edição de 15 de dezembro de 2025
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propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.072 - 15 de dezembro de 2025 R$ 20,00
Mesmo em ano de grandes desafios,
mercado mostra resiliência e cresce
O ano de 2025 cruza fronteiras sem precedentes na história da propaganda mundial. Novas dinâmicas da indústria, nascidas da fusão entre o Grupo Omnicom
e o Interpublic Group (IPG), devem influenciar o mercado nos próximos anos, com culturas e soluções integradas no lugar de redes que traziam o nome
de seus fundadores. Incertezas alimentadas pela fadiga digital e complexidade da mídia impõem desafios crescentes em um mundo de atenção cada vez
mais fragmentada. Mas a resiliência brasileira venceu mais uma vez. A despeito das adversidades, agências investiram R$ 19,4 bilhões em compra de mídia
de janeiro a setembro, segundo o último Painel Cenp-Meios, registrando alta de 9,07%. Especial com a retrospectiva de 2025 traz os principais fatos que
marcaram a publicidade brasileira e pesquisas globais que indicam tendência de pressão por mais eficiência e resultados no próximo ano. pág. 20
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Alê Oliveira
Whext reúne ecossistema do
audiovisual e do marketing
VP da Diageo, Guilherme Martins participou de painel mediado por
Cris Lopes (Conspiração Filmes) no festival comandado pela CEO da
Apro e FilmBrazil, Marianna Souza. Evento no Masp contou também
com noite de premiação a profissionais e produtoras. pág. 38
Disputa entre
Netflix e Paramount
pela Warner revela
urgência por escala
Após semanas de negociações, a Netflix
anunciou acordo de cerca de US$ 83 bilhões
para adquirir os ativos de TV, cinema e
streaming da Warner Bros. Discovery. Poucos
dias depois, a Paramount Skydance fez
uma oferta de US$ 108 bilhões. Para especialistas,
o movimento deixa claro o papel
central dos catálogos no modelo atual
dos streamings. pág. 40
Divulgação
CP+B impulsiona a expansão
do Stagwell no Brasil e AL
Vinicius Reis fala sobre trabalho à frente da CP+B e do Grupo Stagwell
na América Latina. Principal negócio da holding no Brasil, a agência
acaba de ganhar a conta da M. Dias Branco, dona das marcas Piraquê,
Vitarella, Adria, Isabela, Frontera e Jasmine. pág. 16
editorial
Armando Ferrentini
Onda de fusões
A
onda recente de fusões e consolidações na indústria global de publicidade, entretenimento
e mídia acende o alerta para um modelo de agrupamento de operações
nunca visto antes. A conclusão da compra do IPG (Interpublic Group) pelo
Omnicom deu origem ao maior grupo de comunicação global, com receitas combinadas
de US$ 25,6 bilhões, e acabou com marcas consagradas da propaganda mundial, como
DDB, FCB e MullenLowe.
O impacto será enorme com o redesenho das agências. O Omnicom anunciou que as
redes DDB e MullenLowe serão incorporadas à TBWA, enquanto a FCB foi absorvida pela
BBDO. Mas o que o grupo não explicou ainda é como as agências locais debaixo do
guarda-chuva dessas redes ficarão.
Conforme o propmark noticiou, a DM9 (que está abaixo da DDB) será extinta, bem como
a Lew’Lara\TBWA e a ID\TBWA, dando origem à nova TBWA Brasil. Segundo fonte, a solução
pela união das agências envolveria a saída de Marcia Esteves da posição de CEO e
de sócia da Lew’Lara, sendo que a nova TBWA Brasil passaria a ter a liderança tríplice de
Pipo Calazan e Thomas Tagliaferro (CEO e COO da DM9) e Camila Costa (CEO) da ID.
O Omnicom enviou comunicado ao jornal negando a unificação das agências. A holding
afirmou que não há planos definitivos aprovados para o Brasil no momento e informou
que as mudanças serão anunciadas em janeiro.
Ainda segundo fonte do propmark, o Omnicom vai manter inalterada a gestão da Almap-
BBDO, que fica no guarda-chuva da rede BBDO. Também hoje sob a rede DDB, a Africa
Creative, comandada por Sergio Gordilho e Marcio Santoro, permanecerá como marca
independente. Já Luiz Lara (atual chairman da TBWA no Brasil) se tornaria consultor da
área de advertising do Omnicom e não teria função executiva na nova operação. Lara,
que deixa a presidência do Cenp (Fórum da Autorregulação do Mercado Publicitário) em
março do ano que vem, negocia a venda de suas ações com o Omnicom.
Na semana passada, a confirmação da mega-aquisição da Warner Bros. Discovery pela
Netflix também sacudiu o mundo do entretenimento e mídia. O negócio alarmou o mercado
do audiovisual devido à concentração que a Netflix vai ter sobre o universo das
produções, incluindo a possível diminuição na ‘janela’ de lançamento entre a exibição
de um filme nas salas de cinema e a disponibilização no streaming, o que enfraqueceria
as telonas.
A operação consolida sob o mesmo grupo econômico o acervo de franquias e propriedades
intelectuais da Warner Bros., incluindo títulos como ‘The big bang theory’ e ‘Game
of thrones’, e o Universo DC, além do portfólio global da Netflix.
Embora o acordo ainda dependa de análise regulatória, a Paramount jogou mais dúvidas
no cenário ao fazer uma oferta de US$ 108,4 bilhões pela Warner, poucos dias depois
do anúncio da compra pela Netflix, cuja proposta é estimada em US$ 82,7 bilhões. Até
o momento, a Netflix e a Warner não comentaram publicamente a oferta concorrente.
Retrospectiva
O Especial Retrospectiva 2025 do propmark, publicado nesta edição, mostra que a manipulação
de algoritmos e a regulamentação de plataformas estiveram entre os temas
mais discutidos no ano.
E apesar de o mercado publicitário no Brasil ter crescido - segundo o último relatório
divulgado pelo Cenp-Meios, houve avanço de 9,07% nos investimentos em mídia via
agências entre janeiro e setembro de 2025, movimentando R$ 19,4 bilhões -, pesquisas
globais indicam tendência de pressão por eficiência e resultados no próximo ano.
Aviso aos leitores e anunciantes: a última edição impressa do propmark em 2025 circula
no dia 22 de dezembro e a primeira de 2026 será em 12 de janeiro. O site será
atualizado normalmente no período.
Frase:“As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente
e encaram o futuro sem medo” (Epicuro).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
Fernando Justus Fischer detalha prioridades da emissora em um momento
de reestruturação, novas parcerias e expansão multiplataforma, com foco
em inovação, integração e fortalecimento comercial.
3ª
A lógica comercial
do ‘novo SBT’
Sam anuncia rebranding e passa a atuar
como plataforma de entretenimento
Criada como South America Memes, a Sam amplia portfólio e estrutura para
operar como empresa de entretenimento, com novos produtos, identidade
visual e projetos em múltiplas plataformas.
Omnicom nega decisão final
sobre unificar DM9, ID e
Lew’Lara na TBWA Brasil
Após notícia sobre possíveis mudanças estruturais, o Omnicom afirmou
que não há plano definitivo aprovado para o Brasil. A holding classificou
as informações como especulativas e informou que qualquer decisão
será comunicada oficialmente em janeiro.
4ª
Galeria, BETC Havas e Accenture não avançaram na concorrência. Africa
Creative segue na disputa, via Omnicom, competindo com Publicis Groupe e
WPP pela conta da marca.
5ª
Conta da Natura
sairá da Galeria
DDB, FCB e MullenLowe são desativadas
após fusão de Omnicom e IPG
A união dos grupos resultou na absorção das redes pelas estruturas de TBWA
e BBDO. A McCann permanece ativa, e o novo conglomerado se torna o maior
do setor, com receita combinada de US$ 25,6 bilhões.
4 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
O ÚLTIMO CASE
DE SUCESSO DA DPZ
É A PRÓPRIA DPZ.
FECHAMOS O ANO
COM DUAS CHAVES
DE OURO:
A DPZ, AGÊNCIA DO ANO,
E BENJAMIN YUNG, LIDERANÇA
DE AGÊNCIA DO ANO NO PRÊMIO
MELHORES DO PROPMARK 2025.
De virada é mais gostoso.
E, mais que superar outras agências,
a DPZ se superou. Como vem fazendo
desde 1968, se reinventou de novo
para mudar o jogo. Reencontrar
o legado por trás das 3 letras icônicas
foi um trabalho de time,
com muito esforço, muitas ideias
e muitos resultados para os clientes.
Uma reconstrução que nos enche
de orgulho, como esse prêmio.
Porque, quando o trabalho é coletivo,
o reconhecimento também é.
índice
Mercado se equilibra
e cresce em um ano
complexo e desafiador
Mesmo com todas as
adversidades de 2025,
a publicidade brasileira
cresceu. O Cenp-Meios
mostra alta de 9,07% no
investimento em mídia de
janeiro a setembro, num total
de R$ 19,4 bilhões.
20
Cenp e Anbima fecham acordo que
inclui práticas de autorregulação
Iniciativa aproxima publicidade e mercado financeiro,
com iniciativas como certificação e qualificação para
boas práticas em ambos setores. O encontro para selar
a parceria reuniu os presidentes das entidades, Carlos
André (Anbima) e Luiz Lara (Cenp). pág. 30
CNN Brasil lança app para CarPlay
e implementa vários projetos de IA
O canal completa cinco anos de operação no país e
encerra 2025 ampliando os pontos de contato com o
público. Entre as novidades está o app da CNN para
carros, como detalha Alexandra Mendonça, diretoraexecutiva
de aceleração digital e inovação. pág. 39
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propmark
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Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Editora-assistente
Adrieny Magalhães
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
Lucas Boccatto
Revisão
José Carlos Boanerges
Publicidade
Gerente de contas
Mel Floriano
mel@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0748
Assinaturas
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Redação
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As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................4
Conexões ...........................................................................8
Curtas .................................................................................10
Out of Home ......................................................................14
Entrevista ..........................................................................16
Retrospectiva 2025...........................................................20
Mercado .............................................................................30
Digital ................................................................................35
Whext .................................................................................38
Mídia ..................................................................................39
ESG no MKT ........................................................................42
Conexão Ásia .....................................................................44
Quem Fez ...........................................................................46
Inspiração ..........................................................................47
Click do Alê ........................................................................48
Última Página ....................................................................50
Google divulga lista
com os produtos mais
‘desejados’ em 2025
O Google revelou os 50 itens mais
buscados para compras. A lista
‘Os mais desejados do ano’ aponta
tendências de consumo de 2025.
O boneco Labubu (foto) lidera o
ranking, que traz ainda o celular
Poco X7 Pro e as canetas ‘Bobbie
Goods’. pág. 35
6 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
conexões
última hora
Instagram:
Post: Omnicom une DM9, ID e
Lew’Lara na nova TBWA Brasil
Uma pena ver marcas tradicionais da
publicidade serem extintas!
Leandro Ogalha
Matar o nome DDB é uma heresia!
Rodrigo Castro
troca de agência
O Sam’s Club está transferindo a sua conta publicitária da WMcCann para a Publicis Brasil. A
mudança ocorre três meses após a nomeação de Júlio Alves como chief marketing officer
de Carrefour Varejo e Sam’s Club, em setembro. Parte do Grupo Carrefour Brasil, o Sam’s Club
integra um portfólio que também inclui Atacadão e Carrefour, marcas que, globalmente,
trabalham com o Publicis Groupe. “A mudança acompanha e se conecta com a estratégia
de simplificação do Grupo Carrefour Brasil, unificando e centralizando o atendimento das
bandeiras Carrefour e Sam’s Club em uma única agência”, afirmou Júlio Alves ao propmark.
copa 2026
A BR Media e a TNT Sports fecharam parceria voltada à cobertura digital da Copa de 2026.
O projeto envolve estratégia social first para conectar marcas às conversas da torcida
brasileira. A iniciativa traz pacotes de patrocínio que combinam conteúdos proprietários
nos canais dos creators, das marcas e da TNT Sports. Segundo as empresas, o ecossistema
multiplataforma alcança cerca de 117 milhões de pessoas por mês.
Post: Click do Alê: Whext Awards
2025 anuncia vencedores
Robertinho Bellezia, o melhor que temos!
Dulce Fernandes
Post: Click do Alê: Prêmio Marcas &
Consumidores 2025
Obrigado, propmark, pela nossa parceria
desde a 1ª edição do evento!
João Alberto Faria
Duailibi Essencial
Post: Grupo We anuncia Rui Branquinho
como CCO
Boa sorte, arrebenta!
Paulo Sanna
“A esperança é o sonho do homem acordado” (Aristóteles).
Post: Fbiz tem novidades em criação,
atendimento e estratégia
Timaço!
Daniela Pina
Post: Alex Adati é o novo diretor-
-executivo de criação da Artplan
Vai arrepiar!
Leandro Amaral
dorinho
esquire
A Esquire Brasil contratou Marcos Gomez (foto) como diretor-comercial. Com mais de duas
décadas de atuação na Editora Abril, o executivo retorna ao mercado publicitário para liderar
a área de negócios da operação brasileira da marca global, que hoje atua como plataforma
integrada entre revista impressa, digital, redes sociais e eventos. Gomez vai liderar a
comercialização de projetos alinhados aos pilares editoriais da Esquire, que incluem lifestyle,
moda, viagens, gastronomia, arquitetura, design, carros e alta relojoaria. A área tem como
objetivo conectar anunciantes ao público masculino contemporâneo por meio de formatos
híbridos e iniciativas multiplataforma.
suba
A Hive, empresa brasileira do segmento
de wellness com seis marcas próprias,
anunciou a Suba como sua nova parceira de
comunicação. A agência será responsável
pela estratégia de influência, plano de
conteúdo always on e reposicionamento. O
trabalho engloba as seis marcas do grupo
— Holos, Hyper, Looseit, Nimbus, Reskin e
Ritus —, que atuam em categorias como
sono e bem-estar, longevidade, performance
física, controle de peso e cuidados com a
pele. Kadú Pimentel, sócio e CEO da Hive,
e Fabiana Bruno, CEO da Suba, celebraram
o início da parceria, “que busca ampliar a
conexão com diferentes comunidades”.
8 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
A NOSSA RETROSPECTIVA
TODO MUNDO VÊ.
Em 1995, nossa energia entrou em cena para mudar
o roteiro do cinema brasileiro. Do primeiro ato,
com “Carlota Joaquina”, à atual estrela,
“O Agente Secreto”, já são mais de 600 filmes patrocinados.
Esse investimento contínuo, ao longo de 30 anos,
tem fortalecido nossa indústria criativa, formado
plateias e conquistado reconhecimento internacional.
É por tudo isso que a Petrobras tem orgulho de assinar
os créditos dessa história que todo mundo vê.
curtas
Freepik
Compras de fim de ano estão nos
planos de 86% dos brasileiros
Os consumidores devem gastar uma média de R$ 250 com presentes neste fim de ano, mesmo
valor aplicado em 2024. Controle e estabilidade guiam o comportamento, influenciado também
por vínculos afetivos. “Presentear é um gesto emocional, ritualístico. Mesmo quando existem
restrições financeiras, o brasileiro reorganiza prioridades para manter esse momento dentro do
núcleo familiar”, lembra Eduardo Mesquita, coordenador de pesquisa conduzida pelo Centro de
Estudos Aplicados de Marketing (CEAM) da ESPM, com 400 participantes de todas as regiões do
país. Motivações, canais de compra, categorias de interesse, uso de tecnologia, planejamento
financeiro e intenção de viagem foram os critérios analisados. Segundo o estudo, 86% dos
consumidores planejam compras de Natal e Réveillon. Inteligência artificial aparece como aliada
em pesquisas de recomendações de presentes para 25% da amostra. “A IA não apenas se tornou
um novo buscador. Em muitos casos, ela substitui reviews e até mesmo recomendações de amigos
e especialistas”, ratifica Mesquita. Compras antecipadas pela Black Friday (77%) e viagens
(42%) também caracterizam o período. Mas 30% pretendem guardar dinheiro e 14% descartam
despesas adicionais por não terem recursos financeiros disponíveis para compras de fim de ano.
“Mesmo diante de limitações financeiras, os rituais de celebração se mantêm”, reforça Mesquita.
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internet muda perfil do torcedor
Divulgação
índice de diversidade reconhece Betc havas
Engajamento no futebol se transformou em um fluxo contínuo de cultura e cocriação
Marina Licarião e Maiusi Vieira: especialistas em diversidade e inclusão da BETC Havas
O futebol é um símbolo da identidade nacional para 77% dos mil entrevistados na pesquisa ‘A
era dos fandoms: Modo torcida’, desenvolvida pela Monks. Das transmissões tradicionais para um
ambiente distribuído entre creators, memes, podcasts e formatos participativos, a narrativa do
esporte se fragmentou. O engajamento digital cresceu 72% entre 2019 e 2024, enquanto a presença
física nos estádios caiu 8% no mesmo período. Quatro perfis foram identificados: muito além
do placar, torcida íntima, bagunça core e neofanáticos. “O engajamento no futebol deixou de ser
um evento e se tornou um fluxo contínuo de cultura. O torcedor não apenas consome: ele cocria,
interpreta e influencia. Marcas que não compreenderem esses novos ‘modos torcida’ arriscam
perder relevância”, avisa Marina Pires, country managing director da Monks.
O Índice HRC Equidade BR 2025 reconheceu a BETC Havas como uma das ‘Melhores Empresas
para Pessoas LGBTQ+ Trabalharem no Brasil’ pelo segundo ano consecutivo. “A pluralidade
é o que move a criatividade e a inovação”, comenta Larissa Lacerda, chief people officer da
agência. A BETC possui área de diversidade integrada ao RH e um comitê de diversidade,
equidade e inclusão, que atua em grupos de afinidade e ações afirmativas. Treinamentos,
combate ao assédio e discriminação, incentivo ao uso do nome social e banco de talentos
para grupos sub-representados estão entre as práticas adotadas. Pessoas da comunidade
LGBTQIA+ ocuparam 33% das vagas da última edição do programa de estágio voltado para
profissionais de públicos minorizados.
Mario Coelho / Divulgação Artplan
artplan contrata alex adati para criação disputa pela conta da natura continua rui Branquinho é o novo cco do Grupo We
Alex Adati: momento incrível que a agência está vivendo
A Artplan anunciou a chegada de Alex Adati como diretor-
-executivo de criação da agência em São Paulo, que já conta
com os ECDs Roberta Moraes e Renato Simon. Adati se reportará
aos CCOs Rodrigo Almeida (Monte), Rafael Gil e Marcello
Noronha. “É um prazer imenso chegar à Artplan nesse momento
incrível que a agência está vivendo e me juntar a esse
time de profissionais extremamente talentosos”, diz Adati,
que possui 17 anos de carreira, com passagens por LePub,
AKQA, Wieden+Kennedy, Wunderman+Thompson (atual VML),
DM9, FCB, Publicis e Loducca. Ele participou de projetos para
Heineken, Nike, Netflix, Google, iFood, Heinz, Ford, Mondelez,
Nestlé e MTV. “Um líder criativo de extremo talento que se
junta ao time da Artplan para nos ajudar a criar ainda mais
trabalhos memoráveis para nossos clientes”, finaliza Monte.
Divulgação
Loja da Rua Oscar Freire, em São Paulo, na ação Crer para Ver
Galeria, BETC Havas e Accenture não passaram para a
segunda fase da concorrência da Natura. Isso significa
que a Galeria, uma das atuais agências do anunciante,
perde a conta. Segundo fontes do propmark, a Africa
Creative, que também atende a Natura, se mantém no
processo por meio do Grupo Omnicom, disputando com
Publicis Groupe e WPP. Em outubro, a Natura deixou
de vender cosméticos por um dia para promover Crer
para Ver, marca que contribui para educação no Brasil.
Idealizada pela Africa Creative, a ação ocorreu na loja
conceito da Natura localizada na Rua Oscar Freire, em São
Paulo. O lucro da linha é revertido em sua totalidade para
projetos de educação, transformando a vida de milhões
de pessoas em todo o país há 30 anos.
Miro Media/Divulgação Grupo We
Rui Branquinho: contribuir para o
próximo capítulo de crescimento
Rui Branquinho é o
novo chief creative
officer (CCO) do
Grupo We, dos sócios
Fabio Rosinholi e
Roberto Campos. A
posição acaba de ser
criada. “O Branquinho
chega para fazer
crescer a percepção
de marca do Grupo
We no mercado. Ele
vai promover, de forma
transversal em
todas as empresas e
áreas, ideias e ações
que façam o nosso
trabalho ficar ainda
melhor”, explica
Rosinholi, fundador e co-CEO do Grupo We. “Estou muito feliz
em fazer parte desta jornada e em contribuir para o próximo
capítulo de crescimento e protagonismo do Grupo We”, afirma
Branquinho, que iniciou carreira em 1991 e consolidou sua trajetória
ao longo de sete anos ao lado de Washington Olivetto
na W/Brasil. Passou por DPZ, Y&R e Dentsu, fundou a agência
Cápsula - posteriormente adquirida pela TBWA -, e nos últimos
quatro anos atuou na GiveBack, além de prestar consultoria
criativa para diferentes agências do mercado, como a Monks.
10 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
conteúdo de marca
Inconvencional revela o maior estudo
imagético já feito em um festival brasileiro
Parceria com o The Town analisou 839 mil imagens e vídeos e mostrou
como público e marcas constroem a memória visual do festival
O
The Town 2025 não terminou quando as luzes dos
palcos se apagaram. Nas redes sociais, ganhou
uma segunda vida — expandida, remixada e reinterpretada
pelo público. Foi a partir desse movimento
que a Inconvencional conduziu, em parceria com a Rock
World, o maior estudo imagético já realizado sobre um
festival brasileiro, analisando 839.109 fotos e vídeos publicados
entre 6 e 15 de setembro.
Um retrato inédito da memória
visUal coletiva
Os números dimensionam esse fenômeno. Considerando
a extrapolação de perfis fechados, estima-se que
o público produziu cerca de 1,34 milhão de publicações,
enquanto os vídeos analisados somam 6.500 horas de
conteúdo — o equivalente a mais de 70 edições completas
do festival.
“As imagens falam mais do que o próprio texto quer
dizer. Elas revelam camadas que não aparecem na comunicação
verbal e ampliam a escuta das marcas”, afirma
Sara Gobbi, gerente de Growth Marketing da Rock World.
A análise mostra que alguns elementos se transformam
em símbolos de pertencimento: o letreiro do The
Town aparece em uma a cada cinco fotos, e a roda-gigante
soma mais de 17 mil registros, consolidando-se como
um dos principais cartões-postais do evento. A estética
também varia conforme o line-up — o trap aciona códigos
urbanos, o rock resgata referências alternativas, a
nostalgia ativa reencontros afetivos e o pop abre espaço
para brilho, cor e diversidade. Em todos os casos, a foto
funciona como declaração identitária.
o festival pelas lentes do público
Nos vídeos, 78% das gravações registram artistas
no palco, com destaque para Green Day, Travis Scott e
Katy Perry, todos ultrapassando 40 mil vídeos. Os 18%
restantes revelam um repertório que vai além da música:
GRWM, bastidores, filas, POVs e rituais de abertura.
A experiência se estende para além do show e ganha
novas camadas à medida que o público edita, seleciona
e distribui suas próprias narrativas.
Essa lógica também se aplica às marcas. Uma em cada
dez publicações traz ao menos uma marca, e mais de 19
mil registros foram intencionais, quando o público escolhe
incluir o estande, o brinde ou o símbolo na composição.
“Brindes que parecem de congresso não funcionam em
festivais. O público quer símbolos culturais, algo que faça
sentido estético e emocional para entrar na narrativa deles”,
observa Daniel Dante, cofundador da Inconvencional.
Para Pamela Kirsner, também cofundadora, a força
está na experiência: “No festival, o que se compartilha
não é o brinde em si, mas o sentimento que ele representa.
Marcas que entendem isso ganham espaço no
imaginário coletivo.”
Mapa criado a partir das fotos postadas pelos participantes do The Town 2025, indicando concentração de registros
a metodologia
O estudo utilizou a metodologia proprietária INC.
IMAGE, que combina social e visual listening, scraping,
inteligência artificial e curadoria humana. Ao todo,
mais de 21 mil imagens e vídeos foram analisados individualmente,
alcançando 95% de confiança e margem
de erro de ±0,7 p.p. . Essa combinação de tecnologia e
leitura humana permite interpretar símbolos culturais,
estéticos e comportamentais que não surgem em análises
baseadas apenas em texto.
A leitura final funciona como um guia estratégico
para marcas, festivais e empresas que buscam entender
como são percebidas dentro da cultura visual das
redes. Patrocinadores interessados podem solicitar
deep dives exclusivos, com análises detalhadas de
presença imagética, rituais capturados, circulação de
brindes e performance dos estandes.
Fotos: Divulgação
252 mil fotos e 587 mil vídeos analisados no estudo
• O estudo completo está disponível para quem quiser explorar os
dados, imagens e descobertas na íntegra.
• E, para marcas interessadas em mergulhar mais fundo na
própria atuação no festival, a Inconvencional oferece análises
personalizadas. A equipe está à disposição para conversar e
entender as necessidades de cada projeto.
jornal propmark - 15 de dezembro de 2025 11
PÓS
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Grupo EP adquire 60% da Eletromidia
Campinas, antes sob a gestão da Sprint
Primeira operação entre uma franquia da Eletromidia e uma afiliada
Globo envolve 1,5 mil faces instaladas em ambientes privados
O
Grupo EP fechou acordo para adquirir 60% da
operação da Eletromidia Campinas, atualmente
sob gestão da Sprint Mídia, franquia regional da
empresa. O contrato prevê a possibilidade de compra
total da operação em até cinco anos. Essa é a primeira
transação entre uma franquia da Eletromidia e uma
afiliada Globo, após mais de dois anos de negociações.
A Eletromidia manterá mais de 1,5 mil faces distribuídas
em edifícios comerciais e residenciais, academias,
clubes, padarias, supermercados e vias de grande circulação
da cidade. O negócio contempla exclusivamente as
faces instaladas em ambientes privados. Já os abrigos
de ônibus seguem sob titularidade da matriz da Eletromidia
e continuam sendo comercializados pela franquia.
A Sprint Mídia manterá sua estrutura operacional,
governança e equipe comercial. Guilherme Coelho permanece
como CEO da operação e Alex Prado segue como
diretor-comercial. Coelho passa a se reportar aos co-CEOs
do Grupo EP, André Coutinho Nogueira e Joe Coutinho
Nogueira, que conduzirão um processo sinérgico com a
área de negócios do grupo, liderada por Vinícius Zelante
Góes. Para Guilherme Coelho, o acordo “representa
um passo importante para o mercado regional, reforça
a nossa visão de futuro e estou muito animado com a
sinergia comercial que iremos gerar”, atesta o CEO da
Divulgação
Joe Nogueira e André
Nogueira, co-CEOS
do Grupo EP; o CEO
Guilherme Coelho e
o diretor-comercial
Alex Prado, ambos da
franquia da Eletromidia
em Campinas
Sprint Mídia. “Este movimento reforça a nossa estratégia
multiplataforma e nosso objetivo de oferecer soluções
de mídia cada vez mais completas e inovadoras”, ratificam
André Coutinho Nogueira e Joe Coutinho Nogueira,
co-CEOs do Grupo EP.
Felipe Viante permanece na presidência
da ABOOH para o biênio de 2026 e 2027
Nova gestão apresenta seis diretorias que trabalharão para fortalecer
a jornada de crescimento da mídia OOH com tecnologias emergentes
Felipe Viante permanece na presidência
da Associação Brasileira de
Out Of Home (ABOOH). Andrea Weiss
também continua na posição de CEO. A
entidade acaba de confirmar a sua diretoria
para o biênio 2026/2027, que passa
a contar com lideranças distribuídas em
áreas estratégicas do OOH.
Christian Pinheiro (ADMOOH) assume
Tecnologia e Inovação; Conrado Kallas
(AGFK) ficará responsável pela área Jurídica
e de Fiscalização; Claudia Damas (Altermark)
cuidará de Relações Internacionais;
Lucio Schneider (Eletromidia) passa
a responder por Relações com o Mercado
e Tesouraria; Rafael Saito (HELLOO) assume
Relações Institucionais Setoriais; e
patrocínio
Christian Pinheiro, Rafael Saito, Felipe Viante, Claudia Damas, Lucio Schneider,
Yuri Berezovoy e Andréa Weiss: evolução integrada à tecnologia com segurança
Divulgação
Yuri Berezovoy (RZK) vai liderar Métricas,
Estudos e Pesquisas.
Segundo Viante, a agenda dos próximos
dois anos deverá intensificar a aproximação
entre OOH e tecnologias emergentes.
“Os próximos 24 meses trarão muitas novidades
e uma evolução significativa do OOH,
cada vez mais integrada à tecnologia. Estamos
preparados para conduzir esta jornada
com união, inovação e segurança”, afirma.
Andrea Weiss destaca a maturidade
institucional da entidade e relembra iniciativas
que ampliaram sua atuação recente,
como o curso de mídia OOH e a participação
em eventos nacionais e internacionais, incluindo
o Congresso Mundial da World Out
of Home Organization (WOO).
14 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
Você pode conferir
o estudo acessando
o QR Code ao lado
entrevista
Vinicius Reis
CEO da CP+B e presidente do Stagwell Latam
‘Sempre sonhei em empreender’
Vinicius Reis agarrou a chance de se tornar
empreendedor em 2014, quando aceitou
convite para liderar a visão de negócios e
planejamento da Crispin Porter + Bogusky no
Brasil. A agência fundada nos Estados Unidos
em 1988 era controlada pela canadense MDC
Partners, que se fundiu com o Grupo Stagwell,
de Mark Penn, em 2021. “A CP+B passou a ser
a principal operação da holding no Brasil”,
conta Reis. A agência acaba de ganhar a conta
da M. Dias Branco - dona das marcas Piraquê,
Vitarella, Adria, Isabela, Frontera e Jasmine
-, antes na Lew’Lara\TBWA. “Mark Penn tem
um interesse estratégico claro em fortalecer
a nossa presença na América Latina”, atesta
o executivo, escolhido pelo Stagwell para
“expandir o portfólio, gerar sinergias entre as
agências e acelerar a oferta integrada para
clientes regionais e globais”. Reis comanda
hoje cerca de 600 profissionais no Brasil e 50
na América Latina.
Janaina Langsdorff
Qual é a trajetória do grupo Stagwell?
O Stagwell foi fundado em 2015 por Mark Penn, ex-executivo da Microsoft. A entrada do
Stagwell no mercado global se acelerou a partir de 2019, com o investimento de US$
100 milhões no MDC Partners e a nomeação de Penn como CEO. Em 2021, a fusão entre
Stagwell Group e MDC Partners marcou a criação oficial do Stagwell Inc., ampliando a
presença internacional e consolidando a holding como uma plataforma unificada de
tecnologia, dados, criatividade e mídia. No Brasil, iniciamos a nossa operação em abril
de 2022, tendo a CP+B como estrutura âncora. Desde esse período, lidero a expansão
do Stagwell na América Latina com foco em ampliar capacidades, integrar operações
regionais e acelerar a presença da holding em mercados-chave.
Divulgação
Como começou a história da CP+B no Brasil?
A Crispin Porter + Bogusky foi fundada nos Estados Unidos em 1988. No Brasil, iniciamos
a nossa operação em 2014. A história da operação brasileira começou quando Marcão
(Marcos Medeiros), que fundou a agência junto comigo e Kassu, encontrou Chuck Porter
em um evento fora do país. Porter compartilhou o seu desejo de criar uma operação
da CP+B no Brasil, coincidindo com o momento em que Marcão e Kassu já buscavam
empreender. Nesta época, recebemos um grande suporte de Chuck, que admiramos
pelo talento e pela simplicidade. Marcão e Kassu já formavam uma dupla criativa premiada
na AlmapBBDO, com o desejo de criar trabalhos mais autorais. Eu, que já havia
trabalhado com Marcão na DM9 e sempre sonhei em empreender, fui convidado para
um café e aceitei quase de imediato o convite para liderar a visão de negócios e planejamento
da nova operação. Neste ano, o Marcão deixou a sociedade, e o Kassu assumiu
como coCEO, enquanto eu continuo como CEO, reforçando que a nossa criatividade está
sempre alinhada à solução de problemas reais de negócios dos clientes. Começamos,
literalmente, do zero, sem clientes e, hoje, combinamos criatividade com estratégia de
negócios de forma integrada.
Como a CP+B se posiciona?
A CP+B é uma agência full service de criatividade e estratégia integradas à mídia, dados,
conteúdo e produção. Recentemente, ampliamos a nossa oferta com mídia performance;
e brand e business, unidade criada para atuar além da comunicação, entrando
diretamente nos desafios de negócio dos clientes. A área trabalha com diagnósticos
profundos, posicionamento, arquitetura de marca e desenho de estratégias que impactam
produtos, canais e portfólio. É uma frente que aproxima a agência das decisões de
board e amplia o nosso papel como parceiro de transformação.
Qual é a representatividade da CP+B na receita do Stagwell?
A CP+B é a principal operação do Stagwell na América Latina e uma das agências criativas
mais relevantes do grupo, ao lado de 72andSunny e Forsman & Bodenfors. O nos-
16 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
“A nossa criatividade está
alinhada à solução de problemas
reais de negócios”
so papel transcende a participação financeira: ela é um hub estratégico, conectando
clientes locais ao ecossistema global de tecnologia, dados e performance do Stagwell.
Quais são os clientes da CP+B?
Atendemos 99 (Mobility, Pay e Food), Delícia, JBS, McCain, Forno de Minas, Lenovo, Motorola,
Cerveja Original, Guaraná Antarctica e Zeekr. Também estamos em algumas
concorrências. Não podemos divulgar as marcas, mas são empresas que acreditam na
criatividade como força real de negócio, exatamente o tipo de parceria que buscamos.
Quais as campanhas mais marcantes do ano?
‘Pode entrar’ é a primeira grande campanha institucional da JBS em 70 anos. O projeto
foi lançado no Jornal Nacional e replicado globalmente, considerando a presença da
companhia em mais de 120 países. Incluiu OOH, digital, rádio, conteúdo e social. Tem
ainda o lançamento de 99Food, um dos marcos do ano, com poucos meses entre o
briefing e o lançamento. Produzimos filmes com Paola Carosella, Ivete Sangalo e Pedro
Sampaio, além de uma nova identidade visual e um plano robusto de OOH.
Quanto a CP+B vai faturar em 2025?
Como parte de uma holding de capital aberto, não divulgamos números individuais.
Podemos antecipar que o volume de compra de mídia crescerá mais de 70% em 2025
versus 2024. O motor desse crescimento é a criatividade integrada, que resolve problemas
reais de negócios com tecnologia, performance, dados e conteúdo. Este ano,
conquistamos cinco contas, além de ampliar escopos, como o de Guaraná Antarctica.
Qual a posição da CP+B no ranking de mídia?
Atualmente, ocupamos a 34ª posição no Cenp. Já estamos na 22ª posição no ranking do
Ibope, na atualização de outubro de 2025.
Quantos funcionários a CP+B possui?
Somos mais de 200 profissionais, operando em modelo híbrido, o que equilibra colaboração
presencial e flexibilidade. Estamos localizados na Vila Olímpia, em São Paulo.
Como ocorreu a sua ascensão de CEO da CP+B para presidente do
Stagwell Latam?
Após a fusão entre MDC e Stagwell, a CP+B passou a ser a principal operação da holding
no Brasil. Mark Penn tem um interesse estratégico claro em fortalecer a nossa presença
na América Latina e identificou a necessidade de alguém que entendesse profundamente
as particularidades da região e conseguisse integrar as operações de forma ágil.
Assumi, então, a presidência do Stagwell Latam com o desafio de expandir o portfólio,
gerar sinergias entre as agências e acelerar a oferta integrada para clientes regionais
e globais, mantendo a minha liderança à frente da CP+B.
Como a PROS complementa os negócios do grupo Stagwell?
Adquirimos a PROS, referência em PR criativo e influência, com clientes como O Boticário,
Mondelez, Diageo, Vibra, Camil, Pão de Açúcar, entre outros, em 2024. A PROS vive um
momento de crescimento consistente. Neste ano, conquistou novas contas, como Diageo
e Mondelez, e lançou uma frente especializada na construção de reputação de c-levels,
atuando tanto em imprensa quanto em redes sociais. Reconhecida também por sua habilidade
em criar ações impactantes, é referência em live marketing, ativação de marca e
PR stunt. A agência foi amplamente premiada no Ampro Awards deste ano, acumulando
dez troféus, incluindo o case da loja de inconveniência para a Vibra, que se destacou
com sete troféus em diferentes categorias. Além disso, promove eventos proprietários,
como viagens imersivas e missões internacionais. No SXSW, por exemplo, levou mais de
cem executivos para uma experiência completa de conteúdo e relacionamento. Com essa
combinação de criatividade, estratégia e capacidade operacional, a PROS consolida o seu
posicionamento como uma das agências mais inovadoras e influentes do mercado.
Qual é o papel da Unicepta?
Em 2025, fizemos a aquisição global da Unicepta, líder mundial em inteligência de reputação
baseada em IA. A empresa está sendo integrada ao Stagwell Marketing Cloud e
conectada à Prophet, nossa solução global de PR Tech. Temos uma operação brasileira,
fruto dessa aquisição, que ampliou as nossas capacidades em tecnologia, análise de
reputação e monitoramento avançado. A Unicepta atende clientes como Stellantis, em
uma parceria de longo prazo, e conquistou recentemente a conta da GM. Com a combinação
de análise humana e sistemas avançados de IA e processamento de dados, a
proposta é ajudar as marcas a compreender, em tempo real, como são percebidas por
consumidores, imprensa, influenciadores, stakeholders e pelo mercado. O seu foco está
em transformar grandes volumes de informação, provenientes de mídia espontânea,
redes sociais, relatórios setoriais e conversas digitais, em insights acionáveis para comunicação,
marketing e tomada de decisão estratégica.
Quais as demais investidas?
Há a 99MediaStudio, de mídia dedicada ao ecossistema 99; e a consolidação da presença
da Truelogic, com escritórios no Brasil e na Argentina, especializada em tecnologia, dados
e transformação digital, ampliando a nossa capacidade de oferecer soluções integradas
de software, eficiência, inovação, automação e soluções tecnológicas customizadas.
Qual é o tamanho do grupo Stagwell no país?
Hoje, o Stagwell Brasil se posiciona como um ecossistema completo, unindo criatividade,
tecnologia, reputação e dados para impulsionar crescimento real para marcas e
negócios. Somos cerca de 600 profissionais no Brasil, além de aproximadamente 50 em
outras regiões da América Latina, especialmente em Truelogic e Unicepta. Cada operação
contribui com uma competência essencial — criatividade, PR, reputação, tecnologia
— e, juntas, formam um ecossistema integrado que amplia a nossa capacidade de
resolver problemas de negócio de forma mais completa.
Qual deve ser a receita do Stagwell em 2025?
No terceiro trimestre de 2025, o Stagwell registrou US$ 743 milhões em receita global.
A nossa projeção é crescer 8% em receita líquida neste ano, se comparado a 2024, com
Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado entre US$
410 e US$ 460 milhões.
Há intenção de incorporar mais empresas?
Movimentos de M&A (Mergers and acquisitions ou Fusões e aquisições) fazem parte da
essência estratégica do Stagwell. Em 2024, realizamos 11 aquisições globais e, em 2025,
avançamos com mais três, além de firmarmos parcerias tecnológicas de grande escala,
entre elas, a integração com a Palantir, um dos nomes mais avançados do mundo em
infraestrutura de dados e inteligência artificial. Essa parceria permite ao Stagwell combinar
a capacidade analítica e preditiva da Palantir com as nossas soluções de marketing,
criando um nível totalmente novo de Marketing AI, com modelos que integram dados
proprietários, comportamento do consumidor, investimento de mídia, performance
de campanhas e métricas de negócio em tempo real. Na prática, isso significa decisões
mais rápidas, mais precisas e totalmente orientadas por dados, tanto para o Stagwell
quanto para os nossos clientes.
Estão de olho em quais tipos de negócios?
Seguimos buscando empresas que reforcem os nossos pilares estratégicos de tecnologia
aplicada ao marketing; inteligência artificial e automação; dados e analytics; e
performance e mídia. O pipeline global de M&A e o programa de afiliadas permanecem
ativos, com prioridade para operações que ampliem o nosso impacto em tecnologia,
dados e eficiência de marketing.
Quais são os planos para o próximo ano?
Em 2026, o Stagwell seguirá aprofundando a integração de operações adquiridas, como
PROS e Unicepta, para consolidar um ecossistema que combine criatividade, tecnologia,
reputação, mídia e performance. Também permaneceremos ativos em novos M&As que
reforcem os nossos pilares de dados e tecnologia. Para a CP+B, o foco está na expansão
da liderança em criatividade orientada a resultados, fortalecendo OOH, performance,
conteúdo, dados e tecnologia.
O que guiará o mercado? Como a IA deve evoluir?
O mercado nos próximos anos será guiado por uma criatividade capaz de conectar
mensagens em múltiplos canais e por mensuração precisa e em tempo real. A inteligência
artificial já automatiza muitas tarefas operacionais, mas o seu maior impacto
será potencializar a criatividade e a estratégia, acelerando processos, aumentando a
eficiência e liberando equipes para se concentrarem em decisões mais estratégicas e
de alto valor.
“O volume de compra
de mídia crescerá mais de 70%
em 2025 versus 2024”
jornal propmark - 15 de dezembro de 2025 17
retrospectiva 2025
Alertas de 2025 vão de discursos de ódio
e cansaço digital à pressão por resultados
Ano mostra resiliência dos líderes da indústria da comunicação em
crescer a despeito de desafios do meio e incertezas de mercado
Janaina Langsdorff
O
Dicionário Oxford da Língua Inglesa
escolheu “rage bait” como
a palavra de 2025. A combinação
dos termos “rage” (do inglês, explosão
violenta de raiva) e “bait” (isca) remete
ao “conteúdo online deliberadamente
criado para provocar raiva ou indignação,
sendo frustrante, provocativo ou
ofensivo”. São postagens e articulações
digitais que despertam reações negativas
- as que mais engajam.
A manipulação de algoritmos e a regulamentação
de plataformas estiveram
entre os temas mais discutidos do ano e
essa expressão - uma espécie de “isca de
raiva” - triplicou nos últimos meses, motivando
a decisão da Oxford.
Para além da fadiga causada pelo
excesso de telas, o alarido de ódio propagado
nas redes ficou escancarado na
minissérie britânica ‘Adolescência’ - uma
das mais alarmantes do ano -, lançada
pela Netflix no dia 13 de março. A produção
leva pais e mães a refletir sobre a
influência das redes sociais nas atitudes
de jovens iludidos por discursos de ódio.
Na ficção, Jamie Miller, de 13 anos,
mata Katie Leonard após ser rejeitado
pela colega. Na vida real, garotos ficam
suscetíveis a grupos que pregam
a supremacia masculina. O ex-lutador
Andrew Tate, citado na série, é um dos
instigadores do movimento.
O tema, que pautou uma das capas do
mês de maio, ratifica a escolha de “rage
bait”. No rastro de conteúdos nocivos,
está “brain rot”, termo selecionado em
2024, que indica a diminuição de estímulos
cognitivos devido à exposição de
conteúdo banal na internet. A expressão
ilustrou outra manchete, de 11 de agosto.
A seguir, acompanhe a retrospectiva
de 2025, com as principais movimentações
da mídia, agências, anunciantes
e demais empresas do ecossistema da
indústria da comunicação e suas lideranças
que, como todo brasileiro, lutam para
crescer a despeito de outro ano difícil
que se aproxima.
A minissérie ‘Adolescência’ endossa o termo do ano da Oxford, “rage bait”, que remete a conteúdos digitais feitos para provocar raiva
Resiliência
Acostumado às adversidades, o brasileiro
precisará dobrar a sua disposição
para enfrentar tensões típicas de períodos
eleitorais. Em 2026, a nação vai às
urnas para eleger um novo presidente da
República, governadores, senadores, deputados
federais e estaduais. Mas será
também ano de Copa do Mundo. A esperança
pelo hexacampeonato se renova. E
traz, a reboque, a chance de cifras recordes
na publicidade.
O relatório bianual ‘Ad spend forecasts’,
da Dentsu, prevê um investimento
global em publicidade de mais de US$ 1
trilhão pela primeira vez em 2026, alta de
5,1%. O empurrão deve vir de estratégias
redefinidas pelos algoritmos. A previsão
é de que o Brasil cresça 9,1% - a maior
expansão entre os 12 países analisados.
Mas a cobrança por resultados deve
ficar ainda mais apertada. O estudo ‘Voice
of the marketer 2025’, organizado pela
consultoria de pesquisa Warc - do grupo
britânico Informa, que realiza o Cannes
Lions -, mostra que apenas 19% esperam
aumento de verba, o que amplia a pressão
por eficiência.
A pesquisa ouviu mais de mil profissionais
de marketing sobre os desafios
do próximo ano. “Mesmo com a queda
no otimismo, vale pontuar que parte
majoritária de marcas e agências (54%)
esperam que 2026 seja melhor. Contudo,
a expectativa é de orçamentos mais enxutos,
o que pressionará ainda mais os
profissionais”, confirma Stephanie Siew,
senior research executive da Warc.
Metas imediatistas preocupam 55%
da amostra. “A tensão entre baixa visibilidade
macroeconômica e necessidade
de planejar o crescimento dos negócios
a longo prazo acende um sinal vermelho”,
adverte a diretora de insights Aditya
Kishore. Tarifas comerciais dos Estados
Unidos (61%), inteligência artificial (59%),
e concentração de verbas no meio digital
- que deve absorver 90,3% do montante
global, segundo a Warc Media -, também
afligem os executivos.
andaR com fé eu vou
Enquanto o calendário não vira, 2025
testa a força de seus cidadãos até o fim.
Alheios aos índices de inflação sob controle,
metade dos brasileiros afirma que
a vida ficou mais difícil - a renda está
igual ou pior que antes. O poder de compra
melhorou apenas para 8% dos 1.433
entrevistados pela empresa de pesquisa
e insights de mercado e consumo Hibou
em todo o país. Contas atrasadas (45%),
Reprodução
preços mais elevados nos supermercados
(52%) e nas contas de luz (37%) pesam
no orçamento das famílias.
Saúde, segurança e clima também
desanimam. O atendimento médico é
reprovado por 52% da amostra, que reclama
do preço dos planos, dificuldade
de marcar consultas e tempo de espera.
Na segurança pública, a situação piorou
para 39%. O ceticismo com o clima fica
evidente com a COP30. Só 18% acreditam
que o evento trará benefícios ao país;
para 36%, não haverá impacto; e 26%
acham que a conferência pode piorar a
imagem do Brasil. A COP da implementação
acabou marcada por protestos, e não
convenceu.
O mau humor se agrava com a redução
do home office - ponto sensível do
ano. Para metade das pessoas entrevistadas,
o modelo presencial piora a vida
do trabalhador. O Brasil chega ao fim
de 2025 emocionalmente pressionado,
e descrente da política. “Eventos antes
considerados capazes de balançar
o humor do eleitor não têm o mesmo
impacto. A população está exausta de
crises repetidas e perdeu a expectativa
de transformação”, avisa Lígia Mello,
CSO da Hibou.
20 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
retrospectiva 2025
Internet passa TV pela primeira vez e
SXSW adverte para epidemia da solidão
Mídia domina notícias do primeiro trimestre ao lado da cobertura
do SXSW, que ocorreu em Austin, no Texas (EUA), de 7 a 15 de março
Janaina Langsdorff
O
ano de 2025 começou com a certeza
de que o avanço do mercado
dependerá de criatividade e inovação.
Embalada por essa mescla, a Globo
iniciou a agenda celebrativa do centenário
do grupo - história que remonta a
29 de julho de 1925, quando o slogan ‘Do
povo para o povo’ pavimentou o caminho
de Irineu Marinho rumo à construção
de um dos maiores conglomerados
de mídia do Brasil.
Nascia o jornal O Globo. Depois, vieram
TV Globo; o Sistema Globo de Rádio, hoje
com a CBN; a plataforma de streaming
Globoplay, que produziu o filme ‘Ainda estou
aqui’, de Walter Salles, eleito o Melhor
Filme Internacional do Oscar 2025, e que
consagrou a atriz Fernanda Torres - intérprete
de Eunice Paiva - como Melhor Atriz
em Filme de Drama no Globo de Ouro; os
jornais Valor Econômico e Extra; as revistas
da Editora Globo; o portal G1; e o GE TV no
YouTube; entre outras iniciativas.
Mais um símbolo da mídia brasileira,
o jornal O Estado de S.Paulo também fez
aniversário. Comemorou 150 anos de cobertura
dos fatos políticos, sociais e culturais
que marcaram a história do Brasil.
O investimento em projetos especiais,
que unem jornalismo, branded content e
marketing de influência, puxou o crescimento
capitaneado pelo Blue Studio.
No aniversário de 471 anos de São
Paulo, a homenagem veio da mídia out of
home (OOH) - pulso da vida na cidade. Terceiro
meio que mais movimenta verbas
no país - com montante de R$ 1.426.103 e
participação de 11,9%, segundo dados do
Painel Cenp-Meios do primeiro semestre
de 2025 -, o meio é benchmark do segmento
na capital paulista, que concentra
mais de 50% do faturamento do setor.
Por falar em investimento publicitário,
pela primeira vez, a Internet, com aporte
de mídia de R$ 7,045 bilhões (39,5%), ultrapassou
a TV Aberta, que faturou R$ 6,726
bilhões (37,72%), segundo o Cenp-Meios
de janeiro a setembro do ano passado. No
acumulado de 2024, o mercado publicitário
cresceu 12,17%, para R$ 26,3 bilhões.
Do mundo digital, vieram ainda os 20
anos do YouTube, a polêmica do TikTok
A 39ª edição do festival South by Southwest trouxe debates sobre o impacto do excesso de telas na saúde mental das pessoas
nos Estados Unidos, a decisão da Meta
de encerrar o programa de checagem de
fatos e a análise de especialistas acerca
da sedução de influenciadores mirins. A
falta de controle no uso de redes sociais
por crianças e adolescentes levou à proibição
do celular nas escolas.
Com cifras milionárias, o mercado de
influência atrai negócios. Em fevereiro, o
Publicis Groupe adquiriu a empresa de
marketing de influência BR Media Group.
O grupo francês ainda venceu uma das
concorrências mais emblemáticas do
ano. Foi escolhido pelo Santander para
coordenar ações de publicidade e compra
de mídia globalmente.
A marca passou a ser atendida pela
agência Publicis Brasil, por meio da unidade
Publicis Flame, criada especialmente
para o banco. A movimentação ocorreu
após o período em que a conta foi atendida
pela LePub, pertencente ao mesmo
grupo. A notícia foi antecipada pelo propmark
com exclusividade.
Comunicação corporativa, retail media
e etarismo foram temas de destaque
ao lado do Especial Top Agências e de
reportagem mostrando que os clientes
estão mais fiéis às agências, segundo
relatório da consultoria Scopen.
Fica o alerta para
a epidemia da
solidão, agravada
por quadros de
ansiedade
Em fevereiro, uma das capas mostrou
a força da mulher para liderar negócios
- capacidade ratificada um mês depois
no Especial Lideranças Femininas, em
homenagem ao Dia da Mulher, em 8 de
março, que perfilou 14 executivas em
suas áreas de atuação.
SXSW
A 39ª edição do South by Southwest
(SXSW) ocorreu em Austin, no Texas (EUA),
de 7 a 15 de março de 2025. As sessões
mais disputadas foram conduzidas por
Amy Webb, Ian Beacraft, Michelle Obama
e seu irmão Craig Robinson, Amy Gallo, Jay
Graber, Jim Louderback, John Maeda, Scott
Galloway, Ian Beacraft e Meredith Whittaker.
Entre discursos de especialistas e
Divulgação
gurus, fica o alerta para a epidemia da
solidão causada pelo excesso de telas e
agravada por quadros de ansiedade.
O momento é de valorização das experiências
ao vivo. Esse foi um dos temas
debatidos pelos líderes de marketing que
participaram do ‘TakeOff’, evento promovido
pela agência Hands na SP House com
mediação do CEO Marcelo Lenhard.
As discussões geraram dez diretrizes
apresentadas em encontro realizado no
Teatro B32, em São Paulo, no dia 27 de março.
A SP House é um espaço para debates e
eventos, montado em Austin pelo governo
do estado de São Paulo, por meio da Secretaria
da Cultura, Economia e Indústria Criativas,
em parceria com InvestSP, agência
de promoção de investimentos vinculada
à Secretaria de Desenvolvimento Econômico,
e apoio da Prefeitura de São Paulo.
O período terminou com a revelação
dos finalistas do Marketing Best, um dos
mais tradicionais prêmios do mercado
brasileiro, criado pela Editora Referência
em 1988. Já AlmapBBDO, DM9, VML e MRM
entraram na lista do Creative 100 da
Warc, consultoria de pesquisa do grupo
britânico Informa, realizador do Cannes
Lions - que anunciou o Brasil como primeiro
País Criativo do Ano.
22 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
retrospectiva 2025
Prêmios da DM9 cassados pelo Cannes
Lions afligem a propaganda brasileira
Trimestre terminado em junho trouxe reflexões sobre o uso ético
e transparente da inteligência artificial na criação de campanhas
Janaina Langsdorff
A
publicidade brasileira foi da euforia
ao desalento na 72ª edição do
Festival Internacional de Criatividade
Cannes Lions, realizada na França
entre os dias 16 e 20 de junho de 2025. O
balanço inicial contabilizava 107 Leões.
Mas a realidade logo despencou. Após
a DM9 perder 12 prêmios, o País Criativo
do Ano ficou com 95 troféus, apenas
três a mais que em 2024.
O case ‘Efficient way to pay’ teve o GP
de Creative Data e um Bronze em Creative
Commerce cassados por conteúdo
manipulado com inteligência artificial.
Em telejornal da CNN Brasil, de 2021, a
jornalista Glória Vanique apresentou a
notícia “Aumenta procura por eletrodomésticos
mais econômicos”, alterada
para “Economia na conta de luz vira forma
de pagamento de eletrodomésticos”,
supondo que se tratava da ação. A senadora
estadual DeAndrea Salvador, do
Partido Democrata da Carolina do Norte
(EUA), também apareceu no videocase
com voz e imagem adulteradas.
Questionamentos acerca da veracidade
de ‘Plastic blood’ ainda fizeram
com que a DM9 devolvesse um Ouro
em Design, um Ouro em Brand Experience
& Activation, um Ouro em Print &
Publishing Lions, uma Prata em Brand
Experience & Activation, uma Prata em
Industry Craft, uma Prata em Design,
um Bronze em Direct e um Bronze em
Outdoor Lions. A agência retornou também
uma Prata em Print & Publishing
Lions e um Bronze no Outdoor Lions -
prêmios que haviam sido endereçados
ao projeto ‘Death gold’.
Dos mais de 800 troféus distribuídos
pelo festival, fica a tendência de incorporar
propósito e questões sociais no
cerne de produtos e serviços. O Grand
Prix de Sustainable Development Goals
conquistado pelo Brasil com ‘The
Amazon greenventory’, da Africa Creative
para a Natura, é um exemplo. A
ação utilizou drones equipados com
inteligência artificial para criar um inventário
da floresta. Vale lembrar que
a Record estreou no Cannes Lions com
cobertura multiplataforma.
A jornalista Gloria Vanique em videocase adulterado pela DM9 na ação ‘Efficient way to pay’, criada para a Consul, marca da Whirlpool
60 anos
A utilização de IA tomou o noticiário.
Não à toa, esse foi o tema escolhido para
a edição que homenageou os 60 anos do
propmark. O especial discutiu a simbiose
entre o talento humano e a tecnologia
que empolga e, ao mesmo tempo, preocupa
devido ao risco de comoditização
das campanhas.
Especialistas e profissionais analisaram
estratégias capazes de garantir diferenciação
na era guiada por números, dados
e indicadores de performance. Ideia
criativa, aliás, não faltou no D&AD. O Brasil
conquistou 46 Lápis, ante os 28 de 2024.
País Criativo do
Ano ficou com 95
troféus no Cannes
Lions, três a mais
que em 2024
vas e Galeria como as agências que mais
investiram em compra de mídia no Brasil
em 2024. Já Globo, Natura e O Boticário
encabeçaram o índice top of mind da
ESPM de inclusão.
Farol
Sandra Martinelli, CEO da Associação
Brasileira de Anunciantes (ABA) e membro
do Executive Committee da WFA (World
Federation of Advertisers ou Federação
Mundial de Anunciantes), lançou o livro ‘Os
desafios e prazeres de liderar uma entidade
de classe’, em parceria com a editora
Leader. A obra narra a sua gestão à frente
da entidade nos últimos dez anos. A ABA
ainda editou um guia para padronizar as
métricas no meio out of home (OOH) e impulsionar
a evolução do segmento.
Neste trimestre, o mercado viu a Globo
anunciar um crescimento de 14% em
Reprodução
Mídia
A publicidade digital aumentou 8%,
para R$ 37,9 bilhões em 2024, segundo
dados do ‘Digital AdSpend 2025’, estudo
do Interactive Advertising Bureau, o IAB
Brasil. A parceria foi com a Kantar Ibope
Media que, em outro levantamento, a 46ª
edição do relatório ‘Data Stories – Inside
Advertising’, apontou um avanço de 10%
no investimento publicitário brasileiro,
para R$ 88 bilhões, no ano passado.
Mais um indicador positivo veio do
Painel Cenp-Meios. No primeiro trimestre
de 2025, a publicidade faturou R$ 4,7 bilhões,
alta de 3,4%. Dados do Cenp-Meios
ainda colocaram Mediabrands, BETC Hasua
receita publicitária em 2024, para R$
10,9 bilhões; a Africa Creative abrir operação
em Xangai; a Tech&Soul completar
oito anos; e a Associação de Marketing
Promocional (Ampro) protestar contra o
fim do Programa Emergencial de Retomada
do Setor de Eventos (Perse).
Alarico Naves, superintendente-comercial
multiplataforma da Record, falou
sobre as oportunidades da emissora com
projetos ligados ao futebol, enquanto
Marcia Esteves revisitou o seu trabalho à
frente do Espaço de Articulação Coletiva
do Ecossistema Publicitário, a Abap. Primeira
mulher a presidir a entidade, ela
foi reeleita em abril.
As capas do período também sinalizaram
fenômenos. Como negar a invasão
do K-Entertainment e a oportunidade de
integrar a trupe de fãs fiéis às marcas
que promovem o movimento? Não por
acaso, outra reportagem foi sobre a força
das comunidades.
Os 60 anos da TV Globo, a propaganda
regional e a chegada do TikTok Shop também
ilustraram manchetes, ao lado de
negócios gerados pelo marketing B2B.
Da mídia, veio a análise sobre os rumos
da comunicação da Igreja Católica com
a escolha do cardeal norte-americano
Robert Francis Prevost, de 69 anos, eleito
papa Leão 14 no dia 8 de maio de 2025.
jornal propmark - 15 de dezembro de 2025 23
retrospectiva 2025
Mercado acelera projetos na reta final
do ano e separa verbas para 2026
Terceiro trimestre movimenta campanhas ditadas por estratégias
capazes de ganhar conexões reais em meio à disputa por atenção
Divulgação
A DPZ, Agência de Publicidade do Prêmio Melhores do propmark, preserva legado histórico sob o comando do CEO Benjamin Yung, que comanda crescimento de 26,8% em 2025
Janaina Langsdorff
Troca de lideranças, ajustes na estrutura,
mudança de nome e volta
para a marca original. Sob o comando
de Benjamin Yung, a DPZ se reinventou
e hoje vive um “momento de consolidação”.
Não por acaso, venceu o Prêmio
Melhores do propmark na categoria
Agência de Publicidade, reconhecendo
“uma transformação consistente dos
últimos quatro anos”, confirma Yung.
A agência caminha para o terceiro ano
consecutivo com índice de dois dígitos
de crescimento. Fechará 2025 com uma
taxa de 26,8%.
Para além de idas e vindas, o publicitário
Fabio Fernandes retornou à publicidade
brasileira com a consultoria
FF Aceleradora Criativa, enquanto Hugo
Rodrigues deixou de ser chairman da
WMcCann e McCann Worldgroup. Chief
creative officer (CCO) da AlmapBBDO
desde 2022, Marco Giannelli, o Pernil, foi
promovido a sócio da agência e membro
do board de criação global da BBDO, e
Melissa Vogel assumirá a presidência do
Fórum de Autorregulamentação do Mercado
Publicitário, o Cenp, no lugar de Luiz
Lara, em 2026.
No âmbito global, Cindy Rose substituiu
Mark Read (que presidirá o conselho
de administração da Kantar Media)
como CEO do grupo inglês WPP em um
momento de pressão por resultados e
movimentações acirradas entre grupos
internacionais.
Outra vez
O escândalo do ano continuou a ocupar
o noticiário do trade publicitário. Ao
colocar em xeque a reputação do setor,
o uso de conteúdo enganoso pela DM9
no case ‘Efficient way to pay’ obrigou o
Cannes Lions a deflagrar regras de integridade
sobre IA para evitar que os questionamentos
resvalassem na imagem do
festival. Agências também anunciaram
novos protocolos.
Não tardou para a Whirlpool encerrar
a sua parceria com a DM9. A fabricante de
eletrodomésticos acabou por abrir concorrência
para as contas publicitárias de
Consul e Brastemp. A escolhida foi a GUT.
Em setembro, a senadora estadual De-
Andrea Salvador, do Partido Democrata
da Carolina do Norte (EUA), moveu ação
judicial contra os responsáveis.
Ela aparece no videocase durante painel
no TED Talks, em 2018. Mas falava so-
Tarifaço foi
tema de estudo
encomendado
pelo propmark
à HSR
24 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
bre o peso da energia no orçamento de
famílias dos Estados Unidos, e não de São
Paulo, como induzia o videocase.
Reprodução-
Aflição
A taxação imposta ao Brasil pelo
presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, foi tema do ‘Estudo sobre a percepção
dos brasileiros em relação ao
tarifaço’, pesquisa encomendada pelo
propmark à HSR. Ansiedade e preocupação
(46%), insegurança e incerteza (18%),
custo de vida (11%) e aumento de preços
e inflação (9%) foram os principais apontamentos
feitos pelos entrevistados.
Embora preocupante, o cenário não
inibiu o crescimento da publicidade brasileira.
Agências e veículos aceleraram
planos na reta final do ano para garantir
fôlego em 2026, embalados pelos resultados
do primeiro semestre, quando a
compra de mídia avançou 12,52%, acumulando
R$ 11,93 bilhões no período, segundo
dados do Painel Cenp-Meios. A pesquisa
VanPro, organizada pela Federação
Nacional das Agências de Propaganda
(Fenapro) e pelo Sistema Nacional das
Agências de Propaganda (Sinapro), apontou
crescimento de 42,8% das agências.
Movimentações aqueceram o período.
A B&Partners consolidou a compra da
Ampfy e criou o núcleo CVC Beyond para
atender a CVC; a DM9 conquistou a conta
da Decolar; a Dojo inaugurou escritório
nos Estados Unidos; a Suno passou a
atender o app de delivery chinês Keeta; a
Fbiz ganhou a conta de Vans; a Lew’Lara
criou unidade de negócio com foco em
B2B; e a JCDecaux começou a operar mobiliários
urbanos digitais no Rio de Janeiro.
Aniversariante do mês de setembro, a
Leo - do Publicis Groupe - completou 50
anos no Brasil, e ganhou retrospectiva
especial nas páginas do propmark.
Entre os veículos, Globo e Record
ativaram pacotes para Dia das Crianças,
Black Friday, Natal e Ano Novo. A TV Globo
ainda renovou as cotas de patrocínio
para o ‘Big Brother 2026’, que estreia em
janeiro. As cifras do projeto alcançam o
valor de R$ 1,78 bilhão.
Os 14 anunciantes ocuparão 18 cotas.
Amstel, McDonald’s, Mercado Livre, Ademicon,
CIF, iFood, Electrolux e Ajinomoto
estão entre os veteranos. Mercado Pago,
Betano, TIM e Nivea são novatos. Cotas
de dinâmicas e segmentos específicos
já foram adquiridas por Mercado Livre,
Mercado Pago, Nivea, Nestlé e MRV. Globo
e SporTV ainda projetam receita de R$ 1,9
bilhão com a Copa do Mundo 2026.
Já a Record fechou acordos com Betano,
Aurora, Centrum, PicPay, Sapatinho
de Luxo e Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome (MDS) para ‘A
O influenciador Felipe Bressanim Pereira, o Felca, denunciou em agosto a adultização de crianças e adolescentes nas redes sociais
Fazenda 17’; e o SBT anunciou Casa de Bolos,
Lacday, Cacau Show, Mueller e Havan
entre os parceiros da 11ª temporada do
reality culinário ‘Bake off Brasil – Mão na
massa’.
Na toada da mídia, os canais fast
montam vitrines atrativas para o novo
modelo de TV, enquanto o meio out of
home (OOH) reafirma expansão puxada
pelo digital em meio a revisões regulatórias.
Do rádio, chega a virada multiplataforma
em linha com hábitos digitais. E na
briga por audiência, o IVC (Instituto Verificador
de Comunicação) passou a auditar
streamings, começando por CazéTV.
Atenção
Tantas mudanças pedem que os profissionais
de veículos adequem estratégias
para ganhar conexões reais em
meio à disputa ferrenha por atenção - batalha
travada especialmente no ambiente
digital. O assunto embasou o especial
Profissionais de Veículos, publicado no
dia primeiro de setembro.
Os percalços enfrentados pelo ecossistema
de marketing passam pela
adultização de crianças e adolescentes
nas redes sociais, denunciada em agosto
pelo influenciador Felipe Bressanim Pereira,
o Felca. O Senado aprovou modificações
feitas pela Câmara dos Deputados
no Projeto de Lei 2.628/22, o chamado PL
contra a adultização de crianças, que define
regras para proteger o público infantil
e os adolescentes no ambiente digital.
A complexidade vem também do
mundo real. O consumo guiado pela
religião, por exemplo, ainda é incompreendido
pelo mundo do marketing.
Parte da cultura do Brasil, as crenças
Compra de mídia
avançou 12,52%,
acumulando R$
11,93 bilhões no
primeiro semestre
influenciam hábitos de compra, geram
proximidade, laços emocionais - e oportunidades
de vendas.
rock And roll
Criatividade para uns, deboche para
outros, a NotCo gerou polêmica ao traçar
comparação com a campanha ‘Mamíferos’,
veiculada pela Parmalat nos idos
de 1996. A produção mostrava adultos
fantasiados de animais com expressões
desconfortáveis após a ingestão de leite
de vaca. Ao provar o derivado vegetal
da NotCo, no entanto, demonstravam
alívio. O Conselho Nacional de Autorregulamentação
Publicitária (Conar) suspendeu
o filme.
Para além de críticas e dúvidas, Daral
Lynch, CEO do D&D, reiterou em entrevis-
ta exclusiva ao propmark que o “Brasil é
o rock and roll da propaganda”. Talento
não falta. Dos mais experientes aos jovens,
pratas da casa entram no garimpo
de profissionais capazes de fortalecer a
cultura de inovação das agências - tema
de uma das capas do período.
futuros conectAdos
Novos caminhos para o trabalho
das marcas se avizinham. Não à toa, a
ABA lançou o livro ‘Futuros conectados:
A evolução da mídia’. Idealizada e coordenada
por Sandra Martinelli, CEO
da entidade, a obra reúne reflexões de
35 líderes do mercado da comunicação,
entre eles: Kelly Dores, editora-chefe do
propmark; Manzar Feres, diretora-geral
de negócios da Globo; Adriana Favaro,
VP de negócios da Kantar Ibope Media;
Marcela Mariano, CMO da Ypê; e Antonio
Fadiga, sócio e presidente da Artplan.
A ABA ainda realizou o ABA Summit e
o Summit de marketing quântico - que
encerrou o calendário da associação em
2025.
Por falar em eventos, a cada ano os
anunciantes ampliam a cocriação de
experiências e ativações com players esportivos
e festivais de música - transformados
em espetáculos de marcas.
A segunda edição do The Town, que
foi realizada nos dias 6, 7, 12, 13 e 14 de setembro,
no Autódromo de Interlagos, na
zona sul de São Paulo, gerou um impacto
econômico de R$ 2,2 bilhões; e a partida
da National Football League (NFL), na Neo
Química Arena, em Itaquera, na região
leste da capital paulista, no dia 5 de setembro,
gerou 12,5 mil empregos e movimentou
cerca de R$ 330 milhões.
jornal propmark - 15 de dezembro de 2025 25
retrospectiva 2025
Reprodução
Mudanças nas gestões de agências que foram incorporadas por outras redes após fusão de Omnicom e IPG, concluída em novembro, atingem lideranças da publicidade brasileira
Das agências à mídia, fusões bilionárias
aquecem o último trimestre de 2025
União de Omnicom e IPG e compra da Warner Bros. Discovery (WBD)
refletem novos hábitos e estruturas conduzidas por soluções integradas
Janaina Langsdorff
O
quarto trimestre de 2025 sela o
maior negócio da história da propaganda
mundial. A compra do
Interpublic Group (IPG) pelo grupo Omnicom
- anunciada em dezembro de 2024
- criou uma empresa de US$ 25,6 bilhões
em receita combinada. O negócio foi
concluído após a aprovação da última
etapa regulatória pela União Europeia,
em novembro.
Estimado em cerca de US$ 13 bilhões,
o acordo encerrou as operações das redes
DDB e MullenLowe, que foram incorporadas
à TBWA. A FCB teve o mesmo destino
e foi absorvida pela BBDO. Estima-se
que mais de quatro mil pessoas sejam
demitidas. As reestruturações no Brasil
devem ser oficializadas em janeiro.
Conforme antecipado com exclusividade
pelo editor do propmark Paulo
Macedo, as novas diretrizes envolveriam
a saída de Marcia Esteves do comando e
sociedade da Lew’Lara\TBWA que, juntamente
com DM9 e iD\TBWA, passariam a
ser identificadas como TBWA Brasil, conforme
decisão do Omnicom Advertising,
liderado por Troy Ruhanem.
A nova operação seria conduzida
por Pipo Calazan e Thomas Tagliaferro,
CEO e COO da DM9, respectivamente; e
Camila Costa, CEO da iD\TBWA. Luiz Lara,
chairman do grupo TBWA no Brasil, deve
prestar consultoria, sem exercer função
executiva. Ele negociou a venda de suas
ações com o Omnicom. As gestões de
AlmapBBDO e Africa Creative devem permanecer
inalteradas.
“Para quem acompanha a trajetória
da publicidade, trata-se de um marco: o
fim do modelo em que o valor das agências
estava vinculado ao peso simbólico
de suas marcas”, avalia Gilberto Garcia,
professor do curso de publicidade e propaganda
da ESPM.
O impacto incide na construção de
cultura. TBWA e BBDO sobreviveram porque
possuem plataformas de pensamento
exportáveis e narrativas operacionais
claras. Segundo Garcia, a concentração
abre espaço para disputas com estruturas
independentes e boutiques criativas.
Característica única do país, a junção
de mídia e criatividade diferencia a propaganda
entre competidores globais no
momento em que as agências experimentam
dinâmicas sem precedentes. A
discussão ganhou capa da edição do dia
8 de dezembro.
Queda de braço
Do mundo das agências para a mídia,
outra movimentação emblemática veio
da Netflix, que ofereceu US$ 27,75 por
ação da Warner Bros. Discovery (WBD), o
que totalizaria um montante de US$ 72 bilhões.
O valor da WBD no acordo, incluindo
dívidas, foi estimado em US$ 82,7 bilhões.
O negócio englobaria o streaming
HBO Max, o estúdio de cinema Warner
Bros. e os canais Warner Bros. Discovery.
Mas a Paramount contra-atacou. A
empresa controlada pela Skydance Corporation
estaria disposta a desembolsar
US$ 108,4 bilhões para adquirir o centenário
estúdio, dono de um dos catálogos
mais valiosos da indústria cinematográfica.
‘Harry Potter’ e ‘Friends’ são algumas
das franquias.
Festa
O presente de Natal chegou cedo para
profissionais e empresas reconhecidas
pelo mercado. O Melhores do propmark
2025 premiou DPZ (Agência de Publicidade),
Benjamin Yung (Liderança de
Agência), Hands (Agência de Live Marketing),
CNN Brasil (TV Fechada), Netflix
(Plataforma de Streaming), Amazon Ads
(Plataforma de Publicidade), Instagram
(Plataforma de Conteúdo), Itaú (Anunciante),
Eletromidia (Empresa de OOH), Sophie
Schönburg (Profissional de Criação), Paula
Ganem (PR), Fabiano Freitas (Profissional
de Veículo), Record (TV Aberta), Flávia
Braga (Profissional de Atendimento e
Negócios), André Scaciota (Profissional
de Mídia), Nathalia Garcia (Profissional de
Marketing), RZK (Empresa de OOH Especializada),
ABA (Entidade do Mercado), Mercado
Livre (Destaque do Ano) e ‘Pedigree
Caramelo’ (Campanha). A seleção popular
resultou em mais de 16 mil votos.
No El Ojo 2025, que ocorreu nos dias
Redes extintas
e reacomodação
de lideranças
surpreendem
mercado
12, 13 e 14 de novembro, em Buenos Aires,
na Argentina, a Artplan conquistou
o título de Agência Independente do
Ano. O Brasil somou 131 prêmios. Foram
quatro Gran Ojos, 25 Ouros, 39 Pratas e
63 Bronzes. A Africa Creative levou o GP
em Produção de Áudio e Som; a Artplan,
em Produção Gráfica; a VML, em Design; e
Enterogermina/Opella Brasil, em Saúde e
Pharma – ao lado da MRM Espanha.
Entre os vencedores do Prêmio Contribuição
Profissional – Troféu Garra 2025,
promovido pela Associação de Profissionais
de Propaganda (APP Brasil), está
Tiago Ferrentini, publisher do propmark
– que reformulou o Prêmio Colunistas,
agora com novo sistema de inscrição e
marca criada pela WMcCann. Já Alexandre
Oliveira, editor de fotografia do propmark,
recebeu homenagem da ABA.
Profissionais do Ano (PPA), da Globo;
Ampro Awards, da Associação de Marketing
Promocional (Ampro); Whext Awards,
da Associação Brasileira da Produção
26 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
Divulgação
Obra sobre discriminação estrutural ‘Nigrum corpus’, criada pela Artplan para o Instituto de Educação Médica (Idomed), conquistou o Gran Ojo na categoria Produção Gráfica
de Obras Audiovisuais (Apro), FilmBrazil
e Agência Brasileira de Promoção de
Exportações e Investimentos (ApexBrasil),
também anunciaram os seus ganhadores.
Para 2026, fica o recado de Simon
Cook, CEO do Lions, sobre o uso fraudulento
de IA. “É algo que não vamos tolerar”,
avisou Cook, durante evento realizado
pelo Estadão – representante do Festival
Internacional de Criatividade Cannes
Lions – na Fundação Armando Alvares
Penteado (Faap), em São Paulo, no dia 12
de novembro. Um mês antes, a DM9 lançou
um Comitê e o ‘Manual de ética em
inteligência artificial’.
Vigor
O clima celebrativo continuou com
efemérides e projetos para 2026. A TV
Globo celebrou 30 anos dos seus estúdios
e o Globoplay chegou aos dez com a campanha
‘Toda emoção em um só lugar’. A
Globo ainda anunciou a comercialização
das cotas da Fórmula 1 para a temporada
do próximo ano e a implementação de
sua holding a partir de janeiro, além de
soluções de publicidade em Upfront.
Ratificou também o sucesso comercial
do remake ‘Vale tudo’, mas o excesso
de publicidade repercutiu nas redes e
demandou análise nas páginas do propmark.
Certo é que a televisão do futuro
promete intensificar a publicidade segmentada
e interativa. A discussão resultou
na manchete ‘TV 3.0 une o potencial
de negócios do digital com a força da
televisão’, no dia 6 de outubro.
A cobertura jornalística do SBT ganhou
força com o lançamento do canal de notícias
SBT News, que tem o jornalista Celso
Freitas como âncora. Leandro Magalhães
e Raquel Landim integram o time de
apresentadores. Sydney Rezende, Basília
Rodrigues e Amanda Klein também participam
do time liderado pela diretora de
redação Camila Mattoso. A médica Ludhmila
Hajjar, professora titular da Faculdade
de Medicina da USP, terá quadro sobre
saúde previsto para 2026.
Também no SBT, o ‘The Voice Brasil’
retomou fôlego com Disney+, Formata
e José Bonifácio Brasil de Oliveira, o Boninho.
O showrunner ainda idealizou o
reality ‘Casa do patrão’, que deve ir ao
ar pela Record entre os meses de abril e
julho de 2026.
O Instagram fez 15 anos e, no meio out
of home (OOH), ocorreu a compra da Urbana
Mídia, de Belo Horizonte (MG), pela
Eletromidia. Outro setor pulsante é o de
live marketing. O mercado de experiências
ganhou escala e reforça hoje o seu
papel na construção de marcas – tema
da capa da edição de 20 de outubro.
Do setor de agências, veio a criação da
Biosphera.ntwk e Atmosphera&Partners.Co,
anunciadas por Bazinho Ferraz; e os 60
anos da Propeg. O grupo WPP inaugurou
campus na Vila Leopoldina, na zona oeste
Netflix e
Paramount
disputam Warner
Bros. Discovery
da capital paulista, no dia 11 de novembro.
A estrutura reúne 21 empresas e quatro
mil pessoas.
De acordo com o Painel Cenp-Meios, 329
agências de todo o país investiram R$ 19,4
bilhões em mídia entre janeiro e setembro
deste ano, alta de 9,07%.
oportunidades
O avanço de setores da economia, e
seus reflexos na publicidade, se transformou
em reportagens especiais. O Pix, por
exemplo, virou destaque nas campanhas
de bancos e fintechs, enquanto o mercado
gamer passou a valorizar empresas
que anunciam com pertinência.
A efusão de oportunidades desafia lideranças
de marcas, cenário que levou o
propmark e a ABA a preparar – pelo terceiro
ano consecutivo – o Especial CMOs de
Destaque. A reportagem perfilou 15 profissionais
responsáveis por estratégias de
comunicação que se diferenciam em um
cenário de mídia cada vez mais fragmen-
tado e envolto pela inteligência artificial.
A pauta do trimestre tratou ainda sobre
o risco de imagem de fabricantes de
bebidas destiladas com a crise do metanol;
a importância da comunicação para
transformar os óculos em acessórios de
moda; as ações de marcas presentes na
Amazônia para a COP30, a conferência
sobre mudança climática da Organização
das Nações Unidas (ONU), realizada entre
os dias 10 e 21 de novembro, em Belém
(PA); e a estratégia montada por agências
para monitorar oportunidades na
Black Friday, neste ano realizada no dia
28 de novembro.
O Fórum de Autorregulação do Mercado
Publicitário, o Cenp, deixou um alerta.
O mercado desperdiça chances de negócios
ao ignorar o potencial de marketing
de marcas regionais. É o que mostra o
estudo ‘Brasil plural’, desenvolvido pela
consultoria Troiano Branding. A pesquisa
foi apresentada em evento na capital
paulista no dia 4 de dezembro. Já o Conar
celebrou 45 anos com o tema ‘Os tempos
mudam. A ética acompanha’.
MeMória
Morreram Sergio Amado e José Roberto
Whitaker Penteado – ambos em outubro.
Sob a liderança de Amado, a Ogilvy
alçou o topo da lista das maiores agências
do país e teve a sua imagem criativa
redefinida. Penteado deixa legado para a
ESPM e o mercado.
28 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
mercado
Acordo assinado entre Cenp e Anbima
terá agenda conjunta de autorregulação
Iniciativa aproxima publicidade e mercado financeiro, com iniciativas
como certificação e qualificação para boas práticas em ambos setores
Vitor Kadooka
Divulgação
No dia 9 de dezembro, em Brasília,
o Cenp (Fórum da Autorregulação
do Mercado Publicitário) e a
Anbima (Associação Brasileira das Entidades
dos Mercados Financeiro e de
Capitais) formalizaram um acordo de
cooperação para fortalecer práticas de
autorregulação e qualificação técnica
nos mercados de comunicação e de capitais.
O encontro reuniu os presidentes
das entidades, Luiz Lara (Cenp) e Carlos
André (Anbima).
Segundo Carlos André, a parceria busca
ampliar a troca de conhecimentos entre
setores que compartilham desafios
de governança e comunicação. Para ele,
“a autorregulação é o principal pilar que
sustenta a credibilidade da Anbima”, e a
aproximação com o Cenp tende a aprimorar
a aplicação de boas práticas na
intersecção das duas entidades.
Regina Augusto, diretora-executiva
do Cenp, lembrou que o diálogo entre
as entidades se intensificou no segundo
semestre e que o acordo nasce com a
função de complementar a atuação dos
reguladores, não de substituí-los.
Os ‘finfluencers’
O papel dos influenciadores de finanças
foi um dos temas abordados.
A Anbima monitora hoje 806 finfluencers,
responsáveis por 1.662 perfis e 394
mil publicações no segundo semestre
de 2024.
Carlos André afirmou ao propmark
que a entidade decidiu atuar principalmente
sobre as empresas que contratam
esses criadores, estabelecendo regras
nos contratos como forma de disciplinar
a relação comercial.
“Os próprios influenciadores buscaram
essa aproximação, porque identificaram
valor em estar próximos à Anbima”,
disse.
Do lado do Cenp, Lara anunciou que
a entidade finaliza um documento específico
para práticas de publicidade com
influenciadores, elaborado por um grupo
de trabalho composto por anunciantes,
agências, veículos e elos digitais. O material
deve ser lançado até março do ano
Carlos André, presidente da Anbima, e Luiz Lara, presidente do Cenp, em celebração do acordo assinado entre as instituições
que vem. Segundo ele, “é inimaginável
pensar em campanhas que não considerem
influenciadores; por isso, o objetivo
é qualificar esse ecossistema e também
certificar agências especializadas a pedido
delas próprias”.
A pauta da certificação foi sinalizada
como eixo central do acordo. Carlos André
relembrou que a Anbima reúne cerca
de 600 mil profissionais certificados no
mercado financeiro e mantém programas
de formação contínua para instituições
e investidores.
Lara contextualizou que, desde 1998,
o Cenp certifica agências de publicidade
como parte de seu modelo de autorregulação
reconhecido por lei. Essa prática
permitiu o desenvolvimento de empresas
de diferentes portes com acesso
proporcional a pesquisas e ferramentas.
“É um modelo
que sustenta
o equilíbrio
do mercado”
Ele explicou que o sistema permanece
baseado no princípio de valor compartilhado
em que as agências maiores
subsidiam o acesso das pequenas e
médias a instrumentos técnicos necessários
ao exercício da atividade. “É um
modelo que sustenta o equilíbrio do
mercado”, disse.
impactOs esperadOs
Para as entidades, a cooperação
deve produzir resultados em três frentes:
aprimoramento da comunicação de
produtos financeiros, especialmente em
ambientes digitais; troca de metodologias
de autorregulação, com foco em governança,
transparência e boas práticas;
e integração entre programas de certificação,
ampliando a qualificação técnica
em ambos os setores.
30 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
mercado
‘Taxa das blusinhas’ não impulsiona
varejo e reduz acesso ao consumo
Estudos da LCA e do IPC Maps, além de análise da ESPM, mostram
efeitos regressivos da tarifa e mudanças no comportamento do público
Adrieny Magalhães
Freepik
Um ano após a criação da chamada
“taxa das blusinhas”, que aplicou
alíquota de 20% sobre compras
internacionais de até US$ 50, o debate
sobre seus efeitos voltou ao Congresso.
A política, que buscava proteger a
indústria e o varejo diante do avanço
de plataformas internacionais, foi instituída
em um momento de forte consumo
doméstico. Segundo o IPC Maps, as
famílias devem gastar R$ 269 bilhões
com moda até o fim de 2025, alta de
11,5% sobre o ano anterior. Mesmo assim,
o varejo físico registrou queda de
4,6% no número de lojas e fechamento
de mais de 74 mil Microempreendedores
Individuais (MEIs), indicando perda
de capilaridade.
Impacto no consumo
O estudo ‘Taxa das blusinhas - Resultados
econômicos para população e governo’,
da LCA Consultoria, mostra que a
tarifa reduziu o acesso a produtos e concentrou
efeitos sobre as classes C, D e E,
responsáveis por 70% da arrecadação. A
queda imediata de 43% nas importações
por remessa e o aumento da desistência
após ver o preço final — de 35% para 45%
— revelam um ajuste rápido no comportamento
de compra.
Para a professora Annaysa Kamiya,
do curso de administração da ESPM, o
movimento pode ser explicado pela economia
comportamental. Segundo ela, “o
preço anterior, sem o imposto de 20%,
funcionava como ponto de referência
para o consumidor. A imposição da taxa
faz com que o novo preço seja percebido
como uma perda, pois o consumidor
sente que está pagando mais do que o
esperado”. Essa percepção ativa a aversão
à perda, tornando a compra menos
atraente e contribuindo para a retração
nas importações.
Annaysa acrescenta que a contabilidade
mental também ajuda a explicar
o fenômeno, já que o consumidor registrava
essas compras como um “bom
negócio” em função do preço baixo e da
variedade. Com a tarifa, o produto passa
a ser percebido como “prejuízo” ou “mau
Queda nas importações e aumento das desistências de compra aparecem no centro da discussão sobre a “taxa das blusinhas”
negócio”, anulando o benefício percebido.
Outro mecanismo é a dissonância
cognitiva: “o consumidor enfrenta o dilema
entre querer o produto e perceber o
preço como desvantajoso. Para resolver
o desconforto, ele opta por desistir”. Para
mitigar esse comportamento, a professora
aponta que marcas precisam reforçar
comunicação de custo-benefício,
disponibilidade e variedade.
polítIca públIca
A LCA também investigou o efeito
sobre o emprego. Nos 12 meses após
a implantação da taxa, o crescimento
nos setores supostamente beneficiados
ficou em 0,97%, abaixo da média
nacional de 3,04%. A consultoria conclui
que a política não gerou estímulos
relevantes e coincidiu com perda de arrecadação
estadual via Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS), apesar do ganho bruto de imposto
de importação.
Enquanto isso, o consumo de moda
avança. Segundo dados da IPC Maps,
o vestuário confeccionado deve movimentar
R$ 182,7 bilhões em 2025, com
“A medida é
classificada como
um imposto
regressivo”
destaque para São Paulo (R$ 65,7 bilhões),
Minas Gerais (R$ 28,8 bilhões) e Rio
de Janeiro (R$ 19 bilhões). Para os especialistas,
o crescimento do segmento
convive com um ambiente de competição
ampliada: plataformas internacionais
seguem relevantes ao oferecer
variedade e preços competitivos, enquanto
o varejo físico encolhe em número
de lojas.
A percepção de justiça tributária
também entra em jogo. Annaysa afirma
que “a medida é classificada como
um imposto regressivo, que onera mais
as camadas mais pobres”. Esse efeito
impacta tanto a reputação das marcas
quanto sua sustentabilidade financeira.
“Com menor fidelização, as marcas
precisam investir mais em aquisição de
clientes”, explica.
No debate legislativo, representantes
da indústria argumentam que a taxa contribuiu
para estabilizar o faturamento e
ampliar a arrecadação federal. Já entidades
do comércio digital defendem que a
tarifa restringe acesso e inibe inovação.
Para Annaysa, políticas mais equilibradas
poderiam ocorrer. “A proposta mais
adequada seria a isenção do Imposto de
Importação acompanhada pela cobrança
do Imposto sobre Valor Agregado (IVA)
sobre as importações, modelo já adotado
em muitos países.”
A discussão ocorre em um setor que
cresce em valor, mas perde presença física
e enfrenta competição global. Com
dados que apontam impactos distintos
sobre consumo, varejo e arrecadação,
a revisão da tarifa volta ao centro das
decisões econômicas que moldam o
acesso a produtos e o futuro do comércio
brasileiro.
32 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
mercado
Conar completa 45 anos e repercute
principais marcos da autorregulação
Na celebração, com tema ‘Os tempos mudam. A ética acompanha’,
Sergio Pompilio revisitou a trajetória da instituição regulatória no Brasil
Vitor Kadooka
Durante o evento que marcou os 45
anos do Conar (Conselho Nacional
de Autorregulamentação Publicitária),
realizado em 5 de dezembro, em
São Paulo, Sergio Pompilio destacou
que a publicidade atravessou transformações
“constantes e aceleradas”, dos
anúncios impressos às plataformas
digitais, sem abrir mão de princípios
como ética, criatividade e liberdade de
expressão.
O presidente da entidade, que iniciou
sua gestão em 2022, lembrou que o Conar
foi criado em 1978, em plena ditadura
militar, e que a partir daí mantém o compromisso
de aplicar o Código Brasileiro
de Autorregulamentação Publicitária.
Entre os avanços, citou o capítulo
dedicado à publicidade de apostas, o
Guia de Influenciadores, os grupos de
trabalho temáticos, o sistema de monitoramento
semiautomatizado — que
levou o volume de conteúdos administrados
a 30 mil em 2025 — e o novo
Conselho de Conteúdo, responsável
pelas atualizações sobre sustentabilidade
e greenwashing.
Pompilio destacou ainda a ampliação
da rede de colaboração institucional, que
agora inclui as big techs Google, Meta e
TikTok, marketplaces, veículos, agências
e entidades públicas. “A publicidade é
ferramenta essencial para transmitir informações
entre empresas e consumidores”,
afirmou.
O primeiro painel do evento discutiu
os desafios da publicidade em um
ambiente digital em transformação.
Mediado por Juliana Albuquerque, vice-
-presidente executiva do Conar, o debate
reuniu Ricardo Morishita (IDP), Adriana
Machado (Conar e presidente da Tom Comunicação),
Carlos Scapini (CEO da Mynd
e integrante do GT digital do Conar), Osny
Filho (Senacon) e Regis Dudena, secretário
de prêmios e apostas do Ministério
da Fazenda.
Dudena afirmou que os últimos anos
evidenciaram “o risco de uma atividade
que precisa ser regulada não ser regulada”,
ao mencionar as bets. Ele lembrou
que a legalização de 2018 avançou sem
Sergio Pompilio, presidente do Conar, abriu o evento de comemoração dos 45 anos da entidade, que também contou com painéis
regulamentação efetiva, permitindo a
expansão de operadores sem controle e
a formação de problemas sociais.
No campo da publicidade, destacou a
“inversão histórica” em que a autorregulamentação
antecedeu a norma estatal.
“A publicidade é a porta de entrada dessa
atividade”, disse, ao defender regras claras
para identificar operadores autorizados
e impedir a exposição de crianças e
adolescentes.
Scapini, da Mynd, lembrou que muitos
briefings estimulam a dissimulação da
mensagem publicitária e que ampliar capacitação
e diálogo é essencial para fortalecer
a relação entre marcas, criadores
e consumidores.
No segundo painel, Edu Simon, CEO da
Galeria.Holding, abriu o debate questionando
Dora Kaufman, especialista em IA,
“A publicidade
é ferramenta
essencial para
transmitir
informações
entre empresas
e consumidores”
Alê Oliveira
sobre os desafios éticos do uso da inteligência
artificial na publicidade.
A pesquisadora comentou o avanço
do PL 2338/23, que propõe um marco
regulatório para IA, e disse que temas
como direitos autorais, uso de dados
protegidos e relação entre criadores e
desenvolvedores têm exigido debates
longos e complexos.
Dora apontou um paradoxo: criadores
que rejeitam o uso de seus dados para
treinar modelos utilizam ferramentas baseadas
em dados de terceiros. Para ela,
o setor precisa “romper o antagonismo e
criar pontes”, estabelecendo parâmetros
de diálogo e boas práticas.
Também participaram do debate
Manzar Feres (Globo), Natalia Kuchar
(Google) e Marina Giancoli Cardoso Pita
(Secom).
jornal propmark - 15 de dezembro de 2025 33
mercado
Investimentos em mídia crescem 9,07%
de janeiro a setembro deste ano no país
Freepik
Painel Cenp-Meios
aponta volume de R$
19,4 bi e participação
de 329 agências
Mercado publicitário brasileiro movimentou R$ 19,4 bilhões de janeiro a setembro, segundo o Painel Cenp-Meios
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O
investimento em mídia via agências no Brasil
alcançou R$ 19,4 bilhões entre janeiro e setembro
de 2025, segundo o Painel Cenp-Meios. O
estudo, que consolida os espaços publicitários efetivamente
comprados por 329 agências, mostra que
o mercado cresceu 9,07% no período, ritmo superior
ao desempenho da economia brasileira, cujo PIB
acumulado até o terceiro trimestre avançou 2,4%,
de acordo com o IBGE.
Para Luiz Lara, presidente do Cenp, os resultados indicam
continuidade do movimento observado ao longo
dos últimos trimestres. “Mesmo em um cenário macroeconômico
marcado por incertezas, a publicidade segue
avançando de forma sólida. A distância entre as curvas
evidencia o papel cada vez mais estratégico da comunicação
para empresas de todos os portes”, afirma.
A leitura por regiões revela que o mercado nacional
— que concentra campanhas multirregionais — respondeu
por 67,9% do total, somando R$ 13,196 bilhões. Entre
os mercados locais, o Sudeste lidera com 19,2% (R$ 3,734
bilhões), seguido pelo Nordeste (4,9%; R$ 948,6 milhões),
Sul (4%; R$ 774,1 milhões), Centro-Oeste (3%; R$ 578,7 milhões)
e Norte (1,1%; R$ 216,4 milhões).
A distribuição por meios, apresentada na tabela do
Cenp-Meios, mostra que a internet concentra 41,5% do
share, com R$ 8,06 bilhões movimentados no período.
Dentro do digital, o display e outros formatos representam
59,1% desse investimento, seguidos por social (25%),
vídeo (8,9%), busca (6,7%) e áudio (0,3%). A televisão, por
sua vez, responde por 40,3% do total, somando R$ 7,84
bilhões, com predominância da TV aberta (78,1% desse
montante). O OOH aparece com 12,1% (R$ 2,36 bilhões),
enquanto rádio representa 4% (R$ 778 milhões), jornais
1,4% (R$ 274,7 milhões), cinema 0,3% (R$ 60,8 milhões) e
revistas 0,3% (R$ 64,2 milhões).
Os dados aferidos pelo Cenp-Meios consideram exclusivamente
os Pedidos de Inserção (PIs), categorizados
por meio, estado, região e período, sem acesso a
informações individuais de clientes ou veículos. O levantamento
é acompanhado pelo Núcleo de Qualificação
Técnica (NQT), formado por representantes de agências,
anunciantes, elos digitais e veículos, e passa por verificação
da KPMG, assegurando integridade às informações
compartilhadas.
Com periodicidade trimestral, o Cenp-Meios se mantém
como uma das principais referências para análise
da evolução dos investimentos em mídia no Brasil. A
série permite acompanhar tendências, avaliar o comportamento
regional do setor e compreender como a publicidade
contribui para a dinâmica econômica do país.
34 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
digital
Boneco Labubu lidera lista dos 50
produtos mais desejados no Google
Realizado em parceria com a Offerwise, o levantamento ainda fala que
80% dos brasileiros pretendem comprar presentes no Natal deste ano
Bruna Nunes
O
Google reuniu no último dia 10 a
imprensa e criadores de conteúdo
para apresentar os 50 itens mais
buscados para compras no ano. Divulgada
pela primeira vez, a lista ‘Os mais
desejados do ano’ sintetiza as principais
tendências de consumo de 2025. A
plataforma destaca que a seleção contempla
itens efetivamente buscados
para compras.
Segundo estudo encomendado pelo
Google à Offerwise, 67% dos brasileiros
estão confiantes em relação à situação
financeira e 80% pretendem comprar
presentes neste Natal, com tíquete
médio estimado em R$ 540. A antecipação
também marca a temporada: metade
dos consumidores iniciou as compras
ainda na Black Friday, estabelecendo
novembro como ponto de partida para
as festas. No mesmo mês, a “data dupla”
11.11 também resultou em compras expressivas.
Entre os destaques, o boneco Labubu
lidera o ranking, que traz ainda o celular
Poco X7 Pro e as canetas ‘Bobbie Goods’.
Na sequência aparecem o iPhone 17, o
iPhone 16, o tênis Corre 4 da Olympikus,
perfumes árabes, jogos de tabuleiro, a
placa gráfica Rx 7600 e a moto elétrica
infantil no Top 10.
A lista reúne categorias variadas,
como brinquedos, itens de tecnologia,
produtos de mobilidade e acessórios. “A
diversidade da lista, que transita entre a
tecnologia de lançamentos aguardados,
como o iPhone 17 e componentes de hardware,
até fenômenos culturais virais,
como o ‘Boneco Labubu’ e os ‘Perfumes
Árabes’, reforça que a jornada do consumidor
brasileiro é dinâmica e começa
invariavelmente online”, afirma Natália
Gruber, líder de insights para o varejo do
Google Brasil.
“83% dos consumidores brasileiros
afirmam usar o Google e o YouTube todos
os dias, de acordo com estudo realizado
pela Ipsos”, completa a executiva.
Durante o evento, os convidados também
puderam testar uma nova funcionalidade
do Gemini, projetada para apoiar
o consumidor na escolha de presentes.
Natália Gruber, líder de insights para o varejo do Google Brasil, durante apresentação dos resultados da pesquisa sobre o ano
A ferramenta permite otimizar listas ou
pedir recomendações personalizadas
com comandos como: “Com base na lista
dos 50 produtos mais desejados do ano
no Google, me recomende 3 presentes
sem erro para alguém que gosta de…”.
Para Natália, o crescimento de itens
como livros de colorir e jogos de tabuleiro
reflete a onda de “descanso do digital”.
“Tem movimentos que vimos ao longo do
ano que acabam desaparecendo rapidamente.
São picos muito significativos em
umas semanas e depois somem. Então,
esses aqui mantêm relevância ao longo
de todo o ano, mesmo depois do ‘hype’”,
acrescenta.
InsIghts para o mercado
Ao propmark, Natália explica que o
levantamento funciona como um termômetro
de comportamento “em tempo
real”, capaz de mostrar não apenas o
interesse momentâneo, mas a transição
entre descoberta e decisão de compra.
Produtos mais
desejados têm
tíquete médio
estimado em
R$ 540
Divulgação
Segundo ela, o principal desafio para
2026 será transformar o entusiasmo viral
em intenção efetiva. “O segredo para
o próximo ano é capturar o consumidor
no exato momento em que ele migra da
descoberta para a validação”, afirma.
Durante a apresentação, o Google
também revelou as 15 categorias mais
procuradas para presentes de Natal em
2025. Moda aparece no topo, com 49% da
preferência dos consumidores, seguida
por perfumes e itens de beleza (38%) e
chocolates (36%). Panetones e chocotones
registram 35%, enquanto brinquedos
somam 31% e cestas de Natal, 30%. Entre
as opções de consumo recorrentes, comidas
e bebidas presenteáveis chegam a
20%, e artigos de decoração marcam 18%.
Eletrônicos para a casa, livros e papelaria
e eletrônicos pessoais ficam com 17%
cada. Dinheiro ou vale-presente aparece
com 14%, viagens e hospedagens com
12%, e artigos para bebês e esportivos
fecham o ranking, ambos com 11%.
jornal propmark - 15 de dezembro de 2025 35
digital
Burti: ‘Resolvemos problemas complexos’
Carregando o sobrenome Burti,
que durante muitos anos foi sinônimo
de referência no setor gráfico,
Leandro Burti é hoje chairman
do Grupo Vati, que reúne cinco
empresas que oferecem soluções
em produção digital e tecnologia
para o mercado publicitário. “Costumo
dizer que a Vati é, antes de
tudo, uma empresa de tecnologia
aplicada à comunicação, que muitas
vezes se remunera pela produção”,
diz ele. Entre as empresas,
estão a Vati Studio, “onde os materiais
se transformam em centenas
ou milhares de peças”, e a Vati TV
Player, que faz a entrega para TV
aberta, fechada e meios digitais.
Divulgação
Leandro Burti: “Em inteligência artificial, a pergunta já não é mais o que é possível fazer”
Kelly Dores
BURTI
A Burti é, antes de tudo, a história de
vida profissional de Luiz Carlos Burti (seu
pai), o empreendedor que me formou,
me forjou para o trabalho e se tornou
minha principal referência de inspiração
e resiliência. O legado que ele construiu
no mercado publicitário é algo pelo qual
tenho enorme admiração e respeito. A
minha atuação hoje, porém, acontece
em outro território: soluções em produção
digital, com outra lógica, outros
indicadores e outro tipo de entrega para
marcas e agências. São universos distintos,
em contextos diferentes, embora eu
carregue comigo os valores profissionais
que aprendi com ele.
VaTI
Costumo dizer que a Vati é, antes de
tudo, uma empresa de tecnologia aplicada
à comunicação, que muitas vezes se
remunera pela produção. O que fazemos,
de fato, é resolver problemas complexos
de marcas e agências, conectando experiência
em comunicação, talentos de
produção e um time de tecnologia capaz
de criar soluções totalmente customizadas.
No cenário atual, em que a mídia
se fragmenta, os formatos explodem e
os prazos encolhem, operar dessa forma
deixou de ser diferencial e passou a
ser estratégico. É o que garante que as
campanhas saiam do planejamento para
a rua na velocidade que o negócio exige,
com escala, consistência e impacto.
GRUpo
Hoje o grupo é formado por cinco
empresas que se conectam ao longo da
cadeia de comunicação. Na Vaticano Filmes,
damos vida aos materiais master
das campanhas. Unimos filmagem, 3D,
inteligência artificial e até engines de
games. A Vati Studio é o nosso motor de
escala. É ali que os materiais se transformam
em centenas ou milhares de peças.
Recebemos os key visuals e os planos ou
pedidos de mídia das agências, fazemos
as adaptações e desdobramentos e, com
isso, reduzimos drasticamente prazos e
custos ao mesmo tempo em que elevamos
a qualidade. Isso ainda libera os times
de criação e marketing para focar na
estratégia. Na Vati TV Player, garantimos
que tudo isso chegue ao ar. Cuidamos da
entrega para TV aberta, fechada e todos
os meios digitais, com precisão técnica,
velocidade e zero atrito para as equipes.
A Jamworks é o cérebro tecnológico do
grupo. Desenvolve ferramentas proprietárias
e soluções baseadas em inteligência
artificial aplicadas a cada disciplina,
impulsionando todas as nossas operações,
do começo ao fim. E a Halmah, a
caçula do grupo, é a nossa empresa de
conteúdo. Produzimos para canais proprietários
e orgânicos das marcas.
Ia
Em inteligência artificial, a pergunta
já não é mais o que é possível fazer,
e sim o que faz sentido fazer primeiro.
Os casos de uso são tão diversos
que nosso foco está em identificar as
aplicações que realmente movem um
ponteiro importante em produtividade,
qualidade, velocidade ou resultado de
negócio. Buscamos desafios que façam
diferença tanto para a empresa quanto
para nossos clientes. E, como temos capacidade
interna para desenvolver as
próprias ferramentas, as possibilidades
são praticamente infinitas. Nas áreas
de imagem e vídeo, por exemplo, nossos
times de P&D trabalham em contato
direto com a produção para avaliar
novas tecnologias e transformar isso
em processos que gerem valor real.
Nessas disciplinas, a inteligência artificial
já faz parte do cotidiano.
BaLaNÇo
Desde a fundação da Vati, em 2016, o
grupo vem crescendo, em média, cerca
de 30% ao ano, com exceção dos anos da
pandemia. 2025 tem sido um ano desafiador,
mas ainda assim conseguimos avançar.
Investimos, criamos áreas, trouxemos
pessoas e dedicamos energia para integrar
tudo isso à nossa cultura. Em 2026,
acredito que colheremos mais frutos desses
investimentos, mesmo sendo um ano
pressionado pela pauta eleitoral. Justamente
em contextos de maior incerteza,
estruturas que entregam eficiência, escala
e previsibilidade para as campanhas
tendem a ganhar ainda mais relevância.
Co-CEoS
Ao dividir o comando em dois executivos
(Andrei Croisfelt e Fabio Bottura), ganhamos
profundidade nas frentes e mais
tração na operação. Eles lideram o time e
tocam o dia a dia; eu, como chairman, sigo
responsável por conectar essas agendas
à visão de longo prazo e bater o martelo
nos grandes movimentos do grupo.
36 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
digital
YouTube amplia restrições e limita
acesso de menores a conteúdos de bets
Mudanças incluem bloqueio a vídeos que promovem apostas;
especialistas avaliam impacto para influenciadores e saúde do público
Fotos: Divulgação
Cristiano Costa: “Reprimir nunca é uma estratégia plenamente satisfatória”
Bruna Nunes
No último mês, o YouTube anunciou
novas regras para conteúdos
relacionados a apostas, atualizando
as diretrizes estabelecidas
anteriormente. A plataforma passa a
aplicar restrição de idade a vídeos que
promovam cassinos, amplia o escopo
para incluir jogos que envolvem bens
digitais, como skins e NFTs, e barra qualquer
conteúdo que direcione o usuário
para sites ou aplicativos de apostas
que não sejam certificados pelo Google.
A medida surge em um momento de
maior atenção à presença de menores
em ambientes digitais e ao avanço das
bets clandestinas.
Em nota enviada ao propmark, o
YouTube afirma que a atualização busca
“garantir uma experiência mais segura e
alinhada aos padrões da indústria para
crianças e adolescentes”. A empresa também
destaca que oferecerá ferramentas
para que criadores ajustem seus canais
e que os produtores serão notificados
caso um vídeo seja removido ou restrito.
Segundo a plataforma, as mudanças
reforçam o compromisso de “manter um
ambiente seguro, responsável e preparado
para as transformações constantes
do universo digital”.
Daniel Fortune: “Necessidade de educação e informação contínuas”
formas licenciadas e operações ilegais.
“Por isso, é fundamental seguir combatendo
as bets clandestinas, que permitem
apostas de menores e não oferecem
garantias nem mecanismos de jogo responsável
ao apostador”, complementa.
O profissional reforça o alerta sobre
a combinação entre estímulo constante
e promessa de ganhos rápidos. Cristiano
Costa, psicólogo clínico e organizacional
e CKO da EBAC, explica que “ao lado das
estratégias de contenção, precisamos
das estratégias psicoeducativas onde
a pessoa, mesmo com perfil de risco, é
estimulada a conhecer e instruída sobre
como identificar as origens da sua
compulsão, manejar os excessos, buscar
apoio esclarecido e reduzir os danos associados
ao comportamento por meio da
consciência”.
O especialista também destaca que,
muitas vezes, os comportamentos de risco
aparecem principalmente pela busca
precoce de renda. “O principal comportamento
de risco dos jovens envolve a
obtenção de dinheiro para gastos com os
seus interesses. Então, tentar fazer das
apostas online uma fonte de recursos
financeiros, associado à perda do inte-
consequências
Entre os criadores, a adaptação passa
a ser mandatória. Para Daniel Fortune,
influenciador que mantém um projeto
dedicado a alertar o público sobre riscos
das bets, parte do desafio está na interseção
entre desinformação, clandestinidade
e acesso de jovens.
Na avaliação do profissional, a atitude
do YouTube “ajuda a restringir o acesso
do público às plataformas que não são
regulamentadas”, mas não encerra o
problema, que também se espalha por
outras redes e ambientes digitais. “Apesar
de a regulamentação da Secretaria
de Prêmios e Apostas (SPA) proibir a realização
de apostas por crianças e adolescentes
e o Conar restringir a publicidade
das bets para menores, ainda há parte
desse grupo que recorre às bets clandestinas
para jogar. Esse é um grande
problema”, diz.
O influenciador defende a necessidade
de educação e informação contínuas
para fortalecer a distinção entre plataresse
pela vida social e ao aumento do
tempo e do depósito de dinheiro, são os
principais comportamentos de risco neste
perfil”, explica.
Para o psicólogo, medidas de restrição
são necessárias, mas não suficientes,
porque “reprimir nunca é uma estratégia
plenamente satisfatória para manejo da
compulsividade”. Ele reforça que ações
psicoeducativas são complementares,
permitindo que a pessoa reconheça
padrões, identifique gatilhos e reduza
danos.
Fortune avalia que as novas diretrizes
do YouTube devem padronizar práticas
já adotadas por parte dos criadores. Ele
lembra ainda que os vídeos passam a
exigir filtros que limitam a visualização
a usuários logados e maiores de idade,
prática que o próprio canal já utilizava.
“Um outro ponto de atenção aos pais é
para que tenham ciência de quem são
os influenciadores seguidos pelos seus
filhos, em especial para que não tenham
contato com aqueles que divulgam bets
clandestinas. Mas, além disso, é importante
frisar que qualquer conteúdo sobre
apostas não deve ser veiculado para essa
faixa etária”, finaliza.
jornal propmark - 15 de dezembro de 2025 37
whext
VP da Diageo fala sobre a aposta em
séries proprietárias e produções épicas
Guilherme Martins participou do painel ‘Expectativa dos CMOs para
2026’ durante o festival realizado pela Apro, no Masp, em São Paulo
Kelly Dores
Em painel mediado por Cris Lopes,
sócia da Conspiração Filmes, Guilherme
Martins, vice-presidente de
marketing e inovação da Diageo, falou
sobre a aposta da gigante de bebidas
em construir marcas atreladas a narrativas
culturais. A participação do executivo
ocorreu dentro do Whext 2025,
festival realizado pela Apro (Associação
Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais),
no último dia 8, no Masp, em
São Paulo.
Segundo Martins, a Diageo faz parte
de uma indústria da vida real. Empresa
líder em bebidas alcoólicas destiladas e
dona de marcas centenárias como Johnnie
Walker, Tanqueray, Smirnoff e Guinness,
o principal objetivo hoje da companhia
é fazer as pessoas socializarem.
Uma boa notícia para o mercado audiovisual
é que, pelo menos no que depender
da Diageo, as grandes produções e os
conteúdos épicos para promover marcas
continuam fazendo sentido.
“Todo o nosso conteúdo tem de
simbolizar a socialização. Temos dois
grandes focos: entreter e seguir construindo
marcas. Então, tem perfis de conteúdo
que, para a gente, nunca vão sair
de moda, como os conteúdos épicos. As
nossas marcas são cinematográficas. O
filme do ‘Gigante’ de Johnnie Walker que
a gente fez em 2012, por exemplo, é relevante
até hoje. E ele foi criado num momento
que fazia sentido culturalmente,
falando do despertar do Brasil. Até hoje,
quando tem alguma greve, esse filme
aparece de novo. As pessoas colocam o
filme para transparecer a força e a potência
de ser brasileiro. E não é à toa que
o Brasil é o segundo maior mercado de
Johnnie Walker no mundo, e é o primeiro
em força de marca”, conta o executivo.
O VP da Diageo revela que as produções
que mais reverberam não têm
uma garrafa dentro do contexto, como
também foi o caso da campanha ‘Errata’
(criação da AlmapBBDO e ganhadora de
GP em Cannes), feita para Johnnie Walker.
“Nela contamos a história da bossa nova
como ela devia ter sido contada, dando
luz a Alaíde Costa, uma das mães da
Guilherme Martins: “As séries proprietárias como ‘House of Guinness’ são uma aposta enorme da Diageo”
tretenimento. ‘House of Guinness’ abriu
um caminho que agora a gente está
olhando para várias outras das nossas
marcas para ver como contar a história
delas desse jeito.”
Sobre o formato de audiovisual ideal
para os próximos anos, Martins responde
que, em seu caso, tem de ser uma combinação,
porque na Diageo existem políticas
muito restritas em relação ao uso
de tecnologia. “Se a gente fala de socialização,
o nosso interesse, principalmente
vendo uma geração cada vez mais dentro
de casa e consumindo tecnologia, é fazer
com que as pessoas saiam. A gente sempre
vai precisar da experiência ao vivo,
mas que seja amplificada de uma forma
que gere desejo. Já as séries proprietárias
são uma aposta enorme da Diageo.
Ninguém esperava por esse momento de
Guinness no mundo. A marca começou
a explodir, porque ela gerou interesse,
Alê Oliveira
bossa nova, dentro do conceito ‘Keep
walking’. A partir da campanha, Alaíde
foi nomeada ao Grammy Latino, o fee
dela em shows aumentou mais de 250%.
Esse filme mudou a vida dessa mulher. A
gente continua construindo marca dessa
forma. E tem uma grande mudança que
sempre meu time e meus parceiros falam,
que é quanto mais real for a campanha,
melhor”, pontua ele. “Tem muito
espaço para a construção de conteúdo
épico. Isso a gente nunca vai perder.”
O executivo afirma que uma das apostas
atuais da Diageo é contar a história
das marcas através do entretenimento,
como é o caso da série ‘House of Guinness’,
lançada recentemente na Netflix.
“Para além da propaganda mais tradicional,
você tem de entrar de uma outra forma.
A ‘House of Guinness’ é um exemplo.
Eu acredito muito nesse formato de contar
a história das marcas através do engerou
uma propriedade da história da
marca”, diz o VP de marketing da Diageo.
Em relação à transformação do consumo,
Guilherme observa que, apesar
de pesquisas indicarem que a geração
mais nova não bebe e que o consumo de
álcool em geral está caindo, o que está
acontecendo é que as pessoas estão escolhendo
beber melhor, em vez de beber
muitas bebidas de baixo valor. “Esse tipo
de coisa conta muito e vai fazer com que
a gente esteja aqui nos próximos 200
anos e não só nos próximos cinco anos.”
Martins encerrou o painel ‘Expectativa
dos CMOs para 2026 – Tendências e oportunidades
no mercado audiovisual – da
publicidade até o entretenimento?’ com
a seguinte provocação: “Eu acho que as
marcas não podem querer surfar todas
as tendências. Elas têm de saber o que é
importante para elas e para a cultura que
elas querem ajudar a construir”.
38 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
mídia
CNN lança app para carros e desenvolve
mais de sete projetos de IA em 2025
Novidades marcam os 5 anos do canal no país e incluem integração
com assistentes de voz e personalização de conteúdo no portal
Vitor Kadooka
A
CNN Brasil, que completa cinco
anos de operação no país, encerra
2025 com uma agenda marcada
pela ampliação de pontos de contato
com a audiência e pela consolidação de
uma estrutura de dados que sustenta
as futuras entregas digitais da emissora.
Entre as novidades recentes estão
o lançamento do aplicativo da CNN
para CarPlay, do sistema iOS da Apple, e
AndroidAuto, além da estreia da seção
personalizada ‘For you’ no portal.
As iniciativas refletem um movimento
de aceleração que acompanha as
mudanças no consumo de notícias e a
expansão do público para novos ambientes
de acesso.
Segundo Alexandra Mendonça, diretora-executiva
de aceleração digital e inovação
desde janeiro, todas essas frentes
integram uma mesma lógica. “Foi uma
das mudanças que eu fiz quando cheguei
e que foi pautada em trazer a lógica de
colocar o usuário no centro da tomada
de decisão do negócio para o digital.”
A executiva lidera as áreas de produto,
tecnologia, UX, social media e produções
nativas digitais, como o programa
‘Na palma da Mari’. Ela resume sua abordagem
ao comportamento da audiência
em uma série de perguntas que passaram
a orientar o roadmap digital: “O que
a minha audiência consome? Como ela
consome? Onde ela consome? A que horas
ela consome?”.
Consumo em movimento
O lançamento da CNN no centro multimídia
dos automóveis atende ao comportamento
de consumo em movimento,
especialmente durante deslocamentos
longos. “As pessoas têm essa necessidade
de consumirem a informação fazendo
outras coisas. No fim do dia, [a CNN] ter
nascido como Pay TV passa por também
poder ouvir ela dentro do carro”, afirma.
O aplicativo opera exclusivamente em
áudio, em função das normas de segurança
no trânsito, e oferece os conteúdos
da CNN Brasil e da CNN Money. Na semana
passada, passou a incorporar também
a leitura automatizada de notícias via Siri
Alexandra Mendonça, diretora-executiva de aceleração digital e inovação da CNN: trazer a lógica de colocar o usuário no centro
e Google Assistente. “Você pode pedir
para ler as principais notícias do dia. É
um passo que amplia ainda mais a nossa
presença no cotidiano do usuário.”
Além do app veicular, 2025 marcou a
evolução da infraestrutura de dados da
CNN. “A principal delas, que acaba sendo
uma grande fundação, foi a gente trabalhar
o nosso data lake. Evoluímos de um
data lake para um lake house, que é uma
forma de a gente ter mais governança
sobre os dados, ter o dado de uma forma
mais estruturada.”
Essa reorganização abriu caminho
para o desenvolvimento simultâneo de
mais de sete projetos de inteligência
artificial — alguns voltados à redação,
outros à experiência final do usuário.
Uma das ferramentas, Content Personalization,
reduziu “por volta de seis horas
semanais” o trabalho da equipe de SEO.
A emissora também lançou o CNNID,
sistema que reúne dados de usuários
logados e sustenta a nova seção personalizada
do portal. “Já estão aparecendo
para mim, ali dentro do portal, as notícias
específicas para o meu perfil. Isso muda
a forma como cada pessoa navega e recebe
conteúdo.”
As iniciativas digitais são desenvolvidas
em parceria direta com a redação.
“Tudo precisa
dialogar com o
que o jornalismo
produz”
Parte dos projetos de IA melhora rotinas
internas, como corte automatizado de
vídeo. Outros impactam diretamente
a experiência do público. “O CarPlay é
uma iniciativa que pensa no consumo
da informação do usuário. Tudo precisa
dialogar com o que o jornalismo produz,
mas também com o jeito que o público
consome.”
multiplatafoRma
Nas redes sociais, Alexandra conta
que a CNN acumula cerca de 1 bilhão de
impactos mensais, com destaque para o
TikTok. Para ela, essa presença reforça a
importância de adaptar formatos. “Não
é que o usuário não queira saber o que
está acontecendo na política. Ele quer. Só
que ele quer de uma forma específica.”
No YouTube, o canal principal já ultra-
Divulgação
passa 6 milhões de inscritos. Somando
todas as verticais — CNN Brasil, CNN Money,
CNN Pop, CNN Esportes —, o ecossistema
digital supera 100 milhões. O canal
de membros da CNN, lançado este ano,
também se tornou um laboratório de
interação direta com a audiência, permitindo
testar formatos, ajustar periodicidades
e receber retorno em tempo real
sobre conteúdos e abordagens.
Roadmap 2026
O planejamento de 2026 está estruturado
em cinco frentes. “A principal delas
é seguir muito com foco na excelência do
data lake. Isso vai ser um grande norteador
para o ano que vem.”
A CNN também iniciará a implantação
de um projeto de CRM, ampliará o portfólio
de produtos digitais e dará sequência
às iniciativas de IA, tanto para apoiar o
jornalismo quanto para aprimorar a experiência
do usuário. Outra prioridade
será fortalecer as diversas marcas da
CNN no YouTube. A quinta frente foi mantida
em sigilo pela diretora.
A emissora acompanha ainda os movimentos
do modelo DTV+. “A gente sabe
que 2026 vai ser um grande momento
de transmissão e, do nosso lado, a gente
está estudando fazer alguns testes.”
jornal propmark - 15 de dezembro de 2025 39
mídia
Jonathan Pronovost/Divulgação Warner Bros.
A disputa bilionária por ativos da Warner revela como catálogo, escala e poder de mercado se tornaram eixos centrais na nova fase de consolidação do streaming no mundo
Disputa pela Warner sintetiza corrida
por acervo histórico de filmes e séries
Profissionais avaliam que briga entre Netflix e Paramount evidencia
urgência por escala e impacto direto na concorrência do audiovisual
Adrieny Magalhães
A
disputa pela Warner Bros. Discovery
(WBD) transformou-se em
um dos episódios mais significativos
da atual fase de consolidação
do entretenimento. Após semanas de
negociações, a Netflix anunciou acordo
de cerca de US$ 83 bilhões para adquirir
os ativos de TV, cinema e streaming da
companhia. Poucos dias depois, a Paramount
Skydance apresentou uma oferta
hostil de aproximadamente US$ 108
bilhões pela totalidade da Warner, incluindo
redes tradicionais de TV a cabo.
O conselho da empresa analisa a nova
proposta, mas mantém, por enquanto, a
recomendação favorável ao acordo com
a Netflix.
A Netflix oferece cerca de US$ 27,75
por ação, combinando dinheiro e ações.
Já a Paramount propõe US$ 30 por ação,
integralmente em dinheiro, buscando
convencer acionistas e reguladores de
que sua estrutura teria maior facilidade
de aprovação. A investida foi enviada
diretamente aos acionistas após sucessivas
propostas anteriores não avançarem,
e elevou o grau de incerteza sobre quem
ficará com um dos catálogos mais valiosos
da história de Hollywood.
No centro da disputa está a biblioteca
de conteúdo da Warner, que reúne
franquias icônicas, séries premiadas e
um histórico de produção que remonta
há quase um século. Para Márcio Rodrigo,
professor do curso de cinema e audiovisual
da ESPM, o movimento deixa
claro o papel central dos catálogos no
modelo atual dos streamings. “A proposta
de aquisição revela a importância
estratégica que catálogos e propriedade
intelectual têm no jogo de negócios
do audiovisual”, afirma. Ele lembra que,
após 2012, a Netflix acelerou a busca por
títulos próprios para reduzir a dependência
de estúdios externos.
Ao integrar o acervo da Warner, a
Netflix adicionaria propriedades decisivas
para expandir universos narrativos
e competir com conglomerados como a
Disney. “A empresa levaria ‘Harry Potter’
à DC Comics e outras propriedades que
permitem fazer frente ao universo da
Marvel”, diz o professor. Em um serviço
presente em mais de 190 países, conteúdos
com apelo global combinados a
produções locais tornam-se pilares de
expansão.
impacto sobre o cinema
A possível fusão levanta questões sobre
concentração na cadeia de produção,
distribuição e exibição. Rodrigo destaca
que a Warner foi estruturada no tripé
clássico da indústria – produção, distribuição
e exibição –, enquanto a Netflix
consolidou sua força no acesso digital.
Essa diferença, segundo ele, altera o
equilíbrio da cadeia. “Um dos maiores
medos de exibidores é que a Netflix invista
cada vez mais na ponta da exibição.
A plataforma não se preocupa em lançar
grandes conteúdos no cinema, exceto
quando quer concorrer a prêmios”, observa
o especialista.
No campo da produção, ele vê risco de
centralização de decisões. “Se a compra
for aprovada, estima-se que a Netflix concentre
uma fatia significativa do mercado.
Ela passa a ditar rumos do que pode
ser produzido e do que os algoritmos vão
indicar”. A reação de sindicatos de roteiristas
e diretores, que defendem limites
à concentração, reflete essa preocupação.
Para o professor, o impacto também
atinge produtoras independentes, que
podem enfrentar maior pressão por formatos
de menor risco.
oferta ao consumidor
Mesmo com concentração, Márcio
destaca que a Netflix precisará manter
diversidade por atuar em mercados
com demandas distintas. Ele aponta o
caso brasileiro como exemplo. “Há uma
demanda crescente por conteúdo local,
o que explica investimentos recentes e
renovações rápidas”, afirma. Ao mesmo
“A Netflix não
se preocupa em
lançar grandes
conteúdos no
cinema”
tempo, vê tendências de ajuste na indústria.
“A partir do momento que a Netflix
concentra seu catálogo e o da Warner, há
uma questão de preços que podem ser
aumentados.”
O professor lembra que o setor discute
a redução de lançamentos após um
ciclo de excesso de produção no pós-
-pandemia. “Pode haver diminuição no
número de produções, algo que grandes
grupos já avaliam para aumentar a eficiência.”
Para o consumidor, os efeitos
devem aparecer na combinação entre
maior conveniência – mais títulos em um
só ambiente – e menor competição entre
plataformas.
40 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
Ricardo Rocha, da Energia.Ag: audiência e novas dinâmicas do mercado de mídia
Em entrevistas, Trump disse que “poderia
haver um problema” caso a Netflix
conclua a aquisição, mencionando
preocupações antitruste relacionadas
ao tamanho da plataforma no mercado
global. Ao mesmo tempo, ele criticou a
Paramount após a CBS, rede ligada ao
grupo, exibir uma entrevista considerada
desfavorável a aliados do governo. O
episódio reacendeu debates sobre indeça.
“O benefício está na qualidade da
audiência e na capacidade de mensuração.
A plataforma oferece conteúdos de
alto apelo cultural que rivalizam com TV
aberta e cinema”, diz Rocha. Campanhas
Divulgação
em AVOD podem operar com maior controle
de frequência e indicadores de engajamento,
ampliando eficiência para
anunciantes.
Esse cenário intensifica a disputa
E para a publicidadE?
A incorporação da Warner pela Netflix
também é acompanhada de perto
pelo mercado publicitário. Para Ricardo
Rocha, CEO da Energia.Ag, o movimento
redefine a escala comercial da plataforma.
“A definição sobre manter ou fundir
as plataformas pode alterar profundamente
o cenário de mídia. Mesmo com
fusão, a operação amplia o alcance publicitário”,
analisa. Ele observa que marcas
terão acesso a inventário ampliado e
possibilidade de ativações culturais com
universos de grande reconhecimento
público. “Com ‘Harry Potter’, ‘Batman’ e
‘Friends’, marcas podem construir narrativas
mais profundas e se conectar com
fandoms engajados.”
Rocha destaca ainda o papel dos dados
first-party. “A fusão amplia o acesso
a dados de qualidade e abre novas
possibilidades para segmentação e
mensuração. A plataforma consegue
inferir comportamentos com muita precisão”,
afirma. Para ele, isso reposiciona
o streaming. “A Netflix une conteúdo
premium, audiência massiva, dados e
capacidade de ativação de marca. É um
superveículo de mídia.”
Com a incorporação do catálogo da
Warner, a camada de assinatura com
anúncios da Netflix tende a ganhar forpor
investimento. “A briga não é só por
audiência, é por capacidade de traduzir
atenção em valor para marcas”, afirma.
Para ele, veículos tradicionais enfrentam
pressão adicional em um ambiente em
que dados granulares e oferta premium
se tornam diferenciais centrais.
Futuro da opEração
Independentemente do vencedor,
será necessária avaliação de órgãos reguladores
nos Estados Unidos e Europa,
processo que pode se estender ao longo
de 2026. Parlamentares e sindicatos
pedem escrutínio rigoroso, citando risco
de concentração excessiva e impacto
em empregos. A Paramount argumenta
que sua estrutura teria menos barreiras,
ao passo que críticos da proposta
da Netflix apontam que a combinação
criaria um conglomerado de alcance
sem precedentes.
O desfecho da disputa entre Netflix
e Paramount deve redefinir parâmetros
de produção, distribuição e monetização
do audiovisual global. Entre
oferta de conteúdo, poder de mercado
e novas dinâmicas publicitárias, o setor
se aproxima de um ciclo em que catálogo,
tecnologia e dados se tornam tão
estratégicos quanto a próxima grande
franquia de sucesso.
Trump entra no tabuleiro da discussão
entre Warner, Netflix e Paramount
A
disputa pelo controle da Warner
Bros. Discovery ganhou uma camada
política relevante com a entrada
do presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, no debate público sobre
as ofertas em andamento. A presença
de aliados do governo no financiamento
da proposta da Paramount e as declarações
do próprio presidente adicionaram
incerteza a um processo que, por si só,
já exigirá forte escrutínio regulatório.
Documentos regulatórios mostraram
que Jared Kushner, genro de Trump, integra
um fundo de private equity associado
à oferta de US$ 108 bilhões apresentada
pela Paramount Skydance. O grupo é financiado
por Larry Ellison, cofundador da
Oracle e apoiador histórico do presidente.
Para analistas, essa estrutura pode
facilitar articulações políticas e criar a
percepção de que a Paramount teria condições
mais favoráveis em uma eventual
análise conduzida por órgãos federais.
Para Márcio Rodrigo, professor da
ESPM, o tema deixou de ser exclusivamente
empresarial. “Essa disputa para
Presidente Donald Trump tornou-se peça central na disputa entre Netflix e Paramount
ver quem fica com a Warner e com todas
as suas propriedades intelectuais
chegou ao Salão Oval da Casa Branca. O
presidente Donald Trump parece estar
envolvido nessa questão”, afirma. Ele
lembra que a entrada de Kushner na estrutura
financeira reforça o caráter político
da operação.
As declarações recentes do presidente
também movimentaram o cenário.
Library of Congress/Unsplash
pendência editorial e levantou questionamentos
sobre a possibilidade de uma
holding controlar simultaneamente redes
de notícias como CBS e CNN.
A presença de figuras próximas ao
presidente na negociação e a postura
pública de Trump intensificaram o debate
sobre como interesses políticos
podem influenciar processos de aprovação
de grandes fusões no setor de mídia.
Legisladores e entidades do audiovisual
já alertam para os riscos de concentração
informacional e para as implicações
que eventuais alinhamentos partidários
podem ter sobre diversidade de vozes.
Para Rodrigo, essa é uma demonstração
de como grandes operações no
audiovisual ultrapassam o campo econômico.
“Há uma questão política em
jogo envolvendo a Netflix, a Paramount,
a Warner e a Casa Branca”, afirma o professor.
Segundo ele, além de potência
econômica, o controle de cadeias de
conteúdo implica impacto simbólico e
regulatório em um ambiente altamente
polarizado.
AM
jornal propmark - 15 de dezembro de 2025 41
esg no mkt
Alê Oliveira
A hora do criativista
A IA não “cria” nada – ela simplesmente agrupa
um monte de dados e conceitos criados
Alexis Thuller Pagliarini
Desde que a IA passou a ocupar grande espaço nas
nossas vidas, como contraponto, passou-se também
a ser questionado o seu impacto sobre os
humanos. Inovações são sempre impactantes, já que
mudam formas e processos, mas com a IA é diferente.
Sua onipresença, ao mesmo tempo que fascina, amedronta.
O que será dos humanos? No meio da movimentação
bilionária (até trilionária) dos principais players,
apostando corrida para serem os pioneiros na formatação
de soluções revolucionárias, baseadas em IA, estamos
nós, humanos, com nossas dúvidas e receios, frente
ao tsunami tecnológico que invade nossa vida pessoal
e profissional.
Corremos para nos atualizar, começamos a usar as
ferramentas lançadas e vamos tentando entender minimamente
o nosso papel daqui para frente.
E à medida que a poeira vai baixando, vamos conseguindo
enxergar um pouco mais além, até a próxima movimentação,
que pode empoeirar nossa visão outra vez.
Mas alguns aspectos começam a aflorar e dar algum
alento. O primeiro deles é a constatação de que, sim, a
IA é revolucionária, faz um monte de coisa sozinha e em
tempo real, mas há sempre humanos por trás.
Seu resultado será tanto melhor quanto for o prompt,
a curadoria, a avaliação do que é gerado pelas máquinas
e a adequação estratégica dos seus resultados.
Essa curadoria estratégica humana sempre existirá,
por mais que se automatizem os processos.
A segunda reflexão é: se as máquinas estão realizando
algumas funções humanas com eficiência e rapidez,
quais serão outras funções que ganharão importância
no campo de atuação típico dos humanos?
Sem dúvida nenhuma, os soft skills, aqueles de ordem
mais emocionais, ganharão mais espaço.
Criatividade continuará entre as habilidades mais relevantes:
a IA não “cria” nada – ela simplesmente agrupa
um monte de dados e conceitos criados anteriormente
para gerar combinações interessantes.
A geração de algo realmente disruptivo virá sempre
da criatividade humana. E outra habilidade emergente –
permita-me uma visão pessoal – é o ativismo.
Num mundo ameaçado por crises climáticas e desafios
socioambientais, os humanos estão convocados a
agir. Ativismo não se dá simplesmente via protestos e
manifestações.
O verdadeiro ativismo se manifesta por ações concretas.
O mundo precisa de um aumento significativo de
ativistas, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas.
O estudo anual internacional ‘Trust barometer’, do
Edelman Group, que mede o nível de confiança das pessoas
nas instituições, aponta que confiamos apenas nas
empresas, e somente nelas.
Nem ONGs, nem governos, nem a mídia alcançam índices
de confiança acima da linha de corte – apenas as
empresas.
Mas tal confiança vem com uma cobrança: espera-
-se das empresas um ativismo concreto. Espera-se que
as empresas cuidem da sua lucratividade, mas também
das pessoas e do planeta.
Que os insumos utilizados na produção dos seus produtos
sejam amigáveis ao meio ambiente. Que as pessoas
que trabalham nessas empresas sejam remuneradas
com dignidade e atuem em um ambiente respeitoso e
inclusivo.
Que sua administração seja ética e transparente. E aí
vem o neologismo do qual tanto trato nos meus artigos:
criativismo. O termo vem da junção de criatividade com
ativismo.
Está difícil reverter a deterioração socioambiental da
humanidade? Tentemos o criativismo!
Basta analisarmos o resultado das principais premiações
dos festivais de criatividade pelo mundo. A maioria
dos cases vencedores tem essa pegada criativista.
Pode reparar! Então, que em 2026 e além assumamos
nosso lado criativista. Será bom para cada um de
nós, para nossas empresas e para a humanidade, como
um todo.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
42 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
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Oscar Wei
presidente-executivo da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE)
Muito além da burocracia
A relação Brasil-China avança,
e com ela as oportunidades
de negócios. Mas é preciso ir
além da burocracia jurídica,
das formalidades contratuais e
das missões que viram turismo.
Negociações eficazes nascem da
leitura das sutilezas culturais e dos
modos de trabalho que só quem
vive as duas realidades consegue
interpretar. É nesse ponto que a
atuação da Câmara Brasil-China
de Desenvolvimento Econômico
(CBCDE) torna-se decisiva, como
fica evidente na entrevista a
seguir com o seu presidenteexecutivo,
Oscar Wei.
Divulgação
Mirela Tavares
Especial para o propmark
Você atua na CBCDE há bastante tempo.
Qual a sua percepção sobre os “especialistas
em China” que estão ocupando cada vez
mais espaço nas redes sociais, oferecendo
missões e ações de networking para quem
quer fazer negócio com parceiros chineses?
Eu comecei a trabalhar na CBCDE em 2012, uma época
em que não havia muita circulação de informação sobre
a China. Essa lacuna tornou o papel da câmara essencial
para empresas que queriam saber como importar e exportar
para a China, que queriam saber como funcionavam
os trâmites burocráticos, jurídicos... Antes mesmo
dessa época, por volta de 2007-2008, a CBCDE já mantinha
missões de networking para a China; publicava uma revista
– a primeira que falava sobre a relação bilateral entre
Brasil e China, a “Parceiros”, inclusive com uma versão
impressa. Nas missões, eram levados uma média de 30
a 50 empresários para a Canton Fair (reconhecida como a
maior feira de importação e exportação da China).
Só de São Paulo?
Do Brasil inteiro, porque havia divulgação em todo o país,
tanto pelo site quanto pela revista, que era distribuída em
todos os estados. Mas eles tinham de vir para São Paulo
e daqui saíam as delegações para as edições da feira que
ocorre duas vezes ao ano. Por volta de 2012, começamos
a realizar imersões sobre intercâmbios de universidades.
Em 2013, montamos a primeira feira de intercâmbio de
universidades chinesas com universidades brasileiras. Na
primeira e na segunda edição trouxemos uma faixa de 20
a 30 universidades, com seus reitores e diretores acadêmicos
para as inscrições de matrículas.
Tudo isso em uma época que as informações
eram muito difíceis de obter. Hoje,
qual o papel desses “especialistas em China”
que oferecem missões para lá?
Hoje as informações circulam mais facilmente, as pessoas
têm mais acesso, ir à China também ficou mais
fácil e mais barato. Aquela pessoa que estudava o mercado
naquela época tornou-se um especialista hoje. E
até por causa dessa facilidade maior de informação, a
CBCDE passou a oferecer mais ações de relacionamento
B2B (business to business) e B2D (business to developer)
– soluções para projetos da indústria química, siderúrgica,
agricultura familiar, bioenergia e energia renovável.
Esses especialistas de redes sociais ocuparam
esse espaço?
É que ser “especialista” em China virou moda. Tem muita
gente séria que está investindo tanto no Brasil quanto
na China, contribuindo para fomentar negócios entre as
empresas dos dois países. Mas, desde 2018, e desde a pandemia,
têm surgido também muitas pessoas que viajam
uma, duas vezes ao ano, passam uma, duas semanas na
China, encontram muita informação na internet, vão a uma
feira, aprendem o caminho, sabem o que fazer, o que mos-
“Hoje, as pessoas têm
mais acesso, ir à China
também ficou mais fácil
e mais barato”
44 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
“A parceria Brasil-China avançou de forma expressiva
nos últimos anos, especialmente no atual governo”
trar e se dizem especialistas. Mas, em geral, embora não
sejam profissionais, esses especialistas acabam fazendo
mais viagens guiadas em ambientes de negócios do que
viagens de negócios propriamente ditas. Isso porque não
se trata só de comprar e vender produtos ou serviços.
Esses processos requerem conhecimento de valores e de
qualidade dos produtos reais, habilidades específicas de
negociações por prazos e formas de pagamento, além de
toda burocracia de despachos de importação/exportação,
necessidades de certificações, trâmites jurídicos, sem contar
as barreiras linguísticas e culturais. Então, é preciso ter
muita atenção, porque pode-se até ir para lá, levar grupos
de empresários e importadores, fazer uma visita à sede da
Alibaba – que inclusive é aberta ao público com o pagamento
de um ticket –, mas o preço do que se vai comprar
por lá pode sair igual ao vendido no Brasil.
Vocês já chegaram a levar apenas um empresário,
né?
Sim, algumas vezes. Isso é possível, porque a câmara é
uma entidade sem fins lucrativos e por termos muitas
parcerias com câmaras da China e com os governos das
cidades chinesas e mesmo diretamente com o governo
chinês. E isso ocorre quando empresários precisam de
soluções muito específicas ou soluções completas para
o seu ramo de atividade.
E qual a sua percepção sobre a evolução
dessas parcerias Brasil-China ao longo dos
últimos anos e como isso deve seguir?
A parceria Brasil-China avançou de forma expressiva nos
últimos anos, especialmente no atual governo, quando a
relação política ganhou força e passou a impulsionar também
os vínculos econômicos. A agenda de reindustrialização
defendida pelo Brasil tem dialogado diretamente com
a capacidade produtiva excedente da China, criando oportunidades
para ampliar investimentos, cooperação e novos
fluxos comerciais. Esse movimento tende a intensificar o
intercâmbio acadêmico e a formação de mão de obra qualificada,
elementos essenciais para sustentar o crescimento
de mercado e garantir efetiva transferência de tecnologia.
E a guerra tarifária promovida pelo presidente
norte-americano Donald Trump só
favoreceu a parceria Brasil-China, correto?
Essa guerra tarifária fez com que o Brasil se sobressaísse
no mercado latino-americano, tornando-se um polo
econômico de atração de investimentos não só dos chineses,
mas do mundo todo.
Um país com mais de 200 milhões de habitantes...
Emergente, com muito futuro, crescimento do poder
de compra da classe média, da classe baixa, tudo isso
aumenta o consumo... Um exemplo é o que o brasileiro
consome de internet. Uma enormidade!
Nesse ambiente global altamente competitivo,
qual é o valor estratégico na prática
de um networking institucional como o da
CBCDE entre empresas brasileiras e o mercado
chinês?
Nos últimos anos, a CBCDE tem feito esse entrelaçamento
entre o governo chinês e o governo brasileiro, junto
com o empresariado dos dois países. Um bom exemplo
talvez seja a BYD ter se instalado em Campinas (interior
de São Paulo) com a nossa intermediação, depois de diversas
viagens e negociações. Esse é o tipo de exemplo
de trabalho que uma câmara de comércio precisa ter
para tentar nacionalizar a marca BYD em Campinas.
É um trabalho tanto na vinda das empresas
chinesas para o Brasil, mas também de empresas
brasileiras indo para lá, correto?
Sim. Há outras ações relevantes, como o apoio que tivemos
do governo de Dongguan – cidade chinesa da província do
Cantão que concentra o maior número de brasileiros, atualmente
com cerca de 3 mil pessoas. Com o convite da cidade,
a CBCDE investiu na construção de um complexo comercial
– um prédio de 36 andares com hotel, shopping e escritórios
–, tendo um andar inteiro para o governo brasileiro, como
as secretarias de Campinas, Jundiaí, Mato Grosso do Sul, São
Paulo Negócios, além de empresas brasileiras sediadas lá,
com oferta gratuita dos espaços para os associados.
E quanto às negociações propriamente ditas,
quais os pontos de atenção para evitar
os ruídos de comunicação entre culturas
tão distintas?
Negociar entre Brasil e China exige domínio das duas culturas.
Apesar da transparência nas transações – cada parte
sabe exatamente o que ganha –, é a experiência que evita
armadilhas. Ainda recebemos e-mails de chineses dizendo:
“Paguei US$ 100 mil por uma carga e, três meses depois,
nada chegou”. Isso ocorre porque muitos vendedores brasileiros
se apresentam como fornecedores de açúcar, pés
de galinha, carne, insumos diversos – tudo supostamente
legítimo, com documentos, fotos de fábrica e certificados
–, mas que, no fim, são operações fraudulentas. Entidades
como a CBCDE ajudam a verificar empresas e documentação,
reduzindo riscos. O problema é que muitos só procuram
essa orientação depois de perder dinheiro. Tentam economizar
no começo e acabam pagando muito mais adiante.
A complexidade tributária brasileira ainda
aparece como um dos principais desafios
para as empresas chinesas que desejam
investir no país? Ainda é?
Sim. A estrutura tributária brasileira é tão complexa que,
muitas vezes, nem os próprios brasileiros a compreendem
plenamente, então imagine uma empresa estrangeira
chegando agora. Por isso, uma das primeiras perguntas
que recebemos é sobre como funciona a taxação
no Brasil. Antes mesmo de contratarem uma consultoria
especializada, as companhias buscam em nós uma
orientação inicial que as ajude a entender o cenário,
evitar equívocos e avaliar melhor os próximos passos.
Hoje, existe algum setor que se destaque
como a principal oportunidade na relação
comercial entre Brasil e China?
Neste momento, o maior interesse da China é expandir
sua capacidade produtiva em energias renováveis para
outros mercados. O país alcançou um nível de autossuficiência
nesse campo e busca parceiros estratégicos
para direcionar esse excedente tecnológico e industrial.
O Brasil, por sua vez, tem uma matriz energética sólida e
uma forte presença no petróleo, algo que contrasta com
a realidade chinesa. Como a China não dispõe de reservas
tão abundantes e, por isso, investiu pesadamente
em renováveis, abre-se agora um espaço natural para
cooperação: tecnologia chinesa aliada ao potencial brasileiro
de expansão em energia limpa.
E como a Câmara atua para construir e
preservar relações de longo prazo, evitando
esses vínculos apenas pontuais com as
empresas chinesas no Brasil?
Nosso trabalho começa por um ponto fundamental: ajudar
as empresas a compreender que operar no Brasil
exige aderência às regras brasileiras e não a uma lógica
simplesmente transplantada de outros mercados. Muitas
vezes, encontramos companhias que chegam acreditando
que, se um modelo funcionou bem na Malásia ou em
qualquer outro país, funcionará da mesma forma aqui.
Mas não é assim. O Brasil tem um arcabouço trabalhista
rígido, uma estrutura tributária complexa e um ambiente
regulatório próprio, que precisa ser compreendido e
respeitado. Esse processo de adaptação, que envolve
questões jurídicas, fiscais e trabalhistas, pode causar
insegurança inicial. Nossa atuação é justamente reduzir
essa distância cultural e normativa, orientar as empresas
e mostrar que, ao entender a complexidade do país, elas
conseguem operar com mais segurança, previsibilidade
e sustentabilidade no longo prazo.
De certa forma, vocês acabam desmistificando
e aproximando essas culturas ao
mediar expectativas, práticas e modos de
fazer negócios.
Sem dúvida. Nosso papel é justamente construir essa
ponte. Ajudamos as empresas chinesas a interpretar o
contexto regulatório, social e empresarial brasileiro, o
que é muito diferente do ambiente em que estão acostumadas.
E, ao mesmo tempo, mostramos ao mercado
brasileiro como funcionam as dinâmicas corporativas e
a lógica de tomada de decisão chinesa. Esse trabalho de
tradução cultural e institucional reduz ruídos, evita equívocos
e cria uma base de confiança.
Parte do trabalho de vocês envolve ajudar
as empresas chinesas a compreenderem a
cultura de negócios no Brasil. Mas, quando
falamos especificamente de comunicação e
marketing, essas companhias contam com o
apoio da Câmara?
Esse ainda não é um campo no qual uma câmara de comércio
consiga atuar de forma decisiva, porque a maioria
das empresas chinesas não enxerga marketing e publicidade
como áreas essenciais para sua operação no Brasil.
Isso começou a mudar recentemente. Entre 2023 e 2024,
algumas empresas fizeram testes e passaram a perceber
o impacto da comunicação estratégica. E somente agora,
em 2025, vemos uma abertura mais clara para investir em
posicionamento, relacionamento e visibilidade, embora
esse movimento ainda esteja em fase inicial.
jornal propmark - 15 de dezembro de 2025 45
quem fez
Kelly Dores
interina
kelly@propmark.com.br
BETC HAVAS
L’Occitane au BrésiL
Fotos Divulgação
Título: ‘Natal que é o puro suco do Brésil’
CCO: erh ray
VP de criação: sophie schönburg
Diretores de criação: diego Ferrite e rafael avila
Criação: danielle Fernandes, Kika costa e Pedro Piccoli
VP de estratégia: Gustavo Leite
VP de mídia: renata Valio
Aprovação do cliente: andré abramo e Maria Kowalski
Em filme estrelado pela embaixadora da marca, Bianca Andrade, a produção
celebra as tradições genuínas do Natal no Brasil. Com um toque de humor,
mostra como as luzes natalinas ganham um toque especial ao serem penduradas
nos Mandacarus, ingrediente de uma das linhas de assinatura da
L’Occitane au Brésil e símbolo do Nordeste brasileiro.
AfriCA CrEATiVE
natura
Título: ‘P.I.X. Natura’;
CCO: sergio Gordilho
Co-CCO: rogerio chaves, Fabricio Pretto e angerson Vieira
Diretores de criação: eduardo Ferraz e Milena Zindeluk
Criação: Helena Passos, Vinicius Montes, nikole Vogel,
Lucas campello, Matheus Oliveira, João Paulo campos,
Mariana Quadros e cyntia Helena
O filme traz a história de uma mãe e sua filha que têm o
voo cancelado na véspera do Natal. Embaladas pela releitura
de ‘Eu só quero um Xodó’, de Dominguinhos, elas entram
no mundo da magia do presente de Natal da Natura, que
ganha vida por meio da animação e se transforma em um
avião que as leva até a família, onde o presente é entregue.
Suno CrEATorS
sicredi
Título: ‘Fim de ano 2025’
Criação: Jorge almeida, Vinícius thomé e cláudio eiji
Planejamento: sergio Katz, Katia Fontana e Lara sanches
Mídia: ricardo Barros, Jessica Melo, camila donice, thiago caranassios
e renata castro
Atendimento: elthon Longhi, raquel Hipólito e sara reis
Aprovação: João clark, Luciana Branco, ariel Ferraz e Juliana Oppelt
A marca de cooperativas aproveita o clima de união no fim de ano para dar vazão
ao mote ‘Cooperar é da nossa natureza’. Com cenas como um grupo de pessoas
empurrando uma caminhonete, a campanha valoriza pequenas atitudes que podem
fazer a diferença na vida de cada um, reforçando valores da instituição como
cooperação e solidariedade.
46 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
inspiração
Reflexões de uma liderança
Fotos: Unsplash e Divulgação
Valorizo ambientes que permitam crescimento real, inclusive
com espaço para tentativas, ajustes, erros e aprendizados
João Fraga
Especial para o propmark
O
que move um empreendedor? Para mim, a inspiração. Embora ela raramente
apareça no momento exato. Na maioria das vezes, surge de forma discreta:
em conversas rápidas do cotidiano, em erros que exigem recalcular rota ou
em decisões que parecem pequenas, mas depois revelam seu impacto. É desse
conjunto de fatores, e não de grandes epifanias, que minha trajetória foi sendo
construída.
Quando revisito os caminhos que me levaram à criação da Paag, percebo que nada
nasceu de um único impulso. Foi uma combinação de experiências que, aos poucos,
formaram um propósito. A empresa surgiu da convergência de duas convicções que
sempre levei comigo na vida: a crença de que a tecnologia pode simplificar processos
e a certeza de que as pessoas precisam trabalhar em ambientes onde possam criar,
evoluir e sentir pertencimento.
No dia a dia, a inspiração vem das pessoas. Ver o time assumir responsabilidades,
testar ideias e encontrar soluções me dá clareza sobre o papel da liderança. Como CEO,
minha motivação está menos em discursos e mais na coerência entre o que defendemos
e o que praticamos. E, por isso, valorizo ambientes que permitam crescimento real,
inclusive com espaço para tentativas, ajustes, erros e aprendizados. Normalmente, é
nesse movimento que ideias consistentes surgem.
O setor de tecnologia e meios de pagamento avança em velocidade alta, e isso exige
atenção constante. Estar em um mercado que se reinventa o tempo todo demanda
visão para antecipar mudanças, abertura para experimentar e confiança nas pessoas
que constroem a empresa diariamente.
Cada nova demanda traz um desafio, e cada desafio, um aprendizado diferente. É
nesse fluxo contínuo que encontro sentido na liderança: criar condições para que pessoas
se desenvolvam e para que a inovação aconteça de forma natural, não forçada.
Fora do trabalho, busco inspiração em atividades que me mantêm curioso. A impressão
3D, por exemplo, me ajuda a exercitar paciência e precisão; já os jogos online unem
estratégia e rapidez de adaptação. São práticas simples, mas que funcionam como respiros
importantes para manter a mente ativa.
Ao longo da minha carreira, convivi com diferentes estilos de liderança. Alguns inspiraram
diretamente; outros serviram como alerta sobre caminhos a evitar. Essas vivências
reforçaram a importância de equilibrar extremos: como ousadia e prudência,
estabilidade e flexibilidade — e mostraram que liderar é, sobretudo, um exercício diário
de escuta.
No fim, é essa combinação de movimento contínuo, aprendizagem e cultura viva que
me lembra por que escolhi empreender. E, principalmente, por que continuo acreditando
no caminho que estamos construindo.
João Fraga é CEO da Paag, techfin de meios de pagamentos
jornal propmark - 15 de dezembro de 2025 47
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Whext Awards 2025
A Apro (Associação Brasileira de Obras
Audiovisuais), por meio de sua plataforma
internacional FilmBrazil, anunciou
os vencedores do Whext Awards 2025
durante a cerimônia de encerramento
do festival Whext - ‘Criar é humano. O
futuro da produção também’, promovido
em parceria com a ApexBrasil (Agência
Brasileira de Promoção de Exportações
e Investimentos). A festa da produção
audiovisual publicitária ocorreu no
último dia 8, no Masp, e foi conduzida por
Marianna Souza, presidente-executiva da
APRO e head do Whext. Foram reconhecidos
os profissionais que mais se
destacaram em 14 categorias técnicas,
além das homenagens aos saudosos
Sergio Salles e Dorian Taterka (Dodi), na
categoria ‘Contribuição para o Mercado’.
A edição deste ano contou com a estreia
da categoria ‘Menção Honrosa’, concedida
ao Nubank, por seu compromisso com
práticas éticas, valorização de produtoras
independentes e estímulo a um mercado
mais equilibrado e responsável.
Vencedores do Whext Awards 2025
Fotos: Alê Oliveira
Casting: Manu Menezes
Maquiagem: Vick Garaventa
Figurino: Andre Braune
Direção de arte: Karla Salvoni
Direção de produção: Robertinho Belleza
Assistente de direção: Fernanda Magalhães
48 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
Fotos: Alê Oliveira
Montagem: Rodolpho Ponzio
Pós-produção: Cirilo Bonazzi
Produção de áudio: Lou Schmidt
Direção de fotografia: Will Etchebehere
Direção de novos talentos: Bibo Leal
Direção de animação: Paulo Garcia e Natália Gouvea - Zombie
Produção executiva: Mario Peixoto e Marianna Souza, nas pontas, entregam prêmio
a Thiago Mascarenhas, Michelle Pavão, Larissa Luisi e Del Reginato - Kaus Film
Direção: Los Pibes - Kaus Film
Homenagem ao saudoso Sergio Salles: Gabriel Nóbrega
(Vetor Zero), Sofia Machado (filha de Salles) e Marianna
Souza (Apro)
Homenagem ao saudoso Dorian Taterka (Dodi):
Wilson Fernandes (Lola), Edu Simon (Galeria) e
Marianna Souza (Apro)
‘Menção honrosa’ ao Nubank: Tiago Lara (Nubank)
Sandra Martinelli (ABA), Isabelle de Vooght (Nubank)
e Marianna Souza (Apro)
jornal propmark - 15 de dezembro de 2025 49
última página
Alê Oliveira
Stalimir Vieira
é diretor da Base de Marketing
stalimircom@gmail.com
O fim da era dos mitos
Stalimir Vieira
Lembro que, anos atrás, numa reunião ou festa em
que estivesse, quando falava que era publicitário,
o fato despertava um vivo interesse de gente de
qualquer profissão. Sempre tinha alguém que me perguntava
sobre “o Olivetto”, ou “sobre aquele outro,
agora me foge o nome, um nome diferente”.
Com duas ou três perguntas, eu matava a charada – o
Nizan Guanaes. “Isso!” Eram eles os publicitários mais populares.
Com relação às agências, dizer que trabalhava
na DPZ equivalia, guardadas as devidas proporções, a ser
da Globo. Era igualmente a mais “popular”.
Nenhuma outra agência que citasse, com raríssimas
exceções, em que a pessoa tivesse um parente próximo
publicitário, por exemplo, estava na memória da grande
maioria dos interlocutores.
Nem a W/Brasil, no tempo em que trabalhei lá, e fazia
questão de contar, achando que ia arrasar, quase sempre
sem fazer o menor efeito. A menos, naturalmente,
que esclarecesse que era “a agência do Olivetto”.
Claro que, ao citar, algumas “propagandas”, como os
leigos costumam se referir aos comerciais, estas eram
elogiados, não importava o nome da agência. Ainda hoje,
os mais velhos, quando o assunto surge numa roda de
conversa, ainda lembram de alguns nomes, como quem
fala do Pelé ou do Romário, para o futebol.
Pode-se dizer que esse pouco conhecimento faz sentido,
considerando que o nosso negócio é necessariamente
focado em outros negócios – os clientes –, e que
não temos nada para oferecer diretamente ao chamado
público final. Sob essa perspectiva, pressinto que a publicidade
passou de um, digamos, reconhecimento público,
representado por alguns expoentes, vaidosos de uma
atividade que acreditava rivalizar com as artes, para
um anonimato assumido e mais barato. Em que não há
espaço para a consagração pessoal nem compromisso
com siglas emblemáticas.
Tentando explicar o fenômeno, eu diria que a publicidade
se tornou desinteressante ou interessante apenas
como informação objetiva, principalmente porque os
demandadores principais – os anunciantes – perderam a
atração pelo aspecto artístico da atividade, em favor de
propostas com resultados mensuráveis no curto prazo.
E as agências, por sua vez, viraram grandes conglomerados
orientados por métricas de desempenho financeiro.
Com isso, a vaidade, a grande motivadora do
empenho do profissional de criação, deixa de existir.
Se um dia, esse profissional foi bem remunerado,
ele sabia a razão disso, e tinha consciência de que a recíproca
a atender era a oferta de uma ideia brilhante.
Essa era, naturalmente, a sua missão cotidiana com a
agência, que se somava ao objetivo pessoal de se tornar
famoso.
Hoje, o exercício de uma certa liberdade para criar
está focado apenas nos festivais, ambiente restrito da
própria publicidade, o que não contribui em nada para o
resgate de alguma popularidade.
É fato que as redes sociais radicalizaram na formação
de nichos, cada um com seus heróis particulares,
aumentando muito o desafio de um reconhecimento
universalizado.
Talvez, por essa transformação profunda, se um dia,
tivemos um “Pelé” ou um “Romário” para explicar o que
fazemos, hoje sequer temos um “Neymar”. E, sendo bem
honestos, podemos dizer que temos, pelo menos, algumas
“propagandas” para citar?
“Eu diria que
a publicidade
se tornou
desinteressante
ou interessante
apenas como
informação
objetiva”
50 15 de dezembro de 2025 - jornal propmark
O estudo que viaja pela força
das marcas brasileiras
Um estudo inédito, que
mapeia marcas brasileiras,
revelando como constroem
vínculos distintos com
os seus públicos e como
influenciam culturalmente
e economicamente na
construção do País.
Descubra
mais aqui: