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Florestal_278Dupla OPS

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DESTAQUE

SILVICULTURA: dados consolidados apresentam crescimento contínuo do setor no Brasil

PROTEÇÃO COM

INTELIGÊNCIA

MANEJO INTEGRADO E

GENÉTICA AVANÇADA

ASSEGURAM FLORESTAS

PRODUTIVAS E SAUDÁVEIS

PROTECTION WITH

INTELLIGENCE

INTEGRATED MANAGEMENT

AND ADVANCED GENETICS

ENSURE PRODUCTIVE

AND HEALTHY FORESTS

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SUMÁRIO

OUTUBRO 2025

46

PANORAMA

DE DOENÇAS

FLORESTAIS

10 Editorial

12 Cartas

14 Bastidores

16 Notas

30 Frases

32 Entrevista

44 Coluna

46 Principal

52 Silvicultura

58 Evento

62 Minuto Floresta

64 Manejo

68 Compostagem

74 Produção

80 Artigo

86 Agenda

88 Espaço Aberto

68

80

ANUNCIANTES DA EDIÇÃO

11 BKT

15 Bruno

17 Carrocerias Bachiega

77 D’Antonio Equipamentos

19 Denis Cimaf

02 Dinagro

37 DRV Ferramentas

39 Emex Brasil

43 Engeforest

92 Envimat

21 Envimat

71 Envimat

09 Envu

87 ExpoMinas 2026

57 Feldermann Forest

79 Felipe Diesel

85 Fratex

61 Grupo Hidrau Torque

04 Himev

33 J de Souza

89 Lignum Latin America 2026

29 Máquina Solo

81 Motocana

63 Planflora

67 Prêmio REFERÊNCIA

27 Rodovale

13 Rotary-Ax

25 Rotor Equipamentos

55 Sergomel

65 Sindimade/Floema

90 Sparta Brasil

23 Tecmater

35 Unibrás

45 Vale do Tibagi

83 Valfer Ferramentas

06 Vantec

31 Watanabe

41 WDS Pneumática

08 www.referenciaflorestal.com.br



EDITORIAL

O futuro está

nos detalhes

Assim como em uma floresta, onde cada folha, cada galho e cada

raiz cumpre um papel essencial para o equilíbrio do ecossistema, também

no setor florestal os detalhes fazem toda a diferença. É no cuidado

minucioso que se garante produtividade, sustentabilidade e longevidade.

Nesta edição, trazemos a Dinagro, especialista em iscas formicidas,

com toda sua expertise no controle de doenças florestais, um

desafio que exige atenção técnica e estratégias precisas para proteger

as árvores e assegurar a qualidade da produção. Também abordamos

o sistema ILPF, que integra lavoura, pecuária e floresta, ampliando a

eficiência do uso da terra. Em seguida, apresentamos dados atualizados

sobre a indústria florestal, fundamentais para compreender o momento

e planejar o futuro do setor. Por fim, uma entrevista exclusiva com José

Sawinski Junior, CSO da Cenibra, que compartilha seus conhecimentos

e experiência na silvicultura brasileira e a importância da aliança entre

poder público e iniciativa privada. Afinal, no setor florestal, são os detalhes

que sustentam a grandeza. Até a próxima!.

THE FUTURE LIES IN THE DETAILS

Just as every leaf, branch, and root plays an essential role in maintaining

the balance of a forest ecosystem, details also make all the difference

in the forestry sector. Meticulous care guarantees productivity,

sustainability, and longevity. In this edition, we feature Dinagro, a pest

control specialist with expertise in ant bait. Pest control is a technical

challenge that requires precise strategies to protect trees and ensure

production quality. We also discuss the Ilpf system, which integrates

crops, livestock, and forestry to increase land-use efficiency. Next,

we present updated data on the forestry industry, which is essential

for understanding the Sector’s current state and planning its future.

Finally, an exclusive interview with José Sawinski Junior, CSO of Cenibra,

who shares his knowledge and experience in Brazilian silviculture and

highlights the importance of the alliance between the public and private

sectors. After all, it is the details that sustain greatness in the Forestry

Sector. Pleasant reading, until next time!

EXPEDIENTE

ANO XXVII - EDIÇÃO 278 - OUTUBRO 2025

Diretor Comercial / Commercial Director

Fábio Alexandre Machado

fabiomachado@revistareferencia.com.br

Diretor Executivo / Executive Director

Pedro Bartoski Jr

bartoski@revistareferencia.com.br

Redação / Writing

Vinicius Santos

jornalismo@revistareferencia.com.br

Colunista

Gabriel Dalla Costa Berger

Depto. de Criação / Graphic Design

Fabiana Tokarski - Supervisão

Aime Cristine Lima

Letícia Stefanello

criacao@revistareferencia.com.br

Tradução / Translation

John Wood Moore

Depto. Comercial / Sales Departament

Gerson Penkal

comercial@revistareferencia.com.br

fone: +55 (41) 3333-1023

Depto. de Assinaturas / Subscription

assinatura@revistareferencia.com.br

José A. Ferreira

(41) 99203-2091

2

Entrevista com José

Sawinski Junior, CSO

da Cenibra

ASSINATURAS

0800 600 2038

Periodicidade Advertising

GARANTIDA GARANTEED

Veículo filiado a:

1

Na capa dessa edição, a

Dinagro, especialista em

soluções para combate de

doenças florestais

Evento técnico apresentou protocolos únicos

para produtividade na silvicultura

A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

www.referenciaflorestal.com.br

Ano XXVII • Nº278 • Outubro 2025

DESTAQUE

PROTEÇÃO COM

INTELIGÊNCIA

9 772359 465106 0 0 2 7 8

SILVICULTURA: dados consolidados apresentam crescimento contínuo do setor no Brasil

MANEJO INTEGRADO E

GENÉTICA AVANÇADA

ASSEGURAM FLORESTAS

PRODUTIVAS E SAUDÁVEIS

PROTECTION WITH

INTELLIGENCE

INTEGRATED MANAGEMENT

AND ADVANCED GENETICS

ENSURE PRODUCTIVE

AND HEALTHY FORESTS

3

A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira,

instituições de pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais,

ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor

Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em

matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais

de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,

armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos

textos, fotos e outras criações intelectuais da Revista REFERÊNCIA são

terminantemente proibidos sem autorização escrita dos titulares dos

direitos autorais, exceto para fins didáticos.

Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication

directed at the producers and consumers of the good and services of the

lumberz industry, research institutions, university students, governmental

agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked

to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself

responsible for the concepts contained in the material, articles or columns

signed by others. These are the exclusive responsibility of the authors,

themselves. The use, reproduction, appropriation and databank storage

under any form or means of the texts, photographs and other intellectual

property in each publication of Revista REFERÊNCIA is expressly prohibited

without the written authorization of the holders of the authorial rights.

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CARTAS

DESTAQUE ENTREVISTA: Robinson Cannaval Jr. menciona os objetivos e metas de sua gestão no Ipef

A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

DO BRASIL

Capa da Edição 277 da

Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,

mês de setembro de 2025

www.referenciaflorestal.com.br

Ano XXVII • Nº277 • Setembro 2025

NEW HORIZONS

OF PRODUCTIVITY

INVESTMENTS IN TECHNOLOGY

ARE GROWING TO MEET AN

INCREASINGLY DEMANDING MARKET

NOVOS HORIZONTES

DA PRODUTIVIDADE

INVESTIMENTOS EM TECNOLOGIA

CRESCEM PARA ATENDER UM

MERCADO CADA VEZ MAIS

EXIGENTE

PARA O MUNDO

PRINCIPAL

Por Francisco Lima Soares, Telêmaco Borba (PR)

A DRV tem se consolidado como uma empresa que fortalece o setor com suas

soluções. Parabéns a todos e continue o bom trabalho.

ENTREVISTA

Foto: divulgação

Por Márcia Castro Lopes, Belém (PA)

O incentivo à pesquisa é muito importante para garantir o futuro do

segmento. Que a nova direção traga progresso para o instituto.

SHOW FLORESTAL

Por Flávio José Almeida, Palmas (PR)

Muito importante a oportunidade que os eventos oferecem de aproximar e

reforçar laços comerciais e de amizade. Essa é a essência do segmento.

Foto: Malinovski

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12 www.referenciaflorestal.com.br

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enviados também para redação

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ou a respeito de reportagem produzida pelo veículo.

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rotaryaxoficial



BASTIDORES

Revista

Foto: REFERÊNCIA

Foto: REFERÊNCIA

PARCERIA

O Podcast REFERÊNCIA produziu mais um

episódio, nessa oportunidade com o diretor da

BM2C, Jefferson Mendes, sobre os meandros do

setor florestal. Em breve no canal do youtube da

Revista REFERÊNCIA.

PARCERIA

A parceria entre a Tecmater e a REFERÊNCIA

FLORESTAL continua um sucesso, principalmente

na divulgação da bota florestal, um produto com

melhor custo-benefício do mercado. Na foto, o

diretor comercial da Revista REFERÊNCIA, Fábio

Machado com o diretor da Tecmater, Rafael Franco.

FOREST KING: POTÊNCIA QUE TRANSFORMA

MADEIRA EM PRODUTIVIDADE

Alta performance, versatilidade e baixo custo em um só equipamento

14 www.referenciaflorestal.com.br

ALTA

TRANSPORTE MAIS BARATO

Em setembro, o diesel apresentou queda nos

preços em relação a agosto, segundo o IPTL (Índice

de Preços Edenred Ticket Log). O tipo comum teve

redução de 0,32%, com média de R$ 6,17, e o S-10

caiu 0,16%, chegando a R$ 6,21. A diminuição ajuda

a aliviar os custos do setor de transporte, que é diretamente

impactado pelas oscilações no valor dos

combustíveis. Regionalmente, o nordeste foi a única

região com alta no diesel comum (+0,16%). A maior

queda do tipo comum ocorreu no norte (-0,74%),

enquanto o S-10 teve maior recuo no sul (-0,33%),

que também registrou os menores preços: R$ 5,99

para o comum e R$ 6,04 para o S-10.

OUTUBRO 2025

FOGO MAIS INTENSO

Desde 2015, os desastres causados por incêndios florestais

aumentaram significativamente, com quase metade

dos mais destrutivos ocorrendo na última década. Um

estudo recente aponta forte relação entre esses eventos

e o crescimento de condições extremas de secura e vento,

atribuídas à crise climática global. Regiões com clima

mediterrâneo e florestas temperadas de coníferas estão

entre as mais vulneráveis. Já áreas de savana tropical,

como o cerrado brasileiro, enfrentam riscos menores

por ora. O estudo foi liderado por Callum Cunningham,

da Universidade da Tasmânia, e publicado na revista

Science, com colaboração de pesquisadores australianos,

americanos e da Munich Re.

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NOTAS

Podcast REFERÊNCIA

O mês de setembro no Podcast REFERÊNCIA foi dedicado

a um tema estratégico para o setor de base florestal

e industrial: o mercado de carbono e como a tecnologia

pode transformar desafios climáticos em oportunidades

de negócio. O episódio foi especial e contou com dois convidados:

Clarissa de Souza (foto de cima), CEO da Vankka

Carbon, e Alessandro Panasolo (foto de baixo), sócio-investidor

da empresa, uma Climate Tech paranaense. O

episódio contou com o apoio da própria Vankka Carbon.

Os especialistas explicaram conceitos fundamentais

para as empresas que buscam se adequar às novas

exigências ambientais e de mercado. Clarissa de Souza,

que é engenheira ambiental, desmistificou o conceito

de crédito de carbono, que está cada vez mais presente

nas discussões sobre sustentabilidade e ESG. “Quando a

gente fala um crédito de carbono, significa uma tonelada

de carbono removida da atmosfera ou que deixou de ser

emitida. Isso é um crédito de carbono”, explicou Clarissa.

Ela também detalhou que essa quantificação é feita por

meio de inventários anuais de emissões de GEE (gases de

efeito estufa).

Alessandro Panasolo, advogado com doutorado em

engenharia florestal, abordou a nova legislação brasileira

sobre o mercado regulado de emissões e o posicionamento

estratégico do país neste cenário. Ele afirmou que a

combinação de uma matriz energética limpa e um setor

florestal avançado confere uma vantagem competitiva

única ao Brasil. “O que para o Brasil é uma grande oportunidade,

porque o Brasil tem uma capacidade muito grande

de produzir bons projetos de restauração ecológica, de

recuperação de área degradada, para que de fato seja

um grande player de crédito de carbono para o mundo”,

ressaltou Alessandro.

Os convidados também apresentaram a plataforma

Vankka Carbon Score, um software que utiliza tecnologia

para automatizar o inventário de emissões e remoções

de carbono, oferecendo agilidade e segurança para as

empresas na gestão de seus ativos ambientais. Segundo a

Vankka Carbon, a ferramenta torna o processo de inventário

até 60 vezes mais rápido, permitindo que as companhias,

especialmente as do setor florestal, identifiquem e

valorizem seus estoques de carbono de forma eficiente e

estratégica.

Os episódios completos o Leitor pode conferir

no canal do youtube da Revista REFERÊNCIA:

Fotos: REFERÊNCIA

16 www.referenciaflorestal.com.br



NOTAS

Informação valiosa

O segundo evento presencial da Expedição Silvicultura, realizado na capital capixaba, debateu o futuro do setor

florestal do Estado. O encontro apresentou palestras e promoveu a troca de informações que devem orientar novas

ações para o fomento da silvicultura no Espírito Santo. A iniciativa de coleta de dados da expedição foi destacada pelos

participantes. O professor Gilson Fernandes, da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), ressaltou o impacto

acadêmico e a inovação da ação. “Excelente o evento e a ideia da Expedição de fazer esse levantamento. Vai revolucionar

a maneira de ver inventário florestal no Brasil. A base de dados que será coletada nesses dois meses vai gerar um

material extraordinário para estudos acadêmicos”, apontou Gilson.

A necessidade de dados precisos para o Estado foi um ponto central nas discussões. Pedro Galveas, pesquisador da

Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Florestas, sublinhou como o trabalho da Expedição preencherá

lacunas existentes. “Temos números no Espírito Santo, mas não são totalmente confiáveis. Com esse levantamento,

vamos ter não só a área em hectares, mas também a produtividade e a saúde dos eucaliptos. É isso que vai nos ajudar”,

explicou Pedro.

Gilmar Dadalto, presidente da Cedagro (Centro de Desenvolvimento do Agronegócio), complementou a visão sobre

a metodologia inovadora e a importância do trabalho de campo para a precisão das informações: “O diferencial é que,

além do geoprocessamento, haverá trabalho de campo, que é fundamental para a precisão das informações sobre a

cobertura florestal, produtividade, produção e inventário do Estado”, concluiu Gilmar.

O evento foi organizado em parceria entre a Canopy Remote Sensing Solutions, a Embrapa Florestas e a Paulo

Cardoso Comunicações, reunindo especialistas e profissionais do setor. Foram debatidos temas para impulsionar o

desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva florestal.

Foto: divulgação

18 www.referenciaflorestal.com.br Outubro 2025 19



NOTAS

Carbono em pauta

Representantes de instituições de ciência e tecnologia, governo, setor financeiro e ONGs se reuniram na sede da

Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em Brasília (DF), para dar continuidade à construção coletiva

de bases voltadas ao monitoramento de carbono em sistemas de produção agropecuários e florestais. A iniciativa faz

parte da Aliança Agro Sustentável Brasil, que reúne diferentes expertises para subsidiar e formular políticas públicas

que impulsionem o Programa Caminho Verde no Brasil.

A Embrapa participa da Aliança com especialistas em várias frentes, especialmente voltadas ao desenvolvimento

de tecnologias sustentáveis, ferramentas de monitoramento e protocolos para medir e reduzir emissão de GEE (gases

do efeito estufa). Fazem parte também o CCARbon/USP (Centro de Pesquisa em Carbono para Agricultura Tropical da

Universidade de São Paulo) e o FGVAGRO (Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas). Além disso,

a organização do evento contou com a parceria do Grupo de Políticas Públicas da Esalq (Escola Superior de Agricultura

Luiz de Queiroz) e, com o apoio do ICS (Instituto Clima e Sociedade).

O Programa Caminho Verde substitui o antes denominado PNPCD (Programa Nacional de Conversão de Pastagens

Degradadas em Sistemas Agropecuários e Florestais Sustentáveis) e tem como objetivo converter ou recuperar áreas de

pastagens degradadas e fomentar boas práticas de manejo que estimulem a captura de carbono nas áreas degradadas.

A expectativa do Governo Federal, com a execução desse Programa, é converter 40 milhões de ha (hectares) de pastagens

degradadas em terras produtivas em 10 anos. Com isso, é possível praticamente dobrar a produção de alimentos

no Brasil sem desmatamento e sem expansão sobre áreas de vegetação nativa.

Segundo a presidente da Empresa, Silvia Massruhá, a pesquisa feita na Embrapa é o alicerce para políticas públicas

ambiciosas e eficazes. “Ao reunirmos gestores para debater o monitoramento de carbono, estamos construindo juntos

as ferramentas que permitirão ao Programa Caminho Verde Brasil converter 40 milhões de ha de pastagens degradadas

em sistemas produtivos sustentáveis. Nosso papel é ser a ponte entre o conhecimento científico e a ação governamental,

oferecendo soluções que garantam a credibilidade das metas brasileiras”, sustenta Silvia.

Foto: divulgação

20 www.referenciaflorestal.com.br



NOTAS

Valorização da inovação

O governo do Rio Grande do Sul, por meio da Seapi (Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e

Irrigação), promoveu durante a XLVIII Expointer, um debate sobre o Programa Integra RS. A iniciativa busca ampliar a

adoção do Sistema de ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) no Estado, com a meta de expandir em 1 milhão de

ha (hectares) a prática que alia produtividade, sustentabilidade e diversificação de renda no campo.

O encontro reuniu o secretário da Agricultura, Edivilson Brum, o coordenador do Plano ABC+RS, Jackson Brilhante,

o diretor de projetos da Rede ILPF, William Marchió, além do presidente do Irga (Instituto Rio Grandense do Arroz),

Eduardo Bonatto, e do presidente da Emater/Ascar (RS), Luciano Schwerz. As entidades destacaram a importância da

difusão de tecnologias e da capacitação de técnicos para levar o sistema aos produtores rurais gaúchos.

Edivilson Brum ressaltou que a maioria das propriedades no Estado tem de um a 50 bovinos e que a vocação do

gaúcho para criar e produzir é decisiva para o futuro da agropecuária. Ele lembrou que as mudanças climáticas já impactam

o setor produtivo e que todos, dos grandes aos pequenos produtores, precisam se adaptar. “O papel de instituições

aqui é fundamental para apoiar o produtor e impulsionar o sucesso da agricultura”, enalteceu Edivilson.

Para Jackson Brilhante, a expansão da ILPF depende da articulação entre governo, entidades e a rede de extensão

rural. “O programa fomenta a qualificação da equipe técnica, especialmente da extensão, para que a aplicação das

práticas chegue às propriedades em todo o Estado”, destacou Jackson. William Marchió recordou que a Rede ILPF foi

criada em 2006 e que a produção brasileira já está entre as mais sustentáveis do mundo. “O desafio é comunicar essa

expertise, reconhecida no setor, também para a população urbana, mostrando como a tecnologia sustentável gera

valor. É uma estratégia que beneficia as famílias rurais e fortalece comunidades”, explicou William.

Foto: divulgação

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NOTAS

Silvicultura que salva

Foto: divulgação

A pouco mais de um mês da COP30, a IBÁ (Indústria Brasileira de Árvores) lança um documento com iniciativas do

setor brasileiro de árvores cultivadas para fins industriais e de restauração de nativas que evidenciam as contribuições

desse setor para a mitigação das mudanças climáticas. O caderno: Setor florestal brasileiro pelo clima; faz um voo

rasante no inovador business model desenvolvido pelo segmento de soluções baseadas na natureza nos mais de 100

anos de atuação dessa agroindústria.

São ao todo 26 cases que passam pelo desenvolvimento da agricultura tropical, a conservação de florestas nativas,

o manejo sustentável, os cuidados com a água, o solo e a biodiversidade. O caderno ainda trata da atuação social das

empresas, das atividades de silvicultura de nativas, da remoção de carbono da atmosfera, do processo de descarbonização

de fábricas e da produção de bionergia, entre outros temas.

Participam da publicação com exemplos de suas operações Arauco Brasil, Biomas, Bracell, Carbon2Nature, Cenibra,

CMPC, Dexco, Eldorado Brasil, Gerdau, Guararapes, Ibema, Irani, Klabin, LD Celulose, Melhoramentos, re.green, Smurfit

Westrock, Suzano, Sylvamo, Symbiosis, TTG Brasil e Veracel. Também contribuíram para o caderno instituições como o

Ipef (Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais), SIF (Sociedade de Investigações Florestais) e Reflore.

Maior exportador de celulose do mundo, o setor brasileiro de árvores cultivadas é referência global de bioeconomia,

mostrando como é possível produzir e conservar. Oferece produtos biodegradáveis e recicláveis, feitos a partir de

matéria-prima renovável, para o dia a dia de 2 bilhões de planetários. São livros, embalagens de papel, roupas de fios

como viscose, lenços de papel, pisos e painéis, cápsulas de remédio, caixas de papelão, entre inúmeros outros.

As árvores são um dos mais antigos e eficientes mecanismos da natureza para manutenção da saúde do planeta. O

setor é um dos maiores plantadores de árvores do mundo: são 1,8 milhão de árvores plantadas todos os dias. Atualmente,

as áreas de plantio no Brasil somam 10,5 milhões de ha (hectares) e, paralelamente, o setor ainda conserva

outros 7,01 milhões de ha de vegetação nativa — uma área superior aos territórios da Bélgica e da Suíça somados.

24 www.referenciaflorestal.com.br



NOTAS

Chegou a conta

O Paraná é um dos Estados brasileiros mais afetados pelo tarifaço norte-americano às importações. De acordo com

estimativas do setor madeireiro, as empresas já somam 6 mil demissões e, se a situação perdurar por mais 60 dias,

esse número pode se elevar para 10 mil demissões. A Alep (Assembleia Legislativa do Paraná) realizou uma audiência

pública para discutir os efeitos das tarifas impostas pelos EUA (Estados Unidos da América) ao setor de madeira e derivados.

O encontro reuniu deputados, lideranças empresariais e representantes do governo estadual.

De acordo com as entidades que representam o setor madeireiro, entre elas Apre Florestas (Associação Paranaense

de Empresas de Base Florestal) e a Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente),

o cenário enfrentado pelas empresas paranaenses é preocupante. Enquanto até julho deste ano as tarifas estavam em

10%, saltaram para 50% após medidas unilaterais dos EUA.

Além dos empregos, o maior risco é a substituição do Brasil por outros fornecedores internacionais. Se não houver

negociação até o final deste ano, o Brasil provavelmente será substituído no mercado e reverter esse quadro será bem

difícil.

O secretário estadual da Fazenda, Norberto Ortigara, revelou que o governo estadual tem buscado alternativas

para mitigar os impactos imediatos da taxação. Entre elas, a liberação de créditos de ICMS e a proposta de autorizar o

Estado a comprar créditos das empresas, que deve ser encaminhada à Alep nos próximos dias.

O deputado estadual Artagão Júnior, presidente do Bloco da Madeira na Alep, ressaltou a importância da união

política em torno do tema. “Esse movimento político provocado pela Alep veio para impactar, para agregar forças. Podemos

contar com mais de 300 parlamentares em Brasília (DF) para que essa pressão reverbere lá”, defende Artagão.

Foto: divulgação

26 www.referenciaflorestal.com.br



NOTAS

Manejo para quem precisa

O MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) realizou, em Belém (PA), um seminário que debateu

o manejo florestal comunitário e familiar na Amazônia. A iniciativa foi promovida em parceria com o SFB (Serviço

Florestal Brasileiro).

No evento foram aprofundados o diálogo com as comunidades que realizam o manejo sustentável madeireiro e

não madeireiro, para debater os desafios ao fortalecimento das cadeias de valor de seus produtos. Participaram representantes

de instituições federais, governos estaduais, academia e sociedade civil.

O diretor do Departamento de Florestas da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais

do MMA, Thiago Belote, destacou a importância do evento para integrar a atuação do MMA e demais entidades parceiras

com as comunidades locais. “Nosso compromisso é assegurar que as políticas públicas de manejo comunitário

coloquem no centro aqueles que vivem e dependem da floresta. São essas pessoas que, ao mesmo tempo em que

garantem seu sustento, desempenham um papel fundamental na conservação da biodiversidade e na construção de

soluções para os grandes desafios ambientais que enfrentamos”, afirmou Thiago.

Realizado com o apoio do IIEB (Instituto Internacional de Educação do Brasil), o evento contou também com a

apresentação e a discussão dos resultados parciais do levantamento de iniciativas de manejo de produtos florestais

da bioeconomia na Amazônia, que atualiza as informações sobre os empreendimentos comunitários.

A diretora de Fomento Florestal do SFB, Clarisse Cruz, enfatizou a importância de uma atuação coordenada para

fortalecer estes empreendimentos. “São trabalhos que geram renda, ao mesmo tempo que conservam a floresta em

pé, contribuindo para a conservação da biodiversidade, a redução do desmatamento e a mitigação das mudanças do

clima”, destacou Clarisse.

Foto: divulgação

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FRASES

Foto: divulgação

O documentário é algo

inédito para o setor

de árvores cultivadas.

Dá visibilidade sem

precedentes a um setor

que orgulha o Brasil, ao

aliar ciência, inovação e

sustentabilidade

Paulo Hartung, presidente da IBÁ (Indústria

Brasileira de Árvores) sobre o documentário

Novas Raízes – Escolhas do Futuro que valoriza a

silvicultura nacional

“Através do manejo

florestal conseguimos

dar continuidade para as

futuras gerações no setor,

mantendo a floresta em pé,

que é o mais importante.

Infelizmente, alguns

entraves vêm dificultando

a atuação, principalmente

com o aumento da

burocracia”

“A atividade do setor

florestal é de longo

prazo e não podemos

ter mudanças repentinas

nas regras do jogo.

Essa atualização é

fundamental para dar

estabilidade ao setor”

Ednei Blasius, presidente do Cipem (Centro das

Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira

de Mato Grosso) durante visita a indústrias de

Aripuanã

Ailson Loper, diretor executivo da Apre Florestas

sobre parceria com a FAEP (Federação da

Agricultura do Estado do Paraná)

30 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

Floresta no

SANGUE

Forest in the blood

Foto: divulgação

ENTREVISTA

CABEÇOTE MULTIFUNCIONAL

CORTE, TRAÇAMENTO, CARREGAMENTO E SHOVEL LOG EM

UM SÓ EQUIPAMENTO. DISPONÍVEL EM 5 MODELOS, COMPATÍVEIS

COM MÁQUINAS DE 5 A 45 TONELADAS.

C

om uma trajetória marcada pelo legado familiar,

pioneirismo acadêmico e atuação estratégica no

setor florestal, José Sawinski Junior se consolidou

como uma das vozes mais influentes no setor de

florestas plantadas no Brasil. Nesta entrevista, ele compartilha

sua visão sobre os principais desafios e oportunidades da

profissão, o papel transformador da bioeconomia, a força do

associativismo e a contribuição decisiva das empresas na construção

de políticas públicas.

J

osé Sawinski Junior has established himself as one

of the most influential voices in the Planted Forest

Sector in Brazil, with a career marked by family legacy,

academic pioneering, and strategic action in

the Forestry Sector. In this interview, he discusses the key challenges

and opportunities within the profession, the transformative

potential of the bioeconomy, the power of associations,

and the vital role of companies in shaping public policy.

José Sawinski

Junior

ATIVIDADE/ ACTIVITY:

Engenheiro florestal formado pela UNC (Universidade do Contestado).

Possui MBA em Marketing pela FGV (Fundação Getúlio Vargas)

e MBA Internacional Executive in Management pela Baldwin

Wallace University/FAE. É mestre e doutor em Economia e Política

Florestal pela UFPR (Universidade Federal do Paraná). Ao longo

de sua trajetória profissional, atuou como executivo em empresas

de destaque no setor, como WestRock e The Forest Company.

Atualmente, é Assessor de Sustentabilidade da Presidência, CSO na

Cenibra, contribuindo estrategicamente para o desenvolvimento

sustentável da companhia.

Forestry Engineer who graduated from the University of Contestado

(UNC). He also holds an MBA in Marketing from the Getulio

Vargas Foundation (FGV) and an International Executive MBA in

Management from Baldwin Wallace University/FAE. He also has a

Master’s degree and a Doctorate in Forestry Economics and Policy

from the Federal University of Paraná (Ufpr). Throughout his professional

career, he has served as an executive at leading companies

in the Sector, such as WestRock and The Forest Company. He

currently serves as Chief Sustainability Officer (CSO) in the Office of

the President at Cenibra, where he contributes strategically to the

Company’s sustainable development.

MATRIZ

J de Souza Indústria Metalúrgica LTDA

BR 116 - Nº 5828, KM 247

Área Industrial

+55 49 3226 0511 I +55 49 3226 0722

Lages - Santa Catarina - Brasil

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UNIDADE 01

SETE LAGOAS - MG

Av. Prefeito Alberto Moura, Nº 2051A - Vale das Palmeiras

UNIDADE 02

IMPERATRIZ - MA

Av. Moacir Campos Milhomem, Nº 12 - Colina Park

UNIDADE 03

LAGES - SC

BR 116 - S/Nº, KM 247 - Área Industrial

CENTRO DE DESENVOLVIMENTO

E TESTES

SÃO JOSÉ DO CERRITO - SC

Localidade de Bom Jesus

32 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

>> O que o levou a escolher a Engenharia Florestal como

área de formação e carreira?

Essa escolha está no meu DNA. Meu avô foi funcionário da

antiga Lumber, a maior serraria da América Latina no início

do século passado, localizada em Três Barras (SC). Meu pai

também trilhou o caminho florestal, atuando com viveiros e

produção de mudas. A Engenharia Florestal sempre esteve

presente na minha vida, moldada pela trajetória da minha

família e pelas histórias que ouvi desde cedo. Além disso,

cresci em uma região onde as florestas plantadas eram parte

concreta da paisagem e da economia local. Esse ambiente,

aliado à influência familiar, foi decisivo para que seguisse

essa carreira. Não me vejo em outra profissão que não seja

a Engenharia Florestal — ela representa quem sou. Hoje, já

estamos na quarta geração: meu filho mais velho, Carlos,

está cursando Engenharia Florestal. É uma história que continua

com muito orgulho, carregando valores, conhecimento

e paixão pela floresta.

What led you to choose Forestry Engineering as your

field of study and career?

This choice is in my DNA. My grandfather worked for

Lumber, the largest sawmill in Latin America, at the beginning

of the last century. It was located in Três Barras.

My father also pursued a career in forestry, working with

nurseries and seedling production. Forestry Engineering

has always been a part of my life, shaped by my family’s

history and the stories I heard from an early age. I also

grew up in a region where planted forests were an integral

part of the landscape and local economy. This environment,

combined with family influence, was instrumental

in shaping my career choice. I cannot see myself in

any other profession — Forestry Engineering represents

who I am. Today, we are in our fourth generation: my

eldest son, Carlos, is studying Forestry Engineering. It is a

story that continues with great pride, passing on values,

knowledge, and a passion for the forest.

>> Como foi sua trajetória acadêmica e o que mais marcou

seu período de estudos na UNC (Universidade do Contestado)

e na UFPR (Universidade Federal do Paraná)?

O que mais me marcou foi fazer parte da primeira turma de

Engenharia Florestal de Santa Catarina, na UNC. Quando iniciamos,

a estrutura ainda era bastante embrionária. As aulas

precisavam ser adaptadas e, muitas vezes, era necessário

viajar até Curitiba (PR) ou visitar empresas, já que nos dois

primeiros anos a universidade ainda não contava com uma

infraestrutura consolidada. A partir do terceiro ano, a UNC

começou a ganhar força: surgiram os primeiros laboratórios

e uma estrutura acadêmica mais robusta. Foi um verdadeiro

período de ouro, impulsionado por um convênio com a

UFPR, que trouxe avanços significativos para a formação dos

alunos. Após minha graduação, em 1997, mudei-me para

Curitiba e ingressei no mestrado da UFPR, na área de Economia

e Política Florestal. Esse foi um período intenso, produtivo

e profundamente enriquecedor, que ampliou minha visão

de mundo para além da floresta. Passei a compreender

com mais profundidade temas como economia, estratégia,

planejamento e marketing — fundamentos essenciais para

complementar a formação técnica com uma abordagem voltada

à gestão empresarial.

What was your academic career like, and what had the

most significant impact on your time studying at the

University of Contestado (UNC) and the Federal University

of Paraná (Ufpr)?

Being part of the first Forestry Engineering class in Santa

Catarina, at UNC, was what marked me most. When

we started, the structure was still relatively embryonic.

Classes had to be adapted, and we often had to travel

to Curitiba or visit companies, since the University did

not yet have a consolidated infrastructure in the first

two years. From the third year onwards, however, UNC

began to flourish: the first laboratories appeared, and a

more robust academic structure was established. It was

a golden era, driven by an agreement with Ufpr, which

significantly advanced student training. After graduating

in 1997, I moved to Curitiba and enrolled in a Master’s

programme in Forest Economics and Policy at Ufpr. This

was an intense, productive, and enriching period that

broadened my worldview beyond the forest. I gained a

deeper understanding of topics such as economics, strategy,

planning, and marketing — essential fundamentals

that complemented my technical training with a business

management approach.

Controle eficaz de saúvas e

quenquéns

Econômico e seguro para uso

agrícola e florestal

>> Em sua visão, quais são os principais desafios da profissão

de engenheiro florestal no Brasil?

Um dos principais desafios enfrentados pelos profissionais

de Engenharia Florestal no Brasil está na grande quantidade

de instituições que oferecem o curso. Embora muitos

engenheiros sejam formados anualmente, o mercado nem

sempre consegue absorver todos, o que torna a inserção

profissional um dos primeiros obstáculos da carreira. Além

disso, o cenário atual exige competências que vão muito

além do domínio técnico. Habilidades como trabalho em

equipe, comunicação interpessoal, liderança e visão estratégica

são cada vez mais valorizadas — especialmente na

iniciativa privada. No entanto, essas competências ainda são

In your view, what are the main challenges facing Forestry

Engineers in Brazil today?

One of the main challenges faced by Forestry Engineering

professionals in Brazil is the large number of institutions

offering the course. Although many engineers graduate

each year, the market is not always able to absorb them

all, making it one of the first obstacles they must overcome

in their careers. Furthermore, the current scenario

demands skills that extend far beyond technical expertise.

Skills such as teamwork, interpersonal communication,

leadership, and strategic vision are increasingly valued

— especially in the Private Sector. However, these

skills are still rarely addressed in traditional Engineering

0800 180 3000

Proteção inteligente para

sua floresta

Floresta segura, futuro

garantido

34 www.referenciaflorestal.com.br

R. Uruguai, 2100, Pq. Ind. Cel Quito

Junqueira - Ribeirão Preto - SP



ENTREVISTA

pouco abordadas nas grades curriculares tradicionais das

engenharias, o que torna essencial que o estudante busque

seu próprio desenvolvimento nessas áreas, por meio de cursos

complementares, vivências práticas e experiências extracurriculares.

Apesar dos desafios, há caminhos promissores.

O terceiro setor e os concursos públicos têm se mostrado

alternativas interessantes, com oportunidades consistentes

e em expansão. A concorrência é alta, mas há espaço para

quem se dedica, está disposto a sair da zona de conforto,

mudar de cidade, conhecer novas culturas e ampliar seus

horizontes. Profissionais com esse perfil — resilientes, versáteis

e abertos ao aprendizado contínuo — certamente encontrarão

seu lugar no mercado e construirão uma trajetória

de sucesso.

>> Sua dissertação já tratava de comparações econômicas

entre espécies florestais e agrícolas. O que mudou nesse

cenário de rentabilidade ao longo dos últimos 20 anos?

A produção de madeira no Brasil, especialmente de pinus e

eucalipto, vem se consolidando ao longo dos anos, impulsionando

a expansão da área florestal e o crescimento de

diversas indústrias. O país se tornou líder mundial na produção

de celulose, o que fortaleceu significativamente o setor

de florestas plantadas. Esse avanço também impulsionou o

agronegócio, outro pilar da economia brasileira. O Brasil é

referência global na produção de soja e carne — atividades

que, assim como as florestas plantadas, competem por um

recurso essencial: a terra. Em várias regiões, a expansão

da soja tem pressionado áreas destinadas à silvicultura,

gerando disputas por espaço. Hoje, as florestas plantadas

de eucalipto estão concentradas principalmente em Minas

Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Bahia. Já no sul do

país, o pinus predomina. Embora outros Estados também

apresentem atividade florestal, esses são os principais polos.

Apesar da competição territorial, cada cultura parece ter

encontrado seu espaço, respeitando as vocações regionais

e contribuindo de forma complementar para o desenvolvimento

econômico do Brasil.

>> O que a bioeconomia da erva-mate representa para o

setor florestal e para a região sul do país?

A erva-mate é uma cultura profundamente enraizada na

tradição do sul do Brasil. Registros de mais de um século

mostram embarcações carregadas com a planta e cenas

do processo artesanal de secagem, evidenciando sua ligação

histórica com a colonização da região. Durante muito

tempo, seu uso esteve restrito à forma cancheada para o

chimarrão. No entanto, o mercado vem ampliando seu olhar

sobre a erva-mate, impulsionado pelo potencial de seus

componentes — como cafeína e antioxidantes — reconhecidos

por seus benefícios à saúde e à qualidade de vida.

Com o avanço da bioeconomia, surgem novas aplicações em

bebidas energéticas, cosméticos, alimentos e produtos farmacêuticos.

Em nosso estudo de doutorado, identificamos

mais de 190 marcas atuando no Brasil e no exterior com

produtos derivados de erva-mate, excluindo chimarrão e te-

curricula, making it essential for students to seek their

own development in these areas through complementary

courses, practical experiences, and extracurricular activities.

Despite the challenges, promising paths exist. The

Third-Party Sector and Civil Service exams have proven

to be interesting alternatives, offering consistent and

expanding opportunities. Competition is high, but there

is room for those who are dedicated, willing to leave

their comfort zone, move to a new city, learn about new

cultures, and broaden their horizons. Professionals with

this profile — resilient, versatile, and open to continuous

learning — will undoubtedly find their place in the market

and build a successful career.

Your dissertation already addressed economic comparisons

between forest and agricultural species. How

has this profitability scenario changed over the last 20

years?

Over the years, timber production in Brazil, mainly pine

and eucalyptus, has consolidated, driving the expansion

of forest areas and the growth of various industries.

Brazil has become a world leader in pulp production,

significantly strengthening the Planted Forest Sector. This

advance has also boosted agribusiness, another pillar

of the Brazilian economy. Brazil is a global benchmark

in soybean and meat production — activities that, like

planted forests, compete for an essential resource: land.

In several regions, the expansion of soybeans has pressured

areas designated for forestry, generating disputes

over land use. Currently, eucalyptus forests are primarily

located in Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo,

and Bahia. In the South of the Country, pine predominates.

While other states also have forestry activity, these

are the main centers. Despite territorial competition, it

appears that each crop has found its niche, respecting

regional specializations and contributing to Brazil’s economic

development in a complementary manner.

What role does the yerba mate industry play in the Forestry

Sector and in the Southern Region of the Country?

Yerba mate is a deeply traditional crop in Southern Brazil.

Records dating back more than a century depict ships

loaded with the plant and scenes of the artisanal drying

process, highlighting its historical connection to the

colonization of the Region. For a long time, its use was

limited to chimarrão. However, the market has expanded

its view of yerba mate, recognizing the potential of its

components, such as caffeine and antioxidants, which

are known to promote health and improve quality of

life. As the bioeconomy advances, new applications are

emerging in energy drinks, cosmetics, food, and pharmaceutical

products. In my doctoral study, I identified

over 190 brands in Brazil and abroad that offer yerba

mate-derived products, excluding chimarrão and tererê.

These high-value items represent an excellent opportunity

for producers. Proper management of cultivation areas

36 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

rerê. São itens de alto valor agregado, que representam uma

excelente oportunidade para os produtores. Com o manejo

adequado das áreas de cultivo, é possível atender a esses

nichos específicos e expandir significativamente o mercado

da erva-mate, agregando inovação à tradição.

>> Como enxerga o papel das empresas de base florestal,

na construção de políticas públicas e no diálogo com governos?

As empresas do setor florestal têm se posicionado de forma

cada vez mais ativa junto às esferas de governo, contribuindo

para o diálogo na construção de políticas públicas. Entre

os principais pleitos estão a melhoria da infraestrutura, a

simplificação dos processos de licenciamento ambiental

para atividades de baixo impacto e a revisão das questões

tributárias — três desafios estruturais que ainda demandam

atenção. Outro ponto crítico é a qualificação da mão

de obra. Muitas empresas têm buscado parcerias com o

poder público para implementar programas de capacitação

e treinamento, especialmente voltados às comunidades

do entorno das indústrias, fortalecendo a economia local

e promovendo inclusão produtiva. Esse engajamento tem

sido consistente, seja por iniciativas individuais ou por meio

de associações representativas. Além disso, o setor tem

demonstrado à sociedade que a atividade de base florestal

— em especial as florestas plantadas — é sustentável e alinhada

aos pilares social, ambiental e econômico, reforçando

seu papel estratégico no desenvolvimento do país.

>> De que forma a atuação em entidades associativas contribuem

para fortalecer o setor?

Essa atuação consistente das empresas junto ao poder

público ganha ainda mais força quando realizada de forma

coletiva, especialmente por meio do modelo cooperativo e

das entidades associativas. As associações estaduais e a IBÁ

são exemplos de instituições respeitadas, íntegras e com

ampla representatividade. Os associados dessas entidades

contam com uma base institucional sólida, pautada por altos

padrões de compliance e credibilidade, o que fortalece a

interlocução do setor diante das esferas públicas e privadas.

Por isso, acredito que o associativismo é o melhor caminho.

enables the targeting of these specific niches, significantly

expanding the yerba mate market while introducing

innovation to tradition.

How do you see the role of forestry companies in

shaping public policy and engaging in dialogue with

governments?

Companies in the Forestry Sector have been taking an

increasingly active stance with government bodies and

contributing to the dialogue on developing public policy.

Their main demands include infrastructure improvements,

simplified environmental licensing processes for

low-impact activities, and a review of tax issues — three

structural challenges that still require attention. Another

critical issue is workforce training. Many companies have

partnered with public authorities to implement training

and capacity-building programs, particularly in communities

surrounding industrial facilities. These programs

strengthen the local economy and promote productive

inclusion. This engagement has been consistent, whether

through individual initiatives or representative associations.

Additionally, the Sector has demonstrated to

society that forest-based activities, particularly those

involving planted forests, are sustainable and aligned

with the social, environmental, and economic pillars. This

reinforces their strategic role in the Country’s development.

How does involvement in associations help strengthen

the Sector?

Consistent engagement with public authorities by companies

gains strength when carried out collectively, primarily

through cooperative models and associations. State

associations and IBÁ are examples of respected, credible

institutions with broad representation. Their members

have a solid institutional foundation guided by high

standards of compliance and credibility. This strengthens

the Sector’s dialogue with the public and private spheres.

That is why I believe association is the best way forward.

Participating in a fair and well-organized representation

structure is essential to ensuring progress and protecting

C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K

Tecnologia em Fueiros

Segurança em Catracas

Precisão

em Balanças

O X da questão

no transporte de

carga florestal.

Na Emex Brasil a segurança é

nossa principal prioridade.

Nossas soluções são projetadas

para integrar tecnologia,

segurança e precisão para

gerar produtividade.

O equilíbrio perfeito no transporte

e na movimentação de madeira.

A concorrência é alta, mas há espaço para quem se

dedica, está disposto a sair da zona de conforto, mudar de

cidade, conhecer novas culturas e ampliar seus horizontes

EMEXBrasil

EMEXBrasil

www.emexbrasil.com.br

emex@emexbrasil.com.br

emexbrasil

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BRASIL

38 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

Estar inserido em uma estrutura de representação justa e

bem-organizada é essencial para garantir avanços e proteger

os interesses legítimos do setor florestal. As associações

cumprem esse papel com excelência, promovendo diálogo,

articulação e apoio técnico, contribuindo para que a atividade

florestal continue crescendo de forma sustentável, estratégica

e alinhada aos pilares social, ambiental e econômico.

>> Já teve passagem pela vida política. O que essa experiência

trouxe para sua carreira?

Fui vereador entre 2005 e 2008, período em que também

exerci a presidência da Câmara. Cumpri apenas um mandato,

por escolha própria, sem disputar a reeleição. Foi uma

experiência extremamente rica e transformadora. Meu pai

também havia sido vereador em tempos mais antigos, e

cresci ouvindo suas histórias sobre política — sobre a importância

da representação e de fazer o que é certo. Entrei na

vida pública com esse espírito: o de contribuir, colaborar e

cumprir meu papel com integridade. Tenho plena convicção

de que fiz o melhor que pude. Essa vivência me proporcionou

um entendimento profundo sobre o funcionamento do

governo, suas hierarquias e os processos decisórios. Ao longo

da minha trajetória na iniciativa privada, essa bagagem

política foi essencial para construir diálogos com o poder

público de forma ética, transparente e respeitosa.

>> Quais competências o profissional florestal precisa desenvolver

para se destacar em um mercado cada vez mais

competitivo e tecnológico?

Acredito que o aprendizado técnico, embora essencial, é

mais direto e acessível. O verdadeiro desafio está no desenvolvimento

interpessoal. É preciso buscar autoconhecimento

e aprender a se conectar com os outros — saber liderar

e ser liderado, colaborar em equipe, lidar com conflitos e

respeitar diferentes perspectivas. As competências mais

relevantes hoje estão nessa dimensão humana. Enquanto o

domínio técnico pode ser facilmente avaliado, o diferencial

está em como esse conhecimento é aplicado em sintonia

com as pessoas, os objetivos da empresa e os interesses da

sociedade. É essa capacidade de se relacionar com empatia,

clareza e propósito que constrói pontes e realmente transforma

a atuação profissional.

>> Que tendências ou oportunidades enxerga para o futuro

da silvicultura e da bioeconomia no Brasil?

O Brasil, com sua vasta extensão territorial e abundância

de recursos naturais, oferece inúmeras oportunidades para

o setor florestal. Temos acompanhado diversos anúncios

de expansão de empresas de base florestal e a construção

de novas plantas industriais, o que reforça a importância

estratégica da silvicultura. Afinal, toda nova fábrica — independentemente

do segmento — representa aumento na

demanda por madeira, impulsionando o desenvolvimento

das florestas plantadas dentro da cadeia de valor industrial.

O futuro da silvicultura no Brasil é promissor. Contamos com

vantagens competitivas e comparativas relevantes, como

the legitimate interests of the Forestry Sector. Associations

excel in this role by promoting dialogue, coordination,

and providing technical support. They contribute

to the sustainable and strategic growth of the Forestry

Sector, aligning with the social, environmental, and

economic pillars.

You have also had a stint in politics. What did that experience

bring to your career?

I was a City Councilman from 2005 to 2008 and also

served as Head of the City Council during that time. I

served only one term by choice and did not run for reelection.

It was a vibrant and transformative experience.

My father was also a city councilman, and I grew up

listening to his stories about politics and the importance

of representation, as well as the value of doing what is

right. I entered public life with this mindset: to contribute,

collaborate, and fulfill my role with integrity. I am fully

convinced that I did the best I could. This experience gave

me a profound understanding of how the government

operates, including its hierarchies and decision-making

processes. Throughout my career in the Private Sector,

my political background has been essential to building

ethical, transparent, and respectful dialogues with public

authorities.

What skills do forestry professionals need to develop to

stand out in an increasingly competitive and technological

market?

I believe that technical learning, although essential, is

more straightforward and accessible. The real challenge

lies in interpersonal development. You need to seek

self-knowledge and learn to connect with others — know

how to lead and be led, collaborate as a team, deal with

conflicts, and respect different perspectives. The most

relevant skills today lie in this human dimension. While

technical mastery can be easily assessed, the difference

lies in how this knowledge is applied in harmony with

people, company objectives, and society’s interests. It is

this ability to relate with empathy, clarity, and purpose

that builds bridges and truly transforms professional

performance.

What trends or opportunities do you foresee for the

future of forestry and the Bioeconomy in Brazil?

Brazil’s vast territory and abundance of natural resources

offer countless opportunities for the Forestry Sector.

Several forestry-based companies have announced

expansions and the construction of new industrial plants,

which reinforces the strategic importance of the Forestry

Sector. Every new factory, regardless of its segment, represents

an increase in demand for timber and drives the

development of planted forests within the industrial value

chain. The future of forestry in Brazil is promising. Brazil

has significant competitive and comparative advantages,

including fertile soil, ample water resources, and a vast

40 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

solo fértil, disponibilidade de água e território amplo — fatores

que nos posicionam como líderes naturais nesse setor.

No contexto da bioeconomia, além da produção de madeira,

há uma cadeia crescente de produtos não madeireiros com

alto valor agregado, como alimentos, cosméticos e insumos

farmacêuticos. Embora a qualificação da mão de obra ainda

seja um desafio, os profissionais que se dedicam à atividade

florestal demonstram alto nível de comprometimento e excelência

em performance, contribuindo diretamente para a

evolução do setor. O país também possui grande potencial

no mercado de créditos de carbono, ampliando ainda mais

as possibilidades de atuação sustentável. Com uma diversidade

de espécies — algumas já consolidadas e muitas ainda

por explorar — o Brasil está em posição privilegiada para

expandir sua silvicultura de forma inovadora, estratégica e

ambientalmente responsável.

>> Qual maior sonho que gostaria de ser lembrado em sua

trajetória profissional?

Acredito que o verdadeiro legado está nas relações humanas

— no convívio, nas experiências compartilhadas e nas

trocas genuínas com as pessoas que cruzam nosso caminho

ao longo da vida. Desejo que todos que estiveram, que estão

e que ainda estarão comigo nessa jornada mantenham

sempre uma visão otimista, mas com os pés no chão. Que

ajam com retidão, comprometimento, companheirismo e lealdade

— valores que considero fundamentais e pelos quais

gostaria de ser lembrado. Meu sonho é ver o Brasil consolidado

como uma potência florestal mundial em todas as suas

dimensões: pelas florestas plantadas, pelos serviços ecossistêmicos,

pela bioeconomia, pelas florestas nativas e por

toda a riqueza da nossa biodiversidade. Que esse imenso

potencial se converta em oportunidades reais de emprego e

renda, promovendo inclusão social e desenvolvimento sustentável.

Com visão estratégica, responsabilidade ambiental

e valorização das pessoas, o Brasil tem todas as condições

para assumir um papel de liderança na economia verde global

— de forma inovadora, justa e duradoura.

territory. These factors position us as natural leaders in

this Sector. In the context of the Bioeconomy, in addition

to wood production, a growing chain of high-value

non-wood products is emerging, including food, cosmetics,

and pharmaceutical inputs. Although training the

workforce remains challenging, forestry professionals

demonstrate a high level of commitment and excellence,

contributing directly to the Sector’s evolution. Brazil

also has excellent potential in the carbon credit market,

which further expands the possibilities for sustainable

action. Brazil is well-positioned to expand its forestry in

an innovative, strategic, and environmentally responsible

manner, given its diverse range of species — some

already well-established and many still to be explored.

Brazil is well-positioned to expand its forestry industry in

an innovative, strategic, and environmentally responsible

manner.

In closing, what is your greatest dream or legacy in your

professional career?

I believe the true legacy lies in human relationships — the

interactions, shared experiences, and genuine exchanges

with the people who cross our paths in life. I hope that

everyone who has been with me, is with me, and will be

with me on this journey always maintains an optimistic

outlook while keeping their feet firmly on the ground. I

hope they act with integrity, commitment, camaraderie,

and loyalty — values I consider fundamental, and by

which I would like to be remembered. My dream is to

see Brazil established as a global leader in forestry in all

areas: planted forests, ecosystem services, the bioeconomy,

native forests, and our diverse biodiversity. I hope

this immense potential translates into real employment

and income opportunities, promoting social inclusion and

sustainable development. With strategic vision, environmental

responsibility, and a commitment to people, Brazil

has everything it needs to take on a leadership role in the

global green economy in an innovative, fair, and lasting

way.

Meu sonho é ver o Brasil consolidado como uma potência

florestal mundial em todas as suas dimensões: pelas

florestas plantadas, pelos serviços ecossistêmicos, pela

bioeconomia, pelas florestas nativas e por toda a riqueza

da nossa biodiversidade

42 www.referenciaflorestal.com.br



COLUNA

Segurança sob

altas temperaturas

Gabriel Berger

GB Manejo de Árvores – Educação Profissional

e Corporativa

Engenheiro Florestal e Segurança do Trabalho

gbmanejodearvores.com.br

gabriel@gbmanejodearvores.com.br

Foto: divulgação

Mesmo sob calor extremo, o uso da roupa anticorte é indispensável para quem

opera motosserra. Entenda como a tecnologia ameniza o desconforto térmico.

T

rabalhar com motosserra é uma atividade que

exige atenção constante, técnica apurada e

equipamentos de proteção adequados. Entre

esses, a roupa anticorte é obrigatória. Ela é o

principal escudo entre o operador e a corrente

de corte — um erro de segundos pode ser fatal. Mas, sob o sol

intenso do verão brasileiro, o desafio do calor se impõe como

uma realidade difícil de ignorar.

PROTEÇÃO QUE RESPIRA

As roupas anticorte foram pensadas desde a sua origem

para equilibrar proteção e ventilação. Apesar de contarem com

até oito camadas internas de fibras sintéticas, capazes de interromper

instantaneamente o movimento da corrente em caso

de contato, essas mesmas fibras possuem estrutura projetada

para permitir respiração e transpiração natural da pele. A tecnologia

empregada nos tecidos favorece a passagem do ar e a

evaporação do suor, mantendo o conforto térmico dentro do

possível, mesmo em jornadas longas sob o calor.

DIRETO SOBRE A PELE — COM EXCEÇÕES

Diferentemente do que muitos ainda acreditam, a roupa

anticorte pode ser usada diretamente sobre a pele, dispensando

camadas adicionais de tecido. Essa característica reduz o volume,

melhora a mobilidade e ajuda a dissipar o calor corporal.

A exceção fica para as atividades realizadas em redes

elétricas, onde é obrigatória a utilização de uma vestimenta

retardante à chama (FR) sob a roupa anticorte, para garantir

proteção também contra o arco elétrico.

CONJUNTO COMPLETO DE SEGURANÇA

A vestimenta completa é composta por calça, camisa e luvas

anticorte, formando um conjunto que protege as principais

áreas de risco durante o uso da motosserra. Em se tratando

de calças anticorte, há diferentes configurações disponíveis no

mercado. Alguns modelos oferecem proteção integral de 360°,

cobrindo toda a circunferência das pernas, enquanto outros

apresentam proteção apenas nas regiões frontal e laterais. A

escolha do modelo deve levar em conta o tipo de operação, a

postura de trabalho e o tempo de uso diário, de modo a equilibrar

segurança, conforto e mobilidade.

corpo e reduzindo o atrito em pontos de dobra. Isso se traduz

em menor fadiga e maior segurança, especialmente em operações

prolongadas.

CALOR EXIGE PLANEJAMENTO

Mesmo assim, a sensação térmica durante o trabalho continua

sendo um desafio. A combinação de sol, esforço físico e

camadas de tecido protetivo exige cuidados adicionais: pausas

regulares, hidratação constante e planejamento das atividades

em horários de menor incidência solar. Essas medidas, longe

de representar perda de produtividade, são fundamentais para

preservar a saúde e manter a atenção — fatores essenciais para

prevenir acidentes.

SEGURANÇA É UM ATO DE RESPONSABILIDADE

Vale lembrar que a roupa anticorte não substitui outros

equipamentos de proteção individual, mas atua em conjunto

com eles. Botas de segurança, perneira, capacete, abafadores,

protetor facial, óculos de proteção, camisa e luva anticorte

completam o conjunto de EPI (equipamento de proteção individual)

necessário para uma operação segura.

O uso correto da roupa anticorte deve ser encarado não

como uma obrigação, mas como um ato de responsabilidade.

Cada camada de fibra representa uma barreira entre o profissional

e o risco. E cada gota de suor, um lembrete do equilíbrio

que se busca diariamente entre segurança, conforto e desempenho.

O FUTURO DO VESTUÁRIO FLORESTAL

O futuro do vestuário de proteção florestal segue avançando.

Novos materiais prometem unir leveza, resistência e conforto

térmico ainda maiores.

Mas, enquanto o calor seguir desafiando quem trabalha

sob o sol, o compromisso com a prevenção e o uso correto dos

EPIs continua sendo a melhor tecnologia disponível — aquela

que salva vidas.

TECNOLOGIA E ERGONOMIA EM CAMPO

Os avanços tecnológicos também trouxeram ganhos importantes

em ergonomia e conforto. As peças atuais são mais leves,

ajustadas e flexíveis, favorecendo o movimento natural do

44 www.referenciaflorestal.com.br

Foto: divulgação



PRINCIPAL

Panorama de doenças

FLORESTAIS

Principais doenças e o manejo

integrado no setor florestal brasileiro

Fotos: divulgação

Bióloga Autora: Doutora Cristiane de Pieri -

Consultora Técnica Comercial Dinagro

O

setor florestal brasileiro expande-se ano

a ano, segundo o relatório anual da IBÁ

(Indústria Brasileira de Árvores, 2024), com

10,2 milhões de ha (hectares) de florestas

plantadas abrangendo espécies florestais

como o pinus (19% do total do setor, 1,92 milhão de ha), a

acácia, a seringueira, a teca, a araucária (espécies que ocupam

cerca de 500 mil ha), e também agora as nativas plantadas.

Entretanto, a eucaliptocultura consolidou-se como uma

das principais atividades do setor florestal brasileiro, abrangendo

7,83 milhões de ha, o que corresponde a 76% da

área total plantada. Dados com certeza ainda maiores serão

evidenciados neste ano de 2025. Esse número representa

um crescimento de 41% nos últimos 10 anos, evidenciando

a crescente importância dessa cultura na economia florestal

brasileira, fornecendo matéria-prima essencial para segmentos

estratégicos como papel e celulose, carvão vegetal

para siderurgia, painéis, móveis e biomassa para geração de

energia e construção civil.

O Brasil é líder mundial em produtividade de Eucalyptus

spp., e essa cadeia produtiva tem importante papel socioeconômico,

gerando empregos, renda e contribuindo para o

desenvolvimento de comunidades rurais. Além disso, a elevada

produtividade obtida nos plantios brasileiros, comparada

a outros países, é resultado da combinação entre condições

edafoclimáticas favoráveis, avanços em melhoramento genético,

técnicas silviculturais modernas e investimentos em

pesquisa e tecnologia.

46 www.referenciaflorestal.com.br Outubro 2025 47



PRINCIPAL

Em relação à distribuição dos plantios florestais pelo

território brasileiro, os principais Estados são Minas Gerais

(mais de 2 milhões de 200 mil ha), Mato Grosso do Sul (mais

de 1 milhão e 300 mil ha), São Paulo (quase 1 milhão de ha),

Paraná (mais de 400 mil ha) e Santa Catarina (mais de 300

mil ha), que juntos somam 69% da área plantada do Brasil.

No entanto, esse cenário de alta produtividade e expansão

territorial, frequentemente em sistemas homogêneos de

monocultivo, também aumenta a vulnerabilidade dos plantios

a fatores abióticos, como exemplos o déficit hídrico, a má formação

radicular, o excesso de água, o vento, o fogo, a geada,

a fitotoxicidade por herbicidas, entre outros e, bióticos, entre

os quais as doenças exercem papel de destaque.

As doenças florestais representam uma das maiores

ameaças à sustentabilidade e à competitividade da eucaliptocultura

nacional, podendo causar, desde perdas localizadas

em viveiros, até severos prejuízos em áreas de produção, resultando

em perdas expressivas de produtividade e qualidade

da madeira. Patógenos como fungos, bactérias e organismos

do solo têm capacidade de reduzir o crescimento, comprometer

a qualidade da madeira e, em casos extremos, provocar

a morte de árvores. Além disso, a introdução e adaptação de

novos agentes fitopatogênicos, favorecidos pelas mudanças

climáticas e pelo comércio global de mudas e materiais vegetais,

intensificam os riscos fitossanitários.

Neste contexto, o estudo das doenças na eucaliptocultura

é de fundamental importância, não apenas pela necessidade

de minimizar perdas econômicas, mas também por sua

relevância na manutenção da competitividade do setor e na

adoção de práticas de manejo integrado mais sustentáveis. A

compreensão da epidemiologia, biologia, ecologia e da diversidade

de patógenos envolvidos e da interação destes com o

hospedeiro e o ambiente é essencial para orientar programas

de melhoramento genético, políticas de vigilância fitossanitária

e estratégias de monitoramento e manejo eficazes que

assegurem a continuidade do papel de destaque do Brasil no

setor florestal mundial.

Mancha de Calonectria

(Fungo: = complexo Cylindrocladium spp.)*

ENTRE AS PRINCIPAIS DOENÇAS QUE AFETAM A

EUCALIPTOCULTURA NO BRASIL, DESTACAM-SE:

1. DOENÇAS FOLIARES

Constituem um dos principais entraves nos estágios iniciais

da eucaliptocultura, afetando, além de viveiros, talhões

jovens, quando a planta depende de uma área foliar saudável

para seu crescimento.

1.1 - Ferrugem do eucalipto

(Fungo: Austropuccinia psidii)

A ferrugem do eucalipto, causada por Austropuccinia

psidii, é uma das doenças foliares mais importantes da eucaliptocultura

brasileira, afetando principalmente mudas, plantas

jovens e brotações novas. Os primeiros sintomas incluem

pequenas pústulas amareladas ou alaranjadas na face inferior

das folhas, que evoluem para lesões necróticas à medida que

o tecido é destruído pelo patógeno. Frequentemente observa-se

deformação de folhas e brotos, encurvamento, queda

prematura das folhas e pequenas rachaduras nos galhos e

troncos. Em ataques severos, a doença pode comprometer

o crescimento inicial da planta, perda da dominância apical,

reduzir a área fotossintética e até levar à morte plantas jovens.

A ferrugem se manifesta preferencialmente em condições

de alta umidade e temperaturas que variam de 21˚C (graus

Celsius) a 27˚C ± 1˚C, propagando-se rapidamente em plantios

adensados e em regiões com clima favorável à germinação

dos esporos.

1.2 - Mancha de Calonectria

(Fungo: = complexo Cylindrocladium spp.)*

A mancha de Calonectria é uma doença foliar de importância

significativa em eucaliptos, especialmente em viveiros

e talhões jovens. O patógeno infecta principalmente folhas,

brotações e ponteiros, causando lesões necróticas circulares

a irregulares de coloração marrom nas folhas basais, que podem

coalescer e formar manchas maiores. Com a progressão

da doença, observa-se desfolha prematura, principalmente

Foto: Prof. Dr. Edson Luiz Furtado (FCA, Unesp – Botucatu, SP)

Ferrugem do eucalipto

(Fungo: Austropuccinia psidii)

Foto: Prof. Dr. Edson Luiz Furtado (FCA, Unesp – Botucatu, SP)

no terço inferior das árvores, comprometendo a área foliar

e reduzindo a fotossíntese. Em casos severos, o patógeno

pode afetar pontas de ramos e brotações, levando à morte

de ponteiros e ao atraso do crescimento das mudas. Fatores

como alta umidade, adensamento de plantas e temperatura

relativamente alta (≥ 25˚C) favorecem a propagação rápida do

fungo e acometem plantios de até 3 anos de idade. Em sistemas

de viveiros, a doença pode causar perdas significativas

de mudas, enquanto em campo contribui para a redução de

vigor e desenvolvimento inicial das árvores.

1.3 - Manchas de bacterioses

(Bactérias: Pseudomonas spp. e Xanthomonas spp.)

As manchas foliares bacterianas em eucalipto, causadas

por espécies de Xanthomonas e Pseudomonas, constituem

doenças foliares de menor frequência, mas com impacto relevante

em viveiros e plantios jovens de eucalipto. As infecções

por xanthomonas geralmente se manifestam como lesões necróticas

pequenas e amareladas nas folhas, com bordas bem

delimitadas e, em alguns casos, halo clorótico. Em condições

favoráveis de umidade elevada, as lesões podem coalescer,

levando à queda precoce das folhas e comprometimento

do crescimento das mudas. Na sintomatologia causada por

pseudomonas, observa-se manchas irregulares e translúcidas,

frequentemente acompanhadas de exsudação bacteriana

que pode formar gotículas sobre a superfície foliar. As folhas

afetadas apresentam necrose progressiva, podendo ocorrer

desfolha e deformação de brotações jovens. Fatores como

alta umidade, chuva frequente, adensamento de mudas e

ferimentos mecânicos favorecem a infecção e a disseminação

dessas bactérias. Os sintomas podem ser observados em

condições de longo período de molhamento foliar, períodos

chuvosos e de altas temperaturas. Embora a mortalidade de

Foto: Prof. Dr. Edson Luiz Furtado (FCA, Unesp – Botucatu, SP)

Murcha de Ceratocistis

(Fungo: Ceratocystis spp.)

plantas adultas seja rara, o impacto se reflete principalmente

na redução de vigor, atraso do crescimento inicial e necessidade

de manejo fitossanitário intensivo em viveiros e áreas

de novas de plantios.

2. DOENÇAS VASCULARES

São doenças que atingem os tecidos vasculares, comprometendo

assim o transporte de água e nutrientes, levando

à murcha, o decaimento progressivo da árvore ou ainda à

morte súbita.

2.1 - Murcha de Ceratocistis

(Fungo: Ceratocystis spp.)

A murcha de Ceratocystis, causada principalmente por

Ceratocystis fimbriata, é considerada uma das doenças vasculares

mais destrutivas em plantios de eucalipto no Brasil. O

patógeno penetra geralmente por ferimentos no colo, raízes

ou tronco, frequentemente associados a práticas silviculturais

ou ao ataque de insetos. Os primeiros sintomas observados

são murcha repentina da copa e amarelecimento ou escurecimento

das folhas, que permanecem presas à planta mesmo

após a morte. Internamente, nota-se o escurecimento dos

vasos condutores em cortes transversais e longitudinais

do tronco e ramos, formando estrias ou anéis de coloração

marrom a marrom escuro no lenho. Em muitos casos ocorre

exsudação de resina ou goma no tronco próximo ao ponto

de infecção. O avanço da doença resulta em seca progressiva

de ramos, em estágios mais severos, formação de cancros no

tronco e morte súbita da planta. Esses sintomas podem levar

à mortalidade em larga escala, representando significativo

impacto econômico para a eucaliptocultura. As condições

favoráveis para o seu desenvolvimento é alta temperatura,

gradagem, poda e maiores evidência em solos arenosos.

Foto: Prof. Dr. Edson Luiz Furtado (FCA, Unesp – Botucatu, SP)

48 www.referenciaflorestal.com.br

Outubro 2025

49



PRINCIPAL

2.2 - Murcha de Ralstonia

(Bactéria: Ralstonia spp.)

A doença causada por Ralstonia solanacearum em eucalipto,

também conhecidas como murcha bacteriana, é um patógeno

vascular de importância crescente, especialmente em

mudas e plantios jovens. O microrganismo invade o sistema

vascular pela raiz ou ferimentos no colo, bloqueando o fluxo

de água e nutrientes. Os principais sintomas incluem murcha

súbita da copa, amarelamento ou arroxeamento das folhas,

inicialmente em alguns ramos e, posteriormente, em toda a

planta, com desfolha basal. Observa-se frequentemente a

morte regressiva das mudas afetadas. Em cortes do colo ou

raízes, o lenho pode apresentar exsudação do pus bacteriano:

material leitoso ou viscoso, característica da colonização

bacteriana do xilema. Fatores predisponentes incluem solos

encharcados, altas temperaturas e estresse hídrico, que favorecem

a proliferação da bactéria e a manifestação rápida

dos sintomas. Embora seja mais comum em mudas, em condições

severas a bactéria pode comprometer plantas jovens

em campo, resultando em perdas significativas de produção.

2.3 - Murcha de Erwinia

(Bactéria: Erwinia spp.)

As doenças causadas por espécies do gênero Erwinia em

eucalipto caracterizam-se principalmente por podridões e

murchas bacterianas, afetando tanto mudas quanto árvores

jovens em campo. A infecção geralmente ocorre por ferimentos

em raízes, tronco ou ramos, permitindo a entrada

da bactéria nos tecidos vasculares. Os principais sintomas

incluem amolecimento e descoloração do colo e da base do

caule, murcha de ramos e folhas, seguida de seca e pequenas

lesões observadas nas nervuras, e necrose progressiva dos

Patógenos como fungos,

bactérias e organismos

do solo têm capacidade

de reduzir o crescimento,

comprometer a qualidade

da madeira e, em casos

extremos, provocar a

morte de árvores

Foto: Prof. Dr. Edson Luiz Furtado (FCA, Unesp – Botucatu, SP)

Murcha de Ralstonia

(Bactéria: Ralstonia spp.)

tecidos. Em casos severos, ocorre a morte rápida ou gradual

da planta. A doença tende a se desenvolver em condições

de alta umidade, solos mal drenados e estresse ambiental,

que favorecem a multiplicação da bactéria. Embora menos

frequente que outras bactérias fitopatogênicas do eucalipto,

Erwinia pode causar perdas significativas em viveiros e talhões

jovens, exigindo atenção no manejo sanitário e na escolha de

áreas de plantio.

O MIDP (manejo integrado de doenças de plantas) é uma

estratégia que combina métodos culturais, físicos, mecânicos,

químicos, biológicos e genéticos para reduzir a incidência e a

severidade de fitopatógenos de forma sustentável no campo.

Atualmente as práticas no campo devem ir além de tratos

culturais como a rotação de cultura, ou plantios consorciados,

espaçamento adequado, irrigação e drenagem, o uso de

clones resistentes ou moderadamente resistentes, da rotação

de ingredientes ativos entre fungicidas sistêmicos e protetores

de contato, bactericidas, é preciso inovar, acrescentar

ferramentas no manejo integrado e o enfoque em extratos

botânicos e agentes biológicos têm ganhado destaque devido

à menor toxicidade, redução do uso de agroquímicos e de

impactos ambientais, menor risco de resistência ao patógeno,

compatibilidade com sistemas de produção, buscando o

equilíbrio entre produção e ecologia e possibilitando a indução

de mecanismos naturais de defesa das plantas.

Os agentes biológicos envolvem o uso de microrganismos

ou de produtos derivados do seu metabolismo para controlar

patógenos de plantas. Alguns deles agindo diretamente

sobre o fitopatógeno, atuam por mecanismos como competição,

antibiose, parasitismo ou promovendo e induzindo a

resistência do hospedeiro à doenças. Alguns exemplos são

os fungos benéficos dos gêneros Trichoderma spp., Gliocladium

spp., capazes de antagonizar fungos fitopatogênicos

por competição e produção de enzimas líticas; bactérias dos

gêneros Bacillus spp., Pseudomonas fluorescens, que atuam

produzindo antibióticos, sideróforos e estimulando respostas

defensivas da planta; microrganismos endofíticos (fungos e

bactérias) que habitam o interior da planta e fortalecem a

Foto: Prof. Dr. Edson Luiz Furtado (FCA, Unesp – Botucatu, SP)

resistência natural a patógenos que podem ser utilizados na

inoculação de mudas, irrigação com suspensões microbianas

ou formulações comerciais de biofungicidas.

Já os extratos vegetais são preparados a partir de folhas,

sementes, cascas, raízes flores ou frutos de diversas plantas,

contendo compostos bioativos com efeito antifúngico, antibacteriano

ou nematicida. Possuem ação direta sobre os

patógenos, inibindo o crescimento micelial, a germinação de

esporos ou a multiplicação bacteriana ou ainda como indutores

de resistência, promovendo o estímulo da produção de

compostos secundários, como alcaloides, flavonoides, taninos

e óleos essenciais, aumentando a produção de fitoalexinas e

lignificação estimulando respostas de defesa da planta. Alguns

exemplos: o Neem (Azadirachta indica) e o Ruibarbo chinês

(Rheum palmatum).

Assim, o manejo integrado de doenças representa um

pilar essencial para a sustentabilidade da eucaliptocultura no

Brasil, uma vez que possibilitam reduzir perdas econômicas,

preservar a longevidade dos plantios e minimizar o impacto

ambiental decorrente do uso excessivo de defensivos químicos.

A integração de medidas genéticas, culturais, biológicas

e químicas permite não apenas controlar os principais fitopatógenos,

mas também promover maior equilíbrio ecológico

no sistema de produção, contribuindo diretamente para a

competitividade do setor florestal brasileiro, assegurando

produtividade, qualidade da madeira e resiliência, frente a

cenários de intensificação de pragas e doenças.

Os extratos vegetais

são preparados a partir

de folhas, sementes,

cascas, raízes flores

ou frutos de diversas

plantas, contendo

compostos bioativos

com efeito antifúngico,

antibacteriano ou

nematicida

*Nota: O gênero Cylindrocladium, frequentemente citado na literatura mais antiga como agente causal de manchas foliares e tombamento de mudas

em eucalipto, foi reclassificado como Calonectria com base em estudos filogenéticos e análises moleculares. Assim, ambos os termos referem-se ao mesmo

grupo de patógenos, sendo Calonectria a nomenclatura atualmente aceita.

50 www.referenciaflorestal.com.br Outubro 2025 51



SILVICULTURA

Produção florestal

EM ALTA

Silvicultura e manejo

impulsionam recordes e

exportações em todo o Brasil

Fotos: divulgação

O

Brasil alcançou em 2024 um marco

histórico na produção florestal, com

valor total de R$ 44,3 bilhões, crescimento

de 16,7% em relação ao ano

anterior. A atividade está presente

em 4.921 municípios e continua sendo impulsionada

principalmente pela silvicultura, que responde por R$

37,2 bilhões do total, com alta de 17,4%. Desde 1998,

a silvicultura supera a extração vegetal em valor de

produção, consolidando-se como o principal motor da

cadeia florestal brasileira.

A extração vegetal também apresentou desempenho

positivo, com crescimento de 13% e valor de produção

superior a R$ 7 bilhões. Os dados são da PEVS

(Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura), divulgada

pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo Carlos Alfredo Guedes, gerente de

Agricultura do IBGE, o setor tem sido impulsionado por

avanços tecnológicos e pela valorização da celulose no

mercado internacional. “Comparando 2019 com 2024,

a produção cresceu 140%, reflexo direto do preço elevado

da celulose e dos investimentos em tecnologia e

expansão das áreas plantadas”, analisa Carlos.

Entre os produtos madeireiros da silvicultura, todos

os grupos registraram crescimento. A madeira destinada

à fabricação de papel e celulose teve aumento

de 28% no valor da produção. A madeira em tora para

outras finalidades cresceu 18%, o carvão vegetal subiu

6,3% e a lenha teve alta de 7%.

A área total de florestas plantadas no país chegou

a 9,9 milhões de ha (hectares), com acréscimo de

217,8 mil ha em 2024, o equivalente a 2,2% de crescimento.

O eucalipto domina o cenário, ocupando 7,7

milhões de ha, seguido pelo pinus. Juntas, essas espécies

representam 96,2% da cobertura florestal voltada

à silvicultura comercial.

52 www.referenciaflorestal.com.br

Outubro 2025

53



SILVICULTURA

MATO GROSSO DO SUL

GANHA PROTAGONISMO

O crescimento da silvicultura foi especialmente

expressivo em Mato Grosso do Sul, que passou da

sétima para a quinta posição no ranking nacional de

valor de produção. O Estado tem atraído fábricas e

investimentos devido ao clima favorável ao cultivo de

eucalipto e à disponibilidade de terras. O município de

Três Lagoas (MS) se destacou ao subir da sexta para

a segunda posição entre os maiores produtores, com

R$ 579,2 milhões em valor de produção, sendo R$ 567

milhões provenientes da madeira em tora para papel e

celulose. O volume produzido foi de 5,6 milhões de m3

(metros cúbicos), crescimento de 159,6% em relação

ao ano anterior.

Ribas do Rio Pardo também se consolidou como

referência, com a maior área plantada do Brasil, totalizando

381,6 mil ha, aumento de 17,4% em relação a

2023. A participação nacional do município passou de

3,4% para 3,9%. No total, Mato Grosso do Sul possui

1,5 milhão de ha de florestas plantadas, dos quais

99,6% são de eucalipto. Seis dos dez municípios com

maiores áreas de florestas plantadas estão no Estado,

reforçando sua liderança no setor.

Minas Gerais continua sendo o Estado com maior

valor de produção na silvicultura, com R$ 8,5 bilhões,

o equivalente a 22,8% do total nacional. O Estado também

lidera na produção de carvão vegetal, com 83,3%

do volume nacional, embora tenha registrado queda

de 6,8% na quantidade e de 0,5% no valor da produção.

João Pinheiro (MG), terceiro maior município em

valor de produção, gerou R$ 456,1 milhões, com destaque

para o carvão vegetal, apesar da redução de 24,4%

na quantidade e de 18,1% no valor nominal.

EXPORTAÇÕES E EXTRATIVISMO

EM ASCENSÃO

A celulose consolidou sua importância nas exportações

brasileiras. Segundo dados da Secex (Secretaria

de Comércio Exterior), foram exportadas 19,7 milhões

de toneladas em 2024, gerando US$ 10,6 bilhões, um

aumento de 33,2% em relação ao ano anterior. O produto

ocupou o oitavo lugar no ranking das exportações

nacionais. O setor de madeira em tora para papel e

celulose manteve sua trajetória de crescimento, atingindo

R$ 14,9 bilhões em valor de produção, com alta

de 28%. Em volume, foram produzidos 122,1 milhões

de m3, superando o recorde anterior de 113 milhões

em 2023.

A participação dos produtos madeireiros continua

dominante na silvicultura, representando 98,3%

do valor total. O crescimento foi de 17,4% em áreas

plantadas e de 15,4% na extração vegetal, revertendo

a tendência de estabilidade observada desde 2021.

Na extração vegetal, os produtos madeireiros também

lideram, com 65,6% do valor total, seguidos pelos alimentícios

(28,6%), ceras (3,4%), oleaginosos (1,7%) e

outros (0,8%).

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SILVICULTURA

Comparando 2019 com 2024,

a produção cresceu 140%,

reflexo direto do preço

elevado da celulose e dos

investimentos em tecnologia e

expansão das áreas plantadas

Carlos Alfredo Guedes,

gerente de Agricultura do IBGE

Em 2024, o valor da produção obtido por meio

da extração vegetal apresentou um aumento de 13%,

totalizando R$ 7 bilhões. Nos anos anteriores, o crescimento

foi modesto, com variações de 0,3% em 2023 e

queda de 0,3% em 2022. A alta atual foi impulsionada

principalmente pela produção de carvão vegetal, que

cresceu 43%. Mato Grosso e Pará responderam por

59,6% da quantidade total extraída de madeira em

tora, representando 77% do valor de produção nacional.

O Pará manteve a liderança, com 4,5 milhões de

m3, apesar da redução de 10,4% na extração.

Dos grupos que compõem a exploração extrativista,

apenas os produtos aromáticos e tanantes registraram

queda no valor da produção, com retrações de

45,6% e 8,7%, respectivamente. Até 2020, a exploração

extrativista de madeira vinha perdendo espaço, sendo

gradualmente substituída pela produção oriunda de

florestas cultivadas. No entanto, desde 2021, houve

retomada, especialmente com o avanço da produção

de madeira em tora e carvão vegetal.

PERSPECTIVAS PARA O SETOR

Os dados da PEVS 2024 confirmam o vigor da

cadeia florestal brasileira, com destaque para a silvicultura

como principal vetor de crescimento. O avanço

tecnológico, a valorização da celulose e a expansão

das áreas plantadas têm impulsionado o setor, que se

consolida como estratégico para a economia nacional.

A diversificação regional, com destaque para Mato

Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná, reforça a capilaridade

da produção e abre novas oportunidades para

investimentos e desenvolvimento sustentável.

Com recordes sucessivos, aumento nas exportações

e expansão territorial, o Brasil reafirma sua posição

como potência florestal global. A tendência é de

continuidade no crescimento, com foco em inovação,

sustentabilidade e competitividade internacional. O

setor florestal, cada vez mais integrado à indústria e

ao comércio exterior, mostra que suas raízes estão

fincadas no presente, mas com os olhos voltados para

o futuro.

56 www.referenciaflorestal.com.br



EVENTO

“Foi um evento completo da área técnica, que trouxe

a silvicultura prática para a sala de aula”, destacou Pedro,

entusiasmado com o formato dinâmico e objetivo adotado.

A proposta foi transmitir experiências reais do campo,

desde o planejamento até a colheita, abordando toda a

cadeia da silvicultura com protocolos aplicados na prática

florestal.

Segundo o diretor, a alta demanda da consultoria e de

seus clientes evidenciou a necessidade de um evento estruturado

e técnico. “Tivemos participantes de 17 estados

brasileiros e representantes de cinco países: Paraguai, Peru,

Argentina, Chile e Uruguai”, ressaltou Pedro, reforçando o

alcance internacional da iniciativa.

A equipe da Francio Soluções Florestais se dedicou

intensamente para entregar uma experiência única. “Todos

estavam satisfeitos. Foram 30 horas de treinamento contínuo,

com conteúdo técnico de alto nível. A estrutura foi pensada

para garantir acesso à informação de qualidade, e a resposta

do público superou todas as expectativas”, acrescentou.

A procura foi tão intensa que, 30 dias antes do evento,

todas as vagas presenciais já estavam esgotadas. Por isso, a

organização abriu uma versão online, com transmissão ao

Foi um evento

completo da área

técnica, que trouxe

a silvicultura prática

para a sala de aula

Pedro Francio Filho,

diretor da Francio Soluções

Florestais

ForestMax

EVENTO TÉCNICO APRESENTOU PROTOCOLOS

ÚNICOS PARA PRODUTIVIDADE NA SILVICULTURA

Fotos: Francio Soluções Florestais

D

e 9 a 11 de setembro de 2025, foi realizado o

ForestMax, evento que se consolidou como

um dos mais relevantes do calendário florestal

nacional. A imersão técnica, promovida pela

Francio Soluções Florestais, teve como foco a

capacitação prática e estratégica de produtores e profissionais

do setor, reunindo conteúdos essenciais para o sucesso

da silvicultura moderna.

Com uma programação voltada a quem busca produtividade,

sustentabilidade e retorno econômico, o evento

abordou os fundamentos da silvicultura de alta performance

— do planejamento à colheita.

Entre os temas trabalhados ao longo dos três dias estiveram

o planejamento e a implantação de florestas de uso

múltiplo, a escolha da área, o preparo do solo e a definição

do material genético ideal. Também foram discutidos os fertilizantes

e herbicidas mais indicados para cada fase do cultivo,

além da sequência operacional das atividades florestais e o

momento certo para cada intervenção no campo. O objetivo

foi capacitar os participantes para uma tomada de decisão

segura e embasada nas melhores práticas.

Pedro Francio Filho, diretor da Francio Soluções Florestais

e organizador do evento, compartilhou os bastidores e os

desafios de realizar um encontro desse porte:

58 www.referenciaflorestal.com.br Outubro 2025 59



EVENTO

vivo e gravação disponível na plataforma da empresa. “Nunca

imaginávamos tanto sucesso. As salas estavam lotadas, e

muita gente tentou se inscrever na última hora, mas não

havia mais espaço”, comentou Pedro.

Marcelo Schmid, sócio-diretor do Grupo Index, também

elogiou o evento: “É um evento fabuloso, sem igual no país.

O ForestMax é de suma importância, pois o Brasil precisa

melhorar a produtividade de suas florestas — e esse evento

abre portas para suprir essa demanda. As informações trazidas

pela equipe da Francio Soluções Florestais são essenciais

para a valorização do setor florestal, que é uma verdadeira

vocação do nosso país.”

Manoel de Freitas, engenheiro florestal e um dos grandes

nomes da silvicultura nacional, valorizou o foco em educação

e transmissão de conhecimento. “No ForestMax pude conhecer

as práticas mais recentes e adequadas ao momento atual

da silvicultura. Um evento como esse é uma oportunidade

única de aprender o verdadeiro estado da arte do nosso setor,

tanto para nosso crescimento pessoal, quanto profissional.”

Carlos Bocangel, participante vindo do Peru, enalteceu a

experiência: “Viemos com a mente aberta e ficamos muito

felizes em participar, questionar e aprender com o conteúdo

prático. Levamos uma bagagem valiosa de conhecimento de

volta para casa.”

Já Martin Vargas, gerente de produção da Campo

Morumbi, do Paraguai, destacou: “Um evento excelente,

com muita informação e tecnologia. Esses aprendizados

certamente contribuirão para o crescimento da silvicultura

em nosso país.”

A expectativa para a próxima edição já está criada. A

equipe iniciou o planejamento do ForestMax 2026, mantendo

a proposta de ser um evento técnico exclusivo do setor

florestal brasileiro. “Já temos muita gente nos procurando.

Foi satisfatório para os participantes, patrocinadores e para

todos nós da Francio Soluções Florestais”, concluiu Pedro.

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MINUTO FLORESTA

PULVERIZAÇÃO

INTELIGENTE

Aplicação via drone transforma

práticas florestais com eficiência,

segurança e sustentabilidade

Aaplicação de defensivos agrícolas com drones

vem se consolidando como prática inovadora

e eficiente no setor florestal. Aliando precisão,

agilidade e sustentabilidade, essa tecnologia tem

transformado o manejo das áreas de cultivo e

apresenta vantagens expressivas quando comparada a métodos

tradicionais. Este material, produzido pela Envu Floresta,

empresa especializada em soluções para o setor, reúne orientações

fundamentais sobre boas práticas de aplicação via drone

e integra a visão de especialistas acadêmicos sobre o futuro da

silvicultura.

Entre os benefícios, destacam-se a precisão no direcionamento

dos produtos, a capacidade de atingir áreas declivosas

ou de difícil acesso e a redução do tempo de deslocamento

das equipes. Outro ponto de grande relevância é a menor exposição

dos trabalhadores aos defensivos, reforçando a saúde

ocupacional e a responsabilidade social das operações. Do ponto

de vista operacional, a automação garante repetibilidade,

assegurando padronização, além de eliminar a compactação

do solo, comum em operações terrestres. A economia de água

também chama atenção: aplicações de 20 L.ha-1 (litros por

hectare) contra 100 a 200 L.ha-1 em métodos tradicionais. “Os

drones permitem aplicações localizadas, reduzem custos e integram-se

a sistemas digitais, com potencial para pulverizações

em taxa variável e registros detalhados das operações”, salienta

Samuel Assis, professor de engenharia rural da Ufes (Universidade

Federal do Espirito Santo) e coordenador do LabMAP (Laboratório

de Mecanização e Agricultura de Precisão e Digital).

Para que a eficiência seja alcançada, é preciso respeitar

parâmetros técnicos. A Envu recomenda volumes de calda de

20 a 40 L.ha-1, altura de voo entre 1,5m e 3m (metros) e faixa

de deposição de 3m a 5m. A configuração de voo também é

determinante: deslocamento perpendicular ao vento, bicos

bem distribuídos e velocidade média de 18 km/h. “Alturas mais

baixas favorecem a deposição e reduzem a deriva, enquanto

alturas maiores ampliam a faixa tratada, mas aumentam o risco

de dispersão. Já velocidades entre 4 e 6 m/s-1 oferecem maior

uniformidade de aplicação”, sublinha Samuel.

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As condições ambientais precisam ser igualmente observadas.

A recomendação é operar em temperaturas abaixo de 30°C

(graus Celsius), com umidade relativa acima de 55% e ventos

entre 3 e 10 km/h. “Temperaturas elevadas aceleram a evaporação

das gotas, sendo a combinação delas ainda mais restritiva

as aplicações, enquanto baixa umidade reduz sua eficiência.

Já ventos acima de 9 km/h aumentam significativamente a

deriva”, alerta Samuel. Para mitigar esses riscos, a tecnologia é

aliada: estações meteorológicas portáteis, aplicativos, sensores

embarcados e plataformas de geoprocessamento permitem

avaliar a viabilidade em tempo real e registrar as condições no

momento da aplicação.

Outro ponto crucial está na prevenção da deriva. A recomendação

é priorizar gotas médias a grossas, respeitando distância

mínima de 20m de áreas sensíveis, conforme a Portaria

do Ministério da Agricultura. “Gotas finas oferecem cobertura,

mas têm maior risco de deriva; médias equilibram segurança; e

grossas reduzem perdas fora do alvo, sendo mais adequadas a

herbicidas de solo”, salienta Samuel.

A Envu Floresta reforça seu pioneirismo ao trazer essas

recomendações e soluções específicas para o setor. O produto

Fordor Flex, por exemplo, é o único da categoria com recomendação

oficial em bula para aplicação via drone. Esse avanço

abre espaço para práticas sustentáveis e aponta caminhos para

a modernização da atividade florestal. Para Samuel, a chave

está em entender o posicionamento dos drones no sistema de

manejo: “Não se deve vê-los como substitutos imediatos, mas

como ferramentas complementares, que exigem maior conhecimento

em tecnologia de aplicação”, conclui Samuel.

Mais do que tendência, a pulverização aérea com drones já

é uma realidade que redefine conceitos de manejo. Com apoio

de empresas especializadas e a contribuição de especialistas

acadêmicos, o setor florestal encontra na tecnologia uma aliada

estratégica, capaz de unir eficiência, rastreabilidade e segurança,

atributos indispensáveis para uma silvicultura sustentável.

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NA PRODUÇÃO DE MUDAS



MANEJO

FLORESTA

em pé

Dia da Árvore marca incentivo ao manejo florestal

sustentável no Amazonas

Fotos: divulgação

C

omemorado em 21 de setembro, o Dia da Árvore

é uma data que reforça a importância de práticas

que aliem desenvolvimento econômico à

preservação ambiental. No Amazonas, o Ipaam

(Instituto de Proteção Ambiental do Estado

do Amazonas) desempenha papel fundamental ao orientar

empreendedores e produtores rurais sobre o manejo florestal

sustentável, uma estratégia que permite a exploração legal de

madeira e outros produtos florestais, ao mesmo tempo em

que fortalece a conservação da biodiversidade.

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MANEJO

O manejo florestal sustentável oferece uma série de

vantagens ambientais, sociais e econômicas. Entre elas

estão: mitigação das mudanças climáticas, por meio da fixação

de carbono; proteção dos solos e dos recursos hídricos;

geração de emprego e renda para comunidades locais; e

garantia de recursos madeireiros de forma contínua e legal.

Segundo o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço,

essa prática permite que os recursos da floresta sejam

utilizados de maneira responsável. “O manejo florestal

sustentável contribui para a conservação da biodiversidade,

protege o solo e os recursos hídricos, e ajuda a mitigar as

mudanças climáticas. Economicamente, gera emprego e

renda para comunidades locais, promove investimentos

privados e assegura a produção contínua de recursos florestais”,

acredita Gustavo.

Além disso, o manejo sustentável assegura que as florestas

permaneçam produtivas e preservadas, equilibrando

exploração e conservação para as futuras gerações. Socialmente,

fortalece a gestão participativa e melhora a qualidade

de vida das populações que dependem diretamente da

floresta.

LEGISLAÇÃO VIGENTE

A atividade é regulamentada por normas federais e

estaduais. A Lei Federal número 12.651/2012, conhecida

como Código Florestal, estabelece diretrizes para a proteção

da vegetação nativa e prevê penalidades para infrações,

como a exploração sem autorização. No âmbito estadual, a

Resolução número 35/2022 do Cemaam (Conselho Estadual

de Meio Ambiente) define os procedimentos técnicos para

elaboração e avaliação dos PMFS (Planos de Manejo Florestal

Sustentável), tanto de maior quanto de menor impacto,

em florestas nativas e formações sucessoras.

Já o Decreto número 51.355/2025 estipula multas para

infrações relacionadas ao manejo florestal, no valor de R$ 1

mil por ha (hectare) ou fração. Após a notificação, o infrator

tem 20 dias para apresentar defesa ou efetuar o pagamento.

A coordenadora da Gerência de Controle Florestal do

Ipaam, Crystianne Bentes, explica que o instituto é responsável

pelo licenciamento, monitoramento e fiscalização dos

planos de manejo. “O papel do Ipaam é licenciar, autorizando

a exploração florestal mediante aprovação do PMFS;

monitorar as atividades para garantir o cumprimento dos

planos e da legislação; e fiscalizar, realizando vistorias e

combatendo atividades ilegais, como desmatamento e extração

irregular”, detalha Crystianne.

O processo inicia com a solicitação da Apat (Autorização

Prévia para Análise Técnica), feita diretamente no site do

Ipaam. O plano técnico submetido deve conter o inventário

florestal, o volume de exploração previsto e as espécies que

serão manejadas.

Todo o procedimento é integrado ao sistema federal

Sinaflor (Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos

Florestais) o que garante rastreabilidade e transparência.

Após a aprovação, a madeira é acompanhada desde

o corte até o destino final, assegurando sua origem legal e

combatendo o comércio irregular.

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LODOS INDUSTRIAIS, RESÍDUOS ORGÂNICOS, COMPOST BARN E ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO

OS DESAFIOS DA COMPOSTAGEM DE RESÍDUOS

ORGÂNICOS URBANOS E AGROINDUSTRIAIS

Análise dos obstáculos e oportunidades

para a gestão sustentável de resíduos

Fotos: divulgação

Acompostagem é um processo biológico essencial

para o manejo sustentável dos resíduos

orgânicos, sendo fundamental tanto em

ambientes urbanos quanto na agroindústria.

Entretanto, a implementação eficaz desse processo

enfrenta vários desafios técnicos, ambientais, econômicos

e sociais. Estou apresentando uma análise abrangente

dos principais obstáculos encontrados na compostagem

de resíduos orgânicos urbanos e dos resíduos oriundos da

agroindústria no contexto brasileiro.

1. DESAFIOS NA COMPOSTAGEM DE RESÍDUOS

ORGÂNICOS URBANOS

• Coleta seletiva e segregação inadequada:

- A separação correta dos resíduos orgânicos nas cidades

ainda é limitada. Muitos municípios não possuem

sistemas de coleta seletiva eficientes, resultando em contaminação

dos resíduos orgânicos com materiais recicláveis

ou rejeitos, o que dificulta o processo de compostagem e

reduz a qualidade do composto final.

• Infraestrutura insuficiente:

- A falta de centrais de compostagem e de tecnologias

apropriadas para o tratamento dos resíduos urbanos é um

entrave comum. Investimentos em infraestrutura e logística

são necessários para ampliar a capacidade de tratamento

e otimizar o transporte dos resíduos até as unidades de

compostagem.

• Baixo engajamento da população:

- A conscientização pública sobre a importância da separação

e destinação correta dos resíduos orgânicos ainda

é baixa. Campanhas educativas e incentivos são fundamentais

para ampliar a participação da sociedade.

• Controle sanitário e de odores:

- Se mal feita a compostagem urbana, especialmente

em áreas densamente povoadas, pode gerar odores desagradáveis

e atrair vetores, como insetos e roedores, caso

não seja devidamente controlada. Esse fator dificulta a

aceitação social do processo.

• Legislação e regulamentação:

- As normas para o manejo e destinação dos resíduos

orgânicos variam entre municípios e estados, criando insegurança

jurídica e dificultando a padronização de práticas

sustentáveis.

2. DESAFIOS NA COMPOSTAGEM DE RESÍDUOS

ORGÂNICOS DA AGROINDÚSTRIA

• Grande volume e sazonalidade:

- A agroindústria gera quantidades expressivas de resíduos,

muitas vezes concentradas em períodos específicos

do ano, o que pode sobrecarregar as instalações de compostagem

e dificultar o planejamento operacional.

68 www.referenciaflorestal.com.br Outubro 2025 69



• Composição heterogênea dos resíduos:

- Os resíduos agroindustriais podem variar bastante

em suas características físico-químicas, o que exige ajustes

constantes nos processos de compostagem para garantir a

qualidade do composto e evitar problemas como odores e

lixiviados.

• Necessidade de transporte e logística:

- Muitas agroindústrias estão localizadas em áreas

rurais distantes dos centros consumidores do composto,

encarecendo o transporte e dificultando a comercialização

do produto final.

• Ausência de incentivos econômicos:

- A falta de políticas públicas e incentivos financeiros

para o reaproveitamento dos resíduos dificulta a adoção

em larga escala da compostagem na agroindústria.

• Controle ambiental:

- O manejo inadequado pode gerar impactos ambientais,

como a contaminação de solos e águas superficiais

pelo chorume, exigindo monitoramento rigoroso e tecnologias

específicas para mitigar esses riscos.

3. OPORTUNIDADES E CAMINHOS PARA

SUPERAÇÃO

Apesar dos desafios, a compostagem de resíduos orgânicos

urbanos e agroindustriais apresenta importantes

oportunidades para a promoção da economia circular e da

sustentabilidade ambiental. Entre as principais estratégias

para superar os obstáculos estão:

A compostagem de resíduos

orgânicos urbanos e da

agroindústria é uma alternativa

sustentável e estratégica para

o manejo de resíduos, redução

de emissões de GEE (gases de

efeito estufa) e produção de

insumos para a agricultura

• Investimento em infraestrutura e modernização tecnológica

dos sistemas de coleta e tratamento;

• Desenvolvimento de políticas públicas de incentivo à

compostagem, incluindo subsídios e linhas de crédito;

• Educação ambiental para engajar a sociedade e os

produtores rurais/agroindustriais;

• Criação de marcos regulatórios claros e harmonizados

em âmbito nacional;

• Fomento à pesquisa e inovação para o aproveitamento

de diferentes tipos de resíduos e produção de compostos

de alta qualidade.

A compostagem de resíduos orgânicos urbanos e da

agroindústria é uma alternativa sustentável e estratégica

para o manejo de resíduos, redução de emissões de GEE

(gases de efeito estufa) e produção de insumos para a agricultura.

No entanto, sua efetiva implementação depende

da superação de desafios estruturais, culturais e econômicos.

O fortalecimento de políticas públicas, a educação

ambiental e o investimento em tecnologia são fundamentais

para transformar esses desafios em oportunidades de

desenvolvimento sustentável.

Pergunte ao Tomita

Caso tenha alguma dúvida sobre

o sistema de compostagem,

envie sua pergunta para o e-mail

jornalismo@revistareferência.com.br e

saiba tudo sobre compostagem florestal.

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Especial

LODOS INDUSTRIAIS, RESÍDUOS ORGÂNICOS, COMPOST BARN E ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO

Fotos: divulgação Máquina Solo

SUSTENTABILIDADE E ENERGIA LIMPA

Compostagem na indústria de papel e celulose abre

portas para aproveitamento total de matérias-primas

Aindústria brasileira de papel e celulose tem avançado

significativamente em práticas de sustentabilidade

ao adotar a compostagem como ferramenta

estratégica para transformar resíduos em fertilizantes

orgânicos. O que antes era um passivo ambiental

agora retorna ao solo como insumo agrícola, fortalecendo a

economia circular e diminuindo a dependência de fertilizantes

minerais importados.

Para atender esse mercado de grande potencial, quem oferece

soluções completas é a Máquina Solo. A empresa, com mais

de 27 anos de trajetória e quase 800 equipamentos distribuídos

em todo o Brasil, consolidou-se como parceira estratégica dos setores

agroflorestal, de reciclagem e da indústria de papel e celulose.

Atuando na conexão entre tecnologias globais e os desafios

locais, a empresa oferece soluções completas para trituração de

madeira, processos de compostagem e produção de biomassa.

Mais do que equipamentos, a Máquina Solo entrega inovação e

sustentabilidade, reforçando a visão de que resíduos podem se

transformar em insumos de alto valor. Com isso, contribui para

aumentar a produtividade e a lucratividade de seus clientes, ao

mesmo tempo em que fortalece a economia circular e a responsabilidade

ambiental em segmentos fundamentais para o país.

Um exemplo que se sobressai das soluções da Máquina Solo

para a compostagem vem da LD Celulose, referência na produção

de celulose solúvel. A companhia desenvolveu um sistema

de compostagem em larga escala que utiliza lodos, sobras de

madeira e materiais alcalinos para produzir fertilizantes capazes

de corrigir a acidez típica dos solos tropicais. Os resíduos passam

por etapas de mistura, tombamento e aeração em pátios de

compostagem, ocupando uma área de 60 mil m² (metros quadrados),

dos quais 20 mil m² são cobertos. Essa infraestrutura conta

com 18 máquinas e uma equipe de 35 profissionais. Projetada

para receber até 144 mil toneladas de resíduos por ano, a unidade

atualmente processa cerca de 120 mil toneladas anuais. Só

em 2024, foram produzidas 43 mil toneladas de corretivo de solo

e 22 mil toneladas de fertilizante orgânico, que além de impulsionar

o crescimento dos eucaliptus da própria LD Celulose, também

beneficiam culturas externas como café, alho e soja. Ensaios

em campo comprovaram aumentos médios de produtividade de

6% na horticultura e de até 4 sacas por ha (hectare) na soja.

Pedro Cardoso, coordenador de compostagem na LD Celulose,

destaca o impacto dessa iniciativa. “A celulose, dentro da indústria,

é um produto altamente sustentável e de fácil reposição,

porque vem de uma fonte renovável. No processo de compostagem,

reaproveitamos resíduos de diferentes etapas industriais

para produzir fertilizantes e condicionadores de solo aplicados ao

manejo agrícola. Utilizamos revolvedores de leiras no processo

de aeração, garantindo melhor metabolismo microbiano. Quando

os equipamentos são robustos, suportam o ritmo operacional

diário com mais eficiência, o que reduz custos e aumenta a disponibilidade

da operação”, assegura Pedro.

TECNOLOGIAS APLICADAS

Para tornar essa operação viável, a LD Celulose conta com

equipamentos fornecidos pela Máquina Solo, como o Menart

SP-50 e o TANA Shark. Na compostagem industrial, é essencial

dispor de máquinas capazes de enfrentar desafios diários e assegurar

a continuidade da operação.

O triturador TANA Shark, considerado um dos mais versáteis

do mercado, consegue processar até 12 tipos de resíduos, incluindo

cascas, galhadas, tocos, raízes e madeira. Sua capacidade

varia entre 5 e 50 toneladas por hora, disponível em versões

móveis ou estacionárias, movidas a diesel ou energia elétrica.

Essa versatilidade garante biomassa homogênea, acelerando

a decomposição. Já o Menart SP-50 é referência internacional

em revolvimento de leiras, proporcionando aeração e homogeneização

adequadas para acelerar a decomposição e alcançar

compostos de qualidade. Com produtividade entre 1 mil e 4 mil

toneladas por hora, o equipamento otimiza a gestão de resíduos

e transforma subprodutos, como lodos e cascas, em fertilizantes

orgânicos de alto valor agregado.

Maycon Pereira, CEO da Máquina Solo, explica o papel desses

equipamentos no processo. “Trituradores e revolvedores são

fundamentais na compostagem. O triturador fornece o material

estruturante e a fonte de carbono necessários, enquanto os revolvedores

garantem homogeneização e oxigenação das leiras.

Quem faz a compostagem são as bactérias; as máquinas criam

as condições ideais para que elas trabalhem. Dessa forma, aceleramos

o processo e aumentamos a eficiência na produção de

fertilizantes”, pontua Maycon.

DESAFIOS E GANHOS ECONÔMICOS

Ao falar sobre a implantação do projeto, Pedro destaca que o

maior desafio foi desenvolver um processo confiável para o uso

agronômico, substituindo a antiga percepção dos resíduos como

simples descarte. “Hoje, esses materiais são reconhecidos como

insumos valiosos, comparáveis a produtos já consolidados no

mercado, o que garante confiança tanto para uso interno quanto

para clientes externos”, sublinha Pedro. Além da contribuição

ambiental, a iniciativa também trouxe benefícios financeiros. A

redução de custos com transporte e destinação final de resíduos,

somada ao aproveitamento nas florestas e no mercado, fortaleceu

a sustentabilidade do negócio e garantiu retorno econômico

consistente.

Além da contribuição ambiental, a iniciativa também trouxe

benefícios financeiros. A redução de custos com transporte e

destinação final de resíduos, somada ao aproveitamento nas

florestas e no mercado, fortaleceu a sustentabilidade do negócio

e garantiu retorno econômico consistente. Outro ponto de destaque

foi a regularização do processo de pós-venda da Máquina

Solo, com a adoção de um contrato de manutenção preventiva

que trouxe previsibilidade e eficiência à operação. “A gente teve

a grata surpresa de regularizar o nosso processo de pós-venda

de manutenção, a qual fechamos um contrato de manutenção

preventiva. Isso nos atende muito bem e a gente eliminou aquelas

surpresas indesejadas que a gente tem dentro do processo. E

hoje a máquina roda muito bem”, comemora Pedro Cardoso.

A parceria com a Máquina Solo e a fabricante Menart também

garantiu um estoque adequado de peças, facilitando a

reposição imediata em caso de necessidade. “Em qualquer peça

que estrague, a gente terá reposição com facilidade. E também a

SP50, ela possui uma facilidade de manutenção. O que dentro de

um processo de tratamento de resíduos é de suma importância

quando se vê a questão de custo. A minha operação tem um custo

bem tranquilo quando se fala nos processos de revolvedores

da Menart”, complementa Pedro Cardoso.

72 www.referenciaflorestal.com.br Outubro 2025 73



PRODUÇÃO

Paraná fortalece

SETOR

FLORESTAL

Estado bate recorde e lidera

produção de madeira,

lenha e erva-mate

Fotos: divulgação

74 www.referenciaflorestal.com.br

Julho 2024

75



PRODUÇÃO

Outro destaque é a liderança na produção

de lenha proveniente de florestas plantadas.

O Estado produziu cerca de 14 milhões de m3

(metros cúbicos), o equivalente a 26% da produção

nacional. O Rio Grande do Sul aparece

em segundo lugar, com 10,9 milhões de m3 e

20,1% do total. A região sul do Estado como

um todo responde por 60,6% da produção nacional

de lenha, evidenciando sua relevância

para o setor.

A capilaridade da produção florestal no

Paraná é outro fator que chama atenção.

Dos 399 municípios do Estado, 391 estão diretamente

envolvidos na atividade. General

Carneiro (PR), localizado na região sul, lidera

o ranking nacional em valor de produção da

silvicultura, com R$ 637,2 milhões. Desse

total, R$ 612,7 milhões são provenientes da

produção de madeira, R$ 13,8 milhões da

lenha e R$ 10,8 milhões do carvão vegetal. Os

dois últimos produtos tiveram aumento de

15% na quantidade produzida em relação ao

ano anterior.

O

Paraná alcançou um novo

marco na produção florestal

nacional ao registrar R$ 6,9

bilhões em valor de produção

em 2024, segundo dados

da PEVS (Pesquisa da Extração Vegetal e da

Silvicultura), divulgada pelo IBGE (Instituto

Brasileiro de Geografia e Estatística). Esse resultado

representa um crescimento de 20,7%

em relação ao ano anterior e consolida o Estado

como vice-líder no ranking nacional, atrás

apenas de Minas Gerais, que detém 19,4% da

produção. O Paraná responde por 15,6% do

total nacional, enquanto São Paulo ocupa a

terceira posição com 12,9%. Juntos, os três Estados

concentram 48% da produção florestal

brasileira.

A silvicultura é o principal motor da produção

florestal paranaense, representando

91,65% do valor total, com R$ 6,34 bilhões.

Esse segmento, que envolve o cultivo de

florestas para fins comerciais, teve um crescimento

de 24,09% em relação a 2023. O Paraná

se destaca como o maior produtor nacional

de madeira em tora para outras finalidades,

sendo responsável por 32,1% do volume total

produzido no país.

A silvicultura é o principal

motor da produção florestal

paranaense, representando

91,65% do valor total,

com R$ 6,34 bilhões.

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Outubro 2025 77



PRODUÇÃO

Além de General Carneiro, outros quatro

municípios paranaenses figuram entre os 15

maiores produtores de silvicultura do país.

São eles Sengés (PR), em oitavo lugar com R$

367 milhões; Cruz Machado (PR), em décimo

primeiro com R$ 304 milhões; Telêmaco Borba

(PR), em décimo quarto com R$ 281 milhões;

e Bituruna (PR), em décimo quinto com R$

275 milhões.

A extração vegetal, que corresponde à

exploração de recursos naturais não cultivados,

representa 8,35% da produção florestal

do Paraná, totalizando R$ 577 milhões. Nesse

segmento, o Estado ocupa a terceira posição

nacional. São Mateus do Sul (PR) é o principal

município paranaense nesse tipo de produção,

ocupando o oitavo lugar no ranking nacional

com R$ 117,7 milhões.

A produção de erva-mate é outro ponto

de destaque. O Paraná concentra 85,8% da

produção nacional, com valor estimado em

R$ 117 milhões. Nove municípios lideram a

produção em 2024, sendo São Mateus do Sul

o maior produtor individual, responsável por

17,2% do total nacional. Apesar de manter o

mesmo volume do ano anterior, a extração de

erva-mate gerou R$ 522,8 milhões em valor

de produção, sendo o segundo maior entre os

produtos não madeireiros. Houve, no entanto,

uma redução de 11,3% em relação a 2023.

O pinhão também teve desempenho expressivo

entre os produtos não madeireiros. O

valor da produção cresceu 15,1%, alcançando

R$ 76,8 milhões, mesmo com um aumento

modesto de 0,7% na quantidade produzida.

O Paraná lidera a produção nacional, respondendo

por 35,4% do volume total. No que diz

respeito à área plantada, o Paraná ocupa a

terceira posição nacional, com 1,2 milhão de

ha cobertos por espécies florestais cultivadas.

Esse número representa um aumento de

1,6% em relação ao ano anterior. A área é

equivalente à de São Paulo, que registrou uma

leve redução de 0,7%. Minas Gerais lidera com

2,2 milhões de ha, seguido por Mato Grosso

do Sul com 1,5 milhão.

O Estado também se destaca no cultivo

de pinus, possuindo a maior área plantada do

país com 670,7 mil ha. Além disso, há 464,4

mil ha destinados ao cultivo de eucalipto e

22,6 mil ha para outras espécies. Na indústria

de papel e celulose, o eucalipto é utilizado

para produzir celulose de fibra curta, empregada

na fabricação de papéis para impressão,

escrita e uso sanitário. Já o pinus é matéria-

-prima para celulose de fibra longa, voltada

à produção de papéis de maior resistência e

qualidade superior.

A Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura

é uma iniciativa do IBGE que coleta

dados sobre a quantidade e o valor da produção

florestal no Brasil. Ela abrange tanto a silvicultura

quanto o extrativismo vegetal, além

de apresentar informações sobre as áreas

ocupadas pelas atividades florestais. Os dados

de 2024 reforçam a posição estratégica do Paraná

como um dos principais protagonistas da

cadeia produtiva florestal nacional, com forte

impacto econômico e territorial.

A extração vegetal, que

corresponde à exploração de

recursos naturais não cultivados,

representa 8,35% da produção

florestal do Paraná, totalizando

R$ 577 milhões

78 www.referenciaflorestal.com.br Outubro 2025 79



ARTIGO

Influência do substrato na

composição do

CUSTO DE PRODUÇÃO E

QUALIDADE DE MUDAS

de Pinus taeda L.

em viveiro florestal

Fotos: divulgação

MOT_ANUNCIO_908L TMAX.pdf 1 25/09/2025 16:13

GUILHERME NICHELE DA ROCHA

USP/ESALQ (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO/ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA LUÍZ DE QUEIROZ)

LAIS MADASCHI

ARBORGEN

AUGUSTO MASSARO GONZAGA

UMA FLORESTAL

ANDRESSA VASCONCELOS FLORES

UFSC (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA)

RODRIGO EIJI HAKAMADA

USP/ ESALQ (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO/ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA LUÍZ DE QUEIROZ)

C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K

80 www.referenciaflorestal.com.br Outubro 2025 81



ARTIGO

INTRODUÇÃO

A área de floresta plantada no Brasil cresceu de 3,7 milhões

de ha (hectares) em 1990 (IBGE - Instituto Brasileiro

de Geografia e Estatística, 2021) para 9,94 milhões de ha

em 2023 (IBÁ - Indústria Brasileira de Árvores, 2021). O

gênero pinus apresenta grande importância, com destaque

para o Pinus taeda L., que representa 19% do plantio

florestal brasileiro em 2023, totalizando 1,9 milhão de ha

(IBÁ, 2021). As plantações do mesmo estão concentradas

na região sul do Brasil, especialmente nos Estados do Paraná

e Santa Catarina, onde as condições edafoclimáticas

favorecem altas produtividades (Dobner Junior & Campoe,

2019).

Facas Industriais

PRODUTOS

RESUMO

O

crescimento de florestas plantadas no

Brasil e a importância do Pinus taeda,

destacam a necessidade de substratos

adequados nos viveiros, pois influenciam

diretamente na qualidade e custos da

produção. O objetivo deste trabalho foi analisar a emergência

de plântulas da espécie em diferentes substratos;

identificar e quantificar a interferência de matocompetição

no tubete no rendimento operacional; identificar como o

substrato influi sobre os custos de produção e se interfere

na qualidade das mudas. O experimento foi realizado em

viveiro de pesquisa florestal testando os substratos Comercial

A e Comercial B, e substratos reaproveitados do

processo de seleção e de lavagem. Foram analisadas taxa

de germinação das sementes, velocidade de emergência

das plântulas, capacidade de retenção de água, frequência

de matocompetição nos tubetes, rendimento operacional

de seleção de mudas, custos de produção e qualidade

das mudas. Quanto aos resultados obtidos: observou-se

maior emergência das plântulas no tratamento com 100%

substrato Comercial A, pois este proporcionou maior capacidade

de retenção de água do substrato e velocidade de

germinação das sementes. Os substratos reaproveitados

apresentaram maior frequência de tubetes com matocompetição.

Isto influenciou no rendimento operacional de

seleção das mudas. As diferentes taxas de germinação e

rendimentos operacionais influenciaram na composição do

custo de produção, principalmente com mão de obra. Os

substratos influenciaram, principalmente, no desenvolvimento

radicular, com todos apresentando qualidade satisfatória.

Conclui-se que o tratamento 10A é o mais indicado

para produção de mudas.

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ARTIGO

A produtividade também depende das práticas de

manejo e, em parte, da qualidade das mudas plantadas

(Dranski et al., 2015). E esse atributo está relacionado

com o regime de crescimento das mudas no viveiro, que

influenciará na capacidade fisiológica das mudas no campo

(Del Campo et al., 2010).

Em viveiro, um fator limitante para o desenvolvimento

e qualidade das mudas é o substrato utilizado (Simões et

al., 2012). Ele é responsável por fornecer as condições físicas,

químicas e biológicas às mudas, principalmente nas fases

iniciais de desenvolvimento (Fermino & Kämpf, 2012).

Por isso, é desejável que seja uniforme em sua composição

e preparo; tenha alta capacidade de retenção de água;

seja isento de pragas, patógenos e sementes de plantas

daninhas e; principalmente, viável economicamente (Pozza

et al., 2007).

Diversos substratos são utilizados em viveiros no Brasil,

como casca de pinus, turfa, vermiculita, entre diversos

outros (Fernandes et al., 2006), havendo uma ampla variedade

de opções. Alguns destes substratos são oriundos de

resíduos da agroindústria, mas não representam, necessariamente,

alternativas de menor custo, por apresentarem

oscilações no preço, a depender de sua disponibilidade

(Simões et al., 2012).

A variação entre

substratos pode

influenciar nos custos

com mão-de-obra ou

máquinas e uso de

adubos ou defensivos

adicionais, além da

qualidade das mudas

Para isso, analisar o tipo de substrato e rendimentos

dos viveiros florestais são essenciais para compreender os

custos de produção (Silva et al., 2015). A variação entre

substratos pode influenciar nos custos com mão-de-obra

ou máquinas e uso de adubos ou defensivos adicionais,

além da qualidade das mudas. A gestão estratégica de

custos representa a compreensão da estrutura dos custos

de uma empresa em busca de uma vantagem competitiva

(Shank & Govindarajan, 1997).

Essa é uma versão parcial desse

artigo, o material completo pode

ser acessado pelo QR Code:

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AGENDA

AGENDA 2025

Imagem: reprodução

IX Congresso de formigas cortadeiras

Data: 22 e 23

Local: Piracicaba (SP)

Informações: https://www.ipef.br/

eventos/evento.aspx?id=572

OUTUBRO

2025

NOV

2025

FORESTECH EXPO

A Forestech Expo Poland é um evento especializado

em tecnologias para silvicultura e manejo de madeira,

realizado no Ptak Warsaw Expo, o maior centro de

feiras da Europa Central. Seu objetivo é reunir todos os

setores da indústria, promovendo conexões comerciais

e oportunidades de negócios. A feira permite comparar

ofertas do mercado polonês, encontrar parceiros

estratégicos e participar de conferências, workshops

e congressos que ampliam o conhecimento técnico e

apresentam as tecnologias mais recentes do setor. Uma

oportunidade única para profissionais da área.

NOVEMBRO

2025

Forestech Expo

Data: 4 a 6

Local: Varsóvia (Polônia)

Informações:

https://forestechexpopoland.com/en/

Imagem: reprodução

LXVI Reunião Técnico-científica

do PTSM

Data: 5 e 6

Local: Ribas do Rio Pardo (MS)

Informações: https://www.ipef.br/

eventos/evento.aspx?id=587

NOVEMBRO

2025

NOV

2025

LXVI REUNIÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA

DO PTSM

O PTSM - Programa Cooperativo sobre Silvicultura e Manejo

do Ipef (Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais) tem como

objetivo promover a discussão sobre avanços científicos

e práticas operacionais voltados ao manejo ecológico e

conservação do solo em plantações florestais, com ênfase

em estratégias que melhorem a qualidade física, química e

biológica do solo. Além disso, abordar desafios e inovações

tecnológicas, como a utilização de indicadores biológicos

de qualidade do solo, utilização de bioinsumos e manejo

de resíduos que possam aumentar a resiliência do sítio e a

produtividade florestal, bem como contribuir para a diminuição

dos custos de produção.

86 www.referenciaflorestal.com.br



ESPAÇO ABERTO

Foto: divulgação

Liderança

HUMANIZADA

Por Vanessa Reis, economista

formada pela PUC-Campinas (Pontifícia

Universidade Católica) e tem

especializações em controladoria,

auditoria e tributação. Atua como CFO

da VideoJet

Características, vantagens

e como desenvolvê-la no

mundo corporativo

Aliderança humanizada se destaca como um dos estilos

de gestão mais valorizados no ambiente corporativo.

Esse modelo de liderança busca aprimorar o ambiente

de trabalho, aumentando o engajamento, a satisfação

e a eficiência das equipes. Nesse contexto, adotar uma

gestão humanizada pode se tornar um grande diferencial competitivo.

Afinal, os profissionais buscam empresas que estejam em sintonia

com seus valores e objetivos, tanto no aspecto profissional quanto

pessoal. Quando essa sintonia abrange a gestão e o estilo de liderança,

a tendência é que o negócio como um todo experimente um crescimento

significativo, não concorda?

A liderança humanizada é uma abordagem de gestão que se concentra

não apenas nos resultados, mas também no bem-estar e no

envolvimento dos colaboradores. Isso significa que os líderes consideram

o aspecto humano ao desenvolver suas estratégias. Dessa forma,

a equipe é conduzida com maior empatia e proximidade. Atualmente,

esse estilo de liderança tem ganhado destaque no mercado. Afinal,

ele também serve como uma maneira de promover a satisfação e o

desempenho dos liderados, criando um ambiente de trabalho mais

harmonioso e colaborativo.

Líderes que adotam uma postura humanizada estão constantemente

em busca de crescimento pessoal, especialmente em áreas

como autoconhecimento, autocrítica e inteligência emocional. Esses

fatores contribuem para o aumento da eficiência dos talentos e, por

consequência, para a rentabilidade da empresa. Implementar uma liderança

humanizada exige uma transformação na maneira de pensar,

baseada em pilares como: comunicação clara e eficaz; atenção às necessidades

dos colaboradores; integração das equipes; e alinhamento

dos processos com o perfil dos profissionais.

5 ETAPAS PARA CULTIVAR UMA LIDERANÇA HUMANIZADA:

Avalie o perfil dos líderes: é essencial examinar o perfil das lideranças

para identificar quais habilidades e competências precisam ser

desenvolvidas, de acordo com as exigências do cargo.

Promova o autoconhecimento: os líderes devem investir no autoconhecimento

para identificar seus pontos fortes e áreas de melhoria.

Incentive a auto avaliação através de feedbacks, dinâmicas ou testes

de personalidade, facilitando o desenvolvimento pessoal e profissional.

Desenvolva programas de capacitação de liderança: investir em

programas de desenvolvimento de liderança é crucial para que os

gestores aprimorem suas competências e se tornem profissionais

mais completos, independentemente do modelo de gestão adotado.

Incentive feedbacks construtivos: uma comunicação eficiente

é essencial para a liderança humanizada. Promover uma cultura de

feedbacks construtivos pode fortalecer esse processo e melhorar a

relação entre equipes.

Alinhe processos com as necessidades dos colaboradores: para

garantir uma liderança humanizada, é importante adaptar os processos

da empresa de acordo com as necessidades dos funcionários, planejando

ações e estratégias que os façam sentir-se valorizados.

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