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Quem é Quem Energias 2025 | Green Savers

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QUEM É QUEM

NAS ENERGIAS

2025



QUEM É QUEM

NAS ENERGIAS

2025


A REVISTA QUE DÁ VOZ A

TODOS OS QUE CRIAM UM

MUNDO MAIS SUSTENTÁVEL

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www.greensavers.pt


\\ EDITORIAL \\

3

Adaptar para sobreviver

Atransição energética. Muito dela se ouve falar, e bem, como peça central do combate às crises planetárias

e da sustentabilidade das sociedades e economias humanas numa Terra em mudança, e não para melhor.

Desde as indústrias aos cidadãos, como o leitor e eu, passando pelos pequenos negócios, pelas instituições

públicas e governamentais e pelos centros de produção de conhecimento, todos temos um papel a desempenhar.

E todos temos de fazê-lo. Pode ser um lugar-comum, mas numa revolução como esta, ninguém pode ficar para trás.

Apropriando-me de uma máxima das ciências naturais e das teorias evolucionistas, trata-se de adaptar para sobreviver.

Os crescentes movimentos e esforços para o fim, ou pelo menos a redução, da dependência dos combustíveis fósseis

estão a fazer proliferar investimentos, leis regulamentos e discursos em prol das energias renováveis, a pedra angular da

transição energética.

Mas é preciso assegurar que não estamos simplesmente a trocar um mal por outro. Já muita tinta fizeram correr casos de

destruição de áreas florestadas para instalação de megaparques fotovoltaicos, e alguns deles aqui em Portugal. Ambientalistas,

cientistas e populações também já se fazem ouvir, alto e a bom som, sobre os possíveis impactos da expansão das

eólicas para os mares, alertando, por exemplo, para impactos nos habitats, ecossistemas e espécies marinhas, incluindo

aves, e para os riscos associados à perda de rendimentos na pesca.

Além de tudo isso, temos ainda os problemas ambientais e sociais associados à extração de matérias-primas para fabrico

das tecnologias que suportam a produção de energia renovável, que ameaçam o ambiente, as espécies não-humanas e a

nossa própria saúde e subsistência. Recursos finitos que, eventualmente, se esgotarão, com todas as implicações económicas

que daí advirão.

Embora seja imprescindível incutir urgência na busca por um melhor alinhamento das sociedades humanas com o resto

do planeta, a pressa costuma a ser inimiga da perfeição, e interesses económicos e políticos tendem a cerrar nas suas

mãos as rédeas da carruagem, que, se não houver uma visão mais abrangente e integrada de todas as dimensões de uma

verdadeira sustentabilidade (ambiental, social e económica) e um compromisso genuíno e equilibrado para com elas,

mais tarde ou mais cedo acabará por tombar, e nós com ela.

A Ciência deve ser a nossa Estrela Polar, que há milénios leva navegadores intrépidos a bom porto. A Ciência não deve

apenas ser considerada útil quando com ela algo podemos lucrar, mas deve ser a voz da consciência, e, enquanto espécie,

devemos saber quando avançar, quando mudar de curso ou mesmo quando estacar. O progresso pelo progresso, além

de inútil a longo-prazo e de amiúde beneficiar apenas alguns, é perigoso. Aquele que caminha sem atentar no trilho que

percorre arrisca-se a cair num precipício.

Filipe Pimentel Rações

Grande Repórter

// FICHA TÉCNICA

DIRETOR GERAL Rogério Junior • DIRETORA EDITORIAL Ana Filipa Rego • COLABORADORES E REDAÇÃO Ana Rita Reis, Joana Vicente Pinto • GRANDE REPÓRTER Filipe

Pimentel Rações • DIREÇÃO DE COMUNICAÇÃO Marisa Silvestre • DIREÇÃO DE ARTE Sofia Marques • IMAGENS Getty Images • PUBLICIDADE Mário Serra (mario.serra@

greensavers.pt) • PERIODICIDADE Anual • TIRAGEM MÉDIA 15.000 exemplares • PROPRIEDADE | SEDE | EDITOR Neurónio Criativo, Unipessoal, LDa, Rua Cidade de Rabat, 41b,

1500-159 Lisboa NIPC: 514822228, geral@greensavers.pt • IMPRESSÃO E ACABAMENTO Louresgráfica - Sociedade de Artes Gráficas, Lda • Revista distribuída gratuitamente

com a Green Savers nº 18


4 \\ ÍNDICE \\

06

PORTUGAL BEM POSICIONADO

PARA LIDERAR

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

A transição energética pode atuar como

um catalisador para a reindustrialização

da economia e Portugal pode estar na

linha da frente da Europa.

20

SEM DESCENTRALIZAÇÃO SERÁ DIFÍCIL

“FECHAR A TORNEIRA” DOS

COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

Para acabar com a dependência dos combustíveis fósseis, as

sociedades e economias têm de reforçar a penetração das energias

renováveis, tornar as redes mais eficientes e dar mais poder de

decisão aos consumidores.

14

ENTREVISTA

COMBUSTÍVEIS VERDES SÃO CRU-

CIAIS PARA ALCANÇAR ECONOMIA

DE CARBONO ZERO

Em entrevista à Green Savers, Ana Calhôa,

Secretária-Geral da ABA, sublinha que “é

imprescindível e obrigatório continuar a

aumentar a incorporação de biocombustíveis

nos combustíveis fósseis, de forma a atingir a

neutralidade carbónica até 2050”.

30

REFORMA DO MERCADO ELÉTRICO EUROPEU É

“ESSENCIAL PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA”

A eml S.A. resulta da cisão estratégica da Joint Venture entre a ENGIE e a

Marubeni Corporation. Em entrevista à Green Savers, Célio Pinto, CEO da

nova empresa, explica o que motivou esta decisão e fala sobre o futuro do

setor das energias renováveis.

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ÍNDICE \\

5

34

FÓRUM DE LÍDERES

1

Como a sua empresa/entidade

implementa e promove as melhores

práticas de sustentabilidade?

2

Qual é a sua visão sobre o futuro

da gestão energética em Portugal?

40

DIRETÓRIO

Portugal e o forte

investimento em renováveis

Portugal é dos países que mais investe em energias

renováveis. O país atingiu um marco histórico, com 71%

da eletricidade consumida a partir de fontes renováveis,

o valor mais alto alguma vez registado.


6 \\ ENERGIAS VERDES \\


\\ TRANSIÇÃO ENERGÉTICA \\

7

PORTUGAL

BEM POSICIONADO PARA LIDERAR

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA PODE ATUAR COMO UM CATALISADOR PARA A REINDUSTRIALIZAÇÃO

DA ECONOMIA E PORTUGAL PODE ESTAR NA LINHA DA FRENTE DA EUROPA.

\\ Por Ana Filipa Rego

Portugal está a dar passos significativos na incorporação

de energias renováveis. O país já encerrou

as centrais a carvão e comprometeu-se a alcançar

a neutralidade climática até 2045. Segundo dados

divulgados pela APREN – Associação Portuguesa de Energias

Renováveis, em 2024, o país aumentou

a capacidade instalada de energias renováveis em 8% face ao

total alcançado no ano anterior, sobretudo devido à entrada

em funcionamento de novas centrais solares fotovoltaicas que

representaram 86% do total do aumento.

De acordo com a entidade liderada por Pedro Amaral Jorge,

esta evolução contribuiu para o crescimento da produção de

eletricidade a partir de fontes renováveis, tendo o país atingindo

o recorde de 80,4% no acumulado do ano.

TECNOLOGIAS HÍDRICA, EÓLICA E SOLAR IMPULSIONAM PRO-

DUÇÃO RENOVÁVEL

“Em suma, a totalidade dos centros eletroprodutores a operar

em Portugal Continental produziram, em 2024, um total de

45.637 GWh [Gigawatt-hora] de eletricidade, proveniente em

80,4% de fonte renovável. A produção renovável cresce, assim,

10,8% face a 2023, confirmando um novo recorde de geração

elétrica renovável nacional”, revela a APREN em comunicado.

Esta evolução foi maioritariamente suportada por três tecnologias:

a hídrica, cujo contributo somou 31,9% – sendo esta

percentagem correspondente a um novo máximo absoluto nos

últimos cinco anos (14.542 GWh); a eólica, 31% ao total de

produção; e pelo solar fotovoltaico, que pesou 10,7% do total

produzido, tendo também batido um recorde (4.898 GWh).

No que respeita ao abastecimento do consumo, a componente

de energia ‘verde’ contribuiu com 71,5%, “confirmando-se o

progresso relativo à meta de 93% do Plano Nacional de Energia

e Clima (PNEC) 2030”, destaca a associação.

Ao mesmo tempo, a produção de eletricidade a partir de

combustíveis fósseis apresentou uma redução de 49% face a

2023.

NOVAS CENTRAIS

A APREN explica que os números alcançados em 2024 resultam

da entrada em operação de novas centrais – correspondentes

a um aumento 1.509 MW (megawatt) - bem como “da

significativa variação negativa de produção de eletricidade a

partir de combustíveis fósseis, estando em especial destaque a

redução em 10,7 p.p. da produção através de gás natural”.

Relativamente às trocas internacionais, comparativamente

a 2023, registou-se uma estagnação do saldo importador, com

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8

\\ TRANSIÇÃO ENERGÉTICA \\

A totalidade dos centros

eletroprodutores a operar

em Portugal Continental

produziram, em 2024, um total

de 45.637 GWh [Gigawatt-hora]

de eletricidade, proveniente

em 80,4% de fonte renovável.

A produção renovável cresce,

assim, 10,8% face a 2023,

confirmando um novo recorde

de geração elétrica renovável

nacional, APREN

uma variação de 2%, de 10.218 GWh em 2023

para 10.442 GWh.

De acordo com os cálculos da APREN, os

valores da produção de energia renovável contribuíram

para uma poupança em importações

de combustíveis fósseis no valor de 2.055

milhões de euros e de 289 milhões de euros em

importações de eletricidade.

Relativamente às emissões de gases de efeito

de estufa (GEE) do sistema eletroprodutor, a

associação estima uma redução na ordem dos

50% face a 2023. Em termos absolutos, esta

diminuição traduz-se num decréscimo de 3,6

milhões de toneladas de CO2 em 2023, para

1,82 milhões de toneladas em 2024.

Apesar de sublinhar que em 2024 o setor

energético renovável europeu alcançou “progressos

significativos”, a APREN refere que

“atores como a volatilidade da componente

de energia nos preços da eletricidade e a ainda

elevada dependência de cadeias de abastecimento

globais afetam o setor industrial europeu,

ao qual acresce a concorrência com economias

do resto mundo, em especial a China e

os Estados Unidos da América”.

“A transição para fontes de energia renovável,

que ainda carece de uma adequação

do desenho de mercado prevista na revisão

da diretiva, tem demonstrado as fragilidades

do desenho de mercado diário e intradiário

de energia, com cada vez mais exposição a

preços nulos e negativos e, enquanto noutras

horas verificam-se picos de preço acentuados,

principalmente nas horas que o mercado fecha

com as centrais de ciclo combinado a gás natural”,

alerta,

Neste contexto, a associação defende que

“sem uma rápida resposta regulatória e perspetivando

o crescimento do setor em geral, antevê-se

um agravamento desta situação em 2025”.

PORTUGAL E A NOVA VAGA DE INDUSTRIALIZA-

ÇÃO NA EUROPA

Segundo o Índice de Industrialização e Transição

Energética da McKinsey & Company,

parte de uma iniciativa com o mesmo nome

(IETI, na sigla em inglês) com o objetivo de

garantir que Portugal e Espanha estão na linha

da frente no plano para revitalizar a economia

europeia, o País tem feito “progressos significativos”

na transição para uma economia mais

sustentável, mas não tem conseguido traduzir

essa vantagem na reindustrialização da sua

economia.

De acordo com a análise, a resiliência industrial

e energética constitui a base da competitividade

futura. Portugal tem, como ponto de

partida, uma vantagem estratégica que possibilita

uma possível liderança na reindustrialização

a nível europeu: a capacidade de produzir

energia limpa, segura e de baixo custo,

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\\ TRANSIÇÃO ENERGÉTICA \\

9

até 20% mais barata do que a média europeia.

Aproveitar esta oportunidade pode representar

o crescimento do PIB em cerca de 15% e

a criação de milhares de postos de trabalho

qualificados.

“Portugal tem a oportunidade de estar na linha

da frente da nova vaga de industrialização

na Europa, liderando a transição energética e a

produção de energia renovável competitiva. A

realocação de investimento já está a acontecer,

e é essencial que saibamos escalar tanto indústrias

existentes como novas, como os veículos

elétricos e a captura de carbono, para consolidarmos

este posicionamento estratégico”,

afirma Maria João Ribeirinho, sócia sénior da

McKinsey, reforçando que “para que Portugal

se afirme como um destino industrial de referência,

à semelhança do que fizemos com o turismo,

é fundamental uma consciencialização

coletiva mais forte. Só com este alinhamento

poderemos mobilizar os stakeholders para a

ação e garantir que o país aproveita plenamente

esta janela de oportunidade”.

A perspetiva da IETI e as suas propostas

específicas foram apresentadas no âmbito da

reunião anual do Fórum Económico Mundial

(FEM), em Davos, com Teresa Ribera, Vice-

-Presidente Executiva da Comissão Europeia

para uma Transição Limpa, Justa e Competitiva,

Presidentes e CEO de vários membros

da IETI como BBVA, EDP, Iberdrola, Moeve,

Naturgy, Repsol e Santander, assim como Sócios

Seniores da McKinsey.

Miguel Stilwell d’Andrade, CEO da EDP

sublinhou que “Espanha e Portugal têm uma

oportunidade extraordinária de liderar a transição

energética e a competitividade da Europa,

tirando partido dos seus recursos naturais

abundantes, metas ambiciosas para as energias

renováveis e soluções energéticas inovadoras”.

No entanto, alertou, “desbloquear todo o

potencial deste ‘hub verde’ exigirá a simplificação

dos processos de licenciamento, maiores

investimentos na rede elétrica e estabilidade

regulatória tanto a nível nacional como europeu.

Ao abordar estas barreiras e ao agir de

forma decisiva agora, podemos atrair indústrias

estratégicas, impulsionar o crescimento

económico e garantir um futuro sustentável

para a Península Ibérica e para a Europa como

um todo.”

Já Onur Genç, CEO do BBVA, falou da necessidade

de políticas climáticas industriais

que “forneçam sinais de procura claros e incentivos

que impulsionem a transformação na

escala e previsibilidade necessárias. Isto, em

conjunto com a aceleração dos processos de licenciamento

e com mecanismos de mitigação

de risco para aumentar a viabilidade financeira,

será crucial para apoiar a competitividade

industrial das empresas.”

REDUÇÃO SIGNIFICATIVA DE EMISSÕES DE GA-

SES COM EFEITO DE ESTUFA

O Índice de Industrialização e Transição

Energética da McKinsey & Company sublinha

que Portugal tem reduzido significativamente

as suas emissões de gases com efeito de estufa

(-38% em relação aos níveis de 2005) e integradas

energias renováveis no seu sistema

energético (35% de renováveis no consumo

final de energia, principalmente impulsionado

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10

\\ TRANSIÇÃO ENERGÉTICA \\

por solar e eólica, o sexto melhor país da UE).

Esse investimento em renováveis, a par da redução

de dependências por importações de

gás, tem mantido os preços da eletricidade doméstica

acessíveis e os preços da eletricidade

para a indústria competitivos em relação à média

europeia – estes últimos foram 50% mais

baratos em 2023, a maior diferença da década.

“O investimento em energias renováveis é

fundamental pois contribui para a eletrificação

dos três setores com maiores emissões

em Portugal: transportes (30% das emissões),

indústria (25%) e produção de energia (17%);

mantém os preços da eletricidade baixos; e

viabiliza projetos com bastante valor para o

país, como a produção de hidrogénio”, aponta

Maria João Ribeirinho.

100 MW DE CAPACIDADE DE ELETROLISADO-

RES PARA HIDROGÉNIO EM CONSTRUÇÃO

Efetivamente, 100 MW de capacidade de eletrolisadores

para a produção de hidrogénio

verde estão já em fase de construção. A lista de

projetos anunciados supera os 4.000 MW. Portugal

precisa de reforçar a sua capacidade para

implementar projetos-chave. “É fundamental

ter uma regulamentação estável, um licenciamento

mais rápido, os incentivos certos e mais

investimento na rede elétrica”, acrescenta.

Também no que respeita à adoção de veículos

elétricos, Portugal registou um progresso

significativo: em 2023, veículos novos elétricos

representaram 32% das vendas totais, 10

pontos percentuais acima da média da UE.

PORTUGAL ATRASADO NOS BIOCOMBUSTÍVEIS

E BIOMETANO

No entanto, Portugal está atrasado na produção

e adoção de biocombustíveis e biometano.

Os biocombustíveis estão aquém do mínimo

estabelecido pela diretiva europeia. No

caso do biometano, apesar do novo Plano de

A contribuição de Portugal e Espanha

para revitalizar a competitividade da Europa

Energia

Portugal e Espanha estão numa posição de liderança para se tornarem o fornecedor de energia

mais rentável da Europa. A região poderia impulsionar a expansão continental de fontes de energia

renováveis competitivas, como a energia solar, a energia eólica e as baterias, estabelecendo

uma posição de liderança e conhecimentos especializados e tirando partido da abundância de

recursos renováveis, de uma rede robusta e capilar já existente que serve de base para futuras

melhorias, de amplos terrenos para o desenvolvimento de energias renováveis e de um vasto

mercado de Power Purchase Agreement (PPA) (30% do mercado da UE em 2023), promovendo

simultaneamente a descarbonização das utilizações finais da energia através de uma eletrificação

competitiva e acessível. Portugal e Espanha podem também aumentar a produção de biocombustíveis

e de combustíveis à base de hidrogénio verde e outros combustíveis renováveis de origem

não biológica (RFNBOs, sigla em inglês) para se tornarem líderes europeus, tirando partido do

eficiente sistema de refinação na Península Ibérica (quartil superior na Europa), da sua localização

estratégica e das infraestruturas existentes (terceira maior capacidade de refinação). Aproveitar a

oportunidade para produzir hidrogénio verde rentável, que é 10-20% mais económico do que

instalações equivalentes na Europa Central, ajudaria a Europa a atingir os objetivos de produção

interna.

Indústria

Aproveitar a oportunidade para aumentar a competitividade das indústrias existentes, por exemplo,

tirando partido da redução do custo da energia e desenvolvendo mais infraestruturas para

apoiar o crescimento. Ao mesmo tempo, atrair investimentos para ampliar e localizar indústrias

emergentes de elevado valor. Por exemplo, Portugal e Espanha poderiam aproveitar os seus recursos

naturais, infraestruturas e talentos para apoiar centros de dados eficientes do ponto de

vista energético, tornando a região uma localização atrativa para as empresas tecnológicas que

pretendem dispor de infraestruturas digitais com baixo teor de carbono. A região pode também

apoiar a transição para os veículos elétricos (VE) com um fornecimento sustentável de baterias,

promovendo cadeias de valor locais e salvaguardando fontes de valor a montante. Além disso,

Portugal e Espanha podem acelerar a produção de combustíveis sustentáveis para todos os meios

de transporte, utilizando matérias-primas renováveis e criando cadeias de valor locais, mantendo

simultaneamente a relevância industrial e o emprego.

Fonte: Índice de Industrialização e Transição Energética da McKinsey & Company

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\\ TRANSIÇÃO ENERGÉTICA \\

11

A perspetiva da IETI e as suas propostas específicas foram apresentadas no âmbito da reunião anual do Fórum Económico Mundial (FEM), em Davos, com Teresa Ribera, Vice-Presidente Executiva

da Comissão Europeia para uma Transição Limpa, Justa e Competitiva, Presidentes e CEO de vários membros da IETI como BBVA, EDP, Iberdrola, Moeve, Naturgy, Repsol e Santander, assim como

Sócios Seniores da McKinsey.

O País tem feito “progressos

significativos” na transição para

uma economia mais sustentável,

mas não tem conseguido

traduzir essa vantagem na

reindustrialização da sua

economia, Índice de Industrialização

e Transição Energética da McKinsey

& Company

Ação, apenas se produziram 1,2 GWh, de um

objetivo de 2.700 GWh em 2030 e de um potencial

identificado de 6.900 GWh.

“Portugal está atrasado na produção e adoção

de biocombustíveis e biometano. É fundamental

ter uma regulamentação estável, um

licenciamento mais rápido e os incentivos certos

“, sublinha Maria João Ribeirinho.

A indústria tem de aproveitar a oportunidade

única: mais investimento em I&D e mais

ambição para tirar partido dos baixos custos

de energia

Os baixos custos da energia podem traduzir-se

numa indústria mais competitiva – permitindo

a descarbonização e o crescimento

dos setores existentes, bem como a abertura

de portas a novas indústrias e cadeias de valor,

como as baterias ou o aço verde. Segundo

André Anacleto, sócio da McKinsey, “uma

indústria mais forte impulsionará a transição

energética, e a transição energética é uma

oportunidade para construir uma indústria

mais forte em Portugal, bem como para tornar

o país mais atrativo para o investimento

das empresas do setor industrial.”

As indústrias existentes devem explorar estas

novas oportunidades para crescerem. “Por

exemplo, no setor automóvel, Portugal produz

cerca de 320 mil veículos por ano, mas

apenas 0,1% deles são elétricos, enquanto na

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12

\\ TRANSIÇÃO ENERGÉTICA \\

Portugal tem, como ponto de partida, uma vantagem

estratégica que possibilita uma possível liderança na

reindustrialização a nível europeu: a capacidade de

produzir energia limpa, segura e de baixo custo, até

20% mais barata do que a média europeia,

Índice de Industrialização e Transição Energética da

McKinsey & Company

Verificou-se também a perda de relevância do

emprego na indústria transformadora no total

do emprego da economia, que continua em queda

– 16,6% em 2023, quase um ponto percentual

abaixo da média dos cinco anos anteriores à pandemia

da COVID-19 (2014-2019). A atração

de talento qualificado e mão de obra suficiente

são fundamentais para o desenvolvimento da

indústria.

Por outro lado, e em trajetória positiva, o investimento

em ativos fixos industriais cresceu

gradualmente desde 2013 e 14% só em 2022,

Alemanha esse valor é de 30%”, reforça André

Anacleto. No entanto, isto não se tem verificado.

O peso da indústria na economia, 13.6%

em 2023 (valor acrescentado bruto [VAB] da

indústria transformadora no VAB total), é

ainda significativamente mais de dois pontos

percentuais inferior à média da UE e bastante

longe dos 19% de 1996.

FALTA DE INOVAÇÃO

Em parte, este facto está relacionado com

a falta de investimento em investigação e desenvolvimento

(I&D), que é essencial para

impulsionar a inovação e manter a competitividade

da indústria a longo prazo.

De facto, o Relatório Draghi atribui à falta de

inovação o grande fosso de produtividade entre a

Europa e os Estados Unidos e a China. Em Portugal,

o investimento em I&D cresceu apenas 0,3

pontos percentuais na última década (alcançado

os 1,7% do PIB em 2022) e continua aquém da

meta europeia dos 3%. A Alemanha, por exemplo,

já passou esse objetivo. Além de aumentar o

investimento, Portugal deve também melhorar a

sua capacidade de transferência da investigação e

conhecimento para a inovação e criação de valor

de mercado.

atingindo os 12 mil milhões. No entanto, apesar

do progresso positivo, este crescimento ainda

não se refletiu em melhorias significativas, por

exemplo ao nível do VAB ou do emprego.

Em suma, segundo o Índice de Industrialização

e Transição Energética da McKinsey &

Company, para recuperar a sua vantagem industrial,

a Europa precisa de adotar a transição energética

como um motor de crescimento e procurar

fechar o fosso de produtividade em relação às

regiões líderes, estando em causa até 1 bilião de

euros de valor acrescentado até 2030.

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INDÚSTRIA

TECNOLOGIA INOVAÇÃO


14

\\ ENTREVISTA \\

COMBUSTÍVEIS VERDES

SÃO CRUCIAIS PARA ALCANÇAR ECONOMIA

DE CARBONO ZERO

EM ENTREVISTA À GREEN SAVERS, ANA CALHÔA, SECRETÁRIA-GERAL DA ABA, SUBLINHA

QUE “É IMPRESCINDÍVEL E OBRIGATÓRIO CONTINUAR A AUMENTAR A INCORPORAÇÃO DE

BIOCOMBUSTÍVEIS NOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS, DE FORMA A ATINGIR A NEUTRALIDADE

CARBÓNICA ATÉ 2050”.

\\ Por Ana Filipa Rego

Os biocombustíveis avançados e de outros resíduos são

produzidos a partir de resíduos, como óleos alimentares

usados, gorduras animais, resíduos de palha, molhos

fora de prazo, borras de café, algas, entre outros.

Por serem fabricados a partir de resíduos já existentes, os biocombustíveis

avançados “têm um impacte ambiental significativamente

mais baixo, permitindo a reutilização de resíduos de vários tipos”,

garante Ana Calhôa, Secretária-Geral da Associação de Bioenergia

Avançada (ABA), em entrevista à Green Savers. Além disso,

acrescenta, têm “efeito imediato” na redução de emissão de gases,

porque, quando comparados com o gasóleo, emitem menos 84% a

97%, e, com o elétrico convencional, a redução é de pelo menos 67%.

A responsável não tem dúvida do papel dos combustíveis verdes

na transição para uma economia de carbono zero e destaca que

Portugal “tem demonstrado uma atitude proativa para conseguir

acompanhar a evolução bioenergética europeia e conquistar cada

vez mais um lugar de destaque no setor”.

Antes de mais, o que é que são os biocombustíveis e os combustíveis

verdes, as suas vantagens ambientais e económicas, as diferenças

em comparação com os biocombustíveis tradicionais e

quais os mitos comumente associados a esta alternativa verde?

Os biocombustíveis avançados e de outros resíduos são produzidos

a partir de resíduos, como óleos alimentares usados, gorduras

animais, resíduos de palha, molhos fora de prazo, borras de café,

algas, entre outros. Ao contrário dos biocombustíveis convencionais

ou de primeira geração, que são produzidos a partir de culturas

alimentares, como a colza, soja, cana-de-açúcar, palma ou beterraba,

os biocombustíveis avançados não implicam culturas agrícolas

exclusivas para produção de matéria-prima, não competindo diretamente

com as culturas alimentares e são, também por isso, a melhor

solução pelo seu impacto positivo no ambiente, sendo também

favoráveis à economia circular.

Por serem produzidos a partir de resíduos já existentes, os biocombustíveis

avançados têm um impacte ambiental significativamente

mais baixo, permitindo a reutilização de resíduos de vários

tipos. Além disso, os biocombustíveis produzidos a partir de resíduos

têm efeito imediato na redução de emissão de gases: quando

comparados com o gasóleo, emitem menos 84% a 97%, ou, até mesmo,

com o elétrico convencional, a redução é de pelo menos 67%.

Do ponto de vista económico, estes biocombustíveis avançados

promovem uma economia circular através do reaproveitamento de

resíduos, que de outra forma seriam desperdiçados ou destinados a

aterros sanitários. Além de promoverem a redução da dependência

energética de Portugal, os biocombustíveis estão também prontos

para serem incorporados nos combustíveis fósseis, sendo a forma

mais eficaz para uma mobilidade sustentável, já que permitem uma

transição energética eficaz nos transportes sem exigir a aquisição

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ENTREVISTA \\

15

de novos veículos. Ou seja, é possível mover os

veículos portugueses já em circulação de forma

sustentável, contribuindo assim para a descarbonização

dos setores com mais emissões

poluentes, como é o caso dos transportes pesados.

Adicionalmente, o aumento da produção e

comercialização destes combustíveis traduz-se

também no aumento do emprego, o que posiciona

Portugal como um líder europeu no setor

dos biocombustíveis sustentáveis.

Infelizmente, ainda há muitos mitos baseados

em noções imprecisas, sendo o principal

relacionado com a origem dos biocombustíveis

avançados. Muitas pessoas ainda acreditam

que estes, à semelhança dos biocombustíveis de

primeira geração, recorrem a culturas agrícolas

para a sua produção, o que não é a realidade já

que os avançados utilizam matérias residuais

para serem produzidos. Paralelamente, existe a

noção de que os biocombustíveis avançados estragam

o motor dos carros e reduzem a sua performance,

o que é também um equívoco. Atualmente,

todos os carros estão preparados para

receber misturas mais ricas de biocombustíveis

incorporados, como por exemplo um B15, que

significa 15% de biocombustível e 85% de combustível

fóssil. Se falarmos em veículos pesados,

a título de exemplo, um dos nossos associados

fez uma experiência com B100 (0% de combustível

fóssil), que usou durante um ano em

veículos pesados, e não sentiu nenhum impacto

negativo nos veículos. Por isso, a promoção

de misturas mais ricas de biocombustíveis irá

promover a descarbonização dos transportes, o

cumprimento das metas europeias e a redução

de GEE, ao mesmo tempo que estamos a promover

a transição para energias mais limpas e a

eliminar gradualmente o consumo de combustíveis

fósseis.

Quais são os maiores desafios que Portugal

tem de enfrentar para conseguir alcançar a

ambicionada descarbonização?

Um dos principais desafios que Portugal tem

por enfrentar diz respeito à falta de matéria-

-prima suficiente para alimentar a produção

de biocombustíveis avançados, havendo a necessidade

de importar. A promoção de recolha

de óleos alimentares, borras de café e outros

resíduos em solo nacional é uma resposta eficaz

a esta lacuna, possibilitando a redução da

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


16

\\ ENTREVISTA \\

importação destas matérias-primas, reduzindo

a dependência energética de Portugal através de

medidas tais como esta.

Outro desafio de grande dimensão reside

também no quadro legislativo, que deve cada

vez mais acolher e fomentar a produção destes

combustíveis verdes, que são os que mais têm

contribuído para a descarbonização dos transportes,

de forma a potenciar esta bioenergia

como alternativa de relevo ao tradicional fóssil,

assim como aproximar o país dos casos de

sucesso europeus. Destaca-se ainda a capacidade

produtiva atual, que é significativa e possui

potencial para expansão, além dos diversos

projetos que estão em desenvolvimento. Aqui,

sublinhamos os atuais 11 projetos de biometano

em desenvolvimento em Portugal Continental,

que sublinham a evolução do nosso país neste

crucial setor. Claro, não deixa de ser fundamental

trabalhar proximamente com todos os

responsáveis, operadores e decisores da cadeia

de valor, para aproveitar o potencial de produção

da melhor forma e fortalecer a posição de

Portugal enquanto um produtor proeminente

de bioenergia, aproximando-o dos casos de sucesso

europeus.

A nível do setor dos transportes pesados,

que é um dos mais difíceis de descarbonizar e

também um dos principais responsáveis pela

poluição ambiental, enfrentamos desafios bastante

significativos. A maioria dos veículos

pesados portugueses ainda são movidos a gasóleo,

representando mais de 95% das vendas,

sublinhando a possibilidade de que os motores

a combustão ainda vão existir por muitos anos,

colocando os biocombustíveis e outros combustíveis

verdes como peça fundamental para a

descarbonização dos transportes.

Aliado a este obstáculo, e segundo a ACP -

Automóvel Club de Portugal, em maio de 2023

a idade média dos veículos pesados em Portugal

ronda os 15 anos, reforçando a necessidade de

renovação do parque automóvel no país.

Como é que se migra para soluções carbono

zero e se compensa as emissões emitidas?

Passa por manter uma floresta resiliente e

sem fogos?

A mitigação e compensação de emissões não

se limita apenas à proteção florestal, embora a

mesma seja crucial para a manutenção da sustentabilidade

ambiental e proteção da fauna e

flora. É fundamental que empresas e entidades

poluentes ajam proactivamente para eliminar

suas emissões desde sua origem, adotando medidas

que reduzam sua pegada de carbono, sem

descurar, claramente, a proteção florestal.

A transição para soluções de baixo carbono

e a compensação das emissões emitidas pode

envolver a adoção de biocombustíveis de segunda

geração, até porque é cada vez mais evidente

que necessitamos de um mix energético diversificado

e fortalecido por todas as soluções que

temos disponíveis, para que, juntos, possamos

mitigar significativamente as emissões de gases

de efeito estufa.

Numa era de urgência ambiental, é crucial

aproveitarmos os recursos que temos ao nosso

dispor para promover a descarbonização nos

setores mais difíceis de abater, como os transportes

e a indústria.

Os combustíveis verdes têm um papel importante

a desempenhar na transição energética

para carbono zero. De que forma?

Os combustíveis verdes desempenham um papel

crucial na transição para uma economia de

carbono zero por várias razões. Primeiramente,

a utilização de matérias-primas residuais

na produção de bioenergia permite aproveitar

recursos que de outra forma seriam desperdiçados,

promovendo a economia circular e reduzindo

a necessidade de recorrer à exploração ou

produção exclusiva de matérias-primas.

Além disso, ao substituir os combustíveis

tradicionais, estamos a contribuir para a redução

de gases de efeito estufa (GEE), visto que os

biocombustíveis e de outros resíduos permitem

uma redução de mais de 84% com potencial

para alcançar os 97%. Desta forma, entende-se

a imprescindibilidade das soluções verdes para

a mitigação das mudanças climáticas.

Conforme consta no mais recente relatório

da ABA, os combustíveis verdes têm tido

um peso considerável na redução de emissões

de CO2, o que destaca sua eficácia na aceleração

da descarbonização, principalmente nos

setores mais desafiadores, como é o caso dos

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ENTREVISTA \\

17

Infelizmente, ainda há muitos mitos baseados em

noções imprecisas, sendo o principal relacionado

com a origem dos biocombustíveis avançados. Muitas

pessoas ainda acreditam que estes, à semelhança

dos biocombustíveis de primeira geração, recorrem

a culturas agrícolas para a sua produção, o que não

é a realidade já que os avançados utilizam matérias

residuais para serem produzidos

A maioria dos veículos pesados

portugueses ainda são movidos a

gasóleo, representando mais de 95%

das vendas

transportes e indústria. Ao promover a adoção

e investimento em combustíveis verdes, podemos

impulsionar ainda mais a transição energética

para um futuro mais resiliente e consideravelmente

menos dependente de combustíveis

fósseis.

Em relação à mobilidade, porque é que os

biocombustíveis são os únicos atualmente

que estão efetivamente a descarbonizar?

Os biocombustíveis estão prontos para serem

incorporados nos veículos já em circulação e

evitam a necessidade de investimentos e substituição

por novos, consolidando-se enquanto

uma solução pragmática e adaptável para a

descarbonização gradual do setor de transportes.

Consequentemente, diminuem consideravelmente

a dependência de energias fósseis

tradicionais ou de biocombustíveis de primeira

geração, tendo, portanto, um impacte ambiental

positivo.

Em termos comparativos, os biocombustíveis

são uma das fontes renováveis que possibilitam

uma transição mais inclusiva rumo à

sustentabilidade, especialmente ao considerar

veículos pesados, que desempenham um papel

significativo nas emissões de carbono. A ampla

aplicabilidade dos biocombustíveis não apenas

complementa as demais soluções, como também

preenche lacunas ao oferecer uma solução

adaptável aos setores, como é o caso do setor

dos pesados.

Os biocombustíveis são a fonte energética renovável

que mais contribui para a descarbonização

do setor dos transportes, para o cumprimento

de metas renováveis e para a redução da

dependência energética. É, por isso, importante

que se continuem a tomar decisões de apoio ao

setor de maneira que este possa utilizar o máximo

da sua capacidade para que cresça de forma

sustentada, nomeadamente na capacidade produtiva,

no desenvolvimento tecnológico e no

acesso a mercado para incorporações mais ricas.

Porque é que diz que serão a solução inevitável

para os veículos pesados e para já?

Os biocombustíveis avançados e de outros resíduos

surgem como uma resposta eficiente e

inclusiva para os desafios ambientais e para a

sustentabilidade que queremos alcançar globalmente.

Com a crescente importância da transição

energética e do cumprimento de metas internacionais,

estes combustíveis sustentáveis têm-se

destacado como uma solução imediata e viável,

sobretudo para descarbonizar frotas de transportes

pesados, sendo também bastante acessíveis

a todos os consumidores e gestores de frotas

Além disso, estes combustíveis verdes são

bastante compatíveis com os veículos, com

motores a combustão interna, dispensando a

necessidade de modificações para poderem circular

com recurso a estas energias. Enquanto

outras soluções ainda necessitam de um período

para se tornarem maduras e eficazes, visto

que nem todas poderão ser aplicáveis aos veículos

pesados, os biocombustíveis avançados

já estão disponíveis. É precisamente pelo facto

de serem uma opção economicamente acessível

e de fácil implementação que os biocombustíveis

se revelam uma opção atrativa e prática

para impulsionar a transformação energética

para os veículos pesados, enquanto contribuem

para a redução das emissões de carbono e para

a proteção do meio ambiente em escala global.

Defende também o aumento de incorporação

obrigatória dos biocombustíveis dos atuais

7% para os 10% para acelerar a transição

energética. Porquê?

Considerando os benefícios da bioenergia e o seu

potencial, faz sentido adotar um novo standard

de combustíveis que não permita retrocessos na

incorporação de biocombustíveis. Atualmente, a

norma é a incorporação de 7% de biocombustível

no gasóleo (B7). No entanto, poderíamos considerar

aumentar essas percentagens para 10%

(B10) ou 15% (B15) no gasóleo.

Não é preciso ir longe para encontrar exemplos

de maiores incorporações de biocombustíveis.

Por exemplo, em países vizinhos como

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


18

\\ ENTREVISTA \\

Espanha e França, já é possível abastecer o carro

com um combustível B20. Além disso, é viável

alcançar incorporações maiores nos veículos

pesados, que são grandes consumidores de combustível.

Substituir o gasóleo profissional por

biocombustíveis sustentáveis pode reduzir significativamente

as emissões sem comprometer

a potência e o desempenho dos veículos.

É imprescindível e obrigatório continuar a

aumentar a incorporação de biocombustíveis

nos combustíveis fósseis, de forma a atingir a

neutralidade carbónica até 2050. Ao aumentarmos

a incorporação e consumo destes biocombustíveis,

estamos a diminuir o recurso aos

tradicionais combustíveis fósseis e, por isso, a

reduzir as emissões de CO2 para a atmosfera.

Nos últimos anos, os biocombustíveis foram

responsáveis por que percentagem na redução

de emissões de CO2 na mobilidade nacional?

Nos últimos anos, os combustíveis verdes foram

responsáveis por mais de 90% da redução

de emissões de CO2 na mobilidade portuguesa.

Embora este valor já seja, por si, admirável,

há que olhar para o potencial que os biocombustíveis

avançados têm a longo-prazo, uma

vez que possibilitam uma redução entre 84% e

97% de CO2 emitido.

Como está o nosso país neste setor e que

papel poderá ele desempenhar rumo a uma

transição energética mais célere?

Portugal tem demonstrado uma atitude proativa

para conseguir acompanhar a evolução

bioenergética europeia e conquistar cada vez

mais um lugar de destaque no setor. Isto é comprovado

pelo aumento de produção de biocombustíveis,

especialmente entre 2021 e 2022. De

acordo com os dados da ABA, em 2023, mais

de 85% da matéria-prima utilizada foi residual,

onde os óleos alimentares usados representam a

vasta maioria (60%).

De acordo com o Relatório Semestral da ABA

divulgado em 2024, a produção de biocombustíveis

em Portugal apresentou variações significativas desde

2020, destacando-se o aumento de 7% em 2023 e a

continuidade desta tendência no primeiro trimestre

de 2024

Para dar continuidade a este crescimento sustentável,

é necessário apostar mais no setor da bioenergia

avançada e na criação de medidas de apoio

para os biocombustíveis avançados, para o biometano

- um biocombustível gasoso, derivado do

biogás - e para todos os combustíveis sustentáveis

produzidos a partir de resíduos. Entre as estratégias

mais relevantes, encontram-se o Plano Nacional

Energia e Clima 2030, a Renewable Energy Directive

II (RED II) e III (RED III), o Roteiro para

a Neutralidade Carbónica 2050 (RNC 20250),

entre muitos outros, que devem ser consideradas

como um exemplo daquilo que Portugal e a Europa

podem fazer para impulsionar a transição para

uma matriz energética mais limpa e sustentável.

Ainda assim, considerando o contributo da bioenergia

avançada para a descarbonização dos setores,

é importante reforçar a aposta nas mesmas nos

planos discutidos e implementados.

Atualmente, é possível olhar para o horizonte

de 2024 até 2026 com algum otimismo, graças,

também, ao Plano de Ação para o Biometano

(PAB), que vem confirmar que estamos a desenvolver

o nosso setor no sentido de promover

a inovação e o seu desenvolvimento tecnológico,

criando oportunidades para todos os players

da cadeia de valor. Tornado público a 10 de janeiro

de 2024, o PAB veio delinear uma estratégia

que visa a substituição de 9% do gás natural

consumido em Portugal até 2030 e de quase

19% até 2040, através da implementação de um

mercado interno de biometano, para capacitar

setores estratégicos para o aproveitamento do

potencial de biogás e da promoção do desenvolvimento

do mercado de biometano nacional

para alcançar a descarbonização e a bioeconomia.

O Plano, que está dividido em três fases,

determina o futuro de um setor que pode catapultar

a inovação e o desenvolvimento tecnológico

da economia portuguesa, sendo uma das

chaves para a transição energética, que também

nos posicionará, a longo-prazo, na vanguarda da

economia verde e descarbonizada.

É ainda importante reforçar que nos últimos

três anos a ABA tem testemunhado uma transformação

e crescimento no cenário da Bioenergia

Avançada, o que reflete um mercado em

expansão, capaz de aproveitar o potencial para

revolucionar a mobilidade, descarbonizar o setor

e aproveitar os resíduos como matérias-primas

impulsionadoras do futuro.

Qual o impacto da bioenergia avançada em

Portugal em 2024?

A bioenergia avançada tem desempenhado um

papel crucial na transição energética de Portugal,

contribuindo para a descarbonização da economia

e a gestão sustentável de recursos. De acordo

com o Relatório Semestral da ABA divulgado

em 2024, a produção de biocombustíveis em Portugal

apresentou variações significativas desde

2020, destacando-se o aumento de 7% em 2023 e

a continuidade desta tendência no primeiro trimestre

de 2024. Estes avanços refletem o sucesso

das políticas de incentivo às matérias-primas

avançadas (AVA), que em 2023 representaram

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ENTREVISTA \\

19

Nos últimos anos, os combustíveis

verdes foram responsáveis por mais de

90% da redução de emissões de CO2

39% das matérias-primas utilizadas, enquanto os

óleos alimentares usados (OAU) apresentaram

um decréscimo para 48%.

Produtos como o FAME (fatty acid methyl

esters) e o co-HVO têm mantido a sua relevância

no mercado. O FAME demonstrou um crescimento

em 2022, seguido de uma diminuição

em 2023, mas ainda se destaca na produção de

2024, enquanto o co-HVO continua a registar

aumento. Este panorama reflete a importância

estratégica das tecnologias inovadoras na bioenergia

e evidencia o contributo da bioenergia

avançada para a segurança energética e para o

cumprimento das metas climáticas nacionais.

Desta forma, o setor da bioenergia está a contribuir

para a redução das emissões de gases com

efeito de estufa (GEE), dinamizando a revalorização

de resíduos, como o óleo alimentar usado,

algas, borras de café, margarinas fora do prazo,

entre outros, para a sua produção. Esta abordagem

permite uma gestão mais sustentável dos

recursos, minimizando a dependência de combustíveis

fósseis e, paralelamente, criar oportunidades

significativas para a economia nacional.

Quais os desafios e oportunidades para a próxima

década e o posicionamento estratégico de

Portugal na descarbonização?

Portugal enfrenta desafios importantes, como

o investimento em tecnologias de purificação e

infraestruturas de distribuição, a necessidade

de um quadro jurídico sólido e regulamentado,

e a obtenção de financiamento adequado. Apesar

destes obstáculos, o setor oferece imensas

oportunidades.

Além disso, os pacotes legislativos, tais como

o Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC),

transposição da RED III, o Plano de Ação

para o Biometano (PAB), entre outros, são

determinantes para impulsionar a bioenergia

avançada.

Com base na experiência europeia, onde a

produção de biometano já está bastante avançada,

é essencial que Portugal se aproxime dos

níveis de desempenho de outros países. Neste

cenário, entende-se que o desenvolvimento do

biometano poderá transformar o panorama

energético nacional, consolidando o país como

um líder na transição energética.

Ao expandir o uso de biocombustíveis avançados

e acompanhando as tendências do mercado

europeu, consolidando o quadro regulatório,

de forma a promover a competitividade

e sustentabilidade do setor, Portugal poderá

capitalizar as oportunidades apresentadas

pela bioenergia avançada e dar mais um passo

rumo à sua descarbonização..

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


20 \\ COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS \\

SEM DESCENTRALIZAÇÃO

SERÁ DIFÍCIL “FECHAR A TORNEIRA”

DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

PARA ACABAR COM A DEPENDÊNCIA DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS, AS SOCIEDADES E ECONO-

MIAS TÊM DE REFORÇAR A PENETRAÇÃO DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS, TORNAR AS REDES MAIS

EFICIENTES E DAR MAIS PODER DE DECISÃO AOS CONSUMIDORES. A DESCENTRALIZAÇÃO DA

PRODUÇÃO RENOVÁVEL E AS COMUNIDADES DE ENERGIA SÃO PARTE CENTRAL DO CAMINHO A

SEGUIR.

\\ Por Filipe Pimentel Rações

Ofim da história dos combustíveis fósseis, embora

alguns digam que tarda em chegar, vem chegando,

ainda que a passo lento, mas firme. Considerada

como indispensável para assegurar a estabilidade

da vida na Terra, e o futuro das sociedades humanas

em particular, a tão badalada transição energética está a

transformar a forma como vivemos, com mais ou menos percalços

pelo caminho.

Para a União Europeia poder alcançar a neutralidade carbónica

em 2050, em linha com o Pacto Ecológico Europeu, é preciso

acelerar essa transição. Contudo, para que tal seja possível,

alguns autores, além de salientarem o papel fundamental das

energias de fontes renováveis, defendem que o modelo energético

no bloco regional tem de olhar mais seriamente para a

descentralização.

Num artigo intitulado “A descentralização energética na

União Europeia” (Energy decentralization in the European

Union, no original em inglês), publicado em 2019 na revista Georgetown

Environmental Law Review, Rafael Leal-Arcas, Nelson

Akondo e Juan Alemany Rios apontavam a descentralização

energética como “um importante objetivo para a Europa”. Isso

seria possível, segundo os autores, graças à transição de “centrais

elétricas grandes e centralizadas para redes pequenas e locais que

melhor capitalizem as fontes de energia renovável”.

E descrevem a descentralização como “um modelo mais flexível,

em que os consumidores têm controlo sobre a energia que

usam”, podendo eles mesmos tornar-se produtores. Ainda assim,

não deixam de reconhecer que seria “uma tarefa hercúlea”, com a

regulação como uma das principais barreiras, exigindo “inovação

e atualizações técnicas, bem como coordenação entre legislações,

políticas e uma série de atores relevantes”.

Lembrando que a liberalização dos mercados energéticos na

Europa já vem da década de 1990, os autores acreditam que “a

descentralização parece ser o próximo passo lógico”, uma vez que

permitirá, entre outras coisas, alcançar “um mercado energético

mais democrático e participativo”.

Marta Guerra da Mota, Professora da Universidade da Maia

e especializada em sistemas sustentáveis de energia, diz-nos

que, quando se fala em descentralização da produção de energia,

a conversa tende a incidir sobre eletricidade. Isto, porque,

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS \\

21

explica, a produção de energia térmica já está

descentralizada.

“As famílias e as empresas têm de providenciar

os seus próprios sistemas de geração

de calor, usando fontes renováveis, como a

biomassa, ou fósseis, como o gás natural”, detalha,

acrescentando que “ao contrário do que

acontece em outros países, Portugal não possui

redes de distribuição de calor/frio”.

A docente lamenta que assim seja, “porque

essa ausência contribui para agravar a situação

de pobreza energética no país”.

Além disso, a descentralização parece

surgir como parte central de uma equação

de sustentabilidade. A docente universitária

sugere que descentralizar a produção elétrica

pode permitir um aproveitamento mais eficaz

das fontes renováveis, não só porque “reduz

a necessidade de transporte e distribuição de

eletricidade”, mas porque também “contribui

para a redução de perdas nas redes”, ajudando

a reduzir “as necessidades de produção

de eletricidade e de importação de combustíveis

fosseis”. Dessa forma, transferindo essa

produção para a escala local – usar cursos de

água corrente perto de nossa casa para gerar

eletricidade, instalar uma turbina eólica no

nosso terreno num local ventoso ou aproveitar

os resíduos em explorações pecuárias para

produzir biogás que depois pode ser usado

para gerar eletricidade e calor que podem ser

distribuídos localmente – é possível “a seleção

e a utilização das soluções mais eficientes para

os recursos disponíveis e para as necessidades

dos utilizadores, otimizando o uso da energia”,

considera a interlocutora.

NADA DE NOVO SOB O CÉU

Apesar de as energias renováveis e de as reflexões

e debates sobre a descentralização da sua

produção serem algo relativamente recente,

Marta Guerra da Mota diz que não há nada

de novo, e confessa-nos que “às vezes tenho a

sensação de que se tratam as energias renováveis

como algo de recente e de muito moderno,

em relação aos combustíveis de origem

fóssil, quando é exatamente o contrário”.

A especialista recorda que “a Humanidade

usou desde sempre energias renováveis para

suprir as suas necessidades”, tirando partido

dos recursos que as comunidades encontravam

nos ambientes naturais nos quais viviam.

O aquecimento era feito com a queima de matéria

orgânica de origem vegetal ou animal (a

chamada biomassa) ou recorrendo a fontes geotérmicas,

e a iluminação também com a combustão

da biomassa ou usando materiais biológicos

para fazer velas e tochas, como a cera das

abelhas, óleos vegetais e gordura de animais.

Do mesmo modo, o aproveitamento da

força do vento nada tem de novidade, sendo

usada há milhares de anos para mover

embarcações, moinhos que moem cereais e

máquinas para bombear água para rega ou

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


22

\\ COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS \\

Especialistas consideram que a

descentralização da produção de

energia renovável é indispensável

para ajudar a reduzir a emissões de

gases poluentes, para democratizar

o sistema energético, para combater

a pobreza energética e, em suma,

para permitir uma efetiva transição

energética para lá dos combustíveis

fósseis.

drenagem. Aliás, Marta Guerra da Mota convida-nos

a atentar nos moinhos tradicionais

que estão localizados perto de parques eólicos.

Para ela, isso é sinal de que “os nossos antepassados

sabiam onde encontrar e como usar

estes recursos”.

Ademais, também a energia hídrica

tem raízes antigas, com mais de 2.500 anos.

Recorde-se, por exemplo, as grandes rodas colocadas

em rios, as azenhas, movidas pela força

das correntes para moer grãos, cortar pedras e

irrigar os campos agrícolas.

Estes são exemplos que ao leitor podem

parecer demasiado rústicos, mas facto

é que os princípios inerentes a estas tecnologias

de aproveitamento de energia de fontes

renováveis foram depois transformados e aplicados

na revolução industrial que mudou o

planeta em que vivemos.

Diz Marta Guerra da Mota que “só a partir

do século XIX, com a generalização da

utilização da máquina a vapor, é que os combustíveis

fósseis se começam a assumir como

protagonistas centrais no cenário energético”.

E só no século seguinte é que começa a surgir o

modelo centralizado de produção e distribuição

de energia, “assente no uso intensivo dos

combustíveis fósseis”, aponta, algo que “na altura,

fazia sentido, porque estes combustíveis

eram baratos e abundantes”.

À medida que os países importadores se

apercebiam de que a dependência de fontes

energéticas externas os confrontava com riscos,

e até crises, para lá do seu controlo, começaram

a ser criadas “as ferramentas que permitiam

manter a estabilidade da rede e avançar

para um modelo descentralizado”. Nesse campo,

a especialista lembra que os cientistas e

investigadores portugueses “tiveram um papel

fundamental nesse desenvolvimento”, razão

pela qual “Portugal foi um dos países pioneiros

na aposta e utilização das energias renováveis”.

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS \\

23

PORQUÊ DESCENTRALIZAR?

Acima de tudo, a descentralização da produção

elétrica permite reforçar os esforços de

redução de emissões de gases poluentes (um

dos principais motores da crise climática) com

um melhor aproveitamento e penetração das

fontes renováveis, aumentar a resiliência dos

sistemas energéticos ao reduzir a distância percorrida

entre o local de produção e os de consumo,

reduzindo também as perdas durante

a distribuição, e dar mais poder e autonomia

aos consumidores, sejam indivíduos, famílias,

comunidades ou empresas, que podem melhor

gerir as suas necessidades energéticas e os custos

inerentes à sua satisfação.

Além disso, Marta Guerra da Mota, da Universidade

da Maia, acredita que a descentralização

pode, inclusivamente, “contribuir para a

criação de novos negócios e oportunidades de

emprego e dinamizar as economias locais”.

Olhando para uma escala mais global, e salientando

que o que é feito a nível local pode

ter grandes impactos de dimensão planetária,

a especialista declara, sem rodeios, que “a descentralização

é essencial para que os países

consigam atingir as metas de incorporação de

energias renováveis e deixem para trás os combustíveis

fósseis”.

Para ela, descentralizar a produção energética

permite “aproveitar melhor os recursos

renováveis disponíveis localmente, reduzir perdas

energéticas no transporte e dar mais autonomia

às comunidades e empresas”. Ao mesmo

tempo, sustenta, “democratiza o acesso à energia

limpa, reduz a dependência de combustíveis

fósseis importados, reforça a resiliência do sistema

energético perante crises ou picos de consumo

e aumenta a agilidade nas respostas”.

É por todas essas razões que Marta Guerra

da Mota acredita que sem descentralização “a

transição energética será mais lenta, mais cara e

menos eficiente”. Como tal, não tem dúvidas de

que “apostar em soluções como autoconsumo,

comunidades energéticas e micro-redes renováveis

não é apenas desejável, é indispensável

para um futuro sustentável”.

TENTAR QUE UMA SOLUÇÃO NÃO SE TORNE

MAIS UM PROBLEMA

A transição para modelos energéticos não poluentes,

com as renováveis como espinha dorsal,

tem avançado a passos largos nos últimos anos.

Contudo, a ânsia em acelerar essa mudança tem

tornado evidente um “lado negro” da transição.

A massificação das renováveis tem gerado

contestação social, da população e dos movimentos

ambientalistas, sobretudo relativamente

a grandes projetos que resultam, por

exemplo, na destruição de áreas florestadas

para instalação de parques solares. Portugal, tal

como outros países europeus, tem sido um dos

palcos dessa contestação.

Marta Guerra da Mota diz que “as renováveis

em massa apresentam sempre impactos

negativos”, apontando que “as recentes polémicas

ambientais relativas aos megaparques solares,

alguns muito mediatizados, são de facto

lamentáveis e colocam questões éticas relevantes”.

Recorde-se, a título de exemplo, a oposição

pública a projetos de instalação de parques solares

e eólicos no Parque Nacional da Peneda-

-Gerês, ou mesmo a impugnação lançada pelo

Ministério Público para travar uma central

fotovoltaica em Santiago do Cacém, que seria

a maior da Europa. Estes são apenas dois exemplos

de um universo de muitos mais.

Como tal, a docente universitária acredita

que a expansão das renováveis deveria passar

pela descentralização da produção, por exemplo,

com a “instalação de painéis fotovoltaicos

em zonas já intervencionadas, como coberturas

de espaços comerciais, industriais ou agrícolas,

coberturas de edifícios (residenciais, de serviços

ou públicos) ou zonas de sombreamento

em parques de estacionamento”. E lembra que

essa “tem sido uma prioridade em termos das

orientações da União Europeia”.

Dessa forma, seria possível evitar, ou pelo

menos reduzir, o “investimento em novas infraestruturas

de transporte de energia elétrica, que

são muito caras” e reduzir “as perdas de energia

no transporte e distribuição, dado que produtor

e consumidor estão muito próximos ou no

mesmo local”, além de atenuar os impactos ambientais

negativos da transição energética.

Por isso, e reconhecendo que “frequentemente

os terrenos privados tornam-se apetecíveis

para a instalação de renováveis em massa,

empreendimentos que em muitos casos comportam

elevados custos ambientais, sociais e

económicos”, Marta Guerra da Mota apela à

realização de “uma aferição robusta dos reais

benefícios versus custos destas instalações,

atendendo às perdas dos serviços ecossistémicos

dos locais de instalação e aos impactos nas

atividades económicas circundantes”.

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


24

\\ COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS \\

Com as comunidades de energia, os consumidores,

sejam indivíduos, empresas ou instituições, podem

também tornar-se produtores e gerir melhor as suas

necessidades energéticas com um aproveitamento

mais eficiente dos recursos energéticos disponíveis

localmente.

FAZER A DESCENTRALIZAÇÃO: SABER O QUE

HÁ E ONDE HÁ

Percebendo que a descentralização deve ser

um elemento fulcral da transição energética,

então como fazê-la?

Marta Guerra da Mota diz-nos que o primeiro

passo é “identificar e dar a conhecer as

fontes renováveis localmente disponíveis, que

vão para além da energia solar e eólica”, lembrando

que há 15 anos foi feito um estudo

“muito interessante” que pretendeu avaliar o

potencial de energias renováveis de cada um

dos municípios portugueses. O objetivo era

“sustentar o planeamento e a definição de um

mix energético adaptado a cada uma das regiões”,

refere a interlocutora, mas, passados 10

anos, considera que seria preciso “atualizar e

divulgar essa informação”, contemplando já as

energias oceânicas e também o biogás, sendo

que este último, aponta, é “um recurso interessante

e desconsiderado em Portugal”.

Sobre o biogás, Marta Guerra da Mota descreve-o

como “uma solução interessantíssima

que contribuiu para a produção descentralizada

de energia elétrica, térmica ou de biometano”,

e, uma vez que é semelhante ao gás natural

na sua composição, “pode ser injetado para

venda na rede de distribuição de gás”.

Assim, um maior destaque do biogás no

panorama energético nacional “diversifica o

risco dos agricultores”, passando eles próprios

a serem também produtores, “gera dinâmicas

económicas locais e evita a ocorrência de

emissões de metano para a atmosfera, decorrentes

da decomposição da matéria orgânica”,

detalha a especialista.

E o Governo deve ter um papel determinante

no impulsionamento da descentralização

energética, especialmente ao nível da “criação

de um enquadramento estável e cativante para

quem deseja investir em energias renováveis”,

defende, com “claras políticas para o desenvolvimento

de energias renováveis ao nível local

e criar estruturas que providenciem o apoio e

informação necessários à posterior elaboração

e concretização dos projetos”.

AS COMUNIDADES DE ENERGIA: UMA PEÇA

FUNDAMENTAL

Ao transferir o foco de produção das estruturas

centralizadas para unidades locais, surgem

então as comunidades de energia renovável,

um dos pilares da descentralização.

Os especialistas são unânimes quanto à

grande importância que esses agrupamentos

de pessoas, empresas e outras entidades têm

para reforçar e acelerar a descarbonização e

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS \\

25

solidificar a força das renováveis no panorama

energético, não só nacional, mas europeu

e até global. As comunidades de energia reúnem

uma série de agentes consumidores, que

se transformam também em produtores e que

tomam nas suas próprias mãos as rédeas da

gestão de energia a um nível local. “Produzir

local, consumir local” seria uma forma simples

de resumir o espírito das comunidades de

energia.

Marta Guerra da Mota, da Universidade

da Maia, considera mesmo que as comunidades

de energia conseguem fazer um uso mais

eficiente dos recursos disponíveis, com um

melhor aproveitamento e com menos desperdícios

e perdas.

“A energia elétrica produzida pelos painéis

fotovoltaicos das residências, que não é utilizada

porque os seus ocupantes estão a trabalhar,

pode ser usada pelas empresas locais, que por

seu turno disponibilizam o excesso de calor dos

seus processos para aquecimento/arrefecimento

das casas, ou das estufas ou infraestruturas

desportivas, nas proximidades”, exemplifica a

especialista.

Para Maria João Benquerença, diretora de

Comunidades de Energia Renovável da Cleanwatts,

“estas comunidades desempenham

um papel essencial na descentralização da energia

ao permitir que os membros beneficiem de

custos reduzidos, maior autonomia energética

e uma menor pegada de carbono”. Além disso,

acrescenta, “fomentam a democratização do

setor energético”, através de “uma distribuição

mais justa dos benefícios da transição energética

e promovendo a inclusão social e económica”.

Da sua experiência com comunidades de

energia renovável, Maria João Benquerença

acredita que os benefícios sociais, económicos

e ambientais dessa colaboração entre vários

agentes-chave é central para facilitar o acesso a

energia limpa de fontes renováveis, para tornar

o sistema energético mais eficiente, para aliviar

o peso financeiro sobre os consumidores e para

torná-los partes ativas do plano energético.

Vamos a um exemplo prático: uma empresa,

parte de uma comunidade de energia, instala

painéis fotovoltaicos no telhado de um dos seus

edifícios. Consome parte da energia produzida

no local e o que sobra é distribuído pelos demais

membros da comunidade, a preços mais reduzidos

do que os da rede dita “tradicional”. Outro

poderá ser um conjunto de cidadãos que se junta

e, conjuntamente, adquire os equipamentos para

geração de energia renovável (painéis, turbinas

eólicas), partilhando os custos de investimento

iniciais, mas também partilhando a energia produzida

ou vendendo-a a terceiros.

Ainda que todas as comunidades de energia,

por definição, não tenham a geração de lucro

como um fim em si mesmo, mas sim a produção

e consumo coletivos e locais de energia, com

benefícios ambientais, sociais e económicos,

podem ter vários formatos. Segundo o Decreto-Lei

15/2022, de 14 de janeiro, as comunidades

de energia têm de ser respaldadas por uma

entidade legal criada para esse propósito, como

associações, fundações ou cooperativas.

Ana Rita Antunes, coordenadora-executiva

da Coopérnico, considerada a primeira cooperativa

de energia renovável em Portugal, acredita

que “o modelo cooperativo é um excelente

modelo para assegurar uma transição mais justa”.

Isto, porque, de acordo com a responsável, “as

cooperativas são compostas por cidadãos, organizações

e empresas que, em conjunto com os

governos locais, querem criar condições de produção

local de energia em benefício de todos”.

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


26

\\ COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS \\

As comunidades de energia são fundamentais para

aumentar a penetração das energias de fontes

renováveis, mas a complexidade burocrática, a falta

de incentivos e o desconhecimento continuam

a ser dos principais obstáculos à sua criação e

proliferação.

Ana Rita Antunes

Coordernadora-executiva

da Coopérnico

Maria João Benquerença

Diretora de Comunidades

de Energia Renovável da

Cleanwatts

Marta Guerra da Mota

Professora da Universidade

da Maia e especializada em

sistemas sustentáveis de

energia

As especialistas não têm quaisquer dúvidas

de que sem a descentralização energética e sem

as comunidades de energia, a transição energética

para lá do fóssil, e em direção a sociedades

humanas mais sustentáveis e em linha com os

ciclos do planeta, demorará muito tempo a ser

concretizada. Se calhar tanto tempo que não

será possível lá chegar de todo.

A DESCENTRALIZAÇÃO E A POBREZA

ENERGÉTICA

A pobreza energética tem sido apontada como

um dos grandes problemas em Portugal e também

no resto da Europa. Estima-se que mais de 34

milhões de pessoas na União Europeia (UE) não

sejam capazes de aceder a serviços energéticos

para aquecer, arrefecer ou iluminar as suas casas

em condições.

Portugal estará entre os Estados-membros

com os mais elevados níveis de pobreza energética,

calculando-se que entre 1,8 e três milhões

de pessoas estejam nessa situação, das quais entre

609 e 660 mil estarão mesmo em pobreza

energética severa. Os baixos rendimentos, edifícios

e equipamentos pouco eficientes, os elevados

custos da energia e uma reduzida literacia

energética estão entre os principais fatores que

impulsionam a pobreza energética.

Ressalvando que a pobreza energética é “uma

problemática complexa que resulta de fatores

diversos” e que “a zona norte de Portugal regista

valores mais elevados, em parte devido à influência

do clima”, Marta Guerra da Mota alerta

que a situação pode ser bem pior do que as estimativas

nos dizem. Isso, porque “nem sempre

a pobreza energética é assumida”, uma vez que

“as pessoas desenvolvem resistência ao frio e implementam

medidas que ajudam a minimizar o

desconforto”, explica.

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS \\

27

Em 2023, o Governo de então lançou a Estratégia

a Longo Prazo de Combate à Pobreza

Energética, que tem como objetivo erradicar a

pobreza energética em Portugal até 2050. Mas

o caminho ainda é longo, e deverá passar pela

descentralização da produção elétrica e pela

promoção das comunidades de energia.

Maria João Benquerença, da Cleanwatts,

acredita que, por os consumidores poderem

aceder a energia limpa e renovável a preços mais

baixos do que teriam na rede elétrica convencional,

as comunidades de energia ajudam definitivamente

a combater a pobreza energética.

E essas comunidades podem fazer muito

mais do que produzir energia. Ana Rita Antunes,

da Coopérnico, diz que esses agrupamentos

podem trabalhar, por exemplo, na requalificação

de edifícios de modo a torná-los mais

eficientes em termos energéticos, promover a

mobilidade elétrica e partilhada entre os seus

membros e comercializar eletricidade.

“As comunidades de energia por si só não

resolvem o problema da pobreza energética”,

reconhece Ana Rita Antunes, mas afiança

que “podem contribuir para o alívio deste problema

tão presente na sociedade portuguesa”,

desde que para isso haja “os incentivos públicos

adequados para que surjam mais iniciativas

locais de transição energética”. Só dessa

forma se consegue assegurar, continua, que

“todos possam fazer parte de uma comunidade

de energia, independentemente da sua

capacidade de investimento, ou da sua capacidade

técnica para atuar dentro de uma comunidade

de energia”.

BUROCRACIA E INVESTIMENTO: BARREIRAS

ÀS COMUNIDADES DE ENERGIA EM PORTUGAL

Apesar de todas as vantagens, para o ambiente

e para as sociedades humanas, das comunidades

de energia, em Portugal a burocracia é

ainda um obstáculo a ultrapassar.

“Apesar de existir um quadro legal que permite

o autoconsumo coletivo e as comunidades

energéticas, os processos administrativos

continuam complexos e demorados, o que

dificulta a implementação de novos projetos”,

salienta Marta Guerra da Mota, da Universidade

da Maia, para quem também “a falta de

conhecimento sobre estas iniciativas por parte

dos cidadãos e das empresas impede uma

maior adesão”. Em suma, “é um assunto do

qual não se fala muito”, lamenta.

Como tal, “mesmo nos países mais desenvolvidos

neste setor”, como a Alemanha, a

Dinamarca ou os Países Baixos, “há um longo

caminho a percorrer para que as comunidades

energéticas se tornem uma peça central do sistema

energético europeu”, afirma.

Maria João Benquerença diz-nos que também

na Cleanwatts se têm deparado com barreiras

ao nível das entidades reguladoras do

setor energético, algo que atribui a processos

de adaptação à realidade da descentralização

e das comunidades de energia. “Nos últimos

anos, temo-nos deparado com alguns constrangimentos

no avanço das Comunidades

de Energia, sobretudo no que diz respeito ao

licenciamento das mesmas e da adesão de

membros”, avança, mas considera que “os períodos

de adaptação são seguidos por aprendizagens,

e temos vindo a verificar uma aceleração

considerável nesta fase da vida das

Comunidades de Energia”.

A par dos entraves burocráticos, também o

financiamento surge como potencial fonte de

problemas, especialmente numa fase de arranque

dos projetos das comunidades de energia

renovável, em que os investimentos são mais

elevados, com a aquisição e a instalação dos

equipamentos.

Ana Rita Antunes, da Coopérnico, garante-nos

que “não é por falta de interesse dos

cidadãos que não investem em autoconsumo

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


28

\\ COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS \\

Sem podermos contar para já com uma capacidade

significativa de armazenamento de energias

renováveis que permita dar mais estabilidade

no abastecimento, as grandes infraestruturas,

como parques eólicos e centrais hídricas, deverão

continuar, por enquanto, a ser necessárias.

coletivo, ou noutras formas de comunidades

de energia”. O que acontece é que há “falta de

investimento para tal”, declara.

A responsável lamenta que, à data de escrita

deste artigo, “ainda não saíram os resultados

do Aviso do Fundo Ambiental de 2023 para

apoio à criação de Autoconsumo Coletivo e

Comunidades de Energia Renovável”, uma demora

que considera ser “desanimadora”.

Portugal ainda está muito atrás no caminho

da descentralização das renováveis, sobretudo

no que toca à promoção das comunidades

de energia. Mas Ana Rita Antunes dá alguns

exemplos com os quais o país pode aprender.

Na Bélgica, conta-nos, os municípios estão a

incentivar a criação de cooperativas de energia

ao cederem os telhados de edifícios públicos

para instalação de painéis para produção local

de energia. Também nos Países Baixos, há

incentivos para que os cidadãos implementem

projetos de produção de energia renovável

nos seus municípios e em Espanha o modelo

de produção para autoconsumo coletivo “está

significativamente mais simplificado do que

em Portugal”, diz a responsável da Coopérnico,

“desde o processo de registo, até à majoração

da potência que se pode instalar”.

Ainda que reconheça que alguns países

estão mais atrasados do que Portugal neste

campo, Ana Rita Antunes acredita que “o importante

é olharmos para quem faz melhor e

aprender com esses”. E, acima de tudo, defende,

“é necessário desburocratizar e simplificar

os modelos para que os cidadãos sintam confiança

de que o podem fazer sozinhos”, pois “a

complexidade do sistema atual leva à centralização

e ao aumento de barreiras à entrada dos

cidadãos”.

É POSSÍVEL UMA TOTAL DESCENTRALIZAÇÃO

E AUTONOMIA?

Com uma maior descentralização da produção

de energia e com as comunidades energéticas

a permitirem uma maior autonomia e

controlo por parte dos seus membros a uma

escala local, podemos perguntar-nos se isso

implicará uma rutura com o atual modelo

centralizado e mesmo com o domínio das empresas

energéticas que controlam as grandes

centrais de produção. Seria, talvez, uma espécie

de “revolução energética”.

Marta Guerra da Mota diz que existem

já algumas comunidades que, devido ao seu

isolamento geográfico, são “totalmente autónomas

em relação aos grandes produtores”.

Contudo, salienta que essa autonomia exige “o

uso complementar de várias fontes de energia,

muitas vezes renováveis e não renováveis, e alguma

disciplina na utilização da energia”.

Embora confesse que “é desejável a maximização

da autonomia, usando os recursos

locais”, a docente da Universidade da Maia

reconhece que “a intermitência da produção

renovável pode obstaculizar uma autonomia

a 100%”, sobretudo em localidades ou regiões

de maiores dimensões, nas quais “a procura de

energia é maior e o acesso a recursos produtivos

é mais limitado”.

Ainda assim, acredita que “as comunidades

de energia têm um papel muito importante,

porque são agentes produtivos com alguma

dimensão e que podem contribuir para uma

melhor gestão do sistema”.

Outro assunto que tem gerado algum debate

tem sido a independência, ou não, das

comunidades de energia face aos grandes

produtores. Algumas empresas energéticas

com atuação no setor das renováveis têm

ativamente promovido a criação de comunidades

de energia. Mas se essas comunidades

têm como finalidade dar maior autonomia e

controlo aos consumidores, e inclusivamente

tornando-os produtores, ao estarem sob a alçada

dos grandes produtores não desvirtuam

esse propósito basilar?

Marta Guerra da Mota explica que as comunidades

incentivadas pelas empresas energéticas

podem beneficiar do conhecimento

técnico, das infraestruturas, do financiamento

e do apoio na gestão da energia. Talvez de

outra forma muitos consumidores não fariam

parte desses modelos descentralizados.

Contudo, alerta que “se estas comunidades

forem excessivamente controladas pelas grandes

empresas energéticas, há o risco de que a

descentralização seja apenas aparente”, com os

consumidores a serem nada mais do que mais

uma peça na engrenagem das grandes produtoras

energéticas, sem verdadeira autonomia,

“assumindo apenas parte da produção de energia,

enquanto as grandes empresas se mantêm

como principais intermediárias e decisoras”.

Por isso, para que seja possível uma “descentralização

genuína”, a docente universitária

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS \\

29

dificultar a gestão da intermitência das renováveis

e criar desigualdades no acesso à energia”.

Ainda, sem podermos contar para já com

uma capacidade significativa de armazenamento

de energias renováveis que permita dar

mais estabilidade no abastecimento, as grandes

infraestruturas, como parques eólicos e centrais

hídricas, deverão continuar, por enquanto, a

ser necessárias. É por isso que “para já o modelo

mais sustentável é um sistema híbrido, onde

a produção descentralizada complementa as

grandes centrais renováveis, por forma a garantir

um abastecimento equilibrado e eficiente”,

acrescenta a docente universitária..

acredita que é indispensável que os consumidores

assumam “um papel ativo na gestão da

comunidade, que exista transparência nos benefícios

e que o modelo de governação favoreça

uma participação democrática e colaborativa”.

De outro modo, a apregoada descentralização

não será mais do que uma miragem usada para

manter a centralização. Se os modelos descentralizados

podem ser o fim da centralização,

Marta Guerra da Mota considera que “para já,

os dois modelos têm de coexistir”. É por isso que

“a descentralização não significa acabar com as

grandes infraestruturas energéticas, mas sim

complementá-las com um sistema mais distribuído,

flexível e eficiente”, com o derradeiro objetivo

de “acelerar a descarbonização e garantir

energia acessível a todos”.

Essa complementaridade é relevante, uma vez

que “um modelo totalmente descentralizado não

seria viável a curto-prazo”, aponta, pois isso “poderia

Dados da Direção-Geral de Energia e Geologia,

referentes a 2024, mostram que a

produção descentralizada de eletricidade de

fontes renováveis representou apenas 6,6% do

total de energia renovável gerada em Portugal.

Como tal, Marta Guerra da Mota acredita

que “há muito trabalho a fazer” rumo à

descentralização, sem a qual a transição energética

poderá não passar de um objetivo que

dificilmente se alcançará.

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


30 \\ ENTREVISTA \\

REFORMA DO MERCADO ELÉTRICO

EUROPEU É “ESSENCIAL PARA

A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA”

A EML S.A. RESULTA DA CISÃO ESTRATÉGICA DA JOINT VENTURE ENTRE A ENGIE E A MARUBENI

CORPORATION. EM ENTREVISTA À GREEN SAVERS, CÉLIO PINTO, CEO DA NOVA EMPRESA, EXPLICA

O QUE MOTIVOU ESTA DECISÃO E FALA SOBRE O FUTURO DO SETOR DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS.

\\ Por Ana Filipa Rego

No dia 18 de novembro de 2024, a TrustEnergy comunicou

a cisão estratégica da Joint Venture entre a ENGIE

(50%) e a Marubeni Corporation (50%), em vigor desde

2013, tendo sido criada, após esta cisão, a eml S.A. Célio

Pinto, CEO da nova empresa, revela que a dissolução foi motivada pelo

“reconhecimento de que o setor está a passar por uma transformação

significativa”. Em entrevista à Green Savers, o responsável sublinha que

a reforma do mercado elétrico europeu “é uma questão essencial para a

transição energética” e que um dos principais desafios do setor “é a quase

estagnação do consumo”.

Célio Pinto considera ainda que a política energética em Portugal

“tem registado uma evolução positiva, criando um ambiente propício ao

crescimento das energias renováveis”, mas, para alcançar as metas estabelecidas,

“é essencial continuar a fomentar condições favoráveis ao investimento”

e “resolver o problema da burocracia”.

A eml S.A. resulta da cisão estratégica da Joint Venture entre a EN-

GIE (50%) e a Marubeni Corporation (50%). O que é que motivou

esta decisão?

A dissolução foi motivada pelo reconhecimento de que o setor está a

passar por uma transformação significativa, com o aumento da procura

por soluções de energia renovável e pela necessidade de um melhor alinhamento

com a dinâmica do mercado atual.

De que forma é que a separação permitir-vos-á inovar, crescer e responder

melhor às necessidades específicas dos vossos parceiros e

clientes em transição para a neutralidade carbónica?

A Marubeni Corporation pretende, com este passo, impulsionar o foco e

acelerar o crescimento no setor energético português. Decidimos criar uma

holding – eml S.A. – que irá deter e gerir os ativos que foram alocados em

resultado da divisão de ativos, mas também, será o veículo de potenciais

investimentos no sector energético na Península Ibérica.

Pretendemos, assim, manter e criar soluções resilientes, promovendo a

transição para uma sociedade descarbonizada. Na área da geração de energia,

estamos a analisar oportunidades para aumentar a capacidade instalada.

Adicionalmente, pretendemos expandir o negócio para a área dos

serviços, apoiando os nossos clientes e parceiros na transição energética.

Apesar da dissolução da Joint Venture, alguns ativos mantêm-se

sob gestão da Marubeni Corporation, através de uma nova holding

denominada eml S.A. e da ENGIE. As subsidiárias adquiridas pela

Marubeni são centrais de produção de eletricidade usando o vento

ou gás natural, e projetos de desenvolvimento para a produção de

eletricidade, usando energia solar e a produção de hidrogénio. Como

está a correr a sua gestão?

Como resultado da separação, foram alocados ativos – unidades de produção

de energia e recursos humanos. De forma geral, os colaborado-

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ENTREVISTA \\

31

res acompanharam as unidades onde já desempenhavam funções.

Contudo, em algumas posições, sobretudo em funções corporativas

e na área de desenvolvimento de negócios, foi necessário recorrer ao

mercado para suprir determinadas necessidades.

Atualmente, estamos a integrar os novos membros na estrutura. A

curto prazo, o nosso objetivo é assegurar a excelência na gestão de

ativos dos investimentos da Marubeni Corporation na região, bem

como fortalecer a nossa capacidade na área de desenvolvimento de

negócios.

Acha que a legislação no setor das energias renováveis, em Portugal,

é positiva para o setor?

A política energética em Portugal tem registado uma evolução positiva,

criando um ambiente propício ao crescimento das energias

renováveis. O país tem alcançado progressos significativos ao longo

dos anos, estabelecendo objetivos ambiciosos para a transição energética

e consolidando-se como uma referência internacional neste

domínio.

Recentemente, o Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC) 2030

foi revisto e, para alcançar as metas estabelecidas, é essencial continuar

a fomentar condições favoráveis ao investimento. Além disso,

é crucial resolver o problema da burocracia, sendo o licenciamento

de projetos um dos principais desafios a superar.

Como é que olha para o crescimento da produção de eletricidade

a partir de fontes renováveis, com Portugal a atingir o recorde de

80,4% no acumulado do ano de 2024?

O ano passado destacou-se pelo aumento significativo da capacidade

instalada de energias renováveis e pelas condições globalmente

favoráveis de produção hídrica. Este marco impressionante reflete

o compromisso do país com a transição energética e a sustentabilidade

e é resultado da estabilidade na política energética nacional,

sustentada por decisões que, embora críticas no passado, começam

agora a revelar os seus benefícios.

Qual a quota da produção de energia renovável no país, por parte

da eml S.A., e quais as ambições para o futuro?

Em termos de capacidade instalada, detemos cerca de 4,3% no eólico

onshore, o que representa cerca de 1,3% na geração renovável.

Temos ambição de aumentar a capacidade instalada, seja através

de oportunidades de M&A ou acrescentando valor aos pontos de

ligação detidos pela eml, aproveitando os regimes de hibridização,

sobrequipamento e repowering em vigor.

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


32

\\ ENTREVISTA \\

Em termos de capacidade

instalada, detemos

cerca de 4,3% no eólico

onshore, o que representa

cerca de 1,3% na geração

renovável

Quais os maiores desafios para o setor?

Um dos principais desafios é a quase estagnação

do consumo. Sem um aumento da procura,

existe o risco de não se atrair investimento, o

que pode comprometer a descarbonização e o

cumprimento dos objetivos definidos no Plano

Nacional de Energia e Clima (PNEC).

A economia portuguesa no ecossistema ibérico

tem condições naturais para liderar a

transição energética pelas condições para a

produção de energia renovável. Portugal tem

300 dias de sol por ano, mais 20% de horas

do que a média europeia, o que reduz os custos

de energia solar em 20 a 30%. Tem, além

disso, mais 5% a 10% de recursos eólicos e as

maiores reservas de lítio da União Europeia

ou mesmo as oitavas maiores do globo. De

que forma deve aproveitar estas condições?

É fundamental haver vontade política para impulsionar

a atração de investimento. Portugal

possui um enorme potencial para se tornar um

destino de excelência para a indústria verde, ao

oferecer energia limpa a preços competitivos.

Como antecipam o futuro, a curto e médio

prazo, no setor das energias renováveis?

A curto prazo, a necessidade de combater as

alterações climáticas continuará a impulsionar

a aceleração da transição energética e a consequente

implementação de energias renováveis.

Esta crescente procura por fontes de energia

intermitentes exigirá investimentos nas infraestruturas,

como as redes elétricas, bem como

na implementação de sistemas de armazenamento

de energia e na flexibilização dos sistemas

de geração – nomeadamente, as centrais de

ciclo combinado – que desempenham o papel

de backup, garantindo a segurança no abastecimento.

A geração descentralizada assumirá

um papel cada vez mais relevante, permitindo

que a energia seja produzida onde é necessária,

otimizando as perdas e os custos no transporte

de eletricidade.

Neste contexto, a reforma do mercado elétrico

europeu é uma questão essencial para a transição

energética e para garantir uma maior sustentabilidade

nos investimentos. Para melhorar a estabilidade

dos preços, será incentivada a utilização

de contratos de longa duração para a venda de

energia (PPA), um tipo de contrato a preço fixo,

assinado entre o produtor de eletricidade e o consumidor.

Outra medida passa pela introdução de

mecanismos de capacidade para remunerar as

centrais elétricas, de forma a garantir a segurança

no aprovisionamento de eletricidade.

A médio e longo prazo, com o fim anunciado

da produção de energia de origem fóssil e considerando

a intermitência das energias renováveis,

podemos assistir ao crescimento do hidrogénio

verde como uma nova solução para armazenar e

transportar energia renovável. O hidrogénio desempenhará

um papel cada vez mais relevante,

especialmente em sectores difíceis de eletrificar,

como a indústria pesada, os transportes marítimos

e a aviação.

Há objetivos nas reduções das emissões até

2030 e teremos de atingir a neutralidade carbónica

até 2050. Vamos conseguir?

Estes são objetivos ambiciosos, mas essenciais

para combater as alterações climáticas e preservar

o ambiente para as gerações futuras. A

viabilidade desses objetivos depende de diversos

fatores, como as políticas governamentais, as inovações

tecnológicas e as mudanças de comportamento.

Dada a complexidade e a dimensão das

transformações necessárias, será imprescindível

a colaboração de todos os intervenientes para

alcançarmos uma economia mais sustentável.

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS

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34

FÓRUM DE LÍDERES

1

2

Como a sua empresa/entidade

implementa e promove as melhores

práticas de sustentabilidade?

Qual é a sua visão sobre o futuro

da gestão energética em Portugal?

A transição energética é a substituição gradual de fontes de energia por outras mais eficientes,

disponíveis ou baratas e, atualmente, ganha uma maior preponderância, porque, mais do que

fornecer energia ao mundo, procura-se reduzir as emissões poluentes na atmosfera e combater

as alterações climáticas, intensificadas pelo uso de combustíveis fósseis.

Reconhecendo a inevitabilidade da transição energética dada a urgência climática e a necessidade

de mudança do paradigma económico, em particular, no que toca aos combustíveis fósseis,

Portugal assumiu, de forma clara, o compromisso da transição energética, com o objetivo

de redução das suas emissões de gases com efeito de estufa.

O país tem um Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 (RNC2050) e um Plano Nacional

de Energia e Clima 2030 (PNEC2030). O primeiro estabelece a trajetória a seguir para atingir

a neutralidade carbónica em 2050, identificando as opções custo eficazes para atingir aquele

fim em diferentes cenários de desenvolvimento socioeconómico. O PNEC apresenta uma visão

de curto-médio prazo, onde se define nomeadamente como meta para 2030 que 80 % da eletricidade

consumida seja de origem renovável.

Neste fórum de líderes, instituições do nosso país revelam de que forma estão comprometidas

com estes desígnios e explicam a sua visão para o futuro.

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


35


36

\\ FÓRUM DE LIDERES \\

PEDRO LIMA

CEO, Solarshop

PEDRO LIMA

Diretor de Desenvolvimento

de Negócio, Bet Solar

1

Na nossa empresa, a sustentabilidade é um pilar fundamental em todas as nossas

operações. Implementamos as melhores práticas através de três principais frentes:

Energia Renovável e Eficiência Energética: Promovemos a instalação de painéis

solares nas nossas instalações, ajudando a reduzir a dependência de fontes não

renováveis e a diminuir a pegada de carbono.

Processos Sustentáveis: Adotamos um modelo de operação que minimiza

desperdícios, desde a escolha de fornecedores comprometidos com práticas

sustentáveis até a reciclagem de materiais utilizados no nosso dia a dia.

Consciencialização e Educação: Organização de eventos, que reúnem especialistas

e empresas do setor para discutir inovações e desafios da energia solar.

Nosso compromisso é oferecer soluções energéticas que não apenas gerem

economia para nossos clientes, mas que também contribuam para um futuro mais

sustentável.

2

O futuro da gestão energética em Portugal caminha para um modelo cada vez

mais descentralizado, inteligente e sustentável. Vemos duas tendências principais

no mercado atual:

Digitalização e Eficiência: O uso de redes inteligentes e inteligência artificial,

ligadas ao emergente mercado do armazenamento de energia, permitirá uma

gestão energética mais eficiente, otimizando o consumo e reduzindo desperdícios.

Autoconsumo e Comunidades Energéticas: O modelo de comunidades nas

energias renováveis irá crescerá, permitindo que consumidores compartilhem

energia limpa, reduzindo custos e fortalecendo a independência energética do

país.

Acreditamos que Portugal tem um enorme potencial para se tornar um líder

em energia sustentável, e o nosso compromisso é continuar impulsionando

essa transformação, fornecendo tecnologia e conhecimento para acelerar essa

transição.

1

Na Bet Solar, a sustentabilidade está no centro da nossa

estratégia. Promovemos soluções de energia solar eficientes

e acessíveis, impulsionando a transição para um modelo

de energia mais limpo. Fomentamos a utilização de

produtos de alta qualidade e longa duração para reduzir

a pegada de carbono. Para além disso, trabalhamos com

fabricantes empenhados na sustentabilidade e otimizamos

a nossa logística para minimizar as emissões. Através

de formações e eventos com instaladores, educamos

sobre práticas sustentáveis, encorajando o autoconsumo

responsável e a integração do armazenamento para melhorar

a eficiência energética em Portugal.

2

O futuro da gestão de energia em Portugal passa pela descentralização

e digitalização. Acreditamos num sistema

onde o autoconsumo, o armazenamento e as comunidades

de energia permitem que os utilizadores sejam mais

autónomos e eficientes. A integração de tecnologias inteligentes,

como a IA e a gestão em tempo real, permitirá

otimizar a utilização da energia, reduzindo os custos e a

dependência da rede.

Portugal tem o potencial de liderar esta mudança com

quadros regulamentares que incentivem o investimento

em energias renováveis. Na Bet Solar apostamos em soluções

inovadoras que facilitem esta transição e acelerem a

adoção de um modelo energético sustentável e rentável.

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ FÓRUM DE LIDERES \\

37

LUIS RODRIGUES SILVA

CEO, MundoSolar

1

A gestão energética em Portugal tem assumido uma relevância crescente,

sobretudo impulsionada pela necessidade que as famílias, empresas

e a sociedade tem demonstrado pela transição energética, inovação

tecnológica e compromissos com a sustentabilidade. Dentro dos desafios

que se afiguram no horizonte, destacaria quatro:

1. Expansão das Energias Renováveis: Portugal é um País dentro do

espectro Europeu que se destaca na produção de energia renovável,

com uma grande fatia da eletricidade vinda de fontes como eólica,

solar e hídrica. O objetivo é continuar a aumentar essa capacidade, com

investimentos em energia solar e offshore eólica. O país pretende atingir

100% de eletricidade renovável até 2040.

2. Hidrogénio Verde como Vetor Energético: Portugal aposta fortemente no

hidrogénio verde como uma alternativa sustentável aos combustíveis fósseis,

tanto para a indústria como para o transporte pesado. O Plano Nacional do

Hidrogénio prevê que o país se torne um exportador desta energia.

3. Descarbonização e Eficiência Energética: A redução das emissões

de carbono é uma prioridade. Isso inclui incentivos para a eficiência

energética em edifícios, transportes elétricos e eletrificação da indústria. A

mobilidade elétrica crescerá, com maior infraestrutura de carregamento e

incentivos à compra de veículos elétricos.

4. Autoconsumo e Comunidades Energéticas: Os consumidores terão

um papel mais ativo na produção de energia. A tendência do autoconsumo

solar e das comunidades energéticas permitirá que empresas e cidadãos

gerem e compartilhem eletricidade, reduzindo a dependência da rede

nacional e promovendo a descentralização da produção energética.

Em resumo, diria que Portugal está bem posicionado para se tornar um

líder europeu na transição energética, graças ao seu potencial renovável e

às políticas governamentais ambiciosas. O sucesso dependerá de inovação,

investimento e adaptação às novas exigências tecnológicas e ambientais.

2

A MundoSolar sendo uma empresa de engenharia focada na construção

e implementação de soluções de eficiência energética, sobretudo para o

universo empresarial, promove e aconselha os seus clientes a definirem

um conjunto de boas práticas com vista a darem robustez a uma estratégia

global de sustentabilidade, abaixo indico apenas algumas das principais

estratégias.

1. Eficiência Energética e Energias Renováveis

Investir em energia solar e eólica para reduzir a pegada de carbono e

implementar sistemas de gestão energética inteligente para monitorizar

e reduzir o consumo.

2. Economia Circular e Redução de Resíduos

Adotar processos de reciclagem e reutilização de materiais, bem como

reduzir o desperdício e otimizar a cadeia produtiva.

4. Transporte Sustentável e Mobilidade Verde

Incentivar o uso de transportes públicos ou bicicletas pelos funcionários,

substituindo as frotas empresariais por veículos elétricos ou híbridos,

promovendo e incentivando o teletrabalho e horários flexíveis para

reduzir deslocamentos desnecessários.

5. Cultura Organizacional e Envolvimento dos Colaboradores

Criar programas de sensibilização para funcionários sobre sustentabilidade,

bem como Incentivar ações como o Dia da Sustentabilidade e desafios

internos para reduzir o consumo.

6. Gestão de Fornecedores.

Trabalhar apenas com fornecedores que seguem práticas sustentáveis e

utilizar materiais ecológicos e biodegradáveis sempre que possível.

Em resumo, a sustentabilidade nas empresas não é apenas uma tendência,

mas uma necessidade para garantir competitividade e resiliência no

mercado. Ao implementar essas práticas, as empresas reduzem custos,

fortalecem a marca e contribuem para um futuro mais sustentável.

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


38

\\ FÓRUM DE LIDERES \\

SÉRGIO ROCHA

CEO, CapWatt

1

A Capwatt adota um compromisso estruturado com

a sustentabilidade, promovendo a eficiência e a transição

energética em todas as suas operações. Investimos

em projetos que minimizam a utilização de

recursos naturais maximizam a produção de energia

renovável e aplicamos critérios rigorosos de eficiência

e reutilização de recursos nos ativos existentes.

Através da digitalização e da monitorização avançada,

garantimos a otimização do consumo energético,

reduzindo desperdícios e evitando emissões.

Desenvolvemos projetos de combustíveis renováveis

a partir de matérias-primas residuais, contribuindo

para a economia circular e para a redução da dependência

de combustíveis fósseis.

O nosso compromisso passa por criar valor sustentável

hoje, de forma perene, conjugando inovação,

eficiência e responsabilidade ambiental para impulsionar

a transição energética.

Cientes de que a incorporação da sustentabilidade

no nosso dia a dia é essencial para garantir o futuro,

alinhando crescimento económico com responsabilidade

ambiental e social, trabalhamos que os nossos

stakeholders avancem na sua jornada de descarbonização

e a atinjam as suas metas de sustentabilidade,

enquanto fortalecem a sua competitividade no mercado.

2

Portugal tem condições privilegiadas para atingir a neutralidade

carbónica, beneficiando de um mix de recursos

renováveis diversificados e de uma capacidade crescente

de inovação. No futuro, a gestão energética dependerá da

capacidade de cooperação e integração eficiente de várias

tecnologias renováveis – hídrica, solar, eólica, combustíveis

renováveis e outras –, suportadas por sistemas inteligentes

e redes flexíveis capazes de otimizar a gestão do

armazenamento que garantam estabilidade e segurança

no abastecimento.

A digitalização e descentralização do setor serão determinantes,

permitindo que empresas e indústrias tenham

um papel mais ativo na produção e consumo energético.

Modelos de produção e consumo no mesmo local, gestão

dinâmica da procura e soluções de armazenamento de

energia serão essenciais para uma maior independência

e eficiência do sistema.

O financiamento será um pilar fundamental: a estabilidade

regulatória e o acesso a capital competitivo serão decisivos

para acelerar o investimento em projetos sustentáveis.

Outro pilar crítico é o acesso às redes: a existência de

condições para ligação às redes e os processos de licenciamento

expeditos e céleres ditarão o sucesso ou o insucesso

do atingimento das metas que Portugal se comprometeu.

A Capwatt mantém-se comprometida em fazer parte da

liderança desta transformação, estando empenhada em

desenvolver e implementar projetos que não só atendem

às necessidades energéticas atuais, mas também preparam

o país para os desafios do futuro.

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


ASSINE JÁ

assinaturas.greensavers.pt

JOÃO AMARAL

CTO & Country Manager,

Voltalia Portugal

1

A Voltalia promove a sustentabilidade através da implementação

e operação de parques de energia renovável,

como solar, eólica e hídrica, contribuindo para a

descarbonização e a preservação ambiental. Para além

da produção de energia limpa, aposta na inovação e

eficiência para garantir soluções energéticas responsáveis,

minimizando o impacto ambiental e promovendo

a biodiversidade das regiões onde atua. Alinhada

com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

da ONU, a Voltalia promove iniciativas que geram

um impacto positivo nas comunidades locais, através

da criação de novos postos de trabalho, da promoção

das economias locais e garante o acesso a energia verde

aos habitantes locais. Com esta abordagem, reforça o

compromisso com a transição energética, equilibrando

o crescimento económico, responsabilidade ambiental

e impacto social positivo.

2

A Voltalia acredita que o futuro da gestão energética em

Portugal passa pela aposta nas energias renováveis, pelo

reforço das redes elétricas e pelo desenvolvimento de soluções

de armazenamento de energia. A empresa defende,

ainda, a descentralização da produção e a digitalização do

setor para aumentar a eficiência e a resiliência do sistema.

Para além disso, considera essencial a criação de parcerias

público-privadas para impulsionar investimentos e garantir

um setor energético mais sustentável, competitivo e alinhado

com as metas de descarbonização do país.

1 ano

assinatura digital

€9,00

versão em papel

€13,90

2 anos

assinatura digital

€17,10

versão em papel

€26,60


\\ DIRETÓRIO \\

DIRETÓRIO

Portugal e o forte

investimento em renováveis

Portugal é dos países que mais investe em energias renováveis. O país atingiu um marco histórico,

com 71% da eletricidade consumida a partir de fontes renováveis, o valor mais alto alguma

vez registado. Segundo dados divulgados pela APREN – Associação Portuguesa de Energias

Renováveis, em 2024, o país aumentou a capacidade instalada de energias renováveis em 8%

face ao total alcançado no ano anterior, sobretudo devido à entrada em funcionamento de

novas centrais solares fotovoltaicas que representaram 86% do total do aumento.

De acordo com a entidade liderada por Pedro Amaral Jorge, esta evolução contribuiu para o crescimento

da produção de eletricidade a partir de fontes renováveis, tendo o país atingindo o recorde de 80,4% no

acumulado do ano.

Espera-se que a implementação de fontes de energia renovável na produção de eletricidade, em particular

o solar e o eólico, continuem em bom ritmo. O objetivo é chegar a 2030 com 85% de eletricidade produzida

apenas com recursos naturais.

As empresas portuguesas estão empenhadas em manter esse ritmo e, apesar de estarmos muito longe de

alcançar a meta de desenvolvimento sustentável da ONU, que tem por objetivo garantir energia limpa e

acessível para todos até 2030, há muitas entidades no bom caminho. Conheça alguns dos bons exemplos

que lhe apresentamos neste suplemento.

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ DIRETÓRIO \\

41


42

\\ DIRETÓRIO \\

EQUIPA

20 ANOS A IMPULSIONAR

A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

João Amaral

CTO & Country Manager,

Voltalia Portugal

Em 2025, a Voltalia celebra 20 anos de compromisso

com as energias renováveis, consolidando-se

como um player global no setor.

Presente em mais de 20 países, incluindo

Portugal, atua como produtora de eletricidade

e prestadora de serviços, promovendo um impacto

positivo no ambiente e nas comunidades

onde desenvolve a sua atividade.

Em Portugal, a Voltalia tem um papel estratégico

no desenvolvimento de projetos solares

e eólicos, assegurando soluções sustentáveis e

eficientes. Com uma abordagem integrada, assume

todas as fases dos projetos, desde o planeamento

e financiamento até à construção,

operação e manutenção, garantindo elevados

padrões de qualidade e fiabilidade.

Ao longo destas duas décadas, a Voltalia tem

contribuído ativamente para a descarbonização

do setor energético, fornecendo eletricidade

limpa a empresas e indústrias através

de parcerias de longo prazo. Paralelamente,

promove iniciativas que impulsionam o desenvolvimento

local, apostando na criação de

emprego, na formação e na preservação ambiental.

A Voltalia olha para o futuro com ambição,

inovação e compromisso, acelerando a transição

para um mundo mais sustentável, onde

a energia renovável seja a base de um crescimento

responsável, inclusivo e duradouro.

CONTACTOS

Avenida do Marechal Gomes

da Costa, nº 1177

4150-360 Porto

+351 220 191 000

info.voltalia@voltalia.com

ENERGIAS

RENOVÁVEIS

E ACESSÍVEIS

TRABALHO DIGNO

E CRESCIMENTO

ECONÓMICO

PRODUÇÃO E

CONSUMO

SUSTENTÁVEIS

ACÇÃO

CLIMÁTICA

PROTEGER

A VIDA

TERRESTRE

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


43

ENERGIA PARA DESCARBONIZAR

ACapwatt é um grupo de referência na área de energia, estabelecido

em 2008, com presença em Portugal, Espanha, Itália e México.

Guiada pelo compromisso com a sustentabilidade, a Capwatt é uma

produtora de energia independente, que gere um amplo portfólio de

projetos operacionais e desenvolve soluções sustentáveis para a descarbonização.

Atuamos em diversas áreas tecnológicas: desenvolvimento de projetos

renováveis de grande escala, combustíveis renováveis (biometano e metanol)

e soluções de energia descentralizadas, maximizando as sinergias

entre a produção de energia, o fornecimento de serviços e a comercialização,

contribuindo para o paradigma energético sustentável.

Assumimos a responsabilidade de todas as atividades derivadas da implementação

dos projetos, desde a fase de desenvolvimento, licenciamento

e investimento, até a fase de construção, gestão integrada do ativo

(asset management), operação e manutenção.

A sustentabilidade está no nosso ADN. Assumimos o compromisso diário

de cuidar do meio ambiente e contribuir para a melhoria da comunidade

na qual estamos inseridos.

Ajudamos os nossos clientes a melhorar o seu desempenho e a descarbonizar

a sua atividade. Impulsionamos a transição energética, oferecendo

soluções que têm benefícios como a redução de custos energéticos, o

aumento da eficiência energética, a capacidade de produção de energia

descentralizada e a redução da pegada ecológica.

CONTACTOS

powering your business

Lugar do Espido – Via Norte, Apartado 3053, 4471-907 Maia

+351 220 110 055

capwatt@capwatt.com / www.capwatt.com

LISTAGEM

Accenture

Av. Eng. Duarte Pacheco Torre

1-16 piso

1070-101 Lisboa

t. 213 803 500

e. info@accenture.com

w. www.accenture.com

Ageas Portugal

Companhia de Seguros, S.A

Praça Principe Perfeito, Nº 2

1990-278 Lisboa

t. 217 943 039

e. geral@ageas.pt

w. www.ageas.pt

Aldi Portugal - Supermercados, Lda

Rua Ponte dos Cavalos, 155

2870-674 Montijo

t. 800 420 800

e. geral@aldi.pt

w. www.aldi.pt

Altice Portugal, S.a

Avenida Fontes Pereira de Melo, 40

1050-123 Lisboa

t. 215 002 000

e. sustentabilidade@telecom.pt

w. www.telecom.pt

Ambiprime

Estrada de Paço de Arcos 66 e 66A

2735-336 Cacém

t. 210 920 656

e. geral@ambiprime.com

w. www.ambiprime.com

Apcer - Associação Portuguesa de

Certificação

Rua António Bessa Leite, 1430,

1º Esq.

4150-074 PORTO

t. 229 993 600

e. info@apcer.pt

w. www.apcer.pt

Aqualogus

Rua do Mar da China N.º 1 Esc. 2.4

1990-137 Lisboa

t. 21 752 01 90

e. geral@aqualogus.pt

w. www.aqualogus.pt

ArtSolar

Rua António Nobre nº 55

2870-021 Montijo

t. 960 355 175

e. info@artsolar.pt

w. www.artsolar.pt

ASCENDI O&M, S.A

Praça Mouzinho de Albuquerque

197, 4100-360 Porto

t. 229 767 767

e. info@ascendi.pt

w. www.ascendi.pt

Associação CECOLAB

Collaborative Laboratory Towards

Circular Economy

Rua Nossa Sra. Da Conceição, nº 2

3405-155 Oliveira do Hospital

t. 238 011 400

e. circular@cecolab.pt

w. www.cecolab.pt

AVALER, Associação Entidades de

Valorização Energética Resíduos

Sólidos Urbanos

Plataforma Ribeirinha da CP - Estação

de Mercadorias da Bobadela

2696-801 Loures

t. 218 443 849

e. avaler@avaler.pt

w. www.avaler.pt

Biorumo, Consultoria em

Ambiente e Sustentabilidade, Lda.

Rua do Carvalhido, 155

4250-102 Porto

t. 228 349 580

e. geral@biorumo.com

w. www.biorumo.com

BioSmart, Soluções Ambientais,

S.A.

Rua de Tomar, n.º 80

2495-185 Santa Catarina da Serra

t. 244 749 100

e. geral@biosmart.pt

w. www.biosmart.pt

Bright Solar

Edifício Eco Business Center

Rua Aníbal Bettencourt, 7

2790-225 Carnaxide

t. 212 454 656

e. info@bright-solar.pt

w. www.bright-solar.pt

Brisa Auto-Estradas de Portugal,

S.A

Quinta da Torre da Aguilha

Edifício Brisa

2789-522 São Domingos de Rana

t. 210 730 300

e. servico.cliente@brisa.pt

w. www.brisa.pt

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


44 \\ DIRETÓRIO \\

A MundoSolar é uma empresa de engenharia focada

no desenho e implementação de soluções de eficiência

energética, apoiando as famílias e empresas nesse

processo de transição, o que leva a poupanças significativas

no custo da energia consumida, e à implementação

de políticas de sustentabilidade ambiental.

As soluções centram-se sobretudo em cinco grandes

áreas:

1. Produção e armazenamento de energia, com a instalação

de Painéis Fotovoltaicos e Baterias;

2. Instalação de Carregadores Elétricos de suporte à

mobilidade de veículos elétricos;

3. Instalação de Sistemas de Ar condicionado e Ventilação;

4. Instalação de Bombas de Calor, para águas quentes

sanitárias e para climatização de espaços;

5. Instalação de Janelas de classe A

A MundoSolar é uma empresa com profissionais qualificados

e disponíveis que lhe apresenta as melhores

soluções técnicas adaptadas às suas reais necessidades.

Aposte com confiança e comece já a produzir e

armazenar a SUA PRÓPRIA ENERGIA.

Casais

Engenharia e Construção, S.A

R do Anjo 27

4700-565 Mire de Tibães

t. 218 959 014

e. casais@casais.pt

w. www.casais.pt

Catavento

Beloura Business Center:

Rua dos Navegantes Bloco 7, 1ºD

2710-297 Linhó - Sintra

t. 214 212 345

e. geral@catavento.pt

w. www.catavento.pt

Cirelius

Rua da Cancela Velha nº 26,

4430-660 Vila Nova de Gaia

t. 227 843 817

e. info@cirelius.pt

w. www.cirelius.pt

BOARD

Luis Rodrigues Silva

CEO

CONTACTOS

Rua Gonçalves Ramos,

Nº 46B

2700-387 Amadora

+351 967 097 598

E. geral@mundosolar.pt

W. www.mundosolar.pt

Cms, Lda

Rua do Pinhal Novo,

Nº 49

2845-256 Amora

t. 210 958 100

e. geral@@cmsportugal.com

w. www.cms.law

CP - Comboios de Portugal, Epe

Calçada do Duque, Nº 14

1249-109 Lisboa

t. 808 109 110

e. cp@cp.pt

w. www.cp.pt

Ctt - Correios de Portugal S.A

Avenida Dom João II,

Nº 13

1999-001 Lisboa

t. 210 471 616

e. geral@ctt.pt

w. www.ctt.pt

DAPE

Rua Professor Doutor Henrique de

Barros, n.º 28

Centro Empresarial de Braga •

Ferreiros

4705-319 Braga • Portugal

t. 253 286 351

e. geral@dape.pt

w. www.dape.pt

Deloitte Technology, S.A

Avenida Engenheiro Duarte

Pacheco, Nº 7

1070-100 Lisboa

t. 210 422 500

e. pt@deloitte.com

w. www2.deloitte.com

dstGroup

Rua do Alecrim, nº 75

2 andar

1200-015 Lisboa, Portugal

t. 213 429 131

e. energia@dstsgps.com

w. www.dstsolar.com

Dstelecom, S.A

Rua dos Pitancinhos

4700-727 Braga

t. 253 009 910

e. euquerofibra@dstelecom.pt

w. www.dstelecom.pt

EcoChoice

Rua Dr Manuel Simões Barreiros

nº 58 - 2º

3260 424 Figueiró dos Vinhos

t. 213 879 413

e. apoio@ecochoice.pt

w. www.ecochoice.pt

Ecosativa

Consultoria Ambiental, Lda

Urbanização Pinhal do Moinho,

Lote 11 - 1º F

7645-294 Vila Nova de Milfontes

t. 283 959 906

e. info@ecosativa.pt

w. www.ecosativa.pt

EDP

Gestão da Produção da

Energia, S.A

Av. 24 de Julho, 12

1249-800 Lisboa

t. 210 012 500

e. edpproducao@edp.pt

w. www.edp.com

EFACEC

Parq. Empresarial Arroteia Poente

Apartado 1018

4466-952 S. Mamede de Infesta

t. 229 562 300

e. sgps@efacec.pt

w. www.efacec.pt

Electrão - Associação de Gestão de

Resíduos

Restelo Business Center, Bloco 5 - 4A

Av. Ilha da Madeira, 35

1400-203 Lisboa

t. 214 169 020

e. geral@electrao.pt

w. www.electrao.pt

Enat

EN nº10 Km 137,4

Entrada Bairro Estacal Novo nº 5

2690-366 Santa Iria da Azóia

t. 217 784 112

e. lisboa@enat.pt

w. www.enat.pt

Enercasa

Rua Padre Manuel Guimarães n 57,

Braga

t. 253088408

e. geral@enercasa.pt

w. www.enercasa.pt

Enerpower - Energia e ambiente

Rua Dr. Francisco Duarte, 110 – lj 6

4715-018 Braga

e. geral@enerpower.pt

w. www.enerpower.pt

Enerepo

Herdade Cuncos do Meio

7050-677 Silveiras

t. 266 891 280

e. info@enrepo.com

w. www.enrepo.com

Energia Lateral

Inovisa - Tapada da Ajuda,

1349-017 Lisboa

t. 910 319 271

e. geral@energialateral.pt

w. www.energialateral.pt

Endesa Energia S.A.

Qnt. da Fonte, Ed. D. Manuel I,

Piso 0, Ala B, 2770-203 Paço de Arcos

t. 800 10 10 33

e. geral@endesa.pt

w. www.endesa.pt

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ DIRETÓRIO \\

45

Portugal tem avançado significativamente no setor

de energias renováveis, destacando-se como

um exemplo de compromisso com a descarbonização

e a sustentabilidade. O país continua a investir

em estratégias inovadoras para acelerar a transição

energética, impulsionando a produção limpa e

promovendo um futuro mais sustentável.

Alinhada com essa visão, a Solarshop acredita que

o crescimento da produção de energia renovável

continuará a fortalecer Portugal como uma potência

no setor, impulsionando a geração de conhecimento

e a inovação tecnológica.

Paralelamente, observa-se uma procura crescente

por soluções de armazenamento de energia e um

forte crescimento das comunidades energéticas.

Essa evolução reflete mudanças nos hábitos de

consumo e na forma como a energia é gerida, promovendo

um sistema mais eficiente e descentralizado.

Diante desse cenário promissor, Portugal tem a

oportunidade de se tornar uma referência global

na transição energética, consolidando-se como líder

em sustentabilidade e inovação no setor.

BOARD

Pedro Lima

CEO

ÁREAS DE ATUAÇÃO

/ Energias renováveis

/ Distribuidores fotovoltaicos

/ Soluções energéticas

CONTACTOS

A Bet Solar é uma empresa de referência

na distribuição técnica de soluções

energéticas sustentáveis, dedicada a ajudar

os profissionais do setor fotovoltaico a

crescer, oferecendo uma venda próxima e

personalizada. Com formação especializada,

apoio técnico e parcerias com os melhores

fabricantes, assegura entregas rápidas e

um serviço pós-venda de excelência.

/ Mobilidade elétrica

ÁREAS DE ATUAÇÃO

/ Desenvolvimento sustentável / Módulos fotovoltaicos

Sede: Armaz. M, S/N,

EN348, Rua principal

3240-408 Junqueira, Portugal

+351 236 032 787

Filial: Qt. dos Estrangeiros,

Rua C, Pav. 64

2665-605 Venda do Pinheiro

E. geral@solarshop.pt

W. www.solarshop.pt

/ Inversores

/ Baterias

/ Estruturas para painéis FV

/ Carregadores de veículos elétricos

CONTACTOS

Lake Towers, Edifício D,

R. Daciano Baptista Marques, 245, 2º

4400-617 Vila Nova de Gaia

+351 22 145 0477

E. info@betsolar.pt // W. www.betsolar.pt

BOARD

Francisco Heredia

Diretor de Desenvolvimento

de Negócio

Rafael Ruiz-Clavijo

Diretor Comercial

Engiciclo

Av. Capitão Meleças, Nº 99,

c/v Esq.

2615-099 Alverca

t. 219578596

e. geral@engiciclo.pt

w. www.engiciclo.pt

Electropoças

Rua Monsenhor José de Magalhães de

Sousa nº 36, Britelo,

4890 - 233, Celorico de Basto

t. 962 877 701

e. info@electropocas.pt

w. www.electropocas.pt

Finerge, S.A

Avenida D. Afonso Henriques,

n. 1345

4450-017 Matosinhos

t. 226 080 180

e. info.geral@finerge.pt

w. www.finerge.pt

FEUP - Faculdade de Engenharia

da Universidade do Porto

Rua Dr. Roberto Frias

4200-465 PORTO

t. 225 081 411

e. incoming@fe.up.pt

w. www.fe.up.pt

FonteSolar

Rua Ana Teixeira da Silva,

nº 40, Cave

4700-254 Braga

t. 934 780 702

e. geral@fontesolar.com

w. www.fontesolar.com

FuturSolutions

Av. Prof. Vieira Natividade, Lte 5 -

74-B

2460-071 Alcobaça

t. 262 582 553

e. info@futursolutions.pt

w. www.futursolutions.pt

GALP

R. Tomás da Fonseca piso 5

1600-209 Lisboa

t. 21 724 2500

e. geral@galp.com

w. www.galp.com

Gavedra

Zona Industrial Vale da Goita,

Rua João Rufino, 16- Paúl

2560-232 Torres Vedras

t. 261 330 400

e. geral@gavedra.pt

w. www.gavedra.pt

Gedoc

PCI Creative Science Park

Edifício Mat., salas 2.2.8 e 2.2.9

3830-352 Ílhavo, Portugal

t. 234 040 475

e. geral@gedoc.pt

w. www.gedoc.pt

Greenvolt

Energias Renováveis, S.A

Rua Manuel Pinto de Azevedo,

Nº 818

4100-320 Porto

t. 228 346 502

e. sede@greenvolt.pt

w. www.greenvolt.pt

Grosvenor House Of Investments,

Scr, S.A

Avenida da Liberdade, 129-B, Sala 7

1250-140 Lisboa

t. 213 261 598

e. customerenquiries@grosvenor.com

w. www.grovesnor.com

Iberdrola

Estrada da Luz 90D

1600-160 Lisboa

t. 800 660 060

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS \ GREEN SAVERS \ 2025


46 \\ DIRETÓRIO \\

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ISQ

Instituto de Soldadura e Qualidade

Av. Prof. Cavaco Silva, 33 Taguspark

2740-120 Porto Salvo

t. 214 228 100

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Jerónimo Martins, SGPS, SA

Rua Actor António Silva, 7

1649-033 Lisboa

t. 217 532 000

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Kpmg & Associados

Sociedade de Revisores Oficiais

de Contas S.A

Av. Fontes Pereira de Melo,

Nº 41, 15º

1069-006 Lisboa

t. 210 110 000

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Lidl & Companhia

Rua Pé de Mouro,

n.º 18 - Linhó

2714-510 Sintra

t. 219 102 254

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Lobosolar

Rua Aníbal Tavares 11

Apartado 332

7005-872 Évora

t. 266 771 427

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MegaJoule

Travessa Honório Lima, 16

4465-171 São Mamede de Infesta

t. 220915480

e. megajoule@megajoule.pt

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Metropolitano de Lisboa, E.P.E

Avenida Fontes Pereia de Melo, 28

1050-122 Lisboa

t. 213 500 115

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Movitrom

Av. Pedro Alvares Cabral

Centro Empresarial Sintra

Estoril V, Armazém E32

2710-263 Sintra

t. 21 910 90 18

e. info@movitrom.com

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Noctula

Quinta da Alagoa, lote 222

1º Frt.

3500-606 Viseu

t. 232 436 000

e. info@noctula.pt

w. www.noctula.pt

Novambiente

Largo António Vaz

Mascarenhas, 10

8375-104 S. Bartolomeu de Messines

t. 282 330 474

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Norquente - Energias Renováveis

Zona Industrial Larinho,

Lt. 29, Larinho, Bragança

t. 279 252 847

e. geral@norquente.pt

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OVO Solutions, Soluções

Ambientais SA

Estrada dos Espanhóis S/N,

CCI 7515,

Venda do Alcaide

2955-250 Pinhal Novo

t. 212 328 760

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Portclima

Avenida da Liberdade, 110 – 1º

1269-046 Lisboa

t. 914 383 288

e. geral@portclima.com

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Prio Energy, S.A

Terminal de Granais Líquidos,

Lote B, Porto de Aveiro

3834-908 Ílhavo

t. 234 393 090

e. info@prioenergy.com

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Resul

Rua D. Nuno Álvares Pereira,

Bloco 1 – 2 Escritório 3

2695-167 Bobadela

t. 218 394 980

e. geral@resul.pt

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Sernis

Quinta do Carreiro, Lote 14

4700-154 Braga

t. 253 300 440

e. sernis@sernis.com

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Servitis

Rua Industrial das Lages, Nº 63

4410-312 Canelas

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e. geral@servitis.pt

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SGS ICS Serviços Internacionais

de Certificação, Lda.

Rua Cesina Adães Bermudes, Lote

11, N.º 1

1600-604 Lisboa

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Siemens S.A

R Irmãos Siemens Nº 1-1 A

Venteira

2720-093 Amadora

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e. internetrequest.pt@siemens.com

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Solindigos

Rua das minas 79

4410 - 053 V.N. Gaia

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e. geral@solindigos.pt

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Turbomar Energia

R. da Garagem 8,

2790-078 Carnaxide

t. 214 168 410

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Vinci Energies Portugal, S.A

Edificio Atlantis, avenida D. João II,

Nº 44 C, 5º Andar

1990-095 Lisboa

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Comunicações Pessoais S.A

Avenida Dom João II, Nº 36, 8º

1998-017 Lisboa

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WS Energia

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2740 - 257 Porto Salvo

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XZ Consultores SA

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As informações deste diretório foram recolhidas pela Green Savers em março de 2025. Somos alheios a alterações que possam ter ocorrido, ou venham a ocorrer.

A listagem é representativa das companhias a operar em Portugal com forte foco na sustentabilidade, mas não inclui a totalidade das empresas existentes.

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