edição de 22 de dezembro de 2025
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propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.073 - 22 de dezembro de 2025 R$ 20,00
Fotos: Divulgação
Natal de 2025 evidencia tensões
entre tecnologia e campo emocional
As campanhas deste ano colocam o Natal como um território sensível para as marcas e agências. Enquanto os filmes internacionais de Coca-Cola e McDonald’s
inserem a inteligência artificial generativa no centro da criação visual e enfrentam reações negativas do público, outras empresas seguem vias distintas.
Bradesco, Cacau Show, Natura, Hering, Elo, Perdigão, Reserva e O Boticário, por exemplo, apostam mais em narrativas com apelo emocional, em experiências
presenciais e em usos funcionais da IA para dialogar com um Natal brasileiro historicamente marcado por hibridismos — entre símbolos importados e
referências tropicais. No centro está o desafio de inovar sem romper a dimensão afetiva que sustenta o ritual natalino. pág. 16
Alê Oliveira
SBT News completa uma
semana de transmissão
Daniela Abravanel
Beyruti, presidente
do SBT, discursou em
evento de lançamento
do SBT News, no
Centro de Televisão
Anhanguera, onde
reuniu o mercado
e autoridades.
“Estamos comprometidos
em entregar
um jornalismo com
qualidade”. pág. 29
Os temas que
pautaram os cases
emblemáticos
de 2025
Racismo, bullying, causa animal, saúde
mental e uso consciente da tecnologia
pautaram os trabalhos indicados pelas
próprias agências como os destaques do
ano. A seleção conversa com o desempenho
brasileiro em festivais internacionais,
como Cannes Lions e El Ojo, e ajuda a
entender os temas que orientaram a
comunicação das marcas em 2025. pág. 24
Globo estrutura centenário
como plataforma integrada
Sob a liderança de
Manuel Falcão, a Globo
organizou as ações do
centenário como uma
plataforma contínua
de marca, articulando
conteúdo, publicidade
e relacionamento com
diferentes públicos em
uma lógica que atravessou
todo o calendário de
2025 e orientou decisões
estratégicas. pág. 30
Esta é a última edição do ano do propmark. O jornal volta a circular em 12 de janeiro de 2026 e o site propmark.com.br
será atualizado normalmente no período de festas. O propmark deseja a todos um Feliz Natal e um próspero Ano Novo!
Globo/João Cotta
editorial
Armando Ferrentini
Emoções
Fim de ano é o período em que todo mundo para, olha para trás, repensa as conquistas,
resultados, acertos e desacertos, e projeta o próximo ano. É a época em
que as pessoas estão com as emoções à flor da pele, mais sensíveis. Nada mais
natural, portanto, do que as agências criarem para seus clientes campanhas de Natal
carregadas de um tom emocional.
A ordem é chamar a atenção em meio a um emaranhado de filmes, comerciais e ofertas
de produtos que disputam a preferência dos consumidores no Natal, a melhor data
para o comércio historicamente, entra ano sai ano. E, apesar das dificuldades econômicas,
o brasileiro continua gostando muito de presentear na data.
Pesquisa encomendada pela Natura ao Grupo Consumoteca mostra que presentear é
uma forma de comunicar atenção e afeto. Os dados explicam: 40% dos entrevistados
dizem sentir as pessoas mais distantes e 34% percebem vínculos superficiais, o que
torna o presente um “atalho” para validar relações que exigem dedicação.
A intenção de presentear neste ano está alta. Estudo da ESPM indica que 86% dos brasileiros
pretendem comprar no fim de ano, enquanto em levantamento da Shopee, 94%
dos respondentes dizem que vão presentear neste Natal. Já pesquisa do Google mostrou
que 80% planejam fazer compras com tíquete médio de R$ 540.
Na mídia, o que vemos é uma mistura de campanhas com forte apelo afetivo. Neste
ano, porém, a Coca-Cola provocou polêmica pelo uso “exagerado” de inteligência artificial
em seu filme global de Natal, que foi criticado pela audiência por sua falta de emoção.
Irônico isso acontecer com uma marca tão icônica como a Coca-Cola, cujo comercial
de fim de ano é aguardado exatamente pela simbologia que transmite.
Esse é o segundo ano que a marca de refrigerantes é criticada por fazer um comercial
inteiro de Natal utilizando IA. Ninguém sabe ainda muito bem para onde a IA generativa
vai levar a criação e a produção de propagandas, mas algo já está claro: o consumidor
rejeita campanhas com IA que ‘sequestram’ os sentimentos.
Voltando para as marcas brasileiras, o Itaú, mais uma vez, fez um golaço em sua campanha
de fim de ano. Em uma cocriação entre Africa Creative e TV Globo, o banco uniu as
atrizes Fernanda Montenegro e Fernanda Torres no especial ‘Feito de Fernandas’, que
reúne mãe e filha em uma conversa sobre memórias, presente e futuro ao reverem o
álbum de fotografias. O projeto completo, com duração de 20 minutos, foi apresentado
após o ‘Globo Repórter’ do último dia 19. O teaser já foi suficiente para emocionar.
Outra marca que conseguiu furar a bolha e virou assunto nas conversas das redes sociais
foi o Bradesco. O banco trouxe o ator Macaulay Culkin para transmitir a mensagem
de transição para 2026. A sacada de escalar o ator que ganhou fama mundial ainda
criança por sua atuação no filme ‘Esqueceram de mim’ teve a ver com o trocadilho da
mensagem de fim de ano do Bradesco ‘Pra não esquecer em 2026’.
Apesar de ter sofrido críticas inicialmente pela dublagem na fala do ator - agora está
no ar a versão com a voz original de Macaulay e legendas -, o filme chamou a atenção
do público. Criação é da Lovely.
Reportagem de capa nesta edição traz as principais campanhas do Natal 2025 que estão
na mídia e análises de especialistas, que explicam como o mercado recorre a códigos
simbólicos para organizar a chegada do fim do ano. O varejo projeta faturamento acima
de R$ 72 bilhões no período, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Outro destaque desta semana é matéria que relembra as campanhas mais emblemáticas
que foram ao ar ao longo do ano, indicadas pelas próprias agências. Em um ano em
que a criatividade brasileira sofreu reveses em Cannes, com cassação de Leões, a lista
prova que tem muito material bom e premiado nas ‘ruas’. Que venha 2026!
O propmark deseja a todos leitores e parceiros um Feliz Natal e um próspero Ano Novo!
Frase: “Quando o ser humano está com a razão, Deus é seu advogado” (prefeito de
São Paulo, Ricardo Nunes, citando Silvio Santos).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
SBT News estreia com
nove patrocinadores
O novo canal de notícias do SBT inicia sua operação com foco
multiplataforma e no público das classes A e B. A estreia reúne nove
anunciantes e marca um momento comercial e editorial promissor.
3ª
Google revela os 50 produtos
mais desejados do ano
Levantamento inédito da plataforma mapeia tendências de consumo em
2025, com base em itens mais buscados. Estudo aponta intenção de compra
elevada para o Natal e mudanças no comportamento do consumidor.
BR Media e TNT Sports lançam
projeto conjunto para a Copa de 2026
A parceria une creator economy e esporte em uma estratégia social
first para a cobertura digital do Mundial. O projeto prevê ecossistema
multiplataforma com criadores de conteúdo, marcas e um reality original
voltado à descoberta de novos talentos esportivos.
4ª
Após concorrência, a agência passa a responder pela estratégia 360° de
marcas como Piraquê, Vitarella, Adria e Isabela, abrangendo criação, mídia,
social e gestão integrada das campanhas.
5ª
CP+B assume comunicação integrada
das marcas da M. Dias Branco
Shopee lança API para ampliar
operações de retail media com agências
Nova ferramenta permite criação, gestão e monitoramento de campanhas
de Shopee Ads em ambientes integrados. A iniciativa busca escalar o retail
media e otimizar fluxos operacionais das agências.
4 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
A ENERGIA
da PETROBRAS acende
o fim de ano
Celebramos as festas de fim de ano com várias ativações
incluindo, a tradicional árvore montada na Lagoa Rodrigo de
Freitas e o patrocínio do Rio Réveillon 2026, para que o fim
do ano seja ainda mais iluminado e cheio de energia.
índice
16
Campanhas de fim de ano trazem apelo emocional e uso de IA
Com a utilização cada vez maior de inteligência artificial na criação, marcas
conservam tom emocional da época. Filmes internacionais de Coca-Cola e
McDonald’s sofrem críticas devido ao uso de IA.
propmark
propmark.com.br
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
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Editores
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Paulo Macedo
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Bruna Nunes
Vitor Kadooka
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redacao@propmark.com.br
@propmark
Outback abre flagship de rua em SP
como um espaço de experiências
Claudia Vilhena, nova VP de marketing e vendas da
Bold Hospitality Company, explica que a unidade
inaugurada na Rua Heitor Penteado, na região oeste
de São Paulo, vai funcionar como um espaço de testes.
“O restaurante não é só o lugar da refeição”. pág. 20
Camil busca resgatar memória
afetiva e cultural do arroz e feijão
Sob a liderança da CMO Flavia Molina, a marca
estruturou estratégia que conecta dados, cultura e
propósito, buscando fortalecer vínculos emocionais
com o consumidor, por meio do posicionamento
‘A base do Brasil’. pág. 12
propmark
propmark
As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................4
Conexões ...........................................................................8
Curtas .................................................................................10
Quem Fez ...........................................................................11
Entrevista ..........................................................................12
ESG no MKT ........................................................................14
Marcas ...............................................................................16
Agências ............................................................................24
Mídia ..................................................................................29
Pesquisas ..........................................................................31
Digital ................................................................................32
Out of Home ......................................................................34
Inspiração ..........................................................................35
Conexão Ásia .....................................................................36
Opinião...............................................................................38
Click do Alê ........................................................................40
Última Página ....................................................................42
Beto Carrero aposta
em Galinha Pintadinha
como nova atração
Anunciada como parte das
celebrações do aniversário de 34
anos do parque, a chegada da
Galinha Pintadinha ao Beto Carrero
está prevista para 2026 e envolve
a criação de um espaço dedicado
ao universo da personagem, com
brinquedo e shows. pág. 21
6 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
conexões
última hora
Post: Sam anuncia rebranding
Saudades de quando a SAM era braba!
Pabllo Matheus
Melhores balas do mercado!
Augusto Melo
africa 94
Africa Creative e 94 Marketing & Football lançam a Africa 94, operação independente cujo
escopo vai do planejamento de patrocínios a ativações de marca e conteúdo proprietário
sobre futebol. A expectativa é impulsionar negócios em ano de Copa do Mundo, que ocorrerá
entre os dias 11 de junho e 19 de julho de 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México. Na foto,
estão Fabricio Ramos, Teófilo Teló, Rodolfo Mohr e Lênin Franco (na parte de cima) e Sergio
Gordilho, Denílson Show e Marcio Santoro.
ponto de audiência
A Kantar Ibope Media atualizará a representatividade do ponto de audiência da televisão no
Brasil a partir de 1º de janeiro de 2026. A revisão é baseada nas novas estimativas populacionais
e mantém o critério de que 1 ponto equivale a 1% do universo pesquisado em cada praça
aferida. Com a mudança, 1 ponto de audiência nos 15 mercados medidos pela empresa passará
a representar 277.670 domicílios com TV e 699.962 indivíduos com 4 anos ou mais.
Post: Veja as movimentações do
mercado nesta semana
Luiza Campos, continue brilhando!
Ciça Barbosa
Post: ‘Sempre sonhei em empreender’,
diz Vinicius Reis
Empreender, pra mim, sempre foi sobre
construir valor de forma consistente, com
foco em crescimento sustentável, eficiência
e impacto real nos negócios. Na entrevista
ao propmark, falo sobre a jornada
de 11 anos da CP+B Brasil, a evolução do
nosso ecossistema dentro do Stagwell.
Vinicius B. Reis
Duailibi Essencial
Post: Flavia Campos assume
liderança de planejamento
na We
Estou muito feliz e honrada!
Flavia Campos
O propmark agradece os votos
de Boas Festas enviados por Natura,
Opus, Iguatemi, Zaffari, Monks,
Eletromidia, HSR, Zendesk, We
OOH, Andorinha, Lalamove, VEX,
Spark, Netflix, Record, Bauducco,
Grupo UmaUma e Flix Media.
“Com liberdade, flores, livros e lua, quem não seria inteiramente feliz? (Oscar Wilde).
dorinho
nova marca
O Times Brasil/CNBC estreou a nova marca global da CNBC no país com o apoio de cinco
anunciantes: Avenue, TIM, Toyota, B3 e Vale. As marcas passam a integrar o projeto da
emissora voltado à apresentação do novo posicionamento visual do canal de negócios ao
público brasileiro. O pacote comercial desenvolvido para os parceiros prevê exibições de
filmes institucionais, que destacam a trajetória e a evolução da CNBC, fundada há 35 anos,
além de outras ativações distribuídas ao longo da programação na TV e nos ambientes
digitais. Os anunciantes também estarão associados à cobertura jornalística de eventos
econômicos internacionais ao longo de 2026.
associação
A Binder formalizou a aquisição de
participação na Cafeína, agência full service
com sede em Brasília. Com a transação, a
Cafeína passa a integrar o Grupo Reimagine,
do qual a Binder faz parte. Em 2025, ganhou
contas como Caixa Digital, Inmetro e Serpro,
além do governo da Bahia. A Binder também
inaugurou nova sede na capital federal. As
duas agências seguirão operando de forma
independente, com intensificação da troca
de know-how. “Esta associação com a Binder
ajudará a impulsionar o negócio de ambas
as agências e abrirá novas oportunidades de
crescimento”, afirmou Eliane Nascente, CEO
da Cafeína.
8 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
curtas
Disney e AmAzon ADs expAnDem pArceriA
Freepik
Divulgação
ConSumidoreS preferem ver AnúnCioS
A ter de pAgAr por ServiçoS digitAiS
A quarta edição da pesquisa ‘Como seria a internet sem anúncios?’, do Interactive Advertising
Bureau, o IAB Brasil, defende o modelo de negócios do meio digital, sustentado pela publicidade.
Sete em cada dez brasileiros preferem ver mensagens de marcas a pagar por serviços
digitais. De acordo com o estudo, 69% dos internautas optam por consumir conteúdos gratuitos
com publicidade - índice crescente. Eram 63% em 2023 e 2024. O levantamento também mostra
que, caso tivessem de pagar por conteúdos, serviços online e aplicativos, 66% dos entrevistados
reduziriam o uso da internet. “A pesquisa demonstra que os brasileiros entendem que a publicidade
digital é fundamental para tornar a internet mais democrática, acessível e inovadora.
Os anúncios viabilizam o acesso a conteúdos gratuitos de qualidade, ao mesmo tempo em
que ajudam a personalizar a experiência do usuário e facilitar a jornada de compra”, declara
Denise Hruby, CEO do IAB Brasil. Mais da metade dos entrevistados (55%) avalia a inteligência
artificial positivamente, mas aponta a necessidade de transparência. Outros 44% afirmam que
a IA contribui para o direcionamento de anúncios mais relevantes, de acordo com seus perfis. A
pesquisa ouviu 1,5 mil pessoas entre os dias 14 e 24 de novembro de 2025.
série soBre climA Atinge 78,7 milhões De views
Divulgação
Cena de ‘Esqueceram de mim’, filme lançado há 35 anos e disponível no portfólio do Disney+
Projeto de Estadão e TikTok foi inspirado na COP30, realizada em Belém (PA) em novembro
Anunciantes que utilizam Amazon Ads no Brasil já podem acessar o portfólio de séries e
filmes da Disney por meio de Programmatic Guaranteed e acordos de Private Marketplace.
A solução é fruto de parceria da Disney Ad Sales & Partnerships com Amazon Ads, que dá
acesso ao inventário do Disney+, incluindo transmissões esportivas ao vivo da ESPN. “A
incorporação de novas opções de compra programática na região reforça o nosso compromisso
em oferecer soluções flexíveis e tecnologicamente avançadas”, afirma Kattia
Quintanilla, senior vice president de ad sales & partnerships da The Walt Disney Company
Latin America. Para Carolina Piber, diretora-geral da Amazon Ads Brasil, o acordo permite
“alcançar audiências relevantes, em escala, e contribui para estratégias de segmentação
mais precisas.”
A série ‘E eu com o clima?’, parceria do Estadão e TikTok com conteúdo embasado na COP30 - a
conferência sobre mudança climática da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada entre os
dias 10 e 21 de novembro, em Belém (PA) -, somou 78,7 milhões de visualizações, 224 mil curtidas, 15
mil compartilhamentos e 21 mil novos seguidores ao perfil. Produzido entre setembro e outubro, o
projeto “mostra que, quando o jornalismo profissional e a linguagem digital se encontram, temas
fundamentais ganham escala”, frisa Leonardo Cruz, editor-executivo de distribuição, engajamento
e vídeo do Estadão. “Conseguimos ampliar conversas essenciais sobre mudança climática e ajudar
milhões de pessoas a entender como esse tema impacta nosso cotidiano”, emenda Handemba
Mutana, diretor de responsabilidade social corporativa do TikTok no Brasil. O episódio 5, sobre o
impacto da crise climática na saúde mental, foi o mais assistido, com 11 milhões de views.
execution gAnhA AlmonD Breeze e cetrel zohAr investe em microDrAmAs iris colDiBelli ApresentA netrA crB
Divulgação
Divulgação
Rodrigo Bach/Divulgação Netra CRB
Marca de leite de amêndoa Almond Breeze, da Califórnia (EUA)
A marca de leite de amêndoa Almond Breeze e a plataforma
Cetrel, de soluções ambientais para a indústria, são as novas
contas da Execution, conquistadas após concorrência. Os
novos negócios “reforçam a nossa capacidade de atuação e
execução de forma integrada, mostrando que podemos fazer
mais com menos recursos, usando inteligência criativa”, conta
Geraldo Rocha Azevedo, CEO da Execution. O trabalho para
Almond Breeze - sob o comando da cooperativa Blue Diamond,
um dos maiores produtores globais de amêndoas, sediada
na Califórnia (EUA) - inclui planejamento, criação, mídia e
ações com influenciadores para campanhas institucionais
e lançamento de produtos. Planejamento, criação e mídia
englobam o escopo de Cetrel, que já produz comunicação
sobre emergências ambientais.
Ramona Bakker, Isabelle Tanugi, Carlos Paiva e Fernanda Rossi
‘Encontrei um marido bilionário e sem teto para o Natal’ é o
nome da primeira novela vertical do núcleo de produção de
microdramas da produtora Zohar Cinema, que já alcançou
cem milhões de views desde o seu lançamento, no dia 29 de
novembro. Com 71 episódios de um minuto e meio, o conteúdo
pode ser acessado na plataforma internacional Reelshorts.
“Ampliamos a atuação da Zohar para além das atividades voltadas
para a publicidade. Hoje, estabelecemos um núcleo dedicado
à criação, adaptação e produção de conteúdo original,
principalmente streaming e cinema. Para o novo mercado de
microdramas verticais, vínhamos nos preparando há um ano”,
afirma Ramona Bakker, produtora-executiva e sócia da Zohar,
que também tem Isabelle Tanugi, Carlos Paiva e Fernanda
Rossi como sócios. Novas produções estão a caminho.
Iris Coldibelli: força mais poderosa e negligenciada do mercado
O estúdio Netra CRB (Conscious Regenerative Brands),
voltado para estratégia regenerativa e consultoria de
tendências culturais centradas no público feminino com
mais de 40 anos, será lançado nos Estados Unidos e no
Brasil no dia primeiro de janeiro de 2026. Já está previsto
o lançamento da pesquisa ‘A nova maturidade’, com mais
de duas mil entrevistas, em painel no Festival Internacional
de Criatividade Cannes Lions, realizado entre os dias
22 e 26 de junho de 2026, na França. “O nosso foco em
mulheres 40+ não é uma restrição, mas uma coragem estratégica
para servir e dar voz à força econômica e cultural
mais poderosa e, ao mesmo tempo, mais negligenciada
do mercado global”, explica Iris Coldibelli, estrategista e
fundadora da Netra CRB.
10 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
quem fez
Kelly Dores
interina
kelly@propmark.com.br
almapbbdo
bradesco seguros
Fotos Divulgação
Título: ‘a descoberta’
CCO: pernil
Vice-presidentes de criação: Fernando duarte e Henrique del Lama
Diretores de criação: daniel chagas Martins e igor cabó
Criação: alexandre Freire e Fernando sau
COO: rafaela alves
Produtora de imagem: immigrant
Produtora de som: cabaret
Com uma abordagem emocional, o filme acompanha a história de uma
garota que encontra um lápis mágico e passa a desenhar pequenos
seres que ganham vida e tornam-se companhia para ela. Embalada por
‘You’ve got a friend’, famosa música de James Taylor, a campanha de
fim de ano reforça o posicionamento da companhia como parceira em
todos os momentos.
Calia
cnc
Título: ‘atravessando gerações’
Direção de criação: geisa Lopes
Codiretores de criação: alexandre Ferro, Maurício
oliveira, cícero Fraga e bruno Lima
Direção de arte: ricardo chaves
Redatora: andreia soares rocha Tamiozo e daniele
Faria Lopes
Para marcar os 80 anos da CNC (Confederação Nacional
do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), comercial traz
a mensagem de que bons valores são essenciais na construção
de um negócio duradouro e reforça a atuação e o
protagonismo da entidade para o desenvolvimento do
comércio brasileiro.
purpple
panasonic
Título: ‘panasonic. É mais que pilha. É tecnologia japonesa’
Head de criação: rodrigo niemeyer
Diretores de criação: Marcello droopy e guto asanuma
Redação: rodrigo niemeyer, bruno brasil e Marcello droopy
Direção de Arte: rodrigo cerri, guto asanuma e analu
gsellmann
Produtora de áudio: bumblebeat
A narrativa parte do insight de que “cada instante importa” e retrata cenas
cotidianas em que as pilhas alcalinas da marca estão no centro. “Esta campanha
mostra que, por trás de cada aparelho que ganha vida, existe uma
energia que acompanha momentos únicos, apoia conquistas e conecta histórias”,
destaca Luciano Lima, gerente de marketing de pilhas da Panasonic
jornal propmark - 22 de dezembro de 2025 11
entrevista
Flavia Molina
CMO da Camil
Arroz com feijão como base
Com presença consolidada no varejo e um
portfólio ligado ao cotidiano dos brasileiros,
a Camil amplia a sua atuação para além do
universo da alimentação. Sob a liderança
de Flavia Molina, a companhia passou
a estruturar uma estratégia de marca
que conecta dados, cultura e propósito,
buscando fortalecer vínculos emocionais
com o consumidor. A agenda envolve
iniciativas que dialogam com música,
gastronomia, experiências e impacto
social, ao mesmo tempo em que reforça
o posicionamento ‘A base do Brasil’. A
executiva fala sobre os desafios de liderar
o marketing de uma marca enraizada em
produtos considerados commodities e
como “comunicar que o arroz e o feijão são
carregados de memória afetiva, cultura e
tradição, representando um capítulo na
história de vida de cada brasileiro”, diz ela,
entre outros temas, na entrevista a seguir.
Adrieny Magalhães
Você pode compartilhar um pouco da sua trajetória até assumir a
posição de CMO da Camil?
Tenho mais de 20 anos de experiência multifacetada, atuando nas áreas de marketing,
comunicação, vendas e mídia digital. Minha trajetória é marcada pela atuação em
empresas de diferentes segmentos e culturas organizacionais, o que me proporcionou
uma visão ampla do mercado e agilidade de adaptação. Entre as empresas por onde
passei estão Nestlé, Sony Ericsson, Microsoft, Pernod Ricard, Rede Globo, Domino’s Pizza
Brasil e Pernambucanas.
Divulgação
Quais foram os maiores desafios ao chegar à Camil e como você os
transformou em oportunidades?
O principal desafio que identifiquei foi que, apesar de ser uma marca com trajetória
sólida, forte presença no varejo e enorme capital simbólico, a Camil ainda tinha espaço
para expandir sua presença emocional e cultural na vida das pessoas. Para transformar
esse cenário em oportunidade, os primeiros movimentos estratégicos foram aprofundar
o entendimento das jornadas de consumo, para compreender como as categorias
de produtos da Camil se conectam com os afetos, rotinas e histórias dos brasileiros,
além de reforçar o processo de reposicionamento estratégico da marca com o conceito
‘A base do Brasil’, iniciado em 2022. Esse conceito busca fortalecer a conexão do arroz
e do feijão com a identidade, a cultura e as memórias afetivas do povo brasileiro. Também
estruturamos um novo pipeline de comunicação, que se desdobra em iniciativas
culturais e campanhas como ‘Ícones da brasilidade’, protagonizada pelo cantor Thiaguinho,
com o objetivo de ampliar o território da marca para além do universo da alimentação
e inseri-la de forma mais consistente na cultura popular. Essas ações visam
a fortalecer a marca como um ativo estratégico, acelerar a presença digital e explorar
novas experiências para o consumidor.
Como é liderar estratégias de marketing em uma empresa que trabalha
com alimentos tão enraizados no dia a dia do brasileiro?
Liderar o marketing na Camil, uma empresa com mais de 60 anos de história e a responsabilidade
de alimentar milhões de brasileiros, é um desafio que traz um enorme
potencial de inovação. Nosso principal objetivo é transformar o que é cotidiano, com
insumos que sempre foram vistos como commodities, em algo memorável para os
consumidores. A inovação não está apenas no produto, mas na forma como ele é percebido.
O papel do marketing é resgatar e dar visibilidade ao valor simbólico, cultural e
emocional de alimentos como o arroz e o feijão, que são a base da identidade brasileira.
A Camil tem buscado se aproximar da cultura brasileira por meio
da música e da gastronomia. De que forma essa estratégia surgiu e
como você enxerga seu impacto de longo prazo?
Essa estratégia surgiu da necessidade de fortalecer a conexão emocional com o consumidor
e expandir o território da marca para além do universo da alimentação. Embora o
12 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
“Nossa estratégia é orientada por
dados e inteligência de mercado”
arroz e o feijão sejam a base da alimentação, a Camil identificou a oportunidade de resgatar
e evidenciar o valor simbólico, cultural e afetivo desses produtos, que são parte
da identidade e das memórias dos brasileiros. Nos vemos como uma marca “gregária”,
ou seja, que reforça o que é coletivo, uma característica forte da cultura alimentar do
Brasil. Para concretizar isso, passamos a focar em elementos característicos da cultura
brasileira, como música, memória afetiva e celebrações. O impacto de longo prazo esperado
é consolidar a Camil não apenas como líder na categoria de grãos, mas como
uma marca que entende, celebra e sustenta o cotidiano e as conquistas do brasileiro.
A meta é que cada prato de arroz e feijão Camil represente um capítulo na história de
vida das pessoas. Essa expansão de território constrói um ecossistema de comunicação
mais rico, fortalecendo a conexão emocional com a marca de forma duradoura e gerando
valor de forma consistente e mensurável.
Como a marca busca equilibrar tradição e inovação?
A inovação está na forma como esses alimentos são percebidos, transformando o que
é rotineiro em algo memorável. Isso se reflete na ressignificação da categoria, com
uma comunicação que vai além da funcionalidade e do preço, posicionando arroz e
feijão como protagonistas emocionais e símbolos da cultura popular brasileira. Também
se manifesta em estratégias digitais criativas, como a campanha ‘50/50 – Qual é a
sua base?’, que gerou engajamento relevante e impacto mensurável em vendas, além
do uso estratégico do marketing de influência para transmitir mensagens de forma
autêntica, alcançar diferentes públicos e fortalecer a presença da marca em diversas
regiões do país. Toda essa estratégia é orientada por dados, inteligência de mercado,
informações de sell-out e métricas digitais, combinando investimento emocional com
busca por retorno financeiro e performance mensurável.
O que a escolha do Thiaguinho como garoto-propaganda simboliza
para o momento atual da empresa?
A escolha de Thiaguinho como protagonista da campanha ‘Ícones da brasilidade’ é profundamente
estratégica e simboliza um passo significativo da Camil para consolidar
o posicionamento ‘A base do Brasil’ e fortalecer uma conexão afetiva e cultural com o
público. Ele foi escolhido por ser um verdadeiro ícone da cultura nacional, com legitimidade
e capacidade de transitar com naturalidade entre diferentes públicos, regiões e
classes sociais. Essa escolha personifica a mensagem central da campanha: a de que o
arroz com feijão é um elo afetivo que conecta os brasileiros e que as grandes conquistas
começam com coisas simples. Ao mostrar Thiaguinho antes da fama, a campanha
evoca memórias de infância e reforça a ideia de que a Camil é uma marca que está
presente na trajetória de todos, desde a base. Portanto, a parceria com Thiaguinho representa
a intenção da marca de ocupar, com autenticidade, territórios de celebração,
música e brasilidade.
Na sua visão, o que mudou na relação do consumidor com o arroz e
o feijão nos últimos anos?
A relação mudou no sentido de ir além da funcionalidade nutricional. Embora o arroz e o
feijão continuem sendo a base da alimentação do brasileiro, a Camil identificou a oportunidade
e a necessidade de ressignificar o papel desses alimentos na cultura popular.
A mudança está em reconhecer e comunicar que o arroz e o feijão são carregados de
memória afetiva, cultura e tradição, representando um capítulo na história de vida de
cada brasileiro. A relação do consumidor evoluiu para um ponto onde é possível construir
uma conexão identitária e afetiva genuína, tratando o prato de arroz com feijão
como um símbolo de formação, pertencimento e das conquistas cotidianas.
Que tendências de consumo você acredita que vão impactar mais
fortemente o setor de alimentos nos próximos anos?
Uma tendência fundamental que já guia a estratégia da Camil é a busca por conexão e
propósito por parte dos consumidores. Além disso, observamos a importância crescente
da construção de marcas consistentes, capazes de manter presença mental e física
de forma contínua na vida das pessoas. Também ganham força as experiências autênticas,
nas quais o consumidor busca marcas que ofereçam vivências reais e memoráveis,
como ativações em eventos culturais e gastronômicos. O marketing de influência com
legitimidade se destaca nesse cenário, com influenciadores atuando como pontes de
afinidade e não apenas como canais de divulgação. Outro ponto relevante é o fortalecimento
do propósito e do impacto social, com ações que conectam a marca a causas
estruturantes, como programas de capacitação e iniciativas de combate ao desperdício
e à insegurança alimentar.
Como você enxerga o papel do marketing na construção de marcas
com propósito em um setor tão competitivo?
Eu vejo que o marketing na construção de marcas com propósito precisa ir além da
solidez de uma marca historicamente estabelecida e com alto capital simbólico. Na
Camil, nós realmente priorizamos uma margem para fazer diferente todos os dias e
fazer com propósito. Para mim, o papel do marketing é expandir essa presença emocional
e cultural da marca, bem como resgatar e evidenciar o valor simbólico do arroz
com feijão, tratando-o como uma expressão da identidade brasileira. Isso exige que
eu seja criativa e sensível aos movimentos da sociedade, trazendo novas formas de
engajamento. Queremos ser percebidos como uma marca que entende e celebra a vida
real que acontece dentro do Brasil, mas de forma intencional. Temos ampliado nossa
atuação para territórios como cultura, música, gastronomia, esporte e impacto social,
sempre trazendo o olhar voltado para momentos que realmente importam para o crescimento
e a conquista dos nossos consumidores.
Você poderia compartilhar algum case dentro da Camil que considere
especialmente marcante na sua gestão?
Sim, considero a campanha ‘Ícones da brasilidade’, assinada pela Lew’Lara\TBWA, nossa
agência parceira, um case especialmente marcante, pois ela reúne diversos pilares de
construção de marca. O objetivo é consolidar o arroz e feijão como símbolo da identidade
brasileira e resgatar essa memória afetiva. Nós buscamos o elo emocional da música
e escolhemos o Thiaguinho como protagonista. Ele entrega legitimidade nacional e
se identifica com o nosso público, pois ele também cresceu à base de arroz e feijão. A
escolha dele reforça nossa autenticidade e o alcance nacional, já que ele transita em
diferentes regiões, gerações e classes sociais, assim como o arroz e feijão. Um ponto
inédito foi o patrocínio da turnê anual do ‘Tardezinha’. Em cada praça, nós ativamos a
marca com experiências personalizadas, respeitando as peculiaridades locais e regionais
e reforçando nosso compromisso com a cultura popular.
Como é equilibrar o lado analítico de resultados com o lado criativo
de campanhas e ativações culturais?
Eu acredito que a criatividade é maravilhosa, é essencial, uma mola que nos coloca à
frente do tempo. Contudo, não existe criatividade que sustente a ausência de resultado.
Para mim, o marketing deixou de ser apenas “arte” para também ser “científico”. Esse é
o maior desafio que hoje vivemos no marketing. Eu não tenho como entrar numa sala
com o conselho ou acionistas e justificar uma campanha só pelo lado criativo; é preciso
entregar o “show me the money”. Eu sou responsável pelo negócio, e a criatividade é
apenas uma das ferramentas que utilizamos para entregar o retorno para os nossos
acionistas; ela não é o fim. A mudança para o marketing científico foi impulsionada pelo
digital, que trouxe o termômetro para medir a efetividade das comunicações de forma
acurada, assertiva e imediata. A forma como abrimos a porta para o marketing sentar
em cadeiras de conselho é justamente quando passamos a entender que o marketing
é responsável pela entrega de resultado e tem uma conversa de negócio, e não uma
conversa criativa.
Quais os próximos passos do marketing da Camil? Há planos de
expandir esse modelo de patrocínio e experiência cultural para
outras regiões ou iniciativas?
O direcionamento segue sendo o fortalecimento da conexão com o consumidor, com
planos de expansão desse modelo. A estratégia de longo prazo é ocupar, com autenticidade,
iniciativas ligadas à cultura, à memória afetiva e às celebrações que fazem
parte do DNA coletivo do brasileiro. A parceria com projetos culturais prevê ativações
regionais desenhadas sob medida para cada praça. Também seguimos ampliando a
presença da marca em festivais gastronômicos e iniciativas culturais, dando continuidade
a parcerias já consolidadas. O foco é construir uma plataforma de marca contínua,
explorar conteúdos proprietários e experiências imersivas e posicionar o arroz e o feijão
como símbolos de pertencimento, afeto e identidade.
“Eu acredito que a criatividade
é uma mola que nos coloca
à frente do tempo”
jornal propmark - 22 de dezembro de 2025 13
esg no mkt
Alê Oliveira
Feliz 2026 e
um ótimo 2030!
Devemos acreditar no prevalecimento do
bom senso e nas ações de cada um de nós
Alexis Thuller Pagliarini
Com o ano 2026, começa um quinquênio decisivo para
a humanidade. 2030 não é apenas mais um início de
década, não é uma data cabalística ou coisa assim.
É o ano que se estabeleceu como limite para alcançarmos
melhores condições de vida no nosso planeta.
Durante a COP21, realizada em 2015, em Paris, aconteceu
a assinatura do Acordo de Paris e a criação dos
17 ODS da ONU, os objetivos de desenvolvimento sustentáveis.
E 2030 foi o ano estabelecido como meta para alcançarmos
esses objetivos. O primeiro objetivo, o ODS 1, trata
da erradicação da pobreza, o ODS 2, da erradicação da
fome, e assim por diante...
Já se passaram dez anos, 2/3 do tempo estabelecido
como razoável para perseguirmos os objetivos. E o que
conseguimos foi muito pouco.
Um exemplo angustiante é o fato de termos ainda
perto de 800 milhões de pessoas passando fome no
mundo.
Uma nova economia, baseada na manipulação de dados,
concentra ainda mais a riqueza nas mãos de poucos,
aumentando a desigualdade e trazendo junto o efeito
colateral de perdas de emprego.
É claro que não podemos conter o processo evolutivo
baseado na inovação constante. Mas deveríamos
concebê-lo de forma a beneficiar a humanidade como
um todo.
Empresas conscientes já realizam seu planejamento
estratégico levando em conta o impacto das suas ações.
As perguntas-chave que essas empresas fazem ao
conceber novas ações, processos ou no desenvolvimento
de novos produtos são:
1- Como essa ação ou produto vai impactar ambiental
ou socialmente a sociedade? Se as respostas preverem
impactos positivos, ótimo! Sinal verde!
Mas se as respostas tiverem senões ou impactos indesejados,
voltemos ao planejamento e tentemos reverter
tais efeitos negativos.
2- Como nossas ações podem contribuir com o atingimento
de objetivos expressos nos 17 ODS? Há empresas
que só planejam suas ações tendo os ODS como pano
de fundo.
Essa empatia e respeito socioambiental deveriam
ser valores naturais de todos os administradores de
empresas, de instituições e de governos. Aliás, deveriam
fazer parte do pensamento e atitude de cada um de nós.
Já sabemos que os ODS não serão cumpridos até
2030. No meio do caminho apareceram novos conflitos
internacionais, governos negacionistas, xenofobia e intolerância.
Ficamos também um tanto quanto anestesiados pelo
surgimento do conceito de inteligência artificial, atônitos
e impassíveis perante o volume de recursos destinados
à corrida por data centers, novos chips e capacidade
de processamento de dados.
Números estratosféricos que, somados àqueles destinados
à guerra, poderiam ajudar no atingimento dos
ODS, caso tivessem alocação mais nobre.
Temos então apenas cinco anos até 2030. Na questão
ambiental, durante a COP30, realizada no Brasil, tentou-
-se obter um compromisso mais sólido quanto à reversão
das emissões de gases de efeito estufa e uma atualização
das NDCs (Contribuição determinada a cada país
signatário do Acordo de Paris).
Houve um bom número de resoluções e algum avanço,
tratando de uma transição justa e uma adaptação
possível, sem porém tocar no sensível ponto da diminuição
planejada do uso de combustíveis fósseis.
O poderoso lobby da indústria petroleira e a visão
negacionista da maior economia do mundo deixam o
quadro nebuloso, mas devemos acreditar no prevalecimento
do bom senso e nas ações de cada um de nós.
Quero então desejar um 2026 muito positivo para
você, sua família e seus negócios. E que exercitemos
empatia e ativismo por um mundo melhor: no ano que
vem, em 2030 e sempre!
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
14 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
marcas
Uso de IA e narrativas emocionais se
misturam em campanhas deste Natal
Filmes de Coca-Cola e McDonald’s provocam reação do público ao
incorporar inteligência artificial generativa em seus elementos visuais
Reprodução
Desenvolvida com IA generativa dentro da plataforma Real Magic AI, campanha global de Natal da Coca-Cola reacendeu o debate sobre o uso da ferramenta em datas rituais
Vitor Kadooka
O
Natal segue como um dos períodos mais estratégicos
e, em 2025, também mais sensíveis do calendário
publicitário. Com o varejo projetando faturamento
acima de R$ 72 bilhões, segundo estimativa
da Confederação Nacional do Comércio (CNC), marcas
ampliam investimentos em comunicação e ativações
para disputar a atenção em um mercado aquecido. Ao
mesmo tempo, o contexto impõe um desafio adicional:
acertar o tom em uma data de forte carga simbólica,
atravessada por mudanças culturais, novas plataformas
e pela incorporação crescente da inteligência artificial
aos processos criativos.
Para Eliza Casadei, coordenadora de pós-graduação
em comunicação e práticas do consumo da ESPM, o ponto
de partida para entender o Natal contemporâneo é
reconhecer que a data sempre foi marcada por hibridismos.
“Esse imaginário eurocêntrico do Natal — com neve,
frio, lareira — nunca foi uma descrição muito precisa de
como as pessoas vivenciam a data no Brasil”, afirma.
Segundo a pesquisadora, trata-se menos de um retrato
fiel e mais de um arquivo cultural estável, amplamente
reconhecido, que organiza simbolicamente a chegada do
fim do ano. É justamente essa função simbólica que explica
por que o mercado segue recorrendo a esses códigos.
“O comércio tende a repetir esses elementos porque eles
operam como marcadores de ritual coletivo, uma forma
de dizer: ‘chegamos a essa época do ano’”, explica.
Ao mesmo tempo, Eliza observa que muitas marcas
já vêm tensionando esse repertório ao brincar com os
símbolos, como Papais Noéis em contextos tropicais,
misturando referências globais com experiências locais.
Essa leitura dialoga com a pesquisa ‘Natal da genZ:
Afeto, pragmatismo e a reinvenção tropical de um ritual
coletivo’, desenvolvida pelo InstitutoZ, núcleo de pesquisa
da Trope. O estudo aponta que a geração Z vive a data
de forma híbrida, regional e autoral, combinando internet,
tradições familiares, estética periférica, produções
DIY e redes locais.
Nesse contexto de concorrência, a tecnologia passa
a ocupar um papel central na diferenciação das campanhas
— especialmente a inteligência artificial, que ganha
espaço não apenas como ferramenta de produção,
mas como elemento visível.
Neste ano, repetindo os moldes do ano passado, a
Coca-Cola lançou globalmente um comercial de Natal
produzido inteiramente com IA generativa, dentro da
plataforma Real Magic AI. A iniciativa reacendeu discussões
no mercado sobre autenticidade, padronização
estética e governança criativa em campanhas de datas
rituais. O debate ganhou força após casos internacionais,
“O comércio tende a
repetir esses elementos
porque eles operam
como marcadores de
ritual coletivo”
como o do McDonald’s na Holanda, que lançou e retirou
do ar um filme natalino criado com IA após repercussão
negativa do público.
Para a docente, o problema não está na ferramenta,
mas na forma como ela é integrada ao processo criativo.
“Sem um cuidado humano mais atento, ela [IA] tende a
produzir resultados muito padronizados”, avalia. Quando
a narrativa soa genérica, mesmo sendo tecnicamente
bem executada, ela perde força simbólica. “O risco é a
marca deixar de ser reconhecida pelo seu jeito próprio
de falar com as pessoas”, completa.
Parte do mercado tem buscado caminhos intermediários.
Na Perdigão, a inteligência artificial aparece
como ferramenta de experiência e serviço, sem ocupar
o centro da estética da campanha. A marca celebra os 45
16 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Luiz Franco, diretor de marketing e inovação da MBRF
Perdigão celebra os 45 anos do Chester com o filme ‘Como nasce uma tradição’, criado pela AlmapBBDO
anos do Chester com o filme ‘Como nasce uma tradição’,
criado pela AlmapBBDO, que percorre décadas para mostrar
como a ave se tornou parte da memória afetiva das
famílias brasileiras desde 1980.
Segundo Luiz Franco, diretor de marketing e inovação
da MBRF, a campanha busca retratar a construção dessa
tradição ao longo do tempo. “Ao mesmo tempo, acompanhamos
a evolução do comportamento dos consumidores,
cujas celebrações se tornaram mais dinâmicas e se
estendem além da ceia tradicional.”
Em paralelo, a marca ampliou as funcionalidades do
chatbot Perdigão, que passou a utilizar IA generativa
para sugerir pratos personalizados a partir da foto da
geladeira do usuário, além de ferramentas como vídeos
animados ambientados em diferentes décadas, cartões
personalizados e retrospectivas de fim de ano.
A estratégia dialoga com mudanças no comportamento
do consumidor. Dados do Consumer Hub da MBRF
indicam que 40% dos brasileiros participam de encontros
pré-festividades, ampliando o período de celebração
para além da ceia tradicional.
A Elo adota uma lógica semelhante ao incorporar a
40% dos brasileiros
participam de encontros
pré-festividades, diz
Consumer Hub da MBRF
tratar de vínculo, tempo compartilhado e presença.
O Boticário, por sua vez, optou por abordar o bullying familiar
em sua campanha de fim de ano. Criado também pela
AlmapBBDO, o curta-metragem acompanha uma jovem que
revisita, por meio de um álbum de fotos, memórias de críticas
sofridas em encontros familiares durante a data.
A Cacau Show apostou em um filme criado pela LVL.
A campanha constrói uma narrativa ambientada na chamada
‘Mágica fábrica de chocolate’, com personagens
e elementos fantásticos que reforçam o imaginário da
marca. A estratégia se desdobra em veiculações em TV,
digital e redes sociais, além da atuação de influenciadores
para apresentar o portfólio sazonal e ativações
físicas ligadas ao principal elemento narrativo do filme.
Se o debate sobre tecnologia atravessa o Natal de
2025, outra transformação decisiva aparece na forma
como as campanhas são distribuídas, consumidas e
apropriadas pelo público. Plataformas digitais, ritmo de
ativação e participação das comunidades passaram a influenciar
diretamente o desenho das estratégias.
Para Andrea Siqueira, sócia e CCO da Ampfy, a celebração
segue sendo um momento em que as marcas recorinteligência
artificial como apoio de produção, sem deslocar
o foco da narrativa emocional. Desenvolvida pela
AlmapBBDO em parceria com a O2 Filmes, a campanha
da marca utiliza animação com apoio de IA para contar a
história de um porteiro que participa dos bastidores do
Natal de um prédio residencial.
Já a Natura apostou em uma narrativa que ressignifica
o ato de presentear, deslocando o foco do objeto para
a experiência afetiva. Criada pela Africa Creative, a campanha
acompanha a jornada de uma mãe e uma filha
que, diante do cancelamento de um voo às vésperas da
data, transformam o contratempo em um momento de
reconexão. O filme utiliza uma situação cotidiana para
A Reserva retomou ‘Filtro solar’, narrada por Pedro Bial, como convite à pausa em um contexto de estímulos digitais
Joana Bittencourt, diretora de marca da Reserva
jornal propmark - 22 de dezembro de 2025 17
Fotos: Divulgação
Juliana Pileggi Suplicy, chief executive officer da AKM
O Natal do Palácio Avenida, em Curitiba, mantém sua tradição de espetáculo presencial ao reunir projeções
rem à emoção como forma de criar memória, diferenciação
e conversas relevantes. “Natal é aquele momento do
ano em que algumas marcas se lembram que emoção
ajuda a criar mais memórias, diferenciação, conversas, e,
por consequência, atrai mais resultados”, afirma.
Segundo a executiva, marcas com forte sazonalidade,
como Bauducco e Perdigão, trabalham o Natal com antecedência.
“Para alguns dos nossos clientes, o Natal já
começa no meio do ano. Quando Chocottone Bauducco
e Chester aparecem nos supermercados, é sinal de que o
Natal já começou. Para isso acontecer, quem está nos bastidores
começou a trabalhar muitos meses antes”, explica.
Em 2025, os formatos também passaram por ajustes.
A Ampfy observa maior protagonismo do TikTok, que deixou
de ser um território concentrado no público jovem
e passou a alcançar praticamente todas as faixas etárias.
“Estamos vendo o TikTok como um ambiente protagonista
de construção de marca e não mais como um
complemento”, diz Andrea. Isso se reflete em formatos
com forte presença de UGC, colaborações com creators
e ativações pensadas para serem nativas da plataforma,
como o Reality Bauducco Lovers.
“Quando Chocottone e
Chester aparecem nos
supermercados, é sinal
de que o Natal
já começou”
A executiva destaca ainda que a Black Friday se consolidou
como ponto de virada do calendário. O tema natalino
funciona como aquecimento, mas o interesse do
público ganha força após o período promocional, exigindo
planejamento mais preciso do ritmo das campanhas.
Se no ambiente digital o desafio é ritmo e participação,
nas ativações presenciais a discussão passa por escala,
emoção e experiência. Para Juliana Pileggi Suplicy,
CEO da AKM, a tecnologia precisa ser invisível no Natal.
“Estamos falando da data mais aguardada pelos brasileiros,
aquela que mais mexe com o emocional. Quanto
mais a tecnologia potencializar o calor humano que a
data pede, mais êxito teremos”, afirma.
Projetos da AKM como a Árvore de Natal da Coca-Cola
e o Natal do Palácio Avenida realizado pelo Bradesco,
em Curitiba, combinam engenharia, projeção mapeada
e iluminação para criar experiências de grande escala.
No caso da árvore, o desafio envolveu a criação de um
dos maiores carrosséis do mundo, integrado a uma estrutura
de 55 metros de altura e 26 metros de diâmetro.
Já em Curitiba, a complexidade está em manter vivo um
espetáculo com mais de três décadas de história, com
foco em impactar o público presencial e quem acompanha
as apresentações por transmissão ao vivo.
Para a executiva, as pesquisas são claras ao indicar
que a experiência física potencializa as iniciativas digitais.
“Chegamos a um ponto, após a hiperdigitalização,
em que isso ficou evidente. As ativações presenciais são
o ponto focal das estratégias de marca”, afirma.
Nesse contexto, marcas como Bauducco e Disney
concentram sua estratégia no evento ‘Disney celebra:
Um Natal inesquecível’, realizado em Curitiba. A comunicação
se estruturou a partir da ocupação de um espaço
público com ativações, estandes temáticos, exibição de
Criada pela LVL, a campanha da Cacau Show apresenta uma narrativa ambientada na ‘Mágica fábrica de chocolate’
Andrea Siqueira, sócia e chief creative officer da Ampfy
18 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
Na campanha de Natal de 2025, a Hering apostou na releitura de ‘O descobridor dos sete mares’, interpretada por Bruna Marquezine e Seu Jorge em um encontro de gerações
Cena do filme de O Boticário criado pela AlmapBBDO que aborda o bullying familiar em festas de fim de ano
conteúdos, venda de produtos exclusivos e sampling,
além de desdobramentos em plataformas digitais.
Enquanto parte do mercado explora novas ferramentas
e formatos, outras marcas optam por reduzir o protagonismo
da tecnologia para reforçar mensagens de pausa,
afeto e memória cultural. A Reserva retomou ‘Filtro
solar’, narrado por Pedro Bial, como convite à presença
em um mundo dominado por telas, algoritmos e excesso
de estímulos. “A tecnologia pode fazer tudo. Mas só você
pode fazer sentir”, sintetiza a campanha.
Joana Bittencourt, diretora de marca da Reserva, explica:
“Em meio ao avanço da tecnologia e ao excesso de estímulos,
é preciso ousar parar e valorizar o que é real. O Natal
surge como esse espaço simbólico de pausa e encontro”.
A Hering, na mesma lógica de releitura, apostou na
interpretação de ‘O descobridor dos sete mares’, por Bruna
Marquezine e Seu Jorge, como forma de promover um
encontro simbólico entre gerações. Para Fernando Porto,
chief creative officer da marca, a escolha resgata uma
canção icônica da memória afetiva brasileira e a transforma
em uma experiência contemporânea, reforçando
o Natal como momento de união, emoção compartilhada
e brasilidade. “Assim como o símbolo dos dois peixes da
Hering, a campanha fala de encontros, travessias afetivas
e histórias que se conectam ao longo do tempo”, explica.
Entre inteligência artificial, plataformas digitais, experiências
físicas e narrativas afetivas, o Natal de 2025
evidencia menos uma disputa entre tradição e inovação
e mais uma questão de curadoria cultural. Como resume
Eliza Casadei, o Natal sempre foi híbrido e continuará sendo.
O desafio das marcas está em reconhecer esse caráter
múltiplo e construir narrativas que, independentemente
da tecnologia utilizada, permaneçam reconhecíveis, emocionais
e culturalmente situadas entre a população.
Fotos: Divulgação
Fotos: Divulgação
Peça da campanha de Natal criada para a Natura pela Africa Creative
Criada pela AlmapBBDO com a O2 Filmes, a campanha da Elo usa animação com IA
jornal propmark - 22 de dezembro de 2025 19
marcas
Nova flagship do Outback é aposta
da rede para testar formato nas ruas
Claudia Vilhena, nova VP de marketing e vendas da Bold Hospitality
Company, fala sobre a unidade e as prioridades para o ano de 2026
Adrieny Magalhães
Localizada na Rua Heitor Penteado, em São Paulo, unidade do Outback passa a funcionar como espaço de testes
“O restaurante não é
só o lugar da refeição,
mas da experiência
e do encontro”
Claudia Vilhena: estratégia e planejamento para 2026
Fotos: Divulgação
Com cerca de três meses no cargo, Claudia Vilhena
assume a vice-presidência de marketing e vendas
da Bold Hospitality Company em um momento de
reorganização da estratégia do Outback no Brasil. A
chegada da executiva coincide com a abertura da unidade
da Rua Heitor Penteado, em São Paulo, que passa
a integrar o planejamento da marca como um espaço
voltado a testes de produto e experiência.
A operação marca uma mudança em relação ao
modelo predominante da rede no país, historicamente
concentrado em shoppings. Fora desse ambiente,
a unidade foi concebida para permitir leituras mais
amplas sobre comportamento de consumo e uso do
espaço físico. “A gente entendia que São Paulo pedia
uma operação nesse formato, em uma loja de rua, em
um bairro com fluxo e que fizesse sentido para a nossa
presença”, afirma Claudia.
Para a executiva, “quando você sai do shopping, entram
outras variáveis na equação, como entorno, mobilidade
e perfil de circulação”. A escolha do endereço
levou em conta acesso por transporte público, circulação
de pedestres e estrutura para quem chega de carro.
Decisões sobre estacionamento, valet e integração com
o bairro passaram a fazer parte da discussão estratégica
desde o início do projeto. “Esse olhar é fundamental
quando a operação está inserida na dinâmica da cidade.”
A concepção do restaurante partiu de elementos já
associados ao posicionamento do Outback, como consumo
em grupo e ocasiões coletivas, mas com maior
flexibilidade de uso. A unidade inclui espaço destinado
a crianças, área para eventos e um cardápio com opções
pensadas para compartilhamento. “A ideia foi organizar
o espaço para diferentes momentos de consumo, entendendo
como as pessoas usam o restaurante ao longo do
dia”, explica Claudia.
No campo da comunicação, a inauguração exigiu coordenação
entre diferentes frentes. A estratégia combinou
mídia out of home, rádio, ações digitais e cobertura
nas redes sociais. “O desafio era traduzir uma experiência
ampla em formatos de comunicação curtos, especialmente
no ambiente digital”, diz a executiva. A abertura
contou com uma live comandada por Thiago Abravanel,
além da participação de creators e convidados. A campanha
foi desenvolvida em parceria com a Ampfy, agência
que atende o Outback.
Segundo Claudia, a construção envolveu trabalho
conjunto entre agência e equipe interna. “Foi uma inauguração
que mobilizou muita gente. A gente trabalhou
com a Ampfy na estratégia de comunicação, contou com
parceiros para o evento e teve um envolvimento grande
do time interno, desde o planejamento até a execução”,
afirma. “Por ser uma flagship com características diferentes,
o nível de detalhamento foi maior.”
A unidade da Rua Heitor Penteado passa a ser tratada
como um ponto recorrente de experimentação. “Ela vai
funcionar como um espaço de testes”, afirma a VP. Entre
os usos previstos estão pilotos de novos produtos, ativações,
formatos de eventos e diferentes formas de ocupação
do espaço. “A gente testa, acompanha a resposta
do público e, se fizer sentido, leva para outras unidades”.
Esse movimento acompanha mudanças mais amplas no
varejo alimentar, marcadas pela expansão do delivery e
pela transformação do papel do restaurante físico. “Hoje,
o espaço precisa justificar a visita. Ele precisa oferecer
um motivo claro para a presença do cliente”, diz a executiva.
“O restaurante não é só o lugar da refeição, mas da
experiência e do encontro.”
No planejamento para 2026, Claudia aponta como
prioridades o avanço em inteligência de dados, CRM e
personalização da comunicação. “O foco é entender melhor
os comportamentos e as necessidades dos clientes
de forma mais individual, usando dados para apoiar decisões”,
afirma. O calendário do próximo ano, que inclui
a Copa do Mundo, também entra no radar de ações da
marca. Além do Outback, as demais marcas do grupo
— Abbraccio e Aussie — fazem parte do planejamento
estratégico. Claudia explica que cada uma deve seguir
a própria lógica de crescimento e comunicação, respeitando
o perfil de público e o estágio de maturidade de
cada operação.
20 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
marcas
Para celebrar 34 anos, Beto Carrero terá
espaço dedicado à Galinha Pintadinha
Com estreia prevista para 2026, a área promete reunir brinquedos,
shows exclusivos e uma loja oficial da personagem que viralizou
Bruna Nunes
– de Santa Catarina
No último dia 12, o Beto Carrero
World completou 34 anos. Consolidado
como o maior parque temático
da América Latina e um dos destinos
turísticos mais visitados do Brasil,
o empreendimento inaugurado em 1991
reúne atualmente dez áreas temáticas
e mais de cem atrações, entre brinquedos,
experiências imersivas e espetáculos
artísticos.
O parque, localizado em Penha, no
litoral norte de Santa Catarina, mantém
um portfólio de parcerias nacionais e internacionais
com marcas como Hasbro,
DreamWorks Animation, Paramount e
Mattel, movimento que tem orientado
a expansão de suas áreas temáticas e o
desenvolvimento de novas experiências
para diferentes perfis de público. Agora,
as colaborações ganharam um novo
capítulo: uma parceria com a Galinha
Pintadinha. O propmark esteve em Santa
Catarina para acompanhar de perto
as ações para os 34 anos do parque e a
apresentação oficial do novo projeto.
Galinha pintadinha
Anunciada como parte das celebrações
do aniversário, a chegada da Galinha
Pintadinha ao Beto Carrero está
prevista para 2026 e envolve a criação
de um espaço dedicado ao universo da
personagem. A futura área promete reunir
brinquedos, espaços para fotos com
personagens, shows exclusivos e uma
loja oficial, com dedicação especial para
crianças mais novas.
“Estamos cada vez mais investindo
em atrações que celebrem a família e
criem memórias afetivas inesquecíveis. A
Galinha Pintadinha faz parte da infância
de milhões de crianças e agora elas vão
poder viver essa experiência em forma
real, praticamente entrando no mundo
do desenho. É um projeto inovador e
mágico, pensado especialmente para os
pequenos e para todos os fãs da Galinha
Pintadinha”, afirma Alex Murad, CEO do
Beto Carrero World.
Ao propmark, o executivo explica que
a parceria também dialoga com o posicionamento
do parque no cenário internacional.
“Eu acho que essas duas marcas
conseguiram quebrar uma barreira,
que é de ser um produto reconhecido
nacionalmente e explodir internacionalmente”,
diz ele.
“O Parque Beto Carrero é muito respeitado
na América Latina, em qualquer
roda que a gente for conversar com
grandes players, como o Universal ou
qualquer outro parque, eles olham o
nosso case com muita satisfação de tudo
que a gente tem feito aqui. E a Galinha é
a mesma coisa”, continua Murad.
do diGital ao físico
Criada por Juliano Prado e Marcos Luporini,
a Galinha Pintadinha é hoje um
dos maiores fenômenos infantis do país
e da internet, com mais de 65 milhões de
inscritos em seus canais no YouTube e
cerca de 15 milhões de visualizações diárias.
O conteúdo soma ainda mais de 380
milhões de streams e 22 milhões de downloads
do aplicativo oficial, disponível
em 193 países. Para os criadores, a parceria
representa a ampliação da presença
da marca para além do ambiente digital.
“A gente começou totalmente digital
mesmo, no YouTube. E eu lembro quando
a gente fez nosso primeiro show ao
Guma Miranda/Divulgação Beto Carrero
Juliano Prado, Alex Murad e Marcos Luporini no anúncio sobre a parceria do parque
“Somos uma
empresa
apaixonada”
vivo, que a gente teve a sensação de que
aquelas pessoas que eram só números,
views, estavam ali juntas, com a família.
São dois mundos que se completam, a TV
de casa, o cantinho com a família, e os
lugares onde você pode estar fisicamente
junto com as pessoas. Aqui, então, que
vai ser um parque de diversões, vai ser
perfeito”, comenta Juliano Prado.
Murad também acredita no potencial
de parques temáticos como uma ponte
para ajudar na contenção do uso de telas.
“E é muito importante realmente tirar
essa geração nova um pouquinho de
dentro de casa para vivenciar momentos
lindos e maravilhosos que vão ficar para
o resto da vida marcados”, declarou ele.
A estratégia digital da Galinha Pintadinha,
viral nas redes sociais e conhecida
por acompanhar as ‘trends’ do momento,
sempre foi pensada com cautela, explica
Marcos Luporini. Ele classifica a decisão
como um movimento “corajoso”, por se
tratar de um conteúdo voltado ao público
infantil. O executivo também ressalta
a separação entre o público-alvo das
produções, no caso, as crianças, e os seguidores
nas redes sociais, que são em
sua maioria pais e responsáveis, além de
pessoas que cresceram acompanhando
a personagem.
“Foi um ato corajoso da nossa parte
liberar o conteúdo dessa forma. Poderia
ter dado errado, mas deu certo. A gente
acredita muito nessa separação, as crianças
que assistem à Galinha Pintadinha
não estão nas redes sociais. Mas muitos
cresceram com a Galinha, estão tendo filhos,
e hoje a comunicação também fala
com os pais”, explica.
novos projetos
Desde a pandemia, o Beto Carrero
mantém um ritmo contínuo de investimentos
e lançamentos. Segundo o CEO,
logo após o período mais crítico, o parque
inaugurou a área temática da Nerf e
um novo espetáculo, ‘No ritmo de Trolls’.
“A gente não parou de lá para cá, estávamos
em construção e a gente continuou
construindo”, relata o executivo.
A nova área faz parte de um conjunto
de projetos em desenvolvimento pelo
Beto Carrero World para os próximos
anos. Segundo a direção do parque, há
pelo menos duas áreas temáticas em
fase de planejamento, ainda sem divulgação.
“A gente acabou de inaugurar
também o ‘Turbo drive’ dentro da área do
Hot Wheels e está anunciando essa parceria
com a Galinha. Então, nós não paramos.
Os próximos anos sempre vão ser
assim, nesse ritmo acelerado, para cada
vez consolidar mais o Beto Carrero como
um grande destino”, comenta.
Questionado sobre o pilar essencial
para o marco de 34 anos do parque, Alex
Murad declara: “Paixão. Somos uma empresa
apaixonada. A gente quer fazer o
produto crescer”.
jornal propmark - 22 de dezembro de 2025 21
marcas
Especial ‘Feito de Fernandas’ une Itaú,
Globo e Africa em ação de fim de ano
Rebeca Andrade, Boca Rosa, Casimiro e Chitãozinho & Xororó estão
entre os participantes da série, que fala sobre bem-estar financeiro
As atrizes Fernanda Montenegro e
Fernanda Torres, únicas brasileiras
indicadas ao Oscar de Melhor
Atriz, estão no especial ‘Feito de Fernandas’,
criado pelo Itaú Unibanco em
parceria com a Africa Creative, e exibido
pela Globo no dia 19 de novembro.
Mãe e filha falam sobre memórias e
experiências que devem ser guardadas
para o futuro. Pela primeira vez, foi utilizado
um formato audiovisual com duração
de 20 minutos para o diálogo, que convida
os brasileiros a refletir sobre o respeito
ao dinheiro. A campanha de fim de ano do
banco foi gravada no Rio de Janeiro.
Criada e apresentada por Fernanda
Torres, com direção de Andrucha Waddington,
a série propõe uma quebra de
paradigma ao falar sobre dinheiro com
mais intimidade, leveza e protagonismo.
O projeto faz parte da estratégia do Itaú
de se consolidar como referência em
Renato Rocha Miranda/Divulgação Globo
Fernanda Torres e Fernanda Montenegro em cena do especial ‘Feito de Fernandas’
bem-estar financeiro a partir de soluções
seguras, acessíveis e personalizadas.
A cada episódio, Fernanda conversará
com um convidado sobre o papel do
dinheiro em momentos importantes. Rebeca
Andrade, Boca Rosa, Casimiro, Luiz
Fernando, Chitãozinho & Xororó e Adênia
estão entre os participantes.
No fim de 2024, o Itaú promoveu um
encontro entre Fernanda Montenegro,
Fernanda Torres e a ginasta Rebeca Andrade
para celebrar as emoções humanas
em um mundo cada vez influenciado
pela inteligência artificial.
Fernanda Torres respondeu à pergunta
“Como é sentir saudades?”, enquanto
Rebeca Andrade explicou “Por
que as pessoas gritam quando vencem
um desafio?”. Já a questão de Fernanda
Montenegro era “Como é falar tudo, mas
não dizer nada?”. Ela terminava com um
sorriso silencioso.
Ação de remarketing de Omo brinca com
teoria do celular que ‘ouve’ o seu dono
Campanha criada pela Droga5 com estratégia da Cadastra promove a
vertente ‘Ciclo rápido’, produto lançado em julho pela marca da Unilever
Campanha de remarketing criada pela Droga5 para
Omo brinca com a suspeita de que os celulares
podem “ouvir” os seus donos para promover a vertente
‘Ciclo rápido’, produto lançado em julho.
Consumidores que interagiram com a marca da Unilever
nas redes sociais por meio de posts proprietários
ou conteúdos desenvolvidos pelo squad de influenciadores
ganharam cupons.
Os seguidores precisavam falar rapidamente o nome
do produto três vezes e “pedir” para seus celulares descontos
de Omo Ciclo Rápido. A ação considerou ofertas
do tipo ‘Leve 2 Pague 1’ no iFood, válidas até o dia 18 de
dezembro ou até a duração dos estoques.
“Estamos muito felizes com o lançamento desta
campanha divertida e inovadora. Quem nunca se pegou
comentando sobre algum assunto ou produto e logo
depois se deparou com um anúncio sobre o mesmo
tema?”, comenta Mayara Aliprandi, gerente de marketing
na Unilever. Thais Linares, Paulo André e Diego Cruz
estão entre os influenciadores “testando” a teoria.
Peça da campanha que incentiva os consumidores a falar o nome da marca em troca de cupons com descontos
A agência Cadastra assina o plano de remarketing,
cujo objetivo é reimpactar consumidores que já interagiram
com a marca nas redes sociais, mas que ainda não
converteram a compra.
“Produzir uma estratégia de marketing que faz parte
das conversas dos brasileiros e criar uma campanha em
Divulgação
que o público se identifica sempre será nosso objetivo.
Em Omo entendemos que para nos conectarmos com os
consumidores precisamos fazer parte de movimentos
culturais relevantes que estão no dia a dia dos brasileiros,
só assim conseguimos mostrar o valor de marca e
converter em vendas de produtos”, afirma Mayara.
22 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
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agências
Agendas sociais e culturais pautam
campanhas emblemáticas em 2025
Racismo, bullying, causa animal, saúde mental, uso consciente da
tecnologia e cultura popular apareceram de forma recorrente na
comunicação das marcas e nos trabalhos indicados pelas agências
Bruna Nunes
Em 2025, campanhas se destacam
ao abordarem temas sociais
e culturais. Racismo, bullying,
causa animal, saúde mental e o uso
consciente da tecnologia apareceram
de forma recorrente na comunicação
das marcas ao longo do ano, e nos
trabalhos indicados pelas próprias
agências, a convite do propmark. As
escolhas dialogam diretamente com
o desempenho brasileiro em festivais
internacionais. O projeto ‘Uma
BIC, um livro, dois clássicos’, da VML,
por exemplo, conquistou Leões no
Cannes Lions 2025 e um Gran Ojo no El
Ojo, enquanto ‘A mancha invisível’, da
BETC Havas para Vanish, esteve entre
as duas únicas campanhas brasileiras
premiadas na categoria Film em Cannes,
além de reconhecimentos no El
Cases brasileiros
foram destaque
em festivais como
Cannes Lions
e El Ojo
Ojo. Já ‘Pedigree Caramelo’, criada pela
AlmapBBDO, percorreu o circuito internacional
com prêmios em Cannes,
incluindo o The Dan Wieden Titanium,
ganhou destaque no El Ojo e foi eleita
a Campanha do Ano no Prêmio Melhores
do propmark por votação popular.
A Artplan completa esse recorte com
‘Nigrum corpus’, projeto desenvolvido
para o Idomed e Instituto Yduqs, que
conquistou GP em Cannes e no El Ojo.
‘Corredor em perigo’
– Lew’Lara\TBWA para Alma
Preta Jornalismo: A campanha
partiu de uma ação simbólica ao
convidar o atleta Weslley Caitano
a correr vestindo um colete à
prova de balas, evidenciando a
insegurança vivida por corredores
negros no espaço urbano. O
projeto buscou chamar a atenção
para o racismo no esporte e
ampliar o debate público sobre
segurança e acesso, usando um
recurso visual direto para provocar
reflexão e mobilização social.
‘Para não esquecer’
– Lovely para Bradesco:
A campanha de fim de ano
do Bradesco contou com a
participação de Macaulay Culkin
como fio condutor de uma narrativa
voltada à memória afetiva e às
relações humanas. Com o mote
‘Para não esquecer’, o filme buscou
estabelecer conexões emocionais ao
convidar o público a refletir sobre
o que deve ser levado adiante na
transição para 2026, alinhando a
comunicação ao posicionamento
institucional do banco.
24 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
‘Nigrum corpus’
– Artplan para Idomed e
Instituto Yduqs: O projeto
resultou no lançamento do livro
‘Nigrum corpus’, que propõe um
diálogo entre a formação médica
e a questão racial ao reunir relatos
de pacientes e dados sobre como o
racismo interfere em diagnósticos,
tratamentos e decisões clínicas.
A iniciativa também ganhou um
curta-metragem, ‘Corpo preto’,
que acompanha a experiência
de um paciente negro diante da
negligência médica.
‘Uma BIC, um livro, dois
clássicos’
– VML para BIC: Criada para
celebrar os 75 anos da BIC Cristal, a
ação utilizou inteligência artificial
e robótica para reescrever o
romance clássico ‘Romeu e Julieta’
na caligrafia atribuída a William
Shakespeare, usando uma única
caneta da marca, com o objetivo
de mostrar sua durabilidade. O
projeto passou por uma validação
técnica, que resultou na doação do
livro ao Real Gabinete Português
de Leitura, no Rio de Janeiro.
‘A vida tem dias e dias’
– DPZ para Electrolux: Com o
mote ‘A vida tem dias e dias. Para
todos eles, Electrolux’, a campanha
explora situações cotidianas para
mostrar a presença da marca na
rotina doméstica. Além da peça de
90 segundos, a estratégia incluiu
conteúdos complementares além
de desdobramentos on e offline
com ativações digitais, mídia out
of home, redes sociais e ações nos
pontos de venda. Comunicação
foi realizada em parceria com as
agências Live e InPress.
jornal propmark - 22 de dezembro de 2025 25
‘Você merece uma Eisen’
– Ogilvy para Eisenbahn: A ação
reforçou um novo posicionamento
da marca, com foco em trajetórias
pessoais e conquistas individuais.
A campanha foi lançada
com presença em TV aberta,
plataformas digitais e ativações
ligadas à música e festivais,
integrando o reposicionamento
da marca a um plano ampliado de
investimentos em comunicação
e experiências ao longo de 2025,
como o patrocínio master e
estante no The Town 2025.
‘Chevrolet Tracker Caramelo’
– WMcCann para Chevrolet:
A campanha transformou o
patrocínio da Chevrolet ao filme
‘Caramelo’, da Netflix, em uma
ação colaborativa com tutores
de pets, a partir do envio de
mais de 22 mil imagens de cães,
com o objetivo de criar uma cor
exclusiva para o Chevrolet Tracker.
Posteriormente, o veículo foi
leiloado para arrecadar recursos
destinados ao Instituto Caramelo.
Os lances somaram R$ 253 mil
para a ONG.
‘Pedigree Caramelo’
– AlmapBBDO para Pedigree:
A campanha colocou o viralata
caramelo no centro da
comunicação para incentivar
a adoção responsável e
discutir o abandono de cães
sem raça definida. O projeto
reuniu filme publicitário, ações
com influenciadores, eventos
presenciais e iniciativas como
pesquisas genéticas e embalagens
especiais, consolidando-se como
um movimento de longo prazo
da marca.
26 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
‘Ainda estamos aqui’
– David para Heinz: Apostando
no humor, e inspirada em um
hábito dos lares brasileiros, a
ação brincou com os sachês de
ketchup esquecidos na geladeira
dos consumidores e dialogou com
o período do Oscar. O mote ‘Ainda
estamos aqui’ faz referência ao
título da produção brasileira ‘Ainda
estou aqui’, vencedora de uma
estatueta de filme internacional.
Com peças para TV e redes sociais,
a ação marcou o início da parceria
da marca com a agência.
‘É tempo de mudar seu tempo
com o celular’
– Africa Creative para Vivo:
Lançada no início do ano, a
campanha convidou o público a
refletir sobre o uso excessivo do
celular e seus impactos na saúde
mental. A peça retrata como uma
jovem está imersa em seu celular,
sem perceber que está sendo
dominada pelo mundo online. A
trilha sonora traz uma versão da
música ‘Jealousy, jealousy’, de Olivia
Rodrigo, escolhida pela conexão da
cantora com a geração Z.
‘A mancha invisível’
– BETC Havas para Vanish/
Reckitt: Com foco no bullying
escolar, a campanha usou o
uniforme de uma criança como
metáfora para tratar de marcas
emocionais que não podem ser
removidas apenas com produtos,
mas sim com diálogo e amor.
A ação se desdobrou em filme,
livro e debates institucionais,
com reconhecimento do Fórum
Mundial Anti-Bullying. A peça foi
produzida pela Vetor Zero, em
parceria com a Abrace - Programas
Preventivos.
jornal propmark - 22 de dezembro de 2025 27
agências
Hogarth avança no uso de IA e aplica
modelo em nova campanha da LG
Projeto desenvolvido com a tecnologia combina criação, produção e
cuidados jurídicos em um cenário regulatório ainda indefinido no Brasil
Adrieny Magalhães
O
uso de inteligência artificial na
propaganda deixou de ser apenas
um experimento pontual para se
tornar tema recorrente nas rodas de
publicitários. Ainda assim, sua aplicação
em campanhas de grande escala segue
cercada por dúvidas técnicas, jurídicas
e estratégicas. É nesse contexto que a
Hogarth Brasil lança uma campanha da
LG desenvolvida majoritariamente com
IA, reunindo criação e produção em um
mesmo processo.
Em entrevista ao propmark, Rafael
Nasser, diretor-geral da Hogarth Brasil,
conta que a iniciativa surgiu a partir do
interesse da LG em compreender, de
forma estruturada, o que a tecnologia
permite hoje e quais são seus limites no
mercado brasileiro. “Todos os clientes
querem testar IA, mas o ponto central
é como fazer isso sem expor a marca a
riscos”, afirma.
O filme utiliza inteligência artificial
para construir personagens, cenários e
narrativa, mas adota soluções híbridas
em etapas que exigem precisão técnica.
Os produtos da LG, como televisores
e aparelhos de ar-condicionado, foram
desenvolvidos em 3D e integrados aos
ambientes gerados por IA. A decisão, segundo
Nasser, está ligada à necessidade
de manter medidas e características exatas
dos equipamentos.
Outro ponto sensível do projeto foi o
uso de pessoas geradas por IA. Em um
país que ainda não conta com legislação
específica sobre o tema, a Hogarth
optou por um modelo de casting híbrido:
atores reais foram contratados,
fotografados e tiveram seus direitos
de imagem adquiridos antes de serem
transformados em versões digitais.
“Sem esse cuidado, é difícil provar que
uma imagem não viola direitos de terceiros”,
diz o executivo.
A campanha acompanha a rotina de
uma personagem ao longo do dia, destacando
o uso dos produtos da LG em
diferentes momentos. A proposta foi
construir uma peça que se comportasse
como um comercial convencional. “O
desafio é que a tecnologia não chame
Frame da campanha da LG desenvolvida pela Hogarth Brasil com uso de inteligência artificial em etapas de criação e produção
Rafael Nasser: uso de IA na publicidade, governança e novos modelos de produção
mais atenção do que a própria marca”,
explica Nasser.
Do ponto de vista operacional, a IA
trouxe ganhos relevantes de velocidade.
Mantendo etapas tradicionais como
storyboard, animação e aprovações, o
processo foi encurtado. Ajustes de cenário,
enquadramento e ambientação
puderam ser feitos com mais rapidez e
“O ponto central
é como usar a
IA sem expor a
marca a riscos”
Fotos: Divulgação
maior nível de visualização prévia. “Antes,
muitas decisões eram tomadas com
base em esboços. Agora, o cliente consegue
ver praticamente o resultado final
desde cedo”, afirma.
Apesar da percepção de que a IA reduz
custos, Nasser ressalta que, neste
momento, os valores ainda são próximos
aos de uma produção tradicional.
Plataformas com tecnologia de ponta,
contratos de licenciamento e camadas
adicionais de governança fazem parte do
orçamento. “Não é o mesmo que usar ferramentas
abertas ou versões domésticas
de IA. Para publicidade, o nível de exigência
é outro”, diz.
Para o executivo, a inteligência artificial
tende a ganhar relevância sobretudo
em projetos que exigem escala, personalização
e respostas rápidas, especialmente
em mídia digital e performance.
Ao mesmo tempo, ele avalia que o uso
da tecnologia precisa considerar o perfil
e a identidade de cada marca. “Nem toda
comunicação comporta esse tipo de linguagem.
Se houver distanciamento com
o público, o efeito pode ser o oposto do
esperado”, conclui.
28 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
mídia
SBT News estreia com cerimônia na sede
da emissora e repercussão do público
Canal completa uma semana no ar com nove patrocinadores, grade
ao vivo e resposta pública da direção após críticas nas redes sociais
Vitor Kadooka
O
SBT News completa uma semana
de transmissão nesta segunda-
-feira (22), marco que também
consolida a sequência de repercussões
desde a cerimônia de lançamento realizada
em 12 de dezembro, na sede do SBT,
em Osasco (SP).
A operação multiplataforma integra
TV aberta, TV por assinatura, streaming
gratuito e ambiente digital, e chega ao
mercado com nove patrocinadores iniciais:
JBS, Havan, EMS, Gerdau, TIM, Amil,
BYD, BTG Pactual e Cedro.
Fernando Fischer, superintendente
de negócios e comercialização do SBT,
afirmou que “a qualificação do SBT News
vem com uma concentração maior no
público AB, que o SBT já atinge, mas não
de forma tão concentrada”. Isso, segundo
ele, amplia o arco de anunciantes, que
passam a contar com essa fortaleza que
o ‘News’ traz.
Durante o evento de lançamento, Daniela
Abravanel Beyruti, presidente da
emissora, disse: “Estamos comprometidos
em entregar um jornalismo com qualidade,
responsabilidade, imparcialidade,
excelência e veracidade”.
Na sequência, Renata Abravanel,
presidente do conselho do Grupo Silvio
Santos, ratificou a mensagem. “Hoje,
não inauguramos apenas um canal de
notícias, mas reforçamos nosso compromisso
com o público, um pacto com
o país e uma promessa com o futuro,
porque o Brasil que queremos construir
depende disso, depende profundamente
da qualidade da informação que compartilhamos,
da responsabilidade com que
narramos os fatos e com a coragem que
buscamos a verdade.”
Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações,
responsável pela implementação
do SBT News, também discursou. “O SBT
News não tem partido, não tem lado. E a
presença de vocês mostra isso. O lado do
SBT será o Brasil.”
PROGRAMAÇÃO
A grade do canal prevê mais de 20
horas diárias de programação ao vivo. Os
telejornais começam às 6h, com ‘News
Daniela Abravanel Beyruti, presidente do SBT, discursa em evento de lançamento do SBT News, no Centro de Televisão Anhanguera
Primeira Edição’, seguido por ‘News Manhã’
(8h). Às 11h, entra ‘Radar News’, seguido
por ‘Central de Notícias’ (13h30).
A programação continua com ‘Poder Expresso’
(16h), ‘Jornal do SBT News’ (18h30)
e ‘News Noite’ (20h30). Entre os nomes
anunciados estão Raquel Landim, Basília
Rodrigues, Amanda Klein, Celso Freitas,
Leandro Magalhães, Camila Mattoso e
Sydney Rezende.
Entre os programas confirmados está
‘De Frente com o CEO’, apresentado pela
jornalista Layane Serrano, fruto de parceria
entre SBT e Exame. Pelo acordo, a Exame
passará a distribuir conteúdos produzidos
pelo canal em seu site, enquanto o
canal exibirá conteúdos da Exame tanto
em seu novo portal quanto na TV.
“Estamos
comprometidos
em entregar um
jornalismo com
qualidade”
Alê Oliveira
RePeRcussÃO
A cerimônia contou com a presença
de autoridades como o presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva; a primeira-dama,
Janja da Silva; o vice-presidente,
Geraldo Alckmin; o governador de São
Paulo, Tarcísio de Freitas; o prefeito da
capital, Ricardo Nunes; e o vice-presidente
do Supremo Tribunal Federal, Alexandre
de Moraes. No palco, Tarcísio afirmou:
“Ganhamos mais um canal de jornalismo
em um momento de polarização acirrada
e afetiva, em que as pessoas às vezes
se odeiam por pensar diferente”, disse.
O presidente da República, por sua vez,
declarou: “A imprensa só é útil se ela for
livre. Se for partidária, se for ideologizada,
ela não cumpre o papel de informar
a sociedade”.
Três dias depois do lançamento, o
cantor Zezé Di Camargo publicou um vídeo
no Instagram com críticas à família
Abravanel devido à presença de autoridades
políticas no evento e pediu que
um especial de Natal gravado por ele
para a emissora não fosse exibido. Dois
dias depois, o artista emitiu uma nota
de esclarecimento afirmando que “em
nenhum momento houve a intenção
de desrespeitar as mulheres da família
Abravanel ou qualquer mulher”.
Em resposta, Daniela Abravanel
Beyruti divulgou uma carta aberta em
defesa da proposta editorial do SBT
News. “Queremos entregar ao Brasil um
jornalismo confiável, sem partido, sem
lado. Um jornalismo que não terá viés,
não terá algoritmo, não provocará divisão
e raiva entre as partes”, dizia a carta.
Posteriormente, foi noticiado que
o especial citado não iria ao ar e seria
substituído por episódios do seriado mexicano
‘Chaves’.
jornal propmark - 22 de dezembro de 2025 29
mídia
‘Mudança deixou de ser algo pontual’
Manuel Falcão, diretor de marca e
comunicação da Globo, esteve à
frente da construção da narrativa
que conduziu as celebrações do
centenário da empresa. O projeto
foi pensado como uma plataforma
contínua de comunicação, capaz
de articular legado, presente e
futuro em diferentes frentes da
companhia. Ao integrar produtos,
talentos e públicos sob uma
mesma ideia de marca, a Globo
transformou a comemoração
em um exercício de parceria e
reinvenção. Falcão detalha como
essa estratégia foi estruturada e os
caminhos que se desenham para
a comunicação em um cenário de
transformação permanente.
Globo/João Cotta
Manuel Falcão: fluxo constante sustenta inovação, relevância e viabilidade financeira
Adrieny Magalhães
ConCeito
A campanha foi estruturada, acima de
tudo, numa ideia de Globo. Mais do que
um produto, um veículo ou uma plataforma
específica, estávamos comemorando
100 anos de uma empresa capaz
de criar conteúdo relevante, que gera
conversa, que modela e é modelada pela
sociedade. Desde sempre, essa construção
passa por três pilares importantes:
jornalismo, entretenimento e esporte. A
Globo nasceu como jornal, depois virou
editora, rádio, televisão, canais, plataformas
digitais e streaming, mas sempre
com a mesma lógica: entregar conteúdo
relevante onde as pessoas estiverem e
da forma como quiserem consumir. Foi a
partir dessa visão de empresa — e não de
produto — que decidimos que 2025 precisava
ser um ano especial.
estratégia
Desde o início, entendemos que não
faria sentido concentrar a celebração em
um único momento. A decisão foi construir
uma campanha always on, falando
de 100 anos o tempo inteiro, com diferentes
protagonistas ao longo do calendário.
Abrimos com uma grande campanha institucional,
usando o jornalismo, grandes
entrevistas e todos os nossos produtos
para apresentar o conceito dos 100 anos.
Ao longo do ano, esse protagonismo foi
se deslocando, celebramos os 60 anos
da TV Globo com um grande show, avançamos
para documentários e conteúdos
especiais sobre os 100 anos do jornal,
voltamos a falar da marca Globo com
um olhar mais prospectivo e encerramos
com os 10 anos do Globoplay. Tudo isso
dialogando com públicos distintos — parceiros,
anunciantes, agências, colaboradores,
governo e consumidores — em
diferentes espaços e formatos.
“O papel da Globo
no ecossistema
publicitário
sempre foi o
de parceria”
dos, em que publicidade e conteúdo não
estão separados. Não é apenas branded
content. É criar coletivos, redes de histórias
contadas em vários momentos,
plataformas e linguagens. Casos como
o ‘BBB’ e novelas mostram que hoje não
se trata apenas de falar, mas de também
escutar e conversar. Esse modelo exige
mais agilidade, mais coragem e, principalmente,
parceria de verdade.
transFormação
Mudança deixou de ser algo pontual
e passou a ser um estado permanente.
A transformação faz parte da indústria
audiovisual e da forma como produzimos,
distribuímos, monetizamos e consumimos
conteúdo. A única maneira de
PubliCidade
O papel da Globo no ecossistema publicitário
sempre foi o de parceria. A gente
acredita que só ganha se todo mundo
ganhar. A Globo cresce quando a sociedade
brasileira cresce, quando os anunciantes
vão bem e quando as agências conseguem
criar soluções relevantes. Cada vez
mais, trabalhamos com modelos integralidar
com isso é trabalhar em rede, com
objetivos comuns e clareza de direção.
A Globo tem a vantagem de possuir um
ecossistema robusto, capaz de testar,
escalar e circular talentos e formatos
entre plataformas. Produtos que nascem
na TV por assinatura, no streaming ou no
digital podem ganhar novas camadas em
outros ambientes. Esse fluxo constante
sustenta inovação, relevância e viabilidade
financeira.
Futuro
O próximo ciclo será marcado por
desafios importantes. 2026 reúne grandes
eventos, como Copa do Mundo e
eleições, além do avanço acelerado da
inteligência artificial. A tecnologia traz
oportunidades, mas também questões
centrais sobre ética, regulamentação e
credibilidade da informação. Existe hoje
uma assimetria entre ambientes regulados
e não regulados, e encontrar regras
comuns será fundamental. A Globo está
acostumada a esses momentos de maior
tensão e responsabilidade, porque sempre
esteve profundamente conectada ao
Brasil e às transformações da sociedade.
30 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
pesquisas
Anúncios atraem 53% dos donos de
Smart TVs da Samsung durante Mundial
Mapeamento considerou mais de 23,4 milhões de aparelhos para
entender o consumo de conteúdo sobre esportes nas CTVs da marca
Estudo da Samsung Ads, braço de
publicidade em Smart TVs da Samsung
Electronics, mostra que 93%
dos espectadores da marca assistirão
aos jogos da Copa do Mundo - que ocorrerá
entre os dias 11 de junho e 19 de
julho de 2026 nos Estados Unidos, Canadá
e México - em suas TVs conectadas
(CTVs), e 77% acompanharão todas as
fases do campeonato.
A pesquisa está baseada em dados
proprietários da Samsung Ads Brasil em
mais de 23,4 milhões de Smart TVs ativas
e conectadas em setembro de 2025 com
média de quatro pessoas por aparelho.
Considera ainda estudos sobre consumo
de CTV da Comscore, com três mil respondentes
no Brasil, de outubro de 2024;
pesquisa da marca junto ao Offerwise
sobre consumo de futebol em Smart TVs
em 2025; e dados da empresa, de dezembro
de 2024.
Imperdível para 90% da amostra e
paixão nacional para 86%, o Mundial motiva
a compra de novas Smart TVs, a contratação
de serviços de streaming ou TV
por assinatura (53%). Os canais lineares
tradicionais de TV detêm a preferência
de 93% dos torcedores, enquanto 70%
planejam assistir aos jogos por meio de
aplicativos de streaming. Anúncios são
percebidos por 53% dos torcedores antes
de jogos da Copa, e por 50% depois.
Emoção, identificação com o torcedor
e símbolos culturais do país são os principais
pontos de atração, reforçados por
imagens de ex-jogadores da seleção. Já
o engajamento é favorecido quando há
ofertas exclusivas de produtos e serviços
relacionados ao Mundial; conteúdos
interativos (jogos, quizzes, enquetes);
materiais exclusivos e de bastidores; e
campanhas com causas sociais ou ligadas
ao esporte.
A criatividade ajuda a reforçar o recall
(38%), que é amplificado no Mundial, juntamente
com índices de coviewing - duas
vezes maior do que a média nacional. Os
torcedores se lembram 2,5 vezes mais
de campanhas criativas e há 25% mais
atenção da audiência. As verticais mais
associadas ao evento são merchandising,
turismo, tecnologia, bebidas alcoólicas,
serviços financeiros, alimentos,
Picos de audiência são registrados em partidas decisivas (80%), clássicos nacionais (73%) e jogos de fim de semana (74%)
telecomunicações, eletrônicos, acessórios,
bebidas não alcoólicas, vestuário e
automóveis.
Picos de audiência são registrados
em partidas decisivas (80%), clássicos
nacionais (73%) e jogos de fim de semana
(74%). Nessas ocasiões, há 50% mais devices
conectados e duas vezes mais tempo
de tela. Em 2024, as maiores audiências
foram observadas durante a final da Libertadores
(Atlético Mineiro x Botafogo),
com 2,9 milhões de devices conectados;
semifinal da Libertadores (Botafogo x
Peñarol), com 2,6 milhões de devices; e
final da Champions League, com quase
três vezes mais devices e quatro vezes
mais tempo de tela nos canais de transmissão
(se comparadas com as semanas
anteriores).
Em média, uma Smart TV muda de canais
lineares para plataformas de streaming,
e vice-versa, 4,6 vezes durante uma
partida de futebol, considerando uma
hora antes e uma hora depois do horário
do jogo. Mesmo após o apito final, o
engajamento continua porque 89% permanecem
conectados, sendo que 91% seguem
em canais lineares e 35% migram
para plataformas de streaming.
A criatividade
ajuda a reforçar
o recall de marca
O esporte é o segundo tipo de conteúdo
mais assistido nas Smart TVs da marca,
atrás apenas de notícias e à frente de
novelas e filmes. Atualmente, o Brasil ultrapassa
o número de 28 milhões de potenciais
consumidores fãs de esportes.
Mais de sete milhões de TVs conectadas
consumem conteúdo do gênero. Dessa
base, 40 milhões de horas consumidas
por mês estão relacionadas a programas
esportivos - 91% desse tempo é dedicado
ao futebol.
Antes das partidas, 70% pretendem
reunir amigos e familiares, 37% acompanham
o pré-jogo e discussões; e 46%
compram alimentos - 28% optam pelo
delivery. No intervalo, 58% assistem aos
melhores lances ou análises, 57% nave-
GpointStudio/ Freepik
gam entre canais e plataformas e 34%
pesquisam informações sobre as marcas
exibidas nas transmissões. Após o jogo,
84% permanecem conectados, 76% mudam
de canal ou plataforma e 28% preparam
algo para comer.
Em 2024, 8,3 milhões de Smart TVs se
conectaram a pelo menos uma partida
de futebol, que segue como o esporte
mais consumido. Vôlei, basquete, automobilismo
e skate vêm na sequência.
Fanáticos perfazem um grupo de 49%;
93% têm um time do coração no Brasil e
20% torcem também por um time internacional.
As partidas são assistidas majoritariamente
em Smart TVs (88%), com
preferência pelos domingos (63%) e em
casa (90%). E 70% são adeptos de telas
acima de 42 polegadas.
Os jogos da seleção brasileira atraem
93% do público, seguida por seleções em
destaque (66%), as que geram simpatia
(53%) e as tradicionais (49%). Portugal,
Argentina, Alemanha, Itália e Espanha
estão entre as favoritas estrangeiras. A
prática de esportes atinge 83% dos fãs,
80% utilizam equipamentos esportivos e
78% compraram algum item relacionado
ao esporte nos últimos seis meses.
jornal propmark - 22 de dezembro de 2025 31
digital
‘Kirvano transforma conhecimento
em negócios digitais’
Plataforma que dá suporte técnico
a criadores e infoprodutores, a
Kirvano soma 2,4 milhões de
clientes, entre infoprodutores,
afiliados e coafiliados. São 140 mil
produtos como cursos, e-books e
mentorias. “A plataforma oferece
toda a infraestrutura técnica
necessária — checkout, meios
de pagamento, relatórios e
ferramentas de conversão — para
que esses criadores possam lançar,
vender e escalar produtos digitais
sem depender de conhecimento
técnico avançado”, explica Lorram
Félix, fundador e co-CEO da
Kirvano. Entre as novidades do
ano está a chegada de Alexandre
Brito (ex-Mastercard) como
co-CEO para liderar as frentes de
gestão, comercial, marketing e
internacionalização da empresa.
Lorram Félix: “A Kirvano atua como parceira estratégica do criador”
Divulgação
Kelly Dores
infoprodutores
A Kirvano opera como uma plataforma brasileira
que transforma conhecimento em negócios digitais ao
conectar profissionais detentores de conhecimento —
como professores, consultores, terapeutas, especialistas
técnicos, profissionais liberais, treinadores, mentores,
criadores independentes, influenciadores, podcasters e
streamers, designers, escritores independentes e empreendedores
ao mercado de negócios digitais. Esses
profissionais, ao transformarem sua expertise em produtos
educacionais em formato digital, como cursos,
mentorias, e-books e programas de acompanhamento,
passam a ser chamados de infoprodutores dentro da
plataforma. Eles são o núcleo do ecossistema da Kirvano:
pessoas que possuem conhecimento real e desejam
compartilhá-lo de maneira estruturada, escalável
e profissional, ou seja, em negócios digitais. A plataforma
oferece toda a infraestrutura técnica necessária
— checkout, área de membros, meios de pagamento,
relatórios, suporte e ferramentas de conversão — para
que esses criadores possam lançar, vender e escalar
seus produtos digitais sem depender de conhecimento
técnico avançado. A Kirvano atua como uma parceira
estratégica do criador, assumindo a parte operacional e
tecnológica, enquanto o profissional foca no que sabe
fazer: ensinar, orientar e transformar conhecimento em
negócios digitais.
ConHeCiMento
A Kirvano transforma conhecimento em negócios
digitais ao fornecer três principais pilares: permite que
o criador converta sua expertise (seja em curso, e-book,
mentoria ou outro formato) em produto digital acessível;
disponibiliza as ferramentas técnicas para que esse
produto seja vendido, distribuído e gerido — como área
de membros, processamento de pagamentos, checkout,
funil de vendas; e oferece suporte, estratégia e orientação
para que o criador não fique apenas “com o produto
“A plataforma atua como
facilitadora entre
a ideia/experiência
de uma pessoa e
sua transição para
um modelo de
negócio digital”
32 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
pronto”, mas para que construa um negócio sustentável
(com tráfego, funil, recorrência) e não dependa de lançamento
único. Dessa forma, a plataforma atua como
facilitadora entre a ideia/experiência de uma pessoa e
sua transição para um modelo de negócio digital, o que
permite que o conhecimento gere receita real.
creator economy
A Kirvano se posiciona diretamente dentro da creator
economy — ou seja, o ecossistema em que pessoas
criam, distribuem e monetizam conteúdo, produto ou
serviço digital para suas comunidades. A conexão está
no suporte aos criadores digitais para que participem
ativamente da economia em que seu conhecimento ou
voz se transforma em fonte de receita.
empreendedorismo digital
A Kirvano nasce da trajetória real de quem viveu,
na prática, as dificuldades e possibilidades do empreendedorismo
digital. A história começa anos antes de
a plataforma existir: eu iniciei minha vida empreendedora
aos 25 anos, quando criei a Asher, marca de farofa
caseira produzida ao lado do meu pai. O produto
cresceu organicamente, chegou a redes como Mundo
Verde e foi reconhecido no Projeto Empreender do
Sebrae/RJ. Mas, com a crise e a queda drástica na demanda
do varejo, precisei me reinventar. Depois, fundei
uma plataforma de pagamentos, aprofundando
ainda mais a relação com tecnologia, vendas online e
desempenho digital. Em meio a desafios financeiros,
conectei essas experiências e decidi transformar meu
conhecimento em um produto digital — e foi aí que vi,
de forma concreta, a potência do digital para criar novos
mercados e gerar receita mesmo em momentos
de instabilidade. Esse marco pessoal acendeu o insight
que mais tarde daria origem à Kirvano, que surge
justamente desse entendimento: muitas pessoas têm
conhecimento valioso, mas não conseguem transformar
isso em negócio por falta de suporte, tecnologia
acessível e orientação. A plataforma nasce, portanto,
para ser uma ponte — uma forma simples, humana
e eficiente de permitir que profissionais de diversas
áreas empreendam no digital. A Kirvano foi lançada
oficialmente no mercado em 2024, trazendo a missão
de tornar o ecossistema digital mais justo, acessível
e centrado nas pessoas — não apenas oferecendo
ferramentas, mas construindo um ambiente em que
especialistas são ouvidos, acompanhados e apoiados
em todas as etapas de sua jornada.
cursos
Um ano depois da fundação, a Kirvano soma 2,4 milhões
de clientes — entre infoprodutores, afiliados e
coafiliados. São 140 mil produtos como cursos, e-books
e mentorias. Entre os tipos de produtos que circulam na
Kirvano estão: cursos em vídeo ou séries de aulas online
para capacitação; e-books ou guias práticos que resolvem
uma dor específica ou ajudam em um nicho; mentorias
ou programas de assinatura/retenção onde o criador
oferece acompanhamento contínuo ou comunidade
para seus alunos; kits de ferramentas ou templates para
“A Kirvano se posiciona
diretamente dentro da
creator economy”
nichos específicos (planilhas, roteiros, modelos) — formatos
mais leves e rápidos de lançar. O objetivo é, em 18 meses,
chegar a 5 milhões de clientes e 400 mil cursos, com
desenvolvimento da equipe e novos projetos, incluindo a
internacionalização e embaixadores da marca.
co-ceo
A Kirvano concluiu uma captação Série A e, com isso,
anunciou Alexandre Brito como co-CEO. O papel de Alexandre
Brito será liderar as frentes de gestão, comercial,
marketing e internacionalização da empresa. A experiência
do Brito em meios de pagamento (onde ficou por mais
de 12 anos liderando os novos negócios da Masterdcard
no Cone Sul da América Latina), onde ele também criou o
primeiro BaaS (Hub Fintech) da América Latina a posteriori
Quem faz
história na
propaganda
merece ser visto.
E no Canal Markket,
(Vivo 611 e Claro 692) você
encontra mais um jeito de
assistir aos Grandes Nomes
da Propaganda, conteúdo
feito para quem não só
acompanha o mercado,
mas ajuda a transformá-lo.
Exibição:
Sábados, 18h30
Reprise domingos, 15h40
e segundas, 14h30.
NOTÍCIAS DIÁRIAS NO PORTAL E SITE:
vendida para a Magalu e sua experiência em gestão em
empresas como GE, nos mostrou um fit perfeito em nossas
necessidades dado nosso crescimento acelerado e
também o fato de além de uma plataforma educacional,
também sermos uma fintech.
infraestrutura
A estratégia da Kirvano reforça não apenas a oferta
de produto digital, mas a infraestrutura que permite
operação eficiente, monetização fluida e experiência
de usuário superior, tanto para o criador quanto para
quem compra. Isso inclui melhorias em: sistemas de
checkout e pagamento que sejam rápidos, seguros e
com múltiplas opções (cartão, Pix, boleto, carteiras digitais)
para reduzir atrito na compra; ferramentas de
recuperação de carrinho abandonado, relatórios em
tempo real, dashboards de conversão e funis otimizados,
que ajudam o criador a entender, atuar e escalar; e
foco na experiência significa que não basta apenas ter
a ferramenta, mas ter usabilidade, suporte, simplificação
de processos e design de interface que permita ao
criador focar em criar — e ao consumidor comprar sem
fricção. Esse foco técnico e humano se torna diferencial
num mercado onde muitos criadores reclamam da
complexidade operacional.
GRANDESNOMESDAPROPAGANDA.COM.BR GRANDESNOMESDAPROPAGANDA @PROGRAMAGNP /PORTALGNP
jornal propmark - 22 de dezembro de 2025 33
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Eletromidia e JCDecaux se unem para
padronizar métricas de audiência
Plataforma OpenMetrics promete mais eficiência e precisão por meio
de método unificado e aberto, validado por comitê independente
Eletromidia e JCDecaux apresentam
OpenMetrics, plataforma de padronização
de métricas de audiência
na mídia out of home. As informações
poderão ser obtidas por meio de sensores
instalados nos equipamentos e dados
mobile fornecidos por operadoras
de telefonia, em conformidade com a
Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
“A unificação das métricas consolida
um mercado mais transparente e eficiente,
o que nos permitirá ser ainda mais
estratégicos para marcas e agências”, diz
Alexandre Guerrero, CEO da Eletromidia.
Os dados serão validados por um comitê
independente, composto por agências,
plataformas de mídia programática e
Fachada do Grupo Bradesco Seguros
vira tela com mensagens de fim de ano
Imagens com 34 metros de largura por 43 metros de altura são
projetadas na nova sede da empresa, na Avenida Paulista, em São Paulo
Desde o dia 11 de dezembro, o Grupo
Bradesco Seguros projeta imagens de
celebrações das festas de fim de ano
na fachada de sua nova sede, instalada na
Avenida Paulista, região central de São Paulo.
A ação vai até o próximo dia 31, sempre ao
entardecer.
A intervenção visual tem 34 metros de largura
por 43 metros de altura e traz ainda mensagens
com o propósito defendido pela marca.
Proteção e paz são alguns dos votos desejados.
“A Avenida Paulista sempre é lembrada
com muito carinho à época do Natal e fazer
essa ação em nossa nova sede é uma forma
de marcar presença nessa região icônica de
São Paulo. Queremos que todos se sintam
abraçados e celebrem esse momento com a
gente”, comenta Ana Claudia Frighetto Gonzalez,
superintendente sênior de marketing do
Grupo Bradesco Seguros.
patrocínio
Artur Martins (JCDecaux), Alexandre Guerrero (Eletromidia), Silvia Ramazzotti
(JCDecaux), Ana Celia Biondi (JCDecaux) e Heitor Estrela (Eletromidia)
Divulgação
associações do setor. A entrada de novos
integrantes também será supervisionada.
“Unificar métricas é fundamental para dar
clareza ao investimento publicitário e acelerar
a modernização do OOH”, atesta Ana
Célia Biondi, diretora-geral da JCDecaux.
mercado
Em novembro, a empresa norte-americana
de inteligência de dados para publicidade
out of home (OOH) Advance TMS
anunciou a sua chegada ao Brasil, prevista
para o início de 2026. O sistema proprietário
de monitoramento e data intelligence
integra uma plataforma de big data que
abastece anunciantes com dados, análise
competitiva e mais accountability.
Projeção feita no prédio do Grupo Bradesco Seguros, na Avenida Paulista, região central de SP; ação vai até o dia 31 de dezembro
Divulgação
34 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
inspiração
Transformar para existir
Fotos: Divulgação
Profissionalmente, encontro inspiração em Leonardo da Vinci,
símbolo da genialidade multidisciplinar que tanto admiro
Patrício Mariano Malvezzi
Especial para o propmark
Vivo guiado por uma certeza que me acompanha desde cedo: a de que tudo é possível.
A curiosidade pelo conhecimento e a inquietação diante do “não dá” sempre
direcionaram minhas escolhas. Acredito na ousadia de pensar sem limites, afinal,
se o homem chegou à lua nos anos 1960, por que não romper nossas próprias barreiras?
Esse “otimismo eterno” moldou minha forma de enxergar o mundo.
Dois momentos marcaram de forma decisiva a minha trajetória. O primeiro ocorreu em
2002, quando deixei a Argentina para construir uma nova história no Brasil. Chegar a um
país que respira oportunidades ampliou meu senso de escala, potencial e transformação. O
segundo, em 2014, veio com o desenvolvimento do conceito de luz azul para a Red Bull, um
projeto que revelou minha capacidade criativa e inventiva.
Essa mudança de país trouxe aprendizados profundos. A adaptação ao idioma e à cultura
exigiu cuidado, mas o Brasil rapidamente se mostrou um território de possibilidades.
Transitar entre duas realidades tão distintas fortaleceu minha visão sobre sustentabilidade,
economia circular e impacto social. Essa vivência multicultural me permitiu compreender
como projetos socioambientais ganham forma quando nascem com propósito verdadeiro.
Após 14 anos de pesquisa, nasceu o Instituto Tran$forma. O que começou como um projeto
de economia circular evoluiu para uma plataforma de educação, cultura e inovação.
Compreendemos que, além de desenvolver novos materiais, tínhamos a responsabilidade
de disseminar conhecimento. O Instituto representa, para mim, a continuidade de tudo o
que construímos e a realização de um sonho sem limites.
Transformar resíduos em propósito se tornou natural ao entender os custos econômicos,
humanos e ambientais do descarte. Conhecer iniciativas como o Sistema B, apresentado
pela L’Oréal Brasil em 2017, reforçou nosso caminho. Cada projeto criado no Instituto emociona:
ver algo descartado ganhar novo sentido é testemunhar impacto concreto.
Profissionalmente, encontro inspiração em Leonardo da Vinci, símbolo da genialidade
multidisciplinar que tanto admiro. Mas boa parte dos valores que carrego vem do rúgbi,
esporte que pratiquei desde os 10 anos: caráter, respeito, resiliência, trabalho em equipe
e compromisso. São princípios que aplico diariamente na liderança, na vida e na inovação.
Para quem busca propósito no trabalho, deixo um conselho simples: ame o que faz,
comprometa-se, tenha paciência e resiliência. Busque superar a si mesmo e tome decisões
sempre com justiça.
Olhando para o futuro, meu maior sonho é ampliar o impacto do Instituto Tran$forma,
criando um polo simbiótico capaz de aplicar todo o conhecimento da economia circular, da
engenharia reversa e da inovação em favor de um ambiente mais saudável para as pessoas
e para o planeta. Quero transformar o maior número possível de vidas, de forma prática,
acessível e real.
Se não fosse CEO, talvez estivesse na construção civil ou no mercado financeiro. Mas,
seja qual fosse o caminho, eu certamente continuaria movido pelo mesmo princípio: nunca
deixar de testar, experimentar, aprender e, principalmente, acreditar que tudo é possível.
Patrício Mariano Malvezzi é CEO da Equipa
Group e idealizador do Projeto Tran$forma
jornal propmark - 22 de dezembro de 2025 35
conexão ásia
Mirela Tavares
mirela@conexaoasia.com.br
Luis Antonio PAuLino
é diretor-geral do Instituto Confúcio na Unesp
“Mandarim como ativo profissional”
Idealizador da implementação do
primeiro Instituto Confúcio do Brasil,
inaugurado em 2008, o professor
Luis Antonio Paulino foi pioneiro
ao enxergar a dimensão estratégica
que a China teria para o país no
século 21. Hoje, à frente de uma
rede presente em todo o território
nacional, responsável pelo ensino da
língua e divulgação da cultura chinesa,
ele defende o estudo do mandarim
como ferramenta essencial. E isso
de forma acadêmica e profissional,
especialmente para quem atua em um
ambiente cada vez mais integrado ao
eixo Brasil-China, como especialistas
em propaganda e marketing.
Divulgação
Mirela Tavares
Especial para o propmark
O senhor está há muitos anos à frente do
Instituto Confúcio na Unesp, criado por
meio de um convênio entre a Universidade
Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
(Unesp) e a Universidade de Hubei, com o
apoio da Fundação de Educação Internacional
Chinesa. Poderia contar um pouco da
sua trajetória e o que o motivou a dedicar-
-se ao ensino da língua chinesa no Brasil?
Eu sou professor da Unesp há 20 anos. Leciono disciplinas
de economia para os alunos do curso de relações
internacionais no Campus de Marília. Também trabalhei
no governo federal, no Ministério da Fazenda (2003),
como assessor do ministro da Fazenda; na Presidência
da República (2004-2005), como secretário-executivo
do Ministério de Coordenação Política e Relações Institucionais;
e no Ministério do Esporte (2012-2014), como
chefe da assessoria do gabinete do ministro. Logo que
cheguei à Unesp, em 2006, propus ao reitor à época,
professor Marcos Macari, a criação do Instituto Confúcio
na Unesp. O que me motivou à época a tomar essa
iniciativa foi, além do fato de já ter relações com a China,
em decorrência de ter visitado o país por ocasião
da primeira visita do presidente Lula à China, em 2004,
foi a percepção que eu tinha, já àquela época, da importância
que a China teria para o mundo e o Brasil no
século 21. Formar uma nova geração de acadêmicos e
profissionais que conhecessem melhor a China, inclusive
sua língua e cultura, sempre me pareceu uma necessidade
estratégica para o nosso país.
A unidade do Instituto Confúcio da Unesp
foi a primeira do Brasil. Hoje, qual é o mapa
de presença do Instituto no país e como
funciona a articulação entre as diferentes
unidades?
Hoje, existem 14 Institutos Confúcio funcionando no Brasil,
todos em parceria com importantes universidades
brasileiras e chinesas, em diferentes estados da Federação.
Atualmente, temos Institutos Confúcio funcionando
em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas
Gerais, Brasília, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Pernambuco,
Ceará, Pará, Maranhão e Amazonas. A articulação entre
eles se dá por meio da Rede Brasileira de Institutos
Confúcio, criada no ano passado, cuja presidência, no
período 2025/2026, está sendo exercida pelo Instituto
Confúcio na Unesp.
Quantas pessoas já estudaram no Instituto
Confúcio na Unesp desde a sua fundação?
Em nosso Instituto já registramos mais de 40 mil matriculados
ao longo de todos os anos.
De que forma o Instituto Confúcio equilibra
o ensino da língua, do básico ao avançado,
com aspectos culturais, eventos e intercâmbios
que promovem uma compreensão
“Em nosso Instituto
já registramos mais de
40 mil matriculados ao
longo de todos os anos”
36 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
“Qualquer profissional que deseje ter uma trajetória de sucesso
deveria considerar a possibilidade de aprender a língua chinesa”
mais ampla da China?
Língua e cultura são duas faces da mesma moeda. Não
há cultura sem comunicação e, portanto, sem a linguagem;
a própria língua é a expressão máxima de qualquer
cultura. Sem a língua, não existiriam a literatura, a poesia,
o cinema, a publicidade e, obviamente, nem o Estado
nacional, nem leis e instituições. Não há, portanto, como
ensinar uma língua desconsiderando seu contexto cultural,
tampouco compreender profundamente a cultura
sem o conhecimento do principal veículo pelo qual ela
se manifesta: a língua. Por essa razão, desde os níveis
iniciais até os mais avançados, sempre procuramos situar
o ensino da língua no contexto cultural mais amplo
em que ela se insere.
Como você vê a importância do estudo do
mandarim no atual cenário de negócios
global, especialmente para profissionais de
comunicação e inovação que atuam com
mercados asiáticos?
Dada a crescente importância da China no mundo atual,
compreender a língua chinesa deixou de ser, há muito
tempo, mera curiosidade intelectual para se tornar uma
necessidade estratégica de qualquer país. Como será
possível para qualquer país do mundo, inclusive o Brasil,
se relacionar com a segunda maior potência econômica
do mundo, maior exportador mundial de manufaturas,
maior importador mundial de commodities agrícolas e
minerais, líder mundial na maioria das tecnologias relacionadas
à Quarta Revolução Industrial, inclusive inteligência
artificial, sem dispor de uma burocracia, de um
corpo de líderes empresariais, jornalistas, comunicadores,
pesquisadores e acadêmicos que tenham conhecimento
da língua chinesa? No plano individual, qualquer
profissional que deseje ter uma trajetória de sucesso
em sua carreira deveria considerar seriamente a possibilidade
de aprender a língua chinesa.
Quais cursos ou trilhas de aprendizado oferecidos
pelo Confúcio são mais indicados
para quem precisa desenvolver rapidamente
habilidades de fala e conversação em
mandarim?
Nós oferecemos basicamente dois tipos de cursos. O
curso normal de língua chinesa, que é organizado em
dez módulos semestrais, contemplo os níveis básico,
intermediário e avançado e o curso preparatório do exame
de proficiência HSK/HSKK, que é exigido pelas universidades
chinesas para quem deseja estudar no país.
Tanto um quanto outro são oferecidos nas modalidades
presencial e online.
O Instituto oferece cursos voltados especificamente
para negócios ou áreas profissionais
(por exemplo, negócios internacionais,
mídia ou marketing)? Se sim, poderia
detalhar esses programas?
Não. Todos os nossos cursos são voltados ao aprendizado
geral da língua. Cursos específicos para negócios ou
outras áreas profissionais, como finanças, direito, medicina
etc., só fazem sentido para alunos que já tenham algum
domínio básico da língua e desejem especializar-se.
Dentro do portfólio de cursos, como são organizados
os níveis (básico, intermediário e
avançado) e qual o perfil de aluno que mais
se beneficia de cada etapa?
O nível básico é organizado em três módulos semestrais
e, da mesma forma, o intermediário. Já o nível
avançado é organizado em quatro módulos semestrais,
perfazendo, ao todo, dez semestres ou cinco anos.
Obviamente, nem todos os alunos que ingressam no
básico I conseguem prosperar até o avançado IV. Isso
depende muito da disponibilidade de tempo do aluno,
do interesse em aprofundar o conhecimento da língua
à medida que vai progredindo no aprendizado e, sobretudo,
do nível de conhecimento que o aluno considere
necessário para atingir seus objetivos. Cada módulo se
propõe a ensinar a conversação sobre tópicos específicos,
bem como a leitura e a gramática relacionadas a
eles e, sobretudo, o aprendizado de um determinado
número de caracteres chineses, que pode variar de
módulo para módulo. Para um bom desempenho no
exame de proficiência HSK1, o ideal é que o aluno domine
cerca de 300 caracteres.
O público que procura o Instituto Confúcio
tem se diversificado com o tempo? Quem
são hoje os principais perfis de alunos e
quais os objetivos que eles têm?
Sim, nosso público é bastante diverso. Como oferecemos
cursos tanto para os alunos da universidade quanto da
comunidade em geral, ele é composto por jovens universitários
interessados em estudar na China, realizar
pesquisas e trabalhos acadêmicos sobre a China ou apenas
melhorar seu currículo, tendo em vista a melhora de
suas condições de empregabilidade. Além disso, somos
procurados por profissionais que já atuam em empresas
ou negócios próprios, cujos objetivos estão relacionados
com a sua atividade profissional, seja de fazer negócios
com empresas chinesas, seja porque já trabalham
em empresas chinesas ou desejam trabalhar nelas. Há
também um grupo relevante de pessoas que desejam
aprender a língua chinesa visando apenas ao próprio
aperfeiçoamento intelectual ou por se interessarem por
aspectos específicos da cultura chinesa, como literatura,
poesia, cinema, artes marciais etc.
Como se deu a evolução do interesse pelo
mandarim no Brasil nos últimos anos? Você
percebe crescimentos impulsionados por
demandas do mercado internacional e de
inovação?
Sem dúvida. À medida que o papel da China no mundo se
torna mais relevante, o número de pessoas interessadas
em aprender a língua chinesa aumenta na mesma proporção.
Imagino que, em um futuro não muito distante,
o ensino de chinês passará a fazer parte do currículo regular
das escolas de ensino secundário.
Quais são os principais desafios que alunos
encontram ao estudar mandarim e como o
Instituto Confúcio os ajuda a superá-los?
Os desafios do aprendizado da língua chinesa são os
mesmos que os de qualquer língua. No caso da língua
chinesa, há alguns fatores que facilitam e outros que
dificultam. A facilidade decorre do fato de a estrutura
gramatical da língua chinesa ser extremamente
simples. Não há conjugação de verbos, nem variações
de gênero, número ou grau das palavras. Nesse sentido,
é mais fácil para um brasileiro aprender chinês
do que para um chinês aprender português. A maior
dificuldade vem do fato de a língua chinesa ter raízes
pictográficas, em que muitos caracteres começaram
como desenhos de objetos, mas evoluíram para um
sistema morfosilábico, em que os símbolos representam
sílabas com significado, sendo que a maioria dos
caracteres hoje combina elementos fonéticos e semânticos,
não sendo apenas imagens. É a única língua
pictográfica moderna. Nesse caso, o aluno, em vez de
precisar apenas aprender um alfabeto para escrever
as palavras, precisa decorar o significado de algumas
centenas de caracteres para ler ou escrever um texto.
No mais, o que se exige para aprender chinês é o que
se exige para aprender qualquer coisa nova: determinação,
esforço e dedicação.
O Instituto Confúcio também organiza
programas de intercâmbio ou experiências
intensivas na China. Que oportunidades
atuais vocês oferecem e qual o impacto desses
programas para a carreira dos alunos?
Além dos cursos regulares, o Instituto Confúcio na Unesp
oferece bolsas de estudo para alunos interessados em
aperfeiçoar o aprendizado de língua chinesa na própria
China, na nossa universidade parceira, a Universidade de
Hubei. Nossos alunos podem passar períodos de quatro
semanas, um semestre ou um ano na China, dependendo
da modalidade de bolsa de estudos à qual se candidatam.
O processo de seleção se dá, basicamente, pelo
exame de proficiência HSK/KSKK. Como as bolsas são
oferecidas pela matriz do Instituto Confúcio na China,
há também alguns pré-requisitos, sobretudo relativos à
idade. Após passar algum tempo na China, o aprendizado,
obviamente, dá um grande salto de qualidade.
Por fim, que conselhos o senhor daria a
comunicadores, publicitários e inovadores
brasileiros que desejam se posicionar competitivamente
no eixo Brasil-China, seja por
meio do idioma ou da cultura?
Eu diria que o conhecimento da língua representa um
enorme diferencial para quem deseja se inserir competitivamente
nesse eixo. Abundam exemplos de pessoas
que, por dominarem apenas os elementos básicos da
língua chinesa, conseguiram excelentes empregos nas
centenas de empresas chinesas que estão se instalando
no Brasil. Diria também que o conhecimento da cultura
é um fator tão ou mais essencial do que o da própria
língua, pois, se os problemas decorrentes da falta de
conhecimento da língua podem, de alguma forma, ser
superados pela tecnologia, não há nada que possa substituir
a falta de conhecimento da cultura. E a prática demonstra
que a maior parte dos negócios que fracassam
o faz não pela inviabilidade econômica, mas pela falta
de conhecimento dos códigos culturais.
jornal propmark - 22 de dezembro de 2025 37
opinião
Divulgação
Síndrome de
consolidação
Caio Del Manto
O
mercado publicitário entrou em uma nova pandemia
silenciosa. Não começou com um vírus.
Começou com os grandes grupos e se espalhou
em uma velocidade assustadora. O nome da doença?
síndrome de consolidação. Seus sintomas já são conhecidos:
morte de marcas icônicas, desrespeito pela
história, demissões em massa, insegurança crônica e
uma enxurrada de posts nostálgicos que parecem obituários
do nosso próprio setor. Mas há um efeito colateral
ainda mais perigoso: uma miopia estratégica tão
profunda que nos afasta justamente do que poderia
ser a cura de longo prazo. E, ao contrário da pandemia
anterior, quase ninguém está trabalhando em um antídoto.
É exatamente aí que, na minha visão, precisamos
colocar toda a nossa energia agora.
Nesse caos, emerge também um negacionismo
generalizado. De um lado, o negacionismo financeiro:
praticado pelos reis da planilha, operadores que tratam
criatividade como equação e enxergam valor apenas
no que pode ser reduzido, cortado, comprimido. Gente
que acredita que a salvação está em vender mais caro
produzindo menos, como se a publicidade fosse linha de
montagem. Do outro lado, o negacionismo tecnológico:
visionários apocalípticos que juram que a IA vai engolir
todos nós e transformar a publicidade em um subproduto
do setor de tecnologia. Dois extremos, mas um mesmo
problema: ambos desviam completamente o foco
daquilo que realmente importa. Ambos atrasam nossa
recuperação.
O grande ponto é que o problema de curto prazo é
o que menos importa. Corte de custo sempre existiu.
Ajuste sempre foi parte do jogo. Para entender a verdadeira
raiz da crise, é preciso afastar o zoom. E, olhando
de longe, fica claro: a síndrome de consolidação só pode
ser combatida com uma vacina de diversificação. Explico:
matar marcas históricas como DDB, FCB, JWT e tantas
outras não é apenas doloroso para o mercado, é uma
estratégia profundamente equivocada para o momento
que vivemos. É míope porque opera no curto prazo.
É rasa porque aplica lógicas industriais e operacionais
em um mercado que vive de criação, experimentação,
subjetividade e impacto cultural.
É uma resposta de quem não entende a natureza do
nosso negócio. Se somos um setor de serviços, toda crise
de valor deveria ser combatida com novas teses e não
com consolidação. Teses que tragam novos modelos de
negócio, novas metodologias, novas formas de provar
impacto no negócio dos clientes, novas alavancas para
chegar a ideias mais criativas e mais eficientes. O mercado
de startups opera assim há décadas. Fundos e VCs
colocam dinheiro em múltiplas apostas, não em uma só.
O investimento segue a ideia, não o contrário. É simples.
Cada tese nova amplia o território estratégico onde
a indústria pode atuar. Quanto mais teses, mais chances
de criar novos tipos de impacto e, portanto, mais valor
para os acionistas. Por essa lógica, o caminho óbvio seria
diversificar e não consolidar. Diversificar pensamento,
modelos, metodologias, produtos criativos, perspectivas.
Quanto menos empresas, menos teses. Quanto mais
empresas, mais experimentos, mais aprendizados, mais
espaço para inovação real.
O verdadeiro problema não é ter um ecossistema
com várias marcas, é ter estruturas inchadas, burocratas
bem pagos e executivos que usam toda sua energia
para alimentar o jogo das planilhas, não o jogo da criatividade.
Gente que virou refém do ego dos prêmios e
do medo de CEOs obcecados por margem. Enquanto isso,
consultorias e empresas de tecnologia investem pesado
em evoluir suas teses. Startups reinventam modelos.
Agências independentes surgem com posicionamentos
inusitados e filosofias próprias. Todos empurrando o
mercado para uma nova forma de diversificação não só
de entregas, mas de mentalidade.
Há muita gente tentando puxar essa indústria para
frente. Mas a verdade incômoda é que os grandes grupos
são essenciais. Com eles, temos escala suficiente
para reagir rápido, testar teses em grande escala
e mudar o curso do setor inteiro. E é justamente por
isso que a síndrome de consolidação é tão perigosa:
porque, se ela continuar avançando, vamos perder
nossa capacidade coletiva de inovar. E, sem inovação,
não existe futuro, só sobrevivência. E sobreviver nunca
foi o papel da criatividade. Ela existe para desafiar,
reinventar, provocar. Talvez seja essa a chamada que
precisamos ouvir agora.
Caio Del Manto
é cofundador da Euphoria Creative
“A verdade incômoda
é que os grandes
grupos são essenciais.
Com eles, temos escala
suficiente para reagir
rápido, testar teses
em grande escala
e mudar o curso
do setor inteiro”
38 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
opinião
Divulgação
A batalha das IAs
conversacionais
Flavio Ferrari
é fundador do hub SocialData e
professor de análise estratégica de
cenários futuros na ESPM
Flavio Ferrari
O
ChatGPT segue dominando o cenário das IAs conversacionais,
com mais de 80% de share. Pesquisas recentes
indicam o crescimento acelerado do Perplexity,
mas a Gemini (do Google) não vem conseguindo conquistar
o público na velocidade que se poderia esperar.
De certa forma, é surpreendente, já que o Google é
líder no ecossistema de buscas e, estrategicamente, inseriu
o AI Overviews e o modo IA nas buscas feitas pelo
Chrome (também líder isolado de mercado).
Resolvi pesquisar o assunto utilizando a Grok (xAI),
dada sua facilidade para coletar informações de conversas
no X, e a Perplexity, considerando seu foco em pesquisa
e precisão factual.
Em resumo, minha conclusão foi a de que a estratégia
de inclusão da “visão geral criada por IA” nas buscas do
Google foi percebida como intrusiva, dividindo opiniões.
O mais grave, entretanto, é que um percentual significativo
dos usuários do Google, que recebem a informação
de forma passiva, afirma ter identificado erros
importantes nas informações oferecidas.
Isso significa que a ação que pretenderia “vender”
a IA do Google pode estar, na verdade, desestimulando
sua experimentação e minando sua confiança a priori.
A Grok preparou para mim uma tabela comparativa
das opiniões coletadas sobre o AI Overviews (uso passivo)
e as IAs conversacionais (uso ativo), em fontes como
Reddit, artigos (ex.: TechTudo, MIT Technology Review) e
discussões recentes no X.
Estes foram os pontos que considerei mais relevantes
da apuração:
• As IAs conversacionais são percebidas como mais
interativas, úteis, divertidas, confiáveis e produtivas (incluindo
a Gemini), por seus usuários.
• A satisfação dos usuários com o AI Overviews é baixa
(muitos alegam que preferem desativar esse modo), enquanto
a dos usuários regulares das IAs conversacionais
é alta (engajamento diário).
• As críticas mais comuns ao AI Overviews são os erros
absurdos, viés em fontes e redução de tráfego para
sites. Já as IAs conversacionais são criticadas por censura
ocasional ou limitações em temas sensíveis.
• Como pontos positivos, o Overviews é considerado
mais rápido e simples, integrado às buscas do
Google, e as IAs menos intrusivas, mais “humanas” e
adaptáveis.
O site Exploding Topics, fundado por Brian Dean e
reconhecido por apontar tendências digitais emergentes,
realizou uma pesquisa sobre a credibilidade
das inteligências artificiais, divulgada no fim de outubro
de 2025 (https://explodingtopics.com/blog/ai-
-trust-gap-research).
A pesquisa indicou uma questão paradoxal: 82% dos
entrevistados são céticos em relação às respostas das
IAs, mas apenas 8% sempre checam as fontes.
Especificamente em relação ao AI Overviews, 42% dos
respondentes afirmam haver identificado informações
incorretas no que foi apresentado, 22% acreditam que a
inclusão do serviço piorou a busca do Google e 29% acreditam
que melhorou.
Entretanto, entre os usuários habituais de IAs
conversacionais, a Gemini vem ganhando simpatia
por suas características multimodais (texto, imagem,
vídeo, contextos longos) e o AI Overviews é, estrategicamente,
uma boa porta de entrada, convidando para
o modo IA, que utiliza o Gemini como recurso e leva
o usuário da condição passiva para o consumo ativo,
mais favorável, acostumando-o a permanecer nos domínios
do Google.
Há que estar atento, contudo, à qualidade desse serviço.
“A pesquisa indicou
uma questão paradoxal:
82% dos entrevistados
são céticos em relação
às respostas das IAs,
mas apenas 8% sempre
checam as fontes”
jornal propmark - 22 de dezembro de 2025 39
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Alê Oliveira
“Quando eu comecei na televisão, ninguém imaginava que um dia a gente ia ter um canal só para notícias, 24 horas por dia.
Naquela época, o povo dizia: ‘Mas quem é que vai aguentar isso, Silvio?’ (risos). Pois é, o tempo passou, o mundo mudou, e a forma de se comunicar também.
Hoje, a informação correta e profissional é essencial para ajudar as pessoas a crescerem, a conviverem bem umas com as outras e deixar o país mais forte.
E é por isso que nasce o SBT News: para informar com verdade, com responsabilidade e, acima de tudo, com respeito ao público...’”
Parte do discurso de Silvio Santos criado por IA
SBT News está no ar!
O SBT reuniu, no último dia 12 de dezembro, profissionais do mercado publicitário, autoridades do poder público, empresários e personalidades em solenidade que marcou o início
das operações do mais novo canal de notícias do Brasil, o SBT News. A celebração ocorreu na sede da emissora, em Osasco (SP). Renata Abravanel, presidente do conselho do Grupo
Silvio Santos, agradeceu a honra de receber todos os presentes. “Hoje, não inauguramos apenas um canal de notícias, mas reforçamos nosso compromisso com o público, um pacto
com o país e uma promessa com o futuro, porque o Brasil que queremos construir depende disso, depende profundamente da qualidade da informação que compartilhamos, da
responsabilidade com que narramos os fatos e da coragem com que buscamos a verdade”, afirmou a executiva. Daniela Abravanel Beyruti, presidente do SBT, relembrou, de forma
informal, histórias do pai, Silvio Santos. Ela falou sobre o quanto a data de seu aniversário era importante, expressando sua gratidão, em nome de toda a família, pela presença de
todos na realização deste sonho que é o SBT News. “Estamos comprometidos em entregar um jornalismo com qualidade, responsabilidade, imparcialidade, excelência e veracidade”,
afirmou. O grand finale do evento ficou por conta do discurso realizado pelo holograma de Silvio Santos. O fundador do SBT completaria 95 anos no dia de lançamento do canal.
Renata Abravanel, presidente do conselho do Grupo Silvio Santos
Daniela Abravanel Beyruti, presidente do SBT
Fernando Fischer Justus, superintendente de negócios e comercialização do SBT
Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações, responsável pela implementação do SBT News
40 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
Fotos: Alê Oliveira
Wolmar Aguiar (Caixa), Vitor Barros e Roberto Tourinho (Propeg)
Luiz Lara e Dudu Godoy (Cenp)
Boninho (SBT)
Tiago Ferrentini (propmark)
Ronaldo Fenômeno
Fábio Coelho (Google)
Hugo Rodrigues e Guilherme Mussi
Raquel Landim, Amanda Klein e Basília Rodrigues,
jornalistas do SBT News
Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, respectivamente
governador e prefeito de SP
jornal propmark - 22 de dezembro de 2025 41
última página
Divulgação
Crie uma agência
Flavio Waiteman
A
tendência de 2025 foi o fechamento de agências.
Que em 2026 se criem outras. Enquanto os grandes
grupos estão matando as marcas icônicas de
publicidade, precisamos criar. Igualmente icônicas. Nada
impede. Afinal criar é tirar o tudo, do nada. E sabemos
fazer isso. Enquanto se despersonalizam as autorias, justamente
para não valorizar o talento, precisamos voltar a
colocar o nome na porta. Ou aquilo que acreditamos.
Se não tem vontade de empreender, busque a excelência
de tal maneira que seja insuportável para as melhores
empresas do país não o ter no time. Todo mundo
percebe quando você abre sua agência primeiro na sua
cabeça. Independentemente do lugar onde está. E não
é sobre abrir, mas sobre criar. Quem abre, pode fechar.
Quem cria, cria todos os dias. Não é sobre CNPJ é sobre
CEP. Você gosta tanto do negócio que deseja fazer parte
dele? Então seguem alguns toques importantes:
1 - Seu desejo tem de ser maior do que todas as 53
segundas-feiras de 2026 juntas. A euforia passa, os boletos
ficam. Só assuma custos após garantir receita.
2 - O encantamento de seus contatos prévios com
você tem prazo de validade. Aproximadamente uns 6
meses depois do seu último emprego. Após isso, vai ficando
cada vez mais difícil uma chance de se apresentar
ou convencer alguma marca a acreditar em você. Todos
seus últimos 20 anos vão voltar para você. Se foi arrogante
com estagiário, tratou mal a recepcionista ou se
tocou arpa a carreira inteira isso vai voltar quando estiver
no comando. O destino é um bumerangue certeiro.
É quando você descobre que virou vidraça. Para o bem
também é verdade. É uma lógica cármica de pontos corridos,
não mata-mata.
3 - Se fizer sucesso, muita gente vai chegar para tirar
vantagem e pegar a onda. Se não der certo, a caminhada
será muito solitária. O ideal é ter muito sucesso e pouca
exposição.
4 - Os prêmios que você ganhou em lugares onde
trabalhou não garantem que você vai continuar ganhando.
Não dá para refazer a cultura que já viveu em
outro lugar. O que precisa é criar uma outra. Leva tempo
e esforço. O sucesso do ano anterior dura somente um
ano. O fracasso dura dois. Um para entender o que está
acontecendo de errado e ter coragem de mudar, e outro
ano para refazer tudo novamente do zero.
5 - Contrate o caráter, o resto você ajusta ou ensina.
Aliás, quando se cria um lugar propício para estratégias,
ideias e negócios, você provavelmente não vai
começar contratando gente cara. Encontrar talentos
crus e treiná-los é primordial para os primeiros anos.
E saber que se tudo der certo, eles vão embora para
salários maiores é da vida também.
6 - Seja humilde na vitória, seja aguerrido na derrota.
Em publicidade, o sucesso vem depois de muito
fracasso. Sempre comemore um dia o seu prêmio ou
conquista. Sempre chore apenas um dia a sua perda. É
tudo muito transitório e nem o sucesso, muito menos
o fracasso, vai definir quem você é ou deixa de ser.
Como se alguém se importasse.
7 - Procure os nerds para os ter por perto. Aqueles
que pesquisam publicidade, que comentam sobre publicidade.
Essa gente economiza seu tempo, pois o repertório
prévio é enorme e evita criar ideias incríveis
já criadas antes. Evite os blasés, cínicos e quem reclama
pelos cantos. Características assim não agregam.
Veja a demissão como um gesto de respeito e liberdade
para alguém que sofre por estar perto de você.
8 - Deixe o ego no capacho da porta da frente. Usamos
princípios artísticos para gerar negócios. A nossa
arte é coletiva e elaborada por dezenas de pessoas.
9 - Abra sua agência naquilo que você faz de melhor,
no que o mercado faz de pior. Num mundo burocrático,
busque agilidade. Num mercado que o cliente
quer tudo pelo menor preço, convença-o de que ele
não precisa de tudo. Pessoas não são commodities.
Respeite-se.
10 - Abra sua agência para ser muito bem remunerado.
Não tenha medo de cobrar direito, se trabalha
idem, e ser feliz com o que ganha.
Em linhas gerais, não caia na tentação do velho
truque de que falar mal da publicidade vai lhe dar
alguma vantagem competitiva. Dia desses fui a um
excelente podcast e me perguntaram se poderíamos
falar de publicidade. Ante o meu estranhamento, o
dono do canal me disse que alguns publicitários não
querem falar sobre isso. Falar sobre o que então, meu
Deus? Vamos amar um pouco mais essa coisa que
fazemos. E por fim, você pode até apresentar coisas
malucas, mas não doidas. E vice-versa. Um ótimo 2026
para você.
Flavio Waiteman
é sócio e CCO da Tech&Soul
flavio.waiteman@techandsoul.com.br
“Não caia na
tentação do velho
truque de que falar
mal da publicidade
vai lhe dar
alguma vantagem
competitiva”
42 22 de dezembro de 2025 - jornal propmark
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