Florestal_272Web
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DESTAQUE
Entrevista: Renato Rosenberg apresenta planos e metas para concessões florestais no Brasil
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de forma independente, com
doses fixas ou variadas através de
mapas de recomendação. Além de ter
acessórios, como: sensor de queda de
adubo, sensor de profundidade, entre
outros.
Corte de seção automático
e produtos para pulverização
Gestão da Informação do
Campo GIC
A inovação que faltava para a
gestão agrícola
Sistema de gestão que engloba todos
os processos executados no campo,
permitindo a geração automática de
relatórios e integração com outros
sistemas.
Colheita florestal
Mapas de microplanejamento
O inovador sistema de gestão para a
colheita FULL TREE traz funcionalidades
como o apontamento de número
de árvores colhidas, viagens de
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uma margem de segurança
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provenientes dos principais fabricantes
mundiais. Para rotatores com uma
capacidade de carga a partir de 6 toneladas
são utilizados rolamentos - superior e
inferior, o que aumenta sua força
consideravelmente.
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partir de ferro fundido de
altíssima resistência, fundido
em empresas Europeias de
acordo com os mais altos
padrões, garantindo assim
uma estrutura durável e
confiável.
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reforçada com cunha
especial patenteada,
garante ao rotator uma
junção robusta e
segura entre o rotator
e a garra.
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Carregadores
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Construção
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Manipulador
de material
Construção
Demolição
Garras
traçadoras
Possuímos uma linha de rotatores completos, inclusive linha de mineração
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STAND A5D
SUMÁRIO
52
SUPRESSÃO
VEGETAL
ABRIL 2025
12 Editorial
14 Cartas
16 Bastidores
18 Notas
34 Frases
36 Entrevista
50 Coluna
52 Principal
60 Manejo
68 Genética
72 Compostagem
76 Formação
80 Artigo
86 Agenda
88 Espaço Aberto
68
72
ANUNCIANTES DA EDIÇÃO
21 Armac
13 BKT
15 Bruno
19 Carrocerias Bachiega
71 Composhow
83 D’Antonio Equipamentos
08 Denis Cimaf
02 Dinagro
33 DRV Ferramentas
35 Emex Brasil
61 Engeforest
92 Envimat
23 Envimat/CBI
75 Envimat/Compostagem
11 Envu
65 Equilíbrio Florestal
45 Feldermann Forest
85 Felipe Diesel
51 Francio Soluções Florestais
04 Himev
39 J de Souza
67 Planflora
89 Prêmio Referência 2025
37 Rocha Facas
29 Rodovale
17 Rotary-Ax
25 Rotor Equipamentos
49 Sergomel
87 Show Florestal
90 Sparta Brasil
27 Tecmater
63 Unibrás
31 Vantec
06 Verion
47 Vermeer Brasil
41 Watanabe
43 WDS Pneumática
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O Herbicida seletivo da Envu para impedir as daninhas
desde o início e em todas as épocas do ano
Aplicação
Pré e Pós-Plantio
Das culturas do
eucalipto e pinus
Seletividade
Não afeta o
desenvolvimento
das culturas do
eucalipto e pinus
Flexibilidade
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em épocas úmidas
e secas
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EDITORIAL
Da maneira certa
O crescimento sustentável do setor florestal depende de
uma legislação sólida e de processos bem estruturados. Regras
claras garantem segurança jurídica, estimulam investimentos
e promovem a conservação ambiental. O manejo responsável
das florestas não apenas impulsiona a economia, mas também
preserva recursos para as futuras gerações. Com fiscalização
eficiente e incentivos adequados, o Brasil pode consolidar-se
como líder em produção florestal sustentável. Nessa edição,
os implementos e soluções da Sparta Brasil para supressão
vegetal, as novidades sobre a engenharia florestal, a clonagem
da maior araucária brasileira, o manejo florestal em crescimento,
nosso caderno de compostagem e uma entrevista exclusiva
com Renato Rosenberg, diretor de concessões florestais do
SFB (Serviço Florestal Brasileiro), que apresenta as novidades
e planos para o crescimento das operações. Excelente leitura a
todos!
2
1
ABSOLUTE HEAVYWEIGHT
ROBUST EQUIPMENT TO TRANSFORM
VEGETATION SUPPRESSION IN ANY
TERRAIN ARRIVES IN BRAZIL
Na capa dessa edição a Sparta
Brasil, que traz o melhor da
supressão vegetal mundial
para o Brasil
A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product
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Ano XXVII • Nº272 • Abril 2025
DESTAQUE
Entrevista: Renato Rosenberg apresenta planos e metas para concessões florestais no Brasil
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THE CORRECT WAY
Sustainable growth in the Forest Sector depends on sound
legislation and well-structured processes. Clear rules provide
legal certainty, encourage investment, and promote environmental
protection. Responsible forest management boosts
the economy and preserves resources for future generations.
With effective oversight and appropriate incentives, Brazil can
consolidate its position as a leader in sustainable forest production.
In this issue, you will find Sparta Brasil’s implements
and solutions for weed control, news on forestry technology,
the cloning of Brazil’s largest araucaria, forest management
in growth, our composting booklet, and an exclusive interview
with Renato Rosenberg, Director of Forest Concessions at the
Brazilian Forest Service (SFB), who presents the news and plans
for the growth of operations. Pleasant reading!
Iniciativas no Pará e Amazonas fortalecem
o papel do manejo florestal
Entrevista com
Renato Rosenberg,
diretor de concessões
florestais do SFB
3
EXPEDIENTE
ANO XXVII - EDIÇÃO 272 - ABRIL 2025
Diretor Comercial / Commercial Director
Fábio Alexandre Machado
fabiomachado@revistareferencia.com.br
Diretor Executivo / Executive Director
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bartoski@revistareferencia.com.br
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Vinicius Santos
jornalismo@revistareferencia.com.br
Colunista
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Ana Paula Vogler
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Tradução / Translation
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A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente,
dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira,
instituições de pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais,
ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente
ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor
Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em
matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais
de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,
armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos
textos, fotos e outras criações intelectuais da Revista REFERÊNCIA são
terminantemente proibidos sem autorização escrita dos titulares dos
direitos autorais, exceto para fins didáticos.
Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication
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lumberz industry, research institutions, university students, governmental
agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked
to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself
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themselves. The use, reproduction, appropriation and databank storage
under any form or means of the texts, photographs and other intellectual
property in each publication of Revista REFERÊNCIA is expressly prohibited
without the written authorization of the holders of the authorial rights.
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A LONG WAY
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pneu diagonal da BKT para o setor agroflorestal, mas também pode ser utilizado em algumas
operações agrícolas, como paisagismo e silagem. A sua carcaça de poliéster e composto
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enquanto a parede lateral robusta garante um longo ciclo de vida do produto. As principais
características do FORESTLAND são excelente tração em terrenos brandos, boa aderência em
qualquer solo graças aos blocos rígidos e reforçados da banda de rodagem, um alto nível de
estabilidade graças à forte construção dos talões e propriedades de autolimpeza superiores.
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CARTAS
DESTAQUE
Tecnologia: cadeia de custódia é importante aliada para o rastreio da madeira nativa
Capa da Edição 271 da
Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,
mês de março de 2025
A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product
www.referenciaflorestal.com.br
CAMINHO
PARA O FUTURO
IMPLEMENTO PARA ABERTURA
E MANUTENÇÃO DE ESTRADAS
VICINAIS É NOVA ALTERNATIVA
PARA O SETOR
Ano XXVII • Nº271 • Março 2025
ROADS FOR THE FUTURE
EQUIPMENT FOR OPENING AND
MAINTAINING SECONDARY ROADS IS
A NEW ALTERNATIVE FOR THE SECTOR
PRINCIPAL
Por João Marcos Gouveia, Jaguariaíva (PR)
O trabalho da Watanabe é muito importante. É uma indústria nacional, tradicional
e que tem apresentado excelentes soluções para o setor.
MANEJO
Foto: divulgação
Por César Augusto Lemos, Rondonópolis (MT)
O potencial da preservação que o manejo faz é inigualável. Muito
importante a valorização por parte da esfera pública dessa prática que
protege as florestas.
RESTAURAÇÃO
Por Evandro Siqueira, Campinas (SP)
A restauração das florestas abre um mercado de grande potencial: o de carbono.
Quem estiver atento pode estar um passo a frente em um mercado emergente.
Foto: divulgacão
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enviados também para redação
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ou a respeito de reportagem produzida pelo veículo.
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BASTIDORES
Revista
Foto: REFERÊNCIA
Foto: REFERÊNCIA
EVENTO
Durante o evento Biotech Fair em Porto Alegre (RS), a
Revista REFERÊNCIA através do diretor comercial Fábio
Machado, recebeu a visita de Leonardo de Zorzi, CEO
da Global Prime Wood e presidente do Sindimadeira
(RS), Daniel Chies, gestor florestal da Madem e
presidente da Ageflor e Clóvis Rech, diretor da Porthus
Empreendimentos.
FEIRA
O diretor florestal da TFC (The Forest Company),
José Sawinski Júnior, esteve prestigiando o
estande da Revista REFERÊNCIA na Biotech
Fair em Porto Alegre (RS), ao lado do diretor
comercial Fábio Machado.
ALTA
PAGANDO AINDA MAIS
A prévia da carga tributária (peso dos impostos
e demais tributos sobre a economia) subiu para
32,32% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2024,
conforme divulgado pelo Tesouro Nacional. Em
2023, o mesmo indicador tinha atingido 30,26%,
diferença de 2,06 pontos percentuais. Segundo o
Tesouro, vários fatores pesaram para o aumento
da carga tributária. O principal foi o crescimento
da economia, que aumentou a arrecadação dos
tributos sobre bens e serviços em 0,81 ponto percentual
do PIB em nível federal no ano passado.
Somente a arrecadação da Cofins (Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social), tributo
diretamente ligado às vendas, subiu 0,42 ponto.
ABRIL 2025
FLORESTA DIZIMADA
O ano começa com um aumento alarmante no desmatamento
da Amazônia, que registrou crescimento de 68%
em comparação com janeiro de 2024. O total de 133 km²
devastados marca a sexta maior taxa de destruição florestal
já registrada para o mês, representando a destruição
de mais de 400 campos de futebol por dia. Esse cenário
é um sinal claro de que a pressão sobre a Amazônia
aumenta, exigindo ações mais rigorosas do governo Lula.
O aumento do desmatamento é mais visível em alguns
Estados da região amazônica. Mato Grosso foi o mais
afetado, concentrando 45% da destruição registrada,
seguido por Roraima com 23% e Pará com 20%. Juntos,
esses três Estados foram responsáveis por 88% do desmatamento
da Amazônia em janeiro de 2025.
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NOTAS
Podcast REFERÊNCIA
Durante o mês de março o estúdio do Podcast REFERÊNCIA teve a alegria de receber convidados muito importantes para o
desenvolvimento do segmento de base florestal, no reflorestamento e no manejo florestal sustentável. Os entrevistados desses episódios
foram Deryck Martins (foto de cima), presidente da Aimex (Associação das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado do
Pará) e especialista em gestão florestal. O outro convidado foi Leonardo Lenz (foto de baixo), é formado em direito e é sócio proprietário
da Immergrün e diretor executivo do Grupo Lenz. Os episódios tiveram o apoio da Máquinas Águia, Bonardi e MSM Química.
Deryck relatou que seu interesse na biologia e na engenharia florestal foi por gostar muito da floresta e de viajar, que era possibilidades
abertas por essas áreas. O entrevistado comentou
que em relação a formação de novos engenheiros foi percebido
uma tendência de novos engenheiros preservacionistas,
que não entendem tão bem a forma de se utilizar a floresta.
“Criamos no Pará um sistema de residência florestal, onde os
estudante têm uma verdadeira vivência de campo para saber
como é a realidade do manejo”, explicou Deryck. Segundo
ele, o manejo florestal sustentável é a estratégia essencial
para conservar as florestas e manter o equilíbrio ambiental.
Ao promover o uso responsável dos recursos naturais, essa
prática assegura a regeneração das áreas exploradas e evita
o desmatamento descontrolado. “As florestas manejadas
corretamente funcionam como importantes sumidouros de
carbono, capturando e armazenando CO2 da atmosfera, contribuindo
diretamente no combate às mudanças climáticas”,
apontou Deryck.
No episódio com Leonardo Lenz as explanações foram
focadas na construção com madeira e o wood frame. Leonardo
relatou que a madeira esteve presente na sua família
desde a chegada de seu pai ao Brasil, na década de 1930.
“Meu pai começou nessa atividade há muito tempo. Quando
ele chegou em Bituruna (PR) trabalhou em empresas da
região até que iniciou sua própria indústria, a Madebio, que
iniciou serrando imbuia e depois migrou para o mercado de
compensados”, relatou Leonardo.
Sobre o mercado de wood frame, que passa do setor
madeireiro para o de construção civil, foi um dos desafios
apresentados. O outro foi entender as reais possibilidades
do mercado, devido a necessidade de homologação do tipo
de construção para ser liberada a operação. “Hoje temos a
normatização do wood frame, a regulamentação de tudo
que pode e não pode ser feito. Trabalhamos em conjunto
com a Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira
Processada Mecanicamente) para construir essa normatização
e logo teremos atualizações para abrir ainda mais as
possibilidades”, valorizou Leonardo.
Os episódios completos o Leitor pode conferir
no canal do youtube da Revista REFERÊNCIA:
Fotos: REFERÊNCIA
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NOTAS
Verba ampliada
O orçamento da Embrapa (Empresa Brasileira de Psquisa e Agropecuária) para 2025 foi aprovado no Congresso Nacional,
trazendo um importante avanço na recuperação dos recursos financeiros da Empresa. Após anos de restrições,
a projeção orçamentária para 2025 indica um repasse de R$ 364 milhões para despesas discricionárias, o maior valor
desde 2019 e que representa crescimento de 114% em relação a 2024. O orçamento 2025 da Embrapa contará ainda
com recursos do Novo PAC (Projeto de Aceleração do Crescimento) , de aproximadamente R$ 148 milhões.
Com o orçamento aprovado, a Embrapa poderá retomar investimentos e fortalecer suas ações em pesquisa e inovação,
essenciais para a competitividade da agricultura brasileira. “Este orçamento é decisivo para a empresa recuperar
sua atuação plena, garantir a continuidade dos projetos e permitir novas ações estratégicas para o país. O valor aprovado
representa uma virada, materializa o compromisso do governo com a pesquisa agropecuária e o reconhecimento do
Congresso Nacional da necessidade de investir em ciência”, alerta a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá.
Os recursos adicionais permitirão à Embrapa modernizar laboratórios, atualizar campos experimentais e investir em
novas tecnologias, garantindo que a agricultura brasileira se mantenha competitiva no cenário global. A continuidade e
ampliação dos projetos de pesquisa e desenvolvimento são fundamentais para enfrentar os desafios atuais e futuros e
assegurar a sustentabilidade do setor agropecuário nacional.
A aprovação mais que dobra o orçamento de 2025 em comparação com 2024, quando considerados os valores
para pagamentos de despesas discricionárias. Na mesma etapa em que se encontra agora o andamento do processo
orçamentário (após aprovação pelo Congresso Nacional), para 2024 o valor era de R$ 156.474.099,00, ao passo que em
2025 subiu para R$ 335.192.799,00 (aumento de 114%). Soma-se a esse valor, em 2025, emendas individuais, fazendo
com que o orçamento total para pagamento de despesas discricionárias seja de R$ 364.112.908,00.
Foto: divulgação
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NOTAS
Foto: divulgação
Regular é preciso
A Comissão de Assuntos Jurídicos da Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul) discutiu sobre a
ratificação dos imóveis em faixa de fronteira. Imóveis de fronteira são aqueles que estão em uma faixa de até 150
km (quilômetros) da fronteira terrestre com outros países.
Segundo Nestor Hein, diretor jurídico da entidade, a regularização dessas áreas é necessária para que o produtor
evite o cancelamento do registro imobiliário, o que geraria uma nova tramitação em relação às propriedades.
“Essa data vem se arrastando já faz um bom tempo, mas agora é um prazo final”, declarou.
A ratificação está prevista na lei número 13.178, de 22 de outubro de 2025, que determina que a ação ocorra
até 22 de outubro deste ano. A medida deve ser feita por proprietários com imóveis com área superior a 15 módulos
fiscais na data de 22 de outubro de 2015, ainda que desmembrados ou fracionados posteriormente, precisam
requerer a ratificação.
A equipe jurídica da Farsul criou uma cartilha para auxiliar o produtor rural no processo da ratificação de sua
propriedade. Além da discussão sobre propriedade, a comissão também discutiu a documentação necessária para
que produtores possam se defender juridicamente em caso de invasões de terra. “O produtor precisa já fazer uma
notícia-crime, que hoje se faz online, mas necessita de registro, fotografias, CAR, CCIR, registro de posse atualizado
para poder ajuizar as reintegrações”, orienta Nestor.
Além dessa regulação, os municípios conveniados ao ITR (Imposto sobre Propriedade Territorial Rural) do
estado do Rio Grande do Sul têm até o dia 30 de abril para informar à Receita Federal o VTN (Valor da Terra Nua).
Esse valor é uma das bases de cálculo utilizadas para o ITR, e a declaração é uma exigência para as localidades
conveniadas com a Receita Federal.
Os valores informados devem refletir o preço de mercado da terra nua, em um levantamento técnico realizado
por profissionais habilitados. Terra nua é considerado o imóvel rural que, por natureza, compreende o solo com
sua superfície e respectiva mata, floresta ou pastagem nativa, ou qualquer outra forma de vegetação natural. Portanto,
qualquer construção, instalação ou melhoramento, assim como qualquer cultura permanente, árvores de
florestas plantadas e pastagens cultivadas são classificadas como investimentos e não entram neste cálculo.
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NOTAS
Fortalecendo as florestas
No Dia Internacional das Florestas o MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) e o Mapa (Ministério
da Agricultura e Pecuária), realizaram o evento: Floresta de Valor – Oportunidades de Investimento nas Cadeias
Produtivas. O encontro aconteceu na sede da CNI (Confederação Nacional da Indústria), em Brasília (DF).
De acordo com a diretora-executiva da Florestar (Associação Paulista de Produtores, Fornecedores e Consumidores
de Florestas Plantadas), Fernanda Abilio, o evento reforçou a união dos ministérios da Agricultura e do Meio
Ambiente, aliando produção e conservação como uma diretriz para o setor, em comemoração ao Dia Internacional
das Florestas.
A Florestar vem contribuindo como membro da câmara setorial de florestas plantadas, avaliando projetos do edital
de chamamento público que tem como objetivo avaliar e selecionar projetos estratégicos voltados a estimular o
plantio de florestas produtivas, apoiar a recuperação de vegetação nativa e recompor áreas degradadas.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, lembrou que todas as florestas têm valor. “Somos uma potência na
agricultura porque somos uma potência hídrica. Somos uma potência hídrica porque somos uma potência florestal”,
relativou Marina. No evento também estavam: o secretário de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e
Cooperativismo, Pedro Neto; o presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis), Rodrigo Agostinho, e outras autoridades. “Tivemos a oportunidade de falar para todos estes representantes
e reforçar sobre como o setor florestal paulista é relevante e qual a nossa participação e impacto dentro do
cenário nacional de floretas plantadas”, complementou Fernanda.
Na ocasião, a Florestar foi homenageada pela contribuição nas avaliações do edital de chamamento público dos
projetos. A diretora-executiva da Florestar recebeu a homenagem do secretário-adjunto da Secretaria de Inovação,
Pedro Neto.
Foto: divulgação
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NOTAS
Foto: divulgação
Trabalhando em conjunto
A Amif (Associação Mineira da Indústria Florestal) realizou o Primeiro Encontro Nacional das Associações Estaduais
do setor florestal brasileiro, em Belo Horizonte (MG). O evento reuniu representantes de diferentes entidades para promover
a troca de experiências e fortalecer a atuação do setor nos estados e em âmbito nacional.
O encontro teve como principal objetivo otimizar processos, padrões e estruturas de governança das associações estaduais,
de modo a buscar ainda mais alinhamento e eficiência na representação do setor. “O que fizemos foi a discussão
de como melhorar ainda mais os resultados e a prestação de serviços para o setor e para as nossas empresas associadas
e patrocinadoras. Foi um orgulho para a Amif sediar o primeiro encontro e a gente segue aqui também disponível, sempre,
para todas as entidades, para compartilhar experiências dos trabalhos que são realizados na Amif”, destacou Adriana
Maugeri, presidente da associação.
Paralelamente ao evento principal, também houve uma reunião específica para os profissionais de comunicação das
entidades, com foco no fortalecimento da imagem do setor florestal nas redes sociais e no uso estratégico das novas tecnologias
digitais para ampliar o reconhecimento das ações desenvolvidas.
Entre as entidades presentes estavam a Amif (MG), ACR (SC), Reflore (MS), Apre (PR), Cedagro (ES), Florestar (SP),
ARE Florestas (MT), Abaf (BA) Florestar (SP) e IBÁ (Indústria Brasileira de Árvores). O evento também contou com palestras
de especialistas, como o promotor do Ministério Público de Minas Gerais e Coordenador do Centro de Apoio Operacional
das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, Carlos Eduardo Ferreira Pinto, que abordou estratégias
para o fortalecimento do relacionamento institucional com entidades críticas. Já Laila Katina, da assessoria da presidência
da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), falou sobre governança colaborativa e compliance. O
sucesso do encontro reafirma a importância da colaboração entre as associações estaduais e sinaliza um novo momento
para a atuação conjunta do setor florestal no Brasil. A Amif segue comprometida em fomentar essa sinergia e impulsionar
o desenvolvimento sustentável da indústria florestal brasileira, atenta aos seus objetivos estratégicos.
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NOTAS
Floresta que dá futuro
A região do Bolsão em Mato Grosso do Sul é um celeiro de oportunidades para o desenvolvimento profissional
e pessoal. O berço de todo este processo de crescimento está sendo trilhado por mulheres que estão no curso tecnólogo
em silvicultura, capacitação de nível superior ofertado pela UEMS (Universidade Estadual do Mato Grosso
do Sul) em parceria com as prefeituras municipais de Água Clara (MS) e Ribas do Rio Pardo (MS) e as empresas MS
Florestal e Suzano, respectivamente.
“São cursos novos na grade curricular das universidades. Só existem mais três cursos no interior de São Paulo e
do Espírito Santo. A região do Bolsão, em Mato Grosso do Sul, é o coração da silvicultura no Brasil e nada mais justo
que tenhamos aqui esse tipo de capacitação, mais direcionada e específica”, explica o professor Allan Motta Couto,
docente da UEMS (Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul) e coordenador do curso da UEMS, em Água Clara.
O professor detalha que a maioria dos participantes do curso de silvicultura são mulheres e que já trabalham
nos viveiros de mudas e em outros setores das empresas do setor florestal.
O curso de silvicultura é oferecido no polo da UEMS em Água Clara e ministrado na Escola Municipal Márcia
Cristina Fioratti Javarez, que oferece um espaço muito bem adequado com ambiente climatizado e equipamentos
como telões de alta tecnologia sensíveis ao tato, laboratórios equipados, conexão de internet, além de uma logística
primorosa com transporte para as aulas práticas de campo. O professor Allan também ressalta que a parceria
com a indústria é fundamental para a promoção do curso. “A MS Florestal identificou uma demanda social e decidiu
também investir na capacitação. A união dos três parceiros, prefeituras, empresas e UEMS, possibilitou a criação
desse curso em Água Clara e Ribas do Rio Pardo”, completou Allan.
Foto: divulgação
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NOTAS
Rota definida
A CNA (Comissão Nacional de Silvicultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) realizou a primeira
reunião de 2025 para traçar um panorama da cadeia produtiva da borracha natural e definir as demandas e
pautas prioritárias para o ano. A reunião foi conduzida pelo presidente da Comissão, Antônio Ginack, e contou com
o apoio da Assessora Técnica da CNA, Eduarda Lee. Também participaram representantes das federações estaduais e
do setor produtivo.
O presidente apresentou aos membros da comissão um panorama da cadeia produtiva da borracha natural no
país e mostrou os últimos movimentos do mercado. “Passamos por um tempo em que secas, queimadas, geadas,
preços e taxas de importação muito baixas deixaram o produtor inseguro. Os preços pagos não cobriam sobremaneira
os custos de produção, mas hoje a cadeia passa por um momento de melhor alavancagem de valor da borracha
natural.”, destacou Antônio.
Outro tema tratado foi a Lei de Bioinsumos. A assessora técnica da CNA, Letícia Barony, apresentou os principais
pontos que devem ser observados pelos produtores rurais e destacou a importância da lei, que está em fase de regulamentação.
“A CNA está atenta para que a lei garanta segurança jurídica para os produtores rurais”, destaca Letícia.
Eduarda Lee apresentou as ações e conquistas do setor em 2024. Segundo ela, além da Lei dos Bioinsumos, a
CNA atuou também em outras frentes, como a exclusão da silvicultura do rol das atividades potencialmente poluidoras,
debate sobre a necessidade de atualização Lei de Proteção de Cultivares, apoio à aprovação do Programa de
Aceleração da Transição Energética e outras propostas legislativas. “Atuamos em diversas áreas para fomentar os
avanços para o setor. Um outro exemplo é que o índice de referência de importação da borracha natural desenvolvido
pela CNA, em parceria com o Instituto de Economia Agrícola, se consolidou como referência para o setor”, explicou
Eduarda.
30 www.referenciaflorestal.com.br
NOTAS
Para continuar à frente
Minas Gerais já tem seu Plano Estadual Agrícola para o Desenvolvimento Sustentável de Florestas Plantadas.
O documento, coordenado pela Superintendência de Fomento Florestal – Sub Secretaria de Agricultura Familiar e
Desenvolvimento Rural Sustentável, abrange temas como a legislação das florestas plantadas; panorama do setor
florestal do Brasil e em Minas Gerais; Selo Verde e Cadastro Ambiental Rural; Cadeias de Negócios da Base Florestal,
pontos fortes e fracos da cadeia, dentre outros.
A silvicultura, que envolve o cultivo e o manejo sustentável das florestas, é essencial tanto para a economia
quanto para a preservação ambiental do Estado. O superintendente de fomento florestal da Secretaria, Miguel
Ribon Júnior, explica que a ideia é oferecer uma visão estratégica da cadeia da silvicultura, direcionando melhor o
planejamento do setor a fim de atrair novos investimentos, com ênfase na identificação de oportunidades para micro
e pequenas empresas. “Esperamos que o documento ajude a fomentar o desenvolvimento de novos mercados
e negócios; gere emprego e renda nas comunidades rurais; incentive os pequenos e médios produtores rurais de
florestas plantadas e crie novas oportunidades de trabalho e o aumento de renda. Estamos certos de que isso pode
ser alcançado através do fortalecimento da cadeia produtiva; do incentivo ao empreendedorismo e da promoção
de políticas públicas que apoiem o desenvolvimento rural sustentável”, observou Miguel. Segundo ele, os próximos
passos serão a implementação, execução e avaliação que serão feitas pela Superintendência de Fomento Florestal,
com apoio dos membros da Câmara Setorial de Silvicultura – Cepa (Conselho Estadual de Política Agrícola).
A expectativa é que, com o plano, principalmente os pequenos e médios produtores rurais florestais, tenham
mais clareza quanto à linhas de financiamento para o setor, agroindústrias que utilizam produtos oriundos de florestas
plantadas como matéria-prima, o sistema ILPF (integração lavoura-pecuária-floresta), treinamentos e recursos
sobre técnicas de plantio, manejo e mercado de produtos florestais.
Foto: divulgação
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FRASES
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O objetivo do evento é
oferecer reciclagem técnica
e capacitação para toda a
indústria florestal mineira,
desde pequenos a grandes
produtores. O Florestas Uai
proporciona espaços para troca
de experiências e apresentação
das melhores práticas do setor”
Adriana Maugeri, presidente da Amif
(Associação Mineira da Indústria Florestal),
sobre o evento Florestas Uai
“Minas já é referência
em florestas plantadas
e tem uma indústria
robusta que movimenta
siderurgia, celulose
e bioenergia. Com
incentivos estratégicos
e um ambiente de
negócios favorável,
o Governo de Minas,
por meio da Invest
Minas, está pronto para
conectar investidores”
“Estamos diante de uma exigência
totalmente desconectada da realidade
do país. Se essa regra for mantida, os
planos de manejo florestal sustentável,
fundamentais para a conservação da
floresta em pé, ficarão inviabilizados.
Isso coloca em risco não apenas o
desenvolvimento econômico local,
mas também a política ambiental do
Brasil, que tem no manejo um dos
seus principais aliados na redução do
desmatamento ilegal”
João Paulo Braga, diretor-presidente da
Invest Minas
Ednei Blasius, presidente do CIPEM (Centro
das Indústrias Produtoras e Exportadoras de
Madeira do Estado de Mato Grosso) sobre nova
norma governamental que inviabiliza produção e
comércio legal de madeira nativa
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ENTREVISTA
Sustentabilidade
LEVADA
A SÉRIO
Sustainability taken
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Foto: divulgação
ENTREVISTA
A
s concessões florestais desempenham um papel
essencial na promoção do manejo florestal
sustentável, garantindo o uso responsável dos
recursos naturais e a preservação das florestas
públicas. Com a crescente demanda por práticas mais sustentáveis,
o setor enfrenta desafios e oportunidades. Para discutir
esses temas, conversamos com Renato Rosenberg, diretor de
concessões florestais do SFB (Serviço Florestal Brasileiro).
Renato Rosenberg
F
orest concessions are essential for promoting
sustainable forest management, ensuring the responsible
use of natural resources, and conserving
public forests. As demand for more sustainable
practices grows, the Sector faces challenges and
opportunities. We spoke with Renato Rosenberg, Director of Forest
Concessions at the Brazilian Forest Service (SFB), to discuss
these issues.
ATIVIDADE/ ACTIVITY:
Engenheiro Ambiental formado pela Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo (Poli/USP) e mestre em Economia
pela UnB (Universidade de Brasília), Renato atualmente
ocupa o cargo de Diretor de Concessões no SFB. Com uma
sólida experiência profissional, ele se destaca por sua
expertise em planejamento, modelagem e implementação
de concessões e PPPs (parcerias público-privadas) nas áreas
ambiental e de infraestrutura.
Environmental Engineer with a degree from the Polytechnic
School of the University of São Paulo (Poli/USP) and a
Master’s degree in Economics from the University of Brasília
(UnB), Rosenberg currently holds the position of Director of
Concessions at the SFB. With solid professional experience,
he stands out for his expertise in designing, modeling, and
implementing concessions and Public-Private Partnerships
(PPPs) in the Environmental and Infrastructure Sectors.
36 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
>> Como foi sua trajetória profissional até chegar ao cargo
atual?
Sou engenheiro ambiental de formação, da primeira turma
de engenharia ambiental da USP (Universidade de São Paulo).
Na época do vestibular, ingressei na Escola Politécnica da USP
para cursar Engenharia, mas ainda não tinha certeza sobre
qual especialização seguir. Nos primeiros 2 anos, estudei bastante
matemática, física e química, e ainda estava em dúvida
sobre qual caminho tomar. Foi então que surgiu o curso de
Engenharia Ambiental, e decidi seguir por essa área. Concluí
minha graduação e comecei a atuar na área ambiental. Logo
após me formar, assumi um cargo na Secretaria de Meio Ambiente
do Estado de São Paulo, onde fui diretor de diagnósticos
ambientais. Coordenei alguns projetos importantes voltados
à gestão ambiental e políticas públicas entre 2007 e 2008.
Com o tempo, percebi que apenas o conhecimento técnico da
engenharia não era suficiente para lidar com os desafios ambientais.
As questões envolviam não apenas diagnósticos ambientais,
mas também o entendimento de como funcionam os
mercados, as políticas econômicas e os instrumentos financeiros
para gestão ambiental. Foi essa percepção que me levou
a aprofundar meus estudos em economia e, posteriormente,
a atuar em Brasília (DF), onde passei a trabalhar diretamente
com essas questões.
>> De que forma está estruturado o SFB?
Dentro do SFB, a diretoria é dividida em três áreas, todas
igualmente desafiadoras. A primeira é a área de estruturação,
onde analisamos quais florestas públicas têm viabilidade para
concessão. Esse processo envolve estudos técnicos, econômicos
e jurídicos, além da elaboração dos editais e contratos.
Também conduzimos audiências públicas, consultas a comunidades
indígenas e demais processos de consulta necessários
para viabilizar as concessões. A segunda é a área de gestão de
contratos, responsável por fiscalizar e garantir o cumprimento
das obrigações contratuais. Isso inclui cobranças, reequilíbrios
financeiros e monitoramento da execução dos compromissos
assumidos pelos concessionários. A terceira é a área de
monitoramento, que utiliza tecnologia avançada para acompanhar
as concessões. Usamos imagens de satélite, LiDAR e
outros sistemas para verificar se as operações estão seguindo
as diretrizes estabelecidas. Isso inclui garantir que o volume
de madeira extraído esteja dentro do permitido no plano de
manejo e que apenas as espécies autorizadas estejam sendo
colhidas. Essa área também faz a metragem da madeira
explorada para calcular corretamente as taxas de concessão.
São desafios grandes, mas fundamentais para garantir uma
gestão eficiente e sustentável dos recursos florestais.
>> Quais são os principais benefícios do manejo florestal
sustentável?
As concessões florestais são um dos melhores instrumentos
para manter a floresta em pé, ao mesmo tempo em que
geram emprego, renda e desenvolvimento econômico na
Amazônia. Elas promovem a legalização das atividades ma-
How did you come to your current position?
I am an Environmental Engineer by training from the
first class of Environmental Engineering at the University
of São Paulo (USP). When I took the entrance
exam, I went to the Polytechnic School of USP to study
engineering, but I was still unsure of the specialization
I wanted to pursue. I studied math, physics, and
chemistry for the first two years but was still unsure
about my path. Then, the Environmental Engineering
Program was started, and I decided to pursue that field.
I graduated and started working in the environmental
field. Soon after graduation, I worked as the Director of
Environmental Diagnostics at the São Paulo State Department
of the Environment. Between 2007 and 2008,
I coordinated some critical projects focused on environmental
management and public policy. Over time,
I realized that technical engineering knowledge alone
was not enough to address ecological challenges. It
required environmental diagnostics and an understanding
of how markets, economic policies, and financial
instruments work for environmental management. This
realization led me to further my studies in economics
and later to work in Brasília (DF), where I began to work
directly with these issues.
How is the SFB structured?
Within the Brazilian Forest Service (SFB), the directorate
is divided into three equally challenging areas. The
first is the structuring area, where we analyze what
public forests are suitable for concessions. This process
involves conducting technical, economic, and legal studies,
as well as drafting notices and contracts. We also
conduct public hearings, consultations with indigenous
communities, and other consultation processes necessary
to make concessions viable. The second is contract
management, which monitors and ensures compliance
with contractual obligations. This includes collection,
financial reconciliation, and monitoring of the concessionaires’
fulfillment of their commitments. The third is
monitoring, which uses advanced technology to monitor
the concessions. We utilize satellite imagery, LiDAR,
and other systems to verify that operations adhere to
established guidelines. This includes ensuring that the
amount of timber harvested is within the limits of the
management plan and that only authorized species
are harvested. This area also measures the timber
harvested so that concession fees can be calculated
correctly. These are significant challenges, but they are
fundamental to ensuring the efficient and sustainable
management of forest resources.
What are the main benefits of Sustainable Forest
Management (SFM)?
Forest concessions are one of the best tools to conserve
forests while creating jobs, income, and economic de-
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ENTREVISTA
deireiras e a arrecadação de tributos para municípios, Estados
e a União. Acreditamos que o modelo de concessão e o
manejo sustentável deveriam ser aplicados em uma escala
ainda maior do que vemos hoje. Trata-se de uma política
pública bem estruturada, com benefícios claros, tanto para
a conservação ambiental, quanto para o desenvolvimento
socioeconômico das regiões florestais. Em geral, os benefícios
da conservação são difusos, ou seja, impactam toda a sociedade,
mas nem sempre de forma visível ou imediata. Estamos
falando de serviços ambientais como a regulação climática,
a vapotranspiração (que influencia o regime de chuvas no
sul e sudeste do Brasil) e a conservação da biodiversidade.
Esses serviços beneficiam tanto o Brasil quanto o mundo, mas
muitas vezes não são percebidos com clareza pelo público.
O grande desafio é alinhar esses benefícios coletivos com
incentivos privados para que os proprietários de terra tenham
razões econômicas para manter a floresta em pé. O manejo
sustentável viabiliza essa equação, pois gera renda para quem
atua na floresta sem comprometer sua conservação. Esse
equilíbrio entre benefícios ambientais e econômicos é o grande
diferencial do modelo de concessão florestal.
>> Dentro das suas responsabilidades, onde exatamente entra
o seu papel?
Meu papel está mais ligado à legislação, à articulação política
e à conscientização. Temos uma equipe técnica extremamente
qualificada e comprometida, além de uma parceria muito
forte com o Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento Social),
que conduz grande parte da estruturação dos projetos.
No entanto, essa estrutura precisa estar alinhada com o mercado
para garantir interesse nos projetos. Também é essencial
manter diálogo com atores políticos, pois o apoio institucional
é fundamental para o desenvolvimento das concessões. Além
disso, precisamos interagir com o MP (Ministério Público),
TCU (Tribunal de Contas da União), CGU (Controladoria Geral
da União), empresas e até mesmo com o setor ambiental
organizado, que também tem influência sobre esses projetos.
Meu papel é justamente conectar todas essas frentes. Preciso
entender um pouco de cada aspecto, técnico, econômico e jurídico,
e costurar os interesses para que os projetos avancem.
>> Seu cargo, no melhor entendimento da palavra, tem também
uma parte política?
De certa forma, sim, mas com um forte viés técnico. Enquanto
os tomadores de decisão políticos lidam com questões
estratégicas e diretrizes mais amplas, minha função envolve
um trabalho técnico essencial para embasar essas decisões.
Por exemplo, se o Ibama altera a regulamentação de uma
portaria, preciso avaliar como essa mudança impacta a gestão
dos contratos e a estruturação dos projetos. Também analiso
os retornos financeiros das concessões para garantir que os
contratos sejam equilibrados e sustentáveis. Ao mesmo tempo,
preciso entender os objetivos e preocupações de todos os
envolvidos para que o processo avance. O TCU, por exemplo,
analisa os projetos antes de autorizarmos a licitação, e sua
velopment in the Amazon. They promote the legalization
of harvesting activities and the collection of taxes
for Municipalities, States, and the Federal Government.
We believe that the concession model and sustainable
management should be applied on an even larger scale
than we see today. It is a well-structured public policy
with clear benefits for environmental conservation
and socio-economic development in forest regions. In
general, the benefits of conservation are diffuse, i.e.,
they affect society as a whole, but not always visibly
or immediately. We are talking about environmental
services such as climate regulation, evapotranspiration
(which influences rainfall in the south and southeast of
Brazil), and biodiversity conservation. These services
benefit Brazil and the world but are often not perceived
by the public. The big challenge is balancing these
collective benefits with private incentives, giving landowners
economic reasons to keep the forest standing.
Sustainable management makes this equation possible
by generating income for those who work in the forest
without compromising its conservation. This balance
between environmental and economic benefits is a
great advantage of the forest concession model.
What is your role within your responsibilities?
My role is more related to legislation, policy coordination,
and awareness raising. We have an extremely
qualified and committed technical team and a firm partnership
with the National Bank for Social Development
(BNDES), which is responsible for much of the structuring
of the projects. However, this structure must be
aligned with the market to ensure the project’s interest.
Also, we must interact with the Attorney General’s Office
(Ministério Público), the Federal Audit Office (TCU),
the Comptroller General’s Office (CGU), companies,
and the organized Environmental Sector, which also
influences these projects. My role is to connect all these
fronts. I need to understand each technical, economic,
and legal aspect a little, and I must bring interests
together so that the projects can move forward.
Does your position have a political aspect in the best
sense?
In a way, yes, but with a strong technical bias. While
the political decision-makers deal with strategic issues
and broader guidelines, my role involves essential
technical work to support those decisions. For example,
if Ibama changes a regulation, I have to assess how this
change will affect the management of contracts and
the structuring of projects. I also analyze the financial
returns of the concessions to ensure that the contracts
are balanced and sustainable. At the same time, I need
to understand the goals and concerns of all stakeholders
to move the process forward. The TCU, for example,
analyzes the projects before we approve the bidding
40 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
principal preocupação é a qualidade dos estudos e a viabilidade
financeira. Não podemos correr o risco de estruturar concessões
que gerem ganhos excessivos para o setor privado,
deixando dinheiro público na mesa. Por isso, me antecipo às
exigências do TCU, participo de reuniões com técnicos e políticos
e busco garantir que os processos não fiquem parados
por meses devido a pendências. Embora meu cargo não seja
estritamente político, é necessário dialogar constantemente
com todos esses atores para que os projetos sejam viabilizados.
>> Tem observado progresso nas concessões florestais?
Nos últimos 2 anos, tivemos um avanço significativo com uma
alteração na Lei de Finanças Públicas. A principal mudança
foi a permissão para incluir o carbono nas modelagens de
concessões. Antes, isso era vedado por lei. Agora, com essa
flexibilização, surgem diversas oportunidades. Uma dessas
oportunidades são as concessões de restauração, onde a
principal fonte de receita vem da comercialização de créditos
de carbono associados à conservação da floresta. Outra mudança
relevante é a inclusão do carbono nas modelagens de
manejo florestal. Isso permite que as concessionárias, além
de comercializarem madeira de forma sustentável, também
obtenham créditos de carbono, tornando os projetos ainda
mais viáveis economicamente.
>> Como equilibrar o desenvolvimento econômico com a
preservação ambiental em um país onde o setor público tem
um papel tão expressivo?
Primeiro, é importante diferenciar as florestas plantadas
(pinus e eucalipto) das florestas nativas, que são nosso foco
principal nas concessões. Embora estejamos avançando
em projetos com florestas plantadas, nosso trabalho ainda
se concentra majoritariamente na gestão sustentável das
florestas naturais. A resposta para esse dilema é o manejo
florestal sustentável. No manejo, a exploração de madeira é
feita de maneira controlada, sempre abaixo da capacidade
de regeneração natural da floresta. Esse conceito é a própria
process, and their main concern is the quality of the
studies and the financial viability. We cannot run the
risk of structuring concessions that generate excessive
profits for the Private Sector and leave public money on
the table. That is why I anticipate the TCU’s demands,
take part in meetings with technicians and politicians,
and try to ensure that processes do not get stuck for
months because of unresolved issues. Although my position
is not strictly political, it is necessary to dialogue
constantly with all these actors to make projects viable.
Have you seen any progress on forest concessions?
In the last two years, we have made significant progress
with an amendment to the Public Finance Law. The
most notable change was to include carbon in the
modeling of concessions. Previously, this was prohibited
by law. Now, with this relaxation, there are several
opportunities. One of these opportunities is restoration
concessions, where the primary source of revenue
comes from the sale of carbon credits associated with
forest conservation. Another significant change is the
inclusion of carbon in forest management models. This
allows concessionaires to earn carbon credits selling
sustainable timber, making the projects more economically
viable.
How do you reconcile economic development with environmental
protection in a country where the Public
Sector plays such an important role?
First, it is essential to distinguish between planted forests
(pine and eucalyptus) and native forests, our principal
focus in the concessions. Although we are making
progress in our planted forest projects, our work is still
primarily focused on the sustainable management of
natural forests. The answer to this dilemma is sustainable
forestry. In Sustainable Forest Management (SFM),
timber is harvested in a controlled manner, consistently
below the natural regeneration capacity of the forest.
Trata-se de uma política pública bem estruturada, com
benefícios claros, tanto para a conservação ambiental,
quanto para o desenvolvimento socioeconômico das
regiões florestais
42 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
definição de sustentabilidade: colher madeira em um ritmo
que permita a reposição natural, garantindo que as gerações
futuras tenham acesso aos mesmos recursos. Para se ter uma
ideia, permitimos a extração de apenas quatro a cinco árvores
por hectare a cada 30 anos. Em contrapartida, o setor privado,
além de obter retorno econômico, assume uma série de
obrigações voltadas à conservação. Além disso, a própria presença
do setor privado na floresta auxilia na proteção da área.
Há uma questão patrimonial importante na Amazônia. Assim
como um terreno urbano abandonado tende a ser invadido,
uma floresta sem presença do Estado ou de uma atividade
econômica legal se torna vulnerável a ocupações irregulares,
desmatamento ilegal e extração clandestina de madeira. O
manejo florestal sustentável é, portanto, a grande estratégia
para garantir a conservação da floresta, gerando benefícios
econômicos e ambientais ao mesmo tempo.
>> Como a tecnologia vem sendo aplicada nos trabalhos de
concessões?
Atualmente, todo o processo de licitação e concessão já é
digital. Porém, estamos desenvolvendo um sistema de gestão
dos contratos para tornar toda a interlocução com as concessionárias
completamente digital. Já possuímos uma área de
monitoramento altamente tecnológica, que utiliza análise de
imagens de satélite e outras ferramentas digitais para acompanhar
as operações. Esse sistema será integrado à gestão
contratual, permitindo que os dados de volume produzido sejam
repassados de forma automatizada. Essa transformação
digital é um grande avanço, mas criar os parâmetros corretos
para esse modelo não é simples. De qualquer forma, esse é o
caminho do futuro, e acreditamos muito nesse processo. Para
facilitar ainda mais essa modernização, as recentes alterações
na legislação nos permitiram adotar algumas padronizações
nos contratos. Estamos trabalhando nisso, sempre respeitando
o equilíbrio econômico e as obrigações previstas. Vale lembrar
que um contrato desse tipo, incluindo seus anexos, pode
chegar a 400 páginas. Então, qualquer modificação exige muito
cuidado. Nosso objetivo tem sido encontrar um caminho
eficiente para a padronização, dentro dos limites legais.
>> O monitoramento também é totalmente digital? Onde e
como é feito esse monitoramento?
A gente tem um contrato com a Planet, então, a cada quinze
dias, eles nos enviam um relatório sobre a degradação florestal.
Com essas informações, conseguimos comparar com
o plano de manejo e identificar possíveis divergências. As
áreas monitoradas são bem extensas e de difícil acesso, então
o grosso do monitoramento é feito de forma remota, via
satélite, e temos grande confiança nesse método. Contamos
com equipes que fazem vistorias em campo pelo menos uma
vez por ano. Temos uma equipe em Santarém (PA) e outra em
Porto Velho (RO). Esses times visitam as UPAs (Unidades de
Proteção Ambiental) para verificar se há qualquer irregularidade.
Até puxando um gancho sobre isso, no Mato Grosso,
que hoje é um dos principais Estados de produção do manejo,
This concept is the very definition of sustainability:
harvesting the forest at a rate that allows for natural
replenishment, ensuring that future generations have
access to the same resources. To give you an idea, we
allow only four to five trees per hectare to be harvested
every 30 years. In return, the Private Sector takes on
a series of conservation obligations in addition to the
economic return. In addition, the very presence of the
Private Sector in the forest helps to protect the area.
There is an important cultural heritage issue in the
Amazon. Just as abandoned urban areas are prone to
invasion, a forest without the presence of the State or
legal economic activity becomes vulnerable to irregular
occupation, illegal deforestation, and clandestine
harvesting. Therefore, Sustainable Forest Management
is the primary strategy for ensuring forest conservation
while generating economic and environmental benefits.
How has technology been used in concessions?
Currently, the entire bidding and concession process is
already digital. However, we are developing a contract
management system, making all dialogue with
concessionaires completely digital. We already have a
high-tech monitoring area that uses satellite imagery
and other digital tools to monitor operations. This system
will be integrated with the contract management
system so that data on production can be sent automatically.
This digital transformation is a significant step
forward, but creating the correct parameters for this
model is not easy. However, it is the way of the future,
and we strongly believe in this process. To further facilitate
this modernization, recent changes in legislation
have allowed us to adopt some standardization in contracts.
We are working on this, always respecting the
economic balance and the established obligations. It is
worth remembering that a contract of this type, including
its annexes, can be as long as four hundred pages.
So, any change requires excellent care. We aim to find
an efficient way to standardize within the legal limits.
Is the monitoring all digital? Where and how is this
monitoring done?
We have a contract with Planet, so they send us a
report on forest degradation every two weeks. We can
compare this information with the management plan
and identify any discrepancies. The monitored areas are
vast and complex to access, so most of the monitoring
is done remotely via satellite, and we have tremendous
confidence in this method. We have teams that conduct
field inspections at least once a year. We have one team
in Santarém (PA) and another in Porto Velho (RO). These
teams visit the Environmental Protection Units (UPA)
to check for irregularities. To have an idea, in the State
of Mato Grosso, now one of the most critical states in
managed production, almost all the land is privately
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contato@feldermann.com.br
ENTREVISTA
tem praticamente todas as suas áreas privadas e por isso o
monitoramento é feito pelo Ibama ou pela esfera estadual.
>> De que forma as concessões florestais têm incorporado
exigências relacionadas às mudanças climáticas?
É importante contextualizar um ponto: conseguimos comparar
áreas concedidas com áreas não concedidas e comprovar
que, nas concessões, há uma conservação muito maior do
estoque florestal. Esse é o principal benefício climático do manejo.
Pode parecer um contrassenso à primeira vista, como
o manejo pode gerar benefícios climáticos? Na prática, ele
reduz a pressão sobre áreas naturais não manejadas. Nossa
principal interação com o tema climático hoje está na incorporação
da dinâmica do carbono nos modelos de concessão.
Isso permite que quem realiza o manejo pleiteie certificações
junto a entidades sérias viabilizando a geração de créditos de
carbono. Além disso, também estamos avançando nas concessões
de restauração, que são uma novidade dentro desse
contexto. Sobre as concessões de restauração é um tema
novo, mas muito caro à pasta. Estamos trabalhando nisso há
cerca de um ano e meio, começando com um projeto piloto
chamado Bom Futuro, em Rondônia. Essa área tem aproximadamente
15 mil ha (hectares) degradados. Já realizamos
a consulta pública e interações com o setor privado e com a
comunidade indígena local. Nosso objetivo é lançar esse projeto
ainda neste semestre ou no início do próximo. Trata-se
de um investimento de cerca de R$ 200 milhões, então é algo
bastante significativo. Esse é apenas o começo. Temos quase
4 milhões de ha de áreas públicas aptas para concessões de
restauração. Enquanto o manejo florestal tradicional consiste
na extração controlada de poucas espécies e posterior regeneração
da floresta ao longo de décadas, na restauração o
foco está no carbono.
>> É nesse tipo de concessão que entra o mercado de créditos
carbono?
Exatamente. Nossa ideia é ser flexível e, com o tempo, explorar
alternativas além do carbono, como silvicultura e turismo
sustentável. Mas, no momento, estamos focados no carbono
porque ele tem um potencial enorme.
>> Como funciona a ponte entre poder público e entidades
privadas?
Mantemos um canal de comunicação aberto com o setor
privado, pois é essencial garantir que haja interesse nos projetos
que estruturamos. Fazemos isso com total transparência
e, frequentemente, realizamos o que chamamos de Market
Sounding, ou seja, escutamos o mercado de forma ativa para
entender suas demandas. Além disso, organizamos reuniões
temáticas, participamos de eventos do setor e buscamos responder
todas as dúvidas e questionamentos. A troca de informações
é fundamental para aprimorar os processos e garantir
que as concessões sejam bem-sucedidas.
owned, so Ibama or the State authorities carry out the
monitoring.
How have climate change requirements been incorporated
into forest concessions?
It is essential to put one point in context – we have been
able to compare areas that have been concessioned
with regions that have not been concessioned, and we
have been able to show that in the concessions, there
is much greater conservation of forest cover. This is the
main climate benefit of management. It may seem like
a contradiction in terms of how management can generate
climate benefits. In practice, it reduces pressure
on unmanaged natural areas. Our principal interaction
with today’s climate issue is incorporating carbon
dynamics into concession models. This allows those
who do the management to apply for certification from
reputable bodies and thus generate carbon credits. We
are also progressing with restoration concessions, a
novelty in this context. Restoration concessions are a
new issue that we are very passionate about. We have
been working on it for about a year and a half, starting
with a pilot project called Bom Futuro in Rondônia. This
area has about 15 thousand hectares of degraded land.
We have already conducted public consultations and
interactions with the Private Sector and the local indigenous
community. Our goal is to launch this project this
semester or early next semester. It is a very significant
investment of about 200 million reais. This is just the
beginning. We have almost 4 million hectares of public
land suitable for restoration concessions. While traditional
forest management is the controlled harvesting
of a few species and the subsequent forest regeneration
over decades, restoration focuses on carbon.
Is that the kind of concession the carbon market comes
in with?
Exactly. Our idea is to be flexible and, over time, explore
alternatives other than carbon, such as forestry and
sustainable tourism. But right now, we focus on carbon
because it has enormous potential.
How do you bridge the gap between the Public and
Private Sectors?
We maintain an open communication channel with
the Private Sector because it is essential to ensure
interest in the projects we structure. We do this with
total transparency and often conduct market sounding,
meaning we actively listen to the market to understand
its needs. We also organize thematic meetings,
participate in industry events, and try to answer all
doubts and questions. The exchange of information is
essential to improve processes and ensure the success
of concessions.
46 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
>> Possui perspectivas e metas para as concessões nos próximos
anos?
Temos uma meta bastante ousada de alcançar 5 milhões de
ha concedidos até o final do próximo ano. Hoje temos cerca
de 1,3 milhão de ha, então será um crescimento significativo.
Estamos estruturando projetos para superar essa meta, mas
há desafios. Depois da fase de estruturação, vem a parte de
consulta pública e audiências, que naturalmente demanda
tempo. Percebemos que acelerar essa etapa pode gerar problemas
futuros, como questionamentos do ministério público.
Então, buscamos um equilíbrio: avançar rapidamente, mas garantindo
um processo bem fundamentado. Além disso, temos
uma meta específica para concessões de restauração: 200 mil
ha concedidos até o próximo ano.
>> Qual é o seu maior objetivo à frente da direção de concessões?
Acredito que meu maior legado será a concessão de restauração.
Criar um modelo de concessão do zero dentro do
governo federal é um desafio enorme. Foi um processo de
convencimento intenso, desde as equipes técnicas até o ministério
público e as comunidades locais. Se conseguirmos
lançar a primeira concessão federal de restauração baseada
em carbono, será um marco histórico. Além disso, aumentar a
escala das concessões de manejo sustentável também é uma
prioridade. Mas vejo a concessão de restauração como algo
transformador, que pode abrir um novo mercado. Conversando
com empresas do setor privado, percebemos que, se
o Brasil atingir escala nesse segmento, a receita gerada pode
se tornar comparável à exportação de carne bovina. O mercado
global busca mecanismos confiáveis de compensação de
emissões, e os créditos de carbono gerados em concessões
de restauração têm um valor muito superior a outros tipos de
créditos, por serem baseados em florestas tropicais. Esse é
um potencial gigantesco para o país.
Do you have any prospects and targets for concessions
in the next few years?
We have a bold target to reach 5 million hectares by
the end of next year. Today, we have about 1.3 million
hectares, which will significantly increase. We are
structuring projects to exceed this target, but there
are challenges. After the structuring phase comes the
public consultation and hearings, which naturally take
time. We realized that speeding up this stage could lead
to future problems, such as questions from the public
prosecutor’s office. So, we tried to strike a balance:
move quickly but ensure the process is sound. We also
have a specific target for restoration concessions: 200
thousand hectares by next year.
What is your primary objective as head of concessions?
I believe my most significant legacy will be restoration
concessions. Creating a concessions model within the
Federal Government is a huge challenge. It has been an
intense persuasion process, from the technical teams to
the Attorney General’s office to the local communities. If
we succeed in launching the first federal carbon-based
restoration concession, it will be a historic milestone. In
addition, expanding the scope of sustainable management
concessions is also a priority. However, I see the
restoration concession as something transformative
that can creat a new market. When we talk to the
Private Sector, we realize that if Brazil achieves scale in
this segment, the revenues generated could be comparable
to beef exports. The global market is looking for
reliable mechanisms to offset emissions, and the carbon
credits generated in restoration concessions have a
much higher value than other types of credits because
they are based on tropical forests. This is a massive
opportunity for the Country.
Esse equilíbrio entre benefícios ambientais e
econômicos é o grande diferencial do modelo de
concessão florestal
48 www.referenciaflorestal.com.br
COLUNA
Diretriz sem raiz não
sustenta manejo
Gabriel Berger
GB Manejo de Árvores – Educação Profissional
e Corporativa
Engenheiro Florestal e Segurança do Trabalho
gbmanejodearvores.com.br
gabriel@gbmanejodearvores.com.br
Foto: divulgação
Procedimentos bem escritos não garantem boas práticas: entenda os desafios da
implementação no campo e como superá-los
O
Leitor já deve ter vivido esse cenário: um procedimento
técnico é revisado com rigor, aprovado
pelas lideranças e amplamente divulgado. A expectativa
é de que ele vá transformar as práticas
de manejo no campo, elevar a segurança, garantir
o atendimento à legislação e melhorar os resultados. Mas,
algumas semanas ou meses depois, a realidade é outra — a mudança
ficou só no papel. O que foi desenhado com tanto cuidado
na matriz não se traduz na prática das equipes operacionais.
No manejo de árvores, esse descompasso é comum. As
diretrizes muitas vezes não alcançam as áreas remotas onde os
profissionais precisam decidir, em tempo real, o que fazer com
uma árvore em conflito com a rede elétrica, por exemplo. E isso
não acontece por má vontade ou negligência. Há uma série de
fatores que impedem que os procedimentos virem, de fato,
boas práticas.
O PAPEL DOS PROCEDIMENTOS
As instruções técnicas e manuais operacionais são instrumentos
fundamentais. São eles que organizam o conhecimento,
estabelecem padrões e servem de base para decisões técnicas.
Mas seu papel é limitado se forem tratados como peças de
comunicação unidirecional. Quando um procedimento é produzido
sem escuta ativa dos profissionais que vão aplicá-lo, ele
corre o risco de ser tecnicamente correto, porém inaplicável na
prática.
Além disso, é comum que os documentos utilizem uma linguagem
excessivamente técnica, que não conversa com o dia a
dia das equipes de campo. A consequência é um distanciamento
entre o que se espera (no papel) e o que se realiza (na prática).
CAPACITAÇÃO OU LEITURA OBRIGATÓRIA?
Outro ponto crítico é a forma como os novos procedimentos
são implantados. Em muitos casos, essa implantação se resume
a uma leitura obrigatória, o envio de um e-mail com a nova
versão ou, na melhor das hipóteses, uma apresentação online.
Espera-se que, a partir disso, o colaborador mude a forma como
executa uma atividade praticada há anos.
Mas a mudança de comportamento no campo exige mais do
que isso. Exige formação prática, com espaço para perguntas,
simulações, correções e alinhamento com a realidade local. Capacitação
não é repasse de conteúdo — é construção de conhecimento
com base na experiência e na escuta.
QUANDO A CULTURA BLOQUEIA A MUDANÇA
O mesmo vale para os procedimentos. Se o novo padrão
técnico entra em choque com a cultura instalada no campo, ele
dificilmente será absorvido. Isso inclui crenças como: “sempre
fiz assim e nunca deu problema”; e “isso só atrasa o serviço”; ou
“a fiscalização nunca cobra isso.”
Para transformar práticas, é preciso também transformar
cultura. E cultura se muda com tempo, consistência e bons
exemplos. Supervisores e líderes de equipe precisam ser os
primeiros a dar o exemplo, aplicar o novo padrão e apoiar quem
tenta fazer diferente. A liderança técnica precisa estar presente,
acompanhar o campo e ser referência confiável para as dúvidas
que surgirem.
MULTIPLICADORES E O PODER DA ESCUTA
Uma estratégia cada vez mais eficaz é a formação de multiplicadores
internos — profissionais experientes, respeitados
pelo grupo, que passam por uma formação técnica e pedagógica
para ajudar na disseminação das diretrizes no campo. Eles falam
a linguagem da equipe, conhecem o contexto local e conseguem
adaptar as orientações à realidade de cada frente de trabalho.
Além disso, esses multiplicadores funcionam como pontes
entre o campo e a área técnica. São eles que trazem os feedbacks
sobre o que funciona, o que precisa ser ajustado e quais
são as principais dificuldades enfrentadas pelas equipes. Isso alimenta
um processo de melhoria contínua que faz sentido para
todos os envolvidos.
O CAMINHO É SISTÊMICO
Não existe fórmula mágica. Para que as diretrizes de manejo
de árvores realmente cheguem ao campo e se tornem prática, é
preciso adotar uma abordagem sistêmica que envolva:
• Elaboração participativa dos procedimentos, com envolvimento
dos profissionais de campo;
• Linguagem acessível, visual e compatível com a realidade
operacional;
• Capacitações práticas, com simulações reais e acompanhamento
posterior;
• Fortalecimento da liderança técnica no campo;
• Formação de multiplicadores internos com apoio contínuo;
• Avaliação constante da aderência às diretrizes e ajustes
com base em dados e relatos do campo.
É dessa forma que o conhecimento técnico sai dos documentos
e se traduz em ações seguras, eficazes e ambientalmente
corretas no campo.
50 www.referenciaflorestal.com.br
PRINCIPAL
INOVAÇÃO E TECNOLOGIA:
O FUTURO SEM RETORNO DA
SUPRESSÃO VEGETAL
Linha de equipamentos de trituração
vegetal acima e abaixo do solo, aprovado
nos cinco continentes com desempenho e
durabilidade nas condições mais difíceis
Fotos: divulgação e Emanoel Caldeira
52 www.referenciaflorestal.com.br
Ainovação na supressão vegetal tem transformado o
setor florestal, tornando-o mais eficiente e econômico
nos processos subsequentes. Novas tecnologias
permitem operações mais rápidas, precisas e com
menor impacto ambiental, garantindo a preservação
do solo e a regeneração natural. Equipamentos modernos, como
trituradores florestais de alto rendimento com sistemas hidráulicos
avançados, oferecem desempenho superior em áreas complexas e
de difícil acesso. Um exemplo dessa evolução é a Prinoth, referência
em máquinas robustas e eficientes, como o Raptor 800, projetado
para enfrentar os desafios da supressão vegetal com potência
e precisão incomparáveis, diminuindo etapas, processos e tempo.
A empresa Alemã, Prinoth GmbH Controle de Vegetação, (pertencente
ao grupo HTI, High Technology Industries) reconhecida
mundialmente pela sua alta tecnologia e robustez, escolheu em
2023 a Sparta Brasil para ser distribuidor no território brasileiro dos
seus equipamentos florestais. A Sparta Brasil, com mais de 15 anos
de experiência com foco e dedicação exclusivamente aos equipamentos
de trituração florestal alcançou esta importante aliança
em instalar definitivamente a marca Prinoth, que antigamente era
conhecida por AHWI, no mercado brasileiro. Celso Kossaka, diretor
da Sparta Brasil, destacou a honra e satisfação de ter assumido
este compromisso de confiança perante o cliente final e a Prinoth.
“Sabemos que o sucesso deste negócio é sempre definido pelo
custo x benefício na operação e depende muito da capacidade
de execução destes fantásticos equipamentos de classe mundial,
sobretudo aliado ao pós-vendas”, ressalta Celso.
A gama de produtos que a Prinoth oferece é um menu completo
para quem precisa de instrumentos para controle de vegetação
e supressão vegetal. Dentre eles, no portfólio encontram-se
cabeçotes trituradores e fresas, acionados na tomada de força
para tratores agrícolas de 50 cv (cavalos) a 500 cv de potência
ou hidraulicamente, que podem ser acoplados em escavadeiras,
minicarregadeiras e pás-carregadeiras. Possui, também, uma
linha completa de autopropelidos, iniciando pelo Raptor 100 de
controle remoto, Raptor 200, até o maior da categoria produzido
mundialmente que é o Raptor 800, e até o presente momento não
existe outro que possa rivalizar tanto em performance como em
consumo de combustível.
Sede Prinoth Alemanha
Innovation and
Technology: The
Future of Vegetation
Suppression with No
Turning Back
Line of above and below-ground mulchers
proven on five continents for performance
and durability under the most challenging
conditions
I
nnovations in vegetation suppression have transformed
the Forestry Sector, making subsequent
operations more efficient and cost-effective. New
technologies enable faster and more precise operations
with less environmental impact, ensuring soil
conservation and natural regeneration. Modern equipment,
such as high-performance forestry mulchers with advanced
hydraulic systems, offers superior performance in complex
and difficult-to-access areas. An example of this evolution
is Prinoth, a benchmark supplier of robust and efficient
machines such as the Raptor 800, designed to meet the
challenges of vegetation control with unparalleled power
and precision, reducing steps, processes, and time.
The German company Prinoth GmbH Vegetation Control
(part of the High Technology Industries Group - HTI),
recognized worldwide for its high technology and robustness,
chose Sparta Brasil in 2023 as Brazil’s distributor of
its forestry equipment. Sparta Brasil, with more than 15
years of experience focused exclusively on forestry mulchers,
has achieved this vital alliance by definitively installing the
Prinoth brand, formerly AHWI, in the Brazilian market. Celso
Kossaka, Director of Sparta Brasil, emphasized the honor
and satisfaction of having made this commitment of trust
to the end customer and Prinoth. “We know that the cost
vs benefit in operation always defines the success of this
business and depends much on the ability of this extraordinary
world-class equipment, combined with the after-sales
service,” said Kossaka.
The Prinoth product range is a complete menu for those
needing vegetation control management. The range includes
mulchers and grinders powered by the PTO of agricultural
tractors, ranging from 50 hp to 500 hp, or hydraulically
attached to excavators, skid-steers, and wheel loaders. It
also has a complete range of self-propelled tractors, from
the remote-controlled Raptor 100 to the largest of its kind
Abril 2025
53
PRINCIPAL
Esses equipamentos surgem para suprir as grandes demandas
do segmento de base florestal, que exige cada dia mais velocidade
e produtividade. Os investimentos nos segmentos de celulose,
biomassa e o mercado da madeira tem crescido e a exigência
de mais material traz consigo a necessidade de uma área pronta
para uma nova cultura o mais rápido possível. “É um grande passo
que o setor florestal brasileiro está dando para aumentar a sua
performance de produtividade, economia de tempo, processos e
redução de custos. Tudo isto acompanhado com maior qualidade
no solo para a próxima atividade”, aponta Celso.
RAPTOR 800: FORÇA BRUTA
O Raptor 800, pode trabalhar em supressão vegetal, limpeza
de áreas com plantio em pé (áreas sinistradas), efetuando o reset
e realinhamento, se destaca pelo eixo de transmissão reforçado,
que reduz perdas de potência e melhora a eficiência energética
em até 30%. Este equipamento com a combinação dos modelos
de cabeçotes M900 e SB1200, é capaz de ir a 40 cm (centímetros)
de profundidade no solo. Com sistema de ferramentas adequado,
pode efetuar a trituração de pedras para abertura de estradas
nos talhões. O triturador florestal M900m, equipado com barra
de empurrar hidráulica, porta de projeção e sistema de rotor de
ferramentas UPT patenteado, garante trituração eficaz e acabamento
superior. Já o rebaixador de tocos SB1200m, com largura
de trabalho de 1,25m (metro) e rotor de 120 cm de diâmetro,
opera a até 30 cm de profundidade, desenhado exclusivamente
para trabalho sobre linhas de tocos e realinhamento de plantio.
Esse equipamento de alto desempenho da Prinoth combina
potência, eficiência e tecnologia de ponta para atender às demanproduced
in the world, the Raptor 800, which cannot be
matched in terms of performance and fuel consumption.
These machines are designed to meet the high demands
of the forestry industry, which is increasingly looking for
speed and productivity. Investments in the pulp, biomass,
and wood markets are growing, and the demand for more
material brings with it the need to prepare an area for a
new crop as quickly as possible. “It is a big step that the
Brazilian Forestry Sector is taking to increase its productivity
performance, save time and processes, and reduce costs. All
this goes hand in hand with better soil quality for the next
activity,” says Kossaka.
RAPTOR 800: BRUTE FORCE
The Raptor 800, which can be used for vegetation
clearing, standing crop clearing, resetting, and realigning,
features a reinforced drive shaft that reduces power loss and
improves energy efficiency by up to 30%. With the combination
of the M900 and SB1200 heads, this unit can dig 40 cm
into the ground. The right tool system can crush rocks to clear
the roads in fields. The M900m forestry mulcher, equipped
with a hydraulic push bar, projection door, and patented UPT
tool rotor system, ensures efficient shredding and a superior
finish. The SB1200m stump remover, with a working width of
1.25 m and a rotor diameter of 120 cm, operates at a depth
of up to 30 cm and is designed exclusively for stump clearing
and planting reorientation.
This heavy-duty Prinoth machine combines power,
efficiency, and cutting-edge technology to meet the most
54 www.referenciaflorestal.com.br
das mais exigentes do setor. Equipada com um motor CAT C18 de
640 HP e torque máximo de até 2953N/m (Newton por metro) oferece
força impressionante para operações pesadas. Suas esteiras
D5 de até 800 mm (milímetros) garantem excelente mobilidade e
estabilidade, mesmo em terrenos desafiadores. Com peso total de
até 27 toneladas, a máquina mantém uma distribuição otimizada
da pressão no solo, variando de 540 g/cm² a 420 g/cm², conforme
a largura da esteira.
Projetada para oferecer segurança e conforto ao operador,
conta com recursos avançados como sistema de extinção de
incêndio, câmera de visão traseira e sistema de lubrificação central.
Além disso, sua inclinação lateral de até 30° e frontal de 45°
(graus) permite operar em terrenos inclinados com confiança. Com
tecnologia Bosch Rexroth na transmissão hidráulica e tanque de
combustível de 820 litros, esta máquina garante alto rendimento
e durabilidade. “Robusta e inovadora, é a escolha ideal para quem
busca eficiência e confiabilidade no setor florestal e de manejo
ambiental”, valoriza Celso.
PRINOTH: PARA TODOS OS TIPOS DE SUPRESSÃO
A Prinoth se destaca ao oferecer soluções completas para
supressão vegetal e limpeza de áreas, atendendo às mais diversas
demandas do setor. Sua linha inclui cabeçotes de tomada de
força para tratores agrícolas, garantindo eficiência no manejo
rural. As fresas Ox Rotovators proporcionam alto desempenho
abaixo do solo. Já os cabeçotes trituradores, sejam frontais ou
para escavadeiras, oferecem robustez e precisão, adaptando-se
a diferentes cenários operacionais. No segmento de biomassa,
possui o cabeçote triturador para recuperação da massa vegetal
para geração de energia.
demanding requirements in the Sector. It offers impressive
strength for heavy-duty work, equipped with a 640 hp CAT
C18 engine and a maximum torque of up to 2953 N/m. Its
D5 track widths of up to 800 mm ensure excellent mobility
and stability even on rugged terrain. With a total weight of
up to 27 tons, the machine maintains an optimized ground
pressure distribution of 540 g/cm² to 420 g/cm², depending
on the track width.
Designed for operator safety and comfort, it has
advanced features such as a fire extinguishing system, a
rearview camera, and a central lubrication system. In addition,
its ability to tilt up to 30° sideways and 45° forward
allows it to operate with confidence on sloping terrain. With
Bosch Rexroth technology in the hydraulic transmission
and an 820-liter fuel tank, this machine guarantees high
performance and durability. “Robust and innovative, it is the
ideal choice for those looking for efficiency and reliability in
forestry and environmental management,” says Kossaka.
PRINOTH: FOR ALL TYPES OF SUPPRESSION
Prinoth stands out for offering complete solutions for
vegetation suppression and land clearing that meet the most
diverse requirements in the Sector. Its range includes power
take-offs for agricultural tractors, guaranteeing efficiency in
rural management. Ox Rotovator offers high performance
under the ground. Whether front or excavator-mounted,
mulcher heads offer robustness and precision, adapting to
different working scenarios. In the Biomass Sector, there
is a special head to recover mulched material for energy
production.
Abril 2025
55
PRINCIPAL
CONHEÇA UM POUCO SOBRE CADA UMA DESSAS LINHAS:
Trituradores Grizzly na tomada de força para tratores agrícolas
de 50 hp a 500 hp: Os cabeçotes na tomada de força da Prinoth
estão na ponta da tecnologia com seu sistema patenteado, embreagem
turbo que é banhada a óleo, evita que o choque do cardan
venha a danificar o trator. O rotor sendo totalmente exposto para
fazer o contato de trituração e com o sentido de rotação de cima
para baixo, facilita o ataque em árvores e evita acidentes com
arames que venham a enrolar no rotor e façam o chicote contra a
cabine do operador, que podem ser fatais. Conta também com a
tecnologia W-Kinematic, que mantém ângulos iguais e em forma
de W do eixo da tomada de força, que permite maior elevação
do cabeçote e aumenta a vida útil do eixo da tomada de força.
Fresas Ox Rotovators: A família de cabeçotes Ox Rotovators
tem capacidade de fresa de 40 cm de profundidade e com diversas
larguras operacionais de 45 cm a 230 cm. Destaque para o modelo
OX R1000m com 45 cm de largura, trituração de 30 cm de profundidade
e que possui um subsolador que pode ser graduado em 15
cm a mais, no total podendo alcançar 45 cm abaixo do solo, com
opção do sistema de resfriamento nas correias de transmissão.
Focados em robustez e desempenho, as fresas conseguem realizar
sua atividade de maneira eficiente e rápida, preparando o terreno
com precisão para a próxima atividade do solo.
Trituradores hidráulicos Frontais Grizzly: Acoplável nas minicarregadeiras
pela facilidade de transporte em caminhões de menor
porte, nas pás carregadeiras em terrenos planos onde supera
terrenos adversos com maior velocidade, bem como nos veículos
fellers sobre rodas, podendo ser utilizado em qualquer outro
veículo frontal com capacidade de vazão, pressão e deslocamento
em baixas velocidades, conforme recomendado pelo fabricante.
Trituradores hidráulicos para Escavadeira Grizzly: Para escavadeiras
de 3,5 a 32 toneladas, é a classe de triturador mais
familiar no mercado brasileiro, devido a facilidade no uso com
escavadeiras. É um verdadeiro canivete suíço, faz o trabalho em
terrenos planos, acidentados e declivosos com grande desenvoltura,
mantendo baixos custos de manutenção. São o que há de
Cabeçote na TDF trator agrícola
OX R1000m
LEARN MORE ABOUT
EACH OF THESE LINES:
Grizzly PTO mulchers for
agricultural tractors from
50 to 500 HP: Prinoth PTOs are
state-of-the-art with their patented
oil-immersed turbo-clutch system that prevents the shock
of the drive shaft from damaging the tractor. The rotor is
fully exposed for shredding contact, and the direction of
rotation is top to bottom, making it easier to attack trees and
preventing potentially fatal accidents with wires wrapping
around the rotor and whipping into the cab. It also features
W-Kinematic technology, which maintains equal, W-shaped
angles of the PTO shaft, allowing for more significant head
lift and increasing the service life of the PTO shaft.
Ox Rotovator: The Ox Rotovator head family has a 40
cm deep cutting capacity and various working widths from
45 cm to 230 cm. A highlight is the OX R1000m model with
a working width of 45 cm, a grinding depth of 30 cm, and a
subsoiler that can be extended by an additional 15 cm to a
total of 45 cm below the ground, with the option of a cooling
system on the drive belts. Designed for robustness and
performance, the grinders can work efficiently and quickly,
preparing the ground accurately for the next soil operation.
Grizzly hydraulic front-mount mulchers: Can be attached
to skid-steer loaders for easy transport on smaller trucks, to
wheel loaders on flat terrain where it can overcome rough
terrain with more incredible speed, as well as to wheeled
harvesters, and can be used on any other front-mount vehicle
with the flow, pressure and low-speed displacement capacity
recommended by the manufacturer.
Grizzly hydraulic mulchers for excavators, from 3.5 to 32
tons, are the most popular mulchers in the Brazilian market
due to their ease of use with excavators. It is a real Swiss
Army knife that efficiently works on flat, hilly, and sloping
terrain while maintaining low maintenance costs. They are
the ultimate in versatility and practicality in forestry operations,
as their strength and durability are ensured by the
quality of their structure, designed with the best available
engineering.
In the Biomass Sector, Prinoth presents the H600, a
machine with a large capacity for mulching and collecting
the processed plant mass, which can be coupled to RT400,
56 www.referenciaflorestal.com.br
Triturador frontal hidráulico M450s-1900
Triturador hidráulico para escavadeiras
Triturador para biomassa H600 em trator agrícola
Triturador para biomassa H600 em veículo BMH480
melhor em versatilidade e praticidade na operação florestal, pois
tem resistência e durabilidade asseguradas pela qualidade da
sua estrutura, projetada com o melhor da engenharia disponível.
No segmento de Biomassa, a Prinoth apresenta o H600, equipamento
de grande capacidade de trituração e de coleta da massa
vegetal processada, que pode ser acoplado nos veículos Raptor
400, BMH480 ou em tratores agrícolas de maior porte com câmbio
CVT. Este equipamento versátil é a resposta para a necessidade
de recuperação do material triturado para geração de energia,
gerando ganhos substanciais conforme as necessidades de cada
empresa. “A Sparta Brasil, está sempre atenta às necessidades da
nossa realidade e em conjunto com as novas tecnologias, com
objetivo de trazer o que há de melhor para o desenvolvimento
das empresas do setor florestal do Brasil. Sempre visamos que
o cliente cada vez mais conquiste os resultados e produtividade
desejados”, assegura Celso.
BMH480 vehicles, or larger agricultural tractors with CVT
transmission. This versatile equipment addresses the need
to recover shredded material for energy production, generating
significant profits tailored to each company’s needs.
“Sparta Brasil is always attentive to the needs of our reality
and, together with new technologies, aims to provide the
best for the development of companies in the Forestry Sector
in Brazil. Our goal is always for the customer to achieve the
desired results and productivity,” says Kossaka.
FAMÍLIA RAPTOR: VEÍCULOS AUTOPROPELIDOS
• Raptor 100: Conjunto com controle remoto, para declividades de 45° frontal e lateral
• Raptor 200: Veículo com cabeçote frontal, 190 hp, declividades de 45° frontal e 30° lateral
• Raptor 300: Veículo com cabeçote frontal, 275 hp, declividades de 45° frontal e 30° lateral
• Raptor 400: Veículo com cabeçote frontal, 402 hp, declividades de 45° frontal e 30° lateral
• Raptor 500: Veículo com cabeçote frontal, 440 hp, declividades de 45° frontal e 30° lateral
• Raptor 800: Veículo com cabeçote frontal, 640 hp, declividades de 45° frontal e 30° lateral
Celso Kossaka, diretor da Sparta Brasil
Abril 2025
57
PRINCIPAL
QUEM USA, APROVA
Os operadores do setor florestal têm aprovado amplamente
o Raptor 800, destacando sua potência, eficiência e economia de
combustível. Sua robustez e tecnologia avançada garantem maior
produtividade e menor desgaste dos componentes, tornando-o a
escolha ideal para operações intensivas de supressão vegetal. Por
isso, quem já conheceu o equipamento, não mede palavras para
exaltar todas as suas qualidades.
Ermeson Schappo, proprietário da B&S, explica que a escolha
pela Raptor 800 foi fácil, pois as características do equipamento
chamam atenção. “É a maior máquina do mundo para essa operação,
sendo muito robusta e com um motor de alta potência”,
explica Ermeson. Na trituração de resíduos florestais a máquina
atinge resultados que não são comparáveis a seus concorrentes.
“É um equipamento único, pois consegue ter uma eficiência na
trituração em áreas de sinistro, com árvores já formadas, que nenhuma
outra máquina entrega, pois o conjunto cabeçote e motor
foram projetados para essa alta eficiência. É uma autonomia de
10h a 12h (horas) contínuas e, se feito o reabastecimento, pode
rodar sem parar”, valoriza o diretor.
Para Ermeson o equipamento é realmente impressionante,
principalmente por sua eficiência e velocidade na execução da
atividade. “O Raptor 800 é capaz de executar tarefas em curto
espaço de tempo e com qualidade, que é o grande problema que
o setor florestal tem enfrentado nesta década e percebemos que
vai se acentuar nestes próximos anos. Possuo um outro veículo
de trituração, mas não é comparável, tanto na capacidade de
trabalho como no consumo de diesel, pois o Raptor 800 de 640cv
tem consumido quase o mesmo que o outro veículo de 275cv”,
valoriza Ermeson.
“O Raptor melhora em todos os sentidos a operação. Quando
vemos por onde ele passa, temos resultados de grande valia, que
não agridem ou danificam a área, mas pelo contrário, melhoram o
APPROVED BY THOSE WHO USE THEM
The Raptor 800 is widely acclaimed by forestry operators
for its power, efficiency, and fuel economy. Its ruggedness
and advanced technology ensure greater productivity and
less wear and tear on components, making it the ideal choice
for intensive vegetation control operations. As a result, those
who have seen the machine are quick to praise its qualities.
Ermeson Schappo, owner of B&S, explains that choosing
the Raptor 800 was easy because of the machine’s
impressive features. “It is the largest machine in the world
for this operation, it is very robust, and it has a powerful
engine,” Schappo explains. When it comes to shredding
forest waste, the machine achieves results unmatched by
those of its competitors. “It is a unique piece of equipment
because it manages to shred efficiently in areas where there
have been accidents, with trees already formed, which no
other machine can do because the head and the engine are
designed for this high efficiency. It has an autonomy of 10 to
12 hours of continuous use, and when refueled, it can work
non-stop,” says Schappo.
For Schappo, the machine is imposing, mainly because
of its efficiency and speed of operation. “The Raptor 800
can get the job done in a short time and with quality, which
is the biggest problem the forestry industry has faced this
decade and which we can see will increase in the next few
years. I have another mulcher, but it is not comparable in
performance and diesel fuel consumption because the 640hp
Raptor 800 uses almost as much diesel as the other 275hp
machine,” says Schappo.
The Raptor improves operations in every way. When
we look at where it is going, we are getting very valuable
results that do not harm or damage the area, but on the
58 www.referenciaflorestal.com.br
solo e preparam o terreno para a nova cultura transformando essa
madeira em adubação natural do terreno”, explica Ermeson. Sobre
os resíduos gerados, o Raptor 800 é uma máquina que surpreende
em todos os quesitos. “É tudo mais bonito com a Raptor. Só não
podemos dizer que somos 100% ecologicamente corretos, pois
ela tem a queima do diesel, mas tirando isso, é uma soma muito
grande de benefícios para a operação e para o meio ambiente,
pois uma máquina sozinha atende o trabalho de muitos outros
implementos”, exalta Ermeson.
Equipamento que não para é o maior sonho de quem trabalha
no campo, o Raptor 800 foi projetado para enfrentar todos os
desafios encontrados pela frente, sem manutenção constante ou
paradas técnicas. “O Raptor conta com um sistema de manutenção
preventiva que facilita muito nossa operação. Em algumas
partes da máquina acontece a lubrificação automática das peças
e a entrega técnica do implemento feita pela Sparta garante que
saibamos exatamente como agir em relação às demandas da
máquina”, elogia Ermeson.
Sobre o futuro desse tipo de operação, Ermeson é muito otimista
sobre o uso de implementos desse porte e como eles podem
melhorar a operação no campo, pois a B&S está nesse mercado
desde 2017 e esse tipo de equipamento é o futuro da atividade.
Ele destaca a importância da parceria da empresa com a Sparta
Brasil, que abriu as portas para a chegada do equipamento por
aqui. “Precisamos de máquinas fortes e que possam desempenhar
cada vez melhor dentro da floresta. A Sparta Brasil é um parceiro
que tivemos o prazer de conhecer em 2024 e em menos de um ano
já trouxemos a primeira Raptor 800 para o Brasil. E, queremos que
seja a primeira de muitas, pois nós da B&S trabalhamos focando
na dedicação no campo e no atendimento dos nossos clientes
com a excelência que já nos marca no mercado”, conclui Ermeson.
Ermeson Schappo, proprietário da B&S
contrary, improve the soil and prepare the ground for the
next crop, turning this wood into natural fertilizer for the
land,” explains Schappo. Regarding waste, the Raptor 800 is
a machine that surprises in every way. “Everything is better
with the Raptor. The only thing we cannot say is that we are
100% environmentally friendly, because it burns diesel, but
apart from being a huge sum of benefits for the farm and
the environment, as one machine alone does the work of
many other machines,” says Schappo.
A piece of equipment that never stops and the ultimate
dream of anyone working in the field, the Raptor 800 is
designed to take on future challenges without constant
maintenance or technical downtime. “The Raptor has a preventive
maintenance system that makes our job much easier.
Some parts of the machine are automatically lubricated, and
the technical support provided by Sparta ensures that we
know exactly how to deal with the machine’s requirements,”
says Schappo.
As for the future of this type of operation, Schappo is
very optimistic about using implements of this size and how
they can improve operations in the field, as B&S has been
in this market since 2017, and this type of equipment is the
future of the activity. He highlights the importance of his
company’s partnership with Sparta Brasil, which has opened
the door for the equipment to arrive here. “We need strong
machines that can perform better in the forest. Sparta Brasil
is a partner we met in 2024, and in less than a year, we have
already brought the first Raptor 800 to Brazil. And we want
it to be the first of many because at B&S, we are focused on
getting out in the field and serving our customers with the
excellence that already sets us apart in the marketplace,”
concludes Schappo.
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MANEJO
Floresta
RENTÁVEL
Iniciativas no Pará e Amazonas
fortalecem o papel do manejo
florestal sustentável na proteção
das florestas e geração de renda
Fotos: divulgação
60 www.referenciaflorestal.com.br
MANEJO
ACoomflona (Cooperativa Mista da Flona do
Tapajós) é uma organização de ribeirinhos
que consegue unir as duas coisas. Os integrantes
da Coomflona vivem nas 21 comunidades
da Reserva de Proteção Ambiental Floresta
do Tapajós, no município de Belterra (PA), na região
do baixo Amazonas. Criada em 2005, a Coomflona possui o
selo FSC, uma certificação internacional que identifica produtos
originados de florestas manejados de forma responsável.
Os ribeirinhos trabalham com a copaíba, a andiroba,
a apicultura e o artesanato comunitário.
A maior parte da renda da cooperativa vem da venda
de toras de madeiras. Parte da extração vai para a movelaria
Anambé que produz mesas, cadeiras, armários e
outros objetos com madeira extraída de forma sustentável.
“Aqui tudo é planejado, tudo é feito dentro de um projeto
maior. Até a forma como as árvores são abatidas têm que
ter um jeito, porque é de impacto reduzido, sem o uso de
maquinários pesados, tratores”, explica Arimar Rodrigues,
coordenador da movelaria Anambé.
A extração segue várias etapas – como delimitação,
inventário e outros cuidados – antes do corte das árvores.
Ao contrário do senso comum, a planta não é substituída
por uma nova muda, é a própria floresta que se regenera.
A retirada da madeira é feita de acordo com o ritmo de
crescimento da área. “Imagine cultivarmos uma muda
dentro de um viveiro e colocá-la dentro do mato. Seria a
mesma coisa que sair daqui da Flona e ir lá para os Estados
Unidos da América), onde não sei falar inglês. Ficaria perdido”,
exemplifica em tom de brincadeira Arimar.
O vice-presidente da Coomflona, Daniel Rocha, destaca
o grande potencial dos resíduos da floresta, como os
galhos. “Hoje, vemos móveis em grandes hotéis, móveis
rústicos que custam uma fortuna em dólar. A Austrália,
que também tem florestas muito protegidas, tem a base
da movelaria feita com o que é recolhido do chão”, observa
Daniel.
Essas características, que os cooperados entendem
como possibilidades para o melhor aproveitamento da
extração, continuam em desenvolvimento. Os cooperados
ainda não conseguem aproveitar todo esse potencial.
Atualmente, mais de mil famílias são beneficiadas pela
produção sustentável dos 316 cooperados.
APOIO TÉCNICO
O diretor técnico do Sebrae (Serviço Brasileiro de
Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Bruno Quick, visitou
as instalações da Coomflona para conhecer as práticas
de manejo sustentável da Floresta Tapajós. “O que esses
cooperados fazem aqui é de um potencial riquíssimo. É a
prova de que é possível associar desenvolvimento econômico
com sustentabilidade. Nós do Sebrae vamos atuar
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UNIBRASAGRO
MANEJO
junto com a cooperativa para qualificar e potencializar o
trabalho desenvolvido aqui”, apontou Bruno.
O Sebrae já apoiou a cooperativa na estruturação da
cooperativa levando capacitação em gestão e em questões
técnicas para melhorar o dia a dia. Mas o apoio agora
busca uma capacitação mais ampla com conexões corporativas
e acesso a mercados. A Coomflona é um dos empreendimentos
selecionados pelo Sebrae para aprimorar
seus processos e ser uma referência para o país, com foco
na bioeconomia e em economia sustentável.
O Sebrae pretende fazer conexões corporativas com
agentes da moveleira, com foco no design. Essa é uma das
20 iniciativas que receberão oficinas de capacitação do Sebrae
ainda no primeiro semestre. De acordo com o designer
da Assintecal e consultor do Sebrae, Walter Rodrigues,
a proposta é criar uma linha autoral de produtos para que
a cooperativa possa trabalhar no mercado com marca
própria. “A ideia é que, a partir de abril, possamos iniciar
oficinas de design com eles. Não para ensinar a fazer os
produtos, pois isso eles já sabem fazer com excelência,
mas para orientar sobre como se apresentar ao mercado e
se posicionar comercialmente”, ressaltou Walter.
NO AMAZONAS
No dia 21 de março, data na qual é celebrado o Dia
Internacional das Florestas, o Idam (Instituto de Desenvolvimento
Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do
Hoje, vemos móveis em
grandes hotéis, móveis
rústicos que custam uma
fortuna em dólar. A Austrália,
que também tem florestas
muito protegidas, tem a base
da movelaria feita com o que
é recolhido do chão
Daniel Rocha, vice presidente da
Coomflona
64 www.referenciaflorestal.com.br
Abril 2025
64
MANEJO
Amazonas) realizou uma ação para destacar os benefícios
do Manejo Florestal Sustentável para a conciliação entre
geração de renda e preservação ambiental no Estado.
Além disso, o órgão informa o passo-a-passo para implementação
do modelo de gestão pelo produtor rural.
O manejo florestal é a única forma de utilizar os recursos
naturais da reserva legal, obrigatória nos imóveis rurais
e que, no Amazonas, representa 80% da área total da propriedade.
Além de colaborar com a manutenção e preservação
do bioma amazônico, a gestão florestal sustentável
é uma importante ferramenta social, por colaborar com
a ocupação econômica e o sustento das famílias produtoras.
“O manejo florestal pode ser implementado por
agricultores familiares, produtores florestais, moradores
de unidades de conservação estaduais, de comunidades
tradicionais e por assentados de reforma agrária”, informou
Katrinne Morais, gerente de apoio à GPM (Produção
Florestal Madeireira), do Idam.
Os interessados em iniciar ou regularizar a produção
florestal do seu imóvel podem procurar uma das 75 Unidades
Locais (Unloc) ou postos avançados do Idam para
obter mais informações sobre capacitação e, também, em
relação ao auxílio para obtenção de licenças ambientais e
implementação de boas práticas de manejo, todos oferecidos
gratuitamente.
Para extrair recursos em Reserva Legal, o proprietário
precisa obter um PMFS (Plano de Manejo Florestal Sustentável),
que é elaborado pela equipe do Idam e autorizado
pelo Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Estado do
Amazonas). “É o documento técnico básico que contém as
regras, métodos e prazos para exploração de espécies presentes
na propriedade”, explicou Katrinne.
Para iniciar a solicitação do documento, é preciso comprovar
a posse do imóvel, o que pode ser feito ao apresentar
o registro do imóvel e escritura ou título; após a
comprovação, é realizada a identificação das APP (Áreas de
Preservação Permanente) e AUM (Área de Uso Múltiplo);
e, na sequência, ocorre o macrozoneamento do imóvel.
O segundo passo é obter o CAR (Cadastro Ambiental
Rural), seguido da realização do inventário florestal e, por
último, a elaboração das peças técnicas, o PMFS (Plano
de Manejo Florestal Sustentável), em pequena escala e o
plano operacional de exploração. “Nossa equipe realiza o
inventário florestal, elabora a peça técnica e encaminha
para aprovação do órgão competente”, finalizou Katrinne.
Uma vez tendo toda a documentação correta, o manejo é
liberado, dentro de padrões já estabelecidos pelos órgãos
competentes, que serão responsáveis pelo monitoramento
e fiscalização do manejo.
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GENÉTICA
Restaurando a
HISTÓRIA
Araucária com
mais de 700 anos
que caiu durante
temporal é clonada
no Paraná
Foto: divulgação
E
quipe da Embrapa Florestas (Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária), conseguiu clonar uma
araucária (Araucaria angustifolia) de cerca de 700
anos que tombou durante um temporal no Paraná,
um feito inédito na pesquisa florestal brasileira. A
árvore, com 42m (metros) de altura, era considerada a maior
do estado da espécie, que é um símbolo da paisagem local. O
projeto de resgate genético resultou em mudas clonadas que
foram plantadas em Cruz Machado (PR), cidade onde a árvore
original estava.
A clonagem de uma planta tão antiga apresentou grandes
desafios, pois a regenerabilidade de tecidos de árvores idosas é
reduzida. No entanto, o pesquisador conseguiu produzir quatro
mudas de tronco, preservando o DNA da árvore original. “Resgatar
uma araucária tão antiga e cloná-la com sucesso é uma
conquista científica”, comemora Ivar Wendling, pesquisador da
Embrapa.
Por serem originárias de tecidos adultos, as mudas clonadas
irão originar árvores de porte menor mas que começam a
produzir pinhão mais cedo do que uma árvore convencional,
o que pode beneficiar produtores rurais interessados no uso
sustentável da espécie. O pinhão, além de ser um alimento tradicional,
tem valor comercial crescente e pode representar uma
fonte de renda adicional para agricultores.
No entanto, Ivar alerta que as mudas ainda são delicadas e
requerem cuidados especiais nos primeiros anos de desenvolvimento,
incluindo irrigação e controle de competidores naturais.
68 www.referenciaflorestal.com.br
“A árvore original sobreviveu por séculos, mas essas mudas
precisam de atenção para que possam crescer saudáveis e
continuar esse legado”, explica Ivar.
A CLONAGEM
A técnica usada para esta clonagem foi a enxertia, que
consiste em unir um fragmento da planta original a uma muda
jovem. No caso da araucária clonada, logo que a árvore caiu
foram coletados brotos (foto á direita), que foram então enxertados
em mudas já estabelecidas, garantindo que o novo
indivíduo possua o mesmo material genético da planta original.
Esse processo permite a regeneração da árvore a partir de
suas próprias células, mantendo características como resistência
e produtividade.
O enxerto pode ser feito a partir de brotos do tronco ou
do galho da árvore, resultando em diferentes formatos de
plantas. As mudas de tronco tendem a crescer como árvores
convencionais, enquanto as de galho originam as chamadas
mini araucárias. Os dois tipos produzem pinhões mais precocemente.
Após a enxertia, as mudas passam por um período de
crescimento antes do plantio definitivo em campo.
No caso de árvores idosas, a clonagem é mais difícil devido
à baixa capacidade de regeneração dos tecidos mais velhos.
Com o passar dos anos, as células das plantas, reduzem sua
taxa de multiplicação e perdem parte de sua capacidade de
originar novos indivíduos.
Além disso, árvores muito antigas possuem um sistema
hormonal diferente do de plantas jovens, o que pode dificultar
o crescimento dos enxertos e reduzir o sucesso da clonagem.
No caso desta araucária, com idade estimada em cerca de 700
anos, o pesquisador da Embrapa precisou realizar experimentos
para identificar as condições ideais de cultivo das mudas
clonadas. O sucesso do procedimento representa um avanço
na tecnologia florestal, abrindo caminho para a conservação
genética de outras árvores centenárias.
CLONES PLANTADOS EM LOCAIS SIMBÓLICOS
O plantio das mudas ocorreu em dois locais distintos. Uma
delas foi levada de volta à propriedade rural de Terezinha de
Jesus Wrubleski, onde a araucária original estava. “Fico muito
feliz de poder ter essa nova árvore aqui, como uma filha da
antiga”, comemora a proprietária. Segundo Terezinha, a antiga
araucária atraía visitantes interessados em sua imponência,
e a nova muda representa uma continuação dessa história.
“Minha família já está há mais de 70 anos nessa propriedade
e a araucária era parte da nossa família. Agora, poderemos
mostrar a sua filha”, celebra Terezinha. Outra muda foi plantada
no Colégio Agrícola de Cruz Machado, em um evento com
estudantes, professores e autoridades locais.
A escolha do colégio agrícola como local para receber a
muda reforça a importância da educação na conservação da
biodiversidade. Para o diretor da instituição, Anilton César Michels,
a presença da araucária servirá como ferramenta didática
para os alunos. “Esse é um momento histórico para nossa
escola e para a cidade”, destaca Anilton. Segundo o diretor
pedagógico da instituição, Anderson Kaziuk, o plantio incentivará
os alunos a desenvolver o cultivo da araucária em suas
Foto: Secretaria de Turismo de Cruz Machado
propriedades, consorciado com a erva-mate, diversificando a
produção e gerando renda para a agricultura familiar.
Para os estudantes, a oportunidade de acompanhar o
crescimento de uma árvore clonada é uma experiência única.
“Quero voltar daqui a alguns anos para ver como ela está e
quem sabe colher alguns pinhões”, cogitou o aluno Reginaldo
Litka. A professora Ana Carolina Majolo reforça que o aprendizado
sobre a araucária pode mudar a percepção dos alunos sobre
o uso sustentável da floresta. “Antes, muitos viam a árvore
como um empecilho. Agora, entendem que ela pode ser um
recurso valioso”, valoriza Ana.
MANIPULAÇÃO
A técnica de clonagem utilizada pelos cientistas permitiu
a produção de mudas a partir de brotos de tronco, garantindo
que a nova geração mantenha a genética da árvore original.
Diferente das mudas geradas por sementes, que podem re-
Abril 2025
69
GENÉTICA
sultar em árvores geneticamente variadas, as mudas clonadas
preservam características únicas da planta mãe, como por
exemplo o formato dos pinhões na época de produção. Além
do plantio das mudas, os estudantes do colégio agrícola participaram
de uma palestra sobre a importância da araucária na
biodiversidade e seu potencial econômico para a agricultura
familiar. A espécie, que já cobriu grandes extensões do sul do
país, hoje está ameaçada pela exploração descontrolada realizada
no passado. “Precisamos encontrar formas de preservar
a araucária e, ao mesmo tempo, torná-la economicamente
viável para os produtores”, ressalta Ivar.
O projeto também prevê a doação de uma das mudas
clonadas para o Governo do Estado do Paraná e a preservação
de outra na coleção genética de araucária da Embrapa Florestas,
garantindo a continuidade das pesquisas sobre a espécie.
“Essa árvore tem um DNA único e precisamos estudar o que a
tornou tão resistente”, conclui Ivar.
ARAUCÁRIA DE TRONCO VERSUS ARAUCÁRIA
DE GALHO
“A araucária é uma espécie com uma fisiologia bastante diferenciada:
é a única árvore onde é possível separar totalmente
o tronco e os galhos. Entender isso nos permitiu aprimorar
a técnica de clonagem via enxertia, proporcionando mudas
de tronco e de galho”, revela o pesquisador. “Daqui a cerca de
quatro anos, quando as árvores estiverem melhor estabelecidas,
também poderemos fazer clones destes clones e, assim,
replicar este material genético”, explica Ivar.
As mudas de araucária produzidas via enxertia podem ser
originadas de brotos de tronco ou de galho, resultando em
características distintas. Mudas de galho dão origem a mini
araucárias, sem a presença de tronco, que atingem no máximo
de 3m a 5m de altura e produzem pinhões precocemente. Os
pinhões gerados por estas mini araucárias são normais e darão
origem a árvores de tamanho normal. Já mudas de tronco dão
origem a árvores de morfologia normal, com a presença de
tronco e galhos, embora possivelmente não atinjam a mesma
altura da árvore original, uma vez que são coletados brotos
maduros. A genética da árvore original se mantém.
A árvore original sobreviveu
por séculos, mas essas mudas
precisam de atenção para que
possam crescer saudáveis e
continuar esse legado
Ivar Wendling,
pesquisador da Embrapa
Foto: Katia Pichelli
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DA TRANSFORMAÇÃO
BIOQUÍMICA DA COMPOSTAGEM
um processo natural de reciclagem
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Acompostagem é um processo natural de reciclagem
de resíduos e matéria orgânica, em
um material semelhante ao húmus, conhecido
como composto. Este processo é impulsionado
por diversas reações bioquímicas que
convertem os resíduos e a matéria orgânica em nutrientes
benéficos para o solo. A transformação bioquímica na compostagem
é um fenômeno complexo que envolve múltiplas
etapas e a ação de diversos microrganismos.
FASES DA COMPOSTAGEM
O processo de compostagem pode ser dividido em três
fases principais: a fase mesofílica, a fase termofílica e a fase
de maturação.
FASE MESOFÍLICA
A fase mesofílica é a primeira etapa da compostagem,
onde a matéria orgânica é decomposta por microrganismos
mesofílicos, que prosperam em temperaturas entre 20°C e
50°C (graus Celsius). Neste estágio, bactérias e fungos começam
a quebrar os materiais mais facilmente degradáveis,
como açúcares simples e aminoácidos. A atividade microbiana
gera calor, o que eleva a temperatura do composto,
preparando-o para a próxima fase.
FASE TERMOFÍLICA
A fase termofílica ocorre quando a temperatura do
composto atinge faixas acima de 50°C. Esta elevação da
temperatura é causada pela intensa atividade de microrganismos
termofílicos, especializados em decompor materiais
mais resistentes, como celulose e lignina. A alta temperatura
ajuda a eliminar patógenos e sementes de ervas daninhas,
tornando o composto mais seguro para uso agrícola.
FASE DE ESTABILIZAÇÃO E MATURAÇÃO
Na fase de estabilização e maturação, a temperatura do
composto começa a diminuir, e microrganismos mesofílicos
retornam para finalizar a decomposição da matéria orgânica.
Durante esta etapa, compostos complexos são transformados
em substâncias húmicas estáveis, enriquecendo o
solo com nutrientes essenciais.
ATIVIDADE BIOLÓGICA DO PROCESSO
Diversos microrganismos desempenham papéis cruciais
nas diferentes fases da compostagem. Entre os principais,
destacam-se:
• Bactérias: são os principais agentes de decomposição
na compostagem, responsáveis por quebrar a matéria
orgânica em compostos mais simples.
Abril 2025
73
COMPOSTAGEM
• Fungos: auxiliam na decomposição de materiais
mais complexos, como a celulose e a lignina.
• Actinobactérias: são vitais na degradação de
compostos resistentes e na produção de substâncias antibacterianas
que ajudam a sanitizar o composto.
• Protozoários e Nematóides: contribuem para o
controle populacional de bactérias, consumindo-as e reciclando
nutrientes dentro do sistema de compostagem.
FATORES QUE INFLUENCIAM A COMPOSTAGEM
A eficiência da compostagem é influenciada por vários
fatores, incluindo:
• Relação Carbono/Nitrogênio (C/N): uma relação
equilibrada de carbono e nitrogênio é essencial para a atividade
microbiana.
• Oxigenação: aeração adequada é crucial para
manter a atividade dos microrganismos aeróbicos e evitar a
formação de odores desagradáveis.
• Umidade: a umidade deve ser mantida entre 40%
e 60% para garantir um ambiente propício para os microrganismos.
• Temperatura: a temperatura ajuda a controlar a
atividade microbiana e a progressão das fases de compostagem.
• Peso e Tamanho das Partículas: materiais maiores
devem ser triturados para aumentar a superfície de
contato e acelerar a decomposição.
Após a transformação dos resíduos ou da matéria orgânica
em composto é possível obter, conforme a qualidade
do processo da compostagem, vários produtos ou subprodutos.
As diferenças em geral estão nas características do
resíduo ou da matéria orgânica tratada. Podemos afirmar
que a compostagem tem no seu processo duas fases a
serem destacadas dentro do processo de compostagem: a
fase do tratamento físico e biológico e a fase da ciclagem
química dos nutrientes. A transformação bioquímica da
compostagem é um processo vital para a reciclagem de
matéria orgânica e a produção de um valioso recurso para
a agricultura e o meio ambiente. A compreensão das etapas
e dos fatores que influenciam a compostagem permite
otimizar o processo e maximizar os benefícios do composto
produzido. Ao incorporar a compostagem em nossas práticas
diárias, contribuímos para um futuro mais sustentável e
equilibrado.
Pergunte ao Tomita
Caso tenha alguma dúvida sobre
o sistema de compostagem,
envie sua pergunta para o e-mail
jornalismo@revistareferência.com.br e
saiba tudo sobre compostagem florestal.
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FORMAÇÃO
Futuro
DA PROFISSÃO
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Prioridades e desafios da
coordenação nacional para
2025 para a formação de
novos engenheiros florestais
Fotos: CONFEA
Abril 2025
77
FORMAÇÃO
D
urante o Encontro de Líderes do Sistema
Confea/Crea (Conselho Federal de Engenharia
e Agronomia – Conselho Regional
de Engenharia e Agronomia) e Mútua,
realizado no início do ano, em Brasília (DF),
o engenheiro florestal e professor da Utfpr (Universidade
Tecnológica Federal do Paraná) de Dois Vizinhos (PR),
Eleandro Brun, foi eleito Coordenador Nacional das CCEEF
(Câmaras Especializadas de Engenharia Florestal). O cargo
representa um grande compromisso e avanço para a engenharia
florestal no Brasil, colocando os profissionais do
setor na vanguarda das discussões nacionais.
Brun, que já atuava como coordenador nacional-adjunto
em 2024, ressaltou que 2025 será um ano crucial para
a modalidade, especialmente pela relevância da COP30 –
XXX Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que
ocorrerá em Belém (PA), em novembro. Segundo ele, a
engenharia florestal estará diretamente envolvida nas discussões
e soluções voltadas às mudanças climáticas.
Entre as prioridades da coordenação para este ano,
destacam-se a participação ativa na COP30, o fortalecimento
da fiscalização ambiental e a inserção de novas
tecnologias nos processos de monitoramento. A CCEEF
pretende elaborar um conjunto de informações que demonstrem
a atuação dos engenheiros florestais nas questões
climáticas e acompanhar de perto o Acordo de Cooperação
Técnica firmado entre o Confea e o Ibama para
fiscalização junto ao Sinaflor (Sistema Nacional de Controle
da Origem de Produtos Florestais). Outras pautas incluem
o fortalecimento do acervo técnico profissional e operacional
e o incentivo a programas de transferência de recursos
aos Creas para ampliar a fiscalização.
A coordenação também tem buscado ampliar a interlocução
com o governo e o Congresso Nacional. Em 2024,
a CCEEF iniciou um diálogo com os Ministérios das Cidades
e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, especialmente
no âmbito do Programa de Cidades Verdes e Resilientes.
“O objetivo é fomentar a arborização urbana como ferramenta
para melhoria climática e ambiental das cidades,
além de contribuir para a formulação da Política Nacional
de Arborização Urbana. Além disso, a coordenação busca
avançar na efetivação do acordo de cooperação técnica
com o Ibama, visando uma fiscalização mais transparente
e técnica”, afirmou Eleandro
Outro ponto de atenção é o aprimoramento das ações
de fiscalização dos Creas. A CCEEF, segundo Eleandro, tem
atuado junto às câmaras regionais e representantes do
plenário para promover a troca de experiências e boas
práticas, incentivando uma fiscalização mais eficiente e
integrada. “A estratégia inclui o fortalecimento da parceria
78 www.referenciaflorestal.com.br
entre conselheiros, inspetores e agentes de fiscalização,
visando um trabalho conjunto mais eficaz”, apontou
Eleandro.
No que se refere à inovação, a coordenação está alinhada
às metas nacionais de fiscalização para o período
de 2025-2027, que preveem a inserção de novas tecnologias
nos processos fiscalizatórios. “A ideia é fomentar
o uso de dados e bancos de informações de sistemas governamentais
para tornar a fiscalização mais inteligente e
dinâmica, sem abrir mão da fiscalização de campo quando
necessária”, valorizou o novo coordenador.
Com essas iniciativas, Eleandro Brun espera consolidar
um novo patamar de fiscalização, mais orientativa e
tecnologicamente avançada, promovendo a atuação legal
e ética dos profissionais. Além disso, deseja fortalecer o
reconhecimento da engenharia florestal como essencial
para o desenvolvimento sustentável e a luta contra as
mudanças climáticas. Entre as metas prioritárias, está
a implementação definitiva da fiscalização no Sinaflor,
garantindo que apenas profissionais habilitados possam
atuar na gestão florestal.
A atuação da CCEEF em 2025 promete avanços significativos
para a engenharia florestal, reforçando seu papel
na formulação de políticas públicas, no uso de tecnologia
para monitoramento ambiental e na construção de soluções
sustentáveis para o Brasil.
A estratégia inclui o
fortalecimento da parceria
entre conselheiros,
inspetores e agentes de
fiscalização, visando um
trabalho conjunto mais
eficaz
Eleandro Brun, coordenador
nacional das CCEEF
Abril 2025
79
ARTIGO
Crescimento e capacidade
produtiva de espécies
tradicionais e alternativas em
SANTA CATARINA
Fotos: divulgação
80 www.referenciaflorestal.com.br
ÉRICA BARBOSA PEREIRA DE SOUZA
UDESC (UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA)
VINICIUS CHAUSSARD VENTURINI
UDESC (UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA)
DANIELA HOFFMANN
UDESC (UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA)
THIAGO FLORIANI STEPKA
UDESC (UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA)
LEANDRO DE OLIVEIRA WOLFF
UDESC (UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA)
MATHEUS SCHUTZ CEOLA
UDESC (UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA)
GERSON DOS SANTOS LISBOA
UFG (UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS)
Abril 2025
81
ARTIGO
RESUMO
O
profissional florestal terá sucesso ao
prever resultados de alternativas,
garantindo a escolha eficaz da opção
de manejo adequado. Objetivou-se,
realizar a Anatro (análise de tronco)
completa em árvores de diâmetro médio quadrático
(dg), e Anatro parcial em árvores de altura dominante,
das espécies de Pinus elliottii Engelm e Pinus
taeda L., além de Pinus patula Schiede & Deppe e
Cupressus lusitanicaMill. espécies alternativas na silvicultura
do planalto serrano de Santa Catarina. Com
o propósito de determinar o crescimento e a produção
para a variável diâmetro (cm), onde a espécie
de Pinus taeda apresentou o maior valor assintótico
de 35,0 cm pelo modelo biológico de Chapman &
Richards. Realizou-se a classificação de sitio pelo método
da curva-guia (modelo de Schumacher) e elaborou-se
o mapa temático da classificação de sítio por
meio da Krigagem, identificando-se a maior capacidade
máxima produtiva para a espécie Pinus patula
82 www.referenciaflorestal.com.br
com IS (índice de sítio) médio de 27m (metros), e IS
médio de 21m para o gênero pinus. A espécie Pinus
patula apresentou ótimo desenvolvimento produtivo,
sendo comparativa as espécies Pinus taeda e
Pinus elliottii, ressaltando-se que esta apresentou a
maior capacidade máxima produtiva entre os sítios
classificados.
INTRODUÇÃO
Dos objetivos de um gestor florestal, suprir
a demanda industrial com um fluxo contínuo de
produtos e serviços florestais, está diretamente
relacionado ao emprego de ferramentas direcionadas
a prognose do crescimento e da produção,
nas atividades do planejamento florestal. Assim,
segundo Daniel Yared (1987), o crescimento de um
povoamento florestal pode ser conhecido por meio
de medições periódicas do inventário contínuo, ou
pela análise de tronco completa e parcial, também
conhecida como Anatro, para espécies com anéis de
crescimento visíveis.
Com base nas informações obtidas na Anatro
parcial e completa, pode-se ajustar modelos mate-
O profissional florestal
terá sucesso ao
prever resultados de
alternativas, garantindo
a escolha eficaz da
opção de manejo
adequado
Disco de corte para Feller
Usinagem
• Disco de Corte para Feller
conforme modelo ou amostra,
fabricado em aço de alta
qualidade;
• Discos com encaixe para
utilização de até 20
ferramentas, conforme
diâmetro externo do disco;
Caldeiraria
• Diâmetro externo e encaixe
central de acordo com
padrão do cabeçote;
•Discos especiais;
Detalhe de encaixe para
ferramentas de 4 lados
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Abril 2025
83
ARTIGO
máticos que permitem obter estimativas para diversas
variáveis da floresta, possuindo grande importância
na modelagem do crescimento e da produção
florestal (Clutter et al., 1983). Por exemplo, por meio
dos modelos biológicos, pode-se representar uma
função de produção, como taxa de crescimento em
relação ao tempo, ou ainda, expressar a taxa de
crescimento relativo, que proporciona obtenção de
informações do crescimento em relação ao tamanho
do volume ou peso (Scolforo, 1998).
Na modelagem em nível de povoamento, relações
como a função Y=f (I, S) em que Y é a variável
dependente em função da idade (I) e do índice de
sítio (S), resultando em estimativas consistentes que
permitem avaliar o efeito da capacidade produtiva,
onde idades técnicas de corte diferentes são obtidas
para cada índice de sítio (Campos; Leite, 2013).
Portanto, a determinação da qualidade do sítio,
constitui um dos primeiros e mais importantes passos
para se conseguir um planejamento adequado,
podendo este ser orientado por recurso de mapas
temáticos bem elaborados, com interpolação e
espacialização da altura dominante, realizadas por
meio da krigagem, a qual considera a dependência
espacial, estimativas sem tendências e variância
mínima para a confecção destes mapas (Yamamoto;
Landim, 2013).
Desta forma no desenvolvimento deste trabalho
teve-se como objetivo, realizar a Anatro completa
em árvores de diâmetro médio quadrático, e Anatro
parcial em árvores de altura dominante (hdom), das
espécies tradicionais Pinus elliottii Engelm e Pinus
taedaL., além de Pinus patula Schiede & Deppe. e
Cupressus lusitanicaMill. espécies alternativas na
silvicultura regional do planalto serrano de Santa
Catarina. Com o propósito de determinar o crescimento
e a produção para as variáveis DAP, volume
individual do ano um ao final do ciclo de rotação (21
anos), além de realizar a classificação de sítio pelo
método da curva guia e a interpolação das classes
produtivas com a técnica da krigagem.
CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL
O trabalho foi desenvolvido em uma área com
84 www.referenciaflorestal.com.br
Com base nas informações
obtidas na Anatro parcial e
completa, pode-se ajustar
modelos matemáticos que
permitem obter estimativas
para diversas variáveis da
floresta, possuindo grande
importância na modelagem
do crescimento e da
produção florestal
plantios das espécies de Pinus elliottii, Pinus taeda,
Pinus patula e Cupressus lusitanica, de 16 anos de
idade, localizada na área rural do município de Cerro
Negro (SC).
Subdividida em diferentes talhões, contendo
uma das espécies em cada um, as quais foram implantadas
em um espaçamento de 2m x 2,5m, onde,
ao longo dos anos, foram realizadas duas podas.
Com relação a desbastes, o talhão com a espécie de
Pinus taeda passou por dois desbastes, sendo um
aos 9 anos e outro aos 12 anos, retirando-se aproximadamente
50% das árvores em cada intervenção.
Já nos talhões com Pinus elliottii, Pinus patula e
Cupressus lusitanica, ocorreu somente uma intervenção
aos 12 anos com o mesmo peso de desbaste
proposto para Pinus taeda.
Essa é uma versão parcial desse
conteúdo, o material completo
pode ser acessado em: https://ojs.
observatoriolatinoamericano.com/ojs/
index.php/olel/article/view/9293/5874
Abril 2025
85
AGENDA
AGENDA 2025
MAIO
2025
Imagem: reprodução
Congresso de Plantações Florestais
Data: 12 a 16
Local: Porto Alegre (RS)
Informações: https://www.ipef.br/
noticias/congresso_plantacoes_
florestais_2025_save_the_date.aspx
MAIO
2025
MAI
2025
X WORKSHOP PCMF
O evento pretende aprofundar o conhecimento e
promover as pesquisas com espécies de Corymbia spp.,
apresentando alguns trabalhos realizados pelo IPEF,
abrangendo aspectos como importância econômica,
qualidade da madeira, manejo, nutrição, melhoramento
genético e resistência a pragas e doenças. Além disso,
discutirá o estado da arte de Corymbia em países como
Austrália e África do Sul, discutindo avanços na clonagem
e hibridação, avaliando o potencial para o uso industrial.
X Workshop PCMF
Data: 20 a 22
Local: Piracicaba (SP)
Informações:https://www.ipef.br/eventos/
evento.aspx?id=577
Imagem: reprodução
Composhow
Data: 7 a 9
Local: Piracicaba (SP)
Informações:
https://composhow.com.br/
OUTUBRO
2025
AGO
2025
SHOW FLORESTAL
O Show Florestal tem como objetivo impulsionar
o crescimento do mercado industrial de florestas
plantadas, fomentar a inovação e gerar novos
negócios. A edição de 2025 já conta com mais de 120
expositores confirmados. O Estado de Mato Grosso
do Sul vem recebendo investimentos significativos
por grandes empresas que atuam no setor florestal.
Atualmente, o estado tem a segunda maior área
plantada com eucalipto no Brasil. São 1.329.132 ha
(hectares) atrás apenas de Minas Gerais.
86 www.referenciaflorestal.com.br
A Feira da Indústria do Eucalipto
Três Lagoas - MS
19 a 21
Agosto
de 2025
Organização:
Apoio Master:
/showflorestal
www.showflorestal.com.br
/showflorestal
ESPAÇO ABERTO
Foto: divulgação
O futuro
É HOJE
Por Carlos Eduardo Bleinroth, engenheiro
de Produção pela Ufsc (Universidade
Federal de Santa Catarina) e especialista
em gestão pública. Atua desde 2019 como
diretor da BR40 Assessoria e Tecnologia
Como a internet das
coisas se relaciona com a
indústria 4.0?
Aquarta revolução industrial, também conhecida como
Indústria 4.0, é marcada pela fusão de tecnologias que
está borrando as linhas entre os mundos físico, digital
e biológico. No coração dessa transformação está a IoT
(Internet das Coisas, em inglês), que desempenha um
papel crucial ao conectar dispositivos, coletar dados em tempo real
e otimizar processos industriais. Este artigo explora a intersecção
entre a IoT e a Indústria 4.0, destacando como essa integração está
revolucionando a manufatura e outros setores industriais.
A Indústria 4.0 representa uma mudança fundamental na forma
como as fábricas e os sistemas de produção operam. Baseia-se em
quatro princípios, são eles: Interconectividade: A capacidade de conectar
máquinas, dispositivos e sensores através da IoT; Informação
Transparente: A criação de cópias digitais dos processos físicos para
uma melhor tomada de decisão; Assistência Técnica: O uso de sistemas
ciberfísicos para ajudar humanos na tomada de decisões e na
resolução de problemas; Decisões Descentralizadas: Sistemas ciberfísicos
que tomam decisões por conta própria com base em dados
coletados em tempo real.
A IoT refere-se à rede de dispositivos físicos que se conectam
e trocam dados entre si e com sistemas centrais. Na indústria, isso
inclui sensores, atuadores, máquinas e sistemas de TI. Os principais
componentes da IoT industrial são: Sensores e Atuadores: Dispositivos
que coletam dados e executam ações com base nesses dados;
Conectividade: Redes que permitem a comunicação entre dispositivos
IoT; Análise de Dados: Ferramentas que processam grandes
volumes de dados para extrair insights; Automação: Sistemas que
usam dados para automatizar processos industriais.
A IoT é a espinha dorsal da Indústria 4.0, permitindo uma interconectividade
sem precedentes entre dispositivos e sistemas. Aqui
estão algumas maneiras pelas quais a IoT contribui para a Indústria
4.0: coleta de dados em tempo real, manutenção preditiva, otimização
de processos, cadeia de suprimentos inteligente, automação e
robótica.
A integração da IoT na Indústria 4.0 traz uma série de benefícios
que transformam o setor industrial: Eficiência Operacional: A capacidade
de monitorar e otimizar processos em tempo real aumenta
significativamente a eficiência operacional, redução de custos,
qualidade melhorada, flexibilidade e adaptabilidade, segurança aumentada.
Apesar dos muitos benefícios, a integração da IoT na Indústria
4.0 também apresenta desafios: segurança cibernética, interoperabilidade,
privacidade de dados e investimento inicial.
A relação entre a IoT e a Indústria 4.0 é fundamental para a
transformação da manufatura e de outros setores industriais. A IoT
proporciona a conectividade e os dados necessários para otimizar
processos, prever falhas, melhorar a qualidade dos produtos e
reduzir custos. Embora existam desafios a serem superados, os benefícios
da integração da IoT na Indústria 4.0 são claros e transformadores.
À medida que a tecnologia continua a evoluir, espera-se
que a IoT desempenhe um papel cada vez mais central na revolução
industrial em curso, moldando um futuro mais eficiente, seguro e
inovador.
88 www.referenciaflorestal.com.br
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01 DE DEZEMBRO DE 2025
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