27.10.2025 Visualizações

Revista eMOBILIDADE+ Nº 12

A revista eMobilidade + dedica-se, em exclusivo, à mobilidade de pessoas e bens, nos seus vários modos de transporte (rodoviário, ferroviário, aéreo, fluvial e marítimo), conferindo deste modo espaço aos mais proeminentes “stakeholders” do setor, sejam eles indivíduos, empresas, instituições ou entidades académicas.

A revista eMobilidade + dedica-se, em exclusivo, à mobilidade de pessoas e bens, nos seus vários modos de transporte (rodoviário, ferroviário, aéreo, fluvial e marítimo), conferindo deste modo espaço aos mais proeminentes “stakeholders” do setor, sejam eles indivíduos, empresas, instituições ou entidades académicas.

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Mobilidade

www.eurotransporte.pt/mobilidade-mais/

e- +

t

ENTREVISTA

MIGUEL PINTO LUZ

Ministro das Infraestruturas

e da Habitação

N.º12

Trimestral | out/nov/dez| 2025

Diretora: Cátia Mogo

CIDADES INTELIGENTES

OXFORD STREET

Mobilidade sustentável

no coração de Londres

t

OLHOS NOS CÉUS

COMO OS DRONES ESTÃO A MUDAR O MUNDO

t

Renault 4 E-Tech

Preserva o espírito prático, robusto

e descomplicado da icónica “quatro

latas”, agora com o conforto

e a tecnologia do século XXI

ford explorer

Um companheiro de viagem que

nos faz perceber que há carros

que fazem mais do que levar-nos

de um ponto para o outro

opel grandland

Para quem procura uma experiência

de condução mais económica

e sustentável, sem comprometer

o estilo e a sofisticação

e-MOBILIDADE 1


2 e-MOBILIDADE


EDITORIAL

POR EDUARDO DE CARVALHO

e- Mobilidade +

Revista n.º 12 | out/nov/dez 2025

EDIÇÃO TRIMESTRAL

Email: emobilidademais@invesporte.pt

DIRETORA

Cátia Mogo

EDITOR-EXECUTIVO

Eduardo de Carvalho

REDAÇÃO

Ana Filipe

Márcia Dores

Cidades

com os olhos

postos no céu

DIRECÇÃO DE PUBLICIDADE

E MARKETING

Margarida Nascimento

Rui Garrett

ASSINATURAS

Fernanda Teixeira

COLABORADORES

António Macedo;

Filipe Carvalho

Frederico Gomes

DESIGN GRÁFICO / PAGINAÇÃO

Invesporte

As cidades estão a transformar-se em organismos vivos,

complexos, dinâmicos e em permanente evolução. Gerir a

vida urbana, do trânsito à segurança, da sustentabilidade à

eficiência dos serviços públicos, é um desafio cada vez mais

exigente. É precisamente aqui que os drones entram em

ação: uma tecnologia que deixou de ser apenas sinónimo de filmagens

impressionantes ou entregas futuristas para se afirmar como uma ferramenta

estratégica ao serviço da gestão urbana.

Equipados com sensores, câmaras e sistemas de análise avançados, os

drones estão a alterar a forma como observamos e compreendemos o

espaço urbano. Permitem monitorizar infraestruturas, avaliar impactos

ambientais, detetar fugas ou riscos estruturais e até apoiar operações

de emergência em tempo real. Com custos reduzidos e uma mobilidade

incomparável, tornam a recolha de dados mais rápida, precisa e acessível,

algo essencial numa era em que a informação é o verdadeiro motor

da decisão pública.

Num mundo que se quer mais sustentável e inteligente, os drones oferecem

um novo olhar sobre as cidades, um olhar que vem do céu, mas

que mantém os pés bem assentes na terra. A sua integração nas políticas

urbanas é mais do que uma tendência: é um passo inevitável rumo a

uma gestão mais eficiente, segura e humana das nossas cidades.

Boa leitura.

+

IMAGENS

Pixabay.com | Freepik.com | Canvas

Shutterstock

EDITORA INVESPORTE,

EDITORA DE PUBLICAÇÕES

Edição, Redação e Administração

R. António Albino Machado, 35G

1600-259 Lisboa

Telefone: 215914293

Email: eurotransporte@invesporte.pt

Site: www.eurotransporte.pt

PROPRIEDADE

Eduardo de Carvalho

REGISTO ERC: Nº 127896

ESTATUTO EDITORIAL:

https://www.eurotransporte.pt/noticia/38/5193/estatuto-editorial-e-lei-da-transparencia/

www.eurotransporte.pt

www.eurotransporte.pt/mobilidade-mais/

e-MOBILIDADE 3


t

t

SUMARIO

OUT/NOV/DEZ 2025

REVISTA Nº 12

16

08 ALFA ROMEO JUNIOR

Mito moderno em forma de SUV

12 OPEL GRANDLAND

Eficiente para um futuro mais

verde

16 BYD SEAL U

Desafiar os SUV convencionais

56

20 HYUNDAI KAUAI

Elétrico com alma urbana

e ambição

24 RENAULT 4E

O regresso eletrificado da mítica

“quatro latas”

28 FORD EXPLORER

Explorar nunca foi tão fácil

32 DRONES

A revolução aérea do urbanismo

38 DAAS

Drones as a Service

50 FERROVIA

Shinkansen - o comboio-bala que

transformou o Japão

54 FERROVIA

Fertagus reforça a mobilidade

e confiança dos passageiros na

margem sul

56 CIDADES INTELIGENTES

Oxford Street sem carros

62 MOBILIDADE URBANA

Participar por uma cidade mais justa

68 CONSULTÓRIO DE SEGURANÇA

Como implementar um programa

de segurança rodoviária

70 EMPRESAS

Garland cria Garland Transit

42

4 e-MOBILIDADE

ENTREVISTA

MIGUEL PINTO LUZ

+

16 66

TECNOLOGIAS

DE INFORMAÇÃO

ACEDER A EDIÇÕES ANTERIORES

DA REVISTA DIGITAL


GAMA COMERCIAIS RENAULT

E-TECH 100% ELÉTRICO

até 460 km de autonomia (1)

até 1,625 kg de carga útil (2)

até 14.8 m 3 volume de carga (3)

(1) nova Master L2H2 versão E-Tech 100% elétrico 4t e 87kWh, de acordo com norma wltp fevereiro 2024, ciclo combinado.

(2) capacidade de carga para nova Master E-Tech 100% elétrico versão L2H2 4t e 87kWh. (3) nova Master E-Tech 100% elétrico versão

L3H3, disponível meados 2025. consumo combinado min/max (kwh/100 km) e emissões co2 (g/km), de acordo com norma wltp:

Kangoo van e-tech: 18.7/21.1 e 0; Trafic van E-Tech 100% elétrico: 21.2/22.2 e 0; Master E-Tech 100% elétrico: 21.5/27.4 e 0.

Renault Pro+

WWW.EUROTRANSPORT.PT

renault.pt

e-MOBILIDADE 5


Via Rápida

CP e Alstom/DST assinam

contrato para fornecimento

de 117 comboios

t

A CP assinou um contrato com o consórcio

Alstom/DST para fornecer 117

automotoras elétricas (62 para serviços

urbanos e 55 para regionais), no valor

de 746 milhões de euros, parcialmente

financiado por fundos europeus e o Fundo

Ambiental. A entrega das primeiras unidades

está prevista para 2029. Este investimento

visa renovar a frota, melhorar a

qualidade do serviço, aumentar a eficiência

energética e reduzir custos de manutenção.

A assinatura foi adiada devido a processos

judiciais, mas a Resolução do Conselho de

Ministros de setembro de 2025 permitiu

acelerar o processo e considerar a compra

de mais 36 unidades. A CP reafirma

o compromisso com uma mobilidade

ferroviária moderna e sustentável.

Governo liberaliza mobilidade elétrica

e reduz custos de carregamento

t

O Governo aprovou a liberalização e simplificação do

regime da mobilidade elétrica, tornando o carregamento

de veículos elétricos mais simples, acessível e competitivo.

A medida elimina contratos obrigatórios, reduz custos e

promove a concorrência, aproximando o carregamento

elétrico da experiência de abastecimento tradicional.

Entre as principais novidades estão o acesso universal aos

postos de carregamento, a uniformização dos preços, a

entrada de concorrência nas autoestradas e a eliminação

de intermediários no processo de cobrança. O novo regime

também permite o carregamento bidirecional, que possibilita

devolver energia à rede, e a emissão de títulos de carbono

para carregamentos com eletricidade 100% renovável.

Segundo o ministro da Presidência, António Leitão Amaro,

esta reforma é “um passo decisivo para um futuro mais

verde e competitivo”, acelerando a transição para veículos

sustentáveis e reduzindo a burocracia que tem limitado o

crescimento da mobilidade elétrica em Portugal.

t

Karsan trouxe a mobilidade do futuro

ao Fórum Mobilidade & Transportes

Durante a III Edição do Fórum Mobilidade & Transportes,

no Auditório Municipal Ruy de Carvalho, em Carnaxide (Oeiras),

foi apresentado e testado o autocarro autónomo Karsan

e-Atak, um marco na inovação da mobilidade em Portugal.

Dotado de tecnologia de condução autónoma de nível 4,

o e-Atak é capaz de circular com total segurança em rotas

pré-definidas, sem necessidade de intervenção humana.

Equipado com sensores e sistemas de inteligência artificial,

o veículo adapta-se às condições da estrada e do

ambiente, garantindo uma condução segura e eficiente.

Durante a demonstração prática, os participantes puderam

experimentar de perto o funcionamento do autocarro,

que representa um passo decisivo na transição para um

transporte público mais inteligente, sustentável e inclusivo.

Com esta apresentação, a Karsan reforça o seu compromisso

com a inovação tecnológica e posiciona Portugal

na vanguarda do transporte autónomo e ecológico.

6 e-MOBILIDADE

+


e-MOBILIDADE 7


TESTES COM ALMA

Alfa Romeo Junior

Ibrida Speciale

Mito moderno em forma de SUV

Num regresso às origens que mistura paixão, memória e descoberta, o Alfa Romeo Junior Ibrida

Speciale 1.2 de 136 cv surge como um sopro de modernidade com alma italiana. Em plena

Guimarães, berço da nacionalidade portuguesa, tive o privilégio de conduzir este novo modelo

híbrido, que parece falar tanto ao coração dos que cresceram a admirar a Alfa Romeo como à mente

dos que hoje procuram eficiência, conforto e elegância num só automóvel. É um encontro entre o

passado e o futuro, onde cada curva revela mais do que performance: revela carácter.

A

Alfa Romeo sempre foi mais do que uma

marca: é um mito sobre rodas, um ícone de

paixão, elegância e performance que atravessa

gerações há mais de um século. Fundada

em 1910 por Nicola Romeo, tornou-se

sinónimo de engenharia apurada, mas também de alma e

emoção, qualidades que a transformaram numa verdadeira

lenda do universo automóvel.

Com o lançamento do Junior Ibrida Speciale 1.2 de

136 cv, a Alfa Romeo escreve mais um capítulo da sua

história, reafirmando o seu legado com um modelo que

honra o passado, mas olha decididamente para o futuro.

Uma proposta que conjuga sustentabilidade, inovação e

o carácter inconfundível que sempre definiu a marca de

Milão.

POR EDUARDO DE CARVALHO

O LEGADO QUE PASSA DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO

A minha relação com a Alfa Romeo começou ainda na infância.

O meu tio Vittorio, natural de Mestre, uma pequena

cidade nas imediações de Veneza, foi quem me transmitiu

a paixão pela emblemática marca italiana. Sempre que nos

visitava, chegava ao volante de alguns dos modelos mais

icónicos da Alfa Romeo, e eu, criança fascinada por automóveis,

ficava absolutamente rendido ao som, à elegância e à

presença daqueles carros.

A ligação do tio à marca de Milão tornou-se, para mim, uma

referência. Um símbolo de carácter, estilo e emoção sobre

rodas. No entanto, como acontece com muitos jovens, as

influências da época acabaram por me levar por caminhos

mais “rebeldes”. Movido pelo entusiasmo do Mundial de Ra-

8 e-MOBILIDADE


lis, uma das minhas primeiras aquisições foi, curiosamente,

da marca rival de Turim, ainda que não se tratasse da lendária

versão Integrale.

Apesar disso, a Alfa Romeo nunca deixou de ocupar um lugar

especial no meu imaginário. Era mais do que uma marca:

era parte da minha história.

Com o passar dos anos e a chegada da maturidade, senti que

era tempo de regressar às raízes, às minhas e às da paixão que

me foi passada. Numa homenagem ao legado do meu tio e à

minha própria jornada, decidi empreender uma viagem até

ao Minho, terra de onde provêm parte das minhas origens.

Levei comigo o espírito da Alfa Romeo, com a intenção de

imortalizar essa ligação profunda que, desde a infância, me

proporcionou não apenas o prazer da condução, mas também

uma forma de expressão e identidade.

MODERNIDADE COM ADN ALFA ROMEO

Após sete anos de espera, a Alfa Romeo regressou ao segmento

B com o Junior, um SUV compacto que alia agilidade,

modernidade e o inconfundível ADN da marca. O

modelo Junior Ibrida é a opção híbrida da gama, concebida

para aumentar a competitividade do crossover no segmento

B, combinando sustentabilidade e inovação.

A versão híbrida é impulsionada por um motor a gasolina

turboalimentado de 1,2 litros e três cilindros que, em conjunto

com dois motores elétricos de 21 kW e uma bateria de

0,9 kWh, eleva a potência total do sistema híbrido de 136

cv para 145 cv e 230 Nm de binário. Esta configuração não

só aumenta o desempenho, como também proporciona uma

condução ágil e eficiente. A caixa de velocidades automática

e-MOBILIDADE 9


de dupla embraiagem (DCT) de seis velocidades assegura

mudanças de marcha rápidas e precisas, complementando

a experiência de condução com fluidez e dinâmica.

ELEGÂNCIA E PRESENÇA NA ESTRADA

O design do Junior Ibrida reflete a tradição da Alfa Romeo,

mas também a sua capacidade de se reinventar sem perder

a essência. A grelha frontal em forma de escudo, elemento

distintivo da marca, continua a dominar a dianteira,

enquanto os faróis com as suas três linhas de luz são uma

assinatura visual que se faz notar de longe. A sofisticação

está nos pequenos detalhes, como os puxadores traseiros

“escondidos”, que conferem uma aparência ainda mais

limpa e fluída, sem comprometer a funcionalidade.

Os retrovisores com design refinado e os arcos das rodas

bem delineados transmitem uma sensação de robustez,

que se alia à delicadeza dos acabamentos. E as jantes de 18

polegadas, com o seu desenho exclusivo, não são apenas

um elemento estético: são uma afirmação de presença e

precisão no design.

Com 4.173 mm de comprimento, 1.781 mm de largura e

1.539 mm de altura, o Junior Ibrida é um SUV compacto

que impressiona pela sua proporção equilibrada. As linhas

arrojadas, com ângulos que se fundem suavemente com as

superfícies curvas, conferem-lhe uma silhueta que transmite

dinamismo e agilidade, enquanto a traseira compacta

e musculada reforça a ideia de poder contido. A discreta

presença de uma grande grelha inferior na parte frontal não

só melhora a ventilação do motor, como também adiciona

um toque de agressividade elegante, sem comprometer a

suavidade da sua linha geral.

A impressão final é a de um modelo que, sem ser exagerado,

impõe respeito na estrada. As suas proporções e os

detalhes meticulosamente desenhados tornam-no uma verdadeira

obra de arte sobre rodas, perfeitamente equilibrada

entre elegância e força.

CONFORTO E FUNCIONALIDADE

O interior do Junior Ibrida segue a filosofia da Alfa

Romeo: simplicidade com funcionalidade, sem perder

a sua identidade marcante. O painel de instrumentos

digital de 10,25 polegadas destaca-se pela sua modernidade

e facilidade de uso, proporcionando ao condutor

uma experiência visual limpa e intuitiva. O volante,

revestido com materiais de alta qualidade, e os bancos,

com boa ergonomia e conforto, garantem uma

condução agradável, à altura das expectativas de quem

escolhe a marca.

No entanto, para os mais exigentes, alguns detalhes

podem deixar a desejar. Certos plásticos de acabamento

mais simples e a rigidez de alguns componentes podem

não corresponder totalmente ao nível de refinamento

esperado num veículo desta categoria, especialmente

quando comparado a concorrentes que apostam em

interiores mais sofisticados.

O sistema de infoentretenimento é um dos pontos fortes

do Junior Ibrida, oferecendo suporte para Android Auto

e Apple CarPlay. A integração é simples e direta, permitindo

ao condutor e aos passageiros uma conectivida-

de sem complicações, algo essencial para a experiência

moderna de condução.

No capítulo da funcionalidade, o Junior Ibrida surpreende

com a sua mala de 400 litros, que o coloca como um dos

melhores da sua classe em termos de capacidade de carga.

No entanto, o espaço disponível para os passageiros traseiros,

especialmente para aqueles de estatura mais elevada,

pode revelar-se um pouco apertado. Este detalhe pode ser

um ponto a considerar em viagens mais longas ou para

quem habitualmente transporta passageiros, limitando o

conforto nas distâncias mais prolongadas.

AGILIDADE E EFICIÊNCIA

O Junior Ibrida oferece uma experiência de condução ágil

e agradável que entrega desempenho suficiente para proporcionar

uma condução dinâmica. Embora não seja o mais

potente da gama Junior, a sua leveza e equilíbrio fazem toda

a diferença. O veículo acelera de 0 a 100 km/h em pouco

mais de 8 segundos, entregando uma performance sólida,

com uma resposta linear do acelerador e uma suspensão

bem calibrada que garante conforto e estabilidade, mesmo

nas estradas mais exigentes.

A transição entre o modo elétrico e o motor a combustão é

suave e praticamente imperceptível, proporcionando uma

condução fluida e sem interrupções. O modelo, embora um

híbrido, mantém o ADN da Alfa Romeo, equilibrando eficiência

e prazer ao volante com maestria. A condução é uma

mistura de suavidade e controle preciso, uma verdadeira

assinatura da marca que nunca deixa de impressionar.

INOVAÇÃO E TRADIÇÃO

O Junior Ibrida Speciale 1.2 136CV é a perfeita demonstração

de como a Alfa Romeo se reinventa, sem nunca perder

a sua essência. A marca italiana, com sua habilidade única

de combinar tradição e inovação, oferece um SUV compacto

que se destaca pela dinâmica, eficiência e o design inconfundível

que caracteriza todos os seus modelos. A conjugação

de formas elegantes e uma presença imponente transforma

cada detalhe numa assinatura de personalidade.

Embora o acabamento interior e o espaço traseiro possam

ser melhorados, o Junior Ibrida é, sem dúvida, uma opção

notável no seu segmento, com uma condução refinada e

uma eficiência impressionante. A marca conseguiu equilibrar

a performance ágil com a suavidade da condução, fazendo

deste modelo uma escolha que não só conquista pela estética,

mas também pela experiência ao volante.

Outra das grandes vantagens do Junior Ibrida é a sua tecnologia

de assistência à condução. As funções como o cruise

control adaptativo tornam a experiência de condução ainda

mais confortável e segura, especialmente em viagens longas

ou em ambientes urbanos mais exigentes. Estes recursos,

aliados à suavidade de condução, elevam ainda mais a qualidade

da experiência no volante.

O Junior Ibrida é, sem dúvida, uma das grandes apostas da

Alfa Romeo para o futuro. Mais de um século depois da sua

fundação, a marca continua a surpreender e a manter-se fiel

ao seu legado, criando veículos que encantam novas gerações

e perpetuam a paixão pela condução.

Preço da unidade ensaiada: 35.710,47€ +

10 e-MOBILIDADE


e-MOBILIDADE 11


TESTES COM ALMA

Opel Grandland

Eficiente para um futuro mais verde

O Grandland apresenta-se como uma opção inovadora para quem procura uma experiência de condução

mais económica e sustentável, sem comprometer o estilo e a sofisticação. Este modelo incorpora um

motor inteligente, que alia a potência da gasolina à energia elétrica.

POR EDUARDO DE CARVALHO

Tive a oportunidade de testar o Opel Grandland,

um SUV híbrido de 48 volts que promete mudar

as regras da mobilidade sustentável. Ao longo de

vários passeios em família percebi que o Grandland

é mais do que um veículo eficiente: é um

verdadeiro companheiro de momentos do dia a dia, capaz

de transformar simples deslocações em pequenas aventuras

memoráveis.

AS PRIMEIRAS IMPRESSÕES

O Opel Grandland representa uma mudança de paradigma

para a marca Opel, introduzindo uma nova era de veículos

12 e-MOBILIDADE +

híbridos. O design moderno, com o característico painel

frontal “Vizor”, transmite robustez e elegância, sem exageros.

As proporções são imponentes, mas o SUV mantém-se

fácil de conduzir e confortável para toda a família.

Durante os passeios, o espaço interior revelou-se um

verdadeiro trunfo. As crianças acomodaram-se confortavelmente

nos bancos traseiros, entretendo-se com jogos,

músicas e pequenas conversas. A bagageira de 550 litros

acomodou sem esforço mochilas, lanches, brinquedos

e mantas para piqueniques improvisados. O ambiente

silencioso e a suspensão macia garantiram trajetos tranquilos,

permitindo que todos aproveitassem a viagem, sem

desconforto.


DESEMPENHO E SENSAÇÕES AO VOLANTE

Ao assumir o controlo, a sensação de imersão foi imediata.

O motor iniciou de forma quase impercetível, combinando

o motor elétrico de 21 kW com o motor a gasolina de 1,2

litro. O arranque silencioso e sem solavancos transmite uma

serenidade rara num SUV desta categoria, e as transições

entre motores elétrico e a gasolina são suaves e praticamente

imperceptíveis.

O motor a gasolina de 136 cv e 230 Nm de binário proporciona

aceleração eficiente e resposta ágil em subidas ou

ultrapassagens. A transmissão de dupla embraiagem e seis

velocidades (e-DCT6) manteve a cadência perfeita do motor,

garantindo uma condução descontraída, ideal para trajetos

urbanos e viagens em família.

Nos momentos de paragem para observar a paisagem ou fazer

pequenas pausas, era curioso ver as crianças explorarem o interior,

abrindo janelas para sentir o vento ou apontando para

árvores e pássaros, enquanto nós apreciávamos a suavidade

e o silêncio do motor híbrido. Pequenos detalhes como este

transformam cada passeio em experiências vivas e relaxantes.

CONFORTO E COMPORTAMENTO

A suspensão do Grandland provou ser eficiente e confortável,

absorvendo bem irregularidades do pavimento e mantendo

estabilidade nas curvas. Apesar de não se tratar de um SUV

desportivo, a condução transmite confiança e segurança, tornando-o

perfeito para quem procura serenidade no dia a dia.

Durante os passeios, a atmosfera calma e acolhedora dentro

do carro permitiu conversas descontraídas, risadas e música

e-MOBILIDADE 13


TESTES COM ALMA

14 e-MOBILIDADE

+


compartilhada. O carro tornou-se um espaço de convivência,

onde a família podia desfrutar do trajeto tanto quanto do

destino. Cada curva e cada quilómetro percorrido reforçavam

a sensação de bem-estar para todos.

EFICIÊNCIA E SUSTENTABILIDADE

O principal trunfo do Grandland é, indubitavelmente, a sua

eficiência. Durante o teste, o consumo médio foi de cerca

de 6 litros por 100 km, com autonomia superior a 500 km,

facilitando deslocações mais longas sem preocupações. Em

termos de emissões de CO2, os 124 g/km reforçam a vocação

sustentável do SUV, contribuindo para um impacto ambiental

reduzido e para economia em impostos de circulação.

TECNOLOGIA E CONFORTO A BORDO

O interior do Grandland destaca-se pela amplitude e conforto.

O modelo GS integra um painel digital de 16 polegadas,

carregamento sem fios, faróis LED Matrix e conectividade com

Apple CarPlay e Android Auto.

O espaço é generoso, garantindo conforto para todos os

ocupantes, enquanto a bagageira de 550 litros acomoda

facilmente objetos para passeios ou viagens familiares. Durante

os passeios, pequenos detalhes fizeram diferença: os filhos

conseguiam alcançar bebidas, dispositivos estavam sempre

carregados graças ao carregamento sem fios, e a visibilidade

ampla permitiu que todos apreciassem a paisagem, reforçando

a sensação de viagem relaxante e divertida.

UM SUV PARA FAMÍLIAS

Em suma, o Opel Grandland MHEV não é apenas eficiente e

confortável: é um companheiro de família. Permite que trajetos

quotidianos e pequenos passeios se tornem experiências agradáveis,

com espaço, serenidade e funcionalidade.

Para quem procura um SUV híbrido acessível, funcional e

capaz de criar momentos memoráveis em família, o Grandland

MHEV é uma escolha segura, confortável e sustentável,

combinando mobilidade eficiente com a alegria das pequenas

aventuras do dia a dia. +

O carro tornou-se um espaço de

convivência, onde a família podia

desfrutar do trajeto tanto quanto

do destino

+

e-MOBILIDADE 15


TESTES COM ALMA

BYD Seal U

Desafiar os SUV convencionais

O BYD Seal U não é apenas mais um SUV elétrico. É um convite a viajar com conforto, tecnologia

e sofisticação, sem comprometer espaço ou praticidade.

POR EDUARDO DE CARVALHO

Elegante, silencioso e seguro, este modelo mostra

que a mobilidade elétrica pode ser descomplicada

e envolvente, transformando cada trajeto diário

numa experiência agradável e moderna.

Com quase 4,80 metros de comprimento e 2,75

metros de distância entre eixos, o Seal U posiciona-se entre

os SUV familiares mais espaçosos do segmento. A bagageira

oferece 552 litros, expansível para 1.440 litros com os

bancos rebatidos, garantindo versatilidade para famílias ou

quem precisa de transporte de cargas volumosas.

O interior é um verdadeiro cockpit tecnológico e elegante.

Materiais agradáveis ao toque, acabamento em cristal acrílico

junto ao seletor da transmissão e iluminação ambiente

envolvente criam uma atmosfera sofisticada. O enorme

ecrã rotativo central confere um toque futurista, demonstrando

que a BYD consegue unir design, tecnologia e

atenção ao detalhe, mesmo sendo uma marca ainda jovem

na Europa.

O Seal U foi concebido para viagens confortáveis e relaxadas.

A direção é leve, os sistemas de assistência atuam de

16 e-MOBILIDADE

+


forma precisa, e a suspensão macia absorve bem as irregularidades

do piso, criando uma sensação de estabilidade que,

por vezes, lembra navegar num barco calmo.

O motor de 216 cv da versão base acelera de 0 a 100 km/h

em pouco mais de nove segundos, oferecendo potência

suficiente para condução diária, sem esforço. O comportamento

do veículo é previsível e seguro, ideal para percursos

urbanos ou estrada.

EXPERIÊNCIA EM FAMÍLIA

Durante o teste efetuado, o BYD Seal U mostrou todo o seu potencial

como SUV familiar. O espaço interior revelou-se amplo

e confortável, com bancos traseiros que oferecem liberdade de

movimentos mesmo para crianças em cadeirinhas.

Mas o verdadeiro protagonista foi o teto de abrir panorâmico,

que rapidamente conquistou os mais novos. Entre gargalhadas

e expressões de espanto ao observar o céu, o Seal U transformou

simples deslocações em pequenos momentos de descoberta

e diversão. Essa ligação emocional é, muitas vezes, o

detalhe que diferencia um carro competente de um carro que

fica na memória de uma família.

AUTONOMIA E CARREGAMENTO

O Seal U utiliza a Blade Battery, reconhecida pela segurança,

durabilidade e eficiência na gestão térmica. Compacta e integrada

na estrutura, aumenta a rigidez do veículo e permite mais

espaço interno.

Existem duas capacidades: 72 kWh, com autonomia até 420

km, e 87 kWh, com autonomia até 500 km. A bomba de calor

de série mantém a eficiência em climas frios.

O carregamento doméstico AC chega a 11 kW, e os carregadores

rápidos DC atingem 140 kW, permitindo carregar de 30% a

80% em apenas 28 minutos.

A tecnologia Vehicle-to-Load (V2L) transforma o carro numa

fonte de energia móvel, útil para dispositivos elétricos em

qualquer lugar.

e-MOBILIDADE 17 +


ELEGÂNCIA E PERSONALIDADE

O modelo, com o design “Ocean X Face”, inspira-se na fluidez

do oceano. Linhas suaves e futuristas criam presença discreta,

mas sofisticada, contrastando com o estilo agressivo de muitos

SUVs concorrentes.

Na dianteira, os faróis em “U” garantem visibilidade e segurança.

Na traseira, uma luz contínua com padrão em gotas de água

confere personalidade. As jantes bicolores de 19 polegadas

reforçam a estética e melhoram a eficiência aerodinâmica. A

carroçaria está disponível em seis cores metalizadas, com teto

panorâmico e barras de tejadilho em alumínio, lembrando a

elegância de modelos premium, mas a preços mais acessíveis.

PERFORMANCE E CONSUMOS

O Seal U elétrico oferece 218 cv, acelerando de 0 a 100 km/h

em 9,3 segundos na versão Comfort e com autonomia até 500

km na versão Boost, que faz 0-100 km/h em 9,6 segundos.

A condução é fluida, silenciosa e previsível, ideal para trajetos

diários ou viagens em família. O SUV transmite segurança e

estabilidade, mesmo em ultrapassagens ou curvas mais abertas,

sem sacrificar conforto ou o bem-estar.

EXPERIÊNCIA DE CONDUÇÃO: TESTE COM ALMA

Durante cinco dias ao volante do Seal U elétrico, a sensação

predominante foi de conforto absoluto e serenidade. A suspensão

macia absorve as irregularidades da estrada, oferecendo

estabilidade e suavidade, enquanto o interior espaçoso e silencioso

torna cada viagem agradável e relaxante.

O acelerador responde de forma linear, sem surpresas, e o

SUV transmite segurança em todas as situações. Embora não

seja um veículo desportivo, o Seal U conquista pelo conforto,

espaço generoso e sensação de bem-estar, atributos raramente

combinados com tanta eficácia num SUV familiar elétrico.

O BYD Seal U convence pelo equilíbrio entre tecnologia, espaço

e conforto. Não é o SUV mais desportivo ou eficiente da categoria,

mas cumpre todas as tarefas essenciais com competência

e elegância. Para famílias que valorizam conforto, espaço,

tecnologia e estilo, o Seal U é uma aposta segura, um SUV com

alma, pronto para se afirmar no mercado europeu. +

SISTEMAS DE APOIO À CONDUÇÃO

O veículo está equipado com uma completa gama de assistências:

deteção de ângulo morto, travagem automática de emergência

(AEB), manutenção de faixa, sensores de estacionamento,

visão panorâmica 360°, assistência de retenção em subida,

modos de condução Eco, Normal, Sport e Snow, carregador de

bordo de 11 kW e entrada/ignição sem chave.

18 e-MOBILIDADE

+


e-MOBILIDADE 19


TESTES COM ALMA

Hyundai KAUAI EV

Elétrico com alma urbana e ambição

Durante alguns dias, o KAUAI esteve estacionado na nossa garagem como se já fosse da casa.

Silencioso, futurista e sempre pronto a arrancar para mais um dia entre mochilas,

trânsito escolar, compras e atividades.

O

novo Hyundai KAUAI EV não é apenas a

segunda geração de um modelo bem-sucedido

é o reflexo de uma evolução pensada ao

detalhe para quem vive intensamente o dia

a dia, entre a correria das manhãs, mochilas

às costas, horários apertados e aquela última paragem no supermercado

ao fim da tarde. Com um design renovado, mais

espaço para todos e uma autonomia que convence, o SUV

elétrico da Hyundai apresenta-se agora como um verdadeiro

aliado das famílias modernas.

Se a primeira geração já tinha deixado boa impressão, esta

nova versão surge com outra atitude: mais madura, mais

tecnológica e claramente focada na funcionalidade. Conduzimo-lo

durante vários dias, inserido na rotina real de uma

família com crianças, entre o trânsito matinal, as idas à escola,

POR EDUARDO DE CARVALHO

as aulas de natação, as compras do jantar e os recados de última

hora. O resultado? O Kauai encaixou-se naturalmente em

todas as tarefas, sem esforço, sem exigências e sem precisar de

uma paragem no posto de combustível.

DESIGN QUE FALA POR SI

Desde o primeiro olhar, percebe-se que este não é um elétrico

genérico. A frente limpa, com a assinatura luminosa horizontal

em LED, remete para os irmãos da gama IONIQ e

traz consigo uma elegância futurista, sem cair no exagero. As

linhas vincadas, os ombros largos e a traseira robusta fazem

do novo Kauai um SUV que transmite presença, mas sem

ostentação. É um carro que se afirma, mas que não grita, exatamente

como se quer num companheiro de todas as horas.

20 e-MOBILIDADE


ESPAÇO PARA TUDO E PARA TODOS

O crescimento nas dimensões é notório e bem-vindo: são

mais 175 mm em comprimento e 60 mm de distância entre

eixos face à geração anterior. E isso sente-se sobretudo no

interior. O espaço traseiro permite instalar duas cadeirinhas

sem dramas e ainda sobra margem para malas, mochilas e

casacos esquecidos. A bagageira, com 466 litros, revelou-se

perfeitamente capaz de lidar com a logística familiar: sacos

de ginástica, trotinete e até as compras da semana, tudo

arrumado sem malabarismos. No KAUAI, o quotidiano entra

sem esforço e sem obrigar a jogar Tetris sempre que abrimos

a mala.

AUTONOMIA PROMETE E CUMPRE

A versão ensaiada foi a Standard Range, com bateria de 48,4

kWh e motor de 135 cv (99 kW). A marca anuncia 380 km

de autonomia (WLTP) e o melhor é que não ficámos desiludidos.

Com uso intensamente urbano, em curtas deslocações

e muitas paragens, o computador de bordo registou um

consumo médio de 15,2 kWh/100 km, o que se traduz numa

autonomia real a rondar os 320-330 km. Não é só número de

catálogo: é o que se consegue mesmo, com miúdos no banco

de trás, ar condicionado ligado e trânsito caótico. E o mais

impressionante? Uma semana inteira sem precisar de carregar,

quando usado apenas na cidade.

e-MOBILIDADE 21


CONFORTO SEM COMPLICAÇÕES

A posição de condução é elevada, como se espera num SUV,

mas o destaque vai para a sensação de controle e facilidade. A

direção leve torna-o fácil de manobrar em parques de estacionamento

apertados, e a suspensão filtra bem as irregularidades

do piso urbano. A condução é serena, quase silenciosa, e

os miúdos até adormecem mais depressa no regresso a casa,

cortesia da ausência de ruído e da suavidade da entrega de

potência. Para quem nunca conduziu um elétrico, os modos

de regeneração ajustáveis são fáceis de dominar, e o modo

“one-pedal” rapidamente se torna uma ferramenta viciante no

para-arranca do dia a dia.

PENSADO PARA A ROTINA

Por dentro, o novo KAUAI mostra que os engenheiros da

Hyundai falaram com quem realmente usa o carro no dia a

dia. O habitáculo é funcional, mas moderno, com materiais

de qualidade nos locais certos e uma ergonomia bem resolvida.

O sistema de infotainment com ecrã de 12,3 polegadas

é intuitivo, rápido e compatível com Android Auto e Apple

CarPlay e, o mais importante: tem botões físicos para o ar

condicionado, algo que muitos esqueceram, mas que as famílias

valorizam.

Há carregamento sem fios para smartphones, bancos confortáveis

com apoio lombar de série e muito espaço de arrumação

entre os bancos. Tudo onde deve estar. Sem invenções.

SEGURANÇA E CARREGAMENTO: TUDO CERTO

A Hyundai equipa o KAUAI EV com uma gama completa

de sistemas de assistência à condução: travagem autónoma

de emergência, assistente de manutenção na faixa, sensores

dianteiros e traseiros, câmara de marcha-atrás, e nas versões

superiores alertas de ângulo morto e tráfego cruzado.

No que toca a carregamentos, suporta até 102 kW em corrente

contínua, o que permite ir dos 10 aos 80% em cerca de 40

minutos. Em casa, com uma wallbox de 7,4 kW, são necessárias

cerca de 10h30 para uma carga completa. E, sim, traz heat

pump de série, o que significa melhor eficiência nos dias frios.

O ELÉTRICO QUE SABE VIVER EM FAMÍLIA

O Hyundai KAUAI EV SX2 é um SUV elétrico que não vive

de promessas futuristas: é um automóvel pronto para o

presente, capaz de responder às exigências diárias de quem

precisa de um carro fiável, confortável, versátil e, acima de

tudo, honesto. É um modelo que não assusta quem está a

dar os primeiros passos no mundo dos elétricos, mas que

também não desilude quem já conhece os seus benefícios. O

novo KAUAI EV é, simplesmente, um dos melhores companheiros

de estrada que uma família pode ter no caminho para

a mobilidade elétrica. +

22 e-MOBILIDADE


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e-MOBILIDADE 23


TESTES COM ALMA

Renault 4 E-Tech

O regresso eletrificado da mítica “quatro latas”

O emblemático Renault 4 regressa em versão 100% elétrica, preservando o espírito prático, robusto e

descomplicado da icónica “quatro latas”, agora com o conforto e a tecnologia do século XXI.

POR EDUARDO DE CARVALHO

Existem automóveis que se perpetuam ao longo

das gerações. O Renault 4 é um exemplo ilustrativo.

Durante décadas, foi o fiel companheiro

de estrada de famílias, agricultores, estudantes e

aventureiros. As designações por que era chamado

eram diversas, incluindo “quatrelle”, “quatro latas” e até de

“burra”, como afirmava um erudito amigo meu, que jurava a

pés juntos que a sua 4L o transportava para todo o lado sem

nunca o deixar apeado.

Atualmente, no século XXI, a marca decidiu reviver esse

espírito com o Renault 4 E-Tech, um SUV 100% elétrico que

conjuga nostalgia e inovação. O modelo foi apresentado oficialmente

ao mundo no Salão Automóvel de Paris, em 2024,

24 e-MOBILIDADE

e desde então tem despertado a curiosidade e o entusiasmo de

fãs e apreciadores.

O CHARME DA QUATRELLE REINVENTADO

O novo Renault 4 E-Tech presta homenagem ao modelo que,

desde os anos 60, conquistou tantos condutores. As suas

formas quadrangulares, os faróis circulares e o perfil vertical

evocam de forma inconfundível o passado, mas também apresentam

um caráter contemporâneo e robusto que as enquadra

com precisão no contexto atual.

Os guarda-lamas musculados, as jantes de 18 polegadas e a

grelha iluminada conferem-lhe uma aparência inconfundível.


Trata-se de um automóvel que proporciona alegria às pessoas,

especialmente a quem um dia viajou pelo país fora num “quatro

latas” com o carro carregado até ao tejadilho.

CONFORTO, DIVERSÃO E LIBERDADE

Se o design exterior é impressionante, o interior é convicente.

O habitáculo é partilhado com o Renault 5, garantindo

qualidade de construção, boa ergonomia e tecnologia de

ponta. O sistema multimédia com tecnologia Google é um

dos melhores da sua categoria, apresentando uma velocidade

de processamento notável, uma interface intuitiva e uma funcionalidade

de reconhecimento de voz altamente eficaz. Os

botões físicos para a climatização e o comando que silencia

os alertas dos assistentes de condução são pormenores muito

bem concebidos.

Os materiais utilizados surpreendem pela qualidade e o espaço

disponível é generoso para um SUV compacto. No banco

da frente, o conforto é elevado. No banco de trás, três adultos

viajam com espaço suficiente, embora, com uma cadeirinha

de criança instalada, o espaço disponível se torne menos generoso

para os ocupantes. A bagageira de 420 litros, com piso

duplo e compartimento próprio para cabos de carregamento,

é um dos elementos que mais se destacam nesta categoria.

Este veículo não é apenas uma opção para adultos. As crianças

apreciam o ambiente descontraído do veículo, e o lema

“liberdade para todos” reflete perfeitamente as suas sensações

a bordo. O destaque recai no Reno, o avatar oficial da

Renault, que se apresenta como um verdadeiro companheiro

de viagem, proporcionando momentos de entretenimento

aos mais novos. O sistema proativo e reativo do Reno auxilia

o condutor na utilização do Renault 4, através da interação por

comando de voz. O equipamento inclui o ChatGPT-5 mini,

que responde de forma natural e fluida a praticamente todas as

perguntas, tornando cada viagem mais divertida e interativa para

toda a família.

O sistema proativo e reativo do Reno auxilia o condutor na utilização

do Renault 4, através da interação por comando de voz.

SUAVIDADE COM ALMA FRANCESA

O modelo está equipado com um motor elétrico de 150 cv e

245 Nm de binário, garantindo acelerações dos 0 aos 100 km/h

e-MOBILIDADE 25


TESTES COM ALMA

26 e-MOBILIDADE


em 8,2 segundos. Este veículo não se enquadra na categoria de

automóveis desportivos, contudo, apresenta uma força e agilidade

suficientes para a condução diária, bem como um certo nível de

diversão em estradas sinuosas.

A direção é precisa e a suspensão privilegia o conforto, oferecendo

uma suavidade de rolamento digna de nota. O sistema de condução

com um só pedal, ajustável através de patilhas no volante, começa

a ser uma característica da Renault. A travagem regenerativa

não apresenta uma força excessiva, contudo, o seu funcionamento

é natural e fácil de dominar, o que a torna ideal para o trânsito

citadino.

A “BURRA” ELÉTRICA TAMBÉM NÃO FICA PELO CAMINHO

Equipado com uma bateria de 52 kWh, apresenta uma autonomia

máxima de 410 km, de acordo com o ciclo WLTP. Este valor corresponde

a cerca de 350 km em condições reais de condução. Para

a maioria dos condutores, é mais do que suficiente para a rotina

diária e para as deslocações de fim de semana.

O sistema de carregamento rápido de 100 kW permite uma carga

de 10% a 80% em aproximadamente 30 minutos. Esta nova versão

mantém a fiabilidade e a resistência características da gama 4L,

estando preparada para enfrentar qualquer desafio.

HÁ RENAULT 4 PARA TODOS OS GOSTOS

Lançado no mercado europeu a um preço de 29.500 €, oferecendo

um nível de equipamento satisfatório. Para quem procura o

equilíbrio perfeito entre tecnologia e conforto, a versão Techno

apresenta-se como uma opção distintiva, graças ao carregamento

sem fios, cruise control adaptativo e detalhes interiores de elevada

qualidade. A unidade ensaiada (Iconic) apresenta um preço de 40

790 €, contudo, a gama disponibiliza diversas opções: a Evolution

de 120 cv, com um valor a partir de 29 500 €, e a Iconic de 150

cv, a partir de 37 000 €, permitindo que cada condutor encontre a

versão que melhor se adapta ao seu estilo e necessidades.

O ESPÍRITO DA “QUATRELLE” VIVE... MAS EM SILÊNCIO

O Renault 4 E-Tech representa uma reinterpretação inteligente e

emocional de um ícone que marcou a história automóvel, não se

limitando a ser uma mera homenagem ao passado.

O seu design evoca memórias, a tecnologia é convincente e a

versatilidade é mantida. Trata-se de um automóvel que respeita o

legado da “quatrelle”, da “quatro latas”, e até da antiga “burra” que,

segundo o meu amigo, nunca o deixava ficar mal. Agora, na sua

versão elétrica, o novo Renault 4 promete fazer o mesmo, permitindo-nos

deslocar-nos em qualquer lugar, com conforto, estilo e

entretenimento, enquanto não emite qualquer substância nociva

para o ambiente. +

Este veículo não se enquadra na categoria

de automóveis desportivos, contudo,

apresenta uma força e agilidade suficientes

para a condução diária, bem como um certo

nível de diversão em estradas sinuosas

e-MOBILIDADE 27


TESTES COM ALMA

Ford Explorer

Explorar nunca foi tão confortável

O Explorer 100% elétrico não é apenas um SUV, é um companheiro de viagem. Entre risos de crianças,

luz a entrar pelo teto panorâmico e quilómetros que passam quase sem se sentir, percebemos que há

carros que fazem mais do que levar-nos de um ponto para o outro.

POR EDUARDO DE CARVALHO

Em 2025, o Ford Explorer surge totalmente reinventado.

Apesar de continuar a exibir orgulhosamente

o logótipo oval azul da marca americana, o

que está por baixo da carroçaria é mais germânico

do que se imagina. Assente na plataforma MEB da

Volkswagen, este Explorer 100% elétrico é o resultado de uma

colaboração transatlântica que traz consigo uma condução

surpreendente, tecnologia inteligente e um design que poderá

muito bem ser o melhor da Ford nos últimos anos.

Para muitos condutores à procura de um SUV elétrico equilibrado,

com estilo, autonomia suficiente e conforto para as

exigências do dia-a-dia familiar e das longas viagens, o Explorer

pode ser exatamente o ponto de equilíbrio ideal.

UM ANIVERSÁRIO SOBRE RODAS

Como já é tradição nos ensaios da eMobilidade+, o teste

foi feito com alma e na companhia da família. Desta vez,

o Explorer teve direito a um contexto especial: a viagem

coincidiu com o 6.º aniversário do António, o mais novo

da equipa de pequenos “co-pilotos” cá de casa. Entre risos,

cantorias (gritarias) e bolo com vista panorâmica, foi fácil

perceber que este Ford tem mais do que performance, tem

carisma. Tanto o António como a irmã passaram grande

parte da viagem a elogiar o teto panorâmico, que enche o

habitáculo de luz natural e oferece uma ligação direta com o

céu. “Parece que estamos a voar!”, disse ela, fascinada com

28 e-MOBILIDADE


a paisagem a passar lá em cima. Pequenos momentos como

este lembram-nos que um carro não é só uma máquina é

parte das nossas memórias em movimento.

ESTILO AUDAZ, ADN FAMILIAR

O novo Explorer nada tem a ver com o SUV robusto e

guloso que ficou para trás. Agora é elegante, moderno e totalmente

elétrico. À primeira vista, supera os seus “primos”

da VW, como o ID.4 ou o Skoda Enyaq no capítulo estético.

As linhas são vincadas, a postura é firme e há uma presença

em estrada que muitos crossovers elétricos simplesmente

não conseguem replicar. Contudo, é importante não se deixar

enganar pelo emblema americano. Este Explorer partilha a sua

plataforma com a família MEB da Volkswagen, algo evidente em

diversos detalhes: desde os comandos tácteis no volante até ao

painel de instrumentos digital.

PERFORMANCE E AUTONOMIA

Na estrada, o Explorer AWD oferece 340 cv e uma aceleração

dos 0 aos 100 km/h em apenas 5,3 segundos, surpreendente

para um SUV com esta estrutura. Sente-se ágil e estável, mesmo

em curva, transmitindo segurança em todas as situações.

e-MOBILIDADE 29


TESTES COM ALMA

A autonomia oficial (WLTP) ronda os 520 km, mas em

condução real, com a família e bagagens a bordo, os valores

estabilizaram entre os 400 e 420 km.

REFINADO, SILENCIOSO E FÁCIL DE GOSTAR

Em cada tipo de estrada, das curvas serenas às vias rápidas,

o Explorer mostrou do que é feito. Confortável sem ser

adormecido, ágil sem perder a compostura, conduz-se com

uma leveza surpreendente para um SUV desta dimensão. A

insonorização quase silencia o mundo lá fora, a suspensão

absorve imperfeições com maturidade, e a direção transmite

confiança. É um daqueles carros que, sem dar nas vistas por

excesso, conquista pelo equilíbrio certo. E ao volante, sente-se

isso em cada quilómetro.

Em ambiente urbano, conseguimos uma média de 6,7km/

kWh, o que é muito respeitável para um SUV deste porte.

ENTRE A FUNCIONALIDADE E O PRAZER DE VIAJAR

O habitáculo mistura a assinatura Ford com a funcionalidade

alemã. O ecrã central de 14 polegadas impressiona pela nitidez

e rapidez de resposta. Os comandos da climatização estão

sempre acessíveis o que é um alívio face a outras marcas.

Entre os destaques do equipamento: Apple CarPlay sem fios,

navegação com realidade aumentada, sistema de som B&O

e um head-up display que projeta a velocidade e direções no

para-brisas.

A bagageira oferece 450 litros com fundo plano e tampa

retrátil embutida,simples e eficaz. Não há frunk (compartimento

dianteiro), mas há espaço sob o piso da bagageira para

guardar cabos. Atrás, o espaço é confortável para dois adultos

e razoável para três.

UM COMPANHEIRO DE VIAGEM

O Ford Explorer não vem para impressionar com promessas

futuristas ou reinventar a forma como conduzimos. Em vez

disso, faz algo mais difícil: acerta no essencial. É um veículo

elétrico bem pensado, com personalidade, conforto e espaço

para os momentos que realmente contam.

Mais do que números ou tecnologia, o que fica é a forma

como nos sentimos lá dentro. A forma como a estrada passa

quase sem darmos por ela, o silêncio que convida à conversa,

a luz que entra pelo teto panorâmico e ilumina os rostos no

banco de trás.

Foi nesse ambiente que celebrámos o sexto aniversário do António,

com bolo, gargalhadas e uma pergunta que ainda ecoa:

“Quando é que voltamos àquele carro que mostra o céu?”

O Explorer não foi só um meio de transporte, foi palco de

gargalhadas, conversas partilhadas e momentos que queremos

repetir.

E isso, mais do que qualquer ficha técnica, é o que realmente

importa. +

30 e-MOBILIDADE


O Ford Explorer não vem para

impressionar com promessas futuristas

ou reinventar a forma como conduzimos.

Em vez disso, faz algo mais difícil:

acerta no essencial.

e-MOBILIDADE 31


DRONES

A revolução

aérea do

urbanismo

Num contexto de crescimento das cidades

e aumento da sua complexidade urbana,

os drones assumem um papel de crescente

importância como aliados estratégicos na gestão,

mobilidade e segurança pública.

Desde a inspeção de infraestruturas à entrega

rápida e monitorização ambiental, estes veículos

aéreos não tripulados representam uma

componente fundamental no futuro das cidades

inteligentes, onde a tecnologia, a eficiência

e a sustentabilidade convergem no espaço

aéreo urbano.

32 e-MOBILIDADE


e-MOBILIDADE + 33


SMART CITIES

Drones

À

medida que as cidades se expandem a um ritmo

sem precedentes, cresce também a urgência

de adotar soluções urbanas mais inteligentes,

eficientes e sustentáveis. Os governos, os urbanistas

e as empresas de tecnologia unem esforços

em torno de um objetivo comum: o desenvolvimento de

cidades habitáveis, resilientes, adaptáveis e verdadeiramente

inteligentes.

Entre as tecnologias emergentes que estão a moldar este novo

paradigma urbano, os drones ou Veículos Aéreos Não Tripulados

(VANT), destacam-se como protagonistas discretos, mas

altamente eficazes na transformação das metrópoles.

Os drones apresentam aplicações que abrangem desde a monitorização

de infraestruturas críticas até à resposta rápida em

situações de emergência. Esta versatilidade tecnológica está a

redefinir a forma como as cidades funcionam no seu quotidiano.

A sua presença é cada vez mais notória em setores como

a mobilidade urbana, energia, segurança pública, logística e

monitorização ambiental, tornando-os peças-chave na evolução

para ecossistemas urbanos mais conectados, sustentáveis

e resilientes.

O VALOR DOS DRONES NAS CIDADES

A principal vantagem dos drones reside na perspetiva aérea

única que proporcionam, uma vez que oferecem uma visão

abrangente e dinâmica do território, capaz de gerar dados

em tempo real e com elevada resolução, dados estes muitas

vezes inacessíveis através de métodos convencionais.

Esta capacidade atribui aos drones um papel crucial como

ferramentas fundamentais de apoio à decisão em diversos

domínios da gestão urbana e da mobilidade.

Na inspeção de infraestruturas, os drones equipados com

câmaras de alta definição e sensores térmicos permitem

monitorizar com elevada precisão ativos como pontes, estradas,

linhas de eletricidade ou oleodutos. Este processo não

só melhora a eficácia das inspeções, como também reduz

significativamente os riscos para os trabalhadores e diminui

a necessidade de intervenções manuais dispendiosas e

demoradas.

Na gestão do tráfego urbano, os drones são cada vez mais

utilizados para detetar congestionamentos, acidentes ou

infrações em tempo real. As imagens obtidas são processadas

34 e-MOBILIDADE

+


por sistemas de controlo centralizados, que as utilizam para

ajustar a sinalização, ativar respostas de emergência ou redirecionar

o tráfego de forma inteligente e dinâmica.

No que diz respeito à vertente ambiental, os drones têm vindo

a afirmar-se como ferramentas fundamentais na monitorização

contínua da qualidade do ar, na vigilância de cursos de

água, zonas húmidas e espaços verdes, bem como na verificação

do cumprimento de normas ambientais. Esta abordagem

não intrusiva permite uma atuação mais célere e sustentada

na proteção dos ecossistemas urbanos.

EMERGÊNCIA E SEGURANÇA PÚBLICA

Entre os contributos mais significativos dos drones, destaca-se

a sua capacidade de resposta imediata a situações de

emergência, especialmente em áreas de difícil acesso ou em

cenários onde o tempo é um fator crítico.

No combate a incêndios, por exemplo, os drones equipados

com câmaras térmicas permitem aos bombeiros detetar focos

de calor ocultos e localizar pessoas em perigo com maior

rapidez e segurança, mesmo em ambientes de visibilidade

reduzida. Em operações de busca e salvamento, sobretudo

após desastres naturais, estes veículos aéreos não tripulados

demonstram uma capacidade notável ao cobrirem grandes

áreas em pouco tempo. A avaliação dos danos e a localização

A transferência de parte das entregas

para o espaço aéreo, efetuada pelos

drones, contribui diretamente para a

redução do congestionamento

do trânsito nas cidades, libertando

as vias urbanas e otimizando

os fluxos de transporte terrestre

e-MOBILIDADE + 35


SMART CITIES

Drones

de sobreviventes são realizadas com uma eficácia incomparável

aos métodos tradicionais.

No âmbito da segurança pública, os drones constituem ferramentas

estratégicas fundamentais para a monitorização de

eventos, vigilância de zonas de risco e prevenção de crimes.

Quando operados sob regulamentação clara e respeitadora

da privacidade, estes sistemas permitem reforçar a segurança

urbana de forma discreta, eficiente e sem comprometer os

direitos dos cidadãos.

PLANEAMENTO URBANO INTELIGENTE

Os drones estão igualmente a operar uma transformação

profunda no planeamento urbano, ao introduzirem novas

formas de observar, analisar e projetar a cidade. A utilização

de mapas 3D de alta precisão e levantamentos topográficos

detalhados permite planear infraestruturas com maior

rigor técnico e menor impacto ambiental. Estas ferramentas

permitem simular, por exemplo, os efeitos de novos edifícios,

estradas ou arranha-céus sobre o tráfego, as zonas verdes ou

os sistemas de drenagem, antecipando problemas e otimizando

soluções.

Além da componente planeada, os drones assumem um papel

estratégico na gestão de riscos ambientais, nomeadamente em

situações de inundações ou cheias. Através do mapeamento

aéreo e da modelação de fluxos hídricos, é possível identificar

zonas vulneráveis, otimizar a conceção de diques e canais de

drenagem e reforçar a resiliência das cidades face a fenómenos

extremos cada vez mais frequentes.

ENTREGAS E LOGÍSTICA URBANA

A aplicação dos drones na mobilidade urbana apresenta-se

como uma realidade promissora e emblemática, destacando-se

a sua utilização na entrega de mercadorias. Empresas de renome,

como a Amazon e a Google, têm vindo a testar programas-piloto

que demonstram o impacto transformador desta

tecnologia, especialmente na logística de última milha, uma das

etapas mais críticas e dispendiosas da cadeia de distribuição.

A transferência de parte das entregas para o espaço aéreo,

efetuada pelos drones, contribui diretamente para a redução

do congestionamento nas cidades, libertando as vias urbanas

e otimizando os fluxos de transporte terrestre. Esta melhoria

na fluidez do tráfego acarreta implicações significativas para

a eficiência logística, bem como para a sustentabilidade e

qualidade de vida urbana.

Outra vertente de elevado impacto é o transporte urgente de

medicamentos e materiais clínicos, como sangue, órgãos ou

vacinas. Em muitos casos, os drones demonstram ser uma

opção mais rápida e eficiente do que os métodos tradicionais,

sobretudo em zonas com acessos rodoviários limitados ou em

condições de emergência.

36 e-MOBILIDADE

+


DESAFIOS E CONSIDERAÇÕES

Apesar do seu elevado potencial para otimizar a mobilidade

urbana, a integração de drones nos ecossistemas das cidades

inteligentes exige uma abordagem meticulosa e tecnicamente

rigorosa. A questão da privacidade e da vigilância requer modelos

regulamentares bem definidos, que especifiquem com

precisão os contextos operacionais e os limites da utilização

destes veículos aéreos. Paralelamente, a gestão do espaço

aéreo urbano deve ser coordenada com a aviação tripulada,

exigindo sistemas de controlo integrados que garantam a

segurança tanto no ar como ao nível do solo. Por fim, a segurança

da informação é um ponto crítico: os drones geram e

transmitem grandes volumes de dados sensíveis, o que obriga

à implementação de infraestruturas robustas de cibersegurança

para prevenir acessos não autorizados e garantir o uso ético

da informação recolhida.

UM HORIZONTE AÉREO

O potencial dos drones nas cidades inteligentes está apenas a

começar. Em resultado do progresso tecnológico, em particular

no que se refere aos sensores, à inteligência artificial e

à regulamentação, é previsível que estes veículos se tornem

parte integrante da gestão urbana, integrando a infraestrutura,

a governança e as operações diárias.

O verdadeiro sucesso das cidades inteligentes não dependerá

apenas da adoção de tecnologia avançada, mas também da

capacidade de a integrar de forma ética e eficiente. Os drones,

A transferência de parte das entregas

para o espaço aéreo, efetuada pelos

drones, contribui diretamente para

a redução do congestionamento nas

cidades, libertando as vias urbanas

e otimizando os fluxos de transporte

terrestre. Esta melhoria na fluidez

do tráfego acarreta implicações

significativas para a eficiência

logística, sustentabilidade

e qualidade

enquanto dispositivos de vigilância aérea na era digital, aproximam

o mundo físico da governação baseada em dados, proporcionando

perspetivas que não são obtidas a partir do solo.

Na próxima década, é provável que os drones não voem apenas

sobre as cidades, mas se tornem uma peça central da mobilidade,

segurança e planeamento urbano. + EdeC

e-MOBILIDADE 37


DRONES

Os olhos do futuro

DaaS

Drones as a Service

Os olhos do futuro

empresarial no céu

A utilização de drones está a transformar indústrias, a acelerar decisões e a democratizar o

acesso a dados aéreos em todo o mundo.

Assiste-se, presentemente, ao início de uma

nova revolução, cuja origem vem dos céus. O

conceito de Drones as a Service (DaaS) está a

operar uma transformação na forma como as

empresas recolhem, analisam e utilizam dados

geoespaciais.

Desde a indústria mineira até aos empreendimentos agrícolas,

passando pelas infraestruturas e parques solares, os drones

transformaram-se em ferramentas estratégicas de gestão.

O modelo “as a service” está a emergir como uma tendência

dominante, projetando um mercado que, de acordo com

estimativas de analistas do setor, deverá ultrapassar os 80

mil milhões de dólares até 2030.

Em vez de realizarem investimentos em drones dispendiosos,

formação técnica especializada e licenças complexas,

as organizações podem agora subcontratar todo o processo,

desde a recolha de dados até à análise em tempo real, a empresas

especializadas que fornecem drones e pilotos certificados

como um serviço completo.

O resultado é bastante claro. A empresa disponibiliza imagens

de alta resolução, mapas tridimensionais, relatórios de

inspeção e métricas de desempenho. Todos estes elementos

podem ser entregues numa cloud, onde se integram com os

sistemas de gestão e inteligência artificial.

de efetuar, usufruindo da mais recente tecnologia sem

custos de atualização.

Este paradigma possibilita o acesso a drones por parte das

PME e startups agrícolas, que anteriormente não dispunham

de recursos para investir em frotas próprias.

O modelo DaaS está também a transformar o acesso

à análise aérea, tornando esta tecnologia disponível a

empresas de todas as dimensões. A sua chegada marca

um avanço em acessibilidade tecnológica comparável ao

impacto que o cloud computing teve há uma década.

COMO FUNCIONA O DRONES AS A SERVICE?

O processo é eficiente e altamente tecnológico: no que se

refere ao planeamento e análise de requisitos, a empresa

estabelece os objetivos, nomeadamente a inspeção de

infraestruturas, o mapeamento topográfico e a monitorização

de culturas, entre outros.

A execução da missão é da responsabilidade de pilotos

certificados, que operam drones equipados com sensores

específicos. A tecnologia de sensoriamento remoto

LiDAR, que usa pulsos de laser para medir distâncias e

criar modelos tridimensionais de alta precisão, é uma

das mais utilizadas. Outros sensores incluem câmaras

UM MODELO QUE DEMOCRATIZA

O ACESSO À TECNOLOGIA

O conceito do DaaS segue a mesma lógica que já revolucionou

outras áreas da tecnologia: o acesso substitui a

posse.

Tal como o Software as a Service (SaaS) eliminou a necessidade

de instalar programas localmente, o DaaS elimina o

peso da operação técnica dos drones.

Com modelos de subscrição, por missão ou por pacote de

horas de voo, as empresas beneficiam de uma solução que

lhes permite fazer apenas os pagamentos que necessitam

O conceito de “Drones as a Service”

representa uma transformação

paradigmática na forma como as

empresas operam, com implicações

estruturais na utilização de dados.

38 e-MOBILIDADE


multiespectrais, térmicas ou RGB.

O processamento de dados é efetuado da seguinte forma:

as informações recolhidas são enviadas para plataformas

cloud, onde são tratadas com fotogrametria, reconstrução

3D e algoritmos de Inteligência Artificial.

No que diz respeito à entrega e visualização, o cliente

receberá dashboards interativos, mapas e relatórios. Estes

elementos estão devidamente integrados com sistemas

como o BIM, o GIS ou o ERP.

O processo é célere, rigoroso e inteiramente auditável, assegurando

o cumprimento dos regulamentos da aviação civil

e a confidencialidade dos dados.

e-MOBILIDADE 39


DRONES

Os olhos do futuro

O modelo DaaS também se tem vindo a destacar graças

à sua combinação única de eficiência, segurança e

sustentabilidade.

Entre as principais vantagens, destacam-se:

- A redução de custos operacionais que permite eliminar

o investimento em drones, software, formação

e manutenção.

- A escalabilidade total dos drones que confere a

possibilidade de mobilização em várias localizações e

projetos em simultâneo.

- A precisão centimétrica garantida pela utilização

de sensores avançados, que asseguram medições de

extrema exatidão.

Para garantir a conformidade e a segurança, os prestadores

de serviços devem possuir as certificações necessárias

e seguir os regulamentos estabelecidos pela ANAC e pela

EASA. A celeridade na tomada de decisões é uma vantagem

significativa, pois os dados são processados em

minutos, permitindo uma resposta quase em tempo real.

Em matéria de sustentabilidade, as operações aéreas reduzem

as deslocações terrestres, as emissões e o desperdício

de recursos.

ONDE O DAAS JÁ É INDISPENSÁVEL

No que diz respeito à atividade mineira e à indústria pesada,

são efetuadas operações de monitorização de explosões,

medição de pilhas de minério e otimização de estradas.

Na área da construção civil, por exemplo, é essencial um

acompanhamento rigoroso do progresso das obras, bem

como uma inspeção estrutural e a integração com plataformas

BIM.

Na agricultura de precisão que é um setor que se dedica à

análise da saúde das culturas, ao planeamento da irrigação

e à previsão de colheitas.

No âmbito da energia e dos serviços essenciais, são realizados

serviços de inspeção de turbinas eólicas, painéis solares

e linhas elétricas, com uma intervenção humana mínima.

No que diz respeito à logística e aos armazéns, é essencial

realizar um planeamento rigoroso dos espaços, um controlo

minucioso do inventário e um mapeamento preciso dos

terrenos.

Igualmente no âmbito do setor imobiliário e do planeamento

urbano, onde são realizados levantamentos topográficos,

modelos digitais de cidades e visualização tridimensional

de propriedades.

Por fim, o ambiente, que é objeto de monitorização, com

ênfase nas florestas, cursos de água e outras áreas de risco

ambiental, tais como derrames ou incêndios.

40 e-MOBILIDADE


PORTUGAL NA ROTA DOS DRONES

Em Portugal, o mercado do DaaS encontra-se em fase

de expansão, apresentando um potencial promissor,

sobretudo para Startups nacionais, que já oferecem

serviços especializados em cartografia, vigilância

costeira e monitorização ambiental, colaborando com

municípios, construtoras e empresas agrícolas.

Com o apoio de fundos europeus para a digitalização

e sustentabilidade, os especialistas acreditam que o

país pode tornar-se um centro ibérico de operações de

drones.

Por seu turno, há um desafio que se coloca a todos

estes agentes, que é o de garantir que a regulamentação

evolua ao mesmo ritmo da inovação, o que não se

afigura nada fácil.

O FUTURO: DRONES AUTÓNOMOS

E DECISÕES INSTANTÂNEAS

A próxima geração do DaaS será marcada pela automação

total. O progresso contínuo da inteligência

artificial, o desenvolvimento das conectividades e a

emergência de sistemas autónomos permitirão que os

drones realizem missões de voo, recolha de dados e regresso

à base sem necessidade de intervenção humana.

As chamadas soluções “drone-in-a-box”, que se encontram

em fase de testes em alguns países da Europa e nos

EUA, que permitem operações contínuas de vigilância e

inspeção, com drones que se recarregam e transmitem

dados automaticamente.

Além disso, a integração com gémeos digitais e plataformas

IoT vão permitir uma análise preditiva em tempo

real, por exemplo, detetar falhas em pontes ou linhas

elétricas antes mesmo de acontecerem.

DO CÉU À NUVEM: A NOVA FRONTEIRA DOS DADOS

O conceito de “Drones as a Service” representa uma

transformação paradigmática na forma como as empresas

operam, com implicações estruturais na utilização

de dados.

Tal como o “cloud computing” democratizou o acesso à

informação, o DaaS está a democratizar o acesso à visão

aérea inteligente, tornando-a parte integrante das operações

do século XXI.

Num futuro próximo, a contratação de um voo de drone

poderá ser tão simples como pedir um carro através

de uma aplicação.

Quando tal acontecer, os céus deixarão de ser apenas o

limite, passando a constituir a próxima infraestrutura

digital da economia global. + EdeC

e-MOBILIDADE 41


ENTREVISTA

Miguel Pinto Luz

Portugal acelera

Alta velocidade Lisboa–Madrid

e novo Plano Ferroviário para uma

mobilidade sustentável

A Eurotransporte e a eMobilidade+ entrevistaram Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas

e Habitação, para discutir os desafios e as perspetivas futuras das infraestruturas

e da mobilidade em Portugal.

Nascido em Lisboa em 1977, Miguel Pinto Luz

é licenciado em Engenharia Eletrotécnica pelo

Instituto Superior Técnico e possui um MBA

pela AESE Business School/IESE. Ao longo da

sua carreira, desempenhou funções de

destaque, tendo sido Presidente da Fundação Alfredo de

Sousa, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Cascais e

Secretário de Estado das Infraestruturas. Atualmente, integra a

Comissão Política Nacional do PSD. Nesta entrevista, Pinto

Luz partilha a sua visão sobre os principais desafios do setor e

as estratégias do Governo para transformar as infraestruturas

e a mobilidade em Portugal.

O projeto de alta velocidade entre Lisboa e Madrid

encontra-se finalmente em curso. Que impacto terá na

mobilidade dos cidadãos portugueses e na competitividade

económica do país? Paralelamente, que investimentos

estão previstos na ferrovia convencional até 2030 e como

contribuirão para reforçar o transporte regional e dinamizar

a circulação de mercadorias?

Miguel Pinto Luz: Os sistemas de transportes estão identificados

como uma das fontes de emissões que importa endereçar,

sendo que o modo ferroviário elétrico é unanimemente

considerado como o mais sustentável e eficiente no esforço

coletivo de descarbonização.

Este é um compromisso evidente do Governo e para isso é

fundamental criar condições para uma transferência modal do

tráfego de passageiros e de mercadorias de longa distância

para modos de transporte energeticamente eficientes.

Pretendemos aumentar a atratividade do transporte ferroviário

e alinhamos com a estratégia da Comissão Europeia que

estabelece o objetivo de duplicar o tráfego ferroviário de

passageiros de alta velocidade, até 2030, e de mercadorias, até

2050.

Portanto, reconhecendo a importância estratégica do eixo

Lisboa-Madrid, este Governo decidiu acelerar os trabalhos

para a concretização da ligação ferroviária de alta velocidade

entre as duas capitais ibéricas, a qual integra o Corredor

Atlântico da Rede Transeuropeia. Em termos práticos, para

além de disponibilizar uma solução competitiva com um

tempo de percurso na ordem das três horas para serviços diretos,

pretendemos criar uma alternativa viável aos mais de

quarenta voos diários, em ambos os sentidos, entre Lisboa e

Madrid.

Da mesma forma, recentemente, este Governo oficializou o

Plano Nacional Ferroviário, um documento de alcance

estratégico e resultado de consensualização entre muitas

partes e desenvolvido pelo Governo anterior do Partido

Socialista, acrescentando este Governo os investimentos

estratégicos para a ferrovia através da Resolução de Conselho

de Ministros nº77/2025 de 16 de abril. A visão para o

desenvolvimento da rede convencional está estabilizada,

tendo ainda o Governo mandatado a IP para a realização dos

estudos necessários à tomada de decisão, relativamente à

ligação das Terras de Santa Maria à Área Metropolitana do

Porto; Ligação da zona Oeste a Lisboa; e ligações transfronteiriças

entre Bragança/Zamora, Aveiro/Salamanca e Faro/

Huelva.

Os benefícios na mobilidade dos cidadãos e na economia são

inegáveis, quer pela redução dos tempos de viagem, quer pelo

caminho da sustentabilidade ambiental, quer pela coesão e

Os benefícios na mobilidade

dos cidadãos e na economia são

inegáveis, quer pela redução dos

tempos de viagem, quer pelo caminho

da sustentabilidade ambiental, quer

pela coesão e desenvolvimento

do território

42 e-MOBILIDADE


desenvolvimento do território. Para além disso posiciona

Portugal nas rotas europeias da rede ferroviária, promovendo

uma mobilidade internacional.

Portugal falhou recentemente o acesso a fundos europeus

para a ligação de alta velocidade entre Porto e

Lisboa. Como pretende o Governo assegurar o financiamento

necessário para esta obra estratégica?

No âmbito do CEF 2 – Envelope Coesão, Portugal

obteve a aprovação de 817 M€ até à data, correspondendo

a cerca de 20% do investimento previsto para a

Fase 1 do Projeto de ligação Porto-Lisboa, sendo que na

última call não foi obtido qualquer acréscimo a este

valor. Existe ainda uma possibilidade de aumentar o

valor financiado em futuras calls.

Não obstante, a candidatura portuguesa no âmbito do

Programa CEF 2 foi avaliada como “muito boa” em 4

dos 5 critérios, sendo “boa” no quinto critério, avaliados

pela Comissão, no entanto, a mesma não foi sido

selecionada.

Como previsto nestes casos, o Orçamento do Estado

assegura a cobertura da comparticipação pública

prevista para esta fase, sem prejuízo da concessionária

dispor igualmente de acesso outras fontes de financiamento,

nomeadamente via BEI.

Como está o Governo a preparar a transição para a

bitola europeia nos corredores internacionais, especialmente

no eixo Sines–Badajoz e nas ligações com

Espanha?

É importante aproveitar esta oportunidade para esclarecer

mais uma vez a posição do Governo sobre este tema. A

transição de bitola nos corredores internacionais é matéria

que está a ser endereçada com Espanha, nomeadamente

naquilo que respeita às ligações de Alta Velocidade.

A rede ferroviária de alta velocidade em Espanha foi

construída em bitola europeia, com algumas exceções. As

exceções são precisamente nas ligações que interessam a

Portugal. A ligação de Madrid à Galiza está construída em

bitola europeia até Ourense e muda para bitola ibérica nas

ligações a Vigo e Corunha. Na ligação de alta velocidade de

Madrid até Badajoz, pelo menos no troço entre Plasencia e

Badajoz que são cerca de 200km, Espanha já a construiu

também em bitola ibérica. Portanto, se Portugal construísse

a sua rede de alta velocidade em bitola europeia teria de

lidar com mudança de bitola na fronteira, para além dos

óbvios constrangimentos introduzidos na rede portuguesa

com bitolas diferentes na rede convencional e de alta

velocidade.

Desta forma, este Governo, tal como o anterior, considera

que Portugal tem vantagem em adotar o “modelo galego”

e-MOBILIDADE 43


ENTREVISTA

Miguel Pinto Luz

de modo a manter a sua rede totalmente interoperável a

nível nacional e nas ligações fronteiriças existentes ou

previstas.

Complementarmente, a utilização da bitola ibérica

permite a entrada ao serviço da LAV entre Porto e Lisboa

de forma faseada, à medida do fecho da construção de

cada PPP e obter ganhos imediatos nas ligações com a

Linha do Norte, seja através do Alfa Pendular, seja através

de outro operador que pretenda explorar esta ligação.

É também importante salientar que o regulamento

europeu estabelece o princípio da prioridade à adoção da

bitola europeia em caso de novos investimentos. Os países

com redes com bitola diferente devem apresentar planos

de migração para a linhas dos Corredores Europeus e de

forma coordenada com os países vizinhos. No entanto,

sobretudo no caso de redes isoladas, os países podem

fundamentar através de estudo de custo-benefício socioeconómico

a decisão de não migração, incluindo também

uma avaliação do impacto na interoperabilidade. A IP já

contratou o desenvolvimento destes estudos.

Desta forma, tudo aponta para que a ligação transfronteiriça

do Atlântico tenha continuidade sem qualquer

problema de interoperabilidade entre Lisboa e a Corunha.

A dificuldade que reconhecemos encontra-se na ligação

entre Lisboa e Madrid que terá duas bitolas no seu troço,

dada a intenção de Espanha em colocar um aparelho

intercambiador antes de Toledo. Neste caso, apenas será

possível a circulação de comboios aptos a circular nas

duas bitolas, o que é mais limitativo, mas cremos que terá

escala suficiente na Península Ibérica para atrair operadores

do mercado ferroviário ibérico, para além da RENFE.

De qualquer forma, aguardamos os resultados os estudos

em curso para tomada de decisão definitiva.

No que respeita às mercadorias, a opção é ainda mais

clara, dado que os operadores de mercadorias quando

consultados manifestam-se a favor da manutenção da bitola

ibérica que lhes permite a maior liberdade de circula

entre Portugal e Espanha, mesmo que tal implique manter

custos de transbordo nas fronteiras com França. Será

preferível assumir um custo com uma pequena frota

bi-bitola apta a realizar estas ligações sem interrupção ou,

na transferência de cargas em terminais logísticos adaptados

a essa função do que assumir os custos exponencialmente

maiores da migração total de toda a rede.

É entre Portugal e Espanha está a maior utilidade do

transporte ferroviário de mercadorias para o nosso país,

sendo apenas uma minoria os volumes de mercadorias

que de Portugal seguem ou seguirão por via terrestre para

lá dos Pirinéus, tendo em conta a natureza do hinterland

dos portos portugueses até 1.000 kms.

A rede ferroviária de alta velocidade

em Espanha foi construída em bitola

europeia, com algumas exceções. As

exceções são precisamente nas ligações

que interessam a Portugal

44 e-MOBILIDADE


e-MOBILIDADE 45


ENTREVISTA

Miguel Pinto Luz

É importante realçar que rede ferroviária disponível para

mercadorias na Península Ibérica é totalmente em bitola

ibérica, com exceção de troço na ligação entre Barcelona e

a fronteira francesa. Atualmente, Espanha só está a

avançar com a bitola europeia no corredor do golfo da

Biscaia entre as estações de Irun na fronteira com França e

Vitoria-Gasteiz, no País Basco, o chamado Y Basco.

Com a reabertura da Linha da Beira Alta novamente

adiada, qual é o novo cronograma previsto e que

impacto terá este atraso no transporte de mercadorias?

As obras na Linha da Beira Alta, a cargo da Infraestruturas

de Portugal, terminaram, como anunciado, no final de

Março, estando a decorrer vistorias necessárias à emissão

de certificados de conformidade no âmbito da regulamentação

nacional de aplicação ferroviária, seja do lado da

infraestrutura, como do lado dos operadores ferroviários.

A devolução da Linha da Beira Alta aos passageiros e às

mercadorias está iminente.

A escassez de material circulante continua a afetar a

operação da CP e da Fertagus, com impacto direto nos

passageiros. Existem planos concretos para a aquisição

de novas unidades? E qual é o calendário previsto?

A CP irá avançar com a assinatura do contrato para a

aquisição de 117 carruagens assim que estejam reunidas

as condições processuais para o efeito.

Os transportes públicos urbanos em Lisboa e no Porto

enfrentam desafios de congestionamento e perda de

eficiência. Que medidas estão a ser tomadas para

reforçar a atratividade, capacidade e fiabilidade destes

sistemas? Está prevista uma revisão do modelo de

financiamento dos passes sociais e da integração

tarifária a nível metropolitano?

Nesta matéria, o Governo está a trabalhar em duas frentes.

Por um lado, com o investimento em material circulante,

como a compra de novos comboios para a CP e para o

Metro de Lisboa e do Porto, navios 100% elétricos para a

Transtejo e BRT para o metrobus do Mondego, que iniciou

em agosto a operação preliminar. Tudo isto representa um

investimento de 4,5 mil milhões de euros. Também

estamos a apostar na extensão das linhas dos metropolitanos

em Lisboa, Porto e na Margem Sul do Tejo.

Estamos a falar numa vertente de aposta na melhoria de

oferta e do conforto dos passageiros. Mas há outra frente

não menos importante que é tornar os transportes

O Governo criou o Passe Ferroviário

Verde, que permite andar em

praticamente todos os comboios

da CP por 20 euros mensais

46 e-MOBILIDADE

públicos mais acessíveis. Nesse sentido, o Governo criou o

Passe Ferroviário Verde, que permite andar em praticamente

todos os comboios da CP por 20 euros mensais; alargou

o passe gratuito a todos os jovens até aos 23 anos, independentemente

de serem ou não estudantes, e alargou o

Circula PT a todo o país.

Qual é o ponto de situação do novo aeroporto de

Lisboa? O Governo está preparado para garantir que

esta infraestrutura responde à procura futura e reforça

a competitividade nacional?

Sem dúvida! O Governo reconhece que é essencial que seja

desenvolvido um aeroporto único na região de Lisboa. Só

esta solução permite acomodar a procura potencial nos

vários cenários e para um longo período e ultrapassar a

limitação de espaço e de número de pistas no Aeroporto

Humberto Delgado, que resulta também em desafios

operacionais, com atrasos sistemáticos nas partidas e nas

chegadas. Acresce o facto de a existência de um aeroporto

no centro da cidade afetar de forma indelével a qualidade

de vida dos cidadãos, seja pelo ruído que daí advém, seja

pela barreira física ao desenvolvimento da região.

Daí esta decisão de definir o local onde vai nascer o Novo

Aeroporto de Lisboa, o Aeroporto Luís de camões, ter sido

uma das primeiras tomadas pelo XXIV Governo, logo em

14 de maio de 2024, pondo fim a uma discussão com 50

anos.

Na última década, temos assistido a um crescimento

progressivo da procura no Aeroporto Humberto Delgado.

Em particular, no período pós-pandemia, o aeroporto

superou largamente as projeções, registando taxas de


A existência de uma infraestrutura

aeroportuária moderna e capaz

de acomodar as necessidades futuras

é crucial não só para o setor do turismo,

mas também para a indústria e para

o desenvolvimento de diversos

outros setores económicos, sendo um

fator determinante para

a competitividade do país

crescimento de tráfego de passageiros significativamente

superiores às estimativas iniciais.

Olhando para o futuro, e apesar de existirem diferentes

cenários possíveis, todas as previsões convergem num

ponto: Lisboa continuará a registar um crescimento

sustentado do tráfego de passageiros nas próximas

décadas. É, por isso, imperativo estarmos preparados para

responder a essa procura crescente.

Foi à luz destes dados que esta decisão foi tomada. A

existência de uma infraestrutura aeroportuária moderna e

capaz de acomodar as necessidades futuras é crucial não

só para o setor do turismo, mas também para a indústria e

para o desenvolvimento de diversos outros setores económicos,

sendo um fator determinante para a competitividade

do país.

A Estratégia “Portos 5.0” pretende tornar os portos

portugueses mais inteligentes, sustentáveis e competitivos.

Quais são os investimentos prioritários previstos

para Sines, Leixões e Lisboa, e que impacto se espera

em termos de captação de tráfego internacional?

Esta Estratégia, designada PORTOS 5+, traduz a aposta

ambiciosa do Governo em tornar os portos portugueses

mais inteligentes, sustentáveis e competitivos. Representa

uma nova visão para a atividade portuária, reforçando a sua

integração com os outros modos de transporte e a sua

ligação ao território e às cadeias logísticas internacionais.

No caso de Lisboa, estão previstos o reordenamento e

requalificação dos terminais da zona oriental e a concretização

da estratégia para a Silotagus. Em Leixões, destaca-se

a construção do novo terminal de contentores a Norte e a

expansão do terminal Ro-Ro a Sul. Em Sines, avança-se

com a expansão do Terminal XXI e com o lançamento do

novo Terminal Vasco da Gama.

Estes investimentos enquadram-se num plano nacional de

cerca de 4 mil milhões de euros até 2035, 75% dos quais

provenientes de capitais privados, com o lançamento de 15

novas concessões.

O impacto esperado é significativo: aumentar a capacidade

global dos portos em mais 35 milhões de toneladas,

alcançar cerca de 125 milhões de toneladas de carga e 6,5

milhões de TEU até 2035, e alargar o hinterland até Madrid

e ao centro da Península Ibérica.

Para além da expansão física, a PORTOS 5+ assenta em

cinco eixos estratégicos: mais investimento e crescimento,

mais sustentabilidade, mais intermodalidade, mais digitalização

e mais integração porto-cidade. É esta combinação

que permitirá reforçar a competitividade internacional dos

portos portugueses e consolidar Portugal como hub

logístico atlântico ao serviço da Europa.

Um dos pilares da estratégia passa pelo reforço da

intermodalidade e da ligação dos portos à ferrovia. Que

medidas estão a ser implementadas para melhorar essas

conexões, reduzir os custos logísticos e potenciar o

corredor Sines–Badajoz como eixo logístico e geoestratégico?

Estão em curso e projetam-se investimentos que reforçam a

ligação dos portos às redes ferroviárias e rodoviárias,

criando soluções intermodais que reduzem custos logísticos

e aumentam a resiliência das cadeias de abastecimento.

No porto de Sines, a nova ligação ferroviária Sines–Grândola

vai permitir maior capacidade e uma alternativa à

linha atual, enquanto as novas acessibilidades internas e a

aposta numa plataforma logística multimodal vão consolidar

o corredor Sines–Badajoz como hub estratégico ibérico,

com ligação atlântica e ao Extremo Oriente.

Em Setúbal, está prevista a eletrificação do last mile

ferroviário e o reforço das acessibilidades marítimas e do

interface ferroviário, assegurando maior capacidade e

conectividade sustentável.

e-MOBILIDADE 47


ENTREVISTA

Miguel Pinto Luz

Em Lisboa, serão desenvolvidas acessibilidades fluviais,

ferroviárias e rodoviárias verdes, integradas nas cadeias

logísticas urbanas, acompanhadas de sistemas inteligentes

de coordenação do tráfego porto–cidade.

No Norte e Centro, destacam-se, no porto de Leixões,

novos terminais ferroviários, ligação ao porto seco da

Guarda e a criação de uma plataforma logística (Pólos 1 e

2) e nos portos de Aveiro e Figueira da Foz, a construção

de um terminal intermodal na ZALI e acordos com portos

secos, reforçando a conectividade terrestre, em Aveiro, e a

criação de um terminal rodoferroviário e novas ligações

ferroviárias internas, na Figueira.

Ainda em Viana do Castelo, de destacar a integração em

cadeias logísticas multimodais alinhadas com os objetivos

de descarbonização.

Estas medidas articuladas permitem alargar o hinterland

dos portos nacionais até Madrid e ao centro da Península,

reduzir custos de transporte e emissões, e reforçar a

competitividade de Portugal nas redes transeuropeias de

transporte.

Os municípios de Oeiras e Cascais estão a desenvolver

projetos para uma via estruturante paralela à A5,

como alternativa à infraestrutura atualmente congestionada.

Que papel terá o Governo na articulação

entre as autarquias, a Brisa? E que garantias pode dar

quanto à viabilidade da integração de um sistema BRT

(Bus Rapid Transit) nesse corredor e à eventual revisão

da concessão existente?

A viabilidade da integração de um sistema BRT no corredor

da A5 está a ser avaliada em sede de comissão de negociação

do contrato de concessão da BRISA.

Existem planos para reforçar as ligações rodoviárias

entre o interior e o litoral, de modo a reduzir assimetrias

regionais e apoiar o desenvolvimento do território?

Sim, como é publico, através da Resolução de Conselho de

Ministros 69/2025 de 20 de março, foi determinado o

estudo e concretização de mais de 30 projetos rodoviários

prioritários, de norte a sul do país, permitindo a complementaridade

da rede rodoviária com os grandes projetos

em desenvolvimento, o reforço das ligações por autoestradas,

sobretudo nas zonas do interior, ligações transfronteiriças,

reduzindo a sinistralidade, tempos deslocação,

resolver estrangulamentos de mobilidade urbana e sustentabilidade

ambiental.

Também se encontra em estudo a viabilidade de melhorar

as acessibilidades às autoestradas, no sentido de potenciar

a utilização das mesmas, algumas das quais subaproveitadas,

tirando partido das valências destas infraestruturas

com a execução, quer pelas concessionárias rodoviárias

quer pelos municípios, de novas ligações, sobretudo em

zonas onde a oferta de outros modos de transporte ou as

características da rede viária envolvente é limitada.

É evidente por parte deste Governo que há uma estratégia

de reforço da coesão nacional, correção precisamente de

assimetrias regionais e construção de equilíbrio de oportunidades

de todos os cidadãos, independentemente do local

onde vivam, reduzindo os custos de imobilidade e maximizando

o retorno socioeconómico global.

Que incentivos e investimentos estão previstos para

descarbonizar o transporte de mercadorias e promover

soluções mais sustentáveis, como o transporte ferroviário,

elétrico e partilhado?

Na legislatura anterior, criámos um programa de apoio ao

transporte ferroviário de mercadorias, em linha com o

Pacto Ecológico Europeu que estabelece um caminho para

a transição sustentável e a neutralidade climática até 2050.

Este apoio de 45 milhões de euros será repartido por cinco

48 e-MOBILIDADE

O papel dos municípios e das entidades

gestoras das áreas metropolitanas na

mobilidade e promoção da coesão

territorial é decisivo, na medida em que

são os municípios quem melhor conhece

os contextos e melhor pode avaliar a

coerência das medidas


anos, com 9 milhões de euros anuais (até 2028). O

objetivo é promover o uso do transporte ferroviário,

reconhecido por ser uma alternativa mais segura e menos

poluente em comparação com outros modos de transporte.

Este incentivo é calculado com base nas toneladas-quilómetro

transportadas (Tkm) e nos custos externos

evitados.

Iniciativas como o “Parque Cidades do Tejo”, o LIOS

ou o novo sistema SATU representam uma nova

geração de projetos integrados de mobilidade e

urbanismo. Como está o Governo a apoiar esta visão

municipal e a garantir uma articulação eficaz entre os

diferentes níveis de governação?

Ainda bem que pergunta sobre o projeto Parque Cidades

do Tejo e sobre sistemas como o LIOS na mesma questão

porque há aqui um fio condutor entre temas que é a

interação fina com os municípios.

O Governo apresentou aos presidentes dos 18 Municípios

da Área Metropolitana de Lisboa (AML) e ao presidente da

Câmara de Benavente o Parque Cidades do Tejo, um

projeto que pretende transformar o arco ribeirinho numa

grande metrópole em que o rio funciona como elo de

ligação dos territórios em vez de os separar.

Trata-se de um projeto que inclui as duas margens centradas

no Tejo e quatro projetos de âmbito nacional que se

traduzirão numa operação única, de coordenação centralizada,

em cooperação com o Estado Central e os Municípios

diretamente envolvidos.

Ao todo, são 4 500 hectares de área de intervenção urbanística

e infraestruturas, o equivalente a 55 vezes a Parque

Expo, onde se prevê a construção de mais de 25 mil

habitações.

Nos quatro eixos - Arco Ribeirinho Sul, Ocean Campus,

Aeroporto Humberto Delgado e Cidade Aeroportuária – requalificam-se

e regeneram-se territórios, fomenta-se

cidades em rede e promove-se a economia circular, a

habitação, o emprego e o aumento dos transportes públicos

através do reforço das infraestruturas. Dá-se uso, vida e

futuro a terrenos públicos nas margens do Tejo que há

muitos anos estão totalmente desaproveitados.

O Arco Ribeirinho Sul, Parque Cidades do Tejo, tem

paridade entre os municípios e o Estado Central, e,

portanto, é uma estrutura de governance onde os administradores

do Estado são tantos como os dos municípios. É

logo uma mudança em relação ao passado. Não é um corpo

exógeno que está a influenciar e a tentar fazer coisas dentro

dos municípios, nos territórios de intervenção das autarquias.

Segunda coisa, tem capacidade de licenciamento

próprio, como a Parque Expo. Como é que fizemos a Expo

em tão pouco tempo? Porque tinha autonomia gestionária.

Dentro desta lógica, falamos também de promoção da

mobilidade. O papel dos municípios e das entidades

gestoras das áreas metropolitanas na mobilidade e promoção

da coesão territorial é decisivo, na medida em que são

os municípios quem melhor conhece os contextos e melhor

pode avaliar a coerência das medidas. Falo como ex-autarca

e, com muita humildade, agora como membro de um

Governo.

Este projeto que refere, o LIOS, é um bom exemplo do que

digo. Ver dois municípios, Lisboa e Oeiras, darem as mãos e

poderem resolver um problema das populações é de grande

valor. O Governo tem que estar permanentemente a apoiar

estas iniciativas. Temos por isso auscultado os autarcas, a

minha colega Secretária de Estado da Mobilidade fez já um

grande périplo de auscultação pelo país nesse sentido.

Voltando ao caso de Lisboa e de Oeiras, sabemos que há

um aumento gradual da utilização do carro para chegar aos

locais de destino, mas também um aumento de utilização

de transporte público, é um facto. O objetivo do novo

sistema é canalizar os habitantes do concelho de Oeiras

para este novo transporte nas suas deslocações pendulares

e retirar da estrada todos os que se deslocam para Oeiras

para trabalhar. Os municípios têm uma capacidade, uma

capilaridade que não é comparável com nenhum outro

nível da administração. E, por isso, esta tangibilidade de

projetos que passam de sonho à realidade é muito mais

rápida. A possibilidade de entrada em funcionamento deste

novo Transporte Rápido em 2028 é vista como realista. Nós

estamos cá para alavancar esse esforço e esse conhecimento

locais. Por exemplo, estamos a investir mais de 3 milhões

de euros só na expansão do metro de Lisboa e toda a sua

rede de capilaridade. +

e-MOBILIDADE 49


Shinkansen

O COMBOIO-BALA QUE

Viajar no Shinkansen representa uma experi

Trata-se de uma viagem que alia velocidade, p

reflexo da dedica

50 e-MOBILIDADE +


TRANSFORMOU O JAPÃO

ência distinta, que transcende a mera deslocação.

ontualidade e eficiência, características que são o

ção e do rigor japonês.

e-MOBILIDADE 51


FERROVIA

Shinkansen

De Tóquio a Sapporo, com paragem em Osaka

e Hakata, este comboio de alta velocidade

proporciona um serviço de transporte eficiente

e seguro, contribuindo para uma rede de

mobilidade inovadora no Japão e servindo de

inspiração para o mundo.

No domínio da inovação no transporte ferroviário, poucos

nomes suscitam tanta velocidade e modernidade como o

Shinkansen. Este icónico sistema de alta velocidade, que

liga as principais ilhas do Japão, nomeadamente Honshu,

Kyushu e Hokkaido, representa muito mais do que um

meio de transporte: é um símbolo do avanço tecnológico e

da ambição japonesa.

O NASCIMENTO DE UM ÍCONE

Tudo começou em 1964, com a inauguração do primeiro

troço entre Tóquio e Osaka, designado como a nova

linha Tokaido. A via segue a histórica estrada Tokaido,

utilizada durante o período Edo, e foi inaugurada

poucas semanas antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio,

captando a atenção do mundo inteiro. Os comboios

depressa ficaram conhecidos como “comboio-bala”,

devido à sua velocidade excepcional e ao seu design

aerodinâmico na parte frontal, inspirado em projéteis.

A construção da linha foi revolucionária, com a utilização

de travessas de betão pré-esforçado, troços de

via soldados com centenas de quilómetros e inovações

técnicas que definiram novos padrões para a indústria

ferroviária mundial. Até 1975, a linha foi expandida de

Osaka até Hakata, em Kyushu, completando o percurso

inicial de norte a sul de Honshu.

EXPANSÃO E RAMIFICAÇÕES

Ao longo das últimas décadas, o Shinkansen foi-se

expandindo pelo Japão, com a construção de linhas

que ligaram cidades como Niigata, Morioka, Yamagata,

Akita, Nagano, Toyama e Kanazawa, anteriormente

isoladas, e que contribuíram para o fortalecimento da

mobilidade regional. Em Kyushu, a linha norte-sul foi

concluída em 2011, com a inauguração dos ramais até

Nagasaki em 2022.

O ambicioso objetivo de estabelecer uma ligação entre

Honshu e Hokkaido iniciou-se em 2005, com a construção

do segmento entre Aomori e Hakodate, que foi inaugurado

em 2016. O prolongamento final até Sapporo encontra-se

em curso, com conclusão prevista para 2031.

52 e-MOBILIDADE +


VELOCIDADE, TECNOLOGIA E SEGURANÇA

Os comboios do Shinkansen são máquinas de precisão excecionais.

Estas compõem-se por veículos com capacidade

para mais de 1.000 passageiros e uma velocidade máxima

de 320 km/h. A segurança é uma prioridade absoluta:

travões de ferro fundido com pastilhas especiais e um controlo

central informatizado monitorizam cada movimento.

Durante os períodos de maior afluência, os comboios partem

com uma frequência de 10 minutos, proporcionando

viagens rápidas e confortáveis que revolucionaram a vida e

o trabalho dos japoneses.

Grande parte das linhas ferroviárias corre por impressionantes

túneis, incluindo o túnel de 26,5 km nas proximidades

de Aomori, e a travessia do estreito de Shimonoseki

entre Honshu e Kyushu. Estas obras de engenharia foram

fundamentais para superar os obstáculos naturais e manter

a velocidade máxima, mesmo em percursos complexos.

de viagem ferroviária, servindo de inspiração para projetos

de alta velocidade em todo o mundo e mantendo-se uma

referência em termos de tecnologia, segurança e design.

A inauguração de cada linha e a abertura de cada ramal

refletem a ambição japonesa de estabelecer ligações entre

pessoas e cidades com rapidez, conforto e inovação.

No Japão, viajar de Shinkansen representa muito mais do

que simplesmente deslocar-se de A para B. Constitui uma

experiência de velocidade, engenharia e visão futurista, cujo

fascínio perdura, quase seis décadas após a sua criação. +

UM LEGADO DE INOVAÇÃO

O Shinkansen representa muito mais do que um meio de

transporte, constituindo um símbolo de modernidade e

eficiência. Desde a sua inauguração, redefiniu o conceito

+

e-MOBILIDADE 53


MOBILIDADE

Ferrovia

A

empresa trabalha com 18 Unidades Quádruplas

Elétricas, das quais 17 estão em operação todos

os dias. A utilização de comboios duplos, em

períodos de maior procura, permite dar resposta,

sem comprometer a eficiência. Esta gestão cuidada

assegura que a oferta se mantém equilibrada face à procura

e cumpre os indicadores contratuais.

O troço Coina–Setúbal registou, entre 2018 e 2023, um

crescimento na ordem dos 100% na procura, em resultado

da introdução do tarifário Navegante. Para dar resposta, a

Fertagus aumentou em 73% o número de lugares oferecidos

nos dias úteis. Hoje, mais de 25.400 passageiros beneficiam

diariamente deste reforço. Isso representa 21% da procura

Fertagus

reforça a mobilidade e a confiança

dos passageiros na margem sul

A Fertagus é um ator central na mobilidade da Área Metropolitana de Lisboa. Com a introdução da nova

oferta e o reforço da ligação a Setúbal, o serviço tem vindo a mostrar a sua capacidade de adaptação.

O objetivo foi responder ao crescimento da procura e oferecer melhores condições a quem todos

os dias se desloca na Margem Sul e, principalmente, atravessa o Tejo, com movimentos

pendulares cada vez mais longos.

global, um ganho significativo para milhares de clientes.

A adaptação, no entanto, acarretou vários desafios. Com a

introdução dos novos horários em dezembro de 2024, verificaram-se

algumas dificuldades iniciais, para as quais foram

introduzidos ajustes logo em janeiro de 2025. Com essas alterações,

a oferta aproximou-se da procura. Apenas em alguns

horários pontuais, nos períodos de ponta da manhã e tarde,

ao todo 9 horários, num total de 156 horários de dia útil, se

identificam taxas de ocupação superiores a 90%.

Mas mesmo nos horários mais exigentes, que na realidade representam

uma percentagem muito pequena face ao número

de horários diários, a pressão é mitigada pela existência de

comboios alternativos a apenas dez minutos, com capacidade

54 e-MOBILIDADE

+


de transporte disponível. Ou seja, a maioria dos passageiros

tem mais oferta e maior flexibilidade para organizar as suas

viagens.

Para informar os utentes, a Fertagus apostou no reforço da

comunicação com os passageiros, com informação em painéis

nas estações, mensagens sonoras a bordo e a disponibilização

de um número gratuito. O resultado foi claro: as reclamações

relacionadas com sobrelotação ou alterações de horários estabilizaram

e a confiança dos clientes confirma esta evolução.

O Estudo de Satisfação de 2025 atribuiu ao serviço uma nota

global de 4,6 em 5. O resultado supera a média registada durante

a maior parte da década anterior. É um sinal de que os

clientes reconhecem o esforço feito para oferecer mais serviço

e opções de transporte.

Por outro lado, o reconhecimento externo reforça esta avaliação.

Pelo oitavo ano consecutivo, a Fertagus conquistou

o Prémio Cinco Estrelas Regiões, distinção que resulta da

opinião de milhares de consumidores. Em 2025, o índice de

satisfação atingiu 80,1%, confirmando a confiança e a preferência

dos passageiros no transporte ferroviário entre Lisboa e

Setúbal.

O contexto da mobilidade na região continua a ser exigente.

A procura crescente de transportes, a evolução demográfica

na margem sul, o desempenho da infraestrutura ferroviária e a

evolução dos serviços prestados por outros operadores influenciam

diretamente o serviço prestado pela Fertagus e os fluxos de

passageiros. Ainda assim, a Fertagus tem mostrado capacidade

de resposta. A aposta em monitorização contínua, na gestão

equilibrada dos recursos e na comunicação com os clientes

garante um serviço estável, eficiente e de confiança.

Mais do que transportar milhares de pessoas todos os dias, a

Fertagus representa hoje uma solução sólida de mobilidade

sustentável.

O reforço da oferta e o reconhecimento da qualidade do serviço

provam que a empresa está preparada para os desafios do futuro.

Pelo que continuará a trabalhar em soluções que possam vir a

melhorar a o serviço oferecido, com o compromisso de manter-

-se uma marca de excelência.

e-MOBILIDADE + 55


Oxford

Street

Cidades inteligentes

O desafio de reinventar

a rua mais icónica de Londres

Londres prepara-se para transformar a Oxford Street

numa rua totalmente pedonal, num projeto que promete

reduzir a poluição, valorizar o espaço urbano e repensar

a experiência do comércio.

56 e-MOBILIDADE +


e-MOBILIDADE 57


Cidades inteligentes

58 e-MOBILIDADE +

Enquanto a cidade idealiza uma avenida

mais verde e humana, comerciantes,

urbanistas e cidadãos colocam em causa os

desafios logísticos e o impacto real no trânsito.

Será esta a receita para uma metrópole

mais sustentável ou um risco para o coração comercial

da capital?

A ideia está a ser liderada pelo Mayor de Londres e

conta com a colaboração do governo central para fazer

da Oxford Street, uma das avenidas mais emblemáticas

de Londres, conhecida pelas suas grandes lojas

de comércio, pelo fluxo constante de turistas e pelo

ritmo frenético da cidade, uma transformação radical.

O projeto de transformar a via num espaço exclusivamente

pedonal foi objeto de estudo, e promete não

apenas alterar a experiência de quem por ali passa, mas

também o próprio ritmo da cidade.

UM ÍCONE EM TRANSFORMAÇÃO

Com cerca de 1,5 km de extensão, a Oxford Street liga

o Hyde Park ao distrito do West End, constituindo uma

passagem obrigatória para milhões de pessoas anualmente.

Contudo, para além do brilho das vitrines, há

um aspeto menos positivo: congestionamentos diários

de trânsito, níveis elevados de poluição e um ambiente


caótico que afasta tanto os residentes como os visitantes.

A proposta do encerramento da rua ao trânsito visa responder

a estes problemas, com o objetivo de criar um espaço

mais limpo, seguro e convidativo para a população.

O QUE MUDA PARA A CIDADE

Os benefícios esperados são múltiplos. Em primeiro lugar,

é imperativo reduzir a poluição. Londres enfrenta desafios

ambientais significativos, e a retirada de carros e autocarros

da Oxford Street poderá representar uma melhoria notável da

qualidade do ar.

Acresce que a via passaria a oferecer mais espaço a peões e ciclistas,

com zonas verdes, áreas de descanso e equipamentos

urbanos concebidos para promover o bem-estar. Os especialistas

defendem igualmente que um ambiente mais agradável

pode prolongar a permanência de consumidores e turistas,

reforçando o comércio local e tornando a rua mais atrativa

no longo prazo.

CRÍTICAS E OBSTÁCULOS

Mas como sempre acontece nestas coisas, não existe consenso

sobre o assunto. Uma das maiores preocupações reside no

impacto no trânsito: o fecho da Oxford Street ao movimento

rodoviário pode deslocar o tráfego para ruas adjacentes,

e-MOBILIDADE + 59


Cidades inteligentes

gerando novos congestionamentos no seu redor.

A logística do comércio constitui outro ponto sensível.

As centenas de lojas dependem de entregas

diárias e terão de se adaptar a novos modelos de

abastecimento, possivelmente com horários restritos

ou pontos de carga e descarga alternativos.

Por fim, há que ter em consideração a questão da

preservação histórica. A Oxford Street constitui um

marco londrino, pelo que qualquer intervenção deverá

respeitar a sua identidade arquitetónica e cultural,

assegurando que a modernização não anule o caráter

que define a rua.

UMA VISÃO DE FUTURO

A transformação da Oxford Street, apesar das controvérsias,

insere-se numa tendência global: a criação de

cidades mais sustentáveis, humanas e menos dependentes

do automóvel. Paris, Nova Iorque e Barcelona

já implementaram medidas semelhantes, e Londres

deverá seguir o mesmo caminho, procedendo ao

redesenho da sua paisagem urbana.

O objetivo é transformar a Oxford Street num verdadeiro

espaço de convivência, onde peões, ciclistas e turistas

possam circular de forma mais segura e tranquila. O

sucesso deste projeto constituirá um modelo para outras

importantes avenidas do mundo, demonstrando a

viabilidade de conciliação entre a tradição, o comércio e

a sustentabilidade urbana. EdeC +

Sadiq Khan - Mayor de Londres

60 e-MOBILIDADE +


e-MOBILIDADE + 61


MOBILIDADE URBANA

Participar por uma

cidade mais justa

Em Portugal, construímos as Cidades para quem? Quais os trajetos, modos de transporte e utilizadores

que são priorizados na mobilidade urbana? Olhar criticamente para esta questão é essencial quando

falamos de equidade, do direito à cidade e da descarbonização. Os planos e projetos não devem ficar

apenas no papel: é necessário que decisores políticos, técnicos e cidadãos atuem em conjunto para

termos cidades mais justas.

BIBIANA TINI

Urbanista e arquiteta na OPT

A

Constituição da República

Portuguesa garante o

direito à participação em

diferentes dimensões da

vida pública. O artigo 48.º

assegura que todos possam intervir e ser

consultados pelo Estado; o artigo 65.º

reforça a participação no urbanismo; e

o artigo 109.º destaca a participação direta

e ativa de homens e mulheres como

base para a consolidação da democracia.

No entanto, participação não é sinónimo

de democracia, pois muitas vezes

se limita a grupos específicos, reproduzindo

exclusões de género, idade ou

condição social, e promovendo visões

individuais em detrimento de interesses

coletivos.

Os espaços deliberativos são essenciais

para refletirmos coletivamente e, assim,

tomar decisões de interesse público.

Milton Santos (1987) defende que a

cidadania é um processo construído ao

longo da vida, dependente da prática e

das experiências vividas: nascer com direitos

não garante ser cidadão, é preciso

Sessão de Participação

Pública desenvolvida

para o PMUS do Município

de Albergaria-a-Velha 2025

62 e-MOBILIDADE


exercê-los individual e coletivamente,

aprendendo a participar e atuar politicamente.

Deliberar significa confrontar

ideias, ouvir diferentes pontos de vista e

decidir de modo a que reflita a diversidade

da população, garantindo uma

democracia de facto.

Compreender hábitos é fundamental

para políticas de mobilidade sustentável.

Os dados publicamente disponíveis,

como aqueles provenientes dos Censos,

concentram-se sobretudo em trajetos

pendulares (casa-trabalho-casa), invisibilizando

os chamados trajetos poligonais

que são deslocações em cadeia,

como levar uma criança à escola antes

de ir para o trabalho, comuns sobretudo

entre mulheres que conciliam múltiplas

tarefas. A ausência deste registo pode

tornar certas desigualdades invisíveis

para as políticas de mobilidade urbana,

afetando os perfis mais vulneráveis,

como crianças, jovens, mulheres, pessoas

mais velhas e pessoas com deficiência,

que enfrentam desafios distintos e

precisam de ser ouvidos. Documentos

como a Estratégia Nacional para a

Mobilidade Ativa (ENMA) e o Plano de

Ação para a Integração das Pessoas com

Deficiências ou Incapacidade (PAIPDI)

sublinham a importância de reconhecer

essa pluralidade de vivências. Por isso, a

cocriação com a população é essencial:

quanto mais diversas forem as vozes,

mais legítimos e eficazes serão os resultados

das políticas públicas.

Logo, a mobilidade sustentável torna-se

democrática quando cidadãos, técnicos

e gestores partilham conhecimento e

poder, transformando decisões coletivas

em ações concretas. Contudo, barreiras

estruturais limitam a participação, como

explica Arnstein (1969): muitas iniciativas

permanecem nos níveis mais baixos,

em que a população é apenas informada

ou consultada. A isso somam-se

desafios do quotidiano, como longas

jornadas de trabalho, responsabilidades

pessoais e o desgaste das lideranças

comunitárias, que muitas vezes participam

sem ver resultados. Estes fatores

dificultam o envolvimento, sobretudo

entre grupos mais vulneráveis, podendo

gerar desmotivação, exclusão silenciosa

e projetos sem adesão.

As autarquias têm a oportunidade

de promover políticas de mobilidade

sustentável que valorizem o envolvimento

da população, nomeadamente a Sessão de Participação Pública desenvolvida para o PMUS do Município de Albergaria-a-Velha 2025

e-MOBILIDADE 63


MOBILIDADE URBANA

por Bibiana Tini

partir de instrumentos como os Planos

de Mobilidade Urbana Sustentável

(PMUS), o Plano de Promoção da

Acessibilidade Universal (PPAU) e os

Planos de Mobilidade Escolar (PME). A

experiência da OPT evidencia que estes

planos oferecem um caminho promissor

para criar estratégias de impacto a

partir da participação, especialmente

quando são complementados por

outras ações, como sensibilizações em

pedagogia urbana, implementações

faseadas e levantamento de dados que

se articulam com os contributos da

população. Esta abordagem permite

integrar gradualmente as mudanças na

cidade, transformando vivências em

indicadores que orientam estratégias

de ação.

A OPT atua como mediadora neste

processo, combinando a sua especialização

em planeamento, mobilidade e

otimização com os saberes de vivência

da população. Na prática, isto traduz-se

em: atividades intergeracionais

em Centros de Dia que incorporam a

mobilidade como tema pedagógico de

envolvimento com escolas e vizinhança;

intervenções temporárias em

praças e zonas centrais que permitem

testar soluções e recolher contributos

através de inquéritos e painéis interativos;

encontros em associações de

moradores ou juntas de freguesia, ou

mesmo workshops abertos a stakeholders

ou à população em geral, que

se tornam espaços de diálogo direto

entre autarcas, técnicos e comunidade

sobre a mobilidade local. Estas estratégias

respeitam o tempo e a rotina

das pessoas, criando oportunidades

Teste de novas metodologias

com a equipa OPT para as futuras

Sessões de Participação Pública

A mobilidade sustentável

torna-se democrática

quando cidadãos,

técnicos e gestores

partilham conhecimento

e poder, transformando

decisões coletivas em

ações concretas

reais de escuta e cocriação.

Assim, ao tratar a mobilidade de forma

Quando integradas com o envolvimento

de técnicos e autarcas, estas a cogovernança. Cidadãos, técnicos

transversal, esta abordagem fortalece

práticas enriquecem o processo ao e políticos partilham conhecimento

e responsabilidade na construção

articular os saberes da população com

o conhecimento técnico e as experiências

partilhadas. Nesse contexto, a OPT de urbana. Responder a ‘cidades para

colaborativa de políticas de mobilida-

conduz ações de sensibilização e capacitação

baseadas no ciclo deliberativo potencialidades da participação. Quanto

quem?’ implica reconhecer os desafios e

de Perceber, Fundamentar, Vivenciar e mais conseguirmos agregar a diversidade

de vivências, mais nos aproximamos

Propor, que estimulam reflexão crítica

e a co-construção de desafios reais. de cidades equitativas e mais justas. +

64 e-MOBILIDADE


Matosinhos (Mercad

Matosinhos (Praia

502 500 1M

Molh

Sr.ª da Luz

205

205

P. da Cidade (Norte)

1M 200 203

502

arque da Cidade

500

205

Hosp. Magalhães Lemos

502

200 1M

203

Norteshopping

502

200 1M

205

500

200 1M

502 203

205

500

205

Br. St.º Eugénio

200 1M

205

502 203

1M

Monte dos Burgos

205

200

Massarelos (Museu C. E.)

Alfândega

Amial

205

Pr. da Galiza

203 502

200

Carmo

Hosp. S. João

0

500 1 M

205

Cedofeita

203

502

200

1M

S. Bento

Areosa

Pr. Filipa Lencastre

205

Marquê

Pr. da República

502

200

Parque Nascente

205

Trindade

Bolhão

S. Roque

205

6F

Br. Cerco do Porto

205

Freixo

205

6F

Campanh

6F

6F

6F

6F

7T

7T

7T

6F

34

7T

34

34

34

34

7T

7T

7T

Mapas Esquemáticos

A mais recente solução OPT para os passageiros

O InfoPub dispõe de uma nova funcionalidade para a geração

de mapas esquemáticos de rede, bem como de spider maps.

Esta funcionalidade permite reduzir consideravelmente o

esforço necessário para produzir este tipo de informação, quer

seja em suporte físico ou digital, otimizando os processos e

respetivos resultados.

Spider map interativo para o Interface Intermodal da Trofa

Mapas Esquemáticos de Rede

Hospital Pediátrico

Hospitais da Universidade (Este)

Olivais (Junta de Freguesia)

Hospitais da Universidade (Sul)

Tovim (Rotunda)

Este tipo de mapas permite ao

utilizador visualizar as linhas, paragens,

pontos de interesse e ligações em

transporte público. Para os casos em

que a rede de transporte público é

complexa, esta funcionalidade dispõe

da possibilidade de personalização, de

forma a permitir a geração de mapas

para zonas específicas de uma rede,

entre outros recursos.

Fala (X)

Covões (Escolas Superiores)

Fala (Rua Infante Dom Henrique) (1)

Hospital dos Covões

Ribeiro da Póvoa (X)

Alqueves (Rotunda)

Póvoa de São Martinho (Centro)

Santa Clara(Bairro Azul)

Almas de Freire (Escola)

Beira Rio

Mapa Esquemático (Coimbra) – Exemplo ilustrativo

Produção de forma automática

Santa Clara (Rotunda Baden Powell)

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha

Portagem

Rua Padre António Vieira (Elevador)

Parque

Avenida da Lousã (Parque Verde)

Loja do Cidadão

Rua do Brasil (Colégios)

Rua Alexandre Herculano

Praça da República

Rua dos Combatentes (Alpenduradas)

São José (Rua dos Combatentes)

Universidade de Coimbra

Rua Gen. Humberto Delgado (Escolas)

Rua Vasco da Gama

Rua Daniel de Matos

Polo II (Rua Miguel Bombarda)

Universidade (Polo II)

Escola Eugénio de Castro

Carolina Micaéllis

Solum (Rua João de Deus Ramos)

Estádio Cidade de Coimbra (Praça 25 de Abril)

Estádio Cidade de Coimbra

Bairro Norton de Matos (Centro)

Quinta das Flores (Centro de Saúde)

Quinta da Nora (Rotunda da Boavista)

Escola de Hotelaria e Turismo

Circunvalação - R. Senhor

SpiderMaps

502 500

00 1M 203 20

0 1M 200 2

203 200

Mercado da Foz

Pa seio Alegre

Fonte da Moura

Pasteleira

Gomes da Costa

Fluvial Norte

Lordelo

Fluvial (Lgo. Ant. Calém)

Spider map para a zona da Praça Gonçalves Zarco (Castelo do Queijo, Porto)

Produção de forma automática

Bessa

Planetário

500 1M

Boavista

Hosp. St.º António

Infante (Ribeira)

BCG

Cordoaria

Aliado

200 502

Os SpiderMaps garantem ao

utilizador final uma visão imediata

e clara de todos os serviços de

transporte público disponíveis a

partir de um local de referência. A

representação esquemática não

compromete o contexto geográfico

e reúne informação sobre:

• Paragens

• Serviços e trajetos alternativos

• Informação adicional de apoio à

melhor leitura do mapa

geral@opt.pt

www.opt.pt

e-MOBILIDADE 65


A ascensão das Dash Cams

com inteligência artificial

Estradas mais inteligentes, condutores mais seguros

As dash cams (câmaras de vídeo a bordo) sempre foram vistas

como testemunhas silenciosas no trânsito, registando tudo o

que se passa à frente do carro para servir de prova em caso de

acidente. Mas a nova geração de dash cams está a transformar

completamente este conceito.

Combinando câmaras

de alta-definição com

inteligência artificial, estes

dispositivos passaram de

simples gravadores para

verdadeiros copilotos digitais. Hoje, são

capazes de analisar em tempo real o

ambiente rodoviário, alertar o condutor

para riscos iminentes e até registar automaticamente

incidentes críticos para

posterior análise.

A popularização começou sobretudo

nas frotas empresariais, onde a redução

de acidentes representa uma enorme

poupança em custos de manutenção e

seguros. Para as empresas de transporte,

logística ou serviços de mobilidade,

cada colisão evitada significa menos

tempo de paragem e maior eficiência

operacional. Agora, a tecnologia está

a chegar aos condutores particulares,

prometendo tornar a condução diária

mais segura e informada.

Os números são reveladores: estudos

recentes mostram uma redução de até

37% nas colisões graves após a instalação

de dash cams com inteligência artificial

(IA) em frotas comerciais, e avisos

de colisão que chegam, em média, 2.5

segundos mais cedo do que o reflexo

humano seria capaz de reagir. É tempo

suficiente para travar ou desviar e evitar

um acidente potencialmente grave.

Não é de admirar que um em cada três

condutores esteja disposto a aceitar monitorização

interna se isso resultar numa

redução do prémio de seguro.

O OLHAR DAS DASH CAMS

INTELIGENTES

A principal diferença entre dash cams

tradicionais e as equipadas com inteligência

artificial é que estas últimas não

se limitam a gravar imagens: interpretam-nas

e atuam em tempo real. Utilizando

algoritmos de visão computacional,

conseguem detetar desvios de faixa

FILIPE CARVALHO

CEO Wide Scope

linkedin.com/in/filipecarvalhowidescope

sem sinalização, alertar para veículos

em rota de colisão, medir distâncias e

antecipar colisões traseiras, além de reconhecer

peões ou ciclistas que possam

surgir inesperadamente.

No interior do veículo, monitorizam

sinais de fadiga e distração, como pestanejar

lento, cabecear ou uso do telemóvel,

emitindo alertas sonoros ou visuais

para recentrar a atenção. Em contextos

empresariais, algumas câmaras podem

ainda verificar a identidade do condu-

66 e-MOBILIDADE

+


tor antes da viagem, garantindo que

apenas motoristas autorizados utilizam

o veículo.

Para além das imagens, estas dash cams

integram sensores como acelerómetros

e GPS, detetando travagens bruscas,

curvas agressivas ou acelerações repentinas,

permitindo identificar padrões de

condução de risco. Em caso de colisão

ou quase-acidente, guardam automaticamente

os segundos críticos antes

e depois do evento e, muitas vezes,

enviam-nos para a nuvem para análise

pelo gestor de frota ou pelo próprio

condutor.

MAIS DO QUE PROVA:

PREVENÇÃO EM TEMPO REAL

A grande revolução das dash cams

inteligentes é a sua capacidade de atuar

de forma preventiva, deixando de ser

apenas testemunhas de acidentes. Estes

sistemas utilizam algoritmos para calcular

distâncias e velocidades, alertando o

condutor com sinais sonoros ou visuais

quando existe risco de colisão frontal;

alguns modelos mais avançados podem

mesmo acionar autonomamente os

travões. Em desvios de faixa, avisam

através de vibração no volante ou sons,

sendo particularmente úteis em viagens

longas, onde a sonolência ou distração

podem causar deslocamentos involuntários

do veículo.

A monitorização do comportamento do

condutor é outro ponto central: olhos

fechados por demasiado tempo, cabeça

inclinada ou olhares frequentes para

o telemóvel são detetados, e o sistema

emite alertas ou recomenda pausas,

muitas vezes representadas com ícones,

como uma chávena de café. Em frotas,

estas informações podem ser enviadas

aos gestores para intervenções preventivas,

como formação ou ajustes nos

turnos. Além disso, qualquer manobra

perigosa — travagens bruscas ou curvas

apertadas — é registada automaticamente,

com data e localização, permitindo

analisar o comportamento do

condutor e promover ajustes rápidos no

estilo de condução.

PRIVACIDADE, CONFIANÇA

E O FUTURO DA MOBILIDADE

Naturalmente, esta recolha constante de

dados levanta questões de privacidade.

Quem é o dono das gravações? Durante

quanto tempo devem ser armazenadas?

Poderão seguradoras ou empregadores

utilizar estas informações para penalizar

condutores? A indústria tem procurado

responder a estas preocupações, apostando

em tecnologias de processamento

offline— ou seja, analisando os vídeos

localmente, no próprio dispositivo, e

enviando para a nuvem apenas o que o

utilizador autorizar.

O futuro promete uma integração ainda

maior destas tecnologias. À medida que

os veículos se tornam mais conectados e

as cidades mais inteligentes, é provável

que as dash cams passem a comunicar

com sistemas de gestão de tráfego, ajudando

a mapear pontos perigosos nas

estradas e contribuindo para decisões

de planeamento urbano. Existem seguradoras

que já estudam programas de

incentivo para condutores que adotem

estas tecnologias e apresentem um histórico

de condução segura.

VALE A PENA COMPRAR UMA?

Com preços a variar entre os 200€ e

os 400€, a decisão de investir numa

dash cam com IA dependerá da

necessidade de ter alertas e coaching

em tempo real, da aceitação ou não

de que os dados de condução possam

ser armazenados na nuvem e da

perspetiva de eventuais poupanças

no seguro automóvel. Estas câmaras

inteligentes estão a transformar o carro

num parceiro ativo de segurança.

Para alguns, são a chave para estradas

mais seguras; para outros, um passo a

mais na era da vigilância digital. Mas

à medida que a tecnologia evolui e se

democratiza, é difícil ignorar o seu

potencial para salvar vidas e tornar a

condução mais consciente e responsável.+

e-MOBILIDADE + 67


Como implementar um

programa de segurança

rodoviária

Implementar um programa de segurança rodoviária é uma medida estratégica de gestão de risco

que permite reduzir sinistralidade, otimizar custos operacionais e garantir conformidade.

A

segurança rodoviária

(SR) é uma das vertentes

mais importantes da

gestão empresarial, não

apenas para as empresas

comerciais e distribuição, mas para

a gestão de qualquer tipo de frota.

Não só para os colaboradores que

conduzem em trabalho, mas também

para aqueles que conduzem para o

trabalho (condutores pendulares).

Nas empresas a (in)segurança rodoviária

é um custo, mas pode ser um

benefício e será sempre um ótimo

investimento sendo efetuada a gestão

do risco associado ao movimento da

frota.

Os benefícios que a segurança, e em

particular a SR pode trazer a uma

empresa, são muitos:

- menos custos em reparações,

avarias e consumíveis

- menor custo em seguros ou indemnizações

- menos tempo perdido em acidentes

e na sua gestão

- melhor imagem corporativa

- menos não conformidades e infrações

rodoviárias

68 e-MOBILIDADE

e ainda um maior bem-estar para os

colaboradores e para a sociedade em

geral.

A implementação de um programa de

segurança rodoviárias deve começar

pela realização de um diagnóstico

que permita identificar os riscos existentes

e potenciais através de uma

avaliação que identifique e quantifique:

- Incidentes e prejuízos causados

pelos colaboradores em condução,

incluindo dados da sinistralidade,

das infrações rodoviárias, das avarias

e da desvalorização da frota

- Análise de causas e identificação

dos riscos envolvidos nos acidentes

e na condução dos colaboradores

- Criação de indicadores de desempenho

(KPIs) simples e mensuráveis

De seguida será necessário definir

responsabilidades pela implementação

e seguimento, e os critérios de

avaliação do programa:

- efinição de uma política de SR

Elaboração de um manual do condutor

e de utilização das viaturas

- Quantificação dos indicadores de

SR

ANTÓNIO MACEDO

Consultor na CR&M

- Elaboração de um plano de SR

com objetivos claros e prazos de

implementação definidos

No âmbito de aplicação de um programa

de SR será necessário envolver

todos, particularmente os condutores

e todos aqueles com tarefas que

envolvam condução ou impliquem

deslocações de pessoas ou de bens.

Sendo os condutores uma das peças

chave deste processo, um dos passos

mais importantes para atingir de


forma mais rápida os objetivos e mais

sólidos resultados, será através da

formação, do treino e da monitorização

da eficácia.

Uma das ferramentas que apoia a

definição de estratégias de intervenção

é a segmentação dos condutores,

que permite adaptar cada condutor

aos objetivos para si definidos e de

acordo com o seu perfil de utilizador/

condutor.

As melhores ferramentas de segmentação

incluem:

- Perfil de experiência e habilitação

do utilizador

- Perfil de exposição na atividade

- Histórico de incidentes, acidentes,

infrações e não conformidades

- Testes psicométricos de avaliação

do perfil de risco

- Avaliações “on job” ou por telemetria

Estes parâmetros irão permitir a

inclusão de cada condutor num nível

de potencial de risco pelo uso da

viatura e adequar as diversas soluções

definidas pela empresa a cada

condutor, evitando custos desnecessários

com quem não precisa, e

dando a resposta adequada a quem

dela necessita.

Como reflete o programa Fit2Drive[

Fit2Drive® é um programa de

gestão do risco rodoviário disponível

para empresas e frotas. Saiba mais

em www.fit2drive.pt ], a Eficiência

da frota depende do Contexto, das

Competências e da Motivação dos

envolvidos (E=M.C2).

1) Fit2Drive® é um programa de gestão do

risco rodoviário disponível para empresas e

frotas. Saiba mais em www.fit2drive.pt +

MOBILIDADE

PROXIMIDADE

há + de 100 anos a ligar pessoas

rodotejo.pt

e-MOBILIDADE 69


Empresas

Garland cria Garland Transit

para reforçar operações de

desalfandegamento em Marrocos

No ano em que a Garland Maroc celebra o seu 11.º aniversário, o Grupo Garland acaba de lançar a

Garland Transit (GT), uma empresa despachante dedicada exclusivamente ao desalfandegamento

de mercadorias em Marrocos.

A

criação

desta unidade surge integrada na

estratégia do Grupo em oferecer soluções

one stop shop, o que permite o cliente concentrar

no mesmo operador os serviços de

transporte e de trâmites alfandegários.

A Garland Transit está habilitada a realizar desalfandegamentos

à entrada e saída de mercadorias de Marrocos,

respondendo a todas as exigências regulamentares impostas

pelo país. Assim, o novo serviço visa reduzir tempos

de trânsito, simplificar processos, eliminar dependências

de terceiros e assegura que o cliente trata de todo o

processo logístico com um único interlocutor. Segundo a

Garland, esta integração pode representar uma poupança

média até 48 horas no ciclo de transporte.

“Com a Garland Transit, reforçamos a nossa proposta

de valor em Marrocos ao oferecer um serviço integrado

que combina transporte e desalfandegamento. Até aqui,

muitos clientes já recorriam à Garland para o transporte,

mas os despachos tinham de ser coordenados com uma

Third Party ligada diretamente ao cliente, o que tornava

o processo mais moroso e burocrático. Agora, ao centralizarmos

todo o processo numa só entidade, conseguimos

aumentar a eficiência operacional, num mercado onde o

desalfandegamento é obrigatório em todas as operações

internacionais. Este é um passo que nos distingue claramente

da concorrência local”, afirma Mark Dawson, CEO

do Grupo Garland.

A GT inicia atividade com uma equipa de seis colaboradores

e um escritório próprio, integrado nas instalações

da Garland Maroc. Esta proximidade operacional garante

coordenação direta com os serviços de transporte do Grupo,

permitindo maior eficiência e controlo sobre a carga.

A aposta em Marrocos assume particular relevância, já

que o país não integra nenhuma união aduaneira que elimine

fronteiras comerciais, tornando o desalfandegamento

obrigatório para todas as mercadorias que entram ou

saem. Para a Garland, este é um ponto estratégico para

fidelizar clientes que procuram menor burocracia.

A Garland Transit prevê um crescimento sustentável a

médio prazo, apoiando-se na experiência acumulada da

Garland Maroc, que celebra 11 anos de atividade com

um balanço considerado “extremamente positivo”. O

lançamento desta nova empresa soma-se à estratégia de

expansão internacional do Grupo, já presente em Espanha

(desde 2022) e França (desde 2025), mantendo em estudo

futuras aberturas noutros mercados africanos, mas para já

“a aposta é na consolidação dos serviços”, afirma o CEO

do grupo. +

Mark Dawson, CEO do Grupo Garland

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