edição de 3 de novembro de 2025
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propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.066 - 3 de novembro de 2025 R$ 20,00
Comunidade gamer valoriza marcas
que fazem publicidade pertinente
Mercado avaliado em US$ 188,9 bilhões em 2025 no mundo atrai marcas interessadas em aumentar engajamento e negócios. Elas aprenderam a jogar sem
interromper o game - que não é apenas um canal de mídia, e sim uma plataforma de cultura e entretenimento. Hoje, 82,8% da população brasileira é adepta
de jogos eletrônicos, movimento puxado pelo ambiente online. Wild Rift (foto) é um exemplo. A versão mobile de League of Legends (LOL), franquia da Riot
Games, tem mais de 180 milhões de jogadores ativos globalmente. Coerência, relevância e adequação conduzem a trajetória de quem já deu play na estratégia.
Especial sobre o universo dos games apresenta empresas e agências que já marcam pontos com a comunidade. pág. 32
Divulgação
COP30 enfrenta contradições,
desinformação e falta de metas
Divulgação
A conferência sobre mudança climática da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorre
entre 10 e 21 de novembro, em Belém (PA), cria expectativa para contenção de desastres
ambientais, ao mesmo tempo em que a exploração de petróleo cresce no Brasil. Marcas
presentes na Amazônia, como a Natura (campanha na foto), falam sobre projetos. pág. 40
El Ojo reflete a força do mercado latino
Alê Oliveira
Santiago Keller Sarmiento, presidente do
festival, analisa os 28 anos de trajetória
do evento, comenta a evolução da indústria
criativa na América Latina e destaca
o papel do Brasil como protagonista no
fortalecimento da comunicação e da identidade
regional. pág. 18
Globoplay completa uma década no ar
O streaming da Globo já soma cerca de 30
milhões de usuários mensais e destaca dados
de audiência para reforçar o aumento
da receita publicitária, que cresceu 38% no
primeiro semestre. Para celebrar os dez
anos, a plataforma apostou na campanha
‘Toda emoção em um só lugar’. pág. 20
Divulgação
ABA homenageia
editor do propmark
Divulgação
Alê Oliveira, editor de fotografia do jornal, recebeu
homenagem da Associação Brasileira de
Anunciantes (ABA) por sua trajetória e contribuição
para o registro histórico da propaganda brasileira.
A CEO Sandra Martinelli entregou ao profissional
uma placa de reconhecimento. pág. 50
editorial
Armando Ferrentini
São Paulo não para
A
capital da garoa, que nos últimos anos não tem feito muito jus ao seu apelido,
reflexo das consequências do aquecimento global e mudanças climáticas, com
estações mais quentes, nesta primavera está se mostrando totalmente diferente.
Tivemos um outubro mais frio e chuvoso.
Se por um lado todos nós agradecemos pela chuva que caiu na semana passada - que
ajuda a elevar os reservatórios de água -, por outro rezamos para que não soframos
com alagamentos, paralisações de trens e trânsito caótico. Com chuva, praticamente
tudo paralisa em São Paulo: faróis quebram, trens descarrilam, linhas de Metrô fecham,
ninguém consegue chamar um Uber devido à alta demanda, enfim, um caos instalado.
Esse foi basicamente o cenário da última quarta-feira (29) na maior metrópole da América
Latina, um dia com eventos importantes do mercado publicitário, como a coletiva
de imprensa da Globo para marcar os 10 anos do Globoplay, já um dos maiores streaming
em audiência e engajamento, com cerca de 30 milhões de usuários mensais.
Próximo à sede da Globo, no Transamerica Expo Center, também ocorreu o MMA Innovate
Brasil 2025, realizado pela Marketing + Media Alliance (MMA), que reuniu grandes
players do ecossistema, como Nestlé, L’Oréal, Seara, Globo e Adsmovil, entre outros,
para discutir temas como inovação e mídia.
Mesmo com o caos instalado devido à chuva, motivo de a repórter do propmark Bruna
Nunes não ter conseguido fazer a cobertura in loco, pois ficou estancada em um ponto
onde estava na cidade, sem conseguir pegar um carro de aplicativo ou andar de Metrô
durante um período da manhã, os dois eventos ocorreram sem percalços. Certamente
com uma audiência menor, mas com boa repercussão.
O ponto é: São Paulo não para. Nem mesmo uma chuva forte paralisa o ritmo de negócios
da selva de pedra. Cada vez mais, profissionais de outras cidades, principalmente
do Rio de Janeiro, se mudam para a capital paulista: “Eu tive de vir para cá, os principais
negócios estão aqui”, relatou um jovem executivo dono de uma proeminente startup.
Enquanto São Paulo decola como o principal centro econômico do país, uma potência
em variedade de negócios, reunindo as grandes companhias globais e nacionais, o mercado
do Rio de Janeiro, infelizmente, diminui em tamanho e relevância. A escalada da
criminalidade na cidade afasta cada vez mais o interesse das companhias.
Dentro do ecossistema do marketing, poucas marcas ainda têm as suas sedes na Cidade
Maravilhosa, como Coca-Cola e TIM. Entre as agências, várias delas fecharam seus
escritórios no Rio. Torcemos para que essa crise encontre luz no fim do túnel e a capital
carioca volte a atrair turistas e ter um mercado vigoroso como outrora.
Voltando à capital paulista - onde o propmark mantém sua sede e gráfica própria, no
bairro do Cambuci, região central -, cujo PIB (Produto Interno Bruto) supera R$ 828 bilhões,
o que representa aproximadamente 10% do PIB do Brasil, é nela que também se
concentram os maiores agentes da creator economy, que cresce e se consolida, impulsionada
pelo grande número de criadores e novas tecnologias.
Nesta edição, o jornal traz um retrato de uma parte importante da economia criativa,
que é o mercado de games. No Especial Games, a editora Janaina Langsdorff faz um
raio X de toda a engrenagem dessa indústria e como a propaganda se insere nela. As
competições de eSports, por exemplo, atraem cada vez mais o interesse dos jogadores
e, consequentemente, os investimentos de marketing e publicidade das marcas.
Os números impressionam. Segundo a consultoria Newzoo, o mercado de eSports deve
movimentar US$ 188,9 bilhões em 2025, avanço de 3,4% globalmente. Na América Latina,
a indústria é avaliada em cerca de US$ 10 bilhões, de acordo com a Comscore. No
Brasil, agências como Druid e Cheil despontam no desenvolvimento de campanhas e
ativações para marcas que entenderam o potencial de negócios do universo gamer.
Oportunidades, como mostra a matéria, não faltam.
Frase: “Metade dos problemas da vida decorre de dizer sim depressa demais e não
dizer não cedo o bastante” (Josh Billings).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
Inspirada no clássico ‘Show do Milhão’, nova campanha apresenta a primeira
plataforma de apostas do grupo. A ação reforça o conceito de confiança e
aposta no jogo responsável.
3ª
Grupo Silvio Santos lança
campanha da Bet do Milhão
Quem são as celebridades
mais influentes do Brasil
Pesquisa Most Influential Celebrities 2025, da Ipsos, traz Lázaro Ramos,
Fernanda Montenegro e Astrid Fontenelle no topo. Pela primeira vez, inclui
avaliação de influenciadores criados por IA.
60 indicados em 20 categorias:
vote nos Melhores do propmark 2025
A edição 2025 do tradicional prêmio do propmark reconhece empresas e
profissionais que se destacaram no mercado. Entre as novidades, estão
novas frentes de avaliação, como TV Fechada, Streaming, Publicidade,
Profissional de Veículo e Entidade do Mercado.
4ª
Plataforma anuncia nova estrutura de liderança para ampliar o suporte a
agências e anunciantes. Daniela Okuma segue à frente da operação e lidera
reforços em diversas verticais de mercado.
5ª
TikTok consolida time
de negócios no Brasil
TV conectada ultrapassa celular como
principal tela do YouTube no Brasil
Durante o Brandcast 2025, o YouTube anunciou novas soluções de IA e
revelou que mais brasileiros acessam a plataforma pela TV. Evento também
apresentou projetos comerciais e programação para 2026.
4 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
@betc.havas
UMA BLACK FRIDAY
TÃO OBSCENA,
QUE CRIAMOS
ATÉ UMA HOTLIST
PRA DIVULGAR.
Uma campanha que
começou no privado,
mas fez barulho
com o público.
índice
Mercado de games
oferece oceano
de oportunidades
Cresce o interesse de gamers
em competições online
e, com isso, aumentam os
investimentos em marketing
das marcas no setor. Em
2025, o mercado de eSports
deve movimentar US$ 188,9
bilhões globalmente.
32
App da Shell consolida presença da
marca no ecossistema de benefícios
O aplicativo Shell Box começou, em 2016, como uma
ferramenta para simplificar o pagamento nos postos
e agora, segundo a marca, tornou-se um ecossistema
de benefícios e canal de relacionamento direto com o
consumidor brasileiro. pág. 24
Neutrogena traduz ciência em
conteúdo para os consumidores
À frente do marketing da empresa, Allyne Magnoli fala sobre o
novo posicionamento e explica como a escuta ativa, os dados e
as campanhas digitais se tornaram ferramentas essenciais para
reforçar a relação entre ciência, emoção e beleza no diálogo da
marca com o consumidor. pág. 12
Freepik
propmark
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Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Editora-assistente
Adrieny Magalhães
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
Lucas Boccatto
Revisão
José Carlos Boanerges
Publicidade
Gerente de contas
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redacao@propmark.com.br
@propmark
propmark
propmark
As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................4
Conexões ...........................................................................6
Curtas .................................................................................10
Entrevista ..........................................................................12
Quem Fez ...........................................................................16
El Ojo ..................................................................................18
Mídia ..................................................................................20
Marcas ...............................................................................22
Agências ............................................................................27
Memória ............................................................................29
Especial Games .................................................................32
Mercado .............................................................................40
Opinião...............................................................................51
Out of Home ......................................................................53
Conexão Ásia .....................................................................55
ESG no MKT ........................................................................56
Inspiração ..........................................................................57
Última Página ....................................................................58
Pesquisa detecta que
comunidade periférica
sofre com fake news
A partir do estudo que liderou na
Universidade Federal Fluminense,
‘Observatório de gênero,
raça e territorialidades na ciência’,
a jornalista Marcelle Chagas
desenvolveu programa de combate
à desinformação em comunidades
quilombolas e indígenas. pág. 47
6 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
conexões
última hora
MÍdIa exteRIoR
A Contato Brasil, empresa de mídia
exterior comandada por Raul Nogueira,
completa 48 anos em atividade. Sob o
mote ‘Conectando marcas e pessoas por
todo o Brasil’, a companhia garante que
transforma visibilidade em estratégia e
presença em resultado. “Em cada projeto,
trajeto e ponto de contato, seguimos
impulsionando marcas e fortalecendo
conexões que fazem a diferença. Nada
disso seria possível sem a dedicação da
nossa equipe, a confiança dos nossos
clientes”, disse Nogueira, que também
é publisher do programa de TV e portal
‘Grandes Nomes da Propaganda’.
futebol na globo
A Globo fechou patrocínio para o futebol
nacional 2026 com 16 marcas. O pacote
comercial garante a cobertura e as
transmissões do Brasileirão, da Copa do
Brasil e da Supercopa. Amazon, Ambev,
Betnacional, Fiat, Itaú, Natura, Perdigão e
Vivo seguem com os patrocínios, assim como
Betano, que continua no oferecimento do
top de 5 segundos. A Globo conta ainda com
Ambev, Bradesco e Ram nas transmissões
do sportv. No premiere, a cobertura terá
Ambev e Bradesco, com Stellantis e
Betano. E, na GeTV, estão 99Food, C6 Bank,
bet365 e Superbet. “Tivemos uma resposta
extremamente positiva do mercado, com
a renovação das cotas em um prazo muito
curto, o que reforça a confiança das marcas
à proposta de valor do nosso projeto”, afirma
Manzar Feres, diretora de negócios da Globo.
Post: Morre José Roberto Whitaker
Penteado, aos 84 anos
Excelente profissional e um ser humano
incrível!
Itagiba Nogueira
Post: DM9 lança Comitê e Manual
de Ética em IA após crise
Boa iniciativa pra quem começou torto
... quem sabe endireitam e a produção
não erra mais.
Patricia Benetti
Post: Cerimônia do Troféu Garra
2025 reuniu vencedores e audiência
qualificada
Foi uma noite mágica. Parabéns, Tiago
Ferrentini, prêmio mais do que merecido!
Afonso Abelhão
Merecidíssimo!
Sandra Martinelli
Post: Com Bruna Calmon, RedeTV!
Duailibi Essencial
dorinho
estreia ‘Rodada de negócios’
Obrigada, propmark. Adorei!
Bruna Calmon
Post: SBT News reformula projeto gráfico
Sucesso para a nova emissora!
Claudio Henrique Faustino
Post: Innocean Brasil tem novo VP
de business development
Obrigado, propmark
Mauro Rabello
“Não acuses a natureza. Ela fez a parte dela. Agora faz a tua” (John Milton).
talento pcd
O Publicis Groupe Brasil abre as inscrições para a segunda edição do Ampliar, programa de
aceleração de carreira voltado a talentos com deficiência. O objetivo é impulsionar a inclusão
no setor de mídia e comunicação, e oferecer formação gratuita, mentoria com profissionais
do mercado, além de oportunidades de conexão com as agências do grupo no país.
fanta & jcdecaux
A Fanta transformou a Estação Sé, em São Paulo, em cenário de terror para celebrar o
Halloween. Em parceria com a JCDecaux, a marca instalou no anel central da estação uma
mão gigante do personagem Chucky, parte da campanha global ‘Eles querem Fanta’. A
peça, que pesa meia tonelada e foi suspensa a 18 metros de altura, integra a estratégia
de impacto urbano da marca e ficará exposta até 5 de novembro. A instalação faz parte da
ação criada pela Bizsys, em parceria com a agência OpenX e montagem da IZQ. O projeto
combina cenografia e tecnologia para gerar uma experiência imersiva, inspirada na ‘Fábrica
assombrada de Fanta’, atração que chegou pela primeira vez à América Latina em 2025.
8 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
curtas
Divulgação
AlmApBBDO é A AgênciA DO
AnO nO mmA SmArtieS BrASil 2025
A AlmapBBDO é a Agência do Ano no MMA Smarties Brasil 2025, realizado no Transamérica
Expo Center, em São Paulo, no dia 29 de outubro. Com ‘Pedigree Caramelo’ (foto), a agência
ainda venceu o Grand Prix. O case rendeu para a Mars, dona da marca Pedigree, o título de
Anunciante do Ano. O projeto, que incentiva a adoção responsável de animais de estimação,
conquistou Ouro em Propósito de Marca/Ativismo, Prata em Marketing de Impacto Social e Ouro
em Marketing com Criadores e Influenciadores. A Almap também ganhou Ouro com ‘Burger
King – Pixvertising’ em Marketing de Jornada do Consumidor; Ouro com ‘Biblioteca Quase Vazia’
em Diversidade e Inclusão; Bronze com ‘Precisamos falar de licença paternidade. De novo’ em
Impacto Social; e Bronze com ‘Le sons d’O.U.I.’ em Experiência do Cliente e E-commerce. “Ano a
ano, o MMA Smarties eleva a barra da indústria reconhecendo os cases que geraram impacto
de negócios ao unir criatividade e tecnologia”, comenta Thais Schauff, vice-presidente de
operações da MMA para a América Latina. A premiação concedeu 28 prêmios. Entre as demais
agências vencedoras, estão Droga5, Druid, Gana Black, BETC Havas, Publicis, David, LePub, Live
The Agency, R/GA, Ampfy, Jotacom, W3haus, Pros e WMcCann.
ElEtromidia compra a Urbana mídia Em bH
Divulgação
congrEsso não sabE dEfinir inflUEnciadorEs
Reprodução
Alexandre Guerrero: digitalização, integração de formatos e expansão de cobertura
O influenciador Felca denunciou a erotização de crianças nas redes sociais em setembro
A Eletromidia comprou a Urbana Mídia, responsável pela operação e exploração publicitária dos
abrigos de ônibus em Belo Horizonte (MG). Válido até 2041, o contrato de concessão firmado
com a prefeitura da capital mineira prevê a instalação, manutenção e exploração publicitária
de 1,3 mil abrigos de ônibus. Desse total, 1.140 já estão montados, incluindo cem faces digitais
e 1.256 estáticas. “A aquisição da Urbana reforça a nossa presença e acelera o avanço em
digitalização, integração de formatos e expansão de cobertura”, diz Alexandre Guerrero, CEO da
Eletromidia, que passa a ter 96% mais telas digitais, 17 vezes mais faces estáticas e sete vezes
mais faces totais na cidade. O alcance local atinge 1,5 milhão de pessoas por dia, alta de 45%
acumulada semanalmente. A previsão é instalar 200 telas digitais nos próximos meses.
O Congresso Nacional não define com clareza o que é um influenciador digital. A conclusão está
no estudo ‘Do feed ao plenário’, do centro de pesquisas Reglab, que mapeou 88 projetos de lei
sobre criadores de conteúdo apresentados entre 2015 e 2025. As propostas se concentram em
regular conteúdo e publicidade, mas raramente abordam a dimensão econômica da atividade.
Em contrapartida, 21% das iniciativas criam regras criminais, a maioria delas apresentada após
denúncias do influenciador Felipe Bressanim Pereira, o Felca. O debate ainda é reativo a casos
polêmicos, como a participação da influenciadora Virgínia na CPI das bets. “Tratar o influenciador
apenas sob a perspectiva do perigo, sem considerar seu papel econômico e cultural, é um
erro que precisa ser revisto”, sugere Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab.
Divulgação
pEoplE Entra para o boilEr HUb
Executivos do Boiler Hub e People comemoram parceria
A People passa a integrar o Boiler Hub, que já tem Cara de
Conteúdo, Ilusionistas, Stratostorm, Boiler Filmes, Crème
Company, Balma Films e Boiler Entretenimento. A plataforma
une planejamento, curadoria e excelência em craft para
fortalecer o trabalho de produtoras e diretores. “Carregamos
a experiência e o patrimônio de relações construídas no dia a
dia com técnicos, artistas e colaboradores das mais diversas
formações”, declara Alberto Lopes, sócio e produtor-executivo
da People. Juliana Martellotta, sócia e CEO do Boiler Hub, destaca
a sinergia entre as operações. “A People traz uma energia
muito alinhada com o que acreditamos: uma produção de
qualidade, feita por quem tem paixão pelo ofício e entende a
importância das relações no processo criativo”, emenda.
Divulgação
sbt nEws E tElEton movimEntam mídia
Layout privilegia estética
informativa e molduras dinâmicas
A nova identidade
visual e editorial do
canal de notícias SBT
News, que estreia em
dezembro, traz layout
mais moderno, simplificado
e minimalista. A
reformulação valoriza
a estética informativa
com manchetes em
letras maiúsculas,
molduras dinâmicas e
legendas que tornam
o conteúdo mais
acessível. A mudança
acompanha reestruturação
editorial com
produção de vídeos
verticais (formato
9:16) e narrativas
pensadas para as
plataformas digitais. Outra frente de atuação do SBT é o
Teleton, que chega à sua 28ª edição em 2025 com a meta
de arrecadar r$ 35 milhões em prol da Associação de Assistência
à Criança Deficiente (AACD). O evento será realizado
nos dias 7 e 8 de novembro com o conceito ‘Confiamos no
futuro. Confiamos em você’.
Reprodução
bElla campos alErta sobrE golpEs
Atriz em cena de filme criado pela Lovely para o Bradesco
A atriz Bella Campos estreia campanha da Lovely para o
Bradesco. Em ‘Syllada’, um perfume falso alerta para golpes.
“Mais do que proteger transações, queremos ajudar as pessoas
a reconhecer comportamentos suspeitos e evitar situações
de risco antes que aconteçam. Essa campanha aproxima o
tema da vida real e destaca a atenção que devemos ter em
cada interação financeira”, explica José Mauricio Lilla, head de
comunicação do Bradesco. O influenciador Gabriel Louchard
também participa da ação veiculada na TV, digital, rádio, mídia
impressa e na mídia out of home. “Saímos da linguagem usual
para explorar a metáfora de como as ciladas financeiras
podem parecer sedutoras, mas escondem riscos”, defende
Daniell Rezende, diretor-executivo de criação da Lovely.
10 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
O FUTURO DOS
JOGOS DE LUTA DA
AMÉRICA LATINA
RIO DE JANEIRO. 2026
VOCÊ TAMBÉM QUER
DEIXAR A SUA MARCA?
SAIBA MAIS.
entrevista
Allyne MAgnoli
diretora de marketing de Neutrogena
‘Escuta ativa é o ponto de partida’
Com mais de 90 anos de história global
e três décadas de presença no Brasil, a
Neutrogena vive uma fase de renovação
em sua estratégia de comunicação. Sob
o lema ‘Beleza à ciência’, a marca propõe
um diálogo mais próximo com o público,
traduzindo ciência e tecnologia em
histórias acessíveis, leves e relevantes para
diferentes gerações. Essa virada é guiada
por uma abordagem que une branding
e comportamento, aproximando a
comunicação da rotina real do consumidor
e reforçando o papel das campanhas
como pontes de conexão emocional. À
frente desse movimento, Allyne Magnoli
detalha como a marca vem transformando
dados, escuta ativa e influência digital
em narrativas que unem eficácia e
identificação — uma combinação que
tem reposicionado a marca no centro das
conversas sobre beleza e cuidado.
Adrieny Magalhães
Neutrogena vive um momento inédito, com várias frentes de inovação
sendo apresentadas ao mesmo tempo. Como isso se reflete
no posicionamento e na estratégia de comunicação da marca no
Brasil?
Estamos em um momento único em nossa trajetória, refletido no novo posicionamento
global da Neutrogena, guiado pelo lema ‘Beleza à ciência’, que propõe uma abordagem
inovadora para o cuidado da pele, unindo beleza, ciência e tecnologia de uma forma
prática para o dia a dia dos consumidores. Com mais de 90 anos de história mundial
e três décadas de presença no Brasil, a Neutrogena continua a valorizar seu legado de
confiança e eficácia. Nosso objetivo agora é ampliar esse diálogo, tornando a conversa
sobre cuidados com a pele mais próxima, leve e conectada com os hábitos de todas
as gerações. No Brasil, traduzimos esse posicionamento de maneira culturalmente relevante,
com campanhas que equilibram informação, entretenimento e engajamento
com nossos influenciadores. Tudo isso enquanto mantemos nosso compromisso com a
eficácia comprovada e a confiança dermatológica.
Divulgação
O ano de 2025 marca a maior movimentação simultânea de lançamentos
da marca no país. O que motivou essa decisão agora, e qual
a mensagem principal que a marca quer passar ao consumidor e ao
mercado?
O Brasil é atualmente um dos mercados mais promissores e dinâmicos do mundo quando
se trata de beleza e cuidados com a pele. De acordo com a Associação Brasileira
da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, o país já é líder global em
cuidados com a pele, refletindo o quanto o consumidor brasileiro valoriza a saúde, o
bem-estar e a autoestima. Diante desse cenário, a Neutrogena decidiu dar um passo ousado
e estratégico ao promover o maior volume de lançamentos simultâneos em sua
história no país. Começando por Neutrogena Hydro Boost Serum Facial Antimanchas e a
linha Retinol Boost. Esses produtos foram desenvolvidos para peles maduras ou marcadas,
uma demanda crescente entre nossos consumidores. O Gel de Limpeza Hidratante
Hydro Boost amplia o alcance da linha queridinha da marca, Hydro Boost, conectando-
-se com um público maior que busca praticidade sem comprometer a eficácia.
Como Neutrogena constrói narrativas que sejam educativas, mas
ao mesmo tempo engajantes nas campanhas?
Uma das principais forças da Neutrogena é exatamente a capacidade de traduzir ciência
e eficácia dermatológica em narrativas atraentes. Em cada lançamento, nos
esforçamos para equilibrar informações técnicas com conteúdo leve que educa sem
perder o dinamismo. Para alcançar isso, nossas campanhas são estrategicamente elaboradas
e conectadas aos hábitos de consumo do nosso público. Trabalhamos com uma
equipe diversa e poderosa de influenciadores, como Franciny Ehlke, Jade Picon, Camila
Pudim, Doarda e Belle Daltro, entre outros nomes que se conectam diretamente com
diferentes perfis de público. Globalmente, temos a cantora Tate McRae como nossa
12 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
“O Brasil desempenha um papel
central para a Neutrogena na
categoria de protetores solares”
embaixadora da marca, uma artista emergente no mundo pop, que representa beleza,
autenticidade e originalidade. Essa combinação de ciência, endosso dermatológico e
linguagem digital é o que nos permite criar campanhas educacionais, envolventes e
culturalmente relevantes para o público brasileiro.
Como o olhar para o comportamento do consumidor impacta o
trabalho de marketing da marca?
A escuta ativa desempenha um papel central na estratégia da Neutrogena. É através
dela que conseguimos entender em profundidade as verdadeiras necessidades, desejos
e hábitos dos nossos consumidores. Isso tem se refletido nos lançamentos que
mencionamos anteriormente. Cada novo produto alinha inovação com relevância, garantindo
que cada ponto de contato da marca, desde produtos até campanhas, seja
construído com base no que realmente importa para aqueles que buscam cuidados e
eficácia em seus produtos diários de cuidado com a pele.
Como Neutrogena enxerga o papel dos creators e da mídia espontânea
no ecossistema de comunicação?
Para Neutrogena, influenciadores e mídias espontâneas são peças-chave neste novo
ecossistema. Acreditamos que as redes sociais não apenas expandem o alcance de
nossas campanhas, mas também refletem o comportamento do consumidor atual, que
busca informações, inspiração e avaliações online antes de tomar decisões de compra.
Nesse contexto, os influenciadores ajudam a traduzir a eficácia de nossos produtos em
experiências reais e relacionáveis para o público, gerando confiança e identificação.
Valorizamos muito produções espontâneas, como avaliações, tutoriais e testes, que
contribuem para a construção de uma reputação autêntica em torno da marca. Nossa
prioridade é gerar conversas relevantes, aumentar a qualidade das informações sobre
cuidados com a pele e fortalecer a conexão emocional com o público.
No meio deste ano, vocês apresentaram a nova fase em um evento
com parceiros e stakeholders. O que levou a marca a apostar nesse
formato?
Antes de anunciar publicamente esta nova fase, sentimos que era essencial compartilhá-la
em primeira mão com nossos principais parceiros: influenciadores, imprensa,
clientes e profissionais da dermatologia. Acreditamos no poder dessas conexões para
amplificar nossa mensagem de forma genuína e estratégica. O ‘Neutrogena Beauty
Show’ marca o início de uma nova jornada, revelando nosso novo posicionamento e lançamentos
futuros em primeira mão. Mais do que uma celebração, o evento foi pensado
como uma experiência imersiva que transmite nossa essência e propósito. A proposta
está diretamente conectada ao posicionamento da marca, ancorada no conceito “Beauty
to a Science”. Apresentar os produtos neste contexto, como parte de um conjunto
mais amplo de ações, reforça nosso compromisso em fornecer soluções eficazes e confiáveis
para todos os públicos.
O Brasil é citado como referência global para Neutrogena em proteção
solar. De que forma isso influencia a autonomia da operação
local nas decisões de marketing e comunicação?
O Brasil desempenha um papel central para a Neutrogena na categoria de protetores
solares, não apenas por seu potencial de mercado, mas também devido ao seu perfil
único de consumo. Em um país tropical, onde existe uma forte cultura de exposição ao
sol, enfrentamos o desafio e a responsabilidade de conscientizar sobre o uso diário de
protetor solar, mesmo em dias nublados e fora do contexto de praias e piscinas. Essa
realidade nos levou a desenvolver ações locais altamente relevantes, como a presença
de mochileiros da Neutrogena distribuindo protetor solar em eventos de alta visibilidade,
como Primavera Sound, Numanice, blocos de Carnaval e diversas corridas pelo
país. A ideia é mostrar que o uso de protetor solar deve estar presente em todos os
momentos da rotina. Essa conexão com o público local também se traduz no desenvolvimento
de produtos específicos para as necessidades da pele brasileira. Itens como
Neutrogena Sun Fresh Hydro Boost e Sun Fresh Derm Care foram formulados considerando
as particularidades da pele mista, oleosa e seca, focando em alta performance
e leveza sensorial. O lançamento mais recente, Sun Fresh Derm Care Pele Oleosa, por
exemplo, foi projetado para enfrentar cinco desafios comuns da pele oleosa, combinando
tratamento e proteção solar. Além disso, o fato de que o maior centro de fabricação
da Kenvue, a empresa-mãe da Neutrogena, está localizado no Brasil nos garante maior
autonomia e agilidade na tomada de decisões de marketing, inovação e comunicação.
Essa combinação de expertise científica, sensibilidade local e presença estratégica fortalece
a posição do Brasil como um centro de inovação e influência dentro da marca,
que possui mais de 30 anos de experiência no segmento.
Em um cenário de forte concorrência no mercado de skincare,
como Neutrogena trabalha a diferenciação na comunicação com o
público brasileiro?
Para diferenciar a Neutrogena no mercado brasileiro, investimos constantemente em
inovação, tanto nos produtos quanto na forma como nos comunicamos com o público,
sempre visando tornar o cuidado com a pele eficaz e relevante para a rotina do consumidor
brasileiro. Sabemos que o público no Brasil é exigente, conectado e atento
às tendências. Portanto, buscamos traduzir a ciência da pele em mensagens claras e
envolventes que estejam próximas da realidade das pessoas. Para reforçar essa proposta,
investimos em campanhas com vozes que realmente se conectam com a marca.
Também promovemos ativações de rua em diferentes regiões do país em momentos
estratégicos, como o Carnaval, o verão e grandes festivais. Essas ações incluem distribuição
de produtos e presença em grandes eventos de diferentes segmentos, trazendo
o conceito de cuidado com a pele de forma descontraída e leve.
Com a digitalização do consumo e o crescimento do e-commerce,
como a marca tem adaptado suas campanhas e abordagens para
gerar conversão no ambiente online?
Mais do que promover produtos, nosso objetivo é nos integrar de maneira relevante
nas rotinas digitais de beleza e autocuidado das pessoas. A personalização é um pilar
essencial: apresentamos produtos alinhados às necessidades de cada público, construindo
conexões genuínas em vez de interrupções. Essa experiência começa com dicas
e orientações nas redes sociais, passa por conteúdo educacional em parceria com
especialistas e criadores, e se estende de forma fluida e contínua pelos canais onde o
consumidor já está. Assim, informação e conveniência andam de mãos dadas, tornando
a jornada completa.
Quais são os aprendizados mais recentes da marca ao ativar
campanhas no Brasil, especialmente em datas estratégicas como o
verão ou em lançamentos em grande escala?
Ativar campanhas em datas estratégicas tem sido uma oportunidade valiosa para a
Neutrogena não apenas para impulsionar lançamentos, mas também para promover
a educação sobre cuidados com a pele, que está no coração do nosso propósito. No
verão, por exemplo, reforçamos campanhas focadas na proteção solar, com o objetivo
de aumentar a conscientização sobre o uso diário de protetor solar, mesmo fora dos
momentos de lazer. Sabemos que ainda é um desafio fazer desse hábito parte da rotina
dos brasileiros, e é precisamente nesse ponto que queremos atuar com consistência e
impacto. Da mesma forma, durante períodos de clima mais seco, estamos reforçando
os lançamentos da linha Hydro Boost. Essas experiências destacam a importância de
conectar campanhas a histórias e momentos que façam sentido para o consumidor,
expandindo o impacto além da simples conscientização.
Quais são as agências parceiras da Neutrogena hoje e como elas
colaboram na construção das estratégias de marca e campanhas
publicitárias no Brasil?
Atualmente, trabalhamos com um ecossistema integrado de parceiros formado pela
Onevue, Spark e Tastemakers. Nossas agências parceiras colaboram de forma integrada
em diferentes frentes de comunicação, fortalecendo a presença e a consistência da
marca no Brasil. É um modelo colaborativo e multidisciplinar que permite à Neutrogena
desenvolver campanhas completas e estratégias 360°, focando na inovação, ciência e
na verdadeira conexão com o consumidor brasileiro.
Para fechar: o que podemos esperar das próximas campanhas de
Neutrogena?
Este novo momento marca o início de uma nova fase para a Neutrogena, e os desdobramentos
dessa jornada estão apenas começando. Nossas próximas campanhas
continuarão a aprofundar-se no território da beleza de forma consistente, com ações
que combinam informações confiáveis, leveza na comunicação e uma conexão cada vez
mais próxima com o consumidor brasileiro.
“Acreditamos que as redes sociais
refletem o comportamento
do consumidor atual”
jornal propmark - 3 de novembro de 2025 13
BH só é
novidade
para
quem
chegou
agora.
1. A Forebrain é pioneira em neurociência aplicada ao consumo, transformando ciência e tecnologia em insights precisos sobre
atenção, emoção e engajamento, mostrando de forma única como as pessoas se conectam com marcas e conteúdos.
Há 30 anos já reconhecíamos a importância dessa
cidade e o poder dos Grandes Formatos, oferecendo
soluções com mais impacto, que geram mais lembrança,
consideração e conversão para as marcas.
Belo Horizonte • Rio de Janeiro • Fortaleza • Recife • Natal • João Pessoa • Maceió • Aracajú
Grandes
Formatos
Em Belo Horizonte
Grandes
formatos
geram
448%
mais atratividade
que os demais formatos
Demais
Formatos
Isso tudo é comprovado em um
estudo recente da Forebrain¹,
realizado para a OOH Brasil,
onde mostra que nossos Grandes
Formatos Digitais em Belo
Horizonte — empenas, painéis e
bancas — tem uma atratividade
448% maior que os outros
formatos digitais, gerando
até 5x mais atenção do que a
média do mercado.
Pensou em BH,
pense grande!
contato@oohbrasil.com.br | oohbrasil.com.br
quem fez
Kelly Dores
interina
kelly@propmark.com.br
iD\TBWA
AlliAnz SEGUROS
Fotos Divulgação
Título: ‘Allianz – Vivendo o melhor’
Diretor-executivo de criação: Sthefan Ko
Diretor de criação: Guga Diehl
Diretor de criação associado: Gabriel Silva
Criação: Adriano Brodbeck e Júlia Branco
Diretora-geral de negócios: Paula Cravo
Diretor de negócios: zuma Mota
Negócios: Monique Barrios, Fernanda Silva e Bruna Pereira
Em formato de série documental, a iniciativa apresenta três episódios com
personagens que mostram como o cuidado, a proteção e a comunidade podem
transformar vidas e gerar impacto positivo. “É um convite para cultivar
relações de proximidade, promover comunidades mais fortes e inspirar transformações
reais”, diz a diretora-executiva da Allianz Seguros, Maria Clara.
ogilvy
COCA-COlA
Título: ‘Wookiee order’
Global CCO SX: Fred Saldanha
CCO Latam Ogilvy: Keka Morelle
CCO Ogilvy Brasil: Rafael Donato
CCO SX Latam: Omar Fabian Fabian
CCO Ogilvy Experience: Rubens Casa nova
DC SX Latam: Caro Camargo
Ação permite que os fãs façam seus pedidos de Coca-Cola
através do WhatsApp da marca, utilizando seus melhores
rugidos Wookiee, espécie do famoso personagem Chewbacca,
da saga ‘Star Wars’. Os participantes que enviarem áudio
imitando o personagem podem ganhar desde cupons para
pedir sua Coca-Cola até o prêmio principal de R$ 10 mil.
Ampfy
ROKU BRASil
Título: ‘Roku - Amor ao primeiro play’
CCOs: Andrea Siqueira e Fred Siqueira
Diretor de criação: Mayara Ribeiro
Criação: Carolina Gross Marques, Julia Garicochea, Mariana Piagentini
Abrahao e Ygor Silva
CSO: Gabriel Borges - GB e Amanda Agostini
COO: Douglas Bocalão
Com o conceito ‘Roku - Amor ao primeiro play’, a campanha bem-humorada traz a
história de um homem que se “apaixona” pela própria televisão depois que ela se
transforma em smart. Ação apresenta o Roku Streaming Stick e o Roku Streaming
Stick Plus, dispositivos que chegam ao mercado com a proposta de simplificar a
experiência de streaming e transformar qualquer TV em uma Smart TV.
16 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
el ojo
‘O mercado brasileiro é fundamental pa
Presidente e fundador do
Festival Internacional El Ojo de
Iberoamérica, Santiago Keller
Sarmiento celebra 28 anos à
frente de um dos eventos mais
importantes da indústria criativa
mundial. Reconhecido por
valorizar a identidade latina e
projetar o talento da região no
cenário global, o festival será
realizado entre os dias 12 e 14
de novembro, em Buenos Aires,
na Argentina. Em entrevista ao
propmark, Keller reflete sobre as
transformações da publicidade,
a força da criatividade iberoamericana
e o papel do El Ojo
como ponte entre inovação,
cultura e emoção e os novos
desafios para o futuro da indústria.
Adrieny Magalhães
diferencial
O El Ojo tem uma característica única:
é um festival latino-americano, feito por
latino-americanos e pensado para promover
a cultura, a indústria e o talento latino-
-americanos. É o lugar onde a criatividade
latino-americana se destaca com toda a
sua força e essência. O que diferencia o
El Ojo de outros festivais internacionais
é a sua perspectiva genuinamente ibero-
-americana, que não apenas celebra a criatividade,
mas também reflete nossas raízes
culturais, histórias e a realidade social,
econômica e cultural que enfrentamos
em cada um de nossos países e na região
como um todo. Enquanto outros festivais
tendem a ter um foco mais anglo-saxão
ou predominantemente anglo-saxão, seja
em sua organização, júris ou palestrantes,
mesmo que se definam como globais, o El
Ojo de Iberoamérica é, sem dúvida, o primeiro
festival internacional com perspectiva
e abordagem latino-americana à criatividade,
comunicação e entretenimento.
eSPÍriTO laTinO
Em cada uma de suas edições, há
mais de 28 anos, o El Ojo reúne o talento
e o espírito latino, projetando-os e
integrando-os ao mundo. As chaves do
seu sucesso residem nos pilares que deram
origem ao festival: formação, inspiração,
networking, reconhecimento dos
melhores trabalhos e dos profissionais
e empresas que os criam e, em última
análise, incentiva a indústria em cada um
dos nossos países – e na região como um
todo – a crescer ano após ano e se consolidar
como referência global em criatividade.
A cada edição, o El Ojo expande
os limites do talento, da criatividade e da
comunicação latinos, fazendo-os crescer
e potencializando-os. O El Ojo olha além
e se consolida como o lugar ideal para
encontrar, fortalecer e aprimorar laços,
trocar experiências e projetar talentos latinos
além das fronteiras regionais. E por
sua qualidade, seriedade e relevância, o
El Ojo foi escolhido pelo Ranking Internacional
Warc Creative 100 para integrar
seu ranking das campanhas e empresas
Santiago Keller Sarmiento: à frente do El Ojo, o executivo analisa a evolução da indústria criativa, o p
mais premiadas do mundo por sua criatividade.
O El Ojo se destaca por promover
a diversidade, a paixão e a autenticidade
que nos caracterizam como latino-americanos.
Isso se traduz em campanhas
e peças carregadas de emoção, senso
de comunidade e uma linguagem que
se conecta profundamente com nossos
públicos. Além disso, é um espaço que
promove a indústria local em cada um
dos nossos países, fomentando talentos
regionais e abrindo portas para que a publicidade
ibero-americana se posicione
com a própria voz no cenário global.
renOvaçãO
Desde 1998, o El Ojo de Iberoamérica
acompanha a evolução da indústria criativa,
absorvendo e refletindo as grandes
mudanças no setor em nossos países e
no mundo, para permanecer como um
farol e uma referência. E nos renovamos
constantemente, entendendo que a cria-
“O El Ojo é um
festival latinoamericano,
feito por latinoamericanos”
18 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
ra a criatividade’
Alê Oliveira
“O Brasil sempre
foi um motor
criativo essencial
no El Ojo”
consumo. A ideia é representar um mercado
em constante renovação e atento à
crescente importância de uma comunicação
ética e eficaz com o público.
DiversiDaDe
Selecionamos cuidadosamente os presidentes
de júri com base na formação,
experiência e reputação de profissionais
de destaque na indústria publicitária
de cada país. Espera-se que esses líderes
reflitam uma diversidade de estilos,
culturas e perspectivas para enriquecer
a avaliação criativa, bem como diferentes
nacionalidades. Ter pluralidade
de vozes é essencial, pois proporciona diversos
pontos de vista, promove a inclusão
e reduz vieses culturais, proporcionando,
assim, um julgamento mais equilibrado e
representativo da riqueza global do setor.
teCnologia
A inteligência artificial é uma ferramenta
transformadora na publicidade,
mas também representa desafios significativos
para festivais como o nosso.
Regulamentar e avaliar seu uso exige
critérios claros e atualizados que garantam
tanto a criatividade humana quanto
a transparência em sua aplicação. O festival
busca acompanhar essa evolução definindo
regras éticas e técnicas, evitando
automação sem contribuição criativa
real. Solicitamos que os participantes
indiquem se suas peças utilizaram IA e
anexem declarações de veracidade. Também
podemos solicitar comprovantes
de publicação e cartas assinadas pelos
anunciantes. Como toda nova tecnologia,
será um processo de aprendizado contínuo,
sujeito a ajustes ao longo do tempo.
História
O El Ojo nasceu como uma forma de
celebrar os quatro primeiros anos da LatinSpots.
A ideia era reconhecer aqueles
que tiveram o melhor desempenho entre
1994 e 1998. Esta primeira edição foi um
sucesso, e, embora planejada para durar
poucas horas, terminou de madrugada,
com mais de 500 profissionais discutindo
e trocando ideias. Havia profissionais
do calibre de Marcello Serpa, Fernando
Meirelles, Erh Ray, Ramiro Agulla, Carlos
Baccetti e muitos outros. A insistência do
mercado levou à segunda edição, e a partir
daí o festival cresceu. Durante 28 anos,
reunimos e convidamos as mentes mais
brilhantes da indústria para compartilhar
o que pensam e elevar o nível do nosso
setor. Há centenas de anedotas — dos
debates acalorados entre palestras às
histórias improvisadas, como a palestra
virtual de Nizan Guanaes em plena tempestade,
antes da era do Zoom.
apel da inteligência artificial e o fortalecimento da identidade latino-americana na publicidade
tividade é dinâmica, assim como as ferramentas
e os formatos que a potencializam.
O El Ojo foi, por exemplo, o festival
pioneiro a permitir inscrições digitais e o
primeiro a implementar um sistema de
votação online. No El Ojo, temos mais de
300 jurados, representantes de cada um
dos países da nossa região. Ou seja, um
júri amplo, diverso e democrático. Também
fomos pioneiros em reconhecer
novas disciplinas. O El Ojo foi o primeiro
festival do mundo a criar uma categoria
de branded content, e seguimos ampliando
o escopo de reconhecimento
com o surgimento de novas plataformas,
formatos e linguagens. Com a chegada
da inteligência artificial, abraçamos
essa inovação e abrimos espaços para
premiar ideias que integram IA de forma
ética e criativa, entendendo que ela não
substitui a criatividade humana, mas a
potencializa. O El Ojo não é apenas um
prêmio, mas um ponto de encontro no
qual a região se reinventa e se projeta
para o amanhã, mantendo viva a paixão
pela criatividade e seu impacto.
Categorias
A cada ano, ocorrem mudanças significativas
na definição das categorias, levando
em consideração o feedback dos
presidentes e jurados participantes da
edição anterior e a análise das modificações
que observamos no mercado. Essas
mudanças refletem uma evolução marcada
pela IA, automação e crescimento
de formatos digitais, como vídeos curtos
e publicidade em jogos para celular. As
categorias de 2025 foram atualizadas
para contemplar novas realidades: El Ojo
Rádio & Áudio, El Ojo Digital & Social, El
Ojo Mídia, El Ojo PR, El Ojo Design, El Ojo
Inovação e El Ojo Creative Commerce. Em
alguns casos, novas subcategorias foram
criadas; em outros, redefinidas para refletir
a transformação tecnológica e de
avaliação
O El Ojo garante consistência e relevância
na avaliação dos trabalhos por
meio de um processo rigoroso que combina
um júri regional altamente capacitado,
com critérios claros e adaptados
à diversidade cultural e de mercado da
Ibero-América. A qualidade criativa, a inovação
e o impacto dos projetos são priorizados,
garantindo que o contexto local
e internacional seja levado em consideração.
A seleção do júri inclui especialistas
reconhecidos, e os processos evitam
o excesso de subjetividade, preservando
a integridade do prêmio.
Brasil
A contribuição do mercado brasileiro
para a criatividade ibero-americana
e global é fundamental e contundente.
O Brasil sempre foi um motor criativo
essencial no El Ojo, não apenas pela
qualidade técnica de suas campanhas,
mas também pela capacidade de combinar
inovação, cultura local e relevância
global. Seu talento criativo, aliado a uma
indústria publicitária que constantemente
desafia limites, traz ideias frescas e
disruptivas que enriquecem o cenário
ibero-americano e estabelecem tendências
mundiais.
liDerança
O maior desafio é acompanhar as mudanças
no mundo e na indústria. Sempre
há circunstâncias que exigem inovação
e soluções além do planejado — como
a pandemia, quando o El Ojo foi o único
festival do mundo realizado inteiramente
virtualmente. A maior satisfação é ver
como o talento da nossa região sempre
encontra uma maneira de superar expectativas
e abrir novas portas. Um exemplo
disso é o próprio festival, que se consolidou
como referência da melhor criatividade,
das melhores ideias e dos melhores
talentos do mundo.
jornal propmark - 3 de novembro de 2025 19
mídia
Produções originais consolidam avanço
do Globoplay, que completa dez anos
Com a campanha ‘Toda emoção em um só lugar’, streaming destaca
crescimento em engajamento, audiência e soluções em publicidade
Bruna Nunes
Nesta segunda-feira (3), o Globoplay
completa dez anos. Somando
cerca de 30 milhões de usuários
mensais, o serviço da Globo se consolidou
como o maior streaming nacional
em atenção e engajamento, com média
diária de consumo de 2h09min por usuário.
“O modelo freemium foi decisivo para
ampliar o alcance e a nossa grande oferta
de conteúdo ao vivo, seja nos canais
lineares ou nas transmissões esportivas
e de shows, e fortaleceu a relevância do
Globoplay para o público brasileiro e para
o mercado publicitário”, afirma Julia Rueff,
diretora-executiva do Globoplay.
Ela destaca ainda o papel das parcerias
de distribuição e dos formatos publicitários
exclusivos como diferenciais
da plataforma. Segundo a executiva, a
estratégia é sustentada por três pilares:
conteúdo, distribuição e publicidade.
Essa combinação impulsionou o crescimento
da receita publicitária, que aumentou
86% em 2024 e 38% no primeiro
semestre de 2025. “O conteúdo ao vivo
tem um papel muito especial na nossa
estratégia. Ele gera uma atenção qualificada,
com segmentação e contextualização
em momentos de alto valor para o
público. E isso se traduz diretamente em
resultados comerciais. Desde o seu lançamento,
o Globoplay traz a publicidade
embarcada, com o desenvolvimento e
lançamento de formatos exclusivos”, detalha
a executiva.
Em 2025, as produções Originais Globoplay
ampliaram o consumo em 39% na
plataforma, com destaque para títulos
como ‘Dias Perfeitos’, ‘Pablo & Luisão’ e
‘Guerreiros do Sol’.
O reconhecimento internacional das
produções também impulsionou o posicionamento
do serviço, com ‘Ainda estou
aqui’ premiado no Oscar, ‘Reencarne’ e
‘Raul Seixas: Eu Sou’ presentes em festivais
internacionais. “No próximo ano, chegaremos
à publicação de 100 documentários
originais na plataforma. E já temos
grandes projetos em desenvolvimento,
como ‘Uma Mulher no Escuro’, adaptação
do livro de Raphael Montes, e ‘Paranoia’,
criada por Ron Leshem em parceria
Tatiana Costa, Manuel Belmar e Julia Rueff em evento para os 10 anos do Globoplay
‘Toda emoção em um só lugar’ conta com filme estrelado por atores da Globo
A receita
publicitária do
Globoplay cresceu
38% no primeiro
semestre de 2025
Fotos: Bob Paulino/Divulgação
com Claudia Jouvin, que mergulha no
universo genz e aborda temas como
deep fakes, inteligência artificial, saúde
mental e realidades virtuais”, antecipa
Tatiana Costa, diretora de conteúdo de
produtos digitais.
Segundo dados da Globo, nos últimos
12 meses, o Globoplay registrou 4 bilhões
de horas de consumo, sendo 67% referentes
a conteúdo ao vivo. Esse formato
tem se mostrado um dos principais
motores de engajamento e de resultados
publicitários, com destaque para
transmissões esportivas. “Mais do que
números, esses resultados refletem a
preferência do público e a confiança do
mercado na nossa capacidade de entregar
valor, escala e conexão. Estamos
prontos para os próximos dez anos”, sintetiza
Manuel Belmar, diretor de produtos
digitais da Globo.
Campanha
Como parte da celebração, o Globoplay
lançou a campanha ‘Toda emoção
em um só lugar’. A comunicação apresenta
um filme fictício que acompanha
Maria, assinante do Globoplay, enquanto
um universo lúdico se revela e interage
com ela, ajudando-a a encontrar o conteúdo
ideal. A narrativa é conduzida por
Letícia Colin, que lidera um trio de personagens
formado por Conceição (Dira
Paes) e Rosa (Isadora Cruz) — representações
dos principais pilares do streaming,
como novelas, séries originais, esportes,
shows ao vivo e atrações internacionais.
20 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
INSCRIÇÕES ABERTAS!
Seja o próximo destaque acadêmico da publicidade!
marcas
Huggies brinca com o ‘timing da Copa’
para falar de planejamento familiar
David Contreras, da Blood, analisa como a marca e a GUT Miami
transformaram conversa social em estratégia com ‘Do it for the team’
Adrieny Magalhães
‘Do it for the team’, criada pela GUT Miami para a Huggies, propõe coincidência entre o nascimento de bebês e o calendário da Copa
David Contreras, da Blood: equilíbrio entre humor e posicionamento em campanhas
A
coincidência entre o calendário
da Copa do Mundo e o período
ideal para engravidar foi o ponto
de partida da nova campanha global
da Huggies, criada pela GUT Miami. Com
tom bem-humorado, a marca sugere
que casais que ‘se programarem’ agora
poderão aproveitar a licença parental durante
o torneio de 2026. O filme, lançado
no YouTube, ganhou versões curtas para
redes sociais e uma playlist no Spotify.
A estratégia evidencia como as marcas
têm buscado se inserir em pautas
culturais que ultrapassam o território
funcional do produto. O humor é usado
como porta de entrada, mas o conteúdo
toca em temas sociais, como licença
parental e o papel dos pais nos cuidados
com os filhos. Para David Contreras, head
de business development na Blood, a
chave está na escuta ativa. “Estar antenado
com as tendências e os comportamentos
das audiências é primordial para
as marcas se aproximarem e desenvolverem
uma persona que se identifique com
o público”, afirma.
Para o especialista, a velocidade com
que uma marca identifica essas oportunidades
é determinante para o sucesso
das ações. “O primeiro segredo para o
sucesso de uma campanha é ter bem
definido qual é o perfil do seu público,
conhecer bem o seu target. Depois, ter
um ‘autoconhecimento’ da persona da
marca. Resumindo, é ter um trabalho de
branding completo.”
A combinação de humor, romantismo
e um tema sensível também exige equilíbrio.
“Havendo sinergia entre a conversa
social, o perfil do público-alvo e a persona
da marca, o outro ponto relevante é
fazer as escolhas de opinião e posicionamento
certas, entendendo os riscos que
cada escolha pode ter”, diz Contreras. O
especialista acredita que, hoje em dia, é
impossível uma opinião agradar a todos
os lados, porque existe uma politização
muito forte de qualquer tema, e qualquer
expressão de opinião já é passível
de um argumento contrário.
O head da Blood avalia ainda que a repercussão
da campanha — vista por parte
do público como uma banalização da
licença paternidade — acaba cumprindo
um papel positivo. “Esse tipo de debate
é positivo e é um dos papéis da publicidade
e da comunicação como um todo”,
afirma. “Uma interpretação simplista dirá
que a campanha foi pensada inicialmente
para casais que têm uma união saudável.
Mas a campanha se torna um gatilho
“Todos os
elementos
dessa campanha
remetem à
paixão”
Fotos: Divulgação
para diferentes interpretações.”
Contreras aponta que a relação com
a Copa amplia esse potencial de diálogo.
“No fim, todos os elementos dessa campanha
remetem à paixão, da paixão entre
o casal à paixão pelo futebol, sobretudo
em período de Copa. E, nesse caso,
todos os casais com filhos precisarão de
fraldas e produtos para higiene do bebê.”
A escolha de plataformas também
chama a atenção. “Utilizar uma trilha sonora
para um momento romântico é um
clássico, e, hoje em dia, Spotify e YouTube
se tornaram players de músicas, plataformas
onde todos temos as playlists
favoritas”, observa. Para ele, ao utilizar
essas plataformas para complementar a
campanha, a Huggies se aproxima ainda
mais do público.
Segundo ele, o caso revela como o
papel das marcas nas conversas sociais
tem se transformado. “Se uma marca entende
o perfil do seu público, acompanha
os seus anseios e opiniões, ela pode se
posicionar nos debates gerados e realizar
um trabalho criativo capaz de direcionar
essas narrativas e aproximar ainda
mais o público”, conclui.
22 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
Silenciar a voz de uma jornalista na internet
é silenciar as vozes de milhares de mulheres.
CTRL + ALT + MUTE
2 DE NOVEMBRO
DIA INTERNACIONAL PELO
FIM DA IMPUNIDADE DOS
CRIMES CONTRA JORNALISTAS
APOIO
marcas
Shell Box completa nove anos e reflete o
avanço da comunicação da própria Shell
De facilitador de pagamento a ecossistema de benefícios, app espelha
transformação da marca e consolida presença omnicanal da Raízen
Vitor Kadooka
Motoristas podem utilizar o aplicativo Shell Box para abastecer sem sair do carro; o código exibido na bomba indica a jornada digital
Ricardo Berni, diretor de marketing e digital da Raízen: a comunicação cresceu junto
A
trajetória do Shell Box, aplicativo
da Shell, acompanha a própria
evolução da comunicação da
empresa nos últimos nove anos. O que
começou, em 2016, como uma ferramenta
para simplificar o pagamento
nos postos, tornou-se um ecossistema
de benefícios e um dos principais canais
de relacionamento direto com o consumidor
brasileiro.
“No início, o desafio era explicar o
conceito e mostrar que era possível
abastecer e pagar com o celular; com o
tempo, o foco migrou para benefícios e
conveniência. Passamos de uma mensagem
funcional para uma conversa
mais emocional com o usuário, que coloca
o app dentro do seu dia a dia”, afirma
Ricardo Berni, diretor de marketing
e digital da Raízen.
Ao longo dessa jornada, o Shell Box
teve campanhas que refletiram o momento
de maturidade da plataforma e
do próprio público. Da estreia com foco
em live marketing, passou para ações
digitais, como a de 2020, inspirada no
universo dos streamings de música —
e chegou à primeira veiculação na TV,
em 2022, consolidando uma presença
omnicanal. “Hoje, falamos com perfis
diversos, do motorista urbano ao caminhoneiro.
Cada campanha reforça um
aspecto da jornada: praticidade, economia,
personalização e vínculo, porque o
Shell Box é sobre pessoas em movimento”,
completa Berni.
Essa evolução criativa é acompanhada
por resultados expressivos. O
aplicativo ultrapassou 20 milhões de
usuários e 200 milhões em transações,
consolidando-se como um dos cases de
digitalização da Raízen. “O Shell Box é
peça-chave na nossa agenda digital. Ele
conecta os postos a um ecossistema
digital cada vez mais estruturado e nos
permite transformar transações pontuais
em um relacionamento contínuo
com o cliente”, explica o executivo.
O aplicativo se transformou em um
ecossistema de benefícios, com o Shell
Box Clube, que conecta a marca a diferentes
momentos do dia a dia dos consumidores.
Neste mês, o app ganhou
identidade visual comemorativa e um
calendário de ativações especiais, com
cupons de desconto em combustíveis,
incentivos ao diesel em rodovias e produtos
exclusivos.
A nova fase também reforça o papel
do Shell Box como hub de parcerias,
reunindo marcas como PetLove, XP,
PicPay e Banco Inter, além de iniciativas
“O Shell Box é
peça-chave na
nossa agenda
digital”
Fotos: Divulgação
já conhecidas, como a integração com
a Stix, responsável por acelerar o engajamento
e o consumo. “Quem faz parte
do Shell Box Clube abastece o dobro de
quem ainda não aderiu. Já foram resgatados
mais de 3 bilhões de pontos em
experiências que vão de ingressos para
shows e Fórmula 1 a ofertas com marcas
como Suhai, Localiza, ConectCar e
Shopee”, detalha Berni.
Também, durante o mês de aniversário,
a campanha de nove anos busca
celebrar o vínculo com o público e oferecer
benefícios concretos. Os usuários
terão acesso a cupons e cashback
integrados ao app, com parcerias que
incluem XP (investback), Banco Inter e
Porto Bank, além de condições especiais
para caminhoneiros em parceria
com a Labest. A ID\TBWA é a agência de
publicidade da Shell.
Para Berni, o saldo é de parceria com
os consumidores. “Mais do que comemorar
números, queremos agradecer e
oferecer vantagens que façam sentido
na rotina de quem usa o app. Cada conquista
do Shell Box é reflexo do engajamento
de milhões de brasileiros”, diz.
24 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
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W W W . P R O P M A R K . C O M . B R
marcas
O Boticário usa ‘Botiverso’ para ampliar
diálogo sobre autocuidado masculino
Em parceria com ‘Aqueles Caras’, entre outros perfis, marca quer reforçar
o seu papel na geração de conversas sobre vulnerabilidade e bem-estar
Bruna Nunes
O
Boticário investe no relacionamento
com criadores de conteúdo
por meio do Botiverso, programa
de aceleração que se tornou
uma das principais plataformas de
conexão da empresa com o universo
digital. A iniciativa nasceu com o objetivo
de valorizar narrativas autênticas
e diversas, mas ganhou novos capítulos
em parcerias firmadas com perfis
de criadores de conteúdo.
Agora, a marca abre espaço para diálogos
“mais reais” sobre autocuidado,
vulnerabilidade e bem-estar do público
masculino. Um dos exemplos é a ação
realizada em parceria com o canal do
YouTube ‘Aqueles caras’, grupo formado
por Alvinho, Guilherme Beltrão, Chico
Moedas, Ramon Donatello, Daniel Maciel
e Pig (Pedro Augusto). Os criadores de
conteúdo produziram uma série de vídeos
com a marca no TikTok e Instagram
em “unboxing” - que mostra produtos
recém-adquiridos sendo desembalados.
“Acreditamos que o Botiverso é
uma extensão natural da forma como
nos relacionamos com a nossa comunidade,
por meio da escuta ativa e da
valorização da autenticidade”, comenta
Carolina Carrasco, diretora de branding
e comunicação do Boticário. A executiva
explica que, além de números, a
curadoria é guiada pela narrativa e as
pessoas escolhidas precisam gerar conversas
verdadeiras. A iniciativa, segundo
ela, “se consolidou como um espaço
de descoberta, troca e aprendizado,
tanto para os criadores quanto para a
marca”.
Com a nova parceria, a marca busca
expandir a conversa sobre masculinidade
e atualizar a forma de se comunicar
com esse grupo. “O homem sempre esteve
presente na nossa narrativa. Mas o
que muda agora é a forma como queremos
falar com ele: mais horizontal e
menos prescritiva”, diz Carolina.
“‘Aqueles caras’ é a tradução exata
disso. Eles criaram um espaço onde o
homem brasileiro se vê representado,
sem estereótipos, com humor e vulnerabilidade
na medida certa. Quando
Carolina Carrasco: espaço de descoberta, troca e aprendizado
olhamos para isso, enxergamos a oportunidade
de transformar a ‘resenha’ em
um ponto de partida para o autocuidado”,
acrescenta ela.
A iniciativa também reflete a evolução
da própria comunicação da marca,
principalmente quando se trata do
Brasil. “Hoje, o homem brasileiro está
mais aberto a se cuidar, a experimentar
e a se expressar, e o nosso papel
é acompanhar e às vezes antecipar,
essas transformações”, afirma. A ideia
é normalizar o cuidado como parte do
dia a dia, com uma abordagem que não
busca ensinar, mas refletir e amplificar
o que já está acontecendo na rotina
masculina.
Elemento central da ação, “o humor
é parte da identidade de ‘Aqueles caras’
e essa autenticidade foi justamente
o que nos atraiu. Desde o início, sabíamos
que a força da parceria estava
em não transformá-lo em ferramenta
publicitária, mas em deixar que fosse
o fio condutor natural da conversa”,
explica. “A ‘Resenha do Boti’ é sobre
celebrar o autocuidado com a mesma
“Queremos falar
com o homem
de forma mais
horizontal
e menos
prescritiva”
Fotos: Divulgação
Daniel Maciel e Guilherme Beltrão, do grupo ‘Aqueles caras’
naturalidade com que se fala de futebol,
música ou amizade”, define.
Na avaliação de resultados, o foco
também é qualitativo. “O nosso olhar
vai além dos números brutos de alcance
ou visualizações. O sucesso do
Botiverso é medido pela qualidade das
conversas geradas, pela capacidade de
engajar novas comunidades e, principalmente,
pelo quanto conseguimos
inspirar uma mudança de comportamento”,
afirma Carolina.
O Boticário analisa indicadores
como taxa de engajamento, volume e
sentimento das menções, crescimento
orgânico de criadores participantes e
a presença espontânea da marca em
contextos relevantes. O propósito é
compreender a percepção de marca.
“O Boticário é uma marca construída
sobre escuta e proximidade com o consumidor.
Por isso, as nossas métricas
não se encerram na campanha; elas se
traduzem em como o público nos enxerga
depois dela, como uma marca que
está presente nas conversas que importam,
com verdade e propósito”, finaliza.
26 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
agências
WPP registra queda de 5,9% em receita
orgânica no terceiro trimestre de 2025
Desempenho foi impactado por retração na América do Norte e no
Reino Unido; holding espera fechar ano com queda entre 5,5% e 6%
A
WPP divulgou seus resultados referentes
ao terceiro trimestre de 2025,
com queda de 5,9% na receita orgânica
em comparação ao mesmo período do
ano anterior. O total consolidado foi de US$
3,30 bilhões, enquanto a receita total alcançou
US$ 4,37 bilhões, uma redução de 8,4%
em termos reportados. Entre as divisões, o
grupo de agências integradas globais recuou
6,2% no trimestre, reflexo da desaceleração
em grandes contas e cortes investimentos
dos anunciantes. As áreas de relações públicas
e agências especializadas também apresentaram
retração, de 5,9% e 2,2%.
Regionalmente, a América do Norte registrou
queda de 6% e o Reino Unido, de
8,9%, enquanto a Europa Ocidental caiu
4,4%. Já a Índia manteve desempenho positivo,
com alta de 6,7%, contrastando com
Cindy Rose: “Estamos tomando medidas para corrigir nossa performance”
Divulgação
o recuo de 10,6% na China. No acumulado
do ano, a WPP soma US$ 13,3 bilhões em
receita, com variação negativa de 2,8% na
base orgânica. A companhia revisou sua
previsão para 2025 e agora espera encerrar
o ano com retração entre 5,5% e 6% na
receita orgânica e margem operacional de
cerca de 13%.
A presidente-executiva da WPP, Cindy
Rose, reconheceu que o desempenho recente
“não está em um nível aceitável”
e reforçou que a prioridade é fortalecer a
execução e simplificar a estrutura interna
do grupo. “Minha ambição é que a WPP lidere
o nosso setor em inovação, entrega ao
cliente e crescimento orgânico. No entanto,
reconheço que nossa performance recente
está aquém do esperado, e estamos tomando
medidas para corrigir isso”, afirmou.
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jornal propmark - 3 de novembro de 2025 27
agências
Bullet lança PromoTwins e leva conceito
de collab para o universo das promoções
Formato da agência divide investimento e propõe dobrar as vendas ao
ampliar o engajamento dos consumidores no marketing promocional
Divulgação
Fernando Figueiredo, CEO da Bullet: “Crescimento absurdo”
A Bullet assina promoção da Bauducco e Playstation, que sortearam um videogame na ação ‘Cookie dourado’
Bruna Nunes
A
Bullet apresenta a PromoTwins,
sua nova aposta que explora a estrutura
de collabs, mas dentro do
universo das promoções. A ideia é unir
duas marcas em uma mesma mecânica,
para que compartilhem a operação, guiada
pelo processo proprietário da agência,
o StorySelling.
A metodologia organiza o processo
em etapas que vão do fit à execução e
escala. A curadoria é reforçada pelo Fit
Check, que cruza público e viabilidade
para definir parcerias estratégicas. Todo
o sistema é sustentado por um backoffice
compartilhado, responsável por SAC,
auditoria e gestão. Entre os benefícios da
novidade estão a divisão de custos, o aumento
do retorno sobre o investimento
e o impulso nas vendas. “As marcas acabam
pagando muito menos ou investindo
muito menos para ter praticamente o
dobro de ROI e o dobro de engajamento,
porque eu vou ter duas marcas falando
da mesma coisa”, explica Fernando Figueiredo,
CEO da Bullet.
Figueiredo reforça que, embora a
Bullet já tenha promovido colaborações
entre marcas, como Bauducco e Playstation,
que sortearam um Playstation
5 na promoção ‘Cookie dourado’, esses
projetos conseguem ir além, com impacto
no processo de compra. Agora,
o consumidor investe nas duas marcas.
“O PromoTwins vai além do conceito
de collab. A essência está em fazer
o consumidor comprar as duas marcas”,
afirma o CEO. Segundo o executivo, cases
recentes comprovam um aumento
nas vendas do líder de categoria em
25%. “Com outro cliente, a cada R$ 1 investido
em promoção, voltaram R$ 5,25
em vendas. O PromoTwins é a saída perfeita
para quem busca resultados rápidos
e não dispõe de um grande budget”,
comenta ele.
‘Promolikers’
Os resultados das promoções são
reforçados pelo comportamento do público.
Dados internos da agência mostram
que lojas com ações promocionais
vendem 9% mais que as demais, 85%
dos consumidores preferem comprar
marcas que têm algum benefício ou
fidelidade envolvidos nelas, 81% aumentam
o volume de compras após
verem materiais no ponto de venda e
83% se sentem valorizados quando a
marca fala diretamente com eles. “Hoje
a gente tem, por causa de todas as pro-
“A essência
está em fazer
o consumidor
comprar as duas
marcas”
moções que a realizamos, uma base de
dados absurda, enorme, de promolikers.
São pessoas que gostam e participam
de promoção”, conta Fernando.
“Quando você faz a última comparação
desse processo como um todo, 81%
dos consumidores compraram mais
produtos, neste caso aqui da Bauducco,
ao ver materiais da promoção no ponto
de venda. E mais de 90% compraram um
produto que não estava na lista deles
só para poder participar da promoção”,
completa Figueiredo.
2026 na mira
Lançado há menos de um mês, o
PromoTwins já tem quatro duplas de
marcas em fase final de aprovação, incluindo
novos clientes e parceiros.
Com presença também em Miami, a
agência mira oportunidades ligadas à
Copa do Mundo de 2026. Com os resultados
dos últimos quatro anos, o executivo
chega otimista ao fim do ano. “A
Bullet vem num crescimento absurdo. A
gente teve mais de 100% de crescimento
no primeiro ano, quase 80% no segundo
ano, quase 70% no terceiro ano,
e a gente vai fechar 2025 provavelmente
por volta de 40% de crescimento”,
comemora ele.
28 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
memória
Morre José Roberto Whitaker Penteado,
que deixa legado para ESPM e mercado
Professor e publicitário
teve relação de três
decádas com a escola,
onde foi presidente
Alê Oliveira
Morreu no último dia 28, no Rio de Janeiro, o
professor e publicitário José Roberto Whitaker
Penteado, aos 84 anos. Ele faleceu
após complicações de um quadro de pneumonia.
Deixa as filhas Beatriz e Claudia Penteado, jornalista
que já trabalhou no propmark e hoje atua no Valor
Econômico.
Whitaker Penteado teve uma longa história com
a ESPM. Foi presidente da escola durante sete anos,
entre 2009 e 2016, tendo sido antes vice-presidente
executivo por 28 anos (de 1981-2009). Junto com outros
veteranos da publicidade, teve papel fundamental
na construção da reputação de excelência da ESPM.
Ao lado de Roberto Civita, trouxe para a instituição o
curso de jornalismo.
Ele também passou por agências de publicidade,
como na extinta MPM Propaganda, além de ter sido
diretor de marketing da L’Oréal, nos anos 1970.
Jornalista e escritor, nos últimos anos vinha se dedicando
às atividades da sua consultoria JRWP – Comunicação
Descomplicada. Ativo, Whitaker vinha editando
a revista de jornalismo da ESPM em parceria com a
Columbia School of Journalism. No passado, escreveu
uma coluna durante vários anos para o propmark.
“A publicidade e o
marketing brasileiros
perderam um de
seus pioneiros”
“A publicidade e o marketing brasileiros perderam
CY
um de seus pioneiros e, certamente, um dos maiores
CMY
intelectuais em atividade. Zé Roberto era profissional
publicitário e jornalista, professor e doutor, dono
K
de texto raro e amplo conhecimento de várias áreas
de nosso negócio, tendo trabalhado em agências,
anunciantes e veículos do meio. Também no campo
acadêmico ressalta o trabalho de Zé Roberto na consolidação
da ESPM-Rio e sua passagem pelo Instituto
Cultural, para depois assumir a presidência da entidade.
Um colega de modos e convívio elegantes, cultivou
grandes amigos e parceiros em importantes empreitadas,
cujo legado é perceptível por várias gerações
de nossa indústria”, declarou Emmanuel Publio Dias,
professor da ESPM e coordenador do Young Lions Brazil,
que foi diretor e vice-presidente da ESPM durante a
gestão de Whitaker Penteado.
C
M
Y
CM
MY
José Roberto Anuncio Whitaker GrandesNomes Penteado Preto tinha 14,5x16.pdf 84 anos 1 31/07/2024 e faleceu 21:25:23 no Rio de Janeiro
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jornal propmark - 3 de novembro de 2025 29
especial games
Marcas aprendem a jogar com os gamers
brasileiros e vencem disputa por atenção
Mercado avaliado em US$ 188,9 bilhões em 2025 no mundo atrai
empresas interessadas em aumentar engajamento e negócios
Bruno Álvares/Divulgação Riot Games
Runeterra Fan Fest 2025, realizado em setembro no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo, conectou as marcas a mais de dois mil fãs de LOL, jogo da Riot Games
Janaina Langsdorff
O
público gamer é propenso a aceitar
publicidade desde que as
mensagens tenham pertinência,
relevância e adequação. O Festival
Internacional de Criatividade Cannes
Lions 2025 deixou provas dignas da habilidade
de um pro player. A ação ‘Caça
ao Neymar’ inseriu o Mercado Livre de
forma original no universo de Call of Duty,
da Activision Blizzard, que pertence à
Microsoft. Transmitida ao vivo na Twitch
com a participação do gamer Nobru, a
disputa travada no modo prop hunt escondia
o jogador Neymar Jr. em objetos
disponíveis no e-commerce argentino.
A cada descoberta, um desconto era
liberado. O projeto capturou a proposta
do jogo, promoveu interação com o negócio,
engajou e divertiu. Criado pela GUT,
culminou na conquista do Grand Prix da
categoria Entertainment Lions for Gaming.
O Cannes Lions concede a premiação
desde 2023.
O esforço vale a pena. De acordo
com a consultoria Newzoo, o mercado
de eSports deve movimentar US$ 188,9
bilhões em 2025, alta de 3,4% globalmente.
Pode passar de US$ 200 bilhões
em 2027, puxado pelo ambiente online,
consoles e PCs. Na América Latina, a
indústria é avaliada em cerca de US$ 10
bilhões, segundo a empresa de medição
e inteligência de dados de audiência
Comscore.
Quem já deu play na estratégia comemora
os resultados. De acordo com a
edição de 2025 da ‘Pesquisa Game Brasil’
(PGB) - produzida pelo SX Group e Go
Gamers em parceria com a Blend New
Research e ESPM -, 80,6% dos jogadores
brasileiros valorizam a participação de
empresas em campeonatos e eventos.
Gamescom Latam e Brasil Game Show
(BGS) estão entre os mais aguardados
anualmente. A BGS ocorreu no último
mês de outubro com 200 marcas e
mais de 300 mil pessoas. A Samsung,
por exemplo, teve estande de mil metros
quadrados idealizado pela BFerraz,
agência de brand experience e advertising
do ecossistema B&Partners.
Outro colosso do meio, a Gamescom
Latam, realizada em maio, somou mais
de 90 estandes, 240 marcas, incluindo
40 publishers, e 130 mil visitantes - alta
de 30% em relação à edição anterior.
O Distrito Anhembi, em São Paulo, foi
o palco de ambas as feiras.
“A pertinência
nasce da escuta.
O nosso papel é de
curadoria, e não
apenas de mídia”
32 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
Para 79,4% da amostra estudada
pela PGB 2025, respeitar a cultura gamer
é imprescindível. Mais de 400 companhias
de 26 setores foram consultadas.
O ranking de marcas preferidas
tem iFood (87,2%), Mastercard (84,7%),
Coca-Cola (83,9%), Red Bull (81,8%), Colgate
(77,2%), Heineken (76,8%), Nubank
(76,8%), Vivo (75,4%), Nike/Tênis (74,8%),
3 Corações (71,8%), Fiat (70,8%), PayPal
(68,9%), McDonald’s (68,3%), O Boticário
(67,4%), Jack Daniels (66,3%), Latam Airlines
Brasil (65,9%), Drogasil (60,3%), Ruffles
(59,8%), C&A (56,6%), Nestlé (56,1%),
Nestlé/Snacks (55,3%), CVC (54,9%), Betano
(51,3%), Nike/Roupas (51%), Ferrari
(48,2%) e CCAA (46,5%).
Conteúdo de creators (74,5%) e marcas
posicionadas nos games (73,9%)
agradam aos entusiastas de eSports.
Eles preferem comprar produtos que
anunciam em jogos eletrônicos (71,4%).
Na divisão por segmentos, quem sai
ganhando é higiene e cuidados pessoais
(86,5%), alimentos (81,5%), meios
de pagamento (72,7%), operadoras de
banda larga (69,5%), café (68%), cartão
de crédito (67,3%) e bancos (67,1%). De
acordo com a PGB Data Insights, 82,8%
da população brasileira é adepta de jogos
digitais.
CheCkpoint
O grupo de conteúdo digital francês
Webedia planeja o Kick Tournament,
campeonato nacional de jogos de luta,
que deve ocorrer em maio de 2026, no
Rio de Janeiro, com premiação no valor
de R$ 120 mil. O plano é convidar também
apaixonados por videogames com
disputas de Street Fighter 6, Tekken 8,
Granblue Fantasy Versus: Rising, Brawlhalla,
Fatal Fury: City of the Wolves e
Super Smash Bros. Ultimate. Patrocínios
ainda estão sendo negociados.
Thiago Leme, da Webedia: credibilidade
Cheil Brasil assina ‘Gaming house’ para Samsung Latam no Fortnite, da Epic Games
Festa do IGN, canal de games do grupo francês de conteúdo digital Webedia
“O game não
é um canal de
propaganda,
é a maior
plataforma de
entretenimento
da atualidade”
Pedro Derbli, da Cheil Brasil: parte do jogo
Fotos: Divulgação
A empresa investe na produção de
eventos próprios, ligados ou não às
verticais já estabelecidas. “Um exemplo
é a tradicional festa do IGN, que já
teve dez edições, sendo a última em
comemoração aos seus dez anos e com
12 parceiros”, cita Thiago Leme, COO da
Webedia Brasil.
Há mais de uma década, a Webedia
acumula experiência em comunidades,
produção e distribuição de conteúdo
digital com soluções que agregam a
audiência das verticais Adoro Cinema
(filmes), Tudo Gostoso (gastronomia) e
IGN Brasil (games), além de Babycenter
(família), Minha Vida (saúde), Xataka
(tecnologia), Purepeople (entertainment
news) e Patas da Casa (animais
de estimação). De acordo com Leme, a
empresa figura como a quarta propriedade
digital do Brasil, com 110 milhões
de usuários únicos por mês.
A audiência do IGN alcança hoje 13,8
milhões de pessoas mensalmente. “A
credibilidade é tanta no segmento que
se a notícia não estiver no IGN a comunidade
duvida da sua veracidade”, comenta.
O portal cobre presencialmente
eventos na Alemanha, Japão e Estados
Unidos, além do Brasil. Marcas parceiras
que embarcam nesse projeto conferem
as novidades antecipadamente.
Há estratégias personalizadas para
o anúncio de games e produtos, criadas
em conjunto com os clientes. A última
DLC (Downloadable Content) do jogo
de simulação de vida Inzoi foi lançada
com o reality show ‘Jornada do milhão’,
que teve a presença de influenciadores
do squad do IGN. Os quatro episódios
foram exibidos no YouTube do canal.
“A melhor forma de ser apresentado é
pegar carona em quem já conversa com
o gamer. Quem falar sem ter notoriedade,
profundidade e sem ser real não vai
conseguir relevância”, reforça Leme.
para todos
A personalidade da audiência ancora
o potencial de marketing. Mas é fundamental
“entender as características de
cada uma e o seu momento de consumo”,
atenta Leme. O estereótipo do garoto
trancado no quarto para jogar ficou
para trás. Mulheres, adultos e idosos
entraram nesse universo - democratizado
por smartphones, streamings e TV
conectada (CTV).
Fruto de parceria com a provedora
de canais externos OffGrid, a plataforma
Good Game Brasil, acaba de chegar à
CTV e canais fast com conteúdo dos creators
Ninext, Pokiz, Geleia, Patife e Vitor
Genz inseridos inicialmente na grade de
Record Plus, Vidaa, Roku e Watch Brasil.
“Queremos consolidar parcerias
no ecossistema de eSports, além de
ampliar a visibilidade do canal como
oportunidade tanto para marcas e plataformas”,
indica Alvaro Paes de Barros,
cofundador da OffGrid, que contratou
Luis Olivalves como head de estratégia
jornal propmark - 3 de novembro de 2025 33
de gaming. A expectativa é impulsionar
o crescimento da Good Game Brasil na
América Latina.
Fotos: Divulgação
Fase avançada
A Cheil desenvolve campanhas de
gaming para Havaianas, Samsung, a administradora
de shopping centers Allos
e sua arena gamer Xdome, no Shopping
Metrô Santa Cruz, em São Paulo. Com
a chancela de Havaianas, lançou uma
edição limitada de League of Legends
(LOL), jogo da Riot Games - considerado
o primeiro projeto da sandália voltada
ao público gamer.
Para Samsung Latam, criou projetos
in-game no Fortnite, da Epic Games, que
vão desde mapas originais até as ativações
‘Smart city’, ‘Gaming house’, ‘Flip
tower’ e ‘Sky of adventures’. Com ‘Surprise
city’, conquistou o Echo Awards NY
2024. Já ‘Smart missions’ levou o Echo
Awards Latam 2025. A agência opera
torneios na BGS integrando a plataforma
Samsung a influenciadores e jornalistas
da região.
Já a Samsung Brasil implementou
estratégia de conteúdo com base na
jornada diária e no comportamento dos
gamers, segmentando a comunicação
por categoria de produto e estilo de
jogo. “Isso trouxe uma narrativa personalizada
para cada cluster e território
da marca”, relata Pedro Derbli, gaming
director da Cheil Brasil.
No aplicativo Samsung Members,
foi criado o game original G-Run, um
mobile side-scroller no estilo endless
run, estrelado pelo personagem G-
-Nusmas - ícone da marca na Coreia,
agora em versão pixel art. Torneios e
premiações ajudaram a reter e capturar
novos cadastros. Com os eventos da
Comunidade Members, a marca reuniu
influenciadores e usuários, combinando
conteúdo, torneios e troca de experiências
presenciais.
Na arena Xdome, as jogadas foram
articuladas com o torneio Rising Stars;
ação in-game de Natal no Fortnite; e
com o Xdome ON, videocast e podcast
apresentados pelos influenciadores
gamers Tomik e Gruntar. A Cheil ainda
implementou para a Allos o evento
B2Game, sobre inteligência artificial,
conteúdo procedural (gerado automaticamente
por algoritmos) e desenvolvimento
de jogos.
E na parceria com Omelete Company,
lançou a Indie Week, semana dedicada a
talentos e estúdios independentes. “Os
projetos de Allos e Xdome elevaram em
quase 40% o faturamento da arena, que
atingiu pela primeira vez a sua meta
anual”, assegura Derbli.
Bernardo Mendes, da Druid: fandoms
A Cheil planeja um novo formato
anual de competições com integração
de múltiplas plataformas, influenciadores
e o público. As datas de lançamento
serão anunciadas em breve. “O nosso
trabalho parte da premissa de entender
o comportamento real do gamer. O objetivo
não é invadir os jogos com propaganda,
e sim fazer parte da experiência.
Nenhum jogador abre um game esperando
ver anúncios. Quando isso acontece,
a marca é percebida como algo
invasivo e deslocado”, ratifica Derbli.
Empresas que jogam junto são reconhecidas
porque participam da cultura
gamer. Vilões, por sua vez, tratam o jogo
como uma simples mídia publicitária
e acabam afastando a audiência. “O
game não é um canal de propaganda, é
a maior plataforma de entretenimento
da atualidade. E quando uma marca entende
isso, passa a fazer parte do jogo
de verdade”, garante Derbli.
Time da Hero Base ergue troféu em torneio da Gamers Club com Valorant, da Riot
Espaço criado pela Druid para Brawl Stars, da Supercell, na Gamescom Latam 2025
“O futuro do
marketing é
cocriado com as
comunidades,
e o universo
gamer é o melhor
exemplo”
vida ilimitada
A Druid coleciona campanhas idealizadas
para os publishers Epic Games,
Activision, Blizzard, Supercell, HoYoverse,
Tencent, Krafton, EA, Konami, Bandai
Namco e Bethesda. No pacote, cabem
marcas não endêmicas, que enxergam
no universo gamer a chance de atrair
negócios. Entre elas, estão Sanofi, Seara,
Samsung e Disney.
De ativações presenciais à gestão
de comunidades, influenciadores, conteúdo,
mídia e awareness, as entregas
estão “sempre conectadas a objetivos
de negócios claros, como vendas, engajamento
e fortalecimento de marca”,
certifica Bernardo Mendes, sócio e chief
gaming officer da Druid.
Inspirada em ‘Evidências’, clássico
da dupla Chitãozinho e Xororó, a campanha
dos 20 anos de World of Warcraft,
da Blizzard Entertainment, mostrou que
saudade também pode ser um sentimento
épico. Mais de 10% dos jogadores
inativos foram resgatados, superando a
média global.
Outro resultado positivo veio da desenvolvedora
de jogos finlandesa Su-
Felipe Guerra/Divulgação Gamers Club
Gui Barbosa, da Gamers Club: consumo
34 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
percell na Gamescom Latam 2025, com
estratégia de conteúdo e estande dedicados
aos títulos Clash Royale e Brawl
Stars. Foram alcançadas mais de 130 mil
pessoas presencialmente e quase seis
milhões no digital, com engajamento
médio acima de 6%. Na BGS 2025, a Supercell
realizou um campeonato global de
Brawl Stars pela primeira vez no Brasil.
“Os eSports são uma parte estratégica
dentro da nossa atuação. Embora
seja um nicho dentro do universo gamer,
tem um papel essencial na construção
de fandoms e visibilidade cultural”,
sublinha Mendes. A Druid trabalha
em novas parcerias com ligas e creators
para elaborar formatos mais imersivos,
escaláveis e conectados a marcas, atletas
e comunidades.
Jovem, engajada e criativa, a audiência
gamer requer entendimento de
códigos culturais para que as marcas
possam criar experiências de valor real.
“O futuro do marketing é cocriado com
as comunidades, e o universo gamer é o
melhor exemplo disso”, atesta.
Air fryer entrA no jogo
Já imaginou jogar em uma air fryer?
A Seara lançou na Gamescom Latam
2025 a AirFryer Doom, capaz de rodar o
jogo Doom. A ativação somou 14 creators,
distribuiu mais de oito mil brindes,
vendeu 2.321 combos, entregou 400
vouchers de degustação e realizou mais
de seis mil gameplays no eletrodoméstico.
O site recebeu 6,86 milhões de
acessos e bateu o recorde de cadastros
em campanhas de patrocínio.
Nos canais próprios, alcançou 145,8
milhões de visualizações de conteúdo,
101 mil interações e três mil novos
seguidores. Os números citados pela
Seara consideram dados da Meta Business
Suite, TikTok Insights e X Insights.
Marília Duran, da LePub SP: consistência
‘Destrave o game’, da Leo para Trident, entregou mais de 500 mil skins no Free Fire em 2024
O joystick ‘The cool down controller’, ideia da Le Pub para a versão zero de Heineken
“O fã percebe
quando algo
é autêntico e
quando não é”
Murilo Fedele, da Leo: formatos in-game
Fotos: Divulgação
O projeto viralizou e foi reconhecido no
Smarties MMA 2025.
Maratonas de transmissões podem
ser exaustivas. No Dia do Gamer, os
streamers Gaules, Coringa, Thaiga e The
Darkness aderiram ao convite da Seara
e fizeram uma pausa acompanhados
dos snacks da marca. “Essa iniciativa
mostrou que entendemos a rotina gamer
e que conseguimos nos conectar
de maneira criativa e legítima”, ressalta
Tannia Fukuda Bruno, diretora de
marketing da Seara.
Em outubro, a marca anunciou patrocínio
ao G3X FC na Kings League Brazil,
firmando presença no esporte digital
ao lado de Gaules e Kelvin ‘K9’ Oliveira.
“Estar em uma liga que conecta futebol,
inovação e transmissão digital é uma
maneira poderosa de dialogar com uma
nova geração que vive intensamente o
esporte e o entretenimento”, frisa Tannia.
A executiva comemora os retornos
de engajamento e percepção de marca.
Em dezembro, a Seara nomeará o
palco Universe da Comic Con Experience
(CCXP). O espaço será dedicado a
animes, mangás e doramas - próprios
da cultura asiática. “Esse movimento
reforça o nosso compromisso em estar
onde as paixões acontecem. A Seara
quer cocriar experiências, conquistando
corações, mentes e estômagos de uma
nova geração”, resume Tannia.
PAusA
Do snack para goma de mascar, Leo
e Trident entraram em cena com ‘Destrave
o game’, ação que distribuiu mais
de 500 mil skins no Free Fire em 2024.
No mesmo ano, o chiclete da Mondelez
entrou em objetos do jogo da Garena
durante o campeonato Free Fire World
Series (FFWS) Brasil. A agência avalia
roadmaps com parceiros e publishers
conforme janelas de títulos e calendário
competitivo.
“O princípio é priorizar formatos in-
-game que agreguem ao gameplay,
sempre respeitando a comunidade”, valida
Murilo Fedele, diretor de estratégia
da Leo. Segmentação por plataforma,
gênero de jogo e jornada cultural são
os preceitos elencados para conseguir
“traduzir o lugar da marca dentro do
universo gamer em experiências que
façam sentido para a comunidade”.
Já a experiência da LePub é com a
cerveja Heineken. O joystick ‘The cool
down controller’, que sugere pausas
com Heineken 0.0 em momentos tensos
do jogo, “se tornou um item de
desejo entre os gamers brasileiros, batendo
recorde de cadastros na promoção
para concorrer ao controle”, recorda
Marília Duran, diretora de estratégia da
LePub São Paulo.
A agência monitora comportamentos
desde a criação da plataforma
‘Every game is a bar’, em 2023. “A simples
presença comercial não faz sentido
e não conversa com eles, é preciso
36 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
construir relação relevante, respeitosa
e consistente”, insiste Marília.
Bruno Álvares/Divulgação Riot Games
Score
Propósito, entendimento da linguagem
e de hábitos ajudam a consolidar a
presença de quem já marca pontos com
consumidores avessos ao oportunismo.
Em contrapartida, são leais aos valores
de produtos que apoiam o setor de forma
legítima. Antes pontuais, hoje aportes
de longo prazo ancoram estratégias
capazes de assegurar conexão.
“A nossa pesquisa mais recente
em parceria com a Serasa apontou que
77% dos jogadores brasileiros gastam
em média R$ 250 por mês em jogos,
reforçando o perfil de consumo onde
o game faz parte do dia a dia de quem
participa desse universo”, explica Gui
Barbosa, diretor de parcerias da plataforma
e produtora de eSports Gamers
Club (GC), hub que conecta quase três
milhões de usuários.
O ecossistema de negócios abrange
os sites Draft5, de notícias sobre o Counter
Strike (CS), game de propriedade
da Valve Corporation; e VZone, sobre
Valorant, da Riot Games. Ambos são
jogos de tiro tático. Há mais de um milhão
de usuários ativos, considerando
jogadores e leitores dos sites de notícias,
com mais de 35 milhões de pageviews
mensais.
Transmissões de eventos, campeonatos,
lives shops e encontros de comunidades
geraram 75 milhões de views
nos canais da empresa no YouTube e
Twitch em 2024. A base de usuários
vem predominantemente da geração Z
(98%) - quase 60% têm carro e 27%, renda
familiar acima de R$ 10 mil.
Criada em 2016, a GC foi adquirida
sete anos depois pela norte-americana
Siprocal, especializada em soluções
para publicidade online. No ano passado,
lançou a vertical Gaming Services,
que produz e opera eventos, exibe campeonatos
e oferece recursos de publicidade
digital, consultoria e pesquisas
para marcas, agências e publishers.
Intel, Red Bull e Logitech estão entre
os parceiros, além de Stake, Esportes
da Sorte, Key Drop e Tradeit. Com a
Druid, viabilizou iniciativas para Samsung
e a desenvolvedora e distribuidora
EA (Electronic Arts). Atende
também Galeria, AlmapBBDO, Essence
e David. Trabalha ainda para Riot Games
e Garena.
Diego Martinez, da Riot: comarketing
Chocolate KitKat aproxima marca do universo de LOL, no Runeterra Fan Fest 2025
“Nenhum jogador
abre um game
esperando ver
anúncios”
No coNtrole
A desenvolvedora de jogos eletrônicos
norte-americana Riot Games,
pertencente à chinesa Tencent, consolidou
em 2025 um modelo de negócios
que une o marketing esportivo com a
liberdade criativa de franquias como o
LOL. Assim, juntou Sadia e Pringles ao
time já formado por Mastercard, Kia,
Heineken 0.0, KitKat e Nescafé Dolce
Gusto - patrocinadores do League of Legends
Championship of The Americas, o
LTA Sul, campeonato que reúne equipes
do Brasil e da América do Sul. LOL possui
mais de 180 milhões de jogadores ativos
globalmente.
A ação implementada com a Sadia
veio de fãs que pediam opções de alimentos
após passar mais de oito horas
na arena da Riot em São Paulo nos
dias de jogos. “A pertinência nasce da
escuta. Antes de qualquer contrato, entendemos
como a marca pode somar à
experiência do jogador e à história de
nosso campeonato, e não a interromper.
O nosso papel é de curadoria, e não
apenas de mídia. Isso significa olhar
para o universo de eSports com a lente
da cultura, e não da vitrine”, alerta Juarez
Fraga, gerente de negócios e parcerias
para Américas na Riot Games.
Foram consumidos mais de dez mil
produtos em menos de 50 dias de transmissões
em um ambiente com capacidade
diária para 150 pessoas. A marca
transformou a sua presença em conteúdos
orgânicos, alçando a conexão para
além do game. “Parceria construída
com propósito, contexto e recorrência
transforma percepção em afinidade, e a
afinidade em preferência. O fã percebe
quando algo é autêntico e quando não
é. Uma ação isolada pode gerar visibilidade,
mas dificilmente gera vínculo”,
adverte Fraga.
Uma edição limitada com embalagens
personalizadas e cards colecionáveis
da linha de sanduíches congelados
Hot Pocket Sadia chegou às gôndolas
de todo o país. “No Dia do Gamer, em 29
de agosto, promovemos uma ação com
mais de 17 lives de influenciadores do
universo, todas patrocinadas pela marca”,
conta Renato Broggin, co-COO da
Africa Creative, que ajudou a posicionar
Bruno Álvares/Divulgação Riot Games
O salgadinho de batata Pringles interage com participantes do Runeterra Fan Fest 2025
Juarez Fraga, da Riot: sem interrupção
jornal propmark - 3 de novembro de 2025 37
a Sadia no mundo dos games. Em ação
ao vivo dentro do jogo, o influenciador
Esa passou a ser chamado HamburguE-
SA. “Realizamos o primeiro ‘nickname
rights’ da categoria”, acredita Broggin.
Teve até brincadeira alusiva ao conceito
de home office. No ‘Game office’,
quem adivinhar enigmas postados no
perfil da marca no X ganha um Hot Pocket
Sadia da variante inspirada em LOL,
por meio de acordo com o iFood.
“Achamos uma conexão entre gamers,
marca e produto, que evita interrupções
descabidas, um erro cometido
por outros anunciantes anteriormente”,
reitera Broggin. A Africa Creative estuda
novas oportunidades para a marca. A
agência também cria estratégias de eSports
para Brahma, Vivo e Itaú.
Ponto a Ponto
“O universo dos games é um experimento
vivo de linguagem visual, narrativa
da história de cada jogo, sensações,
emoções e comunidade”, pontua Ana
Kuroki, CSO da Africa Creative. É por isso
que criar as tramas dos games, chamado
lore, ganhou evidência. “É uma aula
de branding”, observa.
De termos a comportamentos e personagens,
a relevância pode vir ainda
de necessidades. “Sadia explorou esse
atributo ao lançar uma caixa de hambúrguer
com USB, que mantinha o hambúrguer
aquecido durante a partida”,
lembra Ana. Segundo a executiva, o potencial
de marketing está no tamanho
do mercado; capacidade de atração,
retenção e conexão; e na tecnologia colocada
a serviço de inovações.
Dois sabores de Pringles e kits colecionáveis
de Nescafé Dolce Gusto
também chegaram. “É um formato que
alia consistência e criatividade com
contratos de longa duração e entregas
Tannia Fukuda, da Seara: conexão legítima
que evoluem com o comportamento do
público”, aponta Juarez Fraga, da Riot.
Também a B3 estreou na divisão de
acesso ‘Circuito desafiante’, aumentando
a presença do setor financeiro
no ecossistema de LOL. No lugar de
pílulas de informação sobre investimento,
contou histórias de jogadores
e criadores de conteúdo que já encaram
dívidas.
“Indicadores de engajamento, brand
lift e percepção de marca ficaram acima
da média do setor, especialmente entre
os jovens. Quando uma parceria nasce
com pertinência cultural e propósito
genuíno, o público responde de maneira
calorosa”, orienta Fraga.
tática
Exigente, informado e emocionalmente
conectado ao que consome, o
gamer quer ser impactado - e compreendido.
“Ao mesmo tempo que ele pode
ser seu adversário, pode também ser
seu maior influenciador e consumidor”,
emenda Fraga, da Riot.
Ação da Africa Creative para Sadia com HamburguESA no Runeterra Fan Fest 2025
Seara lançou na Gamescom 2025 a ‘AirFryer Doom’, capaz de rodar o jogo Doom
“O nosso papel
é de curadoria,
e não apenas
de mídia”
Rodrigo Pirim/Divulgação Africa Creative
Renato Broggin, da Africa Creative: conexão
Fotos: Divulgação
O sucesso da Runeterra Fan Fest, encontro
de fãs de LOL realizado nos dias
27 e 28 de setembro no Mercado Pago
Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo,
coroou a jornada. Foram mais de duas
mil pessoas em um ambiente de conexão
entre marcas e comunidade.
O Wild Rift, jogo do gênero Moba
(Multiplayer Online Battle Arena ou Arena
de Batalha Multijogador Online) para
smartphones ambientado no universo
de Runeterra, da lore de LOL, também
firmou terreno no Brasil com “comarketing
e colaboração de propriedade
intelectual”, salienta Diego Martinez,
head de publicação de produto para
Américas na Riot Games. Um exemplo
é a campanha ‘CarnaWild’, realizada no
Carnaval deste ano. Samsung e Claro foram
os parceiros.
Com o Valorant Champions Tour
Américas (VCT Américas), a Riot fortalece
categorias complementares com
ações editoriais em português, respeitando
a identidade dos jogadores, além
de ativações globais em Los Angeles
(EUA) ao lado de Samsung, Verizon, Pulsar,
Red Bull, Ibuypower e Secret Lab.
Valorant reúne mais de 28 milhões de
gamers ativos em todo o mundo.
“O ecossistema de marcas de LOL
e Valorant serve de referência para o
mercado publicitário como plataforma
cultural e de negócios no eSports. Em
2026, temos a intenção de reforçar parcerias
pioneiras na América do Sul, em
especial no Brasil”, avisa Fraga.
A Riot Games negocia projetos com
marcas dos segmentos financeiro, automotivo,
educacional e de cuidados
pessoais, que devem ser oficializadas
nos próximos meses. “Toda nova entrada
passa por um processo criterioso de
curadoria e complementaridade para
garantir que traga algo novo e autêntico”,
sublinha Fraga.
38 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
mercado
Após licença para explorar petróleo na
foz do Amazonas, há clima para a COP30?
Marcas endossam projetos regenerativos e de conservação da floresta,
enquanto a Petrobras inicia perfuração de poço em busca de petróleo
Ricardo Teles/Divulgação Vale
Floresta Nacional de Carajás, em Parauapebas, no Pará, onde a Vale protege 800 mil hectares de área ao lado do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)
Janaina Langsdorff
A
COP (Conferência das Partes) chega
a sua trigésima edição entre os
dias 10 e 21 de novembro, em Belém
(PA), como um novo sopro de esperança
para conter desastres climáticos.
Mas falta fôlego.
A COP29, que ocorreu em Baku, no
Azerbaijão, recomendou um aporte de
US$ 300 bilhões anuais em ações direcionadas
a países em desenvolvimento até
2035. Especialistas calculam, no entanto,
que seria necessário um montante de
US$ 1,3 trilhão. Quem paga essa conta?
O uso de energias renováveis no lugar
de combustíveis fósseis - o petróleo - é
uma das alternativas reiteradas pela ciência
para que se cumpra o Acordo de
Paris, assinado por 195 países em 2015.
Dele, veio a meta de limitar o aumento
médio da temperatura da Terra para
1,5°C, ou abaixo de 2°C - condição primordial
para evitar pontos de não retorno
em diversos biomas a partir de 2040.
Mas António Guterres, secretário-
-geral da Organização das Nações Unidas
(ONU), já avisou que “não conseguiremos
frear o aquecimento global abaixo de
1,5°C nos próximos anos”. A declaração
foi feita durante reunião da Organização
Meteorológica Mundial (OMM), em Genebra,
na Suíça, no dia 22 de outubro.
Sabotagem
Sediada no coração da Amazônia, a
conferência sobre mudança climática da
ONU enfrenta situações contraditórias. O
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
autorizou a Petrobras a perfurar o primeiro
poço na bacia da Foz do Amazonas,
a 175 km da costa do Amapá. A exploração
de petróleo abrange também as bacias
de Santos e Campos, com a concessão
de cinco novas áreas. As decisões sustentam
que o petróleo é compatível com a
transição energética.
A COP30 encara ainda a desinformação
e o descrédito com eventos extremos,
já alertados pela natureza na forma
de ondas de calor, seca, tempestades,
inundações - e mortes. Até agora, apenas
62 das 195 nações signatárias do Acordo
de Paris apresentaram planos.
O poder simbólico do encontro embrenhado
na floresta contrasta com o
caráter diplomático, lento e complexo
de um evento dependente de negociações
em tempos de negação. Pactos
“Essa é a COP da
implementação”
40 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Dez mil famílias de 45 comunidades da região da Amazônia garantem renda a partir de bioativos transformados pela Natura em ingredientes para produtos de alta performance
imediatos são improváveis.
Contenções para a diminuição dos
gases do efeito estufa e desmatamento,
justiça climática, novos investimentos
destinados ao ‘Fundo de perdas e danos’
e clareza de compromissos após
2030 devem ser rediscutidos. “Além dos
governos, a sociedade civil, empresas
e movimentos sociais ganham força a
cada COP. A presença da floresta como
cenário vivo deve servir para descentralizar
o discurso e mostrar que a solução
climática precisa ser territorial e diversa”,
lembra Marcus Nakagawa, coordenador
do Centro ESPM de Desenvolvimento
Socioambiental (CEDS).
Embora decisivo, o compromisso dos
Estados Unidos oscila. “Em 2025, essa instabilidade
deve continuar com discursos
contraditórios, saídas de fundos da ONU
e tensões geopolíticas”, avalia Nakagawa.
Mesmo reconhecida como uma das
maiores poluidoras do mundo, a China
ensaia levantes contra a negligência
ambiental, enquanto a União Europeia
mantém postura ativa.
“A COP30 pode ser marcada mais
pela fragmentação das lideranças do
que por consensos firmes. Ainda assim,
o protagonismo de outros países e da
sociedade civil pode compensar a ausência
de uma liderança clara dos EUA”,
analisa Nakagawa.
sensor
Marcas tentam equilibrar o termômetro.
A Natura está presente na Amazônia
há 25 anos, quando lançou a linha Ekos.
“Decidimos criar um ecossistema de
prosperidade, baseado no conceito de
‘floresta em pé’”, explica Ana Costa, vice-
Ana Costa, da Natura: negócios, soluções regenerativas e escaláveis de bioeconomia
“O envolvimento
fugaz não faz
diferença”
-presidente de sustentabilidade, jurídico,
reputação e governo da empresa, que
ganhou o Grand Prix da categoria Sustainable
Development Goals no Cannes
Lions 2025 com a campanha ‘Inventário
verde’. A ação utilizou drones guiados por
inteligência artificial para criar um inventário
da floresta amazônica.
Com negócios e soluções regenerativas
aglutinadas desde 2011 sob o ‘Programa
Natura Amazônia’, a marca extrai
46 bioingredientes utilizados em cerca
de mil unidades de produtos, o que equivale
a mais da metade do portfólio em
diversas linhas. Bioativos antes de baixo
valor agregado se transformaram em ingredientes
para produtos de alta performance,
que hoje geram renda para dez
mil famílias de 45 comunidades e ainda
espalham a bioeconomia da Amazônia
para o mundo.
Por meio de um modelo de simbiose
industrial, a fábrica de sabonetes inaugurada
em 2014 no Ecoparque de Benevides
(PA) emprega 93% da mão de obra
local. Já a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa) e a Cooperativa
Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta)
são parceiras do Sistema Agroflorestal
(SAF) de dendê, que produz óleo de
palma de forma regenerativa em áreas
degradadas. Atualmente, 650 hectares
estão sendo trabalhados.
Há ainda o ‘Amazônia viva’, mecanismo
de financiamento que já mobilizou
mais de R$ 26 milhões em crédito agrícola
via Certificado de Recebíveis do Agronegócio
(CRA) e fundos estruturantes
para assistência técnica, infraestrutura
e conservação, valorizando a cadeia produtiva
de forma sustentável. A empresa
persegue os ‘Caminhos para a regeneração’
- compromisso firmado até 2050.
A Natura contribui para a conservação
de 2,2 milhões de hectares de floresta,
com o plano de chegar a três milhões
nos próximos cinco anos; já desenvolveu
94 cadeias de fornecimento na região,
superando a objetivo definido para 2030;
compartilhou R$ 48,5 milhões em recursos
nas comunidades no ano de 2024,
sendo R$ 24,5 milhões referentes à compra
de insumos da sociobiodiversidade; e
instalou 21 agroindústrias na região para
jornal propmark - 3 de novembro de 2025 41
Diego Padilha/ Divulgação Vale
Show de Mariah Carey em palco flutuante no formato de vitória-régia, montado no Rio Guamá, em Belém (PA), no dia 17 de setembro, com transmissão da Globo e Multishow
fomentar a venda de óleos e manteigas,
elevando em até 60% o orçamento das
comunidades.
Autoridade para falar sobre COP30
não falta. “Esta não é uma COP como
as outras. Ela ocorre pela primeira
vez na Amazônia, uma região tão importante
para o equilíbrio do clima
no planeta. Vemos a oportunidade de
compartilhar soluções de bioeconomia
escaláveis, trazendo alternativas para
o combate ao desmatamento e para o
desenvolvimento econômico sustentável”,
atesta Ana Costa.
Na COP30, o CEO da Natura, João
Paulo Ferreira, comandará o pilar de
bioeconomia na Sustainable Business
(SBCOP), coalizão global que articula
a presença do setor privado na agenda
do clima. A marca ainda promoverá
visitas às comunidades parceiras
próximas a Belém e ao Ecoparque de
Benevides; participará da Casa das
Soluções (C.A.S.E), que reúne Bradesco,
Itaúsa, Itaú Unibanco, Nestlé e Vale, em
ação conectada à Agenda das Ações,
do governo brasileiro; e patrocinará a
programação cultural da Casa Apoena.
“Essa é a COP da implementação. O
encontro deve destacar o financiamento
climático e sua distribuição justa, o papel
estratégico da Amazônia e da sociobioeconomia
como soluções integradoras,
além de ampliar a atuação do setor
privado na aceleração da transição”, diz
Ana Costa. A expectativa é de que a região
seja reconhecida como um polo de
riqueza, inovação e tecnologia, “e que a
nossa experiência contribua para fomentar
novas economias aliadas”, espera a
executiva da Natura.
José Palma/Divulgação Vale
Leandro Modé, da Vale: ações de bioeconomia beneficiam cerca de 60 mil pessoas
40 anos
Outra veterana é a Vale, presente
na Amazônia há 40 anos. De Carajás, no
Pará, sai 60% do minério de ferro extraído
pela empresa. “Temos uma área
de preservação ambiental de 800 mil
hectares, que equivale a cinco vezes o
tamanho de São Paulo, operada com o
poder público”, revela Leandro Modé, diretor
de comunicação e marca da Vale.
Os parceiros são o Ibama e o Instituto
Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(ICMBio).
“Ou a gente
coopera ou
teremos de
admitir que
fracassamos
como civilização”
A Vale ocupa 3% desse território e é
responsável pela conservação do restante.
O minério de ferro produzido pela
companhia representou em torno de
7,5% do total das exportações brasileiras
em 2024, gerando receitas da ordem de
R$ 136 bilhões ao país. Na última década,
a mineradora investiu mais de R$ 1 bilhão
em ações de proteção, pesquisa e desenvolvimento,
e incentivo à cultura. Desse
total, R$ 910 milhões foram voluntários.
Entre os anos de 2021 e 2024, a marca
ajudou a conter mais de 600 invasões.
“É a única área que permanece
verde. Todo o resto foi desmatado”,
aponta Leandro Modé. A Vale ainda ampliou
em mais de 205% a sua atuação
em projetos patrocinados, autorais e
colaborativos.
Com a COP30, a marca decidiu estimular
o debate sobre a preservação da floresta.
“Aproveitamos para contar a nossa
história, de comunhão entre desenvolvimento
econômico e conservação ambiental.
As nossas ações de bioeconomia
beneficiam aproximadamente 60 mil
pessoas”, calcula Modé.
Do hidromel, castanhas e mandioca
ao cupuaçu, polinizadores e látex, vieram
os filmes da série ‘Amazônia: Juntos fazemos
a diferença’, onde a cantora e apresentadora
paraense Gaby Amarantos e
o fotógrafo Bob Wolfenson falam sobre
empreendedorismo social em harmonia
com a floresta. “É uma história do Brasil,
de contrapartida de conservação, que
não existe em outro lugar do mundo”,
sublinha Modé.
A visibilidade gerada pelo ‘Amazônia
live – Hoje e sempre’, patrocinado pela
Vale e promovido pelo Rock in Rio e The
42 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
O tricampeão mundial Gabriel Medina surfou uma pororoca para demonstrar a conexão do ecossistema da floresta em ação da Africa Creative desenvolvida para a marca Vivo
Town, festivais da Rock World, ajudou a
enaltecer as riquezas da região.
O movimento batizou um especial
de TV gravado durante show de Mariah
Carey em palco flutuante no formato de
vitória-régia, montado no Rio Guamá, em
Belém (PA), no dia 17 de setembro, com
transmissão da Globo e Multishow. Dona
Onete, Joelma, Gaby Amarantos e Zaynara
participaram do espetáculo. A Vale levou
seis fãs para assistir às filmagens em
ação divulgada pela porta-voz da marca,
Gaby Amarantos, além de Vivine Batidão
e a influenciadora Gabb.
Lançado em 2024, o projeto atingiu
mais de 170 milhões de pessoas e somou
791 milhões de impactos, com 3,5 mil conteúdos.
Integrou ainda o ‘Grande encontro
por um mundo melhor’, celebração
gratuita realizada no Estádio Olímpico do
Pará, o Mangueirão, no dia 20 de setembro,
com Ivete Sangalo, Viviane Batidão,
Lambateria Baile Show com Lia Sophia
e a Orquestra Jovem Vale Música. Estão
contemplados ainda dois documentários,
além de um edital de R$ 2 milhões
para seis iniciativas de bioeconomia, povos
da floresta e empreendedorismo na
Região Metropolitana de Belém.
A iniciativa foi divulgada com campanha
da Artplan sob o mote ‘Fazer a
diferença para a Amazônia, juntos, tem a
ver com a Vale’. Profissionais da agência
visitaram a Ilha do Combu, Bosque Rodrigues
Alves e Parque do Utinga ao lado de
pesquisadores, fotógrafos e guias para
capturar imagens e vídeos de espécies
nativas. A ação transformou folhas em
peças digitais inspiradas nas texturas,
cores e geometrias da vegetação com a
ajuda de inteligência artificial.
Marina Daineze, da Vivo: conexões para um mundo mais consciente e sustentável
“O ‘Amazônia live’ foi um dos assuntos
mais comentados no X (ex-Twitter) e
considerado até uma prévia da COP”, declara
Modé. Segundo o executivo, o show
do Mangueirão recebeu 50 mil pessoas.
No The Town, organizado no Autódromo
de Interlagos, em São Paulo, no mês de
setembro, a Vale montou um espaço de
entretenimento imersivo, também em
forma de vitória-régia, com dez metros
de diâmetro e cinco de altura.
Para Modé, a importância da COP30
não deve se esgotar no evento. Foi o
“Quando a ciência
lidera e a política
segue, resultados
concretos são
possíveis”
que aconteceu com a Conferência das
Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento, a Eco-92, no Rio de
Janeiro há 33 anos - embrião de debates
sobre efeito estufa, desmatamento
e mudança climática, apresentados ao
público pela primeira vez.
A consciência, porém, não aumentou
na mesma medida em que o dano
ambiental. “O processo de descarbonização
e transição energética é inevitável.
Os sinais estão aí. Vimos o que
aconteceu no Rio Grande do Sul no ano
passado”, adverte Modé. Ele acredita
que a COP30 conseguirá “construir mensagens
difundidas pelo mundo”.
AlmA vivA
Ao colocar a floresta no centro do
debate global, as marcas podem mesmo
mitigar os efeitos das mudanças
climáticas?. “A iniciativa privada tem o
papel de contribuir para transformar
oportunidades em ações concretas, que
fomentem e conciliem negócios com
o desenvolvimento sustentável”, responde
Marina Daineze, vice-presidente
de comunicação e sustentabilidade da
Vivo, presente no Norte do país desde
2003, quando incorporou os clientes das
redes Centro-Oeste Celular (TCO) e Norte
Brasil Telecom (NBT).
A cobertura abrange 324 municípios,
ultrapassando 7,147 milhões de acessos
nos serviços fixo e móvel nos estados do
Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia,
Roraima e Tocantins. Dos 123 municípios
de atuação da empresa no Pará, 20 operam
com a rede 5G. A cobertura local foi
ampliada para atender à COP30 e deve
deixar um legado de inclusão digital, ne-
jornal propmark - 3 de novembro de 2025 43
gócios, sustentabilidade e inovação para
os moradores, ratificando os preceitos da
plataforma ‘Futuro Vivo’.
Embalada na promessa pela biodiversidade
‘Floresta Futuro Vivo’, a marca
pretende regenerar e proteger cerca
de 800 hectares na Amazônia, entre o
oeste do Maranhão e o leste do Pará ao
longo de 30 anos. O projeto contempla o
plantio de mais de 900 mil árvores de 30
espécies nativas em uma das áreas mais
desmatadas da Amazônia, conservando
linhagens ameaçadas e conectando fragmentos
florestais que permitam o deslocamento
da fauna e a continuidade dos
processos ecológicos.
A Vivo reduziu em 90% as suas emissões
de gases do efeito estufa ao utilizar
energia elétrica renovável desde 2018.
O restante é compensado com projetos
de proteção e regeneração da floresta.
Um exemplo é o REDD+ Manoa, situado
no município de Cujubim, em Rondônia,
referência em manejo florestal sustentável
e refúgio para a biodiversidade. A
meta é se tornar uma empresa net zero
até 2035, cinco anos antes da previsão
inicialmente estabelecida.
Outras frentes são trabalhadas. Criado
em 2006, o programa de energia circular
‘Vivo recicle’ já coletou mais de 187
toneladas de resíduos eletrônicos. São
1,8 mil pontos em lojas da Vivo em todo
o Brasil. No Pará, existem 40 unidades.
Já a matriz energética engloba 75 usinas
distribuídas entre fontes solar (71%),
hídrica (21%) e de biogás (8%). A região
Norte soma 11 complexos fotovoltaicos.
Dois estão no Pará, nos municípios de
Marabá e Mãe do Rio, que produzem 65
mil MWh por ano, o equivalente ao consumo
de 33 mil residências.
Rodrigo Pirim/Divulgação Africa Creative
Ana Kuroki, da Africa Creative: chance de contagiar marcas e pressionar esfera pública
A experiência embasou ações para a
COP30, endossadas pelos embaixadores
da marca, Gabriel Medina e Alok. Tricampeão
mundial de surfe, Medina trocou
o mar pelo rio e encarou uma pororoca
para demonstrar a conexão do ecossistema
da floresta. Já o DJ Alok apresentou o
soundbranding da marca.
No ‘Encontro futuro Vivo’, realizado
no Teatro Vivo, em São Paulo, no dia 26
de agosto, com transmissão online do
Terra, mudanças climáticas, ancestralidade,
saúde mental e do planeta e o
impacto da tecnologia para um futuro
mais sustentável foram os assuntos
discutidos pelo cientista climático Carlos
Nobre, a atriz Denise Fraga, o líder
indígena Kaká Werá, o neurocientista
Sidarta Ribeiro, o médico e autor húngaro-canadense
Gabor Maté, o cientista
sueco Johan Rockström, o filósofo e ambientalista
Ailton Krenak, a ativista Nina
da Hora, e o cantor Gilberto Gil.
Veio ainda um curso gratuito idealizado
em parceria com a plataforma de
educação Vivae. É para quem quer entender
os principais conceitos ligados à
sustentabilidade. E uma nova campanha
foi lançada em outubro. “Seguiremos
provocando reflexões, despertando conexões
e inspirando ações concretas por
um mundo mais consciente e humano”,
promete Marina.
A Vivo foi uma das 12 empresas selecionadas
pelo Ministério do Meio Ambiente
- entre 1.270 propostas - para participar
do painel ‘Telecomunicações como
pilar de resiliência: O impacto das redes
de comunicação na gestão de emergências
climáticas’, que ocorrerá na COP30
com representantes do Centro Nacional
de Monitoramento e Alertas de Desastres
Greenwashing enfraquece alertas sobre proteção da nat
O
caminho a ser trilhado para proteger
a Amazônia é longo, e demanda
transparência. “A preocupação
das marcas pode ser vista como
oportunidade ou oportunismo, dependendo
de sua história e compromisso
real com a causa ambiental”, situa Marcus
Nakagawa, da ESPM.
Gestos genuínos distinguem intenções.
“As empresas têm a responsabilidade
de serem motores da transformação
e comunicar atividades reais. A
nossa credibilidade é construída sobre
consistência e a capacidade de mensurar
resultados”, garante Ana Costa, da
Natura.
Marcas que nunca tiveram ligação
com a Amazônia, não possuem políticas
de sustentabilidade nem práticas
internas voltadas ao meio ambiente
podem ser questionadas diante de
apoios repentinos. “Há fortes indícios
de marketing de causa superficial, o
chamado greenwashing. Cumprir a
legislação ambiental é o mínimo. O
que o público espera é coerência entre
discurso e prática, ou seja, ações
estruturadas, contínuas e integradas
à governança da empresa”, alerta o
professor da ESPM. “O setor privado,
responsável por 80% das emissões de
gases de efeito estufa no mundo, não
pode deixar de lado as externalidades
e focar apenas no resultado financeiro”,
indica Ana.
Coerência entre discurso e prática
diferenciam comunicações bem-intencionadas
de intenções fadadas ao descrédito.
“A Vivo é uma marca que sempre
se posicionou de forma genuína e
alinhada ao seu propósito, de digitalizar
para aproximar”, defende Marina Daineze,
da Vivo. Causas que já fazem parte da
essência das marcas geram oportunidades,
enquanto o oportunismo coloca
o discurso na frente da prática. Não se
trata de tendência e sim de trajetória.
No Banco do Brasil, a sustentabilidade
está no crédito rural sustentável,
iniciativas com povos indígenas, emissão
de títulos verdes e em parcerias que
promovem impacto social e ambiental.
“O BB é o banco mais sustentável do planeta
por seis anos consecutivos, segundo
o ranking do Dow Jones Sustainability
Index”, menciona Patricia Andrade, da
WMcCann Brasília.
Motivações legítimas podem deflagrar
engajamento, desde que suportadas
por ações perenes. “É essencial
observar se o posicionamento é pontual
ou parte de um plano consistente.
Sem isso, é oportunismo. Com isso,
pode ser o início de uma real oportunidade
de transformação”, diferencia
Nakagawa.
Linguagem
O especialista da ESPM sugere que
as marcas tenham cuidado ao comunicar
temas ambientais, especialmente
quando tratam sobre Amazônia, pois
a população é leiga sobre carbono,
justiça climática, aquecimento global
e acordos oriundos da COP. “Um erro
comum é ser técnico demais e afastar
o público, ou raso demais e perder credibilidade”,
esclarece Nakagawa.
Traduzir conceitos técnicos e o contexto
da crise climática são prerrogativas
do trabalho de marketing - educando
sem ser professoral e simplificando
sem banalizar. Apelos alarmistas são
desnecessários.
“A linguagem deve ser informativa
e equilibrada, ao mesmo tempo
em que inspira ação. É uma linha tênue,
mas necessária entre conteúdo
técnico, responsabilidade educativa
e comunicação empática”, ensina o
acadêmico da ESPM. A complexidade
da comunicação demandará “posições
relevantes para engajar comunidades
de forma propositiva”, orienta Marina,
da Vivo.
Entre verdade e hipocrisia, estão
discursos que vão da política ao marketing
e relações públicas. Muitas vezes,
a ação real fica escanteada. “Isso
é frustrante para quem atua no movi-
44 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
(Cemaden), Agência Ambiental do Estado
de São Paulo (Cetesb) e Secretaria do
Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio
Grande do Sul. “Vamos demonstrar a relevância
do nosso setor e do nosso negócio
no contexto das mudanças climáticas”,
conta Marina.
Ar fresco
A publicidade contribui para levar
conhecimento sobre a região Norte aos
brasileiros. À frente de ações para Natura,
Vale e Vivo, a Africa Creative testemunha
o momento. “São as marcas mais conectadas
com a Amazônia e com a região
Norte, não só com a COP”, pontua Raphael
Vandystadt, diretor de sustentabilidade e
relações institucionais da agência.
Da Vale, ele destaca o álbum de figurinhas
‘Árvores do mundo’, que representa
as delegações presentes no evento.
“De forma didática, a marca ensina
crianças do sistema público de ensino
local sobre a importância de conhecer o
próprio bioma e o bioma das delegações
que vão estar lá. A Amazônia é mais que
uma coleção de árvores. É um bioma
onde vivem 20 milhões de pessoas”, observa
Vandystadt.
Ana Kuroki, CSO da Africa Creative, ressalta
a ligação da Natura com as famílias
que plantam os bioativos da marca, além
da proposta da Vivo em promover aprendizados.
“É a empresa que levou o Gabriel
Raphael Vandystadt, da Africa Creative: bioma onde vivem 20 milhões de pessoas
Divulgação
Medina para surfar em uma pororoca
para falar sobre a conexão do regime de
águas do rio com a saúde da floresta”,
atenta Vandystadt.
A expectativa do executivo é de que
a COP atraia fundos de investimentos capazes
de conservar a floresta, e gere debates
macroeconômicos sobre sustentações
e escalonar o movimento. “Quando
empresas com poder financeiro compartilham
modelos, a chance de contagiar
outras indústrias e pressionar a esfera
pública é muito benéfica”, constata Ana.
A estratégia de comunicação e engajamento
social traçada pela WMc-
Cann Brasília para o Banco do Brasil
pavimenta o caminho até a COP30. De
julho a novembro de 2025, o plano educa,
conscientiza e mobiliza as pessoas. “O
propósito é traduzir sustentabilidade em
impacto real, mostrando que a Amazônia
está presente em tudo o que vivemos, da
alimentação à beleza, da energia à economia”,
certifica Patricia Andrade, vice-
-presidente executiva e diretora-geral da
WMcCann Brasília.
Para além de uma campanha, o movimento
une a imagem do banco à influência
de pessoas e comunidades para
conectar a pauta da Amazônia ao cotidiano.
“Cada atitude individual tem impacto
coletivo”, reflete Patricia. Alice Pataxó, Zé
na Rede, Nataly Nery, Mateus Fernandes,
Amanda Kaoma, Dina Carmona, Annabel
Nascimento e Karou Dias estão entre os
integrantes do NiBB, núcleo de influenciadores
do BB - que produz conteúdos
educativos, vídeos e parcerias.
O Banco do Brasil patrocina o ‘Global
Citizen Festival: Amazônia’, que abriu
a programação da COP30 no Mangueirão,
em Belém, no dia 1º de novembro,
bilidade a fim de salvar recursos para as
próximas gerações. “Se a COP transmitir
essa mensagem para pessoas até então
alheias a esse chamado, já vai ter sido
um êxito”, prevê. “Espero que o assunto
saia das bolhas”, emenda Ana Kuroki.
A troca de metodologias em sustentabilidade
pode inspirar outras organiza-
ureza e emergência climática
Nathaniel Machado/Divulgação ESPM
mento ambiental. Mas também é verdade
que, historicamente, avançamos
justamente por trazer o tema à mesa,
mesmo com contradições”, admite
Nakagawa.
Ele cita o Protocolo de Montreal,
que ajudou a recuperar a camada de
ozônio. “Quando a ciência lidera e a
política segue, resultados concretos
são possíveis. A COP30 será mais um
desses momentos. O caminho ainda
é cheio de retrocessos, mas o fato
de estarmos discutindo globalmente,
com a pressão da sociedade civil, é
um progresso, mesmo que lento”, crê
Nakagawa.
Norte das corporações, a legitimidade
encoraja a luta por causas e soluções
complexas, mas “a linha de corte é saber
se faz parte do DNA, se é um valor compartilhado
e, sobretudo, um compromisso
de vida. O envolvimento fugaz não faz
diferença. É melhor nem entrar na conversa”,
aconselha Raphael Vandystadt,
da Africa Creative.
Para a colega Ana Kuroki, oportunidade
significa relevância. O lastro vem
de marcas que já possuem o tema da
COP30 como pilar de negócio. “Oportunismo
é surfar, é querer entrar numa
conversa sem ter isso como estratégia”,
define. Marcas desconhecidas na
Amazônia devem investir em marketing
somente após obter resultados factíveis
de projetos. “Comunicação não é o suficiente.
Precisa construir legado, algo
que fique. Entender se vai levar dinheiro
ou recurso, ver a janela de negócio”, sugere
a CSO da Africa Creative.
Desta vez, o setor privado não foi
excluído dos debates do encontro da
ONU. “Até porque, ou a gente coopera
ou teremos de admitir que fracassamos
como civilização. O planeta vai encontrar
outros meios, mas eles serão hostis
à nossa sobrevivência”, teme Vandystadt.
Otimista, porém, ele acredita no poder
de provocação do Brasil ao fazer a
COP da floresta, imprimindo relevância
nacional ao debate. JL
Marcus Nakagawa, da ESPM: apoios repentinos de marcas distantes das questões
da Amazônia deixam indícios de marketing de causa superficial, o greenwashing
jornal propmark - 3 de novembro de 2025 45
com shows de Viviane Batidão, Anitta,
Gilberto Gil, Gaby Amarantos, Seu Jorge,
Chris Martin (Coldplay) e Charlie Puth, entre
outros artistas.
Mesmo diante dos esforços das
empresas, o brasileiro sabe
pouco sobre a COP30. O estudo
‘Termômetro das redes: COP30 Amazônia’,
divulgado em julho pela agência
And,All,Polis Consulting e P&R Comunicação
Estratégica, confirma a presença
tímida do assunto nas redes sociais.
As interações (61%) ocorrem majoritariamente
no X (antigo Twitter). Já o
Google responde a dúvidas básicas - “o
que é COP30?” e “por que vai ser no Brasil?”
-, enquanto temas técnicos, como
desmatamento, pobreza climática e
adaptação às mudanças, ficam à margem
das buscas.
Foram monitorados mais de 376 mil
engajamentos entre janeiro de 2024 e
março de 2025. “Muitos brasileiros que
nunca falaram sobre mudanças climáticas
e que não sabiam o que é uma
COP, de repente, estão debatendo assuntos,
e as marcas são fundamentais
nesse letramento pelo seu poder de
influenciar positivamente o comportamento,
convocar e popularizar temas
herméticos”, pondera Raphael Vandystadt,
da Africa Creative.
Ambiguidades, porém, são inegáveis.
Pesquisa da multinacional britânica
YouGov mostra que 39% dos 17.874 entrevistados
se consideram ambientalistas,
mas 26% não se identificam com a
causa e 35% adotam posição neutra, o
que “pode indicar tanto desinformação
quanto fadiga diante do excesso de narrativas
sobre sustentabilidade; já os 26%
que rejeitam o rótulo expressam, possi-
Divulgação
Patricia Andrade, da WMcCann Brasília: atitude individual endereça impacto coletivo
Brasileiro sabe pouco sobre a COP30
Divulgação
Álbum de figurinhas ‘Árvores do
mundo’ representa as delegações
presentes na COP30, em ação criada
pela Africa Creative para a Vale
velmente, uma distância entre o discurso
e a prática”, avalia David Eastman, diretor-
-geral da YouGov para América Latina.
Transformar a percepção ambiental
em comportamento efetivo parece uma
meta longínqua. “A sociedade está em
transição entre a consciência e a ação, a
simpatia e o comprometimento, e a COP30
pode contribuir como ponto de inflexão
para deixar mais claro para que lado essa
balança penderá”, supõe Eastman.
Em outra amostra, com 56.262 respondentes,
54% demonstram preocupação
com a influência do meio ambiente nas
escolhas alimentares; 12% discordam; e
34% expressam isenção. No grupo formado
por 24.329 participantes, 57% tentam
utilizar menos energia; 12% contestam; e
30% manifestam indiferença.
Há ainda um índice de 56% de pessoas,
de um conjunto de 21.134 integrantes,
que aceitariam pagar mais por produtos
benéficos ao meio ambiente, enquanto
12% divergem e 31% são imparciais. “O
engajamento prático avança, sobretudo
em ações cotidianas como economia de
energia e alimentação mais responsável,
mas o desafio permanece em transformar
essa consciência em compromisso duradouro”,
conclui Eastman.
adEsão
Segundo o estudo ‘Comunicação e engajamento
empresarial na COP30’, da Associação
Brasileira de Comunicação Empresarial
(Aberje), 89% das corporações
que devem aderir ao evento acreditam
em um impacto significativo. Compromissos
(47%), projetos e negociações (39%),
acordos alinhados aos interesses dos
setores produtivos (37%) e metas para o
enfrentamento da crise (34%) estão entre
as perspectivas.
Já o fortalecimento de relações com
tomadores de decisão (40%), melhorias
nas estratégias ESG (38%), ações internas
de conscientização (35%) e o respeito a
novas regulamentações (32%) são os
desdobramentos vislumbrados.
Das 104 organizações entrevistadas,
93% priorizam a sustentabilidade e 90%
possuem uma área vinculada a diretorias
e superintendências. Mais da metade
(52%) participará pela primeira vez de uma
COP. Entre as que já estiveram presentes,
70% integrarão a agenda oficial, 60% os
eventos paralelos e 51% serão ouvintes. A
Escalada
No ano da COP30, o Itaú Unibanco
transformou a expedição da navegadora
Tamara Klink - que percorreu quatro mil
milhas náuticas pela Passagem Noroeste,
no Ártico - em série criada ao lado da
Africa Creative. A travessia apresentada
em ‘Todos a bordo’ só foi possível devido
ao degelo polar. Crise climática, transição
energética, agricultura regenerativa
e financiamento climático estão entre os
temas abordados por esta nova franquia
de conteúdo do banco. O Itaú pretende
mobilizar R$ 1 trilhão até 2030 em finanças
sustentáveis. São R$ 600 bilhões adicionados
ao compromisso anterior.
Na conta da Caixa, está a campanha
com o mote ‘É da nossa natureza fazer
acontecer’, criada pela Binder a partir
de conceito criativo desenvolvido pela
Promova. A estratégia evidencia a importância
de esforços coletivos para
garantir um futuro mais verde, e mostra
a variedade de financiamentos para a
construção de casas sustentáveis, ajuda
a desastres climáticos, oferta de crédito
em energia renovável, e apoio a comunidades
indígenas e quilombolas.
Da holding de investimentos da Votorantim,
veio a série de videocasts ‘Legado
e futuro’, com sete episódios nos
canais da empresa no Spotify e YouTube,
que falam sobre energia limpa e renovável,
finanças climáticas, economia de
baixo carbono e mineração sustentável.
Teve até farmacêutica utilizando a
COP30 para ancorar conteúdos. Há 18
anos, a AstraZeneca leva arte a crianças
em tratamento de câncer. Em 2025,
porém, escolheu falar sobre mudanças
climáticas, biodiversidade e sustentabilidade
no projeto ‘Viva a cultura!’. Já a
Allianz aderiu à Casa do Seguro, montada
na COP30 pela Confederação Nacional
das Seguradoras (CNseg) com o objetivo
de posicionar o setor como agente de soluções
para riscos climáticos.
confiança de que o Brasil terá um papel
relevante nperfaz 90% da amostra.
EsG
Práticas de sustentabilidade ambiental,
social e de governança corporativa
aglutinadas na sigla ESG (do inglês
Environmental, Social and Governance)
permeiam 71% das empresas brasileiras,
segundo a pesquisa ‘Panorama ESG
2024’, feita pela Câmara Americana de
Comércio, a Amcham Brasil.
O estudo ouviu 687 executivos de
empresas responsáveis por 651 mil empregos
diretos e com faturamento de
R$ 756 bilhões por ano. Impacto positivo
sobre o meio ambiente e questões
sociais (78%), fortalecimento da reputação
(77%) e melhoria no relacionamento
com os stakeholders (63%) são os
principais motivadores.
A dimensão social (72%) aparece à
frente de governança (68%) e da esfera
ambiental (66%). Falta de parâmetros
para mensurar resultados (40%), cultura
corporativa de sustentabilidade
(32%), recursos financeiros e metodologia
de implementação (30%) compõem
a lista de dificuldades mencionadas.
O entendimento é de que a responsabilidade
por conduzir a frente ESG deve
estar nas mãos dos CEOs (77%), com o
apoio do governo (67%). Capacitação e
desenvolvimento de lideranças e colaboradores
(56%), integração da sustentabilidade
à estratégia de negócios (48%) e
planejamento financeiro (47%) são as
medidas capazes de acelerar ações. JL
46 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
mercado
Programa combate desinformação em
comunidades quilombolas e indígenas
Pesquisa liderada pela jornalista Marcelle Chagas detectou que a
comunidade periférica é uma das mais atingidas por notícias falsas
Vitor Kadooka
A
população periférica é uma das
mais atingidas por notícias falsas,
um problema que se acentuou
durante a pandemia de Covid-19. Essa é
a conclusão do estudo de mestrado de
Marcelle Chagas, jornalista e pesquisadora
da Universidade Federal Fluminense.
Intitulado ‘Observatório de gênero,
raça e territorialidades na ciência’, o
trabalho analisa como o fluxo de desinformação
e os regimes de confiança
influenciam o tema, propondo o uso de
dados qualitativos para subsidiar políticas
públicas.
Marcelle conta que o estudo surgiu do
contexto da pandemia, quando o excesso
de informações, chamado de ‘infodemia’
pela Organização Mundial da Saúde, expôs
o problema. Segundo ela, a crise de
confiança nas instituições e a má qualidade
da internet nas áreas vulneráveis
aprofundaram desigualdades e transformaram
a comunicação de saúde em um
desafio central.
Como forma de mitigar esse cenário,
que, por consequência, afeta comunidades
quilombolas e indígenas, Marcelle
fundou o GriôTech, desenvolvido para
o Instituto Peregum. Em parceria com
comunidades do Rio de Janeiro e de São
Paulo, a iniciativa investiga o uso de tecnologias
e de inteligência artificial associadas
a saberes ancestrais.
Em uma das ações, a equipe coletou
palavras e impressões dos moradores sobre
o que a tecnologia representava para
eles. A partir dessas percepções, uma
música foi criada com o apoio de IA generativa.
“Foi uma forma simbólica de unir
o que é ancestral com o que é digital. A
tecnologia também pode ser uma ferramenta
de pertencimento e de expressão
coletiva”, comenta. A pesquisa resultará
no relatório ‘Territórios digitais’, com
lançamento previsto para o próximo ano,
além de cartografias sociais que mapeiam
como as comunidades percebem
o impacto das tecnologias.
Marcelle Chagas, fundadora dos projetos GriôTech e Repcone: expressão coletiva
SAÚDE MENTAL
Marcelle aprendeu, na prática, que
trabalhar com informação é também lidar
com o peso invisível das histórias que
se contam. O debate sobre saúde mental
no jornalismo faz parte de seu trabalho.
“A pandemia foi um divisor de águas. Percebemos
o quanto estamos vulneráveis
às notícias que reportamos”, diz.
A experiência com a Rede de Jornalistas
Negros e o contato com colegas
que atuam em contextos de violência
e exclusão a levaram a criar ambientes
de acolhimento. Desse olhar coletivo
nasceu a Rede de Proteção Digital para
Comunicadores Negras da América Latina
(Repcone), que atua como resposta
imediata a situações de violência e
ataques virtuais. A iniciativa surgiu quando
Marcelle percebeu que mulheres
negras, especialmente as que ocupam
cargos de liderança, eram as mais atingidas
por agressões online. “A palavra
Divulgação
“Foi uma forma
simbólica de
unir o que é
ancestral com
o que é digital”
que mais aparecia era ‘solidão’. Elas
diziam: eu me senti sozinha, eu não sabia
o que fazer”, conta.
A partir daí, estruturou uma metodologia
própria de suporte rápido que combina
orientação técnica, acolhimento
psicológico e apoio jurídico, com o apoio
de instituições parceiras como o Instituto
Sankofa e a Associação Nacional de
Advogados Negros.
Para Marcelle, a Repcone não é apenas
uma resposta a ataques digitais —
é também uma forma de transformar
isolamento em comunidade. “Talvez
não seja a solução, mas é uma solução
baseada em experiência. A força do coletivo
é fundamental”, afirma. A rede
capacita pessoas em diferentes países
da América Latina e desenvolve materiais
com instruções práticas para quem
sofre agressões virtuais. A proposta é agir
no momento mais crítico, quando a vítima
ainda está paralisada, sem saber
para quem recorrer.
Como resultado de seus trabalhos,
Marcelle foi convidada a integrar a Mozilla
Foundation. “Enquanto muitos falavam
sobre fake news de forma genérica,
eu queria observar o território, entender
o que molda a percepção das pessoas sobre
o que é informação”, explica.
Além da produção científica, a jornalista
atua na criação de políticas públicas
voltadas à comunicação. Por meio da
Articulação pela Mídia Negra, da qual é
integrante, tem participado de debates
sobre fomento e diversidade no setor, incluindo
a proposta de um fundo de apoio
a mídias negras e independentes.
Segundo Marcelle, porém, as negociações
com o governo federal estão paradas.
“No momento, a articulação pela mídia
está se reestruturando, mas a relação
com o governo a respeito do tema não
tem avançado. Não há atualizações ou
informações novas para além do que já
foi feito”, afirma.
Para ela, iniciativas como essa são
essenciais para que jornalistas e comunicadores
comunitários possam continuar
produzindo, mesmo fora dos grandes
centros. “Ainda há um longo caminho,
mas o diálogo com o governo precisa se
fortalecer”, conclui.
jornal propmark - 3 de novembro de 2025 47
mercado
Pague Menos abre pitch para conta de
conteúdo e começa processo no LinkedIn
Terceira maior rede de farmácias do Brasil já usou esse expediente de
divulgar a concorrência primeiro na rede social em bid de publicidade
A
rede de farmácias Pague
Menos, que possui cerca de
1.700 unidades no país, volta a
recorrer ao LinkedIn para convocar
agências de comunicação para uma
concorrência, desta vez para identificar
a fornecedora para a gestão
de conteúdo nas redes sociais e
gerenciamento de um squad de influenciadores.
O post no LinkedIn foi publicado
no último dia 28 na página do executivo
Renato Camargo, vice-presidente
de clientes e marketing da empresa,
que tem base operacional no Ceará. A
varejista confirmou a abertura do processo
de seleção para a nova agência de
redes sociais, marketing de influência e
conteúdo da marca.
Segundo a Pague Menos, a agência
vencedora será responsável por conectar
a empresa com influenciadores e desen-
volver estratégias junto a esses nomes,
ampliando o alcance e a relevância da
companhia nas plataformas online. A
marca “optará pela concorrente que tenha
o melhor fit cultural, sendo uma parceira
que compartilhe o propósito de levar
saúde com amor para os brasileiros”.
Além disso, a “criatividade com responsabilidade
será um diferencial”. Segundo a
rede, com isso, estimula-se diversidade,
inovação e competitividade, priorizando
parceiros com estrutura, compliance e
Divulgação
capacidade de operar em escala nacional
e omnicanal.
Outra novidade para o mercado: a
rede de farmácias informa que o resultado
do pitch será divulgado nos canais
oficiais da rede. A Pague Menos já
havia usado o LinkedIn para a concorrência
de publicidade que realizou este
ano. Mais de 200 agências se credenciaram
para o processo, que teve como
finalistas Lew’Lara\TBWA, Advance,
BETC Havas, Pullse e VML Brasil. A vencedora
para publicidade foi a Lew’Lara\
TBWA e, no live marketing, a Nico.ag.
Foram quatro meses de análises
até a decisão final em junho deste ano.
A Advance cuidava das ações de varejo e
outras disciplinas. A Lew’Lara\TBWA prestava
serviços na área institucional, mas
só foi efetivada após o processo inédito
no mercado brasileiro, porém já usado
em países como os Estados Unidos.
Teads nomeia Fernando Tassinari
como diretor-geral da América Latina
Plataforma omnicanal de resultados para a internet aberta revela que
chegada do executivo marca nova fase de consolidação da operação
A
Teads, plataforma omnicanal de
resultados para a internet aberta,
nomeou Fernando Tassinari
como diretor-geral da América Latina. A
chegada do executivo marca uma nova
fase de crescimento e consolidação da
operação regional, com foco em performance,
inovação e expansão comercial.
Mayra Contreras, vice-presidente sênior
da Latam, seguirá à frente das operações
no México e em Miami. Na nova
função, será responsável por coordenar a
estratégia da Teads na região e acelerar
o desenvolvimento do negócio de performance,
considerado um dos pilares da
nova fase global da empresa.
A gestão de Tassinari será guiada por
três prioridades: fortalecer a cultura interna
da Teads Latam, impulsionar inovação
em negócios e ampliar as oportuni-
Fernando Tassinari: “Acredito que o crescimento vai além das métricas financeiras”
Divulgação
dades de desenvolvimento das equipes.
“Acredito que o crescimento vai além
das métricas financeiras — ele depende
das conexões humanas que inspiram as
equipes a alcançar seu potencial máximo.
Estou entusiasmado em me juntar
à Teads em um momento decisivo para
o setor e em contribuir para uma Latam
mais forte e conectada”, afirma Tassinari.
Com mais de 20 anos de experiência
em marketing e publicidade digital,
Tassinari passou por empresas como
Taboola, Criteo, Turn, MRM Worldwide
(McCann Worldgroup) e Razorfish (Publicis
Groupe). “A nomeação de Fernando
representa um marco importante para
a Teads à medida que entramos em um
novo capítulo de crescimento na América
Latina”, disse David Kostman, CEO
Global da Teads.
48 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
mercado
Conar atualiza código para combater
greenwashing na publicidade brasileira
Novo texto orienta sobre o uso de termos técnicos, sugere métodos
certificados, incentiva a comunicação de metas e modalidades de ação
A
Seção 10 do Artigo 36 do Código
Brasileiro de Autorregulamentação
Publicitária, que trata
do meio ambiente e comunicação de
aspectos socioambientais, passa a
mencionar os cuidados com a biodiversidade
e as mudanças climáticas.
O novo texto incentiva o uso de características
socioambientais positivas
nos anúncios, desde que respeitem
as regras e a legislação; define princípios
para alegações socioambientais;
e orienta o uso adequado de termos
técnicos.
O objetivo é combater o greenwashing,
“que prejudica tanto consumidores
quanto empresas, pois compromete
a confiança e a concorrência leal”,
adverte Sergio Pompilio, presidente
do Conselho Nacional de Autorregulamentação
Publicitária (Conar), que
conduziu a iniciativa. As novas normas
Natureza precisa do apoio de marcas empenhadas em realizar ações verdadeiras
Freepik
entram em vigor em 30 dias.
O Conar reescreveu também o Anexo
“U” da publicidade, com apelos de
sustentabilidade e responsabilidade
socioambiental. As diretrizes recomendam
divulgações verdadeiras e
compreensíveis; métodos certificados;
a substituição de alegações genéricas
por qualificadores, de forma a indicar
com precisão e veracidade o alcance,
condições ou limites do benefício; comunicar
metas, desde que embasadas
em planos estabelecidos e com canais
de acesso à informação; esclarecer a
modalidade de ação, como redução
de emissões, remoção de carbono e/
ou compensação de emissões, e a
abrangência das alegações; e reportar
atributos, sistemas e capacidade de
destinação de resíduos, como reciclável,
compostável e degradável, entre
outros, e eventuais limitações.
Apro+Som lança abaixo-assinado para
pressionar aprovação do PL ‘Pague em 15’
Documento prevê que contratos de até R$ 200 mil sejam pagos no
prazo de 15 dias, podendo chegar a um mês em acordos negociados
A
Associação Brasileira das Produtoras
de Som (Apro+Som)
reivindica a aprovação do PL
1.776/2025 - chamado ‘Pague em 15’ -
com o abaixo-assinado ‘Quer receber
em 15 dias?’. Os prazos praticados hoje
pelo mercado chegam a 60, 90 e até
120 dias, comprometendo o fluxo de
caixa de micro e pequenas empresas
do setor audiovisual. Muitas vezes, a
alternativa é recorrer a linhas de crédito
que consomem os lucros, inviabilizando
investimentos.
O texto propõe que contratos de até
R$ 200 mil sejam pagos no prazo de 15
dias, podendo chegar a um mês em casos
excepcionais, mediante negociação
entre as partes. “Essa medida é um passo
concreto rumo a práticas mais justas e
sustentáveis. O atraso nos pagamentos
Atrasos nos pagamentos comprometem o fluxo de caixa e provocam dívidas
Freepik
afeta toda a cadeia produtiva. Nosso objetivo
é garantir que a economia criativa
tenha condições reais de se manter viva,
inovadora e competitiva”, diz em nota Bia
Ambrogi, presidente da Apro+Som.
Apoio
A proposta foi protocolada na Câmara
dos Deputados com relatoria da deputada
Érika Kokay e contribuição da ministra
da Cultura, Margareth Menezes. Tem o
apoio da Diretoria de Políticas para Trabalhadores
da Cultura e Economia Criativa
(DTRAC) e da Secretaria de Economia
Criativa (SEC).
A iniciativa nasceu de um processo
de escuta e articulação liderado pela
Apro+Som desde 2024, que reuniu representantes
do governo, do setor criativo e
da sociedade civil.
jornal propmark - 3 de novembro de 2025 49
mercado
Editor de fotografia do propmark recebe
homenagem da ABA em evento em SP
Reconhecimento foi entregue durante Reunião Anual do Conselho
Superior, em retribuição à cobertura de fatos que marcaram a publicidade
O
fotógrafo Alexandre Oliveira, do
jornal propmark, conhecido como
Alê Oliveira, recebeu uma homenagem
da Associação Brasileira de Anunciantes
(ABA) durante a Reunião Anual
do Conselho Superior, realizada na Diageo
no dia 30 de outubro.
“Contar com o Alê acompanhando e
registrando as nossas entregas é uma
grande alegria. Ele faz parte da história
da última década da ABA e de tantos
momentos que nos orgulham. Seu olhar
sensível e profissional transforma cada
registro em uma memória viva da trajetória
da nossa entidade”, destaca Sandra
Martinelli, CEO da ABA e membro do Executive
Committee da WFA.
Parceria
Responsável pela cobertura de eventos
e reuniões da ABA, o editor de fotografia
do propmark ganhou uma placa
Omo e Nike são as marcas mais lembradas
pelos brasileiros no Top of Mind 2025
Levantamento repete resultado; Omo, marca de cuidados com as
roupas da Unilever, lidera ranking do Datafolha há mais de 30 anos
A
35ª edição do Top of Mind da Folha
de S.Paulo não revelou novidades.
Omo e Nike permanecem como as
marcas mais lembradas espontaneamente
pelos brasileiros em todas as categorias,
a exemplo do ranking de 2024.
Os resultados foram apresentados em
evento realizado em São Paulo no dia 28
de outubro, com apresentação de Dani
Calabresa e Rafa Chalub.
Presente em sete a cada dez lares
brasileiros, a marca de cuidados com as
roupas da Unilever lidera o prêmio há
mais de três décadas. “Manter-se no pódio
ao longo de tantos anos, sendo constantemente
lembrado pelos brasileiros,
é o maior reconhecimento que uma
marca poderia desejar. É emocionante
ver como Omo está presente no dia a dia
e nas histórias dos brasileiros, acompanhando
as mudanças de hábitos de con-
Nelcina Tropardi, Alê Oliveira e Sandra Martinelli durante a entrega da homenagem
de reconhecimento, e ainda foi tema de
matéria publicada no Anuário ABA 2025,
que destaca a sua trajetória e a parceria
de longa data com a entidade.
“Agradeço a toda a diretoria da ABA,
Divulgação/ Reprodução Instagram Vini Jr.
Collab com a marca de roupas Desgosto para relançamento de Omo Lavagem Perfeita; e o jogador Vini Jr., patrocinado pela Nike
sumo da população e o modo como elas
veem e se relacionam com a lavagem de
roupas”, declara Giovanna Gomes, CMO de
home care Latam da Unilever.
O levantamento também oferece uma
análise do mercado e do comportamento
Meire Werneck/ Divulgação ABA
em especial à Sandra Martinelli e Nelcina
Tropardi, esta linda homenagem, de
uma entidade tão importante. Recebo
com orgulho e honra este reconhecimento,
prova de confiança e carinho,
do consumidor. “A lembrança de uma marca
reflete a conexão que ela construiu no
imaginário das pessoas”, comenta Janaína
Oliveira, gerente de marketing da Folha de
S.Paulo. A pesquisa é conduzida pelo Instituto
Datafolha. Entre os demais destaques,
que vem coroar toda a minha carreira”,
declara Alê Oliveira. Nelcina Tropardi
é presidente da diretoria nacional
da ABA e vice-presidente da área jurídica,
ESG e de assuntos corporativos do
Carrefour.
Prestígio
ABA Summit e Encontro Nacional
de Anunciantes (ENA) estão entre os
eventos registrados pelas lentes de Alê
Oliveira, que já documentaram também
o Prêmio Profissionais do Ano, além de
momentos históricos do Brasil no Festival
Internacional de Criatividade Cannes
Lions, ao longo de 26 anos.
No jornal propmark, Alê Oliveira consolidou
a sua reputação como um dos
fotógrafos mais respeitados da publicidade
brasileira, clicando personalidades,
agências e anunciantes eternizados na
história da propaganda.
estão Tirol (Destaques Regionais), Mondial
(Eletroeletrônicos), Samsung (Comunicação),
CVC (Turismo e Comunicações), Sadia
(Alimentos e Bebidas - Ceia de Natal), Camil
(Alimentos e Bebidas - Feijão) e Adria
(Alimentos e Bebidas - Macarrão).
50 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
opinião
Divulgação
7 erros das marcas
no universo esportivo
Felipe Soalheiro
O
esporte tem uma lógica própria. E quem o trata
apenas como mais um canal de mídia invariavelmente
tropeça. Já vi muitas ideias se perderem
por desconhecimento ou falta de objetivos claros.
Pensando nisso, listei abaixo sete erros recorrentes
do mercado, como um convite para que atuemos com
mais relevância e autenticidade dentro desse universo.
1. O LED de campo que vira ruído
Painéis de LED são ativos de atenção instantânea,
mas muitas vezes tratados como vitrines caóticas. No
Brasileirão, por exemplo, há um laboratório a céu aberto
de como as marcas não devem usar esses painéis. São
muitos nomes competindo pelo mesmo espaço, com
mensagens longas e mal dimensionadas. A clareza é o
que gera valor e retenção, com mensagens objetivas e
bem posicionadas.
2. Negociador esquece quem é o cliente
Em negociações, um erro comum é não entender o
papel de cada agente. Quando agências ou entidades
confundem funções e colocam interesses secundários
à frente, a marca fica em segundo plano. A maior lição
que já tive é que o ganha-ganha deve priorizar as partes
diretamente envolvidas e garantir que a marca tenha direitos
e acesso proporcionais ao investimento. Sem isso,
o resultado é percebido como caro e pouco efetivo.
3. A campanha é feita para o palco, não para a arquibancada
Certa vez ouvi essa frase: “Não importa se a ideia foi
realmente executada como imaginamos, o que importa
é a história contada no videocase”. Essa lógica pode
render prêmios, mas dificilmente emociona o torcedor.
Os recentes escândalos em Cannes reforçam o desvio de
priorizar o palco antes da arquibancada. Eles não precisam
ser opostos. A melhor campanha conquista o torcedor
e, justamente por isso, alcança relevância global.
4. A ideia é boa, mas o jogo atrapalha
Já vi muitas ideias que enchem os olhos do cliente,
mas morrem na prática por ignorarem as regras do esporte.
Há criatividade, mas há também desconhecimento
das normas deste território.
O esporte tem bastidores que exigem conhecimento.
Só quando ousadia e compreensão caminham juntos,
uma ideia vira case memorável. Do contrário, é só um
passe bonito para o adversário.
5. O hype fala mais alto que a lógica
O esporte tem um poder único de gerar conversa.
Vitórias históricas, grandes contratações e personalidades
carismáticas inflacionam propriedades esportivas. E
muitas marcas entram no calor do momento sem avaliar
com clareza. O hype pode indicar oportunidade, mas
não é o único critério. Ele passa, e a marca fica presa a
contratos desajustados. Investir com inteligência exige
análise de dados, métricas sólidas e objetivos claros.
6. A matriz escala, mas a filial não entra em campo
Outro erro é quando a matriz fecha grandes patrocínios
sem preparar as operações locais para ativar o
investimento. O contrato é milionário, mas não chega
ao coração do consumidor. O inverso também acontece:
times locais sem orientação, reduzindo ações a
posts genéricos. Sem integração entre matriz e filial,
perde-se a chance de transformar um ativo global em
relevância regional. É como contratar um craque e
deixá-lo no banco.
7. O embaixador não veste a camisa
Poucas decisões são tão sedutoras quanto contratar
um grande atleta como embaixador, mas existem armadilhas.
Sem análise do perfil, isso pode gerar uma crise
de imagem.
Escolher só pelo brilho do nome não é suficiente. Um
embaixador precisa ter fit cultural, credibilidade e consistência.
Não basta gerar manchete no dia do anúncio, é
preciso sustentar a relevância ao longo do tempo.
Bônus: quando a marca acerta, o jogo muda
Depois de tantos exemplos de tropeços, é justo lembrar:
há marcas e agências que brilham ao transformar
patrocínios em ativos culturais e comerciais de altíssimo
impacto.
Isso ocorre quando a jornada conta com planejamento
antecipado, consistência de longo prazo e narrativas
autênticas. No fim, o esporte recompensa quem respeita
a lógica e coloca o torcedor no centro.
Felipe Soalheiro
é CEO da Playmaker, Sports
for Brands
Escolher só pelo
brilho do nome não
é suficiente. Um
embaixador precisa ter
fit cultural, credibilidade
e consistência
jornal propmark - 3 de novembro de 2025 51
opinião
Divulgação
Como a tecnologia
muda a comunicação
Sylvestre Mergulhão
No universo das startups de tecnologia, agilidade
não é apenas uma palavra bonita no quadro da
parede — é uma cultura. Testes rápidos, ciclos
curtos, colaboração intensa e decisões baseadas em
dados fazem parte do dia a dia.
Enquanto isso, marcas tradicionais começam a perceber
que o mesmo mindset pode transformar suas estratégias
de comunicação.
Campanhas não precisam mais ser processos longos
e engessados; elas podem ser interativas, personalizadas
e mais próximas do público, exatamente como os times
de produto fazem ao desenvolver soluções digitais.
Um relatório da McKinsey revelou que organizações
ágeis têm 70% mais chances de estarem entre as 25%
melhores em saúde organizacional, o melhor indicador
de desempenho no longo prazo.
Outro estudo também indica que transformações
ágeis podem reduzir o time to market em ao menos 40%
em muitos casos, podendo chegar a 70%.
As marcas tradicionais estão, cada vez mais, se aproximando
da lógica das startups e adotando princípios
ágeis em suas estratégias de marketing e comunicação.
Esse movimento vai além de aplicar novas ferramentas,
passando a incorporar um mindset que privilegia adaptação,
velocidade e aprendizado contínuo.
Na prática, isso significa operar em ciclos curtos e
com testes constantes, permitindo que campanhas sejam
rapidamente ajustadas de acordo com o comportamento
do público ou mudanças no mercado.
Essa capacidade de resposta imediata torna a comunicação
mais relevante e impactante, reduzindo desperdícios
e maximizando resultados.
Outro aspecto central é a colaboração entre áreas.
Empresas que antes trabalhavam de forma compartimentalizada
começam a integrar marketing, vendas e
atendimento ao cliente em fluxos mais coesos.
Essa integração melhora a consistência da mensagem
em diferentes pontos de contato e também gera
uma visão mais completa das necessidades do consumidor,
fortalecendo a jornada de relacionamento com
a marca. A tomada de decisão, por sua vez, passa a ser
orientada por dados.
O uso de métricas em tempo real, combinadas com
feedbacks qualitativos, permite que as marcas validem
hipóteses, corrijam rotas rapidamente e baseiem suas
ações em evidências concretas, em vez de apenas em
intuições ou planejamentos extensos e estáticos.
Para que esse modelo funcione em empresas tradicionais,
porém, é necessário criar condições internas
que sustentem a agilidade. Investir em tecnologia é um
primeiro passo essencial, seja com ferramentas de automação,
sistemas de análise de dados ou plataformas
que favoreçam a integração entre equipes.
Mas tecnologia por si só não basta. É preciso fomentar
uma cultura de experimentação, que aceite e até
mesmo valorize o erro como parte do processo de aprendizagem,
encorajando a inovação como prática diária.
Da mesma forma, capacitar os times é indispensável:
treinamentos que desenvolvam habilidades ágeis, colaborativas
e orientadas a dados tornam os profissionais
mais preparados para lidar com os desafios de um ambiente
de negócios em constante transformação.
Dessa forma, ao adotar práticas ágeis, marcas tradicionais
modernizam seus processos e constroem uma
comunicação mais próxima, responsiva e alinhada às
expectativas de seus públicos.
O resultado é um marketing mais engajador, com
maior potencial de conversão e de fortalecimento do
relacionamento com os consumidores.
A agilidade não é apenas uma metodologia; é uma
mentalidade que coloca o cliente no centro e permite
que as marcas respondam rapidamente às suas necessidades.
A questão não é mais se a agilidade é importante,
mas como implementá-la em sua marca de forma estratégica
para alcançar resultados de excelência.
Sylvestre Mergulhão
é CEO da People Tech Impulso
“Agilidade não é apenas
uma metodologia; é uma
mentalidade que coloca
o cliente no centro e
permite que as marcas
respondam rapidamente
às suas necessidades”
52 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Mídia exterior na Bahia reforça apoio
a eventos e ações de impacto social
Central de Outdoor Bahia quer reafirmar compromisso com iniciativas
que inspiram, conectam e impulsionam o desenvolvimento da região
A
Central de Outdoor Bahia amplia
seu papel como parceira de eventos
e ações de impacto social. Em
outubro, por exemplo, a entidade participou
da 20ª edição do Bahia RH, evento
que discutiu o tema ‘Integrando Inteligências’
e reuniu profissionais de recursos
humanos de todo o Brasil no Centro
de Convenções de Salvador. O encontro
reforçou a importância da integração entre
tecnologia, emoção e propósito nas
relações de trabalho.
Outro destaque foi a campanha
‘Abrace o Nacci’, do Núcleo de Apoio ao
Combate ao Câncer Infantil. Com a mensagem
‘Criança com vida, criança feliz’,
a ação busca levar alegria e esperança
para pessoas atendidas pela instituição,
fortalecendo o trabalho que há décadas
oferece assistência e acolhimento a pa-
A 7ª Corrida Colorida, realizada pelo Hospital Martagão Gesteira, que celebra os 60 anos da instituição, será no dia 9 de novembro
Divulgação
cientes e familiares em Salvador. A Central
também apoia a 7ª Corrida Colorida,
realizada pelo Hospital Martagão Gesteira.
A ação, que celebra os 60 anos da instituição,
acontece no dia 9 de novembro
no novo calçadão de Patamares e vai reunir
participantes de todas as idades em
um encontro marcado por esporte, saúde
e solidariedade.
A entidade também marcou presença
no Encontro Nacional dos Profissionais
de OOH (Enapro), sob o mote ‘De humanos
para humanos’. “Com esses apoios,
a Central de Outdoor Bahia reafirma o
seu compromisso com iniciativas que
inspiram, conectam e transformam”,
ressaltou o presidente da instituição, Vinícius
Linhares.
Central de Outdoor representará o Brasil
no Alooh Latam Forum 2025, na Guatemala
Evento reunirá empresas de OOH da América Latina, além de media
centers, agências, anunciantes e entidades representativas do setor
Entre os dias 4 e 6 de novembro, a
Alooh (Associação Latino-Americana
de Out of Home) realizará o
Capítulo II do Alooh Latam Forum 2025,
na cidade histórica de Antigua, na Guatemala.
O evento reunirá as principais
empresas de OOH da América Latina,
além de media centers, agências, anunciantes
e entidades representativas do
ecossistema publicitário.
A Central de Outdoor marcará presença
no encontro com uma delegação
liderada por sua diretora-executiva, Fabi
Soriano, e pelo presidente da entidade,
Halisson Pontarolla, além de dez associados.
A participação reforça o papel ativo
do Brasil na articulação regional do setor.
patrocínio
Fabi Soriano e Halisson Pontarolla lideram a delegação que representará o país
Divulgação
Sob o lema ‘Estar em todas partes’,
o fórum debaterá temas estratégicos
como inteligência de dados aplicada ao
OOH, sustentabilidade, criatividade e novas
métricas de audiência.
“Estar em Antigua representa uma
oportunidade única de trocar experiências
com os principais líderes do OOH latino-americano,
mostrar a força criativa
e estratégica do Brasil e reforçar nosso
papel como agentes de transformação e
conexão na região”, diz Soriano. “O Alooh
Forum é mais do que um evento, é um
movimento de integração. Estamos aqui
para construir pontes, fortalecer a presença
regional do Brasil e contribuir com
visão colaborativa”, afirma Pontarolla.
jornal propmark - 3 de novembro de 2025 53
conexão ásia
Mirela Tavares
mirela@conexaoasia.com.br
Ryan Chen
é criador do personagem Trump chinês
Trump chinês: pronto para visitar o Brasil
Em tempos em que a atenção é um dos ativos mais
disputados do marketing, o humor reafirma seu papel
como linguagem universal capaz de atravessar fronteiras
culturais e conectar pessoas e marcas. É assim que
o chinês Ryan Chen, criador do personagem “Trump
chinês” (@trumpbyryan), vem conquistando fãs ao redor
do mundo, inclusive no Brasil, e chamando a atenção
de marcas interessadas em transformar o riso em uma
poderosa ferramenta de branding global. E se depender
dele, as malas já estão prontas para conhecer os brasileiros
e as marcas daqui de perto.
Divulgação
Mirela Tavares
Especial para o propmark
Como você teve a ideia de criar o personagem
Trump chinês?
Isso aconteceu totalmente por acaso. Eu sempre me
saí bem imitando vozes e expressões de outras pessoas.
Um dia, eu tentei imitar o Trump e as pessoas adoraram.
Aí eu me dei conta de que aquilo poderia ser
mais do que apenas uma brincadeira. Poderia ser uma
maneira divertida de conectar pessoas de diferentes
culturas. É isso que me motiva.
Seus vídeos ganharam reverberação global.
Como você percebe esse impacto?
É inacreditável! Pessoas de todo o mundo – dos Estados
Unidos, Europa, América Latina – assistem e comentam.
Isso mostra que o humor viaja mais rápido que a linguagem.
E isso me faz lembrar que o riso conecta as pessoas
mais do que a política jamais conseguiria.
Você trabalha com marketing. De que maneira
sua experiência profissional ajudou
no seu processo criativo digital?
Meu background em marketing ajuda muito. A gente
aprende no marketing como conquistar a atenção das
pessoas já nos primeiros segundos. Eu penso como um
profissional de marketing, mas ajo como um comediante.
Hoje é realmente um trabalho criativo em tempo integral
e é bastante intenso, mas eu adoro.
Você estabeleceu alguma parceria com marcas
por meio do personagem Trump chinês?
Poderia dar algum exemplo?
Sim, a maioria é de marcas chinesas – empresas automotivas
como Changan, NIO, Lynk & Co e também marcas
3C tech (informática, comunicação e eletrônica de
consumo), como HONOR e OPPO. Todas querem algo
divertido e criativo – nada político, apenas entretenimento.
E é isso que faço: contar histórias que fazem
as pessoas sorrirem.
Esse personagem abriu portas além do conteúdo
digital, como em publicidade, campanhas
ou outros projetos de mídia?
Ainda está em fase inicial. Já fiz alguns comerciais para
marcas chinesas, mas nada oficial ou ligado ao governo.
Tudo o que faço é independente, apenas projetos criativos.
Estou explorando novas possibilidades, passo a passo.
Chongqing aparece com frequência em
seus vídeos. Como surgiu essa relação?
Na verdade, não existe uma parceria formal. Nasci em Chongqing
e moro aqui. Então, o que aparece nos meus vídeos
é simplesmente minha vida cotidiana. Não é um plano; é o
meu lar. Tenho muito orgulho da minha cidade e quero que
pessoas do mundo todo vejam como ela é incrível.
O humor é uma força importante na construção
de pontes culturais. Como você
acredita que seu conteúdo contribui para
redefinir a percepção ocidental sobre a
China e os chineses?
Acho que o humor ajuda as pessoas a verem um lado mais
caloroso e humano da China. Muitos só veem notícias sérias,
mas, por meio do riso, veem a vida real, as pessoas
reais. Se o meu conteúdo faz alguém sentir curiosidade
pela China, isso já é um sucesso.
Como você equilibra sua carreira profissional
com esse seu trabalho de criador de
conteúdo e figura pública?
Eu normalmente trabalhava em tempo integral com marketing.
Agora, atuo principalmente como consultor para
minha antiga empresa. A maior parte da minha energia vai
para a criação de conteúdo, o que, por si só, já é um grande
trabalho. É muito trabalho, mas é a melhor parte dele.
Você teve um encontro com o jogador brasileiro
Kaká. Chegou a desenvolver outras conexões
culturais ou comerciais com o Brasil?
Kaká é incrível! Realmente uma pessoa gentil, humilde e
muito popular na China. Foi um encontro muito divertido.
Eu adoraria construir mais conexões culturais com o Brasil.
Quem sabe, talvez trabalhar com criadores locais ou desenvolver
projetos que misturem humor e cultura.
Você teria interesse em visitar o Brasil?
Sem dúvida, eu gostaria de visitar o Brasil. Eu ouço muito
sobre o churrasco brasileiro, imagino que seja incrível! E os
criadores brasileiros têm grande energia. Eu acredito que
possamos fazer algo realmente global juntos.
Que conselho você daria a jovens criadores
que queiram unir comédia, linguagem e
marketing?
Descubra o seu ‘core advantage’, aquilo que o torna realmente
diferente. Não perca tempo tentando corrigir fraquezas
primeiro; construa a partir dos seus pontos fortes.
As redes sociais recompensam a originalidade, não a perfeição.
Quando seu conteúdo reflete sua paixão verdadeira,
as pessoas sentem isso, e é assim que você cresce.
Como você equilibra paródia e respeito ao interpretar
uma figura global tão controversa?
Não se trata de zombar. Não é sobre ofender ninguém. É
apenas entretenimento. O que quero é que as pessoas riam
e se sintam felizes. E quando recebo toda essa atenção, uso
isso para mostrar meu país, minha cidade, minha cultura.
Adoro compartilhar o que há de interessante ao meu redor.
E sim, adoraria visitar outros lugares, e certamente o Brasil,
para aprender mais e continuar espalhando alegria.
Do ponto de vista de branding, quais são
seus planos para o futuro do personagem
Trump chinês?
Para ser sincero, o nome ‘TrumpbyRyan’ surgiu espontaneamente,
não foi nada formal. Ainda não o registrei,
nem o transformei em uma marca. Talvez eu experimente
novos personagens ou amplie para outros formatos
de comédia no futuro. Mas, independentemente do que
eu faça, meu objetivo continua o mesmo – fazer as pessoas
rirem e compartilhar algo positivo.
54 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
esg no mkt
Alê Oliveira
A evolução da
IA e os humanos
Máquinas não se emocionam. Máquinas
não são intuitivas, não têm o tal sexto sentido
Alexis Thuller Pagliarini
Acabo de voltar da Bahia, onde atuei como curador
e palestrante em mais um Enapro – Encontro das
Agências de Propaganda. O evento, organizado
pelo Sinapro Bahia, atraiu mais de 300 participantes
para dois dias de conteúdo intenso, embaixo do guarda-chuva
temático ‘De humanos para humanos’.
A mim coube, além da curadoria do evento, realizar a
palestra de abertura – ‘O fator humano’ – e uma apresentação
sobre o Cannes Lions Festival 2025 com tendências,
insights e cases vencedores.
Como não poderia deixar de ser, a IA esteve presente
em diversas palestras. Mas, como contraponto, o conteúdo
esteve recheado de valores humanos também. Quero
então dividir com você minhas impressões pós-evento.
Antes de mais nada, impressiona a velocidade com
que as agências e as empresas, em geral, estão se alinhando
à IA, para otimizar sua operação.
Enquanto as big techs e os megaplayers internacionais
apostam em uma corrida desenfreada para liderar
o processo, as empresas vão adotando o que já existe
com rapidez e eficácia.
Vimos apresentações impressionantes de Eco Moliterno
e Lucas Reis, demonstrando a aplicação da IA das
mais diferentes formas.
Apresentações com um conteúdo de nos deixar boquiabertos
com a evolução da IA em tão pouco tempo.
Por outro lado, vimos apresentações igualmente ricas
fazendo o contraponto do fator humano no processo.
Nina Campos nos emociona com sua humana e
divertida apresentação, Ju Monte também fez uma rica
apresentação nesse sentido, além de Lucas Freire, com
sua sensacional apresentação musical. E para fechar
o evento, Hugo Rodrigues colocou no seu caldeirão todos
esses ingredientes, nos passando sua visão madura
e experiente sobre o papel de cada um de nós no meio
disso tudo.
Tenho certeza de que o evento – e seu rico conteúdo
– ficará na memória dos publicitários e players da
indústria criativa presentes. No meio daquele ambiente
high tech, tivemos momentos high touch, com emocionantes
apresentações de corais ligados a instituições
beneficentes da Bahia. Um deles, envolvendo jovens da
comunidade da Paz, de Salvador, me levou às lágrimas.
Ver a performance de jovens carentes com tanta qualidade
é realmente tocante. E é isso que quero destacar
neste meu texto: a importância do fator humano nessa
panaceia que se tornou a IA. Máquinas não se emocionam.
Máquinas não são intuitivas, não têm o tal sexto sentido.
Elas só fazem o que comandamos. E a IA trouxe um
nível de agilidade e precisão nessa elaboração de textos,
imagens, vídeos, fórmulas, processos e gestão de informação
como nunca tivemos.
É ridículo resistir a esse tsunami tecnológico. Assim
como outras ferramentas que surgiram ao longo do
tempo, devemos entendê-las e usá-las da melhor maneira
possível, sob o risco de perder produtividade para
concorrentes que já o fazem.
Dias depois da Bahia, fui para Natal/RN, para outro
evento: o Midia Talks, organizado pela MidiaCom RN e o
Sinapro RN. E, além das principais emissoras de televisão
e rádio, Rapha Borges, founder da Tiger.ai, e eu compusemos
o conteúdo do evento, voltado ao trade de comunicação
do RN.
Eu apresentei o Cannes Lions Roadshow e Rapha conduziu
a apresentação ‘CrIAtividade para humanos’. Ops! Olha
os humanos aí outra vez. E o Rapha deu um banho de conhecimento
sobre o uso da criatividade em tempos de IA.
A sua recém-criada Tiger tem proposta de utilização
de IA absolutamente disruptiva, com o uso de agentes
em todas as etapas do processo de desenvolvimento de
campanhas e ações de comunicação. Impressionante!
Mas lá estava o fator humano! Rapha minimiza o
poder da IA. “É apenas mais uma ferramenta”, diz. Uma
ferramenta poderosa e disruptiva, sim. Mas à disposição
de humanos.
Humanos que atuam como curadores de todo o processo
criativo. Deixando a máquina fazer o trabalho pesado
da execução. Não devemos temer essa evolução,
mas tirar o máximo proveito dela, sem perder o nosso
lado humano.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
56 3 de novembro de 2025 - jornal propmark
inspiração
O poder do audiovisual
Fotos: Divulgação
“Foi nesse ambiente de curiosidade e experimentação que descobri o prazer
de construir conteúdos que informam, emocionam e provocam reflexão”
Myriam Porto
Especial para o propmark
Minha trajetória começou ainda na universidade, quando tive a oportunidade de
atuar na área de marketing da TV Globo. Era o meu primeiro contato com o universo
da televisão, um espaço de ritmo intenso, aprendizado constante e, sobretudo,
de colaboração. Ali compreendi que o audiovisual é uma grande engrenagem movida por
pessoas apaixonadas por contar histórias. Pouco tempo depois, mergulhei na produção
educativa e cultural. Foi nesse ambiente de curiosidade e experimentação que descobri
o prazer de construir conteúdos que informam, emocionam e provocam reflexão. A partir
desse ponto, minha carreira seguiu em direção à produção independente. Um espaço fértil,
diverso e desafiador. Lembro-me de quando decidi entrar no cinema, foi uma experiência
nova. Era outra linguagem e outras ferramentas, com certeza uma aventura! Mas fui tão
bem acolhida, que essa experiência rica e passageira me trouxe, além de muita bagagem,
amigos que ficaram para sempre.
Anos mais tarde, ao assumir a direção de produção da TV Brasil, vivi um dos maiores
desafios da minha carreira. O compromisso era grande: oferecer uma programação plural
e de qualidade para todo o país. Com profissionais qualificados e parcerias sólidas com
a produção independente, conseguimos fortalecer a presença de conteúdos diversos na
televisão pública, valorizando diferentes vozes e territórios. Quando recebi o convite para
trabalhar no Like, por iniciativa do Marco Altberg e da Jeanine Brandão, criadores do Canal,
fiquei imediatamente entusiasmada pela oportunidade de colaborar no fortalecimento
desse espaço leve e acessível, dedicado a conectar o público com o que há de melhor no
entretenimento. Já havia trabalhado com o Marco em muitos projetos de sua produtora e
ao longo desse tempo desenvolvemos uma grande parceria. A ideia de um canal dedicado a
ajudar o público a encontrar conteúdos que realmente lhe interessam, era algo novo e muito
interessante. Hoje, à frente da produção executiva, tenho o privilégio de ver esse projeto
se expandir e ganhar novos formatos, novos públicos e novas telas. Com a parceria e uma
curadoria apurada realizada pela Claro, a equipe Like, com profissionais muito competentes
e apaixonados pelo que fazem, oferece ao público uma programação diversa. São roteiros
dinâmicos que têm a coordenação do roteirista Sylvio Gonçalves, a pauta afinada do jornalista
Renato Hermsdorff e um supertime de apresentadores que dá vida a uma programação
de maneira descontraída e próxima do público.
Hoje, com mais de 20 milhões de telespectadores, o Like está presente nos canais 500
e 530 da Claro tv+, nas plataformas como Samsung TV Plus e TCL Channel, e em breve estará
também na LG Channel. Um momento muito importante foi quando, há um ano, o Like
assumiu a programação e identidade do canal 500, porta de entrada do assinante Claro,
ampliando de forma significativa a nossa audiência. Nos últimos anos, vimos o audiovisual
passar por transformações importantes. A chegada do streaming e a integração com o digital
não apenas mudaram a forma de consumo, mas também abriram possibilidades de
criação e interação que antes pareciam distantes. As redes sociais do Like vêm crescendo
expressivamente, mostrando que a interação direta com o público é cada vez maior. Acredito
que o futuro da televisão está na convergência, um diálogo cada vez mais fluido entre
telas, formatos e linguagens.
A televisão, assim como o cinema, tem o superpoder de reunir e mobilizar pessoas em
torno de uma história. Mas tudo isso só é possível com a força do trabalho em equipe.
Myriam Porto é jornalista e produtora-executiva do Canal Like
jornal propmark - 3 de novembro de 2025 57
última página
Alê Oliveira
A Miss Santa Catarina
e o marketing
da resistência
Stalimir Vieira
é diretor da Base de Marketing
stalimircom@gmail.com
Stalimir Vieira
Quando o marketing é tratado com sabedoria,
passa a ter serventias diversas, que vão muito
além de seus óbvios propósitos comerciais ou
eleitorais. Torna-se, por exemplo, uma ferramenta poderosa
a ser utilizada na afirmação de um posicionamento
político-cultural.
Nesse sentido, Santa Catarina acaba de nos dar um
exemplo contundente de ação oportuna, necessária e
urgente.
Injustamente envolvidos no discurso nefasto de uma
minoria, que tenta fazer crer que o estado é terreno fértil
para a proliferação de ideias abomináveis, como o nazismo
e o racismo, os catarinenses acabam de dar uma resposta
exemplar à sociedade brasileira: elegeram uma
miss negra para representá-los.
Ou seja, transformaram um costumeiro concurso de
estética, de limitado alcance regional, num excepcional
momento de manifestação pública nacional pela ética.
Fazer a leitura precisa de um contexto negativo e
transformá-la em uma ação positiva, através de um concurso
de miss - evento clássico de marketing -, foi extremamente
inteligente e adequado.
A beleza da jovem Pietra Travassos, de 18 anos, eleita
Miss Santa Catarina, extrapolou os limites do olhar convencional,
ao situar-se num ambiente e numa circunstância
carregados e conduzidos pela beleza do pensamento
inclusivo.
Nasceu, assim, um propósito verdadeiro para um
evento que vinha perdendo significado ao longo dos
anos, exatamente por insistir num modelo com cada
vez menos valor moral e social: a etnia de colonizadores,
como indicador de padrões de beleza.
A coragem da decisão, é claro, gerou uma reação contrariada
da parcela preconceituosa da sociedade.
O que, aliás, era perfeitamente previsível e se mostrou
de grande utilidade, ao expor e identificar prováveis
criminosos, além de revelar a verdadeira dimensão do
preconceito e os limites do seu significado.
Mais importante, no entanto, foi a oportunidade dada
a brasileiros de todo o país para, juntos com a imensa
maioria dos catarinenses, saudarem com entusiasmo a
decisão tomada, e formarem uma vigorosa corrente de
resistência ao racismo.
A eleição da Miss Santa Catarina 2025 deve inspirar
novas iniciativas com a missão de contrapor políticos e
influencers que andaram contaminando as mídias digitais,
com discursos de alertas discriminatórios àqueles
que desejavam viver no estado.
Felizmente, seus vídeos têm sido ridicularizados
pelo Brasil afora, embora essas mesmas críticas ainda
continuem, em parte, recaindo, injustamente, sobre
toda a população.
É preciso fazer mais, utilizar todo o poder das ferramentas
de marketing, para que o estado se liberte de
estigmas, recentemente avivados, e volte a ser percebido
exclusivamente por suas históricas, incontáveis e
inquestionáveis qualidades geográficas e humanas.
Talento para isso não falta aos profissionais de comunicação
catarinenses.
Bem-vindas, portanto, campanhas que enalteçam a
Santa Catarina verdadeira, a Santa Catarina representada
pela maioria da sua população.
“A eleição da Miss
Santa Catarina 2025
deve inspirar novas
iniciativas”
58 3 de novembro de 2025 - jornal propmark