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Especial capitalização mostram o caminho dessa carteira no Brasil. Capa da Sancor Seguros e entrevista com Swiss Re Corporate Solutions. Matérias sobre Seguro Rural e Lei Geral dos Seguros

Especial capitalização mostram o caminho dessa carteira no Brasil. Capa da Sancor Seguros e entrevista com Swiss Re Corporate Solutions. Matérias sobre Seguro Rural e Lei Geral dos Seguros

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Mala Direta

Básica

9912281412/2011-SE/SPM

Correcta Editora

DEZEMBRO | 2025

Nº 315 • ANO 30

IMPRESSO FECHADO

Pode ser aberto pela ECT

SANCOR SEGUROS

O CRESCIMENTO

QUE VEM DO SUL

Com a chegada da nova CEO,

Claudia Lopes, seguradora

busca a expansão

sustentável

CAPITALIZAÇÃO

De olho na educação financeira

LEI GERAL DOS SEGUROS

Novas regras já estão valendo

SEGURO VIAGEM

O consumidor está aprendendo

o seu valor



EDITORIAL

Educação

financeira

O

mercado de capitalização está em busca de novas oportunidades

de negócios e encontrou no órgão regulador

um parceiro para impulsioná-los. Se há pouco tempo o

setor disputava espaço com aplicações financeiras nas prateleiras

dos bancos, gerando insatisfação nos clientes quando percebiam

que seus ganhos seriam menores, hoje o grande argumento de

vendas é a disciplina financeira.

Esta mudança na comunicação também se fez necessária

por conta do avanço das bets. De acordo com o Banco Central

(BC), os brasileiros destinaram cerca de R$ 240 bilhões às bets

em 2024.

Além do produto tradicional, a experiência do setor com o

Título de Garantia de Aluguel também se mostra mais vantajosa

como forma de caução para contratos de locação de imóveis.

Agora, já existe a possibilidade de parcelamento do valor a ser

pago, vencendo mais uma barreira de entrada. A novidade mais

recente é a possibilidade de utilização de um título como garantia

de crédito. Uma nova aplicação para os produtos tradicionais.

São mudanças pontuais que, aos poucos, vão transformando

o mercado de seguros, assim como fez o Lei Geral de Seguros,

que passou a valer no dia 11 de dezembro. As seguradoras

tiveram um ano para se preparar para o que vem pela frente,

entretanto, especialistas acreditam que muito se irá aprender a

partir da experiência. Mais uma vez, mostramos o que muda com

a Lei, cujo objetivo foi melhorar a experiência do consumidor e

protegê-lo ainda mais.

Boa leitura!

DEZEMBRO • 2025 • Nº 315 • ANO 30

EXPEDIENTE

Diretora de Redação:

Kelly Lubiato - MTB 25933

klubiato@revistaapolice.com.br

Diretora de Negócios:

Graciane Pereira

graciane@revistaapolice.com.br

Repórter

Nicholas Godoy

Colaborador:

André Felipe de Lima

Diagramação e Arte:

Enza Lofrano

Tiragem:

12.000 exemplares

Circulação:

Nacional

Periodicidade:

Mensal

Os artigos assinados são de

responsabilidade exclusiva de

seus autores, não representando,

necessariamente, a opinião desta revista.

Esta revista é uma

publicação independente

da Correcta Editora Ltda e

de público dirigido

CORRECTA EDITORA LTDA

Administração, Redação e Publicidade:

Alameda dos Arapanés, 881 - cjto 22

Moema - CEP 04524-001- SÃO PAULO/SP

CNPJ: 00689066/0001-30

Contato: (11) 91666-7799

Diretora de Redação

Mande suas dúvidas,

críticas e sugestões para

redacao@revistaapolice.com.br


CONTEÚDO

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ESPECIAL CAPITALIZAÇÃO

PANORAMA

Setor de capitalização

busca alternativas de

produtos para ter apelo

cada vez maior junto ao

público, enfatizando seu

caráter de disciplinador

financeiros

>> PÁG. 12

CAPA

Sancor Seguros

continua seu projeto de

expansão para outras

regiões do Brasil, agora

sob a liderança de

Claudia Lopes

>> PÁG. 08

PRODUTO

O seguro viagem

deixou de ser apenas

um acessório e passa

a ser visto como uma

necessidade para além

dos países do Acordo de

Schengen

>> PÁG. 26

ÍNDICE

05 ENTREVISTA

Swiss Re Corporate Solutions

empodera a operação brasileira com

a nomeação de Guilherme Perondi

como CEO da Limea (América Latina,

Espanha, África e Oriente Médio)

07 CONSÓRCIO

ESPECIAL CAPITALIZAÇÃO

19 LIDERANÇA

Empresa que atuava há mais de 30

anos apenas com produtos populares

agora vê espaço para buscar novas

modalidades, como incentivo e

filantropia premiável

REGULAÇÃO

20 A nova Lei Geral dos Seguros

entrou em vigor dia 11 de dezembro,

trazendo novas responsabilidades

para seguradoras e reseguradoras

24 O impacto da Lei Geral dos

Seguros na carteira que sofreu em

2025 com a queda do subsídio ao

prêmio do seguro rural

31 GENTE

33 EVENTOS

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores, não representando, necessariamente, a opinião desta revista.

4


ENTREVISTA

SWISS RE CORPORATE SOLUTIONS

Operação brasileira será empoderada

CONVERSAMOS COM OS EXECUTIVOS DA SWISS RE CORPORATE SOLUTIONS PARA SABER O QUE MUDA

COM A NOVA GESTÃO NA LIMEA (AMÉRICA LATINA, ESPANHA, ÁFRICA E ORIENTE MÉDIO)

feliz pela oportunidade e acredito que vale

destacar que, assim como outras companhias

do nosso setor, à medida que o Brasil

e a América Latina ganham prioridade, mais

empoderamento vem sendo dado para nossos

executivos/as, abrindo novos caminhos

de desenvolvimento profissional para nossos

talentos.

GUILHERME PERONDI,

Head Ibero-America, Middle East & Africa

GLAUCIO TOYAMA,

Head Agro Brasil

Quais são as perspectivas de negócios para 2026, tanto para o Brasil

quanto para a América Latina?

Guilherme Perondi: De acordo com um estudo do Swiss Re

Institute, publicado em novembro/2025, acreditamos que a América

Latina deve crescer cerca de 2,1% em 2026, com a região observando

temas como uma queda gradual da inflação, políticas monetárias menos

restritivas e recuperação parcial de investimentos, embora abaixo

do seu potencial de crescimento, limitado por desafios estruturais

como baixa produtividade, déficits fiscais e vulnerabilidade externa.

A expansão do mercado de seguros deve ser novamente acima

do PIB, com projeção de 4% de crescimento real dos prêmios em 2026.

A expectativa é de crescimento de 4,6% no segmento de Vida e Saúde,

impulsionado pela maior demanda por proteção, saúde suplementar e

produtos de poupança/previdência, enquanto os Ramos Patrimoniais

e de Danos (P&C) devem crescer 3,2%, impulsionado pelos ramos patrimoniais

e automóvel.

No Brasil, a estimativa é que o PIB cresça 1,7% em 2026, abaixo

da média da América Latina, com o país enfrentando menor flexibilidade

orçamentária e investimentos ainda moderados. Para o mercado

de seguros, esperamos crescimento de 3,8%, com destaque para Vida

(+4,3%), Saúde (4%) e Ramos Elementares (5%) no próximo ano. Por

um lado, acreditamos que a maior digitalização na oferta de seguros

vai apoiar a expansão, porém desafios como crescimento econômico

moderado e inflação ainda elevada, combinada com a necessidade de

ampliar a inclusão e a penetração de seguros no país, limitarão a expansão

potencial do mercado.

O que muda nas suas funções a partir do próximo ano?

Guilherme Perondi: Neste ano, tive o privilégio de ser convidado

para assumir a Região LIMEA (América Latina, Espanha, África e Oriente

Médio) da Swiss Re Corporate Solutions, que será gerenciada a partir

do Brasil. Meu foco seguirá sendo priorizar o Brasil, pelo seu tamanho e

potencial de crescimento, e trabalhar com os líderes dos demais países

da José região Antonio explorando Fernández de sinergias Pinto de negócio nessa nova região. Fico muito

Como o Brasil se posiciona regionalmente

e qual é a importância da operação brasileira

para a região?

Guilherme Perondi: A América Latina

e, particularmente o Brasil, tem papel

estratégico para a Swiss Re Corporate Solutions.

Temos uma presença relevante e

tradicional na região e um modelo de negócios

abrangente, combinando três operações

de seguro no Brasil, Colômbia e México

com uma operação de “Wholesale” em

Miami, oferecendo soluções para os demais

países da América Latina e Caribe. Com esse

modelo, e considerando que temos mais de

500 colaboradores na região, oferecemos

soluções em riscos Patrimoniais, Responsabilidades,

Agro, Transportes, Garantia,

Engenharia além de produtos estruturados

como Paramétricos e Soluções Estruturadas

para riscos complexos e cativas.

No Brasil, temos uma sociedade

com a Bradesco Seguros desde 2017, nos

permitindo acessar tanto o segmento de

grandes riscos quanto atender corretores

e clientes em todo o país, contando com

a força do Grupo Bradesco. Esta parceria

estratégica nos posiciona entre as maiores

seguradoras de riscos corporativos, com

destaque para Patrimoniais, Engenharia,

Energia, Garantia e Agro.

Seguiremos investindo em pessoas,

tecnologia e produtos para estar cada vez

mais perto e acessíveis para corretores e

clientes brasileiros.

Quais são as perspectivas para o Seguro

Rural em 2026?

5


ENTREVISTA

SWISS RE CORPORATE SOLUTIONS

Glaucio Toyama: O setor agropecuário

seguirá enfrentando volatilidade,

marcada por riscos climáticos, endividamento

elevado e custos mais altos de financiamento.

Ainda assim, 2026 tende a ser um

ano de reorganização positiva. A possível

aprovação do PL 2951 pode fortalecer o

Programa de Subvenção do Seguro Rural e

modernizar instrumentos de crédito, o que

tende a abrir espaço para mais produtores

se protegerem. O clima continuará sendo

o principal vetor de risco, mas o avanço da

tecnologia permitirá aprimorar precificação,

monitoramento e gestão do sinistro, tornando

a proteção mais eficiente e acessível.

Você acredita em uma retomada dessa

carteira no Brasil?

Glaucio Toyama: Sem dúvida. Os últimos

anos exigiram grandes ajustes e todo

o mercado - seguradoras, resseguradoras e

canais de distribuição - se estruturou para

oferecer uma carteira mais diversificada,

sustentável e tecnicamente sólida. Estamos

consumindo mais tecnologia em toda a jornada,

com uso intensivo de dados, satélites,

sensores climáticos e ferramentas de modelagem.

Isso melhora a precisão e permite

oferecer soluções mais adequadas ao perfil

de cada produtor, região e cultura.

O que a Swiss Re Corporate Solutions

pode fazer para incrementar os negócios

em um período de desafios maiores?

Glaucio Toyama: Estamos investindo

em diversificação de portfólio, ampliando

coberturas e expandindo os canais de distribuição.

Também fortalecemos a cultura de

seguros rurais, trabalhando muito próximos

de cooperativas, revendas, instituições financeiras

e corretores especializados. Outro ponto

essencial é a simplificação da contratação

e o avanço digital. Nosso foco é entregar produtos

mais personalizados, com experiência

fluida e processos de sinistro mais rápidos,

especialmente em eventos climáticos severos.

A tecnologia será decisiva para aumentar

eficiência e escala.

Quais são as oportunidades em 2026

para os riscos de engenharia, considerando

principalmente projetos de infraestrutura

e PPPs?

CHRISTIAN ZAMMIT,

Head Engineering & Construction Brasil

PEDRO MATTOSINHO,

Head Surety Brasil & Colômbia

Christian Zammit: O pipeline de engenharia para 2026 é robusto,

com avanços em metrôs, rodovias, ferrovias e saneamento. São destaques

a implantação da Linha 19 e a expansão da Linha 6 do metrô de

São Paulo, a ampliação da Linha 1 do metrô de Salvador e obras estratégicas

como o Contorno de Caraguatatuba. Um marco será a construção

do primeiro túnel submerso do Brasil, ligando Santos e Guarujá, um

projeto emblemático do ponto de vista de engenharia. No setor ferroviário,

a expectativa é de oito leilões e, no saneamento, investimentos

na ordem de R$ 39 bilhões. A Swiss Re Corporate Solutions tem longo

histórico de atuação em projetos complexos e continuará apoiando estes

projetos com capacidade técnica global e soluções de transferência

de risco projetadas para garantir execução e estabilidade financeira.

Quais são as oportunidades para o Seguro Garantia em 2026?

Pedro Mattosinho: O Seguro Garantia continuará sendo um

dos vetores de crescimento mais fortes do mercado brasileiro, impulsionado

também pela necessidade de investimentos em infraestrutura.

Vemos grande potencial em garantias além das judiciais, como descomissionamento

de barragens, garantias previdenciárias, garantias de

M&A e arbitrais, além de modalidades amplamente utilizadas no exterior,

como garantias para operações de crédito bancário.

Como o setor deve enfrentar os novos desafios e o surgimento de outras

modalidades de garantia, como a capitalização?

Pedro Mattosinho: Cada produto tem o seu espaço no mercado

e vemos no Seguro Garantia uma opção muito interessante para

o cliente, pois, ao não exigir depósito de recursos financeiros pelo tomador,

acaba sendo uma solução eficiente ao não imobilizar recursos

financeiros e não consumir limites de crédito. O Seguro Garantia é um

instrumento amplamente utilizado no Brasil e com potencial de crescimento,

especialmente na medida em que o setor tem criado novos

produtos atendendo as demandas dos clientes.

Quais setores dentro do Seguro Garantia devem ser mais promissores?

Pedro Mattosinho: Além das obras de infraestrutura tradicionais,

há grande potencial em setores como energia, óleo e gás, mineração,

concessões metroferroviárias, previdência privada e operações logísticas.

Também estamos atentos à retomada das garantias de completion,

amplamente utilizadas em outros países, e à expansão de garantias financeiras

associadas a operações de crédito.

6


MERCADO

CONSÓRCIO

Experiência internacional

O Consórcio Mercedes-Benz promoveu uma ação

de relacionamento ao levar mais de 550 participantes

entre clientes e acompanhantes para uma experiência

exclusiva em Orlando, nos Estados Unidos.A viagem coincidiu

com dois dos períodos mais fortes do calendário

norte-americano, o Thanksgiving e a Black Friday, o que

ampliou o clima de celebração e proporcionou aos participantes

acesso a ofertas especiais e parques em plena

programação festiva.

A iniciativa reuniu dois grupos de clientes em

uma agenda que mesclou lazer, conexão e surpresas.

No segundo grupo, o jantar de boas-vindas contou

com a presença de Bia Figueiredo, piloto vencedora da

categoria Elite da Copa Truck de 2024, que participou

da abertura da programação e interagiu com os convidados.

O encontro também contou com uma agenda

de negócios, incluindo reuniões com executivos da

montadora, com destaque para a presença de Jefferson

Ferrarez, VP de Vendas e Marketing da Mercedes Benz.

Mais sorteios

A

Caixa Consórcio lançou a nova edição do

seu Sortudão Multiprêmios, campanha

que amplia as chances de contemplação

ao distribuir R$ 400 mil em premiações

entre diversos clientes. A ação chega com

uma ferramenta diferenciada que prioriza múltiplos

ganhadores, incluindo um prêmio principal de R$

250 mil e dez prêmios adicionais de R$ 15 mil, reforçando

o posicionamento da companhia em oferecer

benefícios exclusivos e de alto valor.

A empresa integrante do conglomerado Caixa

Seguridade e da acionista francesa CNP Assurances,

apresenta esta nova edição após a consolidação

do Sortudão como um dos produtos de maior

engajamento. Desde seu lançamento, em julho de

2024, teve o crescimento acumulado de 35,6% nas

vendas de consórcio somente com a campanha.

Agora, o novo formato fortalece a estratégia da

companhia ao ampliar a atratividade da modalidade

de consórcios e entregar uma experiência diferenciada

aos clientes.

“Desenvolvemos o produto em total alinhamento

ao planejamento estratégico da companhia,

com o compromisso de entregar uma solução diferenciada

e inovadora, capaz de agregar ainda mais

valor à modalidade de consórcios da Caixa”, afirma

Elerson Leris, CEO da companhia.

Estreia no mercado

O Banco Daycoval

ampliou sua atuação no

mercado financeiro com

a entrada no segmento de

consórcios, em parceria

com a Rodobens. O novo

produto chega para oferecer

às empresas e clientes

soluções diferenciadas e

flexíveis, reforçando o compromisso do banco com inovação

e atendimento às demandas do mercado.

A operação indica a estratégia do banco de direcionar

a modalidade para clientes com visão de planejamento

de longo prazo, em um cenário de juros ainda elevados.

Entre os produtos já comercializados, 42% foram destinados

a imóveis, 48% a automóveis e 9% a veículos pesados.

Para Leonardo Lomovtov, superintendente do banco,

a nova frente reflete tanto uma leitura atenta do mercado

quanto a cultura da instituição, abrangendo segmentos

como imóveis, automóveis e caminhões. “O consórcio se

consolida como uma alternativa inteligente de acesso ao crédito,

especialmente quando comparado ao financiamento

convencional. O Daycoval quer estar ao lado do cliente em

todas as fases do seu planejamento, oferecendo soluções que

façam sentido no longo prazo. O consórcio é, na prática, uma

poupança organizada coletivamente, que permite estruturar

investimentos de forma previsível”, afirma Lomovtov.

7


CAPA

SANCOR SEGUROS

Pronta

para

crescer

A NOVA CEO, CLAUDIA LOPES,

ASSUME O COMANDO DA

SANCOR SEGUROS COM A

MISSÃO DE ACELERAR UM

CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL,

FORTALECENDO A

COMPETITIVIDADE DA MARCA

NO BRASIL

8


Após avançar na expansão territorial, a Sancor Seguros segue

fortalecendo esse movimento enquanto intensifica a

divulgação da marca. Agora, a companhia foca em aprimorar

a experiência de clientes e corretores para gerar mais confiança

e impulsionar os negócios.

A mais recente grande novidade foi a chegada de Claudia

Lopes à companhia, como CEO. A executiva possui mais de 30

anos de mercado de seguros, onde começou atuando em bancassurance,

depois como distribuidora, seguradora e corretora

de seguros. “Eu consigo ter uma visão 360 do segmento e de

todo o ecossistema do mercado de seguros”, comenta. Segundo

ela, essa trajetória será determinante para aproximar a Sancor

das particularidades do mercado brasileiro e dos diferentes perfis

de distribuição.

Claudia assume o comando com uma diretriz clara: “Nosso

objetivo é ampliar a presença nacional da Sancor e consolidar um

modelo de crescimento sustentável.” Ela sucede Edward Lange, que

permanece no grupo em funções estratégicas, e passa a conduzir

uma agenda baseada em multicanalidade, diversificação de portfólio

e foco absoluto no cliente.

A seguradora de origem argentina chegou ao Brasil em

2013. Ela foi fundada na Argentina em 1945 e está presente no

Uruguai e no Paraguai também, atuando nas áreas de seguros

patrimoniais, pessoas, vida prestamista, seguro rural, seguro automóvel

e riscos técnicos, principalmente no sul do país, onde fica a

sede da companhia.

A distribuição dos produtos é feita por diversos canais, sendo

o principal deles os corretores de seguros. “Mas também operamos

com cooperativas e bancos, somos uma empresa multiproduto e

multicanais”, explica Cláudia.

A missão de Claudia Lopes é acelerar o crescimento, ampliar

a rentabilidade e posicionar a companhia de forma ainda mais competitiva

no mercado nacional. A nova gestão coloca o cliente no

centro da estratégia, com foco em aprimorar a experiência tanto do

segurado quanto do corretor de seguros, pilares que devem sustentar

a expansão prevista para os próximos anos.

Em 2025, a companhia registra avanço de 11% em prêmios

emitidos, resultado acima da média dos segmentos em que atua.

O principal destaque é o ramo de Automóvel, impulsionado por

uma estratégia consistente de expansão geográfica. Para 2026, a

Sancor projeta crescimento de 14%, mantendo atuação diversificada

em Vida, Prestamista, Auto, Patrimonial e Agro.

Para suportar esse ritmo, a seguradora está investindo em

um novo sistema core, desenhado para ampliar a eficiência operacional

e acompanhar a diversificação do portfólio. A companhia

distribui seus produtos por meio de cooperativas, corretores e

operações massificadas, com investimentos constantes em capacitação,

relacionamento e campanhas comerciais. Entre as iniciativas,

destaca-se o programa Ganha Mais, que reconhece os principais

parceiros com benefícios como viagens e comissionamento

adicional.

Para 2026, a Sancor

projeta crescimento de 14%,

mantendo atuação diversificada

em Vida, Prestamista, Auto,

Patrimonial e Agro”

SUSTENTABILIDADE

As mudanças climáticas e o aumento

da frequência de eventos extremos

também exigem atenção crescente.

A seguradora tem direcionado esforços

para inovação e tecnologia, com foco em

melhorar modelos de precificação, gestão

de riscos e oferta de produtos alinhados

às novas necessidades do mercado. A

troca de experiências com outros países

nos quais o grupo atua é apontada por

Claudia como um diferencial para aprimorar

processos e elevar a eficiência operacional.

A agenda de sustentabilidade ganhou

força nos últimos anos e rendeu à

Sancor o Selo IPE, concedido pela Prefeitura

de Maringá a empresas que adotam

práticas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento

Sustentável da ONU. “As

ações incluem apoio ao time de vôlei de

Maringá, que leva o nome da seguradora,

patrocínios esportivos, iniciativas de

mobilidade urbana sustentável e projetos

voltados à redução de impacto ambiental”,

esclarece a CEO.

A parceria, que dá continuidade ao

patrocínio iniciado em 2023, marca uma

nova etapa para a equipe que, atualmente,

é a única representante paranaense

na Superliga, a mais importante competição

nacional na modalidade entre as

mulheres. O técnico Aldori Junior avalia

a iniciativa como fundamental para o desenvolvimento

do projeto. “Ter a Sancor

assumindo o naming e investindo em

nossa estrutura é essencial, pois permite

9


CAPA

SANCOR SEGUROS

maior investimento, melhora a infraestrutura

e possibilita uma execução mais

qualificada do trabalho”, afirma.

Segundo ele, o apoio fortalece não

apenas o desempenho em quadra, mas

também o vínculo com a torcida. “O novo

nome já começa a ser acolhido pelos torcedores,

e acreditamos que em breve estará

presente nos ginásios. Essa parceria

representa crescimento, perspectivas de

desenvolvimento e resultados a curto,

médio e longo prazo”, completa.

A companhia também foi pioneira,

em parceria com o município de

Maringá, ao viabilizar o sistema gratuito

de bicicletas compartilhadas e patinetes

acessíveis. Em celebração aos seus 10

anos de operação no país, plantou mais

de 10 mil ipês em diferentes cidades,

contribuindo para a remoção de carbono

da atmosfera.

CAPACITAÇÃO DOS CORRETORES

No campo da capacitação, a Sancor

mantém o programa Descomplica, voltado

a corretores, com treinamentos transmitidos

ao vivo pelo YouTube e abertos a

todos os parceiros. Já no segmento agro, a

empresa promove anualmente um encontro

presencial com peritos, dedicado ao

aprimoramento dos processos de vistorias

e regulação. Internamente, o foco está no

desenvolvimento técnico e na formação

personalizada, alinhada às demandas de

cada área. Como parte de sua estratégia

de transformação digital, a seguradora

implementou ainda um programa voltado

ao uso de ferramentas de inteligência artificial

e automação, que capacitará colaboradores-chave

a partir de 2026.

Com uma trajetória marcada pelo

cooperativismo, a Sancor Seguros reforça

seu compromisso com o desenvolvimento

sustentável, com a comunidade e com

a preparação para um futuro em que tecnologia,

inteligência artificial e experiência

do cliente serão elementos determinantes

para a competitividade do setor.

Apesar da estratégia multicanal,

Claudia ressalta que o corretor permanece

no centro da operação comercial.

“O corretor é um dos nossos principais

canais de distribuição e pode ter certeza

de que somos uma empresa sólida, com rating muito bom e portas

abertas para ele”, afirma. Ela reforça que, internamente, o canal

é reconhecido como “cliente principal” e que a companhia ampliará

investimentos em capacitação, ações regionais e iniciativas para fortalecer

o relacionamento.

A executiva também destaca a inovação orientada pelo cliente

como um dos pilares estratégicos do grupo. “Vamos trabalhar

muito focados no cliente. Queremos devolver valor para o cliente

e para a comunidade, porque essa é a essência da Sancor”, diz. Essa

abordagem se refletirá no desenvolvimento de novos produtos, na

ampliação da eficiência operacional e no uso intensivo de tecnologia

e dados para sustentar o crescimento.

Além da adequação à nova regulação, a agenda da Sancor

inclui reforço de governança e modernização de processos, com

o objetivo de elevar a competitividade da companhia frente aos

10


grandes players nacionais e internacionais. Para Claudia, o foco

está em expandir com consistência e propósito. “Queremos crescer

em prêmio e em resultado, mas sem abrir mão da nossa essência.

É uma expansão que vem para reforçar a solidez da Sancor e

mostrar que há espaço para empresas que conciliam propósito e

desempenho”, adianta Claudia.

FUTURO

A nova CEO assume em um momento de mudança regulatória

relevante, com a entrada em vigor da Nova Lei de Contrato de

Seguros. Claudia reforça que a companhia está em processo avançado

de adaptação para cumprir integralmente as exigências que

passam a valer em 11 de dezembro. “A nova lei foi muito importante

para o lado do consumidor. O mercado está cada vez mais voltado

a colocar o cliente no centro e essa mudança vem reforçar esse movimento.

As empresas precisam se adaptar

e nós da Sancor estamos fazendo isso

desde o início”, destaca a executiva.

Entre as metas para os próximos

anos, Claudia projeta avançar em vendas

e resultados, mantendo a disciplina financeira.

Para ela, sustentabilidade vai muito

além de um posicionamento institucional:

“No fim das contas, a última linha é

o que importa. A gente quer crescer, mas

com rentabilidade e responsabilidade. A

Sancor nasce de uma cooperativa e essa

visão de comunidade está muito presente.

Queremos devolver valor para o cliente

e para a sociedade”.

11


ESPECIAL CAPITALIZAÇÃO

PANORAMA

Um olhar para

o FUTURO

Promissor

12


O DESAFIO DO SETOR DE

CAPITALIZAÇÃO FOI COMUNICAR

AO PÚBLICO A SUA VOCAÇÃO DE

INSTRUMENTO DE EDUCAÇÃO

FINANCEIRA PARA O CONSUMIDOR

FINAL E LIBERADOR DE CAIXA

PARA O MUNDO CORPORATIVO

Kelly Lubiato

Durante muitos anos, a capitalização

seguiu por caminhos tortuosos.

Sempre comparada a investimentos,

seguia como o patinho feio do

mercado de seguros, pois seu propósito

era incompreendido. Depois de muitos

debates e um trabalho árduo de comunicação

para ressignificar e valorizar os

produtos de capitalização, tanto junto ao

órgão regulador quanto à sociedade civil,

o setor se vê em uma nova fase.

Todo este trabalho culmina agora

com resultados animadores: o trabalho de

potencial do mercado, realizado em 2024,

mostrou que é possível dobrar o faturamento

do setor por conta das iniciativas

implementadas ao longo do tempo e das

leis que foram regulamentadas para criar

novas oportunidades, chegando a alcançar

R$ 91 bilhões em receitas até 2028.

“Há uma questão temporal e de

mercado para definir quais são as prioridades

de criação de novos produtos e investimentos

no setor de capitalização. Há

uma maturidade de cada avanço natural,

como a Lei de Garantia de Crédito, que

demorou cerca de um ano para poder ser

regulamentada e agora foi implementada

sistemicamente”, anima-se Denis Morais,

presidente da Fenacap (Federação Nacional

da Capitalização).

Ele destaca que o setor de capitalização

vive um momento de crescimento

constante, de dois dígitos, impulsionado

pela ampliação das suas aplicações práticas

na economia real. “Esse avanço é

resultado direto da capacidade do segmento

de responder às demandas que os

modelos tradicionais de garantias e seguros

nem sempre conseguem suprir”.

13


ESPECIAL CAPITALIZAÇÃO

PANORAMA

Na Casa do Seguro

nasce um Guia

para PPP’s

DENIS MORAIS,

da Fenacap

Nos últimos anos, a capitalização

deixou de ser vista apenas como um

instrumento de formação de reserva ou

participação em sorteios e passou a ganhar

espaço em operações estruturadas,

concessões, PPPs e contratos que exigem

maior segurança e previsibilidade. Esse

movimento foi acelerado pelo entendimento,

agora incorporado pelo regulador,

de que o título de capitalização pode funcionar

como garantia fiduciária, abrindo

um campo de atuação muito mais amplo.

De acordo com Morais, esse crescimento

tem uma razão clara: a capitalização

consegue atuar onde outras soluções

enfrentam limitações. Ele cita casos

em que multas, pendências trabalhistas,

inadimplência ou exigência de garantias

reais podem travar o andamento de

obras, serviços e parcerias. Nesses cenários,

a estrutura da capitalização oferece

uma alternativa mais leve, com menor

burocracia e capacidade de garantir até

partes específicas do contrato, evitando

paralisações que poderiam comprometer

o projeto como um todo.

O resultado é um setor que se fortalece

não apenas em volume, mas em

relevância estratégica. Seu crescimento

decorre da combinação entre flexibilidade,

segurança jurídica e rapidez de implementação,

atributos cada vez mais valorizados

em uma economia que demanda

soluções eficientes, especialmente diante

dos desafios climáticos e de infraestrutura.

Na COP30, enquanto líderes globais discutiam caminhos para

a transição climática e para um modelo de desenvolvimento mais

sustentável, o setor de capitalização também buscou o seu protagonismo.

Na Casa do Seguro, espaço organizado pela CNseg em

Belém, o segmento deu um passo estratégico ao lançar um Guia

Prático para Contratos de Concessões e Parcerias Público Privadas,

um movimento que amplia o escopo de atuação do setor e o conecta

diretamente às necessidades reais dos projetos de infraestrutura.

O material consolida um trabalho que vem ganhando força nos

últimos anos: o uso da capitalização como mecanismo de garantia

fiduciária, agregando eficiência e flexibilidade em contratos públicos

e privados. “A solução já é reconhecida pelo regulador, mas

seu potencial prático ainda é pouco explorado e, justamente por

isso, o lançamento foi celebrado pelos representantes do setor”,

informa Denis Morais, presidente da Fenacap.

Ele explica que o guia parte de um olhar pragmático: ele mapeia

situações concretas em que a capitalização pode ser aplicada de

forma complementar às garantias tradicionais, evitando paralisações,

riscos de inadimplência e entraves críticos à continuidade

dos projetos. Multas, questões trabalhistas, falta de pagamento e

outras exigências de garantias reais são desafios frequentes em

obras e concessões. Em muitos casos, esses gargalos não apenas

comprometem o fluxo financeiro, mas podem levar à interrupção

total das atividades.

É justamente nesse ponto que o segmento de capitalização

enxerga espaço para contribuir. O guia mostra que, além de garantir

o contrato como um todo, os títulos podem ser utilizados para

garantir partes específicas das obrigações, oferecendo agilidade,

menor imobilização de recursos e segurança jurídica adicional.

Em outras palavras, o produto se transforma em uma garantia

complementar capaz de destravar etapas, proteger investidores

e dar previsibilidade a projetos essenciais para o desenvolvimento

sustentável do país.

14


ARRECADAÇÃO DE JAN A SET/2025

EMPRESA

PRÊMIOS

(R$)

Aplicap Capitalização S.A.

Bradesco Capitalização S.A.

Brasilcap Capitalização S.A.

Capemisa Capitalização S.A.

Cia. Itaú de Capitalização

CNP Capitalização S.A.

Icatu Capitalização S.A.

Kovr Capitalização S.A.

Liderança Capitalização S.A.

Mapfre Capitalização S.A.

Mongeral Aegon Capitalização S.A.

Porto Seguro Capitalização S.A.

Rio Grande Capitalização S.A.

Santander Capitalização S.A.

Via Capitalização S.A.

XS4 Capitalização S.A.

Zurich Brasil Capitalização S.A.

TOTAIS

751.742.716

5.614.646.805

5.356.719.410

873.990.182

2.828.438.527

172.639.980

1.490.029.145

1.249.791.351

232.780.440

110.032.277

10.638.936

1.299.370.283

666.981.997

3.048.119.865

672.915.548

1.345.149.100

46.302.394

25.770.288.956

TOTAIS

PRODUTOS TRADICIONAIS SÃO PORTA DE ENTRADA

A capitalização tradicional está no centro das discussões não

apenas como um produto consolidado do mercado, mas como instrumento

direto de educação financeira para milhões de brasileiros.

Antonio Carlos Teixeira, presidente da Brasilcap, explica porque

a modalidade segue tão presente no cotidiano do consumidor e

como ela se reposiciona diante das novas expectativas do mercado.

Segundo o executivo, a percepção do público permanece

fortemente ancorada na simplicidade e na segurança. “O brasileiro

enxerga a capitalização tradicional como uma solução simples,

segura e muito conectada ao seu cotidiano financeiro”, afirma. Essa

leitura se materializa tanto nos títulos de pagamento único (PU)

quanto nos de pagamento mensal (PM), que atendem a motivações

distintas.

No PU, diz Teixeira, o apelo do sorteio continua forte, mas o

produto expandiu fronteiras e se tornou uma alternativa eficiente

também para quem precisa de garantia na tomada de crédito. “O

PU tem se mostrado extremamente versátil,

oferecendo uma alternativa rápida,

simples e sem burocracia”, explica. Esse

conjunto de fatores impulsionou o NPS

da modalidade, que cresceu 100% desde

2021 na companhia.

Já no pagamento mensal, o comportamento

do consumidor revela outro

padrão: o desejo de poupar de forma recorrente.

“O cliente quer guardar dinheiro

mês a mês. Quando encontra uma jornada

fluida, lúdica e recompensadora, ainda

mais no ambiente digital, ele compra

espontaneamente”, pondera Teixeira. O

desempenho do Ourocap 30 anos, com

premiação instantânea, confirma essa

tendência.

15


ESPECIAL CAPITALIZAÇÃO

PANORAMA

ANTONIO CARLOS TEIXEIRA,

da Brasilcap

Para Teixeira, o diferencial da capitalização

está na combinação entre

planejamento financeiro e a emoção dos

sorteios. “O cliente vive a experiência de

poder ser sorteado, mas com a tranquilidade

de saber que, ao final da vigência,

recebe de volta tudo o que aportou”, diz.

Essa experiência, ao mesmo tempo leve

e confiável, reforça o vínculo histórico da

modalidade com o imaginário popular.

A versatilidade também é uma

característica crescente, especialmente

em um ambiente de mudanças no

consumo digital e no surgimento das

plataformas de apostas. O executivo

acredita que esse contexto abre espaço

para um reposicionamento estratégico

do setor. “A capitalização pode entregar

a emoção e o engajamento que o cliente

busca nas apostas, mas dentro de um

ambiente regulado, seguro e responsável.

E, sem o risco de perda do dinheiro”,

pontua.

Mais do que um produto financeiro,

a capitalização se firma como ferramenta

de educação financeira: “A modalidade

tradicional incentiva a disciplina

financeira porque ajuda o cliente a guardar

dinheiro para objetivos claros”, diz o

presidente da Brasilcap. Uma pesquisa

recente da Nexus mostra que metade dos

brasileiros das classes A, B e C não possui

planejamento financeiro — lacuna que,

segundo Teixeira, a capitalização ajuda a

preencher de forma acessível.

DIVERSIFICAÇÃO DE NEGÓCIOS

O segmento de capitalização passa por um dos momentos

mais dinâmicos de sua história recente. A combinação entre novos

usos para o produto tradicional, o crescimento expressivo das modalidades

de filantropia premiável e incentivo, e o movimento estratégico

das companhias ampliando portfólios, revela um setor que

deixou para trás a atuação restrita e ganhou protagonismo.

Um exemplo de que os negócios de capitalização estão em

franco crescimento e merecem mais atenção das empresas está na

Liderança Capitalização. A empresa, que há 34 anos comercializa a

TeleSena, um produto popular, símbolo do Grupo Silvio Santos, começa

a diversificar sua atuação.

O CEO da Liderança, Renato Terzi, conta que a empresa passou

por um reposicionamento para entrar em novas linhas de negócios.

“Lançamos o produto de incentivo e já existe um de filantropia

na fila para o primeiro trimestre de 2026”. Um título de capitalização

de incentivo é um produto financeiro usado por empresas para criar

promoções, sorteios e campanhas de marketing com o objetivo de

atrair e fidelizar clientes. A empresa adquire os títulos e concede aos

clientes o direito de participar nos sorteios. As aplicações para este

tipo de produtos são diversas, servindo para campanhas de fidelização

de clientes ou promoção de produtos, entre outros (leia mais na

página 19).

Para a Superintendência de Seguros Privados (Susep), essa

transformação não é surpresa: ela foi planejada. Desde a revisão

normativa de 2018, a autarquia buscou criar um ambiente mais moderno

e flexível, capaz de estimular criatividade, inovação e abertura

para novas modalidades. “A publicação desse arcabouço representou

um verdadeiro marco para o setor”, explica Adriana Hennig, Analista

Técnica da Susep responsável pelo acompanhamento do segmento

de capitalização. Segundo ela, os normativos revisados inauguraram

uma agenda de desenvolvimento contínuo, com monitoramento

permanente do mercado e avaliações periódicas dos produtos.

Entre as mudanças mais relevantes está o uso dos títulos de

capitalização como garantia fiduciária em operações de crédito,

regulamentado pela Resolução Conjunta nº 12/2024. A novidade

decorre da lei 14.652/2023 e cria uma alternativa mais leve para o

consumidor no momento de buscar financiamento.

A inovação não cria um novo produto, mas inaugura uma

nova função para o título na modalidade tradicional, aquela que

acumula capital ao longo do período de vigência. “É um uso novo

para um produto já existente”, reforça Adriana. O titular não precisa

resgatar o título: ele apenas concede o direito sobre as provisões

matemáticas como garantia, obtendo condições mais competitivas

de crédito e reduzindo riscos de inadimplência da operação.

A utilização pode ocorrer de duas formas: com um título já

contratado ou com um título novo, adquirido com o propósito de

acumular valores para futura garantia. Para pessoas físicas, o potencial

é significativo. “Vejo essa faculdade sendo mais utilizada por indivíduos

que buscam crédito com taxas melhores”, ensina Adriana.

Parte do trabalho da autarquia consiste em monitorar estatísticas

e comportamentos do setor, identificar padrões, ouvir empresas

e consumidores e, a partir disso, ajustar normas. “É a partir desse

16


DADOS POR MODALIDADE (JAN. A SET./2025)

MODALIDADE RECEITAS RESGATES

SORTEIOS

PAGOS

Antes Circ 365 e Não Adequado

Filantropia Premiável

Incentivo

Instrumento de Garantia

Popular

Tradicional

49.215.381

0

3.213.426.782

880.835.640

2.887.088,815

194.048.409

18.545.525.024

1.478

68.047

1.536.387.108

498.670.951

2.401.357.885

126.344.800

14.503.392.482

1.478

68.047

1.536.387.108

498.670.951

2.401.357.885

126.344.800

14.503.392.482

TOTAIS 25.770.140.050 19.066.222.751 1.533.623.599

monitoramento e do diálogo constante com o mercado supervisionado

que moldamos revisões futuras”, explica. Para 2026, está em

análise a inclusão de uma revisão específica dos normativos de capitalização

no Plano de Regulação. A proposta ainda não foi aprovada

pela diretoria colegiada e não prevê, por ora, novos produtos, mas

sim o aperfeiçoamento do arcabouço existente.

GARANTIA DE ALUGUEL

Regulamentado desde a década de 90, o título de capitalização

como garantia de aluguel demorou para cair no gosto das

imobiliárias. Mais uma vez, a falta de conhecimento sobre o produto

implicava em sua baixa aceitação. Este cenário começou a mudar

a partir da maior participação das seguradoras neste setor, fomentando

o seu uso como alternativa ao fiador e ao seguro de fiança

locatícia. O título de capitalização como garantia locatícia ainda é

pouco conhecido por parte dos locatários e imobiliárias, mas tem

avançado como opção segura, simples e de rápida contratação.

O objetivo das seguradoras que atuam nessa carteira é vencer

as barreiras de entrada e os argumentos negativos. Um desses desafios

era justamente a forma de pagamento, à vista. Para enfrentar

este dilema, a Icatu passou a oferecer o parcelamento do título de

capitalização para Garantia de Aluguel em até 18 vezes no cartão de

crédito, para facilitar a vida do inquilino justamente no momento em

que ele mais enfrenta despesas relacionadas à mudança.

Segundo Marcelo Oliveira, diretor de Produtos de Capitalização

da Icatu, o corretor de seguros é peça central na expansão

da modalidade. “A gente não se relaciona diretamente com

o cliente final nem com a imobiliária. Nosso grande parceiro de

distribuição é o corretor”, destacou. O produto se diferencia pelo

resgate integral ao final do contrato de locação, desde que o cliente

permaneça adimplente. “Enquanto o

seguro-fiança funciona como o seguro

do carro, o cliente paga e renova anualmente,

no nosso caso há um pagamento

único e, ao final, ele recebe 100% do valor

investido. Isso é um grande atrativo”,

relaciona o executivo.

A inovação no modelo de pagamento

aparece como resposta direta ao

principal obstáculo de contratação. “Essa

inovação ajuda o cliente que tem recursos

limitados no momento da contratação”,

ADRIANA HENNIG,

da Susep

17


ESPECIAL CAPITALIZAÇÃO

PANORAMA

MARCELO OLIVEIRA,

da Icatu

afirmou, ao comentar o parcelamento

em até 18 vezes. Outro diferencial relevante

é a ausência de análise de crédito,

etapa que costuma reprovar parte dos

candidatos ao seguro-fiança. “Nesse sentido,

nosso produto se torna uma alternativa

inclusiva e acessível”, completou.

SORTE, DISCIPLINA E IMPACTO

SOCIAL

O ciclo de renovação do mercado

de capitalização é impulsionado por novas

modalidades e pela ampliação do acesso

a diferentes perfis de consumidores. À

frente da Bradesco Capitalização, José Pires

observa uma mudança significativa na

forma como os clientes se relacionam com os títulos. Segundo ele, o

setor deixou de ser percebido apenas como uma ferramenta de sorteios

para se tornar um instrumento de organização financeira e de

fortalecimento de causas sociais.

“Às vezes você paga um prêmio de R$ 100 mil e muda a vida

de uma pessoa, porque aquilo é muita grana para ela. E, às vezes,

você paga um prêmio de R$ 5 mil e escuta um depoimento que te

emociona”, afirma. Para o executivo, o impacto vai além dos sorteados.

Há também histórias de quem simplesmente adotou o hábito

da poupança induzida. “Temos vários depoimentos no nosso NPS de

pessoas que não ganharam, mas que, depois de dois, três, quatro

anos, dizem: ‘Eu juntei R$ 5 mil, eu tenho R$ 4 mil. Eu não teria juntado

esse dinheiro se não tivesse colocado R$ 80, R$ 70, R$ 50 por mês’.

Esse dinheiro vai permitir visitar a família, pintar a casa”.

A Bradesco Capitalização também vem avançando em produto

de incentivo e em um nicho que deve ganhar relevância nos

próximos anos: a filantropia premiável. Segundo Pires, esse é um dos

produtos que mais o mobilizam pessoalmente. “Estou num processo

de estar cada dia mais envolvido com esse negócio, não só atrás

da mesa administrando a empresa. Tenho tentado entender o que o

produto faz com as pessoas”, reflete.

Na modalidade de Filantropia Premiável, o cliente adquire um

título de baixo valor — geralmente entre R$ 14,00 e R$ 15,00, concorre

a prêmios que podem chegar a R$ 80 mil e, ao final, o resgate é

convertido automaticamente em doação para uma entidade social.

O atual parceiro da Bradesco Capitalização é o GRAACC, um centro

de recuperação para pessoas com câncer. “É empolgante porque é

um produto que entrega uma premiação real e robusta e, ao mesmo

tempo, entrega um dos valores mais importantes da existência de

uma empresa, que é seu papel social”, destaca.

Durante uma visita à instituição, o executivo presenciou um

depoimento que reforçou a relevância do projeto. “Fomos ver o que

estava acontecendo com as doações e tivemos contato com uma

pessoa que usa o serviço. O que aquilo significa na vida dela é algo

muito forte”, lembra. Para ele, esse tipo de iniciativa dialoga com

uma característica cultural do país. “Na minha opinião, o brasileiro

gosta de se expor à sorte e é um indivíduo bondoso, ele gosta de

doar. Quando percebe que o começo, meio e fim são transparentes,

ele contribui", finaliza Pires.

JOSÉ PIRES,

da Bradesco

Às vezes você paga um prêmio de R$ 100

mil e muda a vida de uma pessoa, porque

aquilo é muita grana para ela. E, às vezes,

você paga um prêmio de R$ 5 mil e escuta um

depoimento que te emociona”

18


ESPECIAL CAPITALIZAÇÃO

LIDERANÇA

A expansão para novas modalidades

AO COMPLETAR 80 ANOS DE ATUAÇÃO NO MERCADO, A LIDERANÇA PREPARA UMA NOVA JORNADA

COM O LANÇAMENTO DE FILANTROPIA PREMIÁVEL E INCENTIVO

A

Liderança Capitalização completa 80 anos em 2025 com

uma trajetória marcada pela continuidade, que agora deve

abrir caminho para uma nova jornada. “Essa história reflete

a solidez da empresa e a confiança construída ao longo de décadas”,

afirma Renato Terzi, CEO da companhia. Fundada em 1945, a empresa

se destacou na modalidade Popular, com a Tele Sena, e agora

amplia sua atuação com novos produtos e parcerias.

No último ano, a Liderança estruturou uma operação consistente

na modalidade Incentivo, em parceria com bancos e seguradoras,

essencialmente B2B. “Percebemos uma oportunidade de

melhorar o relacionamento com as empresas, oferecendo processos

mais ágeis e digitais. Nosso modelo permite que o parceiro acompanhe

a operação online, com painéis dedicados e total visibilidade”,

explica Terzi.

A operação foi desenhada para funcionar de forma simples

e integrada, com suporte jurídico e de compliance. O modelo já é

adotado por companhias de diferentes setores. “Empresas como Gazin

Seguros e Akad Seguros utilizam nossos títulos de capitalização

para impulsionar campanhas comerciais e fidelizar clientes”, destaca

o executivo.

O segmento Incentivo tem mostrado resultados expressivos.

Renato Terzi

Em 2024, movimentou cerca de R$ 550 milhões e deve ultrapassar

R$ 1 bilhão em 2025. “A previsão é de crescimento médio de 12% consumidores”, diz Terzi. “Nosso objetivo

ao ano até 2028. Nossa meta é triplicar a arrecadação em 2026 em é combinar eficiência operacional e relacionamento

direto com os parceiros”,

relação a 2025, com base nos investimentos que estamos fazendo

em tecnologia e processos”, pontua o CEO.

completa.

A Liderança também prepara sua entrada em novas modalidades.

A Filantropia Premiável deve ser lançada no primeiro trimestos

continua sendo um diferencial estra-

O vínculo com o Grupo Silvio Santre

de 2026 e a empresa estuda a atuação em Instrumento de Garantia,

que utiliza o título de capitalização como garantia em contratos sistemas de comunicação do país, o que

tégico. “Temos acesso a um dos maiores

e licitações. “Na Filantropia Premiável, combinamos dois ativos muito

fortes: a força de comunicação dos nossos afiliados ao SBT como a aproximar a marca de diferentes públi-

nos ajuda a fortalecer nossos produtos e

canal de ampla divulgação, e a capilaridade do nosso ecossistema cos. Nossa relação com bancos e seguradoras

é de parceria e não de concorrên-

comercial, formado pelos distribuidores atuais da Tele Sena e por

novos parceiros, como atacadistas e varejistas, que veem na capitalização

uma oportunidade adicional de receita”, anima-se Terzi.

As perspectivas para o setor são

cia”, ressalta.

Já em Instrumento de Garantia, estamos estruturando estudos

para consolidar o uso do título como solução moderna de ga-

cerca de R$ 34 bilhões em 2025, com pos-

positivas. A arrecadação deve alcançar

rantia para grandes contratos e licitações, abrindo uma nova avenida

de crescimento e ampliando a aplicação prática da capitalização 2026, apoiada na digitalização e na amsibilidade

de chegar a R$ 55 bilhões em

no dia a dia das empresas.

pliação das modalidades. “Estamos diante

Esses movimentos fazem parte do plano de tornar a empresa de um ciclo de crescimento importante.

multiproduto e ampliar sua participação no setor. “A capitalização A Liderança quer participar ativamente

vem ganhando novas aplicações. Hoje ela é uma ferramenta de engajamento

e de geração de valor tanto para empresas quanto para sil”, conclui

dessa nova etapa da capitalização no Bra-

Terzi.

19


REGULAÇÃO

LEI GERAL DOS SEGUROS

O que nos

aguarda...

ESPECIALISTAS DEBATEM OS

POSSÍVEIS DESDOBRAMENTOS

DO NOVO “MARCO LEGAL DO

SEGURO”, QUE ENTROU EM VIGOR

EM DEZEMBRO

André Felipe de Lima

O

setor de seguros brasileiro começa

a escrever uma nova e importantíssima

página de sua história

com a entrada em vigor, no dia 11 de dezembro

de 2025, da Lei nº 15.040. Com

seus 134 artigos distribuídos em seis capítulos,

ela é definida como o “marco legal

do seguro”, cujo propósito é estimular

o mercado no rumo da inovação e da difusão

da cultura securitária por meio das

relações entre seguradoras, segurados e

reguladores.

O advogado Paulo Cremoneze

entende que as regras de regulação e

liquidação de sinistros e as que tratam

do agravamento de risco são as mais

importantes e inovadoras, sobretudo

para ele, que trabalha bastante com os

seguros de transportes. “A liquidação e a

regulação de sinistros serão mais céleres

a partir da vigência da lei e muito mais

verticalizadas. Penso que a lei valorizou

a atividade do regulador de sinistros

que, mais do que nunca, será grande

protagonista dos contratos de seguros

em exercício. Muita coisa que hoje é

considerada causa de agravamento de

risco e, portanto, de perda ao segurado

ou beneficiário do direito de recebimento

de indenização, não mais o será”, prevê

o advogado.

Dada a ideia de continuidade que

a lei passa a exigir, Cremoneze explica que

nem tudo o que até aqui foi, e é, considerado

agravamento merecerá esse título.

20


“Por isso, como tenho ouvido de juristas

como Adilson Campoy, as seguradoras

terão que dilatar o rol de riscos excluídos

e buscar sempre o caráter ilícito da conduta

do que realmente agravar o risco.

O caráter ilícito, como alerta Campoy citando

Ernesto Tzirulnik, não pode jamais

integrar o negócio de seguro, até mesmo

em homenagem ao ordenamento jurídico

como um todo e a função social que se

lhe é inerente”, reforça Cremoneze.

Para ele, portanto, o ônus de provar

a ilicitude competirá, “evidentemente”,

ao segurador. “Ouso dizer que a lei

causará desconforto procedimental ao

mercado segurador por conta da adaptação

de clausulados e de processos internos

de administração; não obstante,

depois desse período de adaptação –

que já se encontra em curso desde dezembro

de 2024 –, as coisas fluirão bem

e a lei será devidamente absorvida e a

aplicada para a busca do bem comum”,

pontua Cremoneze.

Aparentemente, como ele próprio

afirma, os segurados foram “compreensivelmente

beneficiados” pela lei, porém,

pondera Cremoneze, se essa aparência

será ou não confirmada dependerá do

fluxo regular dos contratos entre seus

personagens e, “impossível negar”, dos

temperos da jurisprudência.

Sócia responsável pela área de

seguros e resseguros de TozziniFreire

Advogados, Bárbara Bassani enxerga um

cenário de busca por melhores práticas

no âmbito das relações securitárias e o

cliente consumidor, segundo sua avaliação,

ganha uma tutela de proteção que

já era concedida, em certa medida, pela

legislação consumerista, mas que vem

reforçada na lei própria do contrato de

seguro. “O ponto de atenção é para seguros

de grandes riscos, na medida em que

há dispositivos que não necessariamente

dialogam com a prática nesses ramos”,

avalia Bárbara.

EMPRESAS PREPARADAS?

Outro aspecto muito discutido

é se a adaptação das empresas à nova

legislação será rápida e sem atropelos.

Como assinala Bárbara Bassani, ao longo

21


REGULAÇÃO

LEI GERAL DOS SEGUROS

A liquidação e a regulação de

sinistros serão mais céleres

a partir da vigência da lei e

muito mais verticalizadas.

Penso que a lei valorizou

a atividade do regulador

de sinistros que, mais do

que nunca, será grande

protagonista dos contratos de

seguros em exercício”

PAULO CREMONEZE, Advogado

do ano o mercado buscou compreender

os pontos da nova lei, passando por um

processo de entendimento acerca dos

impactos práticos que o novo marco

legal traz em cada operação. “As seguradoras

são de diferentes portes e atuam

em nichos também diferentes. Por isso,

o processo de adaptação não foi igual

nas empresas, sendo que algumas conseguiram avançar mais e

outras menos. De forma geral, a essa altura, a decisão quanto à

adequação e à forma de adequação, em maior ou menor grau, a

depender da interpretação e do conservadorismo de cada companhia,

já foi tomada, considerando a vigência da Lei em dezembro”,

argumenta a advogada.

A especialista ressalta ainda que o processo de adaptação

é “vivo”, ou seja, continua em movimento constante, seja porque

depende da jurisprudência, que será formada no decorrer do tempo,

seja porque o tema está sendo regulamentado pela Superintendência

de Seguros Privados (Susep). “Por exemplo, quando for

aprovada a minuta que trata de seguros de danos, as seguradoras

precisarão rever seus produtos novamente com base na referida

minuta. Portanto o ano de 2026 ainda tende a ser de adaptações”,

reconhece Bárbara.

Para Cremoneze, é perceptível um esforço de adaptação por

parte dos seguradores. “Por esforço sincero há de ser entendido o

conjunto de atos para tanto, os quais têm reclamado custos operacionais

significativos. Não me sinto autorizado a dizer que haverá

adequação rápida, porém posso testemunhar — e meu testemunho

é fiel — que tudo tem sido feito nesse sentido. Acredito que as maiores

dificuldades residam na alteração de clausulados, na subscrição

de riscos e, insisto, na regulação e na liquidação de sinistros. Os prazos

enxutos destes exigem uma nova forma de pensar o contrato

de seguro e, consequentemente, o direito dos seguros”, justifica o

advogado.

GARGALOS

Cremoneze diz que a lei não alterou — “nem poderia” — os

princípios informadores do negócio de seguros. No rol desses princípios,

o advogado destaca o do mutualismo, que está na “gênese do

seguro” e é seu “DNA por excelência”.

“Evidentemente, que ele é previsto na lei. Não enxerguei no

seu conteúdo, porém, qualquer norma hábil para mudar o acusado

gargalo. Penso, porém, que aos que trabalham com os seguros compete

o dever de fomentar a cultura do negócio em todos os foros

possíveis e, nesse fomento, o tratamento especial do mutualismo.

Juízes, segurados e beneficiários, a sociedade em geral, todos, enfim,

têm que conhecer melhor o mutualismo e o quanto ele é fundamental

para a existência e a saúde do negócio de seguros”, salienta

Cremoneze.

Já Bárbara Bassani é categórica: “Há desafios, pois as empresas,

que estão sendo regulamentadas como novos atores do setor,

atualmente, têm uma atuação no denominado ‘mercado marginal’

e todo processo de regularização depende de transformações organizacionais,

que têm um custo, inclusive. Mais do que mudanças

legislativas, entendo que deve existir uma mudança de cultura para

praticar o certo.”

‘REVOLUÇÃO’ COM A NOVA LEI

Bárbara afirma ser difícil estimar os impactos em termos de

precificação. No momento, como ela assinala, as empresas fizeram

investimentos até mesmo operacionais e de tecnologia para

22


o atendimento da Lei. “O consumidor tende a ser mais beneficiado

pelo texto legal do que os grandes segurados, especialmente

em razão da necessidade de resseguro e da forte interferência

nas regras e nos contratos de resseguro, o que pode gerar distorções”,

diz.

Sobre os preços, Cremoneze justifica, como ele mesmo define,

seu “aparente ceticismo”. Para ele, haverá possivelmente uma

tensão inicial para a compreensão das regras da nova lei e com essa

tensão, um incremento da litigiosidade.

“Isso, por si só, já justifica, senão aumento, a não queda de

preços. Tomemos como exemplo o que ocorre no setor de transportes,

qualquer que seja o modo. Em todo o mundo, os Estados contemplam

benefícios normativos e econômicos aos transportadores.

Os benefícios não são poucos. A tecnologia pesa em favor deles,

diminuindo a cada dia e de forma significativa os riscos de sua atividade.

Apesar disso tudo, os valores dos fretes não diminuíram em

nada, mas antes, aumentaram. Assim como aumentaram os preços

em geral das passagens, no caso dos transportes de pessoas. Fala-se

sempre em política disso ou daquilo para o barateamento de fretes

e passagens, mas em termos práticos ele nunca ocorre. Amparado

nessa experiência, entendo que não haverá queda de preços dos

prêmios. Poderá ocorrer eventualmente numa ou noutra modalidade

de seguro, mas no geral os preços se manterão iguais ou serão

aumentados”, analisa Cremoneze.

COMO FICA O CORRETOR DE SEGUROS?

O corretor de seguros continuará sendo um parceiro importante

na jornada da contratação do seguro. Afinal, pontua a advogada

Bárbara Bassani, suas obrigações estão previstas na Lei nº 4.594,

de 1964, que regula a profissão, e ganham um papel ainda mais

relevante com novas obrigações no âmbito da Lei do Contrato de

Seguro.

“Cabe ao corretor, como interveniente do contrato de seguro,

entregar ao destinatário os documentos e outros dados que

lhe forem confiados, no prazo máximo de 5 (cinco) dias úteis ou

em prazo menor, quando for conhecido o iminente perecimento

de direito. O corretor também ganha novo papel no âmbito das intermediações

dos novos atores trazidos pela Lei Complementar nº

213/2025, mas suas obrigações permanecem aquelas inseridas na

Lei nº 4.594/1964, que regula a profissão de corretor de seguros”, diz

a advogada.

Cremoneze define o corretor de seguros como o “grande advogado”

dos segurados e dos beneficiários. Ele, como argumenta

o especialista, é o defensor dos legítimos direitos e interesses do

consumidor e, ao mesmo tempo, o guardião do contrato e da sua

execução em boa-fé. “A lei trata especificamente do corretor sem,

contudo, mudar a essência da atividade. Os deveres de antes foram

mantidos, bem como suas responsabilidades. Penso que ele estará

mais próximo das cooperativas porque elas foram valorizadas pela

lei, não por outra causa. A valorização do corretor não se dá exatamente

pela lei, mas pela função em si mesmo. Não há negócio

de seguro simétrico e bem concretizado sem a firme e importante

participação do corretor”, observa.

Há desafios, pois as

empresas, que estão sendo

regulamentadas como

novos atores do setor,

atualmente, têm uma

atuação no denominado

‘mercado marginal’ e todo

processo de regularização

depende de transformações

organizacionais, que têm

um custo, inclusive. Mais do

que mudanças legislativas,

entendo que deve existir uma

mudança de cultura para

praticar o certo”

BÁRBARA BASSANI,

da TozziniFreire Advogados

23


REGULAÇÃO

SEGURO RURAL

EM QUAL CAMPO SEGUIR?

O IMPACTO DO MARCO LEGAL DO SEGURO” NA CARTEIRA AGRO E O ZONEAMENTO AGRÍCOLA

DE RISCO CLIMÁTICO EM NÍVEIS DE MANEJO, O ZARCNM, DA EMBRAPA

André Felipe de Lima

O

ano de 2025 definitivamente não

foi saudável para o seguro rural,

essencialmente por conta dos

cortes orçamentários severos no Programa

de Subvenção ao Prêmio do Seguro

Rural (PSR), que encolheu a cobertura

para apenas 2,2 a 2,5 milhões de hectares,

o menor nível em quase 20 anos. Diante

do novo “marco legal dos seguros”, a Lei

nº 15.040, Apólice conversou com Pedro

Loyola, coordenador executivo do Observatório

do Crédito e Seguro Rural da FGV

Agro e ex-diretor de do departamento de

gestão de riscos do Ministério da Agricultura

e Pecuária (Mapa).

Para Loyola, a nova lei cria um

modelo dual: uma Lei de Contrato de Seguro,

atrelada ao trabalho do regulador

que, na prática, significa contratos mais

claros, com exclusões bem explicadas,

proibição de cancelamento unilateral da

apólice, “aceitação automática” da proposta após 25 dias sem resposta,

decisão sobre sinistro em 30 dias e redução do prêmio quando

o risco diminui.

“Em caso de insolvência da seguradora, a resseguradora pode

pagar direto ao segurado. Para o campo, os efeitos são concretos:

mais previsibilidade para eventos climáticos, menos judicialização,

indenizações mais rápidas e produtos melhor ajustados a lavouras,

pecuária e florestas. A segurança jurídica pode aumentar o apetite

de seguradoras e resseguradoras, ampliando a oferta, se houver

simultaneamente maior demanda de seguros agrícolas na região

centro-norte. Se o PSR conseguir entregar entre 2026 e os anos subsequentes

um orçamento previsível e com ganho de escala a cada

ano, podemos ter como resultado uma cobertura mais ampla em regiões

hoje subatendidas e confiança maior do produtor na proteção

do seu ciclo produtivo”, explica Loyola.

O especialista reconhece a nova legislação como um “avanço

institucional”, porém uma “revolução” propriamente dita para a

carteira de agro depende de três motores: mais concorrência por

qualidade de serviços, melhor uso de dados de risco (clima, tecnologia

satelital e melhores dados de níveis de manejo e produtividade

do agricultor), que se traduzam em melhor análise de riscos e

24


precificação de produtos de seguro com coberturas mais aderentes

às necessidades dos produtores aliado à melhora da capacidade de

resseguro.

“A lei reduz incertezas e custos de disputa, o que tende a

pressionar prêmios para baixo no médio ou longo prazo, sobretudo

onde havia muita controvérsia contratual. O consumidor também

ganha com contratos mais claros, prazos definidos e comunicação

simples. Quedas adicionais de preço dependem de um PSR previsível,

do uso de monitoramento por satélite para medir perdas com

precisão e de mais capital de resseguro para riscos climáticos. Em

resumo: há alívio nos custos ao longo do tempo, com melhora de

qualidade de cobertura e estabilidade para todos”, afirma Loyola.

De autoria da senadora Tereza Cristina (PP/MS), o projeto de

lei (PL) nº 2951, de 2024, também está na ordem do dia do seguro

rural. O PL altera leis relacionadas à política agrícola e ao seguro

rural no Brasil. Ele modifica a Lei nº 8.171, de 1991, a Lei nº 10.82,

de 2003, e a Lei Complementar nº 13, de 2010, visando modernizar

o marco legal do seguro rural, incluindo a regulamentação do

Fundo de Catástrofe. Para Loyola, o PL propõe uma modernização

do seguro rural ao ir além das lavouras, incluindo pecuária, aquicultura

e florestas, fortalece um Fundo de Catástrofe (R$ 4 bilhões)

para eventos extremos e busca dar mais previsibilidade ao Programa

de Subvenção ao Prêmio (PSR), ao tornar o PSR um orçamento

classificado como recurso obrigatório no Projeto de Lei de Diretrizes

Orçamentárias (PLDO), que, segundo Loyola, reduz o “vai e vem” orçamentário

e atrai seguradoras e resseguradoras.

O PL 2951, de 2024, observa o especialista, também aproxima

seguro e crédito rural. “Quem contrata seguro pode ganhar prioridade,

juros menores e prazos melhores, reduzindo risco de caixa

e evitando renegociações frequentes após perdas climáticas. Para

ficar ainda mais robusto, valem ajustes: reforçar a governança técnica

do Fundo, com critérios objetivos de acionamento (gatilhos paramétricos),

integrar parte do público do Proagro para o atendimento

via PSR, adotar um plano plurianual para o PSR e o Zarc [Zoneamento

Agrícola de Risco Climático] da Embrapa, padronizar a regulação

de sinistros e promover aumento de investimentos em tecnologia e

interoperabilidade de dados (satélites, clima, produção). Com previsibilidade

orçamentária e regras simples, o produtor tem proteção

estável, o mercado amplia a oferta de apólices e o agro investe com

mais confiança e planejamento”, argumenta Loyola.

NOVA MODALIDADE

A Embrapa quer mesmo, digamos, impulsionar o seguro rural.

Para isso, o órgão federal atrelado ao Mapa vem empregando

um projeto-piloto no Paraná que já está em sintonia com o PSR.

Trata-se do Zoneamento Agrícola de Risco Climático em Níveis de

Manejo (ZarcNM), que consiste em uma evolução do programa Zarc

tradicional, que classifica áreas agrícolas por níveis de manejo sustentável

para reduzir riscos climáticos na produção agropecuária.

PEDRO LOYOLA,

da FGV Agro

O ZarcNM atribui quatro níveis

(NM1 a NM4) com base em práticas como

teor de cálcio no solo, cobertura vegetal,

tempo sem revolvimento e diversidade

de cultivos. Ele diferencia riscos em talhões

que adotam manejos mais eficientes,

premiando produtores com subvenções

maiores no seguro rural.

Os produtores cadastram dados

georreferenciados, análises de solo e imagens

de sensoriamento remoto no Sistema

de Informações de Níveis de Manejo

(SINM). Inicialmente aplicado à soja no

Paraná, oferece bônus de 20% a 35% na

subvenção do Programa de Seguro Rural

(PSR) a partir da safra 2025/2026

Pedro Loyola considera o ZarcNM

o “futuro do seguro agrícola” para o Brasil.

“Ao falar em redução de custos do seguro,

temos que lembrar que é preciso maior

dispersão dos riscos nas diferentes regiões,

melhoria dos parâmetros para classificar

os riscos das atividades e dos produtores.

O ZarcNM faz parte dessa equação

com um PSR que tenha maior escala e

previsibilidade. O maior custo do seguro

continua sendo os pagamentos de indenização

de um seguro que hoje é volátil

e catastrófico. Por isso da importância do

PL da Tereza [senadora Tereza Cristina]”,

finaliza o especialista da FGV Agro.

25


PRODUTO

SEGURO VIAGEM

Arrume as malas...

COM SEGURO!

26


O SEGURO VIAGEM ESTÁ NA ORDEM

DO DIA DO SETOR SECURITÁRIO.

EMBORA AINDA COM MARGENS

MENORES QUE DE OUTRAS

CARTEIRAS, O SEGMENTO CRESCE

EXTRAORDINARIAMENTE ANO

APÓS ANO, SUPERANDO OS DIAS

DIFÍCEIS DA PANDEMIA DE COVID,

SOBRETUDO ENTRE 2020 E 2021

André Felipe de Lima

A

alta nas viagens domésticas vem

promovendo uma expansão do

setor de turismo, cuja receita deverá

superar a de 2024. No ano passado,

conforme informação da Confederação

Nacional do Comércio de Bens, Serviços

e Turismo (CNC), a receita acumulada do

turismo foi histórica, chegando a US$ 7,34

bilhões. Paralelamente a esse dado, um

levantamento da IRB+Inteligência, divulgado

em outubro, com base em dados

coletados entre janeiro e abril deste ano,

mostra que o seguro viagem tornou-se

essencial para os viajantes, tanto aqueles

que circulam somente pelo Brasil, quanto

os que partem para o exterior.

É incontestável. O seguro viagem

vive uma fase de forte crescimento e

consolidação no Brasil, acompanhando

o aumento de viagens internacionais e a

maior consciência de riscos por parte dos

consumidores. É incontestável também

que a carteira ainda corresponde a um

nicho relativamente pequeno dentro do

mercado de seguros, mas que vem crescendo

acima da média de outros ramos.

Em 2024, o seguro viagem arrecadou

cerca de R$ 965 milhões em prêmios, alta

de aproximadamente 13% frente a 2023.

De janeiro a maio de 2025, o produto já

somava R$ 390 milhões em prêmios, com

crescimento nominal de 11,66% e real de

6,2% sobre igual período de 2024, segundo

a Superintendência de Seguros Privados

(Susep). Isso indica um segmento em

expansão, ainda menor que os segmentos

auto e vida, mas com desempenho

superior em taxa de crescimento.

27


PRODUTO

SEGURO VIAGEM

Quando um viajante compartilha um imprevisto que

gerou custos altos, isso gera identificação imediata e

desperta a consciência sobre riscos reais. Esse efeito

é poderoso: transforma histórias pessoais em alertas

coletivos e acelera a percepção de que viajar sem

seguro é um risco desnecessário”

NANCY RODRIGUES, da Tokio Marine

Para a diretora de seguros de pessoas

da Tokio Marine, Nancy Rodrigues,

o avanço do seguro viagem no país é resultado

de vários fatores. “Acredito que a

pandemia foi, sem dúvida, um catalisador

importante. Ela trouxe à tona a importância

da proteção e fez o consumidor enxergar

o seguro como necessidade e não

como algo opcional. Mas não foi só isso.

A digitalização dos canais, a simplificação

dos produtos e a comunicação mais clara

do setor transformaram a experiência

de contratação, tornando-a rápida, acessível

e relevante”, observa a executiva.

Hoje, como ela define, viajar sem seguro

é como “sair sem conexão”. “Simplesmente

não faz sentido. Essa evolução reflete

um movimento maior, que une tecnologia,

comportamento e confiança, pilares

que consolidam o seguro como parte

essencial do planejamento de qualquer

viagem”, complementa Nancy.

Diretora Comercial e Marketing da

Coris, Claudia Brito também ressalta uma

combinação de fatores para essa guinada

do seguro viagem, entre os quais a

pandemia, que mudou profundamente

o olhar do consumidor. “As pessoas passaram

a olhar a viagem com mais preocupação

sobre riscos e continuidade

— saúde, cancelamentos, burocracias...

além disso, a maturação do e-commerce

de viagem (venda online e por agências)

e a maior oferta de produtos com coberturas claras, fizeram o seguro

ficar mais acessível e mais compreensível para o viajante. Outro

vetor é a experiência direta, relatos de imprevistos com custos relevantes

que reforçam a percepção de valor do seguro. Portanto, a

pandemia foi um gatilho e um professor [sic] que aumentou o senso

de risco, mas a consolidação do produto como prioridade decorre

também de oferta mais profissional, educação do mercado e maior

visibilidade de casos reais”, pondera Claudia.

A Coris foi criada em 1988 como um dos primeiros cartões

de assistência viagem do Brasil. Hoje, a companhia atua fortemente

com a carteira de seguro viagem. A empresa divulgou recentemente

um levantamento que mostra quanto custa ser barrado na

imigração por falta de seguro obrigatório em países do Tratado de

Schengen. O prejuízo, como indica o estudo, pode ultrapassar R$ 18

mil, considerando passagem perdida, hotel, passeios e remarcação.

Tudo isso por algo que custa a partir de R$ 15 por dia. Além de França,

Itália e Espanha, países como Catar, Emirados Árabes e Argentina

também exigem seguro obrigatório, um detalhe que muitos brasileiros

desconhecem. Com o aumento das fiscalizações, o número de

turistas barrados cresceu. Associe-se ao prejuízo financeiro um forte

componente de custo indireto: estresse, perda de tempo e impacto

na experiência de viagem.

Claudia Brito explica a metodologia do levantamento: “Trata-

-se de uma estimativa construída com base em médias de mercado

e simulações de custos de última hora: passagem de retorno comprada

com antecedência reduzida [preço de remarcação/emissão

de última hora], diária média de hotéis em destinos turísticos populares,

custos de passeios/pacotes perdidos, taxas administrativas,

além de custos logísticos [transfer, alteração de reservas]”, assinala

Claudia.

Para chegar a essa estimativa, a Coris fez os seguintes cruzamentos:

dados internos de sua base comercial (valores médios praticados

por parceiros de emissão/hotéis); cotações e validações com

agências e operadores parceiros e, por fim, análise de casos reais de

sinistros/assistências (valores médios de recompras/remarcações e

despesas associadas). “Importante esclarecer que o valor exato varia

muito conforme o destino, antecedência da remarcação e categoria

de hotel/voo; a cifra de R$ 18 mil é uma referência conservadora

para ilustrar um cenário plausível de prejuízo, não uma indenização

28


média da carteira. Em comunicados ou matérias técnicas, disponibilizamos

a metodologia detalhada e, se necessário, exemplos por

destino para contextualizar melhor”, explica Claudia.

REDES SOCIAIS IMPULSIONAM

Como destaca Nancy Rodrigues, da Tokio Marine, as redes sociais

tornaram-se verdadeiros amplificadores de experiências... boas

e ruins. “Quando um viajante compartilha um imprevisto que gerou

custos altos, isso gera identificação imediata e desperta a consciência

sobre riscos reais. Esse efeito é poderoso: transforma histórias

pessoais em alertas coletivos e acelera a percepção de que viajar

sem seguro é um risco desnec essário. Em outras palavras, as redes

sociais não apenas inspiram destinos, mas também educam sobre

proteção. Elas complementam o trabalho das seguradoras, reforçando

a mensagem de que segurança é parte essencial da experiência

de viagem”, diz Nancy.

Para Claudia Brito, as redes sociais têm papel relevante e crescente

porque mostram consequências concretas e soluções práticas.

“Esse conteúdo amplia a consciência sobre riscos e, muitas vezes,

transformam um conceito abstrato (“seguro”) em situação palpável

(“se eu perder a mala, quanto eu gasto?”). Para o mercado, isso significa

maior demanda por produtos que sejam fáceis de entender e

que tenham processo de atendimento/indenização claro e rápido,

pontos que estimulam a compra prévia do seguro”, argumenta.

SEGURO É INVESTIMENTO

Presenciamos, hoje, uma oscilação intensa das moedas em

todo o mundo. Essa volatilidade exerce impacto financeiro nas viagens.

Como o seguro viagem pode ajudar o viajante em meio a esse

contexto caracterizado, sobretudo, por despesas inesperadas?

Nancy Rodrigues responde que, em cenário de alta volatilidade

das moedas, qualquer imprevisto pode transformar uma

viagem planejada em um grande impacto financeiro. Uma simples

consulta médica no exterior, por exemplo, pode custar muito mais

do que o esperado. “É aí que o seguro viagem faz toda diferença:

ele atua como um escudo contra despesas inesperadas, garantindo

proteção financeira e tranquilidade emocional. Por isso, não é exagero

dizer que o seguro viagem deixou de ser um gasto extra para

se tornar um investimento inteligente.

Ele protege o orçamento, traz tranquilidade

e apoio emocional nos momentos

necessários e evita que algo inesperado

vire um prejuízo grande”, avalia.

O seguro viagem atua como mecanismo

de transferência e gestão de risco,

como observa Claudia Brito, cobrindo

despesas que, sem ele, podem representar

um impacto financeiro muito superior

ao custo do valor pago. “Quando se coloca

na balança o custo do seguro vs. o

potencial gasto isolado [um atendimento

médico, uma viagem de retorno de última

hora, perda de serviços pré-pagos],

é legítimo posicionar o seguro como um

investimento de proteção financeira e de

tranquilidade, especialmente para viajantes

que não desejam expor-se a variações

cambiais e imprevistos que podem inviabilizar

a viagem do ponto de vista financeiro

ou logístico”, frisa.

COBERTURAS E SINISTRALIDADE

É possível classificar os produtos e

serviços mais utilizados pelos viajantes.

“Em nossa experiência, as principais assistências

acionadas foram: despesas médicas,

telemedicina e atraso de bagagem.

Os custos médicos costumam ter valores

bastante elevados, ainda mais no exterior.

Por isso, a cobertura de despesas médicas

hospitalares é essencial para proteger o

viajante. O serviço de Telemedicina é extremamente

útil e facilita demais a vida

do viajante, resolvendo rapidamente as

complicações simples e permitindo que

o viajante possa continuar aproveitando

Quando se coloca na balança o custo do seguro vs. o potencial gasto isolado [um atendimento médico,

uma viagem de retorno de última hora, perda de serviços pré-pagos], é legítimo posicionar o seguro

como um investimento de proteção financeira e de tranquilidade, especialmente para viajantes que

não desejam expor-se a variações cambiais e imprevistos que podem inviabilizar a viagem do ponto de

vista financeiro ou logístico”

CLAUDIA BRITO

29


PRODUTO

SEGURO VIAGEM

Viajantes que compram por força de exigência

acabam reconhecendo o valor do produto e passam a

considerá-lo em viagens futuras também para outros

destinos. Para o Brasil, isso se traduz em incremento de

vendas para roteiros como Argentina”

CLAUDIA BRITO, da Coris

produto (econômico vs. VIP), destino e perfil de viajante. Na Coris

monitoramos essas variáveis continuamente para ajustar precificação

e comunicação”, afirma Claudia Brito.

sua viagem. Atraso de bagagem, evento

que gera muitas frustrações e impacto

para o viajante. O seguro reembolsa o

cliente com as despesas iniciais para que

a viagem não seja interrompida e ele possa

aguardar a localização efetiva da bagagem”,

pontua Nancy, da Tokio Marine.

As coberturas com maior procura

em 2025, baseando-se na tendência observada

na Coris, são despesas médicas

e hospitalares no exterior (continua na

liderança, segundo Claudia Brito); assistência

médica por acidente ou doença

súbita (inclui repatriação quando necessária);

cancelamento/interrupção de viagem

(motivos diversos: doença, quarentena,

imprevistos familiares); extravio/

dano de bagagem e atraso de bagagem

e coberturas para eletrônicos (curta demanda

crescente, especialmente em produtos

premium).

“Sobre sinistralidade (visão agregada):

despesas médicas e hospitalares

tendem a concentrar maior valor por

sinistro, ou seja, representam a maior

fatia do montante indenizado, seguidas

por cancelamentos/interrupções,

que geram pedidos de reembolso por

voos, hospedagem e pacotes. Extravio

de bagagem é frequente, porém com

valor médio de indenização mais baixo

do que despesas médicas. Importante: o

mix exato e o ranking podem variar por

EFEITO DOS ‘HERMANOS’

Para Nancy Rodrigues, não há como afirmar que a obrigatoriedade

da contratação do seguro viagem na Argentina tenha

diretamente impulsionado as vendas no Brasil. “Mas podemos considerar

que quando um destino cria uma exigência formal, isso naturalmente

acelera a decisão de compra”, pondera.

Já Claudia Brito salienta que a exigência de seguro para entrada

em um país tende a aumentar a conscientização e, por consequência,

a demanda em mercados próximos. “No caso da Argentina,

a obrigatoriedade tem dois efeitos práticos: aumento imediato

da procura por seguros com cobertura e limites que atendam à

regra imposta e efeito educativo. Viajantes que compram por força

de exigência acabam reconhecendo o valor do produto e passam

a considerá-lo em viagens futuras também para outros destinos.

Para o Brasil, isso se traduz em incremento de vendas para roteiros

como Argentina e reflexo educativo que potencialmente melhora

adesão em viagens internas e para outros países”, justifica a executiva

da Coris.

As mudanças regulatórias já vêm alterando o cenário para o

seguro viagem e, como destaca Nancy Rodrigues, isso pode continuar

estimulando ainda mais o mercado nos próximos anos, inclusive

com a entrada da Nova Lei de Seguros que entrou em vigor em

dezembro no Brasil. “Por isso a tendência é de que esse produto

continue crescendo no próximo ano, apoiado tanto pela regulação

quanto pelo aumento natural do fluxo de viagens, bem como, nas

medidas que facilitam a contratação, ampliam a consciência do consumidor.

e criam demanda imediata em destinos onde o seguro passa

a ser exigido”, resume Nancy.

Para 2026, reforça Claudia Brito, espera-se a contínua expansão

da carteira, impulsionada por retomada de viagens, sensibilização

do consumidor e oferta de produtos mais segmentados

(por perfil de viajante e por necessidade). “Eventuais reformas regulatórias

futuras tenderão a focar em transparência, padronização

mínima de coberturas obrigatórias por país/destino e requisitos de

solvência para players que atuam com produtos cross-border, o que

pode levar a reformulações contratuais (ex.: cláusulas, limites, exclusões)

já no horizonte 2026”, conclui a executiva da Coris.

30


gente

TRINCA DE VICE-PRESIDENTES

A Suhai Seguradora

anunciou mudanças

em sua estrutura executiva

com o anúncio de

três vice-presidentes. O

movimento é resultado

da promoção de três diretores

executivos e reflete

o avanço de uma cultura

voltada à valorização de

talentos internos e à expansão

sustentável dos

negócios.

Assumem os novos

cargos Alexandre Staffa, que deixa a posição de

diretor executivo Financeiro e de TI para se tornar vice-

-presidente da mesma área; Beto Rubim, promovido

de diretor de Operações a vice-presidente de Operações;

e Jorge Martinez, que passa de diretor executivo

de Produtos e Precificação

a vice-presidente

responsável pela área.

“Temos um compromisso

genuíno com

o desenvolvimento das

pessoas que fazem parte

da Suhai. Acreditamos

que o crescimento

sustentável de uma

empresa passa, antes de

tudo, pela valorização

e reconhecimento de

seus talentos internos”,

afirma Fernando Soares, CEO da Suhai Seguradora.

Além das promoções internas, a Suhai apresentou

recentemente mais um reforço em sua liderança:

a chegada de Fernando Pantaleão, ex-Visa e Natura,

como vice-presidente Comercial.

NOVOS CONTRATOS

A Gallagher Seguros

comunicou movimentações

em sua estrutura

de resseguros. A principal

delas é a nomeação de

Thiago Navega, que desempenhou

o papel de

Deputy CEO na consolidação

dos resultados de

2025, como CEO de Facultativos

(FAC) da Gallagher

Re no Brasil, reportando-

-se à Luiz Araripe, Country Manager das Operações da

Gallagher no Brasil. Eduardo Marra permanece à frente

da operação como Diretor de FAC da Gallagher Re.

Para impulsionar a verticalização e o alinhamento

estratégico da área de sinistros complexos,

Luiz Peres assume, a partir de 1º de janeiro de 2026, a

função de Superintendente de Sinistros - Head de Sinistros

FAC e será responsável também por sinistros

complexos no Retail e Consultoria. Na mesma data

(1º de janeiro de 2026), Victor Molinari passa a liderar

a área de Casualty na função de Head de Property,

Casualty e Construction.

Outra nomeação estratégica é a de Marina

Jordão, que assume a liderança das áreas de Energy

& Marine, além de Power Gen e Renewables, como a

nova Head de Natural Resources.

A estrutura de FAC da Gallagher Re permanece

organizada em dois pilares principais- Broking Team e

Operations Team, com lideranças dedicadas a impulsionar

a especialização, sinergia e excelência na entrega

de soluções aos clientes.

“O ano de 2025 foi marcante para o FAC e essa

evolução reafirma o nosso foco no desenvolvimento

de talentos e na promoção da integração entre os times.

Essa alteração reforça nosso compromisso em

fortalecer a atuação estratégica do time de FAC, que

cresce de maneira consistente e entrega resultados

excepcionais”, destaca Thiago Navega.

31


gente

MARKETING RENOVADO

A 180 Seguros contou a chegada

de Flavia Breda, ex-Santander e

WeWork, como nova head de marketing.

A contratação marca mais um passo em

um momento de expansão da companhia.

Com mais de 20 anos de experiência nas

áreas de branding, posicionamento, produto

e geração de demanda, a executiva assume

a missão de fortalecer o posicionamento

institucional da 180 e ampliar a presença

da marca em um mercado cada vez mais

orientado por tecnologia e inteligência artificial.

“Assumir a liderança de marketing da 180 Seguros

em um momento tão decisivo é uma oportuni-

dade única. A empresa está crescendo

de forma rápida e sustentável, redefinindo

o futuro do mercado de seguros

com IA aplicada de ponta a ponta..

Ano que vem será um grande divisor

de águas, em que fortaleceremos a

marca da 180, reforçando a nossa autoridade

no setor e nos posicionando

como a seguradora estratégica e flexível

para atender às necessidades dos

nossos parceiros e seus clientes, nos

mais diversos segmentos como bancos digitais, fintechs

de crédito, cooperativas e corbans (correspondentes

bancários”. afirma Flavia Breda.

NEGÓCIOS CORPORATIVOS

A Allianz Seguros nomeou Veronica Britto

como nova superintendente de Corporate. A executiva

assumiu o cargo em 1o de dezembro e se reportará

a Maurício Masferrer, diretor executivo de Negócios

Corporativos da companhia.

Com 15 anos de atuação no mercado segurador,

Veronica chega à Allianz para contribuir com a estratégia

de crescimento da área. “É uma honra integrar uma

empresa com tamanha

relevância no setor. Estou

pronta para contribuir com

soluções que agreguem

valor aos clientes e brokers

e fortaleçam a posição estratégica

da companhia no

mercado”, afirma.

ACONSEG-MG

A Aconseg-MG terá

nova diretoria a partir de

1º de janeiro de 2026. O

empresário Jader Pereira

de Abreu Filho foi escolhido

presidente para o

próximo ciclo de gestão.

Ele já liderou a entidade

em outros períodos e retorna

com foco no fortalecimento

institucional das

assessorias de seguros em Minas Gerais.

O dirigente destaca como objetivo central manter

e elevar a relevância do canal de distribuição no

mercado. “Uma das metas é fortalecer e valorizar ainda

mais o capital comercial das assessorias. Vamos ampliar

a aproximação com as seguradoras parceiras e abrir espaço

para as entrantes, alinhando interesses e reforçando

a representatividade dos associados”, afirma.

A nova diretoria da Aconseg-MG assume a gestão

da entidade em 1º de janeiro de 2026. A composição

é a seguinte:

Jader Pereira de Abreu Filho - Presidente;

Robson Augusto Carneiro - Vice-presidente - Regina

Drumond Ferreira - Conselho Fiscal; Oswaldo Cesar

Moreira Leão - Tesouraria; Leonardo Neves Fernandes

- Relações Públicas e Comunicação; Lisanara Carvalho

Guedes - Marketing e Mídias Sociais

32


EVENTOS

ADEUS 2025

Fotos: Divulgação

Aecor-RJ

Representantes das seguradoras

e os profissionais do mercado

da região reuniram-se neste

evento de muita alegria com o

diretor da Associação Estadual

dos Corretores de Seguros do Rio

de Janeiro - AECOR-RJ, Jayme

Torres (último à direita)

Camaracor

Diretores comemoram mais um

ano de sucesso da Câmara dos

Corretores de Seguros de São

Paulo

CCSOR

Marcos Motta, presidente do

Clube dos Corretores de Seguros

de Osasco e Região discursa no

evento de aniversário e final de

ano

Tem Saúde

Mariana Esteves,

vice-presidente

comercial, marketing

e produto da TEM

Saúde, conversa com

o público sobre os

resultados de 2025

PLL

Pablo Linhares e Lucas

Linhares receberam

seus convidados para

comemorar os 20 anos

da PLL e anunciam

o conserto de celular

através do app da

Rappi

33


EVENTOS

CVG-RJ

A diretoria do Clube de Vida em

Grupo do Rio de Janeiro recebeu

seus convidados para mais um

ano da sua tradicional feijoada

CVG-SP

O Clube Vida em Grupo de São

Paulo anunciou os vencedores do

Prêmio Seguro Paulista em sua

festa de final de ano

SINCOR-SP

O Sindicato dos Corretores de

Seguros de São Paulo comemorou

com os seus associados as

conquistas de 2025

UCS

A União dos Corretores de

Seguros celebrou seus 21 anos,

destacando sua atuação nacional

34


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