Q&Q_Resíduos 2025
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QUEM É QUEM
NOS RESÍDUOS
2025
QUEM É QUEM
NOS RESÍDUOS
2025
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www.greensavers.pt
A REVISTA QUE
DÁ VOZ A TODOS
OS QUE ACREDITAM
NUM MUNDO MAIS
SUSTENTÁVEL
\\ EDITORIAL \\
5
O “lixo” nosso
de cada dia
Estamos num capítulo da História da humanidade em que ainda ter de dizer que reciclar é importante
para proteger o planeta, os ecossistemas, a Natureza e a saúde humana se torna cansativo, frustrante e
até, sejamos honestos, embaraçoso.
Falamos de viagens até Marte, de colónias humanas na Lua, de ir até às profundezas mais escuras dos
oceanos para extrair minerais, de Inteligência Artificial ao comando de tudo e mais um par de botas. No entanto,
continuamos a ter de dizer que o papel é no azul, o vidro no verde e o plástico no amarelo.
Todos os anos, aqui e ali, com maior ou menor destaque, campanhas públicas dizem-nos que reciclamos pouco e
que temos de reciclar mais, a bem da Terra. Contudo, todos os anos, falhamos metas de reciclagem, continuamos
a encher os aterros (que já transbordam pelas costuras) de materiais que poderiam perfeitamente dar vida a novos
produtos, e a devastar o mundo natural numa busca insaciável por matérias-primas que no outro dia mandámos
para o lixo e que amanhã lá voltaremos a colocar. Um círculo vicioso, sem tirar nem pôr, impulsionado pelas nossas
ações, que nos empurrará para becos sem fim ecológicos dos quais muito provavelmente nem a Santa Tecnologia
nos conseguirá resgatar.
Com uma população humana em contínuo crescendo e com o consumo desbaratado a ser o Norte de muitas
sociedades (“desenvolvidas”, dizem alguns), a gestão dos resíduos continuará a ser um problema. Investimentos
no aumento da capacidade das entidades gestoras e colocar mais contentores e mais próximos das comunidades
pode não ser suficiente.
Poderá ser preciso apostar, mais afincadamente, com um olhar mais científico e com menor dependência de
“achismos”, em estratégias de comunicação e de sensibilização que toquem “no coração” das pessoas, que tenham
em conta os obstáculos específicos que as impedem de reciclar ou de fazê-lo com maior zelo, que lhes apresentem
soluções práticas e viáveis que as ajudem a ultrapassá-los. É preciso saber para quem se fala quando se fazem campanhas
que pretendem pôr mais gente a reciclar. Basta olhar para trás para perceber que mensagens genéricas não
têm resultado muito bem.
Claro que haverá sempre pessoas que, por mais informação que tiverem, recursar-se-ão a reciclar. Mas entre os
“orgulhosamente sós” e aqueles para quem a separação de resíduos é um ato diário como qualquer outro, há os que
já reciclam, mas que podiam reciclar mais, e que até podem estar dispostos a ir mais longe. É nesse grupo, que será
talvez a maioria, que estará a diferença entre continuarmos no “mais do mesmo” e darmos um grande e urgente
passo em frente.
Filipe Pimentel Rações, jornalista
// FICHA TÉCNICA
DIRETOR GERAL Rogério Junior • DIRETORA EDITORIAL Ana Filipa Rego • COLABORADORES E REDAÇÃO Ana Rita Reis, Joana Vicente Pinto • GRANDE REPÓRTER
Filipe Pimentel Rações • DIREÇÃO DE COMUNICAÇÃO Marisa Silvestre • DIREÇÃO DE ARTE Sofia Marques • IMAGENS Getty Images • PUBLICIDADE Mário Serra
(mario.serra@greensavers.pt) • PERIODICIDADE Anual • TIRAGEM MÉDIA 15.000 exemplares • PROPRIEDADE | SEDE | EDITOR Neurónio Criativo, Unipessoal, LDa,
Rua Cidade de Rabat, 41b, 1500-159 Lisboa NIPC: 514822228, geral@greensavers.pt • IMPRESSÃO E ACABAMENTO Louresgráfica - Sociedade de Artes Gráficas, Lda
• Revista distribuída gratuitamente com a Green Savers nº20
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
6 \\ ÍNDICE \\
08
ANÁLISE
RECICLAGEM EM PORTUGAL
CONTINUA AQUÉM DAS METAS
DEFINIDAS
Em 2025, Portugal, juntamente com
outros países da União Europeia (EU),
tem como objetivo atingir uma taxa de
reciclagem de 65%.
12
ENTREVISTA
“Acredito que chegará o dia em
que olhar para um resíduo e ver
nele uma oportunidade e não um
problema será a norma”
Mudar a forma como olhamos para os
resíduos, deixar de vê-los como “lixo” e
passar a encará-los como “recursos”, é
fundamental.
20
ENTREVISTA
“A maior parte dos resíduos
ainda são recolhidos de forma
indiferenciada”
Portugal mantém-se longe da nova
meta definida para a recolha seletiva de
papel/cartão e que é necessário atingir
em 2025, alerta Mariana Ludovino,
porta-voz da DECO PROteste.
28
PSICOLOGIA AMBIENTAL
SEPARAÇÃO DE RESÍDUOS
DIZER QUE “É BOM PARA O
AMBIENTE” NÃO BASTA
Ano após ano somos confrontados com
notícias de que as taxas de reciclagem
continuam abaixo do que era desejado. O
que tem falhado? A Psicologia Ambiental
ajuda a perceber onde se deve atuar.
37
FÓRUM DE LÍDERES
1
2
48
Que iniciativas a sua organização
tem vindo a adotar para promover
a sustentabilidade?
Quais considera que serão os
próximos desafios e oportunidades
na gestão de resíduos em Portugal?
DIRETÓRIO
O futuro é circular
Conheça as empresas que se destacam
na gestão de resíduos em Portugal.
INDÚSTRIA
TECNOLOGIA INOVAÇÃO
8
\\ ANÁLISE \\
RECICLAGEM EM PORTUGAL
CONTINUA AQUÉM DAS METAS DEFINIDAS
EM 2025, PORTUGAL, JUNTAMENTE COM OUTROS PAÍSES DA UNIÃO EUROPEIA (EU), TEM COMO
OBJETIVO ATINGIR UMA TAXA DE RECICLAGEM DE 65%. NO ENTANTO, DADOS RECENTES INDICAM
QUE O PAÍS AINDA NÃO ALCANÇOU ESTE OBJETIVO, E EM ALGUNS CASOS, COMO NO PLÁSTICO,
A RECICLAGEM ESTÁ SIGNIFICATIVAMENTE ABAIXO DO DESEJADO.
\\ Por Ana Filipa Rego
Portugal mantém-se longe da nova meta definida para as
embalagens e que é necessário atingir em 2025, alertava
a Sociedade Ponto Verde (SPV) no início deste ano,
sublinhando que, em 2024, a taxa de retoma foi de 57,8%, o que
significa que “temos de tornar o sistema mais eficiente para atingir
as novas metas”.
Segundo a mesma fonte, os portugueses encaminharam para reciclagem
um total de 476.605 toneladas de embalagens, em 2024, o
que significa um aumento de 4% face ao período homólogo. “Embora
estes dados sejam positivos, Portugal mantém-se longe da nova
meta definida para este fluxo de resíduos urbanos e que é necessário
atingir em 2025”, sublinhava a SPV.
Este ano, o sistema conta com mais 113 milhões de euros que
resultam da decisão do Governo de aumentar os valores das contrapartidas
para financiar o SIGRE – Sistema Integrado de Gestão
de Resíduos de Embalagens, num total estimado de 235 milhões de
euros (em 2024 o valor era 122 milhões de euros) só para a gestão
dos resíduos de embalagens em 2025.
Este montante é pago pelas entidades gestoras de resíduos de embalagens
aos Sistemas Municipais, Intermunicipais e concessões,
para procederem à recolha seletiva de resíduos urbanos de embalagens,
que asseguram a triagem e pré-preparação para reciclagem
destes resíduos nos seus diferentes materiais (como vidro, plástico
ou papel/cartão).
“Estamos, portanto, perante uma oportunidade única para aumentar
a performance de todo o sistema e colocar Portugal na rota
do cumprimento das metas da reciclagem de embalagens, cabendo
às autoridades garantir a eficiência da operação”, dizia a entidade.
A injeção de mais 113 milhões “tem de traduzir-se na melhoria
significativa do nível de serviço que é prestado aos cidadãos por
parte dos sistemas municipais e multimunicipais na recolha, numa
operação que deve ser cada vez mais orientada para a conveniência,
assegurando, no final, a recolha de mais embalagens e o seu encaminhamento
para reciclagem”, avisava.
Complementar o modelo de recolha por ecopontos com sistemas
de incentivo, porta-a-porta ou pay as you throw (payt), permitindo
este ter noção do valor pago em função do consumo, “são soluções já
identificadas para permitirem uma melhor capacidade de resposta,
com a entrada de mais embalagens no sistema de reciclagem”. Este
esforço para um sistema cada vez mais eficiente “significa também
uma maior articulação e colaboração entre todos os parceiros e partes
interessadas desta cadeia de valor, levando ao cumprimento das
metas estabelecidas para 2025”, sublinhava ainda.
Papel e plástico mantêm-se como os materiais com melhor
desempenho
O papel/cartão e o plástico mantiveram-se como os materiais com
melhor desempenho, com o primeiro a ter aumentado 6%, o que
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ ANÁLISE \\
9
se traduz em 158.146 toneladas encaminhadas
para reciclagem, e o segundo 5%, ou seja, 85.548
toneladas recolhidas no último ano.
O vidro continuou a merecer particular preocupação,
já que o seu ritmo de crescimento continua
aquém da meta, tendo-se verificado um aumento
apenas de 1%, ou seja, 213.870 toneladas depositadas
no vidrão. Para o aumento deste material “é
fundamental que sejam implementadas soluções
específicas, com a adaptação de ecopontos às necessidades
dos estabelecimentos HORECA, como
o baldeamento assistido, que são facilitadores na
deposição e envio para reciclagem”, apontava a SPV.
A CEO da Sociedade Ponto Verde, Ana Trigo
Morais, afirmava mesmo que o “ano de 2025
tem de ser de viragem na recolha seletiva das
embalagens. Com mais fundos à disposição do
sistema esperamos mais recolha e reciclagem
destes resíduos, assim como uma atenção permanente
das autoridades à forma como evolui
a performance de toda a operação. É fundamental
resolver os problemas existentes, que
estão bem identificados, ao nível da prestação
do serviço ao cidadão”.
Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente
Portugal (APA), em 2024, Portugal teve um
aumento de 4% na taxa de reciclagem, atingindo
36%, em comparação com os 32% do ano anterior,
“muito à custa da reciclagem de biorresíduos
e do aumento da eficiência de TMB”, disse
José Pimenta Machado, Presidente da APA, na
sessão de abertura do 3.º Fórum Biorresíduos,
alertando que há ainda “um longo caminho a
percorrer” para o país atingir a meta de 60%
em 2030. O País alcançou 12% de recolha de
biorresíduos, o que “é muito pouco”, lamentou,
revelando ainda que a produção de resíduos urbanos
em 2024 registou um aumento de 3% e
apelando à “prevenção”. >>
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
10
\\ ANÁLISE \\
Portugueses encaminharam para
reciclagem um total de 476.605
toneladas de embalagens, em
2024, o que significa um aumento
de 4% face ao período homólogo.
Embora estes dados sejam positivos,
Portugal mantém-se longe da
nova meta definida para este fluxo
de resíduos urbanos e que é necessário
atingir em 2025
Mais financiamento, os mesmos resultados
em 2025
Já este ano, apesar do grande reforço no investimento,
as quantidades enviadas para reciclagem
permanecem praticamente estagnadas, alertava
a SPV no início de julho.
A recolha seletiva de embalagens registou um
aumento residual de apenas 2%, com apenas
mais 4.009 toneladas de embalagens a serem
enviadas para reciclagem no primeiro semestre
de 2025, num total de 231 mil toneladas
recolhidas e enviadas para reciclagem, em comparação
com o período homólogo. O ritmo de
crescimento continua, assim, a ser insuficiente
para Portugal conseguir cumprir as metas de
reciclagem de embalagens até ao final deste ano.
Em 2025, os serviços de recolha seletiva de
resíduos de embalagens financiados ao SIGRE
(Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de
Embalagens), pela Sociedade Ponto Verde e por
outras entidades gestoras, atingiram o montante
de 95 milhões de euros, o que significa um
reforço de 41milhões de euros ao sistema, após
a decisão de aplicar novos valores de contrapartida
(VC) através de um Despacho do Governo,
que entrou em vigor a 1 de janeiro deste ano.
68.5 milhões de euros foram pagos pela Sociedade
Ponto Verde no primeiro semestre de
2025, mais 39 milhões de euros do que no período
homólogo.
Até ao final deste ano, o País tem de garantir
a recolha seletiva de 65% de todas as embalagens
colocadas no mercado. A prioridade deve
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ ANÁLISE \\
11
AO FIM DE SEIS MESES, O VIDRO ESTÁ 1% ABAIXO
DO VALOR HOMÓLOGO, O QUE SIGNIFICA QUE
FORAM RECICLADAS MENOS 1.300 TONELADAS
DESTE MATERIAL
passar por uma melhoria substancial do nível
de serviço prestado aos cidadãos pelos sistemas
municipais e multimunicipais, dispondo o SI-
GRE, atualmente, de mais recursos financeiros
para realizar investimentos que gerem resultados
e ajudem a alcançar as metas.
Apesar disso, ao fim de seis meses, encerrando
o semestre com um crescimento residual de 2%, a
SPV considera que “é legítimo expressar preocupação
com o facto de as quantidades enviadas para
reciclagem estarem aquém dos níveis desejáveis”.
Os valores de contrapartida atualmente em vigor
“devem garantir que os investimentos façam a
diferença e que melhorem a performance do setor.
É, por isso, imperativo exigir um melhor desempenho”,
aponta.
Vidro continua a ser o material que mais
preocupação levanta
À semelhança dos últimos resultados, o vidro
continua a destacar-se como o material que mais
preocupação levanta. Ao fim de seis meses, o vidro
está 1% abaixo do valor homólogo, o que significa
que foram recicladas menos 1.300 toneladas deste
material, num total de 99.321 toneladas.
Há ainda um outro material que suscita preocupação:
as embalagens de cartão para alimentos
líquidos (ECAL). Segundo os dados, foram recolhidas
menos 405 toneladas, num total de 4.044
toneladas (-9%).
Quanto aos restantes materiais, os dados do SI-
GRE revelam que foram encaminhadas para a reciclagem
78.486 toneladas de papel/cartão (+4%),
42.844 toneladas de plástico (+3%) e 1.030 toneladas
de alumínio (+1%), sendo que este é também
um material que merece atenção, uma vez que,
apesar da subida, está bastante longe de conseguir
atingir a meta de reciclagem proposta.
“Os dados do primeiro semestre de 2025 reiteram
a urgência de reforçarmos a articulação entre
todos os agentes da cadeia de valor, de forma a tornar
o sistema mais eficiente e a tentar, já a caminho
da reta final do ano, que Portugal cumpra as
metas de reciclagem de embalagens definidas para
2025”, destaca a CEO da Sociedade Ponto Verde,
Ana Trigo Morais.
“Continuamos a assistir a quebras preocupantes,
como é o caso do vidro, que registou uma redução
de 1% face ao período homólogo; e do ECAL,
que registou um decréscimo de 9%, no mesmo período”,
lamenta.
Segundo a responsável, com o aumento dos VC
“não deveríamos estar a assistir a um decréscimo
da reciclagem de embalagens, pelo contrário”. O
valor que estamos a pagar “é suficiente para investir
em mais inovação, mais soluções e permite ir
mais além”, sublinha.
Ana Trigo Morais avisa que as operações de recolha
seletiva de embalagens desenvolvidas pelos
parceiros municipais ou pelas empresas multimunicipais
“têm de estar mais focadas na qualidade
e na conveniência, assegurando que uma maior
quantidade de embalagens, nos seus diferentes
materiais, é encaminhada para a reciclagem”, porque
“só assim será possível melhorar o desempenho
global do sistema”.
“Sabemos que o vidro é um material particularmente
crítico, mas também um dos materiais
com mais valor na economia circular - é 100% reciclável
e reutilizável. Os seus desafios estão bem
identificados, mas, apesar disso, continua a ser um
dos materiais mais desperdiçados em Portugal.
Esta realidade tem de mudar. Precisamos de modernizar
infraestruturas; inovar; adotar soluções
como o baldeamento assistido de contentores; implementar
sistemas PAYT (pay as you throw); e
reforçar o serviço prestado ao canal HORECA,
tendo em vista a reciclagem de mais embalagens
de vidro – 70% até ao final de 2025”, conclui.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
12 \\ ENTREVISTA \\
“Acredito que chegará o dia em
que olhar para um resíduo e ver
nele uma oportunidade e não um
problema será a norma”
MUDAR A FORMA COMO OLHAMOS PARA OS RESÍDUOS, DEIXAR DE VÊ-LOS COMO “LIXO” E PASSAR
A ENCARÁ-LOS COMO “RECURSOS”, É FUNDAMENTAL NÃO APENAS PARA PROTEGER A SAÚDE DAS
PESSOAS E DO PLANETA, MAS TAMBÉM PARA ASSEGURAR UM FUTURO ECONOMICAMENTE VIÁVEL.
\\ Por Filipe Pimentel Rações
Cândida Rocha, Diretora do Mestrado em Engenharia
do Ambiente da Faculdade de Engenharia da Universidade
Lusófona, considera que para combater o desperdício,
reduzir as deposições em aterro e impulsionar a
circularidade é preciso reforçar a ação em várias frentes: da educação
ambiental da população ao aumento da confiança pública nos sistemas,
passando pela recompensa de boas práticas e pela penalização
das más.
A académica acredita que, um dia, os resíduos deixarão de ser vistos
como um “problema” e passarão a ser vistos como uma “oportunidade”,
mas até lá ainda há muito caminho a percorrer.
O que é preciso fazer mais para que consigamos, de facto, reduzir
drasticamente a deposição de resíduos urbanos em aterro e
aumentar a taxa de reciclagem, para bem do planeta e da nossa
própria saúde?
Diria que o caminho passa por cinco frentes coordenadas, com metas
claras e medição rigorosa.
Prevenção acima de tudo. Reduzir resíduos na origem com ecodesign
(produtos duráveis, reparáveis e recicláveis), reutilização e reparação
acessíveis, e compras públicas circulares. Metas de prevenção
per capita e, quando necessário, restrições a descartáveis sem alternativa
sustentável.
Separação de qualidade, universal e conveniente. Generalizar recolha
porta-a-porta nas zonas densas e modelos de proximidade nas zonas
rurais. Implementar a recolha separada de biorresíduos em todos
os municípios (para digestão anaeróbia/compostagem) e reduzir a
contaminação com feedback ao utilizador, fiscalização e rotulagem
harmonizada dos contentores. Sem matéria orgânica separada e “limpa”,
não há salto real na reciclagem.
Sinais económicos corretos. Tornar o aterro a opção mais cara e
rara: taxas crescentes e proibição de aterrar fluxos recolhidos seletivamente.
Introduzir estratégias de “paga‐o‐que‐deita‐fora” [PAYT
na sigla em inglês] com sacos/recipientes identificados e tarifários
proporcionais. Reforçar a responsabilidade alargada do produtor
com eco‐modulação (quem põe no mercado embalagens difíceis paga
mais) e implementar um sistema de depósito e retorno para embalagens
de bebidas.
Infraestruturas e mercado para a valorização. Modernizar as centrais
de triagem (tecnologias óticas, controlo de contaminação em linha),
expandir a capacidade de digestão/compostagem e garantir escoamento:
padrões de qualidade para materiais/composto, cadernos
de encargos públicos que “puxem” material reciclado e digitalização
para rastreabilidade do contentor ao destino.
Governação, dados e cultura. Metas vinculativas por município
(com incentivos e penalizações), dados abertos e auditorias independentes,
campanhas contínuas e formação técnica para autarquias e
operadores. Cidadãos colaboram quando o sistema é simples, justo
e confiável.
Com isto, penso que é realista reduzir o aterro para menos de 10% e
aproximar a reciclagem de 65% até 2035, cortando emissões de metano,
poupando matérias‐primas e melhorando a saúde pública. É uma
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ ENTREVISTA \\
13
agenda de execução: desenho do sistema, incentivos
certos e transparência.
Por que razão, ao fim de tantas décadas de
campanhas de informação e sensibilização sobre
a importância da recolha seletiva de resíduos
e da reciclagem, parece que continuamos
a “arrastar os pés”, sem conseguir realmente
fazer progressos significativos?
Apesar de décadas de campanhas de sensibilização,
Portugal continua a enfrentar grandes
dificuldades em transformar a consciência ambiental
em ação consistente e generalizada. E isso
acontece por várias razões — algumas estruturais,
outras culturais.
Para começar, as campanhas, por si só, não
mudam comportamentos de forma sustentada
se não forem acompanhadas de condições
concretas para agir. Muitas pessoas querem separar
os resíduos, mas deparam-se com ecopontos
longe de casa, recolha seletiva pouco frequente
ou inexistente, e falta de informação prática sobre
o que vai para cada contentor. A infraestrutura
simplesmente não acompanha o discurso.
Não basta dizer às pessoas para reciclar, é preciso
facilitar-lhes a vida e dar-lhes confiança de que o
seu esforço vale a pena.
Além disso, temos um problema crónico de
incoerência institucional. Durante anos, assistimos
a mensagens contraditórias, alterações de
regras sem explicação clara, e falta de articulação
entre entidades, desde os municípios às empresas
gestoras de resíduos. Isso gera desconfiança e
confusão. Quando um cidadão acredita que tudo
acaba “misturado no camião”, ou que os resíduos
separados são depois depositados em aterro,
desmotiva-se. Mesmo que isso não seja verdade,
a perceção pública tem um peso enorme.
Há também barreiras culturais e comportamentais.
A gestão de resíduos continua a ser vista,
por muitos, como um tema “menor”, rotineiro,
sem impacto direto no dia a dia. E os hábitos
enraizados, como misturar tudo no mesmo saco,
são difíceis de mudar, sobretudo sem um trabalho
contínuo nas escolas, nas comunidades e nos
espaços públicos. A literacia ambiental em Portugal
ainda está aquém do necessário.
Por fim, tem faltado ambição política e liderança
clara. Países que fizeram progressos significativos
impuseram metas exigentes, aplicaram
taxas ou coimas eficazes, criaram sistemas de
recompensa e penalização. Em Portugal, as políticas
públicas têm sido demasiado permissivas,
com prazos alargados e metas sucessivamente
adiadas. Sem uma estratégia firme e consequente,
é difícil mobilizar a sociedade.
O que poderia ajudar era um serviço simples
e próximo, preço que sinaliza o comportamento
certo, normas sociais claras e transparência.
Combinando recolha porta‐a‐porta (com ênfase
nos biorresíduos), PAYT, depósito‐retorno, harmonização
de regras e dados públicos em tempo
quase real. Quando o sistema funciona, as pessoas
acompanham.
Quem tem falhado? Os governos, a população,
as empresas? Onde é que é preciso atuar com
urgência?
A responsabilidade pelo insucesso na gestão eficaz
dos resíduos em Portugal é partilhada, mas
o maior problema reside na falta de liderança
política clara e ambiciosa por parte dos sucessivos
governos. Ao longo das últimas décadas, as
autoridades públicas têm falhado em implementar
reformas estruturais essenciais, como a obrigatoriedade
da recolha seletiva de biorresíduos.
Mantiveram-se políticas permissivas, com uma
taxa de deposição em aterro demasiado baixa e
os investimentos em infraestruturas de recolha e
tratamento têm sido insuficientes, especialmente >>
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
14 \\ ENTREVISTA \\
fora dos grandes centros urbanos. Além disso, as
metas ambientais são sistematicamente ultrapassadas
sem consequências efetivas, o que enfraquece
a credibilidade do sistema e a confiança da
população.
Do lado da população, há igualmente desafios.
Apesar de uma crescente consciencialização
ambiental, a taxa de separação de resíduos ainda
é baixa, e a contaminação dos recicláveis é elevada.
Persistem hábitos antigos, desinformação e,
em muitos casos, desconfiança sobre o destino
final dos resíduos. Isto revela que as campanhas
de sensibilização, embora importantes, não são
suficientes se não forem acompanhadas de medidas
concretas, incentivos reais e sistemas de
recolha eficazes.
É, por isso, urgente atuar em várias frentes. É
necessário reformar o modelo de governação dos
resíduos, com metas vinculativas e mecanismos
de penalização e financiamento adequados. A
recolha seletiva de biorresíduos tem de ser alargada
a todo o território nacional, e a deposição
em aterro precisa de se tornar economicamente
desvantajosa. Ao mesmo tempo, é crucial investir
de forma continuada na educação ambiental,
com campanhas consistentes, acessíveis e bem
articuladas. Acima de tudo, é fundamental restaurar
a confiança dos cidadãos no sistema: só
com transparência, coerência e justiça ambiental
se consegue mobilizar uma verdadeira mudança
de comportamentos.
Sem uma estratégia nacional robusta e coerente,
continuaremos a desperdiçar recursos, a
encher os aterros e a comprometer a sustentabilidade
do país.
Numa altura em que se conhecem por demais
os benefícios ambientais, sociais e até económicos
do reaproveitamento de materiais
usados, porque é que os produtores de embalagens,
e as empresas que as usam nos seus próprios
produtos, ainda não estão num caminho
totalmente reciclável? Continua a ser mais barato
fazer novo do que fazer “usado”?
Apesar de os benefícios ambientais, sociais e
económicos da circularidade estarem bem demonstrados,
para muitos produtores continua a
ser mais barato e previsível usar matéria‐prima
virgem do que incorporar reciclado ou garantir
embalagens efetivamente recicláveis. O mercado
não internaliza plenamente as externalidades da
extração e do descarte, e os materiais reciclados
sofrem volatilidade de preço, variações de qualidade
e fornecimento irregular. Perante riscos
de cor, odor, pureza ou desempenho, o virgem
funciona como apólice de seguro para linhas que
exigem consistência.
Persistem, além disso, obstáculos de design:
embalagens multimaterial, laminados e aditivos
que dificultam a separação e tornam a reciclagem
técnica e economicamente inviável. Mas, sem regras
de ecodesign claras, fiscalizadas e harmonizadas,
com aposta em monomateriais, rotulagem
adequada, colas e cores compatíveis, prevalecem
formatos comercialmente apelativos mas problemáticos
na hora de reciclar.
Contudo, existem também barreiras técnicas
reais, sobretudo em contacto alimentar e cosmético,
onde a segurança impõe padrões elevados. A
reciclagem mecânica nem sempre permite retorno
a grau alimentar e as rotas químicas, embora
promissoras, ainda são caras, exigem muita energia
e escala confiável.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ ENTREVISTA \\
15
Apesar de décadas de campanhas
de sensibilização, Portugal
continua a enfrentar grandes
dificuldades em transformar a
consciência ambiental em ação
consistente e generalizada.
Que papel têm os consumidores? Algumas
análises apontam para o aumento da procura
por produtos com materiais reciclados, mas
será que essa consciência está já efetivamente
enraizada ou continua a preferir-se “comprar
novo”?
Os consumidores desempenham um papel absolutamente
central na transição para uma economia
mais circular e sustentável, mas a verdade é
que, em Portugal, a consciência ambiental ainda
não está enraizada de forma consistente no comportamento
de compra da maioria das pessoas.
Há sinais encorajadores, sim, mas persistem contradições
que mostram que ainda estamos longe
de uma verdadeira mudança cultural.
Por um lado, é inegável que existe um crescente
interesse por produtos mais sustentáveis, com
menor pegada ambiental, feitos com materiais
reciclados ou recicláveis, e até com embalagens
mais simples.
No entanto, quando passamos da intenção
à ação, a realidade é mais complexa. A decisão
de compra continua, em muitos casos, a ser ditada
pelo preço, pela conveniência e pela força
da marca e não pela sustentabilidade. Produtos
com materiais reciclados ou com certificações
ambientais ainda são muitas vezes mais caros
ou menos acessíveis, o que dificulta a escolha
por parte de grande parte da população. Além
disso, falta ainda informação clara, transparente
e credível que permita ao consumidor distinguir
o que é realmente sustentável do que é apenas
“greenwashing”.
Outro ponto importante é que muitos consumidores
não têm ainda noção do impacto real
das suas escolhas de consumo, nem compreendem
bem o ciclo de vida dos produtos ou a
importância da incorporação de materiais reciclados.
Isso revela uma lacuna profunda na educação
para o consumo sustentável, que precisa
de ser colmatada com campanhas mais eficazes,
ferramentas simples de comparação ambiental
e, idealmente, incentivos económicos concretos
como reduções de preço, bonificações ou sistemas
de devolução.
>>
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
16
\\ ENTREVISTA \\
Em Portugal, as políticas
públicas têm sido
demasiado permissivas,
com prazos alargados
e metas sucessivamente
adiadas. Sem uma
estratégia firme e
consequente, é difícil
mobilizar a sociedade.
Portanto, os consumidores têm poder, mas
esse poder só se traduz em mudança quando
existem condições para exercê-lo com consciência
e responsabilidade. Isso implica informação,
educação, acessibilidade económica e confiança
no sistema. Enquanto comprar sustentável
continuar a ser um luxo ou uma escolha difícil,
o “comprar novo”, mais barato, rápido e familiar
continuará a dominar. A boa notícia é que
o comportamento do consumidor pode mudar
rapidamente, desde que haja liderança, coerência
nas mensagens e opções verdadeiramente sustentáveis
no mercado. E aí, o papel dos governos
e das empresas é tão decisivo como o dos próprios
cidadãos.
A educação para a importância da redução dos
resíduos e da reciclagem está mesmo a funcionar?
Para que as pessoas sejam mobilizadas é
preciso incentivos financeiros, é preciso punir
práticas danosas, é continuar a sensibilizar
para os malefícios do excesso de resíduos?
A educação ambiental tem feito caminho em
Portugal, mas a verdade é que ainda não está a
funcionar com a eficácia necessária para provocar
uma mudança de comportamentos à escala
que o problema exige. Há um esforço visível, nas
escolas, nas campanhas institucionais, nos meios
de comunicação, mas os resultados continuam
aquém das metas e das urgências ambientais. E
isso deve-se, em parte, ao facto de se continuar
a apostar demasiado na sensibilização genérica e
pouco na mobilização estratégica.
Para que a educação funcione de forma real e
transformadora, é preciso ir muito além do apelo
moral ao “recicle mais”. As pessoas mudam quando
compreendem, sentem e vivem os impactes e
quando têm meios concretos para agir. Isso significa
que a educação tem de ser mais prática,
mais próxima do quotidiano das famílias, e mais
ligada à realidade local. Por exemplo, perceber o
que acontece a um saco de plástico depois de ser
deitado fora, ou saber quanto custa ao município,
e ao bolso do contribuinte, enviar resíduos para
aterro, pode ter muito mais impacto do que repetir
slogans genéricos.
Mas, por si só, a educação não chega. A experiência
internacional mostra que a mudança de
comportamentos acontece mais rapidamente
quando combinamos três eixos: sensibilização,
incentivo e penalização. Ou seja:
Sim, é preciso continuar a sensibilizar — mas
com campanhas claras, consistentes, bem orientadas,
e com mensagens adaptadas a diferentes
públicos (jovens, idosos, consumidores urbanos,
populações rurais, etc.);
Sim, os incentivos financeiros fazem a diferença
— desde descontos ou benefícios para quem
separa corretamente os resíduos, até sistemas de
devolução como os depósitos reembolsáveis para
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ ENTREVISTA \\
17
embalagens. Quando as pessoas sentem que o seu
esforço tem retorno, a adesão cresce;
E sim, é preciso penalizar práticas danosas
— tanto a nível individual (por exemplo, quem
contamina os contentores seletivos de forma reiterada)
como a nível institucional (municípios ou
empresas que não cumprem metas). A ausência
de consequências leva à desresponsabilização.
Portanto, mobilizar as pessoas exige uma estratégia
integrada e coerente, onde a educação é a
base, mas não é o único pilar. Precisamos de formar
consciências, sim, mas também de criar sistemas
que recompensem as boas práticas, punam
as más, e tornem a escolha sustentável a mais fácil
e lógica. Só assim deixaremos de “arrastar os pés”
e conseguiremos dar passos firmes rumo a um
país mais circular, mais limpo e mais justo.
Tudo indica que a produção de resíduos urbanos,
na UE e em Portugal, continuará a aumentar,
de tal forma que a Agência Europeia
do Ambiente considera pouco provável que se
consiga chegar à meta regional de redução de
50% dos resíduos urbanos até 2030. Como é
que as cidades, e as entidades gestoras de resíduos
que nelas atuam, podem fazer face a essa
realidade? É com mais recursos humanos e financeiros?
Mais centrais de processamento?
Ou é na origem, na própria produção, que se
deve atuar?
Os resíduos urbanos continuam a crescer na UE
e em Portugal, tornando improvável a meta de
reduzir 50% até 2030. O problema não é falta de
conhecimento ou tecnologia, mas a insistência
em soluções no fim da linha, em vez de prevenir
na origem. As cidades, epicentros do consumo, e
as entidades gestoras têm papel decisivo. É preciso
modernizar recolha e triagem, mas construir
mais centrais que tratem os sintomas e não a
doença. A inversão depende de prevenção e mudança
estrutural no planeamento e nas compras
municipais: integrar critérios de circularidade
nos concursos públicos, promover embalagens
reutilizáveis com logística de retoma e lavagem,
apoiar projetos de reparação, partilha e reutilização,
e aplicar tarifários “pay-as-you-throw”
[PAYT] que recompensem quem reduz indiferenciados.
Gestores devem atuar a montante,
com produtores e distribuidores, alinhando
responsabilidade alargada do produtor e regras
de ecodesign para produtos duráveis, reparáveis
e recicláveis. É crucial investir em literacia ambiental,
transparência sobre destinos e participação
comunitária, consolidando normas sociais
de redução. Em síntese, cidades e gestores devem
liderar com estratégias integradas centradas na
prevenção, responsabilidade partilhada e mudança
comportamental. O resíduo mais fácil de
gerir é o que nunca chega a existir.
Que mudanças são precisas para que se consiga
realmente impulsionar uma gestão de resíduos
que esteja alinhada com as necessidades
de uma maior sustentabilidade, de uma maior
circularidade de materiais, de maior proteção
dos recursos naturais e dos ecossistemas?
Impulsionar uma gestão de resíduos verdadeiramente
sustentável exige mudar o foco de “lixo”
para “recursos”. A prioridade é prevenir na origem,
prolongar a vida útil dos produtos, promover
a reutilização e assegurar reciclagem de qualidade.
Para isso, é indispensável uma revolução
no ecodesign: produtos e embalagens concebidos
de raiz para serem reutilizáveis, reparáveis e recicláveis,
com regras vinculativas. A responsabilidade
alargada do produtor deve ser reforçada,
premiando soluções sustentáveis e penalizando
as que geram resíduos difíceis de valorizar, abrangendo
também têxteis, eletrónica e mobiliário.
O financiamento do sistema precisa de correções:
taxas mais justas que recompensem quem
reduz e separa melhor, e reinvestimento das receitas
de aterro e dos sistemas de produtor em
prevenção, reutilização e educação ambiental. As >>
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
18
\\ ENTREVISTA \\
A responsabilidade pelo
insucesso na gestão eficaz
dos resíduos em Portugal
é partilhada, mas o maior
problema reside na falta
de liderança política clara
e ambiciosa por parte dos
sucessivos governos.
infraestruturas devem priorizar a circularidade:
centros de preparação para reutilização, triagem
mais eficiente e plataformas logísticas locais. É
crucial desenvolver mercados para reciclados, com
normas de qualidade, plataformas de intercâmbio
e metas obrigatórias de incorporação de reciclado.
Nada funciona sem cidadãos informados e envolvidos:
educação prática e contínua, transparência
sobre destinos e impactos e comunicação
coerente. Não basta reciclar mais; é preciso redesenhar
produção e consumo para proteger recursos,
ecossistemas e a qualidade de vida futura.
A Economia Circular continua a ser um sonho
distante? O Plano de Ação até 2030 (PAEC
2030) tarda em ser publicado. Consta do programa
do atual Governo, mas será que é mesmo
desta que a circularidade ganha um novo
fôlego e que Portugal entra verdadeiramente
na rota circular?
Em Portugal, a Economia Circular permanece
mais uma aspiração do que uma realidade. Ainda
assim, há oportunidade se o PAEC 2030 for publicado
com ambição, metas quantificáveis e prazos
claros, mobilizando investimento público e privado
(incluindo inovação circular e digitalização),
reforçando o papel dos municípios e integrando
circularidade em setores-chave como a construção,
têxteis, plásticos, resíduos alimentares e água.
Pode marcar um ponto de viragem. Portugal tem
capacidade e bons exemplos; precisa de passar das
intenções à execução com monitorização robusta.
Sem isso, a Economia Circular continuará a ser
um sonho adiado que o planeta e as próximas gerações
não podem suportar.
Acredita que chegará o dia em que Portugal, e
talvez a Europa como um todo, terá uma relação
diferente com os resíduos, em que deixarão
de ser vistos como “lixo” e passarão a ser encarados
como novas fontes de recursos?
Sim, acredito sinceramente que esse dia chegará
e, em certa medida, já começamos a dar passos
nesse sentido. Mas será uma transição longa,
complexa e que exigirá uma mudança profunda
de mentalidades, sistemas e prioridades económicas.
A forma como lidamos com os resíduos
reflete, no fundo, a forma como vemos os recursos,
o consumo e o próprio desenvolvimento.
Durante décadas, construímos uma economia
linear, baseada na ideia de que os recursos
são infinitos, e que, uma vez usados, os materiais
perdem valor. O “lixo” tornou-se o símbolo do
descarte fácil e da obsolescência programada.
No entanto, à medida que as crises ambientais
e climáticas se intensificam e que a escassez de
matérias-primas se torna uma ameaça real para
a estabilidade económica e geopolítica, começa
a ganhar força uma visão diferente: a dos resíduos
como recursos.
A Europa, através do Pacto Ecológico Europeu
(Green Deal) e do Plano de Ação para
a Economia Circular, já colocou esta visão no
centro das suas políticas para os próximos anos.
Portugal, neste percurso, ainda está a dar os primeiros
passos. Mas temos conhecimento técnico,
capacidade empresarial e talento científico
para liderar em várias áreas da circularidade.
Falta, sobretudo, coerência nas políticas públicas,
estabilidade nos incentivos e uma cultura
social que valorize o reaproveitamento e a regeneração
em vez do descarte e do desperdício.
Acredito que chegará o dia em que olhar para
um resíduo e ver nele uma oportunidade e não
um problema será a norma. Mas para isso, é
preciso agir hoje com determinação, visão e coragem
política. Não se trata apenas de proteger
o ambiente. Trata-se de reinventar a economia
para que funcione dentro dos limites do planeta.
E isso será, inevitavelmente, a economia do
futuro.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
19
DIAGRAMA DO SISTEMA
DE ECONOMIA CIRCULAR
CICLO BIOLÓGICO
(ORGÂNICO)
CICLO TÉCNICO
(INDUSTRIAL)
AGRICULTURA
E COLETA
RECURSOS
RENOVÁVEIS
RECURSOS
FINITOS
FABRICAÇÃO DOS
COMPONENTES
REGENERAÇÃO
MATÉRIAS PRIMAS
BIOQUÍMICAS
MANUFATURA DOS PRODUTOS
PROMOÇÃO DO SERVIÇO
COMPARTILHAR
RECICLAGEM
REUTILIZAÇÃO E REDISTRIBUIÇÃO
REMANUFATURA
APROVEITAMENTO
EM CASCATA
MANUTENÇÃO
BIOGÁS
DIGESTÃO
ANAERÓBICA
EXTRAÇÃO DE MATÉRIAS
PRIMAS BIOQUÍMICA
CONSUMO
USO
O Diagrama do sistema de economia circular, conhecido como diagrama de borboleta, ilustra o fluxo contínuo de materiais
numa economia circular. Existem dois ciclos principais – o ciclo técnico e o ciclo biológico. No ciclo técnico, os produtos e
materiais são mantidos em circulação através de processos como reutilização, reparação, remanufatura e reciclagem. No
ciclo biológico, os nutrientes dos materiais biodegradáveis são devolvidos à Terra para regenerar a natureza.
20
\\ ENTREVISTA \\
“A maior parte dos resíduos
ainda são recolhidos de forma
indiferenciada”
EM 2023, A RECOLHA SELETIVA DE PAPEL/CARTÃO ATINGIU 47%, O DE PLÁSTICO 23%, O METAL
19%, E O VIDRO 56%. ESTES VALORES, “MUITO BAIXOS FACE AOS VALORES A ATINGIR, REFORÇAM
O ELEVADO RISCO DE INCUMPRIMENTO DA META PREVISTA PARA 2025”, ALERTA MARIANA
LUDOVINO, PORTA-VOZ DA DECO PROTESTE.
\\ Por Ana Filipa Rego
Portugal mantém-se longe da nova meta definida
para a recolha seletiva de papel/cartão e que é necessário
atingir em 2025. Durante este ano, o país
terá de garantir a recolha seletiva de 65% de todas
as embalagens colocadas no mercado, mas, em
2023, apenas 22% da totalidade de resíduos urbanos recolhidos
foi realizada seletivamente, ou seja, “a maior parte dos resíduos
ainda são recolhidos de forma indiferenciada (76%)”, afirma Mariana
Ludovino.
Em entrevista à Green Savers, a porta-voz da DECO PROteste,
diz ainda que a percentagem de material retomado face ao
disponível “é baixa”, sendo “crucial” a recuperação de recicláveis
que “têm de ser desviados da recolha indiferenciada e transferidos
para a recolha seletiva, aumentando consequentemente a
qualidade do material reciclado”..
A política europeia de estímulo à redução de resíduos e à economia
circular tem-se traduzido em muitos documentos estratégicos,
nomeadamente o Plano de Ação para a Economia
Circular (2015, e novo plano em 2020) e a Diretiva Quadro
dos Resíduos, que estabelece objetivos de redução e reciclagem
dos resíduos urbanos (RU) de 55% até 2025 e 65% até
2035. A mesma diretiva impõe que, até 2035, a deposição de
RU em aterro sanitário deverá ser inferior a 10% da quantidade
total produzida. Onde se situa Portugal na transposição
destas diretivas?
A meta imposta a Portugal até 2035, para deposição de resíduos
em aterro, é de apenas 10% da totalidade de resíduos urbanos que
são anualmente produzidos. De acordo com os últimos dados do
Relatório Anual de Resíduos Urbanos (RARU), em 2023, a percentagem
de resíduos urbanos (RU) com destino final em aterro
aumentou para 59% (2,98 milhões de toneladas) o que corresponde
a um aumento de 2% de 2022 para 2023, em Portugal Continental.
Em 2023, a capitação média anual no continente, era de
502 kg/habitante e manteve-se inalterada face ao ano anterior.
No mesmo ano, a taxa de reciclagem foi de 32%, quando a meta
para 2025 é de 55%. Tudo isto significa que, apesar da produção
de resíduos urbanos não estar a aumentar, a baixa percentagem
de recolha seletiva e elevada recolha indiferenciada culmina com
a elevada percentagem de resíduos em aterro.
Em maio deste ano, a DECO PROteste alertou que, todos os
anos, a percentagem de resíduos enviados para aterro se mantém
elevada (59%) e que têm subido os custos pagos pelas entidades
por aquilo que aí depositam - podem chegar a 35 euros por tone-
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
21
lada em 2025. Isto significa que, separem para
reciclagem ou não, as famílias podem acabar
por pagar este valor mensalmente, sob a forma
de taxa de gestão de resíduos. A DECO PROteste
considera assim a urgência no reforço
da recolha seletiva em todos os municípios,
incluindo de biorresíduos, com contentores
acessíveis em cumprimentos das imposições
legais.
As metas e objetivos previstos nos regulamentos
são importantes, mas ambiciosos. É
necessário incentivar as opções de reutilização
e recarga nos vários espaços comerciais e de
restauração (p. ex., para ajudar a minimizar
a quantidade de resíduos produzidos), assim
como os mecanismos de investimento, aplicados
atempadamente, para que todos os intervenientes
da cadeia de valor de RU consigam
adaptar-se às transições esperadas e fazer o
seu papel, ou seja, garantir o desenvolvimento
e produção de produtos que promovam mais
durabilidade e a circularidade dos seus materiais,
o bom funcionamento dos sistemas de
recolha seletiva (incluindo de depósito e reembolso),
triagem e recuperação dos diferentes
materiais a valorizar, entre outros aspetos.
Assim como criar incentivos generalizados do
tipo PAYT (e estender o princípio do poluidor-pagador
e Responsabilidade Alargada do
Produtor a mais fluxos), para promover a redução
e reciclagem/circularidade dos RU.
Vale a pena referir ainda a necessidade de
compatibilização das várias medidas com
outras equivalentes, definidas noutros documentos
legislativos, para se evitar o risco de
sobreposição de metas, bem como o equilíbrio
necessário para garantir que se podem
cumprir, simultaneamente, todas as metas de
redução de resíduos, recolha seletiva, taxas de
reciclagem, recuperação e de reutilização, entre
outras. Estas medidas devem ser reavaliadas
regularmente, de forma a acompanharem
a evolução tecnológica e do mercado, e verificando
e assegurando a sustentabilidade do sector
dos RU, em todo o seu ciclo de vida.
Portugal mantém-se longe da nova meta
definida para a recolha seletiva de papel/
cartão e que é necessário atingir em 2025.
Durante este ano, o país terá de garantir a
recolha seletiva de 65% de todas as embalagens
colocadas no mercado. Irá conseguir?
De acordo com os últimos dados disponíveis,
em 2023 a recolha seletiva de papel/cartão
atingiu 47%, o de plástico 23%, o metal 19%, e o
vidro 56%. Estes valores muito baixos face aos
valores a atingir, reforçam o elevado risco de >>
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
22
\\ ENTREVISTA \\
Já a taxa de retoma global do vidro é de 58%
com origem praticamente toda na recolha seletiva.
A recuperação proveniente da recolha
indiferenciada é praticamente inexistente.
O metal é praticamente na sua totalidade
retirado da recolha indiferenciada, equivalendo
49% de retomas da fração embalagem.
Aqui, é importante ter em conta que os resultados
podem ser enviesados por estes serem
considerados materiais provenientes de desmantelamento
de resíduos volumosos.
O relatório da Comissão Europeia (2023
Waste Early Warning Report) avalia o risco
de não cumprimento das metas de preparação
incumprimento da meta prevista para 2025.
Em 2023, apenas 22% da totalidade de resíduos
urbanos recolhidos foi realizada seletivamente,
ou seja, a maior parte dos resíduos
ainda são recolhidos de forma indiferenciada
(76%). A percentagem de material retomado
face ao disponível é baixa, sendo crucial a recuperação
de recicláveis que têm de ser desviados
da recolha indiferenciada e transferidos para
a recolha seletiva, aumentando consequentemente
a qualidade do material reciclado. O
material obtido através da recolha seletiva é
maioritariamente retomado, ao contrário do
proveniente da recolha indiferenciada que
apresenta baixas taxas de retoma.
No papel e cartão, o material proveniente
da recolha seletiva é quase todo recuperado,
sendo a taxa de retoma da fração embalagem
de 40% face ao disponível.
No que respeita ao plástico, 77% dos resíduos
de plástico que entram nas instalações dos
SGRU estarão a ser encaminhados para operações
inferiores na hierarquia de valorização
de resíduos. A taxa de retoma global é baixa
(23%). Ao nível do plástico de embalagem,
cerca de 33% do plástico é retomado.
para a reutilização e reciclagem de RU (55%
em peso), assim como as metas de reciclagem
de todos os resíduos de embalagens (65% em
peso) a alcançar até 2025, e Portugal integra o
grupo dos Estados-Membros (EM) que estão
em risco de não cumprir a meta de reciclagem
de RU, mas que está no bom caminho para
alcançar a meta de reciclagem de todos os resíduos
de embalagens. No entanto, considera
que Portugal, entre outros EM, está em risco
de não atingir uma ou mais metas para materiais
específicos, nomeadamente para o plástico,
vidro, alumínio e metais ferrosos (aço).
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ ENTREVISTA \\
23
De salientar que as metas de reciclagem diferenciadas
por material, em 2025, vão aumentar
para 75% no papel/cartão, 50% no plástico,
70% no vidro, 50% no alumínio, 75% nos metais
ferrosos (aço) e 25% na madeira. Tendo em
conta os números mais atuais, apesar de existirem
alguns materiais com evolução positiva,
estas metas são ambiciosas de se atingir.
Como boas práticas a aplicar na gestão de
RU e de resíduos de embalagens, o relatório
em questão descreve a melhoria contínua na
recolha seletiva (incluindo em zonas remotas),
as parcerias público-privadas, a reutilização e
prevenção de resíduos (o que também favorece
o equilíbrio das metas de reciclagem), o tratamento
valorizado de resíduos, a comunicação
e sensibilização, a aplicação de instrumentos
económicos e os regimes de responsabilidade
alargada do produtor eficazes.
Para garantir essa meta, concorda com a
SPV que diz que a prioridade deve passar
por uma melhoria substancial do nível de
serviço prestado aos cidadãos pelos sistemas
municipais e multimunicipais, dispondo
o SIGRE, atualmente, de mais recursos
financeiros para realizar investimentos que
gerem resultados e ajudem a alcançar as metas?
A DECO PROteste, na análise aos indicadores
mais recentes disponibilizados pela ERSAR,
reforçou a necessidade de investir na recolha
seletiva, e assim dar primazia à garantia da
acessibilidade física aos equipamentos de deposição
dos vários fluxos de embalagem e, em
paralelo, garantir um elevado nível de higienização,
permitindo reduzir barreiras à deposição
seletiva de materiais no sítio certo. Temos
vindo também a destacar a necessidade de as
entidades cumprirem os indicadores de qualidade
no que respeita à melhoria do serviço,
como a acessibilidade destes equipamentos
Apesar da produção de resíduos urbanos não estar a
aumentar, a baixa percentagem de recolha seletiva e
elevada recolha indiferenciada culmina com a elevada
percentagem de resíduos em aterro
junto das habitações dos consumidores, nos
vários municípios.
Incentivamos também os consumidores
a reclamar junto das entidades responsáveis
pelos resíduos. Estas devem garantir a proximidade
de equipamentos para deposição das
várias frações de resíduos: para zonas urbanas,
a uma distância de 100 metros, para zonas rurais
a uma distância de 200 metros. Reclamar
é exigir o seu direito a depositar os resíduos
separados no sítio certo, ou seja, um contentor
individualizado para cada fração de resíduos
disponível e acessível, em cumprimento com a
qualidade do serviço prestado pelas entidades
responsáveis.
Desde 19 de outubro de 2024 que entrou
em vigor a obrigatoriedade de cumprimento
dos serviços de qualidade mínima. No serviço
de resíduos, caso os consumidores detetem incumprimento
na acessibilidade dos ecopontos
e equipamentos de biorresíduos, incentivamos
que estes reclamem por escrito junto da entidade
e exijam qualidade de serviço.
É um facto que os vários intervenientes da
cadeia de valor devem fazer os devidos investimentos
para poderem acompanhar e dar resposta,
em simultâneo, às necessidades do setor
da gestão de resíduos urbanos e de embalagens.
E tem-se verificado algum atraso na implementação
de fluxos de recolha específicos
para certos resíduos (p. ex., biorresíduos, têxteis,
mobília e colchões). No caso concreto das
embalagens, tem de haver também um acompanhamento
entre as medidas de ecodesign
(ou design para reciclabilidade) desenvolvidas
pelas empresas embaladoras (comprovadas
devidamente que são alternativas mais sustentáveis
às já existentes), as infraestruturas de
recolha seletiva e a capacidade das estações de
triagem de recuperarem, em maior quantidade
e qualidade, os diversos resíduos e materiais
para reciclagem.
O vidro continua a destacar-se como o material
que mais preocupação levanta. Ao
fim de seis meses, o vidro está 1% abaixo do
valor homólogo. O que é que é preciso fazer
para reverter este cenário e alcançar os objetivos
propostos?
No que respeita ao fluxo de embalagem de
vidro, em 2023, 56% teve origem da recolha
seletiva e 44% da recolha indiferenciada. Longos
anos após o início da recolha seletiva deste
fluxo, seria expectável que o peso da recolha
seletiva versus recolha indiferenciada fosse
bastante superior.
Assim, é necessário apostar na maior acessibilidade
física aos contentores para a deposição
do vidro e maiores níveis de higiene nas
várias áreas dos 308 municípios onde não são
cumpridos ambos os indicadores de qualidade
deste serviço (proximidade dos equipamentos
junto das habitações e higienização dos equipamentos),
bem como a aposta na recuperação
total no canal HORECA, o grande produtor
de resíduos de embalagem de vidro.
A aposta em embalagens de vidro reutilizáveis
(e com sistema de retorno), pode
>>
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
24
\\ ENTREVISTA \\
É necessário incentivar as opções de reutilização e
recarga nos vários espaços comerciais e de restauração,
assim como os mecanismos de investimento, aplicados
atempadamente, para que todos os intervenientes da
cadeia de valor de RU consigam adaptar-se às transições
esperadas e fazer o seu papel
também ser um caminho para potenciar a recuperação
e reutilização deste material, e para
equilibrar as metas de reciclagem respetivas.
As embalagens de cartão para alimentos líquidos
(ECAL) também suscitam preocupações.
Segundo dados recentes, foram recolhidas
menos 405 toneladas, num total de 4.044
toneladas (-9%). Como é que avaliam estes
números e o que é que está a agravar esta situação?
A redução na recolha seletiva de embalagens de
ECAL poderá estar relacionada a uma menor
eficiência da recolha e reciclagem deste material
em específico (incluindo os custos operacionais
deste processo). É necessário avaliar e apostar
nas necessidades específicas de cada material
de embalagem, para aumentar a eficiência dos
processos de recolha, triagem e reciclagem de
cada um, especialmente os que estão com taxas
abaixo das metas definidas.
No entanto, e apesar das vantagens das embalagens
de ECAL na preservação da qualidade
dos produtos, distribuição, entre outras, é sempre
preferível, quando possível, optar por embalagens
constituídas por apenas um material
(ou que sejam facilmente separáveis), de forma
a permitir melhores índices de recuperação de
cada material (otimizar o processo de separação),
e evitarem-se possíveis confusões no momento
da deposição no ecoponto correto.
Com o aumento dos novos valores de contrapartida
(VC) não deveríamos estar a assistir a
um acréscimo da reciclagem de embalagens?
Os valores de contrapartidas financeiras (VC),
devidos pela recolha seletiva e triagem (ou apenas
triagem), visam cobrir os custos decorrentes
destas operações efetuadas pelos Sistemas
de Gestão de Resíduos Urbanos (SGRU). Isto
é, correspondem às contrapartidas financeiras
que as entidades gestoras do SIGRE (Sistema
Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens)
têm de prestar aos SGRU, por conta das
quantidades (em peso) de resíduos de embalagens,
alvo de recolha seletiva, presentes nos resíduos
urbanos.
Para além dos resíduos de embalagens recuperados
pelo fluxo de recolha seletiva que,
após triagem, poderão ser encaminhados para
reciclagem, o SIGRE também tem de pagar aos
SGRU contrapartidas financeiras para cobrir
os custos afetos às operações de separação e
recuperação de resíduos de embalagens provenientes
da recolha indiferenciada, como tratamento
mecânico e biológico, valorização orgânica
(compostagem) e tratamento de escórias de
incineração.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ ENTREVISTA \\
25
No entanto, um conjunto de fatores motivou a
atualização do modelo de cálculo e dos próprios
valores de VC a aplicar a partir de 1 de janeiro de
2025, destacando-se, entre outros: i) o aumento registado
dos custos de gestão dos SGRU, evidenciado
pelos relatórios e contas das entidades gestoras
e pelas decisões tarifárias da entidade reguladora
do setor; ii) o facto de os resíduos de embalagens
deverem cumprir as especificações técnicas, de
forma a serem retomados pelas entidades gestoras
do SIGRE (e os SGRU receberem as respetivas
contrapartidas financeiras); e iii) que para além
dos custos com as operações de recolha, triagem
e recuperação de resíduos de embalagens mencionadas
acima, os VC também terem de suportar os
custos com a valorização energética de embalagens
e com a deposição em aterro quando não seja tecnicamente
viável a recuperação destes resíduos
para reciclagem, conforme referido no Despacho
n.º 12876-A/2024.
Este documento legislativo indica também que
os referidos custos com as operações dos SGRU
devem ser determinados em cenário de eficiência
(‘valor justo’ do esforço despendido) e devem incluir
os custos de investimento, de financiamento,
de exploração e ainda os custos de estrutura associados
às atividades respetivas. Adicionalmente, as
especificações técnicas dos resíduos de embalagens
com origem na recolha seletiva e indiferenciada foram
revistas em janeiro de 2023, o que exigirá um
investimento adicional dos SGRU para se poder
garantir uma maior e melhor triagem dos diferentes
resíduos de embalagens.
Mais concretamente sobre a variação quantitativa
dos VC aplicados em 2024, face aos que entraram
em vigor a 1 de janeiro de 2025, é possível indicar
a seguinte avaliação, aproximada e por material
de embalagem (notando que os VC de 2023 para
2024 aumentaram apenas entre 8 e 10%):
• Subida de mais de 100% para o vidro;
• Subida, em média, de quase 70% para o papel e
cartão;
• Aumento, em média, de quase 50% para o plástico;
• Para o aço, em média, o aumento também é de
quase 50%;
• O alumínio sobe, em média, cerca de 46%;
• Aumento de cerca de 41%, em média, para o
ECAL;
• Subida, em média, de cerca de 66% para a madeira.
Em suma, os valores que as Entidades Gestoras
de resíduos de embalagem pagam pela recolha
e tratamento dos resíduos é maior, mas a realidade
é que estes valores não eram revistos há
vários anos, o que levou a que houvesse um défice
tarifário, ou seja, existiam situações em que o
valor pago pela recolha e tratamento de resíduos
de embalagem não era suficiente para suportar
o custo operacional. Mesmo que se trate de algo
normal no sistema, apesar de tudo é apenas uma
atualização, o facto de não ter existido nenhuma
revisão deste valor durante vários anos fez com
que a atualização que ocorreu agora fosse muito
significativa. Pode ser ainda cedo para avaliar
o efeito do aumento dos VC nas taxas de reciclagem,
mas se foi o necessário para suportar os
custos operacionais, é de esperar que o processo
de recolha seletiva e triagem de resíduos de embalagens
seja mais eficiente e permita taxas de
recuperação superiores.
Segundo José Pimenta Machado, Presidente
da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o
aumento de 4% da reciclagem em 2024 foi alcançado
“muito à custa da reciclagem de biorresíduos
e do aumento da eficiência de TMB”.
Mas a recolha de biorresíduos, representou
apenas 12% do potencial de produção deste
fluxo. É muito pouco para o país atingir a meta
de 60% em 2030. O que é que está a falhar?
Uma das razões pode ser a falta da implementação
efetiva da recolha seletiva de biorresíduos
(resíduos alimentares ou de cozinha) no segmento
não doméstico (ex. restauração), aliada a
um cálculo da tarifa em função da quantidade de
resíduos indiferenciados produzidos – o sistema
PAYT - obrigatório desde janeiro de 2025 (no
segmento não doméstico).
No que respeita à recolha de biorresíduos junto
das famílias (consumidores domésticos) de
acordo com os dados setoriais e estudos que a
DECO PROteste desenvolve anualmente, é ainda
parca a implementação nos vários municípios
portugueses.
A recolha seletiva de biorresíduos junto do
consumidor doméstico é obrigatória desde 1 de
janeiro de 2024, mas em geral, um elevado número
de concelhos, ou em áreas residenciais específicas
dentro dos concelhos, ainda não existe
a recolha seletiva de biorresíduos ou investimentos
na promoção da compostagem doméstica ou
comunitária.
De forma a garantir informação útil para o
consumidor, a DECO PROteste disponibiliza
uma ferramenta gratuita sobre as iniciativas de
recolha de biorresíduos em cada município em:
https://www.deco.proteste.pt/sustentabilidade/biorresiduos-sistema-payt
Também a produção de resíduos urbanos em
2024 registou um aumento de 3%, apesar de
a prevenção de resíduos ser uma prioridade.
Como é que avaliam estes números?
Ao longo dos últimos anos a evolução da produção
de resíduos urbanos manteve-se estável, tendo
sofrido subida de 1% em 2021 face a 2020, em
que uma grande parte da população se manteve
em casa devido às restrições da pandemia. Em
2020, a capitação diária em Portugal continental
era de 1,40 kg, em 2021 manteve-se em 1,40 kg
e em 2022 e 2023 desceu ligeiramente para 1,39
kg e 1,38 kg per capita/dia.
De acordo com os dados da APA para Portugal
Continental, em 2023 o aumento da produção
de resíduos foi de 0,28% face ao ano de 2022. >>
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
26
\\ ENTREVISTA \\
Se o plano de emergência for grandemente aplicado,
quer na estratégia de prevenção da produção de resíduos
quer na recolha seletiva dos vários fluxos de materiais,
nomeadamente biorresíduos, será previsível um impacto
direto na redução da deposição de resíduos em aterro
Apesar da capitação de resíduos em Portugal
(502 kg/hab/ano) ser inferior à média da união
europeia (513 kg/hab/ano), é expectável que o
aumento da produção de resíduos seja impulsionado
pelo crescimento económico, aumento
da população nas áreas urbanas e pelo aumento
do consumo (p.e: a crescente urbanização e a
mudança para estilos de vida mais individualizados
resultam em mais embalagens e produtos
descartáveis).
É assim crucial que as empresas optem por
materiais mais sustentáveis ao nível da sua origem
e dos processos de fabrico, por embalagens
com menor impacto na quantidade e qualidade
de materiais a reciclar (ou seja, no tratamento
dos seus resíduos), e que o cidadão nas suas opções
do dia-a-dia opte por reduzir o consumo
desnecessário de produtos e serviços (evitando,
por exemplo, o desperdício alimentar, fast
fashion, entre outros) e adira a formas de consumo
mais sustentáveis, como aquisição de produtos
a granel, reutilização e partilha de produtos
em segunda mão (trocas e aquisição em 2ª mão).
A partir de 1 de janeiro de 2025, entrou em vigor
a diretiva europeia que obriga os municípios
à recolha seletiva de resíduos têxteis. De
modo a cumprir a diretiva, o Regime Geral
da Gestão de Resíduos (RGGR) estabelecia,
que até 1 de janeiro de 2025, as entidades responsáveis
pelo sistema municipal de gestão de
resíduos urbanos disponibilizassem uma rede
de recolha seletiva para os resíduos têxteis.
Qual o ponto da situação da implementação
ao nível nacional?
Na União Europeia, a obrigatoriedade deste sistema
está prevista na Diretiva (UE) 2018/851, que
estabelece que todos os Estados-Membros devem
implementar sistemas para recolha separada de
têxteis até 1 de janeiro de 2025.
Em Portugal a implementação da recolha seletiva
de têxteis depende dos municípios, mas não
foi criada uma entidade gestora que assegure a
responsabilidade alargada do produtor. Isso significa
que os produtores (quem coloca os têxteis
no mercado) não estão a financiar o sistema de
recolha e tratamento, como seria necessário. Este
atraso na criação de uma estrutura eficiente pode
comprometer a eficácia e a equidade do sistema
de recolha seletiva de têxteis.
Os sistemas municipais de gestão de RU referem
que esta generalização depende de investimentos
em novos circuitos de recolha, assim
como de financiamento adequado. Mais concretamente,
a recolha seletiva de um novo fluxo,
como os têxteis, necessita de contentores específicos,
circuitos de recolha e campanhas de sensibilização
para a população separar da forma
adequada. A falta de financiamento para estes requisitos
está a atrasar o cumprimento de Portugal
na implementação de novos fluxos de recolha seletiva
e, consequentemente, das metas europeias
respetivas.
Existem alguns municípios (como Sintra,
Oeiras) onde já houve implementação de projetos-piloto
e onde pretendem expandir a recolha,
dependendo do apoio de fundos como o Fundo
Ambiental e o PRR. Outros municípios estabeleceram
parcerias com empresas e entidades, para a
implementação de projetos de valorização e economia
circular de têxteis, mas ainda insuficiente.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ ENTREVISTA \\
27
17269_anuncio_quimico_fertilizante_A4.pdf 1 16/02/23 10:52
PUBLICIDADE
Atualmente, 57% dos resíduos urbanos em Portugal têm como
destino os aterros, totalizando cerca de 2,9 milhões de toneladas
em 2022. No entanto, a meta imposta pela União Europeia para
2035 estabelece um limite de apenas 10%, colocando o país sob
uma pressão crescente para acelerar a transição para modelos
mais sustentáveis de gestão de resíduos. Reconhecendo a urgência
da situação, o Governo lançou um plano de emergência de 2,1
mil milhões de euros para melhorar o setor. Será a solução para o
cumprimento das metas?
No que diz respeito aos aterros, os dados apresentados pelo Grupo de Trabalho
a 7 de março de 2025, indicam que dos 35 aterros existentes, 22 têm
a sua capacidade disponível abaixo de 20% da sua lotação licenciada. Em
2023, a percentagem de RU com destino final em aterro aumentou para
59% (2,98 milhões de toneladas).
A meta imposta a Portugal até 2035 para deposição de resíduos em
aterro é de apenas 10% da totalidade de resíduos urbanos que são anualmente
produzidos. Estes valores demonstram bem as áreas de prioridade
a implementar a curto prazo. Considera-se que para cumprir a meta nos
próximos 6 anos terá de ser dada prioridade à implementação da estratégia
para reduzir esta grande quantidade de resíduos depositados em aterro.
Se o plano de emergência for grandemente aplicado, quer na estratégia
de prevenção da produção de resíduos quer na recolha seletiva dos vários
fluxos de materiais, nomeadamente biorresíduos (onde a recolha seletiva
apenas atingiu 11% em 2023), será previsível um impacto direto na redução
da deposição de resíduos em aterro.
A concertação, através de entidades como a Agência Nacional de Resíduos
(ANR) e as estruturas nacionais do setor dos resíduos (ERSAR, Organizações
de consumidores, stakeholders setoriais), para a promoção de uma campanha
nacional de sensibilização junto dos vários públicos-alvo (setor não doméstico e
doméstico), com resposta efetiva nos vários municípios para a prevenção da produção
de resíduos e para o aumento da recolha seletiva de todos os fluxos de resíduos
e investimento em operações de tratamento, pode ser um passo relevante
nesta matéria.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
28
\\ PSICOLOGIA AMBIENTAL \\
SEPARAÇÃO DE RESÍDUOS
DIZER QUE “É BOM PARA O AMBIENTE” NÃO BASTA
ANO APÓS ANO SOMOS CONFRONTADOS COM NOTÍCIAS DE QUE AS TAXAS DE RECICLAGEM
CONTINUAM ABAIXO DO QUE ERA DESEJADO. O QUE TEM FALHADO? A PSICOLOGIA AMBIENTAL
AJUDA A PERCEBER ONDE SE DEVE ATUAR.
\\ Por Filipe Pimentel Rações
Todos os anos as notícias repetem-se: continuamos
aquém das metas de reciclagem que definimos. O relatório
da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) referente
a 2022 mostrava que 57% dos resíduos produzidos
em Portugal continental foram depositados em
aterro, com essa modalidade a continuar a ser o principal destino, e
a ser igual à que se registava em 2019.
O que “lixo comum”, ou a recolha indiferenciada, na gíria técnica
setorial, representava, nesse mesmo ano, a grande maioria dos resíduos
recolhidos, com a reciclagem (ou recolha seletiva) a ficar-se por
um quinto do total. Segundo dados da APA, a recolha indiferenciada
reduziu ligeiramente nos últimos anos, de 81,8% em 2017 para
os 77,1% em 2022, e a seletiva reflete essa tendência, mas no sentido
inverso: aumentou dos 16,1% em 2017 para os 21,4% em 2022.
Apesar dessa percentagem no que diz respeito à recolha seletiva,
apenas 16% dos resíduos urbanos produzidos no continente foram
realmente encaminhados para reciclagem.
Embora os números possam deixar-nos duvidosos, “Reduzir”,
“Reutilizar” e “Reciclar” são palavras que hoje são parte do léxico
de grande parte da população, senão mesmo da maioria das pessoas.
Mas nem sempre assim foi e a viagem de Portugal por esses caminhos
não começou há muito tempo.
Com a explosão económica que se deu após o fim da Segunda
Guerra Mundial, inaugurou-se uma nova era de produção e de consumo,
assente fortemente numa “cultural do descartável”. O aumento
exponencial da produção de resíduos começou a gerar preocupação
e levou países e organizações internacionais a refletirem sobre o que
se afigurava cada vez mais claramente como um problema.
No plano europeu, as primeiras diretivas sobre resíduos começaram
a surgir entre as décadas de 1970 e 1980, falando-se já da importância
da redução e de uma melhor gestão de resíduos para proteger
a saúde humana e o ambiente.
Em Portugal, a reciclagem chegou em força nos anos 90, com a
criação da Sociedade Ponto Verde (SPV) em 1996, que nascia com o
objetivo de gerir a reciclagem e a valorização das embalagens usadas.
Para levar a bom porto essa missão, era preciso motivar as pessoas a
mudarem a forma como até então tinham olhado para os resíduos.
Era preciso mudar comportamentos.
Com a viragem do milénio, surgiu uma campanha televisiva, da autoria
da SPV, em que um chimpanzé de nome Gervásio era ensinado
a separar resíduos, alegadamente, em uma hora e 12 minutos. O intento
era mostrar que se um animal o consegue fazer, não havia razão
para um humano não conseguir. Embora a peça, considerada icónica,
perpetue, talvez inadvertidamente (eram outros tempos), estereótipos
hoje mais do que obsoletos (os chimpanzés, tal como outros primatas,
são os nossos parentes evolutivos mais próximos, com capacidades
cognitivas e emocionais profundas, com culturas próprias e dinâmicas
sociais complexas), a mensagem era clara: reciclar é simples.
Vinte e cinco anos depois, no entanto, continuamos a falhar metas
de reciclagem e de redução de resíduos.
Dados recentes da SPV mostram que em 2024 a taxa de retoma de
embalagens colocadas no mercado foi de 57,8%, cerca de 4% acima
dos valores de 2023, mas ainda assim abaixo da meta europeia de
65% que tem de ser alcançada este ano.
Na campanha do chimpanzé Gervásio, aos telespectadores era
perguntado “de quanto tempo mais precisa?”. Aparentemente, duas
décadas não chegam para que consigamos alcançar as metas de reciclagem
a que o país está obrigado. É sabido que foram feitos pro-
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ PSICOLOGIA AMBIENTAL \\
29
gressos muito positivos e que existe uma série
de constrangimentos e desafios aos níveis técnico
e logístico, de recursos dos municípios, de
imbróglios legislativos e políticos. Mas há também
uma dimensão que não pode ser descurada
e que amiúde é eclipsada: o fator humano.
Sem a participação ativa das pessoas, a reciclagem
está fadada ao fracasso à partida. Há
cerca de cinco anos, um estudo da Marktest
e da SPV revelava que 90% dos inquiridos já
reciclava embalagens, com a consciência ambiental,
o civismo e o reaproveitamento de materiais
como principais motivações.
Apesar de tudo isso, as metas continuam a
ser falhadas, as taxas de reciclagem continuam
aquém, os aterros continuam a receber toneladas
de resíduos que podiam ser reaproveitados
e a produção continua a aumentar.
Com décadas de campanhas de comunicação,
informação e sensibilização, e com milhões
de euros (públicos e de organizações privadas)
na promoção de comportamentos em
prol da reciclagem, o que continua a falhar?
Parte do problema poderá estar no facto de se
querer mudar comportamentos sem as estratégias
de comunicação adequadas e, talvez sobretudo,
sem se conhecer ao certo para quem
se está a comunicar.
Para navegar os meandros do que faz com
que as pessoas reciclem ou não, a Psicologia
Ambiental tem perspetivas que podem ajudar
a olhar para a questão de uma forma diferente
daquela que, até agora, tem dominado as incontáveis
tentativas de cativar mais participantes
para o esforço da reciclagem.
RECICLAR É SIMPLES, MAS O “COMO” E O “POR-
QUÊ” NEM TANTO
Podemos achar que quem recicla o faz pela
mesma razão: porque é bom para o ambiente.
Da mesma forma, podemos ser levados a pensar
que, para pôr as pessoas a reciclar mais, é
preciso apelar a esse sentimento pró-ambiental,
de proteção do planeta, dos ecossistemas,
dos habitats e das espécies não-humanas.
Contudo, as motivações, e também as barreiras,
relativas aos comportamentos de reciclagem
são mais complexas e mais diversas
do que isso, e podem até nem sempre ter uma
ligação assim tão direta com os valores que as
pessoas possam ter sobre a proteção do ambiente.
O estudo de o que leva as pessoas a reciclarem
não é coisa de agora. As suas raízes
remontam, pelo menos, à última década do
século passado. Por exemplo, em 1998, duas
investigadoras da Universidade do Utah, nos
Estados Unidos da América, lançaram-se em
busca das motivações e dos comportamentos
que estão subjacentes ao ato de reciclar. >>
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
30
\\ PSICOLOGIA AMBIENTAL \\
JOSÉ MANUEL PALMA
Psicólogo ambiental e docente
na Universidade de Lisboa
Num artigo que publicaram na revista ‘Journal
of Environmental Psychology’, e olhando para a sociedade
norte-americana de então, Carol Werner
e Eeva Makela escreviam que “numerosos estudos
descobriram que as pessoas citam a inconveniência
e a falta de tempo como as razões para não reciclarem”.
E tentaram responder à pergunta “o que leva
uma pessoa a reciclar todos os dias?”.
No texto, referem que, à época, alguns autores
teorizavam que quando uma tarefa, pela sua natureza,
não é muito agradável ou não confere uma
recompensa direta, “as pessoas não a farão a não ser
que tenham alguma razão para persistirem”.
A reciclagem é muitas vezes vista como mais
uma coisa que se tem de fazer, para a qual é preciso
dispensar tempo que poderia ser usado noutras
atividades que dariam mais prazer, e envolve ter de
lidar com “lixo” e com cheiros desagradáveis. Além
disso, exige algum esforço, por exemplo, com a separação
dos resíduos em sacos e contentores diferentes.
Seria, no mínimo, curioso alguém dedicar-
-se a uma tarefa assim só porque sim.
As autoras explicam que as pessoas que reciclam
diariamente têm de ter “atitudes positivas”
para com a reciclagem, que lhes dão razões para
continuarem a fazê-lo, e também experiências positivas
associadas ao próprio ato de reciclar, “quer
essas ocorram durante a reciclagem ou enquanto
refletem sobre os seus comportamentos de reciclagem”.
Por outras palavras, para que o ato de reciclar
se mantenha como um comportamento regular,
como parte do dia-a-dia das pessoas, é que preciso
que dele consigam extrair algo de positivo que as
afete diretamente.
Mergulhemos um pouco mais fundo nas sinuosidades
da Psicologia Ambiental. José Manuel Palma,
psicólogo ambiental e docente na Universidade
de Lisboa, explica-nos que “o comportamento de
separação de resíduos tem vários níveis e é muito
mais complexo do que poderia considerar-se”.
Tendo estado na vanguarda do movimento ambientalista
em Portugal nos anos 90 e agora também
Senior Industry Expert da consultora S317
Consulting, salienta que mudar comportamentos
não é algo que se faça sem uma abordagem científica.
Caso contrário, todas as tentativas de mudança,
além de fracassarem e de serem desperdícios de
dinheiro, não passarão de meras operações cosméticas.
Num artigo de que é coautor, juntamente com
Érika Celestino e a Professora Ana Carvalho, ambas
do Centro de Estudos de Gestão do Instituto
Superior Técnico (CEG-IST), é apresentado um
modelo que, de forma gráfica, apresenta os vários
elementos que causam determinado comportamento.
O esquema, publicado em julho deste ano
na revista ‘Journal of Cleaner Production’, foi concebido
com a separação de resíduos biodegradáveis
em foco, mas pode também ser aplicado a outros
comportamentos, como o de separação de resíduos
para reciclagem.
Complexo e intimidante para aqueles de nós que
não são da área, mostra que o comportamento de
separar está intimamente relacionado com a intenção
comportamental. De forma simples, a intenção
é a predisposição que uma pessoa tem para realizar
determinado comportamento. Assim, quanto
maior a intenção maior a probabilidade de o comportamento
acontecer.
Por sua vez, a intenção é influenciada pelas atitudes
sobre algo específico, como a separação de
resíduos para reciclagem. Quanto mais positiva for
essa atitude específica, maior será a intenção comportamental.
Acrescentando mais uma camada, a
atitude específica está relacionada com uma atitude
mais geral acerca dos resíduos como um todo, pelo
que quanto mais positiva for a atitude geral maior
será a sua influência na atitude específica.
Por fim, essa atitude geral liga-se a uma mais
ampla atitude ambiental, pelo que as pessoas com
maiores preocupações com o ambiente tenderão a
ter atitudes gerais sobre os resíduos mais fortes e a
estar cientes da importância da sua gestão.
No entanto, como nos diz José Manuel Palma,
“de facto, há esta cadeia, mas ela não é direta” e que
“ao contrário do que pensamos, a atitude e o comportamento
de separação de resíduos não estão
muito ligados às atitudes ambientais”.
Aliás, a relação entre atitude ambiental geral e
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ PSICOLOGIA AMBIENTAL \\
31
Em Portugal, a reciclagem chegou em força nos
anos 90, com a criação da Sociedade Ponto Verde
em 1996, que nascia com o objetivo de gerir a
reciclagem e a valorização das embalagens usadas.
intenção comportamental pode ser praticamente
nula, de tal forma que uma pessoa pode ter preocupações
ambientais e não reciclar. Pode parecer
incongruente, e até hipócrita, mas é o que a Ciência
nos mostra. As relações causais entre os vários
elementos vão-se perdendo à medida que a cadeia
progride.
“O comportamento está relacionado diretamente
com a intenção comportamental e com atitudes
específicas em relação ao comportamento, não com
atitudes gerais”, salienta o académico, acrescentando
que “em Psicologia, o comportamento não está
necessariamente relacionado com as atitudes com
as quais achamos que ele deve estar relacionado”.
“Nós é que pensamos que como é tudo ambiente,
então as coisas estão todas ligadas. Mas não é verdade.”
Além dessa cadeia linear, há outros fatores que
pesam na intenção comportamental e no comportamento
propriamente dito, e podem ajudar a
explicar por que razão pessoas com atitudes gerais
positivas sobre o ambiente podem, por exemplo,
não reciclar.
PARA MUDAR É PRECISO ATENTAR NAS BARREIRAS
Para tentar fazer com que as pessoas reciclem mais
não é suficiente saber o que as motiva a fazê-lo, a
forma como pensam sobre o ambiente e sobre os
resíduos. É preciso também perceber que existem
barreiras que podem levar muitos, incluindo aqueles
que consideram a reciclagem importante, a afastar-se
dessa tarefa.
“Ninguém pensa nas barreiras”, lamenta José
Manuel Palma, que estão relacionadas com as intenções
comportamentais, pelo que, quanto maiores
forem as primeiras, menores serão as segundas.
As barreiras são isso mesmo: obstáculos a um
determinado comportamento, ou melhor, à intenção
de realizá-lo. Podem ser coisas tão simples,
mas tão determinantes, como não ter espaço
na cozinha para colocar mais um, dois ou
três contentores para separação de resíduos, ter
de percorrer uma distância longa para chegar
a um local onde se possa depositar os resíduos
separados, ou não conseguir encaixar a separação
na rotina de todos os dias.
Podem parecer obstáculos corriqueiros, mas são
identificados na literatura científica como barreiras
significativas que podem dissuadir comportamentos
de reciclagem.
A confiança nos sistemas de recolha seletiva
pode também atuar como um impedimento. Se
as pessoas acharem que o sistema não é eficaz, que
o esforço de separação depois não dará em nada,
porque, como se ouve algumas vezes, “eles depois
misturam tudo outra vez”, então muitos entenderão
que o sacrifício não vale a pena.
Uma perceção fortemente negativa da eficácia
reduz a probabilidade de acontecer o comportamento
de separação de resíduos para reciclagem.
Todos esses fatores conjugados ajudam a perceber
melhor que a taxa de reciclagem não aumenta
somente porque se diz às pessoas que é uma boa
forma de proteger o ambiente, o planeta e até a saúde
humana.
Para que essas barreiras possam ser ultrapassadas,
é preciso, primeiro que tudo, saber que elas
existem e saber os contextos específicos onde brotam.
Depois, é informar. Dar às pessoas a informação
de que precisam para fazerem face a essas barreiras,
no contexto particular das suas casas e das
suas vidas, é meio caminho andado para aumentar
a probabilidade de reciclarem, pelo menos, um
pouco mais e melhor.
POR ENTRE NORMAS E CONTRADIÇÕES
Como se vê, as baixas taxas de reciclagem não se explicam
somente porque “as pessoas não querem” ou
porque “é cultural”. Há dimensões muito concretas
que impedem ou dificultam a separação.
Além de tudo isso, como se não bastasse, há também
outro fator que pesa no comportamento de separação
de resíduos. Os especialistas chamam-lhes
“normas sociais”, que orientam o comportamento
humano, incutem previsibilidade nas relações sociais
e ajudam a compreender as ações dos outros.
José Manuel Palma conta-nos que existem normas
descritivas e normas prescritivas. Sem grandes
complicações, as descritivas englobam o que achamos
que as pessoas fazem e as prescritivas aquilo
que se considera que as pessoas deviam fazer.
Trazendo as normas para o plano da reciclagem,
as descritivas poderiam ser algo como “as pessoas
não reciclam tanto como deviam” e as prescritivas
“as pessoas têm de reciclar mais”.
Até aqui tudo bem. O problema é que, segundo
o especialista, vivemos uma “contradição entre normas”,
em que está a ser feita uma coisa e nos é dito
que se deve fazer outra.
No que toca às campanhas de sensibilização,
tem-se assistido à acentuação dessas duas normas
ao mesmo tempo. Para José Manuel Palma, isso é
“contraproducente” e pode mesmo reforçar o comportamento
que se está a tentar mudar. Isto, porque
fazer o que os outros todos fazem é muito mais
simples, do ponto de vista do processo de tomada
de decisão, do que remar contra a maré. Além disso,
pode criar ensejo para noções, como muitos já ouvimos
certamente, de “se os outros não fazem, vou
estar eu a preocupar-me?”.
Ainda, dizer às pessoas que estão a fazer mal e
que têm de mudar para fazerem bem, apelando a
>>
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
32
\\ PSICOLOGIA AMBIENTAL \\
valores gerais e distantes do seu dia-a-dia, historicamente,
não tem tido grandes resultados.
Então, não se pode fazer nada? Pode. José Manuel
Palma defende que se deve enfatizar as normas
descritivas face às prescritivas e seguir uma
abordagem positiva, ao invés de salientar o que
está mal. É mostrar o que está a ser feito, o que
está a ser reciclado, os novos produtos que estão
a surgir com base em materiais que as pessoas
colocaram nos ecopontos, os ecossistemas que
estão a ser poupados, as emissões de gases com
efeito de estufa que estão a ser evitadas. Mostrar
que o esforço das pessoas está a valer a pena e
que não é uma perda de tempo, e isso também
aumenta a confiança nos processos (a tal perceção
de eficácia).
COMUNICAÇÃO MAIS PRÓXIMA E ESPECÍFICA
PARA CADA CONTEXTO
Sabendo tudo isso, como se pode melhorar as
campanhas de sensibilização? A primeira coisa é
conhecer o público para quem se está a comunicar
e atuar no contexto local ao invés de no contexto
nacional mais abrangente e genérico.
Se as barreiras são específicas de cada grupo social
– não serão as mesmas para quem vive num
apartamento ou numa moradia, para quem vive
em centros urbanos ou no meio rural, e podem
variar até consoante disponibilidades financeiras
e níveis socioeconómicos – então a comunicação
tem de ser afinada de forma a alcançar essas particularidades.
Para José Manuel Palma, as campanhas gerais
tradicionais, que correm o país com as mesmas
mensagens de Norte a Sul, do interior ao litoral,
do campo à cidade, tentam mudar atitudes gerais
– “reciclar é bom para o ambiente” – o que, diz-
-nos, “não faz sentido” nos dias de hoje, porque se
está “a querer mudar a um nível onde toda a gente
jámu d o u”.
“Campanhas gerais eram importantes há 20 ou
30 anos, quando as pessoas não faziam ideia o que
era separar, o que era o ambiente. Nessa altura, a
sensibilização geral era ótima. Mas agora não interessa,
porque o comportamento da separação está
ligado à intenção, e a intenção está ligada a atitudes
específicas e não a atitudes gerais”, detalha.
Por isso, “é preciso focar na intenção comportamental,
nas barreiras, nas atitudes específicas”,
sublinha. Se a reciclagem tem de fazer parte do
nosso quotidiano, tem também, de alguma forma,
de fazer parte da nossa identidade, e isso só é
possível se quem concebe as campanhas tiver noção
de que as nossas identidades dependem, em
grande medida, dos contextos específicos em que
estamos inseridos.
“A separação de resíduos tem de fazer parte
da nossa identidade, da identidade social do sítio
onde vivemos”, afirma o psicólogo ambiental, pelo
que as campanhas têm de ser dirigidas “às barreiras
que aquele bairro tem, que aquelas habitações
têm, ajudar as pessoas a ultrapassá-las”, com sugestões
concretas, práticas e ajustadas ao contexto específico,
para promover a integração da separação
de resíduos no dia-a-dia dos que aí vivem.
Pensar que com uma campanha geral se consegue
mudar comportamentos específicos resulta
de uma perceção “ingénua”, sustenta o interlocutor,
de que se conhece as pessoas, que redunda em
chavões familiares como o não reciclar “é da cultura
portuguesa”.
José Manuel Palma diz que é preciso compreender
as pessoas “do ponto de vista científico”, com
metodologias que permitam fazer bem e saber se
o que foi feito surtiu o resultado esperado, algo
que lamenta não ter acontecido até agora.
Aponta o especialista que o primeiro passo no
desenho de uma campanha de sensibilização com
vista ao aumento da reciclagem é conhecer a realidade
local.
É preciso, primeiro, saber que resíduos estão a
ser produzidos e o que está ou não a ser reciclado.
De seguida, é preciso saber, claro, o orçamento disponível
para a campanha, definindo prioridades,
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ PSICOLOGIA AMBIENTAL \\
33
como por exemplo que tipos de resíduos se quer
que as pessoas mais reciclem. Depois, questionar
as populações, com base em inquéritos, sobre as
suas atitudes e sobre as barreiras que sentem no
que toca à separação de resíduos para a reciclagem.
Mesmo dentro de um só município poderá
ser necessário fazer divisões, como entre zonas de
apartamentos e de moradias.
Só após ser ter esses dados em mãos é que se
deve avançar para campanhas, cujo foco estará
agora moldado a um público específico, e não é
mais uma ação genérica que poucos ou nenhuns
efeitos acabará por ter.
“Com esse diagnóstico, consegue-se uma
campanha específica e direcionada”, assevera
José Manuel Palma.
Finda a campanha, há que fazer uma avaliação,
alguns meses depois, para perceber se se
conseguiram os resultados pretendidos, ou, pelo
menos, se alguma coisa mudou. Com base nas
aprendizagens, é possível conceber estratégias de
comunicação e sensibilização cada vez mais precisas
e eficazes.
Podemos perguntar-nos: “as campanhas específicas
e direcionadas resolvem o problema?
Vamos conseguir pôr toda a gente a reciclar?”.
A resposta é não.
“Haverá sempre pessoas que não vão reciclar
seja o que for. E haverá pessoas do outro
lado, que, por muitas barreiras que tenham,
vão sempre reciclar”, explica o académico.
Mas é entre um extremo e o outro que está
a esmagadora maioria das pessoas, aquelas
que já reciclam alguma coisa e que poderiam
reciclar mais. São essas pessoas que é preciso
“converter”.
“Com estas campanhas, é influenciar os que
estão no meio para reciclarem mais e melhor.
É esse o objetivo. O que se quer fazer é mudar
a esmagadora maioria das pessoas”, declara
José Manuel Palma. Se não se pensar nessas
pessoas, não se consegue mudar os comportamentos
da generalidade da população e, no
final de contas, não se conseguirá aumentar a
reciclagem.
A Psicologia Ambiental, por si só, não resolverá
todos os problemas, nem tampouco
consegue colmatar todas as outras fragilidades
ou falhas que existem em todo o ciclo da reciclagem.
Há questões que têm de ser resolvidas
aos níveis técnico e estrutural, de governança
e de atuação política. Mas conhecer as pessoas,
saber o que as motiva, os obstáculos que as
impedem de reciclar mais, o que pensam sobre
a separação de resíduos e a confiança ou
não que têm nesses processos é lançar luz sobre
uma dimensão muitas vezes mantida nas
sombras dos debates e reflexões sobre um problema
que nos afeta a todos e que se arrasta há
décadas sem uma solução à vista.
>>
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
34
\\ SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL \\
Continente reforça aposta na economia
circular e recicla mais de 78 mil toneladas
de resíduos em 2024
A INSÍGNIA DA MC TEM VINDO A APOSTAR EM SOLUÇÕES INOVADORAS PARA DAR NOVA VIDA AOS
MATERIAIS E ENVOLVER OS CONSUMIDORES EM PRÁTICAS MAIS RESPONSÁVEIS. DE ECOSPOTS
A PROJETOS PIONEIROS COMO O RECICLA+, O CONTINENTE QUER TRANSFORMAR RESÍDUOS EM
RECURSOS E CONTRIBUIR PARA A REDUÇÃO DA PRESSÃO SOBRE OS ATERROS.
OContinente continua a consolidar o seu papel como
agente de mudança na promoção da sustentabilidade,
colocando a gestão responsável dos resíduos no centro
da sua estratégia. Mariana Pereira da Silva, Diretora de
Sustentabilidade da MC, sublinha que a ambição da
marca passa por “construir um futuro mais sustentável
– um futuro que respeite as Pessoas, as Comunidades e o Planeta”.
Segundo a responsável, este compromisso traduz-se na integração
da circularidade nas operações diárias, fomentando a prevenção do
desperdício e a valorização dos resíduos. “Acreditamos que os resíduos
são recursos e, por isso, um bem que deve ser valorizado”, afirma.
O retalho, acrescenta, desempenha um papel essencial por estar
“numa posição central na cadeia de valor, com capacidade de reforçar
os princípios da Economia Circular junto de fornecedores e clientes”.
Em 2024, a empresa geriu mais de 78 mil toneladas de resíduos, alcançando
uma taxa de valorização de 85,3%. Paralelamente, recolheu
mais de mil toneladas entregues pelos clientes — entre cápsulas de café,
rolhas de cortiça, pilhas e outros materiais — para posterior encaminhamento
para reciclagem. Apesar destes resultados, a MC continua
a investir em melhorias na triagem e encaminhamento de recicláveis
e biorresíduos, com o objetivo de reduzir ao mínimo a fração indiferenciada.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL \\
35
O nosso objetivo é
assegurar que os
recursos continuam
a ter valor, reduzindo
o desperdício e
contribuindo para
um planeta mais
equilibrado
Ecospots: um elo entre clientes e
sustentabilidade
Entre as iniciativas mais visíveis estão os Ecospots,
espaços dedicados à sustentabilidade que
permitem aos consumidores depositar resíduos
como pilhas, lâmpadas, rolhas, cápsulas de café,
óleos alimentares usados, têxteis, pequenos
equipamentos elétricos, embalagens de plástico
e metal, papel, cartão, vidro ou roupa usada.
Estes pontos garantem que materiais valiosos
são encaminhados para os fluxos de reciclagem
corretos, evitando que acabem em aterro — uma
preocupação relevante face à pressão sobre os
sistemas de depósito final.
Atualmente presentes em 25 lojas Continente,
os Ecospots vão continuar a expandir-se ao
longo do próximo ano. “A nossa ambição é continuar
a otimizar e ampliar a oferta de soluções
circulares”, refere Mariana Pereira da Silva. Além
da recolha permanente, estes espaços acolhem
campanhas específicas, como o Cadernão, que
incentiva a entrega de papel durante a preparação
para o regresso às aulas. Por cada tonelada
recolhida, a MC compromete-se a plantar 20
árvores. Nos últimos três anos, esta iniciativa
permitiu recolher 256 toneladas de papel, resultando
na plantação de mais de 5.100 árvores.
Outra campanha recente foi a das frigideiras,
que possibilitou aos clientes entregar para reciclagem
utensílios usados, independentemente
da marca ou tamanho, em troca de condições
vantajosas na compra de novos produtos.
Projetos inovadores e novas frentes de
recolha
O Continente também integra projetos pioneiros,
como o Recicla+, desenvolvido no âmbito da
agenda de “Plásticos Sustentáveis” do Plano de
Recuperação e Resiliência (PRR). Este programa
criou um modelo inovador para a recolha de
cápsulas de café usadas, aliado a uma linha piloto
capaz de transformar o plástico das cápsulas e a
borra de café em novos produtos, como biofertilizante
líquido. A implementação de pontos
de recolha em toda a operação foi concluída em
2024, permitindo encaminhar para reciclagem
mais de 70 toneladas de cápsulas.
Em breve, os Ecospots irão integrar também
os pontos de recolha do Sistema de Depósito
e Reembolso (SDR), mecanismo que recompensa
o retorno de garrafas e latas de bebidas
e que tem demonstrado um impacto positivo
nas taxas de reciclagem destes materiais. “Esta
iniciativa, à qual a MC se associou desde o
primeiro momento, tem trazido resultados já
comprovados”, salienta a responsável.
Com estas medidas, o Continente consolida-se
como referência na promoção de hábitos
mais responsáveis e na construção de um
sistema mais eficiente de economia circular.
“O nosso objetivo é assegurar que os recursos
continuam a ter valor, reduzindo o desperdício
e contribuindo para um planeta mais equilibrado”,
resume Mariana Pereira da Silva.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
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Das empresas aos cidadãos, acompanhamos o
impacto das nossas ações para o Planeta.
Analisamos a sustentabilidade em
todas as vertentes, apresentando
uma visão global do país e do mundo.
37 \\ DIRETÓRIO \\
37
FÓRUM DE LÍDERES
1
2
Que iniciativas a sua organização tem vindo
a adotar para promover a sustentabilidade?
Quais considera que serão os próximos desafios e
oportunidades na gestão de resíduos em Portugal?
C
olocar em prática a economia circular é um dos grandes desafios ambientais de Portugal.
No panorama europeu, o país surge como o quarto pior, com uma taxa de circularidade
de apenas 2,5%. De acordo com a Agência Europeia do Ambiente, a maioria dos Estados-Membros
enfrenta dificuldades semelhantes em cumprir as metas de reciclagem de
resíduos urbanos e de embalagens.
Os objetivos definidos passam por reduzir a produção de resíduos e aumentar a reciclagem até 2030,
o que implica diminuir tanto a quantidade como a perigosidade do lixo produzido. O Plano Estratégico
para os Resíduos Urbanos até 2030 (PERSU2030) garante a continuidade da política nacional
de resíduos, envolvendo diferentes entidades na concretização de medidas que permitam alinhar-se
com as políticas europeias e nacionais. Entre as prioridades estão a redução na geração de resíduos, a
valorização dos materiais e a reciclagem, o que resulta numa menor dependência de matérias-primas
extraídas de forma intensiva.
Em particular, este plano pretende reforçar a recolha seletiva e o reaproveitamento dos resíduos,
dando especial atenção aos biorresíduos, aos resíduos têxteis e às novas fileiras emergentes. Também
incentiva o uso de materiais reciclados, como combustíveis derivados de resíduos, compostos orgânicos
e matérias-primas secundárias.
No Fórum de Líderes, as empresas de referência do setor partilharam de que forma estão comprometidas
com estes objetivos, revelando a sua visão sobre o futuro
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
38
\\ FÓRUM DE LIDERES \\
PAULO PRAÇA
Presidente da Direção, ESGRA
1
A ESGRA tem como um dos principais objetivos da sua atividade assegurar que os interesses do setor
sejam ouvidos e ponderados pelos decisores políticos, constituindo um dos marcos principais o papel
que tem vindo a ser chamada a desenvolver nas diferentes iniciativas e fóruns de discussão sobre a atividade
do setor dos resíduos, que contribui significativamente para o desenvolvimento económico e social
do País, tanto pela capacidade de gerar atividade económica e de criar emprego e riqueza, como pela
crescente melhoria que tem conferido às condições de vida da população.
Todos os objetivos para a sustentabilidade têm subjacente a necessidade de conciliação de interesses e
soluções de compromisso, cuja importância a ESGRA reforça no caso particular do setor dos resíduos
urbanos que, gerindo resíduos com recurso a diferentes soluções tecnológicas instaladas em centros de
tratamento que constituem uma verdadeira indústria, encarregue da prestação de um serviço público
essencial, cria postos de trabalho, gera matérias-primas para serem transformadas em novos produtos,
gera riqueza, e assegura a qualidade de vida dos cidadãos, a saúde pública e a sustentabilidade ambiental
em Portugal.
2
No que respeita às metas ambientais para o setor dos resíduos urbanos, destaca-se a meta mais difícil de
alcançar para Portugal: reduzir a deposição em aterro até 10% do total dos resíduos urbanos produzidos,
até 2035; particularmente difícil de alcançar para países, como Portugal, que ainda apresentam uma dependência
muitíssimo elevada dos aterros para encaminharem os resíduos que produzem, e onde, também,
não existe capacidade suficiente de tratamento em níveis mais elevados da hierarquia de resíduos.
Como oportunidade, para que o contributo da gestão de resíduos para o modelo de desenvolvimento
circular se cumpra, é preciso uma atenção diferente da que tem sido dada no nosso País, nos últimos 20
anos através de adiamentos sucessivos de soluções capazes de dar resposta às também diferentes características
dos resíduos que todos os dias produzimos.
Assistimos, no primeiro trimestre deste ano, à apresentação de um plano de ação para devolver ao setor
a atenção e as soluções que precisa. A concretização das medidas estabelecidas no Plano de Ação TER-
RA, resultantes de um trabalho conjunto e dos contributos dos diferentes representantes do setor de
gestão de resíduos, constitui uma oportunidade que não deve ser desperdiçada, alocando, para tal, sem
mais adiamentos, os recursos necessários que vão ter de ser encontrados e assumidos por todos.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ FÓRUM DE LIDERES \\
39
NUNO SOARES
Presidente do Conselho de
Administração da TRATOLIXO
PEDRO NAZARETH
CEO do Electrão
1
Na TRATOLIXO temos vindo a adotar várias medidas,
privilegiando um modelo circular de negócio, assente na
criação de valor no ciclo produtivo. Destaco a poupança do
consumo de água potável, fazendo o tratamento da água
industrial usada na Digestão Anaeróbia (DA) e reintroduzindo-a,
após tratamento, no mesmo processo de DA e
em limpezas fabris. Fazemos também o aproveitamento da
água da chuva, introduzindo-a no processo de compostagem
de resíduos verdes.
Outro exemplo é a recuperação da fração orgânica dos resíduos
urbanos biodegradáveis para produção de composto
e subsequente venda para a agricultura que pode, assim,
aproveitar recursos internos, evitando importação de adubos
e colocação de produtos químicos nos solos.
Acrescento ainda o aproveitamento do biogás produzido
na Central de Digestão Anaeróbia da Abrunheira para
produção de energia elétrica verde renovável, bem como a
recolha e tratamento de biorresíduos alimentares, além dos
resíduos verdes, matéria na qual fomos pioneiros e na qual
temos vindo a investir continuamente.
2
O grande desafio será cumprir com as metas definidas
para esta atividade. Para isso será necessário o envolvimento
de todos os intervenientes, desde os cidadãos às diferentes
entidades públicas e privadas. Na TRATOLIXO
estamos a trabalhar continuamente no sentido de contribuir
para que Portugal se possa aproximar o mais possível
dos objetivos traçados.
1
As iniciativas desenvolvidas pelo Electrão - entidade gestora de embalagens, pilhas e
equipamentos elétricos usados, que participa também num sistema de gestão de plásticos
de uso único, direcionado para os produtos do tabaco - estão desde logo orientadas
para a sustentabilidade.
A sustentabilidade é um dos pilares da atuação do Electrão, que vai muito além da atividade
de gestão de fim de vida de resíduos, abrangendo um compromisso com o consumo
sustentável e a prevenção da geração de resíduos.
Um marco importante do caminho que tem sido traçado foi a publicação, já em 2025,
do primeiro relatório de sustentabilidade relativo aos anos de 2023 e 2024.
O Electrão foi a primeira entidade gestora de resíduos a apresentar este documento
antecipando as exigências regulatórias nesta matéria e plasmando estes princípios em
todas as suas áreas da sua atividade.
2
A gestão de resíduos em Portugal tem ainda um caminho exigente pela frente no sentido
de consolidar o modelo de Economia Circular. Persistem algumas dificuldades,
como a reduzida taxa de reciclagem, a fragmentação de responsabilidades ao longo da
cadeia de valor, a informalidade em certos fluxos e a ainda limitada participação dos
cidadãos, mesmo com campanhas de sensibilização desenvolvidas há décadas.
Há também sinais encorajadores a registar, como a criação de novos sistemas de Responsabilidade
Alargada do Produtor, nomeadamente aquele em que o Electrão já está
envolvido para os plásticos de uso único, dedicado aos produtos do tabaco, convocando
mais empresas para esta missão coletiva.
Para que o país consiga dar o salto necessário será determinante reforçar a fiscalização,
estimular a cooperação entre entidades gestoras, municípios, operadores de gestão de
resíduos, empresas e consumidores alinhando todos os intervenientes em torno de um
propósito comum.
Só com um esforço partilhado será possível transformar os desafios em oportunidades
e avançar para um modelo de desenvolvimento ambiental e socialmente sustentável.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
40 \\ FÓRUM DE LIDERES \\
SÓNIA SILVA
Presidente da Direção, AVALER
CARLOS BENTA
Administrador, Rduz
1
A AVALER é uma associação sem fins lucrativos de utilidade pública, de âmbito
nacional, que tem por missão a promoção da sustentabilidade na gestão de resíduos
urbanos e o apoio às suas Associadas na prossecução desse objetivo.
Assim, desde a sua constituição, em 2005, a AVALER tem procurado desenvolver
a sua atividade em promover o estudo e a implementação das melhores formas
de tratamento dos resíduos urbanos por parte das entidades suas Associados, em
conformidade com as regras aplicáveis e as melhores técnicas e práticas, de forma
a salvaguardar a proteção do ambiente e da saúde pública, no desempenho da atividade
imprescindível de tratamento dos resíduos produzidos pela comunidade,
através do qual é produzido um bem de valor inestimável, energia.
2
Portugal encontra-se numa situação muito crítica e delicada face ao iminente esgotamento
da capacidade de aterro em relação ao qual continua a apresentar um
nível de dependência muito elevado, encaminhando anualmente para este destino
mais de metade dos resíduos que produz. Em 2023 o valor da deposição ascendeu a
59%, sendo que de acordo com os dados oficiais, Portugal dispõe apenas de 14% de
capacidade disponível em aterro, colocando o país, num estado de emergência no
que toca à gestão de resíduos depositados em aterro.
Esta situação é particularmente grave não só porque representa uma distância muito
acentuada da meta a cumprir até 2035, de redução da deposição em aterro até
10% da totalidade dos resíduos produzidos, mas sobretudo porque, atualmente em
Portugal continental, apenas existem duas instalações de valorização energética de
resíduos urbanos por incineração de dedicada com mais de 25 anos de atividade.
Pelo que, a nosso ver, o maior desafio coloca-se em assumir que só aumentando a
capacidade de valorização energética por incineração dedicada será possível dar
um destino ambientalmente adequado aos resíduos produzidos no País que devem
ser desviados de aterro, de forma a cumprir aquela meta, para o que será necessário
mobilizar o necessário investimento.
1
Temos vindo a fazer um investimento forte via descarbonização
da frota, onde já possuímos uma viatura
elétrica para recolha de resíduos, bem como, substituímos
vários camiões por camiões novos, assim
reduzindo as emissões.
Fazemos gestão inteligente de recolha de resíduos
com criação de rotas mais otimizadas.
2
Um dos principais objetivos da gestão de resíduos em
Portugal é a necessidade de redução de deposição de
resíduos em aterros.
A necessidade de criação de unidades especializadas
em tratamento de resíduos específicos.
Simplificação da legislação para que todos possam
entendê-la e cumpri-la.
A oportunidade que parece importante é transformar
resíduos em matérias primas para que a industria
as possa utilizar.
A digitalização e a utilização da inteligência artificial
num mundo de resíduos.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ FÓRUM DE LIDERES \\
41
RICARDO SOUSA
General Manager, Sopinal
1
Ao longo de 2024, a Sopinal focou-se na otimização dos processos operacionais, no
investimento em novas tecnologias e na aposta em energias renováveis. Estas iniciativas
foram cruciais para melhorar a nossa eficiência e reduzir a pegada carbónica.
Especificamente, investimos em novas máquinas de produção que oferecem maior
produtividade e menor consumo energético, substituindo equipamentos antigos
com elevado consumo. A nossa frota de veículos e empilhadores tem sido progressivamente
substituída por modelos elétricos, em detrimento dos motores a combustão.
Além disso, instalamos uma Central Fotovoltaica para Autoconsumo nos
telhados dos nossos pavilhões e edifícios, de forma a alimentar o consumo elétrico
da empresa.
Reconhecendo a economia circular como um elemento-chave na transição climática,
promovemos a inovação e apoiamos o desenvolvimento de soluções práticas que
aceleram a transição para uma economia mais circular.
2
Como principais desafios na gestão de resíduos em Portugal nos próximos anos,
destacamos a gestão e tratamento dos biorresíduos e o cumprimento das metas de
reutilização e reciclagem, cujos números ainda estão muito abaixo do objetivo traçado.
É crucial reduzir a quantidade de resíduos que vão para aterro até aos níveis
exigidos pela União Europeia (10% até 2035), e garantir que as regras (como a responsabilidade
alargada do produtor e a recolha obrigatória de certos fluxos) sejam
cumpridas, com sistemas robustos de medição e avaliação.
Por outro lado, como principais oportunidades na gestão de resíduos em Portugal,
consideramos a expansão da recolha para fluxos que até agora estavam pouco organizados
(como roupa, calçado, volumosos e pilhas). Vemos também uma grande
oportunidade no desenvolvimento de novos produtos e embalagens mais fáceis de
reciclar ou reutilizar desde a fase de design, bem como na implementação de novos
sistemas de monitorização, rastreio de fluxos, ferramentas de geolocalização, uso de
sensores, automatização de triagem e inteligência artificial.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
42 \\ FÓRUM DE LIDERES \\
MARIANA PEREIRA DA SILVA
Diretora de Sustentabilidade da MC
1
A MC tem vindo implementar um conjunto abrangente de iniciativas
para promover a sustentabilidade, com foco na redução do impacto
ambiental e na promoção da economia circular.
A redução do desperdício alimentar é outra prioridade, tendo evitado
76 milhões de euros em desperdício em 2024, através de iniciativas
como a Etiqueta Rosa, Caixa Zero Desperdício, Too Good To Go e
doações da Missão Continente. Paralelamente, promove a literacia
do consumidor com orientações práticas para reduzir o desperdício,
como o selo “Observar, Cheirar, Provar”. A MC também atua na sensibilização
para a sustentabilidade, envolvendo clientes, parceiros e
decisores, e está a implementar uma plataforma que informa sobre
a pegada de carbono dos produtos, incentivando escolhas mais conscientes
e contribuindo para a redução das emissões ao longo da cadeia
de valor.
No combate às alterações climáticas, definiu metas validadas pela
Science Based Targets initiative (SBTi), que incluem uma redução de
51% nas emissões das operações (âmbito 1 e 2) até 2032 (face a 2022)
e a neutralidade carbónica nas operações até 2040, já tendo alcançado
uma redução de 18,2% nas emissões de âmbito 1 e 2 desde 2022.
Para descarbonizae o consumo energético, investiu na expansão do
parque fotovoltaico que, em 2024, atingiu uma potência instalada de
67 MWp, e em contratos de aquisição de energia (PPAs), garantindo
que 32% do consumo de eletricidade da MC proveniente de fontes
renováveis.
Na área da mobilidade, adotou uma política de viaturas 100% elétricas
para novas atribuições, compensando integralmente as emissões
dos veículos ainda movidos a combustíveis fósseis e híbridos através
de reflorestação. A par, a rede de carregamento elétrico Plug&Charge
da MC posiciona-se como um importante player na rede de carregamentos
elétricos em Portugal, contando já com 432 postos de carregamento
em 99 lojas.
Ao nível da gestão de resíduos, a MC está a expandir nas suas lojas o
conceito inovador EcoSpot, espaços dedicados à recolha de resíduos
como pilhas, lâmpadas, cápsulas de café e têxteis, promovendo a reciclagem
e evitando o envio de materiais para aterro. A MC também
participa no SDR Portugal, uma iniciativa conjunta entra a indústria
e o retalho que visa aumentar a reciclagem de garrafas PET e latas,
com os pontos de recolha integrados nos EcoSpots.
A redução do desperdício alimentar é outra prioridade da MC, tendo
evitado 76 milhões de euros em desperdício, em 2024, um aumento
de 153% face a 2020, através de mecanismos de aceleração de escoamento
de produtos, como a Etiqueta Rosa, Caixa Zero Desperdício e
Too Good To Go, e dos programas de doações da Missão Continente.
Para além das medidas operacionais, a MC investe na literacia do
consumidor, fornecendo orientações sobre como reduzir o desperdício
alimentar através de iniciativas como o Selo “Observar, Cheirar,
Provar” da Too Good To Go.
Tirando partido da sua proximidade com os clientes, a MC desempenha
ainda um papel ativo na promoção da literacia em sustentabilidade
e na disseminação de boas práticas no quotidiano. Para além
da sensibilização, a MC utiliza a sua dimensão e influência no setor
para envolver decisores, produtores e parceiros, acelerando a transição
alargada para práticas mais sustentáveis. Tendo em conta que
o sistema alimentar global é responsável por cerca de um terço das
emissões de gases com efeito de estufa totais globais, a MC está a tomar
medidas proativas para reduzir o seu impacto. Neste momento
está a ser implementada uma plataforma dedicada a disponibilizar
aos clientes informação sobre a pegada de carbono dos seus produtos,
permitindo-lhes fazer escolhas mais informadas e conscientes em re-
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ FÓRUM DE LIDERES \\
43
NÍDIA CAETANO
Presidente do Conselho Diretivo, APESB
lação aos produtos que consome. Esta iniciativa reflete
o compromisso da MC em combinar educação,
transparência e ação, impulsionando uma redução
significativa das emissões em toda a cadeia de valor.
2
A gestão de resíduos em Portugal atravessa uma fase
de transformação e de crescimento, impulsionada
pela crescente consciencialização ambiental, pelas
metas europeias e pela necessidade urgente de responder
aos desafios estruturais do setor. Porém, o
esgotamento da capacidade dos aterros e a limitação
das infraestruturas de valorização são dois grandes
desafios que tornam evidente a importância de
investir em soluções mais eficientes e sustentáveis.
Neste sentido, a separação na origem assume um
papel fundamental na valorização adequada dos
recursos, permitindo a criação de produtos de qualidade
e a sua reintegração na economia. É fundamental
o desenvolvimento de infraestruturas que
permitam o tratamento adequado dos resíduos produzidos
assim como uma gestão mais eficiente dos
materiais e que seja alargada a novos fluxos, com
o objetivo de diminuir a produção de resíduos indiferenciados.
A disponibilização de soluções para
valorização orgânica, como a produção de biogás,
é outro passo relevante, criando condições para o
desenvolvimento de um mercado de bio metano e
promovendo, assim, a descarbonização da rede de
gás natural.
1
A APESB tem vindo a adotar diversas iniciativas que promovem a sustentabilidade, como a
organização de congressos, seminários e workshops que incentivam a troca de conhecimento
e boas práticas na gestão de resíduos, águas e efluentes, destacando-se o ENaSB – Encontro de
Engenharia Sanitária Ambiental e as Jornadas Técnicas Internacionais de Resíduos - JTIR.
Envolve-se de forma dinâmica na organização de eventos como Simpósio Luso-Brasileiro de
Engenharia Sanitária e Ambiental (SILUBESA) e com a realização de workshops em cooperação
Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES).
Promove ainda a formação e sensibilização técnica e científica dos seus associados e da sociedade
em geral, fomentando a inovação e a investigação aplicada. Destaca-se a publicação
da Revista Águas & Resíduos. Através de parcerias nacionais e internacionais, como com a
ISWA e a IWA, a contribui para a implementação de soluções circulares e eficientes, alinhadas
com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, reforçando o compromisso com um
futuro mais sustentável.
2
A gestão de resíduos em Portugal enquadra-se numa agenda cada vez mais exigente. Entre
os desafios mais prementes, destacam-se o reforço da recolha seletiva, com metas específicas
essenciais para reduzir a deposição em aterro. Salienta-se também a adaptação das soluções
à insularidade e aos diversos territórios, o cumprimento das metas europeias, a sensibilização
e envolvimento da sociedade, fundamentais para aumentar a qualidade da separação na
origem e garantir o sucesso das estratégias implementadas.
Existem oportunidades relevantes a nível de financiamento sustentável e novos instrumentos
económicos, a digitalização de processos e soluções circulares, e ainda a inovação tecnológica
e digitalização e a descarbonização do setor, através da valorização energética, da
utilização de combustíveis alternativos e da redução das emissões associadas ao ciclo de vida
dos resíduos.
A APESB tem-se pautado pela cooperação internacional e partilha de conhecimento, potenciadas
por eventos técnicos e científicos, que consolidam o papel de Portugal no debate global
sobre sustentabilidade.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
44 \\ FÓRUM DE LIDERES \\
ANA TRIGO MORAIS
CEO, Sociedade Ponto Verde
1
Ao longo de quase três décadas, a Sociedade Ponto Verde
(SPV) tem desempenhado um papel central na construção
de um sistema de reciclagem de embalagens que
é hoje uma referência em Portugal e na Europa. Desde
1996, já foram enviadas para reciclagem mais de 8 milhões
de toneladas de embalagens, resultado do esforço
conjunto de cidadãos, empresas, sistemas municipais e
multimunicipais, clientes, governo e parceiros institucionais.
Mas o nosso papel vai além da gestão do sistema: temos
investido em conhecimento, literacia e educação
ambiental, mobilizando diferentes públicos e sensibilizando
todos para a importância de adotar comportamentos
mais sustentáveis. Nesse sentido, desenvolvemos
diversos projetos, como a Academia Ponto Verde,
o Juntos a Reciclar++ e o Junta-te ao Gervásio, pensados
para públicos distintos, com o objetivo de estar mais
próximos dos cidadãos, empresas e poder local, capacitá-los
e mostrar que a reciclagem de embalagens pode
ser feita em qualquer momento e em qualquer lugar.
No âmbito da inovação, área que acreditamos que pode
revolucionar a circularidade no País e em que temos investido
fortemente, destaco projetos como o re_source
e o Ponto Verde Lab. Assim, a ambição da SPV é continuar
a ser motor da economia circular em Portugal,
traduzindo a sustentabilidade em resultados concretos
que façam a diferença na vida das pessoas e no futuro
do País.
2
Os próximos anos trazem consigo metas europeias
cada vez mais exigentes: no final de 2025, Portugal terá
de reciclar 65% das embalagens colocadas no mercado
e, em 2030, 70%. Até porque separar melhor as embalagens
significa menos resíduos em aterros e mais materiais
a circular na economia. Estima-se que anualmente
estamos a perder 34M€ referentes a todas as embalagens
que não são encaminhadas para reciclagem e isso
tem mesmo de mudar.
Trata-se de um desafio que implica acelerar a inovação,
a eficiência e a colaboração entre todos os agentes da
cadeia de valor.
A nova licença atribuída às entidades gestoras de embalagens,
que pela primeira vez tem um horizonte temporal
de dez anos, representa uma oportunidade de
consolidar o sistema, mas também uma maior responsabilização
de todos os intervenientes.
Até 2030, será determinante transformar metas ambiciosas
em conquistas reais, melhorar o nível de serviço
prestado aos cidadãos, em qualidade e conveniência,
reforçando, assim, a transição para uma economia circular
robusta e eficiente. Reafirmamos, por isso, a nossa
posição de liderança e assumimos o compromisso de
continuar a fomentar conhecimento, literacia ambiental
e inovação, conscientes de que o sucesso da reciclagem
de embalagens em Portugal dependerá, mais do
que nunca, da participação ativa de todos.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ FÓRUM DE LIDERES \\
45
AMÍLCAR GONÇALVES
Presidente do Conselho de Administração da
ARM – Águas e Resíduos da Madeira, S.A.
1
A Águas e Resíduos da Madeira tem vindo a
implementar várias iniciativas para promover
a sustentabilidade na Região Autónoma da
Madeira, com ênfase na gestão de recursos e na
economia circular.
Temos vindo a investir na modernização das
infraestruturas de abastecimento e distribuição
de água, com vista à melhoria da eficiência hídrica
e ao reforço da capacidade de armazenamento,
essencial para usos diversos, incluindo o
regadio agrícola. Paralelamente, apostamos na
requalificação dos sistemas de drenagem e tratamento
de águas residuais, contribuindo para
a preservação da qualidade das águas balneares
e, bem assim, para o bem-estar das populações.
No âmbito da gestão de resíduos, destaca-se a
valorização energética desenvolvida na Estação
de Tratamento de Resíduos Sólidos da Meia
Serra, com uma produção anual de cerca de
50 GWh, dos quais três quartos são injetados
na rede pública de energia — quantidade suficiente
para abastecer aproximadamente 5% das
habitações da Região. Prosseguimos igualmente
com a valorização multimaterial, fomentando
a reciclagem, e com projetos inovadores como
o Biovalor, que transforma resíduos verdes em
composto orgânico de elevada qualidade, disponibilizado
gratuitamente à população.
Acreditamos que a sustentabilidade se constrói
com conhecimento e participação. Por isso,
mantemos um forte investimento em iniciativas
de educação ambiental dirigidas à comunidade
em geral. É através deste trabalho conjunto
que continuaremos a construir um futuro
mais equilibrado, responsável e sustentável para
todos.
2
A gestão de resíduos em Portugal enfrenta desafios
como o aumento das taxas de reciclagem, a
promoção da economia circular e a valorização
energética de resíduos. A redução da produção
de resíduos e a adaptação às exigências da
União Europeia são questões cruciais, especialmente
devido às disparidades regionais na eficácia
das práticas de gestão de resíduos.
Na Região Autónoma da Madeira, os desafios
principais incluem a valorização energética e a
compostagem de resíduos orgânicos, com ênfase
na melhoria desses processos para aumentar
a eficiência e sustentabilidade. A educação
ambiental também desempenha um papel importante,
sendo essencial promover campanhas
de sensibilização tanto para a população local
como para os turistas, incentivando a separação
de resíduos e o consumo responsável. O foco
está em reforçar as infraestruturas e práticas
que contribuam para uma gestão mais eficiente
e sustentável dos resíduos.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
46 \\ FÓRUM DE LIDERES \\
JOSÉ MANUEL RIBEIRO
Presidente do Conselho de Administração,
Valongo, LIPOR
1
O Compromisso da LIPOR vai muito para além da gestão e valorização dos
resíduos, estamos comprometidos com a Sustentabilidade e com a criação
e partilha de Valor, compromisso este que nos tem permitido concretizar
um Ecossistema que conjuga uma Governança responsável, ativa e interventora.
É na Agenda de Sustentabilidade que refletimos a nossa dinâmica e corporizamos
a resposta aos desafios ESG totalmente alinhada com a Estratégia
Corporativa. As premissas fundamentais de atuação privilegiam uma
relação estreita com as nossas Partes Interessadas, valorizando as Pessoas,
estando em harmonia com o Planeta, projetando Prosperidade e criando
valor pelas Parcerias, e, portanto, totalmente em alinhamento com a Agenda
2030 da Nações Unidas, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS), respetivas metas e indicadores.
São diversas as iniciativas que a Organização assume, destacando-se entre
outras, o compromisso de combate às alterações climáticas e transição energética,
através da prossecução da nossa Estratégia 4M – menos resíduos,
menos carbono, mais clima, mais biodiversidade, para a qual a LIPOR reforçou
o compromisso para 2030 de redução de 50% das emissões, ou seja,
reduzindo para metade as suas emissões, face a 2006, e a sua ambição de
atingir a neutralidade climática em 2045, pois sabemos que o aumento dos
riscos climáticos físicos tem de impulsionar padrões de divulgação mais rigorosos.
Relevo também a Estratégia da Biodiversidade 2030 da LIPOR,
na qual a LIPOR e os seus Municípios Associados trabalham no sentido
de mapear as questões de promoção e regeneração da biodiversidade na
Estratégia de Negócio, aquilo que chamamos de nosso lado “B” – BIODI-
VERSIDADE.
As iniciativas e projetos de sensibilização, educação e formação ambientais
são também valências fundamentais do seu Propósito de “todos os dias contruímos
um mundo melhor”.
Na LIPOR, procuramos diariamente garantir a prosperidade da nossa Organização
pela Sustentabilidade, assegurando um impacto positivo no ambiente
e na sociedade envolvente, trabalhando em sinergia, rede e cocriação,
pois acreditamos que só assim continuaremos a ser relevantes e competitivos,
no setor em que atuamos.
2
A necessidade de Portugal convergir nas metas determinadas pela Diretiva
Quadro Resíduos, nomeadamente a preparação para reutilização e reciclagem
dos Resíduos Urbanos e a exigência de redução de deposição em Aterro,
colocam desafios, mas também oportunidades ao setor. O setor tem de se
posicionar como relevante no desenvolvimento do País. Precisamos de uma
efetiva implementação da Hierarquia da boa gestão dos Resíduos, onde na
base temos a Prevenção que tem de atuar de forma a conseguirmos reduzir
a produção de resíduos, temos de produzir produtos mais sustentáveis
e recicláveis, temos que ter fortes estratégias para potenciar a reutilização
e apostar cada vez mais em recolhas dos resíduos seletivas de qualidade, de
modo a termos uma Economia Circular.
É necessário que os Órgãos da tutela encetem medidas e políticas que assegurem
a sustentabilidade económico-financeira dos SGRUs (Sistemas de
Gestão de Resíduos Urbanos), com particular destaque para a justa remuneração
da venda dos materiais de embalagem, para a questão da remuneração
da energia elétrica e de novas fontes de energia e políticas fiscais.
Urge, ainda, aumentar o apoio financeiro ao setor, como Programas de
Empréstimos Especiais do Banco Europeu de Investimentos, para evitar o
retrocesso do país às práticas de gestão de resíduos do passado. Só assim,
serão asseguradas as condições necessárias para a prossecução das medidas
e avultados investimentos preconizados pelo PERSU 2030.
O tratamento de novos fluxos de resíduos, nomeadamente, biorresíduos e
resíduos têxteis, bem como a imposição das metas ambiciosas pela União
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ FÓRUM DE LIDERES \\
47
Europeia, que requerem a implementação
de sistemas técnicos eficazes para
assegurar a separação, a recolha seletiva
e o tratamento adequado destes resíduos,
são outras das exigências que se colocam
ao setor.
Destaca-se, também, a urgência em inverter
a opção “confinamento em aterro”
dos resíduos alertando para o risco de escassez
de infraestruturas de tratamento e
valorização em algumas regiões do país,
como o Norte e o Algarve, e para os custos
elevados de uma previsível necessidade
de exportação de resíduos.
Na LIPOR temos vindo a repensar o
Modelo de Negócio, passando de apenas
gestora de resíduos para nos tornarmos
gestora de recursos e, mais recentemente,
produtora de produtos que impulsionam
a Economia Circular firmando todos os
esforços na sua valorização mais adequada,
abordagem que tem por base a projeção
de um modelo circular de negócios, e
é sustentada por projetos demonstrativos
das práticas de circularidade de suporte.
Sabemos que é possível gerar e partilhar
valor transformando os resíduos em produtos,
prestando serviços especializados,
promovendo a prosperidade e a inovação
sustentável e tecnológica.
1
A HRV assume atualmente uma estratégia baseada em sustentabilidade Económica, Ambiental e Social:
adaptando modelos de negócio com base em práticas de reaproveitamento de recursos, investimentos
em tecnologias mais eficientes energeticamente , instalação de central fotovoltaica para produção
de energia para autoconsumo, modernização das suas instalações com iluminação LED, melhoramento
de isolamento térmico, consciencialização para o uso e consumo de água bem como para adotação de
políticas de reciclagem dos materiais, na execução de medidas por forma a garantir melhores e mais
seguras condições de trabalho, apoiar causas sociais locais.
2
Os próximos anos trazem consigo metas europeias Portugal enfrenta um momento decisivo : Cumprir
as metas europeias de reciclagem e de redução da deposição em aterro até 2035 será extremamente
exigente, sobretudo porque a recolha seletiva e o tratamento de biorresíduos ainda longe de estar plenamente
implementados.
No entanto, acreditamos que estes desafios podem ser também oportunidades.
O investimento em inovação tecnológica — como sistemas de triagem mais eficientes, recolha inteligente
e valorização energética dos biorresíduos — pode aumentar a eficácia e gerar valor económico e
ambiental. Ao mesmo tempo, vejo na economia circular e no ecodesign caminhos claros para reduzir a
produção de resíduos na origem e incentivar produtos mais fáceis de reutilizar e reciclar.
Neste contexto, consideramos positiva a recente noticia de novos investimentos em unidades de valorização
energética, através de centrais de incineração de resíduos que de outra forma acabariam em
aterro.
Consideramos também uma boa oportunidade para a HRV, que já está no mercado da valorização dos
resíduos orgânicos, ser parceira destas centrais de valorização orgânica, acrescentando linhas de peletização
ou de ensacamento de produto pulverulento, para que assim se fomente a utilização de adubos
orgânicos.
Por outro lado, a cooperação entre municípios será decisiva para equilibrar disparidades regionais e
reforçar a capacidade nacional.
Acima de tudo, que terá de existir uma verdadeira mudança de mentalidade dos cidadãos e sem uma
maior responsabilização dos produtores, dificilmente Portugal atingirá as metas que se propôs.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
48
\\ DIRETÓRIO \\
DIRETÓRIO
O futuro é circular
Todos os anos, na União Europeia (UE), são gerados cerca de 2,2 mil milhões de toneladas
de resíduos. Em Portugal, de acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente, a produção
total de resíduos urbanos (RU) atingiu, em 2022, 5,05 milhões de toneladas — um
aumento de 0,7% face a 2021. Estes valores mostram uma tendência estável desde 2019,
invertendo a trajetória de crescimento contínuo que se verificava até 2014.
Apesar disso, quando se analisa a recolha seletiva de resíduos, a evolução tem sido positiva, ainda que
a taxa de crescimento esteja a abrandar, o que pode indicar uma estagnação.
A transição de um modelo linear para uma economia circular é um dos grandes desafios. Tal mudança
exige um forte empenho tanto do poder político como das empresas. A meta é transformar
resíduos em recursos, incentivando a reutilização e a reciclagem, reduzindo assim a dependência de
matérias-primas e minimizando os impactos ambientais.
Os cidadãos também desempenham um papel essencial nesta mudança, ao repensarem hábitos de
consumo e darem preferência à reutilização.
Portugal, à semelhança de outros países da União Europeia, enfrenta este desafio com compromissos
assumidos e políticas em curso. Neste suplemento, apresentamos alguns exemplos inspiradores de
boas práticas que demonstram ser possível avançar com sucesso rumo a uma economia mais circular.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ DIRETÓRIO \\
49
BOARD
GESTÃO EFICIENTE,
FUTURO SUSTENTÁVEL
A
ARM – Águas e Resíduos da Madeira, S.A.
(ARM) é uma empresa de capitais exclusivamente
públicos, responsável pela exploração
e gestão do sistema multimunicipal de águas e resíduos
da Região Autónoma da Madeira (RAM),
operando em regime de serviço público e de exclusividade.
A ARM desenvolve as suas atividades nos setores
de resíduos e águas (abastecimento e águas
residuais). No setor de resíduos ‘em alta’ atua em
toda a RAM, enquanto no setor de águas “‘em
alta’” opera em nove dos onze municípios da
Região: • Calheta • Câmara de Lobos • Funchal
• Machico • Ponta do Sol • Porto Santo • Santa
Cruz • Santana • Ribeira Brava.
Relativamente às áreas de atuação ‘em baixa’,
designadamente a recolha de resíduos, a distribuição
de água potável e a recolha de águas residuais,
a ARM desenvolve atividade nos seguintes
cinco municípios aderentes: • Câmara de Lobos •
Machico • Porto Santo • Ribeira Brava • Santana.
Em relação à água para regadio, a empresa
presta serviços tanto ‘em alta’ quanto ‘em baixa’
em toda a Região, garantindo o fornecimento
para a agricultura em diversas áreas.
A missão da ARM é satisfazer as necessidades
da população por meio de um sistema multimunicipal
eficiente e sustentável, promovendo a
sustentabilidade ambiental, a resiliência do território
e o desenvolvimento económico e social da
RAM. A ARM tem como objetivo ser uma referência
na gestão e operação dos setores de águas e
resíduos, assegurando máxima eficácia, eficiência
e sustentabilidade em todas as suas atividades.
A atuação da ARM baseia-se na adoção de
soluções inovadoras e sustentáveis, sempre com
um compromisso intransigente com a qualidade,
o rigor e a excelência. A empresa está continuamente
em busca de inovação e melhoria, exercendo
as suas funções com compromisso ambiental
e social, assegurando que as suas operações contribuem
para a preservação do meio ambiente e
para o bem-estar das comunidades em que opera.
Este compromisso permite à ARM desempenhar
um papel fundamental no desenvolvimento sustentável
da Região, melhorando a qualidade de
vida da população e promovendo a progressão
profissional e pessoal dos seus colaboradores, que
são reconhecidos como o capital mais valioso da
organização.
ÁREA DE ATUAÇÃO
/Recolha, tratamento e valorização de resíduos
/Tratamento e distribuição de água
/ Recolha e tratamento de águas residuais
/ Distribuição de água para regadio
Amílcar Gonçalves
Presidente do Conselho de Administração
da ARM – Águas e
Resíduos da Madeira, S.A.
CONTACTOS
ARM
Águas e Resíduos da Madeira, S.A.
Sede: Rua dos Ferreiros, n.º 150,
9000-082 Funchal - Madeira
t. +351 291 201 020
(chamada para a rede fixa nacional)
geral@arm.pt
www.arm.pt
Linha Verde:
800 910 500
chamada gratuita, para pedidos de serviço
e comunicação de anomalias - piquete
Linha Cliente:
291 950 500
chamada para a rede fixa nacional, dias
úteis das 9h às 17h
clientes@arm.pt
pt.linkedin.com/company/
arm-águas-e-resíduos-da-madeira-s-a
www.facebook.com/aguasdamadeira
www.instagram.com/ar.madeira
www.youtube.com/
@arm-aguaseresiduosdamadeir543
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
50 \\ DIRETÓRIO \\
EQUIPA EXECUTIVA
UMA VISÃO MULTIFLUXO PARA A
GESTÃO DE RESÍDUOS EM PORTUGAL
O
Electrão foi constituído em 2005 para a gestão
de equipamentos elétricos usados em
Portugal em representação de 60 empresas
associadas fundadoras. Em 2009 alargou o âmbito
de atuação à gestão das pilhas e baterias usadas
e, em 2018, iniciou a atividade na gestão de
embalagens usadas, tornando-se a primeira entidade
gestora a atuar, em Portugal, em três dos
principais sistemas de reciclagem.
Desde 2024 que o Electrão participa no sistema
de gestão de fim de vida de plásticos de uso
único, mais especificamente dedicado aos produtos
do tabaco, através da associação ÚNICO.
O Electrão é o parceiro das empresas para a
gestão de fim de vida dos produtos. Atualmente
merece a confiança de mais de duas mil empresas,
nacionais e estrangeiras, que transferem
todos os anos para o Electrão, em Portugal, a
responsabilidade pela gestão de fim de vida dos
respetivos produtos que colocam no mercado,
servindo muitas destas empresas em mais do que
um sistema integrado de reciclagem.
O Electrão posiciona-se como um agente de
referência no setor dos resíduos, promovendo a
adoção de processos inovadores, aceleradores da
sustentabilidade e da economia circular, influenciando
positivamente diferentes organizações e
parceiros.
A proposta de valor que oferece no mercado
tem por base uma visão de gestão multifluxo de
resíduos, que explora as sinergias dos sistemas de
reciclagem e que se traduz numa gestão eficiente
e de maior valor económico, que continua a merecer
a confiança de um número cada vez maior
de empresas clientes.
ÁREAS DE ATUAÇÃO
/ Entidade gestora de embalagens, pilhas
e equipamentos eléctricos usados
/ Entidade gestora ÚNICO para a gestão
de plásticos de uso único
CONTACTOS
Rua Afonso Praça 6
1400-402 Lisboa
t. +351 214 169 020
geral@electrao.pt
www.electrao.pt
Pedro Nazareth
CEO
Ricardo Furtado
Director Geral para
os Eléctricos e Pilhas
Márcia Damas
Diretora Geral
de Embalagens
CIDADES E
COMUNIDADES
SUSTENTÁVEIS
PRODUÇÃO
E CONSUMO
SUSTENTÁVEIS
ACÇÃO
CLIMÁTICA
PROTEGER A
VIDA MARINHA
PROTEGER
A VIDA
TERRESTRE
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ DIRETÓRIO \\
51
COMPROMISSO RENOVADO,
MISSÃO CONTÍNUA
BOARD
António Nogueira Leite
Presidente do Conselho
de Administração da SPV
D
esde 1996 que a Sociedade Ponto Verde
(SPV) tem como missão contribuir para
a promoção da economia circular através
do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos
de Embalagens (SIGRE), assente num forte
compromisso com a inovação e I&D, a literacia
ambiental e a cidadania ativa. Entidade privada
sem fins lucrativos e líder de mercado, é responsável
pelo encaminhamento para reciclagem
e valorização dos resíduos de embalagens
resultantes do grande consumo. Atualmente,
serve cerca de 8 000 clientes, apoiando-os na
conceção de embalagens mais circulares e propondo
novas soluções para melhorar os processos
de recolha, separação e tratamento.
A SPV tem também como objetivo inspirar
cidadãos, empresas, clientes e parceiros a fazer
parte de um sistema mais circular, promovendo
o cumprimento das metas nacionais de reciclagem
de embalagens e garantindo um futuro
sustentável através de soluções inovadoras, colaboração
estratégica e impacto ambiental duradouro.
Enquanto marca institucional, reflete
valores como inovação, liderança, transparência,
compromisso e proximidade. A sua assinatura
é: “Damos mais valor às embalagens”.
Para reforçar a comunicação e sensibilização,
em 2025, foi criada a Ponto Verde, que
nasce para ser a identidade visível, consistente,
humana, inspiradora e mais próxima do público,
responsável por mobilizar os cidadãos através
de campanhas de comunicação, iniciativas
de sensibilização, programas educativos e ações
de proximidade. Apresenta-se como um movimento
agregador que une cidadãos de norte a
sul do País e ilhas, de todas as gerações e idades,
e será representada pela assinatura “Separamos
j u n t o s”.
Ana Trigo Morais
CEO/Administradora
Delegada da SPV
CONTACTOS
Rua João Chagas,
53, 1.º DTO
1495-764 Cruz Quebrada
+351 210 102 400
www.pontoverde.pt
www.pontoverdelab.pt
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
52 \\ DIRETÓRIO \\
BOARD
MAIS DE TRÊS DÉCADAS DEDICADAS
AO TRATAMENTO DE RESÍDUOS URBANOS
Fundada em julho de 1989, a Tratolixo é uma
empresa intermunicipal certificada, detida
em 100% pela AMTRES – Associação de
Municípios de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra,
para o Tratamento de Resíduos Sólidos. É responsável
pelo serviço público de tratamento de
Resíduos Urbanos (RU) produzidos pelos quase
900 mil habitantes dos municípios deste Sistema
de Gestão de Resíduos Urbanos e é uma referência
nacional na gestão de RU, reconhecida pela
sua excelência operacional, inovação e compromisso
com a sustentabilidade.
A empresa dedica-se ao tratamento, deposição
final, recuperação e reciclagem de resíduos e à comercialização
dos materiais transformados, bem
como a outras prestações de serviços no domínio
dos resíduos.
Fruto do trabalho rigoroso e eficiente levado
a cabo na TRATOLIXO, resultam diversos produtos
recicláveis que são encaminhados para valorização,
sendo tratados em média, anualmente
mais de 470 mil toneladas de resíduos urbanos,
aos quais acrescem os resíduos de entidades particulares.
Com 36 anos de atividade e mais de 300 trabalhadores,
a nossa visão assenta na utilização
das técnicas mais avançadas, seguras e ambientalmente
adequadas no tratamento de resíduos
urbanos, dando especial ênfase à valorização e
considerando-os como fonte de potencial matéria-prima.
O investimento em novas soluções, equipamentos
e infraestruturas é uma constante. Recentemente,
anunciámos a construção de um
novo edifício no Ecoparque da Abrunheira,
concelho de Mafra, para benefício dos trabalhadores
que contou com um investimento de cerca
de 2,5 milhões de euros. A nova infraestrutura
contempla balneários, posto médico e refeitório,
que ficarão ao serviço de cerca de uma centena
de funcionários que trabalham no Ecoparque da
Abrunheira.
Recorde-se ainda os investimentos na construção
da Central de Triagem de Resíduos de Embalagem
de Trajouce e na Central de Compostagem
para Resíduos Verdes e, mais recentemente, o
novo Tratamento Mecânico com separação automática
de sacos com Biorresíduos, investimento
importante e contributo fundamental e estratégico
que evita o desperdício dos biorresíduos e
permite contribuir para o aumento das taxas de
reaproveitamento e reciclagem. Poderemos, assim,
aumentar a nossa capacidade de produção
de biogás e de energia eléctrica, bem como de
composto orgânico de qualidade para aplicação
na agricultura.
Nuno Soares
Presidente do Conselho de
Administração da TRATOLIXO
CONTACTOS
Ecoparque da Trajouce
Estrada 5 de Junho, nº 1 - Trajouce
2785-155 São Domingos de Rana
t. +351 214 459 500
residuos@tratolixo.pt
www.tratolixo.pt
ÁREAS DE ATUAÇÃO
/ Tratamento de resíduos
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ DIRETÓRIO \\
53
BOARD
HÁ DUAS DÉCADAS A TRABALHAR
PARA UM MUNDO MELHOR
A
Valorpneu é uma entidade privada, sem fins
lucrativos, que tem por objetivo organizar e
gerir o Sistema Integrado de Gestão de Pneus
Usados (SGPU) em Portugal, assente na responsabilidade
alargada dos produtores de pneus. No
desenvolvimento da sua atividade a Valorpneu
assume o compromisso com os princípios orientadores
do desenvolvimento sustentável, assentes
na proteção do ambiente, na criação de valor e
na qualificação de recursos humanos do sistema
que gere. O cumprimento destes princípios, são
essenciais para o nosso contributo para uma economia
circular.
A Valorpneu tem como missão principal:
• Organizar e gerir a recolha, transporte e o
encaminhamento para destino final adequado
dos pneus usados que anualmente são gerados
no território nacional;
• Promover a investigação e o desenvolvimento
de novos métodos para o tratamento dos pneus
usados e de novas aplicações;
• Desenvolver ações de comunicação e sensibilização
com vista a estimular alterações comportamentais
motivadoras de práticas corretas
relativamente aos pneus novos e usados e
recetividade aos materiais resultantes da sua
valorização.
Na prossecução da sua missão, a Valorpneu envolve
todos os colaboradores e operadores do
SGPU, procurando melhorar continuamente
o seu desempenho, nomeadamente na área da
qualidade e ambiente, promovendo a melhoria
do desempenho dos operadores da rede SGPU e
assume, como um dos seus princípios de gestão, o
compromisso na prestação de um serviço de qualidade
de forma a garantir a conformidade com
todas as suas obrigações.
Em duas décadas de atividade em prol dos pneus
usados, a Valorpneu tem demonstrado o seu empenho
na prestação de um serviço de qualidade
para fechar, de forma sustentável e equilibrada o
ciclo de vida dos pneus, com o reforço e o desenvolvimento
das operações vitais ao SGPU, nomeadamente
prevenção, recolha, preparação para reutilização,
reciclagem e valorização dos pneus usados.
Queremos transmitir à comunidade a importância
da reutilização destes resíduos através de
diversas aplicações do granulado de borracha
de pneus usados entre outras. Desde o início da
nossa atividade temos comunicado aos cidadãos
a necessidade de adotarem práticas de prevenção
no uso dos pneus no seu dia-a-dia como forma de
aumentar o seu tempo de vida útil.
Tudo, em prol de um ambiente melhor e da criação
de novas vidas para os pneus!
Climénia Silva
Diretora-Geral
CONTACTOS
Av.ª Torre de Belém, 29
1400-342 Lisboa
+351 210 513 651
valorpneu@valorpneu.pt
www.valorpneu.pt
linkedin.com/company/valorpneu/
www.instagram.com/valorpneu/
ÁREAS DE ATUAÇÃO
/ Gestão de resíduos.
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
54
\\ DIRETÓRIO \\
REFERÊNCIA NA DISSEMINAÇÃO DE CONHECIMENTO
TÉCNICO-CIENTÍFICO EM ENGENHARIA SANITÁRIA E
AMBIENTAL EM PORTUGAL
A
APESB – Associação Portuguesa de Engenharia Sanitária e Ambiental é
uma associação técnico-científica, de carácter nacional e sem fins lucrativos,
fundada em 1980. Tem como principal objetivo promover o progresso
da engenharia sanitária e ambiental em Portugal, contribuindo para a
proteção da saúde pública, a preservação dos ecossistemas e a gestão sustentável
dos recursos naturais.
A sua atividade centra-se na dinamização de conferências, encontros técnicos,
cursos de especialização e publicações, constituindo-se como espaço
privilegiado de partilha de conhecimento e de cooperação entre profissionais,
académicos, entidades públicas e empresas do setor.
A APESB tem representação em organismos nacionais e internacionais de
referência, como a ISWA, a IWA, a EWA e a WEF, promovendo a integração
do país nas principais redes de investigação, inovação e desenvolvimento tecnológico
a nível europeu e mundial.
O atual Conselho Diretivo da APESB é presidido pela Professora Doutora
Nídia Caetano, contando com uma equipa multidisciplinar de reconhecida
experiência académica, técnica e profissional no setor do ambiente.
CONSELHO DIRECTIVO NACIONAL
Presidente: Prof.ª Nídia de Sá Caetano // Vice-Presidente: Eng.º Pedro Miguel
Fontes de Albuquerque Álvaro // Vice-Presidente: Prof.ª Isabel Paula Lopes
Brás // Vice-Presidente: Eng.º António Manuel Pedro Martins // Tesoureiro:
Dr. João Filipe Crisóstomo Dias
ÁREAS DE ATUAÇÃO
Água e Saneamento / Resíduos Sólidos / Alterações Climáticas e Sustentabilidade
/ Educação, Formação e Divulgação Técnico-Científica / Cooperação Internacional
CONTACTOS
APESB - Av. do Brasil, n.º 101, Edifício NES;
1700-066 Lisboa - PORTUGAL
+351 218 443 849
apesb@apesb.org
/ www.apesb.org
VALORIZAÇÃO ENERGÉTICA:
SUSTENTABILIDADE NA GESTÃO
DE RESÍDUOS
A
AVALER - Associação de Entidades
de Valorização Energética de Resíduos
Sólidos Urbanos - é uma Associação
portuguesa, de âmbito nacional, de direito
privado, sem fins lucrativos, criada em 19 de
dezembro de 2005 com a missão de defender
e representar os interesses das entidades responsáveis
pela valorização energética dos re-
Presidente da Direção
Sónia Silva
síduos urbanos, junto das entidades públicas
e privadas, nacionais e internacionais, contribuindo
para gestão sustentável de resíduos em Portugal.
A AVALER, atualmente, tem como associadas a Teramb - Empresa
Municipal de Gestão e Valorização Ambiental da Ilha Terceira, EM; a
ARM – Água e Resíduos da Madeira, S.A.; a LIPOR – Associação de
Municípios para a Gestão Sustentável de Resíduos do Grande Porto; e
a Valorsul – Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos das Regiões
de Lisboa e do Oeste, S.A.
A AVALER tem por objetivos divulgar informação sobre os processos
de tratamento de resíduos urbanos, das empresas Associadas e do
Setor, e contribuir para o esclarecimento e motivação da opinião pública
e dos cidadãos para a gestão sustentável de resíduos.
A AVALER representa, junto das Instituições da União Europeia, as
suas Associadas e o setor da valorização energética de resíduos português,
enquanto Membro da CEWEP - Confederation of Waste to Energy
Plants.
CONTACTOS
Plataforma Ribeirinha da CP – Estação de Mercadorias da Bobadela
2696-801 São João da Talha
+351 219 535 900
avaler@avaler.pt
/ www.avaler.pt
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ DIRETÓRIO \\
55
GESTÃO DE RESÍDUOS URBANOS:
SAÚDE PÚBLICA, QUALIDADE DE VIDA,
SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
AESGRA – Associação para a Gestão de Resíduos, é uma associação privada
sem fins lucrativos, criada em 2009 com a missão de promover o exercício
da atividade de gestão de resíduos urbanos, alinhado com um modelo de
desenvolvimento estratégico e sustentável, de modo a contribuir para a contínua
melhoria da saúde pública e do ambiente, bem como para a transição para
um modelo de economia circular.
A ESGRA representa atualmente 15 entidades, 14 das quais Sistemas de Gestão
de Resíduos Urbanos (SGRU), no Continente e nas Regiões Autónomas
dos Açores e da Madeira – uma área de 41 850 Km2 (45% do Total Nacional)
e uma população de 4 091 Milhões de habitantes (39%), correspondente a 2
137 694 toneladas de resíduos por ano (40%), produzidos nos Municípios que
constituem a área de intervenção dos seus Associados.
Na União Europeia, a ESGRA integra a Municipal Waste Europe (MWE),
associação europeia sediada em Bruxelas que representa o setor de gestão de
resíduos urbanos de responsabilidade pública e é interveniente formal junto das
instituições comunitárias no âmbito dos procedimentos legislativos em matéria
de resíduos.
ÁREAS DE ATUAÇÃO
/ Gestão de resíduos urbanos
BOARD
CONTACTOS
Paulo Praça
Presidente da Direção
Cátia Borges
Vice-presidente da Direção
Rua Rodrigues Sampaio, nº 19, 5º A
1150-278 Lisboa
+351 214 240 221
geral@esgra.pt / www.esgra.pt
Carlos de Andrade Botelho
Vice-presidente da Direção
Carla Velez
Secretária Geral
LISTAGEM
Abrantaqua
Urbanização dos Plátanos,
Lote 2-D, Loja B
2200-025 Abrantes
t. 241 331 562
e. geral@abrantaqua.pt
w. www.abrantaqua.pt
Agere , Empresa de Águas
Efluentes e Resíduos
de Braga E.M
Praça Conde Agrolongo, 115
4700-312 Braga
t. 253 205 000
e. agere@agere.pt
w. agere.pt
Água São Martinho
Rua Nova da Telha, 327
4821-909 Fafe
t. 253 459 000
e. geral@aguasmartinho.com
w. www.aguasmartinho.com
Águas da Azambuja
Rua Teodoro José da Silva, 37
2050-335 Azambuja
t. 263 002 470
e. geral@aguasdaazambuja.pt
w. www.aguasdaazambuja.pt
Águas da Covilhã
Rua Ruy Faleiro, n.º 111
6201-905 Covilhã
t. 275 310 810
e. geral@aguasdacovilha.pt
w. www.aguasdacovilha.pt
Águas da Figueira
Rua Dr. Mendes Pinheiro
3080-032 Figueira da Foz
t. 233 401 450
e. geral@aguasdafigueira.com
w. www.aguasdafigueira.com
Águas da Região de Aveiro
Travessa Rua da Paz nº 4
3800-587 Aveiro
t. 234 910 200
e. adra@adp.pt
w. www.adra.pt
Águas da Serra
Rua Senhora da Estrela, 20
6200-454 Boidobra
t. 275 313 260
e. aguasdaserra@ags.pt
w. www.aguasdaserra.pt
Águas da Teja
Av.ª Comunidades Europeias
N.º 39
6420-044 Trancoso
t. 271 829 000
e. aguasdateja@aguasdateja.pt
w. www.aguasdateja.org
Águas de Alenquer
Rua Sacadura Cabral,
22 C - R/C
2580-371 Alenquer
t. 263 731 217
e. geral@aguasdealenquer.pt
w. www.aguasdealenquer.pt
Águas de Barcelos
Rua Rosa Ramalho, n.º 9/A
4750-331 Barcelos
t. 253 813 814
e. geral@aguasdebarcelos.pt
w. www.aguasdebarcelos.pt
Águas de Carrazeda
Rua Vitor Guilhar, 90 - 92
5140-103 Carrazeda de Ansiães
t. 278 617 736
e. geral@aguasdecarrazeda.pt
w. www.cm-carrazedadeansiaes.pt
Águas de Cascais
Estrada da Malveira, 1237
Aldeia de Juso,
2750-836 Cascais
t. 214 838 300
e. geral@aguasdecascais.pt
w. www.aguasdecascais.pt
Águas de Coimbra
Rua da Alegria, 111
3000-018 Coimbra
t. 239 096 000
e. geral@aguasdecoimbra.pt
w. www.aguasdecoimbra.pt
Águas de Fafe
Largo 1.º de Dezembro
4820-142 Fafe
t. 253 700 020
e. geral@aguasdefafe.pt
w. www.aguasdefafe.pt
Águas de Gaia
Rua 14 de Outubro, 343
4431-954 Vila Nova de Gaia
t. 223 770 460
e. info@aguasgaia.pt
w. www.aguasdegaia.pt
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
56 \\ DIRETÓRIO \\
GERANDO E COMPARTILHANDO VALOR
ALIPOR – Associação de Municípios para a Gestão Sustentável de Resíduos
do Grande Porto – foi fundada em 1982 como Associação de Municípios
e gere, valoriza e trata resíduos urbanos produzidos pelos oito municípios
que a integram: Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim,
Valongo e Vila do Conde.
À escala nacional, o universo LIPOR, representa aproximadamente 1% do território
de Portugal Continental, concentra 10% da população e é responsável pela
valorização de 12% do total de resíduos urbanos produzidos no país.
Ao longo dos anos, desenvolvemos uma estratégia integrada, baseada em três
pilares: Valorização Multimaterial, Valorização Orgânica e Valorização Energética,
complementadas por um aterro sanitário, para a receção de resíduos que não
possuam qualquer potencial de valorização. Deste modo, promovemos o fecho de
ciclos, reintegrando os resíduos, como recursos, na cadeia de valor e minimizando
a sua deposição em aterro, em alinhamento com as melhores práticas de gestão.
Mas, para que todo o sistema funcione, precisamos da colaboração dos Cidadãos.
Por isso, promovemos as boas práticas ambientais junto da Comunidade, complementadas
por campanhas de sensibilização da população.
Reforçando a nossa Estratégia, alicerçada nos pilares da Sustentabilidade, ao
longo dos anos, temos vindo a desenvolver um conjunto cada vez mais amplo de
projetos e iniciativas em áreas como a economia circular, a transição energética &
descarbonização; a biodiversidade ou a responsabilidade corporativa.
Apostamos na criação de valor, transformando os resíduos em produtos e prestando
serviços especializados. Pretendemos, assim, promover a prosperidade e a
inovação, suportadas num modelo sistémico e colaborativo, gerando e compartilhando
Valor.
BOARD
Dra. Maria Manuel Cruz - Administradora, Espinho // Dra. Ana Luísa Gomes -
Administradora, Gondomar // Dra. Marta Peneda - Administradora, Maia // Engª
Manuela Álvares - Administradora, Matosinhos // Engº Filipe Araújo –Administrador,
Porto // Engº Aires Pereira - Administrador, Póvoa de Varzim // Dr. José Manuel
Ribeiro - Presidente do Conselho de Administração, Valongo // Eng.ª Sara Lobão -
Administradora, Vila do Conde // Dr. Fernando Leite - Administrador-Delegado
ÁREAS DE ATUAÇÃO
/ Sustentabilidade / Gestão de Recursos / Inovação / Produtos para a Indústria / Energia
/ Produtos para a Agricultura / Produtos para o setor doméstico/comércio & serviços
/ Consultoria / Formação / Tecnologia
CONTACTOS
Rua da Morena, 805 , 4435-746 Baguim do Monte, Apartado 1510
4435-996 Baguim do Monte
+351 229 770 100
info@lipor.pt / www.lipor.pt/pt
Águas de Gondomar
Rua 5 de Outubro, 112
4420-086 Gondomar
t. 224 660 200
e. geral@aguasdegondomar.pt
w. www.aguasdegondomar.pt
Águas de Ourém
Rua Dr. Francisco Sá Carneiro
n.º 66 D – Loja A, 2490-548
Ourém
t. 249 540 010
e. aguas.ourem@bewater.com.pt
w. www.ourem-bewater.com.pt
Águas de Paços de Ferreira
Rua Dr. Leão Meireles, 94
4590-586 Paços de Ferreira
t. 255 860 560
e. geral@adpf.pt
w. www.aguasdepacosferreira.pt
Águas de Paredes
Rua de Timor, 27,
4580-015 Paredes
t. 255 788 530
e. aguas.paredes@bewater.com.
pt
w. www.paredes-bewater.com.pt
Águas de Portugal
Rua Visconde de Seabra, 3
1700-421 Lisboa
t. 212 469 400
e. info@adp.pt
w. www.adp.pt
Águas de S. João
Avenida da Liberdade
Edifício da Câmara Municipal
3701-956 S. Joao da Madeira
t. 256 100 700
e. geral@aguasdesjoao.pt
w. www.aguasdesjoao.pt
Águas de Santarém
Praça Visconde Serra do Pilar
2001-904 Santarém
t. 243 305 050
e. geral@aguasdesantarem.pt
w. www.aguasdesantarem.pt
Águas de Santo André
Cerca da Água, Rua dos Cravos
7500-999 Vila Nova de Santo
André
t. 269 708 240
e. geral.adsa@adp.pt
w. www.adsa.pt
Águas de Valongo
Av. 5 de Outubro, 306
4440-503 Valongo
t. 224 227 390
e. aguas.valongo@bewater.com.pt
w. www.valongo-bewater.com.pt
Águas de Vila Real de Santo
António
Z. Ind. de V. R. de Santo António,
Lt 46
8900-216 Vila Real de Santo
António
t. 281 249 510
e. advrsa.geral@aguas-vrsa.pt
w. www.aguas-vrsa.pt
Águas do Algarve
Rua do Repouso, 10
8000-302 Faro
t. 289 899 070
e. geral.ada@adp.pt
w. www.aguasdoalgarve.pt
Águas do Alto Alentejo
Praça da República
Edifício do Mercado Municipal
7400-232 Ponte de Sor
t. 242 001 040
e. geral@aguasdoaltoalentejo.pt
w. www.aguasdoaltoalentejo.pt
Águas do Alto Minho
Rua Frei Bartolomeu Mártires
n.º 156
4904-878 Viana do Castelo
t. 258 806 900
e. geral.adam@adp.pt
Águas do Baixo Mondego e
Gândara
Rua Dr. Francisco Luís Coutinho
Solar
dos Pinas
3140-256 Montemor-o-Velho
t. 239 246 600
e. geral@abmg.pt
w. www.abmg.pt
Águas do Centro Litoral
ETA da Boavista
Av. Dr. Luís Albuquerque
3030-410 Coimbra
t. 239 980 900
e. geral.adcl@adp.pt
w. www.aguasdocentrolitoral.pt
Águas do Douro e Paiva
Edifício Scala, Rua de Vilar, nº
235, 5º
4050-626 Porto
t. 226 059 300
e. geral.addp@adp.pt
w. www.addp.pt
Águas do Interior Norte
Av. Rainha Santa Isabel, n.º 1
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ DIRETÓRIO \\
57
5000-434 Vila Real
t. 309 101 101
e. geral@adin.pt
w. www.adin.pt
ECOPLUS
7 - 10 LTS
Águas do Lena
Rua Infante Dom Fernando Lt 10 - Célula B
2440-901 Batalha
t. 244 764 080
e. aguasdolena@aguasdolena.pt
w. www.aguasdolena.pt
Águas do Marco
Travessa Eng. Adelino Amaro Costa,
nº 83 RC Dtº
4630-231 Marco de Canaveses
t. 255 538 350
e. geral@aguasdomarco.pt
w. www.aguasdomarco.pt
Águas do Norte
Rua Dom Pedro de Castro, n.º 1A
5000-669 Vila Real
t. 259 309 370
e. geral.adnorte@adp.pt
w. www.adnorte.pt
Águas do Ribatejo
Rua Gaspar Costa Ramalho, 38
2120-098 Salvaterra de Magos
t. 263 509 400
e. geral@aguasdoribatejo.com
w. www.aguasdoribatejo.com
Águas do Tejo Atlântico
ETAR de Alcantara, Avenida de Ceuta
1300-254 Lisboa
t. 213 107 900
e. geral.adta@adp.pt
w. www.aguasdotejoatlantico.adp.pt
Águas do Vale do Tejo
Rua Dr. Francisco Pissarra de Matos,
nº.21, R/C, 6300-693 Guarda
t. 271 225 317
e. geral.advt@adp.pt
w. www.advt.pt
Águas do Vouga
Estrada Nacional n.º1 Lugar Feira Nova
3850-200 Albergaria-a-Velha
t. 234 520 090
e. avouga@aguasdovouga.pt
w. www.aguasdovouga.pt
Águas e Energia do Porto
Rua Barão de Nova Sintra, 285
4300-367 Porto
t. 225 190 800
e. geral@aguasdoporto.pt
w. www.aguasdoporto.pt
Águas Públicas da Serra da Estrela
Praceta os 12 de Inglaterra,
n.º 11
6270-465 Seia
t. 238 310 230
e. geral@apdse.pt
w. www.apdse.pt
Águas Públicas do Alentejo
Rua Doutor Aresta Branco, nº 51
7800-310 Beja
t. 284 101 100
e. geral.agda@adp.pt
w. www.agda.pt
Aldi Portugal
Supermercados, Lda
Rua Ponte dos Cavalos, 155
2870-674 Montijo
t. 800 420 800
e. geral@aldi.pt
w. www.aldi.pt
ALG - Tratamento de Águas
Rua Dr. Francisco Sá Carneiro, 25A
4780-448 Santo Tirso
t. 252 861 305
e. geral@alg.pt
w. www.alg.pt
Ambiosfera Lda
Edif. Sines Tecnopolo Z.I.L II Lt122-A
7520-309 Sines
t. 215 873 741
e. geral@ambiosfera.com
w. www.ambiosfera.com
AMBIRUMO, Projetos Inovação
e Gestão Ambiental, Lda.
Av. General Norton de Matos, 63 E
1495-148 Algés
t. 213 978 255
e. geral@ambirumo.pt
w. www.ambirumo.pt
Amorim Cork Composites, SA
Rua de Meladas, 260
4536-902 Mozelos
t. 227 475 300
e. acc@amorim.com
w. amorimcorkcomposites.com/pt
BeWater
Avenida Conde Valbom, nº30- 3º
1050-068 Lisboa
t. 211 552 700
e. bewater@bewater.com.pt
w. www.bewater.com.pt
Biorumo, Consultoria em Ambiente e
Sustentabilidade, Lda.
Rua do Carvalhido, 155, 4250-102 Porto
t. 228 349 580
e. geral@biorumo.com
w. www.biorumo.com
BioSmart, Soluções
Ambientais, S.A.
Rua de Tomar, n.º 80
2495-185 Santa Catarina da Serra
t. 244 749 100
e. geral@biosmart.pt
w. www.biosmart.pt
Bondalti Chemicals, S.A
Lagoas Park
Edif. 6, 2º B
2740-244 Porto Salvo
t. 210 058 600
e. bondalti@bondalti.com
w. www.bondalti.com
Central de Cervejas
Estrada da Alfarrobeira
2625-244 Vialonga
t. 219 528 600
e. scc@centralcervejas.pt
w. www.centralcervejas.pt
CELPA
Associação da Indústria Papeleira
Rua Marquês Sá da Bandeira,
74 - 2.º, 1069-076 Lisboa
t. 217 611 510
e. celpa@celpa.pt
w. www.celpa.pt
Cimpor
Indústria de Cimentos S.A
Avª José Malhoa, Nº22,
Pisos 6 A
111099-020 Lisboa
t. 213 118 100
e. geral@cimpor.com
w. www.cimpor.pt
Consulai, Consultoria
Agro-Industrial Lda
Rua Fernando Namora, Nº 28, 1º Esq.
7800-502 Beja
t. 284 098 214
e. mkt_team@consulai.com
w. www.consulai.pt
Cortadoria Nacional de Pêlo S.A
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
58 \\ DIRETÓRIO \\
Avenida da Siderurgia Nacional,
1 Edifício Sn
2840-075 Aldeia de Paio Pires
t. 212 275 500
e. ecometais@ecometais.com
w. www.valorcar.pt
ECOSATIVA - Consultoria
Ambiental, Lda
Urbanização Pinhal do Moinho,
Lote 11 - 1º F
7645-294 Vila Nova de Milfontes
t. 283 959 906
e. info@ecosativa.pt
w. www.ecosativa.pt
E-CYCLE
Associação de Produtores de EEE
Rua dos Plátanos, 197, Ed. AIMMAP
4100-414 Porto
t. 934 750 131
e. geral@e-cycle.pt
w. www.e-cycle.pt
EGEO Tecnologia e Ambiente SA
R. 25 de Abril 1,
Qnt. da Francelha de Baixo
2685-368 Prior Velho
t. 211 556 000
e. geral@egeo.pt
w. www.egeo.pt
El Corte Inglés
Grandes Armazéns SA
Av. António Augusto de Aguiar, 31
1069-413 Lisboa
t. 213 532 020
e. apoio.lojaonline@elcorteingles.pt
w. www.elcorteingles.pt
Torre G - 8º,
1600-209 Lisboa
t. 210 052 200
e. geral@ersar.pt
w. www.ersar.pt
ERP Portugal
Associação Gestora de Resíduos
Rua D. Dinis Bordalo Pinheiro,
nº 467 B
2645-539 Alcabideche
t. 219 119 630
e. info@erp-portugal.pt
w. www.erp-recycling.pt
Esposende Ambiente
Travessa Conde Agrolongo,
N.º 10
4740-245 Esposende
t. 253 969 380
e. geral@esposendeambiente.pt
w. www.esposendeambiente.pt
Euro Separadora
Environment
and Recycling S.A.
Rua das Fontainhas,
Nº 48
4730-020 Braga
t. 253 380 020
e. geral@euroseparadora.pt
w. www.euroseparadora.pt
FAGAR - Faro
Rua Prof. Norberto Silva, 8
8004-002 Faro
t. 289 860 900
e. mail@fagar.pt
w. www.fagar.pt
Avenida 1º de Maio, 64
3700-227 São João da Madeira
t. 256 815 030
e. mail@cortadoria.pt
w. www.cortadoria.pt
CVR - Centro para a Valorização
de Resíduos
Campus de Azurém da Univ. do Minho
4800-058 Guimarães
t. 253 510 020
e. geral@cvresiduos.pt
w. www.cvresiduos.pt
Delta Cafés
Avenida Calouste Gulbenkian, Nº 15
7370-025 Campo Maior
t. 218 624 700
e. ambiente@delta-cafes.pt
w. www.gruponabeiro.com
Doya Ambiental
Av da. Da Liberdade Nº 36, 6º
1250-145 Lisboa
t. 211 217 661
e. geral@doyaambiental.com
w. www.doyaambiental.com
ECOGESTUS
Resíduos, Estudos e Soluções, Lda.
Rua D. Afonso IV, 23
3080-328 Figueira da Foz
t. 233 109 034
e. contacto@ecogestus.com
w. www.ecogestus.com/pt
Ecoibéria - Reciclados Ibéricos, SA
Travessa Sebastião Fernandes,
n.º 60 Ribeirão
4760-706 Vila Nova Famalicão
t. 252 372 462
e. info@ecoiberia.pt
w. www.ecoiberia.pt/
ECOMETAIS - Sociedade de
Tratamento e Reciclagem, SA
Empresa Municipal de Ambiente
do Porto, E.M., SA
Rua de S. Dinis, 249
4250-434 Porto
t. 228 348 770
e. geral@portoambiente.pt
w. www.portoambiente.pt
Enhidrica, Consultores de
Engenharia Ambiental, Lda
R. Dr. Carlos Pires Felgueiras, 98 - 3º E
4470-157 Maia
t. 229 414 445
e. enhidrica@enhidrica.com
w. www.enhidrica.com
EPAL
Av. da Liberdade, 24
1250-144 Lisboa
t. 213 251 000
e. geral.epal@adp.pt
w. www.epal.pt
ERSAR
Rua Tomás da Fonseca,
Fapil - Indústria, SA
R. Alto do Matoutinho,
n.º 5 - Apartado 8
2669-909 Malveira
t. 219 828 008
e. geral@fapil.pt
w. www.fapil.pt
FREETILIZER, Comércio
de Equipamentos e Serviços
Integrados, Lda.
Rua do Rio Novo, n.º 450
4495-145 Póvoa de Varzim
t. 252 240 490
e. geral@pipemasters.pt
w. www.pipemasters.pt
Gintegral - Gestão Ambiental, SA
Rua Avelino Barros, 282
4490-479 Póvoa de Varzim
t. 252 688 444
e. geral.gintegral@gintegral.pt
w. www.gintegral.pt
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
\\ DIRETÓRIO \\
59
Hychem, Química Sustentável, S.A
Rua Engenheiro Clément Dumoulin
2625-106 Póvoa de Santa Iria
t. 219 534 000
e. geral@hychem.com
w. www.hychem.pt
Indaver Portugal, SA
Rua Central Park,
Edifício 2 - 4º andar C
2795-242 Linda-a-Velha
t. 219 405 039
e. info@indaver.pt
w. www.indaver.pt
Z. Ind., Casal da Espinheira, Lt. 10
2590-057 Sobral Monte Agraço
t. 261 940 100
e. neutroplast@neutroplast.com
w. www.neutroplast.com
Novo Verde, Sociedade Gestora
de Resíduos de Embalagem, SA
Rua São Sebastião,
n.º 16 - Cabra Figa
2635-448 Rio de Mouro
t. 219 119 630
e. info@novoverde.pt
w. www.novoverde.pt
Alameda dos Oceanos,
lote 1.06.1.1 D, 3.º A
1990-207 Lisboa
t. 213 222 750
e. info@rovensa.com
w. www.rovensa.com
Sacentro - Comércio de Têxteis, SA
Estr. Octácio Pato, Nº 177,
Ed. A, Arm. 3
2785-723 Cascais
t. 210 046 870
e. customercare@sacoor.com
w. www.sacoor.com
de Recuperados de Plástico, SA
Urb. Ind. da Santeira,
LT 76, n.º 16, Santeira,
2480-410 Porto de Mós
t. 244 870 073
e. sirplaste@sirplaste.pt
w. www.sirplaste.pt
SM de Abrantes
Via Industrial 1, Lote 65
2200-480 Abrantes
t. 241 360 120
e. geral@smabrantes.pt
w. www.smabrantes.pt
Interecycling, Sociedade de
Reciclagem, SA
Z. Industrial do Lajedo,
Apartado 8
3465-157 Santiago de Besteiros
t. 232 857 040
e. info@interecycling.com
w. www.interecycling.com
Jerónimo Martins, SGPS, SA
Rua Actor António Silva, 7
1649-033 Lisboa
t. 217 532 000
e. provedoria@jeronimo-martins.pt
w. www.jeronimomartins.com
Lactogal - Produtos Alimentares S.A
R. do Campo Alegre,
nº 830, 4º A 7º
4150-171 Porto
t. 226 070 000
e. geral@lactogal.pt
w. www.lactogal.pt
Lidl & Companhia
Rua Pé de Mouro, n.º 18 - Linhó
2714-510 Sintra
t. 219 102 254
e. sustentabilidade@lidl.pt
w. www.lidl.pt
Maiambiente, EM
Rua 5 de Outubro, 359
4475-302 Milheirós
t. 800 202 639
e. geral@maiambiente.pt
w. www.maiambiente.pt
Mercadona
Irmãdona Supermercados, Lda.
Avenida Padre Jorge Duarte, n.º 123
4430-946 Vila Nova de Gaia
t. 221 201 000
e. sugestoes@mercadona.com
w. www.mercadona.pt
Neutroplast, Indústria de
Embalagens, SA
OVO Solutions, Soluções
Ambientais SA
Estrada dos Espanhóis
S/N, CCI 7515, Venda do Alcaide
2955-250 Pinhal Novo
t. 212 328 760
e. geral@ovosolutions.com
w. www.ovosolutions.com
R3Natura, Lda.
Rua do Monte, Centro de Negócios
de Oleiros
4730-325 Vila Verde
t. 253 320 110
e. info@r3natura.pt
w. www.r3natura.pt
Rduz
Gestão Global de Resíduos, S.A
Zona Industrial Argvai,
L t. 4, 5, 6 e 22
4490-232 Póvoa de Varzim
t. 252 622 495
e. geral@rduz.pt
w. www.rduz.pt
Recivalongo - Gestão de Resíduos, Lda
Vale da Cobra, S/N Apartado 54
4440-339 Valongo
t. 224 154 663
e. recivalongo@recivalongo.pt
w. www.recivalongo.pt
Recypolym, Lda.
Z.I.M. Adiça
3460-070 Tondela
t. 232 816 007
e. info@recypolym.com
w. www.recypolym.com
Residuos do Nordeste, Eim, S.A
Rua Fundação Calouste Gulbenkian
5370-340 Mirandela
t. 278 201 570
e. geral@residuosdonordeste.pt
w. www.residuosdonordeste.pt
Rovensa, S.A
Sair da Casca
Praça Marquês de Pombal, nº14
1250-162 Lisboa
t. 213 558 296
e. sdc@sairdacasca.com
w. www.sairdacasca.com
Silvex Indústria de Plásticos
e Papéis, SA
Quinta da Brasileira, lote 10
2130-999 Benavente
t. 263 519 180
e. comercial@silvex.pt
w. www.silvex.pt
SIMARSUL
ETAR da Quinta do Conde
Estrada Nacional 10
2975-403 Quinta do Conde
t. 265 544 000
e. geral.simarsul@adp.pt
w. www.simarsul.adp.pt
SIMAS de Oeiras e Amadora
Av. Dr. Francisco Sá Carneiro,
19 Urb. Moinho das Antas
2784-541 Oeiras
t. 214 460 231
e. mcpaiva@simas-oeiras-amadora.pt
w. www.smas-oeiras-amadora.pt
SIMDOURO
Rua do Ribeirinho, 706
4415-679 Lever
Vila Nova de Gaia
t. 220 109 300
e. geral.simdouro@adp.pt
w. www.simdouro.pt
Sistragua
Rua Principal 76
2100-016 Azervadinha
t. 934 199 064
e. geral@sistragua.com
w. www.sistragua.com
Sirplaste - Sociedade Industrial
SM de Castelo Branco
Av. Nuno Alvares, 32 - R/C
6000-083 Castelo Branco
t. 272 340 500
e. geral@sm-castelobranco.pt
w. www.sm-castelobranco.pt
SM de Nazaré
Av. Vieira Guimarães
Ed. Paços do Concelho
2450-951 Nazaré
t. 262 561 153
e. geral@sm-nazare.pt
w. www.cm-nazare.pt
SMAS de Almada
Praceta Ricardo Jorge,
2 - 2A
2800-709 Almada
t. 212 726 000
e. geral@smasalmada.pt
w. www.smasalmada.pt
SMAS de Caldas da Rainha
Prç. 25 de Abril
Edíficio Paços do Concelho
2500-110 Caldas da Rainha
t. 262 240 002
e. tecnica@smas-caldas-rainha.pt
w. www.smas-caldas-rainha.pt
SMAS de Leiria
Rua da Cooperativa Nº2
2410-256 Leiria
t. 244 817 300
e. geral@smas-leiria.pt
w. www.smas-leiria.pt
SMAS de Mafra
Rua Constância Maria Rodrigues, n.º 19
2640-389 Mafra
t. 261 816 650
e. geral@smas-mafra.pt
SMAS de Montijo
Av. dos Pescadores
2870-114 Montijo
t. 212 327 768
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2025
60 \\ DIRETÓRIO \\
e. smas.montijo@mun-montijo.pt
w. www.mun-montijo.pt/pages/498
SMAS de Peniche
Rua 13 de Infantaria,
19-21
2520-256 Peniche
t. 262 780 050
e. smaspeniche@cm-peniche.pt
w. www.cm-peniche.pt/smas
SMAS de Torres Vedras
Edifício Multisserviços
Av. 5 de Outubro
2560-270 Torres Vedras
t. 261 336 500
e. geral@smastv.pt
w. www.smastv.pt
SMAS de Vila Franca de Xira
Av. Pedro Vitor, 5
2600-221 Vila Franca de Xira
t. 263 200 600
e. geral@smas-vfxira.pt
w. www.smas-vfxira.pt
SMAS de Viseu
R. Conselheiro Afonso de Melo
3510-024 Viseu
t. 232 470 670
e. geral@smasviseu.pt
w. www.smasviseu.pt
SMAT de Portalegre
Rua Guilherme Gomes Fernandes,
n.º 28, 7300-186 Portalegre
t. 245 307 401
e. smatp@cm-portalegre.pt
w. www.cm-portalegre.pt
SMEAS de Maia
R. Dr. Carlos Felgueiras
4471-909 Maia
t. 229 430 800
e. smas-maia@smasmaia.pt
w. www.smasmaia.pt
Sogrape Vinhos, S.A
Rua 5 de Outubro, 4527
4430-809 Avintes
t. 227 850 300
e. sogrape@sogrape.com
w. sogrape.com
Soja de Portugal, SGPS, SA.
EN 109 - Lugar da Pardala
3880-728 São João OVR
t. 256 581 100
e. geral@sojadeportugal.pt
w. www.sojadeportugal.pt
SOPINAL - Indústria de
Equipamentos e Contentores, S.A.
R. do Vale da Relva, 188, Relva, Vila Chã
3730-657 Vale de Cambra
t. 256 410 770
e. sopinal@sopinal.pt
w. www.sopinal.pt
Stericycle Portugal Lda.
Rua Fernando Pessoa n.º 8 C
2560-241 Torres Vedras
t. 261 320 300
e. ambimed@ambimed.pt
w. www.stericycleportugal.pt
Super Bock Bebidas, S.A.
Via Norte Leça do Balio Apartado 1044
4465-955 S. Mamede de Infesta
t. 229 052 100
e. apoio.clientes@superbockgroup.com
w. www.superbock.pt
Tabaqueira
Empresa Industrial de
Tabacos, S.A
Avª Alfredo da Silva, Nº 35
2639-002 Rio de Mouro
t. 219 157 700
e. tabaqueira@tabaqueira.pt
w. www.tabaqueira.pt
Tecnoplano
Tecnologia e Planeamento S.A
Av. João Crisóstomo, Nº 54 B
1050-128 Lisboa
t. 21 358 1960
e. geral@tecnoplano.pt
w. www.tecnoplano.pt
The Navigator Company, S.A
Av. Fontes Pereira de Melo, 27
1050-117 Lisboa
t. 219 017 300
e. info@thenavigatorcompany.com
w. www.thenavigatorcompany.com
Trivalor, Sociedade Gestora de
Participações Sociais, S.A.
Av. Infante Santo, 21 A
1350-177 Lisboa
t. 210 420 083
e. trivalor@trivalor.pt
w. www.trivalor.pt
Unicer Águas
Via Norte - Leça do Baldio
4466-955 S. Mamede de Infesta
t. 229 052 100
e. sbg.direto@superbockgroup.com
w. www.superbockgroup.com
Universidade de Aveiro
Campus Universitário de Santiago
3810-193 Aveiro
t. 234 370 200
e. geral@ua.pt
w. www.ua.pt
Universidade de Coimbra
Reitoria da Universidade
de Coimbra, Paço das Escolas
3004-531 Coimbra
t. 234 370 200
e. gbreitor@uc.pt
w. www.uc.pt
Universidade de Trás-os-Montes
e Alto Douro
Quinta de Prados
5000-801 Vila Real
t. 259 350 000
e. reitor@utad.pt
w. www.utad.pt
Universidade do Minho
Largo do Paço
4704-553 Braga
t. 253 601 106
e. sec.reitor@reitoria.uminho.pt
w. www.uminho.pt
Valorcar, Sociedade de Gestão
de Veículos em Fim de Vida, Lda.
Av. Torre de Belém, 29
1400-342 Lisboa
t. 213 011 766
e. valorcar@valorcar.pt
w. www.valorcar.pt
Valorpneu - Sociedade de
Gestão de Pneus Lda
Avª Torre de Belém, 29
1400-342 Lisboa
t. 213 032 303
e. valorpneu@valorpneu.pt
w. www.valorpneu.pt
Veolia
Estrada de Paço de Arcos, 42
2770-129 Paço de Arcos
t. 214 404 700
e. geral@veolia.pt
w. www.veolia.pt
Verallia Portugal, S.A.
Rua da Vidreira, 68
3090-641 Figueira da Foz
t. 233 403 100
e. info@verallia.com
w. pt.verallia.com
VIMÁGUA
Rua do Rei Pegu,
172 S. Sebastião
4810-025 Guimarães
t. 253 439 560
e. vimagua@vimagua.pt
w. www.vimagua.pt
Vitrus Ambiente EM SA
Av. Cónego Gaspar Estaço
n.º 606
4810-266 Guimarães
t. 253 424 740
e. geral@vitrusambiente.pt
w. www.vitrusambiente.pt
Waste To Me Lda.
Av. 25 Abril nº 61 C
2840-400 Torre da Marinha
t. 216 065 895
e. geral@wastetome.com
w. www.wastetome.com
Watercare - Tratamento De Águas
Centro Empresarial de Alverca
Corpo A - Fracção 5 (E)
2615-187 Alverca
t. 219 108 700
e. geral@aquaservice.pt
w. www.aquaservice.pt
Watertech
Rua Casal do Cego, Armazém 2,
Frac. A
2415-315 Leiria
t. 244 872 354
e. comercial@watertech.pt
w. www.watertech.pt
XZ Consultores SA
Rua da Cruz, 3A, Loja J
4705-406 Celeirós
t. 253 257 007
e. geral@xzconsultores.pt
w. www.xzconsultores.pt
Zor Thermal
Advanced Products Portugal
Rua Eng. Frederico Ulrich 3210
Piso 2, Sala 214
4470-605 Maia
t. 229 538 567
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As informações deste diretório foram recolhidas pela Green Savers em agosto de 2025. Somos alheios a alterações que possam ter ocorrido, ou venham a ocorrer.
A listagem é representativa das companhias a operar em Portugal com forte foco na sustentabilidade, mas não inclui a totalidade das empresas existentes.
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