edição de 10 de novembro de 2025
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propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.067 - 10 de novembro de 2025 R$ 20,00
ABA e propmark escolhem CMOs que
se destacaram no mercado em 2025
Pelo terceiro ano consecutivo, a Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) e o propmark apontam CMOs que se sobressaíram no mercado. Em 2025, a seleção
conta com 15 líderes de marketing, sendo 11 mulheres e quatro homens. Um retrato de que hoje uma maioria feminina está no comando das decisões
sobre o rumo da comunicação de grandes marcas. O rol conta com executivos de Friboi, C&A, Cielo, Nestlé, Mastercard, Stellantis, Nubank, Assaí, Mondelēz,
Seara, Bradesco, Mercado Livre, ESPM, Diageo e Bauducco. Em depoimentos exclusivos, eles falam sobre o cenário desafiador, que envolve encontrar relevância
da marca em meio a tanto conteúdo e atenção do consumidor fragmentada, uso de IA, unir criatividade e performance, entre outros temas. pág. 20
Museus adotam o
branding cultural
Raphael Vandystadt, da Africa Creative e do MAM,
argumenta que a publicidade pode transformar a
relação das pessoas com a cultura. De colaborações
com marcas como Zerezes e Nubank a ações fora dos
espaços expositivos, museus têm novas estratégias e
repensam o diálogo com o público. pág. 38
Divulgação
Divulgação
WT.AG é a Agência do Ano
no Prêmio Share Social Media
A premiação reconhece a excelência em estratégias de comunicação
nas redes sociais. A categoria consagra a agência
que mais se destacou por seus resultados, inovação
e consistência. O diretor criativo Dudu Rodrigues e o CEO
Lucas Feltes celebram o prêmio. pág. 44
Câmara aprova PL dos streamings,
cujo setor indica possíveis riscos
A Câmara dos Deputados aprovou o PL nº 8.889/17, que estabelece a cobrança da Contribuição
para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine) para
serviços de streaming. O projeto de lei segue para o Senado. A Associação Brasileira de
Televisão por Assinatura (ABTA) vê ameaças no texto. pág. 40
‘Publicis Groupe nunca se prendeu a
fórmulas prontas’, diz Gabriela Onofre
Divulgação
CEO do grupo no Brasil, a executiva afirma que os bons resultados da holding, que revisou o
crescimento orgânico para 5,5% em 2025, refletem “um modelo de operação bem definido
e que já sabemos que dá certo”. Ela acrescenta que a diretriz ‘Power of one’ vem se consolidando
na operação local ao longo de sua gestão. pág. 18
EXPERIÊNCIAS,
CONEXÕES E
RESULTADOS
Icônica lata de LED Coca-Cola.
Parque Villa-Lobos - SP.
Mega LED 360º.
Terminal Rodoviário Tietê - SP.
Mega Pórtico Digital.
Aeroporto Internacional de Brasília - DF.
ACONTECEM
OUT OF HOME.
VOTE NEOOH
No Prêmio Melhores do Propmark 2025.
Empresa de OOH.
editorial
Armando Ferrentini
CMOs à prova
Os anunciantes sempre foram a ponta mais forte do tripé marcas, agências e veículos
de comunicação. Afinal, é das empresas que vêm as verbas de mídia, marketing
e publicidade. Na era multichannel e da IA, encontrar relevância e ser mais
pertinente que conteúdos de todo tipo é o desafio diário de qualquer CMO, que precisa
fazer investimentos ainda mais assertivos para furar a bolha. Com isso, o papel deles,
que são vistos como guardiões das marcas, o elo com as agências e quem assina o
cheque, se tornou ainda mais complexo.
Não é à toa que atualmente o ciclo de duração média de um CMO nas companhias
é mais curto em comparação com outros cargos C-level. Pressionados por resultados
rápidos e necessidade de demonstrar impacto mensurável no crescimento e na receita,
no Brasil eles ficam apenas cerca de 28 meses no cargo (dois anos e quatro meses),
enquanto a média global é de 3 a 4,2 anos, mostram pesquisas recentes.
Já os CEOs permanecem em média oito anos, CFOs 5,1 anos e CIOs 4,3 anos. Provavelmente,
nunca foi tão difícil ocupar a cadeira de CMO como nos dias de hoje. Além da
preocupação em comprovar resultados no curto prazo, os executivos de marketing são
desafiados constantemente a entregar as chamadas campanhas memoráveis.
Isso porque, depois de alguns anos da febre dos dados, o mercado entendeu que só
performance não garante um crescimento sustentável e volta a colocar a criatividade
no centro das estratégias de comunicação para construção das marcas.
Fora tudo isso, as transformações tecnológicas e a volatilidade do cenário impactam
uma constante reavaliação do papel dos diretores de marketing. Certamente, nunca
nenhuma outra geração enfrentou tantas mudanças. Com a expansão do digital e redes
sociais, que empoderaram o consumidor e inverteram a lógica da comunicação, que
deixou de ser de via única, agora temos a chegada da IA, que começou a sacudir tudo
de novo e colocou todo mundo, criativos e marqueteiros, para repensar a propaganda e
como fazer uso ético e adequado dessa tecnologia a favor do mercado.
Tanto que, se nas últimas décadas o papel do CMO era bastante especializado, focando
fortemente em habilidades humanas, como criatividade e no branding das marcas,
hoje essa realidade mudou completamente. Novas prioridades na área da publicidade,
o uso da IA, o crescimento do digital e a fragmentação da atenção do consumidor são
algumas das mudanças que exigem novos aprendizados desses líderes e demandam,
para ontem, habilidades tecnológicas, sem deixar de lado os soft skills.
Esse cenário de pressão constante e rotatividade dos CMOs também traz um lado negativo
para o mercado que poucos falam abertamente. Mas há reclamações de agências
e produtoras dizendo que, por ficarem pouco tempo no cargo, os executivos estrangulam
investimentos, destinando cada vez mais orçamentos enxutos para a produção de
campanhas e comprometendo a qualidade criativa, já que não serão cobrados pelos
resultados de longo prazo.
Porém, essa é uma discussão para outro editorial. Neste, queremos parabenizar os 15
CMOs indicados pela ABA e propmark, que se destacaram no mercado em 2025 à frente
das estratégias de grandes marcas, driblando todos os obstáculos de uma indústria publicitária
altamente volátil. Em depoimentos exclusivos, eles falam sobre criatividade,
negócio, uso de IA e personalização, entre vários outros assuntos prementes.
El Ojo
Outro destaque desta edição é a matéria que apresenta os nomes dos 63 profissionais
brasileiros que participarão dos júris do El Ojo de Iberoamérica 2025, um dos principais
festivais da criatividade e comunicação latina que será realizado entre 12 e 14 de novembro,
em Buenos Aires.
Protagonista já há vários anos do festival, o mercado brasileiro entra com tudo na disputa
por prêmios e tem nada menos do que 184 peças finalistas no El Ojo.
Frase: “Num homem inteligente, rotina é sinal de ambição” (W. H. Auden).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
2ª
3ª
Por que a Heineken decidiu
criar o próprio festival de música
A marca lança o Heineken No Line-Up Festival, evento gratuito em São Paulo
que só revelou a agenda no dia. Criado pela Atenas.ag, o projeto reforça a
relação da marca com a música e a sustentabilidade.
Apro e FilmBrazil divulgam
finalistas do Whext 2025
Festival que celebra o audiovisual publicitário anuncia indicados em 20
categorias. A cerimônia de premiação será no dia 8 de dezembro, no Museu
de Arte de São Paulo, com presença de agências e produtoras do setor.
1ª
Marcas que patrocinam o GP
do Brasil de Fórmula 1 em 2025
Etapa brasileira, realizada no dia 9 de novembro, movimenta investimentos
e ativações de Heineken, Santander, Shell, Pepsico, McDonald’s, Americanas e
PicPay. GP se transforma em plataforma de entretenimento e inovação para
marcas que apostam em experiências imersivas dentro e fora das pistas.
4ª
Após 18 anos em Londres, o profissional retorna ao Brasil para liderar
campanhas das gigantes de tecnologia. O executivo acumula prêmios no
Cannes Lions, Clio e One Show.
5ª
Sergio Alves comandará a criação
de Google e YouTube na Monks
Bradesco utiliza IA para dobrar
doações do Criança Esperança e Teleton
Banco repete a ação de match funding com a Bia, sua assistente virtual, e
promete duplicar cada doação feita pelo público até o limite de R$ 1 milhão
nas duas campanhas solidárias.
4 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
índice
20
ABA e propmark elegem CMOs de destaque no ano
A Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) e o jornal apontam líderes
de marketing que foram protagonistas em um cenário desafiador e volátil,
marcado por transformações tecnológicas e necessidade de adaptação rápida.
propmark
propmark.com.br
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Editora-assistente
Adrieny Magalhães
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
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Revisão
José Carlos Boanerges
Publicidade
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Redação
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tel. (11) 2065 0772 / 0766
redacao@propmark.com.br
Marcas ampliam os clubes de
assinatura para engajar e fidelizar
O costume de receber novidades em casa, presente
desde as assinaturas das revistas da Turma da Mônica,
ganha novas versões. Boxes literárias, de beleza e do
universo pet mostram como marcas transformam
periodicidade e comunidade em estratégias de
engajamento e fidelização. pág. 46
Action é uma das brasileiras que
ganharam troféus no Prêmio ALOOH
Com a bandeira do Brasil na mão, o diretor da Action,
Leonardo Pereira, comemora os dois prêmios que
ganhou por criatividade em OOH ao lado do CEO da
Amplilume, Leandro Formigone. VideoPorto, Smartact,
Altermark e Mobees também foram premiadas.
No total, o país recebeu sete troféus. pág. 45
@propmark
propmark
propmark
As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial..............................................................................4
Conexões............................................................................8
Curtas..................................................................................10
Quem Fez............................................................................12
ESG no MKT.........................................................................14
Out of Home.......................................................................16
Entrevista...........................................................................18
CMOs de destaque.............................................................20
Mercado..............................................................................38
Agências.............................................................................41
El Ojo...................................................................................42
Prêmios..............................................................................44
Marcas................................................................................46
Conexão Ásia......................................................................48
Opinião...............................................................................50
Negócios & Sustentabilidade............................................51
Inspiração...........................................................................52
Click do Alê.........................................................................53
Última Página.....................................................................54
Brasil tem 63 jurados e 184 finalistas no El Ojo 2025
País reforça protagonismo criativo e se sobressai em novas categorias do festival, um
dos principais da criatividade e comunicação latina, que ocorre entre os próximos
dias 12 e 14, em Buenos Aires. pág. 42
6 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
conexões
última hora
IAA
A International Advertising Association (IAA) foi lançada no Brasil no último dia 6, em evento
realizado no escritório do LinkedIn, em São Paulo. Fundada em 1938 em Nova York, a entidade
global representa todos os segmentos da indústria de marketing e comunicação, com
atuação em 56 países. Esta é a primeira operação na América Latina. Fredrik Borestrom,
presidente global da IAA e executivo de publicidade digital do LinkedIn, destacou que a
proposta é criar um espaço colaborativo no país, ao lado de Fabiana Schaeffer, integrante
do conselho global da IAA e vice-presidente de sustentabilidade da associação.
Post: Sergio Alves comandará
a criação de Google e YouTube
na Monks
É o cabra!
Felipe Gomes
Teads nomeia Fernando Tassinari
como diretor-geral da América
Latina
Que bela notícia, Tassi. Sucesso
nessa nova jornada, grande abraço.
Sergio Kligin
Parabéns, muito sucesso!
Paulo Biolcatti
Post: Eletromidia compra a
Urbana Mídia e amplia rede
em Belo Horizonte
Mais sucesso, Guerrero!
Luiz Lara
Post: Bruna Marquezine protagoniza
nova campanha da Omoda
Diva maravilhosa!
Maria Helena Aragão
Post: ABA homenageia Alê Oliveira
Parabéns, merece muito!
Gustavo Bastos
Homenagem mais do que merecida!
Toshio Yamasaki
IAA 2
“Quando você entra em uma agência criativa, em qualquer lugar do mundo, seja em
Estocolmo, Londres, Mumbai, Singapura, Beijing, Sydney, a pessoa mais criativa do mundo
é brasileira. O Brasil é um dos melhores exportadores de criatividade”, afirmou ele.
Duailibi Essencial
“Creio que se sempre olhássemos para o céu, acabaríamos por ter asas”
(Gustave Flau bert).
dorinho
TELAS NOS ÔNIBUS
A C2R|Maely divulga a expansão de seus ativos de mídia digital nos ônibus de São Paulo. A
empresa dobra sua presença em número de veículos, chegando a 220 ônibus, e informa que
o volume representa um total de 480 telas em atividade e mais de 1,5 milhão de pessoas
impactadas por semana. A meta é chegar a 1.500 ônibus até o fim de 2026. “Continuamos
investindo em iniciativas que reforçam nosso compromisso com a qualidade nas entregas
e fortalecendo a presença do ônibus não apenas como um meio de transporte, mas como
também uma plataforma de comunicação real e diária que se comunica com milhões de
pessoas”, disse Rogério de Moraes, CEO C2R|Maely.
CALçAdOS
Em nova campanha, a
Usaflex apresenta um novo
sentido para a “zona de
conforto”. Antes associada
à acomodação, a marca
defende que o termo
representa um estado
de potência, plenitude e
autoconfiança. Focada no
público feminino, a nova
tagline ‘Viver pede conforto’ tem como base as “conversas com nossas consumidoras”,
afirma Manuela Cardona, diretora de marketing da Usaflex. O novo posicionamento foi
desenvolvido em parceria com a Touch Branding, responsável por estruturar o conceito que
orienta essa nova fase. O trabalho envolveu pesquisas e escuta ativa com consumidoras,
redefinindo pilares de comunicação, identidade e propósito.
8 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
curtas
Divulgação
SP HOuSE amPlia PrESEnça nO SXSW,
quE tErá maiS dE 250 SESSõES Em 2026
XR Exhibition e Artists Valley são as novidades da São Paulo House na 40ª edição do South by
Southwest (SXSW), que ocorrerá de 12 a 18 de março de 2026, em Austin, no Texas (EUA), com
mais de 250 sessões apresentadas por lideranças de Adobe, Disney e Microsoft, entre outras
empresas, que debaterão o futuro da tecnologia, marketing, design e entretenimento ao longo
de sete dias. A agenda da SP House ocorrerá de 13 a 16 de março em uma estrutura de contêineres
com área total de 2,2 mil metros quadrados - quase o dobro da edição deste ano. A Congress
Avenue será o novo endereço da SP House. A mudança responde à reconfiguração da dinâmica
do festival, que receberá visitantes em hotéis espalhados pelo centro de Austin, e não mais no
Convention Center. Sob o tema ‘What makes São Paulo borderless?’, o novo espaço XR Exhibition
terá imersões de realidade estendida, e o Artists Valley exibirá trabalhos de arte urbana. Na
39ª edição, que ocorreu de 7 a 15 de março de 2025, a casa recebeu mais de 15 mil pessoas. Com
1,2 mil metros quadrados, o polo de debates e shows - que atraiu dez mil visitantes em 2024 -,
abriu com o grafite de Carolina de Luiz Folego Silva (foto). A SP House é organizada pelo governo
do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas,
em parceria com InvestSP, agência de promoção de investimentos vinculada à Secretaria de
Desenvolvimento Econômico, e conta com apoio da Prefeitura de São Paulo.
AfricA creAtive reAlizA portfólio Night 2025
Divulgação
Netflix pode comprAr WArNer BroS. diScovery
Dima Solomin/Unsplash
Inscrições para o evento devem ser feitas pela plataforma Eventbrite, com vagas limitadas
Movimentação reflete busca acirrada por produção de conteúdo e capacidade de distribuição
A sede da Africa Creative - que fica no número 3.477 da Avenida Brigadeiro Faria Lima, no Itaim
Bibi, na Zona Oeste de São Paulo -, sediará a 14ª edição do Portfolio Night, no dia 17 de novembro,
às 19h. As inscrições podem ser feitas pela plataforma Eventbrite. A taxa de participação
custa cerca de R$ 50 (US$ 10) e as vagas são limitadas. Pelo terceiro ano consecutivo e quarta
vez em sua história, a agência recebe o evento global da The One Club for Creativity, comunidade
internacional dedicada ao fomento da criatividade. O Portfolio Night acontece em
dezenas de cidades ao redor do mundo e é considerado um dos maiores encontros globais para
conectar estudantes e novos profissionais a líderes da indústria criativa.
A Netflix avalia a possível compra da divisão de estúdios e streaming da Warner Bros. Discovery.
A informação é da agência de notícias Reuters, e foi confirmada por fontes próximas à suposta
transação. O banco de investimentos Moelis & Co. foi contratado para analisar a proposta. O
negócio daria à Netflix o controle sobre franquias como Harry Potter e DC Comics, além das
séries You e Maid. A movimentação reflete a busca acirrada entre os players do setor por produção
de conteúdo aliada ao potencial de tecnologias de distribuição a cargo dos streamings.
A Warner Bros. Discovery já anunciou processo de revisão, que inclui a venda total ou parcial de
ativos ou a divisão da empresa.
receitA do Spotify creSce 12% No 3º tri reNAto SimoN chegA à criAção dA ArtplAN iAB moStrA poteNciAl de iA No retAil mediA
Freepik
Divulgação
DCStudio/ Freepik
Plataforma tem 281 milhões de assinantes em 180 países
O Spotify obteve receita de 4,3 bilhões de euros no terceiro
trimestre de 2025, um aumento de 12% em relação ao
mesmo intervalo do ano anterior. O resultado operacional
alcançou 582 milhões de euros no período. “Temos
precificação, inovação em produto, eficiência operacional
e a eventual virada positiva em anúncios para impulsionar
receita e lucro”, garante Daniel Ek, fundador e CEO do Spotify,
que aprimorou a experiência Free e lançou ferramentas
de mixagem de playlists, áudio sem perdas e integração
com o ChatGPT, entre outros recursos. O volume de usuários
mensais ativos do Spotify cresceu 11%, para 713 milhões. Já a
alta no número de assinantes foi de 12%, para 281 milhões
de pessoas em mais de 180 mercados, e a América Latina é
responsável por uma fatia de 23%.
Renato Simon e Roberta Moraes: virada criativa e líder inspirador
O novo diretor-executivo de criação da Artplan São Paulo
é Renato Simon. O executivo atuará ao lado de Roberta
Moraes, que ocupa a mesma função, se reportando
aos CCOs da agência, Rodrigo Almeida (Monte), Rafael
Gil e Marcello Noronha. “Eu não havia nem nascido e a
Artplan já era uma agência renomada. Hoje, vive uma
virada criativa inspiradora, e o mercado tem reconhecido
isso”, comenta Simon. “A chegada do Renato é
motivo de orgulho e alegria para todos nós. Um profissional
com talento criativo reconhecido mundialmente,
mas, mais do que isso, um líder inspirador e querido por
todos. Não poderíamos estar mais felizes por ter Renato
e Roberta passando a comandar a criação de SP juntos”,
afirmam os CCOs da Artplan.
Mídia de varejo ganha força com infraestrutura de dados
Estudo do IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau) mostra o
impacto da inteligência artificial no mercado de retail media.
Foram mapeadas infraestrutura para personalização, mensuração,
otimização criativa e governança de dados, além de
tendências, casos reais e recomendações para o uso de IA até
2030. A meta é garantir que “a IA traga transparência, interoperabilidade
e valor sustentável para o ecossistema de mídia
e comércio”, declara Denise Porto Hruby, CEO do IAB Brasil.
Entre varejistas e retail media networks (RMNs), o desafio é
investir em infraestrutura de dados interoperáveis; as marcas
devem avançar para o GEO (Generative Engine Optimization);
e agências e adtechs precisam de integração técnica e ética
da IA. A recomendação é automatizar tarefas operacionais
repetitivas, como ajustes de bids e análise de dados.
10 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
quem fez
Janaina Langsdorff
interina
janaina@propmark.com.br
DM9
Decolar
Fotos: Divulgação
Título: ‘Partiu Decolar’
Campanha: Black Friday Decolar
CEO: Pipo calazans
COO: Thomas Tagliaferro
CCO: yuri Mussoly
CSO: Stephanie campbell
VP de conteúdo e inovação: cléber Paradela
VP de produção: anna Ferraz
Heloísa Perissé e a filha Luísa estão na primeira campanha da DM9 para a Decolar
desde a conquista da conta, há dois meses. Pensada para a Black Friday,
no dia 28 de novembro, a ação destaca a facilidade em planejar viagens. Plano
de mídia tem filme para TV aberta, rádio, OOH digital, plataformas de streaming,
shopping centers e peças no ambiente digital, além de estratégia de
influência com 13 criadores de conteúdo, entre macro e microinfluenciadores.
In-hoUse
ccaa
Título do filme: ‘entrando numa fria’
Criação e redação: adilson Xavier
Produtora de imagem: cine
Direção: clóvis Mello
1º assistente de direção: Toni Diniz
2º assistente de direção: Jaque Bonano
Direção de fotografia: lucas Mello
Os atores Andréa Mattar, Marcelo Várzea e Charles Paraventi (foto) retornam
à comunicação da rede de ensino de idiomas CCAA em campanha que
pretende captar alunos para 2026. TV, digital, videomanifesto, rádio, DOOH,
material para franquias e ambientação integram a mídia. A nova identidade
está nas redes sociais e em ativações com influenciadores. O filme já
pode ser visto no digital. Na TV, a estreia ocorrerá em janeiro de 2026. Há
ainda promoções com sorteios de pacotes de viagem para o Caribe.
GUT
Zé Delivery
Campanha: ‘Modo turbo’
CCO: Bruno Brux e Tiago abreu
ECD: rainor Marinho e Sofia calvit
Creative director: Daniel achucarro e Guilherme Nesti
Associate creative director: Gabriel Padilha e Bill Queiroga
Art director: Fill almeida, Júnior Santos e Gabriella Barreira
Copywriter: clécius Gonzaga, andré Prestes e Deco artilheiro
‘Black Friday chama Zé Delivery’ comunica descontos de R$ 30 em
compras acima de R$ 170 com o cupom Blackfridayze, e destaca a capilaridade
logística da Ambev com o ‘Modo turbo’, que entrega bebidas
geladas em até 15 minutos. Três filmes de 15” e 10” transformam
as compras em motivos para brindar com amigos. Marca lembra: beba
com moderação e a venda é destinada apenas a maiores de 18 anos.
12 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
%
da
geração
Z
vai
ao
CINEMA
Número
MAIOR
que este, só os
%
de atenção
à tela.
Olha só o que vem por aí!
Quando você quiser falar com a
Geração Z, fale com o cinema.
Fonte TGI Brasil 2024 R4 pessoas. Nascidos entre 1997 e 2012.
esg no mkt
Alê Oliveira
Previsões da Mintel:
o futuro pede mais
humanidade
Os consumidores não querem apenas inovação;
querem preservar o que nos torna humanos
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
Alexis Thuller Pagliarini
Neste último bimestre do ano, aparecem as previsões
e os estudos que podem contribuir para
a estratégia do ano seguinte. Divido com você
um deles. O relatório ‘Global consumer predictions
2026’, da Mintel, oferece um panorama instigante
sobre as transformações nos comportamentos de
consumo em direção a 2030.
Mas, para além de tendências de mercado, ele revela
um ponto central: os consumidores não querem
apenas inovação; querem preservar o que nos torna
humanos. Em um mundo que avança para a hiperautomação,
três movimentos se destacam — e todos refletem
valores humanos essenciais:
1) Anti-Algorithm (Antialgoritmo): o valor da autonomia
e da autenticidade. Os algoritmos nasceram
para simplificar escolhas. Mas quando passam a moldar
identidades, gostos e relações, surge o desconforto.
Cresce o sentimento de que o “eu digital” está
sendo escrito por uma lógica que não é nossa. O recado
é claro: consumidores querem a tecnologia como
ferramenta de liberdade, não de condicionamento.
Isso resgata valores fundamentais:
1.1 - Autonomia: a liberdade de escolher e compreender
o porquê das escolhas; 1.2 - Criatividade: a busca
pelo inusitado, pelo “desvio da rota”; 1.3 - Autenticidade:
o direito de sermos únicos, mesmo que a máquina
prefira padrões. Quando marcas se deixam guiar apenas
por dados, perdem a chance de criar vínculos afetivos.
A eficiência algorítmica não substitui histórias,
imperfeições, surpresas — elementos que constroem
conexões humanas.
2) The new young (O novo jovem): o valor da realização
contínua. A longevidade e a mudança dos marcos
sociais estão derrubando a lógica de que juventude é
destino e maturidade é declínio. O que emerge é uma
vida mais longa e com múltiplos recomeços.
Aqui, três valores ganham destaque:
2.1 - Propósito: viver intensamente cada fase, não
postergar sonhos para “depois”; 2.2 - Dignidade: combater
preconceitos etários que limitam quem continua
ativo e desejoso de aprender; 2.3 - Relação intergeracional:
o encontro entre energia e experiência
como fonte de inovação social. O que antes era “crise
da meia-idade” tranforma-se em redescoberta. Aos 50,
60, 70 anos, mais pessoas viajam, empreendem, amam
e se transformam — não porque querem parecer jovens,
mas porque a vida continua viva. As marcas que
insistirem em comunicar apenas para “a juventude da
propaganda” perderão o consumidor que mais cresce
— e que mais deseja viver bem o agora.
3) Affection deficit (Carência afetiva): o valor do
afeto como necessidade básica. O relatório aponta um
alerta: a automatização das interações está nos afastando
uns dos outros. Quando a conveniência elimina
o encontro, o coração sente falta. A solidão tornou-se
epidemia silenciosa. E, diante dela, as pessoas buscam
afeto onde ele é mais seguro e previsível: animais, natureza,
ficção, IA.
Mas isso não substitui o que só relações humanas
oferecem: vulnerabilidade, troca, coragem de ser visto.
O afeto não é acessório. É infraestrutura emocional
para existir. Marcas que desejam relevância cultural
precisam contribuir para: 3.1 - Comunidade: criar espaços
e experiências onde pessoas não sejam apenas
indivíduos isolados; 3.2 - Cuidado: oferecer serviços
que acolham fragilidades, não apenas transações; 3.3
- Pertencimento: reforçar a sensação de que há um lugar
reservado para cada um. A pergunta-chave passa a
ser: minha marca promove laços humanos ou apenas
elimina fricções?
O fio condutor entre esses três macroinsights é: humanizar
para prosperar. Nesse novo ciclo, marcas serão
julgadas não apenas pela inovação que entregam, mas
por como preservam o humano em um mundo que se
automatiza. Porque, no futuro que se anuncia, aquilo
que fará diferença já está entre nós: a autenticidade
do encontro, a coragem de recomeçar e o valor insubstituível
do afeto.
14 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Sistema de monitoramento da Advance
TMS chega ao Brasil no início de 2026
Ferramentas prometem abastecer os anunciantes com dados, análise
competitiva e mais accountability para auxiliar na tomada de decisões
A
empresa norte-americana de
inteligência de dados para publicidade
out of home (OOH), Advance
TMS, anuncia a sua chegada ao
Brasil, prevista para o início de 2026.
O sistema proprietário de monitoramento
e data intelligence integra uma
plataforma de big data que abastece
os anunciantes com dados, análises
competitivas e mais accountability -
demandas exigidas pelo setor.
Terceiro meio que mais movimenta
mídia no país - com montante de R$
1.426.103 e participação de 11,9%, segundo
os resultados do primeiro semestre de
2025 apurados pelo Painel Cenp-Meios -,
a mídia OOH busca cada vez mais insights
orientados por dados para obter resultados
transparentes.
“Entramos com uma plataforma de
inteligência de dados comprovada, que
proporciona a visibilidade quase em
tempo real de que o mercado de mídia
OOH carece atualmente”, comenta, em
nota, Ricardo Martinez, CEO da Advance
TMS, que tem ao seu lado Christian Frias
(COO), Elcie Brito (CFO) e Sofia Ramirez
(gerente de projetos).
A proposta da Advance TMS é baseada
em um modelo de monitoramento
contínuo e robotizado que, segundo a
empresa, proporciona mais profundidade,
frequência e flexibilidade do que
as pesquisas tradicionais. A plataforma
de big data é atualizada a cada 15 dias,
frequência alinhada aos formatos utilizados,
por exemplo, em anúncios nos ônibus
e muppies. A promessa é gerar dados
sobre a visibilidade de campanhas, atividades
de concorrentes e tendências de
investimento, permitindo mais agilidade
na tomada de decisões.
“A nossa experiência internacional
nos ensinou que combinar tecnologia
avançada, incluindo IA, com uma compreensão
profunda das necessidades locais
é essencial. Estamos comprometidos em
Christian Frias (COO), Elcie Brito (CFO) e Ricardo Martinez (CEO): expansão pode alcançar as cinco principais cidades do Brasil
estabelecer uma presença forte, capacitando
a indústria brasileira a melhorar
o planejamento, a execução e o accountability
geral, com dados que atendem a
padrões globais”, garante Martinez.
O sistema utiliza software integrado,
em parceria com a Crezes, para fornecer
métricas precisas sobre impressões de
pessoas e veículos. A plataforma digitaliza
o cenário do mercado OOH, garantindo
acesso a relatórios, rankings e evidências
fotográficas geolocalizadas em tempo
integral, além de mapas, testemunhas e
insights competitivos.
Mais de 600 categorias de produtos,
anunciantes, marcas e fornecedores são
analisadas pela Advance TMS - presente
nos Estados Unidos, México, Guatemala,
El Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa
“Estamos
comprometidos
em estabelecer
uma presença
forte”
Divulgação
Rica e Panamá. Havas Group, GroupM, IPG
e Publicis estão entre os clientes.
“A expansão será avaliada com base
na demanda, com o objetivo de, eventualmente,
cobrir as cinco principais cidades
do Brasil”, planeja Martinez. Uma
equipe de campo local e um coordenador
de rotas serão contratados para
firmar o compromisso da empresa em
fomentar empregos, expertise local e o
desenvolvimento da indústria OOH no
Brasil - hub para a América Latina.
O modelo de negócios é B2B. O objetivo
é capacitar anunciantes, agências
e operadores de OOH a utilizarem uma
plataforma para planejamento de mídia,
auditoria e análise de mercado, servindo
como uma ferramenta para pitches e
processos de licitação.
patrocínio
16 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
entrevista
gabriela onofre
CEO do Publicis Groupe Brasil
A lógica do poder único
Desde que assumiu o comando do
Publicis Groupe Brasil, Gabriela Onofre
conduz um processo de integração que
consolida o modelo ‘Power of one’ no
país. O conceito, que propõe a eliminação
de barreiras entre especialidades e a
união das agências sob um mesmo
ecossistema de dados, tecnologia
e criatividade, ganhou força com
movimentos estruturais como a compra
da BR Media Group, a criação da Publicis
Edge, os lançamentos do TikTok Hub e
da Publicis Production. Com guidance
global em alta e resultados expressivos
na América Latina, o grupo investe
na sinergia entre dados, storytelling
e performance para impulsionar
campanhas e negócios. Na entrevista a
seguir, a executiva detalha os avanços da
operação brasileira, o papel das novas
unidades e os rumos da holding até 2026.
Vitor Kadooka
O modelo ‘Power of one’ foi criado para eliminar barreiras entre as
especialidades do grupo. Quais mudanças estruturais você implementou
desde que assumiu o cargo para acelerar essa integração?
O modelo permite que nossos clientes encontrem no Grupo Publicis todas as soluções
de comunicação de que precisam. Para que ele ocorresse em sua plenitude no Brasil,
fizemos um trabalho de análise profunda das capabilities que precisávamos ter dentro
de casa e quais precisavam ser aprimoradas ou reorganizadas. O pensamento que nos
guiou nesse processo foi o de colocar tudo o que era escalável — criando um verdadeiro
hub de dados, tecnologia, comercialização de mídia e produção para fortalecer aquilo
que cada agência tem de único, que é a criatividade, a estratégia e o pensamento de
negócio conectado diretamente ao business dos clientes. Nesse processo, entendemos
também que as marcas demandam cada vez mais um marketing de influência refinado,
que esteja presente desde o início do processo de criação. Por isso, fizemos uma
parceria com a BR Media, que depois acabou levando à compra da empresa pelo grupo.
Com certeza, um movimento que elevou ainda mais a nossa diferenciação no mercado.
Divulgação
O Publicis registrou o maior crescimento global entre as holdings em
2024 e mantém guidance positivo para 2025. Como esse resultado
global influencia a estratégia e o direcionamento do grupo no Brasil?
Guidance positivo e que acaba de ser mais uma vez revisado para cima — com os resultados
do terceiro trimestre, a expectativa agora é que o Publicis Groupe mundialmente
registre um crescimento orgânico de 5,5% em 2025. Fazer parte de um grupo que lidera
mundialmente a indústria (do ponto de vista do pensamento estratégico, mas também,
já há algum tempo, de valor de mercado) traz sinalizações importantes sobre como
devemos atuar no Brasil. Há um modelo de operação muito bem definido e já sabemos
que dá certo. Mas é importante entender que o Publicis Groupe nunca se prendeu a
fórmulas prontas. Desde que nasceu, quase cem anos atrás, ele sempre se adiantou
ao futuro.
E como esse comportamento, antecipação e inovação se refletem
na operação brasileira?
Vivemos isso intensamente na última década, quando o grupo comprou a Sapient, a
Epsilon e outras empresas especialistas importantes, virando a chave da personalização
em escala muito antes da concorrência e se colocando em um lugar totalmente
diferenciado no atendimento aos clientes. Esse espírito empreendedor, nós também
implementamos aqui, não só com a compra da BR Media, mas com o lançamento de
uma unidade de produção, a Publicis Production, do TikTok Hub e da Publicis Edge, de
dados e tecnologia. O resultado é que contribuímos para um desempenho muito forte
da América Latina durante todo o ano: no terceiro trimestre, a região registrou crescimento
orgânico de 9,6%. Já no primeiro semestre do ano, esse mesmo índice chegou a
impressionantes 23,6%.
18 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
“Temos um norte claro de espelhar toda a pluralidade
da população brasileira em nossas agências”
A integração da Epsilon com a Retargetly criou um dos maiores
bancos de dados de identidade da América Latina e agora se soma
à BR Media Group. Quais ganhos essa combinação traz para os
anunciantes em termos de alcance e mensuração?
A compra da Retargetly permite que a Epsilon se fortaleça na América Latina e que os
nossos clientes possam fazer campanhas com segmentação de audiências de forma
incomparável na região. Estamos falando de uma personalização cirúrgica em grande
escala. É sobre atingir a pessoa certa, no lugar certo, com a mensagem certa, de fato.
A chegada da BR Media complementa esse ecossistema de “mídia conectada”, como
costumamos dizer, agregando às campanhas de performance o potencial do marketing
de influência. Do pequeno ao grande influenciador, somos capazes de construir estratégias
que se baseiam em afinidade e confiança com as comunidades das marcas em
questão, conceitos de valor intangível.
O grupo lançou recentemente a Publicis Edge no Brasil. Quais
objetivos estratégicos orientam essa nova unidade e como ela
complementa as demais operações?
A Publicis Edge nasceu na Ásia e se tornou uma das principais referências em análise
de dados no mercado de lá, que é altamente competitivo e de vanguarda. No Brasil, a
Edge tem a missão de transformar dados e tecnologia em produtos que melhoram os
resultados dos clientes em áreas como mídia preditiva, social, CRM e commerce. Ela
é liderada pelo chief data & technology officer, Cleber Dantas, e conta com um time
de 200 profissionais. É uma unidade de negócios “especialista”, que tem a premissa
de criar soluções que se antecipem às demandas dos clientes, além de disponibilizar
ferramentas globais como a Predixon, de mídia preditiva. Outros produtos proprietários
que a Edge tem no Brasil são o Publicis Whisper (desenvolvido em parceria com a Meta
para conectar marcas e consumidores via WhatsApp) e o Content Max, que utiliza a IA
para mapear tendências e produzir conteúdo de social.
Qual é o papel do Publicis Sapient dentro da operação local? Há
sinergia direta com as áreas criativas, de mídia e tecnologia?
A Publicis Sapient comprou recentemente a Practia, uma das empresas mais inovadoras
da América Latina, para impulsionar a entrega de transformação digital aos clientes
em toda a região. Podemos acionar esses serviços de acordo com as necessidades dos
clientes. É o que sempre digo: o modelo “Power of one” nos permite ter diversas peças à
disposição. Montamos o Lego de acordo com as demandas das marcas que atendemos.
A LePub se tornou um símbolo da fusão entre dados e storytelling.
Como essa operação evoluiu no Brasil desde o case de Heineken?
A estratégia de marca deve nascer da análise de dados e da escuta ativa das redes. A
LePub conta com um time focado em transformar esses dados em insights poderosos
e soluções que podem ter qualquer formato: pode ser produto, campanha, uma instalação…
Falamos que a agência não cria anúncios, cria cultura. Isso traz frescor, conexão,
e, não à toa, a Heineken, e outras marcas atendidas pela LePub, seguem ganhando
relevância e estatura.
O grupo atingiu 70% de mulheres em cargos de liderança no Brasil.
Quais políticas ou iniciativas permitiram chegar a esse resultado?
Acho que, por ser uma liderança feminina, talvez eu tenha menos vieses. Porque muitas
dessas mulheres chegaram às posições que ocupam hoje de forma muito orgânica e
não por meio de uma ação afirmativa. Temos presidentes de agências e unidades de
negócios como Lica Bueno (Talent), Gabriela Borges (Publicis Brasil), Tato Bono (Publicis
Production) e Marília Queiroz (Arc) que seguiram uma trajetória natural e simplesmente
não encontraram as tais barreiras invisíveis com as quais outras mulheres se
deparam em suas jornadas. Mas é claro que temos muita intencionalidade também na
promoção de mulheres a cargos de liderança e na construção de um ambiente plural e
de pertencimento. Entre os nossos programas nesse sentido, estão o Entre, referência
na inclusão de mulheres na área de criação e hoje também com um forte recorte racial;
e o Ampliar, focado em talentos com deficiência.
Quais são as próximas metas de diversidade que o grupo pretende
estabelecer?
Contamos com metas de inclusão de alunas do Entre e dos mentorandos do Ampliar,
além da meta de aumentar o nosso número de pessoas negras de 28% para
31% até 2026, mantendo uma linha de crescimento constante e um pensamento
estratégico para a diversidade e a inclusão que torne as nossas políticas sustentáveis
e blindadas frente a reveses que vemos acontecer na indústria — na nossa
e em outras. Temos um norte claro de espelhar toda a pluralidade da população
brasileira em nossas agências. Sabemos que o caminho é longo, mas não abrimos
mão de avançar nessa trilha.
No ano passado, você mencionou ao propmark que a reestruturação
seguiria em 2025. Quais foram os principais movimentos
realizados até agora?
Fizemos algumas mudanças importantes neste ano: além do lançamento da Edge,
do TikTok Hub e da compra da BR Media, um movimento bastante relevante também
ocorreu com a Leo Burnett. A agência agora assina simplesmente como Leo e
absorveu a digital-first Performics. O objetivo é claro: dar mais tração à sua missão
de propagar insights humanos com a ajuda dos ferramentais tecnológicos e de
IA. A Leo passou, então, a ser liderada pelos copresidentes Fabio Brito e Rafaela
Queiroz, ganhou as concorrências de Jeep e Ram, entre as mais disputadas do ano,
e trouxe para casa a Estrela Preta, o Grand Prix do Festival do Clube, com o case ‘Gol
interrompido’, da Fiat. Em outras agências, tivemos um trabalho importante de fortalecimento
dos boards, como ocorreu na DPZ, com a contratação de Pedro Araújo
como CCO, a chegada de Luiza Camara Valente como VP de mídia e de Anna Martha
como VP de conteúdo, e a promoção de Maria Claudia Conde à CSO, compondo com
o CEO Benjamin Yung e a COO Flavia Cortes um board coeso e potente. Já na Talent,
esse trabalho havia ocorrido um pouco antes com a contratação do COO Eduardo
Megale, do VP de mídia e BI Vitor Kamada e do CCO Gustavo Victorino, que se uniram
à CEO Lica Bueno e à CSO Gabriela Soares.
E quais resultados já podem ser observados a partir dessas mudanças?
Os resultados dessas mudanças estão nos números de crescimento que citei, que refletem
o aumento de escopo em clientes importantes e a chegada de muitos novos logos
às nossas agências criativas — DPZ, Leo, LePub, Publicis Brasil, Talent — e na agência de
experiência Arc. Além de Jeep e Ram, Santander, Red Bull, Grupo Campari, Beiersdorf
(Nivea), Bioma Educação, Trivago e XP estão entre eles.
O grupo avança na consolidação de um único endereço em São
Paulo. Como essa proximidade física impactou a operação e a cultura
das equipes?
A Talent continua com a sua sede nos Jardins e a BR Media também segue com sede
em outro endereço da zona sul de São Paulo. As demais agências e unidades de negócios
estão reunidas na La Maison 400, mas cada uma tem seu espaço, identidade
e cultura. Ter a maioria das nossas agências próximas facilita o acesso ao hub de
dados, tecnologia e mídia que o grupo representa e a propagação de boas práticas
entre as agências. O Entre, por exemplo, nasceu na Publicis Brasil e hoje envolve
todo o grupo. Claramente, percebemos que o grupo é muito mais pujante porque
compartilha aprendizados e pode oferecer aos clientes, sem nenhuma fricção, uma
rede de serviços especializados de acordo com as suas demandas específicas.
Por fim, olhando para 2026, quais são as três prioridades estratégicas
que devem orientar o Publicis Groupe Brasil?
As prioridades estratégicas não mudam, mas se aperfeiçoam: ser o melhor lugar para
atrair as melhores pessoas; criatividade focada em resultados de negócios e impulsionada
por dados e tecnologia; e manter-se como o parceiro estratégico da transformação
dos negócios dos nossos clientes.
“A estratégia da marca deve nascer da análise de dados e da escuta ativa das redes”
jornal propmark - 10 de novembro de 2025 19
Marcas enxergam desafio de publicidade
ser motor tático no curto e longo prazo
ABA e propmark apontam 15 CMOs que estão à frente de grandes marcas
que se destacaram no mercado brasileiro em 2025. Equilibrar campanhas
criativas e de performance tem sido a chave para se diferenciar na mídia
Kelly Dores
cmo de destaque
Freepik
A
propaganda precisa ser um motor estratégico do
negócio, capaz de gerar impacto real e sustentável,
e não apenas conversão. Para isso, é preciso
mais do que criar campanhas icônicas ou campanhas
meramente de performance, que são efêmeras. A visão
de Sandra Martinelli, CEO da ABA (Associação Brasileira
de Anunciantes), traz à tona o que é hoje um dos
maiores desafios do marketing moderno: equilibrar o
curto e o longo prazo. “O que acontece é que estamos
vivendo em um mundo bastante imediatista e a pressão
por resultados diários, muitas vezes, atropela a
construção de valor sustentável”, diz a executiva, que
também é membro do Executive Committee da WFA.
A profissional avalia que, se nas últimas décadas o
papel do CMO era bastante especializado, focado fortemente
em habilidades humanas, como criatividade e no
branding das marcas, hoje essa realidade mudou. “Novas
prioridades na área da publicidade, o uso da IA, a mídia
programática, a expansão do digital e a fragmentação
da atenção do consumidor em inúmeros canais de mídia
são algumas das mudanças que estão exigindo novos
aprendizados desses líderes e demandando – para ontem
– habilidades tecnológicas, inclusive superando as
criativas”, reforça Sandra.
Para a CEO da ABA, hoje não é possível imaginar um
CMO que não tenha uma visão holística de dados, que
não entenda de estatística e de IA. Por isso, nessa seara,
acredita que o uso da IA no marketing seja o maior desafio
atual. “Quando uma marca usa IA em sua campanha,
trocando, por exemplo, modelos reais por virtuais, corre
o risco de ser questionada pelo consumidor. O consumidor
brasileiro quer mensagens personalizadas, mas não
quer ter sua privacidade invadida. Ele quer inovação e
tecnologia, mas também humanização. Então, encontrar
o equilíbrio para que a IA seja usada para potencializar
as campanhas, gerar experiências emocionais, trazer
insights mais precisos sobre os hábitos de consumo e
amplificar a criatividade, sem deixar de lado o olhar humano
e criativo que só nós temos, é um dos principais
desafios hoje”, avalia ela.
Com o objetivo de reconhecer alguns dos profissionais
que comandam o marketing de grandes marcas,
orquestrando estratégias de comunicação para se diferenciar
em um cenário de mídia cada vez mais fragmentado
e desafiador com o avanço da IA, pelo terceiro ano
consecutivo, ABA e propmark indicam CMOs de destaque
no mercado brasileiro em 2025. Nesta edição, 15 profissionais
fazem parte da seleta lista e dão depoimentos
nas próximas páginas sobre os desafios de equilibrar
criatividade, IA e performance para conquistar a preferência
do consumidor, entre outros temas urgentes.
A propaganda precisa ser o motor estratégico dos negócios no curto e no longo prazo
Sandra Martinelli: “O marketing será mais personalizado”
Como destaca a CEO da ABA, os profissionais de
marketing precisam olhar para o futuro com olhos de
oportunidade. “Nossa publicidade continua sendo uma
potência criativa, temos profissionais extremamente
talentosos e, agora munidos de toda essa tecnologia,
acredito que os resultados serão ainda melhores. O
marketing do futuro será mais personalizado, criativo,
inovador e sensorial, explorando todos os nossos sentidos,
não somente a visão, com narrativas vivas, muitas
cocriações com comunidades e influenciadores e carregando
valores legítimos e coerentes com a sociedade.”
Sandra vê o futuro do marketing como uma coreografia
entre tecnologia e sensibilidade humana. Para ela, a
verdadeira disrupção estará na capacidade das marcas
de manter originalidade, tom de voz, propósito e conexão
cultural. “Eu costumo dizer que, se todo mundo passar a
ser extremamente tecnológico, usar os mesmos modelos
de IA, tudo ficará homogêneo. Faremos campanhas
iguais. Então, a criatividade, como principal potência da
publicidade, não morreu nem morrerá; pelo contrário,
ela será o fator de diferenciação essencial das marcas.
Será sobre mesclar algoritmos com imaginação.”
20 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
As pessoas vão sentir
um frio na barriga.
Ou não vão sentir nada.
Elas vão cantar no chuveiro, comentar no churrasco.
Ou vão deletar da memória.
Suas pupilas vão se dilatar alguns milímetros.
Ou ficar iguais.
Elas vão rir, chorar, compartilhar.
Ou desligar.
As pessoas vão querer ver de novo.
Ou dar skip.
Elas vão fazer piada usando aquilo.
Ou fazer piada daquilo.
Vão se emocionar, dançar, se contorcer.
Ou torcer o nariz.
Vão se lembrar daquilo décadas depois.
Ou esquecer no segundo seguinte.
Uma ideia pode ser f#d@. Ou não.
cmo de destaque
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‘Ser mais relevante
que conteúdos de
entretenimento é meu dia
a dia’, diz CMO da Stellantis
Alessandra Souza considera que a busca
por atenção, furar o bloco ruidoso da mídia
pulverizada, é um grande desafio do marketing
“Defendo que as grandes
ideias cumpram o ‘duplo
dever’: gerar impacto de
negócio sem abrir mão
de construir memória
publicitária”
Criatividade é o que transforma dados em decisão
e cultura em preferência. Essa é a resposta de
Alessandra Souza, CMO da Stellantis South America,
sobre um dos maiores desafios dos CMOs: como
unir criatividade e negócios. “Defendo que tecnologia
e inteligência artificial só fazem sentido quando estão
claramente conectadas a um benefício de negócio, como
crescimento, margem ou market share, e que o fator
humano permanece insubstituível para interpretar
ambiguidades e conectar marcas à cultura.”
Na prática, segundo ela, isso começa com um briefing
orientado a um problema de negócio, passa por ideias
fortes que se adaptam a diversos formatos e termina
em uma mensuração full funnel, que deve e precisa incluir
indicadores de branding. “Essa combinação evita a
‘otimização ao algoritmo’, que, isoladamente, compromete
a diferenciação.”
Para a CMO da Stellantis, controladora de marcas
automobilísticas consagradas como Fiat, Peugeot, Jeep
e Ram, marca é o que descommoditiza, especialmente
em um setor com oferta crescente, novos entrantes e
aceleração tecnológica. A executiva afirma que busca
equilibrar histórias consistentes de marca, que constroem
desejo, preferência e percepção de valor, com mecanismos
de conversão no varejo e no digital.
“Também defendo que as grandes ideias cumpram o
‘duplo dever’: gerar impacto de negócio imediato, sem
abrir mão de construir ativos distintivos e memória publicitária.
Minha atuação como jurada em prêmios de
criatividade reforça essa régua de qualidade no ecossistema”,
pontua Alessandra.
Em relação aos seus principais desafios na cadeira de
líder de marketing em um cenário volátil como o atual,
ela enumera três frentes: volatilidade competitiva — novas
marcas, eletrificação e ciclos de produto mais curtos;
atenção fragmentada — precisamos vencer tanto no algoritmo
quanto na cultura; talento e times — orquestrar
criação, dados e tecnologia sem perder identidade.
Alessandra afirma que, na era do marketing 5.0, o seu
principal foco são as pessoas. “Busco ser clara sobre onde
precisamos chegar e de que forma enxergo o marketing
5.0, minha maneira de expressar o que quero construir.
Trabalho para capacitá-las tecnicamente e no pensamento
analítico-estratégico”, reforça ela. A executiva destaca que,
no mercado automotivo brasileiro, a entrada de players
asiáticos e o avanço acelerado da eletrificação mudaram
o jogo. Segundo ela, o resultado é que criatividade com
disciplina comercial se tornou uma vantagem competitiva.
Sobre as rápidas mudanças tecnológicas, a CMO da
Stellantis traz um ponto interessante ao pontuar que
IA é “capacity-builder”, não atalho. Para se manter up
to date, ela conta que participa ativamente de fóruns
do setor, “ser jurada é, para mim, um MBA em si mesmo
e promovo pilotos controlados (criação, produção,
analytics) com governança, brand safety, direitos, LGPD”.
Ao mesmo tempo, a executiva reitera: “O humano decide
o que é relevante e a tecnologia escala o que funciona”.
In-house ou agências externas? Sobre o modelo ideal
a ser adotado para ganhar eficiência na comunicação,
Alessandra diz: “Trabalho em modelo híbrido: agências
(Leo, BETC Havas, Essence, MuchMore, Merckel) e capacidades
in-house (dados, estratégia, mídia, growth, sites,
conteúdo, performance, CRM, estratégia de negócio para
dealers). A eficiência vem de três coisas: governança clara
de papéis, conteúdo modular (ideia central, múltiplos
formatos) e KPIs compartilhados de negócio e marca.
Isso garante coerência entre as marcas do portfólio e a
velocidade de execução na região”.
Para a CMO da Stellantis, a busca por atenção, furar o
bloco ruidoso da mídia fragmentada, é um grande desafio.
“Encontrar relevância e ser mais relevante que conteúdos
de entretenimento (como vídeos de gatinhos,
bebês etc.) é o meu dia a dia. Acredito que os canais nos
permitem entrar em contato com fãs de conteúdos que
podem estar em sintonia com os valores da marca, a
partir desse ponto, precisamos criar conteúdos que conversem
com a linguagem do programa/canal e do nosso
produto. Dessa alquimia, surge o clique para a atenção e
construção do desejo e ação para o consumo”, considera.
Ela revela que seu mantra como líder vem do livro
‘Pense de novo’, de Adam Grant: repensar o que fizemos
e o que estamos aplicando com o olhar do aqui e do agora.
“Em um mundo volátil, precisamos estar atentos para
avaliar se as decisões passadas ainda fazem sentido no
momento atual. Sempre”. Sobre o futuro da propaganda
e do marketing com o avanço da IA, Alessandra destaca
que vê um futuro de conteúdo em escala com taste: produção
ágil, dados inteligentes e curadoria humana para
estar mais vezes, e melhor, na vida das pessoas. “Ganhar
cultura será um diferencial competitivo. A eficácia não
virá de mais peças, mas de ideias que se espalham
com identidade de marca”, aposta a executiva. KD
22 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
cmo de destaque
Divulgação
“As marcas que
equilibrarem automação
com afeto e precisão
com propósito liderarão
o próximo ciclo do
marketing”
‘A criatividade é o motor
que transforma dados e
insights em ações de valor’,
destaca CMO da Bauducco
André Britto afirma que o que realmente
consolida uma marca é a continuidade da
verdade, com discurso e prática na jornada
Para André Britto, CMO da Bauducco, a criatividade
é um ativo estratégico de negócio, traduz propósito
em performance e garante diferenciação em
mercados cada vez mais competitivos. “Na Bauducco,
essa mentalidade criativa está presente em tudo o que
fazemos. Da inovação de produtos às campanhas, da experiência
à cultura. Mais do que inspirar campanhas, a
criatividade é o motor que transforma dados e insights
em ações de valor, equilibrando soluções de marketing
orientadas à conversão com iniciativas de branding que
fortalecem a preferência de longo prazo pela marca.”
Em sua opinião, resultado e construção de marca
caminham juntos. “Marcas fortes equilibram o curto e
o longo prazo, entregando valor imediato sem perder
coerência com o propósito, garantindo também a sua
perpetuidade. Na Bauducco, adotamos uma visão integrada:
performance orientada por dados e eficiência,
sustentada por um storytelling verdadeiro e experiências
de marca genuínas. É o equilíbrio entre conversão
e conexão. Entre entender as ferramentas que impulsionam
o negócio e o motivo pelo qual o consumidor escolhe
a marca. Esse pensamento guiou nosso processo
de contemporanização, que consiste em ser atual sob a
lente do propósito. As collabs refletem esse movimento
ao unir resultado e relevância cultural.”
Para o executivo, o maior desafio do líder de marketing
hoje é manter consistência em um mundo que
muda a cada segundo, pois o segredo passa por trabalhar
como uma orquestra. “Times internos, agências e
parceiros conectados em tempo real, com clareza estratégica
e de seus papéis, guiados por um propósito comum.
Também é um desafio entender e navegar a fragmentação
cultural. Da tradição do panettone às collabs
com o universo gamer, aprendemos que relevância não
vem de estar em todos os lugares, mas de estar onde faz
sentido. Como eu gosto sempre de falar: Ser atual, pela
lente do propósito”, contextualiza Britto.
Ele avalia que quanto mais amplo for o leque de referências
e experiências, maior é a capacidade de estabelecer
conexões, promover sinapses criativas e enxergar
novas possibilidades de aplicação prática. “Inspiração
nasce de repertório e propósito. Acredito que liderar é
criar um ambiente onde as pessoas se sintam parte de
algo maior e tenham liberdade para pensar diferente.
Não acredito em super-herói ou o profissional completo.
Acredito na força do coletivo. O líder de marketing tem
de pensar na composição do time ampliado (incluindo
parceiros), trazendo pessoas com as mais diversas visões,
experiências e contextos, pois será através dessa
pluralidade que problemas complexos poderão ser resolvidos
e grandes ideias poderão ser geradas.”
Prova disso é que a Bauducco trabalha com um ecossistema
integrado de agências. “A Galeria é nossa parceira
de publicidade no Brasil, responsável por liderar a
estratégia criativa e de comunicação da Bauducco. Já a
Ampfy atua tanto em social da marca quanto à frente de
toda a comunicação da Casa Bauducco. A Bullet é nossa
agência de promoções, enquanto a GBR conduz todo o
trabalho de imprensa e reputação corporativa. Em influência
e creators, contamos com a Grapa, e em performance
digital e e-commerce, com a Vitrio”, descreve.
Assim como a maioria dos CMOs, Britto considera que
o contexto de mídia atual é um grande desafio para as
marcas. Para ele, em um cenário onde todos disputam
atenção, o segredo não está em falar mais, mas em fazer
sentido na jornada do consumidor. “O público hoje
empresta tempo apenas ao que realmente o toca e é
essa conexão emocional que buscamos em cada ponto
de contato da Bauducco”, reforça ele.
Em sua visão, as marcas que constroem vínculos duradouros
são aquelas que têm uma narrativa coerente e
consistente ao longo do tempo. “A Bauducco é movida
por um propósito claro: criar conexões genuínas. Campanhas
pontuais e ações com influenciadores têm um
papel importante: ajudam a amplificar conversas e gerar
proximidade. Mas o que realmente consolida uma marca
é a continuidade da verdade, quando o discurso e a prática
se encontram em diferentes momentos da jornada.”
O executivo destaca que inovação sempre fez parte
da essência e está na origem da Bauducco desde a notória
frase do fundador Carlo Bauducco: “Se não tiver, a
gente faz”. E diz: “Hoje, essa mentalidade se traduz em
uma cultura que vai muito além de lançar novos produtos.
Inovamos em três dimensões: produto, cultura e
modelo de negócio”. Por fim, o CMO da Bauducco acredita
em um futuro híbrido, em que dados e tecnologia
estejam a serviço da criatividade e da emoção. Não o
contrário. “A inteligência artificial vai transformar a forma
como planejamos, mensuramos e personalizamos
comunicação, mas, por mais avançadas que sejam as
ferramentas, o marketing continuará sendo sobre boas
histórias e significado. O desafio será manter o olhar
humano: usar dados para entender, não substituir; automatizar
sem automatizar o pensamento”. KD
jornal propmark - 10 de novembro de 2025 23
cmo de destaque
Divulgação
“Enquanto a
performance entrega
resultados no presente,
a criatividade constrói
relevância e valor de
marca para o futuro”
‘Performance e
criatividade são forças
complementares’,
afirma CMO da C&A
Na avaliação de Cecilia Preto Alexandre,
o equilíbrio entre razão e emoção é o
que sustenta marcas memoráveis
Criatividade continua sendo a melhor resposta para
diversas equações que o marketing moderno
apresenta. A CMO da bem-sucedida varejista de
moda C&A considera que a criatividade vai além de uma
grande ideia. “É uma decisão estratégica que deve ser
aplicada nas decisões do dia a dia, na forma como atuamos
e solucionamos os problemas. Quando aplicada,
potencializa os resultados do negócio em muitas dimensões:
melhorando a percepção de valor da marca, trazendo
eficiência ao investimento alocado e, claro, garantindo
impacto no momento da grande verdade para o
consumidor, que é a compra”, diz Cecilia Preto Alexandre.
Na avaliação da executiva, performance e criatividade
são forças complementares. Enquanto a performance
entrega resultados no presente, a criatividade constrói
relevância e valor de marca para o futuro. “O verdadeiro
diferencial está em integrar métricas e significado, operar
com eficiência sem abrir mão da essência da marca e
do seu grande diferencial. Marcas que têm clareza sobre
o que representam e agem com consistência transformam
cada interação em uma oportunidade de gerar
lembrança e conexão, além de conversão. Esse equilíbrio
entre razão e emoção é o que sustenta marcas memoráveis
e resilientes ao longo do tempo.”
Em um cenário marcado por transformações simultâneas
— tecnológicas, culturais e comportamentais —, ela
destaca que o principal desafio da liderança em marketing
é manter clareza estratégica e coerência de marca.
“Em meio à complexidade, nosso papel é traduzir dados
e múltiplos canais em planos simples, acionáveis e centrados
nas pessoas. E não se apaixonar por soluções high
tech que não respondam às dores dos consumidores.
Além disso, é essencial formar times preparados para
esse ritmo acelerado. Na C&A, promovemos autonomia,
aprendizado contínuo e colaboração, porque acreditamos
que o marketing é, acima de tudo, um exercício
coletivo de escuta ativa e criação de valor para a nossa
marca e, consequentemente, para o nosso negócio”, fala.
Na C&A, segundo ela, tecnologia é meio para viabilizar
projetos. “Usamos ferramentas como inteligência
artificial para ampliar nossa capacidade de personalizar
experiências, mas sem perder o olhar humano que dá
contexto e sentido às decisões”, reforça Cecilia. “Sempre
comento com meu time sobre a necessidade de ampliarmos
o nosso repertório e sei que nem sempre é fácil
e evidente participar de festivais e fóruns. Sendo assim,
há alguns anos estabeleci uma rotina na qual reservo de
1h a 1h30 da minha sexta-feira para falar com parceiros e
escutar novos projetos, e são sempre nesses momentos
que eu aprendo muito e amplio meus horizontes.”
Para a CMO da C&A, a inspiração nasce da cultura de
escuta e troca ativa. “Acredito que ideias relevantes surgem
quando diferentes perspectivas se encontram, por
isso, gosto de estimular um ambiente de colaboração,
curiosidade e diversidade. Também valorizo a experimentação.
Quando o time tem liberdade para testar e
aprender, o erro vira aprendizado e o insight se torna
parte natural do processo”, complementa.
Sobre a escolha do formato in-house ou agências
externas, a marca também segue a configuração híbrida.
“Atualmente trabalhamos com a VML como nossa
agência principal, que lidera os grandes movimentos da
marca. Contamos também com a Thinkers no nosso dia
a dia, para criação de conteúdos e narrativas diárias. A
Thinkers também é responsável pelo LAB, nosso time in-
-house para social media e produção; e com a Máquina,
que lidera nosso PR. Acreditamos em um modelo híbrido,
que une o olhar criativo e provocador das agências com
a agilidade e o conhecimento profundo do nosso time
interno”, pontua Cecilia.
Segundo a executiva, relevância é mais importante
do que simplesmente estar presente com um discurso
que não conecta com os consumidores. “Na C&A, buscamos
estar onde o consumidor está, mas com propósito.
O nosso posicionamento ‘A gente se encontra na C&A’ é
um exemplo disso: mais do que vender, ele fala sobre
expressão pessoal, realização e o potencial que a moda
tem para cada um ser quem deseja ser.”
Há apenas cinco meses na C&A, Cecilia afirma que assumir
a marca tem sido uma experiência transformadora.
“É uma marca com alma brasileira, feita de histórias reais.
Isso me inspira a continuar evoluindo. Para se manter relevante,
é preciso ter coragem para desapegar de fórmulas
prontas e disposição para aprender de novo todos os
dias”, lembra. A executiva aposta que o futuro do mercado
será definido pela união entre tecnologia e criatividade.
“A inteligência artificial vai transformar o modo como
produzimos e mensuramos, mas o diferencial continuará
sendo o olhar humano, aquele que enxerga cultura, emoção
e propósito. Em um mundo cada vez mais automatizado,
o que é genuinamente humano se tornará ainda mais
valioso. As marcas que conseguirem equilibrar precisão
tecnológica com relevância cultural e empatia serão as
que continuarão a inspirar e liderar.” KD
24 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
cmo de destaque
“A consistência aliada
a um propósito claro
é a melhor forma de
construir e reforçar
o posicionamento
de uma marca”
Divulgação
‘Marcas memoráveis são
as que unem impacto
e significado’, ressalta
diretor-executivo da ESPM
Para Fernando Cesário, criatividade é o elo
entre performance e construção de marca,
e transforma dados em narrativas relevantes
Fernando Cesário, diretor-executivo de marketing
da ESPM, segue a linha de quem acredita que a
criatividade vai muito além de criar grandes campanhas.
Para o profissional, ser criativo é unir imaginação,
dados e empatia para repensar modelos de negócio,
gerar valor e inspirar equipes a inovar continuamente.
“A criatividade, portanto, deixou de ser apenas um
diferencial e se tornou essencial para o crescimento
sustentável e a adaptação das marcas em um cenário
em constante transformação. As melhores soluções
criativas não nascem apenas da inspiração, mas da capacidade
de observar o mercado, interpretar tendências
e traduzir essas percepções em estratégias tangíveis.”
Em sua opinião, criatividade é o elo entre performance
e construção de marca. Ela transforma dados em base
para narrativas relevantes, gera resultados de curto prazo
e, ao mesmo tempo, fortalece o valor e o propósito da
marca no longo prazo, pois consegue encontrar espaços
e oportunidades para dialogar com diferentes públicos.
“Marcas memoráveis são as que unem impacto e significado,
equilibrando eficiência com emoção. As marcas
que conseguem isso sempre estarão à frente”, diz ele.
O diretor da instituição, que é a maior referência em
marketing no Brasil, reforça que, em um cenário volátil,
nem sempre a resposta mais inovadora é a mais eficaz,
mas sim aquela que faz sentido para o momento e para
o público. “Quando o time está alinhado, aberto ao diálogo
e conectado às transformações culturais e de consumo,
ele se torna capaz de criar estratégias verdadeiramente
relevantes, que unem propósito, performance
e valor para a marca”. Em seu entendimento, a melhor
forma de inspirar o time é liderando pelo exemplo.
“Quando o líder demonstra que aprender e explorar faz
parte da rotina, isso contagia e motiva todos a fazerem
o mesmo”, completa.
Com uma estrutura de comunicação e performance
in-house, Cesário explica que a decisão não é, de forma
alguma, falta de confiança no trabalho das agências ou
de parceiros externos. “Muito pelo contrário: temos profundo
respeito e admiração pelo mercado, até porque
foi a própria ESPM que formou boa parte dos maiores
publicitários e profissionais de marketing do Brasil. Por
essa razão, entendemos que, estando na posição de uma
escola protagonista na formação do mercado, seria delicado
escolher uma agência em detrimento de outra.”
Ações de comunicação de longo prazo com propósito
são mais eficazes do que campanhas pontuais com influenciadores?
“Sim, acredito que ações duradouras são
mais eficazes do que campanhas pontuais de qualquer
natureza. A consistência, aliada a um propósito claro, é a
melhor forma de construir e reforçar o posicionamento
de uma marca, pois cria vínculos genuínos e sustentáveis
com o público. Entretanto, é totalmente justificável
que, dependendo do momento do negócio, seja necessário
priorizar ações de resposta rápida. Em determinados
contextos, resolver o presente é uma questão de
sobrevivência”, avalia ele.
O diretor-executivo de marketing da ESPM observa
ainda que ações de curto prazo também precisam ter
propósito. “É possível alinhar resultados imediatos a
uma visão maior, e é justamente aí que a criatividade se
torna fundamental. Ela é o ponto de conexão entre o urgente
e o relevante, permitindo que até campanhas táticas
reforcem o posicionamento e os valores da marca.”
No quesito tecnologia, Cesário considera que a inteligência
artificial tem um papel cada vez mais relevante
nos negócios, mas, para ele, é fundamental lembrar
que, no centro de tudo, continuam as pessoas. “Dentro
da lógica do marketing H2H (human to human), a tecnologia
deve ser uma aliada para aproximar, nunca um
obstáculo para o relacionamento humano. Empatia não
é automatizável. É sobre conhecer, reconhecer, cuidar e
acolher. E isso, quem sabe fazer é o ser humano. A verdadeira
força do marketing humanizado está em equilibrar
o uso inteligente da tecnologia com a sensibilidade humana
que dá sentido a cada interação. Porque, no final,
o que constrói confiança e pertencimento não é o algoritmo
- é a conexão entre pessoas”, sentencia.
Para ele, o futuro da propaganda e do marketing
com o avanço da IA será, sem dúvida, mais ágil e mais
personalizado — e pode ser mais inteligente se essa ferramenta
for bem utilizada, o que exigirá mais cautela,
uma forte curadoria criativa e estética, além da sensibilidade
para que elementos de empatia e cuidado com o
indivíduo não sejam esquecidos. “A IA tende a revolucionar
a forma como entendemos o público. Ela permitirá
análises em tempo real, com base em comportamentos
e contextos, o que tornará as mensagens muito mais relevantes
e oportunas. As campanhas serão cada vez menos
genéricas e adaptadas às individualidades. O desafio
estará em usar esses dados com ética e sensibilidade,
respeitando a privacidade, a autonomia das pessoas,
sem jamais abandonar o território da criatividade e da
estética criativa”, relembra ele.
KD
26 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
cmo de destaque
Alê Oliveira
‘Ações que dialogam com
causas reais e entram na
cultura geram confiança’,
atesta VP da Diageo
Guilherme Martins lembra como Johnnie
Walker é uma marca que dialoga com seu
tempo e usa a criatividade para o progresso
“O dado sem a intuição
leva todas as marcas
para o mesmo lugar e
torna tudo homogêneo”
À
frente de uma marca com um dos posicionamentos
mais longevos e bem-sucedidos da história
da propaganda, o VP de marketing e inovação da
Diageo não hesita em afirmar que criatividade é o que
faz com que uma marca seja vista, lembrada, falada e,
então, comprada. “Johnnie Walker é um grande exemplo
disso. Há mais de 25 anos, ‘Keep walking’ tem um dos
posicionamentos mais consistentes do mercado. Cases
como ‘Errata aos 88’, com Alaíde Costa, e ‘Forte são elas’,
que colocou mulheres no centro da conversa, mostram o
poder de uma marca que se reinventa, dialoga com seu
tempo e usa a criatividade como ferramenta de progresso”,
destaca Guilherme Martins.
O executivo usa a teoria do pêndulo para o dilema
entre entregar resultado e construir uma marca memorável
ao mesmo tempo. “Nos últimos anos, com o avanço
da agenda de dados e digital, a performance virou uma
prioridade — e precisa continuar sendo, porque traz ferramentas
importantes de eficiência, que garantem que
o que estamos investindo gera retorno. Mas, ao mesmo
tempo, o dado sem a intuição leva todas as marcas para
o mesmo lugar e torna tudo homogêneo. Sabemos que
metade do retorno de tudo o que as marcas fazem vem
justamente do fato de serem únicas e de terem uma
mensagem forte”, exemplifica ele.
“Na Diageo, por se tratar de uma companhia de destilados
e marcas premium que são ícones de lifestyle,
nunca perdemos essa essência. Usamos os dados a serviço
da eficiência, mas muito mais para fortalecer o significado
e a longevidade das marcas — construindo valor
na cabeça das pessoas e, ao mesmo tempo, fortalecendo
o pricing power e o valor percebido no longo prazo.”
Em um mundo de transições muito rápidas, com novos
comportamentos, regulamentações, mídias emergentes
e valores culturais em transformação, Martins
ressalta que um dos maiores desafios é antecipar mudanças
sem sacrificar o que já construiu valor. “O papel
do marketing vai além de comunicar: é ajudar a moldar
cultura, inspirar comportamentos e gerar impacto positivo.
Além disso, o líder de marketing hoje precisa ser um
verdadeiro condutor — alguém que olha para o consumo,
mas também para todo o negócio. É um grande conector
dentro da organização, alinhando supply, vendas,
atendimento, sociedade e todos os stakeholders que, de
alguma forma, comunicam e constroem a marca”, diz.
O executivo afirma acreditar que a inspiração vem do
ambiente, da cultura, da liberdade para errar e de uma
curiosidade constante. “O processo criativo nasce quando
o time se sente seguro para experimentar e olhar o
mundo com atenção. Por isso, incentivo vivências fora
do óbvio, como saídas em campo, imersões culturais,
conversas com artistas, criadores e profissionais de outras
áreas. Tudo isso amplia o repertório e faz com que
as ideias surjam de lugares novos.”
O VP de marketing e inovação da Diageo prova que
construir ações com propósito, que reverberam valores,
dialogam com causas reais e entram na cultura, gera
confiança, fortifica identidade e constrói reputação. “O
case ‘Forte são elas’, de Johnnie Walker, é um exemplo:
não foi só falar com mulheres, foi contar uma história,
desafiar estereótipos, fazer parte de conversas culturais
sobre gênero e representatividade. Isso cria ressonância
que vai além do ciclo de mídia”, explica ele.
Já em relação à inovação, Martins acredita que tudo
começa pela curiosidade, por questionar o óbvio, desafiar
o status quo e criar soluções que realmente gerem
valor para as pessoas. “Não se trata apenas de lançar
algo novo, mas de entender profundamente o comportamento
do consumidor e antecipar movimentos culturais
e sociais. A inovação está em conectar tradição e modernidade
com autenticidade, e há um ponto importante: a
inovação precisa ter propósito, de forma responsável e
guiada por compromissos de impacto positivo.”
Ele lembra que vivemos um momento em que a inteligência
artificial redefine o marketing em todas as
suas dimensões, da criação à distribuição, da análise de
dados à personalização de experiências. Mesmo assim,
avalia que o futuro da propaganda não será ditado pela
tecnologia em si, e sim por como escolhemos usá-la.
“A IA pode ampliar nossa capacidade criativa, nos dar
escala e precisão, mas é o olhar humano que transforma
informação em significado. Para marcas com o poder simbólico
e cultural que a Diageo carrega, o desafio está em
usar a tecnologia para aproximar, não automatizar. Queremos
que ela nos ajude a entender melhor as pessoas,
suas emoções, seus contextos e, a partir daí, criar experiências
mais relevantes e diversas. Isso passa por usar a
IA de forma ética, mas também sensível, alimentada pela
pluralidade de times, pela escuta ativa da cultura e pela
coragem de experimentar”, incentiva ele. KD
jornal propmark - 10 de novembro de 2025 27
cmo de destaque
Divulgação
‘Marcas memoráveis
vão além de campanhas
pontuais’, diz a VP de
marketing da Nestlé
Para Ionah Kochen, no fim, o que continua
insubstituível é o olhar humano, aquele
que entende pessoas, culturas e emoções
“A criatividade é o
motor da transformação
dos negócios. É o que
transforma dados em
ideias que conectam”
Ionah Kochen, VP de marketing e comunicação na Nestlé
Brasil, tem uma visão bem direta sobre o papel da
criatividade para as marcas. “Para mim, a criatividade
é o motor da transformação dos negócios. É o que transforma
dados, propósito e experiências em ideias que
conectam, geram valor e impulsionam resultados. Também
é o que permite a uma companhia se reinventar e
se manter relevante em cenários desafiadores.”
A executiva cita o relançamento do Chocolate Surpresa
como exemplo de como unir criatividade e propósito
para conectar gerações. “Atendendo a milhares
de pedidos dos consumidores, o ícone dos anos 1980 e
1990 voltou repaginado, com uma proposta alinhada aos
novos tempos. Produzido com cacau de origem sustentável,
o chocolate ganhou uma dimensão interativa com
o Mundo Surpresa, jogo criado na plataforma Roblox que
ensina sobre a produção responsável do cacau. Os tradicionais
cards também retornaram, agora em versão
digital — conectando nostalgia e inovação”, pontua ela.
Para a VP de marketing e comunicação na Nestlé Brasil,
uma marca só gera resultados sustentáveis quando
equilibra desempenho e relevância, construindo reputação,
conexão genuína com o público e presença duradoura.
“Marcas memoráveis vão além de campanhas
pontuais, transformando insights em experiências que
emocionam, engajam e geram valor real para o negócio.”
Em uma era de velocidade e transformação constante,
a executiva considera que os maiores desafios como
líder de marketing são equilibrar agilidade com profundidade
estratégica e manter a relevância e a conexão
com a operação. “É preciso inovar rapidamente, mas
sem comprometer a consistência e o propósito das marcas.
Também é necessário criar coerência e simplicidade
em meio à complexidade”, reflete ela.
Comandando uma multinacional do tamanho da
Nestlé, presente em 99% dos lares brasileiros, a executiva
lembra que cada ponto de contato — seja no supermercado,
nas redes sociais ou via telefone e e-mail
— traz sinais valiosos sobre desejos e oportunidades.
“Meu papel é estimular esse olhar curioso e estratégico,
mostrando que cada interação com o consumidor é uma
chance de aprendizado e inovação. Também reservo, todos
os anos, um tempo fora do escritório para viver com
o meu time experiências inspiradoras. É um momento
de troca e colaboração”, revela a VP.
Diante de um cenário multicanal e altamente pulverizado,
posicionar uma marca vai muito além de “aparecer”,
ressalta Ionah. “Na Nestlé, temos a oportunidade
única de nos conectar com consumidores diariamente
— seja em mídia tradicional, digital, redes sociais, e-commerce
ou em experiências físicas. Trabalhamos para que
nossas narrativas estejam sempre alinhadas ao propósito
de cada marca, conectando-nos com as pessoas
de forma genuína e significativa. Para ganhar atenção,
combinamos dados e criatividade. Insights de consumo
nos mostram onde e como engajar, enquanto a criatividade
transforma essas informações em histórias que
despertam interesse e vínculo emocional.”
Segundo ela, quando o propósito guia todas as
ações, desde iniciativas contínuas até ativações pontuais,
a marca se torna memorável, confiável e relevante,
equilibrando impacto imediato e construção de legado.
“Fomos pioneiros ao lançar a própria plataforma de creators,
fortalecendo o diálogo com criadores de forma estruturada
e estratégica. Quando o propósito orienta tanto
as ações de longo prazo quanto as ativações pontuais,
conseguimos equilibrar impacto imediato e construção
de valor duradouro”, afirma ela.
Também para a executiva, inovação vai muito além
de lançar novos produtos ou adotar tecnologias — é uma
mentalidade que orienta todas as decisões da companhia.
“Na Nestlé, ela nasce da capacidade de transformar
insights de consumo, tendências culturais e comportamentais
em soluções que geram valor real para as pessoas,
seja em produtos, serviços ou experiências.”
Para finalizar, ela não poderia deixar de falar sobre
inteligência artificial, que, em sua opinião, tem um enorme
potencial para transformar o marketing — desde
que usada com equilíbrio e propósito. “Quando vista
como uma parceira estratégica, e não como substituta
da criatividade humana, ela amplia nossa capacidade de
inovar, compreender o consumidor e criar experiências
relevantes. Na Nestlé, equilibramos dados e intuição
para que a publicidade seja eficiente e, ao mesmo tempo,
significativa e inspiradora. Mantemos o marketing
humanizado, mesmo em meio à tecnologia, usando ferramentas
próprias como o Marketing Mix Modeling, que
otimiza a alocação de mídia em tempo real. No fim, o
que continua insubstituível é o olhar humano — aquele
que entende pessoas, culturas e emoções.” KD
28 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
cmo de destaque
Divulgação
‘Estamos sempre
buscando o que podemos
fazer de diferente’,
revela CMO do Nubank
Para Juliana Roschel, a consistência de uma
marca não reside só em estética perene, mas
em como ela se adapta aos movimentos
“Sempre acreditei que
a construção de marca
deve estar em função
de um modelo de
negócio, e vice-versa”
Juliana Roschel, CMO do Nubank, fenômeno entre os
bancos digitais e uma das empresas mais valiosas
do Brasil, avalia que a dicotomia que surgiu em algum
momento nas estratégias de marketing entre
criatividade e performance criou uma falsa expectativa
de que a performance isoladamente geraria valor no
longo prazo ou que a marca sozinha não construiria valor
de negócio. “Quando pensamos em geração de valor a
partir do princípio de que marca gera valor, saímos de
uma discussão imediatista para uma visão estratégica
de longevidade de negócios. Eu sempre acreditei que a
construção de marca deve estar em função de um modelo
de negócio, e vice-versa”, ressalta ela.
No seu entender, o líder de marketing segue com a
responsabilidade de ser o conector das organizações:
garantindo que o consumidor esteja sempre no centro
do processo de desenvolvimento e inovação. Para a executiva,
a grande mudança nos últimos anos está na intensificação
com que esses processos acontecem. “O líder
de marketing precisa estar com o dedo no pulso dos
movimentos comportamentais da sociedade, conectado
aos avanços tecnológicos que impactam tanto o consumidor
quanto os negócios que ele gerencia e ter a habilidade
de articular um ponto de vista que pondere essas
variáveis de forma estratégica para a organização.”
Juliana revela que a curiosidade segue sendo a sua
maior força motriz. “Estar atenta aos movimentos com
um olhar crítico para, justamente, não se perder em mudanças
efêmeras e em movimentos de fato transformadores
é fundamental para manter o foco no que de fato
é relevante para o cliente”, aposta ela.
Com o mantra “Sermos obcecados por gente e apaixonados
por dados”, a CMO do Nubank reforça que os profissionais
de marketing precisam gostar genuinamente
de pessoas, se interessarem por suas histórias e praticar
o máximo possível de escuta ativa. “E para ganharmos
escala e construirmos ou desconstruirmos hipóteses,
precisamos estar confortáveis com a racionalidade dos
dados. A combinação entre emoção e razão é imbatível
nessa busca”, destaca a executiva.
Sobre o modelo de operação, Juliana conta que a marca
dispõe de diversos parceiros que a apoiam na construção
do valor de marca planejado. “A Wieden+Kennedy
é nossa AOR, liderando o trabalho criativo para as marcas.
O nosso incrível time criativo interno lidera iniciativas
importantes para mantermos a conexão cultural com
os nossos consumidores, além de ser responsável por
diversas linhas de campanha. Encontramos um modelo
de operação que privilegia a integração do pensamento
criativo respeitando as expertises que cada
parceiro tem de melhor. Essa combinação possibilita
que tenhamos narrativas de marcas claras, que se materializam
em múltiplas formas de maneira articulada
e eficaz”, afirma.
Com um framework de mídia que opera dentro de
uma estratégia de full-funnel, ela diz acreditar em estratégias
de comunicação que sejam relevantes para o
consumidor. “A consistência de uma marca não reside
apenas em uma estética e ética rígidas e perenes, mas
em como ela se adapta mediante os movimentos da cultura
e dos negócios. Podemos manter a nossa essência
como marca e ainda assim nos moldarmos ao que o consumidor
precisa e pede naquele momento. A beleza de
estratégias de comunicação vencedoras está justamente
na relevância e na conexão que essas histórias podem
gerar nas pessoas”, pontua Juliana.
Liderando o marketing de uma marca considerada
uma das mais inovadoras do momento, a executiva reforça
que a inovação é crítica para ganhar relevância.
“Dentro do Nubank, estamos sempre buscando o que
podemos fazer de diferente, qual é o ângulo de disrupção
que vamos trazer para tudo o que nos propomos a
fazer. Esses princípios estão marcados no nosso DNA.
Como marketing, esse ponto é ainda mais sensível, pois
nos desafiamos o tempo todo em como podemos surpreender
nossos clientes de forma que eles percebam o
quanto valorizamos a nossa relação com eles.”
Em sua opinião, o marketing sempre será dependente
do fator humano, pois só ele é capaz de discernir o que
é empatia, emoção, conexão e visão ampla de mundo. “A
inteligência artificial vem para nos ajudar a potencializar
essas habilidades e não para as substituir”, reflete.
Para a executiva, a conversa mais urgente que precisamos
evoluir com muito mais tração é sobre a ética e a
transparência que temos o dever de oferecer ao consumidor
sobre o uso de IA em qualquer camada de comunicação
que possa gerar impacto na vida dele. “Sem dúvida,
devemos incorporar os avanços e potencialidades
que a IA nos traz para evoluirmos na assertividade das
nossas mensagens, na adequação às necessidades dos
clientes, mas esse processo precisa ser feito com lisura
e muita responsabilidade”, alerta ela. KD
jornal propmark - 10 de novembro de 2025 29
cmo de destaque
Claudio Belli/Divulgação
‘Não há mais como
dissociar resultado da
construção de marca’,
avalia VP da Mondelēz
Para Renata Vieira, o marketing do futuro
será híbrido, combinando criatividade, análise
de dados e emoções de maneira integrada
“A criatividade continua
sendo o que diferencia as
marcas que se destacam
daquelas que apenas
comunicam”
A
criatividade sempre foi e continuará sendo o motor
que impulsiona o crescimento das marcas.
Com essa visão, Renata Vieira, VP de marketing
da Mondelēz Brasil, acrescenta que o que mudou é que
hoje a criatividade está ainda mais conectada a dados,
tecnologia e propósito. Para a executiva, quando bem
orientada, a criatividade não é apenas estética, mas resolve
problemas reais, gera valor de marca e impulsiona
resultados. “É o que torna uma ideia memorável, escalável
e culturalmente relevante. No fim, a criatividade continua
sendo o que diferencia as marcas que se destacam
daquelas que apenas comunicam.”
Na avaliação da executiva, não há mais como dissociar
os resultados da construção de marca. Segundo
Renata, a verdadeira chave para o sucesso está em equilibrar
consistência e inovação, criando uma narrativa de
longo prazo que também gerencie ativações de impacto
imediato. “Não se trata apenas de performance ou de
branding isoladamente, mas de encontrar maneiras de
gerar conexão emocional e retorno tangível ao mesmo
tempo. Na Mondelēz Brasil, buscamos essa integração
em todas as nossas ações, desde campanhas globais até
iniciativas locais. Um bom exemplo disso é Bis, que foi
pioneiro ao entrar no TikTok Shop, sendo a primeira marca
de alimentos a atuar na plataforma no Brasil”, diz ela.
Em resumo, o segredo está em ser audacioso na
criatividade, mas sempre com um foco claro no impacto
tangível e mensurável. “Quando as marcas conseguem
essa junção de inovação e estratégia, o retorno é não só
imediato, mas sustentável a longo prazo”, avalia. Para a
VP de marketing da Mondelēz, o maior desafio está em
traduzir velocidade em estratégia.
“O consumo, a cultura e a tecnologia mudam em
tempo real, e cabe ao marketing antecipar, interpretar e
reagir a essas mudanças sem perder a coerência da marca.
Outro ponto é equilibrar dados e intuição para obter
análises cada vez mais precisas sem abrir mão do olhar
humano, do contexto e da sensibilidade cultural. E, na
liderança, acredito profundamente na força da colaboração,
em como diferentes perspectivas, quando somadas,
ampliam ideias e fortalecem a visão holística necessária
para conduzir times e marcas em um cenário tão dinâmico”,
enfatiza Renata.
A executiva afirma que o modelo ideal para operar é
o que gera sinergia entre estratégia, criação e execução,
com o time interno de marketing dividido por marcas e
categorias. “Trabalhamos com agências parceiras conforme
o perfil e momento de cada marca: David para Bis,
Lacta e Sonho de Valsa; Leo para Club Social, Oreo, Trident
e 7Days; e, a partir de 2026, LePub será parceira de Oreo e
Trident; a PROS é agência de PR para as marcas; a LIVE é a
agência de conteúdo; e a NEO é a agência de performance
e full-funnel, agenda que queremos acelerar seguindo
o comportamento de consumo que hoje busca conversão
ao mesmo tempo em que geramos awareness de
um novo produto ou campanha de marca”, relata.
Em sua opinião, o maior ativo de uma marca é a constância.
“Manter um diálogo contínuo, transparente e coerente
com o que a marca realmente acredita é o que
cria um vínculo emocional duradouro. Esse compromisso
genuíno é o que diferencia uma marca que constrói
uma relação sólida com o público de uma que apenas
aparece em campanhas pontuais, sem deixar uma marca
verdadeira”. Já a inovação é parte do dia a dia. “Em um
portfólio diverso como o nosso, inovar também significa
adaptar-se: entender o que faz sentido para cada marca
e entregar algo que surpreenda o consumidor sem perder
coerência com o DNA das marcas.”
Ela ressalta que a IA já está transformando profundamente
a indústria do marketing, mas o futuro continuará
sendo pautado por ideias relevantes e humanas.
“O marketing do futuro será híbrido, combinando criatividade,
análise de dados e emoções de maneira integrada.
As marcas que entenderem esse equilíbrio sairão na
frente”, aposta Renata.
A executiva cita ainda a pesquisa ‘2025 global insights:
AI, automation and the future of digital advertising’,
da DoubleVerify, que mostra que profissionais de
marketing ainda gastam 26% do tempo (mais de 10 horas
semanais) com otimizações manuais, representando
um custo anual superior a US$ 17 mil por colaborador em
agências norte-americanas. O uso da tecnologia cresceu
32% na ativação de campanhas, 12% em otimizações de
bids em tempo real, 11% em resumos de briefings e 8%
em otimização criativa. No total, 91% dos profissionais já
utilizam ou planejam adotar ferramentas de IA para aumentar
a eficiência e o desempenho.
“Portanto, a IA não é uma ameaça à criatividade, mas
algo que a potencializa, permitindo que os profissionais
foquem no que fazem de melhor: criar campanhas que
conectem emocionalmente com o público, enquanto a
tecnologia cuida do resto”, finaliza Renata. KD
30 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
cmo de destaque
Divulgação
‘Marcas fortes se
constroem com
coerência e propósito’,
sintetiza diretora da Seara
Tannia Fukuda destaca que, como líder
de marketing, precisa garantir que a marca
seja relevante mesmo diante de mudanças
“Para continuar
evoluindo, é preciso
reaprender sempre e
deixar para trás o que
não faz mais sentido”
Em um tempo dinâmico em que o comportamento
das pessoas muda de um dia para o outro, a diretora
de marketing da Seara acredita que hoje o
maior desafio do marketing é encontrar o equilíbrio entre
consistência e velocidade. “Marcas fortes se constroem
com coerência e propósito. Como líder de marketing,
preciso garantir que a Seara continue sendo relevante,
próxima e inspiradora, mesmo que mudanças aconteçam.
E isso exige velocidade, coragem e criatividade,
mas também sabedoria para manter o que é essencial:
a confiança do consumidor”, destaca Tannia Fukuda.
Diante de um cenário de mídia cada vez mais fragmentado,
a executiva explica que a estratégia da empresa
é resultado de um planejamento multiplataforma de
alto impacto. “Não nos limitamos a um único canal: investimos
de forma significativa na televisão, com participações
estratégicas em programas de grande audiência
como o ‘Big Brother Brasil’, onde geramos múltiplas
conversas orgânicas, e também no digital. Essa abordagem
multiplataforma nos permite não só apresentar a
diversidade do nosso portfólio, mas também construir
credibilidade e proximidade, garantindo que a Seara
esteja presente e relevante nos momentos de consumo
mais importantes para o brasileiro.”
De acordo com ela, outro fator importante, visando
o objetivo de ganhar a atenção do público, é saber dialogar
com grupos específicos e entender seus anseios.
Para essa engrenagem funcionar, a marca tem quatro
agências de publicidade: WMcCann, Galeria.ag, CPB e
Ampla. “Contamos com agências parceiras incríveis, que
ajudam a traduzir a essência das nossas marcas em
grandes campanhas, e também com um time ágil e com
forte autonomia, voltado para conteúdo, redes sociais e
real time marketing. Mais do que a estrutura, o que faz
diferença é a integração entre as equipes. Quando todos
trabalham com propósito e em equipe, a comunicação
flui, e o resultado sempre se multiplica”, afirma Tannia.
Como parte da cultura da companhia, a executiva
ressalta que a inovação é trabalhada de forma horizontal.
“Na Seara, a inovação é parte da cultura, não um departamento.
Acreditamos em inovar com propósito, não
para ser diferente, mas para ser relevante. Trabalhamos
de forma colaborativa, unindo áreas de marketing, P&D
e negócios, sempre com foco em entregar algo melhor
para as pessoas. Trazemos, todos os anos, cerca de 80
produtos novos para os consumidores, orientados pelas
tendências e pelos desejos e aspirações. Para mim, inovar
é ter coragem de tentar, mesmo sem todas as respostas,
resiliência para insistir e humildade para ajustar
o rumo quando algo não funciona.”
Para a diretora de marketing da Seara, as pessoas
são e serão sempre o motor do sucesso. “O que me
trouxe até aqui foram as pessoas. Líderes inspiradores,
equipes motivadas, família sólida e apoiadora, e pessoas
diferentes, de todos os perfis e motivações, com quem
pude aprender e ensinar. E isso vai continuar. Mas o que
vai me levar adiante é também a flexibilidade, a abertura
e a sagacidade para aproveitar oportunidades do que
está por vir e a humildade para aprender com as pessoas.
Para continuar evoluindo, é preciso estar aberta,
reaprender sempre e ter a coragem de deixar para trás o
que não faz mais sentido”, pontua ela.
Na opinião de Tannia, o que torna o marketing poderoso
é a empatia, a emoção e a capacidade de criar
conexões verdadeiras. E a partir disso construir valor. “A
inteligência artificial é uma aliada incrível, nos ajuda a
entender comportamentos e prever tendências, automatizar,
melhorar o que já foi construído. Porém, entender
a fundo a alma e as motivações internas que não são
necessariamente faladas —, ter empatia com as pessoas
e individualizar a conversa são habilidades humanas que
são difíceis de serem superadas. “Na Seara, usamos tecnologia
para ganhar eficiência, mas é o olhar humano
que dá significado a tudo.”
Ela considera que o futuro da propaganda será marcado
por uma melhor conexão entre a criatividade humana
e a eficácia da tecnologia. “A inteligência artificial
vai eliminar processos repetitivos e liberar tempo para
pensarmos mais estrategicamente, mais criativamente.
Mas o diferencial continuará sendo humano, a capacidade
de contar boas histórias, provocar sentimentos e criar
vínculos. O desafio será usar a IA sem perder a alma da
marca”, destaca a executiva.
“Desde cedo, sempre tive uma curiosidade natural
por questões relacionadas ao comportamento humano
e a como a tecnologia pode auxiliar nesses dilemas. Mas
acredito que o aprendizado vem mesmo quando a gente
coloca a mão na massa. Por isso, na Seara, testamos rápido,
aprendemos rápido e adaptamos o que faz sentido”,
revela Tannia.
KD
jornal propmark - 10 de novembro de 2025 31
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‘O que sustenta uma
marca é a coerência entre
o que ela diz e o que faz’,
garante VP da Mastercard
Para Taciana Lopes, estamos entrando em
uma nova era, em que o marketing deixa de
ser sobre alcance e passa a ser sobre relevância
“A tecnologia evolui
diariamente, mas as
pessoas continuam
buscando o mesmo:
conexão, confiança
e propósito”
No comando de uma marca que tem um dos posicionamentos
mais invejados do marketing —
quem não gostaria de ter tido a ideia de ‘Priceless’?
—, Taciana Lopes avalia que a criatividade segue
sendo o que diferencia as marcas em um mundo dominado
por tecnologia, dados e comunicação em massa
nos meios digitais. “Na Mastercard, vemos a criatividade
e o olhar humano como pontos de equilíbrio entre
automação e estratégia de negócio. É a criatividade
que dá a forma humana à inteligência artificial, que
transforma a personalização em conexão emocional e
que garante que cada inovação tenha impacto real na
vida das pessoas”, acredita a vice-presidente sênior de
marketing e comunicação da Mastercard Brasil.
A executiva afirma que, na companhia, o marketing é
orientado por dados, mas movido por propósito. “O ‘Priceless’,
que há quase três décadas traduz nossa visão de
marca, mostra como uma ideia criativa pode se reinventar
continuamente e seguir gerando valor de negócio.”
Em um mundo em que tudo muda muito rápido, o
grande desafio é equilibrar inovação e consistência,
ressalta. “A tecnologia evolui diariamente, mas as pessoas
continuam buscando o mesmo: conexão, confiança
e propósito. O papel da liderança em marketing é justamente
garantir que a marca acompanhe o ritmo da
transformação digital sem perder sua alma humana e
seu DNA”. Na Mastercard, combinamos tecnologia e intuição
para criar experiências ‘que não têm preço’ e que
realmente façam sentido”, diz ela.
Outro desafio constante é liderar times e parceiros
em um ambiente tão dinâmico, que exige agilidade sem
perder coerência. “É preciso inspirar curiosidade, incentivar
a experimentação e, ao mesmo tempo, manter a
consistência da marca em todos os pontos de contato. O
segredo está em equilibrar velocidade com profundidade
— inovar sem perder consistência.”
Para a executiva, as ações de longo prazo, quando
guiadas por propósito, constroem confiança, lembrança
e relevância emocional, e isso não se conquista de um
dia para o outro. “O ‘Priceless’, criado há 28 anos, é um
dos melhores exemplos disso. Mais do que uma campanha,
ele se tornou um conceito vivo, que se reinventa
continuamente e orienta tudo o que fazemos. Campanhas
pontuais com influenciadores são importantes
para gerar conversa e ampliar alcance, mas o que sustenta
uma marca no tempo é a coerência entre o que ela
diz e o que ela faz. Também cocriamos com influenciadores,
mas sempre como parte de um movimento maior.
Vendemos confiança, segurança, conexão e experiências
que realmente não têm preço”, enfatiza.
Natural de Formiga, no interior de Minas Gerais, Taciana
reforça que sempre soube que queria trabalhar
com algo que conectasse pessoas e ideias. “No marketing,
isso significa equilibrar inovação e autenticidade.
O mundo muda em alta velocidade, mas o que realmente
sustenta uma marca é a sua capacidade de evoluir
sem perder a essência.”
Fiel à máxima de que a tecnologia deve servir às pessoas,
e não o contrário, a VP sênior de marketing e comunicação
da Mastercard Brasil destaca que a IA amplia
o potencial criativo e estratégico, mas não substitui
o olhar humano sobre cultura, contexto e propósito. “É
o fator humano que dá sentido aos dados e transforma
informação em significado. Por isso, equilibramos dados
e sensibilidade, combinamos automação com empatia,
criatividade e propósito. No fim, o objetivo não é substituir
o toque humano, mas ampliar nossa capacidade de
criar experiências que conectem, inspirem e despertem
confiança”, aposta.
Por isso, ela acredita que o futuro do marketing será
cada vez mais colaborativo entre pessoas e tecnologia.
“A inteligência artificial já nos permite personalizar jornadas
e otimizar processos, mas o verdadeiro diferencial
está em como as marcas usarão esses recursos para
gerar conexão emocional, relevância e confiança. A IA
está evoluindo da euforia para a responsabilidade. Mais
do que eficiência, o desafio agora é ético e cultural. Na
Mastercard, acreditamos que o futuro do marketing não
é apenas digital, é humano. É a nossa capacidade de
transformar esses insights em histórias e experiências
com propósito que nos mantém próximos das pessoas”,
completa Taciana.
Segundo a executiva, estamos entrando em uma
nova era, em que o marketing deixa de ser sobre alcance
e passa a ser sobre relevância. “E, nesse contexto,
o papel dos creators e das comunidades se torna essencial:
eles são as novas pontes de autenticidade e
cultura. No fim, o futuro do marketing será guiado por
propósito, confiança e experiências que realmente não
têm preço”, finaliza ela.
KD
32 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
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‘A criatividade é o
diferencial que nos
conecta com o público’,
diz a CMO do Assaí
Marly Yamamoto afirma que, no caso
do atacadista, o desafio é falar com tantos
“Brasis” sem perder a coerência da marca
“A tecnologia apoia, mas
a ideia e a mensagem
continuam nascendo de
pessoas, de observação
e de propósito”
A
criatividade é o ponto de partida para resolver
desafios reais dos clientes e gerar valor para o
negócio. E essa criatividade nasce de um processo
constante de escuta e observação, a partir do
comportamento de compra, das interações nas lojas e
das necessidades percebidas no dia a dia. A visão é de
Marly Yamamoto, CMO do Assaí, que destaca que esses
aprendizados são transformados em ideias, ações e
campanhas com propósito.
“No Assaí, que atua em um dos segmentos mais
competitivos do varejo alimentar, ela (a criatividade) é
o diferencial que nos conecta genuinamente com o público.
Um exemplo é o aniversário de 51 anos do Assaí,
neste ano. A campanha nasceu de um desafio concreto:
em um cenário econômico desafiador, como gerar uma
sensação de ganho real e imediato para os clientes? A
resposta veio por meio de uma mecânica simples e poderosa:
sorteios de compras grátis no caixa, com valores
de até R$ 750, garantindo a emoção do prêmio no ato da
compra. Esse é um exemplo de como o uso inteligente
de dados de comportamento, aliado à criatividade do
time, transforma insight em resultado”, ressalta ela.
À frente do marketing de uma marca que opera com
mais de 300 lojas nas cinco regiões do país, a executiva
afirma que o desafio é falar com tantos “Brasis” sem
perder a coerência da marca. “Para nós, não basta falar a
mesma língua; é preciso compartilhar a mesma linguagem.
Por isso, contamos com quatro hubs regionais de
marketing, com autonomia para criar campanhas e realizar
patrocínios que conversem diretamente com cada
comunidade local. A campanha de São Paulo é diferente
da do Amazonas, que é diferente da de Pernambuco e
todas refletem a mesma verdade de marca, expressa de
formas diferentes”, explica Marly.
A CMO do Assaí conta que o modelo operacional do
marketing é híbrido, “o que garante agilidade, integração
e sinergia entre times internos e externos, permitindo
eficiência e consistência na comunicação em todas
as frentes da marca”. Ela completa: “Temos uma agência
in-house, a StarMKT, dedicada à criação e planejamento,
além da BETC Havas, responsável por mídia, e da Megamidia
Group, que atua nas frentes digitais. Em projetos
específicos, contamos com parceiros estratégicos como
Pullse e Paprika Filmes”.
A executiva afirma que o ponto de partida da comunicação
é a loja, considerado o centro da experiência e
do relacionamento com o cliente. “A partir dela, estruturamos
uma estratégia phygital que conecta PDV, CRM e
conteúdo, garantindo que a mesma narrativa chegue de
forma integrada ao físico e ao digital. O app Meu Assaí é
um exemplo: integrado ao CRM, ele personaliza ofertas
e comunicações, atuando em conjunto com nosso site,
redes sociais e mídia on e offline. Hoje, são mais de 14
milhões de pessoas cadastradas no app”.
Em sua opinião, ações de comunicação de longo prazo
e campanhas pontuais não são caminhos excludentes.
Para ela, enquanto as ações de longo prazo constroem
significado, consolidam códigos de marca e fortalecem
propósito, as ações táticas, com influenciadores ou parceiros,
somam alcance qualificado, legitimidade cultural
e conexão com o momento.
“O critério é sempre o mesmo: qual problema do
cliente estamos resolvendo, qual métrica queremos
mover e como essa ação reforça a história principal da
marca? Quando há alinhamento, as ações pontuais potencializam
o longo prazo. É o que chamamos de brandformance:
criatividade e resultado caminhando juntos,
com coerência e propósito. Assim, a marca colhe resultados
imediatos sem perder consistência”, destaca.
Em relação à aplicação da tecnologia, a executiva
avalia que as ferramentas disponíveis e a inteligência
artificial ajudam a otimizar processos e aumentar a assertividade,
mas o vínculo humano nasce de empatia,
linguagem clara e atendimento resolutivo. “Por isso, investimos
em regionalização e personalização, com uma
estratégia de CRM integrada ao aplicativo e autonomia
dos hubs regionais para criar ações individualizadas. O
resultado é proximidade real: a mesma verdade do Assaí
dita de formas diferentes, por quem conhece o bairro e
respeita sua cultura.”
Marly lembra que a IA já faz parte de todo o ciclo de
marketing e comunicação, organiza dados, acelera processos
e personaliza experiências, tornando o trabalho
mais eficiente. Sua perspectiva é que o futuro da propaganda
será guiado pela combinação entre inteligência
humana e o potencial da tecnologia, aliando eficiência
e sensibilidade. “No Assaí, tratamos o tema com responsabilidade
e critério. A tecnologia apoia, mas a ideia e a
mensagem continuam nascendo de pessoas, de observação
e de propósito”, finaliza a CMO do Assaí. KD
jornal propmark - 10 de novembro de 2025 33
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‘O uniqueness de uma
marca depende da
criatividade’, observa
CMO da JBS Carnes
Anne Napoli lembra ainda que a medição
constante da performance do negócio embasa
a necessidade de mudança e de criatividade
“É preciso construir
uma jornada diária
de comunicação que
acompanhe o consumidor
e seja relevante para ele”
Com a crença de que o marketing tem de ser intrinsecamente
conectado com o negócio e, consequentemente,
com seus resultados, o chamado
“marketing de negócio”, a CMO da JBS Carnes afirma
que, para isso acontecer, o time precisa ser ágil, rápido,
criativo e pragmático, orientado a métricas e resultados.
No entanto, Anne Napoli lembra que a criatividade
sempre foi um diferencial importante para o marketing
e a publicidade, afinal, o “uniqueness” de uma marca depende
da criatividade.
O pensamento ratifica as conclusões do Relatório
Global de CMOs 2025, realizado pela Dentsu Creative, que
revelou que, para 89% dos líderes de marketing brasileiros,
a criatividade continua sendo uma qualidade insubstituível.
“A busca constante por insights, tendências
e conversas permite explorar a criatividade”, ensina a
executiva.
Porém, ela ressalta que performance e criatividade
não são temas antagônicos, ao contrário. “A criatividade
permite a diferenciação, que possibilita uma melhor
performance; a medição constante da performance
do negócio embasa a necessidade de mudança e de
criatividade”. Como tudo muda muito rápido, a executiva
avalia que é necessário estar sempre atento às diversas
tecnologias e ferramentas, e não hesitar em testá-las no
negócio, uma vez que os aprendizados são valiosos para
mudar a rota quando é necessário.
Anne afirma que o atual cenário é muito desafiador
devido à fragmentação da comunicação. Hoje, a marca
é atendida por agências externas. “As agências da Friboi
são externas: Lew’Lara e Ginga. Também temos parceiros
em live marketing e design, entre outros. É muito desafiador,
porque a comunicação se fragmentou muito, e
você precisa conhecer profundamente cada canal para
poder ser relevante e construir cada passo da jornada.
Tem de ser expert em OOH e, ao mesmo tempo, em conteúdo
digital, influenciadores e eventos. Para isso, você
precisa ter parceiros especialistas”, reforça ela.
Em um cenário multicanal altamente pulverizado,
posicionar a marca na mídia e ganhar a atenção do público
é o grande desafio, considera a executiva. “É preciso
construir uma jornada diária de comunicação que
acompanhe o consumidor e seja relevante para ele a
cada momento do dia. Para isso, é necessário alcançar
os diversos pontos de contato com veículos diferentes e
segmentados, testar mensagens e canais de mídia para
achar a melhor equação e, claro, medir o melhor modelo
para cada marca.”
Para Anne, o posicionamento de uma marca e sua
comunicação se constroem através da consistência
e do tempo. Isso significa que os pilares estratégicos
da marca sempre precisam ter coerência — o que não
quer dizer fazer a mesma coisa nem no mesmo formato.
“É totalmente possível trabalhar iniciativas táticas,
ações de oportunidade e influenciadores de forma pontual,
desde que isso esteja alinhado com o propósito
da marca.”
INOVAÇÃO
Ainda em linha com o levantamento da Dentsu Creative,
que mostrou que 88% dos entrevistados acreditam
que inovação é crítica para o sucesso de longo prazo das
marcas, a CMO da JBS Carnes reforça que ela é crucial
para as marcas, já que os hábitos de consumo mudam
constantemente.
“A inovação permite a diferenciação e a agregação
de valor no mercado. Ela move a preferência por marcas.
As equipes têm de estar constantemente se desafiando
para inovar em produtos, embalagens, serviços e comunicação.
Para isso, a empresa precisa ter processos estruturados
e criar uma cultura de inovação — sem medo
de errar, corrigir e avançar”, avalia a executiva.
Por fim, Anne acrescenta que existem fundamentos
de marketing que, com certeza, são a espinha dorsal da
carreira de um profissional da área. “Mas sempre aprendi
que repensar a forma de fazer as coisas todo dia, ser
curioso, incluir novas práticas e ferramentas e trabalhar
com equipes diversas e expert no que fazem é fundamental
para ser disruptivo e criativo e alcançar resultados
superiores.”
Com relação a manter o marketing humanizado diante
da ascensão da inteligência artificial, ela pondera
que a IA veio para ajudar a fazer o que fazemos de forma
otimizada e rápida. “Ela não substitui as equipes de
marketing ou os bons profissionais”, enfatiza a executiva.
“Acredito que (o processo) será similar à integração
da era do digital. Teremos de testar, usar, errar e corrigir
até alcançar o grau certo de maturidade — tudo dentro
da Lei de Proteção de Dados e com respeito aos direitos
autorais”, lembra a CMO da JBS Carnes.
KD
34 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
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‘Costumo dizer que a
criatividade é o que dá
alma à performance’, fala
diretora do Bradesco
Para Nathalia Garcia, o foco é usar os dados
de forma que o investimento traga resultados
e contribua para a construção de marcas fortes
“Uma campanha pode
gerar cliques, mas é a
ideia criativa que a torna
memorável, que constrói
uma conexão emocional”
Nathalia Garcia, diretora de marketing do Bradesco,
acredita profundamente no papel da criatividade
como motor da diferenciação e do crescimento
sustentável. “Para nós, aliar criatividade aos
negócios significa transformá-la em uma ferramenta
estratégica, pois o fator humano ainda é essencial.
Acredito que não seja apenas sobre ideias bonitas,
mas sobre soluções inovadoras que captam oportunidades
de negócio, engajam o consumidor de forma
significativa e geram valor real. É a fusão da intuição
criativa com a análise de dados e o entendimento profundo
do mercado”, reforça.
Em sua visão, performance e criatividade não são
polos opostos, mas sim aliados poderosos. “Eu costumo
dizer, inclusive, que a criatividade é o que dá alma à performance.
Uma campanha pode gerar cliques, mas é a
ideia criativa que a torna memorável, que constrói uma
conexão emocional duradoura com a marca. O foco é
usar os dados para informar e otimizar a criatividade, garantindo
que cada investimento não só traga resultados
imediatos, mas também contribua para a construção de
uma marca forte, relevante e amada a longo prazo.”
A executiva afirma que pensa nos desafios como
oportunidades. Ela considera que o cenário dinâmico,
veloz e complexo do marketing pode ser uma fonte
constante de aprendizado e inovação. “Os meus principais
desafios são manter a agilidade estratégica para
responder rapidamente às mudanças do mercado. Ao
observar as oportunidades, garantir que a equipe esteja
sempre à frente das tendências, mantendo o cliente no
centro de todas as nossas decisões, é primordial. Eu encaro
como um exercício contínuo de equilibrar a visão de
longo prazo com a execução tática de curto prazo, sempre
buscando a excelência e a relevância”, diz.
Nathalia avalia que a tecnologia é uma força transformadora
e o banco a abraça com entusiasmo. “Nossa
abordagem para nos mantermos atualizados é multifacetada
e proativa. Investimos continuamente na capacitação
e evolução das nossas equipes, promovemos
uma cultura de experimentação e pilotagem de novas
ferramentas e plataformas”, revela.
Para ganhar eficiência na comunicação, ela explica
que o Bradesco opera com um modelo que busca
o melhor dos dois mundos. “Contamos com agências
parceiras estratégicas, como a AlmapBBDO e a Dreamers,
que respondem pela comunicação de negócios
e institucional do banco, respectivamente. Além delas,
trabalhamos com a Altermark e a One Bra, e a 3C Gaming
para ações pontuais. Paralelamente, mantemos
uma robusta equipe in-house em nossa Sala de Mídia e
Performance, focada em estratégia, análise de dados e
otimização contínua. O modelo ideal, para nós, é aquele
que promove uma colaboração fluida entre agências e
equipe interna.”
Sobre o posicionamento da marca na mídia, a executiva
explica que não busca apenas ‘estar em todo lugar’,
mas sim estar nos lugares certos, com a mensagem certa,
para as pessoas certas. “Isso envolve um profundo entendimento
da jornada do nosso consumidor, investindo
em storytelling que ressoe com seus valores e necessidades,
e utilizando dados para personalizar e otimizar
cada interação”, ressalta.
Para Nathalia, ações de comunicação duradouras,
com um propósito claro e consistente, são a espinha
dorsal da construção de uma marca verdadeiramente
forte e resiliente. “Elas constroem confiança, lealdade
e um legado que transcende campanhas isoladas. Campanhas
pontuais, incluindo as com influenciadores, têm
seu valor inegável para gerar buzz, alcançar novos públicos
e impulsionar vendas em momentos específicos. No
entanto, quando essas ações pontuais estão alinhadas e
amplificam um propósito maior e uma narrativa de longo
prazo, seu impacto é exponencialmente maior.”
A executiva também tem uma visão otimista sobre o
uso da inteligência artificial no marketing. “A IA nos permite
automatizar tarefas repetitivas, analisar dados em
escala e personalizar comunicações de forma inédita.
Isso, por sua vez, nos libera para focar no que é essencialmente
humano: a criatividade estratégica, a empatia
genuína, a construção de narrativas emocionantes e a
compreensão profunda das nuances humanas”, pontua.
Em sua opinião, a IA abrirá novas fronteiras para a
criatividade, como uma espécie de ‘copiloto’ para os
profissionais de marketing, ajudando a identificar insights
mais rapidamente e a testar ideias em velocidade
recorde. “Acredito que o futuro é de um marketing mais
inteligente, mais ágil, mais criativo e, paradoxalmente,
mais humano, pois a IA nos permitirá focar na essência
da conexão e do valor, elevando o patamar da comunicação”,
finaliza a diretora de marketing do Bradesco. KD
jornal propmark - 10 de novembro de 2025 35
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‘O desafio das marcas não
é apenas ser vista, mas
ser escolhida’, reforça
diretor do Mercado Livre
Cesar Hiraoka fala que, para entregar resultados
e construir uma marca memorável, é crucial
integrar criatividade, propósito e impacto real
“Os consumidores não
estão só atentos, estão
atentos ao que faz
sentido para eles”
Em um mercado competitivo, onde a atenção é
o ativo mais disputado, a criatividade permite
transformar o reconhecimento da marca em
preferência e, consequentemente, em performance.
O olhar de Cesar Hiraoka, diretor sênior de marketing
do Mercado Livre, ajuda a explicar o direcionamento da
marca, que busca transformar os benefícios funcionais
do negócio em experiências que gerem interesse e fidelidade
no longo prazo.
“Para entregar resultados e construir uma marca memorável
ao mesmo tempo, é crucial adotar uma abordagem
estratégica que integre criatividade, propósito e
impacto real. O Mercado Livre, por exemplo, demonstra
isso ao impulsionar o progresso e gerar impacto na vida
das pessoas que fazem parte do nosso ecossistema. As
decisões criativas, a forma de conexão e a escolha de
territórios são guiadas pelo propósito de ampliar possibilidades
e criar experiências que movem a cultura e o
negócio”, destaca ele.
O executivo acrescenta que, para entregar resultados
e ao mesmo tempo gerar conversas, estuda o comportamento
do público em tempo real, testando formatos
com agilidade e criando campanhas que geram vínculos
duradouros. “Essa cultura tem sido fundamental para
fortalecer nossa presença em territórios estratégicos:
como música, esporte, moda, beleza e supermercados,
por meio de experiências que associam o interesse da
audiência com entregas em todas as etapas do negócio”.
De acordo com ele, isso só é possível quando se trabalha
com métricas que direcionem as decisões, garantindo
que investimentos em marca gerem retorno concreto.
Como líder de marketing do Mercado Livre, ele reforça
que precisa navegar por um ambiente complexo que
exige uma combinação de visão estratégica, inovação
tecnológica, criatividade na comunicação e um forte
compromisso com a experiência do cliente. “Vivemos
hoje na chamada ‘Nova economia da relevância’, em que
o desafio das marcas não é apenas ser vista, mas ser
escolhida. Os consumidores não estão só atentos, estão
atentos ao que faz sentido para eles”, pontua.
Hiraoka destaca que a forte integração entre as
áreas de marketing, relações públicas, CRM, mídia e
negócios contribui para o melhor direcionamento das
ações com foco em objetivos de negócios. Para tanto,
também trabalha com um ecossistema de agências especializadas.
“A GUT é nossa agência regional estratégica
e criativa. Temos a Bullet para o calendário promocional,
Ginga para social media e a ZetaBé (Mediabrands)
para mídia. Para PR e reputação, contamos com o Grupo
InPress. Esse modelo nos permite ter profundidade
técnica em cada frente e agilidade na execução, embora
a complexidade exija múltiplos parceiros. Buscamos
esse equilíbrio, mantendo um alinhamento consistente
entre todas as partes.”
O diretor sênior de marketing informa que o Mercado
Livre busca equilibrar ciência e cultura, inteligência de
dados, performance e IA com emoção, propósito e contexto
social. Além disso, atua fortemente em territórios
de paixão, como esporte, F-1, música e moda. “Iniciativas
como a placa gandula e o gramado em formato de código
de barras gigante durante o jogo Corinthians x Boca
Legends mostram como usamos a experiência física de
forma criativa para reforçar nossos atributos.”
Segundo Hiraoka, a inovação está no DNA do Mercado
Livre e é o que levou a marca à liderança no e-commerce
brasileiro. Por isso, é uma questão crítica para manter
a relevância da marca. “Isso se materializa em nosso
forte compromisso com a inovação, especialmente em
marketing e tecnologia. Mais do que reagir às mudanças,
buscamos antecipá-las. Testamos formatos com agilidade
e criamos campanhas que não só vendem, mas
criam vínculos duradouros. Essa capacidade de combinar
performance com construção de marca é o que mantém
o Mercado Livre sempre em beta contínuo - um dos
princípios culturais da nossa empresa.”
O mindset é trabalhar constantemente em busca da
reinvenção, “pois entendemos que o que nos trouxe até
aqui não é necessariamente o que nos levará adiante”.
Sobre o uso da inteligência artificial no marketing, o
executivo lembra que é preciso fazer o melhor uso dela,
com responsabilidade. Para ele, a tecnologia permeará
tudo, mas a competência central do marketing, que é
gerar crescimento e valor, continuará sendo fundamental.
“Embora a IA aumente a eficiência, não substituirá o
poder criativo humano. O futuro exige que a indústria de
publicidade se prepare e aja diante desta realidade. Isso
requer implementar a IA em sua infraestrutura, utilizando
esta ferramenta a seu favor, por exemplo, para tornar
o branding mais dinâmico, adaptando-se em tempo real
a um consumidor cada vez mais exigente.” KD
36 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
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‘Criatividade é transformar
complexidade em
simplicidade’, diz diretora
de marketing da Cielo
Thalita Martorelli opina que uma marca
memorável é aquela que tem presença onde
o consumidor está e onde faz sentido para ele
“O diferencial continuará
sendo a capacidade de
entender pessoas, criar
narrativas com propósito
e gerar valor real”
A
diretora de marketing da Cielo, Thalita Martorelli,
entende que não é só com visibilidade de marca
que uma empresa se projeta, sendo necessário
pensar em como produtos mudam vidas das pessoas
e ir além do core. E, para ela, a criatividade é o que une
tudo isso. “Criatividade, para nós, é transformar complexidade
em simplicidade, sempre com foco em gerar
valor para quem empreende no Brasil”, diz.
A executiva pontua que estamos caminhando de
uma era de tendências geracionais para movimentos
emocionais e culturais que nascem de comunidades,
fandoms e microculturas, com o Brasil como epicentro
dessa transformação, com um soft power cada vez mais
plural, regional e afetivo. Por isso, ela conta que a Cielo
tem investido em ações regionalizadas, como os patrocínios
ao Festival de Parintins, São João de Campina Grande
e Ocktoberfest.
“Em cada um desses eventos, levamos nossa tecnologia
de pagamentos, mas também nos conectamos por
meio da nossa marca e nosso time de vendas com a cultura
local, com os sotaques, os sabores e os ritmos que
fazem parte da identidade de cada região”, explica. Thalita
revela que, ao unir performance e presença cultural
relevante, foi possível entregar resultados concretos,
como o aumento de 189% na conversão de campanhas
com IA — e, ao mesmo tempo, fortalecer uma marca que
pulsa junto com o Brasil real.
Segundo ela, liderar marketing hoje é, acima de tudo,
um exercício de equilíbrio entre sensibilidade humana
e fluência tecnológica. “Mesmo com o avanço da inteligência
artificial, a essência da liderança segue sendo
profundamente humana. A IA pode automatizar processos,
mas não substitui competências como empatia, coragem,
escuta ativa e pensamento crítico que se tornam
ainda mais valiosas em tempos de transformação.”
Para gerar resultados sustentáveis, ela aposta no
equilíbrio entre ações de longo prazo e ativações pontuais.
“O que temos observado é que as campanhas com
maior retorno combinam dois pilares: ações pontuais
com influenciadores que falam com públicos diversos e
um embaixador fixo que nos ajuda a construir consistência
e profundidade na narrativa da marca ao longo do
tempo. Essa combinação permite tanto gerar impacto
imediato quanto fortalecer o posicionamento da marca
de forma contínua”, esclarece a diretora de marketing
da Cielo, que é atendida pela AlmapBBDO, responsável
pelo planejamento e execução das campanhas de marca,
incluindo estudo de mercado, compra e veiculação
de mídia. A estrutura conta com uma in-house composta
por um time de 15 pessoas para atuar na criação de peças
internas e conteúdos para redes sociais.
Sobre o posicionamento na mídia, a executiva informa
que o ponto de partida é uma mensagem de marca
clara e consistente, que posiciona a Cielo como parceira
do comércio no Brasil. “A partir disso, estruturamos uma
estratégia de mídia que combina segmentação inteligente,
regionalização e hiperpersonalização, sempre
com foco em relevância e impacto real.”
Inovar no setor de meios de pagamentos também é
outro desafio. “Por um lado, temos uma escuta ativa e
constante das dores reais dos nossos clientes, o que nos
permite evoluir produtos, melhorar experiências e entregar
valor no presente. Por outro, mantemos uma esteira
paralela de inovação onde testamos soluções que muitas
vezes ainda não têm demanda clara, mas que antecipam
comportamentos e tendências. No fim, inovação é
mais que estratégia: é uma mentalidade”.
Pragmática, Thalita ressalta que o futuro não é algo
a ser previsto, mas sim construído. Em sua visão, empresas
e profissionais que compreendem as pessoas e suas
necessidades estarão sempre à frente, já que a inovação
nasce da interseção entre imaginação, tecnologia e entendimento
humano. “Para a Cielo, o futuro está diretamente
ligado à criação de experiências que aproximam
as pessoas das soluções financeiras de forma segura e
intuitiva. As inovações mais transformadoras surgem
quando combinamos visão de futuro com um propósito
claro e o uso estratégico da tecnologia.”
Reforçando que a IA está transformando o marketing
em todos os níveis — da criação de conteúdo à personalização
da jornada do cliente —, a executiva acredita que
o futuro da propaganda será de quem souber usar a IA
para criar relevância com autenticidade.
“Estamos vendo o surgimento de um novo ecossistema
de busca, onde assistentes de IA serão os principais
curadores de conteúdo. Por isso, estamos investindo em
estratégias como GEO e AEO. A IA é uma aliada poderosa,
mas o diferencial continuará sendo a capacidade de entender
pessoas, criar narrativas com propósito e gerar
valor real”, sintetiza ela.
KD
jornal propmark - 10 de novembro de 2025 37
mercado
Museus se aproximam do modelo das
marcas e fortalecem o branding cultural
Masp, MAM e Museu do Amanhã são alguns exemplos de instituições
culturais que unem curadoria e comunicação para transformar alcance
Vitor Kadooka
Em 2022, durante a 26ª Conferência
Geral do Conselho Internacional
de Museus (Icom), foi estabelecida
uma nova denominação para os museus.
Representantes de mais de 500
instituições em todo o mundo votaram,
e 92,4% foram favoráveis à mudança.
A antiga definição descrevia os museus
como “instituições permanentes,
sem fins lucrativos, a serviço da sociedade
e do seu desenvolvimento, abertas ao
público, que adquirem, conservam, investigam,
comunicam e expõem o patrimônio
material e imaterial da humanidade
e do seu meio envolvente com fins de
educação, estudo e deleite”.
A nova formulação, aprovada por
unanimidade, amplia esse escopo com
os trechos: “a serviço da sociedade, que
pesquisa, coleciona, conserva, interpreta
e expõe patrimônio material e imaterial,
e acessíveis e inclusivos, os museus promovem
a diversidade e a sustentabilidade.
Atuam e se comunicam de forma ética,
profissional e com a participação das
comunidades, oferecendo experiências
variadas de educação, entretenimento,
reflexão e compartilhamento de conhecimento.”
Mais do que uma mudança semântica,
a nova definição reflete uma mudança
de visão: o museu deixa de ser visto
apenas como guardião da memória e
passa a se entender como agente ativo
da sociedade. Essa virada conceitual, inevitavelmente,
impacta também a forma
como essas instituições se relacionam
com o público.
Com o poderio de autoridade em
acervo cultural e curadoria, os museus
passam por uma transformação e se
comportam cada vez mais como marcas
— utilizando seu branding para se conectar
com novos públicos, circular fora de
seus espaços físicos e ampliar o alcance
da arte no cotidiano.
MAM eM MoviMento
Esse novo posicionamento não se traduz
apenas em discurso, mas em prática.
No caso do Museu de Arte Moderna de
São Paulo (MAM), a transformação ga-
Peça de comunicação da coleção de collab entre o Masp e a marca Zerezes
nhou forma literal: a instituição precisou
sair de casa para continuar existindo.
Devido à reforma na marquise do Parque
Ibirapuera, a sede do MAM está temporariamente
paralisada, assim, o museu
precisou repensar a forma como a arte
poderia intervir no dia a dia para além de
suas instalações.
Raphael Vandystadt, diretor de sustentabilidade
e relações institucionais da
Africa Creative e diretor de comunicação
do MAM, cita Cazuza para explicar o conceito
da campanha ‘MAM em movimento’.
“Lembra do verso do Cazuza: ‘eu vejo
um museu de grandes novidades’. Pois a
ideia nasceu da necessidade de manter
o MAM presente mesmo com suas portas
fechadas. Com o apoio da Africa Creative,
transformamos esse desafio em oportunidade:
criamos o conceito guarda-chuva
de iniciativas que leva as exposições e
ações educativas do museu para diferentes
espaços culturais da cidade”, explica.
Entre elas estão MAM na Cinemateca:
Corpo e Cidade em Movimento, na
Cinemateca Brasileira; Jardim do MAM,
no Sesc Vila Mariana; e Aqui-Lá: MAM São
Paulo encontra Instituto Tomie Ohtake.
“O museu
fortalece sua
presença
simbólica e
institucional”
BrAnding culturAl
O movimento de aproximação entre
cultura e marca não surge por acaso.
Um estudo da Universidade Federal de
Minas Gerais, publicado na Revista Espacios
(2016), aponta que a sobrevivência
dos museus depende da capacidade de
transformar a visita em experiência, indo
além da participação passiva e da lógica
expositiva tradicional. Essa perspectiva
os aproxima das marcas, que buscam engajamento
e vínculos emocionais, algo
que a arte sempre foi capaz de construir,
mas agora é potencializado.
Vandystadt defende que a publicidade
tem o poder de transformar a relação
das pessoas com a cultura e influenciar
Divulgação
mudanças positivas de comportamento.
“O museu fortalece sua presença simbólica
e institucional, enquanto os criativos
envolvidos se alimentam da força sensorial
e conceitual da arte”, diz.
Já o projeto desenvolvido pela ESPM
para o Museu da Imagem e do Som do
Rio de Janeiro (2019) reforça a ideia de
museus como “marcas vivas”: instituições
que extrapolam suas paredes, adotam
linguagem digital e investem em
experiências imersivas e colaborações
com empresas e artistas.
Esses dois olhares, acadêmico e
prático, ajudam a compreender a atual
fase de instituições como o Museu de
Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
38 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
(Masp), que incorporam de forma consciente
estratégias de comunicação e
branding cultural.
Nos últimos anos, a instituição tem
expandido seu diálogo com marcas, lançando
colaborações que materializam
sua presença cultural fora das galerias.
A linha de armações com a Zerezes, lançada
em julho, traduz o design arquitetônico
de Lina Bo Bardi em cores e formas
inspiradas nos prédios do museu.
O portfólio inclui ainda parcerias com
Perrier-Jouët, Renner, Lenvie, Melissa e
Nubank — que escolheu o Masp para o
lançamento do cartão Black Ultravioleta
—, além da colaboração com a AkzoNobel
(marca Coral), que tingiu as paredes da
exposição de Claude Monet. A empresa
também patrocinou a restauração do
edifício por meio de sua linha de revestimentos
industriais presente no novo
edifício Pietro Maria Bardi.
A expansão física do museu, marcada
pela abertura oficial do novo prédio, foi
acompanhada por uma atualização da
identidade visual. Em parceria com o estúdio
de design Porto Rocha e com o fundador
da Box1824, Rony Rodrigues, foram
atualizados logotipo, ícones, tipografia e
paleta de cores.
O resultado é uma linguagem visual
que preserva o vínculo histórico e, ao
mesmo tempo, aprimora sua aplicação
em diferentes plataformas. O elemento
gráfico, segundo o museu, passa a representar,
de forma abstrata, os dois edifícios
lado a lado — símbolo da convivência
entre tradição e expansão.
A comunicação digital dessa nova
fase é conduzida pela Out of Office (OOO),
agência de conteúdo digital.
“Precisávamos fazer com que o museu
transbordasse, falando a língua das
pessoas e das novas gerações, sem minimizar
o fato de que o Masp é um símbolo
da cultura brasileira. Mais do que um
ambiente expositivo, queríamos que as
redes sociais se tornassem um ambiente
de troca”, explica Thales Ferreira, cofundador
e diretor-executivo da OOO.
Para Ferreira, o trabalho com o Masp
foi, antes de tudo, um exercício de tradução
cultural. “A arte no Brasil pode
não ser inclusiva por uma questão de
linguagem. Trabalhamos para que a
comunicação não fosse um impeditivo,
e sim um convite”, afirma. Segundo ele,
o desafio não era apenas modernizar a
presença digital, mas criar pontes entre
o museu e novos públicos. Esse processo,
explica, transformou as redes sociais
em um espaço de mediação e pertencimento.
“Criamos portas de entrada
diferentes — visual, educativa, afetiva e
histórica — porque o Masp não é só um
Thales Ferreira, da Out of Office: extremo respeito à instituição
Fotos: Divulgação
Raphael Vandystadt, da Africa Creative e do MAM: arte circular
Campanha ‘MAM em movimento’ , em formato out of home, criada pela Africa Creative para o Museu de Arte Moderna de São Paulo
museu; é um dispositivo de mediação
cultural do Brasil.”
IMPACTO SOCIAL
Em outro movimento paralelo, museus
de perfil comunitário e social também
incorporam a lógica do branding
cultural como ferramenta de impacto.
O Museu das Favelas, em parceria
com a Digital Favela, sediou a terceira
edição do Favela Inspira, evento que reúne
criadores, lideranças e marcas para
discutir inovação, ancestralidade e economia
criativa.
Sob gestão do Instituto de Desenvolvimento
e Gestão (IDG) e vinculado à
Secretaria da Cultura, Economia e Indústria
Criativas do Estado de São Paulo, o
encontro amplia o diálogo entre empreendedores
periféricos e o mercado.
“A oralidade sempre foi a nossa tecnologia
ancestral. Ao levar o Favela Inspira
para dentro do Museu das Favelas, a
“Precisávamos
fazer com
que o museu
transbordasse”
gente transforma voz em registro e ideia
em legado”, afirma Tiago Trindade, CCO e
cofundador da Digital Favela.
Enquanto alguns museus revisitam
sua identidade e outros exploram novas
linguagens sociais, há também os que
preveem o futuro.
No Rio de Janeiro, o Museu do Amanhã
vem fortalecendo sua conexão entre arte
e tecnologia como forma de construir
aproximação com o público. Em parceria
com a OpenAI e a Flint, a instituição realizou
uma experiência que uniu inteligência
artificial e imaginação coletiva.
O encontro convidou artistas, criadores
de conteúdo e profissionais da economia
criativa a responder à pergunta:
“Qual é o amanhã que você gostaria de
ver?”. As respostas foram transformadas
em prompts e narrativas visuais
geradas com ChatGPT e Sora, projetadas
nas paredes do museu em uma
instalação colaborativa.
jornal propmark - 10 de novembro de 2025 39
mercado
Câmara aprova PL dos streamings,
mas setor aponta possíveis riscos
Freepik
Para a ABTA,
texto penaliza a
produção nacional
e interfere na
competição do setor
C
M
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ABTA adverte Anuncio para GrandesNomes o possível Preto desequilíbrio 14,5x16.pdf 1 na 31/07/2024 competição 21:25:23 estabelecida entre os meios de distribuição de vídeos
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A
Câmara dos Deputados aprovou no dia 5 de novembro
o Projeto de Lei nº 8.889/17, que estabelece
a cobrança da Contribuição para o Desenvolvimento
da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine)
para os serviços de streaming. Agora, o texto segue
para o Senado.
Apresentado pelo deputado licenciado Paulo Teixeira
(PT-SP), o projeto estipula alíquotas que variam de 0,1% a
4% da receita bruta anual, incluindo publicidade. A regra
exclui tributos indiretos.
Empresas com receita anual de até R$ 4,8 milhões
ficam isentas do pagamento. A regra vale para serviços
de vídeo sob demanda (VoD), como Netflix; para TV por
aplicativo, como Claro TV+; e plataformas de compartilhamento
de vídeos, como YouTube.
Segundo o relator do projeto, o deputado Doutor Luizinho
(PP-RJ), a medida “vai mudar a história do audiovisual
no Brasil” e poderá gerar mais de R$ 1 bilhão em
investimentos no setor.
Contraponto
Já entidades do setor
demonstram preocupação.
A Associação
Brasileira de Televisão
por Assinatura (ABTA)
defende uma regulação
moderna, mas alerta
para “assimetrias regulatórias
e vantagens
Projeto estipula
alíquotas que
variam de 0,1%
a 4% da receita
bruta anual
competitivas artificiais que favorecem as grandes plataformas
globais de tecnologia”.
De acordo com a entidade, o parecer propõe a incidência
de 4% de Condecine para as plataformas de streaming,
mas reduz para 2% a alíquota máxima para serviços
de compartilhamento de conteúdo. “Isso gera um
desequilíbrio na competição entre os meios de distribuição
de vídeos, prejudicando o streaming e favorecendo
as big techs”, adverte a entidade.
A ABTA aponta riscos de dupla tributação para operadoras
de canais de TV por assinatura (SeAC) que também
ofertam conteúdo via streaming, além de obrigações técnicas
inviáveis, como o carregamento de todos os canais
obrigatórios da TV por assinatura nas plataformas.
Segundo a associação, “o novo texto penaliza a produção
nacional, reduz a diversidade de conteúdos e
compromete o equilíbrio competitivo do ecossistema
audiovisual no país”.
40 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
agências
Grey intensifica trabalho de consultoria
com projeto criado para a marca Teka
Agência desenvolveu estratégia também para
Genial Investimentos, reforçando a sua atuação
como parceira de negócios dos clientes
Divulgação
A
Grey Brasil elaborou para a Teka um projeto de
consultoria que pretende rever o posicionamento
da marca no segmento de cama, mesa e banho.
A expectativa é construir uma nova plataforma
de comunicação a partir de uma série de etapas de
diagnóstico e planejamento.
O escopo de trabalho inclui estudo da marca e da categoria,
mapeamento de concorrência e recomendação
macro com insights, aprendizados e oportunidades.
“Cada vez mais, os clientes buscam nas agências uma
visão estratégica que una inteligência de marca, dados e
criatividade”, comenta Priscilla Telles, head de negócios
e clientes da agência, que desenvolveu trabalho de consultoria
também para a Genial Investimentos.
Impulsionada por dados, tecnologia e inteligência
cultural, essa frente de atuação “nos permite mergulhar
mais fundo nas questões do negócio antes de definir o
caminho de comunicação”, explica Priscilla.
AliAdA
Nos últimos anos, as agências diversificaram o seu
modelo de operação, incorporando a consultoria de
marca e negócios para apoiar clientes em diagnósticos
estratégicos, análises de mercado e definição de
posicionamento - trabalho que se transformou em
pilar de aproximação das agências em relação às decisões
dos clientes.
O trabalho de consultoria consolida o papel da Grey
como parceira estratégica dos clientes e reforça a missão
de ser uma agência ‘Famously effective’ - posicionamento
que une criatividade e pensamento de negócios
a fim de traduzir dados e diagnósticos em posicionamentos
e estratégias de comunicação sólidas e culturalmente
relevantes.
Priscilla Telles: inteligência de marca, dados e criatividade
Leo insere a nova picape Fiat Toro em
cenários criados com IA no filme ‘Prompt’
Ambiente das ruas e IA colocam a marca da Stellantis em anéis de
fogo e terrenos extremos para mostrar robustez, conexão e desejo
A
Leo assina o filme ‘Prompt’, criado para lançar a
picape Fiat Toro. A criação parte do conceito “faz
qualquer prompt parecer realidade”, que combina
inteligência artificial com cenas reais para inserir
o carro em diferentes universos. Cenários e personagens
criados por IA se misturam com imagens captadas
em locações reais, reforçando atributos ligados à
robustez, conexão e desejo.
“A Fiat Toro sempre foi sinônimo de inovação. Ao mergulhar
no universo da inteligência artificial, reforçamos
nossa liderança mostrando que ela encara qualquer
realidade, seja virtual ou real. Essa campanha reflete a
ousadia e a proximidade da Fiat com o consumidor brasileiro
e com o que ele considera relevante”, comenta em
nota Alessandra Souza, vice-presidente de marketing e
comunicação de marca da Stellantis para a América do
Sul, dona da marca Fiat.
Além dos limites
O plano de mídia integra TV, presença em transmissões
de jogos de futebol da Rede Globo, estratégia de influenciadores,
ativações no meio out of home (OOH), vinhetas
Cena de filme produzido pela Leo, que une IA com cenas reais para inserir a picape Fiat Toro em diferentes universos
especiais e conteúdos digitais. A integração do ambiente
das ruas com personagens desenvolvidos por IA permitiu,
por exemplo, mostrar a Toro em anéis de fogo, terrenos
extremos e em espaços divididos com motociclistas.
“A nossa proposta criativa na Leo foi usar a IA não
como um fim em si mesmo, mas como linguagem para
Divulgação
amplificar o poder de uma ideia. Colocar a nova Fiat
Toro lado a lado com cenários criados por inteligência
artificial foi a maneira mais impactante de mostrar que
essa picape atravessa todos os limites, da imaginação
ao mundo real”, frisa Lígia Mendes, diretora-executiva
de criação da agência.
jornal propmark - 10 de novembro de 2025 41
el ojo
Criatividade brasileira consolida
posição de destaque na América Latina
Com 63 jurados e 184 finalistas, país reforça protagonismo criativo e se
sobressai em novas categorias do festival, que ocorre a partir do dia 12
Divulgação
Case ‘Re-commerce Atacama’, da Artplan para a Vtex, transforma o deserto chileno em símbolo de consumo consciente e se torna um dos mais reconhecidos da edição
Adrieny Magalhães
O
talento brasileiro volta a ocupar posição de destaque
no El Ojo de Iberoamérica 2025, um dos principais
festivais da criatividade e comunicação latina.
Com mais de 200 jurados de toda a região, o evento
reúne este ano 63 representantes do Brasil entre presidentes
e integrantes de júri — um avanço expressivo em
relação aos 43 nomes de 2024.
A 28ª edição do El Ojo ocorre entre os dias 12 e 14 de
novembro, no Centro de Convenções La Rural, em Buenos
Aires. Durante o encontro, os presidentes de júri se
reúnem presencialmente para escolher os Gran Ojos de
Iberoamérica 2025, coroando os trabalhos mais inovadores
e transformadores da comunicação regional. “Esse é
o momento mais esperado do festival, quando os principais
líderes criativos da região se encontram para definir
os trabalhos que representam o melhor da criatividade
ibero-americana. É uma troca intensa, que reflete a diversidade
e a força do nosso mercado”, afirma Santiago
Keller Sarmiento, presidente do El Ojo.
A lista de jurados brasileiros inclui representantes
de diferentes áreas e disciplinas, reforçando o alcance
do país em toda a cadeia criativa. Rodrigo Jatene, CCO
da David e presidente do júri de Experiência de Marca;
e Sergio Gordilho, copresidente e CCO da África Creative,
à frente das categorias Transformação Criativa do Negócio,
El Tercer Ojo e Ideias Latinas para o Mundo, estão
entre os nomes que simbolizam essa liderança. Também
presidem júris Tati Lindenberg, chief brand officer da Dirt
Is Good e SVP da Unilever em Eficácia; e Rafael Nasser,
director general da Hogarth Brasil na categoria Creative
Data/Inovação; além de Pedro Prado, executive creative
director da TBWA\Media Arts Lab, baseado nos Estados
Unidos, que comanda o júri de Conteúdo.
Entre os integrantes, destacam-se Andrea Siqueira
(Ampfy), Luciana Haguiara (Nation Brasil), Dani Ribeiro
(WMcCann), Vinicius Stanzione (Leo), Emerson Braga
(Propeg), Caio Del Manto (Euphoria Creative), Eduardo
Marques (VML Brasil), Viviane Duarte (Plano Consultoria),
Gustavo Gripe (Landscape) e Fabiana Falcão (TBWA\Media
Arts Lab). A composição engloba ainda profissionais
de criação, produção, estratégia, som, direção de cena
e tecnologia, consolidando um retrato plural da publicidade
brasileira.
As novidades nas categorias deste ano refletem
a evolução do mercado. Segundo Keller, o festival revisa
anualmente a estrutura com base no feedback
dos jurados e nas transformações do setor. “Essas mudanças
respondem a uma evolução marcada pela inteli-
“Selecionamos os
presidentes de júri com
base na experiência
e reputação de
profissionais”
42 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
gência artificial, automação e crescimento de formatos
digitais, como vídeos curtos e publicidade em jogos para
celular, impulsionando a personalização avançada e a
experiência mais direta com o consumidor”, explica. Ele
acrescenta que o redesenho das categorias “responde
tanto às novas regulamentações quanto à transformação
tecnológica e de consumo no setor publicitário,
refletindo um mercado em processo de renovação e
adaptação às tendências digitais mais inovadoras e à
crescente importância de uma comunicação ética e eficaz
com o público”.
Entre as atualizações, estão El Ojo Rádio & Áudio, El
Ojo Digital & Social, El Ojo Mídia, PR, Design, Inovação e
Creative Commerce - que ganharam novas subcategorias
e revisões. O avanço acompanha a ascensão de
temas como mídia programática, IA e autenticidade das
marcas, reforçando a relevância do festival como termômetro
das mudanças na comunicação.
finalistas
Essa expansão também se reflete nos resultados
brasileiros. O país chega à shortlist com 184 cases finalistas,
somando mais 80 novas indicações e marcando
presença em 12 novas categorias. O número reforça o
protagonismo do Brasil na publicidade latino-americana
e a consistência de sua produção em diferentes frentes.
As áreas com maior número de finalistas são Produção
Audiovisual (22 cases), Sports (19), PR (16), Digital &
Social (15), Filme (14) e Experiência de Marca & Ativação
(12). Também se destacam Direct (11), Design (9), Conteúdo
(8), Saúde & Pharma (8) e Creative Commerce (7).
Entre os destaques, estão ‘Re-commerce Atacama’,
da Artplan e Vtex, que aparece em Creative Commerce,
Ideias Latinas e El Tercer Ojo; ‘Cartas de Simone’, da Africa
Creative e Atenas.ag para o Itaú, reconhecido em diversas
categorias; e ‘Pedigree Caramelo’, da AlmapBBDO
para Mars, finalista em PR, Transformação Criativa e El
Tercer Ojo. Outros trabalhos em evidência são ‘A voz de
um ícone’, da CP+B Brasil para Guaraná Antártica; e ‘Sport
the Fight’, da Wieden+Kennedy São Paulo para a Nike.
Galeria.ag, Publicis Brasil, Druid Creative Gaming e
Cheil Brasil também se sobressaem com trabalhos que
exploram desde narrativas sociais até inovações em tecnologia
e varejo.
Para Santiago Keller, a pluralidade de vozes entre
os jurados é essencial para o equilíbrio do julgamento.
“Selecionamos cuidadosamente os presidentes de júri
com base na experiência e reputação de profissionais
de destaque de cada país. Essa diversidade enriquece
a avaliação criativa e reduz vieses culturais, garantindo
um julgamento mais equilibrado e representativo da riqueza
global do setor”, afirma.
Ele reforça ainda que o festival “mantém consistência
e relevância na avaliação dos trabalhos por meio de
um processo rigoroso, com critérios adaptados à diversidade
cultural e de mercado da Ibero-América”. A qualidade
criativa, a inovação e o impacto das ideias, segundo o
executivo, são os pilares que garantem a integridade e o
prestígio do prêmio.
Com o Brasil novamente entre os países mais premiados
e influentes, o El Ojo 2025 reafirma a força criativa
latino-americana e a posição do país no centro das
transformações do setor. Entre debates, workshops e a
esperada cerimônia de premiação em Buenos Aires, o
evento promete traduzir em seus palcos a diversidade e
a ousadia que movem a comunicação da região.
JURADOS BRASILEIROS EL OJO 2025
categoria JUraDo cargo e empresa
Cesar Nery
João Dornelas
Nany Oliveira
Nate Rabelo
El Ojo Produção Audiovisual Marcus Alqueres
Gustavo Gripe
Regiani Pettinelli
Silvana Princival
Pity Lieutaud
Amanda Lourenço
El Ojo Gráfica/Produção Gráfica
Luís Constantino
Eduardo 'Duda' Salles
El Ojo Media
El Ojo Design
El Ojo Digital & Social
El Ojo Directo
El Ojo Experiência de Marca
El Ojo Eficácia
El Ojo Transformação Criativa/
Tercer Ojo/Ideias Latinas
El Ojo Film
El Ojo PR
Brunno Torquato
Armando Araujo
Fabiana 'Fafá' Falcão
André Kassu
Filipe Cuvero
Caio Del Manto
Leonardo Oliveira
Lucas Heck
Aline Noya
Dani Ribeiro
Gustavo Victorino
Daniela Ferrari
Emerson Braga
Benjamin Yung
Raquel Messias
Alexandra Silveira
Andrea Siqueira
Rodrigo Almeida
Henrique Del Lama
Vinicius Stanzione
Thiago Biazetto
Adriano Chueiri Abdalla
Bia Ambrogi
Matheus de Moraes Gugelmim
El Ojo Produção de Áudio & Som Eduardo Karas
Matheus Peres
El Ojo Saúde & Pharma
El Ojo Sports
El Ojo Sustentável
El Ojo Via Pública
El Ojo Conteúdo
El Ojo Creative Data/Inovação
El Ojo Creative Commerce
El Ojo Novos Talentos
Henrique Tanji
Bernardo Romero
Denise Gallo
Gabriel Araujo
André Felix
Katia Leal
Ricardo John
Mauro Ramalho
Juliana Leite
Viviane Duarte
Aldo Pini
Eduardo Marques
Otavio Schiavon
José Ferraz
Estela Oliveira Garcia
Marcelo Lourenço
Lucas Feltes
Rafael Hessel
Luciana Haguiara
Dogura Kozonoe
Stephanie Wang
Lariza Zaidan
João Resende
Ton Santos
Frederico Teixeira
Diretor de cena, MyMama Entertainment
(Brasil/EUA)
Sócio e diretor de cena, Saigon
Diretora de cena, Untitled
Diretora de cena, Mercuria
Diretor de cinema, O2 Filmes
CEO e diretor, Landscape
Produtora-executiva, Corazón Filmes
Sócia e diretora-executiva, Ça Va Art
Head executive producer, Iconoclast Brasil
Redatora, Agência Nova
CEO & CCO, Oliver América Latina
Diretor criativo global, MullenLowe Global
(Reino Unido)
Head de sucesso do cliente, Agência Newton
CCO, We Brasil
Diretora de criação, TBWA\Media Arts Lab Brasil
Sócio e CCO, CP+B Brasil
CCO e sócio criativo, D’OM
Cofundador, Euphoria Creative
Diretor regional de digital para a América Latina,
Hogarth Worldwide
Líder criativo do WhatsApp, Meta (EUA)
Diretora de criação, Bullet
CCO, WMcCann
CCO, Talent
Diretora de marketing DTC, The Walt Disney
Company América Latina (México)
CCO, Propeg
Presidente, DPZ Brasil
Chief strategy officer, Lew’Lara\TBWA
Diretora de criação e estratégia, Hogarth Brasil
CCO e sócia, Ampfy
CCO, Artplan
VP de criação, AlmapBBDO
VP de criação, Leo
CCO, Tif Comunicação
CCO, PROS
Presidente, Apro+Som
Diretor de projetos, Vox Haus
CCO e diretor musical, Canja
Produtor-executivo associado, Pingado Áudio
Maestro e diretor criativo, Bumblebeat
Criador, Klick Health (EUA)
Sócia e diretora-executiva de criação, Galeria
Diretor criativo, Havas Lynx (EUA)
VP criativo, Publicis Health Nova York (EUA)
Gerente-geral, Ogilvy Salud (Espanha)
CEO, Isla
CCO, Publicis Brasil
VP de projetos especiais e conteúdo, Africa Creative DDB
CEO, plano consultoria
Sócio e chief strategy officer, LePub Brasil
CCO, VML Brasil
VP de criação, BETC Havas
Group creative director, Wieden+Kennedy São Paulo
Senior manager de creative marketing,
The Walt Disney Company Brasil
Cofundador e ECD, Coming Soon Lisboa (Portugal)
CEO, WT.AG
Executive creative director, Druid Creative Gaming
Fundadora e CCO, Nation Brasil
CCO, MRM Brasil
Business director, Zombie Studio
Diretora de cena, KAUS
Diretor de criação, WMcCann
CEO, Agência Newton
ECD, VML Brasil
jornal propmark - 10 de novembro de 2025 43
prêmios
WT.AG é a Agência do Ano no
Prêmio Share Social Media 2025
Reconhecimento consolida o protagonismo da agência no
cenário nacional e celebra um ano de conquistas e expansão
Alê Oliveira
A
WT.AG conquistou o título de Agência
do Ano no Prêmio Share Social
Media 2025, premiação voltada
à excelência em estratégias de comunicação
nas redes sociais. A categoria
consagra a agência que mais se destacou
ao longo do ano por seus resultados,
inovação e consistência criativa.
A cerimônia de premiação foi realizada
no dia 3 de novembro, no Auditório Ruy
Barbosa da Universidade Mackenzie,
em São Paulo.
A conquista chega em um momento
de consolidação da WT.AG no cenário
nacional. Após crescer 42% em 2024, a
agência projeta crescimento de 15% para
2025 e prepara um novo ciclo de aceleração
para 2026. O ano também marcou
a chegada de importantes clientes ao
portfólio, como BYD, GOL Linhas Aéreas,
Gollog e Bet do Milhão, além da manutenção
de parcerias estratégicas com Aldeiah,
Grupo We e BETC Havas, reforçando
o ecossistema criativo e a capacidade de
entrega em escala da agência.
“Este prêmio consolida nosso posicionamento
como uma agência social first,
guiada pelo propósito de transformar
marcas em protagonistas da cultura digital”,
destaca Lucas Feltes, CEO da WT.AG. “É
o reconhecimento de um trabalho coletivo,
que envolve mais de cem profissionais
e a confiança de grandes marcas.”
Além do prêmio principal, a WT.AG
esteve entre os três finalistas em outras
quatro categorias. O case ‘Viva diferente,
viva o exclusivo’, desenvolvido para o Golden
Lake/Lake Eyre, foi finalista na categoria
Melhor Campanha de Lançamento
de Produto, enquanto a ação ‘Pontualidade
GOL’, criada para a GOL Linhas Aéreas
em parceria com a agência We, foi indicada
na categoria Melhor Campanha com
Criadores de Conteúdo.
A agência também teve dois profissionais
entre os finalistas do ano. Bruna
Rauber, coordenadora de criação, na categoria
Criação, e Mariah Martins de Oliveira,
coordenadora de mídia, em Mídia
e Performance.
Em 2025, a WT.AG também venceu o
Prêmio Marketing Best, promovido pelo
Equipe da WT.AG recebe o título de Agência do Ano no Prêmio Share Social Media 2025, realizado no Mackenzie, em São Paulo
Dudu Rodrigues, diretor criativo, e Lucas Feltes, CEO, ambos da WT.AG
Fotos: Divulgação
propmark, consolidando seu destaque
no mercado brasileiro. No cenário internacional,
o CEO Lucas Feltes segue
ampliando a presença da agência como
representante brasileira em festivais de
grande prestígio, atuando como jurado
no Dubai Lynx, El Ojo de Iberoamérica e
Young Lions Brasil.
A premiação reforça uma trajetória
consistente da WT.AG no Prêmio Share.
Em 2023, a agência venceu a categoria
Melhor Campanha Data Comercial
com o case ‘A boneca mais famosa do
mundo vai às compras no Rissul’. Já em
2024, conquistou o troféu de Melhor
Campanha Integrada com o rebranding
da Cervejaria Coruja, com o case ‘Virada
de marca’.
Com mais de cem profissionais e operações
em São Paulo (SP) e Novo Hamburgo
(RS), a WT.AG é uma agência de publicidade
social first que atende clientes
como Abicalçados, Arezzo&CO, Assist Card,
BYD, Golden Lake (Multiplan), BarraShoppingSul,
ParkShopping Canoas, Grupo Silvio
Santos, NürnbergMesse Brasil, Sicredi,
Unilever e Lello Condomínios.
44 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
prêmios
Brasil ganha sete dos 15 troféus
concedidos pelo Prêmio ALOOH 2025
Evento realizado em Antígua, na Guatemala, no dia 5 de novembro,
recebeu um total de 253 inscrições de 18 países em sete categorias
Action OOH, VideoPorto, Smartact,
Altermark e Mobees estão entre
as brasileiras premiadas na terceira
edição do Prêmio ALOOH, apresentado
durante o Foro ALOOH Latam 2025,
realizado em Antígua, na Guatemala, no
dia 5 de novembro. O evento promovido
pela Associação Latino-Americana de Out
of Home (ALOOH) recebeu 253 inscrições
de 18 países em sete categorias. Com
o tema ‘Estar en todos lados’, painéis e
apresentações geraram conteúdo ao
longo de três dias, proporcionando ainda
networking entre os participantes.
O Brasil conquistou sete dos 15 prêmios
concedidos. A Action OOH levou Prata na
categoria Criatividade em Campanha DOOH
com a ação ‘Greenpeace - DOOH’ e Bronze
na divisão Criatividade em Campanha OOH
Fabi Soriano e Halisson Pontarolla, da Central de Outdoor, no Foro ALOOH Latam 2025
Divulgação
com ‘Cheetos - Dedos de Cheetos’; a Smartact
ganhou Prata em Aporte de Inovação
à Indústria com ‘Smart Act’s agentic AI and
Meta AI glasses redefine audience measurement
in the OOH journey’; a VideoPorto
recebeu Bronze em Campanha de Sustentabilidade
com ‘Smartlet & Riachuelo
– Projeto na estrada’; a Altermark venceu
duas vezes o Ouro, na área Criatividade em
Campanha OOH com ‘Maníaco do parque’,
e em Campanha de Interação Tecnológica
com ‘Remezclando la Realidad’; e a Mobees
levou Bronze no prêmio Criatividade em
Campanha DOOH, com ‘Madonna’.
“Este fórum mostra como é possível
compartilhar soluções, talentos e inovação
em benefício de toda a cadeia do OOH”, comenta
Halisson Pontarolla, presidente da
Central de Outdoor, que apresentou a palestra
‘O futuro do OOH’. A diretora-executiva
da entidade, Fabi Soriano, participou de
‘A nova liderança no OOH latino-americano’;
o diretor Guilherme Meyer, CEO da VEX,
integrou debate sobre as ‘Sete habilidades
fundamentais para vender OOH’; e o VP Valério
Junkes fez parte do painel ‘Resposta
normativa ao dinamismo do OOH’.
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jornal propmark - 10 de novembro de 2025 45
marcas
Caixas de assinaturas unem curadoria,
comunidade e conveniência no consumo
TAG Livros, Petiko e Granado detalham como a curadoria e a
experiência sustentam o modelo e reforçam o vínculo com o público
Adrieny Magalhães
Nos anos 1990 e 2000, milhares de
crianças aguardavam com ansiedade
a chegada mensal do carteiro.
Dentro do envelope, as revistas da
‘Turma da Mônica’ traziam histórias inéditas,
brindes e o ritual de abrir o pacote
com a alegria de encontrar uma nova
história. O serviço de assinatura criado
pela Editora Abril — e mantido hoje pela
Panini — marcou gerações e revelou um
comportamento que, décadas depois,
ganharia nova forma: o da entrega recorrente
como experiência de marca.
De caixas de pipoca a vinhos, livros,
produtos de beleza e brinquedos para
pets, o modelo de assinaturas se transformou
em um canal estratégico de
relacionamento. As marcas viram na
recorrência uma forma de equilibrar
previsibilidade de receita e engajamento
contínuo, e os consumidores, uma maneira
de experimentar novidades com
curadoria.
Hoje, o mercado de assinaturas vai
além da conveniência. Ele se consolida
como uma plataforma de comunidades
e descobertas, unindo dados,
personalização e identidade de marca.
TAG Livros, Petiko e Box Granado estão
entre os exemplos que mostram como
diferentes segmentos — cultura, pets e
beleza — adaptam esse formato à lógica
atual do consumo. Em entrevistas ao
propmark, profissionais das marcas
compartilham seu modelo de negócio.
Curadoria e experiênCia
Entre livros, produtos de autocuidado
e brinquedos para pets, a curadoria é o
principal pilar de sustentação do modelo.
Para Karen Miyashiro, gerente de
marketing da TAG Livros, a força do formato
está na combinação entre escolha
guiada e experiência compartilhada. “Na
TAG, percebemos que os principais motivadores
são curadoria e experiência. As
descobertas de novos autores, gêneros
e livros, por meio dos nossos clubes, são
cada vez mais relevantes para os nossos
associados. O endosso da TAG na escolha
das leituras para a nossa base todos os
meses reduz a sobrecarga de escolha e
Boxes de assinatura conquistam espaço no consumo recorrente e se consolidam como ferramentas de relacionamento
Sissi Freeman: curadoria e personalização no centro da experiência da Granado Box
Divulgação
ta, marcador, mimo literário e acesso ao
aplicativo da marca. “Mas os pontos altos
de todos os clubes TAG são a curadoria e
a experiência compartilhada”, diz Karen.
Na Granado, a lógica é semelhante.
O clube de assinatura, criado em 2022,
busca prolongar a relação com o consumidor.
“A Granado Box vai além da
“0 produto
é apenas o
começo — o
diferencial está
na experiência”
Freepik
a comunidade também prolonga o valor
do livro enviado.”
A TAG opera clubes próprios — como
TAG Curadoria e TAG Inéditos — e colaborações
com criadores, como o Bookster
pelo Mundo, com Pedro Pacífico, e o
Atlas do Feminino, com Marcela Ceribelli.
Cada box inclui um livro exclusivo, revispraticidade:
ela cria um momento de
encantamento e descoberta. A curadoria
das caixas traduz o universo da marca
em produtos, fragrâncias e texturas que
despertam memórias e sensações. Esse
aspecto emocional é o que mais fideliza
o assinante”, afirma Sissi Freeman, diretora
de marketing e vendas da Granado
Pharmácias. A cada dois meses, a marca
envia uma seleção que mescla clássicos
e lançamentos. “Cada edição é única e
traz combinações pensadas para surpreender,
mesclando clássicos da marca a
novidades e versões limitadas.”
A Petiko também baseia sua proposta
em curadoria, mas com foco em comportamento
animal. “O BOX.Petiko nasceu
com o propósito de transformar a rotina
46 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
de cães e gatos por meio de experiências
mensais de enriquecimento ambiental”,
explica Rodrigo Furtado, diretor de marketing
da empresa. O clube oferece trilhas
diferentes, de acordo com o perfil do
pet. “Os assinantes da Petiko não buscam
apenas produtos, buscam momentos de
conexão, alegria e diversão com seus
pets. A conveniência e a curadoria são
diferenciais importantes dentro da proposta,
mas o que realmente faz o cliente
permanecer é a emoção e o vínculo afetivo
que cada experiência proporciona.”
A previsibilidade do negócio exige
planejamento. Na Granado, o equilíbrio
entre consistência e novidade é garantido
por uma curadoria estratégica. “Combinamos
best-sellers do portfólio com
lançamentos e produtos sazonais. O planejamento
das edições é feito com antecedência,
mas há espaço para ajustes de
acordo com o feedback dos assinantes e
o calendário de lançamentos da marca”,
afirma Sissi.
Na TAG, o processo é sustentado por
dados e pesquisas recorrentes. “Rodamos
pesquisas com os associados todos
os meses, temos um app onde acompanhamos
de perto a experiência e feedbacks
sobre as leituras, para entender
o que funciona melhor para cada clube”,
explica Karen.
TAG Livros: engajamento em tendências do Instagram
Reprodução
Cleiton Silva, Luciano Miranda e Rodrigo Furtado, fundadores da Petiko
Campanhas e parCerias
O sucesso do modelo também depende
de comunicação contínua. As
três empresas investem em campanhas,
narrativas e parcerias com criadores de
conteúdo para fortalecer a percepção de
valor das assinaturas.
Na TAG Livros, o marketing de influência
tem papel decisivo. “A nossa vertical
de influenciadores e os UGCs (conteúdos
gerados pelo usuário) para divulgar os
lançamentos relevantes que enviamos
pelo clube em colaboração com editoras
parceiras impulsionaram o nosso crescimento
em 30% de 2024 para 2025”, diz
Karen.
Nas redes sociais, a TAG conta com nomes
relevantes do cenário cultural como
Emicida, Bela Gil e muitos outros, com
o objetivo de furar a bolha do mercado
literário e alcançar novos públicos. Além
dessa estratégia, a marca frequentemente
está de olho nas trends das redes
sociais, se aproximando do seu público
de forma orgânica.
A marca também trabalha com a DZ
Estúdio, de Porto Alegre, para desenvolver
os conceitos criativos de suas campanhas.
“Estamos no terceiro projeto com
a agência e já colhemos bons frutos. O
olhar de pessoas de fora nos ajuda a ampliar
a mensagem que queremos construir”,
completa.
A Petiko segue caminho semelhante,
com foco em autenticidade. “O que mais
impulsionou o BOX.Petiko foi mostrar a
reação real dos pets. Nossas campanhas
sempre valorizam o momento da abertura
da BOX, a alegria dos cães e gatos
e o vínculo criado com seus tutores”, diz
Furtado. A empresa conta com parceiros
estratégicos de mídia e criação para
manter consistência e trabalha com influenciadores
que tenham afinidade com
o universo pet. “Mais do que visibilidade,
buscamos identificação e confiança, queremos
que o público se veja naquela relação
de amor e diversão que o BOX.Petiko
proporciona entre o pet e seu tutor.”
Na Granado, a comunicação é inteiramente
feita dentro de casa, mas com
forte presença digital. A marca utiliza
as redes sociais como principal vitrine
e encontrou no TikTok um espaço para
crescer organicamente. “As redes sociais
tiveram um papel fundamental na consolidação
da Granado Box, especialmente o
TikTok, que ampliou significativamente o
alcance do produto”, afirma.
A estratégia da Box Granado inclui
parcerias pontuais com influenciadores
de lifestyle e bem-estar. “A seleção é feita
com base em identificação genuína e
alinhamento de linguagem, priorizando a
consistência da mensagem.”
Além de uma fonte de receita recorrente,
as assinaturas passaram a funcionar
como ferramentas de construção de
marca. Para as empresas, o envio periódico
cria pontos de contato constantes
e tangíveis, capazes de traduzir valores
e propósito em produtos. Em comum,
todas exploram a assinatura como meio
de reforçar identidade e gerar vínculo
emocional — um formato que combina
estratégia de marketing e experiência de
consumo em uma mesma entrega.
O futurO das bOxes
A experiência acumulada mostra
que o modelo de assinaturas depende
da capacidade de adaptação. “Um dos
Box Granado: assinatura bimestral une clássicos da marca
Fotos: Divulgação
principais aprendizados foi o valor da
escuta ativa. O formato da box evoluiu
a partir das percepções dos assinantes,
que contribuíram para aprimorar
a curadoria, o conteúdo das entregas
e até o tom da comunicação”, afirma
Sissi, da Granado.
Karen, da TAG, reforça que a sustentação
vem do vínculo criado com a comunidade.
“Conquistar uma posição de
love brand não é uma tarefa fácil, mas
clientes apaixonados fortalecem o modelo,
pois permanecem e recomendam
os nossos produtos.”
Furtado complementa: “Aprendemos
que o produto é apenas o começo — o
verdadeiro diferencial está na experiência
que entregamos a cada edição. Personalização
importa, experiência gera vínculo
e comunicação constante mantém a
relação com o assinante.”
Quando projetam o futuro, as três
empresas veem convergências. Karen
aponta “o interesse das pessoas em
torno dos clubes e comunidades criadas
por plataformas como o TikTok,
não apenas de livros mas de atividades
presenciais”. Furtado acredita que “comunidade,
exclusividade e ecossistema”
serão pilares da próxima fase das
assinaturas, enquanto Sissi destaca
“personalização, sustentabilidade e
integração digital” como os caminhos
que devem orientar o setor.
Das revistas infantis às boxes temáticas
que chegam hoje às casas de milhares
de assinantes, o princípio permanece
o mesmo: o prazer de receber algo que
foi pensado sob medida. O que mudou
foi o significado da entrega — agora, para
além do produto, cada caixa representa
um elo entre marcas e pessoas.
jornal propmark - 10 de novembro de 2025 47
conexão ásia
Mirela Tavares
mirela@conexaoasia.com.br
Karen PaeK
VP de marketing do Rakuten Viki
O Brasil como prioridade
para o streaming asiático
Se antes as novelas brasileiras
ultrapassavam barreiras culturais
e conquistavam a Ásia, agora é o
entretenimento asiático que ganha
popularidade e força entre o público
brasileiro. Com quase 11 milhões de
usuários registrados no país – de um
total de cerca de 100 milhões no mundo
–, a plataforma de streaming Rakuten
Viki tem o Brasil como um de seus três
maiores mercados. Nesta entrevista, a vicepresidente
de marketing da empresa, Karen
Paek, detalha como a alta interação e as
particularidades dos fãs brasileiros tornam
o país uma prioridade em suas estratégias.
Divulgação
Mirela Tavares
Especial para o propmark
Vocês afirmam ter quase 100 milhões de
usuários registrados em mais de 250 países.
Qual a posição do Brasil nesse ranking
e quais são as expectativas de expansão e
inovação para os próximos anos?
Com quase 11 milhões de usuários registrados, o Brasil
está no top 3 e é um dos nossos maiores mercados, sendo
prioridade para nós, já que tornar a plataforma mais
conhecida pelo público potencial no Brasil é valioso.
Nos últimos anos, começamos a intensificar os esforços
de marketing no país, iniciando com nossas operações
de comunicação e mídias sociais regionais, lançando
nossas contas locais no Instagram e no TikTok para
alcançar mais usuários e interagir com os fãs. Também
estamos focados em garantir conteúdo de alta qualidade,
acessível em português, e continuaremos a explorar
maneiras de expandir a plataforma para outras audiências,
avaliando as possibilidades, por exemplo, de participar
de eventos locais para nos conectarmos ainda mais
com nossos usuários no país. Também estamos disponibilizando
conteúdo com os talentos e atores de nossas
séries, que falam diretamente com o público brasileiro,
em redes sociais e entrevistas para a imprensa, o que
não era muito acessível e comum antes, para que os
fãs possam estar mais próximos de seus atores asiáticos
favoritos.
Ao que atribuem o crescimento do interesse
do público brasileiro por séries e filmes
asiáticos?
O público brasileiro está entre os mais engajados quando
se trata de streaming. Há uma clara preferência por
dramas que têm estrutura e narrativa emocional semelhantes
às das “novelas”, o que torna gêneros como
romance e melodrama especialmente populares. O que
diferencia os fãs brasileiros é que eles não se limitam
a assistir ao conteúdo: eles participam ativamente de
discussões online, criam páginas de fãs e interagem
com criadores e plataformas nas redes sociais. A paixão
dos fãs brasileiros se reflete na rapidez com que adotam
novas tendências e contribuem para a popularidade
das séries. Esse alto nível de interação faz do Brasil um
público-alvo fundamental, não apenas em termos de audiência,
mas também de promoção orgânica, ajudando o
conteúdo a alcançar ainda mais pessoas.
Como se comporta e como o Viki tem se
adaptado para atender ao perfil do fã brasileiro?
Já que o Brasil é uma das prioridades do Viki, a satisfação
dos fãs e usuários brasileiros em relação ao nosso catálogo
de conteúdo é crucial. Prova disso é a ampla oferta
de séries, filmes, reality shows e outros conteúdos que
disponibilizamos na plataforma nessa região, que tem
uma forte aderência e paixão pelos personagens e pelas
histórias asiáticas. O interesse dos brasileiros pelas
“Estamos
disponibilizando
conteúdo dos talentos e
atores de nossas séries,
que falam diretamente
com o público brasileiro”
séries e músicas asiáticas tem crescido a cada ano, e, no
geral, reparamos que a nossa audiência busca os programas
mais comentados e em alta, especialmente quando
se trata da geração Z e dos millennials. O entretenimento
asiático tem fãs de todas as idades e eles são especialmente
engajados no Brasil, atraídos por histórias
novas e únicas, relacionadas às suas vidas cotidianas.
Assim, temos nos adaptado de forma a oferecer e focar
esforços em garantir que atendemos nossos consumidores
e fãs no Brasil de forma significativa, tanto para os
que já conhecem a plataforma quanto para os que ainda
se tornarão futuros amantes do conteúdo asiático.
Qual a preferência dos espectadores pelo
consumo do conteúdo em dispositivos (TV,
celular etc.)?
48 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
“A paixão dos fãs brasileiros se reflete na rapidez com que adotam
novas tendências e contribuem para a popularidade das séries”
Observamos que o consumo de conteúdo hoje é guiado
pela conveniência. O celular continua sendo o dispositivo
mais popular, pelo qual vemos que os usuários brasileiros
preferencialmente optam por consumir os conteúdos
(71%), seguido por televisão (18%) e online (11%).
Achamos que as redes sociais e o forte uso dos celulares
influenciam diretamente esse comportamento, já que a
facilidade de poder assistir quando e onde quiser é algo
que os usuários do Viki valorizam.
Qual a estratégia de marketing do Viki para
atrair o público em cada um desses segmentos?
Temos buscado cada vez mais maneiras de expandir
nosso conteúdo e o conhecimento do entretenimento
asiático, e investimos nossos esforços para que
isso chegue ao público da forma mais fácil, assertiva
e acessível possível. Assim, estamos presentes ativamente
nas redes sociais para atingir os usuários que
estão conectados via celular, como também em CTVs,
adentrando também seus lares, com a comodidade de
unir a família em frente ao televisor. Podemos citar outro
exemplo de estratégia de marketing que faz parte
do Viki desde 2023, quando criamos o Dia Internacional
do K-Drama, uma data para celebrar a crescente popularidade
e reunir o fandom do entretenimento coreano
em todo o mundo. Para isso, uma das ações que
fazemos é disponibilizar séries gratuitamente, além
de oferecer brindes e promoções que foram pensados
para atender aos fãs, com parcerias com marcas e
empresas que já são conhecidas entre eles. Neste ano,
tivemos a primeira campanha publicitária do K-Drama
Day com os atores Will Poulter (‘O urso’, ‘Guardiões da
galáxia’) e Victoria Justice (‘Zoey 101’, ‘Victorious’), que
estreou em plataformas digitais e CTV, lançada como
parte da estratégia multifacetada para a data.
Quais as diferenças regionais de consumo
da audiência brasileira?
O nível de conexão emocional é algo muito especial e
característico dos espectadores brasileiros e latino-americanos.
Eles não apenas assistem aos dramas, mas, sim,
os vivenciam. Da criação de fanarts e administração de
contas em redes sociais, à participação em seções de
comentários em que avaliam episódio a episódio, eles
transformam a visualização do conteúdo em uma experiência
compartilhada e mútua. Também notamos que
os fãs brasileiros estão cada vez mais conectados com a
plataforma, já que seu tempo total de exibição aumentou
quase 30% em relação ao ano passado.
O Viki afirma ter mais de 1.400 títulos
gratuitos disponíveis na plataforma. Qual o
modelo de negócios e a política de anúncios?
O Rakuten Viki sempre foi um destino para quem está
interessado em conteúdo asiático de alta qualidade.
Nosso objetivo é nos diferenciar oferecendo títulos que
não estão disponíveis em todos os lugares e proporcionando
uma ampla variedade de conteúdo gratuito,
disponível com uma simples inscrição na plataforma,
para qualquer um que se registrar. A biblioteca gratuita
do Viki é uma das maiores entre as plataformas de
streaming, com mais de 2.400 dos 2.800 programas e
filmes disponíveis no Brasil. Além disso, a diversidade
é e sempre será uma base fundamental para o Viki, e
garantiremos que o conteúdo asiático culturalmente
rico que apresentamos ao público em todo o mundo
seja diverso e inclusivo. Nosso modelo de negócios e
política de anúncios se baseia no oferecimento de uma
parte do catálogo gratuitamente, com suporte por
anúncios. Ou seja, usuários que se inscrevem gratuitamente
têm acesso a um vasto catálogo, mas assistirão
a anúncios. Já quem opta por assinar o Viki Pass tem
o benefício expresso de assistir sem anúncios, e uma
maior variedade de títulos e conteúdos.
O Viki introduziu o gênero BL (Boys’Love)
na plataforma em 2016. O quanto se desenvolveu
de lá para cá?
O Viki apresentou o BL pela primeira vez aos usuários
do Brasil em 2016 e agora conta com mais de 150 séries
BL no total. Dada a tendência atual, os telespectadores
continuam interessados em conteúdos BL, já que, nos
últimos anos, vimos um aumento muito significativo
no consumo desse gênero, que foi de 188% entre 2022
e 2023. Essa categoria se tornou um fenômeno real, com
um número impressionante de séries sendo produzidas
em países como Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul, com
uma enorme aceitação da audiência. Além de fomentar
a diversidade, o Viki quer garantir que a plataforma continue
sendo referência na inclusão.
Que papel o Brasil ocupa hoje na estratégia
global do Viki?
Temos focado nossos esforços em diversos âmbitos
para atrair ainda mais audiência e assinantes, e fazer
com que a plataforma cresça, para que o conteúdo
chegue a cada vez em mais pessoas e telespectadores.
Nosso intuito é continuar a apresentar novos programas,
séries e filmes no Brasil, para manter a plataforma
repleta de conteúdo empolgante e relevante,
e investir cada vez mais em entretenimento asiático
diversificado, destacando-se de outros streamings.
Também pretendemos disponibilizar mais conteúdo
com legendas em português em alta qualidade e trazer
mais séries populares, com elencos conhecidos e
já celebrados, para engajar ainda mais os fãs. Além
disso, pretendemos fomentar as parcerias com marcas
locais, estar presentes em eventos e aumentar o
engajamento no país, com representação em eventos
culturais relacionados à cultura asiática e feiras, para
consolidar a comunidade brasileira, que já está cada
vez mais ativa e apaixonada.
O streaming global encara desafios crescentes
de saturação e competição. Como
vocês os enfrentam?
O maior desafio que enfrentamos hoje como uma plataforma
de streaming é fazer parte da vida das pessoas.
Quando se trata de tempo gasto consumindo o conteúdo,
as redes sociais e o cenário de streaming saturado
impactam diretamente esse tempo de consumo, especialmente
quando outras plataformas também estão
direcionando seus esforços para o entretenimento
asiático. Então, para tornar-se a preferência do usuário,
focamos na visão de mercado da equipe, onde podemos
explorar ainda mais todas as nossas opções quando
se trata de criatividade e criação de promoções de
marketing atraentes para alcançar potenciais públicos,
e o nosso próprio público, já engajado com o conteúdo.
Acreditamos que outras plataformas que oferecem conteúdo
do Leste Asiático apenas aumentam a busca crescente
e o interesse mundial por esse tipo de conteúdo
e outros. É importante que o público encontre esses
títulos, comece a apreciá-los e, eventualmente, encontre
o seu caminho até o Viki, proporcionando a eles
ainda mais variedade e profundidade de conteúdo
asiático para consumir. O Viki tem uma comunidade
única e engajada, recursos de produtos que incluem
classificação e revisão, comentários e coleções de
títulos para fãs, que são recursos diferenciados que
nossos usuários gostam, o que também é uma maneira
de obter feedback sobre o que nosso público está
procurando quando se trata de novos conteúdos. Adoramos
manter o Viki como um espaço seguro para nossos
usuários e nossa missão é unir culturas e conectar
o mundo ao incrível entretenimento asiático por meio
de nossa comunidade de fãs apaixonados e conteúdo
premium.
Você é uma liderança empresarial asiática
em um mercado predominantemente
dominado por homens. Quais são os seus
desafios e vantagens em relação a isso?
Ser uma liderança feminina em um setor ainda marcado
por uma presença majoritariamente masculina traz, sem
dúvida, desafios, mas também oportunidades únicas. O
principal desafio é mostrar que a diversidade de gênero
não é apenas uma pauta social, mas uma vantagem
competitiva real. Em um mercado criativo como o do entretenimento,
perspectivas diferentes geram narrativas
mais ricas e produtos mais conectados ao público. Ao
mesmo tempo, vejo uma vantagem em liderar e sinto
orgulho de contribuir para uma cultura corporativa que
valoriza e que inspira outras mulheres a ocuparem espaços
de decisão. No fim, liderar nesse contexto significa
abrir caminhos: não apenas para mim, mas para toda
uma nova geração que vê no streaming asiático um reflexo
mais diverso, autêntico e global do que somos.
Ao que você atribui ainda ter tão poucas
mulheres em cargos de liderança nas empresas
asiáticas?
Apesar de o Viki ser uma empresa com sede nos Estados
Unidos, essa é uma questão complexa, que tem
raízes culturais e estruturais. Ainda vemos poucas mulheres
em cargos de liderança porque muitas estruturas
corporativas, na Ásia e em outros países, foram
moldadas por modelos tradicionais. Mas isso está mudando.
As novas gerações trazem uma visão mais colaborativa
e equilibrada, e as empresas já entendem
que a diversidade de gênero é sinônimo de inovação.
O desafio agora é transformar essa consciência em
ação, criando cada vez mais espaços onde o talento
feminino possa realmente florescer.
jornal propmark - 10 de novembro de 2025 49
opinião
Dvulgação
O legado e a essência
Silvio Soledade
O
tempo, implacável e democrático, passa para
todos. Pessoas, empresas e instituições envelhecem,
mas a forma como cada uma lida com a
passagem dos anos define o seu legado. Na Europa, a
longevidade é um selo de qualidade. Empresas centenárias
como a alemã Staffelter Hof (fundada em 862,
a vinícola mais antiga do mundo ainda em operação)
ou a francesa Saint-Gobain (de 1665) não são apenas
negócios; são patrimônios culturais que contam a história
de nações.
Essas companhias, muitas delas ainda sob controle
familiar, atravessaram guerras, crises e revoluções, e
hoje são vistas como pilares de suas economias, não
por serem antigas, mas por terem sabido aliar tradição
e inovação. A sociedade europeia, de modo geral, cultiva
um profundo respeito por seu passado, o que se reflete
na preservação de seus edifícios, marcas e instituições.
No Brasil, a relação com o passado é, muitas vezes,
diferente. Uma visita à Padaria Santa Thereza, fundada
em 1872 no coração de São Paulo, ilustra essa dissonância.
O que deveria ser um portal para a história da cidade
é hoje um estabelecimento que, embora ainda funcione,
parece ter sucumbido ao peso do tempo, em vez de se
orgulhar dele. Suas instalações, que poderiam ser um
testemunho de uma era, refletem mais o abandono do
que a celebração de um legado de 150 anos.
É um sintoma de uma cultura que, por vezes, parece
mais interessada no novo do que em preservar o que já
tem valor. Essa dinâmica revela uma característica marcante
da sociedade brasileira: a tendência de valorizar o
futuro em detrimento da memória, como se o progresso
dependesse do esquecimento. No entanto, países que
souberam equilibrar inovação e tradição demonstram
que a verdadeira evolução não apaga o passado, mas o
incorpora como fundamento.
Essa negligência com o patrimônio material se estende,
de forma mais sutil, ao patrimônio imaterial: nossas
instituições. Enquanto na Europa e no Japão existem
associações como a Les Hénokiens, que reúne empresas
familiares com mais de 200 anos, no Brasil a longevidade
institucional é uma raridade. Segundo o IBGE, 90% das
empresas brasileiras são familiares, mas pouquíssimas
sobrevivem à terceira geração. Nesse cenário, as associações
e entidades profissionais que conseguem atravessar
décadas são verdadeiros pontos de resistência
e resiliência. Elas representam a continuidade de uma
atividade econômica, a preservação de valores, práticas
e conhecimentos que moldam setores inteiros.
Essas instituições longevas, que atuam nos mais diversos
setores, são guardiãs de um conhecimento acumulado,
de uma memória coletiva e de uma representatividade
que foram construídas ao longo de gerações.
Elas nasceram da necessidade de organizar mercados,
estabelecer padrões éticos, promover o desenvolvimento
de seus profissionais e dar voz a setores inteiros da
economia. A Associação de Profissionais de Propaganda
(APP), por exemplo, fundada em 1937, é uma dessas entidades
que, ao longo de quase nove décadas, soube se
reinventar sem perder sua essência, acompanhando as
transformações do mercado publicitário brasileiro. Ignorar
ou subestimar instituições como essas é abrir mão
de um capital social e intelectual de valor inestimável.
O desafio para o mercado e para os profissionais brasileiros
é aprender a valorizar essas entidades. Não como
relíquias de um tempo passado, mas como plataformas
vivas que conectam a história de uma profissão ao seu
futuro. A capacidade de uma instituição manter-se relevante
por décadas demonstra uma extraordinária capacidade
de adaptação e renovação, sem perder a essência
que a tornou necessária em primeiro lugar. Esse equilíbrio
entre permanência e transformação é o que distingue
organizações verdadeiramente sólidas daquelas que
se perdem nas modas passageiras. Em um mundo cada
vez mais volátil e fragmentado, instituições que carregam
décadas de experiência oferecem algo raro: perspectiva
histórica, credibilidade construída e uma visão
de longo prazo que transcende interesses imediatos.
Honrar o passado enquanto se abraça o futuro não
é uma contradição. É a fórmula da longevidade sustentável.
A Europa nos ensina que o verdadeiro valor não
está em ser antigo, mas em ser um clássico. Algo que,
pela força de sua essência e sua capacidade de evoluir,
permanece relevante e indispensável. Está na hora de o
Brasil reconhecer e celebrar os próprios clássicos, sejam
eles edifícios, empresas ou as associações que fortalecem
e dão identidade aos nossos mercados. Valorizar
essas instituições não é nostalgia.
Significa reconhecer que a construção de um futuro
sólido exige raízes profundas. Afinal, como ensina a sabedoria
popular, árvores com raízes fortes resistem às
tempestades mais violentas. Da mesma forma, profissões
e mercados ancorados em instituições centenárias
têm maior capacidade de enfrentar crises e se reinventar
sem perder sua identidade.
Silvio Soledade
é sócio da PlanoGestão, vice-presidente
de mercados regionais da
APP e vice-presidente da Anamid
“A APP, fundada em
1937, soube se
reinventar sem
perder sua essência,
acompanhando as
transformações do
mercado publicitário
brasileiro”
50 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
negócios &
sustentabilidade
Alê Oliveira
IA: O futuro é
híbrido e humano
Ricardo Esturaro
é escritor, administrador de empresas
e especialista em marketing, estratégia
e sustentabilidade
ricardo@esturaro.com
Ricardo Esturaro
Toda empresa quer ser mais eficiente e a inteligência
artificial promete entregar exatamente isso. O
dilema é que, quanto mais ela avança, mais forte
fica a tentação de substituir o trabalho humano. Só que
essa escolha, embora pareça racional, pode se transformar
em uma armadilha no médio prazo, afetando
ativos essenciais para qualquer negócio, como a cultura
e a inovação.
Essa pressão por eficiência, porém, alimenta uma lógica
difícil de evitar. Nenhuma empresa investe em tecnologia
sem esperar retorno. Nesse contexto, a substituição
de equipes por automação parece inevitável. Mas
o ganho em eficiência pode vir acompanhado de uma
perda significativa de inteligência organizacional. A experiência
continua sendo um ativo essencial e exclusivamente
humano. Decisões estratégicas exigem vivência e
a capacidade de interpretar nuances — atributos que a
IA ainda não alcança com profundidade.
Ao depender excessivamente da automação, as
empresas também comprometem a formação de novos
talentos. Tarefas operacionais são parte crucial do
aprendizado humano. Quando eliminadas, desaparecem
os espaços onde se erra, se reflete e se evolui. A pandemia
nos deixou uma lição importante: o trabalho remoto
trouxe agilidade, mas não substituiu a potência da troca
presencial. Pessoas aprendem em grupo, ajustam ideias
em tempo real e desenvolvem soluções por meio do
confronto construtivo e da observação. A IA pode facilitar
esse processo, mas não reproduz a complexidade do
pensamento coletivo.
No marketing, por exemplo, a IA tem se mostrado eficaz
na personalização de campanhas e na otimização de
processos, oferecendo velocidade e escala. Mas, quando
ocupa o espaço da estratégia ou da criação, o resultado
costuma ser previsível e pouco inspirador. A promessa
de transformação, muitas vezes, se perde em repetições
e atalhos. A ascensão da IA generativa intensifica esse
debate. Ela é capaz de produzir conteúdos inéditos, mas
sua criatividade é derivada, baseada em padrões históricos.
Sem repertório emocional, contexto ou intenção, o
que entrega é uma recombinação de dados, e não originalidade.
Por isso, seu uso é mais valioso quando acelera
ou qualifica o processo criativo humano e não quando
tenta substituí-lo.
Para os consumidores, os efeitos da IA já são visíveis.
Plataformas como Netflix e Amazon personalizam
recomendações com base no histórico de uso. Em tese,
isso deveria economizar tempo. Mas, na prática, quantas
vezes você passou mais tempo navegando entre sugestões
do que assistindo ou comprando algo? A personalização
em escala pode parecer sofisticada, mas frequentemente
resulta em uma experiência repetitiva, limitada
às preferências passadas.
O mesmo vale para o atendimento ao cliente. Chatbots
resolvem demandas simples, mas frustram quando
o problema exige escuta ativa e empatia. Nesses casos, a
eficiência pode se tornar um obstáculo. Quando a opção
humana desaparece, a experiência se deteriora. Na criação
de conteúdo, o risco é semelhante: uma avalanche
de materiais corretos, porém irrelevantes. A IA escreve
com rapidez, mas não entende a cultura da empresa, a
concorrência nem os detalhes do público-alvo. Sem direção
humana, o conteúdo perde alma e impacto.
O futuro do marketing e dos negócios será, inevitavelmente,
moldado pela IA. Mas o diferencial continuará
sendo humano. Processos produtivos híbridos,
que combinam o raciocínio crítico das pessoas com a
potência tecnológica da IA, representam o verdadeiro
caminho para a inovação e o sucesso. Preservar o pensamento
analítico e a sensibilidade é o que garante
que a tecnologia seja uma aliada, e não um acelerador
da mediocridade.
“Quando a
opção humana
desaparece,
a experiência se
deteriora”
jornal propmark - 10 de novembro de 2025 51
inspiração
A magia invisível da produção
Divulgação
“Deixo também meu carinho à Eliana, faísca inicial dessa paixão. Ela me
mostrou que a produção é mais do que uma profissão: é um chamado”
Thays Miranda
Especial para o propmark
Desde criança, sempre fui encantada pela televisão. Acho que a maioria das crianças
dos anos 1990 compartilha desse fascínio, mas para mim aquilo era mais do que passatempo:
era quase um chamado. Lembro perfeitamente do dia em que tudo mudou.
Fui com a escola assistir ao programa ‘Eliana no Parque’. Entrei em um estúdio pela
primeira vez e fiquei hipnotizada. A apresentadora surgia iluminada, as provas entravam
e saíam do palco em sincronia, como se tudo fosse uma dança perfeitamente ensaiada.
Quando a gravação terminou, senti um vazio enorme. Era como se algo tivesse sido arrancado
de mim. Fiquei parada diante do palco vazio e chorei. Não sabia explicar, mas sentia que aquele
universo me pertencia. Foi assim que me tornei fã da Eliana, sem entender que o verdadeiro
objeto da minha paixão não era apenas ela, mas tudo o que estava por trás: a magia da produção.
Com 12 anos, tomei uma decisão precoce e definitiva: queria trabalhar com aquilo. Pesquisei
e descobri que precisava estudar rádio e televisão. Quando finalmente entrei na faculdade,
vivi uma cena que nunca esqueci. No dia da minha primeira aula dentro de um
estúdio, liguei para minha mãe ainda no pátio, enquanto chorava de emoção. Disse a ela:
“Mãe, vou ter minha primeira aula em um estúdio de verdade”. Era como se a vida tivesse
fechado um ciclo. Foram quatro anos de descobertas e de uma paixão que só cresceu.
Fiz estágios em grandes emissoras, conheci os bastidores, vivi os imprevistos e, principalmente,
percebi que não existe um único dia em que eu não me emocione quando vejo
a magia da produção se materializar diante de mim. Explicar o que faço nunca é simples.
Produção é um sistema complexo, como um relógio. O público enxerga apenas os ponteiros,
mas por trás existem dezenas de engrenagens invisíveis trabalhando em harmonia. Somos
as peças que mantêm o tempo em movimento.
E a verdade é que a produção está em tudo. No cinema, na TV, no teatro, nas exposições,
nos shows, nos festivais, na publicidade, nos hotéis, nos restaurantes, nas redes sociais. Está
nos casamentos, nas celebrações religiosas e, sim, até em velórios. Parece improvável, mas
basta pensar: escolher o caixão, preparar o espaço, organizar flores, carro, música, café. Tudo
precisa sair no tempo certo. Produção é sobre detalhes, sobre dar ordem ao caos para que a
experiência seja vivida exatamente como deveria.
O que muita gente não percebe é que a produção não é um acessório, algo periférico ao
espetáculo. Ela é o próprio espetáculo invisível. É o fio que costura todas as partes e permite
que a narrativa se complete. É a engrenagem que transforma ideias em realidade, papel
em emoção, conceito em experiência. Se eu pudesse arriscar, diria que até o mundo teve
seu produtor. Alguém que desenhou onde cada coisa deveria estar, qual seria a ordem dos
acontecimentos, como os detalhes se conectariam.
Nada acontece sem produção. E nada seguirá acontecendo sem ela. Se eu pudesse arriscar,
diria que até o universo funciona como uma grande produção. Há uma ordem invisível
que organiza cada detalhe, conecta acontecimentos e dá sentido ao todo. Nada acontece
sem produção. E nada seguirá acontecendo sem ela. Por isso, deixo aqui o meu abraço a
todos os produtores: aqueles que realizam sonhos, que muitas vezes não sabem explicar
em palavras o que fazem mas que se orgulham da profissão. E deixo também meu carinho à
Eliana, que foi a faísca inicial dessa paixão. Ela me mostrou, ainda sem saber, que a produção
é mais do que uma profissão: é um chamado, uma missão. Foi ali, entre lágrimas diante de
um palco vazio, que descobri o que eu seria para sempre.
Thays Miranda é cofundadora e chief production officer da Magic Lab
52 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Divulgação
Felipe Guntovitch, diretor Latam e membro do board global
da Worldwide Partners (WPI), representou a The Group
WPI é uma das maiores redes de agências
independentes do mundo
Board da Worldwide Partners (WPI) se reúne no Japão
WPI reúne board no Japão
O encontro, realizado em Tóquio, consolidou uma pauta voltada à colaboração global, ao uso estratégico da inteligência artificial e à ampliação das oportunidades de geração
de negócios entre os parceiros da rede. Felipe Guntovitch, diretor Latam e membro do board global da Worldwide Partners (WPI), representou a The Group no Japão para uma
série de encontros que reuniram líderes do segmento. A WPI é uma das maiores redes de agências independentes do mundo, presente em mais de 50 países e conectando
mais de 90 agências. Os debates conduzidos pelo board, presidido por Ann-Louise Rosen (Advance, Dinamarca), reforçaram a importância do papel de cada região na construção
de um ecossistema global mais integrado. A pluralidade do comitê reflete a essência da WPI, que combina autonomia local e colaboração global. Sob o comando de John
Harris, CEO da organização, as discussões abordaram como a IA está sendo usada não apenas para automatizar processos, mas para ampliar o potencial de colaboração entre
as agências, desde o compartilhamento de dados e metodologias até o desenvolvimento de plataformas integradas de insights e criação. O encontro significou uma virada de
chave para a Worldwide Partners. A rede consolida um novo ciclo em que tecnologia, cultura e colaboração não são apenas ferramentas de gestão, mas pilares de um mesmo
movimento: construir, juntos, o futuro das agências independentes.
Victor Schildt, diretor da Recoma; Rafael Silva, o Baby, medalhista olímpico de judô; Erika Coimbra, medalhista
olímpica; Enyo Correia, presidente da Federação Paulista de Basquete; Maurren Maggi, campeã olímpica; Joel
Oliveira, presidente da Federação Paulista de Atletismo; e Sergio Schildt, presidente da Recoma
Fotos: Divulgação
Apresentador ‘Craque Neto’, novo embaixador da marca
Recoma reposiciona marca
A Recoma, líder nacional em pisos esportivos e soluções de infraestrutura para o esporte,
investiu R$ 1,5 milhão na modernização de sua sede no Jardim Paulista, em São
Paulo, como parte de uma estratégia de fortalecimento de marca e reposicionamento
no mercado. Com 46 anos de atuação, a Recoma vem ampliando sua presença no futebol
e consolidando sua atuação em marketing esportivo. Além do patrocínio pontual ao Ceará
Sporting Club em algumas partidas do Campeonato Brasileiro, a empresa participará
pela primeira vez da Confut Sudamericana 2025, uma das maiores feiras de negócios do
esporte na América do Sul. O evento de reinauguração contou com a presença de autoridades
esportivas e embaixadores da marca, como a campeã olímpica Maurren Maggi, os
medalhistas Rafael Silva (Baby) e Érika Coimbra, além do Craque Neto, que recentemente
se tornou embaixador oficial da Recoma, ampliando a presença da marca no futebol
e em ações de comunicação.
Arthur Zanetti, medalhista olímpico e embaixador da Recoma
jornal propmark - 10 de novembro de 2025 53
última página
Divulgação
Indies no The One Show.
E o que isso significa?
Flavio Waiteman
Na premiação mais tradicional e criteriosa do
mundo da publicidade, o aparecimento desse
novo braço significa que a tendência das agências
independentes em todo o mundo começa a se
consolidar como um movimento e uma opção real para
as grandes marcas. E agora a coisa muda. É a valorização
do ser independente. O que existe hoje é uma festa
de Golias onde de vez em quando se destaca um Davi.
A Tech&Soul já foi top 3 de agências independentes de
Cannes em 2019. Agora, a proposta parece ser outra. Surge
um pensamento de mercado para as indies.
Se prêmio não fosse bom, não existiria cerimônia
do Oscar. O bom senso criou o Sundance Festival e não
podemos esquecer que sempre teremos o Festival de Cinema
de Veneza para o diferente. Mas tudo é indústria e
na publicidade pode ser assim também. Para uma agência
independente, o prêmio tem sido, antes de tudo, um
selo de qualidade que envolve originalidade, entrega e
craft. Ou seja, “a sua agência gigante tem e eu também
tenho. Vamos falar de trabalho? Quero a sua conta”.
A tendência de valorização das agências independentes
começa a se solidificar. O primeiro festival de agências
independentes que conheci foi o Small Agency of
the year, da Ad Age, que a Tech&Soul ganhou três vezes. A
primeira, em 2020, como Agência Internacional, ao lado
da Uncommon de Londres. A segunda, em 2021, como
Agência de Experience, junto com a Mischief NY, e este
ano com Prata em Campanha do Ano para a revista Unquiet,
também junto com a mais nova leva de independentes.
O festival ocorreu na cidade de Toronto e o clima
era mais de camaradagem e de troca de experiências,
bem diferente do “resta um” atual.
Colocar a atenção nas indies é voltar a focar em criatividade
e tirar o foco do financeiro. Significa apostar em
senioridade, em craft, em técnica e em criatividade com
resultados. É menos sobre o uso de dados como a única
resposta e mais como uma das ferramentas úteis para
que a comunicação aconteça com emoção.
E por que o festival precisa ser diferente? Porque fundar
uma agência do zero, com investimento próprio e ir
crescendo, campanha após campanha, lhe dá centenas
de histórias profissionais e pessoais interessantes. É ser
criativo e empreendedor ao mesmo tempo. Isso é ser
indie. Desenvolver talentos e ter faro para contratá-los
antes mesmo de estarem maduros, é ser indie. Sair do
ensaio da garagem para o Madison Square Garden sem
perder a afinação e o repertório próprio, é ser indie.
A responsabilidade em tocar um negócio e cuidar das
pessoas nos dá traquejo de empreendedor tarimbado.
Tem dono. Alguém se responsabiliza. Um festival para
as agências independentes precisa saber tudo isso. E
o que mais gostei é que o júri vai ser feito por profissionais
de agências independentes. Afinal, são elas que
têm apenas o trabalho do dia a dia para inscrever, já que
cada inscrição é um esforço financeiro enorme. Esse
novo olhar das premiações como Ad Age e The One Show
mostra um lugar diferente, uma nova oportunidade, que
caminha na contramão da operação financeira que o negócio
da criatividade se transformou.
A criatividade precisa ser corajosa, rebelde, mas profundamente
técnica. Precisa dizer não. Ser esquisita. A
atenção é quase o santo graal da modernidade e o foco
não pode ser o próprio negócio da agência. Precisa ser
o negócio do cliente. É difícil, mas só as independentes
podem se dar ao luxo de ser assim.
Também tenho defendido muito para as agências
independentes esses novos “selos de qualidade”
como Lürzer’s Archive, Cresta, New York Festival,
PhenX, além das editorias e escolhas em sites onde
todos acessam referências, como Adforum, Golden-
Drum, Art&Communication, Shots etc. O The One Show
Indies foi anunciado como uma rebeldia. Envelheceu
automaticamente o mainstream. É a categoria Davi,
dentro do mundo dominado por Golias. E o anúncio
diz claramente isso. “The One Show Indie foi elaborado
para agências independentes que criam trabalhos
poderosos sem depender de orçamentos ou políticas
corporativas”. Após a Advertising Age e o The One
Show apontarem o caminho, resta aos donos das
grandes marcas e CMOs olharem esse movimento
como uma tendência e não como uma aposta. E convidarem
cada vez mais agências independentes para
suas contas. Afinal, quem quer um Golias na sala?
Flavio Waiteman
é sócio e CCO da Tech&Soul
flavio.waiteman@techandsoul.com.br
“Surge um
pensamento
de mercado
para as indies”
54 10 de novembro de 2025 - jornal propmark
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(11) 2065-0738