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COMUNICACOES 255 - ANTÓNIO GAMEIRO MARQUES - EUROPA NUMA ENCRUZILHADA DIGITAL: E AGORA?

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#255

DEZEMBRO 2025 | ANO 38 | PORTUGAL | 3,25€

Comunicações

António

Gameiro Marques

Presidente do 35.º Congresso da APDC

EUROPA NUMA

ENCRUZILHADA

DIGITAL:

E AGORA?

.PT

A bandeira de

Portugal na internet

INESC COIMBRA

E INESC MN

Ciência que constrói

soluções para o Mundo


A ABRIR

2 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


EDITORIAL

SANDRA FAZENDA ALMEIDA

sandra.almeida@apdc.pt

2026: O ANO

DA VERDADE DIGITAL?

O

final do ano é sempre um momento

de balanço. Mas, neste ciclo,

é sobretudo um convite a olhar

em frente, com sentido de urgência.

Tudo indica que 2026 será um ano

decisivo para o digital. Não apenas pela tecnologia,

mas pelas escolhas que a Europa – e Portugal – terão

de fazer num mundo cada vez mais imprevisível.

Tanto no plano político como económico e tecnológico.

A União Europeia confronta-se com um desafio

estrutural: afirmar a sua soberania digital, sem abdicar

da inovação; reforçar a segurança, sem comprometer

a liberdade; e competir globalmente, sem pôr

em risco os seus valores. Para países como Portugal,

este contexto é exigente. Mas também abre uma janela

de oportunidade para ganhar escala, especialização

e relevância no espaço europeu.

A inteligência artificial (IA) está no centro desta

transformação. Depois do boom de projetos e de

investimentos, 2026 é apontado por muitos analistas

como o “ano da verdade” da IA. Ou seja, chegou o

momento em que a tecnologia terá de provar, de forma

clara, o seu valor económico, social e organizacional.

O foco desloca-se do hype para o impacto real:

produtividade, eficiência, confiança e responsabilidade.

Isso ficou claro na mais recente edição do EVOLVE,

que mostrou que a transformação digital chegou

em força às empresas. E que, se a tecnologia acelera,

são a liderança, a cultura e a capacidade de execução

que fazem a diferença.

O ‘À CONVERSA’ com António Gameiro Marques,

que faz a capa desta edição, reflete bem esta

encruzilhada: segurança, soberania e confiança

deixaram de ser temas técnicos, para se tornarem

questões centrais da democracia, da economia

e da coesão social. Num ecossistema digital

interdependente, proteger sistemas é proteger

pessoas e instituições.

Este caminho de reflexão e debate continuará

em 2026. Nomeadamente no 35.º Congresso

da APDC, sob o tema “Europe in the Digital Age:

Balancing Sovereignty, Security and Innovation”,

que terá exatamente António Gameiro Marques

como presidente. Será um congresso realizado

num momento crítico, com a ambição de colocar

Portugal no centro da discussão europeia sobre

o futuro digital.

Entramos, pois, no novo ano com mais perguntas

do que respostas. O que não é sinal de fraqueza,

mas sim de maturidade. O desafio está em saber

equilibrar ambição com responsabilidade, velocidade

com confiança, inovação com propósito. É este debate

que vamos continuar a promover: na APDC e nas

páginas desta revista. Afinal, o futuro não se adivinha,

constrói-se.

Um excelente ano!

Consulte aqui todas as edições

da Revista Comunicações

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 3


14

À CONVERSA

Na 5.ª Edição do EVOLVE – Digital Transformation

Summit foram apresentados 17 projetos

tecnológicos – da energia à banca, da saúde

à indústria, do setor público aos media – que

redesenham processos, elevam a eficiência e criam

novas formas de servir pessoas, cidades e empresas.

40

Da otimização matemática à micro e nanofabricação,

o INESC Coimbra e o INESC MN ilustram duas

abordagens distintas e complementares, onde

investigação interdisciplinar, engenharia de ponta

e ligação à indústria se cruzam para gerar impacto

económico, social e tecnológico.

88

António Gameiro Marques, presidente do

35.º Congresso da APDC, é uma das vozes mais firmes

na defesa da soberania digital, da cibersegurança

e da confiança no ecossistema digital. Inquieto com a

dependência tecnológica da União Europeia, defende

uma sociedade digital assente na colaboração,

escolha estratégica e preservação de valores.

24

EM DESTAQUE

NEGÓCIOS

A .PT assegura o registo e o funcionamento de todos os

domínios .pt, ambicionando ser a plataforma de dados

do país e liderar o ecossistema digital em Portugal.

Com um crescimento acima da média europeia, aposta

também na promoção das competências digitais.

54

PORTUGAL DIGITAL

CIDADANIA DIGITAL

A associação Inspiring Girls Portugal prepara-se para

levar para o terreno um projeto, vencedor de um

prémio da APDC, que pretende quebrar barreiras de

género no acesso às carreiras científico-tecnológicas.

A iniciativa é dirigida a alunos do 3.º ciclo e do Ensino

Secundário.

4 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


FICHA TÉCNICA

06 A ABRIR

14 À CONVERSA

António Gameiro Marques, Presidente

do 35.º Congresso da APDC

24 EM DESTAQUE

5.ª Edição EVOLVE – Digital Transformation

Summit

38 5 PERGUNTAS

Adolfo Martinho, Diretor-Geral da DXC

Technology Portugal

40 NEGÓCIOS

.PT – A bandeira de Portugal na Internet

46 I TECH

José Manuel Paraíso, Country General

Manager da Kyndryl Portugal

48 BARÓMETRO RH

Tendências na área do talento e dos recursos

humanos

50 RADAR LEGAL

Digital Omnibus Package

52 VISÃO DOS ASSOCIADOS

Brighten – Inovação em Ecossistema

54 PORTUGAL DIGITAL

INESC COIMBRA E INESC MN

64 ESPAÇO ANACOM

Um novo papel na cibersegurança

66 APDC NEWS

88 CIDADANIA DIGITAL

Future STEMers – O Futuro por Nós

90 A FECHAR

92 AGENDA

COMUNICAÇÕES 255

PROPRIEDADE E EDIÇÃO

APDC

Associação Portuguesa

para o Desenvolvimento

das Comunicações

DIRETORA EXECUTIVA

Sandra Fazenda Almeida

sandra.almeida@apdc.pt

Av. João XXI, 78

1000 – 304 Lisboa

Tel.: 213 129 670

Fax: 213 129 688

Email: geral@apdc.pt

NIPC: 501 607 749

EDITORA | CHEFE DE REDAÇÃO

Isabel Travessa

isabel.travessa@apdc.pt

SECRETÁRIA DE REDAÇÃO

Laura Silva

laura.silva@apdc.pt

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Isabel Viana

isabel.viana@apdc.pt

FOTOGRAFIA

Vítor Gordo / SYNCVIEW

vitor.gordo@syncview.pt

CONSELHO EDITORIAL

Adolfo Martinho; Filipa Brigola;

Dennis Teixeira; Diogo Madeira;

Fernando Braz; Fernando Marta;

Filipa Carvalho; Francisco Maria

Balsemão; José Manuel Paraíso;

Luísa Ribeiro Lopes; Marina Ramos;

Marta da Silva; Miguel Almeida;

Olivia Mira; Paolo Favaro;

Paulo Filipe; Pedro Coelho;

Pedro Faustino; Pedro Gonçalves;

Pedro Tavares; Rodrigo Cordeiro;

Rogério Carapuça; Sérgio Catalão;

Tiago Barroso; Vasco Almeida.

EDIÇÃO E DESIGN

F5C – First Five Consulting

Av. da Liberdade, 230 – 3º

1250-148 Lisboa

PERIODICIDADE

Trimestral

TIRAGEM

Digital

PREÇO DE CAPA

3,25 €

DEPÓSITO LEGAL

2028/83

REGISTO INTERNACIONAL

ICS N.º 110928

ERC N.º 128 111

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 5


A ABRIR

IA TORNA-SE ALIADA

DOS CIBERCRIMINOSOS

O ritmo de evolução das ameaças

cibernéticas é cada vez mais intenso,

num cenário de convergência entre

conflitos geopolíticos, eventos climáticos

extremos e ciberataques a infraestruturas

críticas. E regista-se uma crescente

sofisticação operacional dos grupos

de ransomware, assim como o uso

estratégico de IA ofensiva, a padronização

dos acessos iniciais e a exploração

recorrente de vulnerabilidades. Tal está

a dar origem a um ecossistema de ameaças

mais dinâmico, opaco e imprevisível

e a um nível de profissionalização

sem precedentes dos ataques.

O aviso é da NTT DATA, no “Relatório

de Tendências e Ciberameaças –

1.º semestre de 2025". O trabalho

constata ainda que este ambiente

complexo está a contribuir diretamente

para a escalada do custo global do

cibercrime. Neste contexto, a cooperação

internacional e a resiliência organizacional

tornam-se elementos-chave para mitigar

ameaças dinâmicas e imprevisíveis, que

exigem respostas coordenadas que possam

ser adaptadas e orientadas por dados

de inteligência. É que a proteção já não

pode ser só reativa, sendo necessário

adotar uma postura de recolha proativa

de informação sobre ameaças, deteção

precoce, colaboração internacional

e fomentar uma cultura de cibersegurança

institucionalizada.

Regista-se uma

crescente sofisticação

operacional

dos grupos de

ransomware, assim

como o uso estratégico

de IA ofensiva,

a padronização

dos acessos iniciais

e a exploração

recorrente de

vulnerabilidades

NÚMEROS

5 BILIÕES

É o valor mais alto de sempre, em dólares,

alcançado por uma empresa em bolsa.

A Nvidia voltou a fazer história, animada

pela corrida à IA. Depois de anunciar

encomendas de chips de mais de 500 mil

milhões de dólares e planos para construir

sete supercomputadores para o governo

dos EUA, a sua capitalização bolsista bateu

máximos de sempre em Wall Street, tornando-

-se no final de outubro na primeira “five trillion

dollar baby”. Pouco mais de três meses antes,

tinha superado a fasquia dos quatro biliões.

4 BILIÕES

É quanto já valem, em dólares, a Apple

e a Microsoft em Wall Street, tornando-se

“four trillion dólar baby” e juntando-se

à Nvidia, dias antes desta voltar a bater

novo recorde. A Microsoft já tinha alcançado

esta fasquia, enquanto a Apple a atingiu

pela primeira vez na sua história.

Tudo graças à euforia do mercado,

nomeadamente em torno do futuro

com a IA, que está a impulsionar as

grandes cotadas do setor tecnológico.

600 MIL MILHÕES

É o total, em dólares, que a Meta vai

investir nos próximos três anos nos Estados

Unidos. Pretende reforçar a aposta no

desenvolvimento da IA, assim como investir

em infraestruturas, incluindo centros

de dados, para alcançar as suas ambições.

A dona do Facebook, Instagram e WhatsApp

diz que, desde 2010, já criou 30 mil postos

de trabalho especializados e 5 mil funções

operacionais, além de gerar mais

de 20 mil milhões de dólares em negócios

para subcontratados de diversos setores.

6 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


CITAÇÕES

“Temos um problema que

é um cancro da nossa sociedade

europeia e portuguesa

que é o crescimento da tecnocracia

e da burocracia. Temos

de sair desta rota onde estamos

a consumir recursos raros

para fazer face à burocracia

e tecnocracia, em vez

de investirmos esses recursos

para criar mais riqueza.”

CARLOS TAVARES,

Jornal de Negócios, 02/12/2025

FRAUDE DISPARA NAS EMPRESAS

PORTUGUESAS

Quase um terço das

empresas portuguesas

foi alvo de fraude no último

ano. E cerca de 76% ainda

não usam tecnologia para

a detetar. O alerta é do

Corruption & Fraud Survey

2025, da Deloitte.

O estudo mostra que 28%

das organizações reportaram

incidentes, sobretudo fraude

em meios de pagamento

(45%), apropriação indevida

de ativos (38%) e ciberataques

(34%). Apesar da crescente

SATISFAÇÃO NO

TRABALHO CAI

PARA MÍNIMOS

A satisfação no trabalho atingiu um mínimo

histórico em 2025, revela o novo HP Work

Relationship Index. Apenas 20% dos

knowledge workers dizem manter uma

relação saudável com o trabalho e os líderes

empresariais registam o maior declínio anual,

expondo uma quebra de confiança dentro

das organizações. O estudo indica, porém,

que 85% dos fatores que moldam o bem-estar

profissional dependem diretamente

das empresas, desde a qualidade da liderança

ao reconhecimento, propósito e flexibilidade.

Hoje, só 44% sentem propósito no que fazem

e 39% afirmam receber o reconhecimento

devido. A pressão também cresce, já que

62% dizem que as exigências aumentaram

e 45% sentem que o lucro vale mais do que

as pessoas. A IA surge como fator positivo:

consciencialização – 91%

já têm canais de denúncias

e 57% políticas de gestão

de risco – a maioria

das empresas continua

vulnerável. Mais de

três quartos não utiliza

tecnologias de deteção

automática e 72% não

planeia investir mais de

25 mil euros em ferramentas

avançadas no próximo ano.

Esta postura contrasta com

a tendência global, onde 73%

das organizações já recorrem

à IA para reforçar

a resposta antifraude.

O impacto financeiro

é significativo: 56% estimam

perdas entre 0,5% e 2%

da receita. Para a Deloitte,

as empresas permanecem

demasiado reativas,

apostando em controlos

imediatos em vez de

estratégias estruturais

de prevenção. E arriscam

ficar para trás num cenário

de fraude cada vez mais

sofisticado.

quatro em cada dez já a usam diariamente,

e quem tem acesso a ferramentas corporativas

é duas vezes mais propenso a relatar uma

relação saudável com o trabalho. A Geração Z

e os Millennials estão a redefinir expectativas

e a exigir flexibilidade, autonomia e liderança

orientada por valores. Ignorá-los é perder

talento e futuro competitivo, alerta este

trabalho.

“A maioridade digital é hoje

uma questão central que todos

os países estão a discutir,

cada um julgando que é um

problema seu quando, no fundo,

é um problema comum.

E se o tratarmos de uma forma

global, todos o faremos melhor,

porque aprendemos uns

com os outros. Teremos,

juntos, mais força, para regular

os novos oligarcas tecnológicos,

que são hoje uma ameaça efetiva

à nossa democracia.”

ANTÓNIO COSTA

CNN Portugal, 21/11/2025

“Há uma bolha nas empresas

de tecnologia ligadas à IA,

principalmente envolvendo

investimentos excessivos

em infraestruturas físicas,

como no caso dos centros de dados.

(…) Quando não se sabe o valor real

de uma tecnologia, não é possível

aos investidores atribuírem,

racionalmente, uma avaliação

aos investimentos.”

JERRY KAPLAN

Expresso, 11/11/2025

“A IA não precisa de ser

uma moda nem um inimigo.

Pode ser uma ferramenta –

poderosa, sim, mas uma

entre muitas. Tal como

a calculadora não matou a

matemática, a IA não precisa

de matar a criatividade.

Desde que saibamos usá-la

com discernimento, propósito

e ética. O problema não é o avanço

tecnológico, mas a pressa

em usá-lo sem reflexão e sem

ponderação racional!”

VERA CARRONDO

ECO, 10/11/2025

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 7


A ABRIR

EDUCAÇÃO

COM IA:

UMA NOVA ERA

A IA está prestes a transformar

profundamente a educação –

da personalização do ensino ao apoio

aos professores. E os maiores desafios

passam por garantir segurança, equidade

e pensamento crítico, num sistema

de aprendizagem em rápida mutação.

Nesta nova era, a solução não passa por

proibir a tecnologia, mas sim por construí-la

de forma diferente, fundamentada na ciência

da aprendizagem, para atuar como parceira

de alunos e educadores e não apenas como

um atalho. Esta recomendação é da Google,

num position paper que aborda os desafios

da utilização da IA na formação dos alunos.

O documento identifica um ponto

de viragem: a IA pode personalizar

o ensino, simplificar conteúdos

complexos, criar experiências

interativas e aliviar sistemas

educativos sobrecarregados,

num contexto em que os resultados

do PISA têm caído globalmente

e faltam professores. A Google

destaca cinco áreas

de transformação – ligação

à ciência da aprendizagem,

personalização, acessibilidade,

tutorias adaptadas e apoio direto

aos docentes. Mas alerta para riscos

sérios: precisão limitada, segurança

dos jovens, viés, dependência excessiva

e desigualdades reforçadas se o acesso

não for garantido. E defende que

a verdadeira revolução será social, exigindo

a participação ativa de educadores,

governos e comunidades.

IA USADA

POR 40%

DOS JOVENS

EUROPEUS

Cerca de 40% dos jovens europeus

entre os 13 e 18 anos usam IA todos

os dias, sobretudo para estudar,

criar e explorar novos interesses.

A conclusão é de um estudo

encomendado pela Google, que

revela que entre os mais de sete

mil inquiridos, 81% dizem que a

tecnologia aumenta a criatividade,

65% afirmam que os ajuda a gerar

ideias e 47% consideram que facilita

a compreensão de temas complexos.

A IA já está também a entrar nas

escolas: 56% indicam que pelo

menos uma ferramenta inteligente

foi aprovada pelos estabelecimentos

de ensino, embora 28% digam que

isso ainda não acontece. Apesar da

forte adoção, os jovens mostram

cautela: 55% avaliam a credibilidade

do conteúdo que encontram online

e 46% verificam informação noutras

fontes. O estudo indica ainda que 32%

procuram apoio dos pais para hábitos

digitais saudáveis, reforçando que,

para esta geração, a IA é um recurso

valioso, mas que deve ser usado com

espírito crítico e equilíbrio.

Curiosidades

IMPLANTES QUE VIAJAM PELO CEREBRO

Um sistema de implantes cerebrais que têm a capacidade de viajar no cérebro humano, através do sangue,

e que tratam doenças graves sem cirurgias? Ao que parece, já não é ficção. Um grupo de investigadores

do MIT está a desenvolver esta solução para ajudar no tratamento de doenças neurológicas graves, eliminando os

riscos e custos associados às cirurgias. As conclusões deste trabalho foram publicadas na revista científica Nature Biotechnology.

A equipa desenvolveu um sistema bioeletrónico microscópico, sem fios, que pode navegar pelo sistema circulatório até chegar a

uma determinada região do cérebro. A tecnologia permite estimular eletronicamente e tratar a zona afetada. Chamaram ao sistema

“circulatronics”, estando o projeto em desenvolvimento há mais de seis anos, tendo sido testado para combater a inflamação no

cérebro, frequentemente ligada a doenças neurológicas. Agora, a meta é avançar para ensaios clínicos, num prazo de três anos,

através da recém-criada startup Cahira Technologies.

8 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


CITAÇÕES

TELCOS REDUZEM EM 85%

IMPACTO DOS CIBERATAQUES

Os operadores de telecomunicações europeus

reduziram em 85% o impacto dos ciberataques

em apenas dois anos, apesar do aumento das

ameaças que colocam em risco a conetividade

na UE. Em 2024, as telcos registaram menos

1,7 mil milhões de horas de conetividade

perdida, uma descida de 55% face a 2023, revela

o estudo “The Telecom sector's contribution

to Europe's security and resilience”, da

Connect Europe e da Copenhagen Economics.

A melhoria resulta de infraestruturas mais

robustas, melhor gestão de risco e processos

de resposta mais maduros. Mas o relatório

GENAI PODE RENDER 1,2 MIL

MILHÕES POR ANO AO ESTADO

A adoção da IA generativa pode aumentar

a produtividade da Administração Pública

portuguesa em 9% nos próximos 10 anos,

gerando um impacto económico anual

estimado de 1,2 mil milhões de euros.

Os dados são do estudo The AI opportunity

for eGovernment in Portugal, encomendado

pela Google. A análise indica que dois terços

dos trabalhadores do Estado – cerca

de 200 mil pessoas – poderão beneficiar

diretamente da tecnologia, integrando-a

em tarefas diárias. Atualmente, mais de

metade dos funcionários públicos já usa

ferramentas de IA e 80% acredita que serão

essenciais na próxima década. O relatório

recomenda por isso metas ambiciosas

na nova Agenda Nacional de IA,

começando por aplicações internas

de baixo risco e avançando para

serviços voltados para o cidadão,

como automatização

de formulários ou apoio

digital no Gov.pt –

onde o assistente

de IA já respondeu

a 17 mil conversas

no primeiro mês.

lança um aviso claro: a resiliência futura

está ameaçada pela falta de um ambiente

regulatório favorável ao investimento. Pelo que

recomenda três prioridades políticas: apoiar

o financiamento da segurança, simplificar

regulamentação, eliminando duplicações,

e colmatar a escassez de talento com uma

estratégia europeia de competências

em cibersegurança. Para a Connect Europe,

reforçar o investimento em conetividade

será decisivo para sustentar redes críticas

que suportam serviços essenciais,

da cloud à administração pública digital.

A Google defende que a transformação

poderá reduzir a burocracia, acelerar serviços

essenciais e tornar processos públicos mais

simples para cidadãos e empresas, desde que

acompanhada por regras de soberania, ética,

interoperabilidade e investimento continuado

em infraestrutura.

“A IA é simultaneamente motor de

eficiência e causa de instabilidade,

acelerando a transição para uma

economia onde o valor humano

dependerá cada vez mais da

capacidade de adaptação e de

aprendizagem contínua. A grande

questão da próxima década será

a capacidade de adaptação

e requalificação, para que

a inovação tecnológica amplie

– e não destrua – as oportunidades

de trabalho e desenvolvimento

humano.”

PAULO MONTEIRO ROSA

ECO, 07/11/2025

“Sem ciência, a democracia

enfraquece, a economia estagna e

o futuro torna-se refém do acaso.

Os países que hoje lideram o

mundo não chegaram lá por sorte.

Chegaram lá porque acreditaram

no poder transformador do

conhecimento (…). Portugal não

investe mais em ciência por ser

pobre. Portugal é pobre porque

ainda não percebeu que investir

em ciência é a única forma

de deixar de o ser.”

MARIA MANUEL MOTA

Expresso, 06/11/2025

“Uma reforma do Estado que

não toca na máquina do Estado

não reforma nada, pode mudar

processos, mas não reforma.

O Governo fala de ‘eficiência’

e ‘desburocratização’, mas para

já evita o essencial – isto é, ajustar

o tamanho da máquina

à produtividade da economia

e usar a digitalização para libertar

recursos. (…) Sem um plano que

defina quantos entram, quantos

saem e quanto se poupa,

o Estado apenas se reorganiza

para continuar igual.”

ANTÓNIO COSTA

ECO, 16/10/2025

“As redes sociais

industrializaram o reflexo idiota.

O algoritmo necessita de que

estejamos convictos de que

o outro é um idiota, pois

rentabiliza e monetariza

essa certeza – e a raiva

é o modelo de negócio.”

LUÍS PEDRO NUNES

Expresso, 16/10/2025

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 9


A ABRIR

Curiosidades

EMPREGADO DOMÉSTICO ARTIFICIAL

É o sonho de qualquer pessoa: ter um

robô humanoide em casa que promete

deixar tudo num ‘brinco’. Espera-se que

seja possível já em 2026 nos Estados

Unidos e em 2027 noutros mercados.

Chama-se NEO, já foi apresentado

oficialmente e garantem que se trata

do primeiro robô humanoide 100%

pronto para o consumidor. Tem

capacidade para realizar variadas

tarefas domésticas, incluindo

“dobrar roupa, organizar prateleiras

e arrumar espaços”. Este ‘empregado

doméstico’, desenvolvido pela

1X Home Robots, vai custar

20 mil dólares ou uma subscrição

mensal. Equipado com um modelo

de linguagem avançado (LLM),

a mesma base de alguns sistemas

de IA, o robô tem capacidade de

aprendizagem e de memorização

das preferências do utilizador.

Vai além das capacidades

domésticas, integrando Wi-Fi,

Bluetooth e um sistema

de altifalantes em três níveis.

É também uma central de

entretenimento doméstico móvel.

Além do preço, há um senão: para

aprender, precisa de supervisão

humana, o que obriga a empresa

a monitorizar as tarefas através dos

olhos do robô. O que levanta questões

de privacidade.

Este ‘empregado

doméstico’,

desenvolvido pela

1X Home Robots, vai

custar 20 mil dólares

ou uma subscrição

mensal

IA ACELERA CORRIDA

À CLOUD HÍBRIDA

A cloud híbrida tornou-se no novo

pilar da adoção de IA e da agilidade

empresarial. Apesar de 70% dos CEO

admitirem ter chegado ao seu ambiente

cloud “por acidente”, o investimento

aumentou mais de 30% no último ano,

impulsionado por desafios de integração

de IA, novas exigências de soberania

e maior risco cibernético. O Cloud

Readiness Report 2025, da Kyndryl,

mostra que 75% dos líderes estão

preocupados com riscos geopolíticos

e 65% já ajustaram estratégias de

dados. A cloud híbrida e a multi-cloud

afirmam-se como norma: 84% utilizam

múltiplas clouds e 41% estão a repatriar

dados para on-premises. Para o estudo,

a IA é o principal motor desta mudança.

Cerca de 89% dos líderes reconhecem

que a cloud facilitou a sua adoção, mas

35% enfrentam barreiras de integração.

Mas estão a crescer as infraestruturas

especializadas, como IA privada

e neoclouds, otimizadas para cargas

de GPU. Com 82% das organizações

a sofrerem incidentes de

cibersegurança, 75% investem agora

em IA para proteção. Para a Kyndryl,

a cloud híbrida é a base estratégica

que permitirá integrar IA com

segurança, confiança e inovação

contínua.

10 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


NÚMEROS

Curiosidades

RECORDE DE

BILIONÁRIOS EM 2025

Aconteceu este ano na China, onde

surgiu um novo bilionário por dia.

Dados da última edição da “Hurun China

Rich List” diz que havia em outubro

1.434 indivíduos com fortunas superiores

a cinco mil milhões de yuan (cerca

de 601 milhões de euros), mais

340 do que no ano passado, com

um crescimento de 31%. Tudo graças

à valorização das bolsas e à ascensão

de empresas da “nova economia”.

O património combinado destes

multimilionários totaliza 30 biliões

de yuan (quase 3,6 biliões de euros),

um aumento de 42% face ao ano anterior.

Zhang Yiming, fundador da ByteDance,

a dona do TikTok, está na 2.ª posição,

com uma fortuna de 470 mil milhões

de yuan (56 mil milhões de euros),

mais 34%. O número de fortunas

acima dos 100 mil milhões de yuan

(12 mil milhões de euros) subiu de 26

para 41, com um crescimento de 59%.

Já o total de pessoas com património

acima de mil milhões de dólares

(857 milhões de euros) aumentou

36%, para 1.021.

FRAUDE

IMPULSIONADA

POR IA DISPARA

A fraude digital entrou numa nova era

e a IA está no centro da mudança. Um estudo

global do SAS e da ACFE revela que 77%

dos especialistas antifraude registaram uma

aceleração significativa no uso de deepfakes

e engenharia social nos últimos dois anos,

enquanto 83% preveem uma intensificação

destes esquemas até 2027. O alerta torna-se

mais preocupante quando cruzado com

outro dado: menos de 10% dos profissionais

sentem-se preparados para enfrentar ataques

potenciados por IA. A investigação demonstra

que modelos generativos tornaram a fraude

mais rápida, convincente e difícil de detetar,

criando um cenário de vulnerabilidade

crescente para empresas, governos e cidadãos.

Para conter o risco, são apontados caminhos

claros. A verificação de identidade avançada,

monitorização transacional em tempo real

e analítica comportamental de larga escala

serão essenciais para travar ataques antes

de se materializarem. Num ecossistema

em que a linha entre verdade e simulação

se torna cada vez mais ténue, a mensagem

é inequívoca: a defesa também terá de ser

inteligente.

CIBERSEGURANÇA 2026:

O ANO EM QUE NINGUÉM ESTARÁ

SEGURO

A Devoteam Cyber Trust antecipa um 2026

decisivo para a segurança digital, num cenário

onde a inteligência artificial, a computação

quântica e a globalização das infraestruturas

ampliam riscos e exigem novas respostas.

O relatório “10 Tendências de Cibersegurança

para 2026” alerta para a integração total

da IA – tanto na defesa como no ataque,

a urgência da criptografia pós-quântica e a

ascensão de modelos Zero Trust operacionais

em ambientes híbridos e multicloud. A gestão

contínua da exposição (CTEM) torna-se

linguagem comum entre segurança e negócio,

500 MIL MILHÕES

É o montante recorde, em dólares,

da startup mais valiosa do mundo.

Foi alcançado pela OpenAI

no início de outubro, na sequência

de uma venda de ações de alguns

funcionários da dona do ChatGPT,

que ainda não está cotada em bolsa,

operação que terá rendido 6,6 mil

milhões de dólares. A Bloomberg

diz que o recorde anterior pertencia

à SpaceX, do multimilionário

Elon Musk, com 400 mil milhões

de dólares. Em menos de um ano,

a OpenAI aumentou exponencialmente

o seu valor, graças à febre

em torno da IA, e aos vários acordos

que tem vindo a anunciar

com outros gigantes do setor,

como a Oracle e a Nvidia.

38 MIL MILHÕES

É a verba a investir, em dólares,

pela AWS e a OpenAI, no âmbito

de uma parceria estratégica de

longo prazo que ambas anunciaram.

Representa para a Amazon um passo

significativo na corrida à IA, face

a concorrentes como a Microsoft

e a Google. Já para a dona do ChatGPT,

permitirá reforçar a sua capacidade

de computação, acelerando

o desenvolvimento de novos modelos

de IA. Estima-se que esta parceria

registe um crescimento contínuo

ao longo dos próximos sete anos.

enquanto a identidade e o comportamento

passam a concentrar os principais controlos.

O estudo aponta ainda a fusão entre cloud,

dados e cadeia de software como superfície

única de ataque, a industrialização

do cibercrime e o impacto crescente

de regulamentações como NIS2, DORA

e AI Act. Num contexto de ataques mais

rápidos, baratos e automatizados, a Devoteam

defende que 2026 exigirá estratégias simples,

acessíveis e centradas nas pessoas, capazes

de transformar a cibersegurança numa

verdadeira vantagem competitiva.

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 11


A ABRIR

IA FAZ 50% DO ATENDIMENTO

AO CLIENTE ATÉ 2027…

A IA está a transformar

o atendimento ao cliente em

Portugal. Segundo o relatório

State of Service, da Salesforce,

30% dos casos já são hoje resolvidos

por IA, percentagem que deverá

chegar aos 50% até 2027. Os líderes

portugueses colocam a tecnologia

no 6.º lugar das prioridades e veem

os agentes inteligentes como chave

para reduzir custos, aumentar

a satisfação e libertar equipas para

tarefas de maior valor. Na região

EMEA, os profissionais que utilizam

IA passam menos 20% de tempo

em tarefas rotineiras e ganham

quatro horas semanais para trabalho

especializado. O estudo mostra

ainda que 87% dos profissionais

portugueses desenvolveram

novas competências e 84%

dizem que os seus papéis

se tornaram mais

especializados

graças à IA.

Apesar dos

desafios na

segurança

– que atrasaram iniciativas

para 54% dos inquiridos, 95%

dos líderes afirmam que

os obstáculos foram menores

do que o esperado. A Salesforce

conclui que a IA está a remodelar

o serviço ao cliente e a criar

oportunidades de crescimento

e carreira.

BOM DIA!

EM QUE POSSO

AJUDAR?

Curiosidades

MODELOS DE IA VICIADOS

NO JOGO?

Sim, parece mentira, mas é verdade. Pelo

menos tendo em conta uma pesquisa que pôs

à prova o comportamento de quatro modelos

de IA avançados perante uma slot machine.

O resultado? A racionalidade vai fugindo das

decisões à medida que aumenta a liberdade

para apostar, tal como acontece com muitas

pessoas. Ou seja, à semelhança do que fariam

muitos humanos, principalmente os que têm

problemas de adição ao jogo, quanto mais

liberdade de ação se deu aos modelos de IA,

piores e mais arriscadas foram as decisões.

A pesquisa foi realizada por investigadores

do Instituto de Ciência e Tecnologia de

Gwangju, na Coreia do Sul, envolvendo quatro

modelos avançados de IA: GPT-4o-mini e

GPT-4.1-mini, da OpenAI; Gemini-2.5-Flash

do Google e Claude-3.5-Haiku da Anthropic.

Os resultados foram publicados na plataforma

arXiv e mostram que a cada um dos modelos

foram dados 100 dólares para apostar em

slot machines e a liberdade de escolher entre

apostar ou parar em cada jogada. Quando se

deu liberdade aos modelos para escolherem

os valores das apostas, as más decisões

aumentaram exponencialmente, revelando

mesmo comportamentos irracionais.

… E 2026 SERÁ O ANO DO

TESTE REAL À TECNOLOGIA

O entusiasmo em torno da IA está a dar lugar a dúvidas e 2026 será o ano

do teste à realidade, revela o SAS, que prevê que os projetos de IA generativa

deixem de ser avaliados pela novidade e passem a ser julgados pelo retorno

efetivo, a ética e o impacto operacional. Com CFO a exigirem resultados

em 6 a 12 meses, muitas iniciativas sem valor tangível serão suspensas.

O SAS antecipa ainda mudanças profundas nos papéis de liderança:

o CIO torna-se Chief Integration Officer, responsável por orquestrar

ecossistemas de agentes; equipas híbridas humano-IA tornam-se norma;

e novos cargos, como Chief Agent Officer, vão emergir. A tecnologia será

responsabilizada não só pelos ganhos, mas também por eventuais falhas.

O estudo destaca ainda a importância da IA responsável, da governança

e da gestão de dados para sustentar inovação. Em paralelo, prevê-se

a aceleração da computação quântica e um RH que passa a gerir tanto pessoas

como agentes. 2026 marcará o fim da euforia e o início da maturidade.

12 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 13


À A CONVERSA

ABRIR

“TEMOS DE

ESCOLHER

ÁREAS ONDE SER

CHAMPIONS”

Depois de quase uma década à frente do Gabinete Nacional

de Segurança, António Gameiro Marques encerra um ciclo

determinante da sua vida profissional. Militar de carreira,

engenheiro, líder público e professor, é uma das vozes mais firmes

na defesa da soberania digital, da cibersegurança e da confiança

no ecossistema digital. Para si, segurança nunca significou medo,

mas sim confiança, responsabilidade e futuro. Uma visão

que agora leva para o 35.º Congresso da APDC, num momento

decisivo para Portugal e para a Europa.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

14 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 15


À A CONVERSA

ABRIR

16 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


O mar entrou cedo na vida de António Gameiro Marques.

Cresceu na Figueira da Foz, com o Rio Mondego como

primeira paisagem de memória e a vontade de “abrir

horizontes” num país em transformação. Foi esse impulso

que o levou, aos 17 anos, à Escola Naval, iniciando um

percurso de quase cinco décadas ao serviço do Estado,

sempre no cruzamento entre comando, tecnologia

e estratégia. Uma formação onde o rigor das ciências

exatas nunca se desligou da liderança, do comportamento

humano e de uma visão profundamente humanista

do poder e da segurança.

Com o mar, vieram também as comunicações e os sistemas

complexos. Ainda numa fase inicial da carreira, aprofundou

a especialização tecnológica nos Estados Unidos,

tendo estado diretamente envolvido no desenvolvimento

e manutenção do software dos sistemas de combate das

fragatas da Marinha Portuguesa. A dimensão internacional

consolidou-se com a representação de Portugal junto

dos organismos da NATO responsáveis pelas TIC, cargo

em que acompanhou os primeiros ciberataques de grande

escala, despertando para a relação profunda entre

cibersegurança, geoestratégia e soberania. Promovido

a contra-almirante, foi diretor de tecnologias (CTO)

da Marinha e secretário-geral adjunto do Ministério

da Defesa Nacional.

Funções que reforçaram a sua convicção de que a

segurança não é apenas uma questão técnica ou militar,

mas um exercício permanente de responsabilidade política,

institucional e ética. Ao longo do seu percurso, defendeu

sempre que a tecnologia deve servir as pessoas e proteger

os valores fundamentais das sociedades democráticas.

Para António Gameiro Marques, segurança não é sinónimo

de controlo excessivo, mas de confiança: sistemas bem

concebidos, bem governados e compreendidos por quem

deles depende. Uma visão que o acompanhou nos anos

mais recentes, à frente do Gabinete Nacional de Segurança

e do Centro Nacional de Cibersegurança, num contexto

marcado por ameaças híbridas, desinformação e crescente

dependência digital.

Hoje, ao fechar esse ciclo, mantém a mesma clareza

de princípios. Acredita que a Europa só conseguirá afirmar-

-se na era digital se souber equilibrar soberania, segurança

e inovação – sem abdicar da liberdade, da democracia

e da cooperação. É com esta convicção que aceitou ser

presidente do 35.º Congresso da APDC, que se realiza

a 6 e 7 de maio de 2026, com o tema “Europe in the Digital

Age: Balancing Sovereignty, Security and Innovation”.

Inquieto com a dependência tecnológica da UE, defende

uma sociedade digital assente na colaboração, escolha

estratégica e preservação de valores.

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 17


À A CONVERSA

ABRIR

DURANTE MUITOS ANOS, ESTEVE

ASSOCIADO ÀS DECISÕES MAIS

CRÍTICAS DA SEGURANÇA NACIONAL

E DIGITAL. QUEM É ANTÓNIO

GAMEIRO MARQUES DEPOIS

DE NOVE ANOS NO GABINETE

NACIONAL DE SEGURANÇA (GNS)

E NO CONSELHO NACIONAL

DE CIBERSEGURANÇA (CNCS)?

Continuo igual a mim próprio,

mas com uma 'mochila virtual' mais

preenchida. Tenho particularidades

que desenvolvi durante este trajeto,

outras tive de desenvolver devido

à minha profissão. Uma delas foi

a desconfiança. Por natureza, não

era uma pessoa desconfiada, mas

desenvolvi essa característica, que

está também um pouco associada

à perda de ingenuidade que a idade

traz. Todavia, continuo agarrado

a valores que os meus pais e os meus

avós me ensinaram e que tentei

fazer perdurar ao longo da minha

vida profissional, transmitindo-os

e praticando-os. Porque não basta

dizer, é preciso fazer e a melhor

maneira de liderar é pelo exemplo.

Acho que também desenvolvi ainda

mais uma componente que aprecio

muito: uma dimensão humanista

da relação entre as pessoas, por

oposição a uma postura tecnocrata.

Senti que tinha de a desenvolver

para equilibrar a minha própria

profissão. Sou oficial da Marinha

e no próximo ano faz 50 anos que

entrei na Escola Naval. Ao longo

da formação, desenvolvemos

muito conhecimento na área

das Ciências Exatas, mas

também nos ensinam Psicologia,

comportamento humano,

liderança, o desenvolvimento das

competências emocionais.

Isso, ao longo da nossa vida,

ajuda a adaptar-nos à realidade,

que muda muito rapidamente.

ESSES VALORES MANTIVERAM-

-SE SEMPRE AO LONGO DO SEU

PERCURSO...

Tentei que se mantivessem

sempre. Algo que hoje considero

também muito importante – e que

não foi desenvolvido na Escola Naval

nem na Marinha, já trazia comigo

e fui apurando – é a curiosidade

e a vontade de aprender coisas

“Continuo igual a

mim próprio, mas

com uma 'mochila

virtual' mais

preenchida. Tenho

particularidades que

desenvolvi durante

este trajeto, outras

tive de desenvolver

devido à minha

profissão. Uma delas

foi a desconfiança.”

novas, de questionar, no sentido

crítico do termo, em cooperação com

outras pessoas. Aliás,

a importância de cooperarmos

com os outros é algo que nunca

me cansei de dizer, quase

ad nauseam, quando dava aulas

ou fazia conferências. Porque os

problemas, atualmente, são muito

complexos para que uma só pessoa

ou organização consiga resolvê-

-los. Se pensarmos bem, as coisas

mais bem-sucedidas que o engenho

humano conseguiu fazer foi sempre

em cooperação, não foi em solidão.

Portanto, continuo a acreditar no ser

curioso, no trabalhar em cooperação,

no nunca desistir de aprender e no

criar ligações humanas.

NASCEU NA FIGUEIRA DA FOZ E,

DEPOIS, FOI PARA A MARINHA.

COMO FOI ESSE SEU PERCURSO?

A primeira imagem que tenho

na memória – tinha quatro anos

– foi quando o meu pai me

levou a conhecer a diretora

do Jardim Escola João de Deus,

a primeira escola onde andei na

Figueira da Foz, e eu não queria ir.

Lembro-me onde estávamos

e que tinha o Rio Mondego à minha

frente. Depois, fiz remo, fiz vela e

quando terminei o secundário – na

altura, o sétimo ano do liceu – fui

para a Escola Naval. Havia uma

grande indeterminação no país e

precisava de abrir horizontes. Uma

pessoa que prezo muito sugeriu-me

ir para a Escola Naval. Entrei a

1 de setembro de 1976 e integrei

o primeiro curso com cinco anos

letivos. Já tinha uma forte carga

tecnológica, porque a Marinha já

nessa altura planeava reformular-

-se e modernizar-se e precisava de

pessoas e de conhecimento nos seus

quadros, que permitissem dar esse

salto tecnológico. O que aconteceu

cerca de dez anos depois.

Ainda fui bastante tempo oficial

de guarnição nos navios e fiz

de seguida uma especialização

em Comunicações. No final, fui

selecionado, entre 28, para ir

para os EUA fazer um mestrado

18 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


em Engenharia Eletrotécnica e

Computadores, onde estive entre

1984 e 1987.

FOI AÍ COMEÇA O SEU PERCURSO

NAS ÁREAS TECNOLÓGICAS?

Cheguei a Portugal em 1987,

quando começava a despontar

o programa das novas fragatas.

Em 1988 fui para a Holanda,

onde durante ano e meio fui

preparado para estar na equipa

que desenvolveu o software do

sistema de combate do navio, com o

propósito de integrar a equipa que

fazia os testes de aceitação

de fábrica e de mar. Depois disso,

de 1991 a 1998, integrei a equipa que,

de seis em seis meses, ia para

o Reino Unido treinar e certificar

os navios. Depois, enveredei por

outro caminho.

FOI FAZER PARTE DA COMISSÃO

INSTALADORA DO CENTRO

NACIONAL DE SEGURANÇA. O QUE

O FEZ ACEITAR ESSE DESAFIO?

Fiz parte da comissão instaladora

do Centro Nacional de Segurança,

em 2012, o que surgiu quando

era Chief Information Officer da

Marinha. O grupo era liderado

pelo Almirante Torres Sobral,

meu antecessor no GNS, e tinha

pessoas de várias áreas: do Direito,

da Polícia Judiciária, da ANACOM,

“Quando, em 2007,

houve um grande

ciberataque à Estónia,

que parou o país

durante vários dias,

acompanhei todo esse

processo (...) Por isso,

fiquei desperto para

essa vertente.”

da Academia, da Fundação para

a Ciência e Tecnologia (FCT).

Antes estive na NATO, entre 2004

e 2007, onde era o representante

de Portugal em todos os comités

que tratavam com temas das

Tecnologias da Informação. Quando,

em abril e maio de 2007, houve um

grande ciberataque à Estónia, que

parou o país durante vários dias,

acompanhei todo esse processo

e as discussões ao nível do North

Atlantic Council, dos comités

políticos e técnicos. Por isso, fiquei

desperto para essa vertente.

A relação da cibersegurança com

a dimensão geoestratégica agrada-

-me muito, assim como a dimensão

da soberania.

NO FUNDO, A CIBERSEGURANÇA

ASSEGURA A SOBERANIA DIGITAL…

É um garante de uma dimensão

de soberania digital. Agrada-me

também muito o impacto que

o facto de vivermos cada vez mais

num mundo digital tem na forma

como percecionamos o mundo.

Refiro-me à desinformação

e ao risco de as pessoas

consumirem informação apenas

através das redes sociais, pois,

ao fazê-lo, acabam por ver apenas

uma perspetiva da realidade.

TRABALHAR DURANTE NOVE

ANOS PERMANENTEMENTE

NA ANTECIPAÇÃO DO RISCO MUDA

A FORMA COMO SE VIVE O DIA A DIA?

ISSO ACOMPANHA-O HOJE?

Todos temos uma ‘mochila às

costas’. Tentar antecipar o risco

requer três coisas: planeamento

com base em vários cenários,

ter apetência para o risco e saber

que riscos é necessário mitigar.

Ou seja, trata-se de uma matriz

de probabilidade de impacto,

em que se a probabilidade de

um impacto for acima de um

determinado nível, tenho de

perceber o que fazer para mitigar

esse risco. E fazê-lo a priori, não por

reação. Isto entrou na minha ‘pele’

e, por vezes, é penoso, sobretudo

para quem vive comigo, porque,

antes de algo acontecer, já estou a

pensar: “wish for the best, plan for

the worst”.

A SUA CARREIRA FOI MARCADA

POR CONTEXTOS DE ELEVADA

RESPONSABILIDADE E PRESSÃO.

O QUE É QUE O AJUDOU A MANTER

O EQUILÍBRIO ENTRE A VIDA

PROFISSIONAL E A VIDA PESSOAL?

A SUA ÂNCORA É A FAMÍLIA?

Sim, a família e os amigos

fortes, que se contam pelos dedos

da mão. Agora, o equilíbrio, isso

não consegui muito. Trabalhava

demais e não ia para o dia seguinte

com coisas pendentes. As questões

estratégicas, que requeriam

reflexão e pensamento, estudava-as

e depois abordava-as com os dois

subdiretores do CNCS e do GNS.

Tinha também algumas pessoas

a quem recorria, porque confiava

na sua opinião. Como é que gozava

férias? Com o computador atrás.

É saudável? Claro que não.

Por isso é que, a certa altura, senti

necessidade de mudar. Claro que

o Estatuto dos Militares das Forças

Armadas também me obrigou,

porque nos reformamos quando

fazemos 66 anos. Mas defendo que

as organizações também beneficiam

da mudança dos seus dirigentes.

Mudar é bom. É importante.

Refresca.

ESTEVE À FRENTE DE UMA ÁREA

CRÍTICA DO PAÍS, NUM PERÍODO

DE GRANDE INSTABILIDADE

GEOESTRATÉGICA E DE GRANDE

ACELERAÇÃO TECNOLÓGICA. QUAIS

FORAM OS GRANDES DESAFIOS QUE

CONSIDERA TER ENFRENTADO?

Enfrentámos desafios externos

e internos. Os internos foram

sendo resolvidos à medida que

iam surgindo. A nível externo,

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 19


À A CONVERSA

ABRIR

o maior foi comum a todos nós:

a pandemia. Felizmente, estávamos

muito bem preparados, porque já

tínhamos conseguido atingir, no fim

de 2019, um nível de transformação

digital muito significativo: todos os

colaboradores tinham um portátil,

tínhamos feito formação sobre

a utilização do Teams e todas as

pessoas sabiam fazer reuniões

online. A organização estava

preparada, portanto a transição não

foi dramática. Mas a instituição tem

temas que não podem ser tratados

a partir de casa. São críticos e

não podem andar a circular na

internet. Aí, recorremos à nossa

cultura militar de organização do

trabalho por turnos. Havia sempre,

em média, entre 15 e 20 pessoas na

organização que, na altura, tinha

cerca de 110 pessoas, porque era

preciso garantir que a informação

classificada era tratada de acordo

com as normas internacionais

em vigor. Outro desafio foi

transmitir à sociedade que este

tema da segurança da informação

em geral, e da cibersegurança

em particular, é algo que não

é só técnico, é uma questão de

comportamento, que abrange

as áreas jurídica, financeira,

recursos humanos, e é, sobretudo,

um tema para as altas direções das

organizações. Recordo-me que,

no início, era difícil transmitir esta

ideia. Havia pessoas com cargos

de responsabilidade que

diziam: “Esse é um assunto dos

informáticos”. Estava tudo muito

segmentado.

O QUE LHE DEU O MAIOR

SENTIMENTO DE MISSÃO CUMPRIDA,

DEPOIS DESTES NOVE ANOS?

Não consegui concretizar

tudo a que me propunha. Tinha

os ‘doze trabalhos de Asterix’

e não consegui concretizar três.

Um deles, que era um desígnio

desde que entrei, era modernizar

e atualizar toda a legislação

que enquadra a tramitação

da informação classificada

no nosso país. Os famosos

SEGNACs [conjunto de normas

e regulamentos que definem os

procedimentos para proteger a

“Foi um desafio transmitir à sociedade que este

tema da segurança da informação em geral, e da

cibersegurança em particular, é algo que não é só

técnico, é uma questão de comportamento.”

Informação Classificada, como

segredos de Estado ou dados

confidenciais] são documentos do

fim da década de 80, princípios

da década de 90, ainda estão em

vigor. A legislação estava preparada,

mas com o 7 de novembro de

2023 [a queda do Governo], não se

concretizou. Mas o caminho ficou

traçado. Outra meia frustração,

que terminou a 4 de dezembro,

com a publicação do Decreto-lei

125/2025, do novo Regime Jurídico

da Cibersegurança Nacional, foi

a transposição da Diretiva NIS2

[Diretiva de Segurança das Redes

e da Informação]. Começámos a

trabalhar no documento em maio

de 2023. Mas houve outras coisas

que consegui, com a minha equipa:

pôr a cibersegurança no mapa,

transformar completamente a

forma como nos credenciamos,

com a criação de uma plataforma

onde as pessoas se credenciam

online. Conseguimos também pôr

o GNS e o CNCS no mapa, graças

a centenas de comunicações que

20 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


realizámos ao longo destes anos.

Costumava dizer que gastava uma

grande parte da minha energia

a fazer pontes, a pôr as pessoas

a falar umas com as outras, a tentar

fazê-las perceber que, para se fazer

alguma coisa de valor, tem de haver

cooperação interdepartamental.

ENQUANTO SOCIEDADE, ESTAMOS

PREPARADOS PARA LIDAR COM O

PROBLEMA DA DESINFORMAÇÃO,

AGORA MUITO MAIS AMPLIFICADO

COM A IA?

Acho que não estamos

preparados. Para estarmos,

temos de ter consciência do

que é a desinformação e de saber

como lidar com esse fenómeno.

Há pessoas que têm essa

consciência e, por isso, procuram

diferentes perspetivas sobre

a mesma notícia ou informação,

mas nem todas têm tempo ou

disponibilidade para o fazer.

Hoje em dia, a maior parte das

pessoas consome informação

por via das redes sociais, porque

já não veem telejornais, nem

leem jornais. Os órgãos de

comunicação social são um

elemento fundamental das

democracias. Com as redes sociais,

as pessoas consomem aquilo que

o algoritmo lhes diz, que já sabe

que elas gostam. Assim, existe

uma apetência cada vez menor

para ouvir o contraditório. E uma

democracia vive do contraditório.

A NIS2 ENTRA EM VIGOR A 4 DE

ABRIL. COMO É QUE VAI MUDAR

ESTRUTURALMENTE A FORMA COMO

AS EMPRESAS DEVEM ENCARAR O

TEMA DA CIBERSEGURANÇA?

Em primeiro, é o seu âmbito,

que é muito mais alargado.

Em segundo, é muito mais objetiva

nos requisitos, porque a NIS1

era demasiado ambígua, o que

fazia com que Estados-membros

semelhantes em termos de

dimensão económica e populacional

tivessem resultados completamente

distintos. Essa foi também uma

das motivações de fazer a NIS2

tão perto, digamos assim, da NIS1.

Um aspeto muito importante da

NIS2 é que responsabiliza o mais

“Um aspeto muito

importante da NIS2

é que responsabiliza

o mais alto dirigente

das organizações.

Trata-se de um tema

de liderança e os

dirigentes têm de

perceber que se uma

entidade não é segura

no espaço digital,

as pessoas não têm

confiança nela.”

alto dirigente das organizações.

Trata-se de um tema de liderança

e os dirigentes têm de perceber

que se uma entidade não é segura

no espaço digital, as pessoas não

têm confiança nela. As pessoas têm

de pensar que na internet há regras,

tal como no mundo físico.

A IDENTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA

DE ENTIDADES E A UTILIZAÇÃO DA

PLATAFORMA ELETRÓNICA DO CNCS

JÁ ESTÃO EM CURSO. NÓS TEMOS

UM TECIDO MAIORITARIAMENTE

COMPOSTO POR PME, QUE OLHAM

PARA ISTO APENAS COMO UMA

OBRIGAÇÃO REGULATÓRIA,

AO INVÉS DE UMA VANTAGEM.

ISTO NÃO VAI PREJUDICAR A SUA

IMPLEMENTAÇÃO?

Sim, vai. O foco tem de ser

completamente diferente. Tem de

ser: olhar para a NIS2 como etapa

de um caminho que vai tornar

a empresa mais apetecível para

os clientes. Por exemplo, havendo

duas empresas, uma delas com

certificação NIS2 e outra que

entrega o mesmo, mas que não

está certificada, provavelmente vou

optar pela primeira, porque é aquela

em que tenho mais confiança.

Eu costumava dizer que o nosso

negócio é 'vender' mecanismos

para aumentar a confiança nos

produtos que as diversas entidades

colocam no digital. Se o empresário

de uma média empresa, que tem

de cumprir a NIS2, não entender

isso, para além de se poder

prejudicar com coimas ou multas

pode mesmo perder mercado.

MAS ONDE ESTÃO OS MAIORES

DESAFIOS DE IMPLEMENTAÇÃO?

NA GOVERNANCE, CULTURA

DA EMPRESA, TALENTO OU

MATURIDADE TECNOLÓGICA?

OU EM TODOS?

Há um desafio de governance,

sobretudo para as empresas que

têm de cumprir não apenas a NIS2,

mas também a CER (Critical Entities

Resilience Act), que foi promulgada

pelo Presidente da República

em março. Nessas empresas,

os dirigentes têm duas opções.

Ou optam por criar dois verticais,

em que cada um trata uma das

componentes, com uma elevada

probabilidade de ineficiência. Ou

criam uma estrutura com uma

visão global, integrando depois as

nuances específicas da safety e

da security apenas na ponta dos

'ramos da árvore'. Relativamente

aos talentos, temos de fazer algo

como o que a APDC já desenvolve

há alguns anos, que são programas

de reskilling. O CNCS tem um

programa, com a C-Academy, no

âmbito do qual vai realizar ações em

todo o país para dar alguns pontoschave

fundamentais sobre a NIS2.

Em relação ao talento, temos de

mitigar o risco, requalificando-o.

Além disso, a maior dificuldade das

empresas é que têm de cumprir

várias normas e não têm pessoas

para isso. Por isso, recomendo que

se associem, que se agrupem em

áreas. Têm de cooperar.

ACEITOU PRESIDIR AO

35.º CONGRESSO DA APDC NUM

MOMENTO DECISIVO PARA

A EUROPA. O QUE O MOTIVOU?

O tema – “Europe in the Digital

Age: Balancing Sovereignty, Security

and Innovation” – foi a motivação.

Não só me é muito caro enquanto

cidadão europeu, como já no

último congresso foi abordado por

um dos oradores principais, com

base num documento publicado

em fevereiro deste ano pela União

Europeia, que considero ser um

referencial. Quando fiz o Programa

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 21


À A CONVERSA

ABRIR

de Alta Direção de Empresas na

AESE, despertei para o tema. Em

março de 2014, fomos uma semana

a Xangai, onde tivemos formação

na China Europe International

Business School. Um professor dessa

escola, francês, que já lá estava há

algumas dezenas de anos, numa

das aulas disse-nos algo do género:

“Já repararam que nós, europeus,

não temos um sistema operativo,

não temos uma rede social, não

temos um browser de internet? É

tudo norte-americano”. Quando

regressei a Portugal, comecei à

procura. Agarrei em algo que na

área das tecnologias se tem como

referencial, que é o modelo OSI,

e fui analisar cada uma das suas

sete camadas, para ver onde é

que a Europa estava: e não estava

em sítio nenhum, a não ser numa

tecnologia, que ainda é líder

mundial, que é os ERP (Enterprise

Resource Planning) da SAP. Tudo

o resto era norte-americano ou

chinês. Algumas coisas podiam ser

concebidas na Europa, mas depois

eram construídas fora dela. Eram

transformadas em empresas nos

EUA, e muitas vezes fabricadas

em Taiwan ou na China. Na altura

pensei: “Queremos desenvolver

a sociedade digital, a economia

digital, e não temos controlo sobre

nenhum artefacto que usámos”.

A partir daí, comecei a seguir o

tema. Como cidadão europeu, isso

deixa-me inquieto. Por isso, ter a

oportunidade de nos juntarmos

num congresso para falar sobre

esse tema, numa altura em que

as questões da defesa dos nossos

valores estão cada vez mais em cima

da mesa, é aliciante.

SOBERANIA, SEGURANÇA

E INOVAÇÃO: COMO É QUE SE

CONSEGUE O EQUILÍBRIO NESTAS

TRÊS ÁREAS E DINAMIZAR

A EUROPA?

Não podemos almejar preencher

espaços que foram ocupados por

outros. Ou seja, duvido que haja

força política para, de um dia

para o outro, dizer que na Europa

só se usa o Linux europeu, ou

que vamos construir os portáteis

todos na Europa. Agora, podemos

“Duvido que haja

força política para,

de um dia para

o outro, dizer que

na Europa só se

usa o Linux europeu.

Agora, podemos

é fazê-lo noutras

áreas. Dar

competências

digitais aos nossos

cidadãos e fazer

melhor regulação.”

é fazê-lo noutras áreas. Dar

competências digitais aos nossos

cidadãos em força. E fazer menos e

melhor regulação. Ou seja, não

tão complexa, para que os

produtores de tecnologia, quer

de artefactos físicos, quer de

artefactos de software, que

queiram comercializar e veicular

toda essa tecnologia no espaço

europeu, tenham de cumprir

as regras europeias. Aí somos

capazes de ombrear pelo menos

com um dos blocos grandes.

E depois temos de escolher áreas,

nichos, onde ser champions para

a Europa. Isso também é possível

identificar.

QUAL É A SUA EXPECTATIVA PARA

O CONGRESSO DA APDC, UMA

INICIATIVA QUE CRUZA TANTOS

TEMAS?

Lembro-me de todos os

congressos a que fui na APDC

e de ter saído de cada um deles

com ideias novas. A minha

expectativa é que estes temas

sejam discutidos de forma

intelectualmente honesta,

sem medo de identificar o que não

está bem e, sobretudo, que daí

resultem caminhos concretos.

Para que quem de direito, neste

caso, quem nos governa, possa dar

seguimento. O que não podemos

é continuar a fingir que está tudo

bem, porque não está.

SE TIVESSE DE RESUMIR A SUA

MISSÃO NUMA FRASE, QUAL SERIA?

A minha missão é deixar um

legado que as pessoas possam usar.

Tão bem quanto eu usufruí do

legado deixado pelos meus avós

e pais.

22 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


Mais do que

atendido,

o seu negócio

é entendido.

Trabalhe com um Gestor Dedicado

que entende o seu negócio

Entenda mais em nos.pt/empresas

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 23


EM A ABRIR DESTAQUE

24 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


5.ª EDIÇÃO EVOLVE – DIGITAL TRANSFORMATION SUMMIT

TRANSFORMAÇÃO

ESTÁ AÍ, E EM FORÇA!

A mudança tecnológica deixou de ser uma promessa para

se tornar uma aposta estratégica no país. De Norte a Sul,

da energia à banca, da saúde à indústria, do setor público

aos media, multiplicam-se os projetos que redesenham

processos, elevam a eficiência e criam novas formas

de servir pessoas, cidades e empresas.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 25


EM A ABRIR DESTAQUE

AA transformação

digital das

organizações

nacionais entrou

numa nova fase:

mais madura, mais estratégica

e mais transversal. Esta foi a

grande evidência que resultou da

5.ª edição do EVOLVE – Digital

Transformation Summit, que

reuniu no Centro Cultural de Belém

líderes empresariais, especialistas

tecnológicos, reguladores e

inovadores, para um dia cheio de

demonstrações concretas do que já

está, efetivamente, a mudar, setor

a setor, empresa a empresa.

“A transformação digital deixou

de ser um horizonte aspiracional.

Está aqui, agora, e está a acontecer

em todos os setores de atividade,

das indústrias mais tradicionais

às mais digitalizadas”, começou

por garantir na abertura da

iniciativa a diretora-geral da APDC,

Sandra Fazenda de Almeida. É que

agora, já ninguém discute se deve

transformar-se, mas sim como

acelerar essa transformação.

Com esta nova edição do

EVOLVE, a associação pretende

demonstrar a velocidade e a

profundidade da mudança em

curso, com resultados concretos,

mensuráveis e, sobretudo,

replicáveis por outras organizações.

São soluções que respondem a

necessidades concretas e reais,

cocriadas entre tecnológicas e os

seus clientes e capazes de gerar

impacto imediato e sustentável.

UM MIX ONDE A IA DOMINA

Também o coordenador

científico do EVOLVE, Paulo

Cardoso do Amaral, considera que

se a transformação digital não é

de agora, o facto é que tem vindo

a acelerar com o avanço cada vez

mais acelerado da tecnologia.

Especialmente agora, com o

desenvolvimento da inteligência

artificial (IA). E esta tecnologia

disruptiva é, cada vez mais,

uma componente essencial

Paulo Cardoso do Amaral,

coordenador científico do EVOLVE,

destaca que a tecnologia por si só

não trás resultados. Tem de haver

confiança, responsabilidade, pessoas

e suporte do Estado. Só assim se cria

valor para as organizações.

em praticamente todos os casos

de mudança, numa mistura com

outras tecnologias e com outros

temas mais clássicos. Os exemplos

apresentados neste EVOLVE

comprovam-no.

Do laboratório, a IA passou

a ser uma promessa, para, mais

recentemente, ganhar força

e transformar-se em realidade.

De tal forma que “de repente,

estamos a deixar muitas coisas

nas mãos da tecnologia. E há

um tema que começa a surgir:

a consciência”. O responsável

pela seleção dos casos de estudo

diz que, agora, se trata de pensar

em “como é que, com tecnologia,

vamos incentivar a confiança

digital. Para sentirmos que

o que está do outro lado é uma

organização que inclui máquinas

e pessoas, mas que nos dá

confiança e nos permite ter uma

proposta de valor que vale a pena”.

É que a utilização da tecnologia

permite às organizações poupar

recursos e ganhar eficiência,

gerando mais lucro para reinvestir

e fazer com que o negócio se

desenvolva. Mas, para Paulo

Cardoso do Amaral, o processo

tem de incluir a confiança digital,

o que passa ainda pelo tema da

responsabilidade. “Não podemos

deixar a tecnologia fazer as coisas

por si só, sem a responsabilidade

de garantir que faz o que tem

de fazer”, alerta.

A realidade é que a tecnologia

está a fazer cada vez mais coisas

para os humanos e este movimento

vai intensificar-se nos próximos

anos, pelo que, na sua perspetiva,

terá de haver cada vez mais

regras para gerir o mercado.

Exemplo disso são os sucessivos

26 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


Reveja o evento

Aceda à galeria

de imagens

Os casos

apresentados na

5.ª edição do EVOLVE

demonstram que

as empresas estão

a utilizar tecnologias

com maturidade

e valor, mas também

com confiança

e responsabilidade.

regulamentos que estão a surgir

pelas mãos da Comissão Europeia,

como o AI Act, o DORA ou o MICA.

Já ao nível nacional, mostra-

-se preocupado: “o Governo

e a Assembleia da República

andam ambos distraídos, o que

tem como consequência a

incapacidade de as empresas

poderem tomar posições. Quando

se sabe que a vantagem é dos first

movers e quem fica para

trás perde”.

Traduzido, significa que

o país corre o risco de perder

oportunidades. O coordenador

científico do EVOLVE diz que “não

se pode pensar em tecnologia pela

tecnologia. A tecnologia tem de

criar confiança e tem de haver

responsabilidade. Isso implica

também lei, quer se queira quer

não. E serviços públicos que o

suportam”.

Através dos casos apresentados

nesta edição, diz já ser possível

ver exemplos de utilização de

tecnologias com maturidade

e criação de valor. Mas também

com confiança e responsabilidade.

E sempre com a certeza de que

a tecnologia é uma commodity

que está ao alcance de todos.

E como é que poderá ser

utilizada de forma sustentável

e criar uma vantagem competitiva?

“Claramente com pessoas”.

Como deixa claro, “a única coisa

Sandra Fazenda de Almeida,

diretora-geral da APDC, considera

que a transformação digital "está

a acontecer em todos os setores

de atividade, das indústrias mais

tradicionais às mais digitalizadas".

que a tecnologia faz é tratar de

bits e bytes, que são conhecimento

explícito. Sabemos que faz

com que as empresas tenham

realmente valor, se diferenciem

e se distingam, é o conhecimento

tácito, o know-how. O que significa

que só com o papel das pessoas

num processo de aprendizagem

de criação de valor conjunto é que

faz sentido”.

Estes foram os critérios utilizados

na seleção dos casos apresentados

neste EVOLVE, tal como nos

anteriores. E diz que ao longo das

sucessivas edições, a maturidade

dos processos de transformação

é crescente: “Os casos são reais. Isto

é sério. E mostram o crescimento

da transformação digital”.

Defende ainda que “sem

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 27


EM A ABRIR DESTAQUE

Esta iniciativa

comprovou que

Portugal está a

dar passos sólidos

na transformação

digital, com casos

já consolidados de

utilização de IA,

cloud, automação,

analytics, algoritmos,

digital twins ou redes

avançadas.

Pedro Santos Guerreiro, diretor-

-executivo da CNN Portugal, e Ana

Sofia Cardoso, jornalista também da

CNN Portugal, foram os hosts deste

evento da APDC

empresas com sucesso não há

criação de valor económico e não

há riqueza”, pelo que o sucesso

também se faz “com o Estado, que

nos suporta da maneira certa.

Portanto, gostava de ver mais

Estado presente, para discutirmos

os passos seguintes que nos podem

levar à criação de valor económico

e à vantagem competitiva” do país

como um todo.

NO NÚCLEO DA ESTRATÉGIA

No conjunto, esta edição

comprovou que Portugal está a dar

passos sólidos na transformação

digital, com casos já consolidados

de utilização da IA, cloud,

automação, analytics, algoritmos,

digital twins ou redes avançadas.

Há empresas que reorganizaram

modelos comerciais com apoio

de plataformas CRM e IA. Há

entidades públicas que criaram

sistemas avançados de gestão

territorial ou de interação com o

cidadão. Há organizações de saúde

que personalizaram cuidados

com base em IA generativa. Há

players industriais que reforçaram

a sua resiliência, segurança e

eficiência. Há empresas de media

que reinventaram a experiência

audiovisual com IA em tempo

real. Há operadores energéticos

e químicos que adotaram

arquiteturas avançadas para

garantir continuidade operacional

e otimização de recursos. E até há

clubes desportivos e broadcasters

que já utilizam 5G e cloud para

transformar por completo a

produção de conteúdos.

Todos os casos apresentaram um

fio condutor comum: a tecnologia

deixou de ser um acessório ou

uma ferramenta isolada. Hoje,

está no núcleo da estratégia das

organizações, como reforçou no

final do evento, Pedro Santos

Guerreiro, diretor executivo da

CNN Portugal, que foi um dos hosts

do EVOLVE, a par de Ana Sofia

Cardoso, jornalista da CNN Portugal.

Trazendo um olhar humano

sobre a jornada de transformação

digital, salientou que “o que vimos

aqui não são apenas projetos, são

histórias. Histórias de pessoas que

estão a construir o futuro, enquanto

resolvem problemas do presente”.

Porque, na sua ótica, “a inovação

não acontece em salas fechadas.

Acontece quando empresas e

tecnológicas trabalham lado a lado,

quando há partilha, quando há

risco e quando há propósito”.

Neste encontro, ficou claro que se

trata de “um desafio da confiança,

legitimidade e responsabilidade,

que se faz através das empresas que

se querem prósperas, lucrativas e

inovadoras. Mas também através

do Estado e é preciso que este esteja

mais presente. É preciso criar

sistemas com legitimidade. E, já

agora, é preciso imaginar. Foi o que

fizemos. Com o acesso à imaginação

dos outros, para inspirar a nossa

própria”, considerou Pedro Santos

Guerreiro. Deixando claro que

todos os exemplos implicam

“um processo de transformação

cultural da própria empresa

e de compromisso da liderança”

e projetos “com princípio, meio e

sem fim. Que obrigam não apenas

a antecipar tendências, mas a

estar disponível e adaptar em

permanência”.

Para o jornalista, todos os casos

de transformação mostraram

“paixão”, tecnologia, pessoas e

colaboração. “Aqui estiveram

sempre, ou quase sempre, duas

ou mais pessoas. São parcerias,

alianças”, destacou, considerando

que, de todas as edições, esta 5.ª

foi a melhor, porque mostrou a

maturidade e a complexidade

dos processos. Para inspirar e

“ir criando futuro. E é por isso

que eu prevejo que as próximas

edições sejam ainda melhores,

porque essa é claramente a

tendência”.

E rematou: “Se há algo que

aprendemos hoje é que o futuro

não se prevê, constrói-se. E está a

ser construído agora, por todos os

que subiram a este palco”. É que

se o presente já é impressionante,

o futuro promete ainda mais.

O EVOLVE regressará em 2026,

no Porto e em Lisboa, com novas

histórias, novos desafios e novas

perspetivas sobre a revolução

digital que está a mudar o país.

28 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


REDESENHAR O PAÍS

COM CASOS INSPIRADORES

CASO 1 CASO 2

NOS | DAREDATA

AUTOMAÇÃO INTELIGENTE

É a primeira aposta da NOS

na automação inteligente,

para tirar partido da disrupção

tecnológica e da IA generativa,

que abre oportunidades

sem precedentes. A solução,

denominada Legal Inquirer's

Processor, já está em produção

e em utilização pela equipa

que dá resposta a cerca de 30

mil pedidos judiciais anuais de

entidades externas, permitindo

um workflow totalmente

automatizado, como explica

Maria Francisca Pinho, AI

Manager do departamento

AI & Insight, da NOS. “Passámos

a ter uma abordagem mais

orientada para os processos

como um todo”, destaca,

com um novo paradigma

de automação generativa

de todo o processo operacional,

ficando o humano com

a componente de supervisão,

correção e otimização”.

Nuno Brás, co-Founder

da DareData Engineering,

que criou com a NOS a

aplicação, explica que a

plataforma permite monitorizar

o que está a acontecer,

transmitir a informação

a um utilizador humano

e passar-lhe a responsabilidade

quando é necessário, usando

ainda a informação dada

na resposta para que esta

passe a fazer parte do sistema.

“Temos de garantir

a capacidade de adaptabilidade

à realidade. É a parte mais

difícil do processo”, para

a qual é necessária uma curva

de aprendizagem, porque

“o sistema não conhece tudo”.

Mais, a solução é replicável

noutros contextos que

necessitem de utilização

de automação inteligente.

Com uma estrutura versátil

e escalável, tem capacidade

de acelerar resultados em todas

as iniciativas impulsionadas

por IA generativa, incluindo

automação inteligente,

automação de serviço e

augmentation. Um caminho que

o operador de telecomunicações

está agora a endereçar.

CLARANET | GRUPO PESTANA

INOVAÇÃO SEGURA

COM IA GENERATIVA

Criado há mais de 50 anos,

o Grupo Pestana tem na sua

génese “servir as pessoas”,

como refere o seu CIO, Gonçalo

Oliveira. Com mais de cinco mil

colaboradores, tem desenvolvido

vários formatos de serviços,

encarando a tecnologia sempre

como um enabler, sempre

com a matriz de “gostamos do

que fazemos, do turismo e de

receber bem”. Agora, para o

maior grupo nacional de turismo

e o 13.º na Europa, o desafio é o

crescimento e permitir a todos os

colaboradores dos 17 mercados

onde está o grupo utilizarem a

tecnologia de forma segura, já

que estes usavam as ferramentas

de IA através dos seus devices

pessoais. Nesse sentido, e em

parceria com a Claranet Portugal,

a meta foi criar uma solução de

IA generativa segura e acessível

a todos os colaboradores, para

permitir a melhoria contínua, o

reforço da produtividade pessoal

e a inovação descentralizada,

tornando a organização mais

ágil e adaptável, mas sempre

dando prioridade à segurança

dos dados. O caminhou

passou por uma solução que

responde aos requisitos de

forma integrada e inovadora,

com base em modelos de GenAI

implementados on-premises

e assente numa infraestrutura

dedicada, exclusiva e otimizada

para IA. Vasco Afonso, Executive

Director da Claranet, explica

que foi “desafiante combinar

esta solução privada com LLMs

públicos” para toda a estrutura do

grupo, de modo a responder aos

três pilares da sua estratégia de

inovação: melhorar a experiência

do cliente, aumentar a eficiência

das operações e preparar a

organização para o futuro. Depois

da formação, fundamental para o

sucesso, a resposta surpreendeu,

dada a adoção massiva nos quatro

a cinco meses de aplicação.

Com aplicações em áreas como

o suporte ao atendimento ao

cliente, personalizar respostas do

hotel a reviews depois do checkout,

reforçar a produtividade

no back-office e nos serviços

partilhados, automatizar as

reservas e a resposta a questões

dos hóspedes ou facilitar a

produção de conteúdos.

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 29


EM A ABRIR DESTAQUE

CASO 3 CASO 4

GLINTT LIFE | ULS SÃO JOSÉ

REGISTO CLÍNICO

ESTRUTURADO

NA OBESIDADE

O projeto nasceu no âmbito da

agenda Health from Portugal,

financiada pelo PRR, e juntou

cinco unidades de saúde

para co-criarem com a Glintt

Life, enquanto fornecedor

tecnológico, soluções que

recolhem dados clínicos e

custos. O objetivo é permitir

que as instituições possam

medir de forma eficaz o valor

que estão a entregar aos

utentes, criando respostas

que possam ser replicáveis.

O tratamento cirúrgico da

obesidade foi o primeiro piloto

para testar a solução, por ser

– como começou por explicar

Sérgio Sousa, Clinical Solutions

Consultant da Glintt Life – uma

jornada clínica multidisciplinar,

com um percurso clínico longo

para permitir avaliar o valor

gerado para o utente e um

elevado impacto económico

e social. Uma dimensão crítica

do projeto foram os resultados

reportados pelos clínicos, desde

que medidos de forma objetiva,

padronizada e consistente

no tempo. O desafio era existirem

registos não estruturados e em

texto livre, pouca padronização

e dificuldade em agregar e

analisar dados. E o caminho

foi, como salienta, “sempre

colaborativo” com todos os

parceiros envolvidos. O resultado

foi uma solução que permite

agregar dados de vários sistemas

de informação, estruturando

registos sem necessidade de

programação, com flexibilidade

e adaptação à evolução natural

das práticas clínicas. Criando

sempre confiança. Implementado

há mais de um ano, tem vindo

a ser reforçado com a experiência

no terreno. Leonor Manaças,

médica e diretora do Centro de

Responsabilidade Integrado de

Obesidade da ULS São José,

diz que já está a ser criada

uma “base de dados muito

importante, com 16 formulários

implementados, simples e

eficazes, e 140 variáveis distintas”.

E há já 2.180 utentes em registo,

estando agora a expandir-se

a solução para novos dados.

“Já estamos a melhorar

francamente, porque temos

a noção de como o estamos

a fazer”, diz, assegurando uma

capacidade de resposta muito

maior e “tempo para falar com

o doente”. Mais, a solução

é parametrizável e modular,

pelo que pode ser replicável

noutros serviços.

HPE | BONDALLI

CIBERRESILIÊNCIA IBÉRICA

EM NEAR REAL-TIME

Como maior produtor português

e um dos principais ao nível

ibérico no setor de químicos

industriais e com unidades fabris

em Portugal e Espanha,

a Bondalti, controlada pelo

Grupo José de Mello, opera

ainda na área da água e da

energia verde. Para garantir

a resiliência das suas empresas,

dando resposta às ciber

ameaçadas, à complexidade

tradicional de processos e aos

eventos disruptivos, operando

os data centers a partir do

mesmo local, desafiou a HPE

a encontrar uma solução.

O projeto avançou com a

implementação do HPE Zerto

Virtual Replication, integrando

todos os sites críticos da

Bondalti na Península Ibérica,

com destino a um data center

dedicado baseado em HPE

GreenLake. Entre as mudançaschave

esteve uma alteração

de mindset de “recuperar

se necessário” para “estar

sempre pronto a recuperar”.

Nélio Marques, diretor de IT,

Digitalização e Inovação da

Bondalti, diz que “a solução

permite não só sincronizar todo

o sistema como fazer

uma deteção permanente

da segurança”, como ainda ter

“capacidade de resposta a outros

tipos de incidentes ou eventos

disruptivos”. O gestor garante

que estão “perto de zero

de perda potencial de dados,

com uma automação muito forte

dos processos de recuperação,

proteção contra ransomware

e maior capacidade de

resiliência”. Fernando Rio Maior,

Hybrid IT Sales Specialist da

HPE, acrescenta que a solução

“tira toda a complexidade dos

ambientes de disaster recovery.

Com a virtualização, temos

a capacidade de ter uma espécie

de ‘máquina do tempo’, com

capacidade de voltar atrás até

30 dias, e ter tecnologia de

backup adicional. Com milhares

de pontos de restauro, seja

no data center original ou no

de destino. Recupera-se em

minutos perdendo segundos”.

Agora, está também já a olhar-se

para as regras da NIS2 e para

o tema do compliance, até

porque a empresa tem já vários

pilares nas medidas preventivas

e de monitorização.

30 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


CASO 5 CASO 6

DELOITTE | FUNDAÇÃO CHAMPALIMAUD

GENAI NOS CUIDADOS

ONCOLÓGICOS

Como hospital de cuidados

secundários em oncologia

e instituto de investigação

biomédica, a Fundação

Champalimaud aposta num

conceito de patient engagement

muito especializado e

numa aposta na medicina

personalizada. Criando, como

refere um seu CIO, Pedro Garcia

da Silva, “um círculo virtuoso

entre a descoberta científica

e a aplicação médica, para

encurtar o tempo go-to market

das descobertas médicas”.

A GenAI já dava alguma

facilidade na agilização

do processo onbording dos

pacientes, mas faltava endereçar

o tema da identificação

do histórico do paciente,

auxiliando a tomada de

decisões mais informadas.

E porque a instituição acredita

que a tecnologia tem

um papel a desempenhar na

re-humanização dos cuidados

de saúde, a meta foi integrar

ferramentas inovadoras para

melhorar a experiência do

doente, personalizar cuidados

e otimizar processos clínicos.

Como explica Filipe Ganhão,

LifeScience & Healthcare

Technology & Transformation

Lead Partner da Deloitte,

foi estabelecida uma parceira,

que abrangeu também

a Google, sendo o desafio

endereçado através do European

Healthcare CoE (Center of

Excellence), para desenvolver

uma solução assente em GenAI

que usa os LLMs da Google

para otimizar processos

administrativos e clínicos,

automatizar tarefas repetitivas

e permitir uma análise mais ágil

e precisa de grandes volumes

de dados clínicos em várias

línguas. Com interação com

o médico e permitindo

que este tenha mais tempo

para dedicar ao paciente.

Já implementada, usando

o cancro do pulmão como

ponto de partida, a GenAI

Streamlining Patient Onboarding

Process permitiu à Fundação

agilizar processos e a jornada

do paciente, sem comprometer

a qualidade do atendimento.

Já há ganhos de tempo

de consulta na ordem dos 20%.

CAPGEMINI | MICROSOFT | AUTORIDADE

MARÍTIMA

O FUTURO DA VIGILÂNCIA

MARÍTIMA

Nos temas da vigilância

marítima, do ponto de vista

nacional, é difícil uma vigilância

eficaz e eficiente na gestão

de recursos. O que tem

levado a Marinha a procurar

complementar os métodos

tradicionais com soluções

remotas, como os veículos aéreos

não tripulados. João Gaspar,

Capitão-tenente da Marinha

Portuguesa/Autoridade Marítima

diz que neste momento o foco é

nos sensores que equipam estes

veículos e nas suas capacidades,

que impactam a qualidade

dos dados que se vão obter.

Assim como na capacidade

de organizar os dados e de

os traduzir em conhecimento,

já que é com ele que se tomam

as decisões mais acertadas

e atempadas. O desafio foi

lançado à indústria e academia,

trazendo para cima da mesa

o cenário do narcotráfico por via

marítima, para se desenvolver

uma plataforma automática

para identificar e caracterizar

embarcações de alta velocidade

utilizadas neste tipo de

atividade. João Neves, diretor

de Tecnologia e Inovação da

Capgemini Engineering, adianta

que o projeto começou há cerca

de cinco meses, tendo-se criado,

também em parceria com a

Microsoft, “modelos específicos

e segmentados, que respondem

a situações concretas”,

para os diferentes tipos de

características. “Fala-se muito de

uma IA mágica. Aqui, não houve

prompts ou chatboots que nos

conseguissem treinar

o modelo. Tivemos de sintetizar

e criar imagens e transformámos

as imagens diurnas e noturnas

para alimentar e treinar o modelo.

Claramente, a tecnologia aqui cria

um valor bastante acrescentado

à operação da Marinha”,

acrescenta. Sendo a Microsoft

o pilar tecnológico do projeto,

com uma base robusta, escalável

e segura, Teresa Zawerthal, Public

Sector Account Executive da

tecnológica, deixa claro que este

foi um caso em que “quando

a IA encontra um propósito,

algo se transforma e nasce”,

transformando-se dados em

inteligência operacional. E, dada

a escalabilidade da solução,

“o céu é o limite’. A solução evolui

de acordo com as necessidades,

com eficácia e flexibilidade.

É o exemplo de como a

tecnologia avançada consegue

ter um papel central numa

atividade crucial”. E há muito

caminho pela frente.

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 31


EM A ABRIR DESTAQUE

CASO 7 CASO 8

MEO EMPRESAS | CIF

SMART STADIUM 5G

AWS | SOVENA

CLOUD-FIRST: REVOLUÇÃO

NO NEGÓCIO GLOBAL

A necessidade de transição para

uma infraestrutura cloud única,

que desse suporte às operações

globais, levou a Sovena, o maior

vendedor de azeite engarrafado

no mundo, a desenvolver um

projeto de modernização da

infraestrutura da multinacional

portuguesa, que está em 11 países

e serve outros 70. Eduardo Alves

da Silva, CFO & CIO da empresa,

diz que havia “um sistema legacy

muito antigo e muito disperso,

cujo contrato precisava de ser

renovado. Isto foi um contrato

de fé, de passar para a cloud. Foi

fácil tomar a decisão. E ganhámos

muito em benefícios que fomos

depois tendo”. Com uma “cadeia

de valor que vai desde o campo

até à prateleira do supermercado

nos azeites e óleos vegetais”

e uma grande diversidade

geográfica, apostou numa

reconfiguração de toda a rede,

a partir dos seus 83 servidores

e dos dois data centers em

Portugal. O caminho passou por

uma migração completa para a

cloud da AWS, com um calendário

agressivo de dois meses de

transição. A migração saldou-se

num “êxito absoluto” e agora,

através do serviço Hipercare,

a empresa está a proceder

a ajustes e acertos. “Quando

falámos dos desafios de negócio

da Sovena e como podíamos

trabalhar com a tecnologia,

ficou claro que esta era a melhor

solução. Depois, foi um trabalho

de parceria”, acrescenta André

Rodrigues, country lead Portugal

da AWS. A Sovena dispõe agora

de uma infraestrutura única,

sem bloqueios de fluxos de

informação e de transmissão

de dados. Entre as vantagens

já percebidas estão a melhoria

do desempenho (relatórios SAP

três a cinco vezes mais rápidos),

maior escalabilidade, melhor

eficiência de custos e um suporte

operacional global.

É um piloto desenvolvido para

o CIF – Clube Internacional

de Foot-Ball, que tem mais

de 100 anos de vida. O objetivo

foi garantir a transmissão

automatizada e em direto

de jogos de um torneio amador,

incluindo a final, através de

uma rede privada 5G, com IA

e cloud. Como refere Fernando

Magarreiro, presidente do clube,

“o impacto do projeto foi grande

e excedeu as expetativas”, assim

como foi “um marco importante

para a divulgação do torneio e

do clube, dando-lhe identidade”.

A solução foi desenvolvida

pela MEO Empresas, “desde a

liderança tecnológica à gestão

do projeto, dando seguimento

a uma visão clara e um propósito:

do CIF voltar a mostrar o seu ADN

de inovação”, acrescenta Nuno

Teixeira Bernardo, Sales Director

of SOHO and SME segments

do operador. O projeto assentou

numa rede privada 5G, para

garantir segurança, resiliência

e transmissão à velocidade

necessária. Com implementação

de câmaras de alta-definição e

toda a componente

da infraestrutura, através

de cloud e com edição de

imagem com recurso a IA.

“O projeto permitiu que a

ambição de transmitir os jogos

do torneio fosse possível

chegando em várias plataformas

e devices a quem quisesse

acompanhar os quatro jogos”,

salienta. E o impacto no CIF,

como garante o seu presidente,

foi grande e “excedeu as

melhores expectativas”

de toda a comunidade

do clube. Acresce que torna

possível “criar um movimento de

monetização de todo o processo.

A partir do momento em que

trabalhamos com uma plataforma

que vai entregar uma solução

profissional, é mais fácil fazer

captação de publicidade.

E ter soluções pay-per-use

e assinaturas”, explica Nuno

Teixeira Bernardo, deixando claro

tratar-se de uma solução viável

do ponto de vista financeiro

e escalável, que vai para além

do futebol, abrangendo

quaisquer desportos.

32 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


CASO 9 CASO 10

CGI | E-BUPI

INTELIGÊNCIA GEOGRÁFICA

PARA O CIDADÃO

ERICSSON | NOS | TVI

BROADCASTING EM DIRETO

REINVENTADO COM 5G

É um caso de uso inovador, que

resultou de uma parceria entre a

NOS, a Ericsson e a TVI. Consiste

na cobertura e transmissão

ao vivo da corrida de São Silvestre,

realizada em dezembro de 2024,

no Porto. “Acreditamos que é um

caso que vai mudar a forma como

são feitas as transmissões ao vivo

em Portugal”, garante Nuno Roso,

Head of Cloud SW & Services

Portugal da Ericsson.

A NOS disponibilizou 5G

standalone e a Ericsson

demonstrou a conetividade

diferenciada numa rede ‘network

slicing’, com a TVI a fazer a

transmissão em direto da corrida,

num ambiente real e desafiante

em termos de cobertura e

público, o que permitiu testar

a tecnologia até ao limite.

“Desde os consumidores até

aos negócios e empresas, uma

única rede já não serve. É preciso

ter uma rede diferenciada e que

possa responder a cada use case”,

acrescenta o gestor, garantindo

que o 5G standalone permite aos

“operadores oferecer serviços

baseados em performance

e resultados”, sendo que

o leque de indústrias onde este

tipo de tecnologia se aplica

é vasto, mudando os modelos

de negócio. Pedro Dória, Head

of Mobile & Fixed Voice Devices

Engineering da NOS, reforça esta

ideia e explica que “o projeto

durou um mês, do início à

execução, para que as equipas

NOS e Ericsson pudessem fazer

a avaliação da estabilidade do

sinal, a definição de requisitos

mínimos e a identificação

da estratégia para a rede

e uma arquitetura operacional.

Porque tivemos de integrar

equipamentos 5G+. Foi um use

case de produção remota.

O sucesso do evento foi total”.

E a mudança para a TVI foi total,

já que anteriormente usava neste

tipo de corridas um carro exterior

e quilómetros de cablagens.

Implicava ter uma logística muito

maior e muito mais gente no

terreno. Com esta solução, além

da poupança orçamental,

há ganhos de produtividade e de

inovação”, assegura Pedro Vieira,

realizador de TV, da EMAV – TVI.

Como estrutura de missão

criada dentro do Ministério da

Justiça, o Balcão Único do Prédio

visa fomentar a interação com o

cidadão, para que este possa fazer

o registo dos seus terrenos nos

concelhos onde não existe outra

forma de cadastro.

O que abrange essencialmente

as zonas Centro e Norte, acima

do Tejo. Nasce com os graves

incêndios de 2017, perante o

total desconhecimento por

parte do Estado de quem são os

donos das propriedades, e visou

dar uma resposta rápida a essa

necessidade. Rodrigo Dourado,

técnico especialista da e-Bupi,

designa este problema como

um “elefante negro”, que se foi

avolumando num efeito ‘bola

de neve’. A tecnologia veio ajudar,

de uma forma mais expedita

e simplificada, a endereçar

o tema. “Uma das grandes

mais-valias do projeto é ser

colaborativo,sendo o cidadão

que vai contribuir para o cadastro,

completando-se o puzzle

com tecnologias de identificação

e inteligência geográfica,

os designados SIG – Sistemas

de Informação Geográfica”,

acrescenta.

O projeto, desenvolvido em

parceria com a CGI, envolve

ainda imagens de satélite de alta

resolução, geração automática

de polígonos, técnicas de

varrimento laser como o LIDAR

e deteção de alterações. Foi ainda

criada uma app móvel gratuita,

que permite ‘navegar’ pelos

limites de cada propriedade.

Assim como um algoritmo

de dedução de localização,

que ajuda os utilizadores

a encontrar os seus terrenos.

O BUPI liga todas as entidades

envolvidas e respetivos sistemas,

transformando um cadastro

predial num cadastro de natureza

multifuncional, que cruza

informação. Luís Fatela,

Director Consulting Services

da CGI, detalha que o BUPI é uma

“ferramenta geoespacial, que

evita deslocações e os custos

inerentes e valoriza o património,

tornando o processo de registo

mais transparente, porque

é o único local onde fica feito.

E é algo para o qual toda

a gente está a contribuir”.

E os dados comprovam-no:

já foram identificadas cerca

de três milhões de propriedades,

que cobrem 37% do território

das duas regiões e correspondem

a 1,5 milhões de hectares.

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 33


EM A ABRIR DESTAQUE

CASO 11 CASO 12

DEVOTEAM | GALP

FINOPS EM AMBIENTE

MULTI-CLOUD

A jornada de FinOps da Galp é

muito mais do que uma jornada

de transformação digital, sendo

claramente de transformação

cultural e de mudança de mindset

das equipas. Quem o garante

é Inês Santos, Head of Strategy,

Portfolio and Performance do

grupo, que explica que o projeto

surge depois de, em maio

de 2023, se ter procedido a uma

reorganização na área de IT e de

se ter concluído que os custos

cloud eram elevados e com uma

trajetória de crescimento

de 20% a 30% ao ano. Acrescia

a limitada visibilidade dos custos

e o desconhecimento dos

recursos alojados na cloud.

Por isso, a Galp fez uma parceria

com a Devoteam, para tornar

os custos financeiros da cloud

sustentáveis. Pedro Caeiro, CTO

Distributed Cloud da Devoteam,

acrescenta que o processo

foi um verdadeiro exercício

multidisciplinar, onde a Devoteam

trouxe o apport tecnológico

e a experiência de outras

realidades. Depois de fazer

o mapa de maturidade da Galp,

partiu-se para a otimização, com

a identificação de poupanças

imediatas. E para “garantir que

o programa de transformação,

que ainda decorre, teria

resultados tangíveis

rapidamente”. O último

passo passou por garantir

a sustentabilidade da solução,

em três ações chave: governance

centralizada, monitorização

em tempo real e otimização

de custos. Os resultados foram

claros: mais de 600 iniciativas

implementadas num ano,

aumento dos workloads

e uma otimização anual

de 2,4 milhões de euros.

Foram, para a responsável da

Galp, “resultados extraordinários”.

Mas deixa claro que “o processo

é contínuo. Mantemos uma

equipa especializada de FinOps

para garantir uma gestão

eficiente dos recursos cloud.

Queremos aumentar nos níveis

de automatização e continuamos

a formar as equipas. O próximo

‘elefante na sala’ será a IA,

sendo que aqui pode ser usada

a framework que aplicámos

para a cloud. Já começámos

a movimentar as equipas, mas

é fundamental que a jornada

comece devagar”.

ACCENTURE | TALKDESK | NOVOBANCO

ORQUESTRAÇÃO

INTELIGENTE NA BANCA

DIGITAL

Nascido da resolução do BES,

o novobanco passou anos

difíceis, de desinvestimento

e contenção de custos. Com a sua

aquisição, em 2018, pelo fundo

americano Lone Star, foi lançado

um programa de transformação

da área comercial. O que levou

a repensar toda a atividade,

como explica Conceição

Matos, Transformation Director

da instituição, incluindo a

componente digital, telefónica

e presencial, de forma a gerir

melhor a alocação de recursos.

“Este projeto, que combina IA

com atendimento telefónico,

nasce dessa necessidade”,

diz a propósito do Inbound

Orchestrator, solução fornecida

pela Accenture e pela Talkdesk.

Sendo “o projeto muito

ambicioso e inovador em

inúmeros aspetos, do ponto de

vista da tecnologia, como enabler

dos objetivos do negócio, existe

uma série de desafios”, destaca

Rodolfo Vale, Sales Director Iberia

da Talkdesk. Nomeadamente,

como responder aos grandes

requisitos regulamentares

da banca ou à omnicanalidade,

tendo de se envolver

as pessoas que estão no balcão.

“Pelo que a gestão da mudança

e a facilidade de utilização deste

tipo de tecnologia tem de ser

grande, para que haja adoção”,

acrescenta, falando ainda na

necessidade do reporting, para

perceber se se está no caminho

certo e implementar melhorias.

E assentando a plataforma,

cada vez mais, na IA – sobretudo

generativa e agêntica

–, o caminho passará por

retirar cada vez mais às pessoas

as tarefas de menor valor

acrescentando, tornando toda

a operação muito mais eficiente.

A Accenture, pela sua capacidade

de execução e experiência no

desenvolvimento de projetos

omnicanal e de transformação

digital, a parceria com a Talkdesk

e a visão partilhada com

o novobanco da visão deste

serviço, também assumiu,

na perspetiva de António Brancal

Ribeiro, Senior Manager

de Technology, um papel

relevante. Agora, o caminho

do novobanco passa por “trazer

o que é a melhor tecnologia

e fazer evoluir a que têm.

A IA oferece coisas cada vez

melhores, que trazem novas

oportunidades de automação

e de personalização, que é o

que todos ambicionamos em

termos de contactos. E as coisas

acontecem a grande velocidade”.

34 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


CASO 13 CASO 14

SALESFORCE | PWC | SIMOLDES

DIGITALIZAÇÃO DO

PROCESSO COMERCIAL

INETUM | REN

RESILIÊNCIA DO IT EM

INFRAESTRUTURAS CRÍTICAS

Como operador de

infraestruturas críticas, uma

das grandes metas da REN foi

garantir a continuidade de

serviços em situações de falha

grave do IT. Jorge Mendes,

Head of IT Infrastructure &

Operations da REN, começa

por citar um estudo deste ano

da PwC, que mostra que apenas

2% das organizações aplicaram

todas as medidas de controlo

consideradas necessárias para

assegurar que os seus negócios

estão protegidos. “Um cenário

preocupante” e uma estatística

negra, da qual o operador

crítico de gás e eletricidade tem

tentado não fazer parte. Para

o alinhamento da gestão de TI

com o negócio, no que respeita

à resiliência, utiliza a framework

internacional NIST 2.0, muito

vocacionada para empresas

altamente digitalizadas e que

operam em áreas críticas.

Em algumas das componentes,

a REN apostou em reforçar as

suas competências. Tem ainda

de responder aos desafios

legislativos nacionais e europeus,

que impõem cuidados especiais

na proteção das infraestruturas

críticas, que cada vez menos

podem falhar. E a ameaça dos

eventos disruptivos que põe em

causa as infraestruturas críticas

é real, garante Jorge Mendes.

Para gerir o tema, o grupo tem

avançado com várias iniciativas,

desde uma abordagem de

data centers distribuídos às

plataformas de alerta multicanal,

passando pela sensibilização

dos utilizadores, que são

o elo mais fraco, entre outras.

Mais recentemente, em

colaboração com a Inetum,

foi feito um trabalho que visa

os fatores onde a empresa

considera não ser tão boa

a endereçar: identificação,

resposta e resolução. Assim,

foi feito um mapeamento

entre ativos e negócio e,

com base nele, foi realizada uma

análise de impacto do risco.

Depois, definiu-se um plano

de recuperação de desastre

e um plano de recuperação

tecnológica, seguindo-se

a implementação de um sistema

de recuperação de desastre.

Com este sistema, foi possível

criar em 2025 mais de 70 novos

procedimentos operacionais

de recuperação de desastre

e atuar de forma eficaz e fluída

em 23 testes de recuperação

de desastre. Sandra Monraia,

Sales Director da Inetum,

diz mesmo que “a resiliência

passou a ser um eixo estratégico

da competitividade. As empresas

estão cada vez mais alerta

a este tipo de desafios”.

Sendo uma empresa da área

dos moldes e das peças, presente

em vários países, a primeira

preocupação da Simoldes tem

sido sempre a transformação

digital no âmbito industrial. Pelas

características do negócio, com

escritórios perto dos clientes,

sobretudo os grandes fabricantes

automóveis, cada um desses

escritórios tinha a sua gestão.

O que levou a um ambicioso

projeto de transformação digital

do seu modelo comercial,

com o objetivo de centralizar

informação, sistematizar

o ciclo de vendas e aumentar

a produtividade das equipas,

como explica Hugo Carvalho,

Director Commercial and Costing

Management da Simoldes. “O

desafio foi garantir que as várias

informações existiam de forma

alinhada e fácil de aceder. E

como conseguíamos olhar para

um cliente de A a Z. Queríamos

saber como é que poderíamos

carregar num botão e termos

a informação. E como

garantíamos que a empresa,

em qualquer momento, tem toda

a informação atualizada

e o mais rapidamente possível,

permitindo cruzar clientes”,

detalha. Foi assim que teve início

um processo consultivo com

a Salesforce de mais de um ano,

para esta perceber o processo,

que “é uma operação complexa,

que envolve equipas de vários

países e dados de várias fontes”, e

ver como é que poderia agregar

toda a informação

e processos de standartização,

no âmbito da sua oferta,

acrescenta Joana Antunes,

Account Executive da Salesforce.

E os desafios na implementação

deste projeto “foram muitos

e variados”, deixou claro

Luís Côrte-Real, Customer

Transformation Partner da PwC.

Foi feito um assessment sobre

as diferentes intersecções

que eram mais adequadas

em resposta a este desafio,

à cultura e dinâmica das

equipas e a toda a otimização

de processos a fazer. No final,

o projeto foi “entregue à

velocidade da luz”. Para Luís

Côrte-Real , a palavra-chave

que foi um valor comum às três

organizações foi a confiança.

Digitalização completa

do processo comercial,

centralização da informação num

repositório único, padronização

dos fluxos de aquisição e uma

visão integrada do pipeline e das

oportunidades são já vantagens

percebidas. Além dos ganhos

significativos em eficiência,

qualidade de dados e controlo

de gestão, potenciando decisões

mais informadas.

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 35


EM DESTAQUE

CASO 15 CASO 16

MAGYCAL | SPORT TV

SMART MOMENTS

A SPORT TV avançou com a reinvenção

da sua presença digital e elevou

a experiência dos fãs. Desta aposta

nasceu o projeto ‘Smart Moments’,

tendo em conta a estratégia que procura

a crescente digitalização

e inovação, para ser líder nos media.

Para Ricardo Botelho, Digital Marketing

Manager da empresa, perante a

multiplicidade de ofertas aos clientes, foi

necessário encontrar uma forma

de conseguir olhar para os oito canais ao

mesmo tempo, disponibilizando

o que de melhor passa neles. Foi deste

match entre a necessidade de inovar

e de dar mais conteúdo ao cliente que

surgiu a solução, que mistura IA para

disponibilizar tudo o que acontece

em emissão e para que os utilizadores

possam partilhar os momentos especiais

com outras pessoas.

O que diferencia esta ferramenta das

que existem no mercado, na perspetiva

de Carolina Rosa, Diretora Criativa e

de Marketing da Magycal, é o motor

de IA, que está sempre a trabalhar, e o

dar poder aos utilizadores de marcar

os momentos-chave, que podem

enviar aos amigos. Está agora a ser

desenvolvido um trabalho no sentido de

se conseguirem categorizar cada vez

mais momentos. O hub da Sport TV tem

quatro milhões de registos,

ou seja, pelo menos 25% a 30% da

população registada para um conteúdo

que é exclusivamente dado em Portugal.

“É muito importante continuarmos

com esta inovação, que nos abre

algumas janelas para monetização dos

conteúdos,

para ir buscar novos parceiros e reduzir

a procura de produtos pirateados”,

explica Ricardo Botelho, que refere

ainda a redução de parte dos custos

operacionais na obtenção e produção

deste conteúdo. E está aberta

a janela para outras formas de trabalhar

o digital, como a IA. A responsável

da Magycal garante que haverá

“novas camadas de interação

que podemos oferecer aos

utilizadores e que vão acrescentar

valor, assentes em IA”. “Vai ajudar

a reduzir tarefas mecânicas

e aborrecidas, libertando-os para tarefas

mais criativas e estratégicas”, salienta.

ANACOM

A TRANSFORMAÇÃO

DIGITAL DE UM

REGULADOR

A ANACOM está a desenvolver um profundo

processo de transformação digital, de forma

a responder à crescente complexidade da

regulação das comunicações, num ecossistema

tecnológico em rápida evolução. Para Augusto

Fragoso, diretor-geral de Informação e Inovação,

o papel do regulador não reside apenas

na defesa do consumidor e como garante

de direitos e da concorrência, mas também

como utilizador avançado de tecnologias.

Perante a aceleração da inovação, a proliferação

de atos regulatórios europeus e a convergência

entre setores, o objetivo é uma evolução para

um modelo de smart regulation, baseado

em dados, colaboração, regulação ex-ante

e centrada no fator humano. Sendo a informação

o principal ativo do regulador, já que é recolhida

junto do mercado, tratada de forma massiva

e transformada em decisões regulatórias,

políticas públicas e conhecimento acessível,

a governação de dados assume um papel central.

Neste âmbito, explica que a ANACOM está

a desenvolver verdadeiros digital twins

dos mercados que regula, através da criação

de múltiplos sensores e indicadores que

permitem observar o funcionamento dos setores

36 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


CASO 17

MINSAIT | DOMUS SOCIAL

OBSERVATÓRIO

DE HABITAÇÃO SOCIAL

em tempo quase real. Um dos pilares desta

estratégia é a GEO.ANACOM, uma plataforma

georreferenciada que mapeia infraestruturas,

coberturas de fibra, 4G e 5G, satélite e serviços

postais, sendo já essencial para a definição de

políticas públicas e avaliação de obrigações

regulatórias. E porque a transformação digital

inclui ainda novas plataformas de análise

de mercado, dados abertos, indicadores

interativos e um ecossistema avançado

de tratamento da experiência do consumidor,

Augusto Fragoso destaca ainda o Aexia,

um software de IA que analisa milhões

de interações, reclamações e dados não

estruturados, permitindo uma visão integrada

do comportamento do mercado. O maior

desafio passa agora pela capacitação de

recursos humanos, condição essencial para

sustentar uma regulação eficaz, inovadora e

preparada para o futuro.

Com cerca de 13 mil fogos e um

universo de 30 mil pessoas, a Domus

Social – Empresa de Habitação e

Manutenção do Município do Porto

tem ainda um número significativo

de pessoas que pedem habitação

– que tem vindo a aumentar, dadas

as dificuldades do mercado –, além de

um programa de apoio ao arrendamento

privado. Lourenço Pinheiro, diretor

de Atendimento Geral e Sistemas de

Informação da empresa, diz que todo

este universo precisou de ser integrado,

para se poder dispor de informação de

qualidade. Com muitos dados recolhidos,

foi necessário criar ferramentas para

compreender o território, pedidos de

habitação, apoios sociais atribuídos e as

necessidades das famílias, porque tudo

isto afeta a forma como se faz a gestão

da habitação. A solução encontrada,

desenvolvida em parceria com a Minsait,

passou pela criação de uma plataforma

analítica centralizada, que agrega dados

operacionais, sociais e económicos sobre

o parque habitacional municipal. Como

explica Ricardo Cruz Rodrigues,

Data & Analytics Delivery Manager

da Minsait, o desafio foi definir como

trabalhar os dados para tomar decisões

informadas. Acabou por se criar uma

plataforma modular e unificada,

que agrega os vários dados e conceitos

de negócio, e que continua a evoluir.

“Quem acede consegue ver de forma

unificada toda a gestão do parque de

inquilinos, do parque habitacional e fazer

cruzamento de informação”, acrescenta.

E está disponível a decisores e cidadãos,

transformando os dados dispersos

em informação clara, acessível e útil

para as decisões políticas e operacionais.

Além de reduzir o tempo de resposta,

tornou-se ainda num instrumento

de governação mais próxima, equitativa

e baseada em evidências. Ainda bastante

recente, a ambição e o maior desafio

da iniciativa passam agora, segundo

o responsável da Domus, por envolver

cada vez mais pessoas e entidades,

como a academia, de forma a criar

cada vez mais valor.

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 37


5

5Perguntas a...

Adolfo Pedro

Gomes Martinho Santos

CEO DIRETOR-GERAL DA INETUM PORTUGAL DA DXC

TECHNOLOGY PORTUGAL

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

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38 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


ATUAR EM MÚLTIPLOS

DOMÍNIOS

A DXC Portugal está a acelerar rumo ao futuro digital

com foco nos dados, IA, cloud e cibersegurança.

Na liderança da subsidiária nacional desde abril,

Adolfo Martinho garante que o mercado vive uma

oportunidade única, impulsionada pela IA e pelo

quantum computing. O caminho faz-se com parcerias

fortes, estabilidade operacional e talento capaz

de aprender e adaptar-se.

1QUAL TEM SIDO O FOCO ESTRA-

TÉGICO DA DXC TECHNOLOGY

PORTUGAL, FACE ÀS GRANDES

TENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS,

COM DESTAQUE PARA A IA?

O nosso foco estratégico está centrado

no crescimento rentável e sustentável do

negócio, muito em linha com as diretrizes

definidas pela companhia a nível global.

No contexto local, a concretização desse

objetivo implica uma atuação em múltiplos

domínios. Entre eles estão os seguintes

alvos prioritários da nossa ação: reforço

do investimento nas áreas tecnológicas

essenciais para construir e impulsionar o futuro

dos clientes (dados, IA, cloud, cibersegurança

e consultoria tecnológica); desenvolvimento

contínuo das nossas capacidades de gestão

dos serviços críticos que sustentam o seu

presente (gestão de infraestruturas de IT,

implementação e gestão de aplicações,

serviços de modern workplace e serviços

de outsourcing de processos de negócio);

amplificação da marca DXC junto dos

mercados prioritários, procurando uma maior

proximidade destes; e aprofundamento

das relações locais com os nossos parceiros

estratégicos, criando ecossistemas que

permitam multiplicar o valor das soluções

que entregamos. Já na IA, centramos

a ação em três eixos fundamentais, o que

nos tem permitido crescer e executar projetos

de referência com algumas das maiores

empresas em Portugal: investimento

no desenvolvimento de ofertas de consultoria,

dados e IA, no sentido de dispormos dos

recursos e competências necessárias para

liderar o caminho de adoção por parte

dos nossos clientes; transformação dos

próprios modelos de delivery, para incorporar

e tirar o máximo de partido destas novas

tecnologias; e programa de capacitação

em IA, para dotar os nossos colaboradores

de um nível adequado de entendimento

e proficiência sobre conceitos, ferramentas

e questões éticas e legais associadas, para que

possam transformar a forma como trabalham

no seu dia a dia. Queremos que a adoção da IA

na DXC seja um processo sistémico e natural,

não deixando ninguém para trás.

2DE QUE FORMA A EXPERIÊNCIA

ACUMULADA – NA HP,

HPE E NA PRÓPRIA DXC – TEM

CONTRIBUÍDO PARA A SUA

LIDERANÇA, NESTA CONJUNTURA

DE ACELERADA TRANSFORMAÇÃO

E CONCORRÊNCIA?

Tive o privilégio de construir a minha carreira

profissional em empresas globais com

culturas muito marcantes, habituadas a gerir

diariamente complexidade e diversidade.

Todas foram capazes de criar fortes legados

de inovação e transformação. Em todas elas

há uma marca que reconheço e que procuro

cultivar na DXC: atuar no sentido de ajudar

a construir uma melhor empresa para a próxima

geração do que aquela em que entrámos.

E isso faz-se através do trabalho em equipa,

todos os dias, do compromisso com as

prioridades dos clientes, da criação de

condições que possibilitem o crescimento

contínuo dos colaboradores e do

aprofundamento constante das relações

com os parceiros de negócio.

3QUE PRIORIDADES VÊ PARA

REFORÇAR AS PARCERIAS DA

DXC COM GRANDES EMPRESAS E

SETORES CRÍTICOS EM PORTUGAL?

Ao longo da nossa história, a DXC tem

tido um papel de destaque na conceção

e entrega aos clientes de soluções críticas

para o seu negócio e com impacto real

na vida dos clientes e da sociedade em

geral. Na atual conjuntura, queremos

continuar a ter um papel decisivo nessa

transformação que, nos próximos anos,

será em grande medida ditada pela forma

como são capazes de incorporar nos seus

processos novas práticas e ferramentas

baseadas em dados massivos e IA.

Para que essa transformação possa avançar

de forma convicta e sem sobressaltos,

é também essencial assegurar a estabilidade

e a segurança das operações e dos sistemas,

vertentes em que a credibilidade e as

relações de confiança construídas entre

as pessoas de ambos os lados são

ingredientes determinantes.

4QUAL É A MAIOR

OPORTUNIDADE E O MAIOR

DESAFIO PARA O MERCADO

TECNOLÓGICO NACIONAL NOS

PRÓXIMOS DOIS ANOS?

Vivemos uma fase crucial, em que as

evoluções tecnológicas associadas à IA

e ao quantum computing constituem,

efetivamente, grandes oportunidades para

a evolução ou criação de novos modelos

de negócio. Assim as organizações sejam

capazes de as incorporar nos seus processos,

sem desvirtuar a relação com os clientes

e mercados em que operam. Quanto aos

principais desafios, destaco o ambiente

de incerteza causado nos negócios pela

situação geopolítica. E o crescimento

das ameaças no plano da cibersegurança,

à medida que os respetivos atores vão

também utilizando estas novas capacidades

tecnológicas para evoluir a sofisticação

e potencial impacto das suas ações.

5QUE CONSELHO DEIXA A

QUEM PRETENDE CONSTRUIR

CARREIRA NA TECNOLOGIA?

Curiosidade, brio, pragmatismo

e capacidade de trabalho em equipa são

atributos que considero fundamentais para

quem está a iniciar uma carreira profissional,

nomeadamente nas tecnologias de

informação. Vivemos num mundo em

constante mudança e aceleração, pelo

que o desenvolvimento deste tipo de

características, que potenciam as nossas

capacidades de aprendizagem e adaptação

ao longo da carreira profissional, serão

absolutamente críticas no futuro.

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 39


NEGÓCIOS

40 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


A BANDEIRA

DE PORTUGAL

NA INTERNET

O .PT é responsável pela gestão do domínio

de topo de Portugal, assegurando o registo

e o funcionamento de todos os domínios .pt.,

e aposta na promoção das competências digitais.

Com um crescimento acima da média europeia,

a marca ambiciona ser a plataforma

de dados do país e liderar o ecossistema

digital em Portugal.

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 41


NEGÓCIOS

Se a internet tivesse

bandeiras, a de Portugal

seria, sem dúvida,

o .pt. O domínio de topo

nacional tornou-se,

ao longo das últimas décadas, um

dos principais símbolos da presença

digital do país e uma marca de

confiança da identidade digital

portuguesa. A marca responsável

pela sua gestão, o .PT, chegou

este ano aos mais dois milhões

de registos, mas não quer ficar por

aqui: quer ser a plataforma que

agrega os dados digitais em Portugal

e tornar-se líder do ecossistema

digital em Portugal.

A história de Portugal na internet

começou há 37 anos, a 30 de junho

de 1988, quando a IANA – Internet

Assigned Numbers Authority

delegou oficialmente o .pt como

o domínio de topo correspondente

a Portugal. Nessa altura, ficou sob

a alçada da FCCN – Fundação para

a Computação Científica Nacional

que, entre outras funções, geria

o domínio. A autonomização da

gestão só vem a acontecer mais

de duas décadas após o registo

do primeiro domínio em Portugal,

o dns.pt, que teve lugar em 1991.

“O que aconteceu em Portugal foi

o que ocorreu noutros países:

[o domínio] surge na área académica

e, com o boom dos anos 2000,

extravasa para o mundo comercial

e começa a precisar de uma gestão

muito mais profissionalizada, mais

independente e dedicada apenas

ao domínio de topo”, explica Luísa

Ribeiro Lopes, presidente do

Conselho Diretivo Executivo do .PT.

Para dar resposta a esta

necessidade, é criada, em 2013,

a Associação DNS.PT, uma

associação privada sem fins

lucrativos, exclusivamente para gerir

a marca .PT. A entidade opta por uma

gestão multi-stakeholder, onde estão

representados “os vários interesses

da comunidade da internet

nacional”, realça Luísa Ribeiro Lopes:

o Estado, através da Fundação para

a Ciência e a Tecnologia (FCT);

as empresas da economia digital,

com a Associação da Economia

Digital (ACEPI); e os consumidores

através da Associação Portuguesa

“Passámos a ter

uma entidade cujo

foco e cuja missão

é gerir o domínio

de topo de Portugal

na internet.”

para a Defesa do Consumidor

(DECO).

Além dos associados fundadores, a

marca conta ainda com um conselho

consultivo, cujos pareceres emitidos

a todos os documentos de gestão

do .PT são obrigatórios, embora

não sejam vinculativos. O órgão é

composto por cerca de 20 entidades

públicas, privadas e do terceiro setor,

como o Instituto dos Registos e do

Notariado (IRN), o Instituto Nacional

da Propriedade Industrial (INPI),

a Sociedade Portuguesa de Autores,

a ANACOM - Autoridade Nacional

de Comunicações, o Centro Nacional

de Cibersegurança e a Fundação

Portuguesa da Juventude, entre

outras.

“Passámos a ter uma entidade cujo

foco e cuja missão é gerir o domínio

de topo de Portugal na internet, que

inclui o registo e a manutenção dos

domínios que são registados sob

o domínio .pt, bem como a gestão

de toda a infraestrutura técnica e dos

sistemas que suportam este domínio

de topo”, explica a presidente do .PT.

34 FUNCIONÁRIOS, UM CALL CENTER

E 120 REGISTRARS

O .PT é atualmente composto

por 34 pessoas e trabalha com um

call center em regime de outsourcing,

que faz o atendimento diário ao

cliente. A equipa é responsável pela

gestão do sistema de registo – que

permite ao cliente criar um domínio

.pt diretamente com a marca

ou através de agentes de registo

(registrars) –, que inclui a delegação,

a renovação e a manutenção do

domínio, de acordo com as melhores

práticas internacionais, bem como

a ligação com os registrars.

A marca tem protocolos com cerca

de 120 destas entidades – metade

das quais portuguesas e outras 50%

sediadas fora de Portugal –,

“que fazem o registo e o alojamento

do domínio” através de uma ligação

com o sistema do .PT, permitindo

ao cliente registar um domínio .pt

diretamente com estes agentes

de registo.

Qualquer entidade – singular

ou coletiva –, em qualquer parte

do mundo, pode fazer um registo

no domínio .pt, sendo que .PT

faz uma verificação dos dados

associados.

A inteligência artificial, como

42 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


seria de esperar, desempenha um

papel importante no trabalho e

na produtividade da marca: “Há

cerca de dois anos que temos um

sistema de inteligência artificial

que faz a verificação de 98% dos

domínios e cerca de 2% é que

vão para verificação com olho

humano. Verificamos todos os

dados das entidades que registam

o domínio e isso é feito também

por uma máquina treinada em

inteligência artificial”, explica

a presidente do .PT, referindo

ainda que os funcionários tiveram

também formação na utilização de

ferramentas de inteligência artificial.

“Utilizamos muito a inteligência

artificial, mas não nos estamos

a deslumbrar.”

200 PONTOS DE PRESENÇA

Foto cedida

O .PT tem apoiado vários projetos

que desenvolvam as competências

digitais dos cidadãos.

EM TODO O MUNDO

No que toca à parte técnica,

o .PT conta com três data centers

– o principal, onde estão alojados os

sistemas, em Lisboa, um no Porto

e ainda um em Viseu, a zona do

país com menor probabilidade de

ocorrência de um sismo – e mais de

200 pontos de presença espalhados

pelo mundo. Essas réplicas do

Segundo Luísa Ribeiro Lopes,

o valor da manutenção anual

de toda a infraestrutura do .PT

ronda os dois milhões de euros.

.PT a nível mundial permitem o

funcionamento dos domínios .pt em

situações críticas, como o apagão que

teve lugar em Portugal e Espanha, em

abril de 2025.

“Este ano, num estudo feito pela

Internet Society (ISOC) Internacional

com uma universidade holandesa,

fomos considerados um dos cinco

melhores domínios de topos em

termos de infraestrutura técnica.

Para nós, é muito importante,

porque é garantia de fiabilidade”,

considera Luísa Ribeiro Lopes.

O valor de manutenção anual de

toda a infraestrutura técnica ronda

os dois milhões de euros, sendo a

“Este ano, num

estudo feito

pela Internet

Society (ISOC)

Internacional com

uma universidade

holandesa, fomos

considerados um

dos cinco melhores

domínios de topos

em termos de

infraestrutura

técnica.”

PRINCIPAIS MARCOS

30 JUNHO 1988

IANA – Internet

Assigned Numbers

Authority delega

o .pt como domínio

de topo correspondente a

Portugal

3 OUTUBRO 1991

Com a instalação

do primeiro servidor

para gerir o ccTLD .pt,

é registado o primeiro

domínio em Portugal:

dns.pt

9 MAIO 2013

Criação da Associação

DNS.PT para gerir o TLD

(Top Level Domain)

de Portugal

2018

.pt comemora 30 anos

e é apresentada nova

imagem corporativa:

o .PT

Atingidos um milhão de

domínios .pt registados

2022

Novo domínio:

www.pt.pt

2025

Atingidos dois milhões de

domínios .pt registados

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 43


NEGÓCIOS

“O nosso foco é

mostrar que ter um

nome de domínio

é diferente de ter

qualquer outra

presença digital

e mostrar o valor

acrescentado que o

nome do domínio pode

trazer a quem o tem.”

única fonte de receitas do .PT

o valor arrecadado com o registo

dos domínios. Cada domínio tem

um custo anual de 8,95 euros, sendo

que cada registrar pode “fazer

campanhas e apresentar um valor

mais baixo” ao consumidor.

MAIS DE DOIS MILHÕES

DE REGISTOS

Este ano, mais concretamente

a 10 de junho, Dia de Portugal,

o domínio .pt atingiu um marco

histórico: dois milhões de registos.

A maior parte dos domínios estão

ligados ao setor de comércio e

serviços, existindo também vários

domínios associados a organizações

sem fins lucrativos e à Administração

Pública – como é o caso do gov.pt, um

2.500.000

2.000.000

1.500.000

1.000.000

500.000

0

57.745

2004

79.906

2005

Foto cedida

O .PT tem promovido formações

na área da cibersegurança.

subdomínio do .pt, que é gerido pelo

Estado. Em termos geográficos,

a maioria dos domínios são registados

por entidades portuguesas – Espanha

é o segundo país com maior número

de registos de domínios .pt. – que

estão localizadas nas grandes cidades.

“Existe um desequilíbrio muito

grande entre o litoral e o interior

[do país] e entre Portugal

continental e as regiões autónomas.

A desigualdade que existe em

EVOLUÇÃO DOS DOMÍNIOS REGISTADOS

118.676

2006

184.809

2007

247.898

2008

295.796

2009

346.779

2010

403.574

2011

517.039

2012

600.467

2013

686.750

2014

778.037

2015

872.544

2016

976.370

2017

1.086.930

2018

1.210.201

2019

1.342.697

2020

1.479.891

2021

1.630.416

2022

1.782.215

2023

1.927.218

2024

2.081.213*

2025

termos sociais e económicos

reflete-se também na desigualdade

de distribuição em termos

geográficos no que diz respeito

aos nomes de domínio. Onde está

centrado o maior número de

empresas de comércios e serviços

com maior dimensão em termos

económicos é também onde está

centrado o maior número

de domínios.”

De acordo com Luísa Ribeiro Lopes,

o.pt continua a ser dos domínios de

topo com maior crescimento a nível

europeu – com um crescimento

médio de cerca de “7 ou 8% ao ano”,

enquanto na Europa não chega a 1%

–, sendo que o ano de 2025 superou

todas as expectativas da marca.

“O valor de dois milhões de registos

é muito importante, mas sabemos

que não corresponde ao número

de domínios que estão efetivamente

ativos e este é o trabalho que

estamos a fazer numa estratégia

desenvolvida até 2030. O nosso

foco é mostrar que ter um nome de

domínio é diferente de ter qualquer

outra presença digital e mostrar o

valor acrescentado que o nome do

domínio pode trazer a quem o tem”,

sublinha a presidente do .PT.

CIBERSEGURANÇA COMO PRINCIPAL

FOCO

A estratégia para 2030 definida

pelo .PT contempla quatro eixos,

sendo o da cibersegurança

o primordial. Desde 2015 que

* Fonte: .PT | Dados disponíveis a 11 de dezembro

44 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


A presidente do .PT refere que

a marca quer ser líder do

ecossistema digital em Portugal.

a entidade conta com um Centro

de Operações e Segurança para

prevenir, detetar e responder a

ameaças e incidentes relacionados

com a segurança de toda a

comunidade ligada ao .PT.

Além deste sistema, tem também

promovido formações na área da

cibersegurança, seja a nível interno,

seja junto dos agentes de registo.

“Nós nunca podemos dizer que

somos totalmente ciberseguros,

mas podemos, por um lado,

demonstrar que a nossa gestão e a

nossa infraestrutura é cibersegura

e, por outro lado, promover

a capacitação em termos de

cibersegurança”, afirma Luísa Ribeiro

Lopes, referindo que o .PT também é

requisitado para dar formação nesta

área, tendo estabelecidos protocolos

com entidades como o Centro

Nacional de Cibersegurança, a Polícia

Judiciária e a PSP.

O segundo passo estratégico passa

pela confiança e pela criação de valor

com o nome de domínio.

Desde a criação do .PT que

foi estabelecido o objetivo de

tornar o domínio de topo do país

numa referência, algo exigente

à época, uma vez que em Portugal,

à semelhança de outros países

do Sul da Europa, “a maior parte das

pessoas e das empresas achavam

que ter uma presença digital passava

por ter um domínio .com”. O desafio,

que implicou um trabalho intenso de

reconhecimento da marca,

por forma a angariar pessoas,

“As nossas receitas

servem para a gestão

da infraestrutura

e para termos

colaboradores

qualificados, mas

também para devolver

à comunidade aquilo

que a comunidade

nos dá.”

projetos e empresas para o domínio

nacional, foi ultrapassado há cerca

de quatro anos, quando o .pt passou

a ter uma quota de mercado superior

ao .com.

Atualmente, a criação de valor

do domínio .pt ganhou uma nova

dimensão: “Nós sabemos que o

nosso país se quer internacionalizar,

portanto, também temos de

ter uma palavra a dizer nesta

internacionalização, [que passa por]

usar também o domínio para [o país

se] internacionalizar. Isso tem sido um

foco: gerar confiança, gerar valor no

domínio do topo e internacionalizar”.

PLATAFORMA DOS DADOS

EM PORTUGAL

A regulamentação é o terceiro

passo da estratégia do .PT para 2030.

Isto é, fazer com que o domínio de

topo em Portugal esteja totalmente

em conformidade com toda a

regulamentação relacionada com

o setor, que está em constante

atualização.

Por último, o eixo estratégico

mais desafiante: tornar a marca

líder no ecossistema de dados

em Portugal: “Nós já temos um

embrião, o Ponto Digital, uma

plataforma que gerimos e que foi

financiada pela Comissão Europeia.

Queremos dar-lhe um boost e fazer

com que seja a grande plataforma

de dados do digital em Portugal”,

refere a presidente do .PT,

acrescentando que já abordou esta

temática com o atual Governo.

“Nós somos uma entidade

independente, transparente,

que não está sujeita aos ciclos

políticos e que pode perfeitamente

albergar estes dados tão essenciais.

Estamos a ouvir falar de grandes

data centers e grandes projetos em

termos de inteligência artificial que

só funcionam com dados fiáveis, e

nós queremos ser esta plataforma

que tem os dados digitais em

Portugal.”

“DEVOLVER À COMUNIDADE”

O crescimento do .PT tem levado a

marca a promover e apoiar projetos

que desenvolvam as competências

digitais dos cidadãos. Para Luísa

Ribeiro Lopes, isso levará não só

a que mais pessoas percebam a

importância de ter um domínio

.pt, mas também fomentará uma

sociedade mais igual e onde o digital

não reforça as desigualdades já

existentes.

Além da plataforma Ponto Digital,

que divulga as ações de formação

e capacitação na área do digital

a nível nacional, o .PT apoia, entre

outros projetos, o Apps for Good,

que desafia estudantes e docentes

a desenvolverem aplicações,

e iniciativas como o WIT KIDS,

da Women in Tech Portugal,

e o Engenheiras Por Um Dia,

do Governo, que visam desconstruir

preconceitos de género relacionados

com as carreiras ligadas à

engenharia, à tecnologia e à ciência.

“Embora tenhamos 89% da

nossa população a navegar na

internet, só cerca de 60% tem

competências digitais básicas.

As nossas receitas servem para

a gestão da infraestrutura e para

termos colaboradores qualificados,

mas também para devolver à

comunidade aquilo que

a comunidade nos dá, capacitando

as pessoas e tentando com que o

digital seja um enabler da igualdade”.

Numa era de elevada instabilidade

geopolítica, Luísa Ribeiro Lopes

acha difícil fazer “prognósticos”

relativamente ao futuro do

panorama digital, mas não tem

dúvidas de onde gostaria de ver a

marca: “O .PT tem que ser o líder

do ecossistema digital em Portugal

e fazer com que este ecossistema seja

mais justo, mais democrático e que

possa garantir uma coisa que é muito

importante no digital: a liberdade”.

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 45


I TECH

JOSÉ MANUEL PARAÍSO

DO FORTRAN

AOS SISTEMAS CRÍTICOS

O Country General Manager da Kyndryl Portugal nunca planeou uma

carreira em tecnologia, mas construiu uma vida inteira à volta dela.

Do FORTRAN à IA, da curiosidade académica à liderança de sistemas

críticos, o seu percurso é um retrato de como o digital se tornou

indissociável da forma como trabalhamos, comunicamos e vivemos.

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

José Manuel Paraíso ainda

se lembra do dia em que

entrou, pela primeira

vez, na chamada “sala

do computador”, na

Universidade Católica, uma sala que

estava quase sempre fechada. Aluno

de Economia, a frequentar a cadeira

de Fortran IV, esperava encontrar

uma máquina imponente, cheia de

válvulas, algo quase cinematográfico.

Mas, quando a porta se abriu, o vazio

foi dececionante e teve a sensação de

que o computador tinha sido roubado.

Só mais tarde reparou num telefone

antigo, de disco, e numa estranha

máquina de escrever que, afinal,

era uma perfuradora de cartões.

Era assim que se programava: através

desses cartões, num sistema de

timesharing ligado a um computador

central que não se via.

Essa surpresa inicial ajuda a explicar

a relação que José Manuel Paraíso

mantém com o digital até hoje: curiosa,

pragmática e sem deslumbramentos.

Economista de formação, nunca

planeou seguir carreira em Tecnologias

de Informação. Ainda assim, construiu

um percurso de mais de quatro

décadas ligado à evolução tecnológica.

Hoje, Country General Manager

da Kyndryl Portugal, lidera uma

operação que trabalha com sistemas

críticos, espelhando bem a sua visão: a

tecnologia não é opcional, é estrutural.

O interesse começou cedo. Ainda na

universidade, surgiram os primeiros

contactos com a informática, depois

os computadores, do ZX Spectrum

à Apple. Programava por iniciativa

própria, “quase por desporto”, criando

pequenos programas – um deles viria

mesmo a ser usado no negócio do pai.

Apesar disso, ao terminar o curso em

plena crise dos anos 80, entrou no

mercado de trabalho sem saber que

a tecnologia seria o seu caminho.

Começou como analista funcional

numa software house portuguesa,

fazendo a ponte entre utilizadores

e programadores. “Não sabia escrever

código, mas sabia lê-lo”, recorda,

num tempo dominado por COBOL,

FORTRAN e grandes sistemas

empresariais da IBM e da então Digital.

Hoje, separar tecnologia de vida

pessoal é praticamente impossível.

O telemóvel é o centro de tudo: trabalho,

comunicação, informação e família.

José Manuel Paraíso lembra um

momento particularmente marcante,

quando em 2009 lhe foi entregue

um BlackBerry. Estava em Madrid,

passava grande parte do tempo em

trânsito e o novo telemóvel permitia-lhe

estar em permanente contacto com

tudo. Trouxe-lhe uma sensação de

liberdade. “A minha forma de desligar é,

na realidade, não estar nunca desligado.

É assim que me sinto mais tranquilo.”

Não se considera um techie, nem se

deixa seduzir pela versão mais recente

do equipamento, mas valoriza, acima

de tudo, o software e a integração.

É aí que surge a Apple como referência

Para José Manuel Paraíso separar

tecnologia de vida pessoal é

praticamente impossível e o telemóvel

está no centro de tudo.

Ouça este artigo

Tempo de escuta: 04ʹ31ʺ

APPS FAVORITAS

Spotify

Sobretudo ao fim de semana,

não dispensa o dispensa. “Dá-me a

liberdadede ouvir a música que me

apetece, quando quero.”

Sport Tracker

“É a aplicação com que registo

todo o exercício físico que faço”,

sobretudo de bicicleta.

Yahoo Finance

Há muitos anos que é utilizador

frequente. “Tem uma cobertura

muito interessante das notícias

económicas sobre as empresas

que sigo.”

46 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


“Tudo o que tem a

ver com inteligência

artificial, com

o aumento de

produtividade que

nos dá e o espetacular

de tudo o que com ela

conseguimos fazer,

é impossível não ser

adopter desse tipo de

tecnologia.”

clara. Mais do que a marca, é o sistema

operativo e a forma como tudo

funciona em conjunto – do iPhone

ao computador, até à Apple TV – que

o convence. Ligar um portátil a um ecrã

e começar uma reunião, ter música,

fotografias ou documentos disponíveis

em qualquer dispositivo, tudo de forma

automática, é para si decisivo.

Considera a inteligência artificial

como a grande revolução, logo a seguir

à revolução industrial e ao surgimento

da eletricidade. Na Kyndryl, utiliza

intensivamente o Copilot para

aumentar a produtividade, desde

organizar ideias antes de reuniões até

gerar atas automáticas no Teams.

A convicção é clara: “a IA não elimina

empregos, faz com que o nosso

trabalho seja melhor”.

O futuro será inevitavelmente mais

digital e mais inteligente. A IA trará

ganhos enormes de produtividade

e acesso ao conhecimento, mas

também riscos, sobretudo se mal

utilizada. O verdadeiro desafio,

defende, não está na tecnologia, mas

na forma como a sociedade a gere.

Num mundo já desigual, o digital

pode acentuar diferenças, mas não é

opcional. Como explica, José Manuel

Paraíso, o desafio está no equilíbrio.

Se pudesse mudar algo, começaria

pelas redes sociais: menos anonimato,

mais responsabilidade e maior cuidado

na utilização dos dados. Porque

a tecnologia não vai parar e quanto

melhor a soubermos usar, melhor

preparados estaremos para o futuro.

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 47


Barómetro

RH

ESPAÇO RESERVADO A TENDÊNCIAS NA ÁREA DO TALENTO

E DOS RECURSOS HUMANOS

HP WORK RELATIONSHIP INDEX 2025

TRABALHADORES FELIZES,

EMPRESAS FORTES

A satisfação no trabalho atingiu um mínimo

histórico em 2025. Só 20% dos knowledge

workers dizem ter uma relação saudável

com o trabalho, com uma descida

de oito pontos em relação ao ano passado.

O recuo mais dramático regista-se entre

os líderes empresariais, de 17%, o que

mostra uma crise de conexão e confiança

no topo da pirâmide das empresas.

Os dados são da 3.ª edição do Work

Relationship Index (WRI), um estudo

anual da HP que olha para a forma como

as pessoas em todo o mundo se sentem

em relação ao seu trabalho. Este declínio

global afeta especialmente os mercados

desenvolvidos.

Mas este declínio não é inevitável.

As organizações que agirem rapidamente

estarão em melhor posição para reter talentos

e construir resiliência, já que têm nas suas

mãos 85% dos fatores que influenciam

a satisfação no local de trabalho: tecnologia,

reconhecimento, clareza de objetivos,

equilíbrio, colaboração, foco e fluxo. Abordar

esses pontos críticos pode diminuir a distância

entre a intenção da liderança e a experiência

dos funcionários. O que é visto como uma

oportunidade significativa para liderarem

as mudanças e reconstruírem relações

de trabalho mais fortes.

O estudo destaca que o sentimento

de realização dos trabalhadores tem impacto

direto no desempenho, retenção e inovação.

O Índice 2025 mostra que os colaboradores

estão sob pressão, com muitos a relatar

expectativas crescentes e uma sensação

TECNOLOGIA E IA: MULTIPLICADORES DE FORÇA

O ACESSO À IA E A FORMAÇÃO

AMPLIFICAM O OTIMISMO E A

PRODUTIVIDADE.

OS BENEFÍCIOS DA TECNOLOGIA

NÃO SÃO SENTIDOS DE FORMA

IGUAL PELA FORÇA DE TRABALHO.

A IA já faz parte

do trabalho

diário de 25% dos

trabalhadores do

conhecimento (+7%

em relação a 2024),

41% dos líderes

empresariais (+5%)

e 49% dos decisores

de TI (+18%).

42% das pessoas com uma relação saudável

com o trabalho utilizam ferramentas de IA

diariamente.

Os trabalhadores com acesso diário à IA

estão significativamente mais otimistas em

relação ao seu futuro no trabalho, graças

à melhoria da eficiência do seu fluxo de

trabalho.

Quase um em cada três trabalhadores não

tem formação em IA e 42% afirmam que

a sua empresa não tem uma estratégia clara

de IA. Colmatar esta lacuna é fundamental

para a transformação da força de trabalho.

58% dos decisores afirmam que a IA

os torna mais eficientes, contra 48%

dos líderes empresariais e apenas 30%

dos trabalhadores do conhecimento.

Embora a IA e a tecnologia sejam

comprovadamente facilitadoras

da produtividade, o acesso e a adoção

são desiguais entre os trabalhadores,

deixando muitos sem as ferramentas

necessárias para atingir o seu pleno

potencial.

48 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


Os profissionais realizados têm três vezes mais probabilidades de se

sentirem ligados aos colegas e de alcançarem o equilíbrio entre vida

pessoal e profissional, fatores que impulsionam a produtividade

de desconexão. Mais de seis em cada

10 trabalhadores de escritório afirmam que

as expectativas da sua empresa aumentaram

ao longo do último ano, enquanto quase

metade sente que o seu empregador prioriza

o lucro em detrimento das pessoas. Este é o

momento de agir.

É que os profissionais realizados têm três

vezes mais probabilidades de se sentirem

ligados aos colegas e de alcançarem

o equilíbrio entre vida pessoal e profissional,

fatores que impulsionam a produtividade.

Tendo em conta esta constatação, a liderança

com elevada inteligência emocional

– baseada na comunicação, transparência

e confiança – é um fator essencial.

E as organizações com relações de trabalho

saudáveis são as que registam um maior

crescimento.

Esta pesquisa global foi realizada entre 15

de abril e 20 de maio de 2025 em três grupos

de público, em 14 países. Foram inquiridos

18,2 mil trabalhadores de escritório, 14 mil

knowledge workers, 2,8 mil decisores de TI

e 1,4 mil líderes empresariais.

Consulte aqui o estudo

Para prosperar, os profissionais precisam de se sentir realizados, apoiados por

líderes que colocam as pessoas no centro da tomada de decisões e equipados com

a tecnologia e as ferramentas necessárias para trabalhar de forma mais inteligente.

REALIZAÇÃO

Sentimento de realização

sentida no trabalho

21% 15% 13%

2025

2025

(-8 p.p. do que 2024)

LIDERANÇA

Suporte dado pelos

superiores hierárquicos

2025

(-10 p.p. do que 2024)

FOCO NAS PESSOAS

As pessoas são incentivadas

a priorizar seu bem-estar ao

longo do dia.

(-11 p.p. do que 2024)

BARÓMETRO RH

MUDANÇA GERACIONAL

DE EXPECTATIVAS

AS GERAÇÕES MAIS JOVENS ESTÃO A REDEFINIR

AS NORMAS E PRIORIDADES DO TRABALHO.

Quatro em cada cinco trabalhadores da Geração Z abririam

mão de parte do seu salário em troca de mais flexibilidade

e autonomia na carreira.

51% tem projetos paralelos, demonstrando um forte desejo

de autonomia, crescimento e propósito, bem como

um maior nível de satisfação.

Como utilizadores mais frequentes de IA, a Geração Z também

revela níveis mais competentes, proficientes e especializados

de compreensão de IA.

A Geração Z também está a exigir mais – querem flexibilidade,

crescimento na carreira e alinhamento ético com

os empregadores – o que está a redefinir o futuro do trabalho.

27%

Até ao final de 2025,

a Geração Z

representará 27%

da força de trabalho

global.

A COLABORAÇÃO ENTRE GERAÇÕES CRIA VALOR

PARA TODAS.

Os trabalhadores mais jovens aceleram a adoção de tecnologia,

enquanto os colegas mais velhos trazem experiência no setor.

Os inquiridos de todas as gerações destacam as oportunidades

para aprender uns com os outros, equilibrando a rápida adoção de

tecnologia com a perspicácia empresarial.

A mentoria recíproca combina inovação com experiência,

aumentando a adaptabilidade em toda a organização. As empresas

que aproveitam a energia da geração mais jovem revelam novo valor.

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 49


Radar

Legal

DIGITAL OMNIBUS

PACKAGE

ALÉM DA APARENTE IDEIA

DE DESREGULAÇÃO

O Omnibus não representa uma

desregulação, mas sim um ajuste ao

modelo normativo europeu. Ao clarificar

obrigações e reduzir redundâncias, quer

reforçar a eficácia da regulação digital,

sem abdicar dos pilares éticos e de proteção

que definem a liderança europeia.

POR: JOANA PINTO | PARTNER TECHNOLOGY TRANSACTIONS, ANTAS DA CUNHA ECIJA

Foi a 19 de novembro

que a Comissão

Europeia apresentou

o Digital Omnibus

Package, uma proposta

destinada a reorganizar e clarificar

o ecossistema regulatório digital

da União Europeia. Este pacote

surge num momento em que

a Europa tenta equilibrar duas

pressões simultâneas: garantir

a liderança ética e normativa

em matéria digital e, ao mesmo

tempo, evitar que a complexidade

regulatória comprometa a

competitividade das empresas.

A proposta tem sido tratada

por alguns como um sinal de

“desregulação encapotada”.

Mas essa leitura é, no mínimo,

pouco cuidadosa. E não resiste

a uma análise cuidada do que

está verdadeiramente em causa.

O QUE O OMNIBUS É E,

SOBRETUDO, O QUE NÃO É

Contrariamente ao que certos

discursos mais alarmistas sugerem,

o Omnibus não mexe na arquitetura

central da legislação europeia.

Os pilares do AI Act, do RGPD

e da NIS2 permanecem intactos.

O que a Comissão Europeia coloca

em discussão é uma intervenção

técnica, cirúrgica, desenhada para

eliminar redundâncias, harmonizar

conceitos e clarificar obrigações

que, na prática, criavam ruído

e incerteza. É, acima de tudo, um

exercício de afinação normativa

e não uma mudança de rumo.

Não se trata, porém, de um gesto

ingénuo ou neutro. O Omnibus

resulta de um processo informado

por meses de diálogo técnico,

feedback acumulado da indústria

e a constatação de que a execução

prática das normas europeias

exige mais do que boas intenções.

É a evidência de uma Europa que

começa a ajustar o seu modelo

regulatório às dinâmicas reais

do mercado digital global.

Importa, no entanto, clarificar

o essencial: nada muda de imediato.

O Omnibus é uma proposta

legislativa e seguirá o percurso

completo – Parlamento, Conselho

e trílogos – onde poderá sofrer

ajustamentos significativos.

Até à sua eventual aprovação,

o quadro vigente mantém-se

plenamente em vigor. Não se

trata de travar iniciativas de

conformidade ou de antecipar

um relaxamento regulatório.

Trata-se apenas de reconhecer

que a discussão legislativa está

a evoluir.

Ainda assim, não se pode

ignorar que a proposta desperta

receios legítimos. Há quem tema

que um prolongamento dos prazos

de transição abra espaço a uma

nova vaga de debates políticos

ou que a pressão internacional –

nomeadamente dos Estados Unidos

– leve a um recuo estratégico da

Europa na proteção de direitos

fundamentais. Outros receiam

que o foco na simplificação

acabe por diluir salvaguardas

O Omnibus resulta

de um processo

informado por meses

de diálogo técnico,

feedback acumulado

da indústria e a

constatação de que

a execução prática

das normas europeias

exige mais do que

boas intenções.

50 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


essenciais, sobretudo em sistemas

de inteligência artificial (IA) de alto

risco.

O RISCO REAL: A ARMADILHA INTER-

PRETATIVA

O verdadeiro risco, contudo,

não reside no conteúdo do

Omnibus, mas na forma como as

organizações leem o momento.

Uma interpretação excessivamente

simplista pode induzir a ideia

de que se pode “esperar para ver”,

relaxar mecanismos internos

ou assumir que certas exigências

estruturais serão flexibilizadas.

Essa abordagem não seria

apenas imprudente, seria

contrária ao próprio espírito

da regulação europeia.

A simplificação proposta

pela Comissão não elimina

responsabilidades, não substitui

avaliações de impacto, não reduz

exigências de documentação e não

altera o núcleo das obrigações

que recaem sobre providers,

deployers, importadores ou

distribuidores de sistemas de IA.

Pelo contrário, ao clarificar

conceitos e organizar obrigações,

a proposta expõe com maior nitidez

aquilo que sempre esteve implícito:

A Europa não

precisa de menos

regulação – precisa

de melhor regulação.

E o Omnibus poderá

ser um passo decisivo

nessa direção.

que conformidade em IA não

é um exercício pontual, mas um

processo contínuo.

EXECUÇÃO SUSTENTADA,

SEM PAUSAS

Em termos práticos, a mensagem

para as empresas é clara: aproveitem

a clarificação, mas não diminuam

o ritmo. A governança de IA continua

a exigir capacidade técnica,

processos robustos, documentação

auditável e mecanismos de

supervisão humana eficazes.

A proteção de dados mantém-se

como elemento estrutural e não

como detalhe acessório. A segurança

digital permanece indissociável

da gestão de risco em IA.

Em resumo, o Omnibus não

altera o essencial. A Europa

não abandona os seus valores,

aperfeiçoa a forma como

os traduz em prática. E este

movimento pede às empresas

maturidade, consistência na

forma como integram a regulação

no seu modelo de gestão e uma

leitura estratégica do que está

verdadeiramente em cima

da mesa.

CLARIFICAR PARA

CONSOLIDAR

O Digital Omnibus Package

não soluciona todos os desafios

da regulação digital. Mas, se for

bem conduzido, pode aproximar

a Europa do equilíbrio que

há muito se procura: um modelo

que protege sem paralisar,

que regula sem perder de vista

a realidade operacional

das empresas que sustentam

a economia digital.

O sucesso desta nova etapa

dependerá por isso também

da capacidade de aplicar com

maturidade as soluções que vierem

a ser aprovadas. A Europa não

precisa de menos regulação

– precisa de melhor regulação.

E o Omnibus poderá ser um passo

decisivo nessa direção.

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 51


VISÃO DOS ASSOCIADOS

INOVAÇÃO EM ECOSSISTEMA

Num mercado marcado pela incerteza,

a Brighten acredita que crescer passa

por colaborar. A entrada na APDC reflete

essa convicção e reforça o seu compromisso

com a inovação e a transformação digital

das organizações.

Com a entrada na APDC,

a Brigten passou a

integrar um ecossistema

que promove a inovação, a

transformação digital e a

colaboração entre empresas que

moldam o futuro tecnológico do

país. O que lhe permite passar

a contribuir ativamente para

os debates estratégicos sobre

tecnologia e negócio, assim como

reforçar o seu posicionamento

como um parceiro que simplifica

operações e acelera o crescimento

das organizações.

Como refere Jorge Carvalho,

Managing Director da Brighten,

“acreditamos na partilha de

conhecimento e na construção

de relações que impulsionam

o desenvolvimento do setor”.

E o foco é simples: “Tornar as

operações mais eficientes, reduzir

desperdícios, melhorar margens e

dar às equipas uma visão unificada

do negócio para crescerem com

segurança”.

Para isso, disponibiliza um

portfolio de soluções de gestão

completo, graças não só ao trabalho

in-house mas também às parcerias

de referência de software houses

como a SAP, a Sage e a UiPath.

Tem ainda um ecossistema

de mais de dez parceiros

tecnológicos. Desenvolve também

B.I.

Ano de adesão à APDC

2025

Área de atuação e especialização

É uma consultora especializada em

transformar operações empresariais

através de tecnologia de gestão e de um

conhecimento profundo de indústria. Tem

como missão ajudar empresas de média e

grande dimensão a organizarem melhor

o seu negócio, ganharem controlo sobre

operações críticas e tomarem decisões

com maior confiança. Nesse sentido, tem

soluções de gestão que permitem integrar

todas as áreas de uma organização num

único modelo operacional, desde as

finanças e operações até à produção,

vendas e serviços, garantindo processos

mais claros, rápidos e eficientes.

52 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


GRANDE PERGUNTA

Tendo em conta que Portugal

se pretende afirmar

como hub europeu digital,

que políticas ou iniciativas

concretas deveriam ser

aceleradas para que

as empresas portuguesas,

como a vossa, possam

competir globalmente?

Portugal só conseguirá afirmar-se como

um verdadeiro hub digital europeu se

acelerar três prioridades muito claras.

Primeiro, tanto as empresas como o Estado

terão de investir, de forma consistente,

na qualificação avançada de talento,

garantindo que conseguem recrutar

e reter recursos altamente especializados.

Deveriam ainda ser criados mecanismos

e incentivos ao investimento das empresas

no desenvolvimento de competências

e no crescimento profissional dos seus

colaboradores. E promover conhecimento

e competências adicionais que não sejam

facilmente substituíveis pela utilização de

tecnologias, nomeadamente a inteligência

artificial (IA). Segundo, desenvolver políticas

de incentivo à modernização tecnológica

das organizações, com foco especial

nas PME, facilitando a adoção de soluções

que aumentem eficiência, competitividade

e capacidade de escala internacional.

Por último, reforçar a ligação entre empresas,

academia e Estado, criando programas

e iniciativas conjuntas de inovação aplicados,

garantindo que as novas gerações estão

melhor preparadas para as reais necessidades

do mercado de trabalho. Para empresas

como a Brighten, este alinhamento

é determinante: precisamos de um

ecossistema que reduza barreiras, acelere

a inovação e permita competir globalmente

com base em competência, produtividade

e valor acrescentado.

aplicações totalmente ajustadas

à realidade de cada cliente,

com automatização de tarefas

repetitivas para libertar equipas

para um trabalho de maior valor

e a criação de modelos avançados

de análise, que permitem

antecipar necessidades, prever

resultados e captar informação

em tempo real, incluindo a partir

de equipamentos industriais.

Tendo em conta o atual

contexto de elevada incerteza

e instabilidade, Jorge Carvalho

explica que a estratégia de

mercado da Brighten “passa por

ajudar as empresas a ganhar

eficiência, visibilidade e controlo”.

“Focamo-nos nos setores onde

entregamos resultados mais

rápidos e relevantes, simplificando

processos e garantindo que

cada investimento traz retorno

mensurável”, diz. Para isso, opera

através de modelos flexíveis,

ajustados à realidade de cada

organização. E privilegia relações

de longo prazo, que permitam

às empresas crescer de forma

sustentável e tomar decisões mais

informadas, mesmo em contextos

voláteis.

www.brightenconsulting.com

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 53


PORTUGAL A ABRIR DIGITAL

CIÊNCIA QUE

CONSTRÓI

SOLUÇÕES

PARA O MUNDO

54 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


Da otimização matemática à micro e nanofabricação,

a ciência desenvolvida no universo INESC

traduz conhecimento avançado em respostas concretas para

alguns dos maiores desafios globais.

O INESC Coimbra e o INESC MN ilustram duas

abordagens distintas e complementares,

onde investigação interdisciplinar, engenharia de ponta

e ligação à indústria se cruzam para gerar impacto

económico, social e tecnológico.

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 55


PORTUGAL A ABRIR DIGITAL

INESC COIMBRA

CIÊNCIA E DADOS

AO SERVIÇO DO AMANHÃ

A

partir de

Coimbra, modelos

matemáticos,

algoritmos

e sistemas de apoio

à decisão ajudam a enfrentar

alguns dos desafios mais complexos

da atualidade – da transição

energética à saúde, do ambiente ao

planeamento territorial. Com raízes

que remontam à segunda metade

dos anos 80, quando arrancou como

polo do Instituto de Engenharia

de Sistemas e Computadores

(INESC), e mais de duas décadas de

autonomia institucional, o INESC

Coimbra consolidou-se como uma

referência no ecossistema científico

e tecnológico nacional.

Afiliado à Universidade de

Coimbra, ao INESC Holding e ao

Instituto Politécnico de Leiria,

o instituto reúne mais de 100

investigadores – 59 integrados e 30

doutorandos – com competências

sobretudo no âmbito das

engenharias: eletrotécnica

e de computadores, informática,

geoespacial e mecânica, mas que

também tocam áreas como a gestão.

“Na matriz fundadora do INESC

Coimbra está, sobretudo,

a nossa natureza interdisciplinar.

Os problemas são cada vez mais

interdisciplinares e é possível

convocar competências de diversas

áreas que se complementam para

um objetivo comum”, refere Carlos

Henggeler Antunes, presidente

do Conselho de Administração

do INESC Coimbra. “A otimização

de sistemas de energia, em que

existem objetivos de natureza

económica, de natureza técnica

e de natureza ambiental, por

exemplo, ilustram essa natureza

interdisciplinar”, acrescenta.

O trabalho desenvolvido pelo

INESC Coimbra é, contudo,

muito mais abrangente. Sustenta

linhas de investigação que vão

desde os sistemas e métodos de

apoio à decisão e à análise de

dados geoespaciais, da energia

sustentável à gestão de recursos

hídricos, passando pela engenharia

estrutural computacional.

“Trabalhamos muito em modelos

e métodos de otimização, de

56 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


“Na matriz fundadora do INESC

Coimbra está, sobretudo, a nossa

natureza interdisciplinar.

Os problemas são cada vez mais

interdisciplinares e é possível

convocar competências de diversas

áreas que se complementam

para um objetivo comum.”

Carlos Henggeler Antunes

Presidente do Conselho

de Administração do INESC Coimbra

Fotos cedidas

“Trabalhamos muito

em modelos e métodos

de otimização,

de investigação

operacional. A

nossa principal raiz

está na otimização

matemática.”

investigação operacional. A nossa

principal raiz está na otimização

matemática”, afirma o responsável.

É esta base que permite a este

instituto operar sobretudo em

níveis de TRL (Níveis de Maturidade

Tecnológica) mais baixos,

desenvolvendo teoria, algoritmos

e metodologias que, depois,

sustentam aplicações de larga

escala. Produção que tem impacto

em diversos setores e comunidades,

por via de publicações em revistas

científicas, participação ativa em

projetos de investigação

e desenvolvimento, colaborações

e contratos com a indústria e

instituições públicas.

A equipa que dá corpo a todo

esse trabalho multidisciplinar tem

origem sobretudo na Universidade

de Coimbra (cerca de 75%), no

Instituto Politécnico de Coimbra

e no Instituto Politécnico de Leiria,

mas também integra alguns

investigadores de outras instituições

como o Politécnico de Viseu

e a Universidade da Beira Interior.

PROJETOS QUE MOLDAM SETORES

Nos últimos anos, vários projetos

tornaram o INESC Coimbra

particularmente visível, tanto

pela inovação científica como

pela relevância e impacto societal,

destacando-se nesse contexto três

eixos centrais: saúde, energia e

ambiente.

Na área da saúde, sobressai

o desenvolvimento de modelos

matemáticos e algorítmicos – hoje já

utilizando inteligência artificial (IA)

– para a otimização de tratamentos

de radioterapia. “O objetivo é

que sejam usados pelos médicos

oncologistas para modelar de forma

ótima, em intensidade e direção, os

feixes de radioterapia que atacam os

tumores, preservando ao máximo

os tecidos envolventes”, explica

Carlos Henggeler Antunes. Trata-

-se de um trabalho com elevado

potencial de aplicação prática,

desenvolvido em colaboração

com o Instituto Português de

Oncologia de Coimbra e com centros

internacionais como o MD Anderson

Cancer Center, em Austin, no Texas.

A energia é outro domínio

estruturante. O INESC Coimbra

esteve envolvido em projetos de

promoção da eficiência energética

enquanto consultor das empresas

do grupo EDP, no âmbito do PEPEC –

o Plano de Promoção da Eficiência

no Consumo de Energia, gerido

pela Entidade Reguladora dos

Serviços Energéticos em Portugal

(ERSE). “Desenhámos as medidas,

a implementação, a avaliação

das medidas de promoção da

eficiência energética, por exemplo,

na iluminação, na substituição

de motores por motores mais

eficientes, entre outros”, explica

o presidente do instituto.

Neste campo, incluem-se ainda

o estudo realizado aquando do

phasing out da central a carvão do

Pego, avaliando a viabilidade da sua

conversão para biomassa e o Plano

Regional de Promoção da Eficiência

Energética (PRAEE) para o Governo

Regional dos Açores. Em marcha

está também um projeto com

uma empresa do Grupo Somague

relacionado com a avaliação de

eficiência energética em edifícios

escolares. A investigação estende-

-se também a áreas emergentes

como o agrivoltaics, procurando

compatibilizar o uso agrícola

do solo com a produção fotovoltaica

– um tema cada vez mais crítico em

território nacional.

O INESC Coimbra tem igualmente

reforçado a sua reputação na

análise de dados geoespaciais.

O projeto UAS4Litter, que recorre

a drones e IA para detetar e

mapear o lixo marinho nas praias

portuguesas, é exemplificativo disso

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 57


PORTUGAL A ABRIR DIGITAL

NÚMEROS

+100

Investigadores

7

Áreas científicas

de atuação

8

Instiuições associadas

700 MIL €

Volume de negócios

previsto para

2025/2026

mesmo. O drone equipado com

uma câmara digital que voa a uma

altitude de 20 metros permite detetar

e identificar o lixo em imagens

utilizando métodos manuais e

automáticos baseados em IA.

“Esta linha de investigação tem tido

alguma relevância internacional,

sendo que investigadores nossos

têm sido convidados pelo Ministério

do Meio Ambiente do Governo do

Japão para encontros e assessoria

relacionados com a monitorização

do lixo marinho costeiro”, refere

Carlos Henggeler Antunes.

PARCERIAS INTERNACIONAIS

E IMPACTO GLOBAL

Esta dimensão internacional

reflete-se ainda na participação

em iniciativas como o SenForFire

– Cost-Effective Wireless Sensor

Networks for Forest Fire Prevention

and Early Detection, financiado

pelo Programa Interreg Sudoe,

que pretende promover a prevenção

e deteção precoce de incêndios.

O projeto envolve uma equipa de

investigadores do Departamento

de Engenharia Informática da

Faculdade de Ciências e Tecnologia

da Universidade de Coimbra, bem

como de Andorra, Espanha e França.

Foto cedida

A contribuição da equipa portuguesa

passa pela análise inteligente dos

dados, que são georreferenciados

e multimodais, de modo a suportar

decisões que venham a ser tomadas

antes ou durante o combate a um

incêndio.

Ainda no campo da informação

geoespacial, o instituto é ainda

parceiro do SAFIR – Sentinel-Assisted

Forestry Insight and Research, que

aborda desafios críticos na gestão

florestal, particularmente na deteção

e gestão de distúrbios florestais como

quedas de árvores devido ao vento

e anomalias causadas por pragas.

A inovação desta iniciativa,

financiada pela Austrian Research

Promotion Agency, reside no uso

de tecnologias de ponta, incluindo

algoritmos de machine learning

para remoção de sombras e nuvens,

que visam refinar a qualidade

das imagens de satélite.

Do outro lado do Atlântico,

o trabalho conjunto com a

Universidade de Sherbrooke,

no Canadá, sobretudo na área da

mobilidade elétrica, também tem

sido bastante profícuo. Foram

alcançados, nomeadamente,

avanços significativos nos sistemas

de gestão de energia em veículos

elétricos que permitiram combater

o desgaste das baterias e melhorar

a eficiência dos motores. Apesar

de estarem numa fase menos

produtiva, também tem havido uma

grande participação em projetos

de pesquisa e desenvolvimento

da ANEEL – o regulador do setor

de energia elétrica do Brasil –

relacionados com smart grids,

sistemas de pré-pagamento

e à transição energética.

SUSTENTABILIDADE

FINANCEIRA E AMBIÇÃO CIENTÍFICA

Como associação privada

sem fins lucrativos, o INESC

Coimbra assenta num modelo

de financiamento equilibrado

que depende de várias vias.

“Os proveitos resultam do

financiamento da Fundação para

a Ciência e Tecnologia, de projetos

de cooperação internacional e de

prestação de serviços especializados

às empresas”, resume o presidente.

O responsável do INESC Coimbra

fala numa estrutura pequena, mas

sustentada sem endividamento.

Para este e o próximo ano, antecipa

um volume de negócios que rondará

os 700 mil euros.

Olhando para o futuro, a ambição

passa por aprofundar as áreas

nucleares de investigação, tirando

partido de novas abordagens

tecnológicas. “Queremos continuar

a expandir as nossas áreas

essenciais – transição energética,

informação geoespacial, otimização

da radioterapia – e ter o background

matemático, computacional e de

inteligência artificial necessário

para abraçar novos desafios”,

conclui Carlos Henggeler Antunes.

58 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 59


PORTUGAL A ABRIR DIGITAL

INESC MN

MICRO E NANOFABRICAÇÃO

COM ESCALA GLOBAL

Numa ‘sala limpa’

em Lisboa, onde

cada partícula no ar

pode comprometer

semanas de

trabalho, produzem-se dispositivos

com componentes invisíveis ao

olho humano, mas essenciais para

sistemas que movem o mundo

moderno: sensores para robôs

industriais, chips óticos para

comunicações, estruturas para

lentes planares e biossensores

de alta precisão. No INESC

Microsistemas e Nanotecnologias

(INESC MN), há mais de três

décadas é construída, passo a passo,

uma competência nacional rara –

micro e nanofabricação ao nível das

melhores equipas internacionais.

Um trabalho que arrancou com

uma equipa que “aprendeu tudo

do zero”, como recorda o presidente

do Conselho de Administração

do INESC MN, Paulo Freitas, e a

partir do qual o instituto construiu

competências únicas e uma

ligação consistente à indústria

internacional, operando em níveis

de maturidade tecnológica (TRL)

significativamente superiores

ao tradicional no universo INESC.

Na sua essência, o instituto tem

como objetivos a investigação

e o desenvolvimento em áreas

estratégicas, nomeadamente

sensores magnetoresistivos

e eletrónica de spin, MEMS e

bioMEMS, materiais funcionais,

fotónica e metamateriais,

microsistemas para aplicações

biológicas ou biomédicas.

O início da história do INESC MN

é marcado logo por uma inovação

industrial. Como lembra Paulo

Freitas, o primeiro grande projeto,

no início dos anos 90, consistiu em

desenvolver “um circuito integrado

para os aquecedores da Vulcano”,

eliminando a necessidade da

chama piloto. Coincidiu com um

período marcado por um forte

investimento no instituto – 11 a 12

milhões de euros entre 1993

e 1995 – a que se juntaram depois

também projetos europeus.

Foi quando começaram a fazer

o que se designa de “personificação

de circuitos integrados”. “Trazíamos

da Alemanha – do Instituto de

Eletrónica de Estugarda – ‘bolachas’

(wafers) com transistors e, em

cima disso, fazíamos cinco níveis

de processamento para ligar

os transistors de várias formas

possíveis. Nunca se tinha feito

isso em Portugal e, durante muito

tempo, fomos os únicos a conseguir

fazê-lo”, recorda Paulo Freitas.

Seguiram-se anos de investimento

em tecnologias de ‘bolachas’, cuja

manipulação, num laboratório com

um ambiente altamente controlado,

abriu caminho à especialização que

hoje distingue o INESC MN, num

trabalho que se mede ao nível do

micrómetro (um fio de cabelo tem

cerca de 60 micrómetros). “Demos

conta de que se tratava de uma área

onde podíamos ser dos melhores

do mundo. Começámos a trabalhar

com a maquinaria da ‘sala limpa’ e

fomos investindo ao longo dos anos”,

recorda o investigador.

ESPECIALIZAÇÃO PROFUNDA

E TRLS ELEVADOS

O INESC MN trabalha tipicamente

em TRL entre 5 e 7 – e, por vezes,

até 8 –, considerando uma escala

que se estende até 9. Isto significa

que muitos dos dispositivos que

fabricam em ‘sala limpa’ podem

seguir diretamente para empresas,

que depois os integram em

produtos comerciais.

NÚMEROS

+80

Colaboradores

6

Grupos

de investigação

25%

Financiamento

via indústria

3,7 milhões

Proveitos

A infraestrutura é crítica para

este trabalho: o instituto opera uma

‘sala limpa’ de 200 m 2 (classe 10/100)

e uma área cinza adjacente também

de 200 m 2 , dispondo ainda de 170 m 2

de área laboratorial. Uma segunda

‘sala limpa’ está em construção

no Taguspark, em Oeiras, onde

será concentrada a atividade

industrial com maior exigência

de reprodutibilidade.

“Grande parte do nosso tempo

é passado a manter as máquinas

a trabalhar e a melhorar processos.

Já investimos cerca de 20 milhões

60 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


de euros nestas infraestruturas”,

sublinha o presidente do instituto.

O resultado é uma capacidade

nacional única de processamento

e micro/nanofabricação, que

permite ao INESC MN atuar num

conjunto de áreas tecnológicas

estratégicas.

SENSORES MAGNETORESISTIVOS,

FOTÓNICA E MEMS: TRÊS PILARES

TECNOLÓGICOS

O instituto tornou-se

particularmente reconhecido

no domínio dos sensores

“Um dos maiores projetos que temos

é com uma companhia alemã,

destinado a fabricar encoders

angulares. É um trabalho que

envolve equipas espalhadas

por todo o mundo.”

Paulo Freitas

Presidente do Conselho de

Administração do INESC MN

magnetoresistivos, tecnologia que

encontra aplicações transversais,

dos smartphones aos robôs

industriais. Estes sensores de

posição ou de corrente, chamados

encoders, estão presentes, por

exemplo, em bússolas digitais,

sistemas de focagem de lentes ou

sensores de corrente para veículos

elétricos. Áreas onde o INESC MN

trabalha com grandes empresas

internacionais. “Um dos maiores

projetos que temos agora – está

a entrar no segundo ano – é com

uma companhia alemã, destinado

a fabricar encoders angulares.

É um trabalho que envolve equipas

espalhadas por todo o mundo:

Holanda, Singapura, com quem

temos reuniões todas

as semanas”.

Outro eixo de crescimento

é a fotónica. “É uma área em que

começamos recentemente

e que está a crescer. Aí estamos

a trabalhar com a PICadvanced,

uma companhia de Aveiro que

faz desenho e integração de chips

óticos, para comunicações em

fibra ótica, etc. A nós compete-nos

fabricar, em ‘bolachas’ de silício,

onde colocar esses chips, e onde

podemos colocar sensores

de temperatura ou guias de

onda, por exemplo”. Ou seja,

permitindo dar à empresa “um

nível de processamento a que esta

não tem acesso”, como esclarece

o responsável do INESC MN.

Ainda no campo da fotónica,

o instituto também trabalha em

metasuperfícies. Ou seja, ‘bolachas’

onde existem muitas estruturas 3D,

que são fabricadas para fazer,

por exemplo, uma lente planar.

A terceira área estruturante

é a de MEMS – sistemas

microeletromecânicos –,

normalmente para aplicações na

área biológica. “Foi uma área que

teve início à volta do ano 2000 e em

que trabalhámos muito até 2005,

designadamente com hospitais para

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 61


PORTUGAL A ABRIR DIGITAL

“Se nós queremos

produzir a sério,

temos de ter uma

fábrica, e não precisa

ser muito cara.

Bastaria

um investimento

de 40 a 50 milhões.”

a deteção no corpo humano

de biomarcadores característicos

de algumas doenças”, explica

Paulo Freitas, adiantando que

o INESC MN continua a atuar neste

campo, mas sobretudo em termos

académicos e não com o impacto

industrial com que operam

noutras áreas.

DA CIÊNCIA À INDÚSTRIA:

PARCERIAS GLOBAIS

Uma das características

que distinguem o INESC MN

é precisamente a intensidade da sua

ligação à indústria. “Normalmente,

nós nunca vamos à procura.

São as empresas que vêm ter

connosco porque somos conhecidos

e temos muitas publicações e

algumas patentes nestas áreas”,

afirma o presidente.

O instituto trabalha sobretudo

para fora do mercado nacional, com

empresas como a Bosch, a Infineon,

a Analog Devices ou a TDK, mas

também tem colaborações com

empresas nacionais como

é o exemplo da PICadvanced.

Entre os projetos mais

emblemáticos em que o INESC

MN participou recentemente

foi em parceria com a Sogrape.

Envolveu a construção de um

microespectrómetro para controlar

a maturação das uvas na zona

do Vinho do Porto. Paulo Freitas

salienta que “o projeto terminou

com resultados bastante bons e

alcançou bastante visibilidade, tendo

o processo também sido protegido”.

EQUIPA MULTIDISCIPLINAR

E CAPTAÇÃO GLOBAL DE TALENTO

Todos esses desenvolvimentos

são concretizados com base numa

equipa que reúne atualmente

cerca de 80 pessoas, incluindo

25 contratados, mas também alunos

de doutoramento, técnicos não

doutorados ou engenheiros não

doutorados. Os investigadores vêm

de várias áreas: física, engenharia

eletrotécnica, engenharia biomédica,

engenharia biológica e engenharia

mecânica. “Uma das nossas grandes

vantagens é estarmos junto

do Técnico, onde temos uma fonte

de alunos quase inesgotável”,

nota Paulo Freitas.

Apesar disso, manter os recursos

humanos é um dos principais

desafios com que o INESC MN

se depara. “Embora paguemos

bastante bem, na Holanda ou

na Alemanha os salários são mais

altos. Por isso a retenção de talento

é um problema real”.

Mas, por outro lado, o instituto

acolhe também regularmente

especialistas estrangeiros que

enriquecem o trabalho produzido

pelas suas equipas. “No âmbito dos

projetos europeus e de colaborações

com companhias internacionais,

temos bastantes pessoas que vêm

cá passar períodos de três ou seis

meses, ou às vezes mais tempo”.

A relevância do trabalho

desenvolvido em parceria com a

indústria permite ainda ao INESC

MN ter uma “fonte de financiamento

segura”. “O trabalho com indústrias

representa cerca de 25% do nosso

orçamento”, concretiza o presidente.

Em 2024, o INESC MN registou um

volume de proveitos de 3,7 milhões

de euros, um crescimento de 40%

face ao ano anterior, refletindo as

vendas de serviços tecnológicos

e a participação em projetos

europeus, PRR e FCT. Para o ano

de 2025, o orçamento ronda

os quatro milhões de euros.

AMBIÇÕES PARA O FUTURO:

UMA FÁBRICA NACIONAL

Entre os grandes objetivos

do INESC MN está a transição

de um centro de investigação

e prototipagem para uma operação

de fabrico. “Se nós queremos

produzir a sério, temos de ter uma

fábrica, e não precisa ser muito cara.

Bastaria um investimento de 40

a 50 milhões”, refere Paulo Freitas.

Esta unidade permitiria responder

mais eficazmente às necessidades

de empresas europeias e asiáticas,

incluindo parceiras chinesas que,

segundo explica, “têm dificuldade

em trabalhar com institutos

de investigação, mas compram

facilmente a uma fábrica”.

O plano seria começar por fabricar

‘bolachas’ e, depois, avançar para

algum desenho de produto,

que é onde está o “lucro”.

Num contexto em que a Europa

procura recuperar capacidade

industrial em áreas críticas como os

semicondutores e os microsistemas,

a ambição do INESC MN inscreve-

-se assim numa lógica de longo

prazo: transformar conhecimento

acumulado ao longo de décadas em

capacidade produtiva sustentável.

62 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 63


ESPAÇO

UM NOVO PAPEL NA

CIBERSEGURANÇA

O regulador assume novas atribuições

e competências no domínio da cibersegurança

nas telecomunicações e nos serviços postais.

Com a publicação do Decreto-Lei

n.º 125/2025, de 4 de dezembro,

a ANACOM passa a ser também

a Autoridade Nacional Setorial

de Cibersegurança. Nesta nova

qualidade e no âmbito deste diploma,

o regulador integrará o quadro

institucional da cibersegurança,

no que respeita às comunicações

eletrónicas e aos serviços postais.

Nesta qualidade, desempenha,

entre outros, um papel relevante

na gestão e tratamento de incidentes

de cibersegurança no seu setor,

em estreita articulação com o

Centro Nacional de Cibersegurança

(CNCS). Cooperando na definição

de procedimentos de notificação,

resposta e recuperação de

incidentes, bem como na partilha

de informação operacional

necessária à prevenção, deteção

e mitigação de ciberameaças

aos serviços de comunicações

eletrónicas e postais. Desta forma,

contribui para a resiliência global

do setor e para a proteção dos

utilizadores.

A ANACOM vai participar

igualmente ao nível estratégico

da governação da cibersegurança

nacional, no âmbito do Conselho

Superior de Segurança

do Ciberespaço, órgão

de coordenação

estratégica que apoia

o Primeiro-Ministro

em matéria de

cibersegurança.

Neste enquadramento,

contribui para a

articulação institucional e para

a definição das orientações

estratégicas nacionais neste

domínio, reforçando a coerência

da resposta nacional aos riscos

e ameaças no ciberespaço.

O Decreto-Lei n.º 125/2025,

de 4 de dezembro, que transpõe a

chamada Diretiva NIS2, a Diretiva

(UE) 2022/2555, do Parlamento

Europeu e do Conselho, de 14 de

dezembro, destinada a garantir

um elevado nível comum de

cibersegurança em toda a União,

entrará em vigor no prazo de 120

dias.

Para mais informação

64 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


COMUNICAR SEM BARREIRAS:

GUIA PARA UTILIZADORES

COM DEFICIÊNCIA

O Dia Internacional das Pessoas

com Deficiência constitui uma

oportunidade para reforçar

compromissos e destacar

iniciativas que promovam uma

sociedade mais acessível e

inclusiva. Neste contexto,

a ANACOM voltou a afirmar a

importância de eliminar barreiras

no acesso às comunicações

eletrónicas, um elemento

essencial da vida moderna.

Estar ligado é, hoje, indispensável

para falar com a família,

marcar consultas, estudar,

trabalhar ou simplesmente

aceder à informação. Embora as

necessidades não sejam iguais

para todos, os direitos são

– e devem ser – plenamente

garantidos. Com esse propósito,

e em linha com o Regulamento

n.º 237/2024, em vigor desde 28

de junho de 2025, a ANACOM

apresentou um novo guia

dedicado a apoiar pessoas com

deficiência no acesso, utilização

e compreensão dos serviços de

comunicações eletrónicas. Este

regulamento estabelece regras

específicas que asseguram que

estes utilizadores possam aceder

aos serviços

em condições de igualdade

com os demais utilizadores

finais, reforçando a justiça,

a transparência

e a inclusão no setor.

O guia “Utilizadores de

Comunicações Eletrónicas com

Deficiência – Comunicar sem

barreiras: os seus direitos nas

comunicações” foi preparado

para explicar de forma simples,

direta e com exemplos práticos

os principais direitos das pessoas

com deficiência no âmbito das

comunicações eletrónicas.

Embora dirigido em primeiro

lugar aos próprios utilizadores,

é igualmente útil

para familiares, amigos,

cuidadores e profissionais que

lhes prestam apoio, oferecendo

informação clara, estruturada

e acessível.

DIREITOS EXPLICADOS DE FORMA

SIMPLES E PRÁTICA

O guia apresenta um conjunto

de direitos fundamentais que

visam eliminar obstáculos

no acesso e na utilização das

comunicações eletrónicas. Entre

os temas abordados destacam-se:

` Contratos acessíveis

` Escolha do formato das

faturas

` Nomeação de representante

` Atendimento adaptado

` Equipamentos e software

acessível

` Controlo de consumo

` Prioridade na resolução

de avarias

` Reclamações acessíveis

` Tarifários otimizados

Cada capítulo é apresentado

com orientações práticas,

garantindo que qualquer pessoa,

independentemente das suas

necessidades específicas,

compreenda como exercer

os seus direitos e a aceder

aos serviços essenciais de

comunicação, sem barreiras.

Com esta iniciativa, a ANACOM

reafirma o seu compromisso

com a inclusão digital e com a

defesa dos direitos de todos os

utilizadores. Ao disponibilizar

informação clara e recursos

adaptados, promove-se não

apenas o acesso equitativo às

comunicações, mas também a

autonomia e participação plena

das pessoas com deficiência na

sociedade.

Para mais informação

NOTÍCIAS ANACOM

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setor? A newsletter da ANACOM

reúne, quinzenalmente,

a informação mais relevante sobre

comunicações, espaço, serviços

digitais, inteligência artificial

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DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 65


APDC NEWS

COMPETITIVIDADE DA EUROPA: UM ANO APÓS DRAGHI

A EMERGÊNCIA

DA AÇÃO CONCRETA

Um ano depois do relatório Draghi, será que a Europa – e Portugal –

tem conseguido transformar diagnósticos em ação? As conclusões

foram claras: há talento, meios e vontade. O problema é que falta ritmo,

coordenação, coragem e, efetivamente, avançar.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

A

UE27 está em risco

de perder o seu

lugar no Mundo.

Só uma estratégia

que garanta,

e depressa, mais união e agilidade,

é que permitirá criar as armas para

responder aos desafios geopolíticos

e económicos globais com que

se defronta. Vontade política e

capacidade de superar a burocracia

e a fragmentação mantêm-se

como os grandes desafios para

transformar ambição em ação

concreta.

Num momento decisivo para

a Europa, este Digital Business

Breakfast APDC, realizado

a 13 de outubro, em parceria com

a Google, reuniu vozes nacionais

e comunitárias para fazer um

ponto de situação, um ano depois

do relatório de Mario Draghi. Todas

foram unânimes: apesar de todos

os diagnósticos e das medidas

entretanto anunciadas, Bruxelas

está a demorar demasiado tempo

a reagir. Tal como todos os seus

Estados-Membros, incluindo

Portugal.

“A Europa é hoje um dos

poucos lugares onde os valores

da democracia, da diversidade

e dos direitos humanos ainda

prevalecem. Mas sem uma

economia saudável, sem

competitividade e inovação,

esses valores não se sustentam”,

começou por alertar o presidente

da APDC, Rogério Carapuça,

na abertura desta iniciativa.

Por isso, é preciso agir com

urgência e garantir que o setor

digital é “um negócio saudável,

regulado, inovador e rentável”,

66 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


Para Rogério Carapuça (APDC)

é preciso agir com urgência

e garantir que o setor digital

é “um negócio saudável,

regulado, inovador e rentável”.

Filipa Brigola (Google)

defende que o país tem de elevar

a sua voz no contexto europeu

neste novo mundo digital.

o que é essencial para o equilíbrio

do modelo europeu. Uma ideia

reforçada por Filipa Brigola, Public

Policy Manager na Google Portugal,

que defendeu ainda a necessidade

de Portugal elevar a sua voz no

contexto europeu.

No debate que se seguiu, ficou

claro que a Europa se divide

entre a convicção e a hesitação.

Tem meios, talento e ambição, mas

falta-lhe ação, ritmo e velocidade.

Por isso, precisa de acelerar

e Portugal deve assumir o seu

papel ativo, deixando de ser um

espectador para passar a ser um

agente ativo de transformação.

Sofia Moreira de Sousa,

representante da Comissão

Europeia em Portugal, considera

que “a soberania nacional, tal

como a concebemos hoje, já não

existe”. A convicção: apenas uma

Europa mais integrada, com

união bancária e fiscal, será “um

parceiro global fiável”. E alerta que

“a lentidão do processo europeu já

não é compatível com a velocidade

do mundo”, reforçando que

a simplificação regulatória não

é sinónimo de desregulação, mas

Pedro Siza Vieira,

sócio da PLMJ

e ex-Ministro da

Economia, foi direto:

“A Europa precisa

de um salto político

ou arrisca uma

morte lenta.”

sim uma exigência para manter

a competitividade.

Com uma intervenção incisiva,

Pedro Siza Vieira, sócio da PLMJ

e ex-Ministro da Economia, foi

direto: “A Europa precisa de um

salto político ou arrisca uma morte

lenta”. E avisa que continuar “presa

à burocracia e à fragmentação

significa uma agonia lenta” para

a Europa. A solução passa por

novos mecanismos de decisão

e maior integração, com recursos

comuns. É que nem mesmo

a Alemanha – por muito forte

que seja – está preparada para

enfrentar sozinha os desafios

globais. A alternativa exigida? Mais

Europa, com agilidade e escala.

Já Miguel Costa Matos, deputado

da Assembleia da República

e Coordenador da Comissão

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 67


APDC NEWS

Pedro Siza Vieira (PLMJ e NOVA School

of Law), Sofia Moreira de Sousa (CE

em Portugal) e Miguel Costa Matos

(Deputado pelo PS) debateram a

formas da Europa se conseguir manter

competitiva, numa sessão moderada

por Maria Castello Branco (CNN

Portugal).

de Orçamento, Finanças e

Administração Pública, alertou

para os gargalos internos. Segundo

ele, “a burocracia e os bloqueios

institucionais travam o país”,

mesmo quando este tem condições

para liderar em áreas como

cibersegurança, energia limpa

e criptoeconomia.

Advertiu ainda para o risco da

perda de talento: “Só um país que

valoriza o talento pode competir

Um ano após

Draghi, há consenso:

o diagnóstico

existe, mas o salto

decisivo depende

da capacidade de

agir. E em Portugal,

não basta ouvir os

alertas. É urgente

transformar

compromissos

em execução.

Um ano após a apresentação do relatório de Mario Draghi sobre o futuro

da competitividade, a opinião foi unânime: a Europa precisa de acelerar

e Portugal deve assumir um papel ativo, deixando de ser um espectador

e tornando-se num agente ativo de transformação.

numa Europa que quer reter

capital humano”. Recordando que,

apesar dos sinais positivos, a fuga

de cérebros continua a ser um

obstáculo.

A avaliação que emergiu do

debate foi de uma Europa dividida

entre convicção e hesitação, com

meios, talento e ambição, mas

sem ritmo. Um ano após Draghi,

há consenso: o diagnóstico existe,

mas o salto decisivo depende

da capacidade de agir. E em

Portugal, não basta ouvir os

alertas. É urgente transformar

compromissos em execução.

Reveja o evento

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de imagens

68 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


O jogo da época.

Uma fila sem fim.

Pagamentos sem falhas.

Há momentos que vale a pena pagar.

Conectividade que faz a diferença.

ericsson.com/WhenMomentsMatter

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 69


APDC NEWS

EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA E BEM-ESTAR DIGITAL

PROIBIR NÃO PROTEGE,

EDUCAR SIM

O debate sobre o bem-estar digital das novas gerações tornou-se

urgente. E impõe-se uma abordagem educativa inclusiva e coletiva.

É que a proteção não passa por exclusão, mas sim por literacia,

diálogo e preparação.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

Oevento “Pela

Promoção da

Educação para

a Cidadania

e Bem-Estar

Digital”, da ‘MiúdosSegurosNa.Net’

e ‘Agarrados à Net’, em parceria

com a APDC e o apoio da Google.org,

reuniu representantes do sistema

educativo, do tecido associativo,

organismos públicos e especialistas

internacionais para debater os

desafios da presença das crianças

e jovens no mundo digital. E todos

foram unânimes: proteger no digital

significa, mais do que tudo, ter

capacidade para preparar para um

futuro com tecnologia. O que implica

também envolver todo o ecossistema:

pais, professores e colaboradores

do meio escolar.

Na abertura, a diretora executiva

da APDC, Sandra Fazenda Almeida,

deixou um alerta claro: “Não

é apenas onde termina a proteção

e começa o controlo. É como

preparamos os mais jovens para

70 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


Sandra Almeida (APDC) lançou o

mote, destacando o atual debate

europeu em torno da idade

mínima para aceder às redes

sociais e lembrando que o desafio

vai muito além disso.

A proibição do

telemóvel nas

escolas não

é a resposta.

O caminho certo

é a educação

digital, regras

partilhadas e

inclusão de alunos,

pais e professores

no diálogo sobre os

desafios do digital.

uma utilização equilibrada

e informada da tecnologia, sem

os afastar das competências que

o futuro exige”. O debate sobre

a idade mínima de acesso às redes

sociais – hoje em destaque na

Europa – não pode reduzir-se a um

número. “A grande questão não

é quando, mas como estamos a

preparar famílias, escolas e jovens

para que esse uso seja responsável

e consciente”, referiu.

A representante da Google Cloud

Portugal, Sofia Marta, reforçou

a importância da literacia digital

e do bem-estar digital, defendendo

que “proteger, respeitar e

capacitar” devem ser os três pilares

da atuação – especialmente na

adolescência, fase em que jovens

passam de “copilotos a motoristas

da sua vida digital”.

Também a ministra da Cultura,

Juventude e Desporto, Margarida

Balseiro Lopes, defendeu que

“educar para o digital não é

afastar, é dar ferramentas para

escolher bem”, sublinhando que

o verdadeiro desafio é encontrar

o equilíbrio entre o potencial do

digital e a preservação da empatia,

da atenção e do tempo partilhado

fora do ecrã.

Para Sofia Marta (Google Cloud),

a tecnologia é uma força positiva.

Desde que usada com equilíbrio e

literacia, para que os mais jovens

não corram riscos nos meios

digitais.

No painel principal, a keynote

a cargo da pesquisadora Jessica

Piotrowski, da Universidade

de Amesterdão, trouxe uma

mensagem contundente:

“As melhores políticas digitais

são as que protegem e empoderam

ao mesmo tempo”. E está contra

soluções simplistas, pois proibir

não ensina, apenas afasta e

empurra crianças para espaços

menos seguros.

A mesa-redonda que reuniu

representantes da comunidade

educativa, associações de pais

e jovens concluiu por consenso:

a proibição do telemóvel nas

escolas não é a resposta. O caminho

certo é a educação digital, regras

partilhadas e inclusão de alunos,

pais e professores no diálogo sobre

os desafios do digital.

Para Filinto Lima, presidente

da ANDAEP (Associação Nacional

de Diretores de Agrupamentos

e Escolas Públicas), a uniformidade

de regras nacionais para todos

os estabelecimentos públicos

coloca em risco a diversidade

de contextos. Defende que “cada

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 71


APDC NEWS

Educar para o digital não é afastar,

é dar ferramentas para escolher bem,

sublinhou a ministra da Cultura,

Juventude e Desporto, Margarida

Balseiro Lopes, destacando o papel

de projetos como o ‘Agarrados à Net’.

Na keynote “Protecting Without

Excluding”, a investigadora Jessica

Piotrowski (Center for Research on

Children, Adolescents and the Media,

Universidade de Amesterdão), deixou

bem claro que “as melhores políticas

digitais são as que protegem

e empoderam ao mesmo tempo.”

escola deveria ter autonomia

para definir as suas regras

– com diálogo, recursos e escuta

à comunidade”.

Do lado das associações de pais,

Mariana Carvalho, da CONFAP,

defendeu que medidas punitivas

sem formação e apoio são “vazias”.

A prioridade deve ser a literacia

digital, a sensibilização, e o reforço

do apoio técnico e psicológico nas

escolas.

A voz dos mais jovens esteve

presente através de uma

representante do grupo consultivo

da UNICEF Portugal, Mathilda

Bravo Velez, para quem “as regras

sobre o digital são feitas para

nós… mas raramente nos ouvem.

Queremos participar – queremos

dar a nossa opinião”.

Reveja o evento

Aceda à galeria

de imagens

Realizado a 20 de outubro, este

encontro contou com uma mesaredonda

onde se debateu a situação

em Portugal. Contou com Mariana

Carvalho (Confederação Nacional

das Associações de Pais), Filinto Lima

(Associação Nacional de Diretores de

Agrupamentos e Escolas Públicas)

e Mathilda Bravo Velez (UNICEF).

72 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 73


APDC NEWS

DATA CENTERS

ESTARÁ O PAÍS PRONTO

PARA UMA NOVA ERA?

Portugal reúne infraestruturas únicas – cabos submarinos, localização

estratégica, energia renovável, talento e conetividade global. Mas, para

se transformar num verdadeiro hub digital europeu, faltam decisões

rápidas, regulação clara e uma visão estratégica de longo prazo.

Não é tempo de hesitar, é hora de agir.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | LUÍS SERRANO/SYNCVIEW

A

inteligência artificial

(IA) está a reinventar

e a acelerar a

procura de data

centers. E há cada

vez mais projetos a instalarem-se

no mercado nacional. Mas será

Portugal capaz de conseguir captar

esta oportunidade e construir um

verdadeiro ecossistema digital

competitivo de referência europeia

e mundial? Esse foi o tema de fundo

da conferência “O Futuro dos Data

Centers em Portugal”, iniciativa

inserida no âmbito do ciclo Digital

Union, uma parceria com a VdA,

que teve ainda o apoio da Portugal

Data Centers.

A conclusão dos oradores deste

encontro, que decorreu a 5 de

novembro, em formato híbrido,

a partir do Auditório da VdA, em

Lisboa, é clara: o país tem tudo para

ser um hub europeu de data centers.

Mas este salto exige regulação

moderna, energia sustentável,

planeamento estratégico e

compromisso de vários atores:

do Estado à Indústria, da Academia

à Energia. Se essas condições

forem cumpridas, o setor poderá

ser uma das forças motrizes

do crescimento, da inovação e da

soberania digital nacional. E um

estudo da Portugal DC confirma-o:

há mais de 12 mil milhões de euros

74 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


Para o presidente da APDC,

o país tem todas as condições para

criar um verdadeiro ecossistema nos

data centers.

Rogério Carapuça

sublinhou a

conjugação de fatores

que torna Portugal

tão relevante:

localização atlântica

privilegiada,

ligações por cabos

submarinos,

conetividade

de fibra e um

sistema energético

competitivo.

de investimento previstos para os

próximos anos.

DA TEORIA ÀS SOLUÇÕES

O presidente da APDC, Rogério

Carapuça, sublinhou a conjugação

de fatores que torna Portugal tão

relevante: localização atlântica

privilegiada, ligações por cabos

submarinos, conetividade de

fibra e um sistema energético

competitivo. “Estas variáveis é

que fazem com que Portugal seja

interessante” para o investimento

global, destacou.

Mas com um alerta firme:

sem um quadro regulatório claro,

sem planeamento energético

e com burocracias excessivas,

o país corre o risco de desperdiçar

essa janela de oportunidade:

“É preciso criar as condições para

que este setor tenha o relevo que

ambicionamos”.

Uma posição reforçada por

Carlos Paulino, vice-presidente

da Portugal DC, para quem a

dimensão dos projetos de data

centers que estão a ser pensados

para o mercado nacional criam

a oportunidade de “servirem mais

de 200 milhões de pessoas, com

a melhor capacidade de cobertura.

É uma janela de oportunidade

absolutamente gigante”.

No painel sobre “Regulação,

Compliance e Segurança

Jurídica”, a General Counsel

e Chief Compliance Officer

da Start Campus, Daniela Silva

e Sousa, partilhou a experiência

de quem tenta criar um data

center em Portugal há anos:

“Há cinco anos que estamos a

tentar construir. O primeiro

edifício já está em operação desde

outubro do ano passado. Mas

o estatuto de interesse nacional

não resolve todos os problemas.

A complexidade regulatória

continua a ser um obstáculo”.

Também Magda Cocco, sócia

da área de tecnologia da VdA,

reforçou que o setor exige

uma visão integrada nos cabos

submarinos, fornecimento

de energia, licenciamento e

coordenação institucional.

“Não podemos resolver os

problemas dos data centers

sem pensar em todos os players”,

salientou.

Augusto Fragoso, diretor

de Informação e Inovação

da ANACOM, deixou claro que

o caminho passa por “repensar

a regulação de forma mais

integrada, criando um verdadeiro

one-stop-shop”. “Temos vindo

a acompanhar muito de perto

o mercado, nomeadamente em

termos de conetividade e de cabos

submarinos. Este é um setor que

é ainda um conjunto de players

e estamos a tentar perceber

junto dos atores quais são as

suas grandes preocupações e os

vários layers que são necessários”,

acrescentou.

OS DESAFIOS

DA SUSTENTABILIDADE

E DA ENERGIA

Já no painel sobre “Investimento

e Desenvolvimento do Setor

em Portugal”, Carlos Paulino,

também managing director da

Equinix, considerou que projetos

como a Start Campus, “de grande

densidade de computação,

conseguem pela primeira vez

servir o país praticamente em

todos os segmentos, desde o

edge ao retail, wholesale e aos

hyperscalers. Pela primeira vez,

estamos a conseguir juntar as

condições para que Portugal tenha

pelo menos a soberania

de alojamento de dados”.

Mas, como ressaltou o

Development & Delivery Director da

Atlas Edge, Paulo Costa, não basta

construir data centers: “Temos de

garantir que a sustentabilidade e

eficiência energética sejam

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 75


APDC NEWS

Para debater a “Regulação,

Compliance e Segurança Jurídica”,

estiveram presentes Daniela Silva e

Sousa (Start Campus), Magda Cocco

(VdA) e Augusto Fragoso (ANACOM),

num debate moderado por Rui Franco

(Portugal DC e REN Telecom).

“Investimento e Desenvolvimento

do Setor em Portugal” foi o tema em

debate numa sessão que reuniu Pedro

Mota Soares (Apritel), Paulo Costa

(Atlas Edge), Alberto Peterman (Start

Campus), Carlos Paulino (Equinix) e

Hugo Moredo (VdA), moderada por

Jorge Mouta (Portugal DC e SIBS).

Que perspetivas para

a “Sustentabilidade e Eficiência

Energética nos Data Centers”?

António Coutinho (APE e EDP

Inovação), João Emanuel Afonso (REN)

e Bruno Veloso (ADENE) responderam

a Ana Luís de Sousa (VdA).

centrais. Este setor exige inovação

contínua – refrigeradores

eficientes, uso inteligente de

energia e compromisso com

energias renováveis”.

Alberto Peterman, Head of Design

da Start Campus, acrescenta

que os data centers, além de

terem de garantir a sua própria

sustentabilidade, “têm de apostar

em ser uma ferramenta para

gerar sustentabilidade em todas as

indústrias, usando a inteligência

artificial”. “É um tema que tem

de ser considerado para todos

os desenvolvimentos: portanto,

se queremos ter um mundo mais

clean, também precisamos ter mais

data centers com IA”, sublinha.

Do lado da energia, no painel

“Sustentabilidade e Eficiência

Energética nos Data Centers”,

o debate foi igualmente exigente.

O Head of Grid Planning da REN,

João Emanuel Afonso, alertou que

a capacidade energética disponível

poder ser um gargalo: “Se todos

os pedidos de ligação avançarem,

corremos o risco de ultrapassar os

limites da rede. É preciso triagem

rigorosa e planeamento integrado”.

Já representantes da energia

renovável, como o CEO da EDP

“Não podemos pedir

ao sistema energético

que faça em 25 anos

o que demorou dois

séculos a construir.

É hora de repensar

o modelo.”

António Coutinho

Inovação, António Coutinho,

reforçaram que a transição

energética e a digitalização devem

caminhar juntas: “Não podemos

pedir ao sistema energético que

faça em 25 anos o que demorou

dois séculos a construir. É hora

de repensar o modelo energético”.

E o país tem vantagens

naturais – um clima favorável e

complementaridade entre fontes

renováveis, uma localização

geográfica estratégica como

porta de entrada de cabos

submarinos e um potencial para

criar ecossistemas energéticos

distribuídos – que deve transformar

em argumentos competitivos.

Bruno Veloso, vice-Presidente da

ADENE – Agência para a Energia,

diz que a sustentabilidade deve

ser alavanca de competitividade

nacional. Adotando-se uma

abordagem integrada de incentivos

económicos, benefícios fiscais

e apoio à tecnologia eficiente.

Assim como a adaptação urgente do

76 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


“Inovação Tecnológica e Futuro

dos Data Centers e do Ecossistema

Digital em Portugal” esteve em

debate no último painel, que

reuniu Cláudia Alves (Google),

Ângelo Monteiro (NVIDIA) e

Rui Oliveira (Minho Advanced

Computing Center), com Sandra

Almeida (APDC) a moderar.

quadro regulatório energético, hoje

desadequado para a realidade dos

data centers.

NO CICLO DO VALOR DA IA

O futuro com IA esteve no centro

do debate da última sessão desta

conferência, sobre “Inovação

Tecnológica e Futuro dos Data

Centers e do Ecossistema Digital

em Portugal”. Os participantes

não têm dúvidas de que estamos

a entrar num novo paradigma

digital e que Portugal só terá um

papel relevante se for rápido,

flexível e capaz de criar valor sobre

as infraestruturas. E dependerá

também da capacidade tecnológica

para responder à IA, energia e

sustentabilidade e de um ambiente

de investimento e decisão compatível

com o ritmo europeu e global.

E já existem no país

infraestruturas de computação

críticas, como o supercomputador

Deucalion, como destacou o diretor

do Minho Advanced Computing

Center (MACC), Rui Oliveira.

O problema é que se continua a

depender da tecnologia totalmente

importada, seja hardware, software

base, plataformas, tecnologias

de gestão ou conhecimento

especializado, criando

dependências dos fornecedores.

Com uma visão muito mais

pragmática, Cláudia Alves, Senior

Strategic Negotiator – Third Party

Data Centers da Google, assegurou

que “os investimentos em data

centers crescem a uma escala sem

precedentes – mas que só avançam

onde existe energia disponível,

energia verde, processos claros e

previsibilidade. Sem isso, o capital

vai para outros mercados”.

Mais centrado nos mercados

globais, Ângelo Monteiro, Solution

Architect da gigante de chips de IA

NVIDIA, deixa claro que “o modelo

tradicional de data center, assente

em CPU e storage, não responde

às necessidades da IA. Estamos

a entrar na era das ‘AI Factories’,

onde eletricidade e dados entram...

e o que sai é conhecimento”.

Esta transição exige infraestruturas

mais densas, mais eficientes

e mais inteligentes, que permitam

computação massiva paralela,

infraestruturas dedicadas a treino

e inferência, redes de ultra-baixa

latência, software altamente

otimizado e sistemas pensados

de raiz para acelerar modelos

complexos. “A eficiência deixa

de ser um benefício – torna-se

uma condição indispensável para

o futuro”, remata. É o novo “ciclo

do valor” da IA.

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DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 77


APDC NEWS

O FUTURO

NÃO ESPERA

PELA ESCOLA

O cenário é ambicioso, exigente e possível:

a tecnologia poderá transformar totalmente

a escola portuguesa. Mas só se o processo

for acompanhado de autonomia, formação,

interoperabilidade, visão pedagógica clara

e colaboração.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

A

transformação digital

no sistema educativo

é imparável, mas

os obstáculos que

subsistem – como

as desigualdades territoriais,

a resistência à mudança e a falta

de interoperabilidade – continuam

a condicionar a modernização das

escolas em Portugal. Esse foi o mote

para um GovTech APDC, em parceria

com a Huawei, sobre Educação,

que reuniu especialistas do sistema

educativo, municípios e associações.

Na abertura, o presidente

da APDC enfatizou que, depois

de décadas de evolução no sistema

educativo, a transição digital

e o impacto da inteligência artificial

(IA) colocam agora desafios

estruturais sem precedentes.

Para Rogério Carapuça, “temos

de preparar a geração Alfa, que

vai crescer já rodeada de aplicações

de IA. A escola tem de ser capaz

de os formar para um mundo

onde a IA estará em todo o lado”.

O debate que se seguiu deixou

claro que a tecnologia não é um

fim em si mesma. O verdadeiro

potencial só se alcança nas Escolas

quando se gere a mudança dos

processos e se capacita toda a

comunidade educativa. Urge mudar

processos, ganhar autonomia

e adotar práticas pedagógicas

inovadoras. E também meios

tecnológicos, a começar pelo acesso

à internet.

“No mínimo, a internet é como

a água e a luz: todas as escolas

têm de a ter, com qualidade

e segurança. E equipamento que

permita aos docentes e alunos

prepararem-se para o futuro”,

como sublinhou Salomé Branco,

vice-presidente da AGSE –

Agência para a Gestão do Sistema

Educativo, criada em setembro

último, com a extinção de quatro

entidades educativas.

No entanto, o desafio de garantir

inovação pedagógica numa escala

nacional requer mais do que

tecnologia: é necessário apostar na

simplificação administrativa e na

coordenação institucional entre

escolas, municípios e entidades

centrais. “Os papéis têm de estar

claros: saber qual é o papel do diretor,

do município e do Ministério”,

acrescenta a gestora.

Pedro Patacho, vereador da

Educação do Município de Oeiras,

foi claro ao afirmar que o atual

modelo centralizado de gestão

já não é suficiente: “Não há mais

condições de continuar a decidir

tudo a partir do Ministério da

Educação. É preciso libertar a força

que está nas comunidades locais”.

78 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


AS VOZES DA EXPERIÊNCIA

A experiência prática em Oeiras

mostrou que iniciativas inovadoras

dependem de autonomia, recursos

e capacidade técnica local.

Incluindo a própria infraestrutura

de rede que permitiu testar

soluções avançadas como realidade

virtual em contexto educativo.

Nuno Mantas, diretor do

Agrupamento de Escolas da Boa-

-Água, tem a visão clara de quem está

no terreno e se vê confrontado com

os desafios. No seu agrupamento,

os equipamentos e redes existem,

mas não há quem os possa gerir,

pelo que isso compromete o retorno

do investimento em tecnologia.

“Temos tecnologia, mas não temos

Salomé Branco (Agência para

a Gestão do Sistema Educativo),

Luís Pereira dos Santos (EDUQA),

Pedro Patacho (Câmara de Oeiras)

e Nuno Mantas (Agrupamento

de Escolas da Boa-Água):

um debate com perspetivas

distintas e complementares.

As escolas públicas são a

única instituição intensiva em

conhecimento. Mas como se pode

gerir bem um sistema que não escolhe

os seus recursos humanos? Esta é

uma contradição estrutural que,

para o presidente da APDC, trava a

modernização.

quem a opere no dia a dia”. Na sua

perspetiva, continua a tomar-se

na Educação muitas decisões, mas

não se garante que estas funcionam

em concreto.

O seu agrupamento exemplifica

bem que mudar é possível, ao

apostar em projetos pedagógicos

inovadores, trabalho interdisciplinar

e grupos heterogéneos, que

substituíram o modelo rígido de

turmas. “O professor faz diferença,

mas o que faz mais diferença é a

metodologia”, afirma, deixando claro

que se trabalha de forma diferente,

tentando, “com a tecnologia, suprir

ou capacitar cada vez melhor os

nossos alunos para encararem

os desafios”. E garante que a sua

experiência concreta mostra

resultados: “Quando os alunos

estão envolvidos, desaparecem

os problemas disciplinares”.

Já Luís Pereira dos Santos,

presidente do EDUQA, sublinhou

que sem uma didática e políticas

nacionais claras, os recursos

tecnológicos por si só não melhoram

a aprendizagem. “O principal não

é o digital. O principal é o professor

e a sua prática”, diz, defendendo que

tem de existir um “desígnio nacional

e de pensarmos que o caminho é

o digital na Educação”. Mas deixa

um alerta: “não queremos inundar

a sala de aula com o digital, porque

as inundações nunca são benéficas”.

No final, ficou o consenso:

tecnologia e IA oferecem

oportunidades enormes, mas só

farão diferença se a escola for capaz

de integrar estes recursos com

autonomia, formação e um quadro

estratégico claro. Como concluiu

um dos oradores, “se fingirmos

que isto não está a acontecer, será

absolutamente trágico”.

Reveja o evento

Aceda à galeria

de imagens

Para os oradores, a escola só

conseguirá tirar partido da tecnologia,

incluindo a IA, se mudar processos,

ganhar autonomia e adotar práticas

pedagógicas inovadoras. Cindy

Barardo (APDC) moderou o evento,

que decorreu a 25 de novembro.

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 79


APDC NEWS

TRANSFORMAR

TALENTO

EM FUTURO

O UPskill já arrancou oficialmente com

a formação da sua 5.ª edição. O compromisso

mantém-se: requalificar pessoas e alinhar

formação com emprego real em tecnologia,

através de uma cooperação win-win.

Em marcha está a preparação da 6.ª edição.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

O

Programa UPskill –

Digital Skills & Jobs

iniciou oficialmente

as ações de

formação da sua

5.ª edição. O modelo de cooperação

entre Estado, Empresas e Academia,

que se assume como um dos pilares

para responder à escassez de talento

e acelerar a competitividade digital

em Portugal, foi reiterado numa

cerimónia oficial onde foi sublinhado

o papel estratégico da requalificação

digital do país. Ao longo das edições

já realizadas, o UPskill já formou

mais de duas mil pessoas em cerca

de 20 áreas tecnológicas distintas,

envolvendo mais de 100 em presas

e 13 instituições de ensino superior.

Nesta 5.ª edição, o programa

inclui oito ações de formação,

envolvendo nove empresas

parceiras – Axians, DXC, Minsait,

Critical Networks, Inetum, NTT

DATA, Deloitte, Nibelis e Jolera

– e quatro instituições de ensino

superior: o ISCTE, Faculdade de

Ciências da Universidade de Lisboa,

Politécnico do Porto e Instituto

Politécnico do Cávado e do Ave.

80 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


Este lançamento da formação

contou com a presença do secretário

de Estado Adjunto e do Trabalho

e do líder do IEFP, além do diretor

da Faculdade de Ciências da

Universidade de Lisboa.

Marcaram presença os novos

formandos, que iniciam agora uma

formação intensiva de seis meses,

que combina ensino académico com

prática em contexto empresarial.

No total, 120 formandos iniciaram

esta formação intensiva de seis

meses, que combina ensino

académico com prática em

contexto empresarial.

Para o secretário de Estado

Adjunto e do Trabalho, o digital

já é o novo básico na Europa

e a inteligência artificial está

a atravessar toda a atividade

económica, tornando programas

como o UPskill essenciais para

garantir que a transformação

digital não deixa ninguém para trás.

E hoje, segundo Adriano Rafael

Moreira, há uma transformação

profunda no mercado de trabalho

português: “O problema já não é

a qualificação. É a economia que

não consegue acompanhar o ritmo

da nossa ‘indústria de ensino

superior’. Precisamos de acelerar a

economia para aproveitar a 100% o

talento que formamos”.

Domingos Lopes, presidente

do IEFP, sublinhou que o UPskill

representa um modelo de cooperação

inovador entre Estado, Empresas

e Academia, com respostas ágeis

e alinhadas com as necessidades

do mercado. Para o gestor, “este

programa não só desenha perfis

formativos com as empresas, como

compromete a contratação de pelo

menos 80% dos formandos que

concluam com sucesso”.

“O UPskill não é um projeto

de betão nem uma formação

em abstrato. É um encontro

entre quem quer mudar de vida,

instituições académicas com

capacidade formativa e empresas

que têm vagas concretas para

preencher”, sublinhou o presidente

da APDC. Rogério Carapuça

destacou que o programa se destina

a quem procura uma verdadeira

NÚMEROS

5.ª

EDIÇÃO

UPSKILL

8

Ações de Formação

9

Empresas Parceiras

4

Instituições

de Ensino Superior

120

Formandos

reconversão para carreiras no

digital, o que é valorizado pelas

próprias empresas que aderem.

Já Manuel Garcia, coordenador

nacional do UPskill, reforçou o

carácter evolutivo do modelo.

“Nunca existem duas edições

iguais. Em cada edição adaptamos

programas e conteúdos às

necessidades emergentes do

mercado, porque este é dinâmico

e este programa tem de o

acompanhar”. Os números das

cinco edições do UPskill traduzem

uma responsabilidade crescente:

“quando olhamos para estes

resultados, percebemos que temos

a obrigação de pensar já no futuro.

O acordo atual, para mais três

edições, termina em 2026, mas

o desafio permanece: a economia

portuguesa precisa de crescer em

salários, e isso só se faz com mais

produtividade. E a produtividade

ganha-se com tecnologia e com

pessoas qualificadas”.

Com o arranque da 5.ª

edição também se lançaram os

preparativos da 6.ª edição, que

será a última no âmbito do acordo

atualmente em vigor – mas que já

abre a porta a novas empresas de

todos os setores para apresentarem

necessidades de talento qualificado

no 1.º trimestre de 2026.

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DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 81


APDC NEWS

RECONFIGURAR O DIGITAL

COM TALENTO FEMININO

Cinco projetos, uma ambição comum: reescrever o futuro da tecnologia

com mais mulheres. Porque o talento feminino não é apenas necessário,

é transformador. E está pronto para ganhar escala, abrindo caminho

para uma nova geração que não quer apenas usar tecnologia,

mas sim construí-la.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

N

a sua primeira edição,

o Women Shaping

Tech consagrou

cinco iniciativas

que apostam

em mulheres nas áreas STEM –

Ciência, Tecnologia, Engenharia e

Matemática. Com apoio financeiro e

visibilidade, vão levar a programação,

a robótica e as oportunidades

de talento tecnológico a escolas,

empresas e regiões ao nível nacional.

Os vencedores foram anunciados

no âmbito do STEM Women Congress

Lisboa 2025, sendo esta iniciativa

da APDC apoiada por 12 empresas

tecnológicas comprometidas com

a diversidade, a inclusão e a

promoção do talento feminino no

setor das tecnologias.

Foram selecionados cinco

projetos, de entre 17 candidaturas

que representavam mais de 400 mil

euros em apoios, considerados os

que apresentaram maior potencial

de impacto e escalabilidade.

O fundo disponível, alimentado

pelas contribuições das empresas

parceiras – .PT, Accenture, AWS,

DXC Technology, Google, Huawei,

Inetum, MEO, NOS, NTT Data,

Vodafone e Celfocus – permitiu

apoiar financeiramente cada um

dos vencedores, para os fazer

crescer e gerar mudança real no

terreno.

“O Women Shaping Tech é mais

do que um prémio. É uma ação

concreta para acelerar a igualdade

82 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


de género no setor. Estes projetos

representam o futuro: são

sementes de transformação que

queremos ajudar a crescer”, afirma

a diretora executiva da APDC,

Sandra Fazenda Almeida.

Este apoio financeiro e

institucional permitirá que os

projetos vencedores alcancem mais

regiões, mais escolas e mais jovens.

Especialmente em comunidades

onde o acesso à educação

tecnológica e à motivação para

áreas STEM ainda é limitado.

OS PROJETOS PREMIADOS

Future STEMers

“O Futuro por Nós”

Leva role models femininas a escolas

de todo o país, com especial foco

nas regiões do interior, inspirando

raparigas do 3.º Ciclo e Secundário

a explorar carreiras em Ciência

e Tecnologia. Inclui toolkit pedagógico

e desafio criativo sobre profissões

emergentes.

Apoio: 15.000 €

Women in Smart Logistics

Iniciativa no setor da logística pesada

que visa atrair e capacitar mulheres

para funções tecnológicas de alto valor

– como gestão digital de frotas

e análise de dados – combinando

estágios remunerados e mentoria.

Apoio: 10.000 €

Barrinho Transportes

Technovation Girls Portugal

Versão nacional do programa global

que capacita raparigas dos 8 aos 18 anos

em programação, design thinking e

empreendedorismo tecnológico. Já formou

mais de 1,4 mil jovens e gerou centenas

de aplicações com impacto social.

Apoio: 10.000 €

Associação EdRuptiva

Educação Tecnológica

Inclusiva para Crianças

Programa educativo que ensina

programação, robótica e eletrónica

a crianças e jovens, promovendo

a igualdade de género desde cedo

e desenvolvendo competências

digitais essenciais.

Apoio: 10.000 €

AgroTechWomen

Projeto agro-tech que combina

aeroponia, IoT e formação

tecnológica para jovens mulheres

do Alentejo, promovendo

empreendedorismo, conhecimento

tecnológico e agricultura sustentável.

Apoio: 10.000 €

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 83


APDC NEWS

WSA PORTUGAL 2025

QUANDO A

TECNOLOGIA

MUDA VIDAS

O talento nacional volta a brilhar no

panorama global da inovação digital.

Com os oito projetos premiados, o WSA

Portugal 2025 revela que o futuro do país

– na saúde, ambiente, inclusão, cidades,

educação ou comércio – está a ser

construído por soluções tecnológicas com

propósito e impacto real.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

SOLUÇÕES

VENCEDORAS

POR CATEGORIA

Categoria Health & Well-Being

App de treino cognitivo em realidade virtual,

com dezenas de milhares de utilizadores

e estudos clínicos em curso.

Categoria Environment & Green Energy

Plataforma de digital twin para gestão inteligente

de resíduos, já usada em mais de 50 cidades

e com reduções de custos até 35%.

Categoria Inclusion & Empowerment

Solução de atendimento em Língua Gestual

Portuguesa, em canais digitais e físicos

– avançando a inclusão da comunidade surda.

Categoria Culture & Heritage

Já são conhecidos os

vencedores do WSA

Portugal 2025, um

concurso nacional

liderado pela APDC

que destaca soluções digitais

mais inovadoras e com maior

impacto positivo na sociedade.

Os oito projetos premiados, um

por cada categoria da competição,

vão agora representar Portugal

no World Summit Awards (WSA),

uma iniciativa mundial que

envolve a participação de 182

países membros da ONU e uma

rede de mais de 16 mil peritos

digitais.

“Os vencedores do WSA

Portugal 2025 refletem a

capacidade de inovação do

nosso ecossistema digital,

mas sobretudo a sua vocação

para criar soluções com

impacto real na vida das

pessoas e das comunidades”,

refere Sandra Fazenda Almeida,

diretora executiva da APDC.

Mais do que um prémio,

o WSA é um selo de excelência

internacional, que coloca

Portugal no mapa da inovação

global. As soluções premiadas

demonstram que, em solo

nacional, somos capazes

de conceber tecnologia com

propósito para as mais

diversas áreas, da saúde

à sustentabilidade, passando

pela inclusão, cidades

inteligentes, educação

e economia digital.

De acordo com o timeline

definido para o concurso

mundial do WSA, até janeiro

de 2026, o júri online composto

por um painel internacional

diversificado de especialistas

vai selecionar 15 a 18 soluções

em cada categoria, criando

uma lista de finalistas. Esta

shortlist será depois analisada

pelo Grand Júri, que elegerá as

cinco melhores soluções em

cada categoria. As vencedoras

do WSA marcarão depois

presença no Global Congress já

agendado para 20 a 22 de maio,

em Viena, Áustria.

Permite aos espectadores criar conteúdos

desportivos em tempo real com IA – democratiza

a participação e inovação no entretenimento.

Categoria Smart Settlements & Urbanization

Tecnologia de IA e visão computacional aplicada

a segurança e eficiência urbana, com elevada

precisão operacional.

Categoria Business & Commerce

Smart System

Sistema inteligente de triagem e entrega que

moderniza logística e e-commerce: já processa

93% das encomendas.

Categoria Government & Citizen Engagement

Plataforma no-code de inteligência territorial

em tempo real, adotada por 27 municípios,

que reforça transparência e participação cívica.

Categoria Learning & Education

Machine‐driven Identification of Talent

84 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025

Solução que usa IA e psicometria para identificar

talento TIC antes da formação. Já testada em larga

escala.


humaniza-te

Quando tudo se apaga

liga-te melhor

A qualidade da rede MEO foi reconhecida por muitos durante o apagão

e é reconhecida agora também como operador com Rede Móvel com

fiabilidade imbatível com base nos dados do Ookla® RootMetrics®.

Rede Móvel

com f iabilidade imbatível

meo.pt

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 85

Melhor Rede Móvel com fiabilidade imbatível com base nos dados do Ookla® RootMetrics®, referentes ao 1º semestre de 2025. Todos os direitos reservados. Sabe mais em

meo.pt/liga-te-melhor


APDC NEWS

INOVAÇÃO E RESILIÊNCIA DIGITAL:

AS LIÇÕES DO APAGÃO

PREPARAR

O SISTEMA PARA

O INESPERADO

O apagão ibérico foi mais do que uma falha

técnica: foi um alerta. Num contexto de

transição energética acelerada e digitalização

profunda, a robustez das infraestruturas

críticas depende da integração entre energia,

tecnologia e comunicações.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | VÍTOR GORDO, SYNCVIEW

O

apagão de 28

de abril expôs

a fragilidade de

sistemas críticos

cada vez mais

interligados. Neste Executive

Breakfast APDC, em parceria com

a Capgemini, ficou claro que

a resiliência deixou de ser apenas

energética. É digital, tecnológica

e estratégica. Decisores do

setor energético e tecnológico

sublinharam que as soluções

existem, mas que o tempo para

O apagão foi o mote para este Executive

Breakfast APDC, em parceria com

a Capgemini, que decorreu a 12 de

dezembro.

as implementar está a encurtar

rapidamente.

Na abertura, Rogério Carapuça,

presidente da APDC, destacou

que o incidente veio confirmar

uma realidade incontornável:

a tecnologia digital é hoje um

pilar essencial da resiliência

das infraestruturas críticas,

em particular da rede elétrica,

permitindo antecipar, mitigar

e responder a eventos extremos.

Na keynote “Velocity of

Impact”, Rodrigo Maia, Global

Head of Research and Innovation

da Capgemini Engineering,

enquadrou o apagão como

o resultado do choque entre a

velocidade da inovação tecnológica

e a inércia natural de sistemas

altamente regulados, cuja

modernização decorre em ciclos

longos e com investimentos

de enorme escala.

O desafio, defendeu, não

é travar a inovação, mas garantir

confiança, segurança

e aplicabilidade prática.

A inteligência artificial e o machine

86 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


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Leia aqui a

reportagem

completa

Rogério Carapuça, presidente da

APDC, sublinhou que a tecnologia

digital é essencial para assegurar a

resiliência das infraestruturas críticas.

No debate

moderado por

Sandra Fazenda

Almeida, diretora

executiva da

APDC, destacou-

-se a importância

de novas

abordagens

à gestão de risco

e à regulação

para fazer face

à complexidade

do sistema

elétrico.

learning já geram valor real,

desde que integrados de forma

responsável e sem promessas

de soluções milagrosas.

No debate que se seguiu,

moderado por Sandra Fazenda

Almeida, diretora executiva da

APDC, ficou claro que a crescente

complexidade do sistema elétrico –

impulsionada pela descentralização

da produção e pela explosão de

dados – exige novas abordagens

à gestão de risco e à regulação.

Como explicou Bruno Marçalo

Nunes, Head of System Management,

da REN, o sistema elétrico é uma

máquina de equilíbrio permanente.

O incidente do apagão ocorreu

em segundos, apesar de terem

sido ativados os mecanismos

automáticos de proteção. E a

recuperação só foi possível graças

ao treino intensivo das equipas

e a processos rigorosamente

preparados.

Do lado da EDP Inovação, o seu

CEO, António Coutinho, alertou

para a forte interdependência

entre setores críticos e para

fragilidades que ainda subsistem.

Nomeadamente nas comunicações

e na autonomia energética

de infraestruturas essenciais,

sublinhando que a resiliência tem

custos que a sociedade precisa

de reconhecer.

O consenso final foi claro:

a transição energética e digital

só será sustentável se a energia,

a tecnologia e as comunicações

forem pensadas como um único

ecossistema. Com investimento

estruturado, experimentação

controlada, regras claras

e uma visão estratégica que coloque

a resiliência no centro das decisões

afirma Rogério Carapuça.

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 87


CIDADANIA DIGITAL

FUTURE STEMERS – O FUTURO POR NÓS

INSPIRAR RAPARIGAS

PARA O MUNDO STEM

A associação Inspiring Girls Portugal prepara-se

para levar para o terreno um projeto, vencedor

de um prémio da APDC, que pretende quebrar

barreiras de género no acesso às carreiras

científico-tecnológicas. A iniciativa é dirigida a mais

de 200 alunos do 3.º ciclo e do Ensino Secundário.

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

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88 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


É

urgente garantir

que todas mulheres,

independentemente

do local onde nascem,

tenham as mesmas

oportunidades profissionais que

os homens – sobretudo nas áreas

ligadas à Ciência e à Tecnologia,

onde estão sub-representadas.

Foi com esta premissa que a

associação Inspiring Girls Portugal

criou o Future STEMers – O Futuro

por Nós, um projeto para incentivar

jovens raparigas a explorarem as

áreas STEM (Ciência, Tecnologia,

Engenharia e Matemática) e as

profissões do futuro. A iniciativa

foi uma das vencedoras do prémio

da APDC Women Shaping Tech,

que visa reforçar projetos que

fortaleçam a representatividade

feminina no setor.

“Além de inspirar as jovens,

queremos que invistam na

exploração das carreiras na área

STEM, que experimentem estas

tecnologias emergentes, que

pensem de que forma a inteligência

artificial (IA) vai mudar as

profissões do futuro e como é que

isso as vai impactar nas suas vidas

profissionais”, explica Joana Frias

Costa, Presidente da Inspiring Girls

Portugal.

O projeto-piloto, criado

especificamente para o prémio

da APCD, é dirigido a estudantes

do 3.º ciclo e do Ensino Secundário

e decorre em contexto de sala

de aula. Apesar de o foco serem

as alunas, os rapazes também são

incluídos, permitindo-lhe contactar

com mulheres com carreiras nestas

áreas e reconhecer a importância

da diversidade de género.

Os 15 mil euros angariados com

o prémio atribuído pela APDC são

essenciais para conseguir levar

o Future STEMers a dez turmas,

oito das quais em estabelecimentos

escolares localizados em zonas do

interior. De salientar que a iniciativa

está orientada também para

colmatar as desigualdades regionais

que se sentem nestas áreas STEM,

devido à falta de oferta no interior

do país. Deve assim chegar, por

exemplo, a escolas em Montenegro,

O prémio atribuído pela APDC é essencial para

conseguir levar o Future STEMers a dez turmas,

oito das quais em estabelecimentos escolares

localizados em zonas do interior. Objetivo:

colmatar as desigualdades regionais.

Montemor-o-Novo, Vizela e Viseu.

Prevê-se, por turma, um total

de dez sessões, cada uma com

duração de cerca de duas horas

e meia a três horas, onde os alunos

vão reconhecer os seus talentos

e interesses, para poderem

explorar caminhos profissionais

futuros, mas também experimentar

tecnologias emergentes e imaginar

as profissões do futuro.

A IA, como seria de esperar,

também estará presente nas

sessões e não apenas enquanto

ferramenta de trabalho:

“Os homens dominam esta área

e a IA vive de dados que estão

completamente enviesados

do ponto de vista do género.

É dramático se não tivermos mais

mulheres a alimentar estes dados.

NÚMEROS

10

Turmas onde irá decorrer

o projeto

mais de 200

Estudantes impactados

com a iniciativa

700

Voluntárias da Inspiring Girls

Portugal

15 mil

Valor do prémio

Vamos explorar o papel da IA

no desenvolvimento das profissões,

os vieses de género e ajudar

a reconhecê-los.”

MENTORA NA ÁREA STEM

E UM TOOLKIT PARA O FUTURO

O Future STEMers inclui ainda

uma sessão de mentoria online,

para cada turma, com uma role

model. Isto é, uma mulher com

carreira ligada à área STEM que

integra a rede de 700 voluntárias

da Inspiring Girls Portugal ou,

eventualmente, de empresas que

apoiam o prémio Women Shaping

Tech, da APDC.

O projeto deverá decorrer entre

fevereiro e abril de 2026 e,

no final, cada turma irá entregar

à Inspiring Girls uma carteira

de profissões que imaginam irão

existir no futuro. A organização

sem fins lucrativos irá selecionar

uma turma vencedora, que será

premiada com uma visita de estudo

a uma empresa da área tecnológica.

Apesar de se tratar de um

projeto-piloto, a iniciativa já prevê

ferramentas de médio-longo prazo,

como um toolkit que será entregue

aos docentes e às equipas escolares

para que possam, de forma

autónoma, replicar as atividades

desenvolvidas pelo Future STEMers

e manter a curiosidade dos

estudantes.

Joana Frias Costa, ainda assim,

não fecha a porta à ampliação da

iniciativa com o apoio de parceiros

públicos e privados. “É muito

importante as empresas saberem

que precisamos de financiamento

para, efetivamente, concretizarmos

o nosso trabalho no terreno.”

Conheça aqui

o programa

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 89


A FECHAR

CRIAR AGENTES DE IA MAIS RÁPIDOS

E BARATOS…

Tornar acessível, a qualquer programador,

técnicas avançadas de personalização

de modelos, até agora reservadas

a especialistas em machine learning,

para criar agentes de IA mais rápidos,

mais baratos e mais precisos. Essa foi

a meta da AWS com o lançamento de

novas capacidades no Amazon Bedrock

e no Amazon SageMaker. Com o novo

Reinforcement Fine Tuning (RFT) no

Bedrock, é possível adaptar modelos de

forma automática usando feedback humano

ou de IA, alcançando ganhos médios de

66% em precisão. Esta abordagem permite

usar modelos mais pequenos e económicos

para executar tarefas frequentes.

Já o SageMaker AI introduz personalização

serverless, reduzindo processos que antes

levavam meses para apenas alguns dias.

Os programadores podem optar por uma

experiência guiada por um agente, que gera

dados sintéticos e conduz todo o processo,

ou por uma abordagem auto-guiada com

controlo total. Com estas inovações,

a AWS democratiza técnicas avançadas,

permitindo criar agentes de IA mais rápidos,

eficientes e adaptados às necessidades

de cada empresa.

… E NOVAS

CATEGORIAS PARA

IMPULSIONAR A IA

AGÊNTICA

A AWS expandiu a sua AI Competency com três novas categorias dedicadas à IA agêntica,

respondendo à rápida evolução do mercado rumo a sistemas autónomos. Segundo a

IDC, 23% das organizações esperam implementar totalmente esta tecnologia no próximo

ano, percentagem que sobe para 65% até 2027. As novas categorias – Aplicações de

IA Agêntica, Ferramentas de IA Agêntica e Serviços de Consultoria de IA Agêntica –

identificam parceiros com capacidade comprovada para criar agentes inteligentes capazes

de compreender contexto, raciocinar e agir com mínima intervenção humana. A AWS

reforça que estes parceiros aceleram em 25% a passagem da experimentação para soluções

produtivas. A tecnológica anuncia ainda novos benefícios: mais 25 mil dólares em fundos de

marketing para parceiros certificados e um processo automatizado de validação que reduz

em 70% o tempo de aprovação. Com mais de 60 parceiros de lançamento, esta é a maior

expansão de sempre da AWS na área da IA, posicionando a IA agêntica como a próxima

etapa da automação empresarial em larga escala.

Acelerar

a cloud

híbrida com

soluções

de IA e

segurança

Há um novo conjunto de

inovações para impulsionar

a adoção de cloud híbrida

e responder à crescente procura

de infraestruturas preparadas para

IA. Foi anunciada pela HPE, que

reforçou o portefólio GreenLake

com novas capacidades em

virtualização, segurança e gestão

inteligente, ajudando organizações

a reduzir custos, simplificar

operações e acelerar resultados.

O HPE Morpheus Software ganha

destaque como alternativa de

virtualização empresarial, com

redução significativa de custos

de licenciamento, segurança zero

trust integrado e suporte para

Kubernetes e contentores. A HPE

reforçou também a proteção

de dados com as novas appliances

StoreOnce 5720 e 7700, capazes

de acelerar a recuperação de cargas

críticas. Em colaboração com

a NVIDIA, surge o Alletra Storage

MP X10000, que cria uma camada

ativa de dados para pipelines

de IA, e uma versão reforçada

do Private Cloud AI, agora com

GPUs Blackwell. As melhorias à

GreenLake, incluindo CloudPhysics

Plus e um Marketplace renovado,

facilitam planeamento, aquisição

e governação da cloud híbrida.

As novidades começam a chegar

ao mercado em 2026.

90 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


ESIM ENTRE SMARTPHONES ANDROID

Há uma nova funcionalidade que permite a transferência simples e intuitiva de eSIM e a conversão

de cartão SIM físico para eSIM entre smartphones com sistema operativo Android da Google.

Foi lançado pela Vodafone e permite que ambas as migrações possam ser feitas de forma direta,

sem necessidade de leitura de um QR Code ou de contactar o serviço de apoio ao cliente. Desenvolvida

em parceria com a Google, esta funcionalidade garante a rápida e simples migração de perfis eSIM

entre dispositivos, refletindo o compromisso da Vodafone em disponibilizar soluções digitais avançadas

e convenientes, que elevem a experiência dos clientes. As duas empresas têm vindo a consolidar a sua

parceria nos últimos anos, tanto a nível internacional como nacional, através de iniciativas marcadas

pela inovação tecnológica.

AGENTIC AI

PARA MAINFRAME

AJUDAR EMPRESAS

NOS DESAFIOS COMPLEXOS

Chama-se AdvisoryX e é um

grupo global de consultoria

criado pela DXC Technology

para ajudar as empresas

a enfrentar os seus desafios

estratégicos, operacionais e

tecnológicos mais complexos.

É que um estudo global

da tecnológica vem destacar

contradições significativas

na forma como as organizações

priorizam e operacionalizam

a IA: embora seja uma

prioridade ao nível da liderança,

muitas empresas não dispõem

do caso de negócio, do modelo

operacional e da governação

necessários para transformar

a ambição em resultados.

94% enfrentam desafios

de execução e os projetos-

-piloto não conseguem escalar.

O AdvisoryX reúne

a experiência da DXC

em estratégia corporativa,

excelência operacional,

transformação tecnológica,

pessoas e cultura, finanças

e risco, bem como experiência

do utilizador.

Destina-se a acelerar o desenvolvimento de aplicações e soluções,

aumentar a agilidade operacional e desbloquear novos insights

de negócio, ampliando a utilização de IA pelos clientes na

plataforma. É uma nova solução lançada pela Kyndryl que combina

a sua profunda experiência em mainframe com a Agentic AI

e as capacidades de computação híbrida. Os serviços de Agentic AI

para mainframe foram concebidos para permitirem a prestação

de serviços integrada com IA, acelerando a tomada de decisão

e simplificando processos complexos na gestão de aplicações

e infraestruturas. E podem ser combinados com as funcionalidades

da Estrutura de Agentic AI da Kyndryl, permitindo um planeamento

fluido de agentes e fluxos de trabalho. Os clientes beneficiarão

da tomada de decisão mais inteligente e resolução proativa

de problemas; maior fiabilidade e conformidade mais fluida

no ciclo de vida do software; acesso a conhecimentos profundos

e à IA para colmatar lacunas de competências, tirando partido

do conhecimento interno das suas organizações; e resposta

mais rápida a oportunidades e ameaças emergentes, com

ambientes de TI mais resilientes e modernos.

Mais performance

dos data centers de IA

Para responder à crescente procura de desempenho e escalabilidade

da conetividade de cargas de trabalho de IA, a Nokia expandiu e reforçou

o seu portefólio de redes de data center. E está a tirar partido do poder

da IA para impulsionar uma maior eficiência e confiabilidade nas operações

de data center. Juntas, estas inovações oferecem um desempenho e uma

confiabilidade extremos, que são necessários para dar suporte a cargas

de trabalho avançadas de treino de IA, impulsionadas pela crescente procura

de aplicações de IA agêntica pelo mercado. É que o surgimento e a adoção

generalizada de aplicações para IA agêntica está a remodelar os requisitos

dos centros de dados, provocando uma rápida evolução nas soluções de rede.

A IA está a impulsionar esses avanços, que representam uma oportunidade

para a inovação de rede e a transformação operacional. Essas são as forças

por trás dos desenvolvimentos mais recentes no portefólio de comutação

de centros de dados da fabricante.

DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 91


AGENDA

JAN

6 A 9 JANEIRO

CES

A Consumer Electronics Show

é uma das principais feiras de

tecnologia do mundo e uma

oportunidade para conhecer

as mais recentes inovações

e tendências tecnológicas.

Reúne marcas globais,

startups, media e decisores de

todo o mundo.

Local: Las Vegas

Organizador: Consumer

Technology Association

Saiba mais

28 JANEIRO

CONFERÊNCIA IA

NO SETOR PÚBLICO:

BALANÇO E FUTURO

Especialistas, decisores

e academia analisam

o presente e refletem

sobre o futuro da IA no

setor público: da saúde

à justiça, passando

ainda pela agricultura,

educação e cidades

inteligentes. Será ainda

abordado o papel do

Ecossistema Empresarial

na Adoção Responsável

da IA no Estado.

& EVENTOS

FEV

2 E 3 FEVEREIRO

2.ª CIMEIRA

INTERNACIONAL SOBRE

RESILIÊNCIA DE CABOS

SUBMARINOS

Governos, reguladores,

fabricantes, peritos e

academia reúnem-se para

MAI

ABR

MAR

aprofundar a cooperação

internacional, identificar

desafios e promover soluções

que reforcem a segurança e a

resiliência desta infraestrutura

crítica.

Local: Porto

Organizador: ANACOM

Saiba mais

12 E 13 MARÇO

BUILDING THE FUTURE

Este encontro, dirigido

a gestores, profissionais

de tecnologia e

empreendedores, abordará

estratégias e soluções

de alavancagem da

transformação digital das

empresas. Haverão ainda

sessões de demonstração da

implementação das últimas

tendências da tecnologia.

Local: Lisboa

Organizador: imatch

27 E 29 MARÇO

TECSTORM

É a maior competição

tecnológica a nível

universitário em Portugal.

Centenas de estudantes de

todo o país vão trabalhar

em equipa para criar

soluções tecnológicas com

impacto real em diferentes

setores: Fintech, Mobilidade,

Construção, Energia e

Conectividade.

Local: Técnico Innovation

Center, Lisboa

Organizador: JUNITEC, IST

Saiba mais

14 ABRIL

DIGITAL MARKETING

EUROPE 2026

Destinada a profissionais

de marketing, criadores

de conteúdos, analistas de

dados e publicitários, esta

conferência internacional

anual aborda as mais recentes

estratégias e técnicas que

irão transformar o marketing.

Mais de 40 especialistas de

renome internacional estarão

presentes.

Local: Lisboa

Organizador: Digital

Marketing Europe

Saiba mais

Artificial e Microsoft Azure.

Conta com especialistas

da indústria a partilhar

conhecimento, workshops

práticos e oportunidades

de networking.

Local: Lisboa

Organizador: Azure & AI User

Group Portugal

Saiba mais

6 E 7 MAIO

35.º DIGITAL BUSINESS

CONGRESS

“Europe in the Digital

Age: Balancing

Sovereignty, Security

and Innovation”, trata-se

do mote do 35.º Digital

Business Congress,

que a APDC realiza em

maio de 2026. O evento

será presidido pelo

contra-almirante António

Gameiro Marques, que

durante nove anos esteve

no centro das decisões

mais sensíveis da

segurança da informação

e da soberania digital

em Portugal.

Local: Lisboa

Organizador: APDC

Saiba mais

INICIATIVAS

Local: Auditório da

Reitoria da Universidade

Nova de Lisboa

Organizador: APDC

Saiba mais

Saiba mais

18 ABRIL

GLOBAL AZURE 2026

Trata-se de um evento de

referência para profissionais

de tecnologia que pretendam

aprender sobre Inteligência

92 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025


DEZEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 93


A ABRIR

94 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | DEZEMBRO 2025

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