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be.Sides

2025.EDIÇÃO ESPECIAL 25 ANOS


Sumário

#4

#6

[Editorial]

Tempo, tempo, tempo, tempo.

[Entrevista com Patricia Pavan e Analívia Lacerda]

A infância pede acolhimento e significado

#16

[Um pouco de história]

Nossa linha do tempo

#20

[PPP]

Caminhos para ensinar e aprender

#26

[Festa Junina]

É tempo de Celebrar - 25 anos de Festa Junina

#32

[Arte na be.Living]

Uma escola em estado de ateliê

#38

#42

[Cuidar do mundo, todos os dias]

Sustentabilidade, um compromisso vivido por toda escola

[Educadores]

Ser professora e professor na be.Living:

O olhar de quem vive na escola

#49

[A Força do Coletivo]

Na be.Living todos são educadores

2


3


[Editorial]

Tempo,

tempo,

tempo,

tempo...

A escola é o próprio tempo em ação. Ela não apenas o marca, mas o

faz pulsar e se desdobrar: em memórias, aprendizagens, sentimentos,

histórias, em vida!

Ao longo de 25 anos, a be.Living tem sido um espaço pulsante, onde

o tempo atravessa, com potência e afeto, o corpo de cada criança, de

cada educadora e educador, de cada família e pessoa que aqui chegou,

tornando-se, para sempre, parte querida de nossa comunidade.

4


Desde o início, lá no ano 2000, nossa

missão tem sido criar e assegurar um lugar

de aprendizagem potente e acolhedor,

que respeite o tempo da infância e a

individualidade de cada criança.

De lá pra cá, crescemos e nos

desenvolvemos como uma escola que

valoriza a criança. Sempre olhando para

elas como indivíduos únicos, capazes,

curiosos e inteligentes, que apreciam o

brincar, o criar e o explorar. Nosso trabalho

é oferecer oportunidades para que elas

possam investigar, trocar e desenvolver

suas potencialidades, protagonizando a

construção de seus conhecimentos.

Entre brincadeiras e projetos,

investigações e criações, entre artes e

raciocínio lógico, em português e em

inglês, a rotina da escola vai tecendo a

formação integral das crianças, em um

processo social, cheio de significado.

Nosso propósito é contribuir para que

as crianças se tornem cidadãs críticas

e ativas, capazes de propor mudanças,

entendendo que viver em sociedade é

também aprender a construir junto com o

outro.

Nos últimos anos, temos sido

presenteadas com visitas de antigos

estudantes e famílias que não apenas

fizeram parte, mas ajudaram a escrever,

com as próprias mãos, a história da

nossa escola. Muitos nos agradecem

e compartilham o quanto a be.Living

impactou suas trajetórias e o quanto foi

significativo ter vivido aqui uma parte de

suas vidas.

Nossa maior conquista é ver que a

criança de ontem se tornou uma pessoa

adulta autônoma, potente e consciente,

com verdadeiro senso de coletividade.

Nosso coração se enche de alegria com

tantas boas notícias. O tempo tem sido

generoso conosco. E nós acreditamos que

também temos sido generosas com ele.

Agradecemos a cada educadora,

educador, a cada família e criança

que, juntamente conosco, construiu e

continua a construir esse espaço vivo de

aprendizagem chamado be.Living. Esta é

uma história escrita por muitas mãos.

Ao longo desta revista, compartilharemos

um pouco mais sobre os 25 anos da

nossa escola. Aproveitem a leitura!

Patricia Pavan e Analivia Lacerda

5


[Entrevista com Patricia Pavan e Analívia Lacerda]

“A infância pede

acolhimento e

significado”

Patricia Pavan

6

Com uma trajetória marcada por sonhos, desafios e muita

paixão pela educação, Patricia Pavan e Analivia Lacerda,

diretoras da be.Living, compartilham, nesta entrevista,

a história da escola, suas inspirações e os princípios que

sustentam este projeto pedagógico. A conversa revela como

a experiência pessoal de Patricia como estudante e o desejo

de construir uma escola acolhedora e significativa inspiraram

o nascimento e essência da be.Living, que completa 25 anos

em 2025.


be.Sides: Patricia, como iniciou a sua

história com a educação?

Patricia Pavan: Desde cedo, tive muitas

dúvidas sobre a escola. Estudei em uma

escola bastante tradicional. Gostava

de ir por causa dos amigos, mas não

compreendia o sentido da educação. As

disciplinas pareciam desconectadas. Tive

um desempenho ruim e repeti a sexta série,

foi um processo doloroso.

Depois de um tempo fora do país, voltei

e entrei em uma escola internacional. Foi

quando surgiu uma pergunta muito forte: o

que está por trás da Educação? Aquilo que

eu tinha vivido não podia ser tudo. Esse

questionamento me levou à Pedagogia,

não por vocação, mas por necessidade. E

ali comecei a descobrir um mundo novo,

que finalmente fazia sentido.

A partir desse momento você começou

a sua carreira como professora?

Patricia Pavan: Sim. No primeiro ano

da faculdade, comecei em uma escola

pequena, bilíngue. Depois, fui para uma

maior, também bilíngue, mais reconhecida.

Trabalhava o dia inteiro, estudava à noite.

Me formei em 1999. Em 2000, abri a

be.Living.

Foi rápido!

Patricia Pavan: Um meteoro! Mas eu

tinha certeza. Queria uma escola com

olhar atento à infância, individualizado,

cuidadoso. Começamos em uma casa na

Chácara Klabin.

E como foi este primeiro momento da

be.Living, neste primeiro endereço?

Patricia Pavan: Desafiador. Na época, a

educação bilíngue não era tão conhecida.

Cada família precisava de uma explicação

detalhada. Fomos construindo uma

comunidade, uma família chamando a

outra. E junto com elas, fui aprendendo a

comunicar o projeto. Não basta concebêlo,

é preciso compartilhar. Depois de quatro

anos, a casa ficou pequena. Como não

achamos outro espaço na região, viemos

para cá.

O quanto as frustrações que viveu

como estudante influenciou no que a

be.Living veio a ser como escola?

Patricia Pavan: Estudei em uma escola

grande, tradicional. A be.Living nasceu

com outro olhar: uma escola menor, para

a infância, onde o acolhimento e a parceria

são fundamentais. O que me faltou foi

significado. O conhecimento não me

atravessava. E a infância é isso: tudo o que

se vive marca o corpo. Pensamos na escola

considerando que marcas queremos deixar

nas crianças.

E em que momento acontece a expansão

para o Ensino Fundamental? Analivia,

poderia falar um pouquinho sobre isso?

Analivia Lacerda: Entrei na gestão

em 2009, quando ainda tínhamos só a

Educação Infantil. As famílias pediam

pelo Fundamental. Naquele ano, o

7


“pré” virou o 1º ano do Fundamental, e

precisávamos decidir: encerrar um grupo

ou expandir? A escola completava 10 anos

e eu tinha acabado de entrar como sócia,

foi o momento certo. Ainda sem espaço

definido, decidimos avançar. Em 2013, nos

mudamos para Moema com 33 crianças,

em um lugar que já havia sido escola, cheio

de árvores.

Patricia Pavan: As famílias confiavam

muito no nosso projeto, mas começavam a

buscar escolas grandes para a transição.

Vinham nos dizer: “E agora? Vamos sair

daqui e ir para um lugar enorme?”. Sentimos

uma cobrança carinhosa. Isso teve um

peso importante na decisão de crescer.

O quanto o tempo e as coisas que

acontecem no mundo vão influenciando

e modificando a educação?

Patricia Pavan: A escola é o

próprio tempo. O que acontece

fora reverbera dentro, e

vice-versa. Todo o trabalho

pedagógico parte desse tempo

histórico. Nosso Projeto Político-

Pedagógico expressa ideais,

mas sempre em diálogo com

o presente. A criança já chega

com uma bagagem, e olhamos

para isso desde o primeiro dia.

Ela transforma o ambiente, é

produtora de cultura.

E como foi para vocês a experiência deste

nascimento? Do Ensino Fundamental?

Patricia Pavan: Até então, minha

experiência era só na Educação Infantil.

A Gabriela Fernandes, nossa atual

coordenadora, tinha vivência com o

Fundamental e nos incentivou. Buscamos

apoio do Instituto Vera Cruz, que nos ajudou

a construir um projeto coerente com o que

já vínhamos fazendo. Não fazia sentido

criar algo descolado. Foi uma construção

a muitas mãos, com a equipe, com as

famílias, e continua em movimento até

hoje. A vantagem de sermos uma escola

pequena é poder tomar decisões de forma

mais ágil e cuidadosa.

Temos uma escuta constante, e isso faz

o projeto ser vivo. O que se dizia sobre

sustentabilidade em 2000 é muito diferente

do que discutimos hoje. Às vezes, somos

nós que provocamos as crianças; outras

vezes, são elas que nos trazem questões.

A escola está atravessada por esse tempo.

Gostaria que vocês falassem um pouco

sobre a importância das formações

realizadas com a equipe educadora da

be.Living.

Patricia Pavan: A formação é permanente.

Avaliamos o contexto, os educadores, e

identificamos onde investir. Temos temas

anuais, mas a formação vai além, é sobre

professores, indivíduos, escola.

Hoje, com duas unidades, temos o desafio

de manter a coesão. Por isso criamos seis

8


encontros formativos ao longo do ano, com

toda a equipe. Partimos de um tema central

e cada grupo pensa como ele se aplica às

diferentes idades. Esse movimento ajuda a

manter a coerência do projeto, respeitando

as especificidades de cada ciclo. Além disso,

temos reuniões pedagógicas e encontros

individuais, pois mesmo quem chega

com muita experiência precisa conhecer a

cultura da be.Living.

E qual a relação da escola com as

famílias?

Patricia Pavan: É essencial. O desenvolvimento

infantil acontece naturalmente, mas

quando escola e família caminham juntas,

tudo ganha mais sentido. Falar a mesma

língua não é concordar com tudo, mas

compartilhar valores.

A escola é espaço público, pensado para o

bem comum. Cada um tem seu papel: a escola

não substitui a família, e vice-versa. A

presença das famílias é muito potente. Ver

os pais por perto, acompanhando, aprendendo

com as crianças, fortalece vínculos

e amplia os repertórios.

Analivia Lacerda: Acreditamos na

proximidade. Por isso oferecemos

estacionamento gratuito, um

cafezinho na entrada, eventos aos

sábados. As famílias gostam, ficam,

conversam. Também envolvemos os

responsáveis em diversos projetos

ao longo do ano. Criamos espaços

para esses encontros acontecerem

de verdade.

9


E tem um senso de comunidade que é

criado aqui, que reverbera também, de

alguma forma para todo mundo...

Analivia Lacerda: Sim! Por sermos uma

escola menor, conhecemos cada família de

perto. Aqui, o contato é direto, muitas conversas

acontecem no portão. Isso torna a

parceria muito mais natural.

10


São 25 anos

de história...

Olhando para trás, vocês conseguem trazer algum

momento marcante, que venha à memória de vocês,

para compartilhar com os leitores e leitoras?

Analivia Lacerda: São infinitos momentos...

Cada vez que uma família compartilha como a

be.Living impactou a vida da criança e de todos

ao seu redor, sentimos uma profunda gratidão.

Esses retornos são um reconhecimento precioso

do que construímos juntos. E mais do que isso:

o próprio dia a dia na escola, com crianças

curiosas, explorando, brincando, interagindo e

investigando o mundo ao seu redor… isso, para

mim, é um verdadeiro presente.

Patricia Pavan: Nós recebemos muitas famílias antigas,

crianças que estiveram com a gente, que vêm nos visitar

e nos dizer que fizemos a diferença, que a be.Living foi

muito importante para elas. É muito marcante. Ficamos

muito felizes com isso.

11


[Um pouco de história]

Nossa

linha do

tempo...

Era o ano 2000 quando tudo começou.

Uma única criança, a Vitória! - uma casa

na Chácara Klabin, e o sonho de uma jovem

educadora: oferecer um espaço de convivência

e aprendizagem bilíngue, repleto de afeto,

cuidado e cooperação, com o propósito maior

de valorizar a infância.

12


Na porta, já estava presente nosso

querido Elias, colaborador mais antigo

da be.Living, guardando a passagem de

quem até nós começava a chegar. Nossa

primeira casa, que tinha quintal na frente e

quintal atrás, já estabelecia que o brincar

e a vivência na natureza eram primordiais

em nossa proposta pedagógica. Pouco

a pouco, a notícia foi se espalhando e

a escola foi ficando cheia de crianças:

únicas, criativas, curiosas, cheias de

possibilidades. Quatro anos depois, a

casa já estava pequena.

Demos, então, um importante passo:

inauguramos um novo espaço para

a Educação Infantil, acolhendo ainda

mais crianças, com todo o cuidado. Foi

um marco quando, nesse mesmo ano,

plantamos um ipê em nosso quintal,

símbolo de crescimento e permanência,

daquilo que acreditamos.

Nossa árvore foi crescendo junto

com a nossa escola, com a força do que

cultivávamos, dia após dia. O ipê branco

tornou-se uma presença fundamental

para a comunidade escolar. Junto a ele,

aconteceram incontáveis encontros,

aprendizagens e momentos significativos.

Foi ele, também, quem testemunhou

muitas transformações.

Em 2009, ocupamos as duas casas da

Rua Salto e, um ano depois, atendendo

aos pedidos das famílias e ao desejo de

continuidade, recebemos autorização para

oferecer também o Ensino Fundamental

Anos Iniciais.

Expandimos nosso projeto pedagógico

mantendo vivos os mesmos valores:

o olhar atento para cada criança, o

respeito à diversidade e ao coletivo, e a

compreensão de que o tempo da infância

deve ser preservado, inclusive no ciclo do

Fundamental.

Em 2013, nasceu o novo prédio do

Ensino Fundamental Anos Iniciais, um

espaço pensado para a promoção do

desenvolvimento integral das crianças.

No ano seguinte, em 2014, celebramos a

primeira turma formada no Fundamental

da be.Living, abrindo os caminhos

para tantas outras turmas que também

concluíram esta etapa de aprendizagem

por aqui.

Essas são as marcas palpáveis de

nossa histórica, as que podemos datar

e mensurar. Mas nossa linha do tempo é

feita de algo mais sutil e profundo, que

em uma linha de tempo, fica impossível

de marcar: é feita de pessoas, encontros

e histórias que se entrelaçam. É feita de

sentimentos e momentos que no coração,

jamais serão esquecidos.

De mãos dadas com tantas crianças,

famílias, educadoras e educadores,

colaboradoras e colaboradores, seguimos

firmes sustentando esta linha, que longo

do tempo, segue formando pessoas

conscientes, sensíveis e responsáveis,

capazes de impactar positivamente a si

mesmas e ao mundo ao redor.

13


1999

O início do sonho:

Patricia se forma pedagoga e,

junto com a amiga Ana Júlia, tem

a ideia de criar uma escola onde

a infância fosse respeitada e

valorizada. Patricia faria a gestão

pedagógica e Ana Júlia, a gestão

administrativa.

2000

Nasce a be.Living!

Com única criança e Elias na

portaria, uma escola bilingue

na Chácara Klabin promove o

conhecimento por meio do afeto,

da investigação e do brincar.

2003

Conquistamos um novo espaço

A be.Living cresce e passa a

ocupar uma nova casa para a

Educação Infantil. Neste ano,

também plantamos o ipê que até

hoje floresce em nosso quintal.

2009

Ampliamos a

sede da Educação Infantil

Após um ciclo vivido com a parceria de

Ana Júlia, nos despedimos com carinho

para dar as boas-vindas a Analivia, que

passou a integrar a gestão escolar. Com

essa transição, a escola também deu um

novo passo: passou a ocupar as duas

casas da Rua Salto, agora inteiramente

dedicadas à Educação Infantil.

2010

O início do Ensino

Fundamental

Atendendo aos pedidos das

famílias, a be.Living expande

seu projeto pedagógico

e recebe autorização

para oferecer o Ensino

Fundamental Anos Iniciais.

14


Novo prédio

do Ensino

Fundamental

Selo nível 5 em

Sustentabilidade

2013

É inaugurado o prédio

dos Ensino Fundamental

Anos Iniciais, oferecendo um

espaço especialmente projetado

para acolher novas formas de

aprender e conviver.

2023

2022

Certificado “A sua escola

é TOP”, da Universidade de

Cambridge

A be.Living recebeu, com muita satisfação, o

certificado Bronze do programa “A sua escola é

TOP”, da Universidade de Cambridge. Foi uma

grande conquista para nossa

escola e um reconhecimento do trabalho

que realizamos com relação à preparação

dos nossos estudantes para os exames de

Cambridge, desde a primeira infância.

A be.Living conquistou o nível 5 do

selo Escolas pelo Clima, o mais alto

reconhecimento do movimento, que

certifica instituições comprometidas com

a sustentabilidade. Como uma escola que

tem este tema como eixo fundamental,

assumimos a responsabilidade de agir diante

da emergência climática, adotando desde

2019 a Segunda Sem Carne, investindo na

formação contínua de nossa equipe educadora

e integrando a sustentabilidade a todos os

projetos e ações da escola.

2014

Primeira conclusão de ciclo do

Ensino Fundamental anos iniciais

Nossa primeira

turma completa o

ciclo do Ensino

Fundamental

- anos iniciais,

abrindo

caminhos para

muitas outras

turmas na be.Living.

2025

25 anos da

be.Living!

Este ano, publicamos a nova

versão do nosso PPP - Projeto

Político Pedagógico, fruto de

anos de trabalho coletivo, que

reflete as transformações, o

amadurecimento e os êxitos dos

25 anos de história da nossa

escola, e que orienta nossas

práticas pedagógicas.

Neste ponto de nossa história,

olhamos para trás com gratidão

e reconhecimento, por

tantas parcerias feitas:

famílias, crianças, educadoras,

educadores, colaboradores.

Somos uma comunidade

fortalecida e ancorada na

compreensão de que educar é

um ato de amor.

15


[PPP]

Caminhos para

ensinar e aprender

Está publicado o novo Projeto Político Pedagógico da be.Living!

No Literary Saturday deste ano, evento em que

celebramos a literatura como um campo de

conhecimento essencial para o desenvolvimento

humano, e por meio do qual convidamos as

famílias para conhecerem de perto o trabalho de

leitura e escrita que realizamos com as crianças,

uma sala de exposição, um pouco diferente,

apresentou para toda a nossa comunidade

uma grande conquista de nossa escola: o novo

Projeto Político Pedagógico da be.Living.

16


Quem entrava podia ler, nas paredes,

algumas páginas destacadas da

publicação, em versão ampliada, entrando

em contato com o documento primordial

que orienta, revela, inspira e traduz, em

palavras e imagens, o dia a dia de nossa

escola.

Projeções em vídeo, com depoimentos

de professoras e professores envolvidos

no processo, compartilhavam com todas e

todos a experiência que foi mergulhar, por

tanto tempo, neste trabalho intenso, feito a

muitas mãos e com muitas cabeças. Até

que chegássemos a ele, nos apresentando

com muita responsabilidade, reflexão

e amor, foram muitas etapas, reuniões,

estudos e discussões.

A palavra “projeto” deriva do latim e

remete à ideia de preparar-se para o que

está por vir, de lançar-se adiante. Dessa

forma, o Projeto Político Pedagógico (PPP)

de uma escola não é um mero documento

guardado, imobilizado, em uma gaveta.

Pelo contrário, trata-se de algo pulsante,

vivo, que atravessa e orienta toda a

experiência escolar, expressando nossos

anseios como educadoras e educadores,

além dos fundamentos teóricos e práticos

que sustentam a construção da escola que

somos hoje e daquela que almejamos ser

para nossas crianças e nossa comunidade.

É um documento que instiga, que provoca

novos olhares e novas perguntas sempre

que retorna ao cotidiano.

Em determinado momento de nossa

trajetória, percebemos a importância

de revisitar e ressignificar nosso Projeto

Político Pedagógico, a partir do um olhar

atento e reflexivo de toda a nossa equipe.

Entendemos que, para que o Projeto fosse

vivido de forma plena, ele precisaria ser

reorganizado, de modo a refletir com

mais fidelidade o trabalho que realizamos

atualmente.

“Estudamos muito para fazer essa

progressão e, neste processo, fomos

entendendo que estávamos ocupando

um novo espaço enquanto escola,

educadoras e educadores. Não tinha

como não olharmos para o nosso Projeto

Político Pedagógico. Não tinha como

não voltarmos nosso olhar para um

movimento que foi feito lá atrás, quando

começamos como escola. Teria que ter um

aprofundamento mesmo”, afirma Gabriela

Fernandes, coordenadora pedagógica do

Ensino Fundamental da be.Living.

17


“Pensamos numa proposta de revisitar nosso

Projeto Político Pedagógico e trazer para ele tudo

aquilo que, de fato, acreditamos que hoje está

relacionado à educação”, conta Patricia Pavan,

diretora da be.Living.

“Se o PPP é um documento da escola, ele precisa ser

feito à muitas mãos. E as mãos que compõem este

documento, são as mãos das pessoas que estão aqui

hoje. A partir do nosso maior foco, que é pensar

o desenvolvimento das crianças, fomos coletando

aquilo que cada educadora e cada educador tinha

para contribuir em relação a todos os âmbitos da

escola. Isso, pensando na nossa visão de criança,

na nossa visão de mundo, na nossa relação com as

famílias, em como que cada pessoa dentro desta

escola atua como alguém que faz a diferença na

vida de um outro indivíduo.

18


E para isso, nós precisamos de escuta.

São muitas pessoas aqui dentro. E escuta

não é simplesmente sentar e escutar.

Dentro de cada escuta, foram muitas

reflexões, muitas memórias e muitos

sonhos, para que pudéssemos chegar ao

projeto que temos aqui hoje e que de fato

reflete a nossa escola”, afirma Patricia.

A professora Marina Bianchi afirma

que a reescrita do PPP, junto à toda

equipe, foi muito importante para ela

enquanto educadora. “Ao construirmos o

PPP coletivamente, foi possível ampliar o

nosso repertório no sentido de entender o

que a escola também está esperando de

nós, educadoras e educadores. Quando

mergulhamos no PPP, conseguimos

compreender alguns parâmetros com os

quais precisamos estar alinhados para

sermos esta escola que enxerga as crianças

em todas as suas potencialidades”.

A nova versão registra e evidencia as

transformações que ocorreram ao longo

dos 25 anos de história da be.Living, bem

como todo o percurso de amadurecimento

e êxitos que marcaram nossa escola.

Colocamos o nosso melhor esforço para

que o compromisso e a dedicação que

sustentam diariamente nosso trabalho

com as crianças possam transparecer,

com autenticidade, através das palavras

que compõem este Projeto.

“Ao olharmos hoje para o nosso PPP, é

possível ver muita coerência entre o que

está escrito neste documento e o que

acontece aqui, na prática atual da escola”,

comenta a diretora Analivia Lacerda.

“Nós nos debruçamos sobre este

documento, de maneira teórica, mas,

quando estamos no dia a dia, com os

estudantes, praticamos essa escola. E,

pensando nessa criança, que é protagonista

de seu processo de aprendizagem, vamos,

juntos com essa criança, construindo essa

reflexão e dando suporte para ela brilhar,

aprender e agregar mais ao conhecimento

que ela já tem”, afirma a professora

Caroline Carvalho.

A professora de música, Amanda

Ribeiro, lembra que o PPP da be.Living

olha para além do âmbito individual, tendo

como objetivo um projeto de sociedade.

“Vamos tentando

imaginar, junto

com cada criança,

futuros possíveis e

melhores, a cada dia

que passamos aqui

dentro de nossa

escola.”

19


Como forma de consagrar este trabalho,

imprimimos uma edição especial do PPP,

composta por folhas soltas, unidas apenas

por um elástico, ao invés de encadernálas.

Mais do que estético, este detalhe

evidencia que o projeto precisa respirar,

precisa de movimento, que não se limita

a páginas fixas. Como um elástico, ele se

dobra, se estende, acolhe o tempo e as

perguntas. O elástico não aprisiona. Ao

contrário, abraça o que chega e libera o

que já cumpriu sua função. O PPP é um

projeto que não se encerra, mas que se

transforma continuamente com quem o

vive.

“O PPP é movimento. É um ser

vivo eternamente em construção. Nós

educamos para o mundo, e o mundo está

sempre em movimento. Então, não tem

como o PPP ser um documento estático.

Ele vive”, conclui Analivia Lacerda, diretora

da be.Living.

Literary Saturday 2025

Como parte deste processo, preparamos

um vídeo especial com vozes de quem ajudou

a construir nosso Projeto Político Pedagógico.

Nele, memórias e reflexões ganham forma,

revelando a importância desse documento

vivo, que segue orientando nossos caminhos

com afeto, escuta e intencionalidade.

Acesse o QR code

ao lado e conheça

um pouco mais dessa

história que continua

sendo escrita a muitas

mãos.

20


21


[Cultura Brasileira]

É tempo de celebrar:

25 anos de Festa Junina!

Imagine um festejo junino reunindo Lia de Itamaracá, Mestra

Joana do Maracatu, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro,

Clementina de Jesus e tantos outros artistas da nossa cultura

popular brasileira...

Pois assim foi a 25ª. Festa Junina da be.Living, que além de

comemorar os 25 anos de nossa escola, celebrou e agradeceu

aqueles que, com sua arte e trajetória, estiveram presentes

nos caminhos de aprendizagem que percorremos com as

crianças em décadas de festas juninas.

22


A Festa Junina da be.Living é um

dos eventos mais aguardados por

nossa comunidade. Além de ser uma

comemoração e um momento de

partilha envolvendo crianças, famílias,

colaboradoras e colaboradores, ela é,

sobretudo, um projeto pedagógico que

envolve semanas de estudos, ensaios,

experiências artísticas e reflexões.

Durante este período, estudantes da

Educação Infantil e do Ensino Fundamental

vivenciam ritmos, danças e brincadeiras

que expressam a pluralidade e a riqueza

cultural do nosso país.

A cada edição, a festa homenageia

uma personalidade marcante da cultura

nacional. Já passaram pela Festa Junina de

nossa escola nomes como Luiz Gonzaga,

Raquel Trindade, Jackson do Pandeiro,

Mario Zan, Mestra Joana do Maracatu,

João do Vale, entre outras e outros, sendo

a nossa última homenageada, Clementina

de Jesus, mulher negra, descendente de

africanos banto, guardiã das tradições do

samba e da cultura afro-brasileira.

Neste ano tão simbólico, em que a

escola comemora 25 anos de existência,

foi um pouco diferente. Por ser uma edição

especial, realizamos uma homenagem

coletiva, celebrando todas as figuras que,

ao longo dos anos, foram reconhecidas

em nossas festas juninas por suas

contribuições à cultura popular. Essa

decisão reforça a intenção pedagógica

por trás da festa: ampliar o repertório das

crianças, fortalecendo a valorização da

diversidade cultural do Brasil.

23


“A Festa Junina tem se tornado uma

grande festa cultural, mais do que

apenas uma festa tradicional”, explica

Gabriela Fernandes, coordenadora

do Ensino Fundamental. “Já há algum

tempo escolhemos homenageados com

o intuito de apresentar às crianças,

personalidades que muitas vezes não

estão nos livros didáticos. A nossa

curadoria tem priorizado pessoas

negras, olhando para a potência

das manifestações culturais afrobrasileiras”.

A escolha das figuras homenageadas

é fruto de um trabalho de pesquisa

realizado pela equipe de Cultura Brasileira

da escola, formada pelas professoras

Amanda Ribeiro, Júlia Gracieli Silva,

Otaviana Lima, e pelo professor Vinícius

Medrado.

“Escolhemos os homenageados

pensando em quem são os grandes

mestres e as grandes mestras da nossa

cultura popular brasileira. São guardiãs e

guardiões das memórias e das tradições

culturais do nosso país. Muitas dessas

pessoas, ou as manifestações que elas

guardam, são consideradas patrimônio

imaterial do Brasil. São pessoas que

trabalharam e trabalham com luta e

resistência para manter vivas tradições

tão belas, tão especiais, tão antigas,

tão representativas da nossa cultura

brasileira” - explica a professora Amanda

Ribeiro.

Amanda afirma que a partir dessa

investigação, as crianças passam a

conhecer não apenas a biografia das

pessoas homenageadas, mas também,

as características de sua arte, seus

contextos históricos e sua relevância para

a construção da cultura brasileira.

As culturas afro-brasileira e indígena

ganham cada vez maior protagonismo não

somente para atender às leis 10.639/2003

e 11.645/2008, que tornaram obrigatório

o estudo da história e cultura indígena

e afro-brasileira nos estabelecimentos

de ensino fundamental e médio - mas ,

acima de tudo, para expressarmos nosso

compromisso ético e político com a justiça

social e o respeito à diversidade.

24


Outro ponto importante

da Festa Junina da be.Living

tem sido o olhar para a

representatividade feminina

na música. A professora

Amanda ressalta que,

historicamente, as mulheres

enfrentam grandes desafios

para serem reconhecidas como

compositoras e instrumentistas.

“Na música, sempre houve

uma predominância masculina.

Muitas vezes, a mulher era

restrita ao canto, enquanto os

homens ocupavam os espaços de

criação. A Festa Junina tem sido

uma oportunidade de mostrar

às crianças outras referências

femininas potentes.”

Além da parte artística e cultural,

a festa também traz aprendizagens

ligadas à sustentabilidade e ao consumo

consciente. Neste ano, não foram

distribuídas prendas nas barracas de

brincadeiras. As crianças puderam

brincar o quanto quiseram, com liberdade

e alegria, priorizando a experiência, o

encontro e o sentido da celebração, e

não a acumulação de objetos que, muitas

vezes, acabam sendo descartados.

Os grupos do Fundamental

continuaram participando ativamente da

organização das barracas, como parte

de um trabalho pedagógico que envolve

educação financeira, consumo consciente

e planejamento matemático, aprendendo

a lidar com o dinheiro de uma forma ética

e responsável.

25


Com tudo isso, a Festa

Junina 2025 da be.Living

reafirmou- se como uma

experiência potente e viva

de aprendizagem e partilha,

unindo passado e presente,

memória e afeto, arte e

conhecimento. Um espaço

onde a criança é protagonista

e a cultura brasileira é vivida

e compartilhada com alegria,

respeito e profundidade.

26


27


[Arte na be.Living]

Uma escola em

estado

de ateliê

Na be.Living, a arte não é apenas uma área do conhecimento,

mas uma experiência viva e potente, que permeia todos os

aspectos da vida escolar. Experiências sensoriais e criativas

provocam nas crianças, um constante ‘estado de ateliê’. No

cantinho de uma sala da Educação Infantil, por exemplo,

uma caixa com um furinho no meio convida quem chega

para uma descoberta. Ao olhar pelo buraquinho, o primeiro

contato com uma obra de Monet se dá de maneira lúdica

e sem pressa, iniciando uma jornada de aproximação com

a arte. Na sala ao lado, uma obra de Raquel Trindade está

‘escondida’ por detrás de um véu, como numa brincadeira de

esconde-esconde. Enquanto isso, do lado de fora, crianças

estão explorando a materialidade da argila, dentro de um

projeto que está investigando o Reino Mineral.

28


Assim tem sido desde o início de

nossa história: a arte espalhada por toda

a escola, como um fio condutor que une

espaços e momentos de exploração e

aprendizagens, indo muito além das

aulas de Artes. “Quando cheguei na

be.Living, há cerca de 15 anos, percebi

que esta era uma escola que valorizava

a arte não somente oferecendo uma

maior quantidade de aulas na semana,

como outras escolas que valorizam a arte

fazem - mas que havia uma abordagem

qualitativa de fato, integrando a arte ao

cotidiano escolar, de maneira orgânica

e abrangente”, conta Claudia Mariuzzo,

assessora de Artes da be.Living.

Claudia explica que o processo de

“fazer arte” é provocado de maneira

lúdica e progressiva, de acordo com a

faixa etária de cada criança. Ao introduzir

materiais para crianças da Educação

Infantil, a proposta não é apenas a

execução, mas a vivência sensorial que

antecede o ato de criar.

“As crianças exploram

os cheiros, as texturas e

as cores, desenvolvendo,

assim, uma compreensão

mais profunda das

materialidades e do gesto

artístico”, destaca.

29


A cada proposta vivida, a arte vai

se tornando uma ferramenta poderosa

para o desenvolvimento de habilidades

sensoriais e cognitivas essenciais,

promovendo experiências significativas

que ajudam as crianças a se apropriarem

crítica e construtivamente do mundo

ao redor. “A arte favorece a construção

de um comportamento mental que leva

os indivíduos a formular conceitos e a

descobrir como expressar e comunicar

suas ideias”.

Claudia traz uma citação da

pesquisadora Ana Mae Barbosa, para

lembrar que na arte, não há certo ou

errado, e que isso é muito importante

para o desenvolvimento das crianças.

A prática de “olhar o outro” é constante

e cultivada desde cedo. Espaços como

os “Art Corners” são projetados para

estimular esse olhar. “As imagens e obras

de arte expostas nesses cantos mudam

periodicamente, convidando as crianças

a olhar novamente, com outros olhos.

Esses espaços são fundamentais para

estimular uma postura investigativa e

criativa, que se reflete nas interações das

crianças com o mundo”.

“Na arte, as crianças

podem ousar sem medo,

explorar, experimentar

e revelar novas

capacidades”.

30


No Ensino Fundamental, a arte também

está presente no dia a dia, de forma

fluida, atravessando todas as áreas de

conhecimento. “Na be.Living, a arte não

é tratada como uma disciplina isolada,

mas como uma experiência contínua e

imersiva”, afirma a professora de Artes,

Bruna Amaro. Ela observa que, além das

aulas regulares de Artes, as crianças

participam de saídas pedagógicas,

visitam exposições culturais e expõem

seus próprios trabalhos em eventos como

o Literary Saturday e a Mostra de Artes e

Ciências (MAC).

Bruna destaca a importância de integrar

a arte com outras áreas do conhecimento,

e como isso é feito na prática.

“Os estudantes têm a oportunidade de

perceber como os conceitos de História,

Ciências ou Literatura, por exemplo, podem

ser vivenciados de forma artística,

criando conexões que enriquecem seu

aprendizado e expandem seu olhar sobre

o mundo.” A forte colaboração entre

as diferentes disciplinas, tendo a arte

como fio condutor que liga e amplia as

experiências, permite aos estudantes explorarem

temas de maneira multifacetada,

ampliando a sensibilidade e o pensamento

crítico.

31


A professora acredita que o maior legado

da arte na be.Living é a capacidade das

crianças de se perceberem como forças

criativas e transformadoras, com coragem,

empatia e imaginação. “Muito além do

desenvolvimento de técnicas, buscamos

estimular a autonomia, o protagonismo e

a criatividade das crianças, seja em suas

produções individuais ou coletivas”.

32


A assessora Claudinha ressalta

a importância de envolver a equipe

educadora no processo artístico. Por

isso, são realizados encontros periódicos,

buscando atualizar constantemente o

currículo e as abordagens didáticas.

Esses momentos de reflexão e troca

de experiências entre educadores e

educadoras são essenciais para garantir

que a arte continue sendo um pilar

fundamental da formação dos estudantes.

“A arte, quando vivida

de forma profunda, cria

um verdadeiro estado

de ateliê que envolve

toda a comunidade

escolar”.

Ao longo dos anos, a be.Living tem

consolidado um ambiente onde a arte não

é apenas vista, mas vivida de maneira

intensa e significativa. Essa prática se

reflete no desenvolvimento das crianças e

na construção de uma comunidade mais

criativa, sensível e colaborativa.

33


[Cuidar do Mundo, todos os dias]

SUSTENTABILIDADE:

Um compromisso

vivido por toda

a escola

A sustentabilidade é parte essencial da identidade da

be.Living, atravessando o currículo pedagógico, os

espaços, a gestão e as relações interpessoais e com

o meio ambiente. Ao completar 25 anos de história,

reafirmamos nosso compromisso com a formação de

cidadãs e cidadãos conscientes, que compreendam a

urgência dos desafios ambientais e sociais do nosso

tempo, e que se sintam preparados para enfrentálos

com sensibilidade, senso crítico e ação.

34


Vivemos um momento delicado

no mundo. As crises climáticas, os

conflitos armados, a desigualdade

social, as pandemias e a intolerância

nos convocam a pensar, com cada

vez mais profundidade, nossas formas

de viver e de conviver. Como escola,

entendemos que, diante dessa realidade,

educar para a sustentabilidade é uma

urgência e, ao mesmo tempo, uma

oportunidade transformadora. Quando

nos questionamos sobre o mundo que

queremos para o futuro das crianças,

essa não pode ser uma pergunta retórica.

Esse futuro está sendo construído agora,

com pequenas ações e aprendizagens

diárias, com as mãos e os sonhos das

crianças que estão conosco no momento

presente.

Nossa proposta é oferecer uma

educação para a sustentabilidade que

seja crítica, imersiva, transversal e efetiva.

Esse princípio se concretiza em múltiplas

dimensões: na formação constante de

educadoras e educadores, nos projetos

desenvolvidos com as crianças, nas

adaptações do espaço físico e em

práticas coletivas que envolvem toda a

comunidade escolar.

Como consequência deste trabalho,

a be.Living recebeu o selo de nível 5 do

movimento Escolas pelo Clima, o mais alto

da certificação, e foi premiada em duas

edições do Congresso do movimento,

por projetos desenvolvidos na Educação

Infantil.

Em 2023, o projeto Guardiãs da

Floresta, conduzido pelas educadoras

Juliana Sá e Milena Macedo, engajou

as crianças em uma jornada de escuta

da natureza e culminou no plantio de

50 mudas de árvores nativas para

compensar as emissões de carbono da

escola. Já em 2024, um novo projeto

foi reconhecido: por meio da horta e da

composteira, as crianças exploraram o

ciclo dos alimentos, refletiram sobre o

desperdício e participaram ativamente

de ações de cuidado com os resíduos

orgânicos.

“Essas vivências colocam

as crianças em posição de

protagonismo, onde elas

não apenas aprendem

sobre sustentabilidade,

mas propõem soluções

e se tornam agentes de

transformação”

- explica Lívia Ribeiro, engenheira

ambiental da Reconectta e consultora

da escola para assuntos de

sustentabilidade. Para ela, a presença

de espaços naturais na escola, como

as hortas agroecológicas, os jardins,

as árvores e o novo viveiro de mudas,

é fundamental tanto para o bem-estar

quanto para o desenvolvimento do senso

35


de pertencimento e responsabilidade

ecológica. “São adaptações climáticas

reais que, de fato, fazem diferença.

Árvores reduzem o calor, aumentam a

permeabilidade do solo, absorvem gás

carbônico. A natureza nos protege e nos

ensina.”

Esse olhar para a sustentabilidade

também se manifesta nas práticas do

dia a dia da escola: o cuidado com o

consumo de água, a captação de água

da chuva, a produção de alimentos, a

separação e compostagem de resíduos,

a implementação da Segunda Sem Carne.

“Tudo isso revela uma atenção contínua

aos impactos ambientais e à redução da

pegada de carbono da escola” - afirma

Lívia.

É importante dizer, no entanto,

que o trabalho vai além da

dimensão ambiental. Nossa

escola entende que não existe

sustentabilidade sem o cuidado

com as pessoas, sem saúde e

bem-estar, sem relações de

respeito e escuta.

A prática de yoga, mindfulness e a

alimentação consciente, assim como a

escuta das crianças, das famílias e da

equipe, fazem parte de uma visão ampla,

que entende sustentabilidade como a

capacidade de cuidar do presente e

do coletivo, das relações, dos corpos,

do planeta, de modo consciente e

responsável.

36


Para que tudo isso aconteça, é

fundamental a formação de toda a equipe.

Ao longo do ano, realizamos formações

coletivas com temas que respondem às

necessidades da equipe e às urgências

do mundo. Nelas, já foram abordados

temas como emergência climática,

ecoansiedade, educação ambiental

crítica, compostagem, hortas e resíduos.

Um trabalho de assessoria contínua

também acontece com as professoras,

em encontros individuais que buscam

integrar a sustentabilidade aos projetos

em andamento, sempre a partir de um

olhar contextualizado e potente.

“É essencial que educadoras e

educadores tenham espaço de diálogo

e reflexão, que se sintam seguros e

autônomos para trabalhar essas temáticas

com as crianças. As formações fortalecem

uma cultura em que a sustentabilidade

é um valor vivo, presente em todos os

projetos e ações da escola”, diz Lívia.

Esse processo formativo envolve,

ainda, as equipes da cozinha, da limpeza

e do administrativo, que participam de

uma formação anual. “Todos precisam

estar envolvidos, porque todos somos

cidadãos do mundo. Essa é uma

questão que nos atravessa a todos e

exige participação coletiva. Precisamos

compreender o que está acontecendo e

como podemos, cada uma e um de nós,

agir de forma propositiva”, ressalta nossa

consultora.

Em 2025, ano em que o Brasil sedia a

Conferência do Clima da ONU (COP30),

a be.Living tem promovido ações

específicas de conscientização, levando

a temática da conferência para as

crianças, as famílias e equipe. Para nossa

escola, participar do debate climático

global é também reconhecer o poder das

pequenas ações locais. “É o mundo na

escola e a escola no mundo”, afirma Lívia.

Educar para a sustentabilidade é uma

prática coletiva e cotidiana na be.Living,

tecida com escuta, afeto, coragem e

responsabilidade. Nosso objetivo é

preparar as crianças para o futuro,

ensinando-as a cuidar com carinho do

presente.

37


[Educadores]

Ser professora

e professor

na be.Living:

o olhar de quem

vive a escola

Ser professora e professor na be.Living é muito mais do

que ocupar um cargo: é um modo de estar no mundo,

uma escolha que transforma vidas, inclusive a própria.

É trilhar, dia após dia, um caminho em que cada gesto é

intencional, cada encontro é guiado pelo acolhimento, e

cada aprendizagem nasce da força do coletivo. É ver cada

criança em sua singularidade, escutá-la com atenção,

acompanhar de perto seu desenvolvimento e oferecer as

condições necessárias para que ela floresça e manifeste

toda a sua potência. É investigar constantemente a própria

prática, com dedicação e compromisso contínuos. Neste ano

em que celebramos 25 anos de história, ouvimos as vozes

das professoras e dos professores que caminham conosco

e que fazem da be.Living muito mais do que uma escola:

uma comunidade viva, que pulsa, respira e se reinventa a

cada dia, promovendo experiências sensíveis e concretas

para construirmos, juntas e juntos, a escola e o mundo que

desejamos para nossas crianças.

38


“Essa é uma escola com um

propósito muito claro, com um senso

de comunidade muito forte”, expressa

Camila Maia, coordenadora pedagógica

da Educação Infantil. Para ela, estar na

be.Living significa pertencer a um grupo

que não apenas executa tarefas, mas

que acredita, investe e se compromete

com uma educação séria, transformadora

e inovadora. “Todas as pessoas aqui

têm um encantamento, um envolvimento

pessoal, um compromisso muito sério com

tudo o que acontece. Isso se traduz nas

relações com as famílias, com as crianças,

na nossa relação interna. Vejo respeito e

acolhimento como marcas muito fortes”,

completa Camila, destacando que o

trabalho coletivo e intencional é o que

fortalece a escola e torna suas ações tão

potentes.

Essa dimensão de uma escola viva, que

se reinventa e propõe revisar sempre as

práticas educacionais, aparece também

na fala de Letícia Esteves, professora do

Ensino Fundamental. “Brinco que já vivi

muitas be.Livings. A escola se propõe

o tempo inteiro a se repensar, a mudar,

a fazer dessa comunidade educadora

uma comunidade viva. Queremos olhar

para determinado ponto do trabalho,

nos debruçar sobre ele, levar o assunto

para congressos, para as formações”,

conta Letícia, para quem a be.Living é

um espaço onde se aprende fazendo

junto, investigando, errando e acertando,

exatamente como se propõe que as

crianças façam.

Essa ideia de que o processo educativo

é um caminho compartilhado atravessa

muitos relatos. Para Caroline Carvalho,

professora do Ensino Fundamental, ser

educadora na be.Living “é caminhar junto,

construir novos conhecimentos, novos

saberes, desconstruir as dificuldades

estando lá no dia a dia, aprendendo

com as crianças, com a gestão, com

os educadores”. Caroline reforça que o

papel da professora não é mostrar o que

a criança deve fazer, mas “ir construindo

com ela seu percurso, dando suporte para

ela brilhar e agregar mais ao conhecimento

que já tem”.

Na be.Living, a escuta é

um valor que orienta as

práticas pedagógicas e

a convivência.

Patricia Costa, assistente de

Coordenação da Educação Infantil,

destaca que na escola se aprende a ser

humano, a ser parceiro, a ser líder e a

ser liderado. “A gente transita muito em

diferentes papeis aqui. Aprende a ter

escuta, empatia, a olhar para o outro. Cada

pessoa tem uma trajetória e precisamos

entender e respeitar isso. Acho que isso

é algo que levamos para as crianças. Elas

não são só mais uma criança, mas um

indivíduo dentro do grupo, com vivência,

cultura e bagagem próprias”, observa

Patricia.

39


Esse olhar para as infâncias como

potentes e singulares também é central

para Amélia Gabriela, assistente de

coordenação do Ensino Fundamental. “Foi

na be.Living que aprendi a enxergar as

crianças como seres potentes, capazes,

conscientes e protagonistas de suas

próprias histórias. Entendi que elas têm voz,

opinião e são plenamente aptas a tomar

decisões pensando no bem comum, como

vejo acontecer nas assembleias”, conta

Amélia, apontando para um dos pilares

mais fortes da escola: o protagonismo das

crianças.

A relação com as famílias também

aparece como um aspecto essencial. Para

Otaviana Lima, professora da Educação

Infantil, “ser professora na be.Living é

acolher também as famílias. A troca com

as famílias é um acolhimento gigante, e

necessário. É algo gostoso, prazeroso.

Quando as crianças já passaram pelo

processo de adaptação e acolhimento,

é tão bom ver o olhinho deles brilhando,

quando eles falam que querem ficar aqui.

Da mesma maneira, é muito gratificante

testemunhar o sentimento de segurança

das famílias”.

O acolhimento, aliás, foi a palavra

mais citada pelos professores. Rudra

Avella, professor de Yoga, sintetiza: “A

palavra que mais representa a escola

para mim é acolhimento. É possível sentir

isso por parte de todos: professores,

orientação, recepção, portaria”. Para

Rudra, a be.Living também é um espaço

de constante inovação e formação:

“Existe um movimento contínuo

em querer aperfeiçoar a forma

de fazer educação, através

de encontros formativos em

que todos participam, sempre

refletindo sobre qual a melhor

forma de formar indivíduos

autônomos e conscientes

do coletivo”.

40


Essa liberdade para criar, refletir e

inovar é celebrada por Marina Bianchi,

que começou como assistente e hoje atua

como professora do Ensino Fundamental.

“Aqui eu aprendo que todo dia é um novo

dia, cada ano será um novo ano, com uma

nova turma. A be.Living me proporciona

esse lugar para eu criar, seguindo o

projeto e tudo o que a escola acredita, mas

conseguindo trabalhar com as crianças

conteúdos que fazem sentido naquele

momento, para aquele grupo ou cada

criança ”, afirma Marina. Para ela, o mais

importante é que as crianças se envolvam

com a aprendizagem: “Se conseguimos

despertar isso, já valeu a pena.”

Para a professora Gabriella Renata

Muniz Laranjeira, da Educação Infantil,

fazer parte da be.Living é sinônimo de

fazer parte de algo grandioso, maior do

que ela. “É uma junção de forças de todos

os envolvidos nesse espaço, e o resultado

é esse ambiente gostoso, potente e tão

cheio de significado para as crianças”.

O vínculo afetivo com a escola e com

o seu propósito é algo que se repete nas

falas. Carolina Pinheiro Fioco, professora

do Ensino Fundamental, expressa com

delicadeza:

“A be.Living é afeto, acolhimento

e respeito - pelas infâncias e por

todas as pessoas que caminham

juntas por aqui. É um lugar

onde a gente encontra colo,

carinho, pertencimento e infinitas

possibilidades de aprender e

crescer, todos os dias. Se eu

pudesse voltar a ser criança, era

bem aqui que eu queria estar!”.

41


42


43


[A Força do Coletivo]

Na be.Living

todos são

educadores

44


Em nossa escola, o ato de educar vai muito

além das salas de aula e não se restringe

somente às professoras e aos professores.

As crianças vivem experiências, constroem

olhares, brincam e exploram possibilidades

de aprendizagem, por meio das relações

que são construídas com as pessoas e com

o meio em que vivem.

Assim, toda nossa equipe escolar,

da portaria à administração, da

limpeza à cozinha, sem exceção, é

reconhecida, também,

como educadora.

45


“Entendemos o

funcionamento da

escola como uma grande

engrenagem, em que

cada pessoa da equipe

desempenha um papel

essencial.”

- afirma Analivia Lacerda, diretora

da be.Living. Essa visão amplia a

compreensão de que educar é também

garantir um ambiente limpo, seguro,

acolhedor, funcional e afetuoso para que

os processos de aprendizagem ocorram

de forma integral.

Profissionais da limpeza, da segurança,

da cozinha, da secretaria e do setor

financeiro estão inseridos no cotidiano

das crianças e compartilham com elas

momentos de interação que são, por si

só, potentes em aprendizado. “Esses

momentos de contato cotidiano são muito

valiosos, tanto para as crianças, que

aprendem com essas relações, como

também para os próprios profissionais,

que passam a perceber com mais clareza

a importância de sua atuação no contexto

escolar”, completa Analivia.

O compromisso com o desenvolvimento

das crianças é compartilhado por todas as

colaboradoras e os colaboradores. Para

fortalecer esse olhar coletivo sobre o papel

de cada uma e um na escola, a be.Living

promove diálogo e escuta ativa entre os

diferentes setores. Encontros internos são

promovidos com frequência, favorecendo

trocas de experiências, alinhamento

de propósitos e reflexão sobre como

pequenas ações cotidianas contribuem

para o desenvolvimento das crianças.

“Quando alguém da equipe da limpeza,

do administrativo, da cozinha ou da portaria

entende que sua presença acolhedora, seu

cuidado com os espaços e sua atenção

aos detalhes fazem parte da experiência

de aprendizagem das crianças, passamos

a ter uma comunidade mais consciente,

engajada e afetiva”, diz a diretora.

46


Essa abordagem não apenas reforça

a importância de cada colaboradora e

de cada colaborador dentro da escola,

como também fortalece o sentimento

de pertencimento e comunidade. “É

especialmente gratificante quando vemos

as famílias e as crianças reconhecendo e

valorizando o trabalho dessas pessoas.

Isso reforça o sentido de comunidade e

pertencimento que buscamos cultivar em

nossa escola.”, afirma Analivia.

É justamente esse olhar mais amplo e

coletivo, que inclui todas e todos como

educadoras e educadores, que sustenta

a proposta pedagógica de nossa escola

e que dá sentido ao dia a dia vivido por

crianças e adultos.

À todas as pessoas que

trabalham conosco e que

contribuem diariamente para

a educação das crianças que

por aqui passam, registramos

aqui o nosso profundo

agradecimento.

47


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