edição de 13 de outubro de 2025
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propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.063 - 13 de outubro de 2025 R$ 20,00
Freepik
Óculos se tornam
fashion e vendas
alavancam
franquias de
marcas do setor
Surfando a onda que transformou os óculos em acessório de moda e estilo, franquias do setor óptico seguem em crescimento, enquanto a indústria
revisa projeções e ajusta estratégias diante da desaceleração econômica. Com mais de 71 mil pontos de venda e faturamento de R$ 27 bilhões em
2024, o segmento avança sobre cidades médias e pequenas, sustentado por modelos de franquia e atendimento especializado. Redes como Óticas
Carol, Chilli Beans e Óticas Diniz reforçam a presença nacional, enquanto marcas autorais, como Zerezes, e grupos globais, como EssilorLuxottica
e Zeiss, apostam em tecnologia, propósito e personalização para responder ao novo perfil de consumo visual. Em comunicação, as marcas têm
estratégias agressivas. A Chilli Beans, que mantém o DNA pop e cultural que a tornou famosa, fez product placement em ‘Vale Tudo’. pág. 22
Eletromidia projeta o futuro do OOH
Máquina da Foto/Divulgação
Durante o TMRW 2025, o CEO Alexandre
Guerrero detalhou a virada comercial da
Eletromidia (controlada pelo Grupo Globo),
guiada por tecnologia, dados e mensuração.
Ele defendeu um OOH mais inteligente
e presente na rotina das pessoas, capaz de
transformar a experiência urbana. pág. 43
BETC Havas conquista a conta da H2OH!
Uma semana depois de ganhar PicPay, a
BETC Havas conquista H2OH!. A agência vai
liderar as estratégias criativas da marca
da PepsiCo no Brasil. “Estamos orgulhosos
em ter sob nossa responsabilidade uma
marca tão querida como H2OH!”, disse
Carol Boccia, copresidente da BETC. pág. 37
Divulgação
Sonho e inovação
impulsionam a The LED
Divulgação
O CEO da The LED, Richard de Albanesi, fala sobre a construção
da marca, o desafio de transformar tecnologia em
experiência e os planos de expansão que consolidam a
empresa como uma das principais referências no setor de
painéis de LED da América Latina. pág. 16
Mercado faz homenagens após morte
de Sergio Amado no dia 4 de outubro
Alê Oliveira
Publicitário, que faleceu aos 77 anos, é admirado por trajetória marcada pela destreza nos
negócios, habilidade em reconhecer talentos e pulso para alavancar a indústria da comunicação.
Sob a liderança de Amado, a Ogilvy Brasil, do grupo inglês WPP, foi alçada ao topo da
lista das maiores agências e teve sua imagem criativa redefinida. pág. 32
editorial
Armando Ferrentini
Despedida de um ícone
Este 4 de outubro de 2025 ficará marcado como o sábado em que o mercado acordou
com a notícia da morte de mais um ícone da propaganda brasileira: o grande
Sergio Amado. O publicitário estava internado no Hospital Albert Einstein, em São
Paulo, e morreu aos 77 anos.
A notícia pegou o mercado de surpresa. Jovem ainda, nos bastidores ninguém comentava
que ele enfrentava problemas de saúde. O publicitário baiano deixa o legado de um
gigante. O executivo liderou por duas décadas o Grupo Ogilvy, além de ter participado
do board global da rede.
Amado é daqueles publicitários brasileiros admirados pelos gringos. Ele ganhou espaço
e cresceu muito no WPP, grupo controlador da Ogilvy e outras grandes agências, como
VML. Todo profissional que atua - ou já trabalhou - em holdings de comunicação conhece
as dificuldades para conquistar a confiança dos boards globais, principalmente em
um cargo C-level, como ocupou por mais de uma década. Mas ele foi lá e fez.
Sergio Amado faz parte da safra de publicitários baianos talentosos que migraram para
São Paulo, fizeram a diferença no mercado e deixam sua marca na indústria, como Nizan
Guanaes, fundador da N.ideias, e Sergio Gordilho, CCO e sócio da Africa Creative.
Conhecido por seu perfil de negociador voraz e ao mesmo tempo um gentleman, Amado
foi um dos responsáveis por manter a Ogilvy como uma das maiores agências do
país em faturamento e ajudou a reinventar seu legado como uma das mais criativas
internacionalmente.
Em 2013, o escritório brasileiro foi, nada mais nada menos, do que o primeiro da rede em
todo o mundo a ser reconhecido como Agency of the Year no prestigiado Cannes Lions,
com a conquista de 35 Leões no festival daquele ano.
O publicitário baiano também faz parte do grupo de brasileiros envolvidos diretamente
no lançamento da David, em 2011, da qual teve uma participação ativa. A agência nasceu
dentro da Ogilvy, a partir da ideia dos brasileiros Luiz Fernando Musa e Anselmo Ramos,
e o argentino Gaston Bigio, que tiveram total apoio de Amado e do grupo. Lançada no
ano do centenário de David Ogilvy, a agência, que leva o primeiro nome de seu fundador
e é totalmente inspirada em seus conceitos, em pouco tempo ganhou fama por seu
DNA criativo, sendo superpremiada e considerada uma aposta acertada dentro do WPP.
A trajetória de Amado na Ogilvy encerrou-se em 2017, mas mesmo ali ele não se desligaria
do Grupo WPP. Na sequência, ele assumiu a posição de country manager do grupo no
Brasil, onde permaneceu por cerca de dois anos. Em novembro de 2021, foi anunciado
como advisor da S4 Capital, de Martin Sorrell, com quem trabalhou no WPP, iniciando
uma nova fase de sua carreira.
Ultimamente, Amado estava mais afastado dos holofotes, mas nunca esquecido, como demonstram
os textos e posts escritos nas redes sociais por líderes do mercado que trabalharam
ao seu lado - ou não, lamentando a sua partida. E as homenagens não param, como
mostram os anúncios de agências e entidades nas páginas deste jornal. Um tributo do
tamanho que ele merece. Assim como o propmark faz nesta edição. R.I.P., Sergio Amado.
Óculos da moda
A reportagem de capa desta semana faz um raio X do setor óptico, que vive um boom no
número de franquias, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF).
Entre as redes com maior presença nacional, em ordem decrescente, Óticas Carol,
Chilli Beans e Óticas Diniz figuram entre as 15 maiores do país, somando mais de 3,8
mil unidades.
De olho em consumidores cada vez mais preocupados com o bem-estar e a saúde, são
marcas que ampliam a atuação surfando a onda que transformou os óculos (mesmo
os de grau) em acessório de moda e estilo, com campanhas que traduzem o momento.
Frase:“Seguir uma meta sem hesitar: eis o segredo do sucesso” (Anna Pavlova, bailarina
russa).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
Trinta e três marcas se dividiram em três breaks no capítulo do último dia 6
da novela ‘Vale Tudo’, na Globo. Entre elas, estavam Heineken, Volkswagen,
Meta e 99 Food.
3ª
Assassinato de Odete Roitman em ‘Vale Tudo’
atrai 33 marcas em três longos breaks
Ex-GUT é a nova
redatora sênior da Grey
A Grey Brasil contratou Luana Silva para o cargo de redatora sênior. Ex-GUT
São Paulo, a criativa também acumula passagens por outras agências, como
Africa Creative e David.
Veja os vencedores do Prêmio
Contribuição Profissional 2025,
da APP Brasil
A APP Brasil (Associação de Profissionais de Propaganda) divulgou os
vencedores do Prêmio Contribuição Profissional – Troféu Garra 2025. Foram
12 profissionais homenageados, além dos reconhecimentos regionais. Entre
os nomes, está o de Tiago Ferrentini, diretor-executivo do propmark.
4ª
Na semana passada, o Instagram completou 15 anos no ar com a notícia de
que ultrapassou 3 bilhões de usuários mensais. A evolução do aplicativo
impulsionou a profissionalização da creator economy.
5ª
De vitrine de fotos a ecossistema de
negócios, Instagram completa 15 anos
Raquel Ribeiro é a nova head de
marketing da Coca-Cola Brasil
A Coca-Cola Brasil anunciou Raquel Ribeiro como nova head de marketing
no país. A executiva sucede Ted Ketterer, que deixa a função para assumir
o cargo de VP de marketing da The Coca-Cola Company em Atlanta (EUA).
jornal propmark - 13 de outubro de 2025 3
índice
Óculos entram na moda
e setor vive aumento
de franquias no país
Redes como Óticas Carol,
Chilli Beans e Óticas Diniz
somam mais de 3,8 mil lojas.
Marcas surfam a onda que
transformou os óculos em
acessório fashion e atendem
a consumidores mais atentos
com saúde e estilo.
22
Fotos: Freepik e Divulgação
propmark
propmark.com.br
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Editora-chefe: Kelly Dores
Editores: Janaina Langsdorff e
Paulo Macedo
Editor de fotografia: Alê
Oliveira
Editor-assistente: Vinícius
Novaes
Repórteres: Adrieny Magalhães,
Bruna Nunes e Vitor Kadooka
Revisor: José Carlos Boanerges
Diagramador Sênior: Lucas
Boccatto
Diretor-presidente
Armando Ferrentini
Diretor-executivo
Tiago Ferrentini
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Gerente de contas:
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mel@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0748
Assinaturas
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72% do faturamento do estúdio
Lado Animation já vêm do exterior
Tom Gurgel, sócio e diretor criativo do estúdio de
animação, liderou a coprodução de filmes como o
case ‘In transit’, criação da agência americana Area 23
(IPG Health), que ganhou Leões em Cannes, GP no Clio
Awards e Yellow Pencil no D&AD 2025. pág. 27
Disputa no mercado de smartphones
é guiada por tecnologia e significado
Enquanto a Apple aposta em discurso centrado na
inspiração, a Samsung direciona sua narrativa para
campanhas que trazem a skatista Rayssa Leal, que
explora recursos do Galaxy Z Fold7 e do Z Flip7, em
cenas que destacam versatilidade e design. pág. 40
Redação
Rua François Coty, 228
01524-030 - São Paulo – SP
tel. (11) 2065 0772 / 0766
redacao@propmark.com.br
As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................3
Última Hora .......................................................................6
Curtas .................................................................................10
Opinião...............................................................................11
Negócios & Sustentabilidade ...........................................12
Out of Home ......................................................................14
Entrevista ..........................................................................16
Mercado .............................................................................20
Digital ................................................................................26
Produtoras ........................................................................27
Pesquisas ..........................................................................28
Troféu Garra ......................................................................29
Memória ............................................................................32
Inspiração ..........................................................................34
Agências ............................................................................36
Marcas ...............................................................................40
Mídia ..................................................................................43
Conexão Ásia .....................................................................46
Click do Alê ........................................................................48
Última Página ....................................................................50
Emissoras reforçam
grade de programas
infantis na internet
A criança de hoje está condicionada
a ter o entretenimento na palma
das mãos, a hora que quiser. ‘O
Picapau Amarelo’, do SBT, é uma
das apostas da emissora do Grupo
Silvio Santos tanto na TV aberta
como na internet, no canal SBT Kids,
lançado recentemente. pág. 44
4 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
AMADO.SERGIO.
Para: @OgilvyBrasil
Hoje partiu Sergio Amado, o cara que presidiu a Ogilvy desde 1996 até hoje -
posso dizer assim porque eu devo a minha trajetória, e muito do que sou, a ele.
Sérgio acreditou quando poucos acreditavam.
Fez a diferença aqui e no mercado.
Colocou a Bahia no centro da Ogilvy Brasil.
Chegou e trouxe rosto, cara, jeito de dono para uma multinacional.
Fez com amor, humildade, simplicidade e principalmente com muita
verdade e autenticidade.
Para quem conheceu e viveu o tempo dele aqui - lá no início tinha sua sala
na entrada da agência, chegava cedo e de portas abertas fazia aulas de inglês.
Mostrava sua vulnerabilidade e quem era desde o primeiro dia.
Trouxe profissionais não óbvios para cá.
Apoiou decisões e as tomava com o coração.
Era perfeito? Claro que não. Ninguém é. Era, sim, autêntico, original
e decidia com o coração. Falava o que pensava, bastava um encontro
e sua energia de fazer e encantar acontecia. Sempre.
Foi a seu modo a versão baiana de David Ogilvy.
Foi meu pai baiano também. Em todos os sentidos. Sentirei falta
de encontrá-lo, falta de ouvir seus conselhos, das trocas de WhatsApp
que tínhamos. Mas sua marca está em mim e em todos nós.
Sergio Amado foi a razão lá atrás de estarmos e sermos Magazine Luiza.
Trajano e Amado, por trás das marcas o que nos uniu foram sempre as pessoas.
Foi assim com outros tantos clientes e momentos. Tem muita história.
Recentemente, Sergio é o nome da nossa academia aqui.
Nossa GYM SERGIO AMADO. Posso dizer a vocês que esta foi uma
das homenagens que ele recebeu que mais amou. Quem conhecia ele
sabe como “malhar”, como se exercitar, foi sua ponte para a vida.
Tinha no trabalho sua diversão e seu hobby. Inquieto. Poderia ficar horas
escrevendo as histórias dele e ir juntando com cada um dos nossos hábitos.
A melhor maneira de seguir vivendo este legado é, não só lembrar,
mas viver estes ensinamentos da verdade, autenticidade, e decidir com o coração.
Sou e somos gratos.
A gratidão é o reconhecimento maior de que não fazemos nada sozinhos, sem apoio.
Não existimos sem o outro.
Não existiríamos sem você. Amado. Sergio.
Obrigado.
Íntegra do texto enviado por email interno no dia 04/10/2025.
conexões
última hora
Post: Morre Sergio Amado aos 77 anos
Sergio me deu um conselho curto e doce:
“Riccardo, tudo o que você precisa
fazer é aprender a língua, a cultura e a
música, e você será um brasileiro de verdade”.
Descanse em paz, meu amigo.
Riccardo Ferraris
XP conclui concorrência e escolhe dPZ
A XP anunciou a DPZ como sua nova agência de publicidade. O contrato inicial tem dois anos,
renováveis por igual período. O trabalho deve fortalecer a presença da marca da XP Inc.,
incluindo XP, Rico e Clear. A escolha da nova agência, após processo de concorrência liderada
pela Scopen, faz parte de plano de reposicionamento. “Escolhemos uma agência para estar
conosco na XP de hoje e na XP dos próximos anos, que será ainda mais forte e relevante no
mercado. E a DPZ reúne uma ambição criativa e estratégica que combina muito com a gente,
com o nosso jeito de ser”, declara Lisandro Lopez, CMO da XPInc. A agência será responsável
por campanhas integradas e multiplataforma e gestão de social.
coPa do mundo 2026
CazéTV e YouTube anunciam Ambev, Bet365, Betnacional, Coca-Cola, Decolar, GM, iFood, Itaú,
KTO, Mercado Livre e Vivo como os patrocinadores da transmissão digital da Copa do Mundo
de 2026. Os 104 jogos serão exibidos gratuitamente na plataforma.
Post: Veja os vencedores do Prêmio
Contribuição Profissional
Obrigado a todos que estão apoiando o
Baccarelli. Uma honra para o terceiro setor.
João Almeida
Post: “A Rede Américas representa
cuidado”
Obrigada, propmark, pela oportunidade
de compartilhar o que estamos
fazendo com tanta paixão.
Mariane Novais
Post: Raquel Ribeiro assume marketing
da Coca-Cola Brasil
Parabéns!
Karina Ortiz
Post: “O meu propósito é servir”, diz
Karina Ribeiro, CEO da VML
Que orgulho, amiga!
Maíra Lot Micales
Post: ‘The Voice’ tenta recuperar fôlego
com SBT e Disney+
Quem acha que vai dar flop.
Diário de um Millennial
bola dentro
Felipe Soalheiro (foto) acaba de
criar a empresa especializada em
negócios esportivos Playmaker,
que já tem acordos com o clube
inglês Manchester City; a WSC Sports,
empresa de tecnologia esportiva
baseada em IA e sediada em Nova
York; e a Cromotransfer, para gestão
de acordos com entidades como a
Fifa. “Entramos como intérpretes,
articuladores e representantes dos
interesses dos anunciantes para
transformar acordos e patrocínios
em vantagem competitiva”, afirma Soalheiro. Entre os parceiros, estão a Jogo, agência
criativa especializada em esportes e entretenimento, fundada por Matías Menéndez; e a
Entourage, sediada em Londres e liderada por Paul Brighten.
Duailibi Essencial
“Fazer bons negócios é ver primeiro” (Aristóteles Onassis).
dorinho
integração
A Droga5 unificou operações, produção e gestão de projetos. A chief production officer
Larissa Kubo lidera o time formado por Stella Gafo, Leo Barbosa, Thais Bonizzi, Eduardo
Machado, Lucas Cardoso, Tatiane Donatangelo, Brenda Colautti, Nayara Garbelotti e Thaisa
Papadopoli.
os sete anos da 35
O fundador da agência 35, Astério Segundo, aparece na foto acima em meio a Amanda
Fernandes (community affairs), Andréa Consoleto (head de produção), Adriana Maita
Fernandes (analista financeiro), Mariana Andrade (gerente de atendimento) e Diogo de Góis
(diretor de arte) - todos na empresa desde o seu lançamento -, para celebrar os sete anos
da operação, que reafirma a sua capacidade de reter talentos em um mercado com elevada
rotatividade. Em mais de quatro anos, apenas duas pessoas deixaram a equipe. “Cuidar das
pessoas ainda é o melhor jeito de cuidar do caixa”, resume Astério, que foi diretor de criação
da Africa durante cinco anos antes de criar 35.
6 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
conteúdo de marca
estadão Blue Studio lança o Influency e
amplia atuação no marketing de influência
Nova frente faz parte da celebração dos 150 anos do ‘Estadão’
e tem foco em brand safety, dados e narrativas multiplataforma
O
mercado de influência vem ganhando peso nas
estratégias de comunicação e exigindo das
marcas um nível maior de governança, mensuração
e credibilidade. Nesse cenário, o Estadão Blue
Studio apresenta o Estadão Blue Studio Influency,
unidade dedicada ao marketing de influência que
nasce para qualificar o segmento com curadoria,
rigor e integração multiplataforma. A iniciativa se
conecta às celebrações dos 150 anos do Estadão, reforçando
a combinação de tradição e reinvenção que
marca a trajetória do veículo.
“Com o Estadão Blue Studio Influency, estruturamos
uma atuação ativa nessa expansão, trazendo
o DNA de rigor, brand safety e visão estratégica que
caracterizam o Estadão. Nosso propósito vai além
de simplesmente marcar presença nesse segmento:
buscamos qualificá-lo, elevando o nível de entrega e
conectando marcas a comunidades de forma genuína
e mensurável”, afirma Luís Fernando Bovo, diretor do
Estadão Blue Studio.
Nunno Fonseca
ProPosta e diferenciais
O Influency foi concebido como uma unidade especializada
dentro do Blue Studio. A proposta é unir credibilidade
editorial a uma operação orientada por dados e
por uma rede selecionada de creators, entregando projetos
com storytelling, propósito e curadoria.
“O grande diferencial está na união entre a credibilidade
do Estadão, um rigoroso compromisso com
brand safety e a força de um ecossistema multiplataforma
completo, que abrange mídia própria, mídia
paga, áudio, vídeo, eventos e uma rede de creators
criteriosamente selecionados. Oferecemos narrativas
estruturadas com storytelling, propósito e curadoria
qualificada. Dessa forma, atuamos não apenas como
um canal de conexão entre marcas e creators, mas
como um parceiro estratégico que assegura governança,
com capacidade de gerar resultados concretos
em várias frentes”, reforça Bovo.
curadoria com rigor jornalístico
A seleção de influenciadores segue um processo
de mapeamento que considera dados e reputação,
sempre alinhado aos valores do Estadão. O objetivo
é garantir autenticidade, segurança e efetividade nas
entregas de marca.
“Queremos escolher influenciadores que consigam
traduzir a mensagem da marca de forma autêntica,
responsável e efetiva, capazes de fomentar conexões
genuínas entre marcas e comunidades. Para isso,
a curadoria do casting adota critérios jornalísticos,
como: apuração, reputação e adequação, tudo para
garantir que os conteúdos de marca estejam alinhados
aos valores do Estadão”, detalha o executivo.
Luís Fernando Bovo, diretor do Estadão Blue Studio: rigor, brand safety e marketing de influência com credibilidade
formatos e integração multiPlataforma
Cada projeto do Influency parte de uma curadoria
personalizada — objetivos, público e linguagem orientam
a construção de times de creators e de formatos.
A nova frente opera integrada aos projetos especiais do
Blue Studio, ampliando possibilidades de criação, distribuição
e mensuração.
“A proposta é integrar o Estadão Blue Studio Influency
aos projetos especiais do Blue Studio, com conteúdos
sob medida em múltiplos formatos, como: videocon-
“Queremos escolher
influenciadores que
consigam traduzir a
mensagem da marca de
forma autêntica”
8 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
tents, podcasts, webdocs, videocasts, lives, ativações em
eventos, e-books e outros”, explica Bovo.
Para os anunciantes, o valor está em combinar audiências
qualificadas, governança e dados proprietários.
“Por ter origem em um grupo de mídia, o Estadão Blue
Studio Influency entrega algo que agências e plataformas
dificilmente conseguem reproduzir: acesso a uma
base proprietária de audiência qualificada, integrada a
métricas de desempenho em campanhas multiplataforma.
Isso possibilita entregar não apenas alcance, mas
relevância mensurável”, completa.
Entre os primeiros cases do Estadão Blue Studio Influency,
destacam-se ações desenvolvidas para marcas,
como: FAM, Grupo Carrefour Brasil, Aelo, Sistema Campo
Limpo, Sesi e Grupo Unip/Objetivo, além de ativações em
fóruns e eventos multipatrocinados pelo grupo. No Summit
ESG, por exemplo, influenciadores como Talita Oliveira,
Gabriel Ferri e Camila Rodrigues ampliaram o alcance das
discussões sobre sustentabilidade e economia circular. Já
no Fórum Retratos do Câncer, que ocorreu em julho, a participação
da criadora de conteúdo Fabiana Justus gerou
mais de 849 mil videoviews e 5,6 mil interações em um
Reels colaborativo com o Estadão, contribuindo para um
total superior a 25 milhões de impactos. Esses resultados
ilustram a força do ecossistema multiplataforma do EBS
Influency em conectar marcas, propósito e audiência com
governança, curadoria e impacto real.
150 anos do estadão
A chegada do Influency integra a campanha que
celebra os 150 anos do Estadão, com criação da Africa
e desdobramentos em TV aberta, TV por assinatura, rádio,
mídias digitais e out-of-home (OOH). O novo filme
revisita momentos históricos – Proclamação da República,
Abolição da Escravatura, o combate às ditaduras
e da defesa das liberdades democráticas –, ao mesmo
tempo em que projeta o futuro do veículo em um ambiente
marcado por transformações tecnológicas e
pela necessidade de credibilidade.
“O lançamento do Estadão Blue Studio Influency reforça
a tradição de credibilidade do jornal, ao mesmo tempo
que evidencia sua capacidade de se renovar e acompanhar
as novas formas de consumo de conteúdo e de conexão
entre marcas e pessoas. Mais do que reverenciar o
passado, nosso propósito é ajudar a construir o futuro da
comunicação de marca, oferecendo às empresas campanhas
inovadoras, transformadoras e sintonizadas com as
dinâmicas culturais e digitais do presente”, afirma Bovo.
Visão de futuro e crescimento
do ecossistema
O marketing de influência já consolidou espaço
entre as principais estratégias de comunicação das
marcas. Estimativas do Goldman Sachs indicam que
o segmento deve movimentar quase US$ 500 bilhões
até 2027 no cenário global. É nesse contexto que o
Estadão Blue Studio posiciona o Influency, com a proposta
de estruturar campanhas que unam criatividade
e relevância, mas sempre ancoradas em critérios
de transparência e brand safety.
Além disso, a agenda de inovação do Estadão
Blue Studio inclui a integração de inteligência artificial
a diferentes processos, sempre com revisão
humana, para geração de dados transparentes. Uma
prioridade será a unificação de métricas da área de
customer success, com a centralização de informações
de mais de 25 fontes em uma plataforma automatizada
e preditiva.
“Essa iniciativa permitirá ao Blue Studio oferecer projetos
ainda mais robustos, baseados em dados sólidos
e com dashboards inteligentes, garantindo eficiência,
previsibilidade e maior valor agregado para os clientes”,
explica Bovo.
O núcleo também desenvolve novos projetos para
setores específicos e mantém um olhar especial para a
Rádio Eldorado, ampliando sinergias entre áudio, eventos
e conteúdo digital.
ecossistema amPliado com nZn
O movimento de expansão do Estadão inclui a aquisição
da NZN, dona de TecMundo, Voxel, Minha Série,
Mega Curioso e The Brief. A incorporação reforça a presença
digital, diversifica formatos audiovisuais e abre
caminhos para novos produtos multiplataforma, criando
sinergias em tecnologia, games, entretenimento e
conhecimento — territórios que também dialogam com
projetos de influência.
A combinação entre credibilidade e inovação
sustenta a proposta do Influency e sintetiza a visão
do grupo para o futuro da comunicação de marca.
Como resume Bovo: “Mais do que reverenciar o passado,
nosso propósito é ajudar a construir o futuro
da comunicação de marca”.
aponte a câmera para o Qr code e saiba mais
sobre o estadão Blue studio influency
jornal propmark - 13 de outubro de 2025 9
curtas
Cálix lança teste voCaCional no roblox
Rawpixel/Freepik
Reprodução
ESPM cria hub dE EMPrEEndEdoriSMo
coM alunoS, ProfESSorES E EMPrESárioS
A ESPM lançou o Hub de Empreendedorismo, que tem ADE Sampa, ABStartups, Founder
Institute, Cristal IA e Innovati como parceiros. Fernanda Cahen, professora de pós-graduação
em administração (PPGA), passa a responder também como curadora do projeto, que terá
uma comunidade no WhatsApp para compartilhamento de notícias, oportunidades de vagas e
networking. O hub se dedicará ao fomento da inovação, troca de experiências e novos negócios
entre estudantes, professores, ex-alunos, pesquisadores e empresários. Eles trabalharão
conforme os pilares de força da criatividade, ecossistemas globais e Digitally Native Vertical
Brands (DNVBs). “A criação do hub é mais uma etapa no amadurecimento e estruturação da
discussão de empreendedorismo na ESPM. Com ele, conseguimos um posicionamento uníssono
para o mercado. O objetivo é conectar todas as iniciativas que já estavam em andamento na
ESPM a partir de uma visão única para o mercado”, comenta Caio Bianchi, diretor de extensão,
ecossistemas e educação continuada da ESPM. A iniciativa trabalhará o empreendedorismo na
graduação, pós, extensão, mestrado e doutorado, ampliando discussões sobre ecossistemas e a
cultura empreendedora e facilitando a transformação de ideias em negócios.
‘doMingão CoM huCk’ estreia ‘WilliMpíadas’
Divulgação
Cena do game ‘Descobridor de trilhas’, idealizado para o governo de Minas Gerais
A agência Cálix assina a criação do ‘Descobridor de trilhas’, teste vocacional na plataforma de
games Roblox - iniciativa do governo de Minas Gerais que integra o programa ‘Trilhas de futuro’,
criado há seis anos para ampliar o acesso à formação técnica gratuita. “O grande salto
é levar uma política pública para o mesmo espaço onde os jovens já estão”, conta Marcello
Lopes, CEO da CLX. O diretor de criação Marcus Valls lembra que “quando o jogo vira ferramenta
de descoberta, a cultura gamer se conecta com a vocação de cada estudante”. “Não basta
falar com a juventude. É preciso criar experiências que transformem sua vida e preparem
Minas para o futuro”, complementa Bernardo Assis, secretário de Estado de Comunicação
Social do Governo de Minas.
Disputa terá quatro episódios e o vencedor será revelado por Luciano Huck em novembro
Estreia neste domingo (12) as ‘Willimpíadas’, game show em formato de reality transmitido pelo
‘Domingão com Huck’, da TV Globo. A iniciativa é resultado de parceria de negócios iniciada em
janeiro com o banco digital Will Bank em cocriação com Monkey Land e Endemol Shine Brasil.
A disputa terá quatro episódios e o vencedor do prêmio de R$ 1 milhão será revelado pelo
apresentador Luciano Huck, embaixador da marca, no dia 23 de novembro. Leandro Thot, diretor
de marketing do Will Bank, destaca a oportunidade de “desmistificar a relação com o dinheiro”,
enquanto Valéria Soska, diretora de comercialização da Globo, Ricardo Forli, sócio e diretor
de negócios da Monkey Land, e Nani Freitas, CEO da Endemol Shine Brasil, reforçam o caráter
divertido e informativo da ação.
MarCia suMie Chega à W3haus greenz ganha Conta da Cultura inglesa CoCa-Cola anunCia head de Marketing
Executiva atuará como diretora de operações da agência
Marcia Sumie foi contratada como diretora de operações
da agência W3haus, do grupo Stefanini. “A chegada da
Marcia representa um passo importante na consolidação
da W3haus como uma agência que alia criatividade à
excelência operacional”, diz a CEO Alessandra Sant’Ana.
“Operações é o coração que garante que as ideias
ganhem vida. O meu objetivo é criar ambientes onde
pessoas e processos trabalhem em harmonia, permitindo
que cada etapa seja conduzida com eficiência e cuidado,
gerando resultados sustentáveis e transformadores”,
declara Marcia Sumie, que em 16 anos de experiência
conduziu projetos para Raízen, Telefônica, Vivo, Volkswagen,
Coty e Bauducco. Passou ainda pelas agências
Ampfy, Wunderman e Vetor Zero.
Divulgação
Megale e Meneghati, da Greenz, e Luciana, da Cultura Inglesa
A nova agência de comunicação da rede de idiomas Cultura
Inglesa é a Greenz, que já trabalha na criação de campanha
prevista para estrear em novembro. A escolha ocorreu por
meio de avaliação técnica entre quatro agências, sem concorrência
formal. A conta era atendida pelas agências Santa Clara
e Elementar. A Greenz desenvolverá planejamento, mídia on e
off, performance, conteúdo e criação para conectar a “história
de credibilidade da marca à linguagem que dialoga com as
novas gerações”, afirma Fábio Meneghati, CEO da Greenz, que
conta com o trabalho do head de squad Wagner Megale. “A
Cultura Inglesa tem uma trajetória de 91 anos de credibilidade.
O nosso objetivo é potencializar esse ativo, modernizando a
forma como a marca se apresenta”, espera Luciana Fortuna,
diretora-executiva de marketing da Cultura Inglesa.
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A Coca-Cola Brasil
anunciou Raquel
Ribeiro como nova
head de marketing no
país a partir de outubro
de 2025. A executiva
sucede Ted Ketterer,
que deixou o cargo
após quatro anos para
assumir a vice-presidência
de marketing
da empresa em Atlanta
(EUA). Com mais de 15
anos de atuação na
Raquel Ribeiro: conexões reais para
inspirar transformações positivas
Coca-Cola, Raquel iniciou sua trajetória em 2010 como analista
de shopper marketing e ocupou posições nas áreas de
operações de franquia, marketing regional e categorias. Ela
contribuiu para o crescimento das marcas Coca-Cola, Fuze Tea,
Leão e Crystal. Nos últimos dois anos, foi Sprite Latam senior
director. Liderou a expansão da marca na região e consolidou
o Brasil como referência global da companhia. “Acredito no
poder das marcas em criar conexões reais com as pessoas e
em inspirar transformações culturais positivas. Estou muito
animada para dar continuidade ao trabalho realizado e, junto
com o time, escrever novos capítulos dessa história de impacto
e relevância no país”, afirma Raquel Ribeiro.
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10 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
opinião
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Otto Ferrentini Gonçalves de
Oliveira e Antonio Bernardo Lee
são alunos do Colégio Nossa Senhora
das Graças
O “novo” ensino médio
O
ensino médio brasileiro tornou-se o santuário do
politicamente correto — uma espécie de igreja
secular onde a heresia maior é pensar por conta
própria. O aluno não é educado, é domesticado.
Os antigos gregos formavam cidadãos; nós formamos
fragilizados emocionais com diploma.
O jovem sai da escola incapaz de argumentar, mas pronto
para lacrar em qualquer debate sobre “desconstrução”.
Aprende desde cedo que a virtude não está na verdade,
mas no vocabulário certo: basta dizer “todes”, “corpes”
e “lugar de fala”, para ascender imediatamente à
categoria de ser iluminado.
Antigamente, a escola era o lugar onde o jovem se
confrontava com o mundo real — com suas contradições,
injustiças e mistérios.
Hoje, é o refúgio onde ele é protegido de qualquer
ideia que o faça pensar.
Os professores, antes mestres, agora se comportam
como babás ideológicas: em vez de ensinar lógica, ensinam
“respeito às diferenças” (desde que a diferença não
seja discordar do grupo).
O politicamente correto é a nova gramática da mediocridade.
Ele transforma a covardia em virtude e a
censura em sensibilidade.
O estudante aprende a pedir desculpas por existir antes
mesmo de saber quem é.
Aprende que toda conquista é privilégio, toda opinião
é opressão e todo mérito é suspeito.
O ensino médio é o vestibular da idiotice: quem passa
é quem aprendeu a odiar a contestação.
A inteligência, que antes se media pela capacidade
de compreender e aplicar, agora se mede pela habilidade
de se ofender.
E o mais irônico é que tudo isso é vendido como “libertação”.
Libertação de quê? Da razão, da cultura, da história —
de tudo o que possa lembrar que o ser humano é mais
do que um conjunto de emoções feridas.
O ensino médio moderno é o berçário do ressentimento:
um lugar onde ninguém aprende a pensar, mas
todos aprendem a se ofender.
No fim, o politicamente correto não é uma forma de
civilização — é uma forma de amnésia.
Ele apaga a memória da cultura, destrói o senso de
humor e transforma o espírito crítico em histeria moral.
E o resultado disso é o imbecil ilustrado: aquele que
fala bonito sobre inclusão, mas não consegue conjugar
um verbo nem argumentar sem gritar.
O ensino médio, hoje, não prepara o jovem para o
mundo — prepara o mundo para o jovem.
Um mundo onde ninguém pode discordar, rir ou
questionar. Um mundo perfeitamente seguro, perfeitamente
estéril, perfeitamente idiota.
“O ensino médio, hoje,
não prepara o jovem
para o mundo —
prepara o mundo
para o jovem”
jornal propmark - 13 de outubro de 2025 11
negócios &
sustentabilidade
Alê Oliveira
O purgatório da
COP30 e do Brasil
Ricardo Esturaro
é escritor, administrador de empresas
e especialista em marketing, estratégia
e sustentabilidade
ricardo@esturaro.com
Ricardo Esturaro
Desde dezembro de 2023, quando o Brasil foi escolhido
como sede da COP30, em Belém, o que se
ouviu foi o discurso de que o país teria a chance
de liderar a agenda climática global. Mas, às vésperas
do evento, o que se desenha é mais uma oportunidade
perdida — para o Brasil e para uma conferência que
precisa ser reinventada.
O Brasil poderia ter apresentado ao mundo uma
abordagem inovadora, com soluções locais e orientadas
a resultados — com foco, por exemplo, em nossos
recursos naturais. Tinha todas as condições para articular
uma agenda ousada com empresas, universidades
e startups. Afinal, não faltam problemas — e tampouco
oportunidades. Em vez disso, o que se vê é improviso,
atrasos em infraestrutura e uma pauta ambiental difusa.
O resultado? Uma COP esvaziada antes mesmo de
começar. Enquanto isso, a crise ambiental se agrava, os
países ricos seguem com compromissos tímidos, e grande
parte da população continua alheia ao debate — sem
entender o que está em jogo.
Para mudar esse cenário, é essencial falar com quem
está fora da bolha, e não existe outro caminho que não
seja o de descomplicar a comunicação ambiental. É preciso
mudar o tom e apresentar soluções reais, com impacto
direto na vida das pessoas: do saneamento como
saúde pública; do lixo e da reciclagem como questão de
educação e respeito; do reflorestamento como oportunidade
econômica; da energia limpa como redução na
conta de luz; da sustentabilidade como um bom negócio.
Essa é a narrativa que engaja, conecta — e que deveria
ser aprofundada em Belém.
Quanto às COPs, desde a primeira conferência do
clima, em 1995, os encontros têm oscilado entre declarações
inspiradas e avanços limitados. Não se trata de
minimizar o papel das COPs ou da diplomacia climática
— ainda sendo o principal fórum multilateral sobre meio
ambiente. Seu valor como espaço de articulação global
permanece, assim como sua capacidade de reunir especialistas,
autoridades, ONGs e empresas. Ainda assim,
é necessário reconhecer os limites desse modelo e ter
coragem para transformá-lo. Para piorar — e isso não é
novidade —, o multilateralismo perdeu força. Vivemos
em um mundo fragmentado, onde agendas internas se
sobrepõem ao consenso global.
Apesar disso, muitas lideranças seguem tratando
a COP como um ritual sagrado, quase um dogma. Essa
miopia limita os espaços de reposicionamento e atualização.
Tudo isso, lamentavelmente, distancia ainda mais
a pauta ambiental do mundo real e dificulta alcançar os
resultados necessários. Dag Hammarskjöld, ex-secretário-geral
da ONU, já alertava: “A ONU não foi criada para
levar a humanidade ao paraíso, mas para salvá-la do inferno”.
A crise do multilateralismo, somada ao histórico
de poucos resultados das COPs, empurra a diplomacia
ambiental para o próprio purgatório — e o abismo pode
começar em Belém.
É urgente uma guinada na forma como o tema climático
é tratado globalmente. A COP não muda o mundo
— mas deveria ajudar a melhorá-lo. É fato que quem
transforma o mundo são as pessoas. A agenda ambiental
só avançará quando for compreendida e adotada
por todos: cidadãos, empresas, governos. A diplomacia
ambiental precisa encarar a realidade. O problema não
está nas conferências em si, mas na crença ingênua de
que discursos e eventos resolvem crises. Não resolvem.
A transformação exige engajamento prático da sociedade,
não apenas falas de autoridades em auditórios climatizados.
E o Brasil? Corre o risco de enterrar de vez a
credibilidade do evento. Ao aceitar sediar a COP30, o país
assumiu uma responsabilidade global. Mas, até agora, o
que tem entregado é descaso, desorganização e falta de
ambição. O mundo está atento, e o tempo para ajustar
essa rota está se esgotando.
“O que se vê é
improviso, atrasos
em infraestrutura
e uma pauta
ambiental difusa”
12 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Pesquisa mostra como a criatividade
impacta e pode potencializar o OOH
Estudo ‘Double take’, divulgado pela System1e JCDecaux, analisou mais
de mil campanhas out of home e traz insights para aumentar a eficácia
A
System1, plataforma de pesquisa
de marketing, e a JCDecaux divulgaram
o estudo ‘Double take’, que conecta
a qualidade criativa da publicidade
out of home ao impacto comercial real.
Realizada em sete mercados: Austrália,
Brasil, França, Alemanha, Espanha,
Reino Unido e EUA, a pesquisa analisou
mais de mil campanhas da JCDecaux
testadas pela plataforma junto a 180 mil
consumidores, por meio da plataforma
Test Your Ad.
O estudo apresenta cinco comportamentos
criativos que aumentam a eficácia
das campanhas. “Ser visto e lembrado
é fundamental para as marcas. Este
guia global é a primeira análise desse
tipo sobre as decisões e recursos criativos
que podem ser utilizados em out of
home para gerar um impacto duradouro
A emoção positiva é o maior impulsionador do impacto out of home, diz estudo
Freepik
e resultados comerciais reais”, comenta
Andrew Tindall, SVP de parcerias globais
da System1.
“O estudo reforça o quanto um criativo
bem executado faz toda a diferença
e influencia o resultado da campanha”,
afirma Silvia Ramazzotti, diretora de
marketing da JCDecaux Brasil.
O estudo destaca, por exemplo, que a
qualidade criativa aumenta a atenção e a
memória: campanhas com um branding
bem executado tiveram mais de 50% de
chance de serem lembradas em comparação
com as campanhas menos “fluentes”
(reconhecíveis). Outra descoberta: a
emoção positiva é o maior impulsionador
do impacto out of home: campanhas
que evocam emoções positivas como felicidade
ou surpresa geram um aumento
de 52% na ação comercial.
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C&A leva o Dia das Crianças para as ruas
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com abrigo de ônibus interativo em SP
Ativação na Avenida Brigadeiro Faria Lima transforma a tela digital
instalada no ponto em um livro de colorir virtual para os pequenos
Para comemorar o Dia das Crianças,
a C&A ocupa a Avenida Brigadeiro
Faria Lima, com uma ativação impactante:
um abrigo de ônibus interativo
que transforma-se em espaço de
diversão. Desenvolvida em parceria com
a Eletromidia, a ação transforma a tela
digital instalada no ponto em um livro de
colorir virtual, permitindo que as crianças
pintem enquanto aguardam o transporte.
A ação reforça o propósito da marca
de transformar moda em experiências
que conectam famílias. “O Dia das Crianças
é uma das datas mais afetivas do
calendário e queríamos que a celebração
fosse vivida também fora das lojas. A
ideia do abrigo interativo é mostrar que
patrocínio
Ação foi desenvolvida a partir de uma parceria entre Eletromidia e VML
a brincadeira pode estar em todos os
lugares”, explica Mariana Prado, gerente
sênior de marketing da C&A.
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“A iniciativa da C&A na Faria Lima traduz
o que acreditamos: a cidade pode
ser palco de experiências que encan-
tam e criam conexões. Nosso papel é
justamente esse, apoiar as marcas na
transformação de uma simples espera
em momentos que marcam o dia a dia
de quem circula pelas ruas”, completa
Raphael Jimenez, diretor-comercial em
SP da Eletromidia.
Além da ativação urbana - criada em
parceria com a agência VML Brasil -, unidades
da C&A selecionadas em todo o
país recebem ambientações especiais
e vitrines temáticas que convidam pais
e filhos a mergulhar no universo lúdico
da campanha. Com a tagline ‘Quando os
pequenos se divertem com o look, todo
mundo sente!’, a comunicação une moda,
afeto e criatividade.
14 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
entrevista
RichaRd de albanesi
CEO da The LED
‘A gente está só no começo’
Empreendedor desde a adolescência,
Richard de Albanesi começou a trabalhar
aos 13 anos no negócio da família,
no setor de iluminação. O contato
precoce com o universo corporativo
e as frequentes viagens à China o
levaram a enxergar, ainda em 2010, uma
oportunidade em uma área praticamente
inexplorada no Brasil: os painéis de
LED. Assim nasceu a The LED, com o
propósito de criar uma marca nacional de
tecnologia e impacto visual. De lá para cá,
a empresa cresceu em ritmo acelerado
e tornou-se referência em soluções de
mídia digital e hoje atua em três pilares:
eventos, instalações fixas e retail media.
À frente desse processo, o CEO fala sobre
o papel do relacionamento com clientes
e times e os planos de expansão que
consolidam a The LED como uma das
principais empresas do setor na América
Latina.
Adrieny Magalhães
Você começou a trabalhar muito jovem. Como foi essa trajetória
até criar a The LED?
Comecei aos 13 anos no negócio da família, no setor de iluminação. Passei a infância
dentro da fábrica e, com 13, já trabalhava todas as tardes. Fui para a China pela primeira
vez nessa idade, acompanhando minha mãe — e depois voltei quase 50 vezes.
A gente produzia e desenvolvia produtos de iluminação e, quando ela tomou a decisão
de vender a empresa para se dedicar integralmente ao projeto social ‘Amigos do
Bem’, eu me vi pensando no que fazer. Foi quando decidi criar algo que eu realmente
dominasse. Eu conhecia iluminação, conhecia LED e sabia que o Brasil não tinha nenhuma
marca de painéis de LED. Em 2010, comecei o sonho da The LED.
Por que você chama de “sonho”?
Porque, no começo, muita gente achava que era loucura. Ninguém no Brasil sabia
direito o que era um painel de LED, não existia uma marca nacional e a ideia de competir
com produtos chineses parecia impossível. Eu escutava que era arriscado, que
o mercado não estava pronto, mas sempre acreditei que dava para fazer diferente.
Queria criar uma marca sólida, reconhecida pela qualidade e com propósito — algo
que levasse o nome do Brasil para um segmento dominado por importações. O início
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foi desafiador, mas também empolgante. Começamos atendendo grandes artistas e
eventos, o que ajudou a dar visibilidade à tecnologia. O primeiro grande case foi o
DVD de 40 anos de Chitãozinho & Xororó, e logo depois veio o projeto da Claudia Leitte,
que, na época, foi considerado o maior do país. Esses trabalhos abriram as portas e
mostraram que o LED podia ir muito além dos palcos.
Como foi essa transição dos palcos para os projetos fixos e corporativos?
Mesmo com o sucesso nos shows, a ideia sempre foi desenvolver e fabricar produtos
próprios. Em 2012, tivemos nosso primeiro contrato importante com a Elemidia,
que mais para frente foi comprada pela Eletromidia, o que abriu as portas do out of
home. Fizemos o primeiro painel aéreo instalado dentro de um shopping no Brasil, no
Villa-Lobos, em São Paulo. Na época, era enorme, pesado — mais de 30 centímetros
de largura —, e hoje fazemos o mesmo produto com menos de dez. A partir daí, entramos
em outros shoppings e fortalecemos nossa atuação no OOH.
Você sempre acreditou no varejo como próximo passo, certo?
Sim. Desde 2011 eu falava: “um dia o varejo vai ter mídia”. Tentamos na época colocar
painéis em supermercados, mas o mercado ainda não estava pronto. Só em 2019 veio
o grande divisor de águas, com a loja conceito da Riachuelo no MorumbiShopping —
16 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
“Comecei a trabalhar com 13 anos e fui para a China ainda
menino. Acho que desde cedo aprendi a sonhar grande”
uma loja inteira digital, com colunas e fachadas em LED. Esse projeto abriu portas
para diversas marcas do varejo e provou que estávamos no caminho certo.
A pandemia afetou diretamente os eventos. Como vocês reagiram?
Foi um dos momentos mais difíceis da nossa história. Mais de 80% do nosso negócio
era de eventos e, de um dia para o outro, tudo parou. Mas decidimos nos reinventar:
transformamos os painéis de eventos em instalações fixas e começamos a atender
aeroportos, rodoviárias e lojas. O Aeroporto de Confins foi um dos primeiros, e até
hoje é 100% digital. A partir dali, deixamos de ser apenas uma empresa de eventos
para oferecer soluções completas — estrutura metálica, instalação, cabeamento e
sistema de gerenciamento.
Essa mudança exigiu novas aquisições, certo?
Sim. Para garantir agilidade e qualidade, compramos a Fase, uma empresa de 35
anos especializada em estruturas metálicas, e depois a Invian, que tinha 12 sistemas
proprietários de software e presença na América Latina. Essas aquisições nos tornaram
uma empresa de tecnologia e não apenas de hardware. Hoje entregamos todo o
ecossistema: tela, estrutura, sistema e conteúdo.
Você mencionou a importância de oferecer experiência. O que
isso significa na prática?
Significa entender que o LED é só parte da história. A experiência está na forma como
o cliente interage com a tela — seja em um aeroporto, em uma loja ou em um posto
de gasolina. Nosso papel é fazer essa comunicação ser relevante, gerar impacto e
conexão emocional.
Como nasceu o investimento da The LED em retail media?
Quando olhamos para o varejo, percebemos que tínhamos tudo: a instalação, o sistema,
o conteúdo — só faltava ajudar o cliente a monetizar o ponto de venda. Decidimos
estruturar um time comercial e, com a aquisição da Retail Media, passamos
a oferecer também a comercialização dos espaços. O cuidado foi não concorrer com
nossos clientes de OOH. Não queremos disputar licitações de mobilidade urbana nem
instalar antenas; nosso foco é rentabilizar o varejo.
Quais são as metas e expectativas com essa frente de negócio?
Crescemos cerca de 50% no primeiro semestre de 2024, em relação ao mesmo período
de 2023. A meta é seguir crescendo entre 30% e 50% ao ano, com base em
relacionamentos sólidos e inovação constante. O objetivo é ser referência em retail
e in-store media, mostrando às agências e marcas o poder de impacto e as métricas
que o ponto de venda oferece.
Você mencionou que a The LED tem uma preocupação em não
ser concorrente de seus clientes. Como isso se traduz na prática?
Isso é algo que a gente leva muito a sério. Nosso papel nunca foi competir com as
empresas de OOH que são nossos parceiros há anos, como a Eletromidia. Pelo contrário,
queremos fortalecer o ecossistema. A The LED nasceu para fornecer tecnologia,
infraestrutura, sistemas e conteúdo, não para disputar licitações ou espaços de
mídia. Quando decidimos entrar em retail media, a grande questão era justamente
essa: como atuar nesse mercado sem invadir o território de quem já está nele? A
resposta foi simples — focar no ponto de venda. Nosso objetivo é ajudar o varejo a
rentabilizar os próprios espaços, criar oportunidades e oferecer uma mídia nova, de
proximidade, que complementa o OOH.
Você costuma dizer que prefere ser o melhor antes de ser o
maior. Por quê?
Porque o crescimento é consequência. Nosso foco é excelência: ser o parceiro preferido
de quem quer qualidade, entrega e inovação.
Você destaca muito o papel das pessoas. O que aprendeu como
gestor?
Que sozinho ninguém faz nada. As pessoas que estão comigo desde o início e as
que chegam agora formam a base da The LED. Hoje somos mais de 420 profissionais
no Brasil — técnicos, engenheiros, equipes comerciais —, e o mais importante é que
todos acreditam no propósito. Realizamos onboardings mensais com 10 a 15 novas
contratações, e sempre reforço que problemas existem, mas o segredo é buscar
soluções.
Como você descreveria a cultura da The LED hoje?
É uma cultura de proximidade e propósito. Digo sempre que quero boas pessoas
antes de bons profissionais. Claro que a técnica é essencial, mas o que sustenta um
time é o caráter. Trabalhar com gente do bem é o que faz a diferença. Nós tentamos
trazer isso desde o onboarding: mostrar que o trabalho é pesado, que os desafios são
diários, mas que, com comprometimento e colaboração, tudo flui.
Como é o processo de formação e retenção de talentos?
É desafiador. Trazer pessoas novas e incorporá-las à cultura é difícil, principalmente
em um mercado competitivo. Como mencionei, busco bons profissionais, mas antes
de tudo boas pessoas. Digo sempre que quero “gente do bem”, pessoas que plantem
e pratiquem boas ações, dentro e fora da empresa.
O que significa, para você, relacionamento com o cliente?
É a base de tudo. Sempre digo que o tempo do cliente é agora. Se o painel parou, ele
não quer esperar 48 horas de SLA; ele quer solução imediata. Também aprendemos
a não vender apenas o que o cliente pede, mas o que ele realmente precisa. Às vezes
ele chega com um projeto pronto, e mostramos que há formatos e tecnologias mais
adequadas. Nosso papel é orientar.
Quais cases mais marcaram a história da The LED?
Temos muitos. O Pylon do Morumbi, por exemplo, exigiu um nível de engenharia e
técnica impressionante. A nova loja do Magazine Luiza no Conjunto Nacional, que
será inaugurada em breve, é outro case que representa o futuro do varejo: tecnologia,
conteúdo dinâmico e integração total. Também tivemos projetos de grande
escala, como o rollout de 57 lojas da Leroy Merlin em tempo recorde e as instalações
no Carrefour e Atacadão, que mostram nossa capacidade de entrega nacional.
A empresa também começou a expandir internacionalmente.
Como está esse processo?
Iniciamos há quatro anos uma operação em Portugal e realizamos recentemente
uma instalação em Miami, na orla, com totens digitais. Ainda é o começo, mas o plano
é consolidar a presença internacional com a Invian, que já atua na América Latina.
A partir dela, queremos levar a The LED para novos países em 2026.
O que mais te inspira quando olha para o mercado hoje?
Ver o quanto o digital está transformando a comunicação. O LED deixou de ser apenas
uma tela e virou um meio de conexão. Quando olho um projeto no varejo, num
aeroporto ou numa loja e vejo pessoas interagindo com aquele conteúdo, percebo
que nosso trabalho é criar experiências. Isso me inspira: saber que, de alguma forma,
a tecnologia pode emocionar e gerar resultado ao mesmo tempo.
E pessoalmente, o que o motiva a continuar empreendendo depois
de tantos anos?
Acredito que a The LED ainda está só no começo. Temos metas ambiciosas, queremos
crescer, internacionalizar, levar nossa tecnologia para mais lugares. Mas o que mais
me motiva é ver o impacto do nosso trabalho — no mercado, nos clientes e nas pessoas
que estão comigo há anos. É olhar para trás e pensar: valeu a pena cada desafio,
porque tudo foi construído com propósito.
Você tem uma frase que resuma a visão da empresa para o futuro?
Essa frase está fácil, hein? “Infinitas possibilidades”.
“Nosso objetivo nunca foi ser
o maior, e sim o melhor”
jornal propmark - 13 de outubro de 2025 17
mercado
Liderança, felicidade e o novo código do
crescimento pautam o Bconnected 2025
Evento em São Paulo marcou 15 anos de história e apresentou pesquisa
e premiação que destacam o amadurecimento do franchising brasileiro
Fotos: Divulgação
Painel ‘O Dragão do Varejo’ destacou como o modelo chinês influencia o consumo
Lyana Bittencourt: propósito, consistência e inteligência estratégica como base
Adrieny Magalhães
O
Bconnected 2025 ocorreu nos
últimos dias 7 e 8, no Teatro Santander,
em São Paulo, e marcou as
comemorações pelos 15 anos do evento
promovido pelo Grupo Bittencourt.
A edição deste ano reuniu executivos,
líderes e especialistas do varejo e do
franchising para discutir os caminhos
do crescimento sustentável, em um
contexto marcado pela digitalização e
pela redefinição das relações de trabalho
e consumo.
Com o tema ‘O código do crescimento’,
o encontro propôs uma leitura ampla
sobre o papel das pessoas, da cultura e
da tecnologia no avanço das redes de
negócio. “O Bconnected 2025 vai muito
além de um evento: é uma jornada de
inspiração, conhecimento e conexões”,
afirmou Lyana Bittencourt, CEO do grupo,
em entrevista recente ao propmark.
Pessoas no centro
Entre os painéis do primeiro dia, ‘A
Ciência da Felicidade e dos Resultados’,
apresentado por Dorival Oliveira,
vice-presidente da Arcos Dorados/
McDonald’s, destacou o impacto direto
do bem-estar nas operações. “Gente feliz
trabalha mais rápido, é mais produtiva e
mais lucrativa”, disse o executivo. Com
mais de 70 mil funcionários e dois milhões
de clientes por dia na América Latina,
Oliveira defendeu o investimento em
desenvolvimento contínuo. “Treinamento
é para quem quer fazer hambúrguer.
Desenvolvimento é para quem quer fazer
diferente”, afirmou, ao citar que 88% dos
gerentes começaram como atendentes.
exPansão e eficiência
Em seguida, Iuri Miranda, CEO da
Firehouse Subs, conduziu o painel ‘Liderando
gigantes: Estratégias para
escalar marcas globais no foodservice
brasileiro’. O executivo abordou a experiência
de expansão de marcas internacionais
e a necessidade de adaptação
local. “Ter liberdade para adaptar é fundamental.
A marca que vem com receita
pronta pode até ter sucesso lá fora, mas
precisa entender o mercado em que
atua”, destacou.
“Crescer é muito
mais do que abrir
novas unidades”
tegração tecnológica. Simone destacou
que a Midea, joint venture entre China e
Estados Unidos, triplicou o faturamento
no Brasil em cinco anos e tem se posicionado
como empresa de tecnologia.
Já Danilo Mansano detalhou a entrada
da Meituan, gigante chinesa de delivery,
que investirá R$ 5,6 bilhões no país nos
próximos cinco anos.
o ‘código do crescimento’
Durante o evento, o Grupo Bittencourt
apresentou a pesquisa ‘O código do crescimento
no franchising’, realizada entre
julho e agosto com 135 redes de franquias.
O estudo aponta um setor mais
maduro e orientado à consistência. Em
2025, o franchising cresceu 13,5% em faturamento,
mas o diferencial das marcas
está na forma de expandir — com governança
e visão de longo prazo.
Segundo Caroline Bittencourt, diretora
de relacionamento e insights, “crescer
é muito mais do que abrir novas unidades;
é evoluir em estrutura, cultura e
propósito”. O levantamento mostra que
53% das redes adotam perfil conservador
o avanço do modelo chinês
O painel ‘O dragão do varejo: como
a China está remodelando o setor no
Brasil’, mediado por Lyana Bittencourt,
trouxe Fábio Neto (StartSe), Simone de
Camargo (Midea) e Danilo Mansano (Keeta)
para debater as transformações impulsionadas
pela China.
Para Neto, o Brasil se tornou “o maior
laboratório global da China”, com consumidores
e empresas influenciados
por novos modelos de velocidade e inde
crescimento, enquanto 36% planejam
internacionalização.
A pesquisa também destaca o papel
estratégico dos consultores de campo:
93% das redes contam com esse suporte,
com média de 22 franqueados por
profissional. A função, que antes era
operacional, passa a ter caráter analítico
e de mentoria, com apoio de tecnologias
como BI e inteligência artificial.
O estudo apresenta ainda a Matriz de
Complexidade x Importância, que posiciona
propósito, liderança e dados como eixos
centrais do novo modelo de gestão. “As redes
que conseguirem alinhar inovação tecnológica
e liderança local criarão barreiras
reais à concorrência”, afirma Caroline.
toP25 do franchising
No dia 8, o evento encerrou com a premiação
TOP25 do Franchising Brasileiro,
que reconhece as redes que melhor aplicaram
os princípios do ‘código do crescimento’.
A seleção considerou fatores como
governança, consistência operacional, inovação
e suporte ao franqueado.
Entre as redes reconhecidas estão marcas
como O Boticário, McDonald’s, 5àsec,
Usaflex, Anjos Colchões & Sofás, Maria Brasileira,
Milky Moo e RE/MAX, entre outras.
Para Lyana Bittencourt, as premiadas são
exemplos de redes que “crescem com visão,
consistência e inteligência estratégica,
mesmo em cenários desafiadores”.
20 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
mercado
Setor óptico surfa onda que transformou
os óculos em acessório de moda e estilo
Marcas como Chilli Beans ampliam atuação, de olho em consumidores
que buscam cuidar da visão sem deixar de lado a beleza e a tecnologia
Vitor Kadooka
Atendimento em ótica: o consumidor tem buscado cada vez mais orientação técnica e uma experiência personalizada na escolha
O
setor óptico vive um momento de
contrastes. De um lado, o número
de franquias segue em alta, segundo
dados da Associação Brasileira de
Franchising (ABF), que apontam avanço
nas operações do segmento de saúde,
beleza e bem-estar, no qual o varejo óptico
se insere. Entre as redes com maior
presença nacional, em ordem decrescente,
Óticas Carol, Chilli Beans e Óticas
Diniz figuram entre as 15 maiores do
país, somando mais de 3,8 mil unidades.
Na avaliação de Claudia Vobeto, diretora
da comissão de saúde, beleza e
bem-estar da ABF, o desempenho das
franquias ópticas confirma a força do
modelo. “O segmento apresentou um resultado
positivo no primeiro semestre,
crescendo 3,23% em número de marcas
e 4,77% em unidades (em comparação
ao primeiro semestre de 2024)”, revela.
Segundo a diretora, esse avanço reflete
a consolidação das óticas como um serviço
essencial, associado tanto à saúde
visual quanto ao consumo de produtos
de moda e lifestyle. “A estrutura e a credibilidade
do sistema de franquias têm
ajudado o segmento a expandir de forma
consistente, com padronização de
atendimento, suporte técnico e uso de
tecnologia para gestão e relacionamento
com o cliente”, completa.
Entre os fatores que puxam o crescimento,
Claudia destaca a interiorização
das operações. “A expansão para cidades
médias e pequenas tem sido uma
alavanca de crescimento relevante. São
regiões com grande potencial de consumo
e ainda com espaços disponíveis
para marcas com operação estruturada
e reconhecida. As franquias, por sua
natureza, conseguem chegar a esses
mercados com eficiência, oferecendo
padrão de qualidade e segurança ao
consumidor local”, diz.
Apesar do bom desempenho do
franchising, a Associação Brasileira das
Indústrias Ópticas (Abióptica) revisou
para baixo suas projeções econômicas
para 2025. O faturamento de agosto somou
R$ 2,242 bilhões, uma queda de 7%
em relação a julho, o que levou a entidade
a ajustar a previsão de crescimento
anual de 7,2% para 5%. Ainda assim, a expectativa
da diretora-executiva Ambra
Nobre Sinkoc é de melhora até o fim do
ano, sustentada pelo comportamento
sazonal do consumo. “Tradicionalmente,
o segundo semestre apresenta um
desempenho mais aquecido do que o
primeiro”. Ela analisa que, no momento,
“o consumidor está adiando a decisão
de realizar gastos fora de sua rotina,
como cuidar de sua saúde visual. Segundo
estimativas da Organização Mundial
da Saúde (OMS), existem 35 milhões de
pessoas com alguma deficiência visual”.
O setor emprega cerca de 180 mil
pessoas e reúne mais de 71 mil pontos
de venda no país, movimentando R$ 27
bilhões em 2024, segundo a Abióptica.
Um levantamento conduzido pela entidade,
em parceria com a InRoots e a
ESPM, mostra que o índice de satisfação
do consumidor em agosto com o varejo
óptico é de 91,87%, com destaque para
o atendimento, citado em mais de 70%
das menções positivas nas redes e sites
de avaliação, nesse mês deste ano. “A
qualidade do atendimento e do pós-
-venda continua sendo o principal fator
de satisfação no varejo óptico”, aponta
o relatório.
Além dos indicadores econômicos, o
setor óptico é regido por um arcabouço
legal que molda a forma como as empresas
podem atuar. A comercialização
de lentes de grau no Brasil é regulamentada
desde 1934, quando o Decreto
nº 24.492 proibiu médicos oftalmologistas
de manter vínculo com ópticas
e determinou que consultórios e lojas
Freepik
“O segmento
apresentou um
resultado positivo
no primeiro
semestre”
22 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
Guido Ferreira/Divulgação Chilli Beans
Divulgação
Caito Maia, fundador da Chilli Beans e Ótica Chilli Beans: design diferenciado
Ivete Sangalo é o rosto da nova coleção da Chilli Beans, lançada em setembro
não compartilhassem o mesmo espaço.
Posteriormente, o Decreto-Lei nº
8.829, de 1946, consolidou a obrigatoriedade
de que todas as lentes — com
ou sem grau, coloridas ou incolores
— sejam vendidas apenas em ópticas
oficialmente estabelecidas. A partir daí,
o objetivo tem sido preservar a separação
entre a prática médica e a atividade
comercial.
Com o tempo, outras normas complementaram
o tema. A Resolução nº
260 da Anvisa, de 2002, revogou uma
portaria anterior que liberava a venda
de óculos prontos em qualquer comércio,
reforçando o controle sanitário sobre
esses produtos. Já a Instrução Normativa
nº 9, de 2009, proibiu a venda
de lentes de grau em farmácias e drogarias,
exceto em municípios que não
possuam ópticas registradas.
Na prática, o conjunto de regras define
a fronteira entre o varejo óptico e
os serviços clínicos, restringindo a oferta
de exames dentro das lojas e mantendo
a prescrição médica como etapa
obrigatória.
Mesmo com indicadores econômicos
mais cautelosos, o setor óptico mostra
que o consumidor brasileiro segue
ativo e exigente. A decisão de compra já
não se resume à necessidade médica:
envolve também estética, conveniência
e propósito. Para Caito Maia, fundador
da Chilli Beans, essa mudança de comportamento
reflete uma combinação
entre cuidado e identidade. “A pesquisa
mostra que 67% trocam os óculos por
necessidade médica, mas fatores como
conforto, durabilidade e qualidade da
lente já aparecem no topo das decisões.
Ou seja, saúde é o gatilho, mas moda e
estilo funcionam como diferenciais de
escolha”, afirma.
Aliado a isso, o principal driver de
compra continua sendo a função, mas
com novos pesos. “Isso não significa
abrir mão de preço justo e design diferenciado.
O que o consumidor quer é
mais valor: óculos que cuidem da visão,
que sejam bonitos, acessíveis e com
tecnologia de ponta. É nesse equilíbrio
que a Chilli Beans se diferencia.”
Líder no mercado de óculos solares
Peça da ação ‘Abra os olhos para a miopia infantil’, criada pela Ref+ e ZUP Creative
“Saúde é o
gatilho, mas
moda e estilo
funcionam como
diferenciais”
Gladstone Campos/Divulgação Zeiss
Paula Queiroz, da Zeiss: todos os bolsos
no Brasil, a marca vem consolidando
essa estratégia também no universo
óptico. Em 2025, lançou o Plano 400,
projeto que prevê a inauguração de
400 novas óticas até o fim do ano. “Nós
percebemos que os consumidores de
óculos de grau têm uma jornada muito
diferente dos de solares: são mais
pragmáticos, focam nos materiais das
armações, buscam saúde, qualidade
da lente e atendimento especializado.
Por isso, criamos a Ótica Chilli Beans:
um ambiente mais sofisticado, com
consultoria de visagismo, atendimento
técnico e tecnologia em lentes e armações”,
explica Maia sobre o novo modelo
inaugurado em 2019.
O plano inclui um modelo de franquia
mais acessível, com investimento
inicial a partir de R$ 190 mil, e produtos
posicionados em diferentes faixas
de preço, para atender novos perfis de
franqueados e ampliar a presença da
marca nas ruas. Atualmente, são mais
de mil quiosques e 230 lojas de ótica
ativas, número que já representa 8% do
faturamento do grupo.
Em comunicação, a marca mantém
o DNA pop e cultural que a consolidou
no imaginário do público. A ação mais
recente, em parceria com a Globo, levou
a marca à novela ‘Vale Tudo’ com a nova
coleção estrelada por Ivete Sangalo. O
conteúdo foi ampliado nos canais digitais,
com participação de influenciadores,
fãs e vendedores da rede.
Na contramão da massificação que
marca o varejo óptico, a Zerezes aposta
em um modelo mais enxuto e autoral.
Com apenas 25 lojas distribuídas entre
Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais,
Bahia, Ceará, Paraná e Distrito Federal,
a marca carioca mantém o foco em
lojas próprias e operação direta com o
consumidor. Fundada como uma marca
nativa digital, a Zerezes nasceu com o
jornal propmark - 13 de outubro de 2025 23
Fotos: Divulgação
Zerezes lança coleção com a Dendezeiro
Loja estampa ‘Até dói chamar de ótica’
Os sócios-fundadores da Zerezes: Hugo Galindo, Luiz Eduardo Rocha e Rodrigo Latini
propósito de transformar a relação das
pessoas com os óculos.
“Enxergamos as lojas físicas como
uma peça fundamental dessa estratégia,
pois acreditamos que elas são essenciais
na experiência do consumidor
de óculos”, explica Luiz Eduardo Rocha,
sócio-fundador da marca. Segundo ele,
atuar em um mercado historicamente
dominado pelo varejo físico traz desafios
e oportunidades. “O consumidor
costuma preferir um processo guiado
por um vendedor, especialmente devido
à complexidade das lentes, o que
torna a experiência online naturalmente
mais desafiadora. Além disso, o ajuste
dos óculos é uma questão delicada,
diferente de roupas ou sapatos, onde o
tamanho é mais padronizado, detalhes
mínimos podem influenciar o caimento.
E, por envolver um ticket médio mais
elevado, o processo de decisão tende a
ser mais cuidadoso e detalhado.”
Com a intenção de controlar toda
a narrativa da marca — do design à
venda —, a Zerezes adota um modelo
direto ao consumidor, sem intermediários
ou franqueados. “Nos possibilita
ouvir, aprender e reagir com agilidade.
Recebemos feedbacks em tempo real
e, como operamos de ponta a ponta,
conseguimos ajustar coleções, modelos
e até linguagem de forma muito mais
responsiva”, diz Rocha.
Sem planos de franquear no curto ou
médio prazo, a Zerezes mantém o foco
Mercado de óculos inteligentes ganha
novos modelos da Meta com Ray-Ban
Após protótipos como o Google Glass, lançado
em 2013 e criticado por questões de privacidade
e usabilidade, o mercado de óculos inteligentes
amadurece e começa a se consolidar. Já
disponível para compra no Brasil, a nova geração dos
Ray-Ban Meta foi apresentada no Meta Connect, em
setembro, na Califórnia (EUA). O evento, marcado por
falhas técnicas durante a apresentação ao vivo de
Mark Zuckerberg, reforçou a aposta da big tech em
consolidar a categoria.
Desenvolvido em parceria com a EssilorLuxottica,
o modelo oferece até 8 horas de bateria, captura
de vídeo em 3K Ultra HD e inteligência artificial integrada.
Vendido a partir de R$ 3.299, o produto permite
tradução de conversas em tempo real, um dos recursos
mais comentados do lançamento. “Se você estiver
viajando para um novo país e precisar pedir direções
para a estação de trem ou quiser mudar o idioma
rapidamente, é possível manter conversas entre português,
inglês, francês, alemão, italiano e espanhol”,
descreve a marca.
Entre as novidades, também estão o Ray-Ban Display
e o Oakley Meta Vanguard, novos modelos desenvolvidos
em parceria com o grupo italiano.
Em entrevista ao propmark, a Meta explicou que os
novos óculos são “o formato ideal para integrar inteligência
artificial de forma pessoal e prática”. Segundo a
empresa, o diferencial tecnológico está na capacidade
de “ver o que você enxerga, ouvir o que você ouve e
conversar com você ao longo do dia, oferecendo uma
experiência que combina tecnologia e presença no
momento”.
Sobre o potencial de adoção, a Meta afirma que o
Segunda geração dos óculos inteligentes Ray-Ban em parceria com a Meta chegou ao Brasil em setembro
produto não é um nicho. “Os óculos inteligentes podem
ser usados por qualquer pessoa, em diferentes
circunstâncias — seja em lazer, esporte ou viagens.
Nosso objetivo é resgatar a sensação de presença que
muitas vezes se perde com o uso dos celulares, oferecendo
novas formas de realizar tarefas, registrar momentos
e se conectar com o mundo”. Segundo dados
da IDC (julho de 2025), os Ray-Ban Meta já são os óculos
inteligentes mais vendidos do mundo.
Mas o avanço dos smart glasses não ocorre isoladamente.
Outras empresas também se movimentam
para definir o papel da tecnologia no futuro da visão.
A Zeiss, por exemplo, mantém parcerias globais com
gigantes da tecnologia, entre elas a Apple, para quem
Divulgação
produz exclusivamente os Optical Inserts do Apple Vision
Pro desde 2023.
Já a Chilli Beans enxerga o movimento sob outra
ótica. “Desviar do foco principal é um risco. Somos uma
empresa de moda, não de tecnologia”, diz Caito Maia.
“A inovação sempre foi parte do nosso DNA, mas dentro
do que a gente sabe e gosta de fazer. Já demos o primeiro
passo com a Chilli Vision, nossas lentes proprietárias
feitas em parceria com o laboratório Fhocus,
com linhas como o MioSafe, para miopia infantil, e o
Red Blocker, com proteção antienvelhecimento. O futuro
passa por unir moda, saúde e tecnologia — e é
isso que estamos construindo, sem desviar do nosso
core business.”
VK
24 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
Keiny Andrade/Divulgação ABF
Fotos: Divulgação
Claudia Vobeto, da ABF: expandir de forma consistente
Ambra Nobre Sinkoc, da Abióptica: adiando a decisão
Carolina Moreno, da EssilorLuxottica: marca acessível
em crescimento orgânico e controle total
da experiência. “A prioridade é aprofundar
a experiência e fortalecer a marca,
antes de pensar em qualquer tipo
de expansão via franquia. No futuro, é
algo que pode ser avaliado, mas, neste
momento, nosso foco está em manter
a coerência da marca e a excelência na
jornada do consumidor, o que é mais
viável dentro do formato proprietário.”
A EssilorLuxottica, detentora de
marcas como Óticas Carol, Ray-Ban e
Transitions, aposta em um modelo verticalmente
integrado como principal diferencial
competitivo. A estrutura, que
reúne produção, distribuição, suporte
ao franqueado e tecnologia própria, é o
que garante, segundo Carolina Moreno,
diretora de marketing de varejo do grupo
italiano, “eficiência e qualidade em
toda a operação”.
Com forte presença fora dos grandes
centros urbanos, a empresa vê a
capilaridade regional como peça essencial
para democratizar o acesso à
saúde visual. Uma das iniciativas que
exemplificam esse compromisso é o
Projeto Pequenos Olhares, da Óticas
Carol, que oferece óculos de qualidade
a preços acessíveis para crianças da
rede pública de alfabetização. “Mais do
que uma ação social, é um projeto autossustentável
que mobiliza as famílias
e fortalece vínculos com prefeituras
e secretarias de Educação e Saúde”, explica
Carolina.
No campo da comunicação, a rede
trabalha em parceria com a AlmapBBDO
e mantém uma das campanhas mais
reconhecidas do varejo óptico com os
descontos progressivos por idade. A
ação, que se tornou tradicional, combina
apelo emocional com propósito prático.
“Ela democratiza o acesso a óculos
de qualidade, fortalecendo a fidelização
entre clientes recorrentes e atraindo
novos consumidores, que encontram na
Carol uma marca acessível e confiável”,
completa a executiva.
A experiência de compra também
é reforçada por recursos tecnológicos
e atendimento humanizado. Nas lojas,
ferramentas como o Demotools, que
demonstra em tempo real a performance
das lentes Transitions, e o Visioffice,
que personaliza as lentes Varilux de
acordo com o comportamento visual de
cada cliente, exemplificam o avanço da
digitalização no ponto de venda. “Além
da tecnologia, o atendimento humano
é tão importante quanto. Trabalhamos
com acolhimento e escuta ativa, oferecendo
suporte pós-venda, ajustes
constantes e atenção às necessidades
individuais”, destaca a diretora.
Para garantir consistência nessa jornada,
a rede investe na capacitação de
suas equipes por meio da plataforma
Leonardo, que oferece treinamentos
contínuos em domínio técnico, empatia
e consultoria de venda. “Nosso objetivo
é construir uma experiência que vá
além da compra”, diz.
Com um ecossistema global, a EssilorLuxottica
combina escala e diversidade
de portfólio para dialogar com
diferentes gerações. O catálogo inclui
desde Oakley e Ray-Ban até grifes de
luxo como Burberry, permitindo atender
públicos que vão da performance esportiva
à sofisticação.
No campo das lentes, a Zeiss Vision
Brasil vê o país como peça-chave de
sua atuação mundial e um importante
palco para inovação. Segundo Paula
Queiroz, diretora de marketing e produto
da marca alemã, o Brasil reúne
uma economia em recuperação e um
“Há uma
oportunidade
praticamente
inexplorada
no digital”
perfil demográfico em transformação.
O grande índice populacional idoso, que
vem crescendo 57,4% entre 2010 e 2022,
segundo o Censo do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), resulta
em 22,1 milhões de pessoas acima de 60
anos. “O que faz o país concentrar mais
da metade das nossas lojas no mundo”,
afirma a executiva.
O avanço do uso de telas e redes
sociais também amplia a demanda por
soluções de proteção ocular. “Somos
um grande mercado para a Zeiss justamente
pela diversidade étnica, social
e cultural. Temos um portfólio extenso
para atender todos os bolsos e rostos
do país — inclusive lentes específicas
para anatomia asiática. E indo além das
lentes tradicionais, estamos expandindo
nossa linha de tratamento para saúde
visual: em 2023, lançamos as Warm
Eye Masks, máscaras térmicas para o
tratamento do olho seco e fadiga ocular,
antes mesmo de muitos mercados
europeus”, completa.
Na comunicação, a empresa destinou
R$ 2 milhões à maior campanha nacional
de conscientização sobre miopia
infantil. Criada em parceria entre a Ref+
e a ZUP Creative, ‘Abra os Olhos para a
Miopia Infantil’ nasceu da vontade de
ampliar o debate sobre o problema no
Brasil e no mundo. “O aumento da miopia
vem acontecendo há alguns anos
e foi acelerado pela pandemia, especialmente
pelo uso intenso de telas e
o distanciamento social. Mesmo com
a retomada presencial, a curva segue
acentuada. Segundo a OMS, 33% dos
adolescentes serão míopes até 2050.
No Brasil, a prescrição de óculos para
crianças e adolescentes triplicou nos
últimos cinco anos”, explica Paula.
A executiva reforça que o tema vai
além da visão: “Não se trata apenas de
enxergar mal, mas do impacto disso na
formação cognitiva e educacional. Os
olhos são a primeira forma de interação
da criança com o mundo; a dificuldade
de visão pode gerar baixa concentração,
perda de potencial escolar e até diagnósticos
equivocados”.
No universo tecnológico, a Zeiss
também vem ampliando sua presença
em parcerias estratégicas. Em maio,
apresentou ao público brasileiro o Zeiss
Look, sistema criado em colaboração
com a Jovi, marca de smartphones da
Vivo Mobile Communication, uma das
cinco maiores fabricantes do mundo. O
recurso combina algoritmos de IA e engenharia
óptica de precisão, buscando
preencher a lacuna entre a óptica profissional
e a inovação acessível.
jornal propmark - 13 de outubro de 2025 25
digital
Em 15 anos, Instagram evolui de rede
social de fotos para hub de negócios
Plataforma ultrapassa a marca de três bilhões de usuários mensais
e impulsiona a creator economy com ferramentas para anunciantes
Bruna Nunes
Unsplash
Criado em 2010, o Instagram completou 15 anos
no ar no dia 6 de outubro. A plataforma, que nasceu
como um canal de comunidade, evoluiu para
um ecossistema de conteúdo e negócios. A rede
social comemora o seu aniversário ao lado de mais
de três bilhões de usuários mensais, segundo dados
da Meta, dona da marca. Entre 2014 e 2016, eram 300
milhões de usuários.
Embora concebido como um aplicativo de fotos
quadradas, o Instagram não deixou escapar o apelo
comercial e dos vídeos curtos. De acordo com a
empresa, os Reels já representam cerca de 50% do
tempo gasto no app e somam mais de 4,5 bilhões de
compartilhamentos diários. O sucesso do recurso não
é uma surpresa. Ao longo de sua trajetória, o Instagram
alcançou concorrentes como Snapchat, com o
lançamento dos Stories e DMs, e o TikTok, apostando
nos vídeos curtos e verticais, entre outros.
Creator eConomy
Inevitavelmente, a evolução do aplicativo impulsionou
a profissionalização da creator economy. Para
o especialista Victor Cabral, fundador da CEEX (Creator
Economy Experience), o Instagram transformou a
ideia de influência em um ativo econômico. “Foi onde
o post virou profissão, a audiência virou ativo e a autenticidade
passou a ter valor de mercado”, afirma Cabral.
Para ele, o aplicativo é praticamente o RG social
das pessoas. “A gente não entrega mais cartão de visita,
entregamos o @. É por lá que nascem conexões,
acontecem negócios e se mede reputação”, observa.
Monetização e inteligência de dados ancoram a
trajetória. “O criador quer viver do que faz, não apenas
viralizar. O Instagram entendeu isso, e vem ampliando
mecanismos de renda, como bônus, collabs, conteúdos
pagos e até programas de assinatura”, salienta.
O lançamento dos Reels, a oferta de insights
avançados e a incorporação de inteligência artificial
também foram determinantes para manter a relevância
da plataforma frente ao avanço dos concorrentes.
Cabral defende o aporte em diversidade e credibilidade.
“O público está mais seletivo, e o futuro pertence
aos criadores com propósito e autenticidade, e às
plataformas que priorizarem isso em seus algoritmos”,
resume.
anunCiantes e agênCias
No último mês, a Meta anunciou soluções voltadas
a anunciantes e agências com foco em inteligência
artificial e formatos culturais capazes de aproximar
marcas de conteúdos em evidência. Entre as novidades,
destaca-se a ampliação dos Anúncios com Reels
Reels representam cerca de 50% do tempo gasto no app e somam mais de 4,5 bilhões de compartilhamentos diários
Divulgação
Victor Cabral, da CEEX: “É por lá que nascem conexões”
“A gente não entrega
mais cartão de visita,
entregamos o @”
em alta, agora disponíveis a todos os anunciantes
através de representante da Meta.
O formato posiciona marcas junto aos vídeos mais
populares do Instagram e, segundo testes, pode elevar
em até 20% o reconhecimento espontâneo, desempenho
semelhante ao YouTube Select e superior
ao TikTok Pulse. Casos como JCPenney, em parceria
com a Dentsu, e SharkNinja, já mostraram resultados
expressivos de lembrança e alcance.
A empresa também apresentou as regras de valor,
que permitem priorizar os públicos mais relevantes e
dobrar as conversões de alto valor, além de melhorar
a otimização de páginas de destino, com redução média
de 31% no custo por visualização.
26 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
quem fez
Kelly Dores
interina
kelly@propmark.com.br
ALMAPBBDO
AMAZON BRASIL
Fotos Divulgação
Título: ‘Mega Oferta Amazon Prime’
Produto: Amazon Prime
CCO: Pernil
ECD: Juliana Utsch
Criação: Ana Flávia Moraes e Giovanna Guisard
Atendimento: Maysa Oliveira, Daniela Teixeira, Janini Stefano, Manuelle
Piairo, Natasha Albuquerque e Esther Frascari
Produção audiovisual: Diego Villas Bôas, Victor Alloza e Camila Graf
O grupo Fat Family protagoniza campanha que divulga a ‘Mega Oferta Amazon
Prime’. Na ação, a banda se transforma em ‘Frete Family’ e interpreta
uma versão inédita de um de seus maiores sucessos, reforçando as vantagens
de ser parte da família Prime - que incluem frete grátis, ofertas exclusivas,
milhões em cupons e outros benefícios.
WMCCANN
BANCO DO BRASIL
Título: ‘Tecnologia’
CCO: Dani Ribeiro
Direção de criação: Fábio Ludwig
Criação: Fábio Ludwig, Raoni Leão, Caio Soares, Caio
Saavedra, Lyanna Vasconcelos, João Netto, Laís Skackauskas,
Vinícius Assis e Kevin Amaral
CSO: Agatha Kim
Em um vídeo dinâmico que conta com a presença de Alok, o
banco lança sua nova campanha ‘Quem ama facilitar a vida,
ama a tecnologia do BB’. No filme, são apresentadas ferramentas
digitais do BB, como transferências por comando
de voz e pagamentos via QR code, com o intuito de mostrar
como a inovação pode ser prática, intuitiva e próxima.
LEW’LARA\TBWA
M. DIAS BRANCO
Título: ‘Experimente o original’
Produto: Piraquê
Direção executiva de criação: Rodrigo Tortima
Direção de criação: Thiago Lacorte
Direção de arte: Alexandre Nascimento
Redação: Thomas Paiva
CBO: Maria Pirajá
Filme celebra o que é ser verdadeiramente original: aquilo que não pode
ser copiado ou reproduzido. A produção brinca com a ideia de uma fotocopiadora
tentando replicar a receita da icônica Goiabinha. A mensagem
é clara: original mesmo é só Piraquê. A campanha também apresenta ao
público o novo Cookie Goiabinha.
Grandes
formatos
de mídia
OOH
geram
5x
mais
atenção
que a média do mercado
O melhor mesmo é
pensar gr
No OOH,
tamanho importa
e a neurociência prova.
Estudo inédito da Forebrain¹, realizado para
a OOH Brasil, mostra que nossos grandes
formatos digitais – Empenas, Painéis
e Bancas – geram até 5x mais atenção2
que a média do mercado, ou seja,
mais impacto gera mais lembrança
e consideração para a sua marca.
Empenas
Painéis
Bancas
1. A Forebrain é pioneira em neurociência aplicada ao consumo, transformando ciência e tecnologia em insights precisos sobre atenção, emoção e engajamento, mostrando de forma única como as pessoas se conectam com
marcas e conteúdos. | 2. O Attentive AI, tecnologia proprietária da Forebrain, combina inteligência artificial e neurociência para medir com precisão o poder de atração visual de anúncios, revelando onde o olhar humano se
concentra e o potencial de cada peça gerar impacto imediato. | 3. O estudo foi conduzido em quatro praças, utilizando vídeos naturalistas que reproduzem a visão de transeuntes e motoristas frente aos ativos de propaganda. Para
saber mais detalhes sobre a amostra, entre em contato.
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Demais Formatos Digitais
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Alê Oliveira
Consistência
e autenticidade
A estratégia consistente de Dove serve
como contraponto à panaceia digital
Alexis Thuller Pagliarini
Neste momento, estou finalizando minha apresentação
para o Cannes Lions Roadshow e resolvi
dar um spoiler por aqui. Além da apresentação
dos cases vencedores, destaco também insights e
tendências e, num grande esforço de síntese, cheguei
a cinco grupos de insights que me pareceram os mais
relevantes do festival deste ano.
Logicamente, não fiz isso sozinho. Impossível alguém
acompanhar todo o conteúdo gerado por 500 palestrantes
ao longo dos cinco dias do festival.
Felizmente, temos acesso às análises da mídia especializada,
principalmente ao nosso propmark, que tem
uma tradição de cobertura impecável do Cannes Lions.
Temos também o “Wrap-up” realizado pelo próprio
festival, com a ajuda da Warc, braço de inteligência e
educação do Cannes Lions - além dos reports de agências
(o da Binder é muito bom!) e o da Kantar.
Junto com a minha cobertura do festival, bebi nessas
fontes para obter um condensado consistente.
E, por falar em consistência, este foi um atributo muito
comentado e destacado no festival deste ano.
“É melhor uma linha estratégica consistente do que
um monte de ações ‘pequenas’ e desconectadas”, lembrou
Aditya Kishore, diretor de insights da Warc.
De fato, nessa barafunda de iniciativas de comunicação,
no meio de tantos posts, stories, falas de influencers,
além da mídia tradicional, como se sobressair de
forma eficaz?
Melhor do que tentativas isoladas de todo tipo, veiculadas
a esmo, o ideal é descobrir a “verdade mágica” por
trás da sua marca – como disse David Lubars ex-CCO da
BBDO Worldwide, destacado como Lion of St Mark deste
ano no Cannes Lions – e adotar uma linha de comunicação
apoiada nela, em vez de sair atirando para todo e
qualquer lado.
Visão corroborada por estudo da System 1 e do Effie,
que chegou à conclusão de que campanhas apoiadas em
consistência vendem até 7,5 vezes mais do que aquelas
erráticas, de múltiplos caminhos. O exemplo mais exuberante
de consistência ficou por conta do case ‘20 anos
de Beleza Real’, da Dove, inscrito pela Ogilvy Londres,
que ganhou dois Grand Prix (Creative Strategy e Glass)
no Cannes Lions deste ano.
Eu, que frequento o festival há mais de 20 anos, sou
testemunha do sucesso da estratégia de Dove em adotar
o conceito de Beleza Real da mulher como algo que
vai muito além da beleza física.
Ao longo de mais de duas décadas, foram muitos os
Grand Prix conquistados no Cannes Lions e outros festivais.
Mas a conquista mais importante é a consequente
construção de uma marca com valor estimado em nada
menos do que 7,5 bilhões de dólares.
Os números são impressionantes: de 2009 a 2024, o
valor da marca Dove cresceu 350% e gerou receita incremental
de 25 bilhões de dólares à Unilever.
Dá para alguém questionar o posicionamento consistente
e duradouro de uma marca que encontrou sua
“verdade mágica”?
Aliás, Dove conquistou outro Grand Prix neste ano,
com o case em que demonstra conseguir “educar” os
mecanismos de IA para definir a real beleza da mulher.
Este case ganhou um Grand Prix (Media), além de Leões
em outras categorias. Uma prova de que a linha adotada
há 20 anos ainda tem boa quilometragem pela frente.
A estratégia consistente de Dove serve como contraponto
à panaceia digital, com foco único na performance,
descuidando da construção de marca.
Este case serve também de exemplo para empresas
que ainda titubeiam em estabelecer um posicionamento
que vá além do esforço de venda imediato.
A adoção de uma postura autêntica e consistente em
benefício das pessoas e do planeta não é excludente do
desempenho em vendas e do lucro. Ao contrário: gera uma
boa performance não só no mês ou no quarter, mas por
muito tempo, garantindo valor e longevidade às marcas.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
produtoras
Mercado internacional já representa
72% do faturamento do Lado Animation
Estúdio está por trás da coprodução de cases como ‘In transit’, criado
pela agência americana Area 23, vencedor de GP no Clio, entre outros
Kelly Dores
Fundado em 2011, o estúdio de design
e animação Lado Animation colhe
frutos de seu reposicionamento
focado na expansão internacional. Nos
últimos 12 meses, o mercado internacional
já representa 72% do faturamento
do estúdio — em 2023, essa fatia era
de 31%, conforme informa Luciana Pessoa,
sócia e diretora-executiva, comprovando
como as produtoras brasileiras
estão voando alto na produção de cases
gringos para agências de fora que faturam
muitos prêmios internacionais.
“O foco no mercado internacional foi
um movimento estratégico e, ao mesmo
tempo, natural. A animação é uma linguagem
universal, e marcas globais buscam
a consistência e a qualidade que o
talento brasileiro oferece. É justamente
atender com excelência e flexibilidade,
aliada a um craft de sofisticação, que
tem destacado estúdios do país no mercado
internacional”, frisa Luciana Pessoa.
Um dos cases recentes que fez carreira
em prêmios internacionais é ‘In transit’,
coproduzido pelo Lado Animation e
pelas produtoras brasileiras Famous Who
e Bumble Beat, que conquistou dois Ouros
no Cannes Lions 2024, o Grand Prix no
Clio Awards e Yellow Pencil no D&AD, ambos
este ano. Criada pela agência Area 23
(IPG Health) para os clientes Callen-Lorde
Community Health Center, MTA (Metropolitan
Transportation Authority) e o NYC
LGBT Historic Sites Project, a campanha
dá visibilidade para a cultura trans.
“Para nós, a maior relevância foi ter a
oportunidade de colaborar em um projeto
que trouxe à luz uma história tão importante
sobre diversidade e aceitação. O
reconhecimento que o trabalho recebeu,
com prêmios como o Grand Prix no Clio
e dois Ouros em Cannes, foi a consequência
de uma grande parceria. Mas o
resultado mais significativo para nós foi
a prova dessa confiança: no ano seguinte,
voltamos a Cannes premiados com dois
Leões de Prata por novos projetos, feitos
com a mesma equipe que idealizou o ‘In
transit’. Essa continuidade, para nós, é o
maior prêmio”, destaca Tom Gurgel, sócio
e diretor criativo do Lado Animation.
Rafaela Neves, Rafael Antonelli, Luciana Pessoa e Tom Gurgel: estrutura do estúdio criativo é pensada para ser fluida
“A animação
nunca saiu de
cena, mas a
inteligência
artificial está
redefinindo o que
é possível fazer”
Divulgação
De acordo com a diretora-executiva,
a estrutura do estúdio é pensada para
ser fluida. Segundo ela, um pilar fundamental
que alimenta a criatividade é o
Lado Lab, núcleo interno de pesquisa,
programação e desenvolvimento. “Foi
lá que desenvolvemos nossa pipeline
de produção ao longo dos anos. Hoje,
é o espaço onde nosso time explora
e integra novas tecnologias, não para
substituir o processo criativo, mas para
expandi-lo. Dominamos a técnica para
que nossos artistas e diretores tenham
as melhores ferramentas para inovar e
contar histórias impactantes que tragam
resultados para as marcas”, completa
Gurgel.
Como parte do projeto de expansão
e reforço na área criativa e de negócios,
em 2025, foram anunciados Rafaela
Neves, como head of business, e Rafael
Antonelli, como diretor de criação.
“Nossos desafios são os de uma empresa
em expansão global. O primeiro é escalar
a operação de forma sustentável,
garantindo que nosso crescimento não
comprometa a qualidade e a proximidade
que temos com cada cliente. E,
por fim, o desafio constante de manter-
-se na vanguarda da inovação, o que
exige investimento em pesquisa e desenvolvimento,
como fazemos no Lado
Lab”, explica Luciana.
IA
Se para a criatividade o céu é o limite,
“a IA é o foguete que nos ajuda a chegar
lá mais rápido”, diz Gurgel, completando:
“Mas um foguete sem piloto não vai a
lugar algum. A animação nunca saiu de
cena, mas a inteligência artificial está redefinindo
o que é possível fazer. Ela surge
como uma ferramenta poderosa para
otimizar processos e explorar novas estéticas,
mas o grande diferencial continua
sendo o fator humano. A IA otimiza a produção,
permitindo que nossa equipe foque
mais na estratégia e no refinamento
criativo, que é onde a magia acontece”.
Depois de um ano de consolidação
da estratégia internacional, 2026 é visto
como um ano de máxima competição
pela atenção. “Em eventos como a Copa
do Mundo, não basta ter uma ideia que
se destaque; é preciso criar conexão
emocional genuína. Acreditamos que
as marcas que realmente vencerão são
aquelas que conseguirem contar ‘histórias
que importam’. É o cenário perfeito
para aplicarmos nosso design miscigenado
e nossa vocação para contar histórias
que conectam culturas”, aposta Gurgel.
jornal propmark - 13 de outubro de 2025 27
pesquisas
Supervisão de crianças na internet é feita
por 56% dos pais ouvidos pela Serasa
Freepik
WhatsApp, YouTube,
Instagram e TikTok
são as redes preferidas
do público infantil
C
M
Y
O acompanhamento Anuncio GrandesNomes contínuo Preto ocorre 14,5x16.pdf em 32% 1 31/07/2024 da amostra, 21:25:23 e 12% não controlam a permanência dos filhos nas plataformas
EXISTEM VÁRIOS JEITOS
DE VOCÊ ASSISTIR AOS
GRANDES NOMES
DA PROPAGANDA,
O CANAL
Pais e responsáveis entrevistados pela Serasa
e Instituto Opinion Box admitem supervisionar
parcialmente as crianças na internet. O índice
é de 56%, embora 85% incentivem o acesso a conteúdos
educativos. Outros 32% acompanham sempre,
e 12% não controlam. O levantamento, feito entre os
dias 10 e 22 de setembro de 2025 com 1.112 entrevistados
em todo o país, revela ainda que o WhatsApp
é a plataforma mais utilizada pelo público infantil
(73%), seguido por YouTube (65%), Instagram (64%)
e TikTok (43%).
“Esses dados reforçam a urgência de transformar o
ambiente digital em espaço de aprendizado, especialmente
quando se trata de escolhas de consumo e formação
de consciência financeira desde cedo”, adverte
Gabriela Siqueira, especialista em educação financeira
da Serasa. Ela lembra que o uso responsável da internet
deve ser acompanhado de diálogo constante
e ferramentas de controle. Entre as recomendações
listadas, está a educação sobre privacidade e dados
pessoais, orientando as crianças a não compartilhar
informações sensíveis, como endereço, nome da escola
ou senhas em ambientes digitais.
Gabriela também sugere o uso de ferramentas de
controle parental e filtros de conteúdo, que ajudam
a limitar o acesso a materiais impróprios e permitem
acompanhar os acessos. É essencial explicar ainda
os riscos de golpes online, como mensagens com
links suspeitos ou ofertas promocionais enganosas,
ensinando a desconfiar e sempre pedir ajuda antes
de clicar.
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Atenção redobrAdA
Com o avanço da tecnologia e a popularização das
redes sociais, o ambiente digital tornou-se parte da
rotina das crianças, cenário que exige atenção redobrada
por parte de quem supervisiona os pequenos.
Reconhecer sites e aplicativos confiáveis, observando
detalhes como URLs seguras e priorizando plataformas
oficiais e bem avaliadas, é outra forma de conter
situações adversas.
Já a supervisão de compras no ambiente online
pode evitar problemas financeiros, enquanto regras
claras de uso, com horários e limites para o tempo
de tela, ajudam a afastar excessos. Manter o diálogo
é mandatório para que a criança se sinta segura
para relatar circunstâncias suspeitas. A Serasa também
lançou um guia sobre como conversar com os
filhos a respeito de finanças pessoais e consumo responsável.
28 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
troféu garra
APP revela os
ganhadores do
Prêmio Contribuição
Profissional em 2025
Entre os vencedores da 24ª
edição da premiação, estão
Heloísa Santana (Ampro), Fabio
Meneghatti (Greenz) e Tiago
Ferrentini, do propmark
Diretor-executivo do propmark, Tiago Ferrentini é o Profissional de Comunicação
Alê Oliveira
A
APP Brasil (Associação de Profissionais
de Propaganda) divulgou
os vencedores do Prêmio Contribuição
Profissional – Troféu Garra 2025.
A homenagem é um reconhecimento
aos profissionais que promovem e realizam
ações de impacto, fortalecendo o
ecossistema da propaganda, da mídia
e do marketing no país.
A premiação valoriza aqueles que,
ao longo de sua carreira, apresentaram
ideias e iniciativas que inspiraram o mercado
e contribuíram para o desenvolvimento
sustentável e criativo do setor.
A escolha dos ganhadores da 24ª edição
seguiu o processo tradicional conduzido
pela diretoria da APP Brasil, que
realiza uma criteriosa avaliação baseada
nas realizações, legados e relevância
das iniciativas de cada profissional.
“Cada vencedor representa a força de
um mercado que se reinventa, aprende
e se apoia mutuamente. É uma celebração
do talento coletivo e da capacidade
de transformar desafios em novas oportunidades
para toda a cadeia da propaganda”,
disse Afonso Abelhão, presidente
da APP Brasil.
A cerimônia de entrega do Troféu Garra
será realizada nesta quinta-feira (16),
a partir das 18h, no Memorial da América
Latina, em São Paulo (SP), reunindo profissionais,
lideranças, empresas e instituições
que se destacaram por suas contribuições
à indústria da comunicação.
“Cada vencedor
representa a força
de um mercado
que se reinventa”
Vencedores do Troféu Garra 2025
categoria nome cargo empresa
profissional Liderança Heloisa Santana presidente Ampro
profissional atendimento e negócios Fabio Meneghatti CEO Greenz
profissional mídia Daniela Pereira diretora de mídia Unilever
profissional criação André Kassu CCO CP+B
profissional tecnologia e inovação Guido Sarti head of data Galeria
profissional Diversidade e inclusão João Almeida diretor de marketing Instituto Bacarelli
profissional Veículos e plataformas
Alarico Assumpção
superintendente
comercial
Record
profissional marketing e marcas Renata Gomide de Carvalho CMO Grupo Boticário
profissional planejamento e estratégia Fernand Alphen CSO Propeg
profissional comunicação e conteúdo Tiago Ferrentini diretor-executivo propmark
profissional educação
Fatima Rendeiro
ESPM RJ e
Grupo de Mídia
prêmio especial Luiza Helena Trajano Magazine Luiza
regionais
prêmio contribuição profissional Liderança regional – app Vale do paraíba
José Renato Pulice sócio-fundador Regional Marketing
prêmio contribuição profissional Liderança regional – app Litoral
Rodrigo da Matta diretor de criação Milà
prêmio contribuição profissional Liderança regional – app sorocaba
Carlos Bonassi diretor estratégico Atua Agência
prêmio contribuição profissional Liderança regional – app marília
Guilherme Brambilla CEO Brambilla Branding
prêmio contribuição profissional Liderança regional – app campinas
Andréa Torres Lona
gerente de marketing,
produto & relacionamento
com o Mercado
Grupo EP de
Comunicação
jornal propmark - 13 de outubro de 2025 29
PÓS
memória
Profissionais do setor prestam as suas
homenagens ao publicitário Sergio Amado
Janaina Langsdorff
Alê Oliveira
Sergio Amado brilhou tanto nos negócios da propaganda
brasileira quanto os mais estrelados nomes da
criação. Morto no dia 4 de outubro aos 77 anos, após
período de internação no hospital Albert Einstein, em São
Paulo, o publicitário comandou a rede Ogilvy no Brasil entre
1997 e 2017, quando transferiu para Fernando Musa a
liderança da agência pertencente ao WPP - holding britânica
que acolheu Amado por um total de 23 anos. Em sua
última passagem pelo mercado publicitário, ocupou a posição
de country manager do grupo no país entre os anos
de 2018 e 2019. O cargo é exercido hoje por Stefano Zunino.
Amado estudou ciências sociais e história, mas começou a
carreira em 1969 no jornalismo de Salvador (BA), onde nasceu.
Logo, a veia publicitária falou mais alto. Não demorou a se
aventurar no empreendedorismo e mostrar destreza para lidar
com os clientes. Entre negócios, fusões e aquisições, estão
Standard Ogilvy & Mather, D&E, DS 2000 e Denison Propaganda
- já em São Paulo, na década de 1990.
O empresário que chegou a integrar o board mundial do
Grupo Ogilvy não mediu esforços para alçar a operação ao
topo da lista das maiores agências do país em faturamento,
além de colecionar centenas de prêmios internacionais,
redefinindo a imagem criativa da Ogilvy. Em 2013, foi o primeiro
escritório da rede no mundo a ser reconhecido como
Agency of the Year no Cannes Lions, com a conquista de 35
Leões. Entre eles, o Dan Wieden Titanium Lions, uma das
premiações mais cobiçadas do festival, com a campanha
‘Real beauty sketches’, criada para a Unilever à época.
Amado participou do lançamento da agência David, em
2011, hoje presente em Buenos Aires (Argentina), Madrid
(Espanha), Bogotá (Colômbia), Londres (Inglaterra), Miami
e Nova York (EUA), além de São Paulo. Foi ainda conselheiro
da S4 Capital no Brasil, em novembro de 2021, a convite de
Martin Sorrell, que deixou o cargo de CEO do WPP em 2018,
após 33 anos à frente da empresa que ele mesmo fundou.
Amado e Sorrell trabalharam juntos por mais de 20 anos.
Para além de empreitadas visionárias, Sergio Amado colocou
o seu tino realizador a serviço do desenvolvimento da
indústria da comunicação. Não tardou a assumir a presidência
da Associação Brasileira das Agências de Publicidade
(Abap) - hoje Espaço de Articulação Coletiva do Ecossistema
Publicitário -, entre 2001 e 2003. O reconhecimento do mercado
à memória e feitos de Amado é latente.
Em post no Instagram, Nizan Guanaes, criador da
N.ideias, escreveu: “Amado, meu amigo, se foi. Você foi o
primeiro publicitário que eu conheci. Meu pai tinha um hospital
e você cuidava da conta dele. Isso criou uma relação
de amor entre nós. Veio para São Paulo e fez uma carreira
brilhante, tornando-se um dos maiores líderes da indústria.
Carismático, cheio de energia. Vai, meu Amado. Baiano não
nasce: estreia. Baiano não morre: vai brilhar no céu”. Sergio
Valente, da branding business partner Soluções Valentes,
reagiu: “Um tenor amado e bacana”. Para Luciano Huck,
Amado foi “gente fina, gentil e parte da história da publicidade
brasileira”. Lideranças da indústria da comunicação
deixam as suas homenagens. Confira a seguir.
Mais do que comemorar prêmios no Cannes Lions, Sergio Amado alavancou negócios, revelou talentos, desenvolveu
a indústria e inspirou profissionais que hoje se despedem de um dos líderes mais notáveis da publicidade brasileira
Karina Ribeiro, CEO da VML
“Esse não é o tipo de texto que eu gostaria de escrever. Sergio foi uma
figura icônica e um verdadeiro pilar da nossa indústria. Sua partida
representa uma grande perda, não apenas para o cenário profissional
que ele tão brilhantemente moldou, mas também para aqueles
que tiveram o privilégio de aprender e conviver com sua experiência
e generosidade. Pessoalmente, Sergio foi um mentor extraordinário,
cuja orientação sobre ética, negócios e a própria vida foi fundamental
para minha trajetória, e serei grata pelos ensinamentos. Sua capacidade
de conectar pessoas e motivar equipes com firmeza e cuidado era
exemplar. Devo a ele, inclusive, ter colocado na minha vida pessoas
incríveis, com as quais mantenho relações muito profundas até hoje.
Além de um publicitário de sucesso e um líder inspirador, Sergio era
um ser humano incrível: um pai, avô e companheiro apaixonado e
dedicado; um amigo leal, cujo legado de integridade e paixão permanecerá
vivo em todos nós que tivemos o privilégio de conviver com
ele. Sua ausência será profundamente sentida, e me resta agradecer
Stefano Zunino, country manager da WPP no Brasil
“O Sergio foi uma daquelas lideranças que realmente marcam um
tempo. Quando estava à frente da Ogilvy, exerceu seu papel com inteligência,
firmeza e visão — e eu sempre o respeitei profundamente por
isso, mesmo quando éramos concorrentes dentro da mesma holding.
Quando cheguei ao Brasil para liderar a Thompson, vindo de fora, ele
foi muito generoso comigo. Teve gestos e conversas que me ajudaram a
entender melhor o país, o mercado e, sobretudo, as pessoas. Não éramos
próximos, mas havia entre nós um respeito verdadeiro, e acredito
que ele também sentia o mesmo. Como primeiro country manager da
WPP no Brasil, o Sergio teve a capacidade de iniciar, à sua maneira,
um processo de colaboração e integração entre as empresas do grupo.
Fez isso com naturalidade, tornando o difícil mais simples, e trazendo
as pessoas junto com ele, algo que poucos líderes conseguem fazer. Sua
passagem deixa um legado sólido e discreto, feito de resultados, inteligência
e humanidade.”
imensamente por tudo que nos ensinou
nas quase duas décadas em que trabalhamos
juntos.”
32 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
Luiz Fernando Musa, CEO do Grupo Ogilvy e fundador da David
“Sergio Amado foi um gigante. Empreendeu,
foi dono de agência brasileira e
trouxe o olhar do dono para a Ogilvy em
1997. Formou, liderou com o coração,
desde sempre, gentil e contundente na sua
visão e opinião. Lutou sempre por aquilo
que acreditava, no mercado brasileiro, na
Abap, no Cenp, e pelos talentos nos quais
acreditava. Unia as diferenças e estabelecia
pontes. Era uma força natural. Carismático,
resiliente, uma pessoa que estava
sempre no front. Para mim, foi mentor,
amigo, e se tornou um pai. Meu pai baiano.
Colocou a Bahia no centro da Ogilvy.
Amado no nome. Salvador na origem.
Nomes e adjetivos que servem quase para
defini-lo. Sergio é a versão baiana de David
Ogilvy. De Salvador para São Paulo,
Marcello Serpa
“Sergio Amado foi um dos grandes publicitários
brasileiros. De personalidade
forte, jamais se comportou como um
CEO de multinacional, mas sim como o
verdadeiro dono da agência. Talvez esteja
aí a receita do sucesso da Ogilvy, que
se tornou uma das melhores agências do
Brasil.”
daqui para o mundo, sempre carregando
suas origens. Obrigado, Sergio.”
Sergio Gordilho, sócio, copresidente e CCO da Africa Creative
“Éramos três Sergios: o Valente, o Gordilho
e o Amado, três baianos unidos pela
paixão à publicidade. Amado chegou
primeiro, com passos largos pavimentou
caminhos para tantos outros Sergios que
resistiam a arriscar vir para o sul. Transformou
concorrentes em ‘comorrentes’,
sempre se cercando dos grandes talentos
para solidificar nossa indústria. Partiu
deixando um legado que faz jus ao nome:
será sempre ‘O’ Sergio e para sempre,
Amado.”
Marcia Esteves, CEO e sócia da Lew’Lara\TBWA e presidente da
Abap - Espaço de Articulação Coletiva do Ecossistema Publicitário
“Falar do Sergio é falar de uma referência.
Um líder que ensinava com poucas
palavras e por meio do exemplo de suas
atitudes. A sua visão generosa e inspiradora
ajudou a moldar não apenas o
mercado publicitário brasileiro, mas também
todos nós que tivemos o privilégio de
aprender com ele. Seu legado vai muito
além da publicidade: ele está na cultura
que construiu, nas pessoas que impactou
e no futuro que continua inspirando.”
Márcio Santoro, sócio, copresidente e CEO da Africa Creative
“Sergio Amado foi um exemplo de vida
linda e inspiradora. Um publicitário visionário,
empreendedor e generoso, que
marcou a história da nossa profissão e a
vida de todos que tiveram o privilégio de
conviver com ele. Um gigante, pessoal e
profissionalmente, que deixa um legado
enorme. Tive a honra de ser seu amigo e
de desfrutar a amizade de seus filhos.”
Antonio Fadiga, sócio-presidente da Artplan
“São poucos os líderes que dedicaram
energia e sabedoria para a defesa e o
crescimento do negócio da propaganda.
Sergio foi um deles. Soube cuidar dos negócios
das empresas que dirigia e, ao mesmo
tempo, soube proteger e dar valor ao
nosso setor. Merece nosso obrigado, e que
descanse em paz.”
Geraldo Rocha Azevedo, CEO da Execution
“Senti muito a morte do Sergio. Conheci
o Sergio ainda em Salvador e, nesses anos
todos, sempre mantivemos uma relação
de muito respeito, muita cordialidade e
amizade. O mercado perde uma grande
liderança.”
Marcio Fritzen, CCO da FutureBrand
“O Sergio Amado fazia jus ao sobrenome.
Era amado porque era verdadeiro.
Ele simplificava o que parecia complicado
e sempre estava algumas casas à frente.
Nunca vi o Sergio titubear. Defendia a
publicidade raiz, que traciona e revoluciona
a indústria. Colocava o nosso negócio
no seu devido lugar, valorizando o
ofício. Mais do que nunca, precisamos de
mais Sergios que tenham amor por essa
profissão.”
Gabriela Onofre, CEO do Publicis Groupe Brasil
“Sergio Amado foi uma figura central na
construção de um mercado publicitário
forte e inspirador. Ele ajudou a consolidar
valores que sustentam a nossa indústria
e a formar muitos talentos que hoje ocupam
importantes posições de liderança.
Nossos profundos sentimentos à família e
aos muitos amigos que ele deixou.”
Álvaro Rodrigues, CEO e sócio-fundador da Made
“Sergio Amado foi alguém que sempre
acreditou e investiu na criatividade e
no poder do nosso negócio. Apostou em
talentos, formou lideranças, defendeu o
nosso mercado e a criatividade brasileira.
Seu legado é enorme e segue vivo em todos
que continuam acreditando na força
das grandes ideias.”
jornal propmark - 13 de outubro de 2025 33
inspiração
Quando uma mulher conta sua
história, mil outras despertam
Fotos: Divulgação
“Sempre digo que transformar o mundo passa
por escutar histórias que nos desafiem”
Marta Rocha
Especial para o propmark
O
que me inspira são mulheres que ousam existir com força, com voz, com sonho.
Mulheres que não aceitaram o silêncio como destino, que plantaram futuro,
mesmo quando o terreno era hostil.
Adélia Sampaio, que pegou a câmera para narrar o que ninguém filmava — sendo a
primeira mulher negra a dirigir um longa no Brasil, me inspira. Sua coragem virou farol.
E hoje, é o nome da nossa escola — a Escola Adélia Sampaio, um espaço de criação, formação
e pertencimento para mulheres da periferia, indígenas, LGBTQIAP+ e jovens de
grupos minorizados. Criamos essa escola dentro da Malala Filmes porque acreditamos
que histórias que são contadas, salvam. E é fato, histórias libertam.
E por falar em liberdade, foi Malala Yousafzai quem me fez entender de vez, com a
força de uma adolescente, que a educação é a ferramenta mais poderosa para transformação.
Ela arriscou a vida para estudar e inspirou o nome da produtora que criei porque
contar histórias é, também, educar o mundo a enxergar o que tenta ignorar. Na Malala
Filmes, a câmera é ponte, o roteiro é denúncia, e a tela é resistência.
E vejo que não caminho sozinha nessa luta. Também me inspiram Luiza Helena Trajano,
que revolucionou o varejo com afeto e firmeza. Wangari Maathai, que plantou milhões
de árvores e semeou direitos. Tarciana Medeiros, que rompeu barreiras ao liderar
o Banco do Brasil. Juliana Vital, mulher LGBT+ que conquista o mundo com inteligência
de dados. Vera Cordeiro, que transforma saúde em rede de cuidado. Marlova Noleto,
que fez da educação sua missão na Unesco. Rigoberta Menchú, que ensinou o valor
ancestral da justiça. E tantas outras vozes que, mesmo quando sussurram, ecoam forte.
Acredito na força de quem ensina, seja nas ruas ou nas corporações. E é com essa
premissa que continuo firme e forte com projetos que também são capazes de transformar
o mundo. No Grupo Com Atitude, educação é nossa essência a partir de uma
série de cursos (que estamos lançando) sobre práticas ESG para empresas que querem
transformar seu impacto na sociedade.
Nossa agência ACES leva sustentabilidade com estratégia, enquanto o Acesse cuida
para que as organizações priorizem e cuidem da saúde mental de seus colaboradores –
e que bom que agora isso é uma obrigação legal. Porque ESG de verdade começa dentro
e pelas pessoas.
Sempre digo que transformar o mundo passa por escutar histórias que nos desafiem.
E, mais do que isso, por abrir espaço para que novas histórias possam nascer. O
que me inspira? Mulheres que ousaram contar, narrar e acontecer as próprias histórias.
E, parafraseando Angela Davis, com isso, despertaram mil outras.
Marta Rocha é CEO do Grupo Com Atitude & Malala Filmes
34 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
agências
Mutato celebra resultado do novo board
e reforça posicionamento social first
Sócios Daniel Cecconello e Décio Freitas comentam modelo ‘creators as
creatives’ e apostam em IPs próprios para ampliar protagonismo no setor
Bruna Nunes
Parte do ecossistema da VML Brasil,
a Mutato iniciou há pouco mais
de um ano um novo ciclo de liderança
com o objetivo de fortalecer seu
posicionamento na economia criativa e
atualizar processos. O board é formado
pelos sócios Daniel Cecconello (CEO) e
Décio Freitas (COO), além de Dindi Coelho
(VP de criação), que se juntou à agência
após ocupar a cadeira de Latam lead of
brand studio and integrated marcomms
no TikTok. Mesmo antes da formalização
dessa nova gestão, Cecconello e Freitas já
participavam ativamente da operação. A
chegada de Dindi marcou o primeiro passo
do reposicionamento e o resgate do
DNA digital e social first que “sempre caracterizou
a Mutato, desde sua fundação”.
Freitas observa que a agência havia
se aproximado do modelo tradicional. “A
gente sentiu que precisava voltar a ser diferente
não só na entrega, mas também
na forma de trabalhar. Hoje operamos
com um modelo híbrido, com lideranças
sênior dedicadas e times volantes”, explica.
O executivo acrescenta que essa reorganização
proporcionou mais diversidade
criativa e agilidade para conectar talentos
e disciplinas de acordo com o perfil de
cada desafio. O movimento de reposicionamento
nasceu da percepção de que o
social-first já não se limita a produzir conteúdo
para as redes, mas a criar entretenimento
e narrativas que gerem valor de
marca. “Antigamente, a gente fazia social
e ninguém mais fazia; isso era um diferencial.
Hoje todo mundo faz. Então, o que
nos diferencia é a forma como fazemos,
com um olhar mais estratégico, que trata
o social como cultura e não apenas como
canal”, afirma Daniel Cecconello.
Essa visão também guiou a mudança
de identidade visual, o novo discurso e
o aprofundamento da relação com criadores
e influenciadores. Com o conceito
‘Creators as creatives’, a Mutato propõe
um modelo criativo no qual os criadores
de conteúdo atuam como parte do time
criativo, e não apenas como mídia. “Na
prática, o que a gente faz é integrar esses
criadores no processo criativo, compartilhando
a autoria das ideias”, resume
Em ativação da Jack Daniel’s para a NFL, Mc Hariel fez um show na estação Sé, em São Paulo; ação foi desenvolvida pela Mutato
Daniel Cecconello (CEO), Décio Freitas (COO) e Dindi Coelho (VP de criação)
Freitas. Segundo Cecconello, o modelo
traz flexibilidade e potência criativa. Esse
olhar é complementado pela atuação
de Dindi Coelho, que reforça o papel da
curadoria como diferencial estratégico.
“A curadoria não se limita à escolha do
creator. Ela orienta o processo criativo,
garantindo que os influenciadores certos
participem da campanha certa, no
momento certo, alinhados ao posicionamento
da marca”, acrescenta.
Os executivos defendem que o conceito
de social-first evoluiu para algo
mais amplo. “O social não é mais sobre
a trend do dia, mas sobre como criar experiências
e produtos de marca que tenham
vida própria e gerem engajamento
Divulgação
orgânico”, afirma o CEO.
Entre os movimentos mais recentes
está o desenvolvimento de IPs proprietários
(propriedades intelectuais), tanto
cocriados com marcas e plataformas
quanto originais da própria Mutato. “Você
precisa ter seus assets, se apropriar desse
tipo de estratégia. É uma frente que
queremos acelerar muito — ainda está
começando, mas já lançamos dois IPs e
queremos ter muito mais nos próximos
anos”, detalha Freitas.
Nos últimos meses, a agência lançou
dois IPs e prepara outros projetos para
2026. Entre eles, um canal próprio e uma
parceria com um grande creator da cultura
pop, cujos nomes ainda não foram
Brunno Kawagoe/Divulgação
revelados. “São modelos que ampliam
o papel da agência dentro da economia
criativa, conectando marcas, talentos e
audiências de um jeito mais orgânico”,
observa Cecconello.
Essa estrutura mais leve e flexível permitiu
à Mutato ampliar o repertório e acelerar
entregas, mantendo a qualidade criativa
e o olhar de longo prazo. O formato já
vem sendo aplicado a clientes como Samsung,
Ipiranga, Jack Daniel’s, Woodford Reserve,
El Jimador, L’Oréal, Toyota e Danone.
Para Cecconello, o mercado ainda tem
muito a entender sobre o papel da comunidade
dentro da creator economy. “Não
basta participar da conversa. As marcas
precisam aprender a criar ambientes
participativos, onde as pessoas que gostam
daquele produto ou propósito possam
de fato influenciar e construir junto.
Isso é o próximo passo.”
A dupla faz um balanço positivo de
2025. “A gente está bastante feliz com o resultado
da agência neste ano. A gente conseguiu,
de fato, consolidar uma operação
que é bastante saudável. E após o anúncio
dessa nova gestão e reposicionamento, a
gente tem tido muita procura, mais do que
no fim do ano passado. Marcas que estão
chegando no Brasil e querem uma agência
como a Mutato, social-first, para lançar
suas marcas”, finaliza Freitas.
36 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
agências
BETC Havas será responsável pela
comunicação da marca H2OH! no Brasil
Trabalho centrado em soluções criativas deve abrir novo ciclo de
construção da marca da PepsiCo no mercado consumidor brasileiro
É
com um novo projeto de posicionamento que a BETC Havas
inicia o planejamento de trabalho para atender a conta da
marca H2OH!, que acaba de entrar para o portfólio da agência.
“Estamos orgulhosos em ter sob nossa responsabilidade uma
marca tão querida, que ocupa um lugar legítimo na rotina das
pessoas e carrega um diferencial raro dentro da categoria. Nosso
desafio agora é traduzir essa força em campanhas criativas
que ampliem sua presença cultural e consolidem ainda mais sua
relevância no imaginário do consumidor”, comenta Carol Boccia,
copresidente da BETC Havas, que já planeja uma campanha.
Divulgação
Novo ciclo
Estratégias criativas a cargo da agência devem abrir um novo
ciclo na trajetória de construção da marca da PepsiCo no Brasil,
com soluções capazes de expandir a presença do refrigerante
em variados pontos de contato com o consumidor. Lançada no
Brasil em 2006, a H2OH! se consolidou como opção de bebida não
alcoólica com Anuncios_propmark_semana0710.pdf gás e baixo teor calórico. 4 07/10/2025 10:47:41
Marca da PepsiCo quer expandir a sua presença como bebida não alcoólica com gás e baixo teor calórico
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Ministério da Cultura, 3M e Zupi.Live Apresentam: Festival Internacional de Criatividade Pixel Show - 20a Edição.
PATROCÍNIO:
REALIZAÇÃO:
jornal propmark - 13 de outubro de 2025 37
agências
AlmapBBDO coloca Odete Roitman em
campanha bem-humorada para Subway
Comunicação, feita em parceria com a Globo, faz parte da ação ‘Chega
de mesma coisa. Vai de Subway’ e surfou no assunto do momento
Criada pela AlmapBBDO, em parceria
com a Globo, a nova campanha da
Subway apostou no assunto do momento.
Sim, ela: Odete Roitman.
Em capítulo da última semana, nos
primeiros desdobramentos após a
morte da vilã na trama de ‘Vale Tudo’,
a rede lançou um filme estrelado pela
atriz Débora Bloch. A peça se conectou
com o público pelo tom bem-humorado
da marca.
No filme, Débora aparece saboreando
tranquilamente uma das marcas registradas
de Subway - o sanduíche de 30
centímetros, enquanto o lettering dispara:
‘Com um Sub de 30, quem morre é a
sua fome’.
A comunicação faz parte da campanha
‘Chega de mesma coisa. Vai de
Subway’ e garante uma oportunidade de
associação criativa entre a teledramaturgia
e a autenticidade de Subway.
Caracterizada como a vilã da novela, Débora Bloch aparece saboreando um lanche
Divulgação
“‘Quem matou Odete Roitman?’ é
uma das perguntas mais clássicas da
cultura popular brasileira, mas nesse
remake a resposta é outra, diferente
da versão original. Então, na dúvida,
nada mais justo do que falarmos de
quem matou a fome dela”, disse Fernando
Duarte, vice-presidente de criação da
AlmapBBDO.
“A força dessa ideia está justamente
na conexão entre um momento icônico
da nossa cultura e o DNA bem-humorado
da marca. A ação mostra como é possível
transformar um acontecimento clássico
da TV brasileira em uma conversa relevante
e divertida, mantendo Subway presente
no imaginário do público”, explica
Rodrigo Munaretto, diretor de marketing
e vendas de Subway.
A produção é da Sentimental Filme,
com direção de cena de Felipe Adami. A
Cabaret assina a produção do som.
Purpple assume conta full da Panasonic
no Brasil com entregas em várias frentes
Agência atuará em áreas estratégicas que vão desde o posicionamento
institucional da fabricante de eletroeletrônicos até a gestão digital
A
Purpple conquistou a conta da
Panasonic. A agência será responsável
por liderar a comunicação
integrada da marca no Brasil,
atuando em frentes estratégicas
que vão desde o posicionamento
institucional até a gestão digital de
suas plataformas.
O escopo contempla iniciativas
para fortalecer a presença da Panasonic
em diferentes áreas de negócio
no país, incluindo campanhas institucionais,
comunicação de produtos e
atuação no segmento de pilhas.
O trabalho engloba desde a criação
de campanhas e conteúdos até a
gestão de redes sociais da marca,
além de outras plataformas digitais,
com foco em ampliar a conexão da
marca com o público.
Caio Marques, diretor de marketing da Panasonic, e Marcelo Bernardes, da Purpple
Divulgação
“A escolha da Purpple dá continuidade
ao movimento iniciado em 2024,
marco do rebranding da Panasonic no
país, e reforça nossa estratégia com
foco na execução e otimização dos recursos,
além de fortalecer uma parceria
que entendemos ser estratégica para o
futuro da marca”, afirma Caio Marques,
diretor de marketing da Panasonic.
Já Marcelo Bernardes, CEO da Purpple,
disse que a Panasonic é uma
marca admirada e presente na vida
dos brasileiros. “E ter a confiança para
cuidar da sua comunicação é um marco
para a Purpple”, diz. “Vamos somar
nossa visão criativa e estratégica à
inovação que já faz parte do DNA da
marca, aproximando ainda mais a Panasonic
do seu público e do mercado
brasileiro”, completa.
38 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
agências
Lovely, do Grupo Dreamers, é lançada
com posicionamento creativity first
Daniell Rezende, Paula Fernandes e Filipe Leonardos conduzirão o
negócio, que já nasce com Bradesco, Superbet e Cimed entre os clientes
Sob o conceito creativity first, a
nova agência de comunicação do
Grupo Dreamers, a Lovely, nasce
com Bradesco e Superbet entre os seus
clientes. Cimed também inaugura o portfólio.
A Lovely já planeja o lançamento
da linha de cosméticos infantil João e
Maria. A promessa é redefinir paradigmas
com soluções inovadoras. “O Grupo
Dreamers hoje chegou a um grau de
maturidade que, aliado a um mapeamento
das necessidades das marcas e
do mercado, nos fez perceber que estava
na hora de nascer uma agência como
a Lovely”, comenta Rodolfo Medina, presidente-executivo
do Grupo Dreamers.
O diretor-executivo de criação Daniell
Rezende, a diretora-executiva
Rodolfo Medina: maturidade para mapear as demandas de marcas e do mercado
Divulgação
Paula Fernandes e o diretor de estratégia
Filipe Leonardos conduzem o negócio.
“O nascimento da Lovely reforça
a aposta do Grupo Dreamers na criatividade
como driver fundamental do
nosso mercado. Daniell Rezende foi escolhido
a dedo para dirigir a criação da
agência, por seu inquestionável talento
aliado à liderança leve e inspiradora
que ele imprime”, comentam Rodrigo
Almeida (Monte) e Rafael Gil, CCOs do
Grupo Dreamers.
Da combinação entre criatividade e
entretenimento, a Lovely chega turbinada
pela ciência de dados e inteligência
artificial - base para insights capazes de
responder às demandas de clientes fixos
e projetos pontuais.
jornal propmark - 13 de outubro de 2025 39
marcas
Tecnologia e significado guiam a
disputa no mercado de smartphones
Com estratégias distintas, Samsung e Apple reforçam posicionamento,
ampliam narrativas e moldam novas percepções de valor no mobile
Divulgação
Campanha da Samsung com a skatista Rayssa Leal explora os recursos do Galaxy Z Fold7 e do Z Flip7 em cenas que destacam versatilidade, liberdade de movimento e criatividade
Adrieny Magalhães
O
avanço tecnológico e o amadurecimento
do mercado de smartphones
premium colocaram as
principais marcas do setor diante de um
desafio comum: como sustentar relevância
em um cenário de consumidores
exigentes, altamente informados e expostos
a múltiplas opções? Nesse ambiente,
em que a diferenciação depende
menos do produto e mais da forma
como se constrói o significado em torno
dele, Apple e Samsung representam visões
opostas — e complementares — de
comunicação e posicionamento.
Enquanto a Apple aposta em um discurso
global centrado na inspiração e
na criatividade, transformando a tecnologia
como meio de expressão pessoal,
a Samsung direciona sua narrativa para
a funcionalidade e o acesso, ampliando
o alcance de dispositivos que unem
desempenho, portabilidade e design. A
disputa entre as duas vai além do campo
técnico e se traduz em um retrato de
como as marcas constroem valor simbólico
e relevância cultural por meio da
comunicação.
estratégia da samsung
A estratégia da Samsung parte da experimentação
de novos formatos. Lucia
Bittar, diretora de marketing mobile experience
da Samsung Brasil, explica que
a categoria de smartphones dobráveis,
por exemplo, deixou de ser uma curiosidade
tecnológica e se consolidou como
uma opção relevante para o consumidor.
“Quando lançamos a primeira geração
da linha Galaxy Z, há mais de seis anos,
o consumidor olhava para os dobráveis
como uma curiosidade tecnológica. Hoje,
esse cenário mudou. O mercado amadureceu,
a tecnologia evoluiu e os dispositivos
se consolidaram como uma categoria
relevante e em expansão”, explica.
Os modelos Galaxy Z Fold7 e Z Flip7
simbolizam essa evolução. A executiva
explica que a Samsung busca oferecer
experiências distintas dentro do mesmo
conceito de vanguarda — de um lado,
desempenho imersivo e multitarefa;
de outro, design compacto e expressão
pessoal. “Cada vez mais usuários têm
incorporado os dobráveis em sua rotina,
seja para trabalho, estudos, criação de
conteúdo ou para o entretenimento. Por
isso, a Samsung trabalha continuamente
para democratizar o acesso à tecnologia
de ponta”, afirma Lucia.
A adaptação ao mercado brasileiro
também é parte central da estratégia.
O consumidor local, segundo a executiva,
valoriza inovação, mas busca flexibilidade.
Programas como ‘Compre &
Teste’, ‘Troca Smart’ e ‘New Galaxy Club’
foram criados para ampliar o acesso
e fidelizar o público. “Isso mostra que
adaptamos a nossa estratégia para que
mais brasileiros tenham acesso a essa
inovação”, explica.
Os resultados confirmam o avanço:
na pré-venda de 2025, a Samsung registrou
crescimento de cerca de 30%
na América Latina, com o Galaxy Z Fold7
respondendo por mais da metade dos
pedidos. “Esse desempenho comprova a
liderança e a confiança do consumidor
na marca”, reforça Lucia.
Já em sua comunicação, a marca tem
procurado associar tecnologia à cultura.
Uma campanha recente com Rayssa
Leal, desenvolvida pela Suno, mostra
os dobráveis como instrumentos de expressão
pessoal e criatividade. “A Rayssa
simboliza juventude, ousadia, liberdade,
autenticidade e inspiração — atributos
“A Samsung quer
democratizar
o acesso à
tecnologia
de ponta”
40 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
que dialogam diretamente com os dobráveis”,
diz Lucia.
Já a Cheil Brasil é a principal parceira
da Samsung no país e responde por
grande parte da comunicação da marca.
A agência atua de forma integrada com
diversas unidades de negócio, cobrindo
frentes que vão do branding às ativações
regionais, além de concentrar toda a
mídia offline da empresa — enquanto o
digital é dividido entre outras agências.
Alexandre Ravagnani, CCO da Cheil,
destaca que o desafio criativo está em
equilibrar linguagem aspiracional e acessível.
“Na Cheil, buscamos equilibrar o aspiracional
e o acessível mostrando que
Galaxy é para quem quer mais — mais
performance, mais criatividade, mais
possibilidades.”
Para o executivo, o smartphone deixou
de ser apenas um dispositivo tecnológico
e passou a ocupar um papel de espelho
da identidade. “Hoje, o smartphone
é mais que um dispositivo – é um espelho
da identidade de cada pessoa. É onde
criamos, nos expressamos e mostramos
quem somos. E isso tem guiado cada
campanha de um jeito muito autêntico.”
Ravagnani destaca ainda que parce-
Alexandre Ravagnani, CCO da Cheil Brasil: inovação e identidade
“A concorrência entre as duas marcas
acelera todos os ciclos”
Lucia Bittar, diretora de marketing da Samsung: evolução
Fotos: Divulgação
Apresentação do iPhone 17 marca a nova fase da Apple no mercado premium e reforça o foco da empresa em performance, design e integração
rias com influenciadores, artistas e atletas
são parte da estratégia de aproximar
a marca de conversas culturais. “Essas
colaborações vão muito além de visibilidade:
são cocriações genuínas, onde a
tecnologia encontra a cultura pop e vira
parte da identidade das pessoas. É assim
que mantemos o Galaxy relevante.”
posicionamento da apple
Enquanto a Samsung reforça a democratização
da tecnologia e a integração
com inteligência artificial, a Apple mantém
uma comunicação voltada ao significado
e à experiência. Em setembro,
a empresa apresentou os novos iPhone
17, iPhone 17 Pro e o inédito iPhone
Air, com foco em performance, design
e autonomia.
“O iPhone 17 é uma grande atualização
com recursos poderosos que deixam
o iPhone ainda mais útil no cotidiano.
Uma escolha fantástica para quem busca
os recursos mais avançados e a confiança
de saber que o iPhone foi feito para
durar”, afirmou Kaiann Drance, vice-presidente
de marketing global de produto do
iPhone, em comunicado à imprensa.
“O novo iPhone Air é tão poderoso e,
ao mesmo tempo, incrivelmente fino
e leve, que você precisa segurá-lo para
acreditar que ele é real”, completou John
Ternus, vice-presidente sênior de engenharia
de hardware na Apple.
Os lançamentos reforçam a estratégia
global da Apple de valorizar a
experiência individual. A marca aposta
na construção de um ecossistema
que combina desempenho e narrativa,
mantendo o foco em criatividade, design
e durabilidade. O modelo de comunicação
permanece centrado em histórias
que mostram o que as pessoas
fazem com a tecnologia, e não apenas
o que ela é capaz de entregar.
No Brasil, a comunicação da Apple é
conduzida pela Lew’Lara\TBWA.
visões de marca
Para Ana Duque-Estrada, consultora
e coordenadora da Ícone, núcleo experimental
de branding da ESPM, as campanhas
das duas marcas refletem formas
distintas de traduzir a tecnologia. “A
Samsung usa influenciadores e conexões
com cultura pop para falar da tecnologia
dela, comunicando praticidade e acessibilidade.
A Apple, por outro lado, usa
a tecnologia como meio para trazer criatividade
e inspiração.”
Segundo a especialista, essas diferenças
também se refletem na relação com
o público. “O público da Samsung é mais
racional e objetivo, enquanto o da Apple
enxerga valor simbólico e prestígio.”
Ela avalia que a concorrência entre as
duas acelera o ritmo de inovação, mas
com abordagens distintas. “A concorrência
entre as duas acelera todos os ciclos,
porque cada uma quer lançar um passo
além da tecnologia. A diferença é que a
Apple transforma a inovação em emoção,
enquanto a Samsung a comunica de
forma mais funcional.”
Para Ana, o valor da Apple está também
em sua capacidade de construir um
ecossistema de produtos e significados.
“Depois que o consumidor entra no ecossistema
da Apple, é difícil sair. Tudo conversa,
tudo é voltado para tornar a vida
mais criativa e agradável.”
Apesar das diferenças, as duas marcas
enfrentam o mesmo desafio: adaptar
discursos globais a realidades locais.
Ana cita o exemplo do iPhone 16 Pro, filmado
no Brasil, como caso bem-sucedido
de adaptação cultural. “Foi filmado todo
com o iPhone 16, com trilha de samba
composta e interpretada por brasileiros.
A linguagem é a mesma usada globalmente,
mas com elementos locais.
Esse filme é um exemplo de como o discurso
global pode se conectar à cultura
brasileira.”
A disputa entre Apple e Samsung
mostra que inovação e valor simbólico
coexistem em um mesmo mercado. Para
a Samsung, o futuro passa pela democratização
do acesso, pelo design e pela
integração da inteligência artificial no
cotidiano. Para a Apple, pela continuidade
de uma narrativa global que mantém
a marca associada a prestígio, design e
experiência criativa.
A concorrência entre as duas gigantes
traduz como o consumo contemporâneo
enxerga os smartphones, não apenas
como ferramentas, mas como parte da
construção de identidade e pertencimento.
A escolha por um ou outro modelo
revela valores culturais, percepções de
marca e modos distintos de se relacionar
com a tecnologia.
jornal propmark - 13 de outubro de 2025 41
marcas
WMcCann lança campanha para Chevrolet
que mostra Tracker na cor de ‘Caramelo’
Inspirada no novo filme da Netflix, ação une patrocínio, engajamento
digital e leilão beneficente do veículo exclusivo com renda para ONG
A
Chevrolet, em parceria com a Netflix,
lançou uma ativação inspirada
no cachorro caramelo, símbolo
cultural e afetivo do Brasil e que é protagonista
de ‘Caramelo’, novo filme brasileiro
do serviço de streaming.
O projeto resultou na criação de um
único exemplar do Tracker Caramelo,
em uma cor inédita escolhida a partir de
22.918 fotos de cães enviadas por tutores
de todo o país. O veículo exclusivo será
leiloado e o valor arrecadado integralmente
destinado ao Instituto Caramelo,
organização dedicada ao resgate e adoção
responsável de animais.
A definição da cor envolveu o público
de forma colaborativa. Os fãs da Netflix
foram convidados a enviar imagens de
Os vídeos da ação destacam cuidados com os pets durante as viagens de carro
Divulgação
seus cães por WhatsApp e as fotos formaram
uma paleta coletiva de tons, que
serviu de base para chegar ao “tom mais
caramelo do Brasil”.
Além da participação popular, a campanha
também conta com anúncios da
Netflix, no Brasil, e se desdobra com conteúdos
digitais em parceria com o ator
Rafael Vitti, protagonista de ‘Caramelo’.
Nas redes sociais, os vídeos destacam
cuidados com os pets durante as viagens
de carro, posicionando o Chevrolet
Tracker como facilitador deste cuidador.
Criada pela WMcCann, em parceria com a
Netflix, a iniciativa reforça o compromisso
da marca em celebrar a cultura brasileira
por meio de projetos que combinam
inovação, emoção e impacto social.
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42 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
mídia
Eletromidia reafirma que 2025 foi o seu
melhor ano e projeta nova fase no OOH
Entre as novidades, estão ativações da Copa do Mundo, ‘Big Brother
Brasil’ nas ruas, trem expresso do Lollapalooza e projetos sustentáveis
Máquina da Foto/Divulgação
Luciana Finatti (Eletromidia), Beatriz Bottesi (Meta) e Nathalia Garcia (Bradesco) durante o painel que encerrou o TMRW 2025, sobre o papel do OOH na construção de marca
Adrieny Magalhães
A
Eletromidia promoveu no último dia 7, em São
Paulo, a sexta edição do TMRW (Tomorrow Eletromidia),
evento anual que reuniu profissionais
de agências, anunciantes e veículos para discutir o futuro
do out of home (OOH). Em sua primeira versão presencial,
o encontro ocorreu no Shopping JK Iguatemi
e apresentou as diretrizes que orientarão a companhia
em 2026.
Com discursos marcados pela integração entre mídia,
dados e tecnologia, a empresa — agora controlada pelo
Grupo Globo — reafirmou seu propósito de transformar
as cidades e ampliar o papel do OOH no planejamento
das marcas. A programação combinou anúncios estratégicos,
demonstrações de novos formatos e painéis sobre
o impacto das experiências nas jornadas urbanas.
OOH OrientadO pOr dadOs
O CEO Alexandre Guerrero abriu o evento destacando
que 2025 é o melhor ano da história da empresa, consolidando
a Eletromidia entre as 12 maiores companhias de
OOH do mundo. Ele conta que o próximo ciclo é guiado
pela transição da venda de espaços físicos para a entrega
de audiência segmentada, ancorada em informações
de comportamento urbano.
“Estamos saindo da venda de painéis para a entrega
de audiência. É uma jornada de mídia que acompanha o
consumidor desde o voo até a espera do ônibus, sempre
com o compromisso de deixar um impacto positivo nas
cidades”, afirmou Guerrero.
O executivo também celebrou as novas concessões
conquistadas em Sorocaba, Cuiabá e Rio de Janeiro, além
da aquisição da Clear Channel Brasil, que reforçou a cobertura
nacional. “Toda essa expansão, aliada às parcerias
estratégicas e aos projetos urbanos, nos posiciona
não apenas como uma plataforma de mídia, mas como
um agente de transformação das cidades”, completou.
O diretor-presidente da TV Globo, Paulo Marinho,
ressaltou a sinergia entre as duas empresas e o papel
do OOH no ecossistema do grupo. “A Globo e a Eletromidia
compartilham o mesmo DNA: inovação, criatividade
e inconformismo. Queremos estar presentes em
toda a jornada do consumidor, ao longo das 24 horas
do dia”, afirmou.
O CSO Marcelo Pacheco detalhou a metodologia de
venda por audiência, desenvolvida a partir da combinação
de dados proprietários e externos. “Esqueçam tudo o
que sabem sobre o OOH. Estamos inaugurando uma nova
forma de comprar mídia: por pessoas reais, no contexto
certo e no momento certo”, explicou.
O modelo será aplicado em quatro frentes: eventos
musicais, futebol, esportes e varejo, com compra customizada
por CPM fixo e possibilidade de contratação por
dia ou por número de impactos.
Durante a apresentação, Pacheco também antecipou
ativações integradas com a Globo, como o Circuito
Verde-Amarelo e o Blast Copa, que levarão a emoção da
Copa do Mundo de 2026 às ruas, e o ‘Big Brother Brasil
26’, que contará com experiências crossmedia — como
o Big Fone em estações de metrô e pontos de ônibus.
transpOrte e experiência
O diretor-comercial Raphael Jimenez destacou o plano
de expansão para 2026, conectando grandes eventos
culturais e esportivos à jornada urbana. Um dos projetos
mais comentados foi o trem expresso do Lollapalooza,
desenvolvido em parceria com a CPTM.
O trem parte da Estação Pinheiros e segue até a
nova Estação Cidade Dutra, em frente ao Autódromo
de Interlagos, com ambientação e ativações patrocinadas.
O diferencial é que o patrocinador master
do festival poderá renomear a estação de chegada,
transformando o embarque e o desembarque em parte
da experiência de marca.
“A ideia é que o público comece a viver o festival ainda
dentro do trem. É um formato que une conveniência,
impacto e entretenimento, com oportunidades de ativação
dentro e fora das composições”, explicou Jimenez.
Além do Lolla, a Eletromidia confirmou presença em
eventos como Rock in Rio, Carnaval e Fórmula 1, além do
projeto Corredores Verdes, que transformará 12 paradas
da Avenida Nove de Julho em estações sustentáveis.
VisãO das marcas
O TMRW terminou com um painel mediado por Luciana
Finatti, diretora de contas estratégicas da Eletromidia,
com Beatriz Bottesi, CMO da Meta, e Nathalia Garcia,
diretora de marketing do Bradesco.
Beatriz ressaltou a importância do OOH como extensão
do digital. “O OOH é essencial para ampliar o 360 da
vida do usuário. É onde as campanhas ganham humanidade
e presença”, disse.
Já Nathalia destacou o poder da experiência e da
proximidade. “O maior KPI é a interação genuína. O OOH
acompanha o movimento diário das pessoas e ajuda a
marca a estar junto delas”. Ambas reforçaram também
a relevância de projetos de propósito, que unem marca,
impacto social e transformação urbana.
jornal propmark - 13 de outubro de 2025 43
mídia
Programação infantil se fortalece na
internet na era da mídia fragmentada
Nas décadas de 1980 e 1990, as principais emissoras tinham faixa da
manhã dedicada às crianças; hoje, apostam suas fichas no meio digital
Divulgação
‘O Picapau Amarelo’, do SBT: emissora tem a programação infantil como uma das suas apostas tanto na TV aberta como na internet, no canal SBT Kids, lançado recentemente
Vinícius Novaes
Talvez não seja exagero dizer que a
programação infantil na TV brasileira
viveu a sua ‘era de ouro’ nos
idos dos anos 1980 e 1990. E não se trata
de nenhuma vertente possível de saudosismo,
mas se você viveu a infância
nesses anos, certamente, entenderá.
À época, Globo, SBT, Cultura e a extinta
Manchete disputavam a atenção dos pequenos
com programas que misturavam
música, brincadeiras, quadros de auditório
e desenhos animados, apresentados
por nomes que todos conhecem: Xuxa,
Angélica, Mara Maravilha e Eliana marcaram
gerações inteiras, transformando as
manhãs da TV aberta em um território de
encantamento.
A força desses programas não se
restringia ao entretenimento. Eles movimentavam
a indústria de brinquedos,
influenciavam o consumo e ajudavam
a consolidar a lógica do “merchandising
infantil” na TV. As faixas matutinas garantiam
audiência expressiva e grandes
patrocínios, criando um ecossistema
comercial robusto em torno da infância
televisiva.
Mas, entre o fim dos anos 1990 e o
início dos 2000, esse cenário começou a
mudar. A chegada dos canais pagos especializados,
a crescente regulamentação
sobre publicidade dirigida a crianças
e a fragmentação da audiência com a
internet reduziram o espaço da programação
infantil na TV aberta. Aos poucos,
os programas de auditório e os blocos
de desenhos foram substituídos por noticiários
e variedades, marcando o início
de um processo de esvaziamento que
mudaria para sempre a relação entre as
novas gerações e a televisão.
Para Eliza Casadei, coordenadora do
Programa de Pós-graduação em Comunicação
e Práticas do Consumo da ESPM,
trata-se de um caminho sem volta. “A TV
aberta perdeu o protagonismo na formação
do repertório infantil. Isso ocorreu
por uma conjunção de fatores, como o
fato de que crianças e famílias hoje vivem
em ambientes midiáticos fragmentados”,
diz. “O ‘Clube da Xuxa’ ou os programas
da Angélica representavam uma
experiência compartilhada que reunia
grande parte das crianças em torno de
um mesmo conteúdo”, completa.
Miguel Valione, coordenador dos
cursos de comunicação da Anhembi
Morumbi, concorda e acrescenta que a
criança de hoje está condicionada a ter
o entretenimento na palma das mãos,
a hora que quiser. Diferentemente das
crianças das décadas de 1980 e 1990. “O
entretenimento infantil daquele período
respeitava uma grade de programação,
com horário específico, ou seja, a criança
daquela década estava condicionada
a assistir o que queria, mas somente no
horário estipulado.”
Na TV aberta, o SBT é a emissora
que ainda aposta na programação infantil.
Superintendente de negócios e
comercialização da empresa, Fernando
Justus Fischer destaca que o canal nunca
abandonou essa parcela do público.
“Nós não desistimos de provar que é
possível promover uma programação
infantil sustentável, responsável e de
qualidade. E estamos certos de que te-
44 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Fernando Justus Fischer, superintendente de negócios e comercialização do SBT
Eduardo Brandini, head de parcerias e responsabilidade do YouTube Brasil
mos o apoio do público e do mercado
publicitário nessa aposta”, conta.
Na grade, o SBT tem o ‘Bom dia & cia.’,
apresentado pela dupla Patati Patatá, além
do ‘Sábado animado’, com Silvia Abravanel,
e de investimentos em produtos recentes,
como a novela ‘A caverna encantada’, e o ‘O
Picapau Amarelo’, entre outros.
Se a TV aberta já é um território conquistado
pelo SBT, no que diz respeito ao
conteúdo infantil, a internet é um espaço
em que essa marca da emissora também
se faz presente. Há poucos dias, o SBT lançou
o SBT Kids, canal disponível no You-
Tube e YouTube Kids, dedicado a crianças
com até nove anos.
Produzido pelo próprio SBT, o SBT Kids
tem conteúdo livre de materiais impróprios
e alinhado aos valores que marcaram
gerações.
DNA multiplAtAformA
Plataforma infantil da Globo, o Gloob
nasceu em uma era multiplataforma,
com a proposta de estar em todos os
ambientes em que o público infantil consome
entretenimento.
Flavia Costa, gerente de conteúdo
infantil, filmes e dramas de produtos
digitais da Globo, afirma que a marca
acompanha as mudanças no comportamento
de consumo, investindo em experiências
multijanelas, sem abrir mão do
conteúdo linear e de uma curadoria de
conteúdo atenta.
“Gloob e Gloobinho respeitam as fases
de desenvolvimento de cada criança,
sem antecipar temas, oferecendo espaço
seguro para as crianças e confiável
para pais e cuidadores. Como exemplo
de adaptação e estratégia multijanela,
Flavia Costa, gerente de conteúdo infantil, filmes e dramas da Globo
“A TV aberta
perdeu o
protagonismo
na formação
do repertório
infantil”
recentemente, lançamos o ‘Partiu XV’,
um reality onde 12 meninas encaram desafios
surpreendentes para conquistar a
festa de 15 anos dos sonhos.”
A executiva contou ainda que o lançamento
do conteúdo foi fundamentado
em uma estratégia diferenciada entre
Gloob e Globoplay, com formas de exibição
e publicação adequadas a cada
plataforma. Além disso, contou com episódios
abertos para não-assinantes no
Globoplay e no YouTube, além de conteúdos
extras pensados para redes sociais.
“A própria presença da apresentadora
Luluca, muito relevante nos ambientes digitais,
foi pensada com propósito de diminuir
as barreiras entre os ambientes linear
e digital. O resultado demonstrou que
alcançamos o objetivo de levar a conversa
para onde o público está. ‘Partiu XV’ foi o
terceiro conteúdo infantil mais consumido
no VOD e em número de videoviews
nos perfis da marca em 2025”, ressalta.
CriAtiViDADE E sEgurANçA
Se por um lado o consumo de conteúdo
infantil se descentralizou com
os anos, e se acomodou muito bem na
internet, por outro, fez aumentar a preocupação
de pais em relação à segurança.
Uma das principais plataformas
onde esse consumo se dá, o YouTube
aposta em dois pilares: a liberdade criativa
e a segurança.
“Encontrar esse equilíbrio é um desafio
constante, mas abordamos isso por
meio de uma combinação de políticas
rigorosas, tecnologia avançada e ferramentas
específicas. A fundação do nosso
equilíbrio é a política de segurança infantil
e as diretrizes da comunidade. Essas
regras definem o limite inegociável,
e elas são aplicadas a todo o conteúdo
na plataforma”, afirma Eduardo Brandini,
head de parcerias e responsabilidade do
YouTube Brasil.
Para o público mais jovem, o YouTube
tem o YouTube Kids - que recentemente
completou 10 anos - um aplicativo e uma
experiência separada. “Esta é a nossa solução
para criar um ambiente curado e
mais seguro. Apenas uma fração do vasto
universo do YouTube é elegível para o
YouTube Kids. Usamos uma combinação
de sistemas automatizados e revisão humana
para garantir que o conteúdo seja
adequado à idade.”
jornal propmark - 13 de outubro de 2025 45
conexão ásia
Mirela Tavares
mirela@conexaoasia.com.br
Lawrence chung Koo
vice-presidente do Instituto de Engenharia de São Paulo e PHD em comunicação e semiótica pela PUC-SP
“A China não tem pressa”
Calma! Antes que os mais
apressados digam que é
exatamente o contrário, o título
acima faz parte de uma metáfora
do engenheiro Lawrence Chung
Koo, chinês naturalizado brasileiro,
há 67 anos no país. Na sua visão,
construída no Brasil, sobre seu país
de origem, a China não caminha
nem corre; marcha. Isso porque,
com mais de cinco mil anos de
história, o gigante oriental sabe que
mais importante do que chegar
logo a algum lugar é manter o ritmo
e a consistência em uma velocidade
estratégica, sabendo sempre aonde
quer chegar.
Divulgação
Mirela Tavares
Especial para o propmark
Poderia contar um pouco a sua trajetória de
vinda para o Brasil?
Nasci em Xangai, no período de transição da China nacionalista
para a China comunista. Naquele momento,
Taiwan ainda representava oficialmente a China na Organização
das Nações Unidas (ONU). Minha família, tanto
do lado do meu pai quanto da minha mãe, era da elite
intelectual e empresarial. Com a Revolução Comunista,
famílias como a nossa seriam perseguidas. Então, alguns
membros foram enviados a Taiwan para avaliar as perspectivas
de futuro. Meus pais estavam entre eles. Quando
a revolução se consolidou rapidamente, ficamos em
Taiwan, onde fiz o ensino primário. Depois, imigramos
para o Brasil. Uma tia já havia se estabelecido aqui, em
Curitiba, antes mesmo da revolução, comprando uma
fazenda de café em Londrina. Isso abriu o caminho. Chegamos
de navio em Santos, em 1958, e ficamos alguns
meses no Paraná antes de nos fixarmos em São Paulo.
Você tem outros irmãos?
Sim, um que mora em São Paulo e outra que mora em
Ilhéus, na Bahia.
Com tanta gente no Brasil interessada nos
chamados doramas, parece que com sua
vinda ao Brasil você vive um C-drama de sucesso
há 67 anos, né?
Sim (risos). Eu conheci a minha mulher, May, aqui no
Brasil, aos 11 anos de idade, ela tinha 8. Hoje tenho 77.
Começamos a namorar quando ela tinha 15, o que à época
era até considerado cedo. Somos casados há 53 anos.
Temos quatro filhos: três meninas e um menino. E agora
estamos com 14 netos. Acredito que esse é meu maior
feito na vida.
E como foi a adaptação aqui no Brasil à época
da sua chegada?
No começo, foi muito difícil. Eu tinha 10 anos, não falava
português e precisei voltar ao início da escola, estudando
com crianças de 6 anos, apesar de já ter feito o primário
em Taiwan. Foi traumático: sofri bullying diariamente. Eu
era alvo fácil, não entendia sequer os insultos, mas sabia
que não eram coisas boas. Era alvo de zombarias. Aos
poucos, aprendi a língua, comecei a ganhar confiança e
a me adaptar. Qual é a primeira regra para um imigrante
aqui no Brasil ou em qualquer lugar?
Qual?
Sobrevivência. E se o país não dá de cara um espaço para
o imigrante ter um emprego digno – a não ser que chegue
com um monte de dinheiro –, mas sendo uma pessoa
mediana, tem de fazer um downgrade da sua vida e
tentar sobreviver. Meu pai era engenheiro e arquiteto,
embora chinês, formado em uma das melhores escolas
do mundo, que é a Universidade de Tóquio, se empregou
em uma empresa americana que estava estabelecida
aqui, mas ele não podia ser registrado como engenheiro,
“No Oriente todo mundo
sabe que o que vale
é o conhecimento”
46 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
“Ao contrário da mentalidade brasileira, que
improvisa, o chinês não faz nada sem planejar”
nem como técnico – o diploma dele não tinha como ser
validado aqui no Brasil. E ainda é assim. Ele era um empregado
que fazia trabalho de engenheiro, mas ganhava
um terço do que um engenheiro ganhava. Fomos para a
colônia chinesa que era minúscula. Ele achava que o trabalho
na empresa não iria para frente, compramos um
sítio pequeno em Suzano, perto de Mogi, e fomos criar
galinhas. Eu fui estudar no ginásio de Suzano, a mesma
escola onde em 2019 houve aquele massacre com a
morte de estudantes e outras pessoas (Escola Estadual
Professor Raul Brasil). Nessa escola foi uma experiência
sui generis.
Por quê?
Porque quem morava lá era o pessoal que plantava e
cultivava a terra, um ambiente totalmente agrícola. Na
minha sala tinha 47 alunos, sendo três brasileiros, um
chinês e o resto todo era japonês. Mas a maior população
era a japonesa? Não. Não sei se já deu para você perceber
o que o estrangeiro entendia – “A gente só vai crescer
aqui se nossa segunda geração estudar”. No Oriente,
todo mundo sabe que o que vale é o conhecimento.
Como é que está a Coreia, o Japão? O Vietnã hoje forma o
dobro de engenheiros do Brasil. Meu pai era uma pessoa
inteligentíssima, conheceu o mundo, grande fotógrafo,
músico, mas de repente passou a ser da classe mais
baixa da sociedade, porque não se conseguia reconhecer
aqui os valores de quem vinha de fora. Então, minha
trajetória é marcada por esses entrelaçamentos: nasci
na China, cresci em Taiwan, me formei no Brasil e me especializei
nos Estados Unidos. Essa experiência multicultural
me deu uma perspectiva privilegiada sobre como o
Brasil enxerga a Ásia e, principalmente, a China.
E qual era a sua percepção do Brasil naquela
época?
Vou te dar uma visão semiótica. Naquela época, o Brasil
era chamado de país do amanhã. O meu pai dizia: “Filho,
aqui realmente é o país do amanhã, porque toda coisa
que eu peço, eles me respondem, ‘Amanhã’. A gente
não vai ao encontro do amanhã; a gente espera o amanhã
chegar”.
E da China?
A visão que eu tenho da China foi construída no Brasil,
baseada no contraste. A partir do momento que eu
tentei entender o país que estava vivendo, eu comecei
a entender as diferenças com a China. Hoje, faço parte
de um grupo com pessoas representativas do país para
pensar um Projeto Brasil, porque ninguém aqui sabe o
que o Brasil quer ser “quando crescer”. Quando você não
sabe o que quer ser, você não será. Os governantes têm
uma visão de no máximo quatro anos. Eles têm projetos
de poder, mas não projetos de país. Trocam o futuro
brilhante que ainda é possível pelo que é imediato. Na
verdade, se não trocarem esse modo de pensar, nunca
vamos sair do lugar. Sempre seremos colônia, porque a
cabeça é de colônia. A China tem um projeto de país. Isso
vai muito além de políticas públicas pontuais. Trata-se
de uma visão de Estado. Eles planejam o que querem
ser em 100, 200 ou até 500 anos. E há uma base sólida
para sustentar esse planejamento: o capital intelectual.
E como isso se forma? Pela educação. Quase todos os
países do Extremo Oriente – China, Japão, Coreia – têm
um compromisso profundo com a educação, da primeira
infância ao pós-doutorado e à pesquisa científica. Veja
o caso do Japão: o país praticamente não tem recursos
naturais, importa quase tudo. Ainda assim, transforma o
que recebe em produtos de altíssimo valor agregado. A
verdadeira matéria-prima do Japão é o japonês. No caso
da China, é parecido. Quando se fala que a China é uma
fábrica, o que isso significa? Que o verdadeiro motor da
produção chinesa são os chineses.
Sua capacidade de planejar, se organizar e
produzir...
Exatamente. A China não tem pressa. Ela não caminha,
não corre; marcha. Isso porque com seus mais de cinco
mil anos de história, sabe manter ritmo e consistência
para chegar aonde quer. O país se planeja para décadas
ou mais: seja sua infraestrutura, seja energia, segurança
alimentar... É planejamento estratégico em nível nacional.
Ao contrário da mentalidade brasileira, que improvisa,
o chinês não faz nada sem planejar. A China tem uma
visão industrial muito clara: produz para o mundo. Lá, a
mão de obra é barata, mas grande parte da produção já
é automatizada. Eles constroem máquinas para fabricar
outras máquinas. Há até o conceito de “fábrica escura”,
ou seja, fábricas completamente automatizadas, onde
não há nenhum ser humano, e por isso sem necessidade
de luz. A matéria-prima entra, o produto sai e todo o processo
ocorre sem intervenção humana.
Mas, ainda assim, há uma imensa força de
trabalho humana.
Sim, claro. Basta observar um cozinheiro chinês, a habilidade,
a técnica, a precisão. Ainda há muito espaço para
o talento humano, especialmente em áreas artísticas e
culturais. Mas a lógica é: se algo pode ser feito por uma
máquina, será automatizado. E se exige um toque humano,
o profissional será altamente especializado nisso.
O que o Brasil pode aprender com isso?
O Brasil precisa de visão estratégica e execução consistente,
algo que a China desenvolveu ao longo de milênios.
Nós começamos projetos, mas não conseguimos
terminá-los. Essa é a diferença fundamental. Estamos
falando de China, mas precisamos refletir sobre nós
mesmos. Não temos uma identidade de Brasil. A Bahia
tem uma identidade muito forte, o Rio Grande do Sul
tem uma identidade muito forte. Mas qual é a nossa
identidade como Brasil? Não somos capazes de aceitar
totalmente o diferente de cada um de nós. Estive em
ambientes muito distintos e percebi diferenças políticas
e culturais profundas. Essa diversidade nos impede de
chegar a um entendimento coletivo. Quando conseguimos
criar uma imagem do Brasil no mundo, essas imagens
se autorrealizam. Elas não apenas convencem os
brasileiros, mas também outros países, que começam a
nos considerar dessa forma e reforçam essa percepção.
Assim, construímos objetivos e estratégias a partir dessa
imagem. A China tem essa identidade formada ao longo
de sua história milenar. Os Estados Unidos têm isso. Na
Europa é diferente, é algo fragmentado. Cada país tem
seu orgulho. Se não resolvermos essas diferenças, o Brasil
não vai evoluir. Identidade e mindset são fundamentais,
e ambos exigem tempo, experiência e educação.
Ainda falando sobre planejamento, o que
influenciou o seu interesse pela visão estratégica
das coisas?
É difícil dizer. Meu pai era engenheiro, eu sou engenheiro,
e a engenharia ensina a planejar. O pensamento chinês
também valoriza o planejamento rigoroso. Como já
mencionei, o chinês não faz nada sem planejar. E para
isso é preciso ter conhecimento. É a clareza que orienta
todo o planejamento estratégico e a visão de longo
prazo. Em última análise, o planejamento é resultado da
filosofia. Os filósofos antigos foram os responsáveis por
estruturar o pensamento e a clareza que hoje valorizamos.
Então, fui influenciado pela filosofia e, claro, pela
minha experiência pessoal.
E por falar em influências, como você se sente
quando volta à China?
Estive recentemente, inclusive, em uma viagem do Brasil
à China para participar de um evento específico de
semiótica. Uma das coisas que fiz foi visitar a casa onde
nasci. Foi interessante rever meus primos. Quando estou
lá, me sinto bastante chinês. E me senti ainda mais na
ocasião do evento, porque o grupo que acompanhava
não falava chinês. Senti-me mais chinês do que nunca.
Quando vou para os Estados Unidos, também me sinto
mais chinês – não porque eu queira parecer mais chinês,
mas porque os norte-americanos não falam chinês e
quando me olham (veem os olhos asiáticos), todos para
eles são chineses.
É um preconceito explícito assim?
Depende do lugar. Em São Francisco ou Nova York, grandes
metrópoles, não se sente tanto, mas em cidades menores
dos Estados Unidos, os locais percebem quando
você é estrangeiro. Lá há uma sensibilidade maior para
estrangeiros do que no Brasil. Aqui, sou muito mais acolhido
do que nos Estados Unidos. Apesar de ser chinês,
consegui me tornar brasileiro e ser aceito.
E com essa sua visão global e sua percepção
do tanto que ainda precisamos aprender
para nos ajustarmos como nação e até mesmo
como povos do mundo, o que o motiva,
o que o faz estudar tanto, a discutir projetos
para o Brasil...?
Vou lhe contar uma historinha que nos era narrada na
escola, quando eu era criança lá na China. O professor
nos dizia que um vovozinho levou seu netinho para plantar
uma tamareira. Eles foram juntos ao quintal, pegaram
a semente, colocaram na terra, adubaram, regaram
e, então, o netinho encantado perguntou: “Vovô, quanto
tempo leva para essa tamareira dar frutos?”. O vovozinho
olhou para ele, sorriu e respondeu: “Ahh... muitos e
muitos anos!”, no que o netinho surpreso disse: “Mas,
vovô, você não vai ver os frutos!”. E, então, o vovozinho
respondeu: “Mas você vai!”.
jornal propmark - 13 de outubro de 2025 47
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Alê Oliveira
Corpo diretivo da Central de Outdoor:
Felipe Davis (diretor de novos negócios),
Fabi Soriano (diretora-executiva) e
Halisson Pontarolla (presidente)
Prêmio Central de Outdoor 2025
A 24ª edição do Prêmio Central de Outdoor celebrou a força criativa, sustentável e inovadora da mídia exterior brasileira, reunindo os principais nomes da indústria da comunicação para conhecer os vencedores
das dez categorias. As agências Monks e 404, Chicooh+, MP Publicidade, Streetwise, Rodrigo Pegoretti e Lápis Raro, e as exibidoras Outdoormídia e RZK Digital, foram as grandes vencedoras da noite, com Ouro em
suas respectivas categorias, além do grupo Camaleão, da PUC Campinas, vencedor da categoria Jovens Talentos. A premiação foi o grand-finale do OOH Lab, novo projeto da associação, que promoveu durante os
dias 7 e 8, palestras, painéis, networking e experiências imersivas. Paulo Queiroz, CEO da RZK Digital Media; Melissa Vogel, da Objet Trouvé; e o medalhista olímpico Gustavo Borges foram alguns dos nomes que
compartilharam suas experiências na edição de estreia do evento.
Streetwise: Ouro na categoria Digital Out of Home
Outdoormídia: Ouro na categoria Projetos Sustentáveis
Grupo Camaleão, da PUC Campinas, venceu na categoria Jovens Talentos
RZK: Ouro na categoria Icônicos
Cerimônia foi realizada no Espaço Vila Blue Tree, em SP
48 13 de outubro de 2025 - jornal propmark
Fotos: Alê Oliveira
Lápis Raro: Ouro na categoria Projetos Especiais e Experiências
Antonio José, criador do AJ Podcast, conquistou o título de Rising Star
Rodrigo Pegoretti: Ouro na categoria Grandes Formatos
CHICOOH+: Ouro na categoria Impacto Real
Monks e 404: Ouro na categoria Movimento & Indoor
MP Publicidade: Ouro na categoria Clássico
Paulo Cesar Queiroz, CEO da RZK Digital
Gustavo Borges, medalhista olímpico
Diretoria da Central de Outdoor no OOH Lab 2025
Mariana Panhoni (Abap), Fabi (Central de Outdoor) e Melissa Vogel (Objet Trouvé)
jornal propmark - 13 de outubro de 2025 49
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Divulgação
Flavio Waiteman
é sócio e CCO da Tech&Soul
flavio.waiteman@techandsoul.com.br
Carrossel
Flavio Waiteman
Amor é uma palavra forte. De tanto não ser usada
já se torna uma novidade em nossa época. No
movimento pendular da história ainda vai voltar
a virar tendência, você vai ver. Amor junto da palavra
trabalho e ética, então, nos leva para o século passado.
Ou talvez para o futuro. Você ama o que faz? De verdade?
Ou vai existindo e sobrevivendo?
Reflexões que tive quando acabei de ver uma cena e
de rever uma outra. Revi esse trecho de ‘Mad men: the
carousel Kodak wheel slide projector ad pitch’. Anos 1960
e executivos da Kodak promoviam uma concorrência e
queriam ouvir como a Sterling Cooper e Don Draper viam
a sua incrível inovação, o projetor de slides.
A cena superbem escrita e emocionante mostra os
executivos entrando na sala. São recebidos pelo staff
da agência. Os Kodakers (kkk) chamam a invenção de “a
roda” devido ao dispositivo ser redondo, provavelmente.
Se ainda não conhece um projetor de slides, a tecnologia
de projeção injetava uma luz forte em fotogramas
colocados numa moldura de papelão e a imagem minúscula
ganhava tamanho de 100 polegadas em qualquer
parede branca. Inovação simples para os engenheiros.
Emoção pura para Don Draper. Publicidade é saber ver
além da tecnologia.
Draper coloca uma perspectiva diferente como todo
ótimo publicitário faria e sugere duas outras palavras
gregas para substituir tecnologia: “novo” e “nostalgia”.
A segunda, ele diz, forma um vínculo mais profundo
com a audiência. Ele afirma aos engenheiros que nostalgia
é uma palavra mais delicada que “novo”, porém mais
potente, pois sugere um vínculo entre produto e a vida
das pessoas, o que um ótimo publicitário faria também.
E então inicia um discurso filosófico que conecta com
qualquer ser humano, com ele próprio e com a publicidade
em si. “Nostalgia em grego quer dizer a dor de uma
velha ferida...”
Draper faz a reunião utilizando a própria invenção do
cliente, o projetor de slides, o que um ótimo publicitário
faria com essa oportunidade, simular o seu uso. Ele usa
fotos de sua família que na vida do personagem está se
desfazendo, enquanto diverge sobre como deveria ser
o posicionamento e o nome do produto que ele muda
também, o que um ótimo publicitário que realmente
ama a profissão faria.
Em vez de “roda”, ele sugere carrossel. O texto dele argumentando
que a alma humana deveria ser a primeira
aula do curso de publicidade das universidades. Para o
publicitário, o carrossel gira, é uma roda, mas com propósito
e poesia. Vale a pena rever a cena.
Mas o ponto não é esse. É que quem escreveu
essa cena, alguém que mostrou de fato ser do primeiro
time de roteiristas de cinema americano, conseguiu
se colocar no lugar de um publicitário e de sua cabeça
caótica e vida idem, para escrever algo lindo sobre a
profissão. Esse roteirista amou mais a publicidade, quando
escreveu a cena, do que muita gente que trabalha
com comunicação e deve seu sustento a essa indústria
já o fez antes.
Durante minha carreira, se tornou comum entrar
em reuniões e ver gente que vive de criar publicidade
expressando o desprezo por ela. Considerá-la uma arte
inferior. Ou submissa à tecnicidade, sem alma. Quase
como se desculpando por estar ali vivendo “daquilo”. Os
motivos devem ser muitos para fazer isso. Talvez para
querer completar a parte que falta. Triste. Sem amor,
nada roda, nem o carrossel.
Você ama o que faz?
“Esse roteirista
amou mais a
publicidade do
que muita gente
que trabalha com
comunicação”
50 13 de outubro de 2025 - jornal propmark