Relatorio Parcial Português - XV ESNsurvey (6)
Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!
Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.
EDITORIAL
Título - XV ESNsurvey - Relatório Parcial Português
Data - 24 de setembro de 2024
Autoria- Sofia Barros | Youth Officer ESN Portugal
Heloise Zilotti | Education Officer ESN Portugal
Gemma Soler Pujol | Policy Assistant ESN Portugal
Patrícia Ribeiro | Directora-Secretariado ESN Portugal
Revisão- Patrícia Ribeiro | Diretora-Secretariado ESN Portugal
Hélder Simões | Presidente ESN Portugal 2024/25
2
Índice
1. Introdução------------------------------------------------------------------------------------------------4
2. Enquadramento----------------------------------------------------------------------------------------- 6
3. Estudantes portugueses e a mobilidade------------------------------------------------------------- 7
3.1. Motivações, influências para a mobilidade--------------------------------------------7
3.2. Satisfação com Instituições de Ensino Superior------------------------------------ 13
3.3. Processos digitais e Integração na comunidade------------------------------------ 17
3.4. Obstáculos sentidos no estrangeiro-------------------------------------------------- 19
3.5. Impacto do período de mobilidade--------------------------------------------------- 21
4. Portugal: Destino Erasmus+------------------------------------------------------------------------- 24
4.1. Origens e cidades de acolhimento---------------------------------------------------- 24
4.2. Motivações, influências para a mobilidade------------------------------------------ 26
4.3. Satisfação com as Instituições de Ensino Superior---------------------------------30
4.4. Processos Digitais e Integração na comunidade----------------------------------- 33
4.5. Obstáculos sentidos em Portugal----------------------------------------------------- 37
4.6. Impacto da Mobilidade----------------------------------------------------------------- 39
4.7. A influência do papel cívico com a experiência Erasmus+------------------------ 40
5. Estudantes não participantes de mobilidades---------------------------------------------------- 42
5.1. Incentivos para a mobilidade---------------------------------------------------------- 42
5.2 Barreiras---------------------------------------------------------------------------------- 45
6. Auscultação às Secções Locais da ESN Portugal-------------------------------------------------- 49
7. Recomendações----------------------------------------------------------------------------------------52
8. Conclusões----------------------------------------------------------------------------------------------56
3
O objetivo deste relatório passa por identificar áreas de possível intervenção, a nível nacional e
local, proporcionando oportunidades de cooperação entre diferentes estruturas para
promoção de uma melhoria das condições e da qualidade da mobilidade internacional. Desta
forma, pretende-se reafirmar a importância do movimento estudantil e juvenil em disseminar
as reivindicações dos estudantes internacionais na defesa dos seus direitos.
Este documento procura examinar a participação dos estudantes em programas de mobilidade,
como o Erasmus+, durante o ano letivo 2022-2023, destacando as motivações dos Os
resultados da XV edição do ESNsurvey em Portugal fornecem uma base empírica, basilar para
criação de recomendações e apoio mais eficiente para os estudantes internacionais.
Desta forma, é incentivado a adoção de práticas de ensino mais inovadoras e interculturais,
que reconheçam e valorizem a diversidade cultural trazida pelos estudantes internacionais e
pela União Europeia (UE).
5
2. Enquadramento
O ESNsurvey é um instrumento valioso de recolha de dados quantitativos e qualitativos sobre
vários aspetos da vida dos estudantes. Os dados são analisados e compilados num relatório
abrangente que permite perceber as prioridades, interesses e desafios dos estudantes na
Europa. O presente documento fornecerá uma análise mais orientada para os problemas dos
estudantes em Portugal, sejam eles participantes do programa Erasmus + ou não, que
responderam à XV edição do ESNsurvey.
A pesquisa aconteceu de 29 de maio a 31 de julho de 2023, num período de recolha de 2 meses.
O inquérito foi dirigido a três grupos-alvo diferentes: estudantes em mobilidade (78,40% [n =
17.855]); full-degree students (8,15% [n = 1.856]); e estudantes não-móveis (13,45% [n = 3.064]),
que estavam matriculados no ensino superior nos anos letivos de 2021-2022 e/ou 2022-2023.
Das respostas obtidas, 550 foram participantes nacionais, enquanto 1100 estudantes
estrangeiros responderam como estudantes em Portugal. Em termos demográficos, os
participantes refletiam amplamente os perfis dos participantes no Erasmus+, com 65,22%
identificando-se como mulheres, 32,39% como homens e 1,11% como não-binários, com a faixa
etária mais proeminentes entre os 20 e os 24 anos. No que diz respeito à nacionalidade, a
maioria dos participantes (77,01%) tinha nacionalidade de um dos 27 Estados-Membros da UE.
O presente documento está estruturado de forma a apresentar as respostas dos estudantes
portugueses em mobilidade, e depois apresentará as opiniões dos estudantes estrangeiros que
realizaram a sua mobilidade em Portugal, seguido das respostas dos estudantes que não
participaram em mobilidade.
6
3. Estudantes portugueses e a mobilidade
Esta seção representa a opinião de 550 estudantes portugueses, ou com residência
permanente em Portugal, que partiram em mobilidade no ano letivo de 2022/23.
3.1. Motivações, influências para a mobilidade
Os motivos que levam um jovem a participar num período de mobilidade são variados, mas
é necessário continuar a analisar estes dados para melhor compreender a evolução da
implementação do programa Erasmus+, bem como outros programas de mobilidade, e
compreender onde devemos investir os nossos esforços.
7
Relativo a experiências internacionais, a grande maioria dos jovens saídos de Portugal
que participaram em mobilidade no ensino superior no ano letivo de 2022/23 nunca tinham
participado numa experiência fora do país. Estes dados ressaltam duas factos: a maioria dos
jovens continuam a ter a sua primeira experiência de mobilidade dentro do seu período de
estudos numa Instituição de Ensino Superior (IES), e que a mobilidade ainda não faz parte da
rotina dos jovens portugueses antes do ensino superior.
8
No que toca aos transportes usados pelos estudantes orientados de Portugal, é claro
que a viagem de avião continua a ser a esmagadora escolha dos estudantes. Estes dados
refletem a necessidade de continuar em incentivos para “green travel” dentro do programa,
incluindo o novo Interrail Pass for Erasmus+.
Felizmente, dentro do seu período de mobilidade, os jovens estudantes portugueses
preferem o uso de transportes públicos e ecológicos, o que demonstra a sua preocupação com
o impacto das suas viagens.
9
No que toca às suas razões de escolha de transporte, o tempo de viagem (41,56%) e o
custo da mesma (43,56%) são os principais motivos que levam a escolher o seu meio de
transporte. Estes dados demonstram que os jovens se preocupam em equilibrar o seu
orçamento e a conveniência de chegar o mais depressa possível.
De notar que as percentagens de jovens têm em consideração a conveniência do meio
de transporte para uma mudança de vida no estrangeiro, com representação percentual de
11,78%. Soluções futuras para a promoção do uso de transportes ecológicos terão de ter em
conta o objetivo destas viagens: mudar de vida para um outro país, e tudo o que isso acarreta.
10
No que diz respeito aos motivos que levaram os jovens portugueses a
embarcarem num período de mobilidade, os motivos são variados, e relativamente
equilibrados. No entanto destacam-se a vontade dos jovens portugueses em
interagirem com outras culturas, e tornarem-se mais independentes.
Estes dados demonstram que a experiência Erasmus+ a conquistar os alunos
através da aprendizagem de competências transversais.
É relevante notar a percentagem relevante de jovens que desejam experimentar
ambientes educativos diferenciados, o que pode indicar que cada vez mais jovens
prestam atenção às especificidades das suas instituições de acolhimento.
11
Acerca do conhecimento dos direitos da Erasmus Student Charter, 78,17% dos inquiridos
tomaram conhecimento dos mesmos em alguma parte do seu processo de mobilidade. Um
grupo significativo dos inquiridos (21.83%) afirma não ter sido informado do Erasmus Student
Charter nem numa fase do processo. Estes dados evidenciam que é necessário um maior
esforço para que mais jovens conheçam os seus direitos o mais cedo possível no seu processo.
12
Para os inquiridos do XV ESNsurvey, os fatores que levam a escolha de uma ou outro
destino de mobilidade são variados, mas algumas ilações podem ser tiradas das respostas dos
inquiridos.
O primeiro fator com mais peso é a compatibilidade de reconhecimento de créditos e
ECTS juntos das IES (Very Important – 51,11%), o que vai ao encontro das dificuldades passadas
pelos estudantes depois do seu período de mobilidade (Capítulo 4.5.). O custo de vida na
cidade destino é um fator muito importante (47.11%), que demonstra a preocupação dos
jovens em conseguir conter custos durante a sua mobilidade.
A influência das experiências de colegas (Very Important – 40%) que já partiram em
mobilidade, bem como a reputação da IES de acolhimento tem igualmente ecos junto daquela
que é a experiência vivida pelas Seções locais.
13
3.2. Satisfação com Instituições de Ensino Superior
A respeito das Instituições de Ensino Superior (IES), sua interação com os estudantes
em mobilidade acontece, ao longo dos três períodos distintos da mobilidade — antes, durante e
depois. Durante o período anterior à mobilidade, as IES são responsáveis por fornecer
informações essenciais aos estudantes, como detalhes sobre o programa Erasmus +, requisitos
académicos e administrativos, bem como orientações sobre o destino escolhido. Durante o
período de mobilidade, as Instituições de Ensino Superior desempenham um papel contínuo ao
apoiar os estudantes, oferecendo suporte e assistência. Por fim, as Instituições de Ensino
Superior são responsáveis pelo processo de creditação das cadeiras e pela avaliação académica
das atividades realizadas durante a mobilidade.
Aos estudantes nacionais que optaram por realizar uma mobilidade académica, foi
ressaltada a importância em receber informações claras e transparentes relativas aos
financiamentos do programa, especialmente, com a bolsa garantida pela Erasmus+. Também é
referido a relevância de auxílio durante o processo de aplicação para o programa e
reconhecimento dos conhecimentos adquiridos e ECTS.
14
De acordo com a opinião obtida através do XV ESNsurvey, o desempenho das atividades
fornecidas pelas Instituições de Ensino Superior Portuguesas, apresenta uma taxa de
aprovação expressiva, alcançando mais de 62% de aprovação entre os estudantes. Esta
aprovação reflete a eficácia percebida dos serviços prestados, incluindo suporte académico,
administrativo e cultural durante o período de mobilidade. No entanto, as taxas de
desaprovação também são altas, refletido negativamente na experiência de 1 em cada 5
respostas.
Nota-se a necessidade de aprimoramento dos serviços, para que não se torne moroso e
sim, prático e eficiente. Dessa forma, é crucial a apresentação das insatisfações dos estudantes
com as instituições de ensino, de forma a proporcionar uma estratégia mais eficaz, capaz de
satisfazer as necessidades dos estudantes e proporcionar uma experiência mais rica
15
.
Por outro lado, diante da perspetiva dos estudantes em mobilidade sobre o mesmo
tema, observou-se que 68% dos estudantes demonstraram satisfação com os serviços
recebidos nas instituições. Por outro lado, 17,5% dos estudantes mantiveram-se neutros em
relação à assistência recebida, enquanto 13% manifestaram descontentamento com o apoio
fornecido pelas universidades.
16
A perspetiva das universidades de acolhimento é bastante positiva.
A taxa de satisfação chega aos 68,5%, o que mostra que a grande maioria das IES
responde às necessidades dos estudantes. Mas não deixa de ser significativa a percentagem de
estudantes que demonstram um grau de dessatisfação com a sua instituição de acolhimento
(13,4%)
Há procurar saber em detalhe os motivos que levam a esta insatisfação, e como é que as
IES podem garantir que a experiência internacional seja plenamente aproveitada e que os
trâmites burocráticos sejam cumpridos. Dessa maneira, a cooperação entre Instituições de
Ensino Superior e as respectivas secções da ESN é crucial para a defesa dos direitos dos
estudantes internacionais, sejam como cidadãos participativos, como estudantes protegidos
pela respectiva regulamentação universitária.
17
3.3. Processos digitais e Integração na comunidade
A digitalização dos processos do programa Erasmus é um objetivo central para a União
Europeia, e a ESN desempenha um papel crucial nesse esforço, promovendo iniciativas como o
Erasmus Without Papers. Diante desse contexto, aproximadamente 30% dos estudantes que
realizaram mobilidade académica já utilizam o Online Learning Agreement (OLA), representando
um passo significativo para a simplificação dos processos administrativos. No entanto, é
evidente a lacuna na divulgação de outros projetos de digitalização junto aos estudantes
portugueses. A falta de informações apropriadas sobre as iniciativas digitais impede o uso
pleno das ferramentas disponíveis, que visam facilitar a gestão administrativa e inclusiva da
mobilidade - como o European Student Card.
18
19
Infelizmente, os dados do XV ESNsurvey mostram que os estudantes vindos de Portugal,
na sua maioria não participam nem numa atividade na sua comunidade de acolhimento,
recolhendo esta opção 61,79% das respostas.
O desporto foi a atividade que mais cativou os jovens nacionais com uma percentagem
de 11,18% das respostas, seguido a juntarem a uma associação estudantil ou juvenil (9,15%), e
realizarem ações de voluntariado (7,11%).
Devem estes dados inquietar-nos sobre os baixos níveis de participação dos nossos
colegas nas comunidades que os recebem. Carece de mais dados investimentos das
organizações juvenis de integrar os jovens internacionais, incluindo as secções locais da ESN
continuar a adaptar a sua oferta de atividades para o envolvimento dos estudantes
internacionais.
20
3.4. Obstáculos sentidos no estrangeiro
Os desafios enfrentados pelos estudantes nacionais em mobilidade são diversos e
complexos. Em primeiro lugar, 34% dos estudantes apontaram dificuldades relacionadas ao
financiamento da viagem. Este valor percentual revela a significativa preocupação financeira
que pesa sobre esses alunos, que muitas vezes precisam recorrer ao apoio familiar e/ou laboral
para custear essa experiência internacional.
Além das questões financeiras, 15,9% dos estudantes relataram insatisfação com os cursos
selecionados. Esses dados indicam que problemas como a inadequação do currículo, a
dificuldade no reconhecimento de créditos académicos e correspondência entre as disciplinas
de ensino entre o plano de estudos e aquilo que as instituições apresentam.
Por fim, 12,4% dos estudantes experienciam problemas de adaptação e engajamento com a
comunidade local. A adaptação cultural pode ser um desafio substancial, uma vez que envolve
não apenas a compreensão e aceitação de novas tradições e costumes, mas também a
superação de barreiras linguísticas e a construção de novas redes sociais. A falta de
envolvimento com a comunidade local pode levar ao isolamento social e até mesmo ao
21
insucesso académico, uma vez que uma rede de apoio social é essencial para o bem-estar
emocional e motivacional dos estudantes.
Esses desafios evidenciam a necessidade de um suporte mais robusto e abrangente para os
estudantes em mobilidade. O aumento de incentivos económicos para a viagem, além da maior
transparência e simplificação dos processos de creditação são apenas algumas medidas que
podem ajudar a mitigar essas dificuldades e promover uma experiência mais enriquecedora e
bem-sucedida para todos os participantes.
No que tange os desafios económicos enfrentados pelos estudantes ao financiar uma
mobilidade académica, estes afetam diretamente a viabilidade e a acessibilidade dessas
experiências. Os números fornecidos pelos próprios estudantes são bastante expressivos: 47%
relataram que apenas entre 25% a 50% dos custos foram cobertos pela bolsa providenciada
22
pelo programa Erasmus+. Este dado sublinha a premência de uma questão frequentemente
discutida, mas ainda não completamente resolvida: a insuficiência dos apoios financeiros
oferecidos pelas bolsas disponíveis.
Além disso, o facto de 2% dos estudantes terem de recorrer a meios completamente
autónomos para financiar a sua mobilidade evidencia ainda mais a disparidade económica
existente. Esse cenário sublinha a importância crítica das bolsas Erasmus + e de programas de
mobilidade semelhantes como facilitadores do intercâmbio académico. No entanto, a realidade
mostra que esses apoios são frequentemente insuficientes para cobrir a totalidade dos custos,
criando barreiras adicionais para aqueles provenientes de contextos económicos menos
favorecidos.
Diante disso, é crucial advogar pela implementação de políticas públicas e institucionais
que ofereçam apoios financeiros mais robustos e inclusivos. Apenas assim será possível
garantir que todos os estudantes tenham acesso igualitário às oportunidades de mobilidade
académica, sem que as suas circunstâncias financeiras constituam um obstáculo
intransponível.
3.5. Impacto do período de mobilidade
23
Tendo em conta a data da realização do XV ESNsurvey, um ano antes das eleições para o
Parlamento Europeu de 2024, procurou- saber a percentagem de probabilidade de estes
votarem nestas eleições. 61,38% dos inquiridos afirmaram ser extremamente provável de
votar nas eleições europeias, e 18,44% afirmaram ser provável o seu voto.
Estes dados vão ao encontro do Barómetro lançado em maio de 2024 que afirmava que
77% dos jovens portugueses tencionavam votar nas eleições europeias. O que mostra que os
jovens que participam em mobilidades têm maior percentagem de intenção de votar nas
eleições europeias.
24
Sobre o impacto das mobilidades dos estudantes oriundos de Portugal, estes
concordam que desenvolveram principalmente a sua capacidade de comunicação intercultural,
a sua capacidade de resolução de problemas e melhor adaptabilidade, e um maior horizonte e
perspetiva.
Os estudantes inquiridos discordaram em maior número que a sua mobilidade
contribuiu para o desenvolvimento da comunidade local. Discordam igualmente, de forma
significativa, que os seus valores e posições éticas mudaram.
O programa Erasmus+ continua a desempenhar um papel extremamente positivo ao
aumentar o conhecimento e a preocupação dos estudantes com questões sociopolíticas locais
e internacionais, bem como ao desenvolver habilidades sociais e comunicativas essenciais.
25
4. Portugal: Destino Erasmus+
Nos últimos anos, Portugal tem-se tornado um destino cada vez mais popular para
estudantes internacionais, atraídos pela qualidade do ensino, a riqueza cultural e o custo de
vida relativamente acessível.
26
O presente capítulo trabalha os dados do XV ESNsurvey recebidos dos jovens que
realizaram o seu período de mobilidade em Portugal.
4.1. Origens e cidades de acolhimento
Portugal recebe estudantes de toda a Europa, e a sua popularidade tem aumentado nos
últimos anos, tendo Portugal recebido mais de 50000 estudantes em 2022 Esta tendência tem
sido observada em várias instituições de ensino superior por todo o país. Entre os países que
mais enviam estudantes para Portugal, incluem-se Itália, Romênia e Alemanha a formar o top 3.
27
Já entre as cidades portuguesas mais mencionadas para a mobilidade académica em
Portugal, o top 5 é composto por Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro e Braga. Nesse sentido, é
importante divulgar o ESNsurvey aos estudantes Erasmus junto de mais distritos, e em maior
percentagem fora dos grandes centros urbanos.
28
4.2. Motivações, influências para a mobilidade
O programa Erasmus+ é uma iniciativa de cunho estratégico com objetivo de fortalecer
a mobilidade e integração no setor da educação. Através deste programa, estudantes, docentes
e não-docentes têm a oportunidade de participar numa troca intercultural de aprendizagens e
construção social única.
Ao analisar os contributos dos estudantes no XV ESNsurvey, podemos afirmar que 80%
dos interrogados afirmam que o programa é de facto inclusivo, abrangendo estudantes de
diferentes realidades socioeconómicas.
29
Uma parte significativa dos inquiridos (41,66%) não participou em qualquer
experiência de intercâmbio no estrangeiro antes de iniciar os seus estudos superiores. Este
facto sugere que poderá haver barreiras ou desafios que impeçam os estudantes de participar
em tais experiências.
Podemos também retirar destes dados que a existe alguma popularidade da mobilidade
de curta duração, durante o período de formação anterior ao ensino superior. A percentagem
de 18,89% de jovens que já participaram em mobilidade em contexto educativo demonstra que
estes jovens já poderão sentir-se mais confortáveis em contextos de mobilidade que os nossos
estudantes nacionais, que têm menos experiência internacional do que os estudantes que
acolhemos.
30
Os estudantes Erasmus vêm a Portugal em busca de experiências que ampliem o seu
contacto sobre diferentes sociedades, modos de vida e sistemas educativos. Quando
questionados sobre suas motivações para participar do programa Erasmus+ em Portugal, os
estudantes frequentemente mencionam a valorização da troca cultural como um fator
primordial. A imersão em novas culturas também promove a compreensão intercultural e a
ampliação de horizontes pessoais e académicos. Além disso, muitos estudantes buscam o
desenvolvimento da sua resiliência ao enfrentar desafios fora do ambiente familiar, o que
contribui para o crescimento pessoal e a adaptação a novos contextos.
Estas motivações refletem não apenas o interesse dos estudantes em explorar e
aproveitar ao máximo sua experiência em terras lusófonas, mas também evidenciam o papel de
Portugal como um destino atrativo para estudantes internacionais, que oferece uma
combinação única de história, acolhimento, e excelência académica.
31
Diante dos estudantes nacionais que realizaram a sua mobilidade estudantil,
observa-se um aumento no conhecimento do Erasmus Student Charter. No entanto, também há
um crescimento na proporção de estudantes desinformados sobre esse regulamento, que
atinge 21,83%.
Estes dados realçam a necessidade de uma melhor divulgação e educação sobre os
direitos dos participantes do Erasmus+, garantindo que todos os estudantes estejam
plenamente informados e protegidos desde o início da sua experiência de mobilidade. As
secções locais desempenham um papel crucial durante a orientação de tais informações,
juntamente com as Instituições de Ensino. Dessa forma, ao atuar na conscientização dos
direitos, é possível que os processos da mobilidade aconteçam de forma mais segura,
transparente e acolhedora.
32
4.3. Satisfação com as Instituições de Ensino Superior
Sob esta perspetiva, é observado que Portugal reconhece a importância do ensino e do
pensamento crítico em seu sistema educacional, no entanto, há uma lacuna significativa na
oferta de aplicações sustentáveis, inovadoras e que promovam o engajamento com a
comunidade local.
Embora o método de ensino em Portugal valorize o desenvolvimento de habilidades
críticas nos estudantes, como análise e reflexão, ainda há um potencial não explorado para
integrar práticas educacionais que sejam sustentáveis e inovadoras. Isso inclui iniciativas
33
inovadoras, que incentivem a aplicação prática de conhecimentos para resolver problemas
reais dentro das comunidades locais.
A satisfação dos estudantes com o processo de creditação das disciplinas após a
mobilidade estudantil, especialmente no contexto do Programa Erasmus+, é um aspeto crucial
para o sucesso e a continuidade desse tipo de intercâmbio. Dados indicam que
aproximadamente 75% dos estudantes estão satisfeitos com o reconhecimento académico que
recebem em Portugal após suas experiências no estrangeiro. Este índice elevado de satisfação
sugere que as universidades portuguesas estão, em grande parte, cumprindo seu papel de
validar e integrar os estudos realizados fora do país de maneira eficaz.
Entre as instituições de ensino superior, a Universidade de Lisboa é frequentemente
destacada. A instituição tem-se mostrado particularmente eficaz ao lidar com a acreditação
dos estudos realizados pelos estudantes durante a mobilidade. O reconhecimento dos ECTS
favorece o reconhecimento académico, de forma a fortalecer a reputação académica em
Portugal.
34
35
4.4. Processos Digitais e Integração na comunidade
Ao ser questionado aos estudantes internacionais em Portugal, sobre o uso de
ferramentas digitais durante a mobilidade, é perceptível uma maior digitalização dos sistemas
estrangeiros (33,58%). Para Portugal, essa perceção destaca uma área de potencial
desenvolvimento, onde a integração de mais ferramentas digitais poderia contribuir para uma
experiência de aprendizado ainda mais rica e versátil para estudantes locais e internacionais.
Assim, ainda é preciso melhorar a divulgação e o acesso às soluções digitais na
mobilidade académica é crucial para alinhar Portugal com os objetivos da União Europeia,
visando tornar o Erasmus mais eficiente e acessível através da tecnologia.
36
A maioria dos inquiridos do XV ESNsurvey (63,6%) participou em atividades organizadas
tanto pela secção local da ESN, como por outras organizações, o que indica um forte interesse
em interagir com estudantes internacionais e participar em eventos sociais e culturais.
Uma pequena percentagem de inquiridos (9,5%%) indicou que não estava interessado
em participar em organizações deste tipo. Isto sugere que pode haver necessidade de mais
organizações para satisfazer as necessidades dos estudantes internacionais ou que existem
barreiras que impedem os estudantes de participar nestas atividades.
37
Os estudantes internacionais interagiram mais frequentemente com estudantes
internacionais de outras nacionalidades. Interagem com estudantes internacionais do seu país
de origem, mas com menos frequência
Os estudantes internacionais interagiram com menos frequência com estudantes locais
e com membros da comunidade local.
Estes dados demonstram uma maior interação entre os estudantes internacionais, que
não permanecem “fechados” num grupo social composto somente por outros alunos da sua
nacionalidade, mas ao mesmo tempo permanecem numa “bolha internacional” durante a sua
mobilidade.
Em termos sociais, as comunidades académicas, das quais a ESN e as suas secções
fazem parte, devem continuar a apostar em estratégias que coloquem em contacto os
38
estudantes internacionais com a comunidade local, de forma que estes tenham uma mobilidade
mais inclusiva e rica.
O programa Erasmus+ oferece mais do que apenas uma oportunidade académica para
os estudantes; abre portas para um vasto mundo de experiências que abrangem o
desenvolvimento de hobbies, interação cultural, engajamento social e prática desportiva. A
participação em atividades cívicas, como voluntariado e projetos comunitários, é
especialmente enriquecedora. Esses projetos vão além do currículo acadêmico ao fortalecer o
senso de responsabilidade social e pertencimento dos estudantes.
Ainda que a maioria dos inquiridos do XV ESNsurvey que participaram em mobilidade
em Portugal (55,1%), há percentagem significas de inquiridos que participarem em atividades
com associações académicas e juvenis (12,5%), e em atividades desportivas (12,5%).
Torna-se crucial promover e organizar estas atividades, e aumentar a percentagem de
jovens envolvidos, principalmente nas questões que possam responder ao interesse em
39
desporto e participação estudantil/académico, a qual contribui para enriquecer a experiência
de uma Erasmus e valoriza a conscientização e desenvolvimento pessoal.
4.5. Obstáculos sentidos em Portugal
40
Como esperado, os maiores problemas sentidos pelos estudantes em Portugal
prendem-se em questões económicas, nomeadamente em encontrar alojamento a preços
acessíveis (20,2%). Este problema segue o mesmo padrão sentido pelos estudantes nacionais.
Umas percentagens significativas dos obstáculos sentidos advém dos apoios aos
estudantes, que os inquiridos dizem ser insuficiente para o custo de vida em Portugal (18%), e
que esses mesmo apoio chegam atrasados (16%). Estes dados tornam-se preocupantes, uma
vez que poderá afastar jovens com menos oportunidades de realizarem mobilidade,
principalmente se não tiverem capacidade de colmatar o aumento do custo de vida, ou para se
sustentarem em caso de atraso no pagamento do apoio que lhes é devido.
Além das questões financeiras, é importante destacar as dificuldades de socialização
com a comunidade local, que também desempenham um papel crucial na inclusão sociocultural
dos estudantes internacionais. A integração em uma nova cultura e ambiente social pode ser
desafiadora, especialmente quando existem barreiras linguísticas e culturais que dificultam a
formação de conexões significativas com os residentes locais. Esta falta de interação pode
limitar a plena imersão dos estudantes na vida cultural do país anfitrião e reduzir o potencial de
aprendizado intercultural.
Estar longe de casa e da família durante um semestre pode representar um grande
desafio para muitos estudantes. Esta dificuldade foi mencionada por 9% dos participantes do
programa Erasmus+, refletindo o impacto emocional e psicológico da distância. No entanto, as
maiores dificuldades enfrentadas pelos estudantes giraram em torno de questões financeiras,
como a procura de acomodações acessíveis e a gestão das despesas cotidianas. Essas
preocupações não apenas afetam a experiência geral dos estudantes, mas também têm
implicações significativas para sua qualidade de vida durante a mobilidade.
41
4.6. Impacto da Mobilidade
Em termos do impacto da mobilidade das competências adquiridas, as respostas mais
comuns no XV ESNsurvey maior proficiência em línguas. Além disso, esta diversidade de
42
interesses contribui para tornar os estudantes mais tolerantes, apresentando um aumento de
7,1% no que toca a esta competência específica. A mesma percentagem aplica-se ao aumento
de suas capacidades comunicativas. Notavelmente, esses estudantes também afirmam ser mais
sociáveis, com uma a percentagem de resposta de 6,2%, e mais adaptáveis, com um acréscimo
de 6%, o que facilita sua integração em diversos ambientes e situações. Esses dados evidenciam
a importância de cultivar um leque amplo de interesses para promover o desenvolvimento
integral e a competência social dos alunos.
4.7. A influência do papel cívico com a experiência
Erasmus+
De acordo com os resultados preliminares do XV ESNsurvey, é evidente que o programa
Erasmus+ tem um impacto significativo no aumento da participação ativa dos estudantes nas
43
responsabilidades de um cidadão europeu. Os estudantes foram questionados sobre sua
identidade europeia e nacional, revelando que mais de 43% deles se reveem plenamente numa
identidade europeia. Além disso, aproximadamente 80% demonstraram interesse em
participar nas eleições europeias mais recentes, refletindo um forte compromisso cívico e
político entre os participantes do programa.
Estes resultados sublinham não apenas a dimensão educativa do Erasmus +, mas
também o seu papel na formação e conscientização da participação cívica dos estudantes. O
sentido de pertença e envolvimento é extremamente presente no projeto Erasmus +, o qual
prepara os estudantes para serem agentes de mudança em seus países de origem e além.
44
5. Estudantes não participantes de
mobilidades
5.1. Incentivos para a mobilidade
Relativamente aos incentivos existentes para a realização de mobilidade internacional,
existem vários tópicos que exploram e demonstram esta vontade em sair do seu país de origem
para realizar um intercâmbio educacional. Decidiu-se focar, consoante os resultados obtidos
45
do ESNsurvey, em duas grandes áreas: melhoramento de perspetivas de emprego, e as
experiências passadas de outros colegas.
Relativamente a mais informações sobre o impacto da mobilidade internacional nas
perspetivas de emprego, 70,5% dos inquiridos no ESNsurvey responderam que concordam ou
concordam totalmente que se obtivessem mais informações sobre o impacto da mobilidade
nas perspetivas de emprego incentivaria os mesmo a realizar essa mobilidade. Estes dados
revelam que para muitos estudantes um dos motivos para realizar mobilidade internacional é
expandir o seu currículo para obter melhores ofertas de emprego no futuro.
Sobre ouvir a experiência que outros estudantes tenham tido, pode ser visto acima que
esta tem um forte impacto na vontade em realizar uma experiência internacional. Dos
inquiridos, 79,1% concorda ou concorda totalmente que ouvir os alunos que estiveram no
estrangeiro teria um impacto significativo na sua vontade. Ouvir na primeira pessoa, junto dos
seus pares sobre as facilidades, complicações, benefícios, entre outros, em realizar mobilidade
faz com que qualquer pessoa tenha um contacto e uma ideia mais realista do que é estudar fora
do seu país.
46
Por fim, ouvir os empregadores que valorizam a experiência internacional também
demonstra ser um dos principais incentivos para realizar mobilidade internacional para os
inquiridos. 71,4% dos inquiridos que responderam ao ESNsurvey responderam que concordam
ou concordam totalmente que ouvir os empregadores a valorizam a experiência internacional
obtida contribuiria para realizarem mobilidade internacional. Fatores como conhecer novas
culturas, línguas e cidadãos impactam tanto a experiência internacional como um futuro
emprego a todos os cidadãos que tenham realizado qualquer experiência de mobilidade
internacional.
47
5.2 Barreiras
Já sobre as barreiras encontradas por estudantes que ainda não participaram em nenhum tipo
de experiência de mobilidade, os tópicos que se revelaram mais importantes foram os
constrangimentos financeiros (nomeadamente propinas, despesas de subsistência, e despesas
de deslocação) e a disponibilidade limitada de bolsas de estudo ou de ajuda financeira. Além
destes, fatores como a complexidade e a morosidade dos processos de candidatura aos
programas de mobilidade e a falta de informação e orientação sobre esses mesmos programas
revelam-se os principais obstáculos.
Mesmo com bolsas financeiras, que em grande parte dos casos demoram a chegar ou
chegam apenas no fim da mobilidade, é sabido que uma das principais razões para um
estudante decidir se realiza um programa de mobilidade internacional, ou não, baseia-se nas
condições financeiras que detém para conseguir realizar o mesmo. Como se consegue ver,
72,4% dos inquiridos responderam que propinas, despesas de subsistência, e despesas de
48
deslocação tem um impacto significativo ou muito significativo na sua decisão em realizar
mobilidade internacional.
Ainda sobre a parte financeira relativa à concretização de programas de mobilidade
internacional, além dos constrangimentos que possam existir, é sabido que as bolsas de estudo
ou de ajuda financeira são uma parte crucial para realizar mobilidade. Muitas vezes, são estas
bolsas que ditam a palavra final do estudante, em realizar mobilidade internacional ou não, no
seu longo processo de candidatura. É possível ver acima que a maioria dos inquiridos, 62,9%
concorda ou concorda totalmente que a disponibilidade limitada de bolsas de estudo ou de
ajuda financeira para estudantes internacionais constitui um obstáculo à participação. É
preciso aumentar o número de bolsas bem como aumentar o valor das já existentes.
49
As burocracias associadas às candidaturas a programas de mobilidade internacional
constituem outro dos principais problemas mencionados tanto por alunos que já realizaram
mobilidade ou que pretendem realizar. 55,6% dos inquiridos responderam que concordam ou
concordam totalmente que a complexidade e a morosidade dos processos de candidatura aos
programas de mobilidade constituem uma grande barreira. É urgente e imperativo colmatar
estas burocracias, principalmente numa era tão digital onde o processo poderia ser realizado
de forma completamente digital, tornando-o muito mais rápido e eficaz e, até, reduzindo o uso
de papel utilizado numa era onde a sustentabilidade é tema na ordem do dia.
50
Por fim, outro dos grandes problemas que os candidatos à mobilidade internacional
relatam é a falta de informação e orientação sobre os programas de mobilidade existentes.
Como é referido anteriormente, a grande maioria dos estudantes apenas conhecem o
programa Erasmus+ estudos, estando a perder a grande panóplia de oportunidades que o
programa Erasmus+ e a própria União Europeia oferece. 53,4% dos inquiridos concorda ou
concorda totalmente que a falta de informação e orientação sobre os programas de mobilidade
constituem uma importante e grande barreira para realizar mobilidade. É importante
comunicar melhor os diversos programas existentes bem como colmatar esta falta de
informação.
51
6. Auscultação às Secções Locais da
ESN Portugal
De forma complementar os dados do XV ESNsurvey, durante a LXX Plataforma Nacional
da ESN Portugal, a sua reunião máxima de tomada de decisão, onde estão presentes as suas 13
secções locais, foi feito um processo de auscultação sobre várias temáticas refletidas no
ESNsurvey, mas também procurar registar a sua experiência de proximidade com os estudantes
internacionais nas suas cidades e IES.
Sobre o que leva os estudantes internacionais a escolher as suas cidades, a escolha da
cidade portuguesa para realizar o programa Erasmus é influenciada por diversos fatores, como
prestígio das universidades, custo de vida, experiências de outros estudantes, localização
geográfica e cultura. A análise das respostas revela alguns padrões interessantes:
Porto e Coimbra: Destacam-se pelo prestígio das suas universidades, especialmente a
Universidade do Porto (UP) e a Universidade de Coimbra (UC). A experiência positiva de
estudantes anteriores e a grande comunidade internacional nestas cidades são fatores
importantes.
Aveiro e Minho: A localização central de Aveiro e o reconhecimento internacional da
Universidade de Aveiro como uma instituição amigável aos estudantes internacionais são
pontos fortes. A Universidade do Minho, por sua vez, destaca-se pelos numerosos acordos com
outras universidades, especialmente com instituições espanholas, e pelo custo de vida mais
baixo em comparação com o Porto e Lisboa.
Lisboa: A capital portuguesa atrai estudantes por sua oferta cultural diversificada, a
presença de universidades de renome internacional como o Instituto Superior Técnico e a Nova
SBE, e pela experiência de viver numa grande metrópole.
52
Cidades menores: Cidades como Aveiro, Tomar, Évora, Castelo Branco e Faro
apresentam vantagens como o custo de vida mais baixo, a possibilidade de estudar em cidades
mais calmas e a proximidade com a natureza, especialmente no Algarve. A Universidade de
Évora, por exemplo, atrai estudantes latino-americanos e espanhóis devido à língua e aos
protocolos diretos com universidades parceiras.
Sobre o processo de acolhimento de estudantes internacionais em diversas cidades
portuguesas revela uma série de desafios e oportunidades.
Desafios Comuns:
●
●
●
●
Alojamento: A falta de habitação estudantil adequada e a dificuldade em encontrar
alojamento são problemas recorrentes em diversas cidades, especialmente em
Coimbra, Porto, Castelo Branco, Covilhã, Algarve e Évora. A utilização de residências
universitárias por estudantes Erasmus também é um tema controverso em várias
instituições, que por vezes negam acesso a estudantes internacionais.
Burocracia: A burocracia excessiva e a falta de agilidade nos processos administrativos
são obstáculos comuns, como evidenciado em Coimbra, Minho e Lisboa.
Comunicação e informação: A falta de informações claras e oportunas sobre diversos
assuntos, como inscrição em cadeiras, horários e procedimentos burocráticos, é um
problema frequente em diversas cidades.
Língua: A oferta de aulas em português pode ser um entrave para estudantes
internacionais com baixo nível de proficiência na língua, ainda por vezes esteja explicito
nos learning agreement que certas unidades curriculares serão lecionadas numa outra
língua, mas acabam por ser também lecionadas em Português.
Felizmente as secções reconhecem várias boas práticas promovidas pelas IES,
nomeadamente:
●
Sessões de boas-vindas: Cada vez mais as IES procuram destaca-se pela realização de
sessões de boas-vindas obrigatórias e de qualidade, em colaboração com as
organizações estudantis presentes nas suas comunidades académicas.
53
●
Digitalização de processos: Existem várias IES que estão a apostar na digitalização dos
processos administrativos, mas ainda não é regra comum por todo o país. Este é um
passo importante para agilizar e facilitar a vida dos estudantes.
Sobre o processo de acolhimento, as secções locais da ESN Portugal recomendam uma
melhoria da comunicação: É fundamental melhorar a comunicação com os estudantes
internacionais, fornecendo informações claras e oportunas sobre todos os aspetos da vida
acadêmica e social.
É igualmente importante um contínuo investimento na simplificação dos processos
burocráticos para facilitar a integração dos estudantes, enquanto é necessário um aumento da
oferta de alojamento, e trabalhar para criar mecanismos de informação e combate à fraude na
habitação.
As secções locais da ESN Portugal afirmar a satisfação dos estudantes internacionais com
suas experiências de mobilidade nas diversas cidades portuguesas:
A satisfação com a mobilidade parece ser alta, com um aumento no número de estudantes
a cada ano, e é com agrado que vemos que mais IES estão a investir em envolver os estudantes
internacionais em iniciativas para os seus Alumni,
Muitos estudantes procuram estender a sua mobilidade, e muitos voltam para visitar os
laços criados durante o seu período de mobilidade, e um número substancial voltar a Portugal
para completar um outro ciclo de estudos, ou mesmo para concluir estágios internacionais.
Em suma, Portugal é um destino bastante atrativo para os estudantes internacionais, mas
ainda enfrenta obstáculos significativos para estudantes com menos oportunidade, e deve
continuar a investir em estabelecer colaborações benéficas para aumentar a qualidade e
satisfação nos programas de mobilidade para a juventude.
54
7. Recomendações
O programa Erasmus+ representa uma oportunidade ímpar para estudantes europeus
expandirem seus horizontes académicos, profissionais e pessoais através da mobilidade
internacional. Em Portugal, como em muitos países europeus, a adesão ao Erasmus+ não só
enriquece as experiências individuais dos estudantes, mas também fortalece a integração
europeia e promove a coesão social. Contudo, para maximizar os benefícios desse programa, é
essencial refletir sobre algumas recomendações para elaborar estratégias eficientes de
atuação em vista aos desafios enfrentados pelas mobilidades.
Assim, as seguintes recomendações visam, por meio dos resultados obtidos pelo XV
ESNsurvey, permitir as secções da ESN Portugal a responderem aos desafios enfrentados pelos
estudantes que fazem a representação e proporcionar melhor as oportunidades oferecidas
pelo Erasmus+, contribuindo para um ensino superior mais inclusivo, dinâmico e
internacionalmente orientado.
1. Divulgação e Conscientização dos Programas de Mobilidade Internacional:
●
Expandir campanhas esclarecedoras e incentivadoras sobre o programa
Erasmus+ para alcançar um público mais amplo de estudantes. Destacar os
benefícios académicos, profissionais e pessoais da mobilidade internacional
pode aumentar a adesão e a satisfação dos participantes.
55
● Reforçar a importância da mobilidade como uma ferramenta para
fortalecer os laços entre países europeus e promover a integração cultural.
2. Foco na Digitalização dos Sistemas Académicos:
●
●
Promover e facilitar a adoção de plataformas online como o Erasmus
without paper e o Online Learning Agreement (OLA) para simplificar os
processos administrativos. Isso não apenas reduz a burocracia, mas também
melhora a eficiência e a transparência do programa Erasmus+.
Sensibilizar os estudantes sobre as vantagens da digitalização para uma
experiência Erasmus mais integrada e moderna, incentivando o uso dessas
ferramentas durante todo o ciclo de mobilidade.
3. Reconhecimento de Direitos do Programa Erasmus+:
●
●
Implementar sessões informativas e materiais educativos para garantir que
todos os participantes do programa estejam cientes de seus direitos,
deveres e regulamentos desde o início da mobilidade.
Colaborar estreitamente com as instituições de ensino e a ESN para
assegurar que os direitos dos estudantes sejam respeitados e promovidos
durante toda a experiência Erasmus+.
4. Melhoria da Experiência Erasmus+:
●
●
Reforçar a colaboração entre as Instituições de Ensino Superior e as
secções da ESN para melhorar os serviços administrativos, académicos e
culturais oferecidos aos estudantes Erasmus+.
Implementar feedback contínuo dos estudantes para identificar áreas de
melhoria e garantir uma experiência satisfatória e enriquecedora para todos
os participantes.
56
5. Advogar por Melhores Condições de Acomodações:
●
●
Expandir as opções de acomodação, como residências universitárias, para
criar um ambiente mais inclusivo e acolhedor para estudantes
internacionais.
Promover intercâmbios culturais entre estudantes locais e internacionais
através de iniciativas que incentivem a convivência e a compreensão mútua.
6. Diversificação das Atividades da ESN:
●
●
Ampliar o leque de atividades oferecidas pela ESN para incluir uma
variedade maior de interesses e hobbies dos estudantes, atraindo uma
participação mais diversificada.
Integrar atividades que também promovam os valores e causas da ESN,
aumentando o impacto e o engajamento dos estudantes nas comunidades
locais.
7. Incentivar a Colaboração com Organizações Cívicas Locais:
●
●
Estabelecer parcerias com outras organizações estudantis e comunitárias
para diversificar as oportunidades oferecidas aos estudantes Erasmus+.
Incluir associações académicas, empresas júniores e outras entidades locais
para expandir as atividades extracurriculares e os projetos de voluntariado.
8. Pesquisa de Satisfação para Atividades Locais:
●
Realizar pesquisas regulares para compreender melhor as preferências dos
estudantes e adaptar as atividades locais para atender às suas necessidades
culturais e sociais específicas.
57
●
Utilizar os resultados das pesquisas para melhorar continuamente a oferta
de atividades e eventos que sejam relevantes e atrativos para os estudantes.
9. Incentivar a Promoção dos Projetos da ESN de Maneira Mais Atrativa:
●
●
Aprimorar a estratégia de comunicação e utilizar diversas ferramentas de
promoção para garantir que todos os estudantes estejam cientes das
atividades oferecidas pela ESN.
Utilizar plataformas digitais, redes sociais e parcerias com meios de
comunicação para aumentar a visibilidade e o alcance das iniciativas da ESN.
10. Suporte Financeiro:
●
●
Defender políticas que aumentem o suporte financeiro disponível para os
estudantes participantes do programa Erasmus+, garantindo que todos
tenham acesso igualitário às oportunidades de mobilidade.
Facilitar o acesso a bolsas e financiamentos adicionais para minimizar
preocupações financeiras e permitir uma participação plena nos programas
internacionais.
11.Desenvolvimento do Buddy Programme:
●
●
Expandir e diversificar as atividades oferecidas pelo Buddy Programme
para proporcionar um acolhimento mais abrangente e personalizado aos
estudantes internacionais.
Fortalecer a colaboração com outras organizações estudantis e
comunitárias para maximizar o impacto do programa na integração e na
adaptação dos estudantes.
58
Implementar estas recomendações não apenas fortalecerá o programa Erasmus+ em
Portugal, mas também contribuirá para um ensino superior mais inclusivo, dinâmico e
internacionalmente orientado.
8. Conclusões
Os resultados do XV ESNsurvey destacam o papel fundamental da ESN Portugal na
promoção da mobilidade académica e na melhoria da experiência dos estudantes
internacionais em Portugal. Através de análises detalhadas sobre a percepção do programa
59
Erasmus+, o reconhecimento dos direitos dos participantes, a satisfação com as Instituições de
Ensino Superior, e a conscientização sobre questões como sustentabilidade e digitalização,
identificaram-se áreas-chave para intervenção e aprimoramento.
As recomendações delineadas neste relatório visam fortalecer a divulgação do
programa Erasmus+, promover a digitalização dos sistemas académicos, garantir o
reconhecimento adequado dos direitos dos estudantes, melhorar a qualidade da experiência
Erasmus+, proporcionar melhores condições de acomodação, diversificar as atividades da ESN,
promover a colaboração com organizações cívicas locais, realizar pesquisas de satisfação para
atividades locais, incentivar a promoção atrativa dos projetos da ESN, garantir suporte
financeiro adequado, além de expandir e desenvolver o Buddy Programme.
Essas iniciativas não só visam aprimorar a integração dos estudantes internacionais em
Portugal, mas também contribuir para o crescimento contínuo da Erasmus Generation. A ESN
Portugal desempenha um papel essencial como a principal organização que promove a
integração e defende os direitos dos estudantes internacionais no país. As recomendações
apresentadas foram concebidas para atender às necessidades identificadas pelos estudantes,
mas também é crucial uma análise mais aprofundada das necessidades locais através de
pesquisas específicas e uma colaboração contínua com as Instituições de Ensino Superior em
cada região.
Dessa forma, a ESN Portugal está empenhada em aproximar-se constantemente dos
estudantes e em satisfazer as exigências de um ambiente académico mais inclusivo, dinâmico e
preparado para os desafios pessoais e profissionais futuros que os estudantes possam
enfrentar.
60
61
ESN Portugal
Reitoria da Universidade do Porto, sala 500
4099-002 Porto, Portugal
www.esnportugal.org
62