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Florestal_273Web

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DESTAQUE

Entrevista: mecanização florestal é potencializada no trabalho do professor Samuel de Assis

TRADIÇÃO E EXCELÊNCIA

EMPRESA CELEBRA 50 ANOS DE HISTÓRIA E

VANGUARDA NO TRANSPORTE FLORESTAL

TRADITION AND EXCELLENCE

COMPANY CELEBRATES 50 YEARS

AT THE FOREFRONT OF FOREST

PRODUCT TRANSPORTATION




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SUMÁRIO

46

BACHIEGA

CELEBRA 50

ANOS

MAIO 2025

10 Editorial

12 Cartas

14 Bastidores

16 Notas

28 Frases

30 Entrevista

44 Coluna

46 Principal

52 Iniciativa

58 Manejo

64 Compostagem

68 Silvicultura

72 Artigo

78 Agenda

80 Espaço Aberto

52

64

ANUNCIANTES DA EDIÇÃO

11 BKT

12 Bruno

45 Carrocerias Bachiega

63 Composhow

71 D’Antonio Equipamentos

17 Denis Cimaf

02 Dinagro

23 DRV Ferramentas

55 Duffatto Viveiro Florestal

57 Eloforte

43 Engeforest

84 Envimat

21 Envimat/CBI

67 Envimat/Compostagem

09 Envu

61 Francio Soluções Florestais

75 Fratex

04 Himev

35 J de Souza

39 Lufer Forest

81 Prêmio Referência 2025

41 Raptor Florestal

33 Rocha Facas

19 Rodovale

15 Rotary-Ax

25 Rotor Equipamentos

79 Show Florestal

82 Sparta Brasil

29 Tecmater

77 Terra Solo Seguros

06 Tracbel

31 Vantec

37 Vermeer Brasil

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O Herbicida seletivo da Envu para impedir as daninhas

desde o início e em todas as épocas do ano

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Seletividade

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desenvolvimento

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EDITORIAL

Árvores fortes

Assim como uma árvore precisa de raízes fortes para crescer e

enfrentar as intempéries, uma empresa no mercado florestal precisa

construir um respaldo sólido para se manter competitiva e relevante.

Esse respaldo se forma com ética, compromisso técnico, investimento

em inovação e respeito ao meio ambiente. Tal como o tronco

sustenta os galhos e folhas, a reputação construída com consistência

sustenta relações comerciais duradouras, abrindo espaço para novos

frutos: parcerias, expansão e reconhecimento no setor. Nessa edição,

celebramos os 50 anos da Carrocerias Bachiega, empresa referência

no segmento de pisos móveis para transporte florestal, as novidades

sobre manejo florestal, um novo movimento sobre produtividade

de silvicultura, informações sobre ILPF (Integração Lavoura Pecuária

Floresta) e uma entrevista exclusiva com o professor Samuel de Assis,

que lidera o LabMap (Laboratório de Mecanização e Agricultura de

Precisão e Digital). Trabalho que tem aberto portas para maior assertividade

nas decisões na silvicultura. Uma ótima leitura!

2

1

Na capa dessa edição a

Bachiega, especialista em piso

móvel celebrando 50 anos

A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

www.referenciaflorestal.com.br

Ano XXVII • Nº273 • Maio 2025

DESTAQUE

Entrevista: mecanização florestal é potencializada no trabalho do professor Samuel de Assis

TRADIÇÃO E EXCELÊNCIA

EMPRESA CELEBRA 50 ANOS DE HISTÓRIA E

VANGUARDA NO TRANSPORTE FLORESTAL

TRADITION AND EXCELLENCE

COMPANY CELEBRATES 50 YEARS

AT THE FOREFRONT OF FOREST

PRODUCT TRANSPORTATION

STRONG TREES

Just as a tree needs strong roots to grow and withstand bad

weather, a company in the forest industry needs to build a solid

foundation to remain competitive and relevant. This foundation is

built on ethics, technical commitment, investment in innovation, and

respect for the environment. Just as the trunk supports the branches

and leaves, a reputation built on consistency sustains long-term

business relationships and makes room for new fruits: partnerships,

expansion, and industry recognition. In this issue, we celebrate the

50th anniversary of Carrocerias Bachiega, a benchmark company

in the field of mobile flooring for forest transport, news on forest

management, a new movement in forestry productivity, information

on Crop-Livestock-Forest Integration (Ilpf) and an exclusive interview

with Professor Samuel de Assis, who heads Laboratory of Mechanization

and Precision and Digital Agriculture (LabMap). This work has

opened doors to more confident decision-making in forestry. Pleasant

reading!

Entrevista com o

professor Samuel de

Assis, que lidera o

LabMap

Soluções sustentáveis para a

indústria madeireira

3

EXPEDIENTE

ANO XXVII - EDIÇÃO 273 - MAIO 2025

Diretor Comercial / Commercial Director

Fábio Alexandre Machado

fabiomachado@revistareferencia.com.br

Diretor Executivo / Executive Director

Pedro Bartoski Jr

bartoski@revistareferencia.com.br

Redação / Writing

Vinicius Santos

jornalismo@revistareferencia.com.br

Colunista

Cipem

Gabriel Dalla Costa Berger

Depto. de Criação / Graphic Design

Fabiana Tokarski - Supervisão

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criacao@revistareferencia.com.br

Tradução / Translation

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comercial@revistareferencia.com.br

fone: +55 (41) 3333-1023

Depto. de Assinaturas / Subscription

assinatura@revistareferencia.com.br

José A. Ferreira

(41) 99203-2091

ASSINATURAS

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A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira,

instituições de pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais,

ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor

Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em

matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais

de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,

armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos

textos, fotos e outras criações intelectuais da Revista REFERÊNCIA são

terminantemente proibidos sem autorização escrita dos titulares dos

direitos autorais, exceto para fins didáticos.

Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication

directed at the producers and consumers of the good and services of the

lumberz industry, research institutions, university students, governmental

agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked

to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself

responsible for the concepts contained in the material, articles or columns

signed by others. These are the exclusive responsibility of the authors,

themselves. The use, reproduction, appropriation and databank storage

under any form or means of the texts, photographs and other intellectual

property in each publication of Revista REFERÊNCIA is expressly prohibited

without the written authorization of the holders of the authorial rights.

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CARTAS

Capa da Edição 272 da

Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,

mês de abril de 2025

A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

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DESTAQUE

Entrevista: Renato Rosenberg apresenta planos e metas para concessões florestais no Brasil

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SUPRESSÃO VEGETAL EM

QUALQUER TERRENO

CHEGA AO BRASIL

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Ano XXVII • Nº272 • Abril 2025

ABSOLUTE HEAVYWEIGHT

ROBUST EQUIPMENT TO TRANSFORM

VEGETATION SUPPRESSION IN ANY

TERRAIN ARRIVES IN BRAZIL

PRINCIPAL

Por César Costa, Sorocaba (SP)

Inovação e coragem fazem parte do segmento florestal. Essas novidades que a

Sparta traz para o Brasil podem melhorar muito a operação no campo!

ENTREVISTA

Foto: Emanoel Caldeira

Por Pedro Olivetti, Cuiabá (MT)

A função do Renato é muito importante para o desenvolvimento da

economia verde e que possa ampliar ainda mais as áreas de concessão.

COMPOSTAGEM

Por Roberto Monteiro Alves, São Paulo (SP)

Esse segmento é muito importante para valorizar o ciclo completo da floresta.

Aproveitar cada recurso é a chave para melhorar a estrutura da silvicultura.

Foto: divulgacão

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Revista Referência Florestal

@referenciaflorestal

@revistareferencia9702

E-mails, críticas e sugestões podem ser

enviados também para redação

jornalismo@revistareferencia.com.br

Mande sua opinião sobre a Revista REFERÊNCIA FLORESTAL

ou a respeito de reportagem produzida pelo veículo.


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cada dia é uma nova chance de fazer diferente. Foi assim que nasceu o Titan não apenas

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BASTIDORES

Revista

Foto: Emanoel Caldeira

Foto: divulgação

PRODUÇÃO

Reportagem da Revista REFERÊNCIA, entrevistando

Frans de Raad, CEO da Cargo Floor, durante a produção

da matéria de capa desta edição da REFERÊNCIA

FLORESTAL na nova fábrica da Bachiega, em Rafard (SP).

PODCAST

O diretor do Grupo Index, Rodrigo de Almeida, esteve

participando do Podcast REFERÊNCIA, e foi recebido no

estúdio da JOTA Editora, pelos diretores Fábio Machado

e Pedro Bartoski Jr.

ALTA

ALÍVIO FINANCEIRO

A Petrobras cortou duas vezes o preço do diesel

nas refinarias, somando R$ 0,29 o desconto por

litro. A expectativa é que isso alivie a inflação, já

que o combustível tem impacto direto no transporte

de cargas e passageiros. Mas essa redução

não chega de forma imediata, nem integral ao

bolso do consumidor. Na primeira quinzena de

abril, o diesel S-10, mais utilizado no país, teve

queda média de 1,36%, segundo o Panorama Veloe

de Indicadores de Mobilidade. Isso representa

uma redução de aproximadamente R$ 0,09 nas

bombas. A média nacional teve um recuo para R$

6,39 por cada litro, abaixo dos R$ 6,54 mostrados

na apuração de fevereiro.

MAIO 2025

AMAZÔNIA DEGRADADA

As áreas desmatadas da Amazônia tiveram um aumento

de 18% nos primeiros oito meses do chamado: calendário

do desmatamento; período que por causa do regime

de chuvas no bioma vai de agosto de um ano a julho do

ano seguinte. Conforme dados do monitoramento por

imagens de satélite do instituto de pesquisa Imazon, a

derrubada passou de 1.948 km² entre agosto de 2023 e

março de 2024 para 2.296 km² entre agosto de 2024 e

março de 2025. Uma área maior do que Palmas (TO). O

principal responsável por isso foi o fogo: Por causa dos

incêndios a degradação florestal entre agosto de 2024

e março de 2025 também foi a maior da série histórica,

que iniciou em 2008.

BAIXA

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NOTAS

Podcast REFERÊNCIA

Durante o mês de abril o estúdio do Podcast REFERÊNCIA teve a alegria de receber convidados muito importantes para o desenvolvimento

do segmento de base florestal madeireira. Os entrevistados desses episódios foram Rodrigo da Silva (foto de cima), sócio

administrador da Rota Madeiras, que apresenta soluções em madeira sustentável. O outro convidado foi Marco Antonio Balvedi

(foto de baixo), diretor comercial da Sincol, indústria de portas da cidade de Caçador. Os episódios tiveram o apoio da MBM Business

School, Effisa, Polecola e Rotary-Ax.

Rodrigo que é formado em odontologia seguiu para o caminho da madeira nativa por conta de seu pai, que já atuava no segmento

do fornecimento de madeira nativa serrada para os

grandes centros desde os anos 1980. “A Rota Madeiras está

intrinsecamente ligada à nossa família. A empresa tem meu

nome e o nome da minha irmã no nome (Rodrigo e Tatiane).

A Rota foi fundada em 2000, mas meu pai, desde 1987, trazia

madeira do Paraguai e posteriormente do Mato Grosso”,

relata Rodrigo.

Sobre as mudanças do mercado, Rodrigo conta que

a Rota tem passado por um período de transição, pois as

demandas do mercado têm aparecido de forma diferente

e isso tem exigido mudanças estruturais. “Trabalhamos

historicamente no segmento de empresa para empresas e

agora temos aberto possibilidades para o consumidor final.

Isso exige mudanças com nosso time de atendimento, da

forma de lidar com prazos e formas de entrega. Para um

lojista ou uma construtora a forma de atender é uma, com o

consumidor final é muito diferente, pois há o fator pessoal e

emocional na conta”, aponta Rodrigo.

Marco Antonio Balvedi é a terceira geração da família

à frente da Sincol, família que tem ligação com a madeira

desde sua chegada em Santa Catarina. A Sincol já tem 82

anos, mas muito antes disso já havia a serraria e a comercialização

de madeira por parte da empresa. “A família chegou

do Vêneto, na Itália, e trabalhou com uva e com madeira.

Começamos na serraria produzindo camas e posteriormente

chegamos ao mercado de portas e estruturas para casas

de alto padrão que estavam sendo feitas em São Paulo, um

mercado que nos impulsionou ao sucesso”, expõe Marco.

Sobre o mercado de portas, Marco comenta que há muitas

novidades e uma tendência a mais de criatividade para

as portas. Sejam portas coloridas ou mesmo com detalhes

diferentes, há uma abertura para novidades. “Ainda temos a

predominância das portas brancas, mas em alguns mercados,

como na hotelaria, temos portas com cores diferentes

e modelos modernos. Temos uma influência direta daquilo

que vem da Espanha e da Itália no direcionamento daquilo

que será tendência no Brasil”, explica Marco.

Os episódios completos o Leitor pode conferir

no canal do youtube da Revista REFERÊNCIA:

Fotos: REFERÊNCIA

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NOTAS

Pelo povo

A ABAF (Associação Baiana das Empresas de Base Florestal) é a mais nova apoiadora do Movimento Via Cidadã que está

coletando assinaturas para o seu Projeto de Lei Popular, criado com a proposta de aumentar as deduções no Imposto de Renda

para as doações realizadas por Pessoas Jurídicas a entidades beneficentes do Terceiro Setor nas áreas de saúde, educação

e assistência social.

Lançado em evento (em 2024) na sede da Associação Comercial da Bahia, com a presença de representantes de importantes

entidades filantrópicas, lideranças associativistas, empresariais e comunitárias, o objetivo da iniciativa é permitir o

abatimento de até 90% de impostos nas doações feitas para as entidades que possuam o Cebas (Certificado de Entidade Beneficente

de Assistência Social), emitido pelos Ministérios da Saúde, do Desenvolvimento Social e Agrário e da Educação. Serão

beneficiadas instituições como as OSID (Obras Sociais Irmã Dulce), as Santas Casas de Misericórdia e o Hospital Martagão

Gesteira, que realizam cerca de 60% dos atendimentos de alta complexidade do SUS (Sistema Único de Saúde), constituindo

verdadeiros pilares para os cidadãos que precisam destes serviços.

Com a mensagem: Assine aqui para a saúde no Brasil melhorar. Não custa nada, mas vale muito!; o Projeto de Lei destaca

o compromisso de proteger as doações contra novas tributações, assegurando que os recursos cheguem de forma integral às

entidades fundamentais para o cuidado das pessoas que mais precisam. A proposta do Projeto de Lei está alinhada à missão

do Movimento Via Cidadã, fundado por Paulo Cavalcanti com o intuito de promover ações que promovam o exercício da

democracia participativa. Além disso, a medida cria um ambiente favorável para o fortalecimento do Terceiro Setor, promovendo

uma rede de apoio que pode gerar empregos e desenvolver projetos inovadores. “Esta mobilização é fruto da filosofia

da consciência cidadã participativa transformadora, criada para desenvolver uma nova cultura social no Brasil. Com o Projeto

de Lei, reafirmamos a importância de valorizar as instituições filantrópicas como pilares na construção de um país mais justo,

solidário e democrático, onde a participação cidadã seja alicerce para mudanças significativas e duradouras”, afirma Paulo.

Foto: divulgação

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NOTAS

Olhos internacionais

Foto: divulgação

A Comissão Europeia anunciou recentemente um pacote de medidas para simplificar a aplicação da nova legislação

antidesmatamento, que entra em vigor no fim de 2025. A iniciativa busca reduzir em até 30% os custos e a burocracia

para as empresas envolvidas, o que deve beneficiar exportadores brasileiros e facilitar o fluxo de comércio com os países

do bloco.

A lei tem como objetivo barrar o acesso ao mercado europeu de produtos ligados ao desmatamento, proibindo a entrada

de sete commodities — soja, carne bovina, café, madeira, óleo de palma, borracha e cacau — e de seus derivados

(como couro, chocolate, pneus e móveis) quando oriundos de áreas desmatadas após dezembro de 2020.

Para vender à União Europeia, os exportadores terão de comprovar que sua produção é livre de desmatamento. Essa

verificação deverá ser feita por meio de documentação detalhada, no âmbito do processo de due diligence.

Sob pressão de importadores e diante de um novo cenário geopolítico, a Comissão Europeia flexibilizou o processo.

Entre as mudanças anunciadas estão:

Reutilização de declarações existentes: grandes empresas poderão reaproveitar declarações de due diligence já

enviadas quando reimportarem mercadorias ao mercado europeu;

Centralização de declarações: representantes autorizados poderão submeter declarações em nome de grupos empresariais;

Menos frequência nos envios: empresas poderão enviar declarações de due diligence anualmente, em vez de a cada

remessa;

Esclarecimento nas obrigações de verificação: grandes empresas terão exigências simplificadas e poderão usar números

de referência de fornecedores para seus próprios envios.

Segundo a Comissão, as mudanças garantem uma implementação mais simples, justa e econômica da legislação,

sem comprometer o compromisso ambiental da União Europeia.

20 www.referenciaflorestal.com.br



NOTAS

São Paulo em alta

Com o desenvolvimento das sociedades é natural um avanço sobre o uso da terra e do solo. Além de espaço para atividades

socioeconômicas, moradias, serviços e toda a infraestrutura que isto envolve, são necessárias áreas destinadas às atividades agropecuárias,

para produzir alimentos e matérias-primas, indispensáveis aos seres humanos.

Uma delas, a silvicultura, vem se mostrando uma grande aliada à manutenção e recuperação do solo. O plantio de árvores

é uma atividade altamente benéfica ao solo. De acordo com o professor Leonardo Gonçalves, do Departamento de Ciências

Florestais da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz), as plantações florestais, especialmente de eucalipto e pinus,

contribuem para interromper processos de erosão, por exemplo. “Entre 3 e 6 meses depois do plantio, o terreno ficará coberto e a

chuva não vai mais bater no terreno descoberto. A água vai infiltrar melhor. Com a presença da floresta, o escorrimento da água é

mais lento. Isso faz com que o processo de erosão seja estagnado”, explica Leonardo.

O professor comenta que, em relação a estrutura, caso o solo apresente compactações moderadas, elas serão revertidas pelo

processo de crescimento radicular, que é muito profuso. “As raízes irão romper as camadas compactadas com deposição de matéria

orgânica para agregar as partículas no solo, melhorando a estrutura. O solo ficará mais permeável e estruturado, permitindo

melhor infiltração de água”, conta Leonardo.

Florestas cultivadas podem ser uma solução para recuperar solos degradados. Segundo o professor, o crescimento contínuo

de raízes, devido à deposição de serrapilheira, irá aumentar o teor de matéria orgânica. “Sobretudo em solos degradados.

A adição de matéria orgânica é de uma tonelada e meia a duas toneladas de carbono por hectare por ano. Isso representa um

sequestro alto de carbono no ambiente”, conclui o professor Leonardo.

Um levantamento feito pela empresa Canopy Remote Sensing Solutions, encomendado pela Florestar São Paulo, dá conta de

que nos últimos quatro anos, o cultivo de florestas de pinus e eucalipto avançou em aproximadamente 79 mil ha (hectares) dentro

do estado. Deste total, 60% aconteceu em pastagens, áreas sem manejo ou com algum nível de degradação. Entre os benefícios

estão; uma significativa melhoria da qualidade do solo e forte contribuição para a regulação climática, já que o solo que antes

estava exposto agora está sombreado por árvores cultivadas.

Foto: divulgação

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NOTAS

Novas taxações

O setor da indústria de base florestal

ainda está estudando os possíveis desdobramentos

da nova política comercial anunciada

pelo governo dos EUA (Estados Unidos da

América), taxando em pelo menos 10% os

produtos brasileiros. “Mesmo não chegando

aos 25% esperados, ainda é cedo para

comemorar”, pontua Fábio Brun, presidente

da Apre (Associação Paranaense de Empresas

da Base Florestal).

Os impactos – como perda de mercado

e aumento dos custos de produção – serão,

a partir de agora, analisados de forma mais

apurada, conforme a disponibilização progressiva

de documentação oficial norte-americana.

“Vamos nos debruçar sobre o tema

buscando entender inclusive sua aplicação e

prazos”, pondera.

A Apre acompanha o assunto desde o

início a fim de auxiliar os associados que têm

relação comercial direta e indiretamente com

os EUA. “Aqueles que se relacionam de forma

direta são os que produzem no Brasil e enviam

os seus produtos à base de madeira para

lá. Na relação indireta estão os que produzem

madeira para o mercado nacional, abastecendo

indústrias que exportam produto acabado

para os EUA”, pontua o presidente.

A Apre teme que – mesmo com a taxação

de 10% – os custos acabem recaindo sobre a

produção, tornando os produtos mais caros.

“O que, no final das contas, é ruim para todos

os envolvidos. Com o aumento dos valores do

produto final, os importadores norte-americanos

podem reduzir a compra de madeira

oriunda do Brasil, com risco de recessão e

postergando investimentos”, salienta Fábio.

O setor florestal seguirá atento, portanto,

a três pontos cruciais para avaliar o momento:

cotação do dólar, logística e custos de

produção. “Caso o dólar se mantenha em

torno dos R$6 (o dólar intraday recentemente

chegou a cair para R$ 5,60), conforme alguns

especialistas estimam, temos chances de nos

manter aquecidos e nos prepararmos melhor

para o que virá. Incluindo tempo para buscar

novos mercados”, complementa Fábio.

Foto: divulgação

24 www.referenciaflorestal.com.br



NOTAS

Congresso reforça integração

do setor florestal e debate

planejamento inteligente

Fotos: Remsoft

O Congresso da Remsoft Ltda, realizado em 2025,

consolidou-se como o principal evento da empresa na

América do Sul, reunindo mais de 100 profissionais de

mais de 40 empresas de seis países. O evento, realizado

a cada dois anos, promoveu debates enriquecedores,

com sessões de apresentações técnicas, estudos de caso

e momentos de networking, como almoços e coquetéis

planejados para estimular a interação entre os participantes.

Um destaque desta edição foi a presença de empresas

que ainda não são clientes da Remsoft, o que reforça a

abrangência e a credibilidade do encontro.

Franc Roxo, diretor da Remsoft Ltda, destacou que

o encontro, que acontece a cada 2 anos, superou as

expectativas e reforçou a importância da troca de experiências

e da inovação no planejamento florestal. “Nosso

26 www.referenciaflorestal.com.br


objetivo é gerar cada vez mais engajamento e fomentar

o compartilhamento de boas práticas no planejamento

de florestas”, afirmou Franc. Com uma agenda intensa,

o congresso contou com apresentações de usuários da

solução Remsoft, discussões sobre processos, desafios e

inovações em tecnologia, além de espaços pensados para

networking, como almoços e coquetéis.

O tema desta edição: Explorando o poder do planejamento

florestal inteligente, refletiu o foco em planejamento

inteligente, uma necessidade cada vez mais

urgente em um mundo sujeito a rápidas transformações.

“Planejar com inteligência é vital em um setor de longo

prazo como o florestal”, reforçou Franc. A abordagem

incluiu debates sobre planejamento estratégico, tático e

operacional, com destaque para a aplicação de tecnologias

de dados e inteligência artificial.

Outro ponto relevante foi a diversidade dos participantes:

metade das empresas presentes ainda não eram

clientes da Remsoft, evidenciando o caráter aberto e

colaborativo do evento. Grandes nomes do setor como

Suzano, CMPC e Klabin marcaram presença, compartilhando

suas experiências.

Além disso, Roxo destacou duas grandes novidades:

as inovações tecnológicas em soluções da Remsoft e a

apresentação do novo CEO global da empresa, Kevin Lim,

resultado da recente aquisição da Remsoft por um grupo

internacional, abrindo novas perspectivas de crescimento.

Por fim, um tema recorrente nas discussões foi a

preocupação com a formação de novos talentos. “A falta

de mão de obra qualificada é uma dor comum a todo o

setor florestal. Precisamos trabalhar juntos para formar

profissionais capazes de acompanhar o crescimento da

demanda”, alertou Franc.

O próximo congresso já está programado para 2027,

mantendo a expectativa de novos avanços no planejamento

florestal inteligente e na integração de tecnologias

para um setor cada vez mais dinâmico e preparado para

as mudanças.

Maio 2025

27


FRASES

Foto: Rafael Pereira/Agência Petrobras

Plantar árvore é uma resposta

decisiva para enfrentar a

catástrofe climática

Magda Chambriard, presidente da

Petrobras, sobre o investimento

de R$ 450 milhões em créditos de

carbono

“A Ciera tem como objetivo tornar a restauração mais pública,

mais compartilhada, para que todo mundo possa se apropriar

dessa tomada de decisão do melhor local para restaurar”

Ludmila Pugliese, diretora de restauração de paisagens e florestas da Conservação

Internacional Brasil, sobre a ferramenta Ciera, plataforma eletrônica de análise sobre

potencial de restauração florestal

“Além da concorrência com outros

países produtores de madeira tropical,

o setor madeireiro brasileiro também

enfrenta o desinteresse e o descaso

do Ibama em se estruturar para liberar

as autorizações de forma eficiente e

dentro do prazo necessário”

“Quando faço o manejo,

estou renovando a floresta.

Tirando as árvores velhas e

dando espaço para as novas

nascerem”

Guilherme Carvalho, consultor técnico da Aimex (Associação

das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado do Pará)

sobre as dificuldades para o mercado exportador do Brasil

Cleomilton Dias da Costa, engenheiro florestal

em audiência sobre segurança de profissionais de

manejo com o governo do Mato Grosso

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ENTREVISTA

Tecnologia

e o futuro

FLORESTAL

30 www.referenciaflorestal.com.br

Technology and the

future of forestry

N

a interseção entre tecnologia, pesquisa aplicada

e práticas sustentáveis na silvicultura, o

professor Samuel de Assis Silva tem se destacado

por sua atuação à frente do LabMap — o

Laboratório de Mecanização Agrícola e Agricultura de Precisão

— da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo). Com uma

trajetória marcada pela integração entre ensino, pesquisa e

extensão, tem promovido a aplicação de tecnologias digitais e

de precisão diretamente no campo, em parceria com o setor

produtivo. Confira essa entrevista sobre a importância da mecanização

nos processos silviculturais.

A

t the intersection of technology, applied research,

and sustainable forestry practices, Professor

Samuel de Assis Silva has distinguished himself

through his work as Director of LabMap - the

Agricultural Mechanization and Precision Agriculture Laboratory

at the Federal University of Espírito Santo (Ufes). With a

career marked by the integration of teaching, research, and

extension, he has promoted the application of digital and

precision technologies directly in the field in partnership with

the productive sector. Read this interview on the importance of

mechanization in forestry processes.

Foto: divulgação

ENTREVISTA

Samuel de

Assis Silva

ATIVIDADE/ ACTIVITY:

Engenheiro agrônomo, doutor em Engenharia Agrícola. Professor

e pesquisador da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo),

Campus de Alegre (ES). Orientador de mestrado e doutorado nos

programas de pós-graduação em agronomia da UFES e produção

vegetal da UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz). Professor

internacional da Universidad Nacional del Litoral - Argentina.

Diretor Executivo da Inova Alegre - incubadora de base tecnológica

e de inovação da UFES. Inspetor coordenador da inspetoria do Crea

(Conselho Regional de Engenharia e Agricultura) em Alegre. Membro

efetivo da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão e Digital.

Bolsista de produtividade em pesquisa do CNPQ (Conselho Nacional

de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Especialista nas áreas

de tecnologia de aplicação de defensivos, agricultura e silvicultura

digital e inteligência artificial na agricultura e silvicultura.

Agronomist, Ph.D. in Agricultural Engineering. Professor and Scientist

at the Federal University of Espírito Santo (Ufes), Alegre campus

(ES). Master’s and Doctoral Advisor in the Postgraduate Programs

in Agronomy at Ufes and Plant Production at the State University of

Santa Cruz (Uesc). International Professor at the Universidad Nacional

del Litoral - Argentina. Executive Director of Inova Alegre - Technology

and Innovation Incubator of Ufes. Coordinating Inspector of the

Regional Council of Engineering and Agriculture (Crea) in Alegre. An

active member of the Brazilian Association of Precision and Digital

Agriculture. Research Productivity Grant from the National Council

for Scientific and Technological Development (Cnpq), specialist in

pesticide application technology, digital agriculture and forestry, and

artificial intelligence in agriculture and forestry.


R


ENTREVISTA

>> Como começa a sua trajetória acadêmica?

Sempre tive vontade de fazer Engenharia Mecânica. Mas, por

questões econômicas, não tive oportunidade de sair da cidade

onde morava, e lá não havia o curso preferido. Minha família

era de origem humilde e meu pai não tinha como manter duas

casas, por isso nos mudamos para o Espírito Santo. Na ocasião,

a graduação que existia na cidade onde está o campus da UFES

oferecia apenas quatro cursos: Engenharia Florestal, Zootecnia,

Medicina Veterinária e Agronomia. Como meu irmão já

era agrônomo, optei por seguir o mesmo caminho — não por

vontade, mas por circunstância. Mantive aquele desejo de

fazer Engenharia Mecânica por um tempo. Então, comecei a

me arrepender, mas, lá pelo quarto semestre, tive a disciplina

de Motores e Tratores Agrícolas. Ali percebi que poderia juntar

meu desejo com aquilo que a vida me permitia naquele momento.

Meu avô sempre me dizia: “Não importa a arma, desde

que ela esteja no seu braço. O importante é vencer a guerra.”

Com a mecanização, fui descobrindo a agricultura e a silvicultura

de precisão (com a qual mais tarde segui). Sempre gostei

muito da área de exatas, especialmente programação, cálculo,

matemática... e fui integrando meus anseios profissionais com

aquilo que vivia. Me identifiquei muito com a área e continuo

nela até hoje, dentro da mecanização e da agricultura e silvicultura

de precisão digital.

>> Começou a trabalhar na área antes mesmo do doutorado?

Em 2006, passei no concurso da UFES. Estava finalizando o

mestrado quando fui aprovado e comecei a lecionar. Trabalhei

3 anos como professor e, em 2010, fui para o doutorado. Em

2014, voltei para a UFES. Logo depois, começamos a estruturar

o LabMap (Laboratório de Mecanização Agrícola e Agricultura

de Precisão), inicialmente com a verba do programa Reuni.

Na época, o governo federal repassou recursos para as universidades

expandirem vagas e cursos, e a contrapartida era

a ampliação da infraestrutura. Foi quando propus a criação

do laboratório. Naquele momento, os docentes da área de

máquinas estavam mais voltados para a parte prática, com oficinas

e galpões. Não tínhamos esse olhar mais científico sobre

agricultura de precisão. Então o laboratório surgiu como um

projeto novo, pensando em sensores, monitoramento remoto,

imagens de satélite, drones, essas tecnologias que já estavam

começando a ser exploradas no Brasil. Hoje, muitas universidades

já têm essa estrutura, mas naquela época era uma

novidade. Era difícil até explicar para os colegas o que a gente

queria fazer. Com o tempo, fui trazendo os alunos para dentro

do laboratório. Com a ajuda deles, começamos a publicar os

primeiros trabalhos, depois vieram os projetos de iniciação

científica, os trabalhos de conclusão, e a coisa foi crescendo.

>> Sua ajuda foi além da criação do LabMap?

Em paralelo ao laboratório, também atuei como coordenador

do curso de Agronomia por dois mandatos, de 2015 a 2019.

Nessa época, participei da reestruturação curricular e incluímos

a disciplina de Agricultura de Precisão como obrigatória,

algo que antes não existia. O curso passou a ter uma identida-

How did your academic studies begin?

I always wanted to study mechanical engineering. However,

for economic reasons, I did not have the opportunity

to leave the town where I lived, and there were no mechanical

engineering courses there. My family came from

a humble background, and my father could not afford

two houses, so we moved to Espírito Santo. At that time,

there were only four undergraduate programs in the city

where the Ufes campus is located: Forestry Engineering,

Zootechnics, Veterinary Medicine, and Agronomy. Since

my brother was already an agronomist, I chose the same

path - not because I wanted to, but because of circumstances.

For a while, I kept wishing to study mechanical

engineering. Then, I began to regret it, but I took a

course in agricultural engines and tractors in the fourth

semester. Then, I realized that I could combine my desire

with what life allowed me at that time. My grandfather

used to tell me: It does not matter what the weapon is,

as long as it is on your arm. The important thing is to win

the war. With mechanization, I discovered agriculture

and precision forestry (which I later followed). I have

always loved the exact sciences, especially programming,

calculus, and mathematics, and I began to integrate my

professional aspirations with what I was experiencing. I

identified with the field and am still in it, within mechanization,

digital precision agriculture, and forestry.

Did you start working in this field before you got your

doctorate?

I passed the Ufes exam in 2006. I was finishing my Master’s

degree when I was licensed and started teaching.

I worked as a teacher for three years, and in 2010, I

finished my Ph.D. In 2014, I returned to Ufes. Soon after

my return, we started structuring the Laboratory of

Agricultural Mechanization and Precision Agriculture

(LabMap), initially with funds from the Reuni program.

At that time, the federal government transferred funds

to universities to expand vacancies and courses, and the

counterpart was to develop infrastructure. That is when

I proposed the creation of the Laboratory. At that time,

mechanical engineering focused more on the practical

side, with workshops and sheds. We did not have this

more scientific approach to precision agriculture. So, the

Laboratory was born as a new project, thinking about

sensors, remote monitoring, satellite imagery, and drone

technologies already being explored in Brazil. Many universities

have this structure today, but it was a novelty

then. It was challenging to explain to our colleagues

what we wanted to do. Over time, I brought the students

into the lab. With their help, we started to publish the

first papers, then the initiation of scientific projects and

the final papers, and things kept growing.

What is the focus of LabMap?

I coordinated the agronomy course twice from 2015 to

32 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

de forte com essa área, e isso também deu mais visibilidade

para o laboratório e para os projetos de pesquisa que vinham

sendo desenvolvidos. O laboratório já tem uma trajetória de

quase 10 anos, com várias pesquisas aplicadas, parcerias com

empresas e um foco muito grande em soluções práticas. A

gente sempre teve esse objetivo: gerar conhecimento, sim,

mas com aplicação direta no campo. Tanto que muitos dos

nossos alunos acabam indo para empresas do setor, justamente

porque já chegam com uma bagagem prática muito forte,

além do conhecimento técnico e teórico.

>> Em que momento a IA (inteligência artificial) passou a fazer

parte dos seus projetos?

Começamos com sensores, depois veio a parte de processamento

de imagens, uso de drones, câmeras hiperespectrais

e aí vimos que tínhamos uma quantidade muito grande de

dados. Começamos a nos perguntar: o que fazer com tudo

isso? Como transformar essa massa de dados em informação

útil? Foi quando iniciamos os primeiros estudos com aprendizado

de máquina, principalmente para classificar imagens e

gerar mapas com base nesses dados. De lá pra cá, esse campo

só cresceu. A inteligência artificial é central em muitos dos

nossos projetos, seja na silvicultura, na agricultura ou mesmo

no desenvolvimento de sistemas para aplicação localizada de

insumos, por exemplo. Agora, estamos desenvolvendo algoritmos

próprios, treinando modelos para reconhecer padrões

em tempo real e integrar essas soluções diretamente com

os equipamentos agrícolas. É algo muito novo, ainda em desenvolvimento,

mas que tem um potencial enorme. Um dos

projetos mais recentes, por exemplo, é o desenvolvimento de

um sistema de pulverização inteligente. A ideia é usar câmeras

acopladas ao pulverizador para identificar plantas daninhas em

tempo real. O sistema reconhece o alvo e aplica o defensivo

apenas onde é necessário, reduzindo drasticamente o volume

de produto utilizado. Para isso, estamos treinando algoritmos

de deep learning com imagens coletadas em campo. O desafio

é grande, porque se precisa garantir que o sistema funcione

com luz natural, em diferentes condições de clima, com plantas

em diferentes estágios de desenvolvimento. Mas os primeiros

resultados são promissores. Outro exemplo é um projeto

em parceria com uma empresa de celulose, voltado para o

monitoramento de eucaliptos. Usamos drones com câmeras

multiespectrais para avaliar a saúde das plantas e prever falhas

de plantio. Depois, usamos modelos preditivos para sugerir intervenções

específicas, como adubação localizada ou replantio

em áreas com mortalidade elevada.

>> Qual a importância das parcerias público privadas para o

desenvolvimento de pesquisa?

Elas começaram de forma pontual, com visitas técnicas, alguns

trabalhos de campo e consultorias mais simples. Mas, com o

tempo, as empresas passaram a perceber o potencial da universidade

como parceira de inovação. Temos projetos com empresas

de diferentes áreas: fabricantes de máquinas, empresas

de tecnologia agrícola, grupos do setor florestal e até startups.

2019 in parallel with the Laboratory. At that time, I participated

in restructuring the curriculum, and we included

precision agriculture as a compulsory course, which

had not existed before. The course developed a strong

identity in this area, which gave more visibility to the

Laboratory and the research projects being developed.

The Laboratory has been running for almost 10 years,

with much-applied research, company partnerships,

and a strong focus on practical solutions. Our goal has

always been to generate knowledge, yes, but with direct

application in the field. Many of our students work for

companies in the Sector because they have a solid practical

background and technical and theoretical knowledge.

When did AI become part of your projects?

We started with sensors, then came image processing,

drones, and hyperspectral cameras, and then we saw

that we had a considerable amount of data. We began

to ask ourselves, what will we do with all this? How do

we turn this mass of data into useful information? That

is when we started our first studies in machine learning,

mainly to classify images and create maps based on

this data. Since then, the field has only grown. Artificial

intelligence is central to many of our projects, whether

in forestry, agriculture, or even developing systems for

localized application of inputs. We are now developing

our algorithms, training models to recognize patterns

in real-time, and integrating these solutions directly

with agricultural equipment. It is very new, still under

development, but with huge potential. For example, one

of the latest projects is developing an intelligent spraying

system. Using cameras mounted on the sprayer to identify

weeds in real time is the idea. The system recognizes

the target and applies the pesticide only where needed,

drastically reducing the product used. To do this, we train

deep learning algorithms with images collected in the

field. The challenge is great because we need to ensure

the system works in natural light, in different weather

conditions, and with plants at various stages of development.

But early results are promising.

Another example is a project in partnership with a pulp

company to monitor eucalyptus trees. We use drones

with multispectral cameras to assess plant health and

predict planting failures. We then use predictive models

to suggest interventions, such as localized fertilization or

replanting in high-mortality areas.

How vital are public-private partnerships for the development

of research?

They started with one-off technical visits, fieldwork, and

simple consulting. However, over time, companies have

recognized the potential of the university as an innovation

partner. We have projects with companies from

different sectors: machinery manufacturers, agricultural

technology companies, forestry groups, and start-ups.

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ENTREVISTA

Em alguns casos, as empresas trazem um problema real, do

dia a dia delas, e desenvolvemos uma solução dentro do laboratório.

Em outros, propomos uma tecnologia nova e buscamos

parceiros para testar em escala real. Essas parcerias são

importantes, porque aproximam os alunos do setor produtivo.

Eles vão a campo, conhecem os desafios práticos, e isso complementa

muito bem a formação. Além disso, algumas dessas

empresas acabam contratando nossos estudantes depois, justamente

porque eles já chegam com experiência aplicada.

>> Como os alunos são integrados às atividades do LabMap?

O laboratório é formado por alunos de graduação e pós-graduação,

e todos participam ativamente dos projetos. A ideia

é que eles aprendam fazendo. Muitos entram como bolsistas

de iniciação científica e acabam seguindo para o mestrado, o

doutorado e criando uma trajetória bem bonita de formação

dentro do LabMap. Além disso, estimulamos muito a participação

em eventos, congressos, feiras tecnológicas. Já levamos

trabalhos para a Agrishow, para a Expocafé, para congressos

internacionais. Isso abre a cabeça dos alunos, amplia o networking

e dá visibilidade ao que estamos produzindo aqui.

Desde alunos com perfil mais técnico, que gostam de colocar a

mão na massa, até aqueles que se interessam mais pela parte

computacional, de desenvolvimento de algoritmos. A área é

muito multidisciplinar, conseguimos atrair estudantes da Agronomia,

da Engenharia Agrícola, da Computação, da Elétrica,

da Florestal. Esse cruzamento de perfis é muito rico. Um aluno

da Agronomia, por exemplo, pode ajudar a entender melhor

o que o algoritmo precisa identificar em uma imagem de lavoura.

Já o aluno da Computação vai saber como estruturar o

código, treinar o modelo. Um complementa o outro. E isso é

algo que a gente valoriza muito no laboratório: o trabalho em

equipe.

>> E sobre os próximos desafios?

Acredito na integração de tecnologias. Já tem sensores bons,

máquinas modernas, conectividade em expansão, mas muitas

vezes essas tecnologias não conversam entre si. O futuro está

em integrar tudo isso de forma inteligente, criando sistemas

Sometimes, companies bring real problems to their dayto-day

business, and we develop a solution in the Laboratory.

Other times, we propose a new technology and look

for partners to test it in the field. These partnerships are

essential because they bring the students closer to the

productive sector. They go into the field to learn practical

challenges that complement their education. Moreover,

some companies hire our students precisely because of

their applied experience.

How are students involved in LabMap activities?

The Laboratory comprises undergraduate and graduate

students actively participating in the projects. The idea is

that they learn by doing. Many of them join as scientific

initiation fellows and go on to do Master’s or Ph.D. degrees,

and we have a very nice training trajectory within

LabMap. We also encourage participation in events,

congresses, and technology fairs. We have already taken

part in Agrishow, Expocafé, and international congresses.

This opens students’ minds, expands their networks, and

gives visibility to what we produce here. From students

with a more technical profile, who like to get their hands

dirty, to those more interested in the computational side,

developing algorithms. The area is multidisciplinary,

so we attracted agronomy, agricultural engineering,

computer science, electrical engineering, and forestry

students. This intersection of profiles is very rich. For example,

an agronomy student can help better understand

what the algorithm needs to identify in a crop image. A

computer science student will know how to structure the

code and train the model. One complements the other.

And that is something we value in the lab: teamwork.

What are the next challenges?

I believe in integrating technologies. We already have

good sensors, modern machines, and increasing connectivity,

but these technologies often do not talk to each

other. The future lies in the intelligent integration of all

this to create truly autonomous systems that can make

Se daqui a algumas décadas puder olhar pra trás e ver

que, de alguma forma, participei de um movimento que

transformou a forma como a silvicultura é feita no Brasil —

tornando-a mais tecnológica, mais integrada, mais valorizada

—, aí sim vou sentir que cumpri meu papel

36 www.referenciaflorestal.com.br


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ENTREVISTA

realmente autônomos, que consigam tomar decisões no campo

em tempo real, com base em dados confiáveis. Também

vejo um espaço enorme para o uso de IA na gestão agrícola.

Não só na operação das máquinas, mas na análise econômica,

no planejamento da lavoura, na previsão de safra. Tudo isso

pode ser otimizado com modelos inteligentes, e é para esse

caminho que estamos caminhando. No fim das contas, o objetivo

é sempre o mesmo: produzir mais, com menos impacto

ambiental e com mais eficiência. E a tecnologia é uma ferramenta

fundamental para isso.

>> Que habilidades serão exigidas no futuro profissional?

O setor florestal brasileiro já está entre os mais modernos do

mundo. Estamos vendo uma mudança significativa de paradigma:

saímos do modelo baseado em volume de madeira para

uma lógica de maximização de valor. Isso exige uma postura

mais estratégica em toda a cadeia e isso começa lá no campo.

Na prática, essa mudança se reflete na adoção de tecnologias

mais avançadas, na busca por maior eficiência e na valorização

de profissionais com competências diferenciadas. As empresas

têm buscado pessoas que sejam comprometidas com resultados

e que consigam dialogar bem com diferentes áreas do

conhecimento. A interdisciplinaridade será uma habilidade essencial.

É cada vez mais comum termos profissionais florestais

trabalhando junto com engenheiros eletrônicos, cientistas da

computação, especialistas em dados, entre outros. Isso exige

uma comunicação mais fluida, sem jargões técnicos excessivos

e com foco na resolução de problemas práticos. Além disso,

o profissional do futuro precisa ter uma mentalidade voltada

à solução, e não apenas à execução de tarefas. Isso significa

entender o sistema como um todo, identificar gargalos, propor

melhorias e acompanhar os resultados. Cada vez mais, o

conhecimento técnico, por si só, não será suficiente — será

necessário saber aplicar esse conhecimento de forma estratégica.

Outra habilidade importante é a capacidade de aprender

continuamente. As tecnologias estão evoluindo muito rápido,

e quem não acompanhar vai ficar para trás. Isso não significa

saber programar ou dominar todas as ferramentas digitais,

mas sim ter curiosidade, iniciativa e disposição para aprender

e se adaptar. A chamada aprendizagem ativa será uma das

competências mais valorizadas. Também será fundamental desenvolver

o raciocínio lógico, a capacidade analítica e o pensamento

crítico. Com a grande quantidade de dados disponíveis,

saber interpretar, questionar e usar essas informações para tomar

decisões será uma grande vantagem competitiva. Por fim,

o trabalho em equipe continuará sendo essencial. As soluções

mais inovadoras e eficazes geralmente nascem da colaboração

entre diferentes pessoas e áreas. Portanto, saber trabalhar

bem com os outros, respeitar diferentes pontos de vista e

construir soluções em conjunto será cada vez mais importante.

>> Sempre foi bem recebido no ambiente florestal mesmo

com sua formação agronômica?

Integração é a palavra chave. Nunca sofri preconceito nos

lugares onde estive por conta da minha formação. Muito pelo

contrário, acredito que a silvicultura ganha muito com a mul-

decisions in the field in real-time based on reliable data. I

also see enormous opportunities for using AI in agricultural

management, not just in machine operation but

also in economic analysis, crop planning, and crop forecasting,

that can be optimized with intelligent models;

that is where we are going. The goal is always the same:

to produce more with less environmental impact. And

technology is a fundamental tool for this.

What skills will future professionals need?

The Brazilian Forestry Sector is already one of the most

modern in the world. We are experiencing a significant

paradigm shift: we have moved from a model based

on the volume of wood to a logic of maximizing value.

This requires a more strategic approach throughout the

chain, starting in the field. In practice, this change is

reflected in adopting more advanced technologies, the

search for greater efficiency, and the appreciation of

professionals with differentiated skills. Companies are

looking for people who are committed to results and can

communicate well with different areas of knowledge. Interdisciplinarity

will be an essential skill. Forest managers

will increasingly work with electrical engineers, computer

scientists, data specialists, and others. This will require

more fluid communication without excessive jargon and

a focus on solving practical problems. In addition, future

professionals will need a solution-oriented mindset, not

just a task-oriented one. This means understanding the

system, identifying bottlenecks, proposing improvements,

and monitoring the results.

Increasingly, technical knowledge alone will not be

enough - the ability to apply that knowledge strategically

will be required. Another critical skill is the ability

to learn continuously. Technologies are evolving rapidly,

and those who cannot keep up will be left behind. This

does not mean knowing how to code or mastering all the

digital tools, but having curiosity, initiative, and a willingness

to learn and adapt. Active learning will be one

of the most valued skills. Developing logical reasoning

and analytical and critical thinking skills is also essential.

With the large amounts of data available, knowing how

to interpret, question, and use this information to make

decisions will be a significant competitive advantage.

Finally, teamwork will continue to be essential. The most

innovative and effective solutions often come from collaboration

across people and disciplines. Knowing how

to work well with others, respecting different points of

view, and co-creating solutions will become increasingly

important.

Have you always been well-received in the forestry

environment, even with your agronomy background?

I believe that forestry gains a lot from multidisciplinarity

- and I’m not saying that the agronomist replaces the

forestry engineer, nor do I intend to. But I believe that

all sectors gain when there is a collaboration between

38 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

tidisciplinaridade — e não estou dizendo que o engenheiro

agrônomo substitui o engenheiro florestal, nem tenho essa

pretensão. Mas acredito que todos os setores ganham quando

há colaboração entre diferentes áreas de formação. Quando o

foco está na solução, a formação acadêmica de quem propõe a

ideia importa menos. Claro que o embasamento é importante

— por exemplo, não posso me colocar para discutir um assunto

do Direito ou da Medicina, pois não é minha área. Mas,

infelizmente, com o avanço das redes sociais, vemos especialistas

em tudo. Basta entrar nos comentários de uma matéria

para encontrar opiniões de pessoas sem formação nenhuma,

falando com propriedade. Por isso, os limites precisam ser

respeitados. Porém, se alguém tem condições de propor ideias

que auxiliem na tomada de decisão e levem a discussões construtivas,

vejo com muito bons olhos. E tenho notado que os

setores, de forma geral, também têm acolhido mais essa postura.

Há um tempo, era muito difícil se inserir em áreas mais

fechadas — a engenharia florestal era uma delas, assim como

a mecânica, a manutenção de máquinas, etc. Mas, o cenário

é muito favorável. Muitos cursos de engenharia florestal têm

seguido um caminho mais voltado à questão ambiental e deixado

uma lacuna grande na área da silvicultura.

>> Defende que já existe um avanço nas operações florestais?

Mudanças existem, mas não tão rápidas quanto se esperava —

pelo menos na colheita mecanizada. Porque quando se fala em

mecanização florestal, a primeira imagem que vem à mente

são os grandes equipamentos: harvester, forwarder, feller buncher.

Máquinas imponentes, com tecnologia embarcada, conectadas,

com sensores de produção, GPS de alta precisão, entre

outros. Mas essa mecanização tradicional já está consolidada

no Brasil, especialmente nos grandes grupos. O que temos

visto agora é uma busca por tecnologias complementares, que

tornem o processo mais inteligente e menos dependente da

mão de obra especializada — que, aliás, está cada vez mais difícil

de encontrar. Por isso, cresce o interesse por sensores, por

conectividade em tempo real, por sistemas de monitoramento

remoto, por ferramentas de apoio à tomada de decisão... e é

aí que entra a IA, a análise de dados, a modelagem preditiva. A

grande revolução não está mais apenas na máquina em si, mas

na forma como os dados gerados por essas máquinas — e por

outras fontes — são coletados, processados e transformados

em informação útil. Temos, por exemplo, sensores que identificam

o desgaste de componentes da máquina, permitindo

manutenção preditiva. Ou sensores que monitoram o esforço

de corte e conseguem estimar o volume da madeira processada.

Isso traz eficiência e reduz o custo operacional. Além disso,

tecnologias como visão computacional têm sido usadas para

identificar plantas daninhas, pragas, falhas de plantio, entre

outras aplicações. E esse tipo de inovação vem, muitas vezes,

de startups ou de centros de pesquisa, e não necessariamente

dos fabricantes tradicionais de máquinas. Outro ponto importante

é a digitalização do planejamento e da operação. Já é

possível fazer um planejamento totalmente digital da colheita,

simulando cenários, estimando produtividade, consumo de

different areas of training. When the focus is on the solution,

the academic background of the person proposing

the idea matters less. Of course, background is essential

- for example, I can not put myself forward to discuss

an issue in law or medicine because it is not my field.

But unfortunately, with the advance of social media, we

see experts in everything. You only have to go into the

comments of an article to find opinions from people with

no training whatsoever, speaking with authority. That’s

why limits need to be respected. However, if someone is

in a position to propose ideas that help decision-making

and lead to constructive discussions, I welcome that. And

I’ve noticed that the sectors, in general, have also become

more accepting of this attitude. A while ago, it was

challenging to break into more closed areas - forestry engineering

was one of them, as was mechanics, machine

maintenance, etc. But the scenario is very favorable.

Many forestry engineering courses have followed a path

focused on environmental issues and left a significant

gap in forestry.

Would you say that there has already been progress in

forestry?

There have been changes, but not as fast as expected, at

least in mechanized harvesting. When you talk about forest

mechanization, the first thing that comes to mind are

the big machines: harvesters, forwarders, and bunchers.

These machines can be equipped with onboard technology

and connected to production sensors, high-precision

GPS, etc. However, this traditional mechanization has

already been consolidated in Brazil, especially in large

groups. We are now seeing a search for complementary

technologies that make the process more intelligent and

less dependent on skilled labor, which is increasingly

difficult to find. That is why there is a growing interest

in sensors, real-time connectivity, remote monitoring

systems, and decision support tools, and that is where

AI, data analytics, and predictive modeling come in. The

big revolution is no longer in the machine itself but in

how the data generated by these machines and other

sources is collected, processed, and turned into useful

information. For example, we have sensors that detect

wear and tear on machine components, enabling predictive

maintenance. Or sensors that monitor cutting effort

and can estimate the volume of wood being processed.

This increases efficiency and reduces operating costs. In

addition, technologies such as computer vision are being

used to identify weeds, pests, and planting errors, among

other things. And this kind of innovation often comes

from start-ups or research centers, not necessarily from

traditional machine manufacturers.

Another critical point is the digitalization of planning and

operations. It is already possible to perform digital crop

planning, simulate scenarios, and estimate productivity,

fuel consumption, and environmental impact. Then,

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ENTREVISTA

combustível, impacto ambiental... e depois comparar isso com

os dados reais coletados no campo. Essa integração está só

começando, mas tem um potencial enorme.

>> Qual maior sonho dentro da mecanização?

É poder contribuir de forma significativa para a melhoria dos

processos silviculturais, principalmente no uso eficiente dos

recursos que temos à disposição. Quando falo em recursos,

penso em tudo: humanos, físicos e, principalmente, os recursos

naturais. Quero ajudar a desenvolver e difundir tecnologias

que otimizem esse uso, que tornem o setor mais inteligente,

mais preciso, mais eficiente — mas sem perder de vista a sustentabilidade

e a qualidade de vida das pessoas envolvidas. Se

daqui a algumas décadas puder olhar pra trás e ver que participei

de um movimento que transformou como a silvicultura é

feita no Brasil — tornando-a mais tecnológica, mais integrada,

mais valorizada —, aí sim vou sentir que cumpri meu papel.

Claro, como pesquisador, também tenho minhas ambições.

Gostaria de ser reconhecido como referência, de ver tecnologias

e soluções que desenvolvi sendo aplicadas, gerando valor.

Tenho vontade de empreender, de criar ferramentas, talvez

uma consultoria. Mas tudo isso vem junto de um sentimento

que todo pesquisador carrega, que é o de pensar no coletivo.

Trabalhamos, muitas vezes, com ideias que não trazem retorno

financeiro imediato, mas que têm potencial de transformar a

realidade do setor. E isso já é um baita combustível. Se puder

deixar um legado, que seja esse: ter contribuído, junto com

muitos outros profissionais, para tornar a silvicultura brasileira

mais forte, mais conectada, mais sustentável e mais respeitada.

E, claro, formar pessoas — alunos, pesquisadores, profissionais

— que sigam fazendo isso melhor do que fiz. Como diz

uma canção que gosto muito: sempre fica o perfume nas mãos

daqueles que dão flores; então saber que estou contribuindo é

a essência do meu trabalho.

compare this with the real data collected in the field. This

integration is only just beginning, but it has enormous

potential.

What is your biggest dream in terms of mechanization?

To significantly contribute to improving silvicultural

processes, especially in efficiently using the resources at

our disposal. When I say resources, I mean everything:

human, physical, and natural. I want to help develop and

disseminate technologies that optimize their use and

make the Sector more innovative, precise, and efficient

without losing sight of sustainability and the quality of

life of the people involved. If, in a few decades, I can see

that I have been part of a movement that has changed

how forestry is done in Brazil - making it more technological,

more integrated, and more valued - then I will

feel that I have fulfilled my role. Of course, as a scientist,

I also have my ambitions. I want to be recognized as a

reference, to see the technologies and solutions I have

developed and applied, and to generate value. I want to

be an entrepreneur, create tools, and maybe become a

consultant. But all this goes hand in hand with the feeling

of every scientist, which is to think of the collective.

We often work with ideas that do not have an immediate

financial return but have the potential to change the Sector’s

reality. And that is great fuel. If I can leave a legacy,

it would be to have contributed, along with many other

professionals, to making Brazilian forestry stronger, more

connected, more sustainable, and more respected. And,

of course, to have trained people - students, researchers,

professionals - to do it better than I have. As a song I

like very much says, the perfume always remains on the

hands of those who give flowers, so knowing that I am

contributing is the essence of my work.

Além disso, o profissional do futuro precisa ter uma

mentalidade voltada à solução, e não apenas à execução de

tarefas. Cada vez mais, o conhecimento técnico, por si só,

não será suficiente — será necessário saber aplicar esse

conhecimento de forma estratégica

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COLUNA

A Importância do uso da

perneira por baixo da calça

anticorte em operações

com motosserra

Gabriel Berger

GB Manejo de Árvores – Educação Profissional

e Corporativa

Engenheiro Florestal e Segurança do Trabalho

gbmanejodearvores.com.br

gabriel@gbmanejodearvores.com.br

Foto: divulgação

Usar a perneira por baixo da calça anticorte é essencial para garantir proteção

total e evitar falhas no bloqueio da motosserra

N

as operações florestais, a segurança do operador

deve ser sempre prioridade. Entre os

EPIs (Equipamentos de Proteção Individual)

obrigatórios nesse tipo de atividade, a calça

anticorte e a perneira são dois dos mais importantes.

No entanto, uma dúvida comum entre os profissionais

é a forma correta de utilizar esses itens: a perneira

deve ser usada por cima ou por baixo da calça anticorte?

A resposta correta é: por baixo da calça anticorte.

POR QUE USAR A PERNEIRA POR BAIXO DA

CALÇA ANTICORTE?

A perneira é um EPI projetado para proteger a região

da canela e tornozelo contra impactos, picadas de animais

peçonhentos e outros riscos comuns nas áreas de corte e

derrubada de árvores. Já a calça anticorte contém camadas

internas de fibras que, em contato com a corrente da

motosserra, enroscam no sistema de corte e o travam, evitando

que a corrente em movimento avance sobre o corpo

do operador.

Quando a perneira é usada por cima da calça anticorte,

ela impede o funcionamento adequado da calça em caso

de acidente já que a perneira dificulta o ajuste correto das

fibras protetoras sobre a perna, comprometendo a proteção

integral do operador e aumentando significativamente

o risco de corte caso a corrente da motosserra atinja

essa área. Ao usar a perneira por baixo, a calça anticorte

mantém sua funcionalidade de bloqueio e a perneira complementa

a proteção, especialmente na parte inferior das

pernas.

SEGURANÇA DO OPERADOR

O uso correto dos EPIs, incluindo a ordem de colocação,

pode fazer a diferença entre um susto e um acidente

grave. A combinação da calça anticorte com a perneira

usada corretamente garante maior segurança ao trabalhador,

especialmente em atividades com alto risco de corte

nas pernas, como o desgalhamento e a derrubada de árvores

com motosserra.

Além disso, a perneira oferece proteção adicional

contra quedas de galhos, pedras, tocos e até picadas de

cobras ou insetos — perigos frequentemente presentes no

ambiente florestal.

AUMENTO DA VIDA ÚTIL DOS EPIs

Utilizar a perneira por baixo da calça anticorte também

contribui para aumentar a durabilidade dos dois equipamentos.

A calça anticorte não sofre desgaste adicional

causado pelo atrito com a superfície externa da perneira,

o que prolonga seu tempo de uso. Já a perneira, por estar

protegida do contato direto com galhos, graxa e detritos,

tende a apresentar menor deterioração com o tempo.

Isso significa menos necessidade de substituição e

menor custo com manutenção e compra de novos equipamentos

— um fator importante para a gestão de segurança

e economia em operações florestais.

Usar a perneira por baixo da calça anticorte é mais do

que uma recomendação técnica — é uma medida concreta

de segurança e eficiência. A correta utilização dos EPIs garante

a integridade física do operador, melhora a eficácia

da proteção e ainda contribui para o aumento da vida útil

dos equipamentos. Em ambientes florestais, onde o risco é

constante, cada detalhe faz a diferença.

Operar com segurança é operar com responsabilidade.

E isso começa pela forma como vestimos nossos equipamentos.

A ordem certa dos EPIs

faz diferença: perneira

por dentro da calça é

mais proteção e mais

eficiência

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PRINCIPAL

BACHIEGA CELEBRA 50 ANOS

DE EXPERIÊNCIA CONECTANDO

A INDÚSTRIA AOS INSUMOS

DA FLORESTA

Fotos: Emanoel Caldeira

Com soluções personalizadas para o

transporte de produtos florestais, empresa

do interior paulista se destaca pela

excelência e crescimento consolidado

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Bachiega is commemorating five decades of facilitating

connections between the Industrial and Forestry Sectors

The Company, headquartered in the State of São Paulo, distinguishes itself through

its provision of customized solutions for the transportation of forest products. This

distinction is indicative of its consistent excellence and ongoing growth

Maio 2025

47


PRINCIPAL

C

onectando o campo e a indústria, o transporte florestal

é uma etapa fundamental na cadeia produtiva

da madeira. Quando realizado adequadamente, esse

processo garante eficiência no fluxo da matéria-prima,

desde as áreas de colheita, até as unidades de

processamento. Portanto, a relevância vai além da logística, impactando

diretamente fatores como custos operacionais, qualidade do

produto entregue e sustentabilidade, exigindo soluções robustas,

seguras e adaptadas às condições extremas das áreas florestais.

Com vasta experiência na estrada da inovação e da excelência,

a Bachiega consolidou-se como uma referência nacional no setor

de implementos rodoviários, atuando inclusive com soluções para

o setor florestal. Fundada em 1975 por José Bachiega, em Rafard

(SP), a empresa cresceu e se desenvolveu sem perder as raízes do

trabalho dedicado e da qualidade reconhecida. Líder no segmento

de pisos móveis no Brasil, a companhia também se destaca pelos

serviços de locação, manutenção, reposição de peças e transformação

de equipamentos. Em 2025, essa trajetória marcada por

solidez, inovação e compromisso com os clientes completa 50 anos.

Fábio José Bachiega, diretor e filho do fundador da empresa,

cresceu em meio às carrocerias e viu no trabalho de seu pai o

exemplo ideal para consolidar o empreendimento no mercado.

“Trabalhamos muito duro e construímos aqui em Rafard, uma

cidade pequena no interior de São Paulo, uma empresa sólida,

respaldada por seus clientes e que se tornou símbolo de qualidade,

sem perder a nossa essência de empresa familiar”, aponta Fábio.

Sheila Bachiega, esposa e braço direito de Fábio na condução

do negócio, valoriza a história da empresa familiar e de como

estão rompendo as barreiras regionais e internacionais com seus

implementos. “Temos muito orgulho de construir essa história e

F

orest transportation represents a pivotal phase in the timber

production chain, establishing a crucial link between

the Forest and Manufacturing Sectors. When executed

in accordance with established protocols, this process

guarantees the efficient movement of raw materials from

harvesting areas to processing units. Consequently, its significance

extends beyond mere logistics, directly impacting factors such as operating

costs, the quality of the delivered product, and sustainability.

This necessitates the implementation of robust and safe solutions

that are adapted to the extreme conditions prevalent in forest areas.

Bachiega has gained significant recognition for its contributions

to the Road Equipment Sector, establishing itself as a national benchmark.

The Company’s expertise in innovation and excellence has led

to the development of solutions that have found application in the

Forestry Sector as well. The Company was founded in 1975 by José

Bachiega in Rafard (SP), and it has undergone significant growth and

development while maintaining its foundation in dedicated work and

recognized quality. The Company has a prominent market position in

the moving floor segment in Brazil and is distinguished by its rental,

maintenance, parts replacement, and equipment conversion services.

In the year 2025, this trajectory, distinguished by its stability, innovation,

and dedication to customers, will commemorate its 50th year.

Fábio José Bachiega, Chief Executive and son of the Company’s

founder, was raised in the context of truck body manufacturing. He

viewed his father’s professional endeavors as a paradigm of successful

market consolidation for the Company. Fábio Bachiega states

that the Company was established in Rafard, a town in the interior

of São Paulo, with the support of its customers. He notes that the

Company has evolved into a symbol of quality while maintaining its

familial character.

48 www.referenciaflorestal.com.br


Sheila Bachiega, the spouse of Fábio Bachiega and a key figure in

the Company’s management, holds a profound appreciation for the

history of the family business and its role in transcending geographical

and international boundaries through the utilization of its specialized

equipment.

“We are proud to have built this history and brought our Company

to the national spotlight. It is also a source of pride that the

next generation of the family is following in their father’s footsteps

and becoming involved in the business. It is worth noting that, whenever

feasible, they accompany us to trade shows and events, both

domestically and internationally. Furthermore, our close proximity

to the majority of our clientele has resulted in the development of

interpersonal relationships that extend beyond the realm of business

collaboration. These factors provide the foundation for the organization

to successfully navigate the subsequent 50 years with unwavering

resolve,” asserts Fábio Bachiega.

The primary milestone of the anniversary will be the inauguration

of Bachiega’s new headquarters, which will increase production

capacity and improve the working environment. Sheila Bachiega’s

statement indicates an expansion of the existing structure, with an

additional 60 thousand square meters being added to the current 10

thousand square meters.

Sede da Bachiega em Rafard (SP)

colocar nossa empresa em destaque nacional. Me orgulho também

quando percebo que nossas filhas, assim como o pai, estão

crescendo envolvidas com os negócios. Quando possível, elas nos

acompanham em feiras e eventos, tanto no Brasil como no exterior.

Além disso, a nossa proximidade com a maioria dos clientes fez com

que muitos deles se tornassem mais do que parceiros comerciais,

mas também amigos. Esses fatores me fazem ter a certeza de que

estamos caminhando com ainda mais determinação para os próximos

50 anos”, celebra Fábio.

Como marco principal do aniversário, a Bachiega vai inaugurar

sua nova sede fabril, ampliando a capacidade produtiva e proporcionando

melhorias no ambiente de trabalho. “Estamos agregando

à atual área de 10 mil m2 (metros quadrados) uma nova planta com

mais 60 mil m2”, orgulha-se Sheila.

Para Fábio, esse novo momento é a realização do sonho que

ele ajudou seu pai a construir. Trabalhando desde os 12 anos na

fábrica, ele viu o pai construir – aparelhar, lixar, pintar as carrocerias

de madeira, soldar, utilizar maçarico – e, com o pouco estudo

que tinha, criar dobradeira, prensa e outras tantas ferramentas,

algumas que são utilizadas até hoje no processo produtivo. “Tenho

certeza que ele, de onde estiver, está muito orgulhoso do nosso

desenvolvimento”, afirma Fábio.

A nossa proximidade com a maioria

dos clientes fez com que muitos

deles se tornassem mais do que

parceiros comerciais, mas também

amigos. Esses fatores me fazem ter a

certeza de que estamos caminhando

com ainda mais determinação para

os próximos 50 anos

Fábio Bachiega,

diretor da Bachiega

TECNOLOGIA DE PONTA

A excelência é uma das marcas registradas da Bachiega e,

para manter o altíssimo nível de qualidade, a empresa busca estar

sempre conectada com as necessidades do mercado para oferecer

soluções eficientes. O pioneirismo em apresentar e consolidar a

presença do piso móvel ao mercado brasileiro é prova disso.

Fabricados com tecnologia holandesa da Hyva by Cargo Floor,

líder mundial no segmento, o piso móvel montado e vendido pela

Fábio Bachiega, CEO da Bachiega e

Sheila Bachiega, diretora financeira da Bachiega


PRINCIPAL

Bachiega transformou os processos de carga e descarga, especialmente

nos quesitos de agilidade, segurança e custo-benefício. De

acordo com Frans de Raad, CEO da Cargo Floor, a Bachiega foi uma

das pioneiras no Brasil a adotar o sistema de piso móvel operado

pela Cargo Floor, distribuído localmente pela Hyva. “A parceria

começou há mais de 15 anos em um treinamento na Hyva. O Fábio

estava lá e reconheceu imediatamente a qualidade e praticidade

do sistema. Desde então, eles estão trabalhando muito para levar

esses diferenciais ao mercado brasileiro e, assim, se consolidaram

como líderes no país”, valoriza Frans.

Para o diretor da empresa holandesa, o Brasil tem se tornado

cada vez mais atrativo para as operações com piso móvel e a parceria

entre a Bachiega e a Hyva contribui muito para abrir novas

oportunidades. “O mercado brasileiro de pisos móveis cresceu

consideravelmente nos últimos anos, impulsionado pela confiabilidade,

segurança e flexibilidade que essa tecnologia oferece. Ela

permite o transporte eficiente de grandes volumes com extrema

rapidez na descarga, possibilitando ainda retornar com outros tipos

de carga, otimizando as viagens e reduzindo os custos da operação.

É inegável que a Bachiega é parte importante desse crescimento”,

enaltece Frans.

Atualmente, a Bachiega trabalha com um variado leque de

modelos de chassis, caixas de carga e pisos móveis para atender

processos de transporte dos mais diversos segmentos, entre eles

o florestal. “Temos equipamentos com diversas capacidades volumétricas,

chegando até 180 m³ (metros cúbicos) nos conjuntos

rodotrem e bitrenzão. Nos orgulhamos em ter a patente do equipamento

inclinado e com avanço frontal, que garante um volume

ainda maior de carga quando comparado aos modelos tradicionais

do mercado. Com essas soluções, conseguimos atender todos os

subprodutos florestais, desde a casca da madeira, até a biomassa

e a maravalha. Se precisar, toras de menor volume também podem

ser transportadas e descarregadas com o piso móvel”, explica Sheila.

For Fábio Bachiega, this new moment signifies the realization of a

dream that he previously assisted his father in constructing. Beginning

at the age of 12, he engaged in factory work, observing his father’s

woodworking techniques, including trimming, sanding, painting,

welding, and blowtorching. Despite his limited formal education, he

innovated a bending machine, a press, and numerous other tools that

are still in use in the production process. Fábio Bachiega has stated

that he is confident that, irrespective of his current location, he would

harbor a sense of pride regarding the developmental progress that

has been made.

STATE-OF-THE-ART TECHNOLOGY

Excellence is one of Bachiega’s hallmarks and, in order to maintain

the highest level of quality, the Company always seeks to be in touch

with the needs of the market in order to offer efficient solutions. Its

pioneering role in introducing and consolidating the presence of moving

flooring in the Brazilian market is proof of this.

Manufactured using Dutch technology from Hyva by Cargo Floor,

a world leader in the segment, the moving floor assembled and sold

by Bachiega has transformed loading and unloading processes, especially

in terms of agility, safety and cost-effectiveness. According to

Frans de Raad, Chief Executive of Cargo Floor, Bachiega was one of

the pioneers in Brazil to adopt the moving floor system operated by

Cargo Floor and distributed locally by Hyva. “The partnership began

more than 15 years ago during a training session at Hyva. Fábio was

there and immediately recognized the quality and practicality of the

system. Since then, they have been working hard to bring these differentials

to the Brazilian market and have thus established themselves

as leaders in the Country,” he says.

For the Chief Executive of the Dutch company, Brazil has become

increasingly attractive for moving floor operations and the partnership

between Bachiega and Hyva is helping to open new opportunities.

“The Brazilian moving floor market has grown considerably in recent

years, driven by the reliability, safety, and flexibility that this technology

offers. It makes it possible to transport large volumes efficiently

and unload them extremely quickly, while also making it possible to

return with other types of cargo, optimizing journeys and reducing

operating costs. It is undeniable that Bachiega is an important part

of this growth,” says de Raad.

Currently, Bachiega works with a wide range of chassis models,

cargo boxes and mobile floors to meet the transportation needs of

the most diverse segments, including forestry. “We have equipment

with various volumetric capacities, reaching up to 180 m³ in bitrailers

and road trains. We are proud to have the patent for the inclined

50 www.referenciaflorestal.com.br


SATISFAÇÃO GARANTIDA

Utilizando exclusivamente pisos móveis da Bachiega, o Grupo

Multilixo (MTL) atua no setor de biomassa e movimenta, em média,

25 mil toneladas de cavaco de eucalipto por mês. A parceria

comercial começou há mais de 25 anos e se fortalece cada vez

mais. “Iniciamos com o transporte de resíduos e, posteriormente,

migramos para a madeira, começando especificamente com o

cavaco reciclado. Operamos com diversas bases funcionando 24h

(horas) por dia e escolhemos a Bachiega por sua confiabilidade. Os

problemas são muito raros, a manutenção preventiva é eficiente

e o atendimento é rápido. Já utilizamos outros sistemas de piso

móvel, mas enfrentávamos dificuldades com atrasos e manutenção

complexa”, compara André Luiz Moreira Mecho, diretor de

operações do grupo.

Eddie Andreotti Junior, gerente de produção do grupo, destaca

a evolução do transporte com a chegada do piso móvel. “Hoje,

temos uma frota com mais de 100 caminhões com piso móvel em

operação. Antes disso, a demanda para o descarregamento era mais

trabalhosa e com maior risco de danos. Agora temos um processo

seguro e ágil. Em apenas 10 minutos, conseguimos realizar todo o

processo de descarga, por exemplo”, ressalta Eddie.

Walter Tebom Junior, sócio-diretor da Tebom Transportes, é

outro cliente que escolheu atuar exclusivamente com o piso móvel

da Bachiega. A empresa entrou no mercado de biomassa em

2012 e atualmente possui 24 carretas equipadas com a solução.

“Tenho na Bachiega a segurança da minha operação. A Tebom já

tinha experiência em transportes de outros segmentos e escolhemos

o melhor para nossas atividades com cavaco e biomassa. Já

se passaram 14 anos e espero que venha muito mais pela frente,

pois temos segurança em saber que nossa frota é 100% Bachiega”,

reforça Walter.

Walter Tebom Junior, sócio-diretor da Tebom Transportes

equipment with frontal advance, which guarantees an even greater

load volume when compared to the traditional models on the market.

With these solutions, we can handle all forest by-products, from bark

to biomass and wood chips. If necessary, smaller logs can also be transported

and unloaded with the mobile floor,” explains Sheila Bachiega.

CUSTOMER SATISFACTION IS GUARANTEED

The Multilixo Group (MTL) is a major player in the Biomass Sector,

with an average monthly processing capacity of 25 thousand tons of

eucalyptus chips. The business partnership was initiated more than

25 years ago and has since experienced continuous growth. The initiative

commenced with the transportation of waste materials and

subsequently transitioned to the processing of wood, commencing

with the utilization of recycled chips. We have established collaborative

relationships with numerous bases that operate on a 24-hour

basis, and we selected Bachiega due to its demonstrated reliability.

Although issues are rare, the efficacy of preventative maintenance is

noteworthy, and service delivery is expeditious. Previous experience

with alternative moving floor systems has revealed challenges, including

delays and demanding maintenance requirements,” states André

Luiz Moreira Mecho, the Group’s Operations Director.

Eddie Andreotti Junior, the Group’s Production Manager, engages

in a discourse on the evolution of transportation in the context of the

introduction of the moving floor. The Company fleet is composed of

over 100 trucks that are equipped with moving floors. Historically, the

process of unloading was more arduous and prone to damage. The

present process is distinguished by its emphasis on safety and flexibility.

For instance, the complete unloading process can be completed

in 10 minutes,” states Andreotti Junior.

Walter Tebom Junior, the Managing Partner of Tebom Transportes,

is another customer who has elected to work exclusively with

Bachiega’s moving floor. The Company’s foray into the biomass market

commenced in 2012, and it currently possesses 24 trailers equipped

with the solution. “I depend on Bachiega for the security of my operation.

Tebom had already accumulated experience in transportation

in other segments. For our activities involving chips and biomass, we

selected the most suitable option,” says Tebom Junior.

Maio 2025

51


INICIATIVA

Potencial

DE CRESCIMENTO

Minas Gerais segue

na vanguarda do

crescimento das

florestas plantadas

Fotos: divulgação

52 www.referenciaflorestal.com.br


Maio 2025 53


INICIATIVA

M

inas Gerais dispõe de 15 milhões de ha (hectares)

com aptidão para projetos florestais,

dos quais 7 milhões de ha podem ser para empreendimentos

do tipo brownfield (utilização

de florestas já existentes) e 15 milhões para

projetos greenfield (novos plantios destinados à instalação de

indústrias futuras). Esses dados foram apresentados no estudo

inédito divulgado durante o evento Florestas UAI, realizado

pela Amif (Associação Mineira da Indústria Florestal) — entidade

que representa o setor de florestas plantadas no estado —

em parceria com a Malinovski.

A pesquisa foi encomendada pela SEDE-MG (Secretaria de

Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais) e pela

Invest Minas, sendo conduzida pelo Grupo Index. Para Adriana

Maugeri, presidente da Amif, “este estudo é, sem dúvida, um

divisor de águas, pois oferece um direcionamento claro para

um crescimento ordenado, sustentável e inclusivo do setor, alcançando

diversas regiões, perfis de produtores e segmentos.”

Atualmente, Minas Gerais possui cerca de 2,3 milhões de

hectares de florestas plantadas, o que representa aproximadamente

25% da área total de plantações florestais do Brasil,

além de 1,3 milhão de ha de florestas preservadas. Esse setor

movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano, gera mais de 300

mil empregos diretos e indiretos, e contribui significativamente

para as exportações mineiras com produtos como celulose, papel

e carvão vegetal sustentável.

DESTAQUES

Além da grande disponibilidade de área, o Estado se destaca

por outros fatores que reforçam sua atratividade para

investimentos: excelente disponibilidade hídrica, preços competitivos

da terra, regime tributário diferenciado, uma cadeia

de valor diversificada, e o fato de possuir a maior área plantada

de eucalipto do país. A silvicultura está presente em 811 dos

853 municípios mineiros, evidenciando sua capilaridade e importância

socioeconômica.

O estudo revela ainda que Minas Gerais oferece um dos

melhores Valores de Terra Nua do Brasil para fins florestais,

com média de R$ 9,8 mil/ha, podendo chegar a R$ 2,8 mil/ha

nas regiões mais promissoras — como o norte, noroeste e central

do Estado. Esse cenário, aliado a um clima favorável, proporciona

uma produtividade florestal competitiva, muitas vezes

superior à de outros polos já saturados, projetando Minas

como o novo destino estratégico para investimentos industriais

florestais no Brasil.

Com a recente simplificação do licenciamento ambiental,

que diminuiu o tempo para a autorização, e o aumento global

da demanda por produtos sustentáveis, o Estado se posiciona

como protagonista na transição para uma economia verde. “O

estudo vem em um momento oportuno e integra o programa

Minas Invest+ Florestas, que organiza e centraliza as ações para

desburocratizar e atualizar a legislação florestal do Estado”,

reforçou Adriana.

O diagnóstico recomenda a criação de políticas públicas

focadas em quatro eixos: melhorias logísticas, aumento da

produtividade florestal com apoio técnico e pesquisa, capacitação

de mão de obra especializada, e ampliação dos benefícios

fiscais para atrair novos investimentos. Posiciona Minas Gerais

como uma das regiões mais promissoras para a indústria florestal

no Brasil, destacando não apenas sua estrutura produtiva,

mas também seu potencial competitivo no cenário nacional e

internacional.

54 www.referenciaflorestal.com.br


MUDAS DE

Pinus taeda

TEMOS TAMBÉM

• Araucária Enxertada

Produção precoce de pinhão

• Nativas spp.

• Eucalyptus spp.

• Erva-Mate

viveiro_florestal_duffatto

BOM RETIRO - MONTE CASTELO/SC


INICIATIVA

Foto: divulgação/Amif

FLORESTAS PENSADAS

A iniciativa de comunicação e marketing marca um momento

inédito para o setor florestal brasileiro e surge como

resposta à fragmentação histórica da identidade do setor. De

acordo com a presidente da Amif, Adriana Maugeri, “Florestas

Pensadas” tem como objetivo central promover uma imagem

clara, unificada e mais conectada com a sociedade.

Durante a condução do lançamento da marca, Adriana destacou

a necessidade dessa transformação: “O posicionamento

do setor é tão importante, porque há uma crise de identidade

dentro do setor florestal brasileiro, de próprio entendimento.

Quando tenho várias possibilidades ao mesmo tempo,

fragmento o meu posicionamento, a minha comunicação e o

entendimento. Isso abre espaço para contra informações negativas,

mitos, falácias que não fazem sentido.”

O novo posicionamento busca inverter essa lógica e despertar

o orgulho dos mineiros que vivem no estado com o maior

plantio florestal do país. Com a campanha, prevista para ir ao ar

no início do próximo semestre, a Amif pretende dialogar com

o público que ainda desconhece o setor e suas contribuições.

“A persona da nossa campanha é a sociedade, é o senhor e a

senhora que não nos conhecem. Queremos conversar com o

coração dos mineiros. Para que os mineiros sintam orgulho de

ter a maior floresta plantada do Brasil”, conclui Adriana.

Além disso, a campanha trará à tona os valores de sustentabilidade,

inovação e produção responsável, destacando o papel

de Minas Gerais como líder nacional em florestas plantadas,

presente em 95% dos municípios do Estado. Minas Gerais possui

2,3 milhões de ha de florestas plantadas e 1,3 milhão de ha

de florestas conservadas, números que evidenciam a força e o

compromisso do setor.

Para o Coordenador de Comunicação da Amif, Bruno

Menezes, “Florestas Pensadas” traz um conceito completo:

Este estudo é, sem dúvida, um

divisor de águas, pois oferece

um direcionamento claro para

um crescimento ordenado,

sustentável e inclusivo do setor,

alcançando diversas regiões,

perfis de produtores e segmentos

Adriana Maugeri,

presidente da Amif

pensadas para cuidar, pensadas para produzir. Afinal, trata-se

da atividade econômica que mais planta, produz e conserva

em altíssima escala no Estado, demonstrando que é possível

aliar desenvolvimento e preservação ambiental com eficiência

e responsabilidade. “Os plantios florestais mineiros devem ser

compreendidos não apenas como um espaço de produção, mas

como símbolos de cuidado, ciência e desenvolvimento sustentável.

É um chamado ao reconhecimento e à valorização de um

setor vital para o país”, complementa Bruno.

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MANEJO

Manejo

NA CLASSE

Seminários da Amazônia

discutem soluções sustentáveis

para a indústria madeireira

Fotos: divulgação e Tarcisio Schnaider

58 www.referenciaflorestal.com.br


D

urante a IV edição dos Seminários da

Amazônia, o Inpa (Instituto Nacional

de Pesquisas da Amazônia) recebeu

o renomado pesquisador do Inpa,

Niro Higuchi, que apresentou avanços

científicos e tecnológicos no campo do manejo

florestal sustentável. Em sua palestra, Niro destacou

os resultados do Projeto INCT (Institutos Nacionais

de Ciências e Tecnologia) Madeiras da Amazônia,

iniciativa que integra ciência, inovação e parcerias

institucionais visando enfrentar os desafios da indústria

madeireira na região.

Segundo o pesquisador, esse modelo não é

sustentável. “Os dados atuais indicam um cenário

preocupante: entre 60% e 70% de uma tora de

árvore são desperdiçados, sendo menos de 30%

aproveitado pela indústria”, garante Niro. A solução,

segundo ele, está no investimento em tecnologia e

pesquisa aplicada.

A partir do trabalho desenvolvido no LMF (Laboratório

de Manejo Florestal), novas ferramentas vêm

sendo aplicadas para melhorar o uso dos recursos

florestais. Entre elas, destacam-se sensores, drones

e algoritmos, que ajudam a mapear, monitorar e

otimizar o processo de extração e transformação da

madeira. Essa abordagem tecnológica permite não

apenas reduzir o desperdício, mas também aumentar

a produtividade de forma responsável com o

meio ambiente.

Além disso, o LMF tem desenvolvido alternativas

sustentáveis para o aproveitamento de resíduos

florestais, com aplicações voltadas à construção civil,

ao setor moveleiro e à educação ambiental. Um dos

exemplos mais inovadores é a transformação de madeiras

de pequeno diâmetro — oriundas de árvores

naturalmente caídas — em painéis interativos de

escalada. “No Bosque da Ciência, como um exemplo

do projeto, foi instalado um muro de escalada inte-

Maio 2025

59


MANEJO

rativo. O painel é feito de lamelas cruzadas com cavilhas

(PLCC). Lamelas são pequenas tábuas e cavilha

é o elemento de ligação de madeira (tipo prego)”,

explica Niro.

As espécies utilizadas nas lamelas, cavilhas e

agarras são abundantes na floresta amazônica, mas

ainda pouco conhecidas comercialmente. “Para

garantir a segurança do muro de escalada, o INCT

– Madeiras da Amazônia teve que engenheirar o

painel”, completa o Niro. O projeto também prevê

parcerias com a Seduc e a Semed, já que a escalada

é um projeto para fazer parte do processo interativo

da grade curricular do ensino fundamental e médio.

Outro foco das pesquisas é o estudo da biomassa

e dos estoques de carbono da floresta. “Após

derrubar e pesar mais de 500 árvores (raízes, inclusive),

nós conseguimos desenvolver um modelo

estatístico que estima a biomassa da árvore viva

em pé com uma incerteza de 5%. Do material coletado,

estimamos os teores de água e carbono das

diferentes partes (raízes, tronco, galhos e folhas) da

Os dados atuais indicam um

cenário preocupante: entre

60% e 70% de uma tora de

árvore são desperdiçados,

sendo menos de 30%

aproveitado pela indústria

Niro Higuchi, pesquisador do Inpa

60 www.referenciaflorestal.com.br



MANEJO

árvore”, afirma Higuchi. Com base nesses dados, foram

realizados inventários de biomassa em diversos

municípios do Amazonas para estimar o estoque de

carbono das florestas estaduais.

Com isso, parcelas permanentes vêm sendo monitoradas

para calcular as variações desses estoques

ao longo do tempo, o que permite avaliar o sequestro

de carbono — processo crucial para entender e

mitigar as mudanças climáticas. “Estoques e sequestros

de carbono das florestas do Amazonas estão

equacionados”, reforça o pesquisador.

Os estudos também avançam na análise da troca

gasosa entre as árvores e a atmosfera. “Depois

de monitorar 87 árvores durante 855 dias, temos a

primeira estimativa, que é 14 vezes — ou seja, as árvores

trocam com a atmosfera 14 vezes o peso delas

em água. A capacidade de troca em relação ao CO₂

está muito próxima”, explica Higuchi. Essa pesquisa

deve ser validada em áreas da ZF2, além de FLONAs

(Florestas Nacionais) no Amapá, Pará e Rondônia.

“Essas pesquisas relacionadas com serviços ecossistêmicos

têm que convergir para o manejo florestal

sustentável, para agregar mais valor à madeira e

para a modelagem do clima global”, completa Niro,

destacando que essa última etapa é feita em parceria

com o Lawrence Berkeley National Laboratory, do

Departamento de Energia dos EUA (Estados Unidos

da América), e com forte participação de discentes

da pós-graduação.

A integração entre ciência, tecnologia e educação

reafirma o compromisso da instituição com a

sustentabilidade da Amazônia. Projetos como o INCT

Madeiras da Amazônia mostram como é possível

desenvolver soluções que conciliem conservação

ambiental e desenvolvimento socioeconômico na

região.

62 www.referenciaflorestal.com.br


DE 07 A 09

DE OUTUBRO DE 2025

3°encontro técnico de compostagem

2025

feira brasileira de compostagem

LOCAL: ENGENHO CENTRAL EM PIRACICABA (SP)

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A LETRA DA LEI

A política nacional de

resíduos sólidos e os

resíduos orgânicos

Fotos: divulgação

64 www.referenciaflorestal.com.br


APNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos)

no Brasil abrange tanto os resíduos urbanos

quanto os rurais, estabelecendo diretrizes

para a gestão integrada e o manejo ambientalmente

adequado desses materiais. Os resíduos

orgânicos, que incluem restos de alimentos, resíduos

de jardinagem e outros materiais biodegradáveis, representam

uma parcela significativa dos resíduos gerados tanto

em áreas urbanas quanto rurais.

Em áreas urbanas, a PNRS incentiva a compostagem e a

reciclagem dos resíduos orgânicos, promovendo a redução

do volume de lixo enviado aos aterros sanitários e contribuindo

para a produção de fertilizantes naturais. Além

disso, a separação correta dos resíduos orgânicos é essencial

para evitar a contaminação dos materiais recicláveis,

aumentando a eficiência dos processos de reciclagem.

Nas zonas rurais, a gestão dos resíduos orgânicos

é igualmente importante. A PNRS prevê a utilização de

técnicas de compostagem e a implementação de práticas

sustentáveis para o tratamento dos resíduos provenientes

da agricultura e da pecuária. Essas práticas não só ajudam

a reduzir o impacto ambiental, mas também podem melhorar

a qualidade do solo e aumentar a produtividade

agrícola.

Em suma, os resíduos orgânicos urbanos e rurais são

uma parte crucial da PNRS, que busca equilibrar o desenvolvimento

econômico com a preservação ambiental, criando

um ciclo sustentável de gestão de resíduos.

• A gestão de resíduos orgânicos na silvicultura

e na agroindústria

A gestão de resíduos orgânicos na silvicultura e na

agroindústria é um elemento essencial para promover a

sustentabilidade e o equilíbrio ambiental. Este setor, caracterizado

pela produção de bens agrícolas e florestais,

gera uma quantidade significativa de resíduos orgânicos

que, se corretamente manejados, podem contribuir para a

fertilidade do solo, a redução da poluição e o aumento da

produtividade.

• Compostagem na silvicultura

A compostagem na silvicultura pode ser realizada de

várias maneiras. Uma das técnicas mais eficientes é a compostagem

laminar manejado, onde os resíduos são deixados

na própria área de cultivo para decomposição natural

com manejo adequado para uma decomposição aeróbica.

Este método não só reduz o custo de transporte dos resíduos,

mas também garante que os nutrientes permaneçam

Maio 2025

65


COMPOSTAGEM

Este método não só reduz

o custo de transporte dos

resíduos, mas também

garante que os nutrientes

permaneçam no próprio

ecossistema

no próprio ecossistema. A compostagem em pilhas e a vermicompostagem

são outras práticas utilizadas, cada uma

com suas vantagens específicas dependendo do tipo de

solo e vegetação.

• Resíduos orgânicos na agroindústria

A agroindústria, que inclui a produção e processamento

de alimentos agrícolas, gera uma vasta gama de resíduos

orgânicos, tais como restos de frutas e vegetais, cascas,

sementes e bagaços. A gestão eficiente desses resíduos é

crucial para minimizar impactos ambientais e maximizar

recursos.

A agroindústria utiliza várias técnicas para tratar resíduos

orgânicos. A compostagem industrial é uma prática

amplamente adotada, onde grandes quantidades de resíduos

são transformadas em composto orgânico de alta qualidade.

A digestão anaeróbia é outra técnica eficaz, onde

os resíduos são convertidos em biogás através da ação de

microrganismos em ambientes sem oxigênio. Este biogás

pode ser utilizado como fonte de energia renovável, e o digestato

resultante pode ser usado como fertilizante.

A reciclagem de nutrientes na agroindústria envolve a

recuperação de elementos essenciais como nitrogênio, fósforo

e potássio dos resíduos orgânicos. Estes nutrientes são

então reutilizados na produção agrícola, fechando o ciclo de

sustentabilidade. Técnicas como a extração química e biológica

são utilizadas para separar e purificar esses nutrientes,

que são posteriormente convertidos em fertilizantes de alta

qualidade. Além disso, técnicas de compostagem são amplamente

empregadas para transformar resíduos orgânicos

em composto, rico em nutrientes e benéfico para o solo.”

• Conclusão

A gestão de resíduos orgânicos na silvicultura e na

agroindústria é uma área rica em possibilidades e essencial

para a promoção da sustentabilidade ambiental. Ao adotar

práticas de compostagem, aproveitamento de biomassa,

tratamento de resíduos e reciclagem de nutrientes, esses

setores não só contribuem para a preservação do meio

ambiente, como também melhoram sua própria eficiência

produtiva e econômica. Com o apoio das políticas públicas

e a conscientização da comunidade, é possível criar um

ciclo virtuoso de gestão de resíduos que beneficia todos os

envolvidos.

Pergunte ao Tomita

Caso tenha alguma dúvida sobre

o sistema de compostagem,

envie sua pergunta para o e-mail

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SILVICULTURA

Caravana

DA SILVICULTURA

68 www.referenciaflorestal.com.br


Expedição inédita

vai mapear

produtividade

de florestas

cultivadas do

Brasil

Fotos: divulgação

Maio 2025

69


SILVICULTURA

Aprimeira edição da Expedição Silvicultura tem

como meta coletar dados e entregar um levantamento,

sem precedentes, sobre a produtividade

das plantações florestais no Brasil. A

iniciativa visa aprofundar o entendimento das

condições e desafios da produção florestal no país. Todo

o roteiro está previsto para acontecer entre os meses de

junho a agosto de 2025, quando especialistas vão percorrer

mais de 40 mil km (quilômetros) pelas principais regiões

produtoras em 16 Estados do país, coletando informações

em cerca de 40 mil pontos de controle.

Também serão visitadas centenas de propriedades,

onde serão realizadas entrevistas com proprietários e gestores

florestais, além da coleta de dados quantitativos e

qualitativos em cerca de 1 mil parcelas amostrais. As equipes

especializadas vão utilizar em campo a combinação de

métodos tradicionais e tecnologias avançadas para garantir

a precisão e a riqueza dos dados coletados, que vão analisar

áreas de cultivo de eucalipto e pinus, além de espécies

de destaque regional como teca, acácia-negra, araucária,

entre outras. Serão coletados dados biofísicos das árvores,

como diâmetro, altura e sanidade, além de informações

CIDADES E DATAS DOS EVENTOS:

Porto Alegre (RS): 05/06/25

Lages (SC): 12/06/25

Curitiba (PR): 17/06/25

Belo Horizonte (MG): 25/06/25

Vitória (ES): 01/07/25

Eunápolis (BA): 08/07/25

Lucas do Rio Verde (MT): 25/07/25

Três Lagoas (MS): 31/07/25

Botucatu (SP): 06/08/25

sobre práticas de manejo, incluindo o uso de insumos e

tecnologias.

Além de levantar dados de produtividade florestal, a

iniciativa investigará tendências de investimento, custos de

produção e as percepções e expectativas dos produtores.

Também serão avaliadas as práticas socioambientais adotadas

nas diferentes regiões, bem como os impactos das

mudanças climáticas sobre a produção florestal. “A produtividade

florestal é um indicador estratégico para o setor,

pois afeta diretamente a previsibilidade do abastecimento

de madeira e serve como base para a tomada de decisões,

que têm reflexos no médio e longo prazo dos negócios

florestais”, aponta Fabio Gonçalves, Cofundador & CEO da

Canopy Remote Sensing Solutions, organizadora da Expedição.

70 www.referenciaflorestal.com.br


A Embrapa vai contribuir com o apoio técnico no planejamento

da coleta, na análise dos dados e na produção

do relatório técnico final, em áreas como sensoriamento

remoto, mensuração e manejo florestal, economia e planejamento

florestal, proteção florestal, fertilidade e manejo

de solos florestais e melhoramento florestal. “Entendemos

que estes dados são estratégicos para o setor de base florestal

brasileiro, mas também podem subsidiar novas ações

de pesquisa e inovação”, avalia Edina Moresco, chefe de

Transferência de Tecnologia da Embrapa Florestas.

Durante o trajeto, que começa no Rio Grande do Sul

e finda no interior de São Paulo, serão realizados nove

eventos presenciais, quando serão discutidos tópicos importantes

da produção florestal em cada região, bem como

soluções que permitem o aumento da produtividade, com

qualidade. “Os locais foram escolhidos em parceria com

as associações regionais que são parceiras da expedição. A

programação dos encontros presenciais contará com palestras

e participação de renomados especialistas de empresas

e instituições do setor, uma experiência ímpar para quem

visa se atualizar, agregar conhecimento e networking”, informa

Paulo Cardoso, CEO da Paulo Cardoso Comunicações

e do portal Mais Floresta, parceiro na realização da Expedição

Silvicultura.

Entendemos que estes

dados são estratégicos

para o setor de base

florestal brasileiro, mas

também podem subsidiar

novas ações de pesquisa e

inovação

Edina Moresco, chefe de

Transferência de Tecnologia da

Embrapa Florestas

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Maio 2025

71


ARTIGO

INTEGRAÇÃO DAS ATIVIDADES

AGROPECUÁRIAS COM A SILVICULTURA:

ANÁLISE DA LUCRATIVIDADE NOS

MUNICÍPIOS BRASILEIROS

Fotos: divulgação

AMARILDO DE PAULA JUNIOR

UEM (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ)

JOSÉ LUIZ PARRÉ

UEM (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ)

Foto: divulgação

72 www.referenciaflorestal.com.br


Maio 2025 73


ARTIGO

RESUMO

E

ste estudo propõe analisar se a presença

de silvicultura em estabelecimentos

agropecuários de forma geral, de lavoura

temporária e de pecuária eleva a lucratividade

dessas respectivas atividades

nos municípios brasileiros. Para isso, foram utilizados

dados do Censo Agropecuário de 2017 para os 5.570

municípios do Brasil. A aplicação de modelos espaciais

ajuda a capturar a questão da dependência espacial

entre os dados, enquanto a utilização de modelos

logísticos ajustados fornece robustez às relações

encontradas entre as integrações produtivas e a lucratividade.

Os resultados encontrados com a amostra

irrestrita mostram que a presença da silvicultura em

estabelecimentos agropecuários de forma geral e

de pecuária eleva as suas respectivas lucratividades.

Além disso, foram feitas regressões por regimes espaciais,

em que se averiguou a manutenção da direção

dos efeitos positivos e significativos em algumas

regiões brasileiras. No caso do efeito da presença de

silvicultura em estabelecimentos de lavoura tempo-

rária, não é significativo na amostra geral, mas é, em

algumas regiões, significativo nas subamostras.

INTRODUÇÃO

Diante do avanço de problemas climáticos, como

a elevação da temperatura média global e alteração

na precipitação em determinados locais, a atenção

dos formuladores de políticas econômicas está progressivamente

voltada para questões ambientais,

como a redução da emissão de GEE (gases de efeito

estufa) (Fernandes & Finco, 2014). As mudanças

climáticas influenciam a produtividade agrícola em

todo o mundo, e caso não sejam adotadas medidas

de controle de emissão de GEE, a queda na produtividade

agrícola poderá ser muito maior nas próximas

décadas (Cuadra et al., 2018). Variações positivas e

imprevistas no nível médio da temperatura tendem

a influenciar de maneira negativa os lucros agrícolas

(Zeilinger et al., 2021).

Como alicerce legal, o estabelecimento da Resolução

70/1 da ONU (Organização das Nações Unidas)

74 www.referenciaflorestal.com.br


em 2015, fundamentando a Agenda 2030 para o

desenvolvimento sustentável, foi um marco para políticas

de sustentabilidade, uma vez que visa o enfrentamento

de mudanças climáticas e a adaptação de

suas possíveis causas. As metas 13.1 e 13.2 dos ODS

(Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) procuram

reforçar a resiliência e a capacidade de adaptação a

riscos relacionados ao clima e às catástrofes naturais

em todos os países e integrar medidas da mudança

do clima nas políticas, estratégias e planejamentos

nacionais.

Além da necessidade de redução de desmatamento,

tornou-se importante o reflorestamento de áreas

desmatadas ou até mesmo o avanço da arborização

em áreas onde o manejo animal afetou o solo. Diante

disso, a ILPF (integração lavoura-pecuária-floresta) se

tornou uma alternativa que harmoniza as necessidades

e os objetivos dos sistemas de produção, sendo

essas ferramentas possíveis não somente na configuração

agrossilvipastoril, mas também nas configurações

silviagrícolas, silvipastoris e agropastoril (Vilela et

al., 2012).

A aplicação de modelos

espaciais ajuda a capturar a

questão da dependência espacial

entre os dados, enquanto a

utilização de modelos logísticos

ajustados fornece robustez às

relações encontradas entre

as integrações produtivas e a

lucratividade

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ARTIGO

A ILPF é uma técnica que intensifica o uso do fator

de produção terra e permite que haja a recuperação

paulatina do solo a cada ciclo produtivo, contribuindo

com a elevação da produtividade e gerando benefícios

socioambientais (Cuadra et al., 2018). Além de benefícios

ambientais, as integrações podem trazer consigo

benefícios tecnológicos e econômicos, como versatilidade

para sua aplicação em diferentes unidades de

produção, eficiência na utilização de insumos, redução

dos custos para a produção animal, elevação de renda

dos estabelecimentos rurais e conciliação entre meio

ambiente e atividade produtiva (Balbino et al., 2011).

Mesmo que possa haver divergência na definição

técnica de sistemas agroflorestais e ILPF em algumas

fontes de dados disponibilizados, os dados do Censo

Agropecuário fornecem informações sobre a presença

de silvicultura em estabelecimentos agropecuários de

forma geral, bem como os de lavoura temporária ou

pecuarista. No Brasil, existem 299.698 estabelecimentos

agropecuários, de forma geral, que incorporam

algum tipo de integração com a silvicultura em suas

A ILPF é uma técnica que

intensifica o uso do fator de

produção terra e permite que

haja a recuperação paulatina

do solo a cada ciclo produtivo,

contribuindo com a elevação

da produtividade e gerando

benefícios socioambientais

76 www.referenciaflorestal.com.br


atividades, ou seja, são estabelecimentos que podem

estar em alguma das configurações silviagrícolas,

silvipastoris ou agrossilvipastoris. Além disso, existe o

indício de que a maioria desses estabelecimentos, em

relação aos estabelecimentos totais, está concentrada

na região sul, onde 23,86% dos estabelecimentos

agropecuários praticam algum tipo de integração com

a silvicultura (IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e

Estatística, 2017).

Diante da importância dessa ferramenta para um

modelo de produção agropecuária baseado em sustentabilidade,

é importante verificar empiricamente

se a presença de silvicultura em estabelecimentos

agropecuários aumenta a lucratividade dos produtores,

uma vez que o nível de lucro advindo das integrações

pode ser um determinante para adoção ou

rejeição dos sistemas integrados da agropecuária com

a silvicultura.

Portanto, esta pesquisa analisa se a presença de

silvicultura em estabelecimentos agropecuários impacta

positivamente a variável de lucratividade agropecuária

geral ao nível municipal (em que se consideram

todos os tipos de estabelecimentos agropecuários

disponíveis no Censo Agropecuário). Além disso,

busca-se verificar também se a silvicultura tem efeito

positivo sobre a lucratividade de lavoura temporária e

de pecuária. Ademais, são feitas regressões logísticas

e por regimes espaciais para verificar a manutenção

da robustez dos efeitos encontrados com a amostra irrestrita.

Este estudo considera questões espaciais, ao

nível municipal do Brasil, para o ano de 2017. Salienta-se

que essa configuração de estudo, ponderando

efeitos espaciais, foi pouco explorada pela literatura

sobre o tema até então.

Este estudo está dividido em cinco seções. Além

desta introdução, o segundo tópico aborda brevemente

a relação entre as adaptações produtivas da

agropecuária e a lucratividade agropecuária na literatura.

A terceira seção trata da metodologia. A quarta

subseção é responsável por apresentar o panorama

atual das integrações produtivas com a silvicultura e

das lucratividades agropecuárias, além disso, apresenta

os resultados deste artigo, e por fim, a última seção

aborda as considerações finais.

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77


AGENDA

AGENDA 2025

MAIO

2025

Imagem: reprodução

X Workshop PCMF

Data: 20 a 22

Local: Piracicaba (SP)

Informações:https://www.ipef.br/

eventos/evento.aspx?id=577

MAIO

2025

MAI

2025

LIGNA

A Ligna não é apenas o lugar para descobrir inovações,

fechar negócios e construir redes. Além da exposição

em si, a feira oferece diversos formatos especiais

para todo o espectro da indústria de marcenaria e

processamento de madeira. Mais de 80 mil visitantes

profissionais dos setores de marcenaria e processamento

de madeira vêm à Ligna, a principal feira mundial de

equipamentos, máquinas e ferramentas para marcenaria

e processamento de madeira, vindos de todo o mundo

para descobrir máquinas, equipamentos e tecnologias

inovadoras de toda a indústria madeireira. Uma edição

marcada pelo 50º aniversário da maior feira mundial do

segmento de base florestal.

Ligna

Data: 26 a 30

Local: Hannover (Alemanha)

Informações:

https://www.ligna.de/en/

Imagem: reprodução

Show Florestal 2025

Data: 19 a 21

Local: Três Lagoas (MS)

Informações:

https://www.showflorestal.com.br/

AGOSTO

2025

AGO

2025

SHOW FLORESTAL

O Show Florestal tem como objetivo impulsionar

o crescimento do mercado industrial de florestas

plantadas, fomentar a inovação e gerar novos

negócios. A edição de 2025 já conta com mais de 120

expositores confirmados. O Estado de Mato Grosso

do Sul vem recebendo investimentos significativos

por grandes empresas que atuam no setor florestal.

Atualmente, o estado tem a segunda maior área

plantada com eucalipto no Brasil. São 1.329.132 ha

(hectares) atrás apenas de Minas Gerais.

78 www.referenciaflorestal.com.br


A Feira da Indústria do Eucalipto

Três Lagoas - MS

19 a 21

Agosto

de 2025

Organização:

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ESPAÇO ABERTO

Foto: divulgação

Gestão

MODERNIZADA

Por Wagner Nogueira Junior, formado

em Administração pela Universidade

de Viçosa (MG) e tem MBA em

Administração e Recursos Humanos

pela Fundação Getúlio Vargas e PUC-

SP (Pontifícia Universidade Católica),

além de especialização em gestão em

Stanford, nos EUA (Estados Unidos da

América). Atua com gerente senior de

RH da Tenda há 5 anos

IA na gestão de pessoas: o

futuro dos recursos humanos

AIA (inteligência artificial) tem mudado radicalmente diversos

setores, e a gestão de pessoas não é exceção. Nos últimos

anos, presenciamos uma revolução tecnológica que afetou diretamente

a maneira como atraímos, desenvolvemos e retemos

talentos. No entanto, apesar do crescente entusiasmo, a

adoção efetiva e o sucesso real dessa tecnologia em RH (recursos humanos)

enfrentam diversos desafios.

Neste artigo, explorarei detalhadamente as oportunidades, desafios,

casos reais e tendências futuras do uso da IA no RH, tendo como base a

análise feita pela consultoria Gartner, em seu relatório: AI in HR: Hits, Misses

and Growing Pains; além de detalhar o prisma de casos de uso para

gestão de capital humano.

A Gartner apresenta um prisma que posiciona aplicações de IA no RH

com base em dois eixos: valor de negócio e viabilidade técnica. As aplicações

vão desde assistentes virtuais para recrutamento até ferramentas

sofisticadas de gestão de competências e feedback de desempenho. Destaquei

três grandes áreas identificadas pela Gartner, amplamente valorizadas

pelos gestores de RH atualmente: Recrutamento com IA, Assistentes Virtuais

de RH e Gestão de Competências com IA.

Recrutamento com IA: O recrutamento foi uma das primeiras funções

de RH a se beneficiar de IA. A automação de entrevistas, seleção de currículos

por algoritmos, assistentes virtuais para candidatos e insights sobre o

mercado de trabalho são algumas das aplicações já amplamente adotadas.

Empresas como Unilever e Amazon demonstraram resultados impressionantes,

reduzindo drasticamente o tempo de contratação e otimizando a

experiência dos candidatos através de processos simplificados e ágeis.

Assistentes Virtuais de RH: interação e satisfação do usuário - os assistentes

virtuais de RH oferecem aos colaboradores uma interface amigável

para solucionar dúvidas e realizar tarefas administrativas. Empresas como

IBM, com o assistente virtual Watson, já provaram que é possível melhorar

significativamente o engajamento dos funcionários e gestores com o RH.

Gestão de Competências com IA: Grandes organizações têm obtido

sucesso ao implementar sistemas que utilizam IA para gerenciar competências

de forma dinâmica. A IA viabiliza mobilidade interna, indicações precisas

para projetos e mentorias, e alinhamento de carreira. IBM e Microsoft,

por exemplo, já implementaram com sucesso sistemas de competências

baseados em IA para direcionar treinamentos personalizados e oportunidades

internas.

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

Implementar IA em RH não é uma jornada simples, mas suas promessas

são grandiosas. Gestores e líderes de RH devem adotar uma abordagem

estratégica:

• Avaliar a maturidade da organização e das tecnologias disponíveis;

• Investir continuamente em educação e acompanhamento regulatório;

• Garantir a ética e transparência dos algoritmos e processos;

• Colocar experiência do usuário como prioridade máxima.

À medida que IA evolui, organizações que fizerem o melhor uso dessas

ferramentas se destacarão não apenas em eficiência operacional, mas

principalmente na capacidade de atração, desenvolvimento e retenção de

talentos excepcionais. Este é o futuro que desejamos construir, um futuro

em que a tecnologia sirva como alavanca essencial para a humanização e

excelência organizacional.

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