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Quem é Quem na Sustentabilidade 2025

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QUEM É QUEM NA

SUSTENTABILIDADE

2025



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SUSTENTABILIDADE

2025


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A REVISTA QUE

DÁ VOZ A TODOS

OS QUE LUTAM POR

UM MUNDO MAIS

SUSTENTÁVEL


\\ EDITORIAL \\

5

Uma falta de

(des)envolvimento sustentável

E

ntre as promessas e a ação está todo um mundo de possibilidades.

Ou, como se tem visto, de impossibilidades. Há sempre

esta ou aquela razão para se adiar o que é urgentemente preciso

fazer e que já se devia ter começado a fazer há décadas. “Temos tempo.

Vai-se fazendo, se não houver nada mais importante”, imagino que seja

uma frase que cruza a mente de muitos líderes políticos e empresariais

quando se fala de transformações para aliviar os danos que as sociedades

humanas causam ao planeta e aos milhões de outras formas de vida

que nele vivem. Essa coexistência é amiúde esquecida, varrida para debaixo

do tapete. Nem chega a ser vista como um incómodo moral, mas

é prontamente descartada.

Faz agora 30 anos que se realizou a Cimeira da Terra, no Rio de Janeiro,

dedicada ao Ambiente e Desenvolvimento e com a qual se esperava

dar impulso a uma nova era de cooperação global para proteger este

“planeta azul” que com tanta húbris dizemos ser nosso e que governamos

(ou desgovernamos, talvez seja mais honesto) para nós, humanos,

pelo menos em teoria, pois sabemos que os interesses de uns pesam mais

do que os de outros.

Três décadas volvidas, umas tantas COP pelo meio, e o mundo continua

à beira do desastre. Quando em 2015 foi adotada a Agenda 2030

para o Desenvolvimento Sustentável, os países do mundo saudaram-na

como algo histórico e prometeram tudo fazer para cumprir os seus 17

objetivos até ao final desta década. A cinco anos de o prazo terminar,

praticamente tudo está por fazer. Promessas e promessas e tudo continua

na mesma, ou ainda pior, dado que a nossa inação é acompanhada

por continuadas e cada vez mais intensas agressões ao planeta e aos seus

sistemas vitais.

Há quem diga que é preciso continuar a ter esperanças, que a Agenda

2030 ainda pode dar frutos, mas basta recuar uns poucos anos para

perceber que o que está a falhar com essa agenda foi o mesmo que ditou

a não concretização de grande parte dos Objetivos de Desenvolvimento

do Milénio entre 2000 e 2015: um verdadeiro compromisso por parte

das sociedades e sobretudo daqueles que têm o poder para efetivar as

necessárias mudanças de grande escala.

Com 15 anos para fazerem avanços no Desenvolvimento Sustentável,

os líderes mundiais (não apenas pessoas, mas partidos e movimentos

políticos, grandes empresas e organizações) foram, à boa moda

humana, empurrando os problemas “com a barriga”, dando prioridade

a outros assuntos, talvez mais política e economicamente relevantes, e

deixando para trás tudo o que era preciso fazer para tentar salvar a Terra

e assegurar uma existência humana menos destrutiva.

A cinco anos de 2030, diz-se que a pandemia da COVID-19, a guerra

na Ucrânia e a instabilidade geopolítica impediram o mundo de fazer

mais pelo Desenvolvimento Sustentável. Talvez assim seja, não contesto,

mas aparentemente continua a haver tempo, dinheiro e vontade

para uma miríade de empreendimentos que ao invés de atenuarem, ou

pelo menos não agravarem, o problema da insustentabilidade humana

na Terra só a tornam mais evidente e mais intensa.

Há também quem diga que os objetivos eram demasiado ambiciosos,

que o tempo era pouco. Já se fez mais com menos. Quando surgir a próxima

agenda para o Desenvolvimento Sustentável (tenha o nome que

vier a ter), novas promessas serão feitas. Acredite nelas quem quiser.

A população, todos nós, eu e o leitor, temos de arregaçar as nossas

próprias mangas e não ficar à espera de que quem “manda” nisto tudo

acorde um dia e, fruto de qualquer epifania, decida agir como há muito

se devia ter começado a agir. O tempo para fazer não é agora. Já devia

ter sido. Mas para não perdermos totalmente o comboio é preciso correr

o mais rápido possível, porque é provável que não passe um próximo.

Filipe Pimentel Rações, jornalista

// FICHA TÉCNICA

DIRETOR GERAL Rogério Junior • DIRETORA EDITORIAL Ana Filipa Rego • COLABORADORES E REDAÇÃO Ana Rita Reis, Joana Vicente Pinto • GRANDE REPÓRTER Filipe Pimentel Rações • DIREÇÃO DE

COMUNICAÇÃO Marisa Silvestre • DIREÇÃO DE ARTE Sofia Marques • IMAGENS Getty Images • PUBLICIDADE Mário Serra (mario.serra@greensavers.pt) • PERIODICIDADE Anual • TIRAGEM MÉDIA 15.000

exemplares • PROPRIEDADE | SEDE | EDITOR Neurónio Criativo, Unipessoal, LDa, Rua Cidade de Rabat, 41b, 1500-159 Lisboa NIPC: 514822228, geral@greensavers.pt • IMPRESSÃO E ACABAMENTO Louresgráfica

- Sociedade de Artes Gráficas, Lda • Revista distribuída gratuitamente com a Green Savers nº19


6

\\ ÍNDICE \\

08

ANÁLISE

O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL:

IDEALISMO OU AMBIÇÃO ALCANÇÁVEL?

A cinco anos de se chegar ao prazo definido

pelos países do mundo para implementar em

pleno a Agenda 2030 para o Desenvolvimento

Sustentável, análises indicam que está quase

tudo por fazer e que, para pelo menos se

alcançar parte do prometido, é preciso fazer

mais e fazer melhor.

22

INOVAÇÃO

FUTURE CITIES, FUTURE COMMUNITIES, INNOVATION ACCELERATOR

O PROGRAMA DE INOVAÇÃO DEDICADO À SUSTENTABILIDADE DA NOVA SBE

A análise e estudo da economia verde e das cidades sustentáveis foi a grande

proposta deste acelerador de inovação para as cidades e comunidades do futuro.

16

ENTREVISTA

“É hoje evidente que muitas das metas

definidas para 2030 não serão atingidas”

João Ferrão, Coordenador da Plataforma

ODSlocal, destaca os municípios como

centrais na concretização da Agenda 2030

para o Desenvolvimento Sustentável e o que é

necessárioi para impulsionar esses esforços.

26

ENTREVISTA

“Falta termos uma reforma fiscal

verde que apoie as empresas a

inovar nesta matéria”

Sofia Santos, CEO da Systemic, é

preciso uma “enorme campanha de

comunicação” e uma “reforma fiscal

verde” para aumentar o conhecimento

das PME sobre os benefícios de uma

gestão sustentável,.

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\\ ÍNDICE \\

7

32

FÓRUM DE LÍDERES

1

2

De que forma a sustentabilidade já condiciona

(ou orienta) a estratégia global da sua empresa?

Quais são os principais desafios e oportunidades de

sustentabilidade que o seu setor enfrenta em Portugal e que

mudanças coletivas julga essenciais para lhes dar resposta?

40

DIRETÓRIO

Compromisso com

a sustentabilidade

Em tempos de instabilidade e incerteza quanto ao

futuro da economia, as empresas enfrentarão desafios

inesperados.

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8 \\ ANÁLISE \\

O DESENVOLVIMENTO

SUSTENTÁVEL: IDEALISMO

OU AMBIÇÃO ALCANÇÁVEL?

A CINCO ANOS DE SE CHEGAR AO PRAZO DEFINIDO PELOS PAÍSES DO MUNDO PARA

IMPLEMENTAR EM PLENO A AGENDA 2030 PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL,

ANÁLISES INDICAM QUE ESTÁ QUASE TUDO POR FAZER E QUE, PARA PELO MENOS SE

ALCANÇAR PARTE DO PROMETIDO, É PRECISO FAZER MAIS E FAZER MELHOR.

\\ Por Filipe Pimentel Rações

Nos últimos dias de setembro de

2015, chefes de Estado e de governo

e altos representantes

nacionais, reunidos na sede da

Organização das Nações Unidas (ONU) em

Nova Iorque, adotaram a Agenda 2030 para o

Desenvolvimento Sustentável.

Uma “decisão histórica” que lançou os países

do mundo numa “grande jornada coletiva”

para, até ao final desta década, erradicar a pobreza

“em todas as suas formas e dimensões”,

para combater a desigualdade “dentro dos países

e entre eles”, para preservar o planeta, para

criar “crescimento económico sustentado, inclusivo

e sustentável” e para promover “inclusão

social”. Era essa a ambição.

Há precisamente 10 anos, os líderes mundiais

de então comprometeram-se a “trabalhar

incansavelmente” para concretizar a Agenda

2030, reconhecendo a interdependência entre

todos e cada um dos 17 Objetivos do Desenvolvimento

Sustentável (ODS).

“Mapeámos o caminho para o desenvolvimento

sustentável; cabe a todos nós assegurar

que a jornada é bem-sucedida e que as suas

conquistas são irreversíveis”, declaravam. Volvida

uma década, e a menos de cinco anos de

se chegar ao prazo definido para concretizar a

agenda global do desenvolvimento sustentável,

os objetivos traçados estão longe de estar minimamente

alcançados.

Em 2023, a ONU divulgou uma análise ao

progresso feito até então na Agenda 2030, e

os resultados surgiram em gritante contraste

com a exultação com que os países a adotaram

apenas sete anos antes. Menos de 20% das 169

metas definidas para a totalidade dos 17 ODS

estavam no bom caminho para serem alcançadas

até ao final da década. Quase metade apresentava

desvios moderados ou significativos da

trajetória desejada, enquanto em 37% não se

tinha conseguido fazer quaisquer progressos

ou, pior ainda, foram registados retrocessos

face aos níveis de 2015.

No relatório de progresso, os relatores da

ONU diziam que os resultados salientavam

“a necessidade urgente para esforços intensificados

para assegurar que os Objetivos do

Desenvolvimento Sustentável se mantêm no

caminho certo”.

Do total de 17 ODS, 11 apresentavam metas

cuja tendência levava a crer que seriam atingidas

em 2030. Para os restantes, nenhuma das

metas estava no caminho certo ou a progredir

à velocidade desejada.

A erradicação da pobreza, a educação de

qualidade, o acesso a água potável e ao saneamento

básico, o trabalho digno e o crescimento

económico, a ação climática e a promoção da

paz e da justiça são os ODS que em 2023 não

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\\ ANÁLISE \\

9

tinham qualquer meta a caminho da sua concretização

em 2030.

Esse é o quadro global. Contudo, o panorama

europeu não parece ser muito mais animador.

O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA EUROPA

Publicada no final do passado mês de janeiro,

uma análise ao estado da Agenda 2030 na Europa

revela um enfraquecimento do ímpeto no

progresso dos ODS e desafios “persistentes” aos

níveis social, ambiental e de biodiversidade por

toda a União Europeia (UE). Da autoria da organização

não-governamental UN Sustainable

Development Solutions Network (SDSN),

criada em 2012 pelo então Secretário-Geral

da ONU Ban Ki-Moon, o relatório salienta a

necessidade de a liderança da UE “reafirmar o

seu compromisso” para com os ODS.

Os especialistas apontam para “um atraso

generalizado” na concretização da agenda do

desenvolvimento sustentável na UE, com o

ritmo do progresso nos ODS duas vezes inferior

entre 2020 e 2023 ao que era no período

entre 2016 e 2019. O documento destaca a

persistência de dificuldades especialmente no

que diz respeito ao ODS 2, sobre o combate à

fome, a promoção da segurança alimentar e

a transição para uma agricultura sustentável,

com os resultados a mostrarem que mudanças

na alimentação “devem ser priorizadas para a

sustentabilidade dos sistemas agro-alimentares”

para melhorar os indicadores da saúde da

população humana do bloco regional.

“O mundo está cada vez mais perigoso, instável

e incerto”, dizia Guillaume Lafortune,

vice-presidente da SDSN e primeiro autor

do relatório, no dia em que foi divulgado. “A

guerra e tensões geopolíticas entre grandes potências”,

explica, estão a afetar, quase 80 anos

após a criação das Nações Unidas, milhões de

pessoas em todo o mundo e a impedir o avanço

do desenvolvimento sustentável “na Europa e

globalmente”.

Essa falta de progresso nos ODS na Europa,

ou pelo menos a falta de progresso ao ritmo

que era desejado, pode, em parte, ser explicada

pela aparente desvalorização do desenvolvimento

sustentável como “bússola” para a ação

política das principais famílias político-partidárias

europeias, à altura da corrida eleitoral

do ano passado.

Uma análise aos manifestos eleitorais dos

principais partidos ao nível europeu na corrida

parlamentar de junho revela que os ODS

encontravam pouco eco nos programas políticos.

De acordo com uma análise da rede europeia

de especialistas Real Deal, publicada um

mês antes das eleições, o Partido Ecologista

Europeu era o único que mostrava “um compromisso

evidente” para com os ODS, seguido

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10

\\ ANÁLISE \\

Em 2023, menos de 20% das 169 metas definidas

para os 17 ODS estavam no bom caminho para serem

alcançadas até ao final da década. Quase metade

apresentavam desvios moderados ou significativos da

trajetória desejada.

de perto pelo Partido da Esquerda Europeia,

comprometido com 12 ODS e parcialmente

comprometido com três.

Em terceiro lugar surge o Partido dos Socialistas

Europeus, cujos partidos nacionais, em

média, concorreram às eleições europeias do

ano passado com um compromisso para com

um dos ODS e um compromisso parcial com

outros 13 ODS.

Do outro lado do especto político, o Partido

Popular Europeu e a Aliança de Liberais e

Democratas para a Europa mostrava “os níveis

mais baixos de compromisso” para com a Agenda

2030. Nenhum desses dois grupos políticos

europeus, segundo a análise, se comprometia

em pleno com qualquer um dos ODS, embora o

primeiro demonstrasse um compromisso parcial

com três e o segundo grupo com oito.

Ainda assim, os autores da análise dizem que

“olhando para os manifestos dos partidos, encontramos

evidências que sugerem que continua

a haver um compromisso para com a agenda

transformadora em grandes áreas, apoiando

os ODS e a Agenda 2030”.

PORTUGAL: SÓ UM ODS NO BOM CAMINHO, SEIS

ESTAGNADOS E ALGUNS PROGRESSOS EM 10

No relatório de janeiro da SDSN, sobre o desempenho

da Europa na Agenda 2030, Portugal

surge em 22.º lugar no índice europeu

dos ODS, entre 41 países analisados, incluindo

todos os 27 Estados-membros da UE, os

nove países candidatos à união, países que têm

acordos de comércio livre com o bloco regional

(Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça) e o

Reino Unido.

De uma pontuação total de 100, Portugal arrecada

70,6 pontos, abaixo da média de 72,8 da

UE, dos 71,2 da média do sul da Europa e longe

dos 81,1 pontos da Finlândia, que surge no

topo do índice pelo quinto ano consecutivo. A

vizinha Espanha aparece na vigésima posição,

com uma pontuação de 71,2.

Segundo a análise, Portugal não atingiu ainda

nenhum dos ODS, sendo que só no objetivo de

combate à pobreza (ODS 1) parece estar no bom

caminho para lá chegar até 2030, ainda que sejam

reconhecidas dificuldades para consegui-lo.

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\\ ANÁLISE \\

11

Os maiores desafios são identificados na promoção

de consumo e produção sustentáveis

(ODS 12), na proteção da vida no mar (ODS

14) e em terra (ODS 15), uma prestação insatisfatória

agravada pelo facto de não se registarem

avanços dignos de nota. Ao nível da erradicação

da fome (ODS 2), da ação climática (ODS 13) e

da promoção da paz e da justiça (ODS 16) também

se regista uma estagnação e a sua concretização

enfrenta desafios significativos, embora

não tão intensos como nos três ODS anteriores.

De forma geral, a análise da SDSN indica

que, dos 17 ODS, Portugal está estagnado em

seis deles, a fazer progressos moderados em 10

e no caminho certo para concretizar um.

No dia 25 de setembro de 2024 celebrava-se

o Dia Nacional da Sustentabilidade e, para marcar

a ocasião, o Instituto Nacional de Estatística

(INE) divulgava o progresso feito por Portugal

rumo à concretização da Agenda 2030.

Em Portugal, os 17 ODS ramificam-se em

179 indicadores específicos do contexto nacional,

e a análise, que compreende o período

entre 2015 e 2023, mostrava que embora o país

tenha conseguido, nesses oito anos, uma evolução

favorável na redução das desigualdades,

no acesso à água potável e ao saneamento e no

fortalecimento das energias renováveis, ainda

há muito por fazer a cinco anos da data prevista

para tornar o desenvolvimento sustentável

uma realidade, tal como prevista na declaração

adotada há 10 anos.

Dos 179 indicadores analisados pelo INE, 99

registaram uma “evolução favorável”, sendo que,

desses, 23 já alcançaram a meta. No entanto, 33

apresentaram “uma evolução desfavorável” e

seis não registaram quaisquer alterações entre

2015 e 2023. Os restantes indicadores não foram

avaliados por não haver dados adequados.

Da totalidade dos ODS, os relativos à erradicação

da fome, à igualdade de género, ao

consumo e produção sustentáveis, à proteção

da vida no mar e em terra e à paz e justiça são

aqueles em que menos de metade dos indicadores

tiveram uma evolução positiva.

Ainda que se reconheça o apoio dado pelo

Estado ao desenvolvimento do setor agrícola

entre 2015 e 2022, os dados apontam que o

aumento dos preços da alimentação, muito por

causa da pandemia de COVID-19 e da guerra

na Ucrânia, impede a concretização desse ODS.

No campo da igualdade de género, a análise

destaca que cada vez mais mulheres ocupam

cargos de direção na administração pública,

tendo já superado a marca dos 50%, mas continuam

a existir “disparidades”, nomeadamente

ao nível da representatividade política.

Também na área na sustentabilidade da

produção e do consumo, o INE aponta uma

tendência desfavorável no consumo interno de

materiais, que subiu de 161,9 milhões de toneladas

para 162,7 milhões entre 2015 e 2022.

No respeitante à proteção da vida no mar

e na terra (ODS 14 e 15, respetivamente), a

análise indica que a proporção de áreas marinhas

protegidas aumentou para 7% em 2023,

mas que estava ainda aquém dos 10% definidos

para o final da década.

De recordar que em outubro do ano passado,

o Governo Regional dos Açores aprovou

a criação de maior rede de áreas marinhas

protegidas do Atlântico norte, com 287 mil

quilómetros quadrados de ecossistemas marinhos

total ou altamente protegidos, pelo que

a proporção de território marinho classificado

em Portugal atingiu os 19%, sendo, por isso, de

esperar que o desempenho de Portugal neste

ODS seja hoje mais favorável do que era quando

a análise do INE foi publicada.

Sobre a proteção da vida na terra, o gabinete

de estatística dizia que a proporção da superfície

terrestre do país enquadrada como áreas

classificadas manteve-se inalterada nos 22,6%

entre 2015 e 2022. Contudo, dados do Instituto

de Conservação da Natureza e das Florestas

(ICNF) sugerem que essa percentagem atualmente

ronda os 36%, mas alguns cientistas,

ouvidos pelo jornal Público em fevereiro deste

ano, rejeitam esse número, dizendo que nele

estão incluídas reservas da biosfera e geoparques,

que consideram não estar dotados dos

critérios rigorosos que fariam deles verdadeiras

áreas protegidas.

Por fim, no campo da paz e da justiça, Portugal

em 2023 registava indicadores com uma evolução

“no sentido contrário do desejável”, apontava

o INE, designadamente no que dizia respeito

ao aumento do número de crimes de tráfico de

pessoas, que aumentaram de 53 em 2015 para 92

em 2023, e à proporção de reclusos preventivos

na população prisional, que passou de 16,2% para

21,8% no mesmo período de oito anos.

Olhando para a “big picture”, e apesar de celebrar

o Dia Nacional da Sustentabilidade há

dois anos, Portugal “não sai bem na fotografia”,

como disse a associação ambientalista Zero em

reação aos resultados do relatório da SDSN.

A título de exemplo, uma auditoria do Tribunal

de Contas (TdC), em janeiro passado,

indicava que Portugal “não está a ser eficaz”

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12

\\ ANÁLISE \\

“É nas cidades que a batalha climática será ganha ou

perdida” e as cidades estão “na linha da frente” dos

esforços que visam o desenvolvimento sustentável,

António Guterres, Secretário-Geral da ONU.

nos seus esforços para implementar o ODS 9,

que visa construir infraestruturas resilientes,

promover uma industrialização inclusiva e

sustentável e estimular a inovação.

De acordo com o TdC, “a implementação

em Portugal” do ODS 9 “não está a ser eficaz

e está longe de assegurar o desenvolvimento

sustentável de Indústria, Inovação e Infraestruturas

nacionais”.

Os resultados da auditoria revelam “falta

de clareza e de rigor sobre as responsabilidades

das áreas governativas envolvidas” e “inexistência

de uma coordenação efetiva”. Além

disso, os auditores apontam ainda que houve

“demora no levantamento do designado ‘estado

da arte’” e que “persistem dificuldades, por

parte das áreas governativas, em identificar os

instrumentos de planeamento e as medidas

com contributo relevante para este ODS”.

OS MUNICÍPIOS COMO “ACELERADORES” DA

AGENDA 2030

Em outubro de 2019, António Guterres,

Secretário-Geral da ONU, declarava, numa

cimeira mundial dedicada ao poder local, em

Copenhaga (Dinamarca), que “é nas cidades que

a batalha climática será ganha ou perdida” e que

as cidades estão “na linha da frente” dos esforços

que visam o desenvolvimento sustentável.

Um ano antes, Maimunah Mohd Sharif, na

altura Diretora-Executiva da UN Habitat, o

programa das Nações Unidas encarregue de

promover cidades social e ambientalmente

sustentáveis, tinha afirmado que “as cidades

são espaços onde todos os ODS podem ser

integrados para fornecer soluções holísticas

para os desafios da pobreza, exclusão e

alterações e riscos climáticos”. Estimativas

apontam que até 2050 perto de 70% da população

mundial viverá em cidades, intensificando

desafios já existentes ao nível da gestão local

dos territórios e, claro, à concretização do

desenvolvimento sustentável.

Num texto divulgado no portal online da

Associação Nacional de Municípios Portugueses,

o economista e presidente da direção-executiva

do Fundo de Apoio Municipal, Miguel Almeida,

salienta um “aumento do foco político” no

desenvolvimento sustentável que tem levado

os municípios a adotarem “iniciativas cada vez

mais abrangentes” com vista à implementação da

Agenda 2030 nos seus territórios.

No entanto, não deixa de reconhecer que

“nem sempre” essas iniciativas são fruto de uma

estratégia bem definida ou “são concretizadas

de acordo com uma metodologia desenvolvida

de forma participada”, incluindo “todas as partes

interessadas na prosperidade do território”.

O especialista considera que uma forma de

acelerar a concretização da Agenda 2030 nos

municípios pode ser através dos orçamentos

municipais, “o principal documento de estratégia

política das autarquias locais”. Com esse

instrumento, é possível promover “a otimização

da gestão de recursos, da transparência e da

participação dos cidadãos”, e, ao mesmo tempo,

alinhar “as melhores estratégias de financiamento

com os ODS”.

Num relatório publicado em 2024, a Plataforma

ODSlocal mostrava que a “Edução de qualidade”

(ODS 4), a “Água potável e saneamento” (ODS

6) e “Proteger a vida marinha” (ODS 14) eram

os objetivos nos quais os municípios portugueses

apresentavam o melhor desempenho médio.

A análise revelava também que “todos os ODS

estão a metade ou mais de metade do caminho a

percorrer até 2030”.

Em contraponto, o documento apontava que

na ação climática (ODS 13), na erradicação da

fome e promoção da agricultura sustentável

(ODS 2) e na igualdade de género (ODS 5)

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ANÁLISE \\

13

os municípios portugueses não chegaram a

metade do caminho. Além disso, no que toca às

cidades e comunidades sustentáveis (ODS 11)

e à produção e consumo sustentáveis (ODS 12)

pode mesmo observar-se um retrocesso se as

coisas continuarem como têm vindo a correr. Por

isso, a Plataforma ODSlocal diz que esses cinco

ODS “justificam maior empenho a curto prazo”.

Em entrevista à Green Savers neste Anuário,

João Ferrão, Coordenador da Plataforma

ODSlocal, enquanto membro do Conselho

Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento

Sustentável, e investigador coordenador

aposentado do Instituto de Ciências Sociais,

da Universidade de Lisboa, traça um quadro

cauteloso no que diz respeito aos ODS nos

municípios de Portugal.

O responsável diz que, ao olharmos para os

resultados dessa análise, devemos ter em conta

a grande diversidade (ambiental, demográfica,

social, económica) que caracteriza os

municípios portugueses, sublinhando que

“têm características muito diferentes, pelo que

o caminho a percorrer por cada um deles para

atingir as várias metas definidas para 2030 é

bastante variável”. A isso, o relatório acrescenta

que “a evolução desigual dos municípios em

relação aos ODS depende bastante da situação

de partida de cada um deles”.

Em maio, num evento em Lisboa dedicado

à sustentabilidade promovido pela Associação

Portuguesa de Ética Empresarial (APEE),

Beatriz Rodrigues, da consultora Pedra Base,

descrevia os municípios como “aceleradores” da

concretização da Agenda 2030. Apesar disso,

alertava para um contexto de progressos lentos.

Em 2024, apenas 42 municípios de

Portugal já tinham estratégias para alcançar

a neutralidade carbónica, 158 não tinham

ainda planos de ação climática e só cinco

apresentaram relatórios de sustentabilidade.

Por tudo isso, Beatriz Rodrigues concluía,

ecoando perspetivas idênticas no que ao contexto

global diz respeito, que “a este ritmo, nenhum

dos ODS será alcançado em 2030” em Portugal.

Análises de escopo mundial apontam que, na

melhor das hipóteses, os países conseguirão

cumprir em pleno apenas um dos 17 ODS, tendo

dificuldades para alcançarem dois.

Como se ouviu nesse evento, embora os

municípios há muito trabalhem nas questões

do desenvolvimento sustentável (ainda que,

porventura, não com esse nome), parece que

persistem desafios na conversão de ações e

projetos positivos, mas isolados, em políticas

públicas concretas e coesas, que permitam

alinhar os instrumentos de gestão autárquica

e as responsabilidades dos municípios com os

desígnios da Agenda 2030.

João Dinis, diretor do departamento de

ação climática da Cascais Ambiente e um

dos participantes no evento da APEE, dizia

que existe qualidade e competência técnica

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


14

\\ ANÁLISE \\

nas autarquias para alcançar os ODS ao

nível local, mas isso tem de ser apoiado por

“compromissos políticos” para a sua efetiva

concretização.

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL:

AMBIÇÃO IDEALISTA OU DESÍGNIO ALCANÇÁVEL?

Tendo em conta o tremendo atraso que os

países do mundo levam no que toca aos ODS e à

Agenda 2030, será legítimo questionarmo-nos

sobre a exequibilidade dessas ambições, pelo

menos dentro dos prazos definidos há 10 anos.

A crise da pandemia de COVID-19 e

as guerras às portas dos países mais ricos e

industrializados, com todas as repercussões

económicas e políticas daí advindas, são

frequentemente apontadas como fatores que

têm impedido avanços mais significativos

rumo ao desenvolvimento sustentável e tudo

aponta para que muita coisa ficará por fazer

quando esta década chegar ao fim.

Parece que o que se antevê para a Agenda

2030 é semelhante ao que se viu com o plano

antecessor, os Objetivos do Desenvolvimento

do Milénio (ODM), que pretendia, entre

2000 e 2015, resolver muitos dos problemas

mundiais que persistem aos dias de hoje e

que muito provavelmente voltarão a ficar por

resolver no âmbito da Agenda 2030: erradicar

a fome e a pobreza extremas, promover a

educação de qualidade e a igualdade de género

e assegurar a sustentabilidade ambiental.

Em 2016, numa entrevista publicada

no site da Sociedade Real de Geografia, a

investigadora Katie Willis, da Universidade

de Londres, destacava como os principais

marcos positivos dos ODM as “melhorias

notáveis” ao nível da saúde, especialmente

as “reduções significativas” na mortalidade

infantil e materna e nas infeções por HIV,

malária e tuberculose. Contudo, apontava

que o ODM no qual se fez menos progressos

foi na sustentabilidade ambiental, o sétimo

objetivo, “com a maioria das metas a não serem

cumpridas”.

Para a geógrafa do desenvolvimento, uma

das principais diferenças entre as agendas dos

ODM e dos ODS é o maior foco que a segunda

coloca sobre as questões ambientais, contendo

mais do que um objetivo para essa área, e o

facto de abranger todos os países do mundo e

não somente os do chamado “Sul Global”.

O facto de, de uma agenda para a outra,

passarmos de oito para 17 objetivos pode ser

um entrave à concretização dos ODS, sugeria

Katie Willis, mas, para ela, a maior barreira

eram “as desigualdades económicas e de poder

político a diferentes escalas”. E, quase em jeito

de predição, afirmava que alguns dos ODS,

entre eles destacadamente os relacionados com

o ambiente, “exigem alterações significativas

na forma como as pessoas, especialmente no

Norte Global, vivem as suas vidas”.

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ANÁLISE \\

15

É de esperar, tal

como aconteceu

com os Objetivos de

Desenvolvimento do

Milénio, que, a nível

global, a maioria dos ODS

fique por cumprir e que

a Agenda 2030 dê lugar

a uma outra que procure,

uma vez mais, alcançar

o que no passado não se

conseguiu.

É de esperar, tal como aconteceu em

relação aos ODM, que, a nível global, a

maioria dos ODS fique por cumprir e que

a Agenda 2030 dê lugar a uma outra que

procure, uma vez mais, alcançar o que no

passado não se conseguiu.

Um editorial publicado na revista

científica Nature em junho de 2024 dizia que,

embora desistir não seja uma opção, “este

plano para acabar com a pobreza e alcançar

a sustentabilidade ambiental claramente não

está a funcionar”.

Num artigo de comentário divulgado na

mesma publicação, com o título “Extending

the Sustainable Development Goals to 2050

– a road map”, uma dezena de investigadores

dos Estados Unidos da América, Reino

Unido, Alemanha e Suécia dizia, há um ano,

que “é claro que a maioria, senão todos” os

ODS ficarão por cumprir, com apenas cerca

de 20% das metas no caminho certo para

serem alcançadas até 2030.

Esse grupo defendia que o prazo da

Agenda 2030 deveria ser estendido por

mais 20 anos, com metas intermédias para

2030 e 2040 e “metas finais” para 2050 “que

se alinhem com a ciência e mantenham

ambições nacionais e globais elevadas, mas

alcançáveis”.

Uma outra equipa de mais de meia centena

de cientistas acredita que para acelerar a

implementação da Agenda 2030 é preciso

deixar de ver os ODS como sendo unidades

estanque e passar a encará-los como elementos

interconectados e interdependentes.

Num artigo publicado no passado mês de

outubro na Nature Communications, os

investigadores defendiam que é preciso

compreender as interações entre os vários

ODS e conceber estratégias que as tenham em

conta e que permitam “promover múltiplos

ODS em simultâneo, assegurando que os

esforços numa área não conflituam com o

progresso noutra”.

Além disso, salientavam a importância

de aplicar modelos que permitam prever

os impactos a longo-prazo de políticas que

visem os ODS, ajudando a fazer os ajustes

necessários para ser possível alcançá-los.

“O desenvolvimento sustentável exige um

entendimento profundo da interconexão

entre as atividades humanas e os sistemas

ambientais”, apontava Klaus Hubacek, da

Universidade de Groningen (Países Baixos)

e um dos autores desse artigo.

“Ao incorporar pensamento sistémico

e soluções baseadas na ciência, podemos

criar políticas que não apenas respondem

a desafios imediatos, mas também criam

benefícios duradouros tanto para as pessoas

como para o planeta”, sentenciava.

Apesar do quadro desanimador, parece

resistir uma centelha de esperança de que, se

o mundo puser já mãos à obra e se empenhar

(política, económica e socialmente), é ainda

possível cumprir pelo menos parte da Agenda

2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Contudo, se a História servir de bússola

para o futuro, a menos de cinco anos do fim

do prazo, e com diversas crises em curso e

com a intensificação de algumas delas, é uma

esperança que começa a desvanecer, com

muitos olhos já postos nas décadas vindouras

e muitas mentes já a pensar em como se pode,

nos próximos anos, conseguir fazer o que até

2030 muito provavelmente não será feito.

“Devagar se vai ao longe”, diz a sabedoria

popular, mas resta saber quando é que lá

chegaremos e se ainda iremos a tempo para

fazer as mudanças que há décadas se sabe

que precisam de ser feitas, mas que, por

isto ou por aquilo, tardam em acontecer,

sendo constantemente eclipsadas por outras

prioridades.

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


16

\\ ENTREVISTA \\

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

“É hoje evidente que muitas das metas

definidas para 2030 não serão atingidas”

JOÃO FERRÃO, COORDENADOR DA PLATAFORMA ODSLOCAL, ENQUANTO MEMBRO DO

CONSELHO NACIONAL DO AMBIENTE E DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, DESTACA OS

MUNICÍPIOS COMO CENTRAIS NA CONCRETIZAÇÃO DA AGENDA 2030 PARA O DESENVOLVIMENTO

SUSTENTÁVEL E O QUE É PRECISO FAZER PARA IMPULSIONAR ESSES ESFORÇOS.

\\ Por Filipe Pimentel Rações

Em 2015, os Estados do mundo adotaram a Agenda

2030 para o Desenvolvimento Sustentável, algo

que foi assinalado como “uma decisão histórica”, e

comprometeram-se a “trabalhar incansavelmente”

para concretizá-la. A cinco anos da data em que

a Agenda 2030 deverá estar totalmente implementada, muito

está ainda por fazer e desvanece a esperança de que isso venha

realmente a acontecer como tinha sido planeado há uma década.

Contudo, têm sido conseguidos avanços significativos e as cidades

e os municípios são elementos fundamentais desse esforço.

Em entrevista à Green Savers, João Ferrão, Coordenador da

Plataforma ODSlocal (https://odslocal.pt/), enquanto membro

do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável,

e investigador coordenador aposentado do Instituto de

Ciências Sociais, da Universidade de Lisboa, fala-nos do papel

central que os municípios têm no impulsionamento do Desenvolvimento

Sustentável, em especial em Portugal.

Das áreas menos positivas àquelas em que os municípios mais

têm conseguido alcançar, João Ferrão conta-nos que é preciso

atentar nas diferenças (ambientais, sociais, geográficas, económicas)

entre os vários municípios portugueses para se perceber

a razão de o Desenvolvimento Sustentável em Portugal avançar

a várias velocidades.

Quando falamos de Desenvolvimento Sustentável e da

Agenda 2030, o foco tende a recair, muitas vezes, sobre os

Estados e países, sobre o que a nível nacional está a ser feito

para cumprir as metas definidas. Mas o que é feito à escala

local é fundamental para esses esforços, certo? Sem, por

exemplo, municípios e comunidades locais o DS não passará

do papel?

No lançamento da Agenda 2030, as Nações Unidas salientaram

que as cidades e os municípios seriam os palcos onde a

batalha pelo desenvolvimento sustentável iria ser ganha ou

perdida. Quatro anos mais tarde, num relatório da OCDE afirmava-se

que quase dois terços das 169 metas dos Objetivos de

Desenvolvimento Sustentável dessa Agenda exigem o envolvimento,

ainda que em diferentes graus, de autoridades locais e

regionais.

De facto, são os municípios e as comunidades que melhor conhecem

as realidades locais e, por isso, quem melhor pode definir

necessidades e prioridades à luz dos objetivos da Agenda

2030? Ao mesmo tempo, o facto de a proximidade física permitir

que as pessoas se conheçam e que tenham tido experiências

anteriores de trabalho conjunto envolvendo diferentes instituições

facilita o desenvolvimento de iniciativas comuns ou que

se complementam entre si baseadas em relações de confiança.

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ENTREVISTA \\

17

De um modo geral, como é que os municípios

portugueses estão em termos dos seus

percursos em direção ao DS e à concretização

dos ODS e da Agenda 2030?

Os municípios portugueses têm características

muito diferentes, pelo que o caminho a percorrer

por cada um deles para atingir as várias

metas definidas para 2030 é bastante variável.

Por outro lado, a capacidade de desenvolver

iniciativas que contribuam para a concretização

dos diversos ODS é também muito distinta,

em particular no que se refere à existência

de recursos humanos e financeiros adequados

e suficientes. Finalmente, a adesão aos princípios

e valores subjacentes à Agenda 2030 por

parte dos dirigentes autárquicos é igualmente

diversificada.

A experiência da Plataforma ODSlocal,

que envolve atualmente mais de 40% dos 308

municípios do país, permite salientar quatro

aspetos importantes. Por um lado, a existência

de um pequeno número de municípios que

adotaram precocemente a Agenda 2030 como

referencial estratégico transversal às diversas

atividades da autarquia, e que apresentam hoje

resultados positivos evidentes quer internos

quer por parte de outras organizações localizadas

nesses concelhos. Por outro lado, o aumento

gradual, mas constante, do número de

municípios que têm vindo a adotar a Agenda

2030 como referencial de ação, independentemente

da sua dimensão, localização ou liderança

partidária.

Em terceiro lugar, o facto de os progressos

mais relevantes tenderem a verificar-se em

municípios com níveis de desenvolvimento

mais elevados e com condições mais favoráveis

em termos de recursos humanos e financeiros

nas autarquias, mas também de parceiros

que partilham o mesmo tipo de visão sobre

desenvolvimento sustentável. Finalmente, a

existência de um número significativo de municípios

que permanecem fora deste processo,

por falta de recursos ou porque as lideranças

autárquicas não atribuem relevância à Agenda

2030, não a conhecem ou veem nela uma

fonte acrescida indesejável de complexificação

da sua ação.

Em 2024, a Plataforma ODSlocal publicou

um relatório no qual avalia o estado

dos ODS em Portugal. Nele destaca-se que

os ODS 4 (Educação de qualidade), ODS 6

(Água potável e saneamento) e ODS 14 (Proteger

a vida marinha) são aqueles em que os

municípios têm o melhor desempenho médio.

Porquê?

Os resultados apresentados nesse relatório devem

ser interpretados à luz de três componentes:

as situações efetivamente existentes em

cada município, os valores-meta a alcançar em

2030 e a disponibilidade de indicadores estatísticos

adequados e fiáveis, à escala municipal,

que permitam aferir com rigor o progresso em

relação a esses valores.

O bom resultado global dos três ODS indicados,

que ainda assim não pode fazer esquecer

que existem exceções por parte de diversos

municípios, traduz uma realidade positiva em

relação a essas três componentes: referem-se a

domínios consolidados em todo o país (ensino,

áreas de competência das autarquias), com

valores-meta para 2030 realistas e com um

conjunto robusto de indicadores de monitorização

do progresso em curso.

No polo oposto, podemos salientar o ODS

2 (Erradicar a fome e promover a agricultura

sustentável) e o ODS 13 (Ação climática),

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


18

\\ ENTREVISTA \\

onde os resultados globais pouco favoráveis

não podem deixar de ser associados, no primeiro

caso, ao recurso a indicadores insuficientes

em número e em adequação e, no segundo,

à definição de valores-meta para 2030,

decorrentes do Acordo de Paris de 2015, que,

entretanto, se revelaram, como bem sabemos,

irrealisticamente ambiciosos.

O mesmo relatório avança que todos os ODS

“estão a metade ou mais de metade do caminho”

que é preciso percorrer para serem alcançados

até 2030, à exceção de três: ODS 13

(Ação climática), ODS 2 (Erradicar a fome e

promover a agricultura sustentável) e ODS 5

(Igualdade de género). Dizem que esses ODS

precisam de “particular atenção” pois “têm

progredido de forma insuficiente”. Qual a razão

do fraco desempenho médio nesses três

objetivos em particular?

Os resultados relativos aos dois primeiros ODS,

como referi anteriormente, devem ser interpretados

com prudência pelas razões indicadas.

Mas ainda assim parece adequado afirmar que

ambos necessitam de um maior empenho e de

um grau de concretização mais elevado por parte

das entidades competentes, assim como dos

cidadãos e das comunidades locais em geral.

Já a situação do ODS 5 (Igualdade de género)

é distinta. Não deixa de ser significativo, por

exemplo, que a informação mapeada no portal

da Plataforma ODSlocal relativa às boas práticas

municipais, da responsabilidade das autarquias,

e aos projetos locais, promovidos por

organizações da sociedade civil, revele que nas

primeiras a igualdade de género raramente é

considerada como um dos objetivos a atingir, ao

contrário do que sucede com os segundos. Ou

seja, e de uma forma geral, a questão da igualdade

de género parece não estar ainda suficientemente

interiorizada como objetivo prioritário

na ação autárquica, embora, como é natural,

existam boas e honrosas exceções.

A Plataforma ODSlocal destaca também

como motivos de alguma preocupação os

ODS 11 (Cidades e comunidades sustentáveis)

e ODS 12 (Produção e consumo sustentáveis),

dizendo o mesmo documento que é

possível “um retrocesso em termos de aproximação

às metas definidas para 2030”. O que

aconteceu aqui?

O progresso dos municípios em direção aos valores-meta

dos vários ODS depende da conjugação

de vários fatores, uns de âmbito local ou

regional, outros de caráter nacional e outros

ainda externos ao país. O avanço insuficiente

ou mesmo o possível retrocesso em relação a

diversas metas definidas para 2030, nomeadamente

no que diz respeito a esses dois ODS,

exige uma análise aprofundada. Por exemplo, e

no que se refere ao ODS 11 (Cidades e comunidades

sustentáveis), até que ponto o provável

desempenho negativo reflete a descontinuidade

de iniciativas nacionais, como o Programa Bairros

Saudáveis, mas também o impacto de crises

globais (migratória, energética, geopolítica),

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ENTREVISTA \\

19

que tendem a aumentar as desigualdades sociais

sobretudo nas cidades? Raramente existe

uma relação linear entre um dado resultado e

uma causa única ou claramente predominante.

Em qualquer caso, o comportamento dos indicadores

de progresso relativos a estes dois ODS

constitui um evidente sinal de alerta. Há que

perceber melhor o que se passa e como atuar,

para acelerar o avanço em direção às metas definidas

para 2030.

Tal como em muitos outros aspetos, também ao

nível do DS o país avança a diferentes “velocidades”.

As regiões Centro, Norte e Área Metropolitana

de Lisboa são as que têm os melhores

desempenhos médios globais. Por outro lado,

as regiões da Madeira, Algarve e Alentejo registam

os desempenhos médios globais menos

positivos. Qual a razão dessas disparidades?

As regiões têm características distintas do ponto

de vista ambiental, sociodemográfico e económico

e estão desigualmente expostas a choques

externos relacionados com as diversas crises que

referi antes. Regiões com situações estruturais

menos favoráveis e mais expostas a impactos de

origem exógena terão, tendencialmente, progressos

mais lentos e exigirão um maior esforço por

parte de instituições públicas, organizações privadas

e cidadãos no sentido de acelerar as necessárias

transformações. Por outro lado, um desempenho

médio idêntico de duas regiões pode ocultar

a existência de padrões de diferenciação interna

muito distintos, quer entre os municípios de cada

uma das regiões, quer entre os vários ODS.

Por exemplo, e no que se refere à Área Metropolitana

de Lisboa, a comparação dos desempenhos

verificados entre 2015 e 2023 em relação ao

ODS 1 – Erradicar a Fome e ao ODS 13 – Ação

climática mostra que no primeiro caso os resultados

dos 18 municípios que integram aquela área

são genericamente mais positivos e mais semelhantes

entre si, enquanto no segundo caso são

São os municípios e as comunidades que melhor

conhecem as realidades locais e, por isso, quem

melhor pode definir necessidades e prioridades à

luz dos objetivos da Agenda 2030?”

globalmente menos favoráveis, mas com grandes

diferenças entre municípios. Importa salientar

que é fundamental analisar em simultâneo os

resultados observados ao nível municipal, sub-

-regional, regional e nacional. Porquê? Porque

uma análise multiescalar, isto é, realizada a

diferentes escalas geográficas, ajuda a identificar

o âmbito territorial mais adequado para

intervir, nomeadamente do ponto de vista das

políticas públicas, nos distintos domínios associados

aos dezassete objetivos de desenvolvimento

sustentável da Agenda 2030.

Alguns municípios tendem a agrupar vários

ODS em áreas temáticas de forma a poderem

abordá-los em conjunto, ou de “uma só assentada”.

Mas o vosso relatório sugere que essa

poderá não ser a melhor forma de trilhar o

caminho, apontando, ao invés, para uma abordagem

“transdisciplinar e holística, e não setorial

ou rigidamente organizada por domínios

pré-definidos”. Estes agrupamentos podem, de

alguma forma, comprometer a concretização

da Agenda 2030? Qual seria a melhor forma de

lá chegar?

Há muitos estudos empíricos que mostram que a

forma mais eficiente de acelerar o cumprimento

dos objetivos de desenvolvimento sustentável é

através da geração de sinergias entre ODS que beneficiem

uns dos outros.

Um dos exemplos mais evidentes inclui os

ODS relacionados com saúde, educação, erradicação

da pobreza e igualdade de género. Vários

dos relatórios produzidos pela Plataforma ODSlocal

identificam as combinações de ODS em que

essas sinergias ocorrem de forma mais recorrente,

mas também os casos mais gritantes de ausência

de sinergias necessárias, como sucede, de forma

surpreendente, com os ODS relacionados com a

saúde e a ação climática.

De uma forma geral, as sinergias predominantes

quer nas boas práticas das autarquias quer em

projetos locais desenvolvidos por outro tipo de

promotores privilegiam ODS de um mesmo grande

domínio: Pessoas (social), Planeta (ambiente)

ou Prosperidade (economia). Isto significa que

continuam a prevalecer óticas insuficientemente

sistémicas, demasiado dependentes do modo setorial

como as instituições, organizações e políticas

continuam a atuar.

É prioritário que para cada território – municipal

ou supramunicipal – sejam definidas constelações

virtuosas de ODS que permitam acelerar

o cumprimento da Agenda 2030 em função das

respetivas necessidades, prioridades e capacidades.

Mas deve ser realçado que existem algumas

autarquias que adotaram a Agenda 2030 de forma

efetivamente transversal, isto é, incidindo sobre

todas as suas áreas de intervenção.

Dada a evolução dos indicadores, e a diversidade

social, demográfica, ambiental, económica

e cultural dos vários municípios, acredita que

será realmente possível concretizar a Agenda

2030 e os ODS daqui a cinco anos, em Portugal?

O que seria preciso que tivesse acontecido

para isso ser possível? Será que, mesmo assim,

ainda é possível?

Creio que é hoje evidente que muitas das metas

definidas para 2030 não serão atingidas.

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


20

\\ ENTREVISTA \\

Os municípios portugueses têm

características muito diferentes, pelo que

o caminho a percorrer por cada um deles

para atingir as várias metas definidas

para 2030 é bastante variável.

Importa perceber por que razão e o que fazer. Em primeiro lugar, desde

2015, o ano 0 da Agenda 2030, ocorreram sucessivas crises globais

que tornaram irrealistas várias das metas então identificadas e que implicaram

mesmo situações de retrocesso um pouco por todo o mundo.

Por outro lado, temos de reconhecer que, na generalidade, Portugal

acordou tardiamente para a importância de um empenho político e

cívico sério no que talvez seja hoje a única linguagem comum capaz de

juntar entidades, atividades, países e cidadãos em torno de princípios,

valores, objetivos e metas partilhados.

Finalmente, é igualmente necessário imaginar o custo, em geral e

em particular no caso do nosso país, da inexistência da Agenda 2030.

Claro que é impossível fazer essa análise contrafactual: como estaríamos

se não existisse a Agenda 2030? Mas, tendo como referência a

experiência das atividades desenvolvidas no âmbito da Plataforma

ODSlocal com o apoio da Fundação “la Caixa”, é possível afirmar que a

evolução dos indicadores de progresso, os múltiplos exemplos de excelentes

práticas municipais e projetos locais mapeados no nosso portal,

a adesão de crianças e jovens à exposição itinerante sobre os ODS que

tem percorrido o país ou as sessões prospetivas e os laboratórios de sustentabilidade

que temos vindo a desenvolver em diversos municípios

mostram um enraizamento da Agenda 2030 ao nível da consciencialização,

mobilização e ação bem superior à visibilidade que ela tem nos

espaços político e público.

Atualmente, 133 municípios aderiram à Plataforma ODSlocal,

de um total de 308 em todo o país, o que equivale a cerca de 43%,

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ENTREVISTA \\

21

menos de metade. Porque é que não há mais

municípios aderentes? O DS não é uma prioridade

generalizada ainda?

Este é um típico problema de garrafa meio vazia

ou meio cheia. Gostaríamos, naturalmente, que

essa percentagem fosse 100%. Já referi vários

fatores que explicam que assim não seja: falta

de recursos humanos e financeiros, desconhecimento,

desinteresse ou mesmo recusa por se

temer que a Agenda 2030 constitua uma fonte

adicional de complexificação da ação autárquica

a somar às múltiplas agendas com que lidam diariamente,

muitas delas associadas a programas

de financiamento ou a legislação (agenda climática,

economia circular, descarbonização, mobilidade

suave, etc.). Mas quantas redes voluntárias,

não associadas a programas comunitários ou a

legislação específica, mobilizam em Portugal 133

municípios?

A incorporação efetiva da Agenda 2030 no

dia-a-dia das autarquias exige tempo, aprendizagem,

modificações organizacionais, novas competências,

cultura de colaboração e partilha entre

decisores e técnicos, entre distintos departamentos

da autarquia, e entre a autarquia, entidades

externas e comunidade local.

Este ano teremos eleições autárquicas e, como

consequência da escolha dos eleitores ou da limitação

do número de mandatos, haverá uma nova

geração de presidentes de câmara. Este será o

grande teste ao efetivo grau de enraizamento da

Agenda 2030 a nível autárquico.

Que prioridades devem ter as próximas lideranças

locais para acelerar a concretização do

DS nos seus territórios? O que é realmente

mais premente? É novas abordagens, é alocação

de mais recursos, é uma maior priorização

política do DS, é um maior envolvimento das

populações, é mais apoios do governo central?

Tudo isso é importante. Mas saliento quatro

aspetos. Em primeiro lugar, a expansão e revitalização

da secção dos Municípios para os

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da

ANMP [Associação Nacional de Municípios

Portugueses] e da sua articulação com as CCDR

[Comissões de Coordenação e Desenvolvimento

Regional], como já está a suceder, e com a Fundação

para os Estudos e Formação nas Autarquias

Locais (FEFAL), o Instituto Nacional de Administração

(INA) e a academia, nos domínios da

capacitação e da investigação. Em segundo lugar,

um enquadramento favorável a nível nacional,

que estimule, apoie e premeie a concretização

da Agenda 2030 ao nível da ação autárquica, nomeadamente

através de processos participados

como sucedeu no âmbito da preparação do Relatório

Voluntário Nacional de 2023. Em terceiro

lugar, o financiamento público de atividades

de intercâmbio e aprendizagem recíproca sobre

como territorializar a Agenda 2030 envolvendo

municípios portugueses e de outros países,

que não apenas da CPLP [Comunidade de Países

de Língua Portuguesa] e da União Europeia.

Finalmente, o desenvolvimento de formas de

articulação entre autarquias, escolas, bibliotecas

municipais e instituições do ensino superior que

mobilizem crianças e jovens, e através deles as

comunidades locais, para os princípios, valores e

objetivos da Agenda 2030 tendo como referencial

as realidades locais e a sua relação com territórios

vizinhos e com tendências globais.

A Agenda 2030 é um plano de ação global

da ONU que estabelece 17 Objetivos de

Desenvolvimento Sustentável divididos em

cinco pilares (Pessoas, Planeta, Prosperidade,

Paz e Parcerias), visam erradicar a pobreza,

combater a fome e desigualdade, proteger o

meio ambiente e garantir a paz e a justiça.

O DS é mesmo algo que algum dia poderá ser

alcançado por algum país ou região? Com todos

estes atrasos, a sustentabilidade da existência

humana na Terra não só é adiada como

também foge cada vez para mais longe. Será

possível um dia lá chegarmos ou é mais uma aspiração

e o que importa é o que se consegue no

caminho até ela?

Convém distinguir desenvolvimento sustentável

e sustentabilidade. O primeiro é um processo, e

como tal pressupõe finalidades, protagonistas institucionais

e da sociedade civil, individuais e coletivos,

fatores de estímulo e de bloqueio, formas

de governança, mecanismos de financiamento. É

um processo com tensões, avanços e recuos, resultados

diferenciados e contraditórios no tempo

e no espaço, assimétrico nos impactos que desencadeia,

nos ganhos que promove e nos custos

que acarreta. É uma caminhada coletiva baseada

num conjunto de princípios, valores e objetivos

partilhados. O foco, neste caso, é como manter

essa caminhada em direção a um destino mais ou

menos definido ou até, para aspetos específicos,

quantificado.

A sustentabilidade é um estado aspiracional.

Ela nunca é atingida de forma definitiva e, aliás,

está em constante reformulação em função da

emergência de novas circunstâncias, novos contextos

e novas aspirações. Constitui, de certa maneira,

o guia espiritual da grande caminhada pelo

desenvolvimento sustentável.

Ao definir metas para os vários objetivos de

desenvolvimento sustentável, a Agenda 2030 das

Nações Unidas tornou tangível o desenvolvimento

sustentável enquanto processo e a sustentabilidade

enquanto estado aspiracional dinâmico. E

em boa hora o fez, porque essa é a maneira mais

eficaz de trazer princípios genéricos e abstratos

para o quotidiano das pessoas e das organizações.

A questão não é, portanto, saber se algum dia

será possível atingir o desenvolvimento sustentável,

mas antes dispor de referenciais concretos e

partilháveis – dos princípios e valores às metas a

atingir – que favoreçam formas colaborativas de

caminhar numa mesma direção.

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


22

\\ INOVAÇÃO \\

Future Cities,

Future Communities

Innovation Accelerator

O PROGRAMA DE INOVAÇÃO DEDICADO

À SUSTENTABILIDADE DA NOVA SBE

A ANÁLISE E ESTUDO DA ECONOMIA VERDE E DAS CIDADES SUSTENTÁVEIS FOI A GRANDE

PROPOSTA DESTE ACELERADOR DE INOVAÇÃO QUE PROMOVE A INTERDISCIPLINARIDADE PARA O

DESENVOLVIMENTO DE SOLUÇÕES CRIATIVAS E INOVADORAS PARA AS CIDADES E COMUNIDADES

DO FUTURO.

\\ Por Ana Filipa Rego

O

Future Cities, Future Communities Innovation Accelerator

foi um programa de 7 meses, com o objetivo de

descobrir e apoiar soluções inovadoras para os desafios

das cidades e comunidades, alinhadas com a agenda de

transição verde da União Europeia, fornecendo possíveis soluções com

diferentes níveis de maturidade, provenientes de um amplo espectro de

partes interessadas.

Criado em colaboração com 11 parceiros empresariais e de serviços

públicos, o programa encapsulou os principais tópicos do Pacto Ecológico

Europeu em três grupos principais: Neutralidade carbónica e Net Zero,

Vida Urbana, Proximidade e Serviços à Comunidade e Construção, Infraestruturas

e Arquitetura. O objetivo global “passou por ligar os parceiros

do programa a soluções com diferentes níveis de maturidade e abordagem,

promovendo assim a diversidade do ecossistema de inovação a partir de

teorias e práticas”, explica Alisson Ávila, responsável por Projetos com Impacto

na Nova SBE, em entrevista à Green Savers.

O programa culminou com um Sharing Day que incluiu quatro painéis,

refletindo as diversas áreas de incidência do programa. Os principais resultados,

acrescenta Alisson, passam pelas 22 startups e PMEs selecionadas

pelas organizações parceiras para potenciais projetos-piloto ou negócios,

pelo apoio técnico prestado a dezenas de estudantes para projetos empreendedores

em fase inicial e pelo UNL Research Index, que disponibilizou

uma compilação com 100 investigações realizadas através da Universidade

Nova de Lisboa relacionadas com os desafios do programa.

Alisson Ávila revela que a iniciativa recebeu o nome Future Cities, Future

Communities para apoiar o ecossistema a cumprir e explorar a agenda

do Pacto Ecológico Europeu, para fazer convergir a economia verde, as

cidades sustentáveis e a prestação de serviços e para considerar as pessoas,

o planeta e o resultado financeiro em pé de igualdade. “Acreditamos que é

necessária a ação de todos, desde a pequena escala à escala global”, sublinha.

Segundo o responsável por Projetos com Impacto na Nova SBE, a iniciativa

também recebeu o nome de “ecosystem accelerator, mais do que

um innovation accelerator, porque acreditamos igualmente que é papel da

Academia como um todo, e da Nova SBE em particular, promover a transferência

de conhecimento dentro e fora do campus, induzindo o desenvolvimento

de negócios com impacto e o progresso social, porque é necessário

promover uma abordagem ecossistémica para a inovação, incluindo todos

os principais intervenientes, porque é relevante alavancar o papel dos alunos

e investigadores na conceção de soluções, no desenho de modelos e na

transferência/implementação de conhecimento e porque sabemos como

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ INOVAÇÃO \\

23

contribuir para o pipeline de inovação das organizações

participantes”.

11 organizações (Grupo ACA, Banco Primus,

Grupo Brisa, CEiiA, Câmara de Cascais, Investors

Portugal, Jerónimo Martins / Pingo Doce,

LTP Labs, Morais Leitão, Schréder, SIBS e Zeiss),

mais de 100 startups e PMEs, mais de 300 investigadores

da UNL representados no “UNL Research

Index” preparado para o projeto, cerca de 75

alunos representados nos 12 projetos de alunos e

empreendedores iniciantes e15 representantes da

sociedade civil nos workshops abertos à comunidade

participaram no programa.

SEEDS ON WHEELS

Um desses participantes foi o Seeds on Wheels,

um movimento pela educação e sensibilização alimentar

e que atua através da produção de eventos

pop-up e placemaking tático.

Em entrevista à Green Savers, os fundadores

João Pratas e Ariana Marques da Silva, explicam

que o SOW “nasceu de uma ideia simples, mas

poderosa: transformar a maneira como as pessoas

se relacionam com a alimentação. Acabou por

ser uma confluência de inquietações, paixões e

lacunas”

Durante o mestrado em Urbanismo Sustentável

e Ordenamento do Território (NOVA), continuam,

“tanto a Ariana quanto eu (João) começámos

a perceber lacunas e desafios nos sistemas

alimentares urbanos e na relação com o espaço

público — como a falta de pertença ao espaço urbano

e a fragilidade dos sistemas alimentares, evidenciada

pela pandemia e guerra na Ucrânia. Percebemos

que a alimentação — um bem comum

e universal — poderia ser a chave para enfrentar

essas questões de forma prática, regenerativa e

imersiva”.

Foi assim que nasceu o Seeds on Wheels: “um

movimento nómada, comunitário e pedagógico,

que ativa o espaço público e cria pontes entre pessoas,

territórios e alimentos”, revelam.

MISSÃO

A missão? “Educamos comunidades locais

para o impacto da alimentação, damos palco e

conectamos agentes de mudança, e inspiramos

escolhas alimentares mais saudáveis, sustentáveis

e locais. Fazemo-lo através de experiências imersivas

— eventos pop-up educativos e ações de placemaking

tático — sempre em colaboração com

instituições, empresas locais e autoridades públicas”,

respondem.

Atuam como um hub temporário, dinâmico

e itinerante, que percorre a cidade com eventos

adaptados às realidades de cada comunidade,

revelando sinergias, semeando parcerias e fortalecendo

laços locais.

O objetivo “é chegar às pessoas no coração dos

seus territórios, educando e empoderando para

a adoção de comportamentos alimentares mais

conscientes”, apontam.

Os fundadores sublinham ainda o evento piloto

que marcou o seu primeiro momento de

ação no território, funcionando como teste, vitrine

e ponto de encontro. “Ativámos um espaço

com experiências educativas e convidámos

produtores, chefs, académicos, projetos locais e

a comunidade a participar num evento imersivo

que celebrou o poder transformador da alimentação.

Através de atividades como showcooking,

palestras, workshops, visitas, e para condimentar,

um almoço e uma festa de celebração com boa

música”, referem, salientando que “este evento

foi fundamental para validar as nossas metodologias,

criar parcerias e perceber, na prática, o

entusiasmo das pessoas. E, após os vários eventos

realizados desde então, a resposta é clara: faz sentido

e vamos continuar!”

EXPECTATIVAS PARA O FUTURO

Olham para o futuro com entusiasmo e responsabilidade.

“Queremos consolidar o Seeds on

Wheels como uma plataforma de impacto real

— que ative territórios, empodere comunidades

e conecte agentes locais para construir sistemas

alimentares urbanos resilientes, inspirando mudanças

no quotidiano das pessoas. Para este ano,

temos planeados novos eventos”, concluem.

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


24 \\ ENRTEVISTA \\

Seeds on Wheels

Ariana Marques da Silva

João Pratas

O que é que é uma alimentação sustentável?

Quando falamos de alimentação sustentável, referimo-

-nos ao impacto que os alimentos têm ao longo de todo o

seu ciclo — da produção ao consumo, passando pela gestão

e valorização dos resíduos. Está diretamente ligada

ao onde, como e por quem os alimentos são produzidos,

processados, transportados, etc e aos efeitos que esse

processo gera nas comunidades, nos ecossistemas e nos

territórios.

Não deve ser confundida com alimentação saudável,

que se refere sobretudo às qualidades nutricionais dos

alimentos — embora ambas se complementem.

Uma alimentação sustentável privilegia a proximidade,

a sazonalidade e a base vegetal, promovendo práticas

agrícolas regenerativas que respeitam os solos, os recursos

naturais, a biodiversidade e as pessoas envolvidas. É

também uma alimentação justa, que valoriza quem produz,

promove o acesso equitativo a alimentos saudáveis e

combate o desperdício.

Em resumo, é uma escolha diária com impacto coletivo —

e todos podemos fazer parte dessa transformação.

Qual a ligação entre a alimentação e as cidades?

A ligação entre a alimentação e as cidades é genética,

estrutural e, sistematicamente, invisibilizada. Como diz

Carolyn Steel, “it’s too big to see.” Desde sempre, a produção,

o transporte e o consumo de alimentos moldaram o

desenvolvimento urbano.

Hoje, os sistemas alimentares representam uma parte

significativa da pegada ecológica das cidades - mas também

podem ser uma ferramenta poderosa para regenerar,

redistribuir e reconectar. Sabemos que:

• A alimentação e os sistemas alimentares (SA) têm um

impacto direto nas alterações climáticas, e na escassez de

recursos - sendo também chave para mitigar esses efeitos;

• Em contextos urbanos densos, o desperdício acelera, enquanto

as dietas se tornam mais deficitárias e desiguais;

• As cidades oferecem um palco fértil para soluções inovadoras,

onde a integração entre espaço urbano e SA pode

gerar co-benefícios ambientais, sociais e económicos.

Como referem Verzone & Woods, a alimentação tem o

potencial de devolver identidade aos bairros e territórios

— sendo uma via poderosa para promover justiça social

e sustentabilidade. A relação entre cidade, alimentação e

metabolismo urbano é clara: um dos maiores desafios — e

também uma das maiores oportunidades — da nossa era.

“E das cidades e do espaço público?

O espaço público é o palco onde tudo acontece. Nele, a

cidade se encontra, se reconhece e se transforma.

No Seeds on Wheels vemos o espaço público como um

bem comum essencial para a construir comuni- dades

saudáveis e resilientes. É ali que semeamos novas relações

com a alimentação, com os outros e com o território.

Acreditamos que o direito à cidade passa também

pelo direito a um espaço público vivo, cuidado, produ- tivo

e apropriado por todos — e a alimentação, como linguagem

universal, é a ferramenta perfeita para (re) ativar

esse espaço.”

Como é que se impulsiona a transição para dietas

saudáveis, sustentáveis e locais, em conjunto com

instituições, empresas e autoridades locais?

A mudança precisa de ser sistémica e colaborativa!

Perceber o poder transformador que a alimentação pode

ter nas nossas vidas, saúde e sustentabilidade planetária

é crucial e urgente! E o primeiro passo é educar e sensibilizar

mobilizando cidadãos e as instituições chave, como

empresas e decisores públicos, para que assumam o seu

papel.

O Seeds on Wheels posiciona-se como um catalisador

dessa mudança: criamos pontes entre o local e o coletivo,

ativamos redes e visibilizamos boas práticas, levando a

alimentação para o centro das conversas e experiências,

estimulando transformações reais.

Como é que se integra a alimentação e o clima no

planeamento territorial?

Integrar a alimentação e o clima no planeamento territorial

é reconhecer que os sistemas alimentares são uma

infraestrutura crítica — com implicações diretas no uso do

solo, nos padrões de mobilidade, no consumo, na saúde

pública e na resiliência dos territórios. Este entendimento

é o foco central do manual “Integrar a Alimentação e o

Clima no Planeamento Territorial”, da Cecília Delgado, publicado

pela Alimentar Cidades Sustentáveis, associação

da qual faço parte.

Este documento propõe orientações práticas para que os

instrumentos de gestão territorial incorporem estratégias

alimentares locais como ferramentas de mitigação e

adaptação às alterações climáticas.

Desde a proteção de solos agrícolas até à promoção

de circuitos curtos, passando pelo ordenamento de infraestruturas

alimentares, mercados, hortas urbanas e políticas

públicas de compras sustentáveis, o objetivo é que

o planeamento territorial crie as condições físicas, legais

e sociais necessárias para que o sistema alimentar local

seja mais justo, saudável e regenerativo.

Estas orientações refletem a importância de uma

abordagem interdisciplinar que envolva arquitetura, urbanismo,

agronomia, saúde entre outras áreas. O objetivo

é claro: fomentar cidades resilientes e sistemas alimentares

justos e sustentáveis, que respondam aos desafios

geopolíticos, climáticos e sociais de hoje e do futuro.

Através do SOW, procuramos mapear os atores que atuam

na transformação do sistema alimentar, dando-lhes

palco através de nossos eventos. Esse mapeamento gera

insights baseados em dados concretos, que ajudam a

informar decisões e ativar mudanças reais, criando um

ambiente propício para iniciativas de crescimento sustentável.

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


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26

“Falta termos uma

reforma fiscal

verde que apoie as

empresas a inovar

nesta matéria”

AS EMPRESAS EM GERAL PROCURAM CADA

VEZ MAIS UMA GESTÃO SUSTENTÁVEL, MAS

AINDA TEMOS MUITAS PME COM POUCO

CONHECIMENTO SOBRE OS SEUS BENEFÍCIOS.

PARA ALTERAR ESTE CENÁRIO, ALERTA SOFIA

SANTOS, CEO DA SYSTEMIC, É PRECISO UMA

“ENORME CAMPANHA DE COMUNICAÇÃO” E

UMA “REFORMA FISCAL VERDE”.

\\ Por Ana Filipa Rego

Asustentabilidade entrou no léxico e nas agendas da

generalidade das instituições porque nos últimos 5

anos, a nível europeu, “tornou-se num tema de cumprimento

com regulamentos e diretivas e, por isso,

deixou de ser exclusivamente voluntário”, explica

Sofia Santos em entrevista à Green Savers, sublinhando que, em

Portugal, tal como em toda a Europa, “existe uma crescente preocupação

das empresas em terem práticas de gestão sustentável”.

No entanto, a CEO da Systemic alerta para o facto de ainda termos

muitas PME “com pouco conhecimento sobre a oportunidade

que este tema lhes pode trazer, e que só o percecionam como sendo

de custo e não de oportunidade”. Por isso, acrescenta, “o que falta fazer

é uma enorme campanha de comunicação de como todos estes

temas são fundamentais para Portugal e para as empresas portu-


\\ ENTREVISTA \\

27

guesas, falta termos uma reforma fiscal verde

que apoie as empresas a inovar nesta matéria”.

Para a empresária, as empresas para ter

lucro “têm de fazer muito mais coisas do que

apenas vender”.

Historicamente, quais são os momentos-

-chave da sustentabilidade?

Existem muitos, mas diria que são aqueles associados

ao Acordo de Paris em 2015, Agenda

2030 dos Objetivos para o Desenvolvimento

Sustentável lançada em 2015, o Plano de Ação

para Financiar o Crescimento Sustentável da

União Europeia em 2018, A coligação dos ministros

das finanças para o clima em 2019 e a

criação pelo FMI do programa Resilience and

Sustainability Facility (RSF).

Porque é que mais recentemente a sustentabilidade

entrou no léxico e nas agendas da

generalidade das instituições?

Porque nos últimos 5 anos, a nível europeu,

tornou-se num tema de cumprimento com regulamentos

e diretivas e, por isso, o tema deixou

de ser exclusivamente voluntário. A nível

internacional, o tema da sustentabilidade e de

Climate Finance faz também parte, hoje em

dia, dos programas de apoio do FMI e do Banco

Mundial aos países em desenvolvimento e,

como tal, também em África este tema tem

ganho muita importância.

Quando surgiram os primeiros sinais de

alerta?

Apesar do tema ter ganho relevância nos últimos

5 anos, já há mais de 20 anos que temos

empresas a nível internacional e nacional com

estratégias de sustentabilidade e com preocupações

nesta matéria. Não se trata de sinais de

alerta, mas sim de empresas que são progressistas

e que se focam em ter uma gestão com

uma visão de longo prazo.

Que avaliação faz do quadro empresarial

português no que diz respeito à sustentabilidade?

As empresas portuguesas estão realmente

a assumir responsabilidades nos três

pilares? O que falta fazer e porquê?

Em Portugal, tal como em toda a Europa, existe

uma crescente preocupação das empresas

em terem práticas de gestão sustentável. Temos

trabalhado com PME que decidem ser

B Corp, ou ter uma estratégia de sustentabilidade

por considerarem que tal é um fator de

diferenciação e de competitividade.

Obviamente que ainda temos muitas PME

com pouco conhecimento sobre a oportunidade

que este tema lhes pode trazer, e que só o

percecionam como sendo um tema de custo e

não de oportunidade. Por isso, o que falta fazer

é uma enorme campanha de comunicação de

como todos estes temas são fundamentais para

Portugal e para as empresas portuguesas, falta

termos uma reforma fiscal verde que apoie as

empresas a inovar nesta matéria. Precisamos

de mais co-financiamento eficaz e prático que

possa de facto ajudar as empresas a ter uma

gestão mais sustentável.

De que forma é que se pode fazer com que o

investimento em sustentabilidade traga retorno

a uma empresa?

As empresas para ter lucro têm de fazer muito

mais coisas do que apenas vender. Têm de ter

políticas de recursos humanos, têm de ter inovação,

têm de ter contabilidade, têm de cumprir

com critérios informáticos, e tudo isso traz

retorno. Os temas da sustentabilidade podem

trazer muito mais retorno do que os outros,

pois podem ser construídos e comunicados

como fatores de diferenciação, de competitividade,

de marketing. Podem ainda contribuir

mais para o retorno, pois uma empresa com

estas práticas é uma empresa com uma melhor

gestão e isso diminui o risco, logo o preço do

dinheiro. Também estas práticas são hoje fator

necessário para os co-financiamentos europeus,

e mesmo co-financiamentos de outras

instituições internacionais em projetos noutros

continentes. Por isso, é obvio como pode

trazer retorno: é sinónimo de melhor gestão.

No atual contexto de crises planetárias, será

preciso uma nova forma de as empresas se

relacionarem com ambiente e com as comunidades

humanas de forma mais geral? Que

mudanças, se alguma, considera serem necessárias

na forma como as empresas estão

no mundo para poderem contribuir para os

esforços de proteção do planeta e, assim, dos

próprios negócios, uma vez que é já amplamente

reconhecido que não pode haver desenvolvimento

económico sem sociedades estáveis

e sem um planeta minimamente saudável?

É preciso que as escolas de gestão ensinem a

gestão sustentável, o financiamento climático

e sustentável de forma massiva, quer nas

licenciaturas quer nos cursos de executivos. É

crucial que todos os cursos das áreas de economia,

finanças, contabilidade, análise financeira

e afins, tenham estas matérias.

É também fundamental que os cursos de

engenharia tenham cadeiras de gestão sustentável

e de financiamento climático. Só com

conhecimento conseguiremos evoluir. E atualmente

este tema ainda é muito desconhecido.

Necessita de ser massificado.

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


28

\\ ENTREVISTA \\

Terá a Responsabilidade Social, agora chamada

de ESG por muitos, um papel a desempenhar

nessa mudança de “estar no mundo”

das empresas? Em que é que esse novo sentido

de responsabilidade se deve traduzir?

Vamos lá compreender os termos. Práticas

ESG, são as práticas ambientais, sociais de

governação que as organizações podem fazer

para contribuir para um desenvolvimento

mais sustentável. Isto significa que as empresas

reconhecem a sua responsabilidade de ter um

impacte positivo na sociedade e no mundo em

que operam, e que vai além da distribuição de

dividendos a um grupo de acionistas. Isso implica

o reconhecimento de que o CEO e o CA

têm uma responsabilidade acrescida perante

a sociedade onde operam, e que vai além daquela

que se limita às operações da empresa.

Implica que a organização compreenda que a

sua existência depende dos outros, e como tal

também é responsável pelo que acontece na

sua cadeia de valor. Esse sentido de responsabilidade

deve traduzir-se no reconhecimento

que a organização é um agente de transformação

da sociedade civil, e não que apenas que

uma organização é algo que emprega pessoas,

produz um bem e paga dividendos. É muito

mais do que isso.

Segundo o 3º Relatório Global de Consumo

MARCO 2024, promovido pela MARCO em

parceria com a Cint, 90% dos consumidores

portugueses acreditam que as marcas afirmam

ser sustentáveis apenas para fins promocionais.

É um número bastante elevado.

Falta transparência e responsabilidade às

marcas? Porque é que os consumidores mostram

essa desconfiança face ao compromisso

das empresas para com a sustentabilidade?

Pode faltar genuinidade e interesse efetivo com

os temas da sustentabilidade, e isso passa para

o consumidor. Pode faltar também capacidade

em se comunicar bem o que a empresa faz.

Mas, na maioria dos casos, ainda falta de facto

a preocupação genuína em contribuir positivamente

para o mundo em que vivemos... e os

consumidores sentem isso.

Acha que o Greenwashing é um efeito colateral

na corrida do mercado pela sustentabilidade?

Há uma diferença entre o dizer que

se faz e o fazer realmente. As empresas estão

realmente a fazer ou só a dizer que fazem?

Ainda há muito desconhecimento técnico sobre

o que de facto são práticas sustentáveis.

As equipas de comunicação das empresas deveriam

obter formação específica sobre este

tema, pois em breve teremos Diretivas em vigor

que podem colocar coimas às empresas por

afirmarem determinadas frases. Acredito que

muitas vezes as empresas podem emitir afirmações

que não são cientificamente ou tecnicamente

corretas por mero desconhecimento.

Mas isso não é desculpa. É um erro que pode

ser acusado de ser greenwashing com uma punição

eventual.

Como é que olha para a nova legislação para

tornar os produtos no mercado da UE mais

sustentáveis? Que efeitos terá na forma

como as empresas operam e como as pessoas

consomem?

Vejo com bons olhos. Já vimos que se não for

por regras específicas as empresas tendem em

adiar a mudança. Podemos por um lado adiar

a data do reporte de sustentabilidade, mas se

as empresas forem obrigadas a criar produtos

mais sustentáveis, então o objetivo máximo da

legislação é alcançado. E isso é bom.

Vê a regulamentação que tem saído em termos

de ESG como positiva ou seria importante

fazer alguma coisa diferente?

Acho que o que tem acontecido era o esperado.

Há 10 anos não havia regulação nenhuma a nível

europeu sobre reporte de sustentabilidade,

indicadores obrigatórios, nem due diligence.

Em 10 anos conseguiu-se colocar o tema nas

agendas de todas as empresas e de todos os países.

O nível de exigência de indicadores que

tínhamos até há uns meses atrás era de facto

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ENTREVISTA \\

29

As empresas para ter lucro têm

de fazer muito mais coisas do que

apenas vender. Têm de ter políticas

de recursos humanos, têm de ter

inovação, têm de ter contabilidade,

têm de cumprir com critérios

informáticos, e tudo isso traz retorno.

muito extensa e apesar de as datas para a transposição

serem conhecidas de todos, o lobby

para adiar a obrigatoriedade para as grandes

empresas já era de esperar.

Assim, basicamente, adiou-se 2 anos a obrigatoriedade

do reporte das grandes empresas

não cotadas, e diminuiu-se o número de empresas

que serão impactadas diretamente pela

diretiva. No entanto, as grandes empresas que

não são impactadas diretamente serão-no indiretamente

via cadeia de valor e via os seus

clientes. Ou seja, atrasou-se um pouco o timing

do reporte para dar mais tempo às empresas

para estarem mais bem preparadas, algumas

não vão ser obrigadas por lei a ter indicadores

de sustentabilidade, mas vão ser “obrigadas” pelos

seus clientes. Não sei qual das duas “forças”

será a mais forte.

Que riscos vê neste contexto de incerteza política

e o que é que os resultados das eleições

podem representar para as empresas em termos

de sustentabilidade?

Não vejo assim tantos riscos, nem tantas mudanças.

Apenas algum abrandamento na urgência

de se cumprir com a lei. O que acontece é

que as grandes empresas vão adiar os seus investimentos

de 2025 para 2027, pois a obrigatoriedade

passa para 2028 (em vez de 2026).

Este tema é um tema mundial, já na agenda da

China, Japão, e muitos mais países para além da

Europa.

A visão doutrinal dos EUA não acreditarem

nos problemas climáticos, não é partilhada

pela China, nem pela Europa, nem pela África,

nem pelo resto do continente americano. Por

isso, os temas climáticos e de sustentabilidade

não vão desaparecer da agenda. Serão cada vez

mais importantes. A pressa de cumprir com a

lei na Europa é que abrandou. Mas será que isso

é bom para as empresas? Elas terão de decidir

se faz sentido iniciar estes processos desde já,

ou esperar ...

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


30

\\ OPINIÃO \\

O MUNDO ESTÁ EM CRISE E A SUSTENTABILIDADE

É A CHAVE PARA A ULTRAPASSAR

A

tualmente, vivemos uma policrise, na qual se entrelaçam crises

geopolíticas, guerras persistentes, desigualdades sociais crescentes,

ameaças pandémicas e emergência climática. Estes desafios

não são isolados — são interdependentes e amplificam-se mutuamente,

exigindo respostas sistémicas e colaborativas.

É neste contexto que os temas da descarbonização, da gestão de

resíduos e da ecomobilidade urbana se revelam não só urgentes, mas

também profundamente interligados. A mobilidade e a gestão de resíduos

estão entre os setores mais emissores de gases com efeito de estufa

e esta última continua a ser, em muitos casos, um paliativo para a ausência

de uma economia verdadeiramente circular.

Nenhuma empresa ou indivíduo conseguirá resolver estes desafios

sozinho. É por isso que o BCSD Portugal existe há mais de 24 anos: para

unir empresas que acreditam que a sustentabilidade empresarial é um

imperativo estratégico, ético e coletivo.

Este é o momento para as empresas que reconhecem a sustentabilidade

como um propósito real e uma convicção - e não apenas uma

imposição legal - reforçarem os seus compromissos. Mesmo perante o

aligeiramento de exigências regulatórias ou discursos políticos que colocam

em causa o consenso científico e a ambição por uma sociedade

melhor, o caminho é claro: agir com responsabilidade, já. Precisamente

nos temas mencionados — descarbonização, gestão de resíduos e mobilidade

— o BCSD Portugal tem um vasto currículo e um longo trabalho

desenvolvido com as suas empresas-membro.

Na mobilidade, destaca-se a junção de esforços entre os municípios

de Lisboa e de Braga com as empresas que operam nos seus territórios

para estabelecer melhorias reais e sustentáveis na mobilidade urbana.

O BCSD Portugal dinamizou, com as respetivas câmaras, as iniciativas

PMEL (Pacto de Mobilidade Empresarial de Lisboa) e PMEB (Pacto

de Mobilidade Empresarial de Braga), criando um catálogo de ações

com as quais as empresas podiam comprometer-se para melhorar a

mobilidade das suas cidades.

Na descarbonização, trata-se de um tema fundacional — foi a origem

do World Business Council for Sustainable Development (WB-

CSD) e do próprio BCSD Portugal — e tem evoluído em linha com os

avanços científicos, tecnológicos e regulatórios.

Já a economia circular é consistentemente um dos três temas prioritários

para as empresas-membro do BCSD Portugal, refletindo o seu

compromisso com modelos regenerativos e de longo prazo e é trabalhado

como umas das suas seis áreas temáticas.

Num momento decisivo como aquele que estamos a viver, o propósito

do BCSD Portugal de transformar a economia em benefício das

pessoas e do planeta nunca fez tanto sentido. E é com este sentido de

responsabilidade que nos orgulhamos de continuar a crescer, contando

agora com 208 empresas-membro comprometidas com esta missão.

Juntos, por um futuro melhor – e possível.

Filipa Pantaleão,

Secretária-Geral BCSD Portugal

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025



32

\\ FÓRUM DE LIDERES \\

FÓRUM DE LÍDERES

1De que forma a sustentabilidade já condiciona

2

(ou orienta) a estratégia global da sua empresa?

Quais são os principais desafios e oportunidades de

sustentabilidade que o seu setor enfrenta em Portugal e que

mudanças coletivas julga essenciais para lhes dar resposta?

Asustentabilidade afirma-se hoje como um eixo central da transformação económica e social,

deixando de ser uma opção para se tornar uma exigência transversal às organizações. Esta

mudança reflete-se não apenas nos compromissos públicos e regulatórios, mas sobretudo nas

expectativas dos cidadãos, dos investidores e dos próprios colaboradores.

Integrar práticas sustentáveis significa alinhar a criação de valor com a preservação dos recursos naturais,

a equidade social e a responsabilidade intergeracional. Setores como a energia, a água, os transportes, os

resíduos, a alimentação ou o digital estão a redesenhar modelos de negócio, adaptando-se aos desafios climáticos,

à escassez de recursos e à necessidade de garantir maior resiliência.

Num contexto marcado por eventos extremos, incerteza geopolítica e pressão sobre cadeias de fornecimento,

investir em sustentabilidade é investir em continuidade e inovação. Portugal tem dado passos firmes

nesse caminho, mas o ritmo de transformação precisa de acelerar. O compromisso de cada organização é

essencial para construir um país mais justo, eficiente e preparado para o futuro.

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2024


\\ FÓRUM DE LIDERES \\

33


34

\\ FÓRUM DE LIDERES \\

INÊS SOARES

Responsável de Gabinete ESG , novobanco

PAULO PRAÇA

Presidente da Direção, ESGRA

1

A sustentabilidade é hoje um eixo central da estratégia do

novobanco, transversal a todas as áreas do negócio. Os fatores

ESG (ambientais, sociais e de governance) estão cada

vez mais intrinsecamente integrados no modelo de negócio,

na gestão de risco e na cultura organizacional. Através de

uma abordagem de dupla materialidade, procuramos identificar

os impactos climáticos, ambientais e sociais no nosso

desempenho, bem como o impacto da nossa atividade no

ambiente e comunidades. Desta forma definimos os nossos

eixos de atuação prioritários, planos de ação e objetivos

concretos para contribuir para os compromissos climáticos

europeus e potenciar o impacto positivo na sociedade

e meio ambiente. Exemplo disso é a definição de metas de

descarbonização para as nossas operações próprias e para

o nosso negócio de crédito e investimento e o reforço do financiamento

verde, que em 2024 superou os 1.000 milhões

de euros.

2

O setor bancário enfrenta o desafio de apoiar o tecido empresarial

português nos investimentos necessários para a

transição climática e o cumprimento dos objetivos de descarbonização

nacionais e europeus. Este desafio exige novos

modelos de avaliação de risco e maior literacia ESG, mas

representa também uma importante oportunidade de negócio

de financiamento sustentável. Para responder eficazmente,

é essencial uma ação coletiva que inclua regulação

clara, partilha de dados climáticos e colaboração entre instituições

financeiras, reguladores e clientes.

1

A sustentabilidade é um pilar fundamental, orientador da atividade empresarial dos Sistemas

de Gestão de Resíduos Urbanos, enquanto prestadores de um serviço público essencial,

sujeito a regulação e supervisão e ao cumprimento de obrigações específicas de

promoção tendencial de universalidade e garantia de igualdade de acesso, qualidade do

serviço e proteção dos interesses dos utilizadores – os cidadãos. O serviço de gestão e

tratamento de resíduos urbanos rege-se por parâmetros de transparência e proteção da

saúde pública e do ambiente, enquadrado nas políticas públicas de desenvolvimento regional

e ordenamento do território.

2

Como oportunidades, destacam-se a capacidade do Setor da Gestão de Resíduos Urbanos

de gerar atividade económica e de criar emprego e riqueza, simultaneamente provocando

externalidades económicas noutros setores da economia e da sociedade; e a resiliência na

missão de assegurar a preservação do ambiente, a qualidade de vida e saúde pública.

No entanto, desde há vários anos que este setor vem alertando para défices de investimento

e dificuldades crescentes em termos de desempenho e alcance de metas ambientais,

nacionais, e as que resultam do enquadramento legal da União Europeia, cada vez mais

exigentes. Acresce a gravidade da situação atual dos aterros em Portugal Continental, cuja

capacidade se encontra em vias de esgotamento, exigindo, muito rapidamente, que se ponha

em prática um plano de contingência.

Apresentam-se assim ao Setor e ao País grandes desafios cuja superação exige, neste momento,

investimentos públicos reforçados em operações de inovação tecnológica e otimização

de desempenhos na triagem e preparação para reutilização e reciclagem de fluxos

de resíduos a captar através de múltiplas recolhas seletivas. Por outro lado, urge uma mudança

coletiva de adesão dos cidadãos à correta separação e colocação dos resíduos nos

locais de deposição adequados. É premente, para uma adesão coletiva e eficaz, a adoção de

campanhas públicas consistentes, regulares e percetíveis, para a responsabilização e capacitação

dos cidadãos relativamente ao comportamento a adotar perante os resíduos que

produzem.

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ FÓRUM DE LIDERES \\

35

MANUEL SIMÕES

Diretor Geral, ECODEAL

JOSÉ MANUEL RIBEIRO

Presidente do Conselho da Administração, LIPOR

1

A Ecodeal é uma empresa que integra o

Grupo FCC Medio Ambiente. O Grupo

FCC tem uma estratégia para a sustentabilidade,

onde são incluídas todas as ações

e desafios, tendo para isso desenvolvido

uma Agenda 2030 onde são descritos os

objetivos do Grupo até ao ano de 2030

2

Os principais desafios prendem-se com a

dificuldade de fechar o “círculo” da Economia

Circular, no que diz respeito à

Gestão de Resíduos Industriais, havendo

a dificuldade de encontrar soluções para

algumas fileiras de Resíduos Industriais.

Esse é, ao mesmo tempo, o principal desafio

do setor dos resíduos. É necessário

continuar a promover a correta segregação

dos resíduos, para que seja possível ter

uma solução viável a jusante e ao mesmo

tempo continuar a busca por soluções

que permitam melhorar os processos de

tratamento.

1

Termos vindo a transformar o nosso Modelo de Negócio, num Modelo Circular, deixando de

ser “apenas” uma gestora de resíduos para passar a ser uma Produtora de Produtos, permitindo

que os materiais secundários (nossa matéria-prima) regressem ao ciclo produtivo e deem a

novos produtos (diminuindo a necessidade de recorrer a matérias-primas virgens e, por outro

lado, diminuir a produção de resíduos).

Do nosso portfólio de produtos, destacam-se:

Nutrimais e mais recentemente os produtos da gama Nutrimais (Substratos e Vermicomposto)

Ecoponto doméstico de parede, o WALLIE, sendo 100% reciclável e contendo 89% de material

reciclado na sua composição

Agregado Artificial de Granulometria Extensa AAGE 32, sendo este material proveniente

de escórias de incineração de resíduos urbanos na Central de Valorização Energética da

LIPOR, o que permite a valorização de um resíduo como um produto para construção.

2

Temos vindo a assistir a um contexto externo cada vez mais volátil e imprevisível. Os impactos

dos riscos ambientais têm-se agravado, em intensidade e frequência, de acordo com o Relatório

de Riscos Globais, e para além disso, a perspetiva para os riscos ambientais na próxima

década é alarmante. Prevê-se que os eventos climáticos extremos se tornem uma preocupação

ainda maior do que já são e a perda de biodiversidade e o colapso dos ecossistemas apresentam

uma deterioração significativa em comparação com a classificação de dois anos.

No nosso entendimento, acrescentar-se-ia que a gestão de resíduos em Portugal enfrenta desafios

técnicos significativos, nomeadamente no que respeita ao tratamento de novos fluxos

de resíduos, nomeadamente, biorresíduos e resíduos têxteis, bem como a imposição das metas

ambiciosas pela União Europeia, que requerem a implementação de sistemas técnicos eficazes

para assegurar a separação, a recolha seletiva e o tratamento adequado destes resíduos.

Portanto, pela acentuada urgência inequívoca global, a par do próprio Contexto Regulatório

Europeu, a Sustentabilidade tem de assumir uma posição de preponderância e de prioridade.

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


36

\\ FÓRUM DE LIDERES \\

ROSSANA GAMA

Country Manager, Grupo Boticário Portugal

PEDRO NAZARETH

CEO, Electrão

1

No Grupo Boticário, a sustentabilidade não é um pilar à parte

- é transversal a toda a nossa estratégia. Desde a concepção

de produtos até à escolha de matérias-primas, embalagens,

modelos logísticos e relação com parceiros, actuamos com

base em princípios ESG, com metas claras de impacto positivo.

Acreditamos numa beleza que respeita e cuida do planeta,

das pessoas e das comunidades, e é essa visão que guia as

nossas decisões, a nossa cultura e a nossa inovação. Em 2021,

assumimos compromissos públicos ambiciosos para 2030,

incluindo o uso de 100% de embalagens recicláveis, redução

das emissões de carbono e maior inclusão na cadeia de valor.

Sustentabilidade para nós não é tendência — é direcção.

2

O setor da cosmética em Portugal enfrenta o desafio urgente

de reduzir o impacto ambiental sem comprometer qualidade,

inovação e acessibilidade. Um dos principais entraves é

a logística reversa e a reciclagem eficaz de embalagens, num

contexto em que a infraestrutura ainda é limitada e a literacia

ambiental do consumidor precisa ser fortalecida. Por

outro lado, há uma grande oportunidade: sensibilizar e envolver

o público em práticas mais conscientes e circulares.

Com o lançamento do Boti Recicla, o Grupo Boticário reforça

esse compromisso, facilitando a devolução de embalagens

das nossas marcas nas lojas. Para avançarmos de forma

estruturada, é essencial uma acção colectiva entre marcas,

retalhistas, entidades reguladoras e consumidores. Só juntos

podemos acelerar mudanças reais e construir um futuro

mais sustentável para o setor.

1

A atividade desenvolvida pelo Electrão, enquanto entidade gestora de embalagens, pilhas e

equipamentos elétricos usados, que participa também num sistema de gestão de plásticos

de uso único, direcionado para os produtos do tabaco, está orientada para a sustentabilidade

desde o primeiro momento.

Para o Electrão a sustentabilidade é um dos pilares da sua atuação, que vai mais além da

atividade de recolha e tratamento de resíduos, abrangendo um compromisso com a sociedade

no seu todo.

Também por isso o Electrão orgulha-se de ter sido a primeira entidade gestora de resíduos a

apresentar, já em 2025, o seu primeiro relatório de sustentabilidade referente a 2023 e 2024.

Esta iniciativa surge como forma de antecipar e responder de forma proactiva às novas

exigências regulatórias em matéria de sustentabilidade. Reflete, igualmente, a convicção

profunda de que o sucesso da organização, a longo prazo, está indissociavelmente ligado à

adoção de uma atuação responsável em todas áreas da sua atividade.

2

O setor da gestão de resíduos em Portugal enfrenta desafios significativos rumo a um modelo

de Economia Circular. A baixa taxa de reciclagem, a dispersão de responsabilidades ao

longo da cadeia de valor, a informalidade de alguns fluxos e o insuficiente envolvimento do

cidadão, apesar das várias campanhas de sensibilização, são alguns obstáculos identificados.

Mas há também oportunidades a registar. Os novos sistemas de Responsabilidade Alargada

do Produtor (RAP), que estão a ser criados para a gestão de novos grupos de resíduos,

em que o Electrão se está a participar, como acontece no caso dos plásticos de uso único,

convocam mais empresas para esta missão de redução do desperdício e aposta na circularidade.

Será essencial reforçar a fiscalização e apostar na promoção da colaboração entre entidades

gestoras, municípios, empresas, administração central e consumidores chamando todos os

agentes a comprometer-se em torno de um desígnio comum.

Só com uma abordagem colaborativa será possível impulsionar um modelo de desenvolvimento

verdadeiramente sustentável em Portugal.

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ FÓRUM DE LIDERES \\

37

MRS. YVONNE BRIERLEY

Administradora, Daikin Portugal

SALOMÉ FARIA

Diretora de Comunicação e Relações

Institucionais, Central Cervejas e Bebidas

1

A sustentabilidade é um elemento central na

estratégia da Daikin, impulsionando a inovação,

a eficiência e a responsabilidade. Essa prioridade

reflete-se de diversas formas, desde a adoção

de práticas responsáveis e de baixo impacto

ambiental no setor da climatização e ar condicionado,

ao cumprimento das regulamentações

ambientais e às exigências do mercado. Investimos

continuamente no desenvolvimento de

produtos cada vez mais eficientes e sustentáveis,

alinhados com as metas globais de sustentabilidade.

Utilizamos tecnologias que reduzem o consumo

de energia e minimizam o impacto ambiental.

No nosso compromisso com a sustentabilidade,

priorizamos materiais recicláveis e processos de

produção mais sustentáveis. A nossa estratégia

inclui um investimento significativo em pesquisa

e desenvolvimento de soluções de climatização

que promovem a sustentabilidade, como tecnologias

que reduzem as emissões de gases de efeito

de estufa (GEE), automação inteligente e integração

com fontes de energia renovável.

Além disso, a Daikin integra princípios de responsabilidade

social corporativa na sua estratégia,

promovendo o diálogo com os diversos

stakeholders e adotando práticas de negócios

éticas e sustentáveis ao longo de toda a cadeia de

valor.

2

O setor continua a enfrentar desafios significativos,

incluindo a necessidade de integrar tecnologias

mais eficientes e renováveis, bem como de aumentar

a consciencialização sobre a importância

do consumo energético responsável. Com uma

forte presença de PMEs, o país necessita de apoio

e coordenação para implementar práticas ESG

eficazes e reforçar a resiliência face às condições

climáticas extremas.

As pressões para cumprir metas ambientais cada

vez mais ambiciosas, as exigências europeias e

nacionais, nomeadamente a nova EPBD, e a necessidade

de garantir eficiência, competitividade

e inovação, continuam a impor constrangimentos

adicionais.

Consideramos que o mercado deverá evoluir necessariamente

em direção a uma maior eficiência

energética, adotando tecnologias mais eficientes

e renováveis, otimizando as soluções AVAC-R,

e promovendo a transformação dos edifícios e

sistemas técnicos energéticos. Essas mudanças

podem resultar em maior eficiência, redução do

consumo e menor impacto ambiental.

Para isso, são essenciais mudanças coletivas que

envolvam a promoção de projetos de eficiência

energética, a formação de profissionais qualificados,

a colaboração entre os setores público e

privado, e maiores investimentos em projetos de

eficiência energética e tecnologias renováveis.

1

A sustentabilidade é um pilar estratégico essencial,

influenciando decisões em todas as

áreas da empresa: “Da cevada até ao bar”. Dar

cumprimento às ambições a que nos propusemos

no nosso programa de sustentabilidade, às

exigências regulatórias e à expectativa dos nossos

stakeholders face à forma como integramos

os critérios ESG (ambientais, sociais e de

governança).A Sustentabilidade há muito que

rege a nossa atuação em termos de negócio.

Esta orientação não só garante a conformidade

legal, como também fortalece a reputação e

competitividade no mercado.

2

Os principais desafios passam pela adaptação

às crescentes exigências legais quer nacionais,

quer europeias, e pelo nível de investimento

necessário para efetivar a transição para

processos sustentáveis. Dos desafios, nascem

também oportunidades em áreas como das

energias renováveis, e da economia circular,

nomeadamente nas embalagens. Mudanças

coletivas essenciais incluem o acesso a incentivos

fiscais e fundos de investimento, apoio à

produção local, formação em sustentabilidade

e colaboração entre empresas, governo e academia

para acelerar a inovação e a transição

ecológica.

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


38

\\ FÓRUM DE LIDERES \\

JOÃO AMARAL

Chief Technology Officer e Country

Manager, Voltalia Portugal

JOANA PEIXOTO

Diretora de Marketing, Comunicação e Sustentabilidade,

Edenred Portugal

1

A sustentabilidade é o alicerce da estratégia

global da Voltalia. Como player

internacional no setor das energias renováveis,

o Grupo produz e vende eletricidade

a partir das suas instalações

eólicas, solares, hídricas, de biomassa e

de armazenamento, integrando critérios

ambientais, sociais e de governança

em todas as decisões. O nosso compromisso

é o de criar valor, acelerando

a transição energética e contribuindo

para um futuro mais sustentável.

2

Os principais desafios de sustentabilidade

do setor energético em Portugal

incluem a necessidade urgente de

modernizar a rede elétrica e a agilização

dos processos de licenciamento

ambiental. A integração crescente de

fontes renováveis, como solar e eólica,

exige uma infraestrutura mais resiliente,

com redes inteligentes, soluções de

armazenamento e reforço das interligações

europeias. As oportunidades

passam pelo forte compromisso nacional

com a transição energética, sendo

que Portugal tem as condições ideias

para essa mesma transição.

1

A sustentabilidade está intrinsecamente ligada

ao negócio e estratégia da Edenred. Através da

oferta de benefícios sociais – em áreas como a alimentação,

o apoio à infância, a educação, a saúde

e o apoio sénior –, promovemos o bem-estar

dos colaboradores, o desenvolvimento local e da

sociedade. Estamos, assim, alinhados de forma

natural com os Objetivos de Desenvolvimento

Sustentável (ODS) das Nações Unidas e adotámos,

há muitos anos, uma abordagem voluntária

à responsabilidade social corporativa, através da

nossa política Ideal. Definimos metas concretas

e ambiciosas em torno dos eixos Pessoas, Planeta

e Progresso; estabelecemos planos de ação; implementámos

sistemas de monitorização e reporte; e

submetemo-nos proactivamente a diferentes medições

externas.

Com o objetivo de sermos cada vez mais sustentáveis

e de ajudarmos todo o nosso ecossistema a

sê-lo também, trabalhamos continuamente para o

desenvolvimento de soluções digitais ecoeficientes

e para a integração efetiva de práticas mais sustentáveis

em toda a operação.

O facto de termos posicionado, logo numa fase

inicial, a sustentabilidade no centro do negócio

permite-nos ter hoje uma performance ESG muito

robusta, integrando índices como o Euronext

CAC 40 ESG ou o Dow Jones Sustainability Index

Europe e World.

2

Todos os setores de atividade, e o dos benefícios

extrassalariais não é exceção, enfrentam desafios

significativos na área da sustentabilidade, especialmente

no contexto da nova Diretiva de Reporte de

Sustentabilidade Corporativa (CSRD), que traz um

conjunto de novas exigências ao nível da monitorização

e reporte, com impacto em toda a cadeia de valor.

Para a Edenred, este é um desafio que encaramos

como uma oportunidade para reforçar a transparência

e a responsabilidade.

Como líderes globais em benefícios sociais, na Edenred

sentimos que temos uma responsabilidade acrescida,

devendo ser um exemplo e os impulsionadores

das melhores práticas.

A elaboração de um plano de benefícios que inclua

vales sociais permite às organizações endereçaram

diferentes ODS. Este contributo pode ser ainda

maior se as empresas escolherem um fornecedor de

benefícios com soluções mais ecológicas e sustentáveis.

Existe, por isso, um desafio latente na área dos

benefícios, que é a capacidade de influenciar positivamente

o mercado para que escolha, de facto, estas que

são as soluções mais sustentáveis e que geram maior

valor para todo o ecossistema

Na Edenred, orgulhamo-nos de contribuir ativamente

para a melhoria da performance ESG dos nossos

clientes, porque somos um fornecedor com práticas

empresariais sustentáveis, e porque as nossas soluções

permitem aos nossos clientes endereçar 9 ODS.

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ FÓRUM DE LIDERES \\

39

CARLOS GOUVEIA

CEO, Scoring

1

A SCORING está muito focada em implementar e promover as melhores

práticas de sustentabilidade nas PME suas clientes. É daí que advém o seu

maior impacto para a sustentabilidade.

Desenvolvemos o Programa PME +Sustentável, que oferece às empresas

uma abordagem estruturada e prática para as apoiar na integração da sustentabilidade

nas suas operações. O programa baseia-se em três etapas fundamentais:

1. Diagnóstico: identificação e avaliação dos aspetos mais relevantes a considerar

para a posterior definição da estratégia da empresa.

2. Estratégia: decisões que são necessárias tomar relativamente aos tópicos

materiais identificados na fase de diagnóstico e definição dos objetivos e planos

de ação a implementar.

3. Reporte: comunicação, aos públicos interno e externo da empresa, o que

a empresa tem conseguido alcançar e os desafios que tem vindo a superar..

Para apoiar estas etapas, o programa disponibiliza três recursos essenciais:

1. Plataforma Digital: ferramenta online que facilita a implementação das

3 fases atrás descritas, muito intuitivo e fácil de utilizar, agilizando a implementação

da jornada da sustentabilidade da empresa.

2. Formação: abordagem das questões da contextualização e dos impactos

da sustentabilidade para as empresas e explicação de toda a jornada para a

sustentabilidade, desde a elaboração do diagnóstico de sustentabilidade, a

definição da estratégia e dos planos de implementação para a elaboração do

relatório.

3. Consultoria: acesso a consultores experientes que oferecem suporte técnico

e estratégico ao longo de todo o processo.

O sucesso do programa reside na sua capacidade de traduzir conceitos complexos

em ações concretas. Cada empresa tem um plano personalizado, com

metas realistas e indicadores mensuráveis. E, mais importante, tem o acompanhamento

contínuo de especialistas que conhecem a realidade das PME

portuguesas e que estão preparados para apoiar em cada desafio. O objetivo

não é apenas cumprir requisitos, é criar valor. Valor financeiro, valor social,

valor ambiental.

2

Em termos estratégicos globais, julgo que é curto o debate público sobre as

diferentes opções e decisões que tem sido tomadas e as que ainda não foram

e deveriam ser. Penso que têm sido concretizados muitos passos positivos no

que respeita ao aproveitamento das energias renováveis, nas suas diferentes

vertentes, tornando Portugal um país avançado neste capítulo. Dito isto, parece-me

essencial que o país assegure autonomia e evite dependência excessiva

quer das energias renováveis quer do fornecimento de países terceiros:

é urgente diversificar as fontes, como aliás ficou bem patente no designado

“apagão” recente.

Quanto às empresas consumidoras de energia, acredito que se aplica o princípio

da mão invisível do economista Adam Smith: quando os indivíduos

agem no seu próprio interesse, em mercados livres e concorrenciais, acabam

por promover, sem intenção, o bem-estar coletivo da sociedade como um

todo. As empresas, cumprindo a sua estratégia de sustentabilidade e competitividade

(redução de riscos ESG, redução de custos, etc), estão a procurar

as melhores combinações de energias mais limpas e mais económicas nos

médio e longo prazos.

Importante neste processo, é a criação de comunidades de energia, organizações

locais compostas por cidadãos, empresas, autarquias ou instituições que

se juntam para produzir, partilhar, consumir, armazenar ou vender energia,

sobretudo a partir de fontes renováveis (como solar, eólica ou biomassa), com

benefícios ambientais, sociais e económicos para os seus membros e comunidades.

Quanto mais empresas estiverem interessadas na adoção de energias

renováveis, mais fácil é a formação deste tipo de comunidades, muitas vezes

indispensáveis para os montantes de investimentos que são necessários.

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


40

\\ DIRETÓRIO \\

DIRETÓRIO

Compromisso com

a sustentabilidade

Asustentabilidade é, cada vez mais, o alicerce sobre o qual se constroem as organizações

modernas. Longe de ser uma tendência passageira ou um mero requisito regulatório,

tornou-se uma dimensão estratégica essencial para garantir competitividade,

atrair talento, captar investimento e gerar impacto positivo. Numa era marcada

pela urgência climática, pressão sobre os recursos e maior consciência social, as empresas que

incorporam princípios de sustentabilidade nos seus modelos de negócio assumem um papel

central na transição para uma economia mais justa, eficiente e resiliente.

Neste contexto, torna-se fundamental reconhecer quem lidera pelo exemplo. Este anuário destaca

organizações que têm vindo a integrar práticas sustentáveis nas suas operações, cadeias de valor

e cultura interna. Seja através da eficiência na gestão de recursos, da aposta na inovação verde,

da valorização das pessoas ou da governação responsável, estas empresas mostram que é possível

crescer criando valor partilhado.

Este é o retrato de quem faz da sustentabilidade uma prioridade — e não apenas uma declaração.

São agentes de mudança que contribuem ativamente para um futuro mais equilibrado, colocando

Portugal na linha da frente da transição sustentável.

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ DIRETÓRIO \\

41

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


42

\\ DIRETÓRIO \\

Programa de sustentabilidade

Produzir um Mundo Melhor

PROGRAMA DE SUSTENTABILIDADE: BREW A BETTER WORLD

PRODUZIR UM MUNDO MELHOR

Define metas e ações concretas nos pilares Ambiental, Social e Responsável. Um programa Global HEINEKEN.

Reforça o compromisso da empresa em promover um mundo com emissões zero, mais saudável, inclusivo e equitativo.

Está presente nas atividades do negócio e da cadeia de valor, da cevada até ao bar.

AMBIENTAL

Alcançar neutralidade carbónica

Alcançar zero emissões líquidas em toda a

nossa cadeia de valor até 2040

Alcançar zero emissões líquidas nos scopes 1

e 2 até 2030

Reduzir as emissões de FLAG do scope 3

(florestas, terras e agricultura) em 30% e

não - FLAG em 25% até 2030

Maximizar a circularidade

43% dos volumes vendidos em formato

reutilizável até 2030

50% de conteúdo reciclado em garrafas e

latas até 2030

99% de todas as embalagens serão

recicláveis por design até 2030

Proteger os recursos hídricos

Compensar totalmente a água utilizada na

produção dos nossos produtos em áreas com

escassez hídrica até 2030

Reduzir o uso médio de água para 2,6 hl/hl

em áreas com escassez hídrica e 2,9 hl/hl no

resto do mundo até 2030

100% de ingredientes oriundos de fontes

sustentáveis (lúpulo e cevada) até 2030

SOCIAL

Abraçar a diversidade, equidade e

inclusão

Equilíbrio de género em cargos de gestão de

topo: 30% de mulheres até 2025, 40% até

2030

Continuar com avaliações e ações para

alcançar a igualdade salarial para trabalho

de igual valor

Um ambiente de trabalho justo e

seguro

Continuar a confirmar que 100% dos

nossos colaboradores recebem, no mínimo,

um salário justo

Criar padrões justos de vida e de trabalho

para funcionários de terceiros e para das

marcas

Criar uma cultura de segurança líder para

alcançar zero acidentes fatais e continuar a

redução na taxa de acidentes

Impacto positivo nas nossas comunidades

Ter uma iniciativa de impacto social em 100%

dos mercados; todos os anos

RESPONSABILIDADE

Sempre uma escolha

Ter uma opção de zero teor alcoólico para

uma marca estratégica na maioria dos

mercados (representando 90% do nosso

negócio) até 2025

Continuar com avaliações e ações para

alcançar a igualdade salarial para trabalho

de igual valor

Disponibilizar informação clara e

transparente para o consumidor em 100%

dos nossos produtos até 2024

Combater o uso abusivo e nocivo

Ter uma parceria para combate aos efeitos

nocivos de um consumo abusivo de bebidas

alcoólicas, em 100% dos mercados, todos

os anos

Tornar o consumo moderado "cool“

10% do orçamento em media da marca

Heineken® investido todos os anos em

campanhas de consumo responsável,

alcançando 1 bilhão de consumidores

ÁGUA POTÁVEL

E SANEAMENTO

ENERGIAS RENOVÁVEIS

E ACESSÍVEIS

IGUALDADE

DE GÉNERO

TRABALHO DIGNO

E CRESCIMENTO

ECONÓMICO

SAÚDE E

QUALIDADE

ACÇÃO

CLIMÁTICA

PRODUÇÃO E CONSUMO

SUSTENTÁVEIS

REDUZIR AS

DESIGUALDADES

CONTACTOS

SCC-Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, S.A

Estrada da Alfarrobeira, 51, 2625-244 Vialonga // +351 219 528 600 // scc.bebidas@centralcervejas.pt

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ DIRETÓRIO \\

43

BOARD

BENEFÍCIOS EXTRASSALARIAIS

COMO MOTOR DA SUSTENTABILIDADE

E

specialista em benefícios

sociais e criadora

do vale-refeição em

1962, a Edenred assumiu,

logo na sua origem, a missão

de tornar o mundo um

lugar melhor. Desde então,

e consciente do papel crucial

que pode desempenhar

na resposta aos desafios da

sociedade, tem vindo a disponibilizar

diferentes soluções

de pagamento com

fim específico, que dão resposta a questões sociais,

económicas e ambientais alavancadas por políticas

públicas.

Hoje a oferta da Edenred centra-se em plataformas

multibenefício, que permitem às empresas

assegurar aos seus colaboradores mais poder

de compra, bem como acesso a um conjunto de

bens e serviços essenciais. Através dos benefícios

sociais, as organizações podem contribuir diretamente

para que os seus colaboradores tenham

uma alimentação nutritiva, desenvolvam competências

através da formação, consigam suportar

despesas relacionadas com a infância e educação

dos seus filhos e tenham liquidez para cuidar da

sua saúde, o que se repercute no bem-estar geral

da sociedade.

A ambição da Edenred, expressa no propósito

“Enrich connections. For Good.”, é precisamente

acrescentar valor a todo o ecossistema, promovendo

o progresso e um futuro melhor. É com

esse objetivo que trabalha diariamente, ligando

empresas e colaboradores com redes de comércio

local, num círculo virtuoso com benefícios para

todos. Para concretizar o seu desígnio, aposta na

inovação como motor e orienta-se por um modelo

de negócio de desenvolvimento sustentável. No

centro, está a sua abordagem Ideal, baseada em

3 pilares: Ideal People (melhorar a qualidade de

vida), Ideal Planet (preservar o ambiente) e Ideal

Progress (criar valor com responsabilidade).

A Edenred estabeleceu metas ambiciosas a 2030,

incluindo a formação para todos os seus colaboradores,

redução e compensação da pegada de

carbono e combate ao desperdício alimentar. A

par de soluções digitais (wallet), a marca adotou

materiais mais ecológicos na produção dos seus

cartões, que podem ainda ser reciclados através

do programa MERECE.

Com o objetivo de ser líder também na área da

sustentabilidade e continuar a dar o exemplo, a

Edenred tem solicitado de forma proativa o rating

ESG a diferentes organizações. Além disso,

integra o FTSE4Good Global Index e o Euronext

CAC 40 ESG Index da Bolsa de Valores de Paris.

Filipa Martins

CEO

Joana Peixoto

Diretora de Marketing,

Comunicação e

Sustentabilidade

CONTACTOS

Edifício Adamastor, Torre B

Av. D. João II, nº 9-I, Piso 6

1990-077 Lisboa

+351 218 917 700

www.edenred.pt

ERRADICAR

A POBREZA

SAÚDE E

QUALIDADE

IGUALDADE

DE GÉNERO

REDUZIR AS

DESIGUALDADES

PRODUÇÃO

E CONSUMO

SUSTENTÁVEIS

PAZ, JUSTIÇA E

INSTITUIÇÕES

EFICAZES

ERRADICAR

A FOME

EDUCAÇÃO

DE QUALIDADE

TRABALHO DIGNO

E CRESCIMENTO

ECONÓMICO

CIDADES E

COMUNIDADES

SUSTENTÁVEIS

ACÇÃO

CLIMÁTICA

PARCERIAS PARA

A IMPLEMENTAÇÃO

DE OBJECTIVOS

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


44 \\ DIRETÓRIO \\

BOARD

UMA VISÃO INTEGRADA DA SUSTENTABILIDADE

CORPORATIVA: ALIANDO SOLIDEZ FINANCEIIRA

E SUSTENTABILIDADE ESG

A

s práticas de sustentabilidade inerentes ao ESG, com a integração dos riscos, oportunidade e impactos

na estratégia das empresas, são cada vez mais uma exigência da gestão moderna e que visa o futuro.

Temos enfatizado que as finanças sustentáveis são um pré-requisito para o ESG: as empresas com

melhor performance económico-financeira, estão mais preparadas para o futuro e para apostarem na

sustentabilidade ambiental, social e de governação.

A sustentabilidade financeira e o ESG não se excluem, antes complementam-se. A primeira oferece estabilidade;

a segunda dá sentido e direção. Juntas, formam a base de uma gestão moderna, capaz de gerar

valor económico, social e ambiental.

CRESCER COM PROPÓSITO E SOLIDEZ

Carlos Gouveia

CEO Scoring

CONTACTOS

Av. do Brasil, 1, Piso 4

1700-062 Lisboa

+351 210 162 502

geral@scoring.pt

CERTIFICAÇÕES

FINANCEIRAS

PME

+SUSTENTÁVEL

As certificações financeiras emitidas pela SCORING

são baseadas nos dados oficiais (IES), sustentadas

em parecer científico por Professores doutorados em

Gestão, auditadas periodicamente pela BUREAU

VERITAS e as classificações são registadas na AS-

SOFT.

Segundo estudo independente (Five Star Consulting),

as empresas certificadas SCORING reportam 85% de

impacto positivo nas vendas e 87% de impacto positivo

na motivação dos colaboradores.

Programa 360º de apoio à implementação da Jornada

de Sustentabilidade das empresas. Trata-se de uma solução

simples e ágil, que apoia as empresas em todo o

processo, desde o diagnóstico, estratégia e relatório de

sustentabilidade.

As empresas podem contar com uma aplicação onde

podem ser registados todos os dados de cada uma das

3 fases, soluções de formação à medida e consultoria

especializada e modular personalizada para as necessidades

concretas da empresa.

3%PIB

SOMA DO VOLUME DE

NEGÓCIOS ANUAL DAS

EMPRESAS IMPACTADAS

PELA SCORING.

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QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ DIRETÓRIO \\

45

BOARD

UM PLAYER INTERNACIONAL COM O PROPÓSITO

DE “MELHORAR O MEIO AMBIENTE GLOBAL,

PROMOVENDO O DESENVOLVIMENTO LOCAL”

João Amaral

CTO & Country Manager

Voltalia Portugal

A

Voltalia é um player internacional no setor das

energias renováveis. O grupo produz e vende

eletricidade a partir das suas instalações eólicas,

solares, hídricas, de biomassa e de armazenamento.

Tem, atualmente, 3,3 GW de capacidade

em funcionamento e em construção e uma carteira

de projetos em desenvolvimento com uma capacidade

total de 17,2 GW.

A Voltalia é também um fornecedor de serviços,

apoiando os seus clientes de energias renováveis

em todas as fases dos seus projetos, desde a conceção

até à operação e manutenção.

Pioneira no mercado empresarial, a Voltalia oferece

uma gama completa de serviços às empresas,

desde o fornecimento de eletricidade verde a serviços

de eficiência energética e à produção local da

sua própria eletricidade.

Com mais de 2.000 colaboradores em 20 países em

3 continentes, a Voltalia tem a capacidade de atuar

globalmente em nome dos seus clientes.

A Voltalia está cotada no mercado regulamentado

Euronext em Paris (FR0011995588 - VLTSA) e

está incluída nos índices Enternext Tech 40 e CAC

Mid&Small. A empresa também está incluída, entre

outros, nos ratings MSCI ESG e Sustainalytics.

Em Portugal desde 2015, a Voltalia conta com mais

de 350 colaboradores a trabalhar para o país e para

outras geografias onde o Grupo também opera. Ao

longo dos anos, tem construído e operado uma vasta

gama de projetos renováveis, contribuindo para

reduzir as emissões de carbono e promover a independência

energética. Através da sua experiência e

compromisso com a excelência, forne energia sustentável

de forma confiável e rentável, ajudando a

impulsionar o desenvolvimento económico e social

das comunidades onde está presente.

Enquanto empresa com Propósito pretende melhorar

o ambiente mundial através da promoção do

desenvolvimento local. Nesse sentido, tem vindo a

desenvolver, construir e operar centrais de energias

renováveis, para si e para terceiros, tanto em países

mais desenvolvidos como nos emergentes.

Além disso, a Voltalia está continuamente a investir

em investigação e desenvolvimento para impulsionar

a inovação no setor energético, procurando

constantemente novas formas de maximizar a eficiência

e minimizar o impacto ambiental das suas

operações. É seu objetivo atuar para a produção de

energias renováveis acessíveis a todos, através da

contribuição direta para o combate às alterações

climáticas e de uma eletricidade verde acessível e

de qualidade. Na Voltalia acredita-se firmemente

que o futuro da energia está nas renováveis, e está

empenhada em liderar esse caminho, contribuindo

para um mundo mais limpo e sustentável para as

gerações futuras.

CONTACTOS

Avenida do Marechal Gomes

da Costa, nº 1177

4150-360 Porto

+351 220 191 000

info.voltalia@voltalia.com

ENERGIAS

RENOVÁVEIS

E ACESSÍVEIS

PRODUÇÃO E

CONSUMO

SUSTENTÁVEIS

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A VIDA

TERRESTRE

TRABALHO DIGNO

E CRESCIMENTO

ECONÓMICO

ACÇÃO

CLIMÁTICA

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


46 \\ DIRETÓRIO \\

LISTAGEM

DAIKIN: O FUTURO DO AR

EM 2025

ÁREAS DE ATUAÇÃO

Em 2025, a Daikin reafirma o seu

compromisso com a eficiência

energética, sustentabilidade e

descarbonização, liderando a transição

para uma sociedade neutra

em carbono. Fiel à sua missão de

criar um mundo mais saudável e

sustentável, continua a desenvolver

soluções premiadas de aquecimento

e arrefecimento, como as

bombas de calor ar-água - fundamentais

na ligação entre energia,

edifícios e ambiente, proporcionando

conforto sem combustão,

chaminés ou reabastecimentos.

Como líder em AVAC-R, a Daikin

foca-se também na qualidade do ar

interior, com sistemas de ventilação

eficientes e sustentáveis. Utilizando

o ar como principal recurso,

a marca trabalha para reduzir o

impacto ambiental sem comprometer

o conforto. A promessa é

clara: oferecer inovação e confiança

aos clientes, permitindo que se

concentrem na sua vida, enquanto

a Daikin cuida do planeta. Junte-

-se a nós rumo a um futuro mais

sustentável.

/ Fornecedor de soluções AVAC&R: aquecimento, ventilação, ar condicionado,

refrigeração e sistemas hidrónicos (chillers e ventiloconvectores)

/ Prestador de Serviços: Aluguer de chillers, Sistemas de Gestão e Controlo,

Manutenção & Assistência

CONTACTOS

Sede Lisboa - Morada Edifício D. Maria I,

Piso 0, Ala A/B - Quinta da Fonte

2770-229 Paço de Arcos

T. +351 214 268 700

info@daikin.pt / www.daikin.pt

Presença global 170 países

Em Portugal desde novembro de 2004

Colaboradores 107

BOARD

Yvonne Brierley

Managing Director Daikin Portugal

Delegação Norte - Morada Rua B

Z. Industrial da Varziela, Lote 50 e 51

Árvore | 4480-620 Vila do Conde

T. +351 214 268 790

Abreu & Associados

Sociedade de Advogados, SP, RL

Avenida Infante Dom Henrique 26

1149-096 Lisboa

t. 217 231 800

e. geral@abreuadvogados.com

w. www.abreuadvogados.com

Accenture

Av. Eng. Duarte Pacheco

Torre 1-16 piso, 1070-101 Lisboa

t. 213 803 500

e. info@accenture.com

w. www.accenture.com

Ageas Portugal

Companhia de Seguros, S.A

Praça Principe Perfeito, Nº 2

1990-278 Lisboa

t. 217 943 039

e. geral@ageas.pt

w. www.ageas.pt

Agere , Empresa de Águas

Efluentes e Resíduos de Braga E.M

Praça Conde Agrolongo, 115

4700-312 Braga

t. 253 205 000

e. agere@agere.pt

w. agere.pt

Águas de Portugal, EM

Rua Visconde de Seabra, 3

1700-421 Lisboa

t. 212 469 400

e. info@adp.pt

w. www.adp.pt

Águas do Algarve S.A

R. do Repouso, 10 - 8000-302 Faro

t. 289 899 070

e. geral.ada@adp.pt

w. www.aguasdoalgarve.pt

Águas do Porto, EM

Rua Barão de Nova Sintra, 285

4300-367 Porto

t. 220 100 220

e. geral@aguasdoporto.pt

w. www.aguasdoporto.pt

Aldi Portugal

Supermercados, Lda

Rua Ponte dos Cavalos, 155

2870-674 Montijo

t. 800 420 800

e. geral@aldi.pt

w. www.aldi.pt

Algebra Capital, Lda

Av. da Liberdade, 110,

Nº 5.º & 7º floor

1250-146 Lisboa

t. 211 316 224

e. algebra@algebracapital.pt

w. www.algebracapital.pt

Altice Portugal, S.a

Avenida Fontes Pereira de Melo, 40

1050-123 Lisboa

t. 215 002 000

e. sustentabilidade@telecom.pt

w. www.telecom.pt

Ambiosfera Lda

Edifício Sines Tecnopolo

.I.L II Lote 122-A,

7520-309 Sines

t. 215 873 741

e. geral@ambiosfera.com

w. www.ambiosfera.com

AMBIRUMO, Projetos Inovação

e Gestão Ambiental, Lda.

Av. General Norton de Matos,

Nº 63 E

1495-148 Algés

t. 213 978 255

e. geral@ambirumo.pt

w. www.ambirumo.pt

Amorim Cork Composites, SA

Rua de Meladas, 260

4536-902 Mozelos

t. 227 475 300

e. acc@amorim.com

w. amorimcorkcomposites.com/pt

Ana - Aeroportos de P

ortugal S.A

Edifício 120,

Rua D - Aeroporto de Lisboa

1700-008 Lisboa

t. 218 413 500

e. contactar@ana.pt

w. www.ana.pt

Apcer

Associação Portuguesa de

Certificação

Rua António Bessa Leite,

Nº 1430, 1º Esq.

4150-074 PORTO

t. 229 993 600

e. info@apcer.pt

w. www.apcer.pt

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ DIRETÓRIO \\

47

UMA VISÃO MULTIFLUXO NA GESTÃO DE

RESÍDUOS COM FOCO NA SUSTENTABILIDADE

OElectrão foi constituído em 2005 para a gestão

de equipamentos elétricos usados em

representação de 60 empresas associadas fundadoras.

Em 2009 alargou o âmbito de atuação à

gestão das pilhas e baterias usadas e, em 2018, iniciou

a atividade na gestão de embalagens usadas,

tornando-se a primeira entidade gestora a atuar,

em Portugal, em três dos principais sistemas de

reciclagem.

Desde 2024 que o Electrão participa na gestão de

um sistema de gestão de fim de vida de plásticos

de uso único, mais especificamente dedicado aos

produtos do tabaco, através da associação Único.

O Electrão é o parceiro das empresas para a gestão

de fim de vida dos produtos. Atualmente merece

a confiança de cerca de duas mil empresas, nacionais

e estrangeiras, que transferem todos os anos

para o Electrão a responsabilidade pela gestão de

fim de vida em Portugal dos respetivos produtos

que colocam no mercado, servindo muitas destas

empresas em mais do que um sistema integrado de reciclagem.

O Electrão foi a primeira entidade gestora de resíduos a publicar, recentemente,

o Relatório de Sustentabilidade. Posiciona-se como um agente de

referência no setor dos resíduos, promovendo a adoção de práticas cada vez

mais sustentáveis, influenciando positivamente os seus aderentes e parceiros,

rumo a um futuro ambientalmente mais responsável e socialmente mais justo,

com uma visão de gestão multifluxo que continua a merecer a confiança

de cada vez mais aderentes.

ÁREAS DE ATUAÇÃO

CONTACTOS

Rua Afonso Praça 6 – 1400-402 Lisboa

+351 214 169 020

geral@electrao.pt // www.electrao.pt

Pedro Nazareth

CEO

Ricardo Furtado

Diretor Geral para os

Elétricos e Pilhas

Entidade gestora de embalagens, pilhas e equipamentos elétricos usados com

participação num sistema de gestão de plásticos de uso único

ASCENDI O&M, S.A

Praça Mouzinho de Albuquerque 197

4100-360 Porto

t. 229 767 767

e. info@ascendi.pt

w. www.ascendi.pt

Associação CECOLAB

Collaborative Laboratory Towards

Circular Economy

Rua Nossa Sra. Da Conceição, nº 2

3405-155 Oliveira do Hospital

t. 238 011 400

e. circular@cecolab.pt

w. www.cecolab.pt

AVALER, Associação Entidades de

Valorização Energética Resíduos

Sólidos Urbanos

Plataforma Ribeirinha da CP - Estação

de Mercadorias da Bobadela

2696-801 Loures

t. 218 443 849

e. avaler@avaler.pt

w. www.avaler.pt

Avenue Nre Real Estate, S.A

Rua Serpa Pinto, 14A, 3º

1200-445 Lisboa

t. 215 989 523

e. geral@avenue.pt

w. www.avenue.pt

Biorumo, Consultoria em Ambiente

e Sustentabilidade, Lda.

Rua do Carvalhido, 155

4250-102 Porto

t. 228 349 580

e. geral@biorumo.com

w. www.biorumo.com

BioSmart, Soluções Ambientais, S.A.

Rua de Tomar, n.º 80

2495-185 Santa Catarina da Serra

t. 244 749 100

e. geral@biosmart.pt

w. www.biosmart.pt

Bondalti Chemicals, S.A

Lagoas Park-Edifício 6, 2º B

2740-244 Porto Salvo

t. 210 058 600

e. bondalti@bondalti.com

w. www.bondalti.com

Bondstone Asset Management, Lda

Rua Castilho, Nº 39, 10B

1250-068 Lisboa

t. 211 349 157

e. info@bondstone.com

w. www.bondstone.com

Banco Bpi S.A

Avenida da Boavista,

nº 1117

4100-129 Porto

t. 707 020 500

e. bancobpi@mail.bancobpi.pt

w. www.bancobpi.pt

Brisa Auto-Estradas

de Portugal, S.A

Quinta da Torre da Aguilha

Edifício Brisa

2789-522 São Domingos de Rana

t. 210 730 300

e. servico.cliente@brisa.pt

w. www.brisa.pt

Caixa Geral de Depositos

S.A

Avenida João Xxi,

nº 63

1000-300 Lisboa

t. 707 242 424

e. cgd@cgd.pt

w. www.cgd.pt

Casais

Engenharia e Construção,

S.A

R do Anjo 27

4700-565 Mire de Tibães

t. 218 959 014

e. casais@casais.pt

w. www.casais.pt

CELPA

Associação da Indústria

Papeleira

Rua Marquês Sá da Bandeira,

74 - 2.º

1069-076 Lisboa

t. 217 611 510

e. celpa@celpa.pt

w. www.celpa.pt

Cimpor

Indústria de Cimentos S.A

Avª José Malhoa,

nº22, Pisos 6 A 11

1099-020 Lisboa

t. 213 118 100

e. geral@cimpor.com

w. www.cimpor.pt

Companhia das Lezirias S.A

Largo 25 de Abril,

nº 17

2135-318 Samora Correia

t. 263 650 600

e. lezirias@cl.pt

w. www.cl.pt

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


48 \\ DIRETÓRIO \\

GESTÃO DE RESÍDUOS URBANOS: SERVIÇO

PÚBLICO ESSENCIAL PARA A TRANSFORMAÇÃO

DE RESÍDUOS EM RECURSOS

AESGRA – Associação para a Gestão de Resíduos, é uma associação privada

sem fins lucrativos, criada em 2009 com a missão de promover o exercício

da atividade de gestão de resíduos urbanos, alinhado com um modelo de

desenvolvimento estratégico e sustentável, de modo a contribuir para a contínua

melhoria da saúde pública e do ambiente, bem como para a transição para

um modelo de economia circular.

A ESGRA representa atualmente 15 entidades, 14 das quais Sistemas de Gestão

de Resíduos Urbanos (SGRU), no Continente e nas Regiões Autónomas

dos Açores e da Madeira – uma área de 41 850 Km2 (45% do Total Nacional)

e uma população de 4 091 Milhões de habitantes (39%), correspondente a 2

137 694 toneladas de resíduos por ano (40%), produzidos nos Municípios que

constituem a área de intervenção dos seus Associados.

Na União Europeia, a ESGRA integra a Municipal Waste Europe (MWE),

associação europeia sediada em Bruxelas que representa o setor de gestão de

resíduos urbanos de responsabilidade pública e é interveniente formal junto das

instituições comunitárias no âmbito dos procedimentos legislativos em matéria

de resíduos.

ÁREAS DE ATUAÇÃO

/ Gestão de resíduos urbanos

BOARD

CONTACTOS

Paulo Praça

Presidente da Direção

Cátia Borges

Vice-presidente da Direção

Rua Rodrigues Sampaio, nº 19, 5º A

1150-278 Lisboa

+351 214 240 221

geral@esgra.pt / www.esgra.pt

Carlos de Andrade Botelho

Vice-presidente da Direção

Carla Velez

Secretária Geral

Consulai, Consultoria

Agro-Industrial Lda

Rua Fernando Namora,

Nº 28, 1º Esq.

7800-502 Beja

t. 284 098 214

e. mkt_team@consulai.com

w. www.consulai.pt

Cp - Comboios de Portugal, Epe

Calçada do Duque, Nº 14

1249-109 Lisboa

t. 808 109 110

e. cp@cp.pt

w. www.cp.pt

Crédito Agrícola, SGPS S.A

Rua Castilho,

Nº S 233/233-A

1099-004 Lisboa

t. 213 809 900

e. geral@creditoagricola.pt

w. www.creditoagricola.pt

Ctt - Correios de Portugal S.A

Avenida Dom João II,

Nº 13

1999-001 Lisboa

t. 210 471 616

e. geral@ctt.pt

w. www.ctt.pt

CVR - Centro para a Valorização

de Resíduos

Campus de Azurém da

Univ. do Minho

4800-058 Guimarães

t. 253 510 020

e. geral@cvresiduos.pt

w. www.cvresiduos.pt

Deloitte Technology, S.A

Avenida Engenheiro Duarte Pacheco,

Nº 7

1070-100 Lisboa

t. 210 422 500

e. pt@deloitte.com

w. www2.deloitte.com

Delta Cafés

Avenida Calouste Gulbenkian, 15

7370-025 Campo Maior

t. 218 624 700

e. ambiente@delta-cafes.pt

w. www.gruponabeiro.com

DLA Piper ABBC

Largo de São Carlos, nº 3

1200-410 Lisboa

t. 213 583 620

e. dlapiperabbc@dlapiper.com

w. dlapiper.com

ECOGESTUS - Resíduos, Estudos

e Soluções, Lda.

Rua D. Afonso IV, 23

3080-328 Figueira da Foz

t. 233 109 034

e. contacto@ecogestus.com

w. www.ecogestus.com/pt

Ecoibéria - Reciclados Ibéricos, SA

Travessa Sebastião Fernandes,

n.º 60 - Ribeirão

4760-706 Vila Nova Famalicão

t. 252 372 462

e. info@ecoiberia.pt

w. www.ecoiberia.pt/

ECOMETAIS - Sociedade de Tratamento

e Reciclagem, SA

Avenida da Siderurgia Nacional, 1

Edifício Sn

2840-075 Aldeia de Paio Pires

t. 212 275 500

e. ecometais@ecometais.com

w. www.valorcar.pt

E-CYCLE

Associação de Produtores

de EEE

Rua dos Plátanos, 197,

Ed. AIMMAP

4100-414 Porto

t. 934 750 131

e. geral@e-cycle.pt

w. www.e-cycle.pt

EDP

Gestão da Produção da

Energia, S.A

Av. 24 de Julho, 12

1249-800 Lisboa

t. 210 012 500

e. edpproducao@edp.pt

w. www.edp.com

EGF - Empresa Geral

do Fomento, S.A.

Rua Mário Dionísio, nº2

2799-557 Linda-a-Velha

t. 214 158 200

e. egf@egf.pt

w. www.egf.pt

Electrão

Associação de Gestão

de Resíduos

Restelo Business Center,

Bloco 5 - 4A Av. Ilha da Madeira, 35

1400-203 Lisboa

t. 214 169 020

e. geral@electrao.pt

w. www.electrao.pt

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ DIRETÓRIO \\

49

BELEZA COM PROPÓSITO:

A SUSTENTABILIDADE QUE NOS MOVE

No Grupo Boticário, acreditamos que a

beleza verdadeira é aquela que cuida

– das pessoas, das comunidades e do

planeta. Por isso, temos um compromisso

firme com os princípios ESG, integrando

a sustentabilidade e a responsabilidade

social nas nossas decisões e acções. É urgente

que o sector empresarial assuma um

papel activo nesta transformação e lidere

pelo exemplo.

Em Portugal, damos mais um passo nesse

caminho com a chegada do Boti Recicla, o

nosso projecto de logística reversa e reciclagem.

A partir de agora, todos os clientes podem devolver as embalagens

vazias dos produtos das marcas do Grupo – O Boticário, Quem Disse,

Berenice? e Aura – nas nossas lojas. O objectivo é claro: dar o destino

certo a essas embalagens e reduzir o impacto ambiental da indústria da

beleza. Este é mais do que um programa de reciclagem – é um convite à

acção consciente e uma expressão dos valores que nos movem.

CONTACTOS

Rossana Gama

Country Manager

Grupo Boticário Portugal

Edifício Espace | Alameda dos Oceanos nº59, Piso 3, Bloco C, Parque das Nações

1990-207 Lisboa

+351 213 932 950

www.oboticario.pt

Empresa Municipal

de Ambiente do Porto, E.M., SA

Rua de S. Dinis, 249

4250-434 Porto

t. 228 348 770

e. geral@portoambiente.pt

w. www.portoambiente.pt

Endesa Energia S.A.

Qnt. da Fonte, Ed. D. Manuel I,

Piso 0, Ala B

2770-203 Paço de Arcos

t. 800 10 10 33

e. geral@endesa.pt

w. www.endesa.pt

ERP Portugal

Associação Gestora de Resíduos

Rua D. Dinis Bordalo Pinheiro,

nº 467 B

2645-539 Alcabideche

t. 219 119 630

e. info@erp-portugal.pt

w. www.erp-recycling.pt

Euro Separadora Environment

and Recycling S.A.

Rua das Fontainhas, 48

4730-020 Braga

t. 253 380 020

e. geral@euroseparadora.pt

w. www.euroseparadora.pt

Euronext Lisbon - Sociedade

Gestora De Mercados

Regulamentados, S.A.

Av. da Liberdade, n.º 196 - 7º

1250-147 Lisboa

t. 210 600 600

e. geral@euronext.pt

w. www.euronext.com

Fapil - Indústria, SA

R. Alto do Matoutinho, n.º 5

Apartado 8 - 2669-909 Malveira

t. 219 828 008

e. geral@fapil.pt

w. www.fapil.pt

FLEXDEAL SIMFE S.A

Rua Dr. Francisco

Torres N.78 - 4750-160 Barcelos

t. 707 913 780

e. INFO@FLEXDEAL.PT

w. www.flexdeal.pt

Gintegral - Gestão Ambiental, SA

Rua Avelino Barros, 282

4490-479 Póvoa de Varzim

t. 252 688 444

e. geral.gintegral@gintegral.pt

w. www.gintegral.pt

Greenvolt - Energias Renováveis, S.A

Rua Manuel Pinto de Azevedo,

Nº 818

4100-320 Porto

t. 228 346 502

e. sede@greenvolt.pt

w. www.greenvolt.pt

Hovione Farmaciência S.A

Quinta São Pedro - Sete Casas

2674-506 Loures

t. 219 829 000

e. hello@hovione.com

w. www.hovione.com

Hychem, Química Sustentável, S.A

R. Engenheiro Clément Dumoulin

2625-106 Póvoa de Santa Iria

t. 219 534 000

e. geral@hychem.com

w. www.hychem.pt

Indaver Portugal, SA

Rua Central Park, Edifício 2

4º andar C

2795-242 Linda-a-Velha

t. 219 405 039

e. info@indaver.pt

w. www.indaver.pt

Interecycling, Sociedade de

Reciclagem, SA

Zona Industrial do Lajedo,

Apartado 8

3465-157 Santiago de Besteiros

t. 232 857 040

e. info@interecycling.com

w. www.interecycling.com

ISQ - Instituto de Soldadura

e Qualidade

Av. Prof. Cavaco Silva, 33 Taguspark

2740-120 Porto Salvo

t. 214 228 100

e. info@isq.pt

w. www.isq.pt

Jerónimo Martins, SGPS, SA

Rua Actor António Silva, 7

1649-033 Lisboa

t. 217 532 000

e. provedoria@jeronimo-martins.pt

w. www.jeronimomartins.com

Kpmg & Associados - Sociedade

de Revisores Oficiais de Contas S.A

Av. Fontes Pereira de Melo, Nº 41,

15º

1069-006 Lisboa

t. 210 110 000

e. info@home.kpmg

w. home.kpmg

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


50

\\ DIRETÓRIO \\

ESTRATÉGIA DE

SUSTENTABILIDADE LIPOR

Num enquadramento desfavorável, bem como o próprio contexto regulató-

-rio europeu em matérias de governança sustentável, não temos dúvidas

que priorizar a Sustentabilidade assume-se como sendo incontornável.

A abordagem à sustentabilidade está na génese da LIPOR e é a bússola do nosso

Modelo de Governação, considerando-a como um elemento permanente e

inte-grante do nosso negócio.

Já em 2005, e após termos construído um Sistema de Gestão de Resíduos de

Ex-celência, o mote da Organização passou a ser “Rumo à Sustentabilidade”.

É na Agenda de Sustentabilidade da LIPOR que refletimos a nossa dinâmica e

corporizamos a resposta a grandes desafios do nosso negócio. Nela configuram

os temas materiais da nossa Organização, contando com o contributo das nossas

Partes Interessadas, e na qual ainda associamos o nosso alinhamento com

os Ob-jetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A LIPOR mantem-se fiel ao seu Propósito de “todos os dias contruirmos um

mundo Melhor”, para que diariamente possamos operar de forma sustentável,

ambicionar altos níveis de desempenho ESG, promover a prosperidade

e o bem--estar da nossa comunidade, estabelecer políticas de baixo carbono,

proteger a biodiversidade, procurar novas oportunidades, criar dinâmicas de

circularidade, educar e capacitar.

ÁREAS DE ATUAÇÃO

Sustentabilidade / Gestão de Recursos / Inovação / Produtos para a Indústria

/ Energia / Produtos para a Agricultura / Produtos para o setor doméstico/comércio

& serviços / Consultoria / Formação / Tecnologia

BOARD

Dra. Maria Manuel Cruz - Administradora, Espinho // Dra. Ana Luísa Gomes -

Administradora, Gondomar // Dra. Marta Peneda - Administradora, Maia //

Engª Manuela Álvares - Administradora, Matosinhos // Engº Filipe Araújo –

Administrador, Porto // Engº Aires Pereira - Administrador, Póvoa de Varzim //

Dr. José Manuel Ribeiro - Presidente do Conselho de Administração, Valongo

// Eng.ª Sara Lobão - Administradora, Vila do Conde // Dr. Fernando Leite -

Administrador-Delegado

CONTACTOS

LIPOR, Associação de Municípios para a Gestão Sustentável de Resíduos do Grande Porto

Rua da Morena, 805 , 4435-746 Baguim do Monte

Apartado 1510, 4435-996 Baguim do Monte

+351 229 770 100

info@lipor.pt / www.lipor.pt/pt

Lidl & Companhia

Rua Pé de Mouro, n.º 18 - Linhó

2714-510 Sintra

t. 219 102 254

e. sustentabilidade@lidl.pt

w. www.lidl.pt

LIPOR – Serviço Intermunicipalizado

de Gestão de Resíduos do Grande

Porto

Rua da Morena, nº 805

4435-746 Baguim do Monte

t. 229 770 100

e. info@lipor.pt

w. www.lipor.pt

Maiambiente, EM

Rua 5 de Outubro, 359

4475-302 Milheirós

t. 800 202 639

e. geral@maiambiente.pt

w. www.maiambiente.pt

Manpowergroup Portugal

SGPS, S.A

Rua Tomás da Fonseca,

Torre G, Piso 15

1600-209 Lisboa

t. 300 032 623

e. info@manpowergroup.pt

w. www.manpowergroup.pt

Mercadona

Irmãdona Supermercados, Lda.

Avenida Padre Jorge Duarte,

n.º 123

4430-946 Vila Nova de Gaia

t. 221 201 000

e. sugestoes@mercadona.com

w. www.mercadona.pt

Millenium BCP

Avenida José Malhoa, nº 27

1070-157 Lisboa

t. 918 272 424

e. info@millenniumbcp.pt

w. www.millenniumbcp.pt

Nos Comunicações, S.A

Rua Actor António Silva, Nº 9

1600-404, Lisboa

t. 217 824 700

e. geral@nos.pt

w. www.nos.pt

Novo Banco, S.A

Avenida da Liberdade, Nº 195

1250-142 Lisboa

t. 213 501 000

e. info@novobanco.pt

w. www.novobanco.pt

Novo Verde, Sociedade Gestora

de Resíduos de Embalagem, SA

Rua São Sebastião, n.º 16

Cabra Figa

2635-448 Rio de Mouro

t. 219 119 630

e. info@novoverde.pt

w. www.novoverde.pt

OVO Solutions, Soluções

Ambientais SA

Estrada dos Espanhóis

S/N, CCI 7515,

Venda do Alcaide

2955-250 Pinhal Novo

t. 212 328 760

e. geral@ovosolutions.com

w. www.ovosolutions.com

Prio Energy, S.A

Terminal de Granais Líquidos,

Lote B, Porto de Aveiro

3834-908 Ílhavo

t. 234 393 090

e. info@prioenergy.com

w. www.prioenergy.com

Pwc

Palácio SottoMayor,

R. Sousa Martins, 1-3º,

1069-316 Lisboa

t. 213 599 000

e. www.pwc.pt

w. www.pwc.pt

Rduz - Gestão Global de

Resíduos, S.A

Zona Industrial Argvai

Lotes 4, 5, 6 e 22

4490-232 Póvoa de Varzim

t. 252 622 495

e. geral@rduz.pt

w. www.rduz.pt

Recivalongo - Gestão de

Resíduos, Lda

Vale da Cobra,

S/N Apartado 54

4440-339 Valongo

t. 224 154 663

e. recivalongo@recivalongo.pt

w. www.recivalongo.pt

Recypolym, Lda.

Z.I.M. Adiça,

3460-070 Tondela

t. 232 816 007

e. info@recypolym.com

w. www.recypolym.com

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ DIRETÓRIO \\

51

A ECODEAL – Gestão Integral de Resíduos

Industriais, SA, fundada em

2005, é uma empresa que atua na área

do ambiente, designadamente em

gestão de resíduos. Detém a licença de

exploração do centro integrado de recuperação,

valorização e eliminação de

resíduos perigosos – CIRVER ECODE-

AL, localizado no concelho da Chamusca,

assumindo-se como especialista

em gestão de resíduos perigosos.

Nos termos da legislação relativa à

Prevenção e Controlo Integrados da

Poluição foi concedida à ECODEAL o

TUA 2018.

CONTACTOS

Eco-parque do Relvão, Rua Pinhal do Duque, 2140-671 Carregueira, Chamusca

T. +351 249 749 030

E. geral@ecodeal.pt // W. www.ecodeal.pt

BOARD

Manuel Simões

Diretor Geral

ÁREAS DE ATUAÇÃO

/ Gestão integrada de

resíduos

/ Descontaminação de solos

/ Serviços técnicos de

gestão de resíduos

/ Limpezas industriais

/ Recolha e transporte de

resíduos

A REN estabeleceu uma estratégia

até 2027 alinhada com os 17 objetivos

de desenvolvimento sustentável

das Nações Unidas, num compromisso

com a Transição Energética e combate

às Alterações Climáticas. Para

além da preocupação com a floresta

e aumento da biodiversidade, a REN

não esquece a valorização dos seus

colaboradores. Através de uma governação

responsável, a estratégia visa a

criação de valor para todas as partes

interessadas, sem comprometer a

solidez financeira e a excelência operacional

que caracterizam a empresa.

BOARD

ÁREAS DE ATUAÇÃO

/ Transporte de eletricidade em muito

alta tensão e gestão técnica global do

Sistema Elétrico Nacional;

/ Transporte de gás natural em alta

pressão e gestão técnica global do

Sistema Nacional de Gás Natural, garantindo

a receção, armazenamento

e regaseificação de GNL, e o armazenamento

subterrâneo de gás natural.

Rodrigo Costa Presidente da Comissão Executiva // João Faria Conceição

Administrador Executivo // Gonçalo Morais Soares Administrador Executivo

CONTACTOS

Av. dos Estados Unidos da América, 55 - 1749-061 Lisboa, Portugal

+351 210 013 500

Sair da Casca

Praça Marquês de Pombal, nº14

1250-162 Lisboa

t. 213 558 296

e. sdc@sairdacasca.com

w. www.sairdacasca.com

Santander Totta, S.A

Rua Áurea, Nº 88,

1100-063 Lisboa

t. 217 807 364

e. netbancoparticulares@santander.pt

w. www.santander.pt

Savannah

Rua José Eigenmann, 90 Nogueira

4715 – 199 Braga

t. 253 614 878

e. joana.prazeres@savannahresources.pt

w. minadobarroso.com

Savills Portugal

Mediação Imobiliária, Lda

Avenida Miguel Bombarda, 4, 7º Piso

1000-208 Lisboa

t. 213 139 000

e. info@savills.pt

w. www.savills.pt

Siemens S.A

R Irmãos Siemens

Nº 1-1 A Venteira, 2720-093 Amadora

t. 214 178 000

e. internetrequest.pt@siemens.com

w. www.siemens.com

Sirplaste- Sociedade Industrial de

Recuperados de Plástico, SA

Urb. Industrial da Santeira,

LT 76, n.º 16 - Santeira,

2480-410 Porto de Mós

t. 244 870 073

e. sirplaste@sirplaste.pt

w. www.sirplaste.pt

Sogrape Vinhos, S.A

R. 5 de Outubro, 4527

4430-809 Avintes

t. 227 850 300

e. sogrape@sogrape.com

w. sogrape.com

SUMA

Rua Mário Dionísio, 2

2799-557 Linda-a-Velha

t. 217 997 700

e. geral@suma.pt

w. www.suma.pt

The Navigator Company, S.A

Av. Fontes Pereira de Melo, 27

1050-117 Lisboa

t. 219 017 300

e. info@thenavigatorcompany.com

w. www.thenavigatorcompany.com

Tratolixo, Tratamento de Resíduos

Sólidos, EIM, SA

Ecoparque da Trajouce,

Estr. 5 de Junho, nº 1

2785-155 S. Domingos de Rana

t. 214 459 500

e. residuos@tratolixo.pt

w. www.tratolixo.pt

Trivalor, Sociedade Gestora de

Participações Sociais, S.A.

Av. Infante Santo, 21 A

1350-177 Lisboa

t. 210 420 083

e. trivalor@trivalor.pt

w. www.trivalor.pt

Vinci Energies Portugal, S.A

Edificio Atlantis, avenida D. João II,

Nº 44 C, 5º Andar, 1990-095 Lisboa

t. 214 258 000

e. geral@vinci-energies.pt

w. www.vinci-energies.pt

Vitrus Ambiente EM SA

Av. Cónego Gaspar Estaço n.º 606

4810-266 Guimarães

t. 253 424 740

e. geral@vitrusambiente.pt

w. www.vitrusambiente.pt

Vodafone Portugal

Comunicações Pessoais S.A

Avenida Dom João II, Nº 36, 8º

1998-017 Lisboa

t. 911 691 300

e. info@vodafone.pt

w. www.vodafone.pt

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