03.03.2025 Visualizações

Jornal das Oficinas 221

Na edição de fevereiro/março 2025 do Jornal das Oficinas Nº 221, o artigo de destaque é sobre a Internacionalização de empresas aftermarket. Neste artigo, damos a conhecer exemplos de empresas de sucesso no aftermarket automóvel nacional que escolheram internacionalizar-se e deixar a marca “Made in Portugal” espalhada pelo mundo

Na edição de fevereiro/março 2025 do Jornal das Oficinas Nº 221, o artigo de destaque é sobre a Internacionalização de empresas aftermarket. Neste artigo, damos a conhecer exemplos de empresas de sucesso no aftermarket automóvel nacional que escolheram internacionalizar-se e deixar a marca “Made in Portugal” espalhada pelo mundo

SHOW MORE
SHOW LESS

Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!

Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.

PUB

jornaldasoficinas.com | JORNAL INDEPENDENTE DA MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE VEÍCULOS LIGEIROS E PESADOS | DIRETOR | João Vieira

221

INTERNACIONALIZAÇÃO

EMPRESAS AFTERMARKET

ECONOMIAS

DE ESCALA

PÁG. 6

Pós-venda em risco

Pág. 16 // A reparação automóvel na Europa enfrenta

diversos obstáculos devido a uma combinação de fatores

económicos, tecnológicos, regulatórios e ambientais. As

associações europeias do aftermarket elaboraram um

documento que apela à mediação de Bruxelas para pôr termo às

práticas que dificultam as reparações pelo setor independente

Motortec 2025

Pág. 20 // O salão Motortec 2025, que se realizará de 23

a 26 de abril de 2025, reforça a dimensão internacional com

a participação de mais de duzentas empresas estrangeiras

confirmadas, de 25 países, o que representa um aumento de

50% face à edição de 2022

PUB

Mais de 50 000 peças em stock.

Entregas rápidas no dia seguinte.

Atendimento personalizado e especializado.

Condições especiais para oficinas e revendedores.

Fevereiro/

março 2025

PERIODICIDADE | MENSAL

ANO XIX | 3 EUROS

pecaslandrover.com | info@pecaslandrover.com | 261 099 405 | 917 880 506

Mário Batista

Pág. 42 // A Caetano Parts é a central de peças que

efetua a gestão de todas as peças originais das marcas

comercializadas pela Caetano Retail, assim como as

referências de aftermarket, pneus e lubrificantes.

Viajámos até Grijó, onde fomos recebidos pelo diretor-geral,

Mário Batista, que nos contou tudo sobre esta empresa

Equipamentos essenciais

Pág. 86 //Numa oficina é fundamental contar com os

equipamentos necessárias para efetuar qualquer reparação

e oferecer o melhor serviço possível ao cliente. Uma oficina

com o equipamento e as ferramentas adequadas, vai sempre ter

mais possibilidades de enfrentar qualquer tipo de reparação

PUB

PUB PUB



Editorial

221 fevereiro/março 2025

Folha de serviço ........................................................ 4

DESTAQUE

Internacionalização empresas aftermarket .. 6

ATUalidadE

Reparação Independente em risco ................. 16

Inteligência Artificial Generativa ...................... 58

SALÃO

Motortec 2025 ....................................................... 20

NOTÍCIAS

Empresas e produto .............................................. 22

Pneus ......................................................................... 92

ENTREVISTAS

Carlos Garcia (Niterra) ......................................... 26

Gael Escribe (Nexus) ............................................ 30

Cláudia Soares (Rolnorte) ................................... 34

Mário Batista (Caetano Parts) ........................... 42

Miguel Moreira (OMA) ........................................... 46

Tiago Resende (Diagtec+) .................................. 50

Ricardo Cruz (Fidelidade Car Service) ............ 54

MERCADO

Projeto Efficientia ................................................. 60

OFICINA DO MÊS

FLS Motor ................................................................. 62

SEGURANÇA

Incêndios em automóveis ................................... 76

GESTÃO

Competitividade nas oficinas ........................... 80

SERVIÇO

EPI para serviços em VE .................................... 82

TÉCNICA & SERVIÇO

Equipamentos essenciais .................................. 86

RAZOÁVEL

OU EXCESSIVO?

Um relatório recente da consultora Roland Berger sobre o “Panorama do Aftermarket Europeu”

revela que 57% dos distribuidores de peças efetuam mais de três entregas por dia. Nos

meios urbanos, três em cada dez distribuidores efetuam mais de cinco entregas por dia, enquanto

nas zonas rurais, a frequência mais comum é de 1-2 por dia. Embora existam diferenças

significativas entre as zonas urbanas e rurais, é evidente que os distribuidores oferecem um

serviço exemplar em termos do número de entregas. Mais especificamente, 57% dos participantes no

inquérito afirmaram que, em média, fazem mais de três entregas a oficinas por dia. Mas é ainda mais

surpreendente o facto de 20% deles fazerem mais de 5 entregas por dia a oficinas de reparação. Segmentado

por zonas, o número de entregas está a aumentar ainda mais nas zonas urbanas. Trinta por

cento dos distribuidores fazem mais de 5 entregas por dia, contra 14% que fazem entre 4 e 5; 23% fazem

3 ou 4 entregas; 16% fazem 1-2 entregas e 9% fazem menos de uma entrega por dia. Esta situação

contrasta com as entregas efetuadas nas zonas rurais, onde o número de veículos é consideravelmente

reduzido e onde a concorrência não é tão forte que exija entregas tão urgentes. Mesmo assim, neste tipo

de ambiente, 1-2 entregas por dia é a frequência mais repetida (34%), seguida de 20% dos distribuidores

que efetuam menos de 1 entrega por dia e 19% que efetuam 3-4 entregas por dia. O número de

distribuidores que efetuam 4-5 entregas por dia (apenas 5%) e mais de cinco entregas por dia (apenas

12%) diminui significativamente.

Extrapolando estas percentagens para o mercado português, podemos concluir que o número de entregas

de peças nas oficinas portuguesas deve andar em linha com o praticado nos restantes países

europeus, embora este número dependa da quantidade de carros assistidos. Uma oficina que atende

20 carros por dia, por exemplo, pode precisar de 5 a 10 entregas diárias para manter o stock adequado.

Para oficinas médias em áreas urbanas, uma média de 3 a 5 entregas por dia pode ser ideal, enquanto

as oficinas de grande porte podem precisar de até 10 entregas diárias. Em casos de oficinas pequenas

ou especializadas, 1 a 2 entregas por dia podem ser suficientes.

Mais do que considerar estes números razoáveis ou excessivos, importa apelar ao bom senso de todos

os elementos pertencentes a este mercado para que não se coloquem num ponto de não retorno, com

pouca sensibilidade e capacidade de estabelecer pontes entre todos. Será razoável se houver capacidade

de incorporar no preço de venda os elevados custos associados à dimensão dessa logística. Se assim não

for, será excessivo. O Aftermarket deveria ser um negócio de peças e serviços onde a questão logística

deveria ser apenas um pormenor na relação entre as empresas. Mas o número de entregas diárias atingiu

um ponto demasiado elevado o que, consequentemente acaba por afetar todas as empresas que,

para além das oficinas e retalhistas, fazem parte da cadeia. É preciso fazer melhor, ou seja, diminuir o

número de entregas às oficinas, mas com a competitividade que existe atualmente no mercado é muito

difícil os distribuidores baixarem o ritmo das entregas. Afinal, foram eles que criaram esta habituação

no mercado e agora têm de viver com a realidade e tentar ser o mais eficientes possível, para continuar

a sustentar esta logística.

O número de entregas diárias que os retalhistas fazem às oficinas, é uma das formas de se diferenciarem,

contudo, deve ser avaliado com cuidado, para assegurar que é eficiente e sustentável. Deverá ser

procurado um equilíbrio, entre as oficinas que pretendem um acesso rápido às peças e produtos de que

necessitam, e os retalhistas que procuram prestar um serviço eficaz e de qualidade, mas sem comprometer

a eficiência da operação ou aumentar os custos logísticos sem o devido retorno.

JOÃO VIEIRA | Diretor

DIRETOR JOÃO VIEIRA joao.vieira@apcomunicacao.com // DIRETOR COMERCIAL MÁRIO CARMO mario.carmo@apcomunicacao.com // GESTOR DE CLIENTES PAULO FRANCO paulo.franco@apcomunicacao.com

JORNALISTAS JOANA MENDES joana.mendes@apcomunicacao.com // INÊS DIAS ines.dias@apcomunicacao.com // WEBMASTER ANTÓNIO VALENTE // ARTE HÉLIO FALCÃO // SERVIÇOS CONTABILIDADE

financeiro@apcomunicacao.com // PERIODICIDADE Bimestral // SEDE DO EDITOR Bela Vista Office Estrada de Paço de Arcos, 66 2735 - 336 Cacém // TEL. 219 288 052 // © Copyright Nos termos legais em vigor,

é totalmente interdita a utilização ou a reprodução desta publicação, no seu todo ou em parte, sem a autorização prévia e por escrito do JORNAL DAS OFICINAS // IMPRESSÃO LISGRÁFICA - IMPRESSÃO E ARTES

GRÁFICAS, S.A. Estrada Consiglieri Pedroso, 90 2730 - 053 Barcarena Tel. 214 345 400 // N.º DE REGISTO NA ERC 124.782 // DEPÓSITO LEGAL n.º: 201.608/03 TIRAGEM 10.000 exemplares

www.apcomunicacao.com

EDIÇÃO JOÃO VIEIRA // EMAIL GERAL@APCOMUNICACAO.COM

CONSULTE O ESTATUTO EDITORIAL NO SITE WWW.JORNALDASOFICINAS.COM

www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 3

Parceiro em Espanha


FOLHA

DE SERVIÇO

IPSIS

VERBIS

GAEL ESCRIBE

FUNDADOR E CEO DA NEXUS

AUTOMOTIVE INTERNATIONAL

INVESTIMOS, TEMOS A NOSSA

MARCA PRÓPRIA, ESTAMOS

ATIVOS NA CONSOLIDAÇÃO,

O QUE NOS PERMITIU CONSTRUIR

UM VERDADEIRO GRUPO, TENDO

O NOSSO CORE BUSINESS NAS

COMPRAS E, DIVERSIFICANDO,

CRIÁMOS UM GRUPO QUE TERÁ,

ESPERO, UM PAPEL DE LIDERANÇA

NA TRANSFORMAÇÃO DO

AFTERMARKET AUTOMOTIVO

MÁRIO BATISTA

DIRETOR-GERAL DA CAETANO PARTS

IMPLEMENTÁMOS SISTEMAS

INFORMÁTICOS ESPECÍFICOS

DE GESTÃO DE ARMAZÉM, PARA

GERIR TODA A COMPLEXIDADE QUE

É TERMOS 80 MIL REFERÊNCIAS

EM STOCK, VISTO QUE JÁ NÃO

É POSSÍVEL FAZER ISTO COM

UM SISTEMA QUE NÃO TENHA

ALGUMA INTELIGÊNCIA

NOVO SITE CORPORATIVO

A

AP

Comunicação, editora do Jornal das Oficinas, lançou no início do ano um novo site corporativo

(www.apcomunicacao.com) com o principal objetivo de integrar todos os produtos numa só

página web, e promover maior conhecimento sobre a empresa. Com um visual mais apelativo

e de fácil navegação, o utilizador tem acesso às tabelas de publicidade e dados úteis sobre a tiragem e

alcance das publicações e redes sociais. O lançamento do novo site da AP Comunicação surge também

como consequência da crescente procura de informação das marcas e empresas sobre os nossos produtos,

designadamente as Competições para mecânicos e oficinas, Gala TOP 100, edições Jornal das Oficinas

e Anuário Revista dos Pneus. Este novo site é a prova de que a AP Comunicação está em constante

evolução, garantindo maior conexão e envolvimento com os clientes. A proximidade com os clientes é

crucial, e a criação do novo site promove maior conhecimento sobre a empresa, aumentando ainda a

satisfação dos clientes com toda a informação disponível reunida num único acesso. Adicionalmente,

o novo site garante a divulgação de contactos a potenciais clientes que possam ter interesse nas nossas

marcas, facilitando desde o início a comunicação.

SEMÁFORO

TIAGO RESENTE

DIRETOR DE MARKETING

DA DIAGTEC PLUS

EM TERMOS DE MARKETING,

A DIAGTEC PLUS QUER FAZER

UMA REVOLUÇÃO E PASSAR PARA

O MERCADO UMA IMAGEM AINDA

MAIS PROFISSIONAL. INVESTIMOS

EM ALGUNS MECANISMOS NOVOS

QUE NOS VÃO PERMITIR FAZER

ESSA ABORDAGEM, TENTAR

APROXIMAR-NOS MAIS DO CLIENTE

A NÍVEL DE REDES SOCIAIS

E DE EVENTOS NO TERRENO.

NÃO QUEREMOS O CRESCIMENTO

EM MASSA, MAS SIM SUSTENTADO

Componentes com futuro pouco

animador

Tal como era esperado, as exportações de

componentes automóveis em Portugal

baixaram em 2024. De acordo com a AFIA,

a queda homóloga foi de 4,5% tendo as

vendas além-fronteiras atingido os 11.785

milhões de euros, mas a associação que

representa o setor sublinha que, ainda

assim, os componentes representam

14,9% das exportações nacionais de

bens transacionáveis, o que não deixa

de representar um valor importante no

contexto das exportações nacionais.

Contudo, os dados para o futuro próximo

não são animadores, devido à redução das

vendas de veículos na Europa, principal

destino das exportações do setor (88,5%).

Guerra comercial

Os Estados Unidos prosseguem com o que

já é chamado de guerra comercial, desta

vez com o anúncio de que as importações

de aço e alumínio vão passar a ser

taxadas a 25%. As decisões protecionistas

tomadas pela administração Trump

estão a ser recebidas com apreensão pelo

tecido empresarial de todo o mundo,

União Europeia incluída (o que já levou a

Comissão Europeia a prometerretaliações),

Portugal em particular. Estas medidas (aço

e alumínio) não nos afetam diretamente

porque não exportamos matéria-prima,

mas indiretamente vão acabar por ter

efeitos, nomeadamente em termos de

preços finais.

Confiança no investimento

Apesar dos desafios e incertezas

provenientes da atual conjuntura

macroeconómica e geopolítica, os efeitos da

esperada estabilização da inflação(variação

anual de 2,4% em 2024, deverá estabilizar

nos 2,0% em 2025 e2026),o impacto

positivo do PRR e o posicionamento

preferencial de Portugal no mundo, são

fatores que vão ajudar o País e as empresas

a investir com mais confiança e segurança

em 2025. É neste contexto que o Banco

de Portugal estima uma recuperação do

crescimento da economia para 2,1%,

em 2025 e 2,2% em 2026 (depois do

abrandamento verificado de 1,6% em

2024).

4 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com



Destaque

INTERNACIONALIZAÇÃO EMPRESAS AFTERMARKET

UM RISCO OU

UM BEM NECESSÁRIO?

A INTERNACIONALIZAÇÃO DAS EMPRESAS OFERECE UMA SÉRIE DE BENEFÍCIOS

ESTRATÉGICOS, OPERACIONAIS E FINANCEIROS. MAS TAMBÉM ACARRETA RISCOS.

NESTE ARTIGO, DAMOS A CONHECER EXEMPLOS DE EMPRESAS DE SUCESSO

NO AFTERMARKET AUTOMÓVEL NACIONAL QUE ESCOLHERAM INTERNACIONALIZAR-SE

E DEIXAR A MARCA “MADE IN PORTUGAL” ESPALHADA PELO MUNDO


PRIMEIROS PASSOS

A

globalização da economia e a

crescente concorrência forçam

as empresas a procurar

novas alternativas para garantir

a sustentabilidade dos

seus negócios. Num ambiente

tão dinâmico, a capacidade de adaptação

torna-se fundamental para manter a competitividade.

Uma das estratégias mais eficazes

para alcançar a rentabilidade a longo prazo e,

sobretudo, assegurar a sobrevivência, tanto de

pequenas e médias empresas (PMEs), quanto

de grandes corporações, é através da internacionalização.

A internacionalização permite

que uma empresa ultrapasse as fronteiras do

seu mercado doméstico, atuando em novos

contextos e oferecendo os seus produtos e serviços

à escala global. Esta expansão estratégica

visa não apenas aumentar a base de clientes,

mas também diversificar riscos e explorar novas

fontes de receita, seja por meio do acesso a

novos recursos ou da redução de custos.

Entrada em Mercados Estrangeiros

O processo de internacionalização exige uma

análise cuidadosa das características internas

da organização e das condições externas dos

mercados-alvo. Os fatores internos incluem

a motivação da empresa para se expandir e a

sua capacidade operacional, enquanto os fatores

externos envolvem questões como proximidade

geográfica, semelhanças linguísticas e

integrações económicas. Existem várias estratégias

que uma empresa pode adotar para

entrar em mercados estrangeiros, cada uma

com vantagens e desafios específicos. Abaixo,

exploramos alguns dos principais modelos de

internacionalização.

Exportação: A exportação envolve a venda de

bens ou serviços de agentes residentes para entidades

não residentes, podendo ser feita diretamente

ou através de intermediários. Embora

permita o acesso a novos mercados e tecnologias

mais avançadas, que ajudam na melhoria

da sua estratégia e produtividade, também enfrenta

desafios como custos logísticos, barreiras

alfandegárias e flutuações de câmbio.

Franchising: O franchising é um modelo de

licenciamento onde, além da propriedade intelectual,

também se partilham o know-how

operacional e as marcas do negócio. Este permite

uma expansão mais rápida com menores

investimentos, aproveitando o conhecimento

e a experiência local dos franchisados. No entanto,

manter a consistência da marca e garantir

que sejam seguidas as mesmas práticas

e padrões de qualidade pode ser um desafio.

Licenciamento: O licenciamento é um acordo

em que uma empresa cede a outra o direito

de produção, utilização e comercialização dos

seus produtos ou ativos intangíveis numa área

geográfica específica. Este modelo funciona

melhor com marcas de forte notoriedade, que

atraem consumidores para os produtos ou

servidos promovidos pela marca licenciada.

As vantagens incluem uma expansão rápida,

retorno mais célere de investimentos e a possibilidade

de evitar tarifas aduaneiras. No entanto,

é essencial garantir que a qualidade da

marca e dos produtos seja mantida, mesmo

com a operação local do licenciado.

Joint Ventures: As joint ventures são parcerias

entre empresas que formam uma nova

entidade legal ao combinar recursos, riscos e

lucros para entrar num mercado estrangeiro.

Este modelo permite partilhar know-how,

aproveitar uma base de clientes existente e

aumentar a capacidade de investimento. No

entanto, a falta de autonomia e problemas associados

ao exercício de controlo de operações

podem ser um desafio na garantia do sucesso

da parceria.

Fusões: As fusões envolvem a união de duas

ENTRE OS VÁRIOS MOTIVOS PARA UMA

EMPRESA SE INTERNACIONALIZAR,

PODEMOS DESTACAR A EXPANSÃO DA BASE

DE CONSUMIDORES, O APROVEITAMENTO

DE VANTAGENS COMPETITIVAS, A

APRENDIZAGEM E INOVAÇÃO

Segundo o artigo “Expanding Your Business

Internationally? 15 Essential Things You’ll Need To Do”,

publicado pela Forbes Business Council, as empresas

devem seguir alguns passos essenciais no processo de

internacionalização. Das 15 sugestões recomendadas,

destacamos as 11 seguintes:

Encontrar o parceiro certo: O elemento mais

importante para o sucesso internacional é encontrar

o parceiro certo que entenda a dinâmica do mercado

local e estabelecer uma estrutura que recompense,

mutuamente, o sucesso a longo prazo.

Análise de mercado (TAM e SAM): Realizar uma

pesquisa de mercado profunda, analisando o Total

Addressable Market (TAM), traduzido como “Mercado

Total Disponível”, e o Serviceable Addressable Market

(SAM) ou “Mercado Alvo Disponível”, para identificar as

oportunidades de mercado.

Personalizar a oferta: Adaptar a oferta às

especificidades do mercado local, incluindo aspetos

culturais e hábitos de compra, muitas vezes com o

apoio de um parceiro local.

Considerar as diferenças culturais: É fundamental

compreender como o produto ou serviço será visto

num determinado país. Ajustar a abordagem às

especificidades do mercado ajuda a posicionar a marca

como um “insider”, em vez de parecer um intruso.

Contratar uma equipa internacional: Para construir

uma marca internacionalmente reconhecida, é

importante recorrer a “recursos locais” para entender

e entrar no mercado estrangeiro. A construção de uma

equipa internacional pode ser alcançada hoje em dia

através de parcerias, alianças e contratações diretas.

Conhecer o idioma e o poder de compra do país:

Investigar o conhecimento linguístico e o poder

de compra do mercado-alvo antes de se expandir

internacionalmente.

Estar disponível em diferentes fusos horários:

Garantir que a empresa tem disponibilidade horária

em quase todos os fusos horários para atender às

necessidades dos clientes de forma eficiente.

Entender o valor do produto nos mercados

internacionais: Determinar de que forma o produto ou

serviço será visto em diferentes regiões e como poderá

atender às necessidades exclusivas de cada mercado.

Criar um “Manual da Marca”:

Desenvolver um manual com diretrizes claras sobre

a apresentação da marca, abrangendo tudo, desde

a missão da empresa até aos logótipos. Este manual,

além de ser uma ferramenta para uso interno, garante

que os parceiros internacionais sigam corretamente

os padrões da marca.

Pesquisa e teste de estratégias de marketing:

Investir tempo em pesquisa e teste de estratégias

de marketing que funcionam no novo mercado,

adaptando conforme necessário.

Adaptar o negócio a novos desafios: Considerar os

impactos da internacionalização nas transações atuais,

incluindo barreiras linguísticas, culturais e legais, e

como ajustá-las.

www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 7


DESTAQUE

EXPANDIR O NEGÓCIO

PODE SER CARO

EM TERMOS DE

TEMPO, DINHEIRO

E RECURSOS. PODE

REQUER VISITAS

reguLARES AO

NOVO MERCADO

PARA DESENVOLVER

RELACIONAMENTOS E

COMPROMETIMENTO

PARA ENTREGAR OS

SEUS PRODUTOS

SAIBA MAIS...

Para saber mais sobre o tema da Internacionalização

de empresas Aftermarket pode ouvir o Podcast “Dar

Voz ao Aftermarket” no site do Jornal das Oficinas.

Durante os meses de janeiro e fevereiro falámos

com diversos responsáveis de empresas aftermarket

nacionais, que nos contaram as suas experiências,

conquistas e desafios nos exigentes mercados

internacionais onde estão presentes.

empresas numa única entidade, eliminando a

independência das organizações originais. Esta

estratégia permite combinar mercados, recursos

e operações de forma permanente, criando

uma presença forte e integrada no mercado

estrangeiro. No entanto, enfrentam desafios

complexos, como a integração de culturas organizacionais,

sistemas operacionais e estruturas

de gestão independentes, que podem afetar o

sucesso da nova empresa.

Aquisições: A aquisição envolve a compra de

uma empresa já estabelecida no mercado-alvo.

Esta abordagem oferece acesso imediato a uma

base de clientes, rede de distribuição e presença

local. No entanto, pode ser um processo complexo

e dispendioso, exigindo uma diligência prévia

para evitar riscos legais e financeiros.

Portugueses Preferem Exportação

A exportação é uma das formas mais comuns de

internacionalização para as empresas portuguesas.

Segundo o Banco de Portugal, esta abordagem

demonstra um desempenho superior ao investimento

direto português no exterior (IPE),

que ocupa a segunda posição entre os principais

tipos de entrada em mercados internacionais.

Dados do Instituto Nacional de Estatística revelaram

que, em 2022, as exportações portuguesas

de bens atingiram os 78.207 milhões de euros, o

valor mais elevado de sempre das estatísticas do

comércio internacional, traduzindo um acréscimo

de 22,9% comparativamente ao ano anterior.

Em 2021, as exportações tinham subido

18,3%. Face a 2019, o acréscimo foi 30,6%.

A previsão para os próximos anos, de 2025 a

2027, segundo o Boletim Económico de Dezembro

de 2024 do Banco de Portugal, é de 3,3%,

em média. Refletindo sobre o ano passado:

“No primeiro semestre de 2024, os exportadores

portugueses de bens continuaram a ganhar

quota em termos nominais nos mercados da

UE, com contributos positivos da maioria dos

grupos de produtos”, mencionou o boletim sobre

as projeções da economia portuguesa. Entre os

países europeus, Espanha lidera como principal

destino, seguida pela Alemanha e a França.

Importância das Parcerias

Conforme apontado no estudo “O papel das

parcerias na internacionalização das empresas

portuguesas”, a internacionalização não é um

processo que as empresas devem enfrentar isoladamente,

numa postura de “orgulhosamente

sós”. Num cenário de concorrência global cada

vez mais competitivo, as alianças estratégicas

tornam-se essenciais para o sucesso das empresas

portuguesas ao expandirem-se para

mercados externos. Neste contexto, a formação

de parcerias estratégicas surge como uma ferramenta

indispensável para lidar com os desafios

da internacionalização. Um dos principais

fatores apontados pelo estudo é a procura por

competências complementares, que permitem

às empresas ultrapassarem barreiras culturais,

regulatórias e operacionais nos mercados de

destino. Adicionalmente, as parcerias são mais

frequentes em mercados emergentes, onde a

incerteza e a complexidade incentivam as empresas

a colaborarem com entidades locais. Este

tipo de aliança facilita o acesso a redes de distribuição,

conhecimento específico do mercado

e recursos partilhados, reduzindo os custos e os

riscos associados à expansão internacional. l

8 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


BLUETECH

O DIAGNÓSTICO DE ÚLTIMA GERAÇÃO

Acreditamos que todas as oficinas devem ter acesso à melhor

tecnologia e funcionalidade necessárias para realizar reparações

de maior qualidade. Na qualidade de pioneiros em soluções

líderes do mercado, desenvolvemos uma nova solução de

diagnóstico, revolucionária e intuitiva, a BlueTech.

O seu avançado hardware e o seu completíssimo software fazem

com que seja uma solução de diagnóstico preparada para o

futuro, proporcionando às oficinas a oportunidade de maximizar

as receitas e o potencial de crescimento.

Bem-vindo/a à experiência BlueTech


DESTAQUE

PORTUGAL ALÉM-FRONTEIRAS

– CASOS DE SUCESSO NO

AFTERMARKET NACIONAL

A INTERNACIONALIZAÇÃO

TEM POTENCIAIS

ILIMITADOS

PAULO PINTO, administrador da MF PINTO

internacionalização da MF PINTO teve início em 2012, impulsionada pela necessidade

A de expandir além das fronteiras de um mercado nacional limitado. “O facto de o

mercado nacional ser bastante limitado, vira-nos para a internacionalização. Tem potenciais

ilimitados”, afirmou Paulo Pinto, administrador da empresa. Hoje, a MF PINTO exporta para

cerca de 40 países, com uma forte presença em Espanha e França, sendo o mercado europeu o

mais importante. A experiência de entrar em novos mercados trouxe uma nova visão e

permitiu um conhecimento mais aprofundado das dinâmicas globais. No entanto, os desafios

foram inevitáveis. “Nós trabalhamos com material original e aí o fator determinante é, sem

dúvida, o preço. Se não for o preço, nós dificilmente conseguíramos operar nesses mercados”,

explicou. Para se manterem competitivos, a estratégia passou por ajustar margens e gerir

eficientemente o stock, garantindo um serviço diferenciado. “A nossa diferenciação está no

serviço que prestamos, no facto de entregarmos a peça em 24 horas e no preço. Penso que

stock e preço são um binómio indissociável da internacionalização”, reforçou. A estabilidade

financeira também foi um ponto-chave. Se, por um lado, os volumes de compra aumentaram,

por outro, os pagamentos internacionais foram uma vantagem face à demora dos

pagamentos no mercado nacional. “Muitas das vendas de exportação são a pronto

pagamento ou a 15/30 dias, o que ajuda a equilibrar a estabilidade financeira”, comentou. Em

2024, a exportação representou quase 50% do volume de faturamento da empresa, com

presença na Europa, América do Sul, África e até na Austrália, um mercado inicialmente

inesperado. “Quando começamos nunca pensei que pudéssemos vir a ser competitivos e a

trabalhar com esse mercado”, confidenciou.

OS MERCADOS SÃO

DIFERENTES E PODEMOS

APRENDER COM CADA UM

MANUEL FÉLIX, administrador da RPL Clima

ara a RPL Clima, a internacionalização foi uma escolha natural para crescer e adquirir

P conhecimento. “Somos um mercado muito pequeno e, por isso, faz todo o sentido

irmos para fora”, começou por explicar Manuel Félix, administrador da RPL Clima. O foco

principal está em Espanha, um mercado próximo e acessível, mas com desafios próprios. “A

cultura profissional e empresarial é muito diferente da nossa e isso levanta, por vezes, algumas

dificuldades”, revelou. A RPL Clima trabalha com marca própria, o que implica grandes

investimentos em stock. A internacionalização não foi apenas uma oportunidade, mas uma

necessidade. “Se olharmos só para o mercado português, acaba por ser um problema, porque a

dimensão é pouca para podermos comprar”, explicou. Com o tempo, a empresa soube

adaptar-se, fazendo apenas pequenos ajustes. “Um fator diferenciador sempre foi a

possibilidade de nós termos um preço diferente, que, de alguma forma, compensa às pessoas

comprarem a nós. Por isso, o ajuste foi mais ao nível dos produtos que temos em stock do que

propriamente as margens em si”, referiu. A sazonalidade é um dos maiores desafios, pois o

negócio depende diretamente da temperatura. “Assim que o calor aparece, aparece o negócio.

Quando desaparece, o negócio vai a baixo”, contou. Para contornar este problema, a RPL Clima

diversificou a oferta e entrou em novas áreas dentro do setor do frio, garantindo uma maior

estabilidade ao longo do ano. “O objetivo é ter uma empresa estável, com uma faturação e

margens consistentes ao longo do ano”, sublinhou. No que toca à logística, Manuel Félix

recordou a importância de conhecer em detalhe as exigências de cada mercado para evitar

complicações no processo de exportação. “É preciso ter um conhecimento muito forte da

legislação de cada país para poder cumprir com todos os requisitos”, afirmou. Apesar dos

desafios, a internacionalização trouxe à RPL Clima crescimento e segurança. O conhecimento

adquirido em Espanha e noutros mercados foi essencial para reforçar a posição da empresa.

“Os mercados são diferentes e nós podemos aprender com cada um deles”, concluiu.

10 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


Uma marca da Continental.

LIMPE

COMO UM

PRO

NOVO

EXPORTAR

PERMITIU-NOS AUMENTAR

A COMPETITIVIDADE

RUI CHORADO, administrador da Dispnal

ara a Dispnal Pneus S.A, a decisão de internacionalizar-se foi um passo estratégico

P lógico. Aproveitando a proximidade geográfica e as semelhanças culturais, a empresa

concentrou a sua operação de exportação no mercado espanhol. “A decisão de exportar os

nossos produtos foi motivada pelo desejo de crescimento sustentável da empresa”, deu conta

Rui Chorado, administrador da Dispnal. Esta expansão permitiu diversificar fontes de receita,

fortalecer a marca e aumentar a competitividade. A entrada no mercado espanhol também

trouxe desafios, especialmente no que toca às diferenças na abordagem comercial. “As

negociações em Espanha exigem uma relação de maior proximidade, focada na construção de

confiança e parcerias duradouras”, apontou. Isso levou a Dispnal a adaptar a sua estratégia

comercial para se alinhar melhor com as expectativas dos clientes espanhóis. A forte

concorrência local exigiu da empresa uma diferenciação clara, assente na qualidade do serviço

e numa logística eficiente. “Temos investido numa gama diversificada de produtos e numa

logística forte, garantindo uma distribuição eficiente e adaptada às necessidades do

mercado”, afirmou. Para manter um serviço de excelência, a empresa adotou um modelo de

gestão dinâmico, mantendo stock avançado em pontos estratégicos de Espanha para

assegurar entregas rápidas e eficazes. “A diferença de fuso horário pode impactar a

comunicação e a coordenação das operações, o que exige uma gestão eficiente do tempo”,

destacou. Apesar da presença consolidada em Espanha, a Dispnal ainda não beneficia de

incentivos fiscais específicos para exportação, tornando a adaptação ao mercado internacional

um desafio adicional. Ainda assim, o impacto da exportação tem sido positivo, com um

crescimento sustentável e um reforço da sua posição no mercado. “Exportar para Espanha

permitiu-nos aumentar a competitividade no mercado interno. Esta expansão gerou maior

volume de negócios, o que resultou em economias de escala, permitindo negociar melhores

condições com fornecedores”, rematou.

AS PARCERIAS NÃO SÃO

APENAS UM MEIO DE SUPERAR

DESAFIOS, MAS TAMBÉM

UMA FORMA DE CRIAR

SINERGIAS QUE AUMENTAM

A COMPETITIVIDADE E A

CAPACIDADE DE INOVAÇÃO

PUB

ATE Brake Cleaner PRO

O limpa travões de

profissionais para profissionais

PRÓ proteção – anti sujeira.

O novo ATE Brake Cleaner PRO facilita a remoção de

contaminação extrema causada por óleos, graxas,

resinas e silicones, em discos de travão, peças de

embraiagem e transmissão, bem como em ferramentas.

Encomende agora e trabalhe como um PRO!

www.ate-brakes.com/

products/

fluids-lubricants/

brake-cleaner


DESTAQUE

OS MERCADOS

INTERNACIONAIS EXIGEM

MAIOR RIGOR

LUÍS OLIVEIRA, diretor comercial da Hispanor

Hispanor é um exemplo de sucesso na expansão internacional, operando atualmente

A em diversos mercados europeus e até fora do continente, incluindo Nova Zelândia,

Nova Caledónia e Israel. “A necessidade de diversificar mercados, aumentar o volume de

negócios e aproveitar a procura por produtos especializados levou-nos à exportação”,

partilhou Luís Oliveira, diretor comercial da Hispanor. O crescimento além-fronteiras permitiu

à empresa ganhar notoriedade, aumentar a sua base de clientes e fortalecer a sua resiliência

face às flutuações do mercado interno. Identificar os mercados mais promissores não foi uma

tarefa fácil, especialmente devido à necessidade de encontrar parceiros locais de confiança e à

adaptação às regulamentações específicas de cada país. “Os mercados internacionais exigem

maior rigor em termos de qualidade, prazos de entrega e eficiência logística, o que nos levou

a melhorar processos internos e a estabelecer contratos com transportadoras fiáveis”, explicou.

Em alguns mercados altamente competitivos, foi necessário ajustar as margens de lucro para

garantir uma posição sustentável. “Em alguns casos tivemos de reduzir margens de lucro para

competir, principalmente onde a concorrência local é muito forte”, referiu. A aposta na

exportação trouxe um impacto positivo para a empresa, não apenas pelo crescimento das

vendas, mas também pela melhoria contínua dos seus produtos e processos. “Exportar

obrigou-nos a melhorar os nossos processos e produtos, o que nos deu uma vantagem

competitiva também no mercado interno”, destacou. Além disso, o contato com clientes

estrangeiros permitiu à Hispanor identificar tendências globais emergentes, incluindo a

crescente procura por soluções mais sustentáveis. No entanto, a expansão internacional não

vem sem desafios logísticos. “Os maiores desafios são os custos de transporte, a gestão de

prazos de entrega e a adaptação aos requisitos alfandegários de cada país”, afirmou. Para lidar

com essas dificuldades, a empresa tem apostado em parcerias estratégicas e num

planeamento logístico rigoroso.

A CAPACIDADE

DE ADAPTAÇÃO É

UM FATOR ESSENCIAL

FILIPE BANDEIRA, diretor-geral da AB Tyres

AB Tyres opera atualmente em todos os continentes, com maior foco no Médio

A Oriente, África e Ásia. A internacionalização tem sido essencial para o crescimento da

empresa, que agora pretende reforçar a sua presença na Europa e na América do Norte,

impulsionada pelo desenvolvimento da sua marca própria, Matrax. “Começámos a exportar

em 2012 com o objetivo de ganhar escala e diversificar as nossas fontes de receita. A

internacionalização permitiu-nos vender produtos que não comercializávamos no mercado

doméstico, ampliando a oferta e reduzindo a dependência de um único mercado”, afirmou

Filipe Bandeira, diretor-geral da AB Tyres. Atuar globalmente trouxe vantagens estratégicas

significativas, como um maior poder negocial e uma melhor adaptação às dinâmicas de cada

mercado. “O que funciona num país pode não funcionar noutro. A capacidade de adaptação é

um fator essencial”, destacou. A concorrência nos mercados externos exige um conhecimento

aprofundado das especificidades locais e uma atuação ajustada. “O que fazemos em Portugal

é o que tentamos replicar lá fora, mas sempre adaptados à estrutura de cada mercado – seja

com fabricantes, distribuidores ou clientes finais. No fundo, é como a tal expressão: tentar

surfar a onda”, explicou. “Eu costumo dizer: quando vamos para a China, somos chineses;

quando vamos para Angola, somos angolanos. Temos de nos adaptar a cada realidade”,

acrescentou. A expansão internacional também fortaleceu a estabilidade financeira da

empresa, equilibrando as oscilações do mercado português. “Os momentos menos bons que

temos no mercado doméstico são compensados ​pelo mercado externo e vice-versa”,

sublinhou. A exportação impulsionou ainda o desenvolvimento de novos produtos e

melhorias nos processos internos. “Quando começámos o negócio internacional, o foco era

apenas nos pneus premium. Hoje, a nossa prioridade é a nossa marca própria e outros

produtos, como baterias e lubrificantes”, salientou. Os desafios logísticos continuam a ser um

dos maiores obstáculos à exportação, exigindo uma gestão rigorosa. “A volatilidade dos preços

dos transportes e os atrasos nos tempos de trânsito afetam diretamente o cash flow, e isso

está fora do nosso controlo”, finalizou.

OS MERCADOS

TORNARAM-SE MAIS

PROFISSIONAIS E

EXIGENTES

PAULO MARQUES, diretor-executivo da Bombóleo

Bombóleo consolidou a sua presença global ao longo das últimas décadas,

A exportando para todos os continentes e estabelecendo operações locais em

Angola e no Brasil. A aposta na internacionalização esteve sempre presente na

estratégia da empresa, impulsionada pela necessidade de crescimento e explorar novos

mercados. “Costumo dizer que, quando regressamos do Brasil para Portugal, sentimos

uma limitação geográfica. Estamos num retângulo pequeno e, tal como acontece com

outras empresas de excelência neste setor, deparamo-nos com o problema das margens

e da falta de espaço para crescer”, afirma Paulo Marques, diretor-executivo da

Bombóleo. A atuação em mercados internacionais trouxe vantagens estratégicas,

permitindo à empresa diversificar receitas e reduzir a dependência do mercado

português. No entanto, cada país apresenta desafios específicos. “Os mercados

12 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


WHEREVER WE GO, WE GO TOGETHER

SE CHEGARMOS COM

UM PRODUTO DISTINTIVO,

O PREÇO PASSA PARA

SEGUNDO PLANO

FILIPE PINHEIRO e HUGO PERPÉTUA, gerentes da

Diamantino Perpétua & Filhos

Diamantino Perpétua & Filhos, Lda. consolidou-se como um player global no

A aftermarket automóvel, com quase 70% do seu volume de negócios proveniente da

exportação. Atualmente, a empresa opera em mais de 50 países e expandiu fisicamente para

França, com a Diaparts em Toulouse, e para o Paraguai, onde conta com três estabelecimentos. A

decisão de internacionalizar foi impulsionada pela necessidade de adaptação a um mercado

competitivo e em constante mudança. “Se a isso associarmos o reconhecimento internacional da

qualidade e garantia do nosso serviço, então reúnem-se as condições para operar num mundo

globalizado”, afirmaram Hugo Perpétua e Filipe Pinheiro, ambos gerentes da Diamantino

Perpétua & Filhos. Ao especializar-se numa única marca, a Diamantino Perpétua & Filhos

diferencia-se dos concorrentes, tornando a expansão internacional uma prioridade estratégica. O

mercado nacional, saturado, exigiu a busca por novos clientes e a diversificação de riscos. No

entanto, entrar em novos mercados não é simples. “O maior desafio é identificar mercados onde

a marca de veículos com que trabalhamos tenha uma presença musculada e onde existam

condições atrativas para investimento estrangeiro”, explicaram. A internacionalização trouxe um

aumento nos padrões de qualidade e eficiência, pois a exigência dos mercados externos,

sobretudo na Europa, obrigou a rigorosos procedimentos quer em termos de logística como no

setor de recondicionamento de peças. Curiosamente, a estratégia não passa por competir em

preço, mas sim por rapidez, fiabilidade e serviço. “Se conseguimos chegar ao cliente com um

produto distintivo, o preço passa para segundo plano”, destacaram. Olhando para o futuro, a

empresa mantém-se atenta às oportunidades, mas sem nunca perder de vista o que a define. “A

evolução tecnológica é essencial, mas sem esquecer aquilo que construímos ao longo dos anos:

uma imagem de especialização e um reconhecimento internacional que nos obriga a ter sempre

tudo o que o cliente necessita, independentemente da idade do seu parque de veículos”,

referiram. Essa solidez reflete-se nos números: há uma década, a faturação rondava os 3 milhões

de euros, com 70% da receita vinda da exportação. Hoje, esse valor triplicou, mas a percentagem

manteve-se – uma prova da consistência e do crescimento sustentável da empresa.

36 ANOS

A EQUIPAR PROFISSIONAIS

tornaram-se mais profissionais e exigentes. Lembro-me do Brasil há uns anos, e hoje a

forma de trabalhar é muito mais rigorosa”, destacou. Um dos principais desafios foi

encontrar os parceiros certos. “Se não tivermos bons companheiros de viagem, a coisa não

funciona ou não funciona tão bem. Já tivemos alguns desafios no Brasil, mas fomos

resilientes e continuamos o nosso caminho”, explicou.

A adaptação a cada mercado também se revelou essencial. “Não podemos aterrar num país

com a mesma mentalidade que temos em Portugal. Há princípios que seguimos, mas a

abordagem tem de ser ajustada à realidade local”, afirmou.

A presença internacional impactou positivamente a estabilidade financeira da empresa.

“Houve uma fase em que Angola ajudou imenso economia portuguesa e a nossa própria

rentabilidade. Neste caso, foi sempre a somar”, concluiu.

PUB


DESTAQUE

A EVOLUÇÃO

DA EMPRESA DEPENDE

DA CAPACIDADE

DE ANTECIPAR

NECESSIDADES

RAFAEL DIAS, iberian market manager da INDASA

INDASA consolidou a sua posição como um dos grandes nomes do aftermarket

A automóvel, exportando mais de 90% da sua produção para uma centena de países.

Com presença direta através de filiais comerciais em mercados estratégicos como Espanha,

França, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e Brasil, a empresa aposta numa estratégia

global de crescimento, complementada pelo apoio de importadores locais que asseguram a

sua presença em diversas geografias. “A internacionalização é, desde a fundação da INDASA,

uma aposta estratégica de crescimento e o grande driver da marca e do negócio”, afirmou

Rafael Dias, iberian market manager da INDASA. O caminho para a expansão internacional da

empresa trouxe consigo vários desafios, especialmente na identificação de mercados

promissores e na escolha de parceiros estratégicos. “No caso do importador, o maior desafio é

encontrar um parceiro que tenha a capacidade de introduzir a marca no mercado, respeitando

os nossos standards e alinhando-se com a nossa visão comercial”, explicou. Além disso, a

empresa teve de enfrentar desafios relacionados com “a capacidade de dar resposta a todas as

solicitações do mercado”. Para acompanhar as exigências dos mercados internacionais, a

INDASA reforçou os seus padrões internos. “Executamos três grandes projetos de investimento

para aumentar a capacidade produtiva, tendo concluído o último muito recentemente, o que

nos permitiu ampliá-la em cerca de 25%”, acrescentou. Para a INDASA, competir nos mercados

externos significa oferecer um produto diferenciado, mais do que ajustar preços. “A nossa

proposta de valor está na qualidade das soluções que apresentamos, seja do ponto de vista da

eficiência, seja da rentabilidade”, destacou. Sobre a intenção de explorar novos mercados, a

empresa revelou estar “atenta a todas as oportunidades que surgirem, estando sempre

predisposta a por um lado aumentar o investimento nos mercados onde já atua, como

também iniciar novos investimentos em mercados emergentes”, concluiu.

PORTUGAL É MAIS

EXIGENTE E INOVADOR

PEDRO DE JESUS, administrador da Cometil

Cometil deu os primeiros passos na internacionalização em 2011, com a exportação

A de equipamentos para oficinas em Angola. A presença neste mercado cresceu de

forma natural, acompanhando clientes locais e portugueses que expandiram as suas

operações para o país. “Fomos contactados para estarmos lá com eles, a oferecer um nível de

serviço que até então não existia”, explicou Pedro de Jesus, administrador da Cometil. Para

garantir um acompanhamento de proximidade, a empresa deslocou um técnico residente

para Angola, garantindo suporte contínuo, desde a montagem à assistência técnica e

formação especializada. Mais tarde, em 2014, surgiu a oportunidade de entrar no mercado

espanhol, um desafio inesperado. A convite de uma empresa norte-americana, a Hunter, a

Cometil foi escolhida para substituir a representação da marca em Espanha. “Não estava nos

nossos horizontes, mas com quase 40 anos de colaboração com eles em Portugal, decidimos

aceitar operar no nosso país vizinho”, referiu. Assim nasceu a Cometil Espanha, uma empresa

autónoma, gerida por uma equipa espanhola, replicando o modelo de negócio da casa-mãe.

Com o sucesso da Hunter, outras marcas já representadas em Portugal seguiram o mesmo

caminho, consolidando a presença da Cometil no mercado espanhol. A adaptação aos

mercados externos trouxe desafios, sobretudo na acessibilidade inicial em Espanha, onde a

origem portuguesa da empresa gerou alguma resistência. No entanto, a estratégia

manteve-se firme: “O foco sempre foi trabalho, assistência e formação. As vendas acontecem

naturalmente”, sublinhou. A rapidez na resposta técnica – em 24 horas – tornou-se um fator

diferenciador, diminuindo o tempo de espera em comparação com a concorrência. Para

reforçar essa vantagem, a empresa investiu num responsável de demonstração e formação,

permitindo, assim, apresentar os seus produtos diretamente às oficinas espanholas. Apesar da

aposta na internacionalização, o mercado português continua a ser o principal foco da

empresa. “Portugal é mais exigente e inovador, o que nos obriga a manter um nível de serviço

elevado”, destacou. No entanto, o potencial de crescimento em Espanha mantém-se

promissor, sendo atualmente uma prioridade da empresa. “Não temos perspetivas de

expansão para novos mercados, mas continuamos atentos às oportunidades”, concluiu.

AO EXPANDIR ALÉM-FRONTEIRAS,

AS EMPRESAS CONQUISTAM

NOVOS MERCADOS, DIVERSIFICAM

OPORTUNIDADES E POSICIONAM-

SE NUMA ECONOMIA CADA VEZ

MAIS GLOBAL

14 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


BELEAF

© 2024 Axalta Coating Systems. All rights reserved.

A NOSSA CONVICÇÃO, A NOSSA RESPONSABILIDADE.

No centro do nosso negócio está uma convicção firme de que a sustentabilidade não é apenas um objetivo,

é uma responsabilidade. Com a Axalta como seu parceiro, fornecemos produtos ecológicos de alto

desempenho, ferramentas inovadoras e recursos óptimos para ajudar a minimizar a sua pegada ambiental,

contribuindo ao mesmo tempo para o sucesso do seu negócio.

Acredite (BELEAF) num amanhã melhor. Crie a mudança hoje.

refinish.axalta.eu/beleaf


Atualidade

REPARAÇÃO INDEPENDENTE ENFRENTA OBSTÁCULOS

PÓS-VENDA EM RISCO!


A REPARAÇÃO AUTOMÓVEL NA EUROPA ENFRENTA DIVERSOS OBSTÁCULOS DEVIDO

A UMA COMBINAÇÃO DE FATORES ECONÓMICOS, TECNOLÓGICOS, REGULATÓRIOS E AMBIENTAIS.

AS ASSOCIAÇÕES EUROPEIAS DO MERCADO DE PÓS-VENDA, INCLUINDO A FIGIEFA, ELABORARAM

UM DOCUMENTO QUE APELA À MEDIAÇÃO DE BRUXELAS PARA PÔR TERMO ÀS PRÁTICAS

QUE DIFICULTAM AS REPARAÇÕES PELO SETOR INDEPENDENTE

A

declaração conjunta emitida pelas Associações

apela a medidas mais rigorosas

para garantir a reparabilidade dos veículos,

uma questão que consideram crucial para os

consumidores, a sustentabilidade ambiental e a

economia europeia. Esta proposta surge no contexto

das negociações para a aprovação do futuro

regulamento MVBER relativo aos requisitos

aplicáveis à conceção de veículos e à gestão de

veículos em fim de vida, que ainda se encontra

em processo parlamentar, e que os operadores

independentes do mercado pós-venda querem

aproveitar para introduzir medidas que facilitem

e garantam a reparabilidade dos veículos a

curto, médio e longo prazo. Para os signatários,

regulamentos como o MVBER, têm garantido

uma “concorrência leal” entre os fabricantes e

as empresas independentes, mas a situação, na

sua opinião, está a mudar: a falta de peças sobressalentes

e o aumento da complexidade dos

componentes eletrónicos tornaram a reparabilidade

dos veículos modernos cada vez mais complicada,

dificultando o funcionamento do setor

independente. Para a Figiefa, a incapacidade

de reparar um veículo a preços acessíveis pode

levar a despesas inesperadas, desde reparações

dispendiosas até à necessidade de substituir um

automóvel muito antes do previsto.

Para estas associações, a possibilidade de reparação

não afeta apenas os proprietários de veículos,

mas vai muito além disso. O próprio mercado

de pós-venda também está em risco devido

às estratégias competitivas ofensivas dos fabricantes

não europeus que impedem a reparação

e a reutilização, pondo em causa os modelos de

negócio de todo o ecossistema do mercado de

pós-venda. O documento salienta que a situação

tem também implicações ambientais e estratégicas:

Prolongar o tempo de vida dos veículos

através da reparação e reutilização é essencial

para reduzir a utilização de recursos e apoiar a

independência da UE em relação às importações

de matérias-primas essenciais, a maioria

das quais está nas mãos dos chineses.

Reparação de baterias VE mais difícil

As baterias dos veículos elétricos são um ponto-chave

nesta discussão. Representam 30-40%

do custo total de um veículo e têm um impacto

significativo na sua pegada de recursos. No

entanto, como salienta a Figiefa, algumas conceções

atuais tornam difícil ou mesmo impossível

a reparação destas baterias. Por exemplo,

a utilização de resinas e materiais que selam os

módulos impede a sua substituição em caso de

avaria. Estas práticas não só aumentam os custos

para os consumidores, como também geram

um desperdício desnecessário de recursos. Em

resposta, os operadores do mercado pós-venda

estão a exigir regulamentação que torne a possibilidade

de reparação das baterias um requisito

obrigatório.

Peças sobressalentes para 20 anos

O documento apela igualmente à garantia da

disponibilidade de peças sobresselentes a preços

justos e não discriminatórios durante, pelo

menos, 20 anos após a saída do veículo do mercado.

A disponibilidade de peças sobresselentes

é necessária para a reparação. As práticas

contratuais dos fabricantes europeus preveem

geralmente a disponibilidade de peças durante,

pelo menos, dez anos, mas alguns fabricantes

não europeus tendem a negligenciar o serviço

pós-venda e a impor prazos de entrega muito

longos para as peças, ou mesmo a não as fornecer

de todo. Outra prática preocupante no sector

é a “gigacasting”, uma técnica que substitui

centenas de peças individuais por uma única

estrutura de grandes dimensões para reduzir os

custos (principalmente no processo de fundição,

em que é feita uma grande estrutura metálica

em vez de muitas peças pequenas montadas).

Embora isto possa ser eficiente em termos de

produção, torna muito difícil a reparação e a

substituição de componentes individuais. Os

operadores independentes exigem que estas

práticas sejam regulamentadas para proteger a

possibilidade de reparação e a sustentabilidade

do mercado.

O software como peça sobresselente

Com o avanço da tecnologia, os veículos dependem

cada vez mais dos sistemas operativos e das

atualizações de software. No entanto, a falta de

garantias quanto à continuidade destas atualizações

pode reduzir significativamente o tempo

de vida dos veículos, mesmo quando o hardware

permanece funcional. Para resolver este problema,

os operadores propõem que as atualizações

de software sejam obrigatórias durante, pelo menos,

20 anos - o mesmo período de tempo que

as peças sobressalentes -, um período que corresponde

ao tempo de vida médio dos automóveis.

Esta medida permitiria aos consumidores manter

os seus veículos plenamente operacionais e

evitar a obsolescência prematura, afirmam.

Índice de reparabilidade para VE

Os operadores independentes pedem que os

dados necessários à reparação, desmontagem

e manutenção sejam acessíveis gratuitamente

durante, pelo menos, 20 anos para as oficinas e

os operadores independentes. Além disso, propõem

a criação de um índice de reparabilidade

para os veículos elétricos, o que permitiria aos

consumidores tomar decisões informadas e incentivar

melhores práticas por parte dos fabricantes.

Estas medidas são essenciais para garantir

a sustentabilidade do setor, incentivando a

conceção que facilita a reparação, manutenção

e reciclagem. É essencial que este regulamento

garanta a concorrência leal e o acesso à informação

técnica para o mercado independente de

pós-venda, promovendo um modelo que beneficie

tanto o ambiente como os consumidores. l

PROLONGAR O TEMPO DE VIDA DOS VEÍCULOS ATRAVÉS DA REPARAção E

REUTILIZAção É ESSENCIAL PARA REDUZIR A UTILIZAção DE RECURSOS

E APOIAR A INDEPENDÊNCIA DA UE EM RELAção ÀS IMPORTAÇÕES DE

MATÉRIAS-PRIMAS ESSENCIAIS

www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 17


ATUALIDADE

Toda a informação sobre a

mudança de óleo com LIQUI MOLY

está disponível aqui:

www.liqui-moly.to/mudança-de-óleo

MOTOR OIL

MADE IN GERMANY

Precisa de

uma mudança

de óleo?

Vamos a isso!

Um desejo, uma marca: encontrar o óleo de motor certo

não requer magia. Com a marca de lubrificantes mais

popular da Alemanha, os parceiros da LIQUI MOLY

oferecem a melhor qualidade fabricada na Alemanha e

sabem exatamente o que o seu veículo precisa.

Mude agora!

PUB

RISCO DE AUMENTO DOS “AUTOMÓVEIS

DESCARTÁVEIS” É REAL

setor automóvel está a sofrer alterações significativas, uma vez que,

O

até 2050, não deverão existir mais veículos a combustão nas estradas.

Esta mudança conduz a uma obsolescência acelerada do atual parque automóvel

e a uma eletrificação progressiva do mesmo. A duração de vida dos veículos é

atualmente estimada em 19 anos, mas a regulamentação que abala o setor

automóvel acelera a sua obsolescência. Para substituir os veículos antigos, as

políticas públicas incentivam a compra de veículos elétricos novos. Na Europa,

a opção política atual é a de eletrificar o parque automóvel através de normas

e de incentivos económicos. Uma vez que os novos veículos de combustão e

híbridos deixarão de ser autorizados no mercado europeu a partir de 2035, quase

todos os construtores propõem atualmente uma gama de veículos elétricos.

Quando utilizados, estes automóveis consomem eletricidade, que, à primeira

vista, é menos cara e menos poluente do que os hidrocarbonetos na Europa.

Por conseguinte, são um trunfo na luta contra o aquecimento global. No entanto,

a sua produção é mais cara e o seu fabrico tem um maior impacto carbónico do

que a produção de carros a combustão, devido à bateria. Além disso, a produção

de veículos elétricos implica outros tipos de impacto que devem ser tidos em conta

na avaliação da pegada ecológica total do setor. Assim, para promover a

mobilidade sustentável, a durabilidade e a possibilidade de reparação dos veículos

elétricos são um pré-requisito da transição.

De um modo geral, o setor enfrenta problemas relacionados com a desmontagem

dos veículos, o acesso a peças e componentes sobresselentes e a redução dos

serviços pós-venda por parte de alguns fabricantes. O risco de um aumento dos

“automóveis descartáveis” é real. As novas vias adotadas por alguns fabricantes,

que dão prioridade a custos de produção mais baixos em detrimento da

possibilidade de reparação dos veículos, não devem tornar-se a norma.

Por último, a presença crescente de eletrónica e software a bordo, que faz com que

os veículos conectados se assemelhem a “smartphones sobre rodas”, aumenta o

risco de obsolescência do software e torna mais complexas as reparações fora das

redes aprovadas pelos fabricantes. As consequências destas práticas afetam os

consumidores, que não têm noção do custo total da propriedade de um veículo no

momento da compra. Os agentes económicos que compõem o ecossistema

da economia circular também podem ser afetados (reparação, recondicionamento,

mercado de segunda mão, etc.). Em certos aspetos, os fabricantes de automóveis

europeus estabelecidos podem ser considerados vítimas destas práticas. O que está

em causa é a sua forte competitividade face aos veículos elétricos vendidos a preços

atrativos por um punhado de concorrentes americanos ou chineses, que fazem

baixar a qualidade.

A indústria automóvel é um negócio a longo prazo. No entanto, isso não deve ser

sinónimo de inércia ou de inação face aos sinais preocupantes de uma trajetória

insustentável. O que é preciso fazer agora é lançar as bases das boas práticas

da economia circular do parque automóvel elétrico, que vai substituir os motores

de combustão, para combinar menos emissões de CO 2, respeito pelos consumidores

e produção responsável.

Ausgabe 15/2024

Issue 15/2024

Ausgabe Issue 8/2024 8/2024

Issue Ausgabe 4/2024 4/2024

Issue Ausgabe 4/2024 4/2024

Issue 9/2024



Salão

MOTORTEC 2025

REFORÇO

INTERNACIONALIZAÇÃO

O SALÃO MOTORTEC 2025, QUE SE REALIZARÁ DE 23 A 26 DE ABRIL DE 2025, REFORÇA

A DIMENSÃO INTERNACIONAL COM A PARTICIPAÇÃO DE MAIS DE DUZENTAS EMPRESAS

ESTRANGEIRAS CONFIRMADAS, DE 25 PAÍSES, O QUE REPRESENTA UM AUMENTO DE 50%

FACE À EDIÇÃO DE 2022. O JORNAL DAS OFICINAS ESTARÁ PRESENTE PARA REGISTAR

E DIVULGAR OS PRINCIPIAS MOMENTOS E NOVIDADES

Com o objetivo de aumentar as participações

internacionais, a Motortec desenvolveu

um poderoso programa para atrair

compradores estrangeiros, que terão a oportunidade

de lidar, diretamente, com as principais

empresas do setor, numa ampla agenda de reuniões

personalizadas que serão muito benéficas

para ambas as partes. Com este programa, pre-

vê-se que o número de visitantes estrangeiros

aumente 39% em relação a 2022. Esta iniciativa,

bem como a intensa atividade promocional

que a Motortec desenvolveu no estrangeiro, contribuem

para fortalecer ainda mais a dimensão

internacional da feira. A edição deste ano suscita

uma grande expetativa, devido às transformações

que a indústria automóvel está a viver,

pelo que é esperada uma participação recorde de

visitantes. Concretamente, já foi ultrapassada a

previsão de 600 expositores e mais de 100.000

metros quadrados de área de exposição. Da mesma

forma, vão superar os 60.000 visitantes profissionais

registados na edição anterior de 2022,

atingindo o número de 65.000, confirmando a

Motortec como a maior feira pós-venda do sul

20 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


da Europa. O principal perfil de visitantes é,

sem dúvida, o dos profissionais das oficinas dos

mercados espanhol e português, para além dos

líderes das principais empresas, tanto no fabrico

de peças e equipamentos como na distribuição,

bem como representantes das principais associações

do setor automóvel.

Ponto de encontro de referência

Para David Moneo, diretor da Motortec “O objetivo

da Motortec é ser um ponto de encontro

de referência do setor pós-venda, onde os profissionais

das oficinas de reparação vão poder

falar com os seus fornecedores e conhecer as

novidades e tendências do mercado. Para isso,

trabalhamos em todas as questões estratégicas

que preocupam os profissionais do setor, designadamente

os temas relacionados com a forma

de tornar mais sustentável a cadeia de valor do

setor, desde o fabrico até à reparação final, passando

pela logística das peças. Questões muito

preocupantes, como a falta de jovens talentos,

farão parte dos conteúdos da feira, assim como

a eletrificação, a importância crescente do cliente

frotista, o leasing, a mobilidade partilhada e,

naturalmente, o reforço da dimensão internacional

do Salão.

Sobre o tema da descarbonização dos transportes,

David Moneo afirma “é uma tendência

global, impulsionada por uma maior consciência

social da necessidade de avançar para uma

nova mobilidade mais sustentável. No plano

jurídico, isto reflete-se em regulamentos antipoluição

cada vez mais rigorosos em termos de

redução de emissões. E, em termos da evolução

tecnológica do automóvel, contribui para o desenvolvimento

do automóvel conectado, automatizado

e eletrificado. Em cada uma destas

novas tecnologias automóveis, existem oportunidades

significativas para os profissionais e

empresários do mercado de pós-venda automóvel.

O seu aproveitamento depende, em grande

medida, da existência de talento, conhecimento

e equipamentos necessários para a manutenção

e reparação destes veículos. A Motortec terá a

mais completa exposição de soluções de produtos

e serviços para os profissionais do pós-venda

aproveitarem as oportunidades desta nova mobilidade

sustentável”, conclui.

ASSOCIAÇÕES PORTUGUESAS

APOIAM

Motortec 2025 conta com o apoio das quatro

A

associações portuguesas do setor: ANECRA, ARAN, ACAP

e AFIA. Este apoio irá, sem dúvida, potenciar a presença de

Portugal na feira, uma vez que o mercado luso é um dos mais

importantes do certame. Neste sentido, as previsões indicam

que, em 2025, a participação das empresas portuguesas crescerá

25% em relação à edição anterior, em 2022, e 5% no espaço de

exposição que ocuparão. Além disso, haverá uma significativa

representação portuguesa no programa de compradores

internacionais que o salão preparou. As associações são

unânimes a reconhecer a mais valia da Motortec para os seus

associados, uma vez que permite o contacto direto com as mais

recentes inovações, os principais players do mercado e um

espaço privilegiado para o networking, essencial para fortalecer

a competitividade das empresas. Sobre a participação destas

entidades representativas do setor, David Moneo refere que “sem

o apoio destas associações, que tem sido permanente ao longo

da nossa história, o sucesso do Salão não seria possível

Concentração beneficia feira

A concentração do setor revela-se uma mais valia

para a feira, pois está a gerar empresas e organizações

muito mais poderosas, com uma capacidade

de recursos em comunicação e marketing

que, algumas delas, não tinham num mercado

mais atomizado. Por outro lado, a complexidade

do mercado atual, com novas exigências e expetativas

dos clientes, bem como o maior peso do

cliente frotista, gerou novos nichos de negócio,

que aproveitam a feira para se darem a conhecer

e angariarem novos clientes. Em termos de

atividades, será dada especial atenção a eventos

dedicados aos profissionais da reparação, onde

se incluem diversas competições onde poderão

mostrar as suas capacidades, como o Melhor

Mecânico de Veículos Elétricos de Alta Tensão,

organizado pela Carsmarobe; o MVP – Mais Valioso

Profissional das Oficinas, organizado pela

Autopos; a competição de Jovens Técnicos Automóveis,

organizado pela Comforp; o Concurso

de Futuros Profissionais de Veículos Comerciais

- Afupro, e o Motortruck, para o melhor mecânico

de veículos comerciais.

A Galeria de Inovação irá destacar as soluções

tecnológicas mais avançadas dos fabricantes de

peças sobresselentes, premiando os produtos

mais inovadores. Esta iniciativa representa um

exemplo claro do esforço das empresas no desenvolvimento

de componentes mais eficientes e

sustentáveis. Nesta edição, foram incorporadas

novas categorias, adaptadas à realidade tecnológica

do setor. Estes prestigiados prémios proporcionam

às empresas selecionadas uma importante

oportunidade de promoção. O júri será

responsável pela seleção dos “Prémios” e das

“Menções” em cada categoria da Galeria da Inovação.

Além disso, será atribuído um prémio especial

para a inovação nos veículos industriais.

O veículo industrial desempenha um papel cada

vez mais importante no setor, pelo que terá uma

maior visibilidade nesta edição da Motortec

através de diferentes iniciativas como o Espaço

Motortruck; o VI Encontro/Congresso de Oficinas

e o V.I. Frotas. O objetivo é atrair visitantes

de grandes frotas de veículos comerciais e autocarros.

O setor dos pneus estará também bem

representado, com muitas marcas e distribuidores

a apresentarem as principais novidades. l

COM O OBJETIVO DE AUMENTAR AS PartiCIPaçÕES INTERNACIONAIS,

A MOTORTEC DESENVOLVEU UM PODEROSO PROGRAMA PARA atrair

COMPRADORES ESTRANGEIROS, QUE terão A OPORTUNIDADE DE LIDAR,

DIRETAMENTE, COM AS PRINCIPAIS EMPRESAS DO SETOR

www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 21


NOTÍCIAS // DINÂMICA SETOR ESCREVE ‐SE DE A A Z

MERCADO

AZ AUTO

CELEBRA EXPANSÃO DE

MARCAS COM OFICINAS E

PARCEIROS

A

AZ AUTO comemorou no Kartódromo do Montijo, a chegada das marcas

Delphi, Valeo e Magneti Marelli ao seu catálogo, reforçando a sua proximidade

com as oficinas, retalhistas e parceiros. O encontro arrancou com

uma breve apresentação das novas marcas, sublinhando o reforço da oferta da

empresa com estas adições. Os produtos já se encontram disponíveis no site da

AZ AUTO, mas as novidades não se ficam por aqui – 2025 também será um ano

de novas entradas –, com a meta de alcançar as 30 marcas. Além de oficializar a

chegada da Delphi, Valeo e Magneti Marelli, o evento também reforçou parcerias

estratégicas, nomeadamente com a LIQUI MOLY e a NRF. Com estas novas apostas,

a AZ AUTO passa agora a incluir mais de 20 marcas de peso no setor do aftermarket.

Pedro Santos, diretor de negócios da AZ AUTO, destacou a importância

desta expansão: “Estas três novas marcas permitem-nos aumentar o portfólio para

os nossos clientes e reforçar a nossa presença no mercado. A nossa ambição para

2025 é continuar a ampliar a nossa gama e integrar novas marcas”.

PUB

22 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


CERTEZA

ABSOLUTA

A VIDA É IMPREVISÍVEL, MAS A TRAVAGEM NÃO O DEVE SER

Numa situação de emergência como esta, são precisos travões reajam

equipa-o com o mais recente poder de travagem.

PARA UMA ABSOLUTA TRAVAGEM, ESCOLHE BENDIX.


NOTÍCIAS

CONQUISTA PRÉMIO CINCO ESTRELAS

E ESCOLHA DO CONSUMIDOR

Norauto | A Norauto entrou em 2025 a celebrar a conquista de dois prestigiados prémios: Cinco

Estrelas e Escolha do Consumidor. Estas distinções refletem o compromisso contínuo da marca em oferecer

produtos e serviços de excelência, bem como a confiança e satisfação dos seus clientes. O Prémio Cinco

Estrelas, conquistado pela 6ª vez pela Norauto, destaca as marcas que se diferenciam pela qualidade,

inovação e resposta eficaz às necessidades dos consumidores, avaliadas com base em critérios rigorosos,

tais como a satisfação, a relação qualidade/preço e a intenção de compra ou recomendação. Já o prémio

Escolha do Consumidor, o 7º da Norauto, é da responsabilidade da empresa Consumer Choice, e resulta da

avaliação e classificação de marcas por parte dos consumidores, determinadas com base no seu grau de

satisfação e aceitabilidade. A Norauto evidenciou-se em atributos como a reputação e credibilidade, preço

/ qualidade e pelo facto de ser uma marca que faz a diferença na vida das pessoas, conseguindo criar uma

conexão autêntica e duradoura com os seus clientes.

ABRE LOJA EM PAÇOS DE FERREIRA

Inovpeças | A Inovpeças, referência nacional na distribuição de peças e acessórios para

automóveis, abriu uma nova loja, desta vez, em Paços de Ferreira. “Esta expansão reforça o

compromisso da empresa em proporcionar produtos de alta qualidade e um serviço de excelência

às oficinas da região norte”, afirmou a Inovpeças em comunicado. Localizada na Rua de S.

Domingos, n.º 108, em Carvalhosa, a nova loja segue a fórmula vencedora de oferecer uma ampla

gama de produtos, incluindo peças originais e equivalentes para diversas marcas e modelos de

automóveis. Com uma equipa de profissionais experientes, a Inovpeças garante um atendimento

personalizado e soluções adaptadas às necessidades de cada cliente. O espaço de Paços de

Ferreira, que abriu a 3 de fevereiro, vem juntar-se a uma rede de lojas que iniciou em Marco de

Canaveses (2011) e que se expandiu a Penafiel (2014), Resende (2016), Valongo (2017), Lousada

(2018), Paredes (2020), Castelo de Paiva (2021) e Amarante (2023). “Estamos entusiasmados por

expandir a nossa presença para Paços de Ferreira. Esta nova loja permite-nos estar mais próximos

dos nossos clientes na região, oferecendo-lhes a qualidade e o profissionalismo que caracterizam a

Inovpeças”, referiram os sócios-gerentes da Inovpeças José Carlos Carneiro e Paulo Magalhães.

PUB

Para todos os seus pneus de

verão e de all-season

Todas as marcas disponíveis

diretamente no nosso stock.

Entregas semanais a partir do nosso

armazém na Holanda.

Mais de 17.000 referências disponíveis.

Encomendas On-line 24 horas por dia,

7 dias por semana. Rápido e fácil.

Leia o QR code para mais informações ou

contacte o nosso representante

isbspainportugal@inter-sprint.nl

Intrer-Sprint Banden B.V.

Distriboulevard 25

4782 PV Moerdijk

Países Baixos

Telefone: +31 168 39 2000

Email: info@inter-sprint.com

Marcas premium Marcas privadas e exclusivas Marcas de pneus para camiões e motos

the tyre to drive

24 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


Ligue os seus sentidos

ao futuro da mobilidade

DOC_RA_SENSORS_LANCEMENT_AP1_220x290_PTa - Conception et réalisation : Service publicité NTN © 09/2024 - Photos : Quentin Décaillet - X

Make the world

a responsive

road to drive

1500 sensores... 1500 sensações.

A SNR está a expandir a sua oferta com uma vasta gama de sensores. Temperatura,

pressão, velocidade, posição ou qualidade do ar, os nossos sensores respondem aos

desafios de um mundo em mudança e cada vez mais sensível ao ambiente.

As pessoas encontram-se, ligam-se e deslocam-se... Os sensores SNR acompanham

o ritmo desse movimiento. Garantem uma leitura óptima, essencial para a segurança,

conforto e uma experiência de condução inigualável.

Os veículos de amanhã serão autónomos, conectados e ainda mais seguros. Nossa

experiência em mecatrónica, construída ao longo de mais de 30 anos, capta a linha

ténue entre a estrada e as suas emoções.

www.ntn-europe.com


Entrevista

CARLOS GARCÍA

SENIOR MANAGER MARKETING & OPERATIONS IBERIA REGION DA NITERRA

ESFORÇAMO-NOS POR ESTAR

SEMPRE UM PASSO À FRENTE!

HÁ JÁ ALGUNS ANOS QUE A NITERRA ESTÁ EMPENHADA NA TRANSFORMAÇÃO PARA NOVAS

ÁREAS DE NEGÓCIO QUE RESPONDAM ÀS NOVAS NECESSIDADES DO MERCADO. EM ENTREVISTA

AO JO, CARLOS GARCÍA, SENIOR MANAGER MARKETING & OPERATIONS IBERIA REGION DA NITERRA

(FABRICANTE VELAS NGK), CONSIDERA QUE HAVERÁ UMA MAIOR NECESSIDADE DE SERVIÇOS

ESPECIALIZADOS PARA SISTEMAS ELÉTRICOS E BATERIAS, BEM COMO PARA SOFTWARE

A

Niterra trabalha em paralelo considerando

a transformação da sua gama de produtos

e serviços para responder a uma

frota mais eletrificada e, ao mesmo tempo, continua

a ampliar a gama de produtos disponíveis

para conseguir fornecer ao mercado as peças sobressalentes

necessárias para a manutenção adequada

dos veículos com motores de combustão,

híbridos ou não, tanto para o mercado de automóveis

de passageiros, motos, todo-o-terreno ou

jardinagem e náutica.

Que impacto está a ter para a Niterra o aumento

do parque de veículos elétricos?

Em primeiro lugar, sabemos que os veículos elétricos

têm menos peças e, portanto, requerem

menos manutenção do que os veículos de combustão

interna, o que poderia reduzir a procura

de certos serviços pós-venda, como mudanças

de óleo, filtros e reparações de motores. No entanto,

haverá uma maior necessidade de serviços

especializados para sistemas elétricos e baterias,

bem como para software. As oficinas precisam

certamente de começar a investir em formação

técnica, equipamento e tecnologia adaptada aos

VEs, tais como estações de carregamento e ferramentas

especializadas. Perder a oportunidade

de fazer este investimento agora pode deixar as

oficinas fora do mercado num futuro próximo.

Quanto à velocidade da mudança para os VE,

esta dependerá de fatores como as políticas governamentais,

os incentivos, as infra-estruturas

de carregamento e a evolução da tecnologia das

baterias. Embora os políticos estejam ansiosos

por anunciar objetivos ambiciosos, a mudança

será muito provavelmente mais gradual do que

o previsto e a ritmos diferentes, dependendo dos

diferentes mercados. Para a Niterra, não prevemos

uma quebra na procura de produtos para

veículos com motor de combustão. Pelo contrário,

a sofisticação técnica dos veículos e o aumento

das regulamentações ambientais impulsionarão

o desenvolvimento do mercado e as vendas de

sensores, pelo que estamos confiantes.

Qual é a dinâmica da marca e do produto do

grupo?

Continuamos a registar um forte crescimento

das bobinas de ignição da marca. As oficinas

associam facilmente velas de ignição e bobinas,

o que impulsiona as vendas. Quanto aos sensores

da marca NTK, a nossa carteira de produtos

está a aumentar de dois em dois anos. O último

desenvolvimento diz respeito às válvulas EGR,

cujas vendas tiveram um bom arranque. A NTK

está a crescer porque reúne produtos que ainda

estão relativamente pouco desenvolvidos no mercado

independente de pós-venda. A Niterra consolidou-se

há anos como líder no fornecimento

de sensores e o nosso compromisso é manter um

ritmo constante de inovação.

Quando começaremos a assistir a um declínio

no consumo de peças para veículos combustão

e quando chegará o dia em que as vendas

destes produtos serão marginais?

Muitos dos componentes dos veículos de combustão

interna, tais como embraiagens, velas de

ignição, correias e óleos, deixarão de ser necessários

nos veículos elétricos e, por conseguinte,

haverá um declínio gradual na utilização destes

componentes à medida que a penetração no mercado

dos veículos elétricos aumentar. Em termos

de calendário, o efeito da redução da utilização

destas peças pode começar a ser significativo

nos próximos 10-15 anos, especialmente em regiões

com políticas favoráveis à eletrificação, mas

não esperamos que isto aconteça de uma forma

drástica, mas sim que haja uma transição, provavelmente

favorecida pela hibridização da frota,

antes de atingir a eletrificação completa da frota

de veículos.

Como pensa que evoluirão as vendas de peças

remanufaturadas?

Uma das consequências da eletrificação do parque

automóvel é o crescimento da economia

circular e da sustentabilidade que impulsionará

a reutilização e o refabrico de peças automóveis.

À medida que as regulamentações ambientais e

a consciencialização para a sustentabilidade aumentam,

o mesmo acontece com a procura de

peças reutilizadas. Espera-se que este segmento

cresça significativamente nas próximas décadas,

especialmente em países onde a sustentabilidade

é uma prioridade.

A chegada ao mercado de fabricantes multimarca

com qualidade comprovada e preços

muito competitivos, bem como as grandes

marcas privadas, pode constituir um desafio

para as marcas premium?

Sem dúvida que representa um desafio considerável

para as marcas premium. No entanto, estes

produtos de baixo custo oferecem uma baixa rentabilidade

para as empresas que deles dependem,

bem como uma imagem de qualidade limitada

aos olhos das oficinas e dos utilizadores finais,

26 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


“A NITERRA CONTINUA

A AMPLIAR A GAMA DE

PRODUTOS DISPONÍVEIS

PARA CONSEGUIR FORNECER

AO MERCADO AS PEÇAS

SOBRESSALENTES

NECESSÁRIAS PARA

A MANUTENÇÃO ADEQUADA

DOS VEÍCULOS COM MOTORES

DE COMBUSTÃO E HÍBRIDOS “

DIZ CARLOS GARCIA


CARLOS GARCÍA

UMA DAS CONSEQUÊNCIAS DA ELETRIFICAÇÃO DO PARQUE AUTOMÓVEL

É O CRESCIMENTO DA ECONOMIA CIRCULAR E DA SUSTENTABILIDADE

QUE IMPULSIONARÁ A REUTILIZAÇÃO E O REFABRICO DE PEÇAS AUTOMÓVEIS

pondo em risco a imagem do próprio

distribuidor e comprometendo

a sua saúde financeira. As marcas

premium, por seu lado, terão de

continuar a diferenciar-se através

da inovação, da tecnologia e, em

suma, da qualidade superior, bem

como oferecer melhores garantias e

um serviço pós-venda cuidado.

Como será o futuro dos distribuidores

fora do mundo consolidado?

Desde há alguns anos que o aftermarket

se tem vindo a consolidar

em grandes operadores com grande

poder logístico e de compra, o que

coloca em risco a viabilidade dos

operadores mais pequenos devido à

dificuldade de competir com operadores

com muito maior capacidade

financeira. A alternativa para os distribuidores

mais pequenos, que não

têm capacidade para entrar nestas

operações de consolidação, será especializarem-se

em nichos de mercado

ou em serviços personalizados

para poderem competir. A digitalização

e o comércio online poderão

também permitir que os pequenos

retalhistas cheguem a mais clientes,

desde que adaptem os seus modelos

de negócio.

Como serão feitas as encomendas

de peças num futuro próximo?

Dependerá da abordagem de cada

distribuidor e da situação atual da

cadeia de abastecimento global. Um

exemplo disso foi o período de dificuldades

de abastecimento vivido

por todos os intervenientes no sector

das peças sobresselentes, em que,

após o confinamento provocado pela

Covid, se registaram tensões na cadeia

de abastecimento que levaram

muitos distribuidores a aumentar

os seus stocks para poderem servir

os clientes das suas oficinas. O que

é certo é que os avanços na logística

permitirão aos concessionários

encomendar com maior frequência

e em menores quantidades nos próximos

anos, reduzindo a necessidade

de grandes stocks, o que reduzirá os

custos de armazenamento e aumentará

a eficiência e a rentabilidade do

negócio. A inteligência artificial otimizará

o controlo do inventário, afinará

a previsão da procura e efetuará

encomendas automatizadas com

base em padrões de rotação definidos

por cada distribuidor de acordo

com os seus objetivos de cobertura e

disponibilidade.

Até 2050, os transportes na Europa

deverão estar completamente

descarbonizados. Se o número de

veículos de combustão diminuir,

como é que um distribuidor pode

manter a sua atividade e adaptar-

-se a estas mudanças disruptivas?

Em primeiro lugar, importa referir

que se trata de um objetivo “político”,

cuja concretização é ainda hoje

duvidosa. No entanto, partindo do

princípio de que este objetivo é alcançado,

os distribuidores terão de

diversificar a sua oferta, concentrando-se

mais nos VE e nos seus

componentes (baterias, sistemas

elétricos, software). Adicionalmente,

as oficinas podem considerar

expandir o seu negócio para serviços

relacionados com a reciclagem

e reutilização de peças, bem como

produtos sustentáveis ou serviços

de mobilidade alternativa.

Em que áreas de negócio do aftermarket

a Inteligência Artificial se

desenvolverá mais rapidamente?

Como é que a IA pode ajudar a evolução

do mercado pós-venda?

A inteligência artificial apoiará

a gestão do inventário com uma

previsão da procura mais refinada,

juntamente com a automatização

das encomendas e a otimização das

rotas logísticas. A manutenção preditiva

será também outro fator que

irá aumentar nos próximos anos

graças à IA. Em suma, a IA permitirá

um serviço pós-venda mais eficiente

apoiado na análise de dados

com a capacidade de prever falhas

e as consequentes necessidades de

manutenção.

Como foi o desempenho da Niterra

em 2024 e quais as perspetivas

para 2025?

Embora o nosso ano fiscal termine

em março 2025, as nossas vendas

em 2024 foram muito positivas,

com um crescimento de dois dígitos

relativamente a 2023. O mercado

mantém-se dinâmico, uma vez que

o parque automóvel continua a envelhecer

e a necessitar de manutenção

e de substituir velas de ignição.

O amplo portefólio de produtos de

ignição da NGK continuou a impulsionar

o nosso crescimento, graças

à maior penetração no mercado.

Para 2025, esperamos mais um ano

de crescimento, com base nos mesmos

fundamentos: uma frota envelhecida

e um crescimento global

real, embora mais fraco, apesar das

preocupações em torno de eventos

geopolíticos e/ou climáticos. Em

termos de veículos novos, a grande

tendência é o aumento maciço das

vendas de veículos chineses, que necessitarão

de pós-venda.

Que perspetivas e projetos tem

a Niterra para o futuro e como

espera que o aftermarket evolua

nos próximos anos?

Há já alguns anos que na Niterra estamos

empenhados na transformação

para novas áreas de negócio que

respondam às novas necessidades

do mercado. Sabemos que o mercado

está a caminhar para a eletrificação,

mas também sabemos que

haverá um processo de transformação

que não será imediato, o que

nos permitirá continuar a oferecer

oportunidades de mercado para fabricantes

como a Niterra, que estão

empenhados em maximizar o serviço

pós-venda para que toda a cadeia

de valor do aftermarket possa continuar

a oferecer um serviço de manutenção

ótimo a todos os clientes

que utilizam veículos de combustão

interna. l

28 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


by Jornal das Oficinas

EDIÇÃO 2025

Inscreva a sua oficina!

www.challengeoficinas.pt

Inscrição gratuíta!

Parceria

Apoio:

Patrocinadores 2025

UZ DEAIRBAG


VEJO CRESCIMENTO

PARA OS PRÓXIMOS 10 ANOS


Entrevista

GAEL ESCRIBE

FUNDADOR E CEO DA NEXUS AUTOMOTIVE INTERNATIONAL

CRIADO HÁ ONZE ANOS, O NEXUS GROUP É ATUALMENTE O MAIOR GRUPO INTERNACIONAL

DE COMPRAS DO MUNDO, COM UM VOLUME DE NEGÓCIOS CIFRADO EM 45 MILHARES DE MILHÕES

DE DÓLARES. AO LONGO DOS ANOS TÊM VINDO A DIVERSIFICAR O NEGÓCIO E CONSIDERAM

QUE TÊM TODOS OS INGREDIENTES PARA FAZER PARTE DA TRANSFORMAÇÃO DO AFTERMARKET

AUTOMOTIVO, QUE SE AVIZINHA PARA OS PRÓXIMOS ANOS. O JORNAL DAS OFICINAS FALOU

COM GAEL ESCRIBE, FUNDADOR E CEO DA NEXUS AUTOMOTIVE INTERNATIONAL, QUE NOS MOSTROU

A SUA VISÃO SOBRE O FUTURO DO PÓS-VENDA AUTOMÓVEL, SEMPRE COM UMA TÓNICA POSITIVA

O

negócio principal do Nexus

Group, enquanto grupo internacional

de compras, é fazer

a ponte entre os fabricantes e

os distribuidores, promovendo

mais de 100 fornecedores

a nível mundial – japoneses incluídos – mas a

empresa sentiu necessidade de evoluir e apostou

em várias atividades adicionais. Através da

empresa Mobilion compra start-ups no setor da

mobilidade; criou a marca Drive Plus para fazer

face ao envelhecimento do parque automóvel,

que é desenvolvida pela empresa Small Parts e,

em paralelo, detém ainda a empresa Autoparts

United, com o objetivo de adquirir distribuidores

pelo mundo, por forma a consolidar o grupo

Nexus. Gael Escribe, fundador e CEO da Nexus

Automotive International aceitou falar connosco

para nos contar os projetos atuais do grupo,

mas também a perspetiva sobre o que poderá esperar

este setor. O CEO explica que “investimos,

temos a nossa marca própria, estamos ativos na

consolidação, o que nos permitiu construir um

verdadeiro grupo, tendo o nosso core business

nas compras e, diversificando, criámos um grupo

que terá, espero, um papel de liderança na

transformação do aftermarket automotivo”.

Elétricos não são a solução

O responsável máximo do grupo Nexus mostra-

-se atento à rápida evolução do setor, mas não

teme o advento dos veículos elétricos, que, antevê,

não serão o único caminho para a evolução

dos transportes. Defende que estes são já uma

parte do parque automóvel, para a qual devem

estar preparados, mas diz-se “muito cético” que

esta seja a solução para o futuro. Assinala que

“a infraestrutura atual não é suficiente, nem

se está a desenvolver suficientemente para ir

ao encontro de um parque automóvel que seja

predominantemente feito de veículos elétricos”

e relembra que o preço destes automóveis continua

a ser uma barreira importante, especialmente

no hemisfério sul do globo, como a América

do Sul, a América Latina, África ou o Médio

Oriente. “No hemisfério norte, penso que haverá

alguma resistência ao crescimento. A China

capitalizou os veículos elétricos e, por isso, é

provável que prossiga o seu desenvolvimento.

A América do Norte não está, definitivamente,

muito entusiasmada com a implantação de veículos

elétricos”, diz opiando que “a dinâmica que

nos era apresentada antes do Covid-19 mudou e

a avenida de sentido único de que falavam não

vai acontecer de certeza. Toda a gente previa um

declínio do pós-venda automóvel e isso é exatamente

o oposto do que está a acontecer devido

ao envelhecimento do parque. Estamos num negócio

ativo e um negócio ativo atrai investidores,

ao contrário do que aconteceu há quatro anos,

quando as previsões os fizeram sair em debandada.

Eu estou otimista, vejo crescimento pelo

menos para os próximos 10 anos”.

Por outro lado, numa altura em que é possível

remanufaturar ou reutilizar 70% das peças de

um carro, Gael Escribe acredita que estas ocuparão

um lugar cada vez maior no negócio do

aftermarket automotivo. Embora nas últimas

décadas este setor tenha registado um declínio,

o CEO do grupo Nexus afirma que “desenvolver

peças remanufaturadas é algo que está nos

nossos projetos e queremos ter mais referências,

pois penso que essas peças ocuparão mais espaço

nos próximos dez anos”.

Fabricantes multimarca

A chegada ao mercado dos fabricantes multimarca,

com qualidade comprovada e preços

competitivos, traz alterações ao negócio. Escribe

entende que, perante um parque automóvel em

que metade dos carros tem uma idade superior

a dez anos, este segmento só poderá tender a

O NEGÓCIO PRINCIPAL DO NEXUS GROUP, ENQUANTO GRUPO

INTERNACIONAL DE COMPRAS, É FAZER A PONTE ENTRE OS FabricantES

E OS DISTRIBUIDORES, PROMOVENDO MAIS DE 100 FORNECEDORES

A NÍVEL MUNDIAL, JAPONESES INCLUÍDOS

www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 31


GAEL ESCRIBE

NUMA ALTURA EM QUE É POSSÍVEL REMANUFATURAR OU REUTILIZAR 70%

DAS PEÇAS DE UM CARRO, GAEL ESCRIBE ACREDITA QUE ESTAS OCUPARÃO

UM LUGAR CADA VEZ MAIOR NO NEGÓCIO DO AFTERMARKET AUTOMOTIVO

evoluir: “O consumidor procura

uma solução mais económica, mas

com qualidade, porque as pessoas

querem manter os seus carros por

mais tempo. Nesta incerteza, os

consumidores preferem investir

menos, mas numa solução de qualidade”.

Foi isto, diz, que fez a Nexus

optar por criar a já mencionada

Small Parts, para promover as suas

marcas próprias e “desenvolvê-las

em cooperação com os fabricantes,

porque não é uma perda para eles.

Simplesmente, estes terão de se

adaptar a uma segmentação diferente

de produto no futuro”.

Também a distribuição será diferente

num futuro a médio prazo,

pois é necessário ter processos de

abastecimento mais simples, “e

porque não abastecer diretamente

da fábrica?”, deixa a questão no ar.

“Se formos capazes de prever e trabalhar

lado a lado com os fabricantes,

conseguiremos de certeza ter

um melhor serviço por parte deles

e poderemos reduzir o stock. É aí

que está o futuro”, considera.

“A consolidação é inevitável”

Gael Escribe analisa o fenómeno

da consolidação no aftermarket

automotivo com muita clareza,

salientando que mesmo que os resultados

das grandes empresas não

sejam os melhores, esta é uma tendência

que se está a tornar “inevitável

na nossa indústria”. O fundador

do grupo Nexus comenta que

“olhando para os resultados das

grandes empresas como a LKQ ou

a GPC, na primeira metade do ano,

vê-se que não são espetaculares e

que as empresas médias têm hoje,

geralmente, mais crescimento do

que as grandes consolidadoras. As

que referi até decaíram, no segundo

trimestre. Na nossa indústria

ainda há uma necessidade de proximidade,

agilidade e de serviço,

em que, provavelmente, as empresas

médias são mais eficientes do

que as grandes. De forma ideal, se

pudéssemos ter um projeto de consolidação

e manter o espírito das

empresas de média dimensão, seria

uma vitória dupla”.

Na opinião do nosso interlocutor,

as peças impressas em 3D “já são

uma realidade, pelo que têm de ser

incorporadas no negócio”. No entanto,

Gael Escribe aponta a inteligência

artificial como o tema que

está agora a provocar debates e não

tem dúvidas de que “a inovação

tem de fazer parte das estratégias

dos líderes do aftermarket automóvel.

Essa é a razão pela qual a

Nexus tem um Comité de Inovação

e a razão pela qual investimos em

start-ups. Acredito que a inteligência

artificial será, talvez, a maior

PERFIL

GAËL ESCRIBE

Fundador e CEO da NEXUS Automotive

International, Gaël Escribe nasceu na

África Ocidental, filho de pai francês e mãe

holandesa. Passou a sua juventude em África

e no Médio Oriente. Estudou Gestão em

França com uma especialização em Finanças,

passou alguns anos na Mazars e depois na

Valeo Service como Controlador Financeiro.

Aos 29 anos, dirige a Valeo Service na Europa

de Leste. Passa então quatro anos entre a

Polónia e a Rússia, gerindo o forte crescimento

da atividade na altura. Após esta experiência,

dirige a Valeo Service no Norte da Europa, uma

experiência que lhe permite aproximar-se de

uma distribuição mais tradicional. Após nove

anos na Valeo, junta-se à Delphi em 2005 como

Diretor Comercial da divisão DPSS. Criou a

NEXUS Automotive International em 2014.

revolução que iremos incorporar

nos próximos 5 a 10 anos”.

Questionado sobre a forma como

o grupo Nexus vê o futuro deste

negócio, o CEO diz-nos que esta

“é uma indústria que tem muito

crescimento para oferecer nos próximos

anos. Em primeiro lugar o

parque automóvel está a crescer e a

envelhecer, pelo que estamos numa

dinâmica muito positiva. E, no que

diz respeito à Nexus, somos ainda

uma empresa muito jovem, que

está a diversificar e a construir um

modelo de negócio no pós-venda

automóvel que é diferente dos tradicionais

grupos de compras internacionais.

Diria mesmo que somos

um grupo muito especial neste setor.

A cultura que temos, que é feita

de empreendedorismo, de agilidade

e de inovação, vai fazer a diferença

nos próximos anos. E nós vamos

progressivamente conduzir o grupo

Nexus como uma empresa que

vai participar na transformação do

mercado de pós-venda automóvel

nos próximos anos. Estou muito

confiante nisso, com toda a humildade

que precisamos de ter, porque

a velocidade da mudança é significativa.

Mas penso que temos os

ingredientes para construir um modelo

que estará alinhado com as exigências

do mercado de pós-venda

nos próximos 10 anos”, remata. l

32 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


Juntos, na estrada,

somos...

Na Olipes colocamos à sua disposição produtos da máxima qualidade e

a gama mais completa de lubrificantes para os seus veículos e maquinaria.

Consulte a nossa rede de distribuidores e deixe-se ajudar por autênticos

especialistas em lubrificação para o setor de automação.

Catálogo de produtos

AUTOMÓVEIS

olipes.com

Descubra toda a nossa gama de produtos!

1993 • 2023

olipes.com

Por mais 30

anos juntos.


Entrevista

CLÁUDIA SOARES, GERENTE DA ROLNORTE

DIOGO CAVALHEIRO, DIRETOR COMERCIAL DA ROLNORTE

A ROLNORTE É UMA EMPRESA

SÓLIDA EM FRanCO CRESCIMENTO

FUNDADA EM 1987, A ROLNORTE É UMA EMPRESA DE DISTRIBUIÇÃO DE EQUIPAMENTOS

SEDIADA EM PENAFIEL. ARRANCOU PELAS MÃOS DO PAI E DO TIO DA ATUAL GERENTE,

CLÁUDIA SOARES, QUE HOJE JÁ CONTA TAMBÉM COM A AJUDA DO FILHO, DIOGO CAVALHEIRO,

DIRETOR COMERCIAL DA CASA DESDE HÁ CINCO ANOS. JUNTOS, TÊM DESENVOLVIDO

A ESTRATÉGIA ONLINE DA ROLNORTE, NUMA APOSTA GANHA, CUJAS VENDAS

JÁ REPRESENTAM 20% DA FATURAÇÃO, QUE RONDA OS 4 MILHÕES DE EUROS ANUAIS

Começou por ser uma empresa de comercialização

de ferramentas e equipamentos

para a construção civil e serralharia,

mas a evolução dos tempos e a necessidade de

adaptação ao mercado fez com que a Rolnorte

fosse abrindo o seu leque de ação para diferentes

áreas. Hoje, conta com a sede, em Penafiel, onde

dispõe de 1.500 m2 distribuídos por três pisos,

com oficina, armazéns, loja e exposições, e ainda

um espaço em Felgueiras, com 1.200 m2, que

abriu em março de 2015 e que está agora direcionado

para tratar toda a logística das vendas

online. Trabalham na empresa 22 funcionários.

Da falência à paixão

A entrada da atual gerente, Cláudia Soares, na

empresa, deu-se de forma inusitada, em 1991,

mas a responsável agarrou a oportunidade com

coragem e desembaraço, fazendo-a crescer a

cada ano e enfrentando sem medo as barreiras

naturais que lhe foram colocadas. Hoje, olha

para trás com orgulho e espera passar ao filho,

Diogo Cavalheiro, os princípios que sempre

pautaram a sua carreira profissional na Rolnorte.

“Os sócios fundadores da Rolnorte foram

o meu pai e o meu tio, em 1987. Mas, logo em

1990, a empresa começou a dar os primeiros sinais

de que o meu tio não tinha muito jeito para

este negócio; o meu pai, que era construtor civil,

também não estava ligado a esta área, e, em

1991, a Rolnorte estava numa situação de falência”,

começa por nos contar a gerente que, nesse

mesmo ano, terminava o curso de engenharia

civil, na faculdade. “Estudei em Lisboa, não

tinha intenção de vir para o mercado das má-

quinas e ferramentas, mas o meu pai contou-me

que o sócio fundador não tinha sido ele, mas sim

eu. Portanto, eu sempre fui, mesmo sem saber,

a sócia fundadora, com 40% da sociedade, e ele

resolveu-me dar isto”, revela, explicando que

só aceitou “por gratidão ao meu pai, porque os

tempos eram difíceis, ele teve quatro filhas a estudar

na faculdade ao mesmo tempo, era tudo

muito difícil, e eu disse, pronto, eu vou lá meio

ano. Se eu conseguir, muito bem, tu não vais

meter dinheiro nenhum na empresa e eu vou

dar a volta”, afirma, assumindo-se “obstinada”.

E assim foi, com 23 anos, Cláudia Soares arregaçou

as mangas e foi bater à porta de todos os

fornecedores a quem a Rolnorte devia dinheiro

e, recorda, “ninguém apostou em mim, exceto

um único fornecedor, a quem devíamos muito

dinheiro, que era a Romafe. Na altura, o sr. Fernando

França – uma pessoa extraordinária, que

já faleceu, ouviu-me e disse-me: «você tem tudo

contra, é mulher e está numa situação de falência,

mas o facto de vir aqui sozinha, a dizer que

não me vai pagar mas quer que eu continue a

fornecer, é uma atitude de coragem!» e é graças

a ele, que eu estou neste mundo, porque assinei

o compromisso de que ele ia-me continuar a fornecer,

mas eu ia pagando o anterior”, relembra.

Além disso, teve também apoio da concorrência,

que “quase que tinham pena de mim, «coitada

da garota, tem que se distrair com alguma coisa»,

diziam, e eu fui uma felizarda”. À distância

de mais de trinta anos, a gerente considera que

a Rolnorte “foi crescendo na sombra, porque

ninguém achou que eu conseguisse, só que eu

fui-me apaixonando por isto! Também trabalhava

na construção civil com o meu pai e houve

uma altura em que abandonei as obras e vim

para a Rolnorte”, conta, satisfeita por ter conseguido

conquistar a confiança e o respeito de

todos num mundo maioritariamente machista,

“eu hoje, de facto, sou um deles!”, congratula-se.

A modernização

Desde há cinco anos que Cláudia Soares tem

ainda o apoio do filho, Diogo Cavalheiro, de

26 anos, que se juntou à empresa para dar um

novo fôlego ao projeto e esta acredita que, “neste

momento, a Rolnorte é uma empresa sólida

em franco crescimento, veio a parte da modernização

e do online, que eu já deixo nas mãos

dele e foi uma surpresa, porque o nosso maior

crescimento foi, de facto, nas oficinas. Acho que

isso se deve ao trabalho dele e o futuro vai passar

por aí. A pior fase da empresa foi a estabilização

económica, estabilização de stock, de armazém,

portanto o caminho está livre, temos tudo para

ter sucesso”, remata. O site da Rolnorte foi criado

há cerca de quatro anos, mas, de acordo com

Diogo Cavalheiro, que ocupa atualmente o cargo

de diretor comercial, “no inicio foi complicado,

mas neste momento somos um referência online

de excelência para todas as oficinas”.

Entre Penafiel e Felgueiras

A empresa dedica-se exclusivamente à comercialização

na zona do Vale do Sousa e a aposta

online deve estender-se, em breve, a Espanha.

A Rolnorte trabalha “com praticamente todas

as marcas de topo”, diz Diogo, com Cláudia Soares

a duvidar que “haja alguma loja com o stock

34 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


CLÁUDIA SOARES E

DIOGO CAVALHEIRO

OLHAM PARA A

ELETRIFICAÇÃO DO

PARQUE AUTOMÓVEL

COMO UM DESAFIO,

E GARANTEM QUE

ESTÃO PREPARADOS

PARA ESTA NOVA ÁREA


CLÁUDIA SOARES e

DIOGO CAVALHEIRO

acompanhamos todo o processo e

temos assistência técnica”. Até porque,

segundo a gerente, “é muito

difícil conquistar o mercado, mas

é muito fácil queimá-lo. Tentamos

que isso não nos aconteça! Eu já só

trabalho com empresas que não me

deem problemas e com boa assistência”,

refere, notando que com o

online, chegaram muitos clientes

amadores, “com muitas dúvidas

que os profissionais não têm”, pelo

que passa pelo objetivo da empresa

vir a ter uma pessoa direcionada

apenas para o online, na parte do

call center.

Continuar a crescer

Cláudia Soares e Diogo Cavalheiro

concordam que, cada vez mais,

as oficinas se preocupam com

a questão da imagem e do

relacionamento com os clientes

e admitem que estas “mudaram

muito nos últimos dez anos”. Fãs

confessos do “design”, destacam o

projeto que realizaram para “uma

oficina de carros clássicos, que

ficou lindíssima.

Mas, é claro, temos de ter opções

para todas as carteiras e para

todos os tipos de oficinas”. Os dois

reconhecem que os profissionais

COM SEDE EM PENAFIEL, A ROLNORTE DISPÕE DE 1.500 M 2 DISTRIBUÍDOS

POR TRÊS PISOS, COM OFICINA, ARMAZÉNS, LOJA E EXPOSIÇÕES, E ainda

UM ESPAÇO EM FELGUEIRAS, COM 1.200 M 2 , E QUE ESTÁ AGORA DIRECIONADO

para tratar toda A LOGÍSTICA DAS VENDAS ONLINE

que nós temos de ferramenta manual.

No site, começamos a dar os

primeiros passos nas ferramentas

elétricas e já temos um crescimento

grande”. As duas mais recentes

inclusões no portefólio são a Knipex

e a Wera, duas marcas que a

Rolnorte começou a importar diretamente

da Alemanha (sem exclusividade).

Há previsão de adicionar

mais marcas no detalhe automóvel,

mas ainda não há nenhuma

decisão concreta nesse sentido. De

forma a tornar-se mais autossuficiente,

a Rolnorte passou a fazer

projetos de rede de ar comprimido

e já está preparada para montar

uma oficina “chave na mão, porque

quando dependíamos dos outros,

às vezes perdíamos o negócio, pois

demorava um mês para vir montar,

os técnicos estavam ocupados,

e isso foi uma evolução para nós”,

conta Cláudia Soares.

Experiência de pós-venda

Segundo Diogo Cavalheiro, a Rolnorte

é conhecida “por toda a experiência

que damos ao consumidor

e pelo serviço pós-venda, pois

A Rolnorte tem participado em

eventos de confraternização com

clientes e pondera participar na

próxima edição da expoMECÂ-

NICA. Os dois responsáveis têm

notado um “crescimento exponencial”

ao nível da procura de equipamentos

e salientam a venda, só

em 2024, de cerca de 200 carros

de ferramentas. Olham para a eletrificação

do parque automóvel

como um desafio, mas garantem

que estão preparados e até já se

vão vendendo artigos para esta

área.

Chegaram a iniciar um projeto

para ter marca própria, mas consideram

que, atualmente, “o caminho

não passa por aí.

É diversificar a gama e ter uma

panóplia grande de artigos”, afirma

Cláudia Soares, com o filho a

acrescentar que “todas as melhores

marcas têm interesse em trabalhar

connosco, já estamos num bom

caminho”. No que diz respeito aos

pagamentos, a gerente sublinha

a necessidade de se ser rigorosa

nas cobranças, para conseguir o

essencial equilíbrio financeiro da

empresa.

A Rolnorte tem sido distinguida

como PME Líder há vários anos,

tendo, em 2024, recuperado o título

de PME Excelência.

de hoje estão “muito melhor

formados e a geração atual é muito

mais polida”. Assim, acreditam que

“os jovens estão capacitados para a

evolução das oficinas” e mostramse

confiantes com a continuidade

do negócio.

Ao longo dos anos em que geriu a

empresa, Cláudia Soares conseguiu

sempre que esta crescesse.

Apesar de, no último ano, ter

ficado muito próximo do objetivo

de faturar 4 milhões de euros,

registou um crescimento superior

a 13% face a 2023 e a gerente

garante que para 2025, a meta

já será outra, porque é preciso

continuar a crescer.

Paulatinamente, vai entregando

as responsabilidades ao filho, pois

entende que “o futuro passa pela

nova geração e é preciso sangue

novo.

Também tenho outra filha, vamos

ver se ela quer vir para a outra

parte da empresa, que é a da

gestão”. Defende que se continuem

a fazer “boas parcerias” e manter

a “boa relação com os clientes”,

sublinhando que ainda “é ao balcão

que se aprende tudo, porque os

clientes, sem se aperceberem,

dizem-nos os que faz falta, o que

precisam e qual é o caminho”,

finaliza. l

36 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


WWW . V A L E O S E R VICE. PT/ SPECIA LIS T C L U B

RECEBE UMA

RECOMPENSA

pelas tuas

compras Valeo

+5

+5 00

+7 5

Fácil de Participar,

Fácil de Ganhar,

100% ONLINE

Descobre agora o Specialist Club.

Registo grátis e começa a ganhar!

valeoservice.pt/specialistclub


NOTÍCIAS // DINÂMICA SETOR ESCREVE ‐SE DE A A Z

MERCADO

ADQUIRE DOGA PARTS

Siker Products | A Siker Products assumiu o controlo da Doga Parts, a divisão

de aftermarket da Doga. Conforme confirmado por ambas as partes, a Doga Parts continuará

a operar de forma independente sob a nova propriedade, mantendo a mesma estrutura e a

mesma equipa. A Doga Parts foi criada em 2012 após a unificação da divisão de pós-venda

da Doga e da Abrinsa para reunir as atividades de pós-venda de automóveis de passageiros e

veículos ligeiros do grupo. Agora, 100% do seu capital foi adquirido pela Siker Products, uma

empresa gerida por Juan Luis Capella - antigo diretor-geral do Grupo Cautex -, que comercializa,

entre outras marcas, Dynamic, Holts e Bosal. Esta mudança levou à saída da empresa de Carles

Santacreu - até então diretor comercial - e à nomeação de Gerard Sánchez para esta função. Jordi

Llobet, diretor geral da Doga Parts, permanecerá à frente da empresa sob a nova direção. Esta

decisão não tem nada a ver com os resultados, porque os últimos anos foram muito bons para a

empresa, tratando-se de uma questão puramente estratégica.

LIQUI MOLY

BATE RECORDE DE VOLUME

DE NEGÓCIOS EM 2024

A

LIQUI

MOLY encerrou o exercício financeiro de 2024 com um

volume de negócios recorde na casa dos mil milhões de euros,

representando 111.000 toneladas de óleo, 24 milhões de latas de

aditivos e 36 milhões de embalagens de óleo. O balanço do ano passado

é muito positivo a vários níveis. “No início de 2024, os estrangulamentos

da oferta e a elevada procura continuavam a causar-nos problemas. Mas

graças aos nossos colaboradores orientados para soluções e muito diligentes,

o progresso foi muito bom, e em todo o mundo”, resumiu Uli Weller,

diretor-geral da LIQUI MOLY. Com o novo volume de negócios recorde

de 1.030 milhões de euros, foi possível atingir um aumento do volume de

negócios de 12,1% em comparação com o ano anterior. A empresa obteve o

maior volume de negócios no seu mercado nacional, a Alemanha, seguido

pelos EUA. Para a LIQUI MOLY, mil milhões é uma marca de desempenho

“mágica”, sublinhou Salvatore Coniglio, que faz parte da administração

desde setembro de 2024: “Sabemos que este sucesso extraordinário

se deve aos nossos quase 1.200 colaboradores em todo o mundo. Por isso,

decidimos, com total convicção, em conjunto com o Grupo WÜRTH, conceder

um bónus de sucesso de até 7.000 euros aos colaboradores. Todos

merecem isso”, acrescentou Coniglio.

rodape_PBS 2024.pdf 1 27/02/2025 11:23

INAUGURA OFICINA EM BRAGA

MYFORCE | A MyForce continua a sua expansão em território nacional, desta vez com a

abertura de mais uma oficina, a sua 89.ª, na cidade de Braga. Localizada em Maximinos, na Rua

Manuel Carneiro, n.º 35, a nova oficina MyForce tem como principal objetivo prestar serviços

rápidos e a preços competitivos. Com quase 90 oficinas distribuídas de norte a sul de Portugal

Continental e com presença em Angola com uma rede de cinco oficinas, a MyForce conta com um

Sistema Integrado de Saúde Automóvel e uma Linha de Saúde Auto. Adicionalmente, oferece

um clube de vantagens (Clube MyForce) e uma área de cliente que facilita o acesso a vantagens

exclusivas para os clientes MyForce. A rede faz parte de um grupo 100% português com mais

de 600 colaboradores. Após 4 anos de atividade, a rede MyForce foi reconhecida com os prémios

“Boa Escolha” e “Marca Recomendada 2025”, com uma taxa de satisfação atual superior a 94%.

PUB

PBS

38 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com

PBS - Portugal Bateria Serviço, Lda - 211 927 482 - geral@portugalbateriaservico.pt


AUTO SILVA ACESSÓRIOS

REFORÇA PORTFÓLIO

COM GATES

A

Auto

Silva Acessórios S.A., referência no mercado do aftermarket,

acaba de anunciar a integração da marca Gates ao seu

catálogo de produtos. “Esta parceria permite à empresa disponibilizar

aos seus clientes uma gama alargada de correias de distribuição,

correias de alternador e correias auxiliares, da marca reconhecida

pela sua elevada qualidade e fiabilidade”, avançou a Auto Silva Acessórios

em comunicado. “Com um histórico de inovação e excelência,

a Gates é líder global em tecnologia de transmissão de potência, fornecendo

componentes fabricados segundo os mais altos padrões exigidos

pelos principais fabricantes automóveis”, destacou. Para Vasco

Loff Duarte, gerente comercial da Auto Silva Acessórios, esta parceria

representa um passo estratégico na oferta da empresa: “A incorporação

da Gates no nosso portfólio reforça o nosso compromisso em comercializar

peças de marcas premium, garantindo aos nossos clientes

soluções fiáveis e de qualidade OE”. “A Auto Silva Acessórios continua

assim a consolidar a sua posição no mercado, apostando em marcas de

referência que asseguram máximo desempenho, durabilidade e segurança

para os profissionais do setor”, concluiu.

CEPRA E MOTORPOR ABREM NOVA

DELEGAÇÃO DE FORMAÇÃO EM FARO

CEPRA e Motorpor | A Motorpor e o CEPRA, celebraram no passado dia 16 de

janeiro de 2025 um protocolo de colaboração que reforça o compromisso de ambas as entidades

com a qualificação técnica e a valorização profissional no setor automóvel. Este acordo resultou

na abertura de uma Delegação do CEPRA, instalada em infraestruturas da Motorpor, em Faro.

Considerando a abrangência nacional das intervenções do CEPRA, a cedência pela Motorpor

de instalações fixas, devidamente adaptadas, permite o acesso à formação técnica na região,

respondendo às necessidades de qualificação local. Segundo António Caldeira, diretor do CEPRA,

“a abertura desta nova Delegação é um marco extremamente relevante para o CEPRA, que reforça

a sua capacidade de desenvolver formação em todo o território continental. Ainda o é mais,

por se tratar de uma região em que as necessidades de formação profissional são sobejamente

conhecidas”. Por seu lado, Manuel Coutinho, CEO da Motorpor, referiu “Estamos convictos de que

este novo centro de formação servirá não só à Motorpor, mas também a toda a região, dotando-a

da capacidade técnica tão necessária num setor em profunda transformação”.

PUB

www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 39


NOTÍCIAS

EXIDE TECHNOLOGIES LANÇA

NOVA BATERIA AUXILIAR AGM

BILSTEIN GROUP

AVANÇA COM CONSTRUÇÃO

DO AUTOSTORE

Com os olhos postos na inovação e no futuro, o bilstein group em Portugal continua a

avançar com a construção do novo AutoStore, iniciado em 2024, com previsão de

conclusão entre março e abril de 2025. O AutoStore é um sistema automatizado utilizado

em centros de distribuição e armazéns, projetado para maximizar a utilização do espaço

e aumentar a eficiência das operações de armazenamento e picking de mercadorias. Este

sistema é composto por uma estrutura modular de “células” (ou cubos) onde os produtos são

armazenados de forma compacta. No interior dessa estrutura, existem robots móveis que se

movimentam sobre a parte superior das células para recolher e entregar as mercadorias de

forma eficiente. A construção do AutoStore iniciou-se em 2024 com a remoção de vários

corredores de racks disponibilizando cerca de 650 m2 para a futura implementação do AutoStore.

De acordo com o planeamento, a construção estará concluída entre março e abril de

2025, momento em que começará a operação de colocação das primeiras caixas no interior

da estrutura e a introdução e a colocação dos 20 robots em funcionamento. Prevê-se que, no

futuro, sejam introduzidas cerca de 40.000 peças, no total, dentro do AutoStore.

EXIDE | A nova bateria auxiliar EK013 da Exide Technologies

permite que os condutores sigam normalmente as suas rotinas ao

volante, mesmo em caso de avaria ou falha da bateria principal de

12 V. Após o recente lançamento do EK454 e do EK457, equipados

com terminais cónicos standard e finos de acordo com a Norma

Europeia (EN) e a Norma Industrial Japonesa (JIS), respetivamente,

esta última adição à gama de baterias Exide AGM vem demonstrar

a dedicação da Exide em oferecer aos profissionais ainda mais

escolha, proporcionando um portfólio de baterias “abrangente,

fiável e duradouro”. Concebida exclusivamente como bateria de

reserva, a EK013 de 12 V e 1,2 Ah foi desenvolvida para suportar

sistemas eletrónicos de transmissão automática e bombas de óleo

elétricas de caixa de velocidades. Ao lado da bateria auxiliar padrão –

normalmente atrás do porta-luvas na maioria dos casos – é utilizada

para suportar sistemas avançados de paragem e arranque. Esta última

adição da Exide desempenha um papel essencial ao permitir que os

condutores conduzam os seus veículos normalmente, mesmo em caso

de avaria ou falha da bateria principal de 12 V.

PUB

40 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


Lubrificantes Galp

galp.com

Performance

ao mais alto nível

Qualidade digna de pódio.

Os lubrificantes Galp são o resultado de anos

de investigação e aplicação de tecnologias

avançadas. Por isso é que garantem maior

proteção, longevidade e performance para

o seu equipamento.

Quem procura o mais alto nível, encontra

os lubrificantes Galp.


A NOSSA

PREOCUPAÇÃO

É A QUALIDADE

DE SERVIÇO

AO CLIENTE

A CAETANO PARTS É A CENTRAL DE PEÇAS

QUE EFETUA A GESTÃO DE TODAS AS PEÇAS

ORIGINAIS DAS MARCAS COMERCIALIZADAS PELA

CAETANO RETAIL, ASSIM COMO OS PRODUTOS

DE AFTERMARKET, PNEUS E LUBRIFICANTES.

CELEBROU 25 ANOS EM 2024 E APRESENTOU

UMA NOVA IMAGEM E ASSINATURA, AFIRMANDO-SE

AGORA COMO «A PEÇA CHAVE DO SEU NEGÓCIO»


Entrevista

MÁRIO BATISTA

DIRETOR-GERAL DA CAETANO PARTS

Viajámos até Grijó, em Vila Nova de Gaia,

onde fomos recebidos pelo diretor-geral

da Caetano Parts, Mário Batista, que nos

contou tudo sobre esta empresa que faz parte do

grupo Salvador Caetano e que tem crescido de

forma consolidada no mercado, integrando a

placa Distrigo, o conceito oficinal Eurorepar Car

Service e ainda o conceito Motrio, da Renault.

Geograficamente, a Caetano Parts tem sede em

Grijó – onde estão há cerca de dois anos – e tem

ainda outras instalações em Setúbal, no Setúbal

Retail Park, junto a uma Caetano Retail. Conta

com uma equipa de 150 pessoas e alberga mais

de 85 mil referências em stock, num valor que

ronda os sete milhões de euros. Garante a distribuição

de peças em todo o território nacional

com entregas bidiárias e, além do mercado interno,

que são todos os concessionários do grupo

Salvador Caetano, atualmente, os maiores

clientes externos da Caetano Parts são as oficinas

independentes. “Este conceito central de peças

arrancou quando a Caetano Retail alcançou

uma dimensão que já justificava uma central

para organizar o negócio das peças e o serviço

às oficinas de cada concessionário do grupo. A

partir daí, a central de peças começa por estar

muito focada em organizar internamente tudo

o que era peças, e só depois se começa a virar

para o mercado externo, o mercado independente”,

explica-nos Mário Batista, Diretor-Geral

da Caetano Parts.

Placa Distrigo

Em 2021, a Caetano Parts adquiriu a Gamobar

Peças e passou a integrar, em 2022, a placa Distrigo

e o conceito oficinal Eurorepar Car Service.

Segundo o responsável, a placa Distrigo “é uma

componente importante do nosso negócio, porque

na prática é quase como sermos um mini

importador Stellantis, entre quatro no país. É

uma abordagem muito diferente, quer do ponto

de vista comercial, quer do ponto de vista de

processos, o perfil de consumo é distinto dos

clientes das outras marcas, nas quais não há um

conceito igual, e o nível de exigência também é

diferente”. Mário Batista revela que também têm

“investido muito, em termos de qualidade de

stock e na constituição de equipa. Aqui, temos

um espaço com 5.000 metros quadrados de armazém”.

A empresa está também a dinamizar a

marca Eurorepar e o conceito oficinal Eurorepar

Car Service, sendo que o diretor-geral salienta

que “estamos na parceria com a Stellantis por

inteiro e quando são incorporadas novas linhas

de produto na marca Eurorepar, nós traduzimos

isso na nossa oferta”. Entretanto, têm integrado

na Eurorepar Car Service vários operadores,

“no sentido de fortalecer a rede, pois é uma das

tarefas de uma placa Distrigo. Adicionámos

duas oficinas em fevereiro, já temos perto de 25

agregadas”, conta. Além disso, a Caetano Parts

desenvolve o conceito Motrio, da Renault, onde

tem estado muito ativa, a apoiar e a dinamizar

o projeto.

Por outro lado, a Midas tomou recentemente a

decisão de mudar de master franchise e a Salvador

Caetano está agora a constituir a rede de

pontos próprios e de franchisados: “Nós, nos

pontos próprios, somos, obviamente, o fornecedor

privilegiado e nos franchisados temos parcerias

também fortes, através do conhecimento

que o grupo Salvador Caetano tem do nosso trabalho.

Estamos a acompanhar o crescimento da

Midas, que é mais um cliente”, esclarece o nosso

interlocutor, que não vê complexidade no desenvolvimento

de várias redes oficinais, uma vez

que “cada marca tem a sua abordagem, e hoje,

de facto, a Stellantis e a Renault têm esta abordagem

para redes que não são incompatíveis.

Nós estamos numa posição em que queremos

ajudar todas as marcas a evoluírem”, afirma.

Garantir a qualidade de serviço

Mário Batista reconhece que é necessário ter

“uma qualidade de stock boa para servir, porque

a nossa concorrência também tem a mesma

peça, na mesma caixa, e, eventualmente, ao

mesmo preço, visto que compramos às marcas

nas mesmas condições. A nossa preocupação é

a qualidade de serviço ao cliente, pela cobertura

de stock e pela rapidez de entrega. É assim

que nos distinguimos, quando o cliente pesquisa

ou pede uma peça, temos em stock. A logística

de entrega de encomendas está a sair daqui e

também temos alguma a sair de Setúbal. Temos

ainda negócios nas ilhas, com uma logística diferente,

mas com uma cobertura interessante”,

garante. O contact center da Caetano Parts é o

canal por onde chegam mais pedidos de encomendas.

A empresa tem investido em IT, “para suportar

o nosso negócio, desde o nosso ERP até aos diferentes

sistemas das várias marcas com que trabalhamos,

temos investido muito em sistemas e

tecnologia. No armazém estamos a implementar

novos projetos, para termos a operação o mais

automatizada possível e sermos eficientes, essa

também é uma componente que nos preocupa”,

assume o nosso entrevistado, acrescentando que

em Grijó, que é uma instalação recente, “implementámos

sistemas informáticos específicos de

gestão de armazém, para gerir toda a complexidade

que é termos 80 mil referências em stock,

visto que já não é possível fazer isto com um

sistema que não seja especializado. Para além

disso, temos um sistema de distribuição de encomendas,

que se chama PTL, que ajuda a otimizar

o processo de picking e depois a separação

de encomendas para os clientes”, destaca.

«A peça chave do seu negócio»

Em 2024, a Caetano Parts celebrou um quarto

de século e decidiu apresentar uma nova imagem,

para “criar mais proximidade nos nossos

clientes, e identificarem-nos melhor quando a

veem. Por outro lado, corresponde à nossa vontade

de nos adequarmos à procura que os clientes

têm”.

A par da modernização da imagem, a Caetano

Parts criou também um novo slogan, afirmando-se

como: «A peça-chave do seu negócio». Ao

longo destes 25 anos, desde o foco inicial na organização

interna, muito mudou na empresa. O

crescimento, que acompanhou as aquisições que

o grupo Salvador Caetano foi fazendo, permitiu-

MÁRIO Batista, DIRETOR GERAL DA CAETANO Parts, RECONHECE QUE É

necessÁRIO TER “UMA QUALIDADE DE STOCK BOA PARA SERVIR BEM O

CLIENTE, PORQUE A NOSSA CONCORRÊNCIA taMBÉM TEM A MESMA PEÇA, NA

MESMA CAIXA, E, EVENTUALMENTE, ao MESMO PREÇO”

www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 43


MÁRIO BATISTA

A CaetaNO Parts CONTA COM UMA EQUIPA DE 150 PESSOAS E ALBERGA

MAIS DE 85 MIL REFERÊNCIAS EM STOCK, GARANTINDO A DISTRIBUIÇÃO DE

PEÇas EM toDO O TERRITÓRIO NACIONAL COM ENTREGAS BIDIÁRIAS

-lhes identificar “as oportunidades

que o mercado apresentava e a procura

de peças que o mercado ia fazendo”,

diz-nos Mário Batista, que

considera que a evolução da Caetano

Parts foi “consolidar todos os

processos e toda a gestão de peças a

nível interno da Salvador Caetano

e crescer no mercado externo para

corresponder à procura do mercado

e à vantagem que julgamos ter,

ao termos um leque de oferta de

marcas interessante”.

Portal B2B em progresso

Ao longo dos anos, o portal da

Caetano Parts tem progredido em

função do feedback que a empresa

vai recebendo não só dos clientes,

como também das melhores práticas

do mercado. A gama está toda

disponível no portal e o cliente

pode pesquisar por referência e

pode identificar as referências em

função da zona do carro que é para

reparar.

De acordo com Mário Batista, “excetuando

alguns casos específicos

que nós queremos validar, antes

de passar para o processo seguinte

de tratamento em armazém, já

flui tudo automaticamente. Isto

também faz com que a velocidade

de entrega e a qualidade de serviço

seja ainda melhor cumprida. Para

além disso, o cliente tem lá toda

a sua informação, as compras que

fez no último ano, no último mês,

as faturas pendentes de pagamento,

as datas de vencimento, etc.”.

Desde o ano passado, que a Caetano

Parts se juntou à plataforma

espanhola Recambiofacil, que o

diretor-geral define como “mais

um canal de vendas. Nós já tínhamos

uma área de oportunidades no

nosso portal, peças que identificamos

e que queremos vender a um

preço mais competitivo e é uma

área com muito sucesso, como vemos

nas nossas estatísticas. Adicionalmente,

publicamos também no

Recambiofacil, que achamos que é

um marketplace muito interessante

para estar presente”.

Pensar no futuro

As encomendas no portal têm vindo

a aumentar, mas é no contact

center que ainda se concentra a

maioria dos pedidos dos clientes.

O atendimento é feito por telefone,

mas também por WhatsApp,

“que é muito prático e agiliza-nos

o trabalho, porque uma coisa é

É INEVITÁVEL

O AGRUPAMENTO DE

PEQUENOS E MAIORES

OPERADORES

ário Batista olha para a atual situação de concentração do negócio pós-venda automóvel

M

como “inevitável. Vemo-lo a acontecer em várias áreas de negócio e esta não é uma

exceção. É inevitável o agrupamento de pequenos e maiores operadores. Muitos têm funcionado,

alguns nem por isso, nomeadamente a entrada de fundos, que investem e querem resultados muito

rápidos, mas acho que é uma tendência que vai continuar”. No que diz respeito à procura de peças

mais económicas para fazer face à inflação, o responsável diz não sentir “grande diferença”. No caso

dos carros mais antigos, “os clientes procuram sempre uma alternativa em aftermarket, mas é uma

tendência que já vem de longe. Nos carros mais recentes, há linhas de produtos que ainda não

existem no aftermarket e a opção é a peça original”, nota. O diretor-geral da Caetano Parts entende

que, com o advento dos veículos elétricos, “todo o mercado automóvel se vai transformar, não tão

rápido como se previa, mas os passos estão a ser dados. Acho que nós próprios nos vamos

transformar. Fazer previsões a cinco anos, nos tempos que correm, já ninguém é capaz. Nós vamos

estando muito atentos à evolução do mercado, à evolução do setor, para conseguirmos tentar

antecipar o mais possível os passos que temos que dar”, assegura. Sobre as peças das marcas novas,

provenientes da China, que vão entrando no mercado, a empresa já as vai trabalhando, tal e qual

“como uma marca mais tradicional, estamos cá para corresponder ao que os clientes precisarem”,

sublinha.

o cliente descrever a peça, outra

coisa é conseguir enviar-nos uma

imagem”, reflete. No call center é

possível apoiar o cliente num orçamento,

fazer a identificação, ver as

condições que o cliente tem e dizer

qual o stock e o valor. Depois é a

efetivação do pedido. Se os clientes

fizerem o pedido através do portal,

o call center não tem que intervir, a

não ser em algumas peças mais diferentes”.

Mário Batista explica que

fazem “todas as campanhas que as

marcas lançam e algumas campanhas

próprias também. O call center

dá todo o apoio necessário e a

equipa de mais de vinte comerciais,

com cobertura nacional, está sempre

junto do cliente para ajudar em

todos os problemas que surgem no

dia a dia”.

As peças verdes (usadas) já vão

tendo alguma procura e, dado que

a Stellantis integra uma plataforma

– a B-Parts – de venda de peças

usadas com garantia, “nós, implicitamente,

também temos essa oferta,

e consideramos muito positivo,

no ponto de vista ambiental, haver

essa preocupação”, considera Mário

Batista. Para 2025, o responsável

mostra-se assertivo: “acho que

vamos crescer!”. Depois de 2024

ter sido também “um ano bom,

em que não disparámos em flecha,

mas crescemos o que tínhamos planeado,

de uma forma ponderada e

consolidada. E este ano temos a

mesma postura”, finaliza sem abrir

o jogo sobre os projetos previstos

para este ano. l

44 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


VOCÊ

NOSSA MOTIVAÇÃO

www.tabspain.com


Entrevista

PAULO AZEVEDO, SÓCIO-GERENTE OMA PEÇAS AUTO

MIGUEL MOREIRA, SÓCIO-GERENTE OMA PEÇAS AUTO

A ENTRADA NO GruPO

TRUSTAUTO FOI UMA

ENOrme MAIS-VALia!

A EMPRESA DE SÃO JOÃO DA MADEIRA É UM DISTRIBUIDOR DE PEÇAS COM 27 ANOS NO MERCADO,

QUE PASSOU, HÁ SEIS, A INTEGRAR O GRUPO DE RETALHO TRUSTAUTO. ALÉM DA SEDE, TEM AINDA

DUAS FILIAIS, EM CANEDO E RIO MEÃO, E EM BREVE IRÁ REMODELAR AS INSTALAÇÕES PRINCIPAIS

PARA AMPLIAR A ÁREA DE ARMAZENAGEM E FAZER UMA SALA DE FORMAÇÃO. MIGUEL MOREIRA E

PAULO AZEVEDO, SÓCIOS-GERENTES, FALARAM-NOS SOBRE O CRESCIMENTO DA OMA PEÇAS AUTO

E MOSTRARAM-SE CONFIANTES NA CONTINUIDADE DO NEGÓCIO NOS ANOS VINDOUROS

Oliveira, Moreira e Azevedo foram os três sócios

que, em 1998, fundaram a OMA Peças

Auto, uma empresa dedicada à distribuição

de peças. Seis anos mais tarde, passaram a

ser apenas dois, Miguel Moreira e Paulo Azevedo,

que assumiram, desde então, a gestão da mesma.

Questionado sobre como têm trabalhado para fazer

a diferença no mercado, Miguel Moreira explica

que fizeram “um trabalho de proximidade com

o cliente e, com isso, ganhámos o mercado. Muitas

vezes, quanto maior o barco, maior é a tormenta,

e, se calhar, os nossos concorrentes, que eram e

continuam a ser gigantes à nossa beira, face à dimensão,

descuraram alguns pormenores aos quais

nós sempre estivemos atentos e fomos tentando

melhorar para cativar os clientes”. Além disso, salienta

o poder negocial que foram ganhando com

a crescente dimensão e com a competitividade que

as marcas premium, das quais são importadores

através do grupo Trustauto, trouxeram. “Outra

parte do sucesso”, acrescenta, “é a equipa fantástica

que temos, em que praticamente todos os nossos

elementos chave estão connosco desde sempre.

Conforme fomos crescendo, os recursos humanos

têm-se mantido ao longo dos anos e isso também é

motivo de orgulho para mim”, diz, garantindo que

isso “dá uma confiança tremenda ao mercado”.

Parcerias que importam

A OMA Peças Auto tem a sede em São João da

Madeira e duas filiais, uma em Canedo, há sete

anos e outra em Rio Meão, há dois, focando-se

no distrito de Aveiro Norte. Não está prevista a

abertura de mais filiais, porque isso iria obrigar

“ao reposicionamento de funcionários daqui da

sede e hoje em dia é difícil arranjar profissionais

já com capacidade para entrar no nosso ritmo e

para formar”, explica Miguel Moreira. O passo

mais recente foi a entrada no grupo Trustauto,

em 2019, que se afigurou ser “uma enorme

mais-valia, até pela conjuntura do mercado, com

fusões e aquisições que está a haver, sermos pequenos

e estarmos sozinhos ou por nossa conta,

dificulta bastante. Assim, temos as marcas próprias

e as nossas marcas de importação direta”,

diz o sócio-gerente, que aguarda agora os benefícios

que surgirão do acordo do grupo Trustauto

com a Stellantis, que permitirá “estar ligado a um

supergrupo. É um dos maiores grupos europeus

de construtores automóveis, o que também nos

traz muita responsabilidade”. Sobre a rede de

oficinas Mooving, o responsável revela que “está

um pouco estagnada, também para perceber se

poderá ter alguma inclusão ou interação com a

rede Eurorepar, da Stellantis, o que seria um alavancar

para a nossa rede”, considera, destacando

que a Mooving “é um projeto fantástico, que tem

esbarrado em burocracias, mas não está morto”.

Portefólio completo

A OMA Peças Auto trabalha com praticamente

todas as marcas de peças auto, tendo em stock

permanente cerca de 86 mil referências. Miguel

Moreira aponta como marcas-bandeira aquelas

que “importamos através do Grupo Trustauto,

como a SKF, Hella, Blue Print, Valeo, Exide,

OCAP… são as marcas que temos mais cuidado a

trabalhar. E, além disso, trabalhamos com todas

as marcas disponíveis no mercado, tudo o que o

cliente quiser”. Por outro lado, a marca própria

Trust tem sido muito bem aceite pelo mercado,

com um desempenho que o nosso interlocutor

define como “excelente”. Na sua opinião, “somos

um bocado ambiciosos, porque não olhamos para

a marca Trust como low cost, ou como uma segunda

marca. Nós temos uma marca própria com

um produto premium lá dentro, seja a Valeo, por

exemplo, ou baterias da Exide. Nós privilegiamos

a marca e a qualidade e o que está dentro da embalagem

são produtos de qualidade, explicando

que “é uma linha grande, que tem uma aceitação

no mercado excelente, precisamente por isto. No

posicionamento que tem de qualidade-preço é

imbatível”, frisa.

A empresa comercializa tudo para as oficinas,

sendo que as “ferramentas mais básicas já trabalhamos

há muitos anos e, de há dois anos para

cá, fizemos um forte investimento na área da ferramenta

mais tecnológica. Fruto disso, fizemos o

acordo com a Autel. Também temos a distribuição

de pneus e daqui para a frente vamos tentando

sempre olhar para outros ramos, porque se, com

a chegada dos elétricos vamos perder 60 a 70% da

46 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


DA AVENTURA, INICIADA EM 1998, A OMA PEÇAS AUTO É HOJE UMA EMPRESA

CONSOLIDADA NO SETOR DAS PEÇAS PARA AUTOMÓVEIS, LIDERADA POR

PAULO AZEVEDO E MIGUEL MOREIRA. COM A PERSPETIVA DE GARANTIR OS

ALICERCES NECESSÁRIOS AOS DESAFIOS QUE O MERCADO APRESENTA, NO

PRESENTE E PARA O FUTURO, JUNTOU-SE EM 2019 AO GRUPO TRUSTAUTO


PAULO AZEVEDO

MIGUEL MOREIRA

A OMA PEÇAS AUTO SEMPRE apostoU EM DAR O MELHOR

atenDIMENTO, alicerçaDO NO CONHECIMENTO E INFORMAÇÃO

TÉcnica DOS PRODUTOS DISPONIBILIZADOS, CAPACIDADE DE RESPOSTA

E ENTREGA RÁPIDA DE ENCOMENDas

manutenção dos veículos, temos de

tentar compensar de alguma maneira

com outra série de componentes,

com outros serviços, também temos

que olhar para o futuro”, diz Miguel

Moreira, para quem a adaptação ao

mercado dos veículos elétricos “já é

quase obrigatória, hoje”.

muitas vezes, desconfia, porque

ninguém dá nada a ninguém. E eu

tenho uma resposta direta e muito

curta para eles: «Eu estou a investir

em ti, porque se amanhã não

tiveres conhecimento ou trabalho,

eu também não tenho!», digo-lhes,

muitas vezes”.

Do balcão para o call center

A evolução do negócio fez com que

a OMA Peças Auto se fosse adaptando

às necessidades do mercado,

passando a fazer entregas diárias aos

clientes. No entanto, o balcão, onde

trabalham seis pessoas em permanência,

continua “a funcionar muito

bem. O call center começou com

uma pessoa, depois passou para duas

e já estamos a pensar em passar para

três, mas do balcão não sai ninguém,

não temos hipótese”, afirma Miguel

Moreira. A empresa faz entregas

bidiárias, com quatro rotas estipuladas

a partir da sede e mais duas

viaturas em cada uma das filiais. As

encomendas ainda são feitas, preferencialmente,

pelo telefone, “porque

as pessoas têm receio do engano na

identificação correta e optam por

ligar. Temos o nosso sistema Trust

Vision, mas tem pouca expressão a

nível de encomendas online de clientes,

ainda é uma ferramenta pouco

utilizada. Os clientes, pelo feedback

que nos dão, usam mais até para orçamentar

ou para pesquisar”.

A devolução de peças é um problema

que tem vindo a ser mitigado,

contudo, obriga a ter um funcionário

destacado apenas para isso, o

que o responsável entende ser “um

custo que temos que ter, mas sei

que há gente bem pior e há clientes

que nos dizem que somos eficientes

em fornecer a peça, o que reduz em

muito o nível de devolução. É o feedback

que temos, que eu gosto de

realçar, pois é fruto do nosso trabalho.

É que a devolução, além de ter

o encargo de termos uma pessoa só

para isso, também engloba os encargos

da logística, portanto temos

que reduzi-los ao máximo, porque é

um flagelo, é caótico”, defende.

A importância da formação

Criar um centro de formação teó-

rico e prático é um dos objetivos

da OMA Peças Auto, que pretende

ainda este ano “adquirir parte

das instalações que ainda não são

nossas, precisamente para a parte

prática”. Miguel Moreira conta que

“os clientes precisam da formação

e é um serviço que não só podemos,

mas devemos oferecer-lhes.

E às vezes as deslocações são um

problema, porque ainda há clientes

que olham para a formação como

«perder tempo». Isso tem mudado,

mas nós temo-nos debatido

com esse assunto, porque é preciso

investir em conhecimento, com a

evolução dos automóveis, a formação

torna-se essencial. Há até ações

que fazemos sem custo e o cliente,

Um mercado próspero

Miguel Moreira acredita na continuidade

deste mercado, “que ainda

vai ser próspero durante uns bons

anos”, pois “enquanto não houver

políticas para exterminar realmente

o automóvel a combustão, que

eu acho que não vai haver… dado

que economicamente, isso seria

uma coisa impensável!”. Sobre o

mercado de pós-venda, entende

que o crescimento face às OE e a

algumas plataformas digitais, “é

fruto do nosso trabalho e da nossa

capacidade de adaptação, que não

há igual. As OE deixaram-se completamente

ultrapassar e praticamente

quase não têm expressão, a

não ser no material que não haja da

concorrência”, argumenta. A OMA

terminou o ano de 2024 com números

muito idênticos a 2023, face

“a algumas situações adversas, de

concorrência que abriu aqui perto

de nós, e vieram buscar funcionários

para ganharem o mercado

local”, pelo que “tenho que me dar

por contente, os que ficaram foram

os bons, fizeram um trabalho

exemplar”, parabeniza-os. l

48 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com



QUEREMOS TER 25

OFICINAS NA REDE ATÉ AO

FINAL DO ANO


Entrevista

NUNO PINTO, DIRETOR GERAL DA DIAGTEC PLUS

TIAGO RESENTE, DIRETOR DE MARKETING DA DIAGTEC PLUS

A DIAGTEC PLUS, LDA. NASCEU EM 2019, PELAS MÃOS DE NUNO PINTO, FRUTO DO KNOW-HOW

DE UMA EQUIPA COM MAIS DE 20 ANOS DE EXPERIÊNCIA NO SETOR DA VENDA DE EQUIPAMENTOS

E FORMAÇÃO AOS PROFISSIONAIS DA REPARAÇÃO AUTOMÓVEL, MAIS ESPECIFICAMENTE

EM MECATRÓNICA AUTOMÓVEL. ATUALMENTE TEM AINDA UMA REDE OFICINAL, A DIAGTEC+

COM 16 OFICINAS ADERENTES E O OBJETIVO CLARO DE CONTINUAR A CRESCER

Comercializar equipamentos de diagnóstico

e dar formação em mecatrónica automóvel

era o «core business» da Diagtec

Plus, que marca presença em mais de 1.000 negócios

tanto a nível nacional como internacional.

A Diagtec+, a rede de oficinas da Diagtec,

foi criada depois, sendo um projeto dedicado

a especialização em mecatrónica automóvel e

veículos PHEV e EV. As instalações da Diagtec

contam com sala de formação teórica e prática e

um showroom onde tem expostas as mais recentes

inovações da área. Atualmente são 16 as oficinas

aderentes à rede Diagtec+, especializadas

em diagnóstico e mecatrónica automóvel. Tem

um call center com três técnicos permanentes

a dar apoio aos clientes e quatro vendedores. A

empresa tem exclusividade na comercialização

de várias marcas de equipamentos de diagnóstico,

designadamente a Magic MotorSport, a

ABrites, a Smok e a Thinkcar.

Em franco crescimento

A história da Diagtec Plus, começa precisamente

na época de Covid, quando estava tudo em confinamento.

Surgiu pelo facto de terem sido detetados

três problemas relevantes: “oficinas que

têm técnicos, mas não têm equipamentos, nem

têm formação; oficinas que até têm os equipamentos,

mas não têm formação nem técnicos, e

oficinas com técnicos e com equipamentos, mas

que não têm qualquer formação. A tudo isto

junta-se a pouca higiene e organização de muitas

oficinas, pois vê-se máquinas de milhares de

euros no meio de óleo e resíduos. Tentámos fazer

uma lista de problemas e questionámo-nos

de que forma poderiam ser resolvidos. Então,

decidimos criar o conceito de Diagtec Plus”, começa

por nos contar o diretor geral, Nuno Pinto.

Dada a necessidade de tornar as oficinas mais ecológicas,

juntaram a reutilização, a reconfiguração

e a recuperação das unidades, para reaproveitar

material que muitas vezes seria descartado: “Tentamos

reaproveitar essas unidades ao máximo e

colocá-las em funcionamento novamente, poupando

muito dinheiro ao cliente e também permitindo

ao prestador de serviços ter uma maior margem

de lucro e fazer um serviço muito mais rápido

do que o concessionário, que muitas vezes tem que

agendar. Se nós conseguirmos resolver um problema

na hora, mesmo com um custo semelhante ou

até mais baixo que o do concessionário, o cliente

vai preferir-nos, vai ficar servido e muito satisfeito”,

comenta o responsável.

Para além das oficinas, evoluíram a academia

de formação, e atualmente dão formação todos

os meses, exceto em agosto. Com seis novas temáticas,

há alguns meses, até, em que dão duas

formações. Em 2025 o número sobe para onze,

sempre em constante atualização: “Vamos adaptando

os cursos às necessidades. Há sempre um

curso ou dois que são fixos, por exemplo, os híbridos

e elétricos. No ano passado fizemos duas

vezes formação de híbridos e elétricos, que são

32 horas em cada formação. Esses temas são

sempre fixos e não vamos tirá-los porque há

sempre uma procura enorme. Contamos com

um parceiro certificado que vem cá dar as formações,

para as quais se pode inscrever qualquer

pessoa, embora haja alguns cursos que

possam ser exclusivos só da rede”, explica.

Forma de trabalhar específica

A Diagtec tem uma forma de trabalhar diferente

do normal, por comparação com a concorrência,

entendem, com “técnicos e vendedores na rua.

Além deste backoffice aqui, temos quatro vendedores

em todo o país e temos os técnicos que

os acompanham nas visitas ao cliente. Abordamos

o cliente «business to business». Temos

o técnico na hora se for necessário, e todas as

máquinas são entregues com formação. Sempre

que o vendedor entrega um equipamento,

vai um técnico que também faz a formação na

hora. As demonstrações são sempre feitas pelos

técnicos, porque o comercial não tem o mesmo

conhecimento técnico que tem um profissional

da mecatrónica. Somos oito e assim funcionamos

na perfeição”, garante Tiago Resende, diretor

de marketing. Os clientes da Diagtec são

transversais, nota Tiago Resende, que refere que

“ainda há muitas oficinas com o dono mais velho,

mas começa a aparecer uma nova geração

de profissionais mais vocacionados para a parte

da Mecatrónica, da Eletrónica e tudo isso. Os

carros também estão mais por essa vaga, com

mais eletrónica e mais mecatrónica. Mas temos

alguns aderentes da rede, que já são utilizadores

com mais de 50/60 anos”, explica. “Regra geral,

nesta área há muito o negócio que passa de pais

para filhos, o negócio de família”, sublinha o diretor

de marketing.

As oficinas e as marcas

As oficinas da rede Diagtec+ podem ser de três

níveis, “desde o nível de diagnóstico avançado

até ao nível que inclui, além do diagnóstico, a

formação e os híbridos e elétricos. Uma oficina

pode especializar-se em híbridos e elétricos, reparação

e manutenção, sendo tudo adequado,

depois, ao perfil de cada aderente. Existem requisitos

que têm que cumprir para poderem ingressar

na rede, como ter uma boa imagem e que

tenham capacidades técnicas. O ADN que tentamos

ter aqui na empresa, tentamos replicar

nas «nossas» oficinas, que acabam por se tornar

mais rentáveis. A primeira de todas, por exemplo,

ao final de meio ano, já tinha o investimento

rentabilizado, devido ao aumento de clientes

na área do diagnóstico”, conta Tiago Resende

que salienta que “queremos manter o padrão de

qualidade e eles têm que cumprir os requisitos,

havendo, depois, um controlo sobre esses requisitos.

Isto é um plano que nós dizemos, a brincar,

que funciona como um fato à medida”, explica-nos.

Neste momento as oficinas Diagtec+

começam a tornar-se referências para outras

oficinas, pois “como são mais especialistas em

determinada área, há outros «players» do mercado

que as procuram, como por exemplo, as

www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 51


NUNO PINTO

TIAGO RESENTE

A DIAGtec PLUS É UMA EMPRESA ESPECIALIZADA EM FORMAÇÃO

E COMERCIALIZAÇÃO DE EQUIPamentos PARA MECATRÓNICA automÓVEL.

contam COM UMA acaDEMIA COMPLETAMENTE EQUIPADA E CAPAZ

DE RECEBER atÉ 15 FORMANDOS

oficinas especializadas em Diesel”,

revela. Atualmente contam com

16 oficinas na rede, mas até final

de 2025 esperam que este número

cresça para 25.

Em relação às marcas que representam

e comercializam, são várias:

“Somos representantes da Magic

MotorSport há muitos anos e em

exclusivo, que é mais na base da leitura

das unidades de motor e unidades

de caixas automáticas para

reparação e manutenção. Temos

a ABrites, uma grande marca que

ficou connosco há uns anos. Neste

caso, vocacionada para reconfiguração

de praticamente todos os módulos

da viatura, também diferente

da Magic. Representamos ainda

a Smok, uma marca ligeiramente

mais técnica, mais vocacionada, não

para o módulo, mas para o que está

dentro do módulo, para a reparação….

E, mais recentemente, temos

ainda a ThinkCar, uma marca que

representamos em exclusivo também

para dinamizar e tentar mudar

um pouco o que já tínhamos. E é

um equipamento com bastante potencial”,

defende Tiago Resende.

Dar-se a conhecer

Para mostrar todas estas marcas e

equipamentos ao mercado é essencial

ser presença assídua no salão

ExpoMECÂNICA e, até agora, a

Diagtec Plus não falhou nenhuma

das edições. “Na última edição

o stand era um pouco maior do

mos passar a mesma informação.

Quanto à parte prática, obrigatoriamente

tem que ser presencial,

não há outra forma”, diz. Tiago

Resende queixa-se ainda da falta

de conhecimento de algumas pessoas

que aparecem nas formações:

“O que eu vejo nas oficinas é que

as pessoas que saem das escolas

de formação, em dez, dois vão ser

bons mecatrónicos. E um vai ser

excelente, o resto é um rácio muito

baixo”, lamenta, dizendo mesmo

que “os planos educacionais que

eles têm, a meu ver, estão ultrapassados.

Falam em matérias que não

estão adequadas ao nosso mercado.

Já existem algumas escolas que alteraram

os cursos e que estão bem

preparadas, mas a grande maioria

ainda não, e isso reflete-se nas oficinas.

Nós, felizmente, conseguimos

transformar um informático

num mecatrónico. Já aconteceu

mais do que uma vez. O resto é formação”,

explica, orgulhoso.

Em abril de 2024, a Diagtec Plus

organizou uma convenção, em

Coimbra, cujo saldo foi muito positivo,

tanto para organizadores,

como para participantes, pois, de

acordo com Tiago Resende, “foi

engraçado juntá-los, as pessoas

aderiram em massa. Foi apresentado

o ano de 2024, foi mostrado

o que se ia fazer e foi feita a análise

do ano transato, havendo ainda

uma componente lúdica. Este ano

vamos repetir, se calhar em moldes

que os anteriores, e apesar de não

ter tido o mesmo número de visitantes,

o resultado foi excelente.

O pós-feira foi muito bom, trouxe

muito trabalho! Foi caótico no

bom sentido”. No que diz respeito

à formação, Tiago Resende adianta

que “as formações técnicas e certificadas

acontecem todas nas nossas

instalações. Regra geral em dois

dias, poucas são as que demoram

um dia. Também estamos a entrar

pela via online, portanto, o cliente

não tem que se deslocar, não tem

custos com nada e nós conseguium

pouco mais profissionais. As

coisas vão evoluindo”, explica.

Crescimento sustentado

Em termos de Marketing, a Diagtec

quer fazer uma revolução e passar

para o mercado uma imagem ainda

mais profissional. “Investimos

em alguns mecanismos novos que

nos vão permitir fazer essa abordagem,

tentar aproximar-nos mais do

cliente a nível de redes sociais e de

eventos no terreno. Não queremos

o crescimento em massa, mas sim

sustentado. Queremos qualidade

em vez de quantidade”, diz. A Diagtec

tenta cobrir todo o mundo da

mecatrónica automóvel, “e isso exige-nos

ter diversas marcas. Tentamos

representar as que mais garantias

nos dão, as que maior qualidade

nos traz. Claro que existem inúmeras

soluções, mas selecionamos as

que achamos que têm o melhor não

só a nível de suporte que nos prestam

como a nível de qualidade dos

serviços. Quando surge um novo

modelo de automóvel, tentamos

sempre estudá-lo, documentamos

todas as avarias dos vários modelos

que nos passam pelas mãos e

utilizamos o que escrevemos posteriormente,

e também é por isso que

conseguimos crescer anualmente,

sempre a dois dígitos, entre 10 a

15%, o que é bom.”, remata.

geral@diagtecplus.pt

www.diagtecplus.pt

221 128 448 l

52 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com



Entrevista

RICARDO CRUZ

ADMINISTRADOR FIDELIDADE CAR SERVICE

QUEREMOS MELHORAR

A EXPERIÊNCIA DO CLIENTE!

FUNCIONA COMO UMA OFICINA COMUM, DE PORTA ABERTA AO PÚBLICO, MAS O

FOCO DA CAR SERVICE PASSA POR GARANTIR UM CONTROLO DOS CUSTOS DO

GRUPO FIDELIDADE E SIMULTANEAMENTE SER A SUA EXTENSÃO NO ÂMBITO

DA REPARAÇÃO DE AUTOMÓVEIS SINISTRADOS (CHAPA E COLISÃO). FALÁMOS

COM O ADMINISTRADOR, RICARDO CRUZ, QUE ENFATIZOU A IMPORTÂNCIA DE,

DIARIAMENTE, TRABALHAR PARA MELHORAR A EXPERIÊNCIA DOS CLIENTES DO

GRUPO FIDELIDADE

Enquanto entidade jurídica, a empresa chama-se CE-

TRA (Centro Técnico de Reparação Automóvel, SA),

e conta com mais de 50 anos de existência, sendo

detida a 100% desde 2005 pelo grupo Fidelidade. Quando,

em 2014, o grupo decidiu criar uma rede de oficinas

próprias, optou por denominá-la Fidelidade Car Service.

A ideia, conta-nos o administrador, Ricardo Cruz, “à data

visava a criação de uma associação direta entre uma oficina

e o grupo, por forma a garantir confiança junto do

mercado e que os seus clientes fossem encaminhados para

uma oficina própria”. Assim, além da oficina original, localizada

nos Olivais, desde 1973, em 2015 foram criadas a do

Porto e a de Queluz, com a oficina de Almada a nascer em

2022. Neste momento estão a “trabalhar, no sentido de expandir

a nossa presença para geografias onde o grupo Fidelidade

entenda que possamos trazer valor-acrescentado,

focados na qualidade do serviço prestado ao Clientes, sem

descurar a vertente de competitividade dos custos com a

reparação automóvel., ficando prometido abrir uma nova

oficina ainda durante 2025 e outra já nos próximos anos.

Foco no cliente Fidelidade

Questionado sobre o que diferencia as oficinas Fidelidade

Questionado sobre o que diferencia as oficinas Fidelidade

Car Service das restantes, Ricardo Cruz não hesita: “Portugal

terá cerca de nove mil oficinas e nós, por enquanto,

somos só quatro, mas o nosso foco passa por reter, cativar

e fidelizar o cliente que vem encaminhado pela Fidelidade.

Procuramos ser uma verdadeira a extensão da Companhia

de Seguros, num momento particularmente delicado, para

todos nós, que é um sinistro, momento em que ficamos

privados do nosso carro. Dito isto, temos mesmo de trabalhar

para prestar um serviço alinhado com as suas expectativas

e que o cliente o percecione como algo que seja

valor-acrescentado à sua experiência”. Estão, sobretudo,

vocacionados para a colisão, na vertente chapa e pintura,

âmbito em que são especialistas, mas, segundo o responsável,

“obviamente que há um processo adicional que gravita

à volta do sinistro, mecânica e a eletrónica. Também

asseguramos, mas não fazemos, por exemplo, manutenção

ou revisões”. Em termos de repintura, as oficinas contam

com “tudo o que são produtos de topo, high-tech e à base

de água e, nos Olivais, estamos a concluir um processo de

investimento de cerca de 300 mil euros, em remodelação,

novas estufas, novos materiais de pintura, novas pistolas

e novos equipamentos, para garantir não só a produtividade,

como também a qualidade final do produto que é

entregue ao cliente”, explica. Em 2024, as quatro oficinas

fecharam o ano com quase 10 mil reparações, o que dá

uma média de 40 carros por dia, em cada uma das oficinas.

O administrador da Fidelidade Car Service pretende

que o processo seja cada vez mais eficiente e otimizado,

para aumentar o número de reparações, sublinhando, no

entanto, que os problemas “no que respeita aos prazos de

entrega das peças, variável que impacta negativamente na

nossa produção diária, desde logo porque dilata o período

de permanência dos carros nas oficinas, a aguardar os

materiais”.

Sustentabilidade certificada

A Fidelidade Car Service procura ter, dentro das oficinas,

as melhores práticas do mercado. E, como tal, foi recentemente

certificada pelo Centro Zaragoza como “Oficina

Sustentável”. “Queremos que o grupo procure impactar

de forma objetiva e positiva toda a sociedade através da

oferta de produtos e serviços cada vez mais sustentáveis,

e promovendo, adicionalmente, comportamentos em linha

com esta estratégia. Além disso, temos mesmo que

54 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


“AS OFICINAS FIDELIDADE

CAR SERVICE APOSTARAM

RECENTEMENTE NA CERTIFICAÇÃO

DA SUSTENTABILIDADE E ESTÃO

FOCADOS EM DINAMIZAR CADA

VEZ MAIS A UTILIZAÇÃO DAS

PEÇAS VERDES” DIZ RICARDO

CRUZ


RICARDO CRUZ

AS OFICINAS FIDELIDADE CAR SERVICE CONTAM COM TUDO O QUE SÃO

PRODUTOS DE toPO, HIGH-TEC E À Base DE ÁGUA. NOS OLIVAIS, ESTÃO

A CONCLUIR UM PROCESSO DE INVESTIMENTO DE CERCA DE 300 MIL EUROS

desempenhar um papel proativo

na transição ecológica e comprometemo-nos

a ser neutros em CO2

até 2040, o que é algo francamente

ambicioso, até a nível global”, diz-

-nos Ricardo Cruz, que acrescenta

que, “enquanto Grupo e enquanto

empresa de reparação automóvel,

temos uma obrigação social de

contribuir para a economia circular,

para a sustentabilidade e para

o ambiente, criando um contexto

positivo e favorável”. Para esta

certificação “Oficina Sustentável”

do Centro de Zaragoza, as oficinas

Fidelidade Car Service foram avaliadas

em quatro dimensões: reparação,

reutilização, reciclagem e redução,

num processo que demorou

quase um ano a ser concluído, e que

foi “um objetivo estratégico. Agora

somos uma das primeiras Oficinas

a nível ibérico a obter esta certificação

e, pelo facto de ir à frente,

ganhamos e geramos confiança no

mercado, queremos trabalhar para

melhorar e estar alinhados com o

serviço de excelência que o grupo

Fidelidade diariamente procura

prestar as seus Clientes”, refere o

administrador da Fidelidade Car

Service.

Neste âmbito, Ricardo Cruz assinala

que já há muitos anos que é

prática das oficinas utilizar «peças

verdes», preferindo a reparação

à substituição de peças, sempre

que tal é possível. “Contribui para

a competitividade na reparação,

para a economia circular, colocamos

menos peças danificadas

(velhas) na reciclagem e por conseguinte

compramos menos peças

novas”, esclarece, sublinhando que

se cria “um ciclo positivo na geração

de valor para o acionista e também

para o mercado. Estas peças

verdes já são colocadas em 4% das

reparações, o que é muito interessante”.

No seu entender, este é um

mercado “que precisa de escala, por

forma a conseguir ter capacidade

para responder às solicitações,

que tenderão a aumentar, reduzindo

em simultâneo os preços, com

esta dinâmica criar-se-ão mais empresas,

mais empregos e com este

ecossistema alavancamos a economia,

reduzimos custos, fazemos

bem ao nosso planeta e às atuais e

futuras gerações, pois, não nos esqueçamos,

a peça verde é uma peça

original, só que não nova, mas que

vem com todas proteções anti-corrosão

aplicadas na linha de montagem

na fábrica. Além de ter mais

capacidade de resposta, o cliente

recebe uma melhor solução. Sendo

certo que cabe a cada um de nós

contribuir para o esclarecimento

do mercado, ajudando-o a que o fique

mais consciente das vantagens

e benefícios em incorporar nas reparações

dos seus carros peças originais

verdes, ao invés de originais

de substituição, este deve ser um

processo absolutamente transparente

para o cliente”.

Melhorar todos os dias

Na última Gala TOP 100, do Jornal

das Oficinas, a Fidelidade Car

Service foi distinguida como a 1ª

Classificada do Quadro de Honra,

na categoria Oficinas de Colisão,

um prémio que, de acordo

com Ricardo Cruz, “impele-nos a

que todos os dias procuremos ser

melhores. Foi com orgulho, responsabilidade

acrescida e uma renovada

motivação que recebemos

esta distinção, na medida em que

traduz um fator adicional de diferenciação,

e credibilidade, o que,

naturalmente, incute confiança no

mercado”, reflete. Por outro lado,

o administrador orgulha-se de ter

recebido a distinção de «Great Place

to Work 2024-2025», que diz

dar-lhes “uma grande motivação”,

até porque, considera, são os colaboradores

que “estão no centro. Eu

costumo dizer-lhes que os líderes

não geram resultados, cuidam de

pessoas e as pessoas geram resultados.

As nossas pessoas são absolutamente

fundamentais na engrenagem

maior que é todo o Grupo. Os

resultados surgirão de forma mais

natural se as pessoas estiverem

focadas e, se houver um ambiente

estável em termos psicológicos e

emocionais. Obviamente que vamos

cometer erros, mas as pessoas

têm que sentir que podem arriscar

e que podem contribuir e que o seu

papel é importante”. Em paralelo a

Fidelidade, enquanto companhia

de seguros, foi eleita «Escolha do

Consumidor», na categoria de seguradoras

e marca de confiança, o

que, deixa a rede de oficinas “com

uma grande responsabilidade, porque

foi um cliente que confiou na

Fidelidade para entregar os seus

bens, o seu património, a sua família,

em termos do seguro, e a seguir

vem ter connosco. Temos de estar à

altura das suas expectativas, saber

geri-las de forma eficaz, acompanhando

em simultâneo os Clientes

para que estes sintam que (de facto)

é positivo e vale a pena confiar

na Fidelidade.”.

Preparados para o futuro

Para o futuro próximo, o objetivo,

como já foi referido, passa pela

expansão geográfica, para locais

“onde haja dimensão, seja Aveiro,

Coimbra, Braga ou Faro. Uma

oficina é um investimento muito

avultado e tem necessariamente

de ter uma tradução naquilo que

é a racionalização dos custos da

Fidelidade com os sinistros”, conta

Ricardo Cruz, que avança que,

este ano, “conseguindo alargar a

nossa posição geográfica, vamos

crescer, naturalmente. Tem de ser

um processo orgânico, mas sustentável,

com passos pequenos, mas

determinados e com ambição, por

forma a que os Clientes valorizem

o momento em que estão a ser encaminhados

para uma oficina do

Grupo Fidelidade”, conclui. l

56 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com



ATUAlidade

10 PLATAFORMAS DE IAG

MAXIMIZAR A PRODUTIVIDADE

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA (IAG) ESTÁ A REVOLUCIONAR O SETOR AUTOMÓVEL, OTIMIZANDO

PROCESSOS E IMPULSIONANDO A EFICIÊNCIA EM TODA A CADEIA DE VALOR. DESCUBRA 10 PLATAFORMAS

INOVADORAS QUE ESTÃO A POTENCIAR A PRODUTIVIDADE E RENTABILIDADE DAS EMPRESAS


A

Inteligência Artificial Generativa (IAG)

está a contribuir para uma forte mudança

no setor automóvel, abrindo um

novo capítulo na história da indústria. Com a

crescente adoção desta tecnologia, as empresas

ganham agora ferramentas poderosas para melhorar

as operações, reduzir custos e aumentar

a competitividade num mercado cada vez mais

dinâmico. De acordo com o estudo “Global Insights

Whitepaper - Construir uma Estratégia

Centrada nas Pessoas para a Produtividade Impulsionada

por IA” (2024), realizado pela Experis,

41% das empresas portuguesas já utilizam

IA nas suas operações, com uma adoção mais

acentuada nas médias e grandes empresas, onde

as taxas superam os 44%. Em contrapartida,

apenas 33% das microempresas afirmam utilizar

IA. No cenário global, 48% das organizações

já incorporaram IA nas suas atividades, sendo

as grandes empresas as líderes desta tendência,

com uma taxa de adoção de 54%.

O estudo também revela que, nos próximos

anos, os trabalhadores planeiam acelerar ainda

mais a implementação de tecnologias de IA.

Entre aqueles que ainda não são utilizadores,

33% a nível global e 38% em Portugal afirmaram

que planeiam adotar ferramentas de IA nos

próximos três anos. Na prática, isso significa

que o uso médio global de IA deverá aumentar

para 81% dos empregadores em todo o mundo,

até 2027. Adicionalmente, o estudo identificou

quais os principais desafios enfrentados por

cada setor em Portugal na adoção de IA. No

caso do grupo dos “Transportes, Logística e Automóveis”,

os principais obstáculos incluem os

custos de implementação, a resistência à mudança

e as lacunas nas competências.

A rapidez com que a IA está a ser aplicada é

ainda mais evidente no estudo realizado pela

consultora IDC para a Microsoft,”The Business

Opportunity of AI”, realizado em dezembro, que

conclui que, a nível mundial, 75% das empresas

utilizaram soluções de IA generativa em 2024,

um salto significativo em comparação com os

55% do ano anterior. Esse aumento tem gerado

resultados expressivos, com as empresas a

registarem, em média, um retorno de 3,7 vezes

o valor investido em IA. Em organizações mais

maduras, esse número pode crescer para 10,3

vezes. Os setores que mais se destacam, como finanças,

telecomunicações, automóveis e retalho,

são dos que melhor aproveitam as vantagens da

IA e IAG para contribuir para a inovação e aumentar

a eficiência.

IA vs. IAG: Qual a Diferença?

A Inteligência Artificial (IA) refere-se a sistemas

computacionais capazes de realizar tarefas

que normalmente exigiriam inteligência humana,

como reconhecimento de padrões, tomada

de decisão e automatização de processos. Já a

Inteligência Artificial Generativa (IAG) é uma

subcategoria da IA que se destaca por criar novos

conteúdos, seja texto, imagem ou código,

tornando-se uma ferramenta poderosa para

empresas que desejam otimizar e inovar os seus

processos.

Plataformas e Softwares de IAG:

O Que Está a Impulsionar a Produtividade?

O mercado oferece uma vasta gama de plataformas

para diversas necessidades. Algumas das

soluções mais relevantes incluem:

Lokad: Utiliza IA para prever a procura e otimizar

a gestão de stocks, reduzindo desperdícios

e aumentando a eficiência operacional. A plataforma

também oferece apoio nas decisões de

abastecimento, tendo em conta como e quando

comprar, onde armazenar, quando realizar inventários,

entre outros.

Blue Yonder: Foca-se no planeamento e previsão

da cadeia de abastecimento, garantindo entregas

atempadas e melhor alocação de recursos.

Através de IA e Machine Learning, consegue

analisar dados em tempo real de clientes, fornecedores,

fábricas e distribuidores para antecipar

a procura e agir de forma proativa.

Routific: É uma plataforma de otimização de

rotas que utiliza IA para ajudar empresas de

entregas e serviços a planear os percursos mais

eficientes. A ferramenta permite reduzir custos

operacionais, minimizar o tempo de viagem e

melhorar a pontualidade das entregas, aumentando

a produtividade.

OptimoRoute: Permite realizar a otimização de

rotas que ajuda a organizar entregas, serviços

ao domicílio e visitas técnicas de forma rápida

e eficiente. Através de algoritmos avançados

consegue calcular as melhores rotas, tempo de

deslocamento, o consumo de combustível e os

custos operacionais.

DataRepair (Tips4y): Permite apoiar as oficinas

na reparação de viaturas ligeiras, de forma eficiente

e célere, através de informação técnica

e conhecimento da equipa de especialistas da

Tips4y.

Fetch Robotics: Plataforma de robótica móvel

que automatiza o transporte e a movimentação

de materiais dentro das instalações industriais,

aumentando a eficiência.

River Systems: Oferece soluções de automatização

para armazéns, com foco em tornar os processos

de cumprimento de pedidos mais rápidos

e eficientes. As suas tecnologias incluem robôs

móveis autónomos que ajudam a melhorar a

produtividade, reduzir custos e otimizar o trabalho

humano.

Intercom: Ferramenta de comunicação que permite

às empresas interagir com os seus clientes

através de chats ao vivo, mensagens automáticas

e suporte personalizado, proporcionando uma

melhor experiência de atendimento.

Softing Automotive: Oferece soluções de diagnóstico

e comunicação para automóveis, facilitando

a análise de sistemas e componentes eletrónicos

em veículos para melhorar a qualidade

e eficiência dos serviços.

Carly Repair Costs: Aplicativo que ajuda a estimar

os custos de peças e manutenção do veículo,

oferecendo uma visão detalhada dos serviços necessários

e respetivos valores aproximados. l

COM A CRESCENTE ADOÇÃO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA (IAG),

AS EMPRESAS GANHAM FERRAMENTAS PODEROSAS PARA MELHORAR

AS OPERAÇÕES, REDUZIR CUSTOS E AUMENTAR A COMPETITIVIDADE

www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 59


Mercado

MELHORAR A EFICIÊNCIA

ENERGÉTICA NAS OFICINAS

O EFFICIENTIA, TAL COMO O NOME INDICA, É UM PROJETO PROMOVIDO PELA ANECRA,

QUE TEVE COMO OBJETIVO, AO LONGO DOS ÚLTIMOS TRÊS ANOS, CRIAR EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

DENTRO DAS EMPRESAS DO COMÉRCIO RETALHISTA DA REPARAÇÃO AUTOMÓVEL

Este projeto, promovido pela ANECRA e financiado

no âmbito da 7ª edição do “Plano

de Promoção da Eficiência no Consumo de

Energia” aprovado pela ERSE – Entidade reguladora

dos Serviços Energéticos, iniciou em 2022 e

teve como principal objetivo seriar oportunidades

de melhoria do desempenho energético que

potenciem a redução dos respetivos consumos de

energia na reparação automóvel. A acompanhar

as empresas de comércio e reparação automóvel,

o Efficientia, contou com um orçamento global

na ordem dos 113.273,50 euros, suportado pelo

PPEC, e destinou-se a todas as empresas associadas

ou não da ANECRA, em Portugal Continental

com o código CAE (Rev.3). Para uma maior

eficiência, o projeto, dividiu-se em duas etapas:

numa primeira fase a realização das auditorias

energéticas às empresas e numa segunda fase,

onde se encontra quando escrevíamos este artigo,

divulgação dos resultados obtidos na etapa

anterior.

Manual de Eficiência Energética

Atualmente, o Efficientia, encontra-se a elaborar

o Manual de Eficiência Energética (MEE), a preparar

workshops para a apresentação nacional

do MEE e divulgação da informação e dos resultados

obtidos. Para a recolha destes resultados,

foram auditadas 50 empresas onde foram realizadas

auditorias energéticas de forma a conhecer

os consumos de energia de cada uma delas propondo

medidas de redução e otimização. Marcos

Dias, Responsável do projeto, revelou “nestas visitas

técnicas às instalações, efetuou-se uma análise

detalhada da contabilidade energética, com

base nas faturas dos comercializadores de energia

onde foram observados todos os equipamentos

consumidores de energia e ainda os elementos

construtivos com influência no comportamento

térmico do edifício. A análise da faturação permitiu

caraterizar o perfil de consumo ao longo do

ano da instalação em causa”, explicou.

Anomalias na iluminação e climatização

De um modo geral, todas as empresas auditadas

apresentaram anomalias semelhantes do

foro do desempenho energético dos sistemas

de iluminação e climatização. Para reverter tal

situação, foram aconselhadas pelo Efficientia,

à “substituição das lâmpadas por novas de tecnologia

LED; recurso a sistemas de controle de

presença ou movimento e adequação à intensidade

de luz natural; reorganização dos circuitos

de iluminação; os sistemas de ar condicionado

devem ser substituídos por equipamentos recentes

de tecnologia “inverter” que permitam

um ganho de eficiência”. Marcos Dias deixou

claro que estas alterações só terão uma elevada

taxa de sucesso caso “os recursos humanos

tenham responsabilidade na área energética e

tenham formação adequada”. Alertando que “a

questão energética é, hoje, mais do que nunca

um tema Global. Uma temática de pensamento

Global, com ações locais”. Ainda assim, o responsável

revelou ao JO que “o setor automóvel,

de uma maneira geral, apresentou um nível de

conhecimento energético significativo. Verificando-se

que muitas instalações dispõem já de

sistemas de iluminação otimizados, tecnologia

eficientes na climatização e até sistemas solares

fotovoltaicos para autoconsumo de energia

elétrica”. O projeto encerrará os trabalhos em

agosto do presente ano com a sensação de ‘dever

cumprido’, explicou Marcos Dias: “as empresas

dispões agora de uma base sólida para melhorar

a sua eficiência energética, reduzindo assim os

seus custos de energia e a sua pegada carbónica”,

concluiu. l

60 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com



Oficina

do Mês

Patrocinado por:

FLS MOTOR

“A NOSSA PREOCUPAÇÃO É

PASSAR SEMPRE UMA IMAGEM

DE QUALIDADE”

FOI EM SÃO PEDRO DA COVA, GONDOMAR, QUE MÁRIO MOREIRA, CHEFE DE OPERAÇÕES DA FLS

MOTOR, NOS RECEBEU E APRESENTOU A EMPRESA QUE INTEGRA A REDE BOSCH CAR SERVICE

HÁ 15 ANOS. A CASA, ATUALMENTE COM 23 COLABORADORES, FAZ SERVIÇOS DE MECÂNICA

E PINTURA E FOI A PRIMEIRA OFICINA DA PENÍNSULA IBÉRICA A SER CERTIFICADA PELA BOSCH

PARA A MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS ELÉTRICOS E HÍBRIDOS ELÉTRICOS

A

FLS Motor foi criada em 2004, como

uma oficina independente, tendo, em

2010, entrado na rede Bosch Car Service.

Inicialmente, contava apenas com Filipe Moreira,

o administrador e Ricardo Almeida, que é,

neste momento, o chefe da oficina. A equipa foi

crescendo, de ano para ano, e em 2016, a empresa

mudou para as atuais instalações, “construídas

à medida das nossas necessidades”, começa por

nos contar Mário Moreira, Chefe de Operações

da FLS Motor, que explica que, atualmente, “60

a 70% dos clientes são particulares, uma percentagem

que queremos que se mantenha bem definida.

A fatia maior dos serviços são de mecânica

geral, com a área da pintura e chaparia a ocupar

apenas 20 a 30%, com três pessoas nesta parte

e 12 pessoas na mecânica, num total de 23 colaboradores”.

Em média, por mês, a FLS Motor

abre quinhentas folhas de obra e “todos os carros

que entram são rececionados, e são confirmados

os serviços e o estado da viatura com o cliente,

com registo fotográfico e o próprio cliente assina

digitalmente a ordem de reparação, que é logo

enviada por e-mail”, conta.

Fazer a diferença

Para Mário Moreira, a preocupação da FLS Motor

“é passar sempre uma imagem de qualidade,

disponibilizando equipamentos recentes e atualizados”.

A empresa foi a primeira na Península

Ibérica a ser certificada pela Bosch para fazer a

manutenção de veículos elétricos e híbridos elétricos,

um desafio a que responderam sem hesitar:

“Quisemos logo avançar e fazer parte desse

projeto piloto, e percebemos, ao longo dessa integração

que, em parte, o nosso mercado não está

preparado para o fornecimento destes materiais

e tivemos que recorrer aos nossos vizinhos de

Espanha. Nem sequer nos ocorreu que seríamos

os primeiros, aconteceu”. Para o efeito foi criado

um espaço com o cumprimento de determinados

critérios, tanto a nível estético como de equipamentos

para a integração no conceito dos elétricos

da rede. A oficina já recebe veículos elétricos,

contando, para tal, com pessoal com formação

de Nível 3 (Especialistas em Alta Tensão). No

entanto, o responsável esclarece que a intenção

“não foi ganhar muitos clientes novos, foi dizer

ao nosso cliente que está a fazer essa transição do

carro convencional para o elétrico ou híbrido que

não tem de mudar de oficina só porque mudou

de carro”.

Por outro lado, a FLS Motor também foi certificada

nas áreas da manutenção, colisão e pneus como

«Oficina de Confiança da ACAP» e Mário Moreira

considera que “o máximo de oficinas possível

deve fazer parte deste projeto, porque pode mudar

completamente o panorama em Portugal da forma

como trabalhamos. Acho que faz todo o sentido e a

certificação não deve assustar ninguém!”, defende,

acrescentando que “todos os critérios que lá estão

são básicos e nós precisamos de regras neste setor.

Assim, elas já podem ser aplicadas porque existe

um conjunto de ferramentas para realmente perceber

quem está e quem não está bem”, alerta. O

mesmo refere que essa indicação, de que são uma

«Oficina de Confiança”, é valorizada pelos clientes,

que ficam curiosos e questionam para que serve.

“Da mesma forma que um médico deve ter um

número de cédula, acho que o mecânico deve ter

alguma responsabilidade. O facto de termos uma

placa lá fora, afixada, passa outro tipo de confiança”,

garante.

Sustentabilidade

A FLS Motor tem vindo a promover a sustentabilidade,

com recurso à transição dos processos em

suporte físico para o digital, além da instalação de

painéis solares e a colocação de três postos de carregamento

elétrico que são alimentados por esses

mesmos painéis. Além disso, foi também colocado

um sistema de reciclagem de águas que permite

reutilizá-las até cinco vezes, focando-se não

só na questão ambiental, mas também na económica.

O responsável destaca ainda a necessidade

de patrocinar clubes e entidades da região, assim

como privilegiar a aquisição de serviços a empresas

locais. Mário Moreira foi orador no Fórum da

DPAI/ACAP, para falar sobre a Inteligência Artificial

e nota que já está integrada em algumas

ferramentas que utilizamos diariamente sem nos

apercebermos do que é. “Atualmente estamos a

fazer uma coisa que a curto prazo vai entrar em

62 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


MÁRIO MOREIRA, CHEFE DE OPERAÇÕES (À ESQUERDA) E FILIPE MOREIRA,

ADMINISTRADOR (À DIREITA), GARANTEM A GESTÃO OPERACIONAL DA FLS

MOTOR, QUE EM MÉDIA, POR MÊS, ABRE 500 FOLHAS DE OBRA


FLS MOTOR

A FLS MOTOR FOI A PRIMEIRA OFICINA NA PENÍNSULA IBÉRICA A SER

CERtificada PELA BOSCH PARA FAZER A MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS

ELÉTRICOS E HÍBRIDOS, UM DESAFIO A QUE RESPONDEU SEM HESITAR

prática, trata-se de uma assistente

virtual no nosso site, que permite

dar algumas respostas acerca das

viaturas de clientes”, adianta sobre

o projeto que ainda está em desenvolvimento.

Em 2024, a FLS Motor

foi a oficina selecionada para estar

na final da competição Challenge

Oficinas, organizado pelo Jornal

das Oficinas, onde o chefe de operações

conta que foram “muito bem

recebidos, foi um dia bem passado,

que deu para socializar, trocar impressões

com pessoas da área, o que

só nos enriqueceu”, revela.

Recursos humanos

A dificuldade de conseguir trabalhadores

para as oficinas é transversal

às empresas do país e a FLS

Motor não é exceção. Mário Moreira

considera que, neste momento,

“é importante fixar as pessoas que

já cá estão e dar-lhes a entender

que estamos interessados em manter

esta relação por muitos anos”. A

seu ver, “contratar pessoas tem sido

um desafio, porque há claramente

um problema de formação em Portugal”,

diz, entendendo que, apesar

de existirem “bons centros de

formação, no final dá-se uma nota

melhor para não ser «poucochinho».

E isso tem sido um problema

porque muitas vezes contratamos

alguém que tem vontade, mas

vê-se que faltam algumas bases

importantes”. A nível das ações de

formação para os colaboradores, a

empresa dá preferência às da Bosch

Car Service que, de acordo com

o chefe de operações da FLS Motor,

tem “um plano atual que é ótimo,

quer seja da parte técnica, como da

parte administrativa e, depois, nas

formações que não estão ali disponibilizadas,

recorremos a centros

de formação como o Cepra. Eu

também fiz o curso de formador e

dou algumas formações internas

dos temas mais gerais”, aponta.

De forma a valorizar a mão-de-

-obra, o preço sofreu este ano um

aumento, “necessário para dar resposta

às exigências que o mercado

de trabalho nos apresenta”, considera

o nosso interlocutor, que admite

que isto se irá “repercutir no

consumidor final, pois se há uma

melhor remuneração, condições de

trabalho e tudo o que está associado

a isso, obviamente que tem implicação

no preço final”. A oficina conta

com dois veículos de substituição,

diz-nos Mário Moreira, “para peritagens

e através de um acordo com

a VALPI Rent, temos cá o balcão

deles e, pela própria seguradora, os

clientes fazem o levantamento das

viaturas. Mas como são clientes da

zona, normalmente não precisam, e

o nosso serviço de transporte também

é gratuito, damos uma boleia”.

Maior poder de compra

O responsável sente que, nos últimos

dois anos, há “um maior poder

de compra” e é mais fácil apresentar

orçamentos aos clientes. Mário

Moreira afirma que recorrem

muitas vezes ao material original,

e sublinha mesmo que “há algum

tipo de material com o qual não

trabalhamos porque sabemos que

vai ter problemas. Podemos procurar,

por vezes, soluções alternativas

para baixar o orçamento, mas alertamos

o cliente de que podem comprometer

a qualidade do serviço”. É

também uma regra da casa não trabalhar

com material fornecido pelo

cliente. A FLS Motor trabalha com

os distribuidores da Bosch e ainda

com outras casas de peças mais locais.

A comunicação com os clientes

é feita através das redes sociais e

do website, “que está em constante

atualização, para ficar com uma

imagem sempre fresca. Apostámos

muito, nestes últimos anos, em ter

boas imagens da oficina, porque o

cliente é cada vez mais informado

FLS MOTOR

Gerente

Filipe Moreira

Morada

Rua das Mimosas, 1020 a 1058

4510-330 São Pedro da Cova

Telefone

224 671 049

Email

flsmotor@boschcarservice.pt

Site

www.flsmotor.pt

e antes de ir ao local, vai pesquisar

e acho que é extremamente importante

termos tudo atualizado com a

melhor informação, porque a primeira

impressão é sempre a primeira

impressão”, considera Mário Moreira.

Os pedidos de agendamento

podem ser feitos através do MyBoschCarService

e há cada vez mais

clientes a utilizar essa possibilidade.

Criar soluções

para o futuro

Mário Moreira é da opinião que

a FLS Motor ainda tem potencial

para crescer, e revela que para fidelizar

clientes têm recorrido a

campanhas trimestrais que, assegura,

têm resultado, “portanto, não

se vai mexer”. Conta que de 2023

para 2024 tiveram um crescimento

de mais de 20%, “algo brutal e em

2024 já conseguimos fechar números

que são muito positivos e andam

em torno de cerca de 10%. Sabemos

que a tendência é estagnar, mas enquanto

estivermos a crescer, estamos

cá para alimentar o crescimento”.

Mudar de instalações não está

nos planos, pois “não adianta crescer

e, depois, não ter, por exemplo,

mão-de-obra suficiente ou até com

a qualidade que nós queremos para

acompanhar esse crescimento. Com

as instalações que temos e com 26

elevadores, por muito que quiséssemos

colocar mais um mecânico, já

não tínhamos onde pô-lo a trabalhar.

Assim, vamo-nos adaptando e

criando soluções, o que, por vezes,

até é mais desafiador”, remata. l

64 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


PARA NÃO OS

DEIXAR PARAR.

Mais de 50 000 peças em stock.

Entregas rápidas no dia seguinte.

Atendimento personalizado e especializado.

pecaslandrover.com | info@pecaslandrover.com | 261 099 405 | 917 880 506 |


NOTÍCIAS // DINÂMICA SETOR ESCREVE ‐SE DE A A Z

MERCADO

CONQUISTA PRÉMIO

‘ESCOLHA SUSTENTÁVEL’

Glassdrive | A Glassdrive reafirma o seu compromisso com a sustentabilidade ao ser

premiada, pelo primeiro ano, com o prémio ‘Escolha Sustentável’ na categoria de Reparação de

Vidro Automóvel. Este prémio é resultado de uma avaliação rigorosa realizada pela Consumer

Choice, com o voto de especialistas e consumidores, tendo a marca da Saint-Gobain alcançado

um resultado de 89,3%. O selo ‘Escolha Sustentável’ é atribuído às marcas que demonstram

excelência em critérios como inovação, sustentabilidade, impacto ambiental e responsabilidade

social. A Glassdrive destacou-se especialmente nas áreas de inovação (94,4%), arquitetura do

serviço (85,4%) e sustentabilidade (81,6%). Como parte do Grupo Saint-Gobain, a empresa

tem como propósito “Making The World a Better Home”, tendo como pilares estratégicos do seu

negócio a promoção de serviços, soluções e práticas sustentáveis, e a redução do impacto da sua

atividade no meio ambiente, alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e com

o objetivo do Grupo de atingir neutralidade carbónica até 2050.

NRF

INAUGURA NOVO

ARMAZÉM NA ROMÉNIA

Após a inauguração de um novo armazém de 12.700 m2 em Valência,

Espanha, no início do ano passado, a NRF está agora a abrir

um novo armazém de 18.613 m2 em Bucareste, na Roménia. A

NRF é especialista em peças de refrigeração de motores e ar condicionado

para o mercado de peças de substituição automóvel. O seu catálogo conta

com mais de 13.000 referências, um número que até então não tem parado

de crescer. Devido ao aumento do volume de vendas, a NRF sentiu necessidade

de expandir a sua capacidade de armazenamento. “A NRF tem

o orgulho de anunciar esta grande expansão na Roménia com a abertura

de um armazém na cidade de Chitila, a noroeste da capital, Bucareste.

A inauguração desta nova unidade reflete o objetivo da empresa em responder

à crescente procura dos clientes na região. Isto também melhorará

a eficiência operacional da NRF e permitirá à empresa adaptar-se mais

facilmente às expectativas de crescimento futuro”, referiu a NRF em comunicado.

RECEBE DISTINÇÃO EUROPEIA

DA MERCEDES-BENZ

Soc. Com. C. SANTOS | A Sociedade Comercial C. Santos anunciou a conquista da certificação

Mercedes-Benz PARTSpro+. A empresa é uma das pioneiras em Portugal a receber esta distinção europeia do

Mercedes-Benz Group. O PARTSpro+ é o programa de desenvolvimento, qualificação e certificação Mercedes-

Benz para o canal de venda de peças ao balcão e o compromisso da marca para com os profissionais das

oficinas independentes. Foram avaliados pelo Mercedes-Benz Group parâmetros como a organização de

recursos, a logística, as vendas e marketing, a digitalização, a análise do cliente e o suporte técnico. Apenas

as empresas que obtiveram qualificação de excelência receberam a certificação Mercedes-Benz PARTSpro+.

Esta distinção é atribuída a nível europeu e apenas foi concedida a três representantes da marca em Portugal,

entre os quais a Sociedade Comercial C. Santos. “Sermos pioneiros no nosso país na certificação Mercedes-

Benz PARTSpro+ é motivo de orgulho por parte de toda a equipa. Significa que o compromisso diário de

todos os nossos profissionais com o cliente é reconhecido e que os indicadores de gestão e de digitalização

avançam no caminho certo”, afirmou Ricardo Soares, diretor de peças e lubrificantes da Sociedade Comercial

C. Santos.

PUB

66 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


CELEBRA 30 ANOS AO SERVIÇO

DA SEGURANÇA RODOVIÁRIA

ANCIA | A Associação Nacional de Centros de Inspeção Automóvel (ANCIA), celebrou

no Centro Cultural de Cascais, 30 anos de história na segurança rodoviária. A Ancia, tem

como missão desenvolver atividades e parcerias conducentes à promoção e divulgação de

conhecimentos e práticas nos domínios da inspeção técnica de veículos e promoção de um

ambiente rodoviário mais seguro e ecológico. Paulo Areal, Presidente da direção da ANCIA,

iniciou os trabalhos, parabenizando a Associação “Ao celebrar o 30º aniversário, a ANCIA

reafirma a sua perseverança. Que este aniversário renove e reforce o compromisso com a

missão que nos une: a segurança rodoviária”. De seguida, foi Paulo Simões Ribeiro, Secretário

de Estado da Proteção Civil que tomou a palavra reforçando o papel importante das inspeções

periódicas “Queremos ter nas estradas veículos cada vez mais seguros, e para isso, têm que

estar cada vez mais adaptados à estrada. Para isso, a cultura de segurança rodoviária é

necessária, o papel das inspeções periódicas é cada vez mais preciso”. Deixando ainda uma

garantia: “O governo tem estado a estudar uma forma de aprofundar cada vez a mais a relação

com os centros de inspeção para que sejamos um país cada vez mais seguro nas estradas. Em

2030 queremos reduzir em 50% os mortos nas estradas, face a 2024, e em 2050 queremos que

este número chegue aos 0 mortos”.

BOMBÓLEO E IBEROTURBO INTEGRAM A RECALVI

Bombóleo e Iberoturbo | As empresas Bombóleo e Iberoturbo iniciaram o ano com a

integração na Recalvi, distribuidor de peças espanhol. A Bombóleo deixa a Serca, à qual pertenceu até 1 de

janeiro deste ano A Recalvi anunciou alterações na sua estrutura. A primeira delas é que os CIFs da Recalvi S.L.,

Recalvi Norte e Recalvi Canarias serão unificados num único, criando uma nova empresa chamada Recalvi Parts

S.L. A Recalvi Mediterránea também se juntará a esta estrutura no primeiro semestre de 2025 e a Radsa no

final de 2026. A Recalvi também confirmou a entrada na sua estrutura acionista de um sócio financeiro, a Abac

Capital, com muito conhecimento do mercado espanhol e europeu, e que irá proporcionar recursos financeiros

para o grupo continuar a crescer, bem como know-how que ajudará na logística e na gestão, para ser mais ágil

e competitiva. A empresa Repuestos Guadiana, com seis centros na Extremadura, e que era membro da Create

Business Iberia, também integrou a Recalvi no início do ano.

PUB

www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 67


NOTÍCIAS

COMEMORA 50 ANOS

DE COMPETIÇÕES DESPORTIVAS

AUTODOC

RECORDE DE VENDAS EM 2024

A

Autodoc,

a maior plataforma de e-commerce de peças de veículos na Europa, continua

a sua trajetória de crescimento acentuada em 2024. O número total de encomendas

na Europa subiu 18%, atingindo cerca de 16,9 milhões, comparado com

14,3 milhões no ano anterior. Em Portugal, as encomendas chegaram a aproximadamente

334.600, refletindo um crescimento de 13,8%. “Fizemos progressos notáveis em várias

áreas chave: vendemos mais produtos, ganhámos mais clientes, aumentámos o volume

de encomendas e expandimos nos nossos principais mercados”, afirmou Dmitry Zadorozhny,

CEO da Autodoc. “A confiança que os nossos clientes depositam na qualidade dos

nossos serviços e produtos motiva-nos a continuar no rumo que traçámos. Continuaremos

a satisfazer as necessidades dos clientes, oferecendo uma vasta gama de produtos, preços

acessíveis e excelente serviço e entrega”, acrescentou. O número total de produtos vendidos

também cresceu significativamente, passando de 56,1 milhões em 2023 para 65,6 milhões

em 2024, um aumento de 17,0%, enquanto Portugal registou 1,5 milhões de produtos vendidos,

representando um aumento de 11,7% em relação ao ano anterior (1,3 milhões).

BREMBO | Da sua estreia na Fórmula 1 com a Ferrari às vitórias

históricas no MotoGP e em Le Mans, a Brembo está a celebrar 50

anos de conquistas tecnológicas e desportivas nas competições

desportivas mais prestigiadas do mundo. Para assinalar este marco

significativo, a empresa planeou uma série de eventos e iniciativas

especiais que terão lugar ao longo do ano. Esses momentos

serão dedicados a contar uma história extraordinária de paixão e

inovação, destacando o compromisso constante com a excelência

em competições de duas e quatro rodas. A história da Brembo no

desporto automóvel pode ser comparada a um conto de fadas,

composto por 50 capítulos, nos quais a empresa sempre deixou a

sua marca. O ano mais importante foi o de 1975, quando a Brembo

forneceu os primeiros discos de ferro fundido da Fórmula 1 para a

Scuderia Ferrari. Nesse ano, Niki Lauda, ao volante da histórica 312

T, devolveu o título de pilotos a Maranello após 11 anos. Para além

de uma história de triunfos desportivos, a Brembo cresceu como um

grupo global, adquirindo empresas de prestígio como a Marchesini,

AP Racing, SBS Friction, J.Juan e a recém-chegada Öhlins, líder em

suspensões de competição.

PUB

ECOFORCE.

FAZ UMA CONDUÇÃO SUSTENTÁVEL,

PENSA NO TEU FUTURO.

Um coração verde bate dentro dos automóveis mais evoluídos.

O conceito de mobilidade está em constante evolução: conte

com a tecnologia FIAMM para apoiar essa mudança. A nova

gama de baterias ecoFORCE suporta as necessidades energéticas

dos automóveis mais modernos. Os sistemas Start&Stop e

Brake Energy presentes em automóveis micro-híbridos exigem

um uso muito intenso da bateria: A FIAMM tem a solução ideal

para continuar a viajar com eficiência.

www.polibaterias.com

geral@polibaterias.com

68 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com

www.fiamm.com



NOTÍCIAS

DOMINGOS & MORGADO E BAPT FECHAM PARCERIA

A Domingos & Morgado e o Grupo Internacional BAPT, Business Automotive Parts & Technologies, acabam de anunciar a

celebração de uma parceria estratégica que tem por objetivo ampliar a oferta de produtos e serviços da D&M. Sobre esta nova

aliança, as duas empresas destacaram que: “Unimo-nos ao compromisso de excelência, inovação e crescimento sustentável,

aproveitando a experiência e os recursos de ambas as partes para criar novas oportunidades de negócios e melhorar os

processos operacionais, numa oferta completa de serviços, apoio técnico, produtos e equipamentos de elevada exigência

técnica para ajudar à melhoria e rentabilidade das oficinas”. Nos próximos meses, a Domingos & Morgado e a BAPT vão

trabalhar em conjunto para integrar as suas ofertas e ampliar as possibilidades de colaboração nos mercados nacionais e

internacionais. “Estamos confiantes de que esta parceria estratégica trará benefícios tanto para as nossas organizações quanto

para os nossos clientes, fornecedores, colaboradores e parceiros”, frisaram.

FERODO SIMPLIFICA INSTALAÇÃO

DE COMPONENTES DE TRAVAGEM

FERODO | A Ferodo acaba de apresentar uma nova funcionalidade

que facilita a instalação de componentes de travagem: desenhos técnicos

acessíveis através do código QR nas embalagens. “Esta ferramenta inovadora

fornece um guia de instalação instantâneo e preciso, ajudando mecânicos e

oficinas a garantir montagens corretas de pastilhas de travão, discos de travão

e outros componentes essenciais”, avançou a Ferodo em comunicado. Com um

simples scan, a funcionalidade do código QR disponibiliza desenhos técnicos

específicos da peça, incluindo os valores de binário de aperto para cada

parafuso e porca. Estes detalhes são essenciais para “assegurar uma instalação

segura, silenciosa e duradoura, reduzindo o desgaste desnecessário. Além

disso, os diagramas detalhados indicam a correta orientação e alinhamento

de cada peça, otimizando o processo de montagem. Com esta inovação, a

Ferodo continua a apoiar oficinas e mecânicos, fornecendo ferramentas que

tornam o trabalho mais rápido, eficiente e seguro”, concluiu.

ai174014659352_AFr SANTOGAL Peças imprensa 235x140.pdf 1 21/02/2025 14:03

PUB

Peças para todos os carros,

entregas para todo o lado.

Serviço rápido e eficiente, onde quer que esteja.

BYT

Chevrolet

Chrysler

OUTRAS MARCAS:

Ferrari

Ford

Jaguar

Land Rover

Maserati

Nissan

Toyota

Porsche

Suzuki

Tesla

tel.: 210 430 900

santogal-pecas@santogal.pt

70 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com

Rua do Moinho Velho, Sto. Antão do Tojal, 2660-524 Loures

(Armazém Santogal Peças)

www.santogal.pt


provam

Cada bateria

afirma ser a

melhor do

mercado.

As nossas

baterias

provam

isso

isso

quando

necessário.

.

quando

necessário.

C riando o futuro – o caminho da Exide:

Criando futuro - o caminho da Exide

C – Exide:

Inovação Confiabilidade

Inovação Confiabilidade Sustentabilidade Alta Performance

In

Su s tentabilidade

Sust

Alta Performance

exidegroup.com

exidegroup.com


NOTÍCIAS

FUCHS PREMIADA PELA PERFORMANCE

CLIMÁTICA

FUCHS | FNo âmbito do Global Transition Award, a FUCHS recebeu o “Lighthouse Tribute”, uma distinção

atribuída às empresas vencedoras de anos anteriores pelo seu desempenho contínuo rumo à conformidade

de 1,5 ºC. O Global Transition Award distingue as empresas que contribuem, de forma ativa, para uma

gestão em conformidade com o objetivo de 1,5 °C e que estabelecem, assim, um novo padrão climático

na economia alemã. O prémio foi atribuído pela terceira vez, desde 2022, pelo jornal alemão de renome

Handelsblatt, em colaboração com o parceiro científico right° e a consultora Capgemini. A FUCHS SE, já

tinha recebido esta distinção em 2023 pelo seu papel de liderança no desempenho climático. “Este sucesso

não foi um acaso. O júri de especialistas confirmou o nosso compromisso permanente com a neutralidade

climática, como parte do nosso programa de transformação FUCHS2025”, sublinhou o CEO Stefan Fuchs.

EUROREPAR CAR SERVICE AMBICIONA CRESCER

15% EM 2025

Eurorepar Car Service | Fevereiro foi o mês escolhido para reunir toda a família da rede

de oficinas na 3ª Convenção Eurorepar Car Service, juntamente com parceiros, profissionais do setor e

representantes do Grupo Stellantis. O encontro, realizado no Hotel Dolce Campo Real, em Torres Vedras, teve

como principal objetivo dar a conhecer as novidades, o balanço de 2024 e as metas estabelecidas para 2025.

Após uma breve apresentação, Pedro Lazarino, Stellantis Portugal Country Manager, chamou a atenção

para o envelhecimento do parque automóvel português, que já ultrapassou os 14 anos. Para as oficinas,

este cenário representa uma oportunidade estratégica de crescimento e reforço da sua relevância no setor.

Seguindo esta visão, Nuno Lopes, diretor do pós-venda do grupo Stellantis, anunciou uma nova estrutura

organizacional dentro do universo Stellantis, desenhada para fortalecer o acompanhamento às oficinas da

rede, garantindo visitas trimestrais por equipas especializadas. A Eurorepar Car Service traçou um plano

ambicioso para 2025, que passa por consolidar a cobertura geográfica, fortalecer a proximidade física no

terreno através da Stellantis, otimizar o nível do serviço de peças e expandir a gama de produtos disponível.

Carlos Carneirinho, diretor nacional da Rede Eurorepar Car Service, definiu como objetivo para 2025 um

crescimento de 15%, reforço das entregas diárias e crescimento da gama Eurorepar.

PUB


Tel. +351 255 617 480

WhatsApp +351 916 083 235

encomendas@dispnal.com

www.dispnal.pt


NOTÍCIAS

Dica

SOLUÇÕES EM AR

CONDICIONADO

E REFRIGERAÇÃO

DE TRANSPORTE

6 CONSELHOS VARTA PARA MELHORAR

PRESENÇA ONLINE DAS OFICINAS

Num mundo cada vez mais digital, a presença online de uma oficina pode ser a chave para

atrair mais clientes e aumentar a visibilidade do negócio. Mas como garantir que a sua oficina

se destaca num mercado tão competitivo? A VARTA, líder em soluções de baterias automotivas,

oferece 6 conselhos essenciais para melhorar a sua presença online:

1Use as redes sociais de forma estratégica. As redes sociais são ferramentas poderosas

para aumentar a visibilidade da sua oficina. Plataformas como Facebook, Instagram e

LinkedIn permitem partilhar dicas de manutenção, mostrar o trabalho da sua equipa e interagir

diretamente com os clientes.

2Crie conteúdo de qualidade. Criar conteúdo relevante para o seu público também é

fundamental. Quando se trata de oficinas, o conteúdo deve ser educativo, informativo e

diretamente relacionado às necessidades dos clientes. Por exemplo, criar artigos sobre como

identificar sinais de desgaste na bateria ou vídeos demonstrando a manutenção adequada de

veículos.

3Faça colaborações com marcas e influencers. Associar-se a marcas reconhecidas aumenta

a confiança dos clientes e a visibilidade online da sua oficina. Além disso, colaborar com

influencers e empresas do setor amplia o alcance e cria oportunidades de promoções conjuntas,

que podem ser muito atrativas para os clientes.

4Aposte em avaliações online para construir confiança. As avaliações online são essenciais

para aumentar a confiança dos clientes na sua oficina. Incentive os clientes satisfeitos

a deixar feedback no Google, Facebook ou outras plataformas relevantes. Responder a estas

avaliações, tanto as positivas como as negativas, contribui para a boa reputação online.

5Envie comunicações segmentadas para fidelizar clientes. Utilize newsletters ou mensagens

segmentadas para oferecer recordatórios de verificações, como check-ups de bateria ou

mudanças de óleo, e promoções exclusivas. Estas comunicações ajudam a manter a sua oficina na

mente dos clientes.

6Torne-se parceiro da VARTA e apareça no portal. O VARTA Partner Portal oferece uma série

de serviços úteis para as oficinas, incluindo a oportunidade de aparecer no Pesquisador de

parceiros, onde clientes de todo o país procuram locais de confiança que utilizem baterias VARTA

e realizem testes de baterias. Inscreva-se gratuitamente no Portal e aproveite todas as vantagens.

Publireportagem

Rua Fernando Vicente - Armazém 15

2560-677 Torres Vedras

Telf.: +351 261 335 050 - E-mail: geral@nelsontripa.pt

GPS - N39.094609 - W009.251526 | www.nelsontripa.pt

PUB


COMEMORA 100 ANOS

DE HISTÓRIA

NAPA | A NAPA, National Automotive Parts Association,

fundada em 1925 nos Estados Unidos, celebra 100 anos de

história no setor do aftermarket automóvel. Desde a sua

fundação, a NAPA mantém o compromisso de oferecer peças

de substituição de alta qualidade, garantindo aos condutores

a tranquilidade de utilizarem produtos seguros e duráveis.

Ao longo de um século, a marca adaptou-se às inovações

tecnológicas e às crescentes exigências do mercado automóvel,

destacando-se pelo seu extenso catálogo de produtos para

veículos de todas as marcas e modelos. Em 2017, a Genuine

Parts Company (GPC), proprietária da NAPA, adquiriu a Alliance

Automotive Group (AAG). Atualmente, possui 19 linhas de

produtos, incluindo filtros, travões, baterias e lubrificantes, que

representam mais de 80% das compras profissionais no setor. O

conceito “NAPA KNOW HOW” reflete o compromisso em fornecer

suporte técnico e informação especializada, permitindo que os

profissionais realizem manutenções e reparações com eficiência

e qualidade garantida. Além disso, a marca conta com uma

equipa de especialistas que compreende as necessidades do

mercado, permitindo uma adaptação constante às exigências

dos clientes.

BODAS DE PRATA ESTE ANO

Car Repair System | A Car Repair System,

especialista em soluções integrais para a reparação

automóvel, celebra este ano o seu 25.º aniversário,

consolidando-se como uma referência no setor pelo seu

compromisso com a inovação e a qualidade dos seus

produtos. Desde a sua fundação, no ano 2000, a Car

Repair System percorreu um percurso repleto de desafios

e conquistas, mantendo-se sempre fiel à sua filosofia de

oferecer produtos e serviços de elevada qualidade. “Ao

longo deste quarto de século, a empresa tem-se dedicado

a fornecer soluções e sistemas de trabalho de alto padrão,

permitindo aos profissionais do setor desempenhar as

suas funções com eficiência e rentabilidade”, salientou

a empresa. Como parte das comemorações, a empresa

marcará presença em três das mais importantes

feiras internacionais do setor: Motortec, em Madrid;

Autopromotec, em Bolonha; e Equip Auto, em Paris. Além

disso, serão organizados diversos eventos ao longo do

ano com os distribuidores, com o objetivo de fortalecer

relações e celebrar esta conquista em conjunto. A empresa

também reforçará a sua presença digital, de forma a

conectar-se, ainda mais, com as necessidades dos seus

clientes em todo o mundo.

SPR AUTO CELEBRA

20 ANOS COM PARCEIROS

E CLIENTES

SPR AUTO | A SPR Auto, fundada em 2005 por Paulo

Dário, celebrou no passado dia 1 de fevereiro, o seu 20º

Aniversário, com uma Gala na Quinta da Morgadinha, em

Rio Tinto, juntando cerca de 200 pessoas, entre parceiros,

fornecedores, clientes e amigos. Numa sala repleta de

convidados, Paulo Dário começou por agradecer a presença

de todos e referiu que “esta celebração não é apenas sobre

o passado e todo o caminho percorrido até ao presente. É

também sobre o que queremos construir no futuro. Queremos

continuar a crescer, a inovar e a fazer a diferença, sempre com

o mesmo entusiasmo e paixão. Esta celebração é dedicada a

todos os que estiveram connosco ao longo destes anos e que

fizeram parte desta jornada incrível. A dedicação, o espírito

de equipa e a busca incessante pela excelência são visíveis

em cada detalhe”. Durante a Gala foi dado a conhecer a todos

os presentes o novo logotipo da empresa, sendo realçado o

trabalho de toda a equipa, como o mais importante fator de

sucesso da empresa.

PUB

www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 75


Segurança

INCÊNDIOS EM AUTOMÓVEIS

O VERDADEIRO PROBLEMA!

UMA PERCENTAGEM MUITO ELEVADA DE INCÊNDIOS EM VEÍCULOS PODERIA SER EVITADA.

NOS INCÊNDIOS DELIBERADOS, A VONTADE DE CAUSAR DANOS É O PRINCIPAL FATOR. MAS HÁ

OUTROS INCÊNDIOS EM QUE ATITUDES NEGLIGENTES OU DESCUIDADAS - DELIBERADAS OU NÃO -

CONDUZEM FREQUENTEMENTE A UM INCÊNDIO NUM VEÍCULO

Qualquer veículo convencional tem um motor

de combustão interna que, logicamente,

tem de ter um combustível líquido para

produzir energia. Mas, para além do combustível

que está no depósito, existem muitos materiais

combustíveis. A sua participação, combinada com

uma fonte de calor, pode ser fundamental na origem

do incêndio e na sua posterior evolução. A

gasolina, o gasóleo, o óleo do motor e da caixa, o

líquido dos travões, etc., são alguns dos combustíveis

líquidos presentes em praticamente todos

os veículos. Os protetores plásticos dos cabos exteriores,

também podem começar a arder devido

a sobrecargas ou avarias elétricas. Outros artigos,

como os revestimentos de plástico e os estofos,

podem também inflamar-se facilmente em combinação

com uma fonte de calor. Para que ocorra

um incêndio, são indispensáveis o combustível, o

comburente e uma fonte de calor capaz de inflamar

o combustível. As fontes de calor num veículo

são muito variadas, sendo a principal o motor

térmico, que é responsável pela geração de energia

para produzir o movimento do veículo. Mas também

existe calor nos sistemas onde há fricção entre

elementos e calor derivado, direta ou indiretamente,

da cablagem do sistema elétrico do veículo.

Incêndios em automóveis elétricos

Não estamos a falar de uma maior probabilidade

de incêndio nos automóveis elétricos. No entanto,

eles destacam-se devido a condições particulares,

mas não são mais ou menos suscetíveis de

provocar um incêndio do que os veículos a gasolina

ou a gasóleo.

O verdadeiro problema dos incêndios neste tipo

de propulsão é a sua extinção, devido às caraterísticas

químicas específicas das suas baterias

de iões de lítio. Além disso, quando um veículo

elétrico arde, quer seja uma scooter, um carro ou

um autocarro urbano, tem sempre mais cobertura

mediática, fazendo parecer que os incêndios

em carros elétricos são mais comuns e perigosos.

Conduta incorreta em incêndios

Algumas ações que podem levar a um incêndio

são causadas diretamente pelo condutor do veículo.

Normalmente, são as mais facilmente evitáveis

através da adoção de algumas precauções muito

simples. Um cigarro pode provocar um incêndio,

mesmo minutos após a paragem do veículo. Do

mesmo modo, a queda acidental de um isqueiro

ou de um fósforo aceso no interior do veículo sobre

certos materiais combustíveis: tecidos, molduras,

guarnições, revestimentos plásticos, etc. Ocasionalmente,

podem ser ligados acessórios elétricos

que, devido ao seu mau estado ou a uma ligação

incorreta, provoquem uma ponte elétrica. Esta

situação pode provocar faíscas potencialmente

incendiárias, uma vez que atuam como fonte de

calor. Estas montagens não devem ser efetuadas

sem a preparação técnica adequada e sem os sistemas

de segurança necessários. Um isqueiro mal

montado, um carregador mal ligado ou qualquer

outro acessório danificado podem produzir o calor

necessário para provocar um incêndio no interior

do veículo. Estes dispositivos podem aquecer e tornar-se

perigosos, não só nos veículos comerciais

para o transporte de mercadorias, mas também

nos veículos de passageiros, que por vezes trans-

76 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


portam certas quantidades de materiais perigosos,

devido à sua inflamabilidade e explosividade. Estes

materiais podem gerar concentrações muito

elevadas de vapores inflamáveis, provenientes

de recipientes não estanques de tintas, solventes,

compostos de hidrocarbonetos, etc. Estas circunstâncias

não só são perigosas, como também proibidas

pela legislação atual relativa ao transporte de

mercadorias perigosas.

No que respeita aos veículos destinados ao transporte

de pessoas ou de mercadorias, de pequena

capacidade, por vezes as máquinas, os equipamentos

e os materiais para a realização de trabalhos

“em movimento” são depositados na parte traseira

do veículo - sem compartimentos ou fixações adequadas.

As máquinas de furar, os cortadores, as

serras, as serras radiais, os aparelhos de soldar...

podem provocar um incêndio se forem colocados

no veículo sem terem arrefecido completamente

após o trabalho, em contacto direto com materiais

combustíveis sólidos ou vaporizados. Qualquer

máquina ou equipamento deve ser completamente

arrefecido e colocado no compartimento de

mercadorias e não nos bancos dos passageiros.

Incêndios nas ligações

A bateria do veículo, enquanto acumulador eletroquímico,

é uma fonte potencial de calor. Um mau

manuseamento e/ou mau estado dos seus terminais

de ligação pode provocar faíscas devido a um

mau contacto elétrico; ou mesmo a utilização de

cabos auxiliares de arranque pode também provocar

faíscas nas suas ligações ou o sobreaquecimento

do próprio cabo auxiliar. Estas circunstâncias,

juntamente com o facto de as baterias emitirem

hidrogénio para a atmosfera, podem gerar um

cocktail altamente explosivo se se acumularem

elevadas concentrações de hidrogénio e se forem

geradas faíscas nos volumes ocupados por estes

gases. Tanto o estado da bateria como os seus terminais

de ligação devem ser adequados e, acima

de tudo, deve ter-se muito cuidado ao manusear

a bateria, especialmente quando se utilizam cabos

de ligação ou outros métodos semelhantes.

Evolução do incêndio

A condução fora de estrada também pode provocar

incêndios. Alguns veículos têm os seus siste-

A BATERIA DO VEÍCULO, ENQUANTO acuMULADOR ELETROQUÍMICO,

É UMA FONTE POTENCIAL DE CALOR. UM MAU MANUSEAMENTO

E/OU MAU ESTADO DOS SEUS TERMINAIS DE LIGAÇÃO PODE

PROVOCAR FAÍSCAS DEVIDO A UM MAU CONTacTO ELÉTRICO

www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 77


SEGURANÇA

mas de escape com catalisadores e/

ou filtro de partículas montados na

parte inferior do piso do veículo.

Embora estejam normalmente equipados

com uma placa de proteção e

blindagem, se o veículo estiver parado

num solo com mato ou pasto, e

o motor estiver à temperatura normal

de funcionamento, a superfície

quente do sistema de escape do

veículo e vegetação, um combustível

sólido, entram em contacto direto. A

velocidade da combustão dependerá

do estado do material combustível

(mais ou menos seco) e da temperatura

exterior do catalisador (cerca de

330 °C), podendo a ignição ocorrer

em apenas dois minutos. Uma vez

iniciado o incêndio, este deslocar-se-

-á verticalmente em direção ao veículo

e horizontalmente em direção

ao resto da vegetação seca no solo,

propagando-se rapidamente.

Por este motivo, a paragem neste

tipo de terreno deve ser sempre

evitada e mesmo a simples condução

deve ser limitada na medida do

possível.

Manutenção programada

A manutenção programada dos

veículos, para além de assegurar o

correto funcionamento de todos os

elementos eletromecânicos, garante

também que as instalações se encontram

em bom estado, sem quebras,

avarias ou deteriorações que

possam comprometer o seu bom

funcionamento. Uma manutenção

inadequada ou não efetuada faz

com que algumas instalações, especialmente

as elétricas - devido à

fricção contra superfícies metálicas,

algumas delas afiadas - se desgastem

ou as suas proteções plásticas

se partam ao ponto de gerar um

arco elétrico entre o cabo e a carroçaria.

Esta ponte elétrica, contacto

defeituoso ou curto-circuito pode

gerar calor suficiente para provocar

a combustão de todos os materiais

na proximidade do ponto de contacto.

Há uma infinidade de ações

simples que, se forem realizadas

com prudência e cuidado, eliminam

a possibilidade de um incêndio no

nosso veículo. l

OS autoMÓVEIS ELÉTRICOS NÃO São MAIS OU MENOS

SUSCETÍVEIS DE PROVOCAR UM INCÊNDIO DO QUE OS VEÍCULOS

A GASOLINA OU A GASÓLEO. O VERDADEIRO PROBLEMA

DOS INCÊNDIOS NESTE TIPO DE PROPULSão É A SUA EXTINÇÃO

78 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com



Gestão

COMPETITIVIDADE NA OFICINA

QUEREMOS SER

COMPETITIVOS?

A COMPETITIVIDADE É UM ASPETO QUE QUALQUER OFICINA, POR MAIS PEQUENA QUE SEJA, DEVE

TER EM CONTA. PROVÉM DAS VANTAGENS QUE A OFICINA TEM NA SUA PRODUÇÃO E ORGANIZAÇÃO

(QUE SE REFLETEM NO PREÇO E NA QUALIDADE DO SERVIÇO FINAL) EM RELAÇÃO A OUTRAS

OFICINAS CONCORRENTES

Na gestão de uma oficina, um

dos rácios operacionais básicos

é a produtividade.

Mas será que o nosso objetivo é ter

os custos mais baixos, ser o que faz

mais reparações e trabalhar mais

horas? Uma coisa é a superioridade

para produzir, outra é a superioridade

para competir. A produtividade

é o custo de produção de um determinado

bem; a competitividade é o

lucro ou a capacidade de fixar os preços

dando mais utilidade ao cliente.

Dar mais pelo mesmo, em vez de

tentar dar o mesmo por menos.

É interessante estudar a nossa oficina

do ponto de vista do lucro,

para conhecer a sua capacidade de

obter maior rendibilidade do que

os seus concorrentes.

O nosso rendimento depende do

que vendemos e a que preços; mas

o interessante não é fixar os preços

acrescentando uma certa margem

ao custo. Se fosse esse o caso, a

produtividade seria fundamental.

Temos de fixar os preços de acordo

com a utilidade que o nosso serviço

proporciona ao cliente, pelo

que depende da sua perceção e, por

conseguinte, da competitividade.

A nossa empresa pode ser mais

competitiva porque é mais produtiva,

mas se essa vantagem for consequência

de salários mais baixos,

não será duradoura. A competitividade

estrutural deve basear-se

na produtividade, na eficiência, em

produtos diferenciados, na incorporação

de inovações tecnológicas,

na organização adequada do processo

de produção e na gestão. Dar

mais pelo mesmo, em vez de tentar

dar o mesmo por menos.

Produtividade,

um ingrediente necessário

A produtividade é necessária para

ser competitivo, mas não é suficiente;

é a visão interna da empresa. O

que é fundamental é a visão externa,

ou seja, quando o mercado nos compara

com os nossos concorrentes. A

nível global, vários ingredientes estão

envolvidos na competitividade;

em cada caso, a sua ponderação será

tida em conta:

• Quanto maior for a produtividade

da nossa oficina, maior será a sua

competitividade. É um ingrediente

necessário, mas não suficiente.

• Competir em termos de preço de

forma sustentável só pode ser feito

com os custos mais baixos. Aumentar

os preços acima dos níveis do

mercado reduz a competitividade...

O fator a gerir é o custo, não tanto

o preço.

• O talento da nossa organização é

apoiado pelos nossos profissionais,

um fator de importância vital para

o sucesso.

• A inovação. Independentemente

da dimensão da empresa, está ao

alcance de cada um. Em muitos

casos, as inovações mais radicais

estão nos modelos de negócio.

• Podem ser geridos três tipos de

qualidade: real ou técnica, percebida

e suficiente. Concentrar-se

apenas num deles seria defraudar

as expetativas ou desperdiçar recursos.

• Uma cultura de empresa orientada

para o cliente e não para o

produto, com valores, vocação de

serviço e alinhamento interno,

condiciona absolutamente a nossa

80 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


QUADRO I – FASES DA COMPETITIVIDADE

Amplitude da vantagem competitiva

Período

de criação

As ações

estratégicas

produzem vantagem

competitiva

Período

de benefício

Magnitude da vantagem

competitiva

Período

de erosão

A imitação,

a duplicação e

o ataque dos rivais

corroem a vantagem

Tempo

competitividade. É frequentemente

um dos factores mais mal

geridos.

Reinventar AS vantagens

COMPETITIVAS

A estratégia de sucesso da nossa

atividade baseia-se em vantagens

competitivas sustentadas ao longo

do tempo. A forma mais básica

é fornecer aos compradores

aquilo que eles consideram ser

um valor superior: um bom produto

a um preço baixo, ou um

produto superior pelo qual vale a

pena pagar. Para atingir esse valor

superior, é necessário desenvolver

na empresa competências

e conhecimentos que não podem

ser facilmente igualados.

As vantagens competitivas passam

normalmente por três fases

(Quadro I):

• Criação: Geralmente leva um

curto período - se os recursos

e capacidades estiverem prontos

para serem usados - ou um

período mais longo, para que o

consumidor aceite um produto

inovador. Quanto mais tempo

for necessário para criar a vantagem

competitiva, maior é a

probabilidade de os rivais detectarem

a medida.

• Benefício: Tempo durante o qual

os frutos da vantagem competitiva

são desfrutados. A sua duração

dependerá do tempo que os nossos

concorrentes demorarem a reagir.

Um período prolongado permitirá

à nossa oficina obter lucros acima

da média e recuperar os investimentos

efetuados.

• Erosão: Os nossos rivais reagirão

às nossas vantagens para

recuperar o atraso. Temos de

tentar estar sempre um passo à

frente deles. l

COMPETITIVIDADE CONSISTE

EM VENDER UM SERVIÇO DE

REPARAÇÃO CUJOS ATRIBUTOS

CONSEGUEM FAZER PARTE DE

UM PACOTE MAIS ATRATIVO

DO QUE O DE PRODUTOS

SEMELHANTES OFERECIDOS PELA

CONCORRÊNCIA

PUB

Visite-nos

na Motortec

de 23 a 26 de Abril

Stand 3D 04


Serviço


EPI PARA MANIPULAÇÃO DE VEÍCULOS ELÉTRICOS

PREVENÇÃO

DE RISCOS!

A CRESCENTE DIFUSÃO DE VEÍCULOS ELÉTRICOS NO MERCADO EXIGE UMA IMPORTANTE ATUALIZAÇÃO

DE CONHECIMENTOS POR PARTE DAS OFICINAS. TORNA-SE POR ISSO URGENTE DAR FORMAÇÃO AOS

PROFISSIONAIS QUE TÊM DE MANIPULAR VEÍCULOS ELÉTRICOS E HÍBRIDOS, PARA QUE O SAIBAM FAZER

DE FORMA SEGURA, ALÉM DE QUE TODAS AS PESSOAS QUE MANIPULAM ESTE TIPO DE VEÍCULOS DEVEM

UTILIZAR OS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) ADEQUADOS E NECESSÁRIOS

Os veículos elétricos ou híbridos possuem

características que variam relativamente

aos veículos de combustão interna convencionais,

dado que, entre outros componentes,

incluem um motor elétrico e uma bateria de

alta tensão, o que implica novos riscos (riscos

elétricos, químicos e de incêndio ou explosão).

Assim, diferentes grupos, entre os quais se incluem

os bombeiros, serviços de emergência,

operadores de gruas e técnicos de oficina, bem

como os proprietários destes veículos, devem

estar preparados, em diferentes níveis, para responder

a um acidente ou reparação de um veículo

elétrico ou híbrido.

Para poder prevenir os riscos indicados na manipulação

de veículos elétricos e híbridos, em

primeiro lugar é preciso conhecer o funcionamento

do sistema de alta tensão que os alimenta.

Dependendo da operação a realizar no

veículo elétrico e híbrido, se existir um risco derivado

da referida manipulação, será necessário

desligar com segurança o sistema de alta tensão.

Por outro lado, com o objetivo de minimizar o

risco de contacto com alta tensão, existem ferramentas

específicas para quando se manipula

um veículo elétrico ou híbrido de ligação à rede

elétrica. As oficinas devem dispor, obrigatoriamente,

de um conjunto de ferramentas manuais

isoladas (devem estar homologadas segundo

a norma IEC 60900 e conter a respetiva marcação),

multímetros com uma classificação

mínima de CAT III (indica o grau de proteção

do dispositivo contra sobretensões e sobreintensidades),

cartazes indicadores e sinalização

perimetral do veículo, para delimitar a zona de

trabalho, e uma câmara termográfica ou um

termómetro laser, para verificar a temperatura

à distância. Além disso, é recomendável dispor

de uma zona de quarentena, na qual o veículo

acidentado deve permanecer sob controlo e supervisão.

Para a manipulação segura do veículo

elétrico e híbrido existem Equipamentos de Proteção

Individual (EPI) obrigatórios, bem como

outros que são recomendados. A Lei de Prevenção

de Riscos Profissionais define EPI ou Equipamento

de Proteção Individual como qualquer

equipamento destinado a ser transportado ou

usado pelo trabalhador, para que o proteja de

um ou de vários riscos que possam ameaçar a

sua segurança ou saúde, assim como qualquer

complemento ou acessório destinado a esse fim.

Os EPI constituem a última barreira de defesa

do trabalhador relativamente ao risco profissional,

daí a sua enorme importância no âmbito da

Segurança, Saúde e Bem-estar no trabalho. Deve

ter-se em conta que os EPI não implicam uma

redução do risco, mas sim uma redução das consequências

derivadas de que esse risco possa resultar

num acidente profissional. São utilizados

quando não foi possível eliminar os riscos através

de meios técnicos de proteção coletiva ou organizativa.

Deve ter-se em conta que os EPI não

são utilizados com o objetivo de realizar uma

tarefa ou atividade, mas sim para nos proteger

dos riscos envolvidos nessa tarefa ou atividade.

Por este motivo, as ferramentas ou utensílios,

embora concebidos para proteger contra um

determinado risco (ferramentas isolantes ou isoladas,

etc.), não serão considerados EPI. O EPI

deve ser transportado ou usado pelo trabalhador

e deve ser utilizado de acordo com as instruções

dadas pelo seu fabricante. Tendo sido explicado

em que consiste o Equipamento de Proteção

Individual, indicamos de seguida os EPI neces-

OS DIFERENTES GRUPOS PROFISSIONAIS QUE TENHAM DE MANIPULAR

OU REPARAR VEÍCULOS ELÉTRICOS E HÍBRIDOS ACIDENTADOS

OU AVARIADOS DEVEM CONHECER AS PRECAUÇÕES DE SEGURANÇA

NECESSÁRIAS PARA EVITAR POSSÍVEIS ACIDENTE

www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 83


SERVIÇO

DEVE ESCOLHER-SE as Luvas MAIS INDICADAS EM FUNÇÃO

da tensão DO VEÍCULO QUE SERÁ MANIPULADO. A CATEGORIA

É DESIGNADA POR UMA OU VÁRIAS LETRAS (A, H, Z, R OU C),

QUE INDICAM A RESISTÊNCIA DAS Luvas

sários para manipular um Veículo

Elétrico ou Híbrido de uma forma

segura. Qualquer trabalhador que

tenha de manipular ou reparar um

Veículo Elétrico ou Híbrido acidentado

deve utilizar obrigatoriamente

os seguintes EPI:

Luvas de proteção

dielétricas

Estas luvas (categoria “00” 750 V

DC, que consigam isolar até 750

V em corrente contínua) protegem

da passagem de corrente elétrica

através do corpo humano (choque

elétrico), produzida pelo contacto

físico com um elemento condutor,

a diferente tensão. (Não protegem

de correntes elétricas induzidas no

corpo humano por campos eletromagnéticos

fortes ou de qualquer

outro risco derivado da energia

elétrica). Antes de utilizar as luvas,

o operário deve certificar-se

visualmente que não apresentam

orifícios nem cortes e proceder a

um teste de estanquidade (manualmente

ou com um dispositivo

de teste). Uma verificação básica

do estado das luvas consiste em fechar

a extremidade por onde se introduz

a mão e apertar a luva para

ver se apresenta perdas ou fugas de

ar. Se as luvas estiverem deterioradas,

não devem ser utilizadas, uma

vez que não cumpririam a sua função,

não iriam proteger, e a corrente

elétrica poderia passar através

delas. Recomenda-se a utilização

das luvas dielétricas por baixo de

luvas de proteção convencionais,

para evitar perfurações e rasgões.

Alguns grupos, como os bombeiros,

utilizam as luvas dielétricas

por cima de luvas ignífugas, para

evitar os efeitos térmicos de origem

elétrica. As luvas dielétricas

devem cumprir a norma UNE-EN

60903:2005, que especifica os

requisitos para o fabrico, verificação

e utilização correta das luvas

e proteções das mãos isolantes da

eletricidade, com e sem proteção

mecânica.

Óculos de proteção

É obrigatório o uso de óculos contra

impactos. Os óculos de proteção

ocular devem reduzir o campo visual

do trabalhador o mínimo possível

e ser de uso individual. Recomenda-se

o uso de viseiras, no caso

de realizar trabalhos em tensão que

possam resultar em faíscas ou curto-circuitos,

evitando assim queimaduras

por arco elétrico na face.

As viseiras faciais, certificadas de

acordo com a UNE-EN 166-2002

(proteção individual dos olhos),

são as únicas proteções oculares

válidas para esta zona do corpo.

Além disso, abrangem a exigência

de proteção contra arco elétrico de

curto-circuito. Os principais riscos

oculares gerados quando se produz

arco elétrico são os impactos de

partículas projetadas, a radiação

UV e a radiação térmica. A norma

UNE-EN 170 especifica as classes

de proteção e as especificações

relativas ao coeficiente de transmissão

dos filtros para a proteção

contra a radiação ultravioleta. As

restantes especificações aplicáveis

a este tipo de filtros e às armações

a que se destinam são apresentadas

na norma UNE-EN 166.

Calçado dielétrico

O calçado com proteção dielétrica

é outro EPI obrigatório quando se

manipulam veículos elétricos, para

evitar situações nas quais a corrente

elétrica passe para a terra através do

corpo do operário. O tipo de calçado

é concebido com borracha ou materiais

poliméricos semelhantes aos

utilizados nas luvas dielétricas. Se o

calçado tiver biqueira de proteção,

esta nunca deverá ser metálica. Antes

de utilizar o calçado dielétrico

deverá ser verificado, visualmente,

se existe na sola alguma peça metálica

inserida, dado que esta faria de

condutor de eletricidade, limitando

ou até mesmo anulando a capacidade

dielétrica do calçado em questão.

Como EPI opcional temos a manta

isolante para proteção contra partes

ativas com tensão. Com essa manta

tapam-se conectores, terminais de

bateria, etc., e todas as partes ativas

com tensão, para evitar o contacto

destas com a carroçaria e, por sua

vez, para evitar o contacto acidental

por parte do pessoal. Outro EPI

obrigatório para os bombeiros é o

ERA (Equipamento de Respiração

Autónoma), que é utilizado para

evitar a inalação de gases produzidos

por um derrame do eletrólito da

bateria de tração.

Vara de salvamento

A vara de salvamento ou arnês de

segurança é utilizada para o resgate

elétrico. A vara permita afastar

uma pessoa caso seja eletrocutada

enquanto manipula o sistema de

alta tensão do veículo. A utilização

da vara de extração evita que a pessoa

que vai em seu auxílio também

seja eletrocutada ao tentar socorrer

o acidentado. Vale a pena relembrar

que, como é lógico, é imprescindível

retirar todos os objetos

pessoais de metal que sejam usados

(entre os quais se encontram

joias e relógios), antes de começar

a manipular um veículo elétrico ou

híbrido. Por outro lado, as pessoas

com pacemaker, desfibrilhadores e

outros dispositivos médicos semelhantes

não podem realizar trabalhos

em veículos elétricos ou híbridos,

dado que o campo magnético

que emanam pode afetar o funcionamento

destes aparelhos. l

84 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com



Técnica

&Serviço


EQUIPAMENTOS ESSENCIAIS

IMPRESCINDÍVEIS

NA OFICINA!

NUMA OFICINA É FUNDAMENTAL CONTAR COM OS EQUIPAMENTOS

NECESSÁRIOS PARA EFETUAR QUALQUER REPARAÇÃO E OFERECER

O MELHOR SERVIÇO POSSÍVEL AO CLIENTE. UMA OFICINA

COM O EQUIPAMENTO E AS FERRAMENTAS ADEQUADAS, VAI SEMPRE

TER MAIS POSSIBILIDADES DE ENFRENTAR QUALQUER TIPO

DE REPARAÇÃO E, PARA ALÉM DISSO, FACILITAR AS TAREFAS

AOS EMPREGADOS

Dentro da oficina existem diferentes equipamentos

que são indispensáveis. Mas

cuidado, também há que ter em conta

o tipo de oficina e os serviços que são oferecidas

nela. Não é a mesma coisa uma oficina de

reparação mecânica, uma de substituição de vidros

ou uma especializada em chapa e pintura.

Neste artigo vamos ver algumas das ferramentas

e equipamentos que não podem faltar numa

oficina, bem como os seus usos e características

principais.

Ferramentas segundo o tipo de oficina

Como referimos, dependendo do tipo de oficina,

utilizaremos umas ferramentas ou outras.

• Oficina mecânica: ferramentas manuais, ferramentas

pneumáticas e ferramentas específicas.

Estas últimas são aquelas ferramentas utilizadas

para reparações mais complexas, ou menos comuns.

• Oficina de chapa e pintura: centrais de aspiração,

lixadoras, máscaras, produtos de secagem

rápida, etc. Os produtos de secagem rápida são

cada vez mais imprescindíveis, uma vez que são

muito úteis para as pequenas reparações rápidas

de pintura (em apenas 45 minutos é possível entregar-se

o carro pintado).

• Oficina de pneus: desmontadoras, equilibradoras,

vulcanizadoras, acessórios para reparação

de furos, etc.

• Oficina de eletricidade e eletrónica: máquina e

diagnóstico, soldadores e material de reparação

de circuitos, polímeros, etc.

Ferramentas manuais:

quais não podem faltar?

Pode-se dizer que todas estas ferramentas que

foram enumeradas são imprescindíveis na oficina,

já que é mais do que provável que em algum

momento seja necessário utilizar alguma delas.

Algumas das ferramentas manuais foram substituídas

por outras pneumáticas ou hidráulicas,

que permitem realizar estas tarefas de forma

mais eficiente.

Ferramentas pneumáticas

Tratam-se de ferramentas que funcionam graças

à tecnologia pneumática, isto é, a utilização de

ar comprimido. O seu funcionamento é simples:

liga-se a ferramenta a um compressor através de

uma mangueira. Quando a ferramenta é acionada

(através de um botão ou gatilho), o compressor

envia uma rajada de ar comprimido à

ferramenta através da mangueira.

As ferramentas pneumáticas são muito úteis

para trabalhos na oficina nos quais, por exemplo

se tenha de empregar uma força que não se

poderia empregar com ferramentas manuais.

Todavia, a sua aplicação pode ser muito variada,

sendo também utilizadas na área da chapa

www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 87


TÉCNICA

&SERVIÇO

e pintura (lixadoras pneumáticas,

por exemplo).

As principais vantagens das ferramentas

pneumáticas em relação às

ferramentas elétricas são:

• Menores riscos para a segurança

análise do carro, encontrar possíveis

falhas e encontrar as soluções

para as avarias. Estes aparelhos

ligam-se ao carro através de um

cabo ou através de Wi-fi ou Bluetooth,

permitindo monitorizar os

COMPRESSORES:

PORQUE SÃO UMA

FERRAMENTA

BÁsica NA OFICINA?

m compressor de ar é imprescindível na oficina porque se

U

encarrega de gerar o ar comprimido que permite o

funcionamento da maior parte das ferramentas da oficina, desde

ferramentas pneumáticas até plataformas elevatórias. Na hora de

decidir o compressor que iremos utilizar na oficina, é básico saber

qual o caudal de potência de que necessitamos para desenvolver a

nossa atividade. Isto calcula-se somando o caudal necessário por

cada ferramenta, de acordo com o tempo de utilização. Por exemplo,

uma pistola de ar consome cerca de 150 litros/minuto. Geralmente,

os compressores geram 100 litros de ar comprimido por minuto por

cada CV de potência. Os compressores mais habituais para oficina

conseguem ter uma potência mínima que ronda os 5 CV (uns 500

litros de ar comprimido por minuto).

OS EquipamENTOS DE DIAGNÓSTICO SÃO UMA Das FERRAMENTAS

MAIS IMPORTANTES NA OFICINA, UMA VEZ QUE POUPAM MUITO

TEMPO E TRABALHO aos PROFISSIONAIS. PARA ISTO, É IMPORTANTE

ValoriZAR O TIPO DE MÁQUINA QUE ESCOLHEMOS

e para a saúde: não geram faíscas,

são menos suscetíveis de provocar

incêndios e podem ser utilizadas

em qualquer contexto de trabalho.

• Utilizam um sistema de energia

gratuito: o ar. Permite poupar

energia uma vez que, para além

disso, o ar comprimido pode-se armazenar.

• São ferramentas limpas e respeitadoras

do meio ambiente, não

necessitam de combustão nem de

reações químicas para funcionar.

• As ferramentas pneumáticas podem

atingir potências superiores às

elétricas ou eletrónicas.

Algumas das ferramentas pneumáticas

imprescindíveis na oficina são

as chaves de impacto, lixadoras e

polidoras.

Equipamentos eletrónicos

Claro que, numa oficina nem tudo

são ferramentas manuais ou pneumáticas,

uma vez que a tecnologia

exige outro tipo de ferramentas

fundamentais, como são os equipamentos

de diagnóstico. Estes equipamentos

fornecem uma grande

ajuda aos profissionais da oficina

uma vez que permitem realizar a

dados recolhidos na centralina,

através de um computador, um

tablet ou até mesmo um telefone

móvel. Os equipamentos de diagnóstico

são uma das ferramentas

mais importantes na oficina, uma

vez que poupam muito tempo e

trabalho aos profissionais. Para

isto, é muito importante valorizar

o tipo de máquina de diagnóstico

que escolhemos.

Para uma oficina de carácter geral

com um volume importante

de veículos, é sempre necessário

utilizar equipamentos de diagnóstico

multimarca, e geralmente

devem possuir vários equipamentos

para fazer face ao volume de

reparações. Os equipamentos de

diagnóstico profissional são ferramentas

que são caras, mas em

troca oferecem grandes vantagens

ao nível do funcionamento. Há

que destacar que existem equipamentos

de diagnóstico menos

profissionais, ou “piratas”, cuja

qualidade não é a mais adequada

e, apesar de serem mais baratos, a

sua eficiência é muito menor que

as restantes, para além de serem

ilegais em caso de inspeção.

MANUTENÇÃO

ADEquaDA DOS

EquipamENTOS

ara além de existir um grande número de ferramentas que

P

não podem faltar na sua oficina, também existe outra série de

questões imprescindíveis que deve saber sobre o equipamento de

trabalho. Por um lado, para que este equipamento de trabalho seja

eficiente é necessário realizar uma manutenção adequada do

mesmo, de acordo com as exigências das normas em vigor. Tem de

rever danos, defeitos ou qualquer deterioração que seja suscetível de

causar uma diminuição da eficácia da ferramenta. Por outro lado, é

importante que as ferramentas estejam limpas, bem cuidadas e

ordenadas segundo a área de atuação. Ainda assim, existe a

necessidade de evitar a utilização negligente das mesmas que pode

provocar um desgaste ou uma rotura.

É ainda de referir que existem ferramentas e equipamentos que

não estão direcionados para realizar tarefas de reparação ou

manutenção concretas, mas possuem uma utilização passiva,

destinada a melhorar a segurança dos trabalhadores: são os

equipamentos de proteção individual (EPIs). No caso da oficina,

alguns dos equipamentos de proteção individual imprescindíveis

segundo a tarefa que vamos realizar são a máscara e a armadura de

soldagem, óculos e capacetes protetores, máscaras para proteger

as vias respiratórias ou luvas. Apesar de que estes elementos são

geralmente considerados como «equipamento» de segurança,

também são ferramentas passivas que contribuem para evitar riscos

para a saúde do trabalhador.

88 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


17 outubro 2025

Casino Figueira

Figueira da Foz

www.galatop100.com

Patrocinadores 2025

Premium Partner

UZ DEAIRBAG


TÉCNICA

&SERVIÇO

É IMPRESCINDÍVEL QUE OS ELEVADORES ESTEJAM SEMPRE

EM PERFEITAS CONDIÇÕES, UMA VEZ QUE QUALQUER ELEMENTO

EM MAU ESTADO PODE CAUSAR RISCOS tanto PARA O VEÍCULO,

COMO PARA OS FUNCIONÁRIOS DA OFICINA

EquipamENTOS

novos OU EM

SEgunda MÃO?

ma das questões mais importantes na hora de comprar

U

equipamento para a oficina é: Equipamentos novos ou em

segunda mão? Para resolver esta questão temos de ponderar vários

fatores:

• Em primeiro lugar, é primordial ter em conta o tipo de

ferramentas que vamos comprar ou substituir. Existem

ferramentas manuais básicas que são simples, resistentes e

possuem uma vida útil prolongada, uma vez que não incluem

mecanismos complexos nem partes sensíveis. Todavia, também

existem ferramentas muito mais complexas que necessitam de

estar em perfeito estado para oferecer a precisão e a eficácia

necessárias, por exemplo as chaves dinamométricas ou os

alinhadores digitais de direção.

• Outro fator que tem influência é o preço. Todavia, o que

realmente interessa é a relação qualidade/preço. Por exemplo, ao

comprar equipamentos em segunda mão podemos ter acesso a

marcas que, se fossem novos, estariam economicamente fora do

nosso alcance.

• Outro fator chave é: em que estado se encontram os

equipamentos? que defeitos possuem? que utilização lhes foi dado

pelo antigo proprietário?

Tendo em conta as características, o preço e o estado das

ferramentas e equipamentos em questão há que decidir se nos

convém, tanto economicamente como em termos de rendimento,

adquirir novo ou em segunda mão.

Equipamentos para

elevação de cargas

São aqueles equipamentos que

permitem levantar um veículo ou

partes deste, com o objetivo de facilitar

o trabalho dos mecânicos.

São equipamentos de suporte imprescindíveis

para realizar tarefas

muito diversas, como uma simples

troca de rodas ou um realinhamento

de direção. Também são vitais

para tornar mais cómodo e menos

exigente o trabalho dos profissionais,

por exemplo permitem analisar

detalhadamente a parte inferior

do carro, de forma muito mais

simples e eficaz. Dentro das ferramentas

elevatórias mais importantes

numa oficina encontram-se:

Elevadores: São equipamentos de

tamanho considerável, destinados

a elevar um veículo o suficiente

para que o operário possa trabalhar

debaixo do mesmo. É imprescindível

que este tipo de equipamentos

esteja em perfeitas condições, uma

vez que qualquer elemento em mau

estado poderia causar riscos tanto

para o veículo, como para os funcionários

da oficina.

Macacos hidráulicos ou mecânicos:

São ferramentas de menor

dimensão que também permitem

a elevação de cargas. Os macacos

mecânicos baseiam-se na força

manual e empregam-se para a elevação

de cargas mais pequenas,

por exemplo como suporte para

realizar uma troca de pneus. No

que lhes diz respeito, os macacos

hidráulicos são de utilização mais

profissional e podem chegar a levantar

várias toneladas de peso.

Gruas hidráulicas: São ferramentas

de aparência semelhante às gruas

de obra, que incorporam um gancho

para elevar e suportar qualquer

tipo de carga. São muito úteis para

o transporte ou análise de peças em

separado, por exemplo motores de

automóveis.

Oficina de chapa e pintura

Na área de chapa e pintura (ou

numa oficina especializada neste

serviço), utilizam-se muitas ferramentas

que também se utilizam

noutras áreas da oficina (Compressores,

elevadores, etc.), mas

também possuem ferramentas específicas.

Dentro das ditas ferramentas

imprescindíveis podemos

encontrar: equipamento portátil

de infravermelhos, elevadores, cavaletes

para peças, esmeriladoras,

lixadoras, polidoras, pistolas, verniz,

tintas de base aquosa, maçaricos...

Muitas das ferramentas que

provocam faíscas ao entrarem em

contacto com o metal, são cortantes

ou inclusive tóxicas, razão pela

90 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


qual é necessário utilizá-las com o

equipamento de proteção adequado.

Por exemplo, para utilizar um

maçarico é necessário utilizar o

aparelho e a máscara de soldar, já

para utilizar as pistolas de pintura

será necessário proteger-se com

uma máscara para evitar a inalação

de vapores tóxicos.

Oficina de pneus

Uma das visitas mais usuais à oficina

é aquela que se prende com a

manutenção ou troca dos pneus.

Este serviço oferece-se em qualquer

oficina generalista, ainda

que também existam oficinas especializadas.

Para realizar tarefas

relacionadas com as rodas e com

os pneus do carro, são imprescindíveis

algumas ferramentas como

as seguintes:

Desmontadoras: São muito úteis

para agilizar o processo de substituição

de rodas. Existem diferentes

tipos de desmontadoras: automáticas,

semiautomáticas, pneumáticas

e hidráulicas, sendo estas últimas

destinadas principalmente a veículos

industriais.

Equilibradores: São equipamentos

que permitem corrigir os desequilíbrios

nas massas rotativas de cada

roda, permitindo assim que girem

sem vibrações.

Vulcanizadoras: São ferramentas

que permitem aquecer rapidamente

a borracha com o objetivo de a

fundir. Utilizam-se para reparações

de furos.

Conclusão

Todas as ferramentas são indispensáveis

em qualquer oficina e

constituem o equipamento básico

para que o negócio possa funcionar.

Claro que, as ferramentas ao

serem imprescindíveis, é muito importante

utilizá-las corretamente e

levar a cabo uma boa manutenção,

para aumentar a sua vida útil e

evitar falhas e atrasos nas operações.

Um último conselho: existem

ferramentas e equipamentos que

pressupõem um “extra” aos nossos

serviços. Não são imprescindíveis,

mas resultam como um complemento

e um passo no sentido da

excelência. O nosso conselho é que

ignore este tipo de equipamento

até que tenha as ferramentas básicas

de que falámos. Ao ter o essencial,

poderá começar a pensar em

aumentar o seu equipamento para

começar a especializar-se ou a diversificar

os seus serviços. l

ESPECIALIZAR-SE:

MERECE A PENA?

m dos segredos do sucesso em qualquer negócio pode

U

residir na especialização, isto é, concentrar-se em oferecer

um serviço muito específico com uma qualidade superior à da

concorrência. Mas para se especializar numa área ou serviço em

concreto é necessário contar com as ferramentas adequadas, o que

implica um investimento. Antes de se especializar num serviço em

concreto, é necessário realizar um estudo de mercado, saber qual é

a situação do setor e analisar a concorrência, para determinar se

existem oportunidades de negócio. Uma vez isto feito, o passo

seguinte é determinar o equipamento de que necessitamos para

levar a cabo a especialização que procuramos nos nossos serviços.

Claro que o fator económico tem influência, uma vez que o nível de

investimento não é o mesmo que especializar-se num serviço ou

noutro. Por exemplo, especializar-se em veículos com sistemas de

gás automóvel GPL ou GNC não supõe apenas custos extra. Todavia,

especializar-se em veículos com mudanças automáticas ou

sistemas de injeção requer a utilização de ferramentas mais caras e

complexas, que implicam um maior investimento, como bancos de

provas específicos. Tendo em mente a situação financeira da

oficina e as possibilidades de negócio, há que ponderar se é

rentável investir em novas ferramentas de forma a oferecer

serviços especializados.

PARA QUE O EQUIPAMENTO SEJA EFICIENTE É NECESSÁRIO

REALIZAR UMA MANUTENÇÃO ADEQUADA DO MESMO. TEM DE

REVER DANOS, DEFEITOS OU QUALQUER DETERIORAÇÃO QUE SEJA

SUSCETÍVEL DE CAUSAR UMA DIMINUIÇÃO DA SUA EFICÁCIA


NOTÍCIAS // PNEUS E EQUIPAMENTOS À MEDIDA DE CADA NEGÓCIO

Pneus

MICHELIN PRIMACY 5

REDUZ IMPACTO AMBIENTAL

Com uma redução de 6% no impacto ambiental,

o novo Michelin Primacy 5 alinha-se

à estratégia “Tudo Sustentável” da

Michelin, oferecendo maior durabilidade, segurança

e conforto, enquanto reduz a pegada ecológica.

“Numa abordagem sustentável é essencial

oferecer um pneu com um excelente desempenho

quilométrico, um alto nível de desempenho e segurança.

Isso garante que os condutores possam

usar pneus com segurança do primeiro ao último

quilómetro”, começou por afirmar a Michelin.

Segundo dois estudos realizados em 2023

para a Michelin na Europa, Estados Unidos e

China, esta é uma das principais expetativas

dos automobilistas, independentemente do tipo

de veículo. Graças a um novo design patenteado

da banda de rodagem, com um aumento de

13% na taxa de sulcos, que melhorou a evacuação

da água, e ao uso de compostos de borracha

de última geração, o Michelin Primacy 5 recebeu

classificação A no rótulo europeu de pneus. “É

4% mais seguro em superfícies húmidas e, com

uma vida útil 18% mais longa, permite percorrer

cerca de 7.000 km a mais que o seu antecessor,

garantindo segurança tanto nas viagens diárias

como nas longas viagens em família”, assegurou.

PERSONALIZA PNEUS PREMIUM PARA PORSCHE

Bridgestone | A Bridgestone foi escolhida pela Porsche para desenvolver pneus personalizados

para os novos modelos Macan Electric e Panamera. Estes modelos estão agora disponíveis, em exclusivo,

com os pneus de ultra-alto desempenho Bridgestone Potenza Sport. “Após a nossa colaboração no Porsche

Cayenne, estamos a abrir novos caminhos na nossa parceria, oferecendo pneus premium que elevam a experiência

de condução dos novos modelos da Porsche”, afirmou Steven De Bock, vice-presidente de OE na

Bridgestone EMEA. “É com orgulho que apresentamos dois marcos – o primeiro equipamento original Bridgestone

para o Panamera e o nosso primeiro pneu personalizado para um Porsche elétrico, o Macan Electric.

É entusiasmante mostrar a nossa capacidade de fornecer uma gama de pneus premium que permitem aos

condutores da Porsche aproveitar ao máximo estes dois veículos incríveis e muito diferentes”, acrescentou.

O pneu Potenza Sport personalizado para o Porsche Macan Electric foi concebido com um design de piso e

composto que potenciam o desempenho desportivo dinâmico do veículo, enquanto gerem o elevado peso

e torque do SUV elétrico.

92 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com


AMPLIA GAMA TM800 PROGRESSIVETRACTION

Trelleborg | A Trelleborg Tires acaba de anunciar a extensão da linha TM800 ProgressiveTraction,

com duas dimensões (540/65R28 e 650/65R38) já disponíveis para tratores de

média a alta potência, enquanto outras quatro serão lançadas progressivamente nas próximas

semanas. A linha TM800 incorpora a tecnologia ProgressiveTraction, uma “inovação premiada

e amplamente reconhecida pelos resultados comprovados em aplicações agrícolas modernas”,

avançou a empresa. “O TM800 ProgressiveTraction foi concebido para entregar resultados excepcionais

em diversos terrenos agrícolas, desde solos macios até os mais rígidos. Com eficiência

operacional aprimorada, consegue reduzir o tempo de trabalho por hectare, melhorar a

economia de combustível e aumentar a vida útil da banda de rodagem, garantindo operações

agrícolas mais produtivas e económicas”, assegurou. ProgressiveTraction melhora significativamente

a tração, resultando num desempenho excepcional no campo. Segundo a empresa, em

testes comparativos com pneus concorrentes, foi demonstrada uma melhoria de tração de até

17% em solos macios e 10% em solos rígidos.

LANÇA NOVO PNEU PARA LIGEIROS E SUV’S

Barum | +A Barum acaba de lançar o BRAVURIS 6, o mais recente modelo desenvolvido para

veículos ligeiros e SUV’s. Sucessor do BRAVURIS 5HM, este novo pneu promete elevar os padrões de

conforto, segurança e eficiência. “O BRAVURIS 6 apresenta uma maior superfície de contacto com

a estrada e um padrão otimizado do piso, garantindo uma aderência superior. Estas características

proporcionam travagens mais seguras e manobras precisas em pavimentos secos, reforçando a

confiança do condutor”, avançou a Barum em comunicado. Para além disso, o design integrado e o

piso resistente asseguram “uma elevada durabilidade quilométrica, tornando-o ideal para quem

procura performance de longa duração sem comprometer a qualidade”, acrescentou. Desenvolvido

com um novo composto do piso e um contorno otimizado, o BRAVURIS 6 reduz a deformação do

piso e oferece um rolamento mais suave durante a condução. Este avanço resulta em poupanças

significativas de combustível ou energia, sendo particularmente vantajoso para veículos elétricos

ao contribuir para a preservação da vida útil da bateria.

LUCRA 6.380,7 MILHÕES DE EUROS EM 2024

Hankook | A Hankook anunciou que o seu volume de vendas globais em 2024 foi de cerca

de 6.380,7 milhões de euros, tendo visto o seu lucro operacional a aumentar em 32,7% em

relação ao ano anterior. Estes dados representam um aumento no volume de vendas de 5,3%

e no lucro operacional de 32,7% em comparação a 2023. Apesar da crise económica global do

ano passado, a lucratividade recorde da empresa foi alcançada graças ao aumento nas vendas

de produtos de alto valor agregado. Com vendas de KRW 2,5315 trilhões (aproximadamente

1,7 bilhões de euros) e lucro operacional de KRW 473,2 bilhões (aproximadamente 317,7

milhões de euros), a Hankook alcançou o seu melhor resultado anual na história da empresa

no quarto trimestre. Este resultado é baseado na estratégia “First Mover” do presidente do

Hankook & Company Group, Hyunbum Cho, por meio da qual a empresa se adaptou proativamente

à dinâmica do mercado, investindo simultaneamente em I&D e fortalecendo o seu

posicionamento global como uma marca premium. Até 2025, a Hankook pretende atingir um

crescimento nas vendas com uma margem de lucro operacional de 10% e um aumento de

mais de 50% na participação nas vendas de pneus para automóveis com 18 polegadas ou mais.

CONTINENTAL PNEUS

INAUGURA NOVO

ARMAZÉM

A

Continental Pneus transferiu o seu armazém para um novo espaço,

localizado em Castanheira do Ribatejo, Vila Franca de Xira.

“A nova plataforma logística, desenvolvida em parceria com o

operador DSV, reflete o compromisso da Continental com a inovação,

sustentabilidade e a prestação de um serviço de excelência ao cliente”,

avançou a Continental Pneus em comunicado. A localização do novo armazém

foi estrategicamente selecionada. Embora próximo do anterior,

situado na Zona Industrial do Cabo, em Castanheira do Ribatejo, este

novo espaço está integrado num “moderno centro logístico que permite

uma resposta alinhada com as exigências do mercado e com os elevados

padrões de serviço da Continental”, referiu. Este novo projeto, que

permitiu aumentar a capacidade de armazenamento em cerca de 30%,

está equipado com a “mais moderna tecnologia e representa um esforço

significativo de investimento da Continental no mercado português,

permitindo uma armazenagem mais ampla e eficiente do ponto de vista

da sustentabilidade ambiental”, sublinhou.

www.jornaldasoficinas.com Fevereiro I Março 2025 93


NOTICIAS

ALTARODA

NOVO CENTRO FORMAÇÃO

EM PAÇOS FERREIRA

A

Altaroda anunciou a aquisição de um novo centro de formação, na cidade de

Paços de Ferreira, com 790 metros quadrados. O novo centro de formação

dispõe de modernas instalações, oferecendo uma vasta gama de cursos técnicos

e programas especializados, desenvolvidos para atender às necessidades de

qualificação dos profissionais do setor. Com ótimos acessos e uma forte presença industrial,

promete ser um marco no desenvolvimento profissional das casas de pneus.

“Este é um passo significativo para a nossa empresa. Estamos comprometidos com o

desenvolvimento deste setor, oferecendo formação de excelência que prepara os profissionais

para os desafios do mercado atual”, afirmou Vitor Rocha, CEO da Altaroda.

A empresa convida todos os interessados a conhecerem virtualmente no site da empresa,

as novas instalações e a explorarem as oportunidades de formação oferecidas.

PIRELLI P ZERO CELEBRA 40 ANOS

Pirelli | O Pirelli P Zero, o pneu desportivo por excelência, celebra

este ano, o seu 40.º aniversário. “Nascido de uma ideia revolucionária,

é hoje a marca mais reconhecida da indústria e a escolha preferida dos

fabricantes de automóveis de prestígio”, destacou a Pirelli em comunicado.

“Ao longo das suas quatro gerações, o Pirelli P Zero tornou-se líder

de mercado graças a um número inigualável de homologações à medida

de diferentes fabricantes automóveis, com mais de 3.000 versões

criadas até à data”, referiu. A lista de automóveis equipados com estes

pneus é extensa, incluindo verdadeiros ícones do mundo automóvel,

como o Ferrari F40, 512 Testarossa e LaFerrari; Lamborghini Countach,

Diablo, Murciélago e Aventador; McLaren MP4-12C e P1; Pagani Zonda,

Huayra e Utopia; Aston Martin Vanquish, DB9, V12 Vantage; sem

esquecer várias versões do Porsche 911, Cayenne e Macan. O P Zero

continua a definir o padrão de excelência para pneus de estrada de alto

desempenho, um facto reiterado pelos testes comparativos publicados

pelas mais prestigiadas publicações automóveis. Nos próximos meses, a

Pirelli irá apresentar a tão aguardada quinta evolução do célebre P Zero.

EM DESTAQUE NOS MERCADOS INTERNACIONAIS

Maxtrax | Com uma trajetória de mais de 25 anos, a empresa pertencente ao Grupo Alves Bandeira, tem vindo a

investir especialmente nos mercados do Médio Oriente, África e Ásia, onde tem registado um crescimento significativo.

Atualmente e desde o último ano, a estratégia da empresa está também orientada para a entrada em novos mercados,

nomeadamente, na Europa, Estados Unidos da América e Austrália, com o intuito de reforçar a sua posição global e dar

continuidade a uma trajetória de crescimento sustentável e estruturado a nível internacional. Um dos principais marcos

desta expansão resulta da visão do grupo económico português em fabricar uma marca própria de pneus. Com uma presença

em mais de 60 países, a marca Matrax Tyres tem vindo a crescer em notoriedade e a conquistar cada vez mais mercados

a nível internacional. A gama de pneus e o próprio portfólio de produtos da marca Matrax têm sido continuamente

expandidos, incluindo também hoje na sua oferta pneus de pesados (Matoro) baterias auto (Matrax Energy), lubrificantes

(Matrax Lubricants) e aditivos (Matrax Additives). A aposta na oferta de uma solução global, tem sido determinante

para o fortalecimento da marca e para garantir um maior grau de competitividade e diferenciação face à concorrência.

ATRIBUI BOLSAS DE MÉRITO PELO

QUARTO ANO CONSECUTIVO

S. José Pneus | A cerimónia de entrega das Bolas de Mérito da

S. José Pneus chegou à sua quarta edição e teve lugar no passado dia

10 de janeiro de 2025, na sede da empresa. As três alunas da Escola

Lima-de-Faria distinguidas este ano são Tally Catarino, Adriana Pereira

e Yuliya Mykolenko, que ingressaram no ensino superior no ano letivo

2023/2024. Além disso, a S. José Pneus também entregou a Bolsa de

Estudos, destinada aos filhos dos colaboradores que ingressaram no ensino

superior. Este ano o beneficiário foi Bruno de Almeida, destacando

desta forma o compromisso da empresa em apoiar o desenvolvimento

educacional tanto na comunidade como internamente. A cerimónia

contou com a presença dos alunos premiados e respetivos familiares,

bem como com os representantes da direção do Agrupamento de Escolas

Lima-de-Faria e da Câmara Municipal de Cantanhede. A gerência

da S. José pneus também marcará presença para a entrega dos prémios.

“Na certeza de que o caminho para a evolução do país passa pela maior

qualificação dos seus jovens, a S. José Pneus procura dar oportunidades

para que todos possam chegar mais além, fruto do seu trabalho

e dedicação. Esta bolsa fará certamente a diferença no seu percurso”,

sublinhou a empresa em comunicado.

94 Fevereiro I Março 2025 www.jornaldasoficinas.com



Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!