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12 - Jornal Paraná Dezembro 2025

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OPINIÃO

Para onde vai o

preço do petróleo?

Talvez o barril nunca mais custe US$ 100. A grande novidade que tem

causado aumento da oferta é a chamada produção offshore

Por Adriano Pires

Um dos assuntos mais

comentados neste final

de 2025 é para

onde vai o preço do

petróleo. As projeções não são

nada otimistas e o cenário seria

um preço do barril para 2026

em torno de US$ 58 - e poderia

chegar a US$ 57 por barril em

2027. Porém, caso os produtores

não consigam estabelecer

um compromisso de reduzir a

oferta, 2027 deve chegar com

um barril a US$ 40.

Mas o que explica esse comportamento

baixo e volátil do

preço do barril? Poderíamos resumir

que a demanda continua

com um crescimento robusto,

mas a grande mudança é que a

oferta explodiu. A oferta de

shale permanece crescimento

de produtividade.

Apesar de estar crescendo mais

lentamente nos Estados Unidos,

o campo de Vaca Muerta, na

Argentina, apareceu como uma

nova fronteira, e em três anos

dobrou a produção. A grande

novidade que tem causado esse

aumento da oferta é a chamada

produção offshore e os principais

players que despontaram

foram o Brasil com o pré-sal e a

Guiana.

Além disso, uma possível

queda do regime de Nicolás

Maduro na Venezuela e um

acordo de paz entre a Rússia e

a Ucrânia poderão provocar um

aumento ainda maior da oferta.

De qualquer forma, o cenário

de preço do barril a US$ 30 ou

US$ 40 não é bom para nenhuma

empresa ou país produtor

de petróleo, já que o preço

de breakeven seria algo como

US$ 40 a US$ 45.

Um acordo para reduzir a oferta

não é trivial. Hoje metade do

excesso da oferta ocorre fora

do cartel da Organização dos

Países Exportadores de Petróleo

(Opep). A Opep e os americanos

teriam de liderar esse

corte da produção. Os produtores

offshore, como o Brasil e

a Guiana, têm muita dificuldade

de cortar a produção, dado que

as plataformas já estão contratadas,

e, tecnicamente, não

existe a possibilidade de se

adaptar para uma redução da

produção.

Pelo lado da demanda, não enxergamos

um grande crescimento

no curto prazo. A política

do tarifaço do presidente

Donald Trump trouxe dificuldades

para uma retomada do

crescimento econômico, e

mesmo a China, a Índia e outros

países asiáticos também

frustraram nas suas taxas de

crescimento.

O fato é que estamos vivendo

um período de grandes transformações,

que o economista

Joseph Schumpeter chamava

de destruição criativa. Aliás, os

vencedores do Nobel de Economia

de 2025 também foram

premiados pelos seus estudos

em torno desse conceito.

No campo da energia, a quarta

revolução industrial traz empresas

que são consumidoras intensivas

de energia, como os

No campo da energia, a quarta revolução industrial

traz empresas que são consumidoras intensivas

de energia. Mas a grande diferença é que esse

consumo é de elétrons, e não de moléculas

data centers e as criptomoedas.

Mas a grande diferença é

que esse consumo é de elétrons,

e não de moléculas, como

aconteceu no século 20.

Na era dos elétrons, com certeza

a demanda de petróleo a

médio e longo prazo sofrerá

mudanças. Talvez petróleo a

US$ 100 nunca mais

Adriano Pires é diretor do

Centro Brasileiro de Infraestrutura

(CBIE).

2

Jornal Paraná


SAFRA 2026/27

Centro-Sul deve produzir

36,1 bilhões de litros de etanol

StoneX projeta crescimento de 9,3%, com novas usinas e expansão do etanol

de milho; produção de açúcar é estimada em 41,5 milhões de toneladas

AStoneX, empresa

global de serviços financeiros,

inicia sua

primeira revisão para

o ciclo 2026/27 do Centro-

Sul, projetando 36,1 bilhões

de litros de etanol, um avanço

de 9,3% em relação a 2025/

26. O aumento estimado resulta

da maior disponibilidade

de cana e da continuidade da

expansão do etanol de milho.

A consultoria também aponta

que o cenário internacional de

açúcar, pressionado por uma

oferta global mais confortável

e, consequente queda dos

preços ao longo de 2025,

deve favorecer o etanol no início

da nova safra, levando as

usinas a priorizarem o biocombustível

em relação à

temporada 2025/26. “São 4

novas usinas de etanol de

milho que devem iniciar as

operações no ciclo, incrementando

uma capacidade instalada

de pouco mais de 2,8

bilhões de litros até março/

27”, realça o analista de Inteligência

de Mercado da StoneX,

Rafael Borges.

Com o mercado global de açúcar

mais abastecido, o etanol

ganha competitividade e tende

a atrair uma fatia maior do mix

no início da safra 2026/27.

Ainda assim, o setor também

enfrentará pressão de oferta, o

que deve impactar os preços

do biocombustível.

A StoneX projeta estabilidade

nas premissas de área colhida,

e alta na produtividade

para a safra 2026/27, sustentadas

pela retomada das

áreas atingidas pelas queimadas

de 2024 e pela expectativa

de um clima mais favorável,

com chuvas regulares

até março de 2026. A área

colhida deve ultrapassar 8

milhões de hectares, avanço

de 1,1% sobre 2025/26. Com

TCH estimado em 77,5 t/ha,

alta de 2,4%, a moagem deve

chegar a 620,5 milhões de toneladas,

crescimento de 3,6%

na comparação anual e praticamente

alinhado ao volume

de 2024/25.

Produção de açúcar deve registrar o

segundo maior volume da série histórica

O mix açucareiro estimado da

safra 2026/27 caiu de 51,3%

para 50,6%, devido à redução

na produção de etanol de milho

e à queda nos preços internacionais

do açúcar. Apesar disso,

a produção de açúcar deve

chegar a 41,5 milhões de toneladas,

o segundo maior volume

da série histórica, alta de 3,3%

sobre 2025/26, mas 600 mil

toneladas abaixo da estimativa

de setembro, abrindo espaço

para um novo recorde na produção

de etanol.

Na 6ª revisão da safra 2025/26

do Centro-Sul, a StoneX destaca

que o desempenho final

dependerá das chuvas entre

novembro e março de 2026.

Apesar de ajustes em Toneladas

de Cana por Hectare (TCH)

e área colhida, a moagem permanece

em 598,8 milhões de

toneladas. O ATR apresentou

sazonalidade atípica e deve

chegar a 137,3 kg/ton, enquanto

o mix açucareiro cai

para 51,3%, mantendo a oferta

de açúcar estável em relação a

2024/25.

O processamento de cana no

Norte-Nordeste começou oficialmente

em setembro, com

alguns atrasos devido às chuvas

acima da média em partes

do Nordeste durante agosto e

setembro. Apesar disso, as

precipitações foram predominantemente

favoráveis desde

maio, compensando períodos

de estresse hídrico em abril e

excesso de chuva em agosto.

Segundo a StoneX, a moagem

total para o ciclo 2025/26 (setago)

está estimada em 57,3

milhões de toneladas, praticamente

estável em relação a

2024/25, refletindo apenas um

leve recuo na área colhida na

região.

Já o etanol de milho na região

avança junto à fronteira agrícola

do Matopiba (que engloba o sul

do Maranhão, o Tocantins, o

sudoeste do Piauí, e o oeste da

Bahia), impulsionado pela soja

e pelo milho safrinha. “Com a

inauguração da usina da Inpasa

em Balsas (MA) e cinco novos

projetos previstos para a safra

2025/26, a produção regional

poderá atingir quase 1 bilhão de

litros (962 mil m³), representando

31% da oferta da região”,

conclui Borges.

Jornal Paraná 3


AÇÚCAR

Superávit de 3,7 milhões t e

estoques globais de 77,3 milhões t

Revisão da StoneX para 2025/26 indica desaceleração do consumo, maior

oferta asiática e manutenção da pressão baixista nos preços internacionais

AStoneX, empresa global

de serviços financeiros,

divulgou sua

3ª revisão do saldo

global de açúcar para a safra

2025/26 (outubro a setembro),

trazendo como principal destaque

a projeção de um superávit

de 3,7 milhões de toneladas -

o maior desde 2017/18.

A revisão também aponta que

os estoques globais devem

subir 5%, alcançando 77,3 milhões

de toneladas, elevando a

relação estoque/uso para

39,9%, patamar próximo da

média histórica de 20 anos.

Esse acúmulo de estoques reforça

o atual sentimento baixista

no mercado internacional.

A perspectiva de maior oferta

ocorre em um cenário no qual

o preço do açúcar segue pressionado.

Entre setembro e outubro,

os contratos de primeira

posição em Nova Iorque permaneceram

abaixo de US¢

16/lb, posteriormente recuando

ainda mais, para baixos dos

US¢ 15/lb em novembro.

Segundo o analista de Inteligência

de Mercado da StoneX,

Marcelo Di Bonifácio, a principal

razão da queda nas cotações

em 2025 é o ritmo lento

das importações globais.

“Mesmo com déficit em

2024/25, muitos países reduziram

compras externas e passaram

a consumir estoques

internos, sustentando a trajetória

de queda dos preços”, enfatiza.

Além de importarem menos,

diversas economias estão demandando

menos açúcar do

que se projetava, explica o

analista, apontando que esse

fator tem sido outro grande determinante

para a pressão sobre

as cotações. Para os próximos

meses, Di Bonifácio reforça

que o desempenho das

safras do Hemisfério Norte -

especialmente Índia e Tailândia

- será crucial para o ajuste das

projeções. No Brasil, a evolução

da entressafra do Centro-

Sul dependerá do volume de

chuvas até março, influenciando

o equilíbrio global da

commodity.

Índia inicia safra com forte avanço na moagem

A safra 2025/26 de açúcar na

Índia começou em novembro

com ritmo acelerado. No

total, 325 usinas já iniciaram

a colheita - mais que o dobro

do ano anterior - resultando

em 12,8 milhões de t de cana

moída (+41%) e 1,05 milhão

de t de açúcar produzido

(+47%). O avanço é favorecido

pelo início dentro da sazonalidade

e pela ausência de

chuvas tardias. “A entrada

desse açúcar no mercado

global adiciona oferta relevante

em um momento de

consumo mais fraco, reforçando

nosso cenário de pressão

sobre os preços”, realça

o analista.

A ISMA (Associação Indiana

das Usinas de Açúcar e Bioenergia)

atualizou sua projeção

para a safra, estimando 34,9

milhões de t de açúcar antes

do desvio para o etanol, e revisou

para baixo o volume

destinado ao biocombustível

para 3,4 milhões de t.

A StoneX, por sua vez, ajustou

a área colhida para 5,75 milhões

de hectares, reduzindo a

projeção de moagem e estimando

35,8 milhões de t de

açúcar total. Com o desvio de

3,5 milhões de t, a produção

de açúcar branco deve alcançar

32,3 milhões de t, alta de

24% sobre o ciclo anterior. Enquanto

isso, a Tailândia deve

iniciar sua safra em dezembro,

após um período de chuvas

7% acima da média histórica

na principal região produtora.

4 Jornal Paraná


Ásia deve superar as 80 milhões de toneladas

De acordo com o levantamento

da StoneX, a produção

de açúcar na Ásia deve superar

80 milhões de toneladas

na safra 2025/26, ficando

muito próxima do recorde de

81 milhões de t registrado em

2021/22.

Europa melhora produtividade,

mas produção de açúcar

recua em 2025/26. Embora

a produtividade agrícola

na Europa tenha apresentado

melhora, a produção de açúcar

deve ficar abaixo da safra

passada, reforça Di Bonifácio.

Segundo ele, o principal fator

é a redução da área de plantio,

resultado das dificuldades

econômicas enfrentadas pelo

setor diante da baixa remuneração

do açúcar no mercado

interno.

Ainda de acordo com a análise,

os preços domésticos

foram pressionados pelo aumento

das importações, especialmente

após acordos

comerciais - com destaque

para o firmado com a Ucrânia,

que ampliou significativamente

a entrada de açúcar no

bloco. A perspectiva de um

acordo entre União Europeia e

Mercosul também preocupa

os produtores europeus, podendo

gerar impactos adicionais

no médio e longo prazos.

Um panorama das Américas

A StoneX revisou suas projeções

para a safra 2026/27

(abril a março) no Centro-Sul

do Brasil, ajustando o mix

açucareiro de 51,3% para

50,6%. A mudança reflete

dois fatores principais: expectativas

menos positivas para a

oferta de etanol de milho e a

queda nos preços do açúcar,

que melhora a atratividade do

biocombustível.

No México, a CONADESUCA,

entidade que representa a indústria

açucareira, divulgou

sua primeira estimativa de

produção para 2025/26, em

5,3 milhões de toneladas, em

linha com a recuperação esperada

após 2024/25. “Sendo

assim, a StoneX mantém previsão

ligeiramente menor, de

5,1 milhões de t”, compartilha

o analista.

Já nos Estados Unidos, as

projeções de produção permanecem

próximas de 8,5

milhões de toneladas, mas o

consumo segue em queda,

puxado pela redução na demanda

por produtos açucarados.

Conforme explica Di

Bonifácio, o movimento está

associado à mudança nos hábitos

alimentares da população,

influenciada pelo avanço

do uso de medicamentos análogos

ao GLP-1, como o

“Ozempic”.

As projeções para o trade flow

global de açúcar mudaram

com a revisão da demanda de

grandes importadores, como

Indonésia e China, que devem

importar menos no início de

2026 do que se esperava, reduzindo

a expectativa de déficit

no período.

No Centro-Sul brasileiro, o impacto

das revisões é limitado

no curto prazo, devendo afetar

o fluxo comercial apenas

no terceiro trimestre de 2026,

em volumes relativamente pequenos

diante do superávit

previsto de mais de 1,3 milhão

de toneladas. A StoneX

divulgará em dezembro a

atualização completa do balanço

do trade flow global de

açúcar.

A principal mudança nas estimativas

de novembro da StoneX

está relacionada à demanda

por açúcar. Em 2024/

25, o consumo global cresceu

apenas 0,4% em relação ao

ano anterior, após um corte de

pouco mais de 500 mil toneladas.

Para o ciclo 2025/26, a

revisão foi ainda mais expressiva,

refletindo ajustes nas expectativas

de consumo na

China e na Índia, com a demanda

indiana reduzida de

28,8 para 28,5 milhões de toneladas,

alinhada às projeções

da ISMA.

Com essas revisões, o consumo

global de açúcar para

2025/26 foi ajustado para

193,8 milhões de toneladas,

representando um crescimento

anual de 0,5%. O

ajuste impacta diretamente o

saldo global da commodity,

influenciando o cenário de

oferta e demanda para o

novo ciclo.

Jornal Paraná 5


USINAS

Situação é mais sólida

do que há dez anos

Avanço em liquidez, governança e acesso a crédito indica

amadurecimento do setor em novo ciclo de pressão sobre margens

Mesmo diante de

um cenário desafiador

na safra

2025/26, que pode

continuar pressionando os

resultados na safra 2026/27, o

Itaú BBA conclui que as usinas

do setor sucroenergético

estão em melhor posição

financeira e mais preparadas

para enfrentar este momento

em comparação à última crise

do setor, há dez anos.

O banco, no entanto, avalia que

o mercado passa por um período

de virada que exige atenção,

ainda que as condições financeiras

sejam mais saudáveis.

As conclusões integram o novo

estudo do Itaú BBA, que analisa

48 grupos responsáveis por

cerca de 53% da moagem do

Centro-Sul.

De acordo com o levantamento,

o setor deve iniciar a

safra 2026/27 com índice

médio de liquidez de 2,7x, o

dobro do observado na safra

2015/16 (1,3x). A alavancagem

(Dívida Líquida/EBITDA) é

hoje 51% menor, atingindo

1,8x. A melhoria em governança,

gestão de riscos e rentabilidade

tem ampliado o

acesso a linhas de crédito de

longo prazo, a custos mais

competitivos, o que reforça a

liquidez do setor.

O estudo mostra ainda que a

relação entre caixa e dívida de

curto prazo também evoluiu.

Cerca de 54% dos grupos analisados

mantêm caixa superior

a 1,5x a dívida de curto prazo,

patamar associado a menores

custos financeiros e maior geração

de EBITDA.

“Esses indicadores mostram

que o setor entendeu a importância

de manter um índice de

liquidez confortável e uma dívida

mais baixa em um mercado

volátil. Temos atuado

como um banco consultivo,

apoiando nossos clientes na

gestão de riscos e oferecendo

soluções adequadas. O foco

em governança tem sido um

diferencial, permitindo custos

financeiros menores mesmo

com o cenário macroeconômico

desafiador”, avalia Pedro

Fernandes, Diretor de Agronegócio

do Itaú BBA.

De acordo com o relatório, as

companhias têm buscado linhas

de crédito mais estruturadas

para investimentos em

canaviais, ativos imobilizados e

novas aquisições de áreas e

usinas. A participação do mercado

de capitais na dívida das

empresas passou de 13% em

2019 para 27% em 2025, refletindo

a melhora na qualidade da

carteira de crédito em relação

ao período pré-pandemia. No

mesmo intervalo, a participação

do Itaú BBA na dívida total do

setor cresceu de 14% para 20%.

O estudo considera um recorte

da carteira do banco, com

avaliações financeiras e qualitativas

que classificam as usinas

em quatro grupos – A, B,

C e D. As empresas do Grupo

A apresentam melhor saúde financeira

e governança, enquanto

as do Grupo D são as

que ainda enfrentam maiores

desafios ou têm espaço para

aprimorar a gestão.

Nos últimos seis ciclos, há

uma migração gradual das usinas

para grupos mais bem posicionados,

impulsionada por

avanços em gestão e governança,

além de preços favoráveis

de açúcar e etanol. Apenas

uma das 12 usinas do

Grupo D permaneceu nessa

categoria. Outras três deixaram

o portfólio do banco e, portanto,

não foram consideradas

no levantamento mais recente.

No relatório divulgado em outubro

de 2024, o Itaú BBA

apontava tendência de redução

do endividamento, em um contexto

de preços ainda favoráveis.

Desde então, o cenário se

alterou, resultando em aumento

do endividamento bancário

para R$ 161 por tonelada na

safra 2025/26 (que se encerra

em 31/03/2026). O movimento

é explicado por quatro fatores:

queda no preço do açúcar,

custo mais alto da dívida,

operações de fusões e aquisições

e investimentos em expansão,

como irrigação, biogás

e maquinário agrícola.

Os investimentos realizados

foram superiores ao inicialmente

projetado, o que levou a

um pico de alavancagem na

safra atual. Contudo, segundo

o Itaú BBA, os aportes foram

feitos com linhas de longo

prazo, o que dá maior previsibilidade

financeira. Normalmente,

as aquisições de

canaviais próximos às usinas

geram ganhos de escala e redução

de custos logísticos.

Diferentemente do estudo anterior,

quando os preços mais

altos favoreciam a desalavancagem,

o banco avalia que o

setor entra agora em um período

que exige cautela para

novos investimentos em expansão,

considerando a pressão

sobre preços e custos

financeiros. Ainda assim, observa-se

maior uso de instrumentos

de hedge, o que pode

proteger margens e contribuir

para reduzir a alavancagem na

safra 26/27 caso haja recuperação

no preço do açúcar.

6 Jornal Paraná



5S

Cooperval participa do

Hub de Produtividade

Missão é impulsionar a competitividade das cooperativas, para alavancar e trazer

soluções para reduzir desperdício e custo e aumentar a produtividade

Uma equipe de profissionais

da Cooperval

- Cooperativa Agroindustrial

Vale do Ivaí

Ltda., com sede no município

de Jandaia do Sul, participou

do Hub Senai Paraná Cooperativo

de Produtividade, projeto

do Sescoop-PR em

parceria com o Senai, por

meio do Instituto Senai de

Tecnologia em Produtividade.

Este foi o 2º Workshop de Resultados

e Boas Práticas – 5S,

reunindo cooperativas para

compartilhar experiências,

aprendizados e impactos gerados

pelo programa.

O Hub, que tem como missão

impulsionar a competitividade

e a produtividade das cooperativas

paranaenses, buscando

alavancar e trazer soluções

para reduzir o desperdício,

aumentar a produtividade

e reduzir o custo, teve

início em julho de 2025 e foi

concluído em novembro último.

Foram 5 meses de duração,

com 88 horas de atividade,

envolvendo 64 colaboradores

da Cooperval, dentre

a área agrícola e industrial.

Uma das participantes, Giorgia

Cavazim, engenheira de

Alimentos da Cooperval, disse

que essa primeira etapa do

projeto foi muito boa para a

cooperativa, uma vez que o

5S estava parado, e retomar

ele neste período foi muito importante.

“Tivemos ganhos

muito significativos: a liberação

de espaço e ganhos financeiros.

É um projeto de

extrema importância e muito

bom para a Cooperval”, comentou.

O Programa 5S Hub de Produtividade

tem como objetivo a

aplicação de conceitos e ferramentas

5S para diagnóstico,

elaboração de um plano de

ação e realização de melhorias,

com foco em organização

e produtividade, visando

a sustentabilidade dos

ganhos.

“A gente começou justamente

este programa pelo 5S por entender

a sua importância e

agora queremos dar passos

adicionais com a implementação

do Lean Manofacturing

para as cooperativas. Entendemos

que essa é uma trilha

de muitas outras trilhas e esperamos

alavancar cada vez

mais a produtividade e a competitividade

do cooperativismo

paranaense”, ressaltou Cícero

Gulyas, coordenador de produtividade

industrial Senai Paraná.

“Estou muito feliz de estar

aqui acompanhando a entrega

dos projetos da primeira etapa

do Hub de Produtividade. A

gente vê que as cooperativas

emergentes foram impactadas

financeiramente e também em

produtividade em suas ações

no dia a dia. Esse é o papel do

Sescoop e também do Sistema

Fiep, que auxiliam as

cooperativas no seu desenvolvimento.

Estamos muito felizes

com os resultados

apresentados até agora”, finaliza

Leandro Macioski, gerente

de Desenvolvimento Humano

Sescoop Paraná.

Ao longo desta fase, o módulo

de 5S trouxe ganhos reais

para as cooperativas participantes,

com resultados expressivos,

incluindo:

• R$ 874.032,00 em ganhos

financeiros

• 47,5% de ganho de

produtividade nos projetos

Lean

• 350.969 kg de resíduos

reduzidos

• 4,5x de retorno financeiro

do programa

• 85 horas evitadas em

retrabalho

• 790 m² de área liberada

para utilização

Esses indicadores refletem o

impacto direto das práticas de

organização, padronização,

redução de desperdícios e engajamento

de equipes - pilares

essenciais da jornada de

melhoria contínua. Um encontro

para celebrar conquistas,

fortalecer a cultura de melhoria

e preparar o próximo ciclo

de evolução nas cooperativas

do Paraná.

Acesse o

QRCode e

assita o vídeo

8 Jornal Paraná


USINA

Usiban recebe Prêmio

MasterCana 2025

Reconhecimento foi na categoria Tecnologia Automotiva e Logística,

por contribuições tecnológicas capazes de transformar o setor

AUsiban – Usina Bandeirantes,

com sede

no município com o

mesmo nome, foi reconhecida

no Prêmio Master-

Cana 2025, uma das premiações

mais importantes do setor

sucroenergético, conquistando

o troféu na categoria Tecnologia

Automotiva e Logística.

Representantes da empresa afirmaram

que o reconhecimento

reforça o compromisso contínuo

da Usiban com a modernização

do setor. Entre as iniciativas

premiadas estão sistemas

inteligentes de monitoramento

de frota, tecnologias de automação

aplicadas ao transporte de

cana e novas ferramentas digitais

voltadas à segurança e à

performance operacional.

O anúncio aconteceu durante

a cerimônia oficial realizada

em São Paulo, no dia 20 de

outubro de 2025, reunindo lideranças,

especialistas e empresas

de referência da cadeia

produtiva da cana-de-açúcar.

O prêmio distingue organizações

que se sobressaem em

inovação, eficiência operacional

e contribuições tecnológicas

capazes de transformar o

setor.

Durante todo o ano, a Usina

Bandeirantes realizou uma

série de cursos para capacitar

sua equipe de profissionais em

parceria com o Senar PR e outras

instituições de ensino. Só

nos últimos três meses foram

várias edições do curso de Primeiros

Socorros, além de capacitar

em operação de pá

carregadora, motoniveladora,

Usina capacita seus colaboradores

tratorista agrícola e de trabalhador

volante da agricultura -

aplicação de agrotóxicos - NR

31.7.

Nos meses de setembro e outubro

de 2025, a Usiban, em

parceria com o Senar/PR e o

Sindicato dos Trabalhadores

Rurais de Bandeirantes, realizou

uma série de Treinamentos

de Primeiros Socorros. A

ação teve como objetivo qualificar

a equipe, reforçando a

importância de cuidar da vida,

segurança e bem-estar de

todos.

Os cursos foram ministrados

pelo especialista técnico Maksoel

Schicora, formado em

Planejamento e Gestão de

Trânsito e Especialista em Instrução

de Trânsito, reconhecido

como o 5º melhor

instrutor do Brasil. Sua experiência

e didática tornaram o

aprendizado ainda mais dinâmico

e prático.

Como parte do conteúdo foram

abordados conceitos básicos

de primeiros socorros,

biossegurança, cinemática do

trauma, abordagem primária e

protocolo A, B, C da vida, desobstrução

das vias aéreas,

parada cardiorrespiratória

(RCP), hemorragias e ferimentos,

queimaduras, choque elétrico,

intoxicações e acidentes

com animais peçonhentos,

transporte e remoção de vítimas

e simulação geral.

Essa iniciativa reforça o compromisso

da Usiban com a

segurança, capacitação e valorização

das pessoas que

fazem parte da equipe. O objetivo

é estar cada vez mais

preparados para agir com responsabilidade

e salvar vidas.

Jornal Paraná 9


PESQUISA

Identificada nova espécie

de inseto que ataca a cana

Mahanarva diakantha é o nome dado a essa espécie de cigarrinha-da-raiz

que se alimenta da seiva da cana e transmite toxinas que causam

a queima das folhas e a perda de sacarose

Pesquisadores do Instituto

de Biociências

(IB) do câmpus de Rio

Claro da Unesp e da

Pontifícia Universidade Católica

do Rio Grande do Sul (PUC-

RS) descreveram uma nova

espécie da chamada "cigarrinha",

nome popular para uma

das pragas mais relatadas nas

plantações de cana-de-açúcar.

O novo achado científico foi detalhado

em artigo publicado no

Bulletin of Entomological Research,

da Universidade de Cambridge,

em outubro deste ano.

Dentre as espécies anteriormente

já identificadas como cigarrinha-da-raiz,

a Mahanarva

fimbriolata e a Mahanarva

spectabilis são as mais conhecidas

por atacar as plantações

de cana-de-açúcar. Os insetos,

de coloração marrom-avermelhada,

alimentam-se da seiva

da cana e, ao fazê-lo,

transmitem toxinas que causam

a queima das folhas e a

perda de sacarose. A nova espécie

recebeu o nome de Mahanarva

diakantha.

Docente do IB e um dos autores

do artigo, Diogo Cavalcanti

Cabral-de-Mello atua há 14

anos em um laboratório do Departamento

de Biologia Geral e

Aplicada dedicado ao estudo

da evolução genômica de insetos.

O trabalho especializado

na investigação da diferenciação

genômica de insetos fez

com que o professor recebesse

o contato de empresas

agrícolas. O principal problema

era uma resistência que a cigarrinha

demonstrava à ação de

defensivos usados habitualmente.

“Alguns produtores estavam

enfrentando dificuldades

para controlar a praga por meio

de defensivos químicos, por

isso, pediram nossa ajuda”, diz

o docente.

Uma pesquisadora da unidade

da Embrapa em Araras formulou

a hipótese de que talvez se

tratasse de uma espécie diferente

e enviou amostras para

serem analisadas por um grupo

de pesquisadores da PUC-

RS que atua na área de taxonomia

de insetos. A partir dessa

suspeita, os grupos de pesquisadores

da Unesp e da

PUC-RS começaram a trabalhar

em conjunto por duas vias:

a análise morfológica, feita

pelos cientistas Andressa Paladini

e Gervásio Silva Carvalho,

e a análise genética, conduzida

por Mello.

Cada equipe estudou as amostras

fornecidas pela empresa e

reuniu as evidências que terminaram

por confirmar que se

tratava de uma nova espécie.

As amostras colhidas junto

aos produtores rurais foram

comparadas com dados da M.

fimbriolata e M. spectabilis

para identificar semelhanças e

diferenças genéticas. Graças a

um marcador de DNA presente

nas mitocôndrias, o docente

da Unesp conseguiu fazer a

distinção entre as espécies.

“Em uma das espécies, esse

marcador genético apresenta

um padrão conhecido que é

conservado, com pequenas

variações. No caso de espécies

diferentes, o marcador

sofre variações maiores. Isso

nos permite dizer que o indivíduo

pertence a uma ou outra

espécie”, diz.

Foram analisados mais de 300

indivíduos coletados entre

2012 e 2015 nas usinas de

cana-de-açúcar. “Do ponto de

vista genético, havia uma diferença

marcante, mas que não

era muito grande do ponto de

vista quantitativo. Para estabelecer

a diferenciação entre as

espécies de insetos, não há

um número estabelecido de

variações do DNA. Isso vai depender

do grupo em questão.

No caso dos mamíferos, já

está bem estabelecido. Insetos,

porém, são um grupo

muito mais diverso e é difícil

estabelecer os parâmetros”,

diz Mello.

Daí a necessidade de uma análise

morfológica complementar

para que se constatasse que o

que estava diante dos olhos

dos pesquisadores era, efetivamente,

uma espécie diferente.

“Na taxonomia integrativa é importante

adotar várias linhas de

evidência. Embora a análise

genética sozinha não assegure

100% de segurança para a

avaliação, a união com outros

dados reforça o fato de que se

trata de uma nova espécie”,

afirma o docente.

Na análise morfológica, Paladini

identificou uma diferença

sutil, mas marcante, na genitália

dos machos. A nova espécie

possui uma parte da genitália

bifurcada e pontiaguda,

enquanto as outras apresentam

um formato quadrangular

não bifurcado. Essa característica

inspirou o nome do inseto

descoberto: Mahanarva diakantha,

termo que significa

“dois espinhos”.

A identificação da nova espécie

é o primeiro passo para a

elaboração de estratégias e

produtos de controle adequados.

“Mesmo que as espécies

sejam próximas, um produto

pode ser eficaz contra uma

(praga), mas não contra outra.

Aparentemente era isso que

estava sendo observado nas

usinas”, explica Mello.

10

Jornal Paraná


EMBRAPA

Cana ganha novas regiões

de concentração da produção

Os dados gerados pela Inteligência territorial permitem antever

cenários que apoiam o planejamento de obras de infraestrutura,

políticas públicas e decisões estratégicas no campo

Uma análise sobre a concentração

espacial da produção agropecuária,

disponível na plataforma

de dados SITE-MLog, da

Embrapa Territorial (SP), revela

uma reconfiguração das principais

regiões produtoras do País

desde os anos 2000. Com o

avanço das principais cadeias de

exportação, o mapa produtivo

também mudou: áreas perderam

relevância, enquanto outras

surgiram e ganharam espaço.

A cana-de-açúcar é um exemplo

de cultura cuja produção

cresceu e incluiu novas áreas

entre as principais. A plataforma

da Embrapa mostra, ano a ano,

quais microrregiões sozinhas

respondiam por 25% da produção

nacional e compunham o

chamado Grupo 25 (G25). Em

2000, esse grupo era composto

por seis microrregiões: Araraquara,

Jaboticabal, Jaú, Ribeirão

Preto e São Joaquim da

Barra, em São Paulo; e São Miguel

dos Campos, em Alagoas.

Em 2023, São Miguel dos

Campos e Jaú saíram desse

conjunto, embora esta última

região tenha aumentado sua

produção em quase 30%. Quatro

novas microrregiões passaram

a integrar o grupo de destaque

na produção nacional: Presidente

Prudente (SP), São José

do Rio Preto (SP), Sudoeste

de Goiás (GO) e Uberaba (MG).

Quando se amplia a análise, por

meio do SITE-MLog, para analisar

as microrregiões que respondiam

por metade da produção

(G50), os mapas mostram

diferenças ainda maiores.

Em 2000, além da concentração

em São Paulo, havia um

grupo de microrregiões no Nordeste.

Em 2023, estavam todas

em São Paulo ou em regiões

muito próximas em outros três

estados - Minas Gerais, Goiás e

Mato Grosso do Sul.

A cana-de-açúcar dobrou o volume

nacional produzido entre

2000 e 2023, com o crescimento

da produção em novas

áreas, associado ao incremento

moderado das regiões tradicionais.

Para a cana, portanto, a

concentração se altera não porque

regiões tradicionais apresentam

quedas acentuadas nos

volumes produzidos, mas sim

pelo fato de a cultura ter se expandido

fortemente para outras

áreas do território nacional,

principalmente Goiás e Mato

Grosso do Sul.

As mudanças na distribuição da

produção impactam a logística

e mobilizam diferentes instituições.

"Regiões que enfrentam o

declínio de uma atividade agropecuária

estratégica para sua

economia tendem a sofrer impactos

socioeconômicos significativos,

exigindo esforços de

adaptação", ressalta Farias. A

ascensão de um segmento traz

outros desafios. "Exigirá obrigatoriamente

novas demandas de

armazéns, de serviços de controle

de pragas e doenças, de

serviços financeiros, de rotas

de transporte e alternativas para

escoamento, de serviços técnicos

para comercialização, entre

outras atividades que integram

o ecossistema econômico.

Sem a adequada coordenação

desses processos, os gargalos

em diferentes etapas produtivas

tendem a ficar visíveis e reduzirem

substancialmente os ganhos",

acrescenta o analista.

Spadotti destaca que "os conceitos

de Inteligência Territorial

Estratégica (ITE) buscam justamente

antever estes cenários e

fornecer à iniciativa privada e

aos formuladores de políticas

públicas insumos necessários

para viabilizar o desenvolvimento

produtivo e sustentável

da agropecuária brasileira".

Sobre o SITE-MLog

O Sistema de Inteligência Territorial

Estratégica da Macrologística

Agropecuária (SITE-MLog)

é uma plataforma interativa desenvolvida

pela Embrapa Territorial

que organiza dados sobre

a produção, exportação e infraestrutura

logística de dez cadeias

produtivas do agronegócio

brasileiro: algodão, bovinos,

café, cana-de-açúcar, galináceos,

laranja, madeira para papel

e celulose, milho, soja e suínos.

Gratuito e acessível pelo

Portal da Embrapa, o sistema

permite gerar mapas e gráficos

a partir de informações oficiais,

apoiando análises rápidas e estratégias

mais eficientes para o

setor público e privado.

Lançado em 2018 e atualizado

em 2024, o SITE-MLog traz

painéis dinâmicos sobre a concentração

espacial da produção

agropecuária, os fluxos de

exportação por região e os

portos utilizados, além da localização

de armazéns e unidades

de processamento como

frigoríficos e usinas sucroenergéticas.

A ferramenta introduziu

o conceito de bacias

logísticas, que revela por qual

porto cada microrregião brasileira

exportadora embarca

grãos (soja e milho) para o

mercado internacional. Na

nova versão, passou a estimar,

de forma inédita, a demanda e

oferta de nutrientes agrícolas,

com base na produção regional

e em indicadores científicos.

Mais do que reunir dados dispersos,

o SITE-MLog transforma

registros brutos em informações

geoespaciais de fácil

compreensão. O sistema é

utilizado por gestores públicos,

pesquisadores e investidores

para apoiar o planejamento de

obras de infraestrutura, políticas

públicas e decisões estratégicas

no campo.

Jornal Paraná 11


ESTUDO

Cana pode garantir energia

elétrica em época de seca

Altamente dependente da hidroenergia, Brasil deve investir em fontes

complementares para evitar desabastecimento, recomenda artigo internacional

Abioeletricidade gerada

a partir do bagaço de

cana-de-açúcar vem

se consolidando como

uma das principais alternativas

para diversificar a matriz

elétrica brasileira. Isso ajuda a

reduzir a dependência das hidrelétricas,

altamente vulneráveis

às variações climáticas.

Durante a estação seca,

quando os reservatórios atingem

níveis críticos e a produção

hidrelétrica diminui, a

energia da cana supre o sistema

elétrico nacional, assegurando

fornecimento estável e

seguro. Outro diferencial é a

possibilidade de priorizar sua

geração no período noturno,

complementando a energia

solar fotovoltaica, cujo pico

ocorre durante o dia e que, em

alguns casos, enfrenta restrições

de injeção na rede (curtailment).

Um estudo publicado na revista

Renewable Energy mostra

que a bioeletricidade proveniente

do bagaço apresenta

uma pegada de carbono de

cerca de 0,227 kg de CO₂

equivalente por kWh. Esse

valor é significativamente menor

do que o de termelétricas a

diesel, que pode chegar a 1,06

kg de CO₂ equivalente por

kWh. É importante destacar

que, mesmo mensuráveis, essas

emissões da bioeletricidade

do bagaço da cana não

adicionam carbono novo à atmosfera.

O ciclo começa com a cana,

que atua como um "filtro natural"

ao absorver CO₂ durante a

fotossíntese e transformá-lo

em biomassa. Após a colheita

e o processamento, parte

desse carbono se concentra

no bagaço, que, ao ser queimado

nas caldeiras para geração

de energia, libera de volta

apenas uma pequena fração

do CO₂ previamente capturado.

Enquanto isso, novas plantações

de cana já estão em crescimento,

reiniciando o processo

de absorção.

Dessa forma, a bioeletricidade

do bagaço se mostra uma

fonte renovável de baixíssimo

impacto em emissões, ao

mesmo tempo em que fortalece

a diversificação e a resiliência

da matriz elétrica

brasileira. Além disso, ela tem

como base um resíduo já disponível

da produção de alimento

(açúcar) e de biocombustível

renovável (etanol)

"Tudo isso lhe dá um seu papel

estratégico para a segurança

energética e para a

transição rumo a um sistema

mais sustentável e equilibrado",

afirma Vinicius Bufon,

pesquisador da Embrapa Meio

Ambiente (SP).

No entanto, estudo internacional

liderado pela Embrapa, em

parceria com instituições como

a Universidade das Nações

Unidas e a Universidade de

Bonn, na Alemanha, alerta que

essa fonte estratégica também

enfrenta riscos importantes. A

pesquisa analisa como as secas

severas afetam a geração

de bioeletricidade no Brasil, revelando

que a produção depende

da interação complexa

entre fatores agrícolas, industriais

e climáticos.

O estudo demonstra que, embora

a bioeletricidade da cana

seja uma alternativa renovável

de grande potencial, ela é vulnerável

a gargalos estruturais

que podem comprometer sua

contribuição em períodos críticos.

Entre os principais desafios

identificados estão: A escassez

de barragens para armazenamento

de água da chuva, resultado

da falta de linhas de

crédito e das dificuldades de licenciamento

ambiental, o que

limita a capacidade de enfrentar

longas estiagens; O baixo

investimento em irrigação nos

canaviais, o que aumenta a dependência

das chuvas em regiões

cada vez mais sujeitas a

variações climáticas; A fragilidade

dos seguros agrícolas

contra a seca, que não refletem

os riscos reais enfrentados

pelos produtores, deixando-os

expostos a prejuízos severos;

A ausência de sistemas robustos

de alerta precoce, que poderiam

antecipar cenários de

risco e permitir respostas mais

rápidas e eficazes.

Essas vulnerabilidades reforçam

a necessidade de fortalecer

políticas públicas e ampliar

investimentos que integrem de

forma articulada as dimensões

social, ecológica e tecnológica

do setor, segundo explica Bufon.

"A bioeletricidade da cana

tem um papel único porque a

sua produção coincide exatamente

com o período de estiagem,

quando a geração hidrelétrica

cai. Mas, para mantermos

essa contribuição estável,

precisamos enfrentar as fragilidades

estruturais e institucionais

que ainda limitam o setor",

defende o especialista.

A pesquisa também aponta soluções

para reduzir os riscos e

aumentar a resiliência do setor

sucroenergético, como expandir

a irrigação em áreas estratégicas;

modernizar e digitalizar

os sistemas de irrigação existentes,

minimizando perdas;

aprimorar estratégias de manejo

hídrico integradas e fomentar

políticas públicas de

incentivo, garantindo instrumentos

de apoio a produtores

e indústrias na adoção dessas

medidas, além de estimular a

inovação e difusão tecnológica

no setor.

Bufon ressalta que muitas dessas

soluções já estão em desenvolvimento

ou aplicação em

pesquisas conduzidas pela

Embrapa. "Nosso foco é contribuir

para uma agricultura climaticamente

inteligente, que

não apenas aumente a produtividade,

mas também fortaleça

a capacidade de adaptação

às mudanças climáticas e

contribua para a redução das

emissões de gases de efeito

estufa", conta.

12

Jornal Paraná


Sinergia com outras matrizes energéticas

Um dos pontos centrais da

análise é mostrar como a

bioeletricidade da cana se integra

de forma sinérgica e

complementar a outras fontes

renováveis, fortalecendo a

matriz energética. Enquanto a

geração solar fotovoltaica é

mais limitada durante o inverno

e nos meses secos do

Centro-Sul, além de só poder

ser produzida durante o dia, e

a geração hidrelétrica sofre

com a redução dos reservatórios

na estiagem, a bioeletricidade

da cana pode ser gerada

também à noite e atinge o seu

auge justamente no período

da seca, quando ocorre a colheita

da safra.

Com isso, os pesquisadores

consideram o setor sucroenergético

um aliado fundamental

na busca por maior segurança

energética. "Quando

as hidrelétricas reduzem a sua

geração, as termelétricas a

biomassa de cana (bagaço e

palha) assumem papel decisivo

para garantir a estabilidade

do sistema elétrico. É

um recurso firme, capaz de

oferecer suporte confiável justamente

nos períodos mais

críticos do ano", reforça

Bufon.

Os resultados da pesquisa

foram publicados na revista

científica Environmental Advances.

O artigo destaca que,

em países altamente dependentes

da hidreletricidade,

como o Brasil, é fundamental

investir em fontes complementares

capazes de reduzir a

vulnerabilidade climática e

operacional do sistema. Para

os pesquisadores, a bioeletricidade

da cana é um dos caminhos

mais promissores,

desde que sejam superados

os gargalos que hoje limitam

a sua expansão e estabilidade.

Agricultura climaticamente inteligente

As medidas propostas se alinham

ao conceito de Agricultura

Climaticamente Inteligente,

que busca conciliar três

objetivos principais: elevar de

forma sustentável a produtividade

agrícola, fortalecer a resiliência

dos sistemas produtivos

e reduzir as emissões

de gases de efeito estufa.

Nesse contexto, a bioeletricidade

da cana se apresenta

como uma solução que vai

além do setor energético, conectando-se

a uma agenda

mais ampla de sustentabilidade

e segurança alimentar.

Ao utilizar resíduos agrícolas -

como o bagaço da cana - para

gerar energia, o setor contribui

para a economia circular e fortalece

a bioeconomia, reduzindo

a dependência de fontes

fósseis e otimizando o aproveitamento

dos subprodutos

da lavoura.

A pesquisa mostra que, embora

os desafios sejam significativos,

as oportunidades

são ainda maiores. O Brasil,

por ser um dos maiores produtores

de cana-de-açúcar do

mundo, possui vantagens

comparativas únicas para

consolidar a bioeletricidade

como parte central da matriz

elétrica. O avanço dependerá,

no entanto, de investimentos

contínuos em infraestrutura,

inovação tecnológica e políticas

públicas integradas de

longo prazo.

Para Bufon, o setor sucroenergético

pode desempenhar

papel decisivo não apenas no

fornecimento de energia, mas

também na transição para

uma economia de baixo carbono.

"Se conseguirmos fortalecer

a resiliência da bioeletricidade,

estaremos dando

um passo importante para

garantir a segurança

energética do País e para

cumprir os compromissos internacionais

de mitigação climática",

conclui o pesquisador.

O trabalho também foi parte do

doutoramento de Jasmim Zevallos

e contou com a participação

de Zita Sebesvari, da Universidade

das Nações Unidas

(Alemanha), e Jakob Rhyner, da

Universidade de Bonn. O trabalho

foi publicado na revista Environmental

Advances (Elsevier).

Jornal Paraná 13


MANIFESTO

Biodiesel, energia sustentável

que move e alimenta

Associações do setor reafirmam o compromisso com o desenvolvimento e com

o investimento no biocombustível para a transição energética no transporte

A30ª Conferência das

Nações Unidas sobre

as Mudanças Climáticas

(COP 30) realizada

no Brasil carrega em sua pauta

o desafio de olhar para as iniciativas

reais, que cumprem objetivamente

e no curto prazo a

missão de reverter o quadro de

aquecimento global e eventos

extremos que tantos danos têm

causado na vida e na economia

de todas as sociedades de forma

indiscriminada.

O Brasil apresentou o plano de

ação para o compromisso para

elevar quatro vezes a produção

e o uso de combustíveis sustentáveis

até 2035 globalmente. O

Brasil é referência a ser seguida

em utilização das mais variadas

rotas de biocombustíveis. Neste

cenário, a Associação Brasileira

das Indústrias de Óleos Vegetais,

a Associação dos Produtores

de Biocombustíveis do Brasil

e a União Brasileira do Biodiesel

e Bioquerosene reforçam a solução

real que o biodiesel representa

e o compromisso de

continuar a investir e ampliar

essa oferta.

A produção de biodiesel no Brasil

completou 20 anos de trajetória

bem-sucedida para apoiar

os compromissos brasileiros de

transição energética e as metas

de descarbonização. São 58

usinas distribuídas em 14 estados,

com capacidade autorizada

pela Agência Nacional do Petróleo,

Gás Natural e Biocombustíveis

(ANP) de 15,6 bilhões de

litros ao ano, suficiente para suprir

já uma mistura de 22% no

diesel usado no país.

O biocombustível movimenta o

país de Norte a Sul e carrega

com ele a potência do desenvolvimento

sustentável que impulsiona

a economia verde, gera

emprego de qualidade, protege

o meio ambiente e impulsiona a

cadeia de agronegócio ampliando

a oferta de alimentos para o

mundo. Esta é uma solução

pronta, de qualidade reconhecida,

menor custo de transição

e maior impacto ao meio ambiente,

capaz de descarbonizar

o transporte em todos os modais

- de caminhões a navios,

de ônibus a tratores.

O biodiesel é muito mais que

energia: Reduz em até 94% as

emissões de gases de efeito estufa;

Inclui 300 mil agricultores

familiares, que movimentam R$

9 bilhões por ano em matériasprimas;

A cada aumento de um

ponto percentual da mistura de

biodiesel no diesel fóssil projeta

uma ampliação de 3,59% de

empregos em toda a cadeia produtiva;

Fortalece a economia:

cada R$ 1 investido em biodiesel

gera R$ 4,40 na economia;

O PIB da cadeia soja/biodiesel já

cresceu 5 vezes mais que a

média nacional; Com a mistura

atual de 15% de biodiesel (B15),

o país reduz em cerca de 674

milhões de litros por ano a dependência

de importação de

diesel, o que equivale a uma

economia na balança de US$

470 milhões; Já evitamos a

emissão de 127 milhões de toneladas

de CO₂ equivalente, o

que vale o mesmo que plantar

930 milhões de árvores.

A produção brasileira de biodiesel

cumpre diversas especificações

de qualidade definidas pela

ANP, sendo consideradas uma

das mais rigorosas do mundo.

O uso de biodiesel contribui para

reduzir a incidência de doenças,

o que eleva a expectativa de vida

da população e promove o incremento

da produtividade econômica.

O biodiesel estimula a redução

de custos da proteína animal, o

que ajuda a reduzir o preço dos

alimentos para o consumidor.

Cerca de 75% da matéria-prima

para produzir biodiesel é óleo de

soja. Para produzir o óleo é necessário

o esmagamento do

grão, que resulta em farelo, principal

insumo das rações animais.

Em 2023, com o avanço

do biodiesel, foram R$ 3,5 bilhões

em redução de custo da

produção de proteínas animais.

O resultado são carnes mais baratas

e menos inflação no país.

O Brasil tem em mãos um combustível

que é renovável, inclusivo

e competitivo. O biodiesel

reduz poluição, melhora a saúde

da população, gera renda no

campo, movimenta a economia

e ainda coloca o país na liderança

da energia sustentável.

Nos fóruns globais sobre sustentabilidade

e descarbonização,

essas credenciais colocam o

país na liderança mundial da

transição energética. O biodiesel

brasileiro é a força que transforma

o presente e garante o futuro.

Para isso, as associações do

setor destacam a importância

de: Seguir com políticas públicas

como Combustível do Futuro,

que proporcionam previsibilidade

e segurança jurídica

com os marcos regulatórios e

que continuam a impulsionar o

investimento na oferta de biodiesel,

estruturando a cadeia e

gerando economia e desenvolvimento

sustentável; Promover

o desenvolvimento de variedades

de matérias-primas que impulsionam

o agronegócio, em

especial a agricultura familiar

respeitando as características

específicas de produção em diferentes

regiões brasileiras; e

Crescer a produção respeitando

as áreas de preservação, conforme

estabelecem as leis brasileiras

de proteção ambiental, a

Política Nacional de Biocombustíveis

do Brasil, criada para estimular

a produção e o uso de

biocombustíveis de forma sustentável,

e as exigências técnicas

e legais para a emissão do

Certificação da Produção Eficiente

de Biocombustíveis

(CBIO).

Também destacam a necessidade:

Promover e estimular os

sistemas de avaliação e controle

de qualidade do biodiesel na

produção e na distribuição do

produto de forma a garantir que

o consumidor tenha direito de

acesso ao benefícios de utilizar

uma energia renovável; e Combater

mitos e notícias falsas sobre

biodiesel, reforçando que o

Brasil é referência e pode liderar

soluções globais com ampliação

de produção de energia e de

alimento; E que o país siga com

força, movido a biodiesel, e seguem

comprometidas com seu

desenvolvimento.

14

Jornal Paraná


DOIS

Incertezas

PONTOS

Desigualdade

O agro foi fundamental para a

melhora de alguns indicadores

econômicos no Brasil em 2025,

como o crescimento do PIB e a

redução da inflação, que deve

fechar o ano em 4,4%, mas fatores

internos e externos representam

riscos e vão desafiar os

produtores rurais em 2026, de

acordo com dados divulgados

e projeções feitas pela Confederação

da Agricultura e Pecuária

do Brasil (CNA). A CNA explica

que a recuperação econômica

do produtor rural dependerá da

capacidade de articular soluções

estruturais que reduzam a

vulnerabilidade financeira e climática,

promovendo previsibilidade,

confiança e resiliência

para um crescimento sustentável

do agro brasileiro.

O Brasil ocupa o quinto lugar

entre 216 países em novo relatório

global sobre desigualdade

de renda. Os 10% dos

brasileiros no topo da pirâmide

de rendimentos per capita

capturam 59,1% da renda

nacional, enquanto a metade

mais pobre fica com apenas

9,3%. O país aparece atrás

apenas de África do Sul, Colômbia,

México e Chile. Em relação

à concentração da riqueza,

que inclui ativos financeiros

e outros bens, como

imóveis e aplicações, o Brasil

está na sexta posição. Os

10% mais ricos detêm 70%

do total, e o 1% no topo, mais

de um terço. Os dados constam

da terceira edição do Relatório

da Desigualdade Global,

realizado pela rede do

World Inequality Lab.

Previsão

A previsão é de crescimentos mais moderados em 2026 para o PIB do agronegócio, de

1%, índice que considera a geração de riqueza no campo e no restante da cadeia, como

produção de insumos e processamento dos alimentos, e do Valor Bruto da Produção (VBP),

de 5,1%, que representa a geração de renda dentro da porteira. Em 2025, esses índices

devem fechar o ano com altas de 9,6% e 11,9% em relação a 2024. As perspectivas para

2026 são positivas. A produção agrícola em geral deverá crescer novamente e bater novo

recorde, o problema está na rentabilidade da atividade, apontou a CNA. Fatores externos

também vão desafiar o agronegócio em 2026 e podem impactar nos resultados do setor.

A CNA avalia que o ano será marcado por intensas movimentações no mercado, com a

manutenção da política comercial agressiva dos Estados Unidos. O campo passa por um

momento de “ajuste” diante do aumento do endividamento e das restrições de crédito.

O Senado aprovou o marco

temporal para a demarcação de

terras indígenas. Ele foi aprovado

por 52 votos favoráveis,

15 contrários e uma abstenção,

seguindo agora para a Câmara

dos Deputados. O texto diz que

os povos indígenas só podem

reivindicar terras ocupadas ou

sob disputa até 5 de outubro de

1988, data da promulgação da

Constituição. Essa previsão é

Marco temporal

criticada pelos povos originários,

que alegam risco aos territórios

já demarcados, e

Nordeste

O setor sucroalcooleiro do Nordeste

está enfrentando nesta

safra 2025/26 diversos reveses,

que passam por preços baixos

do açúcar no mercado internacional,

custos em alta, efeitos do

tarifaço americano, que ainda

atingem as exportações regionais

da commodity, e um clima

que pode reduzir a produção.

defendida pelo agronegócio,

que reclamam da quantidade de

terras indígenas.

Tanto usinas como produtores

de cana já avaliam que podem

ter prejuízos na temporada e defendem

medidas de apoio do

governo para amenizar a crise.

Ano desafiador

União Europeia

O Parlamento Europeu avançou

na criação de um mecanismo

de salvaguardas que

pode reduzir potenciais ganhos

de produtores agrícolas brasileiros

com o acordo de livre

comércio entre União Europeia

e Mercosul. A medida foi muito

mal recebida em Brasília, que

fala em resistir à tentativa da

UE de incluir esse mecanismo

O ano de 2025 ficou marcado

pela derrocada dos preços do

açúcar na ICE, que atingiram

o fundo do poço e tombaram

24% período. E para 2026, o

Citi espera mais uma safra

desafiadora, com preços fracos

de açúcar e uma possível

queda nos preços do etanol,

comprimindo as margens dos

players brasileiros. Os principais

catalisadores positivos

para os produtores dependem

de uma possível mudança no

mix de produção (redução do

açúcar e aumento do etanol)

e de uma eventual recuperação

dos preços do petróleo,

que poderia impulsionar o etanol,

melhorando sua paridade

energética em relação à gasolina.

no acordo. Os dois blocos se

preparam para a assinatura do

tratado, no dia 20 de dezembro,

cujas negociações foram

concluídas com sucesso depois

de duas décadas. Em última

instância, a criação das

salvaguardas pode levar a um

problema de última hora e

gerar novo impasse, fazendo o

acordo subir no telhado.

Jornal Paraná

15


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