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10 - Jornal Paraná Outubro 2025

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OPINIÃO

Diminuir o volume de água

pode tornar o etanol

mais moderno e atraente

O grande sucesso do etanol de milho pode criar um excesso de oferta que não

necessariamente vai conseguir espaço entre os consumidores com a mesma facilidade

Por Adriano Pires

Aconvivência entre a

cana e o milho para a

produção de etanol

tem sido de complementaridade,

mas precisa superar

obstáculos mercadológicos

e comportamentais.

A cana-de-açúcar foi a primeira

cultura de sucesso no Brasil. O

êxito foi de tal ordem que consolidou

o Brasil como o maior

produtor de cana-de-açúcar do

mundo, produzindo alimento

(açúcar), combustível renovável

(etanol) e eletricidade por meio

do bagaço de cana.

Hoje estamos vivenciando um

novo momento transformacional

com o enorme crescimento

das plantas de etanol de milho

sendo construídas no País nos

últimos anos. Estamos vendo

taxas de crescimento de produção

de 15% a 20% ao ano, tornando

o milho uma fonte de

energia barata, com a vantagem

de gerar como subproduto o

DDG, uma ração animal extremamente

valorizada.

A convivência entre a cana e o

milho para a produção de etanol

tem sido de complementaridade,

haja vista que as novas

fábricas estão sendo construídas

em locais onde o etanol de

cana nunca foi muito competitivo,

como as Regiões Norte,

Centro-Oeste e Sul do Brasil.

Nos anos de queda de safra de

cana, o milho tem ajudado a

manter estável a oferta do produto

no mercado interno, diminuindo

a volatilidade de preços

ao consumidor e assim criando

uma demanda ainda mais robusta

e previsível para os produtores.

Por outro lado, o grande sucesso

do etanol de milho pode

criar em breve um excesso de

oferta que não necessariamente

vai conseguir espaço entre os

consumidores com a mesma

facilidade. Estamos falando de

obstáculos tanto mercadológicos

quanto também comportamentais

dos proprietários de

automóveis.

O primeiro obstáculo será ganhar

mercado frente à gasolina,

tornando o Brasil de importador

a exportador líquido deste produto,

a depender do ritmo de

crescimento da produção de

etanol nos próximos anos. Com

a produção crescendo em

média 2 bilhões de litros por

ano, em algum momento haverá

sobra de gasolina no mercado.

Isso pode levar a uma

guerra de preços feroz entre os

dois produtos.

Para tornar o cenário ainda mais

complexo, hoje o consumidor

acredita que o carro elétrico

possui maiores qualidades tecnológicas

e ambientais, apesar

de o etanol ser comprovadamente

muito eficiente nestes

quesitos, ou até melhor do que

o carro elétrico, dependendo

das premissas utilizadas. Mas o

dono do carro não sabe disso.

Para tornar o produto mais moderno

e atraente, seria bemvinda

uma reformulação do teor

de água existente no etanol hidratado,

que usamos nos carros

flex. Em vez de conter

aproximadamente 7% de água,

poderíamos diminuir esse volume

para algo entre 2% e 3%.

Teríamos um produto mais puro

e eficiente. Podemos batizar o

produto com um novo nome:

Etanol 97 (fazendo alusão ao

novo teor de pureza)

Adriano Pires é diretor do

Centro Brasileiro de Infraestrutura

(CBIE)

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Jornal Paraná



SAFRA

Moagem deve crescer 3,6% em 2026/27

Região Centro-Sul pode registrar a terceira maior moagem de cana

da história; no Nordeste, etanol de milho avança com novos projetos

Aprimeira estimativa

para a safra 2026/27

de cana-de-açúcar no

Centro-Sul projeta

moagem de 620,5 milhões de

toneladas, alta de 3,6% em relação

ao ciclo 2025/26. O resultado

colocaria a região diante

da terceira maior safra já registrada,

de acordo com dados

da StoneX, empresa global de

serviços financeiros.

A recuperação prevista decorre

de três fatores principais, que

incluem o rejuvenescimento do

canavial em 2026/27 após o

aumento das renovações em

2024/25 e em 2025/26; a expectativa

de chuvas mais próximas

da normalidade entre

outubro e março e a expansão

da área colhida, que deve atingir

8 milhões de hectares, 1,8%

acima do ciclo atual. Parte

desse crescimento vem da recomposição

de áreas afetadas

pelas queimadas no período de

julho a setembro de 2024,

quando 420 mil hectares de

áreas estavam sujeitas a incêndios,

tanto em ponto de colheita

quanto em áreas já

colhidas.

“A recuperação das áreas reformadas

após as queimadas e o

retorno esperado das chuvas

criam um ambiente mais favorável

para o setor. Esses fatores,

somados ao rejuvenescimento

do canavial, explicam

a projeção de uma safra

entre as maiores da história do

Centro-Sul”, destaca o analista

de Inteligência de Mercado da

StoneX, Marcelo Di Bonifácio

Filho.

A produtividade deve ter leve

avanço, alcançando 77,5 toneladas

por hectare, apesar da

persistência de déficits hídricos

em regiões como Triângulo Mineiro,

Sul de Goiás e Noroeste

Paulista, que ainda registram

níveis de umidade do solo próximos

às mínimas em 10 anos

desde 2024.

No campo dos derivados, a

produção de açúcar é estimada

em 42,1 milhões de toneladas,

aumento de 5,7% e o segundo

maior volume da série histórica.

O crescimento será impulsionado

pela maior moagem e

pela normalização do Açúcar

Total Recuperável (ATR), previsto

em 138,8 kg/ton, alta de

2,4% em relação ao ciclo atual.

A expectativa é de exportações

próximas ao recorde de 2024,

com excedente em torno de 34

milhões de toneladas.

O etanol também terá destaque

com uma estimativa de

produção total ampliada pelo

avanço do milho, cuja oferta

pode alcançar 11,4 bilhões de

litros, crescimento de 17,5%

frente ao ciclo 2025/26, respondendo

por quase um terço

do volume da região. Já o etanol

de cana deve atingir 14,6

bilhões de litros, aumento de

6,6%.

Etanol de milho ganha protagonismo no Nordeste

No Norte-Nordeste, a moagem

de cana em 2025/26 deve se

manter praticamente estável, em

57,3 milhões de toneladas, leve

queda de 0,5% sobre o ciclo anterior.

A produção de açúcar, no

entanto, tende a recuar 1,9%,

para 3,65 milhões de toneladas,

refletindo a normalização do

ATR após resultados recordes

em 2024/25.

O grande destaque da região

está no etanol de milho, cuja

produção deve se aproximar de

1 bilhão de litros já em 2025/26,

com 962 mil m³. O avanço é

impulsionado pela entrada em

operação de novas plantas,

como a usina da Inpasa em Luís

Eduardo Magalhães (BA), com

capacidade superior a 500 mil

m³ anuais, além de mais uma

iniciativa na Bahia e projetos em

Tocantins, Piauí e Rondônia.

“O etanol de milho ganha relevância

estratégica no Nordeste

por diversificar a matriz de produção,

garantir maior segurança

no abastecimento de biocombustíveis

e ampliar a competitividade

da região no mercado

nacional”, avalia Di Bonifácio.

Frente a esse cenário, o etanol

de cana tende a perder espaço

relativo, diante da crescente

oferta do milho. A mudança,

porém, deve se intensificar a

partir de 2026/27, quando

novos projetos entrarão em

operação. A expectativa é de um

mix açucareiro em torno de 51%

para o ciclo 2025/26.

4 Jornal Paraná


CANA-DE-AÇÚCAR

RIDESA apresenta

18 novas variedades

Evento nacional será no dia 22 de outubro em Ribeirão Preto (SP).

Ao longo de sua trajetória, já disponibilizou 116 variedades ao produtor

ARede Interuniversitária

para o Desenvolvimento

do Setor

Sucroenergético (RI-

DESA Brasil) realiza no próximo

dia 22 de outubro, das

8h às 14h, o evento “Liberação

Nacional de Variedades –

RIDESA”, em Ribeirão Preto

(SP).

Com 35 anos de história e 55

anos de variedades RB, a RI-

DESA reúne 10 universidades

federais e mais de 300 bases

de pesquisa em todo o Brasil.

Ao longo de sua trajetória, já

disponibilizou 116 variedades

ao produtor brasileiro, sempre

com foco em produtividade,

teor de açúcar, colheita

e resistência a pragas e doenças.

Durante o evento, serão liberadas

comercialmente 18

novas variedades de cana-deaçúcar,

resultado de mais de

15 anos de pesquisas conduzidas

por sete universidades

federais. Cada nova cultivar

apresenta atributos de destaque,

como resistência a pragas

e doenças, maior teor de

sacarose, tolerância ao estresse

hídrico e adaptabilidade

a diferentes regiões

produtoras.

Entre os exemplos:

• RB977526 (UFV): Ótima

brotação, alto perfilhamento,

sanidade, tolerância ao estresse

hídrico e excelente estabilidade

de produção;

• RB07814 (UFAL): Precocidade,

elevada produtividade,

alto teor de açúcar, raro florescimento

e baixa cor do

caldo;

• RB071071 (UFRPE): Precocidade,

elevada produtividade,

alto teor de sacarose,

ótima adaptação a diferentes

regiões e alta sanidade;

• RB074046 (UFG): Boa

produtividade, alto teor de sacarose,

alto perfilhamento,

crescimento rápido, porte

ereto e longevidade;

• RB075322 (UFSCar): Alta

rusticidade, elevada produtividade,

alto perfilhamento,

longevidade, variedade já

consolidada em São Paulo e

Mato Grosso do Sul;

• RB106893 (UFPR): Precocidade,

elevada produtividade,

alto perfilhamento,

sanidade, estabilidade de

produção, indicada para

áreas com restrições ambientais;

• RB128519 (UFRRJ): alto

teor de sacarose, alto perfilhamento,

crescimento rápido,

sanidade, ausência de

florescimento;

SERVIÇO

Data: 22 de outubro de 2025

(quarta-feira). Evento fechado

para convidados.

Horário: 8h às 14h

Local: Multipaln Hall – Ribeirão

Shopping – Ribeirão

Preto (SP)

Jornal Paraná 5


INSCRIÇÕES ABERTAS

Residência Agronômica 2026

da Santa Terezinha

O Programa é desenvolvido há mais de 11 anos e já capacitou e formou

mais de 60 profissionais para modernas tecnologias da cultura canavieira

OPrograma de Residência

em Agronômica

(PRA) da Usina

Santa Terezinha

(UST), realizado em parceria

com a UFRRJ (Universidade Federal

Rural do Rio de Janeiro –

Instituto de Agronomia), oportuniza

experiência prática para

Engenheiros Agrônomos e Agrícolas

com até três anos de formação.

O PRA UST é referência nacional

de Residência em Agronomia

na área de Fitotecnia,

cultura da cana-de-açúcar. No

Programa, há espaço para aprimorar

conhecimentos técnicos

e práticos sobre a cultura canavieira,

com vivência em diferentes

processos: qualidade,

preparo do solo, tratos culturais,

plantio e colheita. Além

disso, o Programa contempla

etapas para desenvolvimento

de futuros gestores, com foco

em pessoas, performance e resultados.

O Programa é desenvolvido

dentro da UST, maior empresa

do setor sucroenergético do sul

do país, com operações no noroeste

do Paraná. Ao todo, são

oito vagas disponíveis, distribuídas

nas sete Unidades produtivas

da UST: Maringá (Iguatemi),

Paranacity, Terra Rica, Cidade

Gaúcha, Ivaté, Rondon e

Tapejara. O Programa tem duração

de 1 ano, com carga horária

de 40 horas semanais e

bolsa mensal.

O processo seletivo acontecerá

em duas etapas: inscrição e seleção,

com prova e entrevista

on-line. As inscrições devem

ser realizadas no site da UFRRJ

até 07 de novembro de 2025:

https://www.residenciaemagronomiaufrrj.com.br/editais/editais-em-aberto/edital-no-09/

Quem pode se candidatar? Engenheiros

agrônomos e agrícolas,

no último período de

graduação ou formados há, no

máximo, três anos, com diploma

de graduação de instituições

de ensino superior

reconhecidas pelo MEC (Ministério

da Educação).

O Programa de Residência

Agronômica da Usina Santa Terezinha,

em parceria com a

UFRRJ, é desenvolvido há mais

de 11 anos, já capacitou e formou

mais de 60 profissionais

para modernas tecnologias da

cultura canavieira.

Com aplicação prática do conhecimento

adquirido em sala

de aula e incentivo financeiro,

após a conclusão do PRA, o

engenheiro agrônomo/agrícola,

pode participar de seleção interna

para iniciar carreira na

Usina Santa Terezinha.

A Usina Santa Terezinha completou

61 anos de operações é

uma empresa brasileira de capital

fechado com negócios no

setor sucroenergético, presente

no Paraná e Mato Grosso do

Sul. A história da companhia

iniciou no município de Maringá

(PR), onde está instalada a primeira

Unidade Produtiva, a sede

corporativa e o terminal logístico

da Empresa.

Hoje, a empresa conta com

sete unidades produtivas, localizadas

em Maringá, Paranacity,

Terra Rica, Rondon, Cidade Gaúcha,

Ivaté e Tapejara produzindo

e comercializando açúcar

VHP, etanol (anidro e hidratado)

e bioeletricidade, além de uma

biofábrica de mudas pré-brotadas

em São Tomé e um terminal

rodoferroviário de fertilizantes

em Paranaguá. A companhia

possui mais de 8 mil

funcionários distribuídos em 35

municípios dos dois estados,

mantendo-se assim como uma

das maiores empresas do segmento

de açúcar e etanol da região

Sul do Brasil.

Escuto e Penso em Você 2025

O projeto Escuto e Penso em

Você 2025 está em sua 6ª edição

e neste ano traz como

tema: Praticando o Autocuidado.

Seu propósito é conscientizar

os funcionários sobre

a saúde mental, saúde física da

mulher e do homem e saúde

bucal, por meio de diálogos

participativos com as equipes

da Usina Santa Tereznha, do

plano de saúde e do plano

odontológico da empresa, nas

frentes de trabalho.

O objetivo principal é trazer reflexão

e conhecimento sobre a

necessidade de dialogar e realizar

os exames preventivos de

doenças como o câncer de

mama, colo do útero e da próstata.

Nesta edição, serão abordados

também temas como doenças

cardiovasculares e doenças crônicas

não transmissíveis. Todas

as ações voltadas à saúde preventiva

ocorrerão semanalmente

nas unidades agroindustriais da

empresa. Iniciado em setembro,

o cronograma de ações, nas diversas

unidades do grupo, vai

até novembro.

6 Jornal Paraná



COOPERKIDS

Dia das Crianças

agita a Cooperval

O programa já foi vencedor do Prêmio Master Cana Social na

Categoria Qualidade de Vida. O objetivo do evento é promover

a interação dos filhos dos funcionários com a usina

Cerca de 400 crianças,

de 0 a 12 anos, filhos

de funcionários da Cooperval

- Cooperativa

Agroindustrial Vale do Ivaí Ltda.,

com sede no município de Jandaia

do Sul, participaram no último

dia 12 de outubro, Dia das

Crianças, na Associação da Cooperval,

o CooperKids, tradicional

festa do dia das crianças.

O programa já foi vencedor do

Prêmio Master Cana Social na

Categoria Qualidade de Vida. O

objetivo do evento é promover

a interação dos filhos dos funcionários

com a usina.

Como em todos os anos, a

festa contou com o trabalho voluntário

dos colaboradores na

organização e realização do

evento que teve um dia inteiro

de brincadeiras, atividades recreativas,

cachorro quente, pipoca,

sorvete, algodão doce e

muita diversão e interação.

8

Jornal Paraná


BIODIESEL

Com B15, demanda deve

aumentar 6,3% em 2026

Para um cenário alternativo, considerando o aumento para B16 a partir de

março, o biodiesel marcaria uma alta anual de 12,3% para 11 milhões de m³

Ademanda por biodiesel

no Brasil continua

em trajetória de

crescimento. De

acordo com levantamento da

StoneX, empresa global de

serviços financeiros, o consumo

total da mistura deve

atingir 9,8 milhões de metros

cúbicos (m³) em 2025, alta

de 8,8% em relação ao volume

registrado em 2024.

Para 2026, a consultoria projeta

nova expansão, com a

demanda podendo chegar a

10,5 milhões de m³, o que representaria

um avanço adicional

de 6,3%.

Segundo o analista de Inteligência

de Mercado da StoneX,

Leonardo Rossetti, o

crescimento é influenciado,

principalmente, pela vigência

integral da mistura B15 em

2026. “O ano de 2026 tende

a apresentar um crescimento

expressivo justamente por

contar com o B15 vigente durante

todo o período, enquanto

em 2025 ele está

restrito a cinco meses

(agosto a dezembro). Isso

por si só já cria uma base

comparativa favorável”, destaca.

O desempenho também se

reflete no uso de óleo de

soja, principal matéria-prima

da indústria de biodiesel no

país. A estimativa da StoneX

para 2025 foi mantida em 7,9

milhões de toneladas, aumento

de 10,1% frente a

2024. Para 2026, com a expectativa

de estabilidade no

B15, o consumo deve alcançar

8,4 milhões de toneladas,

avanço de 6,3% sobre o ano

anterior.

Apesar da perspectiva de aumento

no uso de sebo bovino

na reta final de 2025 - impulsionada

pelas tarifas impostas

pelos Estados Unidos,

principal destino da matériaprima

-, Rossetti ressalta que

o cenário sazonalmente favorável

para o óleo de soja, sobretudo

nos meses de setembro

e outubro, deve sustentar

níveis elevados de consumo

da oleaginosa até o fim

do ano.

No acumulado de 2025, até o

momento, já foram comercializados

6,4 milhões de m³

de biodiesel, crescimento de

6,4% frente ao mesmo período

de 2024. Apenas no 4º

bimestre, o volume somou

1,8 milhão de m³, alta de

6,6% em relação ao mesmo

intervalo do ano anterior - o

maior volume já registrado

para o período.

Os dados de 2025 já indicam

recordes mensais. Em um

único mês, o consumo de

óleo de soja para a produção

de biodiesel alcançou 724,8

mil toneladas, o maior volume

já registrado. No acumulado

do ano, até o momento,

o uso soma 5,1 milhões

de toneladas, alta de

9,5% frente ao mesmo período

de 2024 (4,7 milhões

de toneladas).

Para 2026, o analista projeta

ainda um leve aumento na

participação do óleo de soja

na matriz de matérias-primas.

Paralelamente, o maior

direcionamento do sebo bovino

ao mercado interno

tende a ganhar força. “As tarifas

e mudanças nas bonificações

dos programas de

biocombustíveis nos EUA

devem praticamente neutralizar

a competitividade do sebo

brasileiro no mercado norteamericano,

incentivando sua

destinação à produção doméstica

de biodiesel”, conclui

Rossetti.

Adicionalmente, apesar de o

cenário base considerado

pela StoneX ser o de B15 durante

o ano todo, a consultoria

também projetou um

cenário alternativo, considerando

um aumento para um

B16 a partir de março. Nesse

caso, o biodiesel marcaria

uma alta anual de 12,3% para

11 milhões de m³ consumidos,

enquanto o consumo do

óleo de soja poderia crescer

1 milhão de toneladas frente

a 2025, atingindo 9,0 milhões

de toneladas.

Jornal Paraná 9


DOIS

La Niña

PONTOS

B50 na Indonésia

Descarbonização

O fenômeno climático La

Niña, caracterizado pelo esfriamento

das águas do Oceano

Pacífico, está de volta e

deve durar entre dezembro de

2025 e fevereiro de 2026, informou

o Centro de Previsão

Climática dos Estados Unidos.

A ocorrência do fenômeno

está associada ao risco de

seca em regiões produtoras

de grãos no Brasil e na Argentina.

Porém, o fenômeno não

deve ser forte, de modo que

seus impactos podem ser limitados.

No Brasil, Rio

Grande do Sul e Santa Catarina

devem ser os Estados

mais afetados pela mudança

no padrão de chuva, com períodos

de estiagem entre dezembro,

janeiro e início de fevereiro.

A liderança da Coalizão de Agricultura para Descarbonização entregou ao presidente

da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, um plano para acelerar o processo de

redução das emissões de carbono pela agropecuária. A meta é reduzir as emissões

líquidas de carbono entre 59% e 67% até 2035 e alcançar a neutralidade em 2050.

Estradas vicinais

A Indonésia deu mais um passo

em direção ao lançamento de

uma mistura de 50% de biodiesel

(B50) no diesel, ao concluir

os testes de laboratório, já que

o país pretende implementá-lo

no próximo ano. Atualmente, o

Açúcar

biodiesel à base de óleo de

palma tem uma mistura obrigatória

de 40% (B40), mas a Indonésia

quer aumentar o nível

para reduzir sua dependência

das importações de combustíveis

fósseis.

Renováveis

A energia renovável ultrapassou

o carvão como a principal fonte

de eletricidade no mundo no

primeiro semestre deste ano -

uma primeira histórica, segundo

novos dados do think

tank global de energia Ember. O

carvão, um dos principais responsáveis

pelo aquecimento

global, ainda foi a maior fonte

individual de geração de energia

no mundo em 2024, posição

que mantém há mais de 50

anos, segundo a AIE (Agência

Internacional de Energia). A demanda

por eletricidade está

crescendo em todo o mundo,

mas o aumento da energia

solar e eólica foi tão forte que

supriu 100% da demanda adicional,

ajudando até a provocar

uma leve queda no uso de carvão

e gás. Países em desenvolvimento,

especialmente a China,

lideraram o avanço da energia

limpa, enquanto nações

mais ricas, incluindo Estados

Unidos e União Europeia, passaram

a depender mais do que

antes de combustíveis fósseis

que aquecem o planeta para

gerar eletricidade.

O país possui aproximadamente

2,2 milhões de quilômetros de

estradas vicinais, distribuídas

em 557 microrregiões. Para colocar

em perspectiva: as rodovias

pavimentadas somam 211

mil quilômetros no território nacional.

Existem dez vezes mais

estradas vicinais do que rodovias

asfaltadas. E por essas vias

de terra passam, anualmente,

cerca de 1,4 bilhão de toneladas

Estudo inédito da CNA mostra

o tamanho do problema das estradas

vicinais no Brasil e traz

números que impressionam: o

país perde anualmente R$ 16,2

bilhões apenas em custos operacionais

por manter essas vias

em condições precárias. Investir

em estradas vicinais garante

o acesso da população aos alimentos,

aumenta a competitividade

do agro brasileiro e traz

qualidade de vida para os produtores,

trabalhadores e seus

familiares que vivem no campo,

facilitando o escoamento da

produção agropecuária. No topo

da lista está o setor de canade-açúcar,

com perdas estimadas

em R$ 2,3 bilhões anuais.

Economia

Se as estradas fossem elevadas

a um padrão de qualidade

média, a economia seria de R$

2,7 bilhões anuais, o equivalente

a quase 0,5% do valor adicionado

da agropecuária. Com

um padrão superior, o ganho

saltaria para R$ 6,4 bilhões por

ano, mais de 1% do valor adicionado

do setor.

de carga do agronegócio. E o

pior é que em 1,8 milhão de quilômetros,

representando 84,5%

do total, as vias são estreitas

onde passa apenas um veículo

por vez, além de ondulações,

atoleiros e pontes danificadas

ou de má qualidade. E muitas

vezes é o produtor que investe

nas melhorias na estrada para

conseguir fazer um mínimo de

movimentação nas suas propriedades.

O investimento de R$

4,9 bilhões por ano para adequar

as estradas vicinais a um

padrão mínimo de qualidade

não é apenas viável, é estratégico.

Com esse aporte, seria

possível melhorar a qualidade

de vida da população rural e garantir

o escoamento de alimentos

com mais segurança e

eficiência, economizando R$

16,2 bilhões.

O Brasil reduziu suas exportações

de açúcar para os Estados

Unidos em mais de 80% desde

que o governo de Donald Trump

passou a aplicar as tarifas de

50% sobre os produtos brasileiros,

em 6 de agosto. Em setembro,

o volume de açúcar exportado

para os portos americanos

foi de 21,1 mil toneladas, uma

queda de 84,2% na comparação

com o mesmo mês do ano passado.

Em receita, essas exportações

recuaram 77,3%, para

US$ 14,9 milhões, segundo a

Secretaria de Comércio Exterior,

do Ministério do Desenvolvimento,

Indústria, Comércio e

Serviços. As exportações brasileiras

de açúcar aos EUA são feitas

basicamente pelas usinas do

Nordeste e do Norte, que usufruem

de uma cota especial

isenta da tarifa que os americanos

aplicam às importações de

açúcar. Fora isso, também exportam

aos EUA os produtores

de açúcar orgânico do Centro-

Sul, que têm no mercado americano

seu principal cliente.

10

Jornal Paraná


A implementação de uma mistura

de 16% de biodiesel no diesel

(B16) a partir de março do

ano que vem, conforme um

cronograma oficial de aumento

da mescla do biocombustível

no Brasil, pode não ser possível

no prazo previsto, disse o

diretor do Departamento de

Biocombustíveis do Ministério

de Minas e Energia, Marlon Arraes.

Segundo ele, até lá pode

não haver tempo suficiente para

a realização de todos os estudos

técnicos necessários para

elevar a mistura, que atualmente

está em 15%. A possível

postergação do prazo pode impactar

principalmente a indústria

de óleo de soja, matéria-prima

que chega a responder

por mais de 75% da produção

de biodiesel no Brasil. O

setor tem investido de olho em

uma mistura mais alta do biocombustível

- nos próximos 12

A companhia suíça WinGD, que

fabrica motores de navios, desenvolveu

um motor de dois

tempos capaz de operar com

etanol, que estará à disposição

do mercado já no ano que vem,

e poderá entrar em projetos de

retrofit de navios ou novas embarcações

em 2027. A companhia

disse que está em conversas

com produtores de etanol

para o uso comercial do biocombustível

em seu novo motor.

O motor a etanol da WinGD

O Brasil reúne condições para

se tornar pilar da descarbonização

do transporte marítimo

mundial: pode suprir até 15%

da demanda global de combustíveis

do setor, cortar 170 milhões

de toneladas de CO₂

equivalente por ano e atrair investimentos

próximos de US$

Biodiesel

meses, serão R$5,9 bilhões,

segundo estimativa da associação

Abiove. A lei estabelece alta

gradual da mistura, de 1 ponto

percentual por ano, podendo

chegar a 20% até 2030. Para

atender um B15 serão necessários

quase 10 bilhões de litros

de biodiesel. Se o B16 for implantado

em março de 2026,

serão mais 700 milhões de litros

produzidos.

Navio a etanol

é uma adaptação do motor de

ciclo diesel, que contará com

um sistema de controle adaptado

e um bico injetor que leve

em consideração a maior densidade

energética do etanol.

Além da WinGD, outra fabricante

de motores de navios que

está desenvolvendo um motor

a etanol é a finlandesa Wärtsillä.

Em 2023, a empresa iniciou

uma parceria com a Raízen para

testar a aplicação do etanol

como combustível marítimo.

Biocombustíveis

90 bilhões, conclui relatório da

consultoria Boston Consulting.

Com as embarcações necessitando

reduzir drasticamente a

intensidade de suas emissões

de gases de efeito estufa, haverá

uma crescente demanda

por combustíveis marítimos de

baixa emissão.

O número de empresas com

produtos biológicos registrados

no Brasil passou de oito,

em 2014, para 53 em 2024,

um crescimento de 662% em

10 anos. Segundo dados da

CropLife Brasil, houve um

O mercado global de açúcar deverá

ter um excedente de 2,77

milhões de toneladas na temporada

2025/26, que começa

em outubro, disse a corretora e

consultoria StoneX. A produção

global de açúcar foi estimada

em 197,5 milhões de toneladas,

enquanto o consumo foi

projetado em 194,7 milhões de

toneladas. Melhores safras no

Brasil, na Índia e na Tailândia

mais do que compensarão uma

redução esperada na Europa.

Mais do que um aplicativo de

contato, o WhatsApp ganhou

espaço como ferramenta de

informação para o produtor. É

o que mostram os primeiros

resultados da pesquisa Hábitos

do Produtor Rural, da Associação

Brasileira de Marketing

Rural e Agronegócios,

que chega à nona edição. Os

dados consolidados serão

Bioinsumos

crescimento de 15% na utilização

de bioinsumos na safra

2024/25, com uma área potencial

tratada de 156 milhões

de hectares e uma taxa média

de adoção por área 26% maior.

A expectativa para o setor é de

Mercado global

WhatsApp

divulgados em novembro,

em evento da entidade. Do

total dos entrevistados, 96%

relataram usar o Whatsapp

como principal ferramenta de

consulta para decisões de negócio.

Em 2021, a proporção

era de 75%. Na avaliação da

ABMRA, é um importante

sinal do avanço da digitalização

no campo. A utilização

expansão global. O mercado

de biológicos pode chegar a

US$ 30 bilhões até 2030. O

Brasil deve representar mais

de 20% do crescimento mundial

em biocontrole entre 2021

e 2030.

de outros canais digitais também

cresceu. A menção a

sites especializados em agropecuária

passou de 35% para

66% dos entrevistados. Entre

redes sociais, o Facebook

subiu de 30% para 39%. O

Youtube, antes visto como

entretenimento, foi citado

como meio de orientação por

61%.

Jornal Paraná

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PESQUISA

CTC identifica causa

da murcha da cana

O fungo Colletotrichum é o responsável pela doença mais danosa

aos canaviais do Brasil, com perdas de até 50% na produtividade

Pesquisadores do CTC

– Centro de Tecnologia

Canavieira descobriram

que o fungo

Colletotrichum é o patógeno

que causa a Síndrome do

Murchamento da Cana, principal

doença dos canaviais

brasileiros, que pode causar

perdas de até 50% na produtividade,

especialmente em

momentos de estresse hídrico.

O fungo deixa a parte central

do colmo da cana “fofa”,

prejudicando a qualidade da

matéria-prima, afetando a produtividade

e a concentração

de açúcares.

Segundo a diretora de P&D

do CTC, Sabrina Chabrega, o

problema está presente em

cerca de 30% das lavouras

nas principais regiões produtoras

de cana-de-açúcar do

Brasil, o maior produtor global

de açúcar. A doença vem

impactando diretamente a

longevidade das lavouras e

aumentando os custos de

produção. Produtores relataram

perdas significativas e a

necessidade urgente de soluções

conjuntas, reforçando a

importância de uma mobilização

ampla.

Para o CEO do CTC, Cesar

Barros, dentre as doenças, a

Síndrome do Murchamento da

Cana é a que mais tira o sono

dos produtores, porque não

há ferramentas para controle,

além de que o segmento suspeita

que o alastramento do

fungo esteja também relacionado

a mudanças climáticas.

Antes tida como uma síndrome

multifatorial, o tratamento

da doença era feito

com fungicidas, ou realizando

a colheita antes do agravamento

dos sintomas, mais

presentes em lavouras em fim

de ciclo.

Essa revelação abre espaço

para avanços importantes,

desde estratégias de manejo

mais assertivas até o desenvolvimento

futuro de variedades

geneticamente resistentes.

“O estudo comprova

aquilo que já vínhamos investigando

de que a murcha da

cana tem um agente causal

específico. Essa constatação

representa um avanço significativo

para toda a cadeia produtiva

e permite direcionar

esforços em busca de soluções

para esse desafio do

setor”, afirmou Luciana Castellani,

gerente executiva de

Melhoramento Genético do

CTC.

“Identificar o agente causal da

murcha da cana é um passo

fundamental para todo o setor.

Só conhecendo a causa é

possível avançar em pesquisas,

desenvolver estratégias

de manejo mais assertivas e

dar segurança aos produtores

para controlar a doença. Essa

descoberta abre caminhos

concretos para soluções que

irão fortalecer a produtividade

e a sustentabilidade da canavicultura”,

destacou Lilian

Amorim, doutora, professora

e pesquisadora da ESALQ/

USP, que é membro do fórum

científico sobre a Murcha da

Cana.

“Agora que a gente sabe qual

é o agente causal da doença,

mudamos de jogo, podemos

buscar resistência genética,

podemos trabalhar em protocolos

para controle, produtos

químicos e biológicos, abre-se

porta muito maior para endereçar

o problema e reduzir os

prejuízos”, disse Chabregas.

O CEO do CTC lembrou que

produtores começaram a

identificar os sintomas da

doença nos últimos quatro a

cinco anos, e espera que a

definição do patógeno facilite

os trabalhos de combate ao

fungo. “Sempre que tem um

estresse no campo, essa

doença se manifesta. Ela

rouba a produtividade, quebra

a cana se bate um vento, prejudicando

a qualidade da matéria-prima”,

complementou.

Os pesquisadores também

estão buscando entender melhor

como o fungo se alastra

nos canaviais.

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Jornal Paraná

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