.
Isabel Manadas e Sandra Calejo
Conheça todas as publicações
e faça download gratuito do livro:
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206 Zurich
CADERNO SEGUROS
Prevenção
e segurança:
UMA ESTRADA DE DOIS
SENTIDOS PARA A ZURICH
MARKETEER # 343 FEVEREIRO DE 2025
207
“O Cuidado é o Melhor
Caminho. Para que tudo corra
bem” é a campanha que nasce
com a ambição de trans–
formar a via pública num
local mais responsável,
através de uma mobilidade
mais segura e sustentável
P
ortugal é o país da Europa Ocidental com
mais mortes de peões por milhão de habitantes.
Os dados são de 2022 e constam no
relatório da Autoridade Nacional da Segurança
Rodoviária, mas os números em 2023
revelam um aumento, com mais de 36 mil
acidentes com vítimas, dos quais resultaram
mais de 450 mortes, mais de 2600 feridos graves e mais de
42 800 feridos ligeiros. Os dados de 2024 ainda não se encontram
inteiramente apurados, mas, entre os meses de Janeiro
e Julho, no continente e nas regiões autónomas foram
registados mais de 21 400 acidentes, com mais de 270 vítimas
mortais. Lisboa e Porto são os distritos que apresentam mais
vítimas mortais e feridos graves, sendo 74,4% das vítimas
mortais condutores, 14,3% peões e 11,3% passageiros. A meta
nacional é ter, em 2030, metade dos mortos e feridos graves
de 2019.
O crescimento da mobilidade verde nos últimos anos,
com as trotinetes eléctricas como opção de transporte cada
vez mais popular nos meios urbanos, sobretudo entre os mais
jovens, é acompanhado pelo aumento de acidentes. Os especialistas
alertam para esta realidade e os números comprovam-no:
124 pessoas morreram devido a acidentes com motas
e 26 perderam a vida em desastres com bicicletas e trotinetes,
em 2023. Face a 2019, o aumento de vítimas mortais em motociclos
é de 25% e em bicicletas e trotinetes de 38%.
A CONSCIENCIALIZAÇÃO COLECTIVA
PARA UMA RESPOSTA CONCERTADA
As estatísticas revelam a necessidade de mitigar o impacto
destes riscos para tornar as localidades seguras. O cumprimento
das regras de trânsito e os cuidados redobrados por
parte de peões e condutores revelam-se determinantes para
contrariar esta tendência e permitir chegar a 2050 com zero
mortes de peões. Para que esta ambição se concretize, a implementação
de medidas de controlo e limitação de velocidade
em zonas pedestres é fundamental, assim como a sensibilização
colectiva para as três principais causas de acidentes
rodoviários: excesso de velocidade, condução com excesso de
álcool e uso do telemóvel ao volante.
Para isso, a prevenção é crucial. O esforço entre entidades
públicas e privadas, incluindo seguradoras, tem de ser
conjunto para reforçar a segurança rodoviária. Urge consciencializar
e incentivar à mudança comportamental, sensibilizando
os condutores para que tenham uma condução segura
e sem distracções, e os peões para que sejam cautelosos
e prudentes quando circulam nas ruas. Cabe ao sector segurador,
com o conhecimento e experiência que tem, proteger
os utentes na via pública de situações inesperadas e alertar
para os perigos existentes.
208 Zurich
CADERNO SEGUROS
O CUIDADO NA ESTRADA
PELO BEM COMUM
Foi assim que nasceu a campanha “O Cuidado é o Melhor Caminho.
Para que tudo corra bem”. A Zurich Portugal e a Prevenção
Rodoviária Portuguesa uniram-se para promover a
sensibilização para a segurança rodoviária e incentivar comportamentos
mais seguros na estrada, reforçando a necessidade
de condutores e peões adoptarem atitudes cívicas, vigilantes
e responsáveis. A campanha vai decorrer até ao final do
ano de 2025 e apela ao compromisso de todos com uma mobilidade
mais segura e sustentável.
A campanha tem uma cobertura nacional e as mensagens
são distribuídas através de vários canais de comunicação,
como a rede de mupis da Prevenção Rodoviária Portuguesa,
redes sociais, digital, rádio – no programa Café da Manhã da
RFM – e nos mupis digitais dos Parceiros de Negócio da Zurich.
O conceito criativo é da agência de publicidade McCann
e reforça que o cuidado com os outros é o melhor caminho
para viagens mais agradáveis e seguras, evidenciando que
uma atitude de respeito, civismo e prudência torna a circulação
nas estradas mais tolerante e defensiva.
«Na Zurich, acreditamos que a verdadeira segurança
começa com a prevenção. Por isso, a nossa missão vai para
além da venda de seguros – queremos ser agentes de mudança
e inspirar comportamentos responsáveis e conscientes no
trânsito. Cada vida protegida e cada acidente evitado são
uma vitória. Neste cenário, o papel do marketing revela-se
crucial para impactarmos um público mais amplo e contribuirmos
para educar e envolver a sociedade na consciencialização
dos riscos e na importância de adoptar práticas
seguras, ao volante e até mesmo a pé. Com esta campanha,
reafirmamos o nosso compromisso em causar um impacto
positivo no planeta», adianta Emília Sanches, directora de
Marketing da Zurich Portugal.
A campanha adopta uma abordagem simples e acessível
para comunicar as mensagens de prevenção. “A atenção tem
sempre prioridade”, “A consideração é o melhor co-piloto”,
“A calma é uma estrada de dois sentidos” ou “Ter cuidado é
sempre o melhor caminho” são algumas das mensagens que
se podem ler nas criatividades da campanha. A paciência é
essencial na estrada e uma condução calma e tolerante melhora
a experiência de quem está ao volante e as interacções
com os restantes utilizadores da via pública.
Evitar distracções, manter o foco nas condições da estrada,
respeitar os direitos dos peões e os limites de velocidade,
assim como adoptar atitudes de empatia e cooperação para
evitar conflitos são determinantes para garantir a segurança
de todos os que vivem em sociedade. É por essa razão que a
prevenção e a segurança representam uma estrada de dois
sentidos que, ao ser percorrida por todos os seus utilizadores,
tem tudo para correr bem.
A calma
é uma estrada
de dois sentidos
Para que tudo corra bem,
ter cuidado é o melhor caminho.
zurich.com.pt
Esta comunicação é da inteira responsabilidade da Zurich Insurance Europe AG, Sucursal em Portugal
e da Zurich – Companhia de Seguros Vida, S.A., registadas na ASF com os números 1184 e 1132 respetivamente.
210 A fechar
OPINIÃO
REINÍCIO DO FIM DOS ÓSCARES:
ONDE SE ENCAIXAM AS MARCAS
nesta incerteza?
O
início de Março trará mais uma madrugada
de Óscares, que, apesar de (na minha
opinião) estar longe de trazer filmes
ou interpretações memoráveis, poderá
projectar o futuro próximo da ainda
grandiosa cerimónia da sétima arte.
Nos últimos 10 anos, a cerimónia
perdeu mais de metade dos espectadores
nos Estados Unidos da América, enfrentou
uma pandemia e, recentemente, uma
vaga de incêndios que varreu a Califórnia,
fragilizando a indústria. Os alertas
desta queda têm sido dados ano após ano
e as tentativas da academia para revitalizar
a cerimónia e torná-la mais apelativa,
principalmente para os mais jovens no
pós-Covid, têm falhado redondamente.
Em 2022, por exemplo, a academia
decidiu incluir influenciadores, músicos
pop (e até K-pop) e desportistas radicais
nas entregas de prémios. O resultado foi
um desastre total em termos de audiências,
qualidade do espectáculo e, acima
de tudo, para quem realmente gosta dos
Óscares. Relembro que, no tributo aos
50 anos de “O Padrinho”, com Coppola,
De Niro e Pacino em palco, onde havia
tanto para dizer, o discurso foi tomado
na totalidade por… P. Diddy. Já no ano
anterior (2021), a desastrosa cerimónia
na Union Station de Los Angeles teve um
estalo ao apresentador como o momento
alto da noite (que chamou de volta as
pessoas à cerimónia), registando ainda
assim o pior número de espectadores da
história moderna dos Óscares.
No entanto, os dois últimos anos
têm sido de retoma. As audiências estão
a crescer (ainda que sejam metade de há
10 anos), revelando que a velha fórmula
resulta: bons filmes, A-list actors e um
grande apresentador.
Apesar de tudo, para este ano o
contexto não é animador. Os incêndios
ainda estão bem presentes em toda a
Hollywood e, principalmente, os filmes
nomeados não são memoráveis. Conan
O’Brien é mais irreverente que Jimmy
Kimmel, mas poderá não ser suficiente
para atrair mais espectadores no dia 3
de Março.
E as marcas? Estar nos Óscares é procurar
o que de melhor a indústria do cinema
tem para oferecer: glamour, fama,
star quality, movie stars e, claro, o impacto
desta presença. O exemplo da Ko-
Texto
FILIPE
NEVES
Managing director da
Arena Media
dak, que chegou a abrir um processo de
falência, mas ainda perdura na memória
como a marca anfitriã da cerimónia, é um
exemplo dessa força, o que continua a fazer
deste evento uma oportunidade única
em qualquer fuso horário do planeta. Este
é um momento que conjuga o “aspiracional”
com todo o saudosismo popular de
uma Geração X e Millennial, que marcou
nas últimas décadas quem gosta de cinema,
e não são poucos… bastantes.
O futuro irá, no entanto, depender
do interesse dos espectadores que são
mais sensíveis, exigentes e informados.
Se os Óscares voltarão a ser apetecíveis, e
recuperarão os que perderam na última
década, é a fórmula que a academia terá
que encontrar. E, se encontrar, as marcas
lá estarão.
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E AQUECIMENTO
RÁPIDO
CORES
DISRUPTIVAS