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Revista eMOBILIDADE+ Nº 10

A revista eMobilidade + dedica-se, em exclusivo, à mobilidade de pessoas e bens, nos seus vários modos de transporte (rodoviário, ferroviário, aéreo, fluvial e marítimo), conferindo deste modo espaço aos mais proeminentes “stakeholders” do setor, sejam eles indivíduos, empresas, instituições ou entidades académicas.

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Mobilidade

www.eurotransporte.pt/mobilidade-mais/

e- +

N.º10

abr/mai/jun | 2025

Trimestral | Diretora: Cátia Mogo

OPINIÃO

VÍTOR CALDEIRINHA

A nova estratégia europeia

para os portos (2025)

CITROËN AMI BUGGY

Solução de micromobilidade

elétrica leve e económica

t

ENTREVISTA

FAUSTINO GOMES

“A RAZÃO DE SER DA TML

É SERVIR AS PESSOAS”

ZURIQUE

A CIDADE INTELIGENTE DOS 15 MINUTOS

QUE ESTÁ A REDEFINIR O FUTURO URBANO

t

transporte público

Como Braga pilotou a visão computacional

para melhorar a segurança

nas paragens de autocarro

mobilidade urbana

Países mais felizes usam mais a

bicicleta. Melhora a saúde, o bem-

-estar e até o desempenho escolar

autocarros

MAN Truck & Bus apresenta

o novo modelo Lion’s Coach E,

com tecnologia eTruck

e-MOBILIDADE 1


2 e-MOBILIDADE


e- Mobilidade +

EDITORIAL

POR EDUARDO DE CARVALHO

Revista n.º 10 | abr/mai/jun 2025

EDIÇÃO TRIMESTRAL

Email: emobilidademais@invesporte.pt

DIRETORA

Cátia Mogo

Apagão expõe

vulnerabilidades

na eletrificação

da Península

Ibérica

O

apagão que afetou Portugal, Espanha e Andorra no dia

28 de abril de 2025 evidenciou a vulnerabilidade de uma

transição energética predominantemente baseada na eletricidade.

Este corte, causado por uma falha nas linhas de alta

tensão espanholas, afetou milhões de pessoas, interrompendo

serviços essenciais, como transportes e serviços hospitalares.

Num contexto de crescente aposta na eletrificação, que abrange desde automóveis

a sistemas de aquecimento, o apagão demonstrou a dependência crítica da

rede elétrica. Durante um período prolongado, os semáforos foram desligados, os

equipamentos médicos passaram a ser alimentados por geradores e os custos da

eletricidade aumentaram significativamente. A importação de energia a partir de

Espanha, que representa até 20% do consumo português, foi suspensa por um

período aproximado de duas semanas.

Os especialistas alertam para o facto de que a eletrificação sem resiliência pode

comprometer os objetivos climáticos. Para mitigar o risco de novos colapsos, é

imperativo implementar investimentos imediatos em infraestruturas de redes

inteligentes, sistemas de armazenamento de energia, geração distribuída e mecanismos

de contingência.

O incidente em questão tornou evidente que uma transição energética segura

não se pode limitar à utilização de fontes de energia limpas, sendo igualmente

necessário dispor de uma infraestrutura robusta e preparada para enfrentar situações

de instabilidade.

+

EDITOR-EXECUTIVO

Eduardo de Carvalho

REDAÇÃO

Ana Filipe

Márcia Dores

DIRECÇÃO DE PUBLICIDADE

E MARKETING

Margarida Nascimento

Rui Garrett

ASSINATURAS

Fernanda Teixeira

COLABORADORES

António Macedo;

Filipe Carvalho

Frederico Gomes

DESIGN GRÁFICO / PAGINAÇÃO

Invesporte

IMAGENS

Pixabay.com | Freepik.com | Canvas

EDITORA INVESPORTE,

EDITORA DE PUBLICAÇÕES

Edição, Redação e Administração

R. António Albino Machado, 35G

1600-259 Lisboa

Telefone: 215914293

Email: eurotransporte@invesporte.pt

Site: www.eurotransporte.pt

PROPRIEDADE

Eduardo de Carvalho

REGISTO ERC: Nº 127896

ESTATUTO EDITORIAL:

https://www.eurotransporte.pt/noticia/38/5193/estatuto-editorial-e-lei-da-transparencia/

www.emobilidademais.pt

www.eurotransporte.pt/mobilidade-mais/

e-MOBILIDADE 3


t t

SUMARIO

ABR/MAI/JUN 2025

REVISTA Nº 10

44

12 MAN TRUCK & BUS

A MAN apresenta o Lion’s Coach E,

um novo modelo usa a tecnologia

eTruck e packs de baterias NMC,

com capacidade de 356 a 534

kwh e autonomia de até 650 kms.

24 MOBILIDADE

E SUSTENTABILIDADE

A mobilidade nas cidades é um

desafio urgente. Há congestionamentos

de trânsito de problemas

ambientais. Com o avanço da tecnologia

e de soluções sustentáveis,

como os veículos elétrico as

e as energias limpas, vemos uma

nova forma de nos deslocarmos,

criando cidades mais inteligentes.

32 MOBILIDADE URBANA

A mobilidade urbana é um ponto

focal das políticas públicas

devido à sua importância para

alcançar os objetivos para a

ação climática, promover a sua

qualidade de vida e aumentar a

competitividade dos territórios.

32

10

t

44 SUSTENTABILIDADE

As organizações e empresas em todo

o espaço da UE já estão, de uma

forma ou de outra, confrontadas com

o Programa ESG que se traduz num

conjunto de práticas com o intuito

de promover a sustentabilidade ambiental,

a responsabilidade social e a

governança corporativa.

52 OPINIÃO: VÍTOR CALDEIRINHA

A Estratégia Portuária Europeia de

2025 surge num contexto marcado

por mudanças profundas na economia

e na geopolítica mundial. A

dupla transição digital e ecológica,

a crescente instabilidade internacional,

a necessidade de segurança

energética e o reforço da competitividade

industrial europeia tornam os

52

portos peças-chave da nova política

económica da União Europeia. O documento

“A Competitiveness Compass

for the EU”, publicado em janeiro de

2025, reconhece os portos como nós

estratégicos para o sucesso da transformação

económica europeia.

58 SMART CITIES

Cidades inteligentes e/ou cidades felizes?

por António Gonçalves Pereira.

Com tanto que hoje se fala de Inteligência

Artificial e do seu papel nas

‘Smart Cities’, será que estamos a

considerar que a inteligência só faz

sentido se tornar a cidade não só mais

eficiente, mas sobretudo mais feliz?

4 e-MOBILIDADE

+

16

t

VER REVISTA DIGITAL

GRATUITA Nº. 9


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e-MOBILIDADE 5


Via Rápida

MOBI.E ganha prémio

Innovation & Excellence Awards

t

A MOBI.E foi galardoada com mais um prémio internacional,

tendo conquistado o título de “EV Charging Solutions of the

Year” nos Innovation & Excellence Awards, promovidos pela

plataforma mediática Corporate LiveWire.

Sediada em Birmingham, Reino Unido, a Corporate LiveWire

é uma reconhecida entidade de informação empresarial, que

distingue anualmente empresas e personalidades de todo o

mundo pelo seu desempenho e inovação em diferentes setores

de atividade. A MOBI.E foi inicialmente nomeada para a

shortlist graças às recomendações de inúmeros subscritores da

plataforma, que a destacaram como um exemplo de excelência

em mobilidade elétrica: um sistema nacional totalmente interoperável,

que assegura a universalidade de acesso e divulga

informação em tempo real sobre a disponibilidade de todos os

pontos de carregamento.

Na fase seguinte, o júri selecionou a MOBI.E como vencedora

da categoria, com base na avaliação de diversos critérios, entre

os quais: qualidade dos serviços prestados, cumprimento de

objetivos, inovação tecnológica, práticas éticas e sustentáveis,

presença digital e projeção mediática a nível nacional e internacional.

Via Verde faz parceria

com scooters da Cooltra

t

A Via Verde está a alargar a oferta de serviços de mobilidade

às scooters elétricas através de uma parceria com

a Cooltra, uma empresa de aluguer de curta duração de

scooters, que opera em Lisboa desde 2017. No total, a

Cooltra tem uma frota de 400 scooters, todas elétricas,

a circular na cidade de Lisboa. Estas scooters podem ser

alugadas por todos os clientes da Via Verde, bastando para

isso aderir ao plano Via Verde Cidade. Para utilizar o novo

serviço, os clientes da Via Verde passam a ter na nova App,

a localização das scooters disponíveis no mapa ‘Perto de

mim’ ou no serviço ‘Scooters elétricas’. O cliente Via Verde

Cidade paga apenas os minutos que utiliza a scooter, tendo

acesso à Tarifa Seguro Plus que inclui 2 capacetes e uma

cobertura de riscos em caso de danos, com um máximo

de 99€ de franquia, em todas as viagens.

t

APVE com novos órgãos sociais

Foi eleito e tomou posse no passado mês de Março, o Conselho

de Administração da APVE – Associação Portuguesa do

Veículo Eléctrico, tendo assumido as funções de Presidente

Paulo J. Gameiro Pereirinha, Professor Coordenador do Instituto

Superior de Engenharia de Coimbra, Investigador do INESC

Coimbra, e membro fundador da associação, com elevado

e reconhecido contributo para a sua actividade. No ano de

celebração dos 25 anos de existência da APVE, é assumido

pela nova direcção o desejo de promover uma comunicação

transversal entre os agentes e partes interessadas ligadas

de forma directa ou indirecta à mobilidade e aos veículos

eléctricos. É necessário eliminar barreiras e visões sectoriais

que condicionam a discussão e a evolução das matérias que

influenciam as pessoas e entidades abrangidas, incentivar

ferramentas de regulamentação e normalização que sejam

funcionais e eficazes, maximizar o contributo para a melhoria

da qualidade de vida e economia de Portugal e da União

Europeia, e a redução dos impactos ambientais negativos do

sector dos transportes e da mobilidade pessoal.

6 e-MOBILIDADE

+


t

DPD junta-se à ZERO para restaurar

habitats na Mata Nacional de Leiria

A DPD, empresa líder no mercado doméstico do transporte expresso,

estabeleceu uma parceria com a ZERO – Associação Sistema Terrestre

Sustentável – com o lançamento de um projeto de recuperação de habitats

de conservação prioritária na Mata Nacional de Leiria. A iniciativa, já em

curso, inclui a plantação de 3.100 árvores e arbustos autóctones, como

o zimbro, a aroeira, o lentisco e o sanguinho das sebes.

Com este investimento, a DPD pretende contribuir diretamente para

a valorização dos serviços de ecossistemas – ou seja, os múltiplos benefícios

que a natureza presta à sociedade e que muitas vezes não são

devidamente contabilizados: desde a regulação do clima à preservação

da biodiversidade, passando pela retenção de água, a proteção contra a

erosão ou o usufruto cultural dos espaços naturais.

O investimento da DPD na Mata Nacional de Leiria durante a época

de plantação 2024-2025 começou desde logo a fornecer serviços de

ecossistemas ao conjunto da sociedade. Acresce que, ao fim de 12 anos,

o montante investido pela DPD já estará a gerar valor positivo face ao

investimento realizado e, nos anos subsequentes, o valor dos serviços

prestados à sociedade poderá representar 4 a 9 vezes o montante investido.

TML organiza conferência

sobre os benefícios

dos transportes públicos

t

A Transportes Metropolitanos de Lisboa

(TML) vai organizar, no dia 5 de junho, no CCB,

em Lisboa, uma conferência cujo o foco será

os benefícios dos transportes públicos. Nesta

conferência terá a oportunidade de conhecer

a opinião de diversos especialistas e entidades,

nomeadamente da Comissão Europeia de Jaspers,

e várias entidades e operadoras nacionais.

As inscrições estão limitadas ao número de

lugares disponíveis.

t

Lisboa tem os combustíveis mais caros do país

Lisboa é o distrito com os preços médios mais elevados para a gasolina 95 e o gasóleo simples em Portugal Continental, enquanto

Santarém e Castelo Branco surgem no extremo oposto, com os valores mais baixos. Os dados são da plataforma de comparação de

preços Kombustíveis, que voltou a analisar o panorama nacional do custo de abastecimento.

e-MOBILIDADE + 7


Estiveram presentes na palestra “O papel da Mobilidade Elétrica na Transformação Urbana” Simão Antão (PRIO), Pedro Faria (UVE),

Miguel Gaspar (SIBS) e Vítor Graça (ALF), com moderação de Isabel Pimenta (VTM)

EVENTOS

Mobilidade MaisTalks

As revistas eMobilidade+ e a Eurotransporte, em colaboração com a Câmara Municipal

de Oeiras e a Parques Tejo, organizou o “Mobilidade Mais Talks”, um ciclo de três

palestras que levou ao Auditório do Templo da Poesia, no Parque dos Poetas, em Oeiras,

dezenas de interessados. A primeira palestra teve como tema “O Papel da Mobilidade

Elétrica na Transformação Urbana”, a segunda “Mobilidade Sustentável e Eficiência no

Transporte Público – Sistemas de Transporte em Sítio Próprio (BRT)” e, na terceira,

debateram-se as “Políticas de Mobilidade em Portugal: Futuro e Desafios”.

Especialistas, líderes políticos e representantes do setor dos transportes estiveram

reunidos para debater os desafios e oportunidades da mobilidade em Portugal.

Rui Rei (Parques Tejo)

João Figueira de Sousa

(Figueira de Sousa)

8 e-MOBILIDADE


Luís Cabaço Martins (ANTROP)

Luís Barroso (Mobi-e)

Nuno Soares Ribeiro (VTM) moderou a conversa sobre “Políticas de Mobilidade em Portugal”, com

Isabel Mendes Lopes (LIVRE); Ana Sofia Antunes (PS); Bruno Dias (PCP); Filipe Melo (CHEGA); João

Caetano Dias (IL); Marco Cláudino (PSD) e João Monge Gouveia (CDS-PP)

Na palestra “Mobilidade

Sustentável e Eficiência no

Transporte Público” estiveram

presentes Rui Rei (Parques Tejo);

Nuno Lago de Carvalho

(Caetanobus); João Marrana

(Metro do Mondego); Faustino

Gomes (TML), com moderação

de Acácio Pires (ZERO)

e-MOBILIDADE 9


CITROËN AMI

Nova versão BUGGY

CITROËN

Novo AMI BUGGY

Uma solução de micromobilidade elétrica

leve e económica, que preenche uma lacuna

no mercado e facilita a vida no dia-a-dia:

acessível, fácil de utilizar, seguro, de dois

lugares, sem constrangimentos.

10 e-MOBILIDADE

+


e-MOBILIDADE 11


CITROËN AMI

Nova versão BUGGY

12 e-MOBILIDADE

+


NOVO DESIGN

Com dimensões idênticas

às da anterior geração, o novo

Ami tem uma nova secção

frontal e traseira e uma

personalidade mais forte.

Tão travesso como sempre,

ganhou confiança

e maturidade.

Revelado no Salão Automóvel de Paris e com um

design totalmente novo que o torna mais simpático e

maduro, o novo Citroën Ami estará disponível para

encomenda a partir de 6 de maio. Ágil, com uma

autonomia elétrica de 75 km e carregável em quatro

horas a partir de uma tomada standard, o novo Citroën Ami

mantém as receitas que o tornaram um sucesso desde há cinco

anos: simples, económico, acessível e disponível dos 16 aos 99

anos com licença AM.

Redesenhado para ser mais expressivo e com a nova cor Night

Sepia, lançada no final do ano passado, o novo Citroën Ami pode

ser personalizado com três novos packs de cores – Spicy, Icy e

Minty – para que cada um possa escolher o Ami que melhor se

adapta à sua imagem.

A gama foi agora alargada com a introdução do novo Ami Buggy,

inspirado no concept Ami Buggy Vision. O Buggy, anteriormente

reservado a Edições Limitadas, permite agora a todos desfrutarem

das suas viagens com espírito aventureiro a bordo de um

veículo com muito carácter e aberto ao mundo exterior. Com um

aspeto traquina e aventureiro, torna-se um convite à mobilidade

divertida, lúdica e orientada para o lazer. Para ainda maior carácter,

o Ami Buggy está disponível na atrativa versão de cor ácida,

denominada Palmeira.

UMA GAMA ALARGADA PARA O LÍDER

DA MICROBILIDADE ELÉTRICA

Quando foi lançado há cinco anos, o Ami causou espanto e

curiosidade antes de se tornar um verdadeiro fenómeno social.

Atualmente presente em 18 mercados e com 75.000 unidades

já vendidas, o Ami teve um impacto duradouro na paisagem

urbana, suburbana e rural, tornando-se no líder indiscutível da

micromobilidade elétrica na Europa.

Acessível e inovador, o Ami é uma alternativa mais segura e mais

confortável a outras formas de micromobilidade, como os veículos

de duas rodas ou as scooters, e está mais disponível do que os

transportes públicos em certas zonas. Maioritariamente vendido

em plataforma online e disponível para compra a dinheiro ou

aluguer ultracompetitivo, oferece também facilidade de utilização

com um percurso muito simples para o cliente.

O Ami reinventou o mundo dos quadriciclos, tornando acessível

uma solução de mobilidade leve e elétrica, sob a forma de um

objeto peculiar com uma arquitetura inovadora, onde a simetria

tem um papel essencial no seu design. Propôs uma solução fácil

que até então não existia: ágil, medindo apenas 2,41 m e com

um raio de brecagem de apenas 7,20 m, pode ser utilizado em

alguns países a partir dos 14 anos, sem carta de condução, e em

Portugal a partir dos 16 anos com licença AM, é seguro, protegido

das intempéries, podendo acomodar duas pessoas, é fácil

de manusear e pode deslocar-se a velocidades até aos 45 km/h,

O Ami mudou a vida de muitas famílias,

trazendo liberdade e independência

graças às suas muitas qualidades

e-MOBILIDADE 13


CITROËN AMI

Nova versão BUGGY

tendo uma autonomia de 75 km, que é mais do que suficiente

para uma utilização quotidiana, e pode ser carregado em 4

horas utilizando uma tomada normal de 220 V.

O Ami mudou a vida de muitas famílias, trazendo liberdade e

independência graças às suas muitas qualidades. Desde o seu

lançamento, a gama e as soluções Ami não pararam de aumentar,

proporcionando uma maior independência ao maior

número possível de pessoas:

• Um amigo para o dia a dia;

• O kit Cargo especialmente desenvolvido para utilizadores

profissionais que procuram capacidade de carga, mantendo

o segundo lugar quando necessário;

• Ami for All*, concebido para dar maior independência às

pessoas com mobilidade reduzida;

E agora o Ami Buggy juntou-se à gama com uma versão

moderna e orientada para o lazer.

UM NOVO DESIGN PARA UM NOVO ESTADO

DE ESPÍRITO

Com dimensões idênticas às da anterior geração, o novo Ami

tem uma nova secção frontal e traseiro e uma personalidade

mais forte. Tão travesso como sempre, ganhou confiança e

maturidade.

Os seus faróis são agora elevados na base do para-brisas e rodeados

por uma decoração preta, o que lhe confere um aspeto

mais expressivo e um novo equilíbrio na parte dianteira. Esses

dois faróis estão ligados por uma nova forma de cápsula,

onde se encontra o novo logótipo da marca num tom Rouge

André. Esta nova cápsula, gravada no molde, assume a forma

de um amplo sorriso, reforçando o lado jovial e benevolente

do modelo. A parte inferior perde a sua redondeza a favor de

arestas mais vivas e superfícies mais verticais, criando o para-choques

nas laterais. À frente das rodas formam-se cubos

que fazem lembrar peças de Lego, elementos que reforçam a

perceção da largura de um Ami com melhor colocação na estrada

e que contribuem para o seu carácter. Funcionam como

para-choques de proteção nos quatro cantos do Ami.

Estes desenvolvimentos na parte dianteira refletem-se na

secção traseira. A simetria é um elemento fundamental do

Ami, que foi concebido desde o início para manter os custos

baixos, reduzindo os investimentos. As portas, os guarda-lamas

dianteiros e traseiros, as laterais, os pilares do para-brisas

e o óculo traseiro são todos fabricados a partir dos mesmos

moldes, o que contribui, em grande medida, para a originalidade

da proposta.

As laterais do Ami também apresentam ranhuras moldadas

nos guarda-lamas dianteiro direito e traseiro esquerdo,

uma homenagem ao ilustre 2CV nascido em 1948, com o

qual partilha a mesma filosofia de simplicidade e facilidade de

utilização, acessível ao maior número possível de pessoas.

temperamento individual. A gama Ami inclui 3 packs color

em vermelho, branco e verde – Ami Spicy, Ami Icy e Ami

Minty – que podem ser encomendados online ou através

da rede aderente de concessionários AMI, e entregues diretamente

em casa do cliente, permitindo a sua montagem

pelo comprador.

Qualquer que seja a cor escolhida, estes packs contêm

elementos que melhoram o conforto, o design exterior e o

sistema de entretenimento:

- Em termos de design exterior: 4 embelezadores de cor

para as jantes, 1 conjunto de stickers para afixar na cápsula

da soleira da porta e no vidro traseiro. É de notar que a

noção de formas fechadas mencionada na frente também

se reflete em várias assinaturas gráficas que se encontram

na lateral do Ami. É o caso, por exemplo, dos embelezadores

das rodas, num padrão axadrezado de quadrados com

cantos arredondados, ou do sticker no painel traseiro. Estas

formas são muito contemporâneas e podem ser encontra-

NOVOS PACKS DE CORES

O Ami oferece várias opções de personalização e adaptação,

para que se possa criar o Ami, de acordo com o

14 e-MOBILIDADE

+


ID.BUZZ

O ID.BUZZ mantém

a «boa disposição» pela qual

já é conhecido, com uma

interessante mescla de

cores e materiais

das em muitos mundos artísticos e das novas tecnologias. É

um acenar do Ami às gerações mais jovens.

- Em termos de conforto: 3 caixas de arrumação coloridas

para instalar no painel de bordo, 1 gancho para malas

colorido para o lado do passageiro, 1 conjunto de 2 tapetes

coloridos, 1 conjunto de 2 redes coloridas para as portas, 1

rede de separação central.

- O pacote de entretenimento inclui: 1 suporte para

smartphone, My Connect Box, que utiliza a aplicação My

Citroën para obter informações sobre o veículo (nível de

carga, quilometragem, tempo de carregamento, documentação

de bordo, etc.), e a aplicação My Ami play, que

centraliza funções como a navegação, o rádio, as aplicações

de música e a função telefone. Esta aplicação é controlada

por um botão no volante denominado Citroën Switch.

UM NOVO AMI BUGGY NA GAMA

O Ami Buggy é uma nova proposta que se distingue

do Ami por ser mais intrépido e aventureiro, visando o

mercado do lazer.

Sem portas e sem teto, permite desfrutar dos tempos

livres com a maior proximidade possível com a natureza,

com uma agradável sensação de liberdade. As portas

são substituídas por aros metálicos pretos, montados

em dobradiças, acentuando a sensação de contacto com

o mundo exterior. No entanto, estão disponíveis, como

acessórios, coberturas de portas com fecho de correr

para isolar os ocupantes das intempéries. Estas podem

ser enroladas e guardadas facilmente quando não estão

a ser utilizadas. O teto de abrir está protegido por uma

capota, que é também muito fácil de manusear para

conduzir o Buggy com os cabelos ao vento.

Dando-lhe ainda mais carácter, o Ami Buggy tem um

O kit Cargo é a solução ideal para

acompanhar os profissionais na sua

atividade ou para as entregas de última

hora. O kit Cargo permite o transporte

até 200 litros de encomendas ou objetos

diversos sob a rede de arrumação, e até

340 litros no total do veículo.

spoiler preto na traseira, num toque desportivo. As

jantes de aço de 14” têm um acabamento dourado e são

complementadas por um centro de roda preto, adornado

com um chevron. O logótipo, por sua vez, recebeu

uma nova tonalidade amarela.

O Ami Buggy está também disponível numa versão mais

spicy, o Ami Buggy Palmeira, que se apresenta num pack

revigorante em amarelo. O equipamento interior inclui 3

caixas de arrumação coloridas, 1 gancho para sacos colorido,

1 conjunto de 2 tapetes coloridos, 1 conjunto de 2

redes coloridas para as portas, 1 rede de separação central,

1 suporte para smartphone, 1 My Connect Box incluindo

My Ami Play para ligar um smartphone ao veículo. No

exterior, 1 conjunto de stickers para colar no vidro traseiro

e outro nas cavas das rodas.

Este pack de cores é completado pelo Andy, o pequeno

robot. Verdadeira mascote, é a personificação perfeita

do espírito Ami Buggy. Esta figura ficará bem visível

no painel de instrumentos e acompanhará os clientes

em todas as viagens, balançando a cabeça ao ritmo das

estradas que estes percorrerem.

+

e-MOBILIDADE 15


AMI CARGO: UM KIT MODULAR INTELIGENTE PARA

PROFISSIONAIS

O kit Cargo é a solução ideal para acompanhar os profissionais

na sua atividade ou para as entregas de última hora, por exemplo.

Disponível em após-venda, este acessório permite uma

conversão fácil entre um espaço de carga otimizado e a possibilidade

de libertar o banco para acolher um passageiro, respondendo

assim a um vasto leque de necessidades em termos de

mobilidade e de utilizações por parte dos profissionais.

Este kit é muito fácil de montar. A primeira parte, composta

por 2 secções, isola verticalmente as zonas do condutor e do

passageiro. A segunda, composta por 4 secções, desdobra-se

do banco do passageiro para a zona dos pés, proporcionando

uma superfície de carga prática, enquanto protege o banco. O

kit Cargo permite o transporte até 200 litros de encomendas

ou objetos diversos sob a rede de arrumação, e até 340 litros

no total do veículo. Uma vez dobrado, o kit pode ser arrumado

num saco específico, colocando-se atrás do banco, para

que se possa, mais uma vez, tirar partido dos dois lugares.

AMI FOR ALL*: DEVOLVER A MOBILIDADE

ÀS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Desenvolvido com a PIMAS, especialista em conversões de

veículos para pessoas com mobilidade reduzida, o Ami for All*

tem como objetivo devolver a independência, a autonomia e a

liberdade àqueles que as perderam. As suas dimensões compactas

tornam-no ágil e fácil de manusear e de estacionar, também

facilitando a aproximação e o manuseamento de uma cadeira

de rodas. A sua porta elevada facilita as entradas e saídas.

A adaptação consiste em modificar a dobradiça da porta do

condutor para acentuar o ângulo de abertura e permitir que

o utilizador da cadeira de rodas se posicione paralelamente à

soleira do compartimento dos passageiros. Em seguida, uma

prateleira amovível e retrátil, combinada com uma correia

na parte superior da moldura interior da porta, permite ao

cliente sentar-se no banco do condutor a partir da sua cadeira

de rodas.

Uma vez a bordo, basta retirar as rodas da cadeira de rodas,

que podem ser guardadas na zona dos pés e fixadas com uma

correia especialmente concebida para o efeito. A cadeira de

rodas dobrada pode ser colocada no banco do passageiro e

fixada com um cinto de segurança adicional. Se o utilizador

estiver acompanhado, pode também ser fornecida uma solução

de arrumação através da adição de um porta-bagagens

opcional, libertando espaço a bordo.

O condutor tem, no volante, uma bola para um manuseamento

fácil da direção. Para além dos pedais, foi acrescentada

uma alavanca mecânica intuitiva para o controlo manual do

acelerador e do travão. Os pedais mantêm-se sempre operacionais.

DISPONIBILIDADE E PREÇOS

Tão acessível como sempre tem sido nos últimos três anos,

o Ami e o Ami Buggy estarão disponíveis para encomenda a

partir do próximo dia 6 de maio, em Portugal e na Europa.

O Ami estará disponível a partir de 7.990 euros, ascendendo

a 8.390 euros as versões com o pack de cores. Quanto ao

Ami Buggy, estará disponível a partir de 9.590 euros e o Ami

Buggy Palmeira a partir de 9.990 euros. +

16 e-MOBILIDADE

+


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e-MOBILIDADE 17


AUTOCARROS

MAN Truck &

apresenta o Lio

Depois do sucesso dos autocarros

elétricos Lion’s City E, a empresa

foca-se agora na eletrificação do

transporte rodoviário. Para tal

apresenta o Lion’s Coach E.

O novo modelo usa a tecnologia

eTruck e packs de baterias

NMC, com capacidade

de 356 a 534 kWh

e autonomia de até 650 km.

18 e-MOBILIDADE


Bus

n’s Coach E

O primeiro autocarro elétrico totalmente

europeu para o transporte interurbano

e-MOBILIDADE + 19


AUTOCARROS

MAN Lion’s Coach E

AMAN Truck & Bus, está a dar um passo ousado

em direção à sustentabilidade no transporte público.

A empresa é a primeira grande fabricante

europeia a lançar um autocarro totalmente elétrico

para viagens interurbanas e turísticas, com

o lançamento do Lion’s Coach E. O modelo promete reduzir

as emissões e transformar a experiência de viagem, graças ao

seu design inovador e tecnologia de ponta.

A TRANSIÇÃO PARA A MOBILIDADE SUSTENTÁVEL

A MAN vendeu mais de 2500 autocarros elétricos Lion’s City E

desde 2019 e agora quer fazer o mesmo com os autocarros elétricos

para viagens mais longas. O Lion’s Coach E é um marco importante

para esta viagem, combinando a tecnologia comprovada

dos seus camiões elétricos com baterias NMC de última geração,

fabricadas na unidade de Nuremberga, na Alemanha.

O Lion’s Coach E é alimentado por uma bateria com capacidade

entre 356 e 534 kWh. Isto permite fazer até 650

quilómetros numa viagem. É ideal para os percursos entre

cidades e para os serviços de turismo. O modelo é eficiente,

tem um design aerodinâmico e um coeficiente de arrasto de

0,31, o que o coloca no mesmo nível dos SUV compactos.

Isto significa que tem um desempenho superior e consome

menos energia.

SUSTENTABILIDADE EM PRIMEIRO LUGAR

A MAN tem mostrado que está empenhada em ser sustentável,

e o Lion’s Coach E é o mais recente exemplo disso. Desde

2019, a empresa tem tido destaque no mercado europeu com

o lançamento do Lion’s City E, para o transporte urbano. No

primeiro trimestre de 2025, foram vendidos mais de 283

autocarros elétricos da MAN. Estes representam mais de 50%

das vendas da empresa no setor dos transportes urbanos. O

Lion’s Coach E pretende seguir essa trajetória, atendendo aos

requisitos ambientais e às expectativas dos clientes por uma

mobilidade mais ecológica e silenciosa.

Este modelo faz parte de uma grande estratégia da MAN para

reduzir as emissões dos transportes públicos. A produção

em série está prevista para começar em 2026, na fábrica de

Ancara, na Turquia que foi alvo de melhorias nos últimos

meses para se adaptar devido à procura de veículos elétricos.

Entretanto, prevê-se que uma frota de veículos seja disponibi-

20 e-MOBILIDADE

+


lizada mais cedo para clientes pioneiros oriundos de mercados

europeus devidamente selecionados, permitindo desse

modo que sejam testados em condições reais.

CAPACIDADES E APLICAÇÕES DO LION’S COACH E

O Lion’s Coach E é uma solução versátil, adequada tanto para

o transporte de passageiros em trajetos interurbanos como

para passeios turísticos. Com espaço para 61 passageiros e

uma área de carga entre 11 e 13 metros cúbicos, este modelo

é confortável, prático e amigo do ambiente.

O autocarro é ideal para distâncias curtas e médias, mas

também está preparado para futuras ampliações na infraestrutura

de carregamento. A MAN está a investir em sistemas

de carregamento rápido, com uma capacidade de até 375 kW

que garantem tempos de paragem mais curtos. Além disso,

está a desenvolver sistemas de carregamento de megawatts

(MCS), que permitirão viagens de longa distância no futuro.

Isto aumentará ainda mais a aplicação de autocarros elétricos

em rotas intercontinentais.

DESIGN E TECNOLOGIA DE PONTA

O Lion’s Coach E é um bom exemplo de como o design e a

inovação podem funcionar em conjunto com a eficiência. O

novo autocarro elétrico é baseado no modelo Lion’s Coach,

que foi apresentado pela primeira vez em 2017. O que mais

chama a atenção é o seu design moderno e as suas soluções

tecnológicas avançadas. O “Smart Flow Design” foi desenvolvido

para otimizar a aerodinâmica, reduzindo o coeficiente de

e-MOBILIDADE + 21


AUTOCARROS

MAN Lion’s Coach E

arrasto de 0,34 para 0,31. Isto melhora a eficiência energética

e aumenta a autonomia do veículo.

No interior, o Lion’s Coach E tem um cockpit digital de

última geração, com o conceito de operação intuitivo MAN

SmartSelect. Este sistema ajuda os condutores a conduzir o

veículo de forma mais eficiente. Os sistemas de assistência

mais avançados garantem uma condução mais segura e confortável.

A MAN apostou numa “conectividade inteligente”,

que faz com que o veículo se ligue a outras tecnologias de

transporte e infraestruturas.

O FUTURO DA MOBILIDADE NO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS

Com o Lion’s Coach E, a MAN Truck & Bus não está apenas

a apresentar um produto inovador, está também a sinalizar

a transformação do setor de transporte de passageiros. O

autocarro elétrico é a nova geração de viagens que não polui

o ambiente. É uma resposta para quando as pessoas querem

soluções inteligentes e sustentáveis. O lançamento do Lion’s

Coach E na feira Busworld Europe, em Bruxelas, está previsto

para outubro de 2025. Esta apresentação marcará o início de

uma revolução no transporte coletivo. A produção em série

começará em 2026. Espera-se que, nos próximos anos, mais

cidades e empresas de transportes de passageiros adotem a tecnologia

para as suas frotas. Isso vai fazer com que a transição

para uma mobilidade totalmente elétrica aconteça ainda mais

depressa. Como diz Barbaros Oktay, chefe da divisão de autocarros

da MAN: “O nosso eCoach marca o início de uma nova

era de viagens sem emissões e com pouco ruído, o que vai de

encontro àquilo que são as expetativas dos nossos clientes.”

O futuro dos transportes de passageiros é elétrico e a MAN

está na linha da frente desta mudança, comprometida com a

sustentabilidade e a inovação. EdeC +

22 e-MOBILIDADE

+


O que mais chama

a atenção é o seu design

moderno e as suas

soluções tecnológicas

avançadas. O “Smart

Flow Design” foi

desenvolvido para

otimizar a aerodinâmica,

reduzindo o coeficiente

de arrasto de 0,34

para 0,31.

e-MOBILIDADE 23


Mobilidade e sustentabilidade

Imagem desenvolvida com recurso à inteligência artificial

24 e-MOBILIDADE +


NOVAS PERSPETIVAS PARA

AS CIDADES DO FUTURO

A mobilidade nas cidades é um desafio urgente. Há congestionamentos

de trânsito e problemas ambientais. Com o avanço da tecnologia e de

soluções sustentáveis, como os veículos elétricos e as energias limpas,

perspetivamos uma nova forma de nos deslocarmos,

criando cidades mais inteligentes.

e-MOBILIDADE 25


MOBILIDADE E SUSTENTABILIDADE

Novas perspetivas para as cidades do futuro

A

mobilidade urbana é um dos maiores desafios

enfrentados pelas grandes cidades nos últimos

anos. Com o crescimento acelerado das metrópoles,

o aumento no número de veículos nas

ruas, a falta de transportes públicos eficientes

e mudanças nos hábitos de consumo, os responsáveis pela

planificação urbana e as autoridades governamentais têm-

-se visto obrigados a repensar a forma como as pessoas se

deslocam nas cidades de hoje.

O IMPACTO DAS NOVAS TECNOLOGIAS

E A MOBILIDADE INTELIGENTE

As cidades estão a viver uma grande mudança no modo

como nos deslocamos. Grande parte desta mudança é

causada pela tecnologia. A mobilidade inteligente usa

dados, inteligência artificial e outras inovações para

otimizar o tráfego, diminuir congestionamentos e facilitar

a ligação entre diferentes meios de transporte.

Plataformas como a TVDE, assim como o uso cada

vez maior de bicicletas e trotinetes elétricas, mostram

como a mobilidade urbana está a mudar. Estas soluções

têm ajudado a reduzir a dependência dos carros,

oferecendo alternativas mais sustentáveis e económicas

para os deslocamentos diários.

Mas não é só o comportamento dos cidadãos que está a

mudar. A tecnologia também tem mudado a forma como

se gere o tráfego nas cidades. Os sistemas inteligentes

de semáforos e os sensores que monitorizam o fluxo de

veículos em tempo real estão a ficar cada vez mais comuns.

Estes avanços não só melhoram o trânsito, como também

ajudam a reduzir as emissões de CO2 e a poluição. Estas

são uma grande preocupação nas grandes cidades de todo

o mundo.

A INTEGRAÇÃO DOS MODAIS DE TRANSPORTE

Embora a tecnologia tenha sido uma aliada importante, a

verdadeira transformação na mobilidade urbana só ocorrerá

quando os diversos meios de transporte se integrarem de

maneira eficiente. É aqui que entra o conceito de “MaaS”

(Mobilidade como Serviço), uma plataforma que reúne

transportes públicos, carros compartilhados, bicicletas,

trotinetes elétricas e até drones num único sistema, simplificando

a vida dos utilizadores.

Esta integração não só torna a mobilidade mais prática,

mas também mais sustentável, já que elimina a necessidade

de grandes infraestruturas como estradas e gigantes termi-

26 e-MOBILIDADE +


nais de transporte. Em cidades como Estocolmo e Helsínquia,

o MaaS já é uma realidade. Nesses locais, os passageiros

podem planear as suas viagens, comprar bilhetes e

combinar diferentes modos de transporte de forma rápida

e simplificada, trazendo mais eficiência e acessibilidade ao

seu dia a dia.

ENERGIAS LIMPAS E SUSTENTABILIDADE

À medida que a consciência sobre as mudanças climáticas

cresce, as cidades procuram fontes de energia mais limpas

e eficientes, especialmente no setor dos transportes. A

adoção de veículos elétricos (VE), movidos por energias renováveis,

é vista como uma solução essencial para reduzir

as emissões de gases de efeito estufa e mitigar os impactos

ambientais do transporte.

O uso de fontes renováveis, como solar, eólica e hidroelétrica,

tem sido fundamental nesse processo. Muitas cidades

já investem em infraestruturas para veículos elétricos alimentados

por energia solar ou outras fontes limpas. Com

isso, o impacto ambiental do transporte individual diminui

significativamente. Também os sistemas de transporte

público, como autocarros elétricos e comboios movidos a

energias renováveis, têm-se tornado cada vez mais popula-

res, o que demonstra que a transição para as energias limpas

não são uma tendência restrita às empresas privadas,

mas também uma prioridade para os serviços públicos.

A integração entre transporte público e energias renováveis

é fundamental para o desenvolvimento de cidades mais

sustentáveis e resilientes. Ao combinar veículos elétricos

com a produção local de energia limpa, cria-se um ciclo

virtuoso que não só reduz as emissões de carbono, mas

também diminui os efeitos da poluição sonora e atmosférica,

avançando rumo a um futuro urbano mais verde e

eficiente.

DESAFIOS E OPORTUNIDADES

As cidades inteligentes e sustentáveis têm como uma das

suas principais prioridades a criação de formas de mobilidade

urbana mais eficientes e ecológicas. No entanto, apesar

dos avanços tecnológicos e das inovações no transporte,

problemas estruturais persistem. Um dos maiores desafios é

a falta de investimentos adequados em transportes públicos

de qualidade, além da concentração desses serviços nos

centros urbanos, deixando as periferias marginalizadas no

que concerne aos planos de mobilidade.

Essa disparidade tem um impacto direto na qualidade de

+

e-MOBILIDADE 27


MOBILIDADE E SUSTENTABILIDADE

Novas perspetivas para as cidades do futuro

vida dos cidadãos. Quem vive nas áreas periféricas enfrenta

mais dificuldades para se deslocar, com opções de transporte

limitadas e longas distâncias até os serviços essenciais.

A mobilidade precisa ser pensada para todos, sem

exceção, e não se limitar à tecnologia ou à infraestrutura

Garantir que as pessoas com deficiência possam deslocar-se

com facilidade e segurança é uma parte crucial da equação.

A adaptação de veículos, estações e a criação de alternativas

de transporte acessíveis são fundamentais para garantir

uma mobilidade plena, sem barreiras físicas ou geográficas.

Construir cidades mais inteligentes e sustentáveis exige que

enfrentemos esses desafios. Para isso, é necessário investir

no transporte público de qualidade, tornar os serviços de

mobilidade acessíveis para todos e integrar soluções tecnológicas

com práticas sustentáveis. Só conseguiremos uma

verdadeira mobilidade urbana quando qualquer pessoa,

em qualquer lugar, puder movimentar-se pela cidade com

facilidade e segurança.

POLÍTICA URBANA E PARTICIPAÇÃO SOCIAL

A mobilidade urbana vai além de uma questão técnica; ela

é, acima de tudo, política. Para construir cidades mais justas,

acessíveis e ambientalmente responsáveis, é essencial

que a sociedade civil e as autoridades públicas trabalhem

em conjunto. As administrações precisam ouvir as necessidades

dos cidadãos e criar políticas públicas que atendam

a todos.

Uma cidade verdadeiramente amigável para seus habitantes

exige uma visão estratégica que envolva diversos agentes —

do poder público às empresas privadas, passando pela população.

Somente com a colaboração de todos será possível

transformar o modelo de mobilidade e construir espaços

urbanos mais inclusivos e sustentáveis.

REDEFINIR A VISÃO SOBRE A CIDADE MODERNA

Em forma de conclusão, é importante olhar para a mobilidade

urbana com um desafio complexo que vai para além

da técnica. Ela envolve questões sociais, económicas e

ambientais que precisam ser abordadas de forma integrada.

Para resolver os problemas urbanos de hoje, é fundamental

encontrar soluções que considerem o todo — desde as

inovações tecnológicas até os novos padrões de consumo,

sem perder de vista a urgência de tornar as cidades mais

sustentáveis e inclusivas.

Com o crescimento das cidades e o aumento da população

urbana, a forma como nos deslocamos precisa evoluir.

Precisamos de alternativas que melhorem a qualidade de

vida e, ao mesmo tempo, o meio ambiente. A integração

de energias limpas com novos modelos de mobilidade é

um passo essencial para garantir que as cidades do futuro

sejam mais verdes, menos poluídas e mais eficientes.

A mudança na forma de nos deslocarmos não pode se limitar

a simplesmente transportar pessoas de um ponto para o

outro. É preciso criar cidades mais humanas, inteligentes e

conectadas, onde a mobilidade seja sinónimo de liberdade,

acessibilidade e sustentabilidade. EdeC +

28 e-MOBILIDADE

+

Imagem desenvolvida com recurso à inteligência artificial


e-MOBILIDADE + 29


ENTREVISTA

Faustino Gomes

30 e-MOBILIDADE

FAUSTINO GOMES

“A razão de ser

da TML é servir

as pessoas”

No decurso da sua carreira, esteve envolvido em diversos

projetos nacionais e internacionais no domínio dos transportes,

abrangendo consultoria, investigação e desenvolvimento

de projetos. Atualmente, ocupa o cargo de Presidente do Conselho

de Administração na Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML).

Considera que o balanço geral do trabalho da TML é positivo.

Após quatro anos de atividade, qual o

balanço geral que faz da TML?

O balanço é positivo. Atendendo às

múltiplas tarefas que a TML tem na sua

missão, foi necessário estabelecer prioridades.

As principais apostas foram o

funcionamento do sistema de bilhética,

o lançar e gerir a Carris Metropolitana

(CM) e o assegurar as funções de autoridade

de transporte, com enfoque no

planeamento da mobilidade. O sistema

+

de bilhética foi objeto de melhorias

significativas, está mais adaptado e fácil

de usar, e continuamos a simplificar,

digitalizar e desmaterializar. A distribuição

de receitas tem sido rigorosa e

eficiente. A oferta da CM foi melhorada,

com um aumento significativo da

cobertura espacial e temporal, registando-se

indicadores de regularidade

e fiabilidade elevados. A procura tem

vindo a aumentar de forma significativa,

com um acréscimo de 24% nas validações

entre os anos de 2023 e 2024, e de

14% no período de janeiro e fevereiro

de 2025 relativamente ao período

homólogo de 2024. A procura registou

igualmente um acréscimo aos sábados e

domingos, o que confirma a justeza da

aposta feita na melhoria da oferta nesses

dias. No planeamento de transportes, é

imperativo destacar o Plano Metropolitano

de Mobilidade Urbana Sustentável

(PMMUS) e estudos dirigidos à

melhoria da qualidade de serviço, com

enfoque nas pessoas com deficiência,

bem como para melhorar a coordenação

e gestão das interfaces.

Quais os maiores desafios que a TML

enfrentou desde a sua criação? Como

foram superados?

A TML existe para servir as pessoas.

Os maiores desafios emergiram com

a disrupção introduzida pela CM na

oferta de transporte coletivo, que foi,

em algumas áreas, considerada pelas

pessoas como menos adequada às suas

necessidades. Foi necessário enfrentar

o problema de frente, ouvir as pessoas

e implementar correções, sabendo das

limitações e respeitando o contrato. A

mobilização de recursos humanos e frotas

representou igualmente um desafio

significativo para os operadores, mas

diretamente acompanhado pela TML.

Além disso, a evolução tecnológica,


tanto da TML como dos operadores, foi

desafiante, evoluindo de uma realidade

pouco consistente para uma em que

cada validação e autocarro são monitorizados

em tempo real.

Como avalia a evolução da mobilidade

na Área Metropolitana de Lisboa

(AML) desde que a TML assumiu as

suas competências?

A mobilidade na AML registou melhorias

e encontra-se numa trajetória

de evolução contínua. No entanto, é

importante salientar que esta evolução

não se deve apenas à TML, mas também

ao empenho de todos os operadores e

agentes do sistema. A mudança mais

significativa foi a transição de uma

lógica de operador para uma lógica

de sistema, independentemente da

empresa que transporta o passageiro.

O navegante simplificou o acesso sem

penalizar a escolha modal o que ajudou

a esta mudança de atitude. A TML tem

desempenhado um papel crucial na

integração do sistema, contudo, a sua

evolução depende da colaboração de

todos os intervenientes. A mobilidade

na AML é um trabalho contínuo de

partilha e cooperação, no qual todos

têm um papel.

A TML tem a responsabilidade de

coordenar os serviços públicos de

transporte de passageiros na AML.

Que melhorias foram implementadas

para garantir uma oferta mais eficiente

e acessível?

A TML não tem competência para

alterar a oferta de cada operador. No entanto,

tem a faculdade de propor e desenvolver

estratégias de integração, de

modo a tornar essa oferta mais eficiente

e acessível. No que se refere às redes, a

TML tem vindo a ajustar a rede da CM

para compatibilizar horários e potenciar

os modos estruturantes. Relativamente

aos sistemas, para além das melhorias

e novos sistemas de bilhética, a TML

tem-se focado na melhoria da coordenação

da informação entre operadores

, no sentido de se criar informação

integrada do sistema. Foi apresentada

uma candidatura com todos os operadores

públicos para criar um sistema

que centralize essa informação, permitindo,

por exemplo, que os passageiros

do Transtejo tenham acesso às opções

de transporte disponíveis na estação de

chegada. Infelizmente essa candidatura

não foi ganhadora, mas esse caminho

continua a ser trilhado. Igualmente

é imperativo integrar os sistemas de

apoio à exploração, de modo a permitir

ajustes em tempo real, para que, por

exemplo, no caso do atraso de um navio

da Transtejo, os autocarros da CM ajustem

a sua partida fazendo a proteção da

viagem dos passageiros em ligação.

Como tem sido o trabalho de articulação

com os vários operadores

de transporte público? Há desafios

específicos nesta coordenação?

Para além do contacto direto entre as

equipas de trabalho, a TML dispõe de

um fórum de discussão, o Conselho

Consultivo para as Tecnologias, onde

os Conselhos de Administração dos

operadores da AML se reúnem para

discutir soluções para desafios específicos.

Atualmente, está a ser discutida

a criação de um título navegante para

1, 3 e 5 dias para responder a uma

necessidade não satisfeita, bem como

melhorias na bilhética e na integração

dos sistemas. Este processo é contínuo

e essencial para consolidar a lógica do

sistema, estabelecendo pontes entre os

diferentes agentes envolvidos.

Que impacto tiveram as reduções de

preço e as iniciativas de gratuitidade

do passe navegante na acessibilidade

e no custo da mobilidade para a

população da AML? Existem planos

para expandir a gratuitidade do passe

a outras faixas etárias ou grupos

sociais?

A implementação do navegante em abril

de 2019 constituiu um marco histórico,

não só por ter proporcionado benefícios

financeiros às pessoas, mas também

por ter revolucionado a acessibilidade

proporcionada pelo passe. Para além

de simplificar a oferta de transporte,

tornando o sistema mais acessível e

abrangente para toda a AML, o navegante

reduziu a necessidade de múltiplos

passes, oferecendo um título único

que cobre todos os modos de transporte.

Em 2019, o crescimento da procura

foi superior a 20%, antes da pandemia,

referencial que hoje já foi superado.

De 2019 até hoje, o valor dos títulos

não foi ajustado, graças ao apoio financeiro

dos municípios e do Governo, o

que também contribuiu para a recuperação

da procura de transportes públicos.

As iniciativas de gratuidade, como

a aplicada aos jovens até aos 23 anos,

visam alterar comportamentos e incentivar

o uso sustentável dos transportes

públicos. Relativamente à possibilidade

de expansão das gratuitidades, discute-

-se a opção de a estender aos maiores de

65 anos.

É imperativo deixar de analisar os

transportes públicos sob o prisma financeiro,

e sim, passar a analisá-los numa

perspetiva económica, considerando as

suas externalidades positivas, tais como

a redução de poluentes, melhorias na

saúde, diminuição do ruído ou redução

de acidentes. A TML pretende em breve

iniciar um debate sobre esta matéria,

destacando que não se trata apenas de

custos, mas sim de qualidade de vida.

Como avalia a adesão dos cidadãos

aos modos de transporte público em

relação ao transporte individual? Há

medidas para incentivar ainda mais

esta transição?

A adesão aos transportes públicos tem

sido bastante positiva, com o sistema

a ultrapassar a procura verificada em

A mudança mais significativa foi a transição de uma lógica

de operador para uma lógica de sistema, independentemente

da empresa que transporta o passageiro. O

navegante simplificou o acesso sem penalizar a escolha

modal o que ajudou a esta mudança de atitude.

e-MOBILIDADE 31 +


ENTREVISTA

Faustino Gomes

2019, antes da pandemia e após a introdução

do passe navegante. No entanto,

é necessário um trabalho contínuo para

incentivar essa transição. É imperativo

continuar a melhorar a qualidade do

serviço, simplificar o sistema e facilitar

o acesso, bem como disponibilizar uma

informação clara sobre a rede e as opções

disponíveis. É igualmente fundamental

investir em formação para destacar

as vantagens do transporte público

em relação ao transporte individual.

O caminho a percorrer continua a ser

longo, apesar dos avanços já alcançados.

Quais são os principais desafios que

a TML tem identificado nas gares de

transporte público da AML, particularmente

na Gare do Oriente, face à

elevada procura e à falta de espaço?

Que medidas tem vindo a sugerir ou

pode promover, ainda que indiretamente,

para melhorar as condições, a

fluidez do transporte e a experiência

dos utilizadores nesses espaços?

Este tema merece uma conversa à parte,

mas, em resumo, o desafio não é apenas

resolver a falta de espaço e de capacidade

física, mas também reconhecer

as interfaces como elementos-chave do

sistema de transportes, que facilitam o

acesso a todos. A TML está a colaborar

com os decisores para identificar

soluções, contudo, o progresso tem sido

mais lento do que o exigido. É imperativo

acelerar este trabalho, uma vez que

as interfaces são fundamentais para otimizar

os serviços de transporte. A TML

reafirma a natureza supramunicipal

destes equipamentos, que beneficiam

toda a AML, e sublinha a necessidade

imperativa de identificar uma entidade

responsável pela sua gestão, adotando

uma abordagem que releve o seu papel

estratégico e urgente.

O que tem sido feito para integrar

soluções de mobilidade sustentável,

como bicicletas e trotinetes, na rede

de transportes públicos?

A TML tem vindo a desenvolver esforços

contínuos para integrar diversos modos

de transporte, incluindo a mobilidade

ativa, no sistema navegante. A integração

com a Gira já se encontra operacional

e a TML está a colaborar com a

EMEL para melhorar o serviço. Também

testámos bicicletários, como na interface

intermodal de Setúbal, que obteve

um sucesso considerável, e planeamos

expandir essa oferta para outras interfaces,

especialmente nas estações fluviais

e ferroviárias. No estudo de interfaces

que estamos a realizar com o apoio do

BEI, destacamos a importância do acesso

pedonal e dos modos ativos. Em suma, a

integração eficiente de diferentes modos

de transporte, cada um desempenhando

a sua função, tem o potencial de

acrescentar valor à cadeia de viagem, em

que os modos ativos são especialmente

importantes nas etapas inicial e final.

Existem planos para melhorar ou expandir

o sistema de bilhética digital

32 e-MOBILIDADE

+


ou integrar novos meios de pagamento

nos transportes públicos?

A TML adota uma abordagem meticulosa,

que envolve a experimentação

e a implementação de soluções

antes da sua divulgação. Por

exemplo, a utilização do telemóvel

como suporte ao título de transporte,

que parece simples, envolve

a necessidade de garantir a compatibilidade

com diferentes sistemas

operacionais e versões de equipamentos,

para além de investimentos

em validadores. Embora não seja

nossa intenção criar expectativas,

podemos adiantar que, ainda em

2025, teremos pilotos de diferentes

ações que visam facilitar o acesso

ao sistema de transportes.

E reforço que a TML desenvolve soluções

tecnológicas não apenas para

si, mas para todo o ecossistema,

permitindo que outros operadores

utilizem a mesma plataforma sem

custos adicionais e beneficiando do

efeito de escala. É essencial manter

uma visão integrada do sistema,

de modo a permitir que, mesmo

com desenvolvimentos paralelos, o

passageiro tenha uma experiência

unificada.

Quais são os principais projetos

e investimentos previstos para os

próximos anos?

As apostas da TML para o futuro

próximo concentram-se na melhoria

contínua do serviço prestado, com

ênfase particular na qualidade do

serviço do CM e do navegante. A

simplificação, digitalização e desmaterialização

serão fundamentais, assim

como a criação de um sistema de

informação integrado e em tempo real

para todos os modos de transporte.

A interação nas vendas e no atendimento

ao passageiro será igualmente

melhorada. A mobilidade partilhada e

conectada, bem como uma oferta de

transporte flexível serão uma realidade

em breve. Incluo também aqui o

trabalho que teremos de fazer sobre a

“mobilidade como um serviço” tendo

por base a lógica do navegante, que

aliás, internamente, denominamos

por NaaS em que o n remete para o

navegante. Ademais, estamos também

já a preparar a nova geração de contratos

beneficiando do conhecimento

acumulado da gestão dos contratos

atuais.

De que forma a TML está a preparar-se

para os desafios da mobilidade

sustentável e para a redução das

emissões de carbono no setor dos

transportes?

Os prestadores de serviço da TML

têm vindo a investir em frotas mais

sustentáveis, com o apoio do Governo

na renovação para tecnologias ambientalmente

mais sustentáveis. Ademais,

estamos a olhar para a oferta e

percursos mais eficientes e a planear

modelos de negócio que atendam

melhor às necessidades das pessoas,

antecipando tendências para uma

oferta de transporte mais eficiente.

Como vê o futuro da mobilidade

na AML e o papel da TML na sua

evolução?

Chegámos a um ponto crucial em

que é necessário abandonar a lógica

de operador e adotar uma lógica de

sistema, com todos os intervenientes

a trabalharem em conjunto para o

mesmo objetivo: a melhoria do serviço.

Acredito que, com esta abordagem,

a mobilidade na AML melhorará

progressivamente, de forma mais

inclusiva, sustentável e verde. A TML

está definitivamente nesse caminho,

de partilha, de gestão, de trabalho

conjunto com todos. +

+

e-MOBILIDADE 33


Cidades inteligentes: Zurique

34 e-MOBILIDADE +


ZURIQUE

A cidade inteligente

dos 15 minutos

No contexto do debate global sobre mobilidade urbana, sustentabilidade

e qualidade de vida, Zurique destaca-se como referência. A cidade suíça lidera,

pelo sexto ano consecutivo, o Índice das Cidades Inteligentes do IMD e consolida

um modelo urbano onde a tecnologia, o planeamento e o bem-estar se unem

em torno de um conceito transformador: a cidade dos 15 minutos.

e-MOBILIDADE + 35


Cidades inteligentes: Zurique

36 e-MOBILIDADE +

Num momento em que as cidades de todo

o mundo enfrentam desafios crescentes

como a mobilidade precária, a poluição,

a superpopulação e a desigualdade no

acesso a serviços, a capital financeira da

Suíça tem-se destacado por um modelo urbano que alia

tecnologia, planeamento e qualidade de vida. Pelo sexto

ano consecutivo, Zurique lidera o Índice de Cidades

Inteligentes do IMD (International Institute for Management

Development), consolidando-se como a cidade

mais avançada do planeta neste domínio.

Mas o que está por trás deste sucesso? Muito mais do

que inovações tecnológicas ou conectividade digital,

Zurique transformou o conceito de “cidade dos 15

minutos” em realidade quotidiana — e está, assim, a

apontar o caminho para o futuro urbano.

A CIDADE ONDE TUDO ESTÁ AO ALCANCE

Imagine viver num lugar onde os supermercados, as

escolas, os hospitais, os parques e os transportes públicos

estão a, no máximo, 15 minutos de uma caminhada da

sua casa. Em Zurique, isso não é um plano, mas sim uma

realidade. De acordo com a edilidade local, mais de 99%

da população vive dentro desse raio de acessibilidade.

O conceito de cidade dos 15 minutos, amplamente

discutido em fóruns urbanos e popularizado por Paris, en-


controu em Zurique um terreno fértil para ser posto em prática.

A cidade investiu numa descentralização planeada dos serviços,

garantindo que cada bairro tenha infraestruturas essenciais próximas,

reduzindo a necessidade de deslocações longas e promovendo

mais tempo livre, menos stress e maior bem-estar.

A MOBILIDADE COMO EIXO

DE TRANSFORMAÇÃO

Este modelo urbano é sustentado por um sistema de transporte

público amplamente integrado, que inclui comboios,

elétricos e autocarros, e funciona quase totalmente com

energias renováveis. A mobilidade ativa (a pé ou de bicicleta)

também é incentivada, com mais de 300 quilómetros de

ciclovias seguras espalhadas pela cidade. As áreas de tráfego

limitado no centro histórico, as zonas pedonais e os baixos

índices de congestionamento fazem de Zurique um exemplo

mundial em eficiência urbana. “A cidade é pensada para as

pessoas, não para os carros”, resume Anna Keller, urbanista

do Instituto de Estudos Metropolitanos de Zurique.

TECNOLOGIA APLICADA À VIDA REAL

A liderança de Zurique no ranking das cidades inteligentes

também é sustentada pelo uso inteligente e ético da tecnologia.

O que distingue a cidade não é apenas a digitalização

de serviços públicos ou a presença de sensores e algoritmos,

mas a forma como essas tecnologias são utilizadas para re-

e-MOBILIDADE + 37


Cidades inteligentes: Zurique

solver problemas concretos. Startups como a Nanoflex

Robotics, que desenvolve micro-robôs para cirurgias à

distância, ou a DeepJudge, que aplica inteligência artificial

à análise de documentos jurídicos, mostram como a

inovação local nasce da ciência aplicada à vida quotidiana.

Já a BTRY, uma empresa derivada do ETH Zurich,

aposta em baterias com alta resistência térmica, com

potencial de impacto em diversas áreas da infraestrutura

urbana. Estas soluções são o resultado de um ecossistema

académico e empreendedor vibrante, em grande parte

impulsionado pela ETH Zurich, que gera cerca de 25

startups por ano.

QUALIDADE DE VIDA, SUSTENTABILIDADE E

GOVERNANÇA DIGITAL

Zurique combina excelência urbana com metas ambiciosas

de sustentabilidade. A cidade já utiliza energia 100%

renovável em setores estratégicos e está a avançar para a

neutralidade carbónica até 2040. A gestão de resíduos,

por exemplo, é uma referência mundial em termos

de reaproveitamento e eficiência. Além disso, Zurique

adotou uma abordagem de governação digital aberta,

com forte participação cívica, processos transparentes e

utilização de dados em tempo real para a gestão da mobilidade,

segurança e emergências ambientais.

38 e-MOBILIDADE +


DESAFIOS E CONTRADIÇÕES

Por mais avançada que seja, Zurique não é imune aos

desafios urbanos. O principal entrave identificado pelos

próprios residentes é o custo da habitação.

O sucesso do conceito dos 15 minutos aumentou a procura

de bairros bem localizados e a cidade enfrenta agora o difícil

equilíbrio de manter a acessibilidade social numa cidade

de elevado padrão.

Políticas de planeamento urbano inclusivo, subsídios e habitação

social estão a ser ampliadas, mas a questão permanece

no centro do debate urbano local.

UM MODELO REPLICÁVEL?

O sucesso de Zurique mostra que o futuro urbano pode ser

mais equilibrado, eficiente e centrado nas pessoas. O seu

exemplo demonstra que a tecnologia não tem necessariamente

de ser invasiva, podendo ser humanizadora, desde

que utilizada com propósito e planeamento. A cidade suíça

não é perfeita, mas é prova viva de que é possível construir

um ambiente urbano que priorize o bem-estar coletivo, a

qualidade de vida e a relação sustentável com o território.

Para as cidades que procuram caminhos para além do crescimento

desordenado e das soluções imediatistas, Zurique

oferece mais do que um modelo: oferece esperança! EdeC +

e-MOBILIDADE + 39


MOBILIDADE URBANA

Do planeamento à ação:

Monitorização de PMUS

com a plataforma MOTUS

A mobilidade urbana é um ponto focal das políticas públicas devido à sua

importância para alcançar os objetivos para a ação climática, promover a

qualidade de vida e aumentar a competitividade dos territórios.

THIAGO SOBRAL

Coordenador da Área de Inovação,

Investigação e Desenvolvimento da OPT

A

gestão da mobilidade revela-se,

contudo, complexa,

pelo que o êxito de ações

isoladas que não considerem

essa complexidade

tende a ser limitado, comprometendo a

eficácia das intervenções e a concretização

dos objetivos definidos nos Planos

de Mobilidade Urbana Sustentável

(PMUS). As estatísticas relacionadas

com os padrões de mobilidade, com as

emissões de gases poluentes, níveis de

ruído e dados de sinistralidade rodoviá-

ria, demonstram que Portugal não está

a convergir com as Metas do Acordo

de Paris. É assim imperativo rever as

políticas públicas de mobilidade.

Desde 2013, no âmbito do «Pacote de

Mobilidade Urbana» da UE, os Planos

de Mobilidade Urbana Sustentável

(PMUS) tornaram-se um instrumento

fundamental para a mobilidade estratégica.

Um PMUS contempla a disponibilização

de infraestruturas para diferentes

modos de transporte, desde a mobilidade

ativa aos transportes públicos, entre

Sessão de participação pública

desenvolvida para o PMUS

do Município de Ílhavo

40 e-MOBILIDADE +


outros fatores como estacionamento,

logística urbana, sinistralidade rodoviária,

e fatores de diversidade e inclusão

nos transportes.

Face ao longo horizonte temporal

tipicamente associado à implementação

de um PMUS, é imprescindível que as

autarquias monitorizem os indicadores

associados à sua implementação, bem

como a respetiva execução orçamental.

A OPT desenvolveu a ferramenta colaborativa

MOTUS para o registo e monitorização

dos indicadores associados

à implementação dos PMUS, de acordo

com os requisitos do IMT e da União

Europeia. A plataforma é ajustável às

necessidades de cada autarquia, e incorpora

um conjunto de dashboards personalizados

com a informação relevante

à área de atuação das equipas técnicas,

com uma camada de supervisão para o

executivo autárquico.

Um PMUS tipicamente contempla um

conjunto de fichas de ação organizadas

em eixos temáticos. A ferramenta permite,

de forma intuitiva, visualizar cada

ficha de ação e acompanhar a evolução

dos indicadores e da execução orçamental,

bem como os desvios face aos

objetivos pré-definidos. O público em

geral também pode aceder à ferramenta

e visualizar as fichas de ação e alguns

dos seus indicadores, caso seja esse o

entendimento do executivo autárquico

numa lógica de transparência e de prestação

de contas perante os eleitores.

O desenvolvimento da ferramenta

seguiu uma abordagem centrada no uti-

Execução orçamental por eixo temático

Implementação por eixos temáticos

Um PMUS contempla

a disponibilização de

infraestruturas para

diferentes modos de

transporte, desde a

mobilidade ativa aos

transportes públicos,

entre outros fatores como

estacionamento, logística

urbana, sinistralidade

rodoviária, e fatores de

diversidade e inclusão

nos transportes.

Indicadores e detalhes de uma ficha de ação

e-MOBILIDADE + 41


MOBILIDADE URBANA

por Thiago Sobral

Sessão de participação pública desenvolvida

para o PMUS do Município de Vila Real

lizador, com frequentes avaliações por

parte de Especialistas em Mobilidade

e Sistemas de Transporte que acompanharam

as várias iterações. A plataforma

fundamenta-se na experiência da

equipa no desenvolvimento de PMUS

em vários municípios portugueses, e

na realização de diversas sessões de

participação pública.

Por se tratar de uma ferramenta

orientada a utilizadores que possuem

perspetivas e áreas de atuação variadas

A OPT desenvolveu a

ferramenta colaborativa

MOTUS para o registo

e monitorização dos

indicadores associados

à implementação dos

PMUS, de acordo com os

requisitos do IMT e da

União Europeia.

no âmbito da mobilidade, a interface

gráfica é descomplicada e recorre a

gráficos interativos e intuitivos, que

revelam progressivamente a informação

em diferentes níveis de granularidade.

Um pressuposto fundamental

subjacente a qualquer plataforma ou

mecanismo de monitorização é que os

municípios e as suas equipas técnicas

alimentem periodicamente a plataforma

com dados precisos. Por razões de

segurança e consistência, os registos

não podem ser alterados sem recorrer a

intervenção superior.

senta um desafio complexo, quer para

Portugal quer para a União Europeia, e

despertam a necessidade de instrumentos

fundamentais para o sucesso destes

planos, oferecendo recursos essenciais

para o acompanhamento de indicadores,

avaliação de ações e identificação de

desvios em relação às metas estabelecidas.

A transparência proporcionada por

estas ferramentas, através de dashboards

públicos, não apenas facilita a tomada

de decisão, mas também promove a

participação dos munícipes e a sua confiança

naqueles que gizam um futuro

A implementação dos PMUS repre- melhor para as cidades. +

42 e-MOBILIDADE

+


e-MOBILIDADE 43


MOBILIDADE URBANA

Andem de bicicleta e sejam felizes!

Não é por acaso, nem por mera coincidência, que os países onde se é mais feliz e onde existe

melhor nível de vida geral sejam aqueles onde a bicicleta representa um importante papel na

mobilidade citadina. Está igualmente estudado que há um impacto positivo nas aprendizagens

dos alunos se estes utilizarem modos ativos nas idas para a escola em vez de irem fechados num

automóvel, assim como não será novidade para ninguém que a atividade física proporcionada

pelo uso quotidiano da bicicleta gera bem-estar e reduz substancialmente a prevalência de várias

doenças e patologias.

Usar a bicicleta como veículo

para as deslocações

diárias tem um potencial

enorme em diversas

perspetivas. Assim,

além de permitir a deslocação de uma

pessoa de casa para o trabalho, permite,

ao mesmo tempo, exercício físico e

relaxamento anímico. Acresce que em

relação ao uso de um automóvel há uma

redução substancial de encargos, não

se gera poluição, nem ambiental nem

sonora, conseguindo um enorme grau

de eficiência na deslocação.

E os benefícios não são apenas para

o próprio já que, de acordo com um

estudo recente, em média, um quilómetro

percorrido em bicicleta tem um

ganho para a sociedade de cerca de

0,68 cêntimos, enquanto que um quilómetro

em automóvel tem um custo

de 0,37 cêntimos. Isso é confirmado,

por exemplo, por um artigo científico

publicado no Journal of Transport

Geography (Fevereiro 2024), intitulado

“Car harm: A global review of

automobility’s harm to people and the

environment”, e onde ficam evidentes

as enormes e trágicas externalidades

negativas do uso desproporcionado do

automóvel.

A verdade é que não existe um único

estudo científico que defenda a mobilidade

automóvel, mas abundam os

estudos, com o rigor de números e da

investigação, que sustentam os benefícios

no uso das mobilidades ativas.

Tal não pode ser estranho ao facto de,

ainda hoje, a bicicleta ser a forma mais

eficiente para a deslocação de um ser

vivo, em especial nas cidades, enquanto

que o automóvel é uma das formas

LUÍS GUIMARÃES DE CARVALHO

Membro do Conselho Consultivo da

Federação Portuguesa de Cicloturismo

e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB)

mais ineficientes e prejudiciais.

Os benefícios para a Economia de um

maior uso dos modos ativos de mobilidade

são indesmentíveis. Estudos

demonstram que ruas onde se aposta

na mobilidade pedonal e ciclável

podem ter acréscimos de negócio em

mais 40% que nas ruas onde predomina

o automóvel, tendo outro estudo

demonstrado que, em média, um

trabalhador que use habitualmente

modos ativos tem 27% menos probabilidade

de ficar inativo.

O corpo humano é uma esplendorosa

e sofisticada máquina de mobilidade.

A nossa anatomia e a fisiologia

do nosso corpo estão naturalmente

codificadas para o movimento. Ao nos

privarmos dessa atividade estamos a

deteriorar o corpo humano. Aqueles

que vão de bicicleta ou a pé para o

trabalho ou para a escola têm maior

44 e-MOBILIDADE

+


probabilidade de atingir os níveis

mínimos de atividade física saudável

do que aqueles que se deslocam por

outros meios.

O transporte ativo está associado à

melhoria do humor e da sensação de

bem-estar, à redução do peso corporal

e à melhor saúde cardíaca. Caminhar

e pedalar também estão associados

a melhor cognição e alerta mental.

Estudos clínicos demonstraram que

a combinação de estímulos sensoriais

decorrentes do exercício físico são um

poderoso tônico cerebral retardando

a evolução de doenças degenerativas

cada vez mais graves e comuns com o

aumento exponencial da esperança de

vida.

A atividade física através da mobilidade

tem sido considerada a melhor

opção para a saúde pública por ser

acessível, eficaz, barata e, em geral,

isenta de riscos se as ruas das cidades

forem projetadas para isso.

No entanto, Portugal tem a segunda

quota modal em bicicleta mais baixa

da União Europeia. Segundo os censos

de 2021, apenas 0,6% dos portugueses

usa a bicicleta tendo-se verificado um

aumento de apenas 0,1% numa década

(Censos 2011 era 0,5%). Relembre-se

que a média da União Europeia se situa

nos 8% o que evidencia o enorme

potencial que o nosso país pode ter

no aumento do uso da bicicleta como

modo de transporte.

A evidente relevância das mobilidades

ativas levou os mais recentes Governos

a aprovarem a Estratégia Nacional

para a Mobilidade Ativa Ciclável

2020-2030 e a Estratégia Nacional

para a Mobilidade Ativa Pedonal 2030,

através, respetivamente, através da

Resolução do Conselho de Ministros

n.º 131/2019, de 2 de agosto e da Resolução

do Conselho de Ministros n.º

67/2023, de 7 de julho, sem que, no

entanto, daqui decorram transformações

relevantes nem se afete despesa

orçamental significativa, o que talvez

ajude a explicar que Portugal tenha

caído cinco posições no Relatório

sobre a Felicidade Mundial 2025, de

acordo com o estudo publicado pelo

Centro de Investigação do Bem-Estar

da Universidade de Oxford.+

e-MOBILIDADE + 45


“Num mercado cada vez mais global, geopolítico, interconectado

e multilateral a constante avaliação dos riscos e planos

de contingência tornam-se fundamentais para a resiliência das

empresas e organizações”

46 e-MOBILIDADE


SUSTENTABILIDADE

ESG: risco

ou oportunidade?

As organizações e empresas em todo espaço da União Europeia (UE) já estão, de uma forma ou de

outra, confrontadas com o Programa ESG (Environmental, Social and Governance) que se traduz num

conjunto de práticas com o intuito de promover a sustentabilidade ambiental, a responsabilidade

social e a governança corporativa.

O

ESG, este desígnio ambiental, social e de

governança lança desafios estruturais

principalmente pelas metas ambiciosas que

foram traçadas. Procura-se essencialmente

desenvolver uma economia muito mais

responsável no ambiente, mais equilibrada nas relações

sociais e humanas e acima de tudo mais transparentes nas

práticas de gestão das empresas.

Já no decorrer deste ano, as grandes empresas, principamente

as cotadas em bolsa, devem apresentar os seus

resultados de acordo com ESRS (European Sustainability

Reporting Standards), relativamente a 2024.

Em 2026 será a vez as grandes empresas não cotadas em

bolsa, que terão que apresentar o seu relatório de sustentabilidade

referente a 2025. Em 2027 as PME cotadas.

Os objetivos são ambiciosos, a neutralidade carbónica,

eficiência energética, gestão de resíduos, uso sustentável

da água, diversidade e inclusão social, segurança e

bem-estar dos trabalhadores, impacto social, transparência

e prestação de contas, responsabilidade fiscal, ética e

práticas contra a corrupção, entre outras.

Os adeptos e subscritores desta estratégia elencam ganhos

de competitividade e notoriedade para as empresas,

considerando que as empresas com melhores indicadores

no ESG são cada vez mais valorizadas no mercado, pois

demonstram compromisso com um modelo de negócios

sustentável e responsável. Além disso, essa abordagem

também atrai investimentos, melhora a reputação da

marca e contribui para um impacto positivo na sociedade

e no meio ambiente.

Em sentido contrário as vozes que mais criticam, relativamente

a esta estratégia, antecipam perda de competitividade,

aumento de custos operacionais, necessidades de

investimentos muito elevados e acima de tudo excessiva

ANTÓNIO SOARES

Diretor de Desenvolvimento de Negócio

da Rodocargo

regulamentação, principalmente no momento de elevada

competição internacional e de importantes mudanças

geopolíticas.

As empresas, principalmente as que operam nos sectores

da logística, transporte e mobilidade têm no seu horizonte

importantes metas relacionadas com a sustentabilidade,

nomeadamente a neutralidade carbónica que carece de

grandes investimentos quer em tecnologia quer em

sistemas de gestão. Para além desta necessidade de investimento,

assiste-se um pouco por toda a Europa comunitária

uma escassez de recursos humanos nas funções e tarefas

mais indiferenciadas ou especializadas como motoristas ou

operadores de máquinas.

e-MOBILIDADE + 47


SUSTENTABILIDADE

ESG: risco ou oportunidade?

Sempre que lidero equipas ou nas ações de formação que

dou, relembro sempre as equipas ou os formandos do

facto “o caracter chinês para Risco é o mesmo que para

Oportunidade”. O ESG coloca às organizações pressão no

cumprimento das metas sem comprometer a sua competitividade.

No entanto o ESG pode constituir uma

oportunidade para que as empresas, principalmente nos

sectores da logística e mobilidade terem um contributo

importante na economia de forma sustentável e competitiva.

Desde logo, é uma oportunidade para rever processos e

organização. Encontrar soluções tecnológicas e flexíveis

que permitam uma melhoria do processo ou mesmo uma

atualização. Com os tempos os processos são contínuos,

sem que sejam questionados pequenos aspetos e que

fazem a diferença na rentabilidade. A melhoria contínua

tem que ser uma prática de gestão diariamente. Será

determinante para as organizações reunir quadros em

academias ou grupos de reflexão, motivar e direcionar

esse capital humano para a mudança e melhoria de

processo.

Oportunidade para revisitar estratégicas definidas, quer

sejam a nível dos produtos quer a nível do mercado. A

mudança é o elemento mais constante na vida, o mercado

e os clientes, numa era da digitalização e da interconectividade

estão em constante mudança, não só nos hábitos,

mas também na forma como interagem, seleccionam e

optam por um bem ou serviço. O preço continua e

continuará a dominar, mas será só o preço? O Radar de

Tendências de Logística 7.0, de 2024, já coloca as

preferências dos clientes de Logística e Transportes a

O caracter

chinês

para Risco

é o mesmo

que para

Oportunidade

48 e-MOBILIDADE

+


questão da sustentabilidade em segundo lugar.

Oportunidade para uma revisão de parceiros e de

parcerias, revendo a forma como se estabelece, a que

níveis existe mesmo parceria e transformar as mesmas em

alianças. Partilha de informação, constante monitorização

e acompanhamento. Este será talvez o aspeto mais

desafiante para as empresas do sector. Definir critérios,

avaliar e selecionar parceiros e alianças dentro dos

requisitos e da “filosofia” do ESG. Avaliar e motorizar a

resiliência dos parceiros e o seu compromisso com as

melhores práticas de gestão. As quebras nas cadeias de

abastecimento após a pandemia veio mostrar a fragilidade

das relações com parceiros e a falta de envolvimento dos

mesmos.

Oportunidade também de encontrar novas soluções e

respostas para problemas antigos, na Logística, no

Transporte e na mobilidade. As soluções intermodais têm

cada vez mais respostas sustentáveis e competitivas.

A outra vertente que constitui, a meu ver, uma oportunidade

dentro do programa ESG, é a relação com o capital

humano. O pós-pandemia e a demografia europeia coloca

as empresas logísticas com problemas críticos de recrutamento

e de redução do turnover. As práticas de gestão dos

ativos humanos têm que mudar e adaptar-se a uma

geração, mais conectada, mais participativa, mais interveniente,

mais inclusiva e acima de tudo com visão e valores

mais orientados para o bem-estar, para a sustentabilidade e

responsabilidade social. As organizações terão muito mais

a ganhar se procurarem envolver os seus ativos na gestão e

definição do seu negócio e mercado.

A geração que agora inicia a sua vida profissional não quer

apenas bem-estar (assume como garantido) ou um bom

emprego, quer envolvimento, contributo e participação.

Permitir que os colaboradores tenham uma participação no

processo decisório, sejam envolvidos no processo de

definição estratégico ou que tenham um contributo

significativo nas escolhas da organização, certamente que

resultarão em melhores resultados na retenção e motivação

de talentos. O Método Estratégico para Alinhamento

Organizacional: Hoshin Kanri, pode ser uma resposta para

envolver, motivar e incentivar a participação de quadros de

uma organização.

Por último, a questão da Governança. Neste aspeto o ESG

é mais exigente, não só o “compliance” que por si só

e-MOBILIDADE + 49


SUSTENTABILIDADE

ESG: risco ou oportunidade?

representa um desafio, mas também avaliação do risco da

organização em todas as vertentes. Gerir é acima de tudo

analisar, antecipar, planear. Fazer uma análise dos riscos é

um exercício determinante para as organizações. Só

avaliando cada aspeto ou processo se pode preparar uma

organização para adversidade. Mas é também uma janela

de oportunidade, para solidificar parcerias ou estabelecer

novas. Conhecer melhor o seu mercado e os seus clientes.

Muscular a empresa com processos e planos de ação face

às ameaças e dificuldades.

Os riscos são diversos e cada vez mais globais e geopolíticos.

Envolver todos os Stakeholders na avaliação dos riscos

e elaboração dos planos de ação é cada vez mais imperativo.

Desde 2015 que a norma do programa de Gestão da

Qualidade já focava a organização para identificação de

risco e os planos de contingência. A pandemia veio provar

a fragilidade das organizações para crises globais e os seus

efeitos. Num mercado cada vez mais global, geopolítico,

interconectado e multilateral a constante avaliação dos

riscos e planos de contingência tornam-se fundamentais

para a resiliência das empresas e organizações.

A competitividade também se obtém ao rever e revisitar os

processos operativos e funcionais, um exercício constante

e permanente de revisão e adaptação aos movimentos e

mutações dos mercados e clientes.

Organizações que revejam processos, selecionem melhores

parceiros, estabeleçam alianças operativas, que conhecem

melhor os seus clientes e mercados, que valorizem e

promovam o seu capital humano, projetam-se no futuro,

transformam-se em entidades mais resilientes e conse-

quentemente mais competitivas.

Encarar o programa ESG apenas como um requisito e

processo normativo imposto ou mesmo como um crachá

do marketing e comunicação, é deixar uma oportunidade

de eliminar desperdício e melhorar o serviço ao cliente, até

porque existem apoios e incentivos nacionais nomeadamente

do Fundo Ambiental e o Portugal 2030 a nível

europeu.

O ESG tem de facto desafios fulcrais nos próximos tempos,

mas é também uma oportunidade eliminar redundâncias,

antecipar riscos, orientar a organização para o cliente e

acima de tudo para a competitividade. +

O ESG coloca às organizações pressão

no cumprimento das metas sem comprometer

a sua competitividade seleção. No

entanto o ESG pode constituir uma

oportunidade para que as empresas,

principalmente nos sectores da logística

e mobilidade terem um contributo

importante na economia de forma

sustentável e competitiva.

50 e-MOBILIDADE

+


Cada bateria

afirma ser a

melhor do

mercado.

As nossas

baterias

provam isso

quando

necessário.

Criando o futuro – o caminho da Exide:

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Confiabilidade

Sustentabilidade

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e-MOBILIDADE + 51


OPINIÃO

A nova estratégia europeia

para os portos (2025)

Entre a transição verde, a resiliência

e a autonomia estratégica

A Estratégia Portuária Europeia de 2025 surge num contexto marcado por mudanças profundas na

economia e na geopolítica mundial. A dupla transição digital e ecológica, a crescente instabilidade

internacional, a necessidade de segurança energética e o reforço da competitividade industrial europeia

tornam os portos peças-chave da nova política económica da União Europeia. O documento “A

Competitiveness Compass for the EU”, publicado em janeiro de 2025, reconhece os portos como

nós estratégicos para o sucesso da transformação económica europeia.

Internamente, a UE enfrenta limitações em

termos de produtividade, inovação e financiamento.

A burocracia e a fraca integração

do mercado único dificultam o desenvolvimento

de soluções verdes e tecnológicas,

o que afeta diretamente os portos: a lentidão dos

processos de licenciamento e a dificuldade de

implementar novos portos e projetos inovadores

continuam a ser entraves significativos. Externamente,

a rivalidade tecnológica com os EUA e a

China, a guerra na Ucrânia, a crise energética e a

nova vaga protecionista global expuseram a dependência

europeia de cadeias logísticas externas

e de combustíveis fósseis, colocando os portos no

centro das estratégias de segurança económica e

industrial.

A nova Estratégia Portuária, inserida numa Estratégia

Industrial Marítima Europeia mais ampla,

propõe-se descarbonizar os portos e o transporte

marítimo, promover os estaleiros navais, o uso de

combustíveis limpos e tecnologias de zero emissões,

transformar os portos em plataformas industriais

circulares e atrair indústrias limpas e centros de

montagem de renováveis. Visa também reforçar a

conectividade digital e física dos portos, reduzir

dependências críticas e consolidar o papel dos portos

no Pacto Oceânico Europeu.

Para concretizar estes objetivos, serão mobilizados

VÍTOR CALDEIRINHA

Port of Setubal Business and Logistics Director,

Professor PhD, Port researcher and consultant

www.linkedin.com/in/vitorcaldeirinha/

vários instrumentos: o Clean Industrial Deal e o

Affordable Energy Plan, projetos IPCEI nos setores

da logística verde e tecnologias marítimas, um

quadro de auxílios estatais mais flexível, os fundos

STEP e o Competitiveness Fund, e ainda estratégias

específicas para os portos e a indústria marítima. A

52 e-MOBILIDADE


A nova Estratégia Portuária, inserida numa Estratégia

Industrial Marítima Europeia mais ampla,

propõe-se descarbonizar os portos e o transporte

marítimo, promover os estaleiros navais, o uso de

combustíveis limpos e tecnologias de zero emissões,

transformar os portos em plataformas industriais

circulares e atrair indústrias limpas e centros

de montagem de renováveis.

e-MOBILIDADE + 53


Opinião

Vítor Caldeirinha

A renovação dos equipamentos

portuários, incluindo a automação

e eletrificação de guindastes, pórticos

de parque e STS, é uma condição

de base. Não há porto verde sem

porto competitivo, bem conectado

e modernamente equipado

componente de Military Mobility será usada para garantir

redundância logística em cenários de crise.

Apesar das ambições, o sistema portuário europeu

revela tanto forças como fragilidades. Destacam-se pela

positiva a sua rede densa e diversificada, o avanço relativo

em normas ambientais e tecnológicas, e o potencial

de liderança na transição digital e verde. No entanto,

subsistem fragilidades estruturais: heterogeneidade

nos modelos de governação e financiamento, falta de

escala, conectividade, capacidade e conectividade face à

concorrência asiática, lentidão administrativa e escassez

de mão-de-obra qualificada.

Para que a nova estratégia seja eficaz, será essencial

simplificar os processos de licenciamento de novos portos

e terminais, flexibilizar a respetiva operação, garantir

financiamento adequado com maior participação privada

e acesso simplificado e efetivo a fundos europeus

para projetos produtivos, fomentar a cooperação entre

autoridades portuárias e a Comissão Europeia, e investir

na capacitação dos recursos humanos em competências

críticas para a transição energética e digital.

A análise crítica impõe uma leitura mais realista: não

basta a retórica verde. É necessário operacionalizar a

função dos portos como hubs logísticos e industriais

da nova economia europeia. Devem ser criadas zonas

francas e clusters industriais portuários prioritários,

com incentivos concretos à relocalização da produção e

à competitividade. A lógica de produtividade, retorno do

54 e-MOBILIDADE

+


e-MOBILIDADE + 55


Opinião

Vítor Caldeirinha

investimento, viabilidade financeira e custo logístico total

deve guiar as decisões estratégicas, sob pena de não atrair

investimento industrial e privado relevante e competitivo.

A estratégia deve ainda enfrentar os gargalos logísticos

reais: acessibilidades ferroviárias deficitárias, zonas logísticas

saturadas, cais curtos, para navios pequenos e pouco

produtivos, acessos rodoferroviários mal conectados. Será

necessário construir novos terminais ou portos competitivos

de raiz, tal como fazem hoje os principais concorrentes

da Europa – na Ásia, Médio Oriente e América do Sul. A

renovação dos equipamentos portuários, incluindo a automação

e eletrificação de guindastes, pórticos de parque e

STS, é uma condição de base. Não há porto verde sem porto

competitivo, bem conectado e modernamente equipado.

A implementação de obrigações como a eletrificação de

cais e o uso de combustíveis alternativos deve ser faseada

e adaptada ao mercado. Caso contrário, haverá risco de

investimentos ociosos e custos não recuperáveis. O sistema

ETS Marítimo e as taxas verdes, tal como desenhados,

podem penalizar os portos europeus e gerar fuga de tráfego

(carbon leakage) para portos fora da UE, afetando não só

o transshipment, mas também o short sea shipping. Este

risco deve ser corrigido com urgência.

A transição ecológica não deve ser um fim em si mesma,

mas parte de um modelo económico competitivo e sustentável

no curto e médio prazo. É imperativo criar uma

porta única para o financiamento portuário europeu, com

acesso simplificado considerando a viabilidade económica

e financeira, sobretudo para portos médios, pequenos e

países periféricos, que não dispõem de recursos técnicos para

56 e-MOBILIDADE

+


lidar com a complexidade atual dos programas europeus.

Para ser eficaz, a estratégia europeia deve definir prioridades

logísticas claras, adotar instrumentos acessíveis, garantir

incentivos concretos ao capital privado e assumir uma visão

sistémica dos corredores logísticos-industriais. A lógica de

“porto verde, inovador ou digital genérico” deve ser substituída

por um novo modelo de “portos competitivos, produtivos,

abertos ao investimento, electrificados, automatizados,

integrados com o ambiente e as comunidades locais, com

regulação e fiscalidade simplificadas e adequadas ao papel

estratégico que desempenham.” +

A transição ecológica não deve

ser um fim em si mesma, mas parte

de um modelo económico competitivo

e sustentável no curto e médio prazo.

É imperativo criar uma porta única

para o financiamento portuário europeu,

com acesso simplificado considerando

a viabilidade económica e financeira

e-MOBILIDADE + 57


SMART CITIES

Cidades inteligentes

e/ou cidades felizes?

Com tanto que hoje se fala de Inteligência Artificial e do seu papel nas ‘Smart Cities’, será que

estamos a considerar que a inteligência só faz sentido se tornar a cidade não só mais eficiente,

mas sobretudo mais feliz?

Cresci, alegre e livremente,

numa Lisboa ainda

sem Gertrude. Mais

tarde, nos anos 90, a

trabalhar longe, lembro-

-me de acelerar para chegar à Ponte

25 de Abril e de me comover só de

ver aparecer-me a minha bela cidade.

Hoje, emigrado para um subúrbio

próximo mas tranquilo e verde (uma

achado cada vez mais raro), entro

em stress só de pensar que tenho de

ir a Lisboa. O que, na realidade, diz

mais de mim do que propriamente

da cidade.

Muitas vezes, menos é mais. Eu

costumo dizer que, quando reduzi

consumos e excessos, ao contrário

do que é intuitivo pensar, melhorei

a minha qualidade de vida. E, em

relação a ter passado a deslocar-me

muito mais de bicicleta, a imagem

que passo é ‘de carro é uma deslocação,

de bicicleta é um passeio’.

Ao criarmos ferramentas tão poderosas

como a digitalização e a inteligência

artificial, na sua imensidão de

possibilidades, estaremos a acautelar

que somente fazem sentido se forem

isso mesmo, ferramentas para melhorar

a qualidade de vida generalizada

dos humanos? Que têm de ser meios,

não finalidades?

UMA FERRAMENTA PODEROSA

A verdade é que há muito que

ferramentas digitais fazem parte da

gestão das nossas cidades. Em Lisboa,

por exemplo, recentemente foi

substituído o sistema de gestão de

ANTÓNIO GONÇALVES PEREIRA

Presidente do Ecomood Portugal, Associação

para a Promoção Solidária da Sustentabilidade

na Mobilidade Humana; Embaixador

do Pacto Climático Europeu

trânsito implementado ainda nos

anos 80, a tal Gertrude, por outro

mais… inteligente. E há também

algum tempo que temos mupis

que, além de ocuparem (demasiado)

espaço para conseguir receitas

de poluição publicitária, estão a

recolher dados da movimentação

dos cidadãos. E esses dados, uma

vez analisados, servem, ou deveriam

servir, para corrigir sentidos

de ruas, frequência de semáforos,

traçados de ciclovias, larguras de

passeios, horários e traçados de

transportes colectivos, implementação

de medidas de mobilidade

inclusiva, etc.

Mas há muito mais que já acontece

e que normalmente nem associamos

a Smart Cities. Na saúde, por

exemplo, agendamento online, receitas

digitais e atendimento remoto

não só aumentam o acesso e a agilidade

nos cuidados médicos, como

reduzem trânsito. Muitos criminosos

têm também sido mais rapidamente

descobertos e apanhados devido à

instalação de câmaras de vigilância

e do tratamento informático dessas

imagens.

Como em tudo, há prós e contras.

Aliás, há prós e riscos. Até nestes

exemplos positivos que acabei de

dar, a utilização indevida pode

resultar em excesso de vigilância

por governantes menos democráticos

ou em violação de privacidade

por empresas menos escrupulosas.

Ou num excesso de dependência da

tecnologia que pode ter resultados

de vulnerabilidade a ataques cibernéticos

ou tão simplesmente a falhas

do sistema, como se viu no recente

apagão. Isto para não mencionar alguma

‘infoexclusão’ social ou o alto

custo associado à implementação

das soluções.

COMO USÁ-LA?

No que respeita à segurança a aos

riscos mencionados, há que tê-los

em conta e acautelá-los e não meramente

varrê-los para debaixo do tapete

(de asfalto). São necessárias leis

bem redigidas, sem buracos criados

para desresponsabilizar criadores e/

ou implementadores, e entidades

reguladoras e fiscalizadoras musculadas,

que representem verdadeiramente

os interesses dos cidadãos e

58 e-MOBILIDADE


não os daqueles que deveriam regular

e fiscalizar.

No que respeita à mobilidade e ao

urbanismo, curiosamente, os dados

recolhidos e as ferramentas digitais

aplicadas em cidades mais avançadas,

têm resultado tanto em soluções de

ponta como num regressar ao mais

simples, ao menos é mais.

Na sempre mencionada Copenhaga,

por exemplo, têm resultado numa

gestão energética de edifícios públicos

e residenciais, telhados verdes, projetos

urbanos pensados para interações

humanas e convivência comunitária,

com muitos parques, espaços culturais

e áreas de lazer. Mais de 50%

da população circula de bicicleta, e

uma grande outra percentagem de

transporte colectivo. Há ciclovias

inteligentes com sensores que controlam

o fluxo e priorizam ciclistas nos

semáforos, os transportes colectivos

e partilhados estão bem coordenados

e integrados. As ruas são verdadeiramente

de todos!

Tudo isto é resultado também da

utilização de ferramentas digitais de

governação. Os cidadãos participam

nas decisões através de plataformas

digitais e consultas públicas. Os dados

da cidade são abertos e usados para

melhorar políticas públicas com base

em evidências. A inclusão digital é uma

prioridade, com acesso gratuito à internet

em diversos espaços públicos. Essa

combinação de tecnologia, sustentabilidade

e participação cidadã ajuda a tornar

Copenhaga numa cidade que não

só funciona melhor mas também onde

as pessoas vivem com mais bem-estar

e satisfação. Mais felizes.

Mas não se pense que são só os

nórdicos que estão na proa do uso

da inteligência artificial para potenciar

a humana e tornar as cidades

mais felizes. Lembra-se de Medellin,

na Colômbia? Sim, vou dá-la como

exemplo positivo. A antiga capital da

droga, do caos e da iniquidade social

é hoje uma referência na rápida inovação

urbana. Medidas e infraestruturas

de mobilidade inteligente, integrada

e inclusiva, como um teleférico

ou escadas rolantes, passaram a colocar

mais em pé de igualdade os mais

desfavorecidos dos morros em redor

da cidade. O lema é ‘Urbanismo com

Dignidade’. O uso dos dados recolhidos

por sensores tem resultado tanto

em medidas de correcção de trânsito,

como na implementação periférica

de equipamentos que diminuíram a

pendularidade e a criminalidade e

melhoraram a qualidade de vida tanto

nesses locais como em toda a área

metropolitana. E em muitas outras

soluções que têm sido decididas de

forma participada.

INTELIGÊNCIA E CIDADANIA ACTIVAS

Portanto, a solução não é envelhecer

no Restelo e impedir o avanço

tecnológico mas sim exigir que seja

usado da melhor forma. No fundo,

resume-se a exercer cidadania activa,

a usarmos a nossa inteligência para

que a artificial seja usada em nosso

benefício. De todos nós, não somente

dos que, directa ou indirectamente,

podem lucrar financeira ou autoritariamente

com ela. Para isso é preciso

participar activamente na sociedade,

em permanência, não somente pondo

um papelinho numa ranhura de 4

em 4 anos. Ou anualmente que seja,

ao que parece. Participe nas consultas

públicas, junte-se ou apoie os

movimentos de cidadãos que estão a

tentar que cidades inteligentes sejam

também cidades mais felizes e justas

do que as que temos hoje.

Quer um exemplo singelo e pacífico?

Vá a kidicalmass.pt, faça em família

uns desenhos giros para pôr nas bicicletas

e depois pegue nelas, nas bicicletas

e na família, e junte-se a um

dos passeios por ruas mais seguras.

Ruas mais inteligentes. De todos. +

Nota: este artigo está escrito em português de

Portugal, apenas com as evoluções do (des)

acordo ortográfico que me fazem sentido.

Depois de escrever o último parágrafo

e rever tudo, fui fazer o que, entretanto,

se tornou um hábito: colocar

o tema no ChatGPT, para ver se me

estava a falhar algo de relevante. Para

comparar versões. E por curiosidade,

admito. Na conclusão, apareceu-me:

“Smart Cities tornam-se mais felizes

quando a tecnologia é usada para

empoderar as pessoas, aumentar a

equidade, e criar ambientes urbanos

mais saudáveis, seguros e colaborativos”.

E um pouco mais acima lá

estava um detalhe que quis acrescentar

ao texto. E vários outros que não

me fez sentido usar.

Portanto, inteligência por inteligência,

a minha e a artificial estiveram

de acordo.

E a segunda ainda deu uma ajudinha

à primeira que, no entanto, foi a que

decidiu como a utilizar da forma

mais eficaz, produtiva e racional.

Mais humana. Assim seja.

e-MOBILIDADE 59


MOBILIDADE

Um túnel rodoviário

entre a Trafaria e Algés

ou alternativas de mobilidade

sustentável entre as margens

do Tejo?

O túnel entre Trafaria e Algés visa melhorar a mobilidade, mas é criticado por reforçar

a dependência do carro e contrariar metas climáticas. Organizações defendem alternativas

sustentáveis, como o reforço dos transportes públicos ferroviários e fluviais.

O

túnel rodoviário submerso

entre a Trafaria e

Algés é uma das obras

rodoviárias aprovadas

recentemente em pacote

do Governo. A mobilidade neste eixo

do rio Tejo é um desafio urgente, mas a

solução pode não passar pela criação de

mais infraestruturas rodoviárias na Área

Metropolitana de Lisboa. Criar mais

estradas apenas perpetua a dependência

do automóvel e a desigualdade no

acesso à mobilidade, dado que nem

todas as pessoas têm capacidade para

ter uma viatura. Fomentar mais projetos

rodoviários é ir contra a estratégia

climática nacional, que vincula o país a

reduzir as emissões de gases com efeito

de estufa. Um conjunto de 16 organizações

e movimentos apontam 6 medidas

alternativas, de modo a implementar

modelos de transporte mais eficientes,

ecológicos e inclusivos, em concreto

através do reforço dos serviços ferroviários

e fluviais.

Medidas prioritárias de baixo

investimento e curto prazo (2025):

1. Melhoria da qualidade do

serviço fluvial no rio Tejo: Investir

na frequência e qualidade das

ligações fluviais, especialmente na

ligação Trafaria-Belém, tornando-a

uma alternativa eficaz ao transporte

INÊS SARTI PASCOAL

Doutoranda em geografia e planeamento

territorial

rodoviário. Atualmente, os barcos

Trafaria-Belém circulam apenas de

hora em hora e encerram o serviço

às 21h ou 22h. É essencial garantir

uma frequência mais regular e um

funcionamento alargado no período

noturno.

2. Reativação do terminal fluvial de

Algés: Avaliar a viabilidade de reativar

este terminal para estabelecer uma

ligação fluvial direta entre a Trafaria e

Algés, com uma frequência regular.

60 e-MOBILIDADE


3. Reforço da capacidade dos comboios

da Fertagus: Com o aumento

da procura desde 2019, impulsionado

pela introdução dos passes Navegante

AML, e desde dezembro de 2024, com

o aumento da frequência dos comboios

desde Setúbal, torna-se necessário

ampliar a capacidade de transporte.

Deve ser priorizada a aquisição urgente

de novo material circulante, de modo a

resolver o problema atual da sobrelotação

nas horas de ponta.

A necessidade de um planeamento

estratégico e inclusivo

A mobilidade urbana entre os concelhos

da Margem Norte e Sul do Tejo exige

um investimento robusto e estratégico

nos transportes públicos, bem como nas

redes de mobilidade activa que os alimentam,

com vista a garantir um sistema

coerente, fiável, eficiente e inclusivo.

Quanto melhor integradas estiverem as

várias redes, mais atractivos se tornam

os meios de mobilidade alternativos ao

automóvel privado e mais se desincentivará

o uso do automóvel.

A solução para a mobilidade entre a

Margem Sul e a Margem Norte da Área

Metropolitana de Lisboa, não pode continuar

baseada no transporte individual.

A aposta imediata no reforço dos serviços

de transporte público é a alternativa lógica

para um futuro mais sustentável, eficiente

e acessível para todos. +

4. Corredores BUS no acesso à Ponte

25 de Abril: Introduzir a Sul e a Norte

da Ponte 25 de Abril corredores dedicados

ao transporte público rodoviário de

grande capacidade, que respondam com

maior flexibilidade a pares de origem e

destino menos densos e estejam integrados

na rede metropolitana de corredores

dedicados ao transporte público

rodoviário.

Medidas prioritárias de médio

investimento e médio prazo (2030):

5. Expansão do Metro Sul do Tejo à

Trafaria: Concluir o projeto e a execução

da extensão do Metro Sul do Tejo

da Universidade até à Costa da Caparica

e Trafaria.

Este apelo é subscrito pelas entidades e coletivos: ACA-M - Associação

de Cidadãos Auto-Mobilizados, Associação Inspira Mobilidade, Associação

Último Recurso, ATERRA - Movimento pela redução do tráfego

aéreo e por uma mobilidade justa e ecológica, Centro de Arqueologia

de Almada, Centro de Vida Independente, CUTMS - Comissão de Utentes

dos Transportes da Margem Sul, Estrada Viva, Estuário colectivo,

GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente,

ICVM - Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade, MUBi - Associação

pela Mobilidade Urbana em Bicicleta, QUERCUS - Associação

Nacional de Conservação da Natureza, Rede para o Decrescimento,

the Future Design of Streets association e ZERO - Associação Sistema

Terrestre Sustentável.

6. Expansão do Metro Sul do Tejo

a Alcochete: Como já previsto em

diversos instrumentos legais e de

planeamento, executar a expansão do

metro de superfície ao Seixal, Barreiro

e Alcochete.

e-MOBILIDADE 61


FO- TOS ARTIGO: PIXABAY.COM |

LOGÍSTICA

Os agentes

de IA

Satya Nadella, CEO da Microsoft, afirmou numa entrevista

em Janeiro de 2025 que “os seres humanos e um enxame

de agentes de inteligência artificial trabalharão lado a lado

na generalidade das tarefas”.

FILIPE CARVALHO

CEO Wide Scope

linkedin.com/in/filipecarvalhowidescope

Oexecutivo adiantou também

que “a inteligência

artificial não é uma

tecnologia com aplicação

reservada a alguns

domínios e que será utilizada tão extensivamente

como o Excel é atualmente”.

Se os agentes de IA têm uma aplicação

tão abrangente, como se poderá aplicar

na logística e no transporte? Como pode

uma tecnologia ajudar os condutores de

camiões?

O que são agentes de IA?

Na área da inteligência artificial, um

“agente” refere-se a um sistema ou programa

capaz de realizar autonomamente

tarefas que, de outra forma, seriam

executadas por um ser humano ou por

outro sistema, através do desenho do

seu fluxo de trabalho e recorrendo às

ferramentas disponíveis.

Por exemplo, no domínio da agricultura,

um agente de IA para controlar os

sistemas de irrigação. Este agente tem

em consideração vários fatores ambientais,

como a humidade do solo, as

condições climatéricas e a necessidade

de água das plantas. Recorre a ferramentas

como sensores instalados nos

campos, que fornecem dados em tempo

real sobre a humidade, a temperatura e

a precipitação. Com base nestes dados,

o modelo toma decisões assertivas sobre

quando e quanto regar, bem como

que zonas do terreno requerem mais

62 e-MOBILIDADE

+


CANVAS PRO | FREEPIK

atenção.

Esta capacidade preditiva permite ao

sistema de irrigação otimizar o consumo

de água e garantir que as plantas

recebem a quantidade exata de água de

que necessitam.

Ainda noutro exemplo, um veículo de

condução autónoma baseia-se em vários

agentes que colaboram entre si para

tomar decisões complexas em tempo

real na estrada, como travar quando um

obstáculo se atravessa à sua frente ou

abrandar quando o carro à sua frente

acelera para passar um sinal vermelho.

Estes agentes consideram vários

parâmetros de dados, como o tempo, o

movimento nas passadeiras, o trânsito

à sua volta, entre outros, e agem em

alternativa ao condutor.

Agentes de IA na Logística

e Transportes

Atualmente, ainda vemos muitas operações

de expedição baseadas na receção

de encomendas por e-mail ou em folhas

de cálculo Excel. Estas encomendas implicam

que alguém as processe manualmente,

as leia, abra os anexos e introduza

os dados num sistema de gestão de

ordens (conhecidos habitualmente pela

sua sigla OMS — Order Management

Systems). Mas já não tem de ser assim.

Um agente de IA para ordens de entrega

e expedição funciona como um sistema

inteligente que interage com outros

sistemas da cadeia de abastecimento

para automatizar e otimizar o processo

de gestão de entregas e expedições. Este

agente é concebido para interpretar

dados, tomar decisões com base em algoritmos

e responder de forma autónoma

a diferentes cenários empresariais. O

agente opera da seguinte forma:

1. Receção da Ordem

O processo começa com o agente de IA

a receber a ordem de entrega e expedição.

A ordem pode ser enviada a partir

de diferentes fontes, como um texto

no corpo de um email, os respetivos

anexos, um ficheiro Excel, um sistema

de gestão de pedidos ou um portal de

e-commerce, entre outros.

Essa ordem contém todas as informações

essenciais, como o produto

a ser entregue, o destino, o cliente, a

quantidade e o prazo de entrega, entre

outros detalhes, mas de uma forma não

necessariamente bem estruturada. Cabe,

pois, ao agente de IA interpretar essa

informação no passo seguinte.

2. Processamento e Classificação da

Ordem

O agente de IA processa as ordens

recebidas e classifica-as de acordo com

critérios como:

• Prioridade de entrega: urgente,

normal, programada.

• Localização do cliente: localização

geográfica para a optimização de rotas.

• Tipo de produto: produtos frágeis,

perecíveis, etc., que podem exigir condições

especiais de transporte.

• Condições de tempo: o prazo de

entrega e a disponibilidade do transporte.

O agente utiliza técnicas de processamento

de linguagem natural (PLN) para

compreender e extrair informações de

dados não estruturados, como observações

efetuadas pelos operadores ou

clientes.

Com as informações estruturadas sobre

as ordens de entrega, o agente passa

para a fase seguinte, que é a do planeamento

das rotas de expedição. Para esta

tarefa, há geralmente outro agente de IA

dedicado ao tema, com o qual interage.

3. Otimização de Rotas e Alocação de

Veículos

Depois de processar a ordem, o agente

de IA pretende determinar a melhor

rota de entrega com base numa série de

variáveis, como:

• Condições de trânsito: informações

em tempo real, como congestionamentos

e acidentes, utilizando dados de

sensores e mapas inteligentes.

• Distância e tempo de entrega:

optimização para garantir a entrega no

prazo mínimo, levando em conta restrições

de tempo.

• Disponibilidade de veículos: se a

frota de veículos está disponível ou se

é necessário acionar um transporte de

terceiros.

O agente de ordens invoca outro agente

especializado em otimização de rotas,

como os agentes disponibilizados pelo

Routyn, delegando assim os dados e

obtendo a alocação de veículo mais

adequada para cada ordem. Segue-se a

fase de execução da ordem.

4. Envio de instruções para a expedição

Com o planeamento de rotas estabelecido,

o agente passa então para a fase

seguinte, o da execução. Envia as instruções

de expedição para o armazém

ou centro de distribuição, que incluem:

• Endereço de entrega e detalhes do

cliente;

• Código do produto e quantidade a

ser retirada do stock;

• Embalagem adequada e qualquer

requisito especial (ex.: embalagem frágil

ou refrigerada).

Esse processo pode ser completamente

e-MOBILIDADE + 63


Tecnologias de Informação

Os agentes de IA

automatizado, com o sistema a enviar as

instruções para dispositivos de leitura de

código de barras ou RFID, garantindo

precisão no picking dos artigos.

5. Acompanhamento em tempo real

Durante o processo de expedição, o

agente de IA monitoriza a rota em tempo

real. Ele recolhe dados de diversas

fontes, como sensores nos veículos,

sistemas de localização por GPS e

condições de tráfego, e com base nessa

informação

• atualiza o estado de entrega em

tempo real, enviando notificações para

os clientes e operadores se houver

desvios, ou mesmo se a viatura estiver

a dirigir-se para o cliente e a entrega

estiver na iminência de acontecer;

• ajusta rotas dinamicamente se

houver mudanças nas condições de

tráfego ou imprevistos.

6. Interação com o cliente

Se o agente de IA for integrado com interfaces

de comunicação para interagir

com o cliente (chatbots, apps móveis,

etc.), pode ainda servir para atendimento

ao cliente e:

• Responder automaticamente a

perguntas sobre o estado da entrega;

• Notificar o cliente sobre o progresso

da entrega ou se ocorrer algum

atraso;

• Ajustar automaticamente o horário

ou a data de entrega caso o cliente

solicite uma mudança.

7. Finalização e feedback

Ao concluir a entrega, o agente de

IA regista a finalização da expedição

e pode recolher feedback do cliente

sobre a entrega, como a satisfação com

o serviço, condições do produto e

cumprimento do prazo. Pode ainda, se

for o caso, enviar a fatura ao cliente se

estiver integrado com um sistema de

faturação apropriado.

8. Análise preditiva e aprendizagem

contínua

Por fim, o agente de IA aprende com

os dados históricos e usa algoritmos

de machine learning para melhorar

a eficiência das operações. Identifica

padrões para a procura, prevê picos

de entrega e ajusta os processos para

antecipar necessidades futuras, como a

necessidade de mais veículos em determinados

dias.

Em resumo

A composição de agentes de IA para

a gestão de ordens não é uma ciência

do futuro, mas uma realidade com que

trabalhamos. A sua utilização reduz

muito trabalho manual na interpretação

de emails e anexos e automatiza grandes

partes do fluxo logístico associados à

expedição. Também a atividade do transporte,

ou seja, a condução do motorista,

está a ser ajudada por agentes de IA. Mas

isso será matéria para outro artigo.ou

seja, a condução do motorista, está a

ser ajudada por agentes de IA. Mas isso

será matéria para outro artigo. +

64 e-MOBILIDADE

+


e-MOBILIDADE 65


Como Braga pilotou

a visão computacional

para melhorar a segurança

nas paragens de autocarro

O estacionamento ilegal nas paragens de autocarro em Braga prejudica os transportes públicos e coloca

em risco a segurança dos passageiros. A cidade implementou um programa-piloto com tecnologia de

visão por computador para identificar e solucionar o problema.

POR OLGA PEREIRA, JORGE LOURO E PEDRO MOREIRA

66 e-MOBILIDADE


Enquanto representantes da autarquia no

sector dos transportes e mobilidade de

Braga, temos testemunhado em primeira

mão os desafios que o estacionamento

ilegal nas paragens de autocarro coloca ao

sistema de transportes públicos da nossa cidade.

Este problema generalizado não só perturba os nossos

serviços de autocarros, como também põe em perigo

os nossos passageiros, em especial os que têm dificuldades

de mobilidade ou deficiência. Reconhecendo a

urgência deste problema, Braga concluiu recentemente

um programa-piloto que utiliza tecnologia de visão

por computador montada em autocarros, revelando

tanto a dimensão do problema como uma solução

promissora.

Durante um período de três meses, dois autocarros

dos Transportes Urbanos de Braga (TUB) equipados

com esta tecnologia detetaram cerca de 8000 casos

de veículos estacionados ilegalmente nas paragens

de autocarro. Em média, num dia de semana, 48,6%

das paragens de autocarro da linha 40 - quase metade

- sofreram pelo menos uma obstrução ao estaciona-

mento. Este facto põe em evidência um problema

de segurança de grande envergadura que a aplicação

manual, por si só, não pode resolver eficazmente.

As infrações de estacionamento que obstruem as paragens

de autocarro criam perigos significativos para

as pessoas em Braga. Quando os nossos autocarros

não conseguem encostar ao passeio, os passageiros

têm de navegar entre carros estacionados e vias de

trânsito ativas para entrar ou sair do autocarro. Para

os nossos passageiros que utilizam cadeiras de rodas,

andarilhos ou carrinhos de bebé, ou para os passageiros

que são cegos ou têm problemas de visão, esta

pista de obstáculos torna-se não só inconveniente

como perigosa. Também impossibilita os condutores

de autocarros de colocarem rampas de acesso a

cadeiras de rodas em segurança até à berma, tornando

difícil e perigoso para as pessoas com deficiência

entrar ou sair dos autocarros.

Estas obstruções também afetam a fiabilidade e a

eficiência do serviço de autocarros para os nossos

passageiros. Se um passageiro não puder entrar em

segurança no autocarro porque a paragem está obstruída

por um veículo estacionado ilegalmente, corre

o risco de chegar atrasado ao trabalho, à escola, às

consultas de saúde ou a outros serviços essenciais.

Durante o projeto-piloto, utilizámos um sistema

de visão por computador desenvolvido pela Hayden

AI, que utiliza um sistema de sensores virados

para a frente, montados atrás dos para-brisas dos

autocarros, para detetar e documentar infrações de

estacionamento nas paragens de autocarro. À medida

que os nossos autocarros percorriam as suas rotas,

o sistema foi capaz de detetar veículos estacionados

ilegalmente. Durante este projeto-piloto, não foram

emitidas quaisquer citações ou avisos aos condutores

e não foram recolhidos quaisquer dados pessoais.

Os benefícios desta abordagem tecnológica à segurança

das paragens de autocarro em Braga são

múltiplos. Com menos infrações de estacionamento

a obstruir as paragens de autocarro, os nossos autocarros

podem apanhar todos os passageiros - pessoas

com deficiência, idosos, crianças - em segurança

em todas as paragens. Esta maior fiabilidade incentiva

mais pessoas a utilizar os nossos transportes

públicos, reduzindo potencialmente as emissões de

gases com efeito de estufa e o congestionamento do

tráfego em Braga.

A NECESSIDADE DE MUDANÇA REGULAMEN-

TAR EM PORTUGAL

Embora o programa-piloto em Braga tenha demonstrado

a eficácia desta tecnologia para detetar

o estacionamento nas paragens de autocarro, a sua

aplicação integral é atualmente dificultada por restrições

legais em Portugal. De acordo com a Autoridade

Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), para

poderem ser utilizados na fiscalização do estacionamento

nas paragens de autocarro, os sistemas de

e-MOBILIDADE + 67


Mobilidade

Segurança nas paragens de autocarro

reconhecimento automático de matrículas têm de cumprir

quadros regulamentares específicos antes de poderem ser

utilizados como prova para a emissão de multas de trânsito.

Atualmente, não existe em Portugal um decreto regulamentar

que defina os requisitos técnicos e funcionais

deste tipo de equipamento que permita o reconhecimento

legal desta tecnologia, ao abrigo do artigo 170.º, n.º 4,

do Código da Estrada, para a fiscalização das paragens de

autocarro. Consequentemente, esta tecnologia só pode ser

utilizada para alertar os agentes de fiscalização em vez de

emitir diretamente multas por infrações nas paragens de

autocarro.

Para tirar o máximo partido das potencialidades deste sistema

e garantir uma fiscalização mais eficaz do estacionamento

ilegal nas paragens de autocarro,

é fundamental que o Governo português

introduza as necessárias alterações legislativas

e regulamentares. É necessário

um novo decreto regulamentar, aprovado

pelo Conselho de Ministros, para

formalizar a utilização da tecnologia de

aplicação automática no controlo do

tráfego. Esta medida não só melhoraria

“As infrações de

estacionamento que

obstruem as paragens

de autocarro criam

perigos significativos

para as pessoas em

Braga”

o cumprimento da legislação, como também reforçaria a

segurança rodoviária e a acessibilidade para todos os cidadãos.

Exortamos os decisores políticos a tomarem medidas

rápidas para atualizar o quadro jurídico, garantindo que

soluções inovadoras como esta possam ser plenamente

68 e-MOBILIDADE

+


utilizadas para servir o interesse público.

A eficácia desta abordagem não é teórica. Na cidade de

Nova Iorque, onde esta tecnologia foi implementada, 91%

dos condutores que receberam uma multa por estacionarem

numa faixa de autocarros não receberam uma segunda

multa, o que indica que este programa altera eficazmente

o comportamento dos condutores.

A mudança no comportamento dos condutores resultou

em melhorias na segurança rodoviária e no serviço de

autocarros. A cidade de Nova Iorque registou, em média,

menos 20% de colisões nas rotas de autocarros que utilizam

esta tecnologia. Em Washington, DC, esta tecnologia

resultou em 32% menos infrações nas paragens de autocarro

em outubro de 2024 do que em outubro de 2023.

Outras cidades europeias estão também a adotar esta

tecnologia. Barcelona está a testar esta tecnologia para a

aplicação das faixas e paragens de autocarros, reconhecendo

a sua capacidade comprovada para transformar a

segurança rodoviária e a fiabilidade do serviço de autocarros.

Em Braga, orgulhamo-nos de estar na vanguarda desta

abordagem inovadora.

À medida que as cidades europeias se debatem com a necessidade

de transportes eficientes e sustentáveis, enquanto

o congestionamento de veículos aumenta, os sistemas

de visão por computador oferecem uma ferramenta poderosa.

O nosso sucesso em Braga demonstra o potencial da

tecnologia para resolver um desafio urbano comum.

Com o nosso sucesso inicial, encorajamos outras cidades

da Europa a considerar a utilização da tecnologia para

melhorar a segurança de todos os passageiros, aumentar

a fiabilidade dos transportes públicos e contribuir para

ambientes urbanos mais habitáveis. A tecnologia existe;

cabe agora aos líderes das cidades e às autoridades de

transportes adotá-la.

Ao olharmos para o futuro da mobilidade urbana na

Europa, os sistemas de visão por computador, com fortes

medidas de privacidade para proteger os dados pessoais,

destacam-se como uma ferramenta fundamental para a

criação de sistemas de transportes públicos mais eficientes,

mais seguros e mais acessíveis. O nosso sucesso em

Braga é apenas o começo; com uma adoção mais alargada,

podemos esperar vislumbrar um futuro em que as

paragens de autocarro em toda a Europa estejam desimpedidas,

permitindo que todos os passageiros - independentemente

da sua mobilidade - viajem de forma segura e

confortável. +

À medida que os nossos autocarros

percorriam as suas rotas, o sistema

foi capaz de detetar veículos

estacionados ilegalmente.

e-MOBILIDADE 69


RUI MARTINS

Diretor de IT & TUB Consulting

MOBILIDADE

Sistemas de Informação

Motor Silencioso

da Transformação Digital

A mobilidade urbana encontra-se hoje num ponto de viragem impulsionado pela

inovação tecnológica e pela digitalização dos serviços.

Nos Transportes Urbanos

de Braga (TUB), este

processo tem vindo a

transformar-se num verdadeiro

caso de estudo,

demonstrando como a

aposta nos sistemas de

informação pode reverter

tendências negativas, aproximar a empresa

dos seus clientes e potenciar o uso do transporte

público.

Durante vários anos, os TUB, como muitos outros

operadores de transporte, enfrentaram um cenário

complexo: uma herança de sistemas fragmentados,

sem comunicação entre si, e uma infraestrutura

tecnológica desatualizada.

Um dos exemplos mais visíveis desta realidade

era o sistema de informação ao público, frequentemente

impreciso ou inoperacional, o que gerava

frustração, desconfiança e, inevitavelmente, o

afastamento dos utilizadores.

Era claro que a solução exigia mais do que intervenções

pontuais — impunha-se uma reestruturação

profunda e estratégica.

Foi com este diagnóstico em mente que os TUB,

nos últimos anos, deram início a uma intervenção

em quatro fases, cuidadosamente pensada para

restaurar a fiabilidade dos serviços e criar as bases

para uma nova era digital.

Fase 1 – Diagnóstico e mapeamento das infraestruturas

existentes

O primeiro passo consistiu em conhecer em

detalhe toda a infraestrutura tecnológica imple-

70 e-MOBILIDADE

+


de um novo ecossistema tecnológico. O objetivo era

simples, mas exigente: devolver a previsibilidade ao

transporte público e gerar valor tangível para o utilizador.

Este esforço resultou num novo paradigma tecnológico,

em que os dados deixam de ser apenas um recurso

interno de gestão e passam a alimentar experiências de

utilização mais intuitivas e satisfatórias.

Fase 4 – Interligação total dos sistemas embarcados

Finalmente, todos os sistemas a bordo foram interligados,

criando uma rede integrada que permite a

comunicação contínua e eficiente entre os diversos

componentes do serviço, vulgarmente conhecidos por

equipamentos embarcados. Esta coesão técnica é o alicerce

sobre o qual se desenvolvem novas funcionalidades

que, anteriormente, seriam simplesmente inviáveis.

Uma das primeiras grandes materializações deste esmentada,

identificando as lacunas e incoerências entre os

diversos sistemas embarcados. Só com um conhecimento

profundo seria possível desenhar uma estratégia coerente

e eficaz e um plano estruturante que fosse realizável.

Fase 2 – Nova solução de comunicações a bordo

Seguiu-se a implementação de uma nova solução de

comunicações em toda a frota, permitindo um controlo

total sobre os dados transmitidos entre os autocarros e o

centro de operações. Este avanço não só trouxe métricas

de gestão em tempo real como também permitiu oferecer

internet sem fios a bordo — um benefício imediato para

os utilizadores, e um sinal claro da modernização em

curso.

Fase 3 – Inovação centrada no utilizador

Com o apoio de várias entidades de investigação e desenvolvimento,

foi iniciado um projeto ambicioso de criação

e-MOBILIDADE + 71


Opinião

Rui Martins

forço foi o lançamento, em 2024, de uma nova versão da

aplicação móvel TUBmobile.

Com uma filosofia centrada no utilizador, a app passou

a oferecer funcionalidades como consulta de horários em

tempo real, georreferenciação de veículos, informações

de serviço e, muito em breve, a aquisição e validação de

títulos digitais.

A bilhética digital será integrada diretamente na aplicação,

que passa a assumir um papel ativo na gestão da viagem,

através da sua ligação permanente a um sistema de apoio

à exploração.

Este pensamento disruptivo — de transferir a lógica da

bilhética para o dispositivo móvel do utilizador — permite

alcançar a elasticidade necessária para explorar novos

modelos tarifários e oferecer experiências personalizadas.

Mais do que um simples canal de compra, a aplicação

transforma-se num elo direto entre o passageiro e o operador.

Os resultados não tardaram a aparecer. Desde o lançamento

da nova versão da app, em 2024 registou-se um

aumento de 179,7% no número de downloads em relação

ao ano de 2023, e um crescimento de 113,6% nas instalações

ativas, totalizando mais de 23 mil instalações ativas.

Esta adesão, e constante uso diário, mostra que os utilizadores

responderam de uma forma clara ao novo posicionamento

digital da empresa.

Este crescimento não se ficou pelo canal móvel. O novo

portal institucional, TUB.pt, totalmente redesenhado e

otimizado para dispositivos móveis, registou um aumento

de quase 100% no número de acessos anuais, passando de

cerca de 880 mil acessos individuais em 2023 para mais

de 1,7 milhões em 2024.

A modernização das diversas plataformas contribuiu para

consolidar a presença digital da empresa e proporcionar

uma experiência de navegação mais fluida e alinhada com

os padrões atuais.

Estes indicadores demonstram o impacto positivo da

aposta nos sistemas de informação e na digitalização dos

serviços. Mais do que implementar tecnologia, os TUB

procuraram redefinir a forma como se relacionam com os

seus utilizadores, colocando-os no centro da transformação.

A mobilidade urbana não se faz apenas de veículos —

faz-se também de dados, de interfaces, de confiança. E é

nesse território invisível, mas essencial, que os sistemas de

informação mostram o seu verdadeiro valor.

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TUBMOBILE

A APP PASSOU A OFERECER

FUNCIONALIDADES COMO

CONSULTA DE HORÁRIOS EM

TEMPO REAL, GEORREFERENCIA-

ÇÃO DE VEÍCULOS, INFORMAÇÕES

DE SERVIÇO E, MUITO EM BREVE,

A AQUISIÇÃO E VALIDAÇÃO

DE TÍTULOS DIGITAIS

Este percurso de transformação digital não teria sido possível

sem o reconhecimento da importância estratégica dos

sistemas de informação e da aposta decidida em canais

digitais.

A visão clara de que a tecnologia é um catalisador da

proximidade com o cliente e da eficiência operacional foi

determinante para mobilizar recursos, alinhar equipas

e garantir que cada investimento tecnológico estivesse

orientado para a melhoria da experiência do utilizador.

Esta liderança proativa foi fulcral para consolidar uma

cultura de inovação dentro da organização e impulsionar

mudanças estruturais que hoje colocam os TUB na linha

da frente da mobilidade urbana inteligente. +

A mobilidade urbana não se faz apenas

de veículos — faz-se também de dados,

de interfaces, de confiança. E é nesse

território invisível, mas essencial, que

os sistemas de informação mostram o

seu verdadeiro valor.

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