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Florestal_274 [ OPS ]

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DESTAQUE

ILPF: Embrapa desenvolve sistema de integração de plantio de teca junto à pecuária

COMPACTO, POTENTE

E MODERNO

INDÚSTRIA CELEBRA 20 ANOS COM

TRITURADOR HIDRÁULICO PARA

MINICARREGADEIRAS

COMPACT, POWERFUL,

AND MODERN

INDUSTRY CELEBRATES 20 YEARS

WITH HYDRAULIC CRUSHER

FOR SKID STEER LOADERS




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SUMÁRIO

JUNHO 2025

56

VERSATILIDADE

NA OPERAÇÃO

08 Editorial

10 Cartas

12 Bastidores

14 Notas

40 Frases

42 Entrevista

54 Coluna

56 Principal

62 Legislação

68 Internacional

74 Incêndio

78 Compostagem

82 Integração

88 Artigo

94 Agenda

96 Espaço Aberto

74

82

ANUNCIANTES DA EDIÇÃO

09 BKT

11 Bruno

15 Carrocerias Bachiega

77 Composhow

87 D’Antonio Equipamentos

17 Denis Cimaf

02 Dinagro

21 DRV Ferramentas

37 Emex Brasil

55 Engeforest

100 Envimat

19 Envimat/CBI

81 Envimat/Compostagem

07 Envu

47 Equilíbrio Florestal

49 Feldermann Forest

85 Felipe Diesel

91 Fratex

04 Himev

35 J de Souza

45 Lufer Forest

65 Motocana

71 Nordtech

67 Planalto Picadores

73 Planflora

97 Prêmio Referência 2025

33 Rocha Facas

25 Rodovale

13 Rotary-Ax

23 Rotor Equipamentos

51 Sergomel

95 Show Florestal

98 Sparta Brasil

27 Tecmater

93 Terra Solo Seguros

39 Unibrás

53 Vale do Tibagi

29 Vantec

31 Vermeer Brasil

41 Watanabe

43 WDS Pneumática

06 www.referenciaflorestal.com.br


O Herbicida seletivo da Envu para impedir as daninhas

desde o início e em todas as épocas do ano

Aplicação

Pré e Pós-Plantio

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Seletividade

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desenvolvimento

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em épocas úmidas

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EDITORIAL

Já foi semente...

Assim como uma árvore forte depende de raízes bem firmadas,

a silvicultura de qualidade nasce dos detalhes bem cuidados.

Cada escolha — do preparo do solo ao manejo preciso — é como

um anel de crescimento que fortalece o tronco e sustenta a copa.

Ignorar esses pequenos elementos é comprometer o vigor e a

longevidade da floresta. Na silvicultura, como na vida das árvores,

o que parece invisível hoje determina a grandeza de amanhã.

Por isso, cultivar atenção aos detalhes é garantir um futuro mais

sólido e sustentável. Nessa edição a Himev, com o novo HH1500,

moderno, versátil e potente, mudanças legislativas ambientais,

ILPF mesclando pecuária com plantio de teca, as controvérsias do

COP30, as novidades da compostagem e uma entrevista exclusiva

com Amanda Paiva Quaresma, presidente da APEF-PA (Associação

Profissional dos Engenheiros Florestais do Estado do Pará), que

apresenta a importância da profissão no Estado que é um dos

principais polos de manejo florestal sustentável do país.

2

1

Na capa dessa edição a

Himev, que celebra seus

20 anos com o novo

triturador hidráulico

A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

www.referenciaflorestal.com.br

Ano XXVII • Nº274 • Junho 2025

DESTAQUE

ILPF: Embrapa desenvolve sistema de integração de plantio de teca junto à pecuária

COMPACTO, POTENTE

E MODERNO

INDÚSTRIA CELEBRA 20 ANOS COM

TRITURADOR HIDRÁULICO PARA

MINICARREGADEIRAS

COMPACT, POWERFUL,

AND MODERN

INDUSTRY CELEBRATES 20 YEARS

WITH HYDRAULIC CRUSHER

FOR SKID STEER LOADERS

IT WAS ONCE JUST A SEED…

Just as a strong tree depends on well-established roots, quality

forestry depends on attention to detail. Every decision, from soil

preparation to precise management, is like a growth ring that

strengthens the trunk and supports the crown. Neglecting these

small elements compromises the vigor and longevity of the forest.

In forestry, as in the lives of trees, what seems invisible today

determines tomorrow’s greatness. That is why attention to detail

guarantees a more solid and sustainable future. In this issue,

we explore the new HH1500 from Himev, a modern, versatile,

and powerful machine; environmental legislative changes; Ilpf’s

integration of livestock with teak plantations; the controversies

surrounding COP30; composting news; and an exclusive interview

with Amanda Paiva Quaresma, President of the State of Pará

Professional Association of Forest Engineers (Apef-PA). Quaresma

discusses the importance of the profession in Pará, one of the

main centers of sustainable forest management.

Entrevista com

Amanda Paiva Quaresma,

presidente da APEF (PA)

Composto: o resultado da

compostagem

3

EXPEDIENTE

ANO XXVII - EDIÇÃO 274 - JUNHO 2025

Diretor Comercial / Commercial Director

Fábio Alexandre Machado

fabiomachado@revistareferencia.com.br

Diretor Executivo / Executive Director

Pedro Bartoski Jr

bartoski@revistareferencia.com.br

Redação / Writing

Vinicius Santos

jornalismo@revistareferencia.com.br

Colunista

Gabriel Dalla Costa Berger

Depto. de Criação / Graphic Design

Fabiana Tokarski - Supervisão

Ana Paula Vogler

criacao@revistareferencia.com.br

Tradução / Translation

John Wood Moore

Depto. Comercial / Sales Departament

Gerson Penkal

comercial@revistareferencia.com.br

fone: +55 (41) 3333-1023

Depto. de Assinaturas / Subscription

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José A. Ferreira

(41) 99203-2091

ASSINATURAS

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A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira,

instituições de pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais,

ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor

Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em

matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais

de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,

armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos

textos, fotos e outras criações intelectuais da Revista REFERÊNCIA são

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direitos autorais, exceto para fins didáticos.

Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication

directed at the producers and consumers of the good and services of the

lumberz industry, research institutions, university students, governmental

agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked

to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself

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themselves. The use, reproduction, appropriation and databank storage

under any form or means of the texts, photographs and other intellectual

property in each publication of Revista REFERÊNCIA is expressly prohibited

without the written authorization of the holders of the authorial rights.

08 www.referenciaflorestal.com.br



CARTAS

Capa da Edição 273 da

Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,

mês de maio de 2025

A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

www.referenciaflorestal.com.br

DESTAQUE

Entrevista: mecanização florestal é potencializada no trabalho do professor Samuel de Assis

TRADIÇÃO E EXCELÊNCIA

EMPRESA CELEBRA 50 ANOS DE HISTÓRIA E

VANGUARDA NO TRANSPORTE FLORESTAL

TRADITION AND EXCELLENCE

COMPANY CELEBRATES 50 YEARS

AT THE FOREFRONT OF FOREST

PRODUCT TRANSPORTATION

Ano XXVII • Nº273 • Maio 2025

PRINCIPAL

Por Pedro Paulo Marques, Contagem (MG)

Parabéns a Bachiega por seus 50 anos. Muito sucesso para quem tanto

faz pelo segmento florestal.

ENTREVISTA

Foto: Emaneol Caldeira

Por Carlos Ferreira Castro, Telêmaco Borba (PR)

Muito importante saber que temos o futuro do setor florestal sendo

direcionado por pessoas que tem na produção de conhecimento seu foco.

COMPOSTAGEM

Por Edna Cordeiro, Lages (SC)

Esse tema será cada vez mais importante. Aproveitar tudo que a floresta

oferece é chave para uma floresta ainda mais sustentável.

Foto: divulgacão

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enviados também para redação

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BASTIDORES

Revista

Foto: REFERÊNCIA

Foto: REFERÊNCIA

PARABÉNS

Participamos com muita alegria da festa dos 50 anos

da empresa Bachiega, em Rafard (SP). O diretor

comercial da Revista REFERÊNCIA, Fábio Machado,

esteve no evento dos diretores da Bachiega, Sheila e

Fábio Bachiega, com as edições da Biomais e Florestal

onde a empresa de piso móvel foi capa em ambas.

HOMENAGEM

A empresa Hyva do Brasil foi uma das homenageadas

no evento dos 50 anos da Bachiega. O diretor comercial

da REFERÊNCIA FLORESTAL, Fábio Machado, ao lado

de Michel Schroder, da Hyva do Brasil.

VISÃO OTIMISTA

ALTA

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São

Paulo) elevou sua estimativa para o crescimento

da economia brasileira em 2025. O Departamento

Econômico da entidade revisou de 2% para 2,4%. Se

confirmada a nova projeção da entidade, o PIB (Produto

Interno Bruto) deste ano ficará a exatamente

1 ponto porcentual abaixo dos 3,4% de expansão

apurada no ano passado. A justificativa da Fiesp

para a elevação na sua projeção para 2025 toma

como base os impactos das medidas de estímulo à

demanda adotadas pelo governo federal. Dentre

elas estão a liberação de recursos do FGTS (Fundo

de Garantia do Tempo de Serviço) e a criação

do crédito consignado para trabalhadores com

carteira assinada.

JUNHO 2025

NORDESTE AFETADO

Enquanto o Brasil registrou uma queda de 32,4%

no desmatamento em 2024, o Ceará seguiu na

contramão e viu seus números subirem. Dados do

Mapbiomas Alertas, divulgados neste mês, mostram

que o Estado teve um crescimento de 23,5%

na destruição de vegetação nativa em comparação

com 2023, totalizando 40.108 ha (hectares)

desmatados. Com esse avanço, o Ceará subiu da

12ª para a 9ª posição no ranking nacional dos

estados que mais desmatam. Segundo o levantamento,

a média diária de desmatamento no

Estado chegou a 119,5 ha. A área é equivalente a

mais de 100 campos de futebol.

BAIXA

12 www.referenciaflorestal.com.br


DO BRASIL

PARA O MUNDO

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NOTAS

Podcast REFERÊNCIA

Durante o mês de maio o estúdio da Revista REFERÊNCIA esteve mais uma vez em movimento para receber convidados ilustres e

de grande relevância no segmento de base florestal madeireiro. O primeiro convidado foi Rodrigo de Almeida (foto de cima), biólogo

e advogado, especialista em engenharia e gestão ambiental e sócio fundador do grupo Index. O outro convidado foi Danilo Almeida

(foto de baixo), é engenheiro florestal, mestre em florestas tropicais e doutor em recursos florestais e fundador e diretor da Universidade

do Carbono. Os episódios contaram com o apoio de Duffatto Viveiro Florestal e Neutraliza.

Rodrigo relata que, por ser do Mato Grosso, já tinha

um pezinho no agro e que na faculdade conheceu seu

sócio, onde se viram muito mais próximos do florestal do

que da biologia e assim migraram para o setor que estão

há mais de 20 anos. “Trazer soluções para esse segmento

foi algo que nos saltou aos olhos no segundo ano do curso.

Surgiu uma oportunidade de participar de um inventário

florestal, criamos um instituto, que atua até hoje, e mostrar

para o mundo que há muita desinformação no setor e

que tínhamos como fazer mais”, apontou Rodrigo.

Sobre blockchain, sua principal área de atuação,

Rodrigo apontou como isso pode ser uma solução ideal

para que o setor florestal possa ser cada vez mais seguro.

“Com blockchain criamos uma cadeia segura de produção,

compra e venda de madeira. Tudo com total confiança,

sem perdas, e com maior facilidade. A floresta se torna

muito mais que árvores num terreno, se transforma em um

bem com potencial financeiro que abre portas para crédito

financeiro, facilidade de negociação e menos burocracia”,

valoriza Rodrigo.

Danilo de Almeida conta que sua escolha pela engenharia

florestal foi uma fuga de um menino da cidade

para algo relacionado com a natureza. “Sou paulistano, de

Osasco, mal sabia que o leite vinha da vaca e a madeira

da árvore. Sempre tive contato com a natureza quando ia

ao litoral paulista, mas era tudo muito distante. Busquei

na engenharia florestal sair dessa selva de pedra e foi a

melhor escolha que poderia ter feito”, celebra Danilo.

A Universidade do Carbono é uma iniciativa criada há

pouco mais de um ano focada em oferecer algo que as cadeiras

da faculdade de engenharia florestal ou agronômica

que ainda não atendem essa nova demanda do mercado.

“Esse mercado é novo e muito dinâmico. Ainda não é algo

claro e comum até mesmo para os professores das faculdades

e por isso criamos esse curso. Hoje são mais de 120

alunos e sabemos que o potencial de crescimento é muito

grande”, expõe Danilo.

Os episódios completos o Leitor pode conferir

no canal do youtube da Revista REFERÊNCIA:

Fotos: REFERÊNCIA

14 www.referenciaflorestal.com.br



NOTAS

Santa Catarina na liderança

No ano em que comemora meio século de atividades, a ACR (Associação Catarinense de Empresas Florestais) está

lançando a quinta edição do Estudo Estatístico de Base Florestal para o Estado de Santa Catarina. O estudo foi apresentado

pelo diretor-executivo da ACR, o engenheiro florestal Mauro Murara Jr. De acordo com Murara, a área total com

silvicultura no estado é de 1.050.361 ha (hectares). “Somos o quarto do Brasil com maior área plantada. Santa Catarina é

o primeiro na cultura do pinus, com 713.600 ha. Para eucalipto são 325.400 ha. E uma coisa que nos chama a atenção é

a nossa indústria multiprodutos. Santa Catarina se destaca em diversos segmentos que utilizam a madeira como principal

matéria-prima”, explicou Mauro. No estudo, também foram identificados cerca de 4 mil ha com plantios de araucária.

Na solenidade, foi empossada a nova diretoria da ACR para o triênio 2025 – 2028. O atual presidente, Jose Mario de

Aguiar Ferreira, foi reconduzido ao cargo. Formado em engenharia florestal pela USP (Universidade de São Paulo), Jose

Mario é mestre em Recursos Florestais, também pela USP. Iniciou suas atividades profissionais em 1999, na Champion

Papel e Celulose (atual Sylvamo), em Mogi Guaçu (SP). Foi um dos responsáveis pela instalação da empresa de gestão de

ativos florestais Resource Management Service (RMS) no Brasil, associada à ACR. Atualmente é responsável pelas áreas

de suporte à operação da empresa, entre elas: Planejamento, Jurídico, ESG, Tecnologia da Informação, Saúde e Segurança,

Pesquisa e Desenvolvimento e comercialização de terras. “Temos muitos pontos que precisam ser fortalecidos, para

o desenvolvimento da silvicultura em Santa Catarina. Segurança jurídica e qualificação de mão de obra estão entre os

principais”, lembrou o presidente da ACR. “Já avançamos bastante nestes últimos anos, mas ainda temos muito trabalho

para fazer”, conclui José.

Entre os dados apresentados pelo estudo está a produção sustentada da silvicultura catarinense, que é de 37,5

milhões de m3 (metros cúbicos) de madeira ao ano. Esta é a projeção de todo o volume de biomassa florestal gerada nas

florestas cultivadas do estado. Outro ponto que chama a atenção sobre o setor florestal catarinense diz respeito à economia

e a geração de emprego e renda. São 11.400 empresas de diferentes segmentos da indústria florestal em todas as

regiões de Santa Catarina.

O número de postos de trabalho é estimado em 103.300 vagas, o que corresponde a 15% do total nacional. Toda esta

atividade econômica, arrecadou R$ 411,5 milhões em impostos no ano passado.

“Nosso Anuário Estatístico é uma ferramenta de trabalho importante, tanto para empresas que já atuam no setor em

Santa Catarina, quanto para outras que pretendem investir no estado. O documento também dá suporte para que o poder

público possa desenvolver estratégias e programas considerando todo este universo”, explicou o presidente da ACR.

Foto: divulgação

16 www.referenciaflorestal.com.br



NOTAS

Regra estabelecida

Foto: divulgação

A China deu um passo importante na consolidação de sua política de desenvolvimento sustentável ao

apresentar o projeto de seu primeiro Código Ambiental, conforme informou a agência Xinhua. O documento,

submetido à primeira leitura pelo Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo, reúne 1.188 artigos

organizados em cinco capítulos: disposições gerais; prevenção e controle da poluição; proteção ecológica;

desenvolvimento verde e de baixo carbono; responsabilidade legal e disposições suplementares.

Quando aprovado, o Código Ambiental se tornará o segundo código formal do país — o primeiro foi o Código

Civil, adotado em 2020. A elaboração do texto começou em 2023 com a finalidade de integrar, de maneira

sistemática, o extenso arcabouço legal existente na área ambiental, atualmente composto por mais de 30 leis e

cerca de 100 regulamentos administrativos. De acordo com Wang Canfa, professor da Universidade de Ciência

Política e Direito da China, a criação do código facilita a integração sistemática da legislação, corrige lacunas no

sistema jurídico, fortalece o status e a autoridade das leis ambientais e torna sua aplicação e fiscalização mais

eficientes.

Desde a promulgação de sua primeira lei de proteção ambiental, em 1979, a China tem avançado significativamente

nesta área. Em 2024, por exemplo, o país registrou melhorias expressivas na qualidade do ar:

a concentração média de partículas finas (PM2,5) em cidades de nível municipal ou superior caiu para 29,3

microgramas por metro cúbico — uma redução anual de 2,7%. No mesmo período, o país plantou 4,45 milhões

de ha (hectares) de árvores e recuperou 3,22 milhões de ha de pastagens, consolidando-se como a nação com

a maior área de florestas plantadas do mundo.

Apesar dos progressos, Shen Chunyao, diretor da Comissão de Assuntos Legislativos do CNP, alertou que

a missão de construir uma China Bela e avançar na modernização em harmonia com a natureza ainda exige

esforços significativos e contínuos.

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NOTAS

Mercado positivo

Foto: divulgação

O saldo da balança comercial do setor brasileiro de árvores cultivadas cresceu 16,9% no primeiro trimestre de 2025 na

comparação com o mesmo período de 2024, atingindo o recorde de US$ 3,73 bilhões, mostra a nova edição do Mosaico Ibá

(Indústria Brasileira de Árvores), boletim trimestral produzido pela instituição.

A celulose, principal produto da pauta do setor, registrou no 1T25 alta de 24,4% nas exportações na comparação com

1T24, chegando a US$ 2,78 bilhões. Já as exportações de papel ficaram praticamente estáveis (-1% – US$ 591 milhões).

Exportadas em menor volume, as vendas externas de madeira serrada tiveram forte crescimento, segundo o levantamento

da Ibá, com alta de 20,7% (US$ 188 milhões), seguidas por compensados (+15% – US$ 212 milhões) e painéis de madeira

(+12,8% – US$ 113 milhões).

Em termos de produção, o Brasil registrou 6,95 milhões de toneladas de celulose nos três primeiros meses de 2025, alta

de 9,9% na comparação sazonal de 2024. As exportações do produto, carro-chefe do setor, cresceram 14,8%, chegando a

5,38 milhões de toneladas.

A forte expansão das exportações no primeiro trimestre deste ano também elevou a importância do setor de árvores

cultivadas para a economia brasileira. No 1T25, a participação do setor no total de exportações do país atingiu 5,2%, resultado

acima dos 4,5% do mesmo período de 2024. Além disso, a indústria brasileira de árvores aumentou sua participação

no total vendido ao exterior pelo agronegócio, chegando em 10,7%, contra 9,4% na comparação sazonal com o primeiro

trimestre de 2024.

O Mosaico Ibá 1T25 aponta uma estabilidade nas vendas para a América do Norte (+0,9% – US$ 818 milhões), em

contraste com expressivos aumentos para a China (+34,7% – US$ 1,36 bilhões), Europa (+14,2% – US$ 932 milhões) e Ásia/

Oceania (+30,6% – US$ 420 milhões). Com exceção da América do Norte, todos os mercados aumentaram substancialmente

suas compras de celulose brasileira, com a China seguindo como maior destino (+36,8% – US$ 1,31 bilhão), seguida de Europa

(+16,1% – US$ 701 milhões), Ásia / Oceania (+41,6% – US$ 299 milhões) e América Latina (+39,8% – US$ 63,2 milhões).

20 www.referenciaflorestal.com.br


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NOTAS

Dados publicados

O PCMAF (Programa Cooperativo sobre Mecanização e Automação Florestal, em parceria com o PPPIB

(Programa Cooperativo sobre Pesquisa do Pinus no Brasil) do IPEF (Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais),

concluiu mais uma edição do Levantamento do Nível de Mecanização na Silvicultura – 2024/2025, dando continuidade

ao trabalho iniciado em 2018.

Nesta edição, 18 empresas do setor florestal contribuíram com informações atualizadas sobre o nível de

mecanização e automação das principais operações silviculturais, como preparo de solo, plantio, irrigação,

adubação, controle de pragas, controle de plantas daninhas, além de informações sobre o combate e monitoramento

de incêndios florestais, atendendo às demandas das empresas participantes.

O levantamento permitiu mapear a evolução tecnológica, identificar desafios operacionais e comparar os

resultados com as edições anteriores, oferecendo uma visão estratégica sobre o desenvolvimento da mecanização

e automação na silvicultura brasileira.

O relatório completo da edição 2024/2025, disponível para download, reúne os resultados consolidados,

análises comparativas que apoiam o setor na tomada de decisão e no avanço contínuo da eficiência das operações

florestais. Além desta edição, também estão disponíveis para consulta os relatórios das edições anteriores,

permitindo o acompanhamento da evolução histórica da mecanização no setor florestal brasileiro.

Foto: divulgação

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NOTAS

Menos florestas

A perda de florestas atingiu novos recordes em todo o mundo no ano passado, atingindo 6,7 milhões de ha (hectares),

quase o dobro do registrado em 2023 e uma área próxima a do território do Paraná, a uma taxa de 18 campos de

futebol por minuto. Os números são da plataforma Global Forest Watch do World Resources Institute e foram divulgados

na última semana.

Segundo a WRI, esta é a primeira vez desde o início das medições do GFW que os incêndios, e não a agropecuária,

foram a principal causa da perda de florestas primárias tropicais em todo o mundo, representando quase 50% de toda a

destruição. Nos anos anteriores os incêndios eram responsáveis, em média, por apenas 20% do total perdido.

E a perda não foi só em biodiversidade. Globalmente, os incêndios emitiram 4,1 gigatoneladas de GEE (gases de

efeito estufa) – liberando mais de 4 vezes as emissões de todas as viagens aéreas em 2023. Além disso, a análise mostrou

que, também pela primeira vez, os grandes incêndios ocorreram tanto nos trópicos quanto nas florestas boreais.

Segundo a WRI, em 2024, o ano mais quente já registrado, condições extremas alimentadas pelas mudanças climáticas

e pelo El Niño tornaram esses incêndios mais intensos e difíceis de controlar.

Embora as florestas tenham a capacidade de se recuperar do fogo, o WRI lembra que a pressão combinada da conversão

de terras e de um clima em mudança pode dificultar essa recuperação e aumentar a probabilidade de incêndios

futuros. De acordo com a análise, dois terços da perda florestal no Brasil (66%) foram causadas por incêndios alimentados

pela seca extrema registrada em 2024. Mas além do fogo, a perda de florestas primárias por outras causas também

aumentou em 13%, principalmente devido à agricultura em larga escala para soja e gado, embora seja menor do que os

picos observados no início dos anos 2000.

Foto: divulgação

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NOTAS

Meio século de tradição

A Carrocerias Bachiega celebrou, em maio, um marco

histórico: seus 50 anos de fundação. A festa de comemoração

aconteceu na nova sede da empresa, localizada na cidade de

Rafard, interior de São Paulo, e reuniu mais de 400 convidados.

A data foi um momento especial para celebrar meio século

de tradição, qualidade e inovação no segmento de fabricação

de carrocerias. Ao longo dessas cinco décadas, a Bachiega

consolidou-se como uma referência nacional, construindo

uma trajetória marcada pela excelência no atendimento e pelo

compromisso com a evolução constante, sempre buscando

oferecer as melhores soluções aos seus clientes.

O evento foi planejado com muito carinho e contou com a

presença de colaboradores, fornecedores, parceiros, familiares

e amigos que fizeram questão de prestigiar a empresa

nesta ocasião tão significativa. A celebração foi repleta de

momentos de confraternização, homenagens e memórias

compartilhadas, que reforçaram os laços entre todos que

participaram dessa história. A nova sede da empresa, onde a

festa foi realizada, simboliza essa nova fase de crescimento e

fortalecimento, oferecendo uma estrutura moderna e preparada

para atender às demandas de um mercado cada vez mais

competitivo, mas também mais promissor.

Durante a festa, Sheila Bachiega, uma das líderes da

empresa, fez questão de agradecer a presença de todos e

destacou, em um discurso emocionante, que cada pessoa ali

presente representa um “tijolinho” essencial na construção

da história da Carrocerias Bachiega. Ela relembrou a trajetória

de desafios e conquistas, frisando que o sucesso da empresa

só foi possível graças ao empenho coletivo e à confiança de

clientes, colaboradores e parceiros. Sheila também ressaltou a

importância de preservar os valores que sempre nortearam a

empresa: ética, comprometimento, respeito e dedicação, que

são a base sólida que sustenta a Bachiega há 50 anos.

Já Fábio Bachiega aproveitou a ocasião para falar sobre o

orgulho de ver a marca presente em todo o Brasil, reconhecida

pela qualidade e pelo carinho dos clientes. Ele enfatizou

que cada cliente, independentemente do tamanho ou localização,

é fundamental para o sucesso e para o crescimento da

empresa. Fábio destacou ainda que essa relação de confiança

mútua é o que motiva a equipe Bachiega a seguir inovando,

aprimorando processos e produtos. Para ele, celebrar meio

século de existência não é apenas olhar para o passado com

gratidão, mas principalmente enxergar o futuro com entusiasmo

e determinação para continuar crescendo e honrando a

confiança de todos que fazem parte dessa trajetória.

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Foto: Bachiega


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NOTAS

Foto: divulgação

Visita internacional

O diretor-geral do SFB (Serviço Florestal Brasileiro), Garo Batmanian, recebeu representantes de quatro embaixadas de

países vizinhos ao Brasil em uma visita de cortesia. Participaram do encontro os embaixadores do Peru no Brasil, Rómulo

Acurio; da Colômbia no Brasil, Guillermo Rivera; e o da Venezuela no Brasil, Manuel Vicente Vadell Aquino.

Garo Batmanian explicou as atribuições do Serviço Florestal Brasileiro, bem como seu papel na conservação das florestas

em pé, além das ferramentas utilizadas para a gestão do patrimônio verde em território brasileiro, como as concessões

florestais para manejo florestal sustentável e para restauração de áreas degradadas. O diretor-geral citou, inclusive, a

recente estreia do SFB na B3 – a Bolsa de Valores do Brasil, que resultou no arremate das 4 Unidades de Manejo Florestal

da Floresta Nacional do Jatuarana, em Apuí (AM), gerando um incremento de R$ 47,9 milhões por ano (durante 37 anos,

que é a duração dos contratos) aos cofres da União.

Os diplomatas também demonstraram interesse sobre o TFFF (Tropical Forest Forever Facility), o Fundo Florestas Tropicais

para Sempre. A iniciativa, idealizada pelo governo brasileiro, sugere uma recompensa financeira aos países em desenvolvimento

que possuam florestas tropicais e estejam reduzindo seus índices de desmatamento, mantendo as florestas em

pé. O TFFF é um projeto inovador, que prevê a captação de US$ 125 bilhões no mercado internacional, podendo beneficiar

até 72 países. A proposta ainda está sendo elaborada pelo Governo Federal e a meta é apresentá-la oficialmente na 30ª

Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, prevista para novembro deste ano, em Belém (PA).

Também acompanharam a reunião o encarregado de Negócios do Equador, ministro Fernando Guzmán; a encarregada

de Assuntos Ambientais e Cooperação Técnica e Científica da embaixada do Peru no Brasil, Juliana Grace Bendezú Quispe;

a coordenadora de Temas Internacionais do SFB, Raquel Taitson, o terceiro secretário do Departamento de Biociências do

Ministério das Relações Exteriores, Diogo Gonçalves; e o coordenador-geral substituto de Cooperação Bilateral da Assessoria

Especial de Assuntos Internacionais do Ministério do Meio Ambiente, Rafael Brito Pereira.

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NOTAS

Parceria firmada

Foto: divulgação

A silvicultura de espécies nativas é uma atividade que, além de gerar emprego e renda para

comunidades locais, também contribui para a restauração dos ecossistemas e conservação da biodiversidade.

Torna-se, assim, uma importante aliada do desenvolvimento sustentável nos aspectos

ambiental, social e econômico.

Para fomentar esses benefícios, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e o SFB (Serviço

Florestal Brasileiro) acabam de firmar um Acordo de Cooperação. A parceria, com duração de dois

anos, prevê duas ações: a criação de um curso EAD sobre silvicultura de nativas para a Plataforma

Saberes da Floresta, a ser lançado no segundo semestre, e a realização de seminários e diálogos

técnicos para elaboração de pacotes de investimentos para a atividade silvicultural e fortalecimento

das concessões florestais.

“A colaboração com o SFB tem como objetivo promover a agenda de silvicultura de espécies

nativas, visando contribuir com o avanço do país rumo a uma nova economia florestal”, declara Fernando

Sampaio, cofacilitador da Coalizão Brasil. O acordo também inclui entregas relacionadas ao

desenvolvimento de um planejamento de Gestão Integrada de Paisagem na Amazônia, em área a ser

definida, e à promoção da silvicultura de nativas como instrumento para regularização ambiental.

“O compromisso do Serviço Florestal Brasileiro com essa agenda é uma sinalização importante

do governo. Isso contribuirá para o fomento de modelos produtivos que alinhem a geração de

emprego e renda com a conservação ambiental”, complementa Fernando, que também é diretor de

sustentabilidade da Abiec.

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NOTAS

Informação à mão

No Dia Mundial do Meio Ambiente, a Reflore/MS (Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores

de Florestas Plantadas) realiza uma ação de panfletagem voltada aos caminhoneiros na saída para São Paulo,

em Três Lagoas (MS). A atividade acontece durante a manhã e integra a Campanha Fogo Zero, que tem como foco a

prevenção de incêndios florestais em Mato Grosso do Sul.

A iniciativa busca engajar os motoristas como agentes fundamentais na cultura da prevenção, orientando sobre

cuidados que ajudam a evitar focos de incêndio às margens das estradas. A manutenção correta dos caminhões,

o descarte adequado de lixo e a não eliminação de bitucas de cigarro na vegetação são atitudes destacadas. Além

disso, os panfletos incentivam a população a denunciar focos de incêndio por meio do telefone 193.

Lançada no dia 6 de maio, a edição 2025 da Campanha Fogo Zero traz o tema: Mais que uma campanha. Um

propósito; e reforça os resultados positivos das edições anteriores no combate ao fogo. A ação é coordenada pela

Reflore/MS com participação do Sistema Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) e

apoio do Governo do Estado, Corpo de Bombeiros Militar e Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos

Naturais Renováveis).

“O fogo evitado, que é o que a gente não consegue mensurar, é o grande ganho da sociedade”, afirma Junior Ramires,

da Reflore (MS). A panfletagem é uma das ações de campo da campanha e reforça a importância da participação

de todos — especialmente de quem circula diariamente pelas rodovias — na proteção das florestas e da vida.

Foto: divulgação

32 www.referenciaflorestal.com.br



NOTAS

Foto: divulgação

Investimento garantido

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou R$ 77,6 milhões, por meio da linha

Fundo Clima – modalidade Florestas Nativas e Recursos Hídricos, para a implantação de um projeto de silvicultura de

espécies nativas em região de Mata Atlântica, no sul da Bahia.

A silvicultura de espécies nativas é uma atividade de longo prazo, onde as árvores de diferentes espécies têm

tempos de crescimento entre 12 e 36 anos em média, até chegar no tamanho para o corte e extração da madeira. Esse

setor tem um papel relevante na ampliação da oferta de madeira tropical de origem sustentável, e livre de desmatamento,

contribuindo para a redução da pressão para extração de madeira tropical através do desmatamento ilegal.

O projeto, primeiro financiado pelo Banco no setor, será conduzido pela Symbiosis Florestal S/A, empresa voltada

à produção de madeira tropical de alto valor. Prevê o plantio de 1.500 ha (hectares) de florestas produtivas com

espécies nativas da Mata Atlântica, bioma historicamente ameaçado e hoje reduzido a 12,5% de sua cobertura original

na região. A área total da operação será de 3 mil ha, com o plantio intercalado de espécies nativas e exóticas, sendo

exclusivamente o componente nativo financiado pelo BNDES.

O modelo adotado pelo projeto financiado pelo BNDES combina o uso de espécies mistas com manejo florestal

contínuo, garantindo não apenas a produção de madeira de alta qualidade – inclusive de espécies ameaçadas de extinção

– como também a preservação da biodiversidade, com geração de créditos de carbono, promoção da biodiversidade

e mitigação de riscos climáticos.

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NOTAS

Floresta na Faria Lima

O governo federal leiloou na B3 pela primeira vez, a concessão de um manejo florestal. Foram licitados na bolsa de

valores, na capital paulista, 453.401,11 hectares da Floresta Nacional do Jatuarana, localizada em Apuí (AM), distribuídos

em quatro UMFs (Unidades de Manejo Florestal). Os quatro lotes foram arrematados com contratos que terão vigência

de 37 anos. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, as concessões deverão arrecadar anualmente

R$ 32,6 milhões e gerar cerca de 2,8 mil empregos diretos e indiretos.

A concessão permite o uso sustentável de recursos madeireiros e não madeireiros, como madeira em tora, palmito,

açaí, castanha-do-pará, óleo de copaíba e andiroba. “O Brasil está mostrando que é possível promover o desenvolvimento

econômico sem destruir suas florestas. A concessão na Flona do Jatuarana é um exemplo de política pública eficiente,

baseada em instrumentos econômicos que valorizam a floresta em pé, protege e valoriza a sociobiodiversidade e geram

prosperidade com justiça climática e social”, afirmou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

As empresas vencedoras do certame foram OC Prime Comércio e Industrialização de Madeiras Ltda, com lance no valor

de R$ 244,98 por m³ de madeira em tora e outorga fixa de R$ 4 milhões (unidade 1); Duarte da Silva Ltda (Madeireira

Gedai), com lance de R$ 193,65 por m³ e outorga de R$ 5 milhões (unidade 2); e a Brasil Tropical Pisos Ltda, com lance de

R$ 150,48 por m³ e outorga de R$ 2,2 milhões para a unidade 3, e lance de R$ 152,86 por m³ e outorga de R$ 2,2 milhões

para a unidade 4.

A gestão do projeto é conduzida pelo Serviço Florestal Brasileiro, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança

do Clima, com estruturação técnica realizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Foto: divulgação

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NOTAS

Novidade no Paraná

No final de maio, a Vale do Tibagi realizou a inauguração oficial do Armazém 03, em Ponta Grossa (PR), consolidando um

importante marco para a expansão das atividades logísticas e florestais na região. Com a nova estrutura, no bairro Cará-Cará, a

empresa passou a contar com 60 mil m² (metros quadrados) de área total de armazenagem, ampliando significativamente sua

capacidade de atendimento e abrindo novas possibilidades para o desenvolvimento econômico do município.

O novo armazém gerou, num primeiro momento, 90 empregos diretos e, conforme anunciado pela empresa, a expectativa

era de que esse número alcançasse 200 postos de trabalho até o final do ano. A ampliação reforçou o compromisso da Vale do

Tibagi com o crescimento regional, integrando infraestrutura moderna à tradição de 25 anos de atuação no setor florestal e de

transportes.

Fundada em 1999 em Telêmaco Borba (PR), a Vale do Tibagi construiu uma trajetória sólida, baseada em inovação, segurança

e qualidade. Ao longo dos anos, acumulou importantes certificações, como o SASSMAQ, desde 2010, e o selo internacional

Enplus A1 para a venda de pellets ecológicos. Em 2019, obteve a certificação FSC® e, em 2023, entrou para o ranking do Great

Place To Work como uma das melhores empresas para se trabalhar no Paraná.

Hoje, a Vale do Tibagi opera com cinco filiais de armazenagem e transportes em Ponta Grossa e São José dos Pinhais (PR),

além de um pátio de biomassa em Três Barras (SC). Com mais de 600 colaboradores, a empresa mantém o propósito de evoluir

continuamente, oferecendo soluções completas e inovadoras em serviços florestais, comércio de madeira, biocombustível,

transportes e logística. O Armazém 03 simbolizou mais um passo nesse caminho de crescimento e desenvolvimento sustentável.

Foto: Vale do Tibagi

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FRASES

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um dos maiores benefícios

do manejo florestal é que

as florestas são mantidas

em pé, ao mesmo tempo em

que geram renda e emprego

para as populações

locais, contribuindo com a

formalização da economia

local e regional.

Nelson Barbosa, presidente do Bndes (Banco

Nacional de Desenvolvimento Econômico e

Social)

“O desenvolvimento desse

setor é o resultado de

uma política estatal bemsucedida,

a Lei Florestal.

Junto às políticas sobre

zonas de livre comércio e

portos livres, a lei permitiu

que bilhões de dólares em

investimentos fluíssem para

o setor”

Ignacio Bartesaghi, diretor do Instituto de

Negócios Internacionais da Universidade

Católica do Uruguai, sobre o crescimento da

silvicultura no país

“Esse apoio do Fundo

Clima permite a

consecução firme e

duradoura de nosso

projeto, no propósito

de construir um futuro

protegendo e valorizando

o que a natureza nos

premiou por meio de

nossas florestas”

Evandro José Muhlbauer, CEO da Madeflona,

sobre o projeto do Fundo Clima de implementação

de uma unidade de secagem de madeira nativa de

manejo sustentável

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ENTREVISTA

Da floresta, para a

FLORESTA

From the forest to the forest:

Foto: divulgação

ENTREVISTA

O

Pará é um dos Estados com a maior

área de florestas do Brasil, enfrenta

desafios complexos para equilibrar

conservação e desenvolvimento econômico

e social na região. Nesta entrevista, falamos sobre

manejo florestal sustentável e o papel dos engenheiros

florestais da região com Amanda Paiva Quaresma, presidente

da APEF (Associação Profissional dos Engenheiros

Florestais do Estado do Pará).

T

he State of Pará has the largest forest area

in Brazil, and it faces the complex challenge

of balancing conservation with economic

and social development in the region. In

this interview, we discuss Sustainable Forest Management

and the role of Forest Engineers in the area with

Amanda Paiva Quaresma, President of the State of Pará

Association of Forest Engineers (Apef).

Amanda Paiva

Quaresma

ATIVIDADE/ ACTIVITY:

Engenheira florestal pela UFRA (Universidade Federal Rural

da Amazônia) com mestrado em desenvolvimento sustentável

e agriculturas familiares, doutoranda em desenvolvimento

rural e sistemas agroalimentares. Amanda é diretora

da IARA Consultoria Ambiental e presidente da APEF (Associação

Profissional dos Engenheiros Florestais do Pará)

Forestry Engineer with a graduate degree from the Federal

Rural University of the Amazon (Ufra), a Master’s degree in

sustainable development and family farming, and a Doctorate

in rural development and agri-food systems. She is the

Director of Iara Consultoria Ambiental and President of the

State of Pará Association of Forest Engineers (Apef).

42 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

>> Como começou sua trajetória na engenharia florestal e

o que a motivou a seguir essa carreira?

Não escolhi a engenharia florestal, foi ela que me escolheu.

Durante o vestibular mirava outros cursos, também

voltados para a área ambiental, na época (e ainda hoje),

nossa profissão não era muito conhecida, quase ninguém

sabia que existia engenharia florestal e qual o papel dela.

Mas ao entrar no curso, em 2007, na UFRA, fui descobrindo

que meu lugar era esse e nunca mais pensei em seguir

outro caminho que não fosse da floresta, seus rios, sua

gente. Me reconectei com as origens ribeirinhas da minha

família e sigo honrando esse legado, agora aliando o saber

ancestral ao conhecimento técnico-científico para contribuir

com a construção de um projeto de desenvolvimento

sustentável endógeno na Amazônia.

>> Quais foram os principais marcos e desafios da sua

trajetória profissional até assumir a presidência da associação?

A APEF tem sua segunda presidente mulher em mais de 50

anos. Jessica Maciel foi a primeira e não será a última, assim

como eu, nossa missão é fazer com que mais mulheres

tenham a oportunidade de chegar em uma posição como

essa, de grande responsabilidade mas também de muita

honra. Venho de uma trajetória que alguns podem considerar

avessa ao tradicional. Desde a universidade, optei

por não me contentar com os conhecimentos de sala de

aula, então me envolvi no movimento estudantil, centro

acadêmico, executiva de curso, e assim me aproximei dos

movimentos sociais de luta pela terra. Minha escolha foi

junto aos povos e comunidades tradicionais e agricultores

familiares, o que na época era considerado falta de visão

do mundo do trabalho, pois nossa formação direcionava

para atuação em grandes empresas. Porém, com o aumento

significativo de políticas públicas e ações voltadas para o

reconhecimento e fortalecimento dos territórios e identidades,

esse nicho de mercado se abriu e segue ampliando

a demanda por profissionais que, além de conhecimento

técnico-científico, tenham compromisso com as lutas coletivas

dos povos.

>> Qual é o papel da Associação Paraense de Engenheiros

Florestais no fortalecimento da profissão no Estado?

Não somos um sindicato, não existe um aqui no Estado.

Mas buscamos nos envolver em todos os debates relacionados

diretamente a profissão e questões ambientais relevantes.

Nos posicionamos em temas sensíveis e polêmicos,

muitas vezes somos criticados, mas acreditamos que não

nos posicionarmos é escolher um lado, e entendendo que

temos especialistas de diversas áreas dentro da engenharia

florestal, sempre buscamos qualificar nossos posicionamentos

com base nas experiências de nossos associados.

Estamos ocupando espaços estratégicos, desde o sistema

CREA/CONFEA/MÚTUA (Conselho Regional de Engenharia

e Agronomia/Conselho Nacional de Engenharia e Agrono-

How did your career in Forestry Engineering begin,

and what motivated you to pursue it?

I did not choose Forestry Engineering; it chose me.

During the entrance exam, I considered other courses

focused on the environment. At the time, and even today,

our profession was not well known. Hardly anyone

knew that Forestry Engineering existed or what its role

was. However, when I began studying at Ufra in 2007,

I realized that this was my calling, and I knew I would

never pursue another path besides that of the forest,

its rivers, and its people. I reconnected with my family’s

riverside origins. I continue to honor this legacy by combining

ancestral and technical-scientific knowledge to

contribute to constructing an endogenous sustainable

development project in the Amazon.

What were your professional career’s main milestones

and challenges before becoming President of the

Association?

Apef has had only two female presidents in over 50

years. Jessica Maciel was the first, and she will not be

the last. Like her, my mission is to ensure that more

women can reach a position like this—one of great

responsibility and honor. I come from a background that

some might consider “averse” to tradition. Since university,

I have chosen not to be content with classroom

knowledge. I got involved in the student movement, the

academic center, and the course executive. This brought

me closer to social movements fighting for land. I

decided to work with traditional peoples, communities,

and family farmers. At the time, this choice was considered

a lack of vision for the world of work because our

training was directed toward working in large companies.

However, the significant increase in public policies

and actions to recognize and strengthen territories and

identities has opened up this market niche. It continues

to increase the demand for professionals committed

to peoples’ collective struggles and technical-scientific

knowledge.

What role does the Para Association of Forest Engineers

play in strengthening the profession in the

State?

We are not a union; there is not one here in the State.

However, we try to participate in all debates related

to the profession and relevant environmental issues.

We take a stand on sensitive and controversial issues.

We are often criticized, but we believe not taking a

stand is choosing a side. Understanding that we have

specialists from different areas of forestry engineering,

we always base our positions on the experiences of

our members. We occupy strategic spaces, such as the

Regional Engineering and Agronomy Council, National

Engineering and Agronomy Council, and CREA Professionals’

Assistance Fund (Crea/Confea/Mútua system),

44 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

mia/Caixa de Assistência dos Profissionais do CREA) com

duas cadeiras na CEEF (Câmara Especializada de Engenharia

Florestal), até conselhos de governança ambiental em

nível municipal, como o Consemma (Conselho Estadual

do Meio Ambiente), e nível estadual, como o COGES Clima

(Comitê Gestor do Sistema Estadual sobre Mudanças

Climáticas), contribuindo para que o debate técnico esteja

aliado ao debate sobre políticas públicas.

>> Que tipos de serviços e vantagens a associação oferece

atualmente aos seus associados?

Por estarmos dentro do sistema CREA/CONFEA/MÚTUA,

conseguimos oferecer vagas gratuitas e com descontos

para cursos, palestras e atividades de aprimoramento profissional,

a exemplo de cursos de uso de drones para área

florestal, que foram realizados inclusive fora da capital, em

cidades como Altamira (PA) e Santarém (PA).

>> Na sua avaliação, quais são os maiores desafios enfrentados

hoje pelos engenheiros florestais no Pará?

Nosso desafio profissional é também um dever de cidadania,

pois temos que disputar um projeto de desenvolvimento

que seja de fato sustentável, onde o uso dos recursos

naturais, para além dos florestais, seja feito mediante

conhecimento técnico-científico, garantindo perenidade e

resiliência dos ecossistemas com manutenção dos serviços

ambientais. Não há dicotomia entre crescimento econômico

e desenvolvimento com conservação e preservação

ambiental. Hoje já sabemos que a sociobioeconomia, ou

seja, a economia da sociobiodiversidade, pode impactar

profundamente o cenário da economia tradicional. Como

exemplo, podemos citar o relatório do BID (Banco Interamericano

de Desenvolvimento) que examina a bioeconomia

dos oito países amazônicos e apresenta oportunidades

para a criação de alternativas econômicas sustentáveis

para quase 50 milhões de pessoas que vivem na região,

incluindo a oportunidade dos países amazônicos para contribuir

para o mercado global de bioeconomia, que deverá

atingir US$ 7,7 trilhões até 2030.

where we have two seats on the Specialized Forestry

Engineering Chamber (Ceef). We also participate in environmental

governance councils at the municipal level,

such as the State Environment Council (Consemma),

and at the state level, such as the State Climate Change

System Management Committee (Coges Clima). This

helps ensure that the technical debate is aligned with

public policy.

What services and advantages does the Association

currently offer its members?

Because we are part of the Crea/Confea/Mútua system,

we can offer free and discounted spots in courses,

lectures, and professional development activities. These

have included courses on using drones in forestry,

held outside the capital in cities such as Altamira and

Santarém.

What are the biggest challenges facing Forestry Engineers

in Pará today, in your opinion?

Our professional challenge is a civic duty because

we must fight for sustainable development projects.

These projects use natural resources beyond forestry

through technical and scientific knowledge. This

guarantees the continuity and resilience of ecosystems

while maintaining environmental services. There is no

dichotomy between economic growth and development

and environmental conservation and preservation. We

now know that socio-economics, or the economy of

socio-biodiversity, can profoundly impact the traditional

economy. For example, the Inter-American Development

Bank (IDB) examined the bioeconomy of eight Amazonian

countries and presented opportunities to create sustainable

economic alternatives for the nearly 50 million

people living in the region. These opportunities include

the chance for Amazonian countries to contribute to the

global bioeconomy market, which is expected to reach

$7.7 trillion by 2030.

Então, nossa engenharia florestal necessita reconhecer o

manejo de uso múltiplo da floresta, e os saberes tradicionais

de quem convive e conhece ela melhor do que nós, que

estamos na cidade

46 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

>> O Pará possui uma das maiores áreas de floresta tropical

do mundo. Como o manejo florestal sustentável pode

contribuir ainda mais para a economia do Estado?

Manejo florestal sustentável é uma narrativa que ainda

está em disputa dentro da própria engenharia florestal, no

Pará e no Brasil. Viemos de uma escola internacional onde

a engenharia florestal era baseada em uma ciência para

recursos madeireiros, e ainda de florestas temperadas com

baixa biodiversidade. Na Amazônia, temos um cenário totalmente

diferente, com forte presença humana e interação

dessas comunidades com os recursos naturais. Então,

nossa engenharia florestal necessita reconhecer o manejo

de uso múltiplo da floresta, e os saberes tradicionais de

quem convive e conhece ela melhor do que nós, que estamos

na cidade. Nosso desafio é mostrar que manter a

floresta de pé não é uma ameaça para o desenvolvimento,

muito pelo contrário, é uma oportunidade de crescimento

qualificado e inclusivo para a região. Um estudo desenvolvido

pelo WRI (Instituto de Recursos Mundiais, em inglês)

Brasil em parceria com 76 especialistas de instituições

científicas de diversas regiões do país, chamado de Nova

Economia da Amazônia, apresenta caminhos para estruturar

uma economia moderna e livre de desmatamento,

impulsionando a descarbonização de toda a economia

brasileira, tudo isso baseada no manejo de produtos florestais

não madeireiros, que aliados ao manejo sustentável

da madeira, são capazes de gerar um saldo de 312 mil

empregos a mais em 2050, sendo 833 mil novos empregos

no setor de bioeconomia, que restaura a floresta, em vez

de desmatar, com geração de renda e distribuição mais

justa de benefícios, com injeção anual de pelo menos R$

40 bilhões no PIB (Produto Interno Bruto) da Amazônia

Legal, a partir de 2050. E ainda, alcançar desmatamento

zero e restauração de 24 milhões de hectares de florestas

e 94% menos emissões líquidas e estoque de carbono 19%

maior, promovendo maior produtividade da terra, menor

suscetibilidade à estresse hídrico e menor perda de fertilidade

do solo.

>> Como a associação tem atuado para promover o uso

responsável da floresta e combater práticas ilegais?

A APEF sempre busca se posicionar, fazer debates internos

e para fora, contribuir na elaboração, implementação e

monitoramento de políticas públicas, a exemplo do PRVN

(Plano Estadual de Recuperação da Vegetação Nativa no

Pará), e Sistema Jurisdicional de REDD+ (Redução de Emissões

por Desmatamento e Degradação Florestal), trazendo

o debate técnico aliado ao debate pólitico, para tomadas

de decisão que possam garantir a sustentabilidade dos recursos

naturais, assim como respeito aos direitos de povos

e comunidades tradicionais em seus territórios.

>> De que forma os engenheiros florestais podem se inserir

mais ativamente nos debates sobre políticas públicas

ambientais e florestais no Pará?

Seguimos ocupando espaços de governança multisetorial

Pará is home to one of the most extensive tropical

forests in the world. How can Sustainable Forest Management

contribute more to the State’s economy?

The concept of Sustainable Forest Management is still

being debated within the field of forestry engineering,

both in Pará and Brazil. Our background is in an

international school where forestry engineering was

based on timber resources and temperate forests with

low biodiversity. However, the Amazon has a different

scenario with a significant human presence and

interaction between these communities and natural

resources. Therefore, our forestry engineering must

recognize the multifunctional management of forests

and the traditional knowledge of the people who live in

and know the forests better than we do. Our challenge

is to demonstrate that maintaining the forest is not a

threat to development. On the contrary, it provides an

opportunity for qualified, inclusive regional growth.

A study by the World Resources Institute (WRI) Brazil,

developed in partnership with 76 experts from scientific

institutions across the country and titled The

New Amazon Economy presents ways to structure a

modern, deforestation-free economy that boosts the

decarbonization of the entire Brazilian economy. This

is all based on managing non-timber forest products.

Combined with sustainable timber management, these

products can generate an additional 312 thousand jobs

by 2050. With this, a total of 833 thousand will be in the

Bioeconomy Sector. This Sector restores forests instead

of clearing them. It generates income and distributes

benefits more fairly. It will inject at least R$40 billion

into the GDP of the Legal Amazon starting in 2050. The

study also aims to achieve zero deforestation, restore

24 million hectares of forest, reduce net emissions by

94%, and increase carbon stock by 19%, promoting

greater land productivity and reducing susceptibility to

water stress.

How has the Association promoted responsible forest

use and combatted illegal practices?

Apef has always sought to position itself in internal and

external debates, contributing to the drafting, implementation,

and monitoring of public policies such as the

State Plan for the Recovery of Native Vegetation in Pará

(Prvn) and the Jurisdictional Reducing Emissions from

Deforestation and Forest Degradation System (Redd+).

Apef brings together technical and political debates

to make decisions that guarantee the sustainability of

natural resources and respect the rights of traditional

peoples and communities in their territories.

How can Forest Engineers become more actively

involved in debates on public environmental and forestry

policies in Pará?

We continue to occupy multisectoral governance spaces

to participate, share our opinions, and disseminate

48 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

para participar, opinar e compartilhar informações estratégicas.

Fazemos isso de forma legítima e hoje já temos reconhecimento

institucional, dos governos locais e subnacional.

O desafio é fazer com que mais profissionais possam

ocupar esses espaços e contribuir com suas experiências.

>> Que conselhos daria para os estudantes e jovens profissionais

que estão ingressando na engenharia florestal

agora?

Vivam a engenharia florestal. Não fiquem apenas nas salas

de aula ou nos escritórios. Ouçam as pessoas da floresta.

Muitas vezes chegamos em um território pensando que

vamos levar conhecimento técnico-científico para essas

pessoas, e saimos de lá com mais aprendizado, pois acredito

que a troca e o diálogo é o melhor caminho, e eles

sempre têm o que ensinar, pois vivem ali e conhecem a

floresta mais do que nós em nossas teorias e conceitos.

Então, abram seus olhos, ouvidos e coração para a floresta

e as pessoas da floresta, isso nos tornará profissionais e

pessoas melhores.

>> Quais são suas prioridades à frente da gestão da associação

e que conquistas pretende alcançar até o fim do

mandato?

Nossa prioridade é seguir ocupando os espaços já conquistados

e alcançar novos espaços. Envolver mais profissionais

na associação. Alcançar mais pessoas na disputa de

narrativas pelo meio ambiente. Sabemos que ainda temos

muito o que melhorar, em nossa estratégia de comunicação,

no processo de organização interna, considerando

que todos fazemos um trabalho voluntário e dedicamos

tempo não remunerado para as atividades do APEF. Queremos

uma engenharia florestal forte no Pará e no Brasil,

com respeito e valorização de nossa profissão.

>> Por fim, que legado espera deixar com seu trabalho à

frente da Associação Paraense de Engenheiros Florestais?

strategic information. We do this legitimately and

already have institutional recognition from local and

subnational governments. The challenge is to encourage

more professionals to participate and contribute

their experiences.

What advice would you give to students and young

professionals entering the field of forestry engineering?

Live forestry engineering. Do not just stay in classrooms

or offices. Listen to the people in the forest. We often

arrive in a territory thinking we will impart technical

and scientific knowledge to the people there, but we

leave having learned more. I believe that exchange and

dialogue are the best ways to learn, and the people

there always have something to teach us because they

live there and know the forest better than we do with

our theories and concepts. Open your eyes, ears, and

heart to the forest and its people. This will make us

better professionals and better people.

What are your priorities as head of the Association,

and what achievements do you hope to accomplish by

the end of your term?

Our priority is to maintain the spaces we have already

won and reach new ones. We also want to involve more

professionals in the Association. We also want to get

more people involved in the dispute over narratives for

the environment. We know we have room for improvement

in our communication strategy and internal

organizational processes, considering we all volunteer

our time for Apef activities. We want to promote strong

forestry engineering in Pará and Brazil and foster respect

and appreciation for our profession.

Finally, what legacy do you hope to leave through

your work as head of the Pará Association of Forest

Engineers?

Nossa prioridade é seguir ocupando os espaços já

conquistados e alcançar novos espaços. Envolver mais

profissionais na associação

50 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

A APEF é coletiva e deve seguir sendo assim para cumprir seu

objetivo de representar a engenharia florestal. Gostaria de

reforçar essa mensagem e convidar mais engenheiras e engenheiros

florestais do Pará para construir uma entidade de

classe que valorize quem somos e o que fazemos.

>> Qual a importância do COP para o desenvolvimento da

economia verde no Estado?

Não temos medo de nos posicionar em temas polêmicos,

não existe neutralidade quando se trata de projeto de desenvolvimento,

estamos aqui para disputar a narrativa e a construção

de oportunidades com a COP 30. Primeiro, devemos

entender que não pode ser apenas um evento, para nós deve

ser um processo onde construimos protagonismo e damos

visibilidade ao que já está em curso. As pessoas e suas instituições

serão muito bem vindas para debater o futuro do

planeta frente às mudanças climáticas. Nós como país subdesenvolvido

precisamos de aporte financeiro para impulsonar

ações de mitigação e adaptação climática, os recursos são

necessários. Mas é importante deixar claro que sabemos o

que fazer e como fazer, para conseguir mudar a lógica de exploração

contínua dos recursos naturais até um ponto de não

retorno de sua capacidade de regeneração. Não precisamos

de agentes externos ensinando como “salvar a Amazônia”,

mas precisamos de parceiros institucionais que estejam dispostos

a injetar recursos e ouvir as pessoas da floresta sobre

como podemos fazer a transição desse modelo econômico

predatório para um que considere toda a sociobiodiversidade,

reconhecendo seu potencial de geração de serviços e

impulsionando ações locais que podem ser escalonadas com

recursos e estrutura. Para finalizar, dizer que tudo isso deve

ser construído com nossa participação efetiva, pois nunca

mais uma Amazônia sem nós, amazônidas.

Apef is a collective, and it must continue to be so to

fulfill its objective of representing forestry engineering.

I want to reinforce this message and invite more Forest

Engineers from Pará to build a professional organization

that values who we are and what we do.

How vital is COP30 for developing the State’s green

economy?

We are not afraid to take a stand on controversial issues.

There is no such thing as neutrality when it comes

to development projects. We are here to challenge the

narrative and create opportunities with COP30. First,

we must understand that it cannot just be an event.

For us, it must be a process in which we establish our

role and highlight ongoing efforts. People and their

institutions are welcome to debate the planet’s future

in the face of climate change. As an “underdeveloped”

country, we need financial support to drive climate mitigation

and adaptation actions. However, it is important

to clarify that we know what to do and how to do it. We

must change the logic of continuously exploiting natural

resources to the point of no return in their ability to

regenerate. We do not need external agents teaching us

how to “save the Amazon.” Still, we need institutional

partners willing to invest resources and listen to forest

dwellers about transitioning from a predatory economic

model to one that considers socio-biodiversity and

recognizes its potential to generate jobs and drive local

actions that can be scaled up with resources and structure.

Finally, I would like to emphasize that we must

effectively participate in all of this because there will

never again be an Amazon without us, the Amazonians.

Abram seus olhos, ouvidos e coração para a floresta e

as pessoas da floresta, isso nos tornará profissionais e

pessoas melhores

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COLUNA

Licenciamento

Florestal no Manejo

de Árvores: Qualidade,

Responsabilidade e

Conformidade Legal

Gabriel Berger

GB Manejo de Árvores – Educação Profissional

e Corporativa

Engenheiro Florestal e Segurança do Trabalho

gbmanejodearvores.com.br

gabriel@gbmanejodearvores.com.br

Foto: divulgação

O licenciamento florestal não é um entrave, mas um instrumento

para equilibrar uso dos recursos e proteção ambiental

O

licenciamento florestal é uma ferramenta fundamental

para garantir que intervenções sobre a

vegetação arbórea ocorram de forma planejada,

técnica e legalmente adequada. Sua importância

transcende o simples cumprimento burocrático,

pois está diretamente ligada à preservação ambiental, à segurança

das operações de manejo e à prevenção de passivos judiciais.

No Brasil, o licenciamento está amparado por legislações como o

Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) e a Lei de Crimes Ambientais

(Lei nº 9.605/1998), que estabelecem normas rígidas sobre

supressão de vegetação e corte de árvores nativas ou exóticas.

O processo de licenciamento exige que os responsáveis apresentem

justificativas técnicas e documentos que comprovem a

necessidade da intervenção. Isso promove uma análise criteriosa

por parte dos órgãos ambientais, permitindo identificar impactos

potenciais e estabelecer medidas de mitigação, como compensação

ambiental ou replantio. Dessa forma, garante-se que o

manejo seja realizado com o mínimo de impacto possível, respeitando

os princípios da sustentabilidade.

Outro aspecto relevante é a qualidade das intervenções.

Quando realizadas dentro dos parâmetros legais, as ações de

poda, corte ou transplante seguem critérios técnicos que evitam

danos à estrutura das árvores, à fauna associada e ao ambiente

urbano ou rural ao redor. Profissionais habilitados, como engenheiros

florestais ou agrônomos, passam a atuar de forma segura,

evitando improvisações que poderiam comprometer tanto o

meio ambiente quanto a integridade física das pessoas.

Além disso, a ausência de licenciamento pode acarretar

sérias consequências legais. De acordo com a Lei dos Crimes

Ambientais, o corte de árvores sem autorização pode configurar

crime, sujeito a multas, embargos e até responsabilização penal

dos envolvidos. Tais situações trazem prejuízos financeiros e de

imagem a empresas.

Portanto, o licenciamento florestal não deve ser visto como

um entrave, mas como um instrumento essencial para garantir o

equilíbrio entre o uso racional dos recursos naturais e a proteção

ambiental. Ao seguir os trâmites legais, os agentes envolvidos

demonstram compromisso com a legalidade, com a sustentabilidade

e com a qualidade das ações realizadas, promovendo um

manejo responsável e ambientalmente adequado das árvores.

O processo de licenciamento

exige que os responsáveis

apresentem justificativas técnicas

e documentos que comprovem a

necessidade da intervenção

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PRINCIPAL

56 www.referenciaflorestal.com.br


VERSATILIDADE

NA OPERAÇÃO

Indústria celebra 20 anos

com o lançamento do

triturador hidráulico para

minicarregadeiras

Fotos: divulgação

Versatile operation

A company celebrates 20 years with

the launch of a hydraulic mulcher

for skid steer loaders

Junho 2025

57


PRINCIPAL

E

m 2025, a Himev completa 20 anos de atuação

no Brasil, reafirmando seu compromisso com a

inovação, a sustentabilidade e a produtividade

no campo. Para comemorar esse marco histórico,

a empresa lança o HH 1500, um triturador

hidráulico de alto desempenho desenvolvido especialmente

para minicarregadeiras.

Fundada em 2005 por Helio Faria, em Campo Alegre

(SC), a Himev surgiu com o propósito de transformar a forma

como o Brasil realiza a limpeza de áreas agrícolas e florestais.

Com tecnologia de base europeia adaptada às realidades

tropicais, a empresa rapidamente se destacou no mercado,

tornando-se referência nacional em trituradores florestais.

Esse ano, celebra 20 anos de trajetória marcada por inovação,

sustentabilidade e eficiência no campo. “Desde o início,

acreditamos que era possível substituir métodos agressivos,

como as queimadas, por soluções tecnológicas sustentáveis.

Nosso compromisso sempre foi com o futuro do campo”,

afirma Jose Vara, diretor da Himev.

Sob a liderança de Manuel Silva e Rosilda Silva, diretores

Himev, a empresa mantém firme o propósito de oferecer

equipamentos robustos, fáceis de operar e adaptados às

necessidades reais do produtor rural brasileiro. “Ouvimos o

campo, desenvolvemos com base em quem usa e precisamos

continuar evoluindo para os próximos 20 anos”, reforça

Rosilda.

I

n 2025, Himev will celebrate 20 years of operations

in Brazil, reaffirming its commitment to innovation,

sustainability, and productivity. Himev is introducing

the HH 1500, a high-performance hydraulic mulcher

explicitly designed for skid steer loaderrs, to celebrate

this milestone.

In 2005, Himev was created by Helio Faria, in Campo Alegre,

Santa Catarina, to transform how Brazil clears agricultural and

forestry areas. With technology adapted from Europe to tropical

conditions, the Company quickly stood out in the market and

became a national benchmark in forestry mulchers. This year,

Himev celebrates 20 years of a career marked by innovation,

sustainability, and efficiency. “From the beginning, we believed

that aggressive methods, such as slash-and-burn, could be

replaced with sustainable technological solutions. Our commitment

has always been to the future of the countryside,” says

Manuel Silva, Managing Director of Himev.

Under the leadership of Directors Manuel and Rosilda Silva,

Himev remains steadfast in its mission to provide robust, easy-

-to-operate equipment adapted to the real needs of Brazilian

farmers. “We listen to the countryside. We develop based on

those who use it, and we must continue to evolve for the next

20 years,” says Rosilda Silva.

With thousands of customers throughout Brazil and a strong

presence in various agribusiness segments, including forestry,

fruit and coffee cultivation, and extensive livestock farming,

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Com milhares de clientes em todo o país e presença consolidada

em diferentes segmentos do agronegócio — como

silvicultura, fruticultura, cafeicultura e pecuária extensiva

— a Himev continua na vanguarda da mecanização florestal

no Brasil.

LIMPEZA DE ÁREA

A limpeza de áreas é uma etapa fundamental em qualquer

operação florestal ou agrícola. Além de preparar o terreno

para novos plantios, ela contribui para o controle de pragas,

previne incêndios e melhora o acesso das equipes às áreas

de manejo. Em áreas degradadas, a trituração da vegetação

também promove a regeneração do solo ao incorporar a

matéria orgânica de forma natural. Equipamentos como o

HH 1500 tornam esse processo mais rápido, seguro e sustentável,

aumentando a eficiência e reduzindo a dependência

de métodos agressivos como queimadas ou desmatamento

mecânico pesado.

POTÊNCIA, ROBUSTEZ E MOBILIDADE

O HH 1500 é um triturador compacto, robusto e versátil,

ideal para limpeza de áreas agrícolas e florestais, renovação

de culturas perenes, trituração de juquiras, espinilho, linhas

de transmissão, aceiros e resíduos vegetais. Projetado para

trabalhar com minicarregadeiras de 50 a 75 cv, oferece

agilidade em áreas de difícil acesso e alta produtividade em

diferentes tipos de terreno.

O equipamento conta com motor Bosch de 85cc, operando

com vazão hidráulica entre 60 e 125 L/min e pressão

de trabalho de até 350 BAR. Com 1,50 m de largura de corte,

rotor de facas fixas e estrutura reforçada, ele é capaz de

triturar vegetação de até 18 cm de diâmetro com eficiência

impressionante.

Desde o início, acreditamos que

era possível substituir métodos

agressivos, como as queimadas,

por soluções tecnológicas

sustentáveis. Nosso compromisso

sempre foi com o futuro do campo

Jose Vara, diretor da Himev

Himev remains at the forefront of forestry mechanization in

the Country.

AREA CLEARING

Clearing land is a fundamental stage in any forestry or

agricultural operation. In addition to preparing the land for

new plantings, it helps control pests, prevent fires, and improve

access to management areas for teams. In degraded areas,

mulching vegetation promotes soil regeneration by naturally

incorporating organic matter. Equipment such as the HH 1500

speeds up this process, making it safer and more sustainable.

This increases efficiency and reduces dependence on aggressive

methods such as burning or heavy mechanical deforestation.

Junho 2025

59


PRINCIPAL

TECNOLOGIA APLICADA AO CAMPO

O rotor do HH 1500 foi projetado com facas fixas em aço

especial temperado, garantindo maior durabilidade, menor

necessidade de reposição de peças e desempenho superior

em operações contínuas. O conjunto conta ainda com braços

ajustáveis que empurram a vegetação para o rotor e esquis

robustos com altura regulável, adaptando-se ao tipo de vegetação

e ao relevo da área.

Ciomar Molleta Junior, engenheiro responsável pelo desenvolvimento

do HH 1500, explica que o foco desse projeto

foi entregar alta performance para operadores de minicarregadeira,

algo que até então era pouco explorado no mercado

nacional. “Com o HH 1500, conseguimos aliar mobilidade, resistência

e eficiência de corte em um equipamento compacto,

mas extremamente robusto”, explica Ciomar.

POWER, ROBUSTNESS, AND MOBILITY

The HH 1500 is a compact, robust, and versatile mulcher. It

is ideal for clearing agricultural and forestry areas, renovating

perennial crops, and mulching yucca, hawthorn, transmission

lines, firebreaks, and plant residues. Designed to work with

skid steer loaders ranging from 50 to 75 hp, the HH 1500 offers

agility in hard-to-reach areas and high productivity on different

types of terrain.

It has an 85cc Bosch engine and operates with a hydraulic

flow rate between 60 and 125 L/min and a working pressure of

up to 350 bar. With a cutting width of 1.5 m, a fixed knife rotor,

and a reinforced structure, the HH 1500 can shred vegetation

up to 18 cm in diameter with impressive efficiency.

TECHNOLOGY APPLIED TO THE FIELD

The HH 1500’s rotor is designed with fixed knives made of

special hardened steel. This design guarantees greater durability,

reduces the need for replacement parts, and improves

performance during continuous operations. The set also has

adjustable arms that push vegetation toward the rotor and

robust skis with adjustable heights that adapt to different types

of vegetation and terrain.

Márcio Molleta, the engineer who developed the HH 1500,

explains that the goal of this project was to provide skid steer

loader operators with high performance, a concept that had not

been widely explored in the domestic market until then. “With

the HH 1500, we were able to combine mobility, durability, and

cutting efficiency in a compact yet extremely robust piece of

equipment,” Molleta explains.

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RESULTADOS PRÁTICOS

A nova linha também reflete o compromisso da Himev

em ouvir seus clientes e desenvolver soluções práticas para

os desafios do dia a dia no campo, como aponta Rui Santos,

supervisor comercial da Himev. “Muitos produtores, empreiteiros

e prestadores de serviço buscavam uma opção eficiente

para acoplar em suas minicarregadeiras. O HH 1500 veio para

preencher essa lacuna, com a qualidade e o suporte que já

são marca registrada da Himev”, ressalta Rui.

Com o lançamento do HH 1500, a Himev amplia sua

linha de trituradores hidráulicos, oferecendo uma solução

sob medida para áreas com difícil acesso e operações que

exigem mobilidade sem abrir mão da robustez. Tudo isso

com a confiança de uma empresa que há 20 anos investe em

tecnologia, sustentabilidade e inovação no campo brasileiro.

PRACTICAL RESULTS

The new line reflects Himev’s commitment to listening to

customers and developing practical solutions to everyday challenges

in the field. Rui Santos, Himev’s Commercial Supervisor,

points out: “Many producers, contractors, and service providers

were looking for an efficient attachment for their skid steer

loaders. The HH 1500 fills this gap with the quality and support

that is a trademark of Himev,” says Santos.

With the launch of the HH 1500, Himev is expanding its

range of hydraulic mulchers and offering a tailor-made solution

for areas with difficult access. This solution allows for mobility

without sacrificing robustness. Customers can have confidence

in Himev, a company investing in technology, sustainability, and

innovation in the Brazilian countryside for 20 years.

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS – HH 1500

TECHNICAL SPECIFICATIONS - HH 1500

• Trator recomendado (cv): 50 a 75

• Recommended tractor (hp): 50 to 75

• Largura de corte: 1,50 m

• Cutting width: 1.50 m

• Largura total: 1,82 m

• Total width: 1.82 m

• Diâmetro de corte: 18 cm

• Cutting diameter: 18 cm

• Número de facas: 26

• Number of knives: 26

• Padrão de acoplamento: ISO 24410

• Coupling standard: ISO 24410

• Peso: 805 kg

• Weight: 805 kg

• Motor hidráulico: Bosch 85cc

• Hydraulic motor: Bosch 85cc

• Vazão hidráulica: 60 a 125 L/min

• Hydraulic flow: 60 to 125 L/min

• Pressão de trabalho: 180 a 350 BAR

• Working pressure: 180 to 350 bar


LEGISLAÇÃO

MUDANÇA

na lei

62 www.referenciaflorestal.com.br


Senado aprova

projeto da Lei Geral do

Licenciamento Ambiental

Fotos: divulgação

Junho 2025

63


LEGISLAÇÃO

O

Senado aprovou o projeto que cria a LGLA

(Lei Geral do Licenciamento Ambiental). O

PL 2.159/2021, que está sendo discutido

no Congresso desde 2004, traz normas

gerais e diretrizes sobre o licenciamento. A

intenção é uniformizar os procedimentos para emissão de

licença ambiental em todo o país e simplificar a concessão

de licenças para os empreendimentos de menor impacto.

Aprovado com mudanças, o texto voltará para a Câmara

dos Deputados. Segundo a relatora de Plenário, senadora

Tereza Cristina (PP-MS), a legislação atual configura um

verdadeiro cipoal com cerca de 27 mil normativos.

Uma das alterações feitas pelo Senado é a criação de

um novo tipo de licença, com rito simplificado, para projetos

considerados prioritários pelo governo. A expectativa

de alguns senadores é de que essa licença, com rito simplificado

e dispensa de etapas, possibilite a exploração de

petróleo na Amazônia.

O projeto, do ex-deputado Luciano Zica (PT-SP), tramitou

por 17 anos na Câmara dos Deputados e foi aprovado

em 2021. No Senado, chegou há quatro anos e foi fruto de

diversas negociações. A votação nas comissões de Meio

Ambiente e de Agricultura teve relatório unificado dos senadores

Confúcio Moura (MDB-RO) e Tereza Cristina.

É pelo licenciamento ambiental que o poder público

autoriza a instalação, a ampliação e a operação de empreendimentos

que utilizam recursos naturais ou podem

causar impacto ao meio ambiente. Alguns exemplos incluem

a construção e ampliação de rodovias, aeroportos,

indústrias têxteis, metalúrgicas, e de papel e celulose,

além de postos de gasolina, hidrelétricas e empreendimentos

turísticos e urbanísticos, como hotéis e loteamentos,

entre outros.

O projeto trata do licenciamento realizado nos órgãos

e entidades dos entes federados integrantes do Sisnama

(Sistema Nacional do Meio Ambiente). Um dos objetivos

é garantir a segurança jurídica criada pela PNMA (Política

Nacional de Meio Ambiente).

NOVA LICENÇA

Uma das principais mudanças no texto foi feita em

Plenário. Proposta pelo senador Davi Alcolumbre (União-

-AP), presidente do Senado, a emenda cria a LAE (Licença

Ambiental Especial). O procedimento, baseado em uma

única licença, terá rito especial, com dispensa de etapas

e prioridade na análise. Esse tipo de licença será aplicado

a projetos previamente listados como prioritários pelo

Poder Executivo, com base em manifestação do Conselho

de Governo. O prazo máximo de análise para a emissão da

licença será de um ano.

O Conselho, já previsto na Lei da Política Nacional do

Meio Ambiente, tem a função de assessorar o Presidente

da República na formulação da política nacional e nas diretrizes

governamentais para o meio ambiente e os recursos

ambientais. Com a nova redação dada pela emenda, ganha

a atribuição de propor obras, serviços, projetos ou atividades

para a lista de empreendimentos estratégicos, para

fins de licenciamento ambiental.

A criação dessa licença especial pode possibilitar o

avanço da autorização para a exploração de petróleo na

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LEGISLAÇÃO

Amazônia, como no caso do pedido feito pela Petrobras

para explorar petróleo na Margem Equatorial do Rio Amazonas.

ADESÃO E COMPROMISSO

O projeto aprovado no Senado prevê que a LAC (Licença

Ambiental por Adesão e Compromisso) será simplificada

e expedida mediante uma espécie de autodeclaração de

adesão e compromisso do empreendedor, com os requisitos

preestabelecidos pela autoridade licenciadora.

O projeto libera a LAC para a maior parte dos empreendimentos

no Brasil, já que será válida, aos licenciamentos

em geral, com exceção apenas daqueles de alto

impacto no meio ambiente. Pelo texto da Câmara, a única

condição para a LAC seria que a atividade ou o empreendimento

não fosse potencialmente causador de significativa

degradação do meio ambiente.

No Senado, foram acatadas parcialmente emendas

dos senadores Jaques Wagner (PT-BA), Randolfe Rodrigues

(PT-AP) e Eliziane Gama (PSD-MA) para prever que a LAC

só será permitida para empreendimentos considerados de

pequeno ou médio porte e baixo ou médio potencial poluidor,

em que a entidade licenciadora não tiver identificado

relevância ou fragilidade ambiental.

Entre as demais exigências para a LAC está o prévio

conhecimento das características gerais da região da implantação;

das condições de instalação e de operação da

atividade; e dos impactos ambientais. A licença não será

autorizada se houver desmatamento de vegetação nativa,

já que nesse caso há necessidade de autorização específica.

Além disso, será necessário juntar o RCE (Relatório de

Caracterização do Empreendimento). Foi acrescida emenda

de relator definindo o prazo mínimo de cinco anos e

máximo de dez anos para a LAC, consideradas as informações

prestadas no RCE.

RENOVAÇÃO AUTOMÁTICA DE LICENÇAS

O texto da Câmara permitia a renovação automática

das licenças ambientais. Essa regra valeria a qualquer tipo

de licença ou de empreendimento, independentemente

de análise por parte da entidade licenciadora, apenas com

uma espécie de autodeclaração do empreendedor.

Os relatores no Senado acataram parcialmente emenda

do ex-senador Jean-Paul Prates (RN) e restringiram essa

renovação automática apenas para atividade considerada

pelo ente federativo como de baixo ou médio potencial

poluidor e pequeno ou médio porte que apresente relatório

de cumprimento das condicionantes do contrato.

Mesmo assim, a renovação automática só será feita

se não houver alteração nas características e no porte do

empreendimento, se não tiver ocorrido alteração na legislação

ambiental aplicável e se forem cumpridas as condicionantes

da licença, mediante apresentação de relatório

assinado por profissional da área.

Os relatores também acolheram parcialmente emenda

do senador Paulo Paim (PT-RS) para prever que alterações

na operação da atividade, que não tenham impacto ambiental

negativo avaliado nas etapas anteriores do licenciamento,

sejam comunicadas com antecedência mínima de

30 dias à autoridade licenciadora. Depois desse prazo, se

não houver manifestação do órgão público, será considerado

que a autorização foi concedida.

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INTERNACIONAL

COP30

68 www.referenciaflorestal.com.br


Oportunidades

e contradições

que desafiam a

imagem do Brasil

Fotos: Isabela Castilho/COP30 Amazônia

Arealização da XXX COP30 (Conferência das

Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas),

marcada para novembro de 2025 em Belém

(PA), representa uma oportunidade histórica

para o Brasil reforçar sua imagem como liderança

global na agenda ambiental e climática. Contudo,

enquanto o governo brasileiro busca projetar uma nação

comprometida com o desenvolvimento sustentável, uma

série de contradições e controvérsias ameaça manchar

essa narrativa e expõe as dificuldades estruturais e sociais

da região amazônica.

A preparação para um evento que deve reunir mais de

40 mil participantes de delegações internacionais transformou

Belém em um canteiro de obras, mas também

evidenciou problemas históricos de infraestrutura, déficits

sociais e conflitos ambientais que podem comprometer o

legado e a credibilidade do país no cenário global.

Telegramas obtidos pelo jornal Estado de São Paulo,

via Lei de Acesso à Informação, revelam preocupações de

países como China, Alemanha, Reino Unido, Dinamarca e

Noruega sobre a infraestrutura de Belém para a COP30.

Os temores incluem falta de hospedagem, altos custos

e dificuldades logísticas. A Noruega, maior doadora do

Junho 2025

69


INTERNACIONAL

Fundo Amazônia, cogita reduzir sua delegação devido aos

custos. Representantes chineses também relataram problemas

na reserva de hotéis, com baixa disponibilidade e

preços elevados. A Alemanha manifestou preocupações

logísticas e aguarda esclarecimentos sobre a hospedagem

e estrutura do evento. A Dinamarca também expressou

preocupação com os desafios logísticos de Belém.

INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA E

MOBILIDADE

A realização da COP30 acelerou investimentos significativos

em infraestrutura urbana e logística na capital paraense

e em seus arredores. Entre as principais obras está

a reestruturação da BR-316, uma das principais vias de

acesso à cidade, onde estão sendo construídos viadutos,

passarelas, ciclovias e sistemas de drenagem. Segundo

informações da Agência Brasil, até abril de 2025, o Parque

da Cidade, que será o epicentro das atividades da COP,

abrigando as chamadas “zonas azul e verde”, já contava

com 78% das obras concluídas.

A previsão das autoridades é que essas obras não

apenas atendam à demanda pontual do evento, mas deixem

um legado permanente de melhorias na mobilidade

urbana e na infraestrutura da cidade. O governo federal e

o governo do Pará articulam ainda medidas adicionais de

segurança e hospitalidade para os milhares de visitantes.

DÉFICIT CRÔNICO DE SANEAMENTO

Porém, a grandiosidade dos investimentos contrasta

com um problema estrutural que ameaça a credibilidade

do Brasil na condução do evento: a precariedade do saneamento

básico. Relatório recente do Instituto Trata Brasil

aponta que o Estado do Pará, apesar de alguns avanços

tímidos, permanece entre os que apresentam os piores

indicadores de saneamento do país, com evolução mínima

na coleta de esgoto e até retrocessos no tratamento

dos resíduos gerados.

Esse panorama contrasta fortemente com a imagem

de sustentabilidade que o Brasil quer promover. Em pleno

século XXI, a capital da Amazônia Legal, onde se decidirão

rumos críticos das políticas climáticas globais, ainda convive

com comunidades inteiras sem acesso a água potável e

expostas à poluição.De acordo com reportagem publicada

pelo IHU (Instituto Humanitas Unisinos), diversas comunidades

em Belém enfrentam diariamente problemas com

poluição, esgoto a céu aberto e falta de abastecimento de

água, o que compromete a saúde pública e amplia a vulnerabilidade

social dos moradores locais.

CONTROVÉRSIA AMBIENTAL

Outro ponto que tem causado grande polêmica é a

construção da Avenida Liberdade, uma rodovia de 13 km

projetada para cortar áreas protegidas da Amazônia com

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INTERNACIONAL

o objetivo declarado de melhorar a mobilidade urbana. O

governo do Pará argumenta que a obra é necessária para

descongestionar o trânsito e facilitar a locomoção entre

diferentes pontos da cidade durante a COP e depois dela.

Entretanto, ambientalistas e organizações da sociedade

civil criticam duramente a intervenção, apontando

que ela causa destruição de áreas de floresta nativa e

coloca em risco a biodiversidade da região. Reportagem

publicada pelo jornal norte-americano New York Post destacou

a contradição entre a imagem que o Brasil pretende

transmitir ao sediar a COP30 e a destruição ambiental

promovida por obras de infraestrutura associadas ao próprio

evento.

SOLUÇÕES DE HOSPEDAGEM E PLANEJAMENTO

LOGÍSTICO

Para acomodar os mais de 40 mil participantes esperados,

a cidade de Belém aposta em soluções criativas e

parcerias público-privadas. De acordo com o portal Belém

Negócios, além da construção de novos hotéis, o governo

planeja utilizar navios como hospedagem alternativa,

ancorados no porto da cidade, para suprir o déficit da

rede hoteleira local. Outra ação destacada foi a criação da

Secretaria Extraordinária da COP30, instalada em Belém,

com a missão de coordenar todas as ações do governo

estadual relacionadas ao evento e garantir o alinhamento

entre as obras, os serviços e os compromissos assumidos

pelo Brasil perante a ONU.

LEGADO

O governo brasileiro enxerga a COP30 como uma

chance ímpar de afirmar o país como um dos principais

atores globais no enfrentamento das mudanças climáticas,

reforçando a imagem de nação detentora da maior

floresta tropical do mundo e com potencial de liderar

a transição verde. No entanto, especialistas alertam

que, se não forem enfrentadas de forma consistente e

transparente as deficiências estruturais e os impactos socioambientais

associados às obras e à própria organização

do evento, o Brasil poderá sair da COP30 não como um

exemplo, mas como um caso emblemático de incoerência

entre discurso e prática.

Belém, com sua complexa realidade social e ambiental,

espelha os desafios do país como um todo: a necessidade

de conciliar desenvolvimento econômico, justiça

social e conservação ambiental. O sucesso da COP30 não

dependerá apenas de uma boa organização logística, mas

da capacidade de o Brasil demonstrar que está comprometido

com políticas públicas que, de fato, melhorem a

vida de seus cidadãos e protejam seus biomas.

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INCÊNDIO

Incêndios Florestais

UMA ABORDAGEM PRÁTICA E ESTRATÉGICA PARA O MANEJO MODERNO

Por

Renan Gilberto da Silva Carvalho - Consultor Florestal | Engenheiro Florestal | Green Belt | Formação em SCI | Gestor de Brigadas de Incêndios

Marcelo Dionísio dos Santos - Consultor Florestal | Técnico Agrícola | Engenheiro de Produção | Brigadista Florestal

Pedro Francio Filho - Consultor Florestal | Engenheiro Agrônomo | Diretor Francio Soluções Florestais

Fotos: Francio Soluções Florestais

Ademanda por recursos florestais tem crescido a

cada ano, impulsionada pela grande diversificação

do uso múltiplo da madeira, acarretando, por sua

vez, uma crescente expansão dos seus respectivos

plantios.

Cabe salientar que fatores climáticos de extrema relevância

para o estabelecimento, desenvolvimento e crescimento florestal

têm sido cada vez mais desafiadores, com picos extremos de

temperatura, períodos de estiagem cada vez mais prolongados

e aumento da temperatura em escala global, e a soma desses

fatores tem tornado cada vez mais difícil a obtenção da produtividade

atingível.

Eventos recorrentes de aumento da temperatura média

global, na casa de 1,5°C (grau Celsius), conforme a OMM (Organização

Meteorológica Mundial), nos levam a acreditar que,

provavelmente, acabamos de vivenciar o primeiro ano com

uma temperatura média global superior ao limite de 1,5°C, bem

acima da média histórica de 1850/1900, até setembro do ano

passado. Outrossim, fazendo um paralelo com o ciclo da cultura

do eucalipto, os 7 anos mais recentes, de 2017 a 2024, foram os

mais quentes já registrados, segundo o INMET.

O ano de 2024 foi o mais quente no Brasil desde 1961, com

uma média de 25,02°C. Ou seja, saímos de um ano com extremos

climáticos, com secas intensas, enchentes devastadoras e

picos de temperatura.

Considerando o aludido cenário de uma cultura perene de

ciclo longo, de aproximadamente 7 anos, essas mudanças impactam

diretamente no surgimento de novas pragas, decréscimo

da produtividade, presença de déficit hídrico, sendo fatores

agravantes para os incêndios florestais.

Dentro das inúmeras pautas abordadas pelos gestores, o

incêndio florestal sempre esteve presente. No entanto, este

assunto ganhou destaque nos últimos anos, pois, além de uma

perda significativa de ativo e valor real da companhia, a ocorrência

de um incêndio impacta negativamente, provocando

desde perdas contornáveis até não contornáveis, chegando a

comprometer o fornecimento de matéria-prima, além do grande

prejuízo ambiental e exposição das empresas.

Uma vez contextualizada a importância do tema, este artigo

terá como principal objetivo abordar os principais pontos e

fontes geradoras que permeiam o assunto, bem como propor

ações de mitigação. Mediante tal situação, este assume um

papel de destaque, demandando ações e estratégias de prevenção

e manejo.

74 www.referenciaflorestal.com.br


Dentre as principais causas de ocorrências de incêndios,

podemos citar:

• Queimas de lixo e utilização do fogo para limpeza de lotes

em áreas urbanas e rurais, com grande relevância;

• Descarte de bitucas em rodovias e lixo, podendo ser geradores

de incêndios;

• Ações criminosas pelo simples desejo de atear fogo;

pescadores e/ou terceiros que praticam a ação de arrancar

minhocuçu, fazendo uso do fogo a fim de identificar as fezes

do animal e executar sua extração do solo;

• Descargas atmosféricas, acidentes com redes de energia

e faíscas oriundas de ferrovias;

• Incêndios originados por falhas elétricas em máquinas e

equipamentos nas operações internas da empresa.

Sendo assim, o tema será apresentado em pontos-chave

que definem o sucesso em relação ao manejo florestal no que

tange aos incêndios:

PLANEJAMENTO

A base florestal precisa ser concebida e planejada, levando-

-se em consideração a possibilidade da ocorrência de incêndios,

tomando algumas ações como:

• Divisão da área em blocos com corredores de manejo

de fogo;

• Análise da presença de redes elétricas, mitigando a ocorrência

de incêndios por meio de aceiros robustos;

• Construção e limpeza de aceiros de perímetro e internos;

• Construção de pistas de pouso para aeronaves, uma vez

sendo necessário seu uso;

• Instalação de caixas d’água, em caso de blocos grandes

sem pontos de captação.

Nesta linha, tem-se atualmente tecnologias satelitais para

acompanhamento e monitoramento de focos de calor dentro

da base florestal e sistemas CFTVs — sigla dada aos circuitos

fechados de TV, um sistema fechado de monitoramento interno,

onde, por meio de câmeras distribuídas e conectadas a um

sistema central, permite-se o monitoramento da floresta 24h

(horas) por dia, alertando possíveis ocorrências com a maior

agilidade — o famoso “BBB da floresta”.

Entretanto, tornam-se necessárias ainda grandes evoluções

nos sistemas satelitais, a fim de garantir melhores assertividades

nas detecções, uma vez que os CFTVs ainda são sistemas restritos

a grandes empresas, as quais, por sua vez, devido ao crescimento

e expansão de suas bases, demandam constante reformulação

e ampliação para garantia de uma maior cobertura.

A busca por equipamentos de resposta rápida, como kits

portáteis, auxilia na diminuição do tempo de resposta, bem

USO DE TECNOLOGIAS

Haja vista o cenário em que nos encontramos e a complexidade

do tema, faz-se necessária a adoção de ferramentas assertivas

na detecção, para que se consiga atender com a máxima

agilidade possível à ocorrência (tempo de reação), como fator

determinante no sucesso do combate.

Junho 2025

75


INCÊNDIO

como o uso de LGE (líquido gerador de espuma), retardantes e

supressantes, que auxiliam as equipes manuais com seus abafadores,

bombas costais, sopradores, caminhões-pipa, máquinas

de grande porte e, em última instância, o uso de aeronaves na

eficácia do combate. Importante citar também a relevância

de uma rede de alertas por meio de confrontantes, vizinhos e

comunidades — grandes parceiros do processo que contribuem

muito com as empresas.

INDICADORES DE GESTÃO

A criação de indicadores de performance, com mensuração

dos parâmetros como: tempo de detecção, tempo de resposta,

tempo de deslocamento, número de focos, causa inicial — são

pontos importantes na busca da melhoria contínua.

Treinamentos e capacitações constantes de brigadistas são

necessários a fim de preparar as equipes para as situações reais

de combate.

O envolvimento de todos os setores da empresa, da silvicultura

à colheita, é essencial para que, uma vez necessária a intervenção,

esta ocorra com o máximo de eficiência e segurança,

não expondo seu maior patrimônio a riscos de acidentes: a vida.

AÇÕES PARA FORA DAS CERCAS

Visto que o tema extrapola as cercas das propriedades, as

parcerias institucionais exercem grande papel, tendo em vista

que a comunidade está inserida no contexto da empresa como

uma grande aliada nesta causa.

Agentes como: bombeiros, polícias rodoviárias federais, patrulhas

rurais, associações comunitárias, prefeituras e comunidades

circunvizinhas, bem como parcerias entre empresas do setor.

Um exemplo de sucesso é o da REFLORE (MS), associação

de plantadores de florestas do Estado do Mato Grosso do Sul,

que atua ativamente com ações estruturadas de prevenção e

combate, integrando empresas associadas e o poder público em

um esforço conjunto de conscientização e resposta eficiente.

Pontos-chave como conectividade e adoção de novas

tecnologias precisam estar continuamente no radar do setor

florestal. O dinamismo das mudanças exige soluções modernas

que garantam eficiência e agilidade nas ações de prevenção e

combate. Tecnologias como internet 5G, telefonia móvel, rádio

digital e comunicação via satélite devem ser cada vez mais

acessíveis e viáveis, inclusive para propriedades de menor porte.

Independentemente do tamanho da propriedade, o investimento

em capacitação e em equipamentos básicos é a forma

mais eficaz de proteger o patrimônio florestal. A prevenção

segue sendo o melhor combate.

Diante de um cenário cada vez mais desafiador, o sucesso

no enfrentamento aos incêndios florestais exige integração

entre tecnologia, gestão, planejamento e, sobretudo, pessoas.

Equipamentos manuais que compõem

uma brigada de incêndio

76 www.referenciaflorestal.com.br


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LODOS INDUSTRIAIS, RESÍDUOS ORGÂNICOS, COMPOST BARN E ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO

COMPOSTO: O RESULTADO

DA COMPOSTAGEM

O que é composto?

Fotos: divulgação

78 www.referenciaflorestal.com.br


O

composto é o produto obtido através do

processo de compostagem, uma técnica de

reciclagem de resíduos orgânicos que promove

a decomposição natural desses materiais.

Trata-se de um material rico em nutrientes,

geralmente utilizado como fertilizante orgânico na agricultura

e jardinagem. Ele é formado pela transformação de diversos

resíduos orgânicos com características diferentes e de origens

diferentes, através da ação de microrganismos como fungos e

bactérias.

A compostagem é um processo biológico que ocorre em

condições controladas de temperatura, umidade e oxigenação.

Os microrganismos decompositores desempenham o papel

principal, quebrando os resíduos orgânicos em partículas

menores e convertendo-os em matéria orgânica estabilizada.

Durante o processo, ocorre a liberação de dióxido de carbono,

vapor de água e calor, o que ajuda a acelerar a degradação.

Após algumas semanas ou meses, dependendo das condições,

obtém-se o composto: um material escuro, homogêneo

e com odor semelhante ao de terra fresca.

BENEFÍCIOS DO COMPOSTO

• Melhora do solo

• Redução de resíduos

• Alternativa sustentável

• Promove biodiversidade

APLICAÇÕES DO COMPOSTO

O composto tem diversas aplicações práticas, das quais as

mais comuns incluem:

• Jardinagem

• Agricultura

• Recuperação de áreas degradadas

• Paisagismo

O composto é, portanto, um recurso valioso para práticas

agrícolas, ambientais e urbanas. Além de oferecer uma

solução sustentável para o manejo de resíduos orgânicos,

contribui para a saúde do solo e para a preservação do meio

ambiente. Investir na compostagem é um passo importante

para construir um futuro mais verde e responsável.

REGULARIZAÇÃO DA COMPOSTAGEM E DO

COMPOSTO

A regularização da compostagem e do composto é essencial

para garantir a qualidade dos produtos gerados e a segurança

ambiental. Para isso, podem ser seguidos os seguintes

passos:

• Criação de normas específicas

• Certificação do composto

• Licenciamento ambiental

• Incentivos e conscientização

• Monitoramento e fiscalização

Junho 2025

79


COMPOSTAGEM

Trata-se de um material rico

em nutrientes, geralmente

utilizado como fertilizante

orgânico na agricultura e

jardinagem

A implementação dessas medidas não apenas regulariza

a prática, mas também incentiva a sua expansão como uma

solução ambientalmente correta e economicamente viável.

Os tipos de registro no Ministério da Agricultura para

composto orgânico geralmente estão relacionados à regulamentação

de insumos agrícolas, incluindo fertilizantes,

corretivos e produtos destinados ao uso na agricultura. O

composto orgânico pode ser enquadrado em categorias específicas

como:

1. Fertilizante Orgânico: É registrado como um insumo

agrícola que fornece nutrientes às plantas e melhora as características

do solo.

2. Substrato para Plantas: Caso o composto seja utilizado

como meio de cultivo.

3. Condicionador de Solo: Quando o produto é destinado

a melhorar propriedades físicas, químicas e biológicas do solo.

Para realizar o registro, o Ministério da Agricultura exige

documentação técnica que comprove a composição, qualidade

e eficiência do produto, além de testes que garantam

que ele está em conformidade com os padrões estabelecidos.

Recomenda-se verificar a legislação vigente no Brasil e as instruções

normativas específicas do ministério para se adequar

aos requisitos legais.

Registrar o composto orgânico no Ministério da Agricultura

é essencial para assegurar que o produto atende aos padrões

técnicos e normativos exigidos pela legislação brasileira.

O registro inclui análises rigorosas de qualidade e eficiência,

bem como testes que verificam a segurança do uso do composto

na agricultura. Isso garante que o produto seja seguro

para o ambiente e as plantas, protegendo os consumidores e

os agricultores de possíveis riscos.

O registro do composto orgânico no Ministério da Agricultura

é uma etapa crucial para garantir qualidade, credibilidade

e conformidade legal, além de promover práticas agrícolas

sustentáveis. Esse processo não apenas fortalece a confiança

dos consumidores no produto, mas também abre portas para

novos mercados e oportunidades de negócios. Portanto, realizar

o registro é um investimento estratégico para qualquer

empresa que busca crescer e se destacar no setor agrícola.

Pergunte ao Tomita

Caso tenha alguma dúvida sobre

o sistema de compostagem,

envie sua pergunta para o e-mail

jornalismo@revistareferência.com.br e

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INTEGRAÇÃO

INOVAÇÃO

na integração

Novo sistema produtivo

integra plantio de teca

com pecuária de corte

Fotos: divulgação

82 www.referenciaflorestal.com.br


Junho 2025 83


INTEGRAÇÃO

AEmbrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa

Agropecuária) Agrossilvipastoril está lançando

o Sistema Bacaeri – BoiTeca, uma

modalidade de integração pecuária-floresta,

ou silvipastoril, que consorcia a pecuária de

corte com a silvicultura de teca. Esse sistema de produção

é uma forma de intensificação sustentável, adicionando

uma fonte de renda para o pecuarista.

A teca é uma madeira nobre, nativa da Ásia, com grande

potencial silvicultural e econômico nas regiões mais

quentes do Brasil. Por meio deste sistema, são cultivadas

linhas da árvore em meio à pastagem. Enquanto as árvores

crescem, a atividade pecuária é conduzida normalmente.

Dessa forma é possível obter renda durante os cerca de 20

anos necessários até se chegar ao ponto de corte. O gado

só precisa sair da área nos 10 a 18 meses iniciais, período

no qual é possível fazer uma integração com agricultura,

colher o pasto para fazer silagem e feno, ou ainda aproveitar

para recuperar a forrageira.

O manejo adequado de desramas das árvores não só

possibilita a formação de um tronco reto, com madeira de

melhor qualidade, como também permite a maior entrada

de luz na pastagem, evitando que haja perdas de produtividade

do capim. Além disso, a sombra projetada pelas

copas das árvores melhora o conforto térmico para o gado,

permitindo maior ganho de peso. Pesquisas realizadas pela

Embrapa Agrossilvipastoril também já demonstraram que

o acesso à sombra beneficia o sistema imunológico e a

produção de hormônios sexuais nos bovinos.

O pesquisador Maurel Behling explica que em sistemas

ILPF as árvores plantadas em linha apresentam maior taxa

de crescimento do que árvores plantadas em monocultura

devido ao chamado efeito bordadura, que é a maior entrada

de luz e menor competição por água e nutrientes.

“Uma das vantagens desse sistema é a possibilidade de

adicionar renda para o produtor sem se fazer a substituição

de um monocultivo (pasto) por outra monocultura

(floresta plantada). O objetivo é usar a pecuária como uma

forma de expansão do cultivo da teca”, declara Maurel.

HISTÓRICO

Os primeiros plantios de teca em sistema silvipastoril

em Mato Grosso ocorreram em 2000, nas fazendas do produtor

Arno Schneider, em Nossa Senhora do Livramento,

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na Baixada Cuiabana. Naquela época ele já vislumbrava a

possibilidade de diversificar as fontes de renda e produzir

carne de uma forma sustentável. As mudas eram produzidas

por sementes e a cada ano a área com o sistema IPF

era ampliada.

Alguns anos depois, em 2008, a fazenda Bacaeri, em

Alta Floresta (MT), que já cultivava teca em monocultura,

decidiu iniciar a integração com pecuária para antecipar a

geração de receitas. Naquele momento, já haviam chegado

ao Brasil as mudas clonais e a fazenda de propriedade de

Antônio Passos foi pioneira na IPF com teca clonal.

Com a criação da Embrapa Agrossilvipastoril em Mato

Grosso em 2009, foram iniciadas pesquisas tanto na Fazenda

Bacaeri quanto em Unidades de Referência Tecnológica

como a Fazenda Gamada (Nova Canaã do Norte), fazenda

Brasil (Barra do Garças) e Fazenda São Paulo (Brasnorte). O

conjunto de informações coletadas nessas áreas permitiu

desenvolver as recomendações técnicas necessárias para

indicação do sistema produtivo, que recebeu o nome em

homenagem à propriedade onde a maior parte do trabalho

foi desenvolvido. “Ter o sistema nomeado Bacaeri, o

nome da nossa empresa desde 1983, nos deixa de alguma

forma com a impressão de que tomamos atitudes corretas,

e fizemos bem feito, para ter o aval e a aprovação da Embrapa,

validando a nossa iniciativa, através do acompanhamento

dos técnicos que validam os processos”, pondera

Antônio Passos, produtor da fazenda Bacaeri.

Atualmente a estimativa da Embrapa é que a área

com uso de sistema silvipastoril com teca seja de 4 mil ha

(hectares) em Mato Grosso. O Estado conta com 68 mil

ha com monocultivo de teca, segundo o Imea (Instituto

Mato-Grossense de Economia Agropecuária), o que corresponde

a 80% dos 84 mil ha com a árvore no Brasil. Antônio

Passos vê grande potencial de expansão do sistema, porém

alerta sobre limitações de solo e clima e a necessidade de

fazer o manejo adequado.

“A teca é muito exigente e tem um crescimento lento

em solos inadequados. Portanto, isso já limita muito as

áreas disponíveis. A segunda limitação é a tradição de não

investir a longo prazo. Nesse caso, o prazo de retorno é superior

a 20 anos, chegando talvez a até 30 anos. O terceiro

ponto é a dedicação à silvicultura, principalmente com a

poda das árvores, e a atenção para os animais não danificá-las”,

enumera Antônio.

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Junho 2025

85


INTEGRAÇÃO

PARCERIA E LANÇAMENTO

O uso da teca em sistemas ILPF foi descrito e detalhado

em um capítulo do livro Teca (Tectona grandis) no Brasil,

o que despertou interesse da empresa Teak Resources

Company. Uma parceria foi firmada com a Embrapa para

validação do sistema produtivo e para divulgação por meio

de eventos. Um desses eventos será realizado no dia 8 de

maio, na fazenda Duas Lagoas, em Cáceres (MT), ocasião

em que será feito o lançamento oficial do Sistema Bacaeri

– BoiTeca.

Desde que a parceria foi firmada, 350 ha foram instalados

em um modelo de parceria com três pecuaristas em

Mato Grosso e um no Pará. Os dois Estados são o foco da

TRC para expansão deste sistema. “A capacidade atual é

de implementar cerca de 2,5 mil ha/ano. Temos produção

de mudas suficientes para isso em 2025. Serão 12.500 ha

em 5 anos”, explica o diretor de Relações Institucionais e

Pesquisa da TRC, Fausto Hissashi Takizawa.

Fausto explica que inicialmente pecuaristas mais arrojados

e com maior preocupação ambiental são aqueles

com melhor aceitação do sistema. Porém, ele já percebe

a curiosidade e interesse por parte de pecuaristas mais

conservadores que veem nesse sistema uma forma de

intensificarem a produção. “Tendo interesse crescente de

pecuarista, área disponível para parceria e recursos financeiros

por meio de agente financeiro, a TRC tem condição

Não basta apenas plantar as

árvores de teca de qualquer

jeito no sistema integrado

e ficar esperando que elas

cresçam para que os lucros

brotem para o produtor

Maurel Behling, pesquisador

Embrapa

de ampliar além desses 12,5 mil ha, podendo chegar a 15

mil ha ou um pouco mais em 5 anos”, afirma Fausto.

RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS

O Sistema Bacaeri – Boi Teca traz as recomendações

técnicas para o produtor que quer utilizar a tecnologia,

desde o planejamento da área, definição de espaçamento

entre plantas e entre linhas e preparo do berço, até as

técnicas de podas e desramas a serem realizadas para garantia

de melhor qualidade da madeira. As recomendações

passam também pelo controle de plantas daninhas, formigas

e doenças, recomendações nutricionais e cuidados

para evitar incêndios na área. Todas essas informações

detalhadas podem ser conferidas nos materiais disponíveis

aqui.

86 www.referenciaflorestal.com.br


ADIÇÃO DE RENDA

Pesquisas realizadas pela Embrapa Agrossilvipastoril

em Unidades de Referência Tecnológica com sistemas

ILPF em Mato Grosso mostraram que as áreas com teca

apresentaram os maiores retornos financeiros. Um dos trabalhos,

utilizando dados reais da Fazenda Bacaeri, indicou

um retorno de R$ 4,70 para cada R$ 1 investido. Embora o

custo inicial seja mais alto, em torno de R$ 3,2 mil por ha,

a pecuária e os desbastes iniciais das árvores permitem o

retorno do investimento com oito anos. A maior receita,

no entanto, ocorrerá no corte raso das plantas, entre o 18º

e 25º ano do sistema. Com base nos dados da URT (Unidade

de Referência Tecnológica) da Fazenda Bacaeri, o VPL

(Valor Presente Líquido) foi estimado em R$ 2.854,53 por

ha por ano. Embora os números sejam atrativos, Maurel

Behling alerta para o fato de que o lucro só será obtido

com a utilização de tecnologias apropriadas, cuidados em

todas as etapas do manejo e da cadeia de suprimentos.

“Não basta apenas plantar as árvores de teca de qualquer

jeito no sistema integrado e ficar esperando que elas cresçam

para que os lucros brotem para o produtor. É necessá-

rio investir em tecnologia, insumos adequados, operações

corretas e eficientes, constante monitoramento fitossanitário

e garantir produtividade e qualidade da madeira ao

longo de todo o ciclo de rotação. Se isso tudo não for feito,

a decepção será grande”, alerta o pesquisador.

TECNOLOGIA SUSTENTÁVEL

Sistemas ILPF, como o Boi Teca, permitem a mitigação

das emissões de gases de efeito estufa, além de reduzirem

a pressão sobre o corte de madeira em florestas nativas.

Ao aumentar a produtividade da pecuária, é possível reduzir

a emissão de metano por quilograma de carne. Ao

mesmo tempo as árvores estocam carbono em seu tronco,

raízes e galhos.

Com essas características, esse sistema produtivo pode

ser uma das ferramentas do Programa Nacional de Conversão

de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção

Agropecuários e Florestais Sustentáveis. Também pode dar

a possibilidade de o pecuarista pleitear créditos de carbono

e agregar valor à produção por meio de certificações

como Carne Carbono Neutro ou Carne Baixo Carbono.

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qualidade;

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central de acordo com

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Junho 2025

87


ARTIGO

CRESCIMENTO E CAPACIDADE

PRODUTIVA DE ESPÉCIES

TRADICIONAIS E ALTERNATIVAS EM

SANTA CATARINA

Fotos: divulgação

88 www.referenciaflorestal.com.br


ÉRICA BARBOSA PEREIRA DE SOUZA

UDESC (UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA)

VINICIUS CHAUSSARD VENTURINI

UDESC (UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA)

DANIELA HOFFMANN

UDESC (UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA)

THIAGO FLORIANI STEPK

UDESC (UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA)

LEANDRO DE OLIVEIRA WOLFF

UDESC (UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA)

MATHEUS SCHUTZ CEOLA

UDESC (UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA)

GERSON DOS SANTOS LISBOA

UFG (UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS)

Junho 2025

89


ARTIGO

RESUMO

O

profissional florestal terá sucesso ao

prever resultados de alternativas, garantindo

a escolha eficaz da opção de

manejo adequado. Objetivou-se realizar

a Anatro completa em árvores de

diâmetro DG (médio quadrático), e Anatro parcial em

árvores de HDOM (altura dominante), das espécies de

Pinus elliottii Engelm e Pinus taeda L., além de Pinus

patula Schiede & Deppe e Cupressus lusitânica Mill.

espécies alternativas na silvicultura do planalto serrano

de Santa Catarina. Com o propósito de determinar

o crescimento e a produção para a variável diâmetro

(cm), onde a espécie de Pinus taeda apresentou o

maior valor assintótico de 35 cm (centímetros) pelo

modelo biológico de Chapman & Richards. Realizou-

-se a classificação de sítio pelo método da curva-guia

(modelo de Schumacher) e elaborou-se o mapa temático

da classificação de sítio por meio da Krigagem,

identificando-se a maior capacidade máxima produtiva

para a espécie Pinus patula com IS (índice de sítio)

90 www.referenciaflorestal.com.br


médio de 27m (metros), e IS médio de 21m para o

gênero Pinus. A espécie Pinus patula apresentou ótimo

desenvolvimento produtivo, sendo comparativa as

espécies Pinus taeda e Pinus elliottii, ressaltando-se

que esta apresentou a maior capacidade máxima produtiva

entre os sítios classificados.

INTRODUÇÃO

Dos objetivos de um gestor florestal, suprir a demanda

industrial com um fluxo contínuo de produtos

e serviços florestais está diretamente relacionado ao

emprego de ferramentas direcionadas a prognose do

crescimento e da produção, nas atividades do planejamento

florestal. Assim segundo Daniel; Yared (1987)

o crescimento de um povoamento florestal pode ser

conhecido por meio de medições periódicas do inventário

contínuo, ou pela Análise de Tronco completa e

parcial, também conhecida como Anatro, para espécies

com anéis de crescimento visíveis.

Com base nas informações obtidas na Anatro

parcial e completa, pode-se ajustar modelos matemáticos

que permitem obter estimativas para diversas

variáveis da floresta, possuindo grande importância

Dos objetivos de um gestor

florestal, suprir a demanda

industrial com um fluxo

contínuo de produtos e serviços

florestais está diretamente

relacionado ao emprego de

ferramentas direcionadas a

prognose do crescimento e da

produção, nas atividades do

planejamento florestal

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ARTIGO

na modelagem do crescimento e da produção florestal

(Clutter et al., 1983). Por exemplo, por meio dos

modelos biológicos, pode-se representar uma função

de produção, como taxa de crescimento em relação

ao tempo, ou ainda, expressar a taxa de crescimento

relativo, que proporciona obtenção de informações

do crescimento em relação ao tamanho do volume ou

peso (Scolforo, 1998).

Na modelagem em nível de povoamento, relações

como a função Y=f (I, S) em que Y é a variável dependente

em função da idade (I) e do índice de sítio (S),

resultando em estimativas consistentes que permitem

avaliar o efeito da capacidade produtiva, onde idades

técnicas de cortes diferentes são obtidas para cada

índice de sítio (Campos; Leite, 2013).

Portanto, a determinação da qualidade do sítio

constitui um dos primeiros e mais importantes passos

para se conseguir um planejamento adequado,

podendo este ser orientado por recurso de mapas

temáticos bem elaborados, com interpolação e espacialização

da altura dominante, realizadas por meio

A determinação da

qualidade do sítio constitui

um dos primeiros e mais

importantes passos para se

conseguir um planejamento

adequado, podendo este

ser orientado por recurso

de mapas temáticos bem

elaborados

92 www.referenciaflorestal.com.br


da krigagem, a qual considera a dependência espacial,

estimativas sem tendências e variância mínima para a

confecção destes mapas (Yamamoto; Landim, 2013).

Desta forma, no desenvolvimento deste trabalho

teve-se como objetivo realizar a Anatro completa em

árvores de diâmetro médio quadrático (dg), e Anatro

parcial em árvores de altura dominante (hdom), das

espécies tradicionais Pinus elliottii Engelm e Pinus

taeda L., além de Pinus patula Schiede & Deppe. e

Cupressus lusitânica Mill. espécies alternativas na

silvicultura regional do planalto serrano de Santa Catarina.

Com o propósito de determinar o crescimento

e a produção para as variáveis DAP (cm), volume

individual (m³) do ano um ao final do ciclo de rotação

(21 anos) além de realizar a classificação de sítio pelo

método da curva guia e a interpolação das classes

produtivas com a técnica da krigagem.

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Junho 2025

93


AGENDA

AGENDA 2025

JUNHO

2025

Imagem: reprodução

Forexpo

Data: 18 a 20

Local: Bordeaux (França)

Informações:

https://www.forexpo.fr/

AGOSTO

2025

JUN

2025

FOREXPO

A cada quatro anos, no coração da maior floresta de

produção, em um terreno de 70 ha (hectares), 400

expositores internacionais e mais de 500 marcas

apresentam as últimas inovações, da silvicultura à

exploração madeireira. Pela primeira vez, a edição de

2025 se concentrará em produtos de processamento

primário de madeira. A feira, por meio de exposições,

demonstrações, workshops, além de simpósios, debates

e visitas a canteiros de obras e instalações industriais,

oferecerá uma visão abrangente do setor florestalmadeireiro,

da semente ao processamento da madeira.

Show Florestal 2025

Data: 19 a 21

Local: Três Lagoas (MS)

Informações:

https://www.showflorestal.com.br/

Imagem: reprodução

Composhow

Data: 7 a 9

Local: Piracicaba (SP)

Informações:

https://composhow.com.br/

OUTUBRO

2025

AGO

2025

SHOW FLORESTAL

O Show Florestal tem como objetivo impulsionar

o crescimento do mercado industrial de florestas

plantadas, fomentar a inovação e gerar novos

negócios. A edição de 2025 já conta com mais de 120

expositores confirmados. O Estado de Mato Grosso

do Sul vem recebendo investimentos significativos

por grandes empresas que atuam no setor florestal.

Atualmente, o estado tem a segunda maior área

plantada com eucalipto no Brasil. São 1.329.132 ha

(hectares) atrás apenas de Minas Gerais.

94 www.referenciaflorestal.com.br


19 A 21 DE AGOSTO DE 2025

EVENTOS TÉCNICOS SHOW FLORESTAL 2025

7º CONGRESSO FLORESTAL MS

18 DE AGO. DE 2025

8H

ESPAÇO SESI MS | AUDITÓRIO JOSÉ PAULO RIMOLI

2º EVOLUTION

19 E 20 DE AGO. DE 2025

7H

ESPAÇO SESI MS | AUDITÓRIO JOSÉ PAULO RIMOLI

FIQUE POR DENTRO DE TODAS AS NOVIDADES DO SHOW FLORESTAL:

FAÇA SUA INSCRIÇÃO:

Acesso o site:

www.showflorestal.com.br ou

com a câmera do seu

celular,escaneie o QRCODE

e faça sua inscrição para

o Show Florestal 2025.


ESPAÇO ABERTO

Tradicionalmente, ao estabelecer uma carreira, o Leitor poderia seguir

duas abordagens: ser generalista, dominando várias áreas e habilidades,

ou especialista, com profundo conhecimento em uma única área.

Entender claramente as diferenças entre esses dois caminhos é crucial

para tomar decisões sólidas sobre sua trajetória profissional.

David Epstein, autor do best-seller: Por que os generalistas triunfam em um

mundo especializado? Em seu artigo publicado pela IDEO, traz insights valiosos sobre

porquê os generalistas têm vantagem significativa no atual ambiente de trabalho.

Entretanto, outros autores argumentam que não podemos nos limitar apenas

ao generalismo.

Foto: divulgação

Escolha

IMPORTANTE

Por Eduardo Zanini, administrador

e contador formado pela PUC-RS

(Pontifícia Universidade Católica

do Rio Grande do Sul). Tem

especializações em gestão e big

data. Atua como CLO da Enora

Leaders

Em um mundo com

IAs cada vez mais

presente, a escolha

entre ser especialista

ou generalista se tornou

ainda mais importante

VANTAGENS E DESVANTAGENS DO GENERALISTA NA ERA DA IA

É comum que líderes sejam generalistas, justamente porque lidam com múltiplas

demandas simultaneamente. Suas vantagens são claras: entendem as conexões

entre diferentes áreas, têm flexibilidade na carreira e grande adaptabilidade.

Com a ascensão da IA, essas habilidades são especialmente importantes, já que

a automação e as tecnologias emergentes exigem uma capacidade constante de

adaptação e visão sistêmica.

Mas há desvantagens: podem não obter reconhecimento especializado, enfrentar

insegurança profissional e exaustão pelo excesso de demandas. Em suma,

generalistas possuem mais oportunidades, porém precisam buscar profundidade

suficiente para não serem substituídos por algoritmos.

VANTAGENS E DESVANTAGENS DO ESPECIALISTA NA ERA DA IA

Especialistas lideram projetos específicos com eficiência graças ao seu profundo

domínio técnico. Seus benefícios incluem melhores salários, menos concorrência e

reconhecimento como referência em suas áreas. Na era da IA, especialistas têm um

papel crucial em áreas técnicas altamente especializadas, como desenvolvimento

de algoritmos, ciência de dados e engenharia avançada.

A IA pode automatizar e transformar rapidamente campos específicos, exigindo

dos especialistas uma constante atualização técnica. Portanto, sua força reside na

especialização profunda, mas precisam complementar seu conhecimento técnico

com uma capacidade de adaptação contínua.

David Epstein destaca seis insights importantes na sua conversa com a IDEO:

• Generalistas podem superar especialistas no longo prazo: Roger Federer, por

exemplo, diversificou esportes antes de focar no tênis, algo comum entre atletas e

profissionais altamente bem-sucedidos que inicialmente exploram várias áreas.

• Ser generalista desenvolve flexibilidade cognitiva: A diversificação inicial das

habilidades gera maior sucesso no longo prazo, mesmo que pareça frustrante no

início, como demonstrado por pesquisas acadêmicas com estudantes.

• Generalistas têm maior facilidade para encontrar o encaixe certo: Explorar

várias áreas permite descobrir o que realmente gostamos, oferecendo uma base

sólida para futuras especializações e adaptações.

• Generalistas possuem uma caixa de ferramentas mais ampla para resolver

problemas complexos: Pesquisas mostram que generalistas têm vantagem por

compreenderem estruturas subjacentes dos problemas, aplicando soluções cruzadas.

• Generalistas podem se destacar com narrativas bem construídas: Experiências

diversificadas tornam-se vantagens competitivas quando apresentadas de forma

coerente e estratégica.

• Generalistas são mais resilientes frente a mudanças de mercado: Uma formação

ampla proporciona adaptabilidade essencial em momentos de mudanças

profundas, como aquelas impulsionadas pela IA.

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