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100 - Proteção das crianças no mundo digital: Educar, Prevenir e Regular

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Executive Breakfast em parceria com TikTok

Proteção das Crianças

no Mundo Digital

#100

Dez.

2024


Executive Breakfast em parceria com TikTok

CHAVE ESTÁ NA

LITERACIA E CIDADANIA

O trabalho em ecossistema e em colaboração é crítico

quando se fala de proteção das crianças e jovens no mundo

digital. As plataformas estão a fazer o seu caminho e a

regulação na Europa é essencial para garantir que todos

cumpram as mesmas regras.

No espaço comunitário, os dados são das pessoas

e é isso que faz a diferença. Por isso, é preciso

regular para proteger as crianças e jovens das

ameaças do mundo online. Mas há muito por

fazer numa realidade virtual em constante

mudança, onde novos perigos se multiplicam

todos os dias. A aposta na literacia digital e

em formar verdadeiros cidadãos digitais são

os grandes caminhos apontados no Executive

Breakfast APDC, em parceria com a TikTok, sobre

“Proteção das crianças no mundo digital: Educar,

Prevenir e Regular”.

“Todas as tecnologias têm coisas boas e

dificuldades e isso é verdade desde que o

homem começou a inventá-las. Podem ser

bem ou mal-usadas e compete-nos saber

como a utilizar. A resposta não é evitar usar

a tecnologia, porque é imparável, mas sim

saber como a usar. Por isso, educar e formar as

pessoas é imprescindível. O cerne da questão é

sempre como usar a tecnologia, para que sirva

a humanidade e não para a prejudicar”. O mote

foi dado pelo Presidente da APDC, Rogério

Carapuça, na abertura do evento. Onde destacou

que a resposta terá de ser “como nos devemos

posicionar na educação e na formação das

nossas crianças e jovens num mundo que é cada

vez mais digital”.

O tema é complexo, quando se fala de garantir

às crianças o direito à participação e à livre

expressão e, ao mesmo tempo, assegurar-lhes a

segurança e privacidade. Sendo nativas digitais

por definição, e interagindo permanentemente

com o digital, como é que se poderá encontrar

o equilíbrio certo entre liberdade digital das

crianças com a proteção que lhes é devida?

No debate sobre a ‘Segurança das Crianças

e Jovens”, tentou-se dar resposta a esta

questão.

ONDE ESTÁ A SOLUÇÃO?

O digital e as redes sociais “abrem um

mundo de oportunidades” aos mais

variados níveis, desde o acesso à informação,

à comunicação e educação, passando

pelo lazer e entretenimento, comércio,

criatividade e até mesmo de afirmação de

cidadania, como começou por destacar Tito

de Morais, do projeto MiudosSegurosNaNet.

Para quem qualquer decisão que se tome

em termos de controlo ou de proibição

terá de passar sempre por ouvir sempre

as crianças e jovens: o seu ponto de vista é

essencial.

E alerta que isto não está a ser feito,

nomeadamente no atual debate em torno

da utilização do telemóvel nas escolas.

“Não faz sentido. Elas querem fazer parte

da solução e até têm soluções”, assegura,

defendendo que “o lado mau da moeda

anda de mãos dadas com o lado bom”. E

há muitos temas a endereçar, que afetam

o bem-estar físico, mental e emocional,

como a utilização excessiva das tecnologias,

a prevenção do cyberbullying ou violência

sexual baseada em imagens, por exemplo.

Aqui, defende que, ao invés de se regular

para impedir o acesso, se deveria obrigar

as redes sociais a não usarem padrões que

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O presidente da APDC, Rogério Carapuça, abriu este

pequeno-almoço executivo, realizado em parceria com a

TikTok.

promovem a viciação na utilização e afetam as

emoções. Considera também essencial o tema

da literacia digital, trabalhando-se não só com as

crianças e jovens, mas também com os pais e os

professores.

As escolas ainda têm atualmente situações

distintas, com exemplos de algumas em que já

são usados unicamente manuais digitais na sala

de aula, enquanto outras ainda se debatem com

problemas graves de acesso à internet e falta

de computadores. Filinto Lima, Presidente da

ANDAEP - Associação Nacional de Diretores de

Agrupamentos e Escolas Públicas, assegura que

a situação parece estar finalmente a melhorar,

com o ministério da Educação a começar pelos

alicerces: a instalação de novos routers, porque

“sem uma rede fiável e meios digitais nada se

faz”.

Sobre o tema do momento, os telemóveis nas

escolas e a sua utilização em contexto de sala

de aula e de recreio, destaca que é há muito

debatido. E não concorda com a proibição da

sua utilização, mas com uma sensibilização para

o bom uso. Uma discussão onde diz que devem

estar envolvidos todos os alunos, assim como a

sensibilização dos pais e dos professores.

Nesta sessão, que tal como as que se

seguiram, foi moderada pela Diretora

Ecexutiva da APDC, Sandra Fazenda Almeida,

participou também Enrico Bellini, Head of

Government Relations for Southern Europe

da TikTok desde há cerca de três meses. Na

sua perspetiva, “temos de perceber como

estamos e o que precisamos de fazer. Temos

regulação a cumprir, mas o tema chave é

perceber o contexto”. Destacando os 150

milhões de utilizadores mensais na Europa e

os quase 3,5 milhões em Portugal, considera

que “com o sucesso vem muito escrutínio e

controlo. A regulação é normal e é bom que a

sociedade siga o fenómeno das plataformas

digitais”.

Estas oferecem muitas oportunidades, pelo

que optar por as banir não é o caminho. E,

sendo o sucesso recente, teme o impacto

da “regulação draconiana” que se está a

implementar em alguns países, como o

caso da Austrália, que pretende proibir a

utilização das redes sociais por menores de

16 anos.


Executive Breakfast em parceria com TikTok

Na sessão sobre ‘A Segurança dos Jovens (Incluindo Bem-Estar Digital),

o debate centrou-se em como garantir o direito à participação e à livre

expressão das crianças e jovens no mundo online. Assegurando-se, em

simultâneo, a sua segurança e privacidade

“Temos serviços que respondem às

necessidades dos utilizadores, com

plataformas de diálogo e alguma

autorregulação. E muitos limites na

presença de crianças e jovens. Trabalhamos

com as comunidades e partilhamos

a aprendizagem. Tudo depende do

envolvimento e da interação e esperemos

ter mais algum tempo para trabalhar em

conjunto, porque há muito por fazer e tem

de haver colaboração”, remata.

Aliás, é nesse sentido que foi criado o projeto

Clover, com o qual estão a ser instalados

data centers na Europa para alojar os

dados dos utilizadores europeus. O 1º, na

Irlanda, já funciona desde final de 2023 e

o 2º, na Noruega, deverá ficar operacional

até final do ano. Para o orador, a TikTok

“está a ir bastante mais longe que os seus

concorrentes e a fazer o que ninguém

mais faz. E o trabalho ainda não terminou”,

garante.

PREVENIR RISCOS, POTENCIAR

BENEFICIOS

Uma iniciativa a que não está alheio o cenário

regulatório comunitário. Particularmente

com os recentes Digital Market Act (DMA)

e o Digital Services Act (DSA), que vieram

impor regras apertadas para as grandes

plataformas mundiais na sua operação na

União Europeia. “Regulação e Legislação”

foram o tema em debate no segundo

painel, onde ficou claro que regular é

imprescindível para combater os perigos do

online, mesmo que este mundo esteja ainda

em desenvolvimento e não se saiba tudo.

Aliás, a regulação do online tem de ser

encarada com a mesma normalidade que

a regulação do mundo físico. Porque tudo

Qualquer decisão que se tome

em termos de controlo ou de

proibição no digital e nas redes

sociais terá de passar sempre

por ouvir sempre as crianças e

jovens: o seu ponto de vista é

essencial” Tito de Morais

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“Regulação e Legislação”, um tema complexo e que tem dividido opiniões,

tendo em conta as regras apertadas que Bruxelas tem vindo a definir para

o mundo digital. Será que tem de ser encarada com a mesma normalidade

das regras do mundo físico?

se resume a proteger os consumidores/

utilizadores, sobretudo os mais vulneráveis,

dos perigos que os possam ameaçar.

Com a agravante que no digital são muito

mais exponenciados, como começou por

destacar Maria Manuel Leitão Marques, exmembro

do Parlamento Europeu (MEP).

Trata-se de garantir que “todos os utilizadores

continuem a usufruir das enormes

vantagens da internet, mas prevenindo os

riscos. Isto faz-se em modo de ecossistema,

nas escolas, na educação, nas famílias. Mas

não basta. Temos de ter instrumentos mais

formais, como o DSA. Pedir às grandes

plataformas que elas se autorregulem, faz

parte, mas não basta, porque o seu negócio

é terem muitos utilizadores”.

Para esta responsável, pode-se ouvir, discutir

e interagir, mas nunca serão as crianças e

jovens a decidir. “Sabemos que há perigos e é

preciso identificar de forma segura o uso de

certas aplicações. Provavelmente não temos

ainda toda a informação e prova científica

sobre os impactos negativos e positivos do

uso das redes sociais e dos telemóveis. Mas

há muitas áreas em que regulamos por

precaução. Sabemos que pode haver riscos

para a saúde e, à cautela, regulamos, tendo

em conta a informação que temos”, remata.

Carlos Zorrinho partilha da mesma visão.

E se viveu em Bruxelas com o ‘paradoxo

da regulamentação”, perante um “clamor

genérico de que é um excesso, causa

burocracia, gera custos de contexto e

asfixia”, a verdade é que “a regulamentação

é hoje a única vantagem competitiva da

UE quando pensamos à escala global”.

Para o também ex-membro do PE, trata-se

de “uma vantagem conceptual na defesa

dos valores e propósito da Europa, com

um desenvolvimento digital centrado nas

pessoas. Os dados na China são do estado,

nos EUA são do mercado e na Europa são

das pessoas”.

Por isso, considera normal aplicar, quando

necessário, sanções a quem não cumpre as

regras, assim como o processo de avaliação

do que está a ser feito. Mas adverte que

“a regulação para ser eficaz tem que ter

contexto, num mundo que está cada vez

mais fraturado politicamente”. O que implica

começar a rever estratégias, nomeadamente

a Agenda 2030, onde se deverá considerar “a

literacia digital um direito universal”.

Mas a aplicação das regras europeias ao

nível de cada estado-membro não é fácil.

Incluindo em Portugal, onde a ANACOM é a

autoridade competente e coordenadora dos

serviços digitais, tendo a responsabilidade

de supervisão da aplicação das regras do

DSA. Luís Alexandre Correia, diretor-geral

adjunto da Direção Geral de Informação


Executive Breakfast em parceria com TikTok

No último debate deste encontro, estiveram em análise os

“Programas de Literacia Digital”, essenciais quando se fala de

proteção das crianças e jovens no digital. Mas ficou claro que ainda

há muito por fazer nesta matéria

e Inovação do regulador admite que se

trata de “um desafio enorme, sobretudo

do ponto de vista dos recursos financeiros

e humanos”, implicando ainda um novo

modelo de colaboração entre um vasto

conjunto de entidades.

Para o gestor, há muito pouco equilíbrio

entre o volume de investimento feito

pelas grandes plataformas e a capacidade

financeira dos estados-membros na

supervisão destas tecnológicas. Não

havendo fronteiras no digital, nestes temas

“só podemos ser bem-sucedidos com uma

rede interconectada de entidades. Tem de

ser um modelo de cooperação e colaboração,

essencial para obter decisões concretas”,

assegura. Salientando ainda os esforços de

autorregulação das próprias plataformas,

que têm tentado adaptar as suas interfaces

à proteção de menores.

Também Maria Manuel Leitão Marques

admite que não é um processo fácil e que a

colaboração é um elemento-chave. Porque

tendo áreas como esta de ser harmonizadas

ao nível da UE, para garantir regras iguais

nos 27, terá depois de se garantir que a

legislação seja uma realidade no terreno.

UMA REALIDADE PREOCUPANTE

Apesarde todas as estratégias, regulamentações

e apostas, a literacia digital surge como

verdadeiramente determinante quando

se fala de proteção das crianças e jovens

no digital, com ficou claro no último

debate deste encontro, sobre “Programas

de Literacia Digital”. Começando por

destacar a Convenção sobre os Direitos

da Criança, adotada pela ONU em 1989, e

direitos como a proteção, desenvolvimento

e participação, Cristina Ponte, professora

As escolas ainda têm situações

distintas. Há muitas que ainda

se debatem com problemas

graves de acesso à internet e

falta de computadores. Mas

a situação parece estar a

melhor”, afirma Filinto Lima

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da NOVA FCSH, garante que a literacia é

basilar, porque só ela permite tirar partido

dos benefícios e evitar os danos do digital.

Não tendo a internet sido criada a pensar

nas crianças, a realidade é que pelo menos

um terço dos utilizadores têm menos de

18 anos. O que coloca, na sua perspetiva, o

desafio de saber “como é que as indústrias

ligadas ao digital têm de garantir que

existam conteúdos que sejam consistentes

com a proteção e a segurança”. Essa é, aliás,

uma preocupação das próprias crianças.

E destaca a plataforma Crianças e

Adolescentes Online (CriA.On), que

resultou da iniciativa de investigadores

e comunicadores de ciência e está toda

em português. Destina-se a incentivar o

diálogo com famílias e com profissionais

de educação, de saúde e bem-estar, juristas

e todos os que acompanham crianças

e famílias nas suas áreas de atuação. A

plataforma procura ainda incentivar a

comunicação e partilha com responsáveis

por políticas públicas, criadores e empresas

de produtos e serviços digitais, profissionais

dos media e outros públicos interessados.

Mais do que literacia digital, Manuel Garcia,

gestor do Programa UPskill, diz que o que

se deve é assegurar a cidadania digital das

crianças e jovens. Porque, de facto, se estão

a criar cidadãos para um mundo cada vez

mais online e em permanente mudança.

Por isso, tem de se ir além de apenas explicar

os perigos e os impactos, promovendo-se

a capacidade crítica. Sendo o UPskill um

programa de ecossistema, é nessa lógica

que “devemos apostar quando falamos

de cidadania digital e de crianças. Temos

de perceber que há fatores críticos, como

conseguir trabalhar em ecossistema e ter

capacidade de ensinar. O digital faz parte do

dia a dia e temos de saber lidar com ele”.

E a experiência da UNICEF Portugal no

terreno mostra o muito que há ainda a

fazer e a situação complexa e perigosa em

que se encontram muitas crianças e jovens.

Francisca Magano, Diretora de Políticas

de Infância e Juventude diz que chegam

à organização muitos casos graves que

evidenciam o mau uso da internet. É por

isso A solução, na perspetiva da UNICEF, não

passa pela proibição pura e simples. “Todas

as crianças devem poder aceder a espaços

e realidades online. Quanto mais limitarmos,

mais haverá a criação de contas paralelas

e mundos ainda mais obscuros”, alerta,

salientando que há que ouvir os jovens,

especialmente os que pedem ajuda. Até

porque são eles que mostram preocupação

Temos de garantir que os utilizadores

continuem a usufruir das enormes

vantagens da internet, mas

prevenindo os riscos. Pedir às grandes

plataformas que se autorregulem faz

parte, mas não basta, porque o seu

negócio é terem muitos utilizadores".,

salienta Maria Manuel Leitão Marques

Há muito pouco equilíbrio entre o

volume de investimento das grandes

plataformas e a capacidade financeira

dos estados-membros na supervisão

destas tecnológicas. Só podemos

ser bem-sucedidos com uma rede

interconectada de entidades”,

defende Luís Alexandre Correia


Executive Breakfast em parceria com TikTok

com a saúde mental, os impactos da internet

e redes sociais e a discriminação. E deixa a

mensagem:

é preciso ouvir as crianças e saber

o que os adultos podem fazer. As

famílias precisam de apoio, porque

a forma de lidar com estas situações

é igual às do mundo offline. As

competências que são exigidas aos

pais são similares. A culpa nunca é

da criança e a obrigação de estarem

protegidas é essencial”.

Há muitos casos graves

que evidenciam o mau

uso da internet. É por isso

que o tema da literacia e

cidadania digital assumem

uma relevância extrema.

O sistema de proteção

tem de ser capaz de se

reajustar e responder a

novas realidades, destaca

Francisca Magano

O que se deve é assegurar

a cidadania digital das

crianças e jovens. Porque,

de facto, se estão a criar

cidadãos para um mundo

cada vez mais online e em

permanente mudança.

Tem de se promover a

sua capacidade crítica”,

Manuel Garcia

Não tendo a internet

sido criada a pensar nas

crianças, a realidade é que

pelo menos um terço dos

utilizadores têm menos de

18 anos. O desafio é saber

como é que se garantem

conteúdos que sejam

consistentes com a proteção

e a segurança”, avança

Cristina Ponte

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o UPDATE tem como objetivo disponibilizar informação estruturada sobre cada uma das iniciativas promovidas pela APDC.

Pretemde-se facilitar, a todos os interessados, um arquivo com os conteúdos mais relevantes de cada evento, que poderá ser

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