Introdução ao Estudo da Consciência 13_02_2025_53d01a28757c644b52ff7683de641abc
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Psicologia e Processos Básicos I
Professor: Vitor de Castro Gomes, Instituto de Psicologia – UERJ
Semestre: 2024.2
O que é Consciência?
A Consciência é uma experiência subjetiva
• Consciência se refere a experiências subjetivas de momento a momento;
• Prestar atenção ao seu entorno imediato é uma experiência desse tipo;
• Refletir sobre seus pensamentos atuais é outra;
• Você sabe que está consciente porque está vivenciando a experiência do mundo exterior,
por meio dos seus sentidos, e por saber que está pensando (auto-consciência);
• Se a consciência for apenas neurônios disparando no seu cérebro, por que não temos
consciência de inúmeros outros sistemas biológicos que estão ativos a todo o momento no
nosso corpo, como o sistema imune?
• Além disso, nosso sistema nervoso está a cada minuto regulando nossa temperatura
corporal, controlando nossa respiração, digestão etc, mas não temos consciência das
operações cerebrais que fazem essas coisas;
• Há muito tempo que os filósofos discutem questões sobre a natureza da consciência;
• Como irão ver ainda no curso, o filósofo do século XVII, René Descartes, afirmou que a mente é fisicamente distinta do
cérebro, uma perspectiva chamada DUALISMO;
• Hoje em dia, a maioria dos psicólogos e todos os neurocientistas rejeitam tal visão, pois acreditam que a mente e o cérebro
são inseparáveis, visão chamada MONISMO;
• De acordo com essa visão, a atividade de certos neurônios produz os conteúdos da consciência: a visão de um rosto, o
perfume de uma rosa;
• Especificamente, para cada tipo de conteúdo – cada visão, cada cheiro – existe um padrão associado de atividade cerebral. De
algum modo, esses neurônios originam a consciência;
• Entretanto, como cada um de nós vivencia a consciência de modo pessoal, ou seja, SUBJETIVAMENTE, não temos como saber
se duas pessoas quaisquer vivenciam o mundo exatamente do mesmo modo;
• Como a cor vermelha lhe parece? Como é o gosto de uma maça?
Wundt
Titchener
James
• Os pioneiros da Psicologia tentaram entender a
consciência pelo meio da instrospecção (e com
isso, definiram a principal metodologia para a
nascente ciência da Psicologia);
• No entanto, os psicólogos abandonaram de
forma extensiva esse método devido a sua
natureza subjetiva;
• As experiências conscientes existem, mas sua
natureza subjetiva as torna difíceis de serem
estudadas de maneira empírica;
• Não há como saber se a experiência que cada
pessoa faz de uma coisa (formato, tamanho, cor,
som etc) é a mesma ou se cada indivíduo usa as
mesmas palavras para descrever uma
experiência distinta;
A Consciência envolve atenção
• A experiência consciente geralmente é unificada e coerente. Nessa visão, a mente é uma
corrente contínua (um FLUXO), na qual os pensamentos flutuam. Entretanto, há um limite
para a quantidade de coisas de que a mente pode ter consciência ao mesmo tempo;
• Ao assistir essa aula, para onde você direciona a sua atenção, ou consciência? Você enfoca
intencionalmente o professor, a explicação e os slides? A sua mente divaga ocasionalmente ou
com frequência?
• Você não pode prestar atenção na aula enquanto faz várias coisas, como ver o celular ou
bater papo com os colegas;
• Conforme presta atenção naquilo que está acontecendo no celular, poderá perceber que não
faz ideia do que o professor acabou de falar ou da resposta que seu amigo acabou de dar;
• Do mesmo modo, você pode pensar sobre o que fará amanhã, qual tipo de roupa gostaria de
comprar e onde passou as últimas férias – mas não pode pensar em tudo isso ao mesmo
tempo;
Definições Básicas
O estudo contemporâneo da
Consciência
• O termo consciência origina-se da junção de dois vocábulos latinos: cum
(com) e scio (conhecer), indicando o conhecimento compartilhado com
outro e, por extensão, o conhecimento “compartilhado consigo mesmo”,
apropriado pelo indivíduo;
• Na língua portuguesa, a palavra consciência tem, pelo menos, três acepções
diferentes:
• Definição Neuropsicólógica;
• Definição Psicológica;
• Definição Ético-Filosófica;
Definição Neuropsicológica
• Consciência no sentido de ESTADO VÍGIL (vigilância);
• Grau de clareza dos sistemas sensoriais;
• Fundamentalmente o estado de estar desperto, vígil, acordado,
lúcido;
• Trata-se especificamente do NÍVEL DE CONSCIÊNCIA;
Definição Psicológica
• Soma total das experiências conscientes de um indivíduo em
determinado momento;
• CAMPO DA CONSCIÊNCIA;
• É a dimensão subjetiva da atividade psíquica do sujeito que se
volta para a realidade;
• Na relação entre o sujeito (EU) e o meio ambiente, a consciência é
a capacidade do indivíduo entrar em contato com a realidade,
perceber e conhecer seus objetos;
O Campo da Consciência
Definição Ético-Filosófica
• Utilizada no campo da filosofia, da ética, direito ou teologia;
• Capacidade de tomar ciência dos deveres éticos e assumir
responsabilidades, direitos e deveres concernentes a essa ética;
• Atribuito do homem desenvolvido e responsável, engajado na
dinâmica social de determinada cultura;
• CONSCIÊNCIA MORAL OU ÉTICA;
Algumas aplicações dessas definições
• Por exemplo, a Psicologia Clássica, com base na teoria empirista, compreende
a Consciência como algo passivo, uma tábula rasa ou um papel em branco, nos
quais os objetos do mundo imprimie suas marcas, formando imagens e
representações;
• De acordo com a abordagem da FENOMENOLOGIA de Edmund Husserl (1859-
1938), essa visão é invertida;
• Ele alterou a visão de Consciência Passiva para algo mais ativo;
• Para ele, o fundamental da Consciência é ser profundamente ativa, visando o
mundo e produzindo sentido para os objetos que lhe apresentam;
O processamento inconsciente
influencia o comportamento
• Sir Francis Galton (1879) foi o primeiro a propor a noção de que a atividade mental abaixo
do nível de consciência pode influenciar o comportamento;
• A influência dos pensamentos inconscientes também foi o centro de muitas teorias de
Freud sobre o comportamento humano;
• Exemplificando, o clássico erro chamado ato falho freudiano ocorre quando um
pensamento inconsciente de repente é expresso em um momento ou contexto social
inadequado;
• Muitas das formas propostas por Freud sobre como o inconsciente funciona são difíceis
de testar usando métodos científicos, e alguns psicólogos hoje não acreditam que sua
interpretação do inconsciente está correta;
• Entretanto, os psicólogos concordam que os processos inconscientes influenciam os
pensamentos e as ações das pessoas no decorrer de suas vidas cotidianas.
O processamento inconsciente
influencia o comportamento
• Considere que os fumantes, ao assistir a um filme contendo imagens de
tabagismo, mesmo sem notá-las, relatam maior fissura por fumar cigarro ao
sair do cinema;
• Quando fumantes assistem a filmes mostrando cenas de tabagismo, há
ativação de regiões cerebrais envolvidas na manipulação de cigarros, como se
os telespectadores estivessem compartilhando cigarros com os personagens
na tela;
• Considere agora uma influência inconsciente similar na vida de muitas
pessoas: os cheiros sutis de comida no shopping. Esses cheiros estimulariam
uma ida à praça de alimentação?
O processamento inconsciente
influencia o comportamento
• Ao longo das últimas décadas, muitos pesquisadores exploraram diferentes
formas pelas quais os indícios inconscientes, ou percepção subliminar, podem
influenciar a cognição;
• A percepção subliminar ocorre quando os estímulos são processados pelos
sistemas sensoriais e, por causa da duração curta ou da forma sutil, não
atingem a consciência;
• Há muito tempo, as propagandas são acusadas de usar indícios subliminares
para persuadir as pessoas a comprar produtos;
• Entretanto, evidências sugerem que as mensagens subliminares exercem
efeitos mínimos sobre o comportamento de compra;
O processamento inconsciente
influencia o comportamento
• O material apresentado de modo subliminar pode influenciar o modo como as
pessoas pensam, mas exerce pouco ou nenhum efeito sobre ações complexas
(Comprar alguma coisa que você não pretendia comprar contaria como uma
ação complexa);
• Ou seja, evidência considerável indica que as pessoas são afetadas pelos
eventos – estímulos – em relação aos quais não têm consciência;
• Em um estudo, os participantes realizaram maior esforço físico quando
imagens amplas de dinheiro lhes foram mostradas em flashes, embora os
flashes fossem tão breves a ponto de os participantes não relatarem terem
visto dinheiro;
O processamento inconsciente
influencia o comportamento
• Essas imagens subliminares também produziram atividade cerebral nas áreas
do sistema límbico, que está envolvido na emoção e motivação;
• Os indícios subliminares podem ser mais poderosos quando atuam nos
estados motivacionais das pessoas;
• Exemplificando, flashes da palavra sede podem se mostrar mais efetivos do
que lampejos da diretriz explícita Compre Coca-Cola;
• De fato, os pesquisadores descobriram que a apresentação subliminar da
palavra sede levou os participantes a beberem mais Kool-Aid, sobretudo
quando realmente estavam com sede;
O processamento inconsciente
influencia o comportamento
• Para estudar o poder das influências do inconsciente, psicólogos
forneceram diferentes grupos de palavras aos participantes;
• Alguns indivíduos receberam palavras associadas à velhice, como Velho,
Florida e Rugas;
• Foi solicitado que os participantes criassem frases com as palavras
recebidas;
• Depois que eles criaram algumas, foram informados que o experimento
tinha terminado;
O processamento inconsciente
influencia o comportamento
• Entretanto, os pesquisadores continuaram observando os indivíduos: eles
queriam saber se a ativação inconsciente das crenças sobre os idosos
influenciaria seus comportamentos;
• De fato, os participantes condicionados com estereótipos referentes a
pessoas de idade avançada caminharam bem mais devagar do que aqueles
que receberam palavras não relacionadas com a velhice;
• Mais tarde, ao serem questionados, os participantes que caminharam
devagar não tinham consciência de que o conceito de “velhice” tinha sido
ativado nem de que isso tinha modificado seu comportamento.
O processamento inconsciente
influencia o comportamento
• Outros pesquisadores encontraram achados semelhantes;
• Psicólogos da Nijmegen University, na Holanda, constataram que as pessoas
se saíram melhor ao responderem perguntas de trivia após a apresentação
sutil de informação sobre “professores”, do que após receberem sutilmente
informação sobre os “hooligans do futebol”;
• Os participantes não tinham consciência de que o comportamento deles era
influenciado pela informação;
• Esses achados indicam que grande parte do comportamento humano
ocorre na ausência de consciência ou de intenção.