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COMUNICACOES 254 - RAQUEL BRÍZIDA CASTRO - A REGRA DA LEI OU A LEI DO ALGORITMO?

COMUNICACOES 253 - MARIA MANUEL MOTA - SEM CIÊNCIA NÃO HÁ FUTURO

COMUNICACOES 253 - MARIA MANUEL MOTA - SEM CIÊNCIA NÃO HÁ FUTURO

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#254

SETEMBRO 2025 | ANO 38 | PORTUGAL | 3,25€

Comunicações

Raquel

Brízida Castro

Vice-Presidente da ANACOM

A REGRA

DA LEI

OU A LEI DO

ALGORITMO?

CONGRESSO APDC

Visão em ecossistema

NEGÓCIOS

Route 25: Inovação

‘made in’ Portugal

INESC-ID E INOV

Desenhar o futuro


A ABRIR

Esta é a

verdadeira

essência da

Inteligência

Artificial.

2 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


EDITORIAL

SANDRA FAZENDA ALMEIDA

sandra.almeida@apdc.pt

CIÊNCIA, REGULAÇÃO

E COLABORAÇÃO:

NOVO IMPULSO DIGITAL

Portugal está a entrar numa nova

fase da transformação digital.

Tal como no resto da Europa,

a regulação das comunicações

é, cada vez mais, uma regulação

do digital, refletindo as novas competências

e responsabilidades que a evolução tecnológica

impõe. Está a reforçar-se a ligação entre ciência

e empresas, condição essencial para transformar

conhecimento em inovação e valor económico.

E ganha força a urgência de políticas públicas

consistentes de capacitação, investigação

e desenvolvimento, para que o país se prepare

para os desafios da era da inteligência

artificial e se afirme como um ator relevante

na transformação digital europeia.

Nesta edição, estivemos À CONVERSA com

a vice-presidente da ANACOM sobre as novas

competências do regulador e o seu papel determinante

para a construção de uma economia digital mais

segura, transparente e competitiva. No mesmo

sentido, o 34.º Congresso da APDC, com o tema

“Science & Business: working together”, sublinhou

a importância da colaboração entre investigação

e o tecido empresarial como motor de crescimento

e de soberania tecnológica.

No Portugal Digital, continuamos com o ciclo

dedicado ao universo INESC, desta vez destacando

o contributo de duas das suas instituições de ciência

e inovação – INESC-ID e o INOV – verdadeiros

laboratórios de talento e de transferência de

conhecimento.

A reportagem dos mais recentes eventos APDC

– do GovTech Saúde à sessão Digital Union sobre

cibersegurança na União Europeia e ao jantar

com o ministro Adjunto e da Reforma do Estado

– mostra que o diálogo entre setores é a força motriz

do progresso digital. Porque a transformação não

acontece isoladamente: nasce do encontro entre

políticas, ciência, empresas e pessoas.

É esse o nosso compromisso na APDC:

continuar a unir visões, criar pontes e acelerar um

desenvolvimento digital que seja simultaneamente

inovador, ético e humano.

Consulte aqui todas as edições

da Revista Comunicações

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 3


14

À CONVERSA

Raquel Brízida Castro, Vice-Presidente da

ANACOM, reflete sobre o impacto da IA nos direitos

fundamentais, o papel dos reguladores e os desafios

éticos de uma era em que a confiança é essencial.

26

EM DESTAQUE

No Congresso da APDC ficou claro que o país

pode afirmar-se na nova era digital.

Com ambição e conjugando visão estratégica

com ciência, inovação, talento e colaboração

em ecossistema.

76

NEGÓCIOS

Tornar o país num laboratório vivo de inovação

tecnológica e projetá-lo na liderança europeia

é a ambição. O Route 25, liderado pela Capgemini,

mostra que não só é possível como já é uma realidade.

98

PORTUGAL DIGITAL

No INESC, o INESC-ID e o INOV ajudam a traçar

o futuro da inovação: o primeiro centra-se na

investigação e produção científica e o segundo

na investigação aplicada e transferência de

tecnologia para as empresas.

116

CIDADANIA DIGITAL

O projeto Super Searchers leva ferramentas práticas

de literacia digital a professores e formadores, com

a ambição de as fazer chegar a milhares de crianças

e jovens de todo o país.

4 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


FICHA TÉCNICA

06 A ABRIR

14 À CONVERSA

Raquel Brízida Castro, Vice-Presidente

da ANACOM

26 EM DESTAQUE

34º Digital Business Congress

74 5 PERGUNTAS

Rodrigo Cordeiro, Country Head da Capgemini

Engineering

76 NEGÓCIOS

Route 25

86 I TECH

Pedro Coelho, Diretor-Geral da HP Portugal

88 BARÓMETRO RH

Tendências na área do talento e dos recursos

humanos

90 RADAR LEGAL

NIS 2: Dos riscos à vantagem competitiva

94 VISÃO DOS ASSOCIADOS

Ericsson e Skyone

98 PORTUGAL DIGITAL

INESC-ID e INOV

108 ESPAÇO ANACOM

ANACOM e o seu papel na Inteligência

Artificial

110 APDC NEWS

116 CIDADANIA DIGITAL

Super Searchers

118 A FECHAR

122 AGENDA

COMUNICAÇÕES 254

PROPRIEDADE E EDIÇÃO

APDC

Associação Portuguesa

para o Desenvolvimento

das Comunicações

DIRETORA EXECUTIVA

Sandra Fazenda Almeida

sandra.almeida@apdc.pt

Av. João XXI, 78

1000 – 304 Lisboa

Tel.: 213 129 670

Fax: 213 129 688

Email: geral@apdc.pt

NIPC: 501 607 749

EDITORA | CHEFE DE REDAÇÃO

Isabel Travessa

isabel.travessa@apdc.pt

SECRETÁRIA DE REDAÇÃO

Laura Silva

laura.silva@apdc.pt

PUBLICIDADE

Isabel Viana

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FOTOGRAFIA

Vítor Gordo / SYNCVIEW

vitor.gordo@syncview.pt

CONSELHO EDITORIAL

Adolfo Martinho; Bernardo Correia;

Dennis Teixeira; Diogo Madeira;

Fernando Braz; Fernando Marta;

Filipa Carvalho; Francisco Maria

Balsemão; José Manuel Paraíso;

Luísa Ribeiro Lopes; Marina Ramos;

Marta da Silva; Miguel Almeida;

Olivia Mira; Paolo Favaro;

Paulo Filipe; Pedro Coelho;

Pedro Faustino; Pedro Gonçalves;

Pedro Tavares; Rodrigo Cordeiro;

Rogério Carapuça; Sérgio Catalão;

Tiago Barroso; Vasco Almeida.

EDIÇÃO E DESIGN

F5C – First Five Consulting

Av. da Liberdade, 230 – 3º

1250-148 Lisboa

PERIODICIDADE

Trimestral

TIRAGEM

Digital

PREÇO DE CAPA

3,25 €

DEPÓSITO LEGAL

2028/83

REGISTO INTERNACIONAL

ISSN 0870-4449

ERC N.º 128 111

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 5


A ABRIR

CITAÇÕES

“A tecnologia está a mover-se

mais rapidamente do que

a nossa maturidade emocional.

Usamos a internet para coisas

absurdas, tontas. Somos como

crianças a brincar com granadas

de mão. Brincando com o fogo.

E ainda assim, estamos

a começar a funcionar de forma

totalmente conectada.

É como se estivéssemos

num treino para o que está a vir.

Há uma enorme solidão

no mundo por causa

da internet”

DAN BROWN

Expresso, 12/09/2025

“Há uma guerra na Europa,

há uma geopolítica em

transformação acelerada e uma

União Europeia que não tem

os meios para ser competitiva

nem para assegurar a sua

independência, militar

e de segurança. (…) A Europa

corre contra o tempo,

e foi basicamente isso que

Von der Leyen anunciou.”

ANTÓNIO COSTA

ECO, 11/09/2025

“O discurso do Estado da União

de 2025 ficará na memória como

o discurso em que a Europa

se assumiu em guerra.

Mas também como o momento

em que se revelou a fragilidade

de um projeto que promete

tudo e não explica como.

A pergunta que paira (…) é esta:

a Europa terá realmente vontade

política, músculo económico

e coragem social para sustentar

o novo projeto europeu?”

MIGUEL BAUMGARTNER

CNN Portugal, 10/09/2025

“Desde que o Steve Jobs

nos deixou, a magia mudou

de sítio. A Apple deixou de pensar

diferente e começou a pensar

bonito. E agora até o Jony Ive,

o lendário chefe de design,

se mudou para a OpenAI.

Coincidência? Não creio. (…)

A Apple continua a dar-nos

forma sem fundo. É como estar

num jantar elegante onde todos

elogiam o vestido caro

– mas ninguém repara que

a conversa está vazia”

RUI CUNHA

LinkedIn, 09/09/2025

ADOÇÃO

DA IA ACELERA

MAINFRAMES…

Num cenário digital em profunda transformação, as organizações

estão a acelerar as suas estratégias de modernização, a expandir

a adoção de inteligência artificial (IA) e a reforçar o mainframe

como pilar dos ambientes híbridos de TI. Mas, em paralelo,

enfrentam uma escassez de talento e novas exigências

regulatórias. Cerca de 80% ajustaram a sua estratégia de

modernização no último ano, em resposta à evolução do mercado,

a desenvolvimentos geopolíticos, a novas regulamentações

e à emergência de tecnologias disruptivas. E a IA, vista até há

pouco tempo como uma promessa futura, afirma-se agora como

catalisador imediato de valor para o negócio. Cerca de 90%

das organizações já implementaram ou planeiam implementar IA

generativa no mainframe, prevendo ganhos expressivos: 12,7 mil

milhões de dólares em poupanças de custos e 19,5 mil milhões

em novas receitas ao longo dos próximos três anos. A tecnologia

está também a colmatar a falta de competências nas equipas, sendo

que 56% das organizações aumentaram o uso do mainframe no último

ano, ao descobrirem novas funcionalidades estratégicas para esta

tecnologia em ambientes híbridos. Os dados são da 3ª edição do "State

of Mainframe Modernization Survey", da Kyndryl.

…AUMENTA

ENTUSIASMO

ENTRE OS

TRABALHADORES…

O entusiasmo e a adoção de ferramentas

de inteligência artificial (IA) está a aumentar

significativamente entre os trabalhadores.

Em apenas seis meses, a sua utilização cresceu

233%, surgindo agora como uma clara

vantagem competitiva. E está a ser usada não

apenas para automatizar tarefas, mas para subir

de nível dentro das organizações. A quase

totalidade (96%) dos trabalhadores usam

a IA para realizar tarefas que antes não tinham

capacidade de fazer sozinhos. E têm mais

154% de probabilidade de recorrer a agentes

de IA para ajudá-los a executar tarefas

melhor e de forma mais criativa, em vez de

simplesmente automatizar o seu trabalho.

Os dados são do mais recente “Slack Workfoce

Index”, da Salesforce, que antecipa que cerca

de 60% da força de trabalho já esteja a usá-la

e que 40% recorrem a agentes de IA. À medida

que cresce a utilização, sobe ainda a confiança

na tecnologia: os trabalhadores que usam

agentes de IA diariamente têm duas vezes

mais hipóteses de confiar neles. O que significa

que as empresas podem aproveitar todo

o potencial do trabalho digital nas respetivas

organizações. Os Millennials estão a emergir

como utilizadores avançados de IA no trabalho:

30% dizem que entendem completamente

os agentes de IA, superando a Geração Z (22%);

68% usam IA para trabalhos estratégicos,

como elaboração, resumo e idealização;

e 43% dos executivos relatam o uso diário de IA.

6 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


…E REFORÇA INVESTIMENTO

DAS EMPRESAS…

Apesar da IA generativa estar a evoluir

a grande velocidade, a mudança

organizacional dentro das empresas não

acompanha esse ritmo. Entre os principais

obstáculos à implementação destas

ferramentas estão as preocupações com

a conformidade regulatória, que estão a

aumentar, revela o estudo “State of Gen AI

in the Enterprise”, da Deloitte. Mais de dois

terços dos líderes empresariais que trabalham

com inteligência artificial (IA) afirmam que

apenas 30%, ou menos, das suas experiências

serão totalmente escaladas nos próximos três

a seis meses. Mas, apesar dos desafios, 78%

dos inquiridos esperam aumentar

o investimento global em IA no próximo ano

fiscal, graças ao crescente reconhecimento

por parte dos líderes das inúmeras

capacidades e vantagens de adotarem

este tipo de tecnologias, que impactam

praticamente todas as áreas. Quase todas

as organizações reportam um retorno sobre

o investimento (ROI) mensurável com as suas

iniciativas mais avançadas de IA generativa

e quase um quarto (20%) reporta um ROI

de 31% ou mais. A adoção na área de TI está

mais avançada, mas a cibersegurança também

se destaca. Sendo que a IA Autónoma

(Agentic AI) surge como um novo vetor

de criação de valor sustentável.

Se 95% das empresas

já investiram

em IA, 71% dos

líderes empresariais

dizem que as suas

equipas ainda não

estão preparadas

para utilizar

esta tecnologia com

sucesso

…QUE AINDA TIRAM POUCO PARTIDO DOS BENEFÍCIOS

Apenas um número reduzido

de empresas tomou medidas no

sentido de alinhar as estratégias

das suas equipas de trabalho com

o crescimento da inteligência

artificial (IA). Mas as organizações

que adotaram estas estratégias

estão na linha da frente para

obter um retorno positivo do

investimento na tecnologia.

De acordo com o “People

Readiness Report”, da Kyndryl,

persiste uma lacuna assinalável

entre o investimento em IA

e a preparação das equipas

de trabalho. Se 95% das empresas

já investiram em IA, 71% dos líderes

empresariais dizem que as suas

equipas ainda não estão preparadas

para utilizar esta tecnologia

com sucesso. E 51% acreditam

que as suas organizações não

possuem talentos suficientemente

qualificados, enquanto 45%

dos CEO consideram que a maioria

dos colaboradores é resistente

ou até abertamente hostil

em relação à IA. Ainda assim,

a prontidão das equipas

de trabalho varia por setor.

As empresas da banca/serviços

financeiros e seguros evidenciam

maior nível de preparação,

enquanto as empresas do setor

de saúde parecem estar a ficar

para trás.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 7


A ABRIR

CITAÇÕES

“O verdadeiro risco não é a IA

Generativa substituir empregos,

mas sim Portugal perder a

oportunidade de se afirmar como um

exemplo tecnológico e ficar relegado

para as margens da transformação

global. Caberá aos gestores e líderes

decidir se seremos pioneiros ou meros

seguidores. Nesta era das máquinas

criativas, estaremos nós, humanos,

à altura do desafio?”

GONÇALO PERDIGÃO

Expresso, 04/09/2025

“Agora está quase tudo negro

e é preciso voltar a plantar árvores,

muitas árvores, mas também

economia, serviços públicos, ciência,

conhecimento e tecnologia nos

territórios do interior, que também

são Portugal. Sem isso as pessoas

não voltam para lá, para lhe

dar densidade, dignidade e qualidade

de vida”

VÍTOR ANDRADE

Expresso, 28/08/2025

Curiosidades

NOVO MATERIAL QUÂNTICO PARA TRABALHAR

EM TERAHERTZ

Foi alcançada uma descoberta

revolucionária em materiais quânticos,

que pode acelerar drasticamente

o futuro da eletrónica. E tornar

dispositivos como os smartphones

e computadores portáteis até

1000 vezes mais rápidos e eficientes.

O material quântico chama-se 1T-TaS₂

e pode ser alternado entre os estados

isolante e condutor, simplesmente

por aquecimento e arrefecimento.

Tem o potencial de poder substituir

os componentes convencionais

à base de silício. O anúncio foi feito

por um grupo de cientistas num estudo

publicado a 27 de junho na Nature

Physics. A capacidade de alternar

estados eletrónicos sob pedido pode

abrir caminho para processadores

ultracompactos e ultrarrápidos,

permitindo que os processadores que

trabalham em gigahertz, atualmente,

possam chegar aos terahertz. Ou seja,

um salto que significaria processar

dados 1000 vezes mais rápido do que

as tecnologias atuais.

“A nova era não será apenas digital.

Será, acima de tudo, humana.

(…) As soft skills serão fundamentais,

porque são o que dá alma

às empresas. E é nessa alma que

reside a verdadeira vantagem

competitiva do futuro”

TIAGO SANTOS

ECO, 28/07/2025

“A par da inovação tecnológica,

cresce um fenómeno silencioso:

a erosão das nossas capacidades

humanas. A inteligência artificial,

ao assumir tarefas do nosso dia a dia,

traz consigo um custo que raramente

é discutido, a perda gradual

da nossa autonomia cognitiva”

JORGE ESPARTEIRO GARCIA

ECO, 19/08/2025

“A recente avaliação da Nvidia

em quatro biliões de dólares dos

Estados Unidos é esclarecedora.

(…) Evidencia uma mutação de

paradigma economico-tecnológico

cujo epicentro dá pelo nome

de inteligência artificial (IA).

Tal como o petróleo moldou cúpulas

e conflitos no século XX, a IA emerge,

a passos galopantes, como o recurso

chave da competição geopolítica

do século XXI!”

PATRÍCIA AKESTER

Público, 18/07/2025

Curiosidades

PROGRAMADOR HUMANO VENCE IA DA OPENAI

Aconteceu em meados de julho, numa competição de programação em Tóquio,

a AtCoder World Tour Finals 2025. Przemysław Dębiak, um programador polaco,

conhecido como "Psyho”, conseguiu mesmo vencer a inteligência artificial (IA)

da OpenAI, que ficou em segundo lugar numa maratona mundial de código

que chegou às 10 horas. Numa competição lado a lado de programação,

onde a OpenAI apresentou um modelo de IA batizado de “Humans vs AI”,

o programador polaco ganhou com uma margem de quase 10%.

Foram convidados os 12 melhores programadores a nível

mundial para este evento, o primeiro em que um

modelo de IA competiu diretamente com os melhores

programadores humanos. “A humanidade prevaleceu

(por agora)”, referiu Dębiak na rede social X.

8 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


Parceiros de Talento da APDC

MARKETPLACE

IA & Digital Skills

Competencias de Venda

ality

ais

Avaliação 360º

SpeakEasy

Building Mia

Sabe mais Sabe mais Sabe mais

Personalidade & Cultura

Role plays & Business Cases

tions

ais

Multiverso

Sabe mais

Around the World

Sabe mais

LotaFISH

Sabe mais

Agilidade e Liderança Digital

Aptidões e Conhecimentos

técnicos específicos

House of Assessment

Skills reais.

Dados reais.

Decisões certas.

Especialistas em avaliação: com soluções

com e sem inteligência artifical medimos

competências e testamos o talento em

desafios reais.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 9


A ABRIR

CITAÇÕES

“É fundamental que

o sistema de ensino se atualize

rapidamente e possa preparar

os alunos desde cedo para um

mundo do trabalho em acelerada

transformação tecnológica.

Mas Estado e setor privado

também são responsáveis

pela integração e renovação

da força de trabalho.

É preciso pensar a fundo que

revolução tecnológica é esta

e como pode ser aproveitada

a nosso favor (entenda-se, a favor

dos humanos) …”

JOANA BELEZA

Expresso, 17/07/2025

“Portugal não sofre de falta

de planos, estratégias

ou investimentos – o problema

está na execução.

Entre o Simplex, os sucessivos

planos de ação, as estratégias

para o digital e os investimentos

previstos no PRR, não faltam

diagnósticos, metas ou intenções.

Mas a verdadeira diferença

entre países digitalmente

avançados e os que permanecem

presos a lógicas analógicas

não está nas ideias – está na

capacidade de as concretizar”

ALEXANDRE HENRIQUES

Expresso, 17/06/2025

INTEGRAÇÃO DE AGENTIC AI

ACELERA ENTRE OS PIONEIROS

Com a inteligência artificial (IA) a começar

a gerar retornos positivos sobre o

investimento (ROI), estimando-se que

permita já uma média de retorno de quase

1,7 vezes, criaram-se as condições para a

adoção mais ampla da AI Agentic. Entre as

organizações que adotaram Gen IA, cerca

de 30% já integraram agentes de IA nas

operações empresariais e espera-se que

os projetos de AI Agentic aumentem 48%

até ao final de 2025. A estimativa é do novo

“AI in action: How Gen AI and agentic AI

redefine business operations” do Research

Institute da Capgemini. Duas em cada cinco

organizações esperam alcançar um retorno

positivo dos seus investimentos em IA num

prazo de um a três anos. E a generalidade

já está a alcançar eficiências significativas

ao nível dos custos, ao integrarem um

conjunto específico de capacidades

de IA nos processos centrais do negócio

(compras, atendimento ao cliente,

otimização da cadeia de abastecimento

e operações financeiras). Estima-se que

uma em cada cinco organizações já utiliza

agentes de IA ou sistemas multiagente,

sendo que a Gen IA e a AI Agentic já estão

a proporcionar poupanças de custos

e eficiências operacionais significativas

em várias funções empresariais. Têm um

verdadeiro potencial transformador

dos serviços empresariais, permitindo

a transição dos modelos tradicionais

focados nos custos para novos

modelos impulsionados

pelo valor e IA.

“O poder demente, aliado

ao triunfalismo tecnológico,

faz que a cada dia, a cada manhã,

ao irmos ao encontro das notícias

da noite, sintamos como

a terra redonda é disputada

por vários pescoços em

competição, como se mais uma

vez se tratasse de um berloque”

LÍDIA JORGE

Discurso 10 junho, 10/06/2025

“Se há coisa de que o país,

e a economia, precisa é mesmo

de uma reforma do Estado.

Daquelas que começam por

simplificar, por desburocratizar,

por olhar com confiança

para os agentes económicos,

daqueles que fazem contratos

de confiança e não partem

do pressuposto de que é preciso

criar barreiras e suspeitas

à priori que travam a economia

e o investimento”

ANTÓNIO COSTA

ECO, 06/06/2025

Curiosidades

APP QUE DETETA DIABETES

PELA VOZ

A ideia surgiu do filme Blade Runner, em que uma

personagem usava identificação de marcadores por

voz. E acabou por ser desenvolvida uma aplicação que

deteta diabetes pela voz, com recurso a biomarcadores.

Blade Runner sugeriu e Yan Fossat desenvolveu. A solução não precisa

de equipamentos invasivos, usando apenas o telemóvel e modelos que já foram

trabalhados com vários grupos de teste. Basta uma pergunta simples para

a aplicação estimar qual é o nível de açúcar no sangue (glicémia) e a probabilidade

de uma pessoa ter diabetes. O projeto foi apresentado na conferência Medical AI,

que decorreu na Fundação Champalimaud e, para já, é ainda apenas uma API. Mas

o objetivo é dar-lhe continuidade, através de um modelo de negócio baseado em

licenciamento. A equipa treinou um modelo com um grupo de pessoas com diabetes

e outras sem a doença, com a mesma distribuição de idade e de índice de massa

corporal (IMC) e fez análises de algumas frequências na voz. Com esses dados

criou o modelo de inteligência artificial capaz de processar a informação da voz

e de perceber se a pessoa está no grupo de diabéticos ou com propensão para

ter a doença.

10 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


Entre as

organizações que

adotaram Gen IA,

cerca de 30% já

integraram agentes

de IA nas operações

empresariais

Curiosidades

CIRURGIAS AUTÓNOMAS COM IA CADA VEZ

MAIS PRÓXIMAS

A possibilidade de realizar procedimentos cirúrgicos complexos

de forma autónoma está muito perto de ser uma realidade.

Um robô operou pela primeira vez um modelo realista de paciente,

respondendo durante a operação aos comandos da equipa, indica

um estudo publicado na revista científica Science Robotics. Treinado

com vídeos de cirurgias, o robô procedeu à remoção da vesícula biliar

sem ajuda humana, com um desempenho irrepreensível durante

os testes e com a perícia de um cirurgião humano, mesmo em cenários

inesperados típicos de emergências médicas reais, refere a equipa

da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que liderou

o projeto. Denominado Surgical Robot Transformer-Hierarchy (SRT-H),

o robô foi construído com a mesma estrutura de aprendizagem

automática do sistema de IA ChatGPT. E realiza realmente cirurgias,

adaptando-se às características anatómicas individuais, tomando

decisões em tempo real e autocorrigindo-se quando é necessário.

NÚMEROS

4 BILIÕES

É um novo recorde mundial, em dólares,

e foi alcançado pela Nvidia, que se tornou

na primeira "four trillion dollar baby"

de sempre. Aconteceu a 9 de julho, quando

a gigante de chips passou a valer quatro biliões

de dólares na Wall Street. Tudo graças à corrida

mundial à inteligência artificial e ao aumento

contínuo do número e complexidade dos

modelos de grande escala. Na classificação

das empresas com maior capitalização

bolsista seguiam-se a Microsoft (3,70 biliões

de dólares), Apple (cerca de 3,1 biliões),

Amazon (2,3 biliões) e Alphabet (2,1 biliões).

183 MIL MILHÕES

Trata-se da valorização recorde, em dólares,

alcançada pela startup norte-americana

Anthropic, principal concorrente do ChatGPT

e do Gemini, no início de setembro, depois

de uma ronda de investimento em que

captou 13 mil milhões de dólares. A criadora

do chatbot Claude, fundada há quatro anos

por ex-quadros da OpenAI, fez assim uma

das maiores rondas de financiamento da

história do setor tecnológico, graças à forte

procura dos investidores. Em março, foi

avaliada em 60 mil milhões de dólares.

30 MIL MILHÕES

Este é o valor do maior contrato, em dólares,

de sempre realizado pela OpenAI. Objetivo?

Que a Oracle lhe forneça 4,5 gigawatts de

capacidade de computação, num acordo que

é considerado um dos maiores do tipo na área

da inteligência artificial. A tecnológica terá de

construir novos centros de dados nos Estados

Unidos para satisfazer as necessidades da

criadora do ChatGPT. A capacidade contratada

representa cerca de um quarto de toda a

capacidade operacional atual dos centros

de dados nos EUA. O acordo insere-se no

âmbito do projeto “Stargate”, lançado em

janeiro em parceria com o japonês SoftBank.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 11


A ABRIR

Os líderes

operacionais

sentem falta de

orientação, clareza

e recursos para

abordarem os riscos

de segurança

e os desafios de

infraestrutura

NÚMEROS

17,4 mil milhões

Corresponde ao valor, em dólares, do acordo

que a Microsoft fez com o Nebius Group,

para ganhos de capacidade de computação

cloud para inteligência artificial (IA) nos

próximos seis anos. A tecnológica tem

investido massivamente para dar resposta ao

forte aumento da procura de IA e está focada

em construir novos centros de dados e em

equipá-los com servidores e equipamento

de redes. A Nebius, que tem entre os

seus investidores a Nvidia e a Accel, trará

capacidade através de um centro de dados

em Vineland, no estado da Nova Jérsia.

3,3 mil milhões

É quanto a Capgemini se propõe dar, em

dólares, pela tecnológica indiana WNS.

A meta é reforçar as suas capacidades na área

dos agentes de inteligência artificial (IA), para

aproveitar todas as oportunidades de mercado

que estão a surgir. A WNS especializou-se em

agentes de IA, sistemas capazes de executar

tarefas em cadeia através de simples comandos

de texto, vistos como uma das principais

ferramentas de automação de processos

empresariais para os próximos anos.

Curiosidades

UM ROBÔ QUE PODE

FUNCIONAR PARA SEMPRE

Chama-se Walker S2, foi criado na China e tem

um design de bateria dupla, que lhe permite

funcionar sozinho 24 horas por dia, 7 dias por

semana. É que tem capacidade para mudar

as próprias baterias, quando está a ficar sem

energia. Fabricado pela chinesa UBTECH, tem

162 centímetros de altura e pesa 43 quilos, o que

o torna do tamanho e peso de um adulto pequeno.

Utiliza uma bateria de lítio de 48 volts num sistema

de bateria dupla e pode andar durante duas horas

ou ficar de pé durante quatro horas antes de ficar

sem energia. Quando está esgotada, a bateria

demora 90 minutos a carregar completamente.

A novidade mundial é que, em vez de depender

de um operador humano para remover e recarregar

a bateria, realiza esta tarefa autonomamente.

O Walker S2 foi concebido para ser utilizado

em ambientes como fábricas ou como um robô

semelhante a um ser humano para atender

e cumprimentar clientes em locais públicos.

GENAI PRECISA DE

ALINHAMENTO NA GESTÃO

DE TOPO

Há um desalinhamento entre os líderes de gestão no que diz respeito aos

objetivos de negócio e à prontidão operacional, quando se trata da adoção

da IA generativa. Se os CEO e líderes empresariais estão comprometidos com

a adoção da GenAI, os CISO e líderes operacionais sentem falta de orientação,

clareza e recursos para poderem abordar plenamente os riscos de segurança

e os desafios de infraestrutura associados à sua implementação. A conclusão

é do novo relatório da NTT DATA sobre as oportunidades e riscos que

a inteligência artificial (IA) coloca à cibersegurança. De acordo com o

“The AI Security Balancing Act: From Risk to Innovation”, quase todos (99%)

os executivos de topo planeiam mais investimentos em GenAI nos próximos

dois anos, com 67% dos CEO a projetarem investimentos significativos.

Em paralelo, 95% dos CIO e CTO dizem que a GenAI já acelerou, ou irá acelerar,

maiores investimentos em cibersegurança, com as organizações a classificarem

a melhoria da segurança como um dos três principais benefícios empresariais

resultantes da implementação de GenAI nos últimos 12 meses. A análise revela

ainda uma lacuna crítica entre a visão da liderança e as capacidades das suas

equipas. Além do desalinhamento interno, 88% dos líderes de cibersegurança

afirmam que a infraestrutura legada está a afetar fortemente a agilidade

empresarial e a prontidão da GenAI, com a modernização de IoT, 5G e edge

computing identificadas como essenciais para o progresso futuro.

12 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


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SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 13


À CONVERSA

14 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


ENTRE A

CONSTITUIÇÃO

E O ALGORITMO:

A NOVA FRONTEIRA

DO ESTADO

DE DIREITO

Num momento em que a Inteligência Artificial (IA) redefine

as fronteiras do Direito e da Regulação, Raquel Brízida Castro

reflete sobre o impacto desta tecnologia nos direitos fundamentais,

o papel dos reguladores e os desafios éticos de uma era em que

a confiança se torna o principal motor da inovação.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 15


À CONVERSA

Tem um percurso invulgar e multifacetado:

bailarina no início, voz de rádio, duas décadas

na SIC – onde foi jornalista e editora

de política – e, depois, a paixão total pelo

Direito Público. Na vice-presidência da

ANACOM desde fevereiro deste ano, Raquel

Brízida Castro continua movida pelo mesmo

motor: a curiosidade de pensar e a vontade

de partilhar. Entre a sala de aula e a arena

regulatória, habituou-se a um verbo que

lhe define a prática: ponderar.

A sua tese tem sido consistente: o digital

vive um ponto de viragem e a IA obriga

a um novo contrato entre Estado de Direito

e tecnologia. Fala de explicabilidade

como condição de confiança, de auto-

-vinculação como disciplina dos reguladores

e de segurança jurídica como bússola do

mercado. Recusa a “overdose normativa”

sem coordenação e guidelines e lembra

que também as empresas têm direitos

fundamentais. A linha vermelha? O momento

em que se passa da rule of law à rule of

algorithm – quando delegamos decisões

sem as conseguirmos compreender.

Portugal prepara-se para concentrar

na ANACOM a coordenação da fiscalização

da IA. E o desafio é tão técnico como

cultural: reforçar equipas com ciência de

dados e ética, emitir guidelines claras, testar

em sandboxes e articular o Regulamento

Geral de Proteção de Dados (RGPD),

Regulamento dos Serviços Digitais (DSA)

e Regulamento da Inteligência Artificial (RIA

ou IA Act) numa leitura transversal,

que não pode ser nem permissiva, nem

asfixiante. Até 2026, a prioridade é orientar

e capacitar, para que a conformidade seja

um aliado da inovação e não um travão.

Neste À CONVERSA, a jurista, professora

e reguladora abre o caderno pessoal

– escolhas, influências, dúvidas – e assume

a ambição pública: uma regulação que

proteja direitos sem matar o génio criador,

que dê previsibilidade ao mercado e trate

a IA como meio de realização de direitos

e não como ameaça inevitável. É aqui,

entre a Constituição e os algoritmos,

que promete fixar-se o centro de gravidade

do nosso futuro digital.

16 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


O SEU PERCURSO É SINGULAR:

COMEÇOU NO JORNALISMO, PASSOU

PELO ENSINO E PELA INVESTIGAÇÃO

ACADÉMICA, FOI VOGAL DA ERC

E CHEGOU ESTE ANO À VICE-

-PRESIDÊNCIA DA ANACOM. QUE FIO

CONDUTOR UNE ESTAS FASES TÃO

DIFERENTES?

A minha primeira carreira foi

como bailarina profissional de

dança clássica. Fiz o curso de

dança do Conservatório Nacional,

mas confesso que não consegui

encontrar nenhuma ligação. Aos

16 anos fundei a Rádio Mais, em

conjunto com pessoas conhecidas

da nossa praça, da mesma faixa

etária – o Nuno Santos, o Jorge

Gabriel, o Jorge Alexandre Lopes,

o Luís Santos. Aí era a comunicação

– e a rádio, que tem um fascínio

e magia muito interessantes

– que me chamava. Depois fui para

a Rádio Renascença, onde fazia as

notícias. Tinha ainda um programa

diário de entretenimento na RFM.

Em março de 1992, o Emídio Rangel

telefonou-me a perguntar se queria

ir para a SIC, quando ninguém

sabia ainda o que era. Mas decidi

arriscar porque, por um lado,

o nome do Dr. Balsemão estava

associado ao canal e, por outro

lado, já tinha feito um curso

de televisão. O que une tudo isto

é a comunicação e a criatividade,

que é muito importante, sobretudo

na rádio, porque não temos

imagem e temos de a criar. É um

desafio enorme. Portanto, entrei

quando a SIC foi fundada e foi onde

fui jornalista e editora de política.

Foram 20 anos, mas, entretanto,

a meio do caminho, surgiu o curso

de Filosofia e depois o de Direito.

FOI PARA FILOSOFIA E DEPOIS

SALTOU PARA DIREITO. COMO É QUE

ISTO ACONTECEU?

Fui para Filosofia, mas no

segundo ano, numa aula de

Filosofia Social e Política, pensei:

‘O que estou aqui a fazer?

Isto não tem nada a ver comigo’.

A Filosofia é algo muito abstrato

e eu gosto de fazer coisas: de

moldar, de definir. Sou muito

prática e pragmática. Então,

mudei para Direito e apaixonei-

-me. Entretanto, continuava

a ser jornalista. Foi muito difícil

conciliar com o curso de Direito

e só o consegui graças a uma

característica que tenho: quando

me apaixono por algo, faço tudo

por isso. Assim, e ao longo de cinco

anos, não tive folgas, feriados

ou férias. Mas consegui a proeza

de, em 1998, acabar o curso com

média de 17 valores. Foi a 6.ª

melhor nota depois do 25 de Abril.

UMA MÉDIA DESSAS É QUASE

IMPOSSÍVEL DE ALCANÇAR…

Foi a paixão. O que gostava mais

no Direito era a lógica, o raciocínio

jurídico. Era o estímulo de ter um

tema, de o estudar e aprofundar

e, depois, ao aplicar o raciocínio

jurídico, ver que se for por um

caminho tenho um resultado

e que se for por outro caminho

o resultado é diferente. Esse foi um

estímulo mental muito importante

para mim e no qual investi, mas

sempre mantendo a SIC, porque

também gostava muito de ser

jornalista. O que sempre tentei

– e não sei se tem a ver com o facto

dos meus pais serem professores

– foi comunicar e partilhar os meus

conhecimentos. É uma enorme

preocupação que tenho.

COM A ENTRADA DO DIREITO NA SUA

VIDA, QUE CAMINHO SE SEGUIU?

Com o tempo e o evoluir

do curso, senti maior apetência para

os temas de Direito Público. Ainda

consegui conciliar o mestrado, que

terminei em 2003, em Ciências

Jurídico-Políticas. Depois, em 2004,

fui nomeada editora de política

e tive de me afastar do Direito.

Até que, em 2006, o professor

Jorge Miranda me convidou para

assistente convidada da Faculdade

de Direito de Lisboa. Voltei, retomei

a carreira académica e inscrevi-me

no doutoramento. Mas era muito

trabalhoso e já não era possível

conciliar com o jornalismo.

Por isso, em 2011, tomei a decisão

de deixar a SIC.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 17


À CONVERSA

COMO É QUE PASSOU DE

JORNALISTA PARA VOGAL DO

CONSELHO REGULADOR DA ERC?

Recebi o convite para ir para

a ERC e como o meu doutoramento

tinha a ver com a Constituição

da Comunicação, achei que,

na minha função enquanto vogal

da ERC, podia haver uma partilha

relevante, quer para o regulador

dos media, quer para o meu

trabalho académico. Por isso,

aceitei o desafio, enquanto fiz

o doutoramento, que terminei

em 2015.

ENTRETANTO, JÁ OLHAVA PARA

O CIBERESPAÇO…

O ciberespaço surge em 2012,

quando eu e outros colegas criámos

um projeto de investigação

no Lisbon Public Law Center.

Quem me levou para estes temas

foi o professor Vera Cruz, que,

na altura, era visionário quanto

ao Direito Tecnológico e ao Direito

do Ciberespaço. Começou

a convidar-me para conferências,

o que me levou a investigar

o que depois acabei por designar

de Direito Constitucional do

Ciberespaço. Portanto, há 13 anos

que estudo aprofundadamente

os temas da regulação digital

e da regulação tecnológica,

mas sempre numa perspetiva

constitucional. Ou seja, sobre

a forma como esta regulação

desafia os princípios estruturantes

do Estado de Direito Democrático.

A SUA EXPERIÊNCIA DE 25 ANOS

DE JORNALISMO FOI ÚTIL NESSA

SUA NOVA COMPONENTE

DE CONSTITUCIONALISTA, PARA IR

ATRÁS DAS SOLUÇÕES?

Sim, sobretudo no que respeita

a tentar perceber o que efetivamente

interessa às pessoas. No plano

do Direito Constitucional, para

mim não faz sentido imaginar um

Estado de Direito Democrático

que não se preocupe com a defesa

dos direitos fundamentais. Mas,

obviamente, este é um conceito

muito amplo, porque, por exemplo,

no que respeita ao Ciberespaço,

os direitos fundamentais não são

apenas os dos utilizadores, mas

também os das empresas. Não

podemos impor determinado tipo

de restrições que são claramente

excessivas e desproporcionais,

porque a liberdade de iniciativa

privada, o direito de propriedade

privada, a liberdade de gestão,

também são direitos fundamentais.

É preciso fazer essa ponderação.

PORTANTO, O CONTACTO DIRETO

COM A REALIDADE TROUXE-LHE

ESSA SUA FORMA DE VER E DE

PENSAR O DIREITO E A REGULAÇÃO...

Exato. Na última monografia,

que publiquei no final de 2023,

sobre Direito Constitucional,

Tecnologia e Ciberespaço,

tento aplicar a minha visão de

constitucionalista a temas como

a regulação digital. Nomeadamente

no Regulamento dos Serviços

Digitais, que tem um impacto brutal

– quer na liberdade de expressão,

quer no direito à informação – mas

que é algo que acho que as pessoas

ainda não se aperceberam. Isso

gera-me alguma perplexidade,

sobretudo no que toca aos media,

porque o regulamento também se

lhes aplica. Andámos anos, séculos

até, a lutar contra formas de

restrição da liberdade de expressão

excessivas e desproporcionais.

E agora aceitamos que

entidades privadas – os serviços

intermediários – possam fazer

essas ponderações da liberdade

18 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


A UE está a regular

diretamente sobre

matérias que cabiam

ao legislador e,

de alguma forma,

isso acaba por

produzir défice

democrático, porque

o legislador nacional

é completamente

afastado no que toca à

regulação dos direitos

fundamentais

de expressão. Daí a relevância

constitucional dos reguladores,

enquanto coordenadores dos

serviços digitais, porque são eles

que vão garantir que, pelo menos,

as plataformas online respeitem,

de alguma forma, os direitos

fundamentais. Aí, o regulamento

é muito importante.

DEFENDE QUE A CONSTITUIÇÃO

É UM ESPAÇO DE COMPROMISSO E DE

PONDERAÇÃO. EM QUE MOMENTOS

DA SUA VIDA SENTIU TER DE FAZER

ESSE EXERCÍCIO PESSOAL DE

PONDERAR E DE SE COMPROMETER?

Aí não consigo estabelecer

a ligação. Tenho um sentido

de justiça muito forte e reajo muito

às injustiças. Se considerar que

a Constituição confere valores,

sim. Mas não consigo fazer essa

aplicação à vida pessoal. Agora que

a Constituição é um refúgio, é,

e tem de ser. Então nesta regulação

digital é ainda muito mais.

QUEM A INSPIRA ATUALMENTE?

HÁ ALGUMA FIGURA QUE INFLUENCIE

A SUA FORMA DE PENSAR O DIGITAL

E O PAPEL DO ESTADO?

Há ainda poucas obras de fundo

sobre este tema. Mas existem

muitos artigos. Há um autor

que sigo e de quem leio todas as

publicações: o Philipp Hacker.

É extraordinário, não só pelo

conhecimento que tem, mas pela

forma como alia os conhecimentos

tecnológicos que tem adquirido

com as publicações científicas.

Como estamos numa fase

de construção da regulação,

em que a apetência por conteúdos

científicos é muito grande, se

calhar as pessoas estão a sacrificar

pensamentos mais profundos. Mas

é preciso ir mais além, reagindo

àquilo que é a evolução. A verdade

é que todos os dias quando acordo

fico preocupada porque já devia

ter lido o artigo A, o artigo B

ou o artigo C. Porque a evolução

é tão rápida. Hoje em dia, é muito

difícil investigar estes temas,

especialmente a IA.

SE NÃO ESTIVESSE NO DIREITO E NA

REGULAÇÃO, O QUE GOSTARIA DE

ESTAR A FAZER? VOLTAVA À DANÇA?

Não, não me vejo a fazê-lo. A

dança ficou para trás... [riso].

E O JORNALISMO?

A decisão de deixar a SIC

permitiu-me dar dois passos

muito importantes na minha

vida. Primeiro, no plano

profissional, permitiu-me abraçar

exclusivamente o Direito. Segundo,

tenho duas crianças maravilhosas

– o mais velho tem 12 anos e o mais

novo tem oito anos – que vieram

dar sentido à minha vida pessoal.

Foi muito importante por esse

duplo aspeto.

CONCILIAR A SUA VIDA

PROFISSIONAL COM O PAPEL DE MÃE

SEGURAMENTE NÃO SERÁ FÁCIL...

Tenho um marido que me ajuda

imenso. Para além de partilhar

comigo o gosto por todos esses

temas, de aprender imenso com

ele, de me inspirar imenso

e puxar por mim, ajuda imenso

nas questões práticas do dia a dia.

É fundamental na minha vida.

DISSE RECENTEMENTE QUE

“O DIGITAL VIVE UM PONTO DE

VIRAGEM”. ESTAMOS A ENTRAR

NUMA ERA NOVA DE GOVERNAÇÃO

DO DIGITAL, DA IA E DOS DIREITOS

FUNDAMENTAIS?

Na última década e meia, a União

Europeia produziu uma “overdose

normativa”. São regulamentos

sobre áreas constitucionalmente

sensíveis, ou seja, sobre o núcleo

duro das nossas Constituições.

A UE está a regular diretamente

sobre matérias que cabiam

ao legislador e, de alguma forma,

isso acaba por produzir défice

democrático, porque o legislador

nacional é completamente afastado

no que toca à regulação dos direitos

fundamentais. Por outro lado,

a partir do momento em que existe

uma regra europeia, o Tribunal

de Justiça considera que a

jurisdição passa para si. O que,

para além de esvaziar o papel

do legislador, de alguma forma

condiciona a atuação dos tribunais

nacionais.

E DA PRÓPRIA REGULAÇÃO…

Sim, condiciona a regulação.

Neste aspeto, o regulador tem

de se preocupar não apenas com

a efetividade do direito à UE,

mas também com os seus vínculos

constitucionais. A UE não tem

uma Constituição nem há uma

Federação. Portanto, temos de

continuar a prezar e a preservar

os elementos democráticos na

construção das normas vigentes

no espaço europeu. Do ponto

de vista constitucional, a questão

é que os cidadãos comuns não têm

acesso direto ao Tribunal de Justiça

da UE, o que coloca problemas

de tutela jurisdicional efetiva.

Por outro lado, a Inteligência

Artificial vem revolucionar

completamente o Direito

Constitucional e os direitos

fundamentais. A regulação

digital – quando falo no DSA,

no Regulamento de Liberdade

de Meios de Comunicação Social

ou no RGPD – já tinha introduzido

elementos muito relevantes

de alterações disruptivas da

ordem jurídica. Mas, na minha

perspetiva, a IA veio causar uma

revolução constitucional. A IA é

extraordinária, tem um potencial

brutal para nos ajudar tanto...

MAS TAMBÉM TEM OUTRO

LADO, MENOS POSITIVO. AINDA

RECENTEMENTE SURGIU UM NOVO

MANIFESTO A ALERTAR PARA OS

PERIGOS DA SUPERINTELIGÊNCIA

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 19


À CONVERSA

Os principais

problemas na

utilização de IA são,

primeiro, a falta de

uma regulação clara,

e, em segundo, a falta

de confiança e algum

ceticismo quanto à IA

em termos de uso de IA, os Estados

estão muito aquém do potencial.

E porquê? Os principais problemas

na utilização de IA são, primeiro,

a falta de uma regulação clara,

e, em segundo, a falta de confiança

e algum ceticismo quanto à IA.

Ou seja, a confiança é fundamental

para que possa evoluir na nossa

vida.

E NO SEU IMPACTO NA HUMANIDADE.

E HÁ PAÍSES, COMO OS ESTADOS

UNIDOS E A CHINA, ONDE A IA ESTÁ

A DISPARAR SEM CONTROLO….

A questão é exatamente essa.

Obviamente que é necessária

inovação tecnológica e é preciso

que as empresas invistam, estudem

e inovem. Mas temos sempre

de manter o controlo sobre essa

evolução. Isso é muito importante.

O CAMINHO TEM DE PASSAR POR

UMA DECISÃO INTERNACIONAL?

Obviamente. Toda a gente diz que

o RIA é uma regulação excessiva.

Mas isso não é verdade. Com

exceção da justiça e dos dados

biométricos, o RIA não exige,

por exemplo, nenhuma decisão

humana, pois isso tem de ser o

papel do legislador. Cada legislador,

nas leis de implementação, vai

ter de tomar uma decisão sobre

o nível de autonomia da IA que vai

permitir na sua ordem jurídica.

Quanto maior o grau de autonomia

do sistema e do modelo de IA,

maior terá de ser a possibilidade

de controlo, escrutínio e

explicabilidade. Há uma linha

a partir da qual a IA colide com

o Estado de Direito Democrático

e com os direitos fundamentais.

E essa linha é precisamente

aquela em que pomos a IA a tomar

decisões por nós e, de repente,

deixamos de as compreender.

DEFENDE MUITO O DIREITO À

EXPLICABILIDADE COMO UM PILAR

DE CONFIANÇA NO NOSSO SISTEMA…

Até do ponto de vista das empresas

e da inovação tecnológica, a confiança

é fundamental. Porque se as pessoas

deixarem de confiar na IA, vão

deixar de recorrer a ela e não é o

que se pretende. Por isso, é preciso

estabelecer níveis de confiança

básicos. Aliás, a OCDE publicou

um relatório muito interessante,

em que diz precisamente que,

COMO É QUE SE GARANTE

QUE OS SISTEMAS DE IA SÃO

VERDADEIRAMENTE EXPLICÁVEIS?

Não é fácil, porque isto

implica, primeiro, explicar

como. Têm de existir orientações

técnicas concretas sobre como

é concretizado e implementado

este direito à explicabilidade e o

princípio da transparência. Por

exemplo, candidatamo-nos a um

benefício social e somos excluídos,

mas temos a certeza de que somos

elegíveis. Nós queremos que nos

expliquem porque é que fomos

excluídos, não é? Se é o algoritmo

que toma a decisão e se esta tem

impacto na minha esfera jurídica,

então alguém tem de me explicar

porque é que o algoritmo violou a

lei. Ou seja, têm de existir critérios

objetivos aplicáveis a todos.

SE NO PLANO EUROPEU VIVEMOS

UMA "OVERDOSE REGULATÓRIA",

VEMOS OUTRAS REGIÕES, COMO

OS ESTADOS UNIDOS OU A CHINA,

A DAR PRIORIDADE À INOVAÇÃO.

COMO SE EVITA QUE A BOA

INTENÇÃO REGULATÓRIA SE

TRANSFORME NUM OBSTÁCULO

À INOVAÇÃO?

É muito importante a

simplificação regulatória

– a UE está a tomar iniciativas

nessa matéria – e haver orientações

20 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 21


À CONVERSA

A UE está num

processo de

simplificação

regulatória, o que

é excelente, mas

também é necessário

não perder de vista

que esta regulação

deve ser na medida

adequada

sobre como aplicar todos os

regulamentos de forma conjugada

e coerente. Quando se fala

num regulador único, isso tem

uma enorme vantagem. Se tenho

sistemas de moderação

de conteúdos nas plataformas

que são algoritmos, que têm

impacto na proteção de dados,

tenho de aplicar simultaneamente

o regulamento dos serviços

igitais, o RIA e o RGPD. É preciso

conjugar. Ou seja, perante um caso

concreto, tenho de descodificar,

na interseção destes regulamentos,

como fazer essa aplicação.

É preciso que as pessoas se sentem

e escrevam guidelines sobre

como aplicar estes regulamentos.

E SERÁ QUE O VÃO FAZER?

Ainda em setembro, o Supremo

Tribunal espanhol tomou uma

decisão histórica. Em 2018,

a atribuição da tarifa social elétrica

foi feita por um algoritmo e houve

pessoas que foram excluídas sendo

elegíveis. Uma fundação impugnou

essa atribuição e iniciou-se

uma batalha judicial. A fundação

queria acesso ao algoritmo para

verificar os erros. De 2018 a 2025,

o Estado espanhol invocou

o segredo de Estado e a proteção

de dados para recusar o acesso

ao algoritmo. A última decisão

do Supremo Tribunal espanhol

foi obrigar o Estado a facultar

o acesso ao algoritmo. É uma

decisão histórica, com base

na designada necessidade

de explicabilidade. E recentemente

o Tribunal de Justiça da UE

– agora no plano das decisões

automatizadas do artigo 22.º

do RGPD – determinou que tem

de haver fundamentação

dos atos impostos a alguém

e que afetam a sua esfera jurídica.

Mas não é uma explicação

qualquer: o destinatário do ato

tem de a conseguir compreender.

E abordou ainda outra questão

relacionada com segredos

comerciais: nesses casos,

o emitente do ato tem a obrigação

de se deslocar a uma autoridade

de controlo que vai determinar

se existem ou não segredos

comerciais. Esta decisão vai ser

muito importante para a questão da

transparência e da explicabilidade.

Agora, a UE Europeia vai

produzir guidelines sobre essa

explicabilidade. Mas isto está

tudo a começar.

FALA FREQUENTEMENTE DA

NECESSIDADE DE UMA REVISÃO

CONSTITUCIONAL DIGITAL.

QUE NOVOS DIREITOS DEVEM

SER CONSAGRADOS NA

CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA?

O direito à explicabilidade.

Mas não em abstrato, refiro-me

ao direito à explicabilidade,

nos casos em que há um ato

que lesa Direitos, Liberdades

e Garantias. Ou seja, que tenha

impacto na esfera jurídica das

pessoas. Se uma decisão tomada

por algoritmo tem impacto

na minha esfera jurídica,

excluindo-me de um benefício

social ou de um subsídio, existe

o direito à explicabilidade.

Defendo também o direito à

supervisão humana. Há um direito

muito interessante criado pela lei

alemã onde, nos casos em que

há um ato administrativo baseado

num algoritmo, uma vez notificado,

o destinatário tem 30 dias para

exigir a revisão humana dessa

decisão. Acho que se deve pensar

nisso. Consoante o nível

de autonomia, será exigível

uma supervisão que permita

um controlo e um escrutínio

de todo o processo. Tem de ficar

documentado o momento,

a forma e a medida em que houve

a intervenção da IA.

MAS A SUA APLICAÇÃO NA PRÁTICA

VAI SER COMPLEXA...

A regulação da IA está a ser

construída e temos até ao próximo

ano para que esteja em vigor e para

que as autoridades de fiscalização

do mercado estejam plenamente

em exercício. Mas não é só designar

a autoridade, o Estado tem de

informar a Comissão Europeia

sobre os meios financeiros e

humanos de que dispõe. E não

basta o Estado informar, o próprio

RIA define graus de suficiência.

O GOVERNO ANUNCIOU QUE VAI

DESIGNAR A ANACOM COMO

ENTIDADE RESPONSÁVEL PELA

REGULAÇÃO DA IA. JÁ TÊM

GUIDELINES?

Foi anunciado, mas ainda não

há nem a designação da ANACOM,

nem guidelines. Supõe-se que a

designação formal seja no próximo

ano. A União Europeia neste

momento está num processo

de simplificação regulatória, o

que é excelente, mas também é

necessário não perder de vista que

esta regulação deve ser na medida

adequada. Era muito importante

– porque já existem algumas

guidelines de aspetos fundamentais

do RIA – que as empresas se

preparassem para a entrada

em vigor daqui a um ano dessas

obrigações. E era importante que

a construção desta regulação

seja feita através de sandboxes

regulatórias para que, em caso

de alguma dúvida, as empresas

possam chegar junto da autoridade

de controlo e fazerem testes.

ANTECIPA UMA GRANDE MUDANÇA

NA ATUAÇÃO DA ANACOM COM

ESTAS NOVAS RESPONSABILIDADES?

Imensa, pois implica uma

grande alteração. Essa mudança

já começou com a designação da

ANACOM como coordenadora dos

serviços digitais, mas passará agora

a ter também a componente da IA.

Até agora, era um regulador que

se preocupava com os direitos dos

consumidores, mas era sobretudo

um regulador económico. Agora,

passa a ser um regulador dos

direitos fundamentais.

22 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


alguns conceitos que não têm a

ver com o Direito. Assim como

os engenheiros, os cientistas de

dados, os economistas e outros

também terão de “sair dos seus

pedestais” e perceber que, às

vezes, o Direito ajuda a arrumar

as coisas. Esta simbiose é que

permite que consigamos enfrentar

a questão da regulação da IA.

A multidisciplinaridade é uma

questão fundamental.

Do ponto de vista do mercado, é muito

importante a simplificação regulatória

e a existência de “um só um interruptor”.

E, do ponto de vista da regulação, é fundamental

A PRESIDENTE DA ANACOM,

SANDRA MAXIMIANO, REFERIU

AINDA RECENTEMENTE QUE

É PRECISO “TRAZER PESSOAS DE

TECNOLOGIA” PARA O REGULADOR.

COMO SE CONSTRÓI, EM TERMOS

PRÁTICOS, UMA AUTORIDADE

CAPAZ DE SUPERVISIONAR IA,

CIÊNCIA DE DADOS E ÉTICA DIGITAL?

Constrói-se conhecendo

regulamentos. Neste caso,

conhecendo o RIA em

profundidade, percebendo o que

se pretende. Depois, construir

procedimentos e métodos de

abordagem dos problemas, a

previsão dos problemas e emitir

guidelines internos e externos.

A multidisciplinaridade é

fundamental, porque o jurista

sozinho não vai conseguir

regular a IA. É preciso todo um

conhecimento técnico, porque

esta é uma das questões em que

é fundamental que o jurista “saia

do seu pedestal” e tente aprender

QUAL É A SUA OPINIÃO SOBRE O

ANÚNCIO – MAIS UMA DECLARAÇÃO

DE INTENÇÕES – DO MINISTRO DAS

INFRAESTRUTURAS EM RELAÇÃO À

CRIAÇÃO DE UM REGULADOR ÚNICO?

Do ponto de vista do mercado, é

muito importante a simplificação

regulatória e a existência de

“um só um interruptor”. E, do

ponto de vista da regulação, é

fundamental. Porque a aplicação

dos regulamentos tem de

ser conjugada, para que seja

coerente. Sob pena de termos

sobreposições de competências,

conflitos negativos e positivos de

competências e, de alguma forma,

uma regulação que acaba por ser

lesiva dos direitos fundamentais.

Esta aplicação transversal é

extremamente importante. Desde

a minha tese de doutoramento,

em 2016, que defendo não o

regulador único – porque na altura

a questão nem se colocava – mas

uma regulação integrada. Na

altura, defendi o “regulador dos

três C”: Comunicações, Conteúdos

e Concorrência, por ser uma

forma de evitar sobreposições de

competências. Mas também tenho

consciência que, do ponto de vista

da tradição constitucional nacional,

existem certos reguladores que

têm uma posição “especial”. Essa é,

obviamente, uma decisão política.

RELATIVAMENTE À UTILIZAÇÃO

DA IA DENTRO DA VOSSA

ORGANIZAÇÃO, JÁ A ESTÃO A

USAR, NOMEADAMENTE PARA TER

UMA REGULAÇÃO MAIS EFICIENTE,

POR EXEMPLO, NA ANÁLISE DE

RECLAMAÇÕES OU NA DETEÇÃO

DE PADRÕES DE INCUMPRIMENTO

DO MERCADO?

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 23


À CONVERSA

É preciso ter muito cuidado

e consciência dos limites da

utilização da IA na análise de

reclamações. Quando estão em

causa Direitos, Liberdades e

Garantias, essas reclamações

não podem ser analisadas por IA.

Agora, relativamente à utilização

da IA na instituição, neste momento

a minha principal preocupação

é que seja feita uma avaliação de

impacto, porque o regulador tem

de dar o exemplo. Aliás, o RIA

exige, sobretudo nos casos em

que são sistemas de risco elevado,

que as entidades públicas façam

avaliações de impacto de Direitos

Fundamentais. Essa tem sido

a minha preocupação.

PORTUGAL PODE ASSUMIR UM PAPEL

DE RELEVO NESTE NOVO MAPA

DA REGULAÇÃO E DA INOVAÇÃO

DIGITAL, NOMEADAMENTE COMO UM

LABORATÓRIO EUROPEU DE BOAS

PRÁTICAS? OU VAMOS SER APENAS

UM SEGUIDOR?

Espero que não sejamos apenas

um seguidor. Sou das pessoas que

defendem que, em última instância,

as Constituições são o refúgio. É na

Constituição que vamos encontrar,

provavelmente, a resposta para

muitas questões. E a verdade

é que compete ao regulador não

apenas aplicar e seguir o princípio

da efetividade do direito à União

Europeia, mas também lhe

compete cumprir a Constituição

e as leis nacionais aplicáveis.

Portanto, esta perspetiva de que

os reguladores nacionais se limitam

a seguir o que a Comissão Europeia

emite não faz sentido para mim.

Obviamente que, quando olho para

uma regulação, sei que tem aspetos

vinculativos e outros meramente

indicativos. Os vinculativos têm

de ser cumpridos, mas no plano

da regulação digital há um mundo

inteiro para construir fora deles.

Há muito que se pode fazer e os

reguladores podem – e têm esse

papel – adaptar as orientações

e guidelines ao que é a realidade

portuguesa. Por outro lado, o papel

de Portugal no contexto dos países

da expressão portuguesa pode ser

muito importante. Pode ser uma

Compete ao regulador

não apenas aplicar

e seguir o princípio

da efetividade do

direito à UE, mas

também cumprir a

Constituição e as leis

nacionais aplicáveis

plataforma de conhecimento

e de acesso a conhecimento

e a determinadas competências.

Os países da expressão portuguesa

podem aprender muito connosco

e temos a obrigação e o dever

de lhes ensinar.

COMO CIDADÃ, PROFESSORA,

JURISTA E REGULADORA, O QUE

A ENTUSIASMA MAIS E O QUE

A PREOCUPA MAIS NESTE SALTO

TECNOLÓGICO QUE ESTAMOS

A VIVER?

Preocupa-me não estar a par

de todos os desenvolvimentos

científicos no plano da IA.

Preocupa-me a dificuldade

em acompanhar a evolução

tecnológica. Preocupa-me

conseguir estar sempre o mais

possível informada e em estudar

toda a regulação da IA. E,

sobretudo, preocupa-me a forma

como construir esta regulação

digital, incluindo os outros

regulamentos, e de que forma é que

os posso aplicar para garantir que

essa regulação não põe em causa

a sua própria finalidade, seja a

inovação tecnológica ou a garantia

de direitos fundamentais. Já como

constitucionalista e professora

de Direito Constitucional e de

Justiça Constitucional, bem como

especialista em Direito Público,

preocupa-me que o nosso Direito

Público não tenha, neste momento,

os meios processuais adequados

para que um cidadão comum possa

obter a reparação do seu direito.

E preocupa-me, sobretudo, que

a questão da defesa dos direitos

fundamentais possa vir a ser

excessivamente desvalorizada.

É muito importante encontrarmos

uma medida adequada da

regulação, que não ponha em

causa a inovação. Isto, para mim,

é fundamental. Para isso, temos

de conhecer o regulamento,

distinguir o que é permitido e

o que é proibido, o que é muito

importante que o mercado saiba.

E que o regulador distinga com

clareza o legalmente exigível,

o eticamente desejável e o

tecnicamente exequível. Daí a

importância da densificação

da explicabilidade.

FALOU SOBRE AS PREOCUPAÇÕES,

MAS O QUE É QUE A ENTUSIASMA?

O que me entusiasma é poder

participar nesta construção,

porque sou uma pessoa prática,

que gosta de fazer coisas. Gosto

e quero fazer coisas e é o que

tenho feito toda a minha vida.

Portanto, ter a oportunidade

e o privilégio, por um lado como

constitucionalista, por outro

lado como reguladora, de poder

contribuir para esta regulação

é fundamental e é o que me

entusiasma e move.

SE PUDESSE DEIXAR UMA

MENSAGEM ÀS NOVAS GERAÇÕES

DE JURISTAS E TECNÓLOGOS

QUE VÃO HERDAR ESTA

RESPONSABILIDADE DE REGULAR

O DIGITAL, QUAL SERIA?

A ideia que já disse há pouco:

de que há um ponto, uma linha

vermelha, a partir da qual a IA

entra em colisão com o Estado

de Direito e nós passamos de uma

rule of law para uma rule

of algorithm. Esse ponto é o

momento em que dizemos à IA

para tomar decisões por nós e

deixamos de compreender essas

decisões. Quanto maior o grau

de autonomia, maior tem de ser

a sensibilidade de controlo e de

escrutínio. E não pode haver

nenhum operador, seja público

ou privado, que atue e tome

decisões que têm impacto na

esfera jurídica das pessoas, ou

noutros bens constitucionalmente

protegidos, sem uma base legal

clara de atuação e sem que estejam

previstos mecanismos de auditoria

e de responsabilização.

24 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC

nos.pt

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EM DESTAQUE

34º DIGITAL BUSINESS CONGRESS

NEGÓCIOS

& CIÊNCIA

DO PROPÓSITO À AÇÃO

Portugal tem uma oportunidade única para se afirmar na nova era

digital. Mas só se tiver ambição e souber conjugar visão estratégica

com coragem, ciência, inovação, talento e colaboração em ecossistema.

Na Europa, o caminho terá de ser similar. É que nada é inevitável:

o futuro é uma construção coletiva e depende de todos.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

26 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 27


EM DESTAQUE

Apremissa de partida

foi a aproximação

dos negócios à

ciência, numa

colaboração que

se assume como absolutamente

crítica no momento atual. Num

tempo em que o mundo vive um

turbilhão de mudanças, aceleradas

pela tecnologia e pela incerteza

geopolítica, o Congresso da APDC

foi o palco para uma reflexão crítica

de análise ao presente e ao futuro,

no país e na Europa. Estes dois

dias de debates intensos deixaram

claro que a ciência, a tecnologia e

a inovação são as armas decisivas

para a competitividade. E que

Portugal tem todas as condições

para não ficar para trás. Tal como

a Europa, que se pode tornar num

grande player global – desde que

alinhe ambição, regulação e ação.

Líderes de pensamento,

inovadores e decisores reuniram-se

neste grande encontro do digital –

que voltou a realizar-se em formato

híbrido, de programa de televisão,

a partir da Culturgest, em Lisboa,

para o mundo – para um diálogo

crucial sobre o futuro da ciência

e da tecnologia e o seu impacto na

sociedade e na economia. Os debates

aprofundaram os mais variados

temas, desde a simbiose entre

ciência e negócio até aos desafios

da soberania tecnológica, europeia

e nacional, e ao papel transformador

e disruptivo da inteligência artificial,

entre muitos outros temas.

“Há que fazer o caminho e somos

SESSÃO 1

Os presidentes da APDC

e do 34º Digital Business Congress

abriram este grande evento

nacional com um alerta de

preocupação, mas também

uma mensagem de esperança

em relação ao engenho e inovação

nacionais.

nós que o fazemos; cidadãos,

empresas e organizações e

Administração Pública”, começou

por destacar o Presidente da APDC,

Rogério Carapuça, na abertura

do 34º Digital Business Congress,

considerando que vivemos no país

28 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


SESSÃO 3

Business & Science Working

Together in Life Sciences: o presidente

da Fundação Bial deu o mote

a um painel de discussão entre

Miguel Duarte (GIMM) e Rui Diniz (CUF),

onde ficou claro que o setor está

a avançar, mas há prioridades

a endereçar. E depressa.

SESSÃO 2

Erica Orange, futurista e autora

do AI + The New Human Frontier,

inspirou a plateia com a sua keynote.

Não tem dúvidas de que o futuro

será de colaboração entre

as máquinas e os humanos e que

ficaremos mais generalistas

e inteligentes.

um dilema: termos “pessoas muito

boas e em grande quantidade, mas

uma economia muito pequena,

frágil de baixo valor acrescentado

e com poucos desafios”. E para

‘fazer’, nada como “mostrar

ideias, soluções e experiências

daqueles que já fizeram. Porque

a forma de aprendermos é vermos

com quem já fez o caminho”.

É esse exatamente o objetivo

do Congresso.

Mas será que poderemos criar

um futuro onde realmente vale

a pena viver? Maria Manuel Mota,

que presidiu ao 34º Digital Business

Congress, não tem quaisquer

dúvidas de que sim. É que, para

a cientista e investigadora,

“inovação não é magia, não é sorte,

nem é sequer moda. É o resultado

de anos a pensar, a testar, a falhar,

a aprender. É como se fosse uma

filha da ciência e é, sem dúvida, o

motor dos negócios. Quando estas

duas forças caminham juntas,

com respeito entre os dois mundos,

com visão e com propósito, todos

avançamos”. Há, pois que “criar

pontes, empresas resilientes

e sustentáveis e crescer com base

no conhecimento”.

No entanto, há um crescente gap

entre a velocidade da mudança

tecnológica e a capacidade humana

de adaptação e ajustamento. Como

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 29


EM DESTAQUE

SESSÃO 5

Depois do ponto de situação

e das perspetivas apontadas

por Telmo Gonçalves (ERC), o

debate do Estado da Nação

dos Media reuniu os líderes

dos quatro maiores grupos

nacionais. Francisco Pedro

Balsemão (Impresa), Luís Santana

(Medialivre), Nicolau Santos (RTP)

e Pedro Morais Leitão (Media

Capital) falam em contínuo

reajustamento ao mercado.

SESSÃO 4

Pedro Faustino (Axians) foi o primeiro

a fazer uma intervenção no âmbito

de um novo formato criado este ano

no Congresso. Neste 7 Minutes

to Wow, enfatizou a emergência

de a Europa passar da dependência

para o empoderamento.

o resolver? A futurista e autora do

AI + The New Human Frontier, Erica

Orange, não tem dúvidas

de que será através de tecnologias

disruptivas como a inteligência

artificial (IA). “A mudança não

é o inimigo, mas sim um ataque às

nossas certezas, à nossa relutância

em abraçar a ambiguidade do

futuro, à paralisia do conforto”,

considera, deixando claro que

todos ficaremos mais inteligentes

com a IA, que não substituirá as

pessoas, mas irá sim colaborar

com elas e substituí-las nos

trabalhos chatos e repetitivos.

Por isso, vê um futuro que será

cheio de possibilidades, com esta

SESSÃO 6

Na sessão Business

& Science Working

Together in Energy,

João Peças Lopes

(INESC TEC)

destacou

a importância

da tecnologia na

descarbonização.

Tal como Ana

Casaca (Galp) e

Sofia Simões (LNEG).

30 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


SESSÃO 7

Em 7 Minutes to Wow, Luís Vaz de

Carvalho (NTT DATA) abordou o

tema do impacto dos dados no setor

energético.

SESSÃO 8

A tecnologia está a chegar

em força ao setor português

da Defesa, como destacou

na sua keynote José Neves

(AED Cluster Portugal).

No debate sobre Business

& Science Working Together

in Defense, Pedro Petiz (Tekever)

e Miguel Correia Pinto

(idD Portugal Defense)

mostraram como.

SESSÃO 9

Mais um 7 Minutes to Wow, onde

Ricardo Lousada (DXC Technology)

deixou claro que o próximo capítulo

da inovação será colaborativo,

entre os humanos e as máquinas.

conspiração”. E deixou a mensagem:

“Se planearmos agora, podemos

garantir o futuro. Nada é inevitável”.

colaboração inteligente entre

a máquina e a mente humana. Uma

“espécie de ‘Batman e Robin', sendo

os humanos o Batman,

quem trabalha com as capacidades

dos super-heróis, e a IA o Robin,

um parceiro confiável, que ajuda

e tem recursos”.

As tecnologias emergentes

– da IA à computação quântica,

das redes 5G/6G à cloud soberana

– dominaram os debates, com

destaque para os seus impactos na

economia, na segurança,

no mercado de trabalho e na

soberania digital. E se o potencial

é imenso, os riscos também.

Como alertou Anne Applebaum,

conhecida jornalista e historiadora

norte-americana: “as tecnologias

estão a ser usadas para dividir

as populações e minar as

democracias. Precisamos de

soluções que construam consensos

e não que alimentem teorias da

UE: DO RISCO DA IRRELEVÂNCIA

À LIDERANÇA

Não restam dúvidas de que

a Europa está num momento

de viragem e redefinição.

A transformação digital

e verde, o reposicionamento

das cadeias de valor e o avanço

de tecnologias como a IA, o 5G

e o 6G, a computação quântica

ou os sistemas autónomos estão

a reconfigurar o mapa do poder

global. E a União Europeia (UE)

parte de uma posição vulnerável:

depende de terceiros nas áreas

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 31


EM DESTAQUE

críticas tecnológicas, como

a cloud, os semicondutores ou

a cibersegurança. Mas também

tem ativos únicos: é o maior mercado

único do mundo, tem talento, tem

universidades de excelência e um

modelo de regulação centrado nos

valores democráticos.

Para Anne Applebaum: “temos

sempre boas razões para ter

esperança. O pessimismo é

irresponsável. Se começarmos

a planear agora, podemos ter

um futuro diferente. É tudo uma

questão de analisar e encontrar

alternativas”. Na Europa, defende

que este é o momento de decidir

que tipo de futuro económico e

político se pretende: “perante o

atual cenário geopolítico, a Europa

tem uma enorme oportunidade

em muitos campos. Certamente é

uma oportunidade em tecnologia,

já que se percebeu que aceitar

passivamente a liderança

tecnológica americana é perigoso”.

Assim, defende que “os europeus

precisam investir na sua própria

tecnologia de segurança e de

comunicações, de terem as suas

fontes de pequena e a sua própria

ciência. Perceber isso neste

momento é muito saudável”.

Mas será que a Europa continua

a ‘assistir de bancada’ à corrida

da inovação, especialmente na IA?

A questão foi colocada por

Alessandro Gropelli, diretorgeral

da Connect Europe, que

apela a um maior investimento

em conetividade, assim como

SESSÃO 11

A IA já chegou ao mercado

da contratação de talento. Mas até

que ponto se está a beneficiar

da tecnologia? Maya Huber (TaTiO)

e Miguel Luís (The Key Talent)

traçaram caminhos.

uma redefinição da regulação

das telecomunicações que “ajude

a impulsionar o investimento”.

E avisa: “a UE precisa de

desregulamentar e de crescer,

de ganhar escala. Caso contrário,

outros o farão”.

Os debates no Congresso

deixaram claro que há potencial

para que a União Europeia se torne

SESSÃO 10

Com a tecnologia a

massificar-se, que futuro

para a Educação? Paulo

Dimas (Unbabel) deu o

mote ao debate entre

Luísa Ribeiro Lopes (.PT),

Maria João Horta (DGE)

e Miguel Herdade (The

Access Project). Um dos

desafios é desenvolver

pensamento crítico nos

alunos.

32 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


SESSÃO 12

Na sua primeira intervenção como

secretário de Estado da Digitalização,

Bernardo Correia encerrou o primeiro

dia do Congresso com o anúncio das

grandes apostas que estão

a ser preparadas.

SESSÃO 13

A Europa está uma encruzilhada

e vai ter de garantir a sua soberania

tecnológica para poder liderar a nova

era. Alessandro Gropelli (Connect

Europe) garante que tudo passa pela

conetividade e que é urgente tomar

medidas, desregular e consolidar.

num grande player no novo mundo

digital. Mas que isso exigirá

visão, consensos e decisões.

Além de uma regulação mais ágil

e favorável à inovação, assim como

um compromisso renovado com o

investimento em I&D, a promoção

de ecossistemas de colaboração

entre ciência e empresas e a

capacidade de atrair e reter talento.

A superação da “armadilha

da tecnologia intermédia”

e a aposta em deep tech serão

cruciais para que o continente

europeu não apenas acompanhe,

mas lidere, a próxima vaga

de transformação tecnológica.

No caso da IA, Giorgia Abeltino,

da Google, diz que a adoção da IA

nas empresas e governos, assim

como as infraestruturas e as

competências, surgem como os

“grandes ingredientes para uma

boa receita”, que evitará o risco

da Europa – e Portugal – perderem

a grande oportunidade em torno

desta tecnologia.

PEQUENO, MAS COM GRANDE

POTENCIAL

No Congresso, também ficou

claro que Portugal tem condições

únicas para se posicionar na

linha da frente do mercado digital

europeu. A sua geografia atlântica,

as infraestruturas de conetividade,

o talento emergente, a qualidade

das redes e a abertura a parcerias

internacionais são trunfos que

importa potenciar. Mas os bloqueios

persistem: baixa escala empresarial,

falta de visão industrial, burocracia,

insuficiente investimento público e

SESSÃO 14

Depois de abordar os principais

pontos da ‘nova era da Inovação

com a IA’, e para preparar mais

profissionais, Giorgia Abeltino (Google)

anunciou uma nova edição da

formação do Impulso IA, em parceria

com a APDC.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 33


EM DESTAQUE

SESSÃO 15

Com a transição da conetividade

para a inteligência, que papel

poderão ter os operadores de

telecomunicações nesta nova era

da IA? Paulo Gomes Pereira (Huawei)

explicou como nos

7 Minutes to Wow.

SESSÃO 16

Sérgio Catalão (Nokia) avisa

nos 7 Minutes to Wow que as redes

terão de continuar a evoluir para

suportar uma nova realidade

assente na IA. Há que acelerar

rumo a um mundo hiperdigital.

SESSÃO 17

Poderá a Europa tornar-se

num grande player? Francisco Veloso

(INSEAD) e José Manuel Mendonça

(INESC TEC) estão moderadamente

otimistas. É que muito terá

de mudar, e de forma muito

significativa, para se alcançar

essa ambição.

privado em I&D. Além da ausência

de um compromisso nacional com

a inovação como motor económico

transversal.

A necessidade de criar um

ambiente regulatório mais

favorável às empresas foi outro

constrangimento identificado.

Os CEO dos três grandes operadores

de telecomunicações nacionais,

no debate sobre o ‘Estado da Nação

das Comunicações’, defenderam

ser absolutamente crítico para o

setor a existência de previsibilidade

regulatória, maior escala e um

novo equilíbrio entre concorrência

e sustentabilidade do negócio.

Com a definição de uma estratégia

digital e industrial para o país

e a aposta na qualidade, inovação

e criação e valor. Na sua perspetiva,

o que a realidade atual mostra

é que parecem só interessar os

preços baixos disponibilizados

ao mercado.

O avanço no sentido da

desburocratização do Estado

e da criação de um ambiente

regulatório mais favorável às

empresas foi destacada pelo

ministro das Infraestruturas

e Habitação como prioridades

do atual Executivo. Miguel Pinto

Luz defendeu ainda uma regulação

mais “amiga das empresas”,

mais integrada e menos

compartimentada em áreas

como a IA, os serviços digitais

e as telecomunicações.

Nesse sentido, o secretário

de Estado da Digitalização já tinha

anunciado no encerramento do

primeiro dia do Congresso que

o novo Executivo tem “a enorme

ambição de tentar fundir os

reguladores para o digital numa

única entidade”. “Todos queremos

que Portugal possa ser um país

mais atrativo para o investimento

estrangeiro. Para isso, é importante

que as empresas, o setor

34 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


SESSÃO 18

A UE27 necessita de, muito

rapidamente, inovar e investir

massivamente, para deixar

de depender de países terceiros.

Juan Olivera (Ericsson),

em 7 Minutes to Wow, deixou claro

que só há um caminho.

SESSÃO 19

Está a ser criado um novo mundo

no mercado de trabalho, tudo por

causa dos agentes autónomos,

que se multiplicam. Em 7 minutes

to Wow, Tiago Esteves (Salesforce)

explicou tudo.

tecnológico, o digital, consigam

ter um único interlocutor”,

contextualizou Bernardo Correia.

E esta é apenas uma das metas

do trabalho da equipa do novo

ministério da Reforma do Estado,

que se propõe a “construir um

Portugal onde a digitalização e a IA

estejam perfeitamente integrados

SESSÃO 20

Manuela Veloso (JP Morgan

Chase AI Research) garante

que as ferramentas de IA permitem

às instituições financeiras “sonhar

grande”. Pedro Bizarro (Feedzai)

e Isabel Guerreiro (Banco Santander)

debateram como o permitem

na sessão Business & Science Working

Together in Financial Services.

entre todos os setores do Estado

e da economia, impulsionando

a inovação, gerando emprego,

qualificado e melhorando a

qualidade de vida dos cidadãos.

Com o Estado a dar o exemplo”.

Para isso, Bernardo Correia diz que

se vai acelerar e refinar a Estratégia

Nacional para o Digital, anunciada

no final do ano passado, entre

outras medidas.

TECNOLOGIA COM SENTIDO

Há já um vasto conjunto de

setores onde as empresas estão

a trabalhar em colaboração

e parceria com a ciência ou

a reforçar estratégias nesse sentido,

para endereçarem alguns dos

desafios com que se debatem.

Na Saúde, Luís Portela, presidente

da Fundação Bial, apontou a

investigação clínica como um

‘calcanhar de Aquiles’ em Portugal,

apesar da boa produção científica.

E salientou a necessidade de

“criar mecanismos para atrair

os centros de decisão das grandes

farmacêuticas” e a falta de fundos

de investimento especializados

em fases precoces da investigação.

Na Energia, há que acelerar

na descarbonização da economia

e na crescente aposta nas

renováveis. João Peças Lopes,

do INESC TEC, enfatizou o papel

crucial das ferramentas digitais,

incluindo os digital twins e modelos

baseados em IA. A Defesa já está

a ser impactada pela tecnologia.

José Neves, presidente da AED

Cluster Portugal, fala mesmo numa

“revolução enorme” impulsionada

pela IA, pelas tecnologias quânticas

e novos materiais, que abrem

“novos mercados, produtos

e cadeias de fornecimento” para

a indústria nacional.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 35


EM DESTAQUE

SESSÃO 21

No debate Business & Science

Working Together in Telecoomunications,

Jorge Graça (NOS), José Pedro Nascimento

(MEO), Paulino Corrêa (Vodafone)

e Rodrigo Cordeiro (Capgemini

Engineering) confirmaram que os

operadores apostam forte nas parcerias

para ganhar capacidade e criar

mais valor.

SESSÃO 22

Que papel para as Fibercos

& Towercos na transformação digital?

João Osório Mora (Cellnex), Paolo

Favaro (Vantage Towers) e Pedro

Rocha (FastFiber) deixaram claro que

é essencial no fornecimento de redes

de alta qualidade às telcos.

Nos Serviços Financeiros, a IA

também já é amplamente utilizada,

com destaque para a generativa,

que traz um “potencial superior”,

com incrementos de eficiência

e eficácia dos players. Já na

Educação, o desafio é mesmo saber

como é que o setor se vai adaptar à

era da IA, não apenas integrando a

tecnologia no ensino, mas também

desenvolvendo o pensamento

crítico dos alunos e garantindo

que a IA seja uma ferramenta para

reduzir as desigualdades e não

para as acentuar. A colaboração

entre o setor público e privado,

o investimento na formação

de professores e a redefinição

das competências essenciais

para o futuro são considerados

fundamentais.

Destaque ainda para os media,

setor que enfrenta uma “crise

de identidade” e um modelo

de negócio em construção,

em consequência da crescente

desinformação, da concorrência

desproporcional das grandes

plataformas e de uma realidade

onde a IA impõe novas regras.

Mas há oportunidade, através

SESSÃO 23

Mas o que estará, realmente,

por detrás da nova ordem mundial?

A jornalista norte-americana

Anne Applebaum, numa sessão

moderada por Pedro Faustino (Axians),

deixou os participantes do Congresso

a refletir.

36 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


SESSÃO 24

O ministro das Infraestruturas

e Habitação, Miguel Pinto Luz,

garante que chegou a hora

de dar prioridade às empresas.

Nomeadamente através

de uma regulação diferente

e mais integrada.

SESSÃO 26

Rogério Carapuça encerrou

o Congresso com uma mensagem

clara. O país tem de abandonar

o “espírito low-cost” e garantir

a saúde e o negócio das empresas,

sob pena de os consumidores

acabarem sem serviços.

SESSÃO 25

No ‘Estado da Nação das

Comunicações’, a presidente

da ANACOM, Sandra Maximiano,

assegurou que a concorrência não

é inimiga da escala. Ana Figueiredo

(MEO), Luís Lopes (Vodafone) e Miguel

Almeida (NOS) voltaram a assegurar

que a consolidação é inevitável.

E que a regulação tem de ser

previsível.

O Congresso voltou a contar com

dois grandes nomes do jornalismo

da RTP como hosts. João Adelino

Faria e Carolina Freitas apresentaram

e moderaram este grande evento

híbrido, num modelo que aliou

dinamismo e interação.

de uma aposta numa constante

reinvenção e do estabelecimento

de parcerias, entre outros

caminhos.

Em síntese, se Portugal

– e a Europa – querem realmente

posicionar-se como protagonistas

no novo cenário global, têm

de apostar com determinação

na inovação, na colaboração

e na coragem de transformar.

A ciência e a tecnologia aplicadas

às empresas não são um luxo

futuro: são uma urgência do

presente. No fecho do Congresso,

Rogério Carapuça apelou a

uma mudança profunda de

mentalidade, criticando o “espírito

low-cost” que ainda limita o país

e a desvalorização do que é feito

internamente. Porque, como

sublinhou, “o que se faz por cá

é tão bom ou melhor do que o que

se faz lá fora”. Está nas nossas mãos

mudar a narrativa e construir

o futuro com ambição.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 37


EM DESTAQUE

Reveja

as intervenções

Opening Session

1 JULHO

ROGÉRIO CARAPUÇA

Presidente da APDC

“A associação virtuosa entre ciência e empresas

é fundamental para termos uma economia de alto valor

acrescentado. Porque ainda temos uma economia de

baixo valor acrescentado, pequena, aberta e frágil, o que

não é bom. Precisamos de ser capazes de gerar o maior

valor possível. Porque é que se diz então que as empresas

portuguesas – e há muito quem diga – têm lucros

grandes ou até excessivos, seja lá o que isso for?

Por uma razão simples: é que quando se é pobre -

já não se sabe o que é um número grande. E esse

é um problema fundamental da nossa economia”

“Fizemos um excelente trabalho na área da qualificação,

mas temos um dilema: pessoas muito boas e em grande

quantidade, mas uma economia muito pequena,

com poucos desafios. E, ao contrário do que pensamos,

os talentos não se retêm, eles atraem-se e conservam-

-se. Para isso, precisamos de instituições de referência:

grandes empresas, nacionais ou internacionais, que

tenham projetos inovadores, e organizações de ciência,

capazes de facultar trabalho de caráter inovador em

Portugal. É fundamental que as desenvolvamos e que

reconheçamos que, para fazer melhor, temos de ter

a maior colaboração possível entre todas as instituições,

seja através de consórcios, de projetos conjuntos

ou de zonas especiais de inovação e desenvolvimento”

“Há que que fazer o caminho e somos nós que o fazemos:

cidadãos, empresas e organizações e Administração

Pública. Enquanto Associação, a APDC está disposta

fazer o que for necessário. É preciso é pormo-nos a fazer

o caminho. Este Congresso serve para mostrar ideias,

soluções, experiências daqueles que já fizeram.

Porque é a forma de nós aprendermos com aqueles

que já fizeram o caminho”

38 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


Business &

Science Working

Together

1 JULHO

MARIA MANUEL MOTA

Presidente do 34º Congresso

“Precisamos desta conversa mais do que nunca.

O tema dos negócios e ciência a trabalharem

em conjunto não poderia ser mais atual e urgente.

A inovação é apresentada como um motor de

crescimento, a resposta para todos os nossos

problemas, o combustível do futuro. Tudo é muito

rápido, disruptivo, mas também escalável. Mas

vamos parar por um momento e acalmar um

pouco e fazer a pergunta certa: onde começaram

todas estas transformações? Para mim, a resposta

é muito simples, mas é quase sempre esquecida.

Tudo começa na ciência. E para ser totalmente

franca e mais direta, tudo começa na ciência

fundamental, que é invisível e leva anos ou décadas

a amadurecer. É ela que está na origem de todas

as inovações verdadeiramente transformadoras”

“Nas três últimas décadas, fizemos um caminho

notável na ciência. Formámos cientistas de nível

internacional, criámos centros de investigação com

produção científica de excelência e educámos uma

geração que pensa globalmente e trabalha com

sentido de missão. Mas há também uma verdade

muito difícil de ouvir e que tem de ser clara: ainda

não fomos capazes de criar um sistema em que a

descoberta científica se traduz consistentemente em

valor económico e impacto social. Ainda não temos

uma estrutura madura, por falta de financiamento,

por falta de diálogo entre setores e, sobretudo, pelo

fosso cultural entre quem faz ciência e quem faz

negócio”

“Temos as ferramentas para fazer esta

comunicação entre os mundos da ciência e

empresarial. Mas temos de criar pontes, empresas

resilientes e sustentáveis e crescer com base

no conhecimento. Temos de colocar a ciência,

sobretudo a fundamental, no centro das nossas

decisões. As empresas têm de fazer mais do

que comprar inovação, têm de cocriá-la. Como

sociedade, temos de dar à ciência o que ela precisa

para florescer: liberdade, tempo e confiança. Porque

as ideias verdadeiramente transformadoras não

surgem por encomenda. Temos de ter espaço

para pensar a longo prazo, para errar e descobrir.

O mundo está lá para ser descoberto”

KEYNOTE SPEAKER

ERICA ORANGE

Futurista, Partner at The Future Hunters e autora

do AI + The New Human Frontier

“A visão que temos quando pensamos no futuro tem

que ver com robôs e carros voadores... mas tenho de vos

dizer que não prevejo nada disso. O futuro tem que ver

com a perceção que temos da realidade. Não é linear,

mas ambíguo, abstrato e muito difícil de definir. E uma

das coisas que sabemos é que não vai ser apenas sobre

um futuro, mas sobre múltiplos futuros. Um termo que

criei para o descrever é a ‘templosion’, porque o que

acontecia em anos acontece agora em semanas ou dias”

“Existem maiores gaps entre a velocidade da mudança

tecnológica e a nossa capacidade de adaptação

e ajustamento. É nessa diferença que surge o medo

sobre para onde o futuro nos está a levar. Mas temos

de começar a pensar que temos a capacidade

de melhorar o nosso conhecimento, ainda que seja

cada vez mais difícil fazê-lo. Nunca poderemos prever

o futuro, mas podemos preparar-nos para ele.

A mudança não é o inimigo e podemos aumentar a nossa

inteligência e capacidade com estas novas ferramentas

revolucionárias. Não somos nós contra a tecnologia,

mas sim nós com a tecnologia”

“O futuro precisa de pessoas que vejam a ‘big picture’,

a partir de uma mistura de humanos com IA. Não precisa

de especialistas, mas de generalistas, que consigam ligar

tudo, que vejam padrões em padrões e que resolvam

problemas com soluções de domínios completamente

diferentes. O futuro não vai pertencer à IA e aos

humanos, mas a ambos, num processo de codescoberta

que permite que a IA se torne no próximo Magalhães.

E as possibilidades são inúmeras”

Reveja a intervenção

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 39


EM DESTAQUE

Business & Science

Working Together

in Life Sciences

DISCUSSION PANEL

1 JULHO

Reveja

as intervenções

KEYNOTE SPEAKER

LUÍS PORTELA

Presidente da Fundação Bial

“A saúde em Portugal faz-se bem, ainda que as pessoas não

o achem (…). Embora se diga que está menos bem – e é verdade

que há coisas que têm de ser melhoradas, como as listas de

espera para cirurgia ou para consulta de especialidades, um

problema de organização que tem de ser resolvido – o país está

classificado com o 21º melhor serviço de saúde a nível global.

Investindo apropriadamente, podemos servir bem os portugueses,

em termos de saúde, e também podemos contribuir para

o desenvolvimento económico do país”

“Temos uma boa produção científica, muito bons investigadores

que comparam bem com o que se faz na Europa e no Mundo. Mas

temos um ‘calcanhar de Aquiles’: a investigação clínica. Nos últimos

25 anos, os ensaios clínicos realizados em Portugal comparam

com o que de pior se faz na Europa. É preciso apostar nesta área.

Algo deve ser feito em relação a isto. Vemos muitas empresas

portuguesas que têm feito um esforço no sentido de investir em I&D,

mas também vemos que as empresas multinacionais praticamente

não investem em Portugal. É importante que olhemos para isto.

(…) A saúde tem condições para dar um bom contributo para o

desenvolvimento económico do país. Tem um grande potencial

de desenvolvimento e de internacionalização”

“Acho que nunca foi feita uma estratégia para o setor, como um

todo. Como é que se pode desenvolver? A economia deveria liderar

este processo, acompanhada, naturalmente, da saúde, da ciência

e dos negócios estrangeiros. A aposta na investigação clínica

deve ser nacional, se queremos ser competitivos nesta

área. (…) São necessários ainda incentivos para contratos

de desenvolvimento de projetos de institutos de I&D e

desenvolvimento e de startups e de atração do investimento.

Se um dia uma multinacional levar um projeto nacional para

o Mundo com grande sucesso, a dinâmica que a saúde vai

assumir em Portugal vai ser completamente outra”

MIGUEL DUARTE

Technology Transfer Area

Manager, GIMM

“Em Portugal é produzida

ciência de excelência,

mas não se traduz em produtos que cheguem

ao mercado. O que se deve a um problema

de investimento e de mecanismos de investimento

para que os resultados da investigação base

cheguem à investigação clínica. Ainda não existe

uma cultura de investimento que permita avanços

aqui e os que existem têm de ser liderados

por empresas, o que se traduz em menor número

de projetos que podem beneficiar desses apoios”

“Temos de criar mecanismos para atrair

os centros de decisão das grandes farmacêuticas.

Ter uma presença comercial quer dizer que não

estão cá os cientistas. Apesar do mundo digital,

estas relações privilegiam a proximidade física.

Além disso, existe uma falta de fundos

de investimento especializados que possam

ser alocados em fases precoces da investigação,

capazes de ver o valor do investimento nesta

fase inicial”

“No GIMM, já formalizámos mais de

400 colaborações com a indústria e temos

um modelo de inovação aberta. É algo

que procuramos ativamente. Assim como saber

como podemos responder às necessidades

da própria indústria. Para isso, vamos à procura

deles no estrangeiro. Sentimos a falta de players

ativos no país. Ainda estamos longe dos centros

de decisão. É algo que deveríamos tentar atrair

para Portugal”

40 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


7 MINUTES TO

WOW

RUI DINIZ

CEO da CUF

“Há bastante espaço

enquanto país para

melhorar a nossa performance nos ensaios

clínicos. A colaboração com a investigação clínica

constitui um contributo muito importante para

sermos melhores prestadores de cuidados de

saúde. Se formos colaborativos e contributivos

para esta investigação, podemos dar melhores

soluções aos doentes e somos mais atrativos

para contratar melhores médicos, que querem

estar na primeira linha da investigação”

“Temos feito um esforço bastante grande

e estivemos em mais de 100 ensaios clínicos

em mais de 100 medicamentos em Portugal.

E queremos melhorar. Estamos a fazer um

esforço muito sério para trabalhar nesta área,

associando-nos a outros centros nacionais

e internacionais. O nosso objetivo é termos cada

vez mais ensaios, o que é positivo para todos.

Se queremos que esta área progrida, temos

de lhe dedicar esforço e recursos”

“Precisamos de muita colaboração entre stakeholders,

para garantirmos a escala que o nosso país não

tem e conseguirmos competir com outros países.

Na CUF vemos muito espaço e valor acrescentado

para esta colaboração entre ciência e empresas,

não numa lógica de responsabilidade social

corporativa, mas como algo que é muito central

à nossa estratégia enquanto prestador de saúde.

É algo que nos cria muito valor no médio e longo

prazo e que é absolutamente decisivo”

The European

Challenge:

From Dependency

to Empowerment

1 JULHO

PEDRO FAUSTINO

Managing Director, Axians

“É preciso coragem para fazer perguntas e para arriscar.

Isto de estar na arena aplica-se às pessoas, organizações

e países. Será que este caos que vivemos é intencional?

E se é intencional, é provocado por quem? E quem perde

e quem ganha? Falta uma discussão sobre o papel

da Europa, e Portugal, na nova ordem mundial”

“A UE deveria estar a ser o porto de abrigo da ciência

e da inovação. Mas será que está? Ou está a assistir

de bancada, a comer pipocas? Na maior parte das vezes,

está. Será por estar a perder a corrida das patentes de IA?

Ou pelos poucos gastos na Defesa? Temos um mercado

de 450 milhões de pessoas: não devia haver razão para

a Europa estar a assistir de bancada”

“Será que as empresas também têm um papel nesta

arena? Continua a ser construída uma teia de interesses

que tem garantido uma autocracia. A tecnologia é uma

estrutura de poder que está a redefinir a forma como

o Mundo de organiza. E a verdade, neste contexto,

tornou-se uma coisa frágil, com narrativas alternativas.

Mas o que fazer com estas teorias da conspiração?

Como construir uma sociedade mais aberta, mais

informada e mais justa?”

Reveja a intervenção

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 41


EM DESTAQUE

The State of

The Nation of Media

DISCUSSION PANEL

1 JULHO

PEDRO MORAIS

LEITÃO

CEO, Media Capital

KEYNOTE SPEAKER

TELMO GONÇALVES

Vogal do Conselho Regulador da ERC

“Independentemente dos rumos incertos dos nossos dias,

o sistema mediático é chamado a desempenhar funções nucleares

para o equilíbrio das sociedades complexas em que vivemos. (…)

É o desempenho deste leque alargado de funções sociais que

justifica a existência das organizações mediáticas na nossa vida

coletiva e das quais não podemos prescindir. (…) Os media –

os órgãos de comunicação social – constituem uma ‘instituição

social’ que é essencial à preservação da sociedade”

“Perda de centralidade dos media; modelo de negócio

em construção; crise de identidade das profissões dos media

– em especial do jornalismo… Estas são as três dinâmicas erosivas

que são mais determinantes, com as quais todos os agentes

dos media – em primeiro lugar, os seus decisores máximos

– terão de saber lidar e gerir na conquista urgente de uma nova

sustentabilidade. Associadas a estas três dinâmicas mais perenes,

temos duas problemáticas emergentes, que não são propriamente

novas, mas vêm impondo as suas regras de forma cada vez mais

irredutível: a desinformação e a IA”

“Independentemente das suas múltiplas potencialidades

e utilizações no contexto da atividade dos média (da IA), há ainda

a considerar o impacto que poderá vir a ter com a substituição

da inteligência humana nos processos produtivos. Até que ponto

a produção noticiosa (e de outros conteúdos mediáticos) poderá

dispensar o fator humano é ainda uma grande incógnita

que vamos ter de descobrir e a grande velocidade”

“O presente dos media

é sólido e estável. Temos

a RTP bem financiada pelo

Estado, fazendo um esforço

sério de manter os custos sob controlo. Temos os

dois grupos privados maiores – Media Capital

e Impresa – numa luta intensa e muito competitiva,

numa guerra para oferecer o melhor conteúdo.

E temos o grupo Medialivre, impulsionado pelos

acionistas e em crescimento e com apostas seguras

em produtos novos. Olhando para estes quatro

grupos, temos um presente sólido e estável, com

garantias que os colaboradores dos vários grupos

estão em boas mãos”

“O futuro está ameaçado pelas muitas tendências

de mercado. Como a IA, que está a normalizar-se

nos grupos de comunicação social. A preocupação

aqui tem a ver mais com a publicidade digital,

onde sempre tivemos mais dificuldades em

concorrer. Esta guerra parece estar a travar-se

entre as gigantes mundiais da IA, o que cria uma

preocupação grande, pois é uma guerra que afeta

o mundo da comunicação social em termos globais,

com desrespeito total pelos direitos de autor.

Estamos a acompanhar o que os demais grupos

estão a fazer, mas o que pedimos à CE e ao Governo

é para estarem particularmente atentos, para evitar

o caminho das pedras que já seguimos com os

motores de busca”

“Estamos a jogar em todos os tabuleiros no

streaming. Fazemos parcerias, como a que temos

com a Amazon, que tem uma abordagem diferente

da Netflix, através da Prime Vídeo. A parceria

é difícil e complicada e a cada negociação temos

de pensar nos efeitos a longo prazo. Mas, em

paralelo, temos um modelo de plataforma de tv

a pedido, por assinatura, que tem funcionado.

Assim como a publicidade. Na combinação,

estamos a tentar aprender para antecipar e a reagir

no que vão ser as tendências para o futuro”

42 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


Reveja

as intervenções

FRANCISCO PEDRO

BALSEMÃO

CEO, Impresa

LUÍS SANTANA

CEO, Medialivre

“Temos de ter uma visão global

da indústria de media em Portugal.

E a maior dificuldade que temos

neste momento é conseguir ter as

receitas estabilizadas. Para além da

quebra das receitas de publicidade, há ainda uma quebra

significativa nas receitas de circulação. Mas não temos,

dentro da nossa estrutura e das nossas marcas, produtos

que não tenham margens de contribuição positivas. O que

obriga à gestão de custos e todos nós o estamos a fazer

de uma forma bastante significativa, porque é a única forma

de ter as empresas equilibradas”

“Temos resultados positivos desde sempre. E uma equipa

focada e com objetivos bem definidos. As dificuldades

existem, porque estamos perante quadros de assimetrias

ao nível da concorrência. Não conseguimos competir

com as novas plataformas internacionais e agora temos

novas ameaças, com a entrada dos chatboots de IA.

Mas acreditamos que a comunicação social tem futuro

e não estamos a evoluir para uma nova estrutura acionista

se não acreditássemos nisso”

“É sempre importante ter novos acionistas. Mas estamos

a utilizar capital próprio para gerir o negócio, atestando

a sua sustentabilidade. Mas não podemos parar e temos de

estar sempre numa perspetiva de acrescentar valor dentro

da organização, novos produtos e áreas de negócio. Sem nos

focarmos em demasia no streaming. Estamos configurados

como um grupo de informação e não de entretenimento”

“O broadcasting como um todo

está bem e as marcas, em geral,

são fortes. As pessoas têm

confiança no que fazemos.

Mas há uma tendência, para quem fala com os players

de fora, de dependência da publicidade da qual

ninguém se conseguiu libertar. Procuramos todos fazer

face à quebra registada no modelo tradicional com

os modelos alternativos, mas esta substituição no digital

tem-se relevado mais lenta do que gostaríamos”

“Há uma fragmentação do nível da oferta e uma

dispersão ao nível da procura. O que é um desafio,

mas também uma oportunidade. Estamos preparados

para nos reinventar constantemente, o que requer um

grande esforço em pessoas e tecnologia, sobretudo

nos media privados. Temos procurado ser os mais

racionais possível, com imaginação, adequando

a estrutura e custos a cada momento. É das coisas

mais desafiantes, mas também mais interessantes,

deste negócio. Temos feito um esforço de inovação

e dado um passo à frente face aos concorrentes”

“Vemos grupos como a Netflix numa lógica mais

de parceria e de cooperação. Porque têm produtos

de qualidade e estão na produção de audiovisuais, muito

mais do que plataformas como o YouTube, que investem

pouco ou nada nos conteúdos e que concorrem contra

nós e têm sido muito bem-sucedidos. Temos na calha

duas parcerias que são importantes para olhar para

o futuro, na ótica de que não querermos rivalizar com

as grandes plataformas. Podemos ser complementares

e úteis uns para os outros”

NICOLAU SANTOS

Presidente RTP

“Tal como os demais grupos de media,

a RTP também tem problemas para

resolver. Como ao nível das receitas,

já que a receita das contribuições

do audiovisual está congelada

desde 2016. Lutamos também na área comercial, já que,

por contrato de serviço público, os nossos conteúdos são

gratuitos. Temos de fazer o nosso trabalho de casa, até

porque não sabemos qual vai ser o futuro em termos

de enquadramento do serviço público de media. Por isso,

temos de enxugar a nossa organização e é isso que estamos

a fazer com este plano de reorganização e modernização”

“A RTP teve nos últimos 15 anos sempre resultados positivos.

Este ano, serão significativamente negativos, por causa

do plano de saídas voluntárias, para o qual estão

mobilizados 15 milhões de euros, e por causa do plano

de investimento muito forte que estamos a fazer, da mesma

ordem. Esperamos ter um retorno muito rápido desse

investimento e recuperar em 2026”

“Os produtores nacionais de conteúdos não têm capacidade

para entrar no mercado internacional de streaming. Na RTP,

focamo-nos na RTP Play. Vamos lançar um pacote de 200

conteúdos (20 deles gratuitos) em setembro deste ano, na

RTP Play. Mas não se consegue parar o vento com as mãos...

os operadores nacionais não conseguem produzir conteúdos

rentabilizáveis em plataformas internacionais”

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 43


EM DESTAQUE

Business & Science

Working Together

in Energy

DISCUSSION PANEL

1 JULHO

CARLA TAVARES

Head of Renewables

& Commercial Innovation

Center, GALP

KEYNOTE SPEAKER

JOÃO PEÇAS LOPES

Membro da Administração, INESC TEC

“Temos de fazer um grande esforço para descarbonizar

a economia, sobretudo o setor elétrico. O que passa pela

crescente aposta nas energias renováveis, que vão ter de

coexistir com as fontes tradicionais. Estamos num momento

de mudança, de passagem de um sistema centralizado para

um paradigma de produção descentralizada. É uma mudança

significativa, que exige ferramentas adequadas para ajudar

a operar o sistema”

“Há um conjunto de prioridades elétricas, que passam pela

eficiência energética, descentralização das redes, resiliência,

sistemas que integram mais do que um carrier, participação

dos consumidores no mercado, armazenamento de larga

escala e descentralizado ou a cooperação entre operadores,

a mobilidade e a flexibilidade. Estas levam a um conjunto

de prioridades digitais”

“Na energia, a disponibilidade de dados é central,

assim como a acessibilidade e a qualidade. Acresce

a interoperabilidade, com modelos de standards

e protocolos, a gestão, armazenamento e partilha

de dados, a cibersegurança e o enquadramento regulatório.

São necessárias ferramentas digitais, que envolvem áreas

como os digital twins ou os modelos baseados em IA.

A IA generativa traz um campo enorme de desenvolvimento,

assim como a robótica, no apoio à gestão das redes

elétricas do futuro”

“Uma coisa é a eletrificação e outra a

descarbonização dos combustíveis fósseis.

No primeiro caso, temos uma situação bastante

interessante ao nível europeu. No segundo,

o processo vai mais devagar do que seria desejável,

por razões puramente financeiras. É um desafio

muito maior. Temos grandes utilizadores

na indústria e nos transportes, que têm

muita dificuldade em descarbonizar, porque

é caro. As tecnologias existem, mas o seu

deployment não é assim tão fácil. Onde

podemos ajudar, enquanto país e Europa,

é no financiamento das grandes indústrias

que contribuem para a pegada carbónica a fazer

este caminho”

“Temos de provar que as tecnologias têm

aplicabilidade e retorno financeiro para os clientes.

É a única forma. Não há como aplicar tecnologia

disruptiva que não tenha retorno. É ponto assente.

A única forma de fazer grandes projetos, como o

de hidrogénio, que está a ser feito em Sines para a

descarbonização da nossa refinaria, é com a ajuda

de fundos da UE. São tecnologias muito caras,

que não têm retorno imediato para o cliente, num

payback de três ou quatro anos”

“Temos de ser realistas, testando as tecnologias

e trabalhando com laboratórios e entidades

científicas independentes. Não somos uma

empresa de I&D mas de energia, que procura

soluções, as testa e implementa. Mas sempre

com muito cuidado com os custos e a viabilidade

dos projetos. Ainda não conseguimos ter uma

dotação financeira para inovação que nos permita

desenvolver projetos disruptivos in-house. Temos

alguns, sobretudo no Brasil. Mas é complicado”

44 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


7 MINUTES TO

WOW

Reveja

as intervenções

SOFIA SIMÕES

Senior Researcher

& Resource Economics

Unit Head, LNEG

“Portugal não é independente energeticamente.

Importamos cerca de 70% da energia que

consumimos. Mas temos andado muito depressa,

sobretudo ao nível da produção de eletricidade.

Somos um exemplo a nível mundial. Mas temos

de separar dois mundos: a eletricidade e os demais

vetores energéticos. Na primeira, temos muito

conhecimento ao nível da tecnologia, sobretudo

da operação de sistemas elétricos, e uma

capacidade incrível de combinar a hidroeletricidade,

a eólica e a solar. Já a parte dos transportes não é

assim e isso está a custar-nos bastante mais, sendo

mais difícil fazer a transição, que está a acontecer

mais devagar”

“Descarbonizar é caro para as empresas e para

as pessoas. É um dos grandes desafios. Por isso,

a transição energética não é fácil, porque há que

ter a capacidade de investimento inicial. Todos

estamos bastante cientes dos riscos – tivemos

no dia 28 de abril o apagão – mas percebemos

a necessidade e a dependência que temos

da energia. E como o sistema elétrico é vital

e a importância de o saber gerir bem, com uma

boa resiliência, para evitar situações destas”

“Vivemos uma onda de calor e esta é outra

dimensão da insegurança. Se não fizermos todos

uma transição energética e emitirmos menos gases

com efeito de estufa, os impactos das alterações

climáticas vão ser muito reais na nossa vida

e economia. As metas da União Europeia são

muito ambiciosas e precisamos é de garantir que

as cumprimos e não ter mais”

From Insight to Impact:

Unlocking The Power

of Data In The Energy

Sector

1 JULHO

KEYNOTE SPEAKER

LUÍS VAZ DE CARVALHO

Partner, NTT DATA Portugal

“A cadeia de valor da energia tem quatro fases:

produção, transporte, distribuição e comercialização.

Com a transformação do setor, foram introduzidas áreas

como os veículos elétricos ou os painéis solares, que

representam desafios, mas que integram o processo

de mudança que a energia neste momento está

a atravessar”

“Na complexidade que o setor tem e que vai continuar

a ter, os dados vão ter um papel essencial no ecossistema.

E nas mais variadas áreas, como produção distribuída,

contadores inteligentes, rede inteligente, redes autónomas

de energia, sistemas de armazenagem e os próprios

veículos elétricos. São tudo casos de uso que o setor

vai ter de desenvolver e que são uma parte crítica

do processo”

“Sem a evolução das arquiteturas de dados,

da capacidade de processamento e da evolução

dos modelos de dados, não será possível gerir um

ecossistema tão complexo, dinâmico e real time como

é o da energia. São críticos e necessários para a evolução

deste ecossistema temas como a IoT, edge, redes

de comunicações, cloud, machine learning ou a IA

Hoje e amanhã, os dados e as comunicações são e serão

uma peça-chave na transformação do sistema elétrico”

Reveja a intervenção

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 45


EM DESTAQUE

Business & Science

Working Together

in Defense

DISCUSSION PANEL

1 JULHO

PEDRO PETIZ

Director of Strategic

Development, Tekever

KEYNOTE SPEAKER

JOSÉ NEVES

Director of Homeland Security and Defense,

GMV & President, AED Cluster Portugal

“A indústria da defesa tem sofrido uma revolução enorme,

com a transformação pelas novas tecnologias que chegam

ao setor, como a IA, tecnologias quânticas ou novos materiais.

Estamos a falar da terra, do ar ou mesmo do ciberespaço.

Estas tecnologias abriram ainda novos mercados, novos

produtos e cadeias de fornecimento que podem ser

endereçadas pela indústria nacional, que era muito pequena

até há pouco tempo. É uma janela de oportunidade que

o cluster quer endereçar”

“Para isso temos de criar capacidade e um cluster que, hoje,

é composto por mais de 160 entidades, o que traz agregado

cerca de 20 mil postos de trabalho e um volume de faturação

agregado de 2,1 mil milhões de euros. E temos empresas

internacionais como uma Airbus ou uma Embraer, mas

também portuguesas como uma Tekever ou uma OGMA que

vão valer nos próximos três anos mais de mil milhões de euros.

Só com uma dinâmica normal de mercado aberto e global”

“Nos últimos anos temos vindo a desenvolver conhecimento

tecnológico em várias vertentes. E os desafios tecnológicos

e de desenvolver algo que pode vir a fazer a diferença tem

permitido às empresas do mercado nacional captar talento

estrangeiro. No passado, tínhamos pastéis de nata e vinho

do Porto para atrairmos visitantes aos nossos stands e neste

momento não precisamos disso, porque o que desenvolvemos

em Portugal já é, por si só, atrativo para termos um stand

cheio de pessoas que querem conhecer melhor o que se faz

no país, para investir e trabalhar”

“A Tekever percebeu há muitos anos que a

robótica era um tema em que deveria apostar,

desenvolvendo inovação e criatividade. Ainda sem

imaginar o cenário atual, a robótica já estava lá e

houve uma panóplia de coisas que desenvolvemos.

A defesa sempre esteve no nosso radar, não

tinha era a expressão que tem hoje. Quando

surgiu a situação da Ucrânia já tínhamos provas

dadas. Há drones para todos os problemas, mas

especializámo-nos num conjunto de especificidades

que nos dão autonomia, endurance e intelligence”

“Até hoje, não desenvolvemos capacidade

de ataque bélico, mas, se for necessário, temos

capacidade para o fazer. A IA está a ser utilizada

em várias escalas na defesa e é uma buzzword que

serve para muita coisa. Em abstrato, quem quiser

usar a tecnologia, sem estar limitado pelas regras

da guerra, pode fazer o que quiser. Mas as regras

não o permitem. Tem sempre de haver um humano

no loop, a supervisionar e a tomar a decisão.

Quando a IA nos apresenta uma solução, tem

de se tomar uma decisão. Estamos atentos a

isso nos desenvolvimentos que fazemos, porque

queremos sempre garantir que temos uma IA

responsável e temos códigos de conduta”

“Há muitas empresas que se têm vindo a aproximar,

para ver quais são as necessidades deste mercado

da defesa. Falamos de trazer para a Europa uma

capacidade industrial que não existe, de criar uma

cadeia de valor até ao produto final. Temos de

criar ecossistemas de fornecimento. E se Portugal

não tem massa critica para estar em todas as

frentes, pode estar em alguns, como fazer software

ou criar drones. O que implica ter uma cadeia de

fornecedores, que inclui startups. Contudo, o país

não tem tido uma estratégia séria e acelerada

de pensar no foco final, pois isso significa tomar

decisões que ninguém gosta de tomar"

46 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


Reveja

as intervenções

MIGUEL

CORREIA PINTO

Head Knowledge

Valorization, idD

Portugal Defense

“A situação das forças armadas nacionais

resulta de um conjunto de opções políticas

que foram tomadas ao longo dos anos.

Não deixou de haver defesa em Portugal,

mas deixou de ser uma prioridade. Atualmente,

com a invasão da Ucrânia e com a alteração

nos EUA, há uma maior atenção, face à ameaça,

que é real, a Leste, e à incerteza no Ocidente.

Há estratégias comuns de defesa que vão

surgindo em catadupa e a evolução está a ser

feita. Quando se fala de uma maior lentidão

da UE ela resulta dos interesses dos vários

países em causa”

“Na defesa, existem desafios ao nível do

investimento. Portugal não é um mercado

por si só e não temos grandes players.

A participação das empresas nacionais tem

de se fazer através de programas mais amplos,

ao nível da identificação e de qual vai ser

a evolução tecnológica. E as empresas e centros

estão integradas, para perceber o que se passa,

influenciar e criar redes. O processo que está

agora a ser acelerado”

“Ao nível do financiamento, havia já alguns

programas europeus, definidos pelos vários

estados-membros em articulação. Há uma

aceleração e a guerra tornou--se hoje mais

barata, nomeadamente com os drones.

Mas o acesso à informação é também

muito mais significativo. O conhecimento

é explosivo e é preciso acompanhar um

conjunto de evoluções tecnológicas

significativas. Os militares têm de estar

em contacto com as empresas e os centros

de investigação,já que há várias coisas

a acontecer para os vários tipos de maturidade

tecnológica”

7 MINUTES TO

WOW

Human + Machine:

The Next Chapter

in Collaborative

Innovation

1 JULHO

RICARDO LOUSADA

Director of AI Consulting, DXC Technology Portugal

“O nosso futuro é de colaboração com as máquinas

e não contra elas. O próximo capítulo da inovação

não é de substituição de pessoas, mas de coevolução,

de trabalho colaborativo entre humanos e máquinas.

A IA vai substituir menos empregos do que o que se pensa.

Um estudo da OCDE prevê que até final deste ano sejam

criados 97 milhões de empregos novos trazidos pelas

áreas emergentes da IA e que desapareçam cerca

de 85 milhões de empregos. Estamos a falar de um delta de

12 milhões de empregos, algo positivo nesta nova revolução”

“A IA não vai substituir pessoas, mas tarefas repetitivas

e chatas. Se nos adaptarmos, criaremos mais e melhores

empregos. A inovação do futuro não é competição,

é IA com humanos, em cocriação, tirando partido

das capacidades da tecnologia e do ser humano. É nesta

colaboração que se deve basear o processo de decisão”

“Há muitas indústrias onde isto já é feito. Como na

energia, no recrutamento ou na saúde. Ganha-se tempo

para se dedicarem a tarefas de maior valor acrescentado.

Os modelos de IA custam imenso dinheiro a construir,

pelo que se antecipa que até 2030 existam mais entre

20 a 30 modelos, a adicionar aos dos gigantes que

já existem. Assim como até 500 submodelos que derivam

dos principais, mas treinados para uma atividade

específica. O futuro pertence a equipas aumentadas”

Reveja a intervenção

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 47


EM DESTAQUE

Business & Science

Working Together

in Education

DISCUSSION PANEL

1 JULHO

LUÍSA RIBEIRO

LOPES

Presidente, .PT

KEYNOTE SPEAKER

PAULO DIMAS

VP of Product Innovation, Unbabel

“Vivemos num contexto de uma verdadeira revolução,

a revolução da IA. A grande questão é o que devemos ensinar

hoje, perante este cenário de transformação. Todos os alunos

já estão a usar os modelos de IA. Mas um dos grandes desafios

é garantir uma tecnologia responsável. Podemos confiar?

Sabemos que conseguimos um máximo de certeza de 96%

em alguns modelos. Mas a alucinações estão a aumentar nos

modelos de raciocínio, pelo que o pensamento crítico é cada

vez mais importante. Se calhar é isso que temos de ensinar”

“Estudos recentes comprovam que com a utilização dos

LLMs não conseguimos pensar de forma independente e que

o pensamento crítico diminui. E alerta-se para que poderá

provocar o esquecimento, por confiarem na tecnologia.

Perante estes riscos, tem de haver ponderação na utilização

da IA e pensamento crítico”

“Há 2.400 anos, Sócrates dizia que íamos ficar sem

capacidade cognitiva com a tecnologia da escrita.

Um argumento que se utiliza hoje face aos LLMs. Então,

o que é que nós devemos ensinar hoje? O que é que estes

estudos nos levam a pensar? Temos de usar os LLMs para lhes

fazer perguntas, para saber se nós sabemos. Para endereçar

estes desafios, temos de fazer parcerias e ligações”

“A IA, como tudo o resto, tem vantagens e

desvantagens. Sabemos o que é possível tratar

com automatização e IA tendo por base os dados

que existem, e que é muito mais bem tratado

pela tecnologia do que pela inteligência humana.

Porque é mais rápido, mais fácil e hoje, com a

computação avançada e a quantidade de dados

imensa, o tratamento será muito mais eficaz com

a IA e muito mais fidedigno. Mas há a outra parte,

que tem a ver com as pessoas e a educação.

É a parte que temos de trabalhar mais”

“Temos grandes desigualdades na sociedade

e nos jovens que estão no ensino. E não as

podemos perpetuar com os níveis de capacitação

e o percurso educativo. A IA pode ajudar, mas

não temos todos os mesmos acessos e a mesma

situação. Tudo depende do meio educativo

e do meio familiar. Precisamos de coragem, de

criatividade ou inquietação e de conexão. E temos

de dar também aos jovens o tempo e a liberdade

para termos a capacidade de sermos criadores”

“Fizemos um percurso educativo muito grande

na capacitação dos alunos. Com vários momentos.

A pandemia foi um acelerador da utilização

tecnológica, mas temos de ter consciência de que

a tecnologia não é neutra e que pode aumentar

as desigualdades. Há que trabalhar para evitar este

aumento, o que pode ser feito de muitas formas.

Já existem várias iniciativas nesse sentido. Temos

de trabalhar com os pais, professores e alunos, para

perceberem que o que é utilizado é para o seu bem”

48 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


MARIA JOÃO HORTA

Diretora-adjunta, Direção-

-Geral da Educação

“O tema da IA na educação tem de ser aprofundado.

Tem impacto no que se ensina e como se aprende,

naquilo que é a escola hoje e na inércia do sistema

para fazer a mudança. Para quem está do lado da

escola é stressante, porque querem fazer a mudança,

mas não ao ritmo que ela acontece. As coisas têm

de ser mais permanentes”

MIGUEL HERDADE

Diretor, The Access Project

“Não temos de ter medo de não saber o que vai

acontecer. Quando falamos em IA temos sempre

muita ansiedade de que as coisas vão mudar muito

e rapidamente. Mas não é assim, na prática. E não há

nada mais importante no nosso sistema de ensino

do que a qualidade do professor, que será o fator mais

importante para a capacidade de progredir do aluno.

A IA pode ter capacidades para ajudar os alunos a ter

apoio específico e personalizado. Mas, acima de tudo,

onde é excelente é para libertar tempo e recursos nas

escolas, para os professores fazerem o que sabem fazer

melhor, que é ensinar, e não estarem envolvidos em

tarefas burocráticas”

“A Educação, na escolaridade obrigatória, tem

de preparar os jovens para decidirem o seu futuro

e serem mais interventivos. Hoje, só a transmissão

de conhecimento não é de todo suficiente. Há novas

competências que têm de ser trabalhadas na escola,

como a IA. A escola pública evoluiu muito nos últimos

anos e na sua maior parte estão bem equipadas.

Temos professores envolvidos em programas de

capacitação, trabalham-se as competências digitais,

assim como o desenvolvimento profissional

dos professores.”

“O país é pequeno, mas é muito desigual.

O que importa é olhar para as zonas onde existem

problemas muito profundos. Temos feito um

crescimento imenso em termos de acesso, mas

isso só não chega. A escola não existe só para

transmitir conhecimento, mas sim para estimular

a criatividade, o pensamento crítico e o bem-estar

digital”

“A desigualdade é o fator comum ao sistema

de ensino nacional mais difícil de resolver. Tem de

se saber usar as ferramentas de IA para a diminuir.

Se conseguíssemos realocar o tempo dos professores

para investir nas crianças mais pobres, aí sim, teríamos

um sistema mais equilibrado. É uma oportunidade

para diminuir este fosso entre ricos e pobres no sistema

de ensino”

“O Reino Unido tem uma estratégia digital para

a Educação com um envolvimento muito maior

do setor privado, que quer fazer parte da solução

e não do problema. E os resultados são muito melhores

do que em Portugal. Há uma predisposição das

organizações que no país não conseguimos ter. Além

de não termos professores, pois há falta crónica de

recursos. Apesar disso, temos o sistema de ensino que

mais melhorou num curto espaço de tempo no mundo

inteiro. No entanto, onde muitas decisões são tomadas

com base em palpites e não com base em análises”

Reveja as

intervenções

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 49


EM DESTAQUE

AI-Powered Hiring:

Unlocking Fairness,

Efficiency, and Business

Growth

1 JULHO

MAYA HUBER

CoFundador & CEO, TaTiO

“Um dos maiores desafios que enfrentamos na área

dos recursos humanos é uma queda significativa

na taxa de conversão em contratações. A crescente

utilização da IA e de mecanismos de automatização,

sobretudo no pós-Covid, esteve na base de uma dramática

quebra, especialmente no talento mais qualificado.

O que se reflete de forma dramática nas empresas

e cria ineficiências nas equipas”

“Vemos muito spam que surge por várias razões.

Como a automação, porque agora é fácil clicar

num botão e os candidatos concorrem a todas

as oportunidades de emprego. Em paralelo, pode-se

candidatar a todas as posições na mesma empresa

e em todas as indústrias. Do lado dos recrutadores,

esta automação gera dados, mas muitos não são

adequados. Há ainda a fraude intencional,

nomeadamente com a utilização da IA. Cerca de 40%

a 60% dos CV’s são identificados como falsificações

geradas por IA. Há, por isso, um consistente sentimento

de desconfiança de ambos os lados”

“Cerca de 92% dos candidatos não completam

o processo de candidatura a um emprego. Porque

os textos estão cada vez mais obsoletos e não são

suficientes, quando se trata de engagement e decisões

de recrutamento. Há cada vez mais a necessidade

de implementar contratações baseadas nas skills.

Traz mais oportunidades de contratar os melhores

candidatos, reduz os custos de contratação e o retorno

do investimento e garante maior sucesso”

Reveja as

intervenções

50 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


1 st Day Closing Remarks

1 JULHO

Reveja a intervenção

MIGUEL LUÍS

CMO, The Key Talent

“O mundo do recrutamento tem-se

mantido estável durante muito tempo.

A forma como a maioria das empresas

recruta ainda é muito semelhante

ao que era feito no final do século XX.

Houve muito pouca evolução. Uma das

principais barreiras à transformação

é o facto de continuar a funcionar”

“O que levou a que a transformação

pudesse acontecer foi a introdução

da tecnologia, sobretudo da IA. Toda

a tecnologia que está por detrás de

uma simulação real de trabalho tem

um algoritmo que avalia um conjunto

muito alargado de pontos distintos

do que a pessoa está a fazer. Mas

na nossa realidade nacional, temos

de ter em conta que o recrutamento

tem diversas camadas”

“O ponto principal da mudança

é as empresas darem o primeiro

passo, olhando para as suas funções

de trabalho e determinando quais

são as competências necessárias.

Perante dois candidatos com dois CV’s

similares, normalmente avança-se

para uma lógica presencial, onde

o fator humano é decisivo para a

tomada de decisão. Mas todos temos

um viés e a forma de o diminuir é usar

metodologias mais caras, baseadas

em tecnologia, para se avançar para

o skills-based hiring”

BERNARDO CORREIA

Secretário de Estado da Digitalização

“Tenho poucas semanas como secretário de Estado, mas já posso dar

um esboço das prioridades para o digital, que pode ser um motor para o país

como um todo. Não podemos admitir mais que a máquina pública seja um

labirinto onde se perde tempo, recursos e muitas vezes até a esperança.

Foi o abraçar dessa missão, aparentemente muito simples, que me levou

a aceitar o convite para fazer parte do Governo. A ideia é acelerar, a partir

das bases que já contruímos. Olhamos para o digital não como o fim,

mas como uma alavanca transformadora do Estado e da Sociedade”

“Queremos um Estado que dê o exemplo. Queremos serviços digitais abertos,

interoperáveis e inovadores. Queremos uma força de trabalho preparada

para prosperar na economia intensiva em tecnologia, dentro e fora da

Administração Pública. Queremos infraestruturas digitais robustas, seguras

e soberanas da Administração Pública. E queremos um ambiente regulatório

que celebre a inovação e que equilibre e salvaguarde a ética e o bem-estar

social”

“Temos cinco frentes de trabalho que estão a guiar o nosso trabalho.

Pela primeira vez, vamos avançar com um Chief Information Officer do

Estado, para articular transversalmente todos os setores da Administração

Pública e garantir uma estratégia unificada de transformação digital. (…)

Vamos também avançar com a criação da Agência Pró-Digital, que resultará

da fusão de entidades, numa lógica de reorganização e reforma

administrativa. (…) Vamos colocar o cidadão e as empresas no centro

dos serviços públicos, ancorados no digital e com a adoção generalizada

do princípio once only. (…) A nossa Estratégia Nacional para a Inteligência

Artificial será anunciada em breve. (…) E vamos acelerar os programas

de literacia digital”

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 51


EM DESTAQUE

EU Tech Sovereignty:

Urgent Actions for

Securing Europe's

Digital Future

2 JULHO

KEYNOTE SPEAKER

ALESSANDRO GROPELLI

Diretor-geral, Connect Europe

“Se fossem a qualquer país europeu, ouviam

falar de autonomia estratégica aberta. Depois,

a geopolítica aconteceu e Donald Trump aconteceu.

Hoje ouve-se falar de soberania tecnológica.

É praticamente a mesma coisa, com uma grande

diferença: o que estamos a discutir hoje

é se conseguimos criar alternativas tecnológicas

para evitar a criação de dependências,

especialmente dos Estados Unidos e da China, mas

mantendo a economia aberta. Trata-se de liderança

industrial. Se não criarmos a próxima vaga de

tecnologia e de inovação, o que vamos produzir?”

A New Era of

Innovation with AI

2 JULHO

KEYNOTE SPEAKER

GIORGIA ABELTINO

Senior Director of Public Policy and Government

Relations for South Europe, Google

“Os maiores riscos que vejo para a Europa, e Portugal, é

perder esta oportunidade. Por isso, os grandes ingredientes

para uma boa receita são a adoção da IA pelas empresas

e governos, as infraestruturas e as skills. Os governos

devem liderar pelo exemplo, fornecendo serviços aos

cidadãos assentes na IA. Nas infraestruturas, Portugal

é o hub europeu mais importante da Google nos cabos

submarinos. E nas skills, deve-se garantir que todos têm

acesso às ferramentas de IA. Neste âmbito, e depois de em

2024 termos lançado uma grande iniciativa com a APDC,

o IMPULSO IA, que contou com mais 1.500 participantes,

renovámos agora este compromisso para chegar ainda a

mais pessoas”

“O que é que a Europa enfrenta e como vai entrar numa

nova era de inovação? Qual é o seu papel neste momento,

assim como de Portugal? A IA não é apenas algo que

vai acontecer, mas que já está a acontecer hoje e a grande

promessa é ter um melhor futuro. A questão é como

conseguir tirar partido destas oportunidades, tornando-as

reais”

“E porque é que todos estão a falar e a pensar na IA?

Resulta do impacto que está a ter em áreas como a ciência

e a medicina, gerando uma verdadeira revolução, como

o mostram alguns casos. E está a ter também um enorme

impacto na economia europeia e portuguesa, assim

como na produtividade. A IA vai fazer com que

o trabalho seja mais rápido e efetiva. No caso de Portugal,

só a utilização da IA generativa poderá aumentar

a produtividade em 1,5%”

Reveja a intervenção

52 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


“A UE está a ficar para trás porque não é

suficientemente inovadora, o que nos leva a um

gap de produtividade. E uma das chaves para

avançar é ter um ecossistema de conetividade forte.

(…) Precisamos de investir mais na conetividade

e no ecossistema digital para crescer mais. Mas

as receitas e o retorno na indústria não são o que

eram. Isto não vai funcionar a prazo. E as condições

de investimento são más. Pela primeira vez em sete

anos, estamos em desaceleração. É um problema

de competitividade face às demais regiões”

“Inovação é também IA. (…) E as redes são uma

parte da infraestrutura por detrás dela. Precisamos

de começar a pensar nas redes como um fator

chave na revolução da IA. Isso significa que

precisamos de mudança e de ação. (…) Precisamos

de operadores com escala para competir

globalmente e não apenas para oferecer preços

baixos. (…) A regulação tem de nos ajudar

a impulsionar o investimento. E temos de promover

a inovação, uma base justa face aos players globais.

(…) Na Europa, precisamos de desregulamentar

e de crescer, de ganhar escala. Se não o fizermos,

outros o farão”

Reveja a intervenção

7 MINUTES TO

WOW

From Connectivity to

Intelligence: Telecom’s

Role in the AI Era

2 JULHO

PAULO GOMES PEREIRA

Head of Carrier Business, Huawei Portugal

“O tempo é de mudança e o setor das telecomunicações

enfrenta uma das suas maiores transformações.

Na primeira vaga, disponibilizámos conetividade.

Na segunda, acelerámos, tornando a transformação

digital uma realidade, com redes 5G e serviços cloud.

Estamos agora no início da terceira vaga, a era

da inteligência, onde a IA e os serviços convergentes

são o novo normal. O valor já não está apenas

na conetividade ou na ligação, mas sim no que flui

dentro dela”

“Perante esta revolução, necessitamos de uma visão

objetiva. E a nossa visão é clara: construir e estimular

um full stack de IA. Não se trata apenas de tecnologia

por tecnologia, mas de colocar a IA ao serviço do ser

humano, de uma forma consciente, social e sustentável.

Para as indústrias, significa eficiência, segurança

e previsibilidade, otimizar operações e criar modelos

de negócio. Para os consumidores, é sinónimo de

personalização, rapidez e proximidade, experiências

únicas e individuais. Tudo isto na palma da nossa mão”

“A integração da IA com o 5G Advanced já está a

transformar setores, como a mobilidade, a energia

e a saúde. Abrindo novas oportunidades para cidades

e indústrias inteligentes. Mas construir este futuro

não é apenas um desafio técnico e sim um imperativo

social e ético. (…) A governação da IA não é um obstáculo

à inovação. Muito pelo contrário, é o que assegura que

a inovação serve a humanidade, porque a verdadeira

inovação é aquela que deixa o Mundo melhor do que

o encontrou”

Reveja a intervenção

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 53


EM DESTAQUE

DISCUSSION PANEL

7 MINUTES TO

WOW

Accelerating Towards

a Hyper-Digital World

Business & Science

Working Together

in Times of Political

Interference: Can

Europe Become

a Major Player?

2 JULHO

2 JULHO

SÉRGIO CATALÃO

Country Manager, Nokia

“A IA vai ser o motor da transformação da sociedade e

o setor das telcos tem um problema a resolver: de como

poderá fazer os investimentos necessários para poder

suportar toda uma nova realidade da IA e como os poderá

rentabilizar. Serão necessárias redes seguras, com rápida

capacidade de transporte e processamento, para que as

empresas e organizações possam treinar os seus modelos

de decisão. A latência e o processamento em tempo real

nas redes também serão fundamentais. A oportunidade

será aqui a monetização da utilização das aplicações”

“As redes vão ter de continuar a evoluir e de suportar toda

esta nova realidade da IA, mas também vão ter de encontrar

elementos de IA. Estamos em mais um momento importante

para a UE, que já manifestou a sua ambição em liderar

neste super-ciclo de IA. E também já refletiu um conjunto

de aspetos que vão ser prioritários, desde logo o incentivo ao

investimento em tecnologias crítica, como o Action Plan para

a IA. Depois, a questão da escala e consolidação do mercado,

fundamentais para atrair investimento no setor. Os tech

champions, tal como noutras geografias, vão ser importantes

como motores de inovação, mas também para garantir

independência e autonomia do ponto de vista tecnológico.

E ter redes seguras e confiáveis é extremamente importante

para este novo contexto onde a UE vai querer ser líder”

“Acredito que a IA vai ser uma grande oportunidade

também no nosso país. A utilização ainda é moderada

e há relatórios que dizem que terá um impacto no PIB

de cerca de 7% na próxima década. Mas creio que será

na ordem dos dois dígitos, com potencial de transformação

nas diferentes indústrias, mas também no tema da

internacionalização das empresas. Depois, a modernização

da Administração Pública e a capacidade de atrair

investimentos nas novas fábricas do conhecimento

e as infraestruturas críticas que as vão suportar. Portugal

está bem posicionado, embora haja trabalho a ser feito”

Reveja a intervenção

FRANCISCO

VELOSO

Dean, INSEAD

“Estou preocupado com a politização crescente

dos aspetos científicos. Mas, mesmo com os

cortes conhecidos, que, sendo significativos, são

ainda uma pequena parte da diferença que

existe entre os EUA e a Europa. Continua a existir

um grande fosso entre o nível de investimento em

termos de ciência. A Europa investe 2,2% do seu

PIB em I&D, os EUA investem 3%. Continuamos

a investir menos em ciência”

“As condições de base na UE teriam de evoluir de

uma forma muito significativa para que houvesse

um impacto material na captação de cientistas

dos EUA. Mas a Europa, como um todo, não

investe o suficiente em I&D e há, de facto, uma

necessidade de aumentar, indo até ao encontro

do compromisso, que já existe, de alcançar

os 3% do PIB até 2030. É uma condição necessária

para beneficiar mais dos acontecimentos atuais”

Não temos um sistema universitário e de

investigação com um nível de competitividade

que seria desejável na Europa. É essencialmente

público e permite pouca variabilidade e pouca

diversidade. No desenho do nosso sistema

europeu, o papel de universidades de ponta e,

particularmente, de deep tech, terá de haver uma

evolução e uma aposta importante. E uma maior

capacidade de aceitar diversidade de qualidade,

financiamento e níveis de excelência. Assim como

programas para uma aposta arriscada em nova

ciência e tecnologia com maior determinação"

54 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


7 MINUTES TO

WOW

Reveja

as intervenções

Sovereignty and

Resilience for The

Europe of The Future

2 JULHO

JOSÉ MANUEL

MENDONÇA

Emeritus Professor,

University of Porto

& Director, INESC TEC

“Olho para a situação das universidades norte-

-americanas com preocupação e com esperança

que não se dissemine. A interferência do poder

político na ciência já não é nova, é algo da história.

(…) A Administração Trump tem receio e a ciência

não é conveniente para determinadas narrativas.

(…) Os cortes atingem áreas inconvenientes,

não são cegos. Nas operações militares, soberania

do estado, IA e noutras tecnologias não há nada”

“Nos países avançados, dois terços do investimento

em ciência é privado e um terço é público.

Em Portugal é o inverso. O privado não depende

dos governos e as empresas fazem o que

precisam. Não vejo na Europa nenhum sintoma

de interferência, mas vejo alguma expetativa

num tema que é complexo, pelo menos para

o nosso país, que é atrair cientistas americanos

descontentes, quando é um dos países preferidos

para viverem”

“A Europa caiu na armadilha de tecnologia

intermédia e deixou de apostar no chamado deep

tech, tecnologias mais avançadas e disruptivas.

Neste momento, teria toda a vantagem em atrair

cientistas e investigadores de primeira linha vindos

dos EUA. Mas para isso, é preciso programa e níveis

de financiamento que os atraiam. Os valores que

temos em Portugal, e mesmo na Europa,

não são em nada iguais aos que os cientistas

norte-americanos têm ao seu dispor”

JUAN OLIVERA

Country Manager, Ericsson Portugal

“Soberania e resiliência são dois conceitos estratégicos

para a Europa. É importante garantir que, todos juntos,

olhamos para o futuro, com planos de colaboração

público-privados que acelerem a implementação

da inovação e da digitalização. E ter uma regulação

que esteja alinhada com as necessidades do setor.

Porque é tudo para melhorar a vida dos cidadãos

e das empresas”

“O relatório Draghi confirmou que a Europa precisa

de inovação e de investimento, sendo os operadores

de telecomunicações absolutamente estratégicos para

a soberania. Mas a situação é difícil e a mesma desde

há uns anos. As receitas do setor não estão a crescer,

há 36 telcos e a maior parte não tem capacidade para

fazer investimentos, porque não tem escala. Para investir

em infraestruturas a escala é crítica”

“Na Europa, não podemos depender excessivamente

de terceiros. Temos de ter um plano colaborativo.

Há três pilares na digitalização das sociedades – IA,

cloud e conetividade. Já perdemos os dois primeiros,

mas a conetividade ainda não e temos duas empresas

para o garantir, a Ericsson e a Nokia. Tem de haver

uma call to action e uma colaboração público-privada.

Governos e reguladores têm de participar e dinamizar

o desenvolvimento de redes críticas, assim como

a consolidação, pois precisamos de um mercado com

capacidade”

Reveja a intervenção

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 55


EM DESTAQUE

Business & Science

Working Together

in Financial Services

2 JULHO

7 MINUTES TO

WOW

What If… An

Autonomous Agent

Could Be Born Every

7 Mins?

2 JULHO

TIAGO ESTEVES

Principal Solution Engineer, Salesforce Portugal

“São os colaboradores de cada organização que garantem

o sucesso dela. Por isso, é muito importante perceber que

tudo depende do seu grau de satisfação e da sua capacidade

de realizar as mais diferentes tarefas, pois só assim vamos

estar a garantir o futuro. Mas essas forças de trabalho

estão hoje em dia altamente sobrecarregadas, com tarefas

pouco interessantes, tarefas de baixo valor acrescentado e

repetitivas. Estamos a desperdiçar todo

o seu potencial”

“Há um novo mundo que está a começar e que pode

fazer sentido, com os agentes autónomos, que hoje são

simples de criar com os modelos de linguagem atuais de IA.

Estes criam um conjunto de configurações para o agente,

de acordo com os dados introduzidos, um job descrition

e o comportamento que se espera dele. A configuração

de um agente é linguagem natural e qualquer pessoa o pode

criar e testar. São capazes de tomar ação e têm capacidades

para criar o que for necessário e sabem bem o que devem

e não devem fazer”

“A Salesforce está a liderar esta transformação do trabalho

digital. As equipas do futuro vão ter humanos, mas também

agentes autónomos. O que será muito melhor para

as equipas e para a produtividade das organizações”

Reveja a intervenção

KEYNOTE SPEAKER

MANUELA VELOSO

Head of JP Morgan Chase AI Research

& Herbert A. Simon University Professor

Emerita at Carnegie Mellon University

“A ciência da IA tenta abranger todos os aspetos

da inteligência e da aprendizagem, sendo,

portanto, uma ciência de componentes. Desde

a compreensão da língua natural a todas as formas

de compreensão das palavras, das imagens

e de todas as formar de processamento de dados.

Ou seja, integra a capacidade do processamento

de dados, a perceção ou cognição e as ações.

Os agentes de IA, de uma forma ou de outra, são

pedaços de código que têm essas três principais

componentes: compreensão, resolução

e concretização da tarefa”

“Há uma interação entre humanos e AI para um

propósito de negócio, que vai sendo desenvolvida

e que melhora ao longo do tempo. Um diálogo

para que a IA possa fazer o que o humano pediu.

Sendo que os agentes de IA pedem ajuda dos

humanos, respondem aos seus pedidos e aprendem

continuamente, melhorando as suas capacidades.

Temos de investir e desenvolver esta interação,

principalmente se existir um propósito empresarial,

para que os resultados sejam cada vez melhores”

“Qualquer negócio interage com a IA na medida

das suas necessidades. A tecnologia ajuda na

compreensão dos dados e nos pain points, áreas que

precisam de ser feitas com mais eficiência. E permite

ainda ao negócio sonhar grande, antecipando,

alertando, fazendo análises de dados e de processos

que podem levar a grandes melhorias. Negócio

e AI são sobre essas três componentes: necessidades,

eficiência ou pain points e sonhos”

56 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


DISCUSSION PANEL

Reveja

as intervenções

PEDRO BIZARRO

Cofundador e Chief Science

Officer, Feedzai

“Existe claramente um crime

organizado com utilização crescente

da AI. Estão a ser feitos novos ataques

e scams em várias plataformas. Se calhar, há uns anos, eram

fáceis de detetar como falsos, mas atualmente são muito

mais complicadas. Mas também existem benefícios que

a IA traz para as empresas, como a melhoria na deteção

de fraude e na produtividade”

“Aumentou muito o apetite das empresas para

experimentarem o seu potencial. É muito fácil começar

com gen AI, mas é difícil terminar. Esta gen AI, ao contrário

do software normal, não produz sempre o mesmo resultado.

Tem uma componente aleatória que é difícil de controlar,

nem sempre é estável, pode ser atacável, depende

da prompt. Apesar de ser poderosa, é mais inconstante

e pode dar factos falsos que são apresentados como

verdadeiros. E as pessoas acreditam”

“Neste momento, os scams são os maiores crimes

financeiros, a nível mundial. Em alguns países, o maior

de todos os crimes. É a tendência e vai continuar a crescer,

porque o ponto fraco são as pessoas. Enganam com

imagens, vídeos, voz. São altamente customizados àquelas

pessoas, conhecem as suas informações, redes, perfil.

(…) A IA também falha e, no final do dia, a culpa não é dela,

é sempre das pessoas. A IA tem muito potencial para fazer

coisas novas”

ISABEL GUERREIRO

Administradora Executiva,

Banco Santander Portugal

“A AI já era usada em larga escala

antes desta nova onda, que é mais

massificada. O machine learning está

na base dos nossos serviços há muito. Mas com a chegada

da IA generativa, o potencial é superior. Já temos cenários

de utilização onde notámos um incremento da ordem

dos 3% a 4% em termos de eficiência e de eficácia do ponto

de vista de apresentar a melhor solução no melhor contexto

ao cliente. O que a IA generativa traz é um incremento de

produtividade duas ou três vezes superior ao que tínhamos

sem a IA”

“A indústria financeira é uma das mais reguladas.

Temos informação muito sensível, o que nos obriga a uma

responsabilidade muito grande. As potencialidades da IA

são óbvias, mas os riscos aumentaram também muito:

há soluções que usávamos antes que já não são acionáveis,

há riscos de utilização de informação sensível para fins

menos adequados”

“Utilizamos a Gen AI sempre numa lógica de benefícios

para o cliente e de melhores resultados em termos de

eficiência e eficácia. Já temos IA em tudo o que tenha

a ver com simplificação e aceleração de processos, por

exemplo. Ganhamos nós e ganha o cliente. Com esta

aposta, mudámos o perfil das pessoas que contratamos.

Neste momento, temos data engineers, data architects,

profissionais do setor mais digital e tecnológico. E temos

uma equipa de cyber que se prepara para esta nova

realidade. Porque a qualidade dos ataques é cada vez

maior e temos períodos propícios onde temos de estar

particularmente atentos”

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 57


EM DESTAQUE

DISCUSSION PANEL

Business & Science

Working Together

in Telecommunications

2 JULHO

JORGE GRAÇA

Chief Technology and

Information Officer, NOS

“Estamos na fase de materializar

o 5G em diferentes use cases

para indústrias e casos concretos.

Estamos a resolver desafios e problemas. Não estamos

apenas a oferecer ao cliente final uma tecnologia em

abstrato, mas a interagir e a resolver problemas concretos

das empresas. O 5G, enquanto tecnologia, traz um

conjunto de características que permite ser catalisador

e agilizador de soluções. O 5G tem a capacidade

de adaptar a rede às circunstâncias e aos requisitos.

Não é só conetividade e mais largura de banda”

“O 5G standalone é uma realidade e permite explorar

todo o potencial da tecnologia. É uma espécie de

emancipação do 5G. Permite cumprir todas as promessas

feitas – velocidade, latência, resiliência, desempenho,

customização, flexibilidade, entre outras coisas. É um

grande catalisador, porque promete trazer de forma mais

imediata as promessas do 5G. Mas é mais caro também

e bastante mais complexo, pelo que é natural que estas

coisas demorem tempo. Estamos a falar de ciclos

de investimento e de decisões longos”

“Já existiam muitos casos em que aplicávamos IA,

numa lógica mais de machine learning e de IA para efeitos

preditivos. Mas agora, com a IA generativa, há muitos

use cases abertos ao Mundo, virados para fora, pelo que

a superfície de ataque muda e expõe-se. Sim, levanta

problemas de várias ordens, entre os quais de segurança.

Depois, temos todos os temas da forma como se fala

com os clientes, de ética e privacidade. Ao estarmos

a expor processos que antes estavam blindados,

com um elemento humano que protegia o sistema,

agora estamos a abrir”

JOSÉ PEDRO

NASCIMENTO

Chief Technology Officer, MEO

“Temos parcerias com universidades

e polos de desenvolvimento que

são importantes. A Academia é um

fornecedor de ideias, assim como as startups e as incubadoras.

E trazem também muitas vezes uma capacidade do

desenvolvimento que é necessário e que não temos em casa.

Estamos focados na jornada do cliente, na inovação contínua

de produtos e serviços, em nós próprios, e na resiliência

da rede. Toda a tecnologia que temos à volta são tudo meios

e não um fim. Trabalhamos com o cliente e aqui precisamos

de tecnologia”

“Todos os serviços para empresas precisam de adaptações

dinâmicas da rede, para garantir a qualidade de serviços

e os recursos no tempo certo. Só o conseguimos com o 5G SA

(standalone). Mas este não é um ecossistema que funciona

sozinho, temos de o integrar com vários outros sistemas.

Daí a complexidade de podermos ter isto em escala a curto prazo.

Os use cases da indústria B2B ainda estão em desenvolvimento.

Já para o consumidor final, o 5G SA não faz a diferença, apesar

de estar disponível. Ainda há poucos terminais. O 5G SA só vai

ser aplicado só a serviços mais sofisticados”

“Temos de implementar a IA em tudo o que fazemos, assim

como nos serviços para clientes. Mas tem de haver um

mapeamento dos processos, para a simplificação do negócio,

e temos de colocar a tecnologia a trabalhar para isso. Permite

antecipar avarias, não só internamente como no cliente, ter

processos de diagnóstico remoto, gestão interna de equipas

e relação com clientes, nomeadamente nos call centers.

Já temos, na nossa atividade, a IA aplicada a muitos processos

internos e estamos a apostar no desenvolvimento a outras

áreas. A IA está aí, não podemos parar e já percebemos que

os ganhos que dela advêm são muito grandes”

58 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


PAULINO CORRÊA

Chief Network Officer, Vodafone

Portugal

“O 5G é um enabler, como muitos

outros que têm de lá estar.

É crucial para o tema da inovação,

mas esta não tem por base uma

receita já feita. Existem três eixos: o do cliente, das suas

oportunidades e desafios; um eixo mais abrangente,

ligado às universidades e ao universo das startups, que

trazem novas ideias e conceitos; e um terceiro vetor com

os parceiros tecnológicos. É à volta deste círculo virtuoso

que assenta a aposta. O 5G será mais aproveitado se

tivermos uma integração mais profunda com os clientes”

“Como é que definimos o valor que o 5G standalone pode

trazer: maior controlo dos recursos de rede, já temos algum,

mas este é superior; e uma integração mais inteligente

com os sistemas do cliente, para aproveitar todo o potencial

do 5G. Só com ele é possível desenvolver aplicações

verdadeiramente avançadas. É preciso fazer um exercício

de cocriação com os clientes, pelo que é uma tecnologia

que ainda está a seguir o seu caminho. Concordo que

será o futuro e a única hipótese para esse futuro ser

esplendoroso, mas tem de ser construído com os clientes”

“O apagão foi um acontecimento sem precedentes

e a questão é saber se muda os pressupostos que

vão ser usados para desenhar a rede. Estamos a fazer

essa discussão ao nível da Vodafone, porque a fiabilidade

da rede elétrica nos vários países da Europa é diferente.

O que falhou foi a rede elétrica. Temos todos processos

muito robustos para proteger os data centers e os nosso

não falharam. Onde falhou foi sobretudo no acesso,

nos milhares de sites, e aqui não é viável fazer um

investimento significativo em todos. Se nos obrigarem

a isso, é investimento que não vai para cobertura

e para serviços”

Reveja

as intervenções

RODRIGO CORDEIRO

Country Head, Capgemini

Engineering

“Temos de começar a ver a tecnologia

de uma forma completamente

diferente, assim como o conhecimento

que temos do cliente. E as tecnologias

já permitem conhecer as necessidades do cliente em tempo

real. Os nossos operadores já partilham redes e agora têm

de se organizar para perceber o cliente. Já não é a qualidade

da rede que faz a diferença, mas sim o engagement que

cada um faz com o cliente. Acaba por ser um trabalho de

todos. Trabalhar todos os setores de forma transversal implica

conhecê-los de forma mais profunda. É aqui que vamos mudar

completamente o paradigma na forma como se vendem

os serviços”

“A tecnologia 5G SA está disponível e existe. Mas temos

um tecido empresarial que não ajuda à criação deste tipo

de evolução, por falta de capacidade e de conhecimento

da tecnologia. Temos uma indústria que é antiga e que se

calhar não está ainda preparada para perceber os benefícios.

A forma de vender o 5G não é igual ao que se fazia e temos

de alterar a forma de vender e mostrar esse valor.

Tem se de mostrar aos clientes o potencial da tecnologia”

“Muitos clientes ainda não têm a noção do que é preciso para

poder usar a IA. Mas toda a gente já usa hoje a IA generativa,

que está completamente massificada. A IA generativa e a IA

inteligente, de que já se fala, podem vir a ajudar os operadores

de telecomunicações numa nova abordagem aos clientes”

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 59


EM DESTAQUE

DISCUSSION PANEL

Fibercos & Towercos' Role in Digital

Transformation

2 JULHO

JOÃO OSÓRIO MORA

Managing Director, Cellnex

“Tivemos em 2024 um ano de investimento e de crescimento.

Tivemos um crescimento das receitas superior a 20%

e investimos mais de 120 milhões de euros em novas

infraestruturas, para suportar operações em sites existentes,

e construir mais de 160 novos sites. Estes estão planeados

de raiz para suportar três operadores, sendo que pelo

menos 90% estão localizados em zonas de baixa ou média

densidade, numa contribuição bastante relevante para

a coesão territorial do país”

“Depois de oito anos de expansão por aquisições, o grupo

entrou numa fase de consolidação das operações, com

crescimento orgânico e remuneração acionista. Dentro do eixo

do crescimento orgânico, a componente de eficiências é uma

área de grande atenção. Pelo que foi criada uma atividade

específica de real estate. Em Portugal e na Europa devemos

ser dos maiores arrendatários, com contratos de arrendamento

no país dos nossos 6,7 mil sites, e contratos com os nossos

clientes, os operadores. Temos de assegurar a estabilidade

contratual e negociar aquisições de sites mais críticos”

“O apagão foi elétrico, mas houve alguma injustiça

na forma como tudo foi percecionado em Portugal, onde

a culpa foi quase imputada aos operadores. A resiliência

não passa apenas por evitar, envolve também o tempo

que demoramos a restabelecer tudo. Falta resiliência

à rede elétrica, mas foi uma experiência para todos.

Foi bom para identificarmos os principais spots

e reforçarmos algumas zonas. Não é viável termos

geradores em todos os sites, mas reforçámos alguns”

60 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


PAOLO FAVARO

Managing Director, Vantage Towers

“2024 foi um ano muito positivo e de muito crescimento,

até acima das nossas expetativas. Temos novos sites em

zonas onde não havia cobertura, com condições difíceis

e trabalhamos com todos os operadores do mercado,

nomeadamente no 5G. Foi um trabalho grande e ainda

há coisas a fazer no mercado. Continuamos a apostar

no crescimento orgânico e estamos a investir muito

na digitalização das operações nos processos internos

e criámos um centro de competências em IT desde outubro,

para ajudar a acelerar na agenda de digitalização”

“Todas as empresas têm capacidade para gerir situações

de crise, mas em regra os problemas acontecem em áreas

específicas do país. No apagão, foi uma disrupção.

Temos de ajudar os clientes no sentido de aumentar

a autonomia dos sites, alocar recursos, resolver problemas

rapidamente. O trabalho maior é definir que tipo de

resiliência queremos ter nas redes e onde queremos colocar

geradores e baterias para aumentar a autonomia.

Estamos a trabalhar com os clientes nesse sentido,

para estarmos mais bem preparados”

“Trabalhamos com parceiros para inovar na forma como

reforçamos, atualizamos e modernizamos os nossos sites.

Por exemplo, aproveitamos recursos como energia solar

e integramos IA nos processos internos, para otimizarmos

a nossa capacidade de resposta”

Reveja

as intervenções

PEDRO ROCHA

CEO, FastFiber

“Como FiberCo, damos serviços aos operadores de

uma forma neutra e não discriminatória. Conseguimos

demonstrar que somos verdadeiramente uma rede aberta.

Os operadores perceberam que não precisam de investir

nas suas redes, mas que as podem partilhar com outros.

E tiveram grande necessidades relativamente ao 5G

e disponibilizámos os nossos sites, nomeadamente

em locais remotos onde precisavam de estar. Outros

operadores não tinham cobertura em todas as regiões

do país e estão a usar a nossa infraestrutura. Desta forma

garante-se que não existe duplicação de investimentos

nem fragmentação de redes e há economias de escala.

A diferenciação vem pelos serviços que se prestam”

“No apagão, a FastFiber não foi impactada, porque temos

uma rede de fibra passiva. Não temos energia para ligar

os equipamentos, porque essa parte está do lado dos

operadores. Temos de pensar na resiliência das redes no

seu global e não apenas na vertente de energias. Existem

outros fatores que poderão implicar interrupção de serviços

das redes que devem ser tidos em conta, como incêndios

e alterações climáticas. Tivemos incêndios e tempestades

e temos de estar prontos para operar o mais rapidamente

possível, dotando a rede de uma resiliência que se calhar

ainda não tem”

“Se queremos efetivamente que Portugal seja uma

economia digital, um exemplo na Europa e uma porta

de entrada de cabos submarinos e de data centers, temos

de dotar as empresas de uma resiliência que hoje não têm.

Isso não se faz só com os operadores. Precisamos que

todos os stakeholders envolvidos participem e tenham

o seu papel. O Governo e o regulador têm um papel

importantíssimo para nos permitir utilizar as infraestruturas

que já existem. Todo este enquadramento de resiliência

é muito importante”

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 61


EM DESTAQUE

What Is Really

Behind The

New World Order?

ANNE APPLEBAUM

American Journalist and Historian, Pulitzer Prize

Winner

“É importante relembrar que a história não é inevitável

e não há um padrão. Tudo o que acontece amanhã

depende do que fazemos hoje. Não podemos pensar

a política assim. Vivemos um momento em que

a mudança tecnológica e as diferentes tecnologias

estão a ser boas para os regimes antidemocráticos,

facilitando-os. Estão disponíveis para mais maus atores

usarem, como os ditadores. Ao mesmo tempo, estão a ser

usadas para dividir e politizar as populações nos países

democráticos”

“Esta é uma enorme oportunidade para a Europa

em várias áreas. Certamente é na tecnologia.

Os europeus perceberam que é perigoso simplesmente

aceitar a tecnologia americana. Precisam de investir

na sua própria segurança e tecnologia, nas suas fontes

de ciência. Isto é saudável. É talvez um momento

para atrair norte-americanos, com previsibilidade,

transparência e regulação. É um bom momento para

a Europa tirar vantagem da situação, em oposição

à loucura nos EUA”

“Temos sempre boas razões para ter esperança.

O pessimismo é irresponsável. Se planearmos agora,

podemos garantir o futuro. As pessoas que vivem

na Europa e no mundo democrático têm possibilidades

e otimismo. É uma questão de como planeamos

e pensamos o que se vai seguir. Temos de analisar

como as coisas realmente estão e depois começar

a mudá-las. Nada é inevitável”

Reveja a intervenção

MIGUEL PINTO LUZ

Ministro das Infraestruturas e Habitação

“Temas que o Governo tem como prioridade

máxima são o reforço do investimento que tem sido

feito em ciência, o reforço da autonomia e do papel

das universidades, mas também o lado das

empresas. Acreditamos convictamente que não

conseguiremos manter o ritmo de distribuição

de riqueza se não produzirmos mais riqueza.

É tempo de olharmos e acarinharmos os

empresários, de remunerarmos bem o seu risco,

para poderem gerar riqueza e esta ser bem

redistribuída”

“É também prioridade máxima desburocratizar,

tornar o Estado mais célebre, mais eficaz, para

que não seja um empecilho ao desenvolvimento.

E tornar a regulação, também ela, mais amiga

das empresas. Acredito que hoje temos uma

regulação diferente, pelo menos neste setor,

mas ainda há passos para dar, há conflitos

e litigância. Não se resolveram todos os problemas

de um momento para o outro. (…) É nossa intenção

pensarmos na regulação de forma mais integrada

e menos compartimentada, nomeadamente

para temas como a IA, serviços digitais

e telecomunicações"

62 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


The State

of The Nation of

Communications

2 JULHO

KEYNOTE SPEAKER

SANDRA MAXIMIANO

Presidente da ANACOM

“Muito se tem falado sobre a importância de ter empresas

com escala, com capacidade de investimento e de criação

de valor. Na minha visão, a concorrência não é inimiga

da escala, nem a escala, impeditiva da concorrência. Para

se investir em tecnologia são precisos recursos monetários

e a escala ajuda, tal como um ambiente regulatório

previsível e ágil, que tenha uma visão abrangente dos

interesses de todos os stakeholders. Ou seja, cujo objetivo

é a maximização do bem-estar social. Mas é preciso

também um ambiente dinâmico, onde a concorrência

saudável funciona como motor da criatividade, inovação

e diversidade de oferta de bens e serviços”

“Temos de ter reguladores que tenham visão

periférica, para poderem ser mais eficazes na sua

intervenção. Não deve ser uma intervenção

na defesa estrita do consumidor, mas na defesa

estrita do mercado como um todo. O papel da

regulação é criar um terreno de jogo equilibrado

para todos, sob pena de pormos em risco todos

os investimentos que estão a ser feitos e os serviços

prestados aos cidadãos”

“A nível nacional, estamos determinados em garantir

que os operadores dispõem já hoje do portefólio de

espectro necessário para enfrentar não só os desafios

do presente, mas também potenciar as oportunidades

do futuro. (…) Preparar o futuro começa agora. E garantir

o acesso eficiente e rápido ao espectro de que o setor

e a economia necessitam é uma das chaves para um

país mais conetado, mais inovador e mais competitivo”

“É inegável que a entrada da DIGI trouxe uma nova

dinâmica. Apresentou ofertas com preços mais baixos

e sem exigência de fidelização, o que teve uma resposta

por parte dos operadores instalados e isso, por sua vez,

tem gerado dinamismo no mercado, com movimentações

de clientes, que procuram explorar e beneficiar das novas

ofertas. Ainda é, no entanto, muito cedo para concluir

sobre a evolução da nova dinâmica de mercado”

Reveja a intervenção

Reveja a intervenção

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 63


EM DESTAQUE

DISCUSSION PANEL

The State

of The Nation of

Communications

2 JULHO

Reveja

as intervenções

ANA FIGUEIREDO

CEO, MEO

“Já existe concorrência

e diversidade de oferta

no mercado. Temos quatro

operadores a servir

10 milhões de pessoas. Na Alemanha há o mesmo

número para 80 milhões. O setor tem provado que

é transparente e que trabalha no desenvolvimento

de redes de nova geração. Os portugueses beneficiam

de uma qualidade de rede e de serviços superior

à média europeia. O que tem sido feito através de

investimento, inovação e concorrência. O que temos

de discutir é se somos um setor central e incontornável

na economia digital. Têm se ser criadas condições

para que haja investimento. Somos empresas e temos

de ter o retorno mínimo associado”

“O que é que queremos em termos de política

industrial e para o setor? Previsibilidade regulatória.

O espetro é um ativo essencial. Estamos à espera de

que possa haver condições adicionais de obrigações,

mas nunca com um custo adicional. Já temos custos

de regulação demasiado altos para o país e uma

complexidade regulatória elevada. Tenho dificuldade

em entender porque é que demoramos tanto tempo

a tomar as medidas necessárias. Não tendo

a previsibilidade, posso parar o meu investimento

em capacidade de rede. É isso que queremos,

num país como Portugal que tem reconhecidamente

uma geografia para ser um hub digital?”

“Com discussões ao nível do 6G estamos a pôr

a carroça à frente os bois. Primeiro temos de resolver

questões essenciais. A regulação é essencial e pode

ser um bloqueador ou incentivar o investimento.

Relativamente aos custos de regulação gostaríamos

que fossem manifestamente inferiores. A ANACOM

está a repartir os seus custos sobre o mercado”

LUÍS LOPES

CEO, Vodafone Portugal

“Não sei de a DIGI está a fazer

algum estrago. Porque, na

verdade, há dois mercados.

Um que quer ter serviços

de qualidade a um preço

justo. E esse, felizmente, é a larga maioria do lado

do consumidor e do setor empresarial. E há um

segmento que só quer o preço mais baixo, para

o qual também temos uma marca que o endereça.

Se me perguntar se está a ter um forte crescimento?

Não, não está”

“Faço um apelo à regulação no que diz respeito

ao espetro. Como operadores, a previsibilidade

no espetro é fundamental. Quando olhamos para

os investimentos que fazemos, e quando quase sempre

não há retorno há uma década, é fundamental termos

confiança. Ter espetro licenciado por períodos

de tempos significativos, em linha com a Europa,

e não de apenas em alguns anos e depois colocar-se

a possibilidade de haver novos leilões. Pelo menos

30 anos de prazo das licenças e não 10 ou 15 anos”

“Os custos de regulação em Portugal, quando

comparados em receitas de telecomunicações,

são muito mais altos do que na Europa. E o modelo

de financiamento é um modelo de custos, o que

não incentiva o regulador a fazer as suas próprias

eficiências. Infelizmente temos tanta litigância

com a ANACOM, que esta já impõe custos que

não podemos aceitar, como os juros de mora.

Gostaríamos que esta litigância simplesmente

acabasse”

64 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


Closing Session

2 JULHO

ROGÉRIO CARAPUÇA

Presidente, APDC

MIGUEL ALMEIDA

CEO, NOS SGPS

“No Congresso do ano

passado, disse que o destino

do setor é a consolidação,

porque o país não tem

capacidade para ter quatro operadores. Não tenho

dúvidas de que vai acontecer. A questão que se

coloca aos reguladores é se vamos fazê-lo com mais

ou menos prejuízo. E quanto mais tarde acontecer,

mais prejuízo vai dar. Vamos acumular atrasos,

porque o destino vai ser o da consolidação.

Está provado em quase toda a Europa e no

Mundo que ter três operadores é que garante

competitividade, investimento e inovação”

“Tem de haver um conjunto de medidas que permita

o reforço do investimento. E já foi claramente

expressa pela própria CE que é preciso aumentar

o período das licenças de espectro. Neste momento,

na melhor das hipóteses, se a ANACOM prosseguir

este caminho, em violação da determinação da

CE, não temos condições de investimento. Qual é o

incentivo, à data de hoje, quanto não sei dizer o que

me acontece daqui a oito anos? Isto não é aceitável”

“Temos necessidade de ter previsibilidade no

espectro que temos. Se for ampliado só por mais

uns anos, a NOS não vai investir mais na rede móvel.

É isto que queremos para o setor? Um país sem

competitividade digital e económica? O investimento

só é sustentável se houver condições. Introduzir

incerteza num momento destes é a loucura total.

É criminoso”

“Temos dois problemas: um económico, porque somos

um país de microempresas, e um cultural, porque

achamos isso bem. Mas temos um terceiro: queremos

tudo, por pouco dinheiro, mesmo as coisas sofisticadas.

Não podemos alinhar, digamos, neste espírito. Na década

de 2000 falávamos de inovação. Tínhamos televisão

interativa e inventámos o pré-pago. Fizemos coisas

que mais ninguém no Mundo ainda tinha feito. E o que

é que nós falamos hoje? Dos preços. É o espírito low-cost”

“Esse espírito passou para a opinião pública e, portanto,

recuperar disto é muito difícil. Mas é necessário.

Um papel fundamental hoje, dos reguladores e dos

próprios governos, é recuperar a imagem do setor,

dar-lhe condições para investir, para que não seja

remunerado abaixo do custo de capital. Porque não

interessa apenas defender os consumidores, para isso

existe a defesa do consumidor. O que é fundamental

é equilibrar o interesse daqueles com a saúde do negócio

e das empresas. Sem saúde de negócios e empresas,

os consumidores não vão ter serviços”

“Setores como os media atravessam um período muito

difícil. É difícil ser o melhor, ter os melhores jornalistas,

ter rigor e depois ser colocado em terceiro plano,

porque valorizamos os boatos, as notícias improvisadas

ou bombásticas ou as falsas notícias. As empresas têm

de ter condições para apresentar serviços de qualidade.

Com a ajuda de todos, vamos voltar a ter Portugal

no caminho da inovação. Valorizar o que temos

e fazemos, porque o que se faz por cá é tão bom

ou melhor do que o que vem lá de fora”

Reveja a intervenção

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 65


EM DESTAQUE

MUITO PARA LÁ DO PALCO

INOVAÇÃO

AO VIVO!

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de imagens

Com uma nova

edição em formato

híbrido – presencial

e online, em formato

de programa de

televisão – o Congresso da APDC

realizou-se pela primeira vez na

Culturgest, em Lisboa. Neste espaço

multifacetado realizaram-se várias

iniciativas que potenciaram ainda

mais o networking e a troca

de ideias entre os participantes.

Uma das novidades foi o Innovation

& Tech Show, um espaço dedicado

à apresentação de projetos

disruptivos em setores estratégicos,

como as telecomunicações,

as ciências da vida ou a educação.

66 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


Assim, e tendo em conta o tema

central do Congresso – “Business

& Science – Working Together” –

foi criada uma área de exposição

tecnológica e científica, onde se

deu palco a projetos inovadores

resultantes da colaboração

entre empresas e instituições de

investigação e ensino. O objetivo foi

mostrar a forma como a tecnologia

está a potenciar a inovação e o

desenvolvimento económico em

Portugal. Cellnex, .PT, Daredata/

NOS, Inetum, MEO, Nokia, NTT

Data, GIMM e Sapo Tek marcaram

presença nesta montra de

tecnologia com impacto real, que

mostrou o que de melhor se faz no

país e a importância da inovação

colaborativa.

DA IDEIA ÀS APLICAÇÕES REAIS

A Capgemini, que esteve

novamente presente no espaço

Lounge do Congresso, apresentou

também soluções e demonstrações.

Foi o caso da ‘Unity Simulation

Suite’, uma solução com simulações

3D imersivas que permite explorar

e otimizar operações em diversos

domínios – desde linhas de fabrico

e sistemas robóticos a parques

eólicos, minas, ambientes de treino

de IA e até navegação aérea.

Já a solução ‘5G in a Box’ para

a implementação de redes privadas

usando tecnologias de código aberto

disponibiliza uma alternativa

poderosa para as empresas que

procuram uma implementação 5G

local e personalizada, na que é uma

das primeiras implementações

de infraestrutura 5G baseadas

em código aberto no mercado. Esta

solução permitiu uma demonstração

ao vivo do ‘Robotoc Dog’, que está

equipado com sensores e câmaras

HD e consegue subir escadas e

terrenos irregulares, mantendo

a transmissão de vídeo em tempo real.

MAIS MULHERES

A MOLDAR O DIGITAL

O lançamento da iniciativa aconteceu

a 11 de fevereiro deste ano, para marcar

o Dia Internacional das Mulheres e Meninas

na Ciência. Objetivo: acelerar o impacto

das melhores ações de atração e retenção

de talento feminino nas áreas STEM

(Ciência, Tecnologia, Engenharia e

Matemática) que estão a ser desenvolvidas

no País. No 34º Congresso foi dado um passo

em frente, com o anúncio das empresas

que apoiam o Prémio Women Shaping Tech

e que acreditam no poder da diversidade:

.PT, Accenture, AWS, DXC Technology,

Google, Inetum, NOS, NTT Data e Vodafone.

Como referiu a Diretora Executiva da APDC,

“este é muito mais do que um prémio,

é um compromisso das nossas empresas,

um compromisso com a representatividade

das mulheres no setor tecnológico”.

“Este prémio junta, para já, nove, empresas,

mas até ao final do ano queremos desafiar

mais empresas que tenham um compromisso

com a atração e retenção de mulheres

no setor tecnológico a juntarem-se a nós”,

acrescentou Sandra Fazenda Almeida.

Entretanto, já depois do Congresso,

juntaram-se também ao projeto

a Celfocus, Huawei e MEO.

A ideia surgiu na sequência de uma

colaboração realizada desde o ano passado

com a STEM Women Association,

para tentar mapear esforços de iniciativas já

no terreno para atrair e reter mulheres

no setor tecnológico. “Apercebemo-nos

de que havia disponibilidade de muitas

empresas em apoiarem mulheres para

mentoria, mas que era difícil essas iniciativas

saírem dos grandes centros urbanos.

Para isso, é preciso investimento

e percebemos que a APDC podia funcionar,

mais uma vez, como uma plataforma

agregadora de uma solução para se olhar

de forma holística para as iniciativas,

perceber o seu valor e aumentar o seu

impacto”, explicou Sandra Fazenda Almeida.

É essa a meta do Prémio Women

Shaping Tech: escalar e reforçar projetos

comprovadamente eficazes, permitindo-

-lhes chegar a mais jovens e fortalecer

a representatividade feminina no setor.

Será dada especial atenção a zonas do

interior ou menos cobertas por programas

semelhantes, de inclusão feminina nas STEM,

para permitir o desenvolvimento

de um ecossistema mais robusto, interligado

e sustentável e criar um efeito multiplicador

que beneficie toda a sociedade.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 67


EM DESTAQUE

A .PT deu a conhecer, no espaço

do Innovation & Tech Show,

a plataforma do Ponto Digital,

que se assume como o ponto

de encontro do digital no país.

Disponibiliza ações de formação,

iniciativas, concursos (fontes de

financiamento e prémios), estudos,

recursos, ofertas de emprego,

eventos e notícias na área do digital.

E liga ainda Portugal à Europa,

através da API (interface

de programação de aplicações)

com a Digital Skills and Jobs

Platform. Por sua vez, a Cellnex

apostou na mostra de soluções

inovadoras de cobertura indoor e de

densificação urbana desenvolvidas

pelo grupo ao nível europeu.

No espaço da Daredata/NOS

estiveram em exposição casos

de uso focados nos desafios das

telecomunicações, demonstrando,

através de situações de uso reais,

como se podem resolver desafios

de eficiência e crescimento,

e mostrando de forma transparente

como a IA é uma ferramenta

segura, auditável e com um

impacto muito positivo no negócio.

Assim, na área da IA Generativa,

foram apresentadas soluções

conversacionais (de suporte

do cliente) através de assistentes

de voz e chatbots inteligentes;

a automação inteligente

de processos para otimização

do back-office empresarial;

68 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


IDEIAS BRILHANTES COM IMPACTO REAL

‘MOBILIDADE E LOGÍSTICA’

‘RELACIONAMENTO COM

Num momento de celebração

dos projetos que estão

a transformar os nossos

territórios com tecnologia,

visão e impacto real, os

vencedores da 4ª edição do

Prémio Cidades & Territórios

do Futuro receberam

no Congresso da APDC

os seus respetivos troféus.

Mais de 40 responsáveis

de áreas como a academia,

setor público, tecnologia

e planeamento urbano

integraram o júri de seleção,

garantindo uma avaliação

multidisciplinar e criteriosa

dos candidatos de 2025, iniciativa

que foi patrocinada pela

Experis, Galp, REN e E-Redes,

que acreditam que a inovação

urbana é um motor essencial

de mudança.

Os vencedores nas várias

categorias, assim como

os projetos a quem foram

atribuídas menções honrosas,

demonstram que o país tem

no terreno um vasto conjunto

de soluções para tornar

as cidades e as regiões mais

inclusivas, inteligentes

e sustentáveis. Este prémio,

criado pela APDC, visa

estimular o desenvolvimento

de tecnologias de base

que tornem as cidades

e os territórios espaços

mais habitáveis, sustentáveis

e economicamente viáveis,

evidenciando o potencial

transformador da inovação

portuguesa. E já há múltiplas

soluções assentes em IA,

cloud computing ou machine

learning que mostram o

potencial inovador

e empreendedor nacional.

Os vencedores e as menções

honrosas foram, por categoria:

‘SAÚDE E BEM-ESTAR’

Vencedor: Vitruvian Shield,

uma plataforma de saúde digital

com IA e sensores inteligentes

para monitorização remota

de doentes. Foi desenvolvida

por Bruno Valinho Carrilho,

Paulo Martins e Vahid Khazaei

Nezhad.

‘IGUALDADE E INCLUSÃO’

Vencedor: Technovation

Girls Portugal, um programa

educativo que capacita

raparigas dos 8 aos 18 anos

com competências digitais

e de empreendedorismo.

É da responsabilidade

da Associação Ed-Ruptiva

(Happy Code).

Vencedor: Massificação

da rede de carregamento

de veículos elétricos, que

como o nome indica, visa

expandir massivamente

a infraestrutura de

carregamento para veículos

elétricos de forma sustentável

e eficiente. É liderado pela

Galp. Nesta categoria, foi ainda

atribuída uma menção honrosa

à ‘Informação em Tempo Real’,

projeto da CP que permite ter

uma plataforma de informação

com o estado da circulação

ferroviária.

‘QUALIFICAÇÕES’

Vencedor: Ubbu,

uma plataforma de literacia

digital e ensino de ciências

da computação para

crianças dos 6 aos 12 anos.

Foi desenvolvimento pela

empresa com o mesmo

nome. Também aqui foi

atribuída uma menção

honrosa à Machine-driven

Identification of Talent (MIT),

da Codefor All, um modelo

inovador de identificação

de talento.

‘SUSTENTABILIDADE,

ECONOMIA CIRCULAR E

DESCARBONIZAÇÃO’

Vencedor: Innovation and

Decarbonization Laboratory

(ID Labs), que visa a

descarbonização e a transição

energética na indústria,

com desenvolvimento

de novos combustíveis

sustentáveis e otimização de

processos industriais. A Galp

Energia é o promotor.

Foi ainda atribuída uma

menção honrosa ao buid.ing,

uma plataforma de simulação

de projetos construtivos

para novos edifícios criada

pela Silva e Pappas.

O CIDADÃO E PARTICIPAÇÃO’

Nesta categoria foi atribuída

uma menção honrosa

à Mensagem de Lisboa,

um projeto inovador de

jornalismo comunitário digital

que promove a participação dos

cidadãos e a inclusão social.

‘DESENVOLVIMENTO

ECONÓMICO’

A Startup Barreiro, incubadora

da Câmara Municipal, que apoia

a criação e o desenvolvimento

de negócios inovadores, com foco

nas áreas de cultura, criatividade

e sustentabilidade, recebeu

também uma menção honrosa.

Ainda no âmbito desta

iniciativa, foi entregue

pela Agência Nacional

de Inovação (ANI) o prémio

Born from Knowledge a João

Magalhães, CEO da Code for All,

pelo projeto Machine-

-driven Identification of Talent

(MIT). Todos os anos, aquela

entidade seleciona, entre os

candidatos ao Prémio Cidades

& Territórios do Futuro,

aquele que mais se destaca,

porque tem base científica,

utilizou investigação e

desenvolvimento e trabalhou

com o ecossistema nacional

de inovação. Tem ainda ações

de proteção de propriedade

intelectual, muito importante

quando se quer valorizar

o conhecimento e trazê-lo para

a economia. Como destacou

Sílvia Garcia, administradora

da ANI, além do valor monetário

de 2.500 euros, o prémio

consiste na entrega da ‘Árvore

do Conhecimento’, uma peça

artística criada por Leonel

Moura especialmente para este

galardão. Celebra-se assim

o talento que transforma ideias

em impacto real na sociedade.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 69


EM DESTAQUE

e o suporte e potenciação

de equipas, com o reforço

da produtividade das equipas

através de assistentes de IA que

funcionam como “co-pilotos”.

Já na área de Soluções de

Data Science esteve em destaque

a otimização de operações e rede,

com a aplicação de modelos

de machine learning para otimizar

operações críticas.

Mostrar o impacto que

a IA generativa pode ter na

transformação da educação

foi o objetivo da Inetum. Nesse

sentido, apresentou e demonstrou

o ‘Company Guru’, um AI Agent

disponibilizado através da

plataforma de IA empresa, que

pretende revolucionar a formação

corporativa através do conceito

“just drop”, Foram ainda

demonstrados casos práticos, como

a formação sobre legislação de férias

e o AI Act europeu.

A MEO também apostou numa

mostra de soluções implementadas nos

Centros Tecnológicos Especializados,

visando a modernização da oferta

dos estabelecimentos de ensino

e da formação profissional.

Estas soluções, desenvolvidas

pela MEO Empresas e pela sua rede

de parceiros, integram ferramentas

70 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


de IA e estão mapeadas por áreas

temáticas dos diferentes cursos

de formação: digital, informática,

industrial e energia. Uma das

soluções expostas foi a ‘Soldamatic’,

para a formação de soldadura

simulada com tecnologia de última

geração, baseada em realidade

aumentada.

Sendo no País o parceiro

tecnológico da FCCN, serviços

digitais da FCT – Fundação para

a Ciência e a Tecnologia, através

do fornecimento de uma rede

de transporte ótico a nível nacional

que liga instituições de ensino

superior e centros de investigação

em 26 cidades, a Nokia marcou

presença com a sua demonstração

de conetividade ‘Quantum-safe’.

Destina-se a proteger as NRENs

– Redes Nacionais de Ensino

e Investigação em termos de

privacidade e integridade dos dados,

face às ameaças da era quântica.

JOVENS MENTES, GRANDES SOLUÇÕES

O 34º Digital Business Congress

voltou a ser o palco para

o anúncio dos vencedores

da 5ª edição do Best Thesis

Award (BTA). Esta iniciativa

da APDC premeia anualmente

a excelência académica

nacional, destacando jovens

talentos que estão a marcar

o futuro do digital. A iniciativa,

que conta desde a sua primeira

edição com o apoio da

Axians Portugal, reconhece

as melhores dissertações

de mestrado desenvolvidas

por alunos do Consórcio de

Escolas de Engenharia (CEE)

e das Academias UPskill,

em três áreas estratégicas:

telecomunicações, tecnologias

de informação e media.

Os projetos premiados

refletem não só o rigor

académico, mas também

a originalidade, inovação

e impacto social – critérios

centrais de avaliação do

BTA. O júri, composto por

especialistas de referência nas

áreas a concurso e presidido

por um representante da

APDC, destacou a qualidade

excecional das candidaturas

recebidas. Todos os

vencedores receberam

um prémio pecuniário de

1.500 euros, sendo os prémios

entregues por Carla Madeira,

Pedro Valente e Nuno Pereira,

da Axians Portugal.

Assim, na categoria

Telecomunicações a vencedora

foi Mariana Amador Valente,

do Mestrado Integrado em

Engenharia Eletrónica

e Telecomunicações,

da Universidade de Aveiro.

Denominado “Antena de Banda

Larga para Sistemas de Radar

‘Through-Wall’”, o seu trabalho

é uma proposta disruptiva que

combina telecomunicações

e IA para criar uma antena

Vivaldi de banda ultra larga,

com aplicações em contextos

de segurança e emergência.

Já em Media, o vencedor

foi Daniel Gea Palenzuela,

do Mestrado em Multimédia,

da Faculdade de Engenharia

da Universidade do Porto.

Com o trabalho “Reconhecimento

de Objetos por Som para

Promoção da Navegação

Espacial e Semântica por

Pessoas com Deficiência

Visual”, tem uma abordagem

inovadora que transforma

imagens em sons, permitindo

que pessoas com deficiência

visual naveguem em ambientes

físicos com maior autonomia.

Por fim, em Tecnologias

de Informação, o vencedor

foi Pedro Manuel Vicente

de Almeida, do Mestrado

Integrado em Engenharia

Eletrotécnica e de

Computadores,

da Universidade de Coimbra.

Com o seu trabalho “Interação

de um Robô Social com

Utilizadores Humanos através

de Linguagem Natural”, criou

um robô social vocacionado

para o envelhecimento ativo,

que interage com utilizadores

através de linguagem natural.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 71


EM DESTAQUE

Já a Fundação GIMM –

Gulbenkian Institute for Molecular

Medicine apostou em mostrar a sua

missão de desvendar os mistérios

fundamentais da vida, tendo como

objetivo estar na vanguarda

da investigação transdisciplinar.

E o TekSapo demonstrou uma

nova tecnologia holográfica

ultrarealista, a HOLOBOX.

NO CENTRO DA REVOLUÇÃO

Esta 34ª edição do Congresso

da APDC contou com a Celnex,

Fasfiber, MEO, NOS, Vantage

Towers e Vodafone como

Patrocinadores Premium. A MEO

apostou também numa presença

mais reforçada da marca no

espaço físico do Congresso,

nomeadamente na entrada

do Auditório da Culturgest e nas

escadas de acesso. Já a NOS voltou

a marcar presença nas cadeiras

do Auditório. Destaque ainda

para a Galp, que foi Extra Sponsor

72 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


do Congresso, assim como para

a Axians, que foi a patrocinadora

dos badges e para a Minsait que,

tal como em 2024, marcou

presença na área do check-in.

A Experis, por sua vez, patrocinou

o almoço reservado realizado

no segundo dia do evento.

Foi também realizado o jantar

de lançamento do 34º Digital

Business Congress, que decorreu

a 30 de junho, também na

Culturgest. Este evento exclusivo

reuniu oradores, patrocinadores

e membros dos órgãos sociais da

APDC. E, no âmbito do Congresso,

organizaram-se nos dois dias

almoços reservados, destinados

a proporcionar uma oportunidade

única para interagir com outros

líderes empresariais, especialistas

em tecnologia e oradores.

Destaque ainda para a aplicação

oficial do #DBC2025, desenhada

para tirar o máximo partido

do evento, quer para os

participantes presenciais

quer online. Através da app,

foi possível explorar o programa

e oradores, com filtros e pesquisa

avançada, assim como criar

a sua agenda personalizada.

Permitiu ainda assistir online

ao Congresso, assim como aceder

à lista de participantes, enviar

mensagens e marcar reuniões,

entre outras vantagens. Além

de ser possível participar no jogo

oficial do Congresso, que voltou

a dar prémios aos participantes

mais ativos. As interações

multiplicaram-se, assim como

a adesão das empresas, que

atribuíram os prémios: .PT;

CIIWA; DELL Technologies;

Galp; Lisbon Digital School; Magycal;

Project Management Institute

Portugal.

CONVERSAS QUE

MOSTRAM CAMINHOS

As Live Talks APDC voltaram a marcar

nesta edição do Congresso. Os líderes

de algumas das empresas mais relevantes

do setor tecnológico participaram num

conjunto de conversas curtas, informais

e cheias de conteúdo transformador, grande

parte das quais com parceiros e clientes

empresariais. As conversas estiveram

focadas nos grandes temas que estão

a moldar o presente e o futuro da economia

digital, cada vez mais acelerado pela

revolução tecnológica a que se assiste.

Da IA e da computação quântica à inovação

em redes, para digitalizar e descarbonizar,

passando pela reinvenção com a IA,

pela inovação ou pela eficiência com

propósito, muitos temas estiveram

em debate. Em setores como a Defesa,

os cimentos, a Saúde, os aeroportos,

as telecomunicações ou as towercos,

ficou claro que os seus protagonistas estão

na linha da frente da inovação em Portugal,

criando soluções com impacto real.

E como o futuro se constrói a partir

de visões concretas e partilhadas, todas

as Live Talks estão já disponíveis online,

em vídeo (YouTube) e em formato áudio

(Spotify), num ciclo Dot Topics Especial

Congresso, que mostra como a tecnologia

e a colaboração estão a redesenhar o futuro.

Assista aqui às

live talks

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 73


5

Perguntas a...

Rodrigo Pedro

Gomes Cordeiro Santos

CEO COUNTRY DA INETUM HEAD PORTUGAL DA

CAPGEMINI ENGINEERING

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | | TIAGO VÍTOR FRAZÃO/SYNCVIEW

GORDO/SYNCVIEW

Ouça este artigo

Tempo de escuta: 05ʹ25ʺ

74 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


5 PERGUNTAS

REFERÊNCIA

EM TECNOLOGIAS

DISRUPTIVAS

A aposta na IA, 5G e sustentabilidade digital está

a consolidar o país enquanto polo tecnológico global.

O country head da Capgemini Engineering em

Portugal há menos de dois anos quer consolidar o

projeto como parceiro estratégico da transformação.

1A CAPGEMINI ENGINEERING

FOCA-SE NA INDÚSTRIA

INTELIGENTE, ALÉM DO

ENGINEERING E R&D. DE QUE

FORMA ESTÁ A CONTRIBUIR PARA

A AFIRMAÇÃO DO PAÍS COMO

ECOSSISTEMA TECNOLÓGICO?

Enquanto área de negócio da Capgemini

Portugal, a Capgemini Engineering está focada

na criação de soluções, produtos e serviços

para a Indústria Inteligente. Integrados num

grupo internacional que aposta na inovação

e excelência tecnológica, temos contribuído

de forma decisiva para reforçar a posição

de Portugal como um polo tecnológico de

referência. O nosso Global Engineering Center

é um exemplo claro desta aposta: reúne

equipas locais que participam em projetos

locais e internacionais de grande escala,

implementando soluções desde a automação

inteligente à mobilidade sustentável. É um

motor de conhecimento e inovação que

coloca Portugal no centro de iniciativas

de elevada complexidade tecnológica com

impacto global. Outro pilar estratégico é

a nossa área de Technology & Innovation,

dedicada à pesquisa e desenvolvimento,

onde antecipamos as tecnologias do futuro

e cultivamos um ecossistema de parcerias

que impulsiona a transformação da indústria.

Desta forma, estamos a consolidar o papel

de Portugal não apenas como um país

de grande potencial, mas como um parceiro

estratégico no seio da Capgemini e no futuro

da engenharia à escala global.

2QUAIS AS TENDÊNCIAS QUE

ESTÃO, NA SUA ÓTICA, A

MARCAR A INOVAÇÃO NACIONAL?

O país é muito aberto à inovação e continua

a destacar-se como early-adopter de novas

tecnologias. Destaco áreas como

a inteligência artificial (IA), digital twins,

5G, edge computing ou sustentabilidade

digital. Há três principais tendências que

marcam de forma clara o ecossistema:

a aceleração da transformação digital,

impulsionada pela IA e automação;

a crescente relevância da sustentabilidade

e transição energética, que está a criar

oportunidades em setores como

a mobilidade e a energia; e o reforço

da cibersegurança e resiliência digital,

essenciais para a competitividade das

organizações. Sendo que a inovação está

a ser impulsionada por uma combinação

de fatores: políticas públicas orientadas

para a transição digital, maior colaboração

entre empresas e academia e uma nova

geração de talento tecnológico.

3E QUE SETORES ESTÃO

MAIS AVANÇADOS

NA ADOÇÃO DESTAS

TECNOLOGIAS DISRUPTIVAS?

As áreas com maior abertura são aquelas

onde o impacto é mais imediato. A saúde,

o retalho e os serviços financeiros, pela

forte digitalização do relacionamento

com o cliente. A energia e utilities, pela

necessidade de modernizar infraestruturas

e integrar renováveis. E a indústria em

termos gerais, já que os digital twins,

a conetividade 5G, a análise preditiva,

as plataformas digitais colaborativas

e a automação estão a transformar

processos de produção e manutenção.

A Agenda Mobilizadora Route 25 é um

bom exemplo de utilização de tecnologias

disruptivas de comunicação V2X sobre

redes 5G para manobras colaborativas

no contexto da mobilidade autónoma.

4COM OS PRAZOS DO PRR A

APROXIMAREM-SE DO FIM, QUE

AVALIAÇÃO FAZ DA FORMA COMO AS

EMPRESAS TIRARAM PARTIDO DELE?

O facto dos prazos se aproximarem cria,

naturalmente, pressão na execução dos

projetos em curso. Mas faço uma avaliação

globalmente positiva: o PRR tem funcionado

como um acelerador importante de inovação

e de transformação digital, permitindo colocar

em prática iniciativas estruturantes que, de

outra forma, demorariam muito mais tempo

a concretizar-se. Apesar dos desafios inerentes

à execução em larga escala, sobretudo

no setor público, há uma evolução positiva

na maturidade dos projetos, com muitos já

em fase de implementação ou de validação

tecnológica. Apesar dos desafios de execução

e regulação, muitos desses projetos já estão

a gerar resultados concretos: criação de

emprego qualificado, atração de investimento

e reforço da competitividade tecnológica

do país. O impacto do PRR vai muito além

dos prazos de execução, pois trata-se de

deixar um legado de inovação e capacidade

instalada que vai transformar e promover

a competitividade da indústria nacional.

5QUE PAPEL AMBICIONA

PARA A CAPGEMINI

ENGINEERING EM PORTUGAL NUM

HORIZONTE A CINCO ANOS?

Continuar a contribuir para o sucesso

da Capgemini Portugal, com as nossas áreas

de atuação a serem reconhecidas como

motores de inovação e de transformação

tecnológica, reforçando o nosso papel

dentro do ecossistema nacional e do

grupo. Nos últimos anos, temos feito um

esforço para maximizar o investimento em

parcerias com clientes, porque acreditamos

que a inovação tem mais valor quando

alinhada com o negócio. Queremos por

isso, ser percecionados como um player

de referência em tecnologias disruptivas.

A tecnologia está a evoluir cada vez mais

depressa e estamos preparados para

suportar os nossos clientes nos seus desafios

do futuro. Temos capacidade para entregar,

de forma ágil, projetos de grande escala.

Mas, mais do que isso, nos próximos cinco

anos, ambicionamos consolidar a Capgemini

Engineering como um parceiro estratégico

na transformação tecnológica, com foco

na inovação sustentável, engenharia digital

e desenvolvimento de competências

que impulsionam a indústria inteligente

do futuro.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 75


NEGÓCIOS

INOVAR COM

ASSINATURA

‘MADE IN

PORTUGAL’

Tornar o país num laboratório vivo de inovação tecnológica

e projetá-lo na liderança europeia é a ambição. E projetos

como o Route 25 mostram que não só é possível como

já é uma realidade. Liderado pela Capgemini, o consórcio tem

soluções que cruzam IA, conetividade 5G, sistemas autónomos

e sustentabilidade.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

Fotos cedidas

76 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 77


NEGÓCIOS

O

país afirma-se

cada vez mais

como um polo

de inovação no

cenário europeu

e a Capgemini Portugal tem

um papel ativo neste caminho.

Através do seu braço-armado

para a indústria inteligente,

a Capgemini Engineering, aposta

em desenvolver projetos de

referência e de larga escala, que

cruzam inteligência artificial (IA),

conetividade 5G, sistemas

autónomos e sustentabilidade.

O Route 25, uma das Agendas

Mobilizadoras de referência,

é o símbolo da ambição do grupo:

transformar a mobilidade num

laboratório vivo de inovação

e projetar o mercado nacional

na linha da frente da engenharia

europeia.

Criado há cerca de cinco anos,

o projeto é considerado das

iniciativas mais estruturantes

das 53 Agendas Mobilizadoras

nacionais. A Capgemini lidera um

consórcio que envolve atualmente

29 parceiros, entre empresas,

universidades, municípios e

centros de investigação e que conta

com financiamento do Plano de

Recuperação e Resiliência (PRR).

Esta iniciativa veio materializar o

conceito de mobilidade inteligente:

veículos que comunicam entre si

e com a infraestrutura, cidades

conetadas, transportes mais

eficientes e uma experiência

de mobilidade mais segura

e sustentável.

Como explica Rodrigo Cordeiro,

Country Head da Capgemini

Engineering em Portugal,

“queremos criar soluções com

utilidade real para a sociedade

e não apenas protótipos

tecnológicos. Estamos a aproximar

a inovação do mercado, para

responder a necessidades reais

e concretas. Porque fazer inovação

só por fazer não faz sentido, tem

de estar alinhada com o negócio

e contar com o envolvimento

dos clientes”.

A operação portuguesa da

Capgemini já investe há muito

na inovação e na pesquisa e

desenvolvimento (R&D) e tem

mesmo participado em muitas

calls, europeias e nacionais, para

projetos de inovação. Para o gestor,

a grande mudança que se tem

vindo a operar é a de inovar cada

vez mais com os clientes, não só

para acelerar a transição digital

e sustentável da mobilidade,

mas também para posicionar

Portugal como um hub europeu

de tecnologia aplicada à

mobilidade conetada.

COMPETÊNCIAS E DIFERENCIAÇÃO

Sendo o país um early

adopter de novas tecnologias,

a estratégia tem passado por

ganhar mais competências,

desenvolver projetos cada vez

mais diferenciados e exportar o

conhecimento e talento nacional.

“Não queremos ser apenas uma

empresa que ajuda a escalar

78 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


Route 25:

Futuro da mobilidade já chegou

O resultado de três anos de trabalho do Route 25 foram apresentados em

setembro em três demonstrações práticas no país, dedicadas à transformação

da mobilidade urbana inteligente. Ficaram claros os avanços obtidos nos

veículos autónomos, infraestruturas conetadas e soluções digitais para

cidades mais eficientes e seguras. Mas nem todas as soluções apresentadas

estão preparadas para ir para o mercado. João Neves alerta que se trata

de “provas de conceito e demonstradores reais, com um nível de maturidade

já bastante avançado. Mas que, dependendo do caso de uso, terão de ser

refinadas, de evoluir e serem re-testadas. Outras já estarão prontas para

comercializar”.

SEGURANÇA

EM 1º LUGAR

A primeira demonstração decorreu

a 9 de setembro, na Zona Industrial

da Mota, em Ílhavo. O foco

foi a segurança e fiabilidade

dos sistemas em desenvolvimento,

sendo apresentado o Safety Monitor,

uma tecnologia inovadora que

intervém automaticamente em

situações de risco, assegurando

segurança ativa e monitorização

em tempo real através de uma

rede privada 5G. O evento contou

com a colaboração do Instituto de

Telecomunicações, da Nexar

e Câmara Municipal de Ílhavo.

MANOBRAS

COOPERATIVAS

Já a 15 de setembro, no

Queimódromo do Porto,

foi demonstrado o Cooperative

Maneuvers Module, desenvolvido

pela Capgemini Engineering e pela

área de negócio exclusivamente

dedicada ao desenvolvimento

de produtos e serviços para a

indústria inteligente. Esta tecnologia

permite decisões colaborativas

entre veículos autónomos através

de comunicação V2X (comunicação

veicular e infraestrutura), suportada

por uma rede privada 5G e pelo

Safety Monitor, garantindo manobras

seguras e fiáveis. Presentes

estiveram o IAPMEI, Porto Digital,

Galp, VdA, Mobinox, IT, Nexar e CEiiA.

MOBILIDADE

INTELIGENTE

O ciclo de demonstrações culminou

a 17 de setembro, no Parque

de Exposições de Aveiro, com

uma apresentação abrangente

das tecnologias desenvolvidas

no âmbito do ecossistema inovador

do Route 25. Nomeadamente:

a operação de veículos autónomos

em ambiente real; tecnologias

de comunicação avançadas;

sistemas de perceção cooperativa;

soluções de estacionamento

inteligente; integração multimodal

de transportes; visualização em

tempo real e aplicações de realidade

aumentada/virtual; e migração

de serviços em edge computing.

Vários parceiros do consórcio, como

o IT, Ubiwhere, Nexar, NOS,

Vodafone, Vortex e Câmara

de Aveiro participaram, reforçando

a sinergia entre indústria, academia

e tecnologia.

O líder de tecnologia e inovação

da Capgemini Engineering deixa

também claro que todos os produtos

desenvolvidos no âmbito deste

ecossistema respondem aos desafios

globais da mobilidade: redução de

emissões e promoção da mobilidade

elétrica; melhoria da segurança

rodoviária através de tecnologias

preditivas; eficiência operacional para

operadores de transporte e logística;

e experiência personalizada para

o utilizador, com base em dados e IA.

E a criação de valor para Portugal

é significativa, já que o projeto

permite a capacitação tecnológica

nacional, com transferência de

conhecimento entre academia

e colabs para a indústria. A geração

de emprego qualificado em

engenharia, ciência de dados e

desenvolvimento de software, com

a criação de centenas de empregos

altamente qualificados é outra

vantagem. Tal como o potencial de

exportação de soluções tecnológicas

desenvolvidas localmente

para diferentes geografias e o

fortalecimento da cadeia de valor

industrial, com impacto em setores

estratégicos, como o automóvel,

energia, telecomunicações

e software.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 79


NEGÓCIOS

O Safety Monitor é uma tecnologia

inovadora que intervém

automaticamente em situações

de risco, assegurando segurança

ativa e monitorização em tempo real

através de uma rede privada 5G.

projetos aos clientes, mas que os

desafie a irem mais longe, para

outros caminhos. É uma mudança de

mindset e temos de estar preparados

para ela”, pelo que o grupo está a

desenvolver iniciativas cada vez

mais complexas e a construir

demonstradores que comprovam

as suas competências e a aposta nas

“tecnologias do amanhã”.

Como submarca da Capgemini

para a indústria inteligente e R&D,

a Capgemini Engineering dispõe

de vários laboratórios de ponta,

localizados em Lisboa, Gaia e

Fundão. O Media Lab, o Mobility

Lab ou o 5G Lab são exemplos

de centros de excelência para a

pesquisa de novas tecnologias em

setores como a mobilidade, as

telecomunicações e a indústria 2.0.

Parte da Capgemini Engineering

em Portugal é um dos 11 Global

Engineering Centers (GEC) que o

grupo detém mundialmente, que

atua como um recurso global.

Mais recentemente, a equipa

nacional conseguiu captar para

o país mais investimento, com a

criação de um High Performance

Computation Lab (HPC). Este

é um dos três laboratórios a

nível mundial da Capgemini

especializados em desenvolver

capacidade de computação

elevada para treinar modelos de IA

generativa.

“Hoje já não se fala só em large

language models (LLMs), mas

também de small language models.

São modelos mais pequenos, que

não requerem estar sempre ligados

à internet e que podem funcionar

em dispositivos com menor

capacidade de processamento.

Estes modelos precisam de

ser treinados antes de serem

implementados nos equipamentos,

e é precisamente neste âmbito

que o novo centro, situado

no Fundão, vai atuar: tirando

partido da elevada capacidade

de computação disponível e de

dados representativos de cenários

reais, vai apoiar o treino dos

modelos, sempre em ambientes

seguros e em conformidade com

a regulação”, explica Rodrigo

Cordeiro.

Para João Neves, Head of

Technology & Innovation da

Capgemini Engineering, este

centro assume-se mesmo como

uma verdadeira “incubadora de

use cases de IA generativa para o

grupo. Não vendemos tecnologia,

que é um meio para um fim, mas

sim soluções para problemas

concretos. Tentamos sempre

manter as coisas simples e rápidas

“Queremos criar

soluções com utilidade

real para a sociedade e

não apenas protótipos

tecnológicos. Estamos

a aproximar a

inovação do mercado,

para responder a

necessidades reais

e concretas. Porque

fazer inovação só por

fazer não faz sentido,

tem de estar alinhada

com o negócio e contar

com o envolvimento

dos clientes”

Rodrigo Cordeiro

e olhamos para o problema que

o cliente tem, para perceber qual

é a melhor tecnologia que o resolve,

de uma forma mais económica

e sustentável. Sempre a pensar já

também em use cases para

o futuro”.

80 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


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NEGÓCIOS

“Estamos agora

numa fase avançada

de desenvolvimento

e validação, com

resultados concretos

em áreas como

eletrificação,

conetividade

e IA aplicada

à mobilidade”

João Neves

O Route 25 foi criado para

desenvolver soluções de

mobilidade autónoma, conetada,

inteligente e sustentável que

fossem verdadeiramente

transformadoras.

Entre as principais áreas de

especialização da Capgemini

estão o automotive e o embedded

software, onde o grupo reforçou

significativamente a partir

de 2020. Para tirar partido

de toda a expertise adquirida, não

só a nível nacional como global,

uma vez que o grupo trabalha

com os principais fabricantes

automóveis e com os grandes

fornecedores de equipamentos,

a subsidiária nacional avançou

com uma proposta de criação

de um projeto no âmbito das

Agendas Mobilizadoras do PRR.

IR AINDA MAIS LONGE

Foi desta proposta que nasceu

o Route 25, criado para desenvolver

soluções de mobilidade autónoma,

conetada, inteligente e sustentável

que fossem verdadeiramente

transformadoras. Depressa se

reuniu um conjunto de parceiros

diversificado, entre entidades

públicas e académicas, colabs,

startups, PME, indústria e

operadores. Ao todo, o consórcio,

liderado pela Capgemini, arrancou

com 26 entidades.

Com um investimento total

inicial previsto de 51,3 milhões

de euros, dos quais mais de

32 milhões financiados pelo PRR,

o projeto arrancou formalmente

em outubro de 2022, decorrendo

até final deste ano. Previa o

desenvolvimento de 47 produtos,

processos e serviços inovadores (PPS)

relacionados com: sistemas de

condução assistida e autónoma

para mobilidade segura;

experiência digital adaptativa

para mobilidade cooperativa;

infraestruturas conetadas para

cidades resilientes e inclusivas;

infraestruturas inteligentes para

mobilidade interurbana de baixo

carbono; e implementação de

demonstradores de larga escala.

As projeções apontavam ainda

para uma geração de 80 a 100

milhões de euros em vendas

diretas, a criação de entre 488

a mais de mil postos de trabalho,

e a redução de até 85% das

emissões de CO2 e de até 30% no

número de acidentes rodoviários,

através das novas soluções

implementadas. A criação de uma

nova cadeia de valor nacional, com

elevada intensidade tecnológica

e reforço da coesão territorial, era

outra ambição.

A Capgemini Engineering, além

de líder do consórcio, assumiu-se

ainda como safety authority do

Route 25, desempenhando um

82 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 83


NEGÓCIOS

papel crucial na coordenação

e garantia da segurança dos

demonstradores e testes em

ambiente real, lidando com

sistemas complexos que envolvem

vidas humanas, veículos e

infraestruturas rodoviárias.

Volvidos três anos de execução,

os resultados obtidos evidenciam

bem o sucesso do Route 25.

Setembro foi um mês marcante

para o projeto, com a realização de

várias demonstrações, abrangendo

três regiões – Porto, Aveiro/Ílhavo

e, em outubro, no Fundão – com 22

casos de uso, que permitem validar

desde manobras cooperativas até

transições urbano-interurbano.

“Estamos agora numa fase

avançada de desenvolvimento

e validação, com resultados

concretos em áreas como

eletrificação, conetividade e IA

aplicada à mobilidade”, explica

João Neves. Para quem os “testes

e demonstrações em ambiente

real nos municípios envolvidos

têm apresentado resultados

promissores. Para o gestor

“é um orgulho sermos líderes

desta agenda tão ambiciosa. Ficou

claro o nosso compromisso e

competência na gestão dos projetos.

Houve apenas uma empresa que

saiu do consórcio, o que também

mostra a nossa capacidade de

escolher os parceiros”.

O desenvolvimento

de digital twins

para simular

e testar software

de condução autónoma

em ambiente

virtual, reduzindo a

necessidade de testes

extensivos em estrada

e, consequentemente,

a pegada carbónica,

é uma das iniciativas

Os projetos, garante Rodrigo

Cordeiro, “são verdadeiramente

transformadores, comprovando

que conseguimos estar na

linha da frente, contribuir

com conhecimento técnico,

metodologias ágeis e soluções

escaláveis. E, ao mesmo tempo,

mobilizar talento, universidades

e parceiros empresariais

para desenvolver soluções

com impacto real e com uma

escala internacional”. Mais:

o conhecimento gerado tem

“sinergias e efeitos de arrasto”

que podem ser estendidas a outros

setores industriais, como

a defesa, aeroespacial, energia

ou a indústria 4.0, reforçando

o papel de Portugal como hub

de inovação dentro do grupo

Capgemini.

E há novos desenvolvimentos,

que surgiram na sequência da

reprogramação das Agendas

Mobilizadoras em agosto, com

o Governo a estender o prazo até

final do primeiro semestre de 2026.

Com o Route 25 já em fase final

de conclusão, o consórcio decidiu

fazer uma reprogramação para

criar mais produtos e serviços,

abrindo o projeto a mais três

parceiros. O portefólio passou

de 47 para 58 Produtos, Processos

e Serviços (PPS).

“Sendo ambiciosos, quisemos

ir além do previsto e criar mais

produtos e serviços para o

mercado. A extensão permite

consolidar pilotos e escalar

soluções com impacto real na

vida das pessoas”, explica o Head

of Technology & Innovation da

Capgemini Engineering.

“Só de pensarmos que os carros

têm de fazer centenas e centenas de

milhares de quilómetros para testar

84 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


um software, imagina-se

a pegada carbónica ou energética

associada… Então, porque não criar

um digital twin que permita simular

com precisão o comportamento

físico e ambiental do veículo, testar

o software em ambiente virtual

e validar a sua performance antes

de ir para estrada?” questiona

João Neves. Projetam ainda

trabalhar numa outra iniciativa

inovadora: um telecomando

remoto de veículos reais através

de redes 5G de baixa latência, com

aplicações em situações de risco

ou para manobras complexas

de veículos pesados, como o last

mile de camiões.

CATALIZADOR DE TUDO

A IA é um pilar central do Route 25,

sendo aplicada de forma transversal

em várias áreas do projeto.

Entre as principais aplicações

estão sistemas de apoio à condução

e condução autónoma, que

utilizam visão computacional

e IA para interpretar o ambiente

e tomar decisões seguras. Mas

também nos digital twins,

que permitem testar sistemas

avançados de assistência ao

condutor e condução autónoma

em ambientes virtuais, acelerando

assim o desenvolvimento de

software. Ou ainda os sistemas

de segurança redundantes,

que permitem prever em tempo

real situações em que o software

de condução autónoma reage

de forma incorreta e coloca

veículos, ocupantes e utilizadores

vulneráveis na estrada em

segurança.

Os responsáveis da Capgemini

referem ainda a análise preditiva

de tráfego, que permite antecipar

congestionamentos e otimizar

fluxos de mobilidade urbana

e interurbana. Assim como

a deteção de anomalias em veículos

e infraestruturas, através de

algoritmos de machine learning

que monitorizam o estado

dos sistemas em tempo real.

Ou ainda a otimização de rotas

e gestão de portagens, com base

em dados históricos e em tempo

real, reduzindo tempos de viagem,

congestionamento e consumo

energético. E a personalização

da experiência do utilizador,

com recomendações inteligentes

de trajetos, modos de transporte

e horários, adaptados ao perfil

e contexto de cada cidadão.

João Neves enfatiza o impacto

transformador da IA: “é, sem

dúvida, um catalisador da

mobilidade inteligente e sustentável

que queremos construir”. A visão

é de um futuro com acidentes

rodoviários drasticamente

reduzidos, congestionamentos

minimizados e transportes públicos

eficientes. E a imaginação é

certamente o limite.

Mas há ainda um outro eixo

estratégico, essencial quando se

utilizam tecnologias de ponta para

criar soluções do futuro:

a cibersegurança. João Neves

diz mesmo que é uma das áreas

onde a Capgemini está a inovar a

partir de Portugal, nomeadamente

através do centro de competências

em post-quantum cryptography

localizado no país, que desenvolve

algoritmos de encriptação robustos

para endereçar a computação

quântica. E já estão também a

desenvolver projetos com clientes.

Criaram ainda, em parceria com

o Instituto de Telecomunicações,

um laboratório de comunicações

quânticas, a partir de um

projeto da própria Capgemini.

O equipamento deste projeto foi

doado ao IT para o novo laboratório,

porque “é lá que estão muitos

PhD e alunos a trabalhar e

achámos que íamos mais longe

com parceiros”. E estão também

a trabalhar na área de validação

de chips seguros para a indústria

automóvel.

Afinal, remata Rodrigo Cordeiro,

“temos de pensar em ter soluções

criativas mais seguras. Não vamos

estar 100% imunes a riscos.

Mas ficarmos quietos não é

a solução. Temos de ter noção dos

riscos e tentar mitigá-los o máximo

possível. Sabemos a preocupação

que esta área tem e é por isso que

também em Portugal estamos

a desenvolver competências no

que são as necessidades do futuro

nesta área”.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 85


I TECH

PEDRO COELHO

O FASCÍNIO DE

CONTROLAR A MÁQUINA

Da programação em Basic no Spectrum à IA que já integra no dia a dia,

a relação do diretor-geral da HP Portugal com a tecnologia combina

fascínio e pragmatismo, num equilíbrio entre o entusiasmo pela

inovação e a consciência dos seus desafios.

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

Há tecnologias que

marcam uma época.

Para Pedro Coelho

não há dúvidas:

a inteligência

artificial (IA) é um desses marcos.

“Desde cedo tornou-se claro que

a IA teria um poder transformador”,

diz, fazendo um paralelo com

a eletricidade: ambas são tecnologias

transversais, capazes de atravessar

setores, mercados e a própria

sociedade, abrindo espaço a novas

formas de trabalhar e de criar.

É por isso, com naturalidade,

que a IA já faz parte da rotina

do diretor-geral da HP Portugal,

seja na preparação de reuniões,

na análise de dados ou na criação de

conteúdos. “Introduzo-a no dia a dia,

porque vejo-a como um verdadeiro

acelerador de produtividade

pessoal.” Ferramentas como

o Copilot, o ChatGPT ou o Gemini

integram assim o seu quotidiano,

a par do HP AI Companion,

que permite correr modelos de IA

diretamente nos PC HP, garantindo

eficiência, privacidade e menor

dependência da cloud.

Mas a velocidade do progresso

exige também responsabilidade.

“Preocupa-me até que ponto

estamos preparados para regular

de forma eficiente e segura os

avanços da IA. É preciso encontrar

o equilíbrio entre entidades

privadas, movidas por interesses

comerciais, e entidades públicas,

focadas na defesa dos cidadãos.”

Para Pedro Coelho, o debate deve

ser transparente e inclusivo: “A pior

reação será escondermo-nos

ou evitarmos esta discussão.”

Essa visão estende-se a um mundo

que se assume cada vez mais digital.

“É inevitável evoluir para um mundo

com ainda mais acesso ao digital e

muito mais penetração da tecnologia,

mas onde o importante é, de forma

equilibrada e controlada, colocá-la

em nosso benefício”, explica.

Já a atração de Pedro Coelho pela

inovação tecnológica vem de longe,

ainda dos anos 80. Aos 14 anos, o seu

Spectrum 2048 abriu-lhe portas

à programação em Basic e à perceção

de que era possível “dominar uma

máquina aparentemente mais

inteligente do que nós”. Foi o ponto

de partida para os estudos em

Engenharia Informática, a que

se seguiu a Gestão e o Marketing

– hoje, três pilares da sua carreira.

A curiosidade e vontade de aprender

mais leva-o a ser um assíduo ouvinte

de podcasts no Spotify. Do “Expresso

da Manhã” ao “CEO é o Limite”,

passando pelo “Isto não é assim tão

simples”, a lista inclui ainda outros

conteúdos sobre inovação, liderança

e inteligência emocional.

Mas para equilibrar o digital

com a vida pessoal, Pedro Coelho

tem regras: “Em determinados

momentos, tenho de me impor

a disciplina de colocar a tecnologia

de lado e dar tempo a uma realidade

mais analógica.” Uma postura

que, admite, não lhe surge de

APPS FAVORITAS

Spotify

Assíduo ouvinte

de podcasts, trata-se

de uma ferramenta

indispensável no seu

quotidiano

Blinklist

Não substitui a leitura

de livros, mas os seus

resumos de 15 minutos

ajudam a selecionar

obras

Waze

A aplicação é uma

importante ajuda

para se orientar

e gerir a circulação

no trânsito

Ouça este artigo

Tempo de escuta: 04ʹ22ʺ

86 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


“Introduzo a

IA no dia a dia,

porque vejo-a como

um verdadeiro

acelerador de

produtividade

pessoal”

O portátil – um HP Elitebook X – é o

equipamento de eleição de Pedro Coelho,

sobretudo para “criar conteúdo”

forma natural, mas que considera

essencial. O gestor não se considera

também propriamente um early

adopter. “Se me derem um telemóvel

novo para as mãos, posso não ter

tempo para perceber todas as suas

funcionalidades. Prefiro esperar

e deixar que a tecnologia amadureça.”

No seu dia a dia, o telemóvel

é essencial, sobretudo para recolher

informação, mas o portátil – um HP

Elitebook X – é o seu equipamento

de eleição: “Mais do que consumir

conteúdo, frequentemente tenho

necessidade de criar conteúdo.

É no portátil que encontro essa

capacidade”.

Já na sua lista de aplicações

preferidas surgem o Waze, o Spotify

e o Blinkist – ferramenta que resume

livros em 15 minutos. “Uso-a não

para substituir a leitura de um livro,

mas para rapidamente aferir se vale

a pena aprofundar aquela obra.”

Se no presente privilegia

ferramentas que lhe poupam tempo,

o diretor-geral da HP aguarda

pelo passo além na tecnologia.

“Ambiciono o dia em que possamos

ter uma interface mais natural

com o computador.” Um caminho

de “computação contextual”,

em que os equipamentos, perante

determinados contextos, “percebam

as tarefas que estamos a realizar

e adicionem valor, simplificando-as”.

Para Pedro Coelho, a tecnologia

é sobretudo um caminho aberto

para o futuro: “é algo sempre

em movimento, com grande

dinamismo, e que nos dá sempre

algo para explorar”.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 87


Barómetro

RH

ESPAÇO RESERVADO A TENDÊNCIAS NA ÁREA DO TALENTO

E DOS RECURSOS HUMANOS

EQUILÍBRIO DE MULHERES E HOMENS

NOS ÓRGÃOS DE GESTÃO DAS EMPRESAS

Há uma evolução positiva na representação

das mulheres nos órgãos de gestão, embora

persistam desafios significativos, sobretudo

nos cargos executivos. Ou seja, as empresas

sujeitas à lei cumprem numericamente

o limiar mínimo constante da mesma (1/3

do sexo sub-representado), mas as mulheres

ocupam sobretudo funções não executivas,

nomeadamente de fiscalização e supervisão,

o que revela que ainda estão longe dos cargos

de poder e decisão.

As conclusões são do Barómetro do Equilíbrio

de Mulheres e Homens nos Órgãos de Gestão

das Empresas em Portugal – WoBómetro,

do Observatório Género, Trabalho e Poder.

Este projeto resultou de uma iniciativa

da ISEG Research – Instituto Superior

de Economia e Gestão, da Universidade

de Lisboa, e visa promover a investigação

e divulgação de informação, cientificamente

validada, sobre desigualdades de género

nas esferas laboral e económica.

O estudo mostra que nas empresas cotadas

em bolsa, as mulheres ocupam 34% dos

lugares nos órgãos de administração, com

uma presença mais expressiva em cargos não

executivos (46%) do que nos executivos (15%).

No PSI, os números são semelhantes, mas

destaca-se a ausência total de mulheres em

cargos de CEO, evidenciando uma barreira

persistente ao acesso à liderança de topo.

O SEE apresenta melhores indicadores, com 42%

de mulheres nos órgãos de administração e uma

distribuição equilibrada entre cargos executivos

e não executivos. Já no SEL, a presença feminina

ronda os 35%, com uma ligeira predominância

nos cargos executivos (39%).

O relatório atualiza ainda o Índice Women

on Boards (WoB), que avalia o equilíbrio

de género nos conselhos de administração.

Este índice, inspirado nas recomendações

do Conselho da Europa, considera como

ideal uma representação equilibrada de 50%

de cada sexo. O Observatório é coordenado

por uma equipa de investigadores/as da ISEG

Research / Policy Lab: Sara Falcão Casaca,

Maria João Guedes, Ricardo Rodrigues

e Susana Ramalho Marques.

O estudo foi publicado oito anos após a publicação da lei que estabelece

o regime de representação equilibrada entre mulheres e homens nos órgãos

de administração e de fiscalização

RECOMENDAÇÕES

PARA ACELERAR

A REPRESENTAÇÃO

EQUILIBRADA

NO TOPO

Consulte aqui o estudo

Reforçar a fiscalização do cumprimento da Lei

Assegurando não só a monitorização dos valores dos limiares numéricos mínimos,

mas também a implementação e acompanhamento dos Planos para a Igualdade.

Aumentar a transparência

Promovendo a divulgação pública dos planos e dos resultados da sua monitorização.

Adotar indicadores claros e metas mensuráveis

Que permitam avaliar objetivamente o progresso em direção à representação

equilibrada.

Integrar os planos de igualdade na estratégia global

das organizações

Garantindo o envolvimento ativo da liderança e a responsabilização pelos resultados.

88 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


PRINCIPAIS RESULTADOS WOBÓMETRO 2025

Empresas Cotadas

em Bolsa

Empresas

do PSI

Setor Empresarial

do Estado (SEE)

Setor Empresarial

Local (SEL)

Mulheres representam

34% dos membros

dos órgãos de administração

(em relação a 2018)

15%

dos membros em cargos

executivos

46%

dos membros em cargos

não executivos

10

A presença feminina

no cargo de presidente

de órgãos de fiscalização

aumentou, de 2 para 10

Mulheres representam

34% dos membros

dos órgãos de administração

(em relação a 2018)

14%

dos membros em cargos

executivos

44%

dos membros em cargos

não executivos

0

Nenhuma mulher exerce

o cargo de CEO

34% 34% 42% 35%

Mulheres representam

42% dos membros

dos órgãos de administração

(em relação a 2019)

43%

dos membros em cargos

executivos

45%

dos membros em cargos não

executivos

28

A presença feminina

no cargo de presidente

de órgãos de administração

aumentou, de 18 para 28

Mulheres representam

35% dos membros

dos órgãos de administração

(em relação a 2019)

39%

dos membros em cargos

executivos

45%

dos membros em cargos não

executivos

BARÓMETRO RH

PORTUGAL NO CONTEXTO

EUROPEU

Portugal situa-se precisamente na média

da UE27 (34,7%). Sendo que a Europa

apresenta uma dinâmica a duas velocidades,

refletindo o avanço e o equilíbrio numérico

sobretudo nos países que adotaram medidas

legislativas, enquanto se observa um

progresso muito lento e uma sub-

-representação persistente nos países que

não implementaram iniciativas legislativas.

No contexto europeu, os países que

adotaram mais precocemente quadros

regulatórios específicos para a promoção

da igualdade de género são também aqueles

que apresentam os níveis mais elevados

de equilíbrio nos órgãos de administração.

França, que introduziu legislação

em 2011, lidera atualmente

o ranking, com 47%

de mulheres

nesses órgãos.

No entanto, também

pela via de abordagens

autorregulatórias, houve

países que alcançaram resultados

notáveis,como a Islândia e o Reino Unido

(embora ambos fora da UE27).

Os Planos para a Igualdade são um instrumento

legal e estratégico para promover a igualdade

de género nas empresas e são um requisito

também da Lei.

Nem todas as entidades cumprem

a obrigação legal de elaborar e divulgar

os Planos para a Igualdade.

A transparência e acessibilidade da

informação sobre os planos ainda é limitada,

dificultando o acompanhamento público.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 89


Radar

Legal

NIS 2

DOS RISCOS À VANTAGEM

COMPETITIVA

A nova diretiva europeia coloca os órgãos

de direção no centro da gestão da

cibersegurança. Com responsabilidades

diretas e sanções, mas também

oportunidades estratégicas.

POR: DANIEL REIS | SÓCIO /PARTNER, DLA PIPER

Nos últimos anos

tem havido uma

consciencialização

crescente dos

enormes impactos

negativos que um ciberataque pode

ter para as empresas afetadas,

nomeadamente operacionais,

financeiros, reputacionais e legais.

A Diretiva (UE) 2022/2555,

de 14 de dezembro de 2022 (NIS 2)

vem reforçar e harmonizar

o nível de cibersegurança

na União Europeia.

A NIS 2 pretende que a gestão

de cibersegurança passe a

ser uma preocupação central

dos órgãos de direção das

empresas e, para tal, reforça

significativamente o regime

aplicável à responsabilização em

caso de ciberataques. Esta Diretiva

devia ter sido transposta até

17 de outubro de 2024, mas em

Portugal este processo ainda está

em curso, sendo que a 3 de julho

último foi apresentada a Proposta

de Lei 7/XVII/1.

NOVO PARADIGMA

DE RESPONSABILIZAÇÃO

A NIS 2 muda o paradigma

da responsabilização dos

membros do órgão de direção,

criando obrigações específicas

de participação na gestão de

cibersegurança e estabelecendo

que os membros de tais órgãos

podem ser responsabilizados

de modo pessoal. A este respeito,

é essencial ter em atenção

que as regras da NIS 2

(e da Proposta de Lei) densificam

os deveres gerais de diligência

e de cuidado, consagrados no

Código das Sociedades Comerciais,

A NIS 2 muda o

paradigma da

responsabilização

dos membros do

órgão de direção,

criando obrigações

específicas de

participação

na gestão de

cibersegurança e

estabelecendo que

os membros de tais

órgãos podem ser

responsabilizados

de modo pessoal

facilitando significativamente

a responsabilização por

incumprimento de tais deveres

gerais.

Os membros do órgão de direção

devem aprovar as medidas de

gestão dos riscos de cibersegurança

a adotar, supervisionar

a sua aplicação e assegurar

o cumprimento das medidas

de supervisão e de execução que

sejam aplicadas pelas autoridades

competentes. Estas são obrigações

muito exigentes, implicando um

conhecimento detalhado dos riscos

aplicáveis e das medidas técnicas,

operacionais e organizativas

de segurança adotadas pela

empresa.

Os membros do órgão de direção

também devem frequentar ações

de formação periódicas, de modo

a adquirirem conhecimentos

suficientes para avaliarem

as práticas de gestão dos riscos

de cibersegurança e o seu impacto

na atividade da empresa.

É também boa prática as empresas

disponibilizarem formação similar

aos seus trabalhadores.

RISCOS E OPORTUNIDADES

Para garantir que a

cibersegurança passa a ser uma

90 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


A diretiva europeia

consagra sanções

severas, sendo que,

para as entidades

essenciais, as coimas

podem chegar aos

10 milhões de euros

ou a 2% do volume

de negócios anual

a nível mundial,

consoante o que for

mais elevado

preocupação central dos órgãos

de direção das empresas, a NIS 2

consagra sanções severas. Para

as entidades essenciais, as coimas

podem chegar aos 10 milhões

de euros ou a 2% do volume de

negócios anual a nível mundial,

consoante o que for mais elevado.

A NIS 2 e a Proposta de Lei

também alargam de modo

muito significativo os poderes

das autoridades competentes.

Incluindo os poderes de supervisão,

como inspeções, auditorias

e verificações de segurança,

e os de execução, nomeadamente

vários tipos de ordens e de

instruções vinculativas, bem como

a aplicação de coimas.

O incumprimento das obrigações

aplicáveis também pode ter

consequências graves para os

membros do órgão de direção,

sendo de destacar que os mesmos

podem ser sancionados com a

interdição temporária do exercício

das suas funções.

Importa reiterar que, em caso

de incumprimento das regras

em questão, os membros do

órgão de direção podem ser

responsabilizados – por violação

dos deveres gerais consagrados

no Código das Sociedades

Comerciais – tanto pela própria

empresa, como também por sócios

e credores sociais da mesma,

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 91


RADAR LEGAL

e ainda por terceiros afetados

pelo ciberataque.

Sem prejuízo dos vários

riscos identificados em cima,

a NIS 2 também apresenta

oportunidades para as empresas

que interpretem o cumprimento

das regras aplicáveis não apenas

como uma obrigação, mas

também como uma oportunidade

para reforçar a confiança

dos seus clientes, parceiros,

investidores e das autoridades

competentes.

Efetivamente, o cumprimento

dos requisitos legais pode ser

uma forma de demonstrar

um compromisso sério com

a proteção da segurança dos

clientes e das demais pessoas

potencialmente afetadas.

E, dessa forma, ser uma

vantagem competitiva.

Adicionalmente, a grande

exigência que o cumprimento

destas regras irá significar,

ao nível operacional, permitir

por exemplo otimizar o

funcionamento das organizações.

E, dessa forma, potenciar

a eficácia da gestão dos riscos

e diminuir a probabilidade

de ocorrência de ciberataques

(e o seu impacto).

O cumprimento

dos requisitos legais

pode ser uma forma

de demonstrar um

compromisso sério

com a proteção

da segurança

dos clientes e das

demais pessoas

potencialmente

afetadas. E, dessa

forma, ser

uma vantagem

competitiva

RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS

Para adotar as medidas de

segurança legalmente obrigatórias,

as empresas abrangidas pela NIS 2

devem começar por realizar uma

análise sistémica sobre os riscos

relevantes no contexto da sua

atividade, incluindo na sua cadeia

de abastecimento. Concluída

esta análise, devem decidir

(e documentar devidamente)

as medidas técnicas, operacionais

e organizativas de segurança

a adotar. Bem como identificar

e priorizar os outros ajustes

ao seu sistema interno de gestão

de cibersegurança que devam

ser efetuados para agilizar

o cumprimento destas regras legais.

Importa notar que é essencial

elaborar os planos de formação

que serão implementados

para reforçar os conhecimentos

e competências – tanto dos

membros do órgão de direção

como dos trabalhadores – sobre

os riscos de cibersegurança

e sobre as medidas de segurança

aplicadas. Adicionalmente,

é indispensável testar a

aplicação prática das políticas

e procedimentos relevantes,

nomeadamente realizando

simulações periódicas

de ciberataques.

Por último, com particular

relevância quanto à

responsabilização das empresas

e dos membros do órgão

de direção, recomendamos

a reavaliação dos seguros que

sejam relevantes neste âmbito.

Permitirá clarificar o escopo

das coberturas (e das exclusões)

aplicáveis e confirmar eventuais

modificações que sejam

convenientes.

92 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


CONGRESSO

DO COMITÉ

PORTUGUÊS DA URSI

NOVAS FRONTEIRAS DA

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

PARA A SAÚDE

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ANACOM

INSCREVA-SE JÁ!

21 de novembro 2025

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 93


VISÃO DOS ASSOCIADOS

B.I.

Ano de adesão à APDC

1985

UM PASSO LÓGICO

Associada da APDC há 40 anos,

a Ericsson quer criar um futuro digital

e sustentável. E olha para o associativismo

como uma plataforma essencial para

inovação, conetividade e colaboração

no ecossistema TIC.

Área de atuação e especialização

É uma empresa global, especializada

em tecnologias e serviços

de telecomunicações, com foco

na infraestrutura de redes móveis,

nomeadamente 5G, 4G e IoT. Atua no

desenvolvimento de soluções digitais,

serviços geridos e software de redes

que permitem a operadores e empresas

disponibilizar comunicações fiáveis,

rápidas e seguras. Está focada em tornar

as redes mais flexíveis e inteligentes.

Há mais de 70 anos

que a Ericsson é líder

tecnológico no mercado

nacional, impulsionando a

inovação e liderando o caminho da

digitalização do país. Da introdução

do 2G, no início da década de 1990,

até à liderança no 3G, 4G e,

agora, na preparação para

o 5G, as suas soluções pioneiras

“moldaram o panorama da

conetividade no país”. O segredo?

Uma estreita colaboração com

clientes, parceiros e instituições,

tirando partido do talento das

equipas locais. Quer contribuir

para um futuro sustentável e digital

em Portugal: é que com a sua

tecnologia de ponta e conetividade,

vai continuar a ligar pessoas,

empresas e oportunidades.

Estando os valores da APDC,

de desenvolvimento das

comunicações, alinhados com

o propósito da empresa de “criar

ligações que tornam o inimaginável

possível”, há muito que existe uma

sólida cooperação. Como avança

a Ericsson, nos seus mais de

40 anos de existência, a Associação

manteve-se “relevante e fiel

aos seus objetivos de promover

e contribuir para a divulgação das

realidades e perspetivas das TIC,

bem como de contribuir para o

estudo, debate e divulgação de tudo

o que acontece no setor”.

“Esta é uma visão partilhada

pela Ericsson. Está claramente

alinhada com a nossa visão de criar

um mundo onde a conetividade

ilimitada melhora vidas, redefine

negócios e abre caminho para

um futuro sustentável”, diz Juan

Olivera, CEO da Ericsson Portugal.

Considerando as redes móveis

uma infraestrutura nacional

essencial, e apostando na camada

94 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


GRANDE PERGUNTA

Há um boom em torno

da IA, que está no centro

de todas as decisões e

apostas. Como olham para

o posicionamento da UE

e como antecipam o futuro?

A Ericsson vê de forma positiva o

posicionamento da UE na inteligência

artificial, particularmente o seu

compromisso com uma abordagem

ética, segura e centrada no ser humano.

Acreditamos que este equilíbrio entre

inovação e responsabilidade é essencial

para garantir a confiança dos cidadãos

e a sustentabilidade tecnológica. Embora

a Europa esteja atrás no desenvolvimento

de modelos, tem o potencial de liderar

na implementação e aplicação da IA.

Com a adoção generalizada, prevemos

um futuro caracterizado por redes de

comunicação mais inteligentes, eficientes

e autónomas, capazes de responder

de forma dinâmica às necessidades

de consumidores e empresas. A IA será

um elemento-chave na transformação

digital das telecomunicações e a Ericsson

está firmemente comprometida em

liderar essa evolução na Europa

e no Mundo.

de conetividade – especialmente

a conetividade móvel – como uma

componente fundamental, uma vez

que permite que tecnologias como

a cloud e a inteligência Artificial (IA)

possam escalar de forma eficaz, a

Ericsson garante a sua capacidade

de “fornecer produtos e soluções

resilientes e seguras”. O foco está

em tornar as redes cada vez mais

inteligentes e flexíveis, pelo que

aposta em sistemas que podem

ser adaptados a novas aplicações.

Ao expandir estas soluções

para ambientes empresariais e

setores críticos (onde a fiabilidade

e o desempenho são essenciais),

garante o seu reconhecimento

como líder na indústria. Acresce

a sua aposta na inovação em

cloud, IA e automação de redes,

acelerando a transformação digital

em vários setores da economia.

No ano passado, a Ericsson

foi reconhecida como líder de

mercado em 5G pela Frost Radar,

pelo 4.º ano consecutivo, e pela

Gartner no Magic Quadrant para

soluções 5G Core, tendo também

sido destacada pela Omdia.

Com a sustentabilidade no centro

da estratégia, tem ainda metas

ambiciosas para atingir emissões

líquidas nulas em toda a sua cadeia

de valor até 2040. E aposta, numa

conjuntura incerta, em otimizar

custos operacionais, manter

uma cadeia de abastecimento

robusta e diversificada e acelerar

a transformação digital dos seus

clientes.

www.ericsson.com

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 95


VISÃO DOS ASSOCIADOS

REFORÇAR

DIÁLOGO E

COLABORAÇÃO

Ao juntar-se à APDC, a Skyone reforça

o compromisso com o ecossistema TIC.

Diz que o associativismo é chave para acelerar

a transformação digital, fomentar inovação

e criar sinergias que fortalecem empresas

e mercados.

B.I.

Ano de adesão à APDC

2025

Área de atuação e especialização

Esta empresa brasileira de cloud,

atualmente em pleno processo

de expansão internacional, oferece

uma plataforma completa

de soluções para todo o ciclo

de vida da transformação digital.

Atua em cinco categorias:

computação cloud;

IA; cibersegurança; e marketplace

e serviços. Em cada uma disponibiliza

um vasto leque de ofertas,

que respondem a todas as necessidades

dos clientes.

ASkyone está focada em ser

um parceiro estratégico

completo. No ano passado,

consolidou a sua operação com

várias aquisições e está agora a

expandir atividades através de uma

estratégia de franquias e de novos

parceiros. Portugal está entre

os países onde está presente e até

2026 tem a ambição de realizar

cinco novas compras no mercado.

Já até 2029 quer aumentar

o número de franquias, das atuais

10 para 60.

No contexto do seu crescimento,

olha para a APDC como uma

plataforma para diálogo e

colaboração entre empresas TIC.

“Com uma base de mais de 25 mil

clientes e operações em mais de

35 países, apoiada por uma rede

de mais de 400 parceiros,

acreditamos que o associativismo

fortalece o ecossistema,

permite a troca de experiências

e cria sinergias para acelerar a

transformação digital das pequenas

e médias empresas”, refere a

empresa. Que não tem dúvidas

de que “manter proximidade com

líderes do setor, compartilhando

uma visão ética e colaborativa,

é essencial para continuar a inovar”.

96 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


Uma inovação que passa, este

ano, por um investimento de 30

milhões de reais em P&D, centrado

no aperfeiçoamento das soluções de

dados e de inteligência artificial (IA).

Esta é uma estratégia que combina

uma plataforma integrada,

unificando mais de 15 produtos

numa experiência única que

inclui gestão de tickets, contratos

e faturação, com autenticação

multifator. Passa ainda por uma

expansão via parceiros e M&A,

com crescimento em mercados

estratégicos, aproveitando sinergias

com empresas adquiridas

e apoiando novos parceiros.

A Skyone aposta ainda numa

inovação com governança,

democratizando o acesso à IA e aos

dados, garantindo conformidade

com regulamentações como RGPD.

E pelo foco no cliente, através

de uma oferta de modelos de

contratação flexíveis, suporte 24x7

e orientação para redução de custos,

escalabilidade e segurança.

skyone.solutions

GRANDE PERGUNTA

Há um boom em torno

da IA, que está

no centro de todas

as decisões e apostas.

Como olham para

o posicionamento

da UE e como antecipam

o futuro?

A Skyone entende que a UE tem adotado

uma postura equilibrada, estimulando

a inovação, com preocupações éticas

e de privacidade. O Regulamento

de IA, em discussão, procura garantir

transparência, explicabilidade

e proteção de dados. Vemos esse

movimento como positivo: As normas

claras aumentam a confiança das

empresas e dos consumidores na

adoção de soluções de IA. Ao mesmo

tempo, acreditamos que a massificação

da IA será inevitável e transformadora.

E, por isso, investimos em produtos

como o Skyone Studio o futuro

Marketplace de IA, que permitem

centralizar dados de múltiplos sistemas

e criar agentes inteligentes para vendas,

RH, marketing e finanças. A nossa visão

é que, com uma base de dados bem

governada e uma infraestrutura segura,

a IA se tornará uma ferramenta acessível

para todas as empresas, impulsionando

produtividade, redução de custos

e novos modelos de negócio.

A UE, ao definir padrões de ética

e segurança, ajudará a tornar esse

futuro mais sustentável.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 97


PORTUGAL A ABRIR DIGITAL

INOVAÇÃO:

DA INVESTIGAÇÃO

À APLICAÇÃO

Nascido há 45 anos no seio académico, mas com vocação para servir

a sociedade e a economia, o INESC cresceu e evoluiu, integrando hoje

cinco institutos que, de forma complementar e em rede, promovem

investigação científica, desenvolvimento e inovação. Depois de na edição

anterior da Comunicações ter sido apresentado o trabalho desenvolvido

pelo INESC TEC, chega a vez de dar a conhecer o INESC-ID e o INOV,

ambos sedeados em Lisboa, mas com missões distintas. Se o primeiro

se centra na investigação e produção científica, o segundo está orientado

para a investigação aplicada e para a transferência de tecnologia

para as empresas. Ambos ajudam a traçar o futuro

da inovação em Portugal.

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

98 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 99


PORTUGAL DIGITAL

INESC-ID

INVESTIGAÇÃO ACADÉMICA

QUE DESENHA O FUTURO

DIGITAL

Investigação científica

de topo. É essa ambição que

guia um dos institutos mais

relevantes do ecossistema

científico português, instalado

junto ao Instituto Superior

Técnico, em Lisboa. Reconhecido

como Laboratório Associado do

Ministério da Ciência, Tecnologia

e Ensino Superior desde 2004

e avaliado pela Fundação para

a Ciência e Tecnologia (FCT)

com a classificação máxima

de “Excelente” em todas

as categorias até 2030, o INESC-ID

– Instituto de Engenharia de

Sistemas e Computadores:

Investigação e Desenvolvimento

transporta no seu ADN a ligação

entre investigação académica de

excelência e impacto na sociedade.

“Somos um centro de investigação

essencialmente académica, sendo

o nosso ‘objetivo nº 1’ a investigação

científica de topo e partilhar

excelentes resultados nas melhores

conferências e revistas científicas”,

afirma Miguel Correia, investigador

sénior e presidente da Comissão

Executiva do INESC-ID. Mas a

prioridade na ciência não significa

isolamento: “O nosso ADN é

procurar fazer ciência de topo, mas

também com ligação à sociedade.

Trabalhamos muito em conjunto

com as empresas, de diversas

formas”, complementa o responsável.

IDENTIDADE

O instituto nasceu em 1999 no

âmbito da reorganização

do INESC – Instituto de Engenharia

100 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


NÚMEROS

10

Áreas científicas

170

Investigadores

doutorados

600

Estudantes

de doutoramento

e mestrado

60

Colaboradores

de apoio/externos

9

Empresas criadas

de Sistemas e Computadores,

dando seguimento a muito

do trabalho que já lá era feito.

“Somos herdeiros muito diretos

da história do INESC, sem

desprimor para os outros quatro

institutos”, defende Miguel

Correia. Co-detido pelo Instituto

Superior Técnico da Universidade

de Lisboa (50,49%) e pelo Grupo

INESC (49,51%), o INESC-ID

dedica-se à investigação,

desenvolvimento e inovação

em Ciência da Computação e à

Engenharia Eletrotécnica e de

Computadores.

Hoje, reúne mais de 800 pessoas:

170 investigadores doutorados,

600 estudantes de mestrado

e doutoramento, 20 colaboradores

de apoio e 40 colaboradores

externos. “Temos um grande leque

de investigadores, a maioria

são professores do Instituto

Superior Técnico, como é o meu

caso, outros são professores

de outras escolas como o ISCTE

ou a FEUP, e temos ainda alguns

investigadores doutorados

contratados. Depois, temos

um número muito grande

de alunos de doutoramento

e de mestrado, que são muito

importantes, porque fazem muito

do trabalho duro da investigação,

da experimentação, sob a nossa

orientação”, explica o responsável.

PROJETOS QUE MOLDAM

O FUTURO

A atividade do instituto

organiza-se em quatro linhas

temáticas – Transformação Digital

e Sociedade, Tecnologia da Vida

e da Saúde, Transição Energética,

e Segurança e Privacidade –,

que depois se desdobram em

10 áreas científicas. Concretamente:

inteligência artificial para as

pessoas e a sociedade; raciocínio

automatizado e software confiável;

sistemas distribuídos e seguros;

energia verde e conversores

inteligentes; interação e gráficos;

tecnologias de linguagem humana;

arquiteturas e sistemas de

computação de alto desempenho;

sistemas sustentáveis de potência;

sistemas de informação e de apoio

à decisão; e sistemas e circuitos

nanoeletrónicos.

Nos últimos anos, o INESC–ID

‘assinou’ projetos que ajudaram

a moldar o Portugal Digital.

“Abrangemos um leque de temas

muito amplo e, em todas as nossas

quatro linhas temáticas, temos

projetos muito significativos”,

refere Miguel Correia.

“Por exemplo, na temática

de Transformação Digital e

Sociedade, na Administração

Pública temos agora um grande

número de projetos no âmbito

da inteligência artificial (IA),

que esperamos tenham muito

impacto, e também temos

colaborações no âmbito

da modernização dos tribunais”.

O responsável destaca ainda

a participação nos projetos

europeus que estiveram na

base do Cartão do Cidadão, pelo

impacto societal que daí resultou.

No campo da IA, o Amália,

vulgarmente conhecido por

“ChatGPT português”, é um

dos exemplos de iniciativas

que contam com o contributo

do INESC-ID, nomeadamente

na componente do processamento

de voz. “Esse envolvimento surge

no âmbito de um tema muito forte

e antigo de investigação que temos

na área de processamento

de língua natural e da sua ligação

à voz: da interpretação e da síntese

de voz”, explica o responsável.

Já na área das Tecnologias

da Vida e da Saúde, o Biodata

é classificado por Miguel Correia

como uma “flagship” do instituto

que lidera. O projeto, que agora

tem continuidade como entidade

autónoma, apoia o sistema científico

nacional enquanto infraestrutura

de gestão e análise de dados

biológicos, atuando em áreas como

a saúde, o mar, o agroalimentar,

a floresta e a biodiversidade.

Na transição energética,

são também vários os projetos

de grande dimensão em que

o INESC-ID está envolvido. “Temos

uma grande linha nessa área, por

exemplo, associada à mobilidade

elétrica, à distribuição de energia,

etc. É uma área de muito impacto

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 101


PORTUGAL DIGITAL

e de muita colaboração com

as empresas”, explica Miguel

Correia. Neste contexto, incluem-

-se colaborações com empresas

como a EDP e a REN na área

da mobilidade elétrica. “Estão

em causa soluções informáticas

e eletrónicas para tornar

processos mais eficientes, seja

na distribuição de energia para

carros elétricos, seja na gestão

da energia com origem em recursos

renováveis descentralizados, como,

por exemplo, turbinas de vento

e painéis solares”.

É neste contexto que se insere

a participação do INESC-ID,

enquanto coordenador do projeto

europeu EV4EU – Electric Vehicles

Management for Carbon Neutrality

in Europe. Este é um consórcio

com 16 parceiros – 12 deles

provenientes de outros países

europeus – que tem como objetivo

desenvolver soluções inovadoras

para a gestão de veículos elétricos,

acelerando a sua adoção

e garantindo uma integração

tecnicamente viável, sustentável

e segura nas redes elétricas

e nas cidades.

A área da Segurança e

Privacidade é também muito

importante no trabalho

desenvolvido. “Na cibersegurança

está em causa a proteção

e a compliance com os

regulamentos, porque ao

digitalizarmos a nossa sociedade

abrimos um grande vetor de ataque

e de risco. Por outro lado, com a

digitalização, também a privacidade

das pessoas se tornou um tema

muito importante, com as redes

sociais, etc”. Neste âmbito, Miguel

Correia salienta, nomeadamente,

colaborações “muito pontuais,

mas importantes” com o Gabinete

Nacional de Segurança e o Centro

Nacional de Cibersegurança.

No INESC-ID, a transferência

de tecnologia e conhecimento

também ‘ganha corpo’ através

de spin-offs, criadas de forma

deliberada com o objetivo

de comercializar propriedade

intelectual académica.

Da instituição já emergiram

nove spin-offs, em áreas tão

diversas como a microeletrónica

(SiliconGate), o reconhecimento

de voz (Voiceinteraction) ou os testes

genéticos (Heartgenetics), levando

os resultados da investigação

diretamente para o mercado.

PROJETAR O FUTURO

Para uma instituição que

se pretende assumir enquanto

instituto internacional

de referência, são elementos-

-chave da sua estratégia duas

vertentes: pessoas e projetos.

“Muitos dos nossos investigadores

fizeram doutoramentos ou pós-

-doutoramentos no estrangeiro

– em diversos sítios da Europa

e dos Estados Unidos –, e temos

também alguns investigadores

estrangeiros connosco”.

Contudo, o maior fator

de internacionalização reside

nos projetos. Neste quadro

sobressaem iniciativas europeias

– com empresas, universidades

e centros de investigação – mas

também parcerias com algumas

universidades americanas como

o MIT, a Carnegie Mellon e a UT

Austin. “Os projetos europeus são

um fator muito importante no nosso

financiamento e, pela sua natureza,

forçam-nos a internacionalizar e a

colaborar em termos científicos com

equipas internacionais”, enquadra

Miguel Correia.

Olhando para o futuro, consolidar

o que já foi conquistado representa

o caminho a seguir pelo INESC-ID:

“A nossa missão é fazermos ainda

melhor aquilo que já fazemos:

sermos melhores cientificamente,

fazermos mais transição de

tecnologia, termos mais impacto

na sociedade e formar mais talento”.

102 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


O jogo da época.

Uma fila sem fim.

Pagamentos sem falhas.

Há momentos que vale a pena pagar.

Conectividade que faz a diferença.

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SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 103


PORTUGAL DIGITAL

INOV

TRANSFORMAR

CONHECIMENTO EM

SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS

Aproximar a

investigação do

mercado, cruzando

Ciência, Engenharia

e Indústria em

projetos que cheguem ao terreno

e tenham impacto real. É para

isso que o INOV – Instituto

de Engenharia de Sistemas e

Computadores Inovação trabalha

enquanto entidade autónoma

dentro do universo INESC.

“Estamos, sobretudo, na área

de investigação aplicada. Perante

tecnologias cientificamente

validadas, procuramos perceber

como estas podem ser aproveitadas

para dar impulso à criação

de novas soluções para o

mercado”, enquadra António Leal,

administrador do INOV.

A prevenção de incêndios,

a monitorização de frotas de pesca

ou a visão artificial aplicada ao

controlo de qualidade na produção

são apenas alguns exemplos

de aplicações práticas do trabalho

desenvolvido nos seus laboratórios.

Criado em 2001, também no

seguimento da reestruturação

do INESC – Instituto de Engenharia

de Sistemas e Computadores,

o INOV pretende apoiar a inovação

das empresas e organizações,

com foco na digitalização, na

resiliência e na competitividade.

Este trabalho abrange cinco áreas

de atuação estratégicas: Interface

e Criação; Cibersegurança;

Eletrónica, Monitorização,

Navegação e Controlo; Digitalização

e Transformação Inteligente;

e Monitorização Remota e Apoio

à Decisão.

A forte competência em

Engenharia do instituto ‘ganha

corpo’ em diversos setores, entre

os quais se destaca a Indústria,

a Saúde, a Biodiversidade, o Mar,

a Floresta, a Segurança, a Defesa

e Espaço. Inovação que resulta

do trabalho desenvolvido por

uma equipa que envolve cerca

de 90 profissionais contratados,

a sua maioria da área de

Engenharia, bem como mais

de 50 investigadores universitários.

Estes profissionais desenvolvem

o seu trabalho em Lisboa, onde

o INOV está sedeado, mas também

nos dois polos – em Leiria e Aveiro

– para onde, entretanto, estendeu

a sua atividade.

COMPETÊNCIAS QUE FAZEM

A DIFERENÇA

O instituto posiciona-se

como um centro de tecnologia

e inovação focado em

transformar conhecimento

científico em soluções

aplicadas. A sua

diferenciação, sublinha

António Leal, reside na

Engenharia: “Temos

capacidade de olhar

para a tecnologia e

perceber quais são

os componentes

mais adequados,

que normas

é preciso

cumprir e como

transformar um

protótipo num

produto real”.

104 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


É esta competência que sustenta

a intervenção do instituto em

áreas como a eletrónica digital

e a eletrónica rápida, a sensorização

avançada – com câmaras

hiperespetrais ou sensores

baseados em rádio –, ou a visão

artificial, intervindo assim no

campo da inteligência artificial (IA).

NÚMEROS

3

Polos de I&D

(Lisboa, Leiria e Aveiro)

5

Áreas de especialização

86

Colaboradores

(inclui investigadores

próprios)

53

Investigadores

universitários

A visão artificial é uma área

relativamente recente no INOV,

sobressaindo a aposta em soluções

para a Indústria. Por exemplo,

está a ser desenvolvida a sua

aplicação no controlo de qualidade

na cerâmica, promovendo

sistemas capazes de identificar

defeitos em linhas de produção

e a integração da informação em

processos inteligentes de gestão

e planeamento. “O objetivo é

antecipar problemas, evitando

estragar séries inteiras de

produção e os custos associados”,

enquadra António Leal.

Mas o impacto do trabalho

do INOV é notório em vários

outros projetos que desenvolveu,

ou em que participou, ao longo

da sua história.

Um dos mais reconhecidos

é o CICLOPE, sistema de

monitorização de incêndios

florestais que combina sensores,

visão artificial e comunicações

de grande alcance. “O CICLOPE

começou do zero ainda antes

do INOV, mas o seu grande

impulso foi já aqui. Ainda nos

recentes incêndios, o sistema

esteve operacional, ajudando

a identificar precocemente focos

de incêndio”, adianta António Leal.

Em parceria com a Altice, este

sistema cobre hoje quase metade

do coberto florestal nacional

e tem já aplicações internacionais,

como a exportação de módulos

de deteção automática para a

Grécia, onde estão a ser utilizados

por um operador local.

Outro marco histórico

é o MONICAP, uma tecnologia

pioneira – tipo ‘caixa negra’

– de monitorização em tempo real

para a inspeção das atividades de

pesca. Este sistema esteve

na génese da spin-off Xsealence,

em 2013, e chegou a influenciar

legislação europeia. “Este projeto

foi pioneiro a nível mundial.

Já vem do INESC, mas a equipa

de engenharia passou para

o INOV e ainda cá estão pessoas,

de sistemas de informação

e de eletrónica, que participaram

no projeto”, refere o administrador

do instituto.

Já no setor da saúde, o INOV

também contribuiu, por exemplo,

para o desenvolvimento de

sistemas de tomografia por

emissão de positrões (PET)

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 105


PORTUGAL DIGITAL

– uma tecnologia que permite

detetar tumores muito

pequenos e que deu origem

à startup portuguesa PETsys

Electronics. “Neste consórcio,

fomos responsáveis pela parte

da eletrónica digital e FPGAs”,

contextualiza o Administrador

do INOV.

ESTENDER HORIZONTES

A partir de Lisboa, entretanto,

o INOV estendeu a sua atividade

para Leiria e Aveiro, onde cada

polo tem a sua especificidade.

A presença em Leiria resulta

de um protocolo estabelecido com

o Instituto Politécnico de Leiria,

sendo que desde 2007 começaram

a ser contratados bolseiros. Nesse

polo nasceu também pelo menos

um spin-off. “Desde o início,

o nosso objetivo é fortalecer

a ligação a instituições de ensino

superior, porque nos permite ir

buscar facilmente conhecimento

específico em determinadas áreas

e adequados aos projetos”, justifica

António Leal. Em Leiria, o INOV

tem competências em eletrónica

e em sistemas de informação.

Para além de um pequeno

laboratório, nesse polo

desenvolvem, por exemplo,

competências na área dos

sistemas embebidos, em Linux,

e estão a decorrer alguns projetos

com empresas.

Já em Aveiro, a relação é mais

recente e assente na promoção

de uma forte ligação às empresas

e à Indústria, em particular. Hoje,

o instituto está instalado no PCI

– Creative Science Park, onde está

mais próximo do ecossistema

da inovação e do “borbulhar da

ligação entre empresas

e a universidade”. O principal

foco do trabalho desenvolvido

é a digitalização e a informação

inteligente, nomeadamente,

controlo de qualidade, processos

inteligentes, etc. É nesse âmbito

que se enquadra a parceria com

a Ria Stone, para a criação

do primeiro sistema de manufatura

de cerâmica do grupo Visabeira

com IA incorporada.

INESC INOV-LAB: REFORÇO

DA LIGAÇÃO À CIÊNCIA

Em 2024, o INOV deu um novo

passo ao consolidar a sua vertente

científica, com a criação

do INESC INOV-Lab, unidade

de I&D autónoma afiliada

ao Instituto Superior Técnico.

Esta estrutura foca-se em

investigação de níveis TRL (Níveis

de Maturidade Tecnológica) mais

baixos, organizando-se em três

áreas: sistemas e computação

ciberfísicos, redes de comunicação

inteligentes e sistemas

de informação inteligentes.

Com equipas de investigadores

doutorados e estudantes de

pós-graduação, o INOV-Lab

pretende criar uma massa crítica

que permita aumentar a sua

produção científica e participação

em programas competitivos

de financiamento. Na primeira

avaliação da Fundação para

a Ciência e Tecnologia (FCT)

a esta nova unidade foi atribuída

uma classificação de “muito

bom”. “Penso que apenas não

nos deram ‘excelente’ por não

termos track record formal”,

salienta António Leal, antecipando

que “a principal mais-valia virá

quando integrarmos toda esta

investigação no nosso canal

de inovação”.

OLHAR ALÉM-FRONTEIRAS

A internacionalização é outra

dimensão estratégica do instituto.

É com este propósito que se foca

nos projetos cofinanciados,

no âmbito do Horizon Europe.

“Quase desde a nossa

criação, temos investido no

desenvolvimento do negócio

internacional, na participação

em consórcios e em tornarmo-nos

atrativos junto dos consórcios”.

Segundo o relatório e contas

de 2024, mais de dois terços

dos projetos em curso no INOV

têm natureza internacional.

Ao mesmo tempo, o instituto explora

oportunidades em mercados como

o Canadá, Brasil ou os PALOP,

através também de parcerias

com empresas portuguesas

com presença nesses países.

Olhando para o futuro, segundo

explica António Leal, uma das

principais ambições do INOV

é garantir reconhecimento

institucional e previsibilidade

nos financiamentos. “Para manter

um posicionamento isento

tecnologicamente tenho de ter

esse conforto: isto permite apostar

em coisas novas sem estar à

espera de retorno imediato”.

106 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 107


ESPAÇO

ANACOM

E O SEU PAPEL

NA INTELIGÊNCIA

ARTIFICIAL

O regulador tem vindo a assumir

cada vez mais competências no domínio

do digital. E o papel que desempenha

ao nível da inteligência artificial (IA)

tende também a crescer.

Nesta matéria, a ANACOM não só

foi designada como uma das

autoridades responsáveis para

supervisionar e assegurar o respeito

das obrigações previstas na legislação

da União Europeia que protege

os direitos fundamentais, no que

se refere à utilização de sistemas

de inteligência artificial de risco

elevado referidos no Anexo III do

Regulamento da Inteligência Artificial

– assumindo o papel de articulação

transversal das demais entidades

nacionais designadas – como é

expectável que venha a ser designada

como autoridade de fiscalização do

mercado e ponto de contacto único,

nos termos do artigo 70.º do mesmo

Regulamento, tal como foi anunciado

pelo Governo na Conferência

da ANACOM.

Enquanto autoridade de fiscalização

do mercado, será responsável pela

implementação do Regulamento

da Inteligência Artificial a nível

nacional e pela supervisão

da sua aplicação. Passa a dispor

ainda de poderes de fiscalização

do cumprimento das regras

dele constantes e – admite-se

– de sancionamento das infrações

que sejam detetadas.

Para mais informação

108 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


DESAFIOS DA

INOVAÇÃO DA

REGULAÇÃO DE IA

CONFERÊNCIA ANACOM 2025

A 19 de setembro de 2025, o

Museu do Oriente, em Lisboa,

recebeu reguladores, decisores

políticos, empresas, academia

e sociedade civil para debater

o impacto crescente da IA e os

caminhos para equilibrar inovação,

competitividade e proteção dos

direitos fundamentais.

Um dos momentos mais

relevantes desta Conferência foi

o anúncio pelo Governo de que

a ANACOM será a autoridade

nacional responsável pela regulação

da IA em Portugal, no âmbito da

aplicação do Regulamento de

Inteligência Artificial (RIA). Um

reconhecimento que reforça o papel

desta Autoridade na construção de

um quadro regulatório ético, seguro

e transparente, em alinhamento

com a União Europeia.

Ao longo de um dia de debate

aberto, de partilha de ideias e de

reflexão conjunta sobre os desafios

regulatórios, as oportunidades

de inovação e o impacto da IA

na sociedade e na economia,

destacaram-se como

mensagens centrais:

A importância da

cooperação multilateral

e da interoperabilidade

regulatória, para evitar

fragmentação, como

sublinhado na perspetiva

internacional da OCDE.

A regulação da IA como

um desafio global, que exige

equilíbrio entre inovação

tecnológica, proteção de

direitos fundamentais e

confiança internacional.

Em Portugal, a IA já se afirma

em setores críticos, como

media, saúde e proteção de

dados, exigindo um diálogo

contínuo entre reguladores,

empresas e sociedade civil.

É necessário evitar os riscos

da fragmentação regulatória,

sob pena de comprometer a

eficácia da supervisão.

A IA já está a transformar

o tecido económico e

empresarial, em áreas como

a gestão de infraestruturas,

personalização de serviços,

otimização de processos e

utilização de dados em larga

escala.

A IA, enquanto tecnologia,

foi destacada como motor

de eficiência, proximidade

e inovação, sustentado pela

capacitação e retenção de talento.

As novas empresas

demonstraram que a IA

funcionou como uma alavanca

de internacionalização

e disrupção de modelos

de negócio.

A ANACOM reafirmou o seu

compromisso em garantir que

a inteligência artificial em Portugal

se desenvolve de forma ética, inclusiva

e centrada nas pessoas, promovendo

inovação, segurança e respeito pelos

direitos fundamentais.

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 109


APDC NEWS

GOVTECH SAÚDE

DESAFIOS E OPORTUNIDADES

DE UM SNS MAIS DIGITAL

A app SNS 24 é um exemplo da transformação digital que está a avançar

a passos largos no SNS. O processo, impulsionado pelas verbas do PRR,

é incontornável. É que a Saúde Pública precisa de sustentabilidade e só

lá vai com tecnologia.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | TIAGO FRAZÃO/SYNCVIEW

A

modernização no

Serviço Nacional

de Saúde (SNS) está

em marcha e os

desafios a endereçar

são múltiplos. Da atualização das

infraestruturas ainda obsoletas

até à complexa gestão da mudança

organizacional, há todo um

caminho que se antecipa ainda

longo e com percalços.

O sucesso dependerá da capacidade

de transformar processos, do

envolvimento dos profissionais

e de garantir que a inovação

gera um valor efetivo para os

cidadãos e para o sistema. E claro,

de capacidade de investimento.

Temas que estiveram em debate

no “GovTech Saúde: Inovação

Digital no SNS”, um pequeno-

-almoço executivo organizado pela

APDC, em parceria com a Huawei.

Onde o presidente da APDC, Rogério

Carapuça, começou por enfatizar

que a tecnologia por si só não

garante produtividade. A verdadeira

transformação digital exige uma

profunda "mudança organizacional

com tecnologia", num processo que,

embora demorado, é crucial para

que a inovação gere valor efetivo.

Há já muitos projetos em curso,

como explicou Sandra Cavaca,

presidente dos Serviços Partilhados

do Ministério da Saúde (SPMS).

Desde a modernização da rede

interna do SNS, com o RISNextG,

à renovação de sistemas core,

como o SONHO V2, além do

desenvolvimento do Datalake,

que permitirá a utilização de dados

primários e secundários para

a investigação e melhoria contínua

dos serviços, entre muitos outros.

A interoperabilidade dos sistemas

e a partilha de dados, alinhada

com o Regulamento do Espaço

110 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


INTERVENIENTES

Reveja o evento

ROGÉRIO CARAPUÇA

Presidente

da APDC

ANDRÉ TRINDADE

Presidente da ACSS

Da atualização

das infraestruturas

ainda obsoletas

até à complexa

gestão da mudança

organizacional,

há todo um caminho

que se antecipa ainda

longo e com percalços

na modernização

do SNS.

Europeu de Dados de Saúde, são

objetivos fundamentais para um

SNS mais coeso e eficiente.

No entanto, a responsável

SANDRA CAVACA

Presidente

do SPMS

RUI SANTOS IVO

Presidente

do INFARMED

ALEXANDRE

LOURENÇO

Presidente da ULS

de Coimbra

SANDRA FAZENDA

Diretora Executiva

da APDC

(MODERADORA)

reconhece atrasos, devido

à complexidade da contratação

pública, e mostrou preocupação

com a sustentabilidade financeira

dos projetos no pós-PRR.

Para quem está no terreno,

a mudança é imperativa. Como

refere Alexandre Lourenço,

presidente da ULS de Coimbra,

o SNS foi desenhado para

responder a condições agudas,

mas precisa agora de se adaptar à

novas necessidades demográficas

e epidemiológicas. Sendo que olha

para a digitalização como a única

via para um sistema sustentável.

Apesar da resistência do setor

à mudança, o processo já está

em marcha em Coimbra, com

resultados claramente positivos,

nomeadamente reduzindo

urgências e hospitalizações.

Sendo que a ULS é uma operação

logística complexa, com oito

unidades hospitalares e 69

unidades de cuidados primários.

Mas, para o sistema como um

todo, o grande desafio é saber como

equilibrar inovação e recursos.

“Não podemos ter sempre o topo

da inovação terapêutica

e tecnológica em simultâneo.

É essencial medir custo-efetividade

e garantir modelos de negócio

viáveis”, diz André Trindade,

presidente da Administração

Central do Sistema de Saúde (ACSS),

lembrando que a transformação

não pode ser mera digitalização

da burocracia, exigindo

simplificação e reorganização.

Também Rui Santos Ivo,

presidente do INFARMED, destacou

o papel dos dados e da inteligência

artificial para tornar o sistema

mais inteligente. A revisão do

Sistema Nacional de Avaliação de

Tecnologias de Saúde (SINATS)

deverá integrar ferramentas

digitais que permitam monitorizar

de forma contínua a eficácia e o

impacto económico das inovações,

em articulação com a estratégia

europeia.

No horizonte está ainda o Espaço

Europeu de Dados de Saúde,

a implementar até 2029, que

obrigará todos os intervenientes

– públicos, privados e sociais

– a adaptar sistemas e práticas para

garantir interoperabilidade. Portugal

já criou um grupo de trabalho e está

a desenvolver consultas públicas

para preparar o caminho.

Apesar das resistências

à mudança, da falta de

interoperabilidade e da pressão

financeira, todos concordam

que a transformação digital

é irreversível. É que a tecnologia

oferece a oportunidade de construir

um SNS mais eficiente, próximo

do cidadão e preparado para

responder aos desafios do futuro.

É preciso é saber como a aproveitar

o melhor possível!

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 111


APDC NEWS

A CAMINHO

DA RESILIÊNCIA

DIGITAL

Com a transposição da NIS2, as empresas

portuguesas têm a oportunidade de transformar

as novas obrigações em alavancas de resiliência

e competitividade. Uma meta que não será

fácil, mas claramente possível de alcançar.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

A

cibersegurança

está no centro

da agenda europeia

e nacional e há um

novo e vasto quadro

legislativo definido por Bruxelas

que terá de ser implementado

na UE27. Incluindo em Portugal,

onde se prepara a transposição

da NIS2. Esta diretiva exigirá

uma rápida adoção, assim como

um investimento significativo

e uma maior responsabilização.

Mas se os desafios são muitos,

a nova regulação é também vista

como uma oportunidade para as

organizações reforçarem a sua

resiliência digital e competirem

num mercado cada vez mais

global e exigente. Há é que ter

capacidade para investir, recursos

humanos à altura e, acima de tudo,

compromisso da gestão de topo.

Na 13ª edição do Digital Union,

analisaram-se os impactos do

novo enquadramento regulatório

europeu, com particular destaque

para a NIS2. Na abertura deste

webinar, Inês Antas de Barros, sócia

da VdA, sublinhou o crescimento

exponencial da economia de

cibersegurança, a par do aumento

da desigualdade cibernética e da

escassez de talentos. A inteligência

artificial (IA), apesar dos benefícios,

exacerba os desafios de longo prazo

na resiliência cibernética.

A Estratégia Europeia para

a Cibersegurança, lançada em 2020,

reflete a prioridade do tema para

os decisores europeus, com

propostas concretas em políticas,

investimento e regulação. O quadro

legislativo abrange diplomas como

a Diretiva NIS2, o Cyber Resilience

Act, o DORA e o EU Cybersecurity

Act, cada um com obrigações

específicas para diversos setores.

UM OLHAR SOBRE AS NOVAS REGRAS

A NIS2, em fase final de

transposição para Portugal, vem

ampliar o nível de obrigações em

termos de cibersegurança a mais

setores de atividade, incluindo a

Administração Pública, classificando

as entidades como “essenciais”

ou “importantes”, com base na sua

dimensão e impacto. Esta diretiva

impõe uma abordagem baseada

no risco, exigindo medidas técnicas

e organizativas adequadas.

Uma das grandes novidades

da diretiva é a responsabilização

direta dos órgãos de gestão pela

implementação e supervisão das

medidas de cibersegurança. O que,

para Inês Antas de Barros, traz uma

mensagem clara: a cibersegurança

deve estar no topo da agenda dos

decisores.

No debate que se seguiu entre

protagonistas do setor público

e privado, ficou claro que todos

têm consciência dos desafios a

enfrentar, mas também que a NIS2

e a restante regulamentação podem

constituir uma verdadeira vantagem

competitiva. Desde que se saiba como

antecipar riscos, que se aposte no

investimento em formação

e se construa uma verdadeira cultura

de confiança digital.

112 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


INTERVENIENTES

SANDRA FAZENDA

Diretora Executiva

da APDC

TIAGO BESSA

Sócio da Área de

Comunicações, Proteção

de dados & Tecnologia

| Sócio da Àrea PI

Transacional da VdA

INÊS ANTAS DE BARROS

Sócia da Área de

Comunicações, Proteção

de dados & Tecnologia

da VdA

BRUNO CASTRO

Fundador & CEO

da VisionWare

DESAFIOS E OPORTUNIDADES

Mas ficaram bem evidentes

os desafios que as novas regras

representam para as organizações,

especialmente as menos maduras,

que serão as mais impactadas por

esta nova era da cibersegurança,

como diz Sara Palma, Area

Coordinator de Governance,

Risk and Compliance da Worten

Portugal. Outra área crítica é a

da cadeia de abastecimento, com

a NIS2 a exigir que as empresas

garantam a conformidade dos seus

fornecedores, parceiros e clientes.

Se a dimensão da mudança

que a nova regulamentação traz

pode “assustar as organizações”,

Pedro Matos, coordenador

do Departamento de Apoio

à Coordenação do Centro Nacional

de Cibersegurança (CNCS), não

tem dúvidas de que a NIS2

“é o quadro de partida que vai

permitir, pelo menos, termos

um país um pouco mais seguro

relativamente às matérias

do ciberespaço”. Sensibilizar

e capacitar as entidades para

as novas exigências terá de ser

uma aposta estratégica.

Até porque o processo

de ajustamento será muito

complexo nas entidades públicas,

e sobretudo nas do contexto

da Saúde. Luís Miguel Ferreira,

administrador dos Serviços

Partilhados do Ministério da

Saúde (SPMS), explica que além

dos diplomas de cibersegurança,

esta área tem inúmeros outros

diplomas europeus a aplicar,

quer direta, quer indiretamente.

Já se está a trabalhar para

endereçar todas as questões,

mas adivinham-se tempos

complexos, uma vez que as

entidades públicas estão obrigadas

a cumprir as regras de contratação

pública, que colocam “enormes

constrangimentos”.

Mais pragmático, Bruno Castro,

CEO da VisionWare, empresa

nacional de cibersegurança,

manifesta o seu otimismo.

Olha para a NIS2 como

uma oportunidade para

o mercado da cibersegurança

crescer e para as empresas se

afirmarem internacionalmente,

especialmente através da

exportação. E, tendo em conta a

LUÍS MIGUEL FERREIRA

Vogal Executivo

do Conselho de

Administração, Serviços

Partilhados do Ministério

da Saúde, EPE

PEDRO MATOS

Coordenador do

Departamento de

Apoio à Coordenação,

Centro Nacional de

Cibersegurança

SARA PALMA

Area Coordinator GRC

(Governance, Risk

and Compliance)

Worten Portugal

sua experiência, tudo passará,

como até agora, por “transformar

as regras em algo que seja

tangível, que seja efetivamente

fácil e possível de implementar

no terreno”. Mas agora

garantindo “um claro e inequívoco

compromisso do top management

nas decisões tomadas”. Só assim

se garantirá a construção de um

ecossistema digital mais seguro

e competitivo.

Reveja o evento

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 113


APDC NEWS

JANTAR RESERVADO | MINISTRO ADJUNTO

E DA REFORMA DO ESTADO

REFORÇAR UM

DIÁLOGO ESSENCIAL

AO PAÍS

O

ministro Adjunto

e da Reforma

do Estado, Gonçalo

Matias, foi

o orador convidado

de um Jantar Reservado APDC.

Este encontro, uma iniciativa

restrita, contou com um grupo

selecionado de líderes de grandes

Aceda à galeria

de imagens

empresas presentes no mercado

nacional.

O objetivo foi proporcionar

um espaço privilegiado de diálogo

aberto e construtivo entre setor

público e privado sobre a estratégia

para a reforma do Estado e para

a digitalização da economia e da

sociedade, áreas verdadeiramente

estruturantes para o futuro do país.

Na sua intervenção inicial,

o ministro apresentou as prioridades

do Governo no âmbito da estratégia

definida para a reforma do Estado.

Um processo que tem de se centrar

num “contrato de confiança” com

cidadãos e empresas, que permita

desbloquear o investimento

e combater a burocracia.

Sendo que esta reforma assenta

em dois pilares fundamentais:

a simplificação e a digitalização.

Com este encontro de trabalho

e da partilha de ideias, a APDC

teve como meta reforçar um

diálogo essencial entre o Governo,

a sociedade civil e os líderes

empresariais das TIC.

114 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


Together,

we create

the future

O futuro é digital,

sustentável e humano.

Vamos construí-lo juntos.

A Minsait é mais do que uma empresa de

tecnologia - é um movimento para inovar

de forma ousada, liderar com

responsabilidade e conectar intensamente.

Juntamente com os nossos clientes e

parceiros, estamos a construir um futuro

onde a tecnologia eleva as empresas, as

comunidades e os indivíduos.

Tech for impact.

minsait.com

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 115


CIDADANIA DIGITAL

SUPER SEARCHERS

“TROCAR POR MIÚDOS”:

LITERACIA DIGITAL

EM AÇÃO

Criado em 2024, o Super

Searchers Portugal já levou

ferramentas práticas

de literacia digital

a mais de mil professores

e formadores e promete

chegar a milhares

de crianças e jovens

em salas de aula

de todo o país.

Ouça este artigo

Tempo de escuta: 03ʹ57ʺ

116 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


Vivemos numa

era em que a

informação circula

à velocidade de um

clique, mas nem

sempre com o impacto adequado.

A proliferação online de conteúdos

falsos e enganadores coloca

crianças e jovens em risco,

exigindo respostas eficazes.

Foi neste contexto que, em 2024,

nasceu o Super Searchers Portugal,

programa que pretende capacitar

professores e formadores para

ensinarem os mais novos a navegar

na internet com espírito crítico.

Desenvolvido em parceria

com a Google e adaptado à

realidade portuguesa, o programa

chega às escolas de Norte a Sul

do país pelas mãos de Tito

de Morais e Cristiane Miranda,

OBJECTIVOS

DO PROGRAMA

Avaliação da fiabilidade

de fontes de informação

online

Aprender técnicas para verificar

a veracidade de imagens, vídeos, textos

e outros conteúdos online.

Pesquisa de forma eficiente

Dominar técnicas avançadas de pesquisa

para encontrar informações precisas

e relevantes com mais rapidez.

Combate a desinformação

Desenvolver habilidades para identificar

e refutar notícias falsas e outros conteúdos

enganadores.

Utilização de ferramentas

digitais para pesquisa

Explorar ferramentas do Google como

Pesquisa Segura, a Pesquisa Avançada

e a Inteligência Artificial para otimizar

a pesquisa.

Ensino de literacia mediática

aos seus alunos

Receber orientações sobre como integrar

o ensino da literacia mediática.

Com uma lógica trainer-to-trainer e conteúdos

prontos a aplicar, o Super Searchers dá

aos professores ferramentas práticas para

trabalharem a literacia digital em sala de aula

criadores do projeto Agarrados

à Net, que desde 2021 trabalha

temas como o cyberbullying,

a pegada digital ou os desafios

virais perigosos. “Mais do que

o tempo que passamos online,

importa o que andamos lá a fazer”,

sublinha Cristiane Miranda.

DA IDEIA À IMPLEMENTAÇÃO

O primeiro contacto com o

Super Searchers aconteceu em

2023, numa ação da Google em

Bruxelas. “Ficámos agradados com

a formação, mas surpreendidos

por o programa ainda não estar

a ser implementado em Portugal.

Desafiámos a Google e começámos

a falar em traduzir e adaptá-lo

para a realidade portuguesa”,

recorda Tito de Morais. O acordo

chegou no verão de 2024 e, a 10 de

outubro, Viana do Castelo acolheu

a primeira destas formações.

Com quatro horas de duração

e certificação como Ação de Curta

Duração, as formações são sobretudo

práticas. Os conteúdos incluem

a avaliação das competências

de pesquisa online e técnicas para

obtenção de melhores resultados,

passos para a melhoria da literacia

de informação, a compreensão do

papel da inteligência artificial na

criação de informação, bem como

a pesquisa segura no Google.

O modelo segue a lógica trainer-

-to-trainer: professores formados

que replicam a formação junto

dos alunos. “Os professores não

têm de inventar nada. É pegar no

PowerPoint, está lá tudo o que tem

de ser falado e trabalhado. É um

programa chave na mão”, explica

Cristiane Miranda.

IMPACTO E DESMULTIPLICAÇÃO

Em poucos meses foram

realizadas 27 sessões, envolvendo

1.148 formandos. Os participantes

que apliquem o programa

junto de pelo menos 30 pessoas

(o equivalente a uma turma)

podem ser reconhecidos como

Embaixadores Super Searchers.

Este efeito multiplicador poderá

significar chegar a um universo de

cerca de 34 mil formandos. “Esta é

uma das grandes vantagens deste

modelo. É a desmultiplicação que se

consegue, chegando a muito mais

gente”, acrescenta Tito de Morais.

Além da Google, que fornece

os conteúdos, o projeto conta com

a Rede de Bibliotecas Escolares

como parceiro privilegiado.

Entre as entidades disseminadoras

estão a Associação de Professores

de Filosofia, a Associação de

Professores de Português,

a Associação Nacional dos

Diretores de Agrupamentos e

Escolas Públicas, a Confederação

Nacional das Associações de

Pais e a Associação Portuguesa

de Bibliotecários, Arquivistas,

Profissionais da Informação

e Documentação.

A recetividade dos participantes

nestas formações, que terminam

no final do ano, tem sido muito

positiva. “Conseguimos colocar

estas informações de uma maneira

simples e desconstruída e até com

algum humor, o que ajuda muito

mais as pessoas a aderirem e a

compreenderem melhor”, nota

Cristiane Miranda.

Mas os dinamizadores do

programa querem ir mais longe,

chegando também ao 1.º ciclo e

aos seniores, públicos igualmente

expostos a riscos digitais – um passo

que dependerá de novas parcerias

e recursos. “Somos os caixeiros

viajantes da literacia mediática.

Não há cantinho de Portugal

a que não vamos, desde que nos

convidem”, conclui Tito de Morais.

Conheça aqui

o programa

SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 117


A FECHAR

Loja

inteligente

‘Made in

Portugal’

Há uma nova loja inteligente que

funciona sem caixas de pagamento,

nem necessidade de fazer o pedido

dos produtos ou registá-los, em sistema

de “grab and go” inteligente. Chama-se

Store-in-store e está a ser testada num

projeto-piloto, no âmbito do Consórcio

Smart Retail. A tecnologia, desenvolvida

pela Sensei é 100% portuguesa e

combina inteligência artificial (IA), visão

computacional e sensores inteligentes,

que operam através da rede 5G da NOS.

Mais de 30 câmaras e sensores

de prateleira trabalham em conjunto

com algoritmos avançados que,

recorrendo a IA, identificam de forma

autónoma os produtos retirados, criando

um carrinho virtual para cada pessoa.

Todo o processo decorre de forma

anónima e em conformidade com

as normas de proteção de dados,

sem recolha de informação pessoal.

Basta entrar, escolher e sair – o valor

é cobrado automaticamente, sem filas

nem interrupções. O Smart Retail é um

projeto que junta 22 entidades e visa o

desenvolvimento, demonstração

e industrialização de tecnologias de

suporte a uma nova geração de retalho.

O objetivo é promover novos formatos

de retalho, nomeadamente de lojas

autónomas/híbridas, de Pods, de Smart

Cabinets, assim como outras tecnologias

periféricas capazes de melhorar a

experiência dos consumidores.

REDEFINIR AS FORMAS

DE TRABALHAR COM IA

Chama-se Amazon Quick Suite e vem

responder a uma realidade que mostra que

as soluções de inteligência artificial (IA) para

o consumidor não estão conetadas a todos

os dados empresariais. Assume-se como

um assistente de IA que colabora com os

utilizadores para realizarem o seu trabalho:

podem fazer perguntas e obter respostas

detalhadas, realizar pesquisas aprofundadas,

analisar e visualizar dados, e criar automações

para fluxos de trabalho, poupando tempo

e focando-se no essencial, através de

padrões de segurança e privacidade de nível

empresarial. Esta nova oferta da AWS foi

testada entre os colaboradores da Amazon

e outros clientes-chave, para garantir que

está à altura das exigências de um local de

trabalho. A Quick Suite ajuda a navegar pela

complexidade da informação fragmentada,

aplicações isoladas e tarefas repetitivas, para

se focar no que realmente importa. Tem mais

de 50 conetores integrados para aplicações,

como Adobe Analytics, SharePoint,

Snowflake, Google Drive, OneDrive, Outlook,

Salesforce, ServiceNow, Slack, Databricks,

Amazon Redshift e Amazon S3, e reúne todos

os seus dados de forma segura para garantir

que tem o contexto completo para cada

decisão. Integra com OpenAPI ou Model

Context Protocol (MCP), e os clientes podem

conetar-se a recursos personalizados e a

mais de 1000 aplicações. Desta forma, torna

o business intelligence acessível a todos

com uma nova experiência operada por

agentes, ajudando a obter insights para tomar

melhores decisões.

ACELERAR INOVAÇÃO NA SAÚDE

Transformar a utilização dos dados na área da saúde para ajudar as instituições a gerar novas

fontes de receita, melhorar os cuidados personalizados e acelerar a investigação clínica é o

objetivo de uma parceria realizada entre a NTT DATA Portugal e a Google Cloud. Criaram uma

solução que combina a experiência da primeira em inteligência artificial (IA) e gestão de dados

com a infraestrutura avançada da segunda, contribuindo para uma abordagem segura e eficiente

à análise e monetização dos dados na área da saúde. Num setor onde a digitalização cresce de

forma exponencial, esta iniciativa permite que hospitais e instituições de saúde aproveitem os

seus dados para desenvolver novos serviços, melhorar diagnósticos e personalizar tratamentos,

em conformidade com a regulamentação. As duas empresas garantem que estas soluções

ajudam a abrir caminho para colaborações com a indústria farmacêutica, centros de investigação

e startups, acelerando a inovação sem comprometer a privacidade dos cidadãos.

118 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 119


A FECHAR

Fomentar a criatividade

na era da produtividade

Foi especialmente desenhado

para profissionais criativos,

estudantes e utilizadores que

têm um quotidiano mais

atarefado. Tem um ecrã imersivo

e uma caneta redesenhada,

que eleva o padrão dos tablets

profissionais em 2025. Trata-se

do novo HUAWEI MatePad 12 X

2025, que vem equipado com

o revolucionário ecrã PaperMatte

ultra nítido, concebido com

tecnologia de gravação em

nanoescala de alta precisão.

Este avanço permite uma redução

de 50% do brilho em comparação

com a geração anterior,

oferecendo aos utilizadores

uma visualização mais nítida,

confortável e realista. Dispõe

ainda do recém-desenvolvido

HUAWEI M-Pencil Pro, com o

intuito de proporcionar uma

experiência superior de leitura,

escrita e criação digital.

A caneta oferece 16.384 níveis

de sensibilidade à pressão para

precisão máxima, três pontas

imprescindíveis (escrita padrão,

fonte pequena e pintura),

a presença de um menu radial

acionado por pressão para

acesso rápido a ferramentas

de criação e atalhos inteligentes,

como o botão de acesso direto

à HUAWEI Notes e gestos

de rotação na aplicação GoPaint

para simular pinceladas realistas.

O novo tablet alia portabilidade

a um visual sofisticado, graças

ao revestimento eletrónico

de brilho perolado, que lhe

confere um toque suave

e acabamento premium.

Fazer chegar

o digital

aos jovens

Fazer chegar a literacia e as competências

digitais a mais de 23 mil jovens estudantes

do 1º e 2º ciclos do ensino básico é a meta

da Fundação Vodafone para o ano letivo

que agora se iniciou. O que representará um

aumento de 27% nos participantes face à edição

anterior. O programa chama-se DigitALL

e envolverá mil turmas de 170 escolas localizadas

em 35 municípios, selecionadas através

de um processo de candidaturas que decorreu

em maio. Mais de mil professores e 11 monitores

asseguram presencialmente a dinamização

das atividades, garantindo uma experiência

educativa envolvente e tecnológica.

Aposta-se numa abordagem prática e interativa,

com recurso a dispositivos e ferramentas digitais,

promovendo também a capacitação

dos professores nas áreas de ensino STEM

(Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

O programa conta com o apoio institucional

da Direção-Geral da Educação, que reconhece

a sua qualidade e o seu valor pedagógico,

especialmente nas áreas da Matemática e das

Tecnologias de Informação e Comunicação.

INSPIRAR ALUNOS E PROFESSORES

A Kyndryl acaba de reforçar o seu posicionamento como parceiro de um programa

reconhecido nacional e internacionalmente que contribui para o ODS 4 – Educação

de Qualidade, o Apps fot Good, através de uma parceria com o CDI Portugal. Vai participar

na 12ª edição desta iniciativa, orientada para a promoção da inovação educativa, inclusão social

e digital, com o objetivo de preparar os jovens para os desafios do mercado de trabalho.

Nas metas está ainda a sensibilização das novas gerações para temas como a inteligência

artificial e a cibersegurança, enquanto reforça o seu papel na atração e desenvolvimento

de talento jovem. No âmbito desta colaboração, a empresa vai desenvolver um webinar sobre

cibersegurança, assim como envolver os seus colaboradores em iniciativas de voluntariado

de conhecimento, tornando-se experts no programa. Outra meta será apoiar os alunos

e professores com formações, webinares e mentorias.

120 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 121


AGENDA

NOV

INICIATIVAS

1 A 9 NOVEMBRO

LISBON AI WEEK

Trata-se de um festival

de inteligência artificial

(IA) que ao longo de sete

dias oferece dezenas de

eventos em diferentes

pontos da cidade de

Lisboa. Nesta primeira

edição, a Lisbon AI

Week inclui instalações

artísticas geradas por IA,

hackathons, palestras e

workshops, entre outras

iniciativas.

Local: Lisboa

Saiba mais

4 NOVEMBRO

LISBON AI

Este evento que decorre

no âmbito da Lisboa AI

Week dedica-se à aplicação

prática da IA. Reúne líderes,

engenheiros e investigadores,

contando com 20 oradores

distribuídos por cinco áreas:

Modelos Fundamentais,

Plataformas, Ferramentas

para IA, IA Física, Ética

e Sustentabilidade.

Local: Lisboa (Monsanto)

Saiba mais

5 NOVEMBRO

DIGITAL UNION:

O FUTURO DOS

DATA CENTERS EM

PORTUGAL

Líderes empresariais,

reguladores e

especialistas reúnem-se

nesta 14ª Sessão do Digital

Union para debater os

grandes desafios do setor

– da sustentabilidade

e regulação à inovação

tecnológica e ao papel

estratégico dos data

centers na economia

digital.

Local: Auditório da VdA,

Lisboa

Organizador: APDC, VdA

e Portugal DC

Saiba mais

7 A 16 NOVEMBRO

PORTUGAL TECH WEEK

2025

A iniciativa transforma

várias cidades portuguesas

num grande festival

descentralizado de tecnologia

e inovação. Mais de 300

eventos relacionados com

tecnologia, inovação e

criatividade decorrem em

mais de 20 cidades do país.

Inclui palestras, workshops,

exposições e networking.

Local: Lisboa e virtual

Organizador: 351 Portuguese

Startup Association

& EVENTOS

10 A 13 NOVEMBRO

WEB SUMMIT LISBON 2025

Startups, líderes tecnológicos

e investidores marcam mais

uma vez presença em Lisboa

para debater o futuro da

inovação, da inteligência

artificial, da sustentabilidade

e do empreendedorismo.

São esperados cerca

de mil oradores influentes

e 71 mil participantes.

Local: Parque das Nações

Organizador: Web Summit

Saiba mais

11 NOVEMBRO

AI HORIZON CONFERENCE

2025

Este evento oferece uma

oportunidade de conexão com

empresas líder em inteligência

artificial, especialistas e

inovadores que estão a moldar

o futuro nesta área.

Local: Lisboa

Organizador: AI Ethics

and Integrity International

Association (AIEI)

Saiba mais

15 NOVEMBRO

SWORD AI SUMMIT

As mais recentes novidades

de GenAI, incluindo novos

modelos, frameworks e

plataformas de deployment,

são alguns dos temas a

abordar neste evento dirigido

a quem “constrói” na área

da inteligência artificial e que

conta com sessões práticas e

especialistas internacionais.

Local: Alfândega do Porto

Organizador: Sword Health

JAN

6 A 9 JANEIRO

CES

A Consumer Electronics

Show (CES) é uma das

principais feiras de

tecnologia do mundo

e uma oportunidade

para conhecer as mais

recentes inovações e

tendências tecnológicas.

Reúne marcas globais,

startups, media e

decisores de todo o

mundo.

Local: Las Vegas

Organizador: Consumer

Technology Association

Saiba mais

Saiba mais

Saiba mais

122 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025


SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 123


A ABRIR

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