COMUNICACOES 254 - RAQUEL BRÍZIDA CASTRO - A REGRA DA LEI OU A LEI DO ALGORITMO?
COMUNICACOES 253 - MARIA MANUEL MOTA - SEM CIÊNCIA NÃO HÁ FUTURO
COMUNICACOES 253 - MARIA MANUEL MOTA - SEM CIÊNCIA NÃO HÁ FUTURO
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#254
SETEMBRO 2025 | ANO 38 | PORTUGAL | 3,25€
Comunicações
Raquel
Brízida Castro
Vice-Presidente da ANACOM
A REGRA
DA LEI
OU A LEI DO
ALGORITMO?
CONGRESSO APDC
Visão em ecossistema
NEGÓCIOS
Route 25: Inovação
‘made in’ Portugal
INESC-ID E INOV
Desenhar o futuro
A ABRIR
Esta é a
verdadeira
essência da
Inteligência
Artificial.
2 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
EDITORIAL
SANDRA FAZENDA ALMEIDA
sandra.almeida@apdc.pt
CIÊNCIA, REGULAÇÃO
E COLABORAÇÃO:
NOVO IMPULSO DIGITAL
Portugal está a entrar numa nova
fase da transformação digital.
Tal como no resto da Europa,
a regulação das comunicações
é, cada vez mais, uma regulação
do digital, refletindo as novas competências
e responsabilidades que a evolução tecnológica
impõe. Está a reforçar-se a ligação entre ciência
e empresas, condição essencial para transformar
conhecimento em inovação e valor económico.
E ganha força a urgência de políticas públicas
consistentes de capacitação, investigação
e desenvolvimento, para que o país se prepare
para os desafios da era da inteligência
artificial e se afirme como um ator relevante
na transformação digital europeia.
Nesta edição, estivemos À CONVERSA com
a vice-presidente da ANACOM sobre as novas
competências do regulador e o seu papel determinante
para a construção de uma economia digital mais
segura, transparente e competitiva. No mesmo
sentido, o 34.º Congresso da APDC, com o tema
“Science & Business: working together”, sublinhou
a importância da colaboração entre investigação
e o tecido empresarial como motor de crescimento
e de soberania tecnológica.
No Portugal Digital, continuamos com o ciclo
dedicado ao universo INESC, desta vez destacando
o contributo de duas das suas instituições de ciência
e inovação – INESC-ID e o INOV – verdadeiros
laboratórios de talento e de transferência de
conhecimento.
A reportagem dos mais recentes eventos APDC
– do GovTech Saúde à sessão Digital Union sobre
cibersegurança na União Europeia e ao jantar
com o ministro Adjunto e da Reforma do Estado
– mostra que o diálogo entre setores é a força motriz
do progresso digital. Porque a transformação não
acontece isoladamente: nasce do encontro entre
políticas, ciência, empresas e pessoas.
É esse o nosso compromisso na APDC:
continuar a unir visões, criar pontes e acelerar um
desenvolvimento digital que seja simultaneamente
inovador, ético e humano.
Consulte aqui todas as edições
da Revista Comunicações
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 3
14
À CONVERSA
Raquel Brízida Castro, Vice-Presidente da
ANACOM, reflete sobre o impacto da IA nos direitos
fundamentais, o papel dos reguladores e os desafios
éticos de uma era em que a confiança é essencial.
26
EM DESTAQUE
No Congresso da APDC ficou claro que o país
pode afirmar-se na nova era digital.
Com ambição e conjugando visão estratégica
com ciência, inovação, talento e colaboração
em ecossistema.
76
NEGÓCIOS
Tornar o país num laboratório vivo de inovação
tecnológica e projetá-lo na liderança europeia
é a ambição. O Route 25, liderado pela Capgemini,
mostra que não só é possível como já é uma realidade.
98
PORTUGAL DIGITAL
No INESC, o INESC-ID e o INOV ajudam a traçar
o futuro da inovação: o primeiro centra-se na
investigação e produção científica e o segundo
na investigação aplicada e transferência de
tecnologia para as empresas.
116
CIDADANIA DIGITAL
O projeto Super Searchers leva ferramentas práticas
de literacia digital a professores e formadores, com
a ambição de as fazer chegar a milhares de crianças
e jovens de todo o país.
4 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
FICHA TÉCNICA
06 A ABRIR
14 À CONVERSA
Raquel Brízida Castro, Vice-Presidente
da ANACOM
26 EM DESTAQUE
34º Digital Business Congress
74 5 PERGUNTAS
Rodrigo Cordeiro, Country Head da Capgemini
Engineering
76 NEGÓCIOS
Route 25
86 I TECH
Pedro Coelho, Diretor-Geral da HP Portugal
88 BARÓMETRO RH
Tendências na área do talento e dos recursos
humanos
90 RADAR LEGAL
NIS 2: Dos riscos à vantagem competitiva
94 VISÃO DOS ASSOCIADOS
Ericsson e Skyone
98 PORTUGAL DIGITAL
INESC-ID e INOV
108 ESPAÇO ANACOM
ANACOM e o seu papel na Inteligência
Artificial
110 APDC NEWS
116 CIDADANIA DIGITAL
Super Searchers
118 A FECHAR
122 AGENDA
COMUNICAÇÕES 254
PROPRIEDADE E EDIÇÃO
APDC
Associação Portuguesa
para o Desenvolvimento
das Comunicações
DIRETORA EXECUTIVA
Sandra Fazenda Almeida
sandra.almeida@apdc.pt
Av. João XXI, 78
1000 – 304 Lisboa
Tel.: 213 129 670
Fax: 213 129 688
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EDITORA | CHEFE DE REDAÇÃO
Isabel Travessa
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SECRETÁRIA DE REDAÇÃO
Laura Silva
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CONSELHO EDITORIAL
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EDIÇÃO E DESIGN
F5C – First Five Consulting
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1250-148 Lisboa
PERIODICIDADE
Trimestral
TIRAGEM
Digital
PREÇO DE CAPA
3,25 €
DEPÓSITO LEGAL
2028/83
REGISTO INTERNACIONAL
ISSN 0870-4449
ERC N.º 128 111
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 5
A ABRIR
CITAÇÕES
“A tecnologia está a mover-se
mais rapidamente do que
a nossa maturidade emocional.
Usamos a internet para coisas
absurdas, tontas. Somos como
crianças a brincar com granadas
de mão. Brincando com o fogo.
E ainda assim, estamos
a começar a funcionar de forma
totalmente conectada.
É como se estivéssemos
num treino para o que está a vir.
Há uma enorme solidão
no mundo por causa
da internet”
DAN BROWN
Expresso, 12/09/2025
“Há uma guerra na Europa,
há uma geopolítica em
transformação acelerada e uma
União Europeia que não tem
os meios para ser competitiva
nem para assegurar a sua
independência, militar
e de segurança. (…) A Europa
corre contra o tempo,
e foi basicamente isso que
Von der Leyen anunciou.”
ANTÓNIO COSTA
ECO, 11/09/2025
“O discurso do Estado da União
de 2025 ficará na memória como
o discurso em que a Europa
se assumiu em guerra.
Mas também como o momento
em que se revelou a fragilidade
de um projeto que promete
tudo e não explica como.
A pergunta que paira (…) é esta:
a Europa terá realmente vontade
política, músculo económico
e coragem social para sustentar
o novo projeto europeu?”
MIGUEL BAUMGARTNER
CNN Portugal, 10/09/2025
“Desde que o Steve Jobs
nos deixou, a magia mudou
de sítio. A Apple deixou de pensar
diferente e começou a pensar
bonito. E agora até o Jony Ive,
o lendário chefe de design,
se mudou para a OpenAI.
Coincidência? Não creio. (…)
A Apple continua a dar-nos
forma sem fundo. É como estar
num jantar elegante onde todos
elogiam o vestido caro
– mas ninguém repara que
a conversa está vazia”
RUI CUNHA
LinkedIn, 09/09/2025
ADOÇÃO
DA IA ACELERA
MAINFRAMES…
Num cenário digital em profunda transformação, as organizações
estão a acelerar as suas estratégias de modernização, a expandir
a adoção de inteligência artificial (IA) e a reforçar o mainframe
como pilar dos ambientes híbridos de TI. Mas, em paralelo,
enfrentam uma escassez de talento e novas exigências
regulatórias. Cerca de 80% ajustaram a sua estratégia de
modernização no último ano, em resposta à evolução do mercado,
a desenvolvimentos geopolíticos, a novas regulamentações
e à emergência de tecnologias disruptivas. E a IA, vista até há
pouco tempo como uma promessa futura, afirma-se agora como
catalisador imediato de valor para o negócio. Cerca de 90%
das organizações já implementaram ou planeiam implementar IA
generativa no mainframe, prevendo ganhos expressivos: 12,7 mil
milhões de dólares em poupanças de custos e 19,5 mil milhões
em novas receitas ao longo dos próximos três anos. A tecnologia
está também a colmatar a falta de competências nas equipas, sendo
que 56% das organizações aumentaram o uso do mainframe no último
ano, ao descobrirem novas funcionalidades estratégicas para esta
tecnologia em ambientes híbridos. Os dados são da 3ª edição do "State
of Mainframe Modernization Survey", da Kyndryl.
…AUMENTA
ENTUSIASMO
ENTRE OS
TRABALHADORES…
O entusiasmo e a adoção de ferramentas
de inteligência artificial (IA) está a aumentar
significativamente entre os trabalhadores.
Em apenas seis meses, a sua utilização cresceu
233%, surgindo agora como uma clara
vantagem competitiva. E está a ser usada não
apenas para automatizar tarefas, mas para subir
de nível dentro das organizações. A quase
totalidade (96%) dos trabalhadores usam
a IA para realizar tarefas que antes não tinham
capacidade de fazer sozinhos. E têm mais
154% de probabilidade de recorrer a agentes
de IA para ajudá-los a executar tarefas
melhor e de forma mais criativa, em vez de
simplesmente automatizar o seu trabalho.
Os dados são do mais recente “Slack Workfoce
Index”, da Salesforce, que antecipa que cerca
de 60% da força de trabalho já esteja a usá-la
e que 40% recorrem a agentes de IA. À medida
que cresce a utilização, sobe ainda a confiança
na tecnologia: os trabalhadores que usam
agentes de IA diariamente têm duas vezes
mais hipóteses de confiar neles. O que significa
que as empresas podem aproveitar todo
o potencial do trabalho digital nas respetivas
organizações. Os Millennials estão a emergir
como utilizadores avançados de IA no trabalho:
30% dizem que entendem completamente
os agentes de IA, superando a Geração Z (22%);
68% usam IA para trabalhos estratégicos,
como elaboração, resumo e idealização;
e 43% dos executivos relatam o uso diário de IA.
6 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
…E REFORÇA INVESTIMENTO
DAS EMPRESAS…
Apesar da IA generativa estar a evoluir
a grande velocidade, a mudança
organizacional dentro das empresas não
acompanha esse ritmo. Entre os principais
obstáculos à implementação destas
ferramentas estão as preocupações com
a conformidade regulatória, que estão a
aumentar, revela o estudo “State of Gen AI
in the Enterprise”, da Deloitte. Mais de dois
terços dos líderes empresariais que trabalham
com inteligência artificial (IA) afirmam que
apenas 30%, ou menos, das suas experiências
serão totalmente escaladas nos próximos três
a seis meses. Mas, apesar dos desafios, 78%
dos inquiridos esperam aumentar
o investimento global em IA no próximo ano
fiscal, graças ao crescente reconhecimento
por parte dos líderes das inúmeras
capacidades e vantagens de adotarem
este tipo de tecnologias, que impactam
praticamente todas as áreas. Quase todas
as organizações reportam um retorno sobre
o investimento (ROI) mensurável com as suas
iniciativas mais avançadas de IA generativa
e quase um quarto (20%) reporta um ROI
de 31% ou mais. A adoção na área de TI está
mais avançada, mas a cibersegurança também
se destaca. Sendo que a IA Autónoma
(Agentic AI) surge como um novo vetor
de criação de valor sustentável.
Se 95% das empresas
já investiram
em IA, 71% dos
líderes empresariais
dizem que as suas
equipas ainda não
estão preparadas
para utilizar
esta tecnologia com
sucesso
…QUE AINDA TIRAM POUCO PARTIDO DOS BENEFÍCIOS
Apenas um número reduzido
de empresas tomou medidas no
sentido de alinhar as estratégias
das suas equipas de trabalho com
o crescimento da inteligência
artificial (IA). Mas as organizações
que adotaram estas estratégias
estão na linha da frente para
obter um retorno positivo do
investimento na tecnologia.
De acordo com o “People
Readiness Report”, da Kyndryl,
persiste uma lacuna assinalável
entre o investimento em IA
e a preparação das equipas
de trabalho. Se 95% das empresas
já investiram em IA, 71% dos líderes
empresariais dizem que as suas
equipas ainda não estão preparadas
para utilizar esta tecnologia
com sucesso. E 51% acreditam
que as suas organizações não
possuem talentos suficientemente
qualificados, enquanto 45%
dos CEO consideram que a maioria
dos colaboradores é resistente
ou até abertamente hostil
em relação à IA. Ainda assim,
a prontidão das equipas
de trabalho varia por setor.
As empresas da banca/serviços
financeiros e seguros evidenciam
maior nível de preparação,
enquanto as empresas do setor
de saúde parecem estar a ficar
para trás.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 7
A ABRIR
CITAÇÕES
“O verdadeiro risco não é a IA
Generativa substituir empregos,
mas sim Portugal perder a
oportunidade de se afirmar como um
exemplo tecnológico e ficar relegado
para as margens da transformação
global. Caberá aos gestores e líderes
decidir se seremos pioneiros ou meros
seguidores. Nesta era das máquinas
criativas, estaremos nós, humanos,
à altura do desafio?”
GONÇALO PERDIGÃO
Expresso, 04/09/2025
“Agora está quase tudo negro
e é preciso voltar a plantar árvores,
muitas árvores, mas também
economia, serviços públicos, ciência,
conhecimento e tecnologia nos
territórios do interior, que também
são Portugal. Sem isso as pessoas
não voltam para lá, para lhe
dar densidade, dignidade e qualidade
de vida”
VÍTOR ANDRADE
Expresso, 28/08/2025
Curiosidades
NOVO MATERIAL QUÂNTICO PARA TRABALHAR
EM TERAHERTZ
Foi alcançada uma descoberta
revolucionária em materiais quânticos,
que pode acelerar drasticamente
o futuro da eletrónica. E tornar
dispositivos como os smartphones
e computadores portáteis até
1000 vezes mais rápidos e eficientes.
O material quântico chama-se 1T-TaS₂
e pode ser alternado entre os estados
isolante e condutor, simplesmente
por aquecimento e arrefecimento.
Tem o potencial de poder substituir
os componentes convencionais
à base de silício. O anúncio foi feito
por um grupo de cientistas num estudo
publicado a 27 de junho na Nature
Physics. A capacidade de alternar
estados eletrónicos sob pedido pode
abrir caminho para processadores
ultracompactos e ultrarrápidos,
permitindo que os processadores que
trabalham em gigahertz, atualmente,
possam chegar aos terahertz. Ou seja,
um salto que significaria processar
dados 1000 vezes mais rápido do que
as tecnologias atuais.
“A nova era não será apenas digital.
Será, acima de tudo, humana.
(…) As soft skills serão fundamentais,
porque são o que dá alma
às empresas. E é nessa alma que
reside a verdadeira vantagem
competitiva do futuro”
TIAGO SANTOS
ECO, 28/07/2025
“A par da inovação tecnológica,
cresce um fenómeno silencioso:
a erosão das nossas capacidades
humanas. A inteligência artificial,
ao assumir tarefas do nosso dia a dia,
traz consigo um custo que raramente
é discutido, a perda gradual
da nossa autonomia cognitiva”
JORGE ESPARTEIRO GARCIA
ECO, 19/08/2025
“A recente avaliação da Nvidia
em quatro biliões de dólares dos
Estados Unidos é esclarecedora.
(…) Evidencia uma mutação de
paradigma economico-tecnológico
cujo epicentro dá pelo nome
de inteligência artificial (IA).
Tal como o petróleo moldou cúpulas
e conflitos no século XX, a IA emerge,
a passos galopantes, como o recurso
chave da competição geopolítica
do século XXI!”
PATRÍCIA AKESTER
Público, 18/07/2025
Curiosidades
PROGRAMADOR HUMANO VENCE IA DA OPENAI
Aconteceu em meados de julho, numa competição de programação em Tóquio,
a AtCoder World Tour Finals 2025. Przemysław Dębiak, um programador polaco,
conhecido como "Psyho”, conseguiu mesmo vencer a inteligência artificial (IA)
da OpenAI, que ficou em segundo lugar numa maratona mundial de código
que chegou às 10 horas. Numa competição lado a lado de programação,
onde a OpenAI apresentou um modelo de IA batizado de “Humans vs AI”,
o programador polaco ganhou com uma margem de quase 10%.
Foram convidados os 12 melhores programadores a nível
mundial para este evento, o primeiro em que um
modelo de IA competiu diretamente com os melhores
programadores humanos. “A humanidade prevaleceu
(por agora)”, referiu Dębiak na rede social X.
8 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
Parceiros de Talento da APDC
MARKETPLACE
IA & Digital Skills
Competencias de Venda
ality
ais
Avaliação 360º
SpeakEasy
Building Mia
Sabe mais Sabe mais Sabe mais
Personalidade & Cultura
Role plays & Business Cases
tions
ais
Multiverso
Sabe mais
Around the World
Sabe mais
LotaFISH
Sabe mais
Agilidade e Liderança Digital
Aptidões e Conhecimentos
técnicos específicos
House of Assessment
Skills reais.
Dados reais.
Decisões certas.
Especialistas em avaliação: com soluções
com e sem inteligência artifical medimos
competências e testamos o talento em
desafios reais.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 9
A ABRIR
CITAÇÕES
“É fundamental que
o sistema de ensino se atualize
rapidamente e possa preparar
os alunos desde cedo para um
mundo do trabalho em acelerada
transformação tecnológica.
Mas Estado e setor privado
também são responsáveis
pela integração e renovação
da força de trabalho.
É preciso pensar a fundo que
revolução tecnológica é esta
e como pode ser aproveitada
a nosso favor (entenda-se, a favor
dos humanos) …”
JOANA BELEZA
Expresso, 17/07/2025
“Portugal não sofre de falta
de planos, estratégias
ou investimentos – o problema
está na execução.
Entre o Simplex, os sucessivos
planos de ação, as estratégias
para o digital e os investimentos
previstos no PRR, não faltam
diagnósticos, metas ou intenções.
Mas a verdadeira diferença
entre países digitalmente
avançados e os que permanecem
presos a lógicas analógicas
não está nas ideias – está na
capacidade de as concretizar”
ALEXANDRE HENRIQUES
Expresso, 17/06/2025
INTEGRAÇÃO DE AGENTIC AI
ACELERA ENTRE OS PIONEIROS
Com a inteligência artificial (IA) a começar
a gerar retornos positivos sobre o
investimento (ROI), estimando-se que
permita já uma média de retorno de quase
1,7 vezes, criaram-se as condições para a
adoção mais ampla da AI Agentic. Entre as
organizações que adotaram Gen IA, cerca
de 30% já integraram agentes de IA nas
operações empresariais e espera-se que
os projetos de AI Agentic aumentem 48%
até ao final de 2025. A estimativa é do novo
“AI in action: How Gen AI and agentic AI
redefine business operations” do Research
Institute da Capgemini. Duas em cada cinco
organizações esperam alcançar um retorno
positivo dos seus investimentos em IA num
prazo de um a três anos. E a generalidade
já está a alcançar eficiências significativas
ao nível dos custos, ao integrarem um
conjunto específico de capacidades
de IA nos processos centrais do negócio
(compras, atendimento ao cliente,
otimização da cadeia de abastecimento
e operações financeiras). Estima-se que
uma em cada cinco organizações já utiliza
agentes de IA ou sistemas multiagente,
sendo que a Gen IA e a AI Agentic já estão
a proporcionar poupanças de custos
e eficiências operacionais significativas
em várias funções empresariais. Têm um
verdadeiro potencial transformador
dos serviços empresariais, permitindo
a transição dos modelos tradicionais
focados nos custos para novos
modelos impulsionados
pelo valor e IA.
“O poder demente, aliado
ao triunfalismo tecnológico,
faz que a cada dia, a cada manhã,
ao irmos ao encontro das notícias
da noite, sintamos como
a terra redonda é disputada
por vários pescoços em
competição, como se mais uma
vez se tratasse de um berloque”
LÍDIA JORGE
Discurso 10 junho, 10/06/2025
“Se há coisa de que o país,
e a economia, precisa é mesmo
de uma reforma do Estado.
Daquelas que começam por
simplificar, por desburocratizar,
por olhar com confiança
para os agentes económicos,
daqueles que fazem contratos
de confiança e não partem
do pressuposto de que é preciso
criar barreiras e suspeitas
à priori que travam a economia
e o investimento”
ANTÓNIO COSTA
ECO, 06/06/2025
Curiosidades
APP QUE DETETA DIABETES
PELA VOZ
A ideia surgiu do filme Blade Runner, em que uma
personagem usava identificação de marcadores por
voz. E acabou por ser desenvolvida uma aplicação que
deteta diabetes pela voz, com recurso a biomarcadores.
Blade Runner sugeriu e Yan Fossat desenvolveu. A solução não precisa
de equipamentos invasivos, usando apenas o telemóvel e modelos que já foram
trabalhados com vários grupos de teste. Basta uma pergunta simples para
a aplicação estimar qual é o nível de açúcar no sangue (glicémia) e a probabilidade
de uma pessoa ter diabetes. O projeto foi apresentado na conferência Medical AI,
que decorreu na Fundação Champalimaud e, para já, é ainda apenas uma API. Mas
o objetivo é dar-lhe continuidade, através de um modelo de negócio baseado em
licenciamento. A equipa treinou um modelo com um grupo de pessoas com diabetes
e outras sem a doença, com a mesma distribuição de idade e de índice de massa
corporal (IMC) e fez análises de algumas frequências na voz. Com esses dados
criou o modelo de inteligência artificial capaz de processar a informação da voz
e de perceber se a pessoa está no grupo de diabéticos ou com propensão para
ter a doença.
10 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
Entre as
organizações que
adotaram Gen IA,
cerca de 30% já
integraram agentes
de IA nas operações
empresariais
Curiosidades
CIRURGIAS AUTÓNOMAS COM IA CADA VEZ
MAIS PRÓXIMAS
A possibilidade de realizar procedimentos cirúrgicos complexos
de forma autónoma está muito perto de ser uma realidade.
Um robô operou pela primeira vez um modelo realista de paciente,
respondendo durante a operação aos comandos da equipa, indica
um estudo publicado na revista científica Science Robotics. Treinado
com vídeos de cirurgias, o robô procedeu à remoção da vesícula biliar
sem ajuda humana, com um desempenho irrepreensível durante
os testes e com a perícia de um cirurgião humano, mesmo em cenários
inesperados típicos de emergências médicas reais, refere a equipa
da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que liderou
o projeto. Denominado Surgical Robot Transformer-Hierarchy (SRT-H),
o robô foi construído com a mesma estrutura de aprendizagem
automática do sistema de IA ChatGPT. E realiza realmente cirurgias,
adaptando-se às características anatómicas individuais, tomando
decisões em tempo real e autocorrigindo-se quando é necessário.
NÚMEROS
4 BILIÕES
É um novo recorde mundial, em dólares,
e foi alcançado pela Nvidia, que se tornou
na primeira "four trillion dollar baby"
de sempre. Aconteceu a 9 de julho, quando
a gigante de chips passou a valer quatro biliões
de dólares na Wall Street. Tudo graças à corrida
mundial à inteligência artificial e ao aumento
contínuo do número e complexidade dos
modelos de grande escala. Na classificação
das empresas com maior capitalização
bolsista seguiam-se a Microsoft (3,70 biliões
de dólares), Apple (cerca de 3,1 biliões),
Amazon (2,3 biliões) e Alphabet (2,1 biliões).
183 MIL MILHÕES
Trata-se da valorização recorde, em dólares,
alcançada pela startup norte-americana
Anthropic, principal concorrente do ChatGPT
e do Gemini, no início de setembro, depois
de uma ronda de investimento em que
captou 13 mil milhões de dólares. A criadora
do chatbot Claude, fundada há quatro anos
por ex-quadros da OpenAI, fez assim uma
das maiores rondas de financiamento da
história do setor tecnológico, graças à forte
procura dos investidores. Em março, foi
avaliada em 60 mil milhões de dólares.
30 MIL MILHÕES
Este é o valor do maior contrato, em dólares,
de sempre realizado pela OpenAI. Objetivo?
Que a Oracle lhe forneça 4,5 gigawatts de
capacidade de computação, num acordo que
é considerado um dos maiores do tipo na área
da inteligência artificial. A tecnológica terá de
construir novos centros de dados nos Estados
Unidos para satisfazer as necessidades da
criadora do ChatGPT. A capacidade contratada
representa cerca de um quarto de toda a
capacidade operacional atual dos centros
de dados nos EUA. O acordo insere-se no
âmbito do projeto “Stargate”, lançado em
janeiro em parceria com o japonês SoftBank.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 11
A ABRIR
Os líderes
operacionais
sentem falta de
orientação, clareza
e recursos para
abordarem os riscos
de segurança
e os desafios de
infraestrutura
NÚMEROS
17,4 mil milhões
Corresponde ao valor, em dólares, do acordo
que a Microsoft fez com o Nebius Group,
para ganhos de capacidade de computação
cloud para inteligência artificial (IA) nos
próximos seis anos. A tecnológica tem
investido massivamente para dar resposta ao
forte aumento da procura de IA e está focada
em construir novos centros de dados e em
equipá-los com servidores e equipamento
de redes. A Nebius, que tem entre os
seus investidores a Nvidia e a Accel, trará
capacidade através de um centro de dados
em Vineland, no estado da Nova Jérsia.
3,3 mil milhões
É quanto a Capgemini se propõe dar, em
dólares, pela tecnológica indiana WNS.
A meta é reforçar as suas capacidades na área
dos agentes de inteligência artificial (IA), para
aproveitar todas as oportunidades de mercado
que estão a surgir. A WNS especializou-se em
agentes de IA, sistemas capazes de executar
tarefas em cadeia através de simples comandos
de texto, vistos como uma das principais
ferramentas de automação de processos
empresariais para os próximos anos.
Curiosidades
UM ROBÔ QUE PODE
FUNCIONAR PARA SEMPRE
Chama-se Walker S2, foi criado na China e tem
um design de bateria dupla, que lhe permite
funcionar sozinho 24 horas por dia, 7 dias por
semana. É que tem capacidade para mudar
as próprias baterias, quando está a ficar sem
energia. Fabricado pela chinesa UBTECH, tem
162 centímetros de altura e pesa 43 quilos, o que
o torna do tamanho e peso de um adulto pequeno.
Utiliza uma bateria de lítio de 48 volts num sistema
de bateria dupla e pode andar durante duas horas
ou ficar de pé durante quatro horas antes de ficar
sem energia. Quando está esgotada, a bateria
demora 90 minutos a carregar completamente.
A novidade mundial é que, em vez de depender
de um operador humano para remover e recarregar
a bateria, realiza esta tarefa autonomamente.
O Walker S2 foi concebido para ser utilizado
em ambientes como fábricas ou como um robô
semelhante a um ser humano para atender
e cumprimentar clientes em locais públicos.
GENAI PRECISA DE
ALINHAMENTO NA GESTÃO
DE TOPO
Há um desalinhamento entre os líderes de gestão no que diz respeito aos
objetivos de negócio e à prontidão operacional, quando se trata da adoção
da IA generativa. Se os CEO e líderes empresariais estão comprometidos com
a adoção da GenAI, os CISO e líderes operacionais sentem falta de orientação,
clareza e recursos para poderem abordar plenamente os riscos de segurança
e os desafios de infraestrutura associados à sua implementação. A conclusão
é do novo relatório da NTT DATA sobre as oportunidades e riscos que
a inteligência artificial (IA) coloca à cibersegurança. De acordo com o
“The AI Security Balancing Act: From Risk to Innovation”, quase todos (99%)
os executivos de topo planeiam mais investimentos em GenAI nos próximos
dois anos, com 67% dos CEO a projetarem investimentos significativos.
Em paralelo, 95% dos CIO e CTO dizem que a GenAI já acelerou, ou irá acelerar,
maiores investimentos em cibersegurança, com as organizações a classificarem
a melhoria da segurança como um dos três principais benefícios empresariais
resultantes da implementação de GenAI nos últimos 12 meses. A análise revela
ainda uma lacuna crítica entre a visão da liderança e as capacidades das suas
equipas. Além do desalinhamento interno, 88% dos líderes de cibersegurança
afirmam que a infraestrutura legada está a afetar fortemente a agilidade
empresarial e a prontidão da GenAI, com a modernização de IoT, 5G e edge
computing identificadas como essenciais para o progresso futuro.
12 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
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SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 13
À CONVERSA
14 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
ENTRE A
CONSTITUIÇÃO
E O ALGORITMO:
A NOVA FRONTEIRA
DO ESTADO
DE DIREITO
Num momento em que a Inteligência Artificial (IA) redefine
as fronteiras do Direito e da Regulação, Raquel Brízida Castro
reflete sobre o impacto desta tecnologia nos direitos fundamentais,
o papel dos reguladores e os desafios éticos de uma era em que
a confiança se torna o principal motor da inovação.
TEXTO | ISABEL TRAVESSA
FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 15
À CONVERSA
Tem um percurso invulgar e multifacetado:
bailarina no início, voz de rádio, duas décadas
na SIC – onde foi jornalista e editora
de política – e, depois, a paixão total pelo
Direito Público. Na vice-presidência da
ANACOM desde fevereiro deste ano, Raquel
Brízida Castro continua movida pelo mesmo
motor: a curiosidade de pensar e a vontade
de partilhar. Entre a sala de aula e a arena
regulatória, habituou-se a um verbo que
lhe define a prática: ponderar.
A sua tese tem sido consistente: o digital
vive um ponto de viragem e a IA obriga
a um novo contrato entre Estado de Direito
e tecnologia. Fala de explicabilidade
como condição de confiança, de auto-
-vinculação como disciplina dos reguladores
e de segurança jurídica como bússola do
mercado. Recusa a “overdose normativa”
sem coordenação e guidelines e lembra
que também as empresas têm direitos
fundamentais. A linha vermelha? O momento
em que se passa da rule of law à rule of
algorithm – quando delegamos decisões
sem as conseguirmos compreender.
Portugal prepara-se para concentrar
na ANACOM a coordenação da fiscalização
da IA. E o desafio é tão técnico como
cultural: reforçar equipas com ciência de
dados e ética, emitir guidelines claras, testar
em sandboxes e articular o Regulamento
Geral de Proteção de Dados (RGPD),
Regulamento dos Serviços Digitais (DSA)
e Regulamento da Inteligência Artificial (RIA
ou IA Act) numa leitura transversal,
que não pode ser nem permissiva, nem
asfixiante. Até 2026, a prioridade é orientar
e capacitar, para que a conformidade seja
um aliado da inovação e não um travão.
Neste À CONVERSA, a jurista, professora
e reguladora abre o caderno pessoal
– escolhas, influências, dúvidas – e assume
a ambição pública: uma regulação que
proteja direitos sem matar o génio criador,
que dê previsibilidade ao mercado e trate
a IA como meio de realização de direitos
e não como ameaça inevitável. É aqui,
entre a Constituição e os algoritmos,
que promete fixar-se o centro de gravidade
do nosso futuro digital.
16 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
O SEU PERCURSO É SINGULAR:
COMEÇOU NO JORNALISMO, PASSOU
PELO ENSINO E PELA INVESTIGAÇÃO
ACADÉMICA, FOI VOGAL DA ERC
E CHEGOU ESTE ANO À VICE-
-PRESIDÊNCIA DA ANACOM. QUE FIO
CONDUTOR UNE ESTAS FASES TÃO
DIFERENTES?
A minha primeira carreira foi
como bailarina profissional de
dança clássica. Fiz o curso de
dança do Conservatório Nacional,
mas confesso que não consegui
encontrar nenhuma ligação. Aos
16 anos fundei a Rádio Mais, em
conjunto com pessoas conhecidas
da nossa praça, da mesma faixa
etária – o Nuno Santos, o Jorge
Gabriel, o Jorge Alexandre Lopes,
o Luís Santos. Aí era a comunicação
– e a rádio, que tem um fascínio
e magia muito interessantes
– que me chamava. Depois fui para
a Rádio Renascença, onde fazia as
notícias. Tinha ainda um programa
diário de entretenimento na RFM.
Em março de 1992, o Emídio Rangel
telefonou-me a perguntar se queria
ir para a SIC, quando ninguém
sabia ainda o que era. Mas decidi
arriscar porque, por um lado,
o nome do Dr. Balsemão estava
associado ao canal e, por outro
lado, já tinha feito um curso
de televisão. O que une tudo isto
é a comunicação e a criatividade,
que é muito importante, sobretudo
na rádio, porque não temos
imagem e temos de a criar. É um
desafio enorme. Portanto, entrei
quando a SIC foi fundada e foi onde
fui jornalista e editora de política.
Foram 20 anos, mas, entretanto,
a meio do caminho, surgiu o curso
de Filosofia e depois o de Direito.
FOI PARA FILOSOFIA E DEPOIS
SALTOU PARA DIREITO. COMO É QUE
ISTO ACONTECEU?
Fui para Filosofia, mas no
segundo ano, numa aula de
Filosofia Social e Política, pensei:
‘O que estou aqui a fazer?
Isto não tem nada a ver comigo’.
A Filosofia é algo muito abstrato
e eu gosto de fazer coisas: de
moldar, de definir. Sou muito
prática e pragmática. Então,
mudei para Direito e apaixonei-
-me. Entretanto, continuava
a ser jornalista. Foi muito difícil
conciliar com o curso de Direito
e só o consegui graças a uma
característica que tenho: quando
me apaixono por algo, faço tudo
por isso. Assim, e ao longo de cinco
anos, não tive folgas, feriados
ou férias. Mas consegui a proeza
de, em 1998, acabar o curso com
média de 17 valores. Foi a 6.ª
melhor nota depois do 25 de Abril.
UMA MÉDIA DESSAS É QUASE
IMPOSSÍVEL DE ALCANÇAR…
Foi a paixão. O que gostava mais
no Direito era a lógica, o raciocínio
jurídico. Era o estímulo de ter um
tema, de o estudar e aprofundar
e, depois, ao aplicar o raciocínio
jurídico, ver que se for por um
caminho tenho um resultado
e que se for por outro caminho
o resultado é diferente. Esse foi um
estímulo mental muito importante
para mim e no qual investi, mas
sempre mantendo a SIC, porque
também gostava muito de ser
jornalista. O que sempre tentei
– e não sei se tem a ver com o facto
dos meus pais serem professores
– foi comunicar e partilhar os meus
conhecimentos. É uma enorme
preocupação que tenho.
COM A ENTRADA DO DIREITO NA SUA
VIDA, QUE CAMINHO SE SEGUIU?
Com o tempo e o evoluir
do curso, senti maior apetência para
os temas de Direito Público. Ainda
consegui conciliar o mestrado, que
terminei em 2003, em Ciências
Jurídico-Políticas. Depois, em 2004,
fui nomeada editora de política
e tive de me afastar do Direito.
Até que, em 2006, o professor
Jorge Miranda me convidou para
assistente convidada da Faculdade
de Direito de Lisboa. Voltei, retomei
a carreira académica e inscrevi-me
no doutoramento. Mas era muito
trabalhoso e já não era possível
conciliar com o jornalismo.
Por isso, em 2011, tomei a decisão
de deixar a SIC.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 17
À CONVERSA
COMO É QUE PASSOU DE
JORNALISTA PARA VOGAL DO
CONSELHO REGULADOR DA ERC?
Recebi o convite para ir para
a ERC e como o meu doutoramento
tinha a ver com a Constituição
da Comunicação, achei que,
na minha função enquanto vogal
da ERC, podia haver uma partilha
relevante, quer para o regulador
dos media, quer para o meu
trabalho académico. Por isso,
aceitei o desafio, enquanto fiz
o doutoramento, que terminei
em 2015.
ENTRETANTO, JÁ OLHAVA PARA
O CIBERESPAÇO…
O ciberespaço surge em 2012,
quando eu e outros colegas criámos
um projeto de investigação
no Lisbon Public Law Center.
Quem me levou para estes temas
foi o professor Vera Cruz, que,
na altura, era visionário quanto
ao Direito Tecnológico e ao Direito
do Ciberespaço. Começou
a convidar-me para conferências,
o que me levou a investigar
o que depois acabei por designar
de Direito Constitucional do
Ciberespaço. Portanto, há 13 anos
que estudo aprofundadamente
os temas da regulação digital
e da regulação tecnológica,
mas sempre numa perspetiva
constitucional. Ou seja, sobre
a forma como esta regulação
desafia os princípios estruturantes
do Estado de Direito Democrático.
A SUA EXPERIÊNCIA DE 25 ANOS
DE JORNALISMO FOI ÚTIL NESSA
SUA NOVA COMPONENTE
DE CONSTITUCIONALISTA, PARA IR
ATRÁS DAS SOLUÇÕES?
Sim, sobretudo no que respeita
a tentar perceber o que efetivamente
interessa às pessoas. No plano
do Direito Constitucional, para
mim não faz sentido imaginar um
Estado de Direito Democrático
que não se preocupe com a defesa
dos direitos fundamentais. Mas,
obviamente, este é um conceito
muito amplo, porque, por exemplo,
no que respeita ao Ciberespaço,
os direitos fundamentais não são
apenas os dos utilizadores, mas
também os das empresas. Não
podemos impor determinado tipo
de restrições que são claramente
excessivas e desproporcionais,
porque a liberdade de iniciativa
privada, o direito de propriedade
privada, a liberdade de gestão,
também são direitos fundamentais.
É preciso fazer essa ponderação.
PORTANTO, O CONTACTO DIRETO
COM A REALIDADE TROUXE-LHE
ESSA SUA FORMA DE VER E DE
PENSAR O DIREITO E A REGULAÇÃO...
Exato. Na última monografia,
que publiquei no final de 2023,
sobre Direito Constitucional,
Tecnologia e Ciberespaço,
tento aplicar a minha visão de
constitucionalista a temas como
a regulação digital. Nomeadamente
no Regulamento dos Serviços
Digitais, que tem um impacto brutal
– quer na liberdade de expressão,
quer no direito à informação – mas
que é algo que acho que as pessoas
ainda não se aperceberam. Isso
gera-me alguma perplexidade,
sobretudo no que toca aos media,
porque o regulamento também se
lhes aplica. Andámos anos, séculos
até, a lutar contra formas de
restrição da liberdade de expressão
excessivas e desproporcionais.
E agora aceitamos que
entidades privadas – os serviços
intermediários – possam fazer
essas ponderações da liberdade
18 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
A UE está a regular
diretamente sobre
matérias que cabiam
ao legislador e,
de alguma forma,
isso acaba por
produzir défice
democrático, porque
o legislador nacional
é completamente
afastado no que toca à
regulação dos direitos
fundamentais
de expressão. Daí a relevância
constitucional dos reguladores,
enquanto coordenadores dos
serviços digitais, porque são eles
que vão garantir que, pelo menos,
as plataformas online respeitem,
de alguma forma, os direitos
fundamentais. Aí, o regulamento
é muito importante.
DEFENDE QUE A CONSTITUIÇÃO
É UM ESPAÇO DE COMPROMISSO E DE
PONDERAÇÃO. EM QUE MOMENTOS
DA SUA VIDA SENTIU TER DE FAZER
ESSE EXERCÍCIO PESSOAL DE
PONDERAR E DE SE COMPROMETER?
Aí não consigo estabelecer
a ligação. Tenho um sentido
de justiça muito forte e reajo muito
às injustiças. Se considerar que
a Constituição confere valores,
sim. Mas não consigo fazer essa
aplicação à vida pessoal. Agora que
a Constituição é um refúgio, é,
e tem de ser. Então nesta regulação
digital é ainda muito mais.
QUEM A INSPIRA ATUALMENTE?
HÁ ALGUMA FIGURA QUE INFLUENCIE
A SUA FORMA DE PENSAR O DIGITAL
E O PAPEL DO ESTADO?
Há ainda poucas obras de fundo
sobre este tema. Mas existem
muitos artigos. Há um autor
que sigo e de quem leio todas as
publicações: o Philipp Hacker.
É extraordinário, não só pelo
conhecimento que tem, mas pela
forma como alia os conhecimentos
tecnológicos que tem adquirido
com as publicações científicas.
Como estamos numa fase
de construção da regulação,
em que a apetência por conteúdos
científicos é muito grande, se
calhar as pessoas estão a sacrificar
pensamentos mais profundos. Mas
é preciso ir mais além, reagindo
àquilo que é a evolução. A verdade
é que todos os dias quando acordo
fico preocupada porque já devia
ter lido o artigo A, o artigo B
ou o artigo C. Porque a evolução
é tão rápida. Hoje em dia, é muito
difícil investigar estes temas,
especialmente a IA.
SE NÃO ESTIVESSE NO DIREITO E NA
REGULAÇÃO, O QUE GOSTARIA DE
ESTAR A FAZER? VOLTAVA À DANÇA?
Não, não me vejo a fazê-lo. A
dança ficou para trás... [riso].
E O JORNALISMO?
A decisão de deixar a SIC
permitiu-me dar dois passos
muito importantes na minha
vida. Primeiro, no plano
profissional, permitiu-me abraçar
exclusivamente o Direito. Segundo,
tenho duas crianças maravilhosas
– o mais velho tem 12 anos e o mais
novo tem oito anos – que vieram
dar sentido à minha vida pessoal.
Foi muito importante por esse
duplo aspeto.
CONCILIAR A SUA VIDA
PROFISSIONAL COM O PAPEL DE MÃE
SEGURAMENTE NÃO SERÁ FÁCIL...
Tenho um marido que me ajuda
imenso. Para além de partilhar
comigo o gosto por todos esses
temas, de aprender imenso com
ele, de me inspirar imenso
e puxar por mim, ajuda imenso
nas questões práticas do dia a dia.
É fundamental na minha vida.
DISSE RECENTEMENTE QUE
“O DIGITAL VIVE UM PONTO DE
VIRAGEM”. ESTAMOS A ENTRAR
NUMA ERA NOVA DE GOVERNAÇÃO
DO DIGITAL, DA IA E DOS DIREITOS
FUNDAMENTAIS?
Na última década e meia, a União
Europeia produziu uma “overdose
normativa”. São regulamentos
sobre áreas constitucionalmente
sensíveis, ou seja, sobre o núcleo
duro das nossas Constituições.
A UE está a regular diretamente
sobre matérias que cabiam
ao legislador e, de alguma forma,
isso acaba por produzir défice
democrático, porque o legislador
nacional é completamente afastado
no que toca à regulação dos direitos
fundamentais. Por outro lado,
a partir do momento em que existe
uma regra europeia, o Tribunal
de Justiça considera que a
jurisdição passa para si. O que,
para além de esvaziar o papel
do legislador, de alguma forma
condiciona a atuação dos tribunais
nacionais.
E DA PRÓPRIA REGULAÇÃO…
Sim, condiciona a regulação.
Neste aspeto, o regulador tem
de se preocupar não apenas com
a efetividade do direito à UE,
mas também com os seus vínculos
constitucionais. A UE não tem
uma Constituição nem há uma
Federação. Portanto, temos de
continuar a prezar e a preservar
os elementos democráticos na
construção das normas vigentes
no espaço europeu. Do ponto
de vista constitucional, a questão
é que os cidadãos comuns não têm
acesso direto ao Tribunal de Justiça
da UE, o que coloca problemas
de tutela jurisdicional efetiva.
Por outro lado, a Inteligência
Artificial vem revolucionar
completamente o Direito
Constitucional e os direitos
fundamentais. A regulação
digital – quando falo no DSA,
no Regulamento de Liberdade
de Meios de Comunicação Social
ou no RGPD – já tinha introduzido
elementos muito relevantes
de alterações disruptivas da
ordem jurídica. Mas, na minha
perspetiva, a IA veio causar uma
revolução constitucional. A IA é
extraordinária, tem um potencial
brutal para nos ajudar tanto...
MAS TAMBÉM TEM OUTRO
LADO, MENOS POSITIVO. AINDA
RECENTEMENTE SURGIU UM NOVO
MANIFESTO A ALERTAR PARA OS
PERIGOS DA SUPERINTELIGÊNCIA
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 19
À CONVERSA
Os principais
problemas na
utilização de IA são,
primeiro, a falta de
uma regulação clara,
e, em segundo, a falta
de confiança e algum
ceticismo quanto à IA
em termos de uso de IA, os Estados
estão muito aquém do potencial.
E porquê? Os principais problemas
na utilização de IA são, primeiro,
a falta de uma regulação clara,
e, em segundo, a falta de confiança
e algum ceticismo quanto à IA.
Ou seja, a confiança é fundamental
para que possa evoluir na nossa
vida.
E NO SEU IMPACTO NA HUMANIDADE.
E HÁ PAÍSES, COMO OS ESTADOS
UNIDOS E A CHINA, ONDE A IA ESTÁ
A DISPARAR SEM CONTROLO….
A questão é exatamente essa.
Obviamente que é necessária
inovação tecnológica e é preciso
que as empresas invistam, estudem
e inovem. Mas temos sempre
de manter o controlo sobre essa
evolução. Isso é muito importante.
O CAMINHO TEM DE PASSAR POR
UMA DECISÃO INTERNACIONAL?
Obviamente. Toda a gente diz que
o RIA é uma regulação excessiva.
Mas isso não é verdade. Com
exceção da justiça e dos dados
biométricos, o RIA não exige,
por exemplo, nenhuma decisão
humana, pois isso tem de ser o
papel do legislador. Cada legislador,
nas leis de implementação, vai
ter de tomar uma decisão sobre
o nível de autonomia da IA que vai
permitir na sua ordem jurídica.
Quanto maior o grau de autonomia
do sistema e do modelo de IA,
maior terá de ser a possibilidade
de controlo, escrutínio e
explicabilidade. Há uma linha
a partir da qual a IA colide com
o Estado de Direito Democrático
e com os direitos fundamentais.
E essa linha é precisamente
aquela em que pomos a IA a tomar
decisões por nós e, de repente,
deixamos de as compreender.
DEFENDE MUITO O DIREITO À
EXPLICABILIDADE COMO UM PILAR
DE CONFIANÇA NO NOSSO SISTEMA…
Até do ponto de vista das empresas
e da inovação tecnológica, a confiança
é fundamental. Porque se as pessoas
deixarem de confiar na IA, vão
deixar de recorrer a ela e não é o
que se pretende. Por isso, é preciso
estabelecer níveis de confiança
básicos. Aliás, a OCDE publicou
um relatório muito interessante,
em que diz precisamente que,
COMO É QUE SE GARANTE
QUE OS SISTEMAS DE IA SÃO
VERDADEIRAMENTE EXPLICÁVEIS?
Não é fácil, porque isto
implica, primeiro, explicar
como. Têm de existir orientações
técnicas concretas sobre como
é concretizado e implementado
este direito à explicabilidade e o
princípio da transparência. Por
exemplo, candidatamo-nos a um
benefício social e somos excluídos,
mas temos a certeza de que somos
elegíveis. Nós queremos que nos
expliquem porque é que fomos
excluídos, não é? Se é o algoritmo
que toma a decisão e se esta tem
impacto na minha esfera jurídica,
então alguém tem de me explicar
porque é que o algoritmo violou a
lei. Ou seja, têm de existir critérios
objetivos aplicáveis a todos.
SE NO PLANO EUROPEU VIVEMOS
UMA "OVERDOSE REGULATÓRIA",
VEMOS OUTRAS REGIÕES, COMO
OS ESTADOS UNIDOS OU A CHINA,
A DAR PRIORIDADE À INOVAÇÃO.
COMO SE EVITA QUE A BOA
INTENÇÃO REGULATÓRIA SE
TRANSFORME NUM OBSTÁCULO
À INOVAÇÃO?
É muito importante a
simplificação regulatória
– a UE está a tomar iniciativas
nessa matéria – e haver orientações
20 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 21
À CONVERSA
A UE está num
processo de
simplificação
regulatória, o que
é excelente, mas
também é necessário
não perder de vista
que esta regulação
deve ser na medida
adequada
sobre como aplicar todos os
regulamentos de forma conjugada
e coerente. Quando se fala
num regulador único, isso tem
uma enorme vantagem. Se tenho
sistemas de moderação
de conteúdos nas plataformas
que são algoritmos, que têm
impacto na proteção de dados,
tenho de aplicar simultaneamente
o regulamento dos serviços
igitais, o RIA e o RGPD. É preciso
conjugar. Ou seja, perante um caso
concreto, tenho de descodificar,
na interseção destes regulamentos,
como fazer essa aplicação.
É preciso que as pessoas se sentem
e escrevam guidelines sobre
como aplicar estes regulamentos.
E SERÁ QUE O VÃO FAZER?
Ainda em setembro, o Supremo
Tribunal espanhol tomou uma
decisão histórica. Em 2018,
a atribuição da tarifa social elétrica
foi feita por um algoritmo e houve
pessoas que foram excluídas sendo
elegíveis. Uma fundação impugnou
essa atribuição e iniciou-se
uma batalha judicial. A fundação
queria acesso ao algoritmo para
verificar os erros. De 2018 a 2025,
o Estado espanhol invocou
o segredo de Estado e a proteção
de dados para recusar o acesso
ao algoritmo. A última decisão
do Supremo Tribunal espanhol
foi obrigar o Estado a facultar
o acesso ao algoritmo. É uma
decisão histórica, com base
na designada necessidade
de explicabilidade. E recentemente
o Tribunal de Justiça da UE
– agora no plano das decisões
automatizadas do artigo 22.º
do RGPD – determinou que tem
de haver fundamentação
dos atos impostos a alguém
e que afetam a sua esfera jurídica.
Mas não é uma explicação
qualquer: o destinatário do ato
tem de a conseguir compreender.
E abordou ainda outra questão
relacionada com segredos
comerciais: nesses casos,
o emitente do ato tem a obrigação
de se deslocar a uma autoridade
de controlo que vai determinar
se existem ou não segredos
comerciais. Esta decisão vai ser
muito importante para a questão da
transparência e da explicabilidade.
Agora, a UE Europeia vai
produzir guidelines sobre essa
explicabilidade. Mas isto está
tudo a começar.
FALA FREQUENTEMENTE DA
NECESSIDADE DE UMA REVISÃO
CONSTITUCIONAL DIGITAL.
QUE NOVOS DIREITOS DEVEM
SER CONSAGRADOS NA
CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA?
O direito à explicabilidade.
Mas não em abstrato, refiro-me
ao direito à explicabilidade,
nos casos em que há um ato
que lesa Direitos, Liberdades
e Garantias. Ou seja, que tenha
impacto na esfera jurídica das
pessoas. Se uma decisão tomada
por algoritmo tem impacto
na minha esfera jurídica,
excluindo-me de um benefício
social ou de um subsídio, existe
o direito à explicabilidade.
Defendo também o direito à
supervisão humana. Há um direito
muito interessante criado pela lei
alemã onde, nos casos em que
há um ato administrativo baseado
num algoritmo, uma vez notificado,
o destinatário tem 30 dias para
exigir a revisão humana dessa
decisão. Acho que se deve pensar
nisso. Consoante o nível
de autonomia, será exigível
uma supervisão que permita
um controlo e um escrutínio
de todo o processo. Tem de ficar
documentado o momento,
a forma e a medida em que houve
a intervenção da IA.
MAS A SUA APLICAÇÃO NA PRÁTICA
VAI SER COMPLEXA...
A regulação da IA está a ser
construída e temos até ao próximo
ano para que esteja em vigor e para
que as autoridades de fiscalização
do mercado estejam plenamente
em exercício. Mas não é só designar
a autoridade, o Estado tem de
informar a Comissão Europeia
sobre os meios financeiros e
humanos de que dispõe. E não
basta o Estado informar, o próprio
RIA define graus de suficiência.
O GOVERNO ANUNCIOU QUE VAI
DESIGNAR A ANACOM COMO
ENTIDADE RESPONSÁVEL PELA
REGULAÇÃO DA IA. JÁ TÊM
GUIDELINES?
Foi anunciado, mas ainda não
há nem a designação da ANACOM,
nem guidelines. Supõe-se que a
designação formal seja no próximo
ano. A União Europeia neste
momento está num processo
de simplificação regulatória, o
que é excelente, mas também é
necessário não perder de vista que
esta regulação deve ser na medida
adequada. Era muito importante
– porque já existem algumas
guidelines de aspetos fundamentais
do RIA – que as empresas se
preparassem para a entrada
em vigor daqui a um ano dessas
obrigações. E era importante que
a construção desta regulação
seja feita através de sandboxes
regulatórias para que, em caso
de alguma dúvida, as empresas
possam chegar junto da autoridade
de controlo e fazerem testes.
ANTECIPA UMA GRANDE MUDANÇA
NA ATUAÇÃO DA ANACOM COM
ESTAS NOVAS RESPONSABILIDADES?
Imensa, pois implica uma
grande alteração. Essa mudança
já começou com a designação da
ANACOM como coordenadora dos
serviços digitais, mas passará agora
a ter também a componente da IA.
Até agora, era um regulador que
se preocupava com os direitos dos
consumidores, mas era sobretudo
um regulador económico. Agora,
passa a ser um regulador dos
direitos fundamentais.
22 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
alguns conceitos que não têm a
ver com o Direito. Assim como
os engenheiros, os cientistas de
dados, os economistas e outros
também terão de “sair dos seus
pedestais” e perceber que, às
vezes, o Direito ajuda a arrumar
as coisas. Esta simbiose é que
permite que consigamos enfrentar
a questão da regulação da IA.
A multidisciplinaridade é uma
questão fundamental.
Do ponto de vista do mercado, é muito
importante a simplificação regulatória
e a existência de “um só um interruptor”.
E, do ponto de vista da regulação, é fundamental
A PRESIDENTE DA ANACOM,
SANDRA MAXIMIANO, REFERIU
AINDA RECENTEMENTE QUE
É PRECISO “TRAZER PESSOAS DE
TECNOLOGIA” PARA O REGULADOR.
COMO SE CONSTRÓI, EM TERMOS
PRÁTICOS, UMA AUTORIDADE
CAPAZ DE SUPERVISIONAR IA,
CIÊNCIA DE DADOS E ÉTICA DIGITAL?
Constrói-se conhecendo
regulamentos. Neste caso,
conhecendo o RIA em
profundidade, percebendo o que
se pretende. Depois, construir
procedimentos e métodos de
abordagem dos problemas, a
previsão dos problemas e emitir
guidelines internos e externos.
A multidisciplinaridade é
fundamental, porque o jurista
sozinho não vai conseguir
regular a IA. É preciso todo um
conhecimento técnico, porque
esta é uma das questões em que
é fundamental que o jurista “saia
do seu pedestal” e tente aprender
QUAL É A SUA OPINIÃO SOBRE O
ANÚNCIO – MAIS UMA DECLARAÇÃO
DE INTENÇÕES – DO MINISTRO DAS
INFRAESTRUTURAS EM RELAÇÃO À
CRIAÇÃO DE UM REGULADOR ÚNICO?
Do ponto de vista do mercado, é
muito importante a simplificação
regulatória e a existência de
“um só um interruptor”. E, do
ponto de vista da regulação, é
fundamental. Porque a aplicação
dos regulamentos tem de
ser conjugada, para que seja
coerente. Sob pena de termos
sobreposições de competências,
conflitos negativos e positivos de
competências e, de alguma forma,
uma regulação que acaba por ser
lesiva dos direitos fundamentais.
Esta aplicação transversal é
extremamente importante. Desde
a minha tese de doutoramento,
em 2016, que defendo não o
regulador único – porque na altura
a questão nem se colocava – mas
uma regulação integrada. Na
altura, defendi o “regulador dos
três C”: Comunicações, Conteúdos
e Concorrência, por ser uma
forma de evitar sobreposições de
competências. Mas também tenho
consciência que, do ponto de vista
da tradição constitucional nacional,
existem certos reguladores que
têm uma posição “especial”. Essa é,
obviamente, uma decisão política.
RELATIVAMENTE À UTILIZAÇÃO
DA IA DENTRO DA VOSSA
ORGANIZAÇÃO, JÁ A ESTÃO A
USAR, NOMEADAMENTE PARA TER
UMA REGULAÇÃO MAIS EFICIENTE,
POR EXEMPLO, NA ANÁLISE DE
RECLAMAÇÕES OU NA DETEÇÃO
DE PADRÕES DE INCUMPRIMENTO
DO MERCADO?
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 23
À CONVERSA
É preciso ter muito cuidado
e consciência dos limites da
utilização da IA na análise de
reclamações. Quando estão em
causa Direitos, Liberdades e
Garantias, essas reclamações
não podem ser analisadas por IA.
Agora, relativamente à utilização
da IA na instituição, neste momento
a minha principal preocupação
é que seja feita uma avaliação de
impacto, porque o regulador tem
de dar o exemplo. Aliás, o RIA
exige, sobretudo nos casos em
que são sistemas de risco elevado,
que as entidades públicas façam
avaliações de impacto de Direitos
Fundamentais. Essa tem sido
a minha preocupação.
PORTUGAL PODE ASSUMIR UM PAPEL
DE RELEVO NESTE NOVO MAPA
DA REGULAÇÃO E DA INOVAÇÃO
DIGITAL, NOMEADAMENTE COMO UM
LABORATÓRIO EUROPEU DE BOAS
PRÁTICAS? OU VAMOS SER APENAS
UM SEGUIDOR?
Espero que não sejamos apenas
um seguidor. Sou das pessoas que
defendem que, em última instância,
as Constituições são o refúgio. É na
Constituição que vamos encontrar,
provavelmente, a resposta para
muitas questões. E a verdade
é que compete ao regulador não
apenas aplicar e seguir o princípio
da efetividade do direito à União
Europeia, mas também lhe
compete cumprir a Constituição
e as leis nacionais aplicáveis.
Portanto, esta perspetiva de que
os reguladores nacionais se limitam
a seguir o que a Comissão Europeia
emite não faz sentido para mim.
Obviamente que, quando olho para
uma regulação, sei que tem aspetos
vinculativos e outros meramente
indicativos. Os vinculativos têm
de ser cumpridos, mas no plano
da regulação digital há um mundo
inteiro para construir fora deles.
Há muito que se pode fazer e os
reguladores podem – e têm esse
papel – adaptar as orientações
e guidelines ao que é a realidade
portuguesa. Por outro lado, o papel
de Portugal no contexto dos países
da expressão portuguesa pode ser
muito importante. Pode ser uma
Compete ao regulador
não apenas aplicar
e seguir o princípio
da efetividade do
direito à UE, mas
também cumprir a
Constituição e as leis
nacionais aplicáveis
plataforma de conhecimento
e de acesso a conhecimento
e a determinadas competências.
Os países da expressão portuguesa
podem aprender muito connosco
e temos a obrigação e o dever
de lhes ensinar.
COMO CIDADÃ, PROFESSORA,
JURISTA E REGULADORA, O QUE
A ENTUSIASMA MAIS E O QUE
A PREOCUPA MAIS NESTE SALTO
TECNOLÓGICO QUE ESTAMOS
A VIVER?
Preocupa-me não estar a par
de todos os desenvolvimentos
científicos no plano da IA.
Preocupa-me a dificuldade
em acompanhar a evolução
tecnológica. Preocupa-me
conseguir estar sempre o mais
possível informada e em estudar
toda a regulação da IA. E,
sobretudo, preocupa-me a forma
como construir esta regulação
digital, incluindo os outros
regulamentos, e de que forma é que
os posso aplicar para garantir que
essa regulação não põe em causa
a sua própria finalidade, seja a
inovação tecnológica ou a garantia
de direitos fundamentais. Já como
constitucionalista e professora
de Direito Constitucional e de
Justiça Constitucional, bem como
especialista em Direito Público,
preocupa-me que o nosso Direito
Público não tenha, neste momento,
os meios processuais adequados
para que um cidadão comum possa
obter a reparação do seu direito.
E preocupa-me, sobretudo, que
a questão da defesa dos direitos
fundamentais possa vir a ser
excessivamente desvalorizada.
É muito importante encontrarmos
uma medida adequada da
regulação, que não ponha em
causa a inovação. Isto, para mim,
é fundamental. Para isso, temos
de conhecer o regulamento,
distinguir o que é permitido e
o que é proibido, o que é muito
importante que o mercado saiba.
E que o regulador distinga com
clareza o legalmente exigível,
o eticamente desejável e o
tecnicamente exequível. Daí a
importância da densificação
da explicabilidade.
FALOU SOBRE AS PREOCUPAÇÕES,
MAS O QUE É QUE A ENTUSIASMA?
O que me entusiasma é poder
participar nesta construção,
porque sou uma pessoa prática,
que gosta de fazer coisas. Gosto
e quero fazer coisas e é o que
tenho feito toda a minha vida.
Portanto, ter a oportunidade
e o privilégio, por um lado como
constitucionalista, por outro
lado como reguladora, de poder
contribuir para esta regulação
é fundamental e é o que me
entusiasma e move.
SE PUDESSE DEIXAR UMA
MENSAGEM ÀS NOVAS GERAÇÕES
DE JURISTAS E TECNÓLOGOS
QUE VÃO HERDAR ESTA
RESPONSABILIDADE DE REGULAR
O DIGITAL, QUAL SERIA?
A ideia que já disse há pouco:
de que há um ponto, uma linha
vermelha, a partir da qual a IA
entra em colisão com o Estado
de Direito e nós passamos de uma
rule of law para uma rule
of algorithm. Esse ponto é o
momento em que dizemos à IA
para tomar decisões por nós e
deixamos de compreender essas
decisões. Quanto maior o grau
de autonomia, maior tem de ser
a sensibilidade de controlo e de
escrutínio. E não pode haver
nenhum operador, seja público
ou privado, que atue e tome
decisões que têm impacto na
esfera jurídica das pessoas, ou
noutros bens constitucionalmente
protegidos, sem uma base legal
clara de atuação e sem que estejam
previstos mecanismos de auditoria
e de responsabilização.
24 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC
nos.pt
| 25
EM DESTAQUE
34º DIGITAL BUSINESS CONGRESS
NEGÓCIOS
& CIÊNCIA
DO PROPÓSITO À AÇÃO
Portugal tem uma oportunidade única para se afirmar na nova era
digital. Mas só se tiver ambição e souber conjugar visão estratégica
com coragem, ciência, inovação, talento e colaboração em ecossistema.
Na Europa, o caminho terá de ser similar. É que nada é inevitável:
o futuro é uma construção coletiva e depende de todos.
TEXTO | ISABEL TRAVESSA
FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW
26 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 27
EM DESTAQUE
Apremissa de partida
foi a aproximação
dos negócios à
ciência, numa
colaboração que
se assume como absolutamente
crítica no momento atual. Num
tempo em que o mundo vive um
turbilhão de mudanças, aceleradas
pela tecnologia e pela incerteza
geopolítica, o Congresso da APDC
foi o palco para uma reflexão crítica
de análise ao presente e ao futuro,
no país e na Europa. Estes dois
dias de debates intensos deixaram
claro que a ciência, a tecnologia e
a inovação são as armas decisivas
para a competitividade. E que
Portugal tem todas as condições
para não ficar para trás. Tal como
a Europa, que se pode tornar num
grande player global – desde que
alinhe ambição, regulação e ação.
Líderes de pensamento,
inovadores e decisores reuniram-se
neste grande encontro do digital –
que voltou a realizar-se em formato
híbrido, de programa de televisão,
a partir da Culturgest, em Lisboa,
para o mundo – para um diálogo
crucial sobre o futuro da ciência
e da tecnologia e o seu impacto na
sociedade e na economia. Os debates
aprofundaram os mais variados
temas, desde a simbiose entre
ciência e negócio até aos desafios
da soberania tecnológica, europeia
e nacional, e ao papel transformador
e disruptivo da inteligência artificial,
entre muitos outros temas.
“Há que fazer o caminho e somos
SESSÃO 1
Os presidentes da APDC
e do 34º Digital Business Congress
abriram este grande evento
nacional com um alerta de
preocupação, mas também
uma mensagem de esperança
em relação ao engenho e inovação
nacionais.
nós que o fazemos; cidadãos,
empresas e organizações e
Administração Pública”, começou
por destacar o Presidente da APDC,
Rogério Carapuça, na abertura
do 34º Digital Business Congress,
considerando que vivemos no país
28 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
SESSÃO 3
Business & Science Working
Together in Life Sciences: o presidente
da Fundação Bial deu o mote
a um painel de discussão entre
Miguel Duarte (GIMM) e Rui Diniz (CUF),
onde ficou claro que o setor está
a avançar, mas há prioridades
a endereçar. E depressa.
SESSÃO 2
Erica Orange, futurista e autora
do AI + The New Human Frontier,
inspirou a plateia com a sua keynote.
Não tem dúvidas de que o futuro
será de colaboração entre
as máquinas e os humanos e que
ficaremos mais generalistas
e inteligentes.
um dilema: termos “pessoas muito
boas e em grande quantidade, mas
uma economia muito pequena,
frágil de baixo valor acrescentado
e com poucos desafios”. E para
‘fazer’, nada como “mostrar
ideias, soluções e experiências
daqueles que já fizeram. Porque
a forma de aprendermos é vermos
com quem já fez o caminho”.
É esse exatamente o objetivo
do Congresso.
Mas será que poderemos criar
um futuro onde realmente vale
a pena viver? Maria Manuel Mota,
que presidiu ao 34º Digital Business
Congress, não tem quaisquer
dúvidas de que sim. É que, para
a cientista e investigadora,
“inovação não é magia, não é sorte,
nem é sequer moda. É o resultado
de anos a pensar, a testar, a falhar,
a aprender. É como se fosse uma
filha da ciência e é, sem dúvida, o
motor dos negócios. Quando estas
duas forças caminham juntas,
com respeito entre os dois mundos,
com visão e com propósito, todos
avançamos”. Há, pois que “criar
pontes, empresas resilientes
e sustentáveis e crescer com base
no conhecimento”.
No entanto, há um crescente gap
entre a velocidade da mudança
tecnológica e a capacidade humana
de adaptação e ajustamento. Como
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 29
EM DESTAQUE
SESSÃO 5
Depois do ponto de situação
e das perspetivas apontadas
por Telmo Gonçalves (ERC), o
debate do Estado da Nação
dos Media reuniu os líderes
dos quatro maiores grupos
nacionais. Francisco Pedro
Balsemão (Impresa), Luís Santana
(Medialivre), Nicolau Santos (RTP)
e Pedro Morais Leitão (Media
Capital) falam em contínuo
reajustamento ao mercado.
SESSÃO 4
Pedro Faustino (Axians) foi o primeiro
a fazer uma intervenção no âmbito
de um novo formato criado este ano
no Congresso. Neste 7 Minutes
to Wow, enfatizou a emergência
de a Europa passar da dependência
para o empoderamento.
o resolver? A futurista e autora do
AI + The New Human Frontier, Erica
Orange, não tem dúvidas
de que será através de tecnologias
disruptivas como a inteligência
artificial (IA). “A mudança não
é o inimigo, mas sim um ataque às
nossas certezas, à nossa relutância
em abraçar a ambiguidade do
futuro, à paralisia do conforto”,
considera, deixando claro que
todos ficaremos mais inteligentes
com a IA, que não substituirá as
pessoas, mas irá sim colaborar
com elas e substituí-las nos
trabalhos chatos e repetitivos.
Por isso, vê um futuro que será
cheio de possibilidades, com esta
SESSÃO 6
Na sessão Business
& Science Working
Together in Energy,
João Peças Lopes
(INESC TEC)
destacou
a importância
da tecnologia na
descarbonização.
Tal como Ana
Casaca (Galp) e
Sofia Simões (LNEG).
30 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
SESSÃO 7
Em 7 Minutes to Wow, Luís Vaz de
Carvalho (NTT DATA) abordou o
tema do impacto dos dados no setor
energético.
SESSÃO 8
A tecnologia está a chegar
em força ao setor português
da Defesa, como destacou
na sua keynote José Neves
(AED Cluster Portugal).
No debate sobre Business
& Science Working Together
in Defense, Pedro Petiz (Tekever)
e Miguel Correia Pinto
(idD Portugal Defense)
mostraram como.
SESSÃO 9
Mais um 7 Minutes to Wow, onde
Ricardo Lousada (DXC Technology)
deixou claro que o próximo capítulo
da inovação será colaborativo,
entre os humanos e as máquinas.
conspiração”. E deixou a mensagem:
“Se planearmos agora, podemos
garantir o futuro. Nada é inevitável”.
colaboração inteligente entre
a máquina e a mente humana. Uma
“espécie de ‘Batman e Robin', sendo
os humanos o Batman,
quem trabalha com as capacidades
dos super-heróis, e a IA o Robin,
um parceiro confiável, que ajuda
e tem recursos”.
As tecnologias emergentes
– da IA à computação quântica,
das redes 5G/6G à cloud soberana
– dominaram os debates, com
destaque para os seus impactos na
economia, na segurança,
no mercado de trabalho e na
soberania digital. E se o potencial
é imenso, os riscos também.
Como alertou Anne Applebaum,
conhecida jornalista e historiadora
norte-americana: “as tecnologias
estão a ser usadas para dividir
as populações e minar as
democracias. Precisamos de
soluções que construam consensos
e não que alimentem teorias da
UE: DO RISCO DA IRRELEVÂNCIA
À LIDERANÇA
Não restam dúvidas de que
a Europa está num momento
de viragem e redefinição.
A transformação digital
e verde, o reposicionamento
das cadeias de valor e o avanço
de tecnologias como a IA, o 5G
e o 6G, a computação quântica
ou os sistemas autónomos estão
a reconfigurar o mapa do poder
global. E a União Europeia (UE)
parte de uma posição vulnerável:
depende de terceiros nas áreas
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 31
EM DESTAQUE
críticas tecnológicas, como
a cloud, os semicondutores ou
a cibersegurança. Mas também
tem ativos únicos: é o maior mercado
único do mundo, tem talento, tem
universidades de excelência e um
modelo de regulação centrado nos
valores democráticos.
Para Anne Applebaum: “temos
sempre boas razões para ter
esperança. O pessimismo é
irresponsável. Se começarmos
a planear agora, podemos ter
um futuro diferente. É tudo uma
questão de analisar e encontrar
alternativas”. Na Europa, defende
que este é o momento de decidir
que tipo de futuro económico e
político se pretende: “perante o
atual cenário geopolítico, a Europa
tem uma enorme oportunidade
em muitos campos. Certamente é
uma oportunidade em tecnologia,
já que se percebeu que aceitar
passivamente a liderança
tecnológica americana é perigoso”.
Assim, defende que “os europeus
precisam investir na sua própria
tecnologia de segurança e de
comunicações, de terem as suas
fontes de pequena e a sua própria
ciência. Perceber isso neste
momento é muito saudável”.
Mas será que a Europa continua
a ‘assistir de bancada’ à corrida
da inovação, especialmente na IA?
A questão foi colocada por
Alessandro Gropelli, diretorgeral
da Connect Europe, que
apela a um maior investimento
em conetividade, assim como
SESSÃO 11
A IA já chegou ao mercado
da contratação de talento. Mas até
que ponto se está a beneficiar
da tecnologia? Maya Huber (TaTiO)
e Miguel Luís (The Key Talent)
traçaram caminhos.
uma redefinição da regulação
das telecomunicações que “ajude
a impulsionar o investimento”.
E avisa: “a UE precisa de
desregulamentar e de crescer,
de ganhar escala. Caso contrário,
outros o farão”.
Os debates no Congresso
deixaram claro que há potencial
para que a União Europeia se torne
SESSÃO 10
Com a tecnologia a
massificar-se, que futuro
para a Educação? Paulo
Dimas (Unbabel) deu o
mote ao debate entre
Luísa Ribeiro Lopes (.PT),
Maria João Horta (DGE)
e Miguel Herdade (The
Access Project). Um dos
desafios é desenvolver
pensamento crítico nos
alunos.
32 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
SESSÃO 12
Na sua primeira intervenção como
secretário de Estado da Digitalização,
Bernardo Correia encerrou o primeiro
dia do Congresso com o anúncio das
grandes apostas que estão
a ser preparadas.
SESSÃO 13
A Europa está uma encruzilhada
e vai ter de garantir a sua soberania
tecnológica para poder liderar a nova
era. Alessandro Gropelli (Connect
Europe) garante que tudo passa pela
conetividade e que é urgente tomar
medidas, desregular e consolidar.
num grande player no novo mundo
digital. Mas que isso exigirá
visão, consensos e decisões.
Além de uma regulação mais ágil
e favorável à inovação, assim como
um compromisso renovado com o
investimento em I&D, a promoção
de ecossistemas de colaboração
entre ciência e empresas e a
capacidade de atrair e reter talento.
A superação da “armadilha
da tecnologia intermédia”
e a aposta em deep tech serão
cruciais para que o continente
europeu não apenas acompanhe,
mas lidere, a próxima vaga
de transformação tecnológica.
No caso da IA, Giorgia Abeltino,
da Google, diz que a adoção da IA
nas empresas e governos, assim
como as infraestruturas e as
competências, surgem como os
“grandes ingredientes para uma
boa receita”, que evitará o risco
da Europa – e Portugal – perderem
a grande oportunidade em torno
desta tecnologia.
PEQUENO, MAS COM GRANDE
POTENCIAL
No Congresso, também ficou
claro que Portugal tem condições
únicas para se posicionar na
linha da frente do mercado digital
europeu. A sua geografia atlântica,
as infraestruturas de conetividade,
o talento emergente, a qualidade
das redes e a abertura a parcerias
internacionais são trunfos que
importa potenciar. Mas os bloqueios
persistem: baixa escala empresarial,
falta de visão industrial, burocracia,
insuficiente investimento público e
SESSÃO 14
Depois de abordar os principais
pontos da ‘nova era da Inovação
com a IA’, e para preparar mais
profissionais, Giorgia Abeltino (Google)
anunciou uma nova edição da
formação do Impulso IA, em parceria
com a APDC.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 33
EM DESTAQUE
SESSÃO 15
Com a transição da conetividade
para a inteligência, que papel
poderão ter os operadores de
telecomunicações nesta nova era
da IA? Paulo Gomes Pereira (Huawei)
explicou como nos
7 Minutes to Wow.
SESSÃO 16
Sérgio Catalão (Nokia) avisa
nos 7 Minutes to Wow que as redes
terão de continuar a evoluir para
suportar uma nova realidade
assente na IA. Há que acelerar
rumo a um mundo hiperdigital.
SESSÃO 17
Poderá a Europa tornar-se
num grande player? Francisco Veloso
(INSEAD) e José Manuel Mendonça
(INESC TEC) estão moderadamente
otimistas. É que muito terá
de mudar, e de forma muito
significativa, para se alcançar
essa ambição.
privado em I&D. Além da ausência
de um compromisso nacional com
a inovação como motor económico
transversal.
A necessidade de criar um
ambiente regulatório mais
favorável às empresas foi outro
constrangimento identificado.
Os CEO dos três grandes operadores
de telecomunicações nacionais,
no debate sobre o ‘Estado da Nação
das Comunicações’, defenderam
ser absolutamente crítico para o
setor a existência de previsibilidade
regulatória, maior escala e um
novo equilíbrio entre concorrência
e sustentabilidade do negócio.
Com a definição de uma estratégia
digital e industrial para o país
e a aposta na qualidade, inovação
e criação e valor. Na sua perspetiva,
o que a realidade atual mostra
é que parecem só interessar os
preços baixos disponibilizados
ao mercado.
O avanço no sentido da
desburocratização do Estado
e da criação de um ambiente
regulatório mais favorável às
empresas foi destacada pelo
ministro das Infraestruturas
e Habitação como prioridades
do atual Executivo. Miguel Pinto
Luz defendeu ainda uma regulação
mais “amiga das empresas”,
mais integrada e menos
compartimentada em áreas
como a IA, os serviços digitais
e as telecomunicações.
Nesse sentido, o secretário
de Estado da Digitalização já tinha
anunciado no encerramento do
primeiro dia do Congresso que
o novo Executivo tem “a enorme
ambição de tentar fundir os
reguladores para o digital numa
única entidade”. “Todos queremos
que Portugal possa ser um país
mais atrativo para o investimento
estrangeiro. Para isso, é importante
que as empresas, o setor
34 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
SESSÃO 18
A UE27 necessita de, muito
rapidamente, inovar e investir
massivamente, para deixar
de depender de países terceiros.
Juan Olivera (Ericsson),
em 7 Minutes to Wow, deixou claro
que só há um caminho.
SESSÃO 19
Está a ser criado um novo mundo
no mercado de trabalho, tudo por
causa dos agentes autónomos,
que se multiplicam. Em 7 minutes
to Wow, Tiago Esteves (Salesforce)
explicou tudo.
tecnológico, o digital, consigam
ter um único interlocutor”,
contextualizou Bernardo Correia.
E esta é apenas uma das metas
do trabalho da equipa do novo
ministério da Reforma do Estado,
que se propõe a “construir um
Portugal onde a digitalização e a IA
estejam perfeitamente integrados
SESSÃO 20
Manuela Veloso (JP Morgan
Chase AI Research) garante
que as ferramentas de IA permitem
às instituições financeiras “sonhar
grande”. Pedro Bizarro (Feedzai)
e Isabel Guerreiro (Banco Santander)
debateram como o permitem
na sessão Business & Science Working
Together in Financial Services.
entre todos os setores do Estado
e da economia, impulsionando
a inovação, gerando emprego,
qualificado e melhorando a
qualidade de vida dos cidadãos.
Com o Estado a dar o exemplo”.
Para isso, Bernardo Correia diz que
se vai acelerar e refinar a Estratégia
Nacional para o Digital, anunciada
no final do ano passado, entre
outras medidas.
TECNOLOGIA COM SENTIDO
Há já um vasto conjunto de
setores onde as empresas estão
a trabalhar em colaboração
e parceria com a ciência ou
a reforçar estratégias nesse sentido,
para endereçarem alguns dos
desafios com que se debatem.
Na Saúde, Luís Portela, presidente
da Fundação Bial, apontou a
investigação clínica como um
‘calcanhar de Aquiles’ em Portugal,
apesar da boa produção científica.
E salientou a necessidade de
“criar mecanismos para atrair
os centros de decisão das grandes
farmacêuticas” e a falta de fundos
de investimento especializados
em fases precoces da investigação.
Na Energia, há que acelerar
na descarbonização da economia
e na crescente aposta nas
renováveis. João Peças Lopes,
do INESC TEC, enfatizou o papel
crucial das ferramentas digitais,
incluindo os digital twins e modelos
baseados em IA. A Defesa já está
a ser impactada pela tecnologia.
José Neves, presidente da AED
Cluster Portugal, fala mesmo numa
“revolução enorme” impulsionada
pela IA, pelas tecnologias quânticas
e novos materiais, que abrem
“novos mercados, produtos
e cadeias de fornecimento” para
a indústria nacional.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 35
EM DESTAQUE
SESSÃO 21
No debate Business & Science
Working Together in Telecoomunications,
Jorge Graça (NOS), José Pedro Nascimento
(MEO), Paulino Corrêa (Vodafone)
e Rodrigo Cordeiro (Capgemini
Engineering) confirmaram que os
operadores apostam forte nas parcerias
para ganhar capacidade e criar
mais valor.
SESSÃO 22
Que papel para as Fibercos
& Towercos na transformação digital?
João Osório Mora (Cellnex), Paolo
Favaro (Vantage Towers) e Pedro
Rocha (FastFiber) deixaram claro que
é essencial no fornecimento de redes
de alta qualidade às telcos.
Nos Serviços Financeiros, a IA
também já é amplamente utilizada,
com destaque para a generativa,
que traz um “potencial superior”,
com incrementos de eficiência
e eficácia dos players. Já na
Educação, o desafio é mesmo saber
como é que o setor se vai adaptar à
era da IA, não apenas integrando a
tecnologia no ensino, mas também
desenvolvendo o pensamento
crítico dos alunos e garantindo
que a IA seja uma ferramenta para
reduzir as desigualdades e não
para as acentuar. A colaboração
entre o setor público e privado,
o investimento na formação
de professores e a redefinição
das competências essenciais
para o futuro são considerados
fundamentais.
Destaque ainda para os media,
setor que enfrenta uma “crise
de identidade” e um modelo
de negócio em construção,
em consequência da crescente
desinformação, da concorrência
desproporcional das grandes
plataformas e de uma realidade
onde a IA impõe novas regras.
Mas há oportunidade, através
SESSÃO 23
Mas o que estará, realmente,
por detrás da nova ordem mundial?
A jornalista norte-americana
Anne Applebaum, numa sessão
moderada por Pedro Faustino (Axians),
deixou os participantes do Congresso
a refletir.
36 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
SESSÃO 24
O ministro das Infraestruturas
e Habitação, Miguel Pinto Luz,
garante que chegou a hora
de dar prioridade às empresas.
Nomeadamente através
de uma regulação diferente
e mais integrada.
SESSÃO 26
Rogério Carapuça encerrou
o Congresso com uma mensagem
clara. O país tem de abandonar
o “espírito low-cost” e garantir
a saúde e o negócio das empresas,
sob pena de os consumidores
acabarem sem serviços.
SESSÃO 25
No ‘Estado da Nação das
Comunicações’, a presidente
da ANACOM, Sandra Maximiano,
assegurou que a concorrência não
é inimiga da escala. Ana Figueiredo
(MEO), Luís Lopes (Vodafone) e Miguel
Almeida (NOS) voltaram a assegurar
que a consolidação é inevitável.
E que a regulação tem de ser
previsível.
O Congresso voltou a contar com
dois grandes nomes do jornalismo
da RTP como hosts. João Adelino
Faria e Carolina Freitas apresentaram
e moderaram este grande evento
híbrido, num modelo que aliou
dinamismo e interação.
de uma aposta numa constante
reinvenção e do estabelecimento
de parcerias, entre outros
caminhos.
Em síntese, se Portugal
– e a Europa – querem realmente
posicionar-se como protagonistas
no novo cenário global, têm
de apostar com determinação
na inovação, na colaboração
e na coragem de transformar.
A ciência e a tecnologia aplicadas
às empresas não são um luxo
futuro: são uma urgência do
presente. No fecho do Congresso,
Rogério Carapuça apelou a
uma mudança profunda de
mentalidade, criticando o “espírito
low-cost” que ainda limita o país
e a desvalorização do que é feito
internamente. Porque, como
sublinhou, “o que se faz por cá
é tão bom ou melhor do que o que
se faz lá fora”. Está nas nossas mãos
mudar a narrativa e construir
o futuro com ambição.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 37
EM DESTAQUE
Reveja
as intervenções
Opening Session
1 JULHO
ROGÉRIO CARAPUÇA
Presidente da APDC
“A associação virtuosa entre ciência e empresas
é fundamental para termos uma economia de alto valor
acrescentado. Porque ainda temos uma economia de
baixo valor acrescentado, pequena, aberta e frágil, o que
não é bom. Precisamos de ser capazes de gerar o maior
valor possível. Porque é que se diz então que as empresas
portuguesas – e há muito quem diga – têm lucros
grandes ou até excessivos, seja lá o que isso for?
Por uma razão simples: é que quando se é pobre -
já não se sabe o que é um número grande. E esse
é um problema fundamental da nossa economia”
“Fizemos um excelente trabalho na área da qualificação,
mas temos um dilema: pessoas muito boas e em grande
quantidade, mas uma economia muito pequena,
com poucos desafios. E, ao contrário do que pensamos,
os talentos não se retêm, eles atraem-se e conservam-
-se. Para isso, precisamos de instituições de referência:
grandes empresas, nacionais ou internacionais, que
tenham projetos inovadores, e organizações de ciência,
capazes de facultar trabalho de caráter inovador em
Portugal. É fundamental que as desenvolvamos e que
reconheçamos que, para fazer melhor, temos de ter
a maior colaboração possível entre todas as instituições,
seja através de consórcios, de projetos conjuntos
ou de zonas especiais de inovação e desenvolvimento”
“Há que que fazer o caminho e somos nós que o fazemos:
cidadãos, empresas e organizações e Administração
Pública. Enquanto Associação, a APDC está disposta
fazer o que for necessário. É preciso é pormo-nos a fazer
o caminho. Este Congresso serve para mostrar ideias,
soluções, experiências daqueles que já fizeram.
Porque é a forma de nós aprendermos com aqueles
que já fizeram o caminho”
38 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
Business &
Science Working
Together
1 JULHO
MARIA MANUEL MOTA
Presidente do 34º Congresso
“Precisamos desta conversa mais do que nunca.
O tema dos negócios e ciência a trabalharem
em conjunto não poderia ser mais atual e urgente.
A inovação é apresentada como um motor de
crescimento, a resposta para todos os nossos
problemas, o combustível do futuro. Tudo é muito
rápido, disruptivo, mas também escalável. Mas
vamos parar por um momento e acalmar um
pouco e fazer a pergunta certa: onde começaram
todas estas transformações? Para mim, a resposta
é muito simples, mas é quase sempre esquecida.
Tudo começa na ciência. E para ser totalmente
franca e mais direta, tudo começa na ciência
fundamental, que é invisível e leva anos ou décadas
a amadurecer. É ela que está na origem de todas
as inovações verdadeiramente transformadoras”
“Nas três últimas décadas, fizemos um caminho
notável na ciência. Formámos cientistas de nível
internacional, criámos centros de investigação com
produção científica de excelência e educámos uma
geração que pensa globalmente e trabalha com
sentido de missão. Mas há também uma verdade
muito difícil de ouvir e que tem de ser clara: ainda
não fomos capazes de criar um sistema em que a
descoberta científica se traduz consistentemente em
valor económico e impacto social. Ainda não temos
uma estrutura madura, por falta de financiamento,
por falta de diálogo entre setores e, sobretudo, pelo
fosso cultural entre quem faz ciência e quem faz
negócio”
“Temos as ferramentas para fazer esta
comunicação entre os mundos da ciência e
empresarial. Mas temos de criar pontes, empresas
resilientes e sustentáveis e crescer com base
no conhecimento. Temos de colocar a ciência,
sobretudo a fundamental, no centro das nossas
decisões. As empresas têm de fazer mais do
que comprar inovação, têm de cocriá-la. Como
sociedade, temos de dar à ciência o que ela precisa
para florescer: liberdade, tempo e confiança. Porque
as ideias verdadeiramente transformadoras não
surgem por encomenda. Temos de ter espaço
para pensar a longo prazo, para errar e descobrir.
O mundo está lá para ser descoberto”
KEYNOTE SPEAKER
ERICA ORANGE
Futurista, Partner at The Future Hunters e autora
do AI + The New Human Frontier
“A visão que temos quando pensamos no futuro tem
que ver com robôs e carros voadores... mas tenho de vos
dizer que não prevejo nada disso. O futuro tem que ver
com a perceção que temos da realidade. Não é linear,
mas ambíguo, abstrato e muito difícil de definir. E uma
das coisas que sabemos é que não vai ser apenas sobre
um futuro, mas sobre múltiplos futuros. Um termo que
criei para o descrever é a ‘templosion’, porque o que
acontecia em anos acontece agora em semanas ou dias”
“Existem maiores gaps entre a velocidade da mudança
tecnológica e a nossa capacidade de adaptação
e ajustamento. É nessa diferença que surge o medo
sobre para onde o futuro nos está a levar. Mas temos
de começar a pensar que temos a capacidade
de melhorar o nosso conhecimento, ainda que seja
cada vez mais difícil fazê-lo. Nunca poderemos prever
o futuro, mas podemos preparar-nos para ele.
A mudança não é o inimigo e podemos aumentar a nossa
inteligência e capacidade com estas novas ferramentas
revolucionárias. Não somos nós contra a tecnologia,
mas sim nós com a tecnologia”
“O futuro precisa de pessoas que vejam a ‘big picture’,
a partir de uma mistura de humanos com IA. Não precisa
de especialistas, mas de generalistas, que consigam ligar
tudo, que vejam padrões em padrões e que resolvam
problemas com soluções de domínios completamente
diferentes. O futuro não vai pertencer à IA e aos
humanos, mas a ambos, num processo de codescoberta
que permite que a IA se torne no próximo Magalhães.
E as possibilidades são inúmeras”
Reveja a intervenção
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 39
EM DESTAQUE
Business & Science
Working Together
in Life Sciences
DISCUSSION PANEL
1 JULHO
Reveja
as intervenções
KEYNOTE SPEAKER
LUÍS PORTELA
Presidente da Fundação Bial
“A saúde em Portugal faz-se bem, ainda que as pessoas não
o achem (…). Embora se diga que está menos bem – e é verdade
que há coisas que têm de ser melhoradas, como as listas de
espera para cirurgia ou para consulta de especialidades, um
problema de organização que tem de ser resolvido – o país está
classificado com o 21º melhor serviço de saúde a nível global.
Investindo apropriadamente, podemos servir bem os portugueses,
em termos de saúde, e também podemos contribuir para
o desenvolvimento económico do país”
“Temos uma boa produção científica, muito bons investigadores
que comparam bem com o que se faz na Europa e no Mundo. Mas
temos um ‘calcanhar de Aquiles’: a investigação clínica. Nos últimos
25 anos, os ensaios clínicos realizados em Portugal comparam
com o que de pior se faz na Europa. É preciso apostar nesta área.
Algo deve ser feito em relação a isto. Vemos muitas empresas
portuguesas que têm feito um esforço no sentido de investir em I&D,
mas também vemos que as empresas multinacionais praticamente
não investem em Portugal. É importante que olhemos para isto.
(…) A saúde tem condições para dar um bom contributo para o
desenvolvimento económico do país. Tem um grande potencial
de desenvolvimento e de internacionalização”
“Acho que nunca foi feita uma estratégia para o setor, como um
todo. Como é que se pode desenvolver? A economia deveria liderar
este processo, acompanhada, naturalmente, da saúde, da ciência
e dos negócios estrangeiros. A aposta na investigação clínica
deve ser nacional, se queremos ser competitivos nesta
área. (…) São necessários ainda incentivos para contratos
de desenvolvimento de projetos de institutos de I&D e
desenvolvimento e de startups e de atração do investimento.
Se um dia uma multinacional levar um projeto nacional para
o Mundo com grande sucesso, a dinâmica que a saúde vai
assumir em Portugal vai ser completamente outra”
MIGUEL DUARTE
Technology Transfer Area
Manager, GIMM
“Em Portugal é produzida
ciência de excelência,
mas não se traduz em produtos que cheguem
ao mercado. O que se deve a um problema
de investimento e de mecanismos de investimento
para que os resultados da investigação base
cheguem à investigação clínica. Ainda não existe
uma cultura de investimento que permita avanços
aqui e os que existem têm de ser liderados
por empresas, o que se traduz em menor número
de projetos que podem beneficiar desses apoios”
“Temos de criar mecanismos para atrair
os centros de decisão das grandes farmacêuticas.
Ter uma presença comercial quer dizer que não
estão cá os cientistas. Apesar do mundo digital,
estas relações privilegiam a proximidade física.
Além disso, existe uma falta de fundos
de investimento especializados que possam
ser alocados em fases precoces da investigação,
capazes de ver o valor do investimento nesta
fase inicial”
“No GIMM, já formalizámos mais de
400 colaborações com a indústria e temos
um modelo de inovação aberta. É algo
que procuramos ativamente. Assim como saber
como podemos responder às necessidades
da própria indústria. Para isso, vamos à procura
deles no estrangeiro. Sentimos a falta de players
ativos no país. Ainda estamos longe dos centros
de decisão. É algo que deveríamos tentar atrair
para Portugal”
40 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
7 MINUTES TO
WOW
RUI DINIZ
CEO da CUF
“Há bastante espaço
enquanto país para
melhorar a nossa performance nos ensaios
clínicos. A colaboração com a investigação clínica
constitui um contributo muito importante para
sermos melhores prestadores de cuidados de
saúde. Se formos colaborativos e contributivos
para esta investigação, podemos dar melhores
soluções aos doentes e somos mais atrativos
para contratar melhores médicos, que querem
estar na primeira linha da investigação”
“Temos feito um esforço bastante grande
e estivemos em mais de 100 ensaios clínicos
em mais de 100 medicamentos em Portugal.
E queremos melhorar. Estamos a fazer um
esforço muito sério para trabalhar nesta área,
associando-nos a outros centros nacionais
e internacionais. O nosso objetivo é termos cada
vez mais ensaios, o que é positivo para todos.
Se queremos que esta área progrida, temos
de lhe dedicar esforço e recursos”
“Precisamos de muita colaboração entre stakeholders,
para garantirmos a escala que o nosso país não
tem e conseguirmos competir com outros países.
Na CUF vemos muito espaço e valor acrescentado
para esta colaboração entre ciência e empresas,
não numa lógica de responsabilidade social
corporativa, mas como algo que é muito central
à nossa estratégia enquanto prestador de saúde.
É algo que nos cria muito valor no médio e longo
prazo e que é absolutamente decisivo”
The European
Challenge:
From Dependency
to Empowerment
1 JULHO
PEDRO FAUSTINO
Managing Director, Axians
“É preciso coragem para fazer perguntas e para arriscar.
Isto de estar na arena aplica-se às pessoas, organizações
e países. Será que este caos que vivemos é intencional?
E se é intencional, é provocado por quem? E quem perde
e quem ganha? Falta uma discussão sobre o papel
da Europa, e Portugal, na nova ordem mundial”
“A UE deveria estar a ser o porto de abrigo da ciência
e da inovação. Mas será que está? Ou está a assistir
de bancada, a comer pipocas? Na maior parte das vezes,
está. Será por estar a perder a corrida das patentes de IA?
Ou pelos poucos gastos na Defesa? Temos um mercado
de 450 milhões de pessoas: não devia haver razão para
a Europa estar a assistir de bancada”
“Será que as empresas também têm um papel nesta
arena? Continua a ser construída uma teia de interesses
que tem garantido uma autocracia. A tecnologia é uma
estrutura de poder que está a redefinir a forma como
o Mundo de organiza. E a verdade, neste contexto,
tornou-se uma coisa frágil, com narrativas alternativas.
Mas o que fazer com estas teorias da conspiração?
Como construir uma sociedade mais aberta, mais
informada e mais justa?”
Reveja a intervenção
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 41
EM DESTAQUE
The State of
The Nation of Media
DISCUSSION PANEL
1 JULHO
PEDRO MORAIS
LEITÃO
CEO, Media Capital
KEYNOTE SPEAKER
TELMO GONÇALVES
Vogal do Conselho Regulador da ERC
“Independentemente dos rumos incertos dos nossos dias,
o sistema mediático é chamado a desempenhar funções nucleares
para o equilíbrio das sociedades complexas em que vivemos. (…)
É o desempenho deste leque alargado de funções sociais que
justifica a existência das organizações mediáticas na nossa vida
coletiva e das quais não podemos prescindir. (…) Os media –
os órgãos de comunicação social – constituem uma ‘instituição
social’ que é essencial à preservação da sociedade”
“Perda de centralidade dos media; modelo de negócio
em construção; crise de identidade das profissões dos media
– em especial do jornalismo… Estas são as três dinâmicas erosivas
que são mais determinantes, com as quais todos os agentes
dos media – em primeiro lugar, os seus decisores máximos
– terão de saber lidar e gerir na conquista urgente de uma nova
sustentabilidade. Associadas a estas três dinâmicas mais perenes,
temos duas problemáticas emergentes, que não são propriamente
novas, mas vêm impondo as suas regras de forma cada vez mais
irredutível: a desinformação e a IA”
“Independentemente das suas múltiplas potencialidades
e utilizações no contexto da atividade dos média (da IA), há ainda
a considerar o impacto que poderá vir a ter com a substituição
da inteligência humana nos processos produtivos. Até que ponto
a produção noticiosa (e de outros conteúdos mediáticos) poderá
dispensar o fator humano é ainda uma grande incógnita
que vamos ter de descobrir e a grande velocidade”
“O presente dos media
é sólido e estável. Temos
a RTP bem financiada pelo
Estado, fazendo um esforço
sério de manter os custos sob controlo. Temos os
dois grupos privados maiores – Media Capital
e Impresa – numa luta intensa e muito competitiva,
numa guerra para oferecer o melhor conteúdo.
E temos o grupo Medialivre, impulsionado pelos
acionistas e em crescimento e com apostas seguras
em produtos novos. Olhando para estes quatro
grupos, temos um presente sólido e estável, com
garantias que os colaboradores dos vários grupos
estão em boas mãos”
“O futuro está ameaçado pelas muitas tendências
de mercado. Como a IA, que está a normalizar-se
nos grupos de comunicação social. A preocupação
aqui tem a ver mais com a publicidade digital,
onde sempre tivemos mais dificuldades em
concorrer. Esta guerra parece estar a travar-se
entre as gigantes mundiais da IA, o que cria uma
preocupação grande, pois é uma guerra que afeta
o mundo da comunicação social em termos globais,
com desrespeito total pelos direitos de autor.
Estamos a acompanhar o que os demais grupos
estão a fazer, mas o que pedimos à CE e ao Governo
é para estarem particularmente atentos, para evitar
o caminho das pedras que já seguimos com os
motores de busca”
“Estamos a jogar em todos os tabuleiros no
streaming. Fazemos parcerias, como a que temos
com a Amazon, que tem uma abordagem diferente
da Netflix, através da Prime Vídeo. A parceria
é difícil e complicada e a cada negociação temos
de pensar nos efeitos a longo prazo. Mas, em
paralelo, temos um modelo de plataforma de tv
a pedido, por assinatura, que tem funcionado.
Assim como a publicidade. Na combinação,
estamos a tentar aprender para antecipar e a reagir
no que vão ser as tendências para o futuro”
42 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
Reveja
as intervenções
FRANCISCO PEDRO
BALSEMÃO
CEO, Impresa
LUÍS SANTANA
CEO, Medialivre
“Temos de ter uma visão global
da indústria de media em Portugal.
E a maior dificuldade que temos
neste momento é conseguir ter as
receitas estabilizadas. Para além da
quebra das receitas de publicidade, há ainda uma quebra
significativa nas receitas de circulação. Mas não temos,
dentro da nossa estrutura e das nossas marcas, produtos
que não tenham margens de contribuição positivas. O que
obriga à gestão de custos e todos nós o estamos a fazer
de uma forma bastante significativa, porque é a única forma
de ter as empresas equilibradas”
“Temos resultados positivos desde sempre. E uma equipa
focada e com objetivos bem definidos. As dificuldades
existem, porque estamos perante quadros de assimetrias
ao nível da concorrência. Não conseguimos competir
com as novas plataformas internacionais e agora temos
novas ameaças, com a entrada dos chatboots de IA.
Mas acreditamos que a comunicação social tem futuro
e não estamos a evoluir para uma nova estrutura acionista
se não acreditássemos nisso”
“É sempre importante ter novos acionistas. Mas estamos
a utilizar capital próprio para gerir o negócio, atestando
a sua sustentabilidade. Mas não podemos parar e temos de
estar sempre numa perspetiva de acrescentar valor dentro
da organização, novos produtos e áreas de negócio. Sem nos
focarmos em demasia no streaming. Estamos configurados
como um grupo de informação e não de entretenimento”
“O broadcasting como um todo
está bem e as marcas, em geral,
são fortes. As pessoas têm
confiança no que fazemos.
Mas há uma tendência, para quem fala com os players
de fora, de dependência da publicidade da qual
ninguém se conseguiu libertar. Procuramos todos fazer
face à quebra registada no modelo tradicional com
os modelos alternativos, mas esta substituição no digital
tem-se relevado mais lenta do que gostaríamos”
“Há uma fragmentação do nível da oferta e uma
dispersão ao nível da procura. O que é um desafio,
mas também uma oportunidade. Estamos preparados
para nos reinventar constantemente, o que requer um
grande esforço em pessoas e tecnologia, sobretudo
nos media privados. Temos procurado ser os mais
racionais possível, com imaginação, adequando
a estrutura e custos a cada momento. É das coisas
mais desafiantes, mas também mais interessantes,
deste negócio. Temos feito um esforço de inovação
e dado um passo à frente face aos concorrentes”
“Vemos grupos como a Netflix numa lógica mais
de parceria e de cooperação. Porque têm produtos
de qualidade e estão na produção de audiovisuais, muito
mais do que plataformas como o YouTube, que investem
pouco ou nada nos conteúdos e que concorrem contra
nós e têm sido muito bem-sucedidos. Temos na calha
duas parcerias que são importantes para olhar para
o futuro, na ótica de que não querermos rivalizar com
as grandes plataformas. Podemos ser complementares
e úteis uns para os outros”
NICOLAU SANTOS
Presidente RTP
“Tal como os demais grupos de media,
a RTP também tem problemas para
resolver. Como ao nível das receitas,
já que a receita das contribuições
do audiovisual está congelada
desde 2016. Lutamos também na área comercial, já que,
por contrato de serviço público, os nossos conteúdos são
gratuitos. Temos de fazer o nosso trabalho de casa, até
porque não sabemos qual vai ser o futuro em termos
de enquadramento do serviço público de media. Por isso,
temos de enxugar a nossa organização e é isso que estamos
a fazer com este plano de reorganização e modernização”
“A RTP teve nos últimos 15 anos sempre resultados positivos.
Este ano, serão significativamente negativos, por causa
do plano de saídas voluntárias, para o qual estão
mobilizados 15 milhões de euros, e por causa do plano
de investimento muito forte que estamos a fazer, da mesma
ordem. Esperamos ter um retorno muito rápido desse
investimento e recuperar em 2026”
“Os produtores nacionais de conteúdos não têm capacidade
para entrar no mercado internacional de streaming. Na RTP,
focamo-nos na RTP Play. Vamos lançar um pacote de 200
conteúdos (20 deles gratuitos) em setembro deste ano, na
RTP Play. Mas não se consegue parar o vento com as mãos...
os operadores nacionais não conseguem produzir conteúdos
rentabilizáveis em plataformas internacionais”
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 43
EM DESTAQUE
Business & Science
Working Together
in Energy
DISCUSSION PANEL
1 JULHO
CARLA TAVARES
Head of Renewables
& Commercial Innovation
Center, GALP
KEYNOTE SPEAKER
JOÃO PEÇAS LOPES
Membro da Administração, INESC TEC
“Temos de fazer um grande esforço para descarbonizar
a economia, sobretudo o setor elétrico. O que passa pela
crescente aposta nas energias renováveis, que vão ter de
coexistir com as fontes tradicionais. Estamos num momento
de mudança, de passagem de um sistema centralizado para
um paradigma de produção descentralizada. É uma mudança
significativa, que exige ferramentas adequadas para ajudar
a operar o sistema”
“Há um conjunto de prioridades elétricas, que passam pela
eficiência energética, descentralização das redes, resiliência,
sistemas que integram mais do que um carrier, participação
dos consumidores no mercado, armazenamento de larga
escala e descentralizado ou a cooperação entre operadores,
a mobilidade e a flexibilidade. Estas levam a um conjunto
de prioridades digitais”
“Na energia, a disponibilidade de dados é central,
assim como a acessibilidade e a qualidade. Acresce
a interoperabilidade, com modelos de standards
e protocolos, a gestão, armazenamento e partilha
de dados, a cibersegurança e o enquadramento regulatório.
São necessárias ferramentas digitais, que envolvem áreas
como os digital twins ou os modelos baseados em IA.
A IA generativa traz um campo enorme de desenvolvimento,
assim como a robótica, no apoio à gestão das redes
elétricas do futuro”
“Uma coisa é a eletrificação e outra a
descarbonização dos combustíveis fósseis.
No primeiro caso, temos uma situação bastante
interessante ao nível europeu. No segundo,
o processo vai mais devagar do que seria desejável,
por razões puramente financeiras. É um desafio
muito maior. Temos grandes utilizadores
na indústria e nos transportes, que têm
muita dificuldade em descarbonizar, porque
é caro. As tecnologias existem, mas o seu
deployment não é assim tão fácil. Onde
podemos ajudar, enquanto país e Europa,
é no financiamento das grandes indústrias
que contribuem para a pegada carbónica a fazer
este caminho”
“Temos de provar que as tecnologias têm
aplicabilidade e retorno financeiro para os clientes.
É a única forma. Não há como aplicar tecnologia
disruptiva que não tenha retorno. É ponto assente.
A única forma de fazer grandes projetos, como o
de hidrogénio, que está a ser feito em Sines para a
descarbonização da nossa refinaria, é com a ajuda
de fundos da UE. São tecnologias muito caras,
que não têm retorno imediato para o cliente, num
payback de três ou quatro anos”
“Temos de ser realistas, testando as tecnologias
e trabalhando com laboratórios e entidades
científicas independentes. Não somos uma
empresa de I&D mas de energia, que procura
soluções, as testa e implementa. Mas sempre
com muito cuidado com os custos e a viabilidade
dos projetos. Ainda não conseguimos ter uma
dotação financeira para inovação que nos permita
desenvolver projetos disruptivos in-house. Temos
alguns, sobretudo no Brasil. Mas é complicado”
44 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
7 MINUTES TO
WOW
Reveja
as intervenções
SOFIA SIMÕES
Senior Researcher
& Resource Economics
Unit Head, LNEG
“Portugal não é independente energeticamente.
Importamos cerca de 70% da energia que
consumimos. Mas temos andado muito depressa,
sobretudo ao nível da produção de eletricidade.
Somos um exemplo a nível mundial. Mas temos
de separar dois mundos: a eletricidade e os demais
vetores energéticos. Na primeira, temos muito
conhecimento ao nível da tecnologia, sobretudo
da operação de sistemas elétricos, e uma
capacidade incrível de combinar a hidroeletricidade,
a eólica e a solar. Já a parte dos transportes não é
assim e isso está a custar-nos bastante mais, sendo
mais difícil fazer a transição, que está a acontecer
mais devagar”
“Descarbonizar é caro para as empresas e para
as pessoas. É um dos grandes desafios. Por isso,
a transição energética não é fácil, porque há que
ter a capacidade de investimento inicial. Todos
estamos bastante cientes dos riscos – tivemos
no dia 28 de abril o apagão – mas percebemos
a necessidade e a dependência que temos
da energia. E como o sistema elétrico é vital
e a importância de o saber gerir bem, com uma
boa resiliência, para evitar situações destas”
“Vivemos uma onda de calor e esta é outra
dimensão da insegurança. Se não fizermos todos
uma transição energética e emitirmos menos gases
com efeito de estufa, os impactos das alterações
climáticas vão ser muito reais na nossa vida
e economia. As metas da União Europeia são
muito ambiciosas e precisamos é de garantir que
as cumprimos e não ter mais”
From Insight to Impact:
Unlocking The Power
of Data In The Energy
Sector
1 JULHO
KEYNOTE SPEAKER
LUÍS VAZ DE CARVALHO
Partner, NTT DATA Portugal
“A cadeia de valor da energia tem quatro fases:
produção, transporte, distribuição e comercialização.
Com a transformação do setor, foram introduzidas áreas
como os veículos elétricos ou os painéis solares, que
representam desafios, mas que integram o processo
de mudança que a energia neste momento está
a atravessar”
“Na complexidade que o setor tem e que vai continuar
a ter, os dados vão ter um papel essencial no ecossistema.
E nas mais variadas áreas, como produção distribuída,
contadores inteligentes, rede inteligente, redes autónomas
de energia, sistemas de armazenagem e os próprios
veículos elétricos. São tudo casos de uso que o setor
vai ter de desenvolver e que são uma parte crítica
do processo”
“Sem a evolução das arquiteturas de dados,
da capacidade de processamento e da evolução
dos modelos de dados, não será possível gerir um
ecossistema tão complexo, dinâmico e real time como
é o da energia. São críticos e necessários para a evolução
deste ecossistema temas como a IoT, edge, redes
de comunicações, cloud, machine learning ou a IA
Hoje e amanhã, os dados e as comunicações são e serão
uma peça-chave na transformação do sistema elétrico”
Reveja a intervenção
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 45
EM DESTAQUE
Business & Science
Working Together
in Defense
DISCUSSION PANEL
1 JULHO
PEDRO PETIZ
Director of Strategic
Development, Tekever
KEYNOTE SPEAKER
JOSÉ NEVES
Director of Homeland Security and Defense,
GMV & President, AED Cluster Portugal
“A indústria da defesa tem sofrido uma revolução enorme,
com a transformação pelas novas tecnologias que chegam
ao setor, como a IA, tecnologias quânticas ou novos materiais.
Estamos a falar da terra, do ar ou mesmo do ciberespaço.
Estas tecnologias abriram ainda novos mercados, novos
produtos e cadeias de fornecimento que podem ser
endereçadas pela indústria nacional, que era muito pequena
até há pouco tempo. É uma janela de oportunidade que
o cluster quer endereçar”
“Para isso temos de criar capacidade e um cluster que, hoje,
é composto por mais de 160 entidades, o que traz agregado
cerca de 20 mil postos de trabalho e um volume de faturação
agregado de 2,1 mil milhões de euros. E temos empresas
internacionais como uma Airbus ou uma Embraer, mas
também portuguesas como uma Tekever ou uma OGMA que
vão valer nos próximos três anos mais de mil milhões de euros.
Só com uma dinâmica normal de mercado aberto e global”
“Nos últimos anos temos vindo a desenvolver conhecimento
tecnológico em várias vertentes. E os desafios tecnológicos
e de desenvolver algo que pode vir a fazer a diferença tem
permitido às empresas do mercado nacional captar talento
estrangeiro. No passado, tínhamos pastéis de nata e vinho
do Porto para atrairmos visitantes aos nossos stands e neste
momento não precisamos disso, porque o que desenvolvemos
em Portugal já é, por si só, atrativo para termos um stand
cheio de pessoas que querem conhecer melhor o que se faz
no país, para investir e trabalhar”
“A Tekever percebeu há muitos anos que a
robótica era um tema em que deveria apostar,
desenvolvendo inovação e criatividade. Ainda sem
imaginar o cenário atual, a robótica já estava lá e
houve uma panóplia de coisas que desenvolvemos.
A defesa sempre esteve no nosso radar, não
tinha era a expressão que tem hoje. Quando
surgiu a situação da Ucrânia já tínhamos provas
dadas. Há drones para todos os problemas, mas
especializámo-nos num conjunto de especificidades
que nos dão autonomia, endurance e intelligence”
“Até hoje, não desenvolvemos capacidade
de ataque bélico, mas, se for necessário, temos
capacidade para o fazer. A IA está a ser utilizada
em várias escalas na defesa e é uma buzzword que
serve para muita coisa. Em abstrato, quem quiser
usar a tecnologia, sem estar limitado pelas regras
da guerra, pode fazer o que quiser. Mas as regras
não o permitem. Tem sempre de haver um humano
no loop, a supervisionar e a tomar a decisão.
Quando a IA nos apresenta uma solução, tem
de se tomar uma decisão. Estamos atentos a
isso nos desenvolvimentos que fazemos, porque
queremos sempre garantir que temos uma IA
responsável e temos códigos de conduta”
“Há muitas empresas que se têm vindo a aproximar,
para ver quais são as necessidades deste mercado
da defesa. Falamos de trazer para a Europa uma
capacidade industrial que não existe, de criar uma
cadeia de valor até ao produto final. Temos de
criar ecossistemas de fornecimento. E se Portugal
não tem massa critica para estar em todas as
frentes, pode estar em alguns, como fazer software
ou criar drones. O que implica ter uma cadeia de
fornecedores, que inclui startups. Contudo, o país
não tem tido uma estratégia séria e acelerada
de pensar no foco final, pois isso significa tomar
decisões que ninguém gosta de tomar"
46 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
Reveja
as intervenções
MIGUEL
CORREIA PINTO
Head Knowledge
Valorization, idD
Portugal Defense
“A situação das forças armadas nacionais
resulta de um conjunto de opções políticas
que foram tomadas ao longo dos anos.
Não deixou de haver defesa em Portugal,
mas deixou de ser uma prioridade. Atualmente,
com a invasão da Ucrânia e com a alteração
nos EUA, há uma maior atenção, face à ameaça,
que é real, a Leste, e à incerteza no Ocidente.
Há estratégias comuns de defesa que vão
surgindo em catadupa e a evolução está a ser
feita. Quando se fala de uma maior lentidão
da UE ela resulta dos interesses dos vários
países em causa”
“Na defesa, existem desafios ao nível do
investimento. Portugal não é um mercado
por si só e não temos grandes players.
A participação das empresas nacionais tem
de se fazer através de programas mais amplos,
ao nível da identificação e de qual vai ser
a evolução tecnológica. E as empresas e centros
estão integradas, para perceber o que se passa,
influenciar e criar redes. O processo que está
agora a ser acelerado”
“Ao nível do financiamento, havia já alguns
programas europeus, definidos pelos vários
estados-membros em articulação. Há uma
aceleração e a guerra tornou--se hoje mais
barata, nomeadamente com os drones.
Mas o acesso à informação é também
muito mais significativo. O conhecimento
é explosivo e é preciso acompanhar um
conjunto de evoluções tecnológicas
significativas. Os militares têm de estar
em contacto com as empresas e os centros
de investigação,já que há várias coisas
a acontecer para os vários tipos de maturidade
tecnológica”
7 MINUTES TO
WOW
Human + Machine:
The Next Chapter
in Collaborative
Innovation
1 JULHO
RICARDO LOUSADA
Director of AI Consulting, DXC Technology Portugal
“O nosso futuro é de colaboração com as máquinas
e não contra elas. O próximo capítulo da inovação
não é de substituição de pessoas, mas de coevolução,
de trabalho colaborativo entre humanos e máquinas.
A IA vai substituir menos empregos do que o que se pensa.
Um estudo da OCDE prevê que até final deste ano sejam
criados 97 milhões de empregos novos trazidos pelas
áreas emergentes da IA e que desapareçam cerca
de 85 milhões de empregos. Estamos a falar de um delta de
12 milhões de empregos, algo positivo nesta nova revolução”
“A IA não vai substituir pessoas, mas tarefas repetitivas
e chatas. Se nos adaptarmos, criaremos mais e melhores
empregos. A inovação do futuro não é competição,
é IA com humanos, em cocriação, tirando partido
das capacidades da tecnologia e do ser humano. É nesta
colaboração que se deve basear o processo de decisão”
“Há muitas indústrias onde isto já é feito. Como na
energia, no recrutamento ou na saúde. Ganha-se tempo
para se dedicarem a tarefas de maior valor acrescentado.
Os modelos de IA custam imenso dinheiro a construir,
pelo que se antecipa que até 2030 existam mais entre
20 a 30 modelos, a adicionar aos dos gigantes que
já existem. Assim como até 500 submodelos que derivam
dos principais, mas treinados para uma atividade
específica. O futuro pertence a equipas aumentadas”
Reveja a intervenção
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 47
EM DESTAQUE
Business & Science
Working Together
in Education
DISCUSSION PANEL
1 JULHO
LUÍSA RIBEIRO
LOPES
Presidente, .PT
KEYNOTE SPEAKER
PAULO DIMAS
VP of Product Innovation, Unbabel
“Vivemos num contexto de uma verdadeira revolução,
a revolução da IA. A grande questão é o que devemos ensinar
hoje, perante este cenário de transformação. Todos os alunos
já estão a usar os modelos de IA. Mas um dos grandes desafios
é garantir uma tecnologia responsável. Podemos confiar?
Sabemos que conseguimos um máximo de certeza de 96%
em alguns modelos. Mas a alucinações estão a aumentar nos
modelos de raciocínio, pelo que o pensamento crítico é cada
vez mais importante. Se calhar é isso que temos de ensinar”
“Estudos recentes comprovam que com a utilização dos
LLMs não conseguimos pensar de forma independente e que
o pensamento crítico diminui. E alerta-se para que poderá
provocar o esquecimento, por confiarem na tecnologia.
Perante estes riscos, tem de haver ponderação na utilização
da IA e pensamento crítico”
“Há 2.400 anos, Sócrates dizia que íamos ficar sem
capacidade cognitiva com a tecnologia da escrita.
Um argumento que se utiliza hoje face aos LLMs. Então,
o que é que nós devemos ensinar hoje? O que é que estes
estudos nos levam a pensar? Temos de usar os LLMs para lhes
fazer perguntas, para saber se nós sabemos. Para endereçar
estes desafios, temos de fazer parcerias e ligações”
“A IA, como tudo o resto, tem vantagens e
desvantagens. Sabemos o que é possível tratar
com automatização e IA tendo por base os dados
que existem, e que é muito mais bem tratado
pela tecnologia do que pela inteligência humana.
Porque é mais rápido, mais fácil e hoje, com a
computação avançada e a quantidade de dados
imensa, o tratamento será muito mais eficaz com
a IA e muito mais fidedigno. Mas há a outra parte,
que tem a ver com as pessoas e a educação.
É a parte que temos de trabalhar mais”
“Temos grandes desigualdades na sociedade
e nos jovens que estão no ensino. E não as
podemos perpetuar com os níveis de capacitação
e o percurso educativo. A IA pode ajudar, mas
não temos todos os mesmos acessos e a mesma
situação. Tudo depende do meio educativo
e do meio familiar. Precisamos de coragem, de
criatividade ou inquietação e de conexão. E temos
de dar também aos jovens o tempo e a liberdade
para termos a capacidade de sermos criadores”
“Fizemos um percurso educativo muito grande
na capacitação dos alunos. Com vários momentos.
A pandemia foi um acelerador da utilização
tecnológica, mas temos de ter consciência de que
a tecnologia não é neutra e que pode aumentar
as desigualdades. Há que trabalhar para evitar este
aumento, o que pode ser feito de muitas formas.
Já existem várias iniciativas nesse sentido. Temos
de trabalhar com os pais, professores e alunos, para
perceberem que o que é utilizado é para o seu bem”
48 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
MARIA JOÃO HORTA
Diretora-adjunta, Direção-
-Geral da Educação
“O tema da IA na educação tem de ser aprofundado.
Tem impacto no que se ensina e como se aprende,
naquilo que é a escola hoje e na inércia do sistema
para fazer a mudança. Para quem está do lado da
escola é stressante, porque querem fazer a mudança,
mas não ao ritmo que ela acontece. As coisas têm
de ser mais permanentes”
MIGUEL HERDADE
Diretor, The Access Project
“Não temos de ter medo de não saber o que vai
acontecer. Quando falamos em IA temos sempre
muita ansiedade de que as coisas vão mudar muito
e rapidamente. Mas não é assim, na prática. E não há
nada mais importante no nosso sistema de ensino
do que a qualidade do professor, que será o fator mais
importante para a capacidade de progredir do aluno.
A IA pode ter capacidades para ajudar os alunos a ter
apoio específico e personalizado. Mas, acima de tudo,
onde é excelente é para libertar tempo e recursos nas
escolas, para os professores fazerem o que sabem fazer
melhor, que é ensinar, e não estarem envolvidos em
tarefas burocráticas”
“A Educação, na escolaridade obrigatória, tem
de preparar os jovens para decidirem o seu futuro
e serem mais interventivos. Hoje, só a transmissão
de conhecimento não é de todo suficiente. Há novas
competências que têm de ser trabalhadas na escola,
como a IA. A escola pública evoluiu muito nos últimos
anos e na sua maior parte estão bem equipadas.
Temos professores envolvidos em programas de
capacitação, trabalham-se as competências digitais,
assim como o desenvolvimento profissional
dos professores.”
“O país é pequeno, mas é muito desigual.
O que importa é olhar para as zonas onde existem
problemas muito profundos. Temos feito um
crescimento imenso em termos de acesso, mas
isso só não chega. A escola não existe só para
transmitir conhecimento, mas sim para estimular
a criatividade, o pensamento crítico e o bem-estar
digital”
“A desigualdade é o fator comum ao sistema
de ensino nacional mais difícil de resolver. Tem de
se saber usar as ferramentas de IA para a diminuir.
Se conseguíssemos realocar o tempo dos professores
para investir nas crianças mais pobres, aí sim, teríamos
um sistema mais equilibrado. É uma oportunidade
para diminuir este fosso entre ricos e pobres no sistema
de ensino”
“O Reino Unido tem uma estratégia digital para
a Educação com um envolvimento muito maior
do setor privado, que quer fazer parte da solução
e não do problema. E os resultados são muito melhores
do que em Portugal. Há uma predisposição das
organizações que no país não conseguimos ter. Além
de não termos professores, pois há falta crónica de
recursos. Apesar disso, temos o sistema de ensino que
mais melhorou num curto espaço de tempo no mundo
inteiro. No entanto, onde muitas decisões são tomadas
com base em palpites e não com base em análises”
Reveja as
intervenções
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 49
EM DESTAQUE
AI-Powered Hiring:
Unlocking Fairness,
Efficiency, and Business
Growth
1 JULHO
MAYA HUBER
CoFundador & CEO, TaTiO
“Um dos maiores desafios que enfrentamos na área
dos recursos humanos é uma queda significativa
na taxa de conversão em contratações. A crescente
utilização da IA e de mecanismos de automatização,
sobretudo no pós-Covid, esteve na base de uma dramática
quebra, especialmente no talento mais qualificado.
O que se reflete de forma dramática nas empresas
e cria ineficiências nas equipas”
“Vemos muito spam que surge por várias razões.
Como a automação, porque agora é fácil clicar
num botão e os candidatos concorrem a todas
as oportunidades de emprego. Em paralelo, pode-se
candidatar a todas as posições na mesma empresa
e em todas as indústrias. Do lado dos recrutadores,
esta automação gera dados, mas muitos não são
adequados. Há ainda a fraude intencional,
nomeadamente com a utilização da IA. Cerca de 40%
a 60% dos CV’s são identificados como falsificações
geradas por IA. Há, por isso, um consistente sentimento
de desconfiança de ambos os lados”
“Cerca de 92% dos candidatos não completam
o processo de candidatura a um emprego. Porque
os textos estão cada vez mais obsoletos e não são
suficientes, quando se trata de engagement e decisões
de recrutamento. Há cada vez mais a necessidade
de implementar contratações baseadas nas skills.
Traz mais oportunidades de contratar os melhores
candidatos, reduz os custos de contratação e o retorno
do investimento e garante maior sucesso”
Reveja as
intervenções
50 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
1 st Day Closing Remarks
1 JULHO
Reveja a intervenção
MIGUEL LUÍS
CMO, The Key Talent
“O mundo do recrutamento tem-se
mantido estável durante muito tempo.
A forma como a maioria das empresas
recruta ainda é muito semelhante
ao que era feito no final do século XX.
Houve muito pouca evolução. Uma das
principais barreiras à transformação
é o facto de continuar a funcionar”
“O que levou a que a transformação
pudesse acontecer foi a introdução
da tecnologia, sobretudo da IA. Toda
a tecnologia que está por detrás de
uma simulação real de trabalho tem
um algoritmo que avalia um conjunto
muito alargado de pontos distintos
do que a pessoa está a fazer. Mas
na nossa realidade nacional, temos
de ter em conta que o recrutamento
tem diversas camadas”
“O ponto principal da mudança
é as empresas darem o primeiro
passo, olhando para as suas funções
de trabalho e determinando quais
são as competências necessárias.
Perante dois candidatos com dois CV’s
similares, normalmente avança-se
para uma lógica presencial, onde
o fator humano é decisivo para a
tomada de decisão. Mas todos temos
um viés e a forma de o diminuir é usar
metodologias mais caras, baseadas
em tecnologia, para se avançar para
o skills-based hiring”
BERNARDO CORREIA
Secretário de Estado da Digitalização
“Tenho poucas semanas como secretário de Estado, mas já posso dar
um esboço das prioridades para o digital, que pode ser um motor para o país
como um todo. Não podemos admitir mais que a máquina pública seja um
labirinto onde se perde tempo, recursos e muitas vezes até a esperança.
Foi o abraçar dessa missão, aparentemente muito simples, que me levou
a aceitar o convite para fazer parte do Governo. A ideia é acelerar, a partir
das bases que já contruímos. Olhamos para o digital não como o fim,
mas como uma alavanca transformadora do Estado e da Sociedade”
“Queremos um Estado que dê o exemplo. Queremos serviços digitais abertos,
interoperáveis e inovadores. Queremos uma força de trabalho preparada
para prosperar na economia intensiva em tecnologia, dentro e fora da
Administração Pública. Queremos infraestruturas digitais robustas, seguras
e soberanas da Administração Pública. E queremos um ambiente regulatório
que celebre a inovação e que equilibre e salvaguarde a ética e o bem-estar
social”
“Temos cinco frentes de trabalho que estão a guiar o nosso trabalho.
Pela primeira vez, vamos avançar com um Chief Information Officer do
Estado, para articular transversalmente todos os setores da Administração
Pública e garantir uma estratégia unificada de transformação digital. (…)
Vamos também avançar com a criação da Agência Pró-Digital, que resultará
da fusão de entidades, numa lógica de reorganização e reforma
administrativa. (…) Vamos colocar o cidadão e as empresas no centro
dos serviços públicos, ancorados no digital e com a adoção generalizada
do princípio once only. (…) A nossa Estratégia Nacional para a Inteligência
Artificial será anunciada em breve. (…) E vamos acelerar os programas
de literacia digital”
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 51
EM DESTAQUE
EU Tech Sovereignty:
Urgent Actions for
Securing Europe's
Digital Future
2 JULHO
KEYNOTE SPEAKER
ALESSANDRO GROPELLI
Diretor-geral, Connect Europe
“Se fossem a qualquer país europeu, ouviam
falar de autonomia estratégica aberta. Depois,
a geopolítica aconteceu e Donald Trump aconteceu.
Hoje ouve-se falar de soberania tecnológica.
É praticamente a mesma coisa, com uma grande
diferença: o que estamos a discutir hoje
é se conseguimos criar alternativas tecnológicas
para evitar a criação de dependências,
especialmente dos Estados Unidos e da China, mas
mantendo a economia aberta. Trata-se de liderança
industrial. Se não criarmos a próxima vaga de
tecnologia e de inovação, o que vamos produzir?”
A New Era of
Innovation with AI
2 JULHO
KEYNOTE SPEAKER
GIORGIA ABELTINO
Senior Director of Public Policy and Government
Relations for South Europe, Google
“Os maiores riscos que vejo para a Europa, e Portugal, é
perder esta oportunidade. Por isso, os grandes ingredientes
para uma boa receita são a adoção da IA pelas empresas
e governos, as infraestruturas e as skills. Os governos
devem liderar pelo exemplo, fornecendo serviços aos
cidadãos assentes na IA. Nas infraestruturas, Portugal
é o hub europeu mais importante da Google nos cabos
submarinos. E nas skills, deve-se garantir que todos têm
acesso às ferramentas de IA. Neste âmbito, e depois de em
2024 termos lançado uma grande iniciativa com a APDC,
o IMPULSO IA, que contou com mais 1.500 participantes,
renovámos agora este compromisso para chegar ainda a
mais pessoas”
“O que é que a Europa enfrenta e como vai entrar numa
nova era de inovação? Qual é o seu papel neste momento,
assim como de Portugal? A IA não é apenas algo que
vai acontecer, mas que já está a acontecer hoje e a grande
promessa é ter um melhor futuro. A questão é como
conseguir tirar partido destas oportunidades, tornando-as
reais”
“E porque é que todos estão a falar e a pensar na IA?
Resulta do impacto que está a ter em áreas como a ciência
e a medicina, gerando uma verdadeira revolução, como
o mostram alguns casos. E está a ter também um enorme
impacto na economia europeia e portuguesa, assim
como na produtividade. A IA vai fazer com que
o trabalho seja mais rápido e efetiva. No caso de Portugal,
só a utilização da IA generativa poderá aumentar
a produtividade em 1,5%”
Reveja a intervenção
52 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
“A UE está a ficar para trás porque não é
suficientemente inovadora, o que nos leva a um
gap de produtividade. E uma das chaves para
avançar é ter um ecossistema de conetividade forte.
(…) Precisamos de investir mais na conetividade
e no ecossistema digital para crescer mais. Mas
as receitas e o retorno na indústria não são o que
eram. Isto não vai funcionar a prazo. E as condições
de investimento são más. Pela primeira vez em sete
anos, estamos em desaceleração. É um problema
de competitividade face às demais regiões”
“Inovação é também IA. (…) E as redes são uma
parte da infraestrutura por detrás dela. Precisamos
de começar a pensar nas redes como um fator
chave na revolução da IA. Isso significa que
precisamos de mudança e de ação. (…) Precisamos
de operadores com escala para competir
globalmente e não apenas para oferecer preços
baixos. (…) A regulação tem de nos ajudar
a impulsionar o investimento. E temos de promover
a inovação, uma base justa face aos players globais.
(…) Na Europa, precisamos de desregulamentar
e de crescer, de ganhar escala. Se não o fizermos,
outros o farão”
Reveja a intervenção
7 MINUTES TO
WOW
From Connectivity to
Intelligence: Telecom’s
Role in the AI Era
2 JULHO
PAULO GOMES PEREIRA
Head of Carrier Business, Huawei Portugal
“O tempo é de mudança e o setor das telecomunicações
enfrenta uma das suas maiores transformações.
Na primeira vaga, disponibilizámos conetividade.
Na segunda, acelerámos, tornando a transformação
digital uma realidade, com redes 5G e serviços cloud.
Estamos agora no início da terceira vaga, a era
da inteligência, onde a IA e os serviços convergentes
são o novo normal. O valor já não está apenas
na conetividade ou na ligação, mas sim no que flui
dentro dela”
“Perante esta revolução, necessitamos de uma visão
objetiva. E a nossa visão é clara: construir e estimular
um full stack de IA. Não se trata apenas de tecnologia
por tecnologia, mas de colocar a IA ao serviço do ser
humano, de uma forma consciente, social e sustentável.
Para as indústrias, significa eficiência, segurança
e previsibilidade, otimizar operações e criar modelos
de negócio. Para os consumidores, é sinónimo de
personalização, rapidez e proximidade, experiências
únicas e individuais. Tudo isto na palma da nossa mão”
“A integração da IA com o 5G Advanced já está a
transformar setores, como a mobilidade, a energia
e a saúde. Abrindo novas oportunidades para cidades
e indústrias inteligentes. Mas construir este futuro
não é apenas um desafio técnico e sim um imperativo
social e ético. (…) A governação da IA não é um obstáculo
à inovação. Muito pelo contrário, é o que assegura que
a inovação serve a humanidade, porque a verdadeira
inovação é aquela que deixa o Mundo melhor do que
o encontrou”
Reveja a intervenção
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 53
EM DESTAQUE
DISCUSSION PANEL
7 MINUTES TO
WOW
Accelerating Towards
a Hyper-Digital World
Business & Science
Working Together
in Times of Political
Interference: Can
Europe Become
a Major Player?
2 JULHO
2 JULHO
SÉRGIO CATALÃO
Country Manager, Nokia
“A IA vai ser o motor da transformação da sociedade e
o setor das telcos tem um problema a resolver: de como
poderá fazer os investimentos necessários para poder
suportar toda uma nova realidade da IA e como os poderá
rentabilizar. Serão necessárias redes seguras, com rápida
capacidade de transporte e processamento, para que as
empresas e organizações possam treinar os seus modelos
de decisão. A latência e o processamento em tempo real
nas redes também serão fundamentais. A oportunidade
será aqui a monetização da utilização das aplicações”
“As redes vão ter de continuar a evoluir e de suportar toda
esta nova realidade da IA, mas também vão ter de encontrar
elementos de IA. Estamos em mais um momento importante
para a UE, que já manifestou a sua ambição em liderar
neste super-ciclo de IA. E também já refletiu um conjunto
de aspetos que vão ser prioritários, desde logo o incentivo ao
investimento em tecnologias crítica, como o Action Plan para
a IA. Depois, a questão da escala e consolidação do mercado,
fundamentais para atrair investimento no setor. Os tech
champions, tal como noutras geografias, vão ser importantes
como motores de inovação, mas também para garantir
independência e autonomia do ponto de vista tecnológico.
E ter redes seguras e confiáveis é extremamente importante
para este novo contexto onde a UE vai querer ser líder”
“Acredito que a IA vai ser uma grande oportunidade
também no nosso país. A utilização ainda é moderada
e há relatórios que dizem que terá um impacto no PIB
de cerca de 7% na próxima década. Mas creio que será
na ordem dos dois dígitos, com potencial de transformação
nas diferentes indústrias, mas também no tema da
internacionalização das empresas. Depois, a modernização
da Administração Pública e a capacidade de atrair
investimentos nas novas fábricas do conhecimento
e as infraestruturas críticas que as vão suportar. Portugal
está bem posicionado, embora haja trabalho a ser feito”
Reveja a intervenção
FRANCISCO
VELOSO
Dean, INSEAD
“Estou preocupado com a politização crescente
dos aspetos científicos. Mas, mesmo com os
cortes conhecidos, que, sendo significativos, são
ainda uma pequena parte da diferença que
existe entre os EUA e a Europa. Continua a existir
um grande fosso entre o nível de investimento em
termos de ciência. A Europa investe 2,2% do seu
PIB em I&D, os EUA investem 3%. Continuamos
a investir menos em ciência”
“As condições de base na UE teriam de evoluir de
uma forma muito significativa para que houvesse
um impacto material na captação de cientistas
dos EUA. Mas a Europa, como um todo, não
investe o suficiente em I&D e há, de facto, uma
necessidade de aumentar, indo até ao encontro
do compromisso, que já existe, de alcançar
os 3% do PIB até 2030. É uma condição necessária
para beneficiar mais dos acontecimentos atuais”
Não temos um sistema universitário e de
investigação com um nível de competitividade
que seria desejável na Europa. É essencialmente
público e permite pouca variabilidade e pouca
diversidade. No desenho do nosso sistema
europeu, o papel de universidades de ponta e,
particularmente, de deep tech, terá de haver uma
evolução e uma aposta importante. E uma maior
capacidade de aceitar diversidade de qualidade,
financiamento e níveis de excelência. Assim como
programas para uma aposta arriscada em nova
ciência e tecnologia com maior determinação"
54 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
7 MINUTES TO
WOW
Reveja
as intervenções
Sovereignty and
Resilience for The
Europe of The Future
2 JULHO
JOSÉ MANUEL
MENDONÇA
Emeritus Professor,
University of Porto
& Director, INESC TEC
“Olho para a situação das universidades norte-
-americanas com preocupação e com esperança
que não se dissemine. A interferência do poder
político na ciência já não é nova, é algo da história.
(…) A Administração Trump tem receio e a ciência
não é conveniente para determinadas narrativas.
(…) Os cortes atingem áreas inconvenientes,
não são cegos. Nas operações militares, soberania
do estado, IA e noutras tecnologias não há nada”
“Nos países avançados, dois terços do investimento
em ciência é privado e um terço é público.
Em Portugal é o inverso. O privado não depende
dos governos e as empresas fazem o que
precisam. Não vejo na Europa nenhum sintoma
de interferência, mas vejo alguma expetativa
num tema que é complexo, pelo menos para
o nosso país, que é atrair cientistas americanos
descontentes, quando é um dos países preferidos
para viverem”
“A Europa caiu na armadilha de tecnologia
intermédia e deixou de apostar no chamado deep
tech, tecnologias mais avançadas e disruptivas.
Neste momento, teria toda a vantagem em atrair
cientistas e investigadores de primeira linha vindos
dos EUA. Mas para isso, é preciso programa e níveis
de financiamento que os atraiam. Os valores que
temos em Portugal, e mesmo na Europa,
não são em nada iguais aos que os cientistas
norte-americanos têm ao seu dispor”
JUAN OLIVERA
Country Manager, Ericsson Portugal
“Soberania e resiliência são dois conceitos estratégicos
para a Europa. É importante garantir que, todos juntos,
olhamos para o futuro, com planos de colaboração
público-privados que acelerem a implementação
da inovação e da digitalização. E ter uma regulação
que esteja alinhada com as necessidades do setor.
Porque é tudo para melhorar a vida dos cidadãos
e das empresas”
“O relatório Draghi confirmou que a Europa precisa
de inovação e de investimento, sendo os operadores
de telecomunicações absolutamente estratégicos para
a soberania. Mas a situação é difícil e a mesma desde
há uns anos. As receitas do setor não estão a crescer,
há 36 telcos e a maior parte não tem capacidade para
fazer investimentos, porque não tem escala. Para investir
em infraestruturas a escala é crítica”
“Na Europa, não podemos depender excessivamente
de terceiros. Temos de ter um plano colaborativo.
Há três pilares na digitalização das sociedades – IA,
cloud e conetividade. Já perdemos os dois primeiros,
mas a conetividade ainda não e temos duas empresas
para o garantir, a Ericsson e a Nokia. Tem de haver
uma call to action e uma colaboração público-privada.
Governos e reguladores têm de participar e dinamizar
o desenvolvimento de redes críticas, assim como
a consolidação, pois precisamos de um mercado com
capacidade”
Reveja a intervenção
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 55
EM DESTAQUE
Business & Science
Working Together
in Financial Services
2 JULHO
7 MINUTES TO
WOW
What If… An
Autonomous Agent
Could Be Born Every
7 Mins?
2 JULHO
TIAGO ESTEVES
Principal Solution Engineer, Salesforce Portugal
“São os colaboradores de cada organização que garantem
o sucesso dela. Por isso, é muito importante perceber que
tudo depende do seu grau de satisfação e da sua capacidade
de realizar as mais diferentes tarefas, pois só assim vamos
estar a garantir o futuro. Mas essas forças de trabalho
estão hoje em dia altamente sobrecarregadas, com tarefas
pouco interessantes, tarefas de baixo valor acrescentado e
repetitivas. Estamos a desperdiçar todo
o seu potencial”
“Há um novo mundo que está a começar e que pode
fazer sentido, com os agentes autónomos, que hoje são
simples de criar com os modelos de linguagem atuais de IA.
Estes criam um conjunto de configurações para o agente,
de acordo com os dados introduzidos, um job descrition
e o comportamento que se espera dele. A configuração
de um agente é linguagem natural e qualquer pessoa o pode
criar e testar. São capazes de tomar ação e têm capacidades
para criar o que for necessário e sabem bem o que devem
e não devem fazer”
“A Salesforce está a liderar esta transformação do trabalho
digital. As equipas do futuro vão ter humanos, mas também
agentes autónomos. O que será muito melhor para
as equipas e para a produtividade das organizações”
Reveja a intervenção
KEYNOTE SPEAKER
MANUELA VELOSO
Head of JP Morgan Chase AI Research
& Herbert A. Simon University Professor
Emerita at Carnegie Mellon University
“A ciência da IA tenta abranger todos os aspetos
da inteligência e da aprendizagem, sendo,
portanto, uma ciência de componentes. Desde
a compreensão da língua natural a todas as formas
de compreensão das palavras, das imagens
e de todas as formar de processamento de dados.
Ou seja, integra a capacidade do processamento
de dados, a perceção ou cognição e as ações.
Os agentes de IA, de uma forma ou de outra, são
pedaços de código que têm essas três principais
componentes: compreensão, resolução
e concretização da tarefa”
“Há uma interação entre humanos e AI para um
propósito de negócio, que vai sendo desenvolvida
e que melhora ao longo do tempo. Um diálogo
para que a IA possa fazer o que o humano pediu.
Sendo que os agentes de IA pedem ajuda dos
humanos, respondem aos seus pedidos e aprendem
continuamente, melhorando as suas capacidades.
Temos de investir e desenvolver esta interação,
principalmente se existir um propósito empresarial,
para que os resultados sejam cada vez melhores”
“Qualquer negócio interage com a IA na medida
das suas necessidades. A tecnologia ajuda na
compreensão dos dados e nos pain points, áreas que
precisam de ser feitas com mais eficiência. E permite
ainda ao negócio sonhar grande, antecipando,
alertando, fazendo análises de dados e de processos
que podem levar a grandes melhorias. Negócio
e AI são sobre essas três componentes: necessidades,
eficiência ou pain points e sonhos”
56 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
DISCUSSION PANEL
Reveja
as intervenções
PEDRO BIZARRO
Cofundador e Chief Science
Officer, Feedzai
“Existe claramente um crime
organizado com utilização crescente
da AI. Estão a ser feitos novos ataques
e scams em várias plataformas. Se calhar, há uns anos, eram
fáceis de detetar como falsos, mas atualmente são muito
mais complicadas. Mas também existem benefícios que
a IA traz para as empresas, como a melhoria na deteção
de fraude e na produtividade”
“Aumentou muito o apetite das empresas para
experimentarem o seu potencial. É muito fácil começar
com gen AI, mas é difícil terminar. Esta gen AI, ao contrário
do software normal, não produz sempre o mesmo resultado.
Tem uma componente aleatória que é difícil de controlar,
nem sempre é estável, pode ser atacável, depende
da prompt. Apesar de ser poderosa, é mais inconstante
e pode dar factos falsos que são apresentados como
verdadeiros. E as pessoas acreditam”
“Neste momento, os scams são os maiores crimes
financeiros, a nível mundial. Em alguns países, o maior
de todos os crimes. É a tendência e vai continuar a crescer,
porque o ponto fraco são as pessoas. Enganam com
imagens, vídeos, voz. São altamente customizados àquelas
pessoas, conhecem as suas informações, redes, perfil.
(…) A IA também falha e, no final do dia, a culpa não é dela,
é sempre das pessoas. A IA tem muito potencial para fazer
coisas novas”
ISABEL GUERREIRO
Administradora Executiva,
Banco Santander Portugal
“A AI já era usada em larga escala
antes desta nova onda, que é mais
massificada. O machine learning está
na base dos nossos serviços há muito. Mas com a chegada
da IA generativa, o potencial é superior. Já temos cenários
de utilização onde notámos um incremento da ordem
dos 3% a 4% em termos de eficiência e de eficácia do ponto
de vista de apresentar a melhor solução no melhor contexto
ao cliente. O que a IA generativa traz é um incremento de
produtividade duas ou três vezes superior ao que tínhamos
sem a IA”
“A indústria financeira é uma das mais reguladas.
Temos informação muito sensível, o que nos obriga a uma
responsabilidade muito grande. As potencialidades da IA
são óbvias, mas os riscos aumentaram também muito:
há soluções que usávamos antes que já não são acionáveis,
há riscos de utilização de informação sensível para fins
menos adequados”
“Utilizamos a Gen AI sempre numa lógica de benefícios
para o cliente e de melhores resultados em termos de
eficiência e eficácia. Já temos IA em tudo o que tenha
a ver com simplificação e aceleração de processos, por
exemplo. Ganhamos nós e ganha o cliente. Com esta
aposta, mudámos o perfil das pessoas que contratamos.
Neste momento, temos data engineers, data architects,
profissionais do setor mais digital e tecnológico. E temos
uma equipa de cyber que se prepara para esta nova
realidade. Porque a qualidade dos ataques é cada vez
maior e temos períodos propícios onde temos de estar
particularmente atentos”
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 57
EM DESTAQUE
DISCUSSION PANEL
Business & Science
Working Together
in Telecommunications
2 JULHO
JORGE GRAÇA
Chief Technology and
Information Officer, NOS
“Estamos na fase de materializar
o 5G em diferentes use cases
para indústrias e casos concretos.
Estamos a resolver desafios e problemas. Não estamos
apenas a oferecer ao cliente final uma tecnologia em
abstrato, mas a interagir e a resolver problemas concretos
das empresas. O 5G, enquanto tecnologia, traz um
conjunto de características que permite ser catalisador
e agilizador de soluções. O 5G tem a capacidade
de adaptar a rede às circunstâncias e aos requisitos.
Não é só conetividade e mais largura de banda”
“O 5G standalone é uma realidade e permite explorar
todo o potencial da tecnologia. É uma espécie de
emancipação do 5G. Permite cumprir todas as promessas
feitas – velocidade, latência, resiliência, desempenho,
customização, flexibilidade, entre outras coisas. É um
grande catalisador, porque promete trazer de forma mais
imediata as promessas do 5G. Mas é mais caro também
e bastante mais complexo, pelo que é natural que estas
coisas demorem tempo. Estamos a falar de ciclos
de investimento e de decisões longos”
“Já existiam muitos casos em que aplicávamos IA,
numa lógica mais de machine learning e de IA para efeitos
preditivos. Mas agora, com a IA generativa, há muitos
use cases abertos ao Mundo, virados para fora, pelo que
a superfície de ataque muda e expõe-se. Sim, levanta
problemas de várias ordens, entre os quais de segurança.
Depois, temos todos os temas da forma como se fala
com os clientes, de ética e privacidade. Ao estarmos
a expor processos que antes estavam blindados,
com um elemento humano que protegia o sistema,
agora estamos a abrir”
JOSÉ PEDRO
NASCIMENTO
Chief Technology Officer, MEO
“Temos parcerias com universidades
e polos de desenvolvimento que
são importantes. A Academia é um
fornecedor de ideias, assim como as startups e as incubadoras.
E trazem também muitas vezes uma capacidade do
desenvolvimento que é necessário e que não temos em casa.
Estamos focados na jornada do cliente, na inovação contínua
de produtos e serviços, em nós próprios, e na resiliência
da rede. Toda a tecnologia que temos à volta são tudo meios
e não um fim. Trabalhamos com o cliente e aqui precisamos
de tecnologia”
“Todos os serviços para empresas precisam de adaptações
dinâmicas da rede, para garantir a qualidade de serviços
e os recursos no tempo certo. Só o conseguimos com o 5G SA
(standalone). Mas este não é um ecossistema que funciona
sozinho, temos de o integrar com vários outros sistemas.
Daí a complexidade de podermos ter isto em escala a curto prazo.
Os use cases da indústria B2B ainda estão em desenvolvimento.
Já para o consumidor final, o 5G SA não faz a diferença, apesar
de estar disponível. Ainda há poucos terminais. O 5G SA só vai
ser aplicado só a serviços mais sofisticados”
“Temos de implementar a IA em tudo o que fazemos, assim
como nos serviços para clientes. Mas tem de haver um
mapeamento dos processos, para a simplificação do negócio,
e temos de colocar a tecnologia a trabalhar para isso. Permite
antecipar avarias, não só internamente como no cliente, ter
processos de diagnóstico remoto, gestão interna de equipas
e relação com clientes, nomeadamente nos call centers.
Já temos, na nossa atividade, a IA aplicada a muitos processos
internos e estamos a apostar no desenvolvimento a outras
áreas. A IA está aí, não podemos parar e já percebemos que
os ganhos que dela advêm são muito grandes”
58 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
PAULINO CORRÊA
Chief Network Officer, Vodafone
Portugal
“O 5G é um enabler, como muitos
outros que têm de lá estar.
É crucial para o tema da inovação,
mas esta não tem por base uma
receita já feita. Existem três eixos: o do cliente, das suas
oportunidades e desafios; um eixo mais abrangente,
ligado às universidades e ao universo das startups, que
trazem novas ideias e conceitos; e um terceiro vetor com
os parceiros tecnológicos. É à volta deste círculo virtuoso
que assenta a aposta. O 5G será mais aproveitado se
tivermos uma integração mais profunda com os clientes”
“Como é que definimos o valor que o 5G standalone pode
trazer: maior controlo dos recursos de rede, já temos algum,
mas este é superior; e uma integração mais inteligente
com os sistemas do cliente, para aproveitar todo o potencial
do 5G. Só com ele é possível desenvolver aplicações
verdadeiramente avançadas. É preciso fazer um exercício
de cocriação com os clientes, pelo que é uma tecnologia
que ainda está a seguir o seu caminho. Concordo que
será o futuro e a única hipótese para esse futuro ser
esplendoroso, mas tem de ser construído com os clientes”
“O apagão foi um acontecimento sem precedentes
e a questão é saber se muda os pressupostos que
vão ser usados para desenhar a rede. Estamos a fazer
essa discussão ao nível da Vodafone, porque a fiabilidade
da rede elétrica nos vários países da Europa é diferente.
O que falhou foi a rede elétrica. Temos todos processos
muito robustos para proteger os data centers e os nosso
não falharam. Onde falhou foi sobretudo no acesso,
nos milhares de sites, e aqui não é viável fazer um
investimento significativo em todos. Se nos obrigarem
a isso, é investimento que não vai para cobertura
e para serviços”
Reveja
as intervenções
RODRIGO CORDEIRO
Country Head, Capgemini
Engineering
“Temos de começar a ver a tecnologia
de uma forma completamente
diferente, assim como o conhecimento
que temos do cliente. E as tecnologias
já permitem conhecer as necessidades do cliente em tempo
real. Os nossos operadores já partilham redes e agora têm
de se organizar para perceber o cliente. Já não é a qualidade
da rede que faz a diferença, mas sim o engagement que
cada um faz com o cliente. Acaba por ser um trabalho de
todos. Trabalhar todos os setores de forma transversal implica
conhecê-los de forma mais profunda. É aqui que vamos mudar
completamente o paradigma na forma como se vendem
os serviços”
“A tecnologia 5G SA está disponível e existe. Mas temos
um tecido empresarial que não ajuda à criação deste tipo
de evolução, por falta de capacidade e de conhecimento
da tecnologia. Temos uma indústria que é antiga e que se
calhar não está ainda preparada para perceber os benefícios.
A forma de vender o 5G não é igual ao que se fazia e temos
de alterar a forma de vender e mostrar esse valor.
Tem se de mostrar aos clientes o potencial da tecnologia”
“Muitos clientes ainda não têm a noção do que é preciso para
poder usar a IA. Mas toda a gente já usa hoje a IA generativa,
que está completamente massificada. A IA generativa e a IA
inteligente, de que já se fala, podem vir a ajudar os operadores
de telecomunicações numa nova abordagem aos clientes”
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 59
EM DESTAQUE
DISCUSSION PANEL
Fibercos & Towercos' Role in Digital
Transformation
2 JULHO
JOÃO OSÓRIO MORA
Managing Director, Cellnex
“Tivemos em 2024 um ano de investimento e de crescimento.
Tivemos um crescimento das receitas superior a 20%
e investimos mais de 120 milhões de euros em novas
infraestruturas, para suportar operações em sites existentes,
e construir mais de 160 novos sites. Estes estão planeados
de raiz para suportar três operadores, sendo que pelo
menos 90% estão localizados em zonas de baixa ou média
densidade, numa contribuição bastante relevante para
a coesão territorial do país”
“Depois de oito anos de expansão por aquisições, o grupo
entrou numa fase de consolidação das operações, com
crescimento orgânico e remuneração acionista. Dentro do eixo
do crescimento orgânico, a componente de eficiências é uma
área de grande atenção. Pelo que foi criada uma atividade
específica de real estate. Em Portugal e na Europa devemos
ser dos maiores arrendatários, com contratos de arrendamento
no país dos nossos 6,7 mil sites, e contratos com os nossos
clientes, os operadores. Temos de assegurar a estabilidade
contratual e negociar aquisições de sites mais críticos”
“O apagão foi elétrico, mas houve alguma injustiça
na forma como tudo foi percecionado em Portugal, onde
a culpa foi quase imputada aos operadores. A resiliência
não passa apenas por evitar, envolve também o tempo
que demoramos a restabelecer tudo. Falta resiliência
à rede elétrica, mas foi uma experiência para todos.
Foi bom para identificarmos os principais spots
e reforçarmos algumas zonas. Não é viável termos
geradores em todos os sites, mas reforçámos alguns”
60 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
PAOLO FAVARO
Managing Director, Vantage Towers
“2024 foi um ano muito positivo e de muito crescimento,
até acima das nossas expetativas. Temos novos sites em
zonas onde não havia cobertura, com condições difíceis
e trabalhamos com todos os operadores do mercado,
nomeadamente no 5G. Foi um trabalho grande e ainda
há coisas a fazer no mercado. Continuamos a apostar
no crescimento orgânico e estamos a investir muito
na digitalização das operações nos processos internos
e criámos um centro de competências em IT desde outubro,
para ajudar a acelerar na agenda de digitalização”
“Todas as empresas têm capacidade para gerir situações
de crise, mas em regra os problemas acontecem em áreas
específicas do país. No apagão, foi uma disrupção.
Temos de ajudar os clientes no sentido de aumentar
a autonomia dos sites, alocar recursos, resolver problemas
rapidamente. O trabalho maior é definir que tipo de
resiliência queremos ter nas redes e onde queremos colocar
geradores e baterias para aumentar a autonomia.
Estamos a trabalhar com os clientes nesse sentido,
para estarmos mais bem preparados”
“Trabalhamos com parceiros para inovar na forma como
reforçamos, atualizamos e modernizamos os nossos sites.
Por exemplo, aproveitamos recursos como energia solar
e integramos IA nos processos internos, para otimizarmos
a nossa capacidade de resposta”
Reveja
as intervenções
PEDRO ROCHA
CEO, FastFiber
“Como FiberCo, damos serviços aos operadores de
uma forma neutra e não discriminatória. Conseguimos
demonstrar que somos verdadeiramente uma rede aberta.
Os operadores perceberam que não precisam de investir
nas suas redes, mas que as podem partilhar com outros.
E tiveram grande necessidades relativamente ao 5G
e disponibilizámos os nossos sites, nomeadamente
em locais remotos onde precisavam de estar. Outros
operadores não tinham cobertura em todas as regiões
do país e estão a usar a nossa infraestrutura. Desta forma
garante-se que não existe duplicação de investimentos
nem fragmentação de redes e há economias de escala.
A diferenciação vem pelos serviços que se prestam”
“No apagão, a FastFiber não foi impactada, porque temos
uma rede de fibra passiva. Não temos energia para ligar
os equipamentos, porque essa parte está do lado dos
operadores. Temos de pensar na resiliência das redes no
seu global e não apenas na vertente de energias. Existem
outros fatores que poderão implicar interrupção de serviços
das redes que devem ser tidos em conta, como incêndios
e alterações climáticas. Tivemos incêndios e tempestades
e temos de estar prontos para operar o mais rapidamente
possível, dotando a rede de uma resiliência que se calhar
ainda não tem”
“Se queremos efetivamente que Portugal seja uma
economia digital, um exemplo na Europa e uma porta
de entrada de cabos submarinos e de data centers, temos
de dotar as empresas de uma resiliência que hoje não têm.
Isso não se faz só com os operadores. Precisamos que
todos os stakeholders envolvidos participem e tenham
o seu papel. O Governo e o regulador têm um papel
importantíssimo para nos permitir utilizar as infraestruturas
que já existem. Todo este enquadramento de resiliência
é muito importante”
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 61
EM DESTAQUE
What Is Really
Behind The
New World Order?
ANNE APPLEBAUM
American Journalist and Historian, Pulitzer Prize
Winner
“É importante relembrar que a história não é inevitável
e não há um padrão. Tudo o que acontece amanhã
depende do que fazemos hoje. Não podemos pensar
a política assim. Vivemos um momento em que
a mudança tecnológica e as diferentes tecnologias
estão a ser boas para os regimes antidemocráticos,
facilitando-os. Estão disponíveis para mais maus atores
usarem, como os ditadores. Ao mesmo tempo, estão a ser
usadas para dividir e politizar as populações nos países
democráticos”
“Esta é uma enorme oportunidade para a Europa
em várias áreas. Certamente é na tecnologia.
Os europeus perceberam que é perigoso simplesmente
aceitar a tecnologia americana. Precisam de investir
na sua própria segurança e tecnologia, nas suas fontes
de ciência. Isto é saudável. É talvez um momento
para atrair norte-americanos, com previsibilidade,
transparência e regulação. É um bom momento para
a Europa tirar vantagem da situação, em oposição
à loucura nos EUA”
“Temos sempre boas razões para ter esperança.
O pessimismo é irresponsável. Se planearmos agora,
podemos garantir o futuro. As pessoas que vivem
na Europa e no mundo democrático têm possibilidades
e otimismo. É uma questão de como planeamos
e pensamos o que se vai seguir. Temos de analisar
como as coisas realmente estão e depois começar
a mudá-las. Nada é inevitável”
Reveja a intervenção
MIGUEL PINTO LUZ
Ministro das Infraestruturas e Habitação
“Temas que o Governo tem como prioridade
máxima são o reforço do investimento que tem sido
feito em ciência, o reforço da autonomia e do papel
das universidades, mas também o lado das
empresas. Acreditamos convictamente que não
conseguiremos manter o ritmo de distribuição
de riqueza se não produzirmos mais riqueza.
É tempo de olharmos e acarinharmos os
empresários, de remunerarmos bem o seu risco,
para poderem gerar riqueza e esta ser bem
redistribuída”
“É também prioridade máxima desburocratizar,
tornar o Estado mais célebre, mais eficaz, para
que não seja um empecilho ao desenvolvimento.
E tornar a regulação, também ela, mais amiga
das empresas. Acredito que hoje temos uma
regulação diferente, pelo menos neste setor,
mas ainda há passos para dar, há conflitos
e litigância. Não se resolveram todos os problemas
de um momento para o outro. (…) É nossa intenção
pensarmos na regulação de forma mais integrada
e menos compartimentada, nomeadamente
para temas como a IA, serviços digitais
e telecomunicações"
62 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
The State
of The Nation of
Communications
2 JULHO
KEYNOTE SPEAKER
SANDRA MAXIMIANO
Presidente da ANACOM
“Muito se tem falado sobre a importância de ter empresas
com escala, com capacidade de investimento e de criação
de valor. Na minha visão, a concorrência não é inimiga
da escala, nem a escala, impeditiva da concorrência. Para
se investir em tecnologia são precisos recursos monetários
e a escala ajuda, tal como um ambiente regulatório
previsível e ágil, que tenha uma visão abrangente dos
interesses de todos os stakeholders. Ou seja, cujo objetivo
é a maximização do bem-estar social. Mas é preciso
também um ambiente dinâmico, onde a concorrência
saudável funciona como motor da criatividade, inovação
e diversidade de oferta de bens e serviços”
“Temos de ter reguladores que tenham visão
periférica, para poderem ser mais eficazes na sua
intervenção. Não deve ser uma intervenção
na defesa estrita do consumidor, mas na defesa
estrita do mercado como um todo. O papel da
regulação é criar um terreno de jogo equilibrado
para todos, sob pena de pormos em risco todos
os investimentos que estão a ser feitos e os serviços
prestados aos cidadãos”
“A nível nacional, estamos determinados em garantir
que os operadores dispõem já hoje do portefólio de
espectro necessário para enfrentar não só os desafios
do presente, mas também potenciar as oportunidades
do futuro. (…) Preparar o futuro começa agora. E garantir
o acesso eficiente e rápido ao espectro de que o setor
e a economia necessitam é uma das chaves para um
país mais conetado, mais inovador e mais competitivo”
“É inegável que a entrada da DIGI trouxe uma nova
dinâmica. Apresentou ofertas com preços mais baixos
e sem exigência de fidelização, o que teve uma resposta
por parte dos operadores instalados e isso, por sua vez,
tem gerado dinamismo no mercado, com movimentações
de clientes, que procuram explorar e beneficiar das novas
ofertas. Ainda é, no entanto, muito cedo para concluir
sobre a evolução da nova dinâmica de mercado”
Reveja a intervenção
Reveja a intervenção
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 63
EM DESTAQUE
DISCUSSION PANEL
The State
of The Nation of
Communications
2 JULHO
Reveja
as intervenções
ANA FIGUEIREDO
CEO, MEO
“Já existe concorrência
e diversidade de oferta
no mercado. Temos quatro
operadores a servir
10 milhões de pessoas. Na Alemanha há o mesmo
número para 80 milhões. O setor tem provado que
é transparente e que trabalha no desenvolvimento
de redes de nova geração. Os portugueses beneficiam
de uma qualidade de rede e de serviços superior
à média europeia. O que tem sido feito através de
investimento, inovação e concorrência. O que temos
de discutir é se somos um setor central e incontornável
na economia digital. Têm se ser criadas condições
para que haja investimento. Somos empresas e temos
de ter o retorno mínimo associado”
“O que é que queremos em termos de política
industrial e para o setor? Previsibilidade regulatória.
O espetro é um ativo essencial. Estamos à espera de
que possa haver condições adicionais de obrigações,
mas nunca com um custo adicional. Já temos custos
de regulação demasiado altos para o país e uma
complexidade regulatória elevada. Tenho dificuldade
em entender porque é que demoramos tanto tempo
a tomar as medidas necessárias. Não tendo
a previsibilidade, posso parar o meu investimento
em capacidade de rede. É isso que queremos,
num país como Portugal que tem reconhecidamente
uma geografia para ser um hub digital?”
“Com discussões ao nível do 6G estamos a pôr
a carroça à frente os bois. Primeiro temos de resolver
questões essenciais. A regulação é essencial e pode
ser um bloqueador ou incentivar o investimento.
Relativamente aos custos de regulação gostaríamos
que fossem manifestamente inferiores. A ANACOM
está a repartir os seus custos sobre o mercado”
LUÍS LOPES
CEO, Vodafone Portugal
“Não sei de a DIGI está a fazer
algum estrago. Porque, na
verdade, há dois mercados.
Um que quer ter serviços
de qualidade a um preço
justo. E esse, felizmente, é a larga maioria do lado
do consumidor e do setor empresarial. E há um
segmento que só quer o preço mais baixo, para
o qual também temos uma marca que o endereça.
Se me perguntar se está a ter um forte crescimento?
Não, não está”
“Faço um apelo à regulação no que diz respeito
ao espetro. Como operadores, a previsibilidade
no espetro é fundamental. Quando olhamos para
os investimentos que fazemos, e quando quase sempre
não há retorno há uma década, é fundamental termos
confiança. Ter espetro licenciado por períodos
de tempos significativos, em linha com a Europa,
e não de apenas em alguns anos e depois colocar-se
a possibilidade de haver novos leilões. Pelo menos
30 anos de prazo das licenças e não 10 ou 15 anos”
“Os custos de regulação em Portugal, quando
comparados em receitas de telecomunicações,
são muito mais altos do que na Europa. E o modelo
de financiamento é um modelo de custos, o que
não incentiva o regulador a fazer as suas próprias
eficiências. Infelizmente temos tanta litigância
com a ANACOM, que esta já impõe custos que
não podemos aceitar, como os juros de mora.
Gostaríamos que esta litigância simplesmente
acabasse”
64 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
Closing Session
2 JULHO
ROGÉRIO CARAPUÇA
Presidente, APDC
MIGUEL ALMEIDA
CEO, NOS SGPS
“No Congresso do ano
passado, disse que o destino
do setor é a consolidação,
porque o país não tem
capacidade para ter quatro operadores. Não tenho
dúvidas de que vai acontecer. A questão que se
coloca aos reguladores é se vamos fazê-lo com mais
ou menos prejuízo. E quanto mais tarde acontecer,
mais prejuízo vai dar. Vamos acumular atrasos,
porque o destino vai ser o da consolidação.
Está provado em quase toda a Europa e no
Mundo que ter três operadores é que garante
competitividade, investimento e inovação”
“Tem de haver um conjunto de medidas que permita
o reforço do investimento. E já foi claramente
expressa pela própria CE que é preciso aumentar
o período das licenças de espectro. Neste momento,
na melhor das hipóteses, se a ANACOM prosseguir
este caminho, em violação da determinação da
CE, não temos condições de investimento. Qual é o
incentivo, à data de hoje, quanto não sei dizer o que
me acontece daqui a oito anos? Isto não é aceitável”
“Temos necessidade de ter previsibilidade no
espectro que temos. Se for ampliado só por mais
uns anos, a NOS não vai investir mais na rede móvel.
É isto que queremos para o setor? Um país sem
competitividade digital e económica? O investimento
só é sustentável se houver condições. Introduzir
incerteza num momento destes é a loucura total.
É criminoso”
“Temos dois problemas: um económico, porque somos
um país de microempresas, e um cultural, porque
achamos isso bem. Mas temos um terceiro: queremos
tudo, por pouco dinheiro, mesmo as coisas sofisticadas.
Não podemos alinhar, digamos, neste espírito. Na década
de 2000 falávamos de inovação. Tínhamos televisão
interativa e inventámos o pré-pago. Fizemos coisas
que mais ninguém no Mundo ainda tinha feito. E o que
é que nós falamos hoje? Dos preços. É o espírito low-cost”
“Esse espírito passou para a opinião pública e, portanto,
recuperar disto é muito difícil. Mas é necessário.
Um papel fundamental hoje, dos reguladores e dos
próprios governos, é recuperar a imagem do setor,
dar-lhe condições para investir, para que não seja
remunerado abaixo do custo de capital. Porque não
interessa apenas defender os consumidores, para isso
existe a defesa do consumidor. O que é fundamental
é equilibrar o interesse daqueles com a saúde do negócio
e das empresas. Sem saúde de negócios e empresas,
os consumidores não vão ter serviços”
“Setores como os media atravessam um período muito
difícil. É difícil ser o melhor, ter os melhores jornalistas,
ter rigor e depois ser colocado em terceiro plano,
porque valorizamos os boatos, as notícias improvisadas
ou bombásticas ou as falsas notícias. As empresas têm
de ter condições para apresentar serviços de qualidade.
Com a ajuda de todos, vamos voltar a ter Portugal
no caminho da inovação. Valorizar o que temos
e fazemos, porque o que se faz por cá é tão bom
ou melhor do que o que vem lá de fora”
Reveja a intervenção
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 65
EM DESTAQUE
MUITO PARA LÁ DO PALCO
INOVAÇÃO
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Com uma nova
edição em formato
híbrido – presencial
e online, em formato
de programa de
televisão – o Congresso da APDC
realizou-se pela primeira vez na
Culturgest, em Lisboa. Neste espaço
multifacetado realizaram-se várias
iniciativas que potenciaram ainda
mais o networking e a troca
de ideias entre os participantes.
Uma das novidades foi o Innovation
& Tech Show, um espaço dedicado
à apresentação de projetos
disruptivos em setores estratégicos,
como as telecomunicações,
as ciências da vida ou a educação.
66 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
Assim, e tendo em conta o tema
central do Congresso – “Business
& Science – Working Together” –
foi criada uma área de exposição
tecnológica e científica, onde se
deu palco a projetos inovadores
resultantes da colaboração
entre empresas e instituições de
investigação e ensino. O objetivo foi
mostrar a forma como a tecnologia
está a potenciar a inovação e o
desenvolvimento económico em
Portugal. Cellnex, .PT, Daredata/
NOS, Inetum, MEO, Nokia, NTT
Data, GIMM e Sapo Tek marcaram
presença nesta montra de
tecnologia com impacto real, que
mostrou o que de melhor se faz no
país e a importância da inovação
colaborativa.
DA IDEIA ÀS APLICAÇÕES REAIS
A Capgemini, que esteve
novamente presente no espaço
Lounge do Congresso, apresentou
também soluções e demonstrações.
Foi o caso da ‘Unity Simulation
Suite’, uma solução com simulações
3D imersivas que permite explorar
e otimizar operações em diversos
domínios – desde linhas de fabrico
e sistemas robóticos a parques
eólicos, minas, ambientes de treino
de IA e até navegação aérea.
Já a solução ‘5G in a Box’ para
a implementação de redes privadas
usando tecnologias de código aberto
disponibiliza uma alternativa
poderosa para as empresas que
procuram uma implementação 5G
local e personalizada, na que é uma
das primeiras implementações
de infraestrutura 5G baseadas
em código aberto no mercado. Esta
solução permitiu uma demonstração
ao vivo do ‘Robotoc Dog’, que está
equipado com sensores e câmaras
HD e consegue subir escadas e
terrenos irregulares, mantendo
a transmissão de vídeo em tempo real.
MAIS MULHERES
A MOLDAR O DIGITAL
O lançamento da iniciativa aconteceu
a 11 de fevereiro deste ano, para marcar
o Dia Internacional das Mulheres e Meninas
na Ciência. Objetivo: acelerar o impacto
das melhores ações de atração e retenção
de talento feminino nas áreas STEM
(Ciência, Tecnologia, Engenharia e
Matemática) que estão a ser desenvolvidas
no País. No 34º Congresso foi dado um passo
em frente, com o anúncio das empresas
que apoiam o Prémio Women Shaping Tech
e que acreditam no poder da diversidade:
.PT, Accenture, AWS, DXC Technology,
Google, Inetum, NOS, NTT Data e Vodafone.
Como referiu a Diretora Executiva da APDC,
“este é muito mais do que um prémio,
é um compromisso das nossas empresas,
um compromisso com a representatividade
das mulheres no setor tecnológico”.
“Este prémio junta, para já, nove, empresas,
mas até ao final do ano queremos desafiar
mais empresas que tenham um compromisso
com a atração e retenção de mulheres
no setor tecnológico a juntarem-se a nós”,
acrescentou Sandra Fazenda Almeida.
Entretanto, já depois do Congresso,
juntaram-se também ao projeto
a Celfocus, Huawei e MEO.
A ideia surgiu na sequência de uma
colaboração realizada desde o ano passado
com a STEM Women Association,
para tentar mapear esforços de iniciativas já
no terreno para atrair e reter mulheres
no setor tecnológico. “Apercebemo-nos
de que havia disponibilidade de muitas
empresas em apoiarem mulheres para
mentoria, mas que era difícil essas iniciativas
saírem dos grandes centros urbanos.
Para isso, é preciso investimento
e percebemos que a APDC podia funcionar,
mais uma vez, como uma plataforma
agregadora de uma solução para se olhar
de forma holística para as iniciativas,
perceber o seu valor e aumentar o seu
impacto”, explicou Sandra Fazenda Almeida.
É essa a meta do Prémio Women
Shaping Tech: escalar e reforçar projetos
comprovadamente eficazes, permitindo-
-lhes chegar a mais jovens e fortalecer
a representatividade feminina no setor.
Será dada especial atenção a zonas do
interior ou menos cobertas por programas
semelhantes, de inclusão feminina nas STEM,
para permitir o desenvolvimento
de um ecossistema mais robusto, interligado
e sustentável e criar um efeito multiplicador
que beneficie toda a sociedade.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 67
EM DESTAQUE
A .PT deu a conhecer, no espaço
do Innovation & Tech Show,
a plataforma do Ponto Digital,
que se assume como o ponto
de encontro do digital no país.
Disponibiliza ações de formação,
iniciativas, concursos (fontes de
financiamento e prémios), estudos,
recursos, ofertas de emprego,
eventos e notícias na área do digital.
E liga ainda Portugal à Europa,
através da API (interface
de programação de aplicações)
com a Digital Skills and Jobs
Platform. Por sua vez, a Cellnex
apostou na mostra de soluções
inovadoras de cobertura indoor e de
densificação urbana desenvolvidas
pelo grupo ao nível europeu.
No espaço da Daredata/NOS
estiveram em exposição casos
de uso focados nos desafios das
telecomunicações, demonstrando,
através de situações de uso reais,
como se podem resolver desafios
de eficiência e crescimento,
e mostrando de forma transparente
como a IA é uma ferramenta
segura, auditável e com um
impacto muito positivo no negócio.
Assim, na área da IA Generativa,
foram apresentadas soluções
conversacionais (de suporte
do cliente) através de assistentes
de voz e chatbots inteligentes;
a automação inteligente
de processos para otimização
do back-office empresarial;
68 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
IDEIAS BRILHANTES COM IMPACTO REAL
‘MOBILIDADE E LOGÍSTICA’
‘RELACIONAMENTO COM
Num momento de celebração
dos projetos que estão
a transformar os nossos
territórios com tecnologia,
visão e impacto real, os
vencedores da 4ª edição do
Prémio Cidades & Territórios
do Futuro receberam
no Congresso da APDC
os seus respetivos troféus.
Mais de 40 responsáveis
de áreas como a academia,
setor público, tecnologia
e planeamento urbano
integraram o júri de seleção,
garantindo uma avaliação
multidisciplinar e criteriosa
dos candidatos de 2025, iniciativa
que foi patrocinada pela
Experis, Galp, REN e E-Redes,
que acreditam que a inovação
urbana é um motor essencial
de mudança.
Os vencedores nas várias
categorias, assim como
os projetos a quem foram
atribuídas menções honrosas,
demonstram que o país tem
no terreno um vasto conjunto
de soluções para tornar
as cidades e as regiões mais
inclusivas, inteligentes
e sustentáveis. Este prémio,
criado pela APDC, visa
estimular o desenvolvimento
de tecnologias de base
que tornem as cidades
e os territórios espaços
mais habitáveis, sustentáveis
e economicamente viáveis,
evidenciando o potencial
transformador da inovação
portuguesa. E já há múltiplas
soluções assentes em IA,
cloud computing ou machine
learning que mostram o
potencial inovador
e empreendedor nacional.
Os vencedores e as menções
honrosas foram, por categoria:
‘SAÚDE E BEM-ESTAR’
Vencedor: Vitruvian Shield,
uma plataforma de saúde digital
com IA e sensores inteligentes
para monitorização remota
de doentes. Foi desenvolvida
por Bruno Valinho Carrilho,
Paulo Martins e Vahid Khazaei
Nezhad.
‘IGUALDADE E INCLUSÃO’
Vencedor: Technovation
Girls Portugal, um programa
educativo que capacita
raparigas dos 8 aos 18 anos
com competências digitais
e de empreendedorismo.
É da responsabilidade
da Associação Ed-Ruptiva
(Happy Code).
Vencedor: Massificação
da rede de carregamento
de veículos elétricos, que
como o nome indica, visa
expandir massivamente
a infraestrutura de
carregamento para veículos
elétricos de forma sustentável
e eficiente. É liderado pela
Galp. Nesta categoria, foi ainda
atribuída uma menção honrosa
à ‘Informação em Tempo Real’,
projeto da CP que permite ter
uma plataforma de informação
com o estado da circulação
ferroviária.
‘QUALIFICAÇÕES’
Vencedor: Ubbu,
uma plataforma de literacia
digital e ensino de ciências
da computação para
crianças dos 6 aos 12 anos.
Foi desenvolvimento pela
empresa com o mesmo
nome. Também aqui foi
atribuída uma menção
honrosa à Machine-driven
Identification of Talent (MIT),
da Codefor All, um modelo
inovador de identificação
de talento.
‘SUSTENTABILIDADE,
ECONOMIA CIRCULAR E
DESCARBONIZAÇÃO’
Vencedor: Innovation and
Decarbonization Laboratory
(ID Labs), que visa a
descarbonização e a transição
energética na indústria,
com desenvolvimento
de novos combustíveis
sustentáveis e otimização de
processos industriais. A Galp
Energia é o promotor.
Foi ainda atribuída uma
menção honrosa ao buid.ing,
uma plataforma de simulação
de projetos construtivos
para novos edifícios criada
pela Silva e Pappas.
O CIDADÃO E PARTICIPAÇÃO’
Nesta categoria foi atribuída
uma menção honrosa
à Mensagem de Lisboa,
um projeto inovador de
jornalismo comunitário digital
que promove a participação dos
cidadãos e a inclusão social.
‘DESENVOLVIMENTO
ECONÓMICO’
A Startup Barreiro, incubadora
da Câmara Municipal, que apoia
a criação e o desenvolvimento
de negócios inovadores, com foco
nas áreas de cultura, criatividade
e sustentabilidade, recebeu
também uma menção honrosa.
Ainda no âmbito desta
iniciativa, foi entregue
pela Agência Nacional
de Inovação (ANI) o prémio
Born from Knowledge a João
Magalhães, CEO da Code for All,
pelo projeto Machine-
-driven Identification of Talent
(MIT). Todos os anos, aquela
entidade seleciona, entre os
candidatos ao Prémio Cidades
& Territórios do Futuro,
aquele que mais se destaca,
porque tem base científica,
utilizou investigação e
desenvolvimento e trabalhou
com o ecossistema nacional
de inovação. Tem ainda ações
de proteção de propriedade
intelectual, muito importante
quando se quer valorizar
o conhecimento e trazê-lo para
a economia. Como destacou
Sílvia Garcia, administradora
da ANI, além do valor monetário
de 2.500 euros, o prémio
consiste na entrega da ‘Árvore
do Conhecimento’, uma peça
artística criada por Leonel
Moura especialmente para este
galardão. Celebra-se assim
o talento que transforma ideias
em impacto real na sociedade.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 69
EM DESTAQUE
e o suporte e potenciação
de equipas, com o reforço
da produtividade das equipas
através de assistentes de IA que
funcionam como “co-pilotos”.
Já na área de Soluções de
Data Science esteve em destaque
a otimização de operações e rede,
com a aplicação de modelos
de machine learning para otimizar
operações críticas.
Mostrar o impacto que
a IA generativa pode ter na
transformação da educação
foi o objetivo da Inetum. Nesse
sentido, apresentou e demonstrou
o ‘Company Guru’, um AI Agent
disponibilizado através da
plataforma de IA empresa, que
pretende revolucionar a formação
corporativa através do conceito
“just drop”, Foram ainda
demonstrados casos práticos, como
a formação sobre legislação de férias
e o AI Act europeu.
A MEO também apostou numa
mostra de soluções implementadas nos
Centros Tecnológicos Especializados,
visando a modernização da oferta
dos estabelecimentos de ensino
e da formação profissional.
Estas soluções, desenvolvidas
pela MEO Empresas e pela sua rede
de parceiros, integram ferramentas
70 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
de IA e estão mapeadas por áreas
temáticas dos diferentes cursos
de formação: digital, informática,
industrial e energia. Uma das
soluções expostas foi a ‘Soldamatic’,
para a formação de soldadura
simulada com tecnologia de última
geração, baseada em realidade
aumentada.
Sendo no País o parceiro
tecnológico da FCCN, serviços
digitais da FCT – Fundação para
a Ciência e a Tecnologia, através
do fornecimento de uma rede
de transporte ótico a nível nacional
que liga instituições de ensino
superior e centros de investigação
em 26 cidades, a Nokia marcou
presença com a sua demonstração
de conetividade ‘Quantum-safe’.
Destina-se a proteger as NRENs
– Redes Nacionais de Ensino
e Investigação em termos de
privacidade e integridade dos dados,
face às ameaças da era quântica.
JOVENS MENTES, GRANDES SOLUÇÕES
O 34º Digital Business Congress
voltou a ser o palco para
o anúncio dos vencedores
da 5ª edição do Best Thesis
Award (BTA). Esta iniciativa
da APDC premeia anualmente
a excelência académica
nacional, destacando jovens
talentos que estão a marcar
o futuro do digital. A iniciativa,
que conta desde a sua primeira
edição com o apoio da
Axians Portugal, reconhece
as melhores dissertações
de mestrado desenvolvidas
por alunos do Consórcio de
Escolas de Engenharia (CEE)
e das Academias UPskill,
em três áreas estratégicas:
telecomunicações, tecnologias
de informação e media.
Os projetos premiados
refletem não só o rigor
académico, mas também
a originalidade, inovação
e impacto social – critérios
centrais de avaliação do
BTA. O júri, composto por
especialistas de referência nas
áreas a concurso e presidido
por um representante da
APDC, destacou a qualidade
excecional das candidaturas
recebidas. Todos os
vencedores receberam
um prémio pecuniário de
1.500 euros, sendo os prémios
entregues por Carla Madeira,
Pedro Valente e Nuno Pereira,
da Axians Portugal.
Assim, na categoria
Telecomunicações a vencedora
foi Mariana Amador Valente,
do Mestrado Integrado em
Engenharia Eletrónica
e Telecomunicações,
da Universidade de Aveiro.
Denominado “Antena de Banda
Larga para Sistemas de Radar
‘Through-Wall’”, o seu trabalho
é uma proposta disruptiva que
combina telecomunicações
e IA para criar uma antena
Vivaldi de banda ultra larga,
com aplicações em contextos
de segurança e emergência.
Já em Media, o vencedor
foi Daniel Gea Palenzuela,
do Mestrado em Multimédia,
da Faculdade de Engenharia
da Universidade do Porto.
Com o trabalho “Reconhecimento
de Objetos por Som para
Promoção da Navegação
Espacial e Semântica por
Pessoas com Deficiência
Visual”, tem uma abordagem
inovadora que transforma
imagens em sons, permitindo
que pessoas com deficiência
visual naveguem em ambientes
físicos com maior autonomia.
Por fim, em Tecnologias
de Informação, o vencedor
foi Pedro Manuel Vicente
de Almeida, do Mestrado
Integrado em Engenharia
Eletrotécnica e de
Computadores,
da Universidade de Coimbra.
Com o seu trabalho “Interação
de um Robô Social com
Utilizadores Humanos através
de Linguagem Natural”, criou
um robô social vocacionado
para o envelhecimento ativo,
que interage com utilizadores
através de linguagem natural.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 71
EM DESTAQUE
Já a Fundação GIMM –
Gulbenkian Institute for Molecular
Medicine apostou em mostrar a sua
missão de desvendar os mistérios
fundamentais da vida, tendo como
objetivo estar na vanguarda
da investigação transdisciplinar.
E o TekSapo demonstrou uma
nova tecnologia holográfica
ultrarealista, a HOLOBOX.
NO CENTRO DA REVOLUÇÃO
Esta 34ª edição do Congresso
da APDC contou com a Celnex,
Fasfiber, MEO, NOS, Vantage
Towers e Vodafone como
Patrocinadores Premium. A MEO
apostou também numa presença
mais reforçada da marca no
espaço físico do Congresso,
nomeadamente na entrada
do Auditório da Culturgest e nas
escadas de acesso. Já a NOS voltou
a marcar presença nas cadeiras
do Auditório. Destaque ainda
para a Galp, que foi Extra Sponsor
72 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
do Congresso, assim como para
a Axians, que foi a patrocinadora
dos badges e para a Minsait que,
tal como em 2024, marcou
presença na área do check-in.
A Experis, por sua vez, patrocinou
o almoço reservado realizado
no segundo dia do evento.
Foi também realizado o jantar
de lançamento do 34º Digital
Business Congress, que decorreu
a 30 de junho, também na
Culturgest. Este evento exclusivo
reuniu oradores, patrocinadores
e membros dos órgãos sociais da
APDC. E, no âmbito do Congresso,
organizaram-se nos dois dias
almoços reservados, destinados
a proporcionar uma oportunidade
única para interagir com outros
líderes empresariais, especialistas
em tecnologia e oradores.
Destaque ainda para a aplicação
oficial do #DBC2025, desenhada
para tirar o máximo partido
do evento, quer para os
participantes presenciais
quer online. Através da app,
foi possível explorar o programa
e oradores, com filtros e pesquisa
avançada, assim como criar
a sua agenda personalizada.
Permitiu ainda assistir online
ao Congresso, assim como aceder
à lista de participantes, enviar
mensagens e marcar reuniões,
entre outras vantagens. Além
de ser possível participar no jogo
oficial do Congresso, que voltou
a dar prémios aos participantes
mais ativos. As interações
multiplicaram-se, assim como
a adesão das empresas, que
atribuíram os prémios: .PT;
CIIWA; DELL Technologies;
Galp; Lisbon Digital School; Magycal;
Project Management Institute
Portugal.
CONVERSAS QUE
MOSTRAM CAMINHOS
As Live Talks APDC voltaram a marcar
nesta edição do Congresso. Os líderes
de algumas das empresas mais relevantes
do setor tecnológico participaram num
conjunto de conversas curtas, informais
e cheias de conteúdo transformador, grande
parte das quais com parceiros e clientes
empresariais. As conversas estiveram
focadas nos grandes temas que estão
a moldar o presente e o futuro da economia
digital, cada vez mais acelerado pela
revolução tecnológica a que se assiste.
Da IA e da computação quântica à inovação
em redes, para digitalizar e descarbonizar,
passando pela reinvenção com a IA,
pela inovação ou pela eficiência com
propósito, muitos temas estiveram
em debate. Em setores como a Defesa,
os cimentos, a Saúde, os aeroportos,
as telecomunicações ou as towercos,
ficou claro que os seus protagonistas estão
na linha da frente da inovação em Portugal,
criando soluções com impacto real.
E como o futuro se constrói a partir
de visões concretas e partilhadas, todas
as Live Talks estão já disponíveis online,
em vídeo (YouTube) e em formato áudio
(Spotify), num ciclo Dot Topics Especial
Congresso, que mostra como a tecnologia
e a colaboração estão a redesenhar o futuro.
Assista aqui às
live talks
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 73
5
Perguntas a...
Rodrigo Pedro
Gomes Cordeiro Santos
CEO COUNTRY DA INETUM HEAD PORTUGAL DA
CAPGEMINI ENGINEERING
TEXTO | ISABEL TRAVESSA
FOTOS | | TIAGO VÍTOR FRAZÃO/SYNCVIEW
GORDO/SYNCVIEW
Ouça este artigo
Tempo de escuta: 05ʹ25ʺ
74 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
5 PERGUNTAS
REFERÊNCIA
EM TECNOLOGIAS
DISRUPTIVAS
A aposta na IA, 5G e sustentabilidade digital está
a consolidar o país enquanto polo tecnológico global.
O country head da Capgemini Engineering em
Portugal há menos de dois anos quer consolidar o
projeto como parceiro estratégico da transformação.
1A CAPGEMINI ENGINEERING
FOCA-SE NA INDÚSTRIA
INTELIGENTE, ALÉM DO
ENGINEERING E R&D. DE QUE
FORMA ESTÁ A CONTRIBUIR PARA
A AFIRMAÇÃO DO PAÍS COMO
ECOSSISTEMA TECNOLÓGICO?
Enquanto área de negócio da Capgemini
Portugal, a Capgemini Engineering está focada
na criação de soluções, produtos e serviços
para a Indústria Inteligente. Integrados num
grupo internacional que aposta na inovação
e excelência tecnológica, temos contribuído
de forma decisiva para reforçar a posição
de Portugal como um polo tecnológico de
referência. O nosso Global Engineering Center
é um exemplo claro desta aposta: reúne
equipas locais que participam em projetos
locais e internacionais de grande escala,
implementando soluções desde a automação
inteligente à mobilidade sustentável. É um
motor de conhecimento e inovação que
coloca Portugal no centro de iniciativas
de elevada complexidade tecnológica com
impacto global. Outro pilar estratégico é
a nossa área de Technology & Innovation,
dedicada à pesquisa e desenvolvimento,
onde antecipamos as tecnologias do futuro
e cultivamos um ecossistema de parcerias
que impulsiona a transformação da indústria.
Desta forma, estamos a consolidar o papel
de Portugal não apenas como um país
de grande potencial, mas como um parceiro
estratégico no seio da Capgemini e no futuro
da engenharia à escala global.
2QUAIS AS TENDÊNCIAS QUE
ESTÃO, NA SUA ÓTICA, A
MARCAR A INOVAÇÃO NACIONAL?
O país é muito aberto à inovação e continua
a destacar-se como early-adopter de novas
tecnologias. Destaco áreas como
a inteligência artificial (IA), digital twins,
5G, edge computing ou sustentabilidade
digital. Há três principais tendências que
marcam de forma clara o ecossistema:
a aceleração da transformação digital,
impulsionada pela IA e automação;
a crescente relevância da sustentabilidade
e transição energética, que está a criar
oportunidades em setores como
a mobilidade e a energia; e o reforço
da cibersegurança e resiliência digital,
essenciais para a competitividade das
organizações. Sendo que a inovação está
a ser impulsionada por uma combinação
de fatores: políticas públicas orientadas
para a transição digital, maior colaboração
entre empresas e academia e uma nova
geração de talento tecnológico.
3E QUE SETORES ESTÃO
MAIS AVANÇADOS
NA ADOÇÃO DESTAS
TECNOLOGIAS DISRUPTIVAS?
As áreas com maior abertura são aquelas
onde o impacto é mais imediato. A saúde,
o retalho e os serviços financeiros, pela
forte digitalização do relacionamento
com o cliente. A energia e utilities, pela
necessidade de modernizar infraestruturas
e integrar renováveis. E a indústria em
termos gerais, já que os digital twins,
a conetividade 5G, a análise preditiva,
as plataformas digitais colaborativas
e a automação estão a transformar
processos de produção e manutenção.
A Agenda Mobilizadora Route 25 é um
bom exemplo de utilização de tecnologias
disruptivas de comunicação V2X sobre
redes 5G para manobras colaborativas
no contexto da mobilidade autónoma.
4COM OS PRAZOS DO PRR A
APROXIMAREM-SE DO FIM, QUE
AVALIAÇÃO FAZ DA FORMA COMO AS
EMPRESAS TIRARAM PARTIDO DELE?
O facto dos prazos se aproximarem cria,
naturalmente, pressão na execução dos
projetos em curso. Mas faço uma avaliação
globalmente positiva: o PRR tem funcionado
como um acelerador importante de inovação
e de transformação digital, permitindo colocar
em prática iniciativas estruturantes que, de
outra forma, demorariam muito mais tempo
a concretizar-se. Apesar dos desafios inerentes
à execução em larga escala, sobretudo
no setor público, há uma evolução positiva
na maturidade dos projetos, com muitos já
em fase de implementação ou de validação
tecnológica. Apesar dos desafios de execução
e regulação, muitos desses projetos já estão
a gerar resultados concretos: criação de
emprego qualificado, atração de investimento
e reforço da competitividade tecnológica
do país. O impacto do PRR vai muito além
dos prazos de execução, pois trata-se de
deixar um legado de inovação e capacidade
instalada que vai transformar e promover
a competitividade da indústria nacional.
5QUE PAPEL AMBICIONA
PARA A CAPGEMINI
ENGINEERING EM PORTUGAL NUM
HORIZONTE A CINCO ANOS?
Continuar a contribuir para o sucesso
da Capgemini Portugal, com as nossas áreas
de atuação a serem reconhecidas como
motores de inovação e de transformação
tecnológica, reforçando o nosso papel
dentro do ecossistema nacional e do
grupo. Nos últimos anos, temos feito um
esforço para maximizar o investimento em
parcerias com clientes, porque acreditamos
que a inovação tem mais valor quando
alinhada com o negócio. Queremos por
isso, ser percecionados como um player
de referência em tecnologias disruptivas.
A tecnologia está a evoluir cada vez mais
depressa e estamos preparados para
suportar os nossos clientes nos seus desafios
do futuro. Temos capacidade para entregar,
de forma ágil, projetos de grande escala.
Mas, mais do que isso, nos próximos cinco
anos, ambicionamos consolidar a Capgemini
Engineering como um parceiro estratégico
na transformação tecnológica, com foco
na inovação sustentável, engenharia digital
e desenvolvimento de competências
que impulsionam a indústria inteligente
do futuro.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 75
NEGÓCIOS
INOVAR COM
ASSINATURA
‘MADE IN
PORTUGAL’
Tornar o país num laboratório vivo de inovação tecnológica
e projetá-lo na liderança europeia é a ambição. E projetos
como o Route 25 mostram que não só é possível como
já é uma realidade. Liderado pela Capgemini, o consórcio tem
soluções que cruzam IA, conetividade 5G, sistemas autónomos
e sustentabilidade.
TEXTO | ISABEL TRAVESSA
Fotos cedidas
76 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 77
NEGÓCIOS
O
país afirma-se
cada vez mais
como um polo
de inovação no
cenário europeu
e a Capgemini Portugal tem
um papel ativo neste caminho.
Através do seu braço-armado
para a indústria inteligente,
a Capgemini Engineering, aposta
em desenvolver projetos de
referência e de larga escala, que
cruzam inteligência artificial (IA),
conetividade 5G, sistemas
autónomos e sustentabilidade.
O Route 25, uma das Agendas
Mobilizadoras de referência,
é o símbolo da ambição do grupo:
transformar a mobilidade num
laboratório vivo de inovação
e projetar o mercado nacional
na linha da frente da engenharia
europeia.
Criado há cerca de cinco anos,
o projeto é considerado das
iniciativas mais estruturantes
das 53 Agendas Mobilizadoras
nacionais. A Capgemini lidera um
consórcio que envolve atualmente
29 parceiros, entre empresas,
universidades, municípios e
centros de investigação e que conta
com financiamento do Plano de
Recuperação e Resiliência (PRR).
Esta iniciativa veio materializar o
conceito de mobilidade inteligente:
veículos que comunicam entre si
e com a infraestrutura, cidades
conetadas, transportes mais
eficientes e uma experiência
de mobilidade mais segura
e sustentável.
Como explica Rodrigo Cordeiro,
Country Head da Capgemini
Engineering em Portugal,
“queremos criar soluções com
utilidade real para a sociedade
e não apenas protótipos
tecnológicos. Estamos a aproximar
a inovação do mercado, para
responder a necessidades reais
e concretas. Porque fazer inovação
só por fazer não faz sentido, tem
de estar alinhada com o negócio
e contar com o envolvimento
dos clientes”.
A operação portuguesa da
Capgemini já investe há muito
na inovação e na pesquisa e
desenvolvimento (R&D) e tem
mesmo participado em muitas
calls, europeias e nacionais, para
projetos de inovação. Para o gestor,
a grande mudança que se tem
vindo a operar é a de inovar cada
vez mais com os clientes, não só
para acelerar a transição digital
e sustentável da mobilidade,
mas também para posicionar
Portugal como um hub europeu
de tecnologia aplicada à
mobilidade conetada.
COMPETÊNCIAS E DIFERENCIAÇÃO
Sendo o país um early
adopter de novas tecnologias,
a estratégia tem passado por
ganhar mais competências,
desenvolver projetos cada vez
mais diferenciados e exportar o
conhecimento e talento nacional.
“Não queremos ser apenas uma
empresa que ajuda a escalar
78 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
Route 25:
Futuro da mobilidade já chegou
O resultado de três anos de trabalho do Route 25 foram apresentados em
setembro em três demonstrações práticas no país, dedicadas à transformação
da mobilidade urbana inteligente. Ficaram claros os avanços obtidos nos
veículos autónomos, infraestruturas conetadas e soluções digitais para
cidades mais eficientes e seguras. Mas nem todas as soluções apresentadas
estão preparadas para ir para o mercado. João Neves alerta que se trata
de “provas de conceito e demonstradores reais, com um nível de maturidade
já bastante avançado. Mas que, dependendo do caso de uso, terão de ser
refinadas, de evoluir e serem re-testadas. Outras já estarão prontas para
comercializar”.
SEGURANÇA
EM 1º LUGAR
A primeira demonstração decorreu
a 9 de setembro, na Zona Industrial
da Mota, em Ílhavo. O foco
foi a segurança e fiabilidade
dos sistemas em desenvolvimento,
sendo apresentado o Safety Monitor,
uma tecnologia inovadora que
intervém automaticamente em
situações de risco, assegurando
segurança ativa e monitorização
em tempo real através de uma
rede privada 5G. O evento contou
com a colaboração do Instituto de
Telecomunicações, da Nexar
e Câmara Municipal de Ílhavo.
MANOBRAS
COOPERATIVAS
Já a 15 de setembro, no
Queimódromo do Porto,
foi demonstrado o Cooperative
Maneuvers Module, desenvolvido
pela Capgemini Engineering e pela
área de negócio exclusivamente
dedicada ao desenvolvimento
de produtos e serviços para a
indústria inteligente. Esta tecnologia
permite decisões colaborativas
entre veículos autónomos através
de comunicação V2X (comunicação
veicular e infraestrutura), suportada
por uma rede privada 5G e pelo
Safety Monitor, garantindo manobras
seguras e fiáveis. Presentes
estiveram o IAPMEI, Porto Digital,
Galp, VdA, Mobinox, IT, Nexar e CEiiA.
MOBILIDADE
INTELIGENTE
O ciclo de demonstrações culminou
a 17 de setembro, no Parque
de Exposições de Aveiro, com
uma apresentação abrangente
das tecnologias desenvolvidas
no âmbito do ecossistema inovador
do Route 25. Nomeadamente:
a operação de veículos autónomos
em ambiente real; tecnologias
de comunicação avançadas;
sistemas de perceção cooperativa;
soluções de estacionamento
inteligente; integração multimodal
de transportes; visualização em
tempo real e aplicações de realidade
aumentada/virtual; e migração
de serviços em edge computing.
Vários parceiros do consórcio, como
o IT, Ubiwhere, Nexar, NOS,
Vodafone, Vortex e Câmara
de Aveiro participaram, reforçando
a sinergia entre indústria, academia
e tecnologia.
O líder de tecnologia e inovação
da Capgemini Engineering deixa
também claro que todos os produtos
desenvolvidos no âmbito deste
ecossistema respondem aos desafios
globais da mobilidade: redução de
emissões e promoção da mobilidade
elétrica; melhoria da segurança
rodoviária através de tecnologias
preditivas; eficiência operacional para
operadores de transporte e logística;
e experiência personalizada para
o utilizador, com base em dados e IA.
E a criação de valor para Portugal
é significativa, já que o projeto
permite a capacitação tecnológica
nacional, com transferência de
conhecimento entre academia
e colabs para a indústria. A geração
de emprego qualificado em
engenharia, ciência de dados e
desenvolvimento de software, com
a criação de centenas de empregos
altamente qualificados é outra
vantagem. Tal como o potencial de
exportação de soluções tecnológicas
desenvolvidas localmente
para diferentes geografias e o
fortalecimento da cadeia de valor
industrial, com impacto em setores
estratégicos, como o automóvel,
energia, telecomunicações
e software.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 79
NEGÓCIOS
O Safety Monitor é uma tecnologia
inovadora que intervém
automaticamente em situações
de risco, assegurando segurança
ativa e monitorização em tempo real
através de uma rede privada 5G.
projetos aos clientes, mas que os
desafie a irem mais longe, para
outros caminhos. É uma mudança de
mindset e temos de estar preparados
para ela”, pelo que o grupo está a
desenvolver iniciativas cada vez
mais complexas e a construir
demonstradores que comprovam
as suas competências e a aposta nas
“tecnologias do amanhã”.
Como submarca da Capgemini
para a indústria inteligente e R&D,
a Capgemini Engineering dispõe
de vários laboratórios de ponta,
localizados em Lisboa, Gaia e
Fundão. O Media Lab, o Mobility
Lab ou o 5G Lab são exemplos
de centros de excelência para a
pesquisa de novas tecnologias em
setores como a mobilidade, as
telecomunicações e a indústria 2.0.
Parte da Capgemini Engineering
em Portugal é um dos 11 Global
Engineering Centers (GEC) que o
grupo detém mundialmente, que
atua como um recurso global.
Mais recentemente, a equipa
nacional conseguiu captar para
o país mais investimento, com a
criação de um High Performance
Computation Lab (HPC). Este
é um dos três laboratórios a
nível mundial da Capgemini
especializados em desenvolver
capacidade de computação
elevada para treinar modelos de IA
generativa.
“Hoje já não se fala só em large
language models (LLMs), mas
também de small language models.
São modelos mais pequenos, que
não requerem estar sempre ligados
à internet e que podem funcionar
em dispositivos com menor
capacidade de processamento.
Estes modelos precisam de
ser treinados antes de serem
implementados nos equipamentos,
e é precisamente neste âmbito
que o novo centro, situado
no Fundão, vai atuar: tirando
partido da elevada capacidade
de computação disponível e de
dados representativos de cenários
reais, vai apoiar o treino dos
modelos, sempre em ambientes
seguros e em conformidade com
a regulação”, explica Rodrigo
Cordeiro.
Para João Neves, Head of
Technology & Innovation da
Capgemini Engineering, este
centro assume-se mesmo como
uma verdadeira “incubadora de
use cases de IA generativa para o
grupo. Não vendemos tecnologia,
que é um meio para um fim, mas
sim soluções para problemas
concretos. Tentamos sempre
manter as coisas simples e rápidas
“Queremos criar
soluções com utilidade
real para a sociedade e
não apenas protótipos
tecnológicos. Estamos
a aproximar a
inovação do mercado,
para responder a
necessidades reais
e concretas. Porque
fazer inovação só por
fazer não faz sentido,
tem de estar alinhada
com o negócio e contar
com o envolvimento
dos clientes”
Rodrigo Cordeiro
e olhamos para o problema que
o cliente tem, para perceber qual
é a melhor tecnologia que o resolve,
de uma forma mais económica
e sustentável. Sempre a pensar já
também em use cases para
o futuro”.
80 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
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NEGÓCIOS
“Estamos agora
numa fase avançada
de desenvolvimento
e validação, com
resultados concretos
em áreas como
eletrificação,
conetividade
e IA aplicada
à mobilidade”
João Neves
O Route 25 foi criado para
desenvolver soluções de
mobilidade autónoma, conetada,
inteligente e sustentável que
fossem verdadeiramente
transformadoras.
Entre as principais áreas de
especialização da Capgemini
estão o automotive e o embedded
software, onde o grupo reforçou
significativamente a partir
de 2020. Para tirar partido
de toda a expertise adquirida, não
só a nível nacional como global,
uma vez que o grupo trabalha
com os principais fabricantes
automóveis e com os grandes
fornecedores de equipamentos,
a subsidiária nacional avançou
com uma proposta de criação
de um projeto no âmbito das
Agendas Mobilizadoras do PRR.
IR AINDA MAIS LONGE
Foi desta proposta que nasceu
o Route 25, criado para desenvolver
soluções de mobilidade autónoma,
conetada, inteligente e sustentável
que fossem verdadeiramente
transformadoras. Depressa se
reuniu um conjunto de parceiros
diversificado, entre entidades
públicas e académicas, colabs,
startups, PME, indústria e
operadores. Ao todo, o consórcio,
liderado pela Capgemini, arrancou
com 26 entidades.
Com um investimento total
inicial previsto de 51,3 milhões
de euros, dos quais mais de
32 milhões financiados pelo PRR,
o projeto arrancou formalmente
em outubro de 2022, decorrendo
até final deste ano. Previa o
desenvolvimento de 47 produtos,
processos e serviços inovadores (PPS)
relacionados com: sistemas de
condução assistida e autónoma
para mobilidade segura;
experiência digital adaptativa
para mobilidade cooperativa;
infraestruturas conetadas para
cidades resilientes e inclusivas;
infraestruturas inteligentes para
mobilidade interurbana de baixo
carbono; e implementação de
demonstradores de larga escala.
As projeções apontavam ainda
para uma geração de 80 a 100
milhões de euros em vendas
diretas, a criação de entre 488
a mais de mil postos de trabalho,
e a redução de até 85% das
emissões de CO2 e de até 30% no
número de acidentes rodoviários,
através das novas soluções
implementadas. A criação de uma
nova cadeia de valor nacional, com
elevada intensidade tecnológica
e reforço da coesão territorial, era
outra ambição.
A Capgemini Engineering, além
de líder do consórcio, assumiu-se
ainda como safety authority do
Route 25, desempenhando um
82 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 83
NEGÓCIOS
papel crucial na coordenação
e garantia da segurança dos
demonstradores e testes em
ambiente real, lidando com
sistemas complexos que envolvem
vidas humanas, veículos e
infraestruturas rodoviárias.
Volvidos três anos de execução,
os resultados obtidos evidenciam
bem o sucesso do Route 25.
Setembro foi um mês marcante
para o projeto, com a realização de
várias demonstrações, abrangendo
três regiões – Porto, Aveiro/Ílhavo
e, em outubro, no Fundão – com 22
casos de uso, que permitem validar
desde manobras cooperativas até
transições urbano-interurbano.
“Estamos agora numa fase
avançada de desenvolvimento
e validação, com resultados
concretos em áreas como
eletrificação, conetividade e IA
aplicada à mobilidade”, explica
João Neves. Para quem os “testes
e demonstrações em ambiente
real nos municípios envolvidos
têm apresentado resultados
promissores. Para o gestor
“é um orgulho sermos líderes
desta agenda tão ambiciosa. Ficou
claro o nosso compromisso e
competência na gestão dos projetos.
Houve apenas uma empresa que
saiu do consórcio, o que também
mostra a nossa capacidade de
escolher os parceiros”.
O desenvolvimento
de digital twins
para simular
e testar software
de condução autónoma
em ambiente
virtual, reduzindo a
necessidade de testes
extensivos em estrada
e, consequentemente,
a pegada carbónica,
é uma das iniciativas
Os projetos, garante Rodrigo
Cordeiro, “são verdadeiramente
transformadores, comprovando
que conseguimos estar na
linha da frente, contribuir
com conhecimento técnico,
metodologias ágeis e soluções
escaláveis. E, ao mesmo tempo,
mobilizar talento, universidades
e parceiros empresariais
para desenvolver soluções
com impacto real e com uma
escala internacional”. Mais:
o conhecimento gerado tem
“sinergias e efeitos de arrasto”
que podem ser estendidas a outros
setores industriais, como
a defesa, aeroespacial, energia
ou a indústria 4.0, reforçando
o papel de Portugal como hub
de inovação dentro do grupo
Capgemini.
E há novos desenvolvimentos,
que surgiram na sequência da
reprogramação das Agendas
Mobilizadoras em agosto, com
o Governo a estender o prazo até
final do primeiro semestre de 2026.
Com o Route 25 já em fase final
de conclusão, o consórcio decidiu
fazer uma reprogramação para
criar mais produtos e serviços,
abrindo o projeto a mais três
parceiros. O portefólio passou
de 47 para 58 Produtos, Processos
e Serviços (PPS).
“Sendo ambiciosos, quisemos
ir além do previsto e criar mais
produtos e serviços para o
mercado. A extensão permite
consolidar pilotos e escalar
soluções com impacto real na
vida das pessoas”, explica o Head
of Technology & Innovation da
Capgemini Engineering.
“Só de pensarmos que os carros
têm de fazer centenas e centenas de
milhares de quilómetros para testar
84 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
um software, imagina-se
a pegada carbónica ou energética
associada… Então, porque não criar
um digital twin que permita simular
com precisão o comportamento
físico e ambiental do veículo, testar
o software em ambiente virtual
e validar a sua performance antes
de ir para estrada?” questiona
João Neves. Projetam ainda
trabalhar numa outra iniciativa
inovadora: um telecomando
remoto de veículos reais através
de redes 5G de baixa latência, com
aplicações em situações de risco
ou para manobras complexas
de veículos pesados, como o last
mile de camiões.
CATALIZADOR DE TUDO
A IA é um pilar central do Route 25,
sendo aplicada de forma transversal
em várias áreas do projeto.
Entre as principais aplicações
estão sistemas de apoio à condução
e condução autónoma, que
utilizam visão computacional
e IA para interpretar o ambiente
e tomar decisões seguras. Mas
também nos digital twins,
que permitem testar sistemas
avançados de assistência ao
condutor e condução autónoma
em ambientes virtuais, acelerando
assim o desenvolvimento de
software. Ou ainda os sistemas
de segurança redundantes,
que permitem prever em tempo
real situações em que o software
de condução autónoma reage
de forma incorreta e coloca
veículos, ocupantes e utilizadores
vulneráveis na estrada em
segurança.
Os responsáveis da Capgemini
referem ainda a análise preditiva
de tráfego, que permite antecipar
congestionamentos e otimizar
fluxos de mobilidade urbana
e interurbana. Assim como
a deteção de anomalias em veículos
e infraestruturas, através de
algoritmos de machine learning
que monitorizam o estado
dos sistemas em tempo real.
Ou ainda a otimização de rotas
e gestão de portagens, com base
em dados históricos e em tempo
real, reduzindo tempos de viagem,
congestionamento e consumo
energético. E a personalização
da experiência do utilizador,
com recomendações inteligentes
de trajetos, modos de transporte
e horários, adaptados ao perfil
e contexto de cada cidadão.
João Neves enfatiza o impacto
transformador da IA: “é, sem
dúvida, um catalisador da
mobilidade inteligente e sustentável
que queremos construir”. A visão
é de um futuro com acidentes
rodoviários drasticamente
reduzidos, congestionamentos
minimizados e transportes públicos
eficientes. E a imaginação é
certamente o limite.
Mas há ainda um outro eixo
estratégico, essencial quando se
utilizam tecnologias de ponta para
criar soluções do futuro:
a cibersegurança. João Neves
diz mesmo que é uma das áreas
onde a Capgemini está a inovar a
partir de Portugal, nomeadamente
através do centro de competências
em post-quantum cryptography
localizado no país, que desenvolve
algoritmos de encriptação robustos
para endereçar a computação
quântica. E já estão também a
desenvolver projetos com clientes.
Criaram ainda, em parceria com
o Instituto de Telecomunicações,
um laboratório de comunicações
quânticas, a partir de um
projeto da própria Capgemini.
O equipamento deste projeto foi
doado ao IT para o novo laboratório,
porque “é lá que estão muitos
PhD e alunos a trabalhar e
achámos que íamos mais longe
com parceiros”. E estão também
a trabalhar na área de validação
de chips seguros para a indústria
automóvel.
Afinal, remata Rodrigo Cordeiro,
“temos de pensar em ter soluções
criativas mais seguras. Não vamos
estar 100% imunes a riscos.
Mas ficarmos quietos não é
a solução. Temos de ter noção dos
riscos e tentar mitigá-los o máximo
possível. Sabemos a preocupação
que esta área tem e é por isso que
também em Portugal estamos
a desenvolver competências no
que são as necessidades do futuro
nesta área”.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 85
I TECH
PEDRO COELHO
O FASCÍNIO DE
CONTROLAR A MÁQUINA
Da programação em Basic no Spectrum à IA que já integra no dia a dia,
a relação do diretor-geral da HP Portugal com a tecnologia combina
fascínio e pragmatismo, num equilíbrio entre o entusiasmo pela
inovação e a consciência dos seus desafios.
FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW
Há tecnologias que
marcam uma época.
Para Pedro Coelho
não há dúvidas:
a inteligência
artificial (IA) é um desses marcos.
“Desde cedo tornou-se claro que
a IA teria um poder transformador”,
diz, fazendo um paralelo com
a eletricidade: ambas são tecnologias
transversais, capazes de atravessar
setores, mercados e a própria
sociedade, abrindo espaço a novas
formas de trabalhar e de criar.
É por isso, com naturalidade,
que a IA já faz parte da rotina
do diretor-geral da HP Portugal,
seja na preparação de reuniões,
na análise de dados ou na criação de
conteúdos. “Introduzo-a no dia a dia,
porque vejo-a como um verdadeiro
acelerador de produtividade
pessoal.” Ferramentas como
o Copilot, o ChatGPT ou o Gemini
integram assim o seu quotidiano,
a par do HP AI Companion,
que permite correr modelos de IA
diretamente nos PC HP, garantindo
eficiência, privacidade e menor
dependência da cloud.
Mas a velocidade do progresso
exige também responsabilidade.
“Preocupa-me até que ponto
estamos preparados para regular
de forma eficiente e segura os
avanços da IA. É preciso encontrar
o equilíbrio entre entidades
privadas, movidas por interesses
comerciais, e entidades públicas,
focadas na defesa dos cidadãos.”
Para Pedro Coelho, o debate deve
ser transparente e inclusivo: “A pior
reação será escondermo-nos
ou evitarmos esta discussão.”
Essa visão estende-se a um mundo
que se assume cada vez mais digital.
“É inevitável evoluir para um mundo
com ainda mais acesso ao digital e
muito mais penetração da tecnologia,
mas onde o importante é, de forma
equilibrada e controlada, colocá-la
em nosso benefício”, explica.
Já a atração de Pedro Coelho pela
inovação tecnológica vem de longe,
ainda dos anos 80. Aos 14 anos, o seu
Spectrum 2048 abriu-lhe portas
à programação em Basic e à perceção
de que era possível “dominar uma
máquina aparentemente mais
inteligente do que nós”. Foi o ponto
de partida para os estudos em
Engenharia Informática, a que
se seguiu a Gestão e o Marketing
– hoje, três pilares da sua carreira.
A curiosidade e vontade de aprender
mais leva-o a ser um assíduo ouvinte
de podcasts no Spotify. Do “Expresso
da Manhã” ao “CEO é o Limite”,
passando pelo “Isto não é assim tão
simples”, a lista inclui ainda outros
conteúdos sobre inovação, liderança
e inteligência emocional.
Mas para equilibrar o digital
com a vida pessoal, Pedro Coelho
tem regras: “Em determinados
momentos, tenho de me impor
a disciplina de colocar a tecnologia
de lado e dar tempo a uma realidade
mais analógica.” Uma postura
que, admite, não lhe surge de
APPS FAVORITAS
Spotify
Assíduo ouvinte
de podcasts, trata-se
de uma ferramenta
indispensável no seu
quotidiano
Blinklist
Não substitui a leitura
de livros, mas os seus
resumos de 15 minutos
ajudam a selecionar
obras
Waze
A aplicação é uma
importante ajuda
para se orientar
e gerir a circulação
no trânsito
Ouça este artigo
Tempo de escuta: 04ʹ22ʺ
86 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
“Introduzo a
IA no dia a dia,
porque vejo-a como
um verdadeiro
acelerador de
produtividade
pessoal”
O portátil – um HP Elitebook X – é o
equipamento de eleição de Pedro Coelho,
sobretudo para “criar conteúdo”
forma natural, mas que considera
essencial. O gestor não se considera
também propriamente um early
adopter. “Se me derem um telemóvel
novo para as mãos, posso não ter
tempo para perceber todas as suas
funcionalidades. Prefiro esperar
e deixar que a tecnologia amadureça.”
No seu dia a dia, o telemóvel
é essencial, sobretudo para recolher
informação, mas o portátil – um HP
Elitebook X – é o seu equipamento
de eleição: “Mais do que consumir
conteúdo, frequentemente tenho
necessidade de criar conteúdo.
É no portátil que encontro essa
capacidade”.
Já na sua lista de aplicações
preferidas surgem o Waze, o Spotify
e o Blinkist – ferramenta que resume
livros em 15 minutos. “Uso-a não
para substituir a leitura de um livro,
mas para rapidamente aferir se vale
a pena aprofundar aquela obra.”
Se no presente privilegia
ferramentas que lhe poupam tempo,
o diretor-geral da HP aguarda
pelo passo além na tecnologia.
“Ambiciono o dia em que possamos
ter uma interface mais natural
com o computador.” Um caminho
de “computação contextual”,
em que os equipamentos, perante
determinados contextos, “percebam
as tarefas que estamos a realizar
e adicionem valor, simplificando-as”.
Para Pedro Coelho, a tecnologia
é sobretudo um caminho aberto
para o futuro: “é algo sempre
em movimento, com grande
dinamismo, e que nos dá sempre
algo para explorar”.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 87
Barómetro
RH
ESPAÇO RESERVADO A TENDÊNCIAS NA ÁREA DO TALENTO
E DOS RECURSOS HUMANOS
EQUILÍBRIO DE MULHERES E HOMENS
NOS ÓRGÃOS DE GESTÃO DAS EMPRESAS
Há uma evolução positiva na representação
das mulheres nos órgãos de gestão, embora
persistam desafios significativos, sobretudo
nos cargos executivos. Ou seja, as empresas
sujeitas à lei cumprem numericamente
o limiar mínimo constante da mesma (1/3
do sexo sub-representado), mas as mulheres
ocupam sobretudo funções não executivas,
nomeadamente de fiscalização e supervisão,
o que revela que ainda estão longe dos cargos
de poder e decisão.
As conclusões são do Barómetro do Equilíbrio
de Mulheres e Homens nos Órgãos de Gestão
das Empresas em Portugal – WoBómetro,
do Observatório Género, Trabalho e Poder.
Este projeto resultou de uma iniciativa
da ISEG Research – Instituto Superior
de Economia e Gestão, da Universidade
de Lisboa, e visa promover a investigação
e divulgação de informação, cientificamente
validada, sobre desigualdades de género
nas esferas laboral e económica.
O estudo mostra que nas empresas cotadas
em bolsa, as mulheres ocupam 34% dos
lugares nos órgãos de administração, com
uma presença mais expressiva em cargos não
executivos (46%) do que nos executivos (15%).
No PSI, os números são semelhantes, mas
destaca-se a ausência total de mulheres em
cargos de CEO, evidenciando uma barreira
persistente ao acesso à liderança de topo.
O SEE apresenta melhores indicadores, com 42%
de mulheres nos órgãos de administração e uma
distribuição equilibrada entre cargos executivos
e não executivos. Já no SEL, a presença feminina
ronda os 35%, com uma ligeira predominância
nos cargos executivos (39%).
O relatório atualiza ainda o Índice Women
on Boards (WoB), que avalia o equilíbrio
de género nos conselhos de administração.
Este índice, inspirado nas recomendações
do Conselho da Europa, considera como
ideal uma representação equilibrada de 50%
de cada sexo. O Observatório é coordenado
por uma equipa de investigadores/as da ISEG
Research / Policy Lab: Sara Falcão Casaca,
Maria João Guedes, Ricardo Rodrigues
e Susana Ramalho Marques.
O estudo foi publicado oito anos após a publicação da lei que estabelece
o regime de representação equilibrada entre mulheres e homens nos órgãos
de administração e de fiscalização
RECOMENDAÇÕES
PARA ACELERAR
A REPRESENTAÇÃO
EQUILIBRADA
NO TOPO
Consulte aqui o estudo
Reforçar a fiscalização do cumprimento da Lei
Assegurando não só a monitorização dos valores dos limiares numéricos mínimos,
mas também a implementação e acompanhamento dos Planos para a Igualdade.
Aumentar a transparência
Promovendo a divulgação pública dos planos e dos resultados da sua monitorização.
Adotar indicadores claros e metas mensuráveis
Que permitam avaliar objetivamente o progresso em direção à representação
equilibrada.
Integrar os planos de igualdade na estratégia global
das organizações
Garantindo o envolvimento ativo da liderança e a responsabilização pelos resultados.
88 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
PRINCIPAIS RESULTADOS WOBÓMETRO 2025
Empresas Cotadas
em Bolsa
Empresas
do PSI
Setor Empresarial
do Estado (SEE)
Setor Empresarial
Local (SEL)
Mulheres representam
34% dos membros
dos órgãos de administração
(em relação a 2018)
15%
dos membros em cargos
executivos
46%
dos membros em cargos
não executivos
10
A presença feminina
no cargo de presidente
de órgãos de fiscalização
aumentou, de 2 para 10
Mulheres representam
34% dos membros
dos órgãos de administração
(em relação a 2018)
14%
dos membros em cargos
executivos
44%
dos membros em cargos
não executivos
0
Nenhuma mulher exerce
o cargo de CEO
34% 34% 42% 35%
Mulheres representam
42% dos membros
dos órgãos de administração
(em relação a 2019)
43%
dos membros em cargos
executivos
45%
dos membros em cargos não
executivos
28
A presença feminina
no cargo de presidente
de órgãos de administração
aumentou, de 18 para 28
Mulheres representam
35% dos membros
dos órgãos de administração
(em relação a 2019)
39%
dos membros em cargos
executivos
45%
dos membros em cargos não
executivos
BARÓMETRO RH
PORTUGAL NO CONTEXTO
EUROPEU
Portugal situa-se precisamente na média
da UE27 (34,7%). Sendo que a Europa
apresenta uma dinâmica a duas velocidades,
refletindo o avanço e o equilíbrio numérico
sobretudo nos países que adotaram medidas
legislativas, enquanto se observa um
progresso muito lento e uma sub-
-representação persistente nos países que
não implementaram iniciativas legislativas.
No contexto europeu, os países que
adotaram mais precocemente quadros
regulatórios específicos para a promoção
da igualdade de género são também aqueles
que apresentam os níveis mais elevados
de equilíbrio nos órgãos de administração.
França, que introduziu legislação
em 2011, lidera atualmente
o ranking, com 47%
de mulheres
nesses órgãos.
No entanto, também
pela via de abordagens
autorregulatórias, houve
países que alcançaram resultados
notáveis,como a Islândia e o Reino Unido
(embora ambos fora da UE27).
Os Planos para a Igualdade são um instrumento
legal e estratégico para promover a igualdade
de género nas empresas e são um requisito
também da Lei.
Nem todas as entidades cumprem
a obrigação legal de elaborar e divulgar
os Planos para a Igualdade.
A transparência e acessibilidade da
informação sobre os planos ainda é limitada,
dificultando o acompanhamento público.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 89
Radar
Legal
NIS 2
DOS RISCOS À VANTAGEM
COMPETITIVA
A nova diretiva europeia coloca os órgãos
de direção no centro da gestão da
cibersegurança. Com responsabilidades
diretas e sanções, mas também
oportunidades estratégicas.
POR: DANIEL REIS | SÓCIO /PARTNER, DLA PIPER
Nos últimos anos
tem havido uma
consciencialização
crescente dos
enormes impactos
negativos que um ciberataque pode
ter para as empresas afetadas,
nomeadamente operacionais,
financeiros, reputacionais e legais.
A Diretiva (UE) 2022/2555,
de 14 de dezembro de 2022 (NIS 2)
vem reforçar e harmonizar
o nível de cibersegurança
na União Europeia.
A NIS 2 pretende que a gestão
de cibersegurança passe a
ser uma preocupação central
dos órgãos de direção das
empresas e, para tal, reforça
significativamente o regime
aplicável à responsabilização em
caso de ciberataques. Esta Diretiva
devia ter sido transposta até
17 de outubro de 2024, mas em
Portugal este processo ainda está
em curso, sendo que a 3 de julho
último foi apresentada a Proposta
de Lei 7/XVII/1.
NOVO PARADIGMA
DE RESPONSABILIZAÇÃO
A NIS 2 muda o paradigma
da responsabilização dos
membros do órgão de direção,
criando obrigações específicas
de participação na gestão de
cibersegurança e estabelecendo
que os membros de tais órgãos
podem ser responsabilizados
de modo pessoal. A este respeito,
é essencial ter em atenção
que as regras da NIS 2
(e da Proposta de Lei) densificam
os deveres gerais de diligência
e de cuidado, consagrados no
Código das Sociedades Comerciais,
A NIS 2 muda o
paradigma da
responsabilização
dos membros do
órgão de direção,
criando obrigações
específicas de
participação
na gestão de
cibersegurança e
estabelecendo que
os membros de tais
órgãos podem ser
responsabilizados
de modo pessoal
facilitando significativamente
a responsabilização por
incumprimento de tais deveres
gerais.
Os membros do órgão de direção
devem aprovar as medidas de
gestão dos riscos de cibersegurança
a adotar, supervisionar
a sua aplicação e assegurar
o cumprimento das medidas
de supervisão e de execução que
sejam aplicadas pelas autoridades
competentes. Estas são obrigações
muito exigentes, implicando um
conhecimento detalhado dos riscos
aplicáveis e das medidas técnicas,
operacionais e organizativas
de segurança adotadas pela
empresa.
Os membros do órgão de direção
também devem frequentar ações
de formação periódicas, de modo
a adquirirem conhecimentos
suficientes para avaliarem
as práticas de gestão dos riscos
de cibersegurança e o seu impacto
na atividade da empresa.
É também boa prática as empresas
disponibilizarem formação similar
aos seus trabalhadores.
RISCOS E OPORTUNIDADES
Para garantir que a
cibersegurança passa a ser uma
90 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
A diretiva europeia
consagra sanções
severas, sendo que,
para as entidades
essenciais, as coimas
podem chegar aos
10 milhões de euros
ou a 2% do volume
de negócios anual
a nível mundial,
consoante o que for
mais elevado
preocupação central dos órgãos
de direção das empresas, a NIS 2
consagra sanções severas. Para
as entidades essenciais, as coimas
podem chegar aos 10 milhões
de euros ou a 2% do volume de
negócios anual a nível mundial,
consoante o que for mais elevado.
A NIS 2 e a Proposta de Lei
também alargam de modo
muito significativo os poderes
das autoridades competentes.
Incluindo os poderes de supervisão,
como inspeções, auditorias
e verificações de segurança,
e os de execução, nomeadamente
vários tipos de ordens e de
instruções vinculativas, bem como
a aplicação de coimas.
O incumprimento das obrigações
aplicáveis também pode ter
consequências graves para os
membros do órgão de direção,
sendo de destacar que os mesmos
podem ser sancionados com a
interdição temporária do exercício
das suas funções.
Importa reiterar que, em caso
de incumprimento das regras
em questão, os membros do
órgão de direção podem ser
responsabilizados – por violação
dos deveres gerais consagrados
no Código das Sociedades
Comerciais – tanto pela própria
empresa, como também por sócios
e credores sociais da mesma,
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 91
RADAR LEGAL
e ainda por terceiros afetados
pelo ciberataque.
Sem prejuízo dos vários
riscos identificados em cima,
a NIS 2 também apresenta
oportunidades para as empresas
que interpretem o cumprimento
das regras aplicáveis não apenas
como uma obrigação, mas
também como uma oportunidade
para reforçar a confiança
dos seus clientes, parceiros,
investidores e das autoridades
competentes.
Efetivamente, o cumprimento
dos requisitos legais pode ser
uma forma de demonstrar
um compromisso sério com
a proteção da segurança dos
clientes e das demais pessoas
potencialmente afetadas.
E, dessa forma, ser uma
vantagem competitiva.
Adicionalmente, a grande
exigência que o cumprimento
destas regras irá significar,
ao nível operacional, permitir
por exemplo otimizar o
funcionamento das organizações.
E, dessa forma, potenciar
a eficácia da gestão dos riscos
e diminuir a probabilidade
de ocorrência de ciberataques
(e o seu impacto).
O cumprimento
dos requisitos legais
pode ser uma forma
de demonstrar um
compromisso sério
com a proteção
da segurança
dos clientes e das
demais pessoas
potencialmente
afetadas. E, dessa
forma, ser
uma vantagem
competitiva
RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS
Para adotar as medidas de
segurança legalmente obrigatórias,
as empresas abrangidas pela NIS 2
devem começar por realizar uma
análise sistémica sobre os riscos
relevantes no contexto da sua
atividade, incluindo na sua cadeia
de abastecimento. Concluída
esta análise, devem decidir
(e documentar devidamente)
as medidas técnicas, operacionais
e organizativas de segurança
a adotar. Bem como identificar
e priorizar os outros ajustes
ao seu sistema interno de gestão
de cibersegurança que devam
ser efetuados para agilizar
o cumprimento destas regras legais.
Importa notar que é essencial
elaborar os planos de formação
que serão implementados
para reforçar os conhecimentos
e competências – tanto dos
membros do órgão de direção
como dos trabalhadores – sobre
os riscos de cibersegurança
e sobre as medidas de segurança
aplicadas. Adicionalmente,
é indispensável testar a
aplicação prática das políticas
e procedimentos relevantes,
nomeadamente realizando
simulações periódicas
de ciberataques.
Por último, com particular
relevância quanto à
responsabilização das empresas
e dos membros do órgão
de direção, recomendamos
a reavaliação dos seguros que
sejam relevantes neste âmbito.
Permitirá clarificar o escopo
das coberturas (e das exclusões)
aplicáveis e confirmar eventuais
modificações que sejam
convenientes.
92 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
CONGRESSO
DO COMITÉ
PORTUGUÊS DA URSI
NOVAS FRONTEIRAS DA
INOVAÇÃO TECNOLÓGICA
PARA A SAÚDE
PUB
ANACOM
INSCREVA-SE JÁ!
21 de novembro 2025
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 93
VISÃO DOS ASSOCIADOS
B.I.
Ano de adesão à APDC
1985
UM PASSO LÓGICO
Associada da APDC há 40 anos,
a Ericsson quer criar um futuro digital
e sustentável. E olha para o associativismo
como uma plataforma essencial para
inovação, conetividade e colaboração
no ecossistema TIC.
Área de atuação e especialização
É uma empresa global, especializada
em tecnologias e serviços
de telecomunicações, com foco
na infraestrutura de redes móveis,
nomeadamente 5G, 4G e IoT. Atua no
desenvolvimento de soluções digitais,
serviços geridos e software de redes
que permitem a operadores e empresas
disponibilizar comunicações fiáveis,
rápidas e seguras. Está focada em tornar
as redes mais flexíveis e inteligentes.
Há mais de 70 anos
que a Ericsson é líder
tecnológico no mercado
nacional, impulsionando a
inovação e liderando o caminho da
digitalização do país. Da introdução
do 2G, no início da década de 1990,
até à liderança no 3G, 4G e,
agora, na preparação para
o 5G, as suas soluções pioneiras
“moldaram o panorama da
conetividade no país”. O segredo?
Uma estreita colaboração com
clientes, parceiros e instituições,
tirando partido do talento das
equipas locais. Quer contribuir
para um futuro sustentável e digital
em Portugal: é que com a sua
tecnologia de ponta e conetividade,
vai continuar a ligar pessoas,
empresas e oportunidades.
Estando os valores da APDC,
de desenvolvimento das
comunicações, alinhados com
o propósito da empresa de “criar
ligações que tornam o inimaginável
possível”, há muito que existe uma
sólida cooperação. Como avança
a Ericsson, nos seus mais de
40 anos de existência, a Associação
manteve-se “relevante e fiel
aos seus objetivos de promover
e contribuir para a divulgação das
realidades e perspetivas das TIC,
bem como de contribuir para o
estudo, debate e divulgação de tudo
o que acontece no setor”.
“Esta é uma visão partilhada
pela Ericsson. Está claramente
alinhada com a nossa visão de criar
um mundo onde a conetividade
ilimitada melhora vidas, redefine
negócios e abre caminho para
um futuro sustentável”, diz Juan
Olivera, CEO da Ericsson Portugal.
Considerando as redes móveis
uma infraestrutura nacional
essencial, e apostando na camada
94 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
GRANDE PERGUNTA
Há um boom em torno
da IA, que está no centro
de todas as decisões e
apostas. Como olham para
o posicionamento da UE
e como antecipam o futuro?
A Ericsson vê de forma positiva o
posicionamento da UE na inteligência
artificial, particularmente o seu
compromisso com uma abordagem
ética, segura e centrada no ser humano.
Acreditamos que este equilíbrio entre
inovação e responsabilidade é essencial
para garantir a confiança dos cidadãos
e a sustentabilidade tecnológica. Embora
a Europa esteja atrás no desenvolvimento
de modelos, tem o potencial de liderar
na implementação e aplicação da IA.
Com a adoção generalizada, prevemos
um futuro caracterizado por redes de
comunicação mais inteligentes, eficientes
e autónomas, capazes de responder
de forma dinâmica às necessidades
de consumidores e empresas. A IA será
um elemento-chave na transformação
digital das telecomunicações e a Ericsson
está firmemente comprometida em
liderar essa evolução na Europa
e no Mundo.
de conetividade – especialmente
a conetividade móvel – como uma
componente fundamental, uma vez
que permite que tecnologias como
a cloud e a inteligência Artificial (IA)
possam escalar de forma eficaz, a
Ericsson garante a sua capacidade
de “fornecer produtos e soluções
resilientes e seguras”. O foco está
em tornar as redes cada vez mais
inteligentes e flexíveis, pelo que
aposta em sistemas que podem
ser adaptados a novas aplicações.
Ao expandir estas soluções
para ambientes empresariais e
setores críticos (onde a fiabilidade
e o desempenho são essenciais),
garante o seu reconhecimento
como líder na indústria. Acresce
a sua aposta na inovação em
cloud, IA e automação de redes,
acelerando a transformação digital
em vários setores da economia.
No ano passado, a Ericsson
foi reconhecida como líder de
mercado em 5G pela Frost Radar,
pelo 4.º ano consecutivo, e pela
Gartner no Magic Quadrant para
soluções 5G Core, tendo também
sido destacada pela Omdia.
Com a sustentabilidade no centro
da estratégia, tem ainda metas
ambiciosas para atingir emissões
líquidas nulas em toda a sua cadeia
de valor até 2040. E aposta, numa
conjuntura incerta, em otimizar
custos operacionais, manter
uma cadeia de abastecimento
robusta e diversificada e acelerar
a transformação digital dos seus
clientes.
www.ericsson.com
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 95
VISÃO DOS ASSOCIADOS
REFORÇAR
DIÁLOGO E
COLABORAÇÃO
Ao juntar-se à APDC, a Skyone reforça
o compromisso com o ecossistema TIC.
Diz que o associativismo é chave para acelerar
a transformação digital, fomentar inovação
e criar sinergias que fortalecem empresas
e mercados.
B.I.
Ano de adesão à APDC
2025
Área de atuação e especialização
Esta empresa brasileira de cloud,
atualmente em pleno processo
de expansão internacional, oferece
uma plataforma completa
de soluções para todo o ciclo
de vida da transformação digital.
Atua em cinco categorias:
computação cloud;
IA; cibersegurança; e marketplace
e serviços. Em cada uma disponibiliza
um vasto leque de ofertas,
que respondem a todas as necessidades
dos clientes.
ASkyone está focada em ser
um parceiro estratégico
completo. No ano passado,
consolidou a sua operação com
várias aquisições e está agora a
expandir atividades através de uma
estratégia de franquias e de novos
parceiros. Portugal está entre
os países onde está presente e até
2026 tem a ambição de realizar
cinco novas compras no mercado.
Já até 2029 quer aumentar
o número de franquias, das atuais
10 para 60.
No contexto do seu crescimento,
olha para a APDC como uma
plataforma para diálogo e
colaboração entre empresas TIC.
“Com uma base de mais de 25 mil
clientes e operações em mais de
35 países, apoiada por uma rede
de mais de 400 parceiros,
acreditamos que o associativismo
fortalece o ecossistema,
permite a troca de experiências
e cria sinergias para acelerar a
transformação digital das pequenas
e médias empresas”, refere a
empresa. Que não tem dúvidas
de que “manter proximidade com
líderes do setor, compartilhando
uma visão ética e colaborativa,
é essencial para continuar a inovar”.
96 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
Uma inovação que passa, este
ano, por um investimento de 30
milhões de reais em P&D, centrado
no aperfeiçoamento das soluções de
dados e de inteligência artificial (IA).
Esta é uma estratégia que combina
uma plataforma integrada,
unificando mais de 15 produtos
numa experiência única que
inclui gestão de tickets, contratos
e faturação, com autenticação
multifator. Passa ainda por uma
expansão via parceiros e M&A,
com crescimento em mercados
estratégicos, aproveitando sinergias
com empresas adquiridas
e apoiando novos parceiros.
A Skyone aposta ainda numa
inovação com governança,
democratizando o acesso à IA e aos
dados, garantindo conformidade
com regulamentações como RGPD.
E pelo foco no cliente, através
de uma oferta de modelos de
contratação flexíveis, suporte 24x7
e orientação para redução de custos,
escalabilidade e segurança.
skyone.solutions
GRANDE PERGUNTA
Há um boom em torno
da IA, que está
no centro de todas
as decisões e apostas.
Como olham para
o posicionamento
da UE e como antecipam
o futuro?
A Skyone entende que a UE tem adotado
uma postura equilibrada, estimulando
a inovação, com preocupações éticas
e de privacidade. O Regulamento
de IA, em discussão, procura garantir
transparência, explicabilidade
e proteção de dados. Vemos esse
movimento como positivo: As normas
claras aumentam a confiança das
empresas e dos consumidores na
adoção de soluções de IA. Ao mesmo
tempo, acreditamos que a massificação
da IA será inevitável e transformadora.
E, por isso, investimos em produtos
como o Skyone Studio o futuro
Marketplace de IA, que permitem
centralizar dados de múltiplos sistemas
e criar agentes inteligentes para vendas,
RH, marketing e finanças. A nossa visão
é que, com uma base de dados bem
governada e uma infraestrutura segura,
a IA se tornará uma ferramenta acessível
para todas as empresas, impulsionando
produtividade, redução de custos
e novos modelos de negócio.
A UE, ao definir padrões de ética
e segurança, ajudará a tornar esse
futuro mais sustentável.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 97
PORTUGAL A ABRIR DIGITAL
INOVAÇÃO:
DA INVESTIGAÇÃO
À APLICAÇÃO
Nascido há 45 anos no seio académico, mas com vocação para servir
a sociedade e a economia, o INESC cresceu e evoluiu, integrando hoje
cinco institutos que, de forma complementar e em rede, promovem
investigação científica, desenvolvimento e inovação. Depois de na edição
anterior da Comunicações ter sido apresentado o trabalho desenvolvido
pelo INESC TEC, chega a vez de dar a conhecer o INESC-ID e o INOV,
ambos sedeados em Lisboa, mas com missões distintas. Se o primeiro
se centra na investigação e produção científica, o segundo está orientado
para a investigação aplicada e para a transferência de tecnologia
para as empresas. Ambos ajudam a traçar o futuro
da inovação em Portugal.
FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW
98 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 99
PORTUGAL DIGITAL
INESC-ID
INVESTIGAÇÃO ACADÉMICA
QUE DESENHA O FUTURO
DIGITAL
Investigação científica
de topo. É essa ambição que
guia um dos institutos mais
relevantes do ecossistema
científico português, instalado
junto ao Instituto Superior
Técnico, em Lisboa. Reconhecido
como Laboratório Associado do
Ministério da Ciência, Tecnologia
e Ensino Superior desde 2004
e avaliado pela Fundação para
a Ciência e Tecnologia (FCT)
com a classificação máxima
de “Excelente” em todas
as categorias até 2030, o INESC-ID
– Instituto de Engenharia de
Sistemas e Computadores:
Investigação e Desenvolvimento
transporta no seu ADN a ligação
entre investigação académica de
excelência e impacto na sociedade.
“Somos um centro de investigação
essencialmente académica, sendo
o nosso ‘objetivo nº 1’ a investigação
científica de topo e partilhar
excelentes resultados nas melhores
conferências e revistas científicas”,
afirma Miguel Correia, investigador
sénior e presidente da Comissão
Executiva do INESC-ID. Mas a
prioridade na ciência não significa
isolamento: “O nosso ADN é
procurar fazer ciência de topo, mas
também com ligação à sociedade.
Trabalhamos muito em conjunto
com as empresas, de diversas
formas”, complementa o responsável.
IDENTIDADE
O instituto nasceu em 1999 no
âmbito da reorganização
do INESC – Instituto de Engenharia
100 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
NÚMEROS
10
Áreas científicas
170
Investigadores
doutorados
600
Estudantes
de doutoramento
e mestrado
60
Colaboradores
de apoio/externos
9
Empresas criadas
de Sistemas e Computadores,
dando seguimento a muito
do trabalho que já lá era feito.
“Somos herdeiros muito diretos
da história do INESC, sem
desprimor para os outros quatro
institutos”, defende Miguel
Correia. Co-detido pelo Instituto
Superior Técnico da Universidade
de Lisboa (50,49%) e pelo Grupo
INESC (49,51%), o INESC-ID
dedica-se à investigação,
desenvolvimento e inovação
em Ciência da Computação e à
Engenharia Eletrotécnica e de
Computadores.
Hoje, reúne mais de 800 pessoas:
170 investigadores doutorados,
600 estudantes de mestrado
e doutoramento, 20 colaboradores
de apoio e 40 colaboradores
externos. “Temos um grande leque
de investigadores, a maioria
são professores do Instituto
Superior Técnico, como é o meu
caso, outros são professores
de outras escolas como o ISCTE
ou a FEUP, e temos ainda alguns
investigadores doutorados
contratados. Depois, temos
um número muito grande
de alunos de doutoramento
e de mestrado, que são muito
importantes, porque fazem muito
do trabalho duro da investigação,
da experimentação, sob a nossa
orientação”, explica o responsável.
PROJETOS QUE MOLDAM
O FUTURO
A atividade do instituto
organiza-se em quatro linhas
temáticas – Transformação Digital
e Sociedade, Tecnologia da Vida
e da Saúde, Transição Energética,
e Segurança e Privacidade –,
que depois se desdobram em
10 áreas científicas. Concretamente:
inteligência artificial para as
pessoas e a sociedade; raciocínio
automatizado e software confiável;
sistemas distribuídos e seguros;
energia verde e conversores
inteligentes; interação e gráficos;
tecnologias de linguagem humana;
arquiteturas e sistemas de
computação de alto desempenho;
sistemas sustentáveis de potência;
sistemas de informação e de apoio
à decisão; e sistemas e circuitos
nanoeletrónicos.
Nos últimos anos, o INESC–ID
‘assinou’ projetos que ajudaram
a moldar o Portugal Digital.
“Abrangemos um leque de temas
muito amplo e, em todas as nossas
quatro linhas temáticas, temos
projetos muito significativos”,
refere Miguel Correia.
“Por exemplo, na temática
de Transformação Digital e
Sociedade, na Administração
Pública temos agora um grande
número de projetos no âmbito
da inteligência artificial (IA),
que esperamos tenham muito
impacto, e também temos
colaborações no âmbito
da modernização dos tribunais”.
O responsável destaca ainda
a participação nos projetos
europeus que estiveram na
base do Cartão do Cidadão, pelo
impacto societal que daí resultou.
No campo da IA, o Amália,
vulgarmente conhecido por
“ChatGPT português”, é um
dos exemplos de iniciativas
que contam com o contributo
do INESC-ID, nomeadamente
na componente do processamento
de voz. “Esse envolvimento surge
no âmbito de um tema muito forte
e antigo de investigação que temos
na área de processamento
de língua natural e da sua ligação
à voz: da interpretação e da síntese
de voz”, explica o responsável.
Já na área das Tecnologias
da Vida e da Saúde, o Biodata
é classificado por Miguel Correia
como uma “flagship” do instituto
que lidera. O projeto, que agora
tem continuidade como entidade
autónoma, apoia o sistema científico
nacional enquanto infraestrutura
de gestão e análise de dados
biológicos, atuando em áreas como
a saúde, o mar, o agroalimentar,
a floresta e a biodiversidade.
Na transição energética,
são também vários os projetos
de grande dimensão em que
o INESC-ID está envolvido. “Temos
uma grande linha nessa área, por
exemplo, associada à mobilidade
elétrica, à distribuição de energia,
etc. É uma área de muito impacto
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 101
PORTUGAL DIGITAL
e de muita colaboração com
as empresas”, explica Miguel
Correia. Neste contexto, incluem-
-se colaborações com empresas
como a EDP e a REN na área
da mobilidade elétrica. “Estão
em causa soluções informáticas
e eletrónicas para tornar
processos mais eficientes, seja
na distribuição de energia para
carros elétricos, seja na gestão
da energia com origem em recursos
renováveis descentralizados, como,
por exemplo, turbinas de vento
e painéis solares”.
É neste contexto que se insere
a participação do INESC-ID,
enquanto coordenador do projeto
europeu EV4EU – Electric Vehicles
Management for Carbon Neutrality
in Europe. Este é um consórcio
com 16 parceiros – 12 deles
provenientes de outros países
europeus – que tem como objetivo
desenvolver soluções inovadoras
para a gestão de veículos elétricos,
acelerando a sua adoção
e garantindo uma integração
tecnicamente viável, sustentável
e segura nas redes elétricas
e nas cidades.
A área da Segurança e
Privacidade é também muito
importante no trabalho
desenvolvido. “Na cibersegurança
está em causa a proteção
e a compliance com os
regulamentos, porque ao
digitalizarmos a nossa sociedade
abrimos um grande vetor de ataque
e de risco. Por outro lado, com a
digitalização, também a privacidade
das pessoas se tornou um tema
muito importante, com as redes
sociais, etc”. Neste âmbito, Miguel
Correia salienta, nomeadamente,
colaborações “muito pontuais,
mas importantes” com o Gabinete
Nacional de Segurança e o Centro
Nacional de Cibersegurança.
No INESC-ID, a transferência
de tecnologia e conhecimento
também ‘ganha corpo’ através
de spin-offs, criadas de forma
deliberada com o objetivo
de comercializar propriedade
intelectual académica.
Da instituição já emergiram
nove spin-offs, em áreas tão
diversas como a microeletrónica
(SiliconGate), o reconhecimento
de voz (Voiceinteraction) ou os testes
genéticos (Heartgenetics), levando
os resultados da investigação
diretamente para o mercado.
PROJETAR O FUTURO
Para uma instituição que
se pretende assumir enquanto
instituto internacional
de referência, são elementos-
-chave da sua estratégia duas
vertentes: pessoas e projetos.
“Muitos dos nossos investigadores
fizeram doutoramentos ou pós-
-doutoramentos no estrangeiro
– em diversos sítios da Europa
e dos Estados Unidos –, e temos
também alguns investigadores
estrangeiros connosco”.
Contudo, o maior fator
de internacionalização reside
nos projetos. Neste quadro
sobressaem iniciativas europeias
– com empresas, universidades
e centros de investigação – mas
também parcerias com algumas
universidades americanas como
o MIT, a Carnegie Mellon e a UT
Austin. “Os projetos europeus são
um fator muito importante no nosso
financiamento e, pela sua natureza,
forçam-nos a internacionalizar e a
colaborar em termos científicos com
equipas internacionais”, enquadra
Miguel Correia.
Olhando para o futuro, consolidar
o que já foi conquistado representa
o caminho a seguir pelo INESC-ID:
“A nossa missão é fazermos ainda
melhor aquilo que já fazemos:
sermos melhores cientificamente,
fazermos mais transição de
tecnologia, termos mais impacto
na sociedade e formar mais talento”.
102 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
O jogo da época.
Uma fila sem fim.
Pagamentos sem falhas.
Há momentos que vale a pena pagar.
Conectividade que faz a diferença.
ericsson.com/WhenMomentsMatter
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 103
PORTUGAL DIGITAL
INOV
TRANSFORMAR
CONHECIMENTO EM
SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS
Aproximar a
investigação do
mercado, cruzando
Ciência, Engenharia
e Indústria em
projetos que cheguem ao terreno
e tenham impacto real. É para
isso que o INOV – Instituto
de Engenharia de Sistemas e
Computadores Inovação trabalha
enquanto entidade autónoma
dentro do universo INESC.
“Estamos, sobretudo, na área
de investigação aplicada. Perante
tecnologias cientificamente
validadas, procuramos perceber
como estas podem ser aproveitadas
para dar impulso à criação
de novas soluções para o
mercado”, enquadra António Leal,
administrador do INOV.
A prevenção de incêndios,
a monitorização de frotas de pesca
ou a visão artificial aplicada ao
controlo de qualidade na produção
são apenas alguns exemplos
de aplicações práticas do trabalho
desenvolvido nos seus laboratórios.
Criado em 2001, também no
seguimento da reestruturação
do INESC – Instituto de Engenharia
de Sistemas e Computadores,
o INOV pretende apoiar a inovação
das empresas e organizações,
com foco na digitalização, na
resiliência e na competitividade.
Este trabalho abrange cinco áreas
de atuação estratégicas: Interface
e Criação; Cibersegurança;
Eletrónica, Monitorização,
Navegação e Controlo; Digitalização
e Transformação Inteligente;
e Monitorização Remota e Apoio
à Decisão.
A forte competência em
Engenharia do instituto ‘ganha
corpo’ em diversos setores, entre
os quais se destaca a Indústria,
a Saúde, a Biodiversidade, o Mar,
a Floresta, a Segurança, a Defesa
e Espaço. Inovação que resulta
do trabalho desenvolvido por
uma equipa que envolve cerca
de 90 profissionais contratados,
a sua maioria da área de
Engenharia, bem como mais
de 50 investigadores universitários.
Estes profissionais desenvolvem
o seu trabalho em Lisboa, onde
o INOV está sedeado, mas também
nos dois polos – em Leiria e Aveiro
– para onde, entretanto, estendeu
a sua atividade.
COMPETÊNCIAS QUE FAZEM
A DIFERENÇA
O instituto posiciona-se
como um centro de tecnologia
e inovação focado em
transformar conhecimento
científico em soluções
aplicadas. A sua
diferenciação, sublinha
António Leal, reside na
Engenharia: “Temos
capacidade de olhar
para a tecnologia e
perceber quais são
os componentes
mais adequados,
que normas
é preciso
cumprir e como
transformar um
protótipo num
produto real”.
104 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
É esta competência que sustenta
a intervenção do instituto em
áreas como a eletrónica digital
e a eletrónica rápida, a sensorização
avançada – com câmaras
hiperespetrais ou sensores
baseados em rádio –, ou a visão
artificial, intervindo assim no
campo da inteligência artificial (IA).
NÚMEROS
3
Polos de I&D
(Lisboa, Leiria e Aveiro)
5
Áreas de especialização
86
Colaboradores
(inclui investigadores
próprios)
53
Investigadores
universitários
A visão artificial é uma área
relativamente recente no INOV,
sobressaindo a aposta em soluções
para a Indústria. Por exemplo,
está a ser desenvolvida a sua
aplicação no controlo de qualidade
na cerâmica, promovendo
sistemas capazes de identificar
defeitos em linhas de produção
e a integração da informação em
processos inteligentes de gestão
e planeamento. “O objetivo é
antecipar problemas, evitando
estragar séries inteiras de
produção e os custos associados”,
enquadra António Leal.
Mas o impacto do trabalho
do INOV é notório em vários
outros projetos que desenvolveu,
ou em que participou, ao longo
da sua história.
Um dos mais reconhecidos
é o CICLOPE, sistema de
monitorização de incêndios
florestais que combina sensores,
visão artificial e comunicações
de grande alcance. “O CICLOPE
começou do zero ainda antes
do INOV, mas o seu grande
impulso foi já aqui. Ainda nos
recentes incêndios, o sistema
esteve operacional, ajudando
a identificar precocemente focos
de incêndio”, adianta António Leal.
Em parceria com a Altice, este
sistema cobre hoje quase metade
do coberto florestal nacional
e tem já aplicações internacionais,
como a exportação de módulos
de deteção automática para a
Grécia, onde estão a ser utilizados
por um operador local.
Outro marco histórico
é o MONICAP, uma tecnologia
pioneira – tipo ‘caixa negra’
– de monitorização em tempo real
para a inspeção das atividades de
pesca. Este sistema esteve
na génese da spin-off Xsealence,
em 2013, e chegou a influenciar
legislação europeia. “Este projeto
foi pioneiro a nível mundial.
Já vem do INESC, mas a equipa
de engenharia passou para
o INOV e ainda cá estão pessoas,
de sistemas de informação
e de eletrónica, que participaram
no projeto”, refere o administrador
do instituto.
Já no setor da saúde, o INOV
também contribuiu, por exemplo,
para o desenvolvimento de
sistemas de tomografia por
emissão de positrões (PET)
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 105
PORTUGAL DIGITAL
– uma tecnologia que permite
detetar tumores muito
pequenos e que deu origem
à startup portuguesa PETsys
Electronics. “Neste consórcio,
fomos responsáveis pela parte
da eletrónica digital e FPGAs”,
contextualiza o Administrador
do INOV.
ESTENDER HORIZONTES
A partir de Lisboa, entretanto,
o INOV estendeu a sua atividade
para Leiria e Aveiro, onde cada
polo tem a sua especificidade.
A presença em Leiria resulta
de um protocolo estabelecido com
o Instituto Politécnico de Leiria,
sendo que desde 2007 começaram
a ser contratados bolseiros. Nesse
polo nasceu também pelo menos
um spin-off. “Desde o início,
o nosso objetivo é fortalecer
a ligação a instituições de ensino
superior, porque nos permite ir
buscar facilmente conhecimento
específico em determinadas áreas
e adequados aos projetos”, justifica
António Leal. Em Leiria, o INOV
tem competências em eletrónica
e em sistemas de informação.
Para além de um pequeno
laboratório, nesse polo
desenvolvem, por exemplo,
competências na área dos
sistemas embebidos, em Linux,
e estão a decorrer alguns projetos
com empresas.
Já em Aveiro, a relação é mais
recente e assente na promoção
de uma forte ligação às empresas
e à Indústria, em particular. Hoje,
o instituto está instalado no PCI
– Creative Science Park, onde está
mais próximo do ecossistema
da inovação e do “borbulhar da
ligação entre empresas
e a universidade”. O principal
foco do trabalho desenvolvido
é a digitalização e a informação
inteligente, nomeadamente,
controlo de qualidade, processos
inteligentes, etc. É nesse âmbito
que se enquadra a parceria com
a Ria Stone, para a criação
do primeiro sistema de manufatura
de cerâmica do grupo Visabeira
com IA incorporada.
INESC INOV-LAB: REFORÇO
DA LIGAÇÃO À CIÊNCIA
Em 2024, o INOV deu um novo
passo ao consolidar a sua vertente
científica, com a criação
do INESC INOV-Lab, unidade
de I&D autónoma afiliada
ao Instituto Superior Técnico.
Esta estrutura foca-se em
investigação de níveis TRL (Níveis
de Maturidade Tecnológica) mais
baixos, organizando-se em três
áreas: sistemas e computação
ciberfísicos, redes de comunicação
inteligentes e sistemas
de informação inteligentes.
Com equipas de investigadores
doutorados e estudantes de
pós-graduação, o INOV-Lab
pretende criar uma massa crítica
que permita aumentar a sua
produção científica e participação
em programas competitivos
de financiamento. Na primeira
avaliação da Fundação para
a Ciência e Tecnologia (FCT)
a esta nova unidade foi atribuída
uma classificação de “muito
bom”. “Penso que apenas não
nos deram ‘excelente’ por não
termos track record formal”,
salienta António Leal, antecipando
que “a principal mais-valia virá
quando integrarmos toda esta
investigação no nosso canal
de inovação”.
OLHAR ALÉM-FRONTEIRAS
A internacionalização é outra
dimensão estratégica do instituto.
É com este propósito que se foca
nos projetos cofinanciados,
no âmbito do Horizon Europe.
“Quase desde a nossa
criação, temos investido no
desenvolvimento do negócio
internacional, na participação
em consórcios e em tornarmo-nos
atrativos junto dos consórcios”.
Segundo o relatório e contas
de 2024, mais de dois terços
dos projetos em curso no INOV
têm natureza internacional.
Ao mesmo tempo, o instituto explora
oportunidades em mercados como
o Canadá, Brasil ou os PALOP,
através também de parcerias
com empresas portuguesas
com presença nesses países.
Olhando para o futuro, segundo
explica António Leal, uma das
principais ambições do INOV
é garantir reconhecimento
institucional e previsibilidade
nos financiamentos. “Para manter
um posicionamento isento
tecnologicamente tenho de ter
esse conforto: isto permite apostar
em coisas novas sem estar à
espera de retorno imediato”.
106 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 107
ESPAÇO
ANACOM
E O SEU PAPEL
NA INTELIGÊNCIA
ARTIFICIAL
O regulador tem vindo a assumir
cada vez mais competências no domínio
do digital. E o papel que desempenha
ao nível da inteligência artificial (IA)
tende também a crescer.
Nesta matéria, a ANACOM não só
foi designada como uma das
autoridades responsáveis para
supervisionar e assegurar o respeito
das obrigações previstas na legislação
da União Europeia que protege
os direitos fundamentais, no que
se refere à utilização de sistemas
de inteligência artificial de risco
elevado referidos no Anexo III do
Regulamento da Inteligência Artificial
– assumindo o papel de articulação
transversal das demais entidades
nacionais designadas – como é
expectável que venha a ser designada
como autoridade de fiscalização do
mercado e ponto de contacto único,
nos termos do artigo 70.º do mesmo
Regulamento, tal como foi anunciado
pelo Governo na Conferência
da ANACOM.
Enquanto autoridade de fiscalização
do mercado, será responsável pela
implementação do Regulamento
da Inteligência Artificial a nível
nacional e pela supervisão
da sua aplicação. Passa a dispor
ainda de poderes de fiscalização
do cumprimento das regras
dele constantes e – admite-se
– de sancionamento das infrações
que sejam detetadas.
Para mais informação
108 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
DESAFIOS DA
INOVAÇÃO DA
REGULAÇÃO DE IA
CONFERÊNCIA ANACOM 2025
A 19 de setembro de 2025, o
Museu do Oriente, em Lisboa,
recebeu reguladores, decisores
políticos, empresas, academia
e sociedade civil para debater
o impacto crescente da IA e os
caminhos para equilibrar inovação,
competitividade e proteção dos
direitos fundamentais.
Um dos momentos mais
relevantes desta Conferência foi
o anúncio pelo Governo de que
a ANACOM será a autoridade
nacional responsável pela regulação
da IA em Portugal, no âmbito da
aplicação do Regulamento de
Inteligência Artificial (RIA). Um
reconhecimento que reforça o papel
desta Autoridade na construção de
um quadro regulatório ético, seguro
e transparente, em alinhamento
com a União Europeia.
Ao longo de um dia de debate
aberto, de partilha de ideias e de
reflexão conjunta sobre os desafios
regulatórios, as oportunidades
de inovação e o impacto da IA
na sociedade e na economia,
destacaram-se como
mensagens centrais:
A importância da
cooperação multilateral
e da interoperabilidade
regulatória, para evitar
fragmentação, como
sublinhado na perspetiva
internacional da OCDE.
A regulação da IA como
um desafio global, que exige
equilíbrio entre inovação
tecnológica, proteção de
direitos fundamentais e
confiança internacional.
Em Portugal, a IA já se afirma
em setores críticos, como
media, saúde e proteção de
dados, exigindo um diálogo
contínuo entre reguladores,
empresas e sociedade civil.
É necessário evitar os riscos
da fragmentação regulatória,
sob pena de comprometer a
eficácia da supervisão.
A IA já está a transformar
o tecido económico e
empresarial, em áreas como
a gestão de infraestruturas,
personalização de serviços,
otimização de processos e
utilização de dados em larga
escala.
A IA, enquanto tecnologia,
foi destacada como motor
de eficiência, proximidade
e inovação, sustentado pela
capacitação e retenção de talento.
As novas empresas
demonstraram que a IA
funcionou como uma alavanca
de internacionalização
e disrupção de modelos
de negócio.
A ANACOM reafirmou o seu
compromisso em garantir que
a inteligência artificial em Portugal
se desenvolve de forma ética, inclusiva
e centrada nas pessoas, promovendo
inovação, segurança e respeito pelos
direitos fundamentais.
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 109
APDC NEWS
GOVTECH SAÚDE
DESAFIOS E OPORTUNIDADES
DE UM SNS MAIS DIGITAL
A app SNS 24 é um exemplo da transformação digital que está a avançar
a passos largos no SNS. O processo, impulsionado pelas verbas do PRR,
é incontornável. É que a Saúde Pública precisa de sustentabilidade e só
lá vai com tecnologia.
TEXTO | ISABEL TRAVESSA
FOTOS | TIAGO FRAZÃO/SYNCVIEW
A
modernização no
Serviço Nacional
de Saúde (SNS) está
em marcha e os
desafios a endereçar
são múltiplos. Da atualização das
infraestruturas ainda obsoletas
até à complexa gestão da mudança
organizacional, há todo um
caminho que se antecipa ainda
longo e com percalços.
O sucesso dependerá da capacidade
de transformar processos, do
envolvimento dos profissionais
e de garantir que a inovação
gera um valor efetivo para os
cidadãos e para o sistema. E claro,
de capacidade de investimento.
Temas que estiveram em debate
no “GovTech Saúde: Inovação
Digital no SNS”, um pequeno-
-almoço executivo organizado pela
APDC, em parceria com a Huawei.
Onde o presidente da APDC, Rogério
Carapuça, começou por enfatizar
que a tecnologia por si só não
garante produtividade. A verdadeira
transformação digital exige uma
profunda "mudança organizacional
com tecnologia", num processo que,
embora demorado, é crucial para
que a inovação gere valor efetivo.
Há já muitos projetos em curso,
como explicou Sandra Cavaca,
presidente dos Serviços Partilhados
do Ministério da Saúde (SPMS).
Desde a modernização da rede
interna do SNS, com o RISNextG,
à renovação de sistemas core,
como o SONHO V2, além do
desenvolvimento do Datalake,
que permitirá a utilização de dados
primários e secundários para
a investigação e melhoria contínua
dos serviços, entre muitos outros.
A interoperabilidade dos sistemas
e a partilha de dados, alinhada
com o Regulamento do Espaço
110 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
INTERVENIENTES
Reveja o evento
ROGÉRIO CARAPUÇA
Presidente
da APDC
ANDRÉ TRINDADE
Presidente da ACSS
Da atualização
das infraestruturas
ainda obsoletas
até à complexa
gestão da mudança
organizacional,
há todo um caminho
que se antecipa ainda
longo e com percalços
na modernização
do SNS.
Europeu de Dados de Saúde, são
objetivos fundamentais para um
SNS mais coeso e eficiente.
No entanto, a responsável
SANDRA CAVACA
Presidente
do SPMS
RUI SANTOS IVO
Presidente
do INFARMED
ALEXANDRE
LOURENÇO
Presidente da ULS
de Coimbra
SANDRA FAZENDA
Diretora Executiva
da APDC
(MODERADORA)
reconhece atrasos, devido
à complexidade da contratação
pública, e mostrou preocupação
com a sustentabilidade financeira
dos projetos no pós-PRR.
Para quem está no terreno,
a mudança é imperativa. Como
refere Alexandre Lourenço,
presidente da ULS de Coimbra,
o SNS foi desenhado para
responder a condições agudas,
mas precisa agora de se adaptar à
novas necessidades demográficas
e epidemiológicas. Sendo que olha
para a digitalização como a única
via para um sistema sustentável.
Apesar da resistência do setor
à mudança, o processo já está
em marcha em Coimbra, com
resultados claramente positivos,
nomeadamente reduzindo
urgências e hospitalizações.
Sendo que a ULS é uma operação
logística complexa, com oito
unidades hospitalares e 69
unidades de cuidados primários.
Mas, para o sistema como um
todo, o grande desafio é saber como
equilibrar inovação e recursos.
“Não podemos ter sempre o topo
da inovação terapêutica
e tecnológica em simultâneo.
É essencial medir custo-efetividade
e garantir modelos de negócio
viáveis”, diz André Trindade,
presidente da Administração
Central do Sistema de Saúde (ACSS),
lembrando que a transformação
não pode ser mera digitalização
da burocracia, exigindo
simplificação e reorganização.
Também Rui Santos Ivo,
presidente do INFARMED, destacou
o papel dos dados e da inteligência
artificial para tornar o sistema
mais inteligente. A revisão do
Sistema Nacional de Avaliação de
Tecnologias de Saúde (SINATS)
deverá integrar ferramentas
digitais que permitam monitorizar
de forma contínua a eficácia e o
impacto económico das inovações,
em articulação com a estratégia
europeia.
No horizonte está ainda o Espaço
Europeu de Dados de Saúde,
a implementar até 2029, que
obrigará todos os intervenientes
– públicos, privados e sociais
– a adaptar sistemas e práticas para
garantir interoperabilidade. Portugal
já criou um grupo de trabalho e está
a desenvolver consultas públicas
para preparar o caminho.
Apesar das resistências
à mudança, da falta de
interoperabilidade e da pressão
financeira, todos concordam
que a transformação digital
é irreversível. É que a tecnologia
oferece a oportunidade de construir
um SNS mais eficiente, próximo
do cidadão e preparado para
responder aos desafios do futuro.
É preciso é saber como a aproveitar
o melhor possível!
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 111
APDC NEWS
A CAMINHO
DA RESILIÊNCIA
DIGITAL
Com a transposição da NIS2, as empresas
portuguesas têm a oportunidade de transformar
as novas obrigações em alavancas de resiliência
e competitividade. Uma meta que não será
fácil, mas claramente possível de alcançar.
TEXTO | ISABEL TRAVESSA
A
cibersegurança
está no centro
da agenda europeia
e nacional e há um
novo e vasto quadro
legislativo definido por Bruxelas
que terá de ser implementado
na UE27. Incluindo em Portugal,
onde se prepara a transposição
da NIS2. Esta diretiva exigirá
uma rápida adoção, assim como
um investimento significativo
e uma maior responsabilização.
Mas se os desafios são muitos,
a nova regulação é também vista
como uma oportunidade para as
organizações reforçarem a sua
resiliência digital e competirem
num mercado cada vez mais
global e exigente. Há é que ter
capacidade para investir, recursos
humanos à altura e, acima de tudo,
compromisso da gestão de topo.
Na 13ª edição do Digital Union,
analisaram-se os impactos do
novo enquadramento regulatório
europeu, com particular destaque
para a NIS2. Na abertura deste
webinar, Inês Antas de Barros, sócia
da VdA, sublinhou o crescimento
exponencial da economia de
cibersegurança, a par do aumento
da desigualdade cibernética e da
escassez de talentos. A inteligência
artificial (IA), apesar dos benefícios,
exacerba os desafios de longo prazo
na resiliência cibernética.
A Estratégia Europeia para
a Cibersegurança, lançada em 2020,
reflete a prioridade do tema para
os decisores europeus, com
propostas concretas em políticas,
investimento e regulação. O quadro
legislativo abrange diplomas como
a Diretiva NIS2, o Cyber Resilience
Act, o DORA e o EU Cybersecurity
Act, cada um com obrigações
específicas para diversos setores.
UM OLHAR SOBRE AS NOVAS REGRAS
A NIS2, em fase final de
transposição para Portugal, vem
ampliar o nível de obrigações em
termos de cibersegurança a mais
setores de atividade, incluindo a
Administração Pública, classificando
as entidades como “essenciais”
ou “importantes”, com base na sua
dimensão e impacto. Esta diretiva
impõe uma abordagem baseada
no risco, exigindo medidas técnicas
e organizativas adequadas.
Uma das grandes novidades
da diretiva é a responsabilização
direta dos órgãos de gestão pela
implementação e supervisão das
medidas de cibersegurança. O que,
para Inês Antas de Barros, traz uma
mensagem clara: a cibersegurança
deve estar no topo da agenda dos
decisores.
No debate que se seguiu entre
protagonistas do setor público
e privado, ficou claro que todos
têm consciência dos desafios a
enfrentar, mas também que a NIS2
e a restante regulamentação podem
constituir uma verdadeira vantagem
competitiva. Desde que se saiba como
antecipar riscos, que se aposte no
investimento em formação
e se construa uma verdadeira cultura
de confiança digital.
112 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
INTERVENIENTES
SANDRA FAZENDA
Diretora Executiva
da APDC
TIAGO BESSA
Sócio da Área de
Comunicações, Proteção
de dados & Tecnologia
| Sócio da Àrea PI
Transacional da VdA
INÊS ANTAS DE BARROS
Sócia da Área de
Comunicações, Proteção
de dados & Tecnologia
da VdA
BRUNO CASTRO
Fundador & CEO
da VisionWare
DESAFIOS E OPORTUNIDADES
Mas ficaram bem evidentes
os desafios que as novas regras
representam para as organizações,
especialmente as menos maduras,
que serão as mais impactadas por
esta nova era da cibersegurança,
como diz Sara Palma, Area
Coordinator de Governance,
Risk and Compliance da Worten
Portugal. Outra área crítica é a
da cadeia de abastecimento, com
a NIS2 a exigir que as empresas
garantam a conformidade dos seus
fornecedores, parceiros e clientes.
Se a dimensão da mudança
que a nova regulamentação traz
pode “assustar as organizações”,
Pedro Matos, coordenador
do Departamento de Apoio
à Coordenação do Centro Nacional
de Cibersegurança (CNCS), não
tem dúvidas de que a NIS2
“é o quadro de partida que vai
permitir, pelo menos, termos
um país um pouco mais seguro
relativamente às matérias
do ciberespaço”. Sensibilizar
e capacitar as entidades para
as novas exigências terá de ser
uma aposta estratégica.
Até porque o processo
de ajustamento será muito
complexo nas entidades públicas,
e sobretudo nas do contexto
da Saúde. Luís Miguel Ferreira,
administrador dos Serviços
Partilhados do Ministério da
Saúde (SPMS), explica que além
dos diplomas de cibersegurança,
esta área tem inúmeros outros
diplomas europeus a aplicar,
quer direta, quer indiretamente.
Já se está a trabalhar para
endereçar todas as questões,
mas adivinham-se tempos
complexos, uma vez que as
entidades públicas estão obrigadas
a cumprir as regras de contratação
pública, que colocam “enormes
constrangimentos”.
Mais pragmático, Bruno Castro,
CEO da VisionWare, empresa
nacional de cibersegurança,
manifesta o seu otimismo.
Olha para a NIS2 como
uma oportunidade para
o mercado da cibersegurança
crescer e para as empresas se
afirmarem internacionalmente,
especialmente através da
exportação. E, tendo em conta a
LUÍS MIGUEL FERREIRA
Vogal Executivo
do Conselho de
Administração, Serviços
Partilhados do Ministério
da Saúde, EPE
PEDRO MATOS
Coordenador do
Departamento de
Apoio à Coordenação,
Centro Nacional de
Cibersegurança
SARA PALMA
Area Coordinator GRC
(Governance, Risk
and Compliance)
Worten Portugal
sua experiência, tudo passará,
como até agora, por “transformar
as regras em algo que seja
tangível, que seja efetivamente
fácil e possível de implementar
no terreno”. Mas agora
garantindo “um claro e inequívoco
compromisso do top management
nas decisões tomadas”. Só assim
se garantirá a construção de um
ecossistema digital mais seguro
e competitivo.
Reveja o evento
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 113
APDC NEWS
JANTAR RESERVADO | MINISTRO ADJUNTO
E DA REFORMA DO ESTADO
REFORÇAR UM
DIÁLOGO ESSENCIAL
AO PAÍS
O
ministro Adjunto
e da Reforma
do Estado, Gonçalo
Matias, foi
o orador convidado
de um Jantar Reservado APDC.
Este encontro, uma iniciativa
restrita, contou com um grupo
selecionado de líderes de grandes
Aceda à galeria
de imagens
empresas presentes no mercado
nacional.
O objetivo foi proporcionar
um espaço privilegiado de diálogo
aberto e construtivo entre setor
público e privado sobre a estratégia
para a reforma do Estado e para
a digitalização da economia e da
sociedade, áreas verdadeiramente
estruturantes para o futuro do país.
Na sua intervenção inicial,
o ministro apresentou as prioridades
do Governo no âmbito da estratégia
definida para a reforma do Estado.
Um processo que tem de se centrar
num “contrato de confiança” com
cidadãos e empresas, que permita
desbloquear o investimento
e combater a burocracia.
Sendo que esta reforma assenta
em dois pilares fundamentais:
a simplificação e a digitalização.
Com este encontro de trabalho
e da partilha de ideias, a APDC
teve como meta reforçar um
diálogo essencial entre o Governo,
a sociedade civil e os líderes
empresariais das TIC.
114 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
Together,
we create
the future
O futuro é digital,
sustentável e humano.
Vamos construí-lo juntos.
A Minsait é mais do que uma empresa de
tecnologia - é um movimento para inovar
de forma ousada, liderar com
responsabilidade e conectar intensamente.
Juntamente com os nossos clientes e
parceiros, estamos a construir um futuro
onde a tecnologia eleva as empresas, as
comunidades e os indivíduos.
Tech for impact.
minsait.com
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 115
CIDADANIA DIGITAL
SUPER SEARCHERS
“TROCAR POR MIÚDOS”:
LITERACIA DIGITAL
EM AÇÃO
Criado em 2024, o Super
Searchers Portugal já levou
ferramentas práticas
de literacia digital
a mais de mil professores
e formadores e promete
chegar a milhares
de crianças e jovens
em salas de aula
de todo o país.
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Tempo de escuta: 03ʹ57ʺ
116 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
Vivemos numa
era em que a
informação circula
à velocidade de um
clique, mas nem
sempre com o impacto adequado.
A proliferação online de conteúdos
falsos e enganadores coloca
crianças e jovens em risco,
exigindo respostas eficazes.
Foi neste contexto que, em 2024,
nasceu o Super Searchers Portugal,
programa que pretende capacitar
professores e formadores para
ensinarem os mais novos a navegar
na internet com espírito crítico.
Desenvolvido em parceria
com a Google e adaptado à
realidade portuguesa, o programa
chega às escolas de Norte a Sul
do país pelas mãos de Tito
de Morais e Cristiane Miranda,
OBJECTIVOS
DO PROGRAMA
Avaliação da fiabilidade
de fontes de informação
online
Aprender técnicas para verificar
a veracidade de imagens, vídeos, textos
e outros conteúdos online.
Pesquisa de forma eficiente
Dominar técnicas avançadas de pesquisa
para encontrar informações precisas
e relevantes com mais rapidez.
Combate a desinformação
Desenvolver habilidades para identificar
e refutar notícias falsas e outros conteúdos
enganadores.
Utilização de ferramentas
digitais para pesquisa
Explorar ferramentas do Google como
Pesquisa Segura, a Pesquisa Avançada
e a Inteligência Artificial para otimizar
a pesquisa.
Ensino de literacia mediática
aos seus alunos
Receber orientações sobre como integrar
o ensino da literacia mediática.
Com uma lógica trainer-to-trainer e conteúdos
prontos a aplicar, o Super Searchers dá
aos professores ferramentas práticas para
trabalharem a literacia digital em sala de aula
criadores do projeto Agarrados
à Net, que desde 2021 trabalha
temas como o cyberbullying,
a pegada digital ou os desafios
virais perigosos. “Mais do que
o tempo que passamos online,
importa o que andamos lá a fazer”,
sublinha Cristiane Miranda.
DA IDEIA À IMPLEMENTAÇÃO
O primeiro contacto com o
Super Searchers aconteceu em
2023, numa ação da Google em
Bruxelas. “Ficámos agradados com
a formação, mas surpreendidos
por o programa ainda não estar
a ser implementado em Portugal.
Desafiámos a Google e começámos
a falar em traduzir e adaptá-lo
para a realidade portuguesa”,
recorda Tito de Morais. O acordo
chegou no verão de 2024 e, a 10 de
outubro, Viana do Castelo acolheu
a primeira destas formações.
Com quatro horas de duração
e certificação como Ação de Curta
Duração, as formações são sobretudo
práticas. Os conteúdos incluem
a avaliação das competências
de pesquisa online e técnicas para
obtenção de melhores resultados,
passos para a melhoria da literacia
de informação, a compreensão do
papel da inteligência artificial na
criação de informação, bem como
a pesquisa segura no Google.
O modelo segue a lógica trainer-
-to-trainer: professores formados
que replicam a formação junto
dos alunos. “Os professores não
têm de inventar nada. É pegar no
PowerPoint, está lá tudo o que tem
de ser falado e trabalhado. É um
programa chave na mão”, explica
Cristiane Miranda.
IMPACTO E DESMULTIPLICAÇÃO
Em poucos meses foram
realizadas 27 sessões, envolvendo
1.148 formandos. Os participantes
que apliquem o programa
junto de pelo menos 30 pessoas
(o equivalente a uma turma)
podem ser reconhecidos como
Embaixadores Super Searchers.
Este efeito multiplicador poderá
significar chegar a um universo de
cerca de 34 mil formandos. “Esta é
uma das grandes vantagens deste
modelo. É a desmultiplicação que se
consegue, chegando a muito mais
gente”, acrescenta Tito de Morais.
Além da Google, que fornece
os conteúdos, o projeto conta com
a Rede de Bibliotecas Escolares
como parceiro privilegiado.
Entre as entidades disseminadoras
estão a Associação de Professores
de Filosofia, a Associação de
Professores de Português,
a Associação Nacional dos
Diretores de Agrupamentos e
Escolas Públicas, a Confederação
Nacional das Associações de
Pais e a Associação Portuguesa
de Bibliotecários, Arquivistas,
Profissionais da Informação
e Documentação.
A recetividade dos participantes
nestas formações, que terminam
no final do ano, tem sido muito
positiva. “Conseguimos colocar
estas informações de uma maneira
simples e desconstruída e até com
algum humor, o que ajuda muito
mais as pessoas a aderirem e a
compreenderem melhor”, nota
Cristiane Miranda.
Mas os dinamizadores do
programa querem ir mais longe,
chegando também ao 1.º ciclo e
aos seniores, públicos igualmente
expostos a riscos digitais – um passo
que dependerá de novas parcerias
e recursos. “Somos os caixeiros
viajantes da literacia mediática.
Não há cantinho de Portugal
a que não vamos, desde que nos
convidem”, conclui Tito de Morais.
Conheça aqui
o programa
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 117
A FECHAR
Loja
inteligente
‘Made in
Portugal’
Há uma nova loja inteligente que
funciona sem caixas de pagamento,
nem necessidade de fazer o pedido
dos produtos ou registá-los, em sistema
de “grab and go” inteligente. Chama-se
Store-in-store e está a ser testada num
projeto-piloto, no âmbito do Consórcio
Smart Retail. A tecnologia, desenvolvida
pela Sensei é 100% portuguesa e
combina inteligência artificial (IA), visão
computacional e sensores inteligentes,
que operam através da rede 5G da NOS.
Mais de 30 câmaras e sensores
de prateleira trabalham em conjunto
com algoritmos avançados que,
recorrendo a IA, identificam de forma
autónoma os produtos retirados, criando
um carrinho virtual para cada pessoa.
Todo o processo decorre de forma
anónima e em conformidade com
as normas de proteção de dados,
sem recolha de informação pessoal.
Basta entrar, escolher e sair – o valor
é cobrado automaticamente, sem filas
nem interrupções. O Smart Retail é um
projeto que junta 22 entidades e visa o
desenvolvimento, demonstração
e industrialização de tecnologias de
suporte a uma nova geração de retalho.
O objetivo é promover novos formatos
de retalho, nomeadamente de lojas
autónomas/híbridas, de Pods, de Smart
Cabinets, assim como outras tecnologias
periféricas capazes de melhorar a
experiência dos consumidores.
REDEFINIR AS FORMAS
DE TRABALHAR COM IA
Chama-se Amazon Quick Suite e vem
responder a uma realidade que mostra que
as soluções de inteligência artificial (IA) para
o consumidor não estão conetadas a todos
os dados empresariais. Assume-se como
um assistente de IA que colabora com os
utilizadores para realizarem o seu trabalho:
podem fazer perguntas e obter respostas
detalhadas, realizar pesquisas aprofundadas,
analisar e visualizar dados, e criar automações
para fluxos de trabalho, poupando tempo
e focando-se no essencial, através de
padrões de segurança e privacidade de nível
empresarial. Esta nova oferta da AWS foi
testada entre os colaboradores da Amazon
e outros clientes-chave, para garantir que
está à altura das exigências de um local de
trabalho. A Quick Suite ajuda a navegar pela
complexidade da informação fragmentada,
aplicações isoladas e tarefas repetitivas, para
se focar no que realmente importa. Tem mais
de 50 conetores integrados para aplicações,
como Adobe Analytics, SharePoint,
Snowflake, Google Drive, OneDrive, Outlook,
Salesforce, ServiceNow, Slack, Databricks,
Amazon Redshift e Amazon S3, e reúne todos
os seus dados de forma segura para garantir
que tem o contexto completo para cada
decisão. Integra com OpenAPI ou Model
Context Protocol (MCP), e os clientes podem
conetar-se a recursos personalizados e a
mais de 1000 aplicações. Desta forma, torna
o business intelligence acessível a todos
com uma nova experiência operada por
agentes, ajudando a obter insights para tomar
melhores decisões.
ACELERAR INOVAÇÃO NA SAÚDE
Transformar a utilização dos dados na área da saúde para ajudar as instituições a gerar novas
fontes de receita, melhorar os cuidados personalizados e acelerar a investigação clínica é o
objetivo de uma parceria realizada entre a NTT DATA Portugal e a Google Cloud. Criaram uma
solução que combina a experiência da primeira em inteligência artificial (IA) e gestão de dados
com a infraestrutura avançada da segunda, contribuindo para uma abordagem segura e eficiente
à análise e monetização dos dados na área da saúde. Num setor onde a digitalização cresce de
forma exponencial, esta iniciativa permite que hospitais e instituições de saúde aproveitem os
seus dados para desenvolver novos serviços, melhorar diagnósticos e personalizar tratamentos,
em conformidade com a regulamentação. As duas empresas garantem que estas soluções
ajudam a abrir caminho para colaborações com a indústria farmacêutica, centros de investigação
e startups, acelerando a inovação sem comprometer a privacidade dos cidadãos.
118 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 119
A FECHAR
Fomentar a criatividade
na era da produtividade
Foi especialmente desenhado
para profissionais criativos,
estudantes e utilizadores que
têm um quotidiano mais
atarefado. Tem um ecrã imersivo
e uma caneta redesenhada,
que eleva o padrão dos tablets
profissionais em 2025. Trata-se
do novo HUAWEI MatePad 12 X
2025, que vem equipado com
o revolucionário ecrã PaperMatte
ultra nítido, concebido com
tecnologia de gravação em
nanoescala de alta precisão.
Este avanço permite uma redução
de 50% do brilho em comparação
com a geração anterior,
oferecendo aos utilizadores
uma visualização mais nítida,
confortável e realista. Dispõe
ainda do recém-desenvolvido
HUAWEI M-Pencil Pro, com o
intuito de proporcionar uma
experiência superior de leitura,
escrita e criação digital.
A caneta oferece 16.384 níveis
de sensibilidade à pressão para
precisão máxima, três pontas
imprescindíveis (escrita padrão,
fonte pequena e pintura),
a presença de um menu radial
acionado por pressão para
acesso rápido a ferramentas
de criação e atalhos inteligentes,
como o botão de acesso direto
à HUAWEI Notes e gestos
de rotação na aplicação GoPaint
para simular pinceladas realistas.
O novo tablet alia portabilidade
a um visual sofisticado, graças
ao revestimento eletrónico
de brilho perolado, que lhe
confere um toque suave
e acabamento premium.
Fazer chegar
o digital
aos jovens
Fazer chegar a literacia e as competências
digitais a mais de 23 mil jovens estudantes
do 1º e 2º ciclos do ensino básico é a meta
da Fundação Vodafone para o ano letivo
que agora se iniciou. O que representará um
aumento de 27% nos participantes face à edição
anterior. O programa chama-se DigitALL
e envolverá mil turmas de 170 escolas localizadas
em 35 municípios, selecionadas através
de um processo de candidaturas que decorreu
em maio. Mais de mil professores e 11 monitores
asseguram presencialmente a dinamização
das atividades, garantindo uma experiência
educativa envolvente e tecnológica.
Aposta-se numa abordagem prática e interativa,
com recurso a dispositivos e ferramentas digitais,
promovendo também a capacitação
dos professores nas áreas de ensino STEM
(Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
O programa conta com o apoio institucional
da Direção-Geral da Educação, que reconhece
a sua qualidade e o seu valor pedagógico,
especialmente nas áreas da Matemática e das
Tecnologias de Informação e Comunicação.
INSPIRAR ALUNOS E PROFESSORES
A Kyndryl acaba de reforçar o seu posicionamento como parceiro de um programa
reconhecido nacional e internacionalmente que contribui para o ODS 4 – Educação
de Qualidade, o Apps fot Good, através de uma parceria com o CDI Portugal. Vai participar
na 12ª edição desta iniciativa, orientada para a promoção da inovação educativa, inclusão social
e digital, com o objetivo de preparar os jovens para os desafios do mercado de trabalho.
Nas metas está ainda a sensibilização das novas gerações para temas como a inteligência
artificial e a cibersegurança, enquanto reforça o seu papel na atração e desenvolvimento
de talento jovem. No âmbito desta colaboração, a empresa vai desenvolver um webinar sobre
cibersegurança, assim como envolver os seus colaboradores em iniciativas de voluntariado
de conhecimento, tornando-se experts no programa. Outra meta será apoiar os alunos
e professores com formações, webinares e mentorias.
120 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 121
AGENDA
NOV
INICIATIVAS
1 A 9 NOVEMBRO
LISBON AI WEEK
Trata-se de um festival
de inteligência artificial
(IA) que ao longo de sete
dias oferece dezenas de
eventos em diferentes
pontos da cidade de
Lisboa. Nesta primeira
edição, a Lisbon AI
Week inclui instalações
artísticas geradas por IA,
hackathons, palestras e
workshops, entre outras
iniciativas.
Local: Lisboa
Saiba mais
4 NOVEMBRO
LISBON AI
Este evento que decorre
no âmbito da Lisboa AI
Week dedica-se à aplicação
prática da IA. Reúne líderes,
engenheiros e investigadores,
contando com 20 oradores
distribuídos por cinco áreas:
Modelos Fundamentais,
Plataformas, Ferramentas
para IA, IA Física, Ética
e Sustentabilidade.
Local: Lisboa (Monsanto)
Saiba mais
5 NOVEMBRO
DIGITAL UNION:
O FUTURO DOS
DATA CENTERS EM
PORTUGAL
Líderes empresariais,
reguladores e
especialistas reúnem-se
nesta 14ª Sessão do Digital
Union para debater os
grandes desafios do setor
– da sustentabilidade
e regulação à inovação
tecnológica e ao papel
estratégico dos data
centers na economia
digital.
Local: Auditório da VdA,
Lisboa
Organizador: APDC, VdA
e Portugal DC
Saiba mais
7 A 16 NOVEMBRO
PORTUGAL TECH WEEK
2025
A iniciativa transforma
várias cidades portuguesas
num grande festival
descentralizado de tecnologia
e inovação. Mais de 300
eventos relacionados com
tecnologia, inovação e
criatividade decorrem em
mais de 20 cidades do país.
Inclui palestras, workshops,
exposições e networking.
Local: Lisboa e virtual
Organizador: 351 Portuguese
Startup Association
& EVENTOS
10 A 13 NOVEMBRO
WEB SUMMIT LISBON 2025
Startups, líderes tecnológicos
e investidores marcam mais
uma vez presença em Lisboa
para debater o futuro da
inovação, da inteligência
artificial, da sustentabilidade
e do empreendedorismo.
São esperados cerca
de mil oradores influentes
e 71 mil participantes.
Local: Parque das Nações
Organizador: Web Summit
Saiba mais
11 NOVEMBRO
AI HORIZON CONFERENCE
2025
Este evento oferece uma
oportunidade de conexão com
empresas líder em inteligência
artificial, especialistas e
inovadores que estão a moldar
o futuro nesta área.
Local: Lisboa
Organizador: AI Ethics
and Integrity International
Association (AIEI)
Saiba mais
15 NOVEMBRO
SWORD AI SUMMIT
As mais recentes novidades
de GenAI, incluindo novos
modelos, frameworks e
plataformas de deployment,
são alguns dos temas a
abordar neste evento dirigido
a quem “constrói” na área
da inteligência artificial e que
conta com sessões práticas e
especialistas internacionais.
Local: Alfândega do Porto
Organizador: Sword Health
JAN
6 A 9 JANEIRO
CES
A Consumer Electronics
Show (CES) é uma das
principais feiras de
tecnologia do mundo
e uma oportunidade
para conhecer as mais
recentes inovações e
tendências tecnológicas.
Reúne marcas globais,
startups, media e
decisores de todo o
mundo.
Local: Las Vegas
Organizador: Consumer
Technology Association
Saiba mais
Saiba mais
Saiba mais
122 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 123
A ABRIR
124 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025