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Q&Q_Resíduos 2025

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QUEM É QUEM

NOS RESÍDUOS

2025



QUEM É QUEM

NOS RESÍDUOS

2025


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www.greensavers.pt

A REVISTA QUE

DÁ VOZ A TODOS

OS QUE ACREDITAM

NUM MUNDO MAIS

SUSTENTÁVEL


\\ EDITORIAL \\

5

O “lixo” nosso

de cada dia

Estamos num capítulo da História da humanidade em que ainda ter de dizer que reciclar é importante

para proteger o planeta, os ecossistemas, a Natureza e a saúde humana se torna cansativo, frustrante e

até, sejamos honestos, embaraçoso.

Falamos de viagens até Marte, de colónias humanas na Lua, de ir até às profundezas mais escuras dos

oceanos para extrair minerais, de Inteligência Artificial ao comando de tudo e mais um par de botas. No entanto,

continuamos a ter de dizer que o papel é no azul, o vidro no verde e o plástico no amarelo.

Todos os anos, aqui e ali, com maior ou menor destaque, campanhas públicas dizem-nos que reciclamos pouco e

que temos de reciclar mais, a bem da Terra. Contudo, todos os anos, falhamos metas de reciclagem, continuamos

a encher os aterros (que já transbordam pelas costuras) de materiais que poderiam perfeitamente dar vida a novos

produtos, e a devastar o mundo natural numa busca insaciável por matérias-primas que no outro dia mandámos

para o lixo e que amanhã lá voltaremos a colocar. Um círculo vicioso, sem tirar nem pôr, impulsionado pelas nossas

ações, que nos empurrará para becos sem fim ecológicos dos quais muito provavelmente nem a Santa Tecnologia

nos conseguirá resgatar.

Com uma população humana em contínuo crescendo e com o consumo desbaratado a ser o Norte de muitas

sociedades (“desenvolvidas”, dizem alguns), a gestão dos resíduos continuará a ser um problema. Investimentos

no aumento da capacidade das entidades gestoras e colocar mais contentores e mais próximos das comunidades

pode não ser suficiente.

Poderá ser preciso apostar, mais afincadamente, com um olhar mais científico e com menor dependência de

“achismos”, em estratégias de comunicação e de sensibilização que toquem “no coração” das pessoas, que tenham

em conta os obstáculos específicos que as impedem de reciclar ou de fazê-lo com maior zelo, que lhes apresentem

soluções práticas e viáveis que as ajudem a ultrapassá-los. É preciso saber para quem se fala quando se fazem campanhas

que pretendem pôr mais gente a reciclar. Basta olhar para trás para perceber que mensagens genéricas não

têm resultado muito bem.

Claro que haverá sempre pessoas que, por mais informação que tiverem, recursar-se-ão a reciclar. Mas entre os

“orgulhosamente sós” e aqueles para quem a separação de resíduos é um ato diário como qualquer outro, há os que

já reciclam, mas que podiam reciclar mais, e que até podem estar dispostos a ir mais longe. É nesse grupo, que será

talvez a maioria, que estará a diferença entre continuarmos no “mais do mesmo” e darmos um grande e urgente

passo em frente.

Filipe Pimentel Rações, jornalista

// FICHA TÉCNICA

DIRETOR GERAL Rogério Junior • DIRETORA EDITORIAL Ana Filipa Rego • COLABORADORES E REDAÇÃO Ana Rita Reis, Joana Vicente Pinto • GRANDE REPÓRTER

Filipe Pimentel Rações • DIREÇÃO DE COMUNICAÇÃO Marisa Silvestre • DIREÇÃO DE ARTE Sofia Marques • IMAGENS Getty Images • PUBLICIDADE Mário Serra

(mario.serra@greensavers.pt) • PERIODICIDADE Anual • TIRAGEM MÉDIA 15.000 exemplares • PROPRIEDADE | SEDE | EDITOR Neurónio Criativo, Unipessoal, LDa,

Rua Cidade de Rabat, 41b, 1500-159 Lisboa NIPC: 514822228, geral@greensavers.pt • IMPRESSÃO E ACABAMENTO Louresgráfica - Sociedade de Artes Gráficas, Lda

• Revista distribuída gratuitamente com a Green Savers nº20

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


6 \\ ÍNDICE \\

08

ANÁLISE

RECICLAGEM EM PORTUGAL

CONTINUA AQUÉM DAS METAS

DEFINIDAS

Em 2025, Portugal, juntamente com

outros países da União Europeia (EU),

tem como objetivo atingir uma taxa de

reciclagem de 65%.

12

ENTREVISTA

“Acredito que chegará o dia em

que olhar para um resíduo e ver

nele uma oportunidade e não um

problema será a norma”

Mudar a forma como olhamos para os

resíduos, deixar de vê-los como “lixo” e

passar a encará-los como “recursos”, é

fundamental.

20

ENTREVISTA

“A maior parte dos resíduos

ainda são recolhidos de forma

indiferenciada”

Portugal mantém-se longe da nova

meta definida para a recolha seletiva de

papel/cartão e que é necessário atingir

em 2025, alerta Mariana Ludovino,

porta-voz da DECO PROteste.

28

PSICOLOGIA AMBIENTAL

SEPARAÇÃO DE RESÍDUOS

DIZER QUE “É BOM PARA O

AMBIENTE” NÃO BASTA

Ano após ano somos confrontados com

notícias de que as taxas de reciclagem

continuam abaixo do que era desejado. O

que tem falhado? A Psicologia Ambiental

ajuda a perceber onde se deve atuar.

37

FÓRUM DE LÍDERES

1

2

48

Que iniciativas a sua organização

tem vindo a adotar para promover

a sustentabilidade?

Quais considera que serão os

próximos desafios e oportunidades

na gestão de resíduos em Portugal?

DIRETÓRIO

O futuro é circular

Conheça as empresas que se destacam

na gestão de resíduos em Portugal.


INDÚSTRIA

TECNOLOGIA INOVAÇÃO


8

\\ ANÁLISE \\

RECICLAGEM EM PORTUGAL

CONTINUA AQUÉM DAS METAS DEFINIDAS

EM 2025, PORTUGAL, JUNTAMENTE COM OUTROS PAÍSES DA UNIÃO EUROPEIA (EU), TEM COMO

OBJETIVO ATINGIR UMA TAXA DE RECICLAGEM DE 65%. NO ENTANTO, DADOS RECENTES INDICAM

QUE O PAÍS AINDA NÃO ALCANÇOU ESTE OBJETIVO, E EM ALGUNS CASOS, COMO NO PLÁSTICO,

A RECICLAGEM ESTÁ SIGNIFICATIVAMENTE ABAIXO DO DESEJADO.

\\ Por Ana Filipa Rego

Portugal mantém-se longe da nova meta definida para as

embalagens e que é necessário atingir em 2025, alertava

a Sociedade Ponto Verde (SPV) no início deste ano,

sublinhando que, em 2024, a taxa de retoma foi de 57,8%, o que

significa que “temos de tornar o sistema mais eficiente para atingir

as novas metas”.

Segundo a mesma fonte, os portugueses encaminharam para reciclagem

um total de 476.605 toneladas de embalagens, em 2024, o

que significa um aumento de 4% face ao período homólogo. “Embora

estes dados sejam positivos, Portugal mantém-se longe da nova

meta definida para este fluxo de resíduos urbanos e que é necessário

atingir em 2025”, sublinhava a SPV.

Este ano, o sistema conta com mais 113 milhões de euros que

resultam da decisão do Governo de aumentar os valores das contrapartidas

para financiar o SIGRE – Sistema Integrado de Gestão

de Resíduos de Embalagens, num total estimado de 235 milhões de

euros (em 2024 o valor era 122 milhões de euros) só para a gestão

dos resíduos de embalagens em 2025.

Este montante é pago pelas entidades gestoras de resíduos de embalagens

aos Sistemas Municipais, Intermunicipais e concessões,

para procederem à recolha seletiva de resíduos urbanos de embalagens,

que asseguram a triagem e pré-preparação para reciclagem

destes resíduos nos seus diferentes materiais (como vidro, plástico

ou papel/cartão).

“Estamos, portanto, perante uma oportunidade única para aumentar

a performance de todo o sistema e colocar Portugal na rota

do cumprimento das metas da reciclagem de embalagens, cabendo

às autoridades garantir a eficiência da operação”, dizia a entidade.

A injeção de mais 113 milhões “tem de traduzir-se na melhoria

significativa do nível de serviço que é prestado aos cidadãos por

parte dos sistemas municipais e multimunicipais na recolha, numa

operação que deve ser cada vez mais orientada para a conveniência,

assegurando, no final, a recolha de mais embalagens e o seu encaminhamento

para reciclagem”, avisava.

Complementar o modelo de recolha por ecopontos com sistemas

de incentivo, porta-a-porta ou pay as you throw (payt), permitindo

este ter noção do valor pago em função do consumo, “são soluções já

identificadas para permitirem uma melhor capacidade de resposta,

com a entrada de mais embalagens no sistema de reciclagem”. Este

esforço para um sistema cada vez mais eficiente “significa também

uma maior articulação e colaboração entre todos os parceiros e partes

interessadas desta cadeia de valor, levando ao cumprimento das

metas estabelecidas para 2025”, sublinhava ainda.

Papel e plástico mantêm-se como os materiais com melhor

desempenho

O papel/cartão e o plástico mantiveram-se como os materiais com

melhor desempenho, com o primeiro a ter aumentado 6%, o que

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ANÁLISE \\

9

se traduz em 158.146 toneladas encaminhadas

para reciclagem, e o segundo 5%, ou seja, 85.548

toneladas recolhidas no último ano.

O vidro continuou a merecer particular preocupação,

já que o seu ritmo de crescimento continua

aquém da meta, tendo-se verificado um aumento

apenas de 1%, ou seja, 213.870 toneladas depositadas

no vidrão. Para o aumento deste material “é

fundamental que sejam implementadas soluções

específicas, com a adaptação de ecopontos às necessidades

dos estabelecimentos HORECA, como

o baldeamento assistido, que são facilitadores na

deposição e envio para reciclagem”, apontava a SPV.

A CEO da Sociedade Ponto Verde, Ana Trigo

Morais, afirmava mesmo que o “ano de 2025

tem de ser de viragem na recolha seletiva das

embalagens. Com mais fundos à disposição do

sistema esperamos mais recolha e reciclagem

destes resíduos, assim como uma atenção permanente

das autoridades à forma como evolui

a performance de toda a operação. É fundamental

resolver os problemas existentes, que

estão bem identificados, ao nível da prestação

do serviço ao cidadão”.

Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente

Portugal (APA), em 2024, Portugal teve um

aumento de 4% na taxa de reciclagem, atingindo

36%, em comparação com os 32% do ano anterior,

“muito à custa da reciclagem de biorresíduos

e do aumento da eficiência de TMB”, disse

José Pimenta Machado, Presidente da APA, na

sessão de abertura do 3.º Fórum Biorresíduos,

alertando que há ainda “um longo caminho a

percorrer” para o país atingir a meta de 60%

em 2030. O País alcançou 12% de recolha de

biorresíduos, o que “é muito pouco”, lamentou,

revelando ainda que a produção de resíduos urbanos

em 2024 registou um aumento de 3% e

apelando à “prevenção”. >>

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


10

\\ ANÁLISE \\

Portugueses encaminharam para

reciclagem um total de 476.605

toneladas de embalagens, em

2024, o que significa um aumento

de 4% face ao período homólogo.

Embora estes dados sejam positivos,

Portugal mantém-se longe da

nova meta definida para este fluxo

de resíduos urbanos e que é necessário

atingir em 2025

Mais financiamento, os mesmos resultados

em 2025

Já este ano, apesar do grande reforço no investimento,

as quantidades enviadas para reciclagem

permanecem praticamente estagnadas, alertava

a SPV no início de julho.

A recolha seletiva de embalagens registou um

aumento residual de apenas 2%, com apenas

mais 4.009 toneladas de embalagens a serem

enviadas para reciclagem no primeiro semestre

de 2025, num total de 231 mil toneladas

recolhidas e enviadas para reciclagem, em comparação

com o período homólogo. O ritmo de

crescimento continua, assim, a ser insuficiente

para Portugal conseguir cumprir as metas de

reciclagem de embalagens até ao final deste ano.

Em 2025, os serviços de recolha seletiva de

resíduos de embalagens financiados ao SIGRE

(Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de

Embalagens), pela Sociedade Ponto Verde e por

outras entidades gestoras, atingiram o montante

de 95 milhões de euros, o que significa um

reforço de 41milhões de euros ao sistema, após

a decisão de aplicar novos valores de contrapartida

(VC) através de um Despacho do Governo,

que entrou em vigor a 1 de janeiro deste ano.

68.5 milhões de euros foram pagos pela Sociedade

Ponto Verde no primeiro semestre de

2025, mais 39 milhões de euros do que no período

homólogo.

Até ao final deste ano, o País tem de garantir

a recolha seletiva de 65% de todas as embalagens

colocadas no mercado. A prioridade deve

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ANÁLISE \\

11

AO FIM DE SEIS MESES, O VIDRO ESTÁ 1% ABAIXO

DO VALOR HOMÓLOGO, O QUE SIGNIFICA QUE

FORAM RECICLADAS MENOS 1.300 TONELADAS

DESTE MATERIAL

passar por uma melhoria substancial do nível

de serviço prestado aos cidadãos pelos sistemas

municipais e multimunicipais, dispondo o SI-

GRE, atualmente, de mais recursos financeiros

para realizar investimentos que gerem resultados

e ajudem a alcançar as metas.

Apesar disso, ao fim de seis meses, encerrando

o semestre com um crescimento residual de 2%, a

SPV considera que “é legítimo expressar preocupação

com o facto de as quantidades enviadas para

reciclagem estarem aquém dos níveis desejáveis”.

Os valores de contrapartida atualmente em vigor

“devem garantir que os investimentos façam a

diferença e que melhorem a performance do setor.

É, por isso, imperativo exigir um melhor desempenho”,

aponta.

Vidro continua a ser o material que mais

preocupação levanta

À semelhança dos últimos resultados, o vidro

continua a destacar-se como o material que mais

preocupação levanta. Ao fim de seis meses, o vidro

está 1% abaixo do valor homólogo, o que significa

que foram recicladas menos 1.300 toneladas deste

material, num total de 99.321 toneladas.

Há ainda um outro material que suscita preocupação:

as embalagens de cartão para alimentos

líquidos (ECAL). Segundo os dados, foram recolhidas

menos 405 toneladas, num total de 4.044

toneladas (-9%).

Quanto aos restantes materiais, os dados do SI-

GRE revelam que foram encaminhadas para a reciclagem

78.486 toneladas de papel/cartão (+4%),

42.844 toneladas de plástico (+3%) e 1.030 toneladas

de alumínio (+1%), sendo que este é também

um material que merece atenção, uma vez que,

apesar da subida, está bastante longe de conseguir

atingir a meta de reciclagem proposta.

“Os dados do primeiro semestre de 2025 reiteram

a urgência de reforçarmos a articulação entre

todos os agentes da cadeia de valor, de forma a tornar

o sistema mais eficiente e a tentar, já a caminho

da reta final do ano, que Portugal cumpra as

metas de reciclagem de embalagens definidas para

2025”, destaca a CEO da Sociedade Ponto Verde,

Ana Trigo Morais.

“Continuamos a assistir a quebras preocupantes,

como é o caso do vidro, que registou uma redução

de 1% face ao período homólogo; e do ECAL,

que registou um decréscimo de 9%, no mesmo período”,

lamenta.

Segundo a responsável, com o aumento dos VC

“não deveríamos estar a assistir a um decréscimo

da reciclagem de embalagens, pelo contrário”. O

valor que estamos a pagar “é suficiente para investir

em mais inovação, mais soluções e permite ir

mais além”, sublinha.

Ana Trigo Morais avisa que as operações de recolha

seletiva de embalagens desenvolvidas pelos

parceiros municipais ou pelas empresas multimunicipais

“têm de estar mais focadas na qualidade

e na conveniência, assegurando que uma maior

quantidade de embalagens, nos seus diferentes

materiais, é encaminhada para a reciclagem”, porque

“só assim será possível melhorar o desempenho

global do sistema”.

“Sabemos que o vidro é um material particularmente

crítico, mas também um dos materiais

com mais valor na economia circular - é 100% reciclável

e reutilizável. Os seus desafios estão bem

identificados, mas, apesar disso, continua a ser um

dos materiais mais desperdiçados em Portugal.

Esta realidade tem de mudar. Precisamos de modernizar

infraestruturas; inovar; adotar soluções

como o baldeamento assistido de contentores; implementar

sistemas PAYT (pay as you throw); e

reforçar o serviço prestado ao canal HORECA,

tendo em vista a reciclagem de mais embalagens

de vidro – 70% até ao final de 2025”, conclui.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


12 \\ ENTREVISTA \\

“Acredito que chegará o dia em

que olhar para um resíduo e ver

nele uma oportunidade e não um

problema será a norma”

MUDAR A FORMA COMO OLHAMOS PARA OS RESÍDUOS, DEIXAR DE VÊ-LOS COMO “LIXO” E PASSAR

A ENCARÁ-LOS COMO “RECURSOS”, É FUNDAMENTAL NÃO APENAS PARA PROTEGER A SAÚDE DAS

PESSOAS E DO PLANETA, MAS TAMBÉM PARA ASSEGURAR UM FUTURO ECONOMICAMENTE VIÁVEL.

\\ Por Filipe Pimentel Rações

Cândida Rocha, Diretora do Mestrado em Engenharia

do Ambiente da Faculdade de Engenharia da Universidade

Lusófona, considera que para combater o desperdício,

reduzir as deposições em aterro e impulsionar a

circularidade é preciso reforçar a ação em várias frentes: da educação

ambiental da população ao aumento da confiança pública nos sistemas,

passando pela recompensa de boas práticas e pela penalização

das más.

A académica acredita que, um dia, os resíduos deixarão de ser vistos

como um “problema” e passarão a ser vistos como uma “oportunidade”,

mas até lá ainda há muito caminho a percorrer.

O que é preciso fazer mais para que consigamos, de facto, reduzir

drasticamente a deposição de resíduos urbanos em aterro e

aumentar a taxa de reciclagem, para bem do planeta e da nossa

própria saúde?

Diria que o caminho passa por cinco frentes coordenadas, com metas

claras e medição rigorosa.

Prevenção acima de tudo. Reduzir resíduos na origem com ecodesign

(produtos duráveis, reparáveis e recicláveis), reutilização e reparação

acessíveis, e compras públicas circulares. Metas de prevenção

per capita e, quando necessário, restrições a descartáveis sem alternativa

sustentável.

Separação de qualidade, universal e conveniente. Generalizar recolha

porta-a-porta nas zonas densas e modelos de proximidade nas zonas

rurais. Implementar a recolha separada de biorresíduos em todos

os municípios (para digestão anaeróbia/compostagem) e reduzir a

contaminação com feedback ao utilizador, fiscalização e rotulagem

harmonizada dos contentores. Sem matéria orgânica separada e “limpa”,

não há salto real na reciclagem.

Sinais económicos corretos. Tornar o aterro a opção mais cara e

rara: taxas crescentes e proibição de aterrar fluxos recolhidos seletivamente.

Introduzir estratégias de “paga‐o‐que‐deita‐fora” [PAYT

na sigla em inglês] com sacos/recipientes identificados e tarifários

proporcionais. Reforçar a responsabilidade alargada do produtor

com eco‐modulação (quem põe no mercado embalagens difíceis paga

mais) e implementar um sistema de depósito e retorno para embalagens

de bebidas.

Infraestruturas e mercado para a valorização. Modernizar as centrais

de triagem (tecnologias óticas, controlo de contaminação em linha),

expandir a capacidade de digestão/compostagem e garantir escoamento:

padrões de qualidade para materiais/composto, cadernos

de encargos públicos que “puxem” material reciclado e digitalização

para rastreabilidade do contentor ao destino.

Governação, dados e cultura. Metas vinculativas por município

(com incentivos e penalizações), dados abertos e auditorias independentes,

campanhas contínuas e formação técnica para autarquias e

operadores. Cidadãos colaboram quando o sistema é simples, justo

e confiável.

Com isto, penso que é realista reduzir o aterro para menos de 10% e

aproximar a reciclagem de 65% até 2035, cortando emissões de metano,

poupando matérias‐primas e melhorando a saúde pública. É uma

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ENTREVISTA \\

13

agenda de execução: desenho do sistema, incentivos

certos e transparência.

Por que razão, ao fim de tantas décadas de

campanhas de informação e sensibilização sobre

a importância da recolha seletiva de resíduos

e da reciclagem, parece que continuamos

a “arrastar os pés”, sem conseguir realmente

fazer progressos significativos?

Apesar de décadas de campanhas de sensibilização,

Portugal continua a enfrentar grandes

dificuldades em transformar a consciência ambiental

em ação consistente e generalizada. E isso

acontece por várias razões — algumas estruturais,

outras culturais.

Para começar, as campanhas, por si só, não

mudam comportamentos de forma sustentada

se não forem acompanhadas de condições

concretas para agir. Muitas pessoas querem separar

os resíduos, mas deparam-se com ecopontos

longe de casa, recolha seletiva pouco frequente

ou inexistente, e falta de informação prática sobre

o que vai para cada contentor. A infraestrutura

simplesmente não acompanha o discurso.

Não basta dizer às pessoas para reciclar, é preciso

facilitar-lhes a vida e dar-lhes confiança de que o

seu esforço vale a pena.

Além disso, temos um problema crónico de

incoerência institucional. Durante anos, assistimos

a mensagens contraditórias, alterações de

regras sem explicação clara, e falta de articulação

entre entidades, desde os municípios às empresas

gestoras de resíduos. Isso gera desconfiança e

confusão. Quando um cidadão acredita que tudo

acaba “misturado no camião”, ou que os resíduos

separados são depois depositados em aterro,

desmotiva-se. Mesmo que isso não seja verdade,

a perceção pública tem um peso enorme.

Há também barreiras culturais e comportamentais.

A gestão de resíduos continua a ser vista,

por muitos, como um tema “menor”, rotineiro,

sem impacto direto no dia a dia. E os hábitos

enraizados, como misturar tudo no mesmo saco,

são difíceis de mudar, sobretudo sem um trabalho

contínuo nas escolas, nas comunidades e nos

espaços públicos. A literacia ambiental em Portugal

ainda está aquém do necessário.

Por fim, tem faltado ambição política e liderança

clara. Países que fizeram progressos significativos

impuseram metas exigentes, aplicaram

taxas ou coimas eficazes, criaram sistemas de

recompensa e penalização. Em Portugal, as políticas

públicas têm sido demasiado permissivas,

com prazos alargados e metas sucessivamente

adiadas. Sem uma estratégia firme e consequente,

é difícil mobilizar a sociedade.

O que poderia ajudar era um serviço simples

e próximo, preço que sinaliza o comportamento

certo, normas sociais claras e transparência.

Combinando recolha porta‐a‐porta (com ênfase

nos biorresíduos), PAYT, depósito‐retorno, harmonização

de regras e dados públicos em tempo

quase real. Quando o sistema funciona, as pessoas

acompanham.

Quem tem falhado? Os governos, a população,

as empresas? Onde é que é preciso atuar com

urgência?

A responsabilidade pelo insucesso na gestão eficaz

dos resíduos em Portugal é partilhada, mas

o maior problema reside na falta de liderança

política clara e ambiciosa por parte dos sucessivos

governos. Ao longo das últimas décadas, as

autoridades públicas têm falhado em implementar

reformas estruturais essenciais, como a obrigatoriedade

da recolha seletiva de biorresíduos.

Mantiveram-se políticas permissivas, com uma

taxa de deposição em aterro demasiado baixa e

os investimentos em infraestruturas de recolha e

tratamento têm sido insuficientes, especialmente >>

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


14 \\ ENTREVISTA \\

fora dos grandes centros urbanos. Além disso, as

metas ambientais são sistematicamente ultrapassadas

sem consequências efetivas, o que enfraquece

a credibilidade do sistema e a confiança da

população.

Do lado da população, há igualmente desafios.

Apesar de uma crescente consciencialização

ambiental, a taxa de separação de resíduos ainda

é baixa, e a contaminação dos recicláveis é elevada.

Persistem hábitos antigos, desinformação e,

em muitos casos, desconfiança sobre o destino

final dos resíduos. Isto revela que as campanhas

de sensibilização, embora importantes, não são

suficientes se não forem acompanhadas de medidas

concretas, incentivos reais e sistemas de

recolha eficazes.

É, por isso, urgente atuar em várias frentes. É

necessário reformar o modelo de governação dos

resíduos, com metas vinculativas e mecanismos

de penalização e financiamento adequados. A

recolha seletiva de biorresíduos tem de ser alargada

a todo o território nacional, e a deposição

em aterro precisa de se tornar economicamente

desvantajosa. Ao mesmo tempo, é crucial investir

de forma continuada na educação ambiental,

com campanhas consistentes, acessíveis e bem

articuladas. Acima de tudo, é fundamental restaurar

a confiança dos cidadãos no sistema: só

com transparência, coerência e justiça ambiental

se consegue mobilizar uma verdadeira mudança

de comportamentos.

Sem uma estratégia nacional robusta e coerente,

continuaremos a desperdiçar recursos, a

encher os aterros e a comprometer a sustentabilidade

do país.

Numa altura em que se conhecem por demais

os benefícios ambientais, sociais e até económicos

do reaproveitamento de materiais

usados, porque é que os produtores de embalagens,

e as empresas que as usam nos seus próprios

produtos, ainda não estão num caminho

totalmente reciclável? Continua a ser mais barato

fazer novo do que fazer “usado”?

Apesar de os benefícios ambientais, sociais e

económicos da circularidade estarem bem demonstrados,

para muitos produtores continua a

ser mais barato e previsível usar matéria‐prima

virgem do que incorporar reciclado ou garantir

embalagens efetivamente recicláveis. O mercado

não internaliza plenamente as externalidades da

extração e do descarte, e os materiais reciclados

sofrem volatilidade de preço, variações de qualidade

e fornecimento irregular. Perante riscos

de cor, odor, pureza ou desempenho, o virgem

funciona como apólice de seguro para linhas que

exigem consistência.

Persistem, além disso, obstáculos de design:

embalagens multimaterial, laminados e aditivos

que dificultam a separação e tornam a reciclagem

técnica e economicamente inviável. Mas, sem regras

de ecodesign claras, fiscalizadas e harmonizadas,

com aposta em monomateriais, rotulagem

adequada, colas e cores compatíveis, prevalecem

formatos comercialmente apelativos mas problemáticos

na hora de reciclar.

Contudo, existem também barreiras técnicas

reais, sobretudo em contacto alimentar e cosmético,

onde a segurança impõe padrões elevados. A

reciclagem mecânica nem sempre permite retorno

a grau alimentar e as rotas químicas, embora

promissoras, ainda são caras, exigem muita energia

e escala confiável.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ENTREVISTA \\

15

Apesar de décadas de campanhas

de sensibilização, Portugal

continua a enfrentar grandes

dificuldades em transformar a

consciência ambiental em ação

consistente e generalizada.

Que papel têm os consumidores? Algumas

análises apontam para o aumento da procura

por produtos com materiais reciclados, mas

será que essa consciência está já efetivamente

enraizada ou continua a preferir-se “comprar

novo”?

Os consumidores desempenham um papel absolutamente

central na transição para uma economia

mais circular e sustentável, mas a verdade é

que, em Portugal, a consciência ambiental ainda

não está enraizada de forma consistente no comportamento

de compra da maioria das pessoas.

Há sinais encorajadores, sim, mas persistem contradições

que mostram que ainda estamos longe

de uma verdadeira mudança cultural.

Por um lado, é inegável que existe um crescente

interesse por produtos mais sustentáveis, com

menor pegada ambiental, feitos com materiais

reciclados ou recicláveis, e até com embalagens

mais simples.

No entanto, quando passamos da intenção

à ação, a realidade é mais complexa. A decisão

de compra continua, em muitos casos, a ser ditada

pelo preço, pela conveniência e pela força

da marca e não pela sustentabilidade. Produtos

com materiais reciclados ou com certificações

ambientais ainda são muitas vezes mais caros

ou menos acessíveis, o que dificulta a escolha

por parte de grande parte da população. Além

disso, falta ainda informação clara, transparente

e credível que permita ao consumidor distinguir

o que é realmente sustentável do que é apenas

“greenwashing”.

Outro ponto importante é que muitos consumidores

não têm ainda noção do impacto real

das suas escolhas de consumo, nem compreendem

bem o ciclo de vida dos produtos ou a

importância da incorporação de materiais reciclados.

Isso revela uma lacuna profunda na educação

para o consumo sustentável, que precisa

de ser colmatada com campanhas mais eficazes,

ferramentas simples de comparação ambiental

e, idealmente, incentivos económicos concretos

como reduções de preço, bonificações ou sistemas

de devolução.

>>

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


16

\\ ENTREVISTA \\

Em Portugal, as políticas

públicas têm sido

demasiado permissivas,

com prazos alargados

e metas sucessivamente

adiadas. Sem uma

estratégia firme e

consequente, é difícil

mobilizar a sociedade.

Portanto, os consumidores têm poder, mas

esse poder só se traduz em mudança quando

existem condições para exercê-lo com consciência

e responsabilidade. Isso implica informação,

educação, acessibilidade económica e confiança

no sistema. Enquanto comprar sustentável

continuar a ser um luxo ou uma escolha difícil,

o “comprar novo”, mais barato, rápido e familiar

continuará a dominar. A boa notícia é que

o comportamento do consumidor pode mudar

rapidamente, desde que haja liderança, coerência

nas mensagens e opções verdadeiramente sustentáveis

no mercado. E aí, o papel dos governos

e das empresas é tão decisivo como o dos próprios

cidadãos.

A educação para a importância da redução dos

resíduos e da reciclagem está mesmo a funcionar?

Para que as pessoas sejam mobilizadas é

preciso incentivos financeiros, é preciso punir

práticas danosas, é continuar a sensibilizar

para os malefícios do excesso de resíduos?

A educação ambiental tem feito caminho em

Portugal, mas a verdade é que ainda não está a

funcionar com a eficácia necessária para provocar

uma mudança de comportamentos à escala

que o problema exige. Há um esforço visível, nas

escolas, nas campanhas institucionais, nos meios

de comunicação, mas os resultados continuam

aquém das metas e das urgências ambientais. E

isso deve-se, em parte, ao facto de se continuar

a apostar demasiado na sensibilização genérica e

pouco na mobilização estratégica.

Para que a educação funcione de forma real e

transformadora, é preciso ir muito além do apelo

moral ao “recicle mais”. As pessoas mudam quando

compreendem, sentem e vivem os impactes e

quando têm meios concretos para agir. Isso significa

que a educação tem de ser mais prática,

mais próxima do quotidiano das famílias, e mais

ligada à realidade local. Por exemplo, perceber o

que acontece a um saco de plástico depois de ser

deitado fora, ou saber quanto custa ao município,

e ao bolso do contribuinte, enviar resíduos para

aterro, pode ter muito mais impacto do que repetir

slogans genéricos.

Mas, por si só, a educação não chega. A experiência

internacional mostra que a mudança de

comportamentos acontece mais rapidamente

quando combinamos três eixos: sensibilização,

incentivo e penalização. Ou seja:

Sim, é preciso continuar a sensibilizar — mas

com campanhas claras, consistentes, bem orientadas,

e com mensagens adaptadas a diferentes

públicos (jovens, idosos, consumidores urbanos,

populações rurais, etc.);

Sim, os incentivos financeiros fazem a diferença

— desde descontos ou benefícios para quem

separa corretamente os resíduos, até sistemas de

devolução como os depósitos reembolsáveis para

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ENTREVISTA \\

17

embalagens. Quando as pessoas sentem que o seu

esforço tem retorno, a adesão cresce;

E sim, é preciso penalizar práticas danosas

— tanto a nível individual (por exemplo, quem

contamina os contentores seletivos de forma reiterada)

como a nível institucional (municípios ou

empresas que não cumprem metas). A ausência

de consequências leva à desresponsabilização.

Portanto, mobilizar as pessoas exige uma estratégia

integrada e coerente, onde a educação é a

base, mas não é o único pilar. Precisamos de formar

consciências, sim, mas também de criar sistemas

que recompensem as boas práticas, punam

as más, e tornem a escolha sustentável a mais fácil

e lógica. Só assim deixaremos de “arrastar os pés”

e conseguiremos dar passos firmes rumo a um

país mais circular, mais limpo e mais justo.

Tudo indica que a produção de resíduos urbanos,

na UE e em Portugal, continuará a aumentar,

de tal forma que a Agência Europeia

do Ambiente considera pouco provável que se

consiga chegar à meta regional de redução de

50% dos resíduos urbanos até 2030. Como é

que as cidades, e as entidades gestoras de resíduos

que nelas atuam, podem fazer face a essa

realidade? É com mais recursos humanos e financeiros?

Mais centrais de processamento?

Ou é na origem, na própria produção, que se

deve atuar?

Os resíduos urbanos continuam a crescer na UE

e em Portugal, tornando improvável a meta de

reduzir 50% até 2030. O problema não é falta de

conhecimento ou tecnologia, mas a insistência

em soluções no fim da linha, em vez de prevenir

na origem. As cidades, epicentros do consumo, e

as entidades gestoras têm papel decisivo. É preciso

modernizar recolha e triagem, mas construir

mais centrais que tratem os sintomas e não a

doença. A inversão depende de prevenção e mudança

estrutural no planeamento e nas compras

municipais: integrar critérios de circularidade

nos concursos públicos, promover embalagens

reutilizáveis com logística de retoma e lavagem,

apoiar projetos de reparação, partilha e reutilização,

e aplicar tarifários “pay-as-you-throw”

[PAYT] que recompensem quem reduz indiferenciados.

Gestores devem atuar a montante,

com produtores e distribuidores, alinhando

responsabilidade alargada do produtor e regras

de ecodesign para produtos duráveis, reparáveis

e recicláveis. É crucial investir em literacia ambiental,

transparência sobre destinos e participação

comunitária, consolidando normas sociais

de redução. Em síntese, cidades e gestores devem

liderar com estratégias integradas centradas na

prevenção, responsabilidade partilhada e mudança

comportamental. O resíduo mais fácil de

gerir é o que nunca chega a existir.

Que mudanças são precisas para que se consiga

realmente impulsionar uma gestão de resíduos

que esteja alinhada com as necessidades

de uma maior sustentabilidade, de uma maior

circularidade de materiais, de maior proteção

dos recursos naturais e dos ecossistemas?

Impulsionar uma gestão de resíduos verdadeiramente

sustentável exige mudar o foco de “lixo”

para “recursos”. A prioridade é prevenir na origem,

prolongar a vida útil dos produtos, promover

a reutilização e assegurar reciclagem de qualidade.

Para isso, é indispensável uma revolução

no ecodesign: produtos e embalagens concebidos

de raiz para serem reutilizáveis, reparáveis e recicláveis,

com regras vinculativas. A responsabilidade

alargada do produtor deve ser reforçada,

premiando soluções sustentáveis e penalizando

as que geram resíduos difíceis de valorizar, abrangendo

também têxteis, eletrónica e mobiliário.

O financiamento do sistema precisa de correções:

taxas mais justas que recompensem quem

reduz e separa melhor, e reinvestimento das receitas

de aterro e dos sistemas de produtor em

prevenção, reutilização e educação ambiental. As >>

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


18

\\ ENTREVISTA \\

A responsabilidade pelo

insucesso na gestão eficaz

dos resíduos em Portugal

é partilhada, mas o maior

problema reside na falta

de liderança política clara

e ambiciosa por parte dos

sucessivos governos.

infraestruturas devem priorizar a circularidade:

centros de preparação para reutilização, triagem

mais eficiente e plataformas logísticas locais. É

crucial desenvolver mercados para reciclados, com

normas de qualidade, plataformas de intercâmbio

e metas obrigatórias de incorporação de reciclado.

Nada funciona sem cidadãos informados e envolvidos:

educação prática e contínua, transparência

sobre destinos e impactos e comunicação

coerente. Não basta reciclar mais; é preciso redesenhar

produção e consumo para proteger recursos,

ecossistemas e a qualidade de vida futura.

A Economia Circular continua a ser um sonho

distante? O Plano de Ação até 2030 (PAEC

2030) tarda em ser publicado. Consta do programa

do atual Governo, mas será que é mesmo

desta que a circularidade ganha um novo

fôlego e que Portugal entra verdadeiramente

na rota circular?

Em Portugal, a Economia Circular permanece

mais uma aspiração do que uma realidade. Ainda

assim, há oportunidade se o PAEC 2030 for publicado

com ambição, metas quantificáveis e prazos

claros, mobilizando investimento público e privado

(incluindo inovação circular e digitalização),

reforçando o papel dos municípios e integrando

circularidade em setores-chave como a construção,

têxteis, plásticos, resíduos alimentares e água.

Pode marcar um ponto de viragem. Portugal tem

capacidade e bons exemplos; precisa de passar das

intenções à execução com monitorização robusta.

Sem isso, a Economia Circular continuará a ser

um sonho adiado que o planeta e as próximas gerações

não podem suportar.

Acredita que chegará o dia em que Portugal, e

talvez a Europa como um todo, terá uma relação

diferente com os resíduos, em que deixarão

de ser vistos como “lixo” e passarão a ser encarados

como novas fontes de recursos?

Sim, acredito sinceramente que esse dia chegará

e, em certa medida, já começamos a dar passos

nesse sentido. Mas será uma transição longa,

complexa e que exigirá uma mudança profunda

de mentalidades, sistemas e prioridades económicas.

A forma como lidamos com os resíduos

reflete, no fundo, a forma como vemos os recursos,

o consumo e o próprio desenvolvimento.

Durante décadas, construímos uma economia

linear, baseada na ideia de que os recursos

são infinitos, e que, uma vez usados, os materiais

perdem valor. O “lixo” tornou-se o símbolo do

descarte fácil e da obsolescência programada.

No entanto, à medida que as crises ambientais

e climáticas se intensificam e que a escassez de

matérias-primas se torna uma ameaça real para

a estabilidade económica e geopolítica, começa

a ganhar força uma visão diferente: a dos resíduos

como recursos.

A Europa, através do Pacto Ecológico Europeu

(Green Deal) e do Plano de Ação para

a Economia Circular, já colocou esta visão no

centro das suas políticas para os próximos anos.

Portugal, neste percurso, ainda está a dar os primeiros

passos. Mas temos conhecimento técnico,

capacidade empresarial e talento científico

para liderar em várias áreas da circularidade.

Falta, sobretudo, coerência nas políticas públicas,

estabilidade nos incentivos e uma cultura

social que valorize o reaproveitamento e a regeneração

em vez do descarte e do desperdício.

Acredito que chegará o dia em que olhar para

um resíduo e ver nele uma oportunidade e não

um problema será a norma. Mas para isso, é

preciso agir hoje com determinação, visão e coragem

política. Não se trata apenas de proteger

o ambiente. Trata-se de reinventar a economia

para que funcione dentro dos limites do planeta.

E isso será, inevitavelmente, a economia do

futuro.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


19

DIAGRAMA DO SISTEMA

DE ECONOMIA CIRCULAR

CICLO BIOLÓGICO

(ORGÂNICO)

CICLO TÉCNICO

(INDUSTRIAL)

AGRICULTURA

E COLETA

RECURSOS

RENOVÁVEIS

RECURSOS

FINITOS

FABRICAÇÃO DOS

COMPONENTES

REGENERAÇÃO

MATÉRIAS PRIMAS

BIOQUÍMICAS

MANUFATURA DOS PRODUTOS

PROMOÇÃO DO SERVIÇO

COMPARTILHAR

RECICLAGEM

REUTILIZAÇÃO E REDISTRIBUIÇÃO

REMANUFATURA

APROVEITAMENTO

EM CASCATA

MANUTENÇÃO

BIOGÁS

DIGESTÃO

ANAERÓBICA

EXTRAÇÃO DE MATÉRIAS

PRIMAS BIOQUÍMICA

CONSUMO

USO

O Diagrama do sistema de economia circular, conhecido como diagrama de borboleta, ilustra o fluxo contínuo de materiais

numa economia circular. Existem dois ciclos principais – o ciclo técnico e o ciclo biológico. No ciclo técnico, os produtos e

materiais são mantidos em circulação através de processos como reutilização, reparação, remanufatura e reciclagem. No

ciclo biológico, os nutrientes dos materiais biodegradáveis são devolvidos à Terra para regenerar a natureza.


20

\\ ENTREVISTA \\

“A maior parte dos resíduos

ainda são recolhidos de forma

indiferenciada”

EM 2023, A RECOLHA SELETIVA DE PAPEL/CARTÃO ATINGIU 47%, O DE PLÁSTICO 23%, O METAL

19%, E O VIDRO 56%. ESTES VALORES, “MUITO BAIXOS FACE AOS VALORES A ATINGIR, REFORÇAM

O ELEVADO RISCO DE INCUMPRIMENTO DA META PREVISTA PARA 2025”, ALERTA MARIANA

LUDOVINO, PORTA-VOZ DA DECO PROTESTE.

\\ Por Ana Filipa Rego

Portugal mantém-se longe da nova meta definida

para a recolha seletiva de papel/cartão e que é necessário

atingir em 2025. Durante este ano, o país

terá de garantir a recolha seletiva de 65% de todas

as embalagens colocadas no mercado, mas, em

2023, apenas 22% da totalidade de resíduos urbanos recolhidos

foi realizada seletivamente, ou seja, “a maior parte dos resíduos

ainda são recolhidos de forma indiferenciada (76%)”, afirma Mariana

Ludovino.

Em entrevista à Green Savers, a porta-voz da DECO PROteste,

diz ainda que a percentagem de material retomado face ao

disponível “é baixa”, sendo “crucial” a recuperação de recicláveis

que “têm de ser desviados da recolha indiferenciada e transferidos

para a recolha seletiva, aumentando consequentemente a

qualidade do material reciclado”..

A política europeia de estímulo à redução de resíduos e à economia

circular tem-se traduzido em muitos documentos estratégicos,

nomeadamente o Plano de Ação para a Economia

Circular (2015, e novo plano em 2020) e a Diretiva Quadro

dos Resíduos, que estabelece objetivos de redução e reciclagem

dos resíduos urbanos (RU) de 55% até 2025 e 65% até

2035. A mesma diretiva impõe que, até 2035, a deposição de

RU em aterro sanitário deverá ser inferior a 10% da quantidade

total produzida. Onde se situa Portugal na transposição

destas diretivas?

A meta imposta a Portugal até 2035, para deposição de resíduos

em aterro, é de apenas 10% da totalidade de resíduos urbanos que

são anualmente produzidos. De acordo com os últimos dados do

Relatório Anual de Resíduos Urbanos (RARU), em 2023, a percentagem

de resíduos urbanos (RU) com destino final em aterro

aumentou para 59% (2,98 milhões de toneladas) o que corresponde

a um aumento de 2% de 2022 para 2023, em Portugal Continental.

Em 2023, a capitação média anual no continente, era de

502 kg/habitante e manteve-se inalterada face ao ano anterior.

No mesmo ano, a taxa de reciclagem foi de 32%, quando a meta

para 2025 é de 55%. Tudo isto significa que, apesar da produção

de resíduos urbanos não estar a aumentar, a baixa percentagem

de recolha seletiva e elevada recolha indiferenciada culmina com

a elevada percentagem de resíduos em aterro.

Em maio deste ano, a DECO PROteste alertou que, todos os

anos, a percentagem de resíduos enviados para aterro se mantém

elevada (59%) e que têm subido os custos pagos pelas entidades

por aquilo que aí depositam - podem chegar a 35 euros por tone-

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


21

lada em 2025. Isto significa que, separem para

reciclagem ou não, as famílias podem acabar

por pagar este valor mensalmente, sob a forma

de taxa de gestão de resíduos. A DECO PROteste

considera assim a urgência no reforço

da recolha seletiva em todos os municípios,

incluindo de biorresíduos, com contentores

acessíveis em cumprimentos das imposições

legais.

As metas e objetivos previstos nos regulamentos

são importantes, mas ambiciosos. É

necessário incentivar as opções de reutilização

e recarga nos vários espaços comerciais e de

restauração (p. ex., para ajudar a minimizar

a quantidade de resíduos produzidos), assim

como os mecanismos de investimento, aplicados

atempadamente, para que todos os intervenientes

da cadeia de valor de RU consigam

adaptar-se às transições esperadas e fazer o

seu papel, ou seja, garantir o desenvolvimento

e produção de produtos que promovam mais

durabilidade e a circularidade dos seus materiais,

o bom funcionamento dos sistemas de

recolha seletiva (incluindo de depósito e reembolso),

triagem e recuperação dos diferentes

materiais a valorizar, entre outros aspetos.

Assim como criar incentivos generalizados do

tipo PAYT (e estender o princípio do poluidor-pagador

e Responsabilidade Alargada do

Produtor a mais fluxos), para promover a redução

e reciclagem/circularidade dos RU.

Vale a pena referir ainda a necessidade de

compatibilização das várias medidas com

outras equivalentes, definidas noutros documentos

legislativos, para se evitar o risco de

sobreposição de metas, bem como o equilíbrio

necessário para garantir que se podem

cumprir, simultaneamente, todas as metas de

redução de resíduos, recolha seletiva, taxas de

reciclagem, recuperação e de reutilização, entre

outras. Estas medidas devem ser reavaliadas

regularmente, de forma a acompanharem

a evolução tecnológica e do mercado, e verificando

e assegurando a sustentabilidade do sector

dos RU, em todo o seu ciclo de vida.

Portugal mantém-se longe da nova meta

definida para a recolha seletiva de papel/

cartão e que é necessário atingir em 2025.

Durante este ano, o país terá de garantir a

recolha seletiva de 65% de todas as embalagens

colocadas no mercado. Irá conseguir?

De acordo com os últimos dados disponíveis,

em 2023 a recolha seletiva de papel/cartão

atingiu 47%, o de plástico 23%, o metal 19%, e o

vidro 56%. Estes valores muito baixos face aos

valores a atingir, reforçam o elevado risco de >>

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


22

\\ ENTREVISTA \\

Já a taxa de retoma global do vidro é de 58%

com origem praticamente toda na recolha seletiva.

A recuperação proveniente da recolha

indiferenciada é praticamente inexistente.

O metal é praticamente na sua totalidade

retirado da recolha indiferenciada, equivalendo

49% de retomas da fração embalagem.

Aqui, é importante ter em conta que os resultados

podem ser enviesados por estes serem

considerados materiais provenientes de desmantelamento

de resíduos volumosos.

O relatório da Comissão Europeia (2023

Waste Early Warning Report) avalia o risco

de não cumprimento das metas de preparação

incumprimento da meta prevista para 2025.

Em 2023, apenas 22% da totalidade de resíduos

urbanos recolhidos foi realizada seletivamente,

ou seja, a maior parte dos resíduos

ainda são recolhidos de forma indiferenciada

(76%). A percentagem de material retomado

face ao disponível é baixa, sendo crucial a recuperação

de recicláveis que têm de ser desviados

da recolha indiferenciada e transferidos para

a recolha seletiva, aumentando consequentemente

a qualidade do material reciclado. O

material obtido através da recolha seletiva é

maioritariamente retomado, ao contrário do

proveniente da recolha indiferenciada que

apresenta baixas taxas de retoma.

No papel e cartão, o material proveniente

da recolha seletiva é quase todo recuperado,

sendo a taxa de retoma da fração embalagem

de 40% face ao disponível.

No que respeita ao plástico, 77% dos resíduos

de plástico que entram nas instalações dos

SGRU estarão a ser encaminhados para operações

inferiores na hierarquia de valorização

de resíduos. A taxa de retoma global é baixa

(23%). Ao nível do plástico de embalagem,

cerca de 33% do plástico é retomado.

para a reutilização e reciclagem de RU (55%

em peso), assim como as metas de reciclagem

de todos os resíduos de embalagens (65% em

peso) a alcançar até 2025, e Portugal integra o

grupo dos Estados-Membros (EM) que estão

em risco de não cumprir a meta de reciclagem

de RU, mas que está no bom caminho para

alcançar a meta de reciclagem de todos os resíduos

de embalagens. No entanto, considera

que Portugal, entre outros EM, está em risco

de não atingir uma ou mais metas para materiais

específicos, nomeadamente para o plástico,

vidro, alumínio e metais ferrosos (aço).

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ENTREVISTA \\

23

De salientar que as metas de reciclagem diferenciadas

por material, em 2025, vão aumentar

para 75% no papel/cartão, 50% no plástico,

70% no vidro, 50% no alumínio, 75% nos metais

ferrosos (aço) e 25% na madeira. Tendo em

conta os números mais atuais, apesar de existirem

alguns materiais com evolução positiva,

estas metas são ambiciosas de se atingir.

Como boas práticas a aplicar na gestão de

RU e de resíduos de embalagens, o relatório

em questão descreve a melhoria contínua na

recolha seletiva (incluindo em zonas remotas),

as parcerias público-privadas, a reutilização e

prevenção de resíduos (o que também favorece

o equilíbrio das metas de reciclagem), o tratamento

valorizado de resíduos, a comunicação

e sensibilização, a aplicação de instrumentos

económicos e os regimes de responsabilidade

alargada do produtor eficazes.

Para garantir essa meta, concorda com a

SPV que diz que a prioridade deve passar

por uma melhoria substancial do nível de

serviço prestado aos cidadãos pelos sistemas

municipais e multimunicipais, dispondo

o SIGRE, atualmente, de mais recursos

financeiros para realizar investimentos que

gerem resultados e ajudem a alcançar as metas?

A DECO PROteste, na análise aos indicadores

mais recentes disponibilizados pela ERSAR,

reforçou a necessidade de investir na recolha

seletiva, e assim dar primazia à garantia da

acessibilidade física aos equipamentos de deposição

dos vários fluxos de embalagem e, em

paralelo, garantir um elevado nível de higienização,

permitindo reduzir barreiras à deposição

seletiva de materiais no sítio certo. Temos

vindo também a destacar a necessidade de as

entidades cumprirem os indicadores de qualidade

no que respeita à melhoria do serviço,

como a acessibilidade destes equipamentos

Apesar da produção de resíduos urbanos não estar a

aumentar, a baixa percentagem de recolha seletiva e

elevada recolha indiferenciada culmina com a elevada

percentagem de resíduos em aterro

junto das habitações dos consumidores, nos

vários municípios.

Incentivamos também os consumidores

a reclamar junto das entidades responsáveis

pelos resíduos. Estas devem garantir a proximidade

de equipamentos para deposição das

várias frações de resíduos: para zonas urbanas,

a uma distância de 100 metros, para zonas rurais

a uma distância de 200 metros. Reclamar

é exigir o seu direito a depositar os resíduos

separados no sítio certo, ou seja, um contentor

individualizado para cada fração de resíduos

disponível e acessível, em cumprimento com a

qualidade do serviço prestado pelas entidades

responsáveis.

Desde 19 de outubro de 2024 que entrou

em vigor a obrigatoriedade de cumprimento

dos serviços de qualidade mínima. No serviço

de resíduos, caso os consumidores detetem incumprimento

na acessibilidade dos ecopontos

e equipamentos de biorresíduos, incentivamos

que estes reclamem por escrito junto da entidade

e exijam qualidade de serviço.

É um facto que os vários intervenientes da

cadeia de valor devem fazer os devidos investimentos

para poderem acompanhar e dar resposta,

em simultâneo, às necessidades do setor

da gestão de resíduos urbanos e de embalagens.

E tem-se verificado algum atraso na implementação

de fluxos de recolha específicos

para certos resíduos (p. ex., biorresíduos, têxteis,

mobília e colchões). No caso concreto das

embalagens, tem de haver também um acompanhamento

entre as medidas de ecodesign

(ou design para reciclabilidade) desenvolvidas

pelas empresas embaladoras (comprovadas

devidamente que são alternativas mais sustentáveis

às já existentes), as infraestruturas de

recolha seletiva e a capacidade das estações de

triagem de recuperarem, em maior quantidade

e qualidade, os diversos resíduos e materiais

para reciclagem.

O vidro continua a destacar-se como o material

que mais preocupação levanta. Ao

fim de seis meses, o vidro está 1% abaixo do

valor homólogo. O que é que é preciso fazer

para reverter este cenário e alcançar os objetivos

propostos?

No que respeita ao fluxo de embalagem de

vidro, em 2023, 56% teve origem da recolha

seletiva e 44% da recolha indiferenciada. Longos

anos após o início da recolha seletiva deste

fluxo, seria expectável que o peso da recolha

seletiva versus recolha indiferenciada fosse

bastante superior.

Assim, é necessário apostar na maior acessibilidade

física aos contentores para a deposição

do vidro e maiores níveis de higiene nas

várias áreas dos 308 municípios onde não são

cumpridos ambos os indicadores de qualidade

deste serviço (proximidade dos equipamentos

junto das habitações e higienização dos equipamentos),

bem como a aposta na recuperação

total no canal HORECA, o grande produtor

de resíduos de embalagem de vidro.

A aposta em embalagens de vidro reutilizáveis

(e com sistema de retorno), pode

>>

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


24

\\ ENTREVISTA \\

É necessário incentivar as opções de reutilização e

recarga nos vários espaços comerciais e de restauração,

assim como os mecanismos de investimento, aplicados

atempadamente, para que todos os intervenientes da

cadeia de valor de RU consigam adaptar-se às transições

esperadas e fazer o seu papel

também ser um caminho para potenciar a recuperação

e reutilização deste material, e para

equilibrar as metas de reciclagem respetivas.

As embalagens de cartão para alimentos líquidos

(ECAL) também suscitam preocupações.

Segundo dados recentes, foram recolhidas

menos 405 toneladas, num total de 4.044

toneladas (-9%). Como é que avaliam estes

números e o que é que está a agravar esta situação?

A redução na recolha seletiva de embalagens de

ECAL poderá estar relacionada a uma menor

eficiência da recolha e reciclagem deste material

em específico (incluindo os custos operacionais

deste processo). É necessário avaliar e apostar

nas necessidades específicas de cada material

de embalagem, para aumentar a eficiência dos

processos de recolha, triagem e reciclagem de

cada um, especialmente os que estão com taxas

abaixo das metas definidas.

No entanto, e apesar das vantagens das embalagens

de ECAL na preservação da qualidade

dos produtos, distribuição, entre outras, é sempre

preferível, quando possível, optar por embalagens

constituídas por apenas um material

(ou que sejam facilmente separáveis), de forma

a permitir melhores índices de recuperação de

cada material (otimizar o processo de separação),

e evitarem-se possíveis confusões no momento

da deposição no ecoponto correto.

Com o aumento dos novos valores de contrapartida

(VC) não deveríamos estar a assistir a

um acréscimo da reciclagem de embalagens?

Os valores de contrapartidas financeiras (VC),

devidos pela recolha seletiva e triagem (ou apenas

triagem), visam cobrir os custos decorrentes

destas operações efetuadas pelos Sistemas

de Gestão de Resíduos Urbanos (SGRU). Isto

é, correspondem às contrapartidas financeiras

que as entidades gestoras do SIGRE (Sistema

Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens)

têm de prestar aos SGRU, por conta das

quantidades (em peso) de resíduos de embalagens,

alvo de recolha seletiva, presentes nos resíduos

urbanos.

Para além dos resíduos de embalagens recuperados

pelo fluxo de recolha seletiva que,

após triagem, poderão ser encaminhados para

reciclagem, o SIGRE também tem de pagar aos

SGRU contrapartidas financeiras para cobrir

os custos afetos às operações de separação e

recuperação de resíduos de embalagens provenientes

da recolha indiferenciada, como tratamento

mecânico e biológico, valorização orgânica

(compostagem) e tratamento de escórias de

incineração.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ENTREVISTA \\

25

No entanto, um conjunto de fatores motivou a

atualização do modelo de cálculo e dos próprios

valores de VC a aplicar a partir de 1 de janeiro de

2025, destacando-se, entre outros: i) o aumento registado

dos custos de gestão dos SGRU, evidenciado

pelos relatórios e contas das entidades gestoras

e pelas decisões tarifárias da entidade reguladora

do setor; ii) o facto de os resíduos de embalagens

deverem cumprir as especificações técnicas, de

forma a serem retomados pelas entidades gestoras

do SIGRE (e os SGRU receberem as respetivas

contrapartidas financeiras); e iii) que para além

dos custos com as operações de recolha, triagem

e recuperação de resíduos de embalagens mencionadas

acima, os VC também terem de suportar os

custos com a valorização energética de embalagens

e com a deposição em aterro quando não seja tecnicamente

viável a recuperação destes resíduos

para reciclagem, conforme referido no Despacho

n.º 12876-A/2024.

Este documento legislativo indica também que

os referidos custos com as operações dos SGRU

devem ser determinados em cenário de eficiência

(‘valor justo’ do esforço despendido) e devem incluir

os custos de investimento, de financiamento,

de exploração e ainda os custos de estrutura associados

às atividades respetivas. Adicionalmente, as

especificações técnicas dos resíduos de embalagens

com origem na recolha seletiva e indiferenciada foram

revistas em janeiro de 2023, o que exigirá um

investimento adicional dos SGRU para se poder

garantir uma maior e melhor triagem dos diferentes

resíduos de embalagens.

Mais concretamente sobre a variação quantitativa

dos VC aplicados em 2024, face aos que entraram

em vigor a 1 de janeiro de 2025, é possível indicar

a seguinte avaliação, aproximada e por material

de embalagem (notando que os VC de 2023 para

2024 aumentaram apenas entre 8 e 10%):

• Subida de mais de 100% para o vidro;

• Subida, em média, de quase 70% para o papel e

cartão;

• Aumento, em média, de quase 50% para o plástico;

• Para o aço, em média, o aumento também é de

quase 50%;

• O alumínio sobe, em média, cerca de 46%;

• Aumento de cerca de 41%, em média, para o

ECAL;

• Subida, em média, de cerca de 66% para a madeira.

Em suma, os valores que as Entidades Gestoras

de resíduos de embalagem pagam pela recolha

e tratamento dos resíduos é maior, mas a realidade

é que estes valores não eram revistos há

vários anos, o que levou a que houvesse um défice

tarifário, ou seja, existiam situações em que o

valor pago pela recolha e tratamento de resíduos

de embalagem não era suficiente para suportar

o custo operacional. Mesmo que se trate de algo

normal no sistema, apesar de tudo é apenas uma

atualização, o facto de não ter existido nenhuma

revisão deste valor durante vários anos fez com

que a atualização que ocorreu agora fosse muito

significativa. Pode ser ainda cedo para avaliar

o efeito do aumento dos VC nas taxas de reciclagem,

mas se foi o necessário para suportar os

custos operacionais, é de esperar que o processo

de recolha seletiva e triagem de resíduos de embalagens

seja mais eficiente e permita taxas de

recuperação superiores.

Segundo José Pimenta Machado, Presidente

da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o

aumento de 4% da reciclagem em 2024 foi alcançado

“muito à custa da reciclagem de biorresíduos

e do aumento da eficiência de TMB”.

Mas a recolha de biorresíduos, representou

apenas 12% do potencial de produção deste

fluxo. É muito pouco para o país atingir a meta

de 60% em 2030. O que é que está a falhar?

Uma das razões pode ser a falta da implementação

efetiva da recolha seletiva de biorresíduos

(resíduos alimentares ou de cozinha) no segmento

não doméstico (ex. restauração), aliada a

um cálculo da tarifa em função da quantidade de

resíduos indiferenciados produzidos – o sistema

PAYT - obrigatório desde janeiro de 2025 (no

segmento não doméstico).

No que respeita à recolha de biorresíduos junto

das famílias (consumidores domésticos) de

acordo com os dados setoriais e estudos que a

DECO PROteste desenvolve anualmente, é ainda

parca a implementação nos vários municípios

portugueses.

A recolha seletiva de biorresíduos junto do

consumidor doméstico é obrigatória desde 1 de

janeiro de 2024, mas em geral, um elevado número

de concelhos, ou em áreas residenciais específicas

dentro dos concelhos, ainda não existe

a recolha seletiva de biorresíduos ou investimentos

na promoção da compostagem doméstica ou

comunitária.

De forma a garantir informação útil para o

consumidor, a DECO PROteste disponibiliza

uma ferramenta gratuita sobre as iniciativas de

recolha de biorresíduos em cada município em:

https://www.deco.proteste.pt/sustentabilidade/biorresiduos-sistema-payt

Também a produção de resíduos urbanos em

2024 registou um aumento de 3%, apesar de

a prevenção de resíduos ser uma prioridade.

Como é que avaliam estes números?

Ao longo dos últimos anos a evolução da produção

de resíduos urbanos manteve-se estável, tendo

sofrido subida de 1% em 2021 face a 2020, em

que uma grande parte da população se manteve

em casa devido às restrições da pandemia. Em

2020, a capitação diária em Portugal continental

era de 1,40 kg, em 2021 manteve-se em 1,40 kg

e em 2022 e 2023 desceu ligeiramente para 1,39

kg e 1,38 kg per capita/dia.

De acordo com os dados da APA para Portugal

Continental, em 2023 o aumento da produção

de resíduos foi de 0,28% face ao ano de 2022. >>

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


26

\\ ENTREVISTA \\

Se o plano de emergência for grandemente aplicado,

quer na estratégia de prevenção da produção de resíduos

quer na recolha seletiva dos vários fluxos de materiais,

nomeadamente biorresíduos, será previsível um impacto

direto na redução da deposição de resíduos em aterro

Apesar da capitação de resíduos em Portugal

(502 kg/hab/ano) ser inferior à média da união

europeia (513 kg/hab/ano), é expectável que o

aumento da produção de resíduos seja impulsionado

pelo crescimento económico, aumento

da população nas áreas urbanas e pelo aumento

do consumo (p.e: a crescente urbanização e a

mudança para estilos de vida mais individualizados

resultam em mais embalagens e produtos

descartáveis).

É assim crucial que as empresas optem por

materiais mais sustentáveis ao nível da sua origem

e dos processos de fabrico, por embalagens

com menor impacto na quantidade e qualidade

de materiais a reciclar (ou seja, no tratamento

dos seus resíduos), e que o cidadão nas suas opções

do dia-a-dia opte por reduzir o consumo

desnecessário de produtos e serviços (evitando,

por exemplo, o desperdício alimentar, fast

fashion, entre outros) e adira a formas de consumo

mais sustentáveis, como aquisição de produtos

a granel, reutilização e partilha de produtos

em segunda mão (trocas e aquisição em 2ª mão).

A partir de 1 de janeiro de 2025, entrou em vigor

a diretiva europeia que obriga os municípios

à recolha seletiva de resíduos têxteis. De

modo a cumprir a diretiva, o Regime Geral

da Gestão de Resíduos (RGGR) estabelecia,

que até 1 de janeiro de 2025, as entidades responsáveis

pelo sistema municipal de gestão de

resíduos urbanos disponibilizassem uma rede

de recolha seletiva para os resíduos têxteis.

Qual o ponto da situação da implementação

ao nível nacional?

Na União Europeia, a obrigatoriedade deste sistema

está prevista na Diretiva (UE) 2018/851, que

estabelece que todos os Estados-Membros devem

implementar sistemas para recolha separada de

têxteis até 1 de janeiro de 2025.

Em Portugal a implementação da recolha seletiva

de têxteis depende dos municípios, mas não

foi criada uma entidade gestora que assegure a

responsabilidade alargada do produtor. Isso significa

que os produtores (quem coloca os têxteis

no mercado) não estão a financiar o sistema de

recolha e tratamento, como seria necessário. Este

atraso na criação de uma estrutura eficiente pode

comprometer a eficácia e a equidade do sistema

de recolha seletiva de têxteis.

Os sistemas municipais de gestão de RU referem

que esta generalização depende de investimentos

em novos circuitos de recolha, assim

como de financiamento adequado. Mais concretamente,

a recolha seletiva de um novo fluxo,

como os têxteis, necessita de contentores específicos,

circuitos de recolha e campanhas de sensibilização

para a população separar da forma

adequada. A falta de financiamento para estes requisitos

está a atrasar o cumprimento de Portugal

na implementação de novos fluxos de recolha seletiva

e, consequentemente, das metas europeias

respetivas.

Existem alguns municípios (como Sintra,

Oeiras) onde já houve implementação de projetos-piloto

e onde pretendem expandir a recolha,

dependendo do apoio de fundos como o Fundo

Ambiental e o PRR. Outros municípios estabeleceram

parcerias com empresas e entidades, para a

implementação de projetos de valorização e economia

circular de têxteis, mas ainda insuficiente.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ ENTREVISTA \\

27

17269_anuncio_quimico_fertilizante_A4.pdf 1 16/02/23 10:52

PUBLICIDADE

Atualmente, 57% dos resíduos urbanos em Portugal têm como

destino os aterros, totalizando cerca de 2,9 milhões de toneladas

em 2022. No entanto, a meta imposta pela União Europeia para

2035 estabelece um limite de apenas 10%, colocando o país sob

uma pressão crescente para acelerar a transição para modelos

mais sustentáveis de gestão de resíduos. Reconhecendo a urgência

da situação, o Governo lançou um plano de emergência de 2,1

mil milhões de euros para melhorar o setor. Será a solução para o

cumprimento das metas?

No que diz respeito aos aterros, os dados apresentados pelo Grupo de Trabalho

a 7 de março de 2025, indicam que dos 35 aterros existentes, 22 têm

a sua capacidade disponível abaixo de 20% da sua lotação licenciada. Em

2023, a percentagem de RU com destino final em aterro aumentou para

59% (2,98 milhões de toneladas).

A meta imposta a Portugal até 2035 para deposição de resíduos em

aterro é de apenas 10% da totalidade de resíduos urbanos que são anualmente

produzidos. Estes valores demonstram bem as áreas de prioridade

a implementar a curto prazo. Considera-se que para cumprir a meta nos

próximos 6 anos terá de ser dada prioridade à implementação da estratégia

para reduzir esta grande quantidade de resíduos depositados em aterro.

Se o plano de emergência for grandemente aplicado, quer na estratégia

de prevenção da produção de resíduos quer na recolha seletiva dos vários

fluxos de materiais, nomeadamente biorresíduos (onde a recolha seletiva

apenas atingiu 11% em 2023), será previsível um impacto direto na redução

da deposição de resíduos em aterro.

A concertação, através de entidades como a Agência Nacional de Resíduos

(ANR) e as estruturas nacionais do setor dos resíduos (ERSAR, Organizações

de consumidores, stakeholders setoriais), para a promoção de uma campanha

nacional de sensibilização junto dos vários públicos-alvo (setor não doméstico e

doméstico), com resposta efetiva nos vários municípios para a prevenção da produção

de resíduos e para o aumento da recolha seletiva de todos os fluxos de resíduos

e investimento em operações de tratamento, pode ser um passo relevante

nesta matéria.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


28

\\ PSICOLOGIA AMBIENTAL \\

SEPARAÇÃO DE RESÍDUOS

DIZER QUE “É BOM PARA O AMBIENTE” NÃO BASTA

ANO APÓS ANO SOMOS CONFRONTADOS COM NOTÍCIAS DE QUE AS TAXAS DE RECICLAGEM

CONTINUAM ABAIXO DO QUE ERA DESEJADO. O QUE TEM FALHADO? A PSICOLOGIA AMBIENTAL

AJUDA A PERCEBER ONDE SE DEVE ATUAR.

\\ Por Filipe Pimentel Rações

Todos os anos as notícias repetem-se: continuamos

aquém das metas de reciclagem que definimos. O relatório

da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) referente

a 2022 mostrava que 57% dos resíduos produzidos

em Portugal continental foram depositados em

aterro, com essa modalidade a continuar a ser o principal destino, e

a ser igual à que se registava em 2019.

O que “lixo comum”, ou a recolha indiferenciada, na gíria técnica

setorial, representava, nesse mesmo ano, a grande maioria dos resíduos

recolhidos, com a reciclagem (ou recolha seletiva) a ficar-se por

um quinto do total. Segundo dados da APA, a recolha indiferenciada

reduziu ligeiramente nos últimos anos, de 81,8% em 2017 para

os 77,1% em 2022, e a seletiva reflete essa tendência, mas no sentido

inverso: aumentou dos 16,1% em 2017 para os 21,4% em 2022.

Apesar dessa percentagem no que diz respeito à recolha seletiva,

apenas 16% dos resíduos urbanos produzidos no continente foram

realmente encaminhados para reciclagem.

Embora os números possam deixar-nos duvidosos, “Reduzir”,

“Reutilizar” e “Reciclar” são palavras que hoje são parte do léxico

de grande parte da população, senão mesmo da maioria das pessoas.

Mas nem sempre assim foi e a viagem de Portugal por esses caminhos

não começou há muito tempo.

Com a explosão económica que se deu após o fim da Segunda

Guerra Mundial, inaugurou-se uma nova era de produção e de consumo,

assente fortemente numa “cultural do descartável”. O aumento

exponencial da produção de resíduos começou a gerar preocupação

e levou países e organizações internacionais a refletirem sobre o que

se afigurava cada vez mais claramente como um problema.

No plano europeu, as primeiras diretivas sobre resíduos começaram

a surgir entre as décadas de 1970 e 1980, falando-se já da importância

da redução e de uma melhor gestão de resíduos para proteger

a saúde humana e o ambiente.

Em Portugal, a reciclagem chegou em força nos anos 90, com a

criação da Sociedade Ponto Verde (SPV) em 1996, que nascia com o

objetivo de gerir a reciclagem e a valorização das embalagens usadas.

Para levar a bom porto essa missão, era preciso motivar as pessoas a

mudarem a forma como até então tinham olhado para os resíduos.

Era preciso mudar comportamentos.

Com a viragem do milénio, surgiu uma campanha televisiva, da autoria

da SPV, em que um chimpanzé de nome Gervásio era ensinado

a separar resíduos, alegadamente, em uma hora e 12 minutos. O intento

era mostrar que se um animal o consegue fazer, não havia razão

para um humano não conseguir. Embora a peça, considerada icónica,

perpetue, talvez inadvertidamente (eram outros tempos), estereótipos

hoje mais do que obsoletos (os chimpanzés, tal como outros primatas,

são os nossos parentes evolutivos mais próximos, com capacidades

cognitivas e emocionais profundas, com culturas próprias e dinâmicas

sociais complexas), a mensagem era clara: reciclar é simples.

Vinte e cinco anos depois, no entanto, continuamos a falhar metas

de reciclagem e de redução de resíduos.

Dados recentes da SPV mostram que em 2024 a taxa de retoma de

embalagens colocadas no mercado foi de 57,8%, cerca de 4% acima

dos valores de 2023, mas ainda assim abaixo da meta europeia de

65% que tem de ser alcançada este ano.

Na campanha do chimpanzé Gervásio, aos telespectadores era

perguntado “de quanto tempo mais precisa?”. Aparentemente, duas

décadas não chegam para que consigamos alcançar as metas de reciclagem

a que o país está obrigado. É sabido que foram feitos pro-

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ PSICOLOGIA AMBIENTAL \\

29

gressos muito positivos e que existe uma série

de constrangimentos e desafios aos níveis técnico

e logístico, de recursos dos municípios, de

imbróglios legislativos e políticos. Mas há também

uma dimensão que não pode ser descurada

e que amiúde é eclipsada: o fator humano.

Sem a participação ativa das pessoas, a reciclagem

está fadada ao fracasso à partida. Há

cerca de cinco anos, um estudo da Marktest

e da SPV revelava que 90% dos inquiridos já

reciclava embalagens, com a consciência ambiental,

o civismo e o reaproveitamento de materiais

como principais motivações.

Apesar de tudo isso, as metas continuam a

ser falhadas, as taxas de reciclagem continuam

aquém, os aterros continuam a receber toneladas

de resíduos que podiam ser reaproveitados

e a produção continua a aumentar.

Com décadas de campanhas de comunicação,

informação e sensibilização, e com milhões

de euros (públicos e de organizações privadas)

na promoção de comportamentos em

prol da reciclagem, o que continua a falhar?

Parte do problema poderá estar no facto de se

querer mudar comportamentos sem as estratégias

de comunicação adequadas e, talvez sobretudo,

sem se conhecer ao certo para quem

se está a comunicar.

Para navegar os meandros do que faz com

que as pessoas reciclem ou não, a Psicologia

Ambiental tem perspetivas que podem ajudar

a olhar para a questão de uma forma diferente

daquela que, até agora, tem dominado as incontáveis

tentativas de cativar mais participantes

para o esforço da reciclagem.

RECICLAR É SIMPLES, MAS O “COMO” E O “POR-

QUÊ” NEM TANTO

Podemos achar que quem recicla o faz pela

mesma razão: porque é bom para o ambiente.

Da mesma forma, podemos ser levados a pensar

que, para pôr as pessoas a reciclar mais, é

preciso apelar a esse sentimento pró-ambiental,

de proteção do planeta, dos ecossistemas,

dos habitats e das espécies não-humanas.

Contudo, as motivações, e também as barreiras,

relativas aos comportamentos de reciclagem

são mais complexas e mais diversas

do que isso, e podem até nem sempre ter uma

ligação assim tão direta com os valores que as

pessoas possam ter sobre a proteção do ambiente.

O estudo de o que leva as pessoas a reciclarem

não é coisa de agora. As suas raízes

remontam, pelo menos, à última década do

século passado. Por exemplo, em 1998, duas

investigadoras da Universidade do Utah, nos

Estados Unidos da América, lançaram-se em

busca das motivações e dos comportamentos

que estão subjacentes ao ato de reciclar. >>

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


30

\\ PSICOLOGIA AMBIENTAL \\

JOSÉ MANUEL PALMA

Psicólogo ambiental e docente

na Universidade de Lisboa

Num artigo que publicaram na revista ‘Journal

of Environmental Psychology’, e olhando para a sociedade

norte-americana de então, Carol Werner

e Eeva Makela escreviam que “numerosos estudos

descobriram que as pessoas citam a inconveniência

e a falta de tempo como as razões para não reciclarem”.

E tentaram responder à pergunta “o que leva

uma pessoa a reciclar todos os dias?”.

No texto, referem que, à época, alguns autores

teorizavam que quando uma tarefa, pela sua natureza,

não é muito agradável ou não confere uma

recompensa direta, “as pessoas não a farão a não ser

que tenham alguma razão para persistirem”.

A reciclagem é muitas vezes vista como mais

uma coisa que se tem de fazer, para a qual é preciso

dispensar tempo que poderia ser usado noutras

atividades que dariam mais prazer, e envolve ter de

lidar com “lixo” e com cheiros desagradáveis. Além

disso, exige algum esforço, por exemplo, com a separação

dos resíduos em sacos e contentores diferentes.

Seria, no mínimo, curioso alguém dedicar-

-se a uma tarefa assim só porque sim.

As autoras explicam que as pessoas que reciclam

diariamente têm de ter “atitudes positivas”

para com a reciclagem, que lhes dão razões para

continuarem a fazê-lo, e também experiências positivas

associadas ao próprio ato de reciclar, “quer

essas ocorram durante a reciclagem ou enquanto

refletem sobre os seus comportamentos de reciclagem”.

Por outras palavras, para que o ato de reciclar

se mantenha como um comportamento regular,

como parte do dia-a-dia das pessoas, é que preciso

que dele consigam extrair algo de positivo que as

afete diretamente.

Mergulhemos um pouco mais fundo nas sinuosidades

da Psicologia Ambiental. José Manuel Palma,

psicólogo ambiental e docente na Universidade

de Lisboa, explica-nos que “o comportamento de

separação de resíduos tem vários níveis e é muito

mais complexo do que poderia considerar-se”.

Tendo estado na vanguarda do movimento ambientalista

em Portugal nos anos 90 e agora também

Senior Industry Expert da consultora S317

Consulting, salienta que mudar comportamentos

não é algo que se faça sem uma abordagem científica.

Caso contrário, todas as tentativas de mudança,

além de fracassarem e de serem desperdícios de

dinheiro, não passarão de meras operações cosméticas.

Num artigo de que é coautor, juntamente com

Érika Celestino e a Professora Ana Carvalho, ambas

do Centro de Estudos de Gestão do Instituto

Superior Técnico (CEG-IST), é apresentado um

modelo que, de forma gráfica, apresenta os vários

elementos que causam determinado comportamento.

O esquema, publicado em julho deste ano

na revista ‘Journal of Cleaner Production’, foi concebido

com a separação de resíduos biodegradáveis

em foco, mas pode também ser aplicado a outros

comportamentos, como o de separação de resíduos

para reciclagem.

Complexo e intimidante para aqueles de nós que

não são da área, mostra que o comportamento de

separar está intimamente relacionado com a intenção

comportamental. De forma simples, a intenção

é a predisposição que uma pessoa tem para realizar

determinado comportamento. Assim, quanto

maior a intenção maior a probabilidade de o comportamento

acontecer.

Por sua vez, a intenção é influenciada pelas atitudes

sobre algo específico, como a separação de

resíduos para reciclagem. Quanto mais positiva for

essa atitude específica, maior será a intenção comportamental.

Acrescentando mais uma camada, a

atitude específica está relacionada com uma atitude

mais geral acerca dos resíduos como um todo, pelo

que quanto mais positiva for a atitude geral maior

será a sua influência na atitude específica.

Por fim, essa atitude geral liga-se a uma mais

ampla atitude ambiental, pelo que as pessoas com

maiores preocupações com o ambiente tenderão a

ter atitudes gerais sobre os resíduos mais fortes e a

estar cientes da importância da sua gestão.

No entanto, como nos diz José Manuel Palma,

“de facto, há esta cadeia, mas ela não é direta” e que

“ao contrário do que pensamos, a atitude e o comportamento

de separação de resíduos não estão

muito ligados às atitudes ambientais”.

Aliás, a relação entre atitude ambiental geral e

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ PSICOLOGIA AMBIENTAL \\

31

Em Portugal, a reciclagem chegou em força nos

anos 90, com a criação da Sociedade Ponto Verde

em 1996, que nascia com o objetivo de gerir a

reciclagem e a valorização das embalagens usadas.

intenção comportamental pode ser praticamente

nula, de tal forma que uma pessoa pode ter preocupações

ambientais e não reciclar. Pode parecer

incongruente, e até hipócrita, mas é o que a Ciência

nos mostra. As relações causais entre os vários

elementos vão-se perdendo à medida que a cadeia

progride.

“O comportamento está relacionado diretamente

com a intenção comportamental e com atitudes

específicas em relação ao comportamento, não com

atitudes gerais”, salienta o académico, acrescentando

que “em Psicologia, o comportamento não está

necessariamente relacionado com as atitudes com

as quais achamos que ele deve estar relacionado”.

“Nós é que pensamos que como é tudo ambiente,

então as coisas estão todas ligadas. Mas não é verdade.”

Além dessa cadeia linear, há outros fatores que

pesam na intenção comportamental e no comportamento

propriamente dito, e podem ajudar a

explicar por que razão pessoas com atitudes gerais

positivas sobre o ambiente podem, por exemplo,

não reciclar.

PARA MUDAR É PRECISO ATENTAR NAS BARREIRAS

Para tentar fazer com que as pessoas reciclem mais

não é suficiente saber o que as motiva a fazê-lo, a

forma como pensam sobre o ambiente e sobre os

resíduos. É preciso também perceber que existem

barreiras que podem levar muitos, incluindo aqueles

que consideram a reciclagem importante, a afastar-se

dessa tarefa.

“Ninguém pensa nas barreiras”, lamenta José

Manuel Palma, que estão relacionadas com as intenções

comportamentais, pelo que, quanto maiores

forem as primeiras, menores serão as segundas.

As barreiras são isso mesmo: obstáculos a um

determinado comportamento, ou melhor, à intenção

de realizá-lo. Podem ser coisas tão simples,

mas tão determinantes, como não ter espaço

na cozinha para colocar mais um, dois ou

três contentores para separação de resíduos, ter

de percorrer uma distância longa para chegar

a um local onde se possa depositar os resíduos

separados, ou não conseguir encaixar a separação

na rotina de todos os dias.

Podem parecer obstáculos corriqueiros, mas são

identificados na literatura científica como barreiras

significativas que podem dissuadir comportamentos

de reciclagem.

A confiança nos sistemas de recolha seletiva

pode também atuar como um impedimento. Se

as pessoas acharem que o sistema não é eficaz, que

o esforço de separação depois não dará em nada,

porque, como se ouve algumas vezes, “eles depois

misturam tudo outra vez”, então muitos entenderão

que o sacrifício não vale a pena.

Uma perceção fortemente negativa da eficácia

reduz a probabilidade de acontecer o comportamento

de separação de resíduos para reciclagem.

Todos esses fatores conjugados ajudam a perceber

melhor que a taxa de reciclagem não aumenta

somente porque se diz às pessoas que é uma boa

forma de proteger o ambiente, o planeta e até a saúde

humana.

Para que essas barreiras possam ser ultrapassadas,

é preciso, primeiro que tudo, saber que elas

existem e saber os contextos específicos onde brotam.

Depois, é informar. Dar às pessoas a informação

de que precisam para fazerem face a essas barreiras,

no contexto particular das suas casas e das

suas vidas, é meio caminho andado para aumentar

a probabilidade de reciclarem, pelo menos, um

pouco mais e melhor.

POR ENTRE NORMAS E CONTRADIÇÕES

Como se vê, as baixas taxas de reciclagem não se explicam

somente porque “as pessoas não querem” ou

porque “é cultural”. Há dimensões muito concretas

que impedem ou dificultam a separação.

Além de tudo isso, como se não bastasse, há também

outro fator que pesa no comportamento de separação

de resíduos. Os especialistas chamam-lhes

“normas sociais”, que orientam o comportamento

humano, incutem previsibilidade nas relações sociais

e ajudam a compreender as ações dos outros.

José Manuel Palma conta-nos que existem normas

descritivas e normas prescritivas. Sem grandes

complicações, as descritivas englobam o que achamos

que as pessoas fazem e as prescritivas aquilo

que se considera que as pessoas deviam fazer.

Trazendo as normas para o plano da reciclagem,

as descritivas poderiam ser algo como “as pessoas

não reciclam tanto como deviam” e as prescritivas

“as pessoas têm de reciclar mais”.

Até aqui tudo bem. O problema é que, segundo

o especialista, vivemos uma “contradição entre normas”,

em que está a ser feita uma coisa e nos é dito

que se deve fazer outra.

No que toca às campanhas de sensibilização,

tem-se assistido à acentuação dessas duas normas

ao mesmo tempo. Para José Manuel Palma, isso é

“contraproducente” e pode mesmo reforçar o comportamento

que se está a tentar mudar. Isto, porque

fazer o que os outros todos fazem é muito mais

simples, do ponto de vista do processo de tomada

de decisão, do que remar contra a maré. Além disso,

pode criar ensejo para noções, como muitos já ouvimos

certamente, de “se os outros não fazem, vou

estar eu a preocupar-me?”.

Ainda, dizer às pessoas que estão a fazer mal e

que têm de mudar para fazerem bem, apelando a

>>

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


32

\\ PSICOLOGIA AMBIENTAL \\

valores gerais e distantes do seu dia-a-dia, historicamente,

não tem tido grandes resultados.

Então, não se pode fazer nada? Pode. José Manuel

Palma defende que se deve enfatizar as normas

descritivas face às prescritivas e seguir uma

abordagem positiva, ao invés de salientar o que

está mal. É mostrar o que está a ser feito, o que

está a ser reciclado, os novos produtos que estão

a surgir com base em materiais que as pessoas

colocaram nos ecopontos, os ecossistemas que

estão a ser poupados, as emissões de gases com

efeito de estufa que estão a ser evitadas. Mostrar

que o esforço das pessoas está a valer a pena e

que não é uma perda de tempo, e isso também

aumenta a confiança nos processos (a tal perceção

de eficácia).

COMUNICAÇÃO MAIS PRÓXIMA E ESPECÍFICA

PARA CADA CONTEXTO

Sabendo tudo isso, como se pode melhorar as

campanhas de sensibilização? A primeira coisa é

conhecer o público para quem se está a comunicar

e atuar no contexto local ao invés de no contexto

nacional mais abrangente e genérico.

Se as barreiras são específicas de cada grupo social

– não serão as mesmas para quem vive num

apartamento ou numa moradia, para quem vive

em centros urbanos ou no meio rural, e podem

variar até consoante disponibilidades financeiras

e níveis socioeconómicos – então a comunicação

tem de ser afinada de forma a alcançar essas particularidades.

Para José Manuel Palma, as campanhas gerais

tradicionais, que correm o país com as mesmas

mensagens de Norte a Sul, do interior ao litoral,

do campo à cidade, tentam mudar atitudes gerais

– “reciclar é bom para o ambiente” – o que, diz-

-nos, “não faz sentido” nos dias de hoje, porque se

está “a querer mudar a um nível onde toda a gente

jámu d o u”.

“Campanhas gerais eram importantes há 20 ou

30 anos, quando as pessoas não faziam ideia o que

era separar, o que era o ambiente. Nessa altura, a

sensibilização geral era ótima. Mas agora não interessa,

porque o comportamento da separação está

ligado à intenção, e a intenção está ligada a atitudes

específicas e não a atitudes gerais”, detalha.

Por isso, “é preciso focar na intenção comportamental,

nas barreiras, nas atitudes específicas”,

sublinha. Se a reciclagem tem de fazer parte do

nosso quotidiano, tem também, de alguma forma,

de fazer parte da nossa identidade, e isso só é

possível se quem concebe as campanhas tiver noção

de que as nossas identidades dependem, em

grande medida, dos contextos específicos em que

estamos inseridos.

“A separação de resíduos tem de fazer parte

da nossa identidade, da identidade social do sítio

onde vivemos”, afirma o psicólogo ambiental, pelo

que as campanhas têm de ser dirigidas “às barreiras

que aquele bairro tem, que aquelas habitações

têm, ajudar as pessoas a ultrapassá-las”, com sugestões

concretas, práticas e ajustadas ao contexto específico,

para promover a integração da separação

de resíduos no dia-a-dia dos que aí vivem.

Pensar que com uma campanha geral se consegue

mudar comportamentos específicos resulta

de uma perceção “ingénua”, sustenta o interlocutor,

de que se conhece as pessoas, que redunda em

chavões familiares como o não reciclar “é da cultura

portuguesa”.

José Manuel Palma diz que é preciso compreender

as pessoas “do ponto de vista científico”, com

metodologias que permitam fazer bem e saber se

o que foi feito surtiu o resultado esperado, algo

que lamenta não ter acontecido até agora.

Aponta o especialista que o primeiro passo no

desenho de uma campanha de sensibilização com

vista ao aumento da reciclagem é conhecer a realidade

local.

É preciso, primeiro, saber que resíduos estão a

ser produzidos e o que está ou não a ser reciclado.

De seguida, é preciso saber, claro, o orçamento disponível

para a campanha, definindo prioridades,

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ PSICOLOGIA AMBIENTAL \\

33

como por exemplo que tipos de resíduos se quer

que as pessoas mais reciclem. Depois, questionar

as populações, com base em inquéritos, sobre as

suas atitudes e sobre as barreiras que sentem no

que toca à separação de resíduos para a reciclagem.

Mesmo dentro de um só município poderá

ser necessário fazer divisões, como entre zonas de

apartamentos e de moradias.

Só após ser ter esses dados em mãos é que se

deve avançar para campanhas, cujo foco estará

agora moldado a um público específico, e não é

mais uma ação genérica que poucos ou nenhuns

efeitos acabará por ter.

“Com esse diagnóstico, consegue-se uma

campanha específica e direcionada”, assevera

José Manuel Palma.

Finda a campanha, há que fazer uma avaliação,

alguns meses depois, para perceber se se

conseguiram os resultados pretendidos, ou, pelo

menos, se alguma coisa mudou. Com base nas

aprendizagens, é possível conceber estratégias de

comunicação e sensibilização cada vez mais precisas

e eficazes.

Podemos perguntar-nos: “as campanhas específicas

e direcionadas resolvem o problema?

Vamos conseguir pôr toda a gente a reciclar?”.

A resposta é não.

“Haverá sempre pessoas que não vão reciclar

seja o que for. E haverá pessoas do outro

lado, que, por muitas barreiras que tenham,

vão sempre reciclar”, explica o académico.

Mas é entre um extremo e o outro que está

a esmagadora maioria das pessoas, aquelas

que já reciclam alguma coisa e que poderiam

reciclar mais. São essas pessoas que é preciso

“converter”.

“Com estas campanhas, é influenciar os que

estão no meio para reciclarem mais e melhor.

É esse o objetivo. O que se quer fazer é mudar

a esmagadora maioria das pessoas”, declara

José Manuel Palma. Se não se pensar nessas

pessoas, não se consegue mudar os comportamentos

da generalidade da população e, no

final de contas, não se conseguirá aumentar a

reciclagem.

A Psicologia Ambiental, por si só, não resolverá

todos os problemas, nem tampouco

consegue colmatar todas as outras fragilidades

ou falhas que existem em todo o ciclo da reciclagem.

Há questões que têm de ser resolvidas

aos níveis técnico e estrutural, de governança

e de atuação política. Mas conhecer as pessoas,

saber o que as motiva, os obstáculos que as

impedem de reciclar mais, o que pensam sobre

a separação de resíduos e a confiança ou

não que têm nesses processos é lançar luz sobre

uma dimensão muitas vezes mantida nas

sombras dos debates e reflexões sobre um problema

que nos afeta a todos e que se arrasta há

décadas sem uma solução à vista.

>>

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


34

\\ SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL \\

Continente reforça aposta na economia

circular e recicla mais de 78 mil toneladas

de resíduos em 2024

A INSÍGNIA DA MC TEM VINDO A APOSTAR EM SOLUÇÕES INOVADORAS PARA DAR NOVA VIDA AOS

MATERIAIS E ENVOLVER OS CONSUMIDORES EM PRÁTICAS MAIS RESPONSÁVEIS. DE ECOSPOTS

A PROJETOS PIONEIROS COMO O RECICLA+, O CONTINENTE QUER TRANSFORMAR RESÍDUOS EM

RECURSOS E CONTRIBUIR PARA A REDUÇÃO DA PRESSÃO SOBRE OS ATERROS.

OContinente continua a consolidar o seu papel como

agente de mudança na promoção da sustentabilidade,

colocando a gestão responsável dos resíduos no centro

da sua estratégia. Mariana Pereira da Silva, Diretora de

Sustentabilidade da MC, sublinha que a ambição da

marca passa por “construir um futuro mais sustentável

– um futuro que respeite as Pessoas, as Comunidades e o Planeta”.

Segundo a responsável, este compromisso traduz-se na integração

da circularidade nas operações diárias, fomentando a prevenção do

desperdício e a valorização dos resíduos. “Acreditamos que os resíduos

são recursos e, por isso, um bem que deve ser valorizado”, afirma.

O retalho, acrescenta, desempenha um papel essencial por estar

“numa posição central na cadeia de valor, com capacidade de reforçar

os princípios da Economia Circular junto de fornecedores e clientes”.

Em 2024, a empresa geriu mais de 78 mil toneladas de resíduos, alcançando

uma taxa de valorização de 85,3%. Paralelamente, recolheu

mais de mil toneladas entregues pelos clientes — entre cápsulas de café,

rolhas de cortiça, pilhas e outros materiais — para posterior encaminhamento

para reciclagem. Apesar destes resultados, a MC continua

a investir em melhorias na triagem e encaminhamento de recicláveis

e biorresíduos, com o objetivo de reduzir ao mínimo a fração indiferenciada.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL \\

35

O nosso objetivo é

assegurar que os

recursos continuam

a ter valor, reduzindo

o desperdício e

contribuindo para

um planeta mais

equilibrado

Ecospots: um elo entre clientes e

sustentabilidade

Entre as iniciativas mais visíveis estão os Ecospots,

espaços dedicados à sustentabilidade que

permitem aos consumidores depositar resíduos

como pilhas, lâmpadas, rolhas, cápsulas de café,

óleos alimentares usados, têxteis, pequenos

equipamentos elétricos, embalagens de plástico

e metal, papel, cartão, vidro ou roupa usada.

Estes pontos garantem que materiais valiosos

são encaminhados para os fluxos de reciclagem

corretos, evitando que acabem em aterro — uma

preocupação relevante face à pressão sobre os

sistemas de depósito final.

Atualmente presentes em 25 lojas Continente,

os Ecospots vão continuar a expandir-se ao

longo do próximo ano. “A nossa ambição é continuar

a otimizar e ampliar a oferta de soluções

circulares”, refere Mariana Pereira da Silva. Além

da recolha permanente, estes espaços acolhem

campanhas específicas, como o Cadernão, que

incentiva a entrega de papel durante a preparação

para o regresso às aulas. Por cada tonelada

recolhida, a MC compromete-se a plantar 20

árvores. Nos últimos três anos, esta iniciativa

permitiu recolher 256 toneladas de papel, resultando

na plantação de mais de 5.100 árvores.

Outra campanha recente foi a das frigideiras,

que possibilitou aos clientes entregar para reciclagem

utensílios usados, independentemente

da marca ou tamanho, em troca de condições

vantajosas na compra de novos produtos.

Projetos inovadores e novas frentes de

recolha

O Continente também integra projetos pioneiros,

como o Recicla+, desenvolvido no âmbito da

agenda de “Plásticos Sustentáveis” do Plano de

Recuperação e Resiliência (PRR). Este programa

criou um modelo inovador para a recolha de

cápsulas de café usadas, aliado a uma linha piloto

capaz de transformar o plástico das cápsulas e a

borra de café em novos produtos, como biofertilizante

líquido. A implementação de pontos

de recolha em toda a operação foi concluída em

2024, permitindo encaminhar para reciclagem

mais de 70 toneladas de cápsulas.

Em breve, os Ecospots irão integrar também

os pontos de recolha do Sistema de Depósito

e Reembolso (SDR), mecanismo que recompensa

o retorno de garrafas e latas de bebidas

e que tem demonstrado um impacto positivo

nas taxas de reciclagem destes materiais. “Esta

iniciativa, à qual a MC se associou desde o

primeiro momento, tem trazido resultados já

comprovados”, salienta a responsável.

Com estas medidas, o Continente consolida-se

como referência na promoção de hábitos

mais responsáveis e na construção de um

sistema mais eficiente de economia circular.

“O nosso objetivo é assegurar que os recursos

continuam a ter valor, reduzindo o desperdício

e contribuindo para um planeta mais equilibrado”,

resume Mariana Pereira da Silva.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


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impacto das nossas ações para o Planeta.

Analisamos a sustentabilidade em

todas as vertentes, apresentando

uma visão global do país e do mundo.


37 \\ DIRETÓRIO \\

37

FÓRUM DE LÍDERES

1

2

Que iniciativas a sua organização tem vindo

a adotar para promover a sustentabilidade?

Quais considera que serão os próximos desafios e

oportunidades na gestão de resíduos em Portugal?

C

olocar em prática a economia circular é um dos grandes desafios ambientais de Portugal.

No panorama europeu, o país surge como o quarto pior, com uma taxa de circularidade

de apenas 2,5%. De acordo com a Agência Europeia do Ambiente, a maioria dos Estados-Membros

enfrenta dificuldades semelhantes em cumprir as metas de reciclagem de

resíduos urbanos e de embalagens.

Os objetivos definidos passam por reduzir a produção de resíduos e aumentar a reciclagem até 2030,

o que implica diminuir tanto a quantidade como a perigosidade do lixo produzido. O Plano Estratégico

para os Resíduos Urbanos até 2030 (PERSU2030) garante a continuidade da política nacional

de resíduos, envolvendo diferentes entidades na concretização de medidas que permitam alinhar-se

com as políticas europeias e nacionais. Entre as prioridades estão a redução na geração de resíduos, a

valorização dos materiais e a reciclagem, o que resulta numa menor dependência de matérias-primas

extraídas de forma intensiva.

Em particular, este plano pretende reforçar a recolha seletiva e o reaproveitamento dos resíduos,

dando especial atenção aos biorresíduos, aos resíduos têxteis e às novas fileiras emergentes. Também

incentiva o uso de materiais reciclados, como combustíveis derivados de resíduos, compostos orgânicos

e matérias-primas secundárias.

No Fórum de Líderes, as empresas de referência do setor partilharam de que forma estão comprometidas

com estes objetivos, revelando a sua visão sobre o futuro

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


38

\\ FÓRUM DE LIDERES \\

PAULO PRAÇA

Presidente da Direção, ESGRA

1

A ESGRA tem como um dos principais objetivos da sua atividade assegurar que os interesses do setor

sejam ouvidos e ponderados pelos decisores políticos, constituindo um dos marcos principais o papel

que tem vindo a ser chamada a desenvolver nas diferentes iniciativas e fóruns de discussão sobre a atividade

do setor dos resíduos, que contribui significativamente para o desenvolvimento económico e social

do País, tanto pela capacidade de gerar atividade económica e de criar emprego e riqueza, como pela

crescente melhoria que tem conferido às condições de vida da população.

Todos os objetivos para a sustentabilidade têm subjacente a necessidade de conciliação de interesses e

soluções de compromisso, cuja importância a ESGRA reforça no caso particular do setor dos resíduos

urbanos que, gerindo resíduos com recurso a diferentes soluções tecnológicas instaladas em centros de

tratamento que constituem uma verdadeira indústria, encarregue da prestação de um serviço público

essencial, cria postos de trabalho, gera matérias-primas para serem transformadas em novos produtos,

gera riqueza, e assegura a qualidade de vida dos cidadãos, a saúde pública e a sustentabilidade ambiental

em Portugal.

2

No que respeita às metas ambientais para o setor dos resíduos urbanos, destaca-se a meta mais difícil de

alcançar para Portugal: reduzir a deposição em aterro até 10% do total dos resíduos urbanos produzidos,

até 2035; particularmente difícil de alcançar para países, como Portugal, que ainda apresentam uma dependência

muitíssimo elevada dos aterros para encaminharem os resíduos que produzem, e onde, também,

não existe capacidade suficiente de tratamento em níveis mais elevados da hierarquia de resíduos.

Como oportunidade, para que o contributo da gestão de resíduos para o modelo de desenvolvimento

circular se cumpra, é preciso uma atenção diferente da que tem sido dada no nosso País, nos últimos 20

anos através de adiamentos sucessivos de soluções capazes de dar resposta às também diferentes características

dos resíduos que todos os dias produzimos.

Assistimos, no primeiro trimestre deste ano, à apresentação de um plano de ação para devolver ao setor

a atenção e as soluções que precisa. A concretização das medidas estabelecidas no Plano de Ação TER-

RA, resultantes de um trabalho conjunto e dos contributos dos diferentes representantes do setor de

gestão de resíduos, constitui uma oportunidade que não deve ser desperdiçada, alocando, para tal, sem

mais adiamentos, os recursos necessários que vão ter de ser encontrados e assumidos por todos.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ FÓRUM DE LIDERES \\

39

NUNO SOARES

Presidente do Conselho de

Administração da TRATOLIXO

PEDRO NAZARETH

CEO do Electrão

1

Na TRATOLIXO temos vindo a adotar várias medidas,

privilegiando um modelo circular de negócio, assente na

criação de valor no ciclo produtivo. Destaco a poupança do

consumo de água potável, fazendo o tratamento da água

industrial usada na Digestão Anaeróbia (DA) e reintroduzindo-a,

após tratamento, no mesmo processo de DA e

em limpezas fabris. Fazemos também o aproveitamento da

água da chuva, introduzindo-a no processo de compostagem

de resíduos verdes.

Outro exemplo é a recuperação da fração orgânica dos resíduos

urbanos biodegradáveis para produção de composto

e subsequente venda para a agricultura que pode, assim,

aproveitar recursos internos, evitando importação de adubos

e colocação de produtos químicos nos solos.

Acrescento ainda o aproveitamento do biogás produzido

na Central de Digestão Anaeróbia da Abrunheira para

produção de energia elétrica verde renovável, bem como a

recolha e tratamento de biorresíduos alimentares, além dos

resíduos verdes, matéria na qual fomos pioneiros e na qual

temos vindo a investir continuamente.

2

O grande desafio será cumprir com as metas definidas

para esta atividade. Para isso será necessário o envolvimento

de todos os intervenientes, desde os cidadãos às diferentes

entidades públicas e privadas. Na TRATOLIXO

estamos a trabalhar continuamente no sentido de contribuir

para que Portugal se possa aproximar o mais possível

dos objetivos traçados.

1

As iniciativas desenvolvidas pelo Electrão - entidade gestora de embalagens, pilhas e

equipamentos elétricos usados, que participa também num sistema de gestão de plásticos

de uso único, direcionado para os produtos do tabaco - estão desde logo orientadas

para a sustentabilidade.

A sustentabilidade é um dos pilares da atuação do Electrão, que vai muito além da atividade

de gestão de fim de vida de resíduos, abrangendo um compromisso com o consumo

sustentável e a prevenção da geração de resíduos.

Um marco importante do caminho que tem sido traçado foi a publicação, já em 2025,

do primeiro relatório de sustentabilidade relativo aos anos de 2023 e 2024.

O Electrão foi a primeira entidade gestora de resíduos a apresentar este documento

antecipando as exigências regulatórias nesta matéria e plasmando estes princípios em

todas as suas áreas da sua atividade.

2

A gestão de resíduos em Portugal tem ainda um caminho exigente pela frente no sentido

de consolidar o modelo de Economia Circular. Persistem algumas dificuldades,

como a reduzida taxa de reciclagem, a fragmentação de responsabilidades ao longo da

cadeia de valor, a informalidade em certos fluxos e a ainda limitada participação dos

cidadãos, mesmo com campanhas de sensibilização desenvolvidas há décadas.

Há também sinais encorajadores a registar, como a criação de novos sistemas de Responsabilidade

Alargada do Produtor, nomeadamente aquele em que o Electrão já está

envolvido para os plásticos de uso único, dedicado aos produtos do tabaco, convocando

mais empresas para esta missão coletiva.

Para que o país consiga dar o salto necessário será determinante reforçar a fiscalização,

estimular a cooperação entre entidades gestoras, municípios, operadores de gestão de

resíduos, empresas e consumidores alinhando todos os intervenientes em torno de um

propósito comum.

Só com um esforço partilhado será possível transformar os desafios em oportunidades

e avançar para um modelo de desenvolvimento ambiental e socialmente sustentável.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


40 \\ FÓRUM DE LIDERES \\

SÓNIA SILVA

Presidente da Direção, AVALER

CARLOS BENTA

Administrador, Rduz

1

A AVALER é uma associação sem fins lucrativos de utilidade pública, de âmbito

nacional, que tem por missão a promoção da sustentabilidade na gestão de resíduos

urbanos e o apoio às suas Associadas na prossecução desse objetivo.

Assim, desde a sua constituição, em 2005, a AVALER tem procurado desenvolver

a sua atividade em promover o estudo e a implementação das melhores formas

de tratamento dos resíduos urbanos por parte das entidades suas Associados, em

conformidade com as regras aplicáveis e as melhores técnicas e práticas, de forma

a salvaguardar a proteção do ambiente e da saúde pública, no desempenho da atividade

imprescindível de tratamento dos resíduos produzidos pela comunidade,

através do qual é produzido um bem de valor inestimável, energia.

2

Portugal encontra-se numa situação muito crítica e delicada face ao iminente esgotamento

da capacidade de aterro em relação ao qual continua a apresentar um

nível de dependência muito elevado, encaminhando anualmente para este destino

mais de metade dos resíduos que produz. Em 2023 o valor da deposição ascendeu a

59%, sendo que de acordo com os dados oficiais, Portugal dispõe apenas de 14% de

capacidade disponível em aterro, colocando o país, num estado de emergência no

que toca à gestão de resíduos depositados em aterro.

Esta situação é particularmente grave não só porque representa uma distância muito

acentuada da meta a cumprir até 2035, de redução da deposição em aterro até

10% da totalidade dos resíduos produzidos, mas sobretudo porque, atualmente em

Portugal continental, apenas existem duas instalações de valorização energética de

resíduos urbanos por incineração de dedicada com mais de 25 anos de atividade.

Pelo que, a nosso ver, o maior desafio coloca-se em assumir que só aumentando a

capacidade de valorização energética por incineração dedicada será possível dar

um destino ambientalmente adequado aos resíduos produzidos no País que devem

ser desviados de aterro, de forma a cumprir aquela meta, para o que será necessário

mobilizar o necessário investimento.

1

Temos vindo a fazer um investimento forte via descarbonização

da frota, onde já possuímos uma viatura

elétrica para recolha de resíduos, bem como, substituímos

vários camiões por camiões novos, assim

reduzindo as emissões.

Fazemos gestão inteligente de recolha de resíduos

com criação de rotas mais otimizadas.

2

Um dos principais objetivos da gestão de resíduos em

Portugal é a necessidade de redução de deposição de

resíduos em aterros.

A necessidade de criação de unidades especializadas

em tratamento de resíduos específicos.

Simplificação da legislação para que todos possam

entendê-la e cumpri-la.

A oportunidade que parece importante é transformar

resíduos em matérias primas para que a industria

as possa utilizar.

A digitalização e a utilização da inteligência artificial

num mundo de resíduos.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ FÓRUM DE LIDERES \\

41

RICARDO SOUSA

General Manager, Sopinal

1

Ao longo de 2024, a Sopinal focou-se na otimização dos processos operacionais, no

investimento em novas tecnologias e na aposta em energias renováveis. Estas iniciativas

foram cruciais para melhorar a nossa eficiência e reduzir a pegada carbónica.

Especificamente, investimos em novas máquinas de produção que oferecem maior

produtividade e menor consumo energético, substituindo equipamentos antigos

com elevado consumo. A nossa frota de veículos e empilhadores tem sido progressivamente

substituída por modelos elétricos, em detrimento dos motores a combustão.

Além disso, instalamos uma Central Fotovoltaica para Autoconsumo nos

telhados dos nossos pavilhões e edifícios, de forma a alimentar o consumo elétrico

da empresa.

Reconhecendo a economia circular como um elemento-chave na transição climática,

promovemos a inovação e apoiamos o desenvolvimento de soluções práticas que

aceleram a transição para uma economia mais circular.

2

Como principais desafios na gestão de resíduos em Portugal nos próximos anos,

destacamos a gestão e tratamento dos biorresíduos e o cumprimento das metas de

reutilização e reciclagem, cujos números ainda estão muito abaixo do objetivo traçado.

É crucial reduzir a quantidade de resíduos que vão para aterro até aos níveis

exigidos pela União Europeia (10% até 2035), e garantir que as regras (como a responsabilidade

alargada do produtor e a recolha obrigatória de certos fluxos) sejam

cumpridas, com sistemas robustos de medição e avaliação.

Por outro lado, como principais oportunidades na gestão de resíduos em Portugal,

consideramos a expansão da recolha para fluxos que até agora estavam pouco organizados

(como roupa, calçado, volumosos e pilhas). Vemos também uma grande

oportunidade no desenvolvimento de novos produtos e embalagens mais fáceis de

reciclar ou reutilizar desde a fase de design, bem como na implementação de novos

sistemas de monitorização, rastreio de fluxos, ferramentas de geolocalização, uso de

sensores, automatização de triagem e inteligência artificial.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


42 \\ FÓRUM DE LIDERES \\

MARIANA PEREIRA DA SILVA

Diretora de Sustentabilidade da MC

1

A MC tem vindo implementar um conjunto abrangente de iniciativas

para promover a sustentabilidade, com foco na redução do impacto

ambiental e na promoção da economia circular.

A redução do desperdício alimentar é outra prioridade, tendo evitado

76 milhões de euros em desperdício em 2024, através de iniciativas

como a Etiqueta Rosa, Caixa Zero Desperdício, Too Good To Go e

doações da Missão Continente. Paralelamente, promove a literacia

do consumidor com orientações práticas para reduzir o desperdício,

como o selo “Observar, Cheirar, Provar”. A MC também atua na sensibilização

para a sustentabilidade, envolvendo clientes, parceiros e

decisores, e está a implementar uma plataforma que informa sobre

a pegada de carbono dos produtos, incentivando escolhas mais conscientes

e contribuindo para a redução das emissões ao longo da cadeia

de valor.

No combate às alterações climáticas, definiu metas validadas pela

Science Based Targets initiative (SBTi), que incluem uma redução de

51% nas emissões das operações (âmbito 1 e 2) até 2032 (face a 2022)

e a neutralidade carbónica nas operações até 2040, já tendo alcançado

uma redução de 18,2% nas emissões de âmbito 1 e 2 desde 2022.

Para descarbonizae o consumo energético, investiu na expansão do

parque fotovoltaico que, em 2024, atingiu uma potência instalada de

67 MWp, e em contratos de aquisição de energia (PPAs), garantindo

que 32% do consumo de eletricidade da MC proveniente de fontes

renováveis.

Na área da mobilidade, adotou uma política de viaturas 100% elétricas

para novas atribuições, compensando integralmente as emissões

dos veículos ainda movidos a combustíveis fósseis e híbridos através

de reflorestação. A par, a rede de carregamento elétrico Plug&Charge

da MC posiciona-se como um importante player na rede de carregamentos

elétricos em Portugal, contando já com 432 postos de carregamento

em 99 lojas.

Ao nível da gestão de resíduos, a MC está a expandir nas suas lojas o

conceito inovador EcoSpot, espaços dedicados à recolha de resíduos

como pilhas, lâmpadas, cápsulas de café e têxteis, promovendo a reciclagem

e evitando o envio de materiais para aterro. A MC também

participa no SDR Portugal, uma iniciativa conjunta entra a indústria

e o retalho que visa aumentar a reciclagem de garrafas PET e latas,

com os pontos de recolha integrados nos EcoSpots.

A redução do desperdício alimentar é outra prioridade da MC, tendo

evitado 76 milhões de euros em desperdício, em 2024, um aumento

de 153% face a 2020, através de mecanismos de aceleração de escoamento

de produtos, como a Etiqueta Rosa, Caixa Zero Desperdício e

Too Good To Go, e dos programas de doações da Missão Continente.

Para além das medidas operacionais, a MC investe na literacia do

consumidor, fornecendo orientações sobre como reduzir o desperdício

alimentar através de iniciativas como o Selo “Observar, Cheirar,

Provar” da Too Good To Go.

Tirando partido da sua proximidade com os clientes, a MC desempenha

ainda um papel ativo na promoção da literacia em sustentabilidade

e na disseminação de boas práticas no quotidiano. Para além

da sensibilização, a MC utiliza a sua dimensão e influência no setor

para envolver decisores, produtores e parceiros, acelerando a transição

alargada para práticas mais sustentáveis. Tendo em conta que

o sistema alimentar global é responsável por cerca de um terço das

emissões de gases com efeito de estufa totais globais, a MC está a tomar

medidas proativas para reduzir o seu impacto. Neste momento

está a ser implementada uma plataforma dedicada a disponibilizar

aos clientes informação sobre a pegada de carbono dos seus produtos,

permitindo-lhes fazer escolhas mais informadas e conscientes em re-

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ FÓRUM DE LIDERES \\

43

NÍDIA CAETANO

Presidente do Conselho Diretivo, APESB

lação aos produtos que consome. Esta iniciativa reflete

o compromisso da MC em combinar educação,

transparência e ação, impulsionando uma redução

significativa das emissões em toda a cadeia de valor.

2

A gestão de resíduos em Portugal atravessa uma fase

de transformação e de crescimento, impulsionada

pela crescente consciencialização ambiental, pelas

metas europeias e pela necessidade urgente de responder

aos desafios estruturais do setor. Porém, o

esgotamento da capacidade dos aterros e a limitação

das infraestruturas de valorização são dois grandes

desafios que tornam evidente a importância de

investir em soluções mais eficientes e sustentáveis.

Neste sentido, a separação na origem assume um

papel fundamental na valorização adequada dos

recursos, permitindo a criação de produtos de qualidade

e a sua reintegração na economia. É fundamental

o desenvolvimento de infraestruturas que

permitam o tratamento adequado dos resíduos produzidos

assim como uma gestão mais eficiente dos

materiais e que seja alargada a novos fluxos, com

o objetivo de diminuir a produção de resíduos indiferenciados.

A disponibilização de soluções para

valorização orgânica, como a produção de biogás,

é outro passo relevante, criando condições para o

desenvolvimento de um mercado de bio metano e

promovendo, assim, a descarbonização da rede de

gás natural.

1

A APESB tem vindo a adotar diversas iniciativas que promovem a sustentabilidade, como a

organização de congressos, seminários e workshops que incentivam a troca de conhecimento

e boas práticas na gestão de resíduos, águas e efluentes, destacando-se o ENaSB – Encontro de

Engenharia Sanitária Ambiental e as Jornadas Técnicas Internacionais de Resíduos - JTIR.

Envolve-se de forma dinâmica na organização de eventos como Simpósio Luso-Brasileiro de

Engenharia Sanitária e Ambiental (SILUBESA) e com a realização de workshops em cooperação

Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES).

Promove ainda a formação e sensibilização técnica e científica dos seus associados e da sociedade

em geral, fomentando a inovação e a investigação aplicada. Destaca-se a publicação

da Revista Águas & Resíduos. Através de parcerias nacionais e internacionais, como com a

ISWA e a IWA, a contribui para a implementação de soluções circulares e eficientes, alinhadas

com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, reforçando o compromisso com um

futuro mais sustentável.

2

A gestão de resíduos em Portugal enquadra-se numa agenda cada vez mais exigente. Entre

os desafios mais prementes, destacam-se o reforço da recolha seletiva, com metas específicas

essenciais para reduzir a deposição em aterro. Salienta-se também a adaptação das soluções

à insularidade e aos diversos territórios, o cumprimento das metas europeias, a sensibilização

e envolvimento da sociedade, fundamentais para aumentar a qualidade da separação na

origem e garantir o sucesso das estratégias implementadas.

Existem oportunidades relevantes a nível de financiamento sustentável e novos instrumentos

económicos, a digitalização de processos e soluções circulares, e ainda a inovação tecnológica

e digitalização e a descarbonização do setor, através da valorização energética, da

utilização de combustíveis alternativos e da redução das emissões associadas ao ciclo de vida

dos resíduos.

A APESB tem-se pautado pela cooperação internacional e partilha de conhecimento, potenciadas

por eventos técnicos e científicos, que consolidam o papel de Portugal no debate global

sobre sustentabilidade.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


44 \\ FÓRUM DE LIDERES \\

ANA TRIGO MORAIS

CEO, Sociedade Ponto Verde

1

Ao longo de quase três décadas, a Sociedade Ponto Verde

(SPV) tem desempenhado um papel central na construção

de um sistema de reciclagem de embalagens que

é hoje uma referência em Portugal e na Europa. Desde

1996, já foram enviadas para reciclagem mais de 8 milhões

de toneladas de embalagens, resultado do esforço

conjunto de cidadãos, empresas, sistemas municipais e

multimunicipais, clientes, governo e parceiros institucionais.

Mas o nosso papel vai além da gestão do sistema: temos

investido em conhecimento, literacia e educação

ambiental, mobilizando diferentes públicos e sensibilizando

todos para a importância de adotar comportamentos

mais sustentáveis. Nesse sentido, desenvolvemos

diversos projetos, como a Academia Ponto Verde,

o Juntos a Reciclar++ e o Junta-te ao Gervásio, pensados

para públicos distintos, com o objetivo de estar mais

próximos dos cidadãos, empresas e poder local, capacitá-los

e mostrar que a reciclagem de embalagens pode

ser feita em qualquer momento e em qualquer lugar.

No âmbito da inovação, área que acreditamos que pode

revolucionar a circularidade no País e em que temos investido

fortemente, destaco projetos como o re_source

e o Ponto Verde Lab. Assim, a ambição da SPV é continuar

a ser motor da economia circular em Portugal,

traduzindo a sustentabilidade em resultados concretos

que façam a diferença na vida das pessoas e no futuro

do País.

2

Os próximos anos trazem consigo metas europeias

cada vez mais exigentes: no final de 2025, Portugal terá

de reciclar 65% das embalagens colocadas no mercado

e, em 2030, 70%. Até porque separar melhor as embalagens

significa menos resíduos em aterros e mais materiais

a circular na economia. Estima-se que anualmente

estamos a perder 34M€ referentes a todas as embalagens

que não são encaminhadas para reciclagem e isso

tem mesmo de mudar.

Trata-se de um desafio que implica acelerar a inovação,

a eficiência e a colaboração entre todos os agentes da

cadeia de valor.

A nova licença atribuída às entidades gestoras de embalagens,

que pela primeira vez tem um horizonte temporal

de dez anos, representa uma oportunidade de

consolidar o sistema, mas também uma maior responsabilização

de todos os intervenientes.

Até 2030, será determinante transformar metas ambiciosas

em conquistas reais, melhorar o nível de serviço

prestado aos cidadãos, em qualidade e conveniência,

reforçando, assim, a transição para uma economia circular

robusta e eficiente. Reafirmamos, por isso, a nossa

posição de liderança e assumimos o compromisso de

continuar a fomentar conhecimento, literacia ambiental

e inovação, conscientes de que o sucesso da reciclagem

de embalagens em Portugal dependerá, mais do

que nunca, da participação ativa de todos.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ FÓRUM DE LIDERES \\

45

AMÍLCAR GONÇALVES

Presidente do Conselho de Administração da

ARM – Águas e Resíduos da Madeira, S.A.

1

A Águas e Resíduos da Madeira tem vindo a

implementar várias iniciativas para promover

a sustentabilidade na Região Autónoma da

Madeira, com ênfase na gestão de recursos e na

economia circular.

Temos vindo a investir na modernização das

infraestruturas de abastecimento e distribuição

de água, com vista à melhoria da eficiência hídrica

e ao reforço da capacidade de armazenamento,

essencial para usos diversos, incluindo o

regadio agrícola. Paralelamente, apostamos na

requalificação dos sistemas de drenagem e tratamento

de águas residuais, contribuindo para

a preservação da qualidade das águas balneares

e, bem assim, para o bem-estar das populações.

No âmbito da gestão de resíduos, destaca-se a

valorização energética desenvolvida na Estação

de Tratamento de Resíduos Sólidos da Meia

Serra, com uma produção anual de cerca de

50 GWh, dos quais três quartos são injetados

na rede pública de energia — quantidade suficiente

para abastecer aproximadamente 5% das

habitações da Região. Prosseguimos igualmente

com a valorização multimaterial, fomentando

a reciclagem, e com projetos inovadores como

o Biovalor, que transforma resíduos verdes em

composto orgânico de elevada qualidade, disponibilizado

gratuitamente à população.

Acreditamos que a sustentabilidade se constrói

com conhecimento e participação. Por isso,

mantemos um forte investimento em iniciativas

de educação ambiental dirigidas à comunidade

em geral. É através deste trabalho conjunto

que continuaremos a construir um futuro

mais equilibrado, responsável e sustentável para

todos.

2

A gestão de resíduos em Portugal enfrenta desafios

como o aumento das taxas de reciclagem, a

promoção da economia circular e a valorização

energética de resíduos. A redução da produção

de resíduos e a adaptação às exigências da

União Europeia são questões cruciais, especialmente

devido às disparidades regionais na eficácia

das práticas de gestão de resíduos.

Na Região Autónoma da Madeira, os desafios

principais incluem a valorização energética e a

compostagem de resíduos orgânicos, com ênfase

na melhoria desses processos para aumentar

a eficiência e sustentabilidade. A educação

ambiental também desempenha um papel importante,

sendo essencial promover campanhas

de sensibilização tanto para a população local

como para os turistas, incentivando a separação

de resíduos e o consumo responsável. O foco

está em reforçar as infraestruturas e práticas

que contribuam para uma gestão mais eficiente

e sustentável dos resíduos.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


46 \\ FÓRUM DE LIDERES \\

JOSÉ MANUEL RIBEIRO

Presidente do Conselho de Administração,

Valongo, LIPOR

1

O Compromisso da LIPOR vai muito para além da gestão e valorização dos

resíduos, estamos comprometidos com a Sustentabilidade e com a criação

e partilha de Valor, compromisso este que nos tem permitido concretizar

um Ecossistema que conjuga uma Governança responsável, ativa e interventora.

É na Agenda de Sustentabilidade que refletimos a nossa dinâmica e corporizamos

a resposta aos desafios ESG totalmente alinhada com a Estratégia

Corporativa. As premissas fundamentais de atuação privilegiam uma

relação estreita com as nossas Partes Interessadas, valorizando as Pessoas,

estando em harmonia com o Planeta, projetando Prosperidade e criando

valor pelas Parcerias, e, portanto, totalmente em alinhamento com a Agenda

2030 da Nações Unidas, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

(ODS), respetivas metas e indicadores.

São diversas as iniciativas que a Organização assume, destacando-se entre

outras, o compromisso de combate às alterações climáticas e transição energética,

através da prossecução da nossa Estratégia 4M – menos resíduos,

menos carbono, mais clima, mais biodiversidade, para a qual a LIPOR reforçou

o compromisso para 2030 de redução de 50% das emissões, ou seja,

reduzindo para metade as suas emissões, face a 2006, e a sua ambição de

atingir a neutralidade climática em 2045, pois sabemos que o aumento dos

riscos climáticos físicos tem de impulsionar padrões de divulgação mais rigorosos.

Relevo também a Estratégia da Biodiversidade 2030 da LIPOR,

na qual a LIPOR e os seus Municípios Associados trabalham no sentido

de mapear as questões de promoção e regeneração da biodiversidade na

Estratégia de Negócio, aquilo que chamamos de nosso lado “B” – BIODI-

VERSIDADE.

As iniciativas e projetos de sensibilização, educação e formação ambientais

são também valências fundamentais do seu Propósito de “todos os dias contruímos

um mundo melhor”.

Na LIPOR, procuramos diariamente garantir a prosperidade da nossa Organização

pela Sustentabilidade, assegurando um impacto positivo no ambiente

e na sociedade envolvente, trabalhando em sinergia, rede e cocriação,

pois acreditamos que só assim continuaremos a ser relevantes e competitivos,

no setor em que atuamos.

2

A necessidade de Portugal convergir nas metas determinadas pela Diretiva

Quadro Resíduos, nomeadamente a preparação para reutilização e reciclagem

dos Resíduos Urbanos e a exigência de redução de deposição em Aterro,

colocam desafios, mas também oportunidades ao setor. O setor tem de se

posicionar como relevante no desenvolvimento do País. Precisamos de uma

efetiva implementação da Hierarquia da boa gestão dos Resíduos, onde na

base temos a Prevenção que tem de atuar de forma a conseguirmos reduzir

a produção de resíduos, temos de produzir produtos mais sustentáveis

e recicláveis, temos que ter fortes estratégias para potenciar a reutilização

e apostar cada vez mais em recolhas dos resíduos seletivas de qualidade, de

modo a termos uma Economia Circular.

É necessário que os Órgãos da tutela encetem medidas e políticas que assegurem

a sustentabilidade económico-financeira dos SGRUs (Sistemas de

Gestão de Resíduos Urbanos), com particular destaque para a justa remuneração

da venda dos materiais de embalagem, para a questão da remuneração

da energia elétrica e de novas fontes de energia e políticas fiscais.

Urge, ainda, aumentar o apoio financeiro ao setor, como Programas de

Empréstimos Especiais do Banco Europeu de Investimentos, para evitar o

retrocesso do país às práticas de gestão de resíduos do passado. Só assim,

serão asseguradas as condições necessárias para a prossecução das medidas

e avultados investimentos preconizados pelo PERSU 2030.

O tratamento de novos fluxos de resíduos, nomeadamente, biorresíduos e

resíduos têxteis, bem como a imposição das metas ambiciosas pela União

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ FÓRUM DE LIDERES \\

47

Europeia, que requerem a implementação

de sistemas técnicos eficazes para

assegurar a separação, a recolha seletiva

e o tratamento adequado destes resíduos,

são outras das exigências que se colocam

ao setor.

Destaca-se, também, a urgência em inverter

a opção “confinamento em aterro”

dos resíduos alertando para o risco de escassez

de infraestruturas de tratamento e

valorização em algumas regiões do país,

como o Norte e o Algarve, e para os custos

elevados de uma previsível necessidade

de exportação de resíduos.

Na LIPOR temos vindo a repensar o

Modelo de Negócio, passando de apenas

gestora de resíduos para nos tornarmos

gestora de recursos e, mais recentemente,

produtora de produtos que impulsionam

a Economia Circular firmando todos os

esforços na sua valorização mais adequada,

abordagem que tem por base a projeção

de um modelo circular de negócios, e

é sustentada por projetos demonstrativos

das práticas de circularidade de suporte.

Sabemos que é possível gerar e partilhar

valor transformando os resíduos em produtos,

prestando serviços especializados,

promovendo a prosperidade e a inovação

sustentável e tecnológica.

1

A HRV assume atualmente uma estratégia baseada em sustentabilidade Económica, Ambiental e Social:

adaptando modelos de negócio com base em práticas de reaproveitamento de recursos, investimentos

em tecnologias mais eficientes energeticamente , instalação de central fotovoltaica para produção

de energia para autoconsumo, modernização das suas instalações com iluminação LED, melhoramento

de isolamento térmico, consciencialização para o uso e consumo de água bem como para adotação de

políticas de reciclagem dos materiais, na execução de medidas por forma a garantir melhores e mais

seguras condições de trabalho, apoiar causas sociais locais.

2

Os próximos anos trazem consigo metas europeias Portugal enfrenta um momento decisivo : Cumprir

as metas europeias de reciclagem e de redução da deposição em aterro até 2035 será extremamente

exigente, sobretudo porque a recolha seletiva e o tratamento de biorresíduos ainda longe de estar plenamente

implementados.

No entanto, acreditamos que estes desafios podem ser também oportunidades.

O investimento em inovação tecnológica — como sistemas de triagem mais eficientes, recolha inteligente

e valorização energética dos biorresíduos — pode aumentar a eficácia e gerar valor económico e

ambiental. Ao mesmo tempo, vejo na economia circular e no ecodesign caminhos claros para reduzir a

produção de resíduos na origem e incentivar produtos mais fáceis de reutilizar e reciclar.

Neste contexto, consideramos positiva a recente noticia de novos investimentos em unidades de valorização

energética, através de centrais de incineração de resíduos que de outra forma acabariam em

aterro.

Consideramos também uma boa oportunidade para a HRV, que já está no mercado da valorização dos

resíduos orgânicos, ser parceira destas centrais de valorização orgânica, acrescentando linhas de peletização

ou de ensacamento de produto pulverulento, para que assim se fomente a utilização de adubos

orgânicos.

Por outro lado, a cooperação entre municípios será decisiva para equilibrar disparidades regionais e

reforçar a capacidade nacional.

Acima de tudo, que terá de existir uma verdadeira mudança de mentalidade dos cidadãos e sem uma

maior responsabilização dos produtores, dificilmente Portugal atingirá as metas que se propôs.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


48

\\ DIRETÓRIO \\

DIRETÓRIO

O futuro é circular

Todos os anos, na União Europeia (UE), são gerados cerca de 2,2 mil milhões de toneladas

de resíduos. Em Portugal, de acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente, a produção

total de resíduos urbanos (RU) atingiu, em 2022, 5,05 milhões de toneladas — um

aumento de 0,7% face a 2021. Estes valores mostram uma tendência estável desde 2019,

invertendo a trajetória de crescimento contínuo que se verificava até 2014.

Apesar disso, quando se analisa a recolha seletiva de resíduos, a evolução tem sido positiva, ainda que

a taxa de crescimento esteja a abrandar, o que pode indicar uma estagnação.

A transição de um modelo linear para uma economia circular é um dos grandes desafios. Tal mudança

exige um forte empenho tanto do poder político como das empresas. A meta é transformar

resíduos em recursos, incentivando a reutilização e a reciclagem, reduzindo assim a dependência de

matérias-primas e minimizando os impactos ambientais.

Os cidadãos também desempenham um papel essencial nesta mudança, ao repensarem hábitos de

consumo e darem preferência à reutilização.

Portugal, à semelhança de outros países da União Europeia, enfrenta este desafio com compromissos

assumidos e políticas em curso. Neste suplemento, apresentamos alguns exemplos inspiradores de

boas práticas que demonstram ser possível avançar com sucesso rumo a uma economia mais circular.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ DIRETÓRIO \\

49

BOARD

GESTÃO EFICIENTE,

FUTURO SUSTENTÁVEL

A

ARM – Águas e Resíduos da Madeira, S.A.

(ARM) é uma empresa de capitais exclusivamente

públicos, responsável pela exploração

e gestão do sistema multimunicipal de águas e resíduos

da Região Autónoma da Madeira (RAM),

operando em regime de serviço público e de exclusividade.

A ARM desenvolve as suas atividades nos setores

de resíduos e águas (abastecimento e águas

residuais). No setor de resíduos ‘em alta’ atua em

toda a RAM, enquanto no setor de águas “‘em

alta’” opera em nove dos onze municípios da

Região: • Calheta • Câmara de Lobos • Funchal

• Machico • Ponta do Sol • Porto Santo • Santa

Cruz • Santana • Ribeira Brava.

Relativamente às áreas de atuação ‘em baixa’,

designadamente a recolha de resíduos, a distribuição

de água potável e a recolha de águas residuais,

a ARM desenvolve atividade nos seguintes

cinco municípios aderentes: • Câmara de Lobos •

Machico • Porto Santo • Ribeira Brava • Santana.

Em relação à água para regadio, a empresa

presta serviços tanto ‘em alta’ quanto ‘em baixa’

em toda a Região, garantindo o fornecimento

para a agricultura em diversas áreas.

A missão da ARM é satisfazer as necessidades

da população por meio de um sistema multimunicipal

eficiente e sustentável, promovendo a

sustentabilidade ambiental, a resiliência do território

e o desenvolvimento económico e social da

RAM. A ARM tem como objetivo ser uma referência

na gestão e operação dos setores de águas e

resíduos, assegurando máxima eficácia, eficiência

e sustentabilidade em todas as suas atividades.

A atuação da ARM baseia-se na adoção de

soluções inovadoras e sustentáveis, sempre com

um compromisso intransigente com a qualidade,

o rigor e a excelência. A empresa está continuamente

em busca de inovação e melhoria, exercendo

as suas funções com compromisso ambiental

e social, assegurando que as suas operações contribuem

para a preservação do meio ambiente e

para o bem-estar das comunidades em que opera.

Este compromisso permite à ARM desempenhar

um papel fundamental no desenvolvimento sustentável

da Região, melhorando a qualidade de

vida da população e promovendo a progressão

profissional e pessoal dos seus colaboradores, que

são reconhecidos como o capital mais valioso da

organização.

ÁREA DE ATUAÇÃO

/Recolha, tratamento e valorização de resíduos

/Tratamento e distribuição de água

/ Recolha e tratamento de águas residuais

/ Distribuição de água para regadio

Amílcar Gonçalves

Presidente do Conselho de Administração

da ARM – Águas e

Resíduos da Madeira, S.A.

CONTACTOS

ARM

Águas e Resíduos da Madeira, S.A.

Sede: Rua dos Ferreiros, n.º 150,

9000-082 Funchal - Madeira

t. +351 291 201 020

(chamada para a rede fixa nacional)

geral@arm.pt

www.arm.pt

Linha Verde:

800 910 500

chamada gratuita, para pedidos de serviço

e comunicação de anomalias - piquete

Linha Cliente:

291 950 500

chamada para a rede fixa nacional, dias

úteis das 9h às 17h

clientes@arm.pt

pt.linkedin.com/company/

arm-águas-e-resíduos-da-madeira-s-a

www.facebook.com/aguasdamadeira

www.instagram.com/ar.madeira

www.youtube.com/

@arm-aguaseresiduosdamadeir543

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


50 \\ DIRETÓRIO \\

EQUIPA EXECUTIVA

UMA VISÃO MULTIFLUXO PARA A

GESTÃO DE RESÍDUOS EM PORTUGAL

O

Electrão foi constituído em 2005 para a gestão

de equipamentos elétricos usados em

Portugal em representação de 60 empresas

associadas fundadoras. Em 2009 alargou o âmbito

de atuação à gestão das pilhas e baterias usadas

e, em 2018, iniciou a atividade na gestão de

embalagens usadas, tornando-se a primeira entidade

gestora a atuar, em Portugal, em três dos

principais sistemas de reciclagem.

Desde 2024 que o Electrão participa no sistema

de gestão de fim de vida de plásticos de uso

único, mais especificamente dedicado aos produtos

do tabaco, através da associação ÚNICO.

O Electrão é o parceiro das empresas para a

gestão de fim de vida dos produtos. Atualmente

merece a confiança de mais de duas mil empresas,

nacionais e estrangeiras, que transferem

todos os anos para o Electrão, em Portugal, a

responsabilidade pela gestão de fim de vida dos

respetivos produtos que colocam no mercado,

servindo muitas destas empresas em mais do que

um sistema integrado de reciclagem.

O Electrão posiciona-se como um agente de

referência no setor dos resíduos, promovendo a

adoção de processos inovadores, aceleradores da

sustentabilidade e da economia circular, influenciando

positivamente diferentes organizações e

parceiros.

A proposta de valor que oferece no mercado

tem por base uma visão de gestão multifluxo de

resíduos, que explora as sinergias dos sistemas de

reciclagem e que se traduz numa gestão eficiente

e de maior valor económico, que continua a merecer

a confiança de um número cada vez maior

de empresas clientes.

ÁREAS DE ATUAÇÃO

/ Entidade gestora de embalagens, pilhas

e equipamentos eléctricos usados

/ Entidade gestora ÚNICO para a gestão

de plásticos de uso único

CONTACTOS

Rua Afonso Praça 6

1400-402 Lisboa

t. +351 214 169 020

geral@electrao.pt

www.electrao.pt

Pedro Nazareth

CEO

Ricardo Furtado

Director Geral para

os Eléctricos e Pilhas

Márcia Damas

Diretora Geral

de Embalagens

CIDADES E

COMUNIDADES

SUSTENTÁVEIS

PRODUÇÃO

E CONSUMO

SUSTENTÁVEIS

ACÇÃO

CLIMÁTICA

PROTEGER A

VIDA MARINHA

PROTEGER

A VIDA

TERRESTRE

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ DIRETÓRIO \\

51

COMPROMISSO RENOVADO,

MISSÃO CONTÍNUA

BOARD

António Nogueira Leite

Presidente do Conselho

de Administração da SPV

D

esde 1996 que a Sociedade Ponto Verde

(SPV) tem como missão contribuir para

a promoção da economia circular através

do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos

de Embalagens (SIGRE), assente num forte

compromisso com a inovação e I&D, a literacia

ambiental e a cidadania ativa. Entidade privada

sem fins lucrativos e líder de mercado, é responsável

pelo encaminhamento para reciclagem

e valorização dos resíduos de embalagens

resultantes do grande consumo. Atualmente,

serve cerca de 8 000 clientes, apoiando-os na

conceção de embalagens mais circulares e propondo

novas soluções para melhorar os processos

de recolha, separação e tratamento.

A SPV tem também como objetivo inspirar

cidadãos, empresas, clientes e parceiros a fazer

parte de um sistema mais circular, promovendo

o cumprimento das metas nacionais de reciclagem

de embalagens e garantindo um futuro

sustentável através de soluções inovadoras, colaboração

estratégica e impacto ambiental duradouro.

Enquanto marca institucional, reflete

valores como inovação, liderança, transparência,

compromisso e proximidade. A sua assinatura

é: “Damos mais valor às embalagens”.

Para reforçar a comunicação e sensibilização,

em 2025, foi criada a Ponto Verde, que

nasce para ser a identidade visível, consistente,

humana, inspiradora e mais próxima do público,

responsável por mobilizar os cidadãos através

de campanhas de comunicação, iniciativas

de sensibilização, programas educativos e ações

de proximidade. Apresenta-se como um movimento

agregador que une cidadãos de norte a

sul do País e ilhas, de todas as gerações e idades,

e será representada pela assinatura “Separamos

j u n t o s”.

Ana Trigo Morais

CEO/Administradora

Delegada da SPV

CONTACTOS

Rua João Chagas,

53, 1.º DTO

1495-764 Cruz Quebrada

+351 210 102 400

www.pontoverde.pt

www.pontoverdelab.pt

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


52 \\ DIRETÓRIO \\

BOARD

MAIS DE TRÊS DÉCADAS DEDICADAS

AO TRATAMENTO DE RESÍDUOS URBANOS

Fundada em julho de 1989, a Tratolixo é uma

empresa intermunicipal certificada, detida

em 100% pela AMTRES – Associação de

Municípios de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra,

para o Tratamento de Resíduos Sólidos. É responsável

pelo serviço público de tratamento de

Resíduos Urbanos (RU) produzidos pelos quase

900 mil habitantes dos municípios deste Sistema

de Gestão de Resíduos Urbanos e é uma referência

nacional na gestão de RU, reconhecida pela

sua excelência operacional, inovação e compromisso

com a sustentabilidade.

A empresa dedica-se ao tratamento, deposição

final, recuperação e reciclagem de resíduos e à comercialização

dos materiais transformados, bem

como a outras prestações de serviços no domínio

dos resíduos.

Fruto do trabalho rigoroso e eficiente levado

a cabo na TRATOLIXO, resultam diversos produtos

recicláveis que são encaminhados para valorização,

sendo tratados em média, anualmente

mais de 470 mil toneladas de resíduos urbanos,

aos quais acrescem os resíduos de entidades particulares.

Com 36 anos de atividade e mais de 300 trabalhadores,

a nossa visão assenta na utilização

das técnicas mais avançadas, seguras e ambientalmente

adequadas no tratamento de resíduos

urbanos, dando especial ênfase à valorização e

considerando-os como fonte de potencial matéria-prima.

O investimento em novas soluções, equipamentos

e infraestruturas é uma constante. Recentemente,

anunciámos a construção de um

novo edifício no Ecoparque da Abrunheira,

concelho de Mafra, para benefício dos trabalhadores

que contou com um investimento de cerca

de 2,5 milhões de euros. A nova infraestrutura

contempla balneários, posto médico e refeitório,

que ficarão ao serviço de cerca de uma centena

de funcionários que trabalham no Ecoparque da

Abrunheira.

Recorde-se ainda os investimentos na construção

da Central de Triagem de Resíduos de Embalagem

de Trajouce e na Central de Compostagem

para Resíduos Verdes e, mais recentemente, o

novo Tratamento Mecânico com separação automática

de sacos com Biorresíduos, investimento

importante e contributo fundamental e estratégico

que evita o desperdício dos biorresíduos e

permite contribuir para o aumento das taxas de

reaproveitamento e reciclagem. Poderemos, assim,

aumentar a nossa capacidade de produção

de biogás e de energia eléctrica, bem como de

composto orgânico de qualidade para aplicação

na agricultura.

Nuno Soares

Presidente do Conselho de

Administração da TRATOLIXO

CONTACTOS

Ecoparque da Trajouce

Estrada 5 de Junho, nº 1 - Trajouce

2785-155 São Domingos de Rana

t. +351 214 459 500

residuos@tratolixo.pt

www.tratolixo.pt

ÁREAS DE ATUAÇÃO

/ Tratamento de resíduos

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ DIRETÓRIO \\

53

BOARD

HÁ DUAS DÉCADAS A TRABALHAR

PARA UM MUNDO MELHOR

A

Valorpneu é uma entidade privada, sem fins

lucrativos, que tem por objetivo organizar e

gerir o Sistema Integrado de Gestão de Pneus

Usados (SGPU) em Portugal, assente na responsabilidade

alargada dos produtores de pneus. No

desenvolvimento da sua atividade a Valorpneu

assume o compromisso com os princípios orientadores

do desenvolvimento sustentável, assentes

na proteção do ambiente, na criação de valor e

na qualificação de recursos humanos do sistema

que gere. O cumprimento destes princípios, são

essenciais para o nosso contributo para uma economia

circular.

A Valorpneu tem como missão principal:

• Organizar e gerir a recolha, transporte e o

encaminhamento para destino final adequado

dos pneus usados que anualmente são gerados

no território nacional;

• Promover a investigação e o desenvolvimento

de novos métodos para o tratamento dos pneus

usados e de novas aplicações;

• Desenvolver ações de comunicação e sensibilização

com vista a estimular alterações comportamentais

motivadoras de práticas corretas

relativamente aos pneus novos e usados e

recetividade aos materiais resultantes da sua

valorização.

Na prossecução da sua missão, a Valorpneu envolve

todos os colaboradores e operadores do

SGPU, procurando melhorar continuamente

o seu desempenho, nomeadamente na área da

qualidade e ambiente, promovendo a melhoria

do desempenho dos operadores da rede SGPU e

assume, como um dos seus princípios de gestão, o

compromisso na prestação de um serviço de qualidade

de forma a garantir a conformidade com

todas as suas obrigações.

Em duas décadas de atividade em prol dos pneus

usados, a Valorpneu tem demonstrado o seu empenho

na prestação de um serviço de qualidade

para fechar, de forma sustentável e equilibrada o

ciclo de vida dos pneus, com o reforço e o desenvolvimento

das operações vitais ao SGPU, nomeadamente

prevenção, recolha, preparação para reutilização,

reciclagem e valorização dos pneus usados.

Queremos transmitir à comunidade a importância

da reutilização destes resíduos através de

diversas aplicações do granulado de borracha

de pneus usados entre outras. Desde o início da

nossa atividade temos comunicado aos cidadãos

a necessidade de adotarem práticas de prevenção

no uso dos pneus no seu dia-a-dia como forma de

aumentar o seu tempo de vida útil.

Tudo, em prol de um ambiente melhor e da criação

de novas vidas para os pneus!

Climénia Silva

Diretora-Geral

CONTACTOS

Av.ª Torre de Belém, 29

1400-342 Lisboa

+351 210 513 651

valorpneu@valorpneu.pt

www.valorpneu.pt

linkedin.com/company/valorpneu/

www.instagram.com/valorpneu/

ÁREAS DE ATUAÇÃO

/ Gestão de resíduos.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


54

\\ DIRETÓRIO \\

REFERÊNCIA NA DISSEMINAÇÃO DE CONHECIMENTO

TÉCNICO-CIENTÍFICO EM ENGENHARIA SANITÁRIA E

AMBIENTAL EM PORTUGAL

A

APESB – Associação Portuguesa de Engenharia Sanitária e Ambiental é

uma associação técnico-científica, de carácter nacional e sem fins lucrativos,

fundada em 1980. Tem como principal objetivo promover o progresso

da engenharia sanitária e ambiental em Portugal, contribuindo para a

proteção da saúde pública, a preservação dos ecossistemas e a gestão sustentável

dos recursos naturais.

A sua atividade centra-se na dinamização de conferências, encontros técnicos,

cursos de especialização e publicações, constituindo-se como espaço

privilegiado de partilha de conhecimento e de cooperação entre profissionais,

académicos, entidades públicas e empresas do setor.

A APESB tem representação em organismos nacionais e internacionais de

referência, como a ISWA, a IWA, a EWA e a WEF, promovendo a integração

do país nas principais redes de investigação, inovação e desenvolvimento tecnológico

a nível europeu e mundial.

O atual Conselho Diretivo da APESB é presidido pela Professora Doutora

Nídia Caetano, contando com uma equipa multidisciplinar de reconhecida

experiência académica, técnica e profissional no setor do ambiente.

CONSELHO DIRECTIVO NACIONAL

Presidente: Prof.ª Nídia de Sá Caetano // Vice-Presidente: Eng.º Pedro Miguel

Fontes de Albuquerque Álvaro // Vice-Presidente: Prof.ª Isabel Paula Lopes

Brás // Vice-Presidente: Eng.º António Manuel Pedro Martins // Tesoureiro:

Dr. João Filipe Crisóstomo Dias

ÁREAS DE ATUAÇÃO

Água e Saneamento / Resíduos Sólidos / Alterações Climáticas e Sustentabilidade

/ Educação, Formação e Divulgação Técnico-Científica / Cooperação Internacional

CONTACTOS

APESB - Av. do Brasil, n.º 101, Edifício NES;

1700-066 Lisboa - PORTUGAL

+351 218 443 849

apesb@apesb.org

/ www.apesb.org

VALORIZAÇÃO ENERGÉTICA:

SUSTENTABILIDADE NA GESTÃO

DE RESÍDUOS

A

AVALER - Associação de Entidades

de Valorização Energética de Resíduos

Sólidos Urbanos - é uma Associação

portuguesa, de âmbito nacional, de direito

privado, sem fins lucrativos, criada em 19 de

dezembro de 2005 com a missão de defender

e representar os interesses das entidades responsáveis

pela valorização energética dos re-

Presidente da Direção

Sónia Silva

síduos urbanos, junto das entidades públicas

e privadas, nacionais e internacionais, contribuindo

para gestão sustentável de resíduos em Portugal.

A AVALER, atualmente, tem como associadas a Teramb - Empresa

Municipal de Gestão e Valorização Ambiental da Ilha Terceira, EM; a

ARM – Água e Resíduos da Madeira, S.A.; a LIPOR – Associação de

Municípios para a Gestão Sustentável de Resíduos do Grande Porto; e

a Valorsul – Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos das Regiões

de Lisboa e do Oeste, S.A.

A AVALER tem por objetivos divulgar informação sobre os processos

de tratamento de resíduos urbanos, das empresas Associadas e do

Setor, e contribuir para o esclarecimento e motivação da opinião pública

e dos cidadãos para a gestão sustentável de resíduos.

A AVALER representa, junto das Instituições da União Europeia, as

suas Associadas e o setor da valorização energética de resíduos português,

enquanto Membro da CEWEP - Confederation of Waste to Energy

Plants.

CONTACTOS

Plataforma Ribeirinha da CP – Estação de Mercadorias da Bobadela

2696-801 São João da Talha

+351 219 535 900

avaler@avaler.pt

/ www.avaler.pt

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ DIRETÓRIO \\

55

GESTÃO DE RESÍDUOS URBANOS:

SAÚDE PÚBLICA, QUALIDADE DE VIDA,

SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL

AESGRA – Associação para a Gestão de Resíduos, é uma associação privada

sem fins lucrativos, criada em 2009 com a missão de promover o exercício

da atividade de gestão de resíduos urbanos, alinhado com um modelo de

desenvolvimento estratégico e sustentável, de modo a contribuir para a contínua

melhoria da saúde pública e do ambiente, bem como para a transição para

um modelo de economia circular.

A ESGRA representa atualmente 15 entidades, 14 das quais Sistemas de Gestão

de Resíduos Urbanos (SGRU), no Continente e nas Regiões Autónomas

dos Açores e da Madeira – uma área de 41 850 Km2 (45% do Total Nacional)

e uma população de 4 091 Milhões de habitantes (39%), correspondente a 2

137 694 toneladas de resíduos por ano (40%), produzidos nos Municípios que

constituem a área de intervenção dos seus Associados.

Na União Europeia, a ESGRA integra a Municipal Waste Europe (MWE),

associação europeia sediada em Bruxelas que representa o setor de gestão de

resíduos urbanos de responsabilidade pública e é interveniente formal junto das

instituições comunitárias no âmbito dos procedimentos legislativos em matéria

de resíduos.

ÁREAS DE ATUAÇÃO

/ Gestão de resíduos urbanos

BOARD

CONTACTOS

Paulo Praça

Presidente da Direção

Cátia Borges

Vice-presidente da Direção

Rua Rodrigues Sampaio, nº 19, 5º A

1150-278 Lisboa

+351 214 240 221

geral@esgra.pt / www.esgra.pt

Carlos de Andrade Botelho

Vice-presidente da Direção

Carla Velez

Secretária Geral

LISTAGEM

Abrantaqua

Urbanização dos Plátanos,

Lote 2-D, Loja B

2200-025 Abrantes

t. 241 331 562

e. geral@abrantaqua.pt

w. www.abrantaqua.pt

Agere , Empresa de Águas

Efluentes e Resíduos

de Braga E.M

Praça Conde Agrolongo, 115

4700-312 Braga

t. 253 205 000

e. agere@agere.pt

w. agere.pt

Água São Martinho

Rua Nova da Telha, 327

4821-909 Fafe

t. 253 459 000

e. geral@aguasmartinho.com

w. www.aguasmartinho.com

Águas da Azambuja

Rua Teodoro José da Silva, 37

2050-335 Azambuja

t. 263 002 470

e. geral@aguasdaazambuja.pt

w. www.aguasdaazambuja.pt

Águas da Covilhã

Rua Ruy Faleiro, n.º 111

6201-905 Covilhã

t. 275 310 810

e. geral@aguasdacovilha.pt

w. www.aguasdacovilha.pt

Águas da Figueira

Rua Dr. Mendes Pinheiro

3080-032 Figueira da Foz

t. 233 401 450

e. geral@aguasdafigueira.com

w. www.aguasdafigueira.com

Águas da Região de Aveiro

Travessa Rua da Paz nº 4

3800-587 Aveiro

t. 234 910 200

e. adra@adp.pt

w. www.adra.pt

Águas da Serra

Rua Senhora da Estrela, 20

6200-454 Boidobra

t. 275 313 260

e. aguasdaserra@ags.pt

w. www.aguasdaserra.pt

Águas da Teja

Av.ª Comunidades Europeias

N.º 39

6420-044 Trancoso

t. 271 829 000

e. aguasdateja@aguasdateja.pt

w. www.aguasdateja.org

Águas de Alenquer

Rua Sacadura Cabral,

22 C - R/C

2580-371 Alenquer

t. 263 731 217

e. geral@aguasdealenquer.pt

w. www.aguasdealenquer.pt

Águas de Barcelos

Rua Rosa Ramalho, n.º 9/A

4750-331 Barcelos

t. 253 813 814

e. geral@aguasdebarcelos.pt

w. www.aguasdebarcelos.pt

Águas de Carrazeda

Rua Vitor Guilhar, 90 - 92

5140-103 Carrazeda de Ansiães

t. 278 617 736

e. geral@aguasdecarrazeda.pt

w. www.cm-carrazedadeansiaes.pt

Águas de Cascais

Estrada da Malveira, 1237

Aldeia de Juso,

2750-836 Cascais

t. 214 838 300

e. geral@aguasdecascais.pt

w. www.aguasdecascais.pt

Águas de Coimbra

Rua da Alegria, 111

3000-018 Coimbra

t. 239 096 000

e. geral@aguasdecoimbra.pt

w. www.aguasdecoimbra.pt

Águas de Fafe

Largo 1.º de Dezembro

4820-142 Fafe

t. 253 700 020

e. geral@aguasdefafe.pt

w. www.aguasdefafe.pt

Águas de Gaia

Rua 14 de Outubro, 343

4431-954 Vila Nova de Gaia

t. 223 770 460

e. info@aguasgaia.pt

w. www.aguasdegaia.pt

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


56 \\ DIRETÓRIO \\

GERANDO E COMPARTILHANDO VALOR

ALIPOR – Associação de Municípios para a Gestão Sustentável de Resíduos

do Grande Porto – foi fundada em 1982 como Associação de Municípios

e gere, valoriza e trata resíduos urbanos produzidos pelos oito municípios

que a integram: Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim,

Valongo e Vila do Conde.

À escala nacional, o universo LIPOR, representa aproximadamente 1% do território

de Portugal Continental, concentra 10% da população e é responsável pela

valorização de 12% do total de resíduos urbanos produzidos no país.

Ao longo dos anos, desenvolvemos uma estratégia integrada, baseada em três

pilares: Valorização Multimaterial, Valorização Orgânica e Valorização Energética,

complementadas por um aterro sanitário, para a receção de resíduos que não

possuam qualquer potencial de valorização. Deste modo, promovemos o fecho de

ciclos, reintegrando os resíduos, como recursos, na cadeia de valor e minimizando

a sua deposição em aterro, em alinhamento com as melhores práticas de gestão.

Mas, para que todo o sistema funcione, precisamos da colaboração dos Cidadãos.

Por isso, promovemos as boas práticas ambientais junto da Comunidade, complementadas

por campanhas de sensibilização da população.

Reforçando a nossa Estratégia, alicerçada nos pilares da Sustentabilidade, ao

longo dos anos, temos vindo a desenvolver um conjunto cada vez mais amplo de

projetos e iniciativas em áreas como a economia circular, a transição energética &

descarbonização; a biodiversidade ou a responsabilidade corporativa.

Apostamos na criação de valor, transformando os resíduos em produtos e prestando

serviços especializados. Pretendemos, assim, promover a prosperidade e a

inovação, suportadas num modelo sistémico e colaborativo, gerando e compartilhando

Valor.

BOARD

Dra. Maria Manuel Cruz - Administradora, Espinho // Dra. Ana Luísa Gomes -

Administradora, Gondomar // Dra. Marta Peneda - Administradora, Maia // Engª

Manuela Álvares - Administradora, Matosinhos // Engº Filipe Araújo –Administrador,

Porto // Engº Aires Pereira - Administrador, Póvoa de Varzim // Dr. José Manuel

Ribeiro - Presidente do Conselho de Administração, Valongo // Eng.ª Sara Lobão -

Administradora, Vila do Conde // Dr. Fernando Leite - Administrador-Delegado

ÁREAS DE ATUAÇÃO

/ Sustentabilidade / Gestão de Recursos / Inovação / Produtos para a Indústria / Energia

/ Produtos para a Agricultura / Produtos para o setor doméstico/comércio & serviços

/ Consultoria / Formação / Tecnologia

CONTACTOS

Rua da Morena, 805 , 4435-746 Baguim do Monte, Apartado 1510

4435-996 Baguim do Monte

+351 229 770 100

info@lipor.pt / www.lipor.pt/pt

Águas de Gondomar

Rua 5 de Outubro, 112

4420-086 Gondomar

t. 224 660 200

e. geral@aguasdegondomar.pt

w. www.aguasdegondomar.pt

Águas de Ourém

Rua Dr. Francisco Sá Carneiro

n.º 66 D – Loja A, 2490-548

Ourém

t. 249 540 010

e. aguas.ourem@bewater.com.pt

w. www.ourem-bewater.com.pt

Águas de Paços de Ferreira

Rua Dr. Leão Meireles, 94

4590-586 Paços de Ferreira

t. 255 860 560

e. geral@adpf.pt

w. www.aguasdepacosferreira.pt

Águas de Paredes

Rua de Timor, 27,

4580-015 Paredes

t. 255 788 530

e. aguas.paredes@bewater.com.

pt

w. www.paredes-bewater.com.pt

Águas de Portugal

Rua Visconde de Seabra, 3

1700-421 Lisboa

t. 212 469 400

e. info@adp.pt

w. www.adp.pt

Águas de S. João

Avenida da Liberdade

Edifício da Câmara Municipal

3701-956 S. Joao da Madeira

t. 256 100 700

e. geral@aguasdesjoao.pt

w. www.aguasdesjoao.pt

Águas de Santarém

Praça Visconde Serra do Pilar

2001-904 Santarém

t. 243 305 050

e. geral@aguasdesantarem.pt

w. www.aguasdesantarem.pt

Águas de Santo André

Cerca da Água, Rua dos Cravos

7500-999 Vila Nova de Santo

André

t. 269 708 240

e. geral.adsa@adp.pt

w. www.adsa.pt

Águas de Valongo

Av. 5 de Outubro, 306

4440-503 Valongo

t. 224 227 390

e. aguas.valongo@bewater.com.pt

w. www.valongo-bewater.com.pt

Águas de Vila Real de Santo

António

Z. Ind. de V. R. de Santo António,

Lt 46

8900-216 Vila Real de Santo

António

t. 281 249 510

e. advrsa.geral@aguas-vrsa.pt

w. www.aguas-vrsa.pt

Águas do Algarve

Rua do Repouso, 10

8000-302 Faro

t. 289 899 070

e. geral.ada@adp.pt

w. www.aguasdoalgarve.pt

Águas do Alto Alentejo

Praça da República

Edifício do Mercado Municipal

7400-232 Ponte de Sor

t. 242 001 040

e. geral@aguasdoaltoalentejo.pt

w. www.aguasdoaltoalentejo.pt

Águas do Alto Minho

Rua Frei Bartolomeu Mártires

n.º 156

4904-878 Viana do Castelo

t. 258 806 900

e. geral.adam@adp.pt

Águas do Baixo Mondego e

Gândara

Rua Dr. Francisco Luís Coutinho

Solar

dos Pinas

3140-256 Montemor-o-Velho

t. 239 246 600

e. geral@abmg.pt

w. www.abmg.pt

Águas do Centro Litoral

ETA da Boavista

Av. Dr. Luís Albuquerque

3030-410 Coimbra

t. 239 980 900

e. geral.adcl@adp.pt

w. www.aguasdocentrolitoral.pt

Águas do Douro e Paiva

Edifício Scala, Rua de Vilar, nº

235, 5º

4050-626 Porto

t. 226 059 300

e. geral.addp@adp.pt

w. www.addp.pt

Águas do Interior Norte

Av. Rainha Santa Isabel, n.º 1

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ DIRETÓRIO \\

57

5000-434 Vila Real

t. 309 101 101

e. geral@adin.pt

w. www.adin.pt

ECOPLUS

7 - 10 LTS

Águas do Lena

Rua Infante Dom Fernando Lt 10 - Célula B

2440-901 Batalha

t. 244 764 080

e. aguasdolena@aguasdolena.pt

w. www.aguasdolena.pt

Águas do Marco

Travessa Eng. Adelino Amaro Costa,

nº 83 RC Dtº

4630-231 Marco de Canaveses

t. 255 538 350

e. geral@aguasdomarco.pt

w. www.aguasdomarco.pt

Águas do Norte

Rua Dom Pedro de Castro, n.º 1A

5000-669 Vila Real

t. 259 309 370

e. geral.adnorte@adp.pt

w. www.adnorte.pt

Águas do Ribatejo

Rua Gaspar Costa Ramalho, 38

2120-098 Salvaterra de Magos

t. 263 509 400

e. geral@aguasdoribatejo.com

w. www.aguasdoribatejo.com

Águas do Tejo Atlântico

ETAR de Alcantara, Avenida de Ceuta

1300-254 Lisboa

t. 213 107 900

e. geral.adta@adp.pt

w. www.aguasdotejoatlantico.adp.pt

Águas do Vale do Tejo

Rua Dr. Francisco Pissarra de Matos,

nº.21, R/C, 6300-693 Guarda

t. 271 225 317

e. geral.advt@adp.pt

w. www.advt.pt

Águas do Vouga

Estrada Nacional n.º1 Lugar Feira Nova

3850-200 Albergaria-a-Velha

t. 234 520 090

e. avouga@aguasdovouga.pt

w. www.aguasdovouga.pt

Águas e Energia do Porto

Rua Barão de Nova Sintra, 285

4300-367 Porto

t. 225 190 800

e. geral@aguasdoporto.pt

w. www.aguasdoporto.pt

Águas Públicas da Serra da Estrela

Praceta os 12 de Inglaterra,

n.º 11

6270-465 Seia

t. 238 310 230

e. geral@apdse.pt

w. www.apdse.pt

Águas Públicas do Alentejo

Rua Doutor Aresta Branco, nº 51

7800-310 Beja

t. 284 101 100

e. geral.agda@adp.pt

w. www.agda.pt

Aldi Portugal

Supermercados, Lda

Rua Ponte dos Cavalos, 155

2870-674 Montijo

t. 800 420 800

e. geral@aldi.pt

w. www.aldi.pt

ALG - Tratamento de Águas

Rua Dr. Francisco Sá Carneiro, 25A

4780-448 Santo Tirso

t. 252 861 305

e. geral@alg.pt

w. www.alg.pt

Ambiosfera Lda

Edif. Sines Tecnopolo Z.I.L II Lt122-A

7520-309 Sines

t. 215 873 741

e. geral@ambiosfera.com

w. www.ambiosfera.com

AMBIRUMO, Projetos Inovação

e Gestão Ambiental, Lda.

Av. General Norton de Matos, 63 E

1495-148 Algés

t. 213 978 255

e. geral@ambirumo.pt

w. www.ambirumo.pt

Amorim Cork Composites, SA

Rua de Meladas, 260

4536-902 Mozelos

t. 227 475 300

e. acc@amorim.com

w. amorimcorkcomposites.com/pt

BeWater

Avenida Conde Valbom, nº30- 3º

1050-068 Lisboa

t. 211 552 700

e. bewater@bewater.com.pt

w. www.bewater.com.pt

Biorumo, Consultoria em Ambiente e

Sustentabilidade, Lda.

Rua do Carvalhido, 155, 4250-102 Porto

t. 228 349 580

e. geral@biorumo.com

w. www.biorumo.com

BioSmart, Soluções

Ambientais, S.A.

Rua de Tomar, n.º 80

2495-185 Santa Catarina da Serra

t. 244 749 100

e. geral@biosmart.pt

w. www.biosmart.pt

Bondalti Chemicals, S.A

Lagoas Park

Edif. 6, 2º B

2740-244 Porto Salvo

t. 210 058 600

e. bondalti@bondalti.com

w. www.bondalti.com

Central de Cervejas

Estrada da Alfarrobeira

2625-244 Vialonga

t. 219 528 600

e. scc@centralcervejas.pt

w. www.centralcervejas.pt

CELPA

Associação da Indústria Papeleira

Rua Marquês Sá da Bandeira,

74 - 2.º, 1069-076 Lisboa

t. 217 611 510

e. celpa@celpa.pt

w. www.celpa.pt

Cimpor

Indústria de Cimentos S.A

Avª José Malhoa, Nº22,

Pisos 6 A

111099-020 Lisboa

t. 213 118 100

e. geral@cimpor.com

w. www.cimpor.pt

Consulai, Consultoria

Agro-Industrial Lda

Rua Fernando Namora, Nº 28, 1º Esq.

7800-502 Beja

t. 284 098 214

e. mkt_team@consulai.com

w. www.consulai.pt

Cortadoria Nacional de Pêlo S.A

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


58 \\ DIRETÓRIO \\

Avenida da Siderurgia Nacional,

1 Edifício Sn

2840-075 Aldeia de Paio Pires

t. 212 275 500

e. ecometais@ecometais.com

w. www.valorcar.pt

ECOSATIVA - Consultoria

Ambiental, Lda

Urbanização Pinhal do Moinho,

Lote 11 - 1º F

7645-294 Vila Nova de Milfontes

t. 283 959 906

e. info@ecosativa.pt

w. www.ecosativa.pt

E-CYCLE

Associação de Produtores de EEE

Rua dos Plátanos, 197, Ed. AIMMAP

4100-414 Porto

t. 934 750 131

e. geral@e-cycle.pt

w. www.e-cycle.pt

EGEO Tecnologia e Ambiente SA

R. 25 de Abril 1,

Qnt. da Francelha de Baixo

2685-368 Prior Velho

t. 211 556 000

e. geral@egeo.pt

w. www.egeo.pt

El Corte Inglés

Grandes Armazéns SA

Av. António Augusto de Aguiar, 31

1069-413 Lisboa

t. 213 532 020

e. apoio.lojaonline@elcorteingles.pt

w. www.elcorteingles.pt

Torre G - 8º,

1600-209 Lisboa

t. 210 052 200

e. geral@ersar.pt

w. www.ersar.pt

ERP Portugal

Associação Gestora de Resíduos

Rua D. Dinis Bordalo Pinheiro,

nº 467 B

2645-539 Alcabideche

t. 219 119 630

e. info@erp-portugal.pt

w. www.erp-recycling.pt

Esposende Ambiente

Travessa Conde Agrolongo,

N.º 10

4740-245 Esposende

t. 253 969 380

e. geral@esposendeambiente.pt

w. www.esposendeambiente.pt

Euro Separadora

Environment

and Recycling S.A.

Rua das Fontainhas,

Nº 48

4730-020 Braga

t. 253 380 020

e. geral@euroseparadora.pt

w. www.euroseparadora.pt

FAGAR - Faro

Rua Prof. Norberto Silva, 8

8004-002 Faro

t. 289 860 900

e. mail@fagar.pt

w. www.fagar.pt

Avenida 1º de Maio, 64

3700-227 São João da Madeira

t. 256 815 030

e. mail@cortadoria.pt

w. www.cortadoria.pt

CVR - Centro para a Valorização

de Resíduos

Campus de Azurém da Univ. do Minho

4800-058 Guimarães

t. 253 510 020

e. geral@cvresiduos.pt

w. www.cvresiduos.pt

Delta Cafés

Avenida Calouste Gulbenkian, Nº 15

7370-025 Campo Maior

t. 218 624 700

e. ambiente@delta-cafes.pt

w. www.gruponabeiro.com

Doya Ambiental

Av da. Da Liberdade Nº 36, 6º

1250-145 Lisboa

t. 211 217 661

e. geral@doyaambiental.com

w. www.doyaambiental.com

ECOGESTUS

Resíduos, Estudos e Soluções, Lda.

Rua D. Afonso IV, 23

3080-328 Figueira da Foz

t. 233 109 034

e. contacto@ecogestus.com

w. www.ecogestus.com/pt

Ecoibéria - Reciclados Ibéricos, SA

Travessa Sebastião Fernandes,

n.º 60 Ribeirão

4760-706 Vila Nova Famalicão

t. 252 372 462

e. info@ecoiberia.pt

w. www.ecoiberia.pt/

ECOMETAIS - Sociedade de

Tratamento e Reciclagem, SA

Empresa Municipal de Ambiente

do Porto, E.M., SA

Rua de S. Dinis, 249

4250-434 Porto

t. 228 348 770

e. geral@portoambiente.pt

w. www.portoambiente.pt

Enhidrica, Consultores de

Engenharia Ambiental, Lda

R. Dr. Carlos Pires Felgueiras, 98 - 3º E

4470-157 Maia

t. 229 414 445

e. enhidrica@enhidrica.com

w. www.enhidrica.com

EPAL

Av. da Liberdade, 24

1250-144 Lisboa

t. 213 251 000

e. geral.epal@adp.pt

w. www.epal.pt

ERSAR

Rua Tomás da Fonseca,

Fapil - Indústria, SA

R. Alto do Matoutinho,

n.º 5 - Apartado 8

2669-909 Malveira

t. 219 828 008

e. geral@fapil.pt

w. www.fapil.pt

FREETILIZER, Comércio

de Equipamentos e Serviços

Integrados, Lda.

Rua do Rio Novo, n.º 450

4495-145 Póvoa de Varzim

t. 252 240 490

e. geral@pipemasters.pt

w. www.pipemasters.pt

Gintegral - Gestão Ambiental, SA

Rua Avelino Barros, 282

4490-479 Póvoa de Varzim

t. 252 688 444

e. geral.gintegral@gintegral.pt

w. www.gintegral.pt

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


\\ DIRETÓRIO \\

59

Hychem, Química Sustentável, S.A

Rua Engenheiro Clément Dumoulin

2625-106 Póvoa de Santa Iria

t. 219 534 000

e. geral@hychem.com

w. www.hychem.pt

Indaver Portugal, SA

Rua Central Park,

Edifício 2 - 4º andar C

2795-242 Linda-a-Velha

t. 219 405 039

e. info@indaver.pt

w. www.indaver.pt

Z. Ind., Casal da Espinheira, Lt. 10

2590-057 Sobral Monte Agraço

t. 261 940 100

e. neutroplast@neutroplast.com

w. www.neutroplast.com

Novo Verde, Sociedade Gestora

de Resíduos de Embalagem, SA

Rua São Sebastião,

n.º 16 - Cabra Figa

2635-448 Rio de Mouro

t. 219 119 630

e. info@novoverde.pt

w. www.novoverde.pt

Alameda dos Oceanos,

lote 1.06.1.1 D, 3.º A

1990-207 Lisboa

t. 213 222 750

e. info@rovensa.com

w. www.rovensa.com

Sacentro - Comércio de Têxteis, SA

Estr. Octácio Pato, Nº 177,

Ed. A, Arm. 3

2785-723 Cascais

t. 210 046 870

e. customercare@sacoor.com

w. www.sacoor.com

de Recuperados de Plástico, SA

Urb. Ind. da Santeira,

LT 76, n.º 16, Santeira,

2480-410 Porto de Mós

t. 244 870 073

e. sirplaste@sirplaste.pt

w. www.sirplaste.pt

SM de Abrantes

Via Industrial 1, Lote 65

2200-480 Abrantes

t. 241 360 120

e. geral@smabrantes.pt

w. www.smabrantes.pt

Interecycling, Sociedade de

Reciclagem, SA

Z. Industrial do Lajedo,

Apartado 8

3465-157 Santiago de Besteiros

t. 232 857 040

e. info@interecycling.com

w. www.interecycling.com

Jerónimo Martins, SGPS, SA

Rua Actor António Silva, 7

1649-033 Lisboa

t. 217 532 000

e. provedoria@jeronimo-martins.pt

w. www.jeronimomartins.com

Lactogal - Produtos Alimentares S.A

R. do Campo Alegre,

nº 830, 4º A 7º

4150-171 Porto

t. 226 070 000

e. geral@lactogal.pt

w. www.lactogal.pt

Lidl & Companhia

Rua Pé de Mouro, n.º 18 - Linhó

2714-510 Sintra

t. 219 102 254

e. sustentabilidade@lidl.pt

w. www.lidl.pt

Maiambiente, EM

Rua 5 de Outubro, 359

4475-302 Milheirós

t. 800 202 639

e. geral@maiambiente.pt

w. www.maiambiente.pt

Mercadona

Irmãdona Supermercados, Lda.

Avenida Padre Jorge Duarte, n.º 123

4430-946 Vila Nova de Gaia

t. 221 201 000

e. sugestoes@mercadona.com

w. www.mercadona.pt

Neutroplast, Indústria de

Embalagens, SA

OVO Solutions, Soluções

Ambientais SA

Estrada dos Espanhóis

S/N, CCI 7515, Venda do Alcaide

2955-250 Pinhal Novo

t. 212 328 760

e. geral@ovosolutions.com

w. www.ovosolutions.com

R3Natura, Lda.

Rua do Monte, Centro de Negócios

de Oleiros

4730-325 Vila Verde

t. 253 320 110

e. info@r3natura.pt

w. www.r3natura.pt

Rduz

Gestão Global de Resíduos, S.A

Zona Industrial Argvai,

L t. 4, 5, 6 e 22

4490-232 Póvoa de Varzim

t. 252 622 495

e. geral@rduz.pt

w. www.rduz.pt

Recivalongo - Gestão de Resíduos, Lda

Vale da Cobra, S/N Apartado 54

4440-339 Valongo

t. 224 154 663

e. recivalongo@recivalongo.pt

w. www.recivalongo.pt

Recypolym, Lda.

Z.I.M. Adiça

3460-070 Tondela

t. 232 816 007

e. info@recypolym.com

w. www.recypolym.com

Residuos do Nordeste, Eim, S.A

Rua Fundação Calouste Gulbenkian

5370-340 Mirandela

t. 278 201 570

e. geral@residuosdonordeste.pt

w. www.residuosdonordeste.pt

Rovensa, S.A

Sair da Casca

Praça Marquês de Pombal, nº14

1250-162 Lisboa

t. 213 558 296

e. sdc@sairdacasca.com

w. www.sairdacasca.com

Silvex Indústria de Plásticos

e Papéis, SA

Quinta da Brasileira, lote 10

2130-999 Benavente

t. 263 519 180

e. comercial@silvex.pt

w. www.silvex.pt

SIMARSUL

ETAR da Quinta do Conde

Estrada Nacional 10

2975-403 Quinta do Conde

t. 265 544 000

e. geral.simarsul@adp.pt

w. www.simarsul.adp.pt

SIMAS de Oeiras e Amadora

Av. Dr. Francisco Sá Carneiro,

19 Urb. Moinho das Antas

2784-541 Oeiras

t. 214 460 231

e. mcpaiva@simas-oeiras-amadora.pt

w. www.smas-oeiras-amadora.pt

SIMDOURO

Rua do Ribeirinho, 706

4415-679 Lever

Vila Nova de Gaia

t. 220 109 300

e. geral.simdouro@adp.pt

w. www.simdouro.pt

Sistragua

Rua Principal 76

2100-016 Azervadinha

t. 934 199 064

e. geral@sistragua.com

w. www.sistragua.com

Sirplaste - Sociedade Industrial

SM de Castelo Branco

Av. Nuno Alvares, 32 - R/C

6000-083 Castelo Branco

t. 272 340 500

e. geral@sm-castelobranco.pt

w. www.sm-castelobranco.pt

SM de Nazaré

Av. Vieira Guimarães

Ed. Paços do Concelho

2450-951 Nazaré

t. 262 561 153

e. geral@sm-nazare.pt

w. www.cm-nazare.pt

SMAS de Almada

Praceta Ricardo Jorge,

2 - 2A

2800-709 Almada

t. 212 726 000

e. geral@smasalmada.pt

w. www.smasalmada.pt

SMAS de Caldas da Rainha

Prç. 25 de Abril

Edíficio Paços do Concelho

2500-110 Caldas da Rainha

t. 262 240 002

e. tecnica@smas-caldas-rainha.pt

w. www.smas-caldas-rainha.pt

SMAS de Leiria

Rua da Cooperativa Nº2

2410-256 Leiria

t. 244 817 300

e. geral@smas-leiria.pt

w. www.smas-leiria.pt

SMAS de Mafra

Rua Constância Maria Rodrigues, n.º 19

2640-389 Mafra

t. 261 816 650

e. geral@smas-mafra.pt

SMAS de Montijo

Av. dos Pescadores

2870-114 Montijo

t. 212 327 768

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025


60 \\ DIRETÓRIO \\

e. smas.montijo@mun-montijo.pt

w. www.mun-montijo.pt/pages/498

SMAS de Peniche

Rua 13 de Infantaria,

19-21

2520-256 Peniche

t. 262 780 050

e. smaspeniche@cm-peniche.pt

w. www.cm-peniche.pt/smas

SMAS de Torres Vedras

Edifício Multisserviços

Av. 5 de Outubro

2560-270 Torres Vedras

t. 261 336 500

e. geral@smastv.pt

w. www.smastv.pt

SMAS de Vila Franca de Xira

Av. Pedro Vitor, 5

2600-221 Vila Franca de Xira

t. 263 200 600

e. geral@smas-vfxira.pt

w. www.smas-vfxira.pt

SMAS de Viseu

R. Conselheiro Afonso de Melo

3510-024 Viseu

t. 232 470 670

e. geral@smasviseu.pt

w. www.smasviseu.pt

SMAT de Portalegre

Rua Guilherme Gomes Fernandes,

n.º 28, 7300-186 Portalegre

t. 245 307 401

e. smatp@cm-portalegre.pt

w. www.cm-portalegre.pt

SMEAS de Maia

R. Dr. Carlos Felgueiras

4471-909 Maia

t. 229 430 800

e. smas-maia@smasmaia.pt

w. www.smasmaia.pt

Sogrape Vinhos, S.A

Rua 5 de Outubro, 4527

4430-809 Avintes

t. 227 850 300

e. sogrape@sogrape.com

w. sogrape.com

Soja de Portugal, SGPS, SA.

EN 109 - Lugar da Pardala

3880-728 São João OVR

t. 256 581 100

e. geral@sojadeportugal.pt

w. www.sojadeportugal.pt

SOPINAL - Indústria de

Equipamentos e Contentores, S.A.

R. do Vale da Relva, 188, Relva, Vila Chã

3730-657 Vale de Cambra

t. 256 410 770

e. sopinal@sopinal.pt

w. www.sopinal.pt

Stericycle Portugal Lda.

Rua Fernando Pessoa n.º 8 C

2560-241 Torres Vedras

t. 261 320 300

e. ambimed@ambimed.pt

w. www.stericycleportugal.pt

Super Bock Bebidas, S.A.

Via Norte Leça do Balio Apartado 1044

4465-955 S. Mamede de Infesta

t. 229 052 100

e. apoio.clientes@superbockgroup.com

w. www.superbock.pt

Tabaqueira

Empresa Industrial de

Tabacos, S.A

Avª Alfredo da Silva, Nº 35

2639-002 Rio de Mouro

t. 219 157 700

e. tabaqueira@tabaqueira.pt

w. www.tabaqueira.pt

Tecnoplano

Tecnologia e Planeamento S.A

Av. João Crisóstomo, Nº 54 B

1050-128 Lisboa

t. 21 358 1960

e. geral@tecnoplano.pt

w. www.tecnoplano.pt

The Navigator Company, S.A

Av. Fontes Pereira de Melo, 27

1050-117 Lisboa

t. 219 017 300

e. info@thenavigatorcompany.com

w. www.thenavigatorcompany.com

Trivalor, Sociedade Gestora de

Participações Sociais, S.A.

Av. Infante Santo, 21 A

1350-177 Lisboa

t. 210 420 083

e. trivalor@trivalor.pt

w. www.trivalor.pt

Unicer Águas

Via Norte - Leça do Baldio

4466-955 S. Mamede de Infesta

t. 229 052 100

e. sbg.direto@superbockgroup.com

w. www.superbockgroup.com

Universidade de Aveiro

Campus Universitário de Santiago

3810-193 Aveiro

t. 234 370 200

e. geral@ua.pt

w. www.ua.pt

Universidade de Coimbra

Reitoria da Universidade

de Coimbra, Paço das Escolas

3004-531 Coimbra

t. 234 370 200

e. gbreitor@uc.pt

w. www.uc.pt

Universidade de Trás-os-Montes

e Alto Douro

Quinta de Prados

5000-801 Vila Real

t. 259 350 000

e. reitor@utad.pt

w. www.utad.pt

Universidade do Minho

Largo do Paço

4704-553 Braga

t. 253 601 106

e. sec.reitor@reitoria.uminho.pt

w. www.uminho.pt

Valorcar, Sociedade de Gestão

de Veículos em Fim de Vida, Lda.

Av. Torre de Belém, 29

1400-342 Lisboa

t. 213 011 766

e. valorcar@valorcar.pt

w. www.valorcar.pt

Valorpneu - Sociedade de

Gestão de Pneus Lda

Avª Torre de Belém, 29

1400-342 Lisboa

t. 213 032 303

e. valorpneu@valorpneu.pt

w. www.valorpneu.pt

Veolia

Estrada de Paço de Arcos, 42

2770-129 Paço de Arcos

t. 214 404 700

e. geral@veolia.pt

w. www.veolia.pt

Verallia Portugal, S.A.

Rua da Vidreira, 68

3090-641 Figueira da Foz

t. 233 403 100

e. info@verallia.com

w. pt.verallia.com

VIMÁGUA

Rua do Rei Pegu,

172 S. Sebastião

4810-025 Guimarães

t. 253 439 560

e. vimagua@vimagua.pt

w. www.vimagua.pt

Vitrus Ambiente EM SA

Av. Cónego Gaspar Estaço

n.º 606

4810-266 Guimarães

t. 253 424 740

e. geral@vitrusambiente.pt

w. www.vitrusambiente.pt

Waste To Me Lda.

Av. 25 Abril nº 61 C

2840-400 Torre da Marinha

t. 216 065 895

e. geral@wastetome.com

w. www.wastetome.com

Watercare - Tratamento De Águas

Centro Empresarial de Alverca

Corpo A - Fracção 5 (E)

2615-187 Alverca

t. 219 108 700

e. geral@aquaservice.pt

w. www.aquaservice.pt

Watertech

Rua Casal do Cego, Armazém 2,

Frac. A

2415-315 Leiria

t. 244 872 354

e. comercial@watertech.pt

w. www.watertech.pt

XZ Consultores SA

Rua da Cruz, 3A, Loja J

4705-406 Celeirós

t. 253 257 007

e. geral@xzconsultores.pt

w. www.xzconsultores.pt

Zor Thermal

Advanced Products Portugal

Rua Eng. Frederico Ulrich 3210

Piso 2, Sala 214

4470-605 Maia

t. 229 538 567

e. aa@zor-thermal.com

w. zor-thermal.com

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As informações deste diretório foram recolhidas pela Green Savers em agosto de 2025. Somos alheios a alterações que possam ter ocorrido, ou venham a ocorrer.

A listagem é representativa das companhias a operar em Portugal com forte foco na sustentabilidade, mas não inclui a totalidade das empresas existentes.

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025



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