Florestal_273Web
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DESTAQUE
Entrevista: mecanização florestal é potencializada no trabalho do professor Samuel de Assis
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SUMÁRIO
46
BACHIEGA
CELEBRA 50
ANOS
MAIO 2025
10 Editorial
12 Cartas
14 Bastidores
16 Notas
28 Frases
30 Entrevista
44 Coluna
46 Principal
52 Iniciativa
58 Manejo
64 Compostagem
68 Silvicultura
72 Artigo
78 Agenda
80 Espaço Aberto
52
64
ANUNCIANTES DA EDIÇÃO
11 BKT
12 Bruno
45 Carrocerias Bachiega
63 Composhow
71 D’Antonio Equipamentos
17 Denis Cimaf
02 Dinagro
23 DRV Ferramentas
55 Duffatto Viveiro Florestal
57 Eloforte
43 Engeforest
84 Envimat
21 Envimat/CBI
67 Envimat/Compostagem
09 Envu
61 Francio Soluções Florestais
75 Fratex
04 Himev
35 J de Souza
39 Lufer Forest
81 Prêmio Referência 2025
41 Raptor Florestal
33 Rocha Facas
19 Rodovale
15 Rotary-Ax
25 Rotor Equipamentos
79 Show Florestal
82 Sparta Brasil
29 Tecmater
77 Terra Solo Seguros
06 Tracbel
31 Vantec
37 Vermeer Brasil
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O Herbicida seletivo da Envu para impedir as daninhas
desde o início e em todas as épocas do ano
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EDITORIAL
Árvores fortes
Assim como uma árvore precisa de raízes fortes para crescer e
enfrentar as intempéries, uma empresa no mercado florestal precisa
construir um respaldo sólido para se manter competitiva e relevante.
Esse respaldo se forma com ética, compromisso técnico, investimento
em inovação e respeito ao meio ambiente. Tal como o tronco
sustenta os galhos e folhas, a reputação construída com consistência
sustenta relações comerciais duradouras, abrindo espaço para novos
frutos: parcerias, expansão e reconhecimento no setor. Nessa edição,
celebramos os 50 anos da Carrocerias Bachiega, empresa referência
no segmento de pisos móveis para transporte florestal, as novidades
sobre manejo florestal, um novo movimento sobre produtividade
de silvicultura, informações sobre ILPF (Integração Lavoura Pecuária
Floresta) e uma entrevista exclusiva com o professor Samuel de Assis,
que lidera o LabMap (Laboratório de Mecanização e Agricultura de
Precisão e Digital). Trabalho que tem aberto portas para maior assertividade
nas decisões na silvicultura. Uma ótima leitura!
2
1
Na capa dessa edição a
Bachiega, especialista em piso
móvel celebrando 50 anos
A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product
www.referenciaflorestal.com.br
Ano XXVII • Nº273 • Maio 2025
DESTAQUE
Entrevista: mecanização florestal é potencializada no trabalho do professor Samuel de Assis
TRADIÇÃO E EXCELÊNCIA
EMPRESA CELEBRA 50 ANOS DE HISTÓRIA E
VANGUARDA NO TRANSPORTE FLORESTAL
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Just as a tree needs strong roots to grow and withstand bad
weather, a company in the forest industry needs to build a solid
foundation to remain competitive and relevant. This foundation is
built on ethics, technical commitment, investment in innovation, and
respect for the environment. Just as the trunk supports the branches
and leaves, a reputation built on consistency sustains long-term
business relationships and makes room for new fruits: partnerships,
expansion, and industry recognition. In this issue, we celebrate the
50th anniversary of Carrocerias Bachiega, a benchmark company
in the field of mobile flooring for forest transport, news on forest
management, a new movement in forestry productivity, information
on Crop-Livestock-Forest Integration (Ilpf) and an exclusive interview
with Professor Samuel de Assis, who heads Laboratory of Mechanization
and Precision and Digital Agriculture (LabMap). This work has
opened doors to more confident decision-making in forestry. Pleasant
reading!
Entrevista com o
professor Samuel de
Assis, que lidera o
LabMap
Soluções sustentáveis para a
indústria madeireira
3
EXPEDIENTE
ANO XXVII - EDIÇÃO 273 - MAIO 2025
Diretor Comercial / Commercial Director
Fábio Alexandre Machado
fabiomachado@revistareferencia.com.br
Diretor Executivo / Executive Director
Pedro Bartoski Jr
bartoski@revistareferencia.com.br
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dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira,
instituições de pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais,
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ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor
Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em
matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais
de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,
armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos
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direitos autorais, exceto para fins didáticos.
Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication
directed at the producers and consumers of the good and services of the
lumberz industry, research institutions, university students, governmental
agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked
to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself
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signed by others. These are the exclusive responsibility of the authors,
themselves. The use, reproduction, appropriation and databank storage
under any form or means of the texts, photographs and other intellectual
property in each publication of Revista REFERÊNCIA is expressly prohibited
without the written authorization of the holders of the authorial rights.
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CARTAS
Capa da Edição 272 da
Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,
mês de abril de 2025
A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product
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DESTAQUE
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Ano XXVII • Nº272 • Abril 2025
ABSOLUTE HEAVYWEIGHT
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TERRAIN ARRIVES IN BRAZIL
PRINCIPAL
Por César Costa, Sorocaba (SP)
Inovação e coragem fazem parte do segmento florestal. Essas novidades que a
Sparta traz para o Brasil podem melhorar muito a operação no campo!
ENTREVISTA
Foto: Emanoel Caldeira
Por Pedro Olivetti, Cuiabá (MT)
A função do Renato é muito importante para o desenvolvimento da
economia verde e que possa ampliar ainda mais as áreas de concessão.
COMPOSTAGEM
Por Roberto Monteiro Alves, São Paulo (SP)
Esse segmento é muito importante para valorizar o ciclo completo da floresta.
Aproveitar cada recurso é a chave para melhorar a estrutura da silvicultura.
Foto: divulgacão
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enviados também para redação
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ou a respeito de reportagem produzida pelo veículo.
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cada dia é uma nova chance de fazer diferente. Foi assim que nasceu o Titan não apenas
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reais. Porque não basta fazer, é preciso transformar o jeito de fazer.
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BASTIDORES
Revista
Foto: Emanoel Caldeira
Foto: divulgação
PRODUÇÃO
Reportagem da Revista REFERÊNCIA, entrevistando
Frans de Raad, CEO da Cargo Floor, durante a produção
da matéria de capa desta edição da REFERÊNCIA
FLORESTAL na nova fábrica da Bachiega, em Rafard (SP).
PODCAST
O diretor do Grupo Index, Rodrigo de Almeida, esteve
participando do Podcast REFERÊNCIA, e foi recebido no
estúdio da JOTA Editora, pelos diretores Fábio Machado
e Pedro Bartoski Jr.
ALTA
ALÍVIO FINANCEIRO
A Petrobras cortou duas vezes o preço do diesel
nas refinarias, somando R$ 0,29 o desconto por
litro. A expectativa é que isso alivie a inflação, já
que o combustível tem impacto direto no transporte
de cargas e passageiros. Mas essa redução
não chega de forma imediata, nem integral ao
bolso do consumidor. Na primeira quinzena de
abril, o diesel S-10, mais utilizado no país, teve
queda média de 1,36%, segundo o Panorama Veloe
de Indicadores de Mobilidade. Isso representa
uma redução de aproximadamente R$ 0,09 nas
bombas. A média nacional teve um recuo para R$
6,39 por cada litro, abaixo dos R$ 6,54 mostrados
na apuração de fevereiro.
MAIO 2025
AMAZÔNIA DEGRADADA
As áreas desmatadas da Amazônia tiveram um aumento
de 18% nos primeiros oito meses do chamado: calendário
do desmatamento; período que por causa do regime
de chuvas no bioma vai de agosto de um ano a julho do
ano seguinte. Conforme dados do monitoramento por
imagens de satélite do instituto de pesquisa Imazon, a
derrubada passou de 1.948 km² entre agosto de 2023 e
março de 2024 para 2.296 km² entre agosto de 2024 e
março de 2025. Uma área maior do que Palmas (TO). O
principal responsável por isso foi o fogo: Por causa dos
incêndios a degradação florestal entre agosto de 2024
e março de 2025 também foi a maior da série histórica,
que iniciou em 2008.
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NOTAS
Podcast REFERÊNCIA
Durante o mês de abril o estúdio do Podcast REFERÊNCIA teve a alegria de receber convidados muito importantes para o desenvolvimento
do segmento de base florestal madeireira. Os entrevistados desses episódios foram Rodrigo da Silva (foto de cima), sócio
administrador da Rota Madeiras, que apresenta soluções em madeira sustentável. O outro convidado foi Marco Antonio Balvedi
(foto de baixo), diretor comercial da Sincol, indústria de portas da cidade de Caçador. Os episódios tiveram o apoio da MBM Business
School, Effisa, Polecola e Rotary-Ax.
Rodrigo que é formado em odontologia seguiu para o caminho da madeira nativa por conta de seu pai, que já atuava no segmento
do fornecimento de madeira nativa serrada para os
grandes centros desde os anos 1980. “A Rota Madeiras está
intrinsecamente ligada à nossa família. A empresa tem meu
nome e o nome da minha irmã no nome (Rodrigo e Tatiane).
A Rota foi fundada em 2000, mas meu pai, desde 1987, trazia
madeira do Paraguai e posteriormente do Mato Grosso”,
relata Rodrigo.
Sobre as mudanças do mercado, Rodrigo conta que
a Rota tem passado por um período de transição, pois as
demandas do mercado têm aparecido de forma diferente
e isso tem exigido mudanças estruturais. “Trabalhamos
historicamente no segmento de empresa para empresas e
agora temos aberto possibilidades para o consumidor final.
Isso exige mudanças com nosso time de atendimento, da
forma de lidar com prazos e formas de entrega. Para um
lojista ou uma construtora a forma de atender é uma, com o
consumidor final é muito diferente, pois há o fator pessoal e
emocional na conta”, aponta Rodrigo.
Marco Antonio Balvedi é a terceira geração da família
à frente da Sincol, família que tem ligação com a madeira
desde sua chegada em Santa Catarina. A Sincol já tem 82
anos, mas muito antes disso já havia a serraria e a comercialização
de madeira por parte da empresa. “A família chegou
do Vêneto, na Itália, e trabalhou com uva e com madeira.
Começamos na serraria produzindo camas e posteriormente
chegamos ao mercado de portas e estruturas para casas
de alto padrão que estavam sendo feitas em São Paulo, um
mercado que nos impulsionou ao sucesso”, expõe Marco.
Sobre o mercado de portas, Marco comenta que há muitas
novidades e uma tendência a mais de criatividade para
as portas. Sejam portas coloridas ou mesmo com detalhes
diferentes, há uma abertura para novidades. “Ainda temos a
predominância das portas brancas, mas em alguns mercados,
como na hotelaria, temos portas com cores diferentes
e modelos modernos. Temos uma influência direta daquilo
que vem da Espanha e da Itália no direcionamento daquilo
que será tendência no Brasil”, explica Marco.
Os episódios completos o Leitor pode conferir
no canal do youtube da Revista REFERÊNCIA:
Fotos: REFERÊNCIA
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NOTAS
Pelo povo
A ABAF (Associação Baiana das Empresas de Base Florestal) é a mais nova apoiadora do Movimento Via Cidadã que está
coletando assinaturas para o seu Projeto de Lei Popular, criado com a proposta de aumentar as deduções no Imposto de Renda
para as doações realizadas por Pessoas Jurídicas a entidades beneficentes do Terceiro Setor nas áreas de saúde, educação
e assistência social.
Lançado em evento (em 2024) na sede da Associação Comercial da Bahia, com a presença de representantes de importantes
entidades filantrópicas, lideranças associativistas, empresariais e comunitárias, o objetivo da iniciativa é permitir o
abatimento de até 90% de impostos nas doações feitas para as entidades que possuam o Cebas (Certificado de Entidade Beneficente
de Assistência Social), emitido pelos Ministérios da Saúde, do Desenvolvimento Social e Agrário e da Educação. Serão
beneficiadas instituições como as OSID (Obras Sociais Irmã Dulce), as Santas Casas de Misericórdia e o Hospital Martagão
Gesteira, que realizam cerca de 60% dos atendimentos de alta complexidade do SUS (Sistema Único de Saúde), constituindo
verdadeiros pilares para os cidadãos que precisam destes serviços.
Com a mensagem: Assine aqui para a saúde no Brasil melhorar. Não custa nada, mas vale muito!; o Projeto de Lei destaca
o compromisso de proteger as doações contra novas tributações, assegurando que os recursos cheguem de forma integral às
entidades fundamentais para o cuidado das pessoas que mais precisam. A proposta do Projeto de Lei está alinhada à missão
do Movimento Via Cidadã, fundado por Paulo Cavalcanti com o intuito de promover ações que promovam o exercício da
democracia participativa. Além disso, a medida cria um ambiente favorável para o fortalecimento do Terceiro Setor, promovendo
uma rede de apoio que pode gerar empregos e desenvolver projetos inovadores. “Esta mobilização é fruto da filosofia
da consciência cidadã participativa transformadora, criada para desenvolver uma nova cultura social no Brasil. Com o Projeto
de Lei, reafirmamos a importância de valorizar as instituições filantrópicas como pilares na construção de um país mais justo,
solidário e democrático, onde a participação cidadã seja alicerce para mudanças significativas e duradouras”, afirma Paulo.
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NOTAS
Olhos internacionais
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A Comissão Europeia anunciou recentemente um pacote de medidas para simplificar a aplicação da nova legislação
antidesmatamento, que entra em vigor no fim de 2025. A iniciativa busca reduzir em até 30% os custos e a burocracia
para as empresas envolvidas, o que deve beneficiar exportadores brasileiros e facilitar o fluxo de comércio com os países
do bloco.
A lei tem como objetivo barrar o acesso ao mercado europeu de produtos ligados ao desmatamento, proibindo a entrada
de sete commodities — soja, carne bovina, café, madeira, óleo de palma, borracha e cacau — e de seus derivados
(como couro, chocolate, pneus e móveis) quando oriundos de áreas desmatadas após dezembro de 2020.
Para vender à União Europeia, os exportadores terão de comprovar que sua produção é livre de desmatamento. Essa
verificação deverá ser feita por meio de documentação detalhada, no âmbito do processo de due diligence.
Sob pressão de importadores e diante de um novo cenário geopolítico, a Comissão Europeia flexibilizou o processo.
Entre as mudanças anunciadas estão:
Reutilização de declarações existentes: grandes empresas poderão reaproveitar declarações de due diligence já
enviadas quando reimportarem mercadorias ao mercado europeu;
Centralização de declarações: representantes autorizados poderão submeter declarações em nome de grupos empresariais;
Menos frequência nos envios: empresas poderão enviar declarações de due diligence anualmente, em vez de a cada
remessa;
Esclarecimento nas obrigações de verificação: grandes empresas terão exigências simplificadas e poderão usar números
de referência de fornecedores para seus próprios envios.
Segundo a Comissão, as mudanças garantem uma implementação mais simples, justa e econômica da legislação,
sem comprometer o compromisso ambiental da União Europeia.
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NOTAS
São Paulo em alta
Com o desenvolvimento das sociedades é natural um avanço sobre o uso da terra e do solo. Além de espaço para atividades
socioeconômicas, moradias, serviços e toda a infraestrutura que isto envolve, são necessárias áreas destinadas às atividades agropecuárias,
para produzir alimentos e matérias-primas, indispensáveis aos seres humanos.
Uma delas, a silvicultura, vem se mostrando uma grande aliada à manutenção e recuperação do solo. O plantio de árvores
é uma atividade altamente benéfica ao solo. De acordo com o professor Leonardo Gonçalves, do Departamento de Ciências
Florestais da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz), as plantações florestais, especialmente de eucalipto e pinus,
contribuem para interromper processos de erosão, por exemplo. “Entre 3 e 6 meses depois do plantio, o terreno ficará coberto e a
chuva não vai mais bater no terreno descoberto. A água vai infiltrar melhor. Com a presença da floresta, o escorrimento da água é
mais lento. Isso faz com que o processo de erosão seja estagnado”, explica Leonardo.
O professor comenta que, em relação a estrutura, caso o solo apresente compactações moderadas, elas serão revertidas pelo
processo de crescimento radicular, que é muito profuso. “As raízes irão romper as camadas compactadas com deposição de matéria
orgânica para agregar as partículas no solo, melhorando a estrutura. O solo ficará mais permeável e estruturado, permitindo
melhor infiltração de água”, conta Leonardo.
Florestas cultivadas podem ser uma solução para recuperar solos degradados. Segundo o professor, o crescimento contínuo
de raízes, devido à deposição de serrapilheira, irá aumentar o teor de matéria orgânica. “Sobretudo em solos degradados.
A adição de matéria orgânica é de uma tonelada e meia a duas toneladas de carbono por hectare por ano. Isso representa um
sequestro alto de carbono no ambiente”, conclui o professor Leonardo.
Um levantamento feito pela empresa Canopy Remote Sensing Solutions, encomendado pela Florestar São Paulo, dá conta de
que nos últimos quatro anos, o cultivo de florestas de pinus e eucalipto avançou em aproximadamente 79 mil ha (hectares) dentro
do estado. Deste total, 60% aconteceu em pastagens, áreas sem manejo ou com algum nível de degradação. Entre os benefícios
estão; uma significativa melhoria da qualidade do solo e forte contribuição para a regulação climática, já que o solo que antes
estava exposto agora está sombreado por árvores cultivadas.
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NOTAS
Novas taxações
O setor da indústria de base florestal
ainda está estudando os possíveis desdobramentos
da nova política comercial anunciada
pelo governo dos EUA (Estados Unidos da
América), taxando em pelo menos 10% os
produtos brasileiros. “Mesmo não chegando
aos 25% esperados, ainda é cedo para
comemorar”, pontua Fábio Brun, presidente
da Apre (Associação Paranaense de Empresas
da Base Florestal).
Os impactos – como perda de mercado
e aumento dos custos de produção – serão,
a partir de agora, analisados de forma mais
apurada, conforme a disponibilização progressiva
de documentação oficial norte-americana.
“Vamos nos debruçar sobre o tema
buscando entender inclusive sua aplicação e
prazos”, pondera.
A Apre acompanha o assunto desde o
início a fim de auxiliar os associados que têm
relação comercial direta e indiretamente com
os EUA. “Aqueles que se relacionam de forma
direta são os que produzem no Brasil e enviam
os seus produtos à base de madeira para
lá. Na relação indireta estão os que produzem
madeira para o mercado nacional, abastecendo
indústrias que exportam produto acabado
para os EUA”, pontua o presidente.
A Apre teme que – mesmo com a taxação
de 10% – os custos acabem recaindo sobre a
produção, tornando os produtos mais caros.
“O que, no final das contas, é ruim para todos
os envolvidos. Com o aumento dos valores do
produto final, os importadores norte-americanos
podem reduzir a compra de madeira
oriunda do Brasil, com risco de recessão e
postergando investimentos”, salienta Fábio.
O setor florestal seguirá atento, portanto,
a três pontos cruciais para avaliar o momento:
cotação do dólar, logística e custos de
produção. “Caso o dólar se mantenha em
torno dos R$6 (o dólar intraday recentemente
chegou a cair para R$ 5,60), conforme alguns
especialistas estimam, temos chances de nos
manter aquecidos e nos prepararmos melhor
para o que virá. Incluindo tempo para buscar
novos mercados”, complementa Fábio.
Foto: divulgação
24 www.referenciaflorestal.com.br
NOTAS
Congresso reforça integração
do setor florestal e debate
planejamento inteligente
Fotos: Remsoft
O Congresso da Remsoft Ltda, realizado em 2025,
consolidou-se como o principal evento da empresa na
América do Sul, reunindo mais de 100 profissionais de
mais de 40 empresas de seis países. O evento, realizado
a cada dois anos, promoveu debates enriquecedores,
com sessões de apresentações técnicas, estudos de caso
e momentos de networking, como almoços e coquetéis
planejados para estimular a interação entre os participantes.
Um destaque desta edição foi a presença de empresas
que ainda não são clientes da Remsoft, o que reforça a
abrangência e a credibilidade do encontro.
Franc Roxo, diretor da Remsoft Ltda, destacou que
o encontro, que acontece a cada 2 anos, superou as
expectativas e reforçou a importância da troca de experiências
e da inovação no planejamento florestal. “Nosso
26 www.referenciaflorestal.com.br
objetivo é gerar cada vez mais engajamento e fomentar
o compartilhamento de boas práticas no planejamento
de florestas”, afirmou Franc. Com uma agenda intensa,
o congresso contou com apresentações de usuários da
solução Remsoft, discussões sobre processos, desafios e
inovações em tecnologia, além de espaços pensados para
networking, como almoços e coquetéis.
O tema desta edição: Explorando o poder do planejamento
florestal inteligente, refletiu o foco em planejamento
inteligente, uma necessidade cada vez mais
urgente em um mundo sujeito a rápidas transformações.
“Planejar com inteligência é vital em um setor de longo
prazo como o florestal”, reforçou Franc. A abordagem
incluiu debates sobre planejamento estratégico, tático e
operacional, com destaque para a aplicação de tecnologias
de dados e inteligência artificial.
Outro ponto relevante foi a diversidade dos participantes:
metade das empresas presentes ainda não eram
clientes da Remsoft, evidenciando o caráter aberto e
colaborativo do evento. Grandes nomes do setor como
Suzano, CMPC e Klabin marcaram presença, compartilhando
suas experiências.
Além disso, Roxo destacou duas grandes novidades:
as inovações tecnológicas em soluções da Remsoft e a
apresentação do novo CEO global da empresa, Kevin Lim,
resultado da recente aquisição da Remsoft por um grupo
internacional, abrindo novas perspectivas de crescimento.
Por fim, um tema recorrente nas discussões foi a
preocupação com a formação de novos talentos. “A falta
de mão de obra qualificada é uma dor comum a todo o
setor florestal. Precisamos trabalhar juntos para formar
profissionais capazes de acompanhar o crescimento da
demanda”, alertou Franc.
O próximo congresso já está programado para 2027,
mantendo a expectativa de novos avanços no planejamento
florestal inteligente e na integração de tecnologias
para um setor cada vez mais dinâmico e preparado para
as mudanças.
Maio 2025
27
FRASES
Foto: Rafael Pereira/Agência Petrobras
Plantar árvore é uma resposta
decisiva para enfrentar a
catástrofe climática
Magda Chambriard, presidente da
Petrobras, sobre o investimento
de R$ 450 milhões em créditos de
carbono
“A Ciera tem como objetivo tornar a restauração mais pública,
mais compartilhada, para que todo mundo possa se apropriar
dessa tomada de decisão do melhor local para restaurar”
Ludmila Pugliese, diretora de restauração de paisagens e florestas da Conservação
Internacional Brasil, sobre a ferramenta Ciera, plataforma eletrônica de análise sobre
potencial de restauração florestal
“Além da concorrência com outros
países produtores de madeira tropical,
o setor madeireiro brasileiro também
enfrenta o desinteresse e o descaso
do Ibama em se estruturar para liberar
as autorizações de forma eficiente e
dentro do prazo necessário”
“Quando faço o manejo,
estou renovando a floresta.
Tirando as árvores velhas e
dando espaço para as novas
nascerem”
Guilherme Carvalho, consultor técnico da Aimex (Associação
das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado do Pará)
sobre as dificuldades para o mercado exportador do Brasil
Cleomilton Dias da Costa, engenheiro florestal
em audiência sobre segurança de profissionais de
manejo com o governo do Mato Grosso
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ENTREVISTA
Tecnologia
e o futuro
FLORESTAL
30 www.referenciaflorestal.com.br
Technology and the
future of forestry
N
a interseção entre tecnologia, pesquisa aplicada
e práticas sustentáveis na silvicultura, o
professor Samuel de Assis Silva tem se destacado
por sua atuação à frente do LabMap — o
Laboratório de Mecanização Agrícola e Agricultura de Precisão
— da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo). Com uma
trajetória marcada pela integração entre ensino, pesquisa e
extensão, tem promovido a aplicação de tecnologias digitais e
de precisão diretamente no campo, em parceria com o setor
produtivo. Confira essa entrevista sobre a importância da mecanização
nos processos silviculturais.
A
t the intersection of technology, applied research,
and sustainable forestry practices, Professor
Samuel de Assis Silva has distinguished himself
through his work as Director of LabMap - the
Agricultural Mechanization and Precision Agriculture Laboratory
at the Federal University of Espírito Santo (Ufes). With a
career marked by the integration of teaching, research, and
extension, he has promoted the application of digital and
precision technologies directly in the field in partnership with
the productive sector. Read this interview on the importance of
mechanization in forestry processes.
Foto: divulgação
ENTREVISTA
Samuel de
Assis Silva
ATIVIDADE/ ACTIVITY:
Engenheiro agrônomo, doutor em Engenharia Agrícola. Professor
e pesquisador da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo),
Campus de Alegre (ES). Orientador de mestrado e doutorado nos
programas de pós-graduação em agronomia da UFES e produção
vegetal da UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz). Professor
internacional da Universidad Nacional del Litoral - Argentina.
Diretor Executivo da Inova Alegre - incubadora de base tecnológica
e de inovação da UFES. Inspetor coordenador da inspetoria do Crea
(Conselho Regional de Engenharia e Agricultura) em Alegre. Membro
efetivo da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão e Digital.
Bolsista de produtividade em pesquisa do CNPQ (Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Especialista nas áreas
de tecnologia de aplicação de defensivos, agricultura e silvicultura
digital e inteligência artificial na agricultura e silvicultura.
Agronomist, Ph.D. in Agricultural Engineering. Professor and Scientist
at the Federal University of Espírito Santo (Ufes), Alegre campus
(ES). Master’s and Doctoral Advisor in the Postgraduate Programs
in Agronomy at Ufes and Plant Production at the State University of
Santa Cruz (Uesc). International Professor at the Universidad Nacional
del Litoral - Argentina. Executive Director of Inova Alegre - Technology
and Innovation Incubator of Ufes. Coordinating Inspector of the
Regional Council of Engineering and Agriculture (Crea) in Alegre. An
active member of the Brazilian Association of Precision and Digital
Agriculture. Research Productivity Grant from the National Council
for Scientific and Technological Development (Cnpq), specialist in
pesticide application technology, digital agriculture and forestry, and
artificial intelligence in agriculture and forestry.
R
ENTREVISTA
>> Como começa a sua trajetória acadêmica?
Sempre tive vontade de fazer Engenharia Mecânica. Mas, por
questões econômicas, não tive oportunidade de sair da cidade
onde morava, e lá não havia o curso preferido. Minha família
era de origem humilde e meu pai não tinha como manter duas
casas, por isso nos mudamos para o Espírito Santo. Na ocasião,
a graduação que existia na cidade onde está o campus da UFES
oferecia apenas quatro cursos: Engenharia Florestal, Zootecnia,
Medicina Veterinária e Agronomia. Como meu irmão já
era agrônomo, optei por seguir o mesmo caminho — não por
vontade, mas por circunstância. Mantive aquele desejo de
fazer Engenharia Mecânica por um tempo. Então, comecei a
me arrepender, mas, lá pelo quarto semestre, tive a disciplina
de Motores e Tratores Agrícolas. Ali percebi que poderia juntar
meu desejo com aquilo que a vida me permitia naquele momento.
Meu avô sempre me dizia: “Não importa a arma, desde
que ela esteja no seu braço. O importante é vencer a guerra.”
Com a mecanização, fui descobrindo a agricultura e a silvicultura
de precisão (com a qual mais tarde segui). Sempre gostei
muito da área de exatas, especialmente programação, cálculo,
matemática... e fui integrando meus anseios profissionais com
aquilo que vivia. Me identifiquei muito com a área e continuo
nela até hoje, dentro da mecanização e da agricultura e silvicultura
de precisão digital.
>> Começou a trabalhar na área antes mesmo do doutorado?
Em 2006, passei no concurso da UFES. Estava finalizando o
mestrado quando fui aprovado e comecei a lecionar. Trabalhei
3 anos como professor e, em 2010, fui para o doutorado. Em
2014, voltei para a UFES. Logo depois, começamos a estruturar
o LabMap (Laboratório de Mecanização Agrícola e Agricultura
de Precisão), inicialmente com a verba do programa Reuni.
Na época, o governo federal repassou recursos para as universidades
expandirem vagas e cursos, e a contrapartida era
a ampliação da infraestrutura. Foi quando propus a criação
do laboratório. Naquele momento, os docentes da área de
máquinas estavam mais voltados para a parte prática, com oficinas
e galpões. Não tínhamos esse olhar mais científico sobre
agricultura de precisão. Então o laboratório surgiu como um
projeto novo, pensando em sensores, monitoramento remoto,
imagens de satélite, drones, essas tecnologias que já estavam
começando a ser exploradas no Brasil. Hoje, muitas universidades
já têm essa estrutura, mas naquela época era uma
novidade. Era difícil até explicar para os colegas o que a gente
queria fazer. Com o tempo, fui trazendo os alunos para dentro
do laboratório. Com a ajuda deles, começamos a publicar os
primeiros trabalhos, depois vieram os projetos de iniciação
científica, os trabalhos de conclusão, e a coisa foi crescendo.
>> Sua ajuda foi além da criação do LabMap?
Em paralelo ao laboratório, também atuei como coordenador
do curso de Agronomia por dois mandatos, de 2015 a 2019.
Nessa época, participei da reestruturação curricular e incluímos
a disciplina de Agricultura de Precisão como obrigatória,
algo que antes não existia. O curso passou a ter uma identida-
How did your academic studies begin?
I always wanted to study mechanical engineering. However,
for economic reasons, I did not have the opportunity
to leave the town where I lived, and there were no mechanical
engineering courses there. My family came from
a humble background, and my father could not afford
two houses, so we moved to Espírito Santo. At that time,
there were only four undergraduate programs in the city
where the Ufes campus is located: Forestry Engineering,
Zootechnics, Veterinary Medicine, and Agronomy. Since
my brother was already an agronomist, I chose the same
path - not because I wanted to, but because of circumstances.
For a while, I kept wishing to study mechanical
engineering. Then, I began to regret it, but I took a
course in agricultural engines and tractors in the fourth
semester. Then, I realized that I could combine my desire
with what life allowed me at that time. My grandfather
used to tell me: It does not matter what the weapon is,
as long as it is on your arm. The important thing is to win
the war. With mechanization, I discovered agriculture
and precision forestry (which I later followed). I have
always loved the exact sciences, especially programming,
calculus, and mathematics, and I began to integrate my
professional aspirations with what I was experiencing. I
identified with the field and am still in it, within mechanization,
digital precision agriculture, and forestry.
Did you start working in this field before you got your
doctorate?
I passed the Ufes exam in 2006. I was finishing my Master’s
degree when I was licensed and started teaching.
I worked as a teacher for three years, and in 2010, I
finished my Ph.D. In 2014, I returned to Ufes. Soon after
my return, we started structuring the Laboratory of
Agricultural Mechanization and Precision Agriculture
(LabMap), initially with funds from the Reuni program.
At that time, the federal government transferred funds
to universities to expand vacancies and courses, and the
counterpart was to develop infrastructure. That is when
I proposed the creation of the Laboratory. At that time,
mechanical engineering focused more on the practical
side, with workshops and sheds. We did not have this
more scientific approach to precision agriculture. So, the
Laboratory was born as a new project, thinking about
sensors, remote monitoring, satellite imagery, and drone
technologies already being explored in Brazil. Many universities
have this structure today, but it was a novelty
then. It was challenging to explain to our colleagues
what we wanted to do. Over time, I brought the students
into the lab. With their help, we started to publish the
first papers, then the initiation of scientific projects and
the final papers, and things kept growing.
What is the focus of LabMap?
I coordinated the agronomy course twice from 2015 to
32 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
de forte com essa área, e isso também deu mais visibilidade
para o laboratório e para os projetos de pesquisa que vinham
sendo desenvolvidos. O laboratório já tem uma trajetória de
quase 10 anos, com várias pesquisas aplicadas, parcerias com
empresas e um foco muito grande em soluções práticas. A
gente sempre teve esse objetivo: gerar conhecimento, sim,
mas com aplicação direta no campo. Tanto que muitos dos
nossos alunos acabam indo para empresas do setor, justamente
porque já chegam com uma bagagem prática muito forte,
além do conhecimento técnico e teórico.
>> Em que momento a IA (inteligência artificial) passou a fazer
parte dos seus projetos?
Começamos com sensores, depois veio a parte de processamento
de imagens, uso de drones, câmeras hiperespectrais
e aí vimos que tínhamos uma quantidade muito grande de
dados. Começamos a nos perguntar: o que fazer com tudo
isso? Como transformar essa massa de dados em informação
útil? Foi quando iniciamos os primeiros estudos com aprendizado
de máquina, principalmente para classificar imagens e
gerar mapas com base nesses dados. De lá pra cá, esse campo
só cresceu. A inteligência artificial é central em muitos dos
nossos projetos, seja na silvicultura, na agricultura ou mesmo
no desenvolvimento de sistemas para aplicação localizada de
insumos, por exemplo. Agora, estamos desenvolvendo algoritmos
próprios, treinando modelos para reconhecer padrões
em tempo real e integrar essas soluções diretamente com
os equipamentos agrícolas. É algo muito novo, ainda em desenvolvimento,
mas que tem um potencial enorme. Um dos
projetos mais recentes, por exemplo, é o desenvolvimento de
um sistema de pulverização inteligente. A ideia é usar câmeras
acopladas ao pulverizador para identificar plantas daninhas em
tempo real. O sistema reconhece o alvo e aplica o defensivo
apenas onde é necessário, reduzindo drasticamente o volume
de produto utilizado. Para isso, estamos treinando algoritmos
de deep learning com imagens coletadas em campo. O desafio
é grande, porque se precisa garantir que o sistema funcione
com luz natural, em diferentes condições de clima, com plantas
em diferentes estágios de desenvolvimento. Mas os primeiros
resultados são promissores. Outro exemplo é um projeto
em parceria com uma empresa de celulose, voltado para o
monitoramento de eucaliptos. Usamos drones com câmeras
multiespectrais para avaliar a saúde das plantas e prever falhas
de plantio. Depois, usamos modelos preditivos para sugerir intervenções
específicas, como adubação localizada ou replantio
em áreas com mortalidade elevada.
>> Qual a importância das parcerias público privadas para o
desenvolvimento de pesquisa?
Elas começaram de forma pontual, com visitas técnicas, alguns
trabalhos de campo e consultorias mais simples. Mas, com o
tempo, as empresas passaram a perceber o potencial da universidade
como parceira de inovação. Temos projetos com empresas
de diferentes áreas: fabricantes de máquinas, empresas
de tecnologia agrícola, grupos do setor florestal e até startups.
2019 in parallel with the Laboratory. At that time, I participated
in restructuring the curriculum, and we included
precision agriculture as a compulsory course, which
had not existed before. The course developed a strong
identity in this area, which gave more visibility to the
Laboratory and the research projects being developed.
The Laboratory has been running for almost 10 years,
with much-applied research, company partnerships,
and a strong focus on practical solutions. Our goal has
always been to generate knowledge, yes, but with direct
application in the field. Many of our students work for
companies in the Sector because they have a solid practical
background and technical and theoretical knowledge.
When did AI become part of your projects?
We started with sensors, then came image processing,
drones, and hyperspectral cameras, and then we saw
that we had a considerable amount of data. We began
to ask ourselves, what will we do with all this? How do
we turn this mass of data into useful information? That
is when we started our first studies in machine learning,
mainly to classify images and create maps based on
this data. Since then, the field has only grown. Artificial
intelligence is central to many of our projects, whether
in forestry, agriculture, or even developing systems for
localized application of inputs. We are now developing
our algorithms, training models to recognize patterns
in real-time, and integrating these solutions directly
with agricultural equipment. It is very new, still under
development, but with huge potential. For example, one
of the latest projects is developing an intelligent spraying
system. Using cameras mounted on the sprayer to identify
weeds in real time is the idea. The system recognizes
the target and applies the pesticide only where needed,
drastically reducing the product used. To do this, we train
deep learning algorithms with images collected in the
field. The challenge is great because we need to ensure
the system works in natural light, in different weather
conditions, and with plants at various stages of development.
But early results are promising.
Another example is a project in partnership with a pulp
company to monitor eucalyptus trees. We use drones
with multispectral cameras to assess plant health and
predict planting failures. We then use predictive models
to suggest interventions, such as localized fertilization or
replanting in high-mortality areas.
How vital are public-private partnerships for the development
of research?
They started with one-off technical visits, fieldwork, and
simple consulting. However, over time, companies have
recognized the potential of the university as an innovation
partner. We have projects with companies from
different sectors: machinery manufacturers, agricultural
technology companies, forestry groups, and start-ups.
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ENTREVISTA
Em alguns casos, as empresas trazem um problema real, do
dia a dia delas, e desenvolvemos uma solução dentro do laboratório.
Em outros, propomos uma tecnologia nova e buscamos
parceiros para testar em escala real. Essas parcerias são
importantes, porque aproximam os alunos do setor produtivo.
Eles vão a campo, conhecem os desafios práticos, e isso complementa
muito bem a formação. Além disso, algumas dessas
empresas acabam contratando nossos estudantes depois, justamente
porque eles já chegam com experiência aplicada.
>> Como os alunos são integrados às atividades do LabMap?
O laboratório é formado por alunos de graduação e pós-graduação,
e todos participam ativamente dos projetos. A ideia
é que eles aprendam fazendo. Muitos entram como bolsistas
de iniciação científica e acabam seguindo para o mestrado, o
doutorado e criando uma trajetória bem bonita de formação
dentro do LabMap. Além disso, estimulamos muito a participação
em eventos, congressos, feiras tecnológicas. Já levamos
trabalhos para a Agrishow, para a Expocafé, para congressos
internacionais. Isso abre a cabeça dos alunos, amplia o networking
e dá visibilidade ao que estamos produzindo aqui.
Desde alunos com perfil mais técnico, que gostam de colocar a
mão na massa, até aqueles que se interessam mais pela parte
computacional, de desenvolvimento de algoritmos. A área é
muito multidisciplinar, conseguimos atrair estudantes da Agronomia,
da Engenharia Agrícola, da Computação, da Elétrica,
da Florestal. Esse cruzamento de perfis é muito rico. Um aluno
da Agronomia, por exemplo, pode ajudar a entender melhor
o que o algoritmo precisa identificar em uma imagem de lavoura.
Já o aluno da Computação vai saber como estruturar o
código, treinar o modelo. Um complementa o outro. E isso é
algo que a gente valoriza muito no laboratório: o trabalho em
equipe.
>> E sobre os próximos desafios?
Acredito na integração de tecnologias. Já tem sensores bons,
máquinas modernas, conectividade em expansão, mas muitas
vezes essas tecnologias não conversam entre si. O futuro está
em integrar tudo isso de forma inteligente, criando sistemas
Sometimes, companies bring real problems to their dayto-day
business, and we develop a solution in the Laboratory.
Other times, we propose a new technology and look
for partners to test it in the field. These partnerships are
essential because they bring the students closer to the
productive sector. They go into the field to learn practical
challenges that complement their education. Moreover,
some companies hire our students precisely because of
their applied experience.
How are students involved in LabMap activities?
The Laboratory comprises undergraduate and graduate
students actively participating in the projects. The idea is
that they learn by doing. Many of them join as scientific
initiation fellows and go on to do Master’s or Ph.D. degrees,
and we have a very nice training trajectory within
LabMap. We also encourage participation in events,
congresses, and technology fairs. We have already taken
part in Agrishow, Expocafé, and international congresses.
This opens students’ minds, expands their networks, and
gives visibility to what we produce here. From students
with a more technical profile, who like to get their hands
dirty, to those more interested in the computational side,
developing algorithms. The area is multidisciplinary,
so we attracted agronomy, agricultural engineering,
computer science, electrical engineering, and forestry
students. This intersection of profiles is very rich. For example,
an agronomy student can help better understand
what the algorithm needs to identify in a crop image. A
computer science student will know how to structure the
code and train the model. One complements the other.
And that is something we value in the lab: teamwork.
What are the next challenges?
I believe in integrating technologies. We already have
good sensors, modern machines, and increasing connectivity,
but these technologies often do not talk to each
other. The future lies in the intelligent integration of all
this to create truly autonomous systems that can make
Se daqui a algumas décadas puder olhar pra trás e ver
que, de alguma forma, participei de um movimento que
transformou a forma como a silvicultura é feita no Brasil —
tornando-a mais tecnológica, mais integrada, mais valorizada
—, aí sim vou sentir que cumpri meu papel
36 www.referenciaflorestal.com.br
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ENTREVISTA
realmente autônomos, que consigam tomar decisões no campo
em tempo real, com base em dados confiáveis. Também
vejo um espaço enorme para o uso de IA na gestão agrícola.
Não só na operação das máquinas, mas na análise econômica,
no planejamento da lavoura, na previsão de safra. Tudo isso
pode ser otimizado com modelos inteligentes, e é para esse
caminho que estamos caminhando. No fim das contas, o objetivo
é sempre o mesmo: produzir mais, com menos impacto
ambiental e com mais eficiência. E a tecnologia é uma ferramenta
fundamental para isso.
>> Que habilidades serão exigidas no futuro profissional?
O setor florestal brasileiro já está entre os mais modernos do
mundo. Estamos vendo uma mudança significativa de paradigma:
saímos do modelo baseado em volume de madeira para
uma lógica de maximização de valor. Isso exige uma postura
mais estratégica em toda a cadeia e isso começa lá no campo.
Na prática, essa mudança se reflete na adoção de tecnologias
mais avançadas, na busca por maior eficiência e na valorização
de profissionais com competências diferenciadas. As empresas
têm buscado pessoas que sejam comprometidas com resultados
e que consigam dialogar bem com diferentes áreas do
conhecimento. A interdisciplinaridade será uma habilidade essencial.
É cada vez mais comum termos profissionais florestais
trabalhando junto com engenheiros eletrônicos, cientistas da
computação, especialistas em dados, entre outros. Isso exige
uma comunicação mais fluida, sem jargões técnicos excessivos
e com foco na resolução de problemas práticos. Além disso,
o profissional do futuro precisa ter uma mentalidade voltada
à solução, e não apenas à execução de tarefas. Isso significa
entender o sistema como um todo, identificar gargalos, propor
melhorias e acompanhar os resultados. Cada vez mais, o
conhecimento técnico, por si só, não será suficiente — será
necessário saber aplicar esse conhecimento de forma estratégica.
Outra habilidade importante é a capacidade de aprender
continuamente. As tecnologias estão evoluindo muito rápido,
e quem não acompanhar vai ficar para trás. Isso não significa
saber programar ou dominar todas as ferramentas digitais,
mas sim ter curiosidade, iniciativa e disposição para aprender
e se adaptar. A chamada aprendizagem ativa será uma das
competências mais valorizadas. Também será fundamental desenvolver
o raciocínio lógico, a capacidade analítica e o pensamento
crítico. Com a grande quantidade de dados disponíveis,
saber interpretar, questionar e usar essas informações para tomar
decisões será uma grande vantagem competitiva. Por fim,
o trabalho em equipe continuará sendo essencial. As soluções
mais inovadoras e eficazes geralmente nascem da colaboração
entre diferentes pessoas e áreas. Portanto, saber trabalhar
bem com os outros, respeitar diferentes pontos de vista e
construir soluções em conjunto será cada vez mais importante.
>> Sempre foi bem recebido no ambiente florestal mesmo
com sua formação agronômica?
Integração é a palavra chave. Nunca sofri preconceito nos
lugares onde estive por conta da minha formação. Muito pelo
contrário, acredito que a silvicultura ganha muito com a mul-
decisions in the field in real-time based on reliable data. I
also see enormous opportunities for using AI in agricultural
management, not just in machine operation but
also in economic analysis, crop planning, and crop forecasting,
that can be optimized with intelligent models;
that is where we are going. The goal is always the same:
to produce more with less environmental impact. And
technology is a fundamental tool for this.
What skills will future professionals need?
The Brazilian Forestry Sector is already one of the most
modern in the world. We are experiencing a significant
paradigm shift: we have moved from a model based
on the volume of wood to a logic of maximizing value.
This requires a more strategic approach throughout the
chain, starting in the field. In practice, this change is
reflected in adopting more advanced technologies, the
search for greater efficiency, and the appreciation of
professionals with differentiated skills. Companies are
looking for people who are committed to results and can
communicate well with different areas of knowledge. Interdisciplinarity
will be an essential skill. Forest managers
will increasingly work with electrical engineers, computer
scientists, data specialists, and others. This will require
more fluid communication without excessive jargon and
a focus on solving practical problems. In addition, future
professionals will need a solution-oriented mindset, not
just a task-oriented one. This means understanding the
system, identifying bottlenecks, proposing improvements,
and monitoring the results.
Increasingly, technical knowledge alone will not be
enough - the ability to apply that knowledge strategically
will be required. Another critical skill is the ability
to learn continuously. Technologies are evolving rapidly,
and those who cannot keep up will be left behind. This
does not mean knowing how to code or mastering all the
digital tools, but having curiosity, initiative, and a willingness
to learn and adapt. Active learning will be one
of the most valued skills. Developing logical reasoning
and analytical and critical thinking skills is also essential.
With the large amounts of data available, knowing how
to interpret, question, and use this information to make
decisions will be a significant competitive advantage.
Finally, teamwork will continue to be essential. The most
innovative and effective solutions often come from collaboration
across people and disciplines. Knowing how
to work well with others, respecting different points of
view, and co-creating solutions will become increasingly
important.
Have you always been well-received in the forestry
environment, even with your agronomy background?
I believe that forestry gains a lot from multidisciplinarity
- and I’m not saying that the agronomist replaces the
forestry engineer, nor do I intend to. But I believe that
all sectors gain when there is a collaboration between
38 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
tidisciplinaridade — e não estou dizendo que o engenheiro
agrônomo substitui o engenheiro florestal, nem tenho essa
pretensão. Mas acredito que todos os setores ganham quando
há colaboração entre diferentes áreas de formação. Quando o
foco está na solução, a formação acadêmica de quem propõe a
ideia importa menos. Claro que o embasamento é importante
— por exemplo, não posso me colocar para discutir um assunto
do Direito ou da Medicina, pois não é minha área. Mas,
infelizmente, com o avanço das redes sociais, vemos especialistas
em tudo. Basta entrar nos comentários de uma matéria
para encontrar opiniões de pessoas sem formação nenhuma,
falando com propriedade. Por isso, os limites precisam ser
respeitados. Porém, se alguém tem condições de propor ideias
que auxiliem na tomada de decisão e levem a discussões construtivas,
vejo com muito bons olhos. E tenho notado que os
setores, de forma geral, também têm acolhido mais essa postura.
Há um tempo, era muito difícil se inserir em áreas mais
fechadas — a engenharia florestal era uma delas, assim como
a mecânica, a manutenção de máquinas, etc. Mas, o cenário
é muito favorável. Muitos cursos de engenharia florestal têm
seguido um caminho mais voltado à questão ambiental e deixado
uma lacuna grande na área da silvicultura.
>> Defende que já existe um avanço nas operações florestais?
Mudanças existem, mas não tão rápidas quanto se esperava —
pelo menos na colheita mecanizada. Porque quando se fala em
mecanização florestal, a primeira imagem que vem à mente
são os grandes equipamentos: harvester, forwarder, feller buncher.
Máquinas imponentes, com tecnologia embarcada, conectadas,
com sensores de produção, GPS de alta precisão, entre
outros. Mas essa mecanização tradicional já está consolidada
no Brasil, especialmente nos grandes grupos. O que temos
visto agora é uma busca por tecnologias complementares, que
tornem o processo mais inteligente e menos dependente da
mão de obra especializada — que, aliás, está cada vez mais difícil
de encontrar. Por isso, cresce o interesse por sensores, por
conectividade em tempo real, por sistemas de monitoramento
remoto, por ferramentas de apoio à tomada de decisão... e é
aí que entra a IA, a análise de dados, a modelagem preditiva. A
grande revolução não está mais apenas na máquina em si, mas
na forma como os dados gerados por essas máquinas — e por
outras fontes — são coletados, processados e transformados
em informação útil. Temos, por exemplo, sensores que identificam
o desgaste de componentes da máquina, permitindo
manutenção preditiva. Ou sensores que monitoram o esforço
de corte e conseguem estimar o volume da madeira processada.
Isso traz eficiência e reduz o custo operacional. Além disso,
tecnologias como visão computacional têm sido usadas para
identificar plantas daninhas, pragas, falhas de plantio, entre
outras aplicações. E esse tipo de inovação vem, muitas vezes,
de startups ou de centros de pesquisa, e não necessariamente
dos fabricantes tradicionais de máquinas. Outro ponto importante
é a digitalização do planejamento e da operação. Já é
possível fazer um planejamento totalmente digital da colheita,
simulando cenários, estimando produtividade, consumo de
different areas of training. When the focus is on the solution,
the academic background of the person proposing
the idea matters less. Of course, background is essential
- for example, I can not put myself forward to discuss
an issue in law or medicine because it is not my field.
But unfortunately, with the advance of social media, we
see experts in everything. You only have to go into the
comments of an article to find opinions from people with
no training whatsoever, speaking with authority. That’s
why limits need to be respected. However, if someone is
in a position to propose ideas that help decision-making
and lead to constructive discussions, I welcome that. And
I’ve noticed that the sectors, in general, have also become
more accepting of this attitude. A while ago, it was
challenging to break into more closed areas - forestry engineering
was one of them, as was mechanics, machine
maintenance, etc. But the scenario is very favorable.
Many forestry engineering courses have followed a path
focused on environmental issues and left a significant
gap in forestry.
Would you say that there has already been progress in
forestry?
There have been changes, but not as fast as expected, at
least in mechanized harvesting. When you talk about forest
mechanization, the first thing that comes to mind are
the big machines: harvesters, forwarders, and bunchers.
These machines can be equipped with onboard technology
and connected to production sensors, high-precision
GPS, etc. However, this traditional mechanization has
already been consolidated in Brazil, especially in large
groups. We are now seeing a search for complementary
technologies that make the process more intelligent and
less dependent on skilled labor, which is increasingly
difficult to find. That is why there is a growing interest
in sensors, real-time connectivity, remote monitoring
systems, and decision support tools, and that is where
AI, data analytics, and predictive modeling come in. The
big revolution is no longer in the machine itself but in
how the data generated by these machines and other
sources is collected, processed, and turned into useful
information. For example, we have sensors that detect
wear and tear on machine components, enabling predictive
maintenance. Or sensors that monitor cutting effort
and can estimate the volume of wood being processed.
This increases efficiency and reduces operating costs. In
addition, technologies such as computer vision are being
used to identify weeds, pests, and planting errors, among
other things. And this kind of innovation often comes
from start-ups or research centers, not necessarily from
traditional machine manufacturers.
Another critical point is the digitalization of planning and
operations. It is already possible to perform digital crop
planning, simulate scenarios, and estimate productivity,
fuel consumption, and environmental impact. Then,
40 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
combustível, impacto ambiental... e depois comparar isso com
os dados reais coletados no campo. Essa integração está só
começando, mas tem um potencial enorme.
>> Qual maior sonho dentro da mecanização?
É poder contribuir de forma significativa para a melhoria dos
processos silviculturais, principalmente no uso eficiente dos
recursos que temos à disposição. Quando falo em recursos,
penso em tudo: humanos, físicos e, principalmente, os recursos
naturais. Quero ajudar a desenvolver e difundir tecnologias
que otimizem esse uso, que tornem o setor mais inteligente,
mais preciso, mais eficiente — mas sem perder de vista a sustentabilidade
e a qualidade de vida das pessoas envolvidas. Se
daqui a algumas décadas puder olhar pra trás e ver que participei
de um movimento que transformou como a silvicultura é
feita no Brasil — tornando-a mais tecnológica, mais integrada,
mais valorizada —, aí sim vou sentir que cumpri meu papel.
Claro, como pesquisador, também tenho minhas ambições.
Gostaria de ser reconhecido como referência, de ver tecnologias
e soluções que desenvolvi sendo aplicadas, gerando valor.
Tenho vontade de empreender, de criar ferramentas, talvez
uma consultoria. Mas tudo isso vem junto de um sentimento
que todo pesquisador carrega, que é o de pensar no coletivo.
Trabalhamos, muitas vezes, com ideias que não trazem retorno
financeiro imediato, mas que têm potencial de transformar a
realidade do setor. E isso já é um baita combustível. Se puder
deixar um legado, que seja esse: ter contribuído, junto com
muitos outros profissionais, para tornar a silvicultura brasileira
mais forte, mais conectada, mais sustentável e mais respeitada.
E, claro, formar pessoas — alunos, pesquisadores, profissionais
— que sigam fazendo isso melhor do que fiz. Como diz
uma canção que gosto muito: sempre fica o perfume nas mãos
daqueles que dão flores; então saber que estou contribuindo é
a essência do meu trabalho.
compare this with the real data collected in the field. This
integration is only just beginning, but it has enormous
potential.
What is your biggest dream in terms of mechanization?
To significantly contribute to improving silvicultural
processes, especially in efficiently using the resources at
our disposal. When I say resources, I mean everything:
human, physical, and natural. I want to help develop and
disseminate technologies that optimize their use and
make the Sector more innovative, precise, and efficient
without losing sight of sustainability and the quality of
life of the people involved. If, in a few decades, I can see
that I have been part of a movement that has changed
how forestry is done in Brazil - making it more technological,
more integrated, and more valued - then I will
feel that I have fulfilled my role. Of course, as a scientist,
I also have my ambitions. I want to be recognized as a
reference, to see the technologies and solutions I have
developed and applied, and to generate value. I want to
be an entrepreneur, create tools, and maybe become a
consultant. But all this goes hand in hand with the feeling
of every scientist, which is to think of the collective.
We often work with ideas that do not have an immediate
financial return but have the potential to change the Sector’s
reality. And that is great fuel. If I can leave a legacy,
it would be to have contributed, along with many other
professionals, to making Brazilian forestry stronger, more
connected, more sustainable, and more respected. And,
of course, to have trained people - students, researchers,
professionals - to do it better than I have. As a song I
like very much says, the perfume always remains on the
hands of those who give flowers, so knowing that I am
contributing is the essence of my work.
Além disso, o profissional do futuro precisa ter uma
mentalidade voltada à solução, e não apenas à execução de
tarefas. Cada vez mais, o conhecimento técnico, por si só,
não será suficiente — será necessário saber aplicar esse
conhecimento de forma estratégica
42 www.referenciaflorestal.com.br
COLUNA
A Importância do uso da
perneira por baixo da calça
anticorte em operações
com motosserra
Gabriel Berger
GB Manejo de Árvores – Educação Profissional
e Corporativa
Engenheiro Florestal e Segurança do Trabalho
gbmanejodearvores.com.br
gabriel@gbmanejodearvores.com.br
Foto: divulgação
Usar a perneira por baixo da calça anticorte é essencial para garantir proteção
total e evitar falhas no bloqueio da motosserra
N
as operações florestais, a segurança do operador
deve ser sempre prioridade. Entre os
EPIs (Equipamentos de Proteção Individual)
obrigatórios nesse tipo de atividade, a calça
anticorte e a perneira são dois dos mais importantes.
No entanto, uma dúvida comum entre os profissionais
é a forma correta de utilizar esses itens: a perneira
deve ser usada por cima ou por baixo da calça anticorte?
A resposta correta é: por baixo da calça anticorte.
POR QUE USAR A PERNEIRA POR BAIXO DA
CALÇA ANTICORTE?
A perneira é um EPI projetado para proteger a região
da canela e tornozelo contra impactos, picadas de animais
peçonhentos e outros riscos comuns nas áreas de corte e
derrubada de árvores. Já a calça anticorte contém camadas
internas de fibras que, em contato com a corrente da
motosserra, enroscam no sistema de corte e o travam, evitando
que a corrente em movimento avance sobre o corpo
do operador.
Quando a perneira é usada por cima da calça anticorte,
ela impede o funcionamento adequado da calça em caso
de acidente já que a perneira dificulta o ajuste correto das
fibras protetoras sobre a perna, comprometendo a proteção
integral do operador e aumentando significativamente
o risco de corte caso a corrente da motosserra atinja
essa área. Ao usar a perneira por baixo, a calça anticorte
mantém sua funcionalidade de bloqueio e a perneira complementa
a proteção, especialmente na parte inferior das
pernas.
SEGURANÇA DO OPERADOR
O uso correto dos EPIs, incluindo a ordem de colocação,
pode fazer a diferença entre um susto e um acidente
grave. A combinação da calça anticorte com a perneira
usada corretamente garante maior segurança ao trabalhador,
especialmente em atividades com alto risco de corte
nas pernas, como o desgalhamento e a derrubada de árvores
com motosserra.
Além disso, a perneira oferece proteção adicional
contra quedas de galhos, pedras, tocos e até picadas de
cobras ou insetos — perigos frequentemente presentes no
ambiente florestal.
AUMENTO DA VIDA ÚTIL DOS EPIs
Utilizar a perneira por baixo da calça anticorte também
contribui para aumentar a durabilidade dos dois equipamentos.
A calça anticorte não sofre desgaste adicional
causado pelo atrito com a superfície externa da perneira,
o que prolonga seu tempo de uso. Já a perneira, por estar
protegida do contato direto com galhos, graxa e detritos,
tende a apresentar menor deterioração com o tempo.
Isso significa menos necessidade de substituição e
menor custo com manutenção e compra de novos equipamentos
— um fator importante para a gestão de segurança
e economia em operações florestais.
Usar a perneira por baixo da calça anticorte é mais do
que uma recomendação técnica — é uma medida concreta
de segurança e eficiência. A correta utilização dos EPIs garante
a integridade física do operador, melhora a eficácia
da proteção e ainda contribui para o aumento da vida útil
dos equipamentos. Em ambientes florestais, onde o risco é
constante, cada detalhe faz a diferença.
Operar com segurança é operar com responsabilidade.
E isso começa pela forma como vestimos nossos equipamentos.
A ordem certa dos EPIs
faz diferença: perneira
por dentro da calça é
mais proteção e mais
eficiência
44 www.referenciaflorestal.com.br
PRINCIPAL
BACHIEGA CELEBRA 50 ANOS
DE EXPERIÊNCIA CONECTANDO
A INDÚSTRIA AOS INSUMOS
DA FLORESTA
Fotos: Emanoel Caldeira
Com soluções personalizadas para o
transporte de produtos florestais, empresa
do interior paulista se destaca pela
excelência e crescimento consolidado
46 www.referenciaflorestal.com.br
Bachiega is commemorating five decades of facilitating
connections between the Industrial and Forestry Sectors
The Company, headquartered in the State of São Paulo, distinguishes itself through
its provision of customized solutions for the transportation of forest products. This
distinction is indicative of its consistent excellence and ongoing growth
Maio 2025
47
PRINCIPAL
C
onectando o campo e a indústria, o transporte florestal
é uma etapa fundamental na cadeia produtiva
da madeira. Quando realizado adequadamente, esse
processo garante eficiência no fluxo da matéria-prima,
desde as áreas de colheita, até as unidades de
processamento. Portanto, a relevância vai além da logística, impactando
diretamente fatores como custos operacionais, qualidade do
produto entregue e sustentabilidade, exigindo soluções robustas,
seguras e adaptadas às condições extremas das áreas florestais.
Com vasta experiência na estrada da inovação e da excelência,
a Bachiega consolidou-se como uma referência nacional no setor
de implementos rodoviários, atuando inclusive com soluções para
o setor florestal. Fundada em 1975 por José Bachiega, em Rafard
(SP), a empresa cresceu e se desenvolveu sem perder as raízes do
trabalho dedicado e da qualidade reconhecida. Líder no segmento
de pisos móveis no Brasil, a companhia também se destaca pelos
serviços de locação, manutenção, reposição de peças e transformação
de equipamentos. Em 2025, essa trajetória marcada por
solidez, inovação e compromisso com os clientes completa 50 anos.
Fábio José Bachiega, diretor e filho do fundador da empresa,
cresceu em meio às carrocerias e viu no trabalho de seu pai o
exemplo ideal para consolidar o empreendimento no mercado.
“Trabalhamos muito duro e construímos aqui em Rafard, uma
cidade pequena no interior de São Paulo, uma empresa sólida,
respaldada por seus clientes e que se tornou símbolo de qualidade,
sem perder a nossa essência de empresa familiar”, aponta Fábio.
Sheila Bachiega, esposa e braço direito de Fábio na condução
do negócio, valoriza a história da empresa familiar e de como
estão rompendo as barreiras regionais e internacionais com seus
implementos. “Temos muito orgulho de construir essa história e
F
orest transportation represents a pivotal phase in the timber
production chain, establishing a crucial link between
the Forest and Manufacturing Sectors. When executed
in accordance with established protocols, this process
guarantees the efficient movement of raw materials from
harvesting areas to processing units. Consequently, its significance
extends beyond mere logistics, directly impacting factors such as operating
costs, the quality of the delivered product, and sustainability.
This necessitates the implementation of robust and safe solutions
that are adapted to the extreme conditions prevalent in forest areas.
Bachiega has gained significant recognition for its contributions
to the Road Equipment Sector, establishing itself as a national benchmark.
The Company’s expertise in innovation and excellence has led
to the development of solutions that have found application in the
Forestry Sector as well. The Company was founded in 1975 by José
Bachiega in Rafard (SP), and it has undergone significant growth and
development while maintaining its foundation in dedicated work and
recognized quality. The Company has a prominent market position in
the moving floor segment in Brazil and is distinguished by its rental,
maintenance, parts replacement, and equipment conversion services.
In the year 2025, this trajectory, distinguished by its stability, innovation,
and dedication to customers, will commemorate its 50th year.
Fábio José Bachiega, Chief Executive and son of the Company’s
founder, was raised in the context of truck body manufacturing. He
viewed his father’s professional endeavors as a paradigm of successful
market consolidation for the Company. Fábio Bachiega states
that the Company was established in Rafard, a town in the interior
of São Paulo, with the support of its customers. He notes that the
Company has evolved into a symbol of quality while maintaining its
familial character.
48 www.referenciaflorestal.com.br
Sheila Bachiega, the spouse of Fábio Bachiega and a key figure in
the Company’s management, holds a profound appreciation for the
history of the family business and its role in transcending geographical
and international boundaries through the utilization of its specialized
equipment.
“We are proud to have built this history and brought our Company
to the national spotlight. It is also a source of pride that the
next generation of the family is following in their father’s footsteps
and becoming involved in the business. It is worth noting that, whenever
feasible, they accompany us to trade shows and events, both
domestically and internationally. Furthermore, our close proximity
to the majority of our clientele has resulted in the development of
interpersonal relationships that extend beyond the realm of business
collaboration. These factors provide the foundation for the organization
to successfully navigate the subsequent 50 years with unwavering
resolve,” asserts Fábio Bachiega.
The primary milestone of the anniversary will be the inauguration
of Bachiega’s new headquarters, which will increase production
capacity and improve the working environment. Sheila Bachiega’s
statement indicates an expansion of the existing structure, with an
additional 60 thousand square meters being added to the current 10
thousand square meters.
Sede da Bachiega em Rafard (SP)
colocar nossa empresa em destaque nacional. Me orgulho também
quando percebo que nossas filhas, assim como o pai, estão
crescendo envolvidas com os negócios. Quando possível, elas nos
acompanham em feiras e eventos, tanto no Brasil como no exterior.
Além disso, a nossa proximidade com a maioria dos clientes fez com
que muitos deles se tornassem mais do que parceiros comerciais,
mas também amigos. Esses fatores me fazem ter a certeza de que
estamos caminhando com ainda mais determinação para os próximos
50 anos”, celebra Fábio.
Como marco principal do aniversário, a Bachiega vai inaugurar
sua nova sede fabril, ampliando a capacidade produtiva e proporcionando
melhorias no ambiente de trabalho. “Estamos agregando
à atual área de 10 mil m2 (metros quadrados) uma nova planta com
mais 60 mil m2”, orgulha-se Sheila.
Para Fábio, esse novo momento é a realização do sonho que
ele ajudou seu pai a construir. Trabalhando desde os 12 anos na
fábrica, ele viu o pai construir – aparelhar, lixar, pintar as carrocerias
de madeira, soldar, utilizar maçarico – e, com o pouco estudo
que tinha, criar dobradeira, prensa e outras tantas ferramentas,
algumas que são utilizadas até hoje no processo produtivo. “Tenho
certeza que ele, de onde estiver, está muito orgulhoso do nosso
desenvolvimento”, afirma Fábio.
A nossa proximidade com a maioria
dos clientes fez com que muitos
deles se tornassem mais do que
parceiros comerciais, mas também
amigos. Esses fatores me fazem ter a
certeza de que estamos caminhando
com ainda mais determinação para
os próximos 50 anos
Fábio Bachiega,
diretor da Bachiega
TECNOLOGIA DE PONTA
A excelência é uma das marcas registradas da Bachiega e,
para manter o altíssimo nível de qualidade, a empresa busca estar
sempre conectada com as necessidades do mercado para oferecer
soluções eficientes. O pioneirismo em apresentar e consolidar a
presença do piso móvel ao mercado brasileiro é prova disso.
Fabricados com tecnologia holandesa da Hyva by Cargo Floor,
líder mundial no segmento, o piso móvel montado e vendido pela
Fábio Bachiega, CEO da Bachiega e
Sheila Bachiega, diretora financeira da Bachiega
PRINCIPAL
Bachiega transformou os processos de carga e descarga, especialmente
nos quesitos de agilidade, segurança e custo-benefício. De
acordo com Frans de Raad, CEO da Cargo Floor, a Bachiega foi uma
das pioneiras no Brasil a adotar o sistema de piso móvel operado
pela Cargo Floor, distribuído localmente pela Hyva. “A parceria
começou há mais de 15 anos em um treinamento na Hyva. O Fábio
estava lá e reconheceu imediatamente a qualidade e praticidade
do sistema. Desde então, eles estão trabalhando muito para levar
esses diferenciais ao mercado brasileiro e, assim, se consolidaram
como líderes no país”, valoriza Frans.
Para o diretor da empresa holandesa, o Brasil tem se tornado
cada vez mais atrativo para as operações com piso móvel e a parceria
entre a Bachiega e a Hyva contribui muito para abrir novas
oportunidades. “O mercado brasileiro de pisos móveis cresceu
consideravelmente nos últimos anos, impulsionado pela confiabilidade,
segurança e flexibilidade que essa tecnologia oferece. Ela
permite o transporte eficiente de grandes volumes com extrema
rapidez na descarga, possibilitando ainda retornar com outros tipos
de carga, otimizando as viagens e reduzindo os custos da operação.
É inegável que a Bachiega é parte importante desse crescimento”,
enaltece Frans.
Atualmente, a Bachiega trabalha com um variado leque de
modelos de chassis, caixas de carga e pisos móveis para atender
processos de transporte dos mais diversos segmentos, entre eles
o florestal. “Temos equipamentos com diversas capacidades volumétricas,
chegando até 180 m³ (metros cúbicos) nos conjuntos
rodotrem e bitrenzão. Nos orgulhamos em ter a patente do equipamento
inclinado e com avanço frontal, que garante um volume
ainda maior de carga quando comparado aos modelos tradicionais
do mercado. Com essas soluções, conseguimos atender todos os
subprodutos florestais, desde a casca da madeira, até a biomassa
e a maravalha. Se precisar, toras de menor volume também podem
ser transportadas e descarregadas com o piso móvel”, explica Sheila.
For Fábio Bachiega, this new moment signifies the realization of a
dream that he previously assisted his father in constructing. Beginning
at the age of 12, he engaged in factory work, observing his father’s
woodworking techniques, including trimming, sanding, painting,
welding, and blowtorching. Despite his limited formal education, he
innovated a bending machine, a press, and numerous other tools that
are still in use in the production process. Fábio Bachiega has stated
that he is confident that, irrespective of his current location, he would
harbor a sense of pride regarding the developmental progress that
has been made.
STATE-OF-THE-ART TECHNOLOGY
Excellence is one of Bachiega’s hallmarks and, in order to maintain
the highest level of quality, the Company always seeks to be in touch
with the needs of the market in order to offer efficient solutions. Its
pioneering role in introducing and consolidating the presence of moving
flooring in the Brazilian market is proof of this.
Manufactured using Dutch technology from Hyva by Cargo Floor,
a world leader in the segment, the moving floor assembled and sold
by Bachiega has transformed loading and unloading processes, especially
in terms of agility, safety and cost-effectiveness. According to
Frans de Raad, Chief Executive of Cargo Floor, Bachiega was one of
the pioneers in Brazil to adopt the moving floor system operated by
Cargo Floor and distributed locally by Hyva. “The partnership began
more than 15 years ago during a training session at Hyva. Fábio was
there and immediately recognized the quality and practicality of the
system. Since then, they have been working hard to bring these differentials
to the Brazilian market and have thus established themselves
as leaders in the Country,” he says.
For the Chief Executive of the Dutch company, Brazil has become
increasingly attractive for moving floor operations and the partnership
between Bachiega and Hyva is helping to open new opportunities.
“The Brazilian moving floor market has grown considerably in recent
years, driven by the reliability, safety, and flexibility that this technology
offers. It makes it possible to transport large volumes efficiently
and unload them extremely quickly, while also making it possible to
return with other types of cargo, optimizing journeys and reducing
operating costs. It is undeniable that Bachiega is an important part
of this growth,” says de Raad.
Currently, Bachiega works with a wide range of chassis models,
cargo boxes and mobile floors to meet the transportation needs of
the most diverse segments, including forestry. “We have equipment
with various volumetric capacities, reaching up to 180 m³ in bitrailers
and road trains. We are proud to have the patent for the inclined
50 www.referenciaflorestal.com.br
SATISFAÇÃO GARANTIDA
Utilizando exclusivamente pisos móveis da Bachiega, o Grupo
Multilixo (MTL) atua no setor de biomassa e movimenta, em média,
25 mil toneladas de cavaco de eucalipto por mês. A parceria
comercial começou há mais de 25 anos e se fortalece cada vez
mais. “Iniciamos com o transporte de resíduos e, posteriormente,
migramos para a madeira, começando especificamente com o
cavaco reciclado. Operamos com diversas bases funcionando 24h
(horas) por dia e escolhemos a Bachiega por sua confiabilidade. Os
problemas são muito raros, a manutenção preventiva é eficiente
e o atendimento é rápido. Já utilizamos outros sistemas de piso
móvel, mas enfrentávamos dificuldades com atrasos e manutenção
complexa”, compara André Luiz Moreira Mecho, diretor de
operações do grupo.
Eddie Andreotti Junior, gerente de produção do grupo, destaca
a evolução do transporte com a chegada do piso móvel. “Hoje,
temos uma frota com mais de 100 caminhões com piso móvel em
operação. Antes disso, a demanda para o descarregamento era mais
trabalhosa e com maior risco de danos. Agora temos um processo
seguro e ágil. Em apenas 10 minutos, conseguimos realizar todo o
processo de descarga, por exemplo”, ressalta Eddie.
Walter Tebom Junior, sócio-diretor da Tebom Transportes, é
outro cliente que escolheu atuar exclusivamente com o piso móvel
da Bachiega. A empresa entrou no mercado de biomassa em
2012 e atualmente possui 24 carretas equipadas com a solução.
“Tenho na Bachiega a segurança da minha operação. A Tebom já
tinha experiência em transportes de outros segmentos e escolhemos
o melhor para nossas atividades com cavaco e biomassa. Já
se passaram 14 anos e espero que venha muito mais pela frente,
pois temos segurança em saber que nossa frota é 100% Bachiega”,
reforça Walter.
Walter Tebom Junior, sócio-diretor da Tebom Transportes
equipment with frontal advance, which guarantees an even greater
load volume when compared to the traditional models on the market.
With these solutions, we can handle all forest by-products, from bark
to biomass and wood chips. If necessary, smaller logs can also be transported
and unloaded with the mobile floor,” explains Sheila Bachiega.
CUSTOMER SATISFACTION IS GUARANTEED
The Multilixo Group (MTL) is a major player in the Biomass Sector,
with an average monthly processing capacity of 25 thousand tons of
eucalyptus chips. The business partnership was initiated more than
25 years ago and has since experienced continuous growth. The initiative
commenced with the transportation of waste materials and
subsequently transitioned to the processing of wood, commencing
with the utilization of recycled chips. We have established collaborative
relationships with numerous bases that operate on a 24-hour
basis, and we selected Bachiega due to its demonstrated reliability.
Although issues are rare, the efficacy of preventative maintenance is
noteworthy, and service delivery is expeditious. Previous experience
with alternative moving floor systems has revealed challenges, including
delays and demanding maintenance requirements,” states André
Luiz Moreira Mecho, the Group’s Operations Director.
Eddie Andreotti Junior, the Group’s Production Manager, engages
in a discourse on the evolution of transportation in the context of the
introduction of the moving floor. The Company fleet is composed of
over 100 trucks that are equipped with moving floors. Historically, the
process of unloading was more arduous and prone to damage. The
present process is distinguished by its emphasis on safety and flexibility.
For instance, the complete unloading process can be completed
in 10 minutes,” states Andreotti Junior.
Walter Tebom Junior, the Managing Partner of Tebom Transportes,
is another customer who has elected to work exclusively with
Bachiega’s moving floor. The Company’s foray into the biomass market
commenced in 2012, and it currently possesses 24 trailers equipped
with the solution. “I depend on Bachiega for the security of my operation.
Tebom had already accumulated experience in transportation
in other segments. For our activities involving chips and biomass, we
selected the most suitable option,” says Tebom Junior.
Maio 2025
51
INICIATIVA
Potencial
DE CRESCIMENTO
Minas Gerais segue
na vanguarda do
crescimento das
florestas plantadas
Fotos: divulgação
52 www.referenciaflorestal.com.br
Maio 2025 53
INICIATIVA
M
inas Gerais dispõe de 15 milhões de ha (hectares)
com aptidão para projetos florestais,
dos quais 7 milhões de ha podem ser para empreendimentos
do tipo brownfield (utilização
de florestas já existentes) e 15 milhões para
projetos greenfield (novos plantios destinados à instalação de
indústrias futuras). Esses dados foram apresentados no estudo
inédito divulgado durante o evento Florestas UAI, realizado
pela Amif (Associação Mineira da Indústria Florestal) — entidade
que representa o setor de florestas plantadas no estado —
em parceria com a Malinovski.
A pesquisa foi encomendada pela SEDE-MG (Secretaria de
Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais) e pela
Invest Minas, sendo conduzida pelo Grupo Index. Para Adriana
Maugeri, presidente da Amif, “este estudo é, sem dúvida, um
divisor de águas, pois oferece um direcionamento claro para
um crescimento ordenado, sustentável e inclusivo do setor, alcançando
diversas regiões, perfis de produtores e segmentos.”
Atualmente, Minas Gerais possui cerca de 2,3 milhões de
hectares de florestas plantadas, o que representa aproximadamente
25% da área total de plantações florestais do Brasil,
além de 1,3 milhão de ha de florestas preservadas. Esse setor
movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano, gera mais de 300
mil empregos diretos e indiretos, e contribui significativamente
para as exportações mineiras com produtos como celulose, papel
e carvão vegetal sustentável.
DESTAQUES
Além da grande disponibilidade de área, o Estado se destaca
por outros fatores que reforçam sua atratividade para
investimentos: excelente disponibilidade hídrica, preços competitivos
da terra, regime tributário diferenciado, uma cadeia
de valor diversificada, e o fato de possuir a maior área plantada
de eucalipto do país. A silvicultura está presente em 811 dos
853 municípios mineiros, evidenciando sua capilaridade e importância
socioeconômica.
O estudo revela ainda que Minas Gerais oferece um dos
melhores Valores de Terra Nua do Brasil para fins florestais,
com média de R$ 9,8 mil/ha, podendo chegar a R$ 2,8 mil/ha
nas regiões mais promissoras — como o norte, noroeste e central
do Estado. Esse cenário, aliado a um clima favorável, proporciona
uma produtividade florestal competitiva, muitas vezes
superior à de outros polos já saturados, projetando Minas
como o novo destino estratégico para investimentos industriais
florestais no Brasil.
Com a recente simplificação do licenciamento ambiental,
que diminuiu o tempo para a autorização, e o aumento global
da demanda por produtos sustentáveis, o Estado se posiciona
como protagonista na transição para uma economia verde. “O
estudo vem em um momento oportuno e integra o programa
Minas Invest+ Florestas, que organiza e centraliza as ações para
desburocratizar e atualizar a legislação florestal do Estado”,
reforçou Adriana.
O diagnóstico recomenda a criação de políticas públicas
focadas em quatro eixos: melhorias logísticas, aumento da
produtividade florestal com apoio técnico e pesquisa, capacitação
de mão de obra especializada, e ampliação dos benefícios
fiscais para atrair novos investimentos. Posiciona Minas Gerais
como uma das regiões mais promissoras para a indústria florestal
no Brasil, destacando não apenas sua estrutura produtiva,
mas também seu potencial competitivo no cenário nacional e
internacional.
54 www.referenciaflorestal.com.br
MUDAS DE
Pinus taeda
TEMOS TAMBÉM
• Araucária Enxertada
Produção precoce de pinhão
• Nativas spp.
• Eucalyptus spp.
• Erva-Mate
viveiro_florestal_duffatto
BOM RETIRO - MONTE CASTELO/SC
INICIATIVA
Foto: divulgação/Amif
FLORESTAS PENSADAS
A iniciativa de comunicação e marketing marca um momento
inédito para o setor florestal brasileiro e surge como
resposta à fragmentação histórica da identidade do setor. De
acordo com a presidente da Amif, Adriana Maugeri, “Florestas
Pensadas” tem como objetivo central promover uma imagem
clara, unificada e mais conectada com a sociedade.
Durante a condução do lançamento da marca, Adriana destacou
a necessidade dessa transformação: “O posicionamento
do setor é tão importante, porque há uma crise de identidade
dentro do setor florestal brasileiro, de próprio entendimento.
Quando tenho várias possibilidades ao mesmo tempo,
fragmento o meu posicionamento, a minha comunicação e o
entendimento. Isso abre espaço para contra informações negativas,
mitos, falácias que não fazem sentido.”
O novo posicionamento busca inverter essa lógica e despertar
o orgulho dos mineiros que vivem no estado com o maior
plantio florestal do país. Com a campanha, prevista para ir ao ar
no início do próximo semestre, a Amif pretende dialogar com
o público que ainda desconhece o setor e suas contribuições.
“A persona da nossa campanha é a sociedade, é o senhor e a
senhora que não nos conhecem. Queremos conversar com o
coração dos mineiros. Para que os mineiros sintam orgulho de
ter a maior floresta plantada do Brasil”, conclui Adriana.
Além disso, a campanha trará à tona os valores de sustentabilidade,
inovação e produção responsável, destacando o papel
de Minas Gerais como líder nacional em florestas plantadas,
presente em 95% dos municípios do Estado. Minas Gerais possui
2,3 milhões de ha de florestas plantadas e 1,3 milhão de ha
de florestas conservadas, números que evidenciam a força e o
compromisso do setor.
Para o Coordenador de Comunicação da Amif, Bruno
Menezes, “Florestas Pensadas” traz um conceito completo:
Este estudo é, sem dúvida, um
divisor de águas, pois oferece
um direcionamento claro para
um crescimento ordenado,
sustentável e inclusivo do setor,
alcançando diversas regiões,
perfis de produtores e segmentos
Adriana Maugeri,
presidente da Amif
pensadas para cuidar, pensadas para produzir. Afinal, trata-se
da atividade econômica que mais planta, produz e conserva
em altíssima escala no Estado, demonstrando que é possível
aliar desenvolvimento e preservação ambiental com eficiência
e responsabilidade. “Os plantios florestais mineiros devem ser
compreendidos não apenas como um espaço de produção, mas
como símbolos de cuidado, ciência e desenvolvimento sustentável.
É um chamado ao reconhecimento e à valorização de um
setor vital para o país”, complementa Bruno.
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Manejo
NA CLASSE
Seminários da Amazônia
discutem soluções sustentáveis
para a indústria madeireira
Fotos: divulgação e Tarcisio Schnaider
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D
urante a IV edição dos Seminários da
Amazônia, o Inpa (Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia) recebeu
o renomado pesquisador do Inpa,
Niro Higuchi, que apresentou avanços
científicos e tecnológicos no campo do manejo
florestal sustentável. Em sua palestra, Niro destacou
os resultados do Projeto INCT (Institutos Nacionais
de Ciências e Tecnologia) Madeiras da Amazônia,
iniciativa que integra ciência, inovação e parcerias
institucionais visando enfrentar os desafios da indústria
madeireira na região.
Segundo o pesquisador, esse modelo não é
sustentável. “Os dados atuais indicam um cenário
preocupante: entre 60% e 70% de uma tora de
árvore são desperdiçados, sendo menos de 30%
aproveitado pela indústria”, garante Niro. A solução,
segundo ele, está no investimento em tecnologia e
pesquisa aplicada.
A partir do trabalho desenvolvido no LMF (Laboratório
de Manejo Florestal), novas ferramentas vêm
sendo aplicadas para melhorar o uso dos recursos
florestais. Entre elas, destacam-se sensores, drones
e algoritmos, que ajudam a mapear, monitorar e
otimizar o processo de extração e transformação da
madeira. Essa abordagem tecnológica permite não
apenas reduzir o desperdício, mas também aumentar
a produtividade de forma responsável com o
meio ambiente.
Além disso, o LMF tem desenvolvido alternativas
sustentáveis para o aproveitamento de resíduos
florestais, com aplicações voltadas à construção civil,
ao setor moveleiro e à educação ambiental. Um dos
exemplos mais inovadores é a transformação de madeiras
de pequeno diâmetro — oriundas de árvores
naturalmente caídas — em painéis interativos de
escalada. “No Bosque da Ciência, como um exemplo
do projeto, foi instalado um muro de escalada inte-
Maio 2025
59
MANEJO
rativo. O painel é feito de lamelas cruzadas com cavilhas
(PLCC). Lamelas são pequenas tábuas e cavilha
é o elemento de ligação de madeira (tipo prego)”,
explica Niro.
As espécies utilizadas nas lamelas, cavilhas e
agarras são abundantes na floresta amazônica, mas
ainda pouco conhecidas comercialmente. “Para
garantir a segurança do muro de escalada, o INCT
– Madeiras da Amazônia teve que engenheirar o
painel”, completa o Niro. O projeto também prevê
parcerias com a Seduc e a Semed, já que a escalada
é um projeto para fazer parte do processo interativo
da grade curricular do ensino fundamental e médio.
Outro foco das pesquisas é o estudo da biomassa
e dos estoques de carbono da floresta. “Após
derrubar e pesar mais de 500 árvores (raízes, inclusive),
nós conseguimos desenvolver um modelo
estatístico que estima a biomassa da árvore viva
em pé com uma incerteza de 5%. Do material coletado,
estimamos os teores de água e carbono das
diferentes partes (raízes, tronco, galhos e folhas) da
Os dados atuais indicam um
cenário preocupante: entre
60% e 70% de uma tora de
árvore são desperdiçados,
sendo menos de 30%
aproveitado pela indústria
Niro Higuchi, pesquisador do Inpa
60 www.referenciaflorestal.com.br
MANEJO
árvore”, afirma Higuchi. Com base nesses dados, foram
realizados inventários de biomassa em diversos
municípios do Amazonas para estimar o estoque de
carbono das florestas estaduais.
Com isso, parcelas permanentes vêm sendo monitoradas
para calcular as variações desses estoques
ao longo do tempo, o que permite avaliar o sequestro
de carbono — processo crucial para entender e
mitigar as mudanças climáticas. “Estoques e sequestros
de carbono das florestas do Amazonas estão
equacionados”, reforça o pesquisador.
Os estudos também avançam na análise da troca
gasosa entre as árvores e a atmosfera. “Depois
de monitorar 87 árvores durante 855 dias, temos a
primeira estimativa, que é 14 vezes — ou seja, as árvores
trocam com a atmosfera 14 vezes o peso delas
em água. A capacidade de troca em relação ao CO₂
está muito próxima”, explica Higuchi. Essa pesquisa
deve ser validada em áreas da ZF2, além de FLONAs
(Florestas Nacionais) no Amapá, Pará e Rondônia.
“Essas pesquisas relacionadas com serviços ecossistêmicos
têm que convergir para o manejo florestal
sustentável, para agregar mais valor à madeira e
para a modelagem do clima global”, completa Niro,
destacando que essa última etapa é feita em parceria
com o Lawrence Berkeley National Laboratory, do
Departamento de Energia dos EUA (Estados Unidos
da América), e com forte participação de discentes
da pós-graduação.
A integração entre ciência, tecnologia e educação
reafirma o compromisso da instituição com a
sustentabilidade da Amazônia. Projetos como o INCT
Madeiras da Amazônia mostram como é possível
desenvolver soluções que conciliem conservação
ambiental e desenvolvimento socioeconômico na
região.
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A LETRA DA LEI
A política nacional de
resíduos sólidos e os
resíduos orgânicos
Fotos: divulgação
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APNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos)
no Brasil abrange tanto os resíduos urbanos
quanto os rurais, estabelecendo diretrizes
para a gestão integrada e o manejo ambientalmente
adequado desses materiais. Os resíduos
orgânicos, que incluem restos de alimentos, resíduos
de jardinagem e outros materiais biodegradáveis, representam
uma parcela significativa dos resíduos gerados tanto
em áreas urbanas quanto rurais.
Em áreas urbanas, a PNRS incentiva a compostagem e a
reciclagem dos resíduos orgânicos, promovendo a redução
do volume de lixo enviado aos aterros sanitários e contribuindo
para a produção de fertilizantes naturais. Além
disso, a separação correta dos resíduos orgânicos é essencial
para evitar a contaminação dos materiais recicláveis,
aumentando a eficiência dos processos de reciclagem.
Nas zonas rurais, a gestão dos resíduos orgânicos
é igualmente importante. A PNRS prevê a utilização de
técnicas de compostagem e a implementação de práticas
sustentáveis para o tratamento dos resíduos provenientes
da agricultura e da pecuária. Essas práticas não só ajudam
a reduzir o impacto ambiental, mas também podem melhorar
a qualidade do solo e aumentar a produtividade
agrícola.
Em suma, os resíduos orgânicos urbanos e rurais são
uma parte crucial da PNRS, que busca equilibrar o desenvolvimento
econômico com a preservação ambiental, criando
um ciclo sustentável de gestão de resíduos.
• A gestão de resíduos orgânicos na silvicultura
e na agroindústria
A gestão de resíduos orgânicos na silvicultura e na
agroindústria é um elemento essencial para promover a
sustentabilidade e o equilíbrio ambiental. Este setor, caracterizado
pela produção de bens agrícolas e florestais,
gera uma quantidade significativa de resíduos orgânicos
que, se corretamente manejados, podem contribuir para a
fertilidade do solo, a redução da poluição e o aumento da
produtividade.
• Compostagem na silvicultura
A compostagem na silvicultura pode ser realizada de
várias maneiras. Uma das técnicas mais eficientes é a compostagem
laminar manejado, onde os resíduos são deixados
na própria área de cultivo para decomposição natural
com manejo adequado para uma decomposição aeróbica.
Este método não só reduz o custo de transporte dos resíduos,
mas também garante que os nutrientes permaneçam
Maio 2025
65
COMPOSTAGEM
Este método não só reduz
o custo de transporte dos
resíduos, mas também
garante que os nutrientes
permaneçam no próprio
ecossistema
no próprio ecossistema. A compostagem em pilhas e a vermicompostagem
são outras práticas utilizadas, cada uma
com suas vantagens específicas dependendo do tipo de
solo e vegetação.
• Resíduos orgânicos na agroindústria
A agroindústria, que inclui a produção e processamento
de alimentos agrícolas, gera uma vasta gama de resíduos
orgânicos, tais como restos de frutas e vegetais, cascas,
sementes e bagaços. A gestão eficiente desses resíduos é
crucial para minimizar impactos ambientais e maximizar
recursos.
A agroindústria utiliza várias técnicas para tratar resíduos
orgânicos. A compostagem industrial é uma prática
amplamente adotada, onde grandes quantidades de resíduos
são transformadas em composto orgânico de alta qualidade.
A digestão anaeróbia é outra técnica eficaz, onde
os resíduos são convertidos em biogás através da ação de
microrganismos em ambientes sem oxigênio. Este biogás
pode ser utilizado como fonte de energia renovável, e o digestato
resultante pode ser usado como fertilizante.
A reciclagem de nutrientes na agroindústria envolve a
recuperação de elementos essenciais como nitrogênio, fósforo
e potássio dos resíduos orgânicos. Estes nutrientes são
então reutilizados na produção agrícola, fechando o ciclo de
sustentabilidade. Técnicas como a extração química e biológica
são utilizadas para separar e purificar esses nutrientes,
que são posteriormente convertidos em fertilizantes de alta
qualidade. Além disso, técnicas de compostagem são amplamente
empregadas para transformar resíduos orgânicos
em composto, rico em nutrientes e benéfico para o solo.”
• Conclusão
A gestão de resíduos orgânicos na silvicultura e na
agroindústria é uma área rica em possibilidades e essencial
para a promoção da sustentabilidade ambiental. Ao adotar
práticas de compostagem, aproveitamento de biomassa,
tratamento de resíduos e reciclagem de nutrientes, esses
setores não só contribuem para a preservação do meio
ambiente, como também melhoram sua própria eficiência
produtiva e econômica. Com o apoio das políticas públicas
e a conscientização da comunidade, é possível criar um
ciclo virtuoso de gestão de resíduos que beneficia todos os
envolvidos.
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SILVICULTURA
Caravana
DA SILVICULTURA
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Expedição inédita
vai mapear
produtividade
de florestas
cultivadas do
Brasil
Fotos: divulgação
Maio 2025
69
SILVICULTURA
Aprimeira edição da Expedição Silvicultura tem
como meta coletar dados e entregar um levantamento,
sem precedentes, sobre a produtividade
das plantações florestais no Brasil. A
iniciativa visa aprofundar o entendimento das
condições e desafios da produção florestal no país. Todo
o roteiro está previsto para acontecer entre os meses de
junho a agosto de 2025, quando especialistas vão percorrer
mais de 40 mil km (quilômetros) pelas principais regiões
produtoras em 16 Estados do país, coletando informações
em cerca de 40 mil pontos de controle.
Também serão visitadas centenas de propriedades,
onde serão realizadas entrevistas com proprietários e gestores
florestais, além da coleta de dados quantitativos e
qualitativos em cerca de 1 mil parcelas amostrais. As equipes
especializadas vão utilizar em campo a combinação de
métodos tradicionais e tecnologias avançadas para garantir
a precisão e a riqueza dos dados coletados, que vão analisar
áreas de cultivo de eucalipto e pinus, além de espécies
de destaque regional como teca, acácia-negra, araucária,
entre outras. Serão coletados dados biofísicos das árvores,
como diâmetro, altura e sanidade, além de informações
CIDADES E DATAS DOS EVENTOS:
Porto Alegre (RS): 05/06/25
Lages (SC): 12/06/25
Curitiba (PR): 17/06/25
Belo Horizonte (MG): 25/06/25
Vitória (ES): 01/07/25
Eunápolis (BA): 08/07/25
Lucas do Rio Verde (MT): 25/07/25
Três Lagoas (MS): 31/07/25
Botucatu (SP): 06/08/25
sobre práticas de manejo, incluindo o uso de insumos e
tecnologias.
Além de levantar dados de produtividade florestal, a
iniciativa investigará tendências de investimento, custos de
produção e as percepções e expectativas dos produtores.
Também serão avaliadas as práticas socioambientais adotadas
nas diferentes regiões, bem como os impactos das
mudanças climáticas sobre a produção florestal. “A produtividade
florestal é um indicador estratégico para o setor,
pois afeta diretamente a previsibilidade do abastecimento
de madeira e serve como base para a tomada de decisões,
que têm reflexos no médio e longo prazo dos negócios
florestais”, aponta Fabio Gonçalves, Cofundador & CEO da
Canopy Remote Sensing Solutions, organizadora da Expedição.
70 www.referenciaflorestal.com.br
A Embrapa vai contribuir com o apoio técnico no planejamento
da coleta, na análise dos dados e na produção
do relatório técnico final, em áreas como sensoriamento
remoto, mensuração e manejo florestal, economia e planejamento
florestal, proteção florestal, fertilidade e manejo
de solos florestais e melhoramento florestal. “Entendemos
que estes dados são estratégicos para o setor de base florestal
brasileiro, mas também podem subsidiar novas ações
de pesquisa e inovação”, avalia Edina Moresco, chefe de
Transferência de Tecnologia da Embrapa Florestas.
Durante o trajeto, que começa no Rio Grande do Sul
e finda no interior de São Paulo, serão realizados nove
eventos presenciais, quando serão discutidos tópicos importantes
da produção florestal em cada região, bem como
soluções que permitem o aumento da produtividade, com
qualidade. “Os locais foram escolhidos em parceria com
as associações regionais que são parceiras da expedição. A
programação dos encontros presenciais contará com palestras
e participação de renomados especialistas de empresas
e instituições do setor, uma experiência ímpar para quem
visa se atualizar, agregar conhecimento e networking”, informa
Paulo Cardoso, CEO da Paulo Cardoso Comunicações
e do portal Mais Floresta, parceiro na realização da Expedição
Silvicultura.
Entendemos que estes
dados são estratégicos
para o setor de base
florestal brasileiro, mas
também podem subsidiar
novas ações de pesquisa e
inovação
Edina Moresco, chefe de
Transferência de Tecnologia da
Embrapa Florestas
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conforme modelo ou amostra,
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qualidade;
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utilização de até 20
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• Diâmetro externo e encaixe
central de acordo com
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71
ARTIGO
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ANÁLISE DA LUCRATIVIDADE NOS
MUNICÍPIOS BRASILEIROS
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UEM (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ)
JOSÉ LUIZ PARRÉ
UEM (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ)
Foto: divulgação
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Maio 2025 73
ARTIGO
RESUMO
E
ste estudo propõe analisar se a presença
de silvicultura em estabelecimentos
agropecuários de forma geral, de lavoura
temporária e de pecuária eleva a lucratividade
dessas respectivas atividades
nos municípios brasileiros. Para isso, foram utilizados
dados do Censo Agropecuário de 2017 para os 5.570
municípios do Brasil. A aplicação de modelos espaciais
ajuda a capturar a questão da dependência espacial
entre os dados, enquanto a utilização de modelos
logísticos ajustados fornece robustez às relações
encontradas entre as integrações produtivas e a lucratividade.
Os resultados encontrados com a amostra
irrestrita mostram que a presença da silvicultura em
estabelecimentos agropecuários de forma geral e
de pecuária eleva as suas respectivas lucratividades.
Além disso, foram feitas regressões por regimes espaciais,
em que se averiguou a manutenção da direção
dos efeitos positivos e significativos em algumas
regiões brasileiras. No caso do efeito da presença de
silvicultura em estabelecimentos de lavoura tempo-
rária, não é significativo na amostra geral, mas é, em
algumas regiões, significativo nas subamostras.
INTRODUÇÃO
Diante do avanço de problemas climáticos, como
a elevação da temperatura média global e alteração
na precipitação em determinados locais, a atenção
dos formuladores de políticas econômicas está progressivamente
voltada para questões ambientais,
como a redução da emissão de GEE (gases de efeito
estufa) (Fernandes & Finco, 2014). As mudanças
climáticas influenciam a produtividade agrícola em
todo o mundo, e caso não sejam adotadas medidas
de controle de emissão de GEE, a queda na produtividade
agrícola poderá ser muito maior nas próximas
décadas (Cuadra et al., 2018). Variações positivas e
imprevistas no nível médio da temperatura tendem
a influenciar de maneira negativa os lucros agrícolas
(Zeilinger et al., 2021).
Como alicerce legal, o estabelecimento da Resolução
70/1 da ONU (Organização das Nações Unidas)
74 www.referenciaflorestal.com.br
em 2015, fundamentando a Agenda 2030 para o
desenvolvimento sustentável, foi um marco para políticas
de sustentabilidade, uma vez que visa o enfrentamento
de mudanças climáticas e a adaptação de
suas possíveis causas. As metas 13.1 e 13.2 dos ODS
(Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) procuram
reforçar a resiliência e a capacidade de adaptação a
riscos relacionados ao clima e às catástrofes naturais
em todos os países e integrar medidas da mudança
do clima nas políticas, estratégias e planejamentos
nacionais.
Além da necessidade de redução de desmatamento,
tornou-se importante o reflorestamento de áreas
desmatadas ou até mesmo o avanço da arborização
em áreas onde o manejo animal afetou o solo. Diante
disso, a ILPF (integração lavoura-pecuária-floresta) se
tornou uma alternativa que harmoniza as necessidades
e os objetivos dos sistemas de produção, sendo
essas ferramentas possíveis não somente na configuração
agrossilvipastoril, mas também nas configurações
silviagrícolas, silvipastoris e agropastoril (Vilela et
al., 2012).
A aplicação de modelos
espaciais ajuda a capturar a
questão da dependência espacial
entre os dados, enquanto a
utilização de modelos logísticos
ajustados fornece robustez às
relações encontradas entre
as integrações produtivas e a
lucratividade
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ARTIGO
A ILPF é uma técnica que intensifica o uso do fator
de produção terra e permite que haja a recuperação
paulatina do solo a cada ciclo produtivo, contribuindo
com a elevação da produtividade e gerando benefícios
socioambientais (Cuadra et al., 2018). Além de benefícios
ambientais, as integrações podem trazer consigo
benefícios tecnológicos e econômicos, como versatilidade
para sua aplicação em diferentes unidades de
produção, eficiência na utilização de insumos, redução
dos custos para a produção animal, elevação de renda
dos estabelecimentos rurais e conciliação entre meio
ambiente e atividade produtiva (Balbino et al., 2011).
Mesmo que possa haver divergência na definição
técnica de sistemas agroflorestais e ILPF em algumas
fontes de dados disponibilizados, os dados do Censo
Agropecuário fornecem informações sobre a presença
de silvicultura em estabelecimentos agropecuários de
forma geral, bem como os de lavoura temporária ou
pecuarista. No Brasil, existem 299.698 estabelecimentos
agropecuários, de forma geral, que incorporam
algum tipo de integração com a silvicultura em suas
A ILPF é uma técnica que
intensifica o uso do fator de
produção terra e permite que
haja a recuperação paulatina
do solo a cada ciclo produtivo,
contribuindo com a elevação
da produtividade e gerando
benefícios socioambientais
76 www.referenciaflorestal.com.br
atividades, ou seja, são estabelecimentos que podem
estar em alguma das configurações silviagrícolas,
silvipastoris ou agrossilvipastoris. Além disso, existe o
indício de que a maioria desses estabelecimentos, em
relação aos estabelecimentos totais, está concentrada
na região sul, onde 23,86% dos estabelecimentos
agropecuários praticam algum tipo de integração com
a silvicultura (IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística, 2017).
Diante da importância dessa ferramenta para um
modelo de produção agropecuária baseado em sustentabilidade,
é importante verificar empiricamente
se a presença de silvicultura em estabelecimentos
agropecuários aumenta a lucratividade dos produtores,
uma vez que o nível de lucro advindo das integrações
pode ser um determinante para adoção ou
rejeição dos sistemas integrados da agropecuária com
a silvicultura.
Portanto, esta pesquisa analisa se a presença de
silvicultura em estabelecimentos agropecuários impacta
positivamente a variável de lucratividade agropecuária
geral ao nível municipal (em que se consideram
todos os tipos de estabelecimentos agropecuários
disponíveis no Censo Agropecuário). Além disso,
busca-se verificar também se a silvicultura tem efeito
positivo sobre a lucratividade de lavoura temporária e
de pecuária. Ademais, são feitas regressões logísticas
e por regimes espaciais para verificar a manutenção
da robustez dos efeitos encontrados com a amostra irrestrita.
Este estudo considera questões espaciais, ao
nível municipal do Brasil, para o ano de 2017. Salienta-se
que essa configuração de estudo, ponderando
efeitos espaciais, foi pouco explorada pela literatura
sobre o tema até então.
Este estudo está dividido em cinco seções. Além
desta introdução, o segundo tópico aborda brevemente
a relação entre as adaptações produtivas da
agropecuária e a lucratividade agropecuária na literatura.
A terceira seção trata da metodologia. A quarta
subseção é responsável por apresentar o panorama
atual das integrações produtivas com a silvicultura e
das lucratividades agropecuárias, além disso, apresenta
os resultados deste artigo, e por fim, a última seção
aborda as considerações finais.
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AGENDA
AGENDA 2025
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2025
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X Workshop PCMF
Data: 20 a 22
Local: Piracicaba (SP)
Informações:https://www.ipef.br/
eventos/evento.aspx?id=577
MAIO
2025
MAI
2025
LIGNA
A Ligna não é apenas o lugar para descobrir inovações,
fechar negócios e construir redes. Além da exposição
em si, a feira oferece diversos formatos especiais
para todo o espectro da indústria de marcenaria e
processamento de madeira. Mais de 80 mil visitantes
profissionais dos setores de marcenaria e processamento
de madeira vêm à Ligna, a principal feira mundial de
equipamentos, máquinas e ferramentas para marcenaria
e processamento de madeira, vindos de todo o mundo
para descobrir máquinas, equipamentos e tecnologias
inovadoras de toda a indústria madeireira. Uma edição
marcada pelo 50º aniversário da maior feira mundial do
segmento de base florestal.
Ligna
Data: 26 a 30
Local: Hannover (Alemanha)
Informações:
https://www.ligna.de/en/
Imagem: reprodução
Show Florestal 2025
Data: 19 a 21
Local: Três Lagoas (MS)
Informações:
https://www.showflorestal.com.br/
AGOSTO
2025
AGO
2025
SHOW FLORESTAL
O Show Florestal tem como objetivo impulsionar
o crescimento do mercado industrial de florestas
plantadas, fomentar a inovação e gerar novos
negócios. A edição de 2025 já conta com mais de 120
expositores confirmados. O Estado de Mato Grosso
do Sul vem recebendo investimentos significativos
por grandes empresas que atuam no setor florestal.
Atualmente, o estado tem a segunda maior área
plantada com eucalipto no Brasil. São 1.329.132 ha
(hectares) atrás apenas de Minas Gerais.
78 www.referenciaflorestal.com.br
A Feira da Indústria do Eucalipto
Três Lagoas - MS
19 a 21
Agosto
de 2025
Organização:
Apoio Master:
/showflorestal
www.showflorestal.com.br
/showflorestal
ESPAÇO ABERTO
Foto: divulgação
Gestão
MODERNIZADA
Por Wagner Nogueira Junior, formado
em Administração pela Universidade
de Viçosa (MG) e tem MBA em
Administração e Recursos Humanos
pela Fundação Getúlio Vargas e PUC-
SP (Pontifícia Universidade Católica),
além de especialização em gestão em
Stanford, nos EUA (Estados Unidos da
América). Atua com gerente senior de
RH da Tenda há 5 anos
IA na gestão de pessoas: o
futuro dos recursos humanos
AIA (inteligência artificial) tem mudado radicalmente diversos
setores, e a gestão de pessoas não é exceção. Nos últimos
anos, presenciamos uma revolução tecnológica que afetou diretamente
a maneira como atraímos, desenvolvemos e retemos
talentos. No entanto, apesar do crescente entusiasmo, a
adoção efetiva e o sucesso real dessa tecnologia em RH (recursos humanos)
enfrentam diversos desafios.
Neste artigo, explorarei detalhadamente as oportunidades, desafios,
casos reais e tendências futuras do uso da IA no RH, tendo como base a
análise feita pela consultoria Gartner, em seu relatório: AI in HR: Hits, Misses
and Growing Pains; além de detalhar o prisma de casos de uso para
gestão de capital humano.
A Gartner apresenta um prisma que posiciona aplicações de IA no RH
com base em dois eixos: valor de negócio e viabilidade técnica. As aplicações
vão desde assistentes virtuais para recrutamento até ferramentas
sofisticadas de gestão de competências e feedback de desempenho. Destaquei
três grandes áreas identificadas pela Gartner, amplamente valorizadas
pelos gestores de RH atualmente: Recrutamento com IA, Assistentes Virtuais
de RH e Gestão de Competências com IA.
Recrutamento com IA: O recrutamento foi uma das primeiras funções
de RH a se beneficiar de IA. A automação de entrevistas, seleção de currículos
por algoritmos, assistentes virtuais para candidatos e insights sobre o
mercado de trabalho são algumas das aplicações já amplamente adotadas.
Empresas como Unilever e Amazon demonstraram resultados impressionantes,
reduzindo drasticamente o tempo de contratação e otimizando a
experiência dos candidatos através de processos simplificados e ágeis.
Assistentes Virtuais de RH: interação e satisfação do usuário - os assistentes
virtuais de RH oferecem aos colaboradores uma interface amigável
para solucionar dúvidas e realizar tarefas administrativas. Empresas como
IBM, com o assistente virtual Watson, já provaram que é possível melhorar
significativamente o engajamento dos funcionários e gestores com o RH.
Gestão de Competências com IA: Grandes organizações têm obtido
sucesso ao implementar sistemas que utilizam IA para gerenciar competências
de forma dinâmica. A IA viabiliza mobilidade interna, indicações precisas
para projetos e mentorias, e alinhamento de carreira. IBM e Microsoft,
por exemplo, já implementaram com sucesso sistemas de competências
baseados em IA para direcionar treinamentos personalizados e oportunidades
internas.
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Implementar IA em RH não é uma jornada simples, mas suas promessas
são grandiosas. Gestores e líderes de RH devem adotar uma abordagem
estratégica:
• Avaliar a maturidade da organização e das tecnologias disponíveis;
• Investir continuamente em educação e acompanhamento regulatório;
• Garantir a ética e transparência dos algoritmos e processos;
• Colocar experiência do usuário como prioridade máxima.
À medida que IA evolui, organizações que fizerem o melhor uso dessas
ferramentas se destacarão não apenas em eficiência operacional, mas
principalmente na capacidade de atração, desenvolvimento e retenção de
talentos excepcionais. Este é o futuro que desejamos construir, um futuro
em que a tecnologia sirva como alavanca essencial para a humanização e
excelência organizacional.
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