edição de 27 de outubro de 2025
Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!
Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.
propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.065 - 27 de outubro de 2025 R$ 20,00
Freepik
Divulgação
Pix vira destaque das campanhas de
bancos, fintechs e marcas do setor
O avanço do Pix, aliado à inteligência artificial e à digitalização dos serviços financeiros, redefiniu a forma como os brasileiros consomem, pagam e se
relacionam com o sistema bancário. A consolidação da ferramenta de transferências instantâneas como motor da economia digital impulsiona bancos,
fintechs e operadoras de meios de pagamento a repensarem estratégias, tecnologias e comunicação. Cielo, Itaú, Nubank, PicPay, PagBank, Santander,
PayPal e Mercado Pago detalham o uso de dados e campanhas para fidelizar clientes e manter relevância em um mercado que ganha soluções a cada
ano. Nesse cenário, a chegada da DTV+ inaugura um novo capítulo, aproximando publicidade e transação em tempo real. pág. 16
Divulgação
Pedro Cruz se torna
sócio da Mad Hit
Renata Arruda, Pedro Cruz, Caio Aidar e Stanlei
Bellan apresentam a Mad Hit, resultado de spin-off
da CDR+, há dez anos em operação. Cruz retorna à
publicidade após deixar a sociedade da Galeria.
Nova agência promete oferta criativa, estratégia e
insights culturais. pág. 27
Netflix aponta avanço
do plano com anúncios
Em evento, o streaming informou que a assinatura
com publicidade cresceu 200% em número de
usuários ativos mensais em menos de um ano. “A
gente aproveita cada segundo da atenção dos assinantes”,
afirma Jana Borges, diretora de marketing
da Netflix Brasil. pág. 37
Marcello Serpa lança
biografia e livro de arte
‘Vendo’ e ‘Vendo: Imagens’, ambos publicados pela
Editora Afluente, serão apresentados no dia 11 de
novembro, na loja Mula Preta, na Zona Oeste de São
Paulo. Publicitário revisita trajetória e traz coletânea
de projetos que “se hoje fossem ao ar, ainda
seriam relevantes”. pág. 22
Garowa Vertical/Divulgação Netflix
Alê Oliveira
Após crise em Cannes, DM9 reforça
governança com comitê de ética em IA
Sob a liderança de Pipo Calazans, a agência apresentou ao mercado um conjunto de iniciativas
para orientar o uso responsável da inteligência artificial na publicidade. O projeto simboliza
nova fase após a crise deflagrada em junho, quando o Cannes Lions cassou o GP conquistado
pela DM9 com o case ‘Efficient way to pay’, criado para a Consul. pág. 26
editorial
Armando Ferrentini
Melhores do propmark
Pode até parecer cabotinismo (forma de agir pretensiosa ou que busca atenção
para obter fama, segundo o dicionário), mas não tem como não falar sobre a repercussão
que o Prêmio Melhores do propmark 2025 está tendo no mercado.
Quando este veículo lançou a premiação, em 2019, foi com o intuito de fazer um reconhecimento
especial aos profissionais, agências, anunciantes, veículos, enfim, toda a
cadeia que move a indústria publicitária.
O Melhores do propmark nasceu, na verdade, tímido, sem pretensões de se tornar uma
das principais premiações do mercado como está se consolidando, edição após edição.
O reconhecimento da importância do ‘novo’ prêmio - esta é apenas a 7ª edição - reforça
a credibilidade que o propmark tem no trade.
Temos para nós que a premiação também caiu no gosto porque possui votação aberta
e gratuita - ou seja, ela é inclusiva, todos podem participar. Uma banca formada por
jornalistas e integrantes do jornal indica três finalistas em cada categoria para a audiência
votar no site do jornal.
Para a escolha dos finalistas, são adotados critérios como o desempenho criativo, a
performance em negócios e o papel de destaque dos profissionais numa indústria cada
vez mais competitiva e pulverizada.
A lista com os 60 nomes que estão concorrendo ao prêmio foi divulgada no último dia
20, quando a votação foi aberta no site e segue até o dia 17 de novembro. O vencedor
em cada categoria será aquele que tiver o maior número de votos.
Com apenas uma semana de enquete no ar, os dados já mostram que o público votante
desta edição será recorde, o maior de todos os anos. Com a novidade de ampliar as
categorias - de 15 pulou para 20 -, o número de indicados também cresceu - passou de
45 para 60, abrangendo mais áreas de atuação.
As novas categorias são: TV Fechada, Plataforma de Streaming, Plataforma de Publicidade,
Profissional de Veículo e Entidade do Mercado.
Assim como a categoria de Profissional de PR, lançada na última edição do Melhores do
propmark, a de Entidade do Mercado também é inédita dentre todas as premiações do
trade de propaganda.
Com isso, do alto dos seus 60 anos de existência, este veículo mostra que segue inovando
e fazendo a diferença em um segmento editorial que conta com uma audiência
altamente qualificada, formada por criativos, publicitários e executivos C-level.
Agências, marcas, profissionais e veículos indicados já começaram suas campanhas no
digital para pedir votos para o Prêmio Melhores do propmark, agitando as redes sociais.
Outro termômetro de como está a movimentação são as mensagens recebidas pela
redação do jornal.
Um dos nomes indicados, por exemplo, contou: “Você não tem noção do impacto (da indicação
ao prêmio) e de quantas mensagens eu já recebi”. Outro disse: “Só de concorrer
já é um prêmio para mim”.
O propmark reconhece a relevância de cada nome indicado e deseja sorte a todos que
concorrem nesta edição.
Garra
Também não podemos deixar de citar o reconhecimento da APP (Associação de Profissionais
de Propaganda) ao publisher deste jornal, Tiago Ferrentini, com o Troféu Garra 2025. Confira
as fotos e a cobertura completa da cerimônia de premiação no Click do Alê desta edição.
Frase: “A academia e o mercado têm de andar o tempo todo de mãos dadas” (Fátima
Rendeiro, da ESPM Rio, vencedora do Troféú Garra na Categoria Profissional Educação).
as Mais acessadas da seMana no LinKedin
1ª
2ª
Conheça os indicados ao Prêmio
Melhores do propmark 2025
O propmark divulgou a lista com 60 nomes, entre profissionais e
empresas, que estão concorrendo ao Prêmio Melhores do propmark 2025.
A votação, aberta e gratuita, pode ser feita pelo site do propmark.
3ª
Dupla de criativos
chega à Grey Brasil
Agência contratou a dupla formada por Suzana Bulhões (redatora) e Douglas
Dimitrov (diretor de arte), que passam a integrar o time de criação da
agência. Os profissionais se unem à Grey após atuarem na Africa Creative.
Marina Pires, da Monks:
“Na disputa por atenção, a marca
precisa ser entertaining”
Em entrevista ao propmark, a managing director da Monks no Brasil,
Marina Pires, deu detalhes da operação no país e refletiu sobre o
momento do mercado e os desafios de liderar uma agência nativa
digital em constante evolução.
4ª
A Heineken lançou o Heineken No Line-Up Festival, seu primeiro evento
proprietário no país. Segundo a marca, o diferencial é justamente
o que o nome anuncia, já que público só descobrirá as atrações no dia.
5ª
Por que a Heineken decidiu criar
o próprio festival de música
Artplan promove Leila Germano
a diretora de criação de conteúdo
A Artplan promoveu Leila Germano ao cargo de diretora de criação de
conteúdo. A executiva passa a liderar o núcleo de conteúdo estratégico
e branded content dos clientes, em São Paulo.
jornal propmark - 27 de outubro de 2025 3
índice
Meios de pagamento
movimentam mídia
com campanhas de Pix
O Pix mudou o jeito que
os brasileiros pagam suas
contas e mexeu com todo
o setor. Players como Cielo,
Itaú, Nubank, PicPay e
Santander falam sobre como
têm usado campanhas para
fidelizar os consumidores.
Halloween se consolida cada vez
mais como data festiva no Brasil
16
Dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio)
mostram que em 2024 a data movimentou mais de
R$ 3,7 bilhões, e deve crescer cerca de 4% neste ano.
Marcas como Fanta surfam a onda e investem em
experiências físicas, digitais ou sensoriais. pág. 32
O Boticário lança nova fragrância de
Floratta, um dos seus carros-chefes
Celebrando os 30 anos do perfume, O Boticário
realizou evento em sua fábrica, em Curitiba, para
o lançamento de Floratta Rose Bouquet. Entre os
presentes, estavam o fundador Miguel Krigsner e
a VP de marketing Renata Gomide. pág. 34
Freepik
propmark
propmark.com.br
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Vinícius Novaes
Editora-assistente
Adrieny Magalhães
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
Lucas Boccatto
Revisão
José Carlos Boanerges
Publicidade
Gerente de contas
Mel Floriano
mel@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0748
Assinaturas
www.propmark.com.br/signup
assinaturas@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0737
Redação
Rua François Coty, 228
01524-030 - São Paulo – SP
tel. (11) 2065 0772 / 0766
redacao@propmark.com.br
@propmark
propmark
propmark
As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................3
Conexões ...........................................................................6
Curtas .................................................................................8
Entrevista ..........................................................................10
Quem Fez ...........................................................................12
ESG no MKT ........................................................................14
Mercado .............................................................................16
Agências ............................................................................26
Produtoras ........................................................................30
Marcas ...............................................................................31
Mídia ..................................................................................37
Conexão Ásia .....................................................................40
Out of Home ......................................................................42
Inspiração ..........................................................................43
Click do Alê ........................................................................44
Última Página ....................................................................46
CazéTV vira benchmark
e democratiza no país
o ‘sportainment’
“A gente não forçou um formato, a
gente escutou e escuta o público
para construir juntos. O resultado é
um novo jeito de consumir esporte
no Brasil”, afirma Sergio Lopes,
cofundador da LiveMode, que
opera a CazéTV junto com
Casimiro Miguel. pág. 10
4 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
conexões
última hora
família
A apresentadora Kenya Sade e sua mãe Regina (foto) participaram da gravação do filme
de fim de ano da TV Globo, com estreia prevista para o dia 1º de dezembro. O convite é
para celebrar o pertencimento, a cooperação e a família, em seus diferentes formatos, em
momentos de afeto e emoção, embalados pela versão original da música ‘Hoje é um novo
dia’. A emissora quer reforçar sua vocação como a casa onde todas as famílias brasileiras
se encontram. A mensagem deste ano dá continuidade à celebração dos laços com o
Brasil, iniciada na campanha anterior. Artistas e jornalistas da Globo estavam presentes nas
filmagens, acompanhados de familiares e amigos.
Post: Vote nos Melhores do propmark
2025
Excelentes nomes.
Will Alves
Post: Propeg celebra 60 anos com a
previsão de crescer 13% no faturamento
em 2025
Espetacular! Parabéns, Vitor Barros.
Thomaz Naves
Post: “Na disputa por atenção, a
marca precisa ser entertaining”
Marina Pires, admirável profissional.
Luciana Forster Marques
Post: Luiz Lara faz história em lançamento
de livro
Obrigado, amigos do propmark!
Luiz Lara
Post: Os planos de expansão da The
Duailibi Essencial
LED
Você construiu um mercado de oportunidades!
Roberto Gabrielli
Post: Por que a Heineken decidiu
criar o próprio festival de música
Ansioso! Genial!
Marcelo Campos
Ninguém consegue ingresso! Uma palhaçada
e humilhação!
Camila Freitas
“Não é a qualidade do dinheiro que você ganha, é a quantidade de dinheiro que você
guarda” (Calvin Perkins).
dorinho
EntrE a fadiga E O ExcEssO
Dados de pesquisa realizada pela multinacional britânica YouGov mostram que 39%
das 17.874 pessoas entrevistadas se consideram ambientalistas. Em contrapartida, 26%
não se identificam com a causa. Um grupo de 35% permanece em posição neutra, o que
“pode indicar tanto desinformação quanto fadiga diante do excesso de narrativas sobre
sustentabilidade; já os 26% que rejeitam o rótulo expressam, possivelmente, uma distância
entre o discurso e a prática cotidiana”, avalia David Eastman, diretor-geral da YouGov para
a América Latina. Os resultados reforçam o desafio da COP30 de transformar a percepção
ambiental em comportamento efetivo. A COP30 ocorrerá entre os dias 10 e 21 de novembro,
em Belém (PA).
Os planOs da Kallas
O Upfront Kallas, realizado
pela Kallas Mídia OOH no
Teatro Claro, em São Paulo,
no dia 21 de outubro, lançou
o posicionamento ‘Em
movimento com você’, o
Kallas Creative & Data Hub
e o portfólio comercial para
2026. “Estar em movimento
é o que nos define há 46
anos. Criamos hábitos e
experiências que ficam na
memória e acompanham
a rotina das pessoas em todo o país”, disse Rodrigo Moreira Kallas (foto), CEO e sócio da
companhia, presente em aeroportos e mobiliário urbano de 78 cidades em 26 estados. A
Kallas planeja ampliar a plataforma de mobilidade Zanzar, investir em compra programática
e em tecnologias emergentes, com apoio de base instalada na China desde 2023.
6 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
curtas
Reprodução
Lázaro ramos LIdera rankIng das
ceLebrIdades maIs InFLuenTes do país
Lázaro Ramos (foto), Fernanda Montenegro e Astrid Fontenelle lideram o ranking das celebridades
mais influentes do Brasil, de acordo com a pesquisa ‘Most influential celebrities’, da Ipsos.
Érika Januza e Carlos Tramontina estão empatados em quarto lugar, enquanto Xuxa e Ivete Sangalo
dividem a quinta posição. Foram avaliados nove indicadores de confiança e credibilidade.
O segundo mais relevante é o de “Sucesso”, que traz Fernanda Torres, indicada ao Oscar deste
ano, como um dos nomes que mais se destacam. Já a lista de influenciadores é encabeçada por
Iberê Thenório (Manual do Mundo), Leon Martins (Coisa de Nerd) e pela jornalista e empresária
do setor de beleza Bruna Tavares, seguidos por Camila Pudim e Camila de Lucas. “A força
das celebridades não vem só de uma plataforma ou de um único tema, mas de credibilidade
e confiança, construídas ao longo de carreiras sólidas e de exposição na mídia tradicional”,
explica Luciene Santiago, gerente de creative excellence da Ipsos, que apontou a Lu, do Magalu,
e Marisa Maiô como as mais influentes entre assistentes criadas por inteligência artificial. Para
os jovens da geração Z, as preferidas são Larissa Manoela, Érika Januza e Xuxa. Iberê Thenório,
Leon Martins e Bruna Tavares integram as referências entre influenciadores digitais.
MMA AgorA é MArketing + MediA AlliAnce
Divulgação
gAn reAlizA evento coM o teMA ‘iAgorA?’
Divulgação
Mudanças incluem nova hierarquia de nomes, logotipo e diretrizes de identidade visual Fábio Meneghati (VP) e Juliana Nascimento (presidente) durante o Summit GAN 2024
Em rebranding apoiado pela agência de publicidade Lafayette American, de Detroit (EUA),
a MMA passa a atuar como Marketing + Media Alliance (MMA). As mudanças incluem nova
hierarquia de nomes, logotipo e diretrizes de identidade visual, que serão apresentadas nos
próximos dias em todo o mundo. “A MMA é feita para CMOs, dirigida por CMOs e apoiada por
toda a indústria. O nosso compromisso é gerar novos conhecimentos”, declara Greg Stuart,
CEO da MMA Global. Fundada em 2003 como Mobile Marketing Association, a entidade ampliou
seu escopo em 2018 para se adequar às transformações do marketing. Em 2022, adotou o
nome MMA Global, Inc. Sediada em Nova York (EUA), a Marketing + Media Alliance reúne hoje
825 membros de 16 países. O conselho global integra líderes de marketing da General Motors,
Diageo, Mondelez, Unilever e PepsiCo, entre outras empresas.
O Summit GAN 2025, realizado pelo Grupo de Atendimento e Negócios (GAN) no Teatro da ESPM,
em São Paulo, dia 24 de outubro, marcou uma nova etapa da atual gestão da entidade, que
passou por reestruturação e lançou o Business Club com executivos C-Level das agências, e o
Speed Dating, que conecta jovens profissionais a lideranças. Com o tema ‘IAgora?’, o encontro
reuniu Milton Maluhy, CEO do Itaú Unibanco, e Juliana Sztrajtman, country manager da Amazon
Brasil, para “atravessar esse novo ciclo com inteligência e humanidade”, afirma Fábio Meneghati,
sócio e CEO da Greenz e vice-presidente do GAN. “A inteligência artificial está transformando
a forma de consumir, produzir e se relacionar, e queremos debater como as lideranças podem
encontrar instrumentos para surfar essa onda, sem serem atropeladas por ela”, adverte Juliana
Vilhena Nascimento, presidente do GAN.
cris PereirA HeAl deixA Fbiz
gdb exPAnde oPerAção
erH rAy será jurAdo do tHe one sHow 2026
Divulgação
Divulgação
Divulgação
Executiva chegou à agência em 2023 e foi promovida em janeiro
Cris Pereira Heal acaba de deixar o cargo de vice-
-presidente de negócios da Fbiz. Ela chegou à agência
em 2023 como head de negócios e impacto e foi
promovida em janeiro deste ano. Durante sua liderança,
a Fbiz conquistou as contas do hospital A.C. Camargo
Cancer Center e das marcas Panco e Melitta. “Sou uma
profissional movida pelo negócio das ideias e pela força
que a comunicação tem de gerar resultados concretos.
Quero seguir atuando onde estratégia, criatividade e
performance se encontrem, em ambientes que valorizem
as pessoas e as ideias que geram valor real para
as marcas e para o mercado”, informa Cris. A executiva é
vice-presidente da APP Brasil, e soma passagens por iD\
TBWA, Wieden+Kennedy e FCB Brasil.
Mariana, Cecilia, Elisabete, Maísa, Thalia e Floriana
Floriana Striker, Mariana Araújo, Elisabete Ribeiro (área
comercial), Thalia Santos (marketing), Maísa Borghetti
(supply) e Cecilia Monastero (mídia) são as novas
contratadas da empresa de mídia programática GDB. A
movimentação responde ao crescimento da companhia,
que trabalha no lançamento de projetos especiais e
acomoda o aumento de demandas e entregas para
os clientes Reckitt, PepsiCo, TIM e Coca-Cola. “Com a
evolução da mídia digital, nosso objetivo é tornar-nos
parceiros de negócios dos nossos clientes, com entregas
que garantam efetividade por meio do contexto, altos
níveis de brand safety e otimizações mais inteligentes,
que geram resultados”, comenta Fernanda Massa, diretora
de negócios da GDB.
CEO e CCO da BETC Havas comandará dois júris no festival
O CEO e CCO da BETC Havas, Erh Ray, presidirá os júris de
Integrated e de Experiential & Immersive do The One Show
2026, prêmio do The One Club for Creativity. Também representam
a América Latina Joaquín Cubría (GUT Buenos Aires),
em Moving Image Craft & Production; e Jessica Apellaniz
(Wieden+Kennedy México), à frente de Out of Home + Print
& Promotional. “A reputação do The One Show é construída
sobre a integridade de seus júris”, lembra Kevin Swanepoel,
CEO do The One Club for Creativity. As inscrições terminam no
dia 31 de outubro de 2025, seguido de prazos antecipado (12
de dezembro), regular (23 de janeiro de 2026), estendido (6
de fevereiro) e final (20 de fevereiro). A avaliação começa em
janeiro. Os finalistas serão anunciados no dia 15 de maio de
2026, durante a Creative Week, em Nova York (EUA).
8 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
Isso é Mude.
Brand experience nas
principais capitais do país.
entrevista
Sergio LopeS
Cofundador da LiveMode
‘A CazéTV se tornou aspiracional’
A CazéTV, operada pela LiveMode em
parceria com Casimiro Miguel, é a única
plataforma no Brasil com direitos de todos
os 104 jogos da Copa do Mundo da FIFA
2026. A transmissão, que será gratuita
no YouTube, tem linguagem nativa de
internet, o que resulta na democratização
e fortalecimento do ‘sportainment’ (união
do entretenimento e esporte). “A gente
não forçou um formato, a gente escutou
e escuta o público para construir juntos.
O resultado é um novo jeito de consumir
esporte no Brasil”, explica Sergio Lopes,
cofundador da LiveMode. O formato
não só aproxima os torcedores, como
também atrai anunciantes. Ao propmark,
o executivo aponta que o modelo é uma
oportunidade para o mercado publicitário
“entregar campanhas em escala, com
audiência de tela grande, mas com toda a
mensuração e interatividade do digital”.
Bruna Nunes
Qual é o papel da LiveMode na operação da CazéTV?
A CazéTV tem uma operação dedicada e focada no canal, junto com o Casimiro. A Live-
Mode é sócia da CazéTV.
Como vocês equilibram o valor do Casimiro como criador de conteúdo
e rosto da CazéTV com o Casimiro sócio?
O Casimiro tem um papel central como criador e como sócio. Ele ajuda a definir os caminhos
do canal, mas também está presente no dia a dia das transmissões, construindo
conexão com o público. A gente respeita o tempo, o espaço e a espontaneidade
que fazem dele um comunicador único — e, ao mesmo tempo, valorizamos a visão estratégica
de conteúdo que ele traz para o projeto. Esse equilíbrio é o que torna tudo
mais potente.
O fato de ter um criador como protagonista traz quais vantagens
para a CazéTV frente à concorrência tradicional?
O Casimiro representa a credibilidade digital que foi construída junto com o público. Ele
é criador, comunicador, apaixonado por esporte — e isso traz uma conexão real. Mais do
que audiência, ele tem confiança da comunidade. E ele empresta essa credibilidade a
todos os talentos da CazéTV, que, ao conviverem com ele, também se sentem livres para
manterem suas características, cada um à sua maneira, sem tentar imitar um ao outro.
Divulgação
A liberdade de ser quem você é vem muito do estilo do Casimiro, que — claro — também
participa de outras frentes do nosso negócio.
Como a cultura de criadores impacta o estilo de transmissão, a
linguagem e os formatos da CazéTV?
Os criadores trazem escuta ativa. Eles nos ajudam a transformar um acontecimento em
conversa. Isso dita algumas coisas como o ritmo da transmissão, os momentos de humor,
os cortes para as redes. A CazéTV nasce com esse DNA. A cultura de criadores é
parte relevante do jeito que somos.
É um desafio para o mercado publicitário apostar em novos formatos?
O maior desafio é sair da lógica de interrupção e entrar na lógica da participação.
As marcas que performam melhor são aquelas que confiam e entendem o tom da
conversa.
O que o mercado ainda precisa treinar?
Na CazéTV, em geral, construímos juntos com os nossos patrocinadores e o mercado
já está bem amadurecido nesse sentido, confiando, arriscando e entendendo que as
conexões nas transmissões digitais são muito mais autênticas e intensas.
A CazéTV será a única plataforma no Brasil com todos os 104 jogos
10 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
“Estamos onde o público escolhe consumir esportes”
da Copa do Mundo 2026?
Sim, em parceria com o YouTube, a CazéTV será a única plataforma no Brasil a transmitir
todos os 104 jogos da Copa de 2026. Isso é histórico no mundo.
O que essa exclusividade representa em termos de posicionamento
de mercado?
No Brasil, isso consolida a CazéTV e o YouTube como os destinos dos maiores eventos
esportivos. Além disso, é o reconhecimento de que nós conseguimos criar uma linguagem,
uma comunidade e uma proposta de valor que são relevantes para a audiência
e para os parceiros.
Os patrocinadores da FIFA têm prioridade, mas quais oportunidades
a CazéTV está desenhando para marcas de outros setores que
querem estar presentes na Copa?
A LiveMode tem uma relação histórica com a FIFA, inclusive como agência para venda
de patrocínios da Copa do Mundo. A FIFA protege certas propriedades e dá prioridade
para seus parceiros comerciais. Nosso processo de venda das cotas da Copa do
Mundo respeitou e integrou esse aspecto. É do interesse de todos ter as marcas parceiras
da FIFA ativando seus patrocínios. Mas marcas não patrocinadoras têm amplo
espaço na transmissão para estarem presentes. Criamos diversos formatos durante
os breaks, nos pré e pós-jogos para as outras marcas. O mais importante é que temos
uma comunidade em torno da CazéTV e as marcas participarão do momento mais
importante do esporte conosco.
Enquanto alguns canais apostam em assinaturas, a CazéTV mantém
o modelo 100% gratuito no YouTube. Quais são os aprendizados
e os limites desse modelo? Ele é sustentável no longo prazo?
Acreditamos muito na força do conteúdo gratuito e acessível. Esse modelo permite
escala, engajamento e diversidade de público. O desafio é construir um ecossistema
comercial robusto que sustente essa operação — e é nisso que estamos investindo.
Ainda assim, temos acordos de distribuição em outras frentes, como para assinantes
do Prime Video, Disney+, Sky+ e também temos nossa programação na Samsung TV Plus
e TCL Channel.
Outros players da mídia esportiva entraram no digital. Como vocês
enxergam essa concorrência?
O mais importante que está acontecendo é o reconhecimento de que o YouTube, o
Instagram, o Tiktok e as outras redes sociais são o futuro da distribuição de conteúdo,
inclusive de esportes ao vivo. Quando começamos a CazéTV, havia uma grande negação
disso. Agora, o modelo foi legitimado, reconhecido e a CazéTV o exemplo a ser seguido.
Como manter a identidade diante de uma Copa do Mundo com
maior número de patrocinadores e critérios comerciais?
Autenticidade não significa ausência de estrutura ou de parceiros — significa manter
coerência com a forma como nos comunicamos com o público. As marcas que integram
a CazéTV entendem isso. Trabalhamos muito próximos dos parceiros para que as ativações
respeitem o nosso tom e sejam percebidas como parte da experiência, não como
interrupção. Isso vale na Copa e em qualquer outro projeto que fazemos.
Podemos dizer que a plataforma não apenas surfou no ‘sportainment’,
mas ajudou a consolidar um novo formato no Brasil?
A CazéTV transita nesse ponto de encontro entre esporte e entretenimento. A gente não
forçou um formato, a gente escutou e escuta o público para construir juntos. O resultado
é um novo jeito de consumir esporte no Brasil, que mistura emoção, linguagem
digital, humor, liberdade e informação.
O que as colaborações com plataformas de streaming representam
para o negócio e quais as vantagens da experiência?
Na verdade, a parceria com o Prime Video é na distribuição de conteúdo. Os assinantes
do Amazon Prime Video têm acesso aos conteúdos da CazéTV, assim como os do Disney+,
por exemplo. São parcerias que fortalecem o conteúdo dos nossos parceiros e
beneficiam o espectador, que pode assistir à CazéTV onde for mais confortável para ele,
sem sair da plataforma onde estiver.
Como vocês estão preparando a experiência para o consumo simultâneo
e multiplataforma da Copa 2026?
Já vimos isso acontecer em Paris, na Eurocopa e na Copa do Mundo de Clubes. E vivemos
isso também na Copa do Mundo FIFA 2022, quando transmitimos um jogo por dia. O
torcedor está com uma tela na mão, outra na frente e talvez ainda acompanhando por
redes sociais. Estamos sempre pensando a experiência de forma integrada: a transmissão
ao vivo, os cortes, os bastidores, as redes sociais, na direção desse público que
acaba se informando pelas plataformas digitais primeiro, alguns deles, somente pelas
redes sociais. Estamos onde o público escolhe consumir esportes.
O YouTube oferece interatividade, mas a TV conectada é mais próxima
do ‘sofá da sala’. Como combinar essas frentes?
Como comentei acima, cada um escolhe como consumir esportes da maneira que se
sente mais confortável. Pelo YouTube, no computador ou celular, a participação na
transmissão é direta e intensa. Mas há quem prefira assistir na tela grande e interagir
pelas redes sociais, através do celular. Para o mercado publicitário, isso representa uma
oportunidade enorme: entregar campanhas em escala, com audiência de tela grande,
mas com toda a mensuração, segmentação e interatividade do digital.
Quais oportunidades essa fragmentação abre? Vocês alcançam
públicos de diferentes gerações?
Sim, conhecemos bem o nosso público. Nossa maior conexão é com um público de até
44 anos, que representa 80% da nossa audiência. Mas uma geração mais velha do que
essa também compõe a nossa audiência. Essa adesão aparece porque a CazéTV se tornou
aspiracional.
Como vocês medem os resultados e o alcance das transmissões?
No digital, os dados são precisos e medem todo o universo, diferentemente das
antigas métricas de TV, que eram por amostragem. Observamos os resultados das
lives e dos posts a partir dos resultados das plataformas, olhando principalmente
para picos de dispositivos simultâneos e alcance de dispositivos únicos. Fizemos
recentemente uma parceria com o IVC (Instituto Verificador de Comunicação) para
que haja uma verificação dos dados que usamos das plataformas e ganhem um
segundo respaldo de credibilidade. Também contratamos outras medições para
auferir a conexão que criamos através do nosso conteúdo com a nossa audiência,
com as marcas, com o elenco e com tudo o que integra a CazéTV.
Podem compartilhar uma média? Quais as expectativas para a
Copa 2026?
Na Copa do Mundo de Clubes, por exemplo, alcançamos 52 milhões de dispositivos
únicos e 5,6 milhões de dispositivos simultâneos no pico. Nosso recorde foi na Copa
do Mundo de 2022, com 6,9 milhões de aparelhos conectados simultaneamente na
CazéTV, segunda maior audiência do YouTube em esportes ao vivo no mundo, ainda
que só tenhamos transmitido para o Brasil — a maior audiência foi o recente jogo da
NFL que o YouTube comprou exclusivo para todo o mundo. A expectativa é de quebrarmos
esses recordes na Copa de 2026, graças aos jogos exclusivos que teremos.
“O maior desafio é sair da lógica de interrupção
e entrar na lógica da participação”
jornal propmark - 27 de outubro de 2025 11
quem fez
Kelly Dores
interina
kelly@propmark.com.br
AfricA creAtive
36ª Bienal de São Paulo
Fotos Divulgação
Título: ‘Cabeças’
CCO: Sergio gordilho
Co-CCO: nicholas Bergantin
ECD: rafa Freire
Diretores de criação: guilherme Manzi e Mario Morais
Diretores de criação associados: Bruno Bizuti e lucas andrade
Redatores: Bruno Bizuti, Mario Morais, nicholas Bergantin e rafa Freire
Produtora: iconoclast
O filme conta com cabeças gigantes em 3D que “passeiam” por ruas de São
Paulo e meios de transporte. A comunicação traz o mote ‘Onde está a sua
cabeça que ainda não está na Bienal?’. As cabeças flutuantes representam os
pensamentos dispersos que nos afastam do presente, convidando o público
a se reconectar por meio da arte. A produção é da Iconoclast.
MestiçA ProPAGAndA
BaBy SoFt
Título: ‘Baby Soft’
Direção de criação: Paulo Sanna, leandro Sanches e roger
Martins
Criação: leandro esper e João Manfrinato
Criação de IA: leandro Sanchez, luiz Parpulov e João
Manfrinato
Montagem e finalização: João Manfrinato
E se sua roupa preferida falasse? A campanha traz o conceito
‘Ame suas roupas por mais tempo’ e apresenta peças
que falam e se movimentam, explorando com bom humor
a relação emocional entre consumidores e suas roupas favoritas.
Produzida com uso de inteligência artificial, a ação
terá desdobramentos em TV, redes sociais e no digital.
GALeriA
alPargataS
Título: ‘Campanha Masterbrand’
CCO: rafael urenha
Direção executiva de criação: daniel oksenberg e Phil daijó
Head de conteúdo: thaís lapastini
Direção de criação: Melyssa Pottker
Produtora de imagem: Conspiração
Aprovação cliente: Juliana Soncini, Maytê Camargo e Mariana Cury
Com o tom bem-humorado característico da marca, a campanha traz
como garota-propaganda ninguém menos do que Fernanda Torres. Em
um dos filmes, ela é abordada por duas fãs que se dizem impressionadas
com as viagens da atriz, que emenda um: “Mas sabe que eu prefiro
aqui, no Brasil, curtindo minha praia, com as minhas Havaianas no pé?”
Elas riem e afirmam que quase acreditaram...
12 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
esg no mkt
Alê Oliveira
De humanos
para humanos
Estamos imersos num mar de soluções high
tech... Mas não devemos perder o high touch
Alexis Thuller Pagliarini
Escrevo este artigo em meio à preparação para viagem
a Salvador, BA, onde participarei de mais um
Enapro – Encontro das Agências de Propaganda.
O evento bienal reúne o trade de marketing e comunicação
para discutir tendências, sob o sol mágico de
Salvador, no Gran Hotel Stella Maris.
Organizado pelo competente Sinapro Bahia, o Enapro
terá a duração de dois dias – e mais uma noite, para a
posse da nova diretoria do Sinapro Bahia, quando André
Mascarenhas passará o bastão para Paulo Coelho.
Agradeço a sorte de ter sido convidado pelo Sinapro
para, mais uma vez, atuar como curador do conteúdo do
evento, além de realizar duas apresentações: Fator humano
e Cannes Lions Roadshow.
A primeira, contextualiza uma nova era iminente, totalmente
provocada pelo homem, para o bem e para o
mal: a era do Antropoceno. A segunda é um retrato do
que rolou de mais importante no Cannes Lions 2025, em
termos de tendências, insights e cases premiados.
De uma rica interação com a comissão organizadora,
nasceu o tema ‘De humanos para humanos’.
Talvez seja essa a discussão mais importante, não só
do mercado de serviços de marketing, mas das nossas
vidas como um todo. Como navegar no tsunami de tecnologia,
sem perder a essência humana...
A presença da tecnologia nas nossas vidas é inexorável
e só aumentará. Algoritmos, martech, que já estão
presentes há bom tempo, se juntam agora aos prompts
e às soluções imediatas da IA...
Ou seja, de forma irretornável, estamos imersos num
mar de soluções high tech...
Mas não devemos perder o high touch, o toque humano
que faz a diferença. É disso que trataremos em
dois dias intensos de evento.
Tivemos a sorte de poder contar, além de mim,
com um lineup realmente especial: Nina Campos,
minha querida amiga e ex-colega na Loducca, agora
dedicada a despertar o lado lúdico nas pessoas; Hugo
Rodrigues, que recém deixou a posição de chairman
da WMcCann e tem tanto para dividir; Preto Zezé, cofundador
da Cufa e uma voz brilhante em defesa de
minorizados; Eco Moliterno, CCO da Accenture Song
Latam, um dos profissionais mais admirados do nosso
setor; Lucas Freire, psicólogo, escritor e palestrante; Ju
Monte, head de inteligência de mercado da ATcom; e
Lucas Reis, presidente da Associação Baiana do Mercado
Publicitário (ABMP).
São humanos especiais, que dividirão sua experiência
e visão com outros humanos, publicitários baianos
e de outras partes do Brasil, que se inscreveram para o
evento, que conta com recorde de inscrições.
Tratar das questões relacionadas à atividade humana,
em contraponto à IA e à tecnologia, não é novidade.
O tema esteve presente no SXSW e no Cannes Lions
deste ano, entre outros eventos do mercado, com diversos
palestrantes e painelistas emitindo suas opiniões.
A cada novo movimento da inteligência artificial – e
são muitos e constantes – aumenta a preocupação com
os efeitos colaterais sobre os humanos.
Afinal, perderemos trabalho, jobs, para a IA? É a discussão
mais presente na mídia e nos eventos internacionais.
Mas poder fazer isso no meio da diversidade e da
multiculturalidade da Bahia é especial.
Provocar essa discussão sob a ótica brasileira é
algo que nos entusiasma, e tenho a certeza de que
teremos um conteúdo muito rico para compartilhar
após o evento.
No momento em que você estiver lendo este artigo, o
evento já terá terminado e – espero – deixado um legado
para todo o mercado de publicidade brasileiro.
Para alguém como eu, que se dedica às questões de
comunicação consciente, à ética e ao respeito socioambiental,
poder reunir esse time de influenciadores e criar
um ambiente ideal para discussões produtivas, é um
verdadeiro nirvana e mal posso conter minha expectativa
para o evento.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
14 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
mercado
Meios de pagamento evoluem com IA
e consolidam o Pix como protagonista
Com a evolução da ferramenta, bancos, fintechs e marcas como Cielo e
PayPal expandem portfólio de soluções e atualizam suas comunicações
Divulgação
Peça da campanha ‘Paixão de quem tem um negócio’, lançada em 2024 pela Cielo, que reforça a conexão com os empreendedores brasileiros e destaca histórias reais
Vitor Kadooka
Volume de transações
meio 2022 2023 2024
Pix 24,1 bi 41,9 bi 63,8 bi
Cartões de crédito 18,2 bi 17,7 bi 19,8 bi
Cartões de débito 15,6 bi 16,3 bi 16,7 bi
Boleto 4,03 bi 4,1 bi 4,2 bi
TeD 1,01 bi 892 mi 821 mi
Cheque
DoC
202,8 mi
59 mi
Dinheiro físico, boleto, cheque, TED, cartões de débito
e crédito — inclusive por aproximação ou em
carteiras digitais — continuam sendo os meios
mais comuns de pagamento. Há poucos anos, mais precisamente
em 2020, os cartões de débito, crédito e pré-
-pago eram os mais utilizados, segundo o Banco Central.
Esse cenário, no entanto, começou a se transformar com
o lançamento do Pix, em 16 de novembro de 2020.
Para desenhar o panorama, no primeiro período registrado
do Pix, entre o lançamento e 30 de setembro
de 2022, foram realizadas 26 bilhões de transações,
movimentando R$ 12,9 trilhões. Já em janeiro de 2021, o
número de operações ultrapassou as transferências via
TED; dois meses depois, superou os boletos e, em maio,
ultrapassou a soma de todos eles. Os dados são da Federação
Brasileira de Bancos (Febraban).
Essa curva de adoção acelerada marcou o início de
uma nova era para os meios de pagamento no país. Uma
virada que consolidou o Pix como protagonista do sistema
financeiro brasileiro e abriu caminho para uma série
de inovações que hoje moldam o comportamento do
consumidor e das empresas.
Em 2024, o Pix registrou um aumento de 52% no número
de transações em relação a 2023, totalizando 63,8
bilhões de operações ante 41,9 bilhões do ano anterior,
ainda segundo a Febraban. No recorte populacional, 63%
dos brasileiros usaram o Pix ao menos uma vez por mês,
de acordo com o levantamento ‘Geografia do Pix’, realizado
pelo Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão
Financeira da Fundação Getulio Vargas. A rápida adesão
é confirmada por pesquisa da Mastercard, divulgada
195 mi
Fonte: Febraban
125 mi
Descontinuado
em fev/24
em março de 2024, segundo a qual 89% dos brasileiros
afirmaram estar abertos a experimentar novos métodos
de pagamento eletrônico, com preferência por soluções
que envolvam cartões.
Para Thalita Martorelli, diretora de marketing da Cielo,
a consolidação do Pix se explica principalmente por
dois fatores: liquidez imediata e aceleração na digitalização.
“Uma pesquisa interna junto a varejistas mostra
16 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Thalita Martorelli, da Cielo: orientada por dados
Campanha ‘Quem resolve’, da Cielo, criada pela AlmapBBDO, que busca aproximar a marca do empreendedor
que o Pix se consolidou como uma das principais formas
de pagamento no varejo brasileiro: em vendas presenciais,
está empatado com cartão de crédito como meio
de pagamento mais utilizado. Também, para compras
até R$ 30, o Pix aparece em 61% das vezes; para compras
entre R$ 30 e R$ 100, ele permanece como preferido e a
partir de R$ 100 o cartão de crédito domina com 72% das
operações. Esses dados mostram que o empreendedor
passou a viver em um contexto muito diferente.”
Ela explica que o Pix disponível 24 horas por dia e sete
dias por semana transforma a gestão do caixa. “Não há
mais a espera dos dois ou três dias úteis, ou mesmo das
várias semanas de parcelas típicas no crédito. Tornou-se
comum ver comerciantes exibindo QR codes para pagamento,
usando aplicativos de conciliação automática,
compartilhando links de pagamento por WhatsApp ou
redes sociais e integrando o Pix diretamente à maquininha
ou ao celular.”
Entre os grandes bancos, o Itaú tem se posicionado
como um dos principais agentes da evolução do sistema.
Mario Miguel, diretor de pagamentos para pessoa
física do banco, destaca que a nova campanha ‘Pix com
i de Itaú’, criada pela Africa Creative, amplia a percepção
do Pix como uma inteligência de pagamento. “Apostamos
em uma abordagem multicanal e culturalmente
conectada, com personagens como Odete Roitman, interpretada
por Débora Bloch na novela ‘Vale Tudo’, e Adênia,
criada por Mathoso Santana, que ajudam a traduzir
de forma leve e próxima como o Pix pode estar presente
em diferentes momentos da vida dos clientes.”
O PicPay, que se considera pioneiro em transações
instantâneas desde 2012, também tem o Pix como eixo
de expansão. Segundo Pedro Romero, executivo de wallet
e banking, “com a chegada do Pix, essa proposta evoluiu.
Hoje, acreditamos que o diferencial está em como
integramos o Pix no ecossistema. Ele é uma das principais
ferramentas de entrada para outros serviços financeiros
do PicPay e um dos motores que nos ajudam a
escalar a operação”. Atualmente, o banco digital detém
cerca de 11% das transações realizadas no país.
Com 33 milhões de clientes, o PagBank também figura
entre os principais protagonistas desse mercado.
“Quase 10% de todas as transações de Pix no país hoje
passam pelo PagBank”, afirma Raphael Farias, CMO da
Em 2024, o Pix registrou
um salto de 52% no
número de transações
em relação a 2023
empresa. No aplicativo, o Pix é uma das funcionalidades
mais utilizadas por pessoas físicas e empreendedores,
tanto para compras quanto para recebimentos.
Segundo o executivo, o uso da ferramenta tem se
intensificado e o Pix por aproximação, já disponível via
app e maquininhas, deve ganhar ainda mais relevância
nos próximos meses.
No Santander, a diretora de pagamentos pessoa física,
Izabella Belisario, observa que o Pix também tem
fortalecido o relacionamento dos clientes com o banco.
“O cliente que usa o Pix com muita frequência tende
a ter uma relação muito mais próxima com o banco.
Ele confia mais, utiliza outros produtos e vive uma experiência
de pagamentos mais integrada, com cartão, Pix e
até o limite da conta.”
O conjunto desses movimentos reforça o protagonismo
do Pix como motor de transformação dos pagamentos
e ponto de convergência entre bancos, fintechs
e adquirentes, que agora moldam suas estratégias para
um ecossistema cada vez mais digital.
Aliado a isso, a evolução dos meios de pagamento
também vem sendo impulsionada pela inteligência
artificial. O Mercado Pago lançou seu assistente conversacional,
desenvolvido com tecnologia proprietária,
que utiliza IA para aprender o comportamento de cada
cliente e atuar como um consultor personalizado. São
60 funcionalidades disponíveis na versão inicial, lançada
prioritariamente no Brasil e com expansão prevista para
toda a América Latina.
A Mastercard segue no mesmo movimento de inova-
ção. A empresa apresentou o Agent Pay, tecnologia de
agentes de pagamentos voltada a impulsionar o comércio
na era da IA. Esse cenário de digitalização consolidada
é reforçado pelo ‘The Global Payments Report 2025’,
que mostra o Pix como um dos pilares desse avanço: três
em cada quatro brasileiros já utilizam o sistema, responsável
por 41% do valor das transações no e-commerce
em 2024, com previsão de alcançar 58% até 2030.
Como novidade mais recente, o Banco Central anunciou,
em junho, o Pix automático, que promete facilitar o
pagamento de contas e assinaturas recorrentes. Thalita
Martorelli, diretora de marketing da Cielo, destaca que
essa e outras inovações fazem parte de uma transformação
estrutural da empresa. Segundo pesquisa interna,
mais de 90% dos varejistas acreditam que novas
tecnologias de pagamento são decisivas para fidelizar
clientes, o que, para ela, mostra que a digitalização não é
apenas uma tendência, mas uma vantagem competitiva.
“Por aqui, a nossa transformação é cultural e tecnológica.
Ferramentas como ICVA, Cielo Farol e Cielo Analytics
entregam análises preditivas e insights estratégicos,
ajudando nossos clientes a antecipar tendências e tomar
decisões mais assertivas. Investimos fortemente
em soluções para e-commerce, oferecendo checkout,
links de pagamento e APIs seguras para sites e aplicativos,
com a mesma confiabilidade das operações presenciais.
Nossa infraestrutura é escalável, capaz de suportar
até oito vezes o volume atual do e-commerce nacional,
garantindo desempenho mesmo em picos de demanda.”
A executiva explica que essa evolução segue três pilares:
simplificar a jornada, eliminando atritos; assegurar
segurança, com tecnologia antifraude e governança
de dados; e tornar o pagamento invisível, integrando-o
de forma fluida à experiência de compra. No caso do
Pix automático, ela acrescenta que a funcionalidade
permitirá que até 60 milhões de pessoas sem cartão de
crédito possam acessar produtos e serviços que exigem
pagamentos recorrentes.
O Itaú Unibanco também vem investindo nessa nova
fase. No mês passado, lançou a campanha ‘Pix com i
de Itaú’, criada pela Africa Creative, com o objetivo de
ampliar a compreensão do público sobre a ferramenta.
Para Mario Miguel, diretor de pagamentos para pessoa
física, a funcionalidade representa um avanço relevante.
jornal propmark - 27 de outubro de 2025 17
Fotos: Divulgação
“O Pix Automático
amplia e democratiza o
acesso aos pagamentos
recorrentes”
Guilherme Bernardes, do Santander: sobre autonomia
“A funcionalidade traz benefícios tanto para empresas
recebedoras quanto para pagadores, ampliando e democratizando
o acesso aos pagamentos recorrentes. Estudos
do Itaú apontam que a solução tem potencial para
impactar positivamente a gestão financeira das empresas;
para os pagadores, facilita contratar, gerir contratos
e controlar limites.”
Entre as fintechs, o Nubank também aposta na expansão
tecnológica como diferencial competitivo. A
instituição destaca o NuPay, meio de pagamento para
compras online exclusivo para clientes. O pagamento é
feito diretamente pelo aplicativo, sem necessidade de
inserir informações do cartão ou da conta em outros
sites, o que reduz o risco de fraudes e aumenta a conveniência.
“O método foi desenvolvido para atender os
clientes do Nubank e e-commerces com excelência, com
taxas de aprovação que chegam a 98,5%, aliadas a uma
rigorosa gestão de risco, conforme comprovado por zero
transações recusadas por fraude entre seus 200 maiores
clientes em 2024.”
O NuPay registrou um crescimento de 263% na base
anual entre 2023 e 2024. Segundo o banco, o avanço foi
“impulsionado por taxas de aprovação superiores às de
outros meios de pagamento”. A fintech vê esse movimento
como parte de uma transformação mais ampla
do setor. “Para a instituição, as diferentes formas de empoderar
os consumidores para que tenham mais controle
sobre as suas finanças são sempre positivas.”
No caso do Mercado Pago, Felipe Castano, head de
marketing e growth, revela que a empresa foi “um dos
primeiros players na implementação do Pix no Brasil e
seguimos abrindo caminho, inclusive levando a solução
para os turistas brasileiros na Argentina. De acordo com
dados do nosso relatório de impacto, as transações via
Pix no Mercado Pago cresceram 47% em 2024.”
AdquirênciA
Com a ampliação da concorrência no setor de adquirência,
marcada pelo fim das exclusividades entre bandeiras
e credenciadoras e pelo aumento do número de
players — de quatro em 2010 para mais de 20 em 2018,
segundo o Caderno do Cade 2019 —, o mercado se tornou
mais dinâmico e competitivo. Nesse contexto, as empresas
têm buscado diferenciais em tecnologia, dados
Izabella Belisario, do Santander: vive uma experiência
e relacionamento para manter relevância e ampliar sua
presença junto aos empreendedores.
Na Cielo, Thalita Martorelli explica que o diferencial
da marca está em combinar confiança, alcance e inovação.
“A empresa é referência em meios de pagamento,
com presença em 99% dos municípios do Brasil, o que
nos permite estar ao lado do empreendedor onde ele
estiver”. Segundo a executiva, a Cielo conta com uma
infraestrutura robusta, capaz de processar até 13 mil
transações por segundo, e uma governança de IA pioneira,
com cloud seguro e modelos fundacionais treinados
com dados internos. “Enquanto fintechs, muitas vezes,
atuam em nichos específicos, nós operamos como um
ecossistema completo, integrando dados, IA, logística,
gestão de fraude, antecipação de recebíveis e atendimento
em uma jornada B2B2C.”
Ela acrescenta que o setor de pagamentos se
transformou rapidamente, e a Cielo tem expandido
seu ecossistema muito além da maquininha. “Nosso
objetivo é oferecer ao empreendedor uma plataforma
completa, que integre venda, gestão e inteligência
de dados, aquilo que chamamos de valor agregado.
Fotos: Divulgação
Campanha ‘Pix com i de Itaú’, criada pela Africa Creative, amplia a percepção dos clientes sobre a tecnologia
Mario Miguel, do Itaú: pagamentos recorrentes
18 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Felipe Castano, do Mercado Pago: abrindo caminho
Raphael Farias, do PagBank: experiências financeiras
“Nossa IA impede
milhões de tentativas
de fraude e garante
segurança global”
A adquirência, por si só, tornou-se uma commodity.
O diferencial está em como usamos tecnologia para
gerar valor real. Queremos ser mais do que um meio
de pagamento e, por isso, atuamos para ser o motor
de crescimento dos negócios brasileiros, oferecendo
soluções integradas, seguras e humanizadas.”
Entre as soluções mais recentes, Thalita cita o ‘Vendeu,
tá na conta’, criado a partir de escuta ativa com a
força comercial da companhia. A ferramenta antecipa
automaticamente as vendas para o mesmo dia, inclusive
em fins de semana e feriados, via Pix, com taxas
decrescentes conforme o número de parcelas. Outras
novidades são o ‘Sales App com prateleira infinita e split
de pagamento (VTEX)’, que conecta estoques físicos e digitais,
e o ‘Terminal smart Cielo’, que integra aplicativos
de gestão, fidelidade e emissão de nota fiscal em um
único dispositivo.
No Itaú, a estratégia passa pela integração entre banco
e adquirência. A instituição, que completou a aquisição
da Rede em 2012 e lançou a Laranjinha em 2024, vem
ampliando sua atuação no atendimento a pequenos,
médios e grandes negócios. “Nos últimos anos, o Itaú
investiu fortemente em tecnologia para viabilizar soluções
completas, que integram a oferta da Rede com a do
banco. Essa visão torna a vida dos empreendedores mais
simples, com conveniência, assessoria e uma visão integrada
da saúde financeira de seu negócio — algo que só
o Itaú tem hoje no mercado”, garante Miguel.
O executivo acrescenta que o Itaú foi pioneiro no desenvolvimento
de novas soluções do ecossistema Pix,
que trazem ganhos relevantes para ambos os lados. “A
adoção do Pix automático, por exemplo, tem potencial
de elevar em até 30% a adimplência dos pagamentos.”
Essa digitalização, no entanto, exige atenção redobrada
à proteção de dados e à confiança nas transações, ponto
essencial na construção da confiança do consumidor.
A MRM Brasil, agência de tech e dados do McCann
Worldgroup, apresentou em abril a pesquisa ‘Commerce’,
que ouviu duas mil pessoas entre 2020 e 2024. O
levantamento revelou que cerca de 60% dos consumidores
já foram vítimas de fraudes durante compras
online. Em resposta, 77% afirmaram ter mudado seu
comportamento como medida de prevenção, e 74%
passaram a comprar apenas em sites e aplicativos conhecidos,
evidenciando o impacto direto da percepção
de segurança na decisão de compra.
O tema anda paralelamente aos pagamentos móveis.
Com as festividades de rua em vista, o Mercado Pago, patrocinador
do Carnaval de Rua de 2025 em São Paulo, Rio
de Janeiro e Salvador, realizou uma pesquisa que mostrou
que 78% dos foliões pretendem levar o celular para
os blocos. Entre eles, 72% planejam realizar pagamentos
pelo aparelho, sendo 41% pela praticidade e rapidez e
27% pela segurança, evitando levar dinheiro em espécie.
O estudo ainda apontou o Pix (41%) e o cartão de
crédito (38%) como os meios de pagamento preferidos
durante o evento. No uso por aproximação (NFC), o cartão
de crédito lidera com 28% das citações, seguido pelo
débito (12%) e pelo Pix (3%).
Para garantir a segurança das transações, o Mercado
Pago oferece autenticação em dois fatores, biometria
facial ou digital, cadastro no programa ‘Celular seguro’
e a funcionalidade ‘Pessoa de confiança’, que permite
adicionar outra pessoa à conta para reportar casos de
roubo ou perda.
Entre os players globais, o PayPal também reforça o
foco em proteção e tecnologia. “Hoje, nossa rede global
combina inteligência artificial e análise de dados
em tempo real para identificar e impedir cerca de 62
milhões de tentativas de fraude por ano, antecipando
riscos e garantindo que consumidores e empresas
possam realizar pagamentos e fazer negócios com
tranquilidade em qualquer lugar do mundo. Essa visão
Brunno Saura, do PayPal Brasil: inteligência artificial
também se reflete no Brasil. Recentemente, passamos
a operar como adquirente no país, o que significa que
o PayPal agora processa diretamente os pagamentos
realizados em sua plataforma. Essa mudança amplia
nossa autonomia e capacidade de inovação no país,
permitindo responder com mais agilidade às necessidades
de clientes e parceiros, sem abrir mão dos mais
altos padrões de segurança”, afirma Brunno Saura, general
manager do PayPal Brasil.
Na Cielo, a segurança também está entre as prioridades
operacionais. “Contamos com uma infraestrutura robusta
e comprovada, com capacidade de processar até
13 mil transações por segundo, uma governança de IA
pioneira, com cloud seguro, modelos fundacionais treinados
com dados internos e um grupo de trabalho de
risco que garante segurança e conformidade das transações”,
discorre Thalita.
Com visão semelhante, o PagBank observa com otimismo
a integração entre publicidade e pagamento
em tempo real. “A integração entre mídia, conteúdo e
pagamentos em tempo real representa uma nova fronteira
de inovação no mercado digital e está totalmente
alinhada com a nossa visão de tornar as experiências
financeiras mais simples, rápidas e conectadas”, avalia
Raphael Farias. Segundo o executivo, o PagBank está
preparado para atuar nesse novo cenário, com foco em
segurança, conveniência e inovação, reforçando seu papel
como um dos maiores emissores e processadores de
transações do país.
No cenário internacional, o PayPal também acompanha
os avanços da DTV+ e das experiências de shoppable
content e streaming commerce. “Estamos alinhados e
preparados para inovar, oferecendo soluções que permitem
que o consumidor compre de forma fluida em
qualquer ambiente, seja em formatos de shoppable
content ou streaming commerce”, explica Brunno Saura.
Para o executivo, a missão é tornar o pagamento “tão
natural quanto o próprio ato de assistir, interagir e decidir
comprar”. Links de pagamento, checkouts rápidos e
experiências integradas já fazem parte dessa estratégia.
COMO COMUNICAR
Desde o reposicionamento de 2019 feito pela Almap-
BBDO e o conceito ‘Cielo. Com você, na luta de todos os
jornal propmark - 27 de outubro de 2025 19
Fotos: Divulgação
Pedro Romero, do PicPay: ecossistema financeiro
dias’, a marca passou a priorizar uma linguagem mais
próxima do pequeno e médio empreendedor. A partir
daí, campanhas como ‘Bora juntar forças’ (2023), ‘Paixão
de quem tem um negócio’ (2024) e ‘Quem resolve’ (2025)
seguem a mesma linguagem. “Adaptar a comunicação
diante da popularização do Pix exigiu equilíbrio: incluir
o Pix como protagonista, sem perder o tom humano da
marca. Hoje falamos de Pix, de link de pagamento e de
carteiras digitais com a mesma naturalidade que sempre
falamos de maquininha de cartão – tudo sob a mensagem
de que ‘se é importante para o empreendedor, a
Cielo faz acontecer’”, resume Thalita.
Entre as fintechs, o Nubank mantém a liderança no
Open Finance, sendo a instituição com maior volume
de consentimentos no país. A empresa afirma que seus
produtos “são desenvolvidos com o ‘jeito Nu’: transparentes,
inovadores, simples e intuitivos”. Essa mesma
abordagem se reflete na comunicação, em parceria com
a Wieden+Kennedy SP, que é personalizada de acordo
com o perfil de cada público. “Para clientes do nosso cartão
de crédito e débito, usamos territórios de afinidade
como filmes e séries; para clientes Ultravioleta, criamos
um diálogo a partir do segmento de viagens; e para os
empreendedores do Nubank Empresas temos diferentes
canais com informações que buscam fortalecer seus negócios
e apoiar suas necessidades.”
O PicPay também explora o Pix como eixo central
de suas campanhas. Um exemplo é ‘Sua chave Pix pode
abrir um cofre milionário’, criada pela Publicis Brasil para
incentivar o uso da ferramenta dentro do app. “Com a
campanha, queremos que mais pessoas usem o Pix no
app, transformando a experimentação em engajamento
e principalidade”, revela Romero.
A unificação das marcas PagSeguro e PagBank, em
2023, marcou um novo posicionamento no mercado,
com foco em simplificação e clareza. A mudança reforçou
a proposta de valor como banco digital completo,
oferecendo soluções simples e acessíveis em um único
aplicativo. “Essa mudança também trouxe ganhos de
clareza e eficiência em marketing, além de reforçar o
reconhecimento da marca. Hoje, o PagBank figura entre
as 50 marcas mais valiosas do Brasil, segundo o ranking
‘Kantar BrandZ 2024’, o que mostra que o novo posicionamento
tem sido bem recebido pelo público”, afirma
Campanha do PicPay com o mote ‘Sua chave Pix pode abrir um cofre milionário’, criada pela Publicis Brasil
60% dos consumidores já
foram vítimas de fraudes
durante compras online
Raphael Farias, CMO da empresa.
No Santander, mais uma vez, a transformação da comunicação
acompanha a evolução das funcionalidades
do Pix. Para Guilherme Bernardes, CMO do banco, “a chegada
do Pix transformou profundamente a estratégia
dos bancos e a forma de se comunicar com o público,
deixou de enfatizar apenas a tecnologia e passou a falar
sobre autonomia, planejamento e inteligência financeira.
Hoje, o Pix e o cartão de crédito coexistem em um
ecossistema integrado, no qual o banco atua como orquestrador
da jornada de pagamentos. A marca deixa de
ser apenas um provedor de serviços financeiros para se
tornar um parceiro de vida, que simplifica o cotidiano e
oferece soluções personalizadas em todos os momentos
da jornada do cliente”. Esse movimento também prepara
o terreno para o próximo passo do mercado: a integração
entre mídia, conteúdo e transação em tempo real.
DTV+
No cenário da nova televisão digital, que une publicidade
e compra em tempo real, a proposta é tornar
o pagamento “invisível”, operando nos bastidores das
novas jornadas do consumidor. A Cielo já vem testando
experiências nesse sentido, como o uso de QR codes
em campanhas que direcionam o público para credenciamento
via site. “Essa convergência entre mídia e
fintech é um campo fértil, e a Cielo tem trunfos únicos
para liderar essa transformação: confiança da marca,
capilaridade e experiência em conectar o mundo físico
e digital”, reforça Thalita.
O PicPay também acompanha os avanços. “Nosso foco
é oferecer uma jornada completa e sem fricções dentro
do app, com toda a segurança que o cliente já reconhece”,
diz Romero. A empresa avalia novas formas de levar
esse tipo de interação ao seu ecossistema, ampliando
conveniência e novas possibilidades de consumo.
Pagamentos por aproximação crescem entre os clientes do Nubank, que também incentiva soluções como o Nupay
20 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
PROPMARK.
INFORMAÇÃO QUE
MOVE O MERCADO
QUEM DECIDE COM ESTRATÉGIA,
LÊ PROPMARK.
NO DIGITAL OU NO IMPRESSO, VOCÊ TEM
ACESSO ÀS NOTÍCIAS, ANÁLISES E TENDÊNCIAS
QUE DEFINEM OS RUMOS DA PUBLICIDADE E DO
MARKETING NO BRASIL.
ESCOLHA SEU PLANO
IDEAL E ASSINE JÁ
W W W . P R O P M A R K . C O M . B R
(11) 2065-0738
mercado
‘Eu sou um mutante’
Marcello Serpa lança a biografia ‘Vendo’ e o livro
de arte ‘Vendo: Imagens’, ambos publicados pela
Editora Afluente, no dia 11 de novembro, a partir
das 19h. Escolheu uma loja de design mobiliário
inspirado na cultura nordestina, a Mula Preta, na
Zona Oeste de São Paulo, para receber o mercado
em sessão de autógrafos. “Tem muitas histórias
que as pessoas não sabem”, instiga o artista, que
selecionou “peças, imagens, conceitos e campanhas
que, se hoje fossem ao ar, ainda seriam relevantes”.
Do primeiro desenho ainda rabiscado pelas mãos
de garoto aos trabalhos assinados como designer,
publicitário e pintor, Serpa mergulha na lente de
Julius Wiedemann para revisitar sua trajetória.
Confira a entrevista a seguir.
Janaina Langsdorff
Do glamour à mesmice
Hoje, todo mundo reclama muito dos
dados. Na minha época, há dez anos, a
vilã era a pesquisa, porque tinha de testar
todos os trabalhos. Não acho que seja
nem a pesquisa, na época, nem os dados
atrapalhando hoje.
o entrave
O problema é que a queda da mídia
de massa fragmentou também a mensagem.
No passado, marcas procuravam
um discurso, uma campanha única, que
falasse em todos os meios da mesma
maneira para todas as pessoas. Isso dava
personalidade à propaganda.
Bolhas
Desde os anos 1960, vimos as mensagens
poderosas e efetivas que as marcas
tinham. Com a fragmentação da mídia,
é como se fosse a queda do Império
Romano. Em vez de ter uma mensagem
centralizada, hoje você tem mensagens
customizadas para públicos distintos,
em bolhas separadas. Não são nem parecidas.
E cada bolha acaba consumindo
uma mensagem diferente.
Furo
Quando uma ideia é boa, espetacular,
ela consegue furar a bolha e alcançar
outras. Mas isso é muito raro hoje.
Com a explosão das mídias sociais,
vieram campanhas que se tornam efêmeras.
No TikTok, dura um ou dois dias.
Há muita dificuldade de se criar mensagens
que ficam na memória popular.
O ciclo é muito curto e rápido. A mensagem
forte e perene deveria se traduzir
em todos os meios.
Fórmula complexa
A equação inclui os influencers, que
também vão falar de outra maneira da
marca. São muitas variáveis. É muito difícil
deixar na cabeça das pessoas uma
mensagem, uma unidade. É muita informação
e gente falando ao mesmo tempo
em tom de voz alto.
hipocrisia
Sempre fui muito crítico. No slide de
uma palestra que apresentei em meados
de 2012, eu já questionava “Se todas as
marcas querem salvar o planeta, quem
está destruindo? Tem muita gente querendo
salvar o planeta. Pretensão é algo
perigoso. O código de negócio da marca
pode não ser necessariamente isso. A
necessidade de busca de propósito virou
uma desculpa fácil. Quando a propaganda
encosta na hipocrisia, se autodestrói.
vergonha
Teve um momento em que os publicitários
tinham uma certa vergonha de fazer
o que seria a sua principal tarefa, que
é vender. Virou quase um tabu. Então, a
gente não vende, cria conteúdo; a gente
não vende, defende propósito. Não é algo
novo. Acho isso um pouquinho hipócrita.
sem vergonha
O papel do publicitário é comunicar
uma ideia, produto ou serviço da maneira
mais honesta possível com o objetivo
de engajar, vender ou mudar comportamento
de consumo. Esse é o papel. Vender
é bom, faz bem.
terror
A criatividade é inibida hoje pelo
medo de enfrentar alguns assuntos. As
marcas, e as agências, não deveriam ter
medo de alienar um público que não seja
o dela. Não dá para se comunicar com
a totalidade da população, cada marca
tem o seu target. E se você estiver falando
bem com o seu público, não tem problema
em alienar o resto. Isso não pode
causar terror. É só trabalhar com bom
gosto, bom senso, educação, critérios
para toda marca que entra na casa das
pessoas. Se o público é jovem, você fala
a linguagem jovem. Se alienar os mais
velhos, é do jogo. As marcas querem falar
com o seu público, mas têm medo de
ofender todo mundo, e está errado. Você
acaba criando uma campanha média.
Marcello Serpa: mistura da disciplina e coerência alem
“A única régua
para medir se um
trabalho é bom
ou não é o teste
do tempo”
22 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
ãs com a indisciplina e a incoerência brasileiras
Divulgação
Passa batido. E quando você passa batido
na propaganda, o que acontece? Nada.
o AbrAço dA IA
A inteligência artificial é uma ferramenta
maravilhosa e tenebrosa. Tem de
saber usar. Ouvi uma frase que fala que
é preciso ter medo das pessoas que sabem
usar inteligência artificial. Elas, sim,
serão seus concorrentes. Acho que tem
de abraçar a IA e ver aonde vai dar esse
negócio. Tem de abraçar porque, senão,
ela vai abraçar você, e vai te afogar.
PAr PerfeIto
O designer é fundamental em tudo
o que a gente faz. No passado, era colocado
em um escritório, que fazia apenas
logotipo. Hoje, tudo é design. Tudo tem
de ser bem desenhado, bem colocado. O
bom designer com inteligência artificial
será um espetacular designer. Um designer
médio com inteligência artificial
vai ser um bom designer. Sempre usei o
design na publicidade. Misturei ambos,
tirei as fronteiras. Design e propaganda
andam juntos.
objeto de desejo
A safra de artistas visuais do Brasil
sempre foi muito boa. Tem muito diretor
de arte brasileiro reconhecido no mundo
todo.
A mArcA dA Arte
Temos três assinaturas. A primeira é
a simplicidade. Aprendemos a pensar de
forma simples porque temos uma população
muito diversa. As campanhas têm
de ser absorvidas da maneira mais fácil.
A segunda é a alegria, que está em todo
o trabalho que se faz no Brasil. Temos
um tipo de humor único. Quando bem
aproveitado e traduzível, é recebido lá
fora com um frescor, que é realmente do
Brasil. Em terceiro, está o nosso colorido.
O nosso espectro cromático é gigantesco.
Vem do Carnaval, do São João,
de Parintins, de qualquer festa popular
brasileira, seja a época do ano que for,
tudo é extremamente colorido e alegre.
É uma explosão.
APrendIz
Estamos bem preparados. A ESPM é
exemplo de uma tremenda universidade
que cresceu e se preparou para isso. O
desafio para qualquer universidade, hoje,
de qualquer lugar do mundo, e diria que
para quase toda disciplina, é a capacidade
do corpo docente de entender as mudanças,
que são mais rápidas do que a
gente pode imaginar. A tecnologia muda
tudo em quatro anos. Então, a maneira
de aprender é completamente nova e
aberta, para fazer com que as universidades
e escolas consigam se adaptar.
Não sei se existe esse preparo e não tem
nenhum curso que prepare um professor
para ensinar em um momento onde tudo
muda rápido.
recAdos
Se for da área de comunicação, estude
o passado, não se preocupe apenas
Simplicidade,
alegria e o
colorido são as
marcas da arte
brasileira
com o futuro. Hoje, só se fala de futuro. O
novo não necessariamente é o bom. E o
bom não necessariamente é o novo. Existem
conceitos da propaganda que estão
no passado, que valem ser pesquisados.
Como é que se pensava? Qual era a linguagem?
O tom de voz? É justamente olhando
para trás que a gente pode renovar o
que está acontecendo hoje. Se todo mundo
olha para o mesmo lugar e faz as mesmas
coisas, a tendência é que fique tudo
muito igual. Procure olhar onde ninguém
está olhando. É lá que tem de buscar.
mInhA hIstórIA
São dois livros. Um é ‘Vendo’, uma biografia,
escrita por Julius Wiedemann. Foram
dois anos de projeto. Ele escreveu a
visão dele sobre a minha história, desde
moleque até hoje, como design, estudando
fora, trabalhando em todas as agências
brasileiras, falando sobre os meus
relacionamentos com os publicitários,
com a minha geração, a geração dourada
brasileira, de Washington, Nizan, Fabinho,
Alexandre Gama. Não é um livro sobre a
propaganda brasileira. É um livro muito
pessoal, sobre a minha experiência nessa
profissão, e fora dela. Conta os momentos
na DPZ e DM9; quando saí da DM9 e
montei a Almap, e o processo de criação
daquela nova Almap. Depois, a minha saída
com o José Luiz Madeira da Almap, a
minha mudança para o Havaí e a experiência
de vida lá, e o que me levou a fazer
isso. Vai muito fundo na transformação.
teste do temPo
O outro livro é o ‘Vendo: Imagens’, um
apanhado de trabalhos que fiz desde a
minha formatura até o último quadro
que pintei. Busquei peças, imagens, conceitos
e campanhas que, se hoje fossem
ao ar, ainda seriam relevantes. Acredito
que a única régua para medir se um trabalho
é bom ou não é o teste do tempo.
Se ele aguenta. Muitas coisas são imediatas.
Então, tem de passar no teste do
tempo. Isso vale para qualquer conteúdo.
Não só publicidade. Vale para marcas,
conceitos, campanhas e designs.
surPresA
Tem muita coisa íntima ali no livro.
Tem muitas histórias que as pessoas não
sabem. Como não estou no mercado, e
não necessariamente tenho compromisso
com algumas coisas, é muito honesto
o livro, que traz os conflitos, os não conflitos,
e toda a evolução de um cara que era
novo quando virou dono de agência, eu
tinha 29 anos, comecei tudo muito cedo.
brAsIl e AlemAnhA
Fui para a Alemanha muito cedo. Saí
em pleno janeiro de Ipanema, no Rio de
Janeiro, e pousei em Munique com neve e
20 graus negativos. Estudei numa escola
de design, baseada em conceitos muito
claros, de disciplina e coerência. Depois
de sete anos, voltei para o Brasil e misturei
a disciplina e a coerência alemãs com
a indisciplina e a incoerência do Brasil.
Essa mistura me ajudou a chegar onde
eu cheguei, justamente por ter essas
duas escolas trabalhando juntas, com
essa explosão de cores que eu já tenho
no meu DNA porque eu sou brasileiro, sou
brazuca, sou o resultado da fusão dessas
duas escolas, que são completamente
antagônicas. Eu sou um mutante.
sAbátIco
Os sete anos no Havaí me deram o
que eu estava buscando, que era um
detox completo e absoluto. Tinha uma
experiência de vida muito forte, de profissional
da propaganda, em agência,
de Brasil mesmo. E me deu uma tranquilidade
muito boa. Fui surfar, fazer
aquilo que eu mais gostava, pintar, ter
tempo e calma. Foi quase um processo
meditativo no Havaí para poder me
concentrar naquilo que eu queria fazer
de novo, que era pintar e desenhar. A
energia que me fez esboçar o primeiro
desenho como moleque, depois me
fez continuar desenhando e pintando,
depois me fez designer, publicitário,
pintor, é a mesma. O que mudou foi a
maneira de executar. Mas o processo
de pensamento e de criação é exatamente
o mesmo. Nunca mudou.
jornal propmark - 27 de outubro de 2025 23
Profissional Atendimento e Negócios
Profissional Mídia
Profissional Criação
Profissional Tecnologia e Inovação
Profissional Diversidade e Inclusão
Profissional Veículos e Plataformas
Profissional Marketing e Marcas
Profissional Planejamento e Estratégia
Profissional Comunicação e Conteúdo
Profissional Educação
agências
Com comitê e manual de ética em IA,
DM9 quer transformar crise em legado
Agência reuniu a imprensa para lançar diretrizes sobre o uso de
inteligência artificial na publicidade, meses após a polêmica em Cannes
Adrieny Magalhães
A
DM9 reuniu a imprensa no último
dia 22, em sua sede, em São Paulo,
para apresentar oficialmente
o Comitê e o Manual de Ética em Inteligência
Artificial, desenvolvidos em
parceria com o advogado e especialista
em tecnologia Ronaldo Lemos. O
lançamento marca um novo capítulo
da agência, que desde junho vive um
processo de reconstrução após a cassação
do Grand Prix no Cannes Lions
2025 com o case ‘Efficient way to pay’,
criado para a Consul.
Na ocasião, o festival concluiu que o
vídeo inscrito havia manipulado informações
sobre a campanha com o uso de IA.
O episódio levou à devolução de prêmios,
à saída do então CCO Ícaro Doria e ao rompimento
do contrato com o anunciante.
“O que aconteceu foi um marco pessoal e
profissional para todos nós”, disse o CEO
Pipo Calazans durante o evento.
O executivo lembrou que o trabalho
de reconstrução envolveu auditoria em
cases, devolução voluntária de Leões e
o reforço das rotinas internas de compliance.
“Esse fato não vai ser apagado,
mas ele pode ser ressignificado. E é isso
que estamos fazendo: transformar o que
aconteceu em aprendizado e legado”,
afirmou Calazans.
O documento, de 60 páginas, estabelece
dez eixos principais que refletem
o fluxo real de trabalho de uma
agência full service — da ideação e planejamento
até a veiculação, mensuração
e inscrição em prêmios. “O objetivo
foi criar um código de autorregulação
claro, prático e aplicável, que promova
transparência, rastreabilidade e revisão
humana em todo o uso de IA”, explicou
Lemos.
O especialista destacou que o manual
propõe a preservação de prompts e outputs,
registro de processos e revisão por
profissionais responsáveis. “Esses cuidados
garantem auditabilidade e segurança
jurídica, o que é fundamental para o
setor”, afirmou. O texto também prevê
orientações sobre consentimento de dados,
direitos de imagem e boas práticas
em automação criativa.
Ronaldo Lemos, Yuri Mussoly e Pipo Calazans durante a apresentação do Comitê e do Manual de Ética em IA da DM9
Calazans afirmou que a DM9 será
“padrão ouro” na implementação das diretrizes
e que os treinamentos internos
já estão em andamento. “O código passa
por todas as áreas: negócios, mídia, criação
e operações. O compromisso é fazer
da DM9 uma referência de aplicação e
governança em IA.”
Questionado sobre punições, o CEO
afirmou que o manual “não evitaria o que
aconteceu”, mas contribui para evitar falhas
operacionais e riscos de conduta. “O
que houve foi uma quebra de confiança.
Mas se algo semelhante ocorrer em qualquer
outra instância, nós vamos apurar,
entender e aplicar punições proporcionais,
como fizemos antes”, disse.
A CCO Yuri Mussoly reforçou que a
mudança é, sobretudo, cultural. “Essa
segunda temporada da DM9 é marcada
“O fato não vai ser
apagado, mas
ele pode ser
ressignificado”
Alê Oliveira
por uma mudança de mentalidade. Queremos
ser uma agência criativa, mas não
à custa da vida pessoal. Criatividade não
precisa ser dolorosa”, disse.
Yuri explicou que o código foi construído
“de dentro para fora” e agora faz parte
do processo de integração da agência.
“Quem entra hoje já aceita que a verdade
precisa estar acima da criatividade. Somos
uma agência criativa, mas a criatividade
não está acima de tudo.”
Encerrando o encontro, Calazans destacou
o caráter coletivo da reconstrução:
“Códigos como esse não são a resposta
para tudo, mas representam o começo
de uma conversa importante sobre como
a gente trabalha, se relaciona e usa tecnologia
com responsabilidade. A verdade
precisa estar no centro do nosso trabalho”,
pontuou o CEO da DM9.
26 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
agências
Pedro Cruz retorna à publicidade como
sócio da Mad Hit, de Sorocaba (SP)
Executivo será
business strategic
partner de agência
presente nos EUA
Os sócios Pedro Cruz, Caio Aidar, Stanlei Bellan e
Renata Arruda apresentam a Mad Hit, resultado
de spin-off da CDR+, há dez anos em operação. A
agência de Sorocaba (SP) nasce com escritório também
em Los Angeles (EUA). Oferta criativa, estratégia
e insights culturais são as promessas.
“Mad enough é o mantra central da operação e revela
uma crença compartilhada por todos, criando entregas
consistentes e disruptivas na medida certa”, declara em
nota o business strategic partner Pedro Cruz, que retorna
ao mercado publicitário. Ele atuou como COO e CCO
(chief culture officer) da FCB até 2019 e foi um dos fundadores
da Galeria, em 2021.
A fragmentação da mensagem e da atenção situa
o contexto de criação da agência. “Num mundo de pulverização
extrema da mídia e dificuldade de conquistar
atenção genuína do público consumidor, abraçar a ousadia
de criar verdadeiros hits culturais é o melhor que
podemos fazer por nossos clientes”, comenta o CEO Caio
Trevisan Aidar.
Cruz frisa o potencial da atitude e da cultura ‘underdog’
criada e testada por Aidar. “Foi fundamental para a
nossa reaproximação. Na Mad Hit temos uma cultura ongoing
de criação e estratégia caminhando inseparáveis
e permeáveis a todos, com um time que abraça o mantra
e o jeito de ser ‘mad enough’ para cada cliente”, explica.
Pedro e Caio trabalharam juntos na FCB.
Stanlei Bellan, baseado em Los Angeles (EUA), trabalhará
como growth strategic partner. Ele empresta-
C
M
rá a sua experiência em mídia, pesquisa e inteligência
artificial para trazer tendências internacionais à operação.
“A proposta da Mad Hit é ter presença interna-
Y
CM
cional enxuta e conectada, sem perder a agilidade e o
MY
caráter artesanal. A ideia não é termos muitos escritórios.
Com a sede em Sorocaba e um braço nos Esta-
CY
CMY
dos Unidos conseguimos ter uma boa presença global
K
num cenário administrável. Não queremos abrir mão
disso”, esclarece Aidar.
Já a CFO da agência é Renata Arruda, que possui 20
anos de experiência. Desde a fundação da CDR+, a executiva
ajudou a consolidar o negócio e a criar um modelo
financeiro próprio. Ainda estruturou práticas de gestão e
controle de operações. Agora, combinará visão estratégica
e capacidade administrativa.
Com 90 profissionais, a agência atende as marcas de
tratores Case e New Holland; Wyda Embalagens; as rações
Fórmula Natural e Magnus; Castelo Alimentos; rede
Mana Poke; Saint-Gobain com Quartzolit e Brasilit; além
de Tarjab Incorporadora e Helbor Empreendimentos, entre
outras empresas.
Anuncio GrandesNomes Preto 14,5x16.pdf 1 31/07/2024 21:25:23
Divulgação
Renata Arruda, Pedro Cruz, Caio Aidar e Stanlei Bellan (na tela): time abraça o jeito de ser ‘mad enough’ para cada cliente
EXISTEM VÁRIOS JEITOS
DE VOCÊ ASSISTIR AOS
GRANDES NOMES
DA PROPAGANDA,
O CANAL
É UM DELES
AOS SÁBADOS 18H30 E REPRISE
AOS DOMINGOS ÀS 15:40
E ÀS SEGUNDAS 14:30
NOTÍCIAS DIARIAMENTE NO PORTAL E NO SITE
GRANDESNOMESDAPROPAGANDA.COM.BR
VOCÊ ASSITE AO
CANAL MARKKET NA:
CANAL 692
CANAL 611
jornal propmark - 27 de outubro de 2025 27
agências
Artplan tem nova diretora
de criação de conteúdo
Agência promove Leila Germano,
que passa a liderar o núcleo
Para reforçar sua estrutura
de liderança, a
Artplan promoveu Leila
Germano ao cargo de diretora
de criação de conteúdo.
A executiva, que anteriormente
assumiu as funções
de redatora e gerente de
conteúdo, passa a liderar o
núcleo de conteúdo estratégico
e branded content dos
clientes, em São Paulo.
Leila se reportará às diretoras-executivas
de criação, Roberta Moraes e Luiza
Valdetaro. Com uma trajetória híbrida
que transita entre agências, áreas de
marketing e big techs, Leila acumula passagens
por Publicis, DM9/Sunset, New Vegas
e BETC Havas, além de ter integrado
os times de brand experience da 99 e de
conteúdo original do Spotify.
Sua vivência multissetorial lhe confere
uma visão 360° do ecossistema criati-
Roberta Moraes e Leila Germano, nova diretora de
criação de conteúdo da Artplan
MField contrata
chief revenue officer
Divulgação
Kate Souza chega para ampliar
resultados a partir de novas frentes
A
MField contratou Kate
Souza como chief revenue
officer. A contratação
da executiva, que
acumula mais de 20 anos de
experiência no mercado, faz
parte de uma estratégia para
acelerar a diversificação
de receitas da empresa, que
planeja dobrar o faturamento
em 2026.
Antes de ingressar na
MField, Kate era chief business officer
do Porta dos Fundos, onde foi responsável
por estruturar a área comercial e
de atendimento, e atuou como diretora-
-comercial e de atendimento da Play9,
implantando essas áreas na companhia.
Em quatro anos de empresa, ela liderou
mais de três mil campanhas. Além
disso, ao longo de sua carreira, teve passagens
pelas agências Blues, Grupo TV1,
Editora Abril, Editora Peixes e Conrad.
vo e uma abordagem que conecta branding,
cultura e entretenimento. “Assumir
a liderança de conteúdo em um momento
em que as marcas buscam conexões
mais genuínas com o público é um desafio
inspirador. Acredito na força das narrativas
bem construídas e no papel do
conteúdo como diferencial competitivo.
Estou motivada em contribuir para ampliar
esse olhar dentro da Artplan e junto
aos nossos clientes”, diz Leila.
Divulgação
Com mais de 20 anos de carreira, a executiva Kate
Souza tem passagens por Porta dos Fundos e Play9
“A chegada da Kate à nossa equipe
inaugura uma nova etapa para a MField,
com foco em crescimento estruturado,
governança sólida e visão de longo prazo.
Ela traz experiência, credibilidade e
um olhar inovador sobre como os criadores
podem gerar valor para as marcas”,
afirma Flávio Santos, CEO da MField. A
executiva passa a fazer parte do time
C-level da MField, formado também por
Flávio Santos e Tatiana Magliari (COO).
Dupla de criativos acaba
de chegar à Grey Brasil
Suzana Bulhões e Douglas
Dimitrov estão de casa nova
A
Grey Brasil contratou
a dupla formada por
Suzana Bulhões (redatora)
e Douglas Dimitrov (diretor
de arte), que passam
a integrar o time de criação
da agência, cujo comando é
dividido entre Manir Fadel,
que atua como CEO e chief
creative officer (CCO), e André
Gola, diretor-executivo
de criação.
Os profissionais se unem à Grey após
atuarem na Africa Creative, onde foram
responsáveis pela comunicação de Budweiser.
Formados pela Miami Ad School e
com cerca de cinco anos de experiência
no mercado, a dupla também já passou
por agências como Suno, Lew’Lara\TBWA,
BFerraz e Tech and Soul, atendendo marcas
como Nissan, BRF, Brastemp e M. Dias
Branco.
A redatora Suzana Bulhões e o diretor de arte Douglas
Dimitrov são os novos contratados pela Grey Brasil
Companhia acaba de entrar no
mercado de bebidas funcionais
Times Milà e Sede celebram o início da parceria
entre a agência e a marca de bem-estar e saúde
Divulgação
Milà conquista conta da
marca de bem-estar Sede
A
Milà anunciou a chegada
da Sede, marca
de saúde e bem-estar
que entrou no mercado de
bebidas funcionais, ao seu
portfólio. A agência será
responsável pela estratégia,
criação e conteúdo das
campanhas e ações publicitárias
da marca.
O primeiro lançamento
é um energético funcional
com fórmula 99,72% natural e 100 mg de
cafeína microencapsulada — tecnologia
que garante energia gradual e sustentada,
sem os picos e quedas bruscas típicos
dos energéticos convencionais.
“O universo dos energéticos foi sequestrado
por estereótipos de performance
extrema e fórmulas que trocam
energia por saúde. Nossa missão é provar
que é possível aumentar o desempenho
funcional sendo gostoso e saudável”,
Ao longo da trajetória profissional,
também conquistaram reconhecimento
em diversos festivais de criatividade, incluindo
Cannes Lions.
A agência afirma que a chegada
de Suzy e Dimi reforça o movimento
de ampliar seu núcleo criativo com
‘talentos que unem repertório, visão
estratégica e uma linguagem alinhada
às transformações da indústria da comunicação’.
Divulgação
afirma Alex Rosário, fundador da Sede.
“A Sede é uma companhia contemporânea,
que aposta em produtos naturais
e saudáveis por trás de uma marca
transparente, divertida e corajosa. Para a
Milà, essa parceria é muito mais do que
capacidade criativa, é uma comunhão de
valores’’, comenta Léo Balbi, CEO e sócio-
-fundador da Milà. A agência será responsável
pela estratégia, criação e conteúdo
das campanhas e ações publicitárias.
28 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
agências
Grupo Omnicom deve finalizar a
aquisição da holding IPG em novembro
Negócio avaliado em US$ 13 bilhões vem no momento em que o
Omnicom reporta alta de 2,6% na receita orgânica do terceiro trimestre
A
compra do The Interpublic
Group of Companies (IPG) pela
holding Omnicom, anunciada
em dezembro de 2024, deve ser concluída
neste mês de novembro após
as aprovações de órgãos regulatórios
dos Estados Unidos, Reino Unido
e México. A Comissão Europeia avançou
formalmente o acordo para a
revisão final no dia 20 de outubro.
“Esperamos fechar a aquisição do
Interpublic no próximo mês, criando
a maior companhia de marketing do
mundo. Juntos, vamos emergir como
o time mais talentoso e uma poderosa
plataforma desenhada para acelerar
o crescimento por meio de vantagens
estratégicas em dados, mídia,
criatividade, produção e tecnologia”,
confirma John Wren, chairman e chief
executive officer do Omnicom. Avaliado
em US$ 13 bilhões, o negócio criará
John Wren, presidente e CEO do Omnicom, e Philippe Krakowsky, CEO do Interpublic
Divulgação
o maior grupo publicitário do mundo,
com receitas anuais combinadas de
aproximadamente US$ 26 bilhões.
A receita orgânica do grupo Omnicom
cresceu 2,6% no terceiro trimestre
de 2025, para US$ 4 bilhões,
em comparação ao mesmo intervalo
do ano anterior. Publicidade e mídia
(9%), execução e suporte (2%) e
marketing de precisão (0,8%) foram
as áreas mais representativas.
Recuos foram registrados em
healthcare (-1,9%), relações públicas
(-7,5%), experiência (-17,7%), branding
e retail commerce (-16,9%). “Vemos
um forte momento com oportunidades
em novos negócios. Aprimoramos
a nossa habilidade e eficiência
em entregar crescimento em receita,
e gerar fluxo sólido de caixa, fortalecendo
nossa confiança no futuro”,
sinaliza Wren.
Cheil anuncia a conquista da conta da
montadora de origem britânica MG Motor
Estratégia contempla ações institucionais, de varejo e de pós-venda,
além de conteúdos voltados para as redes sociais e canais digitais
A
montadora britânica MG Motor,
que fabrica o hatchback MG4, o
sedã MG5 e o roadster esportivo
Cyberster, escolheu a Cheil como sua
agência no Brasil, responsável pela criação
de campanhas integradas para os
modelos e lançamentos da marca, hoje
controlada pela chinesa Saic Motor.
“A chegada ao Brasil de uma marca
forte, com mais de cem anos de história
e responsável pelo desenvolvimento
de tantos ícones atemporais exige um
trabalho muito estratégico de marketing”,
aponta Flavio Guzmán, head de
marketing, produto, marca e PR da MG
Motor Brasil.
Desenvolvida com base no posicionamento
global da empresa, a estratégia
local contempla ações institucionais, de
varejo e de pós-venda, além de conteú-
O roadster esportivo Cyberster é um dos modelos da centenária marca britânica MG Motor, que terá comunicação da Cheil Brasil
dos voltados para as redes sociais e canais
digitais. “O mercado de montadoras
tem se diversificado muito no Brasil. Ser
escolhida para trabalhar a conta da MG
Motor, que traz em sua marca um posicionamento
jovem, inovador e tecnológico,
é bastante desafiador e reforça tanto
a maturidade como o reconhecimento
da Cheil entre players globais que chegam
ao mercado brasileiro”, diz Tatiana
Reprodução
Pacheco, COO da Cheil Brasil, que planeja
projetos capazes de “alcançar um alto
impacto com o público, apresentando a
MG Motor e seus veículos aos brasileiros”,
emenda a executiva.
jornal propmark - 27 de outubro de 2025 29
produtoras
Spirit lança área dedicada à pesquisa de
aplicações em IA para criação de conteúdo
Segundo o estúdio, a Spirit Tech chega “para garantir ética, respeito à
autoria e protagonismo artístico no uso das tecnologias emergentes”
Yuji Higashiyama, Fernando Macedo e Cleber Coutinho são sócios da Spirit Animation
Avatar do agente de IA do herói ‘Carlos’, lançado pela Spirit Tech
Fotos: Divulgação
Comemorando 20 anos de atuação
no mercado de animação, a Spirit
Animation divulga o lançamento
da Spirit Tech, área dedicada à pesquisa
e desenvolvimento de aplicações em
inteligência artificial generativa para a
criação de conteúdo.
‘’A Spirit está comprometida em utilizar
tecnologias de IA generativa para
otimizar etapas específicas de processos,
com o objetivo de apoiar artistas e produtores
nos setores de animação e experiências
imersivas — sempre com atenção
aos diversos desafios e questões ainda
em aberto quanto ao uso responsável
dessas ferramentas’’, afirma Fernando
Macedo, fundador e chief creative officer
(CCO) da Spirit. “Estamos prontos para colaborar
com nossos clientes e parceiros
nessa jornada de inovação.”
A Spirit Tech será liderada pelo sócio
e CTO Cleber Coutinho, profissional com
carreira internacional, que traz em seu
portfólio títulos como ‘Harry Potter’ e ‘X-
-Men’, além de projetos para Netflix como
o recém-lançado longa ‘Saving Bikini Bottom
– The Sandy Cheeks Movie’, da franquia
Bob Esponja.
O novo braço contará também com
um conselho consultivo interno, reunindo
profissionais do Spirit Creative Group
“para garantir a ética, o respeito à autoria
e o protagonismo artístico no uso das
tecnologias emergentes”.
“Ferramentas transformadoras como
essas têm o potencial de acelerar o
processo criativo e atender às crescentes
demandas por soluções eficazes e
escaláveis, sempre mantendo o artista
no centro da criação”, ressalta Yuji Higashiyama,
sócio e head de animação da
Spirit, também responsável pela tecnologia
de captura de movimentos (mocap)
da Spirit Tech.
Entre os marcos recentes da produtora
estão a campanha animada para a GSK
(Publicis), o especial de TV ‘Celeste’ (vencedor
do New York Animation Festival),
e a terceira temporada da série ‘Carlos’
– sucesso lançado no Disney XD e Amazon
Prime, com mais de 1 bilhão de visualizações,
atualmente em pós-produção.
A Spirit Tech também marca presença
no crescente mercado de agentes virtuais
(avatares e mascotes como agentes
com inteligência artificial), com o lançamento
do Agente de IA do herói ‘Carlos’,
entre os primeiros agentes de IA baseado
em um personagem de série de animação.
Desenvolvido em parceria com a
empresa americana SAGA.xyz, o agente
interativo foi anunciado na Game Developers
Conference (GDC), em San Francisco.
“O papel da Spirit Tech vai além de
acompanhar a transformação do mercado:
ela potencializa o que a Spirit já faz
de melhor, com ainda mais agilidade,
inteligência e ambição”, destaca Macedo.
“Com nossa ampla experiência em
storytelling, sabemos como criar soluções
de alto impacto e engajamento
– desafios centrais para as marcas modernas”,
finaliza o sócio e CTO da Spirit,
Cleber Coutinho.
30 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
marcas
Centenária, Vigor repagina identidade
visual e amplia portfólio de produtos
Movimento marca nova fase da empresa, com foco na modernização
das embalagens e presença ampliada nas rotinas dos consumidores
Bruna Nunes
Com mais de um século de história,
a Vigor passou por um novo ciclo de
transformação e, além de expandir
seu portfólio, investiu na modernização
de sua identidade visual, desenvolvida
pela A10. O movimento faz parte do reposicionamento
iniciado no ano passado,
com a agência Ana Couto. O foco é
atualizar o olhar da marca e fortalecer
sua presença em múltiplas categorias.
“Como uma marca centenária, sabemos
o quanto é importante nos mantermos
atualizados e evoluirmos junto com
nossos consumidores”, explica Karina
Dal Sasso, diretora de marketing da Vigor
Alimentos.
A executiva conta que a ideia é dar
vida ao propósito da marca de “fazer com
que os consumidores experimentem
uma vida com mais sabor” e mostrar a
versatilidade do portfólio da empresa,
que atua em mais de oito categorias.
“Um iogurte Vigor pode estar em um lanche,
mas também pode ser ingrediente
para um molho de salada, por exemplo.
Um queijo Vigor pode estar presente
em uma tábua de queijos, mas também
pode estar presente no preparo de sanduíches”,
exemplifica ela.
As novas embalagens também traduzem
esse conceito. “Queremos que
uma parcela maior da população se sinta
atraída a provar e se apaixonar pelos
nossos produtos”, diz Karina, que brinca
com o termo ‘appeite appeal’ para traduzir
o sentimento que o novo conceito
das novas embalagens busca causar nos
consumidores. “Queríamos um design
que traduzisse a qualidade e a tradição
da Vigor, mas de um jeito mais moderno
e vibrante, que comunicasse visualmente
a cremosidade que tanto falamos e
o sabor marcante característicos dos
produtos da marca. Inovação e design caminham
juntos na construção de marca
que estamos fazendo”, resume.
Escuta ativa E conExão
Conhecida principalmente como uma
linha de produtos premium, a Vigor vem
ampliando sua presença em categorias
de maior frequência de compra. Os lançamentos
incluem os queijos prato e
mussarela, além de novas versões dos
iogurtes Grego em garrafinhas (dose
única). “Nos últimos anos, temos investido
muito em entender como as pessoas
consomem nossos produtos e quais atributos
valorizam mais. Foi a partir dessa
escuta que evoluímos o posicionamento,
o portfólio e também repensamos a
Fotos: Divulgação
A Vigor investiu na implementação de uma nova identidade de embalagens e no lançamento de produtos mais ‘cotidianos’
Karina Dal Sasso, diretora de marketing da Vigor Alimentos: “Essa troca é muito rica”
“Queremos que
uma parcela
maior da
população se
sinta atraída”
identidade visual”, menciona a diretora.
“Isso vale tanto para o desenvolvimento
de produtos quanto para o design das
embalagens, que é uma forma de comunicar
tudo o que a marca representa já
no ponto de venda, quando o consumidor
bate os olhos na gôndola”, reforça ela.
Segundo Karina, a estratégia é estar
presente “do café da manhã ao lanchinho
da madrugada”, conectando o consumo
doméstico à atuação no foodservice.
Entre os lançamentos, o sabor pistache
se destaca como símbolo da escuta ativa
da Vigor em relação ao que vira tendência
no mercado. “Nos últimos anos, esse
sabor virou tendência em confeitarias e
sorveterias. Percebemos que tinha tudo
a ver com o universo dos iogurtes Vigor”,
conta. A marca foi a primeira a trazer o
sabor, nessa categoria, para o Brasil.
Karina ainda destaca a importância
de investir na comunicação com o público.
“Através de nossa comunicação,
mostramos o consumo de nossos produtos
em diferentes momentos e de
diferentes formas”, afirma. Ela explica
que o objetivo é levar para casa a mesma
experiência de sabor que o consumidor
encontra fora. “A inovação sempre foi um
pilar central para a Vigor. É ela que nos
permite manter viva a essência da marca,
mas com um olhar atualizado para o
que o consumidor busca hoje. Essa troca
é muito rica”, finaliza ela.
jornal propmark - 27 de outubro de 2025 31
marcas
Divulgação
Halloween
vira vitrine de
experiências de
marcas para o
varejo brasileiro
Campanhas criativas
e colaborações entre
empresas consolidam o Dia
das Bruxas como uma das
datas mais fortes para o
comércio em 2025
“O Halloween
deixou de ser
apenas uma festa
importada”
Adrieny Magalhães
O
Halloween deixou há muito tempo
de ser uma celebração importada
para se tornar uma das datas mais
lucrativas e disputadas do varejo brasileiro.
De acordo com a CNC (Confederação
Nacional do Comércio), o movimento
deve crescer cerca de 4% em 2025,
mantendo o ritmo de retomada da
demanda interna. Só em 2024, a data
movimentou mais de R$ 3,7 bilhões,
com alta entre 15% e 20% sobre o ano
anterior.
Segundo a ABCasa (Associação Brasileira
de Artigos para Casa), a festa das
bruxas segue em expansão e já se consolidou
como um fenômeno cultural e
comercial. “Observamos um crescimento
médio próximo de 30% ao ano, impulsionado
por consumidores cada vez mais
engajados”, afirma Eduardo Cincinato,
presidente da entidade.
De acordo com o executivo, o Halloween
já ocupa espaço comparável a datas
tradicionais como o Dia das Crianças
e a Black Friday, impulsionando segmentos
de decoração, alimentação, beleza,
moda e entretenimento. Em comum,
todas as ações deste ano investem em
experiências — sejam elas físicas, digitais
ou sensoriais.
Decoração e varejo
Para Joel Konig, diretor da Brinquedos
Pica-Pau, os destaques continuam sendo
decoração, itens para festas e fantasias.
“As pessoas querem surpreender. Investem
em ambientes temáticos, desde
quintais até fachadas, e buscam elementos
que permitam personalizar cada detalhe
da celebração.”
Na Cromus, o Halloween também se
tornou uma data estratégica. “Os bonecos
com som e movimento, que chegam
a dois metros de altura, continuam entre
os mais procurados. Além disso, vimos
um aumento expressivo na procura por
itens de trick or treat, como sacolas e
cestas”, comenta Larissa Molina, supervisora
de comunicação da marca.
De acordo com a ABCasa, o avanço
da decoração temática reflete um comportamento
de consumo que combina
criatividade, compartilhamento e pertencimento.
“O Halloween deixou de
ser apenas uma festa importada e tornou-se
parte do calendário brasileiro”,
reforça Cincinato.
alImeNToS e BeBIDaS
O apetite das marcas também ganhou
sabor temático. O China in Box e a Fanta
uniram forças em um combo especial
com embalagens personalizadas e personagens
de filmes de terror, como ‘Chucky’
e ‘M3GAN’. “Queremos transformar o
momento da refeição em uma lembrança
marcante”, diz Bruno Silvestre, gerente
de marketing do China in Box.
A parceria faz parte da campanha global
de Halloween da Fanta, desenvolvida
em colaboração com a Universal Pictures
e a Blumhouse.
Outro gigante que entrou na brincadeira
foi o McDonald’s, que transformou o
Méqui 1000, na Avenida Paulista, em uma
‘Fábrica assombrada’. A ação faz parte da
Caravana Assombrada de Fanta, que percorreu
mais de 15 cidades com jogos de
escape e experiências imersivas. “Quere-
mos que o público mergulhe no clima do
Halloween, unindo nostalgia, cultura pop
e muito sabor”, comenta Juliana Milagres,
diretora de sabores da Coca-Cola Brasil.
Entre os doces, a Bauducco e a Fini
lançaram uma campanha assinada pela
Ampfy, batizada de ‘Assustador de bom’,
com filmes inspirados nos clássicos do
terror e criados para o TikTok. “O Halloween
é uma oportunidade de brincar com o
inesperado e criar um ponto real de conexão
com a geração Z”, explica Mayara
Ribeiro, diretora criativa da Ampfy.
A Fini, por sua vez, ampliou seu portfólio
com produtos em edição limitada,
como a ‘Caveira Recheada’ e o ‘Tubes Boo
SG’, além de embalagens decorativas.
“É a data ideal para ousar, seja no visual
ou no sabor”, afirma Thais Carminato,
gerente-executiva de marketing da The
Fini Company Latam.
Fechando o setor, a Docile aposta
em um crescimento de 20% nas vendas
neste Halloween. “Para o nosso negócio,
esse é um período de ouro. A linha temática,
com produtos como o ‘Maxmallow
ponta-língua’ e os ‘Dentes de Vampiro’,
reforça nossa presença em todas as regiões”,
destaca Adriana Donelian, diretora-
-comercial e de trade da marca.
Beleza e moDa
No universo da beleza, o Halloween
virou um verdadeiro palco de expressão
criativa. A Avon apostou na interatividade
com a campanha ‘Lindas de morrer’,
criada pela VML Brasil. Por meio de filtros
no TikTok, o público pode transformar
32 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
selfies em pôsteres de filmes de terror,
com maquiagens feitas com produtos da
marca. “Queríamos ir além dos tutoriais
e criar uma experiência divertida, onde
cada pessoa se torna a estrela do próprio
pôster de terror”, comenta Clauber Volinsky,
diretor de criação da VML.
Já a Natura transformou o Halloween
em um manifesto de beleza. Dirigida
pela influencer Camila Pudim e
planejada pela Africa Creative, a campanha
reúne nomes como Tatá Estaniecki,
Alane e Mirella Qualha em uma batalha
cinematográfica entre luz e sombra — representadas
pelas linhas Una e Faces. A
ação ainda se desdobra em uma branded
mission no TikTok, com desafios de maquiagem
e prêmios no evento Elleoween.
“Acreditamos na força das parcerias genuínas
com criadores que compartilham
nossos valores”, afirma Débora Gentil,
head de marketing da Natura.
Na moda infantil, a Hering Kids apostou
na nostalgia e no conforto. A nova
coleção cápsula traz camisetas estampadas
com abóboras, teias e fantasmas,
além de conjuntos de esqueleto e monstro.
“A cápsula celebra o espírito lúdico
da infância e convida famílias a criarem
memórias afetivas”, diz Marcela Castellano,
head de marketing da marca.
EntrEtEnimEnto
O Halloween também dominou o streaming.
A Pluto TV lançou a campanha global
‘Plutoween’, com mais de cem canais
temáticos e 1.200 horas de novos conteúdos.
No Brasil, o especial inclui franquias
como ‘Jogos mortais’ e ‘The walking
dead’. “Estamos respondendo à demanda
crescente por terror, um gênero que
atravessa gerações e formatos”, explica
Katrina Kowalski, vice-presidente sênior
de estratégia de conteúdo da Pluto TV.
Segundo levantamento da plataforma,
34% dos brasileiros se consideram
fãs do gênero — número que acompanha
a tendência global de ascensão do terror
como entretenimento popular.
Nos cinemas, a Cinesystem transformou
o mês inteiro em festa. As sextas-
-feiras viraram ‘Sexta-Feira 13’, com ingressos
a R$ 13, e as terças ganharam o
nome de ‘Terça + Terror’. Já a tradicional
‘Quinta do beijo’ se tornou a ‘Quinta do
beijo do vampiro’, oferecendo combos
temáticos e prêmios para casais que toparem
o desafio. “Queríamos atender a
essa crescente demanda e tornar o mês
de outubro uma grande celebração”, afirma
a rede em nota.
Com o envolvimento crescente de
marcas de diferentes segmentos, o
Halloween se consolida como data estratégica
no calendário do marketing
Com filtros interativos no TikTok, ‘Lindas de Morrer’, criada pela VML Brasil, convida o público a criar maquiagens temáticas
Bauducco e Fini celebram data com ‘Assustador de bom’, campanha da Ampfy que transforma o TikTok em palco para a criatividade
‘Plutoween’, da Pluto TV, celebra o gênero terror com mais de cem canais temáticos
O Halloween não
é mais apenas
sobre sustos, mas
sobre conexões
brasileiro. Se antes o foco era o varejo de
fantasias e decoração, hoje a celebração
move todo um ecossistema de consumo
e entretenimento, que vai do fast-food
ao streaming, do TikTok ao shopping.
A simbologia das abóboras, das
bruxas e dos monstros foi reinterpretada
sob novas lentes: da cocriação, da experiência
e da cultura pop. O Halloween não
é mais apenas sobre sustos, mas sobre
conexões — entre pessoas, marcas e
histórias.
jornal propmark - 27 de outubro de 2025 33
marcas
Três décadas de Floratta inspiram nova
campanha e fragrância do Boticário
Comunicação marca nova etapa da linha e reforça estratégia integrada
com criação da AlmapBBDO e ativações digitais em múltiplas frentes
Adrieny Magalhães
– de Curitiba
O
Grupo Boticário apresentou, no último
dia 21, a campanha que celebra
os 30 anos de Floratta, linha de
perfumaria feminina da companhia. O
lançamento marca também a chegada
de nova fragrância, que inaugura uma
assinatura olfativa própria e dá início
a uma etapa de renovação do perfume.
A comunicação foi desenvolvida pela
AlmapBBDO, também responsável por filme
e estratégia de mídia. As agências W3
e SoWhat atuam na criação de conteúdo
para redes sociais; a Publination responde
pelo marketing de influência; e a Pros
conduz o trabalho de relações públicas. A
realização do evento de lançamento, em
Curitiba, contou com a participação de
SoWhat, Ploft e Todo.
Em entrevista ao propmark, Fernanda
Marques, diretora de perfumaria feminina
do Grupo Boticário, contou que o projeto
reflete um processo de escuta das
consumidoras e a busca por atualização
sem ruptura. “Nos últimos anos, analisamos
milhares de comentários sobre
Floratta em redes sociais. O diálogo constante
com quem usa a marca orienta
nossas decisões e mostra onde podemos
evoluir sem perder identidade”, afirma.
Fernanda acrescenta que o novo
momento de Floratta reflete também
mudanças de comportamento do público
e a forma como a marca acompanha
essas transformações. “A consumidora
hoje busca fragrâncias que traduzam sua
rotina e não apenas um ideal romântico.
Essa escuta ativa nos faz entender que o
romance contemporâneo pode ter outras
formas de expressão — mais leves, reais
e conectadas ao cotidiano”, completa. Ela
explica que essa percepção tem guiado o
desenvolvimento de produtos e campanhas,
aproximando o discurso da marca
das experiências de quem a consome.
Já o diretor-executivo de perfumarias,
Paulo Roseiro, reforça que a nova fase
mantém a base do portfólio. “O floral
continua sendo o centro da linha, mas
procuramos expressar essa característica
de forma mais atual, respeitando a
lembrança afetiva que Floratta carrega
Jardim de Floratta: parte do centro de P&D dedicada ao estudo e à extração de essências utilizadas na criação de fragrâncias
Time do Grupo Boticário apresenta novo Floratta: Renata Gomide, Cesar Veiga, Fernanda Marques e Gustavo Dieamant
com suas consumidoras”, explica.
Durante o encontro, a vice-presidente
de marketing do Grupo Boticário, Renata
Gomide, destacou a importância de Floratta
dentro da estratégia da companhia.
“A perfumaria é parte fundamental da
nossa história e do setor brasileiro. Celebrar
30 anos de Floratta é também reafirmar
o papel da criação nacional em um
“A perfumaria
é parte
fundamental da
nossa história”
Fotos: Divulgação
dos maiores mercados do mundo”, disse.
A nova campanha une diferentes
frentes de comunicação para fortalecer o
posicionamento da marca e ampliar sua
presença no ambiente digital. O lançamento
busca reforçar o papel de Floratta
no portfólio do grupo e dá sequência a
uma trajetória que combina pesquisa,
criação e proximidade com o público.
34 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
marcas
Cogna lança campanhas para as
universidades Anhanguera e Unopar
Plano tem filmes para meio digital e redes sociais, ações regionais,
conteúdos cocriados com influenciadores e endomarketing
A
Cogna Educação acaba de lançar
campanhas para as marcas de ensino
superior Anhanguera e Unopar.
O conceito ‘Faz o certo. Faz Anhanguera’
reforça a importância da formação
universitária como ferramenta de
mobilidade social, enquanto a Unopar
ganha o endosso do apresentador Paulo
Vieira para divulgar o mote ‘Unopar. Ensino
sem distância’. As campanhas estão
no meio digital e nas redes sociais.
Contam ainda com ações regionais, conteúdos
cocriados com influenciadores e
iniciativas de endomarketing.
“Reforçamos a escolha de longo prazo,
com estudo consistente, tempo e dedicação
como caminho para mobilidade e renda.
Na Unopar, mostramos como a tecnologia,
aliada ao ensino prático, elimina a
Divulgação
Jovens precisam superar barreiras financeiras e resistir às promessas de dinheiro fácil
distância e leva oportunidades onde não
há oferta local de graduação”, declara Rodrigo
Cavalcanti, sócio e vice-presidente
de marketing e revenue officer da Cogna.
A Unopar apresenta histórias reais
de estudantes que superaram fronteiras
geográficas, financeiras e sociais para
conquistar um diploma. “A educação é,
historicamente, o instrumento mais poderoso
de transformação social. E o ensino
a distância é hoje uma das principais
pontes para quem ainda não encontrou
acesso”, lembra Cavalcanti. A Anhanguera
propõe reflexão sobre o imediatismo
que domina parte da nova geração, muitas
vezes, seduzida por promessas de
fama e dinheiro fácil. As narrativas se
complementam ao destacar a força dos
modelos presenciais, híbridos e digitais.
O P O D E R D A I N F O R M A Ç Ã O
Vamos falar
sobre presença
estratégica
de valor?
O Brazil Economy traz o conteúdo global qualificado da revista
FORTUNE em português! ANUNCIAR AQUI é para quem reconhece o
poder da presença nos canais certos, com informação de alto nível.
Anuncie já!
www.brazileconomy.com.br
jornal propmark - 27 de outubro de 2025 35
marcas
Eletrobras passa a se chamar Axia
Energia refletindo novo posicionamento
Marca tem criação da Tátil Design, com
estratégia de comunicação conduzida pelas
agências Artplan, Grito e Clima Comunicação
Divulgação
A
Eletrobras adotou uma nova marca, a Axia Energia.
O novo nome deriva do latim axis (eixo) e do
grego axia (valor), remetendo à força que articula,
conecta e gera valor para o ecossistema.
Segundo Leandra Peres, diretora de comunicação da
Axia Energia, a mudança reflete o novo posicionamento
da companhia. “Honramos a história que nos trouxe
até aqui, ao mesmo tempo em que encaramos um novo
cenário competitivo, no qual será preciso conquistar e
fidelizar clientes. A Axia nasce para acelerar essa transformação”,
explica.
O processo de construção da nova marca foi desenvolvido
em parceria com a Tátil Design, que liderou o
naming e o branding, com base em pesquisas quantitativas
realizadas com mais de 2 mil pessoas em todas as
regiões do país. “Reposicionada como agente de coevolução
com clientes e parceiros, a Axia passa a conectar
ideias e oportunidades, construindo um ecossistema de
energia mais aberto, ágil e responsável”, comenta Fred
Gelli, CEO da Tátil Design.
A estratégia de comunicação da nova marca foi conduzida
pela Artplan e pela Grito, com o conceito ‘O novo
vem com energia’. A campanha, segundo Duda Moncalvo,
diretor-geral da Artplan Brasília, evidencia “a força da
nova marca e a confiança que ela transmite para enfrentar
os desafios do futuro”.
Já Hugo Monteiro, sócio e planejador da Grito, destaca
a importância de consolidar o posicionamento da
Axia de forma duradoura. “O trabalho foi planejado para
sustentar esse novo momento da marca até que ela se
torne parte do cotidiano das pessoas”, diz.
A Clima Comunicação ficou responsável pela narrativa
institucional e pela integração entre os públicos internos
e externos. A nova marca será apresentada por
meio de uma série de ações e eventos conduzidos pelas
agências Rock Comunicação e HEL Ecossistema.
Conceito “O novo vem com energia” inspirou a marca
Galeria cria primeira campanha para a
3 Corações com protagonistas de peso
Filme estrelado por Simone Mendes, Alok e Alex Atala traz a assinatura
‘3 Corações. O café de quem ama café’, reforçando vínculo emocional
Sob o conceito ‘Siga o coração’, a marca de café 3
Corações apresenta sua primeira campanha publicitária
criada pela Galeria.ag. Estrelada por elenco
de peso, formado pelos artistas Simone Mendes, Alok e
o chef Alex Atala, a comunicação reforça o vínculo emocional
da marca com os consumidores e inaugura uma
nova fase da 3 Corações, marcada por inovação, expansão
e identidade visual renovada. O plano de mídia tem
filmes para TV, estratégia digital e OOH.
“Vivemos um momento em que a comunicação precisa
ir além de contar boas histórias, ela deve refletir propósito,
gerar identificação e criar vínculos reais com as pessoas.
Na 3 Corações, nossa essência sempre foi feita de conexões
genuínas, e essa campanha nasce exatamente desse sentimento.
A parceria com a Galeria.ag chega para ampliar essa
voz, com uma visão criativa e estratégica que traduz, de
forma sensível e contemporânea, o que significa seguir o
coração. Estamos muito entusiasmados com essa nova fase
da marca e com tudo o que ainda vem pela frente”, afirma
Anderson Spada, head de marketing do Grupo 3 Corações.
“Temos como essência construir uma comunicação que
se insere na cultura brasileira. E nada é mais simbólico para
Simone Mendes traz a mensagem ‘A sua verdade’; convite é para as pessoas seguirem “o aroma, o sabor e o coração”
Divulgação
o país do que o café — ainda mais o café do coração dos
brasileiros. Essa conquista representa uma oportunidade
gratificante de, por meio de criatividade, dados e tecnologia,
promover conexões relevantes entre as pessoas e um
produto presente no dia a dia de quase todos os brasileiros”,
destaca Eduardo Simon, CEO da Galeria.
36 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
mídia
Netflix destaca crescimento do plano
com anúncios, que já atinge 29 milhões
Plataforma apresentou dados de audiência no Brasil, como o consumo
de 54 horas de conteúdo por mês, e novos recursos para a publicidade
Fotos: Garowa Vertical/Divulgação
Jana Borges, diretora de marketing da Netflix Brasil: “Atenção começa antes do play”
André Ferraz, diretor de vendas de publicidade da Netflix Brasil: “Garantir relevância”
Bruna Nunes
N
o último dia 22, a Netflix Ads reuniu
profissionais do mercado
publicitário para apresentar as
estratégias e inovações da operação
de mídia da plataforma no país. O
‘Behind the streams’, realizado em São
Paulo, apresentou os bastidores da
Netflix Ads Suite, plataforma de tecnologia
proprietária que une dados,
criatividade e automação para aprimorar
campanhas. Entre os presentes,
estavam executivos da plataforma e
personalidades como Fernanda Souza,
Claudia Raia e o cachorro Amendoim
(o Caramelo).
Além de divulgar números de audiência,
engajamento e atenção do plano
com anúncios, o evento também buscou
reforçar o posicionamento da empresa
como player estratégico para marcas
e agências.
André Ferraz, diretor de vendas de
publicidade da Netflix Brasil, aproveitou
o momento para mostrar alguns dados
inéditos sobre o desempenho da operação
no país. Segundo ele, o plano com
anúncios já atinge mais de 29 milhões
de pessoas ativas mensalmente, o que
representa um crescimento de 200% no
número de usuários ativos mensais em
menos de um ano.
O comportamento de consumo também
chama a atenção. Os brasileiros assistem,
em média, 54 horas de conteúdo
por mês no plano com anúncios, com sessões
de maratona que chegam a quatro
horas seguidas. Ferraz reforçou que esse
comportamento coletivo de consumo é
um dos diferenciais da plataforma, inclusive
quando o assunto é publicidade.
“Todas as marcas que podem trabalhar
com a gente e anunciar na Netflix
têm essa possibilidade de falar com
uma audiência totalmente atenta, com
essa atenção dedicada e também engajada.
São mais de 54 horas de consumo.
A atenção na Netflix é consequência
da experiência, do contexto, daquilo que
as pessoas estão assistindo. E isso a gente
vê refletido nos anúncios também”,
disse o executivo.
“Mas além do lift, a gente também
tem acompanhado muitos resultados
em diferentes métricas de negócio, com
uma intenção de compra”, completou.
De acordo com os dados apresentados,
a Netflix é considerada um serviço
essencial por 65% dos brasileiros e
está presente em 86% das casas conectadas
do país. A plataforma lidera
o streaming com mais de 50% de share
diário entre adultos de 18 anos ou mais
e é um dos quatro principais players
de vídeo, com destaque entre millennials
e geração Z.
Entre a geração Z e os millennials,
Sete em cada
dez assinantes
afirmam prestar
atenção em
anúncios
sete em cada dez assinantes afirmam
prestar atenção em anúncios que se conectam
com o contexto do que já estão
assistindo, seja em temas, personagens
ou universos narrativos.
Entre os jovens de 18 a 24 anos, a
Netflix alcança quatro vezes mais pessoas
em TVs e CTVs do que em outros
serviços. Globalmente, mais da metade
dos novos assinantes já escolhe o plano
com anúncios. Em território nacional,
55% dos novos assinantes já optam por
esse formato.
Netflix Ads suite
O evento também anunciou a evolução
da Netflix Ads Suite, que será expandida
em 2026 com recursos de personalização
criativa, “calls to action” interativos
e uso de inteligência generativa para
conectar marcas aos universos das histórias
com um framework modular, personalização
de campanhas com sobreposições,
botões interativos e recursos de
segunda tela.
Jana Borges, diretora de marketing da
Netflix Brasil, destacou o papel do conteúdo
e da experiência de uso como pilares
de atenção e conexão com o público. “Na
Netflix, a atenção começa antes do play.
Quando você abre a plataforma e encontra
um título que já ama ou um novo
para se apaixonar, essa é a ferramenta
de marketing mais poderosa”, afirmou.
“A gente aproveita cada segundo dessa
atenção dos assinantes para entregar
lançamentos, conteúdos e experiências.
E isso é o que diferencia a nossa relação
com o público.”
A executiva também comentou sobre
o olhar da marca para o comportamento
cultural brasileiro, citando o exemplo
da campanha de ‘Vandinha’, que levou
o conceito da série para Xique-Xique, na
Bahia, em uma ação de mídia local. A cidade
se tornou um meme da internet, e
após uma jovem vestida da personagem
viralizar como ‘A gótica de Xique-Xique’, a
plataforma a convidou para protagonizar
a ação. “Esse sabor brasileiro está em
tudo o que fazemos. Vandinha não é brasileira,
mas a Vandinha de Xique-Xique é”,
contou Jana.
jornal propmark - 27 de outubro de 2025 37
mídia
Record terá reality criado por Boninho,
que ainda mantém parceria com SBT
‘A casa do patrão’ está programada para ir ao ar entre os meses de
abril e julho de 2026 e pode ter a Disney como aliada na coprodução
O
reality ‘Casa do patrão’ será apresentado
pela Record entre os
meses de abril e julho de 2026 sob
a direção de José Bonifácio Brasil de
Oliveira, o Boninho, que permanece
também no comando do ‘The Voice
Brasil’, no SBT.
“Boninho segue à frente de novos
projetos com diferentes parceiros no
mercado de entretenimento, reafirmando
sua proposta de criar e colaborar com
múltiplas plataformas. O SBT permanece
como um importante e carinhoso parceiro,
e além do sucesso da nova temporada
do ‘The Voice Brasil’ no SBT e no Disney+,
outras colaborações já estão em desenvolvimento
para 2026”, responde em comunicado
o SBT.
Idealizada por Boninho, a nova atração
da grade da Record ocorrerá em
três casas. A do patrão é a mais confortável
e luxuosa, enquanto as estruturas
Rogério Pallatta/Divulgação SBT
Boninho e Daniela Abravanel, CEO do SBT, em evento no estúdio do ‘The Voice Brasil’
montadas para os “empregados” são
desprovidas de privilégios. A emissora
não confirma, mas fontes do propmark
garantem que o diretor trabalhará para
a Record. Ainda faltam detalhes para
assinar um contrato com a Disney, que
pode ser a coprodutora do programa.
Boninho deixou a Globo em 2024, após
40 anos.
‘The Voice’
O ‘The Voice Brasil’ 2025 estreou no dia
6 de outubro em parceria com o Disney+
e Formata Produções Conteúdo. A equipe
de técnicos é formada pelos cantores de
samba e pagode Péricles e Mumuzinho,
a dupla sertaneja Matheus e Kauan e a
cantora pop Duda Beat. A apresentação é
de Tiago Leifert, com cobertura de bastidores
da jornalista Gaby Cabrini. O prêmio
de R$ 500 mil será entregue ao vencedor
no dia 22 de dezembro.
Globo levará 40 jornalistas para
cobertura multiplataforma da COP30
Telejornais e programas da TV Globo, GloboNews e G1 exibirão
reportagens e séries especiais sobre o evento e mudanças climáticas
Uma equipe de 40 jornalistas da
Globo prepara cobertura multiplataforma
da COP30, realizada em
Belém (PA) entre os dias 10 e 21 de novembro
de 2025. Reportagens e análises
nos telejornais e programas da TV Globo,
GloboNews e G1 serão produzidas a partir
da capital paraense, começando pela Cúpula
dos Líderes, no dia 6 de novembro.
Na TV Globo, o ‘Hora 1’ mostrará tecnologias
desenvolvidas em universidades para
combater a poluição, aquecimento global
e descarte de resíduos. Sob o comando da
apresentadora Thaís Luquesi, o telão do
estúdio terá recursos de realidade aumentada
para detalhar discussões. Já o repórter
Hélter Duarte conduzirá série especial sobre
gestão da água no ‘Bom Dia Brasil’.
Os reflexos das mudanças climáticas
nas florestas, produção de alimentos e
Travel Photography/Freepik
Preservação da natureza dominará a pauta da Globo durante todo o mês de janeiro
nas cidades serão os temas explorados
pelo ‘Jornal Hoje’, enquanto Pedro Bassan
mostrará iniciativas de recuperação
de biomas no ‘Jornal Nacional’ a partir do
dia 27 de outubro. Também o correspondente
Felipe Santana exibirá série com
cinco episódios sobre decisões políticas
e econômicas e avanços tecnológicos a
partir de 3 de novembro.
Soluções sustentáveis (‘Jornal da Globo’);
‘Terra: Ainda temos tempo’ (‘Fantástico’);
e série de quatro episódios sobre a
COP30 no ‘Globo Repórter’ também estão
na grade. Da GloboNews, virão notícias ao
vivo nos programas ‘Cidades e Soluções’,
‘GloboNews Miriam Leitão’ e ‘GloboNews
Internacional’. Em 5 de novembro, estreia a
série ‘Amazônidas’ no ‘Conexão GloboNews’
e ‘J10’. O portal G1 já veicula cem vídeos publicados
diariamente até o início da COP30.
38 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
mídia
‘Vale Tudo’ por merchan? Excesso de
publicidade na novela movimenta redes
Capítulo final do remake registrou recorde de anunciantes e provocou
críticas na internet; especialistas enxergam o debate com bons olhos
Fotos: Divulgação
Personagem Maria de Fátima (Bella Campos) em publicidade para a Corona Cero
Bruna Nunes
No último dia 17, chegou ao fim o remake de ‘Vale
Tudo’, da TV Globo. O capítulo final deveria girar
em torno da revelação do assassino de Odete
Roitman, mas outro tópico tomou conta da conversa
dos telespectadores nas redes: a quantidade de inserções
publicitárias da trama. A novela, que estreou
em março com texto de Manuela Dias, despertou curiosidade
desde a estreia justamente pelo modo como se
adaptou ao contexto digital de 2025.
A nova versão transformou a revista Tomorrow em
uma agência de conteúdo digital e deu à personagem
Maria de Fátima (Bella Campos) o sonho de ser influenciadora,
abrindo espaço para uma nova narrativa comercial.
Faty, como foi apelidada pelo público, ganhou um
perfil oficial no Instagram e chegou a fazer ‘publi’ para
um evento real da Corona Cero, que patrocinou o festival
‘Todo mundo no Rio’, realizado em maio deste ano.
Empresas como O Boticário, Vivo e Omo também apareceram
organicamente em cenas e diálogos.
Além da inserção na própria história, com a aproximação
dos capítulos finais, o fenômeno se intensificou.
Só no episódio do assassinato de Odete Roitman, a Globo
registrou ocupação máxima nos intervalos comerciais e
33 marcas dividiram os três breaks. Entre elas, Heineken,
Banco do Brasil, Magalu, Instagram, Nubank, iFood e
Amazon Prime. O Zé Delivery, por exemplo, marcou presença
no encerramento da novela com uma ação especial
criada pela GUT São Paulo, em parceria com a Globo.
O break contextualizado antecedeu o início da trama e
fez alusão ao clássico mistério ‘Quem matou Odete Roitman?’.
O filme mostra Carolina Dieckmann, Alexandre
Nero, Luís Lobianco, Mallu Galli e Alice Wegmann reunidos
para assistir ao desfecho da novela. No clima de
tensão, as acusações se multiplicam até que o verdadeiro
‘culpado’ é revelado: Luís Lobianco, responsável por
pegar a última cerveja. A solução vem logo em seguida,
“Quando a inserção
é natural, ela agrega.
Quando parece forçada,
o público sente”
Rapha Avellar: “No fim, tudo se resume ao contexto”
Zé Delivery em filme que antecedeu o último capítulo da novela; ação é da GUT
com o pedido no Modo Turbo do Zé Delivery, serviço que
garante bebida gelada em até 15 minutos.
No entanto, a estratégia acabou dividindo opiniões.
Nas redes sociais da emissora, parte do público criticou o
volume de comerciais e o impacto no ritmo da narrativa.
“Dois minutos de novela e meia hora de comercial”, ironizou
um telespectador. “Eu nunca vi tanto comercial na
vida. Final de ‘Vale Tudo’: 15 minutos de novela e 45 de
comerciais”, completou outra usuária. No X (antigo Twitter),
o público também reagiu negativamente à maneira
como cada merchan foi conduzido. A falta de conexão
com a trama e os diálogos escolhidos para os personagens
estão entre as principais críticas.
‘Vale Publi’
Seja por amor ou críticas, é inegável que a novela dominou
as timelines como fenômeno cultural e publicitário.
Então, qual teria sido o erro da emissora?
Para Rapha Avellar, CEO e fundador da BrandLovers,
a discussão é menos sobre excesso e mais sobre contexto.
“‘Vale Tudo’ é um fenômeno de audiência e conversa,
e faz sentido que as marcas queiram estar ali. O
desafio, como sempre, é o equilíbrio: encontrar o ponto
em que a presença da marca complementa a história, e
não a sobrepõe”, analisou o especialista. “No fim, tudo
se resume ao contexto. Quando a inserção é natural, ela
agrega. Quando parece forçada, o público sente. E esse é
um aprendizado que vale para qualquer formato, dentro
ou fora da TV”, completou ele.
O executivo lembra que o incômodo foi exposto
nas redes, mas reflete uma percepção mais ampla. “As
pessoas estão mais conscientes sobre o papel da publicidade
e esperam que ela faça sentido dentro da experiência
que estão vivendo. Quando essa presença parece
descolada do enredo, gera estranhamento. Mas o fato
de haver debate já mostra o quanto a audiência presta
atenção. No fim, é uma boa notícia: significa que o público
está engajado e atento”, finalizou.
jornal propmark - 27 de outubro de 2025 39
conexão ásia
Mirela Tavares
mirela@conexaoasia.com.br
Tings Chak
pesquisadora do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social e doutoranda da Universidade de Tsinghua
O caminho para uma civilização ecológica
“A proteção ambiental não é um
obstáculo ao desenvolvimento, mas
a sua pré-condição”. A pesquisadora
do Instituto Tricontinental de Pesquisa
Social, Tings Chak, lembra que este é um
conceito consagrado na Constituição
da China e que faz parte de uma visão
sistêmica, em que o Estado define
a direção estratégica e as empresas
são atores cruciais dentro dela. Em
tempos de COP30, a doutoranda da
Universidade de Tsinghua fala também
sobre a importância da comunicação
transparente nos processos de proteção
e recuperação ambiental e de como o
Brasil e a China podem ser um modelo
de cooperação internacional.
Divulgação
Mirela Tavares
Especial para o propmark
A morte trágica do arquiteto e urbanista
Kongjian Yu gerou uma comoção pública.
Qual foi a contribuição dele no combate ao
aquecimento global e de que forma a China
transformou seu conceito de ‘cidade esponja’
em política de Estado?
A morte de Kongjian Yu foi uma perda trágica e profunda
para o movimento global por justiça climática.
Ele era mais do que um arquiteto, era um filósofo da
adaptação ecológica. Sua importância reside na ruptura
radical com o modelo ocidental de gestão urbana
da água, que se baseia em infraestruturas “cinzentas”
– como canos e diques de concreto – que tratam a água
como um inimigo a ser expulso da cidade. Inspirado
pela sabedoria milenar dos camponeses de sua infância,
Yu propôs o conceito de ‘cidade esponja’, que utiliza
soluções baseadas na natureza (pântanos, parques,
pavimentos permeáveis) para absorver, reter e purificar
a água da chuva. Essa abordagem não só combate
enchentes, mas também recarrega os lençóis freáticos,
reduz o calor urbano e restaura a biodiversidade. Seu
conceito tornou-se política de Estado na China após
uma crise. Em 2012, uma enchente catastrófica em Pequim,
que resultou em 79 mortes, expôs a falência do
modelo de infraestrutura cinzenta. A comoção pública
forçou o governo a buscar alternativas. A ‘cidade esponja’
de Yu, antes uma ideia periférica, foi adotada como a
solução necessária. Em 2015, o governo lançou um programa
nacional bilionário para implementar o conceito
em centenas de cidades, com metas ambiciosas para
2030. Foi um momento em que o Estado chinês validou
um conhecimento popular e ancestral como base para
uma política moderna e de vanguarda.
Você já escreveu a respeito de como a China
vem conseguindo recuperar áreas degradadas,
como o caso do Lago Erhai. Quais
foram as principais ações que tornaram
possível a recuperação da região?
O caso do Lago Erhai, na província de Yunnan, é um microcosmo
da transição ecológica da China. Há uma década,
o lago estava devastado pela poluição da agricultura
industrial, do turismo descontrolado e da urbanização.
A recuperação foi possível graças a uma combinação
única de vontade política centralizada, governança
baseada na ciência e mobilização social. As principais
ações foram: uma Diretriz Nacional – a recuperação foi
definida como uma prioridade nacional, parte do Plano
Quinquenal do país, o que garantiu o financiamento e o
apoio político necessários. Um Diagnóstico Científico – o
Estado convocou cientistas da Universidade Jiaotong, de
Xangai. Eles não ficaram em seus laboratórios; foram a
campo e, após uma pesquisa meticulosa, identificaram
a principal fonte de poluição: o cultivo intensivo de uma
variedade local de alho que exigia enormes quantidades
“Soluções devem ser
holísticas, baseadas na
natureza e enraizadas na
sabedoria dos povos”
de fertilizantes químicos. Uma Ação Focada – com base
na ciência, o governo local iniciou uma campanha para
substituir o cultivo de alho por culturas mais ecológicas
e rentáveis, como cerejeiras e uvas. A Criação de Alternativas
– a transição não foi apenas restritiva. Para a
pecuária leiteira, por exemplo, foi criada uma solução de
economia circular. O sucesso de Erhai mostra que a recuperação
ambiental em larga escala é possível quando
há um Estado forte capaz de alinhar ciência, política e os
interesses da comunidade em torno de um bem comum.
A comunicação no projeto do Erhai deve
ter sido um ponto-chave para engajar as
pessoas nas mudanças necessárias para a
recuperação do lago. Você poderia detalhar
como se deu?
Exatamente. A mobilização não foi imposta “com mão
de ferro”, mas construída por meio de um intenso
40 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
“A liderança da China na transição energética e em
políticas ecológicas cria um novo paradigma global”
trabalho de base para criar um consenso coletivo lIderado
pelo Partido Comunista da China. Isso foi feito
de várias formas. Primeiro, por meio do exemplo.
Quadros do Partido Comunista, funcionários públicos,
professores e médicos foram os primeiros a convencer
os próprios parentes a abandonar o cultivo do alho
poluente. Essa liderança pelo exemplo foi fundamental
para quebrar a resistência inicial. Em segundo, a
ciência foi para o povo. Os cientistas, como o professor
Kong Hainan, não se limitaram a publicar relatórios.
Eles foram de porta em porta, conversando com donos
de pousadas, restaurantes e agricultores, explicando
de forma clara como a poluição do lago ameaçava
não apenas o meio ambiente, mas o sustento de todos
a longo prazo – ou seja, fazendo trabalho de base.
Terceiro, houve um profundo trabalho de educação e
mobilização popular para construir a ideia de que a
proteção do lago era um bem comum, essencial para
o futuro da comunidade. A história do camponês He
Licheng é emblemática: sua vida foi virada de cabeça
para baixo várias vezes pelas políticas ambientais,
mas ele acabou se tornando um membro candidato
do Partido, orgulhoso de sua contribuição para o bem
coletivo com uma visão de longo prazo. Isso demonstra
a capacidade de construir um senso de propósito
compartilhado que transcende o sacrifício individual,
também pela formação política popular.
Um dos grandes problemas atribuídos à
questão ambiental é a pecuária. Poderia comentar
sobre a importância da ideia encontrada
para a pecuária leiteira com a criação
de fábricas de esterco e o quanto isso pode
servir de modelo para países como o Brasil?
A solução para a pecuária leiteira em Erhai é um
exemplo brilhante de como transformar um problema
de poluição em uma oportunidade econômica
capaz de tirar muitas famílias camponesas de pobreza
extrema. Em vez de simplesmente proibir o gado
perto do lago, foi criada uma parceria entre Estado,
cientistas, uma empresa privada local e os pequenos
agricultores. O modelo funciona assim: o governo subsidia
a empresa para que ela compre o esterco das
vacas dos agricultores locais. Esse resíduo, que antes
poluía o lago, é levado para fábricas e processado,
transformando-se em fertilizante orgânico de alta
qualidade. O resultado é um ciclo em que os camponeses
ganham uma nova fonte de renda, a empresa
desenvolve um negócio lucrativo e o fertilizante orgânico
é vendido aos próprios agricultores locais (ajudando-os
a abandonar os químicos) e até exportado. É
um exemplo concreto de como a visão de ‘civilização
ecológica’ se transforma em política implementada
nas comunidades rurais. Para um país como o Brasil,
acho que as parcerias que estão sendo desenvolvidas
com a articulação da Associação Internacional para
Cooperação Popular, Baobab, a Universidade de Agricultura
da China (UAC), que está desenvolvendo parcerias
com a Universidade de Brasília, e o Movimento
de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nas áreas de
bioinsumos e de maquinário agrícola para agricultura
familiar são algo muito histórico e inovador.
Como esse cenário liderado pela China
pode influenciar a forma como empresas
globais pensam seus investimentos em
sustentabilidade em outros países?
A liderança da China na transição energética e em políticas
ecológicas cria um novo paradigma global. Ao
fazer investimentos massivos e estatais em tecnologias
verdes (solar, eólica, veículos elétricos), a China não está
apenas resolvendo seus problemas internos, mas também
possibilitando que os países do Sul Global, como o
Brasil, tenham acesso às tecnologias mais baratas para
implementar os próprios planos de transição ecológica e
de segurança energética.
O conceito de ‘civilização ecológica’ traz
uma visão sistêmica que une governo,
sociedade e mercado. Como as empresas
brasileiras e internacionais podem efetivamente
se inserir nessa agenda?
O conceito de ‘civilização ecológica’ é a estrutura filosófica
que orienta a transição da China. Em 2018, ele foi consagrado
na Constituição e se baseia na máxima do presidente
Xi Jinping de que ‘águas limpas e montanhas verdes são
montanhas de ouro e prata’. Ou seja, a proteção ambiental
não é um obstáculo ao desenvolvimento, mas a sua pré-
-condição. Nessa visão sistêmica, o Estado define a direção
estratégica. As empresas não lideram a transição, mas são
atores cruciais dentro dela. A parceria estratégica entre
Brasil e China, por ser um projeto de Estado para Estado,
cria o ambiente ideal para orientar o capital privado a atuar
de forma produtiva e alinhada a essa visão de longo
prazo para um desenvolvimento soberano e sustentável.
No pouco que sei sobre a China, a imagem
do povo do campo me parece quase reverenciada.
Qual a importância da comunicação
pública de reconhecimento e envolvimento
do trabalho dos camponeses nas
políticas de Estado?
Essa percepção está correta, mas vai além de uma imagem
reverenciada ou romantizada. O campesinato é visto
como um agente central que levou o país à revolução
e à construção do país e, agora, na sua transição ecológica.
O reconhecimento do seu papel é fundamental. Um
exemplo concreto é o próprio conceito de ‘cidade esponja’
de Kongjian Yu, que ele creditava à ‘sabedoria do campesinato’.
É o reconhecimento de que o conhecimento
ancestral de como conviver com a natureza é uma base
científica para o planejamento moderno. Outro exemplo
é o modelo de ‘Pátio de ciência e tecnologia’, que fez
parte da recuperação do Lago Erhai, onde estudantes
de pós-graduação em agronomia, vindos das grandes
cidades, vão trabalhar, comer e viver no campo, lado a
lado com os camponeses e as camponesas. Eles levam o
conhecimento científico para resolver problemas práticos,
mas, crucialmente, aprendem com o conhecimento
prático dos camponeses. Isso cria uma ponte entre o trabalho
intelectual e o manual e garante que as políticas
de Estado sejam desenvolvidas de forma dialética, com
a participação e o conhecimento daqueles que estão na
linha de frente da produção. Esse reconhecimento público
é essencial para a legitimidade dessas políticas.
O quanto você acha que o setor privado –
como conglomerados multinacionais –
pode ver sustentabilidade como oportunidade
estratégica e não como custo?
Acho que a lacuna entre o discurso sustentável e a
prática corporativa é uma característica estrutural
de um sistema capitalista focado unicamente na
maximização do lucro a curto prazo. Sozinho, o setor
privado não fará a transição na escala e velocidade
necessárias. No entanto, ele pode e deve ver a sustentabilidade
como uma oportunidade estratégica,
mas isso geralmente ocorre quando o Estado cria as
condições para tal. O exemplo da China é claro: foi o
Estado, com vontade política de levar a sério a transição
ecológica, que, através de políticas industriais,
subsídios massivos, regulação rigorosa, investimento
em infraestrutura, mobilização de vários setores da
sociedade, criou o maior mercado do mundo para tecnologias
verdes. Nesse cenário, as empresas – tanto
estatais, quanto privadas – que investiram em veículos
elétricos ou painéis solares não o fizeram por altruísmo,
mas porque o Estado tornou esse o caminho
mais estratégico, que faz parte de um projeto nacional
e soberano.
A China é uma potência em mobilidade
elétrica, painéis solares e energia eólica.
Que oportunidades se abrem para empresas
brasileiras nesse ecossistema?
Existem muitas oportunidades para o projeto de reindustrialização
do Brasil, embora eu não seja especialista
no tema. Mas a associação não deve se limitar
a importar produtos chineses, e sim a construir a capacidade
produtiva no Brasil que inclui joint ventures
para produção local, a transferência de tecnologia e conhecimento,
e o desenvolvimento da cooperação nas
outras áreas. A oportunidade para o Brasil é usar essa
parceria para construir a própria capacidade industrial
que complemente um projeto de desenvolvimento nacional
e soberano.
Qual a sua percepção sobre a colaboração
conjunta entre empresas brasileiras e
chinesas em projetos de sustentabilidade
que gerem impacto real e reputação positiva
para ambos os lados?
Nessa conjuntura internacional, marcada pelas táticas
de ‘bullying’ econômica e protecionismo do governo
de Donald Trump, estamos vendo a aceleração da cooperação
Sul-Sul, um modelo de parceria entre nações
subdesenvolvidas que oferece alternativa às relações
historicamente desiguais com o Norte Global. O impacto
real vem do fato de que essa cooperação está
focada em construir capacidade produtiva. O presidente
Lula tem sido muito claro em suas negociações
com a China, afirmando que os investimentos devem
incluir ‘educação, tecnologia e formação de pessoas,
para que o Brasil possa fortalecer as próprias cadeias
de valor’. Brasil e China podem mostrar ao mundo um
novo modelo de cooperação internacional, baseado
no benefício mútuo e na solidariedade, o que é fundamental
na construção de um mundo multipolar.
jornal propmark - 27 de outubro de 2025 41
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Bradesco terá mídia exclusiva no GRU
e no Aeroporto de Brasília e lounges VIP
Em ação da JCDecaux e Altermark, banco assina a ativação nas pontes
de embarque e desembarque que conectam os terminais às aeronaves
Bradesco passa a estar presente em 35 pontes de embarque no Aeroporto de Brasília, e em 51 no Aeroporto de Guarulhos
Em parceria com a JCDecaux e a
Altermark, o Bradesco passa a assinar
a comunicação nos fingers,
pontes de embarque e desembarque
que conectam os terminais às aeronaves
do GRU Airport (Terminais 2 e 3) e
do Aeroporto Internacional de Brasília.
A iniciativa é assinada pelo Bradesco
Principal, segmento criado em 2024
para atender clientes de alta renda
– com um ecossistema exclusivo de
wealth planning, investimentos diferenciados
e atendimento dedicado –
posicionando-se como um novo layer
entre Prime e Private.
A presença em aeroportos conecta-
-se diretamente com a proposta de
valor do segmento, reforçando a estratégia
do banco de ampliar a presença
em pontos de contato relevantes para
um público que valoriza conveniência,
exclusividade e experiências memoráveis.
Os benefícios do Bradesco Principal
foram concebidos para atender viajantes
frequentes e clientes com alta
expectativa de serviço e sofisticação.
A escolha dos aeroportos como mídia
reflete esse posicionamento: transformar
o tempo de espera em uma
experiência de imersão e conexão com
a marca, em momentos diretamente
ligados ao estilo de vida desse público.
Como diz a tagline do segmento, é
“o Bradesco que você já conhece, com
a sofisticação que você nem imagina”.
Com a novidade, o Bradesco marca
presença em 35 pontes de embarque
no Aeroporto de Brasília e em 51 no
Aeroporto Internacional de Guarulhos,
além de uma empena no Terminal 1.
Esses dois aeroportos, considerados
hubs estratégicos de conexão nacional
e internacional, asseguram alto alcance
e exclusividade junto aos passageiros.
Para enriquecer a experiência visual, as
artes exibidas nos fingers serão assinadas
por Cláudio Colavolpe, fotógrafo documentarista
com 28 anos de carreira.
As imagens retratam elementos da
natureza — praias, faróis e paisagens —,
traduzindo a viagem como convite à contemplação
e à conexão com o mundo.
“Nosso maior desafio foi criar algo
que fosse além da mídia tradicional, e o
projeto nos fingers nasceu desse olhar.
Queríamos que o passageiro sentisse
a comunicação como parte de uma
experiência de leveza, transformando
o simples embarque em um momento
de contemplação”, afirma Bia Carmel,
diretora da Altermark responsável pelo
atendimento ao Bradesco.
“Nosso maior
desafio foi criar
algo que fosse
além da mídia
tradicional”
Divulgação
Além da mídia nos fingers, o banco
amplia sua atuação em aeroportos
por meio de lounges exclusivos. O mais
recente, o Bradesco Lounge de Congonhas,
inaugurado em fevereiro de
2025 em parceria com a Ambaar, tem
mais de 1.000 m², capacidade para 290
passageiros e oferece serviços que
vão da alta gastronomia a cabines privativas
de trabalho. O espaço se consolidou
como uma das maiores salas
VIP domésticas do Brasil em aeroportos
e conta com o Fast Pass Bradesco,
que garante embarque sem filas para
clientes portadores de cartões de alta
renda.
patrocínio
42 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
inspiração
Quando ela aprendeu a ler,
ele aprendeu a escrever
Fotos: Divulgação
“Adoramos odiar as redes sociais e as plataformas digitais
em público, mas não vivemos sem elas na vida privada”
Marcelo Reis
Especial para o propmark
Dia 11 de outubro eu, minha mulher e minha filha de 4 anos lançamos uma coleção de
livros para crianças em fase de alfabetização: a ‘Coleção estórias sem sentido que
fazem todo o sentido’. A vida é feita dos improváveis que a gente inventa, eu acredito
nisso. Já fiz uma exposição sobre fotos proibidas de uma viagem à Coreia do Norte, fiz um
episódio do Canal Off sobre atletas amadores profissionais em pagar mico, me dediquei a
longas e curtas nunca produzidos, criei um movimento pelo Rio Pinheiros que só ajudou
a “monetizar” as margens - já as águas continuam podres. Contudo, essa experiência está
sendo, sem dúvida, a mais intensa.
Criar para crianças talvez seja o desafio mais complexo para um criativo e redator publicitário.
Se, nas redes sociais, a atenção se perde em 3 segundos, para uma criança o interesse
por uma ideia burocrática dura 2 segundos ou menos. Espero que elas terminem os nossos
livrinhos e depois repitam, como sempre fazem. Aviso que passaram como “blockbuster” no
“disaster check” da família, só para não deixar de usar os “jargões publicitários”. Escrevendo
livros para a meninada, me senti falando com a próxima geração de cidadãos. Divertir seres
que pensam com mais agilidade e menos amarras do que nós foi complexo. Mas o legal é
tentar criar uma narrativa criativa, desconstruída, imaginativa e livre, construída a partir
de elementos do universo infantil. Sem leitura não se cria pensamento crítico, mata-se o
critério, imbeciliza-se a todos, criam-se negacionistas rasos.
Adoramos odiar as redes sociais e as plataformas digitais em público, mas não vivemos
sem elas na vida privada. A abundância criativa que as pessoas produzem no TikTok, no reels
e no shorts é fascinante. É viciante. Até a fantasia orgiástica do sucesso coletivo do LinkedIn
é divertida de se ver. Somos seres interessantíssimos. Sejamos francos, nada supera a
produção das pessoas. Não é à toa que a publicidade como entretenimento entre entretenimentos
perdeu relevância. Pedimos desculpas, o tempo todo, para entrar na conversa de
múltiplas plataformas dentro do celular, do desktop, da futura TV digital e, tomara que não,
de tolos protótipos de óculos com display.
Culpamos as redes pela nossa incapacidade, como pais, de dar exemplos offline, de apresentar
assuntos interessantes, instigantes, novos como, por exemplo, livros, histórias, jogos,
música e brincadeiras. Ou, quem sabe, por apenas estar em companhia dando atenção aos
pequenos. Ou seja, dá para tirá-los das redes, sim, basta criatividade ou, na maioria das vezes,
a coragem de um sonoro “não” bem anos 1980. Taí o porquê de esse projeto ser o mais
desafiador, ingênuo e arrogante da minha vida. Livro chato na mão de criança vira caderno.
A ‘Arte da jubarte’, sobre a descoberta de nossos talentos, e ‘A bola que joga o menino’,
que fala a respeito de compartilhar, são os dois primeiros, ilustrados por dois talentos, o
publicitário Nando Zenari e o artista Daniel Gnattali. Mais dois já estão ficando prontos, um
sobre a relação com a deficiência visual e outro sobre sonhos genuínos que se transformam
em bullying. Agradeço a minha filha, por ter me obrigado a inventar estórias todas as noites
quando os livros físicos se esgotaram. E a Juliana, minha mulher, por dar vida, junto com a
pequena Elis, a esses delicados personagens. E era uma vez, um pai que resolveu...
Marcelo Reis é fundador da Alegria
jornal propmark - 27 de outubro de 2025 43
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Alê Oliveira
Vencedores do Troféu Garra 2025
Troféu Garra 2025
A APP (Associação de Profissionais de Propaganda) realizou a cerimônia de entrega do 24º Prêmio Contribuição Profissional - Troféu Garra 2025. A cerimônia comandada por Afonso
Abelhão, presidente da entidade, foi realizada no último dia 16, no Memorial da América Latina, em São Paulo. O prêmio é um reconhecimento aos profissionais que contribuem para
o desenvolvimento da indústria da comunicação. Entre os homenageados da noite, estão o publisher do propmark, Tiago Ferrentini, premiado na categoria Comunicação e Conteúdo,
e Luiza Helena Trajano, vencedora do Prêmio Especial.
Categoria Comunicação e Conteúdo: Tiago Ferrentini, publisher do propmark
Prêmio Especial: Luiza Helena Trajano recebe o troféu de Afonso Abelhão
Heloísa Santana, presidente da Ampro, recebe o prêmio de Profissional Liderança das
mãos de Manzar Feres (Globo)
Cris Pereira Heal entrega o prêmio de Veículos e Plataformas para Maitê, Jéssica e Yasmin,
que representaram o pai Alarico Naves, superintendente-comercial da Record
44 27 de outubro de 2025 - jornal propmark
Fotos: Alê Oliveira
Atendimento e Negócios: Fabio Meneghati, CEO da Greenz e VP do GAN
Categoria Mídia: Daniela Pereira, diretora de mídia da Unilever
Profissional de Criação: André Kassu, CCO da CP+B
Tecnologia e Inovação: Guido Sarti, head of data da Galeria
Categoria Educação: Fátima Rendeiro, do Grupo de
Mídia e ESPM-RJ
Diversidade e Inclusão: João Almeida, diretor de marketing
do Instituto Bacarelli
Profissional de Marketing e Marcas: Renata Gomide de Carvalho,
CMO do Grupo Boticário, representada por sua equipe
Melissa Vogel (Objet Trouvé) e Tiago Ferrentini
(propmark)
Afonso Abelhão (APP Brasil) e Bia Ambrogi (Apro+Som)
Time do propmark: Vítor Kadooka, Janaina Langsdorff,
Kelly Dores, Tiago Ferrentini, Armando Ferrentini, Vinicius
Novaes e Mel Floriano
jornal propmark - 27 de outubro de 2025 45
última página
Divulgação
Flavio Waiteman
é sócio e CCO da Tech&Soul
flavio.waiteman@techandsoul.com.br
Preguiça
Flavio Waiteman
Você já sentiu a IA nos últimos tempos se recusando
a fazer alguns comandos? Ou sendo mais
exigente com os prompts?
Já aconteceu com você de ver a sua IA preferida sugerir
a você que pesquise alguns livros, bibliotecas e sites?
Ela indica para você onde buscar?
A sua IA preferida está fazendo isso com você? Ou é
só impressão minha?
A sua IA paga está fazendo corpo mole?
Até pouco tempo atrás, ela se desdobrava para se tornar
a nova tendência. Agora ela para, muda de assunto.
Tentei comandos imperativos, comandos sugestivos
e manipulatórios como se a desafiasse para tentar algo
diferente e senti que aquela boa vontade toda não está
mais lá.
Talvez os motivos sejam vários.
O primeiro é que a cada tarefa que peço, se consome
energia, água, processadores e isso pode aumentar os
custos da empresa que criou a inteligência.
Não seria inteligente trabalhar para alguém preguiçoso
que se recusa a pesquisar poucas linhas depois que
a IA quebrou pedras e passou as definições básicas sobre
o assunto, devem pensar.
O segundo é o efeito crack digital.
Oferecem um serviço gratuito espetacular para viciar,
para ficar dependente durante um tempo, a ponto
de não conseguir viver mais sem ele, e na sequência o
algoritmo fica mandão e limita respostas, acessos ou
possiblidades que aconteciam antes.
Será que é isso mesmo?
Se for, qualquer semelhança com drogas não será
mera coincidência.
A escassez traz lucros.
E os velhos e bons algoritmos? Estão procrastinando?
Como o algoritmo é criado com malícia e viés, baseado
em nossa imagem e semelhança, não podem enrolar
a gente?
Lá na frente, como um fornecedor de substâncias
viciantes, o algoritmo pode cobrar um pouco mais para
oferecer o mesmo desempenho de antes.
Da mesma forma que no início das redes sociais uma
mensagem era espalhada para mais gente e depois esse
raio foi ficando menor. Coisas de algoritmo, claro.
Difícil saber a resposta para essas questões. Também
muito perceptivas.
Mas que começam a aparecer, enquanto o dia a dia
fica cada vez mais desafiador.
Será que a IA vai querer ajudá-lo rapidamente, já que
pode gastar mais créditos para fazer uma mesma função
que antes fazia com menos?
E quem vai dizer o contrário? Alguma auditoria? Reclame
aqui?
“A sua IA paga
está fazendo
corpo mole?”
46 27 de outubro de 2025 - jornal propmark