Jornal das Oficinas 221
Na edição de fevereiro/março 2025 do Jornal das Oficinas Nº 221, o artigo de destaque é sobre a Internacionalização de empresas aftermarket. Neste artigo, damos a conhecer exemplos de empresas de sucesso no aftermarket automóvel nacional que escolheram internacionalizar-se e deixar a marca “Made in Portugal” espalhada pelo mundo
Na edição de fevereiro/março 2025 do Jornal das Oficinas Nº 221, o artigo de destaque é sobre a Internacionalização de empresas aftermarket. Neste artigo, damos a conhecer exemplos de empresas de sucesso no aftermarket automóvel nacional que escolheram internacionalizar-se e deixar a marca “Made in Portugal” espalhada pelo mundo
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jornaldasoficinas.com | JORNAL INDEPENDENTE DA MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE VEÍCULOS LIGEIROS E PESADOS | DIRETOR | João Vieira
221
INTERNACIONALIZAÇÃO
EMPRESAS AFTERMARKET
ECONOMIAS
DE ESCALA
PÁG. 6
Pós-venda em risco
Pág. 16 // A reparação automóvel na Europa enfrenta
diversos obstáculos devido a uma combinação de fatores
económicos, tecnológicos, regulatórios e ambientais. As
associações europeias do aftermarket elaboraram um
documento que apela à mediação de Bruxelas para pôr termo às
práticas que dificultam as reparações pelo setor independente
Motortec 2025
Pág. 20 // O salão Motortec 2025, que se realizará de 23
a 26 de abril de 2025, reforça a dimensão internacional com
a participação de mais de duzentas empresas estrangeiras
confirmadas, de 25 países, o que representa um aumento de
50% face à edição de 2022
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Mário Batista
Pág. 42 // A Caetano Parts é a central de peças que
efetua a gestão de todas as peças originais das marcas
comercializadas pela Caetano Retail, assim como as
referências de aftermarket, pneus e lubrificantes.
Viajámos até Grijó, onde fomos recebidos pelo diretor-geral,
Mário Batista, que nos contou tudo sobre esta empresa
Equipamentos essenciais
Pág. 86 //Numa oficina é fundamental contar com os
equipamentos necessárias para efetuar qualquer reparação
e oferecer o melhor serviço possível ao cliente. Uma oficina
com o equipamento e as ferramentas adequadas, vai sempre ter
mais possibilidades de enfrentar qualquer tipo de reparação
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Editorial
221 fevereiro/março 2025
Folha de serviço ........................................................ 4
DESTAQUE
Internacionalização empresas aftermarket .. 6
ATUalidadE
Reparação Independente em risco ................. 16
Inteligência Artificial Generativa ...................... 58
SALÃO
Motortec 2025 ....................................................... 20
NOTÍCIAS
Empresas e produto .............................................. 22
Pneus ......................................................................... 92
ENTREVISTAS
Carlos Garcia (Niterra) ......................................... 26
Gael Escribe (Nexus) ............................................ 30
Cláudia Soares (Rolnorte) ................................... 34
Mário Batista (Caetano Parts) ........................... 42
Miguel Moreira (OMA) ........................................... 46
Tiago Resende (Diagtec+) .................................. 50
Ricardo Cruz (Fidelidade Car Service) ............ 54
MERCADO
Projeto Efficientia ................................................. 60
OFICINA DO MÊS
FLS Motor ................................................................. 62
SEGURANÇA
Incêndios em automóveis ................................... 76
GESTÃO
Competitividade nas oficinas ........................... 80
SERVIÇO
EPI para serviços em VE .................................... 82
TÉCNICA & SERVIÇO
Equipamentos essenciais .................................. 86
RAZOÁVEL
OU EXCESSIVO?
Um relatório recente da consultora Roland Berger sobre o “Panorama do Aftermarket Europeu”
revela que 57% dos distribuidores de peças efetuam mais de três entregas por dia. Nos
meios urbanos, três em cada dez distribuidores efetuam mais de cinco entregas por dia, enquanto
nas zonas rurais, a frequência mais comum é de 1-2 por dia. Embora existam diferenças
significativas entre as zonas urbanas e rurais, é evidente que os distribuidores oferecem um
serviço exemplar em termos do número de entregas. Mais especificamente, 57% dos participantes no
inquérito afirmaram que, em média, fazem mais de três entregas a oficinas por dia. Mas é ainda mais
surpreendente o facto de 20% deles fazerem mais de 5 entregas por dia a oficinas de reparação. Segmentado
por zonas, o número de entregas está a aumentar ainda mais nas zonas urbanas. Trinta por
cento dos distribuidores fazem mais de 5 entregas por dia, contra 14% que fazem entre 4 e 5; 23% fazem
3 ou 4 entregas; 16% fazem 1-2 entregas e 9% fazem menos de uma entrega por dia. Esta situação
contrasta com as entregas efetuadas nas zonas rurais, onde o número de veículos é consideravelmente
reduzido e onde a concorrência não é tão forte que exija entregas tão urgentes. Mesmo assim, neste tipo
de ambiente, 1-2 entregas por dia é a frequência mais repetida (34%), seguida de 20% dos distribuidores
que efetuam menos de 1 entrega por dia e 19% que efetuam 3-4 entregas por dia. O número de
distribuidores que efetuam 4-5 entregas por dia (apenas 5%) e mais de cinco entregas por dia (apenas
12%) diminui significativamente.
Extrapolando estas percentagens para o mercado português, podemos concluir que o número de entregas
de peças nas oficinas portuguesas deve andar em linha com o praticado nos restantes países
europeus, embora este número dependa da quantidade de carros assistidos. Uma oficina que atende
20 carros por dia, por exemplo, pode precisar de 5 a 10 entregas diárias para manter o stock adequado.
Para oficinas médias em áreas urbanas, uma média de 3 a 5 entregas por dia pode ser ideal, enquanto
as oficinas de grande porte podem precisar de até 10 entregas diárias. Em casos de oficinas pequenas
ou especializadas, 1 a 2 entregas por dia podem ser suficientes.
Mais do que considerar estes números razoáveis ou excessivos, importa apelar ao bom senso de todos
os elementos pertencentes a este mercado para que não se coloquem num ponto de não retorno, com
pouca sensibilidade e capacidade de estabelecer pontes entre todos. Será razoável se houver capacidade
de incorporar no preço de venda os elevados custos associados à dimensão dessa logística. Se assim não
for, será excessivo. O Aftermarket deveria ser um negócio de peças e serviços onde a questão logística
deveria ser apenas um pormenor na relação entre as empresas. Mas o número de entregas diárias atingiu
um ponto demasiado elevado o que, consequentemente acaba por afetar todas as empresas que,
para além das oficinas e retalhistas, fazem parte da cadeia. É preciso fazer melhor, ou seja, diminuir o
número de entregas às oficinas, mas com a competitividade que existe atualmente no mercado é muito
difícil os distribuidores baixarem o ritmo das entregas. Afinal, foram eles que criaram esta habituação
no mercado e agora têm de viver com a realidade e tentar ser o mais eficientes possível, para continuar
a sustentar esta logística.
O número de entregas diárias que os retalhistas fazem às oficinas, é uma das formas de se diferenciarem,
contudo, deve ser avaliado com cuidado, para assegurar que é eficiente e sustentável. Deverá ser
procurado um equilíbrio, entre as oficinas que pretendem um acesso rápido às peças e produtos de que
necessitam, e os retalhistas que procuram prestar um serviço eficaz e de qualidade, mas sem comprometer
a eficiência da operação ou aumentar os custos logísticos sem o devido retorno.
JOÃO VIEIRA | Diretor
DIRETOR JOÃO VIEIRA joao.vieira@apcomunicacao.com // DIRETOR COMERCIAL MÁRIO CARMO mario.carmo@apcomunicacao.com // GESTOR DE CLIENTES PAULO FRANCO paulo.franco@apcomunicacao.com
JORNALISTAS JOANA MENDES joana.mendes@apcomunicacao.com // INÊS DIAS ines.dias@apcomunicacao.com // WEBMASTER ANTÓNIO VALENTE // ARTE HÉLIO FALCÃO // SERVIÇOS CONTABILIDADE
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www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 3
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Comunicação, editora do Jornal das Oficinas, lançou no início do ano um novo site corporativo
(www.apcomunicacao.com) com o principal objetivo de integrar todos os produtos numa só
página web, e promover maior conhecimento sobre a empresa. Com um visual mais apelativo
e de fácil navegação, o utilizador tem acesso às tabelas de publicidade e dados úteis sobre a tiragem e
alcance das publicações e redes sociais. O lançamento do novo site da AP Comunicação surge também
como consequência da crescente procura de informação das marcas e empresas sobre os nossos produtos,
designadamente as Competições para mecânicos e oficinas, Gala TOP 100, edições Jornal das Oficinas
e Anuário Revista dos Pneus. Este novo site é a prova de que a AP Comunicação está em constante
evolução, garantindo maior conexão e envolvimento com os clientes. A proximidade com os clientes é
crucial, e a criação do novo site promove maior conhecimento sobre a empresa, aumentando ainda a
satisfação dos clientes com toda a informação disponível reunida num único acesso. Adicionalmente,
o novo site garante a divulgação de contactos a potenciais clientes que possam ter interesse nas nossas
marcas, facilitando desde o início a comunicação.
SEMÁFORO
TIAGO RESENTE
DIRETOR DE MARKETING
DA DIAGTEC PLUS
EM TERMOS DE MARKETING,
A DIAGTEC PLUS QUER FAZER
UMA REVOLUÇÃO E PASSAR PARA
O MERCADO UMA IMAGEM AINDA
MAIS PROFISSIONAL. INVESTIMOS
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QUE NOS VÃO PERMITIR FAZER
ESSA ABORDAGEM, TENTAR
APROXIMAR-NOS MAIS DO CLIENTE
A NÍVEL DE REDES SOCIAIS
E DE EVENTOS NO TERRENO.
NÃO QUEREMOS O CRESCIMENTO
EM MASSA, MAS SIM SUSTENTADO
Componentes com futuro pouco
animador
Tal como era esperado, as exportações de
componentes automóveis em Portugal
baixaram em 2024. De acordo com a AFIA,
a queda homóloga foi de 4,5% tendo as
vendas além-fronteiras atingido os 11.785
milhões de euros, mas a associação que
representa o setor sublinha que, ainda
assim, os componentes representam
14,9% das exportações nacionais de
bens transacionáveis, o que não deixa
de representar um valor importante no
contexto das exportações nacionais.
Contudo, os dados para o futuro próximo
não são animadores, devido à redução das
vendas de veículos na Europa, principal
destino das exportações do setor (88,5%).
Guerra comercial
Os Estados Unidos prosseguem com o que
já é chamado de guerra comercial, desta
vez com o anúncio de que as importações
de aço e alumínio vão passar a ser
taxadas a 25%. As decisões protecionistas
tomadas pela administração Trump
estão a ser recebidas com apreensão pelo
tecido empresarial de todo o mundo,
União Europeia incluída (o que já levou a
Comissão Europeia a prometerretaliações),
Portugal em particular. Estas medidas (aço
e alumínio) não nos afetam diretamente
porque não exportamos matéria-prima,
mas indiretamente vão acabar por ter
efeitos, nomeadamente em termos de
preços finais.
Confiança no investimento
Apesar dos desafios e incertezas
provenientes da atual conjuntura
macroeconómica e geopolítica, os efeitos da
esperada estabilização da inflação(variação
anual de 2,4% em 2024, deverá estabilizar
nos 2,0% em 2025 e2026),o impacto
positivo do PRR e o posicionamento
preferencial de Portugal no mundo, são
fatores que vão ajudar o País e as empresas
a investir com mais confiança e segurança
em 2025. É neste contexto que o Banco
de Portugal estima uma recuperação do
crescimento da economia para 2,1%,
em 2025 e 2,2% em 2026 (depois do
abrandamento verificado de 1,6% em
2024).
4 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
Destaque
INTERNACIONALIZAÇÃO EMPRESAS AFTERMARKET
UM RISCO OU
UM BEM NECESSÁRIO?
A INTERNACIONALIZAÇÃO DAS EMPRESAS OFERECE UMA SÉRIE DE BENEFÍCIOS
ESTRATÉGICOS, OPERACIONAIS E FINANCEIROS. MAS TAMBÉM ACARRETA RISCOS.
NESTE ARTIGO, DAMOS A CONHECER EXEMPLOS DE EMPRESAS DE SUCESSO
NO AFTERMARKET AUTOMÓVEL NACIONAL QUE ESCOLHERAM INTERNACIONALIZAR-SE
E DEIXAR A MARCA “MADE IN PORTUGAL” ESPALHADA PELO MUNDO
PRIMEIROS PASSOS
A
globalização da economia e a
crescente concorrência forçam
as empresas a procurar
novas alternativas para garantir
a sustentabilidade dos
seus negócios. Num ambiente
tão dinâmico, a capacidade de adaptação
torna-se fundamental para manter a competitividade.
Uma das estratégias mais eficazes
para alcançar a rentabilidade a longo prazo e,
sobretudo, assegurar a sobrevivência, tanto de
pequenas e médias empresas (PMEs), quanto
de grandes corporações, é através da internacionalização.
A internacionalização permite
que uma empresa ultrapasse as fronteiras do
seu mercado doméstico, atuando em novos
contextos e oferecendo os seus produtos e serviços
à escala global. Esta expansão estratégica
visa não apenas aumentar a base de clientes,
mas também diversificar riscos e explorar novas
fontes de receita, seja por meio do acesso a
novos recursos ou da redução de custos.
Entrada em Mercados Estrangeiros
O processo de internacionalização exige uma
análise cuidadosa das características internas
da organização e das condições externas dos
mercados-alvo. Os fatores internos incluem
a motivação da empresa para se expandir e a
sua capacidade operacional, enquanto os fatores
externos envolvem questões como proximidade
geográfica, semelhanças linguísticas e
integrações económicas. Existem várias estratégias
que uma empresa pode adotar para
entrar em mercados estrangeiros, cada uma
com vantagens e desafios específicos. Abaixo,
exploramos alguns dos principais modelos de
internacionalização.
Exportação: A exportação envolve a venda de
bens ou serviços de agentes residentes para entidades
não residentes, podendo ser feita diretamente
ou através de intermediários. Embora
permita o acesso a novos mercados e tecnologias
mais avançadas, que ajudam na melhoria
da sua estratégia e produtividade, também enfrenta
desafios como custos logísticos, barreiras
alfandegárias e flutuações de câmbio.
Franchising: O franchising é um modelo de
licenciamento onde, além da propriedade intelectual,
também se partilham o know-how
operacional e as marcas do negócio. Este permite
uma expansão mais rápida com menores
investimentos, aproveitando o conhecimento
e a experiência local dos franchisados. No entanto,
manter a consistência da marca e garantir
que sejam seguidas as mesmas práticas
e padrões de qualidade pode ser um desafio.
Licenciamento: O licenciamento é um acordo
em que uma empresa cede a outra o direito
de produção, utilização e comercialização dos
seus produtos ou ativos intangíveis numa área
geográfica específica. Este modelo funciona
melhor com marcas de forte notoriedade, que
atraem consumidores para os produtos ou
servidos promovidos pela marca licenciada.
As vantagens incluem uma expansão rápida,
retorno mais célere de investimentos e a possibilidade
de evitar tarifas aduaneiras. No entanto,
é essencial garantir que a qualidade da
marca e dos produtos seja mantida, mesmo
com a operação local do licenciado.
Joint Ventures: As joint ventures são parcerias
entre empresas que formam uma nova
entidade legal ao combinar recursos, riscos e
lucros para entrar num mercado estrangeiro.
Este modelo permite partilhar know-how,
aproveitar uma base de clientes existente e
aumentar a capacidade de investimento. No
entanto, a falta de autonomia e problemas associados
ao exercício de controlo de operações
podem ser um desafio na garantia do sucesso
da parceria.
Fusões: As fusões envolvem a união de duas
ENTRE OS VÁRIOS MOTIVOS PARA UMA
EMPRESA SE INTERNACIONALIZAR,
PODEMOS DESTACAR A EXPANSÃO DA BASE
DE CONSUMIDORES, O APROVEITAMENTO
DE VANTAGENS COMPETITIVAS, A
APRENDIZAGEM E INOVAÇÃO
Segundo o artigo “Expanding Your Business
Internationally? 15 Essential Things You’ll Need To Do”,
publicado pela Forbes Business Council, as empresas
devem seguir alguns passos essenciais no processo de
internacionalização. Das 15 sugestões recomendadas,
destacamos as 11 seguintes:
Encontrar o parceiro certo: O elemento mais
importante para o sucesso internacional é encontrar
o parceiro certo que entenda a dinâmica do mercado
local e estabelecer uma estrutura que recompense,
mutuamente, o sucesso a longo prazo.
Análise de mercado (TAM e SAM): Realizar uma
pesquisa de mercado profunda, analisando o Total
Addressable Market (TAM), traduzido como “Mercado
Total Disponível”, e o Serviceable Addressable Market
(SAM) ou “Mercado Alvo Disponível”, para identificar as
oportunidades de mercado.
Personalizar a oferta: Adaptar a oferta às
especificidades do mercado local, incluindo aspetos
culturais e hábitos de compra, muitas vezes com o
apoio de um parceiro local.
Considerar as diferenças culturais: É fundamental
compreender como o produto ou serviço será visto
num determinado país. Ajustar a abordagem às
especificidades do mercado ajuda a posicionar a marca
como um “insider”, em vez de parecer um intruso.
Contratar uma equipa internacional: Para construir
uma marca internacionalmente reconhecida, é
importante recorrer a “recursos locais” para entender
e entrar no mercado estrangeiro. A construção de uma
equipa internacional pode ser alcançada hoje em dia
através de parcerias, alianças e contratações diretas.
Conhecer o idioma e o poder de compra do país:
Investigar o conhecimento linguístico e o poder
de compra do mercado-alvo antes de se expandir
internacionalmente.
Estar disponível em diferentes fusos horários:
Garantir que a empresa tem disponibilidade horária
em quase todos os fusos horários para atender às
necessidades dos clientes de forma eficiente.
Entender o valor do produto nos mercados
internacionais: Determinar de que forma o produto ou
serviço será visto em diferentes regiões e como poderá
atender às necessidades exclusivas de cada mercado.
Criar um “Manual da Marca”:
Desenvolver um manual com diretrizes claras sobre
a apresentação da marca, abrangendo tudo, desde
a missão da empresa até aos logótipos. Este manual,
além de ser uma ferramenta para uso interno, garante
que os parceiros internacionais sigam corretamente
os padrões da marca.
Pesquisa e teste de estratégias de marketing:
Investir tempo em pesquisa e teste de estratégias
de marketing que funcionam no novo mercado,
adaptando conforme necessário.
Adaptar o negócio a novos desafios: Considerar os
impactos da internacionalização nas transações atuais,
incluindo barreiras linguísticas, culturais e legais, e
como ajustá-las.
www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 7
DESTAQUE
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SAIBA MAIS...
Para saber mais sobre o tema da Internacionalização
de empresas Aftermarket pode ouvir o Podcast “Dar
Voz ao Aftermarket” no site do Jornal das Oficinas.
Durante os meses de janeiro e fevereiro falámos
com diversos responsáveis de empresas aftermarket
nacionais, que nos contaram as suas experiências,
conquistas e desafios nos exigentes mercados
internacionais onde estão presentes.
empresas numa única entidade, eliminando a
independência das organizações originais. Esta
estratégia permite combinar mercados, recursos
e operações de forma permanente, criando
uma presença forte e integrada no mercado
estrangeiro. No entanto, enfrentam desafios
complexos, como a integração de culturas organizacionais,
sistemas operacionais e estruturas
de gestão independentes, que podem afetar o
sucesso da nova empresa.
Aquisições: A aquisição envolve a compra de
uma empresa já estabelecida no mercado-alvo.
Esta abordagem oferece acesso imediato a uma
base de clientes, rede de distribuição e presença
local. No entanto, pode ser um processo complexo
e dispendioso, exigindo uma diligência prévia
para evitar riscos legais e financeiros.
Portugueses Preferem Exportação
A exportação é uma das formas mais comuns de
internacionalização para as empresas portuguesas.
Segundo o Banco de Portugal, esta abordagem
demonstra um desempenho superior ao investimento
direto português no exterior (IPE),
que ocupa a segunda posição entre os principais
tipos de entrada em mercados internacionais.
Dados do Instituto Nacional de Estatística revelaram
que, em 2022, as exportações portuguesas
de bens atingiram os 78.207 milhões de euros, o
valor mais elevado de sempre das estatísticas do
comércio internacional, traduzindo um acréscimo
de 22,9% comparativamente ao ano anterior.
Em 2021, as exportações tinham subido
18,3%. Face a 2019, o acréscimo foi 30,6%.
A previsão para os próximos anos, de 2025 a
2027, segundo o Boletim Económico de Dezembro
de 2024 do Banco de Portugal, é de 3,3%,
em média. Refletindo sobre o ano passado:
“No primeiro semestre de 2024, os exportadores
portugueses de bens continuaram a ganhar
quota em termos nominais nos mercados da
UE, com contributos positivos da maioria dos
grupos de produtos”, mencionou o boletim sobre
as projeções da economia portuguesa. Entre os
países europeus, Espanha lidera como principal
destino, seguida pela Alemanha e a França.
Importância das Parcerias
Conforme apontado no estudo “O papel das
parcerias na internacionalização das empresas
portuguesas”, a internacionalização não é um
processo que as empresas devem enfrentar isoladamente,
numa postura de “orgulhosamente
sós”. Num cenário de concorrência global cada
vez mais competitivo, as alianças estratégicas
tornam-se essenciais para o sucesso das empresas
portuguesas ao expandirem-se para
mercados externos. Neste contexto, a formação
de parcerias estratégicas surge como uma ferramenta
indispensável para lidar com os desafios
da internacionalização. Um dos principais
fatores apontados pelo estudo é a procura por
competências complementares, que permitem
às empresas ultrapassarem barreiras culturais,
regulatórias e operacionais nos mercados de
destino. Adicionalmente, as parcerias são mais
frequentes em mercados emergentes, onde a
incerteza e a complexidade incentivam as empresas
a colaborarem com entidades locais. Este
tipo de aliança facilita o acesso a redes de distribuição,
conhecimento específico do mercado
e recursos partilhados, reduzindo os custos e os
riscos associados à expansão internacional. l
8 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
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DESTAQUE
PORTUGAL ALÉM-FRONTEIRAS
– CASOS DE SUCESSO NO
AFTERMARKET NACIONAL
A INTERNACIONALIZAÇÃO
TEM POTENCIAIS
ILIMITADOS
PAULO PINTO, administrador da MF PINTO
internacionalização da MF PINTO teve início em 2012, impulsionada pela necessidade
A de expandir além das fronteiras de um mercado nacional limitado. “O facto de o
mercado nacional ser bastante limitado, vira-nos para a internacionalização. Tem potenciais
ilimitados”, afirmou Paulo Pinto, administrador da empresa. Hoje, a MF PINTO exporta para
cerca de 40 países, com uma forte presença em Espanha e França, sendo o mercado europeu o
mais importante. A experiência de entrar em novos mercados trouxe uma nova visão e
permitiu um conhecimento mais aprofundado das dinâmicas globais. No entanto, os desafios
foram inevitáveis. “Nós trabalhamos com material original e aí o fator determinante é, sem
dúvida, o preço. Se não for o preço, nós dificilmente conseguíramos operar nesses mercados”,
explicou. Para se manterem competitivos, a estratégia passou por ajustar margens e gerir
eficientemente o stock, garantindo um serviço diferenciado. “A nossa diferenciação está no
serviço que prestamos, no facto de entregarmos a peça em 24 horas e no preço. Penso que
stock e preço são um binómio indissociável da internacionalização”, reforçou. A estabilidade
financeira também foi um ponto-chave. Se, por um lado, os volumes de compra aumentaram,
por outro, os pagamentos internacionais foram uma vantagem face à demora dos
pagamentos no mercado nacional. “Muitas das vendas de exportação são a pronto
pagamento ou a 15/30 dias, o que ajuda a equilibrar a estabilidade financeira”, comentou. Em
2024, a exportação representou quase 50% do volume de faturamento da empresa, com
presença na Europa, América do Sul, África e até na Austrália, um mercado inicialmente
inesperado. “Quando começamos nunca pensei que pudéssemos vir a ser competitivos e a
trabalhar com esse mercado”, confidenciou.
OS MERCADOS SÃO
DIFERENTES E PODEMOS
APRENDER COM CADA UM
MANUEL FÉLIX, administrador da RPL Clima
ara a RPL Clima, a internacionalização foi uma escolha natural para crescer e adquirir
P conhecimento. “Somos um mercado muito pequeno e, por isso, faz todo o sentido
irmos para fora”, começou por explicar Manuel Félix, administrador da RPL Clima. O foco
principal está em Espanha, um mercado próximo e acessível, mas com desafios próprios. “A
cultura profissional e empresarial é muito diferente da nossa e isso levanta, por vezes, algumas
dificuldades”, revelou. A RPL Clima trabalha com marca própria, o que implica grandes
investimentos em stock. A internacionalização não foi apenas uma oportunidade, mas uma
necessidade. “Se olharmos só para o mercado português, acaba por ser um problema, porque a
dimensão é pouca para podermos comprar”, explicou. Com o tempo, a empresa soube
adaptar-se, fazendo apenas pequenos ajustes. “Um fator diferenciador sempre foi a
possibilidade de nós termos um preço diferente, que, de alguma forma, compensa às pessoas
comprarem a nós. Por isso, o ajuste foi mais ao nível dos produtos que temos em stock do que
propriamente as margens em si”, referiu. A sazonalidade é um dos maiores desafios, pois o
negócio depende diretamente da temperatura. “Assim que o calor aparece, aparece o negócio.
Quando desaparece, o negócio vai a baixo”, contou. Para contornar este problema, a RPL Clima
diversificou a oferta e entrou em novas áreas dentro do setor do frio, garantindo uma maior
estabilidade ao longo do ano. “O objetivo é ter uma empresa estável, com uma faturação e
margens consistentes ao longo do ano”, sublinhou. No que toca à logística, Manuel Félix
recordou a importância de conhecer em detalhe as exigências de cada mercado para evitar
complicações no processo de exportação. “É preciso ter um conhecimento muito forte da
legislação de cada país para poder cumprir com todos os requisitos”, afirmou. Apesar dos
desafios, a internacionalização trouxe à RPL Clima crescimento e segurança. O conhecimento
adquirido em Espanha e noutros mercados foi essencial para reforçar a posição da empresa.
“Os mercados são diferentes e nós podemos aprender com cada um deles”, concluiu.
10 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
Uma marca da Continental.
LIMPE
COMO UM
PRO
NOVO
EXPORTAR
PERMITIU-NOS AUMENTAR
A COMPETITIVIDADE
RUI CHORADO, administrador da Dispnal
ara a Dispnal Pneus S.A, a decisão de internacionalizar-se foi um passo estratégico
P lógico. Aproveitando a proximidade geográfica e as semelhanças culturais, a empresa
concentrou a sua operação de exportação no mercado espanhol. “A decisão de exportar os
nossos produtos foi motivada pelo desejo de crescimento sustentável da empresa”, deu conta
Rui Chorado, administrador da Dispnal. Esta expansão permitiu diversificar fontes de receita,
fortalecer a marca e aumentar a competitividade. A entrada no mercado espanhol também
trouxe desafios, especialmente no que toca às diferenças na abordagem comercial. “As
negociações em Espanha exigem uma relação de maior proximidade, focada na construção de
confiança e parcerias duradouras”, apontou. Isso levou a Dispnal a adaptar a sua estratégia
comercial para se alinhar melhor com as expectativas dos clientes espanhóis. A forte
concorrência local exigiu da empresa uma diferenciação clara, assente na qualidade do serviço
e numa logística eficiente. “Temos investido numa gama diversificada de produtos e numa
logística forte, garantindo uma distribuição eficiente e adaptada às necessidades do
mercado”, afirmou. Para manter um serviço de excelência, a empresa adotou um modelo de
gestão dinâmico, mantendo stock avançado em pontos estratégicos de Espanha para
assegurar entregas rápidas e eficazes. “A diferença de fuso horário pode impactar a
comunicação e a coordenação das operações, o que exige uma gestão eficiente do tempo”,
destacou. Apesar da presença consolidada em Espanha, a Dispnal ainda não beneficia de
incentivos fiscais específicos para exportação, tornando a adaptação ao mercado internacional
um desafio adicional. Ainda assim, o impacto da exportação tem sido positivo, com um
crescimento sustentável e um reforço da sua posição no mercado. “Exportar para Espanha
permitiu-nos aumentar a competitividade no mercado interno. Esta expansão gerou maior
volume de negócios, o que resultou em economias de escala, permitindo negociar melhores
condições com fornecedores”, rematou.
AS PARCERIAS NÃO SÃO
APENAS UM MEIO DE SUPERAR
DESAFIOS, MAS TAMBÉM
UMA FORMA DE CRIAR
SINERGIAS QUE AUMENTAM
A COMPETITIVIDADE E A
CAPACIDADE DE INOVAÇÃO
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DESTAQUE
OS MERCADOS
INTERNACIONAIS EXIGEM
MAIOR RIGOR
LUÍS OLIVEIRA, diretor comercial da Hispanor
Hispanor é um exemplo de sucesso na expansão internacional, operando atualmente
A em diversos mercados europeus e até fora do continente, incluindo Nova Zelândia,
Nova Caledónia e Israel. “A necessidade de diversificar mercados, aumentar o volume de
negócios e aproveitar a procura por produtos especializados levou-nos à exportação”,
partilhou Luís Oliveira, diretor comercial da Hispanor. O crescimento além-fronteiras permitiu
à empresa ganhar notoriedade, aumentar a sua base de clientes e fortalecer a sua resiliência
face às flutuações do mercado interno. Identificar os mercados mais promissores não foi uma
tarefa fácil, especialmente devido à necessidade de encontrar parceiros locais de confiança e à
adaptação às regulamentações específicas de cada país. “Os mercados internacionais exigem
maior rigor em termos de qualidade, prazos de entrega e eficiência logística, o que nos levou
a melhorar processos internos e a estabelecer contratos com transportadoras fiáveis”, explicou.
Em alguns mercados altamente competitivos, foi necessário ajustar as margens de lucro para
garantir uma posição sustentável. “Em alguns casos tivemos de reduzir margens de lucro para
competir, principalmente onde a concorrência local é muito forte”, referiu. A aposta na
exportação trouxe um impacto positivo para a empresa, não apenas pelo crescimento das
vendas, mas também pela melhoria contínua dos seus produtos e processos. “Exportar
obrigou-nos a melhorar os nossos processos e produtos, o que nos deu uma vantagem
competitiva também no mercado interno”, destacou. Além disso, o contato com clientes
estrangeiros permitiu à Hispanor identificar tendências globais emergentes, incluindo a
crescente procura por soluções mais sustentáveis. No entanto, a expansão internacional não
vem sem desafios logísticos. “Os maiores desafios são os custos de transporte, a gestão de
prazos de entrega e a adaptação aos requisitos alfandegários de cada país”, afirmou. Para lidar
com essas dificuldades, a empresa tem apostado em parcerias estratégicas e num
planeamento logístico rigoroso.
A CAPACIDADE
DE ADAPTAÇÃO É
UM FATOR ESSENCIAL
FILIPE BANDEIRA, diretor-geral da AB Tyres
AB Tyres opera atualmente em todos os continentes, com maior foco no Médio
A Oriente, África e Ásia. A internacionalização tem sido essencial para o crescimento da
empresa, que agora pretende reforçar a sua presença na Europa e na América do Norte,
impulsionada pelo desenvolvimento da sua marca própria, Matrax. “Começámos a exportar
em 2012 com o objetivo de ganhar escala e diversificar as nossas fontes de receita. A
internacionalização permitiu-nos vender produtos que não comercializávamos no mercado
doméstico, ampliando a oferta e reduzindo a dependência de um único mercado”, afirmou
Filipe Bandeira, diretor-geral da AB Tyres. Atuar globalmente trouxe vantagens estratégicas
significativas, como um maior poder negocial e uma melhor adaptação às dinâmicas de cada
mercado. “O que funciona num país pode não funcionar noutro. A capacidade de adaptação é
um fator essencial”, destacou. A concorrência nos mercados externos exige um conhecimento
aprofundado das especificidades locais e uma atuação ajustada. “O que fazemos em Portugal
é o que tentamos replicar lá fora, mas sempre adaptados à estrutura de cada mercado – seja
com fabricantes, distribuidores ou clientes finais. No fundo, é como a tal expressão: tentar
surfar a onda”, explicou. “Eu costumo dizer: quando vamos para a China, somos chineses;
quando vamos para Angola, somos angolanos. Temos de nos adaptar a cada realidade”,
acrescentou. A expansão internacional também fortaleceu a estabilidade financeira da
empresa, equilibrando as oscilações do mercado português. “Os momentos menos bons que
temos no mercado doméstico são compensados pelo mercado externo e vice-versa”,
sublinhou. A exportação impulsionou ainda o desenvolvimento de novos produtos e
melhorias nos processos internos. “Quando começámos o negócio internacional, o foco era
apenas nos pneus premium. Hoje, a nossa prioridade é a nossa marca própria e outros
produtos, como baterias e lubrificantes”, salientou. Os desafios logísticos continuam a ser um
dos maiores obstáculos à exportação, exigindo uma gestão rigorosa. “A volatilidade dos preços
dos transportes e os atrasos nos tempos de trânsito afetam diretamente o cash flow, e isso
está fora do nosso controlo”, finalizou.
OS MERCADOS
TORNARAM-SE MAIS
PROFISSIONAIS E
EXIGENTES
PAULO MARQUES, diretor-executivo da Bombóleo
Bombóleo consolidou a sua presença global ao longo das últimas décadas,
A exportando para todos os continentes e estabelecendo operações locais em
Angola e no Brasil. A aposta na internacionalização esteve sempre presente na
estratégia da empresa, impulsionada pela necessidade de crescimento e explorar novos
mercados. “Costumo dizer que, quando regressamos do Brasil para Portugal, sentimos
uma limitação geográfica. Estamos num retângulo pequeno e, tal como acontece com
outras empresas de excelência neste setor, deparamo-nos com o problema das margens
e da falta de espaço para crescer”, afirma Paulo Marques, diretor-executivo da
Bombóleo. A atuação em mercados internacionais trouxe vantagens estratégicas,
permitindo à empresa diversificar receitas e reduzir a dependência do mercado
português. No entanto, cada país apresenta desafios específicos. “Os mercados
12 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
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O PREÇO PASSA PARA
SEGUNDO PLANO
FILIPE PINHEIRO e HUGO PERPÉTUA, gerentes da
Diamantino Perpétua & Filhos
Diamantino Perpétua & Filhos, Lda. consolidou-se como um player global no
A aftermarket automóvel, com quase 70% do seu volume de negócios proveniente da
exportação. Atualmente, a empresa opera em mais de 50 países e expandiu fisicamente para
França, com a Diaparts em Toulouse, e para o Paraguai, onde conta com três estabelecimentos. A
decisão de internacionalizar foi impulsionada pela necessidade de adaptação a um mercado
competitivo e em constante mudança. “Se a isso associarmos o reconhecimento internacional da
qualidade e garantia do nosso serviço, então reúnem-se as condições para operar num mundo
globalizado”, afirmaram Hugo Perpétua e Filipe Pinheiro, ambos gerentes da Diamantino
Perpétua & Filhos. Ao especializar-se numa única marca, a Diamantino Perpétua & Filhos
diferencia-se dos concorrentes, tornando a expansão internacional uma prioridade estratégica. O
mercado nacional, saturado, exigiu a busca por novos clientes e a diversificação de riscos. No
entanto, entrar em novos mercados não é simples. “O maior desafio é identificar mercados onde
a marca de veículos com que trabalhamos tenha uma presença musculada e onde existam
condições atrativas para investimento estrangeiro”, explicaram. A internacionalização trouxe um
aumento nos padrões de qualidade e eficiência, pois a exigência dos mercados externos,
sobretudo na Europa, obrigou a rigorosos procedimentos quer em termos de logística como no
setor de recondicionamento de peças. Curiosamente, a estratégia não passa por competir em
preço, mas sim por rapidez, fiabilidade e serviço. “Se conseguimos chegar ao cliente com um
produto distintivo, o preço passa para segundo plano”, destacaram. Olhando para o futuro, a
empresa mantém-se atenta às oportunidades, mas sem nunca perder de vista o que a define. “A
evolução tecnológica é essencial, mas sem esquecer aquilo que construímos ao longo dos anos:
uma imagem de especialização e um reconhecimento internacional que nos obriga a ter sempre
tudo o que o cliente necessita, independentemente da idade do seu parque de veículos”,
referiram. Essa solidez reflete-se nos números: há uma década, a faturação rondava os 3 milhões
de euros, com 70% da receita vinda da exportação. Hoje, esse valor triplicou, mas a percentagem
manteve-se – uma prova da consistência e do crescimento sustentável da empresa.
36 ANOS
A EQUIPAR PROFISSIONAIS
tornaram-se mais profissionais e exigentes. Lembro-me do Brasil há uns anos, e hoje a
forma de trabalhar é muito mais rigorosa”, destacou. Um dos principais desafios foi
encontrar os parceiros certos. “Se não tivermos bons companheiros de viagem, a coisa não
funciona ou não funciona tão bem. Já tivemos alguns desafios no Brasil, mas fomos
resilientes e continuamos o nosso caminho”, explicou.
A adaptação a cada mercado também se revelou essencial. “Não podemos aterrar num país
com a mesma mentalidade que temos em Portugal. Há princípios que seguimos, mas a
abordagem tem de ser ajustada à realidade local”, afirmou.
A presença internacional impactou positivamente a estabilidade financeira da empresa.
“Houve uma fase em que Angola ajudou imenso economia portuguesa e a nossa própria
rentabilidade. Neste caso, foi sempre a somar”, concluiu.
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DESTAQUE
A EVOLUÇÃO
DA EMPRESA DEPENDE
DA CAPACIDADE
DE ANTECIPAR
NECESSIDADES
RAFAEL DIAS, iberian market manager da INDASA
INDASA consolidou a sua posição como um dos grandes nomes do aftermarket
A automóvel, exportando mais de 90% da sua produção para uma centena de países.
Com presença direta através de filiais comerciais em mercados estratégicos como Espanha,
França, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e Brasil, a empresa aposta numa estratégia
global de crescimento, complementada pelo apoio de importadores locais que asseguram a
sua presença em diversas geografias. “A internacionalização é, desde a fundação da INDASA,
uma aposta estratégica de crescimento e o grande driver da marca e do negócio”, afirmou
Rafael Dias, iberian market manager da INDASA. O caminho para a expansão internacional da
empresa trouxe consigo vários desafios, especialmente na identificação de mercados
promissores e na escolha de parceiros estratégicos. “No caso do importador, o maior desafio é
encontrar um parceiro que tenha a capacidade de introduzir a marca no mercado, respeitando
os nossos standards e alinhando-se com a nossa visão comercial”, explicou. Além disso, a
empresa teve de enfrentar desafios relacionados com “a capacidade de dar resposta a todas as
solicitações do mercado”. Para acompanhar as exigências dos mercados internacionais, a
INDASA reforçou os seus padrões internos. “Executamos três grandes projetos de investimento
para aumentar a capacidade produtiva, tendo concluído o último muito recentemente, o que
nos permitiu ampliá-la em cerca de 25%”, acrescentou. Para a INDASA, competir nos mercados
externos significa oferecer um produto diferenciado, mais do que ajustar preços. “A nossa
proposta de valor está na qualidade das soluções que apresentamos, seja do ponto de vista da
eficiência, seja da rentabilidade”, destacou. Sobre a intenção de explorar novos mercados, a
empresa revelou estar “atenta a todas as oportunidades que surgirem, estando sempre
predisposta a por um lado aumentar o investimento nos mercados onde já atua, como
também iniciar novos investimentos em mercados emergentes”, concluiu.
PORTUGAL É MAIS
EXIGENTE E INOVADOR
PEDRO DE JESUS, administrador da Cometil
Cometil deu os primeiros passos na internacionalização em 2011, com a exportação
A de equipamentos para oficinas em Angola. A presença neste mercado cresceu de
forma natural, acompanhando clientes locais e portugueses que expandiram as suas
operações para o país. “Fomos contactados para estarmos lá com eles, a oferecer um nível de
serviço que até então não existia”, explicou Pedro de Jesus, administrador da Cometil. Para
garantir um acompanhamento de proximidade, a empresa deslocou um técnico residente
para Angola, garantindo suporte contínuo, desde a montagem à assistência técnica e
formação especializada. Mais tarde, em 2014, surgiu a oportunidade de entrar no mercado
espanhol, um desafio inesperado. A convite de uma empresa norte-americana, a Hunter, a
Cometil foi escolhida para substituir a representação da marca em Espanha. “Não estava nos
nossos horizontes, mas com quase 40 anos de colaboração com eles em Portugal, decidimos
aceitar operar no nosso país vizinho”, referiu. Assim nasceu a Cometil Espanha, uma empresa
autónoma, gerida por uma equipa espanhola, replicando o modelo de negócio da casa-mãe.
Com o sucesso da Hunter, outras marcas já representadas em Portugal seguiram o mesmo
caminho, consolidando a presença da Cometil no mercado espanhol. A adaptação aos
mercados externos trouxe desafios, sobretudo na acessibilidade inicial em Espanha, onde a
origem portuguesa da empresa gerou alguma resistência. No entanto, a estratégia
manteve-se firme: “O foco sempre foi trabalho, assistência e formação. As vendas acontecem
naturalmente”, sublinhou. A rapidez na resposta técnica – em 24 horas – tornou-se um fator
diferenciador, diminuindo o tempo de espera em comparação com a concorrência. Para
reforçar essa vantagem, a empresa investiu num responsável de demonstração e formação,
permitindo, assim, apresentar os seus produtos diretamente às oficinas espanholas. Apesar da
aposta na internacionalização, o mercado português continua a ser o principal foco da
empresa. “Portugal é mais exigente e inovador, o que nos obriga a manter um nível de serviço
elevado”, destacou. No entanto, o potencial de crescimento em Espanha mantém-se
promissor, sendo atualmente uma prioridade da empresa. “Não temos perspetivas de
expansão para novos mercados, mas continuamos atentos às oportunidades”, concluiu.
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Atualidade
REPARAÇÃO INDEPENDENTE ENFRENTA OBSTÁCULOS
PÓS-VENDA EM RISCO!
A REPARAÇÃO AUTOMÓVEL NA EUROPA ENFRENTA DIVERSOS OBSTÁCULOS DEVIDO
A UMA COMBINAÇÃO DE FATORES ECONÓMICOS, TECNOLÓGICOS, REGULATÓRIOS E AMBIENTAIS.
AS ASSOCIAÇÕES EUROPEIAS DO MERCADO DE PÓS-VENDA, INCLUINDO A FIGIEFA, ELABORARAM
UM DOCUMENTO QUE APELA À MEDIAÇÃO DE BRUXELAS PARA PÔR TERMO ÀS PRÁTICAS
QUE DIFICULTAM AS REPARAÇÕES PELO SETOR INDEPENDENTE
A
declaração conjunta emitida pelas Associações
apela a medidas mais rigorosas
para garantir a reparabilidade dos veículos,
uma questão que consideram crucial para os
consumidores, a sustentabilidade ambiental e a
economia europeia. Esta proposta surge no contexto
das negociações para a aprovação do futuro
regulamento MVBER relativo aos requisitos
aplicáveis à conceção de veículos e à gestão de
veículos em fim de vida, que ainda se encontra
em processo parlamentar, e que os operadores
independentes do mercado pós-venda querem
aproveitar para introduzir medidas que facilitem
e garantam a reparabilidade dos veículos a
curto, médio e longo prazo. Para os signatários,
regulamentos como o MVBER, têm garantido
uma “concorrência leal” entre os fabricantes e
as empresas independentes, mas a situação, na
sua opinião, está a mudar: a falta de peças sobressalentes
e o aumento da complexidade dos
componentes eletrónicos tornaram a reparabilidade
dos veículos modernos cada vez mais complicada,
dificultando o funcionamento do setor
independente. Para a Figiefa, a incapacidade
de reparar um veículo a preços acessíveis pode
levar a despesas inesperadas, desde reparações
dispendiosas até à necessidade de substituir um
automóvel muito antes do previsto.
Para estas associações, a possibilidade de reparação
não afeta apenas os proprietários de veículos,
mas vai muito além disso. O próprio mercado
de pós-venda também está em risco devido
às estratégias competitivas ofensivas dos fabricantes
não europeus que impedem a reparação
e a reutilização, pondo em causa os modelos de
negócio de todo o ecossistema do mercado de
pós-venda. O documento salienta que a situação
tem também implicações ambientais e estratégicas:
Prolongar o tempo de vida dos veículos
através da reparação e reutilização é essencial
para reduzir a utilização de recursos e apoiar a
independência da UE em relação às importações
de matérias-primas essenciais, a maioria
das quais está nas mãos dos chineses.
Reparação de baterias VE mais difícil
As baterias dos veículos elétricos são um ponto-chave
nesta discussão. Representam 30-40%
do custo total de um veículo e têm um impacto
significativo na sua pegada de recursos. No
entanto, como salienta a Figiefa, algumas conceções
atuais tornam difícil ou mesmo impossível
a reparação destas baterias. Por exemplo,
a utilização de resinas e materiais que selam os
módulos impede a sua substituição em caso de
avaria. Estas práticas não só aumentam os custos
para os consumidores, como também geram
um desperdício desnecessário de recursos. Em
resposta, os operadores do mercado pós-venda
estão a exigir regulamentação que torne a possibilidade
de reparação das baterias um requisito
obrigatório.
Peças sobressalentes para 20 anos
O documento apela igualmente à garantia da
disponibilidade de peças sobresselentes a preços
justos e não discriminatórios durante, pelo
menos, 20 anos após a saída do veículo do mercado.
A disponibilidade de peças sobresselentes
é necessária para a reparação. As práticas
contratuais dos fabricantes europeus preveem
geralmente a disponibilidade de peças durante,
pelo menos, dez anos, mas alguns fabricantes
não europeus tendem a negligenciar o serviço
pós-venda e a impor prazos de entrega muito
longos para as peças, ou mesmo a não as fornecer
de todo. Outra prática preocupante no sector
é a “gigacasting”, uma técnica que substitui
centenas de peças individuais por uma única
estrutura de grandes dimensões para reduzir os
custos (principalmente no processo de fundição,
em que é feita uma grande estrutura metálica
em vez de muitas peças pequenas montadas).
Embora isto possa ser eficiente em termos de
produção, torna muito difícil a reparação e a
substituição de componentes individuais. Os
operadores independentes exigem que estas
práticas sejam regulamentadas para proteger a
possibilidade de reparação e a sustentabilidade
do mercado.
O software como peça sobresselente
Com o avanço da tecnologia, os veículos dependem
cada vez mais dos sistemas operativos e das
atualizações de software. No entanto, a falta de
garantias quanto à continuidade destas atualizações
pode reduzir significativamente o tempo
de vida dos veículos, mesmo quando o hardware
permanece funcional. Para resolver este problema,
os operadores propõem que as atualizações
de software sejam obrigatórias durante, pelo menos,
20 anos - o mesmo período de tempo que
as peças sobressalentes -, um período que corresponde
ao tempo de vida médio dos automóveis.
Esta medida permitiria aos consumidores manter
os seus veículos plenamente operacionais e
evitar a obsolescência prematura, afirmam.
Índice de reparabilidade para VE
Os operadores independentes pedem que os
dados necessários à reparação, desmontagem
e manutenção sejam acessíveis gratuitamente
durante, pelo menos, 20 anos para as oficinas e
os operadores independentes. Além disso, propõem
a criação de um índice de reparabilidade
para os veículos elétricos, o que permitiria aos
consumidores tomar decisões informadas e incentivar
melhores práticas por parte dos fabricantes.
Estas medidas são essenciais para garantir
a sustentabilidade do setor, incentivando a
conceção que facilita a reparação, manutenção
e reciclagem. É essencial que este regulamento
garanta a concorrência leal e o acesso à informação
técnica para o mercado independente de
pós-venda, promovendo um modelo que beneficie
tanto o ambiente como os consumidores. l
PROLONGAR O TEMPO DE VIDA DOS VEÍCULOS ATRAVÉS DA REPARAção E
REUTILIZAção É ESSENCIAL PARA REDUZIR A UTILIZAção DE RECURSOS
E APOIAR A INDEPENDÊNCIA DA UE EM RELAção ÀS IMPORTAÇÕES DE
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www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 17
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RISCO DE AUMENTO DOS “AUTOMÓVEIS
DESCARTÁVEIS” É REAL
setor automóvel está a sofrer alterações significativas, uma vez que,
O
até 2050, não deverão existir mais veículos a combustão nas estradas.
Esta mudança conduz a uma obsolescência acelerada do atual parque automóvel
e a uma eletrificação progressiva do mesmo. A duração de vida dos veículos é
atualmente estimada em 19 anos, mas a regulamentação que abala o setor
automóvel acelera a sua obsolescência. Para substituir os veículos antigos, as
políticas públicas incentivam a compra de veículos elétricos novos. Na Europa,
a opção política atual é a de eletrificar o parque automóvel através de normas
e de incentivos económicos. Uma vez que os novos veículos de combustão e
híbridos deixarão de ser autorizados no mercado europeu a partir de 2035, quase
todos os construtores propõem atualmente uma gama de veículos elétricos.
Quando utilizados, estes automóveis consomem eletricidade, que, à primeira
vista, é menos cara e menos poluente do que os hidrocarbonetos na Europa.
Por conseguinte, são um trunfo na luta contra o aquecimento global. No entanto,
a sua produção é mais cara e o seu fabrico tem um maior impacto carbónico do
que a produção de carros a combustão, devido à bateria. Além disso, a produção
de veículos elétricos implica outros tipos de impacto que devem ser tidos em conta
na avaliação da pegada ecológica total do setor. Assim, para promover a
mobilidade sustentável, a durabilidade e a possibilidade de reparação dos veículos
elétricos são um pré-requisito da transição.
De um modo geral, o setor enfrenta problemas relacionados com a desmontagem
dos veículos, o acesso a peças e componentes sobresselentes e a redução dos
serviços pós-venda por parte de alguns fabricantes. O risco de um aumento dos
“automóveis descartáveis” é real. As novas vias adotadas por alguns fabricantes,
que dão prioridade a custos de produção mais baixos em detrimento da
possibilidade de reparação dos veículos, não devem tornar-se a norma.
Por último, a presença crescente de eletrónica e software a bordo, que faz com que
os veículos conectados se assemelhem a “smartphones sobre rodas”, aumenta o
risco de obsolescência do software e torna mais complexas as reparações fora das
redes aprovadas pelos fabricantes. As consequências destas práticas afetam os
consumidores, que não têm noção do custo total da propriedade de um veículo no
momento da compra. Os agentes económicos que compõem o ecossistema
da economia circular também podem ser afetados (reparação, recondicionamento,
mercado de segunda mão, etc.). Em certos aspetos, os fabricantes de automóveis
europeus estabelecidos podem ser considerados vítimas destas práticas. O que está
em causa é a sua forte competitividade face aos veículos elétricos vendidos a preços
atrativos por um punhado de concorrentes americanos ou chineses, que fazem
baixar a qualidade.
A indústria automóvel é um negócio a longo prazo. No entanto, isso não deve ser
sinónimo de inércia ou de inação face aos sinais preocupantes de uma trajetória
insustentável. O que é preciso fazer agora é lançar as bases das boas práticas
da economia circular do parque automóvel elétrico, que vai substituir os motores
de combustão, para combinar menos emissões de CO 2, respeito pelos consumidores
e produção responsável.
Ausgabe 15/2024
Issue 15/2024
Ausgabe Issue 8/2024 8/2024
Issue Ausgabe 4/2024 4/2024
Issue Ausgabe 4/2024 4/2024
Issue 9/2024
Salão
MOTORTEC 2025
REFORÇO
INTERNACIONALIZAÇÃO
O SALÃO MOTORTEC 2025, QUE SE REALIZARÁ DE 23 A 26 DE ABRIL DE 2025, REFORÇA
A DIMENSÃO INTERNACIONAL COM A PARTICIPAÇÃO DE MAIS DE DUZENTAS EMPRESAS
ESTRANGEIRAS CONFIRMADAS, DE 25 PAÍSES, O QUE REPRESENTA UM AUMENTO DE 50%
FACE À EDIÇÃO DE 2022. O JORNAL DAS OFICINAS ESTARÁ PRESENTE PARA REGISTAR
E DIVULGAR OS PRINCIPIAS MOMENTOS E NOVIDADES
Com o objetivo de aumentar as participações
internacionais, a Motortec desenvolveu
um poderoso programa para atrair
compradores estrangeiros, que terão a oportunidade
de lidar, diretamente, com as principais
empresas do setor, numa ampla agenda de reuniões
personalizadas que serão muito benéficas
para ambas as partes. Com este programa, pre-
vê-se que o número de visitantes estrangeiros
aumente 39% em relação a 2022. Esta iniciativa,
bem como a intensa atividade promocional
que a Motortec desenvolveu no estrangeiro, contribuem
para fortalecer ainda mais a dimensão
internacional da feira. A edição deste ano suscita
uma grande expetativa, devido às transformações
que a indústria automóvel está a viver,
pelo que é esperada uma participação recorde de
visitantes. Concretamente, já foi ultrapassada a
previsão de 600 expositores e mais de 100.000
metros quadrados de área de exposição. Da mesma
forma, vão superar os 60.000 visitantes profissionais
registados na edição anterior de 2022,
atingindo o número de 65.000, confirmando a
Motortec como a maior feira pós-venda do sul
20 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
da Europa. O principal perfil de visitantes é,
sem dúvida, o dos profissionais das oficinas dos
mercados espanhol e português, para além dos
líderes das principais empresas, tanto no fabrico
de peças e equipamentos como na distribuição,
bem como representantes das principais associações
do setor automóvel.
Ponto de encontro de referência
Para David Moneo, diretor da Motortec “O objetivo
da Motortec é ser um ponto de encontro
de referência do setor pós-venda, onde os profissionais
das oficinas de reparação vão poder
falar com os seus fornecedores e conhecer as
novidades e tendências do mercado. Para isso,
trabalhamos em todas as questões estratégicas
que preocupam os profissionais do setor, designadamente
os temas relacionados com a forma
de tornar mais sustentável a cadeia de valor do
setor, desde o fabrico até à reparação final, passando
pela logística das peças. Questões muito
preocupantes, como a falta de jovens talentos,
farão parte dos conteúdos da feira, assim como
a eletrificação, a importância crescente do cliente
frotista, o leasing, a mobilidade partilhada e,
naturalmente, o reforço da dimensão internacional
do Salão.
Sobre o tema da descarbonização dos transportes,
David Moneo afirma “é uma tendência
global, impulsionada por uma maior consciência
social da necessidade de avançar para uma
nova mobilidade mais sustentável. No plano
jurídico, isto reflete-se em regulamentos antipoluição
cada vez mais rigorosos em termos de
redução de emissões. E, em termos da evolução
tecnológica do automóvel, contribui para o desenvolvimento
do automóvel conectado, automatizado
e eletrificado. Em cada uma destas
novas tecnologias automóveis, existem oportunidades
significativas para os profissionais e
empresários do mercado de pós-venda automóvel.
O seu aproveitamento depende, em grande
medida, da existência de talento, conhecimento
e equipamentos necessários para a manutenção
e reparação destes veículos. A Motortec terá a
mais completa exposição de soluções de produtos
e serviços para os profissionais do pós-venda
aproveitarem as oportunidades desta nova mobilidade
sustentável”, conclui.
ASSOCIAÇÕES PORTUGUESAS
APOIAM
Motortec 2025 conta com o apoio das quatro
A
associações portuguesas do setor: ANECRA, ARAN, ACAP
e AFIA. Este apoio irá, sem dúvida, potenciar a presença de
Portugal na feira, uma vez que o mercado luso é um dos mais
importantes do certame. Neste sentido, as previsões indicam
que, em 2025, a participação das empresas portuguesas crescerá
25% em relação à edição anterior, em 2022, e 5% no espaço de
exposição que ocuparão. Além disso, haverá uma significativa
representação portuguesa no programa de compradores
internacionais que o salão preparou. As associações são
unânimes a reconhecer a mais valia da Motortec para os seus
associados, uma vez que permite o contacto direto com as mais
recentes inovações, os principais players do mercado e um
espaço privilegiado para o networking, essencial para fortalecer
a competitividade das empresas. Sobre a participação destas
entidades representativas do setor, David Moneo refere que “sem
o apoio destas associações, que tem sido permanente ao longo
da nossa história, o sucesso do Salão não seria possível
Concentração beneficia feira
A concentração do setor revela-se uma mais valia
para a feira, pois está a gerar empresas e organizações
muito mais poderosas, com uma capacidade
de recursos em comunicação e marketing
que, algumas delas, não tinham num mercado
mais atomizado. Por outro lado, a complexidade
do mercado atual, com novas exigências e expetativas
dos clientes, bem como o maior peso do
cliente frotista, gerou novos nichos de negócio,
que aproveitam a feira para se darem a conhecer
e angariarem novos clientes. Em termos de
atividades, será dada especial atenção a eventos
dedicados aos profissionais da reparação, onde
se incluem diversas competições onde poderão
mostrar as suas capacidades, como o Melhor
Mecânico de Veículos Elétricos de Alta Tensão,
organizado pela Carsmarobe; o MVP – Mais Valioso
Profissional das Oficinas, organizado pela
Autopos; a competição de Jovens Técnicos Automóveis,
organizado pela Comforp; o Concurso
de Futuros Profissionais de Veículos Comerciais
- Afupro, e o Motortruck, para o melhor mecânico
de veículos comerciais.
A Galeria de Inovação irá destacar as soluções
tecnológicas mais avançadas dos fabricantes de
peças sobresselentes, premiando os produtos
mais inovadores. Esta iniciativa representa um
exemplo claro do esforço das empresas no desenvolvimento
de componentes mais eficientes e
sustentáveis. Nesta edição, foram incorporadas
novas categorias, adaptadas à realidade tecnológica
do setor. Estes prestigiados prémios proporcionam
às empresas selecionadas uma importante
oportunidade de promoção. O júri será
responsável pela seleção dos “Prémios” e das
“Menções” em cada categoria da Galeria da Inovação.
Além disso, será atribuído um prémio especial
para a inovação nos veículos industriais.
O veículo industrial desempenha um papel cada
vez mais importante no setor, pelo que terá uma
maior visibilidade nesta edição da Motortec
através de diferentes iniciativas como o Espaço
Motortruck; o VI Encontro/Congresso de Oficinas
e o V.I. Frotas. O objetivo é atrair visitantes
de grandes frotas de veículos comerciais e autocarros.
O setor dos pneus estará também bem
representado, com muitas marcas e distribuidores
a apresentarem as principais novidades. l
COM O OBJETIVO DE AUMENTAR AS PartiCIPaçÕES INTERNACIONAIS,
A MOTORTEC DESENVOLVEU UM PODEROSO PROGRAMA PARA atrair
COMPRADORES ESTRANGEIROS, QUE terão A OPORTUNIDADE DE LIDAR,
DIRETAMENTE, COM AS PRINCIPAIS EMPRESAS DO SETOR
www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 21
NOTÍCIAS // DINÂMICA SETOR ESCREVE ‐SE DE A A Z
MERCADO
AZ AUTO
CELEBRA EXPANSÃO DE
MARCAS COM OFICINAS E
PARCEIROS
A
AZ AUTO comemorou no Kartódromo do Montijo, a chegada das marcas
Delphi, Valeo e Magneti Marelli ao seu catálogo, reforçando a sua proximidade
com as oficinas, retalhistas e parceiros. O encontro arrancou com
uma breve apresentação das novas marcas, sublinhando o reforço da oferta da
empresa com estas adições. Os produtos já se encontram disponíveis no site da
AZ AUTO, mas as novidades não se ficam por aqui – 2025 também será um ano
de novas entradas –, com a meta de alcançar as 30 marcas. Além de oficializar a
chegada da Delphi, Valeo e Magneti Marelli, o evento também reforçou parcerias
estratégicas, nomeadamente com a LIQUI MOLY e a NRF. Com estas novas apostas,
a AZ AUTO passa agora a incluir mais de 20 marcas de peso no setor do aftermarket.
Pedro Santos, diretor de negócios da AZ AUTO, destacou a importância
desta expansão: “Estas três novas marcas permitem-nos aumentar o portfólio para
os nossos clientes e reforçar a nossa presença no mercado. A nossa ambição para
2025 é continuar a ampliar a nossa gama e integrar novas marcas”.
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NOTÍCIAS
CONQUISTA PRÉMIO CINCO ESTRELAS
E ESCOLHA DO CONSUMIDOR
Norauto | A Norauto entrou em 2025 a celebrar a conquista de dois prestigiados prémios: Cinco
Estrelas e Escolha do Consumidor. Estas distinções refletem o compromisso contínuo da marca em oferecer
produtos e serviços de excelência, bem como a confiança e satisfação dos seus clientes. O Prémio Cinco
Estrelas, conquistado pela 6ª vez pela Norauto, destaca as marcas que se diferenciam pela qualidade,
inovação e resposta eficaz às necessidades dos consumidores, avaliadas com base em critérios rigorosos,
tais como a satisfação, a relação qualidade/preço e a intenção de compra ou recomendação. Já o prémio
Escolha do Consumidor, o 7º da Norauto, é da responsabilidade da empresa Consumer Choice, e resulta da
avaliação e classificação de marcas por parte dos consumidores, determinadas com base no seu grau de
satisfação e aceitabilidade. A Norauto evidenciou-se em atributos como a reputação e credibilidade, preço
/ qualidade e pelo facto de ser uma marca que faz a diferença na vida das pessoas, conseguindo criar uma
conexão autêntica e duradoura com os seus clientes.
ABRE LOJA EM PAÇOS DE FERREIRA
Inovpeças | A Inovpeças, referência nacional na distribuição de peças e acessórios para
automóveis, abriu uma nova loja, desta vez, em Paços de Ferreira. “Esta expansão reforça o
compromisso da empresa em proporcionar produtos de alta qualidade e um serviço de excelência
às oficinas da região norte”, afirmou a Inovpeças em comunicado. Localizada na Rua de S.
Domingos, n.º 108, em Carvalhosa, a nova loja segue a fórmula vencedora de oferecer uma ampla
gama de produtos, incluindo peças originais e equivalentes para diversas marcas e modelos de
automóveis. Com uma equipa de profissionais experientes, a Inovpeças garante um atendimento
personalizado e soluções adaptadas às necessidades de cada cliente. O espaço de Paços de
Ferreira, que abriu a 3 de fevereiro, vem juntar-se a uma rede de lojas que iniciou em Marco de
Canaveses (2011) e que se expandiu a Penafiel (2014), Resende (2016), Valongo (2017), Lousada
(2018), Paredes (2020), Castelo de Paiva (2021) e Amarante (2023). “Estamos entusiasmados por
expandir a nossa presença para Paços de Ferreira. Esta nova loja permite-nos estar mais próximos
dos nossos clientes na região, oferecendo-lhes a qualidade e o profissionalismo que caracterizam a
Inovpeças”, referiram os sócios-gerentes da Inovpeças José Carlos Carneiro e Paulo Magalhães.
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Entrevista
CARLOS GARCÍA
SENIOR MANAGER MARKETING & OPERATIONS IBERIA REGION DA NITERRA
ESFORÇAMO-NOS POR ESTAR
SEMPRE UM PASSO À FRENTE!
HÁ JÁ ALGUNS ANOS QUE A NITERRA ESTÁ EMPENHADA NA TRANSFORMAÇÃO PARA NOVAS
ÁREAS DE NEGÓCIO QUE RESPONDAM ÀS NOVAS NECESSIDADES DO MERCADO. EM ENTREVISTA
AO JO, CARLOS GARCÍA, SENIOR MANAGER MARKETING & OPERATIONS IBERIA REGION DA NITERRA
(FABRICANTE VELAS NGK), CONSIDERA QUE HAVERÁ UMA MAIOR NECESSIDADE DE SERVIÇOS
ESPECIALIZADOS PARA SISTEMAS ELÉTRICOS E BATERIAS, BEM COMO PARA SOFTWARE
A
Niterra trabalha em paralelo considerando
a transformação da sua gama de produtos
e serviços para responder a uma
frota mais eletrificada e, ao mesmo tempo, continua
a ampliar a gama de produtos disponíveis
para conseguir fornecer ao mercado as peças sobressalentes
necessárias para a manutenção adequada
dos veículos com motores de combustão,
híbridos ou não, tanto para o mercado de automóveis
de passageiros, motos, todo-o-terreno ou
jardinagem e náutica.
Que impacto está a ter para a Niterra o aumento
do parque de veículos elétricos?
Em primeiro lugar, sabemos que os veículos elétricos
têm menos peças e, portanto, requerem
menos manutenção do que os veículos de combustão
interna, o que poderia reduzir a procura
de certos serviços pós-venda, como mudanças
de óleo, filtros e reparações de motores. No entanto,
haverá uma maior necessidade de serviços
especializados para sistemas elétricos e baterias,
bem como para software. As oficinas precisam
certamente de começar a investir em formação
técnica, equipamento e tecnologia adaptada aos
VEs, tais como estações de carregamento e ferramentas
especializadas. Perder a oportunidade
de fazer este investimento agora pode deixar as
oficinas fora do mercado num futuro próximo.
Quanto à velocidade da mudança para os VE,
esta dependerá de fatores como as políticas governamentais,
os incentivos, as infra-estruturas
de carregamento e a evolução da tecnologia das
baterias. Embora os políticos estejam ansiosos
por anunciar objetivos ambiciosos, a mudança
será muito provavelmente mais gradual do que
o previsto e a ritmos diferentes, dependendo dos
diferentes mercados. Para a Niterra, não prevemos
uma quebra na procura de produtos para
veículos com motor de combustão. Pelo contrário,
a sofisticação técnica dos veículos e o aumento
das regulamentações ambientais impulsionarão
o desenvolvimento do mercado e as vendas de
sensores, pelo que estamos confiantes.
Qual é a dinâmica da marca e do produto do
grupo?
Continuamos a registar um forte crescimento
das bobinas de ignição da marca. As oficinas
associam facilmente velas de ignição e bobinas,
o que impulsiona as vendas. Quanto aos sensores
da marca NTK, a nossa carteira de produtos
está a aumentar de dois em dois anos. O último
desenvolvimento diz respeito às válvulas EGR,
cujas vendas tiveram um bom arranque. A NTK
está a crescer porque reúne produtos que ainda
estão relativamente pouco desenvolvidos no mercado
independente de pós-venda. A Niterra consolidou-se
há anos como líder no fornecimento
de sensores e o nosso compromisso é manter um
ritmo constante de inovação.
Quando começaremos a assistir a um declínio
no consumo de peças para veículos combustão
e quando chegará o dia em que as vendas
destes produtos serão marginais?
Muitos dos componentes dos veículos de combustão
interna, tais como embraiagens, velas de
ignição, correias e óleos, deixarão de ser necessários
nos veículos elétricos e, por conseguinte,
haverá um declínio gradual na utilização destes
componentes à medida que a penetração no mercado
dos veículos elétricos aumentar. Em termos
de calendário, o efeito da redução da utilização
destas peças pode começar a ser significativo
nos próximos 10-15 anos, especialmente em regiões
com políticas favoráveis à eletrificação, mas
não esperamos que isto aconteça de uma forma
drástica, mas sim que haja uma transição, provavelmente
favorecida pela hibridização da frota,
antes de atingir a eletrificação completa da frota
de veículos.
Como pensa que evoluirão as vendas de peças
remanufaturadas?
Uma das consequências da eletrificação do parque
automóvel é o crescimento da economia
circular e da sustentabilidade que impulsionará
a reutilização e o refabrico de peças automóveis.
À medida que as regulamentações ambientais e
a consciencialização para a sustentabilidade aumentam,
o mesmo acontece com a procura de
peças reutilizadas. Espera-se que este segmento
cresça significativamente nas próximas décadas,
especialmente em países onde a sustentabilidade
é uma prioridade.
A chegada ao mercado de fabricantes multimarca
com qualidade comprovada e preços
muito competitivos, bem como as grandes
marcas privadas, pode constituir um desafio
para as marcas premium?
Sem dúvida que representa um desafio considerável
para as marcas premium. No entanto, estes
produtos de baixo custo oferecem uma baixa rentabilidade
para as empresas que deles dependem,
bem como uma imagem de qualidade limitada
aos olhos das oficinas e dos utilizadores finais,
26 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
“A NITERRA CONTINUA
A AMPLIAR A GAMA DE
PRODUTOS DISPONÍVEIS
PARA CONSEGUIR FORNECER
AO MERCADO AS PEÇAS
SOBRESSALENTES
NECESSÁRIAS PARA
A MANUTENÇÃO ADEQUADA
DOS VEÍCULOS COM MOTORES
DE COMBUSTÃO E HÍBRIDOS “
DIZ CARLOS GARCIA
CARLOS GARCÍA
UMA DAS CONSEQUÊNCIAS DA ELETRIFICAÇÃO DO PARQUE AUTOMÓVEL
É O CRESCIMENTO DA ECONOMIA CIRCULAR E DA SUSTENTABILIDADE
QUE IMPULSIONARÁ A REUTILIZAÇÃO E O REFABRICO DE PEÇAS AUTOMÓVEIS
pondo em risco a imagem do próprio
distribuidor e comprometendo
a sua saúde financeira. As marcas
premium, por seu lado, terão de
continuar a diferenciar-se através
da inovação, da tecnologia e, em
suma, da qualidade superior, bem
como oferecer melhores garantias e
um serviço pós-venda cuidado.
Como será o futuro dos distribuidores
fora do mundo consolidado?
Desde há alguns anos que o aftermarket
se tem vindo a consolidar
em grandes operadores com grande
poder logístico e de compra, o que
coloca em risco a viabilidade dos
operadores mais pequenos devido à
dificuldade de competir com operadores
com muito maior capacidade
financeira. A alternativa para os distribuidores
mais pequenos, que não
têm capacidade para entrar nestas
operações de consolidação, será especializarem-se
em nichos de mercado
ou em serviços personalizados
para poderem competir. A digitalização
e o comércio online poderão
também permitir que os pequenos
retalhistas cheguem a mais clientes,
desde que adaptem os seus modelos
de negócio.
Como serão feitas as encomendas
de peças num futuro próximo?
Dependerá da abordagem de cada
distribuidor e da situação atual da
cadeia de abastecimento global. Um
exemplo disso foi o período de dificuldades
de abastecimento vivido
por todos os intervenientes no sector
das peças sobresselentes, em que,
após o confinamento provocado pela
Covid, se registaram tensões na cadeia
de abastecimento que levaram
muitos distribuidores a aumentar
os seus stocks para poderem servir
os clientes das suas oficinas. O que
é certo é que os avanços na logística
permitirão aos concessionários
encomendar com maior frequência
e em menores quantidades nos próximos
anos, reduzindo a necessidade
de grandes stocks, o que reduzirá os
custos de armazenamento e aumentará
a eficiência e a rentabilidade do
negócio. A inteligência artificial otimizará
o controlo do inventário, afinará
a previsão da procura e efetuará
encomendas automatizadas com
base em padrões de rotação definidos
por cada distribuidor de acordo
com os seus objetivos de cobertura e
disponibilidade.
Até 2050, os transportes na Europa
deverão estar completamente
descarbonizados. Se o número de
veículos de combustão diminuir,
como é que um distribuidor pode
manter a sua atividade e adaptar-
-se a estas mudanças disruptivas?
Em primeiro lugar, importa referir
que se trata de um objetivo “político”,
cuja concretização é ainda hoje
duvidosa. No entanto, partindo do
princípio de que este objetivo é alcançado,
os distribuidores terão de
diversificar a sua oferta, concentrando-se
mais nos VE e nos seus
componentes (baterias, sistemas
elétricos, software). Adicionalmente,
as oficinas podem considerar
expandir o seu negócio para serviços
relacionados com a reciclagem
e reutilização de peças, bem como
produtos sustentáveis ou serviços
de mobilidade alternativa.
Em que áreas de negócio do aftermarket
a Inteligência Artificial se
desenvolverá mais rapidamente?
Como é que a IA pode ajudar a evolução
do mercado pós-venda?
A inteligência artificial apoiará
a gestão do inventário com uma
previsão da procura mais refinada,
juntamente com a automatização
das encomendas e a otimização das
rotas logísticas. A manutenção preditiva
será também outro fator que
irá aumentar nos próximos anos
graças à IA. Em suma, a IA permitirá
um serviço pós-venda mais eficiente
apoiado na análise de dados
com a capacidade de prever falhas
e as consequentes necessidades de
manutenção.
Como foi o desempenho da Niterra
em 2024 e quais as perspetivas
para 2025?
Embora o nosso ano fiscal termine
em março 2025, as nossas vendas
em 2024 foram muito positivas,
com um crescimento de dois dígitos
relativamente a 2023. O mercado
mantém-se dinâmico, uma vez que
o parque automóvel continua a envelhecer
e a necessitar de manutenção
e de substituir velas de ignição.
O amplo portefólio de produtos de
ignição da NGK continuou a impulsionar
o nosso crescimento, graças
à maior penetração no mercado.
Para 2025, esperamos mais um ano
de crescimento, com base nos mesmos
fundamentos: uma frota envelhecida
e um crescimento global
real, embora mais fraco, apesar das
preocupações em torno de eventos
geopolíticos e/ou climáticos. Em
termos de veículos novos, a grande
tendência é o aumento maciço das
vendas de veículos chineses, que necessitarão
de pós-venda.
Que perspetivas e projetos tem
a Niterra para o futuro e como
espera que o aftermarket evolua
nos próximos anos?
Há já alguns anos que na Niterra estamos
empenhados na transformação
para novas áreas de negócio que
respondam às novas necessidades
do mercado. Sabemos que o mercado
está a caminhar para a eletrificação,
mas também sabemos que
haverá um processo de transformação
que não será imediato, o que
nos permitirá continuar a oferecer
oportunidades de mercado para fabricantes
como a Niterra, que estão
empenhados em maximizar o serviço
pós-venda para que toda a cadeia
de valor do aftermarket possa continuar
a oferecer um serviço de manutenção
ótimo a todos os clientes
que utilizam veículos de combustão
interna. l
28 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
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Entrevista
GAEL ESCRIBE
FUNDADOR E CEO DA NEXUS AUTOMOTIVE INTERNATIONAL
CRIADO HÁ ONZE ANOS, O NEXUS GROUP É ATUALMENTE O MAIOR GRUPO INTERNACIONAL
DE COMPRAS DO MUNDO, COM UM VOLUME DE NEGÓCIOS CIFRADO EM 45 MILHARES DE MILHÕES
DE DÓLARES. AO LONGO DOS ANOS TÊM VINDO A DIVERSIFICAR O NEGÓCIO E CONSIDERAM
QUE TÊM TODOS OS INGREDIENTES PARA FAZER PARTE DA TRANSFORMAÇÃO DO AFTERMARKET
AUTOMOTIVO, QUE SE AVIZINHA PARA OS PRÓXIMOS ANOS. O JORNAL DAS OFICINAS FALOU
COM GAEL ESCRIBE, FUNDADOR E CEO DA NEXUS AUTOMOTIVE INTERNATIONAL, QUE NOS MOSTROU
A SUA VISÃO SOBRE O FUTURO DO PÓS-VENDA AUTOMÓVEL, SEMPRE COM UMA TÓNICA POSITIVA
O
negócio principal do Nexus
Group, enquanto grupo internacional
de compras, é fazer
a ponte entre os fabricantes e
os distribuidores, promovendo
mais de 100 fornecedores
a nível mundial – japoneses incluídos – mas a
empresa sentiu necessidade de evoluir e apostou
em várias atividades adicionais. Através da
empresa Mobilion compra start-ups no setor da
mobilidade; criou a marca Drive Plus para fazer
face ao envelhecimento do parque automóvel,
que é desenvolvida pela empresa Small Parts e,
em paralelo, detém ainda a empresa Autoparts
United, com o objetivo de adquirir distribuidores
pelo mundo, por forma a consolidar o grupo
Nexus. Gael Escribe, fundador e CEO da Nexus
Automotive International aceitou falar connosco
para nos contar os projetos atuais do grupo,
mas também a perspetiva sobre o que poderá esperar
este setor. O CEO explica que “investimos,
temos a nossa marca própria, estamos ativos na
consolidação, o que nos permitiu construir um
verdadeiro grupo, tendo o nosso core business
nas compras e, diversificando, criámos um grupo
que terá, espero, um papel de liderança na
transformação do aftermarket automotivo”.
Elétricos não são a solução
O responsável máximo do grupo Nexus mostra-
-se atento à rápida evolução do setor, mas não
teme o advento dos veículos elétricos, que, antevê,
não serão o único caminho para a evolução
dos transportes. Defende que estes são já uma
parte do parque automóvel, para a qual devem
estar preparados, mas diz-se “muito cético” que
esta seja a solução para o futuro. Assinala que
“a infraestrutura atual não é suficiente, nem
se está a desenvolver suficientemente para ir
ao encontro de um parque automóvel que seja
predominantemente feito de veículos elétricos”
e relembra que o preço destes automóveis continua
a ser uma barreira importante, especialmente
no hemisfério sul do globo, como a América
do Sul, a América Latina, África ou o Médio
Oriente. “No hemisfério norte, penso que haverá
alguma resistência ao crescimento. A China
capitalizou os veículos elétricos e, por isso, é
provável que prossiga o seu desenvolvimento.
A América do Norte não está, definitivamente,
muito entusiasmada com a implantação de veículos
elétricos”, diz opiando que “a dinâmica que
nos era apresentada antes do Covid-19 mudou e
a avenida de sentido único de que falavam não
vai acontecer de certeza. Toda a gente previa um
declínio do pós-venda automóvel e isso é exatamente
o oposto do que está a acontecer devido
ao envelhecimento do parque. Estamos num negócio
ativo e um negócio ativo atrai investidores,
ao contrário do que aconteceu há quatro anos,
quando as previsões os fizeram sair em debandada.
Eu estou otimista, vejo crescimento pelo
menos para os próximos 10 anos”.
Por outro lado, numa altura em que é possível
remanufaturar ou reutilizar 70% das peças de
um carro, Gael Escribe acredita que estas ocuparão
um lugar cada vez maior no negócio do
aftermarket automotivo. Embora nas últimas
décadas este setor tenha registado um declínio,
o CEO do grupo Nexus afirma que “desenvolver
peças remanufaturadas é algo que está nos
nossos projetos e queremos ter mais referências,
pois penso que essas peças ocuparão mais espaço
nos próximos dez anos”.
Fabricantes multimarca
A chegada ao mercado dos fabricantes multimarca,
com qualidade comprovada e preços
competitivos, traz alterações ao negócio. Escribe
entende que, perante um parque automóvel em
que metade dos carros tem uma idade superior
a dez anos, este segmento só poderá tender a
O NEGÓCIO PRINCIPAL DO NEXUS GROUP, ENQUANTO GRUPO
INTERNACIONAL DE COMPRAS, É FAZER A PONTE ENTRE OS FabricantES
E OS DISTRIBUIDORES, PROMOVENDO MAIS DE 100 FORNECEDORES
A NÍVEL MUNDIAL, JAPONESES INCLUÍDOS
www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 31
GAEL ESCRIBE
NUMA ALTURA EM QUE É POSSÍVEL REMANUFATURAR OU REUTILIZAR 70%
DAS PEÇAS DE UM CARRO, GAEL ESCRIBE ACREDITA QUE ESTAS OCUPARÃO
UM LUGAR CADA VEZ MAIOR NO NEGÓCIO DO AFTERMARKET AUTOMOTIVO
evoluir: “O consumidor procura
uma solução mais económica, mas
com qualidade, porque as pessoas
querem manter os seus carros por
mais tempo. Nesta incerteza, os
consumidores preferem investir
menos, mas numa solução de qualidade”.
Foi isto, diz, que fez a Nexus
optar por criar a já mencionada
Small Parts, para promover as suas
marcas próprias e “desenvolvê-las
em cooperação com os fabricantes,
porque não é uma perda para eles.
Simplesmente, estes terão de se
adaptar a uma segmentação diferente
de produto no futuro”.
Também a distribuição será diferente
num futuro a médio prazo,
pois é necessário ter processos de
abastecimento mais simples, “e
porque não abastecer diretamente
da fábrica?”, deixa a questão no ar.
“Se formos capazes de prever e trabalhar
lado a lado com os fabricantes,
conseguiremos de certeza ter
um melhor serviço por parte deles
e poderemos reduzir o stock. É aí
que está o futuro”, considera.
“A consolidação é inevitável”
Gael Escribe analisa o fenómeno
da consolidação no aftermarket
automotivo com muita clareza,
salientando que mesmo que os resultados
das grandes empresas não
sejam os melhores, esta é uma tendência
que se está a tornar “inevitável
na nossa indústria”. O fundador
do grupo Nexus comenta que
“olhando para os resultados das
grandes empresas como a LKQ ou
a GPC, na primeira metade do ano,
vê-se que não são espetaculares e
que as empresas médias têm hoje,
geralmente, mais crescimento do
que as grandes consolidadoras. As
que referi até decaíram, no segundo
trimestre. Na nossa indústria
ainda há uma necessidade de proximidade,
agilidade e de serviço,
em que, provavelmente, as empresas
médias são mais eficientes do
que as grandes. De forma ideal, se
pudéssemos ter um projeto de consolidação
e manter o espírito das
empresas de média dimensão, seria
uma vitória dupla”.
Na opinião do nosso interlocutor,
as peças impressas em 3D “já são
uma realidade, pelo que têm de ser
incorporadas no negócio”. No entanto,
Gael Escribe aponta a inteligência
artificial como o tema que
está agora a provocar debates e não
tem dúvidas de que “a inovação
tem de fazer parte das estratégias
dos líderes do aftermarket automóvel.
Essa é a razão pela qual a
Nexus tem um Comité de Inovação
e a razão pela qual investimos em
start-ups. Acredito que a inteligência
artificial será, talvez, a maior
PERFIL
GAËL ESCRIBE
Fundador e CEO da NEXUS Automotive
International, Gaël Escribe nasceu na
África Ocidental, filho de pai francês e mãe
holandesa. Passou a sua juventude em África
e no Médio Oriente. Estudou Gestão em
França com uma especialização em Finanças,
passou alguns anos na Mazars e depois na
Valeo Service como Controlador Financeiro.
Aos 29 anos, dirige a Valeo Service na Europa
de Leste. Passa então quatro anos entre a
Polónia e a Rússia, gerindo o forte crescimento
da atividade na altura. Após esta experiência,
dirige a Valeo Service no Norte da Europa, uma
experiência que lhe permite aproximar-se de
uma distribuição mais tradicional. Após nove
anos na Valeo, junta-se à Delphi em 2005 como
Diretor Comercial da divisão DPSS. Criou a
NEXUS Automotive International em 2014.
revolução que iremos incorporar
nos próximos 5 a 10 anos”.
Questionado sobre a forma como
o grupo Nexus vê o futuro deste
negócio, o CEO diz-nos que esta
“é uma indústria que tem muito
crescimento para oferecer nos próximos
anos. Em primeiro lugar o
parque automóvel está a crescer e a
envelhecer, pelo que estamos numa
dinâmica muito positiva. E, no que
diz respeito à Nexus, somos ainda
uma empresa muito jovem, que
está a diversificar e a construir um
modelo de negócio no pós-venda
automóvel que é diferente dos tradicionais
grupos de compras internacionais.
Diria mesmo que somos
um grupo muito especial neste setor.
A cultura que temos, que é feita
de empreendedorismo, de agilidade
e de inovação, vai fazer a diferença
nos próximos anos. E nós vamos
progressivamente conduzir o grupo
Nexus como uma empresa que
vai participar na transformação do
mercado de pós-venda automóvel
nos próximos anos. Estou muito
confiante nisso, com toda a humildade
que precisamos de ter, porque
a velocidade da mudança é significativa.
Mas penso que temos os
ingredientes para construir um modelo
que estará alinhado com as exigências
do mercado de pós-venda
nos próximos 10 anos”, remata. l
32 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
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Entrevista
CLÁUDIA SOARES, GERENTE DA ROLNORTE
DIOGO CAVALHEIRO, DIRETOR COMERCIAL DA ROLNORTE
A ROLNORTE É UMA EMPRESA
SÓLIDA EM FRanCO CRESCIMENTO
FUNDADA EM 1987, A ROLNORTE É UMA EMPRESA DE DISTRIBUIÇÃO DE EQUIPAMENTOS
SEDIADA EM PENAFIEL. ARRANCOU PELAS MÃOS DO PAI E DO TIO DA ATUAL GERENTE,
CLÁUDIA SOARES, QUE HOJE JÁ CONTA TAMBÉM COM A AJUDA DO FILHO, DIOGO CAVALHEIRO,
DIRETOR COMERCIAL DA CASA DESDE HÁ CINCO ANOS. JUNTOS, TÊM DESENVOLVIDO
A ESTRATÉGIA ONLINE DA ROLNORTE, NUMA APOSTA GANHA, CUJAS VENDAS
JÁ REPRESENTAM 20% DA FATURAÇÃO, QUE RONDA OS 4 MILHÕES DE EUROS ANUAIS
Começou por ser uma empresa de comercialização
de ferramentas e equipamentos
para a construção civil e serralharia,
mas a evolução dos tempos e a necessidade de
adaptação ao mercado fez com que a Rolnorte
fosse abrindo o seu leque de ação para diferentes
áreas. Hoje, conta com a sede, em Penafiel, onde
dispõe de 1.500 m2 distribuídos por três pisos,
com oficina, armazéns, loja e exposições, e ainda
um espaço em Felgueiras, com 1.200 m2, que
abriu em março de 2015 e que está agora direcionado
para tratar toda a logística das vendas
online. Trabalham na empresa 22 funcionários.
Da falência à paixão
A entrada da atual gerente, Cláudia Soares, na
empresa, deu-se de forma inusitada, em 1991,
mas a responsável agarrou a oportunidade com
coragem e desembaraço, fazendo-a crescer a
cada ano e enfrentando sem medo as barreiras
naturais que lhe foram colocadas. Hoje, olha
para trás com orgulho e espera passar ao filho,
Diogo Cavalheiro, os princípios que sempre
pautaram a sua carreira profissional na Rolnorte.
“Os sócios fundadores da Rolnorte foram
o meu pai e o meu tio, em 1987. Mas, logo em
1990, a empresa começou a dar os primeiros sinais
de que o meu tio não tinha muito jeito para
este negócio; o meu pai, que era construtor civil,
também não estava ligado a esta área, e, em
1991, a Rolnorte estava numa situação de falência”,
começa por nos contar a gerente que, nesse
mesmo ano, terminava o curso de engenharia
civil, na faculdade. “Estudei em Lisboa, não
tinha intenção de vir para o mercado das má-
quinas e ferramentas, mas o meu pai contou-me
que o sócio fundador não tinha sido ele, mas sim
eu. Portanto, eu sempre fui, mesmo sem saber,
a sócia fundadora, com 40% da sociedade, e ele
resolveu-me dar isto”, revela, explicando que
só aceitou “por gratidão ao meu pai, porque os
tempos eram difíceis, ele teve quatro filhas a estudar
na faculdade ao mesmo tempo, era tudo
muito difícil, e eu disse, pronto, eu vou lá meio
ano. Se eu conseguir, muito bem, tu não vais
meter dinheiro nenhum na empresa e eu vou
dar a volta”, afirma, assumindo-se “obstinada”.
E assim foi, com 23 anos, Cláudia Soares arregaçou
as mangas e foi bater à porta de todos os
fornecedores a quem a Rolnorte devia dinheiro
e, recorda, “ninguém apostou em mim, exceto
um único fornecedor, a quem devíamos muito
dinheiro, que era a Romafe. Na altura, o sr. Fernando
França – uma pessoa extraordinária, que
já faleceu, ouviu-me e disse-me: «você tem tudo
contra, é mulher e está numa situação de falência,
mas o facto de vir aqui sozinha, a dizer que
não me vai pagar mas quer que eu continue a
fornecer, é uma atitude de coragem!» e é graças
a ele, que eu estou neste mundo, porque assinei
o compromisso de que ele ia-me continuar a fornecer,
mas eu ia pagando o anterior”, relembra.
Além disso, teve também apoio da concorrência,
que “quase que tinham pena de mim, «coitada
da garota, tem que se distrair com alguma coisa»,
diziam, e eu fui uma felizarda”. À distância
de mais de trinta anos, a gerente considera que
a Rolnorte “foi crescendo na sombra, porque
ninguém achou que eu conseguisse, só que eu
fui-me apaixonando por isto! Também trabalhava
na construção civil com o meu pai e houve
uma altura em que abandonei as obras e vim
para a Rolnorte”, conta, satisfeita por ter conseguido
conquistar a confiança e o respeito de
todos num mundo maioritariamente machista,
“eu hoje, de facto, sou um deles!”, congratula-se.
A modernização
Desde há cinco anos que Cláudia Soares tem
ainda o apoio do filho, Diogo Cavalheiro, de
26 anos, que se juntou à empresa para dar um
novo fôlego ao projeto e esta acredita que, “neste
momento, a Rolnorte é uma empresa sólida
em franco crescimento, veio a parte da modernização
e do online, que eu já deixo nas mãos
dele e foi uma surpresa, porque o nosso maior
crescimento foi, de facto, nas oficinas. Acho que
isso se deve ao trabalho dele e o futuro vai passar
por aí. A pior fase da empresa foi a estabilização
económica, estabilização de stock, de armazém,
portanto o caminho está livre, temos tudo para
ter sucesso”, remata. O site da Rolnorte foi criado
há cerca de quatro anos, mas, de acordo com
Diogo Cavalheiro, que ocupa atualmente o cargo
de diretor comercial, “no inicio foi complicado,
mas neste momento somos um referência online
de excelência para todas as oficinas”.
Entre Penafiel e Felgueiras
A empresa dedica-se exclusivamente à comercialização
na zona do Vale do Sousa e a aposta
online deve estender-se, em breve, a Espanha.
A Rolnorte trabalha “com praticamente todas
as marcas de topo”, diz Diogo, com Cláudia Soares
a duvidar que “haja alguma loja com o stock
34 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
CLÁUDIA SOARES E
DIOGO CAVALHEIRO
OLHAM PARA A
ELETRIFICAÇÃO DO
PARQUE AUTOMÓVEL
COMO UM DESAFIO,
E GARANTEM QUE
ESTÃO PREPARADOS
PARA ESTA NOVA ÁREA
CLÁUDIA SOARES e
DIOGO CAVALHEIRO
acompanhamos todo o processo e
temos assistência técnica”. Até porque,
segundo a gerente, “é muito
difícil conquistar o mercado, mas
é muito fácil queimá-lo. Tentamos
que isso não nos aconteça! Eu já só
trabalho com empresas que não me
deem problemas e com boa assistência”,
refere, notando que com o
online, chegaram muitos clientes
amadores, “com muitas dúvidas
que os profissionais não têm”, pelo
que passa pelo objetivo da empresa
vir a ter uma pessoa direcionada
apenas para o online, na parte do
call center.
Continuar a crescer
Cláudia Soares e Diogo Cavalheiro
concordam que, cada vez mais,
as oficinas se preocupam com
a questão da imagem e do
relacionamento com os clientes
e admitem que estas “mudaram
muito nos últimos dez anos”. Fãs
confessos do “design”, destacam o
projeto que realizaram para “uma
oficina de carros clássicos, que
ficou lindíssima.
Mas, é claro, temos de ter opções
para todas as carteiras e para
todos os tipos de oficinas”. Os dois
reconhecem que os profissionais
COM SEDE EM PENAFIEL, A ROLNORTE DISPÕE DE 1.500 M 2 DISTRIBUÍDOS
POR TRÊS PISOS, COM OFICINA, ARMAZÉNS, LOJA E EXPOSIÇÕES, E ainda
UM ESPAÇO EM FELGUEIRAS, COM 1.200 M 2 , E QUE ESTÁ AGORA DIRECIONADO
para tratar toda A LOGÍSTICA DAS VENDAS ONLINE
que nós temos de ferramenta manual.
No site, começamos a dar os
primeiros passos nas ferramentas
elétricas e já temos um crescimento
grande”. As duas mais recentes
inclusões no portefólio são a Knipex
e a Wera, duas marcas que a
Rolnorte começou a importar diretamente
da Alemanha (sem exclusividade).
Há previsão de adicionar
mais marcas no detalhe automóvel,
mas ainda não há nenhuma
decisão concreta nesse sentido. De
forma a tornar-se mais autossuficiente,
a Rolnorte passou a fazer
projetos de rede de ar comprimido
e já está preparada para montar
uma oficina “chave na mão, porque
quando dependíamos dos outros,
às vezes perdíamos o negócio, pois
demorava um mês para vir montar,
os técnicos estavam ocupados,
e isso foi uma evolução para nós”,
conta Cláudia Soares.
Experiência de pós-venda
Segundo Diogo Cavalheiro, a Rolnorte
é conhecida “por toda a experiência
que damos ao consumidor
e pelo serviço pós-venda, pois
A Rolnorte tem participado em
eventos de confraternização com
clientes e pondera participar na
próxima edição da expoMECÂ-
NICA. Os dois responsáveis têm
notado um “crescimento exponencial”
ao nível da procura de equipamentos
e salientam a venda, só
em 2024, de cerca de 200 carros
de ferramentas. Olham para a eletrificação
do parque automóvel
como um desafio, mas garantem
que estão preparados e até já se
vão vendendo artigos para esta
área.
Chegaram a iniciar um projeto
para ter marca própria, mas consideram
que, atualmente, “o caminho
não passa por aí.
É diversificar a gama e ter uma
panóplia grande de artigos”, afirma
Cláudia Soares, com o filho a
acrescentar que “todas as melhores
marcas têm interesse em trabalhar
connosco, já estamos num bom
caminho”. No que diz respeito aos
pagamentos, a gerente sublinha
a necessidade de se ser rigorosa
nas cobranças, para conseguir o
essencial equilíbrio financeiro da
empresa.
A Rolnorte tem sido distinguida
como PME Líder há vários anos,
tendo, em 2024, recuperado o título
de PME Excelência.
de hoje estão “muito melhor
formados e a geração atual é muito
mais polida”. Assim, acreditam que
“os jovens estão capacitados para a
evolução das oficinas” e mostramse
confiantes com a continuidade
do negócio.
Ao longo dos anos em que geriu a
empresa, Cláudia Soares conseguiu
sempre que esta crescesse.
Apesar de, no último ano, ter
ficado muito próximo do objetivo
de faturar 4 milhões de euros,
registou um crescimento superior
a 13% face a 2023 e a gerente
garante que para 2025, a meta
já será outra, porque é preciso
continuar a crescer.
Paulatinamente, vai entregando
as responsabilidades ao filho, pois
entende que “o futuro passa pela
nova geração e é preciso sangue
novo.
Também tenho outra filha, vamos
ver se ela quer vir para a outra
parte da empresa, que é a da
gestão”. Defende que se continuem
a fazer “boas parcerias” e manter
a “boa relação com os clientes”,
sublinhando que ainda “é ao balcão
que se aprende tudo, porque os
clientes, sem se aperceberem,
dizem-nos os que faz falta, o que
precisam e qual é o caminho”,
finaliza. l
36 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
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NOTÍCIAS // DINÂMICA SETOR ESCREVE ‐SE DE A A Z
MERCADO
ADQUIRE DOGA PARTS
Siker Products | A Siker Products assumiu o controlo da Doga Parts, a divisão
de aftermarket da Doga. Conforme confirmado por ambas as partes, a Doga Parts continuará
a operar de forma independente sob a nova propriedade, mantendo a mesma estrutura e a
mesma equipa. A Doga Parts foi criada em 2012 após a unificação da divisão de pós-venda
da Doga e da Abrinsa para reunir as atividades de pós-venda de automóveis de passageiros e
veículos ligeiros do grupo. Agora, 100% do seu capital foi adquirido pela Siker Products, uma
empresa gerida por Juan Luis Capella - antigo diretor-geral do Grupo Cautex -, que comercializa,
entre outras marcas, Dynamic, Holts e Bosal. Esta mudança levou à saída da empresa de Carles
Santacreu - até então diretor comercial - e à nomeação de Gerard Sánchez para esta função. Jordi
Llobet, diretor geral da Doga Parts, permanecerá à frente da empresa sob a nova direção. Esta
decisão não tem nada a ver com os resultados, porque os últimos anos foram muito bons para a
empresa, tratando-se de uma questão puramente estratégica.
LIQUI MOLY
BATE RECORDE DE VOLUME
DE NEGÓCIOS EM 2024
A
LIQUI
MOLY encerrou o exercício financeiro de 2024 com um
volume de negócios recorde na casa dos mil milhões de euros,
representando 111.000 toneladas de óleo, 24 milhões de latas de
aditivos e 36 milhões de embalagens de óleo. O balanço do ano passado
é muito positivo a vários níveis. “No início de 2024, os estrangulamentos
da oferta e a elevada procura continuavam a causar-nos problemas. Mas
graças aos nossos colaboradores orientados para soluções e muito diligentes,
o progresso foi muito bom, e em todo o mundo”, resumiu Uli Weller,
diretor-geral da LIQUI MOLY. Com o novo volume de negócios recorde
de 1.030 milhões de euros, foi possível atingir um aumento do volume de
negócios de 12,1% em comparação com o ano anterior. A empresa obteve o
maior volume de negócios no seu mercado nacional, a Alemanha, seguido
pelos EUA. Para a LIQUI MOLY, mil milhões é uma marca de desempenho
“mágica”, sublinhou Salvatore Coniglio, que faz parte da administração
desde setembro de 2024: “Sabemos que este sucesso extraordinário
se deve aos nossos quase 1.200 colaboradores em todo o mundo. Por isso,
decidimos, com total convicção, em conjunto com o Grupo WÜRTH, conceder
um bónus de sucesso de até 7.000 euros aos colaboradores. Todos
merecem isso”, acrescentou Coniglio.
rodape_PBS 2024.pdf 1 27/02/2025 11:23
INAUGURA OFICINA EM BRAGA
MYFORCE | A MyForce continua a sua expansão em território nacional, desta vez com a
abertura de mais uma oficina, a sua 89.ª, na cidade de Braga. Localizada em Maximinos, na Rua
Manuel Carneiro, n.º 35, a nova oficina MyForce tem como principal objetivo prestar serviços
rápidos e a preços competitivos. Com quase 90 oficinas distribuídas de norte a sul de Portugal
Continental e com presença em Angola com uma rede de cinco oficinas, a MyForce conta com um
Sistema Integrado de Saúde Automóvel e uma Linha de Saúde Auto. Adicionalmente, oferece
um clube de vantagens (Clube MyForce) e uma área de cliente que facilita o acesso a vantagens
exclusivas para os clientes MyForce. A rede faz parte de um grupo 100% português com mais
de 600 colaboradores. Após 4 anos de atividade, a rede MyForce foi reconhecida com os prémios
“Boa Escolha” e “Marca Recomendada 2025”, com uma taxa de satisfação atual superior a 94%.
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PBS
38 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
PBS - Portugal Bateria Serviço, Lda - 211 927 482 - geral@portugalbateriaservico.pt
AUTO SILVA ACESSÓRIOS
REFORÇA PORTFÓLIO
COM GATES
A
Auto
Silva Acessórios S.A., referência no mercado do aftermarket,
acaba de anunciar a integração da marca Gates ao seu
catálogo de produtos. “Esta parceria permite à empresa disponibilizar
aos seus clientes uma gama alargada de correias de distribuição,
correias de alternador e correias auxiliares, da marca reconhecida
pela sua elevada qualidade e fiabilidade”, avançou a Auto Silva Acessórios
em comunicado. “Com um histórico de inovação e excelência,
a Gates é líder global em tecnologia de transmissão de potência, fornecendo
componentes fabricados segundo os mais altos padrões exigidos
pelos principais fabricantes automóveis”, destacou. Para Vasco
Loff Duarte, gerente comercial da Auto Silva Acessórios, esta parceria
representa um passo estratégico na oferta da empresa: “A incorporação
da Gates no nosso portfólio reforça o nosso compromisso em comercializar
peças de marcas premium, garantindo aos nossos clientes
soluções fiáveis e de qualidade OE”. “A Auto Silva Acessórios continua
assim a consolidar a sua posição no mercado, apostando em marcas de
referência que asseguram máximo desempenho, durabilidade e segurança
para os profissionais do setor”, concluiu.
CEPRA E MOTORPOR ABREM NOVA
DELEGAÇÃO DE FORMAÇÃO EM FARO
CEPRA e Motorpor | A Motorpor e o CEPRA, celebraram no passado dia 16 de
janeiro de 2025 um protocolo de colaboração que reforça o compromisso de ambas as entidades
com a qualificação técnica e a valorização profissional no setor automóvel. Este acordo resultou
na abertura de uma Delegação do CEPRA, instalada em infraestruturas da Motorpor, em Faro.
Considerando a abrangência nacional das intervenções do CEPRA, a cedência pela Motorpor
de instalações fixas, devidamente adaptadas, permite o acesso à formação técnica na região,
respondendo às necessidades de qualificação local. Segundo António Caldeira, diretor do CEPRA,
“a abertura desta nova Delegação é um marco extremamente relevante para o CEPRA, que reforça
a sua capacidade de desenvolver formação em todo o território continental. Ainda o é mais,
por se tratar de uma região em que as necessidades de formação profissional são sobejamente
conhecidas”. Por seu lado, Manuel Coutinho, CEO da Motorpor, referiu “Estamos convictos de que
este novo centro de formação servirá não só à Motorpor, mas também a toda a região, dotando-a
da capacidade técnica tão necessária num setor em profunda transformação”.
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www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 39
NOTÍCIAS
EXIDE TECHNOLOGIES LANÇA
NOVA BATERIA AUXILIAR AGM
BILSTEIN GROUP
AVANÇA COM CONSTRUÇÃO
DO AUTOSTORE
Com os olhos postos na inovação e no futuro, o bilstein group em Portugal continua a
avançar com a construção do novo AutoStore, iniciado em 2024, com previsão de
conclusão entre março e abril de 2025. O AutoStore é um sistema automatizado utilizado
em centros de distribuição e armazéns, projetado para maximizar a utilização do espaço
e aumentar a eficiência das operações de armazenamento e picking de mercadorias. Este
sistema é composto por uma estrutura modular de “células” (ou cubos) onde os produtos são
armazenados de forma compacta. No interior dessa estrutura, existem robots móveis que se
movimentam sobre a parte superior das células para recolher e entregar as mercadorias de
forma eficiente. A construção do AutoStore iniciou-se em 2024 com a remoção de vários
corredores de racks disponibilizando cerca de 650 m2 para a futura implementação do AutoStore.
De acordo com o planeamento, a construção estará concluída entre março e abril de
2025, momento em que começará a operação de colocação das primeiras caixas no interior
da estrutura e a introdução e a colocação dos 20 robots em funcionamento. Prevê-se que, no
futuro, sejam introduzidas cerca de 40.000 peças, no total, dentro do AutoStore.
EXIDE | A nova bateria auxiliar EK013 da Exide Technologies
permite que os condutores sigam normalmente as suas rotinas ao
volante, mesmo em caso de avaria ou falha da bateria principal de
12 V. Após o recente lançamento do EK454 e do EK457, equipados
com terminais cónicos standard e finos de acordo com a Norma
Europeia (EN) e a Norma Industrial Japonesa (JIS), respetivamente,
esta última adição à gama de baterias Exide AGM vem demonstrar
a dedicação da Exide em oferecer aos profissionais ainda mais
escolha, proporcionando um portfólio de baterias “abrangente,
fiável e duradouro”. Concebida exclusivamente como bateria de
reserva, a EK013 de 12 V e 1,2 Ah foi desenvolvida para suportar
sistemas eletrónicos de transmissão automática e bombas de óleo
elétricas de caixa de velocidades. Ao lado da bateria auxiliar padrão –
normalmente atrás do porta-luvas na maioria dos casos – é utilizada
para suportar sistemas avançados de paragem e arranque. Esta última
adição da Exide desempenha um papel essencial ao permitir que os
condutores conduzam os seus veículos normalmente, mesmo em caso
de avaria ou falha da bateria principal de 12 V.
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40 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
Lubrificantes Galp
galp.com
Performance
ao mais alto nível
Qualidade digna de pódio.
Os lubrificantes Galp são o resultado de anos
de investigação e aplicação de tecnologias
avançadas. Por isso é que garantem maior
proteção, longevidade e performance para
o seu equipamento.
Quem procura o mais alto nível, encontra
os lubrificantes Galp.
A NOSSA
PREOCUPAÇÃO
É A QUALIDADE
DE SERVIÇO
AO CLIENTE
A CAETANO PARTS É A CENTRAL DE PEÇAS
QUE EFETUA A GESTÃO DE TODAS AS PEÇAS
ORIGINAIS DAS MARCAS COMERCIALIZADAS PELA
CAETANO RETAIL, ASSIM COMO OS PRODUTOS
DE AFTERMARKET, PNEUS E LUBRIFICANTES.
CELEBROU 25 ANOS EM 2024 E APRESENTOU
UMA NOVA IMAGEM E ASSINATURA, AFIRMANDO-SE
AGORA COMO «A PEÇA CHAVE DO SEU NEGÓCIO»
Entrevista
MÁRIO BATISTA
DIRETOR-GERAL DA CAETANO PARTS
Viajámos até Grijó, em Vila Nova de Gaia,
onde fomos recebidos pelo diretor-geral
da Caetano Parts, Mário Batista, que nos
contou tudo sobre esta empresa que faz parte do
grupo Salvador Caetano e que tem crescido de
forma consolidada no mercado, integrando a
placa Distrigo, o conceito oficinal Eurorepar Car
Service e ainda o conceito Motrio, da Renault.
Geograficamente, a Caetano Parts tem sede em
Grijó – onde estão há cerca de dois anos – e tem
ainda outras instalações em Setúbal, no Setúbal
Retail Park, junto a uma Caetano Retail. Conta
com uma equipa de 150 pessoas e alberga mais
de 85 mil referências em stock, num valor que
ronda os sete milhões de euros. Garante a distribuição
de peças em todo o território nacional
com entregas bidiárias e, além do mercado interno,
que são todos os concessionários do grupo
Salvador Caetano, atualmente, os maiores
clientes externos da Caetano Parts são as oficinas
independentes. “Este conceito central de peças
arrancou quando a Caetano Retail alcançou
uma dimensão que já justificava uma central
para organizar o negócio das peças e o serviço
às oficinas de cada concessionário do grupo. A
partir daí, a central de peças começa por estar
muito focada em organizar internamente tudo
o que era peças, e só depois se começa a virar
para o mercado externo, o mercado independente”,
explica-nos Mário Batista, Diretor-Geral
da Caetano Parts.
Placa Distrigo
Em 2021, a Caetano Parts adquiriu a Gamobar
Peças e passou a integrar, em 2022, a placa Distrigo
e o conceito oficinal Eurorepar Car Service.
Segundo o responsável, a placa Distrigo “é uma
componente importante do nosso negócio, porque
na prática é quase como sermos um mini
importador Stellantis, entre quatro no país. É
uma abordagem muito diferente, quer do ponto
de vista comercial, quer do ponto de vista de
processos, o perfil de consumo é distinto dos
clientes das outras marcas, nas quais não há um
conceito igual, e o nível de exigência também é
diferente”. Mário Batista revela que também têm
“investido muito, em termos de qualidade de
stock e na constituição de equipa. Aqui, temos
um espaço com 5.000 metros quadrados de armazém”.
A empresa está também a dinamizar a
marca Eurorepar e o conceito oficinal Eurorepar
Car Service, sendo que o diretor-geral salienta
que “estamos na parceria com a Stellantis por
inteiro e quando são incorporadas novas linhas
de produto na marca Eurorepar, nós traduzimos
isso na nossa oferta”. Entretanto, têm integrado
na Eurorepar Car Service vários operadores,
“no sentido de fortalecer a rede, pois é uma das
tarefas de uma placa Distrigo. Adicionámos
duas oficinas em fevereiro, já temos perto de 25
agregadas”, conta. Além disso, a Caetano Parts
desenvolve o conceito Motrio, da Renault, onde
tem estado muito ativa, a apoiar e a dinamizar
o projeto.
Por outro lado, a Midas tomou recentemente a
decisão de mudar de master franchise e a Salvador
Caetano está agora a constituir a rede de
pontos próprios e de franchisados: “Nós, nos
pontos próprios, somos, obviamente, o fornecedor
privilegiado e nos franchisados temos parcerias
também fortes, através do conhecimento
que o grupo Salvador Caetano tem do nosso trabalho.
Estamos a acompanhar o crescimento da
Midas, que é mais um cliente”, esclarece o nosso
interlocutor, que não vê complexidade no desenvolvimento
de várias redes oficinais, uma vez
que “cada marca tem a sua abordagem, e hoje,
de facto, a Stellantis e a Renault têm esta abordagem
para redes que não são incompatíveis.
Nós estamos numa posição em que queremos
ajudar todas as marcas a evoluírem”, afirma.
Garantir a qualidade de serviço
Mário Batista reconhece que é necessário ter
“uma qualidade de stock boa para servir, porque
a nossa concorrência também tem a mesma
peça, na mesma caixa, e, eventualmente, ao
mesmo preço, visto que compramos às marcas
nas mesmas condições. A nossa preocupação é
a qualidade de serviço ao cliente, pela cobertura
de stock e pela rapidez de entrega. É assim
que nos distinguimos, quando o cliente pesquisa
ou pede uma peça, temos em stock. A logística
de entrega de encomendas está a sair daqui e
também temos alguma a sair de Setúbal. Temos
ainda negócios nas ilhas, com uma logística diferente,
mas com uma cobertura interessante”,
garante. O contact center da Caetano Parts é o
canal por onde chegam mais pedidos de encomendas.
A empresa tem investido em IT, “para suportar
o nosso negócio, desde o nosso ERP até aos diferentes
sistemas das várias marcas com que trabalhamos,
temos investido muito em sistemas e
tecnologia. No armazém estamos a implementar
novos projetos, para termos a operação o mais
automatizada possível e sermos eficientes, essa
também é uma componente que nos preocupa”,
assume o nosso entrevistado, acrescentando que
em Grijó, que é uma instalação recente, “implementámos
sistemas informáticos específicos de
gestão de armazém, para gerir toda a complexidade
que é termos 80 mil referências em stock,
visto que já não é possível fazer isto com um
sistema que não seja especializado. Para além
disso, temos um sistema de distribuição de encomendas,
que se chama PTL, que ajuda a otimizar
o processo de picking e depois a separação
de encomendas para os clientes”, destaca.
«A peça chave do seu negócio»
Em 2024, a Caetano Parts celebrou um quarto
de século e decidiu apresentar uma nova imagem,
para “criar mais proximidade nos nossos
clientes, e identificarem-nos melhor quando a
veem. Por outro lado, corresponde à nossa vontade
de nos adequarmos à procura que os clientes
têm”.
A par da modernização da imagem, a Caetano
Parts criou também um novo slogan, afirmando-se
como: «A peça-chave do seu negócio». Ao
longo destes 25 anos, desde o foco inicial na organização
interna, muito mudou na empresa. O
crescimento, que acompanhou as aquisições que
o grupo Salvador Caetano foi fazendo, permitiu-
MÁRIO Batista, DIRETOR GERAL DA CAETANO Parts, RECONHECE QUE É
necessÁRIO TER “UMA QUALIDADE DE STOCK BOA PARA SERVIR BEM O
CLIENTE, PORQUE A NOSSA CONCORRÊNCIA taMBÉM TEM A MESMA PEÇA, NA
MESMA CAIXA, E, EVENTUALMENTE, ao MESMO PREÇO”
www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 43
MÁRIO BATISTA
A CaetaNO Parts CONTA COM UMA EQUIPA DE 150 PESSOAS E ALBERGA
MAIS DE 85 MIL REFERÊNCIAS EM STOCK, GARANTINDO A DISTRIBUIÇÃO DE
PEÇas EM toDO O TERRITÓRIO NACIONAL COM ENTREGAS BIDIÁRIAS
-lhes identificar “as oportunidades
que o mercado apresentava e a procura
de peças que o mercado ia fazendo”,
diz-nos Mário Batista, que
considera que a evolução da Caetano
Parts foi “consolidar todos os
processos e toda a gestão de peças a
nível interno da Salvador Caetano
e crescer no mercado externo para
corresponder à procura do mercado
e à vantagem que julgamos ter,
ao termos um leque de oferta de
marcas interessante”.
Portal B2B em progresso
Ao longo dos anos, o portal da
Caetano Parts tem progredido em
função do feedback que a empresa
vai recebendo não só dos clientes,
como também das melhores práticas
do mercado. A gama está toda
disponível no portal e o cliente
pode pesquisar por referência e
pode identificar as referências em
função da zona do carro que é para
reparar.
De acordo com Mário Batista, “excetuando
alguns casos específicos
que nós queremos validar, antes
de passar para o processo seguinte
de tratamento em armazém, já
flui tudo automaticamente. Isto
também faz com que a velocidade
de entrega e a qualidade de serviço
seja ainda melhor cumprida. Para
além disso, o cliente tem lá toda
a sua informação, as compras que
fez no último ano, no último mês,
as faturas pendentes de pagamento,
as datas de vencimento, etc.”.
Desde o ano passado, que a Caetano
Parts se juntou à plataforma
espanhola Recambiofacil, que o
diretor-geral define como “mais
um canal de vendas. Nós já tínhamos
uma área de oportunidades no
nosso portal, peças que identificamos
e que queremos vender a um
preço mais competitivo e é uma
área com muito sucesso, como vemos
nas nossas estatísticas. Adicionalmente,
publicamos também no
Recambiofacil, que achamos que é
um marketplace muito interessante
para estar presente”.
Pensar no futuro
As encomendas no portal têm vindo
a aumentar, mas é no contact
center que ainda se concentra a
maioria dos pedidos dos clientes.
O atendimento é feito por telefone,
mas também por WhatsApp,
“que é muito prático e agiliza-nos
o trabalho, porque uma coisa é
É INEVITÁVEL
O AGRUPAMENTO DE
PEQUENOS E MAIORES
OPERADORES
ário Batista olha para a atual situação de concentração do negócio pós-venda automóvel
M
como “inevitável. Vemo-lo a acontecer em várias áreas de negócio e esta não é uma
exceção. É inevitável o agrupamento de pequenos e maiores operadores. Muitos têm funcionado,
alguns nem por isso, nomeadamente a entrada de fundos, que investem e querem resultados muito
rápidos, mas acho que é uma tendência que vai continuar”. No que diz respeito à procura de peças
mais económicas para fazer face à inflação, o responsável diz não sentir “grande diferença”. No caso
dos carros mais antigos, “os clientes procuram sempre uma alternativa em aftermarket, mas é uma
tendência que já vem de longe. Nos carros mais recentes, há linhas de produtos que ainda não
existem no aftermarket e a opção é a peça original”, nota. O diretor-geral da Caetano Parts entende
que, com o advento dos veículos elétricos, “todo o mercado automóvel se vai transformar, não tão
rápido como se previa, mas os passos estão a ser dados. Acho que nós próprios nos vamos
transformar. Fazer previsões a cinco anos, nos tempos que correm, já ninguém é capaz. Nós vamos
estando muito atentos à evolução do mercado, à evolução do setor, para conseguirmos tentar
antecipar o mais possível os passos que temos que dar”, assegura. Sobre as peças das marcas novas,
provenientes da China, que vão entrando no mercado, a empresa já as vai trabalhando, tal e qual
“como uma marca mais tradicional, estamos cá para corresponder ao que os clientes precisarem”,
sublinha.
o cliente descrever a peça, outra
coisa é conseguir enviar-nos uma
imagem”, reflete. No call center é
possível apoiar o cliente num orçamento,
fazer a identificação, ver as
condições que o cliente tem e dizer
qual o stock e o valor. Depois é a
efetivação do pedido. Se os clientes
fizerem o pedido através do portal,
o call center não tem que intervir, a
não ser em algumas peças mais diferentes”.
Mário Batista explica que
fazem “todas as campanhas que as
marcas lançam e algumas campanhas
próprias também. O call center
dá todo o apoio necessário e a
equipa de mais de vinte comerciais,
com cobertura nacional, está sempre
junto do cliente para ajudar em
todos os problemas que surgem no
dia a dia”.
As peças verdes (usadas) já vão
tendo alguma procura e, dado que
a Stellantis integra uma plataforma
– a B-Parts – de venda de peças
usadas com garantia, “nós, implicitamente,
também temos essa oferta,
e consideramos muito positivo,
no ponto de vista ambiental, haver
essa preocupação”, considera Mário
Batista. Para 2025, o responsável
mostra-se assertivo: “acho que
vamos crescer!”. Depois de 2024
ter sido também “um ano bom,
em que não disparámos em flecha,
mas crescemos o que tínhamos planeado,
de uma forma ponderada e
consolidada. E este ano temos a
mesma postura”, finaliza sem abrir
o jogo sobre os projetos previstos
para este ano. l
44 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
VOCÊ
NOSSA MOTIVAÇÃO
www.tabspain.com
Entrevista
PAULO AZEVEDO, SÓCIO-GERENTE OMA PEÇAS AUTO
MIGUEL MOREIRA, SÓCIO-GERENTE OMA PEÇAS AUTO
A ENTRADA NO GruPO
TRUSTAUTO FOI UMA
ENOrme MAIS-VALia!
A EMPRESA DE SÃO JOÃO DA MADEIRA É UM DISTRIBUIDOR DE PEÇAS COM 27 ANOS NO MERCADO,
QUE PASSOU, HÁ SEIS, A INTEGRAR O GRUPO DE RETALHO TRUSTAUTO. ALÉM DA SEDE, TEM AINDA
DUAS FILIAIS, EM CANEDO E RIO MEÃO, E EM BREVE IRÁ REMODELAR AS INSTALAÇÕES PRINCIPAIS
PARA AMPLIAR A ÁREA DE ARMAZENAGEM E FAZER UMA SALA DE FORMAÇÃO. MIGUEL MOREIRA E
PAULO AZEVEDO, SÓCIOS-GERENTES, FALARAM-NOS SOBRE O CRESCIMENTO DA OMA PEÇAS AUTO
E MOSTRARAM-SE CONFIANTES NA CONTINUIDADE DO NEGÓCIO NOS ANOS VINDOUROS
Oliveira, Moreira e Azevedo foram os três sócios
que, em 1998, fundaram a OMA Peças
Auto, uma empresa dedicada à distribuição
de peças. Seis anos mais tarde, passaram a
ser apenas dois, Miguel Moreira e Paulo Azevedo,
que assumiram, desde então, a gestão da mesma.
Questionado sobre como têm trabalhado para fazer
a diferença no mercado, Miguel Moreira explica
que fizeram “um trabalho de proximidade com
o cliente e, com isso, ganhámos o mercado. Muitas
vezes, quanto maior o barco, maior é a tormenta,
e, se calhar, os nossos concorrentes, que eram e
continuam a ser gigantes à nossa beira, face à dimensão,
descuraram alguns pormenores aos quais
nós sempre estivemos atentos e fomos tentando
melhorar para cativar os clientes”. Além disso, salienta
o poder negocial que foram ganhando com
a crescente dimensão e com a competitividade que
as marcas premium, das quais são importadores
através do grupo Trustauto, trouxeram. “Outra
parte do sucesso”, acrescenta, “é a equipa fantástica
que temos, em que praticamente todos os nossos
elementos chave estão connosco desde sempre.
Conforme fomos crescendo, os recursos humanos
têm-se mantido ao longo dos anos e isso também é
motivo de orgulho para mim”, diz, garantindo que
isso “dá uma confiança tremenda ao mercado”.
Parcerias que importam
A OMA Peças Auto tem a sede em São João da
Madeira e duas filiais, uma em Canedo, há sete
anos e outra em Rio Meão, há dois, focando-se
no distrito de Aveiro Norte. Não está prevista a
abertura de mais filiais, porque isso iria obrigar
“ao reposicionamento de funcionários daqui da
sede e hoje em dia é difícil arranjar profissionais
já com capacidade para entrar no nosso ritmo e
para formar”, explica Miguel Moreira. O passo
mais recente foi a entrada no grupo Trustauto,
em 2019, que se afigurou ser “uma enorme
mais-valia, até pela conjuntura do mercado, com
fusões e aquisições que está a haver, sermos pequenos
e estarmos sozinhos ou por nossa conta,
dificulta bastante. Assim, temos as marcas próprias
e as nossas marcas de importação direta”,
diz o sócio-gerente, que aguarda agora os benefícios
que surgirão do acordo do grupo Trustauto
com a Stellantis, que permitirá “estar ligado a um
supergrupo. É um dos maiores grupos europeus
de construtores automóveis, o que também nos
traz muita responsabilidade”. Sobre a rede de
oficinas Mooving, o responsável revela que “está
um pouco estagnada, também para perceber se
poderá ter alguma inclusão ou interação com a
rede Eurorepar, da Stellantis, o que seria um alavancar
para a nossa rede”, considera, destacando
que a Mooving “é um projeto fantástico, que tem
esbarrado em burocracias, mas não está morto”.
Portefólio completo
A OMA Peças Auto trabalha com praticamente
todas as marcas de peças auto, tendo em stock
permanente cerca de 86 mil referências. Miguel
Moreira aponta como marcas-bandeira aquelas
que “importamos através do Grupo Trustauto,
como a SKF, Hella, Blue Print, Valeo, Exide,
OCAP… são as marcas que temos mais cuidado a
trabalhar. E, além disso, trabalhamos com todas
as marcas disponíveis no mercado, tudo o que o
cliente quiser”. Por outro lado, a marca própria
Trust tem sido muito bem aceite pelo mercado,
com um desempenho que o nosso interlocutor
define como “excelente”. Na sua opinião, “somos
um bocado ambiciosos, porque não olhamos para
a marca Trust como low cost, ou como uma segunda
marca. Nós temos uma marca própria com
um produto premium lá dentro, seja a Valeo, por
exemplo, ou baterias da Exide. Nós privilegiamos
a marca e a qualidade e o que está dentro da embalagem
são produtos de qualidade, explicando
que “é uma linha grande, que tem uma aceitação
no mercado excelente, precisamente por isto. No
posicionamento que tem de qualidade-preço é
imbatível”, frisa.
A empresa comercializa tudo para as oficinas,
sendo que as “ferramentas mais básicas já trabalhamos
há muitos anos e, de há dois anos para
cá, fizemos um forte investimento na área da ferramenta
mais tecnológica. Fruto disso, fizemos o
acordo com a Autel. Também temos a distribuição
de pneus e daqui para a frente vamos tentando
sempre olhar para outros ramos, porque se, com
a chegada dos elétricos vamos perder 60 a 70% da
46 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
DA AVENTURA, INICIADA EM 1998, A OMA PEÇAS AUTO É HOJE UMA EMPRESA
CONSOLIDADA NO SETOR DAS PEÇAS PARA AUTOMÓVEIS, LIDERADA POR
PAULO AZEVEDO E MIGUEL MOREIRA. COM A PERSPETIVA DE GARANTIR OS
ALICERCES NECESSÁRIOS AOS DESAFIOS QUE O MERCADO APRESENTA, NO
PRESENTE E PARA O FUTURO, JUNTOU-SE EM 2019 AO GRUPO TRUSTAUTO
PAULO AZEVEDO
MIGUEL MOREIRA
A OMA PEÇAS AUTO SEMPRE apostoU EM DAR O MELHOR
atenDIMENTO, alicerçaDO NO CONHECIMENTO E INFORMAÇÃO
TÉcnica DOS PRODUTOS DISPONIBILIZADOS, CAPACIDADE DE RESPOSTA
E ENTREGA RÁPIDA DE ENCOMENDas
manutenção dos veículos, temos de
tentar compensar de alguma maneira
com outra série de componentes,
com outros serviços, também temos
que olhar para o futuro”, diz Miguel
Moreira, para quem a adaptação ao
mercado dos veículos elétricos “já é
quase obrigatória, hoje”.
muitas vezes, desconfia, porque
ninguém dá nada a ninguém. E eu
tenho uma resposta direta e muito
curta para eles: «Eu estou a investir
em ti, porque se amanhã não
tiveres conhecimento ou trabalho,
eu também não tenho!», digo-lhes,
muitas vezes”.
Do balcão para o call center
A evolução do negócio fez com que
a OMA Peças Auto se fosse adaptando
às necessidades do mercado,
passando a fazer entregas diárias aos
clientes. No entanto, o balcão, onde
trabalham seis pessoas em permanência,
continua “a funcionar muito
bem. O call center começou com
uma pessoa, depois passou para duas
e já estamos a pensar em passar para
três, mas do balcão não sai ninguém,
não temos hipótese”, afirma Miguel
Moreira. A empresa faz entregas
bidiárias, com quatro rotas estipuladas
a partir da sede e mais duas
viaturas em cada uma das filiais. As
encomendas ainda são feitas, preferencialmente,
pelo telefone, “porque
as pessoas têm receio do engano na
identificação correta e optam por
ligar. Temos o nosso sistema Trust
Vision, mas tem pouca expressão a
nível de encomendas online de clientes,
ainda é uma ferramenta pouco
utilizada. Os clientes, pelo feedback
que nos dão, usam mais até para orçamentar
ou para pesquisar”.
A devolução de peças é um problema
que tem vindo a ser mitigado,
contudo, obriga a ter um funcionário
destacado apenas para isso, o
que o responsável entende ser “um
custo que temos que ter, mas sei
que há gente bem pior e há clientes
que nos dizem que somos eficientes
em fornecer a peça, o que reduz em
muito o nível de devolução. É o feedback
que temos, que eu gosto de
realçar, pois é fruto do nosso trabalho.
É que a devolução, além de ter
o encargo de termos uma pessoa só
para isso, também engloba os encargos
da logística, portanto temos
que reduzi-los ao máximo, porque é
um flagelo, é caótico”, defende.
A importância da formação
Criar um centro de formação teó-
rico e prático é um dos objetivos
da OMA Peças Auto, que pretende
ainda este ano “adquirir parte
das instalações que ainda não são
nossas, precisamente para a parte
prática”. Miguel Moreira conta que
“os clientes precisam da formação
e é um serviço que não só podemos,
mas devemos oferecer-lhes.
E às vezes as deslocações são um
problema, porque ainda há clientes
que olham para a formação como
«perder tempo». Isso tem mudado,
mas nós temo-nos debatido
com esse assunto, porque é preciso
investir em conhecimento, com a
evolução dos automóveis, a formação
torna-se essencial. Há até ações
que fazemos sem custo e o cliente,
Um mercado próspero
Miguel Moreira acredita na continuidade
deste mercado, “que ainda
vai ser próspero durante uns bons
anos”, pois “enquanto não houver
políticas para exterminar realmente
o automóvel a combustão, que
eu acho que não vai haver… dado
que economicamente, isso seria
uma coisa impensável!”. Sobre o
mercado de pós-venda, entende
que o crescimento face às OE e a
algumas plataformas digitais, “é
fruto do nosso trabalho e da nossa
capacidade de adaptação, que não
há igual. As OE deixaram-se completamente
ultrapassar e praticamente
quase não têm expressão, a
não ser no material que não haja da
concorrência”, argumenta. A OMA
terminou o ano de 2024 com números
muito idênticos a 2023, face
“a algumas situações adversas, de
concorrência que abriu aqui perto
de nós, e vieram buscar funcionários
para ganharem o mercado
local”, pelo que “tenho que me dar
por contente, os que ficaram foram
os bons, fizeram um trabalho
exemplar”, parabeniza-os. l
48 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
QUEREMOS TER 25
OFICINAS NA REDE ATÉ AO
FINAL DO ANO
Entrevista
NUNO PINTO, DIRETOR GERAL DA DIAGTEC PLUS
TIAGO RESENTE, DIRETOR DE MARKETING DA DIAGTEC PLUS
A DIAGTEC PLUS, LDA. NASCEU EM 2019, PELAS MÃOS DE NUNO PINTO, FRUTO DO KNOW-HOW
DE UMA EQUIPA COM MAIS DE 20 ANOS DE EXPERIÊNCIA NO SETOR DA VENDA DE EQUIPAMENTOS
E FORMAÇÃO AOS PROFISSIONAIS DA REPARAÇÃO AUTOMÓVEL, MAIS ESPECIFICAMENTE
EM MECATRÓNICA AUTOMÓVEL. ATUALMENTE TEM AINDA UMA REDE OFICINAL, A DIAGTEC+
COM 16 OFICINAS ADERENTES E O OBJETIVO CLARO DE CONTINUAR A CRESCER
Comercializar equipamentos de diagnóstico
e dar formação em mecatrónica automóvel
era o «core business» da Diagtec
Plus, que marca presença em mais de 1.000 negócios
tanto a nível nacional como internacional.
A Diagtec+, a rede de oficinas da Diagtec,
foi criada depois, sendo um projeto dedicado
a especialização em mecatrónica automóvel e
veículos PHEV e EV. As instalações da Diagtec
contam com sala de formação teórica e prática e
um showroom onde tem expostas as mais recentes
inovações da área. Atualmente são 16 as oficinas
aderentes à rede Diagtec+, especializadas
em diagnóstico e mecatrónica automóvel. Tem
um call center com três técnicos permanentes
a dar apoio aos clientes e quatro vendedores. A
empresa tem exclusividade na comercialização
de várias marcas de equipamentos de diagnóstico,
designadamente a Magic MotorSport, a
ABrites, a Smok e a Thinkcar.
Em franco crescimento
A história da Diagtec Plus, começa precisamente
na época de Covid, quando estava tudo em confinamento.
Surgiu pelo facto de terem sido detetados
três problemas relevantes: “oficinas que
têm técnicos, mas não têm equipamentos, nem
têm formação; oficinas que até têm os equipamentos,
mas não têm formação nem técnicos, e
oficinas com técnicos e com equipamentos, mas
que não têm qualquer formação. A tudo isto
junta-se a pouca higiene e organização de muitas
oficinas, pois vê-se máquinas de milhares de
euros no meio de óleo e resíduos. Tentámos fazer
uma lista de problemas e questionámo-nos
de que forma poderiam ser resolvidos. Então,
decidimos criar o conceito de Diagtec Plus”, começa
por nos contar o diretor geral, Nuno Pinto.
Dada a necessidade de tornar as oficinas mais ecológicas,
juntaram a reutilização, a reconfiguração
e a recuperação das unidades, para reaproveitar
material que muitas vezes seria descartado: “Tentamos
reaproveitar essas unidades ao máximo e
colocá-las em funcionamento novamente, poupando
muito dinheiro ao cliente e também permitindo
ao prestador de serviços ter uma maior margem
de lucro e fazer um serviço muito mais rápido
do que o concessionário, que muitas vezes tem que
agendar. Se nós conseguirmos resolver um problema
na hora, mesmo com um custo semelhante ou
até mais baixo que o do concessionário, o cliente
vai preferir-nos, vai ficar servido e muito satisfeito”,
comenta o responsável.
Para além das oficinas, evoluíram a academia
de formação, e atualmente dão formação todos
os meses, exceto em agosto. Com seis novas temáticas,
há alguns meses, até, em que dão duas
formações. Em 2025 o número sobe para onze,
sempre em constante atualização: “Vamos adaptando
os cursos às necessidades. Há sempre um
curso ou dois que são fixos, por exemplo, os híbridos
e elétricos. No ano passado fizemos duas
vezes formação de híbridos e elétricos, que são
32 horas em cada formação. Esses temas são
sempre fixos e não vamos tirá-los porque há
sempre uma procura enorme. Contamos com
um parceiro certificado que vem cá dar as formações,
para as quais se pode inscrever qualquer
pessoa, embora haja alguns cursos que
possam ser exclusivos só da rede”, explica.
Forma de trabalhar específica
A Diagtec tem uma forma de trabalhar diferente
do normal, por comparação com a concorrência,
entendem, com “técnicos e vendedores na rua.
Além deste backoffice aqui, temos quatro vendedores
em todo o país e temos os técnicos que
os acompanham nas visitas ao cliente. Abordamos
o cliente «business to business». Temos
o técnico na hora se for necessário, e todas as
máquinas são entregues com formação. Sempre
que o vendedor entrega um equipamento,
vai um técnico que também faz a formação na
hora. As demonstrações são sempre feitas pelos
técnicos, porque o comercial não tem o mesmo
conhecimento técnico que tem um profissional
da mecatrónica. Somos oito e assim funcionamos
na perfeição”, garante Tiago Resende, diretor
de marketing. Os clientes da Diagtec são
transversais, nota Tiago Resende, que refere que
“ainda há muitas oficinas com o dono mais velho,
mas começa a aparecer uma nova geração
de profissionais mais vocacionados para a parte
da Mecatrónica, da Eletrónica e tudo isso. Os
carros também estão mais por essa vaga, com
mais eletrónica e mais mecatrónica. Mas temos
alguns aderentes da rede, que já são utilizadores
com mais de 50/60 anos”, explica. “Regra geral,
nesta área há muito o negócio que passa de pais
para filhos, o negócio de família”, sublinha o diretor
de marketing.
As oficinas e as marcas
As oficinas da rede Diagtec+ podem ser de três
níveis, “desde o nível de diagnóstico avançado
até ao nível que inclui, além do diagnóstico, a
formação e os híbridos e elétricos. Uma oficina
pode especializar-se em híbridos e elétricos, reparação
e manutenção, sendo tudo adequado,
depois, ao perfil de cada aderente. Existem requisitos
que têm que cumprir para poderem ingressar
na rede, como ter uma boa imagem e que
tenham capacidades técnicas. O ADN que tentamos
ter aqui na empresa, tentamos replicar
nas «nossas» oficinas, que acabam por se tornar
mais rentáveis. A primeira de todas, por exemplo,
ao final de meio ano, já tinha o investimento
rentabilizado, devido ao aumento de clientes
na área do diagnóstico”, conta Tiago Resende
que salienta que “queremos manter o padrão de
qualidade e eles têm que cumprir os requisitos,
havendo, depois, um controlo sobre esses requisitos.
Isto é um plano que nós dizemos, a brincar,
que funciona como um fato à medida”, explica-nos.
Neste momento as oficinas Diagtec+
começam a tornar-se referências para outras
oficinas, pois “como são mais especialistas em
determinada área, há outros «players» do mercado
que as procuram, como por exemplo, as
www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 51
NUNO PINTO
TIAGO RESENTE
A DIAGtec PLUS É UMA EMPRESA ESPECIALIZADA EM FORMAÇÃO
E COMERCIALIZAÇÃO DE EQUIPamentos PARA MECATRÓNICA automÓVEL.
contam COM UMA acaDEMIA COMPLETAMENTE EQUIPADA E CAPAZ
DE RECEBER atÉ 15 FORMANDOS
oficinas especializadas em Diesel”,
revela. Atualmente contam com
16 oficinas na rede, mas até final
de 2025 esperam que este número
cresça para 25.
Em relação às marcas que representam
e comercializam, são várias:
“Somos representantes da Magic
MotorSport há muitos anos e em
exclusivo, que é mais na base da leitura
das unidades de motor e unidades
de caixas automáticas para
reparação e manutenção. Temos
a ABrites, uma grande marca que
ficou connosco há uns anos. Neste
caso, vocacionada para reconfiguração
de praticamente todos os módulos
da viatura, também diferente
da Magic. Representamos ainda
a Smok, uma marca ligeiramente
mais técnica, mais vocacionada, não
para o módulo, mas para o que está
dentro do módulo, para a reparação….
E, mais recentemente, temos
ainda a ThinkCar, uma marca que
representamos em exclusivo também
para dinamizar e tentar mudar
um pouco o que já tínhamos. E é
um equipamento com bastante potencial”,
defende Tiago Resende.
Dar-se a conhecer
Para mostrar todas estas marcas e
equipamentos ao mercado é essencial
ser presença assídua no salão
ExpoMECÂNICA e, até agora, a
Diagtec Plus não falhou nenhuma
das edições. “Na última edição
o stand era um pouco maior do
mos passar a mesma informação.
Quanto à parte prática, obrigatoriamente
tem que ser presencial,
não há outra forma”, diz. Tiago
Resende queixa-se ainda da falta
de conhecimento de algumas pessoas
que aparecem nas formações:
“O que eu vejo nas oficinas é que
as pessoas que saem das escolas
de formação, em dez, dois vão ser
bons mecatrónicos. E um vai ser
excelente, o resto é um rácio muito
baixo”, lamenta, dizendo mesmo
que “os planos educacionais que
eles têm, a meu ver, estão ultrapassados.
Falam em matérias que não
estão adequadas ao nosso mercado.
Já existem algumas escolas que alteraram
os cursos e que estão bem
preparadas, mas a grande maioria
ainda não, e isso reflete-se nas oficinas.
Nós, felizmente, conseguimos
transformar um informático
num mecatrónico. Já aconteceu
mais do que uma vez. O resto é formação”,
explica, orgulhoso.
Em abril de 2024, a Diagtec Plus
organizou uma convenção, em
Coimbra, cujo saldo foi muito positivo,
tanto para organizadores,
como para participantes, pois, de
acordo com Tiago Resende, “foi
engraçado juntá-los, as pessoas
aderiram em massa. Foi apresentado
o ano de 2024, foi mostrado
o que se ia fazer e foi feita a análise
do ano transato, havendo ainda
uma componente lúdica. Este ano
vamos repetir, se calhar em moldes
que os anteriores, e apesar de não
ter tido o mesmo número de visitantes,
o resultado foi excelente.
O pós-feira foi muito bom, trouxe
muito trabalho! Foi caótico no
bom sentido”. No que diz respeito
à formação, Tiago Resende adianta
que “as formações técnicas e certificadas
acontecem todas nas nossas
instalações. Regra geral em dois
dias, poucas são as que demoram
um dia. Também estamos a entrar
pela via online, portanto, o cliente
não tem que se deslocar, não tem
custos com nada e nós conseguium
pouco mais profissionais. As
coisas vão evoluindo”, explica.
Crescimento sustentado
Em termos de Marketing, a Diagtec
quer fazer uma revolução e passar
para o mercado uma imagem ainda
mais profissional. “Investimos
em alguns mecanismos novos que
nos vão permitir fazer essa abordagem,
tentar aproximar-nos mais do
cliente a nível de redes sociais e de
eventos no terreno. Não queremos
o crescimento em massa, mas sim
sustentado. Queremos qualidade
em vez de quantidade”, diz. A Diagtec
tenta cobrir todo o mundo da
mecatrónica automóvel, “e isso exige-nos
ter diversas marcas. Tentamos
representar as que mais garantias
nos dão, as que maior qualidade
nos traz. Claro que existem inúmeras
soluções, mas selecionamos as
que achamos que têm o melhor não
só a nível de suporte que nos prestam
como a nível de qualidade dos
serviços. Quando surge um novo
modelo de automóvel, tentamos
sempre estudá-lo, documentamos
todas as avarias dos vários modelos
que nos passam pelas mãos e
utilizamos o que escrevemos posteriormente,
e também é por isso que
conseguimos crescer anualmente,
sempre a dois dígitos, entre 10 a
15%, o que é bom.”, remata.
geral@diagtecplus.pt
www.diagtecplus.pt
221 128 448 l
52 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
Entrevista
RICARDO CRUZ
ADMINISTRADOR FIDELIDADE CAR SERVICE
QUEREMOS MELHORAR
A EXPERIÊNCIA DO CLIENTE!
FUNCIONA COMO UMA OFICINA COMUM, DE PORTA ABERTA AO PÚBLICO, MAS O
FOCO DA CAR SERVICE PASSA POR GARANTIR UM CONTROLO DOS CUSTOS DO
GRUPO FIDELIDADE E SIMULTANEAMENTE SER A SUA EXTENSÃO NO ÂMBITO
DA REPARAÇÃO DE AUTOMÓVEIS SINISTRADOS (CHAPA E COLISÃO). FALÁMOS
COM O ADMINISTRADOR, RICARDO CRUZ, QUE ENFATIZOU A IMPORTÂNCIA DE,
DIARIAMENTE, TRABALHAR PARA MELHORAR A EXPERIÊNCIA DOS CLIENTES DO
GRUPO FIDELIDADE
Enquanto entidade jurídica, a empresa chama-se CE-
TRA (Centro Técnico de Reparação Automóvel, SA),
e conta com mais de 50 anos de existência, sendo
detida a 100% desde 2005 pelo grupo Fidelidade. Quando,
em 2014, o grupo decidiu criar uma rede de oficinas
próprias, optou por denominá-la Fidelidade Car Service.
A ideia, conta-nos o administrador, Ricardo Cruz, “à data
visava a criação de uma associação direta entre uma oficina
e o grupo, por forma a garantir confiança junto do
mercado e que os seus clientes fossem encaminhados para
uma oficina própria”. Assim, além da oficina original, localizada
nos Olivais, desde 1973, em 2015 foram criadas a do
Porto e a de Queluz, com a oficina de Almada a nascer em
2022. Neste momento estão a “trabalhar, no sentido de expandir
a nossa presença para geografias onde o grupo Fidelidade
entenda que possamos trazer valor-acrescentado,
focados na qualidade do serviço prestado ao Clientes, sem
descurar a vertente de competitividade dos custos com a
reparação automóvel., ficando prometido abrir uma nova
oficina ainda durante 2025 e outra já nos próximos anos.
Foco no cliente Fidelidade
Questionado sobre o que diferencia as oficinas Fidelidade
Questionado sobre o que diferencia as oficinas Fidelidade
Car Service das restantes, Ricardo Cruz não hesita: “Portugal
terá cerca de nove mil oficinas e nós, por enquanto,
somos só quatro, mas o nosso foco passa por reter, cativar
e fidelizar o cliente que vem encaminhado pela Fidelidade.
Procuramos ser uma verdadeira a extensão da Companhia
de Seguros, num momento particularmente delicado, para
todos nós, que é um sinistro, momento em que ficamos
privados do nosso carro. Dito isto, temos mesmo de trabalhar
para prestar um serviço alinhado com as suas expectativas
e que o cliente o percecione como algo que seja
valor-acrescentado à sua experiência”. Estão, sobretudo,
vocacionados para a colisão, na vertente chapa e pintura,
âmbito em que são especialistas, mas, segundo o responsável,
“obviamente que há um processo adicional que gravita
à volta do sinistro, mecânica e a eletrónica. Também
asseguramos, mas não fazemos, por exemplo, manutenção
ou revisões”. Em termos de repintura, as oficinas contam
com “tudo o que são produtos de topo, high-tech e à base
de água e, nos Olivais, estamos a concluir um processo de
investimento de cerca de 300 mil euros, em remodelação,
novas estufas, novos materiais de pintura, novas pistolas
e novos equipamentos, para garantir não só a produtividade,
como também a qualidade final do produto que é
entregue ao cliente”, explica. Em 2024, as quatro oficinas
fecharam o ano com quase 10 mil reparações, o que dá
uma média de 40 carros por dia, em cada uma das oficinas.
O administrador da Fidelidade Car Service pretende
que o processo seja cada vez mais eficiente e otimizado,
para aumentar o número de reparações, sublinhando, no
entanto, que os problemas “no que respeita aos prazos de
entrega das peças, variável que impacta negativamente na
nossa produção diária, desde logo porque dilata o período
de permanência dos carros nas oficinas, a aguardar os
materiais”.
Sustentabilidade certificada
A Fidelidade Car Service procura ter, dentro das oficinas,
as melhores práticas do mercado. E, como tal, foi recentemente
certificada pelo Centro Zaragoza como “Oficina
Sustentável”. “Queremos que o grupo procure impactar
de forma objetiva e positiva toda a sociedade através da
oferta de produtos e serviços cada vez mais sustentáveis,
e promovendo, adicionalmente, comportamentos em linha
com esta estratégia. Além disso, temos mesmo que
54 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
“AS OFICINAS FIDELIDADE
CAR SERVICE APOSTARAM
RECENTEMENTE NA CERTIFICAÇÃO
DA SUSTENTABILIDADE E ESTÃO
FOCADOS EM DINAMIZAR CADA
VEZ MAIS A UTILIZAÇÃO DAS
PEÇAS VERDES” DIZ RICARDO
CRUZ
RICARDO CRUZ
AS OFICINAS FIDELIDADE CAR SERVICE CONTAM COM TUDO O QUE SÃO
PRODUTOS DE toPO, HIGH-TEC E À Base DE ÁGUA. NOS OLIVAIS, ESTÃO
A CONCLUIR UM PROCESSO DE INVESTIMENTO DE CERCA DE 300 MIL EUROS
desempenhar um papel proativo
na transição ecológica e comprometemo-nos
a ser neutros em CO2
até 2040, o que é algo francamente
ambicioso, até a nível global”, diz-
-nos Ricardo Cruz, que acrescenta
que, “enquanto Grupo e enquanto
empresa de reparação automóvel,
temos uma obrigação social de
contribuir para a economia circular,
para a sustentabilidade e para
o ambiente, criando um contexto
positivo e favorável”. Para esta
certificação “Oficina Sustentável”
do Centro de Zaragoza, as oficinas
Fidelidade Car Service foram avaliadas
em quatro dimensões: reparação,
reutilização, reciclagem e redução,
num processo que demorou
quase um ano a ser concluído, e que
foi “um objetivo estratégico. Agora
somos uma das primeiras Oficinas
a nível ibérico a obter esta certificação
e, pelo facto de ir à frente,
ganhamos e geramos confiança no
mercado, queremos trabalhar para
melhorar e estar alinhados com o
serviço de excelência que o grupo
Fidelidade diariamente procura
prestar as seus Clientes”, refere o
administrador da Fidelidade Car
Service.
Neste âmbito, Ricardo Cruz assinala
que já há muitos anos que é
prática das oficinas utilizar «peças
verdes», preferindo a reparação
à substituição de peças, sempre
que tal é possível. “Contribui para
a competitividade na reparação,
para a economia circular, colocamos
menos peças danificadas
(velhas) na reciclagem e por conseguinte
compramos menos peças
novas”, esclarece, sublinhando que
se cria “um ciclo positivo na geração
de valor para o acionista e também
para o mercado. Estas peças
verdes já são colocadas em 4% das
reparações, o que é muito interessante”.
No seu entender, este é um
mercado “que precisa de escala, por
forma a conseguir ter capacidade
para responder às solicitações,
que tenderão a aumentar, reduzindo
em simultâneo os preços, com
esta dinâmica criar-se-ão mais empresas,
mais empregos e com este
ecossistema alavancamos a economia,
reduzimos custos, fazemos
bem ao nosso planeta e às atuais e
futuras gerações, pois, não nos esqueçamos,
a peça verde é uma peça
original, só que não nova, mas que
vem com todas proteções anti-corrosão
aplicadas na linha de montagem
na fábrica. Além de ter mais
capacidade de resposta, o cliente
recebe uma melhor solução. Sendo
certo que cabe a cada um de nós
contribuir para o esclarecimento
do mercado, ajudando-o a que o fique
mais consciente das vantagens
e benefícios em incorporar nas reparações
dos seus carros peças originais
verdes, ao invés de originais
de substituição, este deve ser um
processo absolutamente transparente
para o cliente”.
Melhorar todos os dias
Na última Gala TOP 100, do Jornal
das Oficinas, a Fidelidade Car
Service foi distinguida como a 1ª
Classificada do Quadro de Honra,
na categoria Oficinas de Colisão,
um prémio que, de acordo
com Ricardo Cruz, “impele-nos a
que todos os dias procuremos ser
melhores. Foi com orgulho, responsabilidade
acrescida e uma renovada
motivação que recebemos
esta distinção, na medida em que
traduz um fator adicional de diferenciação,
e credibilidade, o que,
naturalmente, incute confiança no
mercado”, reflete. Por outro lado,
o administrador orgulha-se de ter
recebido a distinção de «Great Place
to Work 2024-2025», que diz
dar-lhes “uma grande motivação”,
até porque, considera, são os colaboradores
que “estão no centro. Eu
costumo dizer-lhes que os líderes
não geram resultados, cuidam de
pessoas e as pessoas geram resultados.
As nossas pessoas são absolutamente
fundamentais na engrenagem
maior que é todo o Grupo. Os
resultados surgirão de forma mais
natural se as pessoas estiverem
focadas e, se houver um ambiente
estável em termos psicológicos e
emocionais. Obviamente que vamos
cometer erros, mas as pessoas
têm que sentir que podem arriscar
e que podem contribuir e que o seu
papel é importante”. Em paralelo a
Fidelidade, enquanto companhia
de seguros, foi eleita «Escolha do
Consumidor», na categoria de seguradoras
e marca de confiança, o
que, deixa a rede de oficinas “com
uma grande responsabilidade, porque
foi um cliente que confiou na
Fidelidade para entregar os seus
bens, o seu património, a sua família,
em termos do seguro, e a seguir
vem ter connosco. Temos de estar à
altura das suas expectativas, saber
geri-las de forma eficaz, acompanhando
em simultâneo os Clientes
para que estes sintam que (de facto)
é positivo e vale a pena confiar
na Fidelidade.”.
Preparados para o futuro
Para o futuro próximo, o objetivo,
como já foi referido, passa pela
expansão geográfica, para locais
“onde haja dimensão, seja Aveiro,
Coimbra, Braga ou Faro. Uma
oficina é um investimento muito
avultado e tem necessariamente
de ter uma tradução naquilo que
é a racionalização dos custos da
Fidelidade com os sinistros”, conta
Ricardo Cruz, que avança que,
este ano, “conseguindo alargar a
nossa posição geográfica, vamos
crescer, naturalmente. Tem de ser
um processo orgânico, mas sustentável,
com passos pequenos, mas
determinados e com ambição, por
forma a que os Clientes valorizem
o momento em que estão a ser encaminhados
para uma oficina do
Grupo Fidelidade”, conclui. l
56 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
ATUAlidade
10 PLATAFORMAS DE IAG
MAXIMIZAR A PRODUTIVIDADE
A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA (IAG) ESTÁ A REVOLUCIONAR O SETOR AUTOMÓVEL, OTIMIZANDO
PROCESSOS E IMPULSIONANDO A EFICIÊNCIA EM TODA A CADEIA DE VALOR. DESCUBRA 10 PLATAFORMAS
INOVADORAS QUE ESTÃO A POTENCIAR A PRODUTIVIDADE E RENTABILIDADE DAS EMPRESAS
A
Inteligência Artificial Generativa (IAG)
está a contribuir para uma forte mudança
no setor automóvel, abrindo um
novo capítulo na história da indústria. Com a
crescente adoção desta tecnologia, as empresas
ganham agora ferramentas poderosas para melhorar
as operações, reduzir custos e aumentar
a competitividade num mercado cada vez mais
dinâmico. De acordo com o estudo “Global Insights
Whitepaper - Construir uma Estratégia
Centrada nas Pessoas para a Produtividade Impulsionada
por IA” (2024), realizado pela Experis,
41% das empresas portuguesas já utilizam
IA nas suas operações, com uma adoção mais
acentuada nas médias e grandes empresas, onde
as taxas superam os 44%. Em contrapartida,
apenas 33% das microempresas afirmam utilizar
IA. No cenário global, 48% das organizações
já incorporaram IA nas suas atividades, sendo
as grandes empresas as líderes desta tendência,
com uma taxa de adoção de 54%.
O estudo também revela que, nos próximos
anos, os trabalhadores planeiam acelerar ainda
mais a implementação de tecnologias de IA.
Entre aqueles que ainda não são utilizadores,
33% a nível global e 38% em Portugal afirmaram
que planeiam adotar ferramentas de IA nos
próximos três anos. Na prática, isso significa
que o uso médio global de IA deverá aumentar
para 81% dos empregadores em todo o mundo,
até 2027. Adicionalmente, o estudo identificou
quais os principais desafios enfrentados por
cada setor em Portugal na adoção de IA. No
caso do grupo dos “Transportes, Logística e Automóveis”,
os principais obstáculos incluem os
custos de implementação, a resistência à mudança
e as lacunas nas competências.
A rapidez com que a IA está a ser aplicada é
ainda mais evidente no estudo realizado pela
consultora IDC para a Microsoft,”The Business
Opportunity of AI”, realizado em dezembro, que
conclui que, a nível mundial, 75% das empresas
utilizaram soluções de IA generativa em 2024,
um salto significativo em comparação com os
55% do ano anterior. Esse aumento tem gerado
resultados expressivos, com as empresas a
registarem, em média, um retorno de 3,7 vezes
o valor investido em IA. Em organizações mais
maduras, esse número pode crescer para 10,3
vezes. Os setores que mais se destacam, como finanças,
telecomunicações, automóveis e retalho,
são dos que melhor aproveitam as vantagens da
IA e IAG para contribuir para a inovação e aumentar
a eficiência.
IA vs. IAG: Qual a Diferença?
A Inteligência Artificial (IA) refere-se a sistemas
computacionais capazes de realizar tarefas
que normalmente exigiriam inteligência humana,
como reconhecimento de padrões, tomada
de decisão e automatização de processos. Já a
Inteligência Artificial Generativa (IAG) é uma
subcategoria da IA que se destaca por criar novos
conteúdos, seja texto, imagem ou código,
tornando-se uma ferramenta poderosa para
empresas que desejam otimizar e inovar os seus
processos.
Plataformas e Softwares de IAG:
O Que Está a Impulsionar a Produtividade?
O mercado oferece uma vasta gama de plataformas
para diversas necessidades. Algumas das
soluções mais relevantes incluem:
Lokad: Utiliza IA para prever a procura e otimizar
a gestão de stocks, reduzindo desperdícios
e aumentando a eficiência operacional. A plataforma
também oferece apoio nas decisões de
abastecimento, tendo em conta como e quando
comprar, onde armazenar, quando realizar inventários,
entre outros.
Blue Yonder: Foca-se no planeamento e previsão
da cadeia de abastecimento, garantindo entregas
atempadas e melhor alocação de recursos.
Através de IA e Machine Learning, consegue
analisar dados em tempo real de clientes, fornecedores,
fábricas e distribuidores para antecipar
a procura e agir de forma proativa.
Routific: É uma plataforma de otimização de
rotas que utiliza IA para ajudar empresas de
entregas e serviços a planear os percursos mais
eficientes. A ferramenta permite reduzir custos
operacionais, minimizar o tempo de viagem e
melhorar a pontualidade das entregas, aumentando
a produtividade.
OptimoRoute: Permite realizar a otimização de
rotas que ajuda a organizar entregas, serviços
ao domicílio e visitas técnicas de forma rápida
e eficiente. Através de algoritmos avançados
consegue calcular as melhores rotas, tempo de
deslocamento, o consumo de combustível e os
custos operacionais.
DataRepair (Tips4y): Permite apoiar as oficinas
na reparação de viaturas ligeiras, de forma eficiente
e célere, através de informação técnica
e conhecimento da equipa de especialistas da
Tips4y.
Fetch Robotics: Plataforma de robótica móvel
que automatiza o transporte e a movimentação
de materiais dentro das instalações industriais,
aumentando a eficiência.
River Systems: Oferece soluções de automatização
para armazéns, com foco em tornar os processos
de cumprimento de pedidos mais rápidos
e eficientes. As suas tecnologias incluem robôs
móveis autónomos que ajudam a melhorar a
produtividade, reduzir custos e otimizar o trabalho
humano.
Intercom: Ferramenta de comunicação que permite
às empresas interagir com os seus clientes
através de chats ao vivo, mensagens automáticas
e suporte personalizado, proporcionando uma
melhor experiência de atendimento.
Softing Automotive: Oferece soluções de diagnóstico
e comunicação para automóveis, facilitando
a análise de sistemas e componentes eletrónicos
em veículos para melhorar a qualidade
e eficiência dos serviços.
Carly Repair Costs: Aplicativo que ajuda a estimar
os custos de peças e manutenção do veículo,
oferecendo uma visão detalhada dos serviços necessários
e respetivos valores aproximados. l
COM A CRESCENTE ADOÇÃO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA (IAG),
AS EMPRESAS GANHAM FERRAMENTAS PODEROSAS PARA MELHORAR
AS OPERAÇÕES, REDUZIR CUSTOS E AUMENTAR A COMPETITIVIDADE
www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 59
Mercado
MELHORAR A EFICIÊNCIA
ENERGÉTICA NAS OFICINAS
O EFFICIENTIA, TAL COMO O NOME INDICA, É UM PROJETO PROMOVIDO PELA ANECRA,
QUE TEVE COMO OBJETIVO, AO LONGO DOS ÚLTIMOS TRÊS ANOS, CRIAR EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
DENTRO DAS EMPRESAS DO COMÉRCIO RETALHISTA DA REPARAÇÃO AUTOMÓVEL
Este projeto, promovido pela ANECRA e financiado
no âmbito da 7ª edição do “Plano
de Promoção da Eficiência no Consumo de
Energia” aprovado pela ERSE – Entidade reguladora
dos Serviços Energéticos, iniciou em 2022 e
teve como principal objetivo seriar oportunidades
de melhoria do desempenho energético que
potenciem a redução dos respetivos consumos de
energia na reparação automóvel. A acompanhar
as empresas de comércio e reparação automóvel,
o Efficientia, contou com um orçamento global
na ordem dos 113.273,50 euros, suportado pelo
PPEC, e destinou-se a todas as empresas associadas
ou não da ANECRA, em Portugal Continental
com o código CAE (Rev.3). Para uma maior
eficiência, o projeto, dividiu-se em duas etapas:
numa primeira fase a realização das auditorias
energéticas às empresas e numa segunda fase,
onde se encontra quando escrevíamos este artigo,
divulgação dos resultados obtidos na etapa
anterior.
Manual de Eficiência Energética
Atualmente, o Efficientia, encontra-se a elaborar
o Manual de Eficiência Energética (MEE), a preparar
workshops para a apresentação nacional
do MEE e divulgação da informação e dos resultados
obtidos. Para a recolha destes resultados,
foram auditadas 50 empresas onde foram realizadas
auditorias energéticas de forma a conhecer
os consumos de energia de cada uma delas propondo
medidas de redução e otimização. Marcos
Dias, Responsável do projeto, revelou “nestas visitas
técnicas às instalações, efetuou-se uma análise
detalhada da contabilidade energética, com
base nas faturas dos comercializadores de energia
onde foram observados todos os equipamentos
consumidores de energia e ainda os elementos
construtivos com influência no comportamento
térmico do edifício. A análise da faturação permitiu
caraterizar o perfil de consumo ao longo do
ano da instalação em causa”, explicou.
Anomalias na iluminação e climatização
De um modo geral, todas as empresas auditadas
apresentaram anomalias semelhantes do
foro do desempenho energético dos sistemas
de iluminação e climatização. Para reverter tal
situação, foram aconselhadas pelo Efficientia,
à “substituição das lâmpadas por novas de tecnologia
LED; recurso a sistemas de controle de
presença ou movimento e adequação à intensidade
de luz natural; reorganização dos circuitos
de iluminação; os sistemas de ar condicionado
devem ser substituídos por equipamentos recentes
de tecnologia “inverter” que permitam
um ganho de eficiência”. Marcos Dias deixou
claro que estas alterações só terão uma elevada
taxa de sucesso caso “os recursos humanos
tenham responsabilidade na área energética e
tenham formação adequada”. Alertando que “a
questão energética é, hoje, mais do que nunca
um tema Global. Uma temática de pensamento
Global, com ações locais”. Ainda assim, o responsável
revelou ao JO que “o setor automóvel,
de uma maneira geral, apresentou um nível de
conhecimento energético significativo. Verificando-se
que muitas instalações dispõem já de
sistemas de iluminação otimizados, tecnologia
eficientes na climatização e até sistemas solares
fotovoltaicos para autoconsumo de energia
elétrica”. O projeto encerrará os trabalhos em
agosto do presente ano com a sensação de ‘dever
cumprido’, explicou Marcos Dias: “as empresas
dispões agora de uma base sólida para melhorar
a sua eficiência energética, reduzindo assim os
seus custos de energia e a sua pegada carbónica”,
concluiu. l
60 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
Oficina
do Mês
Patrocinado por:
FLS MOTOR
“A NOSSA PREOCUPAÇÃO É
PASSAR SEMPRE UMA IMAGEM
DE QUALIDADE”
FOI EM SÃO PEDRO DA COVA, GONDOMAR, QUE MÁRIO MOREIRA, CHEFE DE OPERAÇÕES DA FLS
MOTOR, NOS RECEBEU E APRESENTOU A EMPRESA QUE INTEGRA A REDE BOSCH CAR SERVICE
HÁ 15 ANOS. A CASA, ATUALMENTE COM 23 COLABORADORES, FAZ SERVIÇOS DE MECÂNICA
E PINTURA E FOI A PRIMEIRA OFICINA DA PENÍNSULA IBÉRICA A SER CERTIFICADA PELA BOSCH
PARA A MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS ELÉTRICOS E HÍBRIDOS ELÉTRICOS
A
FLS Motor foi criada em 2004, como
uma oficina independente, tendo, em
2010, entrado na rede Bosch Car Service.
Inicialmente, contava apenas com Filipe Moreira,
o administrador e Ricardo Almeida, que é,
neste momento, o chefe da oficina. A equipa foi
crescendo, de ano para ano, e em 2016, a empresa
mudou para as atuais instalações, “construídas
à medida das nossas necessidades”, começa por
nos contar Mário Moreira, Chefe de Operações
da FLS Motor, que explica que, atualmente, “60
a 70% dos clientes são particulares, uma percentagem
que queremos que se mantenha bem definida.
A fatia maior dos serviços são de mecânica
geral, com a área da pintura e chaparia a ocupar
apenas 20 a 30%, com três pessoas nesta parte
e 12 pessoas na mecânica, num total de 23 colaboradores”.
Em média, por mês, a FLS Motor
abre quinhentas folhas de obra e “todos os carros
que entram são rececionados, e são confirmados
os serviços e o estado da viatura com o cliente,
com registo fotográfico e o próprio cliente assina
digitalmente a ordem de reparação, que é logo
enviada por e-mail”, conta.
Fazer a diferença
Para Mário Moreira, a preocupação da FLS Motor
“é passar sempre uma imagem de qualidade,
disponibilizando equipamentos recentes e atualizados”.
A empresa foi a primeira na Península
Ibérica a ser certificada pela Bosch para fazer a
manutenção de veículos elétricos e híbridos elétricos,
um desafio a que responderam sem hesitar:
“Quisemos logo avançar e fazer parte desse
projeto piloto, e percebemos, ao longo dessa integração
que, em parte, o nosso mercado não está
preparado para o fornecimento destes materiais
e tivemos que recorrer aos nossos vizinhos de
Espanha. Nem sequer nos ocorreu que seríamos
os primeiros, aconteceu”. Para o efeito foi criado
um espaço com o cumprimento de determinados
critérios, tanto a nível estético como de equipamentos
para a integração no conceito dos elétricos
da rede. A oficina já recebe veículos elétricos,
contando, para tal, com pessoal com formação
de Nível 3 (Especialistas em Alta Tensão). No
entanto, o responsável esclarece que a intenção
“não foi ganhar muitos clientes novos, foi dizer
ao nosso cliente que está a fazer essa transição do
carro convencional para o elétrico ou híbrido que
não tem de mudar de oficina só porque mudou
de carro”.
Por outro lado, a FLS Motor também foi certificada
nas áreas da manutenção, colisão e pneus como
«Oficina de Confiança da ACAP» e Mário Moreira
considera que “o máximo de oficinas possível
deve fazer parte deste projeto, porque pode mudar
completamente o panorama em Portugal da forma
como trabalhamos. Acho que faz todo o sentido e a
certificação não deve assustar ninguém!”, defende,
acrescentando que “todos os critérios que lá estão
são básicos e nós precisamos de regras neste setor.
Assim, elas já podem ser aplicadas porque existe
um conjunto de ferramentas para realmente perceber
quem está e quem não está bem”, alerta. O
mesmo refere que essa indicação, de que são uma
«Oficina de Confiança”, é valorizada pelos clientes,
que ficam curiosos e questionam para que serve.
“Da mesma forma que um médico deve ter um
número de cédula, acho que o mecânico deve ter
alguma responsabilidade. O facto de termos uma
placa lá fora, afixada, passa outro tipo de confiança”,
garante.
Sustentabilidade
A FLS Motor tem vindo a promover a sustentabilidade,
com recurso à transição dos processos em
suporte físico para o digital, além da instalação de
painéis solares e a colocação de três postos de carregamento
elétrico que são alimentados por esses
mesmos painéis. Além disso, foi também colocado
um sistema de reciclagem de águas que permite
reutilizá-las até cinco vezes, focando-se não
só na questão ambiental, mas também na económica.
O responsável destaca ainda a necessidade
de patrocinar clubes e entidades da região, assim
como privilegiar a aquisição de serviços a empresas
locais. Mário Moreira foi orador no Fórum da
DPAI/ACAP, para falar sobre a Inteligência Artificial
e nota que já está integrada em algumas
ferramentas que utilizamos diariamente sem nos
apercebermos do que é. “Atualmente estamos a
fazer uma coisa que a curto prazo vai entrar em
62 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
MÁRIO MOREIRA, CHEFE DE OPERAÇÕES (À ESQUERDA) E FILIPE MOREIRA,
ADMINISTRADOR (À DIREITA), GARANTEM A GESTÃO OPERACIONAL DA FLS
MOTOR, QUE EM MÉDIA, POR MÊS, ABRE 500 FOLHAS DE OBRA
FLS MOTOR
A FLS MOTOR FOI A PRIMEIRA OFICINA NA PENÍNSULA IBÉRICA A SER
CERtificada PELA BOSCH PARA FAZER A MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS
ELÉTRICOS E HÍBRIDOS, UM DESAFIO A QUE RESPONDEU SEM HESITAR
prática, trata-se de uma assistente
virtual no nosso site, que permite
dar algumas respostas acerca das
viaturas de clientes”, adianta sobre
o projeto que ainda está em desenvolvimento.
Em 2024, a FLS Motor
foi a oficina selecionada para estar
na final da competição Challenge
Oficinas, organizado pelo Jornal
das Oficinas, onde o chefe de operações
conta que foram “muito bem
recebidos, foi um dia bem passado,
que deu para socializar, trocar impressões
com pessoas da área, o que
só nos enriqueceu”, revela.
Recursos humanos
A dificuldade de conseguir trabalhadores
para as oficinas é transversal
às empresas do país e a FLS
Motor não é exceção. Mário Moreira
considera que, neste momento,
“é importante fixar as pessoas que
já cá estão e dar-lhes a entender
que estamos interessados em manter
esta relação por muitos anos”. A
seu ver, “contratar pessoas tem sido
um desafio, porque há claramente
um problema de formação em Portugal”,
diz, entendendo que, apesar
de existirem “bons centros de
formação, no final dá-se uma nota
melhor para não ser «poucochinho».
E isso tem sido um problema
porque muitas vezes contratamos
alguém que tem vontade, mas
vê-se que faltam algumas bases
importantes”. A nível das ações de
formação para os colaboradores, a
empresa dá preferência às da Bosch
Car Service que, de acordo com
o chefe de operações da FLS Motor,
tem “um plano atual que é ótimo,
quer seja da parte técnica, como da
parte administrativa e, depois, nas
formações que não estão ali disponibilizadas,
recorremos a centros
de formação como o Cepra. Eu
também fiz o curso de formador e
dou algumas formações internas
dos temas mais gerais”, aponta.
De forma a valorizar a mão-de-
-obra, o preço sofreu este ano um
aumento, “necessário para dar resposta
às exigências que o mercado
de trabalho nos apresenta”, considera
o nosso interlocutor, que admite
que isto se irá “repercutir no
consumidor final, pois se há uma
melhor remuneração, condições de
trabalho e tudo o que está associado
a isso, obviamente que tem implicação
no preço final”. A oficina conta
com dois veículos de substituição,
diz-nos Mário Moreira, “para peritagens
e através de um acordo com
a VALPI Rent, temos cá o balcão
deles e, pela própria seguradora, os
clientes fazem o levantamento das
viaturas. Mas como são clientes da
zona, normalmente não precisam, e
o nosso serviço de transporte também
é gratuito, damos uma boleia”.
Maior poder de compra
O responsável sente que, nos últimos
dois anos, há “um maior poder
de compra” e é mais fácil apresentar
orçamentos aos clientes. Mário
Moreira afirma que recorrem
muitas vezes ao material original,
e sublinha mesmo que “há algum
tipo de material com o qual não
trabalhamos porque sabemos que
vai ter problemas. Podemos procurar,
por vezes, soluções alternativas
para baixar o orçamento, mas alertamos
o cliente de que podem comprometer
a qualidade do serviço”. É
também uma regra da casa não trabalhar
com material fornecido pelo
cliente. A FLS Motor trabalha com
os distribuidores da Bosch e ainda
com outras casas de peças mais locais.
A comunicação com os clientes
é feita através das redes sociais e
do website, “que está em constante
atualização, para ficar com uma
imagem sempre fresca. Apostámos
muito, nestes últimos anos, em ter
boas imagens da oficina, porque o
cliente é cada vez mais informado
FLS MOTOR
Gerente
Filipe Moreira
Morada
Rua das Mimosas, 1020 a 1058
4510-330 São Pedro da Cova
Telefone
224 671 049
flsmotor@boschcarservice.pt
Site
www.flsmotor.pt
e antes de ir ao local, vai pesquisar
e acho que é extremamente importante
termos tudo atualizado com a
melhor informação, porque a primeira
impressão é sempre a primeira
impressão”, considera Mário Moreira.
Os pedidos de agendamento
podem ser feitos através do MyBoschCarService
e há cada vez mais
clientes a utilizar essa possibilidade.
Criar soluções
para o futuro
Mário Moreira é da opinião que
a FLS Motor ainda tem potencial
para crescer, e revela que para fidelizar
clientes têm recorrido a
campanhas trimestrais que, assegura,
têm resultado, “portanto, não
se vai mexer”. Conta que de 2023
para 2024 tiveram um crescimento
de mais de 20%, “algo brutal e em
2024 já conseguimos fechar números
que são muito positivos e andam
em torno de cerca de 10%. Sabemos
que a tendência é estagnar, mas enquanto
estivermos a crescer, estamos
cá para alimentar o crescimento”.
Mudar de instalações não está
nos planos, pois “não adianta crescer
e, depois, não ter, por exemplo,
mão-de-obra suficiente ou até com
a qualidade que nós queremos para
acompanhar esse crescimento. Com
as instalações que temos e com 26
elevadores, por muito que quiséssemos
colocar mais um mecânico, já
não tínhamos onde pô-lo a trabalhar.
Assim, vamo-nos adaptando e
criando soluções, o que, por vezes,
até é mais desafiador”, remata. l
64 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
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NOTÍCIAS // DINÂMICA SETOR ESCREVE ‐SE DE A A Z
MERCADO
CONQUISTA PRÉMIO
‘ESCOLHA SUSTENTÁVEL’
Glassdrive | A Glassdrive reafirma o seu compromisso com a sustentabilidade ao ser
premiada, pelo primeiro ano, com o prémio ‘Escolha Sustentável’ na categoria de Reparação de
Vidro Automóvel. Este prémio é resultado de uma avaliação rigorosa realizada pela Consumer
Choice, com o voto de especialistas e consumidores, tendo a marca da Saint-Gobain alcançado
um resultado de 89,3%. O selo ‘Escolha Sustentável’ é atribuído às marcas que demonstram
excelência em critérios como inovação, sustentabilidade, impacto ambiental e responsabilidade
social. A Glassdrive destacou-se especialmente nas áreas de inovação (94,4%), arquitetura do
serviço (85,4%) e sustentabilidade (81,6%). Como parte do Grupo Saint-Gobain, a empresa
tem como propósito “Making The World a Better Home”, tendo como pilares estratégicos do seu
negócio a promoção de serviços, soluções e práticas sustentáveis, e a redução do impacto da sua
atividade no meio ambiente, alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e com
o objetivo do Grupo de atingir neutralidade carbónica até 2050.
NRF
INAUGURA NOVO
ARMAZÉM NA ROMÉNIA
Após a inauguração de um novo armazém de 12.700 m2 em Valência,
Espanha, no início do ano passado, a NRF está agora a abrir
um novo armazém de 18.613 m2 em Bucareste, na Roménia. A
NRF é especialista em peças de refrigeração de motores e ar condicionado
para o mercado de peças de substituição automóvel. O seu catálogo conta
com mais de 13.000 referências, um número que até então não tem parado
de crescer. Devido ao aumento do volume de vendas, a NRF sentiu necessidade
de expandir a sua capacidade de armazenamento. “A NRF tem
o orgulho de anunciar esta grande expansão na Roménia com a abertura
de um armazém na cidade de Chitila, a noroeste da capital, Bucareste.
A inauguração desta nova unidade reflete o objetivo da empresa em responder
à crescente procura dos clientes na região. Isto também melhorará
a eficiência operacional da NRF e permitirá à empresa adaptar-se mais
facilmente às expectativas de crescimento futuro”, referiu a NRF em comunicado.
RECEBE DISTINÇÃO EUROPEIA
DA MERCEDES-BENZ
Soc. Com. C. SANTOS | A Sociedade Comercial C. Santos anunciou a conquista da certificação
Mercedes-Benz PARTSpro+. A empresa é uma das pioneiras em Portugal a receber esta distinção europeia do
Mercedes-Benz Group. O PARTSpro+ é o programa de desenvolvimento, qualificação e certificação Mercedes-
Benz para o canal de venda de peças ao balcão e o compromisso da marca para com os profissionais das
oficinas independentes. Foram avaliados pelo Mercedes-Benz Group parâmetros como a organização de
recursos, a logística, as vendas e marketing, a digitalização, a análise do cliente e o suporte técnico. Apenas
as empresas que obtiveram qualificação de excelência receberam a certificação Mercedes-Benz PARTSpro+.
Esta distinção é atribuída a nível europeu e apenas foi concedida a três representantes da marca em Portugal,
entre os quais a Sociedade Comercial C. Santos. “Sermos pioneiros no nosso país na certificação Mercedes-
Benz PARTSpro+ é motivo de orgulho por parte de toda a equipa. Significa que o compromisso diário de
todos os nossos profissionais com o cliente é reconhecido e que os indicadores de gestão e de digitalização
avançam no caminho certo”, afirmou Ricardo Soares, diretor de peças e lubrificantes da Sociedade Comercial
C. Santos.
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66 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
CELEBRA 30 ANOS AO SERVIÇO
DA SEGURANÇA RODOVIÁRIA
ANCIA | A Associação Nacional de Centros de Inspeção Automóvel (ANCIA), celebrou
no Centro Cultural de Cascais, 30 anos de história na segurança rodoviária. A Ancia, tem
como missão desenvolver atividades e parcerias conducentes à promoção e divulgação de
conhecimentos e práticas nos domínios da inspeção técnica de veículos e promoção de um
ambiente rodoviário mais seguro e ecológico. Paulo Areal, Presidente da direção da ANCIA,
iniciou os trabalhos, parabenizando a Associação “Ao celebrar o 30º aniversário, a ANCIA
reafirma a sua perseverança. Que este aniversário renove e reforce o compromisso com a
missão que nos une: a segurança rodoviária”. De seguida, foi Paulo Simões Ribeiro, Secretário
de Estado da Proteção Civil que tomou a palavra reforçando o papel importante das inspeções
periódicas “Queremos ter nas estradas veículos cada vez mais seguros, e para isso, têm que
estar cada vez mais adaptados à estrada. Para isso, a cultura de segurança rodoviária é
necessária, o papel das inspeções periódicas é cada vez mais preciso”. Deixando ainda uma
garantia: “O governo tem estado a estudar uma forma de aprofundar cada vez a mais a relação
com os centros de inspeção para que sejamos um país cada vez mais seguro nas estradas. Em
2030 queremos reduzir em 50% os mortos nas estradas, face a 2024, e em 2050 queremos que
este número chegue aos 0 mortos”.
BOMBÓLEO E IBEROTURBO INTEGRAM A RECALVI
Bombóleo e Iberoturbo | As empresas Bombóleo e Iberoturbo iniciaram o ano com a
integração na Recalvi, distribuidor de peças espanhol. A Bombóleo deixa a Serca, à qual pertenceu até 1 de
janeiro deste ano A Recalvi anunciou alterações na sua estrutura. A primeira delas é que os CIFs da Recalvi S.L.,
Recalvi Norte e Recalvi Canarias serão unificados num único, criando uma nova empresa chamada Recalvi Parts
S.L. A Recalvi Mediterránea também se juntará a esta estrutura no primeiro semestre de 2025 e a Radsa no
final de 2026. A Recalvi também confirmou a entrada na sua estrutura acionista de um sócio financeiro, a Abac
Capital, com muito conhecimento do mercado espanhol e europeu, e que irá proporcionar recursos financeiros
para o grupo continuar a crescer, bem como know-how que ajudará na logística e na gestão, para ser mais ágil
e competitiva. A empresa Repuestos Guadiana, com seis centros na Extremadura, e que era membro da Create
Business Iberia, também integrou a Recalvi no início do ano.
PUB
www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 67
NOTÍCIAS
COMEMORA 50 ANOS
DE COMPETIÇÕES DESPORTIVAS
AUTODOC
RECORDE DE VENDAS EM 2024
A
Autodoc,
a maior plataforma de e-commerce de peças de veículos na Europa, continua
a sua trajetória de crescimento acentuada em 2024. O número total de encomendas
na Europa subiu 18%, atingindo cerca de 16,9 milhões, comparado com
14,3 milhões no ano anterior. Em Portugal, as encomendas chegaram a aproximadamente
334.600, refletindo um crescimento de 13,8%. “Fizemos progressos notáveis em várias
áreas chave: vendemos mais produtos, ganhámos mais clientes, aumentámos o volume
de encomendas e expandimos nos nossos principais mercados”, afirmou Dmitry Zadorozhny,
CEO da Autodoc. “A confiança que os nossos clientes depositam na qualidade dos
nossos serviços e produtos motiva-nos a continuar no rumo que traçámos. Continuaremos
a satisfazer as necessidades dos clientes, oferecendo uma vasta gama de produtos, preços
acessíveis e excelente serviço e entrega”, acrescentou. O número total de produtos vendidos
também cresceu significativamente, passando de 56,1 milhões em 2023 para 65,6 milhões
em 2024, um aumento de 17,0%, enquanto Portugal registou 1,5 milhões de produtos vendidos,
representando um aumento de 11,7% em relação ao ano anterior (1,3 milhões).
BREMBO | Da sua estreia na Fórmula 1 com a Ferrari às vitórias
históricas no MotoGP e em Le Mans, a Brembo está a celebrar 50
anos de conquistas tecnológicas e desportivas nas competições
desportivas mais prestigiadas do mundo. Para assinalar este marco
significativo, a empresa planeou uma série de eventos e iniciativas
especiais que terão lugar ao longo do ano. Esses momentos
serão dedicados a contar uma história extraordinária de paixão e
inovação, destacando o compromisso constante com a excelência
em competições de duas e quatro rodas. A história da Brembo no
desporto automóvel pode ser comparada a um conto de fadas,
composto por 50 capítulos, nos quais a empresa sempre deixou a
sua marca. O ano mais importante foi o de 1975, quando a Brembo
forneceu os primeiros discos de ferro fundido da Fórmula 1 para a
Scuderia Ferrari. Nesse ano, Niki Lauda, ao volante da histórica 312
T, devolveu o título de pilotos a Maranello após 11 anos. Para além
de uma história de triunfos desportivos, a Brembo cresceu como um
grupo global, adquirindo empresas de prestígio como a Marchesini,
AP Racing, SBS Friction, J.Juan e a recém-chegada Öhlins, líder em
suspensões de competição.
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um uso muito intenso da bateria: A FIAMM tem a solução ideal
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NOTÍCIAS
DOMINGOS & MORGADO E BAPT FECHAM PARCERIA
A Domingos & Morgado e o Grupo Internacional BAPT, Business Automotive Parts & Technologies, acabam de anunciar a
celebração de uma parceria estratégica que tem por objetivo ampliar a oferta de produtos e serviços da D&M. Sobre esta nova
aliança, as duas empresas destacaram que: “Unimo-nos ao compromisso de excelência, inovação e crescimento sustentável,
aproveitando a experiência e os recursos de ambas as partes para criar novas oportunidades de negócios e melhorar os
processos operacionais, numa oferta completa de serviços, apoio técnico, produtos e equipamentos de elevada exigência
técnica para ajudar à melhoria e rentabilidade das oficinas”. Nos próximos meses, a Domingos & Morgado e a BAPT vão
trabalhar em conjunto para integrar as suas ofertas e ampliar as possibilidades de colaboração nos mercados nacionais e
internacionais. “Estamos confiantes de que esta parceria estratégica trará benefícios tanto para as nossas organizações quanto
para os nossos clientes, fornecedores, colaboradores e parceiros”, frisaram.
FERODO SIMPLIFICA INSTALAÇÃO
DE COMPONENTES DE TRAVAGEM
FERODO | A Ferodo acaba de apresentar uma nova funcionalidade
que facilita a instalação de componentes de travagem: desenhos técnicos
acessíveis através do código QR nas embalagens. “Esta ferramenta inovadora
fornece um guia de instalação instantâneo e preciso, ajudando mecânicos e
oficinas a garantir montagens corretas de pastilhas de travão, discos de travão
e outros componentes essenciais”, avançou a Ferodo em comunicado. Com um
simples scan, a funcionalidade do código QR disponibiliza desenhos técnicos
específicos da peça, incluindo os valores de binário de aperto para cada
parafuso e porca. Estes detalhes são essenciais para “assegurar uma instalação
segura, silenciosa e duradoura, reduzindo o desgaste desnecessário. Além
disso, os diagramas detalhados indicam a correta orientação e alinhamento
de cada peça, otimizando o processo de montagem. Com esta inovação, a
Ferodo continua a apoiar oficinas e mecânicos, fornecendo ferramentas que
tornam o trabalho mais rápido, eficiente e seguro”, concluiu.
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FUCHS PREMIADA PELA PERFORMANCE
CLIMÁTICA
FUCHS | FNo âmbito do Global Transition Award, a FUCHS recebeu o “Lighthouse Tribute”, uma distinção
atribuída às empresas vencedoras de anos anteriores pelo seu desempenho contínuo rumo à conformidade
de 1,5 ºC. O Global Transition Award distingue as empresas que contribuem, de forma ativa, para uma
gestão em conformidade com o objetivo de 1,5 °C e que estabelecem, assim, um novo padrão climático
na economia alemã. O prémio foi atribuído pela terceira vez, desde 2022, pelo jornal alemão de renome
Handelsblatt, em colaboração com o parceiro científico right° e a consultora Capgemini. A FUCHS SE, já
tinha recebido esta distinção em 2023 pelo seu papel de liderança no desempenho climático. “Este sucesso
não foi um acaso. O júri de especialistas confirmou o nosso compromisso permanente com a neutralidade
climática, como parte do nosso programa de transformação FUCHS2025”, sublinhou o CEO Stefan Fuchs.
EUROREPAR CAR SERVICE AMBICIONA CRESCER
15% EM 2025
Eurorepar Car Service | Fevereiro foi o mês escolhido para reunir toda a família da rede
de oficinas na 3ª Convenção Eurorepar Car Service, juntamente com parceiros, profissionais do setor e
representantes do Grupo Stellantis. O encontro, realizado no Hotel Dolce Campo Real, em Torres Vedras, teve
como principal objetivo dar a conhecer as novidades, o balanço de 2024 e as metas estabelecidas para 2025.
Após uma breve apresentação, Pedro Lazarino, Stellantis Portugal Country Manager, chamou a atenção
para o envelhecimento do parque automóvel português, que já ultrapassou os 14 anos. Para as oficinas,
este cenário representa uma oportunidade estratégica de crescimento e reforço da sua relevância no setor.
Seguindo esta visão, Nuno Lopes, diretor do pós-venda do grupo Stellantis, anunciou uma nova estrutura
organizacional dentro do universo Stellantis, desenhada para fortalecer o acompanhamento às oficinas da
rede, garantindo visitas trimestrais por equipas especializadas. A Eurorepar Car Service traçou um plano
ambicioso para 2025, que passa por consolidar a cobertura geográfica, fortalecer a proximidade física no
terreno através da Stellantis, otimizar o nível do serviço de peças e expandir a gama de produtos disponível.
Carlos Carneirinho, diretor nacional da Rede Eurorepar Car Service, definiu como objetivo para 2025 um
crescimento de 15%, reforço das entregas diárias e crescimento da gama Eurorepar.
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6 CONSELHOS VARTA PARA MELHORAR
PRESENÇA ONLINE DAS OFICINAS
Num mundo cada vez mais digital, a presença online de uma oficina pode ser a chave para
atrair mais clientes e aumentar a visibilidade do negócio. Mas como garantir que a sua oficina
se destaca num mercado tão competitivo? A VARTA, líder em soluções de baterias automotivas,
oferece 6 conselhos essenciais para melhorar a sua presença online:
1Use as redes sociais de forma estratégica. As redes sociais são ferramentas poderosas
para aumentar a visibilidade da sua oficina. Plataformas como Facebook, Instagram e
LinkedIn permitem partilhar dicas de manutenção, mostrar o trabalho da sua equipa e interagir
diretamente com os clientes.
2Crie conteúdo de qualidade. Criar conteúdo relevante para o seu público também é
fundamental. Quando se trata de oficinas, o conteúdo deve ser educativo, informativo e
diretamente relacionado às necessidades dos clientes. Por exemplo, criar artigos sobre como
identificar sinais de desgaste na bateria ou vídeos demonstrando a manutenção adequada de
veículos.
3Faça colaborações com marcas e influencers. Associar-se a marcas reconhecidas aumenta
a confiança dos clientes e a visibilidade online da sua oficina. Além disso, colaborar com
influencers e empresas do setor amplia o alcance e cria oportunidades de promoções conjuntas,
que podem ser muito atrativas para os clientes.
4Aposte em avaliações online para construir confiança. As avaliações online são essenciais
para aumentar a confiança dos clientes na sua oficina. Incentive os clientes satisfeitos
a deixar feedback no Google, Facebook ou outras plataformas relevantes. Responder a estas
avaliações, tanto as positivas como as negativas, contribui para a boa reputação online.
5Envie comunicações segmentadas para fidelizar clientes. Utilize newsletters ou mensagens
segmentadas para oferecer recordatórios de verificações, como check-ups de bateria ou
mudanças de óleo, e promoções exclusivas. Estas comunicações ajudam a manter a sua oficina na
mente dos clientes.
6Torne-se parceiro da VARTA e apareça no portal. O VARTA Partner Portal oferece uma série
de serviços úteis para as oficinas, incluindo a oportunidade de aparecer no Pesquisador de
parceiros, onde clientes de todo o país procuram locais de confiança que utilizem baterias VARTA
e realizem testes de baterias. Inscreva-se gratuitamente no Portal e aproveite todas as vantagens.
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COMEMORA 100 ANOS
DE HISTÓRIA
NAPA | A NAPA, National Automotive Parts Association,
fundada em 1925 nos Estados Unidos, celebra 100 anos de
história no setor do aftermarket automóvel. Desde a sua
fundação, a NAPA mantém o compromisso de oferecer peças
de substituição de alta qualidade, garantindo aos condutores
a tranquilidade de utilizarem produtos seguros e duráveis.
Ao longo de um século, a marca adaptou-se às inovações
tecnológicas e às crescentes exigências do mercado automóvel,
destacando-se pelo seu extenso catálogo de produtos para
veículos de todas as marcas e modelos. Em 2017, a Genuine
Parts Company (GPC), proprietária da NAPA, adquiriu a Alliance
Automotive Group (AAG). Atualmente, possui 19 linhas de
produtos, incluindo filtros, travões, baterias e lubrificantes, que
representam mais de 80% das compras profissionais no setor. O
conceito “NAPA KNOW HOW” reflete o compromisso em fornecer
suporte técnico e informação especializada, permitindo que os
profissionais realizem manutenções e reparações com eficiência
e qualidade garantida. Além disso, a marca conta com uma
equipa de especialistas que compreende as necessidades do
mercado, permitindo uma adaptação constante às exigências
dos clientes.
BODAS DE PRATA ESTE ANO
Car Repair System | A Car Repair System,
especialista em soluções integrais para a reparação
automóvel, celebra este ano o seu 25.º aniversário,
consolidando-se como uma referência no setor pelo seu
compromisso com a inovação e a qualidade dos seus
produtos. Desde a sua fundação, no ano 2000, a Car
Repair System percorreu um percurso repleto de desafios
e conquistas, mantendo-se sempre fiel à sua filosofia de
oferecer produtos e serviços de elevada qualidade. “Ao
longo deste quarto de século, a empresa tem-se dedicado
a fornecer soluções e sistemas de trabalho de alto padrão,
permitindo aos profissionais do setor desempenhar as
suas funções com eficiência e rentabilidade”, salientou
a empresa. Como parte das comemorações, a empresa
marcará presença em três das mais importantes
feiras internacionais do setor: Motortec, em Madrid;
Autopromotec, em Bolonha; e Equip Auto, em Paris. Além
disso, serão organizados diversos eventos ao longo do
ano com os distribuidores, com o objetivo de fortalecer
relações e celebrar esta conquista em conjunto. A empresa
também reforçará a sua presença digital, de forma a
conectar-se, ainda mais, com as necessidades dos seus
clientes em todo o mundo.
SPR AUTO CELEBRA
20 ANOS COM PARCEIROS
E CLIENTES
SPR AUTO | A SPR Auto, fundada em 2005 por Paulo
Dário, celebrou no passado dia 1 de fevereiro, o seu 20º
Aniversário, com uma Gala na Quinta da Morgadinha, em
Rio Tinto, juntando cerca de 200 pessoas, entre parceiros,
fornecedores, clientes e amigos. Numa sala repleta de
convidados, Paulo Dário começou por agradecer a presença
de todos e referiu que “esta celebração não é apenas sobre
o passado e todo o caminho percorrido até ao presente. É
também sobre o que queremos construir no futuro. Queremos
continuar a crescer, a inovar e a fazer a diferença, sempre com
o mesmo entusiasmo e paixão. Esta celebração é dedicada a
todos os que estiveram connosco ao longo destes anos e que
fizeram parte desta jornada incrível. A dedicação, o espírito
de equipa e a busca incessante pela excelência são visíveis
em cada detalhe”. Durante a Gala foi dado a conhecer a todos
os presentes o novo logotipo da empresa, sendo realçado o
trabalho de toda a equipa, como o mais importante fator de
sucesso da empresa.
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www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 75
Segurança
INCÊNDIOS EM AUTOMÓVEIS
O VERDADEIRO PROBLEMA!
UMA PERCENTAGEM MUITO ELEVADA DE INCÊNDIOS EM VEÍCULOS PODERIA SER EVITADA.
NOS INCÊNDIOS DELIBERADOS, A VONTADE DE CAUSAR DANOS É O PRINCIPAL FATOR. MAS HÁ
OUTROS INCÊNDIOS EM QUE ATITUDES NEGLIGENTES OU DESCUIDADAS - DELIBERADAS OU NÃO -
CONDUZEM FREQUENTEMENTE A UM INCÊNDIO NUM VEÍCULO
Qualquer veículo convencional tem um motor
de combustão interna que, logicamente,
tem de ter um combustível líquido para
produzir energia. Mas, para além do combustível
que está no depósito, existem muitos materiais
combustíveis. A sua participação, combinada com
uma fonte de calor, pode ser fundamental na origem
do incêndio e na sua posterior evolução. A
gasolina, o gasóleo, o óleo do motor e da caixa, o
líquido dos travões, etc., são alguns dos combustíveis
líquidos presentes em praticamente todos
os veículos. Os protetores plásticos dos cabos exteriores,
também podem começar a arder devido
a sobrecargas ou avarias elétricas. Outros artigos,
como os revestimentos de plástico e os estofos,
podem também inflamar-se facilmente em combinação
com uma fonte de calor. Para que ocorra
um incêndio, são indispensáveis o combustível, o
comburente e uma fonte de calor capaz de inflamar
o combustível. As fontes de calor num veículo
são muito variadas, sendo a principal o motor
térmico, que é responsável pela geração de energia
para produzir o movimento do veículo. Mas também
existe calor nos sistemas onde há fricção entre
elementos e calor derivado, direta ou indiretamente,
da cablagem do sistema elétrico do veículo.
Incêndios em automóveis elétricos
Não estamos a falar de uma maior probabilidade
de incêndio nos automóveis elétricos. No entanto,
eles destacam-se devido a condições particulares,
mas não são mais ou menos suscetíveis de
provocar um incêndio do que os veículos a gasolina
ou a gasóleo.
O verdadeiro problema dos incêndios neste tipo
de propulsão é a sua extinção, devido às caraterísticas
químicas específicas das suas baterias
de iões de lítio. Além disso, quando um veículo
elétrico arde, quer seja uma scooter, um carro ou
um autocarro urbano, tem sempre mais cobertura
mediática, fazendo parecer que os incêndios
em carros elétricos são mais comuns e perigosos.
Conduta incorreta em incêndios
Algumas ações que podem levar a um incêndio
são causadas diretamente pelo condutor do veículo.
Normalmente, são as mais facilmente evitáveis
através da adoção de algumas precauções muito
simples. Um cigarro pode provocar um incêndio,
mesmo minutos após a paragem do veículo. Do
mesmo modo, a queda acidental de um isqueiro
ou de um fósforo aceso no interior do veículo sobre
certos materiais combustíveis: tecidos, molduras,
guarnições, revestimentos plásticos, etc. Ocasionalmente,
podem ser ligados acessórios elétricos
que, devido ao seu mau estado ou a uma ligação
incorreta, provoquem uma ponte elétrica. Esta
situação pode provocar faíscas potencialmente
incendiárias, uma vez que atuam como fonte de
calor. Estas montagens não devem ser efetuadas
sem a preparação técnica adequada e sem os sistemas
de segurança necessários. Um isqueiro mal
montado, um carregador mal ligado ou qualquer
outro acessório danificado podem produzir o calor
necessário para provocar um incêndio no interior
do veículo. Estes dispositivos podem aquecer e tornar-se
perigosos, não só nos veículos comerciais
para o transporte de mercadorias, mas também
nos veículos de passageiros, que por vezes trans-
76 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
portam certas quantidades de materiais perigosos,
devido à sua inflamabilidade e explosividade. Estes
materiais podem gerar concentrações muito
elevadas de vapores inflamáveis, provenientes
de recipientes não estanques de tintas, solventes,
compostos de hidrocarbonetos, etc. Estas circunstâncias
não só são perigosas, como também proibidas
pela legislação atual relativa ao transporte de
mercadorias perigosas.
No que respeita aos veículos destinados ao transporte
de pessoas ou de mercadorias, de pequena
capacidade, por vezes as máquinas, os equipamentos
e os materiais para a realização de trabalhos
“em movimento” são depositados na parte traseira
do veículo - sem compartimentos ou fixações adequadas.
As máquinas de furar, os cortadores, as
serras, as serras radiais, os aparelhos de soldar...
podem provocar um incêndio se forem colocados
no veículo sem terem arrefecido completamente
após o trabalho, em contacto direto com materiais
combustíveis sólidos ou vaporizados. Qualquer
máquina ou equipamento deve ser completamente
arrefecido e colocado no compartimento de
mercadorias e não nos bancos dos passageiros.
Incêndios nas ligações
A bateria do veículo, enquanto acumulador eletroquímico,
é uma fonte potencial de calor. Um mau
manuseamento e/ou mau estado dos seus terminais
de ligação pode provocar faíscas devido a um
mau contacto elétrico; ou mesmo a utilização de
cabos auxiliares de arranque pode também provocar
faíscas nas suas ligações ou o sobreaquecimento
do próprio cabo auxiliar. Estas circunstâncias,
juntamente com o facto de as baterias emitirem
hidrogénio para a atmosfera, podem gerar um
cocktail altamente explosivo se se acumularem
elevadas concentrações de hidrogénio e se forem
geradas faíscas nos volumes ocupados por estes
gases. Tanto o estado da bateria como os seus terminais
de ligação devem ser adequados e, acima
de tudo, deve ter-se muito cuidado ao manusear
a bateria, especialmente quando se utilizam cabos
de ligação ou outros métodos semelhantes.
Evolução do incêndio
A condução fora de estrada também pode provocar
incêndios. Alguns veículos têm os seus siste-
A BATERIA DO VEÍCULO, ENQUANTO acuMULADOR ELETROQUÍMICO,
É UMA FONTE POTENCIAL DE CALOR. UM MAU MANUSEAMENTO
E/OU MAU ESTADO DOS SEUS TERMINAIS DE LIGAÇÃO PODE
PROVOCAR FAÍSCAS DEVIDO A UM MAU CONTacTO ELÉTRICO
www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 77
SEGURANÇA
mas de escape com catalisadores e/
ou filtro de partículas montados na
parte inferior do piso do veículo.
Embora estejam normalmente equipados
com uma placa de proteção e
blindagem, se o veículo estiver parado
num solo com mato ou pasto, e
o motor estiver à temperatura normal
de funcionamento, a superfície
quente do sistema de escape do
veículo e vegetação, um combustível
sólido, entram em contacto direto. A
velocidade da combustão dependerá
do estado do material combustível
(mais ou menos seco) e da temperatura
exterior do catalisador (cerca de
330 °C), podendo a ignição ocorrer
em apenas dois minutos. Uma vez
iniciado o incêndio, este deslocar-se-
-á verticalmente em direção ao veículo
e horizontalmente em direção
ao resto da vegetação seca no solo,
propagando-se rapidamente.
Por este motivo, a paragem neste
tipo de terreno deve ser sempre
evitada e mesmo a simples condução
deve ser limitada na medida do
possível.
Manutenção programada
A manutenção programada dos
veículos, para além de assegurar o
correto funcionamento de todos os
elementos eletromecânicos, garante
também que as instalações se encontram
em bom estado, sem quebras,
avarias ou deteriorações que
possam comprometer o seu bom
funcionamento. Uma manutenção
inadequada ou não efetuada faz
com que algumas instalações, especialmente
as elétricas - devido à
fricção contra superfícies metálicas,
algumas delas afiadas - se desgastem
ou as suas proteções plásticas
se partam ao ponto de gerar um
arco elétrico entre o cabo e a carroçaria.
Esta ponte elétrica, contacto
defeituoso ou curto-circuito pode
gerar calor suficiente para provocar
a combustão de todos os materiais
na proximidade do ponto de contacto.
Há uma infinidade de ações
simples que, se forem realizadas
com prudência e cuidado, eliminam
a possibilidade de um incêndio no
nosso veículo. l
OS autoMÓVEIS ELÉTRICOS NÃO São MAIS OU MENOS
SUSCETÍVEIS DE PROVOCAR UM INCÊNDIO DO QUE OS VEÍCULOS
A GASOLINA OU A GASÓLEO. O VERDADEIRO PROBLEMA
DOS INCÊNDIOS NESTE TIPO DE PROPULSão É A SUA EXTINÇÃO
78 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
Gestão
COMPETITIVIDADE NA OFICINA
QUEREMOS SER
COMPETITIVOS?
A COMPETITIVIDADE É UM ASPETO QUE QUALQUER OFICINA, POR MAIS PEQUENA QUE SEJA, DEVE
TER EM CONTA. PROVÉM DAS VANTAGENS QUE A OFICINA TEM NA SUA PRODUÇÃO E ORGANIZAÇÃO
(QUE SE REFLETEM NO PREÇO E NA QUALIDADE DO SERVIÇO FINAL) EM RELAÇÃO A OUTRAS
OFICINAS CONCORRENTES
Na gestão de uma oficina, um
dos rácios operacionais básicos
é a produtividade.
Mas será que o nosso objetivo é ter
os custos mais baixos, ser o que faz
mais reparações e trabalhar mais
horas? Uma coisa é a superioridade
para produzir, outra é a superioridade
para competir. A produtividade
é o custo de produção de um determinado
bem; a competitividade é o
lucro ou a capacidade de fixar os preços
dando mais utilidade ao cliente.
Dar mais pelo mesmo, em vez de
tentar dar o mesmo por menos.
É interessante estudar a nossa oficina
do ponto de vista do lucro,
para conhecer a sua capacidade de
obter maior rendibilidade do que
os seus concorrentes.
O nosso rendimento depende do
que vendemos e a que preços; mas
o interessante não é fixar os preços
acrescentando uma certa margem
ao custo. Se fosse esse o caso, a
produtividade seria fundamental.
Temos de fixar os preços de acordo
com a utilidade que o nosso serviço
proporciona ao cliente, pelo
que depende da sua perceção e, por
conseguinte, da competitividade.
A nossa empresa pode ser mais
competitiva porque é mais produtiva,
mas se essa vantagem for consequência
de salários mais baixos,
não será duradoura. A competitividade
estrutural deve basear-se
na produtividade, na eficiência, em
produtos diferenciados, na incorporação
de inovações tecnológicas,
na organização adequada do processo
de produção e na gestão. Dar
mais pelo mesmo, em vez de tentar
dar o mesmo por menos.
Produtividade,
um ingrediente necessário
A produtividade é necessária para
ser competitivo, mas não é suficiente;
é a visão interna da empresa. O
que é fundamental é a visão externa,
ou seja, quando o mercado nos compara
com os nossos concorrentes. A
nível global, vários ingredientes estão
envolvidos na competitividade;
em cada caso, a sua ponderação será
tida em conta:
• Quanto maior for a produtividade
da nossa oficina, maior será a sua
competitividade. É um ingrediente
necessário, mas não suficiente.
• Competir em termos de preço de
forma sustentável só pode ser feito
com os custos mais baixos. Aumentar
os preços acima dos níveis do
mercado reduz a competitividade...
O fator a gerir é o custo, não tanto
o preço.
• O talento da nossa organização é
apoiado pelos nossos profissionais,
um fator de importância vital para
o sucesso.
• A inovação. Independentemente
da dimensão da empresa, está ao
alcance de cada um. Em muitos
casos, as inovações mais radicais
estão nos modelos de negócio.
• Podem ser geridos três tipos de
qualidade: real ou técnica, percebida
e suficiente. Concentrar-se
apenas num deles seria defraudar
as expetativas ou desperdiçar recursos.
• Uma cultura de empresa orientada
para o cliente e não para o
produto, com valores, vocação de
serviço e alinhamento interno,
condiciona absolutamente a nossa
80 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
QUADRO I – FASES DA COMPETITIVIDADE
Amplitude da vantagem competitiva
Período
de criação
As ações
estratégicas
produzem vantagem
competitiva
Período
de benefício
Magnitude da vantagem
competitiva
Período
de erosão
A imitação,
a duplicação e
o ataque dos rivais
corroem a vantagem
Tempo
competitividade. É frequentemente
um dos factores mais mal
geridos.
Reinventar AS vantagens
COMPETITIVAS
A estratégia de sucesso da nossa
atividade baseia-se em vantagens
competitivas sustentadas ao longo
do tempo. A forma mais básica
é fornecer aos compradores
aquilo que eles consideram ser
um valor superior: um bom produto
a um preço baixo, ou um
produto superior pelo qual vale a
pena pagar. Para atingir esse valor
superior, é necessário desenvolver
na empresa competências
e conhecimentos que não podem
ser facilmente igualados.
As vantagens competitivas passam
normalmente por três fases
(Quadro I):
• Criação: Geralmente leva um
curto período - se os recursos
e capacidades estiverem prontos
para serem usados - ou um
período mais longo, para que o
consumidor aceite um produto
inovador. Quanto mais tempo
for necessário para criar a vantagem
competitiva, maior é a
probabilidade de os rivais detectarem
a medida.
• Benefício: Tempo durante o qual
os frutos da vantagem competitiva
são desfrutados. A sua duração
dependerá do tempo que os nossos
concorrentes demorarem a reagir.
Um período prolongado permitirá
à nossa oficina obter lucros acima
da média e recuperar os investimentos
efetuados.
• Erosão: Os nossos rivais reagirão
às nossas vantagens para
recuperar o atraso. Temos de
tentar estar sempre um passo à
frente deles. l
COMPETITIVIDADE CONSISTE
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CONSEGUEM FAZER PARTE DE
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A CRESCENTE DIFUSÃO DE VEÍCULOS ELÉTRICOS NO MERCADO EXIGE UMA IMPORTANTE ATUALIZAÇÃO
DE CONHECIMENTOS POR PARTE DAS OFICINAS. TORNA-SE POR ISSO URGENTE DAR FORMAÇÃO AOS
PROFISSIONAIS QUE TÊM DE MANIPULAR VEÍCULOS ELÉTRICOS E HÍBRIDOS, PARA QUE O SAIBAM FAZER
DE FORMA SEGURA, ALÉM DE QUE TODAS AS PESSOAS QUE MANIPULAM ESTE TIPO DE VEÍCULOS DEVEM
UTILIZAR OS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) ADEQUADOS E NECESSÁRIOS
Os veículos elétricos ou híbridos possuem
características que variam relativamente
aos veículos de combustão interna convencionais,
dado que, entre outros componentes,
incluem um motor elétrico e uma bateria de
alta tensão, o que implica novos riscos (riscos
elétricos, químicos e de incêndio ou explosão).
Assim, diferentes grupos, entre os quais se incluem
os bombeiros, serviços de emergência,
operadores de gruas e técnicos de oficina, bem
como os proprietários destes veículos, devem
estar preparados, em diferentes níveis, para responder
a um acidente ou reparação de um veículo
elétrico ou híbrido.
Para poder prevenir os riscos indicados na manipulação
de veículos elétricos e híbridos, em
primeiro lugar é preciso conhecer o funcionamento
do sistema de alta tensão que os alimenta.
Dependendo da operação a realizar no
veículo elétrico e híbrido, se existir um risco derivado
da referida manipulação, será necessário
desligar com segurança o sistema de alta tensão.
Por outro lado, com o objetivo de minimizar o
risco de contacto com alta tensão, existem ferramentas
específicas para quando se manipula
um veículo elétrico ou híbrido de ligação à rede
elétrica. As oficinas devem dispor, obrigatoriamente,
de um conjunto de ferramentas manuais
isoladas (devem estar homologadas segundo
a norma IEC 60900 e conter a respetiva marcação),
multímetros com uma classificação
mínima de CAT III (indica o grau de proteção
do dispositivo contra sobretensões e sobreintensidades),
cartazes indicadores e sinalização
perimetral do veículo, para delimitar a zona de
trabalho, e uma câmara termográfica ou um
termómetro laser, para verificar a temperatura
à distância. Além disso, é recomendável dispor
de uma zona de quarentena, na qual o veículo
acidentado deve permanecer sob controlo e supervisão.
Para a manipulação segura do veículo
elétrico e híbrido existem Equipamentos de Proteção
Individual (EPI) obrigatórios, bem como
outros que são recomendados. A Lei de Prevenção
de Riscos Profissionais define EPI ou Equipamento
de Proteção Individual como qualquer
equipamento destinado a ser transportado ou
usado pelo trabalhador, para que o proteja de
um ou de vários riscos que possam ameaçar a
sua segurança ou saúde, assim como qualquer
complemento ou acessório destinado a esse fim.
Os EPI constituem a última barreira de defesa
do trabalhador relativamente ao risco profissional,
daí a sua enorme importância no âmbito da
Segurança, Saúde e Bem-estar no trabalho. Deve
ter-se em conta que os EPI não implicam uma
redução do risco, mas sim uma redução das consequências
derivadas de que esse risco possa resultar
num acidente profissional. São utilizados
quando não foi possível eliminar os riscos através
de meios técnicos de proteção coletiva ou organizativa.
Deve ter-se em conta que os EPI não
são utilizados com o objetivo de realizar uma
tarefa ou atividade, mas sim para nos proteger
dos riscos envolvidos nessa tarefa ou atividade.
Por este motivo, as ferramentas ou utensílios,
embora concebidos para proteger contra um
determinado risco (ferramentas isolantes ou isoladas,
etc.), não serão considerados EPI. O EPI
deve ser transportado ou usado pelo trabalhador
e deve ser utilizado de acordo com as instruções
dadas pelo seu fabricante. Tendo sido explicado
em que consiste o Equipamento de Proteção
Individual, indicamos de seguida os EPI neces-
OS DIFERENTES GRUPOS PROFISSIONAIS QUE TENHAM DE MANIPULAR
OU REPARAR VEÍCULOS ELÉTRICOS E HÍBRIDOS ACIDENTADOS
OU AVARIADOS DEVEM CONHECER AS PRECAUÇÕES DE SEGURANÇA
NECESSÁRIAS PARA EVITAR POSSÍVEIS ACIDENTE
www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 83
SERVIÇO
DEVE ESCOLHER-SE as Luvas MAIS INDICADAS EM FUNÇÃO
da tensão DO VEÍCULO QUE SERÁ MANIPULADO. A CATEGORIA
É DESIGNADA POR UMA OU VÁRIAS LETRAS (A, H, Z, R OU C),
QUE INDICAM A RESISTÊNCIA DAS Luvas
sários para manipular um Veículo
Elétrico ou Híbrido de uma forma
segura. Qualquer trabalhador que
tenha de manipular ou reparar um
Veículo Elétrico ou Híbrido acidentado
deve utilizar obrigatoriamente
os seguintes EPI:
Luvas de proteção
dielétricas
Estas luvas (categoria “00” 750 V
DC, que consigam isolar até 750
V em corrente contínua) protegem
da passagem de corrente elétrica
através do corpo humano (choque
elétrico), produzida pelo contacto
físico com um elemento condutor,
a diferente tensão. (Não protegem
de correntes elétricas induzidas no
corpo humano por campos eletromagnéticos
fortes ou de qualquer
outro risco derivado da energia
elétrica). Antes de utilizar as luvas,
o operário deve certificar-se
visualmente que não apresentam
orifícios nem cortes e proceder a
um teste de estanquidade (manualmente
ou com um dispositivo
de teste). Uma verificação básica
do estado das luvas consiste em fechar
a extremidade por onde se introduz
a mão e apertar a luva para
ver se apresenta perdas ou fugas de
ar. Se as luvas estiverem deterioradas,
não devem ser utilizadas, uma
vez que não cumpririam a sua função,
não iriam proteger, e a corrente
elétrica poderia passar através
delas. Recomenda-se a utilização
das luvas dielétricas por baixo de
luvas de proteção convencionais,
para evitar perfurações e rasgões.
Alguns grupos, como os bombeiros,
utilizam as luvas dielétricas
por cima de luvas ignífugas, para
evitar os efeitos térmicos de origem
elétrica. As luvas dielétricas
devem cumprir a norma UNE-EN
60903:2005, que especifica os
requisitos para o fabrico, verificação
e utilização correta das luvas
e proteções das mãos isolantes da
eletricidade, com e sem proteção
mecânica.
Óculos de proteção
É obrigatório o uso de óculos contra
impactos. Os óculos de proteção
ocular devem reduzir o campo visual
do trabalhador o mínimo possível
e ser de uso individual. Recomenda-se
o uso de viseiras, no caso
de realizar trabalhos em tensão que
possam resultar em faíscas ou curto-circuitos,
evitando assim queimaduras
por arco elétrico na face.
As viseiras faciais, certificadas de
acordo com a UNE-EN 166-2002
(proteção individual dos olhos),
são as únicas proteções oculares
válidas para esta zona do corpo.
Além disso, abrangem a exigência
de proteção contra arco elétrico de
curto-circuito. Os principais riscos
oculares gerados quando se produz
arco elétrico são os impactos de
partículas projetadas, a radiação
UV e a radiação térmica. A norma
UNE-EN 170 especifica as classes
de proteção e as especificações
relativas ao coeficiente de transmissão
dos filtros para a proteção
contra a radiação ultravioleta. As
restantes especificações aplicáveis
a este tipo de filtros e às armações
a que se destinam são apresentadas
na norma UNE-EN 166.
Calçado dielétrico
O calçado com proteção dielétrica
é outro EPI obrigatório quando se
manipulam veículos elétricos, para
evitar situações nas quais a corrente
elétrica passe para a terra através do
corpo do operário. O tipo de calçado
é concebido com borracha ou materiais
poliméricos semelhantes aos
utilizados nas luvas dielétricas. Se o
calçado tiver biqueira de proteção,
esta nunca deverá ser metálica. Antes
de utilizar o calçado dielétrico
deverá ser verificado, visualmente,
se existe na sola alguma peça metálica
inserida, dado que esta faria de
condutor de eletricidade, limitando
ou até mesmo anulando a capacidade
dielétrica do calçado em questão.
Como EPI opcional temos a manta
isolante para proteção contra partes
ativas com tensão. Com essa manta
tapam-se conectores, terminais de
bateria, etc., e todas as partes ativas
com tensão, para evitar o contacto
destas com a carroçaria e, por sua
vez, para evitar o contacto acidental
por parte do pessoal. Outro EPI
obrigatório para os bombeiros é o
ERA (Equipamento de Respiração
Autónoma), que é utilizado para
evitar a inalação de gases produzidos
por um derrame do eletrólito da
bateria de tração.
Vara de salvamento
A vara de salvamento ou arnês de
segurança é utilizada para o resgate
elétrico. A vara permita afastar
uma pessoa caso seja eletrocutada
enquanto manipula o sistema de
alta tensão do veículo. A utilização
da vara de extração evita que a pessoa
que vai em seu auxílio também
seja eletrocutada ao tentar socorrer
o acidentado. Vale a pena relembrar
que, como é lógico, é imprescindível
retirar todos os objetos
pessoais de metal que sejam usados
(entre os quais se encontram
joias e relógios), antes de começar
a manipular um veículo elétrico ou
híbrido. Por outro lado, as pessoas
com pacemaker, desfibrilhadores e
outros dispositivos médicos semelhantes
não podem realizar trabalhos
em veículos elétricos ou híbridos,
dado que o campo magnético
que emanam pode afetar o funcionamento
destes aparelhos. l
84 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
Técnica
&Serviço
EQUIPAMENTOS ESSENCIAIS
IMPRESCINDÍVEIS
NA OFICINA!
NUMA OFICINA É FUNDAMENTAL CONTAR COM OS EQUIPAMENTOS
NECESSÁRIOS PARA EFETUAR QUALQUER REPARAÇÃO E OFERECER
O MELHOR SERVIÇO POSSÍVEL AO CLIENTE. UMA OFICINA
COM O EQUIPAMENTO E AS FERRAMENTAS ADEQUADAS, VAI SEMPRE
TER MAIS POSSIBILIDADES DE ENFRENTAR QUALQUER TIPO
DE REPARAÇÃO E, PARA ALÉM DISSO, FACILITAR AS TAREFAS
AOS EMPREGADOS
Dentro da oficina existem diferentes equipamentos
que são indispensáveis. Mas
cuidado, também há que ter em conta
o tipo de oficina e os serviços que são oferecidas
nela. Não é a mesma coisa uma oficina de
reparação mecânica, uma de substituição de vidros
ou uma especializada em chapa e pintura.
Neste artigo vamos ver algumas das ferramentas
e equipamentos que não podem faltar numa
oficina, bem como os seus usos e características
principais.
Ferramentas segundo o tipo de oficina
Como referimos, dependendo do tipo de oficina,
utilizaremos umas ferramentas ou outras.
• Oficina mecânica: ferramentas manuais, ferramentas
pneumáticas e ferramentas específicas.
Estas últimas são aquelas ferramentas utilizadas
para reparações mais complexas, ou menos comuns.
• Oficina de chapa e pintura: centrais de aspiração,
lixadoras, máscaras, produtos de secagem
rápida, etc. Os produtos de secagem rápida são
cada vez mais imprescindíveis, uma vez que são
muito úteis para as pequenas reparações rápidas
de pintura (em apenas 45 minutos é possível entregar-se
o carro pintado).
• Oficina de pneus: desmontadoras, equilibradoras,
vulcanizadoras, acessórios para reparação
de furos, etc.
• Oficina de eletricidade e eletrónica: máquina e
diagnóstico, soldadores e material de reparação
de circuitos, polímeros, etc.
Ferramentas manuais:
quais não podem faltar?
Pode-se dizer que todas estas ferramentas que
foram enumeradas são imprescindíveis na oficina,
já que é mais do que provável que em algum
momento seja necessário utilizar alguma delas.
Algumas das ferramentas manuais foram substituídas
por outras pneumáticas ou hidráulicas,
que permitem realizar estas tarefas de forma
mais eficiente.
Ferramentas pneumáticas
Tratam-se de ferramentas que funcionam graças
à tecnologia pneumática, isto é, a utilização de
ar comprimido. O seu funcionamento é simples:
liga-se a ferramenta a um compressor através de
uma mangueira. Quando a ferramenta é acionada
(através de um botão ou gatilho), o compressor
envia uma rajada de ar comprimido à
ferramenta através da mangueira.
As ferramentas pneumáticas são muito úteis
para trabalhos na oficina nos quais, por exemplo
se tenha de empregar uma força que não se
poderia empregar com ferramentas manuais.
Todavia, a sua aplicação pode ser muito variada,
sendo também utilizadas na área da chapa
www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 87
TÉCNICA
&SERVIÇO
e pintura (lixadoras pneumáticas,
por exemplo).
As principais vantagens das ferramentas
pneumáticas em relação às
ferramentas elétricas são:
• Menores riscos para a segurança
análise do carro, encontrar possíveis
falhas e encontrar as soluções
para as avarias. Estes aparelhos
ligam-se ao carro através de um
cabo ou através de Wi-fi ou Bluetooth,
permitindo monitorizar os
COMPRESSORES:
PORQUE SÃO UMA
FERRAMENTA
BÁsica NA OFICINA?
m compressor de ar é imprescindível na oficina porque se
U
encarrega de gerar o ar comprimido que permite o
funcionamento da maior parte das ferramentas da oficina, desde
ferramentas pneumáticas até plataformas elevatórias. Na hora de
decidir o compressor que iremos utilizar na oficina, é básico saber
qual o caudal de potência de que necessitamos para desenvolver a
nossa atividade. Isto calcula-se somando o caudal necessário por
cada ferramenta, de acordo com o tempo de utilização. Por exemplo,
uma pistola de ar consome cerca de 150 litros/minuto. Geralmente,
os compressores geram 100 litros de ar comprimido por minuto por
cada CV de potência. Os compressores mais habituais para oficina
conseguem ter uma potência mínima que ronda os 5 CV (uns 500
litros de ar comprimido por minuto).
OS EquipamENTOS DE DIAGNÓSTICO SÃO UMA Das FERRAMENTAS
MAIS IMPORTANTES NA OFICINA, UMA VEZ QUE POUPAM MUITO
TEMPO E TRABALHO aos PROFISSIONAIS. PARA ISTO, É IMPORTANTE
ValoriZAR O TIPO DE MÁQUINA QUE ESCOLHEMOS
e para a saúde: não geram faíscas,
são menos suscetíveis de provocar
incêndios e podem ser utilizadas
em qualquer contexto de trabalho.
• Utilizam um sistema de energia
gratuito: o ar. Permite poupar
energia uma vez que, para além
disso, o ar comprimido pode-se armazenar.
• São ferramentas limpas e respeitadoras
do meio ambiente, não
necessitam de combustão nem de
reações químicas para funcionar.
• As ferramentas pneumáticas podem
atingir potências superiores às
elétricas ou eletrónicas.
Algumas das ferramentas pneumáticas
imprescindíveis na oficina são
as chaves de impacto, lixadoras e
polidoras.
Equipamentos eletrónicos
Claro que, numa oficina nem tudo
são ferramentas manuais ou pneumáticas,
uma vez que a tecnologia
exige outro tipo de ferramentas
fundamentais, como são os equipamentos
de diagnóstico. Estes equipamentos
fornecem uma grande
ajuda aos profissionais da oficina
uma vez que permitem realizar a
dados recolhidos na centralina,
através de um computador, um
tablet ou até mesmo um telefone
móvel. Os equipamentos de diagnóstico
são uma das ferramentas
mais importantes na oficina, uma
vez que poupam muito tempo e
trabalho aos profissionais. Para
isto, é muito importante valorizar
o tipo de máquina de diagnóstico
que escolhemos.
Para uma oficina de carácter geral
com um volume importante
de veículos, é sempre necessário
utilizar equipamentos de diagnóstico
multimarca, e geralmente
devem possuir vários equipamentos
para fazer face ao volume de
reparações. Os equipamentos de
diagnóstico profissional são ferramentas
que são caras, mas em
troca oferecem grandes vantagens
ao nível do funcionamento. Há
que destacar que existem equipamentos
de diagnóstico menos
profissionais, ou “piratas”, cuja
qualidade não é a mais adequada
e, apesar de serem mais baratos, a
sua eficiência é muito menor que
as restantes, para além de serem
ilegais em caso de inspeção.
MANUTENÇÃO
ADEquaDA DOS
EquipamENTOS
ara além de existir um grande número de ferramentas que
P
não podem faltar na sua oficina, também existe outra série de
questões imprescindíveis que deve saber sobre o equipamento de
trabalho. Por um lado, para que este equipamento de trabalho seja
eficiente é necessário realizar uma manutenção adequada do
mesmo, de acordo com as exigências das normas em vigor. Tem de
rever danos, defeitos ou qualquer deterioração que seja suscetível de
causar uma diminuição da eficácia da ferramenta. Por outro lado, é
importante que as ferramentas estejam limpas, bem cuidadas e
ordenadas segundo a área de atuação. Ainda assim, existe a
necessidade de evitar a utilização negligente das mesmas que pode
provocar um desgaste ou uma rotura.
É ainda de referir que existem ferramentas e equipamentos que
não estão direcionados para realizar tarefas de reparação ou
manutenção concretas, mas possuem uma utilização passiva,
destinada a melhorar a segurança dos trabalhadores: são os
equipamentos de proteção individual (EPIs). No caso da oficina,
alguns dos equipamentos de proteção individual imprescindíveis
segundo a tarefa que vamos realizar são a máscara e a armadura de
soldagem, óculos e capacetes protetores, máscaras para proteger
as vias respiratórias ou luvas. Apesar de que estes elementos são
geralmente considerados como «equipamento» de segurança,
também são ferramentas passivas que contribuem para evitar riscos
para a saúde do trabalhador.
88 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
17 outubro 2025
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TÉCNICA
&SERVIÇO
É IMPRESCINDÍVEL QUE OS ELEVADORES ESTEJAM SEMPRE
EM PERFEITAS CONDIÇÕES, UMA VEZ QUE QUALQUER ELEMENTO
EM MAU ESTADO PODE CAUSAR RISCOS tanto PARA O VEÍCULO,
COMO PARA OS FUNCIONÁRIOS DA OFICINA
EquipamENTOS
novos OU EM
SEgunda MÃO?
ma das questões mais importantes na hora de comprar
U
equipamento para a oficina é: Equipamentos novos ou em
segunda mão? Para resolver esta questão temos de ponderar vários
fatores:
• Em primeiro lugar, é primordial ter em conta o tipo de
ferramentas que vamos comprar ou substituir. Existem
ferramentas manuais básicas que são simples, resistentes e
possuem uma vida útil prolongada, uma vez que não incluem
mecanismos complexos nem partes sensíveis. Todavia, também
existem ferramentas muito mais complexas que necessitam de
estar em perfeito estado para oferecer a precisão e a eficácia
necessárias, por exemplo as chaves dinamométricas ou os
alinhadores digitais de direção.
• Outro fator que tem influência é o preço. Todavia, o que
realmente interessa é a relação qualidade/preço. Por exemplo, ao
comprar equipamentos em segunda mão podemos ter acesso a
marcas que, se fossem novos, estariam economicamente fora do
nosso alcance.
• Outro fator chave é: em que estado se encontram os
equipamentos? que defeitos possuem? que utilização lhes foi dado
pelo antigo proprietário?
Tendo em conta as características, o preço e o estado das
ferramentas e equipamentos em questão há que decidir se nos
convém, tanto economicamente como em termos de rendimento,
adquirir novo ou em segunda mão.
Equipamentos para
elevação de cargas
São aqueles equipamentos que
permitem levantar um veículo ou
partes deste, com o objetivo de facilitar
o trabalho dos mecânicos.
São equipamentos de suporte imprescindíveis
para realizar tarefas
muito diversas, como uma simples
troca de rodas ou um realinhamento
de direção. Também são vitais
para tornar mais cómodo e menos
exigente o trabalho dos profissionais,
por exemplo permitem analisar
detalhadamente a parte inferior
do carro, de forma muito mais
simples e eficaz. Dentro das ferramentas
elevatórias mais importantes
numa oficina encontram-se:
Elevadores: São equipamentos de
tamanho considerável, destinados
a elevar um veículo o suficiente
para que o operário possa trabalhar
debaixo do mesmo. É imprescindível
que este tipo de equipamentos
esteja em perfeitas condições, uma
vez que qualquer elemento em mau
estado poderia causar riscos tanto
para o veículo, como para os funcionários
da oficina.
Macacos hidráulicos ou mecânicos:
São ferramentas de menor
dimensão que também permitem
a elevação de cargas. Os macacos
mecânicos baseiam-se na força
manual e empregam-se para a elevação
de cargas mais pequenas,
por exemplo como suporte para
realizar uma troca de pneus. No
que lhes diz respeito, os macacos
hidráulicos são de utilização mais
profissional e podem chegar a levantar
várias toneladas de peso.
Gruas hidráulicas: São ferramentas
de aparência semelhante às gruas
de obra, que incorporam um gancho
para elevar e suportar qualquer
tipo de carga. São muito úteis para
o transporte ou análise de peças em
separado, por exemplo motores de
automóveis.
Oficina de chapa e pintura
Na área de chapa e pintura (ou
numa oficina especializada neste
serviço), utilizam-se muitas ferramentas
que também se utilizam
noutras áreas da oficina (Compressores,
elevadores, etc.), mas
também possuem ferramentas específicas.
Dentro das ditas ferramentas
imprescindíveis podemos
encontrar: equipamento portátil
de infravermelhos, elevadores, cavaletes
para peças, esmeriladoras,
lixadoras, polidoras, pistolas, verniz,
tintas de base aquosa, maçaricos...
Muitas das ferramentas que
provocam faíscas ao entrarem em
contacto com o metal, são cortantes
ou inclusive tóxicas, razão pela
90 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
qual é necessário utilizá-las com o
equipamento de proteção adequado.
Por exemplo, para utilizar um
maçarico é necessário utilizar o
aparelho e a máscara de soldar, já
para utilizar as pistolas de pintura
será necessário proteger-se com
uma máscara para evitar a inalação
de vapores tóxicos.
Oficina de pneus
Uma das visitas mais usuais à oficina
é aquela que se prende com a
manutenção ou troca dos pneus.
Este serviço oferece-se em qualquer
oficina generalista, ainda
que também existam oficinas especializadas.
Para realizar tarefas
relacionadas com as rodas e com
os pneus do carro, são imprescindíveis
algumas ferramentas como
as seguintes:
Desmontadoras: São muito úteis
para agilizar o processo de substituição
de rodas. Existem diferentes
tipos de desmontadoras: automáticas,
semiautomáticas, pneumáticas
e hidráulicas, sendo estas últimas
destinadas principalmente a veículos
industriais.
Equilibradores: São equipamentos
que permitem corrigir os desequilíbrios
nas massas rotativas de cada
roda, permitindo assim que girem
sem vibrações.
Vulcanizadoras: São ferramentas
que permitem aquecer rapidamente
a borracha com o objetivo de a
fundir. Utilizam-se para reparações
de furos.
Conclusão
Todas as ferramentas são indispensáveis
em qualquer oficina e
constituem o equipamento básico
para que o negócio possa funcionar.
Claro que, as ferramentas ao
serem imprescindíveis, é muito importante
utilizá-las corretamente e
levar a cabo uma boa manutenção,
para aumentar a sua vida útil e
evitar falhas e atrasos nas operações.
Um último conselho: existem
ferramentas e equipamentos que
pressupõem um “extra” aos nossos
serviços. Não são imprescindíveis,
mas resultam como um complemento
e um passo no sentido da
excelência. O nosso conselho é que
ignore este tipo de equipamento
até que tenha as ferramentas básicas
de que falámos. Ao ter o essencial,
poderá começar a pensar em
aumentar o seu equipamento para
começar a especializar-se ou a diversificar
os seus serviços. l
ESPECIALIZAR-SE:
MERECE A PENA?
m dos segredos do sucesso em qualquer negócio pode
U
residir na especialização, isto é, concentrar-se em oferecer
um serviço muito específico com uma qualidade superior à da
concorrência. Mas para se especializar numa área ou serviço em
concreto é necessário contar com as ferramentas adequadas, o que
implica um investimento. Antes de se especializar num serviço em
concreto, é necessário realizar um estudo de mercado, saber qual é
a situação do setor e analisar a concorrência, para determinar se
existem oportunidades de negócio. Uma vez isto feito, o passo
seguinte é determinar o equipamento de que necessitamos para
levar a cabo a especialização que procuramos nos nossos serviços.
Claro que o fator económico tem influência, uma vez que o nível de
investimento não é o mesmo que especializar-se num serviço ou
noutro. Por exemplo, especializar-se em veículos com sistemas de
gás automóvel GPL ou GNC não supõe apenas custos extra. Todavia,
especializar-se em veículos com mudanças automáticas ou
sistemas de injeção requer a utilização de ferramentas mais caras e
complexas, que implicam um maior investimento, como bancos de
provas específicos. Tendo em mente a situação financeira da
oficina e as possibilidades de negócio, há que ponderar se é
rentável investir em novas ferramentas de forma a oferecer
serviços especializados.
PARA QUE O EQUIPAMENTO SEJA EFICIENTE É NECESSÁRIO
REALIZAR UMA MANUTENÇÃO ADEQUADA DO MESMO. TEM DE
REVER DANOS, DEFEITOS OU QUALQUER DETERIORAÇÃO QUE SEJA
SUSCETÍVEL DE CAUSAR UMA DIMINUIÇÃO DA SUA EFICÁCIA
NOTÍCIAS // PNEUS E EQUIPAMENTOS À MEDIDA DE CADA NEGÓCIO
Pneus
MICHELIN PRIMACY 5
REDUZ IMPACTO AMBIENTAL
Com uma redução de 6% no impacto ambiental,
o novo Michelin Primacy 5 alinha-se
à estratégia “Tudo Sustentável” da
Michelin, oferecendo maior durabilidade, segurança
e conforto, enquanto reduz a pegada ecológica.
“Numa abordagem sustentável é essencial
oferecer um pneu com um excelente desempenho
quilométrico, um alto nível de desempenho e segurança.
Isso garante que os condutores possam
usar pneus com segurança do primeiro ao último
quilómetro”, começou por afirmar a Michelin.
Segundo dois estudos realizados em 2023
para a Michelin na Europa, Estados Unidos e
China, esta é uma das principais expetativas
dos automobilistas, independentemente do tipo
de veículo. Graças a um novo design patenteado
da banda de rodagem, com um aumento de
13% na taxa de sulcos, que melhorou a evacuação
da água, e ao uso de compostos de borracha
de última geração, o Michelin Primacy 5 recebeu
classificação A no rótulo europeu de pneus. “É
4% mais seguro em superfícies húmidas e, com
uma vida útil 18% mais longa, permite percorrer
cerca de 7.000 km a mais que o seu antecessor,
garantindo segurança tanto nas viagens diárias
como nas longas viagens em família”, assegurou.
PERSONALIZA PNEUS PREMIUM PARA PORSCHE
Bridgestone | A Bridgestone foi escolhida pela Porsche para desenvolver pneus personalizados
para os novos modelos Macan Electric e Panamera. Estes modelos estão agora disponíveis, em exclusivo,
com os pneus de ultra-alto desempenho Bridgestone Potenza Sport. “Após a nossa colaboração no Porsche
Cayenne, estamos a abrir novos caminhos na nossa parceria, oferecendo pneus premium que elevam a experiência
de condução dos novos modelos da Porsche”, afirmou Steven De Bock, vice-presidente de OE na
Bridgestone EMEA. “É com orgulho que apresentamos dois marcos – o primeiro equipamento original Bridgestone
para o Panamera e o nosso primeiro pneu personalizado para um Porsche elétrico, o Macan Electric.
É entusiasmante mostrar a nossa capacidade de fornecer uma gama de pneus premium que permitem aos
condutores da Porsche aproveitar ao máximo estes dois veículos incríveis e muito diferentes”, acrescentou.
O pneu Potenza Sport personalizado para o Porsche Macan Electric foi concebido com um design de piso e
composto que potenciam o desempenho desportivo dinâmico do veículo, enquanto gerem o elevado peso
e torque do SUV elétrico.
92 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com
AMPLIA GAMA TM800 PROGRESSIVETRACTION
Trelleborg | A Trelleborg Tires acaba de anunciar a extensão da linha TM800 ProgressiveTraction,
com duas dimensões (540/65R28 e 650/65R38) já disponíveis para tratores de
média a alta potência, enquanto outras quatro serão lançadas progressivamente nas próximas
semanas. A linha TM800 incorpora a tecnologia ProgressiveTraction, uma “inovação premiada
e amplamente reconhecida pelos resultados comprovados em aplicações agrícolas modernas”,
avançou a empresa. “O TM800 ProgressiveTraction foi concebido para entregar resultados excepcionais
em diversos terrenos agrícolas, desde solos macios até os mais rígidos. Com eficiência
operacional aprimorada, consegue reduzir o tempo de trabalho por hectare, melhorar a
economia de combustível e aumentar a vida útil da banda de rodagem, garantindo operações
agrícolas mais produtivas e económicas”, assegurou. ProgressiveTraction melhora significativamente
a tração, resultando num desempenho excepcional no campo. Segundo a empresa, em
testes comparativos com pneus concorrentes, foi demonstrada uma melhoria de tração de até
17% em solos macios e 10% em solos rígidos.
LANÇA NOVO PNEU PARA LIGEIROS E SUV’S
Barum | +A Barum acaba de lançar o BRAVURIS 6, o mais recente modelo desenvolvido para
veículos ligeiros e SUV’s. Sucessor do BRAVURIS 5HM, este novo pneu promete elevar os padrões de
conforto, segurança e eficiência. “O BRAVURIS 6 apresenta uma maior superfície de contacto com
a estrada e um padrão otimizado do piso, garantindo uma aderência superior. Estas características
proporcionam travagens mais seguras e manobras precisas em pavimentos secos, reforçando a
confiança do condutor”, avançou a Barum em comunicado. Para além disso, o design integrado e o
piso resistente asseguram “uma elevada durabilidade quilométrica, tornando-o ideal para quem
procura performance de longa duração sem comprometer a qualidade”, acrescentou. Desenvolvido
com um novo composto do piso e um contorno otimizado, o BRAVURIS 6 reduz a deformação do
piso e oferece um rolamento mais suave durante a condução. Este avanço resulta em poupanças
significativas de combustível ou energia, sendo particularmente vantajoso para veículos elétricos
ao contribuir para a preservação da vida útil da bateria.
LUCRA 6.380,7 MILHÕES DE EUROS EM 2024
Hankook | A Hankook anunciou que o seu volume de vendas globais em 2024 foi de cerca
de 6.380,7 milhões de euros, tendo visto o seu lucro operacional a aumentar em 32,7% em
relação ao ano anterior. Estes dados representam um aumento no volume de vendas de 5,3%
e no lucro operacional de 32,7% em comparação a 2023. Apesar da crise económica global do
ano passado, a lucratividade recorde da empresa foi alcançada graças ao aumento nas vendas
de produtos de alto valor agregado. Com vendas de KRW 2,5315 trilhões (aproximadamente
1,7 bilhões de euros) e lucro operacional de KRW 473,2 bilhões (aproximadamente 317,7
milhões de euros), a Hankook alcançou o seu melhor resultado anual na história da empresa
no quarto trimestre. Este resultado é baseado na estratégia “First Mover” do presidente do
Hankook & Company Group, Hyunbum Cho, por meio da qual a empresa se adaptou proativamente
à dinâmica do mercado, investindo simultaneamente em I&D e fortalecendo o seu
posicionamento global como uma marca premium. Até 2025, a Hankook pretende atingir um
crescimento nas vendas com uma margem de lucro operacional de 10% e um aumento de
mais de 50% na participação nas vendas de pneus para automóveis com 18 polegadas ou mais.
CONTINENTAL PNEUS
INAUGURA NOVO
ARMAZÉM
A
Continental Pneus transferiu o seu armazém para um novo espaço,
localizado em Castanheira do Ribatejo, Vila Franca de Xira.
“A nova plataforma logística, desenvolvida em parceria com o
operador DSV, reflete o compromisso da Continental com a inovação,
sustentabilidade e a prestação de um serviço de excelência ao cliente”,
avançou a Continental Pneus em comunicado. A localização do novo armazém
foi estrategicamente selecionada. Embora próximo do anterior,
situado na Zona Industrial do Cabo, em Castanheira do Ribatejo, este
novo espaço está integrado num “moderno centro logístico que permite
uma resposta alinhada com as exigências do mercado e com os elevados
padrões de serviço da Continental”, referiu. Este novo projeto, que
permitiu aumentar a capacidade de armazenamento em cerca de 30%,
está equipado com a “mais moderna tecnologia e representa um esforço
significativo de investimento da Continental no mercado português,
permitindo uma armazenagem mais ampla e eficiente do ponto de vista
da sustentabilidade ambiental”, sublinhou.
www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 93
NOTICIAS
ALTARODA
NOVO CENTRO FORMAÇÃO
EM PAÇOS FERREIRA
A
Altaroda anunciou a aquisição de um novo centro de formação, na cidade de
Paços de Ferreira, com 790 metros quadrados. O novo centro de formação
dispõe de modernas instalações, oferecendo uma vasta gama de cursos técnicos
e programas especializados, desenvolvidos para atender às necessidades de
qualificação dos profissionais do setor. Com ótimos acessos e uma forte presença industrial,
promete ser um marco no desenvolvimento profissional das casas de pneus.
“Este é um passo significativo para a nossa empresa. Estamos comprometidos com o
desenvolvimento deste setor, oferecendo formação de excelência que prepara os profissionais
para os desafios do mercado atual”, afirmou Vitor Rocha, CEO da Altaroda.
A empresa convida todos os interessados a conhecerem virtualmente no site da empresa,
as novas instalações e a explorarem as oportunidades de formação oferecidas.
PIRELLI P ZERO CELEBRA 40 ANOS
Pirelli | O Pirelli P Zero, o pneu desportivo por excelência, celebra
este ano, o seu 40.º aniversário. “Nascido de uma ideia revolucionária,
é hoje a marca mais reconhecida da indústria e a escolha preferida dos
fabricantes de automóveis de prestígio”, destacou a Pirelli em comunicado.
“Ao longo das suas quatro gerações, o Pirelli P Zero tornou-se líder
de mercado graças a um número inigualável de homologações à medida
de diferentes fabricantes automóveis, com mais de 3.000 versões
criadas até à data”, referiu. A lista de automóveis equipados com estes
pneus é extensa, incluindo verdadeiros ícones do mundo automóvel,
como o Ferrari F40, 512 Testarossa e LaFerrari; Lamborghini Countach,
Diablo, Murciélago e Aventador; McLaren MP4-12C e P1; Pagani Zonda,
Huayra e Utopia; Aston Martin Vanquish, DB9, V12 Vantage; sem
esquecer várias versões do Porsche 911, Cayenne e Macan. O P Zero
continua a definir o padrão de excelência para pneus de estrada de alto
desempenho, um facto reiterado pelos testes comparativos publicados
pelas mais prestigiadas publicações automóveis. Nos próximos meses, a
Pirelli irá apresentar a tão aguardada quinta evolução do célebre P Zero.
EM DESTAQUE NOS MERCADOS INTERNACIONAIS
Maxtrax | Com uma trajetória de mais de 25 anos, a empresa pertencente ao Grupo Alves Bandeira, tem vindo a
investir especialmente nos mercados do Médio Oriente, África e Ásia, onde tem registado um crescimento significativo.
Atualmente e desde o último ano, a estratégia da empresa está também orientada para a entrada em novos mercados,
nomeadamente, na Europa, Estados Unidos da América e Austrália, com o intuito de reforçar a sua posição global e dar
continuidade a uma trajetória de crescimento sustentável e estruturado a nível internacional. Um dos principais marcos
desta expansão resulta da visão do grupo económico português em fabricar uma marca própria de pneus. Com uma presença
em mais de 60 países, a marca Matrax Tyres tem vindo a crescer em notoriedade e a conquistar cada vez mais mercados
a nível internacional. A gama de pneus e o próprio portfólio de produtos da marca Matrax têm sido continuamente
expandidos, incluindo também hoje na sua oferta pneus de pesados (Matoro) baterias auto (Matrax Energy), lubrificantes
(Matrax Lubricants) e aditivos (Matrax Additives). A aposta na oferta de uma solução global, tem sido determinante
para o fortalecimento da marca e para garantir um maior grau de competitividade e diferenciação face à concorrência.
ATRIBUI BOLSAS DE MÉRITO PELO
QUARTO ANO CONSECUTIVO
S. José Pneus | A cerimónia de entrega das Bolas de Mérito da
S. José Pneus chegou à sua quarta edição e teve lugar no passado dia
10 de janeiro de 2025, na sede da empresa. As três alunas da Escola
Lima-de-Faria distinguidas este ano são Tally Catarino, Adriana Pereira
e Yuliya Mykolenko, que ingressaram no ensino superior no ano letivo
2023/2024. Além disso, a S. José Pneus também entregou a Bolsa de
Estudos, destinada aos filhos dos colaboradores que ingressaram no ensino
superior. Este ano o beneficiário foi Bruno de Almeida, destacando
desta forma o compromisso da empresa em apoiar o desenvolvimento
educacional tanto na comunidade como internamente. A cerimónia
contou com a presença dos alunos premiados e respetivos familiares,
bem como com os representantes da direção do Agrupamento de Escolas
Lima-de-Faria e da Câmara Municipal de Cantanhede. A gerência
da S. José pneus também marcará presença para a entrega dos prémios.
“Na certeza de que o caminho para a evolução do país passa pela maior
qualificação dos seus jovens, a S. José Pneus procura dar oportunidades
para que todos possam chegar mais além, fruto do seu trabalho
e dedicação. Esta bolsa fará certamente a diferença no seu percurso”,
sublinhou a empresa em comunicado.
94 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com