REVISTA CARACOIS
A revista Caracóis está vinculada às produções artísticas do Centro de Excelência Professor Abelardo Romero Dantas, localizado em Lagarto-SE. Ela é composta por uma equipe dedicada de três professores e 15 alunos, responsáveis pela maior parte das presentes na revista. O conteúdo da revista tem como foco principal divulgar as produções dos estudantes, discutir temas relacionados à arte e à literatura, dar espaço às manifestações artísticas do povo lagartense e apresentar a agenda cultural da escola e da cidade. A publicação é organizada em diferentes parágrafos, como matéria de capa — nesta edição, o destaque é o III Festival de Artes Integradas —, entrevistas, materiais de destaque, além de espaços para artes plásticas, cênicas e poesia. Também há uma seção dedicada às manifestações culturais de Lagarto, programação de obras e artistas, e depoimentos de participantes. A revista Caracóis é um espaço dedicado às Artes e à Literatura, que incentiva a criatividade e a expressão dos estudantes.
A revista Caracóis está vinculada às produções artísticas do Centro de Excelência Professor Abelardo Romero Dantas, localizado em Lagarto-SE. Ela é composta por uma equipe dedicada de três professores e 15 alunos, responsáveis pela maior parte das presentes na revista. O conteúdo da revista tem como foco principal divulgar as produções dos estudantes, discutir temas relacionados à arte e à literatura, dar espaço às manifestações artísticas do povo lagartense e apresentar a agenda cultural da escola e da cidade. A publicação é organizada em diferentes parágrafos, como matéria de capa — nesta edição, o destaque é o III Festival de Artes Integradas —, entrevistas, materiais de destaque, além de espaços para artes plásticas, cênicas e poesia. Também há uma seção dedicada às manifestações culturais de Lagarto, programação de obras e artistas, e depoimentos de participantes. A revista Caracóis é um espaço dedicado às Artes e à Literatura, que incentiva a criatividade e a expressão dos estudantes.
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CARACÓIS
REVISTA DE ARTE E LITERATURA CEPARD / Nº1 - FEV/ABR - 2025
III FESTIVAL
DE ARTES
INTEGRADAS:
AFETOS E REFLEXÕES NO CORPO
“A arte não é apenas
parte da vida:
ela é a vida”.
Galeria F.A.I.
Indicações
Cobertura do Festival
Entrevista com Polayne
CARACÓIS
EQUIPE
ÍNDICE
COORDENAÇÃO GERAL
Produção Executiva:
Catiana Correia
Direção de Criação:
Renata Carvalho
CONTEÚDO E REDAÇÃO
Reportagem de Capa:
Heloísa Monteiro, Júlia Silva,
Evely Nicole, Maria Eloisa
Repórteres:
Isabela Santos, Ruan Carlos
Colunistas:
Samara Susan, Miguel Santos
Revisão de Texto:
Catiana Correia
Edição de Texto:
Rogério França
CURADORIAS ARTÍSTICAS
Poesia:
Illy Marya, Hebert Ribeiro
Artes Visuais:
Letícia Lacerda
Artes Cênicas:
Vitória Senna
Fotografia:
Ana Menezes
SEÇÕES ESPECIAIS
Depoimentos:
Renata Carvalho
Popularidades:
Natanael de Jesus, Maria Bianca
SUPORTE E MÍDIA
Design Gráfico / Diagramação:
Renata Carvalho
Mídias Digitais / Redes Sociais:
Renata Carvalho
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CARTA AO LEITOR
DESTAQUES
Jogos Escolares: muito além da
competição
ENTREVISTA
Jogos Interclasse em pauta com os
Professores Murilo, Mayara e alunos-atletas
CAPA
III Festival de Artes Integradas:
afetos e reflexões no corpo
INDICAÇÕES
Arte e artistas para conhecer
POPULARIDADES
Esmiuçar Lagarto
ENTREVISTA
Polayne fala conosco
POESIA
Poetas da escola
EXPOSIÇÃO DE POESIA
Festival e tantas poesias
ARTES VISUAIS
Visualidades do Festival
ARTES CÊNICAS
Atmosfera cênica do Festival
AGENDA
O que teve e vai ter
NOTAS: ARTE E TECNOLOGIA
Reflexões sobre arte e Inteligência Artificial
DEPOIMENTOS
Escuta e partilha: sentir juntos
PARA PENSAR
Notas dos editores:
As imagens desta revista são do acervo dos alunos, de
Patrícia Polayne e de divulgação na internet, usadas sem fins
lucrativos.
Optamos por manter a linguagem coloquial e as marcas de
oralidade para valorizar a voz e a autenticidade dos nossos
alunos e entrevistados. Acreditamos que a escola também é
espaço para escuta, expressão e identidade.
CARTA
AO LEITOR
Esta é a primeira Revista, aquela que nasce da cabeça de uma professora
inquieta e que convida outra também agoniada por fazer. E cá estamos, em
nossa primeira edição, inaugurando outra ação no CEPARD voltada para
Arte e Literatura. Mais um espaço para artistas e escritores mostrarem seus
trabalhos, para registrar ações artísticas e literárias e, para que você,
público, possa desfrutar de tudo isso!
Por aqui, teremos entrevistas, matérias com os grandes eventos da escola —
dessa vez, o III Festival de Artes Integradas (F.A.I.) —, indicações de leituras,
obras e artistas, depoimentos, ações semanais como Arte no Meio e Arte na
Entrada, e eventos artísticos da cidade. Esta edição é atravessada por
artistas da nossa Escola, por ex-alunos, artistas locais e de Aracaju; é
tomada por muita poesia, aquela que se faz quando se escreve, dança ou
atua. Traz entrevistas que nos enriquecem com pessoas muito especiais, e
apresenta trabalhos de lagartenses que não podem passar despercebidos.
Cada página é um deleite.
Mais uma coisinha... Caracóis, porque reflete paciência, crescimento
contínuo, timidez — sem deixar de seguir com o que quer — e desejo de
proteção. No plural, porque vocês são muitos.
Entrem e fiquem à vontade!
Saudações criativas!
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JOGOS INTERCLASSE:
MUITO ALÉM DA COMPETIÇÃO
Samara Susan
DESTAQUES
Os Jogos Escolares, ou interclasse, como são comumente chamados, são eventos esportivos
promovidos pela escola com o intuito de incentivar a prática de exercícios físicos e o espírito
competitivo. Sua importância vai muito além desses objetivos. Além de contribuírem para a
melhora da condição física e da saúde dos estudantes, os jogos fortalecem as relações
interpessoais e as amizades, incentivando os alunos a se unirem por uma causa em comum:
vencer. Ao mesmo tempo, promovem a integração entre turmas e séries, melhorando a
convivência no ambiente escolar.
As modalidades esportivas desenvolvidas nesse evento foram: voleibol (misto, com meninos e
meninas), futsal (feminino e masculino) e queimado (também misto). Tivemos três dias para
competir e nos divertir! No primeiro dia, começamos com o queimado — e, claro, com aquela
musiquinha animada no meio dos jogos, que levanta a torcida e faz todo mundo cantar junto.
Pela tarde, aconteceram as semifinais do queimado. No segundo dia, pela manhã, rolou o
voleibol, com uma torcida super animada e caracterizada, com pinturas, pompons, cartazes
e buzinas. Só se ouviam os gritos e as músicas da caixa de som! À tarde, foi a vez do futsal,
que foi o mais barulhento de todos: era gol de um lado e gritaria do outro!
Promovem a integração entre
turmas e séries, melhorando a
convivência no ambiente escolar.
As competições realizadas no CEPARD juntaram turmas diferentes para completar os times, o
que proporcionou uma integração ainda maior entre os alunos. Como nem sempre dava para
montar uma equipe completa com a galera da própria sala, a solução foi se aliar a outras
turmas. Isso fez com que muita gente, que mal se conhecia, passasse a torcer, jogar e sorrir
junto — criando amizades inesperadas e fortalecendo os laços entre os estudantes.
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Mayara e Murilo
ENTREVISTA
com Ruan Carlos
JOGOS INTERCLASSE EM PAUTA
COM OS PROFESSORES MAYARA, MURILO E ALUNOS-ATLETAS
NESTA ENTREVISTA, TEMOS A
OPORTUNIDADE DE REFLETIR UM POUCO
SOBRE A IMPORTÂNCIA DOS JOGOS
COMO FORMA DE PROMOVER O BEM-
ESTAR DOS ESTUDANTES. COM A
PALAVRA, OS MESTRES!
RUAN: Quais são os critérios utilizados para avaliar o desempenho dos alunos durante o interclasse?
PROFESSORA MAYARA: Em todo esporte, tem duas situações a serem trabalhadas e analisadas: as
questões técnicas e as questões táticas. As questões técnicas dizem respeito às habilidades físicas dos
fundamentos daquela modalidade. No caso do voleibol, os fundamentos de defesa, manchete, passe, o
toque de ataque - que seria a cortada... E, além disso, temos o bloqueio, que também é um fundamento
de defesa, e o saque, que é um fundamento de iniciação das jogadas. Então, o jogador que tiver
maiores habilidades nesses fundamentos, provavelmente, se destacará na sua equipe.
E as questões táticas são questões de lógica, de estrutura da equipe para conseguir burlar a defesa e
fazer maior pontuação, como a movimentação em quadra, o posicionamento dos jogadores, a
velocidade e agilidade nos passes e nos fundamentos.
Então, tudo isso é analisado enquanto um atleta está em quadra ou no ambiente onde aquela
modalidade vai ser exercida. No nosso caso, os alunos que se destacam são aqueles que conseguem,
em equipe ou individualmente, realizar melhor esses fundamentos técnicos e táticos.
Consequentemente, conseguem maior pontuação e levam sua equipe ao pódio, ao lugar mais alto, se
sagrando campeão, vice-campeão ou terceiro lugar. Além disso, claro, tem a questão comportamental
do aluno, que também conta, porque se o aluno se comporta de forma indisciplinar, desrespeitosa e
com atitudes antidesportivas, ele pode ser punido e penalizado, inclusive toda a equipe pode ser
prejudicada. Então, xingamentos e atitudes violentas não são aceitas durante o jogo. E aí se destaca
aquele aluno que, além das questões técnicas e táticas, também tem um comportamento ético e
respeitoso em quadra.
5
RUAN: Professor, como o Interclasse contribui para a construção da autoestima e da
confiança dos alunos?
PROFESSOR MURILO: O Interclasse é um projeto que visa uma série de coisas. Ele não é
apenas um projeto que visa o movimento pelo movimento, a competição em si. Ele envolve
uma série de conteúdos pedagógicos, como a cooperação, o coleguismo, a celebração, a
solidariedade, a participação. Isso já eleva a autoestima, pois você está participando e
precisa ter confiança de que você pode representar a sua sala numa competição, numa
determinada modalidade. Então, como é uma competição que exige um sistema de
regras, ela também exige muita organização e mobilização da turma. Então você precisa
se sentir apto a representar a sua turma, você se sente útil e parte de um projeto
pedagógico que vai elevar a sua confiança.
Ele envolve uma série de conteúdos
pedagógicos, como a cooperação, o
coleguismo, a celebração, a
solidariedade, a participação.
RUAN: Na sua opinião, o que melhor representa esse Interclasse?
PROFESSOR MURILO: Olha, no final de tudo, a gente analisa, avalia o que aconteceu e
vemos que foi muito válido, principalmente para os alunos e alunas novatos do primeiro
ano. Já chegaram com a escola agitada, com a escola feliz e com o campeonato diante
deles. Então, foi um momento para criar novas amizades e fortalecer as amizades que já
tinham sido criadas.
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Guilherme, Daniel e Pedro
ENTREVISTA
com Ruan Carlos
E, POR AQUI, UM POUCO SOBRE A PREPARAÇÃO,
OS DESAFIOS E A ANÁLISE DAS PARTIDAS COM
TRÊS DOS ATLETAS.
GUILHERME CARVALHO - 3ªC
(FUTSAL)
RUAN: Como você se preparou para essa competição?
GUILHERME: Fazendo treino em casa de alongamento e jogando em quadra,
para ir vendo como eu tava jogando.
RUAN: Como vocês se adaptaram a diferentes situações durante o jogo?
GUILHERME: A gente teve que ter muita calma e se comunicar muito bem. Em
dois jogos, a gente começou perdendo, mas botou a cabeça no lugar,
comunicou onde tava errando e viramos os dois.
DANIEL QUELEMENTE - 3ªC
(VOLEIBOL)
RUAN: Qual o seu próximo objetivo após essa vitória?
DANIEL: Acho que o próximo objetivo, depois dessa vitória, de ser campeão do Interclasse... eu acho que
é... se tiver mais um, a gente ganhar, né? Ter mais um título para gente manter. Se manter aí, sendo os
primeiros, sendo os campeões do Interclasse no voleibol.
RUAN: Qual foi o maior desafio que você enfrentou durante a competição?
DANIEL: Acho que o mental. Eu acho que a maior dificuldade que enfrentei nessa competição foi o
mental. Porque, se você errar alguma coisa durante o jogo, você tem que voltar, colocar sua cabeça no
lugar, respirar, focar ali no jogo, em tudo que está acontecendo para não errar novamente. Essa pressão
que eu cobrava de mim mesmo, de não errar e, quando errar, não me abalar... Eu acho que essa foi a
maior dificuldade. O mental foi a maior dificuldade enfrentada por mim na competição. Foi a coisa mais
difícil, mas ainda bem que não atrapalhou a equipe e a gente conseguiu ser campeão e sair com a
vitória.
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PEDRO MOREIRA - 3ªC
(QUEIMADO)
RUAN: Como você gerenciou o estresse e a pressão durante a competição?
PEDRO: Para gerenciar o estresse e a pressão durante a competição, eu procurei sempre manter o
máximo de calma possível e sempre pensar de forma mais racional no que eu deveria fazer. Eu diluí a
pressão do jogo com confiança na capacidade do meu time, até porque o queimado é um esporte
coletivo. Então, mesmo que você cometa um erro, ainda pode contar com quem está jogando com você.
RUAN: Qual foi a estratégia que você usou para se destacar na competição?
PEDRO: Sobre a estratégia que eu usei para me destacar na competição, eu, eu mesmo, não me
destaquei tanto, porque eu decidi competir no queimado mais por diversão e não por ter muita prática. E,
com isso, foi necessário que eu adotasse um estilo mais passivo de jogo. Eu apenas me mantive em
campo sem ser queimado e garanti que meu time não perdesse a posse de bola para o time adversário.
Fazendo isso e deixando pessoas mais rápidas no ataque, foi possível equilibrar o que era necessário no
time. Eu acredito que foi graças a isso que foi possível conquistar o primeiro lugar na competição de
queimado.
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III FESTIVAL DE ARTES INTEGRADAS:
AFETOS E REFLEXÕES NO CORPO
Heloísa Monteiro, Júlia Silva, Evely Nicole e Maria Eloisa
CAPA
O Festival de Artes Integradas, realizado anualmente pela
Professora Renata Carvalho, atua como uma celebração
vibrante da arte, da cultura e da criatividade. Sua história se
iniciou em 2022, quando, na sua primeira edição, o Festival
trouxe ao público uma programação inovadora e diversas
manifestações artísticas. Além disso, o Festival sempre
apresentou uma proposta potente de ocupação dos espaços da
escola e, desde sempre, foi pensado como um evento aberto ao
público. Corredores, salas de aula, áreas verdes e pátios foram
todos transformados em espaços temáticos, tomados por
dezenas de manifestações artísticas, como música, dança,
teatro, performances, instalações e mais. A escola deixou de ser
apenas escola e se transformou em território artístico e afetivo.
Após esse início, a cada ano, o F.A.I. cresce e se consolida como
um evento para a comunidade artística e educacional. O nome
“Integradas”, cujo sentido é “conectar”, reflete bastante a
essência do evento, ao buscar trazer essa conexão entre o
público e a arte.
Em 2023, com o CEPARD em reforma, a localização temporária
da escola era a antiga Faculdade Ages. Sem opções viáveis, o
Festival foi realizado na sede da própria Ages, na área externa,
já que o bloco das aulas era dividido com outro colégio. Desse
modo, havia muitos desafios: lidar com o excesso de vento, o
calor e a possibilidade de chuva, mas não realizar o Festival não
era uma opção. Havia uma vontade coletiva de continuidade, de
manter viva a chama do ano anterior.
Havia uma vontade coletiva de
continuidade, de manter viva a
chama acesa do ano anterior.
2022
2023
A escola deixou de ser
apenas escola e se
transformou em território
artístico e afetivo.
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A Ages foi, então, uma escolha necessária. No
entanto, repetir o evento lá em 2024 tornou-se
insustentável. Mesmo sem precisar mais dividir o
espaço com outra escola, a localização se
mostrava pouco acessível para o público mais
amplo - especialmente ex-alunos e pessoas que
trabalhavam na região central da cidade. Porém,
apesar da pausa, a professora Renata Carvalho,
juntamente com a produção do evento,
dedicaram-se ao planejamento, garantindo que a
edição de 2025 fosse ainda mais impactante.
2025
A sensação única de
pertencimento foi incrível,
como se eu fizesse parte de
algo maior do que eu mesma.
Em 2025, o F.A.I. retornou com força renovada, trazendo uma programação ainda mais ampla e
diversificada, contando com a presença de artistas locais e regionais. Mesmo após um ano de pausa,
ele ressurge ainda mais robusto - com mais de 100 atrações distribuídas entre música, dança, teatro e
outras linguagens.
O F.A.I. de 2025 contou com 41 apresentações de palco, 31 exposições,
10 instalações, 5 salas temáticas, 4 performances, 7 oficinas e 3 rodas
de conversa. Além de lojinhas de artesanato, comida e clube de leitura.
Para trazer um pouco da atmosfera do Festival, podemos destacar a
sala Susuwatari dos artistas Maike e Letícia Lacerda. A sala tinha o
objetivo de causar diferentes sensações, como desconforto e
inquietação, por meio de recursos audiovisuais; Delírios de uma sinfonia
solitária de Pâmella Grigório e Mariana Costa, uma sala com pouca luz
que convoca à reflexão, fazendo com que você enxergasse mais
conforto na solitude.
Aqueles dias foram um
momento de virada para mim.
Descobri que sou capaz de
superar minhas próprias
expectativas.
Teve Mostra de vídeodança dos próprios alunos do Polivalente, sala de teatro Mostra Cena Livre, dirigida
por Benício Júnior, e a Mostra especial de cinema Projeto de Vida, de Antônio Rafael. Interessantes
instalações e exposições estiveram presentes no Festival, como Enfarpados, do artista Charles sendo
uma das obras que manifestava o sentimento de dependência e de relacionamentos tóxicos; Cicatrizes
Invisíveis, do trio Duda Mota, João Fellipe e Gabriella, que denuncia a violência contra a mulher;
Pequena memória de um tempo sem memória, de Caleb, abordando o aceleramento da vida e a
necessidade de desacelerar. Entre outras obras, havia também aquelas que tratam do meio ambiente,
do ambiente escolar, da ditadura militar, da homofobia e da reflexão sobre si ao se ver no espelho.
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Pudemos apreciar também exposições de desenho, pintura, colagem, poesia e fotografia. Dentre elas,
tivemos Bia e Lua com All of my seasons; MaaCaia com Olhar da Vida; Pâmella com Memórias que
ficam; Anny e Duda com Quando não lembrar de você; Thiago Fragata com Braços e Cajados dos
Orixás, entre tantos outros. De intervenções do lado externo podemos destacar as performances: Cegos
por tela de Guilherme Lisboa, Ana Luísa, Ana Vitória, Vivian e Fabíula que provocou a reflexão sobre a
prisão que o ser humano tem ao celular, fazendo com que várias pessoas se sentissem desconfortáveis
com a abordagem do grupo; O sentir de um abraço de Tatah, Luah, Daniel, Luiz e Pâmella, que deixou
as pessoas confortáveis, conseguindo conversar sem palavras; tivemos também Folhas que eu nunca
senti, de Vítor, que traz o amadurecimento de uma vida, e As Divas do Povo, Xoxa e Marlene, que
deixaram o Festival ainda mais divertido e colorido.
Durante a manhã, foram várias oficinas e rodas de conversa, como a de Sandro e Julieles, que
abordaram a interpretação do próprio eu; Thiago Fragata com Por que poesia não é (só) literatura? e
Rafael Dias com Introdução ao pensamento lógico na arte, além das várias oficinas diferentes e incríveis
das quais você podia escolher, como: Dança Afro (Michelle Pereira), Improvisação em dança (Jennifer
Lisboa), Vídeoarte (Lorena), Teatro (Benício e Antônio), Danças populares sob olhar contemporâneo
(Leandro Matos) e Pilates (Carol Naturesa).
As apresentações de palco foram acontecendo ao mesmo tempo, na sala de artes e no palco maior,
onde você tinha a liberdade de escolher o que iria ver. Grandes artistas se apresentaram no palco,
como a Banda No One, que foi criada no CEPARD e se apresentou no Festival com muito carinho,
trazendo muita animação pela noite com clássicos do rock, fazendo a galera pular, suar e se divertir
bastante; Quintais, espetáculo de dança da Eletiva Poéticas do Movimento, que trouxe conforto, alegria
e saudade e o grupo de K-pop Purple Night, sempre com muita energia.
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No primeiro dia de Festival, também tivemos com muita animação, Daniel Quelemente na Sala de Arte; o
grande poeta lagartense Assuero Cardoso e seu aluno Marcos com um trabalho crítico sobre os jovens
atualmente; Tainah, com uma apresentação de dança belíssima; Flávio Augusto, Zaninho Zandroni,
alunos, ex-alunos e outros potentes artistas. No segundo dia, na Sala de Arte, Joélio Moura apresentou
uma performance sobre gênero e sexualidade, misturando balé clássico com a dança contemporânea.
Já no palco maior, o grupo Sutaques de Casa animou o público com uma linda apresentação que
pesquisa as danças populares sergipanas. Também tivemos o Ventania Grupo Artístico, com seu primeiro
espetáculo enquanto grupo - formado no Poli -, além de Antônio Ramon, Angélica Amorim, Arauto e
tantas outras apresentações incríveis. Para fechar a noite, tivemos, com muito destaque, Patrícia Polayne
- uma das maiores artistas sergipanas - sempre muito carinhosa em palco, sua apresentação contou
com um público eufórico e dançante, fazendo com que o Festival de Artes Integradas tivesse o melhor
encerramento.
Presenciar pela primeira vez o Festival de Artes
Integradas do Poli foi uma experiência transformadora —
como um sonho. Eu estava nervosa, mas muito
empolgada. Era a minha primeira vez no F.A.I. e eu não
sabia o que esperar. Ao entrar no espaço, fui
imediatamente envolvida por uma atmosfera vibrante,
onde diferentes formas de arte dialogavam entre si.
Com uma programação repleta de dança, música, teatro, performances, maquiagem artística para o
público, exposições, oficinas e rodas de conversa, o evento atraiu os alunos, pessoas da comunidade
lagartense, além da visitação de nove escolas, do município e fora dele. Os artistas locais e os
estudantes brilharam em seus palcos, apresentando obras que refletiam suas experiências e visões
únicas de mundo.
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Cores, sons e emoções estavam presentes em cada canto, criando uma atmosfera mágica que
envolveu todos os participantes. As interações entre os artistas, alunos e o público foram
especialmente marcantes, promovendo um senso de comunidade e conexão. O Festival não apenas
destacou o talento dos estudantes, mas também incentivou a apreciação da arte como uma forma
essencial de expressão humana. Após vivenciar essa explosão de criatividade e talento, ficou claro:
quando a arte se une à paixão, o impossível torna-se realidade!
Presenciar o Festival de Artes Integradas do Poli
é uma experiência transformadora — como um
sonho. Pode haver o nervosismo, mas também
muita empolgação, especialmente para quem
vai pela primeira vez. Ao entrar no espaço, o
público foi imediatamente envolvido por uma
atmosfera vibrante, onde diferentes formas de
arte dialogaram entre si. A energia era
contagiante; todos estavam se divertindo,
dançando, desenhando e se distraindo com as
apresentações, como se tivessem encontrado o
seu lugar.
Música, dança, teatro, pintura e poesia se
entrelaçavam de maneira única, revelando a
potência da criatividade coletiva. As
apresentações foram o coração pulsante do
Festival: coreografias envolventes que contaram
histórias apenas com o corpo, peças teatrais
cheias de emoção, crítica e humor, exposições
de artes visuais que transformaram o espaço em
uma verdadeira galeria viva. A cada nova
performance, uma nova emoção — era
impossível não ser tocado ou tocada.
Cada apresentação carregava uma emoção
própria, provocando reflexões e despertando
sentidos. O mais marcante foi perceber como a
arte tem o poder de unir pessoas de diferentes
origens em torno de uma mesma energia: a
expressão. Mais do que um evento, o Festival foi
um convite ao encontro, à escuta e à
valorização da diversidade cultural.
A energia era contagiante, todos estavam
se divertindo, dançando, desenhando e se
distraindo com as apresentações, como se
tivessem encontrado o seu lugar.
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Após vivenciar essa explosão de
criatividade e talento, ficou claro:
quando a arte se une à paixão, o
impossível torna-se realidade!
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GALERIA III F.A.I.
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MÚSICA
O Comboio da Ilusão (Patrícia Polayne)
Marisa Monte
One Direction
Amor preto (Dani DK)
Alfaiataria Fonográfica (Arauto)
DANÇA
Amarílis em Risco (Eletiva Poéticas do Movimento)
Linha, laço, cor e nó (Eletiva Poéticas do movimento)
Ventania Grupo Artístico
Ongotô (Grupo Corpo)
TEATRO
Dois pra lá, dois pra cá (Grupo Livre)
LEITURA
Lynn Painter
Black Hole (Charles Burns)
Aprender a rezar na era da técnica (Gonçalo M. Tavares)
POESIA
Gabisteca (@gabiisteca)
O Cântico Negro (José Régio)
Antirracismo (Beatriz Nascimento)
CINEMA
Cadê o mamulengo que estava aqui?
(Antônio Rafael)
INDICAÇÕES
pelos alunos e público
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GRUPO DE CAPOEIRA FILHOS DE ANGOLA E REGIONAL
POPULARIDADES
por Natanael de Jesus
O grupo Filhos de Angola e Regional é uma ferramenta educacional que possibilita, por meio de suas
atividades, contribuir para a educação de crianças e jovens da cidade de Lagarto-SE. A fundação do
grupo de capoeira em Lagarto/SE aconteceu no dia 05/05/1991. Foi iniciado pelo Mestre Nilton, que
nomeou “Grupo de Capoeira Filhos de Angola”. Mais tarde, o grupo foi passado à organização de
Paulo Diogo da Silva, no ano de 2005, que alterou a nomenclatura de "Grupo de Capoeira Filhos de
Angola" para "Grupo de Capoeira Filhos de Angola e Regional". Para o fortalecimento do movimento,
formou vínculo com outro grupo, sendo ele o “Capoeira 5ª Geração”, que tem fundação na data de
25/01/1996, pelo Mestre Cascavel da cidade de Praia Grande do Estado de São Paulo.
O grupo de capoeira Filhos de Angola e
Regional desenvolve, na cidade de
Lagarto/SE, a prática da capoeira com
uma proposta de transformação social.
O grupo de capoeira Filhos de Angola e Regional desenvolve, na cidade de Lagarto/SE, a prática da
capoeira com uma proposta de transformação social. Constrói a cidadania e forma cidadãos
conscientes de seus deveres e direitos. Proporciona, assim, o conhecimento da cultura e contribui para
a transformação da realidade dos alunos. Isso ocorre por meio de uma metodologia de ensino que
desenvolve a prática e a teoria a partir de aspectos culturais da capoeira e da comunidade lagartense,
envolvendo seus alunos em conceitos que os conduzam para a construção ética e moral.
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Através de apresentações realizadas em praças, instituições de ensino públicas e privadas, instituições
de ensino de nível superior, circos e festas comemorativas, o grupo de capoeira desenvolve seu trabalho
demonstrando seus valores dentro de sua comunidade. Ele resgata suas raízes culturais, sendo uma
ferramenta de ensino que desenvolve seu trabalho com recursos próprios, a partir das temáticas
proporcionadas em aulas de Psicopedagogia e licenciatura em Filosofia. Para garantir um melhor
aprofundamento nos conhecimentos da capoeira, buscou socializar o grupo Filhos de Angola e Regional
com o grupo Capoeira 5ª Geração, do Mestre Alex, conhecido na capoeira como Mestre Cascavel.
Enfim, o grupo, como uma proposta educacional, busca enriquecer a formação de crianças e jovens,
contribuindo para que eles reconheçam suas dificuldades, enxerguem sua realidade e encontrem novas
perspectivas de vida, podendo solucionar seus problemas. Com isso, consegue proporcionar uma
melhoria em todo o sistema social, transformando a realidade dos alunos e formando sua cidadania
com caráter ético e moral. A capoeira engloba diversas formas e expressões, não somente o corpo, pois
tem diversas músicas, movimentações e instrumentalidades. Isso é visto nos saberes e nas tradições que
trazem um novo olhar e um novo conceito sobre a arte e a cultura. Aos olhos dos que entendem, dos
que procuram entender ou até mesmo dos que são apaixonados pela arte, a capoeira, em si, vai muito
além de movimentações corporais.
Ela é a única cultura que, mesmo discriminada, nunca optou por discriminar ninguém. Ela acolhe do seu
jeitinho único e dá uma nova família. Traz novas vivências, uma nova visão, um novo sentido, um novo
olhar, uma nova perspectiva de ver a vida, de ver a arte, de ver a cultura, de ver o mundo.
A capoeira muda vidas!
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SULAMITA
POPULARIDADES
por Maria Bianca
Sulamita é uma verdadeira inspiração no mundo do artesanato,
especialmente no povoado Piabas, onde é admirada por sua dedicação e
resiliência. Utilizando cipó, uma vegetação nativa encontrada nas margens
dos rios e riachos da região, ela transforma essa matéria-prima em obras de
arte funcionais e criativas. Mesmo diante da crescente escassez dessa
vegetação, Sulamita não se deixa abater, aventurando-se nas matas para
coletar o necessário para suas criações.
Em um espaço improvisado, muitas vezes em seu próprio quintal, ela
confecciona uma variedade de produtos, como cestas, balaios, caçuás,
chapéus, sacolas, bicicletas de madeira e até brincos. Sulamita já
compartilhou seu talento em diversos eventos, como feiras culturais e projetos
de serviço de convivência, encantando a todos com seu jeito simples e
verdadeiro de viver e fazer o bem, sem distinção. Sua história é um exemplo
de superação e uma homenagem à arte do artesanato tradicional.
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Patrícia Polayne
ENTREVISTA
com Isabela Santos
POLAYNE, A BRUXA DO POVOADO
O álbum O Circo Singular, de uma das grandes vozes da música sergipana,
foi escolhido como tema da Eletiva Poéticas do Movimento do CEPARD.
A generosidade de Polayne levou-a a assistir ao nosso espetáculo e, ainda,
a nos presentear com um show no III Festival de Artes Integradas.
E, aqui, temos uma conversa intensa, divertida e instigante, um passeio pela
vida-obra dessa artista tão singular.
ISABELA — Como foi a experiência de fazer o primeiro show da sua carreira?
POLAYNE — Primeiro show? Nossa, tem tanto tempo que eu acho que nem
lembro. Porque, assim… o que eu considero carreira? Carreira musical? Para
mim é quando eu venho para Aracaju e começo a trabalhar profissionalmente.
Mas eu fiz um primeiro show da minha vida… eu ainda não estava… ainda não
sabia que era uma cantora, né? Mas aí, minha mãe — mãe sempre enxerga o
talento da gente antes da gente, né? — dizia que eu era cantora, e ela
produziu, junto com os amigos, um show pra mim. E não foi nem em Aracaju, foi
no Rio ainda. E foi muito engraçado. Esse show acabou em baixaria — deu até
polícia! Então, assim, o meu primeiro show da vida foi bem... bem engraçado.
Mas o primeiro show de carreira — assim, já profissional — foi aqui em Aracaju. E
foi meu pai que produziu. Foi ele que falou: “Ah, você é cantora”. Eu não sabia
que era cantora. E já nesse primeiro show eu tive essa sensação... Eu gostei. Eu
acho que, o primeiro, me deu essa sensação de que eu podia fazer aquilo, né?
Que eu podia cantar, que eu podia me expressar através da música.
ISABELA — Te descobriram…
POLAYNE — É engraçado. As pessoas falavam isso para mim — que eu cantava.
Eu era muito gaiata. Minha mãe era atriz — eu gostava de teatro, na verdade.
Eu queria ser atriz. Eu me lembro que, por exemplo, na quinta série eu tinha 11, 12
anos... eu tinha uma professora muito bacana de Língua Portuguesa que
também dava aula de teatro.
Ela era tipo uma Renata, assim. Ela causava uma revolução na escola, fazia festival… e aí ela fez um
musical uma vez contando a história do Rio de Janeiro. Contando a história mesmo, né? Assim, da
formação da cidade. E eu era a mestre de cerimônias, quem apresentava a peça. E no meio da peça eu
cantava em alguns momentos. E aí essa professora, depois, me chamou e falou: “Você é cantora”. Foi a
primeira pessoa… para você ver como as professoras de arte são importantes… ela foi a primeira pessoa
que realmente viu que eu era cantora mesmo. Então é isso — acho que a resposta é essa. Eu senti, já no
primeiro, que era o que eu queria fazer para a minha vida. A sensação de cantar para as pessoas… as
pessoas gostarem… sentir aquele arrepio quando a gente canta e consegue alcançar as pessoas… tem
um arrepio diferente.
ISABELA — Como você descobriu esse seu talento?
POLAYNE — Como foi que eu descobri o talento? Porque não fui eu quem descobriu, né? As pessoas que
me perceberam. Eu mesma não tinha essa noção, de que eu cantava e tal… é, mas acho que foi isso.
Acho que o Festival Canta Nordeste é um grande divisor de águas nessa história toda. Porque eu
acredito… antes do Festival, eu já estava tocando nos barzinhos, aqui em Aracaju. Mas eu acho que o
Festival, ele me deu uma noção, uma dimensão da música enquanto arte. Essa coisa da música, da
performance, da composição… foi o Festival Canta Nordeste que me deu esse estalo.
21
Eu fui a mais jovem compositora da história do Festival. Com 20 anos de idade, eu ganhei as duas
categorias. Melhor cantora e melhor música. Então, isso foi um choque tão grande pra mim, que foi ali
que realmente eu percebi. Eu falei: “Ah, eu quero fazer isso. Eu posso fazer isso. Eu posso viver disso”.
Mas foi o Festival que me deu a maior noção de todas.
ISABELA — Agora a pergunta que não quer calar… quem é
Patrícia Polayne?
POLAYNE — Medo… Ave Maria! Que tipo de pergunta é
essa? Difícil! Como é que eu vou te responder isso? Eu acho
que existe a Patrícia e existe a Polayne… [risos]. Eu acho
que são personagens diversos. Porque eu vivi tantas coisas
na minha vida… mas a música, ela sempre estava misturada
em tudo. Então, acho que eu não consigo separar a artista
da pessoa. Não existe muito isso. As pessoas acham que
isso… eu acho que na minha vida tudo está misturado.
Porque o processo da criação está na vida, no cotidiano
também. Então, geralmente quando eu vou para o palco,
quando eu vou fazer show, eu levo isso comigo também —
esse pedaço de quem eu sou na vida, no dia a dia. Eu não
sei te explicar quem sou eu. Acho que eu prefiro deixar isso
para você [risos]. É você quem vai me dizer quem sou eu. É
difícil responder isso… não sei, eu sou mãe, eu sou artista.
Sou uma pessoa difícil também. Sou escorpiana, sou muito
intensa. Então, sou uma pessoa que se joga muito de
cabeça em tudo. Isso já me machucou algumas vezes.
Apaixonada pela música, pela
profundidade da vida. Eu sou capaz de
ficar dias dentro da caverna, só lendo,
só ouvindo música, só criando.
Então, também sou um pouco defensiva.
Aprendi a me proteger muito. Tenho um
escudo. Sou uma pessoa acessível até a
segunda página.
As coisas que eu já passei… mas é uma biografia muito intensa. Eu não conseguiria te responder assim
em uma entrevista para a escola. É muita história… tem essa coisa de ser uma pessoa muito acessível,
mas também de me proteger por conta mesmo de tantas coisas. A vida de artista, gente… ainda mais
numa cidade pequena como Aracaju. Você quer saber quem é Patrícia Polayne? É só ir aqui na venda
da esquina… e, ao mesmo tempo, não. Ao mesmo tempo, eu tenho uma vida super discreta no povoado.
Moro num lugar super reservado, não estou em balada. Então, assim, a minha biografia é uma biografia
que está aí. Se você botar no Google, você vai achar a minha biografia. A minha biografia oficial, ela
está por aí. Mas tem essa coisa da biografia extraoficial. A minha sexualidade, principalmente, é uma
coisa que as pessoas estão muito curiosas… mas eu acho que é isso. Acho que a Patrícia Polayne é uma
pessoa que viveu e vive intensamente, apaixonadamente. Apaixonada pela música, pela profundidade
da vida. Eu sou capaz de ficar dias dentro da caverna, só lendo, só ouvindo música, só criando. Não é
uma vida corriqueira, tradicional. Eu pago um preço por isso também. Mas tive muitos capítulos dessa
história… muita coisa, muitos casamentos, muitas moradas diferentes. Muitas dores, muita coisa forjada
na dor de ser mulher, de assumir sempre quem é, sem arrodeios. Politicamente engajada, militante. Isso
me traz uma rebarba muito grande. Nunca consegui forjar uma personalidade para agradar um sistema
ou uma comunidade. Eu acho que é uma espécie de bruxa do povoado. Aquela que assume os riscos
todos de ir para a fogueira… aceita. Joga pedra na Geni, ela recebe as pedras, pega as pedras,
constrói seu muro, se protege. Acho que é um pouco isso. Não sei te responder… suas perguntas são
muito difíceis [risos].
22
ISABELA — Qual show você se sentiu mais marcada?
POLAYNE — O melhor show é sempre o último. Tem esses shows
menores que eu faço. Esse agora que eu fiz no Manjericão foi um
escândalo. Foi maravilhoso. Mas o show que representou foi esse do
Comboio da Ilusão agora. Bom, eu acho que são esses... o do Circo
Singular também, que é uma história muito interessante. Porque, na
época que eu fui lançar o álbum, eu passei por uma coisa parecida
que eu passei agora no Comboio. Eu não tinha um lugar para lançar;
os teatros não tinham pauta, aí a gente alugou um circo. A gente
estava passando pela ponte do Shopping RioMar — eu e minha
produtora —, a gente, desesperada, já tinha batido na porta de vários
teatros, de vários lugares. Eu estava meio desesperada porque eu tinha
um prazo para cumprir com a FUNART, de entregar relatório, marcar o
show, e o tempo estava correndo, a gente não conseguia marcar.
E aí ela estava dirigindo o carro, eu estava de carona com ela, a gente passou pela ponte e eu olhei...
Estavam levantando a lona do circo, aí eu olhei para a cara dela, a gente não falou nada, a gente só
se olhou. Falei: “Vira à esquerda”. Ela entrou e eu fui lá e falei: “Quem é a dona do circo?” Chegou
uma mulher muito interessante, de chapéu de cowboy, meio sapatão, toda bofão. Aí eu falei: “A
senhora é a dona do circo?”. Minha produtora só falou: “Quero alugar seu circo”. Aí eu comecei a
desenrolar com a mulher, eu tinha uma grana para alugar o teatro, então eu peguei o dinheiro que eu
ia alugar o teatro e aluguei o circo. Falei: “Você me dá o circo num dia que você não vai abrir, você só
abre fim de semana”... acho que eu peguei numa quinta-feira. E ela ainda me alugou com toda a
estrutura, as vendedoras de cigarros, de balas, pipoqueiros... e o show que tem no YouTube é uma
droga porque a Aperipê que fez… a Aperipê não mostrou isso de um jeito mais... ficou meio escuro, mas
ali é o picadeiro de um circo. A gente alugou o Circo Estoril. Esse show, acho que é bem marcante
também. Acho que é uma história interessante para contar. E esse último agora, O Comboio da Ilusão,
foi um show bem forte também, porque eu fiz com febre de 40 graus. Eu fiz com febre. Foi horrível,
achei que ia desmaiar e tal. E foi ali, foi... eu acho que são situações diferentes. A do Circo, por uma
questão de realização pessoal, de estar lançando meu primeiro álbum — e da maneira como a gente
fez, alugando um circo, tendo o nome do álbum O Circo Singular — tinha tudo a ver. Acho que deu o
match do destino. Foi tudo perfeito.
E o Comboio, por todos os desafios que eu enfrentei, e o maior de todos: que foi cantar com febre,
doente e conseguir… Eu acho que ali eu falei: “Caralho, eu sou uma artistona”. Ali eu falei assim: “Eu
sou uma artista mesmo, cara”. Porque eu fui muito profissional — de, em nenhum momento,
transparecer isso. Nem para a minha própria equipe. Nem eles sabiam que eu estava doente. Cheguei
num cantinho com o meu produtor e falei: “Vai na farmácia agora, compra um corticoide, uma coisa
bem pesada, porque eu não vou conseguir entrar no palco”. E ninguém sabia. E eu estava suando, eu
estava bem mal, assim… e misturou isso com uma crise de ansiedade e tal... E aí eu consegui fazer o
show, e as pessoas só estranharam porque eu não me comunicava, eu fiz um show absolutamente
teatral, sem falar com [o público] em nenhum momento. Eu entrei no personagem... Eu falei: “Cara, o
personagem é quem vai me sustentar, porque, se eu permitir qualquer nível de emoção, qualquer
quebra de parede aqui entre mim e o público...”. Eu fiquei com medo das pessoas perceberem que eu
não estava legal. E aí eu segurei assim no personagem, eu tinha esse personagem que eu criei lá, junto
com o meu estilista, e eu incorporei… ali eu me realizei como uma artista. Esse show do Comboio da
Ilusão eu alcancei essa maturidade artística, porque foi uma prova de fogo para mim ter feito esse
show. Então, eu não falaria de um; eu falaria desses dois momentos, desses dois lançamentos, que são
situações diferentes, mas que as duas situações são de realização artística. Fortes.
23
ISABELA — Como surgiu o título Quintal Moderno?
POLAYNE — Essa música é uma canção de despedida de Aracaju, porque eu tenho essa questão com
os meus exílios. Eu fui criada no Rio de Janeiro, minha mãe é carioca, minha família toda materna é
carioca, então eu fico sempre indo e vindo, né? Então, numa dessas idas, eu tava passando ali… eu
tinha um carro na época. Eu tava passando de carro, dirigindo pela Rua da Frente, e começou a
chover. Eu tava já naquele chororô, né? Tava ouvindo uma música no rádio, e tava já ali me despedindo
da cidade, olhando e tal. E eu, na verdade, tenho uma relação muito forte com o centro da cidade de
Aracaju, porque eu acho que foi onde eu, bem novinha, comecei a me desenvolver. Naquela época, a
gente não tinha muito… não tinha muita diversão, não tinha muito o que fazer. Mas tinha ali a Rua 24
Horas, tinha as praças… a gente gostava muito de ficar nas praças — a Praça Camerino — juntar a
galera, a juventude, pra conversar, pra tocar violão. Eu fazia natação na Atlética, que é um clube que
nem existe mais, e que era ali no centro também. Então, eu gostava muito de circular pelo centro, de
passear. Até hoje me bate uma nostalgia quando eu vou mais pro centro. E eu gostava muito de
frequentar ali o Cultart também, sempre tinha umas atividades no Cultart.
PAUSA PRO SOM...
Andar, vento e chuva
Na Rua da Frente
No Centro da capital,
Tempo escorre num canal
Dentro da gente...
Aquário! Aquário!
É tempo de para pro mar
É tempo de internauta a pé
É tempo de coivara sideral
Aquário! Aquário!
Invento o meu quintal moderno
Cantando a água sobre o teto
E colho o verde verso,
Atemporal...
Andar, vento e chuva
Na Rua da Frente...
Rua da Frente
E aí, eu me lembro dessa história... eu já tinha um carro — esse carro foi um prêmio do Canta Nordeste
— e aí eu tava dirigindo, e eu tava já pra voltar pro Rio; ia passar uma temporada no Rio. Já tava
sentindo saudade. Eu falei: “Eu vou morrer de saudade de Aracaju”, porque, realmente, tem coisas que
tem em Aracaju que não tem em lugar nenhum do mundo. E aí, é uma canção de amor, é uma canção
de amor pra cidade, não é? E é engraçado: Quintal Moderno — no que ela se transformou? Numa
canção que, quando a galera que mora fora de Aracaju — tenho muitos amigos que moram, que são
daqui, mas que moram em São Paulo, que moram até fora do Brasil — ouve, cai no choro, que bate
uma saudade de Aracaju, porque ela virou uma canção símbolo desse exílio. O Circo Singular tem um
subtítulo, né, que é O Circo Singular — As Canções de Exílio. Então, acho que Quintal Moderno é uma
das maiores canções de exílio, canção de saudade, de despedida. Acho que ela tem muito a ver com
isso, com a minha despedida na época, minha saudade, mas ela acabou virando um símbolo de muitas
pessoas que estão fora e que sentem essa saudade da cidade também.
24
ISABELA — Por que essa mistura, quintal, moderno?
A cidade é o quintal… é porque, naquela época, tinha muito uma piada de que Aracaju era o quintal…
era o quintal da Bahia. E eu ia muito a Salvador, participei de alguns eventos em Salvador, ganhei o
Festival Canta Nordeste em Salvador, ouvi essa piada quando eu ganhei. Claro que era uma invejinha
deles — perderam o Festival, né? E aí, diziam: “Ah, que nada, você é do quintal da Bahia”. E eu nunca
esqueci. Falei: “Pô, Aracaju sempre foi considerado um mísero quintal da Bahia”. E a coisa do moderno,
porque, ao mesmo tempo, eu acho uma cidade super vanguarda, por exemplo, em relação ao Rio de
Janeiro. Eu acho Aracaju mais moderna em relação ao Rio, com muitas coisas, principalmente a
questão da arte. Acho aqui muito mais avançado. Eu acho o Rio muito raso.
Eu sempre fazia essa comparação: eu acho que as pessoas aqui estão muito mais ligadas à
vanguarda, à profundidade, à literatura, do que no Rio. Por que essa mistura, quintal, moderno? Porque
acho que é uma declaração de amor à cidade. É uma forma de dizer: “Você é o meu quintal, mas você
é moderna, você é para sempre”. É um moderno — não é num sentido só temporal, mas atemporal. E
acho que o fato de ela ser uma ciranda — ela foi composta como uma ciranda — e a ciranda é
universal. Todo mundo já brincou de roda. Acho que mexe muito com a nossa memória afetiva de
infância. Quintal Moderno me traz muito essa coisa da infância. Todo mundo ama essa música. Aqui no
Manjericão, quando eu cantei, todo mundo foi para o meio, afastaram as mesas e fizeram uma ciranda
também. Ficaram fazendo várias músicas de ciranda. Então, acho que tem a ver com isso: o fato de ser
uma ciranda. E a letra evoca termos também fortes, né? Aquário, a Era de Aquário, coivara sideral. O
que é uma coivara sideral? Eu estava lendo na época Chico Dantas, que é um escritor sergipano — A
Coivara da Memória, que é f*da esse livro... é um imaginário, uma poética muito forte. E aí, Chico vai e
me pega um título para um livro e bota: A Coivara da Memória. E o que são as coivaras? Vocês já
ouviram falar o que é uma coivara? A coivara, por exemplo... eu morei muito em zona rural, minha mãe
mora em chácara, eu aqui também moro na zona rural.
Agora mesmo acabei de fazer uma coivara. A
coivara é quando você varre o quintal, tira os
matos secos, aí você junta tudo e taca fogo. Isso é
a coivara. É uma espécie de limpeza ali. Você
queima aqueles resíduos ali para limpar o quintal. E
aí ele vai e me cria esse termo, coivara da
memória, quer dizer, ele está varrendo a memória,
limpando esses… para tacar fogo. O que seria a
coivara sideral? É tempo de coivara sideral. É a
queima do universo. A gente está nesses processos
de limpeza. Eu acho que Quintal Moderno é uma
letra muito mística também.
Porque ela fala da Era de Aquário, ela fala dessa conexão que a gente sente com o lugar, a ponto de
nunca se desconectar. Porque ali, quando eu estava compondo aquela canção, chorando aos prantos,
dirigindo o carro chovendo, eu tinha certeza: eu nunca iria me desconectar da cidade. Eu estava indo
embora, mas a cidade nunca iria ir embora de mim, porque ela ia ficar comigo para sempre. Acho que
Quintal Moderno é universal, porque ela não é sobre Aracaju. A “Rua da Frente” pode ser a rua da
frente da sua casa. Pode ser qualquer lugar. Tem uma frase que diz: “Para você ver a ilha, você precisa
sair da ilha.” É muito isso. A minha relação de amor... eu tenho uma relação de amor e ódio, de amor e
ranço com Aracaju. Mas isso se fez nessas distâncias. 25
A construção foi nessa pulsação do ir e voltar. Porque cada vez que você vai, você vai enxergando a
cidade de maneiras cada vez mais diferentes. E Arrastada, por exemplo, fala muito sobre isso: “Ela
ganhou do rei…” O rei — Del Rei, né? Sergipe Del Rei. “Ela ganhou do rei a condecoração”. Porque
aqui, para mim, a condecoração é isso, é ser conhecida, tem um título, né? Sou a Patrícia Polayne, né?
Então, “ela ganhou do rei a condecoração, entrou para a casa do quinhão, mas enfrentou recepção
hostil”. E essa letra está sendo bem profética para mim nesse momento. Porque eu senti que nesse
retorno agora — esse agora — quando eu voltei, está muito esquisito. Eu sempre fui muito bem
recebida, e agora está estranho.
Não é mais a mesma coisa. Não sei se é
porque eu passei muito mais tempo longe,
mas não é mais como era antes. É uma
nova geração também. Por isso que me
emociona tanto ver os alunos de Renata lá
— vocês, né? — com essa coisa toda
comigo, porque é a geração de vocês.
Aqui em Aracaju, por exemplo, quase
ninguém me conhece. É mais a galera da
minha geração, quem já me conhecia de
antes. Mas é porque o trabalho de Renata
trouxe isso de resgatar vocês para essa
artista. Mas eu nunca tive um trabalho de
manutenção, de me preocupar muito com
isso, de trazer as novas gerações e tal.
Então, isso foi um choque de realidade
para mim quando eu cheguei, que eu senti
que não era mais tão lembrada. Mas
continuou, sim. No meu meio, artístico e
tal, sim. As pessoas gostam, admiram o
trabalho e tal. Mas acho que tem muito a
ver também com essa coisa da... tem um
ciúme, né? Quando você é de outro
lugar... eu não tenho um sotaque daqui,
por exemplo. As pessoas estranham isso,
tem um pouco de ciúme disso, de eu não
carregar um sotaque.
Não sei, não sei o que acontece, mas me
surpreendeu muito esse retorno para cá, lançando
um álbum novo, um trabalho novo, e não ter tido
essa recepção tão calorosa. A recepção foi um
pouco hostil, de fato.
26
ISABELA — Entre o lançamento do O Circo Singular e O Comboio da Ilusão, que foram 15 anos, você
passou mais tempo fora ou em Aracaju?
POLAYNE — Boa pergunta. Na verdade, eu acho que é essa a questão, é o hiato. Porque 15 anos é
muito tempo, sabe? Então, assim, para uma jovem de 18 anos, 15 anos é muito tempo, porque ela tinha
3 anos quando eu lancei, entendeu? Então, esse tempo de 15 anos foi o tempo que eu circulei, não
fiquei só em Aracaju, né? Então, talvez possa ter tido a ver com isso. Mas rolou tanta coisa, assim,
nesse intervalo de vida — de arte também — que não foi tão divulgado. Tipo, o disco das catadoras de
mangaba (Quero ver rodar… com as Griôs na restinga sergipana), que foi indicado ao Prêmio da
Música Brasileira. É um álbum fantástico, me envolvi até o fio de cabelo nesse projeto. Projetos para
cinema, para teatro… E a vida, né? Fui viver, fui viver.
ISABELA — E como foi esse retorno, lançar um álbum depois de 15 anos?
POLAYNE — Quando eu fui fazer o lançamento do Comboio, eu contratei uma equipe para gerir a
minha página. Eles falaram assim: “A gente vai fazer com você um instagranicídio, a gente vai matar o
seu personagem, você vai morrer para renascer de novo”. Então, eles zeraram o Instagram, tiraram
tudo, foi uma coisa muito estranha, porque eu falei: “Meu Deus, cadê minha vida?” Tá tudo arquivado,
né? Eles foram arquivando, eu dei minhas senhas todas, eles foram arquivando tudo para zerar tudo. E
se você olhar hoje o meu Instagram, a única coisa pessoal que tem são os stories, porque aí expira em
24 horas, né? Então, ali eu boto um monte de coisa engraçada, boto eu bêbada, boto minha vida,
boto meus amores, minhas coisas... mas o painel mesmo, o meu feed, é só O Comboio da Ilusão - não
tem mais nada. Inclusive, tá até parado, né? Porque a gente parou o lançamento ali e pronto. E foram
eles que ficaram alimentando isso. Eu não me mexi para fazer, porque eu tenho um verdadeiro pavor.
Porque tem gente que é apaixonada — eu tenho amigas, artistas… a Héloa mesmo, ela ama!
Ela fica ali botando selfie, é o tempo todo alimentando. Eu acho um porre, eu nunca gostei, eu não
gosto. Acho que isso é uma boa explicação, acho que tem muito a ver com isso, porque justamente
essa geração, eu acho que não me acolheu tanto, é a geração das redes sociais. Eu recebi um áudio
do meu sobrinho, que tem 18 anos, ele dizendo: “Tia, você tem que entrar no TikTok, tia! Você não existe
sem o TikTok. Sua música é muito boa, tia, meus amigos amaram. Você tem que entrar no TikTok”. Falei:
“Como é que faz?” Aí ele começou a me dar uma aula básica. Aí falei: “Não, Edu, não vou conseguir”.
Eu fui tentar fazer uma dancinha para engajar… parecia uma chacrete. Uma chacrete desengonçada.
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A minha sorte é que eu sou de uma geração da transição. Porque eu, quando cheguei, era muito
novinha. Então eu já fui… não tinha galera da minha idade fazendo música naquela época. Quando eu
cheguei era tipo a mascote da cena, né? Aí era Amorosa, Irineu Fontes, Marta Mari, Cataluzes, Joésia
Ramos… era uma galera que já era muito conhecida e já fazendo muitos shows. E eu cheguei
ganhando esse festival, já comecei a ganhar alguns espaços. Mas eles não me acolheram... não me
acolheram.
Me trataram meio como uma intrusa, como uma forasteira que vem roubar o que é deles. Essa que é a
realidade. Então assim… e aí quem veio depois, veio chegando… Eu tive que fazer esse meio campo —
meio de campo, né? Porque eu bebia nessa fonte, gostava dessa galera mais antiga, mas eu abraçava
as novas gerações, porque era minha turma, né? Alex Sant’Anna, as bandas de rock que estavam
surgindo naquela época, eu também ia beber com eles, da fonte deles também. Então, fiquei ali na
transição entre essas gerações e, na verdade, foi o que me salvou, porque eu consegui circular tanto
no meio da grande cena e também da nova cena. Eu consegui me firmar ali, mas a real é que eu não
fui acolhida. Hoje, por exemplo, eu acolho as cantoras da nova geração, já dirigi algumas, dirigi alguns
videoclipes de cantoras, né? Mas, naquela época, ninguém fez isso comigo.
Eu tinha que quebrar minha cabeça, não existia a internet como existe hoje, a gente não tinha acesso
a nada. Então, assim, a gente só conhecia indo no show, comprando disco, e eu tive que aprender
tudo sozinha, praticamente, porque eu não tive os artistas mais velhos para me orientar, para me
ensinar nada. Aí, eu acho que hoje eu sou uma pessoa mais generosa nesse sentido, porque eu não
tive isso, e aí eu vejo algumas artistas, né? Ou a juventude, uma galera mais nova que está começando
e querendo, me pede opinião. Eu adoro isso, adoro pegar eles e botar no meu colo, falar: “Não, o que
você precisa? Vou no seu ensaio assistir, me manda o repertório, te ajudo a escolher”. Hoje eu adoro
fazer isso, porque não fizeram isso comigo.
ISABELA — Como foi ser homenageada pelos alunos da Eletiva Poéticas do Movimento?
POLAYNE — Ah, você sabe como foi! É uma delícia, gente…
Foi uma emoção. Eu senti… Ah, eu senti que vale a pena,
sabe? Vale a pena fazer o que a gente faz. Porque o
sentido da arte é esse, é a gente tocar as pessoas,
transformar a vida das pessoas, ser algum tipo de
referência e deixar um legado. Porque o que eu faço — a
arte que eu faço — ela vai ficar. Um dia eu vou embora, vou
morrer, sei lá… vou partir. Mas essa música vai ficar e vai
continuar transformando. Acho que é isso, eu me senti
muito emocionada, vocês não têm ideia do quanto aquilo
mexeu comigo. Pelo carinho, pela dedicação de vocês, mas
também por esse reconhecimento… e de saber que tem
pessoas como Renata desenvolvendo coisas tão bonitas.
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Trazendo artista sergipano para dentro da sala de aula. Vocês não têm ideia de quanto isso é
importante. Porque a minha queixa é justamente essa: dessas gerações, das novas gerações, não
conhecerem música sergipana, não conhecerem seus próprios artistas. Então, quando uma professora
faz um trabalho como esse, ela está ajudando na construção desse legado, ela está ajudando essas
gerações a enxergarem uma luz na escuridão. Porque, às vezes, a gente gosta da arte, mas não tem
uma referência, não tem muito o que seguir. E é importante isso ser mostrado. Então, como eu não
estou muito nas redes sociais — vocês não vão me ver muito por lá — vem a Renata e traz para vocês.
Isso é maravilhoso. Eu tenho um amigo que diz: “Sergipano não gosta de sergipano”. Impressionante. E
eu vou além: brasileiro não gosta de artista. Brasileiro gosta de famoso. Brasileiro gosta de gente
famosa. Ele não gosta do artista. O artista, geralmente, é reconhecido lá fora para poder alcançar
alguma coisa dentro da sua própria aldeia. Isso quando a gente fala de Brasil é num sentido geral, não
é só Sergipe. Então, o que acontece, infelizmente, é essa dinâmica. Você vê: eu sou uma artista
premiada fora daqui. Aqui não. Aqui eu nunca ganhei um prêmio.
ISABELA — E qual foi a sensação de assistir o
espetáculo Linha, laço, cor e nó?
POLAYNE — Engraçado, porque eu não sabia
que era uma escola pública. Não sabia. Eu
pensei que o CEPARD era um colégio
particular. E aí, quando a Renata falou: “Não,
é um colégio público e tal”, isso me
emocionou mais ainda, né? Que é muito raro a
gente ver as escolas públicas com um trabalho
tão bonito, né?
Ah, eu senti que vale a pena, sabe? Vale a pena
fazer o que a gente faz. Porque o sentido da arte é
esse, é a gente tocar as pessoas, transformar a
vida das pessoas, ser algum tipo de referência e
deixar um legado.
Ah, a sensação foi essa: de emoção, de reconhecimento, de ver um trabalho — o trabalho de vocês
também — muito lindo, né? Porque no ano passado, quando eu fui ver a Eletiva, vi o resultado lá da
coreografia de vocês. Saber que tem tanta gente talentosa no interior do Estado, fazendo coisas
lindas, né? Acho que foi uma mistura de sensações, mas acho que a maior de todas foi essa: emoção
do reconhecimento, do acolhimento e também da surpresa, assim, de ver tanta gente talentosa,
sensível, né? Como vocês. Ah, vocês são muito lindos, né? E eu falei pra ela: “Eu gostei tanto que eu
quero fazer de novo um trabalho com vocês com O Comboio da Ilusão”. Quero fazer agora nesse ano.
A gente vai fazer um trabalho junto aí — eu não sei ainda o quê exatamente — mas eu quero dar
continuidade a isso com O Comboio da Ilusão. A mesma coisa: fazer uma audição do álbum, eu vou
na escola, debater o álbum com vocês, a gente ouvir faixa a faixa, eu vou explicar o que é cada
música. Eu quero muito fazer esse trabalho com vocês.
ISABELA — Como foi ver o nosso vídeo? Lembra do primeiro vídeo, o
processo de criação? A gente criando o figurino?
POLAYNE — Ai, gente, foi demais! Eu mostrei aquilo pra todo mundo. Eu
fiquei me achando. Eu amei! Hoje eu postei, botei vocês me filmando
chegando… quando eu chego em Lagarto com vocês, eu me sinto uma
pop star… E é uma mistura de sensações, Isabela. Acho que eu vi
aqueles vídeos de vocês, eu fiquei completamente encantada,
apaixonada por vocês. Eu queria pegar cada um e botar num potinho e
trazer pra mim. Eu quero muito poder estar mais perto de vocês. Eu fiz
essa proposta pra Renata — eu ainda não sei como a gente vai
desenvolver isso — mas eu quero estar perto desse processo de vocês.
Quero colaborar, quero contribuir com alguma coisa. E uma coisa que
eu senti em vocês também: vocês são muito atentos, muito curiosos.
29
E aí, quando eu tava fazendo o show — eu gosto muito de falar durante o show, assim, ser didática,
falar como aquela música foi feita, fazer comentário — eu senti que, nesse momento, tava todo mundo
em silêncio, prestando atenção, muito atentos. Então, eu não sei ainda o que vai ser, mas eu quero
muito desenvolver um projeto com vocês esse ano. Eu tô com uma viagem marcada pra fora do Brasil,
mas antes disso acontecer eu queria muito ir lá. Antes de eu viajar, fazer uma espécie de ensaio, um
laboratório com vocês. A gente pode tirar um dia pra fazer a audição do álbum... Enfim, eu não quero
me desapegar de vocês, porque eu acho que a gente criou uma conexão. A arte é f*da. Ela cria esse
elo. É uma resistência, é uma maneira de se manter vivo, de se manter com paixão pelo que se faz.
Vocês passam muito isso pra mim: uma energia de amor pela arte, pela dança. Vocês são artistas, né?
que tão se descobrindo. E eu sou encantada. Eu sou mãe, né? Eu fico muito assim: “Aí são todos meus
filhinhos!”.
Eu não quero me desapegar de vocês,
porque eu acho que a gente criou uma
conexão. A arte é f*da. Ela cria esse elo.
É uma resistência, é uma maneira de se
manter vivo, de se manter com paixão
pelo que se faz.
E eu quero muito tá perto de vocês. Ela quem
vai me dizer como, né? Porque ela é a
professora de vocês, ela que tá
desenvolvendo um trabalho com vocês. Mas
eu já dei a dica pra ela. Falei: “Me use, me
queira, me queira perto”. Porque eu amei
fazer esse trabalho com ela. Amei receber
isso de vocês. É uma coisa que alimentou
muito o meu coração, minha alma de artista
também. Fiquei muito encantada… e é isso.
Acho que eu não só me senti amada e
celebrada, mas eu senti que eu tenho ainda
uma missão a desenvolver com vocês. Eu
quero muito dar continuidade a esse trabalho,
ao longo do ano, com vocês. Então, acho que
esse do Circo Singular vai ser o primeiro de
uma série, porque eu quero desenvolver mais
coisas com vocês.
E também trazer vocês pra cá. Já falei pra ela que quero fazer um show no teatro, o lançamento do O
Comboio da Ilusão no teatro, e aí falei pra ela: “A gente consegue um ônibus pra trazer os alunos!”.
Então, eu quero também trazer vocês para o meu mundo de cá, né? Aproximar vocês aqui também das
minhas... das coisas que eu faço aqui. E é isso. Eu acho que criou uma conexão mesmo, né?
30
ISABELA — Eu fico muito feliz por Renata ter me apresentado sua
música.
POLAYNE — Que privilégio de vocês terem a Renata como professora,
gente. Ela é demais. Você sabe que eu ouvi da mãe dela? A mãe dela
falou: “Eu fui um talento desperdiçado”. A mãe dela disse assim: “Eu
queria ser artista naquela época, eu fui muito reprimida, se eu tivesse
tido uma professora como a Renata…”, a própria mãe dela falou isso.
Olha que coisa linda, né? Então, que sorte também de vocês, que têm
ela cuidando disso.
Não solte da mão da arte,
porque é ela quem vai te
segurar nos tempos
sombrios, viu?
ISABELA — Mas é isso, as perguntas foram essas. Espero que você tenha gostado, Patrícia...
POLAYNE — Ai, amei, amei. Você é uma ótima entrevistadora, viu? Me deixou de saia justa em vários
momentos, fez perguntas super difíceis… Parabéns! A sua estreia foi perfeita.
ISABELA — Primeira vez, viu? [Risos].
POLAYNE — E você vai seguir nessa carreira de jornalismo ou é só uma brincadeira? Agora eu que vou
te fazer uma pergunta. Qual é a sua pretensão de carreira? O que você quer ser?
ISABELA — Assim, olha… eu não pretendo abandonar a arte e nem abandonar a dança, porque é
algo que me representa muito, sabe? Ser eu. Ser eu, entendeu? Aí, eu não quero abandonar isso. Mas
a vida, ela pode me arrastar pra vários lugares, entendeu? Mas eu não pretendo, de jeito maneira,
nem abandonar a dança, nem a arte, né? Porque a arte é tudo pra mim. Sem a arte, eu não vivo. A
arte é tudo, né? Mas… é isso.
POLAYNE — Ai, me fez chorar, garota... Oh, meu Deus! Que linda! Queria te abraçar agora, dar um
abraço bem forte. É isso mesmo. Não, não, não — não solte da mão da arte, porque é ela quem vai te
segurar nos tempos sombrios, viu?
ISABELA — Sim, é isso mesmo... Mas, Patrícia, muito obrigada por ter aceitado o nosso convite. E, do
fundo do meu coração, muito obrigada por fazer parte da nossa vida também.
POLAYNE — Ah, com certeza! Vocês não vão se livrar de mim tão cedo. Eu já tô com saudade de
cantar lá de novo. Falei: “Renata, inventa alguma coisa!”. Eu acho que mês que vem, maio, eu vou
fazer um show aí em Lagarto. A gente vai fazer um show aí em Lagarto. Falei: “Ó, alunos do CEPARD,
os alunos da eletiva da Renata não vão pagar ingressos, são meus convidados. Quero todos lá.
Dançando a coreografia”. Vai ser lindo, vai ser uma fechação na cidade.
ISABELA — Lagarto vai ficar pequena… [risos]. Mas é isso. Muito obrigada, tá?
POLAYNE — Eu amei! Eu tô muito feliz com essa entrevista. Depois manda aí pra mim a revista que eu
quero ver, viu? Se precisar de foto também, aí eu te mando. Vocês são muito talentosos.
ISABELA — Através de Renata, viu? Renata me ajudou a descobrir esse meu lado que eu não sabia
que existia.
POLAYNE — Que lindo! Renata é demais. Eu tô encantada com ela.
ISABELA — Renata é única... Muito obrigada, tá bom?
POLAYNE — Tá bom, meu amor. Eu te agradeço, viu? Um beijo. Tchau, boa noite. Quando precisar de
qualquer coisa, é só me ligar, viu?
ISABELA — Certo. Um beijo, boa noite. Tchau, tchau!
31
Forte delicadeza
Certa vez, estava a andar
Por um lindo campo de rosas.
Senti algo me perfurando,
Mas estava perdido demais em teu cheiro,
Nas tuas belas curvas,
E no quão delicadas eram.
Rosas são flores tão ingênuas,
Elas não sabem o perigo que as aguarda.
Tão belas, alguém virá arrancá-las.
Todos querem possuir uma rosa:
Tão linda, cheirosa, delicada.
Mas ninguém é corajoso o bastante
Para lidar com seus espinhos.
Então, os cortam.
A rosa, que já nem sabia
O que fez de errado,
Foi mutilada
Por simplesmente ser ela mesma.
Samira Lanne 1ºA
Nós
Nós (eu)
Nós (eu)
Nós(eu)
Nós! Não, era só eu
Nunca existiu um nós
Só....
Os nós da minha garganta...
Tantas palavras ficam presas
Quantas?
tantas!
Quantas?
tantas!
Quantas!!
Já perdi as contas...
afinal, sempre fui eu e não um nós......
Sol (Crislaine) 3ºA
Homem invisível
Na montanha mais alta das colinas
Estava a minha frustração
Oculta nas ladrinas, nos espinhos
Guiada por uma grande ilusão
Como um homem invisível, aqui estou
Ferido pela verdade,
Evitando a realidade, por onde ando
Só se torna visível a maldade
Pessoas tão diferentes e
Histórias tão intrigantes
Por que ninguém quer conhecê-las?
O que aconteceu com o amor?
Mas ainda tenho meus amigos
Que nunca me abandonarão
Minha mente e meu coração
Eles não são vazios, e percebem que estou aqui.
Lúcio Ruan 1ºB
ESTUDANTES
POESIA
Curadoria Illy Marya e Hebert Ribeiro
32
Visão do espelho fantasma
procuro desespero em minha solidão
ela cansou do meu choro
bem lá no canto me questionando
quero ser sozinha?
ou me deixaram bem quieta
aqui na minha?
será que eu os incomodo?
o senhor solidão
e o bicho papão?
somos farinha do mesmo saco
tão desengonçados
eu sem ideia se tem caminho
aqui é tão escuro
não tem nada, vazio
vazio como o meu espelho
chorei, me acabei
cansei do cansaço
ninguém vê o que faço?
só eu, fantasma ferido,
e invisibilizado
sendo totalmente isolado
quem era única amiga
era solidão, só que até ela
já cansou do meu humor
e do clamor
O peso da areia
Se ninguém tivesse colocado areia
No meu coração, tão frágil,
Hoje não seria um vasto oceano,
Nem teria aprendido a amar.
Cada grão, uma dor, uma história,
Um peso que o tempo não esquece.
Mas também cada onda é vitória,
Um aprendizado que me ensina a superar.
As tempestades que um dia me abalaram,
Transformaram-se em marés que me confortam.
E as lágrimas que antes eu chorava,
Agora são lembranças que o amor transforma.
Se não fosse a areia, não haveria profundidade,
Não conheceria os mistérios do meu ser.
O oceano é vasto, mas traz a verdade:
Nas correntes da vida, aprendi a viver.
Assim sigo navegando em meu mar imenso,
Com ondas de esperança e ventos de calma.
Agradeço à areia, ao tempo e à sabedoria,
Pois é na dor que o amor se constrói.
Cátia Vitória 1ºB
será que sou pedra?
mas não, dura não sou
dói ser sozinha
O que faço bicho papão?
excluem o fantasma
que até a solidão diz não
Os lamentos de L.reis 1ºC
ESTUDANTES
POESIA
Curadoria Illy Marya e Hebert Ribeiro
33
Solitude
A xícara entre meus dedos libera um vapor,
desenhando no ar coisas que, infelizmente, já esqueci.
A brisa da manhã invade o ambiente.
Talvez até me invada um pouco,
preenchendo quase alguma coisa do meu vazio.
Mas ela não leva embora
o vazio das cadeiras à minha frente.
Por mais que existam seis,
eu só consigo ocupar uma.
As outras apenas me lembram
o quão solitário eu sou.
O café demora a esfriar,
como palavras que nunca me foram ditas,
como palavras que eu gostaria de ouvir.
Palavras quentes.
Que talvez, um dia,
se dissolvessem no silêncio.
Abro a janela.
O mundo lá fora passa depressa.
As pessoas são urgentes.
Eu, não.
Caminhos Divergentes
Nas expectativas que me cercam,
sinto o peso de um futuro moldado,
um caminho traçado por mãos amorosas,
mas que não refletem quem sou.
Sou a voz que ecoa em meu interior,
um desejo de liberdade,
de explorar o desconhecido,
de ser eu mesma, sem máscaras.
O choque na mirada deles,
o silêncio que pesa na sala,
mas em meu coração,
há uma chama que não se apaga.
Cada passo dado é uma afirmação,
uma dança entre o ser e o parecer,
e mesmo que a estrada seja solitária,
é minha, e isso é suficiente
Menezes 2ºD
Aqui dentro, o tempo se arrasta,
me lembrando, a cada segundo,
da solitude que é estar aqui.
Entre goles amargos,
percebo que nem a saudade adoça.
Minha vida não é doce.
Axioma (João Vitor) 1ºE
ESTUDANTES
POESIA
Curadoria Illy Marya e Hebert Ribeiro
34
GUIlhotina
A ARTE DE SENTIR EM
VERSOS
Guilherme, que teve dois
poemas no Concurso de
Poesia em 2024, vem se
destacando como poeta, que
nos fala de um modo muito
profundo.
EXÂMINE
CICATRIZES POÉTICAS
Anaide foi uma das recémchegadas
à escola (mas
logo precisou mudar de
cidade) e que logo desejou
participar do F.A.I. mesmo
sendo ‘novata’. Quis propor
uma outra forma de se
apresentar e marcou sua
passagem por aqui.
SAMARA SUSAN
SENTIMENTOS QUE NÃO CALAM
Susan é também das ‘novatas’ que
não perdeu tempo e quis logo
expor. Sua arte jorra poesias e
dialoga com sua mente inquieta,
de alguém que sempre tem algo a
dizer.
JULIA MARIA
SINTO O QUE VOCÊ SENTE
Julia não é e nem foi aluna do
Poli, mas marcou sua
passagem no Festival com
sua exposição disposta
caoticamente no painel e
com um título que já alerta:
você não está sozinho.
EFÊMERO
L´AMOUR ET LA DOULEUR
João Vitor faz parte da
trupe de ‘novatos’ que
também quis expor. Uma
mostra que já se revela
muito expressiva, tanto na
disposição dos textos,
quanto nos recursos visuais.
JOSÉ ERICK
DUAS POESIAS
Erick participa timidamente com
duas poesias, pois sua escrita é
recente.
Começou despretensiosamente
por conta de trabalhos na
componente Arte, mas depois
começou a gostar da escrita
poética e melódica.
EXPOSIÇÃO POESIA
Curadoria Renata Carvalho
35
CHARLES
ENFARPADOS
A instalação retrata o conflito
de relacionamentos tóxicos
que enfrentamos durante a
vida, sejam eles amorosos,
familiares ou consigo próprio.
DUDA, FELLIPE E GABRIELA
CICATRIZES INVISÍVEIS
A instalação representa o
impacto do abuso sexual,
responsável pela morte de
várias mulheres. Cada detalhe
da obra simboliza um fator que
contribui para o trauma.
MENEZES
NATUREZA EM MOVIMENTO
A mensagem por trás da
instalação é perceber a
importância do nosso meio
ambiente e aprender a cuidar
dele com zelo e amor. A obra
é feita inteiramente de
materiais recicláveis.
RENATA CARVALHO
IMERGIR E SE AFOGAR, VIVER
A ESCOLA
A visão do outro lado. Renata
compartilha sua visão da sala
de aula, revelando frases que
tanto doem quanto afagam,
ditas por seus alunos e que a
marcaram profundamente. A
imersão no ambiente escolar,
que às vezes se torna
sufocante, entra em choque
com sua vida fora da escola.
A imersão que chega ao
afogamento conflita com sua
vida fora do ambiente
escolar.
PÉROLA
MEU MUNDO CRIATIVO
Um olhar divertido e fértil de
uma criança de 10 anos. Pérola
afirma que, além de pincéis,
gosta de pintar com outros
materiais, como isopor,
papelão, pedras e os dedos.
MICHELLE J.
PRIMAVERA - O MUNDO
PELOS MEUS OLHOS
Por meio da fotografia,
Michelle quis expressar
sentimentos e compartilhar a
beleza com o mundo. A
exposição revela delicadeza
desde sua montagem.
ARTES VISUAIS
Curadoria Letícia Lacerda
36
ENSLEY YOHANNA
ABSTRATO EM PELE
Por meio de suas obras, com
cores vibrantes e formas
pouco convencionais, Ensley
quis convidar o público a se
conectar com a história que
cada desenho conta,
desafiando percepções.
LETÍCIA LACERDA
SUSSURO EM PRELÚDIO
A exposição apresenta
colagens que abordam
diversos assuntos, explorando
diferentes materiais, texturas
e proporções, permitindo que
cada um se conecte de
maneira pessoal com as
obras.
ALCANTARXL
VISÕES EM TECHNICOLOR
A exposição, por meio de
ilustrações, transmite o ponto de
vista artístico a partir de um
olhar curioso e indagador das
diferentes cores e texturas que
envolvem a realidade.
MAIKE
CACOS CANIBAIS
Um peso que mata, e a morte
é a libertação. A obra utiliza
materiais ousados, como o
vidro, que simbolizam
resquícios de pessoas,
problemas e momentos ruins
que consomem tanto que
chega a explodir.
JEFF
SOULART
Jeff se desprendeu da ideia
de que algo só é bonito se for
perfeito, expondo suas obras
que antes não levava em
consideração. Ele contou:
“Saí da zona de conforto e
experimentei tudo que tinha
direito.”
JÚLIA SILVA
ROSTOS E SONHOS
Com suas obras ricas em cores e
detalhes, Júlia diz que imaginar
um rosto e poder passá-lo para
o papel se tornou uma de suas
grandes paixões e compartilha
nesta exposição as faces que viu
ou sonhou.
ARTES VISUAIS
Curadoria Letícia Lacerda
37
FERNANDA INABA
SONHAR
Por dentro da arte desde pequena, Fernanda
Inaba apresenta suas pinturas baseadas em
seus sonhos: “Tenho a necessidade de mostrar
a todos aquilo que me toca.”
SUSUWATARI -
COELHINHOS DE POEIRA
MAIKE E LACERDA
A sala imersiva explora sensações. Este foi um
ambiente de projeção pensado para trazer uma
nova experiência e até desconforto a quem
assistia.
GRUPO LIVRE
BENÍCIO JÚNIOR
Trouxe cenas livres com sete peças teatrais
que abordam diferentes temas como amor,
ilusão, vingança e segredos.
DELÍRIOS DE UMA SINFONIA SOLITÁRIA
MARIANA E PÂMELLA
Cada canto do espaço foi preenchido com
frases, objetos, fotos, sons e reflexões de uma
mente inquieta e contraditória para que o
público tivesse diferentes estímulos sensoriais e
reflexivos.
ARTES VISUAIS
Curadoria Letícia Lacerda
38
SUÍTE COREOGRÁFICA
SUTAQUES DE CASA
O Sutaques de Casa surgiu da vontade de
compartilhar. Leandro Matos, bailarino
profissional formado em Salvador (FUNCEB/BA),
queria dividir tudo o que aprendeu com a dança.
Foi assim que nasceu o projeto Diálogos sobre a
Dança em Sergipe. Mesmo com o projeto
pausado, ele acabou virando o ponto de partida
para algo maior.
A ideia era reunir pessoas através da arte, da
identidade e do amor pela cultura popular de
Sergipe. Os primeiros integrantes eram de
Lagarto e, na época, alunos da artista e
professora Renata Carvalho. A conexão entre
eles foi natural, impulsionada pelo desejo em
comum de se expressar e valorizar suas raízes.
Com essa base, o Sutaques de Casa foi
ganhando forma, com o propósito de fortalecer
a cultura sergipana a partir das próprias vozes e
movimentos de quem vive ela de perto.
FIOS DE CORAGEM
AGDA SANTANA
Agda Santana é uma artista preta que
transforma sua vivência em arte. Em Fios de
Coragem, ela compartilha sua jornada de
aceitação do cabelo crespo, enfrentando
inseguranças e os padrões de beleza impostos
pela sociedade.
A obra nasce da dor, mas floresce em força e
empoderamento. Revisitando memórias difíceis,
Agda mostra que a vulnerabilidade também é um
ato de coragem. Seu cabelo, antes motivo de
conflito e insegurança, tornou-se símbolo de
resistência, identidade e autenticidade.
Fios de Coragem é mais do que uma
apresentação: é um convite para que cada
pessoa celebre sua própria história e se veja
como uma verdadeira obra-prima, especialmente
as crianças negras que já crescem ensinadas a
verem seu cabelo e sua cor de pele como um
problema.
ARTES CÊNICAS
Curadoria Vitória Senna
39
MATEUS VAI CASAR?
JOÉLIO MOURA
Joélio é um artista, bailarino LGBTQIAP+ que
resiste e se afirma em Sergipe, um estado onde
ainda predominam ideias conservadoras sobre o
que é masculinidade. Assim como tantos outros,
ele enfrentou comentários sobre sua
sexualidade e o que deveria fazer para ser
considerado um homem. Sem dar ouvidos,
ocupa os palcos com coragem, talento e amor.
Em O Mateus vai casar?, Joélio traz muito mais
do que dança. Ele entrega camadas de
significado através dos movimentos, texto e
principalmente dos figurinos, com a junção do
popular ao erudito. "É o entendimento de poder
ser o que quiser ser."
O CIRCO ÍNTIMO
PATRÍCIA POLAYNE
Patrícia Polayne é uma artista singular: cantora,
compositora, atriz e uma das grandes
representantes da música e da cultura sergipanas.
Sua carreira é marcada pela fusão de ritmos,
sonoridades e histórias únicas, criando um universo
artístico próprio e sensível.
Recentemente, ela foi homenageada pela Eletiva
Poéticas do Movimento, na qual seu álbum, O
Circo Singular, foi a grande inspiração e trilha
sonora do espetáculo Linha, laço, cor e nó. Tocada
por essa homenagem, Patrícia se aproximou dos
jovens artistas do CEPARD e ofereceu sua
presença, sua arte e um pedaço de seu afeto,
deixando marcas que vão além do palco.
ARTES CÊNICAS
Curadoria Vitória Senna
40
CALMA, CANDIDATO!
OPA - OPERÁRIOS PELA ARTE
Operários Pela Arte é um coletivo lagartense de
artes integradas fundado em 2023 que busca
libertação artística e fortalecimento da cultura
popular local. Sua formação teve início após
uma apresentação no Festival de Artes
Integradas de 2023, momento em que marcou
profundamente os integrantes, despertando o
interesse pela continuidade de práticas teatrais
e pelo desenvolvimento de novos projetos.
Consolidou-se como um grupo voltado à
criação artística livre, usando sua arte como
instrumento de diálogo, resistência
e impacto social.
CEGOS POR TELAS
GUILHERME, ANA LUÍSA, FABÍULA, ANA VITÓRIA E
VIVIAN
A performance nasceu como um trabalho escolar
dentro da componente Arte, apresentada na
Exposição Corpo Vivo Arte Viva, e se expandiu,
sendo levada também para o Festival de Artes
Integradas. Ela nos fala de forma subjetiva sobre
como a tecnologia nos cerca e nos persegue,
mesmo quando achamos que não, e critica o vício
e uso exagerado das telas.
A performance trabalhou o sensorial do público,
causando risos e medo.
ARTES CÊNICAS
Curadoria Vitória Senna
41
APENAS UM SHOW
NO ONE
NoOne é uma banda lagartense de rock
alternativo que começou como uma ideia em
2021 e ganhou vida em 2022. O nome, que
significa “ninguém” em inglês, surgiu de uma
ofensa, mas acabou se tornando um símbolo de
resistência e autenticidade. Tudo começou com
uma mentira impulsiva: o fundador, Flávio
Martines, disse à professora Renata Carvalho que
sim, quando ela lhe perguntou se tinha uma
banda, desafiando-se a transformar essa
invenção em realidade. Desde então, a banda
tem evoluído artisticamente, criando sua
identidade própria e conquistando, aos poucos,
seu espaço e público.
ESPINHOS E ALENTO
VENTANIA GRUPO ARTÍSTICO
O Ventania Grupo Artístico surgiu em 2023 com o
espetáculo Maré em Controvérsia, apresentado no
Arte no Meio. Na época, o grupo era formado por
Catarina Duarte, Day Hora e Jenniffer Lisboa, e
logo depois ganhou o reforço de Luca Chaves. Em
2025, o grupo estreou o novo trabalho Espinhos e
Alento, junto à chegada de Maacaia e Eliane,
ambas ligadas à Eletiva Poéticas do Movimento,
espaço por onde todos os integrantes já
passaram.
Mais recentemente, o grupo recebeu Renata
Carvalho como diretora. Nada mais justo: foi ela
quem abriu o caminho da arte para o Ventania
desde o início. O grupo continua criando e se
reinventando, sempre com os pés fincados naquilo
e naqueles que os ajudaram a se formar: a arte na
escola e os projetos da artista e professora
Renata Carvalho.
ARTES CÊNICAS
Curadoria Vitória Senna
42
AGENDA
Arte no Meio
Espetáculos semanais
Alunos e convidados
Arte na Entrada
Exposições semanais
Alunos e convidados
Roda de Conversa
O 5º elemento do hip hop:
entre consciência e rimas
19/05
Grupo Arauto
Show pop rock
24/05
Célula Urbana
Oficina de Escrita
Criativa para SLAM
Palavras e Poder
29/05
Sabá e Ajesk
Leitura dinâmica
07/06
7 Panos Coletivo de Artes
Integradas
43
REFLEXÕES SOBRE ARTE E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Miguel Santos
Já se questionou sobre a Inteligência Artificial (IA)? Há, nesses
programas, realmente inteligência? Dennis Gomes, no texto
Inteligência Artificial: Conceitos e Aplicações, diz que a IA “é um
ramo da ciência computacional cujo interesse é fazer com que os
computadores pensem ou se comportem de maneira inteligente". Essa
definição nos leva a refletir: será que este comportamento pode
realmente ser chamado de pensamento? Ou podemos dizer que não
há inteligência, mas, sim, um treinamento a partir de bases de dados,
Álbum I am Ai de Taryn Southern
respondendo a comandos humanos?
Podemos pensar: "Ah, mas vejo imagens, vídeos, áudios feitos pela IA". Certo! Entretanto, tudo isso é
construído com base no que já existe, ou seja, ela copia da internet, só que não faz igual. Ela dá seu
jeito. A internet é um universo infinito de informações, todo feito por humanos. Por exemplo, a biblioteca
de Alexandria do Egito foi um grande centro de conhecimento. Hipatia e Euclides iam lá estudar, e hoje
temos acesso a esse conhecimento — e a IA também. Para a Inteligência Artificial produzir o que é
solicitado, é necessária a produção humana, ou seja, a IA não é inteligente porque ela não cria; ela
reproduz o que já foi feito.
Muitos artistas têm usado a IA para passar por bloqueios criativos, produzir melodias que traduzam suas
letras em canções ou até construir roteiros, mas tudo isso nos leva a refletir sobre os limites éticos de
seu uso. É justo substituir uma banda inteira, a exemplo do que fez a cantora pop Taryn Southern, ao
usar o programa Amper Music? Ou seguir um roteiro elaborado por uma IA, como no caso do curtametragem
Sunspring?
Pensando em pessoas que não têm dinheiro para contratar uma banda ou que não têm meios para
produzir um roteiro de cinema, a IA pode parecer uma alternativa: a inteligência generativa pode ajudar
a popularizar a produção. Contudo, ela deveria — ou melhor, deve — ser usada com ética, respeitando,
inclusive, a base de dados acessada para as suas elaborações — como não aconteceu com o Estúdio
Ghibli ou o quadrinho da Mônica, em que os estilos idênticos aos originais foram utilizados no mundo
inteiro como uma trend que, rapidamente, viralizou. Nos casos apontados, os donos da plataforma de
inteligência deveriam pagar direitos autorais, afinal, eles lucraram e lucram com isso. Sendo assim, os
limites da IA estão também nos direitos autorais, que devem ser respeitados, reconhecidos e
remunerados.
A IA NÃO É INTELIGENTE
PORQUE ELA NÃO CRIA
ARTE E
TECNOLOGIA
Cena do filme Sunspring: o roteiro foi escrito em 48 horas pela IA Benjamin
44
Foi incrível, mágico, emocionante, uma
sensação única que ficará marcada para
sempre em minha vida, tanto como artista
quanto pessoalmente.
Eu sou perdidamente apaixonado no FAI,
ansioso por mais e mais e mais.?
O F.A.I pra mim é sempre a melhor
forma de me encontrar e me conectar
muito mais com a arte. São tantos
artistas incríveis, tantas apresentações
que deixam o coração quentinho... O
Festival sempre será o maior evento
que traz cultura, arte, amor e amizade
entre alunos, escolas, população e
muito mais! Assim como o Festival, o
Arte no Meio também influencia muito;
as exposições sempre inspirando vários
outros artistas que estão escondidos,
mas que, mesmo com uma ponta de
vergonha, trazem toda sua essência
nos desenhos, poemas e fotografias.
Arte é surreal, arte muda vidas e, assim
como a de muitos, mudou a minha
também!
O F.A.I., assim como várias ações de arte no
Poli, é algo muito importante para mim, pois
passo por muitos problemas pessoais e a
arte sempre foi meu porto seguro, é como
uma terapia. Inclusive, entrei no Poli
justamente por conta das ações de arte que
acontecem e transformam alunos de uma
forma positiva, além de educar e ensinar de
uma forma criativa e divertida.
É importante citar o desenvolvimento
cognitivo que os alunos adquirem, ajudando
a deixá-los mais soltos e com menos
vergonha de falar em público.
O Festival de Artes Integradas é como um
sonho colorido que ganha vida. Ao entrar
nesse espaço mágico, imediatamente me
senti envolvida por uma energia contagiante,
como se cada canto estivesse sussurrando
histórias esperando para serem descobertas.
_Agda
O F.A.I. pra mim foi um conjunto de emoções, superou minhas expectativas. Cada
obra era como um sussurro ao meu coração, me fazendo sentir viva e conectada.
A criatividade e a paixão dos artistas transbordavam em suas telas e em suas
instalações, e eu me senti transportada para um mundo de cores e emoções.
Pra mim foi muito especial, principalmente por eu ter tido a oportunidade de expor.
Foi como se eu tivesse descoberto um novo lado de mim mesma, uma parte que eu
não sabia que existia. A arte tem esse poder, não é? De nos fazer ver o mundo de
uma maneira diferente, de nos inspirar e nos conectar. E graças à Renata, que me
inspirou e me ajudou em minha obra.
Eu saí do Festival com uma sensação de renovação, como se tivesse sido
recarregada com energia e inspiração. E ainda sinto isso hoje, um mês depois.
Eu me sinto grata por ter tido essa experiência, e grata à Renata, que me inspirou e
me fez refletir sobre a importância da arte em nossas vidas e como ela pode nos
afetar de maneira tão profunda. Eu vou levar essa sensação comigo por muito
tempo. Obrigada por existir, F.A.I.!
- Sol
DEPOIMENTOS 45
A arte, pra mim, é um portal que me
leva de volta à infância nos
momentos em que mais preciso. O
F.A.I. foi a junção de vários mundos
(assim como o Minecraft); cada
desenho, música, poema, dança,
entre outras artes, eram portais que
nos levavam para mundos
diferentes.
Ninguém é esquecido. Ninguém é
desvalorizado. SEMPRE tem, pelo
menos, UMA obra que te represente
ou que você se identifique.
Arte é algo muito plural. Cabe ao artista
colocar seus sentimentos, críticas ou
qualquer outra coisa que o faça ter vontade
de chamar de obra de arte.
O F.A.I. foi extremamente acolhedor, obras
que traziam todo tipo de emoção, do
conforto até a estranheza. O Festival foi
maravilhoso, uma experiência magnífica
que com toda certeza irei repetir sempre
que tiver a oportunidade.
A iniciativa e o estímulo que o F.A.I.
proporciona aos alunos de querer fazer arte
e ter espaço pra isso sempre me
encantaram muito, também pela maneira
como a Prof. Renata trabalha com eles e os
encoraja a mostrar seus trabalhos artísticos!
É incrível ver uma escola, nos dias atuais,
cheia de arte que contagia e toca a alma
de cada um que passa por ali. Sou muito
grata por ter feito parte desse processo e
por ter tido o contato com uma das maiores
artistas e professora de Sergipe.
Espero que a chama do F.A.I. permaneça
sempre acesa no CEPARD por muito tempo
- assim como ela está no meu coração.
Foi um turbilhão de sentimentos e sensações
das mais diversas, indo tanto da alegria de
mais uma vez estar participando desse evento
quanto do cansaço pela correria da produção.
O Festival de Artes não é apenas um evento
qualquer; nele podemos ver os sentimentos
que os artistas colocam em suas obras.
Muitos deles, em uma situação normal, não
conseguiriam fazer isso.
Foi meu segundo ano de Festival e será meu
último ano na escola (Poli). Mesmo que ele
seja aberto ao público, sei que não poderei
ser um espectador tão frequente quanto fui,
mas espero contemplá-lo muito mais vezes.
Com muito amor e gratidão, Rute Santos.
Poeticamente falando, a arte é pegar a feiura da vida e transformar em alguma coisa
que preste. Às vezes vira música, às vezes vira grito, às vezes só vira lágrima mesmo.
E a arte, pra mim, é tudo isso mais a urgência. Escrevo porque, se eu não escrever, eu
explodo. Atuo porque viver só uma vida repetitiva me cansa. Componho porque
minha voz desafina, mas minha alma canta alto.
E o F.A.I.? O F.A.I. me mostrou que nem todo canto me cabe. Mas também me
ensinou que dá pra dançar fora do compasso e, ainda assim, fazer bonito. Me fez
sentir estrangeiro em mim mesmo e me presenteou com o encanto de conhecer
outros jovens que são motricidades para a arte.
Att, Marcos Soares
DEPOIMENTOS 46
A sensação única de
pertencimento foi incrível,
como se eu fizesse parte
de algo maior do que eu
mesma.
_Eloisa
A arte para mim é a forma como eu
consigo me expressar, seja na escrita, nos
poemas, no desenho ou na dança. O
F.A.I., desde o primeiro que participei
(2023), foi uma das experiências mais
incríveis! Eu já era muito apaixonado pela
arte, até porque minha mãe ama
desenhar e tem a pintura como hobby, e,
na minha família, temos uma futura
professora de dança. Ou seja, não tinha
como eu não ser da arte. O F.A.I. me
acolheu de uma forma tão carinhosa...
Ali, no meio de tanta arte, eu me
encontrei. Desde então, tenho enxergado
um mundo com uma visão artística e
venho praticando arte sempre.
O Festival de Artes Integradas do CEPARD é um lugar artístico emancipatório. Um espaço de
discussão, formação, fortalecimento e difusão do conhecimento das Artes. Paulo Freire se
orgulharia de ver o que ele chamou de Pedagogia da Autonomia (1996) sendo aplicada em todo
o Festival. Todas as pessoas se fazem e são protagonistas de suas artes e de suas experiências.
Não é um ambiente de apenas informações, mas de experiências, como bem nos faz refletir o
pedagogo Larrosa (2002), em "Notas da experiência e o saber da experiência". Além disso, o
pensar crítico torna-se imprescindível nos corredores e diversos palcos espalhados no Festival. A
gente percebe, porque a gente sente isso. Além do mais, não podemos esquecer onde é
alocado o Festival de Artes Integradas: numa instituição pública de ensino. Isso, por si só, já é
poderoso e instigador.
Uma instituição que abre suas portas à comunidade externa. Isso é potente e político. Todas as
pessoas sendo convidadas a se juntarem: "eu sou porque nós somos" (conceito africano com
origem da filosofia Ubuntu). O município de Lagarto só tem a ganhar; aliás, o estado sergipano
ganha com projetos multirreferenciados como esse. Uma iniciativa que respeita o sujeitotrajeto-objeto
e não o contrário. Um evento que se entrecruza com o entendimento da
Etnocenologia (Bião, 2007). Fiz questão de citar pessoas autoras acadêmicas para dar ênfase a
tudo que acontece no Festival, pois o F.A.I. está respaldado por essas teorias, ou seja, o que o
Festival de Artes Integradas faz é produzir conhecimento: Arte como área do conhecimento.
Finalizado minha escrita com uma citação do Patrono da Educação Brasileira, Paulo Freire, em
seu clássico Pedagogia da Autonomia, ao dizer que "me movo como educador, porque, primeiro,
me movo como gente". Parabéns às pessoas envolvidas no Festival, em especial, à artistadocente
Renata Carvalho, por nos Esperançar (Pedagogia da Esperança) e nos mostrar as
Bonitezas (Paulo Freire) de sermos pessoas profissionais da Educação. Sucesso, sempre!
Atenciosamente, Leandro Matos.
Bailarino Técnico Profissional (Escola de Dança da FUNCEB/BA)
Licenciado em Dança (Universidade Federal de Sergipe/UFS)
Mestrando Profissional em Dança (Universidade Federal da Bahia/UFBA)
Diretor da Companhia Sutaques de Casa (Aracaju/SE)
DEPOIMENTOS
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UMA CARTA DE AMOR
PARA O FESTIVAL...
A arte, para mim, vai muito além de uma forma de expressão estética — ela é uma
entidade maior, algo sagrado, que nos atravessa e nos transforma por dentro.
É um canal profundo de conexão com quem somos e com o que podemos nos
tornar. A arte é essencial para o ser que somos hoje, mas também é semente do
ser que estamos sempre em processo de construir. Ela é cultura viva, pulsante,
que nos envolve, nos desafia, nos inspira e nos cura. Quando nos permitimos criar
e sentir, sem medo de errar, acessamos uma liberdade única: a de simplesmente
ser e expressar, sem as amarras do julgamento ou da razão. Fazer arte é, muitas
vezes, um ato de coragem — e também de amor.
Nesse contexto, o F.A.I. representa mais do que um Festival: é um espaço de
resistência, de encontro e de transcendência. Uma experiência não apenas
corporal, mas também espiritual, onde os sentidos se ampliam e as conexões se
aprofundam. O evento tem um papel fundamental ao abrir caminhos para artistas
que nem sempre ocupam os grandes palcos, permitindo que vozes diversas sejam
ouvidas, vistas e sentidas. É uma celebração da pluralidade, da autenticidade e
do poder transformador que reside na criação artística em todas as suas formas.
O F.A.I. é, portanto, um gesto de inclusão, um espaço de pertencimento e um
grito coletivo de que a arte importa — e muito. Ela é indispensável para a
construção de seres mais sensíveis, mais críticos e mais humanos. Participar desse
Festival é, para mim, um privilégio e um ato de entrega, pois cada experiência
vivida nele reforça a ideia de que a arte não é apenas parte da vida: ela é a vida.
Charlinhos
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PARA PENSAR
A arte não consiste
mais em um
objeto para você olhar,
achar bonito,
mas para uma preparação”
para a vida.
Lygia Clark
Lygia Pimentel Lins (Belo Horizonte, MG, 1920 – Rio de Janeiro, RJ, 1988) foi uma pintora e escultora
brasileira. Trabalha com instalações e body art e destacando-se também no campo da arteterapia. Sua
proposta artística buscava a desmistificação da arte e da figura do artista, além da desalienação do
espectador, que passa a compartilhar a criação da obra.
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A EQUIPE