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Revista Lobos #11

Edição 11 - novembro/dezembro 2025

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EDIÇÃO 11 novembro/dezembro 2025


REVISTA LOBOS

FICHA TÉCNICA

Diretor Geral

Joel Pinho

Paginação

André Nogueira

Redação

André Nogueira

Maria Canha

Tiago Pinho

NOME DO ARTIGO


#11

Revisão

André Nogueira

Contacto

comunicacao@fcarouca.eu

Ilustração

André Nogueira

Fotografia

Pedro Fontes

3


REVISTA LOBOS

FOTO DO MÊS

O golo de Lee Hyunju deu a vitória ao

Futebol Clube de Arouca no último jogo caseiro

antes do Natal

FOTO DO MÊS


#11

5


REVISTA LOBOS

Índice

08

Entrevista

Joel Pinho

22

Espaço

Parceiro

30

Entrevista

Batata

46

Fenómeno

Tik Tok

50

Entrevista

Marco Soares

60

Entrevista

Paulo Santos

ÍNDICE



REVISTA LOBOS

“O FC AROUCA

É UM COMETA

EM MOVIMENTO

E TODA A

ESTRUTURA

CORRE COM ELE"

DIZEM POR AÍ


#11

9


REVISTA LOBOS

Joel Pinho, 37 anos, faz uma retrospetiva

do seu percurso profissional

desde os tempos de jogador até à sua

atual carreira como Diretor Geral do Futebol

Clube de Arouca. Uma paixão pelo

clube que surgiu muitos anos antes, com

as primeiras memórias com o desporto

rei a serem ainda na infância, "O futebol

estava incluído nos fins-de-semana da

família. Recordo-me de assistir aos jogos

do Futebol Clube de Arouca com os meus

pais, em todo o lado, todos os domingos.

Desde sempre. Eram tempos de correria,

tremoços, nervosismo, pacotes de batatas

fritas, de ânimos vivos... e futebol duro".

Foi em torno do começo do século XXI

que iniciaria a sua formação no Futebol

Clube de Arouca. As primeiras experiências

como jogador são recordadas

com emoção e paixão, "Na minha

época, toda a criançada jogava futebol

na escola. Rapazes e raparigas.

Aquela sensação de liberdade enquanto

corríamos para o campo da bola da

escola, nos intervalos, é inesquecível.

Depois fazia as minha exibições nos

torneios de verão do parque, que na

altura eram aguardados com grande

entusiasmo pela comunidade arouquense.

De seguida, integrei as

camadas jovens do clube da minha

terra e foi uma grande alegria porque

tinha um grande gosto pelo desporto".

Na temporada de 2007-2008, integra

pela primeira vez o plantel sénior do

Futebol Clube de Arouca, sagrando-

-se campeão logo no primeiro ano. Um

sentimento de realização por parte de

um jovem, numa conquista importante

pelo clube da sua terra, "Eu sempre vivi

os desafios do Futebol Clube de Arouca

com muita intensidade. Festejei imenso

todas as conquistas dos últimos anos.

DIZEM POR AÍ


#11

11



#11

A verdade é que apanhei o Futebol

Clube de Arouca já em rota de

conquista. E, desse contexto, percebi

que nada seria impossível.

Claro que, para um jovem de 19 anos,

viver esses momentos catárticos, é

altamente motivante e inspirador".

A temporada de 2011-2012 marca o fim da

sua (ainda curta) carreira enquanto jogador,

iniciando, na temporada seguinte, o

cargo de Diretor Desportivo, com a inédita

subida à Primeira Liga como ponto alto.

Uma mudança na carreira que muito se

deveu aos conselhos recebidos através do

treinador de então, Vítor Oliveira, face a um

período mais complicado de Joel Pinho,

muito fatigado pelas várias lesões que ia

tendo ao longo das últimas temporadas

e que o impediam de dar um maior contributo

dentro das quatro linhas, "Quando

cheguei ao escalão sénior, senti que tinha

que mostrar estar à altura do desafio.

Eu frequentava o curso de Engenharia

Civil, na Universidade do Porto, e deslocava-me

para os treinos diariamente.

Nunca me faltou motivação. Como

queria dar tudo nos treinos, acabei por

não ser prudente, na medida em que

não me preservei fisicamente. Como

consequência, passei por um período

de várias lesões e não consegui posicionar-me

como tinha previsto, porque

não tinha a parte física a acompanhar.

A uma dada altura, durante uma conversa

com o mister Vitor Oliveira - um grande

mestre do futebol - este confidenciou-me

que via em mim um diretor desportivo

nato, que tinha experiência nos mais

diversos escalões, e porque via em mim

um forte sentido de liderança e de perspicácia.

Palavras dele, não me interpretem

mal. Mas que muito me lisonjearam, e que

resolvi realmente considerar".

O mister Vítor Oliveira

confidenciou-me que

via em mim um

diretor desportivo nato,

com forte sentido de

liderança e de perspicácia

Uma mudança de carreira que acabou

por não ser muito complicada após

pesar os dois pratos da balança, "A

tomada de decisão foi digamos, bastante

ponderada. Dei-me tempo para

analisar todos os pontos de vista e para

me habituar à possível nova etapa, que

acabou por ser a mais acertada. Mas,

na altura, eu era muito jovem e à minha

volta eram todos mais velhos do que eu.

Todos falavam cheios de convicções. Eu

observei pacientemente todos os detalhes,

todos os movimentos, todas as consequências.

Até sentir que o meu raciocínio

estava claro e seguro. Era a minha vez".

Para Joel Pinho, o perfil que um Diretor

Geral necessita para ter sucesso

no mundo do futebol não tem grandes

segredos, mas características específicas,

"Não há fórmulas pré-concebidas.

Mas é certo que tem de haver autenticidade

e empenho a desenvolveres o teu

trabalho. Se não vestes a camisola do

teu clube com absoluta devoção, então

devias dedicar-te a outra atividade".

Na sequência da evolução do Futebol

Clube de Arouca ao longo das últimas

temporadas, desde as distritais até

chegar às competições europeias, a

explicação para tal sucesso é feita

em poucas palavras, "Explica-se com

trabalho. Não caiu nada do céu. Foi

trabalho e foco, e foco e trabalho.

13


REVISTA LOBOS

Ter um grupo competente no relvado e outro

no escritório também foi determinante.

O facto de termos estado a jogar em

competições europeias por duas vezes

é demonstrativo do que temos vindo

a dizer. Somos do tamanho da nossa

ambição, não da nossa localização geográfica.

As barreiras que eventualmente

haveria para derrubar já foram derrubadas.

Agora é seguir com audácia".

Somos do tamanho da

nossa ambição, não da

nossa localizção geográfica.

As barreiras que haveria

para derrubar já

foram derrubadas

Joel Pinho não pensa em objetivos a

curto, médio ou longo prazo, deixando

o trabalho diário em prol das mesmas

finalidades a serem o segredo para o

crescente sucesso do clube, "Quase nem

tenho tempo para pensar em objetivos,

para além do que é elementar, a permanência

na Primeira Liga. O Futebol Clube

de Arouca é um cometa em movimento

e toda a estrutura corre com ele. Vamos

avançando e desbravando. Considerando

sempre que, se desafios maiores

forem surgindo, ninguém nos segurará".

De seguida, procuramos entender quais

as dificuldades que o clube ainda sente

por estar inserido numa vila pequena, em

comparação com os restantes emblemas

que disputam a mesma divisão, "O Futebol

Clube de Arouca cresceu muito rápido.

Há de facto setores da comunidade que

ainda não perceberam o que é estar na Primeira

Liga, na Elite do futebol português.

DIZEM POR AÍ


#11

15


REVISTA LOBOS

O quão difícil é atingir este feito e a importância

que tem para o concelho. Talvez

seja normal e faça parte do crescimento.

De resto, somos muito orgulhosos de

estarmos num contexto geográfico

diferente, de sermos de uma zona acolhedora

e rural - cheia de história e de

paisagens impressionantes - e de sermos

uma equipa cheia de particularidades".

O Futebol Clube de Arouca é reconhecido

pela familiaridade existente na direção,

algo que é também reconhecido por Joel

Pinho, "É um dos segredos do sucesso.

Imagina o que é trabalhares diariamente

com as pessoas por quem tens mais

apreço e consideração. Fantástico, não?

Claro que esse factor facilita muito a comunicação

e o entendimento. Também exige

mais de todos, exige tudo. Como estamos

todos a apontar para o mesmo lado, ninguém

pode dar menos do que o outro".

Nesse sentido, aponta o mesmo espírito

de trabalho como característica

ou perfil necessário para um jogador

ir de encontro à idêntidade do clube,

"Estás a ver a resposta anterior? É isso

mesmo. Tem de se encaixar nessa razão.

E também saber a responsabilidade

que carrega. Mas nunca sozinho, terá

sempre o nosso suporte. O jogador não

irá trabalhar só para o grupo. Irá trabalhar

para a bolha. E a bolha é o tal cometa".

Dos vários jogos que já se disputaram

ao longo da sua vida profissional, há um

encontro que fica particularmente na

memória, "Muitos jogos foram impactantes.

Mas, assim de repente, o jogo

na Grécia com o Olympiacos Syndesmos

Filathlon Piraeus, em que o Futebol

Clube de Arouca acabou derrotado por

2-1. Perdemos no prolongamento. No

entanto, fomos tão gigantes que

até arrepia só de pensar nesse dia".

Podemos estar

seguros que

os objetivos

traçados no início

da temporada

estão a ser perseguidos

Num momento em que nos aproximamos

a passos largos do final da primeira volta

do campeonato, com o Futebol Clube de

Arouca ainda na perseguição pela primeira

metade da tabela classificativa,

procuramos saber que o que os sócios e

adeptos ainda podem esperar da restante

temporada, "Podemos estar seguros que

os objetivos traçados no início da temporada

estão a ser perseguidos e vamos

posicionar-nos onde é preciso para que

sejam conseguidos. Já demonstramos

várias vezes, em situações mais difíceis,

que somos capazes de dar a volta à

situação. E aqui vamos nós, sem distrações.

O nosso futebol está a aprimorar,

está a ganhar magia. Já está a acontecer.

O Arouca vai continuar a crescer".

Terminamos esta nossa conversa com

o Diretor Geral do Futebol Clube de

Arouca, Joel Pinho, a interrogar se gostaria

de deixar alguma mensagem de

despedida para os sócios, uma tarefa

que rapidamente passou para o presidente

Carlos Pinho, antes de deixar

umas palavras de esperança e união,

"Deixo essa questão da mensagem

para o presidente. Como é habitual, ele

fará a mensagem de Dezembro para a

comunidade do Futebol Clube de Arouca.

Desejo a todos votos de um Feliz Natal e

que seja um excelente Novo Ano de 2026.

Continuemos juntos".

DIZEM POR AÍ


#11

17



#11

CITAÇÃO DO MÊS

“Temos sempre dois caminhos.

Ou atingimos e ficamos a olhar ao

espelho a admirar o que fizemos

ou vamos pela porta da

combatividade, para não

voltarmos onde estivemos”

Vasco Seabra

19


REVISTA LOBOS

2016-2017

A temporada que marca a estreia europeia do Futebol Clube de Arouca.

Equipamento utilizado nas eliminatórias da UEFA Liga Europa, frente aos

neerlandeses do Heracles Almelo e do campeão grego Olympiacos

Jogo mais memorável: Heracles Almelo 1-1 FC Arouca

Primeiro golo: Walter González (vs Heracles Almelo)

CAMISOLAS COM HISTÓRIA


#11

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REVISTA LOBOS

TRANSPARÊNCIA

E QUALIDADE

PARA ALÉM

DA GARRAFA

Dylan Nandín, Diogo Monteiro e Barbero visitaram as instalações

da Água Serrana numa descoberta por todo o processo de

fabrico do melhor contributo para a hidratação

ESPAÇO PARCEIRO


#11

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REVISTA LOBOS

ESPAÇO PARCEIRO


#11

25


REVISTA LOBOS

ESPAÇO PARCEIRO


#11

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REVISTA LOBOS

60 SEGUNDOS COM...

JANSONAS

Um super poder?

Viajar no tempo

Bebida preferida?

Água

Comida favorita?

Massa

Série preferida?

Prison Break

Cantor preferido?

Drake

Animal preferido?

Cão

Viagem de sonho?

Tokyo

Jogador preferido na infância?

Lukaku

Jogador do plantel que se veste pior?

Lee Hyunju

Jogador com o melhor cabelo?

Nico Mantl

Jogador mais engraçado da equipa?

Alex Pinto

60 SEGUNDOS COM


#11

29


REVISTA LOBOS

NO FUTURO


#11

NO FUTURO

“O MEU SONHO

PASSA POR

TER MINUTOS

NA EQUIPA

PRINCIPAL”

A Revista Lobos falou com Batata, avançado do escalão de sub-19

e presença regular entre o plantel principal, tendo realizado,

este ano, a segunda pré-temporada com o futebol profissional

31



#11

Bruno Duarte é conhecido no mundo

do futebol por Batata, um nome

que começou com o seu avô e foi

passando em gerações. Hoje, o jovem

avançado do plantel de sub-19 do Futebol

Clube de Arouca, é presença regular

entre os treinos do plantel principal, tendo

estado presente em toda a pré-temporada.

Uma aventura que foi o cumprir

de um primeiro sonho, "A experiência

de fazer a pré-temporada e treinar com

regularidade com a equipa sénior foi

extremamente enriquecedora. Desde os

primeiros dias percebi que o nível de exigência

é muito maior, tanto em termos

físicos como táticos. Tive a oportunidade

de aprender com os jogadores e com os

treinadores, observar a forma como se

preparam, como comunicam em campo

e como lidam com a pressão diária.

Ao longo destes meses, fui ganhando confiança

e senti que a equipa técnica e os

jogadores me ajudaram muito na integração.

Tanto a mim como aos meus colegas.

Fomos sempre muito bem recebidos.

Sinto que esta pré-temporada me tornou

um jogador mais maduro, tanto dentro

como fora de campo. Estou muito grato

pela oportunidade que tenho tido e espero

continuar a evoluir para poder retribuir

essa confiança da melhor forma possível".

A cumprir a sexta temporada ao serviço

da formação do Futebol Clube de Arouca,

bem como após uma segunda pré-temporada

realizada com o plantel sénior,

Bruno Duarte conhece bem as diferenças

entre as duas realidades, "As maiores

diferenças entre a jogar na formação

e na equipa sénior passam sobretudo

pela intensidade, pela exigência e pela

responsabilidade. A intensidade é muito

mais alta e não há tanta margem para

erro, sendo que nos temos de adaptar.

Outra diferença é o nível físico e a competitividade.

Os jogadores são mais fortes,

mais experientes e sabem gerir melhor os

momentos do jogo. Além disso, a componente

tática é bastante diferente, visto que

na equipa sénior existe uma qualidade

técnica muito maior do que a formação e

mais incidência na análise de adversários.

No fundo, é um nível onde a responsabilidade

aumenta. Tive a possibilidade de

fazer os jogos de pré-temporada contra

equipas profissionais e senti que fui melhorando

de jogo para jogo. Essa experiência

tornou-me um jogador mais capaz e com

recordações que vou levar para a vida".

Só posso olhar para

trás com orgulho

e agradecer tudo

o que vivi e

aprendi no clube

A concluir o seu processo de formação,

o jovem avançado sente-se um jogador

agradecido por toda a experiência

e aprendizagem que tem recebido até

ao momento, "Sinceramente, o balanço

destes seis anos de Futebol Clube de

Arouca é, realmente, muito positivo.

Vou-me repetir um pouco mas a verdade

é que cresci muito como jogador

e como pessoa. Aprendi a lidar com

diferentes formas de jogar, com diferentes

exigências e com diferentes

personalidades. Isso ajudou-me a evoluir

bastante. Fiz parte de grupos muito

unidos e ganhei muitos amigos. Foi

um lugar onde me senti sempre bem e

que vou ter muitas saudades quando

acabar e minha etapa na formação.

33


REVISTA LOBOS

Foram anos importantes para construir

a base de tudo o que sou hoje

no futebol. Por isso, só posso olhar

para trás com orgulho e agradecer

tudo o que vivi e aprendi no clube".

Esta temporada trouxe ainda mais

novidades para Bruno Duarte, com a oportunidade

de poder envergar a braçadeira

de capitão nos jogos do escalão de sub-

19, um gesto que o jovem se orgulha muito

e que procura corresponder da melhor

forma, "Ser capitão é uma sensação muito

especial. É um orgulho enorme saber que

os meus colegas de equipa e a equipa técnica

confiam em mim. Ao mesmo tempo,

sinto uma responsabilidade extra em ter

de dar sempre o exemplo dentro e fora de

campo e ajudar a manter o grupo unido.

Acima de tudo, é algo que me motiva

e faz-me querer trabalhar ainda mais,

apoiar os meus colegas e representar

este emblema da melhor forma possível".

Com perto de meia temporada já decorrida,

tanto no campeonato profissional

como no da formação, o sonho do jovem

avançado continua por cumprir mas

ainda espera, com trabalho, conseguir,

um dia, fazer esse mesmo sonho virar

uma realidade, "Estaria a mentir se não

dissesse que o meu principal objetivo

individual, ou sonho vá, não passa, sem

dúvida, por conseguir ser convocado e,

depois, conseguir ter alguns minutos na

equipa profissional. Sei que não é fácil

pois estamos a falar do patamar mais

alto do futebol português, como é a Primeira

Liga, mas tenho vindo a trabalhar

todos os dias para estar preparado caso

uma dia surja essa oportunidade única.

Não é uma obsessão, é mais um objetivo

que tenho em mente sempre que entro

em campo, seja nos jogos da formação,

seja nos treinos que vou realizando.

Já em termos coletivos, o objetivo

passa por ajudar a equipa a crescer e

a conquistar bons resultados. Infelizmente,

começamos mal a temporada

a nível de resultados e não conseguimos

atingir o nosso primeiro objetivo,

que era alcançar a passagem à fase

de apuramento de campeão. Agora

que entramos na fase de manutenção,

o objetivo passa, obviamente, por

garantir a permanência na Elite o mais

rapidamente possível e alcançar o melhor

lugar possível na tabela classificativa".

A paixão futebolística corre nas veias da

família, sendo que Batata teve o primeiro

contacto com o desporto rei através dos

jogos do seu irmão, "Sei que quem me

incentivou a jogar futebol foi, sem dúvida,

a minha família, mais propriamente o

meu irmão. Ele era guarda-redes e comecei

a ir ver os jogos dele desde muito

novo. Depois decidi pedir aos meus pais

para me inscrever nas camadas jovens

porque, desde pequeno, gostava de conseguir

jogar numa equipa de futebol e

estar entre os melhores jogadores. A

sensação de treinar com uma equipa

não é fácil de descrever pois, até aí, só

jogava futebol de rua ou na escola com

os meus colegas. No futebol federado

existe uma noção tática que nos ensina

uma exigência saudável em tudo o que

fazemos e a importância do coletivo".

Já com algumas conquistas pessoais e

coletivas no currículo, desde títulos de

campeão a permanências, Batata não

consegue definir aquela que mais orgulho

lhe traz, unindo tudo numa mesma

alegria, "Enquanto jogador do Futebol

Clube de Arouca já tive vários momentos

especiais que nunca vou esquecer

como, por exemplo, uma subida de

divisão e várias permanências na Elite.

NO FUTURO


#11

35


REVISTA LOBOS

Também tive momentos individuais que

são muito especiais para mim, como

ser o melhor marcador na temporada

em que conseguimos a permanência no

escalão de sub-17. Porém, também não

me posso esquecer das duas vezes que

fiz a pré-temporada com os séniores. Este

ano ficou mais marcante para mim pois

fiz o estágio de pré-temporada, no Centro

de Estágios do Luso, juntamente com a

equipa profissional. Foi uma experiência

nova e que gostei muito de os conhecer,

aprender e conviver com os jogadores

e com equipa técnica. Como já referi

anteriormente, até tive a possibilidade de

jogar vários jogos amigáveis contra equipas

da Primeira Liga e da Segunda Liga".

Além de jogos e conquistas, Bruno Duarte,

enquanto avançado, vive também de

golos. Mais uma vez, o jovem olha para

a recompensa coletiva em detrimento

do individual, "Já marquei alguns golos

ao longo da minha (ainda) curta carreira,

mas o meu golo preferido foi no escalão

de sub-17, sem dúvida. Na altura, foi

um golo que deu a nossa vitória contra o

Juventude Atlética de Rio Meão. Foi um

jogo difícil, em que estávamos empatados

1-1, também com um golo meu, e,

nos últimos minutos, marquei o golo da

vitória. Não me ficará na memória pela

beleza do golo mas sim pela importância

que esse golo teve para as nossas contas

finais, na nossa luta pela permanência".

Além dos colegas de equipa, também

vários foram os treinadores que encontrou

na sua curta carreira futebolística,

onde acaba por não destacar nenhum

individualmente, preferindo realçar a

importância que todos tiveram na sua

construção e evolução enquanto jogador,

"Todos os treinadores que se cruzaram

comigo ao longo do meu percurso

formativo me marcaram de alguma

forma, tanto os treinadores principais

como os seus adjuntos. Cada um tinha

a sua maneira de treinar, a sua filosofia

e a sua forma de nos motivar. Foi isso

que me ajudou a crescer como jogador

e como pessoa. Uns exigiam mais disciplina,

outros mais criatividade... mas

todos contribuíram para que eu aprendesse

a trabalhar em equipa, a superar

desafios e a evoluir dia após dia. Sou

muito grato a todos eles porque cada

uma dessas experiências deixaram algo

importante que levo comigo até hoje".

Este ano foi

mais marcante

para mim pois fiz

a pré-temporada

juntamente com a

equipa profissional

Além do seu estatuto de jogador, Batata

também se assume como adepto assíduo

no Estádio Municipal de Arouca, sendo que

agora observa o jogo com outra atenção

quando os seus colegas de treino estão a

disputar os jogos entre os maiores emblemas

do futebol português. Para o jovem

avançado, é um privilégio ver o seu clube

do coração entre a elite, destacando que

a população ainda não tem total consciência

do trabalho que é necessário para

alcançar tal feito, "Sempre que posso procuro

ir ao Estádio Municipal de Arouca ver

os jogos com os meus colegas de equipa.

Fazemos questão estar em praticamente

todos os jogos em casa, independentemente

do tempo que se faz sentir no dia.

NO FUTURO


#11

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REVISTA LOBOS

Acho que é muito importante apoiar

a equipa pois, quando jogo na formação,

represento o mesmo símbolo que

eles e é algo que me orgulha muito.

Por outro lado, também considero extremamente

apoiar o clube da minha terra,

que é já o meu clube de coração também.

Gosto muito de ir ver os jogos pois, como

de vez em quando treino com a equipa

durante a semana, muitas coisas que

eles fazem nos jogos, eu também faço

pratico esses mesmos movimentos

quando treino com eles. Isso deixa-me

mais concentrado no jogo para tentar ver

cada detalhe e aprender mais com isso.

Tenho pena que a vila ainda não adira

tanto aos jogos porque não percebem

a sorte que têm de ter um clube com

a nossa história a disputar a Primeira

Liga. Devia haver mais gente nas bancadas

e, principalmente, mais apoio

daqueles que vão aos jogos. Estamos a

representar um distrito na Primeira Liga

e isso devia ser um feito muito mais louvável

do que é. Tendo estado por dentro,

vejo o trabalho diário e a dedicação de

todos os que trabalham no clube para

que o Futebol Clube de Arouca continue

a ser um exemplo a nível nacional".

Antes de terminar, o jovem avançado

foi ainda questionado como descrevia

o ambiente vivido na formação do Futebol

Clube de Arouca em apenas três

palavras, nas quais destacou, "Temos

de começar pela União existente dentro

de todos os plantéis e, até, entre plantéis;

a Disciplina que nos é transmitida

e que necessitamos de ter diariamente

para continuarmos a nossa evolução; e

a Resiliência, de nunca desistir face às

adversidades e acreditar sempre que

vamos conseguir obter o melhor resultado

em tudo a que nos propomos".

NO FUTURO


#11

39








REVISTA LOBOS

FENÓMENO TIK TOK


#11

FENÓMENO

TIK TOK

Como o FC Arouca utilizou as redes sociais para aumentar o

seu alcance nacional e internacional, com o número de seguidores

já a ultrapassar o número de habitantes da Vila.

47


REVISTA LOBOS

Anteriormente conhecido como

Musical.ly, a rede social chinesa

Tik Tok começou a sua espansão

há pouco menos de uma década, destacando-se

das demais pelos seus vídeos

curtos e de informação imediata.

Embora o seu número de utilizadores

fosse já de 500 milhões em 2018, o seu

boom deveu-se ao confinamento mundial

e à necessidade das pessoas

necessitarem de encontrar

entretenimento dentro das

suas próprias casas.

Também o mundo do futebol

sofreu as mesmas consequências

e, a necessidade de

criação de conteúdo, mesmo

com os campeonatos interrompidos,

gerou uma nova

forma de comunicação,

onde a seriedade deixava

de ser o foco e

o ridículo passava a

atrair mais e mais

visualizações.

Em torno de todo o

planeta, foram vários

os clubes que aproveitaram

o momento

para crescer com

base neste tipo de

publicações absurdas

e disparatadas. Destacaram-se

clubes como

o Futbolny Klub Zenit,

da Rússia, a Juventus

Football Club,

em Itália, ou Club

Deportivo Guadalajara,

do México.

Nesse sentido,

também os clubes portugueses

começaram, mais

FENÓMENO TIK TOK


#11

tarde, a entrar nessa mesma tendência, com os clubes de menor dimensão, a terem

assim mais uma ferramenta para comunicar com um público mais amplo e divergente.

Aqui destacaram-se o Club Football Estrela da Amadora SAD, o Sporting Clube de

Braga e o Futebol Clube de Arouca. Longe do número de seguidores dos três emblemas

mais titulados do país, encontraram neste tipo de publicações a forma de terem

a sua própria voz.

O Caso FC Arouca

O crescimento do Futebol Clube de Arouca no Tik Tok tem sido exponencial e, desde o

início da temporada 2025-2026, é já o terceiro clube profissional, em Portugal, a registar

o maior aumento, em percentagem, no número de seguidores (82.95%), estando,

também, no top-10 nacional, com mais de 32 mil seguidores. Em termos de comparação,

o concelho de Arouca tinha 21 146 habitantes em 2021. O nome do clube e da

vila continua a ser espalhado além fronteiras e promete não parar aqui.

O gráfico abaixo apresenta o top-5 de crescimento no número de seguidores nas duas

ligas profissionais, entre 05 de junho e 05 de dezembro de 2025, onde quatro clubes

conseguem apresentar valores superiores ao da "instituição-mãe", a Liga Portugal.

Como tal, comprovamos que o mundo online do Futebol Clube de Arouca continua

a provar ser uma aposta saudável e segura.

49


REVISTA LOBOS

MARCO

SOARES

Em setembro de 2019, Marco Soares

apresentava-se como um reforço

de peso para a reforma que estava

a ser realizada no plantel do Futebol Clube

de Arouca. Com vários anos de experiência

de Primeira Liga, o internacional

cabo-verdiano entrava com três jornadas

disputadas e um objetivo claro de subida

de divisão, "Quando aceitei ir para o Futebol Clube de Arouca, sabia que muitos iam

olhar como um passo atrás mas, para mim, foi exatamente o contrário. Eu só queria

jogar para poder estar selecionável para a seleção, porque eu estava a treinar à parte

no Clube Desportivo Feirense. Isto porque, a três dias do fecho do mercado, disseram

que não iam contar comigo. Tinha a possibilidade de regressar ao Chipre mas queria

continuar em Portugal. Foi

aí que apareceu o Futebol

Clube de Arouca, com um

projeto ambicioso e eu acreditei

que tudo podia dar certo.

O contacto surgiu através

do Joel Pinho, que

REGRESSO

AO PASSADO

já conhecia o meu perfil (que dizia que era de líder) e acreditava que eu podia ir

acrescentar essa experiência e liderança. O Joel foi muito importante porque convenceu-me

que o Futebol Clube de Arouca não era apenas uma opção, mas sim,

uma oportunidade de reconstrução e de provar que ainda tinha muito para dar.

Recordo-me que ele foi ter comigo a Santa Maria da Feira e disse-me duas

coisas: que não saía de lá sem eu aceitar e que íamos subir de divisão dois anos

seguidos. Tanto que me fez um contrato por objetivos com renovação automática

de mais anos, em caso de subida, porque acreditava que íamos subir

novamente no ano seguinte e que eu ainda ia jogar novamente na Primeira Liga".

REGRESSO AO PASSADO


#11

51


REVISTA LOBOS

REGRESSO AO PASSADO


#11

Uma temporada que começou com

sonhos, acabou com incertezas. A pandemia

interrompeu os campeonatos

de praticamente todo o Mundo, com

apenas a Primeira Liga a regressar, mais

tarde, em Portugal. Sem ninguém conseguir

adivinhar o futuro, Marco Soares

lembra essas semanas de incerteza, "Os

dias que se seguiram à interrupção do

campeonato, devido à pandemia, foram

dias muito estranhos. Ninguém estava

preparado para ver um campeonato ser

interrompido daquela forma. Havia muita

incerteza, dúvidas e ansiedade... mas

também uma sensação de que estávamos

a fazer um grande percurso até ali.

Lembro-me de treinarmos em casa, via

zoom, pois não sabíamos se o campeonato

ia começar novamente e falávamos

muito acerca disso. Foi um período emocionalmente

intenso. Mas, no final, tudo

deu certo e subimos, pois éramos uma

das equipas que mais pontos tinha de

todas as séries. Ainda assim, ficamos

todos com a sensação de que queríamos

ter subido a jogar, porque teria um sabor

diferente e acreditávamos que tínhamos

a melhor equipa. Estávamos muito bem,

o plantel era bom e a probabilidade de

termos o mesmo desfecho era grande".

Consumada a subida de divisão para a

Segunda Liga, o Futebol Clube de Arouca

chegava, a dez jornadas do fim, na sexta

posição, a oito pontos do play-off, "Sinceramente,

a princípio, uma segunda subida

de divisão consecutiva parecia mais

um sonho distante que uma realidade.

Estávamos mais focados em garantir

uma estabilidade dentro do plantel e do

clube, de consolidar a equipa e começar

por somar os pontos necessários para

garantirmos a permanência na Segunda

Liga o mais rapidamente possível.

Porém, jornada após jornada, fomos percebendo

que o grupo tinha capacidade,

qualidade, união e, sobretudo, ambição.

Só quando começámos a aproximarmos-nos

dos lugares de subida é que

passamos a acreditar que era possível

e passou a ser um objetivo real".

A verdade é que a equipa embarcou

numa senda de vitórias que só terminou

com a subida de divisão, "Acredito que

o principal fator para esta mudança de

chip e o início de uma sequência histórica

de vitórias foi a mentalidade do grupo.

Treinávamos muito bem. O nosso mister

Armando Evangelista fez-nos acreditar

que a subida à Primeira Liga era possível

e isso ajudou-nos porque tínhamos um

balneário realmente muito forte. Recordo-me

de uma frase que ficou guardada

para a vida, em que ele dizia que «quando

se junta tanta coisa boa junta, não podia

deixar de acreditar de que podíamos

fazer algo especial, que era a subida».

No jogo em Vizela, que acabou empatado,

no final do jogo, no balneário, assumimos

um compromisso entre jogadores que, até

ao final da temporada, só podíamos ter

um deslize. Sabíamos que era difícil mas

cada vitória foi alimentando a seguinte

e tínhamos a sensação que podíamos

vencer qualquer jogo. A verdade é que

chegamos ao último jogo e tivemos de

reformular o compromisso, porque tínhamos

a Académica atrás de nós e não

podíamos dar o tal deslize. Felizmente,

assim foi. Vencemos o jogo e fomos para

o play-off, onde conseguimos a subida de

divisão de uma forma incrível, com uma

grande sequência de vitórias seguidas.

O clube teve um papel importante

porque nos deu a estabilidade e

foi a combinação perfeita de confiança,

disciplina e compromisso".

53


REVISTA LOBOS

Eram agora duas subidas de divisão

consecutivas até à Primeira Liga, um

feito muito complicado de ser repetido,

com grupos que Marco Soares

recorda positivamente, "São muitos os

momentos que guardo com carinho de

ambos os planteis que subiram de divisão.

Recordo-me, acima de tudo, da

união de ambos os grupos, o ambiente

familiar e a alegria dentro do balneário.

Tudo isso conseguíamos transportar

para dentro do campo. No primeiro ano,

recordo-me do jogo com o Lusitânia de

Lourosa Futebol Clube, em casa, que era

o nosso concorrente direto. Vencemos

com menos um jogador e soubemos

sofrer. Foi uma vitória importantíssima e

recordo-me que, antes da interrupção do

campeonato, no nosso último jogo vencemos

por nove golos. Por todos esses

motivos, estávamos muito confiantes.

No ano da subida à Primeira Liga lembro-

-me, claramente, do jogo em Vizela por

causa do compromisso assumido, do jogo

na Covilhã, que ganhámos nos últimos

minutos, em que vencemos pela força do

acreditar e, claro, os dois jogos de play-off

com o Rio Ave Futebol Clube. Mas, acima

de tudo, guardo na memória, com muito

carinho, os colegas, o staff e todos os que

fizeram parte dessa caminhada histórica".

Seguiu-se uma temporada de muito

trabalho com um objetivo bem diferente,

o da permanência, "Apesar dos

objetivos altos que tinham sido colocados

nas duas temporadas anteriores,

a permanência na Primeira Liga, na

temporada 2021-2022, foi, sem dúvida,

a mais custosa. É óbvio que é bastante

mais complicado lutar para não

descer do que lutar para subir pois

a pressão é naturalmente diferente.

REGRESSO AO PASSADO


#11

Nos tínhamos uma base na Primeira

Liga de, mais ou menos, dez jogadores

que estavam juntos desde o Campeonato

de Portugal. A Primeira Liga exige

regularidade e maturidade. Houve

momentos mais delicados, jogos em

que o detalhe fazia a diferença. Mas

foi também a temporada em que

talvez mais crescemos como equipa.

Garantir a permanência naquele ano

teve um sabor especial exatamente

porque foi muito dura a temporada.

Mas foram anos fantásticos, onde vi um

crescimento incrível de vários jogadores,

que se valorizaram e foram para outros

voos e renderam dinheiro ao clube".

Numa situação idêntica está o clube

atualmente, também a lutar por uma

nova permanência na Primeira Liga,

apesar de Marco Soares, com voz de

experiência, acreditar que o final da

temporada será, à imagem das últimas

temporadas, de alegria, "O Futebol Clube

de Arouca tem mostrado ao longo dos

anos que sabe superar adversidades. A

chave estará na estabilidade emocional,

na mentalidade competitiva e na

união interna. O Clube, os jogadores e

os adeptos devem remar todos para o

mesmo lado e vão se tornar mais fortes,

porque há qualidade individual no plantel

para dar a volta a situação e terminar

a temporada de uma forma positiva".

Por todo o exposto, o legado de Marco

Soares no futebol acaba por estar muito

ligado à história dos Lobos de Arouca,

um emblema que considera ser como

uma segunda casa, "O Futebol Clube

de Arouca representa uma etapa muito

especial da minha carreira. Foram três

anos intensos e incríveis, com duas subidas

e uma permanência na Primeira

Liga como prova no nosso palmarés.

55


REVISTA LOBOS

REGRESSO AO PASSADO


#11

Vivi momentos inesquecíveis, conquistas

marcantes e uma ligação muito forte com

o clube e com as pessoas. Ver a minha

foto no estádio e integrar a equipa dos

Legends é algo que me enche de orgulho.

Sinto que deixei uma marca e levei

comigo muitas memórias e amizades,

em especial o Pedro Moreira, uma das

melhores pessoas que encontrei no futebol

e um amigo que ficou para a vida.

Já falei anteriormente do Joel Pinho e

da importância que teve para eu ir para

Arouca, mas também não posso deixar

de mencionar o Presidente Carlos Pinho,

o Flávio Soares, um dos melhores profissionais

com quem já trabalhei, o Brandão,

o Paulo Cerqueira, o Paulo Baptista e o

Diogo Oliveira, tudo pessoas com muitos

anos de Arouca e com uma dedicação

diária sempre com muita paixão.

Sei que o Futebol Clube de Arouca irá

sempre fazer parte da minha história".

Antes de nos despedirmos, falamos sobre

aquele que será o tema mais importante

da sua vida futebolística: a 'sua' seleção

de Cabo Verde e o apuramento inédito

para o Campeonato do Mundo, no verão

de 2026, "Cabo Verde no Campeonato

do Mundo emociona-me só de pensar,

porque, como jogador, sempre sonhei ver

Cabo Verde na maior competição existente

a nível de seleções. Agora, como

alguém que fez parte dessa caminhada

durante 16 anos, sentir que o país vai viver

este momento histórico é indescritível.

Em junho, estarei com o coração cheio,

orgulhoso do meu país, dos meus colegas

e de tudo o que foi construído por muitos

ao longo de décadas. Vou viver essa experiência

como um adepto, mas sinto que

parte de mim ainda está representado lá.

Por esse motivo, acho que também o vou

viver como um eterno capitão".

57




REVISTA LOBOS

FUTSAL


#11

FUTSAL

“ESTE CLUBE

VAI ESTAR

SEMPRE NO

MEU CORAÇÃO”

A Revista Lobos falou com Paulo Santos, treinador que levou o

Futebol Clube de Arouca de regresso à Primeira Divisão Distrital e

que contou os desafios que encontrará nesta nova temporada

61


REVISTA LOBOS

FUTSAL


#11

Paulo Santos, 42 anos, assumiu o

comando do plantel sénior da modalidade

de futsal do Futebol Clube de

Arouca na reta final da temporada passada

e rapidamente levou a equipa de encontro

aos bons resultados, alcançando a subida

de divisão que, meses antes, parecia

apenas uma miragem. Uma relação que

poderia não ter começado mas os planos

do treinador foram adiados para abraçar o

desafio, "O meu trabalho no Futebol Clube

de Arouca começou no final de fevereiro, em

plena fase de subida da Segunda Divisão.

Tinha optado por sair da Associação Miramar

Império Vila Chã, que disputa a divisão

de Elite da AF Porto, duas semanas antes.

Sinceramente, o objetivo era parar até ao

final da temporada, mas a forma como o

clube me abordou, juntamente com a ambição

e o risco, fizeram-me aceitar".

A chegada acabou por ser feita sem

grandes expetativas uma vez que o técnico

português sabia da responsabilidade

mas como a equipa a não depender

apenas de si própria, "Tinha algumas

reticências. Não conhecia o campeonato

de Aveiro, o grupo tinha sofrido muitas

alterações a meio da temporada e os

resultados não estavam a ajudar. Estava

a conjetura perfeita para correr mal...

mas felizmente conseguimos o objetivo".

Na sequência da conversa acerca do

ano passado, realça que o ponto alto da

temporada foi, sem dúvida, a conquista

da Segunda Divisão de Aveiro. Um feito

de satisfação e alívio após uma temporada

dura e com várias interrogações,

"O sentimento coletivo após a subida de

divisão foi, desde logo, o de dever cumprido.

Confesso que também, de um

ponto de visto pessoal, foi de um alívio

tremendo. Após o apito final, sinto que

saíram duas toneladas de cima de mim.

63


REVISTA LOBOS

Toda a envolvência consequente foi

incrível. Conseguir ver a felicidade nos

adeptos, nas nossas famílias e, principalmente,

nos atletas, é algo inesquecível.

Algumas pessoas já desacreditavam

após o começo de campeonato

menos conseguido, mas fomos uma

equipa que lutou até final pelo objetivo".

Uma temporada de vários altos e baixos

com o treinador português a escolher

um jogo em particular como decisivo no

caminho para o título, "O momento chave

da temporada foi, claramente, o jogo em

Gião. Sabíamos que não ganhar ao primeiro

classificado seria, praticamente,

um adeus ao título e ao sonho de subir.

Vínhamos de uma semana em que tivemos

alguns contratempos, com vários

jogadores indisponíveis por diversos

motivos. Depois, já no dia do jogo, logo

no primeiro minuto temos um jogador

expulso. Pouco depois estamos a perder

1-0... Tudo situações que nos podiam

deixar desmoralizados ou desconcentrados,

mas a verdade é que demos

a volta por cima e conseguimos, de

forma brilhante, vencer o jogo por 5-3.

Foi uma clara demonstração de raça e

alma. No balneário senti que todos os

jogadores demonstravam uma atitude

de «estamos aqui, contem connosco»".

Com o virar da página a temporada

2025-2026 apresentou novos desafios

na sua preparação, "A realidade do Futebol

Clube de Arouca é muito específica.

Geograficamente temos um contexto

difícil para a modalidade de futsal e

isso obriga-nos a ser lestos e cirúrgicos.

Felizmente, sinto que conseguimos jogar

muitas vezes na antecipação e construímos

um plantel que nos dá garantias

de ombrear com as melhores equipas".

FUTSAL


#11

65


REVISTA LOBOS

Com uma nova divisão, surgem também

novos adversários. O desafio é maior mas

Paulo Santos acredito que os objetivos

não serão os mesmos, "O campeonato

Grande Hotel de Luso é um campeonato

supercompetitivo e intenso. Com todo o

respeito para com as equipas que defrontamos

na temporada passada, sabemos

que o nível aqui é bastante superior.

Existem três ou quatro equipas que, nos

últimos anos, tiveram um investimento

financeiro mais significativo para tentarem

subir para o campeonato nacional e,

depois, existem todas as outras equipas,

que são bastante organizadas, intensas

e difíceis de bater, principalmente

quando jogam nas suas próprias casas".

Com as dificuldades que sempre existem

a contratação de novos jogadores,

manter uma base da temporada anterior

é sempre uma tarefa essencial,

principalmente após uma subida. Uma

ideia apoiada por Paulo Santos na facilidade

com que já conhecem o clube e

como ajudam na integração dos novos

elementos, "Foi claramente importante

renovar com grande parte do plantel

da temporada passada, acima de tudo

porque dão estabilidade e ajudam muito

quem chega. Ajuda-nos a perceber a

realidade do clube e do campeonato.

Teres jogadores com cinco, seis e até

mais anos de Futebol Clube de Arouca é

algo cada vez menos visto e, felizmente,

temos conseguido fazer isso acontecer."

Na atual fase de carreira, o treinador coloca

os objetivos coletivos em frente aos pessoais,

procurando subir na carreira face

aos feitos alcançados com os seus jogadores,

"Acredito que os meus objetivos são

sempre em prol do coletivo. Representar o

Futebol Clube de Arouca tem, obrigatóriamente,

de nos dar essa responsabilidade.

Não podemos nunca dizer que objetivo

é somente a permanência. Temos de

querer sempre mais e tenho a certeza

que, dentro das limitações existentes,

temos um plantel que nos permite ir à

luta pelos lugares cimeiros. Vamos treinar

e jogador para os conseguirmos".

Como referido anteriormente, a oportunidade

de treinar o Futebol Clube de Arouca

levou ao adiamento de uma paragem

na carreira. A possibilidade de estar ao

leme dos Lobos de Arouca é vista como

uma grande responsabilidade para qualquer

que seja o técnico, "Temos de sentir

sempre a responsabilidade e o orgulho. O

Futebol Clube de Arouca, muito pelo que o

futebol profissional tem feito nos últimos

anos, tem sempre uma grande visibilidade

e, mesmo que o futsal esteja novamente a

tentar crescer, o clube é sempre um grande

entre todos os emblemas de Aveiro".

Uma casa especial, já com palmarés, que

faz o técnico sonhar com várias temporadas

ao serviço do mesmo clube, "Eu

gosto muito de estar aqui. Confesso que

no primeiro dia ainda me interroguei o

que estaria eu fazer para ter a ideia de

vir para tão longe de casa. Arouca tem

cerca de 21 mil habitantes. É um sítio

pacato e tranquilo. Geograficamente

deslocado dos grandes centros. Isso

faz-me acreditar que este lugar é especial.

Mas a vida é feita de ciclos, sei que este

clube vai estar sempre no meu coração,

mas não basta eu dizer que quero ficar

por muitos anos, tenho de justificar isso".

No lado mais pessoal, tentamos perceber

de onde teria surgido a paixão por

treinar, algo que o treinador português

refere não ter tido um planeamento,

"Tudo começou por um mero acaso.

A minha formação inicial até acabou

por ser no futebol, como tantos outros.

FUTSAL


#11

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REVISTA LOBOS

FUTSAL


#11

Porém, após uma lesão comecei a jogar

futsal numa equipa de amigos e comecei

a ter interesse por perceber o jogo.

Quando me pediram para treinar uma

equipa de sub-13 num torneio do concelhio,

na altura para ajudar a ocupar a

vaga, percebi que cresceu, a cada treino

e cada jogo, uma paixão e um interesse

que se tornou amor pela modalidade".

Ainda assim, sente que o futsal nacional

ainda passa, atualmente, por bastantes

desafios, que impedem a modalidade de

crescer ainda mais, "O investimento ainda

é muito residual. Somos um país pequeno

que ainda olha muito para o futsal como o

parente pobre do futebol. Mas nós somos

bicampeões da Europa e campeões do

Mundo de futsal. Poderíamos tirar um

pouco mais de proveito disso, mas infelizmente

muitos projetos vivem de duas ou

três pessoas. Depois os apoios são poucos

e essas pessoas acabam por desistir.

Acho que o futsal devia começar a ter

outro protagonismo por parte dos maiores

clubes portugueses. Refiro-me, por

exemplo, aos clubes que compõem a

Primeira e Segunda Liga nacional de

futebol. São precisos, mais clubes como

o Sporting Clube de Braga ou o Futebol

Clube de Famalicões, mas claro que

também precisamos de mais clubes

como a ADCR Caxinas Poça da Barca".

Como conclusão, deixa uma mensagem

aos adeptos com um pedido, "Gostaria de

lhes pedir que enchessem mais o pavilhão

de Arouca quando jogamos em casa. O

jogo de futsal é espetacular e os rapazes

que representam este clube merecem

todo o apoio. Eles representam com

bravura e alma o que é ser arouquense.

Depois, desejar que todos possam ter um

Natal em família e feliz. Que a vida possa

continuar a prosperar e que, acima de tudo,

em 2026 a vida possa continuar a sorrir".

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REVISTA LOBOS

AS PERNAS DE MARADONA

FIRAS KHOURY | 2019 | 24 MINS | PALESTINA

A curta-metragem do realizador Firas Khoury conta a história de dois irmãos, grandes

fãs da seleção brasileira de futebol, em pleno período de Campeonato de Mundo de

1990, numa aventura para encontrarem o último cromo que lhes falta, "as pernas de

Maradona", de modo a completarem a sua coleção de autocolantes da competição

e ganharem uma Atari como prémio.

Apresentado a público no Alfilm (Arab Film Festival Berlin), rapidamente cativou o

seu público pela perspetiva juvenil com que é apresentado, destacando sentimentos

como a paixão e o espírito de aventura na busca por um objetivo considerado por

muitos como desnecessário. Entre as várias metáforas presentes no filme, a paixão

pela equipa, indepentemente dos resultados, é um exemplo notável de lealdade.

FILME DO MÊS



REVISTA LOBOS

NOKIA

Drake

wgft

Gunna & Burna Boy

Mesmerized By You

Semual Raphaël

Mussulo

DJ Malvado, DJ Aka-m & DODDY

Summer Too Hot

Chris Brown

Lusten

ENDS

WAIT FOR U

Future, Drake & Tems

TOP 7



REVISTA LOBOS

QUIZ DO MÊS

ENCONTRA AS 7 DIFERENÇAS

QUIZ DO MÊS


#11

ARNAU

ESGAIO

MATIAS

POPOVIC

DANTE

HYUNJU

NANDIN

PUCHE

SOLUÇÕES

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REVISTA LOBOS

RECEITA RÁPIDA

PELA NUTRICIONISTA MARIA CANHA

LEITE-CREME FITNESS DE COCO TOSTADO

& ESPECIARIAS DE NATAL

Nesta edição da revista trazemos uma receita que mantém toda a cremosidade do original,

mas ganha notas natalícias através da canela, noz-moscada e casca de laranja.

Além disso, é leve, nutritivo e com aquela textura sedosa que faz lembrar as sobremesas

de família - numa versão muito mais equilibrada (baixa em kcal, açúcares e gordura!)

Ingredientes (2 porções):

- 250 ml bebida de coco light

- 1 ovo + 1 clara

- 1 c. sopa amido de milho

- 1 c. sopa coco ralado tostado

- 1 c. chá mel ou geleia a gosto

- Casca fina de laranja

- 1 pitada de canela

- 1 pitada de noz-moscada

- Baunilha (opcional)

RECEITA RÁPIDA


#11

Modo de preparação:

1. Levar a bebida de coco ao lume com a casca de laranja, a canela e a noz-moscada

para ganhar sabor.

2. À parte, bater o ovo, a clara, o mel e o amido até ficar homogéneo.

3. Retirar as especiarias e juntar lentamente a bebida quente ao preparado,

mexendo sempre.

4. Voltar ao lume até engrossar e ficar com textura cremosa.

5. Servir com coco tostado por cima e uma pitadinha extra de canela para o

sabor natalício.

6. Fica leve, aromático e muito reconfortante.

Características Nutricionais:

Há muitas características nutricionais que tornam esta receita interessante:

Mais leve que o leite-creme tradicional porque reduzimos o teor de açúcar e

gordura, mantendo a cremosidade.

É uma fonte de proteína de alta qualidade: O ovo e a clara ajudam a melhorar a

saciedade e o perfil nutricional.

São gorduras saudáveis em pequena quantidade. O coco tostado acrescenta

aroma e textura com muito poucos gramas totais

Como são usados aromas naturais, tais como a laranja, canela, noz-moscada e

baunilha, transformam-na numa sobremesa sem qualquer necessidade de açúcares

adicionados.

Concluindo, este leite creme é uma excelente sobremesa de baixa densidade calórica.

Ideal para quem quer manter o equilíbrio no Natal, sem abdicar do sabor.

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REVISTA LOBOS

FC AROUCA 2-2 BOAVISTA FC

FOI HÁ 2 ANOS...

Foi a 26 de novembro de 2023 que o

Futebol Clube de Arouca recebeu o

Boavista Futebol Clube, na partida

que marcava a estreia de Daniel Sousa

como novo técnico dos Lobos de Arouca,

substituindo Daniel Ramos. A equipa

vinha de uma série de quatro jogos

sempre a perder, sendo que as últimas

duas vitórias, em três meses, tinham sido

nas taças. Também este jogo marcava

a 4.ª eliminatória da Taça de Portugal,

onde o emblema da casa apresentava

poucas alterações, com o destaque a ser

a entrada do guarda-redes Thiago Rodrigues

na posição habitualmente ocupada

por de Arruabarrena.

Num encontro onde a formação visitante

até começou por ter as melhores oportunidades,

foi Cristo González, perto do

intervalo, a intercetar um mau atraso e

deslocar-se em direção à baliza para abrir

o marcador. O resultado só voltaria a alterar-se

à hora de jogo, por Róbert Bozeník.

Com igualdade no marcador, seria

necessário prolongamento, com ambas

as equipas a apontarem mais um golo

cada uma, por Pedro Santos, primeiro, e

Bruno Lourenço, a favor do Boavista Futebol

Clube. Seria necessária a lotaria das

grandes penalidades.

O mesmo Pedro Santos, falharia, desta

vez, a sua grande penalidade, mas Thiago

Rodrigues foi chamado a brilhar. Após

Filipe Ferreira falhar, defendeu o remate

de Ilija Vukotic, fechando as contas da

eliminatória a favor do Futebol Clube de

Arouca, numa partida que daria início a

uma primeira série de cinco jogos sem

perder e, além disso, uma ida aos oitavos

de final da Taça de Portugal.

MEMÓRIA FC AROUCA


#11

81



#11

O MEU FC AROUCA

POR SIMÃO DUARTE

Ao longo dos meus 22 anos de

vida, já escrevi centenas (para

não dizer milhares) de textos,

quer nos meus dois livros humorísticos,

quer na vida jornalística e de um modo

geral. E, ainda que aprecie cada um deles,

o meu favorito será certamente este,

onde estarei presente na revista do meu

clube, do nosso Futebol Clube de Arouca.

O Futebol Clube de Arouca é um amor

antigo na minha vida, que fui cultivando

ainda mais à medida que fui crescendo.

Quando era pequeno, estava já o Futebol

Clube de Arouca na Segunda Liga, comecei

a acompanhar regularmente os jogos

na temporada 2012-2013, ainda que tenha

visto um ou dois jogos da chamada Liga Orangina do ano anterior. Não sei se terei

sido um amuleto de sorte, já que, precisamente nessa minha primeira temporada de

apoio ao Futebol Clube de Arouca, subiram de divisão.

Há 12 anos atrás, ainda que possa parecer pouco tempo, eram raros os jogos da

Segunda Liga na televisão e, não me sendo possível ir regularmente ao estádio por

ainda ser menor de idade e com tudo o que isso implicava, acompanhei todos os jogos

pela Rádio Regional de Arouca, sendo que, até aos dias de hoje, tenho na memória as

vozes de João Almeida e Manuel Matos Sousa. Aos fins de semana, uma das minhas

atividades obrigatórias eram de ligar um rádio a pilhas da Thomson e colocá-lo, em

alto e bom som, a transmitir os relatos dos jogos. Ainda tenho esse mesmo rádio, que

ainda funciona, e nunca me vou separar dele.

Depois da festa da subida, onde estive presente junto ao palco na Praça, guardei até

hoje uma pequena vuvuzela azul comprada nesse dia e à qual lhe tiro o pó apenas e

só em ocasiões festivas, como o Campeonato da Europa de 2016, as subidas e as qualificações

europeias do Futebol Clube de Arouca (infelizmente, sei que tirei também

nesse dia uma fotografia com o goleador Joeano mas nunca a consegui encontrar).

A partir daí, e com a subida histórica à Primeira Liga, conto pelos dedos os jogos que

não vi (sei de cabeça alguns deles), ou no Estádio ou na televisão, quase sempre ao

lado do meu companheiro Rui. Desde o golo do Bruno Amaro em Alvalade, no nosso

primeiro jogo de sempre na Primeira Liga, passando pelo golo do Walter González

nos primeiros segundos de uma ida ao Estádio do Dragão, sem esquecer o melhor

golo que vi ao vivo, o do André Silva, em casa, contra o Gil Vicente Futebol Clube. O

Futebol Clube de Arouca faz e fará sempre parte da minha vida, sendo o meu verdadeiro

amor, a ponto de, onde quer que vá, quem me conhece, chama-me de Simão

de Arouca, não só por ser a minha terra, mas principalmente por ser o meu clube,

que amo e pelo qual procuro agora saber mais e mais da sua história e de todos os

momentos que, para pena minha, não pude viver ao vivo e a cores.

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