15.06.2025 Visualizações

Revista Grid - 10 edição

Edição de maio 2025

Edição de maio 2025

SHOW MORE
SHOW LESS

Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!

Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.

1


2


3


PANORAMA INTERNACIONAL

Rodrigo Mattar

Igor Fraga mantém

bons desempenhos

O brasileiro Collet ocupa o quarto

lugar na classificação da Indy NXT

Collet no pódio

em Indianápolis

Na rodada dupla da Indy NXT, a porta

de entrada da Fórmula Indy, onde não há

nenhum piloto brasileiro como titular em

temporada completa após 40 anos, Caio

Collet foi ao pódio no misto do Indianápolis

Motor Speedway. A bordo de um dos carros

da HMD Motorsport, obteve o segundo

lugar na primeira corrida do fim de semana

– um belo troco após o mau resultado em

Barber, onde foi somente 19º – e o segundo

pódio do ano, além do melhor resultado

nas quatro primeiras provas. Na corrida #2

da programação, Caio foi quinto.

Com os bons resultados de Indianápolis

no misto, Collet chegou a 117 pontos e está

em quarto na tabela. O problema, para ele

e para todos os demais rivais, é que uma

dupla de integrantes da Andretti Global

domina o campeonato: Dennis Hauger, vindo

da antessala da Fórmula 1 – a FIA Fórmula

2 – ganhou três provas, uma delas em

Indy, e lidera com 187 pontos, enquanto o

vice-líder Lochie Hughes, que foi o vencedor

da disputa em que Collet foi segundo,

é seu escudeiro na classificação, com 15

pontos menos.

O nipo-brasileiro Igor Omura Fraga, da Ponos Nakajima

Racing, é o melhor estrangeiro na Super Formula,

a principal competição oriental de monopostos – e

tão rápida quanto a Fórmula 1 em pistas como Suzuka,

por exemplo. Após cinco corridas e três rodadas realizadas,

o piloto de 26 anos continua a cumprir um bom

papel na sua temporada de estreia naquele certame.

Além do pódio numa das corridas disputadas no Mobility

Resort Motegi, um terceiro lugar, Fraga somou

pontos quatro vezes – a última em Autopolis, com a

oitava colocação, ocupando o sétimo lugar na tabela.

O franco-argentino Sacha Fenestraz, que já corria por

lá, é apenas o 11º. Zak O’Sullivan, que veio da Formula 2

com pompa e circunstância, tem somente três pontos

marcados. E Oliver Rasmussen, o último “gringo” da

série, tem tido um ano muito atribulado e só estreou

mesmo em Autopolis, com um modesto 14º lugar.

Além do bom desempenho nos monopostos, Igor

disputa em paralelo a classe GT300 com o Lexus RC-F

GT3 da Anest Iwata Racing junto ao veterano Hironobu

Yasuda. Em duas provas, alcançaram o pódio em

Okayama e estão em terceiro na tabela.

A etapa em Motegi trouxe o primeiro pódio do

nipo-brasileiro Igor Fraga na Super Fórmula

4


A rodada dupla belga representou um fim de semana para ser esquecido por Clerot

Clerot deixa pontos pelo caminho

Campeão da primeira temporada da Fórmula 4 brasileira em 2022 e em sua terceira temporada

no automobilismo internacional, Pedro Clerot tenta seguir o caminho trilhado por Rafa

Câmara, hoje na Fórmula 3. O piloto de 18 anos encara o desafio da Fórmula Regional European

Championship by Alpine, popularmente conhecida como FRECA – por sinal, será o último

ano do campeonato com os propulsores da griffe do grupo Renault.

Defendendo a Van Amersfoort Racing, tradicional organização de categorias de base, Clerot

começou bem com um quarto e um quinto lugares no Marco Simoncelli World Circuit, em

Misano, na Itália. Mas a rodada dupla de Spa-Francorchamps, segunda da temporada, foi para

ser esquecida: um acidente nos treinos classificatórios prejudicou sua participação e ele não

foi além do 16º posto na segunda bateria daquela etapa.

Com 22 pontos, Clerot ocupa o oitavo posto num campeonato com quatro vencedores diferentes

e um deles é o líder: Matteo de Palo, com três pódios e muito mais regularidade que

seus adversários, tem onze tentos de frente para o francês Evan Giltaire – 66 a 55. A temporada

da FRECA contempla ainda mais oito rodadas e 16 corridas.

5


A LMR responde pelos carros dos brasileiros Martins, Nunes e Ferter na categoria

Enxame verde e amarelo

no GT Cup Open Europe

Com a partida de Allam Khodair e Marcelo Hahn para o GT World Challenge America, o

International GT Open ficou “órfão” de brasileiros. Mas não uma das competições satélite

da GT Sport, organizadora daquela série: a GT Cup Open Europe apresenta ótima presença

brazuca com quatro pilotos em três carros diferentes no ano de 2025.

Inclusive, um dos atuais campeões, Leandro Martins – radicado em Portugal –, montou

equipe própria, a LMR Motorsports e, além de manter a parceria com Dieter Svepes, piloto

austríaco, alinha um carro para Peter Ferter e Diego Nunes. O quarto representante é Cássio

Homem de Mello, inscrito com um Porsche (assim como seus compatriotas) através da equipe

GDL, de Gianluca De Lorenzi.

Nas duas primeiras rodadas, pódios para todos: em Portimão, Ferter e Nunes alcançaram o

segundo lugar na corrida #2 e em Spa, a dupla ficou em terceiro, de novo na prova #2. Isso

na classe Pro-Am, onde ocupam a quarta colocação na tabela.

Entre os pilotos da divisão Am, Martins e Svepes lideram com quatro pódios e a vitória na

prova #2 de Spa, além de três segundos lugares. Homem de Mello tem três pódios - venceu a

prova #1 no Algarve e foi terceiro na prova #2. Após o abandono na primeira corrida em Spa,

foi segundo em sua classe na corrida que fechou a programação.

A temporada ainda terá mais quatro eventos, com duas corridas de 50 minutos cada. A

competição é para carros do tipo “Cup” – Porsche, Ferrari, Lamborghini e até McLaren foram

vistos em ação, com grids próximos a 30 carros por prova.

6


Brilho brasileiro no ELMS em Paul Ricard

Na última corrida do European Le Mans Series antes das 24h de Le Mans, que conta com boa

adesão de equipes da série europeia de Endurance, os pilotos brasileiros cumpriram ótimo papel

nas 4h de Paul Ricard, com destaque para as vitórias de Sergio Sette Câmara (Nielsen Racing) na

LMP2 Pro-Am e de Custódio Toledo (Richard Mille AF Corse) na LMGT3.

Dividindo o protótipo Oreca 07-Gibson com o gentleman driver Tony Wells e o australiano James

Allen, Sette Câmara não só venceu em sua subclasse – que obriga aos trios a inscrição de um piloto

bronze – como chegou em segundo lugar na geral. Para o brasileiro, o segredo desta vez foi que,

mesmo em condições adversas, pois choveu e a pista de Le Castellet vira um sabão quando chove,

o carro #27 da equipe não levou volta como acontecera em Barcelona.

Toledo, que compete com a francesa Lilou Wadoux e o italiano Riccardo Agostini, venceu naquela

que foi apenas sua segunda corrida na categoria – ano passado, ele dividia uma Ferrari 296

GT3 com o próprio Agostini e os dois saíram do Michelin Le Mans Cup como vice-campeões na

subclasse de Grã-Turismo.

Após o pódio na estreia em Barcelona, Pietro Fittipaldi esteve com o carro da Vector Sport, novamente

junto a Vlad Lomko e Ryan Cullen, desta vez terminando com o quarto lugar na LMP2 Pro e

nono na geral, atrás de Pipo Derani e Enzo Fittipaldi, que foram ao pódio com a terceira colocação

na classe, dividindo um carro da CLX Motorsport com o português Manoel Espírito Santo.

Daniel Schneider (United Autosports) teve ótima performance junto aos parceiros Oliver Jarvis

e Marino Sato – o trio concluiu em 7º lugar absoluto nas 4h de Le Castellet e em quarto lugar na

LMP2 Pro-Am.

Como no mesmo fim de semana a Stock Pro Series competia em Interlagos, Daniel Serra desfalcou

o rol de brasileiros e foi substituído por James Calado – o carro da Kessel Racing não passou

do nono posto naquela oportunidade.

Sérgio Sette Câmara é um dos pilotos

do Oreca 07-Gibson da Nielson Racing

Custódio Toledo tem a francesa Lilou Wadoux

e o italiano Riccardo Agostini como parceiros

7


FORMULA 1

Os humilhados

foram exaltados

Como a McLaren saiu de decepção do início da temporada 2023 para se

tornar a atual campeã Mundial de Construtores e favorita ao título de 2025

Tiago Mendonça

8


Se pudéssemos viajar no tempo, seria interessante

revisitar a garagem da McLaren no Bahrein em

março de 2023, na etapa de abertura do Mundial de

Fórmula 1. Lá, encontraríamos semblantes cabisbaixos

entre a turma vestida com os uniformes da cor

laranja. Isso porque a equipe errou, e não foi pouco,

no projeto do MCL60.

A nomenclatura do carro daquele ano era em homenagem

aos 60 anos de fundação do time, por Bruce

McLaren, o que tornava a história ainda mais triste. O

que aconteceu é que o conceituado engenheiro britânico

James Key havia tomado um caminho errado

no desenho do carro e só percebeu quando já era

tarde demais para recomeçar o projeto.

A McLaren teria, pelo menos na primeira parte da

temporada, uma gerigonça sem qualquer perspectiva

de ser competitiva. A própria equipe reconhecia

que teria de redesenhar inteiramente o carro ao longo

do ano.

As duas primeiras corridas foram tão desastrosas,

com a McLaren sempre nas últimas posições e longe

de marcar pontos, que a equipe não enxergou

alternativa a não ser demitir James Key, que assinava

o projeto – mais tarde, ele conseguiria um lugar na

Sauber, onde está até hoje como diretor técnico.

Coube aos engenheiros Peter Prodromou e Neil

Houldey a ingrata missão de tentar salvar o ano. A

favor deles, estavam todos os recursos da equipe,

incluindo o túnel de vento mais moderno da Fórmula

1, o que significava melhor correlação entre

o que era estudado e o que de fato surtia efeito na

pista.

9


McLaren

Zak Brown comandou o ressurgimento da McLaren, que hoje domina o Mundial de Fórmula 1

Contra, havia o teto de gastos e o tempo reduzido

por regulamento para uso do tal túnel de vento e de

desenho industrial. Eles trabalharam em um pacote

de melhorias que foi entregue parcialmente no GP da

Áustria, em julho, apenas no carro de Lando Norris.

O resultado, logo de cara, foi espantoso. Norris conseguiu

o quarto lugar no grid de largada em Spielberg,

atrás apenas de Max Verstappen, da Red Bull,

e dos dois carros da Ferrari, com Charles Leclerc e

Carlos Sainz Jr. Em comparação, Oscar Piastri, com

o carro velho, foi eliminado no Q2, mais de meio segundo

mais lento.

Havia, enfim, uma luz no fim do túnel.

No domingo seguinte, em Silverstone, na Inglaterra,

já com os dois carros atualizados, Norris e Piastri

ficaram em segundo e terceiro lugares no grid.

Na corrida, Norris saltou à frente de Verstappen e

chegou a liderar as três primeiras voltas. Terminou

em segundo, conseguindo o primeiro pódio do ano.

Outros oito pódios viriam no segundo semestre, divididos

entre ele e Piastri. Eles haviam ganhado mais

de 1s com as evoluções propostas.

E enquanto melhorava na pista, a McLaren também

se reforçava nos bastidores. Dois meses depois de

demitir James Key, ela foi ao mercado e tirou Rob

Marshall da Red Bull. Bob, como é conhecido, era

uma das figuras mais importantes do time de design

de Adrian Newey.

Por conta do pacto firmado entre os times da Fórmula

1, Bob precisou respeitar um período de quarentena

sem trabalhar e só se juntou à McLaren, efetivamente,

em janeiro de 2024. Ainda assim, era uma

aquisição para seguir mudando o jogo, como eles já

estavam fazendo naquela temporada.

Piastri venceu três seguidas, algo que o último a fazer pela McLaren em um ano fora Senna

10


Pìrelli Media

Com quatro vitórias em seis Grandes Prêmios, Oscar Piastri dá mostras de favoritismo ao título

No ano passado, depois de chegada de Bob, o que

se viu foi a McLaren saltar de segunda força a concorrente

direta da Red Bull. Se antes a equipe já festejava

ficar com as migalhas da dominância de Max

Verstappen, agora estavam eles mesmos prontos

para ameaçar a soberania do holandês.

Neste mesmo período, vale lembrar, a Red Bull perdeu

o próprio Adrian Newey, que deixou o trabalho

na equipe na F-1 para mais tarde aceitar uma proposta

da Aston Martin.

Embora fosse tarde demais para brigar pelo campeonato

de pilotos, especialmente com a inconsistência

de Lando Norris e a curva de aprendizado de

Oscar Piastri, a McLaren uniu a própria evolução à

queda da Red Bull para se tornar campeã mundial

de Construtores em 2024, algo que não conseguia

desde 1998.

A forma como a equipe arrumou completamente a

casa em apenas dois anos foi um exemplo de como

estrutura e material humano fazem toda a diferença

na Fórmula 1. A Red Bull, que até ali não tinha do que

reclamar, acelerou imediatamente a construção de um

novo túnel de vento, que deve ficar pronto em 2027.

Mas enquanto isso, vão precisar lidar com os sorrisos

largos e a superioridade da turma vestida com

os uniformes da cor laranja.

Pìrelli Media

Lando Norris e Oscar Piastri, protagonistas da disputa pelo Mundial de Fórmula 1 de 2025

11


FORMULA 1

12


Junção dos maiores

Lewis Hamilton realiza o sonho de correr pela Ferrari, vence uma prova Sprint,

mas ainda luta para encontrar a melhor forma ao lado da equipe italiana

Tiago Mendonça

Está acontecendo: Lewis Hamilton, recordista de

poles, vitórias e títulos, é piloto da Scuderia Ferrari,

a maior vencedora da história da Fórmula 1. Uma

junção improvável de dois gigantes, que tomou forma

ainda no início do ano passado, quando o inglês

começou a enxergar o que poderia ser o fim da linha

dentro da Mercedes, a marca que defendia desde os

tempos de kart.

Meses antes, Hamilton havia renovado contrato

com a equipe por mais dois anos, 2024 e 2025. Mas

antes mesmo do campeonato do ano passado começar,

mudou de ideia e ativou a cláusula de liberação,

que lhe permitiu assinar com a Ferrari já para

esta temporada. Segundo ele mesmo, tratava-se da

“realização de um sonho”.

Hamilton já era cliente da Ferrari, tendo em sua

coleção particular modelos como 599 GTO, 599 SA

Aperta e um exclusivíssimo exemplar da LaFerrari. A

relação com John Elkan, diretor da Ferrari e herdeiro

dos negócios da família Agnelli, sempre foi muito

cordial, o que encurtou o caminho até a assinatura

do contrato. Os dois se falavam com frequência.

Elkan, em 2018, também foi peça-chave para tirar

Cristiano Ronaldo do Real Madrid e levar para a Juventus,

que também pertence à família Agnelli. Ou

seja, é um mestre das transferências improváveis, auxiliado

por um caixa muito bem abastecido – o grupo

Exor, dono da Ferrari, da Juventus e da Stellantis,

entre outras companhias, têm receita anual na casa

de € 200 bilhões.

Pìrelli Media

Os tifosi aguardam os frutos da união entre equipe e piloto mais vitoriosos da Fórmula 1

13


Scuderia Ferrari

Scuderia Ferrari

A presença de Fréderic Vasseur pesou na

decisão de Lewis de mudar para a Ferrari

A adaptação ao carro tem sido o maior

desafio do heptacampeão nesta nova fase

Pesou também para Hamilton o fato de voltar

a trabalhar com o chefe de equipe Fred Vasseur,

que liderou a campanha dele na conquista do

título da GP2, pela equipe ART Grand Prix, em

2006.

Mas é sabido que não existe receita mágica na

Fórmula 1. A parceria entre Hamilton e Ferrari,

apesar de reunir os melhores ingredientes, ainda

não traz os resultados desejados por ambos os

lados. Adaptando-se a uma equipe italiana, depois

de correr a vida inteira em times ingleses,

Hamilton tem, neste momento, um desempenho

abaixo de Charles Leclerc.

Nas primeiras seis etapas do ano – oito corridas

até o GP de Miami, considerando também

as provas Sprint –, Leclerc se classificou seis

vezes à frente de Hamilton, contra apenas duas

do britânico. Em corridas, a coisa fica mais parelha,

mas ainda assim a favor do monegasco, que

está na equipe há mais tempo: o placar aponta 5

a 3. Em pontos, foram 53 para Leclerc, e 41 para

Hamilton.

É preciso destacar que houve, sim, pelo menos

um momento de êxtase entre Hamilton e os

italianos neste primeiro semestre. Logo na segunda

etapa, na China, Hamilton conquistou a

pole position e venceu de forma incontestável

a corrida Sprint, mais curta e que vale menos

pontos. Foi a primeira vitória dele e também da

Ferrari neste formato.

Instagram

Depois de seis corridas Lewis Hamilton é

o sétimo colocado na classificação da F-1

14


Associated Press

A pole e a vitória na corrida sprint da etapa chinesa foram os pontos altos até o momento

Mas no dia seguinte, a decepção.

Os dois carros da Ferrari, quinto e sexto colocados

na prova principal, foram desclassificados. Foi a primeira

desclassificação dupla da equipe italiana em

mais de 75 anos de Fórmula 1. Por dois motivos diferentes:

o conjunto de Leclerc estava abaixo do peso

mínimo; Hamilton sofreu um desgaste excessivo na

prancha do assoalho.

Esse trauma fez a equipe andar com o carro mais

alto em relação ao solo nas corridas seguintes, e a

carruagem virou abóbora. Perderam o caminho do

ajuste ideal. Hamilton não conseguiu mais repetir o

bom desempenho e passou a lidar com uma incômoda

diferença de 0s2 a 0s3 para Leclerc no tempo

de classificação. Some-se a isso a dificuldade natural

de adaptação, que já estava prevista depois de

12 anos na Mercedes, e está formada a tempestade

perfeita.

Hamilton precisou mudar o próprio estilo de pilotagem,

passando a usar mais freio motor, que é uma

característica da Ferrari. Chegou a pedir também

para a equipe trocar os discos de freio, que são da

marca Brembo, pelos da Carbone Industrie, que ele

está mais acostumado a usar. Por questões comerciais,

a Ferrari não pode (e nem quer) fazer a troca, e

segue tudo como está.

Em meio a tantas “razões” para o desempenho

abaixo do esperado, Hamilton chegou a dizer que

precisava “de um transplante de cérebro” para se

adaptar ao SF-25. Definitivamente, não estava guiando

do jeito natural que o levou a 104 vitórias na F-1.

O estilo passional dos italianos deixa Lewis Hamilton

diante de duas hipóteses, todas elas se resolvendo

muito rapidamente. A primeira é voltar a vencer,

mesmo que uma ou outra corrida, e cair nas graças

dos tifosi, como Michael Schumacher fez ao chegar

no time em 1996. A outra, mais temida, é encarar o

outro lado deste fanatismo. Alain Prost que o diga.

Certa vez, em entrevista ao podcast da Fórmula 1,

Prost lembrou de quando chegou à Ferrari em 1990,

e de como era tratado como um rei. “Se eu precisasse

fazer uma reunião em Maranello, eles mandavam

um jatinho me buscar e me levar de volta”, lembra

o piloto francês, que naquele ano disputou o título

com Ayrton Senna.

Na temporada seguinte, em 1991, depois de alguns

erros como a rodada na volta de apresentação em

Ímola, a história mudou completamente. O jatinho sumiu.

“Eu marcava reunião e perguntava: ‘E o jatinho,

vem me buscar?’. E eles respondiam: ‘Olha, não vai

dar, está ocupado...’. E foi assim o resto do ano. Ali eu

percebi que meus dias estavam contados na Ferrari”.

15


FORMULA 1

O efeito

Bortoleto

Retorno do Brasil ao grid faz audiência

aumentar em mais de 30%, mas carrega

cobrança e pressão para cima do

novato Gabriel Bortoleto.

Tiago Mendonça

Kick Sauber

Foram sete anos sem um piloto brasileiro como titular

na Fórmula 1. Um período em que muita coisa

mudou, a começar pelos donos da própria categoria.

A temporada de despedida de nosso último representante

regular, Felipe Massa, em 2017, marcou

também a chegada do grupo Liberty Media como

novo proprietário da F-1.

Os norte-americanos, como era de se esperar, deram

à F-1 uma visão muito mais moderna, atenta às

mídias sociais e voltada ao show, ao espetáculo. Foi

nesse intervalo, por exemplo, que estreou a série de

bastidores “Drive to Survive”, da Netflix, fenômeno

mundial que ajudou a aumentar e rejuvenescer a audiência

da categoria.

Aqui no Brasil, tão habituado a comemorar as conquistas

de ídolos como Emerson Fittipaldi, Nelson

Piquet e Ayrton Senna, e que já teve o automobilismo

como conversa de botequim, nascia, enfim, um

público diferente, a fim de curtir o esporte pelo que

ele entregava, e não pela cor da bandeira de quem

ganhava.

Caras como Max Verstappen, Lewis Hamilton, Lando

Norris e Charles Leclerc, entre outros, se tornaram

ídolos dessa nova audiência por aqui, sendo

esperados na área de desembarque do aeroporto

de Guarulhos e na porta de seus hotéis por dezenas

de torcedores, como se fossem estrelas do rock ou

do pop.

O GP de São Paulo passou a bater recorde de público.

A F-1 deixou a Globo para cinco anos de contrato

com a Band e, mesmo sem nenhum brasileiro no grid,

a corrida de Interlagos chegou a ser líder de audiência

na tarde de domingo, em 2021. Definitivamente,

o esporte havia amadurecido para muito além dos

nossos representantes – e isso era ótima notícia.

16


Não que a base tenha deixado de produzir talentos:

em 2022, o paranaense Felipe Drugovich foi campeão

da Fórmula 2 e assinou contrato como piloto

reserva da Aston Martin, função que exerce até hoje.

E então veio Gabriel Bortoleto... Campeão da Fórmula

3 em 2023 e da Fórmula 2 em 2024, ele assinou

um contrato de longo prazo como titular da Sauber,

futura Audi.

Ao estrear no GP da Austrália em março deste ano,

superando inclusive o companheiro de equipe Nico

Hülkenberg na classificação, Bortoleto tornou-se o

33º brasileiro a correr de Fórmula 1. Foi também o

segundo mais jovem de todos os tempos, perdendo

por alguns meses para Tarso Marques, ambos aos

20 anos.

O “efeito Bortoleto” foi imediato e resultou em um

ganho de 34% na audiência da Band, se consideradas

as cinco primeiras corridas de 2025. A média no

período saltou de 1,5 para 2,1 pontos. Além do “novo

fã” da Fórmula 1, aparentemente a categoria recuperava

também parte da “audiência flutuante”, do cara

que gosta de ver brasileiros – de preferência os bons

– em ação.

Essa maior atenção deu a Bortoleto a confiança de

mais patrocinadores brasileiros, que se juntaram a ele

e a Sauber para essa jornada. Mas também cobrou

um preço: competindo pela pior equipe da categoria,

e com maior visibilidade do que na base, Bortoleto

começou a se deparar com cobranças muito fortes e

uma série de críticas via mídias sociais.

Os erros cometidos na Austrália, na China e na Arábia

Saudita ajudaram a ferver o caldeirão e era hora

de Bortoleto se proteger da negatividade exagerada.

“Bem, eu não falo com ninguém fora do automobilismo,

apenas com minha família”, conta o piloto.

“Converso também com alguns pilotos que passaram

pelo que estou passando agora, temporadas

difíceis, sem pontuar ou com dificuldades para isso.

O que sei é que preciso ter paciência. Nada disso é

novidade para mim. Não é que eu tenha chegado

nesta temporada esperando lutar por pontos ou pódios.

Eu sabia o que eu ia enfrentar e que precisava

ser forte. A equipe foi sempre muito clara comigo,

desde o começo. Que desde o início aquela seria a

nossa situação. Sei que não é agradável estar na situação

que estamos, mas é o que é”, resume.

17


Drugovich e Bortoleto, campeões na F-2,

com o tetracampeão da F-1 Verstappen

O que pouca gente sabe é que justamente

essa pressão em um carro muito ruim, em um

projeto 100% voltado para futuro, quase fez

Bortoleto adiar a assinatura do contrato para

2026. Depois, acabou convencido pelo staff,

que inclui o bicampeão Fernando Alonso como

empresário, de que uma temporada de experiência

cairia bem, mesmo andando mais atrás.

E lá está ele agora, batendo rodas com o próprio

Alonso, que também se encontra em uma

equipe cujo foco está totalmente direcionado

ao ano que vem. Por enquanto, Bortoleto terá

de suportar o barulho externo e não se abalar

pelo desempenho ruim da Sauber, ou pelas

comparações com o companheiro de equipe

bem mais experiente.

Não é fácil, mas ele parece bem preparado

para o desafio. “Se você observar, o George

Russell no primeiro ano com a Williams não

marcou pontos. Mas todo mundo ali sabia que

as condições do carro eram ruins e que ele estava

lá para aprender, para se tornar o piloto

que é hoje. E é isso que eu também tenho em

mente”, conclui.

Gabriel, 33º brasileiro a correr na F-1, foi

também o segundo mais jovem a estrear

A maior experiência do vizinho de box

Nico Hulkenberg é um dos desafios

18


19


FORMULA 3

Prazer, Rafael Câmara,

seu novo piloto favorito

Visto há anos como grande talento pelos especialistas, pernambucano

cai na graça da torcida como grande nome do início de temporada

Bruno Vicaria

Fia F3

A Fórmula 3 herdou da Fórmula 2 neste ano o

posto de campeonato mais falado nas rodas de bar,

chats de Whatsapp e autódromos brasileiros graças

à já esperada explosão da estrela de Rafael Câmara.

O pernambucano vinha há anos sendo o protagonista

por onde passasse, principalmente nas corridas

de kart. Sua evolução nos monopostos foi algo que

não impressionou nem o mais cético dos analistas

de automobilismo.

Com a Fórmula 3 transformada em parte do espetáculo

da F-1, sendo exibida no pacote que a Liberty

Media fecha com as emissoras, foi questão de tempo

– uma corrida completa – para que o nome de

Câmara, que completou 20 anos no dia 4 de maio,

fosse parar na boca do povo como o mais novo piloto

favorito de todos.

Atual campeão da FRECA, série que se encaixa

entre a F-4 e a F-3, enfrentando outros 38 pilotos,

Câmara vem de uma temporada avassaladora. A regularidade

impressiona: sua posição mais baixa em

um campeonato de monopostos na temporada foi

um quinto lugar na própria FRECA, em 2023.

De resto, ele foi vice ou top 3 em tudo o que competiu,

como nas F-4 dos Emirados Árabes (vice), da

Alemanha (P3) e da Itália (P3), que disputou de forma

simultânea em 2022, assim como na versão árabe da

FRECA, a FR Middle East, onde foi terceiro em 2024.

Mas ele vem fazendo por merecer na F-3 e vem

conquistando um destaque até maior que seu "antecessor"

Gabriel Bortoleto. Nas duas primeiras etapas

do ano, Rafael mostrou suas credenciais com pole e

vitória na corrida principal, na Austrália e no Bahrein.

A vitória convincente sob a chuva da Austrália reforçou os holofotes sobre o pernambucano

20


Rafa Câmara disputa a F-3 pela Trident,

que foi campeã em 2023 com Bortoleto

O pernambucano de 20 anos faz parte

da academia de talentos da Ferrari

Agora, em circuitos tradicionais conhecidos por ele

em sua maioria, a gordura de 24 pontos que construiu

nessas duas primeiras provas para o piloto mais próximo,

o alemão Tim Tramnitz, pode ser vital. O próprio

brasileiro foi tirado das outras duas provas por conta

da inversão do grid – chamado ônus da pole.

"Só me concentro no meu trabalho. Diria que é

quase perfeito começar assim, mas ainda há um longo

caminho a percorrer. Ainda faltam oito etapas e

tudo pode acontecer. Posso ser o mais rápido agora,

mas não sabemos na próxima corrida", comenta o

piloto, que representa a equipe Trident na F-3 – a

mesma que alçou Bortoleto ao título de 2023.

A atuação de Câmara neste início de ano, principalmente

no Bahrein, rendeu elogios do site oficial da

Fórmula 3. "Não só foi impressionante a vantagem

da vitória de seis segundos, como também o fato de

ela ter sido construída em uma pista onde ele nunca

pilotou e é extremamente dura com os pneus. Será

que alguém vai quebrar esse momento deles?"

Câmara, por sua vez, se recolhe à tranquilidade de

quem sabe que se preparou bem para ocupar a posição

atual. "Estou bastante confiante com a equipe

que tenho, estamos fazendo um bom trabalho e só

precisamos continuar assim. No final, estaremos lutando

pelo campeonato”, completa.

21


FORMULA 2

Interessante

demais, mesmo

sem brasileiros

Alternância de vencedores chama atenção

nas cinco primeiras corridas da temporada

Bruno Vicaria

Quem não está vendo, está perdendo uma temporada

repleta de variáveis e histórias interessantes

entre os futuros aspirantes a estrelas da Fórmula 1.

Campeonato mais falado nas rodas de bar, chats de

Whatsapp e autódromos brasileiros durante o ano

de 2024, a Fórmula 2 praticamente deixou de existir

no interesse nacional com o título e a saída de Gabriel

Bortoleto para a F-1.

Na temporada deste ano, sem pilotos brasileiros e

com poucos estreantes – boa parte do grid possui

pelo menos uma temporada completa –, o equilíbrio

que já era grande no ano passado se tornou ainda

maior, com cinco pilotos diferentes vencendo as cinco

primeiras corridas do ano.

Deles, Richard Verschoor vem se destacando. Em

sua quarta temporada na F-2, tendo como melhor

resultado final um oitavo lugar na tabela do ano

passado, o holandês sabe que esta é sua chance

de ouro, apesar de que, com 24 anos, vai sofrer

uma canseira de uma molecada que nem chegou

aos 20.

Entre eles estão o espanhol Pepe Martí, com 19, o

italiano Leonardo Fornaroli, de 20, e os estreantes

Alex Dunne, irlandês de 19, e Arvid Lindblad, britânico

de 17, que se tornou o mais jovem vencedor de

uma corrida da F-2 da história na etapa da Arábia

Saudita.

Red Bull Content Pool

A F-2, que teve dois brasileiros conquistando títulos, oferece uma disputa interessantíssima

22


Red Bull Content Pool

Martí (3) forma com a dupla da Campos Racing com Lindblad (4), mais jovem vencedor da F-2

Outros dois pilotos também estão nesse balaio de

gato pelo protagonismo de 2025: o britânico Luke

Browning e o francês Victor Martins, ambos de 23

anos, que há duas temporadas ocupam o posto de

eternas promessas prestes a desabrocharem.

Todos esses estão bem misturados na briga pelo

título após três de 14 etapas e o que as disputas de

Melbourne, Sakhir e Jeddah apresentaram mostram

que essa imprevisibilidade será a cara da Fórmula 2.

Verschoor, em sua quarta temporada, tem a

pressão contra si. Mas lidera o campeonato

MP Motorsport

Passadas as três primeiras etapas, não tivemos nem

repetição de poles e dez dos 22 do grid já subiram

ao pódio.

Pode ser que o cenário mude quando entrar a temporada

europeia, com oito etapas em circuitos já conhecidos

de todos – Ímola, Mônaco, Barcelona, Red

Bull Ring, Silverstone, Spa, Hungaroring e Monza.

Nesta primeira rodada em pistas pouco conhecidas,

a experiência jogou a favor de Verschoor.

Esse fato foi reconhecido pelo chefe de sua equipe,

MP Motorsport, Jeremy Cotteril, que tenta amenizar

o fato de Verschoor estar em sua terceira temporada

competindo com o time, tendo somado cinco

vitórias em 108 corridas, sendo uma por temporada

desde 2021.

"Richard está conosco já há alguns anos. Ele não

pode ser considerado tão velho, mas está com a gente

há algum tempo e se encaixa bem. Ele é construtivo

e maduro, aceita se está certo ou errado. E nunca

o vi pilotar tão bem quanto fez na Arábia Saudita."

E Verschoor precisará manter o alto nível, pois a

molecada vem forte. Sendo comparado a Max Verstappen,

Arvid Lindblad vem sendo observado e elogiado

publicamente por ninguém menos que Christian

Horner, chefe da Red Bull, equipe que busca

desesperadamente um sucessor para Max.

"Ele ainda é muito jovem, está se desenvolvendo

bem e ainda há muita corrida pela frente na Fórmula

2”, elogia Horner, que também tem em Martí outro

piloto para incentivar – e olha que empolgação

para o espanhol não falta: "Sei que vou brigar pelo

título e é bom me ver nessa posição. Merecemos

estar nessa briga!"

23


FORMULA INDY

As zebras de

Indianápolis

Corrida mais emblemática do automobilismo mundial teve

protagonistas improváveis, sobretudo em sua era moderna

Jackson Lincoln

AP Photo/Mark Duncan

AP Photo/Mark Duncan

Luyendyk Jr. (1990) e Rice (2004) conquistaram em Indianápolis suas primeiras vitórias na Indy

As 500 Milhas de Indianápolis eternizam os nomes

de seus vencedores no Olimpo do automobilismo.

Qualquer piloto do campeonato afirma que prefere

conquistar a principal corrida do esporte a motor ao

próprio título de uma temporada da Fórmula Indy.

É uma história de mais de um século – a edição de

2025 será a 109ª. Há algum tempo, Penske, Chip Ganassi,

McLaren e até Andretti têm seus pilotos vistos

como favoritos, até por ocuparem os cockpits mais

cobiçados.

A Indy 500, contudo, é tão maiúscula que reserva

lugar de destaque até para os que nunca foram

apontados como favoritos a qualquer coisa surpreenderem

o mundo. Tomando como marco inicial o

fim da década de 1970, quando a criação da CART

coincidiu com a projeção internacional da corrida,

nomes improváveis venceram não apenas a corrida

mais prestigiada do mundo. Viram, também, suas

contas bancárias engordarem com a premiação milionária

que acompanha o evento ano a ano.

Em 1990, ano dominado por Penske, Galles e

Newman-Haas, a vitória foi comemorada na garagem

da minúscula Doug Shierson. Somando até

então dois pódios em seis temporadas na Indy, Arie

Luyendyk triunfou justamente em Indianápolis, no

carro do icônico visual da Domino’s Pizza. O “holandês

voador” venceria outras seis vezes, uma delas

de novo em Indianápolis, em 1997, já com a prova

auferindo menos prestígio por conta da cisão entre

CART e IRL.

Uma década depois foi a vez de Juan Pablo Montoya

dar à Chip Ganassi sua primeira vitória na Indy

500. O colombiano e a equipe vinham do título de

1999 e eram favoritos naquele 2000. Mas na CART.

Na IRL, eram meros estreantes. O time preparou

uma estrutura específica apenas para esta corrida,

sem qualquer experiência prévia no campeonato organizado

pela liga de Tony George, o que fez do resultado

uma “zebra”. Montoya venceria de novo em

2015, pela Penske.

24


Em 2004 a divisão entre CART e IRL ainda vigorava

e as principais equipes dos Estados Unidos –

caso da Newman-Haas, então na CART – disputaram

a Indy 500. Quem levou a melhor foi Buddy Rice,

da Rahal. Primeira vitória na categoria logo em sua

corrida mais importante, tanto para o piloto quanto

para a equipe. Rice conquistaria naquele mesmo ano

suas duas únicas outras vitórias na Indy, que jamais

o veria de novo no topo do pódio.

A edição de 2011 parecia destinada a outra grande

surpresa. J.R. Hildebrand liderava pela nanica Panther,

mas errou e bateu na última curva. E na última

volta! A vitória caiu no colo de Dan Wheldon, que já

havia triunfado seis anos antes pela Andretti, desta

vez com um carro montado pela também modesta

Bryan Herta Autosport exclusivamente para a Indy

500. Herta, já ex-piloto, apostou em Wheldon para

uma única participação. A escolha foi premiada de

forma histórica.

A centésima edição, em 2016, apresentou outra “zebra”:

Alexander Rossi. Com breve passagem de cinco

GPs pela Manor Marussia na Fórmula 1 no ano anterior,

o norte-americano conseguiu vaga no quarto carro da

Andretti Autosport. A estratégia ousada de economia

de combustível, aliada a providenciais bandeiras amarelas,

fez com que Rossi se arrastasse pela pista nas

voltas finais para ocupar o círculo do vencedor logo

em sua estreia nas 500 Milhas de Indianápolis.

Em 2017 nem o bom desempenho nos treinos fez

de Takuma Sato um favorito. Conhecido pelos acidentes

frequentes na F-1, ele fez história com sua

segunda vitória na Indy, que teve um significado

enorme para seu país: ao conquistar as 500 Milhas

de com um motor japonês empurrando o carro da

Andretti, Sato-san fortaleceu ainda mais a ligação da

Honda com a categoria. E voltaria a vencer em Indianápolis

três anos depois, desta vez pela Rahal-Letterman-Lanigan,

também com motor Honda.

Mark J. Rebilas/Reuters

Montoya levou à vitória as duas maiores rivais do grid: Ganassi, em 2000, e Penske, em 2015

25


Helio Castroneves divide com Rick Mears, Al

Unser e A.j. Foyt o recorde de quatro vitórias

em Indianápolis, o que faz soar estranho incluí-lo

na lista das “zebras”. Só que o brasileiro,

quando chegou ao tetra em 2021, corria pela

desacreditada Meyer Shank Racing, ausente

do campeonato regular da IndyCar havia quatro

anos. Seu carro era competitivo naquele

mês de maio, mas o oitavo lugar no grid não

sugeria grandes glórias. A vitória teve, claro,

sabor de enorme surpresa.

Candidatos à condição de nova “zebra”

não faltam em 2025. Mesmo com a força de

Ganassi, Penske, McLaren e Andretti, outras

equipes e outros pilotos mostram-se prontos

para surpreender no Indianapolis Motor Speedway.

Santino Ferrucci e David Malukas, em

busca da primeira vitória na Indy? Conor Daly

pode levar a Juncos ao topo? Ryan Hunter-

-Reay e Jack Harvey, que defendem a Dreyer

& Reinbold apenas nesta prova, podem surpreender?

A tarde de 25 de maio dará a resposta.

Faltou uma curva para Hildebrand vencer

em 2011. Aquele muro chegou antes...

Takuma Sato reforçou a ligação da Honda

com a Indy a partir da conquista de 2017

Brett Kelley Brent Smith/Reuters

Helio Castroneves entrou na lista das “zebras” em 2021, 20 anos após a primeira vitória

26


Chris Owens

Alex Palou conquistou quatro vitórias e um segundo lugar em cinco etapas. Pintou o campeão?

Palou ameaça o

maior atrativo

Jackson Lincoln

Maio é o mês mais aguardado na Fórmula Indy. A

comunidade da categoria, sobretudo às vésperas

das 500 Milhas de Indianápolis, estaria normalmente

sob clima de celebração. No entanto, em 2025,

o sentimento dominante entre fãs, pilotos e chefes

de equipe é outro: o da previsibilidade. Como parar

Alex Palou?

O espanhol venceu quatro das cinco corridas já

disputadas, em St. Petersburg, Thermal Club, Alabama

e Indianápolis – neste caso, o IndyGP, no circuito

misto do complexo. A única corrida que lhe escapou

foi a de Long Beach, onde foi segundo na vitória de

Kyle Kirkwood, da Andretti Global. Um desempenho

impressionante e sem precedentes na era moderna

da Indy.

O campeonato ainda está em seu primeiro terço

e o domínio de Alex no cockpit do carro número 10

da Chip Ganassi Racing já levanta preocupações. A

essência da IndyCar está na imprevisibilidade, que

contempla batalhas acirradas pela liderança e bom

revezamento dos vencedores. Palou sumiu com tudo

isso em 2025, com uma consistência rara mesmo em

times de ponta como a própria Ganassi, ou a Penske,

ou a McLaren, ou ainda a Andretti.

Para dimensionar a façanha de Palou, vale olhar

para seus anos anteriores: em 2023, ele venceu cinco

corridas; em 2022, foram apenas três, sendo que

uma delas não contava pontos para o campeonato.

Ou seja, em apenas cinco etapas de 2025, ele já

igualou ou melhorou quase toda a performance dos

últimos anos.

Alguém poderá pará-lo? Palou nunca venceu em

ovais e seu grande objetivo neste ano é conquistar

a Indy 500 — justamente um circuito oval, onde a

imprevisibilidade costuma nivelar as forças. Ainda

assim, sua vantagem no campeonato já se aproxima

de 100 pontos sobre o vice Kirkwood.

Depois de Indianápolis o campeonato seguirá a

Detroit, um circuito de rua, e Gateway, em St. Louis,

mais um oval. Talvez o maior desafio ao domínio de

Palou venha justamente dessas pistas ovais, que são

parte fundamental da identidade da IndyCar.

27


LUGAR DE MULHER

Les femmes

en Le Mans

Rodrigo Mattar

Para muitos, andar de carro de corrida a velocidades

próximas ou superiores a 300 km/h “não é coisa

de mulher”. Será mesmo? Ou trata-se de um pensamento

pequeno e eminentemente machista? Não

para o Endurance e para as 24 Horas de Le Mans,

muito embora a participação feminina dentro e fora

das pistas não seja ainda tão numerosa. Foi, sim, significativa

ao longo de quase um século.

Começou em 1930, numa das provas com o mais

fraco grid – 17 carros – de sempre. Margueritte Mareuse

e Odette Siko, duas francesas, correram juntas

com um modelo Bugatti T40 e fecharam a disputa

em sétimo lugar na geral. Ouviram, decerto, que era

um “golpe de marketing” do ACO, Automobile Club

de l’Ouest, organizador da prova.

Mas, vejam vocês: mademoiselle Odette, na dupla

com Louis Charavel, a.k.a. “Sabipa”, terminaria na

quarta posição na prova de 1932, alinhando um Alfa

Romeo 6C 1750-SS da própria francesa – a mais bem

ranqueada da história da prova de La Sarthe. Os que

falaram em “golpe de marketing”, se vivos, estariam

calados até hoje.

A adesão feminina cresceu ao nível de nos depararmos

com nada menos que uma dezena de mulheres

na lista de inscritos na edição de 1935, com quatro

duplas formadas por mulheres, além da presença

de Gwenda Stewart, uma britânica que na Primeira

Guerra Mundial fora motorista de ambulâncias, e de

Anne-Cécile Rose-Itier, outra das grandes pioneiras

de Le Mans.

No entanto, a invasão de pilotas teve um grande

hiato e por uma razão trágica: a morte de Annie Bousquet,

em junho de 1956, numa prova de Endurance

em Reims-Guex. Na ocasião, Annie dividia um Porsche

550 Spyder com Isabel Haskell e o acidente fatal

daquela que era considerada a melhor representante

feminina do automobilismo fecharia as possibilidades

de outras pilotas correrem, pelo menos até 1970.

A quebra do tabu veio com a participação da francesa

Marie-Claude Beaumont, também jornalista,

em seis edições a partir de 1971. Daí para diante, vieram

nomes proeminentes como o de Lella Lombardi,

até hoje a única mulher a pontuar na Fórmula 1,

Anne-Charlotte Verney, que teve 10 participações e

Margueritte Mareuse e Odette Siko ficaram

em 7º em 1930 revezando um Bugatti T40

A morte de Annie Bousquet em 1956 pôs um

fim temporário à participação de mulheres

28


Lella Lombardi,

única mulher a

pontuar na F-1,

correu as 24h de

Le Mans nos anos 70

chegou em oito dessas corridas; a lendária Michele

Mouton, uma das maiores do Rally; Desiré Wilson,

sul-africana que venceu na Aurora AFX Series e foi

sétima colocada na edição de 1983; Lyn St. James,

novata do ano na Indy 500 de 1992; Cathy Muller,

irmã do multicampeão de turismo Yvan Muller, mãe

de Yann Ehrlacher e mulher de um antigo futebolista

– Yves Ehrlacher –, e tantas outras.

Provando que filha de peixe, peixinha é, Vanina

Ickx, aos 50 anos recém-completos, seguiu os caminhos

do pai, a lenda Jacky Ickx, seis vezes vence-

dor em La Sarthe. Está certo que os resultados não

foram os mesmos, mas o sobrenome voltou entre

2001 e 2011.

E entre outras presenças bem menos proeminentes

e sem resultados expressivos, vieram outras mulheres

que foram e seguem brilhantes fora das pistas.

É o caso da engenheira Leena Gade, que por muito

tempo se notabilizou no período de sucesso da Audi

no Endurance e em Le Mans, como estrategista do

carro tripulado por Marcel Fässler/André Lotterer/

Bénoit Tréluyer.

Anne-Cécile Rose-Itier, ainda nos anos 30, foi uma das pioneiras da atuação feminina

29


Beitske Visser, Tatiana Calderón e Sophia Flörsch: trio feminino na edição de cinco anos atrás

Tiziana Borghi é a Team Manager da equipe suíça

Kessel Racing, enquanto a engenheira brasileira Tamires

Lustosa surgiu como uma das que emprestou

sua competência a diversas equipes do Endurance

Internacional. A General Motors trouxe mulheres

para postos de destaque no esporte a motor – Laura

Wontrop-Klauser e Christie Bagne, que deram lugar

a Keely Bosn e Jessica Dane.

Hoje, o destaque absoluto vai para as “Mulheres

Guiadas por Sonhos”, as Damas de Ferro, as Iron Dames,

projeto liderado por Deborah Mayer em parceira

com diferentes escuderias, hoje desaguando em

times clientes da Porsche – notadamente a Manthey

e a Proton-Hübber. Por lá, passaram nomes como

os de Rahel Frey, Manuela Göstner, Michelle Gatting,

Katherine Legge, Christina Nielsen, Sarah Bovy e a

“Foguete de Bolso” Doriane Pin.

Não obstante, houve a Richard Mille alinhando um

trio feminino com Beitske Visser, Tatiana Calderón e

Sophia Flörsch, na edição das 24 Horas de Le Mans

de 2020, e a Ferrari promovendo Lilou Wadoux,

francesa de 24 anos, ao status de representante oficial

de fábrica da Ferrari – ela foi, há dois anos, a

primeira mulher a vencer uma prova do FIA WEC

na classe LMGTE-AM, junto a Luis Pérez-Companc e

Alessio Rovera.

30

30


Vanina, filha do hexacampeão

da prova Jack Ickx, disputou

Le Mans no início do século

31

31


24H DE LE MANS

História

de cinema

História centenária da principal corrida longa do automobilismo

teve alguns de seus momentos retratados na grande tela

Rodrigo Mattar

As 24 Horas de Le Mans são, sem sombra de qualquer

suspeita e dúvida, a maior corrida do Endurance

mundial. O caráter de pioneirismo imprimido

por Charles Faroux, Émile Coquile e George Durand

atravessou fronteiras e gerações. A clássica prova

francesa é a cereja do bolo do Campeonato Mundial

de Endurance, o FIA WEC, muito embora por vezes

tenha conseguido sobreviver sozinha. Mas quem disse

que foi fácil?

Ao longo de mais de 100 anos de existência, com

pouco mais de 90 edições realizadas, a corrida sobreviveu

à chamada Grande Depressão – a queda

da bolsa de valores de Nova York –, a greves que

paralisaram a indústria local, ao conflito bélico da

Segunda Guerra Mundial e também ao movimento

estudantil liderado por Daniel Cohn-Bendit que literalmente

colocou Paris em chamas e adiou a edição

de 1968 para setembro. E, num passado nada feliz

e pouco recente, tivemos duas corridas igualmente

com sua data modificada por conta da Pandemia

do Covid-19 – uma delas acontecendo sem nenhuma

presença de público, fato tão raro quanto triste.

A primeira edição das 24 Horas de

Le Mans aconteceu em 1923

Muito diferente de outras épocas onde o Circuit de

La Sarthe colocou gente “pelo ladrão”, feito 1969,

com o registro de incríveis 400 mil espectadores

que acompanharam a vitória épica do Ford GT 40,

o “Matador de Ferraris” guiado por Jackie Oliver e

Jacky Ickx. Foi quando Ickx, em protesto diante da

largada Le Mans, com os pilotos esperando de pé do

lado oposto aos carros, em que não se afivelava os

cintos de forma correta, o belga calmamente andou

pela pista, partiu de último e, num final de cinema,

venceu o Porsche de Gérard Larrousse e Hans Herrmann

por 120 metros apenas.

Por falar em cinema, Le Mans já foi tema de filme

– dois, aliás. O primeiro, o inspirador “24 Horas de

Le Mans”, de 1971. Dirigido por Lee H. Katzin, tinha

poucos diálogos, incríveis cenas gravadas durante

a prova de 1970 e muitas outras com a participação

de pilotos de Endurance, outros atores menos

conhecidos e Steve McQueen como a grande estrela.

Apaixonado por carros e motos velozes, McQueen

chegou em segundo na edição de 1970 das 12

Horas de Sebring a bordo de um Porsche que partilhou

com Peter Revson. Naquela oportunidade, o

“hype” em torno do ator despertou a fúria de Mario

Andretti, que pediu a Mauro Forghieri, o chefe

da equipe Ferrari, para entrar no carro de Ignazio

Giunti e Nino Vaccarella, para impedir o triunfo de

Steve – que fraturara uma perna num acidente motociclístico.

Este incidente, inclusive, impediu que o seguro de

vida do ator cobrisse a participação deste em Le

Mans, onde pretendia alinhar com ninguém menos

que o “escocês voador” Jackie Stewart. Planos desfeitos,

Steve entrou na prova de 1970 com sua Solar

Productions e um “Camera Car” conduzido por Herbert

Linge e Jonathan Williams, que terminou aquela

corrida, porém sem receber classificação por não

percorrer número de voltas suficiente.

32


As 24 Horas oferecem anualmente um dos maiores espetáculos do mundo aos fãs das corridas

Largada da prova de 1955, que seria lembrada pelo acidente que causou mais de 80 mortes

33


O icônico GT40 “matador de Ferraris” que levou Jacky Ickx e Jackie Oliver à vitória em 1969

Apesar do esmero da produção, que tinha trilha

sonora do craque Michel Legrand e da dedicação

de muitos dos envolvidos – David Piper, um dos pilotos-dublês,

trouxe tamanha veracidade às cenas

que numa gravação de um acidente perdeu parte

de uma perna –, a película deu enorme prejuízo. Mc-

Queen recebeu uma cobrança do IRS, o equivalente

ao imposto de renda no Brasil, e se viu quebrado.

Pagou o que devia e fechou a produtora.

A corrida na França reúne centenas de

milhares de espectadores a cada edição

Já “Ford vs Ferrari”, de 2019, com direção de James

Mangold, Matt Damon no papel de Carroll Shelby e

Christian Bale, brilhante, interpretando Ken Miles, deu

lucro e foi muito bem-sucedido no circuito cinematográfico.

Ganhou vários prêmios técnicos, impressionando

pelo cuidado em reproduzir – com um certo

exagero, é verdade – cenas de competição dos anos

1960, bem como trazer uma meia-verdade sobre a

rivalidade que atravessaria alguns anos de Le Mans.

Sim, a Ford, através de Henry Ford II, neto do fundador,

quis comprar a lendária marca de Maranello.

Com Lee Iacocca à frente de um batalhão de advogados,

os ianques foram à Itália tentar convencer o

velho Comendador, então com 66 anos, a aceitar as

condições do acordo. Enzo Ferrari, despejando na

reunião uma torrente de palavrões em dialeto que

nem os tradutores da Ford conseguiram compreender,

não aceitou o acordo.

E não é verdade que, malfadado o tal acordo Ford-

-Ferrari para Fórmula 1, Le Mans e Indianápolis, Enzo

teria imediatamente vendido à família Agnelli o controle

da maioria das ações da Ferrari. Isso se deu, de

forma definitiva, em 1973, exatamente quando a Fiat

obrigou Enzo a inclusive desistir de Le Mans, que era

uma das paixões do “Drake di Maranello”.

Mas, numa ironia do destino, a Ferrari retornou com

equipe oficial, operada pela AF Corse, vencendo as

duas últimas edições da clássica prova francesa.

Num dos maiores momentos do Endurance nos últimos

anos, onde além dos italianos, Toyota, Porsche,

Cadillac, Peugeot, Alpine, BMW e Aston Martin vão

disputar o triunfo em 2025 – e a elas se juntam, num

prazo entre um e dois anos, Genesis (leia-se Hyundai),

Ford e, dizem, McLaren.

Bendito dia de 1923 em que tudo começou...

34


A grandeza da corrida em La Sarthe levou-a duas vezes ao cinema, em 1971 e em 2019

35


36

PILOTO GRID


Três décadas de um

trabalho ‘bueno’

Maior campeão em atividade na Stock Car celebra

30 anos de atuação nas pistas do Brasil e do exterior

Luiz Felipe Chaguri

Arquivo do piloto

O primeiro título na Stock Car veio a bordo

do Mitsubishi Lancer da Eurofarma-RC

Filho de narrador, Cacá mostrou cedo que não

iria depender do pai famoso para despontar

Um dos principais pilotos da história do automobilismo

brasileiro jamais teve foco nas categorias de

monopostos. Foi correndo sempre em séries de turismo

que Cacá Bueno se tornou um dos principais

personagens do esporte a motor nacional. São dez

títulos brasileiros ao longo da carreira, sendo cinco

deles na Stock Car, o campeonato mais importante

do país.

Cacá iniciou sua carreira nas pistas em 1995. O

gosto pela velocidade tem raiz conhecida: é filho do

narrador Galvão Bueno, conviveu com Senna e tantos

outros ícones das pistas. Apesar do sobrenome

famoso, brilhou cedo por conta própria. Já no ano

de estreia nas pistas, como piloto da Fórmula Uno, o

carioca acabou apontado aos 19 anos como melhor

novato da temporada.

Dois anos depois, levou o título da Stock Light, chegando

a vencer uma corrida na classificação geral, já

que a divisão de acesso e a Stock Car, à época, formavam

o mesmo grid. A primeira categoria internacional

de topo na trajetória de Cacá Bueno foi o Sul-

-Americano de Superturismo, campeonato em que

esteve por duas temporadas, as de 1998 e de 1999,

da qual saiu como campeão. Em 2000, migrou para

a TC2000, principal categoria do automobilismo argentino,

também ficando por duas temporadas.

A estreia oficial na Stock Car ocorreu só em 2002.

Defendendo a Action Power, Cacá Bueno venceu

três corridas, no Rio de Janeiro, em Guaporé e em

Londrina, e terminou o campeonato em terceiro. O

piloto seguiu vencendo e despontando como candidato

a títulos nos três anos seguintes, mas terminando

sempre como vice-campeão.

A primeira conquista na Stock Car veio em 2006,

quando, pela equipe de Rosinei “Meinha” Campos,

venceu quatro das primeiras cinco etapas do ano e

terminou com o título após um oitavo lugar em Interlagos.

No ano seguinte, Cacá garantiu o bicampeonato

em temporada marcada por três vitórias e

cinco pódios em 12 corridas.

Depois do quarto lugar na pontuação final de 2008,

o carioca se transferiu para o time de Andreas Mattheis,

onde alcançou o tricampeonato logo no primeiro

ano com uma campanha de uma vitória e oito

pódios. Em 2010, mais um vice-campeonato, mesmo

ocupando o topo do pódio duas vezes.

37


Ainda em 2010, Cacá Bueno iniciou mais uma trajetória

de sucesso em outro campeonato, o Troféu

Linea. Lá, foi imbatível e venceu as três temporadas

de existência da categoria: 2010, 2011 e 2012, conseguindo

nos últimos dois anos também os títulos da

Stock Car, superando Paulo Gomes como segundo

maior campeão da principal categoria do esporte a

motor brasileiro.

Cacá Bueno seguiu como um dos principais nomes

da Stock Car nos anos seguintes, terminando o campeonato

na terceira posição em 2013 e 2014, e com

o vice-campeonato em 2015. Um ano depois, após

ser o nono colocado do campeonato de 2016, deixou

a estrutura montada por Mattheis e migrou para

o time capitaneado por William Lube, campeão em

2015 e 2016 com Marcos Gomes e Felipe Fraga.

A trajetória de Cacá na nova equipe contou com

bons resultados, como as vitórias no Velopark e em

Campo Grande, ambas em 2018, e diversos pódios,

mas o piloto não conseguiu se colocar na disputa

pelo título. A parceria com Lube seguiu até o final de

2022, quando migrou para a KTF Sports. Em 2023,

teve o segundo lugar de Cascavel como melhor resultado.

Foi neste período em que Cacá Bueno pôde disputar

como titular um campeonato de nível mundial

– o Jaguar I-Pace e-Trophy, onde foi vice-campeão

na temporada 2018/2019, conquistando o título por

equipes, e terceiro colocado em 2019/2020. Foram

cinco vitórias no torneio que acompanhava as etapas

da Fórmula E em circuitos de rua.

As duas temporadas na TC2000 despertou no

piloto uma verdadeira devoção pela Argentina

No período em que esteve com Lube na Stock,

Cacá Bueno garantiu mais um título brasileiro, mas

em outra categoria: o Endurance Brasil. Ao lado de

Ricardo Baptista, e defendendo novamente a equipe

de Rosinei Campos, levou o campeonato da GT3, alcançando

o décimo título nacional da carreira.

Em 2024, Cacá Bueno teve o terceiro lugar no inédito

circuito de rua em Belo Horizonte como principal

momento do ano. Um acidente nos treinos para

a segunda etapa, em Interlagos, porém, tirou-o de

duas etapas do ano, alijando-o da disputa pelo campeonato

ainda nas primeiras corridas.

Neste ano, aos 48, Cacá voltou a atuar em duas

frentes. Segue na Stock Car com a Scuderia Chiarelli

e também retoma a parceria com Rosinei Campos,

agora para a disputa da Nascar Brasil.

Reinado total no Troféu Linea,

que não teve outro campeão

Na categoria de carros elétricos da Jaguar,

um vice-campeonato e o título de equipes

38


A parceria com a equipe de Andreas Mattheis rendeu mais três títulos na Stock Car

Carlos Eduardo dos Santos Galvão Bueno Filho,

que nos primeiros anos da carreira mostrou competência

suficiente para se esquivar de cobranças

indevidas por ter pai famoso, acumula números

que impressionam. Maior campeão e recordista

de largadas entre os pilotos da Stock Car, detém

ainda o recorde de poles em uma mesma temporada,

com as sete de 2002. Soma 38 pole positions

e 38 vitórias, que compõem o total de 85

pódios.

Cacá Bueno é, também, um dos principais nomes da nova fase da Nascar Brasil

39


PORSCHE CUP

Colônia brasileira

Série brasileira se prepara para dois meses e quatro

etapas na Europa, nos circuitos do Algarve e do Estoril

Tiago Mendonça

Você já sabe que não existem fronteiras para a

Porsche Cup Brasil. Desde 2010, a categoria segue

a tradição de realizar corridas também no exterior,

mostrando para o resto do mundo o que o nosso

automobilismo tem de melhor. No total, já foram 68

provas disputadas fora do país, em cinco autódromos

de três países diferentes.

São eles: Buenos Aires e Termas de Río Hondo, na

Argentina; Estoril e Algarve, em Portugal; e até mesmo

Barcelona, na Espanha.

É claro que em 2025, na temporada que celebra os

20 anos da categoria, a equipe liderada por Dener

Pires faria algo ainda mais especial. Em um calendário

de nove etapas, a Porsche Cup Brasil programou

quatro delas, quase metade do campeonato, em território

estrangeiro.

Nos dias 28 e 29 de junho, o campeonato de

corridas sprint volta ao moderno autódromo do

Algarve, no extremo sul de Portugal. Uma região

turística encantadora e uma pista que já recebeu

inclusive a Fórmula 1 – foi na temporada de 2020,

com vitória de Lewis Hamilton. É lá também que

a categoria abre o campeonato de Endurance, no

dia 6 de julho.

Depois, a caravana brasileira parte em direção

ao tradicionalíssimo Circuito Estoril, que receberá

provas sprint em 28 e 29 de agosto e a segunda

etapa do Endurance logo na sequência, em 31 de

agosto. O circuito guarda uma memória afetiva

com o torcedor brasileiro por ter sido palco da primeira

vitória de Ayrton Senna na Fórmula 1, em

1985, pela Lotus.

Quatro dos nove eventos do calendário de 2025 vão acontecer nos autódromos portugueses

40


A incursão portuguesa da Porsche Cup Brasil em 2024 aconteceu com dois eventos no Estoril

A principal diferença desta para as outras excursões

da Porsche Cup será a longa estadia na Europa,

mais de dois meses no total. Uma escolha que

pode ser justificada de diversas formas, indo além

do desejo de oferecer aos pilotos a oportunidade de

correr fora do Brasil.

Sejamos justos: já há bastante tempo há uma escassez

de autódromos brasileiros em condições de receber

carros de Gran Turismo no nível do Porsche 911

GT3 Cup, que para se ter uma ideia registra tempos

de volta mais rápidos do que um Stock Car. Por conta

disso, a categoria vinha limitando seu “calendário

nacional” a três pistas: Interlagos, Velocitta e Goiânia.

Em 2011, a palavra “Porsche” foi formada

na reta do Estoril por 48 carros da marca

Só que uma dessas praças – Goiânia – está atualmente

com o autódromo em obras para receber

a MotoGP a partir de 2026, limitando ainda mais o

campo de atuação da Porsche Cup. Não restava alternativa

a não ser fazer as malas e curtir boa parte

desse campeonato em Portugal, uma terra que

sempre recebeu muito bem a categoria. Um evento

mexe com as cidades que visita e enche as arquibancadas

mesmo fora do Brasil.

O campeonato já esteve no Algarve em 2012 e

2013; e no Estoril em 2011, 2012, 2014, 2019 e 2024.

Mas a prática e o costume não tornam essa missão

mais simples. Cada vez que a Porsche Cup escolhe

um destino no exterior, começa uma intensa corrida

fora da pista, para vencer os desafios de transportar

o evento inteiro para fora do país no mais alto nível

de excelência.

Todo o processo é conduzido pela própria equipe

da Porsche Cup Brasil, com o cuidado de não deixar

nenhum item, nenhum parafuso, nada mesmo fora da

lista de itens declarados às autoridades para transporte.

É o que garante que não haverá mudanças entre

o que você está levando e o que vai trazer de volta.

Depois de todo o processo de separação, o material

é finalizado e os contêineres são lacrados. São

162 toneladas de carga total a ser transportada, dividida

em 26 contêineres; 15 só para os carros e outros

11 para os equipamentos. A viagem de navio tem duração

de 28 dias cruzando o Atlântico.

41


Dener Pires, idealizador do campeonato, durante ação de divulgação em Cascais, em 2019

Após o processo de liberação no porto de

Lisboa, a carga pode finalmente chegar ao

destino. Nesse caso, primeiramente o autódromo

do Algarve, onde a carga será aguardada

por mais de 250 colaboradores da Porsche

Cup Brasil. São engenheiros e mecânicos

que viajam diretamente do País para fornecer

aos pilotos o mesmo nível de qualidade técnica

das etapas nacionais.

Tudo para que o espetáculo da Porsche Cup

brasileira continue ganhando o mundo, e desafiando

os pilotos. E a verdade é que essa

pegada internacional da categoria não vai parar

por aqui: existe a intenção dos promotores

de levar o campeonato para o mítico traçado

de Le Mans, na França.

A ideia seria apresentar a categoria brasileira

como uma das provas preliminares, que

ocorrem na semana anterior às tradicionais

24h de Le Mans. A proposta está muito bem

encaminhada, foi evidentemente bem recebida

entre os pilotos e a etapa pode ser confirmada

para o calendário de 2026.

Outro sonho antigo dos promotores, este

ainda distante, mas não inatingível, é ver a

Porsche Cup brasileira acelerando em Spa-

-Francorchamps. Quem sabe? Se acontecer,

você leu primeiro aqui.

42


43


PORSCHE CUP

Novos recordes e

mais ultrapassagens

Temporada estabelece recorde de inscritos e apresenta o Boost,

botão de ultrapassagem para a categoria Carrera

Tiago Mendonça

Fernanda Freixosa

Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo

lugar. Mas é melhor não usar essa frase se estiver

próximo do piloto Marçal Müller, atual campeão da

Porsche Carrera Cup Brasil. Na primeira metade da

temporada, ele foi protagonista de uma falta de sorte

absurda, totalmente contrastante com o próprio

desempenho de pista.

Gerson Campos, com três vitórias em

seis corridas, é o vice-líder da Challenge

O raio caiu não duas, mas três vezes no mesmo lugar!

O campeonato começou com duas etapas no Velocitta,

em Mogi Guaçu, e outra em Interlagos, São

Paulo. E nas três oportunidades, Marçal teve problemas

quando liderava a prova de sábado, a que vale

mais pontos, perdendo vitórias muito bem encaminhadas.

A cena no Velocitta parecia repetida: o gaúcho fez

a pole position nas duas etapas, inclusive quebrando

o recorde da pista na segunda vez, e em ambas foi

pego de surpresa pelo estouro do pneu traseiro direito.

Depois, em Interlagos, uma falha na bomba de

combustível o tirou da corrida.

Embora tenha feito boas provas de recuperação

aos domingos, a falta de sorte deixou Marçal em

uma situação complexa no campeonato, especialmente

porque a partir deste ano o regulamento prevê

apenas um, e não mais dois, descartes obrigatórios

de resultados.

Quem definitivamente não tinha do que reclamar

era Miguel Paludo. O maior campeão da história da

categoria subiu no pódio em todas as corridas, o que

lhe deu a liderança do campeonato ao final das três

etapas iniciais. São 132 pontos, contra 108 de Christian

Hahn, vice-líder.

Entre os destaques do início da temporada surge o

carioca Thiago Vivacqua, único a vencer duas vezes

por enquanto. Ele ocupa a terceira posição na tabela

com 98 pontos. Alceu Feldmann é o quarto e Matheus

Comparatto, atual campeão da Fórmula 4 Brasil,

é o melhor estreante, ocupando o quinto lugar.

A principal novidade da Carrera Cup a partir da terceira

etapa foi a introdução do Boost, o botão de ultrapassagem.

O comando está à disposição do piloto

no volante do carro e confere cerca de 20 cavalos

a mais de potência durante 25 segundos, facilitando

as manobras de ultrapassagem, que são mais complexas

no modelo 992.

44


Rafael Gagliano

A Carrera Cup passa a contar com o Boost, que confere 12 doses de potência extra por etapa

Em Interlagos, cada piloto teve

de gerenciar um total de 12 acionamentos

entre a classificação e

as duas corridas.

Pela categoria Challenge, a briga

é boa, mas a liderança também

não está nas mãos de quem

venceu mais vezes. Caio Chaves

lidera e Gerson Campos, que ganhou

três das seis corridas, é o

vice-líder – uma desclassificação

em função de um acidente no

Velocitta atrapalhou consideravelmente

a campanha.

O campeonato de entrada, a

Trophy, tem domínio absoluto

de Neto Carloni, que venceu

todas as três corridas disputadas

até aqui. Vale lembrar que,

somando as três categorias, a

Porsche Cup quebrou novos recordes

em 2025, chegando a 74

inscritos para a etapa de Interlagos.

Ela já é, com alguma folga, o

maior campeonato de Porsche

Cup do mundo.

Neto Carloni enfileirou quatro vitórias na Sprint Trophy

Rafael Gagliano

45


NASCAR BRASIL

Cada um por si

Atribuição inédita de gerenciamento técnico a equipes

distintas é a maior novidade da temporada de 2025

Erick Gabriel

Clayton Medeiros

A Nascar Brasil fez o movimento mais ousado desde

que a categoria recebeu o nome do maior campeonato

das Américas. Thiago Marques e cia. deixaram

de ter a gestão dos carros, que foi distribuída

às quatro equipes que agora competem entre si. MX

Vogel, Full Time, RC Team e R. Mattheis são agora

responsáveis pela preparação dos carros e pela escolha

dos pilotos que abrilhantam a competição em

2025.

Com isso, pilotos que se destacam em outras categorias

nacionais, essencialmente a Stock Car,

aterrissaram na Nascar Brasil ou voltaram após experiências

em anos anteriores. O grid agora conta

com Rubens Barrichello, Cacá Bueno, Gabriel Casagrande,

Thiago Camilo, Galid Osman, Júlio Campos,

Bruno Baptista, Vitor Genz e Beto Monteiro, entre

outros, trazendo também a atenção de quem está

acostumado a vê-los em outras categorias.

A gestão técnica confiada a equipes distintas é a principal novidade de 2025 da Nascar Brasil

46


Veteranos como Cacá Bueno, Rubens Barrichello e Ricardo Zonta, “novas caras” da Nascar Brasil

Naturalmente, o patamar competitivo cresceu, especialmente

porque aqueles que eram “figurinhas

carimbadas” da categoria – até mesmo antes de ela

ter o nome Nascar Brasil – não estão vendendo barato

a ocupação deste terreno. Basta ver a corrida 2 da

etapa de Campo Grande, em que Jorge Martelli não

se intimidou em brigar pela vitória com Cacá Bueno,

Gabriel Casagrande e Thiago Camilo, com quem disputou

o triunfo até os metros finais.

Thiago Camilo segue na categoria

pilotando um dos seis carros

da equipe Full Time

Na segunda etapa, em Londrina, Léo Torres venceu

a corrida 2 após uma manobra sobre Rubens Barrichello

na última volta. O piloto, que reside no Paraná

e também divide seu tempo como empresário,

afirmou depois da prova que derrotou seu ídolo da

infância e juventude.

Com isso, a Nascar Brasil vive um “duelo de gerações”:

os que chegaram junto com as novas equipes,

alavancando a categoria a um patamar ainda maior,

e aqueles que já vinham competindo desde a época

da Sprint Race, acostumados aos carros e à maneira

de competir.

47


O “JEITO NASCAR”

Algumas características próprias da Nascar Brasil foram recebidas de braços abertos pelos novos pilotos da

categoria, especialmente as relargadas em fila dupla. Os reinícios trazem toda a intensidade de uma largada,

o que faz com que os competidores vejam neles uma oportunidade de ganhar mais posições e de ter mais

adrenalina correndo nas veias.

Mas não é possível importar tudo. Nos EUA, a Nascar, além de fazer todo o espetáculo, também faz as regras

e as aplica. Aos olhos de um comissário da Confederação Brasileira de Automobilismo, algumas manobras na

terra do Tio Sam seriam motivo para grandes punições.

Como a Nascar Brasil tem os regulamentos aplicados pela CBA, as punições vistas em outras categorias nacionais

também são observadas no campeonato. E, quanto a isso, não há muito o que fazer: países diferentes,

regras diferentes, para tristeza dos fãs “hardcore” da Nascar americana.

Witold Ramasauskas, piloto de carreira eclética, segue apostando na Nascar Brasil

48


Jorge Martelli, da classe Challenge, foi vencedor da corrida final da primeira etapa

É treta!

A etapa inaugural da Nascar Brasil em 2025 proporcionou cenas que normalmente se veem

nos EUA. Primeiro, a chegada, com Jorge Martelli trocando tinta com Thiago Camilo e triunfando,

após passar a linha de chegada a 0s027 do rival mais famoso.

A troca de gentilezas na pista se estendeu ao pódio. Martelli, feliz pela vitória, mas inconformado

com a maneira como a corrida foi decidida, discutiu com Camilo, dizendo que “quebraria

os dentes” de seu oponente se isso ocorresse novamente.

Normalmente, esse tipo de acontecimento passa longe de uma punição na Nascar dos EUA,

com a categoria agindo duramente apenas em caso de agressão entre terceiros. Como por

aqui tudo ficou no bate-boca e no climão, tudo seguiu normalmente em Londrina, segunda

etapa do campeonato.

49


50


COPA TRUCK

Duda Bairros

Caminhões Mercedes, Volkswagen, Iveco, Volvo e Scania disputam vitórias na Copa Truck

Tão grandes

e tão juntos!

Os segredos da categoria que surpreende com tempos cada

vez mais próximos entre as diferentes marcas do grid

Osires Junior

As etapas de Campo Grande e Londrina deixaram a

impressão de que a Copa Truck parte para uma temporada

imprevisível no que diz respeito à disputa

pelo título de suas duas categorias. Com diferenças

cada vez menores nos tempos de volta, a competição

prova que seus métodos têm surtido efeitos positivos,

sobretudo para quem gosta da competição.

Foram sete pilotos comemorando vitórias nos dois

eventos, quatro na Super Truck Pro e três na Super

Truck Elite.

O chamou atenção foram as pequenas diferenças de

tempo nos treinos de classificação. No Q1 em Campo

Grande, Roberval Andrade fez o melhor tempo apenas

0s007 mais rápido que Raphael Abbate, um de

seus companheiros na equipe ASG Motorsport. Em

Londrina, a disputa pela pole position na Super Truck

Elite só foi definida ao zerar do cronômetro: Nic Giaffone

colocou seu Volkswagen apenas 0s033 à frente

do Mercedes-Benz de Pedro Perdoncini.

Nomes com experiência no automobilismo atuam

do lado de fora das pistas para deixar os caminhões

de diferentes marcas cada vez mais equalizados. Os

Ferreira têm vasta história junto da R9 Competições,

equipe comandada pelo ex-piloto Renato Martins, e

celebram a terceira geração da família chegando para

trabalhar. Uma história que começa com Miguel Ferreira,

passa pelo filho Marcelo e chega agora ao neto

Pedro, em sua primeira temporada na Copa Truck.

51


O alto equilíbrio tem sido uma das principais características da categoria

Rodrigo Ruiz

Rodrigo Ruiz

Lazfer, engenheiro da ASG: “Os preparadores são verdadeiros artesãos”

52


Vanderley Soares

Leandro Totti voltou ao topo do pódio na etapa de sua cidade com o caminhão Iveco

Marcelo Ferreira não revela o segredo da família,

mas aponta características que fazem a diferença.

“A Copa Truck tem um padrão de equalização diferente

das demais categorias. O universo de diferenças

entre as montadoras é gigante. Basicamente,

existe um sistema que vem funcionando, com pneus

únicos, pastilhas e discos de freios iguais, turbinas

padronizadas e a parte de emissão de poluentes,

que ao final acaba influenciando na potência”, ele

ilustra.

O engenheiro técnico da R9 Competições ressalta

que não se consegue, hoje, extrair dos motores a

mesma faixa de potência que ofereciam num passado

recente. “Todos têm um limite para trabalhar,

independente do orçamento da equipe”, salienta. O

resultado disso? Maior durabilidade dos equipamentos,

sem tantas quebras ao longo das corridas.

Engenheiro da ASG Motorsport e responsável pelos

mapas dos sete Mercedes-Bens da equipe, Lucas

Lazfer chama atenção para as medidas padrão que

auxiliam no equilíbrio. “Os motores são limitados a

13,1 litros e devem manter em grande parte os com-

ponentes originais, como bloco, cabeçotes, coletores

e sistema de injeção. Isso valoriza o trabalho dos

preparadores, que são verdadeiros ‘artesãos’ para

extrair o máximo possível do motor”, lembra.

Ele também aponta o controle de emissões como

a principal ferramenta para a equalização dos caminhões.

“É o grande diferencial. Ele é feito eletronicamente

pelo sistema de telemetria on-line que mostra

em tempo real se os caminhões estão emitindo mais

ou menos poluentes. O sistema atual de controle

mostra ponto a ponto do circuito essas emissões,

isso favorece o trabalho da equipe para alterar os

mapas”, salienta.

Carlos Chiarelli, que traz a experiência da Stock Car

e do Endurance Brasil para comandar sua nova equipe

na Copa Truck, vê um caminho correto rumo ao

equilíbrio. “Existem pontos semelhantes com outras

categorias, como controle de peso, entrada de ar,

litragem de motor e limite de turbo. Mesmo com diferentes

marcas, chassis diferentes, motores diferentes,

câmbios diferentes, todo mundo está dentro da

mesma realidade para trabalhar até o limite”, atesta.

53


COPA TRUCK

Equalização leva a

campeonato equilibrado

na nona temporada

Apenas um ponto separa os dois principais

candidatos à liderança da categoria principal

Osires Junior

Rodrigo Ruiz

Duda Bairros

Bia Figueiredo (111) ganhou 12 posições e

foi um dos destaques da etapa de Londrina

Com quatro segundos lugares, Diogo Moscato

lidera a pontuação da Super Truck Elite

O forte calor da região pantaneira proporcionou

corridas ainda mais quentes na abertura da Copa

Truck em Campo Grande. Na Super Truck Pro, Roberval

Andrade largou da pole e conteve os ataques

de Beto Monteiro para vencer com menos de

0s2 de vantagem. Com a inversão do grid, Victor

Franzoni largou na frente e liderou até a volta 6,

quando seu motor não resistiu. Melhor para André

Marques, que ultrapassou Wellington Cirino e

venceu.

Na Super Truck Elite, Pedro Perdoncini fez tudo

certo para conquistar sua primeira vitória na categoria.

Nic Giaffone cruzou na segunda posição, levou

uma punição desportiva 20 segundos e caiu para

oitavo. Acabou favorecido com a inversão do grid

para a corrida 2: largou na frente e liderou de ponta

a ponta para comemorar sua primeira vitória pilotando

caminhões. Com dois segundos lugares, Diogo

Moscato saiu de Mato Grosso do Sul como líder

do campeonato.

54


Londrina também reservou boas

disputas, com resultados inéditos.

Considerado “rei da pista”, Beto Monteiro

aproveitou a pole para vencer

com aparente facilidade a corrida 1.

Na prova final os duelos foram mais

intensos, com o piloto da casa Leandro

Totti levando o Iveco da Vannucci

Racing à vitória. Coube nota de destaque

na corrida para Bia Figueiredo:

a pilota da ASG Motorsport fez 12 ultrapassagens

para cruzar a linha de

chegada como quinta colocada.

Na Elite, Nic Giaffone largou na frente

e viu Pedro Perdoncini assumir a

ponta logo no início. O paranaense,

contudo, enfrentou problemas com

seu caminhão e a vitória foi do paulista.

Na corrida 2, depois de ganhar

três posições, Jô Dias foi quem venceu

pela primeira vez no ano. Moscato

levou o Iveco da Scuderia Chiarelli a

mais dois segundos lugares para confirmar

sua liderança. Na Pro, Felipe

Giaffone lidera um ponto à frente de

André Marques, seu parceiro na R9.

Felipe Giaffone, único tricampeão da categoria,

é o líder da temporada da Super Truck Pro

Vanderley Soares

Vencedor em Campo Grande,

André Marques está a um ponto

da liderança do campeonato

Duda Bairros

55


STOCK CAR

Sequência de dificuldades decorrentes da maior transição

técnica da história marca início tardio da temporada

Bruno Vicaria

56


Magnus Torquato

A histórica largada em Interlagos,

que conduziu a Stock Car

à era dos carros SUV depois de

46 temporadas com os sedans

57


Novos carros, novo corpo de funcionários, novas

diretrizes. Sob o comando de Lincoln Oliveira, a

Stock Car Pro Series prometeu e fez uma revolução

para a temporada 2025. Como toda revolução,

muitos problemas e confusões não planejadas e

outros totalmente previstos, embora indesejados.

Mesmo com a apresentação do projeto feita de

forma antecipada pela Vicar, promotora do evento,

o processo não foi dos mais tranquilos. Prova

disso foi a realização da primeira etapa, em Interlagos,

apenas no mês de maio – ao contrário de

março, como acontece normalmente – e na marra:

sem Fan Push, sem DRS, sem conectividade 5G e

com uma corrida a menos.

Isso sem contar o fato de os treinos de pré-temporada

terem sido cancelados e algumas equipes

terem ausência de peças em seus carros por conta

desse processo tortuoso de renovação, conduzido

pela Vicar em meio a diversas alterações internas.

Entre elas, a troca de peças nos principais

setores – comercial, operação, técnica e marketing,

por exemplo.

Todas essas dificuldades surgiram mesmo com

10 mil quilômetros de testes de desenvolvimento

com três modelos SNG01, nome usado para batizar

o projeto, um para cada marca – a Chevrolet,

com o Tracker, a Mitsubishi, com o Eclipse Cross,

e a Toyota, com o Corolla Cross. A montagem

também se deu de forma tardia, com as equipes

sendo chamadas à sede da AudaceTech no fim de

março para montarem os equipamentos.

Encabeçada pela AudaceTech, a iniciativa tem

ampla participação da indústria nacional e internacional

por meio de parcerias estabelecidas com

ArcelorMittal, Instituto de Pesquisas Tecnológicas,

SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem

Industrial), Magna Compósitos, Tractian, MTR Performance

Parts, ESPAS, Fueltech, Hipper Freios e

Cobreq, entre outros.

Mesmo com todas as limitações apresentadas

em Interlagos, os pilotos ficaram felizes em finalmente

irem para a pista. O carro, sem explorar

ainda todos os seus atributos, como o DRS, logo

de cara foi quase 1s5 mais veloz que o modelo anterior,

o que arrancou elogios até dos que tiveram

problemas.

“É um carro muito gostoso de guiar. Claro, tivemos

vários pequenos problemas, ajustes de um

primeiro contato quando você vai para a pista.

Temos um caminho para evoluir, mas acho que o

primeiro dia foi positivo, de muito aprendizado.

Agora é fazer a lição de casa para amanhã estar

tudo em dia e com todos os carros performando",

comentou Atila Abreu.

O piloto sorocabano, por sinal, liderou uma outra

revolução: assim como Cacá Bueno, referência

das décadas de 2000 e 2010, ele passou a operar

como piloto e chefe de equipe. Enquanto Cacá se

uniu a Carlos Chiarelli, Atila embarcou sozinho na

construção de nada menos que quatro carros e

uma estrutura de última geração na nova Scuderia

Bandeiras.

Atila Abreu, além de piloto, é proprietário

da Scuderia Bandeiras, que assina

quatro dos 30 carros do grid

58

Rafael Gagliano


Felipe Fraga e Gaetano di Mauro garantiram dobradinha à Eurofarma-RC na corrida única da etapa

Rodrigo Guimarães

Luca Bassani

Rafael Gagliano

A Ipiranga-A.

Mattheis, de

Thiago Camilo,

uma das

equipes que

utilizam o

modelo Toyota

Corolla Cross

O tricampeão Gabriel Casagrande foi um dos que sucumbiram

às dificuldades da estreia do novo carro na etapa de Interlagos

59


Luca Bassani

Helio Castroneves abriu o ano na RTR e já está de malas prontas para defender a A. Mattheis

Bruno Terena

Luca Bassani

Guilherme Salas subiu ao pódio em sua

prova de estreia pela Cavaleiro Sports

Daniel Serra, outro tricampeão do grid da Stock Car,

passa a vestir o azul da equipe Blau Motorsport

60


A troca de pilotos e equipes em 2025 foi algo a

ser destacado. A Eurofarma-RC está com nova dupla

em Felipe Fraga e Gaetano Di Mauro. A Blau recrutou

Daniel Serra, assim como a Cavaleiro Sports pegou

Ricardo Mauricio e Gui Salas, além de se unir à

Full Time para acomodar a dupla Rubens Barrichello

e Denis Navarro.

A já citada Bandeiras, além de Atila, trouxe Nelson

Piquet Jr., Enzo Elias e Vicente Orige, com o campeão

da Stock Light, Arthur Gama, ocupando o lugar

na Full Time de Gianluca Petecof, que foi para

a reformulada Car Racing KTF, nova casa também

de Felipe Baptista, substituto de... Cacá Bueno, que

agora tem equipe própria.

Entre outras alterações, causou impacto a chegada

de João Paulo de Oliveira e Helio Castroneves.

JP chocou ao trocar a Nissan no Japão pela Toyota

na Full Time. Já o tetracampeão da Indy 500 é

o novo parceiro de Thiago Camilo e Cesar Ramos

na estrutura da A. Mattheis. Helinho chegou a correr

a primeira etapa de forma provisória pela RTR e,

como não disputará a segunda etapa em Cascavel

pelo conflito de data com as 500 Milhas, arquitetou

a mudança para o time de Andreas Mattheis.

Passada a emoção da estreia, que muitos achavam

improvável, agora a Stock Car Pro Series corre contra

o tempo. As constantes quebras e a evolução a

conta-gotas dos carros já vêm incomodando pilotos

e equipes, dados os altos custos da transição e a impossibilidade

de muitos de entregar resultados por

conta dessas dificuldades.

"A categoria ainda sofre muito com problemas. Talvez

ela não estivesse preparada para lançar o carro,

muitos estão tendo falhas. Óbvio, não aconteceu só

comigo, tem acontecido com outras equipes também

e isso é ruim porque tira um pouco da disputa e

cai muito nesse quesito sorte", resumiu Atila.

No entanto, as palavras mais duras vieram por parte

de Bruno Baptista. "A chegada dos carros novos

foi tratada como uma grande evolução para a categoria,

mas o que vimos até agora foi exatamente o

contrário: carros quebrando, desempenho instável e

uma total falta de constância", disparou.

O piloto da RCM foi além. "O que era pra ser um

passo à frente acabou se tornando um retrocesso,

comprometendo o trabalho de todos os pilotos,

equipes e patrocinadores que investem pesado na

categoria. Faltou planejamento, faltou gestão e, principalmente,

respeito com quem faz parte do show”,

apontou.

Sob nova direção, tendo de administrar o desenvolvimento

do carro e o humor dos pilotos, equipes,

e tendo a sombra da Nascar Brasil, que já puxou

boa parte dos grandes nomes e equipes – isso sem

falar no público, que ainda não se sentiu arrebatado

pelo novo conceito SUV –, a Stock Car Pro Series

terá a temporada mais desafiadora de todos os

tempos.

E, se levarmos em conta o primeiro capítulo, a

temporada deve ser tão emocionante e com tantos

elementos quanto uma série da Netflix. Só que é de

verdade.

Rodrigo Ruiz

Rafael Reis fez sua estreia na série principal da Stock Car pela Car Racing Sterling

61


STOCK LIGHT

Vanderley Soares

Largada para a renovada categoria de acesso, que

premia o campeão com orçamento para a Stock Car

O funil ficou

mais estreito

Mudanças mecânicas, aumento do grid e elevação do nível

dos pilotos redefinem categoria de acesso à Stock Car

Osires Junior

62


Rafael Gagliano

Enzo Bedani é o líder isolado da

temporada depois de três corridas

Conquistar o principal prêmio do automobilismo

nacional não será tarefa fácil para o futuro campeão

da Stock Light. A temporada de 2025 começou com

um grid três vezes maior que o das temporadas anteriores

e com nomes de peso que já estão pegando

a mão do carro. “Além da quantidade, o nível técnico

da categoria também aumentou muito. É algo que

dificulta, mas também deixa o campeonato ainda

mais importante, valoriza mais, e para mim significa

ainda mais ter esse começo positivo”, avaliou o piloto

Enzo Bedani, que saiu de Interlagos como líder do

campeonato.

O crescimento do grid tem uma explicação ligada

às mudanças mecânicas implementadas pela Vicar.

Há muito tempo não havia uma atualização dos bólidos,

o que causou a escassez de peças, câmbios

e motores. Com a chegada da nova geração dos

carros na categoria principal, os motores V6 e os

câmbios foram herdados pela categoria de acesso,

fazendo reaparecem muitos carros e equipes que estavam

fora de cena.

A mudança deixou os carros mais leves, com um

pouco mais de torque e velocidade. Foi um desafio

colocar todos eles na pista na primeira etapa. Alguns

ajustes nos encaixes da engrenagem fizeram com que

os carros apresentassem vazamento de fluidos, problemas

nos alternadores e na direção hidráulica. Mas,

ao final, o que se viu foi muita competitividade e a

certeza de que teremos uma temporada equilibrada.

No “rádio paddock” o que se ouviu é que essas

mudanças foram apenas iniciais – a categoria já estaria

preparando a remodelação dos carros para seguir

o padrão da Stock Car. Se a mudança depender

da aprovação das equipes, será feita, mas só mais à

frente, para que todos tenham um tempo ideal de

recebimento de peças, montagem e testes dos novos

carros.

As três corridas disputadas em São Paulo foram

marcadas por uma mescla entre veteranos e novatos

no pódio. Entre os veteranos, o atual vice-campeão

Enzo Bedani mostrou-se um dos nomes a serem batidos.

Com pole-position e vitórias nas corridas 1 e 3,

ele já abriu boa vantagem na liderança do campeonato.

A vitória na corrida 2 só não aconteceu porque

ele cometeu um erro no Laranjinha durante a última

volta e Pipe Barrichello Bartz estava atento para

fazer a ultrapassagem e alcançar o topo do pódio.

Entre os novatos, destaque para os “Rafaéis” Reis

e Martins, com terceiros lugares, e João Bortoluzzi,

que chegou em segundo na última prova da etapa.

63


COPA HB20

Prêmios inéditos em seus sete anos de história são uma motivação extra aos pilotos da Copa HB20

Show de prêmios

Campeões das três classes do campeonato receberão

carros zero quilômetro da marca ao fim da temporada

Bruno Vicaria

Duda Bairros

Em sua sétima temporada e impulsionada pela renovada

administração do grupo HRacing, a Copa

Hyundai HB20, uma das principais formadoras de

talentos do automobilismo brasileiro, tem em 2025

o campeonato mais ambicioso e premiado de toda a

sua existência. As novidades são muitas.

Entre elas, alterações no formato, chegada de novo

parceiro de transmissão e eventos inovadores. Uma

onda de renovação gerada pelo novo quadro societário

do grupo, que inclui a partir deste ano os nomes

de Beto Cavaleiro, Daniel Freire e Rodrigo Camilo ao

lado de Daniel Kelemen, criador da categoria.

64


Ainda sem nenhuma vitória, Bruno Massa lidera o campeonato de 2025 na classe Elite

O calendário traz oito etapas, uma delas com duas

horas de duração. Ainda sem nome festivo, está confirmada

para o fim da tarde de 1º de novembro em

Cascavel, em posição de destaque na programação

da Cascavel de Ouro. Cada participante da temporada

da Copa HB20 terá um convidado como parceiro.

Na parte de regulamento, os destaques são o lastro

fixo válido por toda a etapa (ao invés da alteração

corrida a corrida) e a inversão dos oito primeiros no

grid de largada para a primeira corrida, com o pole

position valendo para a prova do domingo, agora ligeiramente

mais longa que a do sábado.

A premiação, algo realmente novo no universo da

Copa Hyundai HB20, é uma das partes mais interessantes

de todo o pacote para os pilotos. Tanto o

campeão da classe Super quanto o da Elite receberão

ao fim da temporada um HB20 zero quilômetro.

O prêmio reservado ao campeão da Pro é ainda mais

especial: simplesmente um exemplar novinho em folha

do novo Creta.

No que diz respeito às transmissões, a novidade é a

chegada do Canal UOL, que exibirá ao vivo a segunda

prova do domingo logo após um breve resumo da

corrida do sábado. Já o canal oficial da Hyundai no

YouTube exibira as duas disputas ao vivo, enquanto

a RedeTV! exibe um VT no mesmo dia.

“Essas são só algumas das novidades referentes à

Copa Hyundai HB20”, diz Daniel Freire, CEO da HRacing.

“O campeonato estará cada vez mais integrado

à categoria de acesso, a HB20 Cup, fazendo com

que novos pilotos cheguem e se desenvolvam. Boa

parte dos jovens talentos do ano passado deram

passos largos em suas carreiras, o que nos mostra

que estamos no caminho certo”.

A temporada de 2025 tem 30 pilotos divididos nas

classes Pro, Elite e Super, sendo que dez deles farão

suas primeiras temporadas completas após participações

em provas isoladas nos últimos anos.

65


Adilson Júnior assumiu com sua vitória em Londrina a liderança do campeonato da Pro

A Pro segue com a nata da tração dianteira no comando

e o atual campeão Marcus Índio terá trabalho

contra nomes como André Bragantini, Bruno Testa,

Felipe Malinowski, Adilson Júnior, Augusto Freitas,

Rafael Smozinski, Rodrigo Vieira, Lucas Bornemann

e Thiago Lopes.

Já a Elite, classe intermediária, conta com as promoções

do campeão e do vice da Super de 2024, Uli

Dias e Bruno Massa, enfrentando tanto nomes expe-

rientes como Leo Martins, Thiago Sansana e Gustavo

Smozinski quanto os novatos Ígor Vacari, Otavio

Colle e Yassin Aboobakar.

Porta de entrada para a Copa HB20, a classe Super

conta estreantes em sua maior parte. Daniel

Demayo, Renato Lima, Rafael Abolis, Silas Passos

e Rafael Silva se juntam a Leandro Parizotto, Silvio

Gatão, André Pedrotti, Anderson Borges e os Eduardos,

Doriguel e Guerreiro, que competem em dupla.

No carro de Léo Parizotto, líder da Super, a

alusão especial às 100 corridas realizadas

Bruno Testa, único piloto a ter participado

de todas as 100 corridas da Copa HB20

66


67


TCR

Só dá eles!

Hermanos dominam giro inicial da “Libertadores

do Automobilismo” com etapas em casa

Osires Junior

Hernán Capa

A TCR South America, carinhosamente apelidada

de “Libertadores do Automobilismo”, cumpriu 30%

de seu calendário no belíssimo autódromo de San

Juan Villicum, nas proximidades da Cordilheira dos

Andes, em evento que celebrou a largada de número

70 da categoria. Foi a terceira etapa da temporada

em solo argentino com aproveitamento total dos

pilotos da casa. Até agora, em seis provas disputadas,

foram seis vitórias dos hermanos, com destaque

para Leonel Pernia, com três conquistas.

O piloto da YPF Racing/Squadra Martino fez valer

a força dos modelos Honda Civic FK7, a mais

recente versão preparada pela JAS Motorsport,

parceria técnica da equipe argentina. Com os resultados,

até agora, ele lidera o campeonato com

mais de 50 pontos sobre o segundo colocado e vai

criando uma boa margem para as etapas que serão

realizadas no Uruguai e Brasil na reta final do campeonato.

“É importante aproveitar as etapas em casa e somar

o máximo de pontos possíveis. Sabemos que a

reta final do campeonato será no Brasil, em pistas

que ainda não conheço, e isso pode dar uma vantagem

para os brasileiros”, salientou o gringo, que

chegou aos 219 pontos contra 176 do atual campeão

Pedro Cardoso e 144 de Raphael Reis.

“Realmente, o Pernia está em uma excelente fase e

conta com um novo carro que está um pouco acima

dos demais. Temos visto isso em todas as etapas,

não só do South America, como no World Tour”, afirmou

Reis, único piloto a participar de todas as provas

nas cinco temporadas do evento.

Entre os pilotos de menor experiência na categoria,

a classe Trophy tem a liderança do estreante Adrián

Chiriano, com 66 pontos. A brasileira Maria Nienkotter

é a vice-líder, mas vê o crescimento do paulista

Enzo Gianfratti, que estreou na segunda etapa e já

soma duas vitórias na categoria. O próximo desafio

será no dia 1º de junho, no autódromo de Termas de

Río Hondo, fechando o giro argentino.

A temporada do TCR South America registra domínio dos pilotos da Argentina em sua fase inicial

68


Os brasileiros Nelsinho Piquet,

de Honda, e Pedro Cardoso,

de Peugeot, puxando a

fila na Argentina

Leonel Pernia, vencedor de três corridas,

nome a ser batido no campeonato

69


TURISMO 1.4

Economia e

competitividade

Depois da fase de laboratório no ambiente do Campeonato Gaúcho,

categoria ganha o cenário nacional com grids abarrotados

Niltão Amaral

É frequente, quando o automobilismo vira o assunto

na roda, a constatação de ser um esporte caro.

Em termos absolutos, no comparativo com outras

modalidades, é. Esse panorama norteia a busca pelo

equilíbrio entre o menor custo possível e um alto nível

de competitividade, cruzada que faz emergirem

ideias como a da Turismo 1.4 Brasil, campeonato que

tem experimentado notável crescimento nas últimas

temporadas.

Formatada em 2015 pelo piloto gaúcho Urbano da

Silva, a categoria teve seu berço no então Campeonato

Gaúcho de Marcas & Pilotos, que utilizava motores

1.6 e amargava grids minguados por conta das

dificuldades implícitas no processo de equalização.

A Copa 1.4 foi o embrião, integrando em primeiro

momento o próprio grid do Marcas 1.6, para depois

ter seu próprio espaço no cronograma de cada

evento.

A fórmula para igualar equipamentos e reduzir custos

impunha kits da General Motors, compostos por

caixas de câmbio e motores 1.4, para todos os carros,

de quaisquer marcas. Injeção eletrônica, amortecedores

e molas, rodas e pneus também passaram

a ter fornecedores únicos para todas as equipes.

Com tudo isso, surgiu em 2017 o Gaúcho de Marcas

1.4. No ano seguinte a versão dos motores 1.6 deixou

de existir no estado.

A mudança surtiu efeito. O equilíbrio alcançado nas

corridas, em muitos casos com mais de uma dezena

de carros separados por menos de um segundo nas

tomadas de tempo, levou outros estados a adotarem

o formato. Goiás, Minas Gerais e mais recentemente

São Paulo migraram para o Marcas 1.4 – que de

2019 a 2023 respondeu integralmente pelo grid das

12 Horas de Tarumã, corrida mais tradicional do automobilismo

gaúcho.

O nome Turismo 1.4 foi adotado em 2020, ano em

que a competição estreou em âmbito nacional, com

uma etapa única no circuito de Viamão. Os modelos

Corsa e Celta, maioria nos primeiros anos da categoria,

foram gradativamente substituídos por carrocerias

mais novas – GM Onix, VW Gol, Toyota Etios,

Hyundai HB20, Fiat Mobi e Ford New Ka estão entre

os modelos que passaram a dar as cartas no grid da

categoria.

70


Particularidade do regulamento: seja qual for a marca e o modelo, câmbio e motor são da GM

Fábio Leal Fábio Leal

O Brasileiro de Turismo 1.4 começou em Viamão com duas corridas ao vivo no BandSports

71


Rodrigo Ruiz

O Paulista de Marcas, também adepto do formato dos carros 1.4, vive um momento promissor

Fábio César

O Campeonato Goiano, que dez anos atrás reunia mais de

60 carros, também aderiu ao formato dos motores 1.4

O Campeonato Brasileiro ganhou

forma em 2021, com a unificação

dos regulamentos dos regionais fomentando

seu grid. Hoje reunindo

perto de 40 carros, a categoria deu

bom passo em termos de visibilidade

transmitindo duas das quatro

corridas da primeira etapa ao vivo

pelo BandSports. Junho vai marcar

uma experiência internacional, com

a Copa das Nações em Rivera, no

Uruguai, reunindo também carros e

pilotos dos países vizinhos.

Claro que, apesar do regulamento

limitado, existe sempre a possibilidade

de equipes com orçamentos

maiores buscarem maior rendimento

com mais treinos, o que implica

testar mais peças e consumir mais

pneus, com custo final maior. Mas,

em linhas gerais, o formato cumpre

a promessa de aliar competitividade

e baixo custo no comparativo direto

com demais opções do automobilismo.

Os grids numerosos atestam a

eficiência da fórmula.

72


TURISMO NACIONAL

Magnus Torquato

A transição

e suas dores

Início da nona temporada da categoria foi marcado por

tensões e superações com adoção de modificações técnicas

Luc Monteiro

73


Marcelo Machado de Melo

Tal qual o cenário que marcou o início da nova fase

dos SUVs na Stock Car, o clima tenso marcou, também

no primeiro fim de semana de maio em Interlagos,

a etapa de abertura da temporada da Turismo

Nacional. A completa reformulação do projeto técnico

que gerencia a categoria, coordenada pela Audace,

submete pilotos e equipes a uma jornada de superação,

que acabou marcada, também, por críticas

dos participantes.

Anunciado ainda durante o campeonato do ano

passado, o novo formato a aposta maciça dos participantes.

Foi questão de dezenas de horas para as 36

vagas serem fechadas sob assinatura de um contrato

que determina, entre vários pontos, a obrigatoriedade

de cada carro estar no grid de todas as etapas

do ano. O piloto titular pode não participar, por uma

série de motivos, e em um caso desse é compromisso

da equipe substituí-lo.

O que, se ocorrer, não deve causar grandes

transtornos. “Assim que assinamos os 36

contratos já havia 12 pilotos pedindo

vaga”, revela Marcelo Karam, coordenador

da área desportiva da

Turismo Nacional. “Havia vários

pilotos por perto esperando de-

sistências para poderem

entrar e, também, atrás de

informações sobre como

garantir presença em 2026. Claro

que, para o ano que vem, a prioridade será dada a

quem já está na categoria”.

Aí o leitor haverá de concluir: antes de pensarem em

2026, deveriam sanar os problemas de agora. Karam

vê diferente. “O projeto técnico deste ano trouxe um

câmbio diferente, e não existe no mercado um semieixo

que dê certo. Concluímos que o melhor seria

construirmos o semieixo e fornecê-lo às equipes, já

que todo o kit técnico é igual para todo mundo. Posso

garantir que a execução foi perfeita. Eu mesmo andei

muito com o carro, sem quebras”, relata.

João Cardoso (109) e Augusto Sangalli (88), líderes das classes A e B na Turismo Nacional

74


Rafael Gagliano

Marcelo Karam, no pódio com Bernardo

Cardoso, coordena a nova fase da TN

Magnus Torquato

Campeão da classe B, João Cardoso abre

a temporada de 2025 na liderança geral

Rafael Gagliano

Augusto Sangalli, da classe B, venceu na

classificação geral da etapa de abertura

75


A foto no estilo “turma de 2025” em Interlagos: as várias gerações que compõem a TN

Segundo ele, dos 36 carros do grid de Interlagos, 11

apresentaram problemas em algum nível. “Temos 13

equipes. Duas delas, em especial, não teceram críticas

ou sugeriram cancelamentos. Elas trabalharam, contribuíram

com os adversários, e não por acaso foram

as que colheram mais resultados. Havia também as

equipes que estavam um tanto perdidas com a novidade.

Existem alguns ‘culpados’ que não querem

assumir essa culpa”.

Marcelo Karam, embora aparentando evitar uma

postura corporativa, direciona os holofotes para

pontos positivos. “Não foi um e não foram dois que

vieram e disseram ‘agora, sim, eu guiei um carro de

corrida’. Foram mais, bem mais. Isso porque o projeto

é bom, o powertrain da Audace acertou em cheio, e

os pneus semi-slick da Hankook foram outra grande

evolução, o rendimento deles se assemelha muito ao

dos slick”, enumera.

Os pontos positivos não anulam, contudo, o fato de

o início de temporada ter sido extremamente atribulado.

O fim de semana em Interlagos comportou

adaptações, ajustes, adiamentos e toda ordem de

providências para o evento acontecer. A ponto de

quatro das seis corridas serem adiadas para a programação

de outras etapas – duas delas acontecerão em

Cascavel, no fim de maio, acompanhando a primeira

prova de Endurance do ano.

Na pista, a classe A foi composta por 17 carros, quatro

deles comportando inscrições em dupla. As duas

vitórias foram do gaúcho João Cardoso, campeão da

B em 2024. O piloto da Auto Racing saiu na liderança

do campeonato com 56 pontos, 10 à frente do goiano

Pablo Alves, da Maranatha, segundo colocado nas

duas provas. O paulista Pedro Burger, da WC6, marcou

dois terceiros lugares e soma 31.

Pela classe B, liderança de campeonato para Augusto

Sangalli. Com uma vitória e um segundo lugar,

o paranaense da Pein Competições chegou aos 42

pontos, cinco à frente do catarinense Gabriel Moura,

da GRacing, que teve um quarto lugar e uma vitória.

O português Vasco Pedro, da Car Racing, aparece em

terceiro com 30. Os paulistas Neto Datti, da Car Racing,

com 24, e Luiz Veras, da Car Racing, com 23,

vêm a seguir.

76


Marcelo Machado de Melo

MForce Marcelo Machado de Melo

Pietro Nalesso, 15 anos, é o caçula

da relação de inscritos da categoria

O campeonato terá sequência em Cascavel no dia

25 de maio, com duas corridas curtas e uma longa

77


GOLD RACING

Calendário alterado

e disputas acirradas

Cancelamento de etapa marcada para o Raceville leva, por votação, à adoção de

mais um evento da Gold Classic e da Gold Turismo no autódromo de Cascavel

Daniel Gomes

As primeiras versões de calendário de competições

indicavam que a Gold Racing teria duas de suas seis

etapas já disputadas à chegada da edição 10 da Revista

Grid. Não foi o que aconteceu: o evento agendado

para abril no novo Raceville Speed Club, em

Brotas, teve de ser cancelado, por procedimentos

inferentes ao processo de homologação do autódromo.

Com isso, as corridas da segunda etapa passam

a estar programadas para o último sábado de maio

em Campo Grande.

“Fizemos contatos com inúmeros dirigentes e com

diretores do autódromo antes de definir nosso calendário

de etapas, e tínhamos elementos para acreditar

que até abril estaria tudo em ordem para a estreia

do autódromo”, conta o organizador da Gold

Racing, Luc Monteiro. “Por uma série de procedimentos,

não foi o que aconteceu. Talvez tenha sido

inocência em excesso de minha parte, para definir de

forma branda. Enfim, mexemos no calendário”, assume

a responsabilidade.

Votação entre os pilotos incluiu mais uma etapa em

Cascavel, em 28 de junho, para reposição das corridas

canceladas – Tarumã, Guaporé e Londrina foram

as demais opções apresentadas na enquete. O

circuito paranaense receberá também a quarta etapa,

em 2 de agosto. A sequência do calendário terá

etapa em Londrina, em 13 de setembro. No caso da

Copa FRUM Gold Classic, a etapa final segue confirmada

para 1º de novembro, também em Cascavel, na

preliminar da 39ª Cascavel de Ouro.

Adriano Martins, vice-campeão em 2024, abriu o campeonato com mais uma vitória na Pro

78


A Gold Turismo deu largada em Interlagos à sua quarta temporada de disputas

O intervalo de quatro meses sem etapas aumenta

a expectativa criada a partir da acirrada etapa de Interlagos,

que na Gold Turismo teve Adriano Martins

vencendo a primeira etapa. Com duas vitórias, um

segundo e um terceiro lugar, o catarinense superou

na pontuação a dupla pole position César Bonilha/

Raphael Futsuki, que terminou em segundo. Cacá

Schilipack/Rodrigo Elger, Emerson Grochoski/Léo

Grochoski e Odair dos Santos completaram o pódio

da classe Pro.

Pela Super, também vitória catarinense, da dupla

Juliano Diener/Dirceu Rausis, à frente de Lego Tozzo/Tuchê

Dondoni, Matheus Rossoni/Ozias Júnior,

Cido Morais e Rodolfo Ramírez. O vencedor da Light

foi Rodrigo Sartori. O pódio teve ainda José Cavassin/Elton

Oliveira, Alesandro Weiss, Vinícius Martendal

e Pierre Simão. A Master teve a única vitória

paranaense: Fábio Tokunaga, à frente de Ademar

D’Agostini, Gilberto Silva, Juca Fuganti e Adriano Pimentel.

Diener/Rausis, Sartori e Tokunaga, os vencedores na Super, na Light e na Master

79


A vitória foi do Omega número 9 de Paciello e Sanches na Copa FRUM Gold Classic

A Gold Classic abriu o ano com vitória da dupla

paulista Ciro Paciello/Sandro Sanches na Premium,

com Chevrolet Omega. Alex Morais, com Aldee-VW,

Clóvis Bechtold/Gabriel Bechtold, também com

Omega, Jones Salvaro e Deninho Casarini, ambos

de Aldee, completaram as cinco primeiras posições.

Pela Divisão 5, novidade da temporada em que todos

pilotam o modelo Omega, os cinco primeiros foram

Rafael Kliewer, Richard Heidrich, Maurício Gaudêncio,

Wanderlei Berlanda e Armin Kliewer.

Pela Divisão 4, a do modelo Opala, vitória de Thiago

Lourenço, com Marcos Philippi em segundo e

Marco de Sordi em terceiro. A Master teve Fábio

Mencarelli e Marco de Sordi nas duas primeiras posições,

de Opala. Rogério Barbato, de Omega, foi o

terceiro. Estevão Alexandre, de Aldee, venceu a Divisão

3, à frente de João Vasconcellos, com Puma JG,

Carlão Estites, com Ford Escort, Gelerson Vendramin

e Rogério Schuhli, ambos pilotando exemplares

do Aldee-VW.

Fabiano Gaspari, com VW Voyage, venceu a Divisão

2, à frente de Willian Chahine, de VW Passat, Artur

Bailo, de VW Gol, Kaio Dias/Onedir Dias, de Gol,

e Henry Grosskopf, com VW Brasília. E, pela divisão

1, vitória de Ton CostaWagner, com Passat, à frente

da dupla mineira de pai e filho Juliano Borges/Gustavo

Borges, com Gol. Cristiano Canto/Márcio Lopes,

com Fusca, Paulo Henrique Costa, com Voyage,

e Neno Oliveira, com Fusca, completaram as cinco

primeiras posições.

80


Thiago Lourenço, vencedor na Divisão 4, à frente do pelotão que mescla as classes

Disputa forte entre CostaWagner e Costa

pela vitória na Divisão 1 em Interlagos

Chevrolet Omega, Aldee-VW e Puma JG, em

exemplo da diversidade dos modelos do grid

81


HISTORIA

Conversa de

gente grande

Disputa entre grandes marcas da indústria mundial

marcou as quatro temporadas do Superturismo Sudam

Rodrigo Carelli

Blog do Carelli

Os campeonatos denominados Superturismo tiveram

sucesso e boa repercussão no automobilismo

dos anos 90, realizados em praticamente todos os

continentes sob a homologação FIA para o chamado

Grupo 2. Eram carros de produção em série

equipados com motores de 2 litros, que rendiam

cerca de 300 hp. As fabricantes abraçaram a ideia

com equipes oficiais e também com apoio a times

independentes, atraídas pela chance de desenvolvimento

em confronto direto com as concorrentes sob

publicidade positiva.

Alfa Romeo, Audi, BMW, Chrysler, Ford, Honda,

Hyundai, Mazda, Nissan, Opel, Peugeot, Renault,

Seat, Toyota, Volkswagen e Volvo, numa disposição

alfabética, estavam entre as envolvidas no Superturismo.

Pilotos de gabarito, igualmente. Pelo mesmo

critério, pode-se chegar a uma lista com Alain

Menu, Derek Warwick, Emanuelle Pirro, Frank Biela,

Gabriele Tarquini, Gianni Morbidelli, Joachim Winkelhock,

Johnny Ceccoto, Laurent Aiello, Nicola Larini,

Roberto Ravaglia, Steve Soper, Tom Kristensen e

Yvan Muller.

Oscar Larrauri, com BMW, conquistou os dois primeiros títulos do Superturismo Sudam

82


Largada da etapa de Londrina em 1998, ano em que o sucesso da categoria parecia irreversível

O regulamento unificado fomentou essa expansão.

Os primeiros movimentos para o Superturismo Sudam

foram percebidos em fins de 1996. O brasileiro

Antônio de Souza Filho e o argentino Fernando Tornello

assumiram a organização e a opção foi de trazerem

para o campeonato de 1997 na América do Sul

os modelos utilizados pelas equipes de outros países

até o ano anterior, como forma de redução dos custos.

Os pneus aro 18 polegadas da Pirelli, duros, também

custavam menos que as versões internacionais.

Uma corrida extracampeonato apresentou a categoria

na preliminar do GP da Argentina de F-1 em

Buenos Aires. Javier Balzano venceu à frente de

Patricio Spinella, ambos com Ford Mondeo, numa

corrida de 15 carros. O campeonato oficial, a partir

de julho, teve 10 etapas – quatro nas várias opções

de traçado do autódromo portenho, duas nas argentinas

Resistencia e Rosario e outras quatro nas

pistas brasileiras de Tarumã, Curitiba, Londrina e

Interlagos.

Cacá Bueno foi à forra em 1999 e deu à Peugeot seu primeiro título no Superturismo Sudam

83


O argentino Oscar “Poppi” Larrauri venceu três vezes

a bordo de seu BMW 318iS. O brasileiro Flávio

“Nonô” Figueiredo, de Chevrolet Vectra 16V, venceu

duas das etapas brasileiras, as de Tarumã e Interlagos,

onde também fez poles. As outras cinco vitórias

foram divididas por argentinos: Spinella, de BMW

318iS, Alejandro Pagani, de Chevrolet Vectra GT, Osvaldo

“Cocho” López, de Alfa Romeo 155 TS, Oscar

Fineschi, de Toyota Corona E, e Ricardo Risatti, de

Ford Mondeo Ghia.

Figueiredo não disputou todas as etapas e fechou a

temporada em quinto, sendo o brasileiro melhor colocado

na tabela final. Numa disputa das mais acirradas,

Poppi e Cocho empataram em 107 pontos, com

o título sendo definido em favor de Larrauri pelo

maior número de vitórias. “O Superturismo Sudam

me deu a oportunidade de voltar a pilotar um carro

de alta tecnologia”, atribuiu o campeão, que no fim

dos anos 80 largou para oito dos 21 GPs de Fórmula

1 aos quais foi inscrito.

Em 1998, oito das 12 etapas aconteceram na Argentina

– Posadas, Mar de Ajó, Olavarría, Oberá, Rosario

e três em Buenos Aires. As rodadas brasileiras ocorreram

em Londrina, Curitiba, Cascavel e Interlagos.

Do Brasil, a CD Motorsport, do engenheiro Celso

Duarte, importou o Nissan Primera do BTCC e convocou

Adalberto Jardim para pilotá-lo. A PropCar,

de Dário dos Santos, escalou Paulo Gomes e Nonô

Figueiredo para conduzir seus Vectra. Nenhuma das

duas disputou o campeonato completo.

Em decisão inusitada, sem diferenças no critério de desem

Larrauri chegou ao tri em 2000, último ano do campeonato, agora com Alfa Romeo 156 TS

84


pate, Spataro também foi declarado campeão em 1999

Ingo Hoffmann foi contratado para formar dupla

com Larrauri na Proas/BMW, enquanto Cacá Bueno,

promissor piloto brasileiro de 21 anos, foi levado pela

EF Racing, de Edgardo Fernández, para formar dupla

com Juan Manuel Fangio II, ex-piloto da Cart, em

seus Peugeot 406. Flávio Trindade, de BMW 318iS,

Chico Serra, de Chrysler Stratus, Noriô Matsubara,

de Ford Mondeo Ghia, e André Bragantini, de Vectra

16V, foram os demais brasileiros com atuações naquela

segunda temporada do Superturismo Sudam.

BMW e Peugeot polarizaram as vitórias. Larrauri

levou seis e Hoffmann, três. Bueno ganhou duas e

seu companheiro Fangio II, uma. Larrauri e Bueno

chegaram à final em Interlagos disputando o título.

O brasileiro era terceiro, resultado que lhe dava o

campeonato, quando teve de parar nos boxes por

conta de um furo de pneu. Voltando à pista, excedeu

o limite de velocidade no pit lane, foi punido e viu

Larrauri festejar o bi, depois de vencer sob ordem da

equipe ao pole Hoffmann para ceder-lhe a liderança.

O campeonato de 1999 mantinha 12 etapas no calendário.

As seis argentinas foram distribuídas entre

as pistas de Córdoba, Oberá, Mar del Plata, Olavarría,

Rio Cuarto e La Plata. As brasileiras, em Interlagos,

Cascavel e Guaporé. O Uruguai surgia com duas

etapas em El Pinar e mais uma, extracampeonato,

em Punta del Este. BMW, Toyota, Alfa-Romeo, Ford,

Chevrolet, Chrysler, Honda e Peugeot eram as marcas

que serviriam aos pilotos de Argentina, Brasil,

Chile e Paraguai.

Adalberto Jardim em 1998 a bordo de um dos Nissan Primera da equipe de Celso Duarte

85


Com o bicampeão Larrauri trocando a Proas-

-BMW para desenvolver o Alfa Romeo 156 TS,

Os Peugeot 406 trazidos do grid do Campeonato

Alemão foram soberanos. Cacá Bueno e Emiliano

Spataro conquistaram três vitórias, cada,

pela EF, com Miguel Angel Guerra também

vencendo uma prova pela marca francesa. Hoffmann

ganhou duas corridas com BMW. “Cocho”

López deu uma vitória ao novo Alfa Romeo

156 TS e Oscar Fineschi, com Chrysler Stratus,

também venceu uma.

A decisão do título aconteceu em Mar del Plata,

onde Bueno venceu e Spataro ficou em segundo,

combinação que gerou um panorama inesperado:

os dois foram declarados campeões, já

que terminaram o ano empatados em pontos e

em todos os critérios de desempate previstos –

em 1997 também havia ocorrido o empate, com

Larrauri sendo campeão por ter mais vitórias

que López. Hoffmann, também candidato ao título,

ficou em quinto na etapa e em terceiro no

campeonato.

Depois de três temporadas de consolidação e

crescimento, o Superturismo Sudam se apresentou

para o campeonato de 2000 sem a participação

de pilotos brasileiros e sob séria ameaça

por conta da crise econômica na Argentina, que

espantou as fabricantes e seu suporte oficial –

logo, nada de novos carros no grid. As oito etapas

foram disputadas em autódromos argentinos

e só os pilotos do país, 35 no total, tomaram

parte das corridas, fosse em campeonato completo

ou em participações esporádicas.

As dificuldades do ano tiveram um ponto de

claro exemplo na quarta etapa, com apenas quatro

carros chegando do fim da prova. Equipes e

pilotos, em postura digna, organizaram e completaram

o campeonato da forma como planejado

no início do ano. Larrauri e seu Alfa Romeo

156 TS venceram três etapas, mesmo número de

Diego Menéndez, com BMW 318iS. Fineschi, de

Stratus, e López, também de Alfa 156 TS, foram

os outros vencedores. O título, pela terceira vez,

foi conquistado por Larrauri.

O “canto do cisne” veio em 2001. Com poucos

pilotos, apenas uma dúzia, uma única etapa foi

realizada em Buenos Aires. Apenas cinco carros

foram recebidos pela bandeira quadriculada.

Juan Manuel “Cochito” López, pilotando o Alfa

Romeo 156 TS da equipe de seu tio “Cocho”,

ficou com a vitória. As outras oito etapas previstas

para acontecerem em pistas argentinas

não se concretizaram. Naquele início de milênio

a alta de custos direcionava o Superturismo ao

fim de seu ciclo em todo o mundo.

86


Felipe Maluhy, de Ford, e Djalma Fogaça, de BMW, dois dos brasileiros que correram em 1997

Ingo Hoffmann e Cacá Bueno disputando cada centímetro de pista na caça ao título de 1999

87


Retorno em grande

estilo na Londrina

600 Speed Fest

A Mamba Negra Racing já tem data para voltar ao

cenário das competições. Ainda destravando os trâmites

burocráticos em torno do carro com que anuncia

seguir no grid do Endurance Brasil na temporada

de 2026, a equipe paulista foi a primeira a confirmar

presença na mais nova corrida de longa duração do

calendário: a Londrina 600 Speed Fest. A disputa de

29 de novembro, um sábado, terá largada à tarde e

chegada noturna.

A participação da equipe se dará com o protótipo

Mamba Negra 2S, inscrito sob o número 96, que terá

como pilotos o paulista Marcelo Servidone e o mineiro

Marcelo Henriques. Os xarás integraram a equipe

vice-campeã da classe P2 nas 1000 Milhas Chevrolet

Absoluta de 2022, com o mesmo carro. “Estamos

nos preparando desde já para brigar pela vitória não

só na nossa categoria, mas na classificação geral”,

confia Servidone.

Henriques transita em grande número das séries

nacionais, sobretudo prestando coaching a pilotos

menos experientes – está em atividade na Porsche

Cup, além de ser piloto-instrutor no Centro de Pilotagem

Roberto Manzini. Como piloto, foi campeão

sul-americano amador e campeão paulista de kart,

bicampeão da Fórmula Inter e disputou várias temporadas

da Sprint Race, atual Nascar Brasil, tendo

sido campeão em 2020.

Servidone não esconde a predileção que tem pelas

corridas de longa duração, em que pese já ter frequentado

o pódio em competições de provas curtas,

como a Gold Turismo e a Copa Joy. Foi em eventos

como os 500 Quilômetros de Interlagos e as 1000

Milhas Chevrolet Absoluta que amealhou títulos e

vices em sua carreira ainda curta nas pistas – faz

pouco mais de sete anos que começou a competir

oficialmente.

O Mamba Negra 2S, que já alcançou pódios nas 1000 Milhas, carro bem cotado na disputa londrinense

88


Henriques e Servidone serão os pilotos da Mamba Negra Racing na Londrina 600 Speed Fest

Confirmada em sua primeira edição

sob realização da Gold Racing,

embora abra seu regulamento

também a categorias de carros

mais novos que os das categorias

organizadas por este selo, a prova

Londrina 600 Speed Fest tem

grid estimado em 45 carros no

Autódromo Internacional Ayrton

Senna. O evento vai ser emoldurado

por uma intensa programação

extrapista, cujas atrações estão

ainda em fase de definição.

Com percurso de 197 voltas, suficientes

para o percurso de 600

quilômetros que o nome sugere,

a corrida admitirá duplas e trios

com quaisquer espécies de carros

de competição. Mais informações

sobre inscrições podem ser colhidas

via Direct para o perfil de Instagram

@londrina600speedfest.

Haverá transmissão ao vivo na

íntegra no YouTube, pelos canais

“Gold Racing” e “Curva do S”, com

narração de Geferson Kern.

89


PALAVRA DO PRESIDENTE

A nova Stock Car, o

novo automobilismo

Giovanni Guerra

Gostaria de dedicar minha coluna da Grid, nesta

edição, ao grande empreendimento liderado por

Lincoln de Oliveira, que resultou na estreia da nova

Stock Car Pro Series, no domingo, 4 de maio. Participei

desse projeto desde o início, auxiliando de todas

as formas no âmbito da Confederação Brasileira de

Automobilismo. Desde o início, todas as ações foram

baseadas em total profissionalismo, a começar pelo

estabelecimento da adoção do padrão SUV, calcado

em ampla pesquisa.

Altos investimentos foram feitos e uma equipe de

primeiríssima linha avançou passo a passo, de maneira

consistente. Acho que todo mundo deve conhecer

as instalações da Audace para ter uma ideia

do que, de fato, significa essa nova fase da Stock Car.

A empresa responsável pela construção dos carros é

uma demonstração da capacidade da indústria brasileira

de Motorsport.

Quando digo que nosso automobilismo é um setor

importante da nossa economia, não é exagero e

sei exatamente do que estou falando. Para além de

toda a movimentação que vemos semanalmente em

nossas praças desportivas, há uma estrutura industrial

gigante para colocar os carros e seus inúmeros

componentes na pista.

Estou muito feliz, pois nasceu o “filho”, graças a

Deus. A “gestação” foi difícil, mas nasceu forte. Tudo

isso é maravilhoso. Agora, nossa tarefa é cuidar desse

“bebê” que mudou os rumos da família do automobilismo

brasileiro para sempre. Como sempre

acontece com um carro totalmente novo, nem todo

mundo ficou feliz nesse primeiro evento. Mas, tenho

certeza absoluta, em pouco tempo tudo estará em

ordem. O fundamental é que esse novo automobilismo

já está a pleno vapor.

Graças a Deus, as coisas estão avançando a olhos

vistos. As dificuldades que aconteceram foram muitas,

principalmente pelas dimensões e ineditismo da

empreitada. Mas – e principalmente – a vitória foi do

próprio automobilismo brasileiro, que, para nosso orgulho,

compreende a própria Confederação Brasileira

de Automobilismo, promotores, chefes de equipe,

pilotos, todas as famílias de mecânicos, dirigentes,

oficiais de competição e muito mais.

É um momento novo, completamente alinhado

com a modernidade, tecnologia, inovação, sustentabilidade.

E isso me deixa extremamente feliz como

presidente. Porque nós viemos aqui para isso. Foi

para fazer essa mudança. Para fazer esse novo automobilismo.

Estamos juntos e misturados. Que Deus continue

nos abençoando.

Chris Reis

90

O autor é presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo


91


92

Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!