edição de 10 de março de 2025
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propmark.com.br ANO 60 - Nº 3.032 - 10 de março de 2025 R$ 20,00
Lideranças femininas do mercado
mostram confiança e resiliência
Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, o propmark selecionou 14 executivas que se destacam no mercado de
comunicação para falar sobre suas trajetórias e desafios na carreira. Além de contar suas histórias, elas avaliam os motivos que levam a publicidade
a ter poucas lideranças femininas, embora as mulheres sejam a maioria no quadro dos colaboradores das agências. Em seus relatos, as profissionais
afirmam ser necessário que as empresas façam mudanças efetivas para ter líderes mais diversos, como realizar mais programas de mentoria. Elas apontam
também que o apoio de colegas homens conscientes sobre a importância da diversidade e inclusão é fundamental para o setor avançar. pág. 20
Fotos: Divulgação
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editorial
Armando Ferrentini
Mulheres na liderança
Muito se fala sobre a representatividade feminina no mercado de trabalho. Como
não poderia ser diferente, no mês do Dia Internacional da Mulher, celebrado em
8 de março, o assunto volta à tona com mais força na publicidade.
Para homenagear a data, o propmark traz nesta edição o Especial Lideranças Femininas,
com o perfil de 14 mulheres que se destacam no mercado de comunicação e são
líderes em suas áreas de atuação.
Um dos maiores questionamentos é que, no caso das agências brasileiras, apesar de já
representarem a maioria no quadro de colaboradores, com 57% de mulheres, apenas
24% delas ocupam a posição de CEOs, enquanto homens dominam o cargo, sendo 76%.
Os dados são do último censo feito pelo Observatório de Diversidade na Propaganda.
Embora muito já tenha se discutido sobre a importância de se ter um ambiente mais
diverso e inclusivo na propaganda, é sempre bom lembrar que para se ter eficácia na
transmissão das mensagens publicitárias a uma população tão diversificada como a
brasileira, as lideranças nas agências também devem ser diversificadas.
Selecionadas pela redação do jornal, as executivas ouvidas pela reportagem falam
sobre a trajetória nas suas carreiras e o que fizeram para chegar a cargos de liderança
em um mercado tão desafiador como a da comunicação.
O propmark também teve o cuidado de destacar mulheres diversas em cargos de
liderança, apesar de ter encontrado poucas delas. Um reflexo do próprio mercado. A
lista traz duas negras e uma indígena entre as homenageadas.
São elas: Samantha Almeida (diretora de marketing da TV Globo), Luana Ozemela
(CSO e VP de impacto e sustentabilidade do iFood) e Michele Gonzaga (head de
marketing, projetos e eventos do Terra).
Muitas das 14 entrevistadas chamam a atenção para o fato de que, enquanto a equi-
dade não for uma prioridade estratégica e as empresas não adotarem mudanças efetivas,
o segmento continuará com poucas mulheres em cargos de liderança.
As executivas também relatam que, muitas vezes, as mulheres não se sentem seguras
em ocupar cargos C-levels, mas que os líderes homens raramente se mostram inseguros.
Ou seja, é necessário ter mais confiança, sendo que a mentoria é apontada como
uma das estratégias mais bem-sucedidas para auxiliar as profissionais nessa trajetória.
“Dificilmente vemos homens promovidos que acham – ou pelo menos mostram – que
não estão preparados. Eles se mostram seguros. Mulheres precisam disso também”,
declarou Gabriela Borges, presidente da Publicis Brasil.
O apoio de colegas conscientes sobre a importância de se ter rum ambiente diverso e
inclusivo nas agências, veículos de comunicação e marcas também é visto como fundamental
para esse avanço.
“Quando os homens se tornam aliados conscientes, o impacto vai além da equidade
de gênero – fortalece a cultura organizacional e acelera a transformação para um
ambiente verdadeiramente inclusivo e diverso”, pontuou Ana Luiza Santos, colíder da
MullenLowe.
SXSW
A 39ª edição do South by Southwest, que ocorre entre os dias 7 e 15 de março, em Austin,
terá a cobertura in loco do propmark, com o patrocínio exclusivo da Hands Ag. O maior
festival de inovação global é um dos eventos mais aguardados do ano pelo mercado
e contará com agenda brasileira de destaque. Além de um compilado das tendências
e conteúdo apresentados no SXSW na próxima versão impressa, o jornal também traz
ampla cobertura no propmark.com.br e redes sociais.
Frase: “Quando você discute com um imbecil, quem é o imbecil?”
(sabedoria popular).
as Mais lidas da semana no propmark.com.br
1ª
2ª
Em relatório com resultados preliminares de 2024, o grupo WPP teve uma
pequena queda na receita e no lucro. Os números destacam que esse lucro
caiu £ 43 milhões, passando de £ 1,75 bi em 2023 para £ 1,707 bi em 2024.
3ª
WPP registra ligeira queda
na receita e no lucro em 2024
See It Be It tem três
brasileiras na lista de 2025
O Cannes Lions anunciou o grupo de participantes do programa de
talentos See It Be It de 2025. A lista traz três brasileiras: Érika Moreira,
(W+K Amsterdam), Giulia Ferrarezi (David Madri) e Karen Lopes (DM9).
Grupo Campari escolhe
DPZ como agência
O Grupo Campari escolheu a DPZ como sua nova parceira estratégica de
comunicação no Brasil. A agência passará a atuar com um escopo integrado
– que inclui mídia, criação, conteúdo e performance – para as marcas Aperol,
SKY, Campari e Sagatiba.
4ª
Ações das marcas adotaram diferentes tons, mas houve uma percepção
de crescimento em campanhas que alertavam contra golpes e falavam
sobre assédio.
5ª
Quais foram as apostas das
marcas para as ações de Carnaval
Microsoft anuncia
o fim do Skype
Depois de mais de 20 anos, o Skype deixará de existir. O anúncio da Microsoft
foi feito nas suas redes sociais. O fim das atividades acontecerá no dia 5 de
maio deste ano.
jornal propmark - 10 de março de 2025 3
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Mulheres lutam por
diversidade e maior
equidade de gênero
índice
Em homenagem ao
Dia Internacional das
Mulheres, o propmark
ouviu profissionais que se
destacam em um mercado
desafiador. Samantha
Almeida, da Globo, é uma
das entrevistadas.
20
Fotos: Divulgação
propmark
propmark.com.br
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Editora-chefe: Kelly Dores
Editores: Janaina Langsdorff e
Paulo Macedo
Editor de fotografia: Alê
Oliveira
Editor-assistente: Vinícius
Novaes
Repórteres: Adrieny Magalhães,
Bruna Nunes e Vitor Kadooka
Revisor: José Carlos Boanerges
Diagramador Sênior: Lucas
Boccatto
Diretor-presidente
Armando Ferrentini
Diretor-executivo
Tiago Ferrentini
Nescau estimula prática esportiva
para desviar foco dos videogames
A diretora de marketing Tatiany Ernesto trouxe o
influencer e apresentador Fred Bruno para o time, que
já conta com Flavia Saraiva, para ser uma das atrações
da Liga da marca, que muda seu posicionamento para
‘Energia que dá jogo’ após 49 anos. pág. 38
Mídia OOH promove debate para
obter insights sobre seu futuro
A Central de Outdoor confirmou a presença de Hugo
Rodrigues, chairman do McCann World Group no
Brasil, como um dos palestrantes da 34ª Convenção
Nacional, que ocorre de 19 a 21 de março de 2025, no
Rio de Janeiro. pág. 45
Departamento comercial
Gerentes de contas:
Luciano Marcondes
luciano@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0738
Mel Floriano
mel@propmark.com.br
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Redação
Rua François Coty, 228
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redacao@propmark.com.br
As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial..............................................................................3
Conexões............................................................................6
Curtas..................................................................................8
Entrevista...........................................................................10
Quem Fez............................................................................12
Mercado..............................................................................14
Especial Lideranças Femininas.........................................20
Agências.............................................................................37
Marcas................................................................................38
Memória.............................................................................42
Inspiração...........................................................................44
Out of Home.......................................................................45
Opinião...............................................................................46
Click do Alê.........................................................................47
ESG no MKT.........................................................................48
Supercenas.........................................................................49
Última Página.....................................................................50
MChecon desenvolve Casa Brasil para COP30 em Belém
A empresa de design cenográfico MChecon está à frente do projeto para o receptivo do
Ministério do Turismo para a COP30, de 10 a 21 de novembro em Belém (PA). A expectativa é
que 40 mil pessoas passem pelo espaço de 7 mil metros quadrados. pág. 15
4 10 de março de 2025 - jornal propmark
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Brasil
É mais que
uma bandeira.
É a nossa
realidade.
The Disruption® Company
83% da nossa liderança executiva
é composta por mulheres.
66% ocupam cargos de liderança.
Ao todo, elas representam 56%
da nossa equipe.
Da contratação ao topo,
incentivamos e valorizamos
o equilíbrio e o talento feminino
todos os dias. Porque na
Lew’Lara\TBWA acreditamos
que, ao criar condições
para todos, transformamos
Aqui estão alguns dos muitos talentos femininos
que fazem a Lew’Lara\TBWA acontecer.
a realidade e o futuro.
Lew’Lara\TBWA
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conexões
última hora
Post: Gal Barradas: “Minha geração
foi muito impactada”
Puro empoderamento feminino!
Parabéns, Gal Barradas. Muito
sucesso para você!!
Andrea Tornovsky
ESTRUTURA
A Jotacom, agência de publicidade full service da FSB Holding, anuncia nova composição
estratégica em sua liderança para sustentar seu crescimento acelerado e potencializar a
excelência em suas entregas. Com um crescimento superior a 50% nos últimos dois anos,
a agência reforça seu time executivo com novas posições, com o objetivo de impulsionar a
inovação e a eficiência operacional. Jaderson de Alencar assume o cargo de co-CEO, ao lado
de Jurgis Figueiredo; Ausra Sliesoraitis assume como VP de Mídia;Thiago Sheer, como VP de
planejamento e operações; e Luiz Barrella, como VP de criação Publicitária, ao lado de Fábio
Melo, como VP de criação corporativa. Todos os executivos já atuavam na Jotacom e estão na
foto acima.
DIGITAL
A OMZ passa a atender o Mycon, fintech especializada em consórcios. O objetivo é
reposicionar a marca e reforçar awareness no mercado de consórcios digitais.
EVENTO
O Web Summit do Rio, agendado para ser realizado de 27 a 30 de abril, tem os seguintes
nomes confirmados: Justina Nixon-Saintil, da IBM; Márcio Aguiar, da Nvidia; Gabriela
Comazzetto, do TikTok; Glauber Mota, do Revolut; e Juliana Rios, da Latam.
Ficou muito boa! Eu acho uma
das maiores profissionais do mercado
publicitário. Sei que não estou sozinho.
Fernando Camargo
Post: Jotacom tem nova estrutura
de liderança
Timaço! Ansiosa para o que vamos
construir!
Ana Julia Resende
Duailibi Essencial
dorinho
Post: Beats se junta à Azul em ação
para o Carnaval
Que incrível! Amei dar essa olhadinha
nos bastidores dessa campanha!
Clara Freitas
Ela e incrível e focada em tudo o que faz.
Marina Bispo
“Não existe maneira certa de fazer uma coisa errada”
(Kenneth Blanchard).
LIDERANÇAS
A Philips Walita tem novos executivos para sua área de marketing na América Latina: Thais
Nascimento assume como diretora para a regional e Túlio Maia como gerente, ambos na foto
acima. ‘’O desafio de liderar o marketing na América Latina é entender as particularidades
de cada mercado e traduzi-las em estratégias eficazes. Nosso objetivo é consolidar a marca
como referência em inovação e qualidade, sempre colocando o consumidor no centro das
nossas decisões”, afirma Thais.
ELAS/DELAS
O ‘SEO por Elas 2025: Impulsionando e promovendo mulheres no marketing digital’
chega à sua terceira edição nesta terça-feira (11) com oito horas de conteúdo online.
Organização da agência de SEO Hedgehog Digital.
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+
MILHÕES
DE PESSOAS
80ALCANÇADAS
Alcance Site
CNN Brasil
Globo News
35.000.000
834.000
Alcance Redes Sociais
CNN Brasil
Globo News
61.600.000
23.782.000
Alcance Youtube
CNN Brasil
Globo News
19.316.000
Não possui
Alcance Pay TV
CNN Brasil
Globo News
10.939.000
15.864.000
Alcance Samsung TV Plus
CNN Brasil
Globo News
6.850.000
Não possui
Alcance Banda Ku
CNN Brasil
Globo News
10.000.000
Não possui
Alcance LG Channels
CNN Brasil
Globo News
3.000.000
Não possui
Alcance Prime Video
CNN Brasil
Globo News
146.000
Não possui
CNN Brasil - Maior canal de notícias
Total 1 146.841.000 Total - deduplicado 2 81.958.497
Globo News
Total 1 40.480.000 Total - deduplicado 2 33.193.600
Redes sociais: Facebook, Instagram, X, Tiktok, LinkedIn (ComScore; Meta for Business; Tiktok for Business) | média mensal out a dez/24. Site: Similarweb/ComScore | média
mensal out a dez/24. Youtube: Youtube Studio | média mensal out a dez/24. Pay TV: Kantar/projeção nacional | média mensal out a dez/24. Amazon Prime Video: Prime
Video Slate | Média mensal de outubro a dez/24. Samsung TV Plus: Dados Samsung (Cascada) | média mensal out a dez/24. LG Channels: dados de jan/25 com fator de
projeção potencial de 2,7 pessoas por domicílio. Banda K.U. - IPESPE - Pesquisa Quantitativa - Amostra Brasil: 1.000 entrevistas (18+) - Campo: 9/jan a 3 fev/25 - Assistiu
CNN Brasil nos últimos 30 dias via Banda Ku.
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curtas
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3º Summit latam da dentsu creative
debate criatividade e proposta de valor
A Dentsu Creative reuniu, em São Paulo, líderes da América Latina para acelerar o crescimento
da empresa na região - Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México - para a 3ª edição do Summit
Latam. Foi uma reflexão sobre criatividade e proposta de valor da rede como motores que
transformam e impactam negócios e a sociedade. O encontro foi pautado por temas como a
integração da inteligência artificial para potencializar a criatividade humana e as estratégias
que impulsionam desafios em novas oportunidades. A iniciativa reforça o One Dentsu, modelo
de gestão que integra os times globais da rede e contribui para o crescimento sustentável e
a construção de parcerias estratégicas centradas nas necessidades dos clientes e em entregas
culturalmente relevantes, de acordo com comunicado do grupo. “Estamos comprometidos a
liderar o cenário criativo na AL de forma cada vez mais eficiente, com os times integrados e
trabalhando de forma colaborativa. Foram três dias intensos de trocas e aprendizados que
elevarão nossa proposta de soluções e certamente certificarão nosso grupo como o melhor
parceiro de negócios para as marcas”, comenta Philippe Seignol, CEO da Dentsu Creative Latam.
cp+b AMPLIA PRESENÇA NA CONTA DA 99
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Design Bridge cria nova marca para Lubrax
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Ariane Kopke, Carolina Ferraz (99), Andre Kassu (CP+B), Mariana Beer (99) e Vinicius Reis (CP+B)
A CP+B, parte do grupo Stagwell e liderada pelos sócios Vinicius B. Reis (CEO), André Kassu e
Marcos Medeiros (ambos CCOs da agência), foi escolhida para conduzir toda a estratégia de
marketing da 99Pay, plataforma financeira da companhia. Com essa nova conquista, a agência
reforça seu papel no crescimento e na expansão da companhia. “Embora o aplicativo ofereça
serviços distintos, eles se complementam, e entendemos que a unificação da agência para ambas
as frentes nos dará uma visão ainda mais estratégica para alcançar nosso público. A CP+B
construiu uma parceria sólida com os nossos times de mobilidade na 99, e estamos muito
felizes em fortalecer essa integração”, comenta Marina Beer, diretora de marketing da 99Pay.
Vanessa Gordilho é vice-presidente de negócios e marketing da Vibra: “Mercado está mudando”
A Lubrax acaba de ganhar uma nova marca que, segundo comunicado da empresa, mostra
que está mais conectada com inovação e tecnologia, de olho no futuro do segmento de
lubrificantes. A novidade anunciada pela Vibra representa mais do que uma mudança visual: os
tradicionais verde e amarelo estão mantidos como base da paleta de cores para manter o link
com a marca atual, mas o logotipo ganha nova tipografia e mais contraste com tons que remetem
a performance e modernidade. O rebranding é assinado pela consultoria Design Bridge and
Partners, do WPP. “O mercado está mudando, a categoria está mudando e identificamos uma
oportunidade de aumentar o valor da marca”, explica a VP de marketing Vanessa Gordilho.
Clio elege africa creative no music awards Douglas Silveira é promovido na gut Natura tem novo head de marketing
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‘Meu karma’, da rapper paulista Jovem MK: Grand Clio Music
A Africa Creative acabou de ser consagrada Agência do Ano
pelo Clio Music Awards, uma das principais premiações globais
que reconhecem a excelência criativa na interseção entre
música e publicidade. O curta-metragem ‘Meu karma’, da
rapper paulista Jovem MK, havia sido premiado com Ouro em
janeiro e foi elevado ao Grand Clio Music, a premiação máxima
do festival. “Essa conquista reafirma a força da música e do
entretenimento como pilares da indústria criativa. Na Africa
Creative, acreditamos no poder dessas conexões para contar
histórias autênticas e impactantes, aproximando marcas
da cultura e da população de forma relevante, interativa e
inovadora”, afirma Juliana Leite, VP de projetos especiais e
conteúdo criativo da Africa Creative.
O novo chief media officer com a CEO da GUT, Valeria Barone
A GUT São Paulo anuncia promoção na liderança da agência.
Douglas Silveira, que respondia como co-head of media &
effectiveness desde 2022, foi promovido a chief media officer.
O movimento reforça a evolução da GUT e seu compromisso
em aliar criatividade e resultados. Douglas, que está na agência
há seis anos, seguirá ampliando a visão estratégica sobre
os investimentos de mídia e effectiveness, garantindo que as
marcas naveguem com inteligência no cenário atual — onde a
fragmentação dos formatos e da atenção exigem abordagens
integradas, eficazes e inovadoras. “Seguimos com a ambição
de consolidar a GUT como referência em compra de mídia
mercado nacional, mostrando que os melhores resultados se
conquistam ao aliar criatividade e mídia”, assegura Silveira.
Marketing e comunicação no escopo de Gabriel Fernandes
Gabriel Fernandes é o novo diretor de marca e comunicação
Integrada da Natura. O executivo chega à empresa para fortalecer
a marca Avon na América Latina e, também, para liderar
o processo de comunicação integrada da Natura na região. A
Avon é uma empresa icônica, que tem uma visão inovadora e
está em uma sólida jornada de modernização. Minha missão
é contribuir para que a marca se fortaleça ainda mais na
América Latina. Além disso, tenho o desafio de integrar cada
vez mais as diversas frentes de comunicação e marketing
existentes na Natura e na Avon de maneira criativa e eficiente”,
diz o executivo. A Avon vendeu 20 milhões de unidades de
maquiagem para mais de 9 milhões de brasileiros em 2024,
segundo dados da Kantar.
8 10 de março de 2025 - jornal propmark
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entrevista
Guilherme Arruda
CMO da GM América do Sul
‘GM está na vanguarda da
mobilidade sustentável’
Alê Oliveira
A Chevrolet celebra seu centenário no Brasil com foco nos próximos 100 anos. Guilherme
Arruda, CMO da GM América do Sul, afirma que a marca está investindo em inovação e
infraestrutura que facilite a transição para uma mobilidade sustentável, sem abrir mão
da confiança, qualidade e inovação que sempre definiram a marca. “A Chevrolet tem um
legado de tradição e confiança, e, com esse histórico, nossa visão está focada em construir
um futuro ainda mais conectado, sustentável e digital, com tecnologias inovadoras que
vão transformar a experiência dos nossos consumidores nos próximos 100 anos”. Na
entrevista a seguir, o executivo falou ainda sobre as ações comemorativas, os planos para
o futuro e o papel da inteligência artificial no processo criativo. “Inteligência artificial tem
sido uma grande aliada para melhorar a eficiência e personalizar a experiência do cliente.
No entanto, a criatividade continua sendo a essência que nos permite criar histórias
emocionantes e nos conectarmos genuinamente com os consumidores.”
10 10 de março de 2025 - jornal propmark
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“A GM tem planos de lançar dez novos
modelos eletrificados nos próximos anos”
Alê Oliveira
Cem anos da GM no Brasil, e agora?
Chegar aos 100 anos é um marco de grande importância para a GM, refletindo nossa
forte conexão com o Brasil e nosso compromisso com a inovação. A Chevrolet tem um
legado de tradição e confiança e, com esse histórico, nossa visão está focada em construir
um futuro ainda mais conectado, sustentável e digital, com tecnologias inovadoras
que vão transformar a experiência dos nossos consumidores nos próximos cem anos.
Quais as principais ações na celebração do centenário no Brasil?
A celebração do nosso centenário começou com um evento marcante, reunindo
clientes, concessionários, parceiros, colaboradores, jornalistas e autoridades. No dia
26 de janeiro, lançamos uma campanha cinematográfica que, por meio de uma narrativa
emocionante da atriz Fernanda Torres, revisita momentos icônicos da nossa
trajetória no Brasil. Com um filme produzido pela Vetor Zero/Lobo e criado pela WMc-
Cann, a campanha também está disponível em plataformas de streaming e TV aberta,
ampliando seu alcance. Além disso, a ação inclui uma estratégia robusta de DOOH
(digital out of home), oferecendo uma experiência imersiva que conecta o passado,
o presente e o futuro. A Chevrolet também patrocina a edição 25 do ‘BBB’, alcançando
uma ampla audiência e reforçando nossa presença nas conversas culturais do Brasil.
Com o lançamento de novos veículos, incluindo modelos com diferentes tecnologias,
reafirmamos nosso compromisso com a inovação, além das edições comemorativas
de 100 anos para os nossos modelos S10, Onix e Tracker, celebrando nossa história e
visão para o futuro.
Quais foram as campanhas mais marcantes na história da GM no
Brasil?
A GM tem uma longa trajetória de campanhas que marcam a história publicitária do
Brasil. No entanto, a campanha atual é especialmente significativa. Celebrar os 100
anos da Chevrolet no Brasil com uma das maiores campanhas da nossa história representa
um momento único, refletindo nosso legado e nosso compromisso com o futuro,
algo que poucas empresas alcançam ao longo de sua jornada. Afinal, apenas 0,1% das
empresas chegam a completar 100 anos, e nós estamos entre essas raras exceções,
com um orgulho imenso de continuar crescendo e inovando a cada década.
Qual a percepção do consumidor brasileiro em relação à marca?
A Chevrolet é uma marca profundamente enraizada na vida dos brasileiros. Nossa confiança,
qualidade e presença constante nas escolhas dos consumidores fazem parte
da história de muitas famílias, sempre alinhando tradição e inovação para oferecer
carros que atendam às necessidades e aos sonhos dos nossos clientes. Além de termos
altos índices de confiança, também cultivamos uma forte conexão emocional com os
brasileiros. Somos uma marca com uma proximidade única, com a maior capilaridade
de rede no país, com 600 concessionárias espalhadas por todo o Brasil, garantindo que
nossa presença esteja sempre ao alcance de todos.
Como o consumidor brasileiro compra carro, ele ainda é patrimonialista?
Apesar das mudanças no mercado, o carro continua sendo um bem de grande valor
emocional para os brasileiros. Observamos um aumento no interesse por modelos
que atendem a diferentes estilos de vida, com destaque para os SUVs, que combinam
aspectos funcionais, como segurança e espaço, com elementos emocionais
de status e conquista.
A campanha ‘#99eContando’ tem como objetivo celebrar o passado
de confiança entre a marca e o consumidor. E para o futuro,
como a GM está se preparando para enfrentar as mudanças com a
chegada dos carros elétricos?
A GM está na vanguarda da transformação para uma mobilidade sustentável, com planos
de lançar dez novos modelos eletrificados nos próximos anos. Estamos investindo
em inovação e em uma infraestrutura que facilite essa transição, sem abrir mão da
confiança, qualidade e inovação que sempre definiram a Chevrolet.
Com tantos canais de comunicação à disposição no mercado, qual
plataforma de mídia a marca prioriza no diálogo com o consumidor?
Comunicamo-nos com os consumidores através de múltiplos canais, adaptando-nos
às preferências de cada um. A inteligência artificial é um aliado essencial para personalizar
as experiências. A nossa plataforma EVA (Electronic Virtual Assistant), por
exemplo, usa IA generativa para fornecer um atendimento mais dinâmico, principalmente
à medida que a eletrificação se consolida no Brasil, facilitando o acesso às
informações e criando uma jornada personalizada para os clientes. A priorização de
canais é feita constantemente por meio de uma cultura sólida de teste e aprendizado,
permitindo-nos entender quais canais mais se adequam ao perfil de cada um dos nossos
modelos e quais entregam a melhor performance para a marca e para o negócio.
Não existe certo ou errado nesse processo. O que buscamos é mapear os interesses
do consumidor, identificar tendências culturais, avaliar a eficiência de cada meio e
medir a eficácia em resultados de vendas.
Quais os desafios de comunicação da GM para manter e ampliar sua
fatia de mercado com tantas marcas chegando do mundo inteiro?
A concorrência é um fator que nos motiva a inovar e aprimorar constantemente nossa
proposta de valor. Exemplos da história, como a rivalidade entre Ayrton Senna e Alain
Prost, nos mostram como uma competição saudável eleva os padrões e nos impulsiona
a alcançar a excelência. A GM se organiza para enfrentar esses desafios com inovação
contínua, qualidade superior e um compromisso com a sustentabilidade e a experiência
do consumidor. Para a comunicação, isso se reflete em um conhecimento profundo
do consumidor, o que nos permite desenvolver uma estratégia criativa que gere diferenciação
para a marca e relevância para as pessoas, garantindo que nossa mensagem
sempre esteja alinhada com as suas necessidades e expectativas.
A chegada da IA revolucionou o processo de criação. Como a GM
está se adaptando a esse novo cenário? A criatividade ainda é essencial
para construir uma conexão com o consumidor?
A inteligência artificial tem sido uma grande aliada para melhorar a eficiência e personalizar
a experiência do cliente. No entanto, a criatividade continua sendo a essência
que nos permite criar histórias emocionantes e conectar-se genuinamente com os consumidores.
A IA aprimora nossos processos, mas é a criatividade que dá vida à nossa
marca e cria vínculos duradouros. O processo criativo pode e deve ser potencializado
pela IA. Desde a geração de insights em tempo real para construir os creative briefs,
passando por ferramentas de pré-teste, até a mensuração de resultados para avaliar a
eficiência criativa, a IA se torna uma aliada fundamental para maximizar o impacto das
nossas campanhas e aprimorar a experiência do consumidor.
O cenário político do país, como a polarização, influencia na estratégia
de comunicação da marca?
Na GM, acreditamos que a comunicação deve ser orientada por valores que transcendem
divisões políticas, como confiança, inovação e proximidade. Em tempos de
polarização, nossa estratégia busca fortalecer o diálogo com os brasileiros, sempre
focando em aspectos que nos unem, como a paixão por inovação e o desejo de um
futuro mais sustentável e conectado. Trabalhamos para criar mensagens que celebrem
nosso legado e, ao mesmo tempo, inspirem esperança no futuro, de forma inclusiva
que ressoe com todas as pessoas, independentemente das diferenças. Nossa
missão é contribuir para a construção de um ambiente mais positivo e colaborativo
por meio de nossa comunicação.
Quais agências atendem a marca no Brasil hoje?
A Chevrolet é atendida pela WMcCann, nossa parceira de longa data para comunicação
360°. Também contamos com o suporte da Dentsu, que agora cuida tanto da mídia com
os concessionários quanto dos seminovos, e com a Kyraly para o e-commerce de peças,
garantindo que nossa mensagem chegue com precisão aos nossos consumidores por
diferentes formas e plataformas. A agência de CRM é a pmWeb, e a agência responsável
pelos sites e plataformas digitais é a MRM. Dessa forma, mantemos uma rede de parceiros
estratégicos que nos permitem entregar uma comunicação eficiente e alinhada
com as necessidades de nossos clientes.
“A IA aprimora nossos processos, mas é a criatividade
que dá vida à nossa marca e cria vínculos duradouros”
jornal propmark - 10 de março de 2025 11
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quem fez
Paulo Macedo
paulo@propmark.com.br
Repense
Panasonic
Fotos Divulgação
Título: ‘Encontro mágico’
Diretora de criação: Aline Leucz
Head de criação: Adriano Passos
Redatoras: Aline Leucz e Ana Sousa
Diretores de arte: Adriano Passos, Danilo Gonçalves e Guilherme Andersen
Produtora: Malabar Filmes
Som: Blend Audio
Aprovação: Caio Marques, Gabriela Prudêncio, Dayane Cristina Júlio
e Bruno Faria
Em formato de talk show, anunciante reuniu as embaixadoras Mariana
Ximenes, Rebeca Andrade e Luiza Fiorese para compartilhar suas
visões sobre sustentabilidade, as iniciativas do PGI e as inovações
tecnológicas ecoeficientes da marca. A ideia é mostrar como as escolhas
de consumo e ações podem impactar o planeta positivamente.
TECH AND SOUL
C6
Título: ‘Filtros da vida’
Diretores de criação: Angelica Pernau e Lusa Silvestre
Diretores de arte: Ricardo Marques, Sibely Pillon, Leonardo
Neiva e Eric Reines
Produtora: Arapiraca
Aprovação: Alexandra Pain, Rodrigo Teixeira, Carin Chamas,
Ione Aguiar, Hugo Oliveira, João Gil e Isabela Stela Hasbani
As peças destacam as 13 cores do cartão C6 Carbon, associando
cada uma a um momento, como um mergulho na piscina ou um
passeio de balão. A campanha está sendo veiculada em mídia digital,
OOH e TV em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e
Salvador. A parte sonora do projeto teve produção da Blood Audio.
W3HAUS
Luzia App
Título: ‘Luzia, a IA que resolve qualquer parada’
Diretor-executivo de criação e conteúdo: Marcelo Rosa
Diretores de arte: Bruno Athayde e Elaine de Souza Maia
Redatores: Lucas Vilaça e Viviane De Gois Ferreira
Planejamento: Eduardo Barreto
Produtora: NoCandy
Manipulador: Clayton Bonardi
Ação, além do Brasil, conta com conteúdos planejados para a Colômbia,
Argentina e México por meio de influenciadores nos quatro
países. Com foco na volta às aulas, a série de filmes mostra a
personagem ajudando adolescentes em situações do cotidiano,
como enfrentar o nervosismo em apresentações, estudar para
provas desafiadoras.
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TakeOff_anuncio_propmark_06_03.pdf 1 06/03/2025 18:38
C
M
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O TakeOff aquece as turbinas,
diretamente de Austin!
De 9 a 11 de março, às 9h, abrindo a programação
da SP House, vamos receber os CMOs de grandes
marcas e trocar insights durante o festival.
EMOTION
DRIVEN
HANDS.AG
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mercado
SXSW 2025 confirma Michelle Obama e
SP House terá arte urbana de AFolego
Ex-primeira dama dos Estados Unidos falará ao lado do irmão Craig
Robinson no dia 13 de março; SP House abre as portas no dia 8
Fotos: Divulgação
Fachada da SP House pintada pela artista urbana Carolina de Luiz Folego Silva
Michelle Obama e Craig Robinson: dividir experiências é proposta central do SXSW
C
O
painel de Michelle Obama, ex-primeira
dama dos Estados Unidos, e
seu irmão Craig Robinson, promete
ser um dos mais disputados da 39ª edição
do South by Southwest (SXSW), festival
de inovação realizado em Austin, no
Texas (EUA), entre os dias 7 e 15 de março
de 2025. Robinson é diretor-executivo da
National Association of Basketball Coaches
(NABC) e apresentador do podcast
‘Higher ground: Ways to win’.
Marcada para o dia 13, a conferência
deve exaltar a paixão de Michelle por histórias
capazes de inspirar pessoas. O seu livro
de memórias, ‘Becoming’, permaneceu
por mais de 130 semanas na lista de bestsellers
do New York Times, e ‘American
factory’, primeiro filme produzido por Michelle
em parceria com a Higher Ground,
empresa de mídia do ex-presidente norte-
-americano Barack Obama, foi eleito o Melhor
Documentário pela Academy Award
em 2020. No mesmo ano, ‘The Michelle
Obama podcast’ ganhou destaque como o
programa mais original do Spotify.
Já com a Fundação Obama, ela fundou
o programa Girls Opportunity Alliance
(GOA), que apoia o desenvolvimento de
adolescentes Rodapé.pdf globalmente. 1 21/02/2025 Michelle 12:27 ainda
é cofundadora e parceira estratégica da
PLEZi Nutrition. Ela ajuda a transformar
a empresa de alimentos em um vetor de
saúde das próximas gerações.
“A crença de Michelle de que podemos
enriquecer uns aos outros compartilhando
histórias é o centro das experiências
do SXSW”, comenta em nota Hugh
Forrest, presidente e diretor de programação
do evento.
A casa é sua
A SP House, espaço para debates e
shows montado em Austin pela segunda
vez consecutiva sob a batuta do Governo
do Estado de São Paulo, acolhe a delegação
brasileira, vitrine para o fomento de
novos negócios.
A casa recebe, por exemplo, o projeto
‘Favela Velley by Gerando Falcões’, idealizado
pela ONG Gerando Falcões, que enaltece
o protagonismo das periferias na inovação
social. A arte urbana também está presente
na fachada do espaço, assinada por Carolina
de Luiz Folego Silva, conhecida como
AFolego. Em 2024, o local foi pintado pelo
muralista Eduardo Kobra. Inaugurada em 8
de março, Dia Internacional da Mulher, a SP
House convida para uma reflexão sobre a
Michelle destaca o
poder de histórias
capazes de
inspirar pessoas
feminilidade por meio da obra de Carolina,
natural de Mauá, São Paulo.
“O grafite, além de ser uma forma de
expressão potente, nos permite refletir sobre
temas contemporâneos”, confere Marilia
Marton, secretária da Cultura, Economia
e Indústria Criativas do Estado de São
Paulo. Para a artista, o desafio foi permitir
aos visitantes “um vislumbre do que é São
Paulo e toda sua diversidade”. A expectativa
é ultrapassar os dez mil visitantes de 52
países, volume registrado no ano passado.
TakeOff
Eduardo Picarelli (Heineken); Camila
Ribeiro (TIM); Sérgio Valente (JBS); Rodrigo
Montesano (Itaú); Tannia Fukuda (Seara);
Ana Laura Sivieri (Braskem); Thalita Martorelli
(Cielo); Florence Scappini (OLX); Ana
Gabriela Lopes (iFood); Isadora Baily (Tag
Heuer) e Guilherme Figueiredo (Betano)
dividirão as suas percepções sobre o SXSW
no TakeOff, idealizado pela Hands Ag, patrocinadora
exclusiva da cobertura do
propmark no evento.
Em seu segundo ano consecutivo,
a iniciativa elencará dez diretrizes de
marketing anunciadas com evento no Teatro
B32, em São Paulo, no dia 27 de março.
M
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PATROCÍNIO EXCLUSIVO:
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mercado
Casa Brasil Belém na COP30 tem design
cenográfico desenvolvido pela MChecon
Posicionada como a casa da transição energética, com embarcação
movida a hidrogênio, espaço planeja receber 40 mil pessoas
Fotos: Divulgação
Com sete mil metros quadrados de área construída, espaço quer fomentar discussão...
... sobre a importância da Amazônia no ecossistema global e sua preservação
Paulo Macedo
Com uma área de cinco mil metros quadrados e
uma plataforma flutuante de dois mil metros quadrados,
num total de sete mil metros quadrados, a
Casa Brasil, que está sendo edificada na cidade de Belém
para ser uma das atrações da 30ª Conferência das
Nações Unidas sobre mudanças climáticas, a COP30,
agendada para acontecer de 10 a 21 de novembro deste
ano na capital paraense, promete ser atração à parte.
A ideia é mostrar para os visitantes do espaço a
expertise brasileira com cultura, meio ambiente, economia
e tecnologia. “Uma das experiências mais aguardadas
será a Imersão Ribeirinha”, nas palavras de Marcelo
Checon, CEO da MChecon, responsável pelo desing
e execução do projeto. A embarcação terá 70 metros
de cumprimento e será movida a hidrogênio. A bordo,
personalidades e autoridades vão visitar comunidades
residentes às margens dos rios de Belém. Segundo
Checon, a proposta é “promover conexão direta com o
ecossistema brasileiro”. Na COP29, realizada em Baku, no
Azerbaijão, a MChecon assinou o estande do Ministério
do Turismo do Brasil.
Checon fala da inspiração. “Saímos das Olimpíadas
com projeto vitorioso em todos os sentidos. E, mudando
totalmente de tema, falávamos de esporte e agora de
sustentabilidade. Esse é o futuro do mundo. Primeiro foi
a Casa Brasil em Paris e agora a Casa Brasil em Belém, na
COP30. Para esse novo projeto proprietário, o espaço foi
concebido em três grandes locais, sendo cada um deles
cenografados dentro de geodésicas. A proposta da estrutura
esférica é que elas representem as iniciativas da
COP30 que visam a proteger o planeta do aquecimento
global e em específico para essa edição, trazer os holofotes
para a maior floresta do mundo – considerada por
muitos como o pulmão do planeta. Os espaços possuem
“Vamos representar,
através da cenografia,
os objetivos da COP30”
O executivo Marcelo Checon é CEO da MChecon
como objetivo apresentar a floresta amazônica, bem
como informações relevantes, dados, estatísticas, além
de evidenciar a fauna, flora, população indígena e ribeirinha
com suas respectivas culturas emblemáticas.”
No briefing apresentado pelo Ministério do Turismo,
as prioridades foram sustentabilidade e a região amazônica.
“Vamos representar, através da cenografia, os objetivos
da COP30, evidenciando e trazendo protagonismo
para a floresta, além de neutralizar todas as emissões
que a Casa Brasil vai impactar”, detalha Checon.
“Projetamos uma casa que traduz o Brasil, nosso país
de dimensões continentais, em algo palpável e passível
de ser explorado. A Casa Brasil 2025 vai apresentar a
nossa cultura através de ambientes imersivos, evidenciando
as ações brasileiras contra a mudança climática
de maneira clara e objetiva, além de construir laços estratégicos
e importantes com a sociedade civil, iniciativa
privada internacional e autoridades políticas globais
que passarem por lá”, afirma Checon, lembrando que a
MChecon, além da Casa Brasil, já realizou projetos para
as marcas Colgate, Kohler, Itaú e Piracanjuba.
Mesmo na era digital, a cenografia continua sendo
o valor agregado mais importante do live marketing. A
Casa Brasil Belém planeja receber 40 mil pessoas durante
a COP30.
“A cenografia é capaz de representar fisicamente
toda concepção de uma estratégia de comunicação, de
forma que consiga abraçar o público e fazê-lo vivenciar
experiências claras e diretas através da interlocução
deles com o espaço representado cenograficamente.
No caso da COP30, o projeto é claramente uma tradução
dos objetivos da iniciativa do evento, sem perder de
vista o protagonista, que é a floresta amazônica e seu
ecossistema vivo e fundamental para a sobrevivência do
planeta. Conteúdo de tecnologia e cenografia real serão
nossos diferenciais”, afirma.
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mercado
Maioria dos brasileiros aprova collabs
de marketing, aponta Orbit Data Science
66% dos consumidores aceitam as parcerias; ampliação de público e
inserção em outras jornadas de consumo são os principais objetivos
Fotos: Divulgação
Parceria entre a Carmed e a Fini garantiu prêmio no Marketing Best de 2023
A linha de maquiagens Bruna Tavares e a Sanrio apostam na nostalgia
Vitor Kadooka
As colaborações entre marcas
vêm se consolidando como uma
das estratégias mais eficazes
e presentes no mercado publicitário.
Embora existam há décadas – desde
parcerias como a grife Schiaparelli com
Salvador Dalí, em 1937, até colaborações
tecnológicas como a da Microsoft com
a Intel –, o conceito se fortaleceu nos
últimos anos, impulsionado pelo engajamento
digital e pelo comportamento
de consumo atrelado aos destaques
das redes sociais.
No universo da publicidade, as collabs
se manifestam principalmente por
meio de joy ventures e co-brandings,
criando sinergias entre marcas que
podem resultar em novos produtos ou
ações promocionais. Um exemplo recente
de sucesso foi a parceria entre
Carmed e Fini, que rendeu um alto volume
de conversas nas redes e foi premiada
no Marketing Best, premiação
organizada pelo propmark.
Karla Marques Felmanas, vice-
-presidente do Grupo Cimed, explicou à
reportagem, na época do lançamento,
quais eram os objetivos por trás dessa
parceria: “A Fini já é muito forte no canal
das grandes redes, que é DrogaRaia,
Drogaria São Paulo, e outras que estavam
com interesse de entrar no mercado
das farmácias pequenas de bairro.
Por isso, nos procuraram perguntando
Victor Azevedo, do Ibemec-RJ: “As culturas empresariais precisam estar alinhadas”
se não estávamos interessados em começar
a distribuir os produtos deles”,
afirma Karla.
No ano passado, a Cimed manteve
sua estratégia agressiva de colaborações
e se destacou com a parceria com
a Bauducco, criando um protetor labial
com sabor de Chocottone. Pode parecer
inusitado, mas 66% dos consumidores
afirmam aprovar os resultados de uma
collab, segundo pesquisa da Orbit Data
Science.
O sucesso dessas parcerias não se
25% dos
consumidores são
motivados pela
nostalgia
limita apenas às vendas. Mas também
abre portas para a criação de novos
públicos, que surgem a partir da fusão
das marcas envolvidas. “As marcas são
seres vivos sem vida. Elas carregam
uma cultura e, quando duas se juntam,
formam uma nova identidade. O público
percebe essa fusão e, muitas vezes,
se torna parte dessa nova comunidade”,
explica Victor Azevedo, coordenador do
curso de publicidade e propaganda do
Ibmec-RJ.
Essas novas comunidades dependem
também de fatores que impactam
seus sentimentos para gerar conversão:
25% dos consumidores são motivados
pela nostalgia, segundo a pesquisa.
Quem percebeu essa tendência de consumo
foi a empreendedora com a marca
que leva seu nome, Bruna Tavares,
em parceria com a Sanrio, dona da Hello
Kitty, uma marca fortemente associada
à infância de muitos consumidores da
geração millennial.
“A Carmed, por exemplo, era um produto
técnico, de nicho. Quando começa
a colaborar com marcas como a Bauducco,
desperta associações com o Natal,
que podem gerar nostalgia. Assim, a
collab transforma a percepção do público
sobre o produto”, comenta Azevedo.
A pesquisa também revela que o
setor de skincare e maquiagem lidera
o volume de collabs, com 63% do share
de conversas; seguido por alimentação,
com 28,3%; enquanto vestuário e utili-
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dades contam com 7,3% e 1,5%, respectivamente.
Um exemplo dessa tendência
foi a parceria entre Mari Maria e Burger
King, que uniu os dois segmentos dominantes
e gerou grande repercussão,
sendo a mais lembrada pelos respondentes
da pesquisa.
O CMO da Zamp, máster franqueada
do Burger King no Brasil, Igor Puga, comentou
acerca dos objetivos de conectar
as duas marcas com os segmentos
mais atuantes nesse quesito: “O Burger
King busca estar sempre próximo do
que é relevante para os consumidores.
A collab com a Mari Maria MakeUp
conecta o desejo e o engajamento da
comunidade de beleza com inovações
do BK como pistache. Muito além de
experimentação, queremos aumentar
o acesso das pessoas ao universo das
duas marcas”.
“As collabs são uma estratégia poderosa
para ampliar o público de uma
marca”, afirma Azevedo. “Para a Fini, por
exemplo, a parceria com a Carmed foi
vantajosa porque expandiu a presença
da marca para outro momento de consumo.
Bala Fini vende muito no cinema,
panetone da Bauducco vende muito no
fim do ano. Ao combinar esses públicos,
você cria novas oportunidades de venda”,
explica ele.
Outra colaboração que exemplifica
essa lógica é a da Colorama com o
longa de animação da Pixar, ‘Divertida
Mente 2’. O lançamento da linha de esmaltes
inspirada nos personagens do
filme trouxe um apelo tanto para fãs
de beleza quanto para o público infantil,
ampliando o alcance da marca para
diferentes segmentos.
E as collabs vieram para ficar? Para
Azevedo, não há sinais de saturação
nesse modelo de parceria. “O que vemos
hoje é uma geração que normalizou
esse tipo de troca. Antes, as marcas
competiam entre si sem interagir. Hoje,
com a internet, vemos diálogos inusitados
do Itaú e Santander no Twitter (X),
ou Netflix e Max. O mesmo cascateou
Cimed tem alto volume de novas collabs com outras marcas
“As collabs são
uma estratégia
poderosa para
ampliar o público
de uma marca”
Fotos: Divulgação
Knorr usa o nome Chilli Beans para criar molho de pimenta
para as marcas, que entenderam que
unir públicos pode ser benéfico.”
Exemplos desse fenômeno vão além
do universo da moda e beleza, chegando
até a indústrias mais tradicionais.
Um caso emblemático foi a colaboração
entre Chilli Beans e Knorr, que apostaram
em um conceito que une não somente
seus públicos, como o conceito
dos nomes das marcas. A parceria gerou
uma linha de molhos de pimentas
jalapeño, vermelha e malagueta, associando
a marca de armações de óculos
Chilli Beans ao universo gastronômico
da Knorr.
Nem toda parceria é um sucesso garantido.
“As culturas empresariais precisam
estar alinhadas. Se a collab gera
um público novo que não entende a
essência e a comunicação da marca original,
isso pode se tornar um problema”,
alerta Azevedo.
Além disso, a dependência excessiva
de colaborações pode enfraquecer a
identidade da marca. “O milkshake do
Bob’s, por exemplo, não pode depender
do Ovomaltine para se sustentar. Quando
a parceria é de curto prazo e com
exclusividade, cria um senso de urgência
que impulsiona as vendas, mas não
pode se tornar a base do negócio.”
Em paralelo, como ponto a se considerar,
34% das conversas apontam que
parte do público se sente excluída dessas
estratégias, seja pela falta de representatividade
ou pela indisponibilidade
dos produtos em todas as regiões.
Azevedo complementa: “Quando
uma marca reconhece que um grande
público tem interesse na parceria e o
produto aos poucos sedimenta no mercado,
é importante determinar um prazo
de validade na disponibilidade, pois a
novidade perde força. O objetivo é manter
uma cadeia de conversas acerca do
assunto para alimentar o hype”.
A frustração também se dá pelo sabor
desaprovado, mais de 17% apontaram
o desinteresse motivado por esse
ponto, como ocorreu com a collab entre
Coca-Cola e Oreo, cujo sabor do biscoito
dividiu opiniões, mas que, ainda assim,
gerou grande impacto pela parceria
inusitada.
Com a evolução do mercado e o comportamento
dos consumidores cada vez
mais voltado para experiências interativas,
as collabs seguem como uma estratégia
valiosa para as marcas. O desafio,
no entanto, é equilibrar inovação e coerência
entre objetivos para garantir que
essas parcerias sejam bem recebidas e
garantam uma base de novos consumidores
que entendam a marca.
Colorama buscou expandir seu público em parceria com o filme ‘Divertida Mente 2’ Oreo e Coca-Cola deram origem a uma das collabs mais inusitadas de 2024
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mercado
‘Queremos otimizar a compra de mídia’
Jamie Barnard, CEO da Compliant,
acredita que a transformação
da publicidade programática
passa pela garantia de dados de
qualidade e segmentação eficaz.
A Compliant se apresenta ao
mercado com o objetivo de
resolver a falta de métricas que
assegurem a eficiência das
campanhas digitais, evitando
gastos com publicidade ineficaz.
Com presença internacional e
uma parceria estratégica no Brasil
com a GDB, a empresa oferece aos
anunciantes uma solução que foca
em mídia qualificada, segurança e
performance, ajudando a otimizar
investimentos e a entregar
resultados reais e mensuráveis.
Jamie Barnard, CEO da Compliant, busca revolucionar a publicidade programática
Divulgação
Adrieny Magalhães
SEGURANÇA
O marketing digital tem sido marcado
por inúmeros avanços tecnológicos
e, ao mesmo tempo, por desafios que se
relacionam com a privacidade do usuário
e a conformidade dos dados. Pensando
neste cenário, a Compliant (liderada
por Jamie Barnard, Elliot Bell e Magid
Souhami) se mostra para o mercado
como uma solução que promete transformar
a publicidade programática, padrões
de segurança, visibilidade e performance
das campanhas publicitárias.
A empresa surgiu para resolver uma
antiga lacuna do mercado: a falta de
métricas que garantem a qualidade
dos dados e da segmentação utilizadas
em campanhas digitais. Em muitas
maneiras, criamos soluções para os
maiores problemas da indústria. Não
queremos pagar por publicidade que
ninguém vê, não é?
dados
A proposta da Compliant é fornecer
um sinal de mídia que ajuda os anunciantes
a comprarem impressões de publishers
com melhores padrões de dados.
A lógica é simples: campanhas publicitárias
veiculadas em ambientes com
dados mais qualificados entregam melhores
resultados. “Melhores dados vão
impulsionar melhor a segmentação. E
melhor segmentação significa que suas
campanhas terão melhor desempenho.
A Compliant também colabora com importantes
players do mercado de fornecimento
de mídia, como DSPs e agências
globais. Essa presença no mercado
internacional se alinha agora ao cenário
brasileiro com a parceria estratégica
com a GDB.
PARCERIA COM GDB
A colaboração com a GDB tem o
objetivo de potencializar a entrega de
sinais de integridade de dados às campanhas
no Brasil. A sinergia entre as
duas empresas se dá pela visão compartilhada
sobre segurança de mídia e
compliance. Estamos apenas adicionando
algo ao que eles já fazem bem para
dar a eles uma vantagem competitiva.
O que estaríamos dizendo através da
“Métricas de
vaidade não
garantem
qualidade”
GDB é: quando você compra mídia, compre
aqui. Coloque seu gasto de mídia
em publishers de melhor qualidade que
entregarão retorno.
resultados consistentes
Um ponto central da proposta da
Compliant é mudar o foco das marcas
de métricas de vaidade, como taxas
de cliques e custo por aquisição,
para resultados de qualidade real.
Por anos, tivemos uma obsessão com
métricas de vaidade. Isso não garante
qualidade, apenas resultados
ilusórios. A nova abordagem visa a
entregar campanhas mais assertivas,
com menos fraude e tráfego inválido.
Com a Lei Geral de Proteção de Dados
(LGPD) em vigor no Brasil, a Compliant
destaca a importância de permitir
que anunciantes definam métricas de
conformidade de forma prática, monitorando
o impacto das campanhas
em visibilidade, segurança da marca e
performance geral. Nosso trabalho faz
isso. A pontuação faz isso por você. Tudo
o que você precisa fazer é decidir onde
quer estar.
FUTURO
A nossa chegada ao Brasil, em parceria
com a GDB, tem como objetivo elevar
os padrões do mercado de publicidade
programática, garantindo que marcas
invistam seu orçamento em inventário
qualificado e seguro. A expectativa é
que a nossa solução conquiste agências
e anunciantes que buscam não apenas
eficiência, mas também responsabilidade
e transparência em suas campanhas.
Queremos criar sinais que tornem a
compra de mídia mais impactante e
eficaz, sem que o comprador de mídia
precise dominar todos os aspectos de
privacidade e conformidade. Estamos
aqui para isso.
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lideranças femininas
Profissionais alertam que a equidade
de gênero deve ser uma luta de todos
Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de
março, o propmark ouviu 14 lideranças femininas que se destacam por
seu trabalho em um mercado tão desafiador, principalmente para elas
Pexels
As entrevistadas afirmam que, se as empresas não adotarem mudanças efetivas, o número de mulheres em cargos de liderança no mercado continuará estagnado
Bruna Nunes
O
último censo realizado pelo Observatório
de Diversidade na Propaganda
revelou que nas agências
brasileiras, de 257 funcionários, em média,
57% são mulheres. O chocante nesse
dado é que, apesar de serem maioria
nesses espaços, apenas 24% ocupam a
posição de CEOs, enquanto homens dominam
o cargo, sendo 76%. É no mínimo
curioso pensar nessa realidade, afinal,
já que não é por falta de profissionais
mulheres, o que precisamos para vermos
mais líderes no mercado?
Em mais uma edição do especial de lideranças
femininas, em homenagem ao
Dia Internacional da Mulher, comemorado
em 8 de março, o propmark destacou
14 executivas do mercado.
Os nomes, selecionados pela redação,
são: Samantha Almeida (diretora
de marketing da TV Globo), Paula Morales
(diretora do núcleo de integração
de marca e conteúdo da Record), Luana
Ozemela (CSO e VP de impacto e sustentabilidade
do iFood), Michele Gonzaga
(head de marketing, projetos e eventos
do Terra), Gabriela Borges (presidente
da Publicis), Sandra Martinelli (CEO da
ABA), Maria Pirajá (VP de negócios e
novos negócios da Lew,Lara), Veronica
Gordilho (co-COO da Africa), Carol Escorel
(COO da WMcCann), Ana Luiza Santos
(colider da agência MullenLowe), Carol
Boccia (CEO da BETC Havas), Carolina
Silva (diretora-geral de estratégia da
David), Camila Costa (CEO da ID/TBWA)
e Camila Massari (EVP de atendimento
e negócios da AlmapBBDO).
As profissionais destacaram quais desafios
e estratégias foram cruciais para
que se consolidassem nessas cadeiras.
Mas, essas vozes vão além e fazem um
alerta: enquanto a equidade não for uma
luta de todos e as empresas não adotarem
mudanças efetivas, não veremos
mais mulheres em cargos de liderança.
Como explica Sandra Martinelli, CEO da
Associação Brasileira de Anunciantes:
(ABA), não basta ser uma empresa diversa
e contratar mais mulheres sem mudar
as regras do jogo. “A diversidade precisa
vir junto da equidade e da inclusão.”
Em muitos dos relatos, as executivas
chamam a atenção para o fato de que
mulheres muitas vezes não se sentem
seguras de ocupar esses lugares, mas
que líderes homens raramente se mostram
inseguros, como exemplifica Ga-
briela Borges. A presidente da Publicis
conta que aconselha seu time a não ter
medo de mostrar potencial. “O que digo
é: vai para cima. Dificilmente vemos homens
promovidos que acham – ou pelo
menos mostram – não estar preparados.
Eles se mostram seguros. Mulheres precisam
disso também”. Ana Luiza aponta
que é importante que esses colegas
sejam aliados, pois quando se juntam
a essa luta, o impacto realmente acontece
na cultura corporativa. “Quando os
homens se tornam aliados conscientes,
o impacto vai além da equidade de gênero
– fortalece a cultura organizacional
e acelera a transformação para um ambiente
verdadeiramente inclusivo e diverso”,
declara a colíder da MullenLowe.
Confira, a seguir, a trajetória e o pensamento
das homenageadas.
20 10 de março de 2025 - jornal propmark
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lideranças femininas
Ana Luiza quer ser referência para
as próximas gerações de publicitárias
Ao coliderar a agência MullenLowe,
a executiva tenta promover um
ambiente que guie e acolha as
mulheres e considera as lideranças
femininas essenciais para as
profissionais mais jovens
Divulgação
Ana Luiza conta que foi uma criança
curiosa, fascinada por entender
como as coisas funcionavam
por dentro, por isso, chegou a fazer
um curso técnico em eletrônica, mas
quando percebeu que sua curiosidade
ia além dos circuitos elétricos decidiu
fazer um teste vocacional que a levou a
cursar comunicação social.
Já no primeiro ano da faculdade,
conseguiu um estágio na área de
marketing do Sesc-SP. Em seguida, entrou
para a área de planejamento na Calia
Assumpção. Para ela, esse trabalho foi
uma grande escola. Sua trajetória incluiu
passagens pelo planejamento da Fischer
América, Lew’Lara e uma experiência ao
lado de Rita Almeida em sua consultoria
de marca. Na Talent, trabalhou sob a liderança
de Júlio Ribeiro e depois foi para
a Leo Burnett Tailor Made, onde, como
diretora de estratégia, trabalhou com
estruturas regionais e globais
Atualmente, colidera a agência MullenLowe
com o parceiro estratégico Havt.
“Com o convite da MullenLowe, assumi
a vaga de head de planejamento e conexões,
unindo estratégia com dados,
analytics, pesquisa de mídia e mídia.
Hoje, estou coliderando a agência com
o parceiro estratégico, Havt, e muito feliz
em ter um time incrível, talentoso, que é
sempre incansável em fazer comunicação
com propósito que impacte a cultura”,
detalha.
Ao longo de sua carreira percebeu a
importância de ocupar espaços, mesmo
aqueles que, à primeira vista, parecem
pequenos ou inacessíveis, mas relata
que já hesitou em aceitar oportunidades
por achar que ainda não estava pronta,
enquanto via outros, geralmente homens,
assumindo esses desafios com
confiança. Para ela, foi fundamental ter
o incentivo de líderes que cruzaram o
seu caminho.
“Muitas vezes, hesitei em aceitar oportunidades
porque não me achava boa o
suficiente, ou pronta o suficiente. E na sequência
via pessoas que não tinham um
filtro tão crítico como o meu assumindo,
acertando, errando mas na direção clara
de ocupar. E, em grande parte desses casos,
foram homens que colocaram toda
a sua confiança na mesa”, conta ela, que
agradece aos colegas que lhe deram
apoio e cita que o autoconhecimento
pode ser uma moeda poderosa das mulheres
na jornada corporativa.
Embora nos últimos anos tenha havido
avanços, a executiva vê a questão
como estrutural. “Nos últimos anos, houve
um real movimento por promover e
contratar mais mulheres a cargos de
gestão no mercado em geral, mas a distância
ainda é gigante”. Para ela, “as mulheres
que chegam a cargos de liderança
precisam facilitar o caminho para a próxima
geração, seja por meio de mentorias,
contratações ou simplesmente servindo
como exemplo”.
A profissional acredita que a falta
de representatividade feminina na liderança
impacta diretamente as mulheres
mais jovens, que muitas vezes não
encontram referências onde possam se
espelhar. “Um cargo de liderança pode
ser muito solitário quando se olha ao redor,
e ninguém se parece com você. E a
falta de mulheres na liderança traz uma
consequência perversa para as mulheres
jovens: a ausência de modelos femininos
onde se espelham”, explica.
Mulher, mãe e profissional, Ana quer
contribuir para um mercado mais acolhedor.
“Busco criar um ambiente de
segurança emocional com as mulheres
grávidas do time, garantindo que elas terão
acolhimento na gestação e principalmente
na volta, seja com uma reentrada
mais lenta ao ritmo de trabalho. Reforçando
que, estamos aqui para recebê-las,
Ana Luiza: “Um cargo de liderança pode ser muito solitário quando se olha ao redor”
“Já hesitei
em aceitar
oportunidades
porque não me
achava boa o
suficiente”
que o trabalho delas é importante, mas
que serão apoiadas no ajuste da rotina”,
detalha. Seu objetivo é contribuir para
um ambiente corporativo mais justo e,
acima de tudo, facilitar o caminho para
as próximas gerações de mulheres. Para
seu crescimento, ela considera essencial:
“Ocupar os espaços e fazer deles uma
grande ‘limonada’; aprender a falar com
a boca o que eu quero, o que não quero:
sem melindres, sem meias-palavras;
acreditar que o trabalho, com consistência
e paixão, sempre vence. Espero
contribuir no meu universo. Facilitar a
jornada feminina para que a minha filha
não precise se esforçar em dobro para
chegar na metade do mérito de qualquer
homem”.
“Percebi muito cedo que as mulheres
que lideravam eram muito competentes
e, em inúmeras vezes, mais comprometidas
e talentosas do que seus pares
homens. Ainda que ache injusto, errado,
equivocado, essa é a realidade que se
impõe”, comenta.
“Cada espaço que consegui ocupar,
fui transformando em uma oportunidade
de troca, aprendizagem, enriquecimento
do meu repertório de estratégia,
de formas divergentes de pensar, com
ferramentas e metodologias e, o mais
importante, repertório de gente. Porque
no final das contas, seja para entender
um comportamento de compra, a dinâmica
de determinado cliente ou para
influenciar o clima com o time, é sobre
encarar a jornada com leveza e aprendizado”,
aconselha ela. BN
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lideranças femininas
Carol Boccia baseia seu trabalho
em visão estratégica e colaborativa
A copresidente da
BETC Havas quer
consolidar a agência
como uma das mais
criativas do país.
Para isso, a executiva
acredita que seja
essencial trabalhar
em equipe e ter
autoconfiança
Carol Boccia: “A presença feminina na liderança trouxe diversidade de pensamento”
“Não aceite menos
do que você merece”
mininas não só impulsionam inovação, mas também
obtêm melhores resultados de negócio”, explica ela.
Como líder, Carol acredita que o trabalho em equipe
resulta em um ambiente inovador. “Minha liderança
se baseia em visão estratégica, colaboração e
adaptação ao mercado. Acredito no poder do trabalho
em equipe e na construção de um ambiente de confiança
e inovação. Resiliência e inteligência emocio-
Divulgação
Formada pela ESPM, com especialização em liderança
criativa pela Berlin School of Creative
Leadership e pela Hyper Island, Carol Boccia tem
quase 30 anos de experiência em publicidade, atuando
na gestão de contas e no desenvolvimento de
negócios.
Em sua jornada, passou 13 anos na Africa Creative e
10 anos na AlmapBBDO, além de ter trabalhado na Leo
Burnett e na Carillo Pastore, liderando projetos para
marcas como Brahma, Budweiser, BRF, Heinz, 99, Antarctica,
Boticário, J&J e Philips, entre outras.
Atualmente, Carol é copresidente da BETC Havas e
destaca que encara o desafio de consolidá-la como
uma das agências mais criativas do país. “Acredito
que grandes ideias são os principais agentes de transformação
para marcas e negócios.”
Apesar de a publicidade ainda ser um setor desafiador
para profissionais mulheres, a executiva considera
que a autoconfiança é essencial para uma líder.
“Autoconfiança, resiliência e consistência foram fundamentais
na minha trajetória. A publicidade ainda
é um setor desafiador para mulheres, mas assumir
o protagonismo e buscar um desenvolvimento contínuo
fazem toda a diferença. Criar redes de apoio e
defender nossas ideias com firmeza é essencial”, diz
ela, que aconselha suas colegas: “Não aceite menos
do que você merece”.
A executiva ressalta que, em seu trabalho, busca
garantir que a cultura da empresa seja inclusiva.
“Apoio iniciativas de equidade de gênero, incentivo
debates sobre diversidade e priorizo a contratação de
talentos diversos. A diversidade deve ser uma prática
constante, pois impacta diretamente a criatividade e
a inovação dos projetos”, destaca.
“As empresas precisam ir além do discurso e adotar
ações concretas, como equidade salarial, programas
de mentoria e processos seletivos mais inclusivos.
Criar um ambiente seguro e acolhedor, onde as mulheres
tenham oportunidades reais de crescimento, é
fundamental. Empresas que promovem lideranças fenal
foram essenciais para superar desafios, sempre
mantendo o foco nos resultados”, afirma.
CRIATIVIDADE
Para ela, a digitalização trouxe ótimos pontos
para o setor, como dinamismo e conexão, mas que é
um desafio equilibrar as inovações com a criatividade
dos profissionais. “A publicidade passou por
uma grande transformação com a digitalização, tornando
a conexão entre marcas e consumidores mais
dinâmica e autêntica. A presença feminina na liderança
trouxe diversidade de pensamento e inovação,
fatores essenciais para acompanhar essas mudanças”,
avalia.
A executiva cita que saber como integrar a inteligência
artificial será essencial para o futuro do mercado. “O grande
desafio é equilibrar tecnologia e criatividade, garantindo
relevância em um mercado em constante evolução. A
inteligência artificial já impacta o setor, permitindo personalização,
eficiência e análise de dados em tempo real.”
Saber integrar IA e criatividade será fundamental para o
futuro da publicidade. As maiores oportunidades estão na
construção de marcas com propósito e na entrega de experiências
mais relevantes para o público”, finaliza. BN
22 10 de março de 2025 - jornal propmark
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lideranças femininas
Carol Escorel afirma que aprendeu a se
posicionar e confiar em sua capacidade
COO da WMcCann destaca a
importância da liderança feminina
para a evolução do setor de
publicidade. Ela disse que
nunca pediu permissão para
ocupar espaços
Divulgação
Atual COO da WMcCann, Carol Escorel
tem passagens por agências
como W/Brasil, F/Nazca Saatchi
& Saatchi, JWT, Dentsu e Talent Marcel
(Grupo Publicis), e atendeu uma lista
de anunciantes, como Ambev, Claro, Ipiranga,
Samsung, Banco Safra e Subway.
Além do currículo, a profissional já conquistou
um Leão de Bronze em Print
no Cannes Lions 2019 com o projeto
‘Women in technology’ para a Samsung
e atuou como representante da Abap
no Conselho de Ética do Conar (Conselho
Nacional de Autorregulamentação
Publicitária) no biênio 2020/2022. Ela
já foi jurada em premiações como Echo
Latam e esteve presente cinco vezes no
Cannes Lions. Agora em 2025, a COO busca
concluir sua pós-graduação em direitos
humanos, responsabilidade social e cidadania
global pela PUC-RS.
“Ao longo da minha trajetória, aprendi
que ocupar espaços de liderança exige,
antes de tudo, confiar na própria voz.
Muitas vezes, nós, mulheres, fomos ensinadas
a buscar validação antes de tomar
decisões, mas a verdade é que liderança
exige segurança e clareza. Se queremos
ser ouvidas, precisamos acreditar no que
temos a dizer”, comenta.
Para conseguir dar conta de tudo, a
executiva conta que foi preciso abrir mão
da perfeição. Como líder, ela afirma que
foi fundamental entender e aprender a
delegar ‘sem culpa’. “A pressão para dar
conta de tudo pode ser sufocante, mas
o verdadeiro desafio está em entender
o que é prioridade em cada momento
e aprender a delegar sem culpa. Assim
como o crescimento profissional, o equilíbrio
é uma construção contínua – e
aceitar isso nos permite avançar com
mais leveza”, explica.
Na WMcCann, 65% das lideranças são
femininas e a agência tem uma mulher
como CEO, Renata Bokel. Carol considera
isso crucial. “Temos a chance de criar um
verdadeiro motor de transformação para
impulsionar causas relevantes, ampliar
a inclusão e criar narrativas mais autênticas.
A liderança feminina pode ser um
grande diferencial nesse processo, trazendo
novas formas de pensar, trabalhar
e impactar a sociedade”, diz.
Mas, afinal, o que é essencial para
vermos mais mulheres nessas cadeiras e
por que algumas empresas ainda encaram
como desafio? Do ponto de vista da
COO, a quantidade de demandas pessoais
– e estruturais – que a maioria das mulheres
carrega se junta à falta de oportunidades
como uma das barreiras para
vermos essas lideranças. “Os maiores
desafios ainda estão na quebra de barreiras
estruturais. Apesar dos avanços,
mulheres ainda enfrentam mais dificuldades
para chegar ao topo, seja por falta
de oportunidades ou pela dificuldade de
conciliar as múltiplas demandas da vida
pessoal e profissional”, reflete.
Além disso, Carol destaca que nunca
pediu permissão para ocupar espaços
e precisou confiar em sua capacidade
para lidar com o mercado. “Muitas vezes,
mulheres sentem que precisam estar
100% preparadas antes de aceitar um
novo desafio, enquanto homens simplesmente
vão e fazem. Aprendi a confiar
na minha capacidade e a me posicionar,
mesmo quando era a única mulher
na sala” afirma.
A líder reforça que diversidade e inclusão
devem ser mais do que discursos
e “faz questão de garantir que talentos
diversos tenham espaço em projetos
estratégicos e as decisões sejam tomadas
com múltiplas perspectivas”, diz. Ela
acredita que a presença feminina na liderança
fortalece a inovação no setor e impulsiona
um ambiente mais colaborativo
e conectado com as demandas do público.
Também estímulo conversas abertas
Carol Escorel: “Nós, mulheres, fomos ensinadas a buscar validação”
“Se queremos
ser ouvidas,
precisamos
acreditar no que
temos a dizer”
sobre viés inconsciente e desafios que
podem impedir o avanço de certos perfis
na liderança. Além disso, apoio iniciativas
internas de mentoria e desenvolvimento,
porque sei que muitas vezes o maior desafio
não é a falta de talento, mas a falta
de acesso às oportunidades certas. Meu
compromisso é garantir que inclusão não
seja apenas um tema de pauta, mas uma
mudança real na forma como trabalhamos
e tomamos decisões”, finaliza.
Por fim, a COO da WMcCann considera
que a publicidade evoluiu muito nos
últimos anos, e avalia que se antes era
uma indústria focada apenas em grandes
campanhas e discursos unilaterais,
“hoje vivemos um cenário onde a conexão
genuína com o público, a personalização
e a responsabilidade social são
fundamentais. A tecnologia transformou
a forma como contamos histórias,
e o mercado exige agilidade, criatividade
e uma visão muito mais estratégica
dos negócios”. Ela completa afirmando
que a liderança feminina tem um papel
fundamental nessa mudança.
“O caminho até a liderança nem
sempre é linear, e os desafios fazem
parte da jornada. O erro ensina, fortalece
e impulsiona. E talvez o mais importante
de tudo: quando alcançamos
esses espaços, temos o dever de olhar
para trás e abrir caminhos para outras
mulheres. Criar um ambiente onde possamos
crescer juntas não é apenas um
ato de sororidade, mas uma forma de
transformar o mercado e deixar um legado
real”, conclui Carol. BN
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lideranças femininas
Gabriela Borges avalia que proatividade
e resiliência são essenciais na carreira
Em fevereiro deste ano, Gabriela
Borges assumiu o posto de
presidente da Publicis Brasil. A
executiva está desde 2011 na
agência, que, atualmente, tem um
time majoritariamente feminino
Divulgação
Graduada em marketing pela Universidade
Anhembi Morumbi, foi
na época dos estágios que Gabriela
Borges se apaixonou pelo mundo das
agências de publicidade, mais especificamente
na Zero 11. Como estagiária,
foi para área de atendimento, e como
no fim de seu contrato não tinha vaga
de efetivação, os donos da empresa
decidiram puxá-la para um cargo de
assistente. De lá, surgiu uma vaga em
tráfego e, assim, iniciou-se sua carreira
profissional.
Para Gabriela, essa passagem foi essencial
para sua formação, pois conseguiu
obter muita experiência. “Eu acho
que passar pelo tráfego de uma agência
foi uma parte determinante da minha
carreira. Você vive em todas as áreas,
tem de aprender sobre a produção, sobre
a criação, sobre o planejamento, enfim,
sobre tudo”, recorda.
Já inserida no mercado de trabalho, e
com bagagem no setor de atendimento,
a executiva foi chamada para trabalhar
na Publicis Brasil.
Com essa movimentação, iniciou sua
trajetória com a agência na qual é presidente
desde fevereiro deste ano. “Eu
estava com 30 anos e pensei ‘ou eu faço
essa virada agora ou não faço mais’. E
foi assim que aceitei o desafio, sempre
à frente da área de negócios, que é a minha
paixão. E aí, agora estou aqui, onde
estou”, relata.
Publicis brasil
Só na Publicis Brasil, a executiva
passou por cargos que vão de diretora
de atendimento à presidência. Em seu
ponto de vista, toda sua trajetória dentro
da mesma companhia foi essencial
para que ela se formasse a líder que é.
“Acho que ter vivido todas essas cadeiras
antes de chegar à presidência foi muito
importante na minha carreira também. O
fato de eu ter ficado por muitos anos em
todos os lugares que eu passei, fizeram
com que eu crescesse no momento certo
e não queimando etapas”, conta.
Ao se imaginar nesse cargo anos
atrás, ela brinca: “quando eu assumi a
vice-presidência da Publicis, eu sempre
falava ‘gente, se eu tivesse tido essa cadeira
há cinco anos ou há dois anos, eu
não estaria aqui mais’”. Ainda sobre sua
trajetória, a profissional avalia que proatividade
e resiliência foram características
essenciais para sua evolução.
Como líder, a executiva conta que
gosta de relembrar suas funções anteriores
e considera essencial lembrar seu
time de que ela ‘já passou por isso’. “Eu
me vejo muito todos os dias na agência
em conversa com os times. Eu falo
‘já fui essa pessoa e sei como é’, então
tento ajudar orientando”, explica ela, que
completa sua reflexão: “passar por todas
essas cadeiras e ter vivido toda essa jornada
me faz ser mais empática, mais madura.
Porque de alguma forma, comparativamente,
tem coisas que eu vejo na
minha evolução e sei que aquela pessoa
também vai evoluir na sua trajetória”.
Em sua visão, apesar de muitas coisas
terem mudado, ainda há muitas mudanças
a fazer. Mãe, Gabriela conta que
após sua gravidez começou a refletir
muito sobre como o mercado lida com
as mulheres e suas demandas. “Quando
eu engravidei, comecei a viver questões
que eu falava ‘caramba! E não é que isso
existe mesmo?’ Os ambientes precisam
de fato refletir que as mulheres têm,
sim, coisas que são diferentes. Então, se
eu tenho uma grávida no meu time, por
exemplo, preciso ter um cuidado extra
com ela”, reflete.
Além disso, como presidente, avalia
que as lideranças das agências precisam
refletir sobre suas políticas. “Como é que
a gente trabalha essa cadeia? E como é
Gabi Borges: “Não adianta ter uma corrente de mulher e não ter homem que apoie”
“Se você não
tem liderança
feminina,
mulheres não
se enxergam”
que a gente faz com que as mulheres
se identifiquem com outras mulheres?
E com que os homens respeitem essas
mulheres? Porque não adianta a gente
ter uma corrente de mulher e não ter
uma corrente de homem que apoie isso”,
questiona.
Ainda sobre o trabalho em conjunto,
a líder aconselha seus colegas de posição:
“O que para você precisa para criar
ambientes seguros? Você precisa olhar
para essas questões. E você precisa promover
liderança feminina. Se você não
tem liderança feminina, mulheres não se
enxergam”.
Hoje, a agência presidida por Gabriela
(ao lado de sua xará, a CEO Gabriela Onofre)
tem um time majoritariamente feminino.
Apesar de não ser necessariamente
proposital, a executiva acredita que as
lideranças femininas da empresa têm,
sim, um papel importante nesse reflexo,
até mesmo para empoderar suas colegas.
“A coisa que eu mais avaliei é que
muitas vezes a mulher ‘se acua’ naturalmente.
E o que eu digo é, vai para cima.
Dificilmente vemos homens promovidos
que acham – ou pelo menos mostram –
que não estão preparados. Eles se mostram
seguros. Mulheres precisam disso
também”, comenta.
Para finalizar, Gabriela Borges deixa
um conselho para as profissionais mulheres,
especialmente as que são minoria
– no quesito volume – nas equipes.
“Acho que quando você é mulher, você
acaba pegando posições que não devem
ser necessariamente suas. É quem organiza
os ‘invites’ das reuniões, organiza
presentes, entre outras coisas. Esse lugar
não é seu, você e seus colegas homens
são pares, todo mundo tem o mesmo papel.
Essa é uma virada de chave.” BN
24 10 de março de 2025 - jornal propmark
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Márcio, esse anúncio não é da 11:21, é meu pra você.
Obrigado por tudo, amigo.
Gustavo Bastos
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lideranças femininas
Luana Ozemela defende que liderança
se constrói com propósito e equidade
Ativista desde jovem, a CSO e VP
de impacto e sustentabilidade do
iFood busca abrir portas para outras
pessoas por meio do seu trabalho,
que é pautado, principalmente, por
ser uma liderança feminina - e negra
Divulgação
O
trabalho de Luana Ozemela em
busca da equidade social e econômica
começou muito antes de
ter um cargo de liderança. Vinda de uma
família humilde do Rio Grande do Sul,
desde cedo acredita que a educação, a
luta por igualdade e justiça social são
ferramentas e deveres contínuos, ensinamentos
esses transmitidos por seus
pais, ativistas do movimento negro.
Ainda jovem, participou de diversas
iniciativas estudantis, mas uma experiência
em particular marcou sua jornada,
mais especificamente um artigo em um
jornal que argumentava contra as cotas
raciais com uma linguagem ‘técnica e
econômica’, como ela recorda. Ali, Luana
percebeu que se especializar seria essencial
para seu crescimento.
“Foi quando percebi que, para defender
nossas causas com efetividade, eu
precisava dominar essa mesma linguagem
do capital e utilizar suas ferramentas
a nosso favor. Esse momento foi um
ponto de virada na minha vida. Decidi
estudar economia e entrei na Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)”,
diz ela, que relembra: “a partir daí, minha
atuação profissional tem sido pautada
pela busca por impacto real, ampliando
não apenas o acesso à renda, mas também
ao patrimônio, como um caminho
essencial para reduzir as desigualdades
estruturais”.
Hoje, a profissional é CSO e VP de impacto
e sustentabilidade do iFood. “Um
conselho importante que dou a outras
mulheres que aspiram a posições de liderança
é que a autoconfiança é essencial,
mas precisa vir acompanhada de uma
constante busca por capacitação. Nunca
parei de estudar, de buscar entender mais
sobre os sistemas que impactam a nossa
sociedade e de aprimorar as minhas habilidades,
tanto técnicas quanto interpessoais”,
comenta em tom de conselho.
representatividade
Se as lideranças femininas já enfrentam
uma série de barreiras no
mercado, lideranças negras enfrentam
ainda mais. “Para mulheres negras, a
ausência de representação em cargos
de poder muitas vezes cria a sensação
de que esses espaços não nos pertencem.
No entanto, quando vemos mulheres
negras em posições de liderança,
conseguimos não apenas quebrar esse
estigma, mas também inspirar outras
mulheres a acreditarem no seu potencial”,
reflete a executiva, que explica:
“a liderança feminina negra traz consigo
um conjunto único de vivências e
perspectivas que são essenciais para a
inovação e a diversidade de pensamento.
É importante lembrar que a inclusão
de mulheres negras não é uma ação
filantrópica, mas sim uma estratégia
de negócios inteligente. O que está em
jogo aqui é o fortalecimento de organizações
e sociedades mais justas, que
refletem de forma mais fiel a diversidade
da população que atende”.
A vice-presidente acredita que seus
aprendizados estão ligados à sua resiliência
e clareza de propósito, que isso foi
essencial para consolidar sua posição de
liderança. “A estratégia mais importante
foi entender o poder de transformar
meus desafios em oportunidades de
crescimento. Sempre busquei estar preparada
para os momentos difíceis, seja
com conhecimento técnico ou emocional.
Além disso, a construção de redes de
apoio foi essencial para o meu sucesso.
Por mais que a liderança muitas vezes
seja vista como uma jornada solitária,
para mim, sempre foi um processo coletivo”,
aponta.
Para a profissional, seu trabalho não
é apenas sobre crescer individualmente,
mas sobre abrir portas para outras
pessoas. “Sempre fui movida pela ideia
Luana: “A liderança feminina negra traz consigo um conjunto único de vivências”’
“A inclusão de
mulheres negras
não é uma ação
filantrópica”
de que liderança não é só sobre subir na
carreira, mas sobre criar um caminho
para outras pessoas. Para outras mulheres,
especialmente mulheres negras,
recomendo que sempre se vejam como
líderes, mesmo que o mundo à sua
volta não as trate como tal. Busquem
apoio, construam redes de colaboração
e, mais importante, lembrem-se que
seu lugar no topo não é um privilégio, é
um direito”, diz.
Mas, afinal, como as empresas podem
(e devem) fazer para promover a
ascensão de mais mulheres em cargos
de liderança? Do ponto de vista da CSO
e VP de impacto e sustentabilidade do
iFood, as companhias “precisam adotar
uma postura proativa, começando por
garantir que a diversidade seja incorporada
em todos os níveis organizacionais,
desde as contratações até os programas
de liderança”.
Além disso, a executiva destaca que
a flexibilidade e o acolhimento são fundamentais
para impulsionar a presença
feminina. “No meu cargo de chief sustainability
officer, sempre defendi que
as práticas de inclusão não devem ser
apenas reativas ou simbólicas, mas que
devem ser transformadas em estratégias
estruturadas. Isso significa criar
políticas que incentivem a promoção de
mulheres a cargos de liderança, garantir
que elas tenham acesso a oportunidades
de desenvolvimento e fornecer espaços
de apoio como mentorias e programas
de liderança feminina” exemplifica. BN
26 10 de março de 2025 - jornal propmark
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lideranças femininas
Maria Pirajá apoia cultura que incentive
e dê condições à ascensão das mulheres
Há mais de 15 anos em agências,
a VP de negócios e novos negócios
da Lew’Lara\TBWA acredita em um
futuro de lideranças femininas e
considera a diversidade como um
pré-requisito para estar no mercado
Divulgação
Carioca, Maria Pirajá iniciou sua
formação em turismo e hotelaria,
mas migrou para comunicação social
na PUC-Rio. Sua curiosidade a levou
para o Reino Unido, onde morou aos 20
anos. Ao conquistar uma dupla titulação
na Escócia e enfrentar o desafio
de se reinventar para morar em outro
país, descobriu sua verdadeira paixão:
a publicidade.
“Foi uma experiência que me ensinou
muito sobre resiliência, adaptação
e a importância de se reinventar. Talvez
por isso, alguns anos depois, já um pouco
mais madura, decidi mergulhar na
publicidade”, reflete.
Mas, seu início oficial no mercado
publicitário foi na Ogilvy Rio, como estagiária.
Lá, com 24 anos, percebeu o
potencial da criatividade para conectar
marcas e pessoas. Movida pela vontade
de alcançar novos voos, mudou-se para
São Paulo, onde consolidou sua carreira.
Hoje, Maria é vice-presidente de negócios
e novos negócios da Lew’Lara\
TBWA e afirma que a posição a ensinou
que ser excelente tecnicamente não
basta para assumir uma posição de
liderança. “Acredito que a publicidade
vai muito além de campanhas bem-feitas
– é sobre estratégia, criatividade e,
acima de tudo, sobre construir marcas
fortes e relevantes na vida das pessoas.
É preciso se posicionar. Ter clareza
sobre o que a gente quer comunicar
e fazer isso com assertividade. Fazer
valer a nossa voz é uma habilidade
tão estratégica quanto qualquer competência
técnica”, explica a líder, que
defende que mulheres não devem
esperar reconhecimento, mas sim
reivindicá-lo, além de cultivar um estilo
de liderança autêntico, sem se moldar
a padrões masculinos.
“Durante muito tempo, eu tinha na
cabeça os modelos de liderança que
Maria Pirajá: “Não se trata apenas de ‘incluir mais mulheres’, mas de criar as condições”
“Fazer valer
a nossa voz é
uma habilidade
estratégica”
vido muito rápido, de forma barulhenta
e muitas vezes binária. Mas a inclusão
e a diversidade não se constroem assim”,
sinaliza.
A executiva afirma que tenta sempre
apoiar múltiplas trajetórias e se mostrar
disponível para ouvir e abrir espaço para
que diferentes vozes sejam escutadas. E
de acordo com ela, faz isso, pois “um ambiente
verdadeiramente diverso não é
só aquele que contrata pessoas diferentes,
mas aquele que permite que essas
eram baseados em um perfil masculino
de tomada de decisão e gestão. Mas
há outras formas de liderar, e elas são
tão eficazes e potentes quanto. Seja
qual for o seu estilo, cultive-o e fortaleça-o.
Liderança não é sobre ser dura
ou inflexível, é sobre ser quem você é
para então poder construir e inspirar o
todo”, comenta a VP.
A executiva destaca que as empresas
precisam criar ambientes que sustentem
a ascensão feminina, e isso significa
ir além da contratação de mulheres
para cargos de liderança, porque a diversidade
não pode ser apenas um número,
mas uma transformação real da cultura
corporativa do lugar.
“Precisamos de uma cultura que incentive
diferentes estilos de liderança
e não veja a diversidade apenas como
um número a ser preenchido. Isso significa
criar modelos que não limitem
a liderança a um único perfil. Perfis
diversos se mesclam e constroem um
ambiente mais rico de perspectivas,
que não são contrapostas, mas complementares.
Isso sim é disrupção. Não se
trata apenas de ‘incluir mais mulheres’,
mas de criar as condições e transformar
a forma como o poder e a tomada
de decisão acontecem dentro das empresas”,
reforça.
Com o seu trabalho, Maria busca
abrir espaço para outras mulheres e
promover um ambiente mais inclusivo,
que valorize diferentes trajetórias. Seu
foco está em construir relações de longo
prazo, manter-se curiosa e adaptar-
-se às transformações do mercado.
Para ela, a publicidade do futuro será
liderada por quem souber equilibrar
criatividade, inovação e pluralidade
de pensamento, e as mulheres têm um
papel fundamental nesse processo.
“Hoje, vivemos um tempo de discursos
polarizados, onde tudo tem de ser resoldiferenças
sejam valorizadas e aproveitadas
de forma estratégica”.
Visão de futuro
Somando mais de 15 anos de trabalho
em agências criativas, Maria considera
que a adaptabilidade foi um fator
essencial para que se consolidasse,
afinal, estamos falando de um mercado
que muda o tempo todo – principalmente
no ‘tempo do digital’.
“Estar aberta a aprender, a questionar
e a reinventar é o que ajuda a
manter uma liderança mais relevante
ou no mínimo interessante. Empresas
que promovem diversidade constroem
culturas fortes e entregam resultados
ainda mais sólidos”, diz.
Com sua experiência, ela salienta que
estar alinhada aos discursos atuais deixou
de ser um diferencial. Além da diversidade,
isso inclui modelos de gestão colaborativos
e visão estratégica ampliada. “Não são
mais diferenciais, mas pré-requisitos para
quem quer sentar à mesa”, afirma. BN
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lideranças femininas
Indígena, Michele Gonzaga busca
promover a diversidade em projetos
Indígena, a head de marketing,
projetos e eventos do Terra
lidera iniciativas comerciais que,
além de enaltecerem as marcas,
dão voz para comunidades e
minorias em prol da inclusão
Divulgação
Michele Gonzaga constrói sua carreira
e busca trabalhar com um
olhar atento para a diversidade.
Ela estudou em escola pública até conquistar
uma bolsa de estudos para ingressar
na Universidade Presbiteriana
Mackenzie e cursar comércio exterior.
Como mulher, a executiva já representa
muita coisa com sua posição de liderança,
mas, como mulher indígena, amplia
ainda mais a força da representatividade
no mercado.
Seu início profissional foi na área financeira
do Banco Itaú, seguido da General
Motors. Ao passar pelo iG, iniciou sua
transição para o setor de mídia, atuando
em planejamento financeiro e dados,
mas foi no UOL onde deu os primeiros
passos na venda de publicidade digital,
após um período no back office, migrando
para a área comercial.
A partir daí, passou por empresas
como HotWords, Editora Três, Webedia e
Outbrain e, durante a pandemia, ingressou
no universo dos e-Sports como head
da agência que iniciou a operação do Facebook
Gaming no Brasil. Depois de uma
passagem pelo Kwai, chegou ao Terra,
onde hoje ocupa a nomeação de head de
marketing, projetos e eventos.
Com sua posição, Michele busca promover
mudanças significativas e construir
meios para amplificar vozes. Para
ela, sua origem incentiva, sim, muitas de
suas ideias. “O nosso ‘background’ sempre
influencia, direta ou indiretamente, o
nosso julgamento e decisões. O meu lugar
de mulher, indígena e de origem humilde,
sempre me colocou numa posição
mais empática com questões sociais, de
raça e gênero e isso se refletiu na minha
decisão de vir para o Terra, por exemplo”,
conta a executiva.
No Terra, ela lidera iniciativas dedicadas
a causas como a comunidade LGBT+
com o projeto ‘Terra do Orgulho’, pautas
ambientais e indígenas com o ’Cop 30/Vozes
Amazônicas’ e o protagonismo feminino
em ações como ‘Tempo de Mulher’
e ‘Body’. “Na posição de head de projetos,
tenho o privilégio de poder colaborar com
o meu time diverso no desenvolvimento
de projetos comerciais que vão além de
dar voz às marcas, mas que dão voz à comunidade”,
comenta a profissional.
Para a líder, é prioridade ter pessoas
diversas nas contratações, e não apenas
por uma questão moral. “Acredito genuinamente
que a diversidade promove um
ambiente mais saudável, criativo, produtivo
e seguro. Equidade salarial é uma
regra não aberta a exceções”, explica ela,
que ainda destaca que “todas as estratégias
de inclusão devem começar pela
alta liderança e devem ser incorporadas
à cultura da empresa até o ponto em que
seja natural e orgânico para todos os níveis
hierárquicos”, declara.
A head completa que, paralelo a isso,
o RH (Recursos Humanos) também deve
desenvolver programas que considerem
todos os desafios das profissionais mulheres,
não apenas em sua jornada na
empresa, mas, também, viabilizar benefícios
que proporcionem maior qualidade
de vida pessoal.
“Sabemos que os desafios delas não
se limitam ao ambiente de trabalho. Uma
empresa que se posiciona a favor da diversidade,
de grupos minoritários, que
dá voz a quem constantemente é calado,
entre outras coisas, me fez querer estar
aqui [no Terra]”, explica.
Desafios
Ser uma mulher indígena em um
mercado já é desafiador, e para Michele
conquistar um posto de liderança exigiu
uma carga extra de dedicação. “Oportunidades
surgem, mas você precisa estar
preparada para aproveitá-las e isso passa
por diversos âmbitos. A sorte funciona
Michele: “Sabemos que os desafios delas não se limitam ao ambiente de trabalho”
“As estratégias
de inclusão
devem começar
pela alta
liderança”
melhor para pessoas que estão em condições
de privilégio, o que significa que
ser mulher, especialmente uma mulher
indígena, te exige uma carga extra de
conhecimento, esforço, preparo e dedicação
para que você seja notada e considerada.
Não se permitir ser subestimada
e procurar lideranças inspiradoras são
fundamentais nessa jornada de desenvolvimento”,
reflete ela.
Para suas semelhantes, um conselho:
“Estar preparada para as oportunidades
sempre foi fundamental! Desenvolver
a capacidade de antecipar problemas e
trazer soluções de forma proativa levando
em consideração todos os lados da
equação me pautou em muitas decisões
que tomei”.
“Comunicação clara, ponderada e
sincera, assumindo riscos e responsabilidades,
sempre guiou meus relacionamentos
profissionais e isso me ajudou
a construir relações de confiança, fosse
com clientes, pares, líderes ou liderados”,
finaliza Michele.
BN
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lideranças femininas
Paula Morales enxerga o trabalho como
sua maior forma de reconhecimento
Formada em jornalismo, a diretora
do núcleo de integração de marcas
está há 15 anos no Grupo Record,
e acredita que a passagem por
diversos cargos foi essencial para
a construção de sua liderança
Divulgação
Com mais de 23 anos de carreira
no jornalismo e na comunicação,
Paula Morales passou por veículos
como Jovem Pan e TV Globo antes de
consolidar sua história no Grupo Record.
Formada em jornalismo pelo Mackenzie
e com um MBA em liderança, inovação
e gestão 4.0 pela PUC-RS, ela está há 15
anos na emissora, e desses, sete são no
setor comercial, onde hoje atua como
diretora do núcleo de integração de
marcas e conteúdo do time comercial.
Apesar de parecer uma aventura, a
executiva viu nessa transição uma oportunidade
de unir seu conhecimento em
conteúdo com estratégias de negócios,
o que ela considera uma combinação
perfeita. “Ter conhecimento de conteúdo
e estar em uma área que planeja,
vende e executa projetos para clientes
foi uma combinação perfeita. O grande
aprendizado que trago desse processo é
a importância de incluir marcas de forma
orgânica, sem comprometer o editorial”,
revela Paula.
Liderança
“Quando comecei a minha trajetória
profissional, eu não tinha todas as
respostas, mas sabia que deveria estar
aberta a aprender. Em cada erro, eu buscava
entender o que poderia ser feito de
diferente e, no final, isso se refletia na
minha capacidade de tomar decisões
mais acertadas”, diz Paula, que vê sua
posição de liderança como fruto de um
conjunto de acontecimentos, que envolvem
os acertos e erros de seu crescimento
profissional.
“No meu caso, a ascensão foi consequência
de resultados positivos, de
reconhecimento e de um processo que
incluiu acertos, mas também erros que
se transformaram em aprendizado. É
importante não pular etapas”, aponta a
profissional, que em sua liderança busca
identificar o que a impulsiona e o que
precisa ser deixado para trás. Ela também
considera essencial reconhecer o
trabalho em conjunto com seus colegas,
tanto do seu time, quanto os que passaram
ao longo de sua trajetória. “Ao longo
dessa jornada, tive ao meu lado profissionais
incríveis, que me ajudaram, confiaram
e acreditaram no meu trabalho.
E sigo cercada por pessoas que fazem o
mesmo. Para mim, liderança se constrói
com vivências. Preciso admirar e ser
admirada, me inspirar em pessoas e ser
inspiração para outras”, explica.
A diretora busca um ambiente de
trabalho sólido e acredita que isso se
faz com competência e oportunidades
igualitárias. Ela destaca que o reconhecimento
profissional deve ser pautado no
mérito, independentemente de gênero.
“As empresas precisam enxergar as
mulheres pelo que entregam, pelo que
constroem e pelo que evoluem, não
apenas pelo fato de serem mulheres”,
diz ela, que aproveita para reforçar que,
no seu ponto de vista, a diversidade real
vai muito além de números e está na capacidade
de valorizar diferentes perfis e
trajetórias.
“A verdadeira inclusão é dar espaço
para quem quer aprender, crescer e
contribuir, independentemente de gênero,
raça ou qualquer outro rótulo. Assim
como os homens, as mulheres têm
particularidades. Com essa visão, essas
empresas estarão mais alinhadas com
um mercado diverso, inovador e conectado
às demandas da sociedade atual”,
destaca ela.
Paula ainda declara que não se posiciona
em busca de visibilidade: “Sempre
busco me posicionar com autenticidade,
alinhada ao que acredito. Não adotar
posturas apenas para ganhar visibilidade,
pois entendo que meu trabalho é
minha maior forma de reconhecimento”.
Paula Morales: “Preciso admirar e ser admirada, me inspirar em pessoas e ser inspiração”
“Para mim,
liderança se
constrói com
vivências”
RECORD
Estar em um lugar há tanto tempo
também impulsiona diversos aprendizados.
Seu percurso de longa data na emissora
permitiu que Paula transitasse entre
diferentes cargos, o que ampliou sua
visão sobre o setor e fortaleceu sua forma
de liderar. Para ela, cada experiência
foi essencial para construir a profissional
que é hoje. “Além de nunca querer parar
de aprender, sempre busquei entender
as diversas áreas com as quais me rela-
cionei – e ainda me relaciono – dentro
da empresa, trabalhando em conjunto
para encontrar soluções sem prejudicar
ninguém. É essencial jogar junto com o
time e lembrar que as pessoas não são
robôs. Elas precisam de você para aprender,
mas também têm muito a ensinar”,
reflete Paula.
Só na Record, passou por cargos
como: diretora-executiva no Portal R7,
chefe de reportagem de entretenimento,
diretora de produtos e serviços digitais,
além de passar pela gerência de operações
e assessoria de operações digitais.
Sobre o futuro, a profissional fala que
não pretende se acomodar e ainda almeja
que todos ao seu redor tenham êxito.
“Esses 15 anos e meio na Record abriram
portas para que eu chegasse até aqui e
para que grandes entregas acontecessem.
Mas espero não parar. Quero continuar
abrindo portas, janelas, mentes…
por aqui e, mais do que isso, quero que
todos ao meu redor alcancem o sucesso
que merecem”, finaliza. BN
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lideranças femininas
Para Sandra Martinelli, a equidade
de gênero é um compromisso de todos
Apaixonada por marketing, a CEO
da ABA, que completa 41 anos de
carreira em abril, acredita que
homens em posição de liderança
devem ser aliados e promover
a ascensão feminina nas empresas
Divulgação
Mineira de Poços de Caldas, Sandra
Martinelli se graduou em comunicação
social com habilitação
em relações públicas, pós-graduou-
-se em propaganda e marketing pela
ESPM e possui um MBA pela Dom Cabral.
Em abril deste ano, Sandra completa 41
anos de carreira, com passagens por
grandes agências e empresas do país.
Começou sua jornada como trainee na
fábrica da Dow Chemical, no Guarujá, e,
com uma carreira sólida, ocupou cargos
de liderança como diretora de atendimento
na Ogilvy, diretora de marketing
no Unibanco, head de marketing integrado
no Santander e diretora de estratégias
de ativação na Grey.
Há uma década, está à frente da ABA
(Associação Brasileira de Anunciantes)
como CEO, além de integrar o Comitê Executivo
da WFA (World Federation of Advertisers).
Somando à suas experiências em
diferentes cargos, a executiva coleciona
mais de 200 prêmios, entre eles o Hall of
Fame de Marketing, o Marketing Citizen,
o prêmio de Dirigente do Ano pelo Fórum
de Marketing Empresarial Lide e o Top
100 Gestores, do grupo Amigos do Mercado.
Pela ABA, conquistou quatro WFA
President’s Awards.
“Sou apaixonada por marketing e por
tudo o que ele pode fazer pelas marcas e
pela sociedade. Desde que iniciei na ABA,
em 2014, fiz do propósito da entidade o
meu propósito, acreditando que o marketing
pode transformar não somente
os negócios, mas a sociedade. E estou
falando de uma transformação positiva,
de influenciar pautas importantes, causas
urgentes, como ambientais, sociais,
de diversidade e inclusão”, declara a CEO.
No entanto, mesmo com sua paixão,
a profissional enfatiza a importância do
planejamento de carreira. “Sem planejamento,
estratégia e proatividade, é
difícil fazer acontecer. Numa posição de
Sandra Martinelli lidera a ‘Confraria das Mulheres Dirigentes de Entidades’ na ABA
“As empresas
precisam
promover
a ascensão
feminina”
parem cargos de lideranças. A equidade
de gênero não pode ser um problema
das mulheres, mas um compromisso de
todos. E se a empresa tem uma cultura
de DE&I verdadeira, homens em posições
de liderança se tornarão aliados ativos
dessa transformação”, conclui.
A CEO conta que a ABA vem realizando
uma série de iniciativas em prol da
evolução do mercado de anunciantes, da
publicidade brasileira e dos profissionais
de marketing. Para a líder, “faz parte dessa
evolução abrir caminhos para a diver-
liderança, gerenciamos pessoas, precisamos
engajar e impulsionar nossos times,
e, para isso, precisamos ser líderes que
inspiram a ação e geram resultados. Isso
sempre foi muito claro para mim e acredito
que foi um impulsionador da minha
carreira”, aponta.
Para ela, essa dedicação e preparo
são essenciais, principalmente em um
mercado que desafia mulheres diariamente.
“Infelizmente, nós mulheres já
chegamos no mercado de trabalho sob
julgamentos, olhares duvidosos e expectativas
desiguais. E nada melhor do que
mostrar competência pelos resultados”.
Além disso, reforça a necessidade de
ocupar espaços e abrir caminhos para
outras mulheres. “O conselho mais importante
de todos é nunca aceitar que
nos digam onde é o nosso lugar. Ocupem
espaços, reivindiquem suas vozes e, acima
de tudo, criem caminhos para outras
mulheres caminharem ao seu lado”, ressalta
Sandra.
A executiva alerta que “as empresas
precisam ter a responsabilidade de promover
a ascensão feminina como forma
de corrigir décadas de subestimação e
desigualdade”. Para reduzir esses abismos,
“boas soluções são investir em
programas estruturados de mentoria
e capacitação de lideranças femininas
que garantam oportunidades reais e
iguais de crescimento”, diz ela, que
destaca a importância da equidade de
gêneros, e aponta que esse é um compromisso
de todos, e não uma luta só das
mulheres – incluindo homens em posição
de liderança.
“O recado é bem simples e claro, não
basta ser uma empresa diversa e contratar
mais mulheres se não mudar as
regras do jogo. A diversidade precisa vir
junto da equidade e da inclusão”, pontua.
“Se a empresa agir assim, haverá mais
chances de as mulheres crescerem e ocusidade
ser uma cultura das empresas e
refletida em suas campanhas”.
“Justamente por ainda termos um
caminho desafiador, precisamos nos
apoiar, criar redes de fortalecimento e
abrir portas umas para as outras. Precisamos
estar onde as decisões são tomadas,
ocupar os espaços com voz e autoridade”,
diz Sandra. E foi pensando nesse
fortalecimento que, no fim de 2023, a
executiva liderou uma iniciativa pioneira
da ABA, a criação da ‘Confraria das Mulheres
Dirigentes de Entidades’, um grupo
informal que reúne lideranças femininas
de associações, sindicatos e entidades
de classe brasileiras.
“Em meus 40 anos de carreira, é nítido
que tivemos mudanças e avanços.
Se eu quisesse reunir 20 CEOs de entidades
de classe há 10 anos não seria possível.
Sempre acreditei que o sucesso de
uma mulher não deve ser uma exceção,
mas um passo a mais para que todas
possamos estar onde quisermos estar”,
finaliza a CEO da ABA. BN
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lideranças femininas
Veronica Gordilho fomenta um ambiente
de trabalho estratégico e acolhedor
Co-COO da Africa Creative aponta
que, na agência, 70% dos cargos
de liderança são ocupados por
mulheres e isso torna o local mais
receptivo para ela e suas colegas,
inspirando outras profissionais
Divulgação
Veronica Gordilho, influenciada
pela mãe, uma bailarina profissional,
mudou-se para Nova York
aos 16 anos, para estudar no School of
American Ballet, até que um acidente
no punho interrompeu sua trajetória
na dança e a fez mudar de percurso.
De volta ao Brasil, se formou em administração
e entrou para o mercado de
trabalho em São Paulo, como vendedora
de loja. Já na publicidade, seu primeiro
trabalho foi como estagiária na agência
Lew’Lara\TBWA, onde descobriu sua afinidade
com o atendimento ao cliente, e
desenvolveu suas habilidades no setor.
Hoje, a executiva ocupa o cargo de
co-COO na Africa Creative. Entre as estratégias
que considera essenciais para a
consolidação de sua posição, ela aponta
a construção de relacionamentos sólidos,
a busca por aprendizado contínuo
e a disciplina como os seus principais
motivadores.
“Manter o foco nos objetivos, sem
perder a flexibilidade para lidar com desafios,
foi essencial para minha evolução
profissional. A curiosidade em fazer o
novo também me impulsionou a buscar
soluções inovadoras e a enxergar oportunidades
onde outros viam obstáculos”,
analisa. Estar aberta a feedbacks
e se adaptar às mudanças do mercado
também foram fatores essenciais para
Veronica, que foi crescendo e assumindo
posições de maior responsabilidade
ao longo de sua carreira, como diretora,
vice-presidente e agora co-COO.
Para a líder, a presença feminina em
cadeiras desse tipo é vital para a inovação
e o sucesso das empresas, pois acredita
que isso agrega com diversidade
de pensamento e abordagem. “Diversos
estudos indicam que organizações com
maior diversidade de gênero tendem a
ter rendimentos superiores à média do
setor. Além disso, a representatividade
Veronica Gordilho: “Como líder, incentivo a formação de equipes multifacetadas”
“Não existe uma
fórmula única
para o sucesso”
inspira outras mulheres a perseguirem
seus objetivos, criando um ciclo positivo
de empoderamento e transformação no
ambiente corporativo”, explica.
Como mulher e mãe, a executiva valoriza
e incentiva um ambiente de trabalho
que acolha de maneira sensível as particularidades
das funcionárias. Apesar de
reconhecer que essa missão vem com desafios.
“Isso significa reconhecer talentos
com base no mérito e na liderança, mas
também estar atento a possíveis barreiras
estruturais que ainda possam impedir
o atingimento da equidade. Quando há
um ambiente que desafia, desenvolve e
valoriza profissionais de maneira justa, a
diversidade acontece de forma natural e
sustentável. Essa tem sido a minha visão
e norte de trabalho”, aponta.
“Como líder, incentivo a formação de
equipes multifacetadas, pois acredito
que diferentes perspectivas não só enriquecem
nosso trabalho, mas também
impulsionam a criatividade e a inovação.
Como mulher, que exerce a maternidade,
concilia desafios, posso testemunhar que
o meu ambiente de trabalho tem sido
acolhedor das minhas sensibilidades e
peculiaridades. Somos um time que lida
com as questões desde a perspectiva da
alteridade. É isso que nos faz melhores”,
compartilha.
Para que aconteça essa ascensão de
mulheres em cargos de liderança, Veronica
acredita que as empresas devem
garantir um ambiente de igualdade real,
oferecendo oportunidades de crescimento
com base no mérito. Na Africa Creative,
a executiva destaca que 70% dos
cargos de liderança acima de diretores
são ocupados por mulheres e ressalta
a importância disso. “Essa postura não
é uma concessão, mas sim uma atitude
que agrega valor e beneficia as próprias
empresas, diversificando pontos de vista,
perspectivas e inputs. Temos um compromisso
com a equidade que permanecerá
no tempo”, afirma.
APRENDIZADOS
Ao ser questionada sobre quais foram
os principais aprendizados que moldaram
sua jornada e considera ótimos
conselhos para outras mulheres que
querem ocupar esses espaços, ela declara:
“para outras mulheres, aconselho
a buscarem ambientes que promovam o
crescimento e a se cercarem de pessoas
que as apoiem, quase como uma família
profissional. Não existe uma fórmula
única para o sucesso, mas estar em um
lugar que estimule seu desenvolvimento
e cercada de pessoas que te puxem,
é essencial. Acredito que tenho a habilidade
de me comunicar de modo direto
e busco sempre exercer uma liderança
generosa, as minhas equipes de trabalho
são unidas e tenho feito amigas e
amigos no mercado. Isso me orgulha
profundamente. Trabalho feliz e inspirada”,
finaliza ela.
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lideranças femininas
Camila Costa adverte que mulheres
não devem lutar sozinhas por espaço
Há 20 anos no mercado profissional,
a CEO lidera a agência iD\TBWA
desde 2014. Ela considera a inclusão
seu maior objetivo, além de
contribuir para o desenvolvimento
dos colaboradores do seu time
Divulgação
Camila Costa: “Se não encontrar referências femininas ao seu redor, vá atrás”
“Dizer ‘não’ para
os outros, muitas
vezes, significa
dizer ‘sim’ para
você”
res. “A publicidade passou por uma transformação
sem precedentes na última
década, impulsionada pela digitalização,
dados e novas dinâmicas de consumo.
Saímos de um modelo baseado na interrupção
para um de conexão e relevância,
onde marcas precisam agregar valor real
à vida das pessoas. E isso exige uma liderança
cada vez mais estratégica, multidisciplinar
e inovadora”, aponta.
“Dentro desse contexto, o papel da
liderança feminina se torna ainda mais
essencial. As mulheres trazem uma visão
Há dez anos CEO da iD\TBWA, Camila
Costa é formada em publicidade
pela Faap, tem MBA na FIA
e está no processo para finalizar um
pós-MBA de formação para conselheiras
na Saint Paul. Ela também foi uma
das primeiras brasileiras a passar pela
Singularity University.
Sua carreira profissional começou
em Salvador, onde Camila descobriu que
sua paixão é a publicidade e o universo
das agências. De volta a São Paulo em
2004, ajudou na expansão de um grupo
do Nordeste para o mercado da cidade.
Ela relembra que já em 2006, antes mesmo
da era de redes sociais que vivemos
atualmente, na época do Orkut, percebeu
que o universo do digital era um marco
de transformação, e, por isso, buscou se
especializar no assunto.
Em 2014, recebeu o convite para ser
CEO da iD\TBWA, que está à frente até
hoje, trabalhando com marcas como
Allianz, Audi, Banco BV, Claro, CPFL, Philips
e muitas outras “que tenho enorme
carinho e gratidão pelas oportunidades
que me proporcionam em seguir aprendendo,
lançando projetos e plataformas
de marca relevantes e, assim, evoluindo
na minha carreira”.
“Tenho consciência do meu papel,
da minha responsabilidade e também
da minha oportunidade de contribuir
na transformação – não só dentro da
iD\, mas também em todo o ecossistema
e nas diversas conexões que complementam
o nosso negócio: clientes,
veículos, parceiros e, também, no meio
acadêmico, inspirando novos profissionais”,
reflete ela.
A CEO conta que na iD\TBWA mais de
45% da diretoria é feminina e pretendem
fazer com que esse número avance ainda
mais. “Esse é um compromisso de toda a
liderança e de muita ação prática do nosso
time de RH, que não só cuida de diversidade
e inclusão desde o recrutamento,
mas que vem estabelecendo políticas e
processos que fortalecem um ambiente
inclusivo, além de realizar treinamentos
para os gestores com intuito de amarrar
todas as pontas necessárias e, assim,
multiplicar o impacto”, diz.
Para Camila, o futuro da publicidade
será guiado por lideranças inovadoras,
autênticas, criativas, éticas e com ações
realmente efetivas, e as mulheres têm
um papel protagonista nessa mudança.
Entre os aprendizados que moldaram
sua trajetória, Camila destaca a importância
de buscar referências femininas,
aprender a se posicionar e entender que
não é necessário dar conta de tudo ao
mesmo tempo. Para ela, equilíbrio e saúde
mental são essenciais, e saber dizer
‘não’ faz parte do processo de crescimento
profissional.
“Ao longo de mais de 20 anos de carreira,
acumulei muitos aprendizados – e
sigo aprendendo todos os dias. Afinal,
cada troca, conversa e desafio nos ensina
algo novo e nos dá a chance de evoluir”,
conta a profissional, que aconselha suas
colegas a buscarem por referências femininas
para se inspirarem.
“Se não encontrar referências femininas
ao seu redor, vá atrás! Busque
mentoras, participe de grupos e peça
conversas recorrentes. Ter mulheres inspiradoras
por perto expande horizontes e
acelera o crescimento. Aprenda a se posicionar.
Dizer ‘não’ para os outros, muitas
vezes, significa dizer ‘sim’ para você. Você
não precisa dar conta de tudo ao mesmo
tempo. Equilíbrio e saúde mental não são
luxo, são essenciais. E lembre-se: pausar
também é uma estratégia”, declara.
A executiva ressalta o dado divulgado
pelo Observatório da Diversidade na
Propaganda em parceria com a Gestão
Kairós em 2023. A pesquisa mostra que
só 15% dos CEOs em agências são mulheintegradora,
uma inteligência emocional
mais ampla e um olhar atento para
diversidade e propósito – elementos fundamentais
para construir marcas fortes e
negócios sustentáveis”, explica.
Enquanto CEO, Camila Costa destaca
que seu maior objetivo é fomentar
uma cultura inclusiva e garantir que os
valores e iniciativas da empresa contribuam
para o desenvolvimento profissional
de seus colaboradores. “Tento
me colocar disponível ao máximo para
ouvir, trocar e suportar a quem precisa
ou quem traz uma problemática ou
iniciativa em torno de diversidade e
inclusão, que podem somar o que já
praticamos”, exemplifica.
Ela convida as empresas a se conscientizarem:
“Se uma mulher precisa lutar
sozinha para ser ouvida em reuniões
ou conquistar espaço, a empresa já está
falhando. Líderes precisam garantir que
as mulheres tenham voz ativa e espaço
para crescer sem barreiras invisíveis”, finaliza
a executiva.
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lideranças femininas
Camilla Massari observa que mentorias
ajudam no desenvolvimento de mulheres
EVP de negócios e atendimento da
AlmapBBDO é líder do comitê de
diversidade & inclusão da agência
e alerta que a pauta ultrapassa
o universo corporativo, pois está
enraizada socialmente
Divulgação
Há mais de 16 anos na AlmapBBDO,
onde hoje é EVP de atendimento
e negócios, Camilla Massari tem
passagens por grandes agências no
Brasil e no exterior. Morou em Roma
por dois anos e também nos Estados
Unidos, onde passou pela Leo Burnett
de Chicago. A profissional também trabalhou
por dois anos na consultoria de
branding Cor Inovação.
“Escolhi atuar em publicidade porque
sempre acreditei que esse universo
reflete muito quem somos, como pensamos
e nos comportamos. A publicidade é,
talvez, a área que mais espelha o mundo
em que vivemos”, reflete.
Ao longo de sua carreira, Camilla
conseguiu perceber que, assim como a
estratégia de negócios, a confiança é
essencial para crescer no mercado publicitário,
principalmente quando se é
mulher. “Precisamos confiar na própria
voz, buscar nossos espaços e lutar por reconhecimento.
Sabemos que o caminho
para as mulheres ainda é menos óbvio,
mas estar em ambientes que valorizam
nosso trabalho faz toda a diferença. Se
não houver espaço para evolução, é preciso
considerar mudanças”, diz.
“Crescer exige planejamento e confiança.
Sei que ocupar posições de liderança
e se fazer ouvir são desafios, mas
são passos fundamentais para a evolução
profissional”, reforça.
Para a executiva, um dos pontos fundamentais
para que mulheres se desenvolvam
no mercado, é o fortalecimento
de programas de mentoria. “Um dos investimentos
mais importantes é no fortalecimento
de programas de mentoria.
Essa é uma ferramenta poderosa para
o desenvolvimento de mulheres e sua
ascensão a cargos de liderança”, explica.
Ela também estende a necessidade de
mentoria aos homens, pois acredita que
os colegas são essenciais na construção
de mudanças. “Além de conectar talentos
femininos a líderes experientes, as
empresas deveriam ampliar esses programas
para incluir mentores homens,
especialmente em cargos de liderança.
Quando os homens se tornam aliados
conscientes, o impacto vai além da
equidade de gênero, fortalece a cultura
organizacional e acelera a transformação
para um ambiente verdadeiramente
inclusivo e diverso”, declara.
Camilla ressalta que o tema de inclusão
é algo que ela busca desenvolver
constantemente. A executiva é líder do
Comitê de Diversidade & Inclusão da AlmapBBDO
e destaca a criação do grupo
de equidade de gênero dentro da agência.
“Procuro dar espaço e visibilidade
para que as pessoas do meu time possam
se posicionar, tomar decisões e se
destacar. Liderei a criação do Comitê de
Diversidade & Inclusão da AlmapBBDO,
lançado em 2018, que tem desempenhado
um papel fundamental na promoção
da diversidade cultural e inclusão de
forma autêntica e impactante”, comenta.
“Tenho muito orgulho da criação do
grupo de equidade de gênero dentro da
agência, por meio do qual estabelecemos
iniciativas importantes, como o ElevaElas,
um programa de mentoria feito
por mulheres e para mulheres. O projeto
conecta jovens profissionais a executivas
da agência para desenvolver habilidades
essenciais para o crescimento na carreira.
O programa já teve duas edições e
envolveu 240 mulheres. Como resultado,
desde 2021, a presença feminina em cargos
de liderança na AlmapBBDO cresceu
de 43% para 57%”, detalha.
Para trabalhar sua posição de liderança,
ela procura investir tempo em sua
relação com diversas áreas da empresa.
“Acredito que uma das minhas fortalezas
é gostar e acreditar na construção de
relações e fazer as conexões certas. O
Camilla Massari: “Tenho muito orgulho da criação do grupo de equidade de gênero”
“Quando os
homens se
tornam aliados
conscientes, o
impacto vai além”
atendimento exige uma relação próxima
e estratégica não apenas com clientes
e parceiros, mas também com todas as
áreas da agência. Investir tempo nessas
relações, entender as pessoas e criar conexões
produtivas é fundamental.”
No ano passado, Camilla realizou um
curso de formação para conselheiros na
Board Academy, e considera importante
investir nos estudos para entender as
mudanças do setor. “Ampliou minha visão
sobre governança corporativa e liderança
de times. Da mesma forma, minha
experiência na Babson College, pela Omnicom
University, reforçou a importância
da construção de relações humanas para
o sucesso dos negócios’, conta.
O FUTURO
Assim como grande parte do mercado,
a líder vê o avanço da tecnologia
como um dos grandes desafios para a
publicidade, especialmente com o crescimento
da inteligência artificial e do uso
de dados. Para ela, a questão central é
integrar essas ferramentas sem perder
a essência humana da comunicação.
“O maior dilema será integrar a tecnologia
de forma estratégica, ética e humana”,
analisa.
Ela também destaca que além das
empresas, as demandas por diversidade
são necessidades sociais. “A equidade de
gênero ainda é uma pauta recente no
mercado brasileiro. Mesmo com avanços,
os desafios vão além do mundo corporativo
e estão profundamente enraizados
na cultura da sociedade”, finaliza. BN
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lideranças femininas
Samantha Almeida quer conectar
diferentes perspectivas em seu trabalho
Diretora de marketing da TV
Globo, a profissional foi citada no
MIPAD como uma das cem vozes
afrodescendentes mais notáveis
e, por meio de seu trabalho, busca
gerar impacto real no mercado
Globo/ João Cotta
Diretora de marketing da Globo,
Samantha Almeida conta que sua
formação é fruto de um misto de
todas as experiências acadêmicas e
profissionais. Formada pela Faculdade
Santa Marcelina em Fashion Design, Samantha
tem MBA em Negócios do Varejo,
pela FIA. Antes de chegar à Globo, ela
passou pela Avon, Ogilvy e Twitter, além
de outras empresas.
“Sempre busquei fazer parte de projetos
transformadores. Acredito que o
impacto real está em comunicar de maneira
simples, eficaz e autêntica, e minha
trajetória é reflexo dessa busca constante
por novos desafios e pela transformação
social por meio da comunicação”,
afirma.
Mulher, negra e periférica, a profissional
afirma que é motivada por projetos
que visam o impacto real e acredita que
a combinação de resiliência, visão estratégica
e a busca constante por dados
para tomar decisões foram essenciais
para que ela consolidasse sua posição de
liderança. “Tomar decisões rápidas, mas
sempre com uma visão clara do panorama
geral, é essencial. Além disso, acredito
que a paciência para implementar mudanças
de médio e longo prazo, sem se
deixar desmotivar pelos desafios imediatos,
é uma parte importante do processo.
Também sou motivada por projetos que
têm impacto real – isso me dá energia
para continuar buscando resultados, seja
quando o mercado avança, ou quando é
necessário dar um passo atrás e repensar
a estratégia”, avalia.
Samantha Almeida: “Sempre busquei fazer parte de projetos transformadores”
“Eu acredito
que a inovação
nasce do poder
das perspectivas
diversas”
sas. No meu trabalho, busco garantir
que nossas estratégias e conteúdos
não apenas acompanhem, mas também
provoquem as mudanças do mercado.
A ideia é criar um ambiente onde todos
se sintam motivados a contribuir com
suas ideias, independentemente de sua
origem ou identidade. Ao abraçar uma
diversidade genuína, conseguimos não
apenas criar soluções mais criativas, mas
também impactar o mercado de maneira
Representatividade
Em 2020, Samantha entrou para a lista
MIPAD – 100 Most Influential People of
African Descent under40 (cem pessoas
mais influentes com descendência africana
com menos de 40 anos), nomeação
que ela enxerga como um “um reconhecimento
da importância de valorizar as
diversas experiências, que geram soluções
mais criativas e impactantes, não
só para os negócios, mas para toda a
sociedade”.
“Estar na lista MIPAD é uma honra,
claro, mas o que mais me orgulha é saber
que essa nomeação representa algo
maior – um reflexo de um momento de
mudança no mercado global. Ela me
inspira a continuar em busca de novos
desafios, mas também serve como uma
inspiração para outros profissionais que
acreditam no seu potencial e em suas
capacidades. A liderança não se resume
a cargos ou status. Trata-se de conectar
diferentes perspectivas para gerar inovação
e transformação. E isso é o que essa
nomeação simboliza para mim”, explica.
A diretora de marketing alerta que
as empresas “precisam ser mais intencionais
ao criar caminhos para as mulheres
chegarem à liderança”, incluindo
a revisão dos processos internos de recrutamento
e avaliação de desempenho,
a garantia que todos tenham acesso a
oportunidades de crescimento e oferecer
programas de desenvolvimento de
liderança que ajudem as mulheres. “E,
claro, precisamos reconhecer os méritos
das lideranças femininas de maneira clara
e honesta. Estudo após estudo, a evidência
mostra que empresas com uma
liderança mais feminina têm melhores
resultados financeiros e equipes mais
engajadas. Isso não é apenas uma questão
de justiça, mas de inteligência estratégica
para o sucesso dos negócios”,
acrescenta.
Como líder, Samantha preza por um
ambiente diverso, para que, além de
garantir um ambiente onde pessoas
diferentes se sintam confiantes e motivadas,
seu trabalho provoque mudanças
no mercado. “Eu acredito que a inovação
nasce do poder das perspectivas diverprofunda,
respondendo às demandas de
um público cada vez mais diverso e exigente”,
declara.
Sobre os aprendizados ao longo de
sua jornada, a profissional destaca: “A
maior lição que aprendi foi como lidar
com os erros de forma rápida e sem pesar.
O caminho nunca é linear, e aprendi
a ser flexível, a me adaptar à mudança
e a não ter medo de dar um passo atrás
para seguir em frente”, além de aconselhar
outras mulheres a contarem com
sua intuição e se recomporem sempre
que preciso.
“Para as mulheres que estão buscando
chegar ao topo, meu conselho é
confiar na intuição, abraçar os desafios
e se reinventar sempre que necessário.
O feedback é um superpoder, e a curiosidade
é o combustível. Além disso, não subestimem
o poder de uma rede de apoio
sólida; ninguém chega longe sozinha. O
sucesso é um trabalho em equipe, e as
pessoas certas ao lado podem fazer toda
a diferença”, finaliza. BN
jornal propmark - 10 de março de 2025 35
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lideranças femininas
Adaptabilidade foi essencial para
consolidar a liderança de Carolina Silva
Desde 2016 na David, atualmente
a executiva é diretora-geral de
estratégia. Segundo ela, os seis
escritórios da agência contam
com mais da metade de mulheres
nas cadeiras de liderança
Divulgação
Vinda do interior do estado de
São Paulo, a publicitária Carolina
Silva se formou na ESPM (Escola
Superior de Propaganda e Marketing)
e começou sua carreira estagiando no
setor de marketing da Editora Abril,
onde ficou por três anos. Logo depois,
migrou para a área de planejamento,
trabalhando em agências como Grey e
Wieden+Kennedy, e com anunciantes
de peso como P&G, Coca-Cola e Mondelez.
Desde 2016 na David, passou pelos
cargos de gerente de planejamento,
diretora de planejamento estratégico
e atualmente é diretora-geral de estratégia.
“Sempre gostei do trabalho em
agência pelo dinamismo do dia a dia, a
chance de aprender sempre sobre negócios
diferentes e, claro, estar cercada
de um grupo de pessoas que valoriza
e eleva a criatividade todos os dias. E
a área de estratégia consegue ser essa
ponte entre o negócio das marcas, o
conhecimento dos consumidores e o
trabalho criativo”, detalha.
A profissional avalia que a publicidade
mudou muito nos últimos anos
e, hoje, “as marcas precisam ser mais
autênticas e culturalmente relevantes,
pois não basta apenas vender, é preciso
fazer parte da conversa e impactar
a vida das pessoas de verdade”. A presença
feminina é um braço importante
para que essa transformação aconteça,
pois diferentes ideias e experiências,
deixam a indústria mais criativa e relevante.
“A diversidade traz novas perspectivas,
novas formas de pensar e de liderar,
ajudando a criar um ambiente mais
inclusivo, inovador e criativo. Ainda há
desafios, como garantir igualdade de
oportunidades e continuar quebrando
barreiras, mas também vejo um grande
caminho pela frente”, opina.
No ponto de vista da diretora de
estratégia, para que isso ocorra, é importante
que as empresas entendam
que a inclusão não é somente uma
demanda social, como também do
mercado – incluindo contratações da
base aos cargos mais altos. De acordo
com a executiva, atualmente, mais da
metade dos líderes nos seis escritórios
da David são mulheres. “Ter um plano
estruturado para contratações, desenvolvimento
e crescimento dessas
profissionais faz toda a diferença. Essa
mudança só acontece quando há um
compromisso real com a diversidade,
desde a base até os cargos mais altos”,
aponta Carolina.
“Na David, sempre buscamos criar
um ambiente onde as pessoas se sintam
valorizadas e reconhecidas pelo
seu talento e contribuição. E, quanto
mais diverso o time, mais forte o trabalho
fica. Na área de estratégia o mais
importante para garantir a inclusão –
além de contratações e treinamentos
intencionais para impulsionar talentos
– é proporcionar um espaço para que
todas as opiniões e pontos de vista
possam ser ouvidos. Manter escuta ativa
é essencial para continuar evoluindo,
com a equipe e com o trabalho da
agência”, explica.
LIDERANÇA
Carolina conta que busca construir
pontes com seu time: “Ao longo da
minha trajetória, aprendi que colaboração
e adaptabilidade são essenciais
em qualquer posição. Para a área de
estratégia, principalmente, é preciso
sim ter convicção em suas opiniões
– mas sem construir as pontes necessárias
para torná-las realidade é muito
difícil fazer um trabalho relevante”.
“O ambiente de trabalho é feito de
pessoas, especialmente no nosso caso.
Carolina Silva: “Não basta apenas vender, é preciso fazer parte da conversa”
“Manter a escuta
ativa é essencial
para continuar
evoluindo com
a equipe”
Estar cercada de profissionais que te
inspiram e desafiam é fundamental,
mesmo para quem já está em posição
de liderança. Para mim, a liderança é
algo que se constrói não só com o cargo,
mas todos os dias. Faço o meu melhor
para ouvir o time e poder orientar
e tomar decisões rápidas e assertivas
que ajudem no desenvolvimento das
pessoas e no desempenho da agência
como um todo. Aprendo todos os dias
que as decisões não ficam mais fáceis,
mas o que deve guiá-las sempre é o
respeito – pelo trabalho e pelas pessoas”,
continua.
Além disso, a profissional acredita
que estar cercada de outras profissionais
é essencial para consolidar cargos
de lideranças femininas. “Tive a sorte
de ter o exemplo de muitas líderes fortes,
inteligentes e claras ao longo da
minha carreira que, até hoje, me ajudam
a construir a líder que quero ser”,
finaliza a diretora-geral de estratégia
da David.
BN
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agências
R/GA deixa portfólio do IPG e volta a
ter atuação independente após 23 anos
Marca terá fundo de
inovação de US$ 50
mi e conselho para
apoiar modelo de IA
A
agência de inovação criativa R/GA anunciou na
semana passada seu retorno à independência
como uma empresa de capital fechado após 23
anos como parte do holding IPG, negociada recentemente
para o Omnicom, por meio de parceria entre
a empresa de private equity Truelink Capital. Robin
Forbes, CEO da rede R/GA, cuja operação brasileira é
comandada pelo executivo Marcio Oliveira, e a CCO Tiffany
Rolfe fazem parte dos líderes globais que estão
investindo na empresa como parte do acordo. O próximo
capítulo da agência, esclarece comunicado da empresa
criada por Bob Greenberg, será impulsionado por
um fundo de inovação de US$ 50 milhões, que vai subsidiar
o investimento em novos talentos, ferramentas
emergentes e plataformas.
Adicionalmente, a R/GA estabeleceu um conselho
consultivo estratégico composto por executivos seniores
de marketing e tecnologia para apoiar oportunidades
de transformação de clientes em IA em múltiplos
setores.
“Este anúncio também contrasta com a tendência de
consolidação no mercado de agências. A maioria delas
terá dificuldade para se adaptar a esta nova era, especialmente
operando dentro de estruturas complexas e
modelos de negócios ultrapassados”, afirma Forbes, que
prossegue: “Nunca houve um momento melhor, e não há
empresa mais preparada do que a R/GA para implementar
um novo modelo neste novo ambiente”.
“O discurso dominante da indústria sobre IA tem focado
principalmente em ganhos de eficiência na abordagem
tradicional de marketing, o que é apenas parte da
equação. Estamos explorando o potencial criativo para
ajudar as marcas a se diferenciarem e superarem as
crescentes expectativas dos clientes por meio de novos
tipos de experiências inteligentes que antes não eram
possíveis. Para nós, é uma oportunidade de acelerar nosso
trabalho criativo de classe mundial através da tecnologia
e do design”, esclarece a criativa Tiffany Rolfe.
Esta venda marca outro marco na conhecida história
de reinvenção da R/GA, segundo o comunicado, que faz
a seguinte colocação: “Ao longo de seus 48 anos, a empresa
tem evoluído seu modelo de negócios junto com
as maiores mudanças tecnológicas, anteriormente sob o
comando do fundador Bob Greenberg, e agora mais uma
vez ao entrar em uma nova era”.
“Vemos o crescimento das experiências habilitadas
por IA desempenhando um papel cada vez mais importante
na geração de valor nos serviços de marketing”,
disse Luke Myers, cofundador e sócio-gerente da
Truelink Capital.
Robin Forbes, CEO global da R/GA, com a CCO da rede Tiffany Rolfe, que planeja atrair talentos e investir mais em IA
Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária – CONAR
CNPJ Nº 43.759.851/0001-25
Edital de Convocação – Assembleia Geral Digital
25/03/2025
Em complemento ao edital de convocação para Assembleia Geral Ordinária anteriormente
publicado, ficam convocados os Associados do CONAR – Conselho Nacional de
Autorregulamentação Publicitária, com direito a voto, a se reunirem em Assembleia Geral
Extraordinária, serão estas realizadas no dia 25 de março de 2025, em sala de reunião virtual
com endereço abaixo divulgado, constando também no site www.conar.org.br, na forma prevista
no artigo 25 dos Estatutos Sociais, às 14:00 horas em primeira convocação ou às 14:30 horas
em segunda convocação, para apreciar o relatório e julgar as contas do Conselho Superior,
relativos aos exercícios social e financeiro encerrados em 31 de dezembro de 2024, bem como
deliberar sobre as seguintes propostas de alteração do Estatuto Social:
Propõe-se a atualização de dispositivos relacionados à governança interna, com a inclusão de um
Conselho de Conteúdo como órgão estatutário, além da regulamentação da realização de reuniões
e assembleias on-line e do processo de proposição e deliberação de alterações estatutárias. As
mudanças envolvem ajustes nos artigos 9, 21, 23, 32 e 33, bem como a criação de um novo capítulo
X-A e artigos 33-A, 33-B e 33-C que definem a finalidade, composição e as atribuições do Conselho
de Conteúdo.
Notas:
1) Ficam os associados com direito a voto convocados para participação e votação, mediante a
atuação remota, por meio da ferramenta Zoom:
Para mais informações basta acessar o link:
https://us02web.zoom.us/meeting/register/XAvzpdI0Shmlv-_wjjGBUw
2) O associado poderá participar da assembleia mediante inscrição com até 30 minutos de
antecedência no link disponibilizado no site www.conar.org.br .
São Paulo, 6 de março de 2025.
Sergio Pompilio
Presidente
Divulgação
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marcas
Nescau reformula posicionamento
e passa a usar ‘Energia que dá jogo’
Após 49 anos, marca centenária da Nestlé quer trazer lado lúdico
dos esportes para distanciar crianças das telas de videogames
Fotos: Divulgação
Fred Bruno é anunciado pela Nestlé como novo integrante do time de embaixadores do achocolatado Nescau; ele participa da 3ª etapa da liga da marca em Manaus
Paulo Macedo
A
partir do dia 15 de março, a marca Nescau, criada
no Brasil em 1932 fruto da junção de parte da
Nestlé com o cacau, insumo básico para a produção
do achocolatado, muda seu posicionamento mercadológico
histórico usado há 49 anos. Sai ‘Energia que
dá gosto’ e entra ‘Energia que dá jogo’.
A mudança é estratégica, nas palavras da executiva
Tatiany Ernesto, diretora de marketing da divisão de bebidas
da Nestlé no mercado brasileiro, que inclui Nescau
e Nesquik, além de Nescauzinho, Starbucks e Nescafé.
Sua equipe de 13 profissionais está atenta ao masterbrand
de Nescau para guiar a alteração conceitual cujos
códigos visuais são todos desenvolvidos no Brasil, diferente
das demais que usam os ‘guides’ orientados pela
matriz na Suíça.
‘Energia que dá jogo’ faz a proposta de distanciar um
pouco as crianças das telas de videogames, hábito caudatário
da era digital, mas que as distancia dos esportes
lúdicos e das brincadeiras da fase infantil. Tatiany ressalta
que Nescau ultrapassa o modelo de contribuir apenas
com a saborização do leite na nutrição dos baixinhos.
“Para nutrir, as mães recorrem ao sabor. E isso faz
parte do hábito nutricional das crianças. Em outros países
não é comum o uso do leite na alimentação matinal,
mas o Brasil cultiva o seu uso. Agora, propomos o
direcionamento dessa energia para os esportes, ressalta
“Queremos mostrar
que o esporte ensina a
criança a ser criança”
Executiva Tatiany Ernesto lidera o marketing de Nescau
Tatiany, lembrando que a Liga Esportiva Nescau terá 10
etapas em 2025. As duas primeiras foram em Fortaleza e
Maceió. Nesta semana, quando será acionado o posicionamento
‘Energia que dá jogo’, a etapa será em Manaus,
com a presença do influencer e apresentador do ‘Globo
Esporte’, Fred Bruno, recém-contratado pela Nestlé.
Uma pesquisa recente consolidada para Nescau,
constata que 56% das crianças não praticam esportes.
A proibição do uso de telefones celulares nas escolas é
aliada da marca no projeto de estimular o equilíbrio entre
a prática de jogos eletrônicos e físicos.
“Queremos mostrar que o esporte ensina a criança a
ser criança. Não é sobre o esporte de performance, mas
como fomentar modalidades de base como futebol, vôlei,
corridas, futebol etc.”, esclarece Tatiany, que divide
em três segmentos os esportes que sugere na liga proprietária
de Nescau.
A Doadora abrange natação, atletismo, ginástica e
judô que, na expressão de Tatiany, “ajudam no equilíbrio,
sobrevivência e disciplina; a Coletiva, o basquete, vôlei e
futebol; e Cultura Jovem, com skate, surf, break e peteca.
“Criança que vai pra rua se socializa. Esporte é disciplina.
É muito bom ouvir das mães que seus filhos gostaram
de praticar esportes. Essa é a ideia da liga: brincar
com esporte desconstrói o sedentarismo. Há adultização
das crianças de forma precoce. Ser levada para vida
adulta tem hora. Criança precisa desenvolver habilidade
cognitiva e socialização”, finaliza Tatiany.
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marcas
Banco do Brasil aguarda propostas para
live marketing com verba de R$ 1,9 bi
Comissão de licitação
do banco recebe as
agências no dia 21
deste mês em Brasília
Divulgação
Paulo Macedo
De acordo com o edital de licitação publicado no
Diário Oficial da União na primeira semana de
janeiro deste ano, o Banco do Brasil prepara
a consolidação da maior concorrência para contratação
de agências de live marketing já realizada
no país. O valor total para um período de 60 meses
de compromisso das quatro fornecedoras será de
R$ 1,9 bilhão.
O prazo para a entrega das propostas é o próximo
dia 21 de março na sede do BB em Brasília e endereçada
à comissão de licitação que vai cumprir as etapas que
incluem a certificação das credenciais (documentos fiscais),
proposta criativa e preço. A segunda seção pública
será entre abril e maio, sem data definida. O BB promete
anunciar o resultado da disputa no mês de junho.
São dois lotes em disputa: o primeiro com orçamento
total de R$ 1,33 bi, que envolve as disciplinas de publicidade,
divulgação, publicações, promoção de eventos,
patrocínios e ações de endomarketing. O segundo, com
verba de R$ 670 milhões, exige das agências vencedoras
a entrega de premiações, incentivo e mobilização. O
edital, porém, deixa claro que o BB pode ou não usar a
totalidade do orçamento, mas que também pode fazer
acréscimo de 25% do valor atualizado do contrato.
O BB pede que as licitantes apresentem uma proposta
de plano de marketing promocional com o seguinte
C
conteúdo: desenvolvimento de ação de marketing promocional/live
marketing, baseada no conteúdo des-
M
te briefing e apresentar o desenvolvimento do plano Y
promocional, com clareza na descrição do raciocínio CM e
estratégia, da solução e da forma de implementação;
MY
calendário de ações para o ano de 2025; considerar os
CY
principais ativos do BB, tendo como referência o ano de
CMY
2024, como o Circuito de Vôlei de Praia, Circuito de Surf,
K
as ações de Cultura, programação dos Centros Culturais
Banco do Brasil, shows e festivais, como turnê de Caetano
e Bethânia, Gilberto Gil, Turnê Áurea com Alok, Festival
João Rock, Afropunk; e eventos de tecnologia como Web-
Summit e Rio Innovation.
As agências vencedoras também terão de apresentar
modelo para monitoramento e medição de resultados
das ações da campanha, com sugestão de indicadores
de performance (KPIs), e apresentar proposta minuciosa,
contendo tabela de previsão de custos detalhada, observando
as orientações do item 5.6 do edital, cronograma
de ações, além da previsão de realização de ações
burocráticas para a execução da campanha (viabilização
legal da ação).
O Banco do Brasil, Anuncio com GrandesNomes criação Preto da Terruá, 14,5x16.pdf ganhou 1 31/07/2024 dois prêmios 21:25:23 na competição de live marketing Ampro Awards 2024
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inconvencional
conteúdo de marca
Iniciativa homenageia primeira mulher a presidir uma agência no Brasil e oferece dados estratégicos para marcas que buscam comunicação genuína sobre diversidade
Inconvencional lança centro de
inteligência sobre o público feminino
Hub lançado no Dia das Mulheres utiliza social listening e metodologia
própria para identificar desafios reais enfrentados por mulheres
O
mercado publicitário tem sido constantemente
desafiado a desenvolver
campanhas mais inclusivas e
alinhadas às discussões sociais contemporâneas.
A necessidade de um olhar
mais atento às pautas de diversidade e
representatividade tem levado marcas e
agências a buscarem soluções estratégicas
que realmente impactem o público.
Pensando nisso, neste Dia das Mulheres,
a Inconvencional lança o Hub.Inc
Hilda, um centro de inteligência criado
com o objetivo de mapear e interpretar
as principais conversas sobre a vida das
mulheres na sociedade atual, fornecendo
material para campanhas mais autênticas
e eficazes.
A iniciativa homenageia Hilda Schutzer,
uma das grandes pioneiras da publicidade
brasileira e a primeira mulher a
presidir uma agência no país. Seu legado
abriu portas para a participação feminina
em um setor historicamente dominado
por homens. Com essa inspiração, o
Hub.Inc Hilda se propõe utilizar diversas
metodologias próprias para identificar
padrões, tendências e tensões sociais,
traduzindo esse conhecimento em insights
estratégicos para marcas que desejam
estabelecer uma comunicação mais
genuína com o público feminino.
INTELIGÊNCIA DE DADOS
Um dos pilares centrais do Hub.Inc Hilda
é o cruzamento de diversas ferramentas e
metodologias para compreender, de forma
mais aprofundada, a realidade das mulheres
e os desafios que elas enfrentam no
dia a dia. Entre suas principais ferramentas
está a Mandala das Dores, um sistema de
social listening que analisou mais de 400
mil menções sobre dificuldades enfrentadas
pelas mulheres brasileiras.
O levantamento revelou um dado
alarmante: foram encontrados 45.059.700
caracteres de conteúdos expressando
preconceito e violência simbólica contra
mulheres. Para dimensionar esse impacto,
se essas palavras fossem dispostas lado a
lado, cobririam 189,25 km – distância equivalente
entre São Paulo e Ribeirão Preto.
Além do monitoramento de menções
e discursos e de ser constantemente
atualizado, o Hub.Inc Hilda se estrutura
em uma série de iniciativas complementares.
Entre elas, destaca-se a Vitrine Inc,
um acervo de campanhas publicitárias
dos últimos 10 anos que abordam temas
como empoderamento feminino, assédio
e violência de gênero. O projeto também
conta com o Inc Pulse, um mapeamento
de dados e fatos sobre mulheres na sociedade,
nas agências de publicidade e
nas campanhas publicitárias.
O Hub.Inc Hilda ainda conta com outras
iniciativas, como o Calendário Feminista,
com compilado de datas importantes
relacionadas à luta pelos direitos das
mulheres; o Mapeamento de Influenciadoras
brasileiras e suas ativações com as
marcas, materiais de apoio como reports
sobre a temática, entre outras.
Ao reunir e analisar esses dados, o Hub.
Inc Hilda busca fornecer um panorama
realista e embasado sobre as diversas camadas
da vivência feminina na sociedade.
“Ao analisarmos as tensões enfrentadas
pelas mulheres, percebemos que muitas
discussões ainda são limitadas a determinados
recortes sociais. O empoderamento,
por exemplo, nem sempre chega de forma
igual para todas, especialmente para
aquelas em situação de vulnerabilidade.
Nossa intenção com essa plataforma é trazer
um olhar mais amplo e inclusivo sobre
a diversidade de experiências femininas”,
afirma a Inconvencional.
INSIGHTS
Mesmo com avanços na luta por
igualdade, as mulheres ainda enfrentam
barreiras invisíveis que impactam suas
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inconvencional
conteúdo de marca
Divulgação
Divulgação
“Acreditamos
que atitudes
convencionais
geram resultados
convencionais”
Pamela Kirsner e Daniel Dante são os fundadores da Inconvencional
vidas e oportunidades. A partir das análises
do Hub.Inc Hilda, foram identificadas
algumas das principais tensões que limitam
a plena equidade de gênero.
Uma delas é a invisibilidade das mulheres
acima de 50 anos. Se na juventude
elas são vistas como inexperientes, com
a maturidade passam a ser consideradas
ultrapassadas. A publicidade, a moda e
o mercado de trabalho frequentemente
as ignoram, como se fossem irrelevantes
para tendências e consumo.
Outra tensão observada pelo Hub.
Inc Hilda é que o discurso do empoderamento
feminino nem sempre alcança
todas as mulheres. Muitas das pautas
amplamente debatidas – como igualdade
salarial e liderança – refletem a
realidade de mulheres da classe média
e alta, enquanto aquelas em situação de
vulnerabilidade enfrentam desafios mais
básicos, como segurança contra feminicídio
e acesso à higiene menstrual.
A carga mental dentro de casa também
segue sendo um obstáculo para a
equidade. Mesmo conquistando espaço
no mercado de trabalho, as mulheres
continuam sendo as únicas a lembrar
de organizar a rotina familiar, comprar
presentes ou marcar consultas médicas,
acumulando uma sobrecarga invisível
que raramente recai sobre os homens.
Além disso, ser mulher ainda vem
com um custo extra. Desde o skinca-
re até as roupas de trabalho, atender
aos padrões de beleza exige um investimento
maior de tempo e dinheiro
do que o necessário para os homens,
tornando-se uma espécie de “taxa invisível”
da feminilidade.
Por fim, a tão incentivada independência
financeira feminina muitas vezes
ignora desigualdades estruturais. O empreendedorismo,
por exemplo, é apontado
como caminho para a autonomia, mas
as mulheres ainda enfrentam dificuldades
no acesso a crédito, investimentos e
educação financeira, tornando essa independência
mais difícil do que parece.
“Essas tensões refletem desafios
reais enfrentados pelas mulheres, mas
também abrem espaço para que as marcas
assumam um papel ativo na transformação
social, fortalecendo sua conexão
com o público feminino e impulsionando
mudanças concretas rumo à equidade
de gênero”, afirma Pamela Kirsner, co-
-fundadora da Inconvencional.
INCONVENCIONAL
A Inconvencional nasce com o propósito
de transformar projetos em
soluções que rompem com os padrões
convencionais. Seu modelo de trabalho
une a análise de dados e conhecimento
cultural para ajudar marcas, agências e
criadores de conteúdo a criarem narrativas
autênticas.
Além do HUB.Inc, a Inconvencional
oferece outros três serviços estratégicos:
PopPulse – pesquisa de campo
que escuta e traduz a voz dos brasileiros;
LabZ – um laboratório criativo e
estratégico focado nas gerações Alpha,
Beta e Z; Inc. – uma consultoria que
impulsiona o inconvencional dentro de
cada projeto.
“Acreditamos que atitudes convencionais
geram resultados convencionais.
Por isso, nossos produtos e serviços
são plug and play, permitindo que
nos conectemos a diferentes modelos
de negócios para revelar o inconvencional
em cada iniciativa.”
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memória
Márcio Ehrlich deixa legado no setor
O profissional multidisciplinar faleceu no dia 24 de fevereiro, aos 74
anos; era editor da Janela Publicitária e coordenador do Colunistas
Alê Oliveira
Márcio Ehrlich faleceu no último dia 24 de fevereiro,
aos 74 anos, vítima de choque séptico e falência
múltipla dos órgãos. Ele deixa a mulher, Renata
Suter, os filhos Lena e Leo, e o neto Guto. Ehrlich era um
profissional multidisciplinar, atuava como jornalista, ator,
pianista, diagramador, cartunista, relações públicas e
músico, além de ser formado pela UFRJ como médico psiquiatra.
Foi colaborador ativo da Editora Referência, onde
dirigiu a sucursal do propmark no Rio de Janeiro, nos anos
1980 e início dos anos 1990, até se dedicar definitivamente
à Janela Publicitária. Na Editora Referência, comandou o
Prêmio Colunistas no Rio e depois se tornou coordenador
nacional da competição criada por Armando Ferrentini, publisher
do propmark , em 1967, com Jomar Pereira da Silva.
Ativo na cobertura do negócio da propaganda desde
1977 com a sua coluna Janela Publicitária, Ehrlich também
era sócio-presidente da empresa de marketing promocional
Dinâmica, e foi executivo de grandes agências. Como
ator, atuou em diversas produções da TV Globo, e da extinta
TV Manchete, como a novela ‘Pantanal’. Armando Ferrentini,
amigo e parceiro profissional durante décadas, declarou:
‘Em nome do Prêmio Colunistas e como presidente da
Editora Referência, e da Abracomp, entidade que agrega
os jornalistas que cobrem esse importante setor da economia
brasileira, lamento o falecimento do nosso querido
Márcio Ehrlich, um dos mais completos jornalistas cobrindo
o mercado da comunicação publicitária do Brasil. Em nome
da Abracomp, envio pêsames a sua família, lamentando o
ocorrido e reconhecendo nele, como sempre o fizemos em
vida, a sua importância para o desenvolvimento do próprio
setor do importante mercado publicitário do nosso pais.
Márcio fará muita falta a todos nós’.
Confira a seguir fotos históricas da trajetória do profissional
no mercado, em uma homenagem do jornal.
Márcio Ehrlich imprimia seu espírito leve e alegre nas apresentações do Prêmio Colunistas
Festa do Colunistas em 1986, com a equipe da
Contemporânea no palco, tendo Mauro Matos à frente
Fotos: Alê Oliveira/Arquivo pessoal
Márcio Ehrlich com a sua mulher Renata Suter, a filha
Lana e o neto Guto
Com a filha Lena e Xuxa Meneghel no Prêmio Colunistas Rio de 1988
Fez parte da delegação do propmark no Cannes Lions de 1996. Na foto: Marcello
Queiroz, Adonis Alonso, Tiago Ferrentini, Armando Ferrentini, Neuza Silveira, Jorge,
Manoel Dorneles, Márcio Ehrlich, Oncinhas, Fábio Lima, Ana Paula Jung e Paulo Sérgio
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Alê Oliveira/Arquivo pessoal
Márcio Ehrlich com Tiago e Armando Ferrentini
Márcio Ehrlich no Colunistas Promoção Rio 94/95
Programa ‘Propaganda & Mercado’, na TV Bandeirantes
Rio, em 1980
Com os jurados do Prêmio Colunistas
Na inauguração da sede do Clube de Criação do Rio
(CCRJ), em 1979
Interpretando Dr. Costa, na série ‘Detetives do prédio azul’
Com Marcelo Gorodicht, em ação de marketing do
Flamengo
Com Nizan Guanaes, no Cannes Lions de 1998
Apresentando ao lado de Roberta Foster o Colunistas
Rio de 1998
Júri do Colunistas São Paulo 2013, na sede da Editora Referência
Entrevistando Washington Olivetto, no programa ‘Propaganda & Mercado’, em 1981
Atuando na série ‘O bebê’, do Canal Brasil
Em cena da novela ‘Jóia rara’, da TV Globo
Ao lado de Armando Ferrentini, publisher do propmark:
amizade e parceria de décadas
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inspiração
O skate que me faz voar
Fotos: Arquivo Pessoal
“Quando subi no skate pela primeira vez, lembro da sensação de deslizar
pelo chão. Era como se as limitações desaparecessem, e estivesse voando”
Felipe Nunes
Especial para o propmark
Se alguém me dissesse que eu seria um skatista profissional viajando pelo mundo,
levando mensagens de superação e inspiração, talvez eu não acreditasse. Mas a vida
tem uma forma única de nos desafiar, e foi no desafio mais difícil que encontrei meu
propósito. Minha história começa em Curitiba, Paraná, onde cresci em uma família humilde.
Minha infância foi como a de muitos meninos brasileiros: cheia de sonhos e energia.
Mas tudo mudou aos seis anos, quando sofri um acidente que transformaria minha vida
para sempre. Enquanto brincava com amigos, me descuidei e acabei caindo nos trilhos de
um trem em movimento. O impacto foi brutal, e perdi ambas as pernas.
A dor física foi grande, mas a dor emocional foi maior ainda. Eu era apenas uma criança
tentando entender por que aquilo havia acontecido comigo. Os primeiros anos foram difíceis.
Enfrentei preconceitos, limitações e, por vezes, perdi a esperança. Mas, com o apoio da
minha família e a força que encontrei dentro de mim, comecei a enxergar a vida de uma
forma diferente.
Aos 13 anos, descobri o skate. Para muitos, parecia impossível um garoto sem pernas
andar de skate, mas para mim era uma oportunidade de liberdade. Minha inspiração veio de
dentro: o desejo de mostrar ao mundo – e a mim mesmo – que nada poderia me impedir. O
skate foi meu escape, minha terapia e rapidamente se tornou minha paixão.
Quando subi no skate pela primeira vez, lembro da sensação de deslizar pelo chão. Era como
se todas as limitações desaparecessem, e eu estivesse voando. Com muito treino e perseverança,
comecei a desenvolver a minha técnica. Usando as mãos para impulsionar o skate, criei
um estilo único que me permitiu realizar manobras que poucos acreditavam ser possíveis.
Competir foi o próximo passo natural. A cada campeonato, a cada apresentação, eu provava
que o skate era para todos. A visibilidade cresceu, e com ela vieram oportunidades
incríveis. Conheci ídolos, fiz amigos e conquistei reconhecimento no mundo do skate.
O que me move não é apenas a paixão pelo skate, mas a vontade de inspirar outras pessoas.
A vida pode nos colocar diante de desafios inimagináveis, mas acredito que todos têm
uma força interior capaz de superar qualquer obstáculo. Para mim, o skate não é apenas
um esporte; é uma forma de conectar pessoas, transmitir mensagens e mostrar que não
existem limites para quem acredita em si mesmo.
Também encontro motivação na minha família e nos jovens que me veem como exemplo.
Recebo mensagens de pessoas do mundo inteiro que se inspiram na minha trajetória, e
isso me dá forças para continuar. Quero ser uma luz na vida de quem enfrenta dificuldades.
Hoje, aos 25 anos, olho para trás e vejo o quanto cresci. O menino que perdeu as pernas
encontrou no skate um novo motivo para viver, sonhar e lutar. Transformei a dor em combustível
para conquistar tudo o que parecia impossível.
Minha mensagem é simples: nunca deixe que alguém diga o que você pode ou não pode
fazer. Seja no skate, na vida ou em qualquer sonho, acredite na sua capacidade de transformar
adversidades em conquistas. O trem que mudou minha vida não tirou minha vontade
de seguir em frente. Pelo contrário, ele me deu um motivo para mostrar ao mundo que o
impossível é apenas uma questão de perspectiva. Se você tiver a chance, suba em um skate.
Pode ser que você descubra muito mais do que apenas um esporte – talvez você encontre
um novo jeito de viver.
Felipe Nunes é skatista
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Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Central de Outdoor realiza convenção
nacional com debates e insights
Instituição confirma a presença de nomes como Hugo Rodrigues,
André Scaciotta e o especialista internacional Tom Goddard
Paulo Macedo
Ainda sem o consolidado de 2024,
o Cenp Meios mostrou que de
janeiro a setembro o meio OOH
(out of home) movimentou R$ 2,068
bilhões com 11,6% do share do bolo publicitário
brasileiro, que contabilizou
R$ 17,8 bi de investimento em compra
de mídia no país no ano passado pelos
anunciantes.
A expectiva do trade, porém, é que o
volume do faturamento bruto ultrapasse
os R$ 3 bi e um crescimento superior
a 40% em relação ao exercício de 2023.
O vigor do canal, que introduziu tecnologia
com a era digital, como dados
e geolocalização, é uma das premissas
da Central de Outdoor, que programa a
sua 34ª convenção para os dias 19, 20 e
21 de março, no Rio de Janeiro. O tema
central será ‘Conectando-se com o futuro
da mídia OOH’.
“A convenção percorre diversas regiões
do país com o objetivo de fomentar
e mostrar como a mídia OOH pode ser
cada vez mais relevante e adaptável
às necessidades do mercado local. Estamos
ansiosos para reunir todos em
um evento que, com certeza, marcará o
ano de 2025”, esclarece o executivo Halisson
Pontarolla, presidente da Central
de Outdoor.
A agenda inclui a presença de palestrantes
como Tom Goddar, presidente
da WOO (World Out of Home Organization),
presente em mais de 40 países,
e reconhecido internacionalmente
como referência na indústria da mídia
OOH. Ele vai mostrar como o OOH pode
se adaptar às mudanças urbanas e estabelecer
conexões por meio do tema
‘Ecos urbanos: OOH nas jornadas das
cidades’.
Outro nome é o de André Scaciotta,
diretor de marketing e mídia do Banco
Itaú, que vai explorar a pauta ‘A mídia
Hugo Rodrigues é nome confirmado pela Central de Outdoor na sua convenção
mudou – Impactos do OOH no branding
e na performance da marca’. Já Rodrigo
Cassino, CEO da Bizsys, discorrerá sobre
o tema ‘Estabelecendo tendências no
OOH’.
Também marcam presença no evento
Sérgio Rizo, CEO da RS Projetos, que
vai falar sobre autorregulamentação
no mercado OOH. E o jornalista Karan
Novas, sócio da Tulom, que vai conduzir
a palestra ‘Criatividade premiada no
Divulgação
“OOH se
consolidou
como o terceiro
maior meio em
investimentos”
OOH: tendências e aprendizados’.
Pelas entidades, estarão presentes
Fátima Rendeiro (Grupo de Mídia RJ),
Bruno Pinaud (Clube de Criação/RJ) e
Thomaz Naves (ABMN). Hugo Rodrigues,
chairman do McCann Word Group, terá a
missão de expor o valor do OOH.
“Segundo fonte da Exame, o setor
de OOH movimentou cerca de R$ 3 bilhões
em 2024, um aumento de 40,7%
no share de investimento entre as
marcas. Se isso for confirmado, evidencia
a crescente importância do meio.
Eu sempre gosto de pesquisar várias
fontes para o mesmo tema, e numa
matéria do propmark, saiu que OOH
impacta aproximadamente 89% da
população brasileira. Eu fiquei surpreso
com esse tamanho, mas são fontes
respeitadas, temos de estudar a fundo,
porque, de alguma forma, o OOH se
consolidou como o terceiro maior meio
em investimentos publicitários, atrás
apenas da TV aberta e da internet”, detalha
Rodrigues.
A 34ª Covenção da Central de Outdoor
terá como patrocinadores master as
empresas The Led e AdsmovilOOH, além
da 4yousee, Bebot, Inviron, Sigpel e WDC
Networks. Nas palavras de Fabi Soriano,
diretora-executiva da instituição, o
evento é essencial para a construção
de valor da mídia OOH e o desenvolvimento
do mercado brasileiro.
“Mais do que um evento, esta é uma
plataforma de conhecimento e networking
que possibilita a atualização
sobre as principais tendências da mídia
OOH. É uma oportunidade única para
que profissionais e empresas compartilhem
experiências, debatam desafios
e explorem novas possibilidades. A
programação deste ano traz conteúdos
que vão desde inovação tecnológica
até regulamentação e sustentabilidade,
garantindo insights valiosos para o
setor”, ela destaca.
PATROCÍNIO
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opinião
Divulgação
Do passado ao presente
Por Julio Bastos
A
nostalgia está em alta no marketing global. Recentemente,
a Nestlé trouxe de volta o icônico
Chocolate Surpresa, sucesso dos anos 1980 e
1990. Atendendo aos inúmeros pedidos de consumidores
nas redes sociais, a marca não apenas relançou
o produto, mas também adaptou a experiência para
os tempos modernos.
As barras voltaram com figuras em alto-relevo de animais
da fauna brasileira, enquanto os colecionáveis, que
antes vinham em papel, agora são digitais e podem ser
resgatados online. A decisão da Nestlé ilustra bem como
a combinação de nostalgia e inovação tem se tornado
uma estratégia poderosa e bastante recorrente no ramo
publicitário.
Mas o que está por trás desse apelo à nostalgia? Essa
alternativa pelo resgate não é aleatória. A tentativa pela
retomada de emoções e elementos positivos e prazerosos
do passado se manifesta na recuperação de memórias
afetivas ligadas a situações ou objetos específicos.
Quem nunca se viu puxando na memória alguma boa
lembrança ao ouvir uma música que gostava na adolescência
ou degustando uma comida prazerosa que remete
aos velhos tempos?
Quando evocam memórias positivas, marcas conseguem
estabelecer uma relação mais próxima e duradoura
com seu público. Além disso, em um mundo repleto de
incertezas e problemáticas, a nostalgia oferece uma sensação
importantíssima de conforto e familiaridade. Além
disso, campanhas nostálgicas fortalecem a lealdade do
consumidor, criando um senso de pertencimento à marca.
Contudo, o resgate do passado não pode ser feito de
forma desatenta. Hoje, esse movimento é fortemente
acompanhado do uso inteligente de elementos mais
modernos e inovadores da tecnologia.
Até porque, se pararmos para pensar, ela protagoniza
um papel fundamental na formação das tendências
atuais, especialmente quando falamos sobre o
fenômeno da nostalgia. A retomada dos anos 1990 e
2000, por exemplo, está muito ligada a como a própria
tecnologia influencia a maneira como consumimos e
revivemos essas décadas.
Redes sociais como Instagram e TikTok, por exemplo,
possuem em seus mecanismos formas de potencializar
a viralização de conteúdos nostálgicos. O algoritmo
dessas plataformas favorece o ressurgimento
de materiais populares do passado, criando um ciclo
de tendências que conecta diferentes gerações. Outro
aspecto fundamental é a digitalização de conteúdos.
Plataformas de streaming como Spotify, YouTube e Netflix
eliminam as barreiras temporais, permitindo que
jovens explorem e conheçam conteúdos dos anos 1990
e 2000 com extrema facilidade.
Como resultado, as marcas também acompanham
essa alternativa de representação do novo de forma
modernizada, a fim de fisgar o público através da saudade.
E exemplos nesse sentido não faltam. Podemos
citar o PlayStation Classic, que oferece jogos antigos
dos videogames da Sony para a versão atual de consoles.
A Nokia também bebeu dessa fonte ao trazer, há
alguns anos, de volta o famoso modelo 3310, porém,
obviamente, com características modernizadas (como
câmera e conectividade 4G). Ou ainda a Levi’s e Adidas
lançando sneakers e roupas inspiradas nos anos 1990,
usando materiais mais modernos ou tecnologias de
conforto, porém mantendo o visual vintage.
Essa atuação nostálgica das marcas vai além da mera
recuperação de produtos queridinhos do público. Até
mesmo campanhas inteiras podem ser recicladas. Isso
porque, quando adaptadas para a realidade atual, têm
um grande impacto no awareness de marca e sensação
de pertencimento. Recentemente, a Volkswagen utilizou
inteligência artificial para recriar a cantora Elis Regina
em um comercial que simulou um reencontro emocionante
com sua filha, Maria Rita. Além de homenagear
um ícone da música brasileira, a campanha ganhou prêmios
e consolidou a marca como inovadora e conectada
às emoções do público.
Em um mercado onde a concorrência é cada vez mais
acirrada, a nostalgia se torna um recurso valioso – desde
que utilizada de forma criativa e autêntica. Mais do que
olhar para o passado, trata-se de relembrá-lo, e, de alguma
forma, revivê-lo, criando um diálogo entre diferentes
épocas. O resultado é uma combinação que fortalece a
relação emocional entre consumidores e marcas. Assim,
o velho e o novo se encontram para contar histórias que
conectam e inspiram de tempos em tempos.
Julio Bastos
é CCO do Mission Brasil
julio.bastos@missionbrasil.com.br
“Spotify, YouTube e
Netflix eliminam as
barreiras temporais,
permitindo que
jovens conheçam
conteúdos dos
anos 1990 e 2000”
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click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Rodrigo Falcão lança ‘Pizza & Espumante’
Rodrigo Falcão, diretor de operações da VML Nova York, apresenta o livro ‘Pizza &
Espumante’, fruto da colaboração de mais de 90 especialistas de diversas áreas,
como comunicação, transformação digital, gestão de projetos e publicidade.
Publicada pela Editora Labrador, a obra explora desafios e soluções, mostrando
como a gestão de projetos impulsiona a criatividade, conecta equipes, otimiza
produções e revoluciona operações. Repleta de insights sobre modelos ágeis e
inteligência emocional, a obra reúne, de forma abrangente, as contribuições de
mais de 90 especialistas de diversas áreas, organizadas ao longo de quatro anos.
Entre os profissionais estão figuras renomadas como Jon Kern, Agile Consultant
The Adaptavist - coautor do Manifesto Ágil; Filipe Bartholomeu, CEO da AlmapBB-
DO; David Lubars, ex-CCO da BBDO Worldwide e chairman BBDO North America;
Jaqueline Travaglin, COO da VML Brasil; Luciana Haguiara, founder & CCO Nation;
Abel Reis, co-founder da Logun Ventures e da Dolores Soluções; e Ricardo Figueira,
founder partner/CCO at Figtree & Coentre; entre outros. Para o autor, o título faz
referência a uma máxima do universo dos projetos: frequentemente, a pizza
é compartilhada durante a pausa para comer e, no final de um projeto bem-
-sucedido, a celebração é com espumante. “Organização não se resume apenas à
execução de resultados; é também sobre criar ambientes mais felizes e produtivos.
O turnover, o excesso de trabalho e a falta de processos estruturados podem
ser mitigados por uma boa gestão de projetos. O verdadeiro objetivo é encontrar
equilíbrio entre produtividade, resolução e bem-estar”, afirma Rodrigo Falcão. O
autor recebeu amigos, familiares e profissionais do mercado para uma tarde de
autógrafos, no último dia 15 de fevereiro, na Livraria da Vila, em São Paulo.
Fotos: Divulgação
O autor Rodrigo Falcão, diretor de operações da VML Nova York
Rodrigo Falcão e Abel Reis
Ricardo Figueira e Rodrigo Falcão
Rodrigo Falcão, Vanessa Mendes e Jaqueline Travaglin
Bira Miranda, Aline Padovani e Rafael Puls
Lançamento aconteceu na Livraria da Vila, em SP
‘Pizza & Espumante’ contou com a
participação de mais de 90 especialistas
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esg no mkt
Alê Oliveira
Que tal ser um
catalisador?
“Como sabemos, 2030 é o ano limite estabelecido
no Pacto Global, parte do Acordo de Paris”
Alexis Thuller Pagliarini
Nas minhas reflexões sobre propósito de vida, eu
sempre me vejo como um alguém disposto a
contribuir, orientar, estimular.
Achei o nome perfeito para essas habilidades: catalisador.
Catalisar significa estimular, incentivar, acelerar. E
isso é tudo o que tenho procurado fazer, seja no lado
pessoal como profissional. Se eu acredito em algo e me
aprofundo no tema, procuro atuar também como um
agente difusor de conhecimento e transformação, catalisando
o processo. Por isso, estou muito feliz em ter sido
aceito na comunidade internacional Catalyst 2030.
A Catalyst 2030 existe para estimular iniciativas em
torno dos ODS da ONU, os 17 objetivos de desenvolvimento
sustentável.
Como sabemos, 2030 é o ano limite estabelecido no
Pacto Global, parte do Acordo de Paris, assinado por 195
países, para provocar mudanças cruciais e uma vida melhor
para todos.
E a Catalyst 2030 é um movimento catalisador desse
processo, reunindo aproximadamente 10 mil membros
individuais e organizações, presentes em 146 países. O
processo de adesão não é simples.
É preciso comprovar atividade coerente com os princípios
da organização, além de se comprometer com uma
participação ativa nos seus projetos. Daí minha satisfação
em ser aceito neste importante grupo internacional.
Mas a atuação como catalisador começou bem antes
dessa adesão.
O simples fato de assinar esta coluna não deixa de
ser uma atitude catalisadora, já que os textos publicados
aqui são sempre estimuladores de uma atitude transformadora,
respeitosa aos princípios de sustentabilidade
socioambiental e de governança ética.
A participação ativa em eventos também provoca
esse efeito catalisador. No mês de fevereiro, tive a oportunidade
de participar de dois eventos relevantes, ambos
focados em Sustentabilidade, Acessibilidade e ESG.
O primeiro foi a participação do painel Sustentabilidade
e Acessibilidade, na 20ª edição do ESFE (Encontro
do Setor de Feiras e Exposições); e o segundo foi o
ABEMD Talks, sob título ESG e Acessibilidade, promovido
pela Associação de Marketing de Dados.
Ambos os eventos mobilizaram um público bastante
interessado, mas também repercutiram em redes sociais,
ampliando o espectro de atingimento, catalisando
conhecimento e atitude. No ano passado, foram perto de
20 eventos, entre palestras e painéis.
É assim que podemos atuar como catalisadores. Tenho
a convicção de que o compartilhamento de conhecimento
e o estímulo à ação são atitudes nobres que
podem melhorar o seu setor de atuação e a sociedade,
como um todo.
Na minha trajetória de catalisador, tive chance de
atuar também em associações e instituições representativas
de setores da economia.
Fui VP e, depois, presidente-executivo da AMPRO;
presidente da MPI Brazil; diretor-executivo da Fenapro;
e diretor da AMCHAM, entre outras funções. Participo do
board da UNESCO SOST Transcriativa e agora sou também
um membro da Catalyst 2030.
Estas instituições são excelentes meios catalisadores.
Por um período da minha vida profissional, fui também
professor, em paralelo a outra atividade profissional,
na ESPM Rio e também nos cursos de MBA da FGV
Management.
Atualmente, coordeno workshops e cursos relacionados
a ESG e marketing consciente. Não quero ser mal
interpretado por usar este nobre espaço para enaltecer
minhas atividades.
Peço apenas licença para manifestar meu contentamento
pela abertura de mais um canal de atuação,
desta vez explicitamente focado na atividade de catalisador,
por meio da Catalyst 2030. Faço isso pensando
também em provocar sua decisão de atuar como um
catalisador no mercado.
Vamos catalisar as melhores práticas! Catalisar o respeito
socioambiental! Enaltecer a ética e a transparência!
Catalisar o ativismo criativo, o criativismo.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
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supercenas
Paulo Macedo
paulo@propmark.com.br
Divulgação
Presidente do júri da competição Creative Commerce do Cannes Lions 2025, Gabriel Schmitt, global CCO da rede Grey, visitou a unidade brasileira e clientes como a P&G
estratégia
Presidente do júri da competição Creative Commerce
na edição de 2025 do Cannes Lions Festival Internacional
de Criatividade, Gabriel Schmitt esteve de
passagem pelo Brasil para dar um look na operação
brasileira da Grey, aqui comandada por Manir Fadel,
que ocupa a posição de global chief creative officer
da rede da holding inglesa WPP desde março de 2023.
Sua ideia básica é reforçar o conceito ‘Famously &
effective’, que norteia a marca que atende globalmente
clientes como Procter & Gamble, The Coca-Cola Com-
pany, Haleon, Volvo, LG Electronics, Red Bull e Sky Bet.
O conceito-base do pensamento criativo de Schmitt é
bem conhecido: “Para mim não existem ideias malucas.
Existem apenas ideias ‘na estratégia’ e ‘fora da
estratégia’”. O profissional chegou aos Estados Unidos
em 2012 e construiu uma polida carreira como ECD da
FCB. Tem a sua assinatura, claro com os demais integrantes
da sua equipe, a campanha ‘Whooper detour’,
para o Burger King, que ganhou três GPs em Cannes,
incluindo o de Titanium. Em 2023, assegurou o Grand
Prix de Entertainment for Sport em Cannes com o case
‘Dreamcaster’, para Michelob Ultra. Com 20 Leões de
Ouro, 20 de Prata e 18 de Bronze, Schmitt visitou os
clientes da agência no Brasil. Recentemente ele concedeu
a seguinte declaração à Campaign: “Quero ver
a conexão entre o propósito da marca e a estratégia.
Caso contrário, pode parecer legal, mas pode estar
fora da estratégia, o que, para mim, mata qualquer
boa ideia. Sou um grande defensor do propósito da
marca, não do propósito em si”.
Vivian Amorim e sua filha Malu são as atrações da campanha ‘Quem faz aprende para a vida’ para a marca Kumon
CONEXÃO
A rede Kumon está com a campanha ‘Quem faz aprende para a vida’, criada pela agência MD | Make a Difference,
para a temporada de 2025. A ideia é conectar mães millennials e filhos da era alpha. Os dez episódios são protagonizados
pela influenciadora e ex-aluna do Kumon, Vivian Amorim, ao lado de sua filha Malu. “Para os pais millennials,
que integram tecnologia ao cotidiano sem perder o lado humano, o Kumon se posiciona como um aliado
essencial na educação dos filhos”, afirma Rafael Melandi, diretor criativo e sócio da MD.
Alice Pataxó, com membros da Suba, falou da COP30
ENCONTRO
Uma das cem mulheres mais influentes do mundo em
2022 pela BBC, Alice Pataxó esteve em São Paulo em
visita à Suba, que representa como influencer. Comunicadora
e ativista indígena, ela explicou como será
sua participação na COP30 em novembro, em Belém.
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última página
Alê Oliveira
IA. Na prática é isso aí!
Flavio Waiteman
Semana de SXSW, vamos falar sobre inovação na
prática. Aqui vai minha contribuição.
Primeiro: nem sempre a inovação está em startups.
Inovar pode ser um novo olhar em processos já consagrados.
Exemplo: inovar em foguetes não é criar um outro
meio para ir ao espaço, mas descobrir como dar ré neles.
Segundo: startups precisam escalar. É obvio, mas
precisa ser diferente. Fazer em pequena escala pode
ser algo grande.
Terceiro: a palavra disruptivo deriva do francês “distuptif”;
derivado do verbo “disrumpere, que significa romper
e despedaçar. Essa coisa de destruir para construir
algo monetizável tecnologicamente sobre os escombros
“do que está ai” é uma sombra que traceja uma semana
como essa a partir de Austin e demonstra o mundo que
construimos com o MAGA (Meta, Apple, Google, Amazon).
E por falar em IA decidi contar um pouco como é uma
parte da cozinha da T&S. Na Tech&Soul iniciamos uma experiência
prática com IA em outubro de 2022 na criação.
Em parceria com a Rain, IA de Domenico Massareto, criamos
uma experiência social sobre a adoção da inteligência
artificial na criação.
Minha curiosidade era entender como os criativos se
sentiriam emocionalmente em duplar com uma IA. Dariam
crédito ao parceiro? Aceitaria suas ideias? Trabalhariam
sobre um insight dado por uma IA?
O método que decidi era cientificamente repleto de
buracos, mas interessante. Uma mesma equipe de cinco
criativos se depara com um pedido de campanha e tem
uma semana para desenvolver caminhos criativos.
Após o review de ideias, separei os três melhores. Na
sequência, “duplando” com a Rain, precisavam apresentar
opções em uma semana. Fizemos a reunião em dois
dias. Escolhi três caminhos dessa leva e apresentei as
seis ideias em ordem alternada para os clientes, que não
sabiam do experimento e escolheram duas. Uma delas
desenvolvida sem IA e outra feita com a colaboração da
mesma. Cliente satisfeito. Filmei todo o processo, apresentação
etc. Muita coisa interessante aconteceu. Mas
ficou uma lição muito simples. Velocidade. A IA faz a coisa
acelerar rapidamente.
Se criar é abrir mão de cem caminhos para investir em
um apenas, a IA acelera muito o processo de eliminação. E
coloca alguns caminhos inusitados em sua frente.
Alguns aspectos interessantes:
1º) Havia uma reatividade notória sobre a “participação”
de quem não era do time. Seria assim com qualquer
membro novo da equipe. Fosse humano ou sintético;
2º) As ideias em qualidade se equivaliam, mesmo
porque a colaboração dos criativos humanos era final e o
filtro que estava no fim do processo;
3º) A grande diferença, o tempo de brainstorming foi
muito mais curto com IA;
Depois dessa introdução, outras IA vieram como ferramentas
valiosas. Muito mais no processo produtivo e de
entrega da agência.
Sempre dividi o processo criativo em verdade, insight,
ideias, critério, leiautes e apresentação. Tudo deve
ser perfeito.
Hoje usamos IA além da concepção da ideia e estudos
de insight e estratégia. Na produção é uma grande
ajuda. De maneira muito assertiva e intensa produzimos
imagens de apresentação, KVs de campanha, filmes protótipos
em movimento, Story board animado, imagens de
anúncios e motion próximos a material finalizado. Já fizemos
varias vezes a produção e veiculação final. E fazemos
isso com gente experiente fazendo os pedidos às IA.
Vamos lá. Levando em consideração que a Tech&Soul
ocupa a 26ª posição no ranking de agências do CENP e,
em seus sete anos, sempre cresceu, podemos afirmar: em
2025 a criação possui 1/4 a menos de pessoas na criação e
produção do que em 2022. O trabalho continua intenso. A
criação é humana, com IA acrescentando velocidade;
o perfil do profissional de criação/produção naturalmente
mudou. É bem mais sênior do que em 2022. A IA é bem
melhor manipulada por pessoas experientes e talentosas,
ou então jovens extremamente talentosos e curiosos. Isso
devido também à amplitude de vocabulário e à capacidade
técnica para poder pedir à máquina que se esforce mais
e ofereça melhores resultados. Um diretor de arte com conhecimento
de história da arte e cinema pode pedir estilos
históricos, autores consagrados ou mesmo imagens com
lentes e câmeras especificas. Saber pedir é ouro.
O tempo de criação/produção/leiaute e apresentação
reduziu drasticamente. Posso afirmar que o que antes
levava quatro semanas, em alto nível, hoje representa
apenas três. Proporcionalmente é isso.
Rain, Miid Journey, Run away e mais algumas IAs que
entram e saem do cardápio todo mês têm feito diferença
no nosso negócio. Espero que esteja fazendo diferença no
seu também para aprimorar os processos, acelerar a eficiência
e ainda ganhar tempo de gente talentosa e bem
remunerada.
Na prática, é isso aí!
Flavio Waiteman
é sócio e CCO da Tech&Soul
flavio.waiteman@techandsoul.com.br
“Rain, Miid Journey,
Run away e mais
algumas IAs que
entram e saem do
cardápio todo mês
têm feito diferença
no nosso negócio”
50 10 de março de 2025 - jornal propmark
50PM1003.indd 50 06/03/25 20:59
Caras sempre foi uma
referência. Agora,
mais do que nunca.
Referência, a nova gráfica de Caras, garantia de boa
impressão pra quem anuncia e pra quem lê.
EDIÇÃO 1634 - ANO 32 - N o 10 - 07/03/2025
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Ainda Estou Aqui, longa dirigido por
Walter Salles e protagonizado por
Fernanda Torres, vence na categoria
Melhor Filme Internacional e une o
Brasil ao conquistar feito inédito
“NÓS VAMOS SORRIR”
CINEMA BRASILEIRO
FAZ HISTÓRIA NO OSCAR
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SUPERMUSAS, PITANGA, PAOLLA E
SABRINA BRILHAM NO CARNAVAL
EQUILÍBRIO ENTRE LEVEZA E INTENSIDADE DE JU KNUST
IZA E ADRIANA LIMA NA SEMANA DE MODA DE MILÃO
BIA SANTANA: “ERA MOTIVO DE RISO
POR DIZER QUE QUERIA SER ATRIZ”
CAPA_CARAS ED1634.indd 1
3/3/25 7:36 PM
referencia-ge.com.br
CARAS 51PM1003.indd ANUNCIO.indd 2 1 07/03/25 11:51 11:53
O discurso
de ódio contra
mulheres não
caberia nesta
edição.
Esta edição de 10/03/2025 do propmark
teve 67.429 caracteres dedicado
às mulheres. Em um ano, monitoramos
discursos de ódio e misoginia e registramos
45.059.700
caracteres.
Seriam necessárias 668 edições deste jornal
para reescrever, com justiça e respeito,
o mesmo volume de palavras usadas
para diminuir, silenciar e oprimir
mulheres no Brasil.
inconvencional.com.br // contato@inconvencional.com.br
Dados coletados viasocial listening no período entre janeiro/2024 e fevereiro/2025. O volume total de menções coletadas foi de 450.597 e a análise amostral possui nível de confiança de 92%. Para a coleta de dados, utilizamos as queries ("mulher" OR "mulheres"
OR "feminina" OR "feministas" OR "garota" OR "menina" OR "mãe" OR "namorada" OR "esposa" OR "filha") AND ("não deveria" OR "não pode" OR "tem que" OR "deveria estar" OR "tem obrigação" OR "não é lugar" OR "não sabe" OR "burra" OR "inferior" OR
"incapaz" OR "exagerada" OR "feminazi" OR "histérica" OR "sensível demais" OR "manter-se no seu lugar" OR "frágil" OR "submissa" OR "lugar de mulher" OR "mulher de verdade" OR "se dar ao respeito" OR "merece" OR "bem feito" OR "vítima" OR "não entende"
OR "está louca" OR "mimimi" OR "só reclama" OR "feminismo exagerado" OR "precisa de um homem" OR "falta de homem" OR "esquerdista" OR "vai lavar louça”), buscando menções nas redes sociais, fóruns, notícias, opinões, blogs e aplicativos de mensagens.
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