20LER 3 (03-07-2025) 24
Terceiro número da publicação escolar da Escola Portuguesa De São Tomé e Príncipe: "20LER"
Terceiro número da publicação escolar da Escola Portuguesa De São Tomé e Príncipe: "20LER"
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19.ª EDIÇÃO - ANO VIII
TRIMESTRAL (ABR-JUN)
N.º 3 / 2024-2025
notícias
ACONTECEU ENTRE ABRIL E JUNHO
sociedade
saúde
cinema
criação artística
TEMAS & APONTAMENTOS
Escola Portuguesa
de São Tomé e Príncipe
Centro de Ensino e da Língua Portuguesa - CELP
20LER - JORNAL ESCOLAR
da Escola Portuguesa de São Tomé e Príncipe
Centro de Ensino da Língua Portuguesa - CELP
Direção
Manuela Costeira
(Diretora)
Carlos Gomes, Pedro Lorena
(Adjuntos da Direção)
Tiragem
Ano VIII / 19.ª Edição
(n.º 3 / 2024-2025)
120 Exemplares
(trimestral
abril-junho 2025)
Formato online em http://escolaportuguesa.com
Coordenação 20LER
Pedro Campos
(Clube de Comunicação e Informação)
Equipa de Redação
António Silva
(Coordenação do Clube de Jornalismo)
Daniel Pires, Eliany Fernandes, Emily Ceita
Eufémia Teixeira, Filipa Souza, Francisca Chibeles
Hanna Ogbuji, Ioan Liégeois, Loyde Barreto
Marlene Mata, Naomi Quaresma, Neyma Dalva
Patrícia Bandeira, Riana Sousa
(Redatores permanentes do Clube de Jornalismo)
Grafismo
Pedro Campos
Revisão
António Silva, Inês Gomes
Jorge Roque, Pedro Campos
Escola Portuguesa de São Tomé e Príncipe
Centro de Ensino e da Língua Portuguesa - CELP
Campo de Milho - C.P. n.º 636 - São Tomé
http://escolaportuguesa.com / +239 999 58 19
direcao@escolaportuguesastp.com
(Contactos)
Informações, sugestões, esclarecimentos
e envio de textos para publicação
clubecomunicacao@escolaportuguesastp.com
Capa
Diana Neves
n. 2009
(“Ron Mueck no Equador”, pastel de óleo s/ cartolina
in 5.ª Edição “Exposição Desafios”)
Contracapa
Pedro Campos
Fotografia
Hélio Alves, Joana Nunes, João Simões
Jorge Roque, Margarida Correia, Pedro Campos
https_boeing_stp.blogspot.com.html
(& restantes autores de textos com imagens anexas)
EDITORIAL
por Pedro Lorena
(Adjunto da Direção)
Nove Anos a Crescer com a Comunidade
Chegamos ao final de mais um ano letivo, o nono da história da Escola Portuguesa
de São Tomé e Príncipe. Ao olharmos para trás, é impossível não sentir orgulho
no caminho trilhado. Ao olharmos para a frente, é impossível não ver um futuro
promissor, construído todos os dias com dedicação, exigência e afeto.
A nossa escola continua a afirmar-se como um verdadeiro espaço de encontro,
partilha e crescimento. Ao longo deste ano, uma vez mais, ficou evidente a enorme
proximidade entre a escola e a comunidade escolar: pais, alunos, professores,
funcionários e parceiros caminharam lado a lado, com o mesmo propósito: formar
cidadãos conscientes, preparados para um mundo cada vez mais exigente e
global.
O Projeto Educativo que nos orienta não é estático. Ele cresce, adapta-se,
renova-se a cada ano com novas ideias, desafios e conquistas. E é precisamente
esse dinamismo que nos tem permitido consolidar uma escola que já é, hoje, uma
referência em São Tomé e Príncipe e uma ponte viva entre os nossos dois países.
Sabemos que os alunos são o futuro. Por isso, tudo o que fazemos no presente,
cada aula, cada projeto, é desde já uma semente lançada para o amanhã de São
Tomé e Príncipe e para o fortalecimento das relações entre os nossos povos.
Educar é acreditar. E nós acreditamos profundamente no valor, no talento e no
potencial das nossas crianças e jovens.
Agradecemos a todos os que fizeram parte deste percurso ao longo do ano. Que
esta edição do jornal escolar seja não só um espelho do que vivemos, mas
também uma inspiração para o que ainda está por vir.
Boas férias, e até breve.
NOTA REDATORIAL
Pensar criticamente o que nos rodeia
A redação do jornal escolar
20LER surge a partir de uma
articulação entre o Clube de
Informação e Comunicação,
coordenado pelo professor
Jorge Roque e pelo professor
Pedro Campos, o professor
António Silva, responsável pela
supervisão da redação e a
Direção da Escola Portuguesa
de São Tomé e Príncipe.
Todas as quintas-feiras, a
redação reuniu para poder
trazer à comunidade escolar
notícias frescas e atuais, com o
intuito de potencializar o debate
entre todos. Ainda que com
vários percalços, julgamos ter
cumprido com aquilo a que nos
propusemos no início do ano
letivo.
Nós, como membros da
redação, esperamos ter levado
até vós, caríssimos leitores,
notícias, artigos e reportagens
do vosso agrado.
É esta, a nosso ver, a grande
função de um jornal e, por
consequência lógica, do
jornalismo: pensar criticamente
sobre a conjuntura e fazer
notícias com a máxima
honestidade intelectual
possível.
O ano termina, e, embora
tenha sido muito cansativo,
temos a franca sensação de
que tudo valeu a pena e que
saímos daqui com uma maior
bagagem nestas andanças do
jornalismo.
Esperamos que este clube
possa ter continuação no ano
que vem e que mantenha um
número tão assíduo de
membros; esperamos que
novos membros possam
aparecer para que a redação
se mantenha viva e dinâmica e
capaz de pôr os alunos a
pensar criticamente sobre
aquilo que os rodeia.
Os jovens, cada vez mais
alheados nas redes sociais e
nas fake news, estão a perder
o costume de verificar a
fidedignidade das notícias; não
podemos deixar que a nossa
geração caia nessa
embrulhada, alimentando
populismos que, cada vez
mais, tomam conta das nossas
sociedades. Precisamos de
jornais a sério, com um
jornalismo de confiança e,
sobretudo, de leitores
exigentes.
Esperemos que possam
desfrutar desta nova edição.
A redação aproveita,
igualmente, para desejar umas
ótimas férias a todos e um bom
e merecido descanso.
Boa leitura!
P’ la REDAÇÃO do 20LER
n. entre 21/8/2008 & 2/11/2012
Ilustração
Alsónia Borges, n. 21/2/2009
“Cruzeiro Seixas no Equador”
grafite s/ cartolina
in 5.ª Edição “Exposição Desafios”)
FÓRUM CIÊNCIA VIVA
EPSTP marca presença na cidade do Porto
Nos dias 3 e 4 de abril, a
Escola Portuguesa de São
Tomé e Príncipe participou no
Fórum da Ciência Viva,
realizado na cidade do Porto,
em Portugal, junto de outras
Escolas Portuguesas.
As alunas Sara Jauregui e
Sílvia Cruz, do 11.º ano de
Ciências e Tecnologias,
representaram a escola com
entusiasmo, partilhando ideias
com colegas de outras escolas
e participando ativamente nas
diversas atividades do evento.
No stand da escola,
apresentaram alguns dos
projetos que têm vindo a ser
desenvolvidos no âmbito da
promoção da ciência na Escola
Portuguesa.
A adesão ao evento foi
significativa e a experiência
revelou-se muito positiva,
reforçando o papel da ciência
no percurso educativo dos
jovens lusófonos.
Margarida Carvalho
Projeto “Ciência Viva Na Escola”
N O T Í C I A S 5
BONECAS VIAJANTES
Projeto da EPSTP em articulação com
nove escolas portuguesas no estrangeiro
Durante a segunda semana de
maio, esteve em exposição no
átrio da escola o projeto
“Bonecas Viajantes” que foi
sendo concretizado ao longo
do ano letivo.
Este projeto nasceu na Escola
Portuguesa de São Tomé e
Príncipe (EPSTP), em
articulação com nove escolas
portuguesas no estrangeiro,
com o objetivo de se fazer um
intercâmbio cultural.
Trata-se de um intercâmbio sui
generis, porque as viagens
internacionais não serão feitas
por alunos, mas por bonecos
que os representam e que
incorporam a identidade
cultural do seu país. As
bonecas santomenses foram
ganhando vida nas aulas
do 1.º Ciclo e de Educação
Visual, desde o esboço até à
sua conceção com materiais e
técnicas tradicionais. Depois,
essas bonecas ganharam uma
identidade e os alunos
atribuíram-lhes nomes
inspirados em figuras históricas
ou do folclore cultural do país.
Nas aulas de História e de
Geografia de São Tomé e
6 N O T Í C I A S
Príncipe, os alunos fizeram um
levantamento de figuras
históricas nacionais, das
tradições e património e
escreveram a biografia de cada
boneca e um relato de como é
o seu dia-a-dia na ilha. Esses
textos, acompanhados de
ilustrações e de fotografias,
foram copiados para diários de
viagem. Cada boneca é
acompanhada por um diário
que a identifica e que conta
aspetos relevantes da cultura
do seu país e do que sente ao
partir para uma viagem cheia
de expectativas e entusiasmo.
Em maio passado, cada uma
das bonecas e os respetivos
diários viajaram para uma
determinada escola portuguesa
no estrangeiro.
As bonecas já chegaram ao
seu destino e, agora, aguardam
com entusiasmo serem
acolhidas por alunos e suas
famílias e viverem aventuras
juntos.
Irão conhecer algumas
habitações, provar comidas
tradicionais, escutar canções e
aprender os passos de danças
tradicionais, irão participar nas
festividades mais importantes
desse país, conhecer
monumentos e museus e fazer
algumas caminhadas para
descobrir a fauna e a flora
locais. Essas aventuras irão
proporcionar
muitas
aprendizagens às bonecas,
que irão registar nos
respetivos diários os textos
produzidos, com base nessas
experiências, e colar fotografias
e algumas lembranças que
foram recolhendo desta
aventura.
No final do próximo ano letivo
(2025-2026), a EPSTP irá
receber os diários repletos de
histórias e aventuras vividas
pelas nossas bonecas que
serão partilhados por várias
turmas, servindo de recurso
didático em várias disciplinas.
Entretanto, a nossa escola já
acolheu de braços abertos a
vinda de bonecos que nos
chegaram de cinco países:
“Kianda, a sereia”, da Escola
Portuguesa de Luanda; o pintor
Malangatana, da Escola
Portuguesa de Maputo; o
“Crocodilo Lafaek”, da Escola
Portuguesa de Díli, entre outros
bonecos vindos de outras
escolas.
Estão ansiosos para que os
alunos os levem a conhecer as
maravilhas de São Tomé e
Príncipe!
P’ la Equipa do PNA
Plano Nacional das Artes
N O T Í C I A S 7
LATITUDES
Língua Portuguesa une Penacova a São Tomé
Escolas de São Tomé e de
Penacova celebram o Dia
Mundial da Língua Portuguesa
em conjunto.
Língua Portuguesa.
A atividade enquadrou-se na
iniciativa Latitudes da Língua
Portuguesa, com o objetivo de
afirmar a Língua Portuguesa
como plataforma de
entendimento, criação e
partilha entre alunos de
diferentes geografias e
culturas.
Na segunda videoconferência,
o foco foi totalmente dedicado
a Luís Vaz de Camões, figura
central da celebração deste
ano. Após uma breve troca de
perguntas entre os alunos —
que quiseram saber mais sobre
o quotidiano e as práticas
escolares dos colegas —,
seguiram-se
três
apresentações muito criativas.
No âmbito das comemorações
do Dia Mundial da Língua
Portuguesa, assinalado a 5 de
maio e inserido na proposta da
Rede de Bibliotecas Escolares,
realizou-se uma atividade
especial que uniu alunos da
EPSTP e do Agrupamento de
Escolas de Penacova (SPA e
Lorvão), em Portugal.
Em 2025, esta celebração
ganhou um significado ainda
mais profundo, ao associar-se
às comemorações do V
Centenário do Nascimento de
Luís Vaz de Camões, um dos
maiores símbolos literários da
A proposta desafiava as
escolas a criarem conexões,
presenciais ou virtuais, com
outras instituições onde se fala
ou ensina português,
promovendo momentos de
encontro, diálogo e celebração
conjunta. A EPSTP aceitou
esse desafio com entusiasmo e
estabeleceu ligação com duas
escolas do Agrupamento de
Escolas de Penacova. Foram
realizadas duas videoconferências
que envolveram
quatro turmas — duas de cada
escola — e um total de 55
alunos da nossa escola, que se
aproximaram através da língua
que os une.
Na primeira sessão, os alunos
apresentaram as suas escolas
e regiões. Utilizaram vídeos,
fotografias e apresentações em
PowerPoint para mostrar o
espaço escolar, tradições
locais e características culturais
marcantes.
Foi exibido o vídeo “Ecos de
Camões”, declamados poemas,
apresentado um “Cartão de
Cidadão” simbólico do poeta,
retratos ilustrados e, num
momento final divertido, uma
apresentação em forma de
charadas rimadas que
desafiava os participantes a
adivinhar quem era a
personagem descrita —
Camões, claro.
Para partilhar todo o trabalho
realizado, será ainda criado um
padlet colaborativo, onde
ficarão disponíveis todos os
materiais produzidos pelas
turmas envolvidas.
Foi, sem dúvida, uma
oportunidade enriquecedora de
encontro cultural, de
construção de pontes e de
celebração daquilo que mais
nos une — a Língua
Portuguesa.
8 N O T Í C I A S
Joana Osório, Departamento do 1.º Ciclo
& Helena Massano, Coordenação da Biblioteca Escolar
PELA EQUIDADE DE GÉNERO
Dia Internacional da Mulher
No âmbito do Projeto de
Educação para a Saúde (PES),
a Escola Portuguesa de São
Tomé e Príncipe (EPSTP)
dedicou a semana de 10 a 14
de março à comemoração do
Dia Internacional da Mulher.
Durante esta semana, foi
realizado um mural
colaborativo, onde alunos e
professores deixaram as suas
mensagens de reconhecimento
e gratidão às mulheres,
destacando a importância da
equidade de género.
Promoveram-se atividades,
durante todo o mês, que
incentivaram a reflexão sobre a
igualdade de género e a
valorização do papel das
mulheres na sociedade.
Nas aulas de Cidadania e
Desenvolvimento do 2.º e 3.º
ciclos, bem como nas aulas do
1.º ciclo, os alunos assistiram a
uma curta-metragem sobre
igualdade de género, seguida
de um debate, permitindo uma
reflexão aprofundada sobre o
tema e promovendo um espaço
de diálogo e troca de ideias.
No dia 11 de março, os alunos
do 12.º ano participaram numa
formação dinamizada pelo
Instituto Nacional para a
Equidade e Igualdade de
Género, onde aprenderam com
as técnicas desta organização,
diferentes
dinâmicas
educativas relacionadas com a
temática. Posteriormente,
esses alunos replicaram as
atividades junto dos colegas
mais novos, garantindo a
continuidade do trabalho de
sensibilização.
As sessões conduzidas pelos
alunos do 12.º ano ocorreram
nos dias 14 e 21 de março,
envolvendo diferentes turmas e
promovendo
uma
aprendizagem participativa e
colaborativa.
A EPSTP reforça assim o seu
compromisso na promoção da
equidade de género,
incentivando os alunos a
desenvolverem
uma
consciência crítica e
participativa na construção de
uma sociedade mais justa e
igualitária.
Paula Fernandes
Coordenação do PES - Projeto de Educação Para a Saúde
N O T Í C I A S 9
LEITURA EM FAMÍLIA
Programa para a promoção de hábitos de leitura
Teve início no ano letivo
2023/2024, em São Tomé e
Príncipe, o programa Leitura
em Família, uma iniciativa
integrada no Plano Nacional de
Leitura (PNL) de Portugal, com
o objetivo de fomentar hábitos
de leitura em ambiente familiar
e fortalecer a relação entre a
escola e a comunidade.
A implementação do programa
começou com ações de
formação dirigidas às
professoras bibliotecárias da
Escola Portuguesa de São
Tomé e Príncipe (EPSTP) e da
Biblioteca Nacional de São
Tomé, assegurando uma base
sólida de capacitação para a
disseminação posterior entre
os docentes do arquipélago.
escolas Básicas de Boa Morte,
Batepá, Trindade, Capela,
Santo Amaro, Io Grande,
Santana, Mário Moniz e de São
João da Vagem.
Os prémios finais do concurso
foram patrocinados pela
EPSTP e a grande final está
agendada para o dia 28 de
junho, na Biblioteca Nacional
de São Tomé, numa cerimónia
que promete celebrar a leitura,
a criatividade e o envolvimento
comunitário.
Este projeto reforça os laços
entre Portugal e São Tomé e
Príncipe no domínio da
educação e da promoção da
literacia, e deixa uma semente
de entusiasmo que se espera
ver crescer nos próximos anos.
Seguiu-se um processo de
capacitação e partilha de
conhecimento com os
professores das escolas
públicas, promovendo a
integração da leitura em família
nas práticas pedagógicas
locais.
Neste ano letivo foi lançado o
1.º Concurso de Leitura em
Família de São Tomé e
Príncipe. O concurso contou
com a participação de 11
escolas, nomeadamente: a
Escola Básica de Santo
António (Região Autónoma do
Príncipe), a EPSTP e ainda as
Os livros lidos pelos alunos e
respetivas famílias foram
oferecidos pela EPSTP,
entidade que tem tido um papel
central no apoio logístico e
pedagógico da iniciativa.
O concurso contou com uma
forte adesão das famílias,
demonstrando o impacto
positivo da leitura partilhada.
1 0 N O T Í C I A S
Helena Massano
Coord. da Biblioteca Escolar
A CELEBRAÇÃO DA MULHER
Vidas reconstruídas
No âmbito da disciplina de
Filosofia, no dia 8 de março de
2025, celebrou-se o Dia
Internacional da Mulher. Esta
efeméride foi assinalada na
EPSTP, ao longo da semana
de 10 a 14 de março, com a
concretização de algumas
atividades, designadamente a
construção de um padlet
comemorativo. A construção
deste mural digital foi da
responsabilidade solidária de
todos os alunos do 11.º ano, os
quais puderam (re)construir as
vidas de algumas mulheres
inspiradoras da História
Universal que com o seu
conhecimento, arte e talento
ajudaram a transformar o
mundo. Por outro lado, os
alunos também tiveram
oportunidade para desenvolver
debates sobre as questões de
igualdade de género no
contexto de São Tomé e
Príncipe. Na verdade, este dia
serviu de mote relevante para
refletir sobre a luta das
mulheres por igualdade de
direitos e seu reconhecimento
ao longo da História. É uma
data para celebrar as
conquistas, mas também para
lembrar que ainda há muito a
fazer em prol de uma
sociedade mais justa e
inclusiva.
Coletivo de Alunos
Filosofia, 11.º Ano
FÍSICA DE PARTÍCULAS
Cinco alunos do 10.º e 11.º ano
de Ciências e Tecnologia da
EPSTP, participaram, no dia 29
de março, na 21.ª edição das
Masterclasses Internacionais
em Física de Partículas,
intitulada “Ser Cientista por um
Dia... Com as Mãos nas
Partículas”, realizada na
Universidade de São Tomé e
Príncipe.
Durante a atividade, os
estudantes exploraram o
mundo da física de partículas,
e analisaram dados reais do
CERN, vivendo a experiência
de “ser cientista por um dia”.
Uma iniciativa enriquecedora
que reforça o compromisso da
escola com a promoção da
ciência.
Margarida Carvalho
Departamento de Matemática e Ciências Experimentais
N O T Í C I A S 1 1
HORTA PEDAGÓGICA
Primeiro ciclo inaugura colheita de 2025
Com enorme entusiasmo e
espírito de equipa, os alunos
do 1.º Ciclo deram início à sua
horta pedagógica, dando
continuidade a um projeto que
tem vindo a crescer ao longo
dos últimos anos.
Durante o 2.º período,
arregaçaram as mangas e
prepararam cuidadosamente o
terreno: removeram pedras e
ervas daninhas, afofaram a
terra e criaram as condições
ideais para receber sementes e
novas plantas. Com empenho e
alegria, semearam alface,
tomate, rúcula, rabanete,
pepino, maquequê, beringela,
entre outras espécies de
vegetais e legumes.
Foi com emoção que
acompanharam o crescimento
das plantas, celebrando com
gratidão cada dia de chuva que
tanto ajudou a natureza a fazer
o seu trabalho. A rúcula,
sempre apressada, não tardou
a cobrir o solo com um manto
verde vibrante. O seu aroma
despertou a curiosidade dos
pequenos agricultores, embora
o seu sabor forte e
característico ainda esteja a
conquistar alguns paladares.
Num momento especial, todos
tiveram a oportunidade de
saborear uma fresquíssima
salada de rúcula, pepino e
rabanete — prova viva de uma
horta cultivada com carinho e
dedicação por mais de 200
mãos pequeninas.
Até ao final do ano letivo, a
horta continuará a crescer,
sempre com o contributo das
famílias e o entusiasmo dos
nossos jovens agricultores.
Os alunos agradecem aos
Encarregados de Educação
pela generosa oferta de
sementes e plantas, aos
funcionários que auxiliaram na
preparação do solo e cuidaram
da horta durante a pausa letiva
da Páscoa, e, claro, à mãe
natureza, pela sua terra fértil e
acolhedora.
A horta pedagógica floresce
com a dedicação dos alunos do
1.º Ciclo.
Departamento
Curricular do 1.º Ciclo
1 2 N O T Í C I A S
A ARTE
DE REPRESENTAR O ESPAÇO
Trabalho com maquetes
Ao longo do primeiro período, e
parte do segundo, os alunos da
turma A do 9.º ano tiveram a
oportunidade de explorar o
fascinante mundo da
arquitetura e da construção de
maquetes. Ao longo deste
projeto, os estudantes
aprenderam conceitos
fundamentais que envolvem a
criação de maquetes, como a
importância da escala, a
seleção de materiais e a forma
como essas escolhas
influenciam a representação de
um espaço.
O primeiro conteúdo trabalhado
foi a escala. Compreender a
escala correta é essencial para
que as maquetes representem
de forma fiel e realista os
objetos e os espaços que se
pretendem modelar. Assim, ao
trabalharem na criação das
suas maquetes, os alunos
aplicaram noções matemáticas
e geométricas, aprendendo a
medir e a reduzir as proporções
de forma precisa, garantindo
que os elementos da maquete
fossem proporcionais e
fidedignos.
materiais tem um papel
decisivo na representação dos
objetos. Cada material, seja
papel, cartolina, madeira,
espuma ou outro, oferece
características diferentes que
podem ajudar a representar.
Durante o processo de
construção, os alunos também
exploraram a criatividade e a
resolução de problemas. Cada
maquete foi uma oportunidade
para aplicarem os
conhecimentos adquiridos,
atenção especial aos detalhes
e permitiu aos alunos
expressarem a sua visão
pessoal do espaço escolar.
Este projeto foi, portanto, uma
excelente oportunidade para os
alunos não só desenvolverem
habilidades
técnicas
relacionadas com a construção
de maquetes, mas também
para compreenderem o
processo de criação de
espaços arquitetónicos e a
importância de representar o
mundo de forma tridimensional.
O trabalho desenvolvido pelos
alunos do 9.º A, para além de
demonstrar o seu empenho,
demonstra também a sua
capacidade criativa e técnica
na construção de maquetes
que refletem o seu
entendimento do espaço
escolar e da arquitetura.
Carolina Rocha
Professora de Artes Visuais
Outro aspeto importante que os
alunos abordaram foi a seleção
dos materiais.
Perceberam que, ao construir
uma maquete, a escolha dos
experimentarem e encontrarem
soluções para os desafios que
surgiram ao longo do trabalho.
A construção de maquetes
exigiu paciência, precisão,
N O T Í C I A S 1 3
A FESTA DO DIA DE ÁFRICA
A escola como mosaico cultural
Na Escola Portuguesa de São
Tomé e Príncipe, a Festa do
Dia de África é uma explosão
de vida, cores e tradições que
enche o coração de todos de
alegria e orgulho. Logo a partir
das oito horas, o espaço da
escola transforma-se num
verdadeiro mosaico cultural,
onde os tecidos africanos
ganham destaque, com os
diversos padrões coloridos,
cheios de história que alunos,
pais e professores vestem com
originalidade, entusiasmo e
sempre com respeito.
O ar perfuma-se com os
aromas irresistíveis da
gastronomia africana: o calulu,
o molho no fogo, a cachupa, o
funge, o caril de camarão, o
frango com amendoim e outras
delícias típicas que convidam a
uma viagem pelos sabores do
continente. As bancas
coloridas, preparadas com
energia, diversão e carinho
pelos alunos e as suas
famílias, são um convite à
partilha e à descoberta.
Enquanto isso, a música ecoa
pelos corredores — danças e
melodias que fazem o corpo
mexer e a alma vibrar. As
danças protagonizadas pelos
alunos e algumas professoras,
cheias de ritmo e energia,
envolvem todos numa
celebração coletiva, onde
alunos, pais e comunidade
escolar se juntam num abraço
cultural que ultrapassa
gerações.
Nesta festa, a Escola
Portuguesa de São Tomé e
Príncipe não só celebra o Dia
de África, como também
fortalece os laços de
identidade, respeito e união
entre todos os que fazem parte
desta comunidade vibrante.
Por via das aulas de Mandarim
por cá ministradas, a China
junta-se à festa com uma
participação muito especial:
extrapolam-se as fronteiras do
continente africano, abraça-se
a Ásia demonstrando o poder
da inclusão e afirma-se a
interculturalidade como a única
via possível para um futuro de
todos, para todos.
Este ano letivo, para além de
Portugal e São Tomé e
Príncipe, os habituais países
anfitriões, estiveram ainda
representados na Festa de
África as seguintes nações:
África do Sul, Angola, Cabo
Verde, Gana, Guiné-Bissau,
Guiné Equatorial, Moçambique,
Nigéria e Gabão.
É um dia onde as culturas
santomense e africana brilham
em cada sorriso, em cada
passo de dança, em cada
sabor partilhado — um
verdadeiro tributo à riqueza e à
beleza de África.
1 4 N O T Í C I A S
Joana Pessoa
Grupo Disciplinar de Português
“O seu amor e orgulho por fazerem parte de
um continente cheio de cultura e histórias.”
No dia 25 de maio celebra-se o
Dia da África, uma data
importante que representa
todos os africanos, realçando o
seu amor e orgulho por
fazerem parte de um continente
cheio de cultura e histórias. No
entanto, foi no dia 31 de maio,
num sábado, que se celebrou,
aqui, na Escola Portuguesa de
São Tomé e Príncipe.
Na visão de uma estudante, foi
um dia repleto de felicidade e
cheio de risadas. Na feira
gastronómica, cada barraca
expressava-se de um jeito
único. As danças foram
realizadas por estudantes de
todas as idades, sendo
representadas com paixão e
dedicação. Cada apresentação
— os momentos musicais, as
danças, a declamação de
poemas — foi muito
significativa para mim.
Espero que este dia tenha sido
muito especial para todas as
pessoas que participaram e
estiveram presentes neste
evento promovido pela escola.
Naomi Quaresma
n. 14/8/2009
N O T Í C I A S 1 5
A VIDA
DOS ANIMAIS IMPORTA
PAFC - 11.º Ano (tema geral)
Este ano, o tema escolhido
para o nosso Projeto de
Autonomia e Flexibilidade
Curricular (PAFC) foi “A Vida
dos Animais Importa!”, no
âmbito da saúde animal. Este
tema foi trabalhado sob
diferentes ângulos, tais como a
comunicação, as emoções, o
risco, a proteção, os valores e
a resiliência.
Nós, alunos, inspirámo-nos na
frase “Black Lives Matter” para
criar o tema do nosso PAFC.
Ao longo do trabalho
desenvolvido, decidimos focarnos
nos animais que estão em
vias de extinção e naqueles
que são maltratados em São
Tomé e Príncipe.
Foram escolhidos sete animais:
os cães, os gatos, as
tartarugas, os papagaios, a
lagaia, o tubarão-baleia e o
macaco-mona.
Organizámo-nos em seis
grupos, tendo cada um ficado
responsável por um animal
específico, com o objetivo de o
estudar, compreender os
motivos que o colocam em
perigo de extinção ou em
situação de maus-tratos, e
refletir sobre o que pode ser
feito para o proteger. Como
resultado deste trabalho, foram
criados vídeos de
sensibilização para a
importância da vida animal e
infografias que serviram de
suporte à realização do
workshop final, que decorreu
no âmbito da Semana Cultural,
no dia três de junho.
O workshop foi organizado em
três estações de jogos: um quiz
com perguntas sobre o mundo
animal, o jogo dos alimentos e
o twister move com os sons
dos animais. Estas atividades
foram distribuídas por três
turnos, dirigidas aos alunos das
turmas do 4.º, 5.º e 6.º anos.
Com este projeto, pretendemos
sensibilizar para a importância
do bem-estar animal, da
proteção da biodiversidade e
da adoção de práticas
sustentáveis. Ao mesmo
tempo, desenvolvemos
competências como a
pesquisa, a reflexão crítica, o
trabalho em grupo e o sentido
de responsabilidade — tal
como é proposto no Perfil dos
Alunos à Saída da
Escolaridade Obrigatória.
O nosso projeto foi
apresentado no Auditório da
escola, no passado dia seis de
junho.
P’ la Coordenação do PAFC
11.º Ano de escolaridade
1 6 N O T Í C I A S
NO MUSEU NACIONAL
DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
Visita de estudo pela preservação da cultura
Foi com expectativa que, no dia
14 de março de 2025, se
realizou uma visita de estudo
ao Museu Nacional de São
Tomé, no âmbito das
disciplinas de Filosofia (11.º
anos) e História da Cultura e
das Artes (10.º ano). Procurouse
desta forma articular o
currículo com a realidade local
e incentivar à preservação da
cultura e das artes.
Foi uma experiência
enriquecedora e inolvidável,
uma vez que os participantes
tiveram a oportunidade de
assistir a uma verdadeira
história ao vivo, através das
explicações, in loco, dos
responsáveis do museu. Por
outro lado, ao explorarem as
exposições e coleções do
museu, os alunos tiveram
ocasião de compreender a
História, a cultura e o
património de São Tomé e
Príncipe, através de um outro
olhar.
A interação com essas peças
despertou a curiosidade e o
interesse dos alunos,
incentivando-os a questionar,
aprender e refletir sobre a rica
herança cultural do país.
Oxalá, a visita de estudo tenha
promovido a valorização da
história e cultura de São Tomé
e Príncipe, ajudando os alunos
a desenvolver o seu espírito
crítico.
Durante a visita, puderam ver
em primeira mão documentos
históricos, obras de arte e
artefactos culturais que os
transportaram para diferentes
épocas e contextos.
Coletivo alunos do 11.º Ano
Grupos Disciplinares de Filosofia & História
N O T Í C I A S 1 7
JUNHO, MÊS DO ORGULHO
Que se gritem direitos - o silêncio mata
Em Junho celebra-se o mês do
orgulho. Um mês em que o
mundo progressista celebra a
conquista de direitos humanos
para uma população que foi, e
ainda é, muito marginalizada.
No dia 28 de Junho, de 1969,
houve uma rebelião no bar
Stonewall Inn, um bar
controlado pela máfia, em Nova
Iorque. A comunidade
LGBTQIA+ aí se reunia, no
entanto, e com muita
frequência, sofria variadíssimos
tipos de violência pela polícia.
Naquele dia, e em resposta aos
ataques constantes, houve
uma série de tumultos
provocados pela clientela do
bar que estava farta de ser
ostracizada pelas autoridades
policiais. Esta efeméride
inspirou a criação e a
organização de marchas do
orgulho e fez de junho o “mês
arco-íris”.
O assunto em torno das várias
identidades LGBTQIA+ ainda é
tratado em surdina, como se
não fosse uma realidade.
Existe e deve ser falado. O
silêncio mata... E a falta de
familiaridade com o assunto,
entre os alunos, sobretudo
entre adolescentes, motivados
por uma narrativa social
tendencialmente
preconceituosa, pode
desencadear, por parte de
alguns, reações adversas e de
aversão que levarão a atos,
mais ou menos isolados, de
bullying.
As escolas têm tentado
naturalizar a situação, sendo,
frequentes vezes, alvo de
debate nas turmas, no âmbito
de disciplinas adequadas. No
entanto, e nos últimos tempos,
em Portugal e noutras parte do
mundo ocidental, há quem
queira ocultar o assunto como
se este não existisse e não
fosse uma realidade. No fim,
quem se trama são os jovens
que, e para além de terem de
lidar internamente com a
complexidade em torno da sua
sexualidade não-normativa,
acabam, ainda, por ver a sua
situação exposta e
eventualmente ridicularizada
por alguns colegas que o
fazem, única e simplesmente
pela falta de informação e de
proximidade com o assunto.
A escola é, a nosso ver, o local
ideal para que todas e todos
aprendam a normalizar uma
questão que deve ser, em
definitivo, normalizada. Caso
não aconteça, as
consequências poderão ser
bastante danosas para os
alunos em causa e, em última
instância, para a sociedade que
importa construir. Afinal, somos
a geração de amanhã.
Dito isto, que se continue a
celebrar a bandeira colorida;
que se grite e que se peçam
direitos e visibilidade para uma
população que é, ainda, e em
muitos locais do mundo,
fantasma.
P’ la REDAÇÃO do 20LER
n. entre 21/8/2008 & 2/11/2012
Na minha opinião, falar sobre a
comunidade LGBTQIA+ com
os jovens é importante para
que percebam que existem
pessoas com gostos diferentes
e para aprenderem a respeitálas,
quer gostem, ou não.
Somos todos iguais, somos
todos humanos, todos da
mesma espécie e não há
necessidade de preconceitos,
agressões e por aí fora. Há
apenas que saber respeitar os
outros.
No meu ponto de vista, as
pessoas da minha idade não
lidariam muito bem com
alguém LGBTQIA+ no início,
pois não estão muito
habituadas com essas
situações, devido à
comunidade em que vivemos,
mas acredito que, depois de
um tempo, se acostumariam. É
por isso mesmo que se deve
adaptar os jovens a estas
situações, para que saibam
lidar com isso sem preconceito,
porque acabarão por ver
muitos casos destes na vida.
13 82 SN O CT IÍEC DI A SD E
Fotografia
Júlia Pinheiro, n. 10/8/2009
(repr. d´ ”OS AMANTES”, de R. Magritte)
Eufémia Teixeira, n. 2/11/2012
MEDIA: LIBERDADE E ÉTICA
PAFC - 10.º Ano (tema específico)
O tema geral do PAFC do 10.º
ano, no ano letivo 2024/25, foi
“Media – Enquadramentos e
Desafios”. Ao nosso grupo
coube explorar as temáticas da
liberdade e ética. Decidimos
investigar a importância da
liberdade de expressão nos
meios de comunicação e a
forma como esta se manifesta
em São Tomé e Príncipe, bem
como analisar a
responsabilidade ética dos
jornalistas, a forma como as
notícias são divulgadas e o
impacto disso na sociedade (...)
As questões pertinentes que
colocámos às entidades
entrevistadas, a “TVS”, a
Santola TV” e a “RSTP”,
incidiram sobre os temas que
podem ser lidos a seguir.
i) Que tipo de conteúdo
noticioso é abordado?
Todos afirmaram tratar
qualquer tipo de notícia, desde
que seja relevante, educativa
ou desperte o interesse da
população.
ii) Que meios digitais e não
digitais utilizam?
A “TVS” explicou que, apesar
da necessidade de
modernização, ainda funciona
com um sistema analógico. Por
dependerem do Estado para
aquisição dos equipamentos, o
processo de digitalização está
em curso.
Já a “Santola TV” e a “RSTP”
utilizam plataformas digitais
como o Facebook, YouTube,
Instagram e TikTok, sendo o
Facebook o mais utilizado, por
ser a rede social mais popular
entre os santomenses.
iii) Como é feita a recolha da
informação?
A “Santola TV” e a “RSTP”
recebem fontes, notas de
imprensa ou recolhem
informação no terreno. A
“TVS”, por sua vez, obtém a
maior parte das informações
através de fontes estatais e
organiza reuniões diárias para
planear os temas a
desenvolver.
iv) Existe verificação das
fontes antes da publicação?
Sim, em todos os casos. Os
três órgãos são unânimes em
afirmar que não se publica
nada sem confirmação da
veracidade. Caso surja algum
erro, deve ser feita uma
correção pública.
v) Existe algum tipo de filtro,
constrangimento ou
limitação, na divulgação de
informações?
vi) A profissão interfere com
a vida pessoal?
vii) Há riscos associados ao
exercício da profissão?
Nenhum dos entrevistados
referiu sofrer censura
institucional. No entanto, foi
mencionado que, em São
Tomé e Príncipe, "somos todos
primos" – ou seja, a
proximidade entre as pessoas
torna delicada a exposição de
casos que envolvam
conhecidos ou familiares. Isso
pode levar a conflitos pessoais
ou até a intimidações por parte
de figuras com influência.
Ainda assim, todos
sublinharam a existência do
Conselho Superior de
Imprensa, que protege os
jornalistas e permite apresentar
queixas.
viii) A população santomense
valoriza o jornalismo
enquanto profissão?
Segundo todos os
entrevistados, há algum
reconhecimento, mas ainda é
necessário um maior
investimento na valorização
desta profissão, que é
considerada nobre, mas que
não tem, ainda, o destaque
merecido no país.
Abdel Santos
Josana da Cruz
Lisandra Paixão
Luana Pinto
S O C I E D A D E 1 9
n. 24/9/2008
n. 26/5/2009
n. 6/4/2009
n. 24/3/2009
África é o berço da
humanidade, onde surgiram
os primeiros seres humanos
e onde se desenvolveu uma
das maiores diversidades
culturais do planeta.
ÁFRICA
Berço da humanidade
Com mais de duas mil
línguas e centenas de
culturas únicas, o continente
africano é um verdadeiro
tesouro de tradições,
danças, músicas, vestuários
e gastronomias.
As suas paisagens naturais
são de cortar a respiração,
contendo desde desertos e
savanas, a florestas e
montanhas que abrigam uma
biodiversidade incrível. Além
disso, África é riquíssima em
recursos naturais essenciais
ao mundo atual, como ouro,
diamantes, petróleo e
minerais.
Mas a importância de África
vai muito além dos seus
recursos.
Desde sempre o continente
tem dado contribuições
valiosas para a cultura
global. Na música, géneros
como o jazz, os blues, o
samba, o reaggae e o
afrobeat, têm a sua génese
em África. Na moda, na arte,
na filosofia e na ciência,
tanto o pensamento quanto a
criatividade africana
continuam a influenciar o
mundo.
Por isso, celebrar África,
reconhecer o seu valor,
combater os estereótipos
injustos e dar visibilidade às
vozes africanas é o mínimo
que podemos fazer pelo
continente; valorizar os seus
povos e a sua história é um
passo essencial para
construirmos um mundo
mais justo e com
conhecimento das suas
origens.
África é um continente de
força, beleza e sabedoria e
merece ser celebrado e
lembrado todos os dias.
Existem inúmeras palavras
para descrever África. Além
de ser um continente com 54
países, está repleto de
diferentes culturas, religiões,
histórias, línguas/crioulos e
muito mais. Por isso, acho
que África é um continente
autêntico e cheio de
diversidade, porém,
necessita de
desenvolvimento, focando-se
na educação dos jovens e na
mudança de mentalidade.
É triste o facto do continente
em questão ser pouco
conhecido pelos outros.
Ainda mais triste, é ser
pouco conhecido pelos
próprios africanos, visto que
muitos desconhecem a sua
terra: não conhecem os
crioulos, os dialetos e as
línguas; não conhecem a sua
origem, a sua história, os
seus costumes e tradições.
Temos de olhar para o nosso
lugar com orgulho e temos
que valorizar as nossas
raízes. Não é só o que vem
de fora que é bom. As
mentes têm que ser
descolonizadas!
África é, também,
conservadora, porque as
nossas noções sobre alguns
novos pontos de vista, quer
queiramos, quer não, são
influenciados pelos nossos
antepassados. Temos de ter
cuidado, para não deixar que
ideias ultrapassadas tomem
conta de nós.
África tem de olhar para o
futuro!
2 0 S O C I E D A D E
Hannah Ogbuji, n. 13/8/2009
& Patrícia Bandeira, n. 4/6/2009
(membros permanentes da redação do 20LER)
SEM LIXO NO CHÃO,
O MUNDO FICA MELHOR
4.º lugar, a nível nacional, no projeto IRIS
A aluna Maria de Fátima Pinto,
da turma B do 4.º Ano,
representou com orgulho a
nossa escola no Concurso de
Ideias de Inovação Social do
projeto Mudar o Mundo, tendo
sido classificada em 4.º lugar a
nível nacional.
Este concurso, promovido pela
IRIS – Incubadora Regional de
Inovação Social, no âmbito do
programa educativo do Instituto
do Banco Europeu de
Investimento, desafia crianças,
famílias e agentes educativos a
pensarem de forma criativa
para encontrar soluções para
problemas sociais e ambientais
graves.
A ideia da Maria, com o título
"Sem lixo no chão o mundo fica
melhor!", destacou-se entre
centenas de propostas por
apresentar uma solução prática
e inclusiva para o problema do
lixo nas ruas da cidade de São
Tomé. A proposta consiste na
criação de “(...) um concurso
mensal de recolha de lixo, onde
os participantes que mais
contribuírem para a limpeza da
cidade são premiados: os
menores de idade recebem
material escolar e os adultos
recebem cestas básicas ou
estojos de primeiros socorros.”
“Para além disso, o lixo
recolhido é enterrado com
segurança, sendo o local
depois reflorestado com
árvores, ajudando também a
combater as alterações
climáticas.”
Durante a cerimónia final, onde
foram apresentados os dez
projetos finalistas, foi exibido
um vídeo explicativo da ideia
da Maria, que reflete a sua
criatividade, preocupação
ambiental e espírito cívico, que
pode ser visto na seguinte
ligação:
Vídeo "Sem Lixo no Chão,
o Mundo Fica melhor"
Joana Nunes, Grupo Disciplinar 1.º Ciclo
& Maria de Fátima Pinto, n. 13/5/2015
S O C I E D A D E 2 1
PARLAMENTO DOS JOVENS
O ato eleitoral como futuro da democracia
No dia 16 de Maio, entre as 7 e as 10
horas da manhã, ocorreu, na nossa
escola, uma eleição para o
Parlamento Infantojuvenil de São
Tomé e Príncipe. Os moldes em que
decorre esta eleição assemelham-se
àqueles que regem a eleição
homónima que costuma decorrer em
Portugal e na qual costumamos
participar.
Assim, as mesas de voto foram
colocadas, como de costume, no hall
de entrada da escola, juntamente com
os cadernos eleitorais, e procedeu-se
a mais um ato eleitoral.
O objetivo de atividades como esta é
mostrar à comunidade escolar, no
geral, e aos alunos, em particular,
quais são os procedimentos que
devem guiar as boas práticas
democráticas, para que esses valores
possam vir a pautar a sua vida futura.
Nos dias que correm, as sociedades
ocidentais, baluartes da democracia,
têm sido ameaçadas por novas vagas
de autoritarismo; por esse motivo,
importa sensibilizar as novas gerações
para a importância da preservação
das instituições democráticas.
Em conversa com o jornal 20LER,
algumas das candidatas que são,
também, membros permanentes da
redação, assim como outros membros
que a constituem, referiram que a
política é importante entre os jovens,
uma vez que desenvolve o seu
sentido crítico.
política desenvolvido e, portanto,
importa cativar aqueles que ainda não
o têm. Para isso propõem temas mais
interessantes e que possam chegar
aos mais novos.
As candidatas, em uníssono, disseram
gostar muito de política e que se
imaginam, no futuro, a ter intervenção
nessa área; costumam acompanhar a
política portuguesa e a política
internacional, gostando muito de
assistir aos debates. Sobre a política
nacional, de São Tomé e Príncipe,
sente-se, entre estas alunas, um
grande desalento e uma tremenda
falta de confiança relativamente ao
futuro.
As alunas consideram que a
democracia não é plena, revelando
alguns défices democráticos; culpam,
também, a grande falta de informação
que reina entre a população
santomense.
As cinco candidatas são a prova cabal
da vivacidade da nossa escola e,
sobretudo, a demonstração de que a
mulher, cada vez mais, vai
conquistando o seu lugar entre as
posições de decisão.
A eleição teve uma forte afluência,
com uma abstenção baixíssima e
decorreu sem nenhum percalço.
Contudo, deixam a ressalva, que,
embora seja muito salutar este tipo de
iniciativas, por norma, quem participa,
são alunos que têm já o interesse pela
2 2 S O C I E D A D E
P’ la REDAÇÃO do 20LER
n. entre 21/8/2008 & 2/11/2012
POLÍTICA
Qual a sua importância na vida dos jovens?
A política é importante na vida
dos jovens, apesar de passar
um pouco despercebida (pelo
menos é isso que nos dizem os
adultos). Mas nós, que temos
idade suficiente para pensar
por nós próprios, chegámos à
conclusão de que a política é
importante porque afeta tanto o
nosso presente como o nosso
futuro. E é nossa obrigação
enquanto jovens e futuros
líderes, sabermos ser pessoas
justas, coerentes e imparciais,
pois estamos a presenciar uma
época em que o mundo vem
enfrentando governos
corruptos causadores de
guerras, deixando pessoas
desalojadas, refugiadas e até
mortas.
Fotografia
Carlos Oliveira
n. 3/9/2009
(repr.
d´ ”O FILHO DO HOMEM”
de R. Magritte)
Somos nós quem devemos
mudar isso, pois se formos
deixar o nosso futuro nas mãos
de pessoas egoístas e que
destroem o seu próprio
presente, então
esquece! Devemos começar a pensar
por nós próprios e não
passarmos a vida a fazer aquilo
que nos dizem.
Nós somos o futuro deste
planeta e está nas nossas
mãos emendar aquilo que os
mais velhos fizeram.
Apesar de não ser das
melhores políticas, é a
realidade em que nos
encontramos.
São Tomé e Príncipe tem um
governo corrupto e isso afeta
muito a vida das pessoas, a
economia do país e o seu
desenvolvimento.
Agora falando de uma forma
geral, ou seja, dos governos
que existem no mundo, afetam
de uma forma negativa a vida
dos jovens, por exemplo,
devido às guerras que causam
cortes de luz, menos comida e
até, às vezes, impossibilitando
a ida à escola e afetando a
educação dos jovens.
A nova geração tornar-se-á o
futuro da sociedade, com a sua
nova forma de pensar, e a
política é significativa para os
jovens, pois aprendem a ser
melhores cidadãos, aprendem
os seus deveres e a tomar
decisões, conhecem um pouco
mais da comunidade em que
vivem, mas também colaboram
na construção de uma
sociedade mais justa para
todos.
É não olhar só para o próprio
futuro, mas também para o
amanhã da sociedade.
Daniel Pires, Eufémia Teixeira & Ioan Liégeois
n. 28/5/2012, 2/11/2012 & 13/10/2012
S O C I E D A D E 2 3
AUTOCONHECIMENTO
“Transformar ervas daninhas em perfumes”
Foi proposto pela EPSTP o
desenvolvimento de atividades
para os dias culturais, a cargo
dos docentes das várias
disciplinas. Perante este
desafio, o professor de
Filosofia em colaboração com
os alunos desta disciplina
foram aprofundando um desejo
comum de implementar uma
sessão sobre a importância do
autoconhecimento e assim
nasceu o presente texto.
da comunicação interpessoal.
Dada a complexidade humana,
ninguém consegue ter de si
próprio uma imagem correta.
Ninguém vê, exatamente, todas
as dimensões do “Eu” ou
facetas da sua personalidade.
Recorrendo ao esquema da
“Janela de Johari” (ver em
baixo), criado por Luft e Ingham
para representar o grau de
lucidez nas relações
interpessoais, podemos
No frontispício do templo de
Apolo em Delfos, lia-se a
inscrição Gnôthi Seautón, que
significa literalmente “conhecete
a ti mesmo” - profunda
mensagem sobre o
autoconhecimento que
sobreviveu ao longo dos
séculos. Não obstante as
dificuldades inerentes, cada
pessoa pode melhorar o
conhecimento de si e descobrir
algumas aptidões escondidas,
É fascinante a aventura de
aprender a descobrir as outras
pessoas. Não menos
fascinante é a aventura de
descobrir-se a si mesmo e
tomar consciência das próprias
capacidades e limitações. Uma
pessoa que se conhece
poderá, mais facilmente,
superar os seus pontos fracos
e desenvolver os seus pontos
fortes. Desta forma, dará um
passo decisivo na construção
da sua autoestima e da
autoconfiança, atitudes
preponderantes e facilitadoras
conceber quatro dimensões do
“Eu”: aberto; secreto; cego e
desconhecido.
Estas
dimensões diferenciam-se pelo
facto de serem mais ou menos
conhecidas pelo próprio e pelos
outros.
De facto, o homem vai tendo a
crença de que vai conhecendo
e dominando a natureza,
contudo, está longe de
conhecer-se a si mesmo. Há,
em todos nós, talentos de
várias espécies que nunca
chegamos a conhecer.
com o intuito de fortalecer a
autoestima e ultrapassar as
suas limitações.
A autoestima, desde que seja
equilibrada, não afasta as
pessoas umas das outras. Pelo
contrário, quem gosta de si
cultiva relações humanas mais
positivas, pois não vive
dependente da aprovação dos
outros, nem receia as suas
críticas.
Quem gosta de si está mais
disponível para gostar dos
2 4 S A Ú D E
outros. “Só existe um amor que
aguenta tudo … e dura toda a
vida. É o amor próprio.”,
preconizava Moliére.
Sob este postulado, pode dizerse
que para ser feliz, uma
pessoa tem de aprender a viver
com os outros, mas
incontornavelmente tem de
aprender a viver consigo
mesma, porque é a sua única
companhia de todos os dias, de
todas as horas, de todos os
minutos e segundos. Qualquer
pessoa pode renunciar a
algumas amizades, mas
ninguém pode dispensar a
companhia de si própria. Viver
bem consigo significa aceitarse
e manifestar apreço por si,
isto é, ter amor-próprio, apesar
de todas as suas limitações
pessoais.
Viver bem consigo é olhar para
além das limitações. Foi assim
que o ser humano conseguiu
transformar ervas daninhas em
perfumes, venenos em
medicamentos e feras em
animais domésticos. Foi assim,
também que muitas pessoas se
tornaram célebres. Em vez de
desperdiçarem tempo a
lamentar as suas fragilidades,
investiram todas as energias no
desenvolvimento das suas
capacidades. Exemplos? Vejase
o livro de recordes do
Guiness, onde se registam as
proezas de pessoas que
apostaram nas suas forças.
Conhecem-se inúmeros casos
célebres na história.
Demóstenes, apesar de tímido
e gago, transformou-se num
dos mais ilustres oradores da
Grécia antiga. Hellen Keller,
apesar de cega e surda, foi
uma notável escritora do século
XX.
A autoaceitação tem efeitos
positivos no desenvolvimento
pessoal e nas relações
interpessoais. Quando uma
pessoa se aceita como é, tem
mais facilidade em aceitar os
outros como são e a viver em
harmonia com eles. “Eu sou
diferente, aceito-me como sou
…” é o raciocínio positivo que
facilita a relação consigo e com
os outros.
Na verdade, a vida precisa de
todo o tipo de pessoas, como a
floresta necessita de todo o tipo
de árvores e a orquestra
carece de todo o tipo de
instrumentos. Quando
assumimos e desenvolvemos a
nossa diferença, acabamos por
viver melhor. Afinal, é agindo
com originalidade que
verdadeiramente
nos
descobrimos, é desafiando as
nossas fragilidades que
podemos conhecer as nossas
capacidades e superar-nos.
Enfim, o caminho do
autoconhecimento é uma
aventura contínua e inacabada
de construção da nossa
identidade.
Fotografia
Ayres Cassandra, n. 18/11/2008
(repr. d´ ”A BEBEDORA DE ABSINTO”, de P. Picasso)
Coletivo Alunos e Professor
de Filosofia
S A Ú D E 2 5
A SAÚDE MENTAL
entre os mais jovens
No século XXI a questão da
saúde mental tem merecido o
destaque que merece. Durante
muito tempo, este tópico era
colocado de parte e era visto
com desconfiança. Procurar
ajuda mental era, então,
sinónimo de fraqueza.
Hoje em dia, felizmente, tanto
homens como mulheres
procuram terapeutas para
poderem conversar sobre os
seus problemas e para melhor
entenderem a raiz daquilo que
os aflige; sobretudo, entre a
população mais jovem. Nós,
jovens, habituámo-nos à
presença de psicólogos nas
escolas e, com isso, a
conversar com eles com
alguma assiduidade, o que nos
fez tornar natural a questão da
saúde mental.
Algumas pessoas mais velhas
dizem que antigamente não
havia problemas de saúde
mental. Dizem que a ansiedade
e a depressão são questões
dos dias de hoje. Não poderiam
estar mais erradas... O que
acontecia, antigamente, é que
se tinha criado o hábito de não
se falar nos assuntos sensíveis
catalisadores de problemas do
foro psicológico; as pessoas
eram aconselhadas a reprimir e
a calar. Nos dias de hoje, entre
a população com menos de 40
anos, falar começa a deixar de
-ser visto como necessidade
primordial.
Dito isto, e com base em
algumas entrevistas realizadas,
tentaremos identificar quais
serão as problemáticas que
mais influenciam a saúde
mental entre os jovens nos
nossos dias.
Assim, percorremos a nossa
escola e colocámos as três
seguintes questões:
1. O que entendes por saúde
mental?
2. Como achas que está a
saúde mental dos mais jovens?
3. O que achas que a afeta
negativamente?
Obtivemos as seguintes
respostas:
ARLETE ARAÚJO
(Auxiliar de Ação Educativa)
“A saúde mental, para mim,
são pessoas que precisam de
mais cuidado médico
especializado; são pessoas
que precisam de mais ajuda,
porque já nascem com uma
deficiência mental. A saúde
mental, nos jovens, hoje em
dia, está um bocado baralhada,
porque alguns pensam mais
por divertimento e por aí fora, e
esquecem-se, inclusive, de si
mesmos e dos seus pais.
O que afeta negativamente é
beber, fumar, estar sempre nas
redes sociais, não ter uma boa
noite de sono e entrar na vida
sexualmente ativa muito cedo.”
STELLA NEVES
(Aluna, Turma A do 9.º Ano)
“Na minha opinião, saúde
mental é a qualidade do nosso
estado psicológico. O que a
afeta negativamente é o stress
provocado pelo bullying, por
exemplo. Na nossa época
estamos muitos expostos às
opiniões alheias e tudo isso
afeta o nosso aproveitamento
escolar. O pior de tudo é a
autoestima. Eu vi uma notícia,
na semana passada, em que
os casos de suicídio em Cabo
Verde aumentaram bastante
por causa da escola e pelo
bullying que há em muitas
escolas, entre alunos.”
MÁRCIO MENDES
(Aluno, Turma A do 9.º Ano)
“A saúde mental nos jovens,
hoje em dia, está um pouco
abalada por causa da
tecnologia e dos telemóveis.”
JOEL DE ANDRADE
(Aluno, Turma B do 8.º Ano)
“A saúde mental, para mim, é
quando tu tens controlo sobre
aquilo que tu pensas.
2 6 S A Ú D E
Ilustração
Samyra Sy, n. 27/12/2015
(repr. d´ ”O GRITO”, de E. Munch)
“A saúde mental dos jovens,
hoje em dia, não está lá muito
boa e o que a afeta
negativamente é o uso do
telemóvel que faz com que os
jovens andem a ver muitas
coisas erradas na Internet.”
Entrevistámos, ainda, a
psicóloga da nossa escola,
Telma Paz, acerca do assunto,
com o objetivo de entender as
questões relacionadas com a
saúde mental dos jovens e
adolescentes, principalmente
na nossa comunidade escolar.
Segundo a especialista, os
jovens e adolescentes da
atualidade são mais
conscientes da temática da
saúde mental e já conseguem
reconhecer a importância da
psicologia nas nossas vidas.
Esta consciência e
reconhecimento, embora sejam
boas, têm o seu lado
preocupante. Atualmente, os
jovens têm mais dificuldades
para lidar com os desafios do
quotidiano e tendem a
problematizá-los, o que nos
leva a ser intitulados de “a
geração mais ansiosa e menos
autoconfiante que já se viu”.
Muitas vezes, os jovens não
sabem lidar com as pequenas
desavenças e contratempos,
associando, até as pequenas
falhas, a problemas e
instabilidades mentais.
Acredita-se que a família e os
amigos têm grande impacto na
saúde mental dos jovens, pois
aqueles são os principais
responsáveis por moldar as
bases destes.
De certa forma, a exigência do
ensino acaba por impactar
também a nossa saúde mental,
principalmente aos jovens mais
dedicados e pressionados. As
meninas são as mais sensíveis
e percebem com mais
facilidade o seu estado mental,
muitas vezes vistas como
“dramáticas”, enquanto que os
rapazes são, por norma, mais
desleixados e menos
esforçados.
Isolamento, stresse frequente,
perda de memória, desânimo e
apatia, comportamento
impulsivo, insónia diária, falta
ou excesso de apetite,
ansiedade, alteração do humor
e exclusão social, são alguns
dos inúmeros sinais de alerta
existentes.
Embora as pessoas já tenham
uma maior consciência das
questões mentais, ainda há
uma certa dificuldade de
reconhecimento por parte de
alguns. É difícil lidar com
pessoas que não aceitam ou
reconhecem os seus
problemas.
Nestes casos, é importante
levar a pessoa a fazer análises
e a reconhecer essas
dificuldades.
A psicóloga Telma formou-se
em psicologia, pois sempre
teve em si o desejo de ajudar e
encaminhar os jovens.
“Sempre gostei de trabalhar
com pessoas e de ajudá-las a
ultrapassar os seus problemas,
colaborando para que
consigam organizar as suas
emoções e o seu bem-estar”,
disse-nos.
A profissional acredita que é
importante a autovalorização e
ser-se seletivo e cuidadoso nas
escolhas das amizades e
pessoas que possam fazer
parte do nosso ciclo social,
porque elas têm um impacto
direto no nosso bem-estar e
desenvolvimento pessoal.
Pode este tema continuar a ser
lido, nas páginas seguintes,
por via da transcrição da
segunda parte da entrevista a
Dina Castro, a professora de
Educação Especial da nossa
escola (no número anterior do
20LER, pode ser lida a primeira
parte).
P’ la REDAÇÃO do 20LER
n. entre 21/8/2008 & 2/11/2012
Ilustração
Américo Tomé, n. 5/1/2015
(repr. de ”JOVEM NA PRAIA”, de E. Munch)
S A Ú D E 2 7
FALAR É FUNDAMENTAL
A saúde mental
na ótica da Educação Especial
E quais são os sinais
demonstrados pelos jovens
mentalmente perturbados?
Há muitos sinais ligados aos
transtornos mentais, mas,
quando um jovem começa a
isolar-se, a dizer que não tem
amigos...
Às vezes nós pensamos que
não temos amigos e que os
outros colegas não querem
nada connosco. Normalmente,
é ao contrário. Somos nós que
nos afastamos, mas dizemos
que são os outros que não
querem nada connosco. Este
comportamento é importante:
se vocês virem um colega a
afastar-se, ele vai com certeza
dizer “Ah, os meus colegas não
gostam de mim.”
Na verdade, é o próprio que se
quer afastar, só que não
percebe porquê. Não se sente
à-vontade, então diz que são
os outros.
Ver o afastamento como um
sinal de alerta, é muito
importante.
Dormir na sala de aula e estar
constantemente cansado é
outro dos sinais ao qual
devemos todos estar atentos.
Atenção! Vocês são jovens,
não têm compromissos por aí
além, a não ser estudar.
Portanto, não perdem horas de
sono porque têm filhos
pequenos ou porque têm
assuntos graves para resolver.
Perdem horas de sono porque
fazem má gestão do tempo ou
porque há algo que vos está a
impedir de serem funcionais.
Estes comportamentos, à
partida, poderão ser
indicadores de que algo está
mal.
O insucesso escolar também
pode ser indicador da presença
de um transtorno. Depois, há
aqueles comportamentos ditos
“normais”, como criar conflitos.
Se alguém cria um conflito por
tudo e por nada,
frequentemente, também é um
alerta.
Como lida com o silêncio de
alguns alunos?
Falar é fundamental. O
transtorno mental é um
problema - não é uma doença!
Uma doença é estar com gripe.
Resolve-se com certa
facilidade indo a uma farmácia.
Se tem uma síndrome, por
exemplo, o que acontece?
Pessoas que nasceram com
uma síndrome... É algo
complexo, mas é percetível.
Ninguém precisa de ser
especialista para perceber que
a criança tem Trissomia 21. É
uma condição genética que,
por vários fatores, aconteceu e,
normalmente, esses jovens
/crianças podem não ter,
sequer, noção do problema.
2 8 S A Ú D E
Fotografia
Alivana Cravid, n. 6/11/2009
(repr. d´ ”A CRIAÇÃO DE ADÃO”, de Michelangelo B.)
Fotografia
Fábio Luís
n. 29/9/2009
(repr. d´ ”O DESESPERO”
de G. Courbet)
Depois, temos os transtornos: a
depressão, a ansiedade, a
hiperatividade, o défice de
atenção, o autismo, os
distúrbios alimentares, entre
outros, e que são os
silenciosos. Uma pessoa não
tem febre, não tem dor de
cabeça (às vezes até tem, mas
não são o tipo de dores de
cabeça que se aliviam com
uma aspirina). As pessoas até
se podem queixar: “sinto um
aperto no peito; estou triste;
não tenho vontade de fazer
nada; estou sempre cansado;
não consigo focar-me; não
consigo concluir uma tarefa;
estou sempre a adiar; não
gosto de mim; estudo muito
mas não tenho positiva nos
testes; fico muito ansioso nos
testes; ...” mas, normalmente,
ninguém morre com estes
sintomas, certo?
Assim, aparentemente, não
estamos perante um problema
grave. Portanto, os sintomas
dos transtornos por vezes não
são valorizados.
Antes de mais, uma pessoa
tem de reconhecer que algo
está errado consigo, falar dos
sintomas, revelar as suas
inquietações e a melhor forma
é a comunicação. Se não se
comunica, é muito complicado.
Aqui, como em Portugal, ainda
há o estigma em relação a
todos aqueles que assumem os
seus problemas e procuram
ajuda. Se vai ao psicólogo, “é
porque está maluco.” Mas o
psicólogo é o especialista que
nos pode ajudar e orientar na
prevenção e controlo - e até na
cura! - da maioria dos
transtornos mentais mais
comuns na vossa idade, que
têm a ver com o
desenvolvimento.
O psicólogo clínico ajuda o
paciente a compreender os
seus pensamentos, as suas
emoções e os seus
comportamentos, bem como a
desenvolver estratégias para
lidar com as suas dificuldades.
É por isso que se diz,
erradamente, que as consultas
com o psicólogo são só
conversas e que não vão lá
resolver nada.
Os medicamentos podem
ajudar; uma mudança do estilo
de vida também; mas o
psicólogo vem em primeiro
lugar. É ele que identifica os
distúrbios mentais e intervem
na redução do sofrimento
mental.
P’ la REDAÇÃO do 20LER
n. entre 21/8/2008 & 2/11/2012
Fotografia
Dílvia Simão, n. 2009 (repr. d´ ”A MATERNIDADE”, de Almada Negreiros)
Ademal Vaz, Nigel Tavares & Rui António, n. 2008 (repr. de ”ANJO FERIDO”, de H. Simberg)
S A Ú D E 2 9
CINEMA PARAÍSO ou
ÀS PORTAS DO INFERNO?
Cinema, filmes, fitas e cineteatro em São Tomé
TEMPOS MODERNOS
Sem rede comercial para
distribuição de filmes e com a
sua única sala de cinema
encerrada, a sétima arte em
São Tomé e Príncipe tem
“dependido da bondade de
estranhos”, ou seja, de uma
rede paralela de exibição de
obras cinematográficas a cargo
de algumas instituições que,
adaptando pequenas salas ou
auditórios, possibilitam assim a
existência de cinema na ilha.
Neste momento, vê-se cinema
brasileiro com regularidade,
quase todas as sextas-feiras,
no Instituto Guimarães Rosa,
na Embaixada do Brasil; no
Centro Cultural Português -
Instituto Camões, apesar de
não existir regularidade nas
suas sessões, assiste-se, ao
longo do ano, a filmes
integrantes de festivais
internacionais, sendo estes
maioritariamente
de
proveniência estrangeira, mas
com especial destaque para o
São Tomé FestFilm, festival
promovido e criado em 2014
pela ASSECOM (Associação
São-Tomense Entretenimento
e Comunicação Multimédia –
Cultural e Artístico); na Aliança
Francesa, também cunhadas
pela irregularidade, existem, a
espaços, sessões relacionadas
com a língua de Godard; nesta
EPSTP, sempre que possível e
por intermédio do Plano
Nacional de Cinema português,
exibem-se aos sábados de
manhã, filmes de animação
para crianças que nunca
experimentaram o cinema.
FRUTINHA DO EQUADOR
Da última exibição em sala de
cinema digna desse nome,
pouco ou nada se sabe: um
velho cartaz, amarelado pelo
sol, perdura no primeiro andar
do Cine-Teatro Marcelo da
Veiga, anunciando o filme “Vou
Para Casa”, de Manoel de
Oliveira (2001), a única pista
disponível sobre este assunto.
A primeira produção
cinematográfica santomense,
numa parceria com o realizador
austríaco Herbert Brödl, foi o
filme “A Frutinha do Equador”
(1998), e que, supõe-se, tenha
sido projetada naquela enorme
tela.
3 0 C I N E M A
Do filme foi possível encontrar,
no Youtube, apenas quinze
segundos de imagens, bem
como um só adereço: uma
fruta-pão gigantesca, motor
desta história do género
fantástico, rodada em São
Tomé, e que se pode ver agora
nicos afro-lusos a sul do
equador, mas, mesmo assim,
representativas da Arquitetura
Moderna dos anos 1950-60
(típica do Estado Novo), o
Cinema “Império” abriu portas à
população santomense apto a
receber até mil espetadores –
À data da sua inauguração, o
Cine-teatro dispunha ainda de
estruturas para a realização
tanto de sessões de cinema,
como de representações
teatrais, albergando oito
camarins, um bar e dois
amplos terraços superiores.
na entrada da Biblioteca
Nacional. A data oficial do
encerramento da sala, ou qual
o último filme projetado, são
incógnitas para quem pesquisa.
A QUEDA DO IMPÉRIO
A construção do Cine-teatro
Marcelo da Veiga, antigo
Cinema “Império”, iniciou-se
em janeiro de 1950.
Sensivelmente dois anos
depois, a 5 de abril de 1952,
através de guarda de honra
prestada ao governador Carlos
Gorgulho pelo Corpo da Polícia
Indígena, consumava-se a sua
inauguração.
Com características discretas e
simplificadas, se comparadas
com outros exemplos arquitetó-
– isto em face da sua lotação e
escala monumentais, algo
megalómana, e expressão de
base modernista.
Inserido num conjunto urbano
representativo do século XX,
este imóvel moderno ainda
merece destaque pelo seu
impressionante gosto
arquitetónico específico: linhas
algo pesadas no exterior, mas
com interessantes interiores e
espaços bastante dinâmicos,
articulando entre escadas
diversas e foyers muito amplos.
Ocupando uma área de 183
m2, possui oito camarotes,
duas frisas, cinco filas de
balcões com 160 lugares e 27
filas de cadeiras (num total de
800 assentos).
Percebe-se, ainda hoje, a
magnitude do edifício, pelas
nove portas de saída que
possui e pelo que parece ser
um fosso destinado a
orquestra.
Em maio de 1975, naquelas
que foram as primeiras
comemorações do Dia
Internacional do Trabalhador
em solo santomense, embora
ainda sem a independência
oficialmente proclamada, a sua
infraestrutura serve um festival
de música típica de São Tomé
e Príncipe, com diversos
conjuntos do país a
apresentarem-se em palco ao
Secretário Geral, aos Ministros
do Governo de Transição, ao
Comissário Político do MLSTP
(Movimento de Libertação de
C I N E M A 3 1
São Tomé e Príncipe) e à
população em geral.
Nesta raríssima referência
encontrada na imprensa da
época, surge ainda com a
denominação “Cinema
Império”.
Situado na rotunda a nascente
da parte da povoação mais
histórica da cidade, exatamente
de frente para a estátua do Rei
Amador, desconhece-se a data
formal em que ocorre a
alteração da denominação
original para a atual “Cine-
Teatro Marcelo da Veiga”
(supõe-se que pouco depois da
proclamação oficial da
independência do país, a 12 de
julho de 1975), em merecida
homenagem ao poeta e
deputado à Assembleia
Constituinte, o santomense
Marcelo Veiga da Mata.
TARZAN - SANDOKAN
Sobre a programação do
cinema ao longo da sua
história, é através de uma
publicação em língua francesa,
de abril de 1968, intitulada
“Libération des Colonies
Portugaises – L´Ile de São
Tomé”, que se sabe algo sobre
os seus conteúdos cinéfilos:
“Os filmes de longa-metragem,
projetados são, na sua maioria
de origem americana
importados de Portugal, bem
como obras portuguesas. São
filmes racistas e pornográficos,
baseados na exacerbação da
força bruta (westerns,
gangsters, aventuras de
Tarzan, etc …)”.
Numa pequena monografia de
São Tomé e Príncipe, também
de 1968, publicada pela
Agência Geral Ultramar (Portu-
gal), refere-se apenas que a
infraestrutura “(…) pode servir
de exemplo a qualquer outro
aglomerado citadino situado
em idêntica latitude.”
Bastante mais tarde, em 2008,
o político, homem da rádio,
poeta, crítico literário e
ensaísta santomense,
Francisco Costa Alegre,
pergunta na sua obra “A
Cidade de S. Tomé – A Cidade
de Todas as Esperanças”, “(…)
Como podemos falar da cidade
na era colonial sem
recordarmos o Cinema Império,
hoje Cinema Marcelo da Veiga,
onde havia a ocorrência de
muitos para assistirem diante
de um ecrã gigante aos filmes
de cow-boys, películas épicas
romanas e gregas, aventuras
indianas de luta entre homens
e bichos, do conhecido
Sandokan, onde também de
quando em vez se assistia aos
teatros do grupo Sporting
Clube de S. Tomé da elite
santomense?”
3 2 C I N E M A
Katya Aragão, realizadora
santomense que dirigiu a curtametragem
“Mina Kiá”
(disponível na nossa biblioteca
escolar), escreve o seguinte a
respeito do único cineteatro do
seu país:
A CASA ASSOMBRADA
Diz Teresa Madeira da Silva
(HPIP, Património de Influência
Portuguesa - Equipamentos &
Estruturas), que foi “(…) o
antigo Cinema Império, situado
na Praça dos Heróis da
Liberdade, construído nos anos
1950‐1960 e recentemente
(cerca de 2000) recuperado.”
de produção, como poderia
São Tomé e Príncipe escapar a
uma crise cinematográfica que
grassa até mesmo nos países
europeus com a mais alta
cultura e tradições cinéfilas, há
um século enraizadas, e que,
mesmo assim, veem todos os
dias as suas antiquíssimas
salas a fecharem portas para
sempre?
“Alguns anos após a
independência, (…) tal como
muitas outras infra-estruturas
do país, também foi
abandonado e em 1993 deixou
de funcionar. Há muito deixou
de ser o pólo cultural, sobre o
qual cresci a ouvir os meus
pais contarem histórias. Eles
lembram-se com nostalgia das
sessões da tarde que iam com
frequência quando eram
apenas um casal de jovens
namorados. Contam que as
sessões naquele tempo eram
muito animadas pelos
espetadores que ‘jogavam
bancada’. A emoção era tão
grande que parecia que todos
estavam no filme. Desde
pessoas a gritarem para que o
protagonista fugisse a pessoas
que já tinham visto o filme mais
de uma vez e faziam questão
de anunciar o que sucederia na
cena seguinte.”
“Com uma escala algo
monumental para a área onde
se insere, exibe uma expressão
de base modernista,
monumentalizada.”
Após a sua recuperação,
graças a donativo da República
da China (Taiwan), o
Cineteatro Marcelo da Veiga é
reinaugurado pelo Presidente
da República Miguel Trovoada,
a 10 de julho de 2001.
Hoje, o edifício mais não é que
uma grandiosa casa
assombrada, isto do ponto de
vista cinematográfico, pois o
espaço ainda alberga algumas
lojas, escritórios, uma livraria e
o Conselho Superior de
Imprensa. Toda a estrutura do
cineteatro é, por si só, um
monumento ao cinema. A
milhares de quilómetros de
distância dos grandes centros
Há já tantos anos sem
qualquer atividade fílmica e
degradado ao ponto de,
quando as chuvas são
prolongadas, se formar uma
lagoa no hall da entrada
principal, é pel’
O MONSTRO
DA LAGOA NEGRA
que todos os cinéfilos
santomenses aguardam
ansiosamente: um qualquer
mito, ser feérico, um símbolo
ou fábula, um bicho fantástico
que os leve dançando de volta
às trevas da sua única sala de
cinema.
(NOTA: A bibliografia utilizada pode ser
consultada no site da EPSTP;
todos os títulos reportam a obras
cinematográficas)
Pedro Campos
Coordenação interina do PNC (Plano Nacional de Cinema)
4 4 C I N E M A C I N E M A 3 3
CINE-ENTREVISTA
Histórias do cinema santomense
UM IMIGRANTE EM CASA
A 21 de março passado, o
20LER entrevistou o lusosantomense
Jorge Vacas, no
seu estabelecimento comercial
no centro da capital, na loja
Luís e Fonseca, Lda. Chegou
ao país em 1955/56, com treze
ou catorze anos (não consegue
precisar). Há 50 anos, após a
independência, o Vacas (como
é conhecido em São Tomé),
resolveu ficar no país onde
acabou por cumprir o serviço
militar. Cresceu com seus pais
no Riboque, fez parte de
movimentos independentistas
santomenses e, em plena
guerra-fria, escondeu-se no
mato por diversos períodos,
escapando à perseguição dos
soviéticos. Costumava ir ao
cinema.
TUDO BONS RAPAZES
“A sala de cinema [antigo
Cinema Império e atual
Cineteatro Marcelo da Veiga]
funcionava como cinema,
teatro, sala de espetáculos,
ambiente político, local de
encontros, …”
“No tempo colonial era o
Cinema Império. Havia matiné
com muito público à tarde,
principalmente juventude. Eu
também ia.”
“Eu e os meus amigos do
Riboque conhecíamos o
porteiro que também morava
no Riboque. Nós não tínhamos
dinheiro nenhum! Íamos à
matiné, esperávamos lá à porta
e um bocado depois de
começar o filme, ele deixava a
malta entrar. Tínhamos era que
ficar ao fundo da plateia e ver o
filme de pé.”
“Nos intervalos dos filmes, à
noite, era local de encontro de
muita gente. 4000 brancos em
São Tomé, sem discotecas… o
cinema era para onde toda a
gente ia. O bar que existia no
segundo andar era ponto de
encontro da malta. Agora é só
lojas. Nunca lá vi mais nada
[mesmo após a remodelação
do edifício em 2000, não se
recorda de terem passado lá
mais algum filme]. “Naquele
tempo, era a Câmara quem
geria o cinema”.
IMPÉRIO DOS SENTIDOS
“O que víamos mais era filmes
de cobóis. Era o melhor para
nós. Tudo o que tivesse
pancadaria… Havia sessões da
matiné e à noite. Não me
recordo se todos os dias.”
“O Jogar bancada [que a
realizadora Katya Aragão
refere no seu texto na Internet
e que os pais recordam com
tanta saudade] era comprar
bilhete para a 3.ª plateia e
depois andar a correr para ir
para a segunda ou, pelo
menos, para um sítio de onde
se visse melhor. Tudo gritava,
batia palmas, levantavam-se
das cadeiras, corriam. Era…”
TÃO SÓ O FIM DO MUNDO
“[A última sessão de cinema]
Foi lá para oitenta e tal. Não
me lembro de, depois disso, ter
lá visto qualquer coisa.”
“O cinema era um grande
divertimento. Era o ponto de
encontro na altura. Era onde se
travavam conhecimentos.”
“O cinema foi, na minha vida,
um ponto de encontro, de
diversão e prazer. Já não sei
há quantos anos não entro
numa sala de cinema.”
REGRESSO AO FUTURO
“Não vou ao cinema desde
aquele tempo. Nunca mais fui
ao cinema. Agora dá tudo na
televisão, mas não é a mesma
coisa. Em São Tomé já nem há
um sítio onde os portugueses
se encontram. “
“O cinema deixou de fazer
parte desta sociedade.”
3 4 C I N E M A
ECOS dE CAMÕES
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Ao longo do 2.º Período, os
alunos do 4.º ano da nossa
escola envolveram-se num
projeto interdisciplinar que
culminou na criação do vídeo
“ECOS dE CAMÕES”.
Inspirado na célebre expressão
camoniana "Mudam-se os
tempos, mudam-se as
vontades", o vídeo reflete uma
abordagem criativa e educativa
em torno da vida e obra de Luís
Vaz de Camões, assinalando
os 500 anos do seu
nascimento.
e da capacidade de expressão
dos nossos alunos.
É também o contributo do 1.º
Ciclo para homenagear um dos
maiores vultos da Língua
Portuguesa e da literatura
universal.
O projeto ganha ainda maior
simbolismo ao ser inspirado
neste poema intemporal de
Camões: “Mudam-se os
tempos, mudam-se as
vontades”.
Durante o desenvolvimento
deste projeto, os alunos
exploraram o universo poético
de Camões, refletiram sobre a
expansão marítima portuguesa,
reinventaram a pala icónica do
poeta com elementos visuais
inspirados em motivos
africanos, mergulharam na
música de intervenção, com
destaque para José Mário
Branco, e deram vida às
palavras através da
dramatização.
Esta viagem entre tempos,
saberes e expressões artísticas
proporcionou aprendizagens
significativas e momentos de
verdadeira criatividade.
Mais do que um simples
produto final, este vídeo é um
verdadeiro testemunho do
envolvimento, da sensibilidade
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o Mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e, enfim, converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto,
que não se muda já como soía.
Luís Vaz de Camões
4º Ano de Escolaridade
Departamento Curricular 1.º Ciclo
C I N E M A
C R I A Ç Ã O
3 5
Hayla Trovoada
n. 25/6/2015
C I N E M A
C R I A Ç Ã O
3 7
ÁFRICA
O que representa?
Bela África, mãe
Dona do amor.
Oh África, oh negros,
Quão sofridos foram os teus dias?
Até quando vai durar a fome?
Oh África linda,
Mãe da humanidade,
Dá comida aos que precisam
E amor aos que suplicam.
Oh África, mãe,
Livraste-nos da escravidão.
Agora, liberta-nos da escuridão.
Oh mãe, oh África,
Dá de mamar às crianças famintas
E alegria aos que suplicam.
Não mintas, não lamentes.
Oh África, oh minha mãe,
Dá-me água,
Para dar de beber a quem tem sede.
Dá-me o que comer, oh África,
Para as crianças que choram,
Choram dia e noite sem cessar.
Imploram por um prato para as saciar.
Oh mãe,
Que se faça magia
Neste teu dia
Oh África
Mas lembra-te sempre de quem chora.
E choram por fome, que não é de comida.
Choram por vida.
Dá-lhes alegria e dignidade
Dá-lhes vontade e verdade.
Oh África, oh mãe,
Faz pulsar os seus corações com magia.
Viva África!
Viva a quem resiste com poesia.
Loyde Barreto
n. 26/4/2010
3 8 C R I A Ç Ã O
Ilustração
”MÃE ÁFRICA”, Malangatana
(exc.) 1976 Moçambique
Milice, Milice
é o funk da Milice
Milice, Milice
FUNK
é o
DA MILICE
refrão
ILHAS
DO OBÔ
Ela é muito engraçada
melhor que projetor
quando ela faz barulho
até se sente dor
[2x refrão]
É antena que trabalha
ainda mais que gerador
tem mais NET na cabeça
do que um computador
[2x refrão]
É menina bem legal
não faz nada de banal
guincha como ventoinha
e gosta d’ açucarinha
[2x refrão]
Ela é muito engraçada
melhor que projetor
quando ela faz barulho
até se sente dor
[4x refrão]
Karen Leite, n. 22/4/2015 & Lorena Santos, n. 30/7/2015 & Maria Pinto, n. 13/5/2015
Lauria Costa, n. 24/2/2011
São Tomé e Príncipe, nossa ilha
De hoje e de sempre
De sempre para sempre
A nossa preciosa trilha.
Terra, Terra bela, formosa, charmosa
Dentes caem e voltam como novos
Terra bela, livre com tantos povos
Ainda pouco famosa, ilha curiosa.
Azul, azuis são as suas lagoas
Rios, mares e diferentes lugares
Visita, vê tantos e diferentes olhares
Somos todos primos, somos pessoas.
Leve leve como o vento
Nosso lema, nosso presente
Nossa postura sempre contente
O nosso São Tomé lento.
Ilustração
Maliah António, n. 11/05/2009
(“Cruzeiro Seixas no Equador”, grafite s/ cartolina, in 5.ª Edição “Exposição Desafios”)
C R I A Ç Ã O 3 9
OFICINA DE GRAFÍTI
Spray & stencil - expressão corporal e artística
No dia 14 de maio, decorreu no
âmbito do Clube das Artes uma oficina
de grafíti, dinamizada pela professora
Carolina Rocha, que contou com a
participação entusiástica de vários
alunos.
A sessão teve início com um breve
momento de esclarecimento teórico,
onde foram abordados os diferentes
componentes de uma lata de spray, os
modos corretos de utilização, bem
como os procedimentos de segurança
a ter em conta nesta prática artística.
Seguiu-se uma demonstração prática
no exterior, onde foram exploradas as
várias formas de manusear a lata, o
impacto do movimento corporal na
expressão artística e algumas técnicas
específicas, como a utilização de
stencil.
Depois desta introdução prática, os
alunos procederam aos primeiros
ensaios num painel de película
aderente. Posteriormente, avançaram
para um painel em papel de cenário,
onde colocaram em prática o que
aprenderam, revelando criatividade e
entusiasmo.
A atividade revelou-se dinâmica,
divertida e bastante participada,
proporcionando aos alunos uma
oportunidade única de contacto com o
grafíti enquanto forma legítima de
expressão artística.
1 4 0 N OC TR ÍI CA IÇ AÃS
O
Carolina Rocha
Professora de Artes Visuais
ASTROLOGIA
Horóscopo 2025
Caro caranguejo, 2025 será o
teu ano! A partir de junho,
Júpiter, o planeta da expansão
e da sorte, entrará no teu
signo, onde ficará por cerca de
um ano. Isso significa que é
hora de sair da concha, de
encarar o mundo e de
agradecer por receber tanto.
Claro que não significa que só
coisas boas vão acontecer,
mas que a sorte está ao teu
lado e que deves encarar a
vida de peito aberto para
receber todas as bênçãos.
Olha para ti, foca em ti e toma
as rédeas da tua vida. É um
ótimo ano para começar o que
quer que seja, desde um
projeto, um novo desafio ou
uma nova forma de encarar a
vida. Será um ano de
mergulhos profundos, mas
caranguejos entendem esse
assunto. Desapega do que
precisa ir, porque é só assim
que há espaço para o novo
entrar. A área que vai ser mais
chacoalhada da sua vida é a
espiritualidade. O planeta mais
lento, embora também o mais
CARANGUEJO
transformador do zodíaco,
Plutão, entrou em Aquário
desde o fim de 2024, onde
ficará pelos próximos vinte
anos. Se estiveres distante
desses assuntos, tenta
reconectar-te. É hora de olhar
para tudo aquilo que
transcende a matéria.
LEÃO
Como Aquário é oposto
complementar a Leão, tu,
leonino, sentirás muito as
transformações profundas
causadas por Plutão. Por isso,
prepara-te para te reinventares.
Isso significa deitar fora tudo
aquilo que já está a sobrar há
algum tempo. Não tenhas
medo de desapegar. A área da
tua vida onde pode haver mais
mudanças é a das relações.
Tudo aquilo que não for
profundo pode deixar de fazer
sentido, porque, cada vez mais,
o desejo será de relações nada
superficiais. Isso vale para o
campo amoroso, sociedade e
relacionamentos em geral.
Tentar controlar é sempre um
erro. Por isso, entrega-te. A
partir de junho, a área da
espiritualidade no teu mapa
ganhará o reforço de Júpiter.
Então, tenta colocar a tua
energia nisso. Como é que
anda a tua relação com tudo
aquilo que transcende a
matéria? Medita, reza, e
aproveita o silêncio. Seja como
for, conecta-te com a fé.
VIRGEM
Repensar a necessidade de
“salvar” as pessoas será
importante para construir
relações mais saudáveis.
Dessa maneira, deves valorizar
o equilíbrio nos
relacionamentos.
A
prosperidade marca o ano, com
oportunidades de crescimento
e aprendizado. Assim,
aproveita para investir no teu
desenvolvimento. Respeitar os
teus limites será fundamental
para manter o equilíbrio.
P’ la REDAÇÃO do 20LER
n. entre 21/8/2008 & 2/11/2012
L A Z E R 4 1
MEMÓRIA GASTRONÓMICA
Cheiros, sabores, sentidos, memórias
SOPA DE FEIJÃO-VERDE
“Um cheiro que tanto odeio,
trazer-me memórias tão boas.”
Uma das minhas piores
memorias gastronómicas é o
cheiro do feijão-verde,
principalmente, a “sopa de
feijão-verde”.
Para mim, o problema está
longe de ser o sabor da sopa,
até porque sou incapaz de a
comer, basta pensar que estão
a confecioná-la para ficar
agoniada.
Este cheiro faz-me lembrar
quando eu era pequena e
passava as ferias de verão com
o meu avô materno no seu
café, onde todos os dias, de
manhã, se preparavam bifanas,
várias sandes e a sopa! Sopas
diferentes todos os dias, mas a
de feijão-verde…
Passaram-se uns anos e já
aqui, em São Tomé, acordei e
senti o cheiro da “sopa de
feijão-verde”.
O cheiro é péssimo, mas
espero que sempre que o sinta
me lembre do meu querido avô
Tó.
Francisca Chibeles
n. 30/1/2009
Estava a minha avó paterna na
cozinha a fazer os seus ótimos
cozinhados, mas nesse dia
aconteceu que estava a
prepará-la - a “sopa de feijãoverde”!
- para o almoço. Não
sei se foi por estar em jejum,
mas o cheiro pareceu-me três
vezes pior do que na minha
infância e quase vomitei.
O que eu mais estranho é o
facto de um cheiro que eu tanto
odeio trazer-me memorias tão
boas, pois os verões com o
meu avô, em Lisboa, eram
fantásticos. Ele ensinou-me a
andar de bicicleta, era muito
carinhoso comigo e muito
paciente, cozinhava tudo o que
eu lhe pedia e fazia desenhos
com a comida no prato. Era
muito engraçado.
4 2 L A Z E R
AÇUCARINHA
(Receita Trad. Santomense)
A açucarinha é um doce típico
de São Tomé e Príncipe, muito
apreciado.
Preparada com coco, açúcar e
água, é um exemplo da riqueza
da doçaria santomense,
transmitida de geração em
geração.
(ingredientes)
1 coco médio ralado
(fresco)
1 chávena de açúcar
(ajustável ao gosto)
1 chávena de água.
(preparação)
Cozer o coco:
Coloca-se o coco ralado num
tacho com a água e leva-se ao
lume.
O tempo de cozedura varia
conforme a textura pretendida.
Adicionar o açúcar:
Com o coco já cozido, junta-se
o açúcar e mexe-se sempre
para evitar que queime.
A quantidade de açúcar é
ajustável ao gosto pessoal.
A consistência final dependerá
do tempo em lume e da
proporção dos ingredientes.
Escolher a cor:
A tonalidade da açucarinha
depende do ponto do açúcar:
Açucarinha branca: retira-se do
lume assim que o açúcar se
dissolver, mantendo a cor
clara; Açucarinha castanha:
deixa-se o açúcar caramelizar
até obter um tom dourado ou
acastanhado.
(Arrefecer e servir)
Quando atingir a consistência e
a cor desejadas, verte-se a
mistura sobre uma folha de
bananeira limpa.
Molda-se em formato circular,
semelhante a uma bolacha
Maria.
Deixa-se arrefecer até
solidificar por completo.
Tradicionalmente, pode ser
servida acompanhada com
pão.
(nota final)
Mais do que uma simples
sobremesa, a açucarinha
representa o engenho e a
doçura das mãos
santomenses.
A folha de bananeira, além de
ser um suporte natural, confere
um sabor subtil e um vínculo
direto às raízes culturais da
nossa ilha.
Loyde Barreto
n. 26/4/2010
L A Z E R 4 3
PLASTIFORMIDADES
O que não chegou a ser exposto, mas...
No final de
qualquer ano letivo,
em todas as
escolas, existem
sempre inúmeros
trabalhos que,
devido a
condicionantes de
espaço, calendário,
tipologia, gosto ou
opinião, nunca
chegam a ser
expostos ao olhar
de quaisquer
públicos, a não ser
ao dos restantes
colegas-autores
pertencentes às
turmas onde as
obras foram
concretizadas.
No que concerne a
trabalhos plásticos,
esta é uma habitual
e cruel realidade.
Quando a EPSTP
avançou, neste
mês de junho, para
a sua quinta edição
da exposição
“Desafios” (com os
professores a
desafiarem os
alunos a
descobrirem-se),
muitas crianças e
jovens ficaram,
naturalmente e sem
surpresa, excluídos
desta seleção.
Assim sendo, o
20LER resolveu
homenagear todos
aqueles que nunca
chegam às
exposições finais,
através da
presença de alguns
exemplares, aqui,
em mosaico, nesta
contracapa viva e a
cores, porque a
nível pedagógico,
afinal, o processo
artístico e o
impulso expressivo
são tão ou mais
importantes que o
produto acabado, a
obra em si mesma.