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104 - MEDIA LITERACY & PUBLIC POLICIES IN PORTUGAL

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digital business breakfast

em parceria com Google

Media Literacy &

Public Policies in

Portugal

Fev.

#104 2025


Digital Business Breakfast | Media Literacy & Public Policies in Portugal

Fazer, mas com

impacto: eis o desafio

Estado, organizações, empresas e big tech estão apostadas

em iniciativas para reforçar a literacia mediática. É que nunca

foi tão importante ter cidadãos informados, já que o digital

e a tecnologia agudizaram e aceleraram o problema. E o que

já está a ser feito é positivo, mas está muito longe de ser o

necessário.

A literacia mediática está na ordem do dia,

numa altura em que a desinformação e as

fake news crescem de forma exponencial.

As políticas públicas são essenciais para

endereçar este enorme desafio, que assume

proporções sem paralelo em tempos de

grande polarização e de instabilidade

geopolítica como a que vivemos. Mas o que

já está a fazer verdadeiramente a diferença

são as parcerias entre os vários stakeholders,

como mostram as muitas iniciativas já em

curso, tanto no país como na Europa. A

tecnologia pode e deve ser usada como

parte da solução e como ferramenta para o

bem-comum, como ficou claro neste Digital

Business Breakfast sobre “Media Literacy

& Public Policies in Portugal”, iniciativa

realizada em parceria com a Google.

Perante a multiplicação das fake news

e da desinformação, o desenvolvimento

do raciocínio crítico das pessoas sobre os

conteúdos, ganhando capacidade para

compreender a sua origem e perceber se

são confiáveis e de que forma podem ser

utilizados assume-se hoje como essencial. E,

na perspetiva do presidente da APDC, tratase

de capacidades que de têm de se ensinar

não só às novas gerações como a todos os

cidadãos.

Trata-se de um desafio que ocorre numa

altura em que algumas das capacidades

humanas distintivas, como a empatia ou o

compromisso, foram “muito diminuídas”

com a pandemia e estão também a ser

afetadas com a situação geopolítica atual.

Pois isso, para Rogério Carapuça, discutir

“como é que as políticas públicas, enquanto

instrumento de alteração da sociedade,

podem desempenhar o seu papel - não

impedindo naturalmente a inovação, mas

criando salvaguardas para que isto se faça

de uma forma de melhor qualidade e com

mais confiança - é essencial”.

DA TECNOLOGIA À EDUCAÇÃO E

COLABORAÇÃO

A Google também defende a importância

crucial de promover literacia mediática.

“É importante construir uma sociedade

informada e reforçar a confiança online”,

defende Bernardo Correia, Country

Manager da Google Portugal, que explica

que a tecnológica tem apostado em “apoiar

esse desígnio, com uma abordagem

simultaneamente responsável e arrojada.

Não podemos ser competitivos no mercado

sem sermos arrojados e não podemos ser

vistos como parte da solução sem sermos

responsáveis”.

Por isso, uma das prioridades tem sido o

foco no desenvolvimento de ferramentas

de segurança, com recurso à inteligência

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O presidente da APDC,

Rogério Carapuça, considera

essencial discutir “como é

que as políticas públicas,

enquanto instrumento de

alteração da sociedade,

podem desempenhar o seu

papel na literacia mediática”

artificial (IA), para ajudar as pessoas a avaliar

a credibilidade dos conteúdos online. Sendo

a importância da fiabilidade de informação

cada vez mais vital para a segurança das

democracias, a tecnológica quer construir

produtos sempre com a qualidade como

fator essencial, seja no modelo de busca, na

qualidade dos algoritmos ou na qualidade

da informação e a sua pluralidade.

Criar ferramentas fáceis de usar é essencial:

“Temos de ser universais, de funcionar para

todas as idades, grupos etários e níveis de

educação. Fornecendo o contexto que as

pessoas precisam para decidir naquilo que

confiar online”. Trata-se de um trabalho

que “está longe de ser concluído, porque

é complexo e sempre em movimento. Por

isso, estamos empenhados em trabalhar

colaborativamente”. É que sendo a

tecnologia uma “ferramenta incrível”, não

chega. É preciso combiná-la com a educação

e a colaboração.

Neste âmbito, tem desenvolvido projetos em

Portuga como o programa Super Reserchers,

em parceria com a Miúdos Seguros na Net.

Ou o IMPULSO IA, com a APDC. E Media

Competence Center, com a Associação

Portuguesa da Imprensa, e o Fundo Europeu

para os Media de Informação, co-gerido pela

Fundação Gulbenkian.


Digital Business Breakfast | Media Literacy & Public Policies in Portugal

É importante “construir

uma sociedade informada

e reforçar a confiança

online”, defende Bernardo

Correia, Country Manager

da Google Portugal

Também o Governo está apostado em trazer

uma nova dinâmica à literacia digital no

país. Sendo a desinformação e as fake news

um fenómeno que já não é de hoje, os novos

instrumentos trazidos pela digitalização,

que estão ao alcance de todos, agudizaram

e aceleraram de forma vertiginosa o

problema. “É um facto que, hoje, mesmo

um observador atento e informado tem

dificuldades em distinguir, muitas vezes, se

uma notícia tem ou não correspondência

com a verdade. Qualquer um de nós pode ser

enganado”, garante o secretário de Estado

dos Assuntos Parlamentares, que encerrou

a sessão de abertura deste encontro.

Para criar instrumentos de fact-checking,

refere que o Executivo avançou em outubro

com um plano, no âmbito da estratégia

para a comunicação social. Assenta nos

princípios básicos da liberdade de imprensa,

de opinião e de expressão, com uma

comunicação social plural. E numa lógica

do ‘back to the basics’, do Estado de Direito

e da democracia, num momento em que a

comunicação social portuguesa atravessa

“uma profundíssima crise”.

Foi também criado o Plano Nacional de

Literacia Mediática, discutido em Conselho

de Ministros no dia desta iniciativa, que

preconiza medidas como a oferta aos jovens

entre os 15 e os 18 anos de uma assinatura

“Queremos uma

comunicação social livre,

isenta e que cumpra o seu

papel: ser um participante

ativo na construção da

sociedade democrática e do

estado de direito”, afirma

Carlos Abreu Amorim,

secretário de Estado dos

Assuntos Parlamentares

digital gratuita de um meio de comunicação

social generalista ou económico por dois

anos. Objetivo: fomentar o conhecimento

e interesse pela leitura de media. Ou ainda

o financiamento em 50% de assinaturas

digitais de meios de comunicação social

para os adultos.

O governante anunciou ainda a preparação

do Código de Comunicação Social, neste

momento em elaboração. Centra-se na

aposta na colaboração com todos os

players do mercado, de forma a apetrechar

o documento com todos os instrumentos

que se considerem ser fundamentais.

“Queremos uma comunicação social livre,

isenta e que cumpra o seu papel de sempre:

ser um participante ativo na construção

da sociedade democrática e do estado de

direito”, remata.

CASOS CONCRETOS E MULTIPLOS

DESAFIOS

Ao nível europeu, estão a ser desenvolvidas

várias iniciativas para reforçar a literacia

mediática. Mas há desafios nos estadosmembros,

já que os níveis de educação

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Niklas Olausson, Research

Manager da Ecorys,

apresentou um estudo sobre

as iniciativas de literacia na

Europa. Mostra os grandes

desafios que persistem ao

nível dos estados-membros

a vários níveis, das políticas

públicas à Educação

variam, pelo que se defende uma maior

priorização do tema, quer em termos de

políticas públicas, quer dos curricula nas

escolas. Acresce que as intervenções até

agora desenvolvidas para os grupos mais

vulneráveis permanecem ainda têm muitos

temas a endereçar, especialmente tendo

em conta o atual clima político europeu,

muito polarizado. As conclusões são do

estudo “Políticas Europeias de Literacia

Mediática”, desenvolvido pela Ecorys, com

financiamento da Google, entre setembro

de 2023 e julho de 2024.

Como explica Niklas Olausson, Research

Manager da Ecorys, o trabalho teve como

objetivos avaliar as implicações das

tecnologias emergentes, incluindo a IA

generativa, para combater a desinformação

e promover a segurança online, e detalhar a

agenda para a colaboração, com as iniciativas

de literacia mediática desenvolvidas pela

indústria, setor público e sociedade civil na

Europa. Orientar futuras decisões da Google

foi também uma meta. As conclusões

mostram que tanto os decisores políticos

Charles Bradley, manager

de Trust Strategy da Google,

detalhou a estratégia da

big tech na construção dos

seus produtos, de forma

a garantir que trazem

confiança aos utilizadores

como os stakeholders estão a responder

às preocupações em torno das quebras

de confiança significativas dos europeus,

sendo as agendas políticas atuais na literacia

mediática largamente impulsionadas

pelas agendas de regulação dos media.

No entanto, os rápidos desenvolvimentos

da IA generativa estão a ultrapassar o

desenvolvimento curricular da literacia

mediática e a capacidade de treinar os

educadores.

Perante esta constatação, as recomendações

chave do trabalho passam por desenvolver

estratégias mais amplas de literacia

mediática, assim como por aprofundar a sua

integração na educação formal. Investir na

transparência e em melhores evidências de

iniciativas de literacia mediática foi também

considerado da maior relevância.

Este primeiro estudo mostra também que,

analisando as iniciativas desenvolvidas

pela Google, todas apostam em programas

suportados na transparência dos recursos,

ferramentas em open-source, melhorias

para a sociedade e em aproveitar os

benefícios da IA generativa. Como destacou

o orador, contabilizaram-se mais de 70

projetos que treinaram mais de 140 mil

jornalistas em literacia mediática.


Digital Business Breakfast | Media Literacy & Public Policies in Portugal

Tito de Morais e Cristiane

Miranda, Founder e

Co-founder do projeto

‘Agarrados à Net’, estão

a desenvolver várias

iniciativas para ajudar os

pais, famílias e professores

a ajudarem os jovens a

gerirem melhor o tempo

que passam online

Programas como o Prebunking, o Super

Searchers ou o Be internet Awesome revelam

que as iniciativas devem refletir os diversos

contextos, necessidades circunstâncias.

Assim como serem desenvolvidos em

parceria e colaboração e envolverem o

utilizador final, para ativar o seu pensamento

crítico, usando aprendizagem pela ação. A

adaptabilidade e a resiliência às mudanças

sociais e tecnológicas são também

consideradas um imperativo.

Charles Bradley, manager de Trust Strategy

da Google, salienta que a tecnológica

constrói todos os seus produtos para ajudar

os seus utilizadores e dar-lhes confiança.

Admitindo que persistem ainda muitas

questões e desafios para endereçar, diz que

as melhores práticas passam por dispor

de ferramentas ativas de proveniência,

ferramentas de contexto no produto e

por esforços de parcerias na indústria,

para ajudar a trazer maior transparência e

mais contexto às pessoas. Assim como por

investimentos em programas de literacia

digital baseados em evidências.

Um dos programas de sucesso mundial

é o Super Searchers, que já está a ser

implementado no mercado nacional graças

a uma parceria da Google com os fundadores

do ‘Agarrados à Net’, Cristiane Miranda e Tito

de Morais. Os dois responsáveis explicam os

fundamentos do seu projeto inicial: ajudar

os pais, famílias, e professores a ajudarem

os jovens a gerirem melhor o tempo que

passam online. Mas muito rapidamente

abraçaram outras áreas de promoção do

bem-estar digital, como a prevenção do

uso excessivo e problemático dos ecrãs,

as questões relacionadas com a imagem

corporal e até a violência sexual baseada em

imagens. Criaram ainda outros programas,

sendo que desde outubro de 2021 até agora

já chegaram a quase 23 mil pessoas de

forma direta.

Numa formação em Bruxelas da Google,

em 2023, os dois responsáveis contactaram

com o programa Super Searchers e o

desafio seguinte foi trazê-lo para o país.

O que acabou por acontecer em meados

do ano passado. A partir de então, estão a

percorrer o país com formações no âmbito

do programa, tendo como destinatários

preferenciais os professores bibliotecários,

embora esteja aberto a outros professores e

até a outros públicos que tenham interesse

na literacia mediática.

ENFRENTAR DESAFIOS EM

COLABORAÇÃO

No debate que se seguiu, moderado

pela Diretora Executiva da APDC, Sandra

Fazenda Almeida, ficou claro o muito

que há ainda a fazer quando se fala de

literacia mediática em Portugal. Incluindo

para os próprios jornalistas. Da parte do

Executivo, ficou o compromisso, através do

#PortugalMediaLab, a Estrutura de Missão

para a Comunicação Social criada em

agosto do ano passado, que serão postas

em marcha todas as medidas no âmbito

das políticas públicas definidas para a

comunicação social.

Para o diretor do #PortugalMediaLab,

“vivemos desafios sociais e da nossa

democracia e só é possível fazer face a eles

com um conjunto de medidas e a mobilização

dos poderes públicos, mas também da

sociedade. Nessa situação, a literacia

convoca um conjunto de conhecimentos

e competências que temos de generalizar,

sob pena de não sermos capazes”. E destaca

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Com o tema ‘Media Literacy: Public Policies in Portugal’,

esta sessão, moderada por Sandra Fazenda Almeida

(APDC), contou com Luísa Meireles (Chefe de Redação

da LUSA online), Pedro Calado (Presidente do Comité de

Gestão do Fundo Europeu para os Media e a Informação,

Fundação Calouste Gulbenkian) e Sérgio Gomes da Silva

(Diretor do #PTMediaLab)

o papel dos agentes económicos, sobretudo

os que “têm um papel relevante no mundo

digital e que, por essa via, têm uma

responsabilidade absolutamente central e

cada vez maior” quando se fala de literacia

mediática. Neste âmbito, e tendo em conta

os desenvolvimentos recentes noutras

geografias, defende que é importante que

a Europa saiba “manter o foco e a linha de

rumo”.

Referindo-se ao Plano de Ação para a

Comunicação Social e às suas 30 medidas,

explica que está organizado em quatro eixos.

Um deles tem a ver com a desinformação

e a promoção da literacia mediática. E há

outras medidas fora deste eixo que são

importantes para o mesmo objetivo, como,

no âmbito do novo contrato de serviço

público a ser assinado em breve com a

RTP, estar previsto o reforço do papel do

grupo em termos de literacia mediática e,

em particular, na desinformação. E alerta:

“é importante não perdermos de vista que

a literacia mediática é muito mais do que

a desinformação. E que, quando falamos

do combate à desinformação, falamos da

necessidade de convocar medidas, recursos

e linhas de ação que vão além da própria

literacia mediática”.

Já Luísa Meireles, Chefe de Redação da

agência LUSA, citando James William

Carey, jornalista e professor norteamericano,

salienta que “o jornalismo é

um outro nome para a democracia. Não

pode haver jornalismo sem democracia”.

E, efetivamente, os jornalistas têm sido os

gatekeepers da agenda da informação, com

a sociedade a confiar na verificação de factos

feita por eles. Mas, na conjuntura atual, com

uma sociedade em crise e um setor de media

também ele em crise, a situação alterou-se,

com as novas tecnologias a assumirem um

papel relevante na verificação de factos,

ajudando a distinguir o que é verdadeiro do

que é falso.

Neste âmbito, o papel da LUSA é também

o de fornecer informação credível e de

confiança. Ou seja, informação factual, que

dá voz aos diversos segmentos de uma

forma rigorosa, para que as pessoas possam

ter as suas próprias opiniões, usando as

mais variadas ferramentas e recorrendo

a parcerias. “Estudos feitos durante a

campanha eleitoral na Alemanha mostram

que o X, cujo dono promoveu ativamente

o partido de extrema-direita AFD, produzia


Digital Business Breakfast | Media Literacy & Public Policies in Portugal

diariamente 200 mil conteúdos de notícias

falsas. Juntando a isso o faco de 52% dos

jovens alemães, de acordo com o Eurostat,

se informam nas redes sociais.... Percebe-se

a dimensão que constitui para a sociedade

esta explosão de mentiras e de falsidades”,

alerta.

PROGRAMAS MOSTRAM RESULTADOS

Para promover a literacia mediática, a

Fundação Calouste Gulbenkian lançou o

Programa Democracia e Sociedade, no

âmbito do seu Plano Estratégico 2023-2027.

Pedro Calado, presidente do European

Media and Information Fund Management

Committee da fundação, diz que a iniciativa

se insere num dos valores basilares da

Calouste Gulbenkian: a defesa dos valores

das democracias liberais. Com a “criação

de diálogos que contrariem os cenários

de polarização crescente e o constante

incentivo a que diferentes vozes e aré mesmo

contraditórias, que numa democracia

naturalmente se debatem, reconheçam a

necessidade de manter intocada aquilo que

é fundamental”. Porque “não há democracia

sem cidadãos democráticos”.

O gestor destaca projetos como o

‘Correspondentes do Bairro’, em colaboração

com o jornal online A Mensagem de Lisboa,

desenvolvido no bairro do Rego. Envolve

jovens na criação de uma redação, que são

formados para “desconstruir as narrativas de

desinformação sobre a sua comunidade e

passarem a produzir notícias sobre histórias

positivas do bairro”. O projeto está agora a

ser escalado para outros bairros.

O trabalho da fundação é ainda feito nesta

área através do European Media and

Information Fund, da Google, cujo Comité

de Gestão é copresidido por Pedro Calado,

em representação da instituição. Esta é uma

iniciativa criada em 2021 como uma dotação

inicial de 25 milhões de euros, gerida pela

Calouste Gulbenkian em parceria com o

Instituto Universitário Europeu. E tem na

literacia mediática uma das suas quatro

áreas de intervenção. Até agora, foram

apoiados 16 projetos, alguns portugueses,

em áreas como o fact-checking, sandboxes

ou ferramentas de IA para detetar táticas,

protocolos e técnicas da desinformação. Os

benefícios totais atribuídos foram de 5,8

milhões de euros.

Questionado sobre o balanço destes

quase oito meses de atividade do

#PortugalMediaLab, Sérgio Silva refere

que a missão desta estrutura de missão é

apoiar o Governo nas políticas publicas de

comunicação social e na implementação

do plano de ação. Destaca que, no âmbito

da consulta pública ao Plano de Ação para

a Comunicação Social, foram recebidas 26

contribuições, estando neste momento a

ser elaborado o relatório de apreciação dos

mesmos. E defende a política pública de

literacia mediática tem de se centrar não

apenas nas crianças e nos jovens, mas ir

muito além disso, para outros públicos-alvo,

até mesmo os jornalistas.

Até porque, como refere Luísa Meireles, “os

jornalistas estão na primeira linha, são os

primeiros a combater e um alvo a abater.

É fundamental terem um conjunto de

ferramentas para detetar o que é falso. E que

está a aumentar, nomeadamente com a IA.

Temos mesmo de voltar ao back to basics. As

opiniões têm de se alicerçar em factos”.

E as parcerias podem ser “a única forma

de se ter o impacto que se pretende”,

acrescenta Pedro Calado. “É preciso não

diabolizar a tecnologia, que traz imensos

riscos, mas é parte da solução que estamos

aqui a convocar. Temos de tentar usá-la para

o bem comum. Esta busca do bem comum

faz-se muito com uma visão filantrópica”,

defende. É que, na sua perspetiva, “há que

resolver na base das causas profundas do

descontentamento e aprender e valorizar

o facto de discordarmos um dos outros. Há

que saber acomodar a diferença”, porque,

afinal, “é o que nos torna interessantes”.

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Reportagem

Reportagem

fotográfica

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do evento aqui

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o UPDATE tem como objetivo disponibilizar informação estruturada sobre cada uma das iniciativas promovidas pela APDC.

Pretemde-se facilitar, a todos os interessados, um arquivo com os conteúdos mais relevantes de cada evento, que poderá ser

consultado em www.apdc.pt

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