19.11.2025 Visualizações

11 - Jornal Paraná Novembro 2025

Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!

Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.


OPINIÃO

COP30: Vamos falar sem

rodeio, a resposta virá do campo!

O presidente interino do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette,

ressalta a importância do campo para a sustentabilidade

No final do século XIX,

Thomas Malthus,

considerado o pai da

demografia, lançou

um alerta: o crescimento populacional

seria incompatível com

a produção de alimentos. Isso

porque, enquanto os meios de

subsistência cresciam em progressão

aritmética, a população

evoluía de forma geométrica.

Desta maneira, com o passar do

tempo, não seria possível alimentar

a todos.

A previsão, felizmente, não se

confirmou. A pesquisa científica

e o ímpeto dos produtores rurais

mostraram que o campo poderia

dar conta do crescimento demográfico,

com a produção de

mais alimento por área. Ou seja,

a tese malthusiana caiu por terra

em função dos avanços da

agropecuária.

Agora, o mundo se vê diante de

outros desafios, cuja solução

também está endereçada à

classe produtora. As mudanças

climáticas têm impactado, cada

vez mais, a vida na cidade e no

campo, elevando os riscos de

desastres naturais. Vamos falar

sem rodeio: grande parte da solução

virá da agropecuária.

Está na hora de ter essa conversa,

sem filtro, a nível global,

para o bem da sociedade. E o

palco ideal para demonstrar, de

forma consistente, que a agricultura

é parte da solução para

as mudanças climáticas é a 30ª

Conferência das Nações Unidas

sobre Mudanças Climáticas

(COP30). Isso passa por uma

série de estratégias públicas e

privadas, que precisam ser adotadas

no curto prazo, tamanha

é a urgência do desafio.

A boa notícia é que diversas

destas ações já estão em curso

no Paraná, muitas capitaneadas

pelo Sistema FAEP, como, por

exemplo, o uso de tecnologias

para a transição energética.

Essa questão vem sendo fomentada

há anos no meio rural

paranaense, a ponto de ter atingido

um grau de maturidade significativo.

A produção de biogás

por meio do processo de biodigestão

em propriedades rurais é

uma realidade no Estado há pelo

menos duas décadas.

Lá atrás, a entidade representativa

da agropecuária paranaense

já tinha identificado a necessidade

de transformar o passivo

ambiental de atividades como

avicultura e suinocultura em ativos

energéticos. Em 2017, a

entidade promoveu uma viagem

técnica à Itália, Áustria e Alemanha

justamente com o objetivo

de conhecer a produção de

energias renováveis naqueles

países.

No que se refere ao uso de biocombustíveis,

o Sistema FAEP

lançou, em junho, o programa

Movido pelo Agro, para incentivar

o uso do etanol na frota estadual.

E como o exemplo tem

que começar dentro de casa, a

frota da entidade é abastecida

exclusivamente com o combustível

verde. Também é no Paraná

que a produção de biodiesel

encontra a maior refinaria

do país, localizada na Lapa, na

Região Metropolitana de Curitiba

(RMC).

O uso de energia solar nas propriedades

rurais é outra prática

fomentada há tempos no meio

rural do Paraná. Novamente, o

exemplo começa em casa. A

entidade tem usinas fotovoltaicas

nos seus dois Centros de

Treinamento Agropecuário

(CTAs), nos municípios de Ibiporã

e Assis Chateaubriand.

Hoje, 100% da energia usada

nas estruturas do Sistema FAEP

têm origem em fontes limpas.

No que tange o uso de sistemas

sustentáveis de agricultura regenerativa,

o Paraná já avançou

bastante em ações como rotação

de culturas, plantio direto e

produção orgânica, cujos fundamentos

são levados para milhares

de produtores rurais, de

forma gratuita, por meio dos

cursos da entidade paranaense.

O solo e a água, maiores patrimônios

dos produtores rurais e

fundamentais para a humanidade,

também são prioridades

dentro da porteira. Isso porque

o solo bem conservado proporciona

melhora da qualidade da

água e do meio ambiente, além

de maior produtividade agricola.

Por isso, o Sistema FAEP

avança em pesquisas para a

manutenção do Paraná na vanguarda

do uso sustentável do

meio rural.

Diante de tantos exemplos, a

expectativa é de que os dirigentes

da COP30 se sensibilizem

a ponto de dissolver uma

barreira ideológica que opõe,

de maneira irracional, a produção

de alimentos e a conservação

do meio ambiente. Essas

duas atividades não só não

são excludentes, como uma

depende da outra para sobreviver.

Isso prova que, mais

uma vez na história, a resposta

para enfrentar os desafios globais

virão do campo. Contem

sempre com o agro.

Ágide Eduardo Meneguette,

presidente interino do Sistema

FAEP

2

Jornal Paraná


CANA-DE-AÇÚCAR

Chuvas prorrogam a safra no Paraná

A expectativa é fechar a colheita com um volume de cana esmagado

semelhante ao do período anterior, 32,6 milhões de toneladas

As chuvas ocorridas

nas últimas semanas

prolongaram a safra

de cana-de-açúcar

no Paraná. A maioria das usinas

deveria encerrar a colheita

até meados de dezembro, entretanto,

até meados de novembro,

somente algumas

usinas paranaenses tinham

encerrado a safra 2025/26

segundo o presidente da Alcopar,

Miguel Tranin. A maioria

das unidades industriais ainda

avalia a possibilidade de continuar

a safra até seu encerramento

ainda este ano, ou fazer

uma pausa no final do ano

e retornar mais cedo, em março

de 2026, para só então encerrar

a safra, antes do início

do novo período em abril.

Até setembro, o clima mais

seco foi favorável para a colheita,

acelerando o processo,

registrando números positivos

em relação a produtividade

de cana-de-açúcar por hectare.

Os volumes de ATR

(Açúcar Total Recuperável),

entretanto, foram menores no

período em relação a safra anterior.

Com o avanço da colheita

num ritmo mais rápido,

muita cana acabou sendo colhida

antes do tempo ideal de

maturação, explica o presidente

da Alcopar.

A moagem de cana-de-açúcar

realizada na safra 2025/26

pelas Unidades Industriais do

Paraná até o final de outubro,

atingiu 31.290.197 toneladas,

superando a moagem no

mesmo período da safra anterior

em 2,5%, que foi de

30.532.176 toneladas. A expectativa

é fechar a safra com

um volume de cana esmagado

semelhante ao da safra

passada, 32,6 milhões de toneladas

de cana-de-açúcar,

ressalta Tranin.

A produção acumulada de

açúcar atingiu 2.531.411 toneladas,

superando também

em 2,5% a produção da safra

2024/25 (2.469.047 t). O volume

total de etanol produzido

foi de 972,48 milhões de litros,

recuo de 1,0% em relação

à safra anterior. A produção

do etanol anidro caiu

15,2% no acumulado

(445,046 milhões de litros),

porém a produção do etanol

hidratado no acumulado de

527,438 milhões de litros supera

em 15,3% a produção da

safra anterior.

Até o final de outubro, 61% do

volume total de matéria-prima

disponível no Paraná foram

destinados para a produção

de açúcar resultando em uma

safra mais açucareira do que

o normal, quando o percentual

gira em torno de até 58%.

Durante a safra 2025/26 esse

percentual chegou até 63% da

matéria-prima destinada a

produção de açúcar.

Com a queda dos preços da

commodity no mercado nacional

e internacional, as usinas

reduziram a produção de canade-açúcar

no Paraná e no Centro-Sul

como um todo, passando

a priorizar a produção

de etanol. A mudança deve limitar

a oferta de açúcar esperada

para esta safra 2025/ 26

no Centro-Sul e aumentar a

oferta de etanol para garantir o

abastecimento na entressafra.

O ATR por tonelada de cana

ainda apresenta também uma

retração de 1,0% totalizando

(138,18 Kgs), quando comparado

com a safra passada

de (140,19 Kgs).

Os bons volumes de chuva

neste período devem ainda

beneficiar ao desenvolvimento

das lavouras de cana na próxima

safra.

Jornal Paraná 3


CENTRO-SUL

Colheita encerrou em várias regiões

No acumulado, a moagem atingiu 556,03 milhões de toneladas,

retração de 1,97% comparado com as 567,18 milhões no ciclo anterior

Na segunda quinzena

de outubro, as unidades

produtoras da região

Centro-Sul processaram

31,11 milhões de

toneladas ante a 27,21 milhões

da safra 2024/2025. No acumulado

desde o início da safra

2025/2026 até 1º de novembro,

a moagem atingiu 556,03

milhões de toneladas, registrando

retração de 1,97% na

comparação com as 567,18

milhões de toneladas registradas

no mesmo período no ciclo

anterior.

Na segunda quinzena de outubro,

operaram 242 unidades

produtoras na região Centro-Sul,

sendo 222 unidades com processamento

de cana, dez empresas

que fabricam etanol a

partir do milho e dez usinas flex.

No mesmo período da safra anterior,

251 unidades produtoras

estavam em operação.

Nos últimos quinze dias de outubro,

54 unidades encerraram

a moagem. No acumulado

desde o início da safra, 74 unidades

já concluíram o processamento

da cana, ante 40 usinas

no mesmo período do

ciclo anterior.

O diretor de Inteligência Setorial

da UNICA, Luciano Rodrigues,

explica que "na primeira

quinzena de novembro,

outras 50 unidades estavam

programadas para encerrarem

a moagem deste ciclo. Com

isso, ao final da primeira quinzena

de novembro, mais de

120 empresas devem estar

com safra encerrada no Centro-Sul".

Em relação à qualidade da matéria-prima,

o nível de Açúcares

Totais Recuperáveis (ATR)

registrado na primeira quinzena

de outubro atingiu 151,56 kg

de ATR por tonelada de canade-açúcar.

No acumulado desde

o início da safra 2025/

2026, o indicador marca

138,32 kg de ATR por tonelada,

registrando retração de

3,07% na comparação com o

valor observado na mesma

posição no ciclo anterior.

Mercado de CBios

Dados divulgados pela B3 até o

dia 12 de novembro indicam

que a emissão de CBios totalizou

35,82 milhões de créditos

em 2025. A quantidade de títulos

disponível para negociação

em posse da parte obrigada,

não obrigada e dos emissores

totaliza 30,51 milhões de créditos

de descarbonização.

Luciano Rodrigues explica que

"somando os CBios disponíveis

para comercialização e os créditos

já aposentados para cumprimento

da meta de 2025, já

temos cerca de 106% dos títulos

necessários para o atendimento

integral da quantidade

exigida pelo Programa no final

deste ano".

Esse cálculo inclui o saldo devedor

acumulado de metas anteriores

e os ajustes decorrentes

de contratos de longo prazo,

oferecendo oferta mais do que

suficiente para o cumprimento

das metas atuais e daquelas que

não foram atendidas em anos

anteriores pelos distribuidores,

ressalta o executivo da UNICA.

4 Jornal Paraná


Produção de açúcar e etanol

A produção de açúcar na segunda

quinzena de outubro totalizou

2,07 milhões de toneladas.

No acumulado desde o

início da safra até 1º de novembro,

a fabricação do adoçante

totalizou 38,09 milhões

de toneladas.

A proporção da matéria-prima

direcionada à fabricação do

adoçante recuou dois pontos

percentuais na segunda quinzena

de outubro, atingindo

46,02% ante o índice observado

de 48,28% na quinzena

anterior.

Rodrigues acrescenta que "a

retração observada no índice

médio do Centro-Sul está presente

mesmo nos importantes

polos de produção de açúcar".

Regiões como São Carlos, São

José do Rio Preto e Piracicaba

registraram retração de 4 a 7

pontos percentuais na proporção

de matéria-prima destinada

a produção de açúcar,

explicou o executivo.

No mês de outubro, as vendas

de etanol totalizaram 3,05 bilhões

de litros. O volume comercializado

de etanol anidro

no período foi de 1,19 bilhão

de litros – avanço de 6,18% –

enquanto o etanol hidratado registrou

venda de 1,86 bilhão de

litros – recuo de 5,18%.

No mercado doméstico, o volume

de etanol hidratado vendido

pelas unidades do

Centro-Sul totalizou 1,79 bilhão

de litros, o que representa

um recuo de 4,44% em relação

ao mesmo período da safra

Com isso, na segunda metade

de outubro, a fabricação de

etanol pelas unidades do Centro-Sul

cresceu, atingindo 1,90

bilhão de litros - sendo 1,16

bilhão de litros de etanol hidratado

(+14,05%) e 747,19 milhões

de litros de etanol anidro

(+14,90%). No acumulado

desde o início do atual ciclo

agrícola, a fabricação do biocombustível

totalizou 26,95

bilhões de litros (- 6,91%),

anterior. A venda de etanol anidro,

por sua vez, seguiu sentido

contrário e atingiu a marca

de 1,17 milhões de litros,

avançando 7,74%.

No acumulado desde o início

da safra até o final de outubro,

a comercialização de etanol

pelas unidades do Centro-Sul

somou 20,57 bilhões de litros.

O volume acumulado de etanol

hidratado totalizou 12,84 bilhões

de litros (-5,42%), enquanto

o de anidro alcançou

7,72 bilhões de litros

(+4,67%).

sendo 16,78 bilhões de etanol

hidratado (-9,19%) e 10,17 bilhões

de anidro (-2,88%).

Do total de etanol obtido na segunda

quinzena de outubro,

21,57% foram fabricados a

Vendas de etanol

partir do milho, registrando

produção de 410,97 milhões

de litros neste ano, contra

377,54 milhões de litros no

mesmo período do ciclo

2024/2025 – aumento de

8,85%.

No acumulado desde o início

da safra, a produção de etanol

de milho atingiu 5,27 bilhões

de litros – avanço de

16,73% na comparação com

igual período do ano passado.

Jornal Paraná 5


ARTIGO

Bagaço de cana já gera

energia de ¼ de Itaipu

E ganha força no setor elétrico. O valor estratégico da

bioeletricidade está na complementaridade sazonal

Por José Piñeiro

Asafra 2025/26 da

cana-de-açúcar está

com um sinal de

alerta. Segundo levantamento,

a média das projeções

indica moagem de 596 milhões

de toneladas, uma queda de

4,1% em relação ao ciclo anterior.

O cenário é agravado por

um ATR (Açúcares Totais Recuperáveis)

mais baixo, reflexo de

condições climáticas adversas,

e pressiona diretamente a produção

de etanol e açúcar, dois

pilares tradicionais do setor.

Esse movimento evidencia a

vulnerabilidade do modelo baseado

apenas em biocombustíveis

e commodities. Ao mesmo

tempo, reforça a urgência de

fortalecer um ativo muitas vezes

subestimado, que é a bioeletricidade

produzida a partir do bagaço

e da palha da cana.

Além disso, a EPE já apontou

que, em 2024, a cogeração a

partir da biomassa da cana garantiu

aproximadamente 37

TWh de eletricidade, equivalente

a 56% da produção da usina de

Itaipu. Esse volume não apenas

complementa a matriz elétrica

nacional, como reduz a necessidade

de acionar termelétricas

fósseis, mais caras e poluentes.

No mesmo ano, a biomassa

respondeu por 8,2% da geração

elétrica brasileira, consolidando-se

como a quarta fonte renovável

mais relevante, atrás

apenas da hídrica, eólica e

solar.

Além disso, o valor estratégico

da bioeletricidade está na complementaridade

sazonal. A safra

de cana coincide com o período

seco, quando os reservatórios

hidrelétricos ficam pressionados.

Isso transforma as usinas

sucroenergéticas em fornecedoras

de confiabilidade para o

Sistema Interligado Nacional

(SIN).

Da mesma forma, a bioeletricidade

possui a curva de geração

definida e previsível, ao contrário

da geração solar ou eólica,

sujeitas a variabilidade climática.

Essa característica é fundamental

para garantir a estabilidade

do sistema.

Oportunidade de negócio e de

política pública. Vale ressaltar que

o potencial da bioeletricidade é

ainda maior do que o já entregue.

Para o setor sucroenergético,

pressionado por margens menores

no açúcar e no etanol, a venda

de energia elétrica representa

diversificação e estabilidade na

receita. Para o país, é um instrumento

de segurança energética

e descarbonização.

Dessa forma, a safra 2025/26

lembrou que açúcar e etanol

não são suficientes para sustentar

sozinhos o setor sucroenergético.

Ao contrário, a bioeletricidade

se projeta como o

verdadeiro pilar de estabilidade,

tanto para o sistema elétrico nacional,

quanto para o futuro

econômico das usinas.

Investir em políticas que valorizem

essa fonte, como remuneração

pela capacidade firme,

proximidade dos grandes centros

consumidores e confiabilidade

nas projeções de geração,

permite transformar uma vocação

em estratégia.

O Brasil não pode abrir mão de

um ativo que gera energia

limpa, reduz emissões e garante

estabilidade. A bioeletricidade

da cana deixa de ser

apenas uma alternativa para se

tornar o futuro da segurança

energética do país.

José Piñeiro: Executivo com

24 anos de experiência no

setor de energia, sendo 14 no

setor sucroenergético. Atuou

em cargos de liderança na

Bunge Brasil, BP Bunge e bp

bioenergy, com foco em estratégias

comerciais e gestão

de energia. MBA Executivo

pela Fundação Dom Cabral.

6 Jornal Paraná



CANA-DE-AÇÚCAR

Ridesa lança novas variedades

Evento nacional apresentou cultivares mais produtivas e resistentes,

com destaque para variedades desenvolvidas na UFSCar

AUniversidade Federal

de São Carlos (UFS-

Car) promoveu dia

22/10, em Ribeirão

Preto, o lançamento nacional

de 18 variedades de cana-deaçúcar

desenvolvidas por sete

universidades federais que integram

a Rede Interuniversitária

para o Desenvolvimento do

Setor Sucroenergético (Ridesa

Brasil). O evento também

apresentou dados inéditos

do Censo Varietal Nacional,

que apontam que 54% da

cana colhida na safra 2024/25

no País são de variedades

criadas pela Rede.

A Ridesa Brasil reúne dez universidades

federais e mais de

300 bases de pesquisa em

todo o País, atuando há mais

de três décadas no desenvolvimento

de cultivares de canade-açúcar

com foco em produtividade,

qualidade e sustentabilidade.

As novas cultivares apresentam

avanços expressivos em

produtividade, resistência a

pragas e doenças, tolerância

ao estresse hídrico e maior

teor de sacarose, além de se

adaptarem a diferentes regiões

produtoras do Brasil. No total,

a Ridesa já disponibilizou 116

variedades de cana aos produtores

nacionais ao longo de

seus 35 anos de atuação.

Entre os lançamentos, destaca-se

a RB075322, desenvolvida

pela UFSCar, que reúne

características de alta rusticidade,

elevada produtividade

e longevidade, já consolidada

em importantes polos

produtores de São Paulo e

Mato Grosso do Sul.

Durante a cerimônia de abertura,

participaram o Presidente

da Ridesa e Reitor da Universidade

Federal de Alagoas

(Ufal), Josealdo Tonholo; o

Coordenador Geral da Ridesa

e professor da UFSCar, Hermann

Paulo Hoffmann; a Reitora

da UFSCar, Ana Beatriz de

Oliveira; e o Presidente da

Finep, Luiz Antonio Elias.

O professor Hermann Hoffmann

destacou o papel estratégico

do programa: "A Ridesa

é o maior programa de parceria

público-privada do mundo

para uma cultura agrícola.

Hoje, nós estamos respondendo

ao setor sucroenergético

com entrega de produtividade.

O objetivo é posicionar

o etanol de cana com um

custo mais competitivo no

mercado. Essas novas variedades

oferecem ao setor produtivo

opções, justamente,

para aumentar a produtividade

e reduzir os custos".

Já a Reitora da UFSCar ressaltou

a relevância científica do

trabalho desenvolvido pela

Rede. De acordo com ela, a

Ridesa, além de desenvolver

novas variedades de cana que

fortalecem a matriz energética

limpa, forma pesquisadores

que disseminam conhecimento

e inovação em todo o

País. A Reitora também reforçou

o orgulho da UFSCar em

integrar a Rede que completa

um ciclo virtuoso: "O desenvolvimento

dessas variedades

movimenta o setor, gera desenvolvimento

econômico,

contribui para a produção de

energia limpa e forma profissionais

altamente qualificados.

A UFSCar sente imenso

orgulho em ter um grupo de

pesquisa de tamanha relevância

nacional", acrescentou.

A programação do evento

também contou com mesasredondas

sobre políticas públicas

para bioenergia e

sustentabilidade, reforçando o

papel estratégico do setor sucroenergético

e das pesquisas

nas universidades públicas federais

para a liderança na

transição para uma economia

de baixo carbono.

8 Jornal Paraná


AÇÚCAR

Mudanças na Tailândia podem

impactar o mercado global

Com os preços do açúcar em queda e a expectativa de valorização da mandioca,

muitos produtores tailandeses podem migrar da cana para a raiz no ano que vem

As mudanças no campo

tailandês podem ter

reflexos diretos no

mercado global de

açúcar na safra 2026/27 (outset).

O país, maior exportador

da mandioca, vive um momento

de reavaliação em sua

estratégia agrícola, à medida

que a mandioca volta a ganhar

espaço e ameaça a hegemonia

da cana-de-açúcar nas principais

regiões produtoras.

Com PIB estimado em US$ 1,9

trilhão em 2025, a Tailândia é

uma das economias mais dinâmicas

da Ásia e uma das principais

exportadoras de arroz,

borracha natural, açúcar e mandioca.

Nos últimos anos, entretanto,

a queda nos preços da

raiz e a alta rentabilidade da

cana levaram os produtores a

substituírem parte das lavouras,

reduzindo em 10% a área plantada

com mandioca na safra

2022/23. Essa tendência, porém,

começa a se inverter, segundo

dados da StoneX, empresa

global de serviços financeiros.

Após um período de retração, a

demanda chinesa pela mandioca

tailandesa voltou a crescer

em 2025. “A recuperação

da demanda chinesa pode redefinir

a rentabilidade das culturas

na Tailândia. A mandioca

volta a ser uma alternativa viável,

especialmente se os preços

do açúcar continuarem em

queda”, avalia o analista de Inteligência

de Mercado da StoneX,

Marcelo Di Bonifácio.

A disputa por área é mais acentuada

nas províncias do Norte e

Nordeste, regiões onde o produtor

costuma alternar culturas

de acordo com a rentabilidade.

Com o açúcar negociado abaixo

de US¢ 16/lb, o governo tailandês

pode ser pressionado a

reduzir o preço mínimo pago

pela cana, o que reforçaria a

tendência de migração.

Segundo cálculos da StoneX, a

partir dos dados do Escritório

de Economia Agrícola da Tailândia

(OAE), “se a cana seguir

perdendo rentabilidade e a

mandioca alcançar o patamar

dos 2.300 baht/t, o produtor vai

mudar de rota. E essa decisão

pode reduzir a oferta global de

açúcar já a partir da safra

2026/27”, projeta Di Bonifácio.

A possível substituição de áreas

vem em um momento delicado

para o mercado internacional de

açúcar. Com superávit projetado

para 2025/26, a commodity

enfrenta pressão baixista

após três safras seguidas de

crescimento. A Tailândia, responsável

por cerca de 10% das

exportações globais, desempenha

papel-chave nesse equilíbrio.

Mesmo que parcial a redução

da área de cana no país, esta situação

poderia limitar a produção

de açúcar nas próximas

safras, interrompendo o ciclo

de expansão iniciado em 2022

e atenuando o excesso de oferta

global. “A Tailândia é um elo

estratégico para o açúcar. Qualquer

mudança no seu perfil produtivo

impacta os fluxos comerciais

asiáticos e o balanço global

de commodities agrícolas”,

destaca Di Bonifácio.

No curto prazo, a retomada da

demanda chinesa dá à mandioca

uma nova chance de

competir em rentabilidade. No

médio prazo, o que está em

jogo é mais do que a reorganização

das lavouras tailandesas,

é o redesenho das forças que

moldam dois dos mercados

agrícolas mais relevantes do

mundo.

Jornal Paraná 9


COP30

Biodiesel ganha protagonismo

no debate global

Sob o olhar do mundo, a APROBIO reforça o potencial do biodiesel na

transição energética e seu compromisso com as metas do Acordo de Paris

AAprobio (Associação

dos Produtores de

Biocombustíveis do

Brasil) marcou presença

na Conferência das Nações

Unidas sobre as Mudanças

Climáticas de 2025 -

COP30 com uma missão clara:

reafirmar ao mundo o papel

estratégico do biodiesel brasileiro

na transição para uma

economia de baixo carbono.

A associação esteve no estande

“Brazilian Sustainable

Transportation”, na Blue Zone,

numa parceria que reúne a Associação

Nacional dos Fabricantes

de Veículos Automotores

(Anfavea), além das entidades

que também trabalham

em defesa do biodiesel: a Associação

Brasileira das Indústrias

de Óleos Vegetais

(Abiove) e a União Brasileira do

Biodiesel e Bioquerosene

(Ubrabio).

Em meio à relevância histórica

da COP30 - realizada pela primeira

vez na Região Norte do

Brasil - a Aprobio destaca a importância

da transição energética

se materializar em ações

reais e mensuráveis. Nesse

contexto, o Diretor-Superintendente

da Aprobio, Julio Cesar

Minelli, enfatiza a urgência do

momento:

“Dez anos depois do Acordo de

Paris, esperamos que os compromissos

firmados naquela

COP não fiquem apenas no

papel, mas finalmente se transformem

em ações concretas,

capazes de impactar a vida das

pessoas e o futuro do planeta.

O Brasil tem todas as condições

de liderar esse movimento:

temos tecnologia, matéria-prima,

experiência e uma

cadeia produtiva sólida. Agora,

é hora de transformar essa capacidade

em resultados. A

COP30 é o palco perfeito para

isso”.

Em um momento em que a

comunidade internacional revisita

seus compromissos

ambientais e observa com

atenção o avanço das soluções

sustentáveis, o Brasil

chegou à conferência com

uma trajetória exemplar e com

a responsabilidade de mostrar

resultados concretos - especialmente

no setor de biocombustíveis.

Ao longo dos últimos anos, o

biodiesel nacional tornou-se

símbolo de uma equação rara

entre eficiência energética, impacto

ambiental positivo e desenvolvimento

social. É um

setor que une tecnologia, agricultura

familiar, capacidade industrial

e geração de empregos

em diferentes regiões do país,

segundo a Aprobio.

A programação incluiu painéis,

apresentações técnicas,

conteúdos audiovisuais e reuniões

bilaterais com foco em

mobilidade sustentável, descarbonização

do transporte

pesado, economia circular e

políticas públicas. Além disso,

foram reforçados temas estruturantes

como: avanços regulatórios,

oportunidades industriais,

integração das cadeias

produtivas e a contribuição

do biodiesel para a geração

de renda e inclusão social

no campo.

Também fez parte da iniciativa:

Associação Brasileira do Biogás

(Abiogás), Associação Brasileira

da Indústria de Autopeças

(Abipeças), Associação Brasileira

de Engenharia Automotiva

(AEA), Bioenergia Brasil, Instituto

de Qualidade Automotiva

(IQA), Instituto Mobilidade de

Baixo Carbono (MBCB) Brasil,

Sociedade de Engenheiros da

Mobilidade (SAE Brasil), União

Nacional do Etanol de Milho

(Unem) e União da Indústria de

Cana-de-Açúcar e Bioenergia

(Única).

10

Jornal Paraná



ENERGIA

Brasil pode expandir

biocombustíveis sem desmatar

Pesquisa do IEMA indica que país pode mais do que dobrar produção

e consumo até 2050, com cultivos mais eficientes e novas tecnologias

OBrasil pode mais do

que dobrar a produção

e o consumo de

biocombustíveis até

2050 com salvaguardas socioambientais

e recuperação de

áreas naturais, sem que isso resulte

em novos desmatamentos.

De acordo com o estudo

"Biocombustíveis no Brasil:

alinhando transição energética

e uso da terra para um país carbono

negativo", elaborado pelo

Instituto de Energia e Meio Ambiente

(IEMA) com apoio do GT

Clima e Energia do Observatório

do Clima, o cultivo agrícola adicional

para biocombustíveis

pode utilizar entre 20 e 35 milhões

de hectares, dentro dos

56 milhões de hectares de pastos

degradados disponíveis

para expansão da agricultura de

uma forma geral. Leia na íntegra

no site do IEMA: energiaeambiente.org.br.

Esse montante seria compatível

com uma política que visa eliminar

o desmatamento e recuperar

áreas naturais, além de

expandir a agricultura de alimentos

e de outras matériasprimas.

Dos 100 milhões de

hectares de pastos degradados

existentes no Brasil (o que equivale

a 12% do território nacional),

56 milhões poderiam ser

estrategicamente direcionados

para a expansão da agricultura

brasileira, incluindo o cultivo de

bioenergia.

A pesquisa do IEMA mostra

que a expansão de áreas de

cultivos agrícolas para aumento

da produção de biocombustíveis

pode ser compatível com

o "estoque" de áreas degradadas

que o Brasil já possui.

"Para isso, é necessário que

haja uma aposta em cultivos

de maior produtividade, como

a macaúba, e o investimento

em novas tecnologias, como o

etanol de segunda geração",

ressalta Felipe Barcellos e Silva,

autor do documento e pesquisador

do IEMA.

"A bioenergia tende, sim, a demandar

uma quantidade relevante

de terras", afirma Silva.

"Dessa forma, o país precisa

ser rigoroso em políticas de

monitoramento e regramento

do uso do solo, além de outras

salvaguardas importantes elencadas

no estudo. A prioridade

deve continuar sendo a produção

de alimentos e a proteção e

regeneração de áreas naturais,

com os biocombustíveis ocupando

apenas parte das áreas

degradadas", completa.

O estudo comparou seis cenários

gerais de expansão da

produção de biocombustíveis

até 2050, cada um com diferentes

combinações de matérias-primas

e tecnologias para

a produção de etanol, biodiesel,

diesel verde e combustível

sustentável de aviação (SAF).

Embora a matriz de bioenergia

seja bastante diversificada, o

estudo concentrou-se nesses

biocombustíveis por seu potencial

de uso em larga escala

no setor de transportes e por

exigirem maior volume de matérias-primas

vegetais, fator

que pode intensificar a pressão

sobre o uso da terra nos próximos

anos.

Desses seis cenários, quatro

"couberam" dentro do limite de

56 milhões de hectares proposto,

demandando uma área

adicional de 20 a 35 milhões de

hectares, aproximadamente.

São eles:

• Foco em Cana/Macaúba

2050 – 21 milhões de hectares:

100% do etanol, do diesel verde

e do SAF produzidos a partir da

cana-de-açúcar e 100% do biodiesel

oriundo da macaúba;

• Foco em Macaúba 2050 –

26 milhões de hectares: 100%

do biodiesel, do diesel verde e

do SAF produzidos a partir da

macaúba e 100% etanol oriundo

da cana-de-açúcar;

• Foco em Cana/Soja/Macaúba

2050 – 27 milhões de hectares:

70% do etanol produzido

a partir da cana-de-açúcar e

30% a partir do milho de segunda

safra, biodiesel oriundo

da soja e da macaúba em proporções

iguais e 100% do diesel

verde e do SAF produzido a

partir da cana;

• Foco em Cana 2050 – 34

milhões de hectares: 40% do

etanol produzido a partir da

cana-de-açúcar e 60% a partir

do milho de segunda safra,

100% do diesel verde e do SAF

oriundos da cana e 100% do

biodiesel produzido a partir do

óleo de soja.

Essas áreas adicionais até

2050 se somariam aos cerca

de 31,4 milhões de hectares utilizados

em 2024 para produção

de bioenergia, e também contemplam

a silvicultura - florestas

plantadas, principalmente de

eucalipto ou pinus, que geram

lenha, carvão vegetal ou lixívia

(um subproduto da produção

de papel e celulose).

12

Jornal Paraná


Diferentes cultivos e tecnologias

Em relação às opções com

cana-de-açúcar, os cenários

acima consideram tanto o etanol

de primeira geração, produzido

hoje, quanto o de

segunda geração, feito por

meio do bagaço da cana e

mais avançado tecnologicamente.

Além disso, também

foi observado que os dois

tipos de etanol podem ser diretamente

utilizados como

combustível ou insumo para a

produção de diesel verde e

SAF, via rota tecnológica denominada

ATJ (Alcohol to

Jet).

Já o óleo de soja pode dar origem

ao biodiesel, como feito

atualmente, mas também ser

direcionado para a fabricação

de diesel verde e SAF, ambos

produzidos simultaneamente

em uma biorrefinaria. Também

foi considerado nos cenários

acima o cultivo da soja

em rotação de cultura com o

milho, a partir do qual também

se produz etanol de primeira

geração, alternativa que

vem crescendo no Brasil. Este

etanol pode, por sua vez, servir

para produzir diesel verde

e SAF. Essa prática seria uma

forma de "economizar" território.

Por fim, a macaúba foi considerada

como alternativa para

produção de óleo vegetal por

ser capaz de fornecer cerca

de 4 mil kg de óleo por hectare

plantado, enquanto a soja

fornece cerca de um décimo

disso, segundo a Empresa

Brasileira de Pesquisa Agropecuária

(Embrapa). Além

disso, comparada com outras

espécies de produtividade similar,

a macaúba é nativa do

Brasil e presente em quase

todo território.

Cenários com foco na soja

Além dos quatro cenários em

que é possível combinar expansão

da bioenergia com o objetivo

de zerar o desmatamento e

regenerar áreas naturais no Brasil,

o estudo trouxe dois cenários

em que esses objetivos se

tornam mais difíceis ou impossíveis

de serem cumpridos.

O cenário "Business as Usual

(BAU) 2050" mantém a tendência

de mercado atual até

2050, ao prever 100% do biodiesel,

do diesel verde e do

SAF produzidos a partir de

óleo de soja, 20% do etanol a

partir do milho e 80% de etanol

de cana. Com isso, a demanda

por área adicional chegaria

a 97 milhões de hectares,

muito acima do estoque

de terra degradada disponível

- o que resultaria, portanto, na

necessidade de abrir novas

áreas naturais.

Já no cenário "Foco na Soja

2050", que permanece centrado

na soja, mas aproveita

todo potencial de produção de

etanol, diesel verde e SAF a

partir do milho produzido em

rotação de cultura, seriam necessários

55 milhões de hectares

adicionais, número próximo

ao estoque disponível

para expansão da agricultura.

Porém, a produção de alimentos,

que tem prioridade em relação

à bioenergia, e a produção

de matérias-primas para

outras indústrias, como a têxtil,

também deveriam ser acomodadas

dentro desses mesmos

limites.

Premissas para expansão da bioenergia

O estudo tem como premissa

uma meta de redução das

emissões em todos os setores

de 92% até 2035 em relação

a 2005, conforme

consta na proposta do OC

para a segunda Contribuição

Nacionalmente Determinada

(NDC) do Brasil no âmbito do

Acordo de Paris; um cenário

de mitigação de emissões do

uso e produção de energia

em paralelo a um crescimento

médio do PIB de 2,1%

ao ano até 2050, conforme

publicado no estudo "Futuro

da Energia: visão do Observatório

do Clima para uma

transição justa no Brasil";

além das diretrizes e salvaguardas

socioambientais

propostas no mesmo relatório.

Com isso, o consumo de biocombustíveis

no país deverá

mais do que dobrar, crescendo

de 102 milhões de toneladas

equivalentes de

petróleo (Mtep) em 2024

para 221,1 Mtep em 2050.

Paralelamente, a matriz de

bioenergia também deverá

ser mais variada, passando a

contar com novas fontes

energéticas, como o diesel

verde e o SAF.

Mesmo com esse crescimento

da oferta de bioenergia,

o documento prevê um

compromisso de desmatamento

zero em todos os biomas

até 2030, com exceção

de uma taxa residual de perda

de área natural de, no máximo,

100 mil hectares

(1.000 km²) anuais, conforme

indicou o OC em sua

proposta para a segunda

NDC.

Jornal Paraná 13


DOIS

PONTOS

Acordo global

O Ministério dos Transportes

aderiu, sozinho, ao Memorando

de Entendimento sobre Veículos

Médios e Pesados de Emissões-Zero,

que prevê em sua

estratégia a adoção somente de

veículos elétricos como forma

de descarbonização, sem considerar

os biocombustíveis.

Após críticas do setor produtivo,

a Pasta voltou atrás e cancelou

sua adesão ao acordo

global. O Memorando de Entendimento

sobre Veículos Médios

e Pesados de Emissões-Zero

prioriza os veículos com emissão

zero no escapamento, o

que na prática só considera os

veículos elétricos. Já os veículos

a biocombustíveis têm

emissões no escapamento,

Produtividade

mas são significativamente menores

do que as emissões dos

combustíveis fósseis ao se

considerar todo seu ciclo de

vida de produção.

O Boletim de Olho na Safra, elaborado pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) aponta

um crescimento de 4,3% na produtividade média da cana-de-açúcar na região Centro-Sul

em outubro em relação ao mesmo período da safra anterior, de 61,9 toneladas de cana

por hectare em 2024/25 para 64,6 t/ha em 2025/26. No acumulado de abril a outubro, a

produtividade média alcançou 75,7 toneladas por hectare, o que representa uma redução

de 5,1% em relação às 79,8 t/ha da safra anterior. A qualidade da cana, medida pelo ATR

(kg de açúcar por tonelada de cana), apresentou em outubro alta de 0,9%, passando de

149,2 kg/tc (2024/25) para 150,6 kg/tc (2025/26). No acumulado da safra (abril a outubro),

o ATR caiu 1,5%, de 138,3 (24/25) para 136,2 (25/26).

A geração de créditos de descarbonização

(CBios) em

2026 deverá crescer em relação

a 2025, mas ficar ligeiramente

abaixo da meta de

compra obrigatória das distribuidoras

de combustíveis. O

Itaú BBA estima que serão gerados,

no próximo ano, 44,7

milhões de CBios. Se confirmado,

esse número deverá

ser 6,6% maior do que o projetado

para ser gerado neste

CBios

ano. A meta líquida deverá ser

de 45,1 milhões de CBios, estima

o banco. O cálculo considera

que o governo não

deverá alterar a meta proposta

para o ano fiscal de 2026, de

48,1 milhões de CBios - a

proposta passou por consulta

pública e deverá ser decidida

em reunião do Conselho Nacional

de Política Energética

(CNPE) no próximo dia 3 de

dezembro.

Antidesmatamento

O ministro da Agricultura, Carlos

Fávaro, afirmou que o seguro

rural não cumpre mais

seu papel de forma eficaz e o

governo discute mudanças no

modelo atual. Segundo Fávaro,

a universalização do seguro

rural e a instituição do

seguro paramétrico estiveram

Seguro rural

entre as principais propostas

levadas à Fazenda. O modelo

paramétrico prevê o pagamento

de indenizações baseadas

em indicadores previamente

estabelecidos, como

variação de temperatura e de

precipitação, para calcular os

valores dos sinistros. Fávaro

Um documento preliminar de

negociação da União Europeia

mostra que os países da União

Europeia querem adiar a lei antidesmatamento

do bloco por

mais um ano, enquanto se

preparam para negociar rapidamente

as mudanças na lei

antes que ela entre em vigor

no próximo mês. No mês passado,

a Comissão Europeia

propôs mudanças que afrouxariam

a lei antidesmatamento

para pequenos proprietários e

empresas, mas não atrasariam

a medida. No entanto, um

rascunho da proposta de negociação

da EU mostrou que

os países do bloco planejam

aceitar as mudanças propostas

pela comissão, mas também

pressionam para adiar a

aplicação da lei para 30 de dezembro

de 2026 para empresas

maiores e 30 de junho de

2027 para empresas menores.

Para muitos países, "a

proposta da Comissão, por si

só, não foi suficiente", diz a

minuta.

também afirmou que o governo

pretende estabelecer a

obrigatoriedade da contratação

do seguro para produtores

beneficiários de incentivos

fiscais. Segundo ele, essas

mudanças devem minimizar o

impacto de renegociações de

dívida.

Juros

O Copom (Comitê de Política

Monetária) do BC (Banco Central)

decidiu manter a taxa básica

de juros em 15%, o maior

nível em quase duas décadas.

Taxa no maior nível em 20 anos

encarece o crédito e freia investimentos.

A permanência da

Selic em patamares elevados

tem impacto direto sobre setores

sensíveis e estratégicos da

economia brasileira, como o

agronegócio construção civil,

indústria e comércio, que dependem

fortemente de crédito

e de consumidores dispostos a

investir. Em um cenário de juros

altos, o serviço da dívida encarece,

as despesas financeiras

aumentam e o lucro das empresas

é pressionado. Com

isso, os bancos se tornam mais

seletivos na concessão de crédito,

dificultando a rolagem de

dívidas, principalmente para

companhias altamente alavancadas

e com dívidas de curto

prazo.

14

Jornal Paraná


Nematoide

Chamados de "inimigos silenciosos",

os nematoides estão

presentes em 60% dos canaviais,

segundo estudos do setor

sucroalcooleiro, e podem causar

perdas de 3% a 50% na produtividade

da cana-de-açúcar

se não forem controlados. Para

um manejo eficiente é necessário

primeiro identificar quantos

Os produtores rurais do Sul do

Brasil deverão enfrentar uma

nova safra com estiagem neste

verão, com temperaturas mais

altas e precipitações abaixo da

média histórica. Essas foram

algumas das conclusões de

uma reunião técnica sobre

perspectivas e impactos do fenômeno

La Niña realizada pela

Superintendência do Ministério

da Agricultura e Pecuária no Rio

Grande do Sul (Mapa/RS), juntamente

com a Embrapa e o

Instituto Nacional de Meteorologia

do Brasil (Inmet). Segundo

O mês de novembro começou

com chuvas frequentes em várias

regiões do Brasil, e a tendência

é que o volume de

precipitação continue acima da

média, especialmente no Sudeste,

Centro-Oeste, Bahia,

Amazonas e extremo norte do

país. Segundo a Climatempo,

o principal fator por trás deste

cenário é a La Niña, fenômeno

climático que influencia diretamente

o padrão de chuvas no

país. Isso porque ele favorecer

La Niña

Chuvas

e quais espécies de nematoides

estão na terra por meio de análises

de solo. Há dois tipos: o

nematoide das galhas e o das

lesões radiculares. No caso do

primeiro, um único nematoide

pode colocar 500 ovos e, considerando

que apenas 5% sejam

viáveis, serão gerados

400.000 juvenis em 120 dias.

o Inmet, a previsão é de um La

Niña curto e de fraca intensidade.

Mesmo assim, seus efeitos

deverão ser sentidos nas

lavouras. Dados do Inmet apontam

que, entre novembro e janeiro,

as precipitações devem

ficar, em média, até 50 milímetros

(mm) abaixo da média no

centro-norte do Rio Grande do

Sul, oeste de Paraná e a maior

parte de Santa Catarina. O mês

mais preocupante é dezembro,

quando as precipitações

podem ser até 75 mm abaixo

do normal para o período.

a passagem de frentes frias

pelo Sul e Sudeste e permite o

avanço de massas de ar polar,

que contribuem para a queda

nas temperaturas. Além disso,

o fenômeno facilita a formação

de corredores de umidade, que

transportam o ar úmido da

Amazônia em direção ao Centro-Oeste

e ao Sudeste, intensificando

as chuvas. O mês

deve ser caracterizado por

chuva frequente na maior parte

do Brasil.

Para controle dos nematoides,

a recomendação é monitoramento

constante ao longo dos

anos de vida da planta e análises

em laboratório de raízes jovens

e vivas da cana para

estimar a população e as espécies.

Quando a cana já está

estabelecida, podem ser aplicados

nematicidas biológicos,

mas não há muitos estudos

sobre a real eficácia. A melhor

janela para a luta contra o nematoide

é na renovação do canavial.

É preciso antes diagnosticar

quais estão na área,

fazer a rotação com uma

planta de cobertura como a

crotalária que não multiplique

nematoide e destruir as soqueiras,

porque restos da cultura

podem eventualmente

O plenário da Câmara dos Deputados

aprovou um projeto

de lei que proíbe a desapropriação

de terras produtivas

para fins de reforma agrária.

Com placar de 287 a 113, o

texto segue para o Senado Federal.

A proposta altera lei de

1993 que regulamenta a reforma

agrária. O projeto

acrescenta no texto legal a necessidade

de que o imóvel

rural seja considerado “improdutivo”,

além de não estar

cumprindo sua função social,

para que possa ser desapropriado.

O texto, na forma do

A participação do agronegócio

na matriz energética brasileira

já representa quase um

terço de toda a energia ofertada

no País. Segundo estudo

do Observatório de Bioeconomia

da Fundação Getulio Vargas,

recursos oriundos de

atividades agropecuárias foram

responsáveis por 29,1%

Controle

Desapropriação

Energia

abrigar alguns indivíduos. Os

biológicos são o carro-chefe

no controle, mas devem ser

usados integrados com os outros

três pilares: químico, físico

e genético. O químico atua

como efeito de choque, entrando

em contato com o nematoide

e matando imediatamente,

mas tem um efeito residual,

que normalmente dura

de 20 a 35 dias, ou seja, não

protege a planta durante todo o

ciclo da cultura. Já os biológicos

atuam por mais tempo,

mas demandam paciência

porque é preciso construir o

perfil microbiológico do solo.

substitutivo, apresentado pelo

relator Pedro Lupion (PP-PR),

cria ainda a necessidade de

que todos os critérios de função

social da propriedade sejam

descumpridos e a terra

seja considerada improdutiva

para poder ser desapropriada.

da energia usada no Brasil em

2023. Entre as principais fontes

estão a biomassa da

cana-de-açúcar, o etanol e o

biodiesel. Quando considerada

apenas a parcela renovável

da matriz - energia gerada

a partir de recursos naturais

que se regeneram continuamente

-, o percentual de participação

do agro sobe para

60%. Os outros 40% são preenchidos

pelas fontes de

energia hidrelétrica (24,02%),

eólica (5,24%), solar

(3,46%%), lenha de vegetação

natural (6,98%) e biogás

proveniente de resíduos não

agrícolas como o lixo doméstico

(0,22%).

Jornal Paraná

15


ENERGIA

CBIOs avança em 2025 e 2026

O crescimento do mercado será impulsionado pela recuperação

do consumo de etanol e manutenção do ritmo do biodiesel

AStoneX, empresa

global de serviços financeiros,

revisou

sua estimativa de geração

de CBIOs para 43 milhões

em 2025, avanço de

1,4% em relação a 2024. O

aumento modesto reflete a expansão

de 2,5% na demanda

por biocombustíveis, liderada

por biodiesel e etanol de milho

- segmentos com menor conversão

em créditos de descarbonização.

Para 2026, a consultoria projeta

uma geração potencial de

45,1 milhões de CBIOs, crescimento

de 4,7% sobre 2025,

impulsionada pela alta de 6,2%

na demanda por etanol (anidro

e hidratado) e pela manutenção

do B15 no biodiesel. O

avanço poderia ser ainda maior

caso se confirmem fatores

como o aumento da produção

de etanol de cana e uma eventual

adoção do B16.

Segundo a analista de Inteligência

de Mercado da StoneX,

Isabela Garcia, as perspectivas

para 2026 são mais favoráveis,

impulsionadas por uma

recuperação do consumo de

etanol e pela manutenção do

ritmo de crescimento do biodiesel.

“Ainda assim, fatores

como a predominância do etanol

de milho e o limite atual da

mistura do biodiesel restringem

um avanço mais expressivo

na geração de CBIOs”,

destaca.

No campo regulatório, o Conselho

Nacional de Política

Energética (CNPE) definiu para

2025 uma meta de descarbonização

de 40,39 milhões de

CBIOs, redução de 5,1% frente

à proposta de 2023 (42,56

milhões).

Apesar da redução da meta

global, as metas individuais

das distribuidoras somam 49,4

milhões de títulos, uma vez que

a Agência Nacional do Petróleo,

Gás Natural e Biocombustíveis

(ANP) incorpora às novas

metas o saldo não cumprido

do ciclo anterior (10,7

milhões de CBIOs) e aplica

abatimentos de 1,7 milhão de

créditos para distribuidoras

com contratos de longo prazo

junto a produtores certificados.

Para 2026, o cronograma preliminar

do RenovaBio indica

uma meta inicial de 48,1 milhões

de CBIOs, representando

uma alta potencial de 19%

sobre 2025. De acordo com a

B3, até outubro de 2025 foram

depositados 35,79 milhões de

CBIOs, um aumento de 1,8%

sobre o mesmo período do

ano anterior. Nos últimos meses,

porém, há sinais de desaceleração

na emissão, movimento

sazonal esperado para

o fim do ano.

“O mercado caminha para um

equilíbrio entre oferta e demanda,

com ajustes graduais que

têm contribuído para reduzir a

volatilidade dos preços dos créditos.

A tendência é de estabilidade

em 2025 e avanço mais

consistente a partir de 2026,

caso o cenário produtivo se confirme”,

conclui Isabela Garcia.

16

Jornal Paraná

Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!