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Terceira Edição 2025

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3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


Índice

Diretoria Executiva

Presidente

Ricardo Parzianello

1 º Vice-Presidente

Marcio Marcon

Suplentes

Sergio Casarotto

Paulo Vilmar Gotardo Junior

Ivete Liliani Dillenburg Giovanella

Araê Vieira Dalmina

Michel Carletto Zanette

Oscar Beck De Souza

Conselho Deliberativo

Flavio Nabih Nástas

Agnaldo Mantovani

Celso Luis Finger

Renato Rena Camargo

Edson José de Vasconcelos

Renata Peres Krum

2 º Vice-Presidente

Vinicius Lorenzi

1 ª Secretária

Ana Carolina Dillenburg Ertel

2 º Secretário

Edson Luiz Schmitz

1 ª Tesoureira

Renata Peres Krum

2 º Tesoureiro

Jadir Saraiva de Rezende

Conselho Fiscal

Titulares

João Luiz Broch

Abel Pickler Sgarioni

José Luiz Parzianello

Suplentes

Victor Marchioro Fontana

Eloi Cassol

Felipe Lazaron Amboni

Delegados Representantes na FIEP

Titulares

Ricardo Lora

Edson José de Vasconcelos

Suplentes

José Luiz Parzianello

Edson Luiz Schmitz

Sinduscast Podcast

@sindusconproeste

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste 03


Palavra do Presidente

Como o Oeste do Paraná está

remodelando a construção

É com grande satisfação que apresento

a você mais uma edição da nossa revista

Construção Oeste, que chega repleta de informações,

análises e reflexões sobre temas

decisivos para o setor e para a sociedade.

Nesta edição, chamamos atenção para

os números do Bolsa Família na região Oeste,

que mostram quase 59 mil famílias recebendo

recursos todos os meses. Mais do

que dados, esse levantamento convida à

reflexão sobre desenvolvimento, geração

de empregos e o papel da sociedade em

acompanhar a aplicação dos recursos públicos.

Também destacamos o potencial industrial

da nossa região. O Oeste do Paraná

concentra dezenas de parques industriais,

cada qual com sua vocação econômica: da

agroindústria à biotecnologia, da confecção

ao setor metalmecânico. Esse cenário reafirma

nossa força produtiva e a relevância

da indústria como alicerce do crescimento.

No campo internacional, trazemos uma

entrevista exclusiva com o diplomata Marcos

Troyjo, especialista em mercados globais,

que nos ajuda a compreender como

a geopolítica e a economia mundial impactam

diretamente nossas empresas e nossas

decisões locais.

Outro tema de grande relevância é a

nova legislação ambiental e seus efeitos

práticos na construção civil. Mudanças regulatórias

estão em curso e precisamos estar

atentos, pois elas podem significar novos

desafios, mas também grandes oportunidades

para quem aposta em inovação e sustentabilidade.

Falando em inovação, você vai conhecer

melhor a componentização, tendência

crescente na construção civil que promete

transformar processos, otimizar prazos e

reduzir custos.

Esta edição também traz um balanço do

trabalho dos comitês técnicos, fundamentais

para aproximar empresas, compartilhar

boas práticas e aprimorar conhecimentos.

Celebramos ainda o sucesso do Dia Nacional

da Construção Social, realizado em

2025, que mobilizou nossa comunidade e

reforçou a importância da responsabilidade

social no setor.

No campo da gestão, mostramos como

a educação financeira pode impulsionar a

produtividade nas empresas e por que a

pejotização se tornou um tema cada vez

mais recorrente, exigindo atenção e análise

cuidadosa dos empresários.

E, para fechar, registramos a realização

do Workshop: Tecnologias Estruturais em

Concreto – Análise e Comparações, que se

destacou como um verdadeiro marco de

excelência, servindo de inspiração para empresas

e profissionais que desejam enxergar

além e preparar-se para o futuro.

Convido você, leitor, a mergulhar nestas

páginas com a mesma empolgação com

que nós, do Sinduscon Paraná Oeste, trabalhamos

para produzi-las. Tenho certeza

de que cada artigo, cada entrevista e cada

relato trarão novos insights e contribuirão

para o fortalecimento do nosso setor.

Boa leitura!

Ricardo Parzianello

Presidente do Sinduscon Paraná Oeste

Ricardo Parzianello | Presidente

04

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste 05


Agenda

Outubro/2025

10/10/2025 TREINAMENTO ADMISSIONAL - CASCAVEL

13/10/205 REUNIÃO DIRETORIA - CASCAVEL

13/10/2025 CURSO PROVA DE CONCRETO - CASCAVEL

13/10/2025 CURSO PROVA DE CONCRETO - FOZ DO IGUAÇU

14/10/2025 CURSO PROVA DE CONCRETO - TOLEDO

14/10/2025 REUNIÃO CII - HÍBRIDA

17/10/2025 TREINAMENTO PERIÓDICO - FOZ DO IGUAÇU

20/10/2025 CURSO GESTÃO EMPREITEIROS - CASCAVEL

20/10/2025 CURSO GESTÃO EMPREITEIROS - FOZ DO IGUAÇU

21/10/2025 CURSO GESTÃO EMPREITEIROS - TOLEDO

23/10/2025 REUNIÃO COMAT - HÍBRIDA

23/10/2025 11 º ENCONTRO SEGURANÇA - CPRT - CASCAVEL

24/10/2025 TREINAMENTO ADMISSIONAL - TOLEDO

27/10/2025 REUNIÃO DIRETORIA CASCAVEL

27/10/2025 REUNIÃO ASSOCIADOS - REFORMA TRIBUTÁRIA - CASCAVEL

Novembro/2025

04/11/2025 REUNIÃO CRS - CASCAVEL

06/11/2025 REUNIÃO COINFRRA - HÍBRIDA

07/11/2025 REUNIÃO CPRT - HÍBRIDA

07/11/2025 TREINAMENTO ADMISSIONAL - CASCAVEL

10/11/2025 REUNIÃO DIRETORIA - CASCAVEL

12/11/2025 ENCONTRO DE RH’S - HÍBRIDO

19/11/2025 REUNIÃO CODESB - HÍBRIDO

24/11/2025 REUNIÃO DIRETORIA - CASCAVEL

24/11/2025 REUNIÃO ASSOCIADOS - CASCAVEL

27/11/2025 REUNIÃO CMA - HÍBRIDA

28/11/2025 TREINAMENTO ADMISSIONAL - FOZ DO IGUAÇU

28/11/2025 TREINAMENTO PERIÓDICO - TOLEDO

29/11/2025 ENCONTRO ANUAL DOS ASSOCIADOS EM FOZ

Dezembro/2025

05/12/2025 TREINAMENTO ADMISSIONAL - CASCAVEL

08/12/2025 REUNIÃO DIRETORIA - CASCAVEL

12/12/2025 TREINAMENTO PERIÓDICO - CASCAVEL

06

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


CUB - SINDUSCON/PARANÁ-OESTE

ANO MÊS ÍNDICES MÊS ANO 12 MESES

2025 JUN 2528,26 0,14 1,74 6,93

2025 JUL 2601,97 2,97 4,71 9,65

2025 AGO 2608,25 0,24 4,96 6,42

CUB - SINDUSCON/PARANÁ

ANO MÊS ÍNDICES MÊS ANO 12 MESES

2025 JUN 2473,54 0,16 1,58 6,54

2025 JUL 2540,38 2,70 4,33 6,02

Indicadores

2025 AGO 2546,14 0,23 5,96 6,02

Obs: *CUB Calculado pela Norma 12.721/2006

CUB - SINDUSCON/PARANÁ OESTE - DESONERADO

ANO MÊS ÍNDICES MÊS ANO 12 MESES

2025 JUN 2392,82 0,15 1,85 6,99

2025 JUL 2457,03 2,68 4,58 9,43

2025 AGO 2463,31 0,26 4,85 6,38

CUB - SINDUSCON/PARANÁ - DESONERADO

ANO MÊS ÍNDICES MÊS ANO 12 MESES

2025 JUN 2302,60 0,17 1,70 6,60

2025 JUL 2361,10 2,54 4,28 6,07

2025 AGO 2366,86 0,24 4,54 6,01

ÍNDICE NACIONAL DE CUSTO DA CONSTRUÇÃO - INCC-DI

ANO MÊS ÍNDICES MÊS ANO 12 MESES

2025 JUN 1199,509 0,69 3,45 7,21

2025 JUL 1210,471 0,91 4,39 7,41

2025 AGO 1216,706 0,52 4,93 7,22

IGPM

ANO MÊS ÍNDICES MÊS ANO 12 MESES

2025 JUL 1.186,259 -1,67 -0,94 4,39

2025 JUL 1.177,168 -0,77 -1,70 2,96

2025 AGO 1.181,369 0,36 -1,35 3,03

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste

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Dia Nacional da Construção Social emociona e

consolida compromisso com o bem-estar

Cascavel viveu um dia para entrar na história no último 23 de agosto. O Dia Nacional da Construção Social (DNCS) voltou a ser realizado

no município e reuniu mais de mil pessoas no Centro de Convenções e Eventos. O público pôde desfrutar de uma programação completa de

saúde, cidadania, educação, lazer e cultura, reafirmando o compromisso do setor da construção civil com o bem-estar de seus trabalhadores

e famílias.

A grandiosidade do evento também se refletiu nos números: foram mais de 7 mil atendimentos realizados, cerca de 7,7 mil lanches servidos

e o apoio incansável de 285 voluntários, que dedicaram tempo, energia e carinho para que tudo acontecesse da melhor forma possíve

08

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


LIDERANÇAS MARCARAM PRESENÇA

A retomada do DNCS em Cascavel contou

com a participação de autoridades que

reforçaram a importância da iniciativa. O

presidente do Sinduscon Paraná Oeste,

Ricardo Parzianello, destacou que o evento

é um momento de reconhecimento aos trabalhadores

que erguem a cidade e o país.

“Hoje é dia de homenagear nossos heróis

da construção. Mais do que prédios, eles

constroem vidas, constroem sonhos e merecem

todo esse carinho”, afirmou.

O prefeito de Cascavel, Renato Silva,

também prestigiou o encontro, reforçando

o apoio da administração municipal:

“A prefeitura estará sempre ao lado de

ações que levam saúde, lazer e cidadania a

quem mais precisa. Este evento é um exem-

plo de parceria que transforma realidades”.

O Superientendente do Sesi-PR, Hugo

Molina, lembrou que o projeto tem ligação

direta com as ações de responsabilidade

social e de valorização do trabalhador da

indústria:

“O DNCS é mais do que um evento, é um

gesto de cuidado e respeito. O Sesi se orgulha

de ser parceiro de iniciativas que elevam

a dignidade do trabalhador”.

Representantes do Sintrivel, do Sistema

Fiep e de diversas entidades locais também

estiveram presentes, reforçando a união do

setor em torno de uma causa comum: valorizar

aqueles que diariamente constroem o

futuro do Brasil.

CUIDADO EM CADA DETALHE

O evento ofereceu uma ampla gama de

serviços gratuitos: exames médicos, consultas

odontológicas, mamografia, papanicolau,

testes de glicemia, avaliação do IMC,

aferição de pressão arterial e orientações

sobre prevenção de doenças, nutrição,

álcool e drogas.

Para a coordenadora do Comitê de Responsabilidade

Social do Sinduscon Paraná

Oeste, Sílvia Vendramin, o desafio foi

grande, mas a recompensa foi ainda maior:

“Cada sorriso que vimos hoje nos mostrou

que valeu a pena. O DNCS é um espaço de

cuidado integral, que não olha apenas para

o trabalhador, mas para toda a sua família.

É um momento de acolhimento e de valorização

da vida”.

A também coordenadora, Marlice Becker

Mantovani, destacou o trabalho coletivo:

“Este evento só foi possível graças à união

de voluntários, parceiros e patrocinadores.

A construção civil mostrou, mais uma vez,

que é feita por pessoas e para pessoas. É

emocionante ver como um gesto simples

pode transformar o dia de tantas famílias”.

Na área de cidadania, os trabalhadores

tiveram acesso a checagem de restrição

de crédito, orientações diversas e cortes de

cabelo, massagens, pintura de unha, entre

outras ações. As crianças e familiares puderam

participar de atividades recreativas,

oficinas de pintura e desenho, brinquedos

infláveis, caricaturas, competições de truco

e sinuca, além de aproveitar shows e apre-

sentações musicais.

A mesa farta também fez parte do clima

comunitário: café da manhã, pipoca, minichurros,

algodão doce, refrigerantes e lanches

variados foram servidos durante todo

o dia, somando mais de 7,7 mil unidades

distribuídas.

Um agradecimento especial vai também

aos patrocinadores: Corplife Administradora

de Benefícios, Genusclin, Jota Ele Construções

Civis, RIC TV e Sesi/PR (Cota Ouro);

Fundação Assis Gurgacz, Mazutti Construções

e Pipoca Cegonha (Cota Prata);

Abel Sgarioni Engenharia, AM Engenharia,

Ana Damasio Investimentos Imobiliários, B

& C Empreiteira, Conceito Brasil Engenharia,

Construtora Saraiva de Rezende, CPD

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste 09


Construções, Diferral Distribuidora de Ferro

e Aço, Festval, Irani Supermercados, N. Dalmina

Construções, Paranafer Ferro e Aço,

PPN Construções, Super Puppo e Vendramin

Fundações (Cota Bronze).

E também aos parceiros institucionais,

que dedicaram tempo, serviços e carinho:

33º Batalhão de Infantaria Motorizada,

Acesso Saúde, Agência do Trabalhador,

Alcoólicos Anônimos, Almanaque Sid – Caricaturas,

AM Engenharia, Associação Brasileira

Todos Contra a Pedofilia, Associação

dos Engenheiros e Arquitetos de Cascavel,

Caixa Econômica Federal, Café Bom Jesus,

Café Camargo, Cedip, CEEP Pedro Boaretto

Neto, Clube de Flash Back, Cohavel, Escola

Prática Educativa de Trânsito, Faculdade

Senac, Instituto Embelleze, Instituto Mix,

Lions Clube Cascavel, Óticas Precisão, Pastoral

da Pessoa Idosa, ONG Latidos do Bem,

Programa Municipal de Imunização, Secretarias

Municipais de Esporte e Lazer, Meio

Ambiente, Desenvolvimento Econômico

e Saúde, Polícia Rodoviária Federal, Rádio

Capital FM, Rádio Estúdio 92,3 FM, Sintrivel,

Transitar, Unioeste e Unipar.

UM COMPROMISSO QUE SEGUE

A edição de 2025 foi considerada um sucesso absoluto, não apenas pelos números expressivos, mas pelo clima de emoção e acolhimento

que tomou conta do Centro de Convenções. Já ficou a certeza: em 2026, Cascavel voltará a viver esse dia de carinho e reconhecimento.

“Este é apenas o começo. A cada edição queremos crescer mais, atender mais famílias e fortalecer o vínculo entre o setor da construção civil

e a comunidade. O DNCS já está no coração de Cascavel”, completou Ricardo Parzianello....

10

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


Nova lei de licenciamento ambiental abre caminho

para mais investimentos na construção civil

A modernização do processo de licenciamento

ambiental no Paraná, promovida pela

Lei Estadual nº 22.252/2024 e regulamentada

pelo Decreto nº 9.541/2025, vem sendo

considerada um divisor de águas para a

construção civil. O novo marco legal substitui

procedimentos historicamente burocráticos

que travavam projetos e atrasavam investimentos,

trazendo mais clareza, agilidade e

segurança jurídica.

Durante anos, empreendimentos de

pequeno e médio porte precisavam enfrentar

a mesma quantidade de exigências

destinada a obras de grande impacto. Isso

resultava em filas, atrasos e custos adicionais

para empresas e trabalhadores. Agora,

com as novas modalidades de licenciamento

– como a Declaração de Inexigibilidade

(DILA), a Dispensa de Licenciamento

(DLAM) e a Licença Ambiental por Adesão e

Compromisso (LAC) – o processo passou a

ser proporcional ao impacto da obra.

O coordenador do Comitê de Meio

Ambiente do Sinduscon Paraná Oeste, Robson

Biela, ressalta a mudança de paradigma.

“Antes, até uma obra de pequeno impacto

enfrentava barreiras que atrasavam meses

o início dos trabalhos. Hoje, com a simplificação

e a clareza da lei, conseguimos avançar

sem abrir mão do cuidado ambiental. É um

passo importante para destravar investimentos

e gerar mais empregos.”

O segundo coordenador do Comitê,

Celso Luis Finger, lembra que a lentidão nos

processos era um gargalo para o setor. “A

burocracia se transformava em um freio

para obras que poderiam estar beneficiando

a sociedade. Com a nova legislação,

a lógica se inverte: o Estado deixa de ser um

obstáculo e passa a ser um facilitador, especialmente

em projetos de utilidade pública

como saneamento, hospitais e infraestrutura

viária.”

Segundo dados do Instituto Água e Terra

(IAT), apenas no primeiro semestre de

2025 foram emitidas 10.320 licenças, o que

garantiu aproximadamente R$ 29,5 bilhões

em investimentos – um aumento de 32% em

relação ao mesmo período do ano anterior.

Para o presidente do Sinduscon Paraná

Oeste, Ricardo Parzianello, o recado é claro:

quanto menor a interferência estatal, maior

a capacidade de avanço. “O setor da construção

civil precisa de regras claras e agilidade

para investir. O excesso de burocracia

era um entrave histórico. Quando o Estado

deixa de intervir em excesso e passa a

organizar de forma eficiente, a economia

responde com crescimento, geração de

empregos e desenvolvimento sustentável.”

Outro avanço é a possibilidade de renovação

automática de licenças, que evita

paralisações em obras em andamento, e a

priorização de projetos de utilidade pública,

que passam a ter tramitação mais rápida.

Além disso, o Sistema de Gestão Ambiental

(SGA), utilizado pelo IAT, garante transparência

e acompanhamento em tempo real

de cada etapa do processo.

Na avaliação das lideranças do Sinduscon,

a nova lei representa não apenas uma

conquista para o setor produtivo, mas um

marco para toda a sociedade paranaense.

“Estamos diante de um modelo que alia

responsabilidade ambiental com eficiência

administrativa. O resultado é um ambiente

favorável para empreender, construir e,

acima de tudo, melhorar a qualidade de

vida da população”, conclui Parzianello.

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste 11


Antes e Depois

Antes da Lei 22.252/2024

Excesso de burocracia – Obras de pequeno e médio porte enfrentavam praticamente as mesmas exigências de empreendimentos

de grande impacto.

Atrasos constantes – Licenças levavam meses, às vezes anos, para serem emitidas, paralisando investimentos e encarecendo

projetos.

Insegurança jurídica – Normas fragmentadas em resoluções, portarias e instruções técnicas geravam interpretações

distintas e instabilidade para investidores.

Interferência excessiva do Estado – A atuação pouco flexível do órgão licenciador transformava o processo em um

gargalo que travava o desenvolvimento.

Com a Lei 22.252/2024 e o Decreto 9.541/2025

Regras claras e consolidadas – Toda a legislação foi unificada em um marco legal moderno, garantindo segurança

jurídica.

Modalidades proporcionais ao impacto:

DILA: Inexigibilidade de licenciamento para atividades sem impacto.

DLAM: Dispensa para atividades de baixo impacto.

LAC: Licença automática por adesão e compromisso.

Licenças tradicionais apenas quando necessário.

Agilidade garantida – Prazos de até seis meses para análise, com prioridade para obras de utilidade pública.

Transparência digital – Uso do Sistema de Gestão Ambiental (SGA), que centraliza informações e permite acompanhar

o processo em tempo real.

Renovação sem travas – A Certidão de Renovação Automática (CRAL) assegura continuidade das obras enquanto o

pedido é analisado.

Resultados imediatos – No primeiro semestre de 2025, 10.320 licenças emitidas e R$ 29,5 bilhões em investimentos

viabilizados, crescimento de 32% em relação a 2024.

12

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


Educação financeira impulsiona produtividade

Periodicamente, trabalhadores de canteiros

de obras recebem a visita de agentes

financeiros, que prestam uma assistência

econômica gratuita para que saibam gerir

melhor o salário que recebem todos os

meses e tenham uma vida mais equilibrada.

O Sinduscon Paraná Oeste destaca que

a educação financeira, quando aplicada de

forma estratégica, é uma ferramenta fundamental

para aumentar a produtividade

no setor da construção civil, beneficiando

tanto empresários quanto trabalhadores.

A iniciativa é fruto da parceria entre o

Comitê de Responsabilidade Social do Sinduscon

Paraná Oeste e o Sicredi, que têm

unido esforços para aproximar temas relevantes

do dia a dia dos trabalhadores e

empresários da construção civil.

Para os empresários e gestores, o conhecimento

financeiro permite um controle

mais eficiente do fluxo de caixa, evitando

paralisações por falta de capital e reduzindo

riscos de endividamento. Além disso,

possibilita decisões estratégicas sobre

investimentos em tecnologia, maquinário e

capacitação da equipe, garantindo o cumprimento

de prazos e contratos. O presidente

do Sinduscon Paraná Oeste, Ricardo

Parzianello, reforça:

“Uma empresa organizada financeiramente

é uma empresa capaz de investir em

crescimento e inovação, mantendo obras

dentro do cronograma e trabalhadores

motivados.”

Para os trabalhadores, a educação financeira

ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade

relacionados a dívidas ou imprevistos,

aumentando o foco e a assiduidade no canteiro

de obras. A terceira coordenadora do

Comitê de Responsabililidade Social, Ana

Damasio, comenta:

“Quando o trabalhador consegue planejar

sua vida financeira, ele se dedica mais às

tarefas diárias, participa de capacitações e

contribui para a qualidade e eficiência das

obras.”

A coordenadora do Comitê de Responsabilidade

Social, Sílvia Vendramin, destaca

que o projeto cumpre uma função transformadora:

“A educação financeira vai além dos

números. Ela proporciona liberdade, segurança

e perspectivas de futuro para as

famílias da construção civil. Quando o trabalhador

entende como organizar suas

finanças, ele conquista mais qualidade de

vida, e isso se reflete em motivação e produtividade

no trabalho. É uma mudança que

beneficia a todos.”

Segundo ela, programas de educação

financeira voltados para todos os níveis

do setor não são apenas uma iniciativa de

valorização profissional, mas também uma

estratégia de crescimento sustentável. Ao

fortalecer tanto patrões quanto trabalhadores,

o setor da construção civil se torna

mais eficiente, competitivo e capaz de gerar

empregos e investimentos de qualidade no

Paraná.

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste 13


A educação financeira é essencial para todos nós. Ao gastar menos do que você ganha e poupar 10% do seu salário,

você cria uma reserva para emergências, planeja a compra da casa própria ou a viagem dos seus sonhos, e garante

um futuro mais tranquilo para sua família. Incentivar a educação financeira nas empresas é um investimento inteligente.

Funcionários que entendem como administrar seu dinheiro são mais focados, menos estressados e mais produtivos,

o que beneficia a empresa como um todo. Ofereça workshops, palestras e materiais educativos para seus

colaboradores. Com organização, disciplina e as ferramentas certas, a independência financeira se torna uma meta

alcançável. Comece hoje mesmo a plantar as sementes do seu futuro financeiro.

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A educação financeira é, sem dúvida, fundamental para todos nós. Ao gastar menos do que você ganha e reservar

10% do seu salário, você não apenas cria uma reserva útil para emergências, mas também se prepara para realizar

sonhos, como a compra da casa própria ou a tão desejada viagem. Essa prática contribui para garantir um futuro

mais tranquilo e seguro para sua família. Incentivar a educação financeira nas empresas é um investimento estratégico

e inteligente. Funcionários que compreendem como administrar seu dinheiro tendem a ser mais focados, menos

estressados e, consequentemente, mais produtivos. Isso gera um impacto positivo que se reflete em toda a organização,

promovendo um ambiente de trabalho mais saudável e eficiente. Oferecer workshops, palestras e materiais

educativos é uma excelente forma de capacitar seus colaboradores. Com organização, disciplina e as ferramentas

adequadas, a independência financeira se torna uma meta totalmente alcançável.

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O encontro sobre Educação Financeira foi extremamente enriquecedor para nossa equipe. Durante a discussão, ficou

claro que, ao aprendermos sobre a melhor forma de lidar com o dinheiro, os colaboradores não apenas ganham tranquilidade

e organização, mas também desenvolvem uma sensação de segurança que impacta positivamente tanto

em suas vidas profissionais quanto pessoais. Quando cada membro da equipe alcança um maior equilíbrio financeiro,

isso se reflete diretamente no ambiente de trabalho, tornando-o mais produtivo e colaborativo. A harmonia financeira

contribui para que as pessoas se sintam mais motivadas e focadas em suas tarefas, resultando em um desempenho

superior e em um clima organizacional mais saudável. Além disso, essa iniciativa não traz benefícios apenas em nível

individual, mas fortalece a equipe como um todo, promovendo um sentimento de união e apoio mútuo. Agradecemos

sinceramente ao Sinduscon e à Sicredi por proporcionar essa oportunidade valiosa e por seu compromisso em

melhorar a vida de todos nós.

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3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


Experiências unem teoria, prática e inovação

Junho foi um mês de descobertas, troca de saberes e inspiração para os profissionais da construção civil que participaram das iniciativas

promovidas pelo Comat – Comitê de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade do Sinduscon Paraná Oeste. A realização do

Workshop: Tecnologias Estruturais em Concreto – Análise e Comparações foi um marco de excelência e serviu como inspiração para empresas

e profissionais que enxergam longe.

Em duas datas marcantes — 13 e 26 de junho — o comitê reuniu associados e especialistas em encontros que se complementaram: primeiro,

uma imersão em campo, com visita técnica a obra do Ed. Square Life Center, em Cascavel; depois, um workshop de alto nível, realizado

no auditório do Sinduscon, que aprofundou os debates sobre tecnologias estruturais em concreto.

O resultado? Um ambiente pulsante de ideias, com inspirações vindas diretamente dos canteiros de obra e reflexões estratégicas que

apontam para o futuro do setor.

O canteiro como sala de aula

Na visita técnica, os profissionais foram

recebidos em um empreendimento ousado:

duas torres de uso misto, residencial e comercial,

que serviram de palco para uma

verdadeira aula prática sobre inovação.

Cada detalhe observado revelava soluções

capazes de transformar o dia a dia das

obras. As lajes protendidas, por exemplo,

demonstraram sua força ao vencer grandes

vãos com menos pilares, otimizando espaço,

tempo e materiais. O aço CA-70, aliado

à racionalização estrutural, mostrou como

a tecnologia pode reduzir interferências e

agilizar processos. Já os escoramentos metálicos

modulares chamaram atenção pela

segurança e rapidez, substituindo os antigos

de madeira. E a logística vertical com gruas

confirmou seu papel de protagonista na eficiência

dos canteiros modernos.

“Foi uma oportunidade de observar, na

prática, tecnologias que estão transformando

a maneira de construir. A visita nos

permitiu discutir alternativas que aumentam

a produtividade e reduzem desperdícios”,

destacou José Eduardo Tortelli, segundo coordenador

do Comat.

Mais do que máquinas e técnicas, a visita

foi um convite à reflexão: diante da escassez

de mão de obra qualificada, a industrialização

desponta como caminho natural

para manter a competitividade e garantir

qualidade.

Conhecimento que conecta

Duas semanas depois, a energia do canteiro

de obras migrou para o auditório do

Sinduscon. Ali, em clima de entusiasmo, empresários,

engenheiros e técnicos participaram

do Workshop Tecnologias Estruturais

em Concreto – Análises e Comparações.

O evento reuniu um time de especialistas

renomados, que compartilharam visões

práticas e estratégicas. O engenheiro

Maurício André Rietter (Lever Protensão)

apresentou os ganhos de produtividade do

concreto protendido, enquanto o engenheiro

Airton Trizoti Silveira (Conceito Brasil Pré-

-Fabricados) detalhou os avanços da industrialização

com peças pré-fabricadas. Já o

engenheiro Rodrigo Anastácio Favero (SF

Empreendimentos) trouxe para a mesa sua

experiência direta com os sistemas de parede

de concreto, enriquecendo a discussão

com vivências do dia a dia.

O engenheiro Eduardo Sakata, convidado

especial, fez a ponte entre os dois encontros

ao relatar impressões da visita técnica,

mostrando como teoria e prática se completam

quando o objetivo é inovar.

De acordo com Fabiola Gnoato, coordenadora

do Comat, a receptividade superou

expectativas: “Recebemos um retorno muito

positivo dos participantes. O questionário de

avaliação mostrou grande satisfação com

o conteúdo, a organização e a qualidade

das palestras. Muitos destacaram a troca

de experiências, o contato com profissionais

experientes e a possibilidade de conhecer

novas tecnologias como pontos altos do encontro.”

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste 15


Jornada coletiva de transformação

Mais do que eventos isolados, a visita técnica e o workshop formaram uma jornada integrada de aprendizado coletivo. Primeiro, os participantes

viram de perto como as tecnologias estão mudando os canteiros; depois, puderam aprofundar conceitos, trocar experiências e

refletir sobre como adaptar essas soluções ao seu próprio contexto de atuação.

Essa combinação — campo e teoria, prática e debate — é a essência do trabalho do Comat: criar pontes entre inovação e aplicabilidade,

entre visão estratégica e execução no dia a dia.

Com iniciativas assim, o Sinduscon Paraná Oeste reforça seu compromisso de liderar a difusão de conhecimento e inovação na construção

civil regional, preparando empresas e profissionais para os desafios de um setor em constante transformação.

E, ao final, a sensação compartilhada por todos os participantes foi a de que a construção do futuro já começou — e que cabe a cada

profissional ser protagonista dessa mudança

16

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


Componentização: a transformação que

redefine a construção civil

Junho foi um mês de descobertas, troca

de saberes e inspiração para os profissionais

da construção civil que participaram das

iniciativas promovidas pelo Comat – Comitê

de Materiais, Tecnologia, Qualidade e

Produtividade do Sinduscon Paraná Oeste.

A realização do Workshop: Tecnologias Estruturais

em Concreto – Análise e Comparações

foi um marco de excelência e serviu

como inspiração para empresas e profissionais

que enxergam longe.

Em duas datas marcantes — 13 e 26 de

junho — o comitê reuniu associados e especialistas

em encontros que se complementaram:

primeiro, uma imersão em campo,

com visita técnica a obra do Ed. Square Life

Center, em Cascavel; depois, um workshop

de alto nível, realizado no auditório do Sinduscon,

que aprofundou os debates sobre

tecnologias estruturais em concreto.

O resultado? Um ambiente pulsante de

ideias, com inspirações vindas diretamente

dos canteiros de obra e reflexões estratégicas

que apontam para o futuro do setor.

Transformar o canteiro em uma linha de

montagem exige mudança de mentalidade:

a construtora assume o comando do processo,

coordena fornecedores e padroniza

etapas produtivas. Essa reorganização reduz

a complexidade de grandes projetos e

aumenta a eficiência, aproximando o setor

de modelos industriais já consolidados.

A componentização também altera a

experiência do trabalhador. Operários deixam

de executar tarefas artesanais para

atuar como montadores de componentes

padronizados, em um modelo mais previsível

e coordenado. Essa mudança contribui

para qualificação profissional e pode atrair

novas gerações para o setor.

Luiz Henrique Ceotto, engenheiro civil e

pesquisador em processos construtivos inovadores,

destaca que a prática requer planejamento,

integração entre fornecedores

e construtoras, e adaptação dos processos

de compras. Segundo ele, a industrialização

do setor é inevitável e a adoção de componentes

pré-fabricados é a forma mais

consistente de reduzir retrabalho, otimizar

recursos e aumentar a produtividade.

A componentização não é apenas uma

técnica; é uma estratégia para transformar

a construção civil em um setor mais racional,

integrado e previsível. Projetos complexos,

que antes dependiam de centenas de contratos

e processos fragmentados, passam a

ser coordenados com clareza, minimizando

riscos e desperdícios.

Luiz Henrique Ceotto

O futuro da construção civil será construído

com peças prontas, montadas de forma

organizada e eficiente. Para construtoras,

fornecedores e profissionais, compreender

e adotar a componentização é mais do

que uma oportunidade: é uma maneira de

se preparar para o próximo capítulo da indústria,

em que planejamento, tecnologia e

integração ditam os resultados.

A componentização transforma o canteiro

em linha de montagem e redefine o papel

de todos os envolvidos. Quem compreender

essa mudança estará apto a construir de

forma mais rápida, eficiente e sustentável.

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste 17


Construção Oeste - Como podemos definir, de

forma simples, o que é componetização na construção

civil?

Luiz Henrique Ceotto - O termo ‘componentização”

foi criado pelo eng. José Carlos Martins,

ex-presidente da Cbic, e ele por si só define de

forma clara a construção industrializada baseada

numa arquitetura aberta onde componentes desenvolvidos

pela indústria são unidos por parafuso

e cola no canteiro de obras, para uma construção

de alta produtividade.

Construção Oeste - Qual é a diferença entre

componetização, pré-fabricação e industrialização

da construção?

Luiz Henrique Ceotto - A componentização é a

pré-fabricação de partes da construção em indústrias

para serem montadas em canteiro. É

uma forma de industrializar a construção onde

a visão tradicional do material de construção é

substituída pelo material “pré-engenheirado”,

com modulações dimensionais e conexões desenvolvidas

de forma a serem unidas com outras

partes da edificação de uma forma bem definida

num processo construtivo racional, testado e de

alta produtividade, evitando-se praticas artesanais

normalmente usadas nos materiais de construção.

Construção Oeste - Em que momento a componetização

começou a ganhar força no Brasil e

quais fatores aceleraram esse processo?

Luiz Henrique Ceotto - Embora tenhamos disponíveis

muitos tipos de componentes no mercado

brasileiro, a componentização ainda não ganhou

tração suficiente no Brasil. Foi o processo mais

adotado nos EUA, Canadá e grande parte da

Europa nos últimos 100 anos provocando nesses

países grandes ganhos de produtividade. Acreditamos

que essa forma de desenvolver a a industrialização

da construção seja a que poderá ser

adotada com maior amplitude em nosso mercado.

Construção Oeste - Quais são os principais ganhos

em termos de produtividade, custos e prazos

ao adotar a componetização?

Luiz Henrique Ceotto - A produtividade é alcançada

por evitar improvisos na construção. Todas

os componentes fabricados teriam alta precisão

no seu processo de fabricação bem como seu

processo de transporte e fixação em obra. Produtividade

em obra só é possível através da precisão

de seus componentes e processos construtivos

bem definidos e seguros.

Construção Oeste - Que desafios ainda existem

para que as construtoras implementem esse modelo

em larga escala?

Luiz Henrique Ceotto - O mercado de componentes

precisa se desenvolver bem como a formação

dos arquitetos e demais projetistas para poder

utilizá-los. As indústrias de materiais de construção

têm que mudar da visão do material para a

do material pré-engenheirado, com muito mais

valor agregado. Precisam entender as dificuldades

das condições do canteiro de obra e de seu

acesso de modo a poderem desenvolver componentes

adequados às construtoras. Precisam

desenvolver esses componentes entendendo as

necessidades das construtoras.

Construção Oeste - Há algum exemplo de obra

ou projeto de destaque em que a componetização

trouxe resultados significativos?

Luiz Henrique Ceotto - Toda alta produtividade

alcançada na construção do pós-guerra na Europa

nos países desenvolvidos foi baseada na

“componentização”. Aqui no Brasil existem vários

exemplos de enormes ganhos de produtividade

na construção em aço, em pré-moldados

de concreto (estruturas e fachadas), armaduras

cortadas, dobradas e montadas em usinas, kits

hidráulicos, chicotes elétricos, portas-prontas e

esquadrias padronizadas. Nas minhas obras, a

produtividade chegou a triplicar ao serem projetadas

e construídas usando o conceito da componentização.

Construção Oeste - Como a componetização

pode contribuir para reduzir desperdícios e melhorar

a sustentabilidade na construção?

Luiz Henrique Ceotto - A componentização evita

o improviso e minimiza os costumeiros arremates

da construção convencional. Os arremates nada

mais são do que demolir parte do serviço anterior

para ajustar e prosseguir com o serviço seguinte.

Isso causa desperdício de mão de obra e a geração

de entulhos. Na construção convencional

geramos algo em torno de 200 a 250 litros de entulho

por m2 de área construída. Na construção

componentizada podemos diminuir para 20 a 25

litros por m2. Essa é uma redução importante no

impacto da construção civil no meio ambiente.

Também é possível reduzir muito o consumo de

água e de energia nesse processo. Na sustentabilidade

humana, a componentização possibilita

aumentar muito a segurança do trabalho, a redução

de trabalhos penosos, com uso de muita

força, atmosfera com muito pó, bem como aumentar

a remuneração dos trabalhadores pelo

grande ganho de produtividade.

Construção Oeste - Qual é o papel da mão de

obra nesse novo modelo produtivo? Exige mais

qualificação?

Luiz Henrique Ceotto - Exige mais qualificação,

mas essa qualificação é mais rapidamente obtida

do que em processos artesanais. As qualificações

necessárias em processos artesanais pouco

sistematizados são feitas em processos longos

que levam anos. Em processos industrializados

sistematizados são necessários poucos meses de

aprendizado.

Construção Oeste - De que maneira a componetização

pode influenciar a competitividade das

empresas regionais frente às grandes construtoras

nacionais?

Luiz Henrique Ceotto - A componentização é um

sistema de industrialização aberto, que não necessita

de grandes investimentos por parte das

construtoras uma vez que os componentes estão

disponíveis no mercado. O investimento necessário

é no domínio dos componentes e processos

disponíveis além da sua apropriação nos projetos,

nas obras e no planejamento. A outra alternativa

de industrialização é o sistema fechado onde

a indústria assume o projeto, incorporação e sua

própria construção, montando diretamente suas

próprias obras em módulos 3D ou painéis 2D. Nesse

caso são necessários grandes investimentos

em fábricas, testes de protótipos, etc. Embora

possam atingir altos índices de produtividade, a

industrialização fechada tende a possuir poucas

alternativas de produtos arquitetônicos além de

ser e mais voltada (atualmente) a habitação popular

de poucos pavimentos.

Construção Oeste - Como a componetização se

conecta com outras inovações, como BIM, construção

modular e impressão 3D?

Luiz Henrique Ceotto - Na componentização é

muito importante que os componentes sejam

representados em bibliotecas BIM de maneira a

poderem ser corretamente analisados na fase de

projeto e planejamento. As simulações de planejamento

em “gêmeos digitais” ajudam muito na

fase de projeto, simulando sequencias de montagem

e interferência com outros componentes e

sistemas. A industrialização fechada em módulos

3D pode também utilizar componentes da industrialização

aberta nos seus processos de produção.

Construção Oeste - Quais barreiras regulatórias,

culturais ou de mercado ainda precisam ser superadas

para o avanço desse modelo no Brasil?

Luiz Henrique Ceotto - A principal barreira é a cultural.

A compreensão de que a industrialização de

componentes depende principalmente da escala

de produção e da padronização das soluções

de projetos ainda não é muito difundida e aceita

nos profissionais de projeto, principalmente pelos

arquitetos. Temos que formar arquitetos para a

industrialização de maneira a concebermos projetos

industrializáveis. Sem produzirmos escala

de componentes padronizados em edifícios, não

evoluiremos na componentização. e em consequência

a própria industrialização.

Construção Oeste - Que visão o senhor tem para

os próximos dez anos da componetização na

construção civil?

Luiz Henrique Ceotto - A evolução da componentização

dependerá de dois fatores importantes:

a capacitação dos projetistas (principalmente os

arquitetos) e a organização do setor para que

empresas possam oferecer componentes com

uniformidade geográfica. Nesse ponto as entidades

setoriais são fundamentais nesse processo ao

facilitar diálogo entre o setor industrial, financeiro

e a construção, bem como oferecer governança

ao processo de industrialização para um setor

muito pulverizado como o nosso.

QUEM É

Luiz Henrique Ceotto é engenheiro civil com mestrado

em Engenharia de Estruturas pela USP, com

mais de 40 anos de carreira, possui também o

Executive Certificate in Strategy and Innovation

pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology).

Atual membro do RICS (Royal Institution of

Chartered Surveyors), atuou na Tishman Speyer

como Managing Director e Head of Design and

Construction; na Encol, liderou as atividades de

construção e de desenvolvimento tecnológico.

Somando-se à sua experiência na Inpar Incorporação,

alcança um total de mais de 800 prédios

construídos sob sua orientação. Isso sem mencionar

sua experiência acadêmica: professor visitante

da POLI-USP, tem 2 livros publicados, além de

artigos diversos.

18

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


O momento é bom para a pejotização,

mas cautela é importante às empresas

A pejotização é um dos assuntos que

atraem a atenção de empresários dos mais

diferentes setores. Para esclarecer dúvidas

que ainda existem sobre o tema, o advogado

trabalhista Joaquim Pereira Alves Júnior,

assessor jurídico e coordenador do Comjur

(Comitê Jurídico) do Sinduscon Paraná

Oeste, faz apontamentos sobre o assunto.

Com base nas mais recentes decisões do

STF, Joaquim informa que o momento atual

é favorável à pejotização mas que, devido à

insegurança jurídica que existe no País, cautela

e análises criteriosas são fundamentais

para evitar passivos trabalhistas. Há poucos

anos, a contratação utilizando esse recurso

era bastante arriscada, conforme Joaquim,

mas o cenário mudou com decisões

recentes do Supremo Tribunal Federal. Os

entendimentos começaram a ser pacificados

com o reconhecimento da terceirização

e, mais recentemente, com a decisão de

que os julgamentos de ações, por supostas

fraudes, devem ser feitos com base no que

foi estipulado no contrato de prestação de

serviços. Em abril deste ano, o ministro Gilmar

Mendes suspendeu todos os processos

que têm discussão sobre a pejotização. Está

prevista para o mês de setembro audiência

pública na qual haverá um amplo debate

técnico entre as partes para aprofundar

entendimentos e decisões sobre o assunto.

Transição

Mesmo que o momento seja bom, Joaquim

diz que o período ainda é de transição

para a pejotização e que análises rigorosas

e cautela são necessárias para decidir

o que a empresa deve fazer. “Há casos em

que sim, a redução de encargos trabalhistas

com a contratação de prestador de

serviços, por exemplo, mostra-se vantajosa

para a empresa. No entanto, é fundamental

observar alertas e prestar atenção a detalhes

para evitar passivos trabalhistas que

poderão existir em algumas situações”.

DEPOIMENTOS

A possibilidade de contratação de pessoas jurídicas realmente contribuiu para dar maior

dinamismo ao mercado de trabalho na construção civil. Essa abordagem permite que

as empresas se adaptem rapidamente às necessidades do setor, especialmente em um

ambiente que frequentemente enfrenta variações na demanda por serviços. Assim, as

construtoras podem contar com profissionais qualificados para projetos específicos, sem

a necessidade de criar vínculos empregatícios permanentes. Além disso, essa mudança

regulariza as relações de trabalho, permitindo que profissionais que prestam serviços

especializados se formalizem como empresas. Isso não só traz benefícios para os trabalhadores,

que podem ter mais controle sobre suas atividades e rendimentos, mas

também para as construtoras, que podem contar com uma mão de obra mais flexível

e especializada. Outro aspecto importante é a redução dos passivos trabalhistas. Ao

optar pela pejotização, as empresas conseguem minimizar os riscos associados a processos

trabalhistas, uma vez que as relações contratuais são mais claras e definidas. Isso

promove uma maior segurança entre as partes, já que tanto os prestadores de serviços

quanto as construtoras têm uma compreensão melhor de seus direitos e deveres, contribuindo

para um ambiente de trabalho mais saudável.

CELSO FINGER - FOCO CONSTRUTORA E PRÉ-FABRICADOS

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste 19


“A pejotização muitas vezes é vista de forma pejorativa, pois pode transmitir a

ideia de que se busca apenas reduzir responsabilidades trabalhistas para cortar

custos. No entanto, o objetivo correto deve ser outro: otimizar despesas sem abrir

mão da qualidade do serviço e mantendo uma contabilidade adequada. A grande

vantagem da terceirização, nesse contexto, é justamente permitir uma redução

dos custos gerais da obra, preservando a remuneração justa de cada profissional

envolvido — sejam encanadores, pedreiros, carpinteiros ou equipes especializadas

em alvenaria e acabamento. Assim, o valor final da construção pode ser mais competitivo,

sem prejudicar quem executa o trabalho. Mas existe um benefício ainda

mais importante: a especialização compartimentada. Ou seja, em vez de equipes

generalistas, a obra pode contar com profissionais altamente especializados em

cada etapa — como reboco, regularização de superfícies, tratamento de juntas,

execução de fachadas ou aplicação de reboco projetado. Esse modelo, que há duas

décadas era visto com desconfiança e enfrentava barreiras legais e sindicais, hoje

é muito mais viável e aceito no setor. Na prática, isso significa que uma construtora

pode contratar diretamente empresas ou equipes especializadas em carpintaria,

alvenaria, vedação ou instalações, recolhendo os impostos de forma correta

e transparente. O resultado é um ciclo virtuoso: serviços melhor executados, prazos

mais curtos, equipes melhor remuneradas e obras de maior qualidade. É claro

que, ao longo do tempo, o custo da construção civil pode subir. Mas, nesse caso, o

aumento se justifica: ele decorre do ganho em qualidade e do aprimoramento da

remuneração dos profissionais, fortalecendo todo o setor.”

RICARDO LORA E MARIANA GUAIJARDI LORA - BASTIAN E LORA CONSTRUTORA

A pejotização muitas vezes é vista de forma pejorativa, pois pode transmitir a ideia

de que se busca apenas reduzir responsabilidades trabalhistas para cortar custos.

No entanto, o objetivo correto deve ser outro: otimizar despesas sem abrir mão da

qualidade do serviço e mantendo uma contabilidade adequada. A grande vantagem

da terceirização, nesse contexto, é justamente permitir uma redução dos

custos gerais da obra, preservando a remuneração justa de cada profissional envolvido

— sejam encanadores, pedreiros, carpinteiros ou equipes especializadas em

alvenaria e acabamento. Assim, o valor final da construção pode ser mais competitivo,

sem prejudicar quem executa o trabalho. Mas existe um benefício ainda

mais importante: a especialização compartimentada. Ou seja, em vez de equipes

generalistas, a obra pode contar com profissionais altamente especializados em

cada etapa — como reboco, regularização de superfícies, tratamento de juntas,

execução de fachadas ou aplicação de reboco projetado. Esse modelo, que há duas

décadas era visto com desconfiança e enfrentava barreiras legais e sindicais, hoje

é muito mais viável e aceito no setor. Na prática, isso significa que uma construtora

pode contratar diretamente empresas ou equipes especializadas em carpintaria,

alvenaria, vedação ou instalações, recolhendo os impostos de forma correta

e transparente. O resultado é um ciclo virtuoso: serviços melhor executados, prazos

mais curtos, equipes melhor remuneradas e obras de maior qualidade. É claro

que, ao longo do tempo, o custo da construção civil pode subir. Mas, nesse caso, o

aumento se justifica: ele decorre do ganho em qualidade e do aprimoramento da

remuneração dos profissionais, fortalecendo todo o setor.

MATEUS COSTA BESSA – ETHOS ENGENHARIA

A pejotização na indústria da construção civil é um tema que tem ganhado destaque

nos últimos anos. Quando falo sobre isso, percebo que muitas pessoas têm curiosidade

sobre como esse modelo de contratação funciona. Basicamente, a pejotização

envolve a contratação de profissionais por meio de pessoas jurídicas, em vez

de vínculos empregatícios diretos. Esse modelo traz algumas particularidades. Para

muitos trabalhadores, a pejotização pode oferecer uma certa flexibilidade, além

de possibilidades de ganhos que podem ser atraentes. No entanto, é importante

ressaltar que essa forma de contratação também pode acarretar desafios, especialmente

em relação a direitos trabalhistas e benefícios. Ao observar a dinâmica do

setor, noto que a pejotização é uma estratégia adotada por várias empresas para

lidar com a demanda de mão de obra. Isso pode ser visto como uma forma de otimizar

custos e adaptar-se às flutuações do mercado. Por fim, acredito que a discussão

sobre a pejotização deve continuar, considerando as experiências e realidades

de todos os envolvidos. Cada perspectiva traz uma nova camada de entendimento

sobre como esse modelo impacta o dia a dia na construção civil.

ALEXSANDER HERBERT SCHLINDWEIN - MACRO CONSTRUÇÕES E ENGENHARIA

20

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste 21


A força industrial do Oeste do Paraná:

Toledo e Cascavel como polos estratégicos

O Oeste do Paraná consolidou-se como uma das regiões mais dinâmicas do país na geração de empregos industriais e na interiorização

do desenvolvimento. Com forte base agroindustrial, aliada à diversificação em setores como móveis, máquinas agrícolas, vestuário e

biotecnologia, o território concentra números impressionantes: apenas em Toledo e Cascavel, são 112.479 empregos formais na indústria de

extração e transformação, conforme dados da RAIS 2024.

Essa pujança é sustentada não apenas pela escala de produção, mas por uma rede de 185 áreas industriais espalhadas por 52 municípios

da região. A estrutura garante capilaridade, fortalece cadeias produtivas e projeta o Oeste do Paraná como protagonista nacional na indústria

de alimentos, tecnologia e inovação.

A força industrial do Oeste do Paraná:

Toledo e Cascavel como polos estratégicos

O Oeste do Paraná consolidou-se como

uma das regiões mais dinâmicas do país

na geração de empregos industriais e na

interiorização do desenvolvimento. Com

forte base agroindustrial, aliada à diversificação

em setores como móveis, máquinas

agrícolas, vestuário e biotecnologia, o território

concentra números impressionantes:

apenas em Toledo e Cascavel, são 112.479

empregos formais na indústria de extração

e transformação, conforme dados da RAIS

2024.

Essa pujança é sustentada não apenas

pela escala de produção, mas por uma rede

de 185 áreas industriais espalhadas por 52

municípios da região. A estrutura garante

capilaridade, fortalece cadeias produtivas

e projeta o Oeste do Paraná como protagonista

nacional na indústria de alimentos,

tecnologia e inovação.

A HEGEMONIA DA PROTEÍNA ANIMAL

O setor de abate de suínos, aves e outros

pequenos animais domina a matriz produtiva

regional. Em conjunto, Toledo e Cascavel

concentram 52.019 empregos nessa atividade,

o equivalente a 46,25% do total industrial

dos dois municípios.

- Em Cascavel, são 31.767 postos, ou 49,3%

do emprego industrial local.

- Em Toledo, 20.252 empregos, ou 42,1% do

total da cidade.

Esse protagonismo confirma a vocação

do Oeste como polo mundial da proteína

animal processada, abastecendo tanto o

mercado interno quanto exigentes consumidores

internacionais.

“O que vemos aqui é a prova de que a

agroindústria é mais do que uma vocação: é

o motor que gera trabalho, renda e desenvolvimento

sustentável para o Oeste do Paraná”,

afirma Ricardo Parzianello, presidente

22

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


do Sinduscon Paraná Oeste.

ESTRUTURAS PRODUTIVAS DISTINTAS

Embora compartilhem a hegemonia da

proteína, Toledo e Cascavel têm perfis industriais

complementares. Cascavel soma

64.406 empregos em 4.902 estabelecimentos,

com média de 13,1 empregados por

unidade — reflexo da presença de plantas

industriais de grande porte, como frigoríficos,

fabricantes de carrocerias e fábricas de

máquinas agrícolas.

Toledo, por sua vez, reúne 48.073 empregos

em 7.606 estabelecimentos, média

de 6,3 empregados por unidade, caracterizando

um parque industrial mais pulverizado,

com destaque para pequenas e médias

empresas. A cidade também abriga a maior

concentração de empregos na fabricação

de medicamentos para uso humano (4.312),

fortemente alavancada pelo Biopark, consolidando

um polo emergente em biotecnologia.

“O Biopark tem mostrado que Toledo não

é apenas agroindústria. É também inovação,

saúde e tecnologia, setores que garantem

o futuro da nossa economia”, destaca o

prefeito Mario Costenaro.

INTERIORIZAÇÃO E CAPILARIDADE

REGIONAL

O mapa industrial do Oeste revela uma

estratégia de interiorização bem-sucedida.

Entre os 185 parques e áreas industriais

identificados, os municípios de Santa Tereza

do Oeste (17), Marechal Cândido Rondon (11),

Cascavel (9), Nova Aurora (8), Foz do Iguaçu

(7) e Toledo (7) lideram o ranking.

“Cascavel é hoje um polo de desenvolvimento

que não para de crescer, mas também

cumpre um papel de irradiar oportunidades

para municípios vizinhos. A indústria

aqui instalada gera empregos diretos e fortalece

cadeias logísticas, de serviços e comércio

em toda a região”, afirma o prefeito

Renato Silva.

Em Foz do Iguaçu, cidade conhecida

mundialmente pelo turismo e pela Itaipu

Binacional, o parque industrial também ganha

relevância crescente. “Nosso desafio é

diversificar a economia e, para isso, a indústria

é peça-chave. O setor traz estabilidade,

inovação e oportunidades para além do turismo

e da energia”, reforça o prefeito General

Joaquim Silva e Luna.

DESAFIOS E PERSPECTIVAS

- A liderança agroindustrial traz consigo responsabilidades e desafios:

- Ambientais: maior demanda por tratamento de efluentes e uso sustentável da água.

- Sanitários: reforço em biossegurança para manter padrões internacionais.

- Logísticos: necessidade de infraestrutura moderna, com foco em cadeias de frio e transporte

rápido.

- Tecnológicos: atração de indústrias de maior valor agregado, como biotecnologia, máquinas

inteligentes e TI aplicada à produção.

Nesse contexto, o Sinduscon Paraná Oeste reforça o papel da construção civil como parceira

essencial no desenvolvimento regional. Novas plantas industriais, ampliações de parques

e centros tecnológicos exigem soluções modernas e sustentáveis de infraestrutura.

SINERGIA

PUJANÇA

- Toledo: 48.073 empregos | 7.606 estabelecimentos | média 6,3

empregados/unidade

- Cascavel: 64.406 empregos | 4.902 estabelecimentos | média 13,1

empregados/unidade

- Total combinado: 112.479 empregos | 12.508 estabelecimentos |

média 9 empregados/unidade

SETORES EM DESTAQUE (EMPREGOS COMBINADOS)

- Abate de suínos, aves e pequenos animais: 52.019 (46,25%)

- Fabricação de medicamentos: 4.312 (3,83%)

- Confecção de vestuário: 4.192 (3,73%)

- Alimentos para animais: 3.311 (2,94%)

- Pescado: 3.246 (2,89%)

- Móveis de madeira: 2.910 (2,59%)

- Máquinas agropecuárias: 2.857 (2,54%)

PARQUES INDUSTRIAIS — OESTE DO PARANÁ

- 185 áreas industriais

- 52 municípios

- Destaques: Santa Tereza do Oeste (17), Marechal Cândido Rondon

(11), Cascavel (9), Toledo (7), Foz do Iguaçu (7).

O panorama industrial do Oeste do Paraná confirma que a região é protagonista nacional

em produção, inovação e geração de empregos. Toledo e Cascavel somam forças em setores

estratégicos, enquanto a interiorização garante que 52 municípios também se beneficiem

do processo. A missão agora é equilibrar escala e sustentabilidade, fortalecer cadeias

locais e atrair investimentos de maior valor agregado. Como sintetiza Ricardo Parzianello: “O

desafio está em transformar números robustos em desenvolvimento equilibrado, capaz de

sustentar as próximas décadas de crescimento do Oeste do Paraná.”

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste 23


Entrevista

Marcos

Troyjo

O Brasil entre policrises e

polioportunidades no cenário global

“O Brasil pode se beneficiar

claramente, ele vai substituir tanto em

escala quanto em agilidade alguns

produtos que estavam sendo vendidos

para os Estados Unidos”

Quem é

O professor Marcos Troyjo é Transformational Leadership

Fellow da Universidade de Oxford e Distinguished Fellow do

Insead. Membro do Conselho do Futuro Global do Fórum

Econômico Mundial, foi presidente do Novo Banco de Desenvolvimento

e Secretário Especial de Comércio Exterior

e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia. foi o

primeiro ocidental a chefiar um organismo internacional

sediado na Ásia e o primeiro brasileiro a presidir um banco

multilateral de desenvolvimento, bem como um dos principais

negociadores do Acordo Mercosul-União Europeia.

Fundou e dirigiu o BRICLab na Universidade Columbia, em

Nova York, onde lecionou relações internacionais. Marcos

Troyjo é um dos brasileiros mais influentes no mundo em

temas relacionados a economias emergentes, megatendências

e o próximo ciclo da globalização. É voz de destaque

em estratégias de como o Brasil pode utilizar suas

vantagens comparativas em mineração, energia, agricultura

e economia verde para construir um futuro intensivo

em tecnologia. Economista, cientista político e diplomata,

é conselheiro de empresas multinacionais e autor de livros

sobre desenvolvimento econômico, relações internacionais

e inovação.

Em um momento em que a geopolítica redefine fluxos comerciais

e cria novas fronteiras de oportunidades, ouvir quem já esteve

no centro das principais negociações internacionais é essencial

para compreender os caminhos que se abrem ao Brasil. Marcos

Troyjo, diplomata, economista e cientista político, acumula uma

trajetória ímpar: foi presidente do Novo Banco de Desenvolvimento,

Secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais

do Ministério da Economia e um dos principais negociadores

do Acordo Mercosul-União Europeia. Primeiro brasileiro a

comandar um banco multilateral de desenvolvimento e primeiro

ocidental a chefiar uma instituição internacional sediada na Ásia,

Troyjo combina visão acadêmica – com passagens por Oxford,

Insead e Columbia – à experiência prática na arena global. Hoje,

é uma das vozes mais influentes sobre economias emergentes,

megatendências e o próximo ciclo da globalização. Consultor

da Fiep, ele analisa como o tarifaço dos Estados Unidos, a guerra

na Ucrânia, a ascensão da China e os gargalos logísticos impactam

diretamente setores estratégicos como a construção civil.

Mais do que mapear riscos, propõe olhar para as chamadas

“policrises” também como “polioportunidades”, identificando no

Brasil um ator capaz de alinhar vantagens comparativas – em

mineração, energia, agricultura e economia verde – a um futuro

intensivo em tecnologia e com maior protagonismo no comércio

internacional. Ao longo da entrevista, Marcos Troyjo mostrou

que o setor da construção civil não deve enxergar o atual cenário

global apenas sob o prisma das incertezas. As crises internacionais,

a volatilidade dos insumos e o protecionismo crescente

podem, de fato, gerar dificuldades, mas também abrem espaço

para reposicionamento competitivo. O Brasil, ao fortalecer

sua infraestrutura, ampliar a eficiência logística e explorar suas

vantagens em segurança alimentar, energética e mineral, pode

transformar restrições em oportunidades. Para isso, será decisivo

combinar a busca por fornecedores alternativos no exterior

com o fortalecimento de capacidades internas, reduzindo vulnerabilidades

e ampliando a previsibilidade dos negócios. Segundo

Troyjo, vivemos uma era marcada pelas “policrises”, em

que diferentes tensões se sobrepõem. No entanto, ao adotar uma

visão estratégica, o Brasil pode convertê-las em “polioportunidades”

— um convite para que empresas, governo e sociedade

civil atuem juntos na construção de projetos robustos, capazes

de atrair capital internacional e impulsionar um novo ciclo de

desenvolvimento. Para a construção civil, isso significa não apenas

superar gargalos conjunturais, mas se consolidar como um

motor de inserção mais competitiva do país no comércio global.

24

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


Construção Oeste - Como o recente tarifaço

imposto pelos Estados Unidos pode afetar

diretamente o setor da construção civil

brasileira, considerando nossa dependência

de insumos importados?

Marcos Troyjo – O tarifaço pode afetar a

construção civil brasileira na medida em que

talvez alguns dos instrumentos utilizados venham

dos Estados Unidos e haja uma dificuldade

maior de transação de lado a lado

sobretudo se o Brasil decidir retaliar com a

imposição o próprio Brasil de tarifas sobre

as importações americanas. Além disso, se

o Brasil compra de outros lugares, no momento

em que ele não pode mais comprar

do Brasil, dos Estados Unidos, ou tem dificuldade

de comprar dos Estados Unidos, isso

pode levar a que vendedores de terceiros

países pratiquem um preço um pouco

maior, sabendo que o Brasil não poderá utilizar

fornecedores norte-americanos.

Construção Oeste - Você acredita que essas

tarifas podem impactar a competitividade

da indústria brasileira, especialmente em

segmentos que utilizam aço e alumínio?

Marcos Troyjo - Sim, as sobretaxas ou restrições

em termos de cotas que diz respeito

às exportações brasileiras de aço e alumínio

de certa forma afetam a competitividade

brasileira do setor. Agora, é claro que isso

vai depender muito de qual é a receptividade

ao produto brasileiro em terceiros mercados.

A minha impressão é que os Estados

Unidos estão arrumando contenciosos

conversais com várias partes do mundo, e

isso vai diminuir a previsibilidade de outros

parceiros em utilizar produtos norte-americanos,

que, a depender do setor, podem ser

substituídos por produtos brasileiros.

Construção Oeste - Há espaço para o Brasil

se beneficiar dessa política protecionista

americana, ocupando mercados que antes

eram abastecidos por outros países?

Marcos Troyjo - Sim, o Brasil pode se beneiciar

claramente, ele vai substituir tanto em

escala quanto em agilidade alguns produtos

que estavam sendo vendidos para os

Estados Unidos, por exemplo, ao mercado

chinês eu acho que isso é verdade em especial

no que diz respeito a produtos do agro

no meu caso de soja carne bovina, milho,

sorgo, carne suína e frango. E eu acho também

que muito da relação entre o Brasil e

a Europa, que é exemplificada pelo Acordo

Mercosul-União Europeia, pode avançar de

forma mais rápida, porque tanto os países

da nossa região, Brasil, Argentina, Uruguai e

Paraguai, quanto os países da União Europeia,

querem diminuir a sua dependência de

um mercado que nesse momento passa por

muita imprevisibilidade, como é o caso do

mercado dos Estados Unidos.

Construção Oeste - A guerra na Ucrânia e

seus desdobramentos têm influenciado preços

e cadeias de suprimento globais. Como

isso reverbera no mercado imobiliário e na

construção civil no Brasil?

Marcos Troyjo - O conflito na Ucrânia e

outros conflitos geopolíticos em torno do

mundo afetam o Brasil no sentido que a tendência

é que insumos energéticos fiquem

mais caros, exista mais dificuldade para o

comércio com países como a Rússia, e em

geral quando há incertezas internacionais

atividades como a construção civil tem

mais dificuldades de deslanchar no entanto

no caso do Brasil mais importante do que

aquilo que acontece geopoliticamente lá

fora para o mercado da construção civil é o

montante de crédito que está à disposição

das famílias ou das empresas internamente.

E nesse aspecto, as famílias e empresas têm

um grande competidor, um grande concorrente

na disputa pelo crédito, que é o governo.

Sobretudo numa situação em que o

governo não se encontra em equilíbrio fiscal

e, portanto, ele precisa se financiar de uma

maneira muito voluptuosa nos mercados de

curto prazo e o O resultado disso tudo é o

encarecimento do preço do dinheiro, mais

dificuldades de oferta de crédito, portanto,

é uma oportunidade muito exígua para

aqueles que querem financiar, por exemplo,

o seu imóvel próprio ou o seu imóvel corporativo

mediante uma carteira de dívida de

mais longo prazo.

Construção Oeste - Quais são os principais

gargalos logísticos internacionais que ainda

afetam a importação de aço, madeira e outros

insumos no Brasil?

Marcos Troyjo - O Brasil se caracterizou nas

últimas décadas por um pequeno investimento

com o percentual do seu PIB no setor

infraestrutural. Isso significa ferrovias de

carga menos ágeis e não tão abundantes,

significa uma capacidade de armazenagem

insuficiente, e significa também operação

portuária aquém do esperado. No entanto,

é verdade que em muitas áreas o Brasil tem

recebido bastante investimento estrangeiro

direto, porque o Brasil é um ator dispensável

no campo da segurança alimentar, no campo

da segurança energética e no campo do

fornecimento de várias commodities minerais,

que s em que o Brasil tem grandes vantagens

comparativas interessante perceber

que mesmo num quadro de mudança de

governo como foi de 2022 para 2023, o fluxo

de investimentos estrangeiros direto ainda

mostra o Brasil como um dos três principais

destinos, justamente por conta desse papel

do Brasil em fornecer segurança alimentar

e segurança de outros insumos, de outras

matérias-primas que são fundamentais, por

exemplo, para a construção civil. Agora, se

nós contássemos com o maior investimento

infraestrutural, que será o resultado justamente

desses aportes mais recentes, onde

o governo brasileiro tem um pequeno papel,

mas o investidor internacional é mais

presente, isso deve levar a uma diminuição

do custo e um encurtamento de prazos nas

operações logísticas.

Construção Oeste - Como o setor da construção

pode se preparar para enfrentar

volatilidades nas cadeias globais de suprimentos?

Marcos Troyjo - É uma combinação de identificar

aqueles setores em que o Brasil tem

capacidades internas, capacidades de qualidade,

de escala, de fornecimento próprio,

e privilegiar essas fontes internas, mas ao

mesmo tempo também entender porque há

uma disputa comercial tão grande lá fora,

por vezes você tem um ou outro fornecedor

que se encontra com um grande estoque de

um determinado insumo e pode ter no Brasil

um parceiro de comércio importante então

a questão aqui é sintonizar bem as capacidades

internas com boas oportunidades

custo-benefício externas.

Construção Oeste - Qual é a tendência global

para políticas comerciais nos próximos

anos? Vamos ver mais protecionismo ou

uma retomada da abertura?

Marcos Troyjo - Durante muito tempo nos últimos

20 anos nós vivemos um mundo intensivo

em globalização nós estamos entrando

agora num cenário que é intensivo em

geopolítica e a geopolítica vai tornar mais

restrito o acesso a alguns grandes mercados

como é o mercado dos Estados Unidos

por outro lado vai abrir outras vias. O Brasil,

como parceiro confiável, pode aumentar a

sua presença em exportações para o continente

asiático, que é o continente que mais

cresce economicamente no mundo. Hoje, de

cada dois dólares que o Brasil exporta, um

já vai para a Ásia. O Brasil pode aumentar a

sua presença no mercado europeu, já que os

europeus também querem criar alternativas

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste 25


de dependência aos Estados Unidos e, portanto,

tendem a aprovar e acelerar a tramitação

para a entrada em vigor do Acordo

Mercosul-União Europeia, que sem dúvida

alguma vai gerar um aumento do fluxo de

bens e serviços entre as duas regiões, mas

deve gerar também um aumento do fluxo

de investimento, formação de joint ventures,

e isso é uma boa notícia para o Brasil.

Construção Oeste - O mercado chinês ainda

é um parceiro confiável para suprir insumos

da construção civil, dado o cenário de

tensões com os EUA?

Marcos Troyjo - A China é um dos principais

atores mundiais, não importa em que setor

falemos. Ela é a maior agricultura do mundo,

é o país que tem o maior percentual do seu

produto interno bruto relacionado à indústria

e à manufatura, é crescentemente um

ator preponderante em determinadas áreas

de tecnologia e esse também é o caso na

oferta de bens para a construção civil. O desafio

aqui não é substituir uma dependência

dos Estados Unidos por uma dependência

chinesa, mas sim evitar uma hiperdependência

à China, de modo que ainda que determinados

produtos possam vir da China,

é importante ter no leque de opções mais

alternativas.

Construção Oeste - O setor da construção

civil pode ser um motor para a inserção mais

competitiva do Brasil no comércio global? O

que seria necessário para isso?

Marcos Troyjo - É sim. O Brasil já chegou a

ocupar em determinados mercados, sobretudo

do norte da África e do Oriente Médio,

um papel importante em obras como aeroportos,

represas, itens de logística em geral.

foi uma época em que alguns dos países

do Oriente Médio tinham grande liquidez

e não queriam depender de fornecedores

europeus ou norte-americanos. O Brasil se

valeu muito disso, é conhecida a capacidade

de algumas construtoras brasileiras em

ocupar esse espaço, mas em anos recentes,

pelas dificuldades no Brasil e também pela

emergência da China, muito disso foi absorvido

pela capacidade de grandes empresas

de construção civil da China. Isso que é um

problema também gera uma oportunidade,

porque muitos desses mercados querem

evitar uma hiperdependência da China e

querem buscar alternativas. Isso pode significar

uma chance bastante grande para o

renascimento da presença internacional das

empresas de construção brasileiras.

Construção Oeste - O senhor poderia apresentar

aos leitores a noção de “policrises” e

como ela se articula com a de “polioportunidades”?

Marcos Troyjo - Economistas, sociólogos

e historiadores estão sempre em busca

de uma palavra ou um conceito que possa

capturar o espírito do tempo — uma frase

que venha a resumir uma série de acontecimentos

que guardam entre si algum tipo de

conexão. Por exemplo, nos anos de 1980, o

grande economista americano-canadense

John Kenneth Galbraith falava sobre “a era

da incerteza”. Agora, mais recentemente,

Adam Tooze, professor da Universidade

Columbia, observou a mais grave crise de

saúde pública desde a gripe espanhola: a

pandemia de covid-19. Com aquela paradeira

na indústria, surgiu um cenário econômico

mais desafiador. Ao mesmo tempo,

muitos identificaram uma espécie de Guerra

Fria 2.0, entre o Ocidente e a China. Tudo

isso representa um desafio crítico, e Tooze

falou: “Bom, nós estamos vivendo ‘policrises’,

um cenário de muitas crises convergindo ao

mesmo tempo”. Fico pensando se essa não

seria a ótica do copo meio vazio. Penso que

existe a possibilidade de olhar para isso com

a perspectiva do copo meio cheio, daí o termo

“polioportunidades”.

Construção Oeste - E quais são as consequências

desses eventos?

Marcos Troyjo - Antes, acho que é o caso

de se fazer uma distinção entre microgeopolítica

e macrogeopolítica. A primeira se

refere a eventos muito impactantes que

transcorrem num arco de tempo curto — de

quatro ou cinco anos. Já a macrogeopolítica

diz respeito a eventos que transcorrem

num arco mais longo, em uma geração.

Exemplo de um evento microgeopolítico é

a presidência Trump nos Estados Unidos e

o que ela representa do ponto de vista de

política comercial e política industrial. Se

você tem uma economia que é um quarto

de tudo aquilo que o planeta produz e ela

sofre uma mudança importante, os efeitos

colaterais serão sentidos em toda parte. E

existem eventos macrogeopolíticos, como

oscilação demográfica e queda da natalidade.

Ao mesmo tempo, em alguns países,

ocorrerá um aumento populacional tão brutal

que, no fim das contas, nos próximos 25

anos, o mundo saltará dos atuais 8 bilhões

de pessoas para 10 bilhões de pessoas. Isso

tem grande relevância para a questão dos

recursos naturais, da segurança alimentar,

da segurança energética e da mobilidade

urbana. Outro grande acontecimento macropolítico

é que, cada vez mais, o crescimento

da economia global será puxado

por países emergentes. Quem vai contribuir

é Indonésia, Índia, Vietnã e China. E, quando

você tem um aumento de renda tão

pronunciado a partir de patamares mais

baixos, as pessoas começam a se deslocar

mais, a se alimentar melhor, a consumir mais

energia. Haverá um choque de demanda.

Finalmente, teremos determinadas tecnologias,

como a robótica e a inteligência artificial,

cada vez mais presentes em nossas

vidas. É a ponta de lança da construção do

futuro, mas, ao mesmo tempo, relaciona-se

a aspectos primordiais, como disponibilidade

de água e de energia.

Construção Oeste - Diante desse cenário,

que oportunidades surgem para o Brasil?

Marcos Troyjo - Houve uma dispersão geográfica

daquilo que nós podemos chamar

de fontes de liquidez ou fonte de alocação

de capital de longo prazo. Por exemplo, antes,

em época de eleições, o que os assessores

econômicos dos candidatos faziam? Iam

fazer roadshow em Washington, Nova York,

Londres. Esses centros continuam importantes,

mas, hoje, se você está em busca de

recursos para projetos de infraestrutura, os

centros de liquidez estão em Doha (Catar),

Abu Dhabi (Emirados Árabes), Riad (Arábia

Saudita) e Xangai (China). Ocorre que os

novos centros de liquidez estão posicionados

geograficamente em jurisdições onde

há insegurança energética e alimentar. Se

você joga o Brasil nessa equação, que é um

país que tem insuficiência de investimento

infraestrutural e, por outro lado, grandes

vantagens “ricardianas” em produção agrícola

e energética, então você começa a

estabelecer conexões. Cabe a nós, no Brasil,

o desenho de projetos que vão funcionar

como o ímã para a atração desses investimentos

— em transporte, em geração de

energia, em armazenagem, em irrigação,

em infraestrutura portuária, em infraestrutura

ferroviária. Tudo isso cabe ao Brasil e,

às vezes, a gente tem dificuldade em conceber

esses projetos, em apresentá-los de

uma maneira que faça sentido. O Brasil tem

um longo caminho a percorrer.

26

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


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Bolsa Família no Oeste do Paraná: quase 59 mil

famílias recebem R$ 38 milhões por mês

O programa Bolsa Família tem presença

marcante no Oeste do Paraná. Levantamento

realizado em agosto aponta que

58.948 famílias da região receberam o benefício,

somando R$ 38.078.565,00 em repasses

federais. Os números impressionam

e colocam em evidência a necessidade de

refletir sobre o impacto social e econômico

da política assistencial.

Entre os municípios, Foz do Iguaçu concentra

o maior volume de recursos, com

19.900 famílias beneficiadas e um repasse

de R$ 13,5 milhões. Em seguida aparecem

Cascavel (11.688 famílias, R$ 7,7 milhões) e

Toledo (3.308 famílias, R$ 2,1 milhões). Apenas

nessas três cidades estão 57% dos recursos

regionais.

Outros municípios de porte médio também

se destacam: Assis Chateaubriand

(1.294 famílias, R$ 846,7 mil), Marechal Cândido

Rondon (1.190 famílias, R$ 798,3 mil),

São Miguel do Iguaçu (1.540 famílias, R$ 1,05

milhão) e Medianeira (992 famílias, R$ 648,6

mil). A lista mostra que o programa não se

restringe às maiores cidades, mas alcança

praticamente todos os municípios da região

Oeste.

ASSISTÊNCIA X DESENVOLVIMENTO

Para a coordenadora do Comitê de Responsabilidade

Social do Sinduscon Paraná

Oeste, Sílvia Vendramin, os números revelam

um paradoxo:

“O Bolsa Família tem um papel importante

para famílias em vulnerabilidade, mas o

melhor caminho para o desenvolvimento é

o emprego. Nossa região gera vagas em

diversos setores, especialmente na construção

civil e na indústria. É fundamental que

a sociedade acompanhe de perto a destinação

desses recursos, porque há empregos

de sobra e não podemos permitir que o

benefício estimule a dependência, levando

pessoas a se acostumarem a receber sem

trabalhar”, ressalta.

O alerta ecoa em meio a um cenário de

estagnação nacional. Com a economia fragilizada

e o país em agonia fiscal, sustentar

repasses bilionários em programas sociais

exige debate. Não se trata de negar a relevância

do auxílio, mas de refletir sobre seus

limites.

OPINIÃO DA INDÚSTRIA

O presidente da Federação das Indústrias

do Estado do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos,

reforça a importância de políticas públicas

que favoreçam a geração de empregos

e a qualificação profissional:

“Não é pouco dinheiro num país em agonia

fiscal e com a economia combalida, sem

perspectiva de recuperação efetiva. O setor

produtivo clama por uma estratégia clara

de crescimento, que incentive a competitividade

das empresas e abra espaço para

que mais pessoas saiam da dependência

do assistencialismo. O caminho é fortalecer

a indústria, o agronegócio e a construção

civil como motores de geração de renda e

dignidade”, avalia.

NÚMEROS REGIONAIS

Total de famílias beneficiadas: 58.948

Valor repassado mensalmente: R$ 38.078.565,00

Maior beneficiário: Foz do Iguaçu – 19.900 famílias / R$ 13,5 milhões

Segundo maior beneficiário: Cascavel – 11.688 famílias / R$ 7,7 milhões

Terceiro maior beneficiário: Toledo – 3.308 famílias / R$ 2,1 milhões

28

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


A ENCRUZILHADA

Os números do Bolsa Família no Oeste do Paraná comprovam a dimensão da política de transferência de renda. Ao mesmo tempo, reforçam

o desafio: como conciliar a proteção social às famílias em vulnerabilidade com a necessidade de estimular o emprego formal e o crescimento

sustentável? A resposta pode estar no que defendem lideranças empresariais e sociais da região: fortalecer a economia real, com

investimento em inovação, produtividade e qualificação da mão de obra. Porque, como resume Sílvia Vendramin, “o emprego é o caminho

mais seguro e digno para o desenvolvimento”.

MUNICÍPIO QUANTIDADE DE FAMÍLIAS BENEFICIADAS VALOR REPASSADO

ANAHY 197 R$ 132.167,00

ASSIS CHATEAUBRIAND 1.294 R$ 846.725,00

BOA VISTA DA APARECIDA 822 R$ 552.515,00

BRAGANEY 255 R$ 160.391,00

CAFELÂNDIA 1.003 R$ 654.033,00

CAMPO BONITO 279 R$ 187.764,00

CAPITÃO LEÔNIDAS MARQUES 1.122 R$ 719.092,00

CASCAVEL 11.688 R$ 7.716.501,00

CATANDUVAS 390 R$ 247.345,00

CÉU AZUL 173 R$ 112.535,00

CORBÉLIA 506 R$ 290.281,00

DIAMANTE DO SUL 380 R$ 250.428,00

DIAMANTE DO OESTE 336 R$ 229.855,00

ENTRE RIOS DO OESTE 71 R$ 46.084,00

FORMOSA DO OESTE 218 R$ 134.973,00

FOZ DO IGUAÇU 19.900 R$ 13.536.146,00

GUAÍRA 1.016 R$ 668.774,00

GUARANIAÇU 388 R$ 250.808,00

IBEMA 490 R$ 302.607,00

IGUATU 131 R$ 86.065,00

IRACEMA DO OESTE 110 R$ 65.767,00

ITAIPULÂNDIA 386 R$ 247.279,00

JESUÍTAS 603 R$ 387.578,00

LINDOESTE 546 R$ 370.516,00

MARECHAL CANDIDO RONDON 1.190 R$ 798.308,00

MARIPÁ 105 R$ 58.417,00

MATELÂNDIA 234 R$ 155.096,00

MEDIANEIRA 992 R$ 648.614,00

MISSAL 573 R$ 388.223,00

NOVA AURORA 531 R$ 357.111,00

NOVA SANTA ROSA 263 R$ 172.018,00

OURO VERDE DO OESTE 250 R$ 165.810,00

PALOTINA 969 R$ 609.864,00

PATO BRAGADO 138 R$ 83.611,00

QUATRO PONTES 52 R$ 29.483,00

RAMILÂNDIA 196 R$ 127.077,00

SANTA HELENA 943 R$ 616.980,00

SANTA LUCIA 198 R$ 130.146,00

SANTA TEREZA DO OESTE 826 R$ 537.227,00

SANTA TEREZINHA DE ITAIPU 1.192 R$ 789.244,00

SAO JOSÉ DAS PALMEIRAS 257 R$ 168.190,00

SÃO MIGUEL DO IGUAÇU 1.540 R$ 1.056.845,00

SÃO PEDRO DO IGUAÇU 523 R$ 341.134,00

SERRANÓPOLIS DO IGUAÇU 156 R$ 107.012,00

TERRA ROXA 608 R$ 407.792,00

TOLEDO 3.308 R$ 2.108.155,00

TRÊS BARRAS DO PARANÁ 938 R$ 597.436,00

VERA CRUZ DO OESTE 286 R$ 171.696,00

TUPÃSSI 293 R$ 195.912,00

CONDICIONANTE

Para receber o Bolsa Família, os beneficiários assumem compromissos para continuar recebendo os valores. São as chamadas condicionalidades

em saúde e educação.Na área de saúde, as crianças menores de 7 anos devem cumprir o calendário de vacinação e realizar acompanhamento do

estado nutricional (peso e altura) e as gestantes devem realizar o pré-natal.

Já na área de educação, as crianças, adolescentes e jovens devem frequentar a escola. A frequência escolar mensal mínima varia de acordo com

a idade:

Frequência escolar de 60% para beneficiários de 4 a 6 anos incompletos de idade;

Frequência escolar de 75% para beneficiários de 6 a 18 anos incompletos que não tenham concluído a educação básica (ensino fundamental e

ensino médio). Caso não consiga cumprir as condicionalidades, o beneficiário deve procurar o setor do Bolsa Família ou da Assistência Social (CRAS)

da cidade e explicar a situação. Isso é importante porque a família pode ter o benefício bloqueado ou suspenso, e até mesmo cancelado, se não

estiver cumprindo as condicionalidades de saúde ou de educação. A família pode apresentar justificativas para o descumprimento (como, por

exemplo, um atestado médico para mostrar porque o aluno faltou mais aulas do que o permitido) ou até mesmo procurar ajuda para uma situação

de vulnerabilidade que esteja enfrentando.

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste 29


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3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste 31


COMJUR

Comitê Jurídico

1 º Coordenador

Joaquim Pereira Alves Júnior

2 º Coordenador

Dr. Thiago Lauro De Carli

3 º Coordenador

Vinicius Lorenzi

Momento de intensas

transformações

O ambiente jurídico da construção civil vive um

momento de intensas transformações. Acompanhando

esse cenário, o Comitê Jurídico

(Comjur) do Sinduscon Paraná Oeste tem ampliado

suas ações de orientação, oferecendo

aos empresários do setor informações práticas

para prevenir litígios e assegurar maior segurança

nas relações de trabalho.

Entre os temas que ganharam relevância nos

últimos meses está a pejotização. A prática,

cada vez mais comum em diferentes setores,

gera riscos significativos quando utilizada de

forma inadequada. “A contratação de pessoas

jurídicas para a execução de atividades típicas

de empregados pode parecer uma solução

para reduzir custos, mas, se caracterizada a

subordinação, habitualidade e pessoalidade,

o Judiciário pode vir a reconhecer o vínculo de

emprego”, destaca o advogado Joaquim Pereira

Alves Junior, coordenador do Comjur.

“Nosso papel é alertar os empresários

sobre a importância de agir

corretamente para não transformar

uma alternativa em um passivo

trabalhista de grande impacto.”

Outro ponto de atenção está nas decisões

vinculantes do Tribunal Superior do Trabalho

(TST), que passaram a direcionar o julgamento

de casos em instâncias inferiores. Isso exige

dos empregadores uma atualização constante.

“As decisões do TST têm efeito direto

nas rotinas empresariais, especialmente em

questões trabalhistas complexas. Cabe a nós

traduzir esses entendimentos e mostrar como

eles afetam a realidade da construção civil”,

explica Joaquim.

O limbo jurídico/previdenciário é outro desafio

recorrente. Ele ocorre quando o trabalhador

recebe alta do INSS, mas ainda não está apto,

segundo o médico da empresa, a retomar suas

atividades. “Nesse cenário, o empregador precisa

saber exatamente como proceder para

não deixar o empregado sem respaldo e, ao

mesmo tempo, não assumir responsabilidades

indevidas”, observa o assessor jurídico Joaquim.

Também em evidência estão as discussões

sobre advertência e demissão por justa causa,

instrumentos legítimos quando aplicados corretamente,

mas que exigem cautela.

“É essencial que as empresas

mantenham registros claros

e consistentes das faltas

cometidas e dos

procedimentos adotados.

Do contrário, uma justa causa

mal fundamentada pode se

reverter em indenizações

elevadas”, reforça

Joaquim.

Recentemente, as negociações para a Convenção

Coletiva de Trabalho 2025 exigiram

atenção redobrada do setor. O Comjur acompanhou

de perto esse processo, destacando

pontos que poderiam afetar diretamente o dia

a dia das construtoras e incorporadoras.

Mais do que tratar de temas jurídicos isolados,

o Comitê atua de maneira transversal, dialogando

com os demais comitês do Sinduscon.

“Nossa missão é garantir que a visão jurídica

esteja presente em todas as áreas, seja

em políticas trabalhistas, relações sindicais,

questões tributárias, de licitações, contratos

públicos, inovação tecnológica ou gestão de

obras”, afirma o advogado Thiago Lauro de

Carli, também coordenador do Comitê.

Esse papel consultivo tem como objetivo central

evitar passivos e fortalecer a cultura da

legalidade. “Muitas práticas adotadas por algumas

empresas, que podem parecer simples

e rápidas, podem ser, na prática, ações que

podem fragilizar a empresa e criar riscos que

podem comprometer sua sustentabilidade.

Nosso trabalho é reforçar a importância de

estruturar as relações de forma regular, transparente

e em conformidade com a lei”, conclui

Thiago.

Com sua atuação contínua, o Comjur se consolida

como um braço estratégico do Sinduscon

Paraná Oeste, auxiliando empresários a

navegar em um cenário jurídico em constante

evolução e a construir negócios mais sólidos,

seguros e preparados para os desafios do futuro.

32 3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


Um compromisso com a sociedade e

com o desenvolvimento do setor

Tendo como missão zelar pela sustentabilidade

nas obras e promover um setor cada

vez mais alinhado às boas práticas ambientais

e sociais, o Comitê de Meio Ambiente

do Sinduscon Paraná Oeste intensifica suas

ações junto às empresas associadas. O trabalho

é permanente e busca oferecer não

apenas orientações técnicas, mas também

soluções concretas para os desafios enfrentados

pela construção civil em um cenário

de exigências regulatórias cada vez mais

rigorosas. Entre as iniciativas em andamento,

o Comitê disponibiliza uma relação de

empresas credenciadas para transporte e

destinação de Resíduos da Construção Civil

(RCC). Organizada nas quatro categorias

oficiais — A, B, C e D — a lista facilita o

acesso a informações claras e seguras sobre

prestadores que atuam na região, contribuindo

para que os resíduos sejam destinados

de forma correta e em conformidade

com a legislação ambiental. Para o coordenador

do Comitê de Meio Ambiente, Robson

Biela, a medida representa um importante

avanço no esforço coletivo do setor em direção

à sustentabilidade:

“Quando uma empresa da construção civil

utiliza os serviços de uma transportadora

ou de um destino ambientalmente

regularizado, ela não está apenas

cumprindo a lei, mas reafirmando seu

compromisso com a sociedade e com o

futuro do setor. Nosso papel, no Sinduscon

Paraná Oeste, é dar instrumentos para que

esse caminho seja cada vez mais acessível

e transparente”, afirma.

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste

Além da disponibilização da lista, o Comitê

de Meio Ambiente reforça a importância da

participação ativa dos associados nas reuniões

periódicas. Nesses encontros, são debatidos

temas de impacto direto na atividade

empresarial, desde o cumprimento das normas

até a adaptação às novas legislações

ambientais, que vêm trazendo mudanças

significativas para o setor da construção

civil. O espaço também se consolida como

ambiente de troca de experiências, atualização

técnica e construção de soluções coletivas

para problemas que afetam empresas

de diferentes portes.

Exemplo disso foi a recente reunião realizada

com o prefeito de Cascavel, Renato Silva,

em que representantes do Comitê apresentaram

preocupações relacionadas à implementação

de novas regras ambientais e

seus reflexos sobre o planejamento urbano,

as obras públicas e a atividade privada. A

interlocução buscou alinhar entendimentos

e reforçar a necessidade de diálogo constante

entre o poder público e o setor produtivo.

Paralelamente, o Sinduscon Paraná

Oeste segue com a segunda etapa do programa

Construção Solidária, que arrecada

materiais de construção junto às empresas

associadas para beneficiar famílias em situação

de vulnerabilidade social e econômica.

A iniciativa teve sua primeira fase concluída

com sucesso e agora se amplia, consolidando-se

como uma das principais ações de

responsabilidade social da entidade. O programa

não apenas fortalece a imagem do

setor, mas também reafirma o compromisso

das empresas associadas em contribuir

para o desenvolvimento social das comunidades

em que estão inseridas.

As atividades do Comitê de Meio Ambiente

seguem em ritmo intenso. Novas iniciativas

estão em planejamento para o fim do ano,

todas com o objetivo de ampliar o alcance

das práticas sustentáveis e sociais. A entidade

destaca que o envolvimento dos associados

é essencial para a consolidação

dessas ações. “Quanto maior a participação

das empresas, maior será a capacidade do

Comitê de gerar resultados efetivos. Sustentabilidade

não é uma pauta isolada; é um

movimento coletivo que exige engajamento

constante de todos os atores envolvidos”,

reforça Robson Biela.

Com essa agenda permanente, o Sinduscon

Paraná Oeste reafirma sua missão de

promover um setor da construção civil mais

responsável, sustentável e preparado para

os desafios futuros. A entidade entende que

o diálogo, a cooperação e a adesão às boas

práticas ambientais e sociais são pilares fundamentais

para garantir competitividade às

empresas e confiança à sociedade. Ao estimular

a participação ativa dos associados e

ampliar as parcerias institucionais, o Comitê

de Meio Ambiente demonstra que sustentabilidade

e responsabilidade social são diretrizes

que orientam não apenas a atuação

da entidade, mas também o futuro do setor

em toda a região Oeste do Paraná.

CMA

Comitê de Meio

Ambiente

1 º Coordenador

Robson Biela

2 º Coordenador

Celso Luis Finger

3 ª Coordenadora

Maria Luiza Mafra Geremias

33


CRS

Comitê de

Responsabilidade

Social

1 ª Coordenadora

Silvia Vanessa Vendramin

Construção que acolhe: agenda social

fortalece trabalhadores e famílias

O Comitê de Responsabilidade Social (CRS) do

Sinduscon Paraná Oeste segue fortalecendo

sua presença junto aos trabalhadores e à comunidade

regional com uma agenda permanente

de iniciativas sociais. Entre os destaques

recentes está a segunda etapa do programa

Construção Solidária, que tem como objetivo

reunir doações de materiais de construção de

empresas do setor para destinar a famílias

em situação de vulnerabilidade econômica e

social. A primeira edição foi considerada um

sucesso, com ampla adesão das construtoras

associadas, e a continuidade do projeto reforça

o compromisso do sindicato em unir o setor

em prol da solidariedade.

Outro marco foi o

Dia Nacional da Construção

Social 2025, realizado em

Cascavel no dia 23 de agosto,

após um ano de pausa nas

atividades.

O evento registrou êxito total, reunindo mais

de mil participantes, com sete mil atendimentos

e 7,7 mil lanches servidos.

à prevenção do câncer de próstata.

“As ações não param. Nós

trabalhamos o ano todo, de forma

integrada, buscando oferecer ao

trabalhador e sua família apoio

não só no campo profissional,

mas também no cuidado com a

saúde, no bem-estar e no equilíbrio

da vida pessoal. Isso fortalece a

autoestima, a segurança e até

mesmo a produtividade”, afirma

a coordenadora do Comitê, Silvia

Vendramin.

Além das campanhas de saúde e das ações

sociais, o Sinduscon Paraná Oeste também

apoia iniciativas de educação financeiras, em

parceira com a Cooperativa Bancária Sicredi

que promove palestras de Educação Financeira,

voltada a trabalhadores da construção civil,

diretamente nas obras. A ação busca orientar

aqueles que enfrentam dificuldades no planejamento

das contas pessoais, problema que

muitas vezes repercute na vida familiar e no

ambiente de trabalho.

2 ª Coordenadora

Marlice Becker Mantovani

3 ª Coordenadora

Ana Maria Damasio

A programação contemplou

serviços de saúde, ações

educativas, atividades

recreativas, momentos de

lazer e orientações sociais para

trabalhadores da construção e

seus familiares.

A agenda de prevenção também ganha destaque

ao longo do segundo semestre. Em setembro,

o sindicato aderiu à campanha Setembro

Amarelo, dedicada à conscientização

sobre saúde mental e prevenção ao suicídio.

Agora, em outubro, o foco se volta para as

mulheres, com atividades do Outubro Rosa,

que reforça a importância da prevenção e

do diagnóstico precoce do câncer de mama.

Logo em seguida, em novembro, será a vez do

Novembro Azul, voltado à saúde do homem e

“A educação financeira é uma

ferramenta de transformação.

Quando o trabalhador entende

como organizar suas finanças,

ele reduz o estresse, melhora

suas relações e consegue focar

com mais tranquilidade no dia

a dia profissional”, reforça Silvia

Vendramin.

Com a aproximação do fim de ano, outras

atividades já estão sendo programadas, consolidando

a agenda social do Sinduscon Paraná

Oeste como uma referência de apoio às

famílias e de valorização da mão de obra que

constrói a região.

34 3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


O desafio de atrair jovens para a

construção civil

A construção civil é um dos setores que mais

gera empregos no Brasil e, ao mesmo tempo,

um dos que mais oferece oportunidades

de crescimento profissional. No entanto,

atrair jovens trabalhadores para a profissão

ainda é um desafio que precisa ser enfrentado

com estratégias concretas de valorização,

qualificação e comunicação.

O que estamos percebendo é

que somente o estímulo dos

pais, quando existe, já não

será suficiente para manter

renovada a força de trabalho

nos canteiros de obra.

Modelos até aqui praticados já não estão

surtindo efeito. Enfrentamos sérios problemas

de rotatividade. Muitas vezes qualquer

outra porta que se abre, faz com que o jovem

migre para outros setores, sem que ele

faça uma avaliação mais profunda dos benefícios

e das oportunidades que irão surgir

se mantendo no setor.

O primeiro passo então, é investir em formação

e capacitação prática. Programas

de aprendizagem, cursos rápidos, estágios

e treinamentos realizados em canteiros de

obras que utilizam tecnologias modernas

são mecanismos fundamentais para despertar

o interesse da juventude.

Quando o jovem percebe

que pode aprender na

prática e, ao mesmo tempo,

construir uma trajetória

sólida, seu engajamento

com o setor aumenta.

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste

Outro aspecto decisivo é a valorização da

carreira. Ainda persiste a visão de que a

construção civil está restrita a atividades

pesadas e repetitivas, mas a realidade atual

é bem diferente. O setor abre espaço para

evolução em áreas ligadas à gestão, à sustentabilidade,

à industrialização e ao uso de

tecnologias de ponta, como BIM, drones e

impressão 3D. Mostrar esse cenário inovador

e, principalmente, apresentar planos de

carreira estruturados e histórias de sucesso,

é fundamental para conquistar a confiança

dos jovens.

O Comitê de Políticas e Relações do Trabalho,

também acredita que a comunicação

tem papel central nesse processo. É preciso

falar a linguagem das novas gerações, utilizando

redes sociais, campanhas de valorização

e exemplos inspiradores de profissionais

que encontraram no setor um caminho

de desenvolvimento e realização.

Aqui, o papel dos sindicatos

patronais é estratégico:

além de representar as

empresas, essas entidades

podem liderar programas

de capacitação, promover

parcerias com instituições de

ensino e dar visibilidade às

oportunidades reais que o

setor oferece.

O Comitê de Políticas e Relações do Trabalho,

também acredita que a comunicação

tem papel central nesse processo. É preciso

falar a linguagem das novas gerações, utilizando

redes sociais, campanhas de valorização

e exemplos inspiradores de profissionais

que encontraram no setor um caminho

de desenvolvimento e realização.

Atrair jovens para a construção civil é, portanto,

mais do que uma necessidade conjuntural:

É uma estratégia de futuro. Ao

investir em formação, valorização

profissional e comunicação eficaz,

o setor garante não apenas mão

de obra qualificada, mas também

o fortalecimento de uma atividade

essencial para o desenvolvimento

econômico e social do país.

CPRT

Comitê de Política

e Relações do

Trabalho

1 º Coordenador

Agnaldo Mantovani

2 º Coordenador

Marcelo José Marques

3 º Coordenador

Edson Luiz Schimitz

35


CII

Comitê de Indústria

Imobiliária

1 º Coordenador

Paulo Vilmar Gotardo

2 º Coordenador

Marcos Eduardo Serralheiro

3 º Coordenador

Natuani de Souza Costa

Soluções para crédito, moradia e

desenvolvimento sustentável

O Comitê da Indústria Imobiliária (CII) do

Sinduscon Paraná Oeste tem sido um dos

principais espaços de debate e orientação para

o setor da construção civil e para o mercado

regional. Atuando em múltiplas frentes, o

Comitê busca soluções que vão desde o apoio

direto às empresas até o fortalecimento de

políticas públicas que garantam mais eficiência,

qualidade e sustentabilidade ao segmento.

Uma das frentes prioritárias é a orientação

às empresas sobre a importância de cumprir

rigorosamente as normas que regem o setor,

evitando riscos legais e técnicos. Paralelamente,

o CII tem reforçado sua interlocução com o

poder público, defendendo planos diretores

atualizados e consistentes, capazes de orientar

o crescimento das cidades de forma ordenada

e sustentável.

Outro eixo de atuação tem sido a busca

por linhas de crédito mais acessíveis para o

financiamento habitacional, especialmente

em programas como o Minha Casa, Minha

Vida, fundamentais para garantir moradia às

famílias e movimentar a cadeia da construção.

A articulação não se limita ao âmbito local. O

CII tem fortalecido canais de diálogo com a

Câmara Brasileira da Indústria da Construção

(Cbic), alinhando-se às políticas nacionais

voltadas ao setor imobiliário.

“Nosso papel é traduzir as

demandas locais e regionais

para o debate nacional,

ao mesmo tempo em que

trazemos para a nossa

realidade as diretrizes mais

amplas que orientam o país”,

explica o coordenador do

Comitê, Junior Gotardo.

Entre as atribuições do CII estão o desenvolvimento

de estudos e pesquisas sobre o mercado

imobiliário, a promoção de debates sobre

fontes de financiamento, contratos e acesso à

moradia, além de cursos e palestras direcionados

a empresários, corretores e trabalhadores

do setor. Outro ponto de atenção é o acompanhamento

das mudanças na legislação urbana,

incluindo o Plano Diretor, o Código de Obras

e a Lei de Zoneamento e Uso do Solo.

Recentemente, o Comitê foi parceiro na realização

de um painel imobiliário inédito, que

discutiu projeções de crescimento, estoque

de imóveis, gargalos e oportunidades de negócios,

reunindo empresários, autoridades e

especialistas para mapear cenários futuros e

propor alternativas de desenvolvimento.

Outro tema estratégico é a

participação das empresas

no cálculo do CUB (Custo

Unitário Básico da Construção),

indicador essencial para o

equilíbrio econômico-financeiro

das obras e referência

nacional para orçamentos,

financiamentos e

contratos.

O CII também tem atuado em projetos de

impacto social, como os feirões de empregabilidade

em parceria com a Fiep, que já percorreram

diversos municípios da região de

abrangência do Sinduscon, conectando trabalhadores

e empresas em busca de mão de

obra qualificada.

Em uma ação recente, o CII esteve presente

em reunião com o presidente do Instituto de

Planejamento de Cascavel (IPC), Vinícius Boza.

O encontro resultou no compromisso do município

de agilizar as análises e liberar alvarás

com maior rapidez, medida que deve destravar

processos e reduzir entraves que há anos

impactam o ritmo das obras.

“Com essa agenda diversificada

e prática, o CII reafirma seu

papel como fórum estratégico

de inovação, diálogo e

soluções, atuando em defesa

das empresas do setor e, ao

mesmo tempo, promovendo

desenvolvimento urbano

sustentável para toda a

sociedade”, destaca Gotardo.

36 3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


A eficácia a serviço da sociedade

O Comitê de Desburocratização do Sinduscon

Paraná Oeste, sob a coordenação de

Vinícius Boza, está promovendo uma transformação

significativa na interface entre a

entidade e o poder público.

Recentemente, Boza assumiu

a presidência do Instituto de

Planejamento de Cascavel

(IPC), ampliando ainda

mais a atuação do comitê

na desburocratização dos

processos relacionados à

construção civil na região.

Uma das principais ações do IPC foi a realização

de um levantamento sobre a evolução das

obras em Cascavel, especialmente nos bairros

da cidade. Esse estudo revelou um aumento

considerável na liberação de alvarás e Habite-se,

um reflexo direto da agilidade proporcionada

pela implantação do Aprova Digital.

Esse sistema inovador permite a concessão de

alvarás instantâneos para projetos q ue atendem

aos requisitos estabelecidos, resultando

em uma significativa redução no tempo de

espera.

“Com o Aprova Digital, o

processo de aprovação de um

projeto, que antes levava até

três meses para ser concluído

de forma física, agora é feito em

no máximo 20 dias no modelo

digital”, destaca Vinícius Boza.

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste

Ele ressalta que essa agilidade não apenas

facilita a vida dos investidores e construtores,

mas também aquece o mercado imobiliário

na cidade. Mais do que uma percepção, Boza

aponta que há um movimento crescente de

compra e venda de imóveis, evidenciando a

eficácia das novas medidas.

Além da rapidez, o Aprova Digital trouxe maior

segurança ao processo. Os alvarás autodeclaratórios,

que agora fazem parte do sistema,

garantem que a prefeitura atue na fiscalização

e auditoria posterior, aumentando a confiança

dos empreendedores.

“A plataforma coloca no

automático as atividades

que podem ser facilmente

executadas por um sistema.

Assim, os funcionários

públicos podem agilizar o

atendimento, focando nos

parâmetros urbanísticos, áreas

de construção e outros itens

que realmente influenciam na

urbanização da cidade”,

explica Boza.

A experiência pioneira de Cascavel, desencadeada

pelo Comitê de Desburocratização,

tem se espalhado por várias cidades do Brasil,

incluindo São Paulo, a maior delas.

Essa expansão é um

exemplo claro de como a

inteligência e a tecnologia

podem trabalhar em favor

da sociedade, promovendo

um ambiente mais favorável

ao desenvolvimento

urbano.

Com essas iniciativas, o Comitê de Desburocratização

do Sinduscon Paraná Oeste não

apenas melhora a eficiência dos processos,

mas também contribui para o crescimento

sustentável da cidade.

CODESB

Comitê de

Desburocratização

1 º Coordenador

Vinicius Boza

2 º Coordenador

Marcos Augusto Borges

3 º Coordenador

Ronald Peixoto Drabrik

37


COMAT

Comitê de Materiais,

Tecnologia, Qualidade

e Produtividade

1 ª Coordenadora

Fabíolo Florencio da Rosa Gnoato

2 º Coordenador

José Eduardo Tortelli

Oxigenação e novas oportunidades

para os associados

O Comitê de Materiais, Tecnologia e Inovação

(Comat) do Sinduscon dá um passo significativo

em sua trajetória com a nova coordenação,

almejando não apenas a renovação da

liderança, mas também a criação de novas

oportunidades para seus associados. Este movimento

de oxigenação busca fortalecer os

quadros do Comat e promove um ambiente

ainda mais colaborativo e inovador, que beneficia

todos os envolvidos no setor da construção

civil.

A nova 1ª coordenadora, Fabiola Florencio da

Rosa Gnoato, já vinha atuando na liderança do

comitê e traz consigo experiência e visão para

o fortalecimento das ações do grupo. Ao seu

lado, José Eduardo Tortelli, que também já fazia

parte da equipe de coordenação, se junta

a Thiago Miotto, que assume o cargo de terceiro

coordenador. Juntos, eles têm a missão

de impulsionar o debate e o desenvolvimento

de ações voltadas para os interesses das empresas

associadas, abrangendo temas como

materiais, tecnologia, inovação e serviços.

O Comat tem se dedicado a diversas iniciativas,

visando à melhoria da gestão da qualidade

no setor. Entre as ações promovidas,

destacam-se a realização de estudos, a acompanhamento

de normas técnicas, a implementação

do Building Information Modeling (BIM),

o acompanhamento dos preços de materiais

e serviços, e a promoção de cursos, palestras

e eventos que abordem as mais recentes tendências

e inovações do mercado.

Recentemente, o comitê

realizou um Workshop sobre

Tecnologias Estruturais em

Concreto, no auditório do

Sinduscon Cascavel e no canteiro

de obras do edifício Square Life

Center, que se revelou um

grande sucesso.

O evento reuniu profissionais e estudantes da

construção civil para discutir temas relevantes

como concreto protendido, pré-fabricados de

concreto e sistemas de parede de concreto.

A participação de engenheiros, arquitetos e

empresários foi fundamental para enriquecer

as discussões e fomentar um intercâmbio de

ideias.

Durante o workshop, os participantes tiveram

acesso a informações valiosas sobre pré-fabricados,

lajes protendidas e paredes de concreto.

Casos práticos foram apresentados,

demonstrando como essas novas tecnologias

podem contribuir para a redução de custos e a

melhoria da eficiência dos empreendimentos.

“A ideia central do evento foi facilitar a troca

de experiências e conhecimentos entre os profissionais

do setor, promovendo uma evolução

conjunta”, destaca Fabiola.

Além disso, o Comat está atento às mudanças

no cenário regulatório e às novas tendências

construtivas.

Através da Câmara Brasileira da

Indústria da Construção (Cbic),

o comitê acompanha de perto

as atualizações sobre normas

técnicas através do Grupo de

Acompanhamento de Normas

Técnicas (GANT).

O Comat também se compromete a realizar

visitas técnicas e participar de reuniões que

tratam de assuntos pertinentes à construção

civil, garantindo que seus associados estejam

sempre atualizados.

Essa iniciativa está alinhada ao projeto “Rota

Estratégica da Indústria da Construção 2040”,

iniciativa da Federação das Indústrias do Estado

do Paraná (FIEP). O objetivo é preparar

o setor para os desafios futuros, promovendo

uma construção civil mais eficiente e sustentável.

O objetivo é preparar o setor para os desafios

futuros, promovendo uma construção civil

mais eficiente e sustentável.

Com a nova coordenação, o Comat reafirma

seu compromisso com a inovação e a melhoria

contínua, criando um espaço propício para

o desenvolvimento de novas ideias e soluções

que beneficiem todos os associados.

“Essa renovação não apenas

fortalece a liderança do

comitê, mas também traz

novas perspectivas e

oportunidades para o setor

da construção civil”, conclui

Thiago Miotto.

38 3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


Quando o menor preço sai caro

As licitações de obras públicas têm sido pauta

prioritária no Comitê de Infraestrutura (Coinfra)

do Sinduscon Paraná Oeste. A preocupação

central é evitar que empresas aventureiras,

sem estrutura técnica e financeira adequada,

assumam contratos que não conseguem cumprir.

Essa prática vem provocando um efeito

cascata: obras paralisadas, atrasos nas entregas

e prejuízos para quem precisa utilizar

aquela edificação que não ficou pronta.

Um dos principais gargalos está na licitação

eletrônica, onde o modo de disputa é aberto,

em que os licitantes apresentam suas propostas

por meio de lances públicos e sucessivos,

muito parecido com um leilão. Este é um formato

exigido para obras e serviços de engenharia

pela nova lei de licitações nº 14.133/2021,

e que privilegia o preço mais baixo, sem considerar

de forma equilibrada a capacidade de

execução e a qualidade do serviço.

“A brecha legal permite

descontos inexequíveis, que

acabam inviabilizando a obra.

Quem perde não é apenas a

empresa que deixa de trabalhar,

mas toda a sociedade, que fica

sem o serviço público funcionando

como deveria”, observa Abel

Pickler Sgarioni, coordenador do

Coinfra.

Diante desse cenário, o Comitê tem avançado

em medidas práticas também para as empresas

associadas que estão participando destes

certames. Entre elas, está a elaboração de

modelos de denúncia a serem encaminhados

a órgãos de controle, como o Tribunal de Contas

do Estado (TCE) e o Tribunal de Contas da

União (TCU), sempre que forem identificadas

irregularidades. Também está em debate um

modelo específico para o Conselho Regional

de Engenharia e Agronomia (Crea), aplicável

quando a data de assinatura do orçamento

apresentado pelo órgão diverge da data de

referência utilizado. Além disso, o Coinfra estuda

modelos de questionamento para licitações,

a fim de esclarecer dúvidas recorrentes

e dar maior transparência ao processo.

A atuação não se restringe ao campo jurídico.

O Coinfra tem acompanhado de perto as licitações

promovidas por prefeituras da região,

com visitas a prefeitos e secretários de planejamento.

Nessas reuniões, o objetivo é orientar

os departamentos de licitação e compras sobre

formas mais seguras de conduzir os processos,

de modo a selecionar empreiteiras que

realmente tenham condições de cumprir os

contratos.

Pensando nisso, o Coinfra sugeriu a utilização

de mecanismos que a nova lei de licitações

trouxe, entre eles: o limite de descontos em

25% do valor máximo, punição para empresas

que participam do certame sem ter condições

para executar a obra, apresentação de propostas

e lances na forma presencial, exigência

de atestados com maior rigor, exigência de

seguro garantia de propostas, exigência de

seguro garantia para os contratos e exigência

de patrimônio líquido mínimo.

Segundo Abel Pickler Sgarioni, a nova Lei de

Licitações abre espaço para mecanismos que

podem ser usados em favor da qualidade e da

segurança das contratações.

“A legislação oferece

instrumentos que evitam

aventureiros, mas é preciso

conhecimento técnico para

aplicar esses recursos. Por isso

estamos atuando diretamente

junto às administrações

municipais, mostrando que é

possível melhorar a gestão sem

descumprir a lei”, explica o

coordenador.

Com esse trabalho contínuo, o Coinfra reforça

seu papel estratégico dentro do Sinduscon

Paraná Oeste, atuando como elo entre o setor

privado, o poder público e os órgãos de controle.

O objetivo é claro: garantir que os recursos

públicos sejam investidos de forma eficiente,

que as empresas sérias e qualificadas

tenham condições de participar em igualdade

de concorrência e que a sociedade receba

obras de qualidade, entregues no prazo e com

responsabilidade.

COINFRA

Comitê de

Infraestrutura

1 º Coordenador

Abel Pickler Sgarioni

2 º Coordenador

Marcelo Adriano Rambo

3 º Coordenador

Alexsander Herbert Schlindwein

3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste

39


Cipa na construção civil e os

desafios da sua implantação

A comissão interna de prevenção de acidentes

(Cipa) é um dos instrumentos mais

importantes para a promoção da saúde

e segurança nos canteiros de obras. Foi

criada justamente para ajudar nas ações

de prevenção de acidentes e doenças ocupacionais

e a sua atuação deve ir além do

cumprimento de uma obrigatoriedade. Ela

também representa um compromisso das

empresas com a preservação da vida e a

construção de ambientes de trabalho mais

seguros.

Para a construção civil, a Cipa possui papel

ainda mais acentuado, pois nosso setor possui

riscos envolvendo trabalhos em altura,

máquinas e equipamentos, esforços físicos,

energia elétrica e uma série de outras exposições

que precisam ser permanentemente

reconhecidas e avaliadas. Propor melhorias

com a participação da empresa e dos

empregados, numa gestão eficiente é com

certeza um caminho assertivo a ser adotado.

Entretanto, a implantação da Cipa em

obras enfrenta problemas e desafios que

não podem ser ignorados. Entre eles, destacam-se

a alta rotatividade que dificulta a

formação de comissões estáveis, e a resistência

cultural de parte dos trabalhadores

que ainda veem a prevenção como um

obstáculo à produtividade imediata. Temos

ainda a complexidade de capacitações

contínuas em ambientes de intensa dinâmica

produtiva.

As dificuldades, no entanto, devem ser supe-

radas, pois algumas experiências demonstram

que quando bem estruturada, a Cipa

pode gerar benefícios expressivos. Reduzir

acidentes e afastamentos significa aumentar

instantaneamente a produtividade e a

confiança entre trabalhadores e empresas.

Assim, devemos nos atentar que não é apenas

uma exigência legal, mas um instrumento

estratégico. Salienta-se ainda que

as empresas que optarem pela contratação

de empresas terceirizadas também

precisam cumprir obrigações em relação

ao tema, conforme disposto na legislação.

Implantar e consolidar a comissão é um

desafio, mas também uma oportunidade

de reforçar a imagem de responsabilidade

social e de garantir bons resultados, além é

claro do respeito e da preservação de vidas.

A indústria que inovou a

construção civil se reinventa

com projetos sustentáveis

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3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


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42 3 ª Edição | Sinduscon Paraná Oeste


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