edição de 8 de dezembro de 2025
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propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.071 - 8 de dezembro de 2025 R$ 20,00
Agências full service se fortalecem
diante da concentração de serviços
Enquanto grupos internacionais redesenham estruturas e avançam na centralização das operações, o Brasil sustenta há décadas um modelo integrado
em que criação e mídia caminham juntas dentro das agências. O formato full service se consolidou por fatores regulatórios, maturidade do mercado e
relações próximas entre anunciantes, agências e veículos de comunicação. Para Luiz Lara, presidente do Cenp (Fórum de Autorregulação do Mercado
Publicitário), esse sistema fortaleceu a credibilidade da propaganda nacional e contribuiu para seu destaque. Mesmo com a chegada de empresas
especializadas em mídia, executivos apontam que a gestão unificada garante agilidade, reduz ruídos, torna decisões menos fragmentadas e segue
sendo um ativo estratégico, principalmente em um cenário de maior complexidade e novos hábitos de consumo. pág. 36
Freepik
Prime Video avança como
hub de experiências
Marcos Issa (Argosfoto)/Divulgação
À frente da operação no Brasil, Louise Faleiros explica a
estratégia que combina produções locais e acordos esportivos
para ampliação do ecossistema de conteúdo, além do
papel dos fãs na evolução da plataforma. pág. 14
Fusão de Omnicom e IPG
provoca novas disputas
Maior holding de comunicação do mundo, com US$ 25,6 bilhões
em receita combinada, enfraquece modelo que tinha
o valor das agências atrelado ao peso simbólico de suas
marcas, e pode acirrar a disputa com estruturas independentes
e boutiques criativas, movimento que tende a se
intensificar no cenário nacional. pág. 20
Estudo da Liga Pesquisas
investiga comunidades
O estudo ‘Da persona à comunidade: O marketing da coerência’,
feito pela Liga Pesquisas em parceria com a FYI Insights,
apura como os brasileiros constroem pertencimento em
meio a identidades fragmentadas e sociabilidades digitais.
E mostra o que isso significa para uma indústria que ainda
se orienta por ‘personas’ estáticas. pág. 30
Cenp destaca a força
das marcas regionais
Alê Oliveira
Luiz Lara, presidente do Cenp (Fórum de Autorregulação
do Mercado Publicitário), e Melissa Vogel, que comandará
a entidade em 2026, durante apresentação da pesquisa
‘Brasil plural’, em São Paulo, no último dia 4. pág. 56
Rio Academia
YoPRO 2026
Mídia
Alcance e impacto
Experiência
Engajamento e
share of emotion
Conectamos
pessoas e marcas
Isso é
Mude.
2.205
interações na
inauguração
Mídia DOOH com Livemarketing
Impacto e Share of Emotion
Bioimpedância, nutricionista,
banheira de gelo, massagem, dança, yoga,
musculação, beach tenis, corrida, beach
cycle, sunset, e muito mais.
comercial@mude.fit
editorial
Armando Ferrentini
Sinais
O
mercado de publicidade global vem dando sinais de que o modelo full agency,
com mídia e criação dentro de uma mesma agência — formato brasileiro tão
bem-sucedido e benchmark para o mundo —, pode dar samba também na indústria
internacional. O que só reforça a acertada decisão do Brasil em adotar e manter
o padrão de agência full service, mesmo diante de todas as transformações digitais,
sendo o único país a ter esse formato autorregulamentado e com normas.
Em maio deste ano, o WPP criou a WPP Media, nova vertical global que substituiu a
GroupM. Segundo o grupo de comunicação, a empresa ficou responsável por administrar
mais de US$ 60 bilhões de investimentos anuais em mídia em cerca de 80 mercados,
reunindo serviços de criação, dados, produção e entrega personalizada por meio da
WPP Open, plataforma de inteligência artificial da holding.
Ou seja, concentração de serviços de criação, mídia e inclusive de produção em uma
mesma estrutura. A movimentação do terceiro maior grupo global de comunicação no
mundo, com agências gigantes como VML, Ogilvy, Grey e AKQA, acendeu o alerta para
uma possível tendência internacional de centralização, conforme explica a repórter
Bruna Nunes em matéria de capa desta edição.
O cenário não só reforça o full service como uma estratégia e diferencial competitivo
das agências brasileiras, mas também mostra que o país é vanguardista na publicidade.
Para além da tão celebrada e premiada criatividade, o Brasil exibe visão estratégica
ao concentrar mídia e criação dentro das agências, um ecossistema único no mundo.
O modelo tem se mostrado vitorioso ao longo dos anos, desde a criação das Normas-
-Padrão da Atividade Publicitária, em 1957, passando pela “regra dos 20%”, modelo em
que os veículos remuneram as agências com comissão de 20% sobre o investimento
em mídia. Com todas as transformações, obviamente que houve uma revisão desse
“acordo”. Em 2019, o Cenp (Fórum da Autorregulação do Mercado Publicitário) atualizou
o Anexo B das Normas-Padrão, ampliando a parcela negociável do desconto-padrão — a
parte que pode ser devolvida ao anunciante, formalizando faixas de negociação que va-
riam conforme o volume investido e podem chegar a 10%. Sem dúvidas que hoje há variáveis
e a publicidade enfrenta novas demandas escancaradas com a revolução digital,
como desafios de dados, tecnologia e IA, mas o modelo brasileiro continua competitivo.
“O futuro está sempre em discussão, de forma ética, livre e transparente, já havendo
anunciantes que preferem comprar mídia e criação separadamente. A questão que
sempre será debatida é a busca dos melhores resultados, da maior eficácia na aplicação
das verbas, da sinergia trazida pelo modelo integrado”, destaca Luiz Lara, presidente
do Cenp, visto no mercado como o ‘guardião’ das normas.
Confira a reportagem que traz depoimentos de vários líderes do mercado, que atestam
como o ecossistema brasileiro integrado entre mídia e criação favorece inclusive o alinhamento
de ideias em tempos de atenção fragmentada.
Fusão
Nas redes sociais, o “assunto da semana” foi a conclusão da compra do Interpublic
Group (IPG) pelo Grupo Omnicom, selando a maior fusão da história da propaganda,
e dando origem à maior holding de comunicação global. A nova empresa tem receita
combinada de US$ 25,6 bilhões, à frente da Accenture Song, WPP e Publicis Groupe.
A “carnificina” tão comentada nas redes é resultante da decisão pelo fim das redes
DDB e MullenLowe, que foram incorporadas pela TBWA, e o encerramento da FCB, que
foi absorvida pela BBDO. Estima-se que mais de quatro mil pessoas sejam demitidas.
Especialistas enxergam o desaparecimento de marcas icônicas da propaganda como
um marco: o fim do modelo em que o valor das agências estava vinculado ao peso
simbólico de suas marcas. Ou seja, a disputa passa a ser muito mais por arquiteturas
de capacidade do que pela fama dos logotipos, abrindo espaço para as independentes.
Frase:“Estratégia é fazer escolhas, é abrir mão. É escolher deliberadamente ser diferente
(Michael Porter).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
Agência de Publicidade no Melhores do propmark, a DPZ celebra um ciclo de
reinvenção sob a liderança de Benjamin Yung, combinando legado criativo,
expansão em mídia e dados e cases como Tixan Ypê, Electrolux e Renault.
3ª
DPZ quer ser reconhecida como ‘referência
do novo tempo da criatividade brasileira’
PPA 2025: confira as agências
vencedoras da edição
A 47ª edição do Prêmio Profissionais do Ano, realizada pela Globo, analisou
16 categorias nas classes Nacional e Regional. A premiação destacou
campanhas, agências, produtoras e anunciantes.
O que vai guiar o marketing em 2026?
Kantar detalha tendências
O estudo Marketing Trends reúne direções em um cenário mediado por IA,
agentes autônomos e retail media em ascensão. O relatório discute novos
papéis para dados, criatividade, inclusão e microcomunidades, apontando
como marcas precisam se adaptar a “consumidores não humanos”.
4ª
Com expansão superior a 110% em 2025, a agência consolida modelo remoto
e atuação internacional, integra a Callaloo Studio e fortalece projetos para
defender um posicionamento guiado por ‘inconformismo criativo’.
5ª
Out Of Office cresce acima das metas
e reforça filosofia de adaptabilidade
Após mutirão de fãs, Corrida das
Blogueiras bate recorde de patrocínios
Reality idealizado por Diva Depressão e Dia TV estreia sétima temporada com
oito marcas. O programa venceu incertezas comerciais após mobilização da
audiência, que cobrou mais investimento em projetos LGBTQ+.
4 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
APRESENTA
O encontro
que todos esperam,
o Itaú faz acontecer.
ALCARAZ
FONSECA
AN I S I MOVA
PEGULA
8 DE DEZEMBRO A PARTIR DAS 21H
índice
Mídia e criação integradas consolidam modelo brasileiro
A configuração de
agências full service
é benchmark global
e ganha força em
tempos de atenção
fragmentada. Líderes
do mercado ressaltam
que formato favorece
alinhamento de ideias
e traz vantagem
competitiva única.
Alê Oliveira
36
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Alê Oliveira
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Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
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Editora-chefe
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Alê Oliveira
Editor de arte
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Revisão
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ANJ premia Instituto Palavra Aberta
por defesa da liberdade de imprensa
Francisco Mesquita Neto, do Estadão e VP da ANJ,
entregou o troféu à presidente do Palavra Aberta,
Patricia Blanco, durante evento na ESPM Tech. O
reconhecimento marca a atuação da organização
ao longo dos últimos 15 anos. pág. 44
Prêmio Marcas & Consumidores
reúne os vencedores de 2025
O Prêmio Marcas & Consumidores chegou à sua 6ª
edição reconhecendo a atuação de cinco profissionais
de marketing, que receberam seus troféus em noite de
cerimônia liderada por João Faria (na foto ao centro),
jornalista e idealizador da iniciativa. pág. 56
Redação
Rua François Coty, 228
01524-030 - São Paulo – SP
tel. (11) 2065 0772 / 0766
redacao@propmark.com.br
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As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................4
Conexões ...........................................................................8
Curtas .................................................................................10
Quem Fez ...........................................................................12
Entrevista ..........................................................................14
FIP Awards .........................................................................18
Agências ............................................................................20
Mídia ..................................................................................28
Pesquisas ..........................................................................30
Mercado .............................................................................32
Produtoras ........................................................................42
Prêmio ANJ .........................................................................44
Marcas ...............................................................................45
Negócios & Sustentabilidade ...........................................48
Conexão Ásia .....................................................................50
Opinião...............................................................................52
Out of Home ......................................................................53
ESG no MKT ........................................................................54
Inspiração ..........................................................................55
Click do Alê ........................................................................56
Última Página ....................................................................58
Alê Oliveira
Apro mostra
preocupação com
produtoras in-house
A CEO Marianna Souza afirma que o
movimento de produtoras in-house
nas agências levanta questões
éticas e de transparência. A
executiva lidera nesta segunda-feira
(8) a realização do Whext, festival
com diversos painéis e premiação,
no Masp, em SP. pág. 42
6 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
conexões
última hora
Gdb
Empresa global de mensuração e otimização baseada em métricas de atenção, a Adelaide
selecionou a GDB como preferred partner na América Latina. O acordo posiciona a operação
brasileira como principal responsável pela expansão das soluções da Adelaide na região,
incluindo a adoção da AU, métrica reconhecida internacionalmente para avaliar o impacto
de campanhas digitais. “Essa parceria com a Adelaide é um marco significativo para a
publicidade na América Latina”, diz Guilherme Soter, CEO da GDB (à direita na foto), ao lado
de André Izay, diretor-geral; Marcelo Pincherle, vice-presidente executivo; e Fernanda Massa,
diretora de negócios, todos da GDB.
Post: Lado Animation amplia
presença internacional com
representante em Nova York
Bem-vinda, Vicky! Muito sucesso!
Rafaela Neves
Post: Luiza Teani retorna à MyMama
como produtora-executiva
Profissional maravilhosa!
Deborah Xavier
Post: Click do Alê: PPA 2025
apresenta ganhadores
Noite linda! Cheia de significado,
reconhecimento, alegria!
Sandra Martinelli
Post: Click do Alê: Ampro
Awards 2025 celebra vencedores
Foi lindo!
Manzar Feres
Post: Grupo Heineken nomeia
Giovanna Massa como gerente de
marketing sênior de Sol e Eisenbahn
Parabéns, muito mais sucesso!
Lucas Polato
Post: Artplan e ONU Mulheres
projetam alerta sobre violência
digital contra mulheres
As mulheres merecem respeito e nós
estamos aqui para apoiar essa causa!
JCDecaux Brasil
Gdb 1
Com a parceria, anunciantes, agências e publishers passam a ter acesso à mensuração
e otimização de atenção de forma integrada à atuação da GDB, que já opera estratégias
programáticas e tecnologias de mídia em diferentes mercados latino-americanos.
Duailibi Essencial
“Tornar o simples complicado é fácil; tornar o complicado simples, isto é
criatividade” (Charles Mingus).
dorinho
bradesco
A mensagem de fim do ano do Bradesco é dada pelo ator norte-americano Macaulay Culkin.
Com fala dublada, o ator, que ganhou fama global pela sua interpretação quando ainda
criança no filme ‘Esqueceram de mim’, convida as pessoas a lembrarem do que realmente
importa. Criado pela Lovely, o filme apresenta o mote ‘Para não esquecer’ e reforça a tagline
do banco ‘Você primeiro’. “Seguimos fortalecendo o que queremos levar para 2026, relações
humanas verdadeiras, com o cliente no centro. Esse é o sentido do nosso posicionamento
‘Você primeiro’. Trazer alguém tão presente no imaginário coletivo traz profundidade a essa
mensagem”, destaca José Maurício Lilla, head de comunicação do Bradesco.
Netflix compra
warNer bros.
A Netflix acaba de adquirir
a Warner Bros. O montante
de capital do acordo é de
US$ 72 bilhões. O valor da
empresa na transação é
estimado em cerca de US$
82,7 bilhões. O acordo inclui
o streaming HBO Max, o
estúdio de cinema Warner
Bros. e os canais Warner
Bros. Discovery. “Nossa
missão sempre foi entreter o mundo”, diz em nota oficial Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, ao
lado de Greg Peters. “Essa aquisição vai aprimorar nossa oferta e acelerar os nossos negócios
pelas próximas décadas”, acrescenta Peters. “O anúncio combina duas das maiores empresas
de storytelling do mundo para levar a mais pessoas o entretenimento que elas amam e
gostam de ver”, declara David Zaslav, presidente e CEO da Warner Bros.
8 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
Pelos seus 15 anos de contribuição à comunicação, em defesa da liberdade de expressão e ensinando
a distinguir desinformação de informação verdadeira, o Instituto Palavra Aberta é o homenageado
com o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa 2025. Parabéns a todos os profissionais que, com sua
dedicação à informação de qualidade, garantiram que esse prêmio fizesse sentido. Palavra por palavra.
curtas
Garets Visual/ Freepik
Redução de veRBa e Resultados
imediatistas pReocupam executivos
O relatório ‘Voice of the marketer 2025’, organizado pela consultoria de pesquisa Warc - do grupo britânico
Informa, que realiza o Cannes Lions -, mostra que 59% dos profissionais esperam desempenho melhor
em 2026, mas apenas 19% confiam no aumento de verba, o que amplia a pressão por eficiência. O estudo
reúne percepções de mais de mil profissionais de marketing. “Mesmo com a queda no otimismo,
vale pontuar que parte majoritária de marcas e agências (54%) ainda esperam que 2026 seja melhor.
Contudo, a expectativa é de orçamentos mais enxutos, o que pressionará ainda mais os profissionais”,
confirma Stephanie Siew, senior research executive da Warc. Segundo o levantamento, a estimativa
de cortes está relacionada à performance de marketing (42%), em detrimento de iniciativas de marca
(29%). A busca por resultados imediatistas é outra preocupação mencionada por 55% da amostra. “A tensão
entre a fraca visibilidade macroeconômica e a necessidade de planejar o crescimento dos negócios
a longo prazo acende um sinal vermelho, é por isso que mais da metade encara resultados imediatistas
como a maior preocupação da indústria”, adverte a diretora da insight Aditya Kishore. Políticas e tarifas
comerciais dos Estados Unidos (61%) e a adoção de inteligência artificial (59%) são outras aflições
apontadas, ao lado da concentração de investimentos no ambiente digital, que deve absorver 90,3% dos
aportes globais, segundo projeções da Warc Media. Em retail media, a verba deve aumentar para um
terço dos profissionais, enquanto cerca de 28% ainda não investem no segmento.
cannes lions discutirá criatividade no esporte
Freepik
ação alerta para abandono de animais
Divulgação
Força do esporte em unir e engajar pode ter a criatividade como aliada para escalar negócios
Projeção feita em prédio de São Paulo em ação da Bold para Guabi Natural e ONG Gavaa
Cannes Lions realizará o fórum Lions Sport no Carlton Hotel nos dias 24 e 25 de junho de 2026, com
marcas, agências, mídia e detentores de direitos para discutir a criatividade no segmento. O festival
ocorrerá entre os dias 22 e 26 do mesmo mês, na França. “O esporte é a língua mais universal do
mundo. Ele cria momentos compartilhados e sem fronteiras que nenhum outro meio iguala. Embora
entendamos sua escala, a real oportunidade agora está em como a criatividade pode transformar
essa escala em significado, valor e crescimento”, justifica Simon Cook, CEO do Lions. A participação
dependerá de aplicação prévia e os passes poderão ser adquiridos individualmente ou como complemento
aos ingressos do Cannes Lions Classic, com acesso à cerimônia do Entertainment Lions for
Sport. A parceria principal será com a Stagwell, que retorna ao evento com a ativação Sport Beach.
Frases sobre o abandono de animais foram projetadas em prédios da Rua Augusta e Largo
da Batata, em São Paulo, em ação da Bold para a marca de alimentos pet Guabi Natural, da
BRF Pet, em parceria com a ONG Gavaa. “Se todos os pets abandonados do Brasil morassem
nesse prédio, ele teria 200 mil andares” e “A fila com todos os pets abandonados iria
daqui até Fortaleza” são alguns dos alertas. Há mais de 4,8 milhões de pets abandonados
no país. “Queríamos impactar diretamente quem está nas ruas”, explica Stanley Andrade,
diretor da BRF Pet. Conteúdo criado por 20 influenciadores, ações no TikTok e Instagram
integram o plano. A campanha chama a atenção para o Dezembro Verde, mês de conscientização
sobre a causa animal.
iFood patrocinará Futebol brasileiro Globo reúne Famílias em vinheta de natal tiktok adere ao conar
Divulgação
Reprodução
Alexander Shatov/Unsplash
Acordo válido por dois anos prevê ativações e ações de marca
O iFood é o novo patrocinador oficial das seleções feminina e
masculina de futebol. Válido por dois anos, o acordo firmado
com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) inclui categorias
de base, e prevê ações de marca, ativações e presença
nas principais competições do calendário das equipes. “Esta
parceria reflete a nossa estratégia como empresa brasileira
que acredita e investe no Brasil há mais de 14 anos”, declara
Ana Gabriela Lopes, CMO do iFood. Para Samir Xaud, presidente
da CBF, “a chegada da marca iFood representa uma parte
importante do processo de retomada do trabalho da CBF
junto às grandes empresas e ao mercado”. O iFood se mantém
como patrocinadora oficial das transmissões da Copa do Mundo
FIFA 2026 na CazéTV - projeto iniciado na Copa de 2022.
William Bonner em cena de filme de fim de ano da emissora
Profissionais da Globo acompanhados de familiares protagonizam
a vinheta de fim de ano da emissora. “A ideia sempre
surge do momento de celebração com a família brasileira.
Este ano, quisemos trazer as pessoas para dentro da nossa
casa”, comenta Manuel Falcão, diretor de marca e comunicação
da Globo. A comunicação desdobra a mensagem exibida
em 2024, que valorizava a diversidade de histórias do país.
Pertencimento, cooperação e diferentes formatos de família
são os destaques embalados no clássico ‘Hoje é um novo dia’.
Dos lares de César Tralli, Ana Maria Braga e Marcos Mion, entre
outros nomes, as filmagens se transferem para os Estúdios
Globo, em um cenário que remete a uma cidade do interior,
com coreto, carrossel e mesão para brindar.
Plataforma promete compromisso com ambiente responsável
O TikTok, representado pela ByteDance Brasil Tecnologia, é
o novo associado do Conselho Nacional de Autorregulamentação
Publicitária (Conar). “A segurança é nossa prioridade
máxima e estamos comprometidos em proteger nossa
comunidade, inclusive os anunciantes, peça-chave do nosso
ecossistema. A adesão ao Conar é mais um passo importante
no nosso compromisso com um ambiente publicitário
responsável e transparente”, garante Monica Guise, diretora
de políticas públicas do TikTok no Brasil. Para Sergio Pompilio,
presidente do Conar, a decisão “amplia a pluralidade e a
participação das plataformas digitais na autorregulamentação
publicitária brasileira, que vem acompanhada de intensa
renovação de nossas práticas e abordagens”.
10 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
O estudo que viaja pela força
das marcas brasileiras
Um estudo inédito, que
mapeia marcas brasileiras,
revelando como constroem
vínculos distintos com
os seus públicos e como
influenciam culturalmente
e economicamente na
construção do País.
Descubra
mais aqui:
quem fez
Kelly Dores
interina
kelly@propmark.com.br
Milà
Smart Fit
Fotos Divulgação
Título: ‘Teens’
CCO: Sleyman Khodor
Direção executiva de criação: Pedro Lazera e marcos magário
Criação: Paulo rodrigues e Sofia Py
Negócios: Gabriel Gullo
Estratégia: marcelo Germano, talita Souza e Júlia Hodgkiss
Aprovação do cliente: cristina duclos, dafne corletto, Guilherme costa,
renato Prado e Juliana Pirolo
Embalado pelo ritmo do funk, videoclipe apresenta a promoção ‘Rolê na
Smart’, que oferece acesso gratuito a adolescentes de 14 a 18 anos nas academias
da rede durante o período de férias. “A ideia é reforçar a Smart Fit como
um novo ponto de encontro — um lugar onde treino, música e comunidade
acontecem juntos”, destaca Cristina Duclos, CMO global da Grupo Smart Fit.
iD\tBWA
SHeLL
Título: ‘Scuderia Ferrari HP’
Diretor-executivo de criação: Sthefan Ko
Diretor de criação: Guga diehl
Diretor de criação associado: mateus martins
Criação: mateus martins, taissa delpulpo, Lorenzo
mendes, thomas Lima, ana Salles, rute morais, anne
Santos e duda Santos
Para celebrar os 75 anos da parceria global da Shell com a
Scuderia Ferrari HP, campanha reuniu os pilotos de Fórmula
1 Lewis Hamilton e Charles Leclerc em uma série de experiências.
Faz parte da iniciativa uma série de conteúdos originais,
com participações especiais de Pedro Bial, Fred Bruno
e Lázaro Ramos.
ArtplAn
rede américaS
Título: ‘Vamos cuidar de você’
CCOs Grupo Dreamers: rafael Gil e rodrigo almeida
CCOs Artplan: rodrigo almeida, rafael Gil e marcello Noronha
Direção executiva de criação: ricardo Weitsman
Direção de criação: Felippe mendonça, eric ribeiro e rafael Jardim
Criação: ricardo Weitsman, Felippe mendonça, eric ribeiro, andré ignatiuk,
Felipe rodrigues, igor Sá, Bernardo Seixas e Luiz Barreto
Ação apresenta os hospitais da rede como protagonistas na jornada de saúde dos
brasileiros. Segundo o anunciante, o objetivo é reforçar o cuidado, a presença e o
vínculo humano como diferenciais. “O projeto marca mais um passo na consolidação
da identidade da Rede Américas, fortalecendo o posicionamento ‘Paixão por
cuidar’”, diz Mariane Novais, diretora de comunicação e marca da Rede Américas.
12 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
A ENERGIA
da PETROBRAS acende
o fim de ano
Celebramos as festas de fim de ano com várias ativações
incluindo, a tradicional árvore montada na Lagoa Rodrigo de
Freitas e o patrocínio do Rio Réveillon 2026, para que o fim
do ano seja ainda mais iluminado e cheio de energia.
entrevista
Louise FaLeiros
country manager do Prime Video Brasil
‘A crescente demanda do público
por conteúdo é evidente’
No Brasil desde 2016, o Prime Video (da
Amazon) amplia a sua presença no país,
com cerca de 50 produções nacionais e
R$ 5 bilhões investidos. Segundo Louise
Faleiros, head da operação, o objetivo
de se consolidar como um ‘hub de
entretenimento’ orientou colaborações
com players como CazéTV e a integração
de canais adicionais como Paramount+,
HBO Max, Premiere e Sportv. Com cerca
de 15 anos de carreira no marketing, a
executiva conta que o serviço de streaming
pretende aprofundar parcerias com marcas,
com foco em experiências. “Queremos ir
além das integrações tradicionais”. Para ela,
acompanhar a dinâmica das comunidades
de fãs e conectá-las às diretrizes globais da
plataforma é parte central da estratégia. “O
público brasileiro responde de forma muito
particular a narrativas, ritmos e referências
culturais próprias”, reforça Louise.
Bruna Nunes
Você tem uma longa trajetória no marketing e no entretenimento.
Como enxerga a evolução do setor ao longo da sua trajetória?
Sinto que antes falávamos para o público de forma mais distante e hoje passamos
a cocriar de forma constante com as pessoas. O consumidor deixou de ser um mero
espectador e se tornou um agente ativo, engajando nos conteúdos e influenciando as
decisões criativas. Essa transformação mudou profundamente a forma como trabalhamos.
A tecnologia, as redes sociais e os fandoms ampliaram o alcance e a velocidade
das conversas, mas, acima de tudo, ampliaram as vozes. Isso abriu espaço para mais
diversidade, novas linguagens e novos formatos.
Marcos Issa (Argosfoto)/Divulgação
Quais transformações no comportamento do público mais influenciaram
as estratégias de comunicação e conteúdo nesse período?
Neste período, tivemos uma grande fragmentação da audiência que passou a consumir
conteúdo em diferentes canais e formatos. Em resposta a isso, desenvolvemos no Prime
Video parcerias inovadoras com outros players relevantes do Brasil, como a CazéTV.
Além da Série A, Copa do Brasil e NBA, que já estão incluídos para nosso assinante Prime,
a CazéTV nos permite ampliar ainda mais essa oferta esportiva, e tudo em um só lugar.
Outro movimento evidente é a crescente demanda do público por conteúdo, aliada às
transformações e avanços tecnológicos no consumo. Isso nos impulsionou a reinventar
a nossa oferta de conteúdo, oferecendo, além de uma variedade crescente de produções
originais, uma plataforma de assinaturas adicionais com serviços como HBO Max,
Paramount+, Premiere, Sportv, NFL Game Pass e AppleTV.
O que mais te chama a atenção no processo de consolidar uma
marca global de streaming no Brasil?
Foi perceber como construir uma marca global no Brasil exige um equilíbrio muito fino
entre consistência e localização. Por um lado, precisamos manter a essência e os pilares
globais da marca, por outro, o público brasileiro responde de forma muito particular
a narrativas, ritmos e referências culturais próprias. Encontrar esse ponto de convergência
— e ver a marca ganhar relevância cultural de maneira orgânica — tem sido, sem
dúvida, o aspecto mais fascinante do processo.
Quais fatores você acredita que definem o sucesso de uma plataforma
hoje?
Em um mercado cada vez mais competitivo e fragmentado, acredito que o sucesso
de um streaming está em compreender as demandas da audiência, gerando conexão
e fidelização, com uma ampla oferta de conteúdo. Ao olhar a história do Prime Video
Brasil, desde seu lançamento em 2016, percebo que o sucesso vai além dos R$ 5 bilhões
investidos em produções locais, licenciamento de conteúdo e direitos esportivos, mas
no entendimento da cultura local, dos hábitos de consumo e das preferências de entretenimento.
O valor do investimento é uma consequência dessa análise apurada de uma
estratégia que tem a experiência do cliente como centro do negócio.
14 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
“Estamos vivendo um período de
maturação no setor do streaming”
É inegável que o Brasil é um dos mercados mais criativos do mundo.
Afinal, isso é o que torna o público brasileiro relevante para as
plataformas globais?
O Brasil tem uma audiência que consome muito conteúdo, experimenta novos formatos,
participa das conversas e, principalmente, cria tendências. O fã brasileiro é extremamente
engajado e não apenas assiste, mas comenta, compartilha e movimenta
discussões. Tivemos um exemplo recente muito marcante com ‘O verão que mudou
a minha vida’, que gerou um impacto tão grande nas redes sociais que as pessoas começaram
a criar grupos para se reunirem e assistirem juntas ao último episódio da
série. Dado esse alto interesse, diversos bares exibiram o episódio final em telões e
ofereceram descontos para os fãs.
Como equilibrar a escala global e a identidade local?
Para conseguir garantir coerência e consistência de marca em mais de 200 países ao
mesmo tempo, precisamos de processos, mecanismos e valores que funcionem em
larga escala. E para equilibrar esta necessidade com a identidade local, buscamos dar
autonomia para que as equipes desenvolvam narrativas, parcerias e campanhas que
dialoguem com a maneira como cada território consome entretenimento. No Brasil,
por exemplo, já são 50 produções originais locais desde 2019 e seguimos investindo no
mercado local.
Desde que assumiu o comando do Prime Video no Brasil (em janeiro
de 2024), quais têm sido as principais prioridades da operação?
Desde o início, nossas prioridades têm sido fortalecer a relevância cultural da marca
no Brasil, ampliar a oferta de conteúdo local e global de forma equilibrada e evoluir
continuamente a experiência do cliente. O mercado brasileiro é dinâmico e altamente
competitivo, então garantir que o Prime Video esteja presente nas conversas culturais,
entregue histórias que ressoem com o público brasileiro e ofereça uma jornada simples
e intuitiva tem guiado nossas decisões.
Quais iniciativas ou resultados recentes você destacaria como marcos
da atual fase do Prime Video no país?
Simultaneamente, consolidamos nossa oferta de esporte global por meio do acordo
revolucionário de 11 anos pelos direitos de mídia para a transmissão da NBA. Esses
acordos reforçam o compromisso do Prime Video com o conteúdo esportivo, nos posicionam
como top of mind no coração do torcedor brasileiro e fazem parte de uma
estratégia global que ressoa com nossa base de mais de 200 milhões de assinantes
Prime em todo o mundo, provando que a união do entretenimento esportivo premium
e a oferta de conveniência são um sucesso. No entretenimento, o recente sucesso de
‘Tremembé’, com enorme engajamento do público, demonstra a força do mercado nacional.
Mencionei ‘Tremembé’ por ser o mais recente, mas destaco, também, a força de
outros originais locais dos últimos anos.
Quando uma produção se torna um fenômeno cultural, ela naturalmente
abre espaço para marcas entrarem na conversa? Como o
Prime Video vê esse movimento?
Quando uma produção vira fenômeno, ela não só abre espaço para marcas — ela cria
comunidades. E comunidades exigem respeito. No Prime Video, observamos esse movimento
com cuidado: antes de pensar em ativações, buscamos entender a dinâmica
dos fãs e o que a história representa culturalmente. Só então avaliamos se existe uma
forma genuína de aproximar marcas dessa conversa, sempre preservando a integridade
da obra e o engajamento da audiência.
Recentemente vocês realizaram o Book Club. Pretendem investir
mais em experiências proprietárias?
O Book Club foi um grande sucesso aqui no Brasil, especialmente com a audiência de jovens
adultos. Essa é uma comunidade de fãs que está muito conectada e é apaixonada
por histórias derivadas de livros. Nosso objetivo é seguir identificando oportunidades
que gerem conexões autênticas com nossos consumidores.
Há planos de ampliar parcerias com marcas e anunciantes dentro
ou em torno dos conteúdos da plataforma? Isto é, com ativações,
experiências ou branded content?
Temos planos de aprofundar parcerias com marcas, mas queremos ir além das integrações
tradicionais. Estamos explorando ativações mais imersivas, experiências que
conectem fãs de forma criativa e projetos de branded content que ampliem universos
narrativos. O ponto de partida é sempre o mesmo: a história e o consumidor. Quando
isso está claro, as oportunidades se tornam naturalmente mais relevantes para todos.
Por que o Prime Video tem apostado no universo esportivo?
A oferta e o investimento sem precedentes em entretenimento esportivo abrangente
e integrado à conveniência do streaming é um pilar estratégico para o Prime Video
Brasil. Só neste ano, transmitimos mais de 100 mil eventos ao vivo. O acordo com a Liga
Forte União (LFU) para os direitos de transmissão de 38 partidas exclusivas de futebol
por temporada até 2029, e o acordo revolucionário de 11 anos pelos direitos de mídia
para a transmissão da NBA, garantindo os direitos exclusivos de 147 jogos da temporada
regular, das finais da NBA, da Emirates NBA Cup, do SoFi NBA Play-In Tournament e dos
Playoffs agregam à assinatura Prime um conteúdo esportivo de qualidade durante o
ano todo.
Qual impacto a inserção do esporte teve nos números de audiência
e assinantes da plataforma?
Não divulgamos números de audiência ou de assinantes por produto, mas sabemos
que nossos clientes amam esportes ao vivo, o que é evidenciado pela audiência que
estamos formando, e, assim como um ótimo filme ou série de TV, é um importante impulsionador
para que eles continuem usando o Prime Video. Nosso trabalho é aumentar
o valor agregado de uma assinatura Prime para nossos clientes, e vemos os esportes
ao vivo como uma parte fundamental disso. Existem pouquíssimas coisas neste mundo
que impulsionam a paixão e o fanatismo da maneira que os esportes fazem.
Nos últimos anos muitos canais de mídia também apostaram no
streaming. Você acredita que 2025 foi um ano de ouro para o setor
ou deixou a corrida mais acirrada ainda?
Estamos vivendo um período de maturação no setor do streaming e, como consequência,
temos uma concorrência cada vez mais acirrada, em que cada serviço precisa buscar
seus diferenciais. Percebo essa competição como algo positivo, porque estimula a
inovação e o aprimoramento da qualidade. Sem falar nas oportunidades que se abrem
tanto para criadores como para consumidores, que passam a ter acesso a opções diversificadas.
O Prime Video tem firmado parcerias com outros players, como
CazéTV e Paramount. Como vocês avaliam o papel dessas colaborações
na estratégia de relacionamento com o público?
Diferentemente dos serviços de streaming tradicionais, somos um hub de entretenimento
abrangente que permite que os clientes descubram conteúdo personalizado
sem navegar por diferentes aplicativos. Priorizamos a conveniência do cliente por meio
de um único login, fatura e destino para todo o conteúdo e, com este foco em mente,
nos estabelecemos como a primeira opção de destino de entretenimento para os clientes,
oferecendo a maior seleção de conteúdo do mundo em múltiplos modelos — desde
originais Prime e conteúdo licenciado até canais, conteúdo para aluguel/compra e esportes
ao vivo. Temos a plena consciência de que não podemos construir um destino de
entretenimento amplo, diverso e alinhado aos desejos de consumo da audiência sem
a ajuda de parceiros de conteúdo e canais. Eles se somam à nossa oferta. Por sua vez,
estes players optam por trabalhar conosco porque estamos oferecendo ao conteúdo e
aos canais deles um alcance local e global mais amplo através do Prime Video, e porque
estamos tornando a colaboração fácil para eles em termos de tecnologia. É uma
situação de ganho mútuo.
O que as redes revelam sobre a forma de consumo do público?
O desempenho de produções nacionais como ‘Tremembé’, ‘Cangaço novo’, ‘A mulher da
casa abandonada’, entre outros, comprova a procura e o interesse do público brasileiro
por produções diversas e representativas. Em relação aos originais internacionais, o
sucesso destes títulos continua a provar que a estratégia de apresentar grandes histórias,
com temas relevantes e universais, transcende fronteiras. O público brasileiro
contribuiu significativamente para sucessos globais como ‘O verão que mudou a minha
vida’ (The summer i turned pretty), onde 60% dos espectadores vieram de fora dos EUA,
com enorme sucesso entre os fãs brasileiros.
“Construir uma marca global no
Brasil exige um equilíbrio fino
entre consistência e localização”
jornal propmark - 8 de dezembro de 2025 15
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Innova AATB é a Agência do Ano Brasil
e lidera com 16 prêmios na 26ª edição
Divulgação
País também
se destacou com
Atenas.ag, Solution
Off e Sherpa42
Vitor Kadooka
A campanha ‘Nova Canção do Neymar Jr.’, criada pela Innova AATB para a Canção Alimentos, ganhou Grand Prix
Quem faz
história na
propaganda
merece ser visto.
E no Canal Markket,
(Vivo 611 e Claro 692) você
encontra mais um jeito de
assistir aos Grandes Nomes
da Propaganda, conteúdo
feito para quem não só
acompanha o mercado,
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e segundas, 14h30.
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A
cerimônia anual de premiação do Festival Ibero-
-americano de Promoções e Eventos (FIP Awards)
ocorreu no último dia 3, em Buenos Aires, e consagrou
o Brasil como um dos destaques, com 96 prêmios.
A Innova AATB foi a agência brasileira mais premiada,
somando 16 troféus, número que inclui cases em ativações
promocionais, digital, eventos e marketing direto,
além do título de Agência do Ano Brasil.
O principal destaque do portfólio foi o case ‘Nova Canção
do Neymar Jr.’, desenvolvido para a Canção Alimentos,
que conquistou um Gran Prix e Ouros em categorias
de viralização, marketing de conteúdo, redes sociais,
marketing de influência e performance.
Na sequência, aparecem Atenas.ag, com 14 prêmios,
impulsionada por projetos para Heineken e Amstel; Solution
Off, com 11 prêmios, por entregas relacionadas à plataforma
Mundo Pixar em diferentes rubros; e Sherpa42,
com dez prêmios, incluindo
reconhecimentos por ‘Beats
mansion’, ‘Guaraná Senna’
e ‘Unreal baile’ — além
do prêmio especial de Melhor
Ação em Publicidade
Não Convencional.
Outras agências brasileiras
reconhecidas foram
TSB ETC (7 prêmios), seguida
por Red Door Agency e
Eai?! Marketing (5 cada) e
14 agências
brasileiras
garantiram
troféus na
edição
Fito (4 prêmios), além de Fanclub Live & Digital Marketing
e Renase (2 cada). Também receberam distinções
Eventesse, The Group, South Summit e Banco de Eventos.
Entre as marcas com atuação no país, a Heineken
liderou a lista, com 14 prêmios, incluindo o de Marca
do Ano Brasil. Em segundo lugar aparece Mundo Pixar
(11 prêmios). Na sequência estão Amstel e Guaraná
Antarctica (6 cada) e Centauro e Johnnie Walker (5
cada). Canção Alimentos também se destacou com
quatro troféus.
Kiwify garantiu três prêmios. Com dois prêmios cada,
estão as marcas: BYD, Serasa Experian, Native Orgânicos,
Sony Pictures e Royal Enfield.
O relatório ainda inclui menções brasileiras no Hall da
Fama, com Wagner Zaratín e Serge Crespín.
Em sua 26ª edição, o festival registrou um recorde
histórico de inscritos. Ao todo, 102 marcas finalistas
competiram pelo prêmio Marcas, que soma a pontuação
obtida em diferentes categorias.
18 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
agências
União de Omnicom e IPG decreta fim de
modelo baseado no símbolo das redes
Concentração acirra disputa com estruturas independentes e boutiques
criativas, movimento que tende a se intensificar no cenário nacional
Reprodução
Omnicom anunciou a compra do IPG em dezembro de 2024, operação concluída quase um ano depois, com valor estimado de US$ 13 bilhões e receita combinada de US$ 25,6 bilhões
Janaina Langsdorff
A
compra do Interpublic Group (IPG)
pelo grupo Omnicom sela a maior
movimentação da história da
propaganda mundial. Estimado em US$
13 bilhões, o negócio anunciado em dezembro
de 2024 foi concluído quase um
ano depois, após a aprovação da última
etapa regulatória pela União Europeia,
no último mês de novembro.
Surge uma empresa com receita combinada
de US$ 25,6 bilhões em 2023, à
frente de Accenture Song, WPP e Publicis
Groupe. O acordo resultou no encerramento
das redes DDB e MullenLowe, que
foram incorporadas à TBWA. A FCB teve
o mesmo destino e foi absorvida pela
BBDO. Estima-se que mais de quatro mil
pessoas sejam demitidas. As mudanças
foram divulgadas no dia primeiro de
dezembro.
“A notícia de que a fusão entre Omnicom
e Interpublic Group resultaria no desaparecimento
de redes globais icônicas
reverberou como um terremoto silencioso
na indústria. Para quem acompanha a
trajetória da publicidade, trata-se de um
marco: o fim do modelo em que o valor
das agências estava vinculado ao peso
simbólico de suas marcas”, avalia Gilberto
Garcia, professor do curso de publicidade
e propaganda da ESPM.
O movimento evidencia os meandros
da conjuntura global da comunicação. O
valor da indústria se deslocou. O mercado
deixa a guerra de logotipos e passa
a disputar arquiteturas de capacidade.
“Não é mais o nome na porta que sustenta
relevância, mas a plataforma que
estrutura método, dados, operação e inteligência
integrada. A fusão revela uma
mudança profunda: a publicidade está
deixando de ser apenas uma indústria de
narrativas para tornar-se uma indústria
de arquitetura de solução e governança
organizacional”, diferencia o professor.
No mercado anunciante, os efeitos
são ambíguos. A unificação promete escala,
interoperabilidade, integração de
dados e decisões mais coordenadas —
algo extremamente atraente para operações
globais. No entanto, o ganho de
eficiência coloca em risco a diversidade
intelectual, a fricção criativa e a pluralidade
cultural das holdings.
Recado
Incontestável, o impacto para as agências
incide na construção de cultura. Garcia
lembra que as marcas TBWA e BBDO
sobreviveram não apenas por sua dimensão,
mas porque possuem plataformas
de pensamento exportáveis e narrativas
operacionais claras. O sistema de operação
da TBWA é embalado pelo conceito
‘Disruption’. De ‘The work. The work. The
work.’ ao posicionamento ‘Do big things’,
a BBDO também endossa um mecanismo
de cultura e excelência criativa.
“As marcas que não conseguiram
transformar identidade criativa em
propriedade intelectual estruturável
foram diluídas. Ou se tem método,
narrativa estratégica e propriedade
intelectual aplicável ou se desaparece.
A mensagem é inequívoca: cultura só
tem valor quando é método, e método
só se sustenta quando é executável”,
crava o especialista da ESPM.
Até que ponto essa operação é saudável
para o mercado? Duas dimensões
precisam ser consideradas. O negócio
esbanja vigor ao racionalizar estruturas,
aumentar accountability, favorecer governança
global e elevar a exigência por
método.
Mas “a concentração de poder e
pensamento reduz a energia competitiva
estrutural do setor, homogeneiza
visões e enfraquece o atrito criativo,
peça vital para inovação”, pondera Garcia.
O equilíbrio dessa equação dependerá
da força dos ecossistemas alternativos
— consultorias, independentes,
hubs de inovação e estruturas internas
de anunciantes — para tensionar o pensamento
dominante.
PaRadoxo
A centralização abre espaço para
que estruturas independentes e boutiques
criativas atuem como contrapeso
estratégico, o que tende a se intensificar
no Brasil. Pode acirrar também a
“Não é mais o
nome na porta
que sustenta
relevância, mas
a plataforma que
estrutura método,
dados, operação
e inteligência
integrada”
20 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
John Wren e Philippe Krakowsky: connected capabilities para fazer da transição um catalisador de crescimento
Gilberto Garcia, da ESPM: preservação da cultura
disputa por projetos regionais e posições
globais, enquanto talentos oriundos
de DDB, MullenLowe e FCB devem
se dispersar pelo mercado, nutrindo
consultorias e operações in-house.
“Historicamente, o país produziu insurgentes
criativos e estratégicos como
Africa, GUT, Suno, Soko e Adventures, e
demonstrou que diversidade cultural
e método próprio geram vantagem
competitiva real”, situa Garcia. Na reorganização
do setor, ganha quem souber
ousar na montagem de estruturas.
“Quando marcas históricas são silenciosamente
encerradas, o que está
em jogo não é quem absorveu o nome,
é quem preservou a cultura. Nesse
contexto, a concentração das gigantes,
paradoxalmente, pode ser aquilo que
finalmente empurra o setor, especialmente
no Brasil, a reinventar modelos,
provocar ruptura e ocupar espaços que
antes eram monopolizados pelo establishment”,
acredita Garcia.
Ele atenta para o desafio da governança.
“Com marcas rivais sob a mesma
holding, os firewalls naturais desaparecem,
exigindo nova disciplina ética,
contratual e estratégica. Essa é menos
uma discussão publicitária e mais um
tema de compliance, design organizacional
e arquitetura de negócios, território
no qual profissionais de estratégia
terão papel crescente”, prevê.
Lideranças
Egressa do IPG, a McCann permanece
em operação. Daryl Lee, agora chairman,
cedeu o cargo de CEO para Tyler
Turnbull, antes CEO global da FCB. Andrés
Ordóñez, que era CCO da FCB, passa
a atuar como CCO global da McCann
em substituição a Javier Campopiano,
novo CCO global da Omnicom Advertising.
Andrew Robertson continua como
chairman da BBDO e Nancy Reyes segue
na posição de CEO, enquanto Erin Riley
avança como CEO da TBWA.
A estrutura de lideranças ainda tem:
Florian Adamski (Omnicom Media),
Chris Foster (Public Relations), Sergio
Lopes (Production), Duncan Painter
(Flywheel Commerce Network), Troy
Ruhanen (Advertising), Michael Larson
(Diversified Agency Services), Dana Maiman
(Omnicom Health), Mark O’Brien
(Omnicom Branding) e Luke Taylor (Omnicom
Precision Marketing).
“O conhecimento e a dedicação do
nosso time de lideranças e a promessa
da nossa connected capabilities nos
posicionam de forma singular para
esse momento de transição como catalisador
de crescimento inteligente —
para nossas pessoas, nossos clientes e
parceiros”, declara em nota John Wren,
chairman e CEO do grupo. O que ele chama
de connected capabilities são áreas
de trabalho do Omnicom idealizadas
para otimizar recursos e soluções.
Ao lado de Wren, está Philippe
Krakowsky e Daryl Simm, como copresidentes
e COOs. Jacki Kelley (chief client
& business officer), Andrea Lennon
(client experience officer), George Manas
(chief growth and solutions officer)
e Phil Angelastro (EVP & CFO) também
integram o alto escalão da empresa. Ao
término do acordo de troca de ações, o
Omnicom ficou com 60,6% da nova em-
“A concentração
de poder e
pensamento
reduz a energia
competitiva
estrutural
do setor”
presa e o Interpublic, com a fatia restante
de 39,4%. A expectativa é de que
a transação gere sinergias de custos
anuais da ordem de US$ 750 milhões.
O Omnicom é dono de BBDO, DDB e
TBWA. No Brasil, a BBDO engloba Almap-
BBDO e Energy BBDO; a DDB integra a
Africa Creative, DM9 e Asia; e a TBWA reúne
a Lew’Lara\TBWA, iD\TBWA e TBWA\
Media Arts Lab. Há ainda o Omnicom
Media Group (OMG), formado por Fuse,
Global Shopper e Outpromo, além da
divisão Communications Consultancy
Network, composta por CDN, Interbrand,
Ketchum e Grupo In Press.
Do portfólio do IPG, vem a WMc-
Cann, hoje sob o comando da CEO Renata
Bokel. Hugo Rodrigues deixou de
ser chairman da WMcCann e McCann
Worldgroup em setembro. O escopo
de IPG ainda tem MRM, FutureBrand
e IPG Mediabrands, com FCB e Mullen
Lowe, além de IPG Health, The Weber
Shandwick e Collective. Consultadas, as
agências envolvidas não responderam
sobre possíveis realinhamentos de lideranças
e contas.
Horizonte
Outros movimentos de concentração
aparecem no horizonte. Uma suposta
negociação entre o grupo francês
Havas e a holding britânica WPP pode
estar em curso, segundo o The Times
of London. O acordo ocorreria em um
momento de pressão do WPP, que perdeu
valor de mercado e corre o risco
de deixar o índice FTSE 100, da Bolsa de
Londres.
Hoje, o WPP vale cerca de £3 bilhões,
distante do pico de £24 bilhões registrado
em 2017. Uma eventual saída do
FTSE 100 levaria fundos que seguem o
índice a vender automaticamente as
ações da companhia, ampliando a tensão
sobre os papéis. Procurado pelo jornal
britânico, o WPP afirmou que “não
comenta especulações”.
Em julho, Cindy Rose foi nomeada
CEO do WPP no lugar de Mark Read, que
presidirá o conselho de administração
da Kantar Media. A escolha de Cindy
— que atuava como diretora não executiva
no conselho do WPP desde 2019
— ocorreu no momento em que o grupo
inglês reportava uma queda de 4,2% a
4,5% na receita do primeiro semestre
de 2025. A executiva assumiu em setembro.
22 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
agências
Mind The Gap completa oito anos
com plano de chegar à Flórida
Modelo plug & play rompe barreiras ao ligar profissionais e parceiros
adequados aos projetos e resultados esperados pelos clientes
Janaina Langsdorff
A
agência Mind The Gap, instalada na
cidade do Rio de Janeiro, planeja
uma operação na Flórida (EUA) em
2026 para atender brasileiros. Já avançou
com players do ramo imobiliário no
Canadá e Angola, e segue em negociação
nos setores de energia e mobilidade.
A marca de educação Pensi, o fundo
Opportunity Imobiliário e a empresa de
tecnologia do mercado livre de energia
TYR estão entre os clientes hoje atendidos
pela empresa, que completa oito
anos de atividades sob o formato plug
& play - ancorado na experiência das sócias
Suzana Machado e Lica Repetto.
“Temos 30 anos de mercado, e estamos
sempre circulando, conversando,
conectando, abertas. A cada gap, cliente
ou projeto, selecionamos os profissionais
e parceiros que fazem mais sentido. É
uma curadoria especializada, cuidadosa,
que foge do óbvio”, pontua Suzana. Ela
garante conhecer as pessoas além de
seus crachás, cargos e rótulos. “Sabemos
o que cada uma pode entregar, render e
acrescentar. Somos antidepartamento”,
certifica. “Aqui, criatividade é meio, não
fim. Quando chamamos alguém, chamamos
a pessoa, não o cargo. Um DC pode
opinar no que quiser, ninguém fica ilhado”,
emenda Lica.
Hoje, são dez pessoas fixas, “mas já
fomos 20 e podemos ser 80. É do tamanho
que quisermos. O modelo é remoto.
E sabemos que funciona porque em
março de 2020, no lockdown, já vivíamos
essa rotina. Tocamos lançamentos do
Opportunity, branded content do Porta
dos Fundos, tudo seguiu”, lembra Lica.
Integração e sinergia conectam a equipe,
que tem autonomia para cuidar do
próprio tempo. Comprometidos com a
responsabilidade da entrega, os profissionais
se reúnem com os clientes sempre
que necessário.
“Todo mundo participa, opina e acrescenta.
Todo mundo é tudo porque todo
mundo pensa, observa, consome mídia,
cultura e tem repertório. ‘Fala com fulano’
simplesmente não acontece”, reitera
Suzana. Ela reconhece que as empresas
estão voltando para o presencial, “mas as
As sócias Lica Repetto e Suzana Machado: “Sabemos o que cada pessoa pode entregar e render. Somos antidepartamento”
pessoas, não. Muita gente prefere sair do
que voltar para um modelo que não faz
sentido”, acredita.
No antiformato da Mind The Gap, nada
é preconcebido. As decisões são adequadas
aos desafios dos clientes, sem
respostas engessadas. “Temos estrada
suficiente para abrir qualquer caminho.
Essa flexibilidade nos permite atender
uma gama enorme de demandas. Agora
mesmo, estamos fazendo uma ativação
no metrô de São Paulo. O cliente queria
alguém que resolvesse, e a gente resolveu.
Simples assim”, banca Lica.
Descomplicada, enxuta e sem burocracia,
a organização do trabalho é transparente
porque prioriza propostas com escopos
claros e entregas alinhadas. “A pessoa
sabe exatamente o que está contratando.
Sabe o job e o prazo. Tudo fica mais eficiente.
É ágil porque é claro”, confirma Suzana.
Projeto criado para a ‘Coleção be in
Rio’, do Opportunity, conquistou o prêmio
Destaque Ademi 2024, promovido pela
Associação de Dirigentes de Empresas
do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), na
categoria Marketing/Comercialização de
Empreendimento de Pequeno, Médio e
Grande Porte - e o cliente foi eleito como
a Empresa do Ano no segmento em 2023.
Acaba de ser premiado também pelo trabalho
de marketing do empreendimento
Green Park Barra.
“O que mais nos alegra é ver que o
nosso jeito de trabalhar, montando o time
certo para cada desafio, funciona de verdade”,
declara Lica. Já o prêmio ‘Parceiros da
Inclusão’ veio com um filme institucional
narrado por Regina Casé e produzido para
a obra social da cidade do Rio de Janeiro, a
RioInclui - instituição filantrópica presidida
pela primeira-dama Cristine Paes.
Divulgação
Teve ainda a ação que plugou o colégio
Pensi à ONG Favelivro na Bienal
do Livro Rio, realizada entre os dias 13
e 22 de junho de 2025, no Riocentro.
Mais de sete mil obras foram doadas.
“São cases muito diferentes, mas com
a mesma lógica: leveza, transparência,
brilho no olho e o time certo para cada
gap”, define Suzana.
O principal investimento da agência
é nas pessoas, e não em estruturas
complexas. “Quando uma conta chega,
ela paga o próprio job, e não o job
de outras contas, como muitas vezes
acontece no mercado tradicional. Isso
é mais justo. Somos boutique, mas
talvez sejamos uma boutique de atendimento
extremamente integrada ao
negócio do cliente. Somos atendimento
raiz, e nunca perdemos esse olhar”,
observa Lica.
24 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
agências
Martuscelli.Co reúne várias frentes
de comunicação e mídia proprietária
A Escape Magazine, revista que dá ao grupo status de ecossistema de
influência, soma-se a agência, produtora e núcleo de projetos especiais
Kelly Dores
Desde o início da carreira, Fábio
Martuscelli, CEO da Martuscelli.Co,
percebeu que jornalismo e publicidade
não eram universos separados.
Ele ressalta que ambas as áreas
exigem repertório, narrativa forte e
sensibilidade para traduzir comportamentos.
“Quando entendi que poderia
unir essa visão editorial com pensamento
estratégico de marca, nasceu
uma forma diferente de comunicar.
Como publisher, levei a visão jornalística
de curadoria e credibilidade; como
publicitário, trouxe método, estratégia
e resultado. A união das duas áreas me
permitiu criar experiências de comunicação
completas”, conta ele.
O resultado é a consolidação da holding
Martuscelli.Co, que integra várias
frentes de comunicação em um único
ecossistema. “Minha trajetória começou
entre produção de conteúdo, fotografia e
branding para revistas de turismo e lifestyle.
Aos 19 anos, já estava coordenando
projetos editoriais da Elite Magazine. Aos
20, fundei a minha primeira agência, a LiveComm,
focada em marketing digital e
projetos especiais”, relembra ele.
Depois veio a F8 Filmes, produtora
audiovisual que segue dentro do grupo.
“Hoje, com tudo dentro de casa - estratégia,
mídia, criação, produção de filmes,
conteúdo, eventos e PR -, conseguimos
entregar o verdadeiro 360 de forma competitiva.
Isso nos dá vantagem real em
três pontos: competitividade em compra
de mídia, pela centralização e volume;
competitividade em produção audiovisual,
porque toda a estrutura é própria; e
agilidade estratégica, já que não dependemos
de terceiros.”
De acordo com o executivo, o modelo
permite trabalhar com clientes estratégicos,
com profundidade e performance,
mantendo consistência criativa e resultado.
“Acredito que a relação agência e
cliente tem de seguir o princípio de valores
e afinidades congruentes, sempre com
foco em resultado sólido. Desta forma, os
clientes criam um relacionamento próximo
conosco e mantemos o atendimento
por longos períodos. Exemplos práticos
Fábio Martuscelli: “Com tudo dentro de casa,
conseguimos entregar o verdadeiro 360 de
forma competitiva”
“A Escape
abre portas
principalmente ao
mercado de luxo
internacional”
disso são Palladium Hotel Group e Giovanna
Baby, que atendemos desde o início da
agência e trazem cada vez mais inovação
nas campanhas desenvolvidas”, destaca
Martuscelli. Para ele, o digital deixou
de ser complemento nas estratégias e
Fabiano Chaves/Divulgação
é onde tudo começa: dados, narrativa,
influência, comunidade, distribuição e
mensuração. “Mas o maior salto dos últimos
anos foi entender que on e off se
complementam, assim como os hábitos
dos consumidores que estão interagindo
nestes dois ambientes ao longo do dia.
A mídia só funciona quando é integrada”,
diz. Ele acrescenta: “As marcas vencedoras
combinam performance digital, branded
content, social e inteligência artificial com
ações offline, mídia, eventos proprietários,
ativações, PR e relacionamento presencial.
O consumidor transita o dia inteiro
entre o físico e o digital, e as marcas precisam
fazer o mesmo: criar ecossistemas, e
não campanhas isoladas”.
CEREJA DO BOLO
A cereja do bolo da Martuscelli.Co
é a Escape Magazine, revista premium
de lifestyle, viagens e negócios, que
dá ao grupo o status de um ecossistema
de influência, relacionamento e
mídia proprietária. “A Escape Magazine
nos dá acesso direto a um público altamente
qualificado: líderes, investidores
e formadores de opinião, além
de presença em lounges VIP, hubs
corporativos e eventos internacionais.
Isso nos permite entregar ativações, experiências
e visibilidade que as agências
tradicionais não têm. Além disso, temos
um histórico forte em patrocínios, automobilismo
e grandes eventos, com
entregas que vão de F-1, Porsche Cup,
Stock Car e experiências premium, até
ativações proprietárias com marcas de
alto padrão”, destaca ele.
Martuscelli criou a Escape em 2020
com a visão de ser uma revista editorialmente
forte, visualmente impecável
e, ao mesmo tempo, um produto de relacionamento.
“Um hub que conectasse
marcas, destinos, líderes e experiências.
A Escape não é apenas uma revista, é uma
plataforma que abre portas principalmente
ao mercado de luxo internacional.”
O executivo afirma que o maior desafio
é escalar o negócio mantendo a essência
e educar marcas sobre a importância
de pensar comunicação como plataforma,
não como peça isolada. “Para 2026,
esperamos um ano de aceleração, com
novas unidades de negócio, expansão de
projetos internacionais e de eventos proprietários,
novas parcerias estratégicas
e crescimento em campanhas e produção
audiovisual. Vamos seguir com visão de
longo prazo, time forte e foco em pacto.”
26 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
mídia
Campanha ‘Somos Cultura’ reforça
legado de credibilidade da emissora
TV Cultura apresentou resultados do ano, novidades da programação
para 2026 e oportunidades de conteúdo e patrocínio para parceiros
Vitor Kadooka
No último dia 3, no Solar Fábio Prado, em São Paulo,
a TV Cultura apresentou o balanço dos primeiros
seis meses da atual gestão e antecipou novidades
de 2026, além das oportunidades comerciais do
ecossistema da Fundação Padre Anchieta.
Na abertura, Neca Setubal, presidente do conselho
curador, destacou a trajetória de atrações. “O ‘Roda Viva’
vai completar 40 anos e o ‘Metrópolis’ tem 38 anos. São
programas muito inovadores que começaram lá atrás.”
Segundo Maria Angela de Jesus, presidente-executiva
da Fundação Padre Anchieta, os primeiros meses da gestão
foram marcados por iniciativas de posicionamento
e revisão interna. “Lançamos nos primeiros dias da gestão
porque todos nós nos sentimos parte da empresa”,
afirmou, ao comentar o trabalho por trás da campanha
‘Somos Cultura’, premiada no Gema Awards. “Não almejávamos,
mas a premiação confirma o trabalho que estamos
fazendo de resgatar a marca.”
Henrique Bacana, diretor de criação e arte, foi o responsável
pela comunicação. O filme estreou na TV Cultura
e mostra o artista grafiteiro Kobra criando um mural
com o símbolo do canal reinterpretado em sua estética.
Também participaram os grafiteiros Os Gêmeos.
PROGRAMAÇÃO
Entre as novidades anunciadas para 2026, Maria destacou
a chegada de Rita Lisauskas como apresentadora
do ‘Jornal da Cultura’. “É o primeiro passo de decisões que
serão realizadas ao longo do ano”. Ela também adiantou
a produção de um documentário sobre o ‘Roda Viva’. “Podemos
revisitar o histórico político, social e econômico
do país ao debruçar na história do programa.”
Ao tratar dos movimentos ligados à DTV+, Maria reforçou
que “a transformação não é apenas tecnológica,
mais do que isso, é o conteúdo. De maneira alguma essa
mudança poderá ocorrer se não repensarmos o desenho
do modelo”. Para isso, apresentou o Núcleo de Inovação,
dedicado à atração de jovens talentos.
Em termos de capilaridade, a executiva ressaltou a
“cobertura de 77% do Brasil. Chegamos a muitos rincões
e não esquecemos do papel significativo da TV aberta”.
Beth Carmona, vice-presidente da Fundação, concentrou
sua fala nas mudanças já implementadas e nas
estreias previstas. Segundo ela, a migração do ‘Antimatéria’
para o horário nobre e o retorno das transmissões
ao vivo reposicionaram a relação da emissora com públicos
mais jovens. “Trouxemos ele para o horário nobre de
segunda a sexta. Isso deu uma vida na televisão, não só
externamente, mas também internamente.”
Beth revisitou ainda projetos lançados ao longo de
2025, como a série documental sobre museus paulistas,
e antecipou frentes de 2026: a continuidade do ‘Prelú-
Nadja Kouchi/Divulgação TV Cultura
Evento realizado no Solar Fábio Prado, em São Paulo, contou com jornalistas, parceiros e profissionais da TV Cultura
Os artistas Os Gêmeos participaram da campanha com a personalização em grafite do logo da emissora
dio’, a expansão do ‘Entrelinhas’, a circulação do ‘Quintal
da Cultura’ pelo interior e a repaginação de títulos tradicionais.
Entre os retornos confirmados estão ‘Vitrine’ e
‘Bem Brasil’, este último em conversas avançadas com
o Sesc Itaquera.
OPORTUNIDADES COMERCIAIS
Encerrando a apresentação, Bel Borba, diretora das
áreas comerciais, de marketing e digital, destacou a
oferta integrada de produtos. “Formamos um dos maiores
ecossistemas do país. O que nos leva a reputação,
porque, invariavelmente, sabemos que o Ibope acaba
nos derrubando, mas quando olhamos em um lugar de
atenção, não podemos deixar de considerar a reputação
que agrega valor à marca. Quando você faz uma parceria
conosco, agregamos valor à sua marca. Temos muitas
Henrique Bacana/Divulgação TV Cultura
pesquisas de lealdade que mostram isso. Estamos em
23 estados com mais de 60 associados.”
Bel reforçou que o posicionamento ‘Somos Cultura’ é
construído de maneira colaborativa com os parceiros e
listou o conjunto de possibilidades comerciais. As ofertas
incluem patrocínios, apoio cultural e branded content
nas frentes de TV, rádio e digital.
No digital, ela citou picos recentes de alcance. “Alguns
dos nossos posts têm viralizado em termos de sete,
nove, até dez milhões de visualizações.”
No campo de licenciamento e experiências exclusivas,
foram destacados os produtos e canais Cultura
Mágica, TV Rá-Tim-Bum e o Fast Channel. Bel também detalhou
oportunidades de naming rights e ativações de
marca por meio do Teatro Franco Zampari, do Solar Fábio
Prado e da Brasil Jazz Sinfônica.
28 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
pesquisas
Marcas encaram o desafio de dialogar
com comunidades em movimento
Estudo da Liga indica que pertencimento deixou de ser territorial e
exige que empresas entendam vínculos e ritmos distintos do público
Adrieny Magalhães
O
que antes cabia em mapas demográficos e perfis
fixos hoje se espalha por vínculos fluidos,
afetos escolhidos e grupos que se formam e se
dissolvem sem pedir licença. O estudo ‘Da persona à
comunidade: O marketing da coerência’, desenvolvido
pela Liga Pesquisas em parceria com a FYI Insights, investiga
como os brasileiros constroem pertencimento
em meio a identidades fragmentadas e sociabilidades
digitais. E, sobretudo, o que essa mudança significa
para uma indústria que ainda se orienta por ‘personas’
estáticas.
Alice Whately Neves, sócia da Liga, explica que esse
novo cenário nasce de três movimentos que reorganizam
a vida social: a fragmentação das identidades tradicionais,
a tecnologia como principal ponto de encontro
e vínculos cada vez mais escolhidos e menos herdados.
“As pessoas buscam microcomunidades com as quais se
identificam e nas quais podem se reconhecer”, afirma.
Essas transformações reposicionam as bases da comunicação.
Em vez de perguntar “quem é” o consumidor,
as empresas passam a precisar entender “como uma
pessoa circula entre diferentes comunidades e quais
vínculos ela ativa em cada contexto”. Na prática, isso
desloca o foco de perfis fixos para ecossistemas sociais
— espaços onde afetos, rotinas e referências culturais
moldam os sentidos de pertencimento.
A pesquisa traz números que ajudam a dimensionar
esse movimento. Os dados mostram que o conceito de
comunidade se desvinculou de critérios tradicionais
como território e religião. O laço emocional é hoje o principal
eixo de união entre grupos diferentes.
A forma de pertencer, porém, muda conforme classe
e geração: jovens da AB se conectam a coletivos culturais;
jovens da C priorizam vínculos afetivos e redes de
resistência; adultos das classes AB buscam estabilidade
e espaços culturais; já adultos e idosos da classe C associam
comunidade a refúgio, segurança e apoio cotidiano.
Alice resume: “O pertencimento não é vivido da
mesma forma por todos. Ele varia conforme repertório,
acesso e contexto”.
Essas diferenças aparecem também nas expectativas
em relação à comunicação. Quando perguntados sobre
quem deveria aparecer mais na publicidade, 49,77% citaram
pequenos empreendedores e pequenos negócios,
40,42% mencionaram trabalhadores informais e 34,35%
pediram mais representações de pessoas mais velhas.
Para o mercado, os números reforçam a busca por narrativas
mais próximas da vida real dos consumidores.
Outro achado amplo é o reconhecimento da multiplicidade.
A maioria dos entrevistados concorda com
a frase “Curto quando uma empresa entende que a
gente gosta de várias coisas diferentes”, indicando que
Vínculos emocionais superam critérios tradicionais de comunidade e redefinem a atuação das empresas
Divulgação
Alice Whately Neves: pertencimento e novas estratégias
“O pertencimento não
é vivido da mesma
forma por todos”
Rawpixel
o público valoriza marcas que compreendem essa complexidade.
Essa sensibilidade dialoga com a reflexão de Alice.
“Cada indivíduo vive diferentes papéis e versões de si.
Quando a marca reconhece essa multiplicidade, ela deixa
de falar com uma persona fixa”. Isso também influencia
no tipo de mensagem que funciona melhor.
Mas o movimento não se completa apenas olhando
para fora. Para evitar superficialidade, Alice destaca a
importância de marcas entenderem os próprios limites
e vocação. “As empresas precisam entender quem elas
são. Nem toda comunidade faz sentido para toda marca,
e é essa definição clara do que é coerente que garante
autenticidade.”
Para o mercado publicitário, o recado é direto: coerência
não depende de amplitude, mas de clareza. Marcas
que compreendem a própria identidade e, ao mesmo
tempo, reconhecem as múltiplas comunidades que
formam a vida dos consumidores, tendem a construir
vínculos mais sólidos e duradouros.
30 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
mercado
Cenp alerta para potencial de negócios
em marketing fora do eixo Rio-São Paulo
Levantamento mapeou 370 marcas, que movimentam mais de R$ 1,34
trilhão; elas estão sediadas em 11 estados, que representam 45% do PIB
Alê Oliveira
Jaime Troiano, da Troiano Branding, durante apresentação da pesquisa ‘Brasil plural’, em São Paulo, no dia 4 de dezembro: marcas com capacidade para investir em comunicação
Janaina Langsdorff
Marcas espalhadas pelo Brasil demonstram
tanto potencial para
investir em comunicação quanto
players do eixo Rio-São Paulo. A empresa
de agronegócio Amaggi, de Mato Grosso,
por exemplo, fatura R$ 44,8 bilhões. Do
mesmo setor, a Comigo, de Goiás, alcança
R$ 12,7 bilhões, e a conterrânea Piracanjuba,
do mercado de alimentos e bebidas,
atinge R$ 8,2 bilhões.
A lista inclui a Petronac Combustíveis,
de Pernambuco, com R$ 27,3 bilhões; a
companhia de comércio exterior Comexport,
do Espírito Santo, com R$ 35,7 bilhões;
a locadora de automóveis Localiza, de Minas
Gerais, com R$ 28,9 bilhões; os supermercados
Muffato, do Paraná, com R$ 12 bilhões;
e a operadora de saúde Hapvida, do
Ceará, com o montante de R$ 8,9 bilhões.
Essas são algumas das 370 organizações
apontadas na pesquisa ‘Brasil plural’,
desenvolvida pela consultoria Troiano
Branding, a pedido do Cenp (Fórum de
Autorregulação do Mercado Publicitário).
Os dados foram apresentados em evento
no Hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo,
no dia 4 de dezembro.
Somadas, essas empresas movimentam
mais de R$ 1,34 trilhão — o equivalente
a cerca de 10% do PIB (Produto
Interno Bruto) do país. No total, são 177
nacionais (presentes em até sete estados)
e 193 locais (atuantes em até
seis localidades), mas todas com matriz
em seu lugar de origem. Elas estão baseadas
em 11 estados que, se somados,
representam 45% da riqueza nacional. O
levantamento exclui São Paulo, Rio de
Janeiro e Distrito Federal.
“Mapeamos as principais marcas locais
sem olhar contaminado”, diz Jaime
Troiano, fundador e presidente do conselho
da Troiano Branding. A compreensão
do potencial de negócios partiu de
análises sociodemográficas, com base
em dados do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), e em marcas
com maior faturamento e presença de
“Errado é
mimetizar o
nacional”
comunicação nos rankings ‘Valor 1000’ e
‘Exame: Maiores e Melhores’. “São marcas
com capacidade para investir em comunicação”,
avisa Troiano. O levantamento
destaca 22 companhias.
Laços
Já as conexões culturais e vínculos
afetivos foram investigados por meio da
metodologia de neurociência Zmet (Zaltman
Metaphor Elicitation Technique),
que extrai as percepções das pessoas
sobre as marcas. Foram realizadas 20
sessões individuais (quatro por região),
com duração de 90 minutos cada. O pedido
foi para que os participantes escolhessem
imagens capazes de descrever
a ligação com as marcas apresentadas.
Orgulho, oportunidade, cuidado,
nostalgia, intimidade e laços familiares
foram os sentimentos atribuídos ao grupo
de marcas locais. Entre as nacionais,
estão poder, status, atualização, ritmo e
conexão com o mundo.
“Uma das lições deixadas é que marcas
nacionais e locais não precisam travar
disputas, elas têm espaços únicos”, confirma
Cecilia Russo Troiano, CEO da Troiano
Branding. Entender forças distintas sem
transformar o local em um estereótipo
nacional é outro ensinamento. “Errado é
mimetizar o nacional”, frisa Cecilia.
O estudo sugere ainda respeito às
linguagens e espaços de valor; compreensão
de níveis e amplitudes de regionalidade,
conforme a cidade, região, estado
e personalidade; e indica caminhos de
expansão “para dentro”, posicionando
história e essência local como diferenciais,
ou “para fora”, mostrando força e
potência para competir.
32 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
mercado
Fenapro se reposiciona com Sistema
Nacional das Agências de Propaganda
Os Sinapros abandonam o nome Sindicato das Agências de
Propaganda; objetivo é mostrar relevância para além do papel sindical
Vitor Kadooka
A
Fenapro (Federação Nacional das
Agências de Propaganda) lançou,
no último dia 4, o Sistema Nacional
das Agências de Propaganda, em
substituição ao nome Sindicato das
Agências de Propaganda (Sinapro), iniciativa
que materializa um processo
de reestruturação iniciado em 2020.
O anúncio, feito no Dia Mundial da Propaganda,
vem acompanhado de nova
identidade visual e de um plano de comunicação
que inclui videomanifesto e
ações para o trade.
A mudança ocorre em um contexto
de transformação do mercado publicitário
brasileiro, composto por mais de
3 mil agências estruturadas, impactado
pela digitalização, pela adoção de IA,
por novos modelos de negócios e por
mudanças nas relações de trabalho. A
reestruturação da Fenapro, segundo Daniel
Queiroz, presidente da instituição,
também está diretamente ligada às alterações
da legislação trabalhista em 2017,
que extinguiu a obrigatoriedade da contribuição
sindical e exigiu das entidades
uma revisão profunda de sua atuação e
sustentabilidade.
“Precisamos dar uma virada de chave
para mostrar relevância para além do
papel sindical”, afirmou Queiroz, em entrevista
ao propmark. O ciclo de gestão
2020–2025 estruturou essa mudança,
ampliando serviços, fortalecendo a integração
nacional e modernizando processos
internos.
O rebranding do Sinapro, que faz parte
da Fenapro, traduz a evolução funcional
da entidade. Embora a Fenapro mantenha
sua base jurídica sindical, passa a
se apresentar como Sistema Nacional
das Agências de Propaganda, mantendo
a sigla Sinapro. A nova identidade visual,
desenvolvida pela SPR (RS), adota estética
minimalista e mantém o amarelo característico.
O posicionamento e a comunicação
foram criados pela ART&C (RN).
Nova diNâmica
Nos últimos seis anos, a Fenapro afirma
ter ampliado sua articulação com os
19 Sinapros e três delegacias regionais.
Daniel Queiroz, presidente da Fenapro desde
2020, encerra sua gestão em janeiro de 2026
e passa a cadeira a Ana Celina Bueno
“A próxima
gestão está
conectada com
esse processo
e preparada”
Chico Barros/Divulgação Fenapro
volvimento das lideranças e a ampliação
do suporte jurídico. “Esse processo nos
permitiu construir uma relação mais
próxima com as agências e oferecer
mecanismos que ajudam no dia a dia da
gestão. Foi isso que estancou a evasão e
criou condições para retomarmos o crescimento”,
explica. A entidade finaliza o
Esse movimento buscou fortalecer a
base de agências representadas e associadas
voluntariamente, além de reorganizar
a operação para entregar valor
prático ao mercado.
Queiroz destaca que o avanço dessa
integração se apoiou em workshops de
capacitação, eventos voltados ao desenciclo
com 1.350 agências sindicalizadas,
850 associadas e cerca de 200 lideranças
envolvidas em projetos nacionais.
Esse fortalecimento operacional
sustenta a atuação do sistema em três
frentes: a defesa do setor em pautas
regulatórias e legislativas; a mobilização
e articulação nacional, que conecta
Sinapros, lideranças e agências; e o fomento
à transformação do negócio, com
programas de inteligência, capacitação
e suporte estratégico. Integrados a essa
agenda estão iniciativas como o Paper
Transforma, a pesquisa Vanpro, o método
de gestão P4C2, a sondagem de remuneração,
o Festival Nacional da Propaganda,
os debates do Chacoalha e do Dica Legal,
a modernização das listas referenciais
de preço e a Central de Licitações, entre
outras atuações.
Um dos destaques apontados por
Queiroz foi a atuação do Sistema Nacional
das Agências de Propaganda no
acompanhamento da reforma tributária,
oferecendo orientações práticas e
materiais de apoio para que as agências
possam se preparar para as mudanças
previstas.
GoverNaNça e traNsição
Para sustentar esse ecossistema, a
Fenapro estruturou o Sinapro Academy,
programa de capacitação de lideranças
associativas, que inclui o Fortômetro,
conjunto de KPIs criado para orientar o
fortalecimento dos sindicatos estaduais.
Segundo a entidade, a maior integração
entre os Sinapros espalhados pelo
país é uma das conquistas mais relevantes
do ciclo recente.
O presidente será sucedido pela nova
diretoria que assume em janeiro de 2026.
Ana Celina Bueno será a primeira mulher
a presidir a Fenapro, ao lado de Juliano
Brenner Hennemann, que assume a vice-
-presidência.
Para Queiroz, a nova gestão herda um
sistema consolidado e o desafio de aprofundar
os programas existentes e avançar
em novas frentes. “A próxima gestão
está conectada com esse processo e preparada
para dar continuidade. O setor ganha
quando o envolvimento associativo
se fortalece”, afirmou.
34 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
mercado
Em meio à onda global de centralização,
país é destaque com agências full service
Movimentos de holdings globais acompanham modelo de agências
na publicidade brasileira, sustentado por normas e regulamentação
Bruna Nunes
O primeiro semestre de 2025 registrou R$ 11,93 bilhões em compra de mídia com alta de 12,52% em relação a 2024
Luiz Lara: “Brasil construiu um ecossistema único”
Alê Oliveira
Em maio deste ano, o WPP anunciou a criação da
WPP Media, nova vertical global que substitui
a GroupM. A estrutura gerencia mais de US$ 60
bilhões em investimentos anuais em mídia e atende
mais de 75% dos principais anunciantes do mundo,
em mais de 80 mercados, reunindo serviços de criação,
dados, produção e entrega personalizada por
meio da WPP Open, plataforma de inteligência artificial
da holding.
A movimentação acendeu uma possível tendência
internacional de centralização das operações. Esse redesenho
global, no entanto, contrasta com a configuração
brasileira, que historicamente já é baseada na integração
entre criação, mídia e estratégia dentro das próprias
agências.
No país, os resultados são positivos, já que dados do
painel Cenp-Meios mostram uma expansão contínua do
investimento publicitário. O primeiro semestre de 2025
registrou R$ 11,93 bilhões em compra de mídia, alta de
12,52% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A predominância do modelo integrado no Brasil
também é resultado de condições históricas e normativas.
Por décadas, o mercado operou sob a chamada
“regra dos 20%”, modelo em que os veículos remuneram
as agências com uma comissão equivalente a
20% do investimento em mídia. Mesmo sem uma lei
específica, esse padrão consolidou a lógica de que
criação e mídia devem atuar juntas, e parte da ideia
de que se a remuneração depende diretamente da
concepção, do planejamento e da execução da veiculação,
faz sentido que essas atividades estejam dentro
de um mesmo processo.
Esse sistema evoluiu ao longo do tempo. Em 2019, o
Cenp (Fórum da Autorregulação do Mercado Publicitário)
atualizou o Anexo B das Normas-Padrão, ampliando
a parcela negociável do desconto-padrão — a parte que
pode ser devolvida ao anunciante mediante acordo comercial.
A mudança formalizou faixas de negociação que
variam conforme o volume investido e podem chegar a
10%. A atualização reconheceu práticas que já vinham
sendo adotadas no mercado privado e trouxe maior
transparência às relações comerciais, sem modificar a
estrutura integrada que caracteriza o sistema brasileiro.
Essa organização é sustentada pelas Normas-Padrão
da Atividade Publicitária, que formalizam o papel das
agências na criação, planejamento, produção e distribuição
da propaganda. É nesse ambiente que a integração
entre áreas vem se mantendo competitiva, mesmo diante
das transformações impostas por tecnologia, dados e
novos comportamentos de consumo.
Para Luiz Lara, presidente do Cenp, essa configuração
não é apenas um traço histórico, mas um fator que ajudou
a moldar a identidade do mercado brasileiro. Lara
explica que essa integração foi moldada por uma relação
próxima entre anunciantes, agências, veículos e elos
digitais. Ele afirma que “esse arranjo deu credibilidade
à propaganda brasileira e pavimentou sua excelência a
ponto de ser uma das três melhores do mundo. O Brasil
construiu um ecossistema único, em que criação e mídia
nasceram juntas dentro das agências”, o que favoreceu
um processo integrado capaz de responder com agilidade
às demandas dos anunciantes. “Ao longo das últimas
Unsplash
décadas, este modelo se consagrou muito bem-sucedido
ao permitir uma integração maior no desenvolvimento
de soluções criativas e de negócios para as demandas
dos clientes, em um cenário de maior complexidade e
novos hábitos de consumo de mídia”, diz.
AUTORREGULAÇÃO
O executivo destaca ainda que a autorregulação teve
papel essencial nessa trajetória. “A autorregulação foi
e continua sendo de fundamental importância para sedimentar
as bases de um mercado próspero do ponto
de vista das relações comerciais, como é a publicidade
brasileira”, afirma. Segundo ele, o sistema estabeleceu
transparência e equilíbrio entre agências, anunciantes,
veículos e elos digitais, permitindo que o formato integrado
evoluísse sem perda de eficácia.
Embora reconheça que o setor enfrenta novos desafios,
impulsionados por dados, tecnologia e inteligência
artificial, Lara vê continuidade na competitividade do
modelo local. “O modelo brasileiro continua competitivo
porque integra disciplinas e mantém a visão holística da
comunicação”, observa. Ele ressalta que há diversidade
de arranjos e preferências entre anunciantes, mas que a
discussão central permanece.
“O futuro está sempre em discussão, de forma ética,
livre e transparente, já havendo anunciantes que preferem
comprar mídia e criação separadamente. A questão
que sempre será debatida é a busca dos melhores resultados,
da maior eficácia na aplicação das verbas, da
sinergia trazida pelo modelo integrado.”
O panorama reforça o ‘full service’ como uma estratégia
e diferencial competitivo das agências brasileiras,
em relação ao mercado global.
36 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
mercado
Lógica de agências integradas ganha
força em cenário de atenção fragmentada
Ter a criação e a mídia sob a mesma estrutura favorece o alinhamento
de ideias, traz maior precisão estratégica para o negócio e elimina silos
Unsplash
Agências brasileiras comprovam por que o modelo full service, com mídia e criação integradas, continua sendo visto como um diferencial competitivo
Bruna Nunes
Em um momento em que grupos
globais como o WPP avançam na
possibilidade de centralizar as suas
operações de mídia nas próprias estruturas,
agências brasileiras mostram
por que o modelo full service continua
sendo visto como um diferencial competitivo.
Sergio Gordilho, sócio, copresidente e
CCO da Africa Creative, resume o espírito
desse modelo ao dizer que “o sucesso e a
vantagem competitiva da indústria criativa
brasileira tão cantados, celebrados e
invejados lá fora certamente nascem de
uma fórmula que para o mundo soa revolucionária,
mas que para nós é apenas
lógica: o modelo full agency”.
Na visão dele, trata-se de um arranjo
em que “uma agência full service é o
motor que entrega, ao mesmo tempo,
criatividade com lastro, dados com alma
e velocidade de reação impulsionando
transformações sociais e econômicas,
dando asas para marcas brasileiras se
tornarem globais e transformando marcas
em grandes marcas”.
Assim como bem destaca Gabriela
Amato, CMO da VML Brasil, a visão brasileira
foi à frente do seu tempo. O modelo
full service se consolidou no Brasil por
uma visão integrada e, para a época, moderna,
afinal, a atividade publicitária começou
a ser formalizada ainda nos anos
1960. A Lei nº 4.680/65 e o Decreto nº
57.690/66 estabeleceram diretrizes formais
para a atividade de criar, planejar e
distribuir a propaganda. Para Gabriela, “o
mercado brasileiro sempre teve uma característica
muito forte de colaboração
e adaptabilidade”, e a integração é um
reflexo disso. “Um modelo que elimina
silos e permite que as equipes trabalhem
de forma mais coesa, entregando resultados
mais consistentes e alinhados aos
objetivos de negócio dos clientes”, sintetiza
ela.
Marcelo Namura, sócio e co-CEO da
Bold, lembra o papel da autorregulamentação
para a origem do modelo. “Apesar
de um motivador legal e regulamentar,
o modelo de formação das agências no
Brasil – como intermediária – trouxe ganhos
para o desenvolvimento notório da
publicidade no país, uma vez que o modelo
estratégico permeia uma construção
unificada entre canal e mensagem
alinhadas ao objetivo do negócio”, analisa
o executivo.
“A fórmula que
para o mundo soa
revolucionária,
para nós é lógica:
full agency”
38 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
Rodrigo Pirim/Divulgação Africa Creative
Fotos: Divulgação
Gabriela Amato: “Um modelo que elimina silos”
Sergio Gordilho: “Desafiar padrões e formatos”
Andreia Abud: “Tornou-se parte da cultura do mercado”
Claro, a sustentação não vem só das
normas — apesar de sua indiscutível
importância. Regina Ponte, diretora de
mídia da Publicis, reforça que a fluidez
entre áreas se tornou essencial em um
ambiente globalmente fragmentado.
“A ideia precisa nascer já conectada
ao contexto de mídia, e a mídia precisa
responder ao storytelling para gerar relevância”,
afirma. Do ponto de vista das
relações entre as frentes envolvidas, Andreia
Abud, vice-presidente de mídia da
Lew’Lara\TBWA, lembra que a indústria
se formou em torno de relações muito
próximas entre clientes, agências e veículos.
Essa convivência, aponta ela, fez
com que criação e mídia crescessem lado
a lado, compartilhando o mesmo briefing
e a mesma lógica de planejamento,
o que resulta no mesmo entendimento
do consumidor. “Essa convivência contínua
gerou um tipo de colaboração que
se tornou parte da cultura do mercado e
se tornou uma vantagem competitiva: as
ideias passam a nascer já conectadas a
formatos”, resume.
Sintetizando a reflexão, Thomas Tagliaferro,
copresidente e COO da DM9,
afirma que integrar criação e mídia virou
uma vantagem natural, ao ponto de o
mercado aprender que “o meio também
é parte da ideia”.
JEITO BRASILEIRO
Para além da agilidade de uma operação
integrada, o Brasil entra no radar
por outros diferenciais e características
próprias, marcadas pela proximidade
entre disciplinas e pela capacidade de
traduzir cultura em soluções integradas.
Manir Fadel, CEO da Grey, lembra que trabalhou
no mercado internacional, e ‘sentiu’
a diferença no modelo desintegrado.
“O modelo brasileiro é invejado lá fora
“Essa convivência
diária criou
uma espécie de
‘sintonia fina’
entre as duas
disciplinas”
porque permite contratar melhores talentos,
promove a integração estratégica
e criativa entre a mídia e todos os departamentos,
gerando ideias e soluções de
negócios mais inovadoras e, principalmente,
evita o conflito de objetivos que
existe entre duas empresas diferentes.
O modelo brasileiro é colaborativo, evita
desalinhamento, traz mais profundidade
e agilidade”, destaca ele.
Diego Alonso, copresidente da BETC
Havas, interpreta que o modelo atende
às especificidades brasileiras. “Ele se
consolidou porque o mercado precisava
de velocidade, coordenação e uma visão
unificada do consumidor, algo muito crítico
em um país de tamanho continental
e com grande complexidade sociocultural”,
avalia. Esse contraste aparece de forma
ainda mais clara quando o executivo
compara a realidade brasileira com a de
outros centros globais, como Europa e
Estados Unidos.
Chief media officer da GUT, Douglas
Silveira também pontua a combinação
entre contexto e cultura, acrescentando
a combinação de fatores históricos,
culturais e econômicos. “O Brasil amadureceu
como uma indústria em que
criatividade e mídia sempre caminharam
juntas, e essa proximidade acabou virando
um diferencial competitivo do país”,
refletiu.
Paulo Sanna: “Veículos resistiram fortemente à separação”
Regina Ponte: “A mídia precisa responder ao storytelling”
OPERAÇÃO
Nas discussões sobre o papel da mídia
dentro desse modelo, muitos executivos
reforçam sua função como tradutora
de comportamento. Se ser diferente já
explica parte de sua força, a lógica operacional
brasileira mostra que funciona
na prática. À medida que criação e
mídia passam a trocar entre si desde o
primeiro passo, as decisões deixam de
jornal propmark - 8 de dezembro de 2025 39
Fotos: Divulgação
Diego Alonso: “Resultado sempre foi mais pragmático” Douglas Silveira: “Um diferencial competitivo do país” Manir Fadel: “O modelo brasileiro é invejado lá fora”
ser sequenciais e passam a acontecer no
mesmo ritmo.
A percepção de que a fragmentação
pode gerar mais burocracia é compartilhada
entre os líderes. Thomas Tagliaferro
observa que o mercado aprendeu, na
prática, que a mídia não é a etapa posterior,
mas parte da própria concepção.
Quando esse fluxo se fragmenta, afirma
ele, “perde velocidade, repete briefing e
cria ruído”. “No modelo integrado, tudo
conversa desde o início: dados, ideia e
distribuição. O resultado é menos fricção
e mais inteligência e criatividade aplicada
direto na solução”, detalha.
Na visão de Douglas Silveira, a integração
operacional é justamente o que
impede que a mensagem chegue desalinhada.
“Na GUT esse pensamento faz
parte da nossa cultura. Mídia participa
desde o início do processo criativo, influenciando
desde o diagnóstico até a
escolha dos formatos e plataformas. Isso
garante que as ideias sejam pensadas
para o comportamento real das pessoas
em cada canal, e não adaptadas depois.
O resultado é um trabalho mais estratégico,
mais eficiente e com maior impacto
no mercado”, conta ele.
Marcelo Namura vê a mídia como
“um grande gerador de insights”. “A mídia
tem capacidade de alimentar todas
as áreas da agência com insights, seja
através de estudos de mercado, como
hábitos e comportamentos do consumidor
através de plataformas digitais”, disserta.
Compartilhando do mesmo ponto
de vista, Mauro Ramalho, CCO da Publicis
Brasil, ainda destaca que esses insights
de comportamento são, muitas vezes, o
ponto de partida para gatilhos criativos.
“Quando analisamos métricas, buscas,
padrões de navegação e engajamento,
encontramos sinais claros do que mobiliza
as pessoas. Por isso, a Publicis tem
uma área de dados muito próxima aos
times de mídia, capaz de transformar
esses sinais em oportunidades criativas
concretas”, exemplifica ele.
O executivo também destaca a situação
contrária. “Também vemos ideias
criativas influenciando o desenho de
mídia”. Para exemplificar, ele relembra
dois cases: Em ‘Receitas inesquecíveis’,
o insight sobre o vínculo afetivo das receitas
deu origem à ideia e orientou a arquitetura
de mídia. Em ‘Dor de placa’, foi
a criação que puxou a mídia: a proposta
de transformar placas em um ativo responsivo
exigiu repensar o plano para que
reagisse às jogadas em tempo real.
Esse movimento bidirecional aparece
também na visão de Sergio Gordilho. “Os
insights de comportamento que emergem
da mídia são o oxigênio que ativa
gatilhos criativos. A análise de dados em
tempo real revela padrões e tendências,
servindo como base para criar narrativas
que realmente ressoam com os consumidores
e impulsionam o engajamento”,
define o CCO da Africa Creative, que
continua: “As ideias criativas, por sua
vez, remodelam a arquitetura tradicional
de mídia, abrindo novas possibilidades
na segmentação e personalização de
mensagens, além de desafiar padrões e
formatos. Não sabemos como tudo isso
começou, mas sabemos que agora é assim.
Ainda bem”.
Na avaliação de Diego Alonso, esse
funcionamento integrado virou, ele próprio,
um ativo estratégico do mercado.
Para o executivo, a vantagem competitiva
brasileira fica evidente, pois “aprendemos
antes a trabalhar com dados, muito
antes de a IA colocar os dados no centro,
e o resultado sempre foi mais pragmático”,
o que fez com que “ideias criativas
“Sempre fomos
um mercado
profundamente
criativo, mas
também muito
guiado pelos
dados de mídia”
nascessem justamente do time de mídia”.
“Os criativos não querem só que falem
da campanha, eles perguntam e se
interessam também em como ela está
performando”, conclui.
vantagens e DesaFIOs
No recorte dos independentes, Paulo
Sanna, sócio e CEO da Mestiça, lembra
que o modelo integrado também avançou
por razões históricas. “O modelo full
service se consolidou no Brasil no fim
dos anos 1990 e 2000 porque os veículos
resistiram fortemente à separação entre
mídia e criação, criando barreiras comerciais
e operacionais para evitar a perda
de receita para birôs de mídia”, recorda.
Segundo ele, esse movimento foi reforçado
pelos próprios anunciantes, que
“valorizavam a eficiência de ter uma única
agência com visão total do negócio”
e percebiam maior transparência, “já que
no Brasil não há revenda de mídia”.
A dimensão citada por Sanna também
dialoga com o diagnóstico de Regina
Ponte, para quem a integração brasileira
tem raízes profundas em um mercado
simultaneamente criativo e orientado a
dados. Ela destaca que, por décadas, as
agências trabalharam conectadas aos indicadores
das mídias tradicionais, como
TV aberta, rádio, OOH, o que aproximou
ainda mais criação e mídia no dia a dia.
“Sempre fomos um mercado profundamente
criativo, mas também muito
guiado pelos dados de mídias tradicionais.
Essa convivência diária criou uma
espécie de ‘sintonia fina’ entre as duas
disciplinas, que acabou virando uma
vantagem competitiva do mercado brasileiro”,
disserta Regina. “Com o passar
do tempo, essa integração se mostrou
ainda mais valiosa. Ter criação e mídia
trabalhando no mesmo ambiente, olhan-
40 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Thomas Tagliaferro: “O meio também é parte da ideia” Marcelo Namura: “Um grande gerador de insights” Mauro Ramalho: “Oportunidades criativas concretas”
do para os mesmos desafios, trouxe uma
agilidade enorme, algo fundamental em
um país tão diverso e com uma jornada
de consumo de meios cada vez mais
fragmentada como o Brasil”, conclui.
Marcelo Namura, da Bold, observa que
a separação entre estruturas “coloca novas
camadas no processo”, o que exige
maior capacidade de orquestração por
parte dos anunciantes. Para ele, a fragmentação
pode aproximar equipes altamente
especializadas, mas “necessita de
maior gestão e consequentemente encarece
o projeto”. Sanna complementa ao
dizer que o modelo separado “faz sentido
apenas para os maiores anunciantes,
que demandam alto nível de sofisticação
e otimização de mídia”, enquanto, para a
maioria, tende a aumentar a complexidade
e reduzir a eficiência.
Todavia, vale refletir que, apesar das
inúmeras vantagens de uma agência de
serviços completos, contar com uma ajuda
‘de fora’ também tem seu valor. Regina
traz esse contraponto ao reconhecer
que o modelo fragmentado também
pode ser altamente eficaz para determinados
anunciantes.
“Entendo que as marcas têm necessidades
específicas e níveis de maturidade
distintos, e que diferentes modelos
podem fazer sentido dependendo do
contexto. Não existe uma única fórmula:
cada arranjo traz pontos fortes e
desafios. Nosso papel como parceiros é
identificar esses desafios e construir soluções
que preservem a fluidez, a clareza
estratégica e a eficiência, independentemente
do formato escolhido”, pondera
Andreia Abud.
NOVOS PLAYERS
Se, até aqui, há consenso sobre a força
do full service, o avanço de estruturas
“0 mercado
brasileiro
é diverso o
suficiente para
comportar ambos
os formatos”
especializadas provoca uma segunda
camada de debate — menos sobre enfraquecimento
e mais sobre ‘até onde’
esse movimento tensiona o sistema já
consolidado.
Entre as agências entrevistadas, há
quase um consenso que a entrada de
players focados em mídia eleva o patamar
técnico, especialmente em dados,
performance e automação. Gabriela
Amato, por exemplo, enxerga o movimento
como um reflexo direto da sofisticação
do ecossistema.
Em sua visão, “a chegada de agências
especializadas em mídia é um reflexo da
complexidade crescente do ecossistema
digital e da necessidade de expertise técnica
em áreas específicas” e usa o caso
de estruturas robustas como as do WPP
como norte para sua conclusão.
“Para grandes estruturas como o
WPP, que entregam soluções de ponta a
ponta, esse cenário não é negativo; pelo
contrário, reforça a necessidade de excelência
especializada que já possuímos”,
exemplifica.
Douglas Silveira vai pelo mesmo caminho,
mas com uma nuance importante:
para ele, especialização não substitui,
mas complementa a lógica integrada.
“Isso não muda a essência do que acreditamos:
eficácia criativa nasce do encontro
entre estratégia, comportamento,
criatividade e mídia. Agências que operam
integradas tendem a se tornar parceiras
de crescimento. Esse é o lugar que
buscamos com a GUT”, diz.
No ponto de vista de Paulo Sanna, a
coexistência já é parte natural do sistema.
As duas forças convivem não por disputa,
mas porque “o mercado brasileiro
é diverso o suficiente para comportar
ambos os formatos”, diz o CEO da Mestiça.
Marcelo Namura e Manir Fadel admitem
que a ‘terceirização’ pressiona, sim,
as operações integradas, mas de maneira
saudável. “Como toda mudança, o
impacto de agências especializadas gera
um significativo efeito nas agências integradas,
obrigando-as a buscarem maior
expertise em uso de dados e tecnologia.
Isso acaba sendo um investimento mais
intenso, mas ao mesmo tempo saudável
para o desenvolvimento do mercado”, resume
o co-CEO da Bold.
Ainda entre as tantas leituras, há também
discordâncias mais duras, como a de
Diego Alonso, que é direto: “A ideia pode
ser brilhante, a estratégia excelente, mas
não se transforma em experiência real se
não nasce integrada”. “No fim das contas,
o anunciante que ainda separa criação e
mídia — eu também acrescentaria produção
— acaba competindo com uma
desvantagem estrutural. Hoje, a atenção
se ganha e se otimiza com integração,
não com silos”, aponta.
Por fim, Gordilho lembra que o país
sempre conviveu bem com o novo — e,
mais do que isso, encontra maneiras de
tropicalizar processos, tecnologias e metodologias
sem perder sua identidade.
“Agências especializadas trazem novas
técnicas, processos eficientes e ferramentas
tecnológicas que beneficiam
nosso mercado como um todo”, diz.
Para ele, a chegada desses players é
menos uma ameaça e mais um combustível
para reinvenção. No entanto, para o
executivo da Africa Creative, talvez a pergunta
final seja outra. “Será que as agências
especializadas também estariam
dispostas a aprender com nosso modelo
de sucesso? Afinal, dados são o petróleo,
mas as ideias são a gasolina e o dado
refinado. E é exatamente essa gasolina,
que faz o motor do mundo funcionar, que
eles não têm”, provoca ele.
jornal propmark - 8 de dezembro de 2025 41
produtoras
‘É uma preocupação muito grande
essa questão das produções in-house’
CEO da Apro (Associação Brasileira da
Produção de Obras Audiovisuais) e da
FilmBrazil, Marianna Souza faz na entrevista
a seguir um balanço de 2025
e fala sobre a realização do Whext,
que ocorre nesta segunda-feira (8),
no Masp, em São Paulo. A executiva
afirma que não foi um dos melhores
anos para a produção audiovisual
brasileira diante de desafios crescentes
como o uso de IA, a concorrência
com as produções in-house nas
agências e a informalidade do mercado,
com o surgimento das “microprodutoras”.
Ao mesmo tempo, destaca
a potência do audiovisual brasileiro,
que mostra sua força no mercado internacional.
Para ela, a liberdade criativa,
junto com a autenticidade, “é o
que vai fazer a diferença nesse tempo
em que as ideias estão cada vez mais
parecidas, meio homogeneizadas”.
Marianna Souza: “O mundo reconhece a potência do audiovisual brasileiro”
Alê Oliveira
Kelly Dores
2025
Foi um ano desafiador, porque a gente
teve uma presença mais ativa das
produtoras in-house, dentro dos grupos
e nas concorrências. Eu acho que isso
mudou a dinâmica do jogo. A gente teve,
bem ou mal, o início de produções 100%
produzidas com IA, que também mudaram
um pouco a dinâmica do jogo. Mas,
em compensação, tivemos a entrada de
investimento das plataformas de streaming,
enfim, de todas as possibilidades
de entretenimento que as produtoras
acabaram se debruçando e abrindo outras
frentes. Então, em resumo, não foi
o melhor ano de todos, certamente não.
Mas eu acho que foi um ano com saldo
positivo e a expectativa é que, em 2026,
a gente tenha um ano melhor. Estamos
avançando na aprovação do marco regulatório
do streaming no Congresso,
por exemplo. Tivemos uma vitória importante,
aprovando a redação do deputado
Luizinho no plenário geral da Câmara e a
expectativa é entrar em 2026 com esse
projeto aprovado (no Senado), o que vai
injetar um dinheiro novo no mercado. E
é um ano de Copa. Tradicionalmente, em
anos de Copa e Olimpíadas, o mercado
tem um volume maior de produções circulando.
Desafios
Falando dos desafios da produção
audiovisual nacional, eu acho que o primeiro
grande desafio é a aprovação do
marco regulatório do streaming. Eu acredito
que esse realmente será um divisor
de águas se a gente conseguir entrar
em 2026 com essa lei aprovada. Então,
eu acho que esse é o primeiro ponto. O
segundo ponto é a questão da IA, que
obviamente a gente ainda está entendendo
qual vai ser o impacto disso nas
produções. O mercado tende a achar que
vai ser uma ferramenta importante para
as produtoras, mas ao mesmo tempo as
produtoras que souberem utilizar vão
sair na frente. As produtoras que certamente
não utilizarem vão ficar para trás.
A qualificação das nossas produtoras é
um desafio interno também da Apro. E,
obviamente, todas essas questões relacionadas
à concorrência com produtoras
in-house nas agências.
TRaNsPaRÊNCia
O desafio é conseguir ter concorrên-
“O desafio é
conseguir ter
concorrências
mais
transparentes,
mais éticas”
42 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
cias mais transparentes, mais éticas,
respeitando questões e padrões mínimos
de transparência, para garantir que
o processo seja justo, com informações
igualitárias para todas as partes envolvidas.
Um grande desafio de mercado também
é evoluir em políticas de atração
de produções internacionais. A gente vê
outros países com políticas superagressivas.
E o Brasil tem iniciativas pontuais
no Rio, em São Paulo, mas, de fato, a gente
precisa de uma política nacional bem
agressiva para conseguir atrair mais
produções para o país. Entrar no mapa
de verdade, que eu acho ser um ponto
importantíssimo para conseguir alçar
voos mais longos, quando a gente fala de
produção internacional aqui.
POTÊNCIA AudIOvIsuAl
Por outro lado, o mercado brasileiro é
muito sólido e consistente. A gente tem
toda uma estrutura, vamos dizer assim,
organizacional, muito bem construída,
do ponto de vista técnico. Temos uma
equipe técnica extremamente qualificada,
tanto é que muitos hoje trabalham
fora. É comum a gente ver diretores de
fotografia, diretores de arte e montadores
trabalhando em outros mercados,
como Estados Unidos e Reino Unido, que
são extremamente exigentes. A gente vê
hoje a presença de profissionais brasileiros
nesses mercados, o que comprova
que a nossa equipe realmente está num
nível de qualificação muito alto e, acho,
com bons projetos rolando. Não só na
publicidade, mas no entretenimento
também. Vamos lembrar que foi o ano
que o Brasil trouxe o primeiro Oscar (com
‘Ainda estou aqui’) e o Globo de Ouro de
atriz para a Fernanda Torres. Então, acredito
que a gente vive hoje um momento
de mercado muito bom, muito positivo,
e o mundo reconhece a potência do audiovisual
brasileiro. Eu acho que agora o
desafio é conseguir manter essa onda,
continuar surfando essa onda. Agora, temos
o filme ‘O agente secreto’, com Wagner
Moura, com tantas críticas positivas,
além de séries feitas no Brasil ganhando
primeiro lugar em audiência. A gente
acredita que tem muito potencial.
merCAdO INTerNACIONAl
No mercado internacional, as produtoras
conseguem ter uma margem de
negociação melhor, enfim, em termos
de condição de pagamento, condições
de trabalho mesmo, de cronograma e
tudo mais. Além disso, estamos vendo
os trabalhos criativos das produtoras
serem reconhecidos fora. As produtoras
dão show, ganham prêmios em todos os
festivais para agências e clientes internacionais.
AuTeNTICIdAde
Falta o mercado voltar a fazer campanhas
em que os clientes se coloquem
em uma posição mais de risco, porque
acho que está todo mundo com tanto
receio de fugir da receita do bolo, todo
mundo quer ter uma previsibilidade muito
grande ao se abraçar nos números e
nas métricas. E a criatividade é um lugar
intangível, é um lugar que a gente, infelizmente,
não tem como mensurar. A
liberdade criativa, junto com a autenticidade,
é o que vai fazer a diferença nesse
tempo louco que a gente vive, em que
as ideias estão cada vez mais parecidas,
meio homogeneizadas. É sair um pouco
dessa linha traçada. Os clientes que entenderem
isso e souberem utilizar esse
lugar do desconhecido a seu favor, sem
dúvida nenhuma vão se destacar.
PrOduções IN-hOuse
Para a Apro é uma preocupação muito
grande essa questão das produções
in-house. Primeiro, por causa da questão
de transparência, que é um ponto que a
gente vem batendo bastante na tecla.
Hoje em dia, infelizmente, existem alguns
casos em que essa transparência
não existe. Temos questões em relação
à parte ética do processo. É muito delicado
quando você tem a mesma figura
que trabalha na agência como produtor
também. Fora isso, há as preocupações
de mercado mesmo. Essas produtoras
in-house miram muito numa fatia de
filmes, do ticket médio, de até R$ 500
mil, que as produtoras utilizavam para
formar gente nova, para trabalhar novos
talentos, novos diretores. Hoje esses
trabalhos não existem mais, ou seja, ninguém
está tendo espaço nem caixa para
formar gente nova. É uma preocupação
mesmo a médio e longo prazo de quem
serão os diretores que teremos no mercado.
Porque, no fim do dia, o DNA (das
in-houses) é outro. Enfim, não tem essa
responsabilidade e esse compromisso na
formação de talentos, coisa que nossas
produtoras sempre tiveram. Isso é o que
diferencia uma produtora da outra, são
os talentos que estão ali dentro e sendo
trabalhados. Existe uma construção de
carreira que é feita pelas nossas produtoras.
E hoje é desafiador fazer isso, as
“Falta o mercado
voltar a fazer
campanhas em
que os clientes
se coloquem
em uma posição
mais de risco”
produtoras estão sofrendo. E essa conversa
precisa existir para que a gente
consiga achar formas de todo mundo habitar
o mesmo ecossistema e para que
esse ecossistema também sobreviva a
médio e longo prazo.
mICrOPrOduTOrAs
Hoje a Apro tem 130 produtoras, entre
Apro e FilmBrazil, ou seja, também contamos
as produtoras de áudio que estão
aqui dentro. Ficamos felizes de ver o tamanho
e a importância que a Apro vem
tendo ao longo dos últimos anos. É uma
associação que há dois anos completou
50 anos. Seguimos aqui firmes e fortes.
Há algum tempo a Ancine (Agência Nacional
do Cinema) soltou uma pesquisa
falando que eram 10 mil produtoras com
registro no Brasil, mas a gente não tem
esse número ao certo. E temos ainda o
fenômeno das microprodutoras, que é o
mercado tentando se reinventar no fim
do dia. Ou seja, as produtoras diminuindo
estruturas para tentar deixar o processo
mais leve, menos custoso, para poder caber
nos orçamentos de hoje em dia dos
clientes.
INfOrmAlIdAde
A informalidade prejudica muito porque
o mercado audiovisual, por mais que
seja um mercado informal, no sentido de
um mercado criativo e tudo mais, tem
questões legais que são importantíssimas
e precisam ser observadas. Hoje,
temos uma convenção coletiva do trabalho,
um piso remuneratório que precisa
ser respeitado e a contratação obrigatória
do seguro de acidentes pessoais que
também precisa ser respeitada. Existe
uma série de questões de direitos, enfim,
não só dos atores, mas da parte criativa
do filme e diretor, por exemplo. Existe
uma legislação no Brasil que protege
essas pessoas. Então, é muito delicado
quando a gente vê que existem produtoras
completamente informais atuando
e grandes clientes contratando essas
produtoras. Para a gente é um risco reputacional,
pois pode ocorrer um acidente
e essa produtora não ter seguro para
cobrir os danos, por exemplo. A gente
sempre estimula os clientes e agências a
contratarem produtoras que sejam confiáveis,
que tenham lastro.
esG
Criamos a plataforma Reframe de ESG
(que calcula as emissões de carbono das
produções audiovisuais) com indicadores
de governança que passam muito
pelas formalidades que são obrigatórias.
Os clientes que forem utilizar essa plataforma
como compliance para as contratações
das produtoras também vão ter
visibilidade do que está sendo cumprido
pela produtora. Se a produtora está
cumprindo todos os itens, vai ter uma
pontuação ESG elevada no indicador de
governança. Se não cumprir, ficará com
pontuação mais baixa. Isso ajudará muito
os clientes, porque hoje é complexo
ter acesso a essa informação já que ela
não é transparente. A plataforma Reframe
vem para ajudar, inclusive na questão
de formalidade do mercado mesmo.
WheXT
Para 2026, seguimos com as parcerias
com os festivais internacionais, como
Cannes, Ciclope e D&AD, e o ano promete
ser agitado e animado. Estamos animados
para o Whext 2025 (que ocorre no dia
8 de dezembro, no Masp, em São Paulo).
O festival é sempre um marco importante
para a Apro e para nossos associados.
É um momento de reflexão e de balanço
do mercado. Ao longo do dia teremos painéis
que vão tratar de questões latentes
no dia a dia das produtoras. E, no final,
teremos a grande celebração dos profissionais
e técnicos que se destacaram no
ano. É legal poder dar visibilidade para
as pessoas que estão atrás das câmeras,
sobretudo agora, em tempos de IA, que a
gente sabe que, enfim, existe um questionamento
se os técnicos vão continuar
existindo ou não. A gente entende que
vai precisar deles. Mesmo com IA, essas
figuras são importantíssimas porque
elas dão o tom do filme. Enfim, poder
fazer essa homenagem e celebrar a importância
deles no processo é incrível, é
impagável, é uma grande satisfação.
jornal propmark - 8 de dezembro de 2025 43
prêmio anj
Reconhecimento destaca Palavra Aberta
por sua defesa da liberdade de imprensa
Evento celebrou jornais centenários, entregou prêmio ao instituto
e promoveu debate sobre IA e os caminhos do jornalismo brasileiro
Fotos: Alê Oliveira
Marcelo Rech, Francisco Mesquita Neto e Patricia Blanco durante evento na ESPM Tech
Marta Gleich, Alan Gripp, Eurípedes Alcântara, Sergio Dávila e Patricia Blanco em painel
Adrieny Magalhães
A
Associação Nacional de Jornais
(ANJ) entregou no último dia 4, na
ESPM Tech, em São Paulo, o Prêmio
ANJ de Liberdade de Imprensa 2025 ao
Instituto Palavra Aberta. O reconhecimento
marca a atuação da organização
ao longo dos últimos 15 anos na defesa
da liberdade de expressão, da integridade
da informação e da educação
midiática. A cerimônia também incluiu
a homenagem aos 13 jornais centenários
associados e um debate sobre os
impactos da inteligência artificial no
jornalismo.
Francisco Mesquita Neto, do Estadão e
vice-presidente da ANJ, responsável pelo
Comitê de Liberdade de Expressão, destacou
o papel do Instituto diante de um
cenário digital em transformação. Para
ele, o Palavra Aberta “defende de forma
incansável algo essencial para qualquer
sociedade que deseja permanecer livre
e avançar: as liberdades de imprensa
e de expressão, o direito de anunciar, o
acesso à informação e ao conhecimento,
e, sobretudo, a participação crítica e consultiva
em um ambiente online”.
A vice-presidente da ANJ e superintendente
da Folha de S.Paulo, Judith Brito,
que participou da criação do Palavra
Aberta, lembrou o contexto em que o Instituto
foi concebido. “Discutimos muito
a questão da liberdade ou das liberdades.
Não era só a liberdade de imprensa,
a liberdade de expressão, a liberdade
de opinião e a liberdade de anunciar”,
afirmou.
Ao receber o prêmio, Patricia Blanco,
presidente do Instituto Palavra Aberta,
abriu seu discurso lembrando a trajetória
da organização. “É uma alegria imensa
receber esse prêmio em nome do Palavra
Aberta e da minha equipe fantástica.
Fiquei impactada com o tamanho dessa
homenagem para um instituto que ainda
tem 15 anos”, celebrou.
Já a homenagem aos jornais centenários
foi marcada pelo discurso do
presidente-executivo da ANJ, Marcelo
Rech, que destacou a resiliência das marcas
históricas. “Para o jornal chegar a 100
anos, passar de 100 anos, é o reconhecimento
de que aquele patrimônio não
só foi validado pela comunidade, como
também se tornou uma alavanca fundamental
para o futuro”, afirmou.
A lista de veículos celebrados inclui
O Estado de S.Paulo (150 anos), A Tribuna
(131), Correio do Povo (130), A Cidade
On (120), Jornal do Commercio Manaus
(121), Cruzeiro do Sul (122), Gazeta do Povo
(106), Jornal do Commercio Recife (106),
Folha de S.Paulo (104), A Notícia (102), O
Globo (100), A Tarde (113) e Monitor Mercantil
(113).
IA nAs redAções
O evento encerrou com o painel ‘IA
e o futuro do jornalismo’, moderado por
Marta Gleich, diretora-executiva de jornalismo
e esportes do Grupo RBS, com participação
de Alan Gripp, diretor de redação
“O Palavra Aberta
defende de forma
incansável as
liberdades de
imprensa”
de O Globo; Eurípedes Alcântara, diretor
de jornalismo de O Estado de S.Paulo; Sergio
Dávila, diretor de redação da Folha de
S.Paulo, e Patricia Blanco.
Alan Gripp destacou que a adoção
das ferramentas exige regras claras. Ele
conta que o Grupo Globo definiu princípios
internos para orientar o uso das
tecnologias. “Jamais dispensar a supervisão
jornalística, a supervisão humana na
adoção de ferramentas de inteligência
artificial. Isso é uma cláusula pétrea”. O
executivo afirmou que o valor da IA aumenta
quando ela se conecta ao acervo
já produzido pelo jornal. “O que a gente
tem buscado é conectar essa força incrível
da inteligência artificial generativa
com o nosso acervo, porque a gente une
essa capacidade de gestão de dados com
a credibilidade que a gente construiu.”
Sergio Dávila classificou a postura da
Folha como de “entusiasmo crítico”. Para
ele, a tecnologia opera sempre olhando
para o passado: “A inteligência artificial
olha para trás, de hoje para trás. O papel
do jornalista também é esse em alguns
casos, mas também é olhar para o que
está ocorrendo lá fora nesse momento.
Isso a inteligência artificial não capta.”
Ele também citou desafios imediatos, especialmente
no contexto eleitoral. “Com
a inteligência artificial, a fake news ganha
um estado da arte na sua população.
Caberá aos jornalistas saber discernir o
que é fato, o que é criativo.”
Eurípedes Alcântara detalhou a política
do jornal para textos e imagens
gerados por IA. “No texto, você será o
autor de qualquer matéria que colocar
em qualquer canal do Estadão. Não interessa
quanto você usou das novas tecnologias.”
Para imagens, há uma diretriz
específica: “Não se usa inteligência artificial
para produzir imagens de eventos
reais.”
Patricia Blanco destacou a importância
do repertório crítico no uso das tecnologias.
Para ela, o letramento para IA
precisa integrar a educação midiática. “A
pergunta que você faz é extremamente
importante, mas a resposta é muito
mais. Se você não tiver repertório para
analisar se aquilo é correto ou não, você
pode até jogar as versões do PL, mas se
você não apurar se aquilo de fato aconteceu,
você vai dar uma informação errada”,
destacou a executiva.
44 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
marcas
Natal da Coca-Cola se desdobra em
ações digitais e experiências urbanas
Campanha inclui filme construído com IA, caravanas por todo o país,
chatbot no WhatsApp e experiências urbanas no Rio e em São Paulo
Adrieny Magalhães
A
Coca-Cola abriu oficialmente sua temporada de
Natal com um encontro para imprensa e criadores
de conteúdo em sua sede no Rio de Janeiro no
último domingo (30), seguido do acendimento da nova
árvore instalada na Enseada de Botafogo.
Na abertura do evento, Thaís Moraes, diretora de comunicação
da Coca-Cola para Brasil e Cone Sul, destacou
o significado simbólico da celebração em Botafogo. Ela
lembrou que o jantar de Natal promovido pela marca se
tornou um momento de agradecimento a parceiros e
um rito que reforça a associação histórica da empresa
com a data. “Nada mais Natal do que Coca-Cola”, afirmou,
observando que o espaço escolhido reforça o vínculo
entre a marca e a cidade que abriga sua sede nacional.
A campanha deste ano traz uma nova versão de ‘O
Natal vem vindo’, filme que retorna com elementos tradicionais
e inteligência artificial aplicada à criação. O
conceito central — ‘Pegue uma Coca-Cola. Entre no espírito
natalino’ — parte da ideia de desacelerar em meio
às pressões típicas de dezembro e valorizar momentos
simples do cotidiano. Em entrevista ao propmark, Catarina
Lopes, diretora de marketing da marca Coca-Cola
no Brasil, explicou que a proposta busca falar de forma
direta sobre a tensão entre a rotina acelerada e a expectativa
em torno da data.
“Estamos tentando trazer as pessoas para algo que é
relevante: agradecer não só o dia do Natal, mas os simples
momentos de cada dia”, disse.
As caravanas têm papel decisivo nessa construção.
Presentes em mais de 270 cidades, elas funcionam como
ponto de contato físico, especialmente em localidades
onde a chegada dos caminhões representa o principal
evento natalino para a comunidade. Catarina explica que
a escolha de centralizar a narrativa nas caravanas responde
à necessidade de conectar o plano global à realidade
brasileira. “As caravanas ajudam a gente a localizar
o plano. A mostrar que não temos só um filme global,
mas algo que acontece na televisão, nas redes sociais
e na vida real”, afirmou. O filme também resgata ícones
associados ao imaginário da marca, como o urso-polar,
além de outros personagens inspirados em elementos
típicos do inverno e das histórias natalinas.
A executiva reconhece que a expectativa em torno
da campanha aumenta o desafio de renovação anual.
“É um baita desafio. A gente tem toda essa tensão local
versus global, pensando no que é relevante para o
Brasil”, afirmou, ao comentar a insistência da operação
brasileira na manutenção de símbolos como Papai Noel
e a própria caravana.
Além do filme, a temporada inclui recursos digitais
voltados para ampliar o engajamento. O chatbot Nico,
no WhatsApp, funciona como “ajudante do Papai Noel”,
Árvore instalada na Enseada de Botafogo marca a abertura das ativações de Natal da Coca-Cola no Rio de Janeiro
“As caravanas ajudam a
gente a localizar o plano”
Catarina Lopes: filme com IA e papel das caravanas
Fotos: @raphaelurjais/Divulgação Coca-Cola
permitindo a criação de mensagens personalizadas e
papéis de presente customizados. Para Catarina, essas
ferramentas ajudam a aproximar o público e estendem
a experiência para além da mídia tradicional.
No Rio de Janeiro, a inauguração da árvore de 80
metros na Enseada de Botafogo representa uma nova
aposta da marca em experiências urbanas. O projeto,
desenvolvido em parceria com a SRCOM e a prefeitura,
busca transformar o espaço em um ponto de visitação
durante a temporada.
Em São Paulo, a tradicional árvore do Parque Villa-Lobos,
liderada pela Coca-Cola Femsa Brasil, chega à nona
edição com programação contínua até janeiro, reunindo
iluminação, carrossel imersivo e outras atrações.
As iniciativas de Natal também incluem ações de segurança
alimentar, conduzidas com apoio das engarrafadoras
e de organizações parceiras. Katielle Haffner, diretora
de sustentabilidade da Coca-Cola Brasil, reforçou
o papel desse eixo dentro da estratégia da marca. “Não
existe magia se não tem comida em volta da mesa”, afirmou,
ao apresentar projetos que beneficiam cozinhas
solidárias e iniciativas sociais como a parceria com o
Refeitório Gastromotiva.
Com a campanha, a Coca-Cola retoma seu principal
período do ano com a combinação de elementos que
tradicionalmente estruturam sua presença no imaginário
brasileiro, ao mesmo tempo em que adapta experiências
às dinâmicas atuais de consumo e convivência.
jornal propmark - 8 de dezembro de 2025 45
marcas
McDonald’s avança em marketing de ESG
e amplia autoprodução de energia solar
Rede reforça estratégia de transição energética e envolve franqueados
em projeto com a EDP, que vai abastecer 156 unidades no Brasil
Divulgação
Unidade do McDonald’s no Paraíso, em São Paulo, tem estrutura de madeira reflorestada como parte de seu projeto sustentável, que inclui composteira para resíduos orgânicos
Vitor Kadooka
O
McDonald’s amplia a integração entre sustentabilidade
e estratégia de marca, consolidando o
ESG como um eixo de comunicação e negócio no
Brasil. A plataforma institucional ‘Receita do Futuro’,
que organiza as frentes de clima, economia circular e
impacto social da Arcos Dorados, opera cada vez mais
como direcionadora de posicionamento.
Segundo Mariana Scalzo, diretora de comunicação da
divisão Brasil da Arcos Dorados, iniciativas com a EDP,
empresa portuguesa do setor elétrico, revelam esse
movimento. Para ela, a companhia entende que sua responsabilidade
é dupla: “Liderar pelo exemplo em nossas
operações próprias e impulsionar a transformação em
toda a nossa cadeia de valor, junto aos franqueados”.
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
Desde 2020, a Arcos Dorados vem incorporando
energia renovável à sua matriz e transformando esse
avanço em elemento de diferenciação competitiva e
reputacional. Começou com a entrada no Mercado Livre
de Energia, avançou para o abastecimento renovável de
80 restaurantes e alcançou hoje 96% de uso de energia
limpa nas unidades próprias.
O caminho também gerou conteúdos, relatórios e comunicações
alinhadas ao posicionamento ESG da marca.
“Iniciativas como essas mostram, na prática, o que é a
Receita do Futuro: trabalhar para entregar valor hoje,
enquanto construímos um caminho cada vez mais inovador,
eficiente e alinhado às expectativas da sociedade
e de nossos clientes”, afirma Mariana.
A companhia ainda mapeou o consumo energético
dos restaurantes em shopping centers e incorporou certificados
I-REC para consolidar a participação renovável
na matriz.
Para a executiva, o desempenho no Brasil tem papel
central dentro do grupo. “Graças ao desempenho sólido
do Brasil e ao seu compromisso, a Arcos Dorados deu um
passo significativo em sua jornada de energia limpa.”
PARCERIA REFORÇADA
O novo acordo com a EDP amplia esse storytelling de
sustentabilidade. Em outubro, 38 franqueados aderiram
ao modelo de autoprodução de energia solar, com fornecimento
por 12 anos a partir do complexo Novo Oriente,
em Ilha Solteira (SP). A energia atenderá 156 unidades
da rede no Sudeste e no Sul, com emissão anual de mais
de 61 mil certificados I-REC e redução estimada de 3 mil
toneladas de CO2.
Mariana reforça que o valor dessa iniciativa vai além
do impacto energético: “Esse movimento coletivo, que
une nossa liderança em energia limpa com o engajamento
de nossos parceiros, pode ser inspiração para todo o
setor”. A executiva destaca que inovação e responsabilidade
compartilhada são elementos que sustentam o
avanço da agenda ESG no varejo e no franchising.
COMUNICAÇÃO
A comunicação da parceria foi desenhada de forma
conjunta pelas empresas desde o planejamento até a
divulgação. O objetivo é reforçar o alinhamento entre a
narrativa da marca e ações de impacto real, evitando o
distanciamento entre discurso e prática.
“A ação teve como propósito dar visibilidade ao projeto
em âmbito nacional e internacional”, explica Mariana.
A comunicação foi integrada à plataforma Receita do
Futuro e destaca como a parceria contribui para metas
mensuráveis de sustentabilidade.
Para ampliar o alcance, agências parceiras da Arcos
Dorados atuam regionalmente nos estados envolvidos.
A Galeria.ag, agência de publicidade do McDonald’s no
Brasil, acompanha a agenda institucional. A companhia,
porém, não detalha cronogramas e reforça apenas que a
plataforma “está sempre na agenda”.
46 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
NO FRANCHISING
O movimento do McDonald’s se alinha à transformação
vista no varejo e no franchising. A Associação Brasileira
de Franchising (ABF) avalia que energia renovável
e eficiência energética deixaram de ser iniciativas pontuais
e passaram a integrar os planos estratégicos das
redes — impulsionados por custos, competitividade e
expectativas de consumidores.
Rodrigo Abreu, diretor de marketing e comunicação
da ABF, observa que o setor vive um processo de amadurecimento
acelerado, em que práticas de eficiência
começam a ganhar escala por meio de ações coletivas.
“Iniciativas como a dos franqueados do McDonald’s ajudam
a puxar a régua do setor, mostrando que é possível
conciliar sustentabilidade, eficiência de custos e inovação
em modelos coletivos de contratação”, afirma.
Ele explica que, no franchising, esse tipo de projeto
distribui risco entre os franqueados, amplia poder de negociação
e incentiva soluções padronizadas que podem
ser replicadas em diferentes praças.
Entre as tendências identificadas pela entidade estão
a contratação coletiva de energia, parcerias estruturadas
com empresas do setor elétrico, pacotes turnkey
de eficiência e uso estratégico dessas ações na comunicação
das marcas.
O avanço no franchising também acompanha um movimento
mais amplo do mercado corporativo. Um estudo
da McKinsey & Company (2025) aponta que, entre 89
grandes empresas globais, a mediana de indicadores de
Rodrigo Abreu, da ABF: saindo de ações pontuais
Divulgação
Fernando Ctenas/Divulgação Arcos Dourados
Mariana Scalzo, da Arcos Dorados: entregar valor
ESG monitorados por executivos de C-level cresceu para
100 KPIs, um aumento de cerca de 30% desde 2018. Indício
de que a sustentabilidade deixou de ser um discurso
e passou a ser medida de forma estruturada.
Para a ABF, a consolidação dessas práticas deve acelerar
a adoção de novos projetos no varejo e no franchising.
“Estamos saindo de ações pontuais para um estágio
em que energia renovável e eficiência energética
entram definitivamente no planejamento estratégico
das marcas”, conclui Abreu.
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jornal propmark - 8 de dezembro de 2025 47
negócios &
sustentabilidade
Alê Oliveira
Como transformar a
reciclagem no Brasil
Ricardo Esturaro
é escritor, administrador de empresas
e especialista em marketing, estratégia
e sustentabilidade
ricardo@esturaro.com
Ricardo Esturaro
A
gestão de resíduos no Brasil exige uma transformação
cultural urgente. Não se trata apenas das
mais de 82 milhões de toneladas de lixo geradas
anualmente, mas do descuido cotidiano e de hábitos
de desperdício profundamente enraizados, visíveis
nas ruas e no descarte irregular.
Para mudar esse cenário, é preciso investir de forma
consistente em educação, cidadania e educação ambiental,
únicas vias capazes de transformar hábitos e
construir responsabilidade coletiva. O conceito japonês
de Mottainai, que valoriza os recursos e rejeita o desperdício,
pode ser uma referência poderosa.
Mottainai, que significa “não ao desperdício”, vai
além da eficiência no uso dos recursos. O conceito expressa
respeito pela natureza e pelo aproveitamento integral
do que se tem. Enraizado nas tradições budistas e
xintoístas do Japão, vê a natureza como algo sagrado, no
qual cada elemento possui uma essência (mottai) que
deve ser preservada.
As altas taxas de reaproveitamento de resíduos no
Japão refletem a integração dessa filosofia ao cotidiano.
A ideia de que cada resíduo tem valor e merece ser reaproveitado
é parte do ethos cultural japonês. Esse compromisso
aparece em diversas dimensões: na culinária,
onde o desperdício é considerado um sacrilégio, e nas
artes tradicionais, como o kintsugi, que restaura cerâmicas
com ouro, valorizando suas imperfeições. No Japão,
essa lógica permeia tudo: da alimentação à gestão dos
resíduos.
Os exemplos cotidianos dessa mentalidade também
impressionam. O Brasil, que desaprendeu a jogar bola
dentro de campo desde a Copa de 2002, poderia ao menos
aprender com a torcida japonesa o comportamento
nas arquibancadas. Sempre surpreendendo o mundo, os
torcedores se organizam, ao final dos jogos, para limpar
completamente o estádio. Um gesto simples que reflete
responsabilidade coletiva e cidadania, em que cada pessoa
sente o dever de zelar pelo espaço comum.
Por aqui, essa mentalidade ainda é exceção. E o
maior gatilho para uma transformação rumo à cidadania
e ao uso consciente dos recursos está na educação e nas
escolas. Elas são espaços estratégicos para formar uma
nova mentalidade ambiental e podem consolidar uma
cultura de não desperdício. Ao ensinar crianças e jovens,
influenciam também famílias e comunidades.
Mas, para que essa transformação ganhe escala,
é preciso investimento. E as empresas têm um papel
fundamental, não como patrocinadoras pontuais, mas
como parceiras estratégicas na construção de programas
permanentes. Ao apoiar iniciativas de educação
ambiental, as marcas associam seus valores a contribuições
concretas para a sociedade.
Mais do que uma questão ambiental, combater o desperdício
é um desafio econômico, social e ético. Em um
país de desigualdades profundas, adotar uma cultura de
uso consciente reduz custos, gera empregos, fortalece
cadeias produtivas e melhora a qualidade de vida nas
cidades.
A conexão entre escolas e empresas, inspirada em
valores como os do Mottainai, pode ser a chave para
uma mudança real e duradoura. É unir propósito e pragmatismo,
sustentabilidade e negócio, uma equação essencial
para marcas que desejam se posicionar de forma
relevante e responsável.
Aqui está a oportunidade: deixar de apenas comunicar
responsabilidade socioambiental e passar a praticá-
-la. Investir em educação ambiental não é filantropia; é
estratégia. É construir valor para a sociedade e para o
próprio negócio.
“O conceito
japonês de
Mottainai, que
valoriza os
recursos e rejeita o
desperdício, pode
ser uma referência
poderosa”
48 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
conexão ásia
Mirela Tavares
mirela@conexaoasia.com.br
Cláudio Gonzalez
é editor da Livraria e Editora Anita Garibaldi e coordenador do Centro de Documentação e Memória da Fundação Maurício Grabois
Mais espaço para livros chineses
Habituado a encarar multidões
que se debruçam sobre as bancas
das editoras durante as feiras de
livros, o editor da Anita Garibaldi
e coordenador do Centro de
Documentação e Memória da
Fundação Maurício Grabois, Cláudio
Gonzalez, tem um termômetro preciso
das preferências do público sobre os
títulos. E na última Feira do Livro da
USP, em novembro, uma preferência
ficou ainda mais clara: o interesse por
obras chinesas e sobre a China é uma
realidade crescente. Na entrevista a
seguir, ele fala de oportunidades e
desafios para o segmento editorial
aproveitar esse momento.
Mirela Tavares
Mirela Tavares
Especial para o propmark
Vocês acabaram de participar da Feira do
Livro da USP (Universidade de São Paulo),
que é um dos grandes eventos do ano
para o mercado editorial. Que balanço,
em geral, você faz da edição deste ano?
A Feira da USP é anual e está na sua 27ª edição. Ela nasceu
como um evento voltado ao público acadêmico,
mas já faz muitos anos que se transformou em um dos
principais eventos do mercado editorial de São Paulo. É
frequentada por um público muito mais amplo do que
a comunidade universitária e, consequentemente, atrai
editoras de todos os nichos, desde as que publicam livros
infantis até as que se dedicam a temas religiosos.
Na edição deste ano, essa diversidade de público ficou
bastante marcada e, assim como vem ocorrendo com
as Bienais do Livro, há uma predominância de jovens
em busca de livros técnicos e teóricos que são indicados
nas bibliografias dos cursos que eles estudam, mas
principalmente de gente buscando literatura de ficção.
Então, para editoras com este tipo de publicação, as
vendas certamente foram bastante positivas. Estive na
Feira como livreiro de duas editoras: a Anita Garibaldi e
a Contraponto, com muitos títulos voltados para a área
política e, nas duas bancas, as vendas deste ano foram
melhores do que as do ano passado.
Em termos de vendas e interesse do público,
como se destacou a procura por livros
relacionados à China durante a feira?
Não tenho como saber como foi esta procura nas demais
editoras, mas nas duas que representei (Anita Garibaldi
e Contraponto) o interesse e a curiosidade dos frequentadores
pelo tema China ficou evidente. Na Contraponto,
que tem no seu catálogo dois volumes da obra Governança
da China, de Xi Jinping, e mais alguns títulos
voltados ao tema da cultura e do pensamento chinês, a
procura foi alta. Na Anita Garibaldi, nossos títulos sobre a
China esgotaram, sinal também de alta procura. Na Boitempo,
o livro de Elias Jabbour sobre a economia chinesa
é um dos mais vendidos. E notei que em quase todas as
bancadas onde havia livros sobre a China, os exemplares
estavam em destaque.
Você poderia detalhar mais como esse interesse
crescente pela China tem se refletido,
na prática, na procura por livros relacionados
ao país asiático?
O mercado editorial não é diferente de outros mercados,
ele também funciona na lógica da oferta e da procura.
Quando um tema começa a gerar demanda, logo
aumenta a oferta de títulos sobre ele. Mas, ainda que a
procura por livros sobre a China esteja crescendo, é pequena
a oferta de publicações sobre o assunto e, sobretudo,
é baixíssima a quantidade de livros disponíveis
no mercado editorial brasileiro de autores chineses,
sobretudo na área da filosofia e da literatura. Acredito
que a procura crescente vai incentivar, no curto prazo,
“Ainda que a procura por
livros sobre a China esteja
crescendo, é pequena
a oferta de publicações
sobre o assunto”
50 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
“A dificuldade de conseguir profissionais capacitados para
traduzir do chinês para o português ainda é um obstáculo”
um aumento desta oferta, mas por enquanto ela ainda
é muito baixa se comparada à de autores europeus,
americanos e até mesmo do Oriente Médio. No ramo
da literatura, sobretudo quando falamos de romances
e poesia chinesa, a dificuldade de conseguir profissionais
capacitados para traduzir do chinês para o português
ainda é um obstáculo que talvez ajude a explicar
a baixa oferta de títulos. Além disso, escrever sobre
um assunto que requer elaboração teórica não é tão
automático. O movimento começa nas universidades,
com um significativo aumento de pesquisadores dedicados
a estudar e elaborar teoricamente sobre a realidade
chinesa, depois essas pesquisas acabam sendo
publicadas em livros, especialmente por editoras mais
progressistas, pois ainda há muito preconceito injustificado
no mercado editorial com a China por ser um país
governado pelo Partido Comunista. Na nossa editora,
esse problema não existe.
Mesmo com políticas de subsídio para publicações
institucionais, chamou a atenção
desde a feira do ano passado o interesse de
jovens pelos livros do presidente chinês, Xi
Jinping. Há alguma base nessa percepção?
Acredito que há o fator “curiosidade” envolvido nesta
procura. A China, sob a liderança do presidente Xi Jinping,
nos últimos anos, vem disputando com os Estados
Unidos o posto de maior potência mundial, em várias
esferas: tecnológica, militar, econômica e diplomática.
E isso, claro, desperta o interesse das pessoas em conhecer
as estratégias e o pensamento por trás deste
movimento de rápida ascensão. É claro que o fato de
o livro ser subsidiado pelo governo chinês e oferecido
por um preço muito acessível também ajuda a aumentar
sua procura. Ainda que não tenha pretensões imperialistas,
colonialistas ou hegemônicas, a China, como
potência emergente, percebeu que o soft power é um
instrumento importante para se fortalecer e se proteger
num mundo cada vez mais globalizado. Os Estados
Unidos fazem isso de forma sistemática há décadas.
Acredito que subsidiar a produção de livros como este
do Xi Jinping faz parte do soft power chinês.
Você, inclusive, chama a atenção para o
caso de um autor específico...
Sim, nesta curiosidade dos jovens pelo tema China chamo
a atenção para um caso especial de um autor brasileiro
que é, em boa parte, responsável por isso: Elias
Jabbour. Ele é um jovem acadêmico que começou a
estudar o desenvolvimento chinês desde a graduação e
tornou-se um especialista em economia chinesa. Publicamos,
pela Anita Garibaldi, três livros dele e depois ele
lançou mais um pela Boitempo. O Elias é um cara que
não se limita ao ambiente acadêmico, ele sabe usar as
redes sociais para “vender” suas ideias e divulgar seus
livros. E isso fez ele ficar muito conhecido nas redes, virou
um influenciador importante e, consequentemente,
despertou o interesse de muitos jovens para o tema China.
As redes sociais têm exercido um papel fundamental
no marketing do mercado editorial. Boa parte dos livros
que viraram best sellers nos últimos anos conseguiu
isso graças a indicações e repercussão nas redes. Então
autores e editoras que souberem usar as redes para disseminar
suas publicações terão resultados muito mais
interessantes do que aquelas que apostam apenas nos
instrumentos tradicionais de divulgação de livros.
Ainda sobre os livros do presidente Xi Jinping,
do ponto de vista editorial e cultural,
qual é a relevância das obras e será que
podem servir de alguma maneira como
referência para nossas lideranças políticas?
Como eu disse, não só o público brasileiro, mas o mundo,
está curioso em entender como a China conseguiu
alcançar um grau tão elevado de desenvolvimento
em tão pouco tempo. Nesse sentido, qualquer publicação
que ajude a decifrar esse fenômeno desperta
interesse e se torna relevante para o debate político
e até mesmo para ajudar empresas e governos a replicar
estratégias de sucesso. A China é um país governado
pelo Partido Comunista e com forte presença
do Estado no mercado. É óbvio que as estratégias de
desenvolvimento do país são orientadas a partir de
debates e resoluções do Comitê Central, então conhecer
as ideias de quem lidera este processo é algo a
ser buscado por lideranças de boa parte dos países
em desenvolvimento. Já do ponto de vista cultural, a
cultura chinesa é uma das mais exuberantes, complexas
e ricas do mundo, mas ainda pouco disseminada
fora da China. Acredito que no médio prazo o esforço
de soft power chinês vai conseguir disseminar mais e
melhor esta cultura para outros países.
A presença de títulos chineses no mercado
editorial brasileiro também representa uma
oportunidade cultural e comercial. Como
avalia esse intercâmbio do ponto de vista
dos negócios editoriais?
A China inventou o papel – e várias outras coisas que
moldaram a civilização. Sua tradição e a excelência no
desenvolvimento de técnicas de impressão, aliadas a
um arrojado desenvolvimento tecnológico nesta área,
fazem da China um dos principais fornecedores de serviços
de impressão do mundo. Editoras americanas imprimem
seus livros na China. Essa é uma faceta do intercâmbio
que deve ser mais e melhor explorada. A outra é
o intercâmbio propriamente editorial, com editoras chinesas
publicando autores brasileiros e vice-versa. Como
eu disse, há um obstáculo da tradução, ainda difícil, mas
com o avanço da inteligência artificial, este obstáculo é
cada vez menor. Os chineses começaram muito recentemente
a buscar parcerias editoriais com o Brasil e percebo
que estão empenhados em acelerar este processo.
Acredito que nos próximos anos o mercado editorial brasileiro
vai ter uma oferta bem maior de obras chinesas.
Vocês participam de alguma ação editorial
na China, como produção de edições de
livros nacionais para o chinês?
Nossa editora, através da Fundação Maurício Grabois, de
quem somos parceiros editoriais, possui um convênio
com o grupo editorial Xinhua-Chongqing que vai viabilizar
a publicação de títulos nossos na China e de títulos
da Chongqing Editorial no Brasil. Já no começo de 2026,
devemos lançar o primeiro deles, um livro da série ‘Seis
Perspectivas da Modernização Chinesa’.
Para editoras e livrarias, trabalhar com
obras de origem chinesa exige algum tipo
de adaptação específica em curadoria, comunicação
e estratégia de vendas?
Divulgar literatura chinesa no Brasil é um desafio
fascinante e cheio de oportunidades, mas ao mesmo
tempo complexo. Durante décadas, a China foi um
mercado fechado e pouco acessível. O preconceito e
o boicote do mundo ocidental com um país asiático
comunista dificultaram ainda mais o intercâmbio. A
língua também atrapalha e, por questões de política
interna e segurança, os chineses usam redes sociais
próprias e as redes que usamos não estão acessíveis
a eles. Em um mundo conectado via redes, isso dificulta
ainda mais o intercâmbio cultural. Superar tudo
isso exige estratégias específicas.
E quais são os principais desafios?
O primeiro desafio é conhecer e entender quais são
os clássicos da literatura e da teoria/filosofia chinesa
que poderiam cativar o leitor brasileiro. Algo que vá
além de Sun Tzu ou Confucius, que já estão presentes
por aqui há tempos. O leitor brasileiro tem mostrado
interesse por narrativas contemporâneas: realismo
mágico, ficção científica, dramas familiares e contos
e lendas, mitologia e tradição cultural chinesa são temas
com grande potencial de mercado, além, claro,
como já falamos, obras mais políticas que ajudam a
decifrar o projeto de desenvolvimento da China. Com
o grande avanço tecnológico dos chineses, acredito
que também há muito espaço e potencial para livros
técnicos e manuais. Além do problema da tradução,
sobre o qual já falamos, outro obstáculo relevante é
a negociação de direitos autorais. Tentar fazer isso
direto com os autores é muito difícil. O caminho mais
prático é tratar diretamente com os grupos editoriais
que detêm estes direitos de publicação. Também é
importante investir em paratextos de qualidade: prefácios,
posfácios e notas do tradutor são cruciais para
apresentar e contextualizar estas obras para o público
brasileiro. Eles guiam o leitor, explicam referências
culturais e legitimam a obra, sobretudo quando escritos
por autores e especialistas brasileiros renomados.
A tradução é complicada. Por isso, buscar obras que
já estejam traduzidas para o inglês ou espanhol é um
atalho que pode ser compensador. Do ponto de vista
gráfico, também acredito que já passou da hora de
fugir de clichês como dragões e templos chineses e
investir em capas com apelo universal e contemporâneo,
que dialoguem com a estética do mercado
brasileiro. E, como em todo livro, são essenciais para
a divulgação os lançamentos em eventos literários
grandes como Bienais e feiras. Dificilmente consegue-
-se trazer para estes eventos o autor chinês, mas lives
e palestras com o tradutor (herói invisível da obra) e
o editor brasileiro são uma boa alternativa.
jornal propmark - 8 de dezembro de 2025 51
opinião
Divulgação
Reconquista da
confiança: desafios do
marketing em 2026
Sandra Martinelli
é CEO da ABA e membro do
Executive Committee da WFA
Sandra Martinelli
Em um cenário global marcado por imprevisibilidade,
o primeiro grande desafio que se impõe
ao marketing em 2026 é a reconquista da confiança.
A conclusão é da GoAd Media, que acaba de publicar
o estudo ‘Marketing Insights 2026’*, que conta
com apoio da Associação Brasileira de Anunciantes
(ABA).
O aumento de deepfakes, a disputa de narrativas
políticas e a erosão da credibilidade criam o que a
GoAd chama de “custo da hesitação”: consumidores
pesquisam mais, questionam mais e esperam mais
clareza.
CMOs defendem que marcas precisam de transparência
radical – desde o uso da IA até a coleta de
dados – para conseguir restabelecer vínculos sólidos.
Nesse contexto, solidificar as camadas humanas
de criatividade e de consistência de marca é mais do
que um diferencial competitivo: é quase uma obrigação
em um cenário que tende a ficar cada vez mais
pasteurizado em escala, a partir do amplo uso das plataformas
de criação de experiências automatizadas.
Ao mesmo tempo, a IA generativa se torna uma
infraestrutura essencial. Segundo pesquisas organizadas
pela Gartner, a estagnação dos orçamentos
obriga equipes a extrair uma produtividade inédita.
A IA acelera criação, segmentação e análises, mas
líderes enfatizam que a tecnologia só gera valor
quando acoplada à estratégia, ao propósito e à criatividade
– sendo que este último elemento volta ao
centro da discussão.
A Warc ressalta que campanhas emocionalmente
fortes e marcas consistentes continuam sendo o
maior diferencial competitivo.
A quarta frente crítica é a integração de dados próprios.
Com a queda dos cookies e a fragmentação de jornadas,
a personalização só avança com sistemas sólidos
de CRM, governança e unificação de informações.
Somam-se a isso a explosão do retail media, o
avanço da creator economy, a pressão regulatória
sobre a sustentabilidade e a necessidade de renovar
estruturas internas, tornando times mais híbridos,
analíticos e criativos.
Diante de tantos vetores, os CMOs convergem em
uma mensagem: 2026 exigirá menos improviso e
mais arquitetura.
A marca do futuro será sistêmica, construída pela
soma entre propósito, experiência, tecnologia e confiança.
Vencerão não as empresas mais ruidosas, mas
as mais coerentes e consistentemente humanas.
*‘Marketing Insights 2026’ é um projeto editorial da
GoAd Media, que tem apoio da Associação Brasileira de
Anunciantes (ABA), para apurar e analisar áreas estratégicas
que deverão moldar a agenda do marketing e
de seus profissionais ao longo dos próximos meses. A
narrativa do relatório foi construída com base em entrevistas
realizadas com líderes de marcas e de institutos
de pesquisa entre agosto e novembro de 2025, além da
curadoria da rede em festivais globais de inovação, criatividade,
negócios, varejo e entretenimento.
“Diante de tantos
vetores, os CMOs
convergem em
uma mensagem:
2026 exigirá menos
improviso e mais
arquitetura”
52 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Eletromidia compra do Grupo Dreamers
a startup de OOH Context Creative Tech
Empresas fecham acordo e operação está sujeita à análise do Cade;
nova unidade terá foco em produtos digitais e experiências imersivas
A
Eletromidia fechou acordo para a aquisição da
Context Creative Tech, startup de creative-tech
originada no Grupo Dreamers e especializada em
desenvolver experiências imersivas e interativas ligadas
ao ambiente de mídia out of home (OOH).
A operação — ainda sujeita à análise do Conselho Administrativo
de Defesa Econômica (Cade) — integra a estratégia
da companhia de expandir soluções digitais conectadas
ao seu inventário e às plataformas de dados proprietárias.
Nos últimos dois anos, as empresas atuaram de forma
conjunta por meio do EletroLAB, hub de inovação criado
para transformar mobiliário urbano, aeroportos, estações,
festivais e grandes eventos em plataformas de interação
conectadas ao mobile e às jornadas digitais. A parceria consolidou
um fluxo contínuo de prototipagem e implementação
de projetos, incluindo experiências de realidade estendida,
ativações no MUB+ e formatos que nascem no OOH e
se desdobram em ações integradas a CRM e e-commerce.
Com a conclusão da operação, a Context se tornará
uma das quatro unidades de negócio da Eletromidia,
com foco em inovação, produtos digitais e experiências
imersivas integradas à malha OOH e às plataformas
de dados da empresa.
Divulgação
Rodolfo Medina, Alexandre Guerrero e Giovanni Rivetti:
empresas já atuavam em conjunto nos últimos anos
“Este movimento acelera a nossa visão de transformar
a cidade em uma plataforma viva, onde cada ponto
de contato pode virar experiência e dado acionável”, afirma
Alexandre Guerrero, CEO da Eletromidia.
“Quando cruzamos o caminho da Eletromidia, essa
tese ganhou rua, escala e frequência. Ao nos unirmos
à companhia, teremos ainda mais capacidade de levar
essa visão para o coração das cidades, para os modais de
transporte e para a mídia de bordo, com produtos digitais
consistentes, e não apenas cases pontuais”, reforça
Giovanni Rivetti, fundador e CEO da Context.
“Desde o início, acreditamos que a Context poderia
ser uma peça estratégica na interface entre entretenimento,
marcas e tecnologia. A parceria com a Eletromidia
comprovou essa visão. Este passo é uma evolução
natural: a Context ganha escala em um player líder em
OOH, e o Dreamers cumpre seu papel de criar, desenvolver
e impulsionar negócios criativos”, completa Rodolfo
Medina, presidente-executivo do Grupo Dreamers.
A assinatura do contrato leva a operação à fase final,
que inclui a análise prévia pelo Cade. O fechamento
dependerá do cumprimento das condições previstas
entre as partes.
Ação da Webmotors transforma relógio
da Avenida Paulista em velocímetro
A
Webmotors inaugurou uma
ação na Avenida Paulista, em
São Paulo, para celebrar seus
30 anos no Brasil. Em parceria com a
JCDecaux e as agências Bizsys e Best
Friends, a empresa transformou um
dos relógios de rua da via em um velocímetro
3D.
O equipamento foi adaptado com
identidade visual da Webmotors e ganhou
um ponteiro móvel que simula a
aceleração de um veículo, além de um
painel de LED com mais de 30 frases sobre
os produtos e serviços da marca.
A proposta foi criar um impacto visual
no fluxo diário da avenida e reforçar a
Ativação tem assinatura da JCDecaux e das agências Bizsys e Best Friends
Divulgação
presença da Webmotors como ecossistema
para compra, venda, financiamento e
manutenção automotiva.
“É a vez de escolhermos uma das vias
de maior fluxo de São Paulo para posicionar
nossa marca por meio de uma mídia
que reflete muito os atributos de inovação,
performance e dinamismo com os
quais nos identificamos”, afirma Natalia
Spigai, CMO da Webmotors.
De acordo com Rodrigo Cassino, CEO
da Bizsys, “a proposta foi criar uma ativação
que traduzisse a essência da Webmotors
de forma visual e dinâmica, transformando
um ponto urbano tradicional em
uma experiência interativa”.
patrocínio
jornal propmark - 8 de dezembro de 2025 53
esg no mkt
Alê Oliveira
ESG tangível
O greenwashing expôs um excesso de narrativas
sem lastro, e o consumidor aprendeu a desconfiar
Alexis Thuller Pagliarini
Na semana passada, fui um dos painelistas no Expo
Fórum 2025, evento voltado ao setor de turismo
e eventos, organizado pelo Visite São Paulo/
SPC&VB. Coube a mim contextualizar ESG nos dias de
hoje, principalmente numa análise pós-COP30.
Da reflexão e interação com os demais painelistas
(Helio Brito/ESG Pulse e Fernando Beltrame/Eccaplan)
surgiu a ideia deste artigo. Por muitos anos, a sustentabilidade
corporativa viveu no território das grandes
promessas — metas distantes, compromissos amplos,
campanhas emocionais.
Havia nobreza no discurso, mas pouca nitidez na entrega.
Em 2026, essa era chega ao fim. Consumidores,
reguladores e até investidores estão menos tolerantes
à retórica e mais atentos ao impacto concreto.
Nasce, assim, uma nova exigência no universo ESG: a
sustentabilidade precisa ser tangível. Sustentabilidade
tangível é aquela que o consumidor percebe no dia a dia.
Não é o “salvar o planeta” abstrato; é a lâmpada que
consome menos energia e reduz a conta no fim do mês.
É a roupa que dura mais temporadas. É o eletrodoméstico
que exige menos manutenção.
É o produto que resolve um problema real — e que,
ao fazer isso, também reduz impacto ambiental. Essa
mudança acontece porque o mercado está cansado de
promessas.
O greenwashing expôs um excesso de narrativas sem
lastro, e o consumidor aprendeu a desconfiar.
Em contrapartida, quando a sustentabilidade aparece
como benefício funcional, mensurável, ela deixa de
ser moralismo e passa a ser inteligência.
Comprar o usado porque é mais barato e tem estilo.
Trocar para uma tecnologia mais eficiente porque compensa
no bolso. Fazer escolhas sustentáveis porque elas
funcionam melhor, não porque soam virtuosas.
No Brasil, esse movimento ganha ainda mais relevância.
Em um país sensível ao preço e exposto a crises
recorrentes, o consumidor valoriza soluções que ofereçam
durabilidade, economia e eficiência. Marcas que
comprovem redução real de consumo de energia, água
ou desperdício conquistam espaço porque aliviam pressões
concretas da vida cotidiana.
É aqui que a sustentabilidade tangível se mostra
mais poderosa: ela cria valor imediato para o indivíduo
ao mesmo tempo em que gera impacto positivo coletivo.
Para as empresas, isso representa uma transformação
profunda na comunicação e na própria estratégia.
Não basta mais publicar relatórios extensos ou adotar
discursos verdes genéricos.
É preciso demonstrar, produto por produto, como a
sustentabilidade está incorporada de forma funcional —
quanto dura, quanto economiza, quanto reduz emissões,
quanto poupa de verdade.
É hora de obter uma certificação, uma comprovação
confiável das iniciativas da empresa. É a saída mais segura
para evitar o greenwashing e a forma mais eficaz
de construir credibilidade.
A sustentabilidade tangível também reequilibra a relação
entre marcas e consumidores. Ao colocar o benefício
no centro, as empresas param de falar de si mesmas
e começam a falar da vida das pessoas.
Trata-se de uma sustentabilidade que não exige sacrifício,
mas oferece vantagem. Não impõe culpa, mas
empodera com informação clara. Não se apoia em virtudes
abstratas, mas em experiências verificáveis.
Estamos entrando na fase em que o ESG deixa de
ser conceito e passa a ser prática; deixa de ser promessa
e vira atributo; deixa de ser discurso e se torna
valor percebido.
O desafio das marcas, daqui para frente, será provar
seu impacto não com slogans, mas com evidências. A
boa notícia é que esse é o caminho mais sólido para
ganhar relevância: entregar aquilo que o consumidor
consegue ver, medir e sentir.
Em 2026, sustentabilidade só será real se for tangível.
E será essa tangibilidade — concreta, mensurável, cotidiana
— que definirá quais marcas continuarão relevantes
num mundo que cobra resultados de verdade.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
54 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
inspiração
O combustível que gera impacto
Unsplash e Divulgação Press FC
Inspiração não é um conceito abstrato. É espelho da ação, da estratégia.
É a capacidade de transformar experiência pessoal em movimento coletivo
Vanessa Pires
Especial para o propmark
No ambiente corporativo, falar de inspiração pode soar abstrato. Mas, quando encarada
como estratégia, inspiração é a força que estrutura decisões, direciona investimentos
e consolida culturas organizacionais mais conscientes. No meu caso, ela
nasceu antes mesmo da minha trajetória profissional. Surgiu da urgência de romper com
a lógica da desigualdade.
Cresci no subúrbio do Rio de Janeiro, em uma realidade onde oportunidades eram raras e
perspectivas, limitadas. Por muito tempo, a falta de recursos parecia um destino inevitável.
Foi somente ao acessar educação de qualidade, novas conexões e iniciativas de impacto social
que compreendi um ponto fundamental: oportunidade é um direito, não um privilégio.
Essa virada pessoal se tornou o alicerce para a criação da Brada, uma empresa que nasceu
com o propósito de viabilizar impacto positivo de forma técnica, estratégica e mensurável.
No mercado, minhas maiores referências são organizações que tratam ESG não como
discurso, mas como estrutura central do negócio. Empresas que compreendem que impacto
não é um departamento isolado, e sim uma lente que orienta decisões, relações e propósito.
Essa visão integrada inspira nossa atuação e fortalece o movimento de transformação que
buscamos impulsionar diariamente.
Entre os muitos projetos que a Brada ajudou a tirar do papel, um se destaca de forma
especial: Conectados do Bem. Ele traduz, de maneira prática, a essência do que acreditamos:
tecnologia, educação e acolhimento como ferramentas de protagonismo. Ver jovens e crianças
em vulnerabilidade social se reconhecerem como agentes de mudança é testemunhar,
na prática, o início da quebra do ciclo da pobreza.
Impacto real se constrói em múltiplas frentes. Na Brada, atuamos com três pilares:
• Inclusão e transformação, ampliando o acesso à educação, tecnologia e mentorias;
• Protagonismo, capacitando indivíduos para liderar as próprias trajetórias;
• Desenvolvimento de ecossistema, conectando empresas, investidores e organizações
para gerar impacto contínuo e estratégico.
O resultado desse trabalho já alcançou mais de 50 mil pessoas, mas o potencial é muito
maior, especialmente quando ampliamos a discussão para além das empresas. Pouca gente
sabe que pessoas físicas também podem investir em projetos sociais por meio das leis de
incentivo, utilizando o próprio imposto de renda devido. O desafio é informar, simplificar e
criar uma corrente de engajamento que mostre a força da doação individual.
Inspiração, portanto, não é um conceito abstrato. É espelho da ação, da estratégia. É a capacidade
de transformar uma experiência pessoal em movimento coletivo. Na Brada, é ela
que nos guia para construir, todos os dias, um Brasil mais justo, onde impacto social deixa de
ser exceção e se torna, enfim, parte do modelo de desenvolvimento do país.
Vanessa Pires é CEO da Brada
jornal propmark - 8 de dezembro de 2025 55
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Alê Oliveira
Profissional de Marketing do Ano: Guilherme Martins (Diageo) recebe o prêmio das
mãos de Sandra Martinelli (ABA)
Categoria Estratégia no Ponto de Venda: Luciana Guernieri (Unilever Alimentos/
Hellmann’s) recebe o troféu de Paulo de Tarso (Popai Brasil)
Ação Promocional do Ano: Mariana Santos (Ambev Budweiser) recebe o troféu das
mãos de Tuanne Zaila (Popai Brasil)
Categoria Inovação Disruptiva: Melissa Amorim Magrani (OpenAI/ChatGPT) é laureada
por Helio Gastaldi (Ipsos Brasil)
Prêmio Marcas & Consumidores Profissionais de Marketing 2025
O Prêmio Marcas & Consumidores Profissionais de Marketing, idealizado pelo jornalista João Faria, chegou à sua 6ª edição, em evento realizado no Terraço Notiê, no centro histórico
de São Paulo. Os vencedores das cinco categorias da premiação, dedicada exclusivamente a reconhecer os líderes de marketing, receberam os troféus após reconhecimento de
um júri formado pela ABA, Ipsos Brasil e Shop Brasil (nova denominação da associação global Popai Brasil). A cerimônia de entrega dos troféus contou com a presença de jurados,
apoiadores e lideranças do mercado da comunicação.
Categoria Cidadania: Maia Mau foi representada por Valdir Leme (Google)
As equipes do propmark e da ABA unidas na celebração do marketing
André Mendes (TheLED) e João Faria (Marcas&Consumidores)
Guilherme Martins (Diageo) e Essio Floridi (Estadão)
56 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
Cenp reúne mercado
O Cenp (Fórum de Autorregulação do Mercado Publicitário)
reuniu grandes nomes do mercado em
seu tradicional almoço de fim de ano. O objetivo
do encontro é celebrar as conquistas anuais do
setor e fortalecer a união entre veículos, agências
e anunciantes. Evento promovido no último dia 4,
no Hotel Tívoli Mofarrej, em São Paulo, apresentou
o estudo ‘Brasil plural’, realizado em parceria com
a Troiano Branding. Luiz Lara, presidente da entidade,
comandou a celebração ao lado de Melissa
Vogel, que o sucederá em março de 2026.
Fotos: Alê Oliveira
Luiz Lara e Melissa Vogel (Cenp)
Filipe Bartholomeu (AlmapBBDO) e Alarico Naves (Record)
Marcia Esteves (Abap) e Ana Moisés (IAB Brasil)
Leandro Formigone (Fenapex), Lara (Cenp), Halisson Pontarolla (Central de Outdoor),
Wilson Nogueira (Sepex-SP), Melissa Vogel (Cenp) e Fabi Soriano (Central de Outdoor)
Alexandre Gerrero (Eletromidia) e Mario D’Andrea (D’OM)
Silvio Soledade (APP), Juliana Nascimento (GAN), Afonso Abelhão (APP) e Marianna Sousa (Apro)
Melissa Vogel (Cenp), Sandra Martinelli (ABA), Luiz Lara (Cenp), Nelcina Tropardi (ABA)
jornal propmark - 8 de dezembro de 2025 57
última página
Divulgação
Flavio Waiteman
é sócio e CCO da Tech&Soul
flavio.waiteman@techandsoul.com.br
Introspectivas 2025
Flavio Waiteman
V
inte e cinco anos depois do bug do milênio é quase
uma eternidade. E, no entanto, estamos nós aqui
entre o espanto de existir enquanto a história vai se
escrevendo por si mesma ante nossa incredulidade.
Os fatos parecem saídos de uma temporada de streaming.
Nas últimas páginas que faltam para fechar o ano,
fica a impressão de que o roteirista quis imprimir um
misto de 1984 com ‘Os Trapalhões’. Com relativo sucesso.
Na economia global, uma guerra de tarifas entre países
que pareceu bullying de sétima série.
Todos procurando entender a estratégia por trás da
estratégia do garoto mais forte, mas enquanto escrevo
ainda não sabemos qual seria.
Nunca saberemos. Talvez seja apenas valentia.
Agora, no apagar das luzes do ano, só se fala do possível
estouro da bolha de IA, com um sistema de trilhões
em investimento ante poucos bilhões de retorno.
Mas tranquilo, outras bolhas virão. A dos robôs e carros
autônomos etc.
2025 foi o ano em que deixou-se o ESG de lado.
Havia nos últimos episódios da temporada anterior
uma genuína vontade de colocar o meio ambiente como
parte dos negócios.
Qualquer negócio. Mas isso foi ficando de lado. Este
foi o ano que o ESG deixou de ser assunto.
2025 mostrou que seu próximo segundo carro vai vir
da China. E provavelmente será híbrido ou elétrico.
O primeiro ainda é alemão.
O ano da homenagem ao Brasil em Cannes foi um
tanto constrangedor.
Talvez homenageiem um país escandinavo em 2026.
Pode ser mais seguro.
Neil French, um dos últimos grandes da publicidade,
foi-se e o Cenp com suas regras continua firme garantindo
que o mercado brasileiro de publicidade seja único
no mundo.
Aliás, graças à abnegação e ao trabalho de gente
como Luiz Lara, que já fez mais pela nossa categoria do
que qualquer diva criativa. Obrigado, Luiz.
As agências independentes agora têm mais um prêmio
relevante além do Small Agency da Advertising Age,
o One Show.
E mais um buraco negro engoliu outro buraco negro,
no universo e na publicidade. Menos estrelas no céu.
E que em 2026 nós, aqui no Brasil, acordemos de nossos
delírios.
Afinal, não existe nada melhor do que a realidade da
segunda-feira às 7 da manhã, pegando uma xícara de
café e a pilha de trabalho sobre a mesa.
Um 2026 menos neurótico e medicado para todos.
“No apagar
das luzes do ano,
só se fala do
possível estouro
da bolha de IA”
58 8 de dezembro de 2025 - jornal propmark
Gabriela Onofre (Publicis Groupe)
Dirigente da Indústria da Comunicação
AlmapBBDO
Agência de Comunicação
Giselle Ghinsberg (Disney)
Profissional de Veículo
Black Influence
Serviço de Marketing
Cecilia Bottai Mondino (Heineken)
Profissional de Marketing
Anonymous Content Brazil
Produção
Eletromidia
Plataforma de Comunicação
Camila Novaes ( Visa)
Profissional de Inovação
Mercado Livre
Anunciante
Prime Video
Produtor de Conteúdo
Ana Paula Kuroki (Africa)
Profissional de Estratégia
Alessandra Visintainer (Gut)
Profissional de Atendimento e Negócios
Rodrigo Jatene ( Wieden+Kennedy)
Profissional de Criação
Rafaela Alves (AlmapBBDO)
Profissional de Mídia
Parabéns.
O mercado ganhou.
Homenagem do Cenp aos ganhadores do Caboré 2025.
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