edição de 12 de janeiro de 2026
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propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.074 - 12 de janeiro de 2026 R$ 20,00
ChatGPT
Publicidade entra em 2026 com IA
na rotina e foco em execução real
De um lado, agências e grupos de mídia dizem que 2025 foi de ajuste interno: governança, hubs especializados e tecnologia estiveram no foco, com a
IA saindo do “deslumbre” para virar infraestrutura. Do outro, 2026 chega com menos espaço para promessas: Copa do Mundo, eleições e grandes eventos
encurtam janelas e elevam a cobrança por previsibilidade, mensuração e integração entre estratégia, criação e dados. No live marketing, lideranças apostam
em experiências com impacto e performance; no out of home, DOOH, programática e novas métricas aceleram o meio, enquanto anunciantes falam em
legitimidade, comunidades e social commerce como rota para relevância. Reconhecido como País Criativo do Ano na última edição do Cannes Lions, o Brasil
busca, mais do que nunca, converter criatividade em resultado. Confira o Especial Perspectivas 2026 com depoimentos de líderes do mercado. pág. 14
Lola\TBWA une as operações
da DM9 e Lew’Lara no país
Baila aposta em criatividade
e independência como capital
Luigi Dias/Divulgação
Carol Boccia deixa a copresidência
da BETC Havas
para liderar a nova
agência da rede TBWA,
que passa a concentrar
as operações da DM9 e
Lew’Lara. O fim das duas
marcas brasileiras é
fruto de mudanças em
curso do Omnicom após
a compra do IPG. pág. 31
CEO e CCO da Baila Creative
Co., Alan Strozenberg
detalha o reposicionamento
da empresa
como venture creative,
fala sobre proximidade
com clientes, uso de
tecnologia, construção
de marca e os desafios
para as agências independentes.
pág. 10
Alê Oliveira
editorial
Armando Ferrentini
Expectativas para 2026
Ano de Copa do Mundo, eleições e Rock in Rio, 2026 promete ser movimentado.
São eventos que mobilizam o país e abrem oportunidades reais de investimentos
para as marcas. No entanto, as expectativas do mercado publicitário brasileiro se
mostram realistas, uma vez que todo o setor está mais pressionado por resultados, com
metas de curto prazo e maior cobrança por previsibilidade.
Apesar do otimismo característico do mercado, os líderes ouvidos pela reportagem do
propmark para o Especial Perspectivas 2026 desta edição estão mais cautelosos no
discurso e voltados para a busca de maturidade em aspectos como transformar tecnologia
em eficiência real e criatividade em impacto mensurável de negócio.
Depois de um ano marcado por problemas com o uso de inteligência artificial em campanhas,
com a cassação de Leões brasileiros em Cannes, 2025 foi um período que levou
agências a repensarem como utilizar a IA com mais transparência. Portanto, 2026 também
promete ser um ano de virada no que diz respeito à inserção da tecnologia com
mais ética e naturalidade nos cases publicitários.
A fragmentação dos meios é outro ponto de atenção. Ao mesmo tempo que traz mais
opções de investimentos para as marcas, deixa o consumidor mais disperso. Um cenário
que requer um planejamento estratégico de mídia cada vez mais cirúrgico e pontual.
Para executivos de grandes veículos de comunicação, a aceleração tecnológica e a
chegada da TV 3.0, por exemplo, impõem desafios estratégicos como a consolidação
da distribuição multiplataforma e a escala integrada. Um dos pilares de sustentação,
obviamente, continua sendo a produção de conteúdo relevante.
Do ponto de vista dos anunciantes, a leitura é de que, diante de um consumidor mais
crítico e exigente, existe uma obrigação por uma comunicação legítima, que consiga
conectar marcas com o público de forma autêntica. Para resolver a equação, uma das
apostas seria o fortalecimento de comunidades engajadas e a expansão de formatos
de social commerce, que colocam conteúdo e consumo no mesmo ecossistema.
A avaliação é que existe uma necessidade de o mercado adotar modelos de comunicação
mais integrados, atentos ao comportamento das pessoas e capazes de sustentar
valor no longo prazo.
No capítulo das grandes fusões, as mudanças decorrentes da aquisição do IPG pelo
Omnicom, que resultou no desaparecimento de marcas icônicas da propaganda, como
FCB, DDB e MullenLowe, tiveram novos desdobramentos no início deste ano.
O grupo decidiu pelo fim de outras duas agências emblemáticas: DM9 e Lew’Lara\TBWA,
conforme antecipado pelo propmark em dezembro. A união das duas marcas deu origem
à nova Lola\TBWA, sob o comando de Carol Boccia, ex-copresidente da BETC Havas,
culminando na saída de Marcia Esteves e Pipo Calazans, até então CEOs da Lew’Lara e
da DM9. O nome da espanhola Lola, aliás, não tem conexão com o mercado brasileiro.
Especialistas avaliam que o movimento decreta o fim do modelo em que o valor das
agências está vinculado ao peso simbólico de suas marcas. O articulista deste jornal
Flavio Waiteman, sócio e CCO da independente Tech&Soul, tem uma visão diferente.
Em seu último artigo do ano, Waiteman começou o seu texto da seguinte forma: “A tendência
de 2025 foi o fechamento de agências. Que em 2026 se criem outras. Enquanto
os grandes grupos estão matando marcas icônicas de publicidade, precisamos criar.
Igualmente icônicas. Nada impede. Afinal, criar é tirar o tudo, do nada. E sabemos fazer
isso. Enquanto se despersonalizam as autorias, justamente para não valorizar o talento,
precisamos voltar a colocar o nome na porta. Ou aquilo que acreditamos”.
E tudo indica que em 2026 novas agências vão surgir mesmo no mercado. Já circulam
nos bastidores conversas sobre talentos que vão se unir para lançar novas operações.
Resiliente e criativo como o brasileiro é, deve vir coisa boa por aí!
Frase: “A capacidade de recomeçar tudo quantas vezes forem necessárias faz dos
fracos, fortes” (Augusto Cury).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
Vice-presidentes da
Lew’Lara deixam cargos
A agência confirmou a saída de integrantes do quadro de vice-presidentes,
mas afirmou aguardar direcionamento global sobre os próximos passos da
reorganização das operações do grupo no país.
3ª
As oito contratendências do marketing
que devem ganhar força em 2026
Executivo da ActiveCampaign aponta práticas que marcas precisam evitar
diante do avanço da IA, da automação e das mudanças no comportamento
do consumidor nos próximos anos.
4ª
W+E reforça time e inaugura
nova sede em São Paulo
TBWA lança Lola\TBWA, nova
operação que reúne DM9 e Lew’Lara
A nova estrutura passa a concentrar as operações das duas agências no
Brasil e será liderada por Carol Boccia. A mudança ocorre no contexto da
reorganização do Omnicom, enquanto a iD\TBWA segue como operação
independente.
A agência amplia sua estrutura, contrata novos profissionais e muda
para um escritório maior para sustentar o crescimento e a atuação full
service no mercado.
5ª
Como as comunidades foram o centro
da estratégia da On The Nose em 2025
Projetos como a Black das Blacks Magalu e a live Fortalece mostram como
cultura, creators e narrativa impulsionaram iniciativas de conversão e
mobilização social ao longo do ano.
jornal propmark - 12 de janeiro de 2026 3
índice
Mercado publicitário
faz suas previsões
para o novo ano
Lideranças ouvidas pelo
propmark avaliam que o
calendário de 2026, com
Copa do Mundo e eleições,
favorece os negócios, mas
destacam desafios como a
busca por mais eficiência
no curto prazo.
14
propmark
propmark.com.br
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Editora-assistente
Adrieny Magalhães
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
Lucas Boccatto
Revisão
José Carlos Boanerges
Eletromidia e RPC se unem para abrir
oportunidades comerciais no Paraná
Afiliada da Globo assume a representação exclusiva
das vendas locais do inventário da empresa de OOH
no estado. A parceria faz parte da estratégia de
expansão regional da Eletromidia e se apoia na
estrutura comercial da RPC. pág. 34
CEO da Nudgy e professor da ESPM
fala sobre a teoria da internet morta
Especializado em creative strategy, Danilo Nunes
detalha como sua agência constrói e alimenta sistemas
criativos com foco em performance. Ele avalia que,
em um cenário em que os agentes de IA dominam a
internet, o toque humano é fundamental. pág. 32
Publicidade
Gerente de contas
Mel Floriano
mel@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0748
Assinaturas
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assinaturas@propmark.com.br
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Redação
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@propmark
propmark
propmark
As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Alê Oliveira
Editorial .............................................................................3
Conexões ...........................................................................6
Curtas .................................................................................7
Quem Fez ...........................................................................8
Entrevista ..........................................................................10
ESG no MKT ........................................................................12
Perspectivas 2026 ............................................................14
Agências ............................................................................31
Digital ................................................................................32
Out of Home ......................................................................34
Inspiração ..........................................................................35
Click do Alê ........................................................................36
Última Página ....................................................................38
Click do Alê traz imagens exclusivas do Mídia’s Cup
O time da Ogilvy (foto) foi o grande campeão da Série Ouro do Mídia’s Cup 2025,
maior campeonato de futebol society do mercado publicitário brasileiro. A agência
conquistou o título após vencer nos pênaltis a Publicis na final. pág. 36
4 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
conexões
última hora
Africa Creative e 94 Marketing &
Football se unem em operação dedicada
ao futebol
Excelente iniciativa! Parabéns,
@africaoficial e @94marketingfootball.
Esse é o futuro desse mercado.
dudamusa
Grande @rodolfomohr!
pedrogazzola
Que novidade boa!
jujumanzato
John Dooner, fundador do McCann
Worldgroup, morre aos 77 anos
Descanse em paz.
sasasasaviera
‘bbb 26’
A 26ª edição do ‘Big Brother Brasil’ estreia nesta segunda-feira (12) com um pacote comercial
robusto: são 15 anunciantes distribuídos em 19 cotas já negociadas. Entre os patrocinadores
com presença recorrente no reality estão Amstel e McDonald’s, que completam seis edições
consecutivas, além de Mercado Livre e Ademicon, presentes há quatro temporadas. CIF,
iFood e Electrolux participam desde o ‘BBB 24’, enquanto Ajinomoto estreou no ciclo anterior
e segue na grade. O time de estreantes reúne Mercado Pago, Betano, TIM e Nivea. As cotas
de dinâmicas e segmentos também foram fechadas por Mercado Livre, Mercado Pago,
Nivea, Nestlé, MRV e Super, sinalizando aquecimento do mercado publicitário em torno do
programa, que tem apresentação de Tadeu Schmidt (foto). Uma novidade neste ano é que
o gshow passa a concentrar todas as interatividades que permitem ao público influenciar
diretamente no andamento do reality exibido pela TV Globo. A página ‘Foco no gshow’ reúne
em um único ambiente as votações e ações que interferem nas dinâmicas do programa.
Vamos com tudo!
rodolfomohr
Pra cima!
coronelwest
Sucesso!
samirmohr
Duailibi Essencial
Com Hailey Bieber, Victoria’s Secret
recria campanha de Gisele
Bündchen
Com molho e sem molho.
loui.kelly
Copia e cola.
lizbiancaa
“A verdadeira questão não é se as máquinas pensam, mas se os homens pensam” (B.
F. Skinner).
dorinho
nOvA cOO
O Untold| anunciou a chegada de Nathalie Folco como chief operating officer (COO). A
executiva passa a integrar o ecossistema com a missão de articular de forma integrada as
competências das agências do grupo, que incluem estratégia, criatividade, pesquisa, relações
públicas e mídia. Com mais de 20 anos de trajetória profissional, Nathalie construiu carreira
em posições executivas de liderança em empresas como Weber Shandwick, Edelman, Ágora
e The Juju, com atuação voltada a estratégias integradas de marketing e projetos com foco
digital. Ao longo da carreira, ela trabalhou com marcas globais como Booking.com, Didi/99,
FedEx, KRAFTON, Microsoft, Novartis, The Coca-Cola Company e Unilever.
PAULISTÃO
A Record confirmou os patrocinadores da
transmissão do Campeonato Paulista 2026.
As marcas já confirmadas para a cobertura
do torneio são Sadia, Perdigão (BRF),
Magalu, McDonald’s, Bet365 e PicPay. O
Paulistão segue como um dos campeonatos
estaduais de maior audiência do país,
reunindo clubes de grande torcida e forte
presença no calendário esportivo do
primeiro semestre. Em 2026, a competição
volta a ser um dos principais ativos
esportivos da programação da Record,
que aposta no torneio como plataforma
relevante para marcas interessadas em
visibilidade nacional.
6 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
curtas
Reprodução WPP
WPP E HAVAs APrEsEntAM nA
CEs 2026 noVAs soLuçõEs EM iA
Durante a CES 2026, que ocorreu na última semana em Las Vegas (EUA), o WPP anunciou o lançamento
do Agent Hub, nova funcionalidade integrada à sua plataforma de inteligência artificial
para marketing, o WPP Open. A iniciativa reúne agentes de IA desenvolvidos a partir de dados
proprietários, metodologias estratégicas e práticas institucionais do grupo, com o objetivo de
apoiar processos de estratégia, criação e análise para clientes e equipes internas. O Agent Hub
estreia com um conjunto de ‘Super Agents’, que passam a estar disponíveis para os cerca de 100
mil colaboradores do WPP e para clientes que já utilizam o WPP Open. Também na CES, o Havas
apresentou o AVA, portal global de modelos de linguagem (LLMs), desenvolvido para oferecer
acesso centralizado e seguro a diferentes soluções de inteligência artificial em toda a rede do
grupo. A plataforma começará a ser implementada no Hemisfério Norte, com expansão gradual
entre as equipes do Havas e, posteriormente, em parcerias com clientes. O AVA foi concebido
como um ecossistema unificado de IA, com foco em segurança, compliance e integração de
dados proprietários, conectando talentos e operações do grupo em diferentes mercados.
Divulgação
SBT KidS chega ao aplicaTivo
Canal conta com conteúdos infantis, com foco em
aprendizado, criatividade e imaginação
O SBT ampliou sua atuação no
universo infantil com o lançamento
do SBT Kids, canal dedicado
exclusivamente às crianças
dentro do aplicativo +SBT.
Além de programas tradicionais
da grade aberta, como ‘Sábado
Animado’ e ‘Domingo Animado’,
e da atuação no YouTube, o SBT
passa a oferecer no aplicativo
um espaço específico para
conteúdos infantis, com foco
em aprendizado, criatividade e
imaginação. “Com o lançamento
do SBT Kids, estamos honrando
o desejo do nosso fundador
— hoje reafirmado pelas suas
filhas, acionistas da empresa
— de tratar a criança como
criança: com respeito à sua personalidade,
ao seu tempo e à
sua imaginação”, afirma Alberto
Torrieri, diretor de estratégia
de conteúdo e multiplataforma
do SBT.
d&ad ShiFT SÃo paUlo aBRe iNScRiÇõeS
Turma de 2025 reuniu jovens criativos, além de mentores e professores do programa
O D&AD abriu as inscrições para a terceira edição do D&AD Shift São Paulo, curso gratuito voltado à
formação de talentos sub-representados que buscam carreira nas áreas de publicidade, comunicação,
design e audiovisual. O programa ocorre entre abril e agosto, em São Paulo, com inscrições
abertas até 11 de março. Desde a chegada ao Brasil, o Shift São Paulo apresenta índices de inserção
profissional elevados. De acordo com a organização, 94% dos participantes da turma de 2025 estão
empregados, enquanto 90% dos formados no país atuam atualmente na indústria criativa. A edição
paulista conta com o apoio de cerca de 43 líderes criativos que atuam como mentores e professores.
Criado originalmente em Londres, o D&AD Shift tornou-se um programa global, com edições em
Nova York, Alemanha, Austrália e São Paulo. A proposta é oferecer formação gratuita liderada pela
própria indústria, com o objetivo de ampliar o acesso a oportunidades no setor criativo.
Divulgação
eNgeNheiRo de ia É FUNÇÃo QUe MaiS cReSce vaNiSh TRaNSFoRMa caMpaNha eM livRo QUiRoga eNTRa No MeRcado BRaSileiRo
Unsplash
Divulgação
Divulgação
Especializações técnicas dominam ranking do LinkedIn
O LinkedIn lançou a lista Empregos em Alta 2026, que
apresenta os 25 cargos com mais procura no mercado de
trabalho brasileiro nos últimos três anos, com base em dados
exclusivos da plataforma. O ranking é liderado pela função
de engenheiro (a) de IA, o que mostra como a inteligência
artificial se consolida rapidamente no mercado. Completam
o top 5 técnico (a) de enfermagem; planejador (a) financeiro;
consultor (a) de assuntos regulatórios e geofísico (a). Os
dados revelam uma forte demanda por funções técnicas altamente
especializadas, sobretudo em áreas impactadas pela
IA, segurança de processos, confiabilidade operacional e análise
de dados. A lista também aponta a relevância das áreas de
saúde, energia, logística, manufatura, agro e infraestrutura.
Obra é inspirada em curta-metragem criado pela BETC Havas
A marca Vanish e a Abrace – Programas Preventivos lançam o
livro ‘A Mancha do Bullying’, iniciativa que amplia a campanha
‘Vanish Salva Seu Uniforme’ ao propor uma abordagem
educativa sobre a identificação e a prevenção do bullying
no ambiente escolar. A obra é inspirada no curta-metragem
criado pela BETC Havas e premiado no Cannes Lions em 2025.
Voltado a pais, responsáveis e educadores, o livro utiliza uma
narrativa lúdica para tratar das chamadas ‘manchas invisíveis’
deixadas pela violência entre crianças e adolescentes. A publicação
parte da história apresentada no filme, em que uma
mancha no uniforme escolar funciona como gatilho para
uma conversa entre mãe e filho, e adapta o conteúdo para o
formato impresso, com foco em mediação e diálogo.
Executivos da Quiroga e Magic Beans celebram acordo
A Quiroga, agência argentina, inicia sua entrada no mercado
brasileiro com a aquisição da Magic Beans. O processo de
M&A e integração das operações foi conduzido pela Birdx,
com participação da Imeri Capital como assessoria financeira.
Fundada em 2001 por Gustavo Quiroga, em Buenos Aires,
a Quiroga atua como agência full service e está presente
atualmente em 12 países, incluindo Estados Unidos, México,
Chile, Colômbia, Equador e Uruguai. Já a Magic Beans, fundada
por Lucas Allex Resende e Luiz Antonio Silva, soma mais de
dez anos de atuação no mercado brasileiro. “A intenção de
fortalecermos nossa presença no Brasil responde a uma
demanda de clientes atuais e de grande oportunidade na
região”, afirma Quiroga.
jornal propmark - 12 de janeiro de 2026 7
quem fez
Kelly Dores
interina
kelly@propmark.com.br
NOVA
BANCO DO BRASIL
Fotos: Divulgação
Título: ‘Vem ser cliente - crédito’
VP de criação: Thomaz Munster
Direção de criação: Paulo Ribas
Head of art: Luiz guilherme Rodrigues Lima
Redação: Amanda Lourenço e Juliana Lustosa
Direção de arte: Paulo Ribas, Luiz guilherme Rodrigues Lima
e Diego Pizzini
A primeira campanha de 2026 do Banco do Brasil aposta na brasilidade
para reforçar a oferta de soluções de crédito alinhadas às
diferentes realidades do país. A comunicação posiciona o banco
como parceiro dos brasileiros nas despesas típicas do início do
ano. O filme principal parte da reflexão de que “é difícil explicar o
que é ser brasileiro. Mas a gente se entende”.
Tech & SOul
CNA
Título: ‘Monstros CNA’
Criação: Flavio Waiteman, Angélica Pernau, Lusa Silvestre,
Cristiano Bernardo, Tricia Watanabe, João
Mendes, eric Reines, Karina Dantas e Patrícia goulart
Atendimento: Claudio Kalim, Liliany Samarão, Jessica
Carvalho, Marina Fujii, Carlos Barbieri, Barbara Dantine
e Bianca Zuntini
Janeiro é hora de colocar em prática a lista de resoluções
para o novo ano. E o aprendizado de um novo idioma ocupa
o topo de desejos de muita gente. ‘Você monstrão nas linguagens
do mundo. Novo CNA vem com tudo!’ é o mote de
campanha da marca, que busca consolidar seu posicionamento
como um hub de educação complementar.
AlmApBBDO
BuRgeR KINg
Título: ‘BK Chicken – Ovo mais caro que a galinha’
CCO: Pernil
Vice-presidentes de criação: Fernando Duarte e Henrique Del
Lama
Diretores de criação: Thiago Bocatto e Mozar gudin
Criação: Fernando Christo, Isabella Remelli e Alex Matsumoto
COO: Rafaela Alves
Produtora de imagens: Mol
Anunciante recorre ao humor para anunciar que, na rede, o frango
está mais barato do que o ovo, divulgando a oferta de 10 BK Chicken
por R$ 7,90. A linha criativa do filme explora a estética dos
plantões de notícias e simula uma reportagem dentro de um supermercado,
onde mostra a indignação dos consumidores com o
preço da dúzia de ovos.
8 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
entrevista
AlAn Strozenberg
CEO & CCO da Baila Creative Co.
‘Criatividade além da comunicação’
Com passagens por algumas das principais
agências do país, como Detroit (Grupo
Talent) e DM9, Alan Strozenberg conduz
hoje a Baila Creative Co., fundada em 2023
com a proposta de usar a criatividade
além da publicidade tradicional. Após
transformar a antiga Z515, o executivo
lidera a agência com um modelo que
define como venture creative, para “usar
a criatividade além da comunicação, com
profundidade em marca, marketing e
inovação, ajudando até a estruturar um
ecossistema de negócios”. Com contas
como Mottu, Giraffas, Penalty e governo
de São Paulo, ele defende que a relevância
das agências passa por construir marcas
fortes, incorporar tecnologia sem perder
a sensibilidade humana e operar com
times diversos capazes de responder a um
cenário de maior complexidade. “Nosso
capital é a criatividade”, define o executivo.
Bruna Nunes
Você veio de outra agência, certo? Por que a decisão de criar um
novo nome, passar por esse rebranding?
A Baila nasceu da Z515, que tinha sido a minha última agência, e num processo em que
eu acabei assumindo a agência dos meus sócios. Eu entendi que o mercado estava em
total transformação, e ele continua em total transformação, logo percebi que a agência
tinha de se transformar. Se você não se transforma, o negócio fica pra trás. Então nesse
processo que a Z515 virou a Baila, ela passou a ter um novo pensamento, uma nova entrega,
novos heads e, consequentemente, acho que novos produtos, novas soluções. A
nova agência pedia um novo nome, que representasse mais esse novo posicionamento,
essa nova proposta.
No início deste ano, vocês anunciaram esse reposicionamento
como uma venture creative. Explique um pouco desse conceito?
Penso que hoje, justamente nessa transformação, só as soluções de comunicação não
são mais suficientes para resolver todos os problemas dos clientes. Eu falo assim: a
gente é uma VC. Você fala: “VC? Uma venture capital?”. Não — uma venture creative. Por
quê? Porque o nosso capital é a criatividade. Então, o que eu acredito é em a gente usar
a nossa criatividade a favor do seu venture. Por isso, venture creative. Eu sempre acreditei
que boas pessoas de publicidade e marketing têm skills para usar a criatividade
muito além de campanhas, slogans, filmes etc. Isso vem de uma inquietude grande que
Alê Oliveira
eu sempre tive de poder contribuir, através da criatividade, com o negócio do cliente de
uma maneira mais ampla.
Como tangibilizar isso?
O que a gente faz é: o cliente tem um problema de negócio, e nós ajudamos a identificá-
-lo. Se a solução do problema de negócio dele vai além da comunicação, se ele precisa
criar produtos, novos serviços, trazer inovação tecnológica etc., a gente ajuda nisso
também, mas tudo isso do ponto de vista da criatividade.
Você acha que conseguir aplicar esse conceito é uma vantagem de
ser uma agência independente? Isso é uma vantagem competitiva
também?
Eu entendo que sim. Porque, para você identificar problemas de negócio de um cliente,
você precisa estar próximo. E eu entendo que agências independentes têm um formato
que permite você estar mais próximo dos clientes do que os grandes grupos multinacionais.
É uma questão de estrutura, de modus operandi.
Quais foram os principais desafios de abrir uma agência nova, mesmo
sendo você um nome consolidado no mercado?
Eu acho que um dos principais desafios é que a relevância das agências de comunicação
vem diminuindo na cabeça dos clientes. Antes, os clientes viam as agências como
parceiros fortíssimos de negócio. Hoje, não tanto. Por quê? Porque antes você criava
10 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
“Se você não se transforma,
o negócio fica pra trás”
uma campanha, colocava na TV, revista, jornal e estava resolvido. Hoje você tem digital,
e-commerce, CRM, live marketing e diversas disciplinas — e muitas delas estão dentro
dos clientes. Por isso, os clientes passaram a ver menos relevância nas agências. E,
também por isso, eu acredito que uma agência que ajuda além da comunicação — contribuindo
com o negócio como um todo — passa a ser mais relevante. Isso fez parte da
minha decisão de posicionamento.
Esse ‘gap’ de valorização pode ser consequência do crescimento da
creator economy?
Eu acho que a creator economy é um dos motivos, mas somado a vários outros fatores,
para os clientes verem menos valor nas agências. Hoje existem agências só de influenciadores,
que fazem um ótimo trabalho. Mas eu vejo o contrário: como o mercado é
cada vez mais complexo e cheio de disciplinas, é preciso ter um pensamento estratégico
e conceitual guarda-chuva para trabalhar tudo isso de forma consistente.
Então, o que você definiria como pilar para a relevância do setor
hoje?
A construção de marca. Uma marca bem construída toca pessoas e impacta profundamente
os negócios. Isso nunca vai perder valor, pelo contrário. Quanto mais complexo o
mercado, mais importante é saber construir marcas fortes.
Falando em clientes, como lidar com perfis tão diferentes e, ao
mesmo tempo, manter essa proximidade? Isso exige diversidade
interna?
De fato, a gente tem clientes de diferentes segmentos e eu acho isso muito positivo,
porque você acaba trazendo aprendizados de um para o outro. A gente cresceu bastante
em 2025. A maneira como estamos conseguindo atender esses clientes é através
de formar um time de muita paridade. Então, para atender todos esses clientes, estamos
investindo muito em estrutura. Desde o fortalecimento do nosso corpo de heads,
até a estrutura da agência nos mais diferentes departamentos. Inovação é uma coisa
que acreditamos muito aqui. As empresas que se diferenciam, conseguem isso através
da inovação.
Com tantos avanços tecnológicos e processos automatizados,
como a Baila implementa tecnologia sem perder a essência da criatividade
humana?
A gente vem usando bastante inteligência artificial e tecnologia no geral. Isso está
presente em três pilares: na geração de ideias; na execução de ideias e na operação.
Por exemplo: geração de uma ideia de filme; execução na hora de produzir o filme e
as ferramentas otimizam processos internos no dia a dia. Mas, sem dúvida, como eu
falo, a mágica sempre aconteceu e vai continuar acontecendo através do insight e da
sensibilidade humana.
Pesquisas recentes mostram que profissionais não têm problema
com IA, mas sentem falta de treinamento. Vocês investem nisso?
Sim, a gente investe. Mas, primeiro eu acho que a IA está começando. Ela está aí há
algum tempo, mas numa perspectiva mais macro ela está começando. Isso para dizer
que a gente está super ‘up-to-date’ com aquilo que existe, mas a única verdade que
a gente sabe é que tem de continuar se atualizando o tempo inteiro, porque isso vai
continuar evoluindo todos os dias. Então, de novo: estamos ‘up-to-date’, nos atualizando,
mas sabendo que, para continuar assim, esse é um processo contínuo e inexorável.
Como foi trabalhar com o governo de São Paulo numa comunicação
mais criativa e inovadora, fugindo do estereótipo de algo
‘quadrado’?
Eu acho que o governo do estado de São Paulo tem a característica de pedir muita
criatividade e inovação das suas agências. Legal que você tenha essa percepção, porque
ela é verdadeira. Esse é um governo que vem inovando ao demandar uso forte
de criatividade. As agências Baila, DPZ, Lew’Lara e Ogilvy vêm conseguindo fazer um
trabalho dentro desse olhar. A secretária de Comunicação, Laís Vita, e o time dela vêm
conduzindo esse trabalho com muito talento e assertividade, apostando na criatividade
e na inovação no setor público.
E como é dividir essa comunicação com outras agências?
É um trabalho que exige muito respeito entre todas. Cada uma faz o seu trabalho dentro
da diretriz de criatividade e inovação. A relação é excelente. Quem ganha é o governo,
que tem quatro braços trabalhando.
A campanha em estética funk do Giraffas mostra uma tendência de
aproximação com o jovem? Isso continua em 2026?
Foi um trabalho em que a gente partiu do fato de que o Giraffas é uma marca jovem, é
uma marca divertida. Então, a ideia foi ter uma linguagem também jovem e divertida
para conseguir falar com esse público. Sobre 2026, eu acho que as marcas sempre vão
ter de falar com o público jovem, nem sempre apenas com o jovem, mas sempre mantendo
uma conexão com ele.
Por quê?
Primeiro porque o jovem é o futuro, e a marca precisa continuar impactando diversos
públicos de um modo geral. Obviamente, algumas marcas são mais nichadas, mas,
no geral, elas têm de atingir públicos variados. A outra coisa é que o jovem traz a novidade,
traz a cultura, o comportamento, a linguagem, os rituais. A marca precisa ter
isso na sua essência, ela precisa pulsar modernidade, contemporaneidade, vanguarda.
Então, ela tem de falar com o jovem. Resumindo, a antena é o jovem, então é preciso
falar com ele.
Como você vê esse consumidor do futuro, a geração Z? Quais são
os desafios?
Na minha percepção, esse é um público que tem valores e velocidades diferentes. Eles
são menos ligados em coisas materiais e mais ligados em viver o momento. Quando
você constrói uma marca, constrói a marca de um produto, um valor material; e, se
essas pessoas têm outra relação com o material, você precisa pensar diferente para
conversar com elas. Eu acho que esse público tem uma maturidade emocional diferente
do que pessoas dessa idade tinham antigamente, e isso vem do digital e do social,
porque eles vivem num contexto que não é o da vida real, e isso influencia a forma
como você se comunica com eles. A comunicação sempre buscou falar com o público
jovem para posicionar a marca como moderna, cool, inovadora, mas, se os jovens estão
assim, como é que eu falo com esse jovem? Aí está o desafio.
Qual balanço você faz de 2025?
Eu acho que 2025 teve alguns destaques importantes. A gente conquistou a conta do
Giraffas, que é a maior rede de alimentação de refeições completas do país. Também
conquistamos a conta da Penalty, o que me deixou muito feliz, porque eu já trabalhei
15 anos para a marca nas minhas duas agências anteriores, e agora estamos desenvolvendo
um novo posicionamento para falar mais com o público jovem e competir com
potências globais. Continuamos também o trabalho de presença digital para a Tirolez.
E fizemos um trabalho muito relevante para a Mottu, uma startup superinovadora que
está criando um ecossistema de negócios, ajudamos a entender esse ecossistema e a
melhor forma de potencializar a marca nas novas unidades que eles estão desenvolvendo.
Esse é um exemplo claro de venture creative: usar a criatividade além da comunicação,
com profundidade em marca, marketing e inovação, ajudando até a estruturar
um ecossistema de negócios.
Quais são os projetos e novidades para 2026?
A gente está lançando um projeto chamado ‘Baila Com’. O nome Baila, inclusive, remete
a esse convite de “baila comigo”, “vem comigo”. A ideia é trazer talentos diversos para
conversar com a gente e ajudar a encontrar soluções mais criativas e disruptivas. O
primeiro Baila Com foi com Will Weisman, ex-diretor executivo da Singularity University
e fundador da KittyHawk Ventures, um VC focado em inovação e disrupção. A ideia é
expandir esse projeto, trazendo pessoas de dentro e fora do mercado, porque outros
olhares trazem novos insights e novas soluções.
Quais são as expectativas para o mercado?
Sobre o cenário 2026: eleições, Copa e outros eventos dão muitas oportunidades para
marcas entrarem nas conversas. Eu acho que vai ser um ano bom, um ano forte, mais
forte do que foi 2025.
“Só soluções de comunicação não
são mais suficientes para resolver
todos os problemas dos clientes”
jornal propmark - 12 de janeiro de 2026 11
esg no mkt
Alê Oliveira
Que governança
queremos?
A história mostra que modelos baseados
na força tendem a produzir resultados frágeis
Alexis Thuller Pagliarini
Este início de 2026 está sendo marcado por um episódio
que provoca perplexidade na comunidade
internacional: a ação unilateral do governo dos Estados
Unidos contra a Venezuela, culminando na captura
de seu presidente sob a alegação de envolvimento
com o narcotráfico.
Ainda que o governo de Nicolás Maduro seja amplamente
criticado por práticas autoritárias, eleições questionáveis
e violações de direitos humanos, a intervenção
direta de uma potência estrangeira, sem respaldo jurídico
internacional claro, reacende um debate incômodo:
até que ponto fins supostamente “justos” legitimam
meios eticamente duvidosos?
Esse episódio extrapola a esfera geopolítica e nos
conduz a uma reflexão mais ampla sobre ética, poder e
governança — não apenas entre Estados, mas também
no mundo corporativo.
Durante décadas, o modelo de gestão predominante
foi o do líder autoritário, centralizador, que decidia sozinho
e exigia obediência irrestrita.
“Manda quem pode, obedece quem tem juízo” era
mais do que um ditado popular; era um princípio organizacional.
Com a evolução social, cultural e econômica,
esse paradigma passou a ser questionado.
Sob um capitalismo consciente e uma cultura ESG,
empresas perceberam que ambientes autoritários sufocam
a inovação, desestimulam talentos e produzem
resultados insustentáveis no longo prazo.
Emergiu, então, uma visão mais moderna de liderança:
CEOs mais sensíveis e acessíveis, capazes de ouvir,
dialogar e tomar decisões de forma ponderada e compartilhada,
equilibrando resultados com responsabilidade
social, diversidade e transparência.
A governança corporativa passou a valorizar ética, transparência,
compliance e participação. No entanto, os sinais
recentes do cenário global sugerem uma possível inflexão.
Em tempos de crise, medo e polarização, discursos
simplificadores e líderes de perfil forte e autoritário,
muitas vezes intolerantes ao contraditório, voltam a ganhar
espaço.
A promessa de decisões rápidas, de “ordem” e de
eficácia imediata seduz sociedades e organizações
cansadas da complexidade do diálogo e da construção
coletiva.
O risco desse movimento é alto. Lideranças autoritárias
tendem a confundir firmeza com arbitrariedade,
eficiência com imposição.
No ambiente corporativo, isso pode gerar culturas tóxicas,
evasão de talentos, decisões míopes e escândalos
éticos. Há um alto risco embutido nesse tipo de liderança,
a ser considerado pelo conselho e pela alta administração
das empresas conscientes.
Na política internacional, pode significar ainda o enfraquecimento
de instituições multilaterais, do direito
internacional e da confiança entre nações.
A pergunta central, portanto, não é apenas que tipo
de líder é mais “forte”, mas que tipo de governança é
verdadeiramente eficaz e sustentável.
Autoridade não precisa ser sinônimo de autoritarismo.
Liderar não é silenciar vozes, mas integrá-las.
A história — tanto das nações quanto das empresas
— mostra que modelos baseados exclusivamente na
força tendem a produzir resultados frágeis e conflitos
duradouros.
Estamos diante de um dilema civilizatório. Optar
por uma governança ética, transparente e participativa
pode ser uma decisão vista pelo mercado e por
stakeholders como uma atitude frágil e até mesmo
ingênua, perante concorrentes de métodos mais
agressivos.
Mas é justamente essa escolha que sustenta sociedades
mais justas, empresas mais inovadoras e relações
internacionais mais estáveis.
Se os tempos atuais parecem flertar com um retrocesso
humanitário, cabe a líderes, cidadãos e organizações
decidir se aceitarão esse caminho ou se
reafirmarão valores que custaram décadas para serem
construídos.
No fim, a pergunta permanece aberta — e urgente:
que governança queremos para o nosso futuro?
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
12 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
perspectivas 2026
Agências redesenham estratégias
diante de um ambiente mais exigente
Com Copa, eleições e avanços da IA, lideranças veem um mercado mais
orientado a resultados, sem abrir mão do valor humano na criatividade
Divulgação
Criado pela Africa Creative para a Vivo, o filme ‘Relacionamento tóxico’ traduz em narrativa e linguagem cultural uma das discussões centrais do mercado em 2025
Adrieny Magalhães
O
mercado publicitário brasileiro
entra em um novo ciclo menos
marcado por promessas e mais
orientado à execução. Após um período
prolongado de transformação — impulsionado
pela digitalização acelerada,
pela fragmentação dos meios e pela
incorporação progressiva da inteligência
artificial (IA) às rotinas das agências
—, o setor chega a um momento em que
eficiência, integração e clareza estratégica
deixam de ser diferenciais para
se tornarem requisitos básicos. Copa
do Mundo, eleições e grandes eventos
culturais adicionam picos de demanda
e janelas de decisão mais curtas, pressionando
anunciantes e parceiros a antecipar
planejamento, rever mix e sustentar
consistência em um ambiente de
atenção dispersa.
Em entrevista ao propmark, lideranças
de agências, redes e grupos de mídia
indicam que 2025 funcionou, para muitas
operações, como ano de ajuste interno:
estruturas revistas, processos formalizados,
lideranças reforçadas e ofertas
reorganizadas. Já o próximo ciclo aparece
como teste de maturidade: transformar
arquitetura em entrega, tecnologia em
eficiência real e criatividade em impacto
mensurável de negócio. Em comum,
há menos discurso sobre “tendências” e
mais foco em como operar com audiência
pulverizada, múltiplas plataformas,
metas de curto prazo e cobrança por previsibilidade.
Estrutura E govErnança
A noção de “arrumar a casa” aparece
de forma recorrente. Na Africa Creative,
Márcio Santoro, sócio, copresidente e CEO,
descreve 2025 como marco estrutural e
de expansão. “Mais do que uma agência
de publicidade, consolidamos nossa atuação
como um ecossistema criativo robusto
e multidisciplinar. Essa expansão
começou geograficamente, com a inauguração
do nosso escritório global em
Nova York, a Baobab, e permeou toda a
nossa operação interna ao longo do ano
com a criação de hubs especializados”,
afirma. O executivo lista a criação de estruturas
dedicadas a design, tecnologia,
dados e mídia, além de uma área de PMO
para processos internos de governança,
como parte do movimento de dar forma
a um modelo mais integrado.
Na AlmapBBDO, o balanço aparece
menos como ruptura e mais como consistência
apoiada por tecnologia e método.
Rafaela Alves, COO, afirma: “Nosso
foco está constantemente na construção
da consistência. Se tivesse de resumir, eu
diria que foi mais um ano de alta criatividade,
eficácia reconhecida globalmente,
crescimento sustentável e uma estrutura
ainda mais preparada para os desafios
futuros, com aplicação de tecnologia de
ponta por meio da Almap AI Factory”. Ao
olhar para resultados, ela sustenta que
prêmios e reconhecimento não substituem
o indicador central: a capacidade
de transformar ideias em resultado de
“Nosso foco está
constantemente
na construção da
consistência”
14 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Rafaela Alves, Almap: consistência operacional e dados
Renata Bokel, WMcCann: confiança e brandformance
Gláucia Montanha, Artplan: planejamento estratégico
negócio e de manter a operação preparada
para “pivotar inovações” com um
tech stack estruturado.
A AD+R também associa 2025 a maturidade,
processos e liderança em um
contexto de verbas pressionadas. “Crescemos,
estruturamos e provamos que excelência
operacional e visão estratégica
podem caminhar juntas”, afirma a CEO Camila
Kovacevick. Ela acrescenta: “Em um
cenário de incertezas econômicas, com
retração em investimentos e ajustes nas
verbas de comunicação, nós escolhemos
o caminho da consistência: aprimoramos
processos, reforçamos nossas lideranças
e elevamos ainda mais o padrão da
operação”. No relato, o fortalecimento de
verticais como OOH e rádio e o início da
integração de IA nos fluxos operacionais
entram como sinais de preparação para
um ciclo em que entrega e governança
tendem a ser mais escrutinadas.
Em outras casas, a reorganização
aparece vinculada a ritmo, cultura e mudanças
de liderança. “2025 foi um ano de
evolução. A agência se reorganizou, ganhou
ritmo e voltou a operar com a energia
criativa que sempre foi nossa marca”,
afirma Erh Ray, CEO e CCO da BETC Havas,
ao descrever um período de retomada de
cadência e de construção de uma cultura
“mais colaborativa”.
Na LePub São Paulo, Aline Garcia, COO,
relaciona o ano ao desenho de um novo
board e a um objetivo de crescimento.
“A busca por um trabalho criativo espetacular
é o que movimenta negócios e
nos posiciona como uma das agências
mais atrativas do mercado, tanto para os
clientes quanto para talentos”, diz.
Na Artplan, 2025 é descrito como um
ponto de consolidação de um planejamento
estratégico iniciado nos anos
anteriores, com reflexos diretos tanto
“A busca por um
trabalho criativo
espetacular é o
que movimenta
negócios”
em resultados de negócio quanto em
reconhecimento criativo. “2025 representou
a consolidação de um planejamento
estratégico que colocamos em prática
com propósito e foco, um movimento
que garantiu crescimento consistente,
fortaleceu parcerias com clientes e ampliou
nossa atuação estratégica”, afirma
Gláucia Montanha, CEO da agência.
Entre independentes, o debate sobre
cultura aparece como aposta de valor.
“Sem dúvida, o ano de 2025 entra para
história da Propeg não só por ter sido o
ano dos nossos 60 anos, mas também
pelo movimento que fizemos de lançar
um projeto com a FF consultoria, do Fabio
Fernandes, de reposicionamento da
marca Propeg e mudança da cultura em
prol da criatividade”, declara Vitor Barros,
CEO da Propeg.
Na Tech & Soul, o fundador e presidente
Claudio Kalim afirma que o período foi
Rodrigo Pirim
Erh Ray, da BETC Havas: retomada criativa e cultura
Márcio Santoro, Africa Creative: reestruturação e dados
Benjamin Yung, da DPZ: criatividade eficaz e integração
jornal propmark - 12 de janeiro de 2026 15
Fotos: Divulgação
Vitor Barros, Propeg: independência e reposicionamento
Tatiana Pacheco, da Cheil Brasil: consolidar serviços
Manir Fadel, da Grey: excelência e valorização do craft
de consolidação de estruturas e processos
e cita a implementação “crescente e
consciente” de IA para avanço de rotinas
e atendimento, além de expansão em
clientes e conquista de novas contas.
IA mAIs “InfrAestruturA”
A inteligência artificial aparece como
tema transversal, mas com ênfase em
rotina, eficiência e aplicação prática. “Depois
de todo o deslumbre que a IA trouxe,
será o momento de lidarmos com ela de
uma forma mais natural e integrada ao
business. Aqui na Publicis, por exemplo, a
IA já faz parte da rotina de todas as áreas
e a tendência é evoluir nesse caminho”,
afirma Gabriela Borges, presidente da
Publicis Brasil. Na leitura da executiva,
a tecnologia tende a ser tratada como
camada permanente da operação, enquanto
o foco se desloca para criatividade
eficaz aplicada à transformação e
ao desempenho do negócio.
Na Cheil Brasil, Tatiana Pacheco, CEO
da agência, descreve 2025 como um
período de consolidação de operações
ligadas a CRM, gestão de plataformas e
frentes digitais, e projeta 2026 com cautela.
Ao falar de tendências, ela prefere
o termo “estabilização” e afirma: “Teremos,
como agência, um processo de estabilização
do uso e aplicação de IA em
nossas operações, para além da criação”.
Em sua avaliação, um ano com eleições,
Copa e muitos feriados impõe ajustes e
exige leitura de janelas de venda e de
consumo, em especial para categorias
de tecnologia.
Na Ogilvy, o CEO Luiz Fernando Musa
descreve 2025 como um período de revisão
e aprendizado. “Antes de tudo, foi
um ano de profunda humildade para
entendermos e experimentarmos as mudanças
da tecnologia no nosso dia a dia
“Depois de todo
o deslumbre que
a IA trouxe, será
o momento de
lidarmos com ela
de uma forma
mais natural”
e no de nossos clientes. Revisamos hábitos
e verdades que hoje se apresentam
de forma nova, o que exige treinamento,
resiliência e sabedoria”, afirma. Ao projetar
2026, ele reforça a incorporação da IA
ao sistema e aponta a centralidade do
talento. “A IA será um dado já integrado e
será padrão no sistema. O foco em talentos
será ainda mais importante e crucial.”
A integração também aparece como
premissa de mercado, em especial para
redes e holdings. “As marcas buscarão
parceiros capazes de integrar estratégia,
criatividade, tecnologia e dados com
simplicidade e menos fragmentação”,
afirma Renato Fischer, CBO da VML Brasil,
ao projetar um ambiente em que conteúdo
e influência tendem a ser mais seletivos
e em que a personalização precisa
ser “responsável”.
Renata Bokel, CEO da WMcCann, também
descreve um movimento de refor-
Sylvia Panico, da David: estrutura e credibilidade criativa
Tiago Vargas, da Dentsu: crescimento e liderança
Isabella Cinopoli, da Leo: modelo end-to-end
16 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Renato Fischer, da VML: integração e human first
Aline Garcia, da LePub: fortalecimento criativo e cultura
Luiz Fernando Musa, da Ogilvy: aprendizado tecnológico
ço de ferramentas, dados e modelos de
operação para dar escala a entregas integradas,
com foco em adaptabilidade e
crescimento sustentável.
No campo da mídia, escala e dados
ganham centralidade. Ricardo Franken,
CEO e growth & revenue president da
Omnicom Media, afirma: “2026 será o
primeiro ano com a nova estrutura totalmente
consolidada, operando em
plena capacidade dentro do ecossistema
da Omnicom Media. Nossa expectativa
é de aceleração do crescimento tanto
por meio de conquistas de contas globais
e regionais quanto pela expansão
dos serviços junto à base atual de clientes”.
Ao tratar de tendências, ele aponta
a consolidação de dados, IA e orquestração
de audiências como pilares e reforça
frentes como retail media, influência e
sports marketing dentro de um modelo
integrado.
Na Dentsu, o presidente Tiago Vargas
liga o cenário a calendário e investimentos.
Ele afirma que “o Dentsu Ad Spend
global projeta que o Brasil cresça 9%,
impulsionado por dois eventos de grande
impacto: Copa do Mundo masculina
e eleições” e destaca que a mídia segue
como porta de entrada para relevância
e valor. O executivo também aponta
efeitos de movimentos de holdings no
cenário nacional, com fusões e mudanças
estruturais, como parte do plano de
fundo de 2026.
Entre agências criativas, a integração
aparece como modelo de operação.
Isabella Cinopoli, COO da Leo, afirma: “Seguiremos
focados em escalar o modelo
que vem funcionando: uma operação
end-to-end, com times multidisciplinares,
criatividade conectada a dados,
tecnologia e performance, e decisões
guiadas por entendimento profundo de
“Seguiremos
focados em
escalar o
modelo que vem
funcionando”
comportamento humano”.
Benjamin Yung, CEO da DPZ, também
conecta criatividade e tecnologia como
vantagem competitiva e sustenta que,
ainda que a IA amplie prototipagem e
personalização, “tecnologia, sozinha, é
commodity” e o diferencial segue na capacidade
humana de construir ideias que
transformem negócios.
Em outra ponta, movimentos de ecossistema
e M&A entram como resposta à
pressão por eficiência e oferta completa.
Bazinho Ferraz, presidente e fundador da
Biosphera.ntwk, descreve a criação de
uma network com mindset AI First e defende
que a integração entre tecnologia,
marketing, vendas e consultoria tende a
ganhar força em um mercado mais competitivo
e pressionado por métricas. Ele
aponta o avanço de conteúdo, influência
e social commerce como motores do
funil e a demanda por experiências om-
Fábio Saad, DM9: fragmentação do vídeo e mensuração
Gabriela Borges, da Publicis: expansão de negócios
Claudio Romano, da Dream Factory: experiência ao vivo
jornal propmark - 12 de janeiro de 2026 17
Fotos: Divulgação
Daniel Martinez
Bazinho Ferraz, da Biosphera.ntwk: ecossistema AI-first Camila Kovacevick, da AD+R: maturidade operacional Claudio Kalim, da Tech & Soul: consolidar processos
nichannel mensuráveis como parte da
exigência por retorno tangível.
Mídia pulverizada
A dispersão de telas e formatos aparece
como desafio prático do planejamento
e da mensuração. Na DM9, Fábio
Saad, VP de mídia da agência, afirma:
“Sem dúvida, a principal tendência é a
fragmentação da distribuição dos conteúdos
de vídeo, com o crescimento
das plataformas de streaming, VOD e
CTV”. Ao detalhar o impacto, ele usa o
futebol como exemplo de pulverização
de direitos e audiências: mais canais e
plataformas ampliam as possibilidades
para anunciantes, mas também tornam
a audiência menos concentrada, exigindo
segmentação e leitura de nichos. Na
mesma linha, o executivo aponta o gargalo
de mensuração em um ambiente
com metodologias diferentes entre TV
aberta e vídeo online.
O calendário aparece como motor
e risco. Na BETC Havas, Erh Ray afirma:
“Tem Copa, tem eleições, tem Rock in Rio.
São eventos que mobilizam o país, movimentam
investimentos e abrem oportunidades
reais para as marcas”. Em paralelo,
cresce a discussão sobre o papel do
offline. Para a AD+R, a volta do offline ao
centro aparece como correção de rota.
“Vejo um movimento claro de reequilíbrio:
marcas repensando a dependência
do digital, voltando a olhar para o offline
como ativo de construção e lembrança”,
destaca Camila Kovacevick.
novas possibilidades em produção, evoluindo
ainda mais o craft, e permitindo
novas otimizações. Então, acho que uma
tendência importante seria o nosso mercado
apostando nos melhores talentos,
gente com critério criativo de verdade”,
declara Manir Fadel, CEO da Grey.
No mesmo raciocínio, Vitor Barros, da
Propeg, projeta valorização do trabalho
autoral. “O ano vai ser de destaque criativo
e retomada da valorização do trabalho
original. Em tempos de exponenciação
das ferramentas de automação, ganha o
jogo quem alavanca a verdadeira criatividade”,
afirma.
Na mesma direção, a Artplan associa
a centralidade da criatividade à capacidade
de construir experiências relevantes
em um ambiente cada vez mais
fragmentado. Para Gláucia Montanha,
o desafio não está apenas em produzir
mais conteúdo, mas em elevar o papel
das ideias no relacionamento entre marcas
e pessoas.
No debate sobre modelos e reputação,
Sylvia Panico, COO global da David,
coloca em evidência a valorização de
estruturas mais leves e lideranças envolvidas
no dia a dia, e defende que equipes
que conectam dados, cultura e criatividade
se tornem cada vez mais necessárias.
Ela também destaca a importância
de recuperar credibilidade no ambiente
criativo e afirma que prêmios mantêm
relevância quando acompanhados de
ética, transparência e verdade.
Na WMcCann, Renata Bokel leva a
discussão para a confiança em um ambiente
de desinformação, deepfakes e
desgaste da credibilidade, apontando o
tema como central para 2026 e conectando-o
à convergência entre marca e
performance.
Já a Dream Factory reforça a tese de
que experiências presenciais ganham
peso em um mundo saturado de telas.
Claudio Romano, vice-presidente
de marketing e negócios, afirma que o
entretenimento ao vivo “se firma, definitivamente,
como o novo turismo”. Na
prática, a leitura dialoga com o que parte
das agências descreve como busca por
experiências mais humanas e tangíveis,
em contraste com a fadiga de algoritmos
e a disputa por atenção no digital.
Ao final, o retrato é de um setor com
menos espaço para improviso. A IA se
estabiliza como infraestrutura, a mídia
segue fragmentada e a atenção mais disputada.
Nesse cenário, as lideranças ouvidas
convergem em um ponto: quando
a ferramenta vira padrão, o diferencial
passa a ser o critério humano que decide
como usá-la e a capacidade de sustentar
criatividade eficaz sob pressão por eficiência,
governança e resultados.
Divulgação
Criatividade sob pressão
Apesar do avanço tecnológico, a criatividade
reaparece como ativo escasso
quando produzir se torna mais fácil e
mais barato. “A inteligência artificial,
sem dúvida, vai trazer uma sequência de
Criado pela Biosphera.ntwk, ‘Caminhão do Domingão’ para a Cimed marcou a atuação de um time multidisciplinar dedicado à marca
18 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
perspectivas 2026
Agências de live marketing projetam
um ano guiado por dados e integração
Com crescimento em 2025, operações apostam em experiência,
tecnologia e governança para ampliar relevância junto às marcas
Fotos: Divulgação
Manoela Simões, da Sherpa42: expansão geográfica Marcelo Lenhard, da Hands: crescimento projetado Juliana Suplicy, da AKM: live commerce e tecnologia
Adrieny Magalhães
“Teremos um ano muito
bom, com crescimento
maior do que em 2025”
O
live marketing chega a 2026 com expectativas positivas
e um papel cada vez mais estratégico dentro
das decisões das marcas. Após um 2025 marcado
por crescimento, consolidação de portfólio e maior
seletividade dos anunciantes, as agências projetam um
novo ciclo orientado por dados, tecnologia, integração
com outras disciplinas do marketing e modelos de atuação
mais próximos dos negócios dos clientes.
Na Sherpa42, 2025 foi descrito como um ano simbólico
e de virada. “Comemoramos 10 anos de existência e fechamos
o primeiro semestre com crescimento relevante e
expressivo, superior a 80% em relação ao mesmo período
de 2024, além de aumento de ticket médio e volume de
ações”, afirma Manoela Simões, diretora de novos negócios.
Para ela, o segundo semestre manteve estabilidade,
após um ciclo intenso de expansão no início do ano.
Ao longo de 2025, a agência desenvolveu mais de 35
projetos para marcas como Banco do Brasil, Nike, Red
Bull, Smirnoff e Johnnie Walker, além de ampliar sua atuação
em contas públicas e abrir uma unidade em Brasília.
“A capital federal surgiu como um passo estratégico
dentro da nossa trajetória, ampliando presença nacional
e criando uma base mais próxima de grandes marcas e
instituições”, diz Manoela. Para 2026, a expectativa é de
crescimento nas operações de São Paulo e Brasília, com
foco em regionalização inteligente e integração entre
estratégias locais e globais.
No campo das tendências, a executiva aponta a retomada
das experiências como motor de conteúdo e engajamento.
“O marketing de experiência deixa de ser um
substituto tímido da presença física e volta a ser um asset
estratégico de conteúdo, consideração e equity”, afirma.
Ela também destaca a consolidação de experiências
imersivas com camadas de tecnologia, sustentabilidade
como requisito básico e a ascensão de microexperiências
locais e replicáveis.
Na Hands, o balanço de 2025 também é positivo. “O
mercado estava bastante aquecido, e as marcas foram
seletivas na escolha de parceiros estratégicos, o que
privilegia agências que buscam evolução contínua”,
avalia Marcelo Lenhard, CEO. Segundo ele, a conquista
de novos clientes, como Raízen, Shell e Seara Gourmet,
contribuiu para diversificar receitas e ampliar a atuação
em diferentes segmentos.
Para 2026, Lenhard projeta um desempenho ainda
melhor. “Teremos um ano muito bom, com crescimento
maior do que tivemos em 2025, impulsionado pelas contas
conquistadas no fim do ano e por processos que estão
em fase final”, afirma o executivo. Em relação ao mercado,
a expectativa é de um ambiente aquecido, mas com investimentos
mais equilibrados ao longo dos trimestres, influenciados
pelo calendário de Copa do Mundo e eleições.
Entre as prioridades estratégicas da Hands estão governança
e tecnologia. “Estamos no radar dos CMOs, e o
mercado percebeu a contribuição estratégica do brand
experience na construção e posicionamento de marca.
Por isso, aceleramos o processo de governança corpo-
rativa e orientamos nossos esforços para gente e tecnologia”,
diz. A adoção de inteligência artificial na cultura
operacional, segundo ele, já gera ganhos de produtividade
e competitividade.
Já na AKM, 2025 foi marcado por crescimento de 64%
em relação ao ano anterior. “Foi um ano extremamente
positivo e transformador, resultado do amadurecimento
de uma estratégia cada vez mais integrada e da força de
um time maduro e colaborativo”, afirma Juliana Pileggi
Suplicy, CEO da agência.
Para 2026, Juliana avalia que o live marketing tende a
assumir um papel ainda mais central. “A atuação passa
a ser cada vez mais integrada ao marketing e ao trade,
orientada por dados, tecnologia e inteligência de negócio”,
diz. No caso da AKM, o foco está em ampliar relevância
e eficiência por meio de experiências com impacto
mensurável e sustentável.
Entre as tendências, a executiva destaca a integração
definitiva entre experiência, dados e tecnologia, além do
avanço do live marketing de conteúdo com foco em performance
e conversão. “Formatos como live commerce e
social commerce ganham protagonismo, com destaque
para plataformas como a TikTok Shop, que unem entretenimento,
influência e venda em tempo real”, afirma.
Narrativas autênticas, experiências humanas alinhadas
a causas e personalização em escala também aparecem
como vetores relevantes para o setor.
Em comum, as lideranças apontam 2026 como um
ano de aprofundamento: menos sobre experimentar novos
formatos isolados e mais sobre integrar experiência,
tecnologia e dados a estratégias de negócio, com foco
em eficiência, mensuração e construção de valor para
marcas e consumidores.
jornal propmark - 12 de janeiro de 2026 19
perspectivas 2026
A mídia em trânsito: como os grandes
grupos se preparam para o novo ano
Globo, SBT, Record, RBS, UOL, CNN Brasil, YouTube e Meta analisam os
aprendizados de 2025 e apontam caminhos comuns para relevância
Edu Moraes/Divulgação Record
Mariana Pekin/Divulgação UOL
Rogerio Pallatta/Divulgação SBT
Alarico Naves, superintendente-comercial da Record
Paulo Samia, CEO do UOL: consolidação do consumo
Fernando Fischer, superintendente de negócios do SBT
Vitor Kadooka
O
ano de 2025 funcionou como um
laboratório de estresse para os
grandes grupos de mídia brasileiros.
Fragmentação de audiência, aceleração
tecnológica e pressão por resultados
mais mensuráveis obrigaram
o setor a testar, ajustar e, em alguns
casos, redefinir estratégias. Ao projetar
2026, porém, as lideranças dos principais
veículos de comunicação convergem
no diagnóstico pela consolidação
de um conteúdo relevante, distribuição
multiplataforma e escala integrada, especialmente
em um calendário marcado
por Copa do Mundo e eleições.
Para Manzar Feres, diretora de negócios
da Globo, 2025 consolidou a força do
conteúdo como ativo central do ecossistema
— uma narrativa em comum entre
os veículos. “Foi um ano de consolidação
da relevância das nossas histórias e da
força do nosso ecossistema para as pessoas
e o mercado”, afirma. Segundo ela,
‘Vale Tudo’ extrapolou o desempenho
tradicional de audiência ao se tornar um
fenômeno cultural e comercial. “Foram
87 ativações negociadas para 23 parceiros,
criando conexão autêntica entre
marcas e consumidores.”
No esporte, Manzar ressalta que a
pulverização de direitos não reduziu o
alcance. “Dos 156 milhões de pessoas que
acompanharam o Brasileirão, 94% assistiram
aos jogos nas plataformas da Globo”,
diz. “E 50 milhões acompanharam exclusivamente
nas telas do nosso ecossistema.”
A leitura de Manzar encontra eco no
SBT. Para Fernando Justus Fischer, superintendente
de negócios e comercialização,
2025 foi um ano de retomada da essência.
“Foi o primeiro ano sem a presença do
nosso fundador, e isso exigiu decisões ousadas”,
afirma. “Resgatamos nossas raízes
para não perder aquilo que nos legitima
como empresa de comunicação conectada
com a emoção das pessoas.”
Na Record, Alarico Naves, superintendente-comercial
multiplataforma, também
descreve 2025 como um período
de alta performance. “Escalamos formatos
mais robustos de branded content,
ampliamos experiências e aceleramos
investimentos em tecnologia, novas
propriedades e novos formatos”, afirma.
“Em ativos estratégicos, como o futebol,
seguimos elevando o nível das transmissões
e expandindo nossa capacidade de
gerar novos negócios.”
Essa lógica de conteúdo como base de
um ecossistema integrado também aparece
com força na CNN Brasil. Para Bruno
Bianchini, VP comercial da emissora, 2025
foi um ano de maturidade. “Consolidamos
de maneira muito clara o que a CNN Brasil
já representa no ecossistema de mídia:
uma marca de jornalismo confiável, isenta
e genuinamente multiplataforma”,
afirma. “Não tratamos TV, digital, YouTube
e redes sociais como extensões, mas
como pilares complementares de uma
mesma estratégia editorial.”
Quando o debate avança para 2026,
Manzar e Fischer convergem ao apontar a
multicanalidade como eixo estruturante.
“Grandes eventos como Copa do Mundo e
eleições tornam atenção e confiança ativos
centrais para marcas e plataformas”, diz
Manzar. “Nosso foco é unir relevância cultural,
inteligência de dados e escala para
garantir impacto real aos anunciantes.”
Fischer reforça essa leitura ao afirmar
que a TV aberta segue como ponto focal
do SBT, mas integrada às extensões digitais.
“Nosso objetivo é levar o conteúdo
para o maior público possível, aproveitando
todas as janelas de transmissão
disponíveis”, afirma. “A multicanalidade
não é uma opção, é uma necessidade.”
A mesma lógica aparece na fala de
Patrícia Fraga, CEO da RBS. “A integração
entre TV, jornal, rádio, digital e plataformas
emergentes abre espaço para soluções
multiplataforma mais completas”,
diz. “Especialmente quando conectadas
à identidade local e às comunidades.”
Bianchini concorda que esse movimento
deixou de ser tendência. “O consu-
“Tecnologia ajuda,
o jornalismo
decide”
mo multiplataforma deixou de ser uma
aposta e se tornou o centro da estratégia
de qualquer empresa de mídia”, afirma.
“O público transita naturalmente entre
TV, redes sociais e plataformas digitais, e
espera encontrar conteúdo relevante em
todos esses ambientes.”
Outro ponto de alinhamento entre os
executivos é a chegada da TV 3.0 (DTV+).
Para Manzar, trata-se de uma virada estrutural.
“Interatividade, segmentação e
novas funcionalidades de conversão vão
evoluir completamente a forma como fazemos
publicidade na TV aberta”, afirma.
Na Record, Naves reforça essa visão.
“Conteúdos e anúncios passam a ser sincronizados
com ativações complementares
em outros canais”, diz.
Patrícia acrescenta que a TV aberta
segue forte em notícias, esporte e
grandes eventos, mas que a TV 3.0 deve
20 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
Lucas Seixas/Divulgação Globo
Fotos: Divulgação
Manzar Feres, diretora de negócios da Globo: conexão Bruno Bianchini, vice-presidente comercial da CNN Patrícia Fraga, CEO da RBS Mídias: identidade local
acelerar a integração com o digital. “O
crescimento do consumo em smart TVs
mostra um comportamento mais racional
e acessível do público”, afirma.
Embora não esteja diretamente ligada
à TV 3.0, a CNN Brasil compartilha
da mesma lógica orientada por dados.
“Estamos investindo fortemente em tecnologia
e credibilidade de métricas”, diz
Bianchini. “Estruturamos uma DMP própria
e iniciativas em digital intelligence
para entregar segmentação avançada e
mais eficiência para os anunciantes.”
O
ano passado consolidou o papel
das plataformas como ambientes
centrais de consumo de conteúdo.
Agora, em 2026, esse movimento tende
a se aprofundar a partir de três eixos
comuns apontados por YouTube e Meta:
convergência de telas, amadurecimento
da creator economy e uso cada vez mais
estrutural da inteligência artificial.
Na avaliação de Patricia Muratori, diretora
do YouTube para a América Latina, o
último ano marcou uma virada definitiva
no comportamento do público brasileiro.
“A TV conectada passou a ser o principal
dispositivo para assistir ao YouTube nos
lares brasileiros”, afirma, ao destacar que
a plataforma respondeu por 56% do consumo
de vídeo em CTVs no país, segundo
a Kantar Ibope Media. Para ela, esse deslocamento
reposiciona a plataforma como
um espaço estratégico tanto para criadores
quanto para marcas, exigindo conteúdos
pensados para a “tela nobre” da casa.
Esse entendimento converge com
a leitura da Meta. Conrado Leister, VP e
diretor-geral da companhia no Brasil, afirma
que 2025 foi um ano de crescimento
sustentado pela inteligência artificial,
hoje presente em praticamente toda a
Se há um tema tratado com expectativa
e cautela, é a inteligência artificial.
Manzar afirma que a personalização tende
a criar experiências mais imersivas,
desde que guiadas por ética. “Vamos
trabalhar para que esse avanço aconteça
com transparência”, diz.
Naves concorda. “Com o suporte humano
certo, a IA facilita a organização de
dados, otimiza portfólios e torna produtos
mais claros e acessíveis”, afirma.
No UOL, Paulo Samia amplia a discussão.
“A IA já atua em toda a cadeia
Conrado Leister, vice-presidente da Meta no Brasil
de valor, da personalização da jornada
do usuário à eficiência operacional”, diz.
“Ela se soma à consolidação do consumo
multiplataforma e à valorização de conteúdos
proprietários.”
Bianchini reforça o limite dessa equação.
“Tecnologia ajuda, o jornalismo decide”,
afirma. “O olhar humano, a apuração
rigorosa e a responsabilidade editorial
continuam sendo nossos diferenciais.”
Copa do Mundo e eleições aparecem
como catalisadores em praticamente todas
as falas. Fischer destaca a aquisição
dos direitos da Copa da Fifa em parceria
com a N Sports. Samia detalha a cobertura
multiplataforma do UOL, com presença
em televisão, digital, CTV, redes sociais e
mídia exterior.
Na CNN Brasil, o calendário de grandes
acontecimentos reforça a estratégia
multiplataforma. “Entramos em 2026
com uma operação consolidada em TV,
digital e redes sociais”, afirma Bianchini.
“E vamos expandir iniciativas como o CNN
Talks, aproximando ainda mais a marca
do público e do mercado.”
Plataformas apostam na convergência de telas
jornada de anunciantes e usuários. Ele
reforça que a IA deixou de ser apenas
uma camada de otimização para se tornar
motor de personalização, eficiência
operacional e criação em escala.
Quando o tema é creator economy, Muratori
e Leister também caminham na mesma
direção. A executiva do YouTube aponta
2025 como o momento em que o mercado
passou a compreender a importância de
colaborações mais estratégicas com criadores,
indo além de briefings engessados.
Já Leister observa um amadurecimento do
Fotos: Divulgação
Patricia Muratori, diretora do YouTube para a América Latina
modelo, com marcas buscando parcerias
baseadas em autenticidade, propósito e
métricas claras, apoiadas por ferramentas
como marketplaces e anúncios de parceria.
Mais uma vez, a Copa do Mundo aparece
como ponto de sintonia adicional.
Muratori destaca a transmissão integral
do torneio pelo YouTube, em parceria com
a CazéTV, como um marco da plataforma
como espaço de consumo coletivo, interativo
e gratuito. Na Meta, o evento se
insere em um contexto mais amplo de
experiências conectadas, em que IA, creators
e novos formatos ampliam as possibilidades
de engajamento antes, durante
e depois dos grandes acontecimentos.
Ao projetar o futuro, ambas as plataformas
indicam que confiança, mensuração e
responsabilidade no uso da IA serão determinantes.
Para Muratori, a tecnologia amplia
o potencial criativo e ajuda a garantir
ambientes seguros. Para Leister, ela será
cada vez mais integrada às rotinas de pessoas
e empresas, incluindo mensageria,
comércio conversacional e novos dispositivos,
como os óculos inteligentes. VK
jornal propmark - 12 de janeiro de 2026 21
perspectivas 2026
Marcas revisam estratégias diante de
um consumidor mais crítico e seletivo
Dados, cultura e comunidades moldam decisões de anunciantes que
buscam fortalecer sua relevância e relação de confiança com o público
Bruna Nunes
O
início de 2026 encontra grandes anunciantes em
um ponto de virada que começou a se consolidar
ao longo do último ano. A comunicação deixa de
ser apenas presença e passa a exigir legitimidade, isso
porque há uma leitura compartilhada de que o consumidor
está mais crítico e busca conexão com as empresas.
O pilar para essa transição é o fortalecimento
de comunidades engajadas e a expansão de formatos
de social commerce, que colocam conteúdo e consumo
no mesmo ecossistema.
No varejo, por exemplo, as ‘datas duplas’ seguem
como alavancas de tráfego e conversão. E, na disputa
por atenção, patrocínios de entretenimento e esporte
continuam sendo escolhidos como territórios para escala
e associação cultural, como avalia José Mauricio Lilla,
head de comunicação do Bradesco.
“Saímos ainda mais do ‘falar sobre nós’ para entrar,
de fato, nas conversas das pessoas. A lógica ficou mais
focada em escuta no centro. Medimos conversas, lemos
movimentos culturais, entendemos o timing e só então
construímos as ações”. No caso do banco, projetos com
Selton Mello, Leandro Karnal e Bella Campos entraram
como exemplos de uma comunicação que busca nascer
da leitura de contexto e se sustentar em relevância. Na
avaliação do executivo, um dos resultados desse processo
foi “a consolidação do conceito de cliente-propaganda”,
quando a audiência passa a sustentar a narrativa
“no momento em que a marca entra de forma genuína
nas conversas”.
A ideia de ‘entrar’ nas conversas também atravessa o
discurso do Grupo Bradesco Seguros, mas com um obstáculo
próprio do setor. Alexandre Nogueira, diretor de
marketing, define 2025 como um período importante
para fortalecer a estratégia de marca em um mercado
que nem sempre consegue tornar seus temas atraentes.
“O mercado segurador como um todo tem um grande
desafio em tornar atraentes temas que nem sempre
são vistos assim, e para nós, do Grupo Bradesco Seguros,
essa premissa também é verdadeira”, diz o executivo.
Diante disso, a companhia buscou construir aproximação
pela via de narrativas e parcerias. “Levando em
consideração esse cenário, temos investido em campanhas
que conectam, emocionam e aproximam o público
de assuntos referentes à cultura da proteção, com apoio
de parcerias com influenciadores para levar nossas soluções
em seguros ao cotidiano das pessoas”, destaca ele.
No varejo digital, 2025 reforçou o avanço do social
commerce como parte da jornada de compra. A Shopee
apresentou essa mudança como estrutural e vinculada a
um ecossistema em que conteúdo, conversão e remuneração
de vendedores e afiliados se conectam. Felipe Piringer,
head de marketing, sintetiza: “Outro ponto relevante
Em maio de 2025, o Santander anunciou o apoio ao show de Copacabana no festival ‘Todo mundo no Rio’
foi a estruturação do social commerce. É uma experiência
de compra que traz valor para o usuário, enquanto se torna
uma nova possibilidade de ganhos para vendedores
e afiliados”. No mesmo movimento, Mercado Livre, com
presença no esporte; iFood, apoiando festivais de música
como o The Town; 99, com ações durante o ‘Todo mundo
no Rio’; e o show de Lady Gaga, com patrocínio do Santander,
reforçam a integração de soluções e iniciativas
culturais para ganhar capilaridade e recorrência.
Na indústria automotiva, ao completar 100 anos, a
GM enquadrou 2025 como marco de transformação e
de revisão do papel da marca. Gustavo Aguiar, CMO da
General Motors na América do Sul, afirmou que o ano “foi
um dos mais emblemáticos da história” da empresa no
Brasil e que 2025 “consolidou uma virada importante”. Já
o Magalu, que inaugurou a Galeria Magalu em São Paulo,
descreveu um ano de pressão por eficiência, mas com
avanços em social commerce, integração digital e experiências
físicas.
Novo aNo, mesmos desafios
Ao reunir falas de setores distintos, um desafio aparece:
como sustentar presença com o público cada vez mais
diverso, mas mais seletivo? Para o Bradesco, o obstáculo
se traduz em responsabilidade e coerência. Em 2026, Lilla
afirma que “as pessoas estão mais críticas, mais rápidas
em reagir, mais sensíveis a discursos vazios”, e isso aumenta
a responsabilidade de quem comunica. A consequência
prática é a necessidade de escutar mais antes
de falar e usar dados para entender não só performance,
mas comportamento, contexto e sentimento.
Fotos: Divulgação
“Saímos ainda mais do
‘falar sobre nós’ para
entrar, de fato, nas
conversas”
22 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Guilherme Bernardes, do Santander: “Exercer dois papéis”
Na mobilidade, a dificuldade se expressa na busca do
consumidor por jornadas mais simples e integradas. Ana
Verroni, CMO da 99, coloca o foco na expectativa atual do
público. “Consumidores buscam praticidade, consistência
e marcas que acompanham suas necessidades nas
mais diversas jornadas”, ressalta a executiva.
Já no sistema financeiro, Guilherme Bernardes, CMO
do Santander Brasil, avalia que “os bancos têm de exercer
dois papéis simultâneos: em alguns casos, serem
apenas um agente invisível na jornada das pessoas, trazendo
facilidade para o dia a dia delas; mas, ao mesmo
tempo, traduzirem de maneira simples sua proposta de
valor, para que as pessoas se identifiquem e confiem no
que a instituição pode oferecer como benefício”.
É consenso que a confiança não se sustenta em discurso,
e relevância não vem do volume, mas da qualidade
da relação e do contexto em que a marca entra no
debate. É nesse ponto que tecnologia e humanização
passam a ser tratadas como dimensões complementares.
Se 2025 foi descrito como um ano de virada, 2026
é o momento de operar essa mudança, ajustar rotas,
integrar frentes e investir melhor. Para os anunciantes
ouvidos pelo propmark, o desafio agora não está em
anunciar novas direções, mas em operar, no cotidiano,
modelos de comunicação mais integrados, atentos ao
comportamento real das pessoas e capazes de sustentar
valor no longo prazo.
No Grupo Bradesco Seguros, essa leitura aparece
associada à continuidade da agenda de longevidade
Ana Gabriela Lopes, do iFood: “Momentos culturais”
“Destaco a consolidação
da inteligência
artificial aplicada
à personalização
da comunicação”
José Mauricio Lilla, do Bradesco: “Relevância real”
como eixo estruturante da atuação da marca. Alexandre
Nogueira afirma que, em 2026, o foco permanece em
evoluir “de maneira estratégica e sensível às transformações
culturais, demográficas e tecnológicas da sociedade”,
com atenção a um consumidor que demonstra
maior expectativa em relação ao papel das marcas. Ao
observar um público “cada vez mais atento a marcas
com propósito e clareza de valores”, o executivo reforça
a importância de aprofundar presença com relevância,
conectando produtos, conteúdo e relacionamento de
forma mais integrada.
Nesse contexto, a personalização ganha densidade
estratégica. Nogueira destaca que a inteligência artificial
deixa de ser apenas uma ferramenta operacional e
passa a atuar como suporte para decisões de comunicação
mais precisas.
“Destaco a consolidação da inteligência artificial aplicada
à personalização da comunicação e ao aprimoramento
da experiência do cliente”, afirma, ao citar o uso
de linguagem natural e análise de sentimentos como recursos
que permitem maior aderência entre mensagem,
contexto e expectativa do público.
Ao mesmo tempo, ele ressalta que temas como longevidade,
inclusão e bem-estar seguem demandando
narrativas acessíveis e consistentes, capazes de gerar
identificação e vínculos duradouros.
No Bradesco, a perspectiva para 2026 também passa
por operar a comunicação em tempo real, mas com critérios
mais rigorosos de legitimidade. José Mauricio Lilla
A atriz Bella Campos estrelou campanhas com o Bradesco ao longo de 2025
Espaço do iFood durante a edição de 2025 do festival de música The Town
jornal propmark - 12 de janeiro de 2026 23
Olavo Martins/Divulgação Magalu
Fotos: Divulgação
Felipe Cohen, do Magalu: “Temos uma visão positiva” Ana Verroni, da 99: “Consumidores buscam praticidade” Felipe Piringer, da Shopee: “Oferecer novas soluções”
avalia que o mercado passa a exigir decisões mais cuidadosas
sobre onde e como a marca se posiciona.
“Vejo também uma intensificação natural do marketing
de oportunidades, orientados não apenas por
timing, mas por relevância real”, comenta. Segundo ele,
trata-se de entender “onde a marca tem legitimidade
para entrar, agregar valor ao debate e sustentar aquilo
que comunica”, em um processo que, em sua percepção,
exige leitura refinada das redes, sensibilidade cultural e
integração entre equipes internas e parceiros.
Na Shopee, a expectativa se ancora na continuidade
do crescimento do e-commerce no país e no fortalecimento
do ecossistema local. Felipe Piringer observa
que o setor mantém uma trajetória consistente e afirma
que a estratégia segue orientada a acompanhar as
necessidades de consumidores e vendedores de forma
contínua. “Para 2026, iremos seguir com o compromisso
de acompanhar continuamente as necessidades dos
nossos usuários e dos vendedores da plataforma para
oferecer novas soluções e ferramentas”, diz, ao destacar
a busca por uma experiência de compra simples, segura
e integrada.
Essa lógica se conecta à leitura de tendências feita
pela empresa. Piringer afirma que o e-commerce brasileiro
avança impulsionado tanto pela familiaridade dos
consumidores com o ambiente digital quanto pela digitalização
crescente de empreendedores. “Acreditamos
que uma das tendências que temos visto se consolidar
“Consumidores
buscam praticidade,
consistência e marcas
que acompanham
suas necessidades”
são as datas duplas, que já estão estabelecidas no mercado
e crescem mês a mês”, afirma, ao apontar esse
modelo como um vetor de recorrência e previsibilidade
para o varejo online. O social commerce, por sua vez,
tende a ganhar ainda mais protagonismo como canal de
descoberta e conversão, apoiado na confiança construída
entre criadores, comunidades e plataformas.
No Magalu, a leitura para 2026 combina cautela macroeconômica
e expectativa positiva associada ao calendário.
O CMO Felipe Cohen afirma que a perspectiva
de redução da taxa básica de juros ao longo do ano e a
realização da Copa do Mundo criam um ambiente favorável
para o varejo. “Com a perspectiva de redução da taxa
básica de juros (Selic) ao longo do ano e a realização da
Copa do Mundo em 2026, temos uma visão positiva para
o período”, afirma. Segundo ele, a empresa se prepara
antecipadamente para esse momento, com planejamento
de sortimento, estoque e comunicação, mantendo
o compromisso de estar presente onde o consumidor
está, com soluções adequadas a cada ocasião.
A leitura de tendências do Magalu também aponta
para o fortalecimento do social commerce como canal
estratégico. Cohen avalia que o avanço da inteligência
artificial deve ampliar a capacidade de personalização
das comunicações e promoções, ao mesmo tempo em
que o efeito de rede das comunidades passa a ter papel
central na construção de engajamento e experiência de
compra. Nesse cenário, marcas deixam de apenas veicu-
A 99 apostou em ações como o app de mobilidade do festival ‘Todo mundo no Rio’
O Magalu inaugurou um espaço físico na Avenida Paulista, a ‘Galeria Magalu’
24 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Gustavo Aguiar, da GM: “Uma virada importante” Iuri Maia, do Mercado Livre: “Um pilar estratégico” Alexandre, do Bradesco Seguros: “Tornar atraentes”
“A tendência mais
transformadora é a que
valida a criatividade
como um pilar
estratégico de negócio”
ruptivo e mais participativo. “A principal tendência do
mercado é a migração definitiva da publicidade como
interrupção para as atividades em que a marca atua
como participante ativa da cultura”, afirma.
Esse movimento se combina à centralidade do vídeo
como linguagem dominante e à necessidade de operar
em ecossistemas digitais, creators e comunidades com
agilidade e leitura constante de audiência. Ao mesmo
tempo, ele ressalta que personalização e uso de dados
exigem governança e transparência para preservar a
confiança do consumidor.
No sistema financeiro, o Santander também projeta
2026 como um ano de continuidade do foco no cliente.
Guilherme Bernardes afirma que a estratégia segue
orientada a plataformas proprietárias, como o SMusic,
e à evolução do aplicativo, com características conversacionais
que buscam simplificar a relação das pessoas
com o banco. No campo das tendências, ele destaca o
equilíbrio necessário entre conveniência e clareza de
proposta de valor. “Os bancos têm de exercer dois papéis
simultâneos”, afirma, ao apontar a necessidade de ser
invisível quando facilita a jornada, mas explícito ao comunicar
benefícios e gerar confiança.
No Mercado Livre, 2026 é visto como a continuidade
de uma estratégia que combina performance operacio-
lar ofertas e passam a participar ativamente das jornadas
dos consumidores.
No setor de mobilidade, 2026 é descrito como o ano
de aprofundar a integração entre serviços. Ana Verroni,
CMO da 99, afirma que a empresa entra no novo ciclo
com a convicção de que plataformas capazes de reunir
diferentes soluções em um único ambiente ganham relevância.
“Consumidores buscam praticidade, consistência
e marcas que acompanham suas necessidades nas
mais diversas jornadas”, afirma. A estratégia da empresa
avança no conceito de superapp, com o objetivo de reduzir
atritos, elevar eficiência e fortalecer o relacionamento
com usuários, ao mesmo tempo em que amplia a
presença cultural da marca.
Do ponto de vista de tendências, Ana destaca a integração
de experiências como um dos movimentos mais
relevantes do momento. “Vejo a integração de experiências
como uma das tendências mais fortes para 2026”,
afirma, ao apontar que soluções completas geram mais
valor e constroem relações mais duradouras. A personalização
em escala, viabilizada pelo uso de dados e inteligência
artificial, aparece como complemento desse
processo, permitindo interações mais contextualizadas
e alinhadas às expectativas do consumidor.
Na indústria automotiva, a GM projeta 2026 como um
período de aprofundamento da transformação iniciada
nos últimos anos. Gustavo Aguiar afirma que o consumidor
passa a ocupar posição ainda mais central nas decisões
e que a comunicação precisa operar com maior
precisão. “A comunicação passa a ser orientada pelo
conceito de suficiência”, diz, ao explicar que o objetivo
é buscar o nível adequado de presença, frequência e
mensagem para cada audiência e momento da jornada,
reduzindo dispersão e ampliando personalização.
Esse raciocínio também orienta a escolha de territórios
de marca. Para 2026, a GM aposta em patrocínios
estratégicos como espaços de construção ativa de relacionamento,
e não apenas como inventário de mídia. A
presença em grandes transmissões esportivas e eventos
de entretenimento é entendida como forma de alcançar
escala com atenção qualificada, em linha com a ambição
de manter a Chevrolet conectada à cultura brasileira.
Ao olhar para as tendências do setor, Aguiar afirma
que a publicidade caminha para um papel menos internal
e construção de marca. Diretor de estratégia de marca,
Iuri Maia afirma que a empresa segue utilizando música
e esporte como plataformas de conexão emocional,
mantendo a marca no centro das conversas e ampliando
a proximidade com novas gerações. A integração entre
marketplace, Mercado Pago e logística aparece como
base para sustentar crescimento e democratizar o consumo
em diferentes regiões.
Ao falar de tendências, Maia destaca a criatividade
como pilar estratégico de negócio. “Acreditamos que a
tendência mais transformadora é a que valida a criatividade
como um pilar estratégico de negócio”, afirma, ao
apontar o equilíbrio entre ciência e cultura como diferencial
competitivo. A tecnologia entra como meio para tornar
o branding mais adaptável e relevante em tempo real,
enquanto o social commerce e as comunidades de superfãs
ganham força como motores de descoberta e influência,
capazes de transformar inspiração em conversão.
No iFood, 2026 é descrito como um ano de continuidade
dos investimentos no ecossistema. A CMO Ana
Gabriela Lopes afirma que a empresa segue focada em
integrar todos os elos da cadeia de valor, com inovação
tecnológica como motor para garantir vendas para restaurantes,
geração de renda para entregadores e conveniência
para consumidores.
A estratégia combina fortalecimento de branding,
ampliação de portfólio e cultura de dados aplicada à operação.
No campo das tendências, Ana Gabriela destaca o
papel da inteligência artificial na personalização da experiência.
“Acreditamos muito que a IA continuará sendo
uma ferramenta importante e poderosa”, aposta, ao citar
o lançamento do AILO como exemplo de como a tecnologia
pode entender preferências e entregar sugestões sob
medida. Ela também aponta o crescimento do marketing
em tempo real e de oportunidade, impulsionado pela capacidade
das marcas de acompanhar conversas e adaptar
campanhas a eventos culturais e contextos locais.
Entre as diferentes perspectivas, este ano se desenha
como um período de execução. “Os brasileiros são muito
criativos. Marcas que usam a criatividade e a agilidade
como estratégia a seu favor conseguem garantir engajamento,
pois estão atentas às conversas geradas para
adaptar as campanhas instantaneamente ao clima, eventos
locais e momentos culturais”, finaliza a CMO do iFood.
jornal propmark - 12 de janeiro de 2026 25
perspectivas 2026
Mercado publicitário inicia ano mais
integrado e pressionado por eficiência
Entidades analisam amadurecimento e evolução da indústria diante de
mudanças técnicas, culturais e do comportamento dos consumidores
Bruna Nunes
O
reconhecimento do Brasil como
País do Ano no Cannes Lions 2025
foi um marco para o mercado
publicitário, que chega a 2026 com um
olhar mais maduro do ponto de vista
tecnológico, mais integrado e pressionado
por eficiência. Ao longo de 2025,
temas como inteligência artificial,
convergência de mídias, novas métricas,
retail media, creator economy e
confiança atravessaram as agendas de
agências e anunciantes, entre outras
frentes do setor.
Entidades ouvidas pelo propmark
avaliam que o desempenho criativo
brasileiro dialoga com um ambiente
de negócios mais complexo, no qual o
crescimento convive com reorganização
estrutural, novas exigências técnicas e
a necessidade de preservar o valor humano
da criatividade. As expectativas
para o novo ano, nesse contexto, passam
pelo aprofundamento dessas transformações.
Na avaliação da Abap (Espaço de Articulação
Coletiva do Ecossistema Publicitário),
o reconhecimento em Cannes
dialoga com um processo de amadurecimento
do ecossistema. Mariana Panhoni,
diretora-executiva da entidade, observa
que 2025 combinou crescimento e complexidade.
O investimento em mídia avançou
9,07% até setembro, acima do PIB, segundo
dados do Cenp-Meios, enquanto
a inteligência artificial passou a integrar
de forma definitiva a rotina das agências,
trazendo novos custos e desafios.
Sem o uso pleno do potencial humano da
criatividade, por exemplo, há o risco da
pasteurização criativa. “Também observamos
maior complexidade nas métricas,
que é reflexo da evolução das mídias
digitais. Em paralelo, houve avanço
expressivo do retail media e o fortalecimento
da creator economy”, acrescenta
a executiva.
Na mesma direção, Fernando Cesário,
CMO da ESPM, avalia que 2025 foi “um
período marcado por forte convergência
entre mídias, avanços tecnológicos
relevantes, maior pressão por eficiência
Avaliação de entidades é que crescimento do mercado convive com reorganização estrutural e novas exigências técnicas
e transformações profundas no comportamento
do consumidor”. Para ele,
a Connected TV e a chegada da TV 3.0
devolvem protagonismo à grande tela,
ainda que em um ecossistema fragmentado
do ponto de vista da mensuração.
Ao mesmo tempo, a expansão da inteligência
artificial generativa amplia desafios
relacionados à commoditização da
publicidade, além de questões ligadas
à confiança, moderação e credibilidade
dos conteúdos.
Nesse cenário, o professor aponta
o retail media como um canal de crescimento
consistente, impulsionado por
dados first-party e pela capacidade de
conectar investimento a vendas, embora
a integração entre experiências físicas
e digitais permaneça como desafio
estrutural. Cesário também observa a
reafirmação do rádio como meio confiável,
a expansão de podcasts e eventos
ao vivo no digital e o avanço da digitalização
do out of home. “O mercado encerrou
o ano mais integrado, mais responsivo
e melhor preparado para acompanhar
uma jornada de consumo cada vez mais
fluida e multimídia”, resume.
Tendo esse cenário como base, a Abap
entra em 2026 com uma agenda voltada
ao fortalecimento do ecossistema publicitário,
que inclui o lançamento de um
curso avançado de IA em parceria com a
Templo, a publicação de um guia de IA, a
formação de comitês temáticos, eventos
presenciais em diferentes regiões, a criação
de um banco de talentos de DIE e a
continuidade de webinars.
Do ponto de vista dos meios e da
autorregulação, Luiz Lara, presidente do
Cenp (Fórum de Autorregulação do Mercado
Publicitário), afirma que a publicidade
segue como mola propulsora da
economia. “Mesmo em um ambiente de
profundas transformações, marcado por
novos modelos de negócio, pulverização
dos meios e avanço acelerado do digital,
o setor demonstrou resiliência, capacidade
de adaptação e relevância contínua
para marcas e anunciantes”, diz.
Dados do Painel Cenp-Meios indicam
R$ 19,4 bilhões investidos via agências
entre os meses de janeiro e setembro
do último ano. Para Lara, esse cresci-
Freepik
“Uma jornada
de consumo cada
vez mais fluida
e multimídia”
26 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Sandra Martinelli: “Códigos culturais e legitimidade”
mento “reflete também a diversidade de
mercados, formatos e regiões que vêm
ganhando protagonismo”, ao mesmo
tempo em que amplia a necessidade
de transparência, governança e boas
práticas. A entidade projeta ampliar sua
presença nacional, avançar no estudo
Brasil Plural e concluir trabalhos sobre
marketing de influência e mensuração
cross-media em 2026.
Mariana Panhoni: “Maior complexidade nas métricas”
Heloisa Santana: “Plataforma mensurável de valor”
Fernando Cesário: “Forte convergência entre mídias”
ExpEriências E marcas
No campo das ativações e experiências,
Heloisa Santana, presidente-executiva
da Ampro (Associação de Marketing
Promocional), avalia que o mercado
opera de forma mais madura ao integrar
estratégia, criatividade e execução, com
projetos conectados a objetivos claros
de negócio, relacionamento e construção
de marca. Segundo ela, “A tecnologia
deixou de ser coadjuvante para se tornar
parte estrutural das experiências, potencializando
o engajamento, a personalização
e a mensuração de resultados. Esse
movimento se refletiu em projetos de
alto nível criativo e no reconhecimento
em prêmios nacionais e internacionais,
reforçando o protagonismo do país em
brand experience.”
Para 2026, a executiva projeta um
mercado mais integrado e estratégico,
com avanço da agenda de ESG, impacto
social, capacitação profissional e ampliação
do diálogo com diferentes agentes
do ecossistema. “Acreditamos que, em
2026, o live marketing se consolidará
como pilar estratégico das marcas, com
integração plena entre suas diferentes
frentes – eventos, ativações, brand experience,
incentivo, promoções e trade
marketing – orientadas por dados e por
desafios claros de negócio. A experiência
passará a ser tratada como uma plataforma
mensurável de valor, tanto econômico
quanto social”, prevê.
Quando o foco são anunciantes e marcas,
Sandra Martinelli, CEO da ABA (Associação
Brasileira de Anunciantes), aponta
que, mesmo diante de ciclos econômicos
mais lentos e rápidas transformações
tecnológicas, o setor mantém crescimento
em frentes como retail media, publicidade
digital, TVs e creator economy.
“A creator economy, especialmente impulsionada
pela força das comunidades,
deixou de ser apenas sobre alcance e
passou a ser sobre pertencimento, códigos
culturais e legitimidade”, nas palavras
da CEO.
Sandra também observa uma redefinição
das métricas e da mensuração
integrada, além da entrada definitiva
“O setor
demonstrou
capacidade de
adaptação e
relevância”
Luiz Lara: “Pulverização dos meios e avanço acelerado do digital”
de temas como confiança, ética e integridade
da informação na agenda estratégica
das marcas. “A confiança volta
a ocupar o centro da agenda do marketing
– o ativo mais valioso das marcas e
também o mais desafiador de se construir”,
reforça.
Para Mariana Panhoni, “o papel das
agências se fortalece ao combinar domínio
técnico, visão crítica e sensibilidade
criativa, em um ecossistema cada vez
mais integrado, colaborativo e conectado
à cultura”.
Já Luiz Lara aposta que a inteligência
artificial generativa se consolida como
infraestrutura do setor, impondo uma
agenda de governança, ética e transparência,
enquanto a publicidade avança
para uma economia de experiência.
jornal propmark - 12 de janeiro de 2026 27
perspectivas 2026
Out of home entra em novo ciclo guiado
por métricas e disputa pela atenção
Após anos de amadurecimento, o setor deve ser impulsionado por
novas formas de mensuração e um calendário favorável de eventos
Fotos: Divulgação
Alexandre Guerrero, CEO da Eletromidia: sustentável
Felipe Davis, da OOH Brasil e da Central de Outdoor
Rubens Nigro, sócio-diretor da Dual Mídia: maduro
Vitor Kadooka
O
setor de out of home deixou de ser apenas uma
reação ao reaquecimento da economia ou à retomada
da circulação urbana no pós-pandemia. No
ano passado, o meio atingiu seu amadurecimento estrutural,
marcado, como mencionado por executivos,
pela consolidação, profissionalização, expansão tecnológica
e um reposicionamento de estratégia, principalmente
pelas novas formas de mensuração.
O propmark ouviu executivos de diferentes perfis,
de operadores globais a empresas de grande formato,
plataformas de audiência urbana e agências especializadas,
para entender como esses líderes enxergam o
futuro dessa mídia.
Essa mudança de patamar, de retorno à solidificação,
foi mencionada no balanço de João Binda, diretor-comercial
da JCDecaux. Ao definir 2025 como um ano histórico,
ele destaca que os avanços do período vão além
da expansão de inventário. “Foi um ano marcado por
inovação, digitalização, inteligência de dados, métricas,
acessibilidade e sustentabilidade”, afirma. Para Binda, a
renovação e a expansão do contrato com o Metrô de São
Paulo até 2036 simbolizam uma visão de longo prazo.
“Esse movimento fortalece nossa conexão com as cidades,
com as pessoas e com a prestação de serviços urbanos,
integrando o OOH à jornada diária da população.”
Ele acrescenta que projetos como o ‘OOH para todos/
OOH for all’, com mobiliário urbano acessível e audiodescrição
acionada por inteligência artificial, mostram
como o meio passa a dialogar também com inclusão e
serviço público. “O OOH precisa ampliar o acesso à informação
e fazer parte da vida urbana de forma mais
responsável”, afirma. Na mesma linha, Binda cita a chegada
ao Brasil do 360 Footprint, plataforma global de
mensuração de impacto ambiental, social e econômico.
“É um passo fundamental para apoiar marcas em suas
metas de sustentabilidade e trazer mais transparência
para o setor.”
O entendimento de que o OOH deixou de ocupar um
papel periférico é compartilhado por Felipe Davis, CEO da
OOH Brasil e diretor da Central de Outdoor. “O OOH está
definitivamente posicionado como meio estruturante
“O OOH precisa ampliar
o acesso à informação
e fazer parte da vida
urbana de forma mais
responsável”
Ponto da Eletromidia recebe ativação de ônibus cenográfico da Buser, na Avenida Paulista, na cidade de São Paulo
28 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Paulo Queiroz, da RZK Digital: audiência em tempo real
na jornada das marcas, ao lado de TV e digital”, afirma.
Segundo ele, a expectativa é que o setor opere entre 13%
e 15% do bolo publicitário. “O crescimento de 49% da OOH
Brasil em 2025, enquanto o mercado avançou cerca de
20%, mostra que essa virada já está em curso.”
Davis explica que esse avanço se sustenta em três
frentes: grandes formatos digitais como ativos centrais
de construção de marca; avanço do DOOH conectado a
dados e programática; e regionalização do investimento.
“Capitais fora do eixo Rio-São Paulo estão ganhando
protagonismo econômico e cultural, e o OOH acompanha
esse movimento”, diz.
Quando o tema é atenção, as falas passam a se sobrepor
com mais nitidez. Davis destaca estudos de neurociência
que reposicionam a discussão do alcance para
o impacto. “Comprovamos, com base científica, que os
grandes formatos digitais geram mais atenção, credibilidade
e intenção de compra”, afirma. “Isso muda o patamar
de como o meio é planejado e avaliado.”
Quem reforça essa visão é Leonardo Chebly, CEO da
NEOOH. Segundo ele, o mercado vive uma transição decisiva.
“As marcas estão deixando de buscar apenas alcance
e passam a buscar efetividade real”, afirma. Em um
ambiente saturado de estímulos, Chebly destaca o papel
de ativos com maior tempo de permanência. “Espaços
com ‘dwell time’ elevado permitem uma relação mais
profunda entre marca e audiência. Não se trata apenas
de estar presente, mas de ser percebido.”
Esse raciocínio sustenta o argumento da consolidação
observada no setor. A vitória da NEOOH na concorrência
do Aeroporto de Congonhas e outros 16 aeroportos
da AENA é, na avaliação do executivo, a maior de OOH
da história do país. “O OOH passa a ser valorizado pela
combinação entre contexto, fluxo, permanência e experiência”,
diz Chebly. O crescimento de 37% da empresa
em um mercado que avançou cerca de 20%, segundo o
Cenp-Meios, é reforçado por Chebly.
Leitura semelhante aparece na trajetória da Eletromidia,
liderada por Alexandre Guerrero. Para ele, 2025 foi
um ano de fortalecimento e maturidade. “Consolidamos
um ciclo de crescimento sustentável apoiado pela integração
de novos negócios e ativos e pelo avanço em inteligência
de dados”, afirma. Guerrero destaca que aquisições,
expansão territorial e novas verticais fazem parte
Guilherme Meyer, CEO da VEX: tem uma fortaleza clara
“O OOH caminha para
ser comprado por
audiência, não apenas
por pontos físicos”
Painéis da RZK Digital em terminais rodoviários
Leonardo Chebly, CEO da NEOOH: efetividade real
de uma estratégia de jornada integrada. “O OOH caminha
para ser comprado por audiência, não apenas por pontos
físicos”, diz. “Essa mudança de mentalidade aproxima o
meio do digital.”
Essa lógica é levada ainda mais longe por Paulo Queiroz,
da RZK Digital. Para ele, 2025 consolidou um modelo
baseado em comportamento e fluxo real. “Não vendemos
ocupação de telas, vendemos audiência em tempo
real no maior sistema de transporte do país”, afirma. “A
métrica deixa de ser o número de faces e passa a ser o
valor da audiência.”
A programática surge então como ponto de convergência
entre os entrevistados. Guilherme Meyer, CEO da
VEX, afirma que a digitalização acelerada e a expansão
de LEDs em diferentes estados reposicionam o setor.
“Mesmo que a conversão esteja no fundo do funil online,
o topo do funil continua sendo alimentado por um bom
crossmedia institucional”, ressalta. “E o OOH tem uma
fortaleza clara nesse papel.”
Essa maturidade também é destacada por Rubens
Nigro, sócio-diretor da Dual Mídia. “O mercado está mais
maduro, com agências especializadas se consolidando e
veículos melhorando seus inventários”, afirma. Para ele,
a tecnologia só gera valor quando combinada ao capital
humano. “Unimos dados, tecnologia e expertise de mercado
para entregar maior assertividade e maximizar o
ROI dos clientes.”
Na mesma direção, Leonardo Pereira, diretor-executivo
da Action OOH, aponta que o crescimento do meio
também passa por projetos proprietários e maior proximidade
com as pessoas. “O out of home, por estar presente
no cotidiano das pessoas, consegue criar conexões
reais”, afirma. Ele destaca projetos temáticos em metrôs
e aeroportos, experiências em shoppings e a oferta de
novos serviços à população como exemplos de um OOH
mais humano e relevante.
No campo institucional, há consenso de que o avanço
do OOH precisa caminhar junto à responsabilidade.
Sustentabilidade, autorregulação e impacto positivo
nas cidades deixam de ser temas periféricos. A Central
de Outdoor aparece como eixo dessa agenda, atuando
em autorregulação, boas práticas e diálogo com o poder
público.
“A tendência mais promissora do ponto de vista ins-
jornal propmark - 12 de janeiro de 2026 29
Fotos: Divulgação
“O Mapa OOH, também,
é um ativo estratégico
para o mercado,
porque organiza,
dá transparência”
João Binda, diretor-comercial da JCDecaux: jornada
titucional é a consolidação de associações fortes, que
usem autorregulação e boas práticas como diferencial
competitivo”, afirma.
Segundo Davis, iniciativas como o Plano Nacional de
Autorregulação, o Manifesto do OOH e o acompanhamento
de projetos de lei criam as bases para que dados,
programática e mensuração avancem com responsabilidade
e visão de longo prazo.
“O Mapa OOH, também, é um ativo estratégico para
o mercado, porque organiza, dá transparência e permite
planejamento mais qualificado”, afirma. Ele acrescenta
que a evolução das métricas tem sido acompanhada
por estudos de neurociência. “Quando a gente compro-
va, com metodologia científica, níveis superiores de
atenção, credibilidade e intenção de compra, o OOH passa
a ser comparável a qualquer outro meio do ponto de
vista técnico”, afirma.
Ao projetar 2026, o calendário favorável com a Copa
do Mundo, o aumento do fluxo urbano e um número
elevado de feriados prolongados criam um cenário de
circulação intensa, atenção ampliada e mais oportunidades
de contato no mundo real, nutrindo o otimismo dos
profissionais. Binda, que destaca o campeonato como
um catalisador natural para o meio, conta que “os patrocinadores
dos nossos projetos estarão presentes nas cidades-sede,
nos aeroportos e no entorno dos estádios”.
Leonardo Pereira, diretor-executivo da Action OOH
Eventos como o OOH Summit também se inserem nas
datas estratégicas. Para Davis, “é um espaço fundamental
para alinhar discurso, compartilhar boas práticas e
discutir o futuro do meio”. Segundo ele, a consolidação
de uma agenda institucional ajuda a criar regras claras,
fortalecer a autorregulação e dar previsibilidade ao mercado.
“Crescimento sem governança não se sustenta
no longo prazo.”
Outro eixo que ganha corpo nas projeções é o avanço
do OOH dentro do retail media para além do branding.
Alexandre Guerrero, CEO da Eletromidia, afirma que “o
meio deixa de atuar só no awareness e passa a influenciar
consideração e conversão”.
Ativação da Bizsys na estação Sé, em São Paulo, faz parte da campanha global ‘Eles querem Fanta’, exibida nos pontos da JCDecaux Brasil e marcada pela mão do personagem Chucky
30 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
agências
Carol Boccia lidera a Lola\TBWA, nova
operação que reúne DM9 e Lew’Lara
Executiva deixa a cadeira de copresidente da
BETC Havas; iD\TBWA continua como agência
independente, liderada por Camila Costa
Vitor Kadooka
A
TBWA anunciou no último dia 7 o lançamento da
Lola\TBWA, nova operação que passa a concentrar
as agências DM9 e Lew’Lara\TBWA no Brasil.
O movimento ocorre no contexto da aquisição do
Interpublic Group pelo Omnicom e, conforme relata o
comunicado, a Lola\TBWA combinará o posicionamento
global de disrupção da rede com a proposta criativa da
boutique espanhola Lola, que atende marcas globais
como a Unilever.
A liderança da operação brasileira ficará a cargo
de Carol Boccia, executiva com passagens por Africa e
AlmapBBDO (ambas do Omnicom), e atuação recente
como copresidente da BETC Havas no Brasil.
A iD\TBWA, por sua vez, permanecerá como agência
20260107_APP_Propmark_Anuncio_V03.pdf 1 07/01/2026 14:25:20
independente, sob a liderança de Camila Costa. Já Luiz
Lara, um dos fundadores da Lew’Lara, seguirá como
chairman da TBWA no Brasil, com atuação transversal
nas operações do grupo.
No comunicado, a empresa afirma ainda que novos
detalhes serão compartilhados após a conclusão das
conversas com talentos e clientes das agências, apontados
como prioridade neste momento.
O anúncio oficial ocorre após o propmark antecipar,
em 5 de dezembro, a unificação das marcas — informação
que chegou a ser negada pelo grupo à época.
No último dia 6, o quadro de vice-presidentes da
Lew’Lara deixou seus cargos. Marcia Esteves, até então
sócia e CEO da Lew’Lara\TBWA, também está de saída do
grupo, conforme o propmark já havia adiantado, bem
como Pipo Calazans, que ocupava o posto de CEO da DM9.
Luigi Dias/Divulgação
Carol Boccia assume a posição de CEO da Lola\TBWA
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jornal propmark - 12 de janeiro de 2026 31
digital
CEO e fundador da Nudgy, agência
especializada em construir e
alimentar sistemas criativos com
foco em performance, Danilo
Nunes afirma que hoje já é
possível ter uma agência inteira
funcionando sem intervenção
humana, “mas também sem a
qualidade humana”. Na entrevista a
seguir, ele, que é professor na ESPM,
avalia que a IA deve entrar em tudo
que é repetitivo e sistematizado.
“Eu quero que ela tire os meus
gargalos e resolva os problemas
mais operacionais para que a gente
consiga cuidar da estratégia de
criação”. Nunes fala ainda sobre a
teoria da internet morta, em um
cenário em que uma das coisas
mais importantes será o toque
humano por trás da criação.
Kelly Dores
O valor do toque humano na era da IA
background acadêmico
Pelo fato de o marketing estar muito
atrelado às tecnologias e essas tecnologias
moldarem como consumimos as
coisas (ferramentas, conteúdo, produtos
etc.), a gente precisa sempre estar antenado.
Quando você está no mercado, a
prática vem mais rápido do que a análise.
Acredito que meu background acadêmico
me dá uma sustentação de como traduzir
isso para pessoas que não têm o conhecimento
técnico do dia a dia e também
para ter uma narrativa que conecta muito
com a razão daquilo existir e não necessariamente
só a funcionalidade daquela
ferramenta ou nova estratégia. Enquanto
o lado executivo me traz as tendências
de uma forma extremamente mais acelerada.
É muito interessante estar no dia
a dia nas trincheiras e conseguir utilizar
tecnologias que chegam da Europa, dos
Estados Unidos, e trazê-las para o Brasil
e levar isso para dentro da sala de aula
com a velocidade que uma vida somente
acadêmica não permitiria. Então, todas
as minhas aulas têm um esqueleto e elas
são mensalmente, trimestralmente ou
semestralmente atualizadas com tudo
que a gente vive no mercado.
Danilo Nunes: “A Nudgy é uma agência focada em creative strategy”
“Olho para
modelos de
negócios dentro
da creator
economy”
recer esse serviço com a granularidade
que a gente oferece - e é uma demanda
muito requisitada por esse tipo de empresa
que usa o D2C como canal. Como
CEO e fundador, olho para modelos de
negócios e novas formas de monetizar
e criar verticais dentro da creator economy
- seja como serviço ou educação.
growth
Hoje, pensando a Nudgy como consultoria,
ela funciona sempre como uma extensão
do time criativo da marca. A gente
lida muito com os líderes de marketing, os
líderes internos, e vira realmente essa ex-
Divulgação
creative strategy
A Nudgy é uma agência focada em
creative strategy, que é algo que lida
completamente com marcas DNVBs (digital
native vertical brands) que utilizam
principalmente o canal do D2C (direct to
consumer). Eu comecei, durante muito
tempo, trabalhando no mercado internacional,
entendendo creative strategy
como um serviço que era executado nos
Estados Unidos, na Europa, na Ásia, na
Oceania, em agências, em house of brands,
em marcas que investem 100 mil, 200
mil dólares por mês e marcas que investiram
dezenas de milhões de dólares por
mês. Entendi esse formato, modelei e
trouxe ele para o Brasil, porque não tinha
nenhuma empresa que conseguia ofetensão
da capacidade de criação. Atendemos
principalmente empresas que já têm
equipes de growth estruturadas. Na maioria
dos casos, o nosso cliente é o líder de
growth, que toca a parte de aquisição dos
canais, e a gente vira ou o líder criativo
daquela empresa, e o nosso time oferece
todas as peças e demandas que o líder de
growth precisa, ou uma extensão da capacidade
de produção daquele time, e traz
sempre inovação, traz benchmarking do
que outras contas estão fazendo, do que
o mercado internacional está fazendo. E
como temos uma relação muito rápida
e forte com as plataformas, como Meta e
TikTok, conseguimos também trazer treinamentos
e inovação de ferramentas
para eles. No mercado brasileiro, temos
cases de marcas de DTC como a Sallve, a
Vitha, a Liquidz e a Guday, que são marcas
bem conhecidas dentro desse mercado.
Internacionalmente, a gente já trabalhou
com a Shapermint, com a Cupids e com a
Obvii, que são marcas referência dentro
dessa estrutura do mercado de D2C.
32 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
níveiS de ConSCiênCia
Quando estamos lidando com campanhas
online, o algoritmo é tão inteligente
que ele consegue distribuir para pessoas
que estão mais próximas daquele momento
de compra. Então, a gente trabalha
muito com o que a gente chama de
níveis de consciência. Para vender para
pessoas que já têm um problema muito
claro ou já conhecem a marca e só precisam
de um empurrãozinho, não precisa
ser tão criativo assim, para ser bem
sincero. Você precisa saber os formatos
certos, onde colocar e como colocar isso
dentro da plataforma. Agora, quando
você está fazendo a prospecção, que é
a parte mais importante, ou seja, trazer
cada vez mais pessoas novas para dentro
do funil de aquisição, aí sim a criatividade
conta e muito. A gente brinca que são
necessários três elementos para poder
ter uma campanha de performance que
roda muito bem: e o mais importante
deles é o criativo… a peça criativa que
está rodando ali. Qual a narrativa, qual
a mensagem, qual a forma que isso foi
estruturado, porque essa mensagem
está entrando dentro de um lugar onde
as pessoas estão sendo impactadas por
literalmente milhões de outras coisas.
Então, ela tem de chamar a atenção ao
mesmo tempo que introduz o produto de
forma estratégica. E a outra coisa que temos
é a estrutura de campanha, de como
a gente está testando esse criativo, e a
página de oferta, que é como a gente
complementa a mensagem que foi colocada
naquele criativo. Temos cada vez
mais pegado referências do que funciona,
não só com outras marcas, mas com
criadores de conteúdo que conseguem
se comunicar bem naquele nicho, naquela
comunidade, e pegado muito dos
conteúdos que são virais e potenciais de
conversa dessa galera e transformado
eles com o quê de performance.
inteligênCia artiFiCial
Entendemos que a inteligência artificial
consegue entrar em tudo que é repetitivo
e sistematizado. E para entender
qual a aplicação, a gente precisa dividir
o conceito de agente de IA e o conceito
de equipe agêntica. O agente de IA consegue
se especializar em uma tarefa
específica. Por exemplo, um agente de
pesquisa, um agente de social listening,
um agente de roteiro. Enquanto equipes
agênticas conseguem conectar as ações
e resultados de cada um dos agentes e
fazer eles conversarem entre si, entre
um agente orquestrador. Na nossa área
de pesquisa, temos um profissional responsável
por fazer toda a parte de mapeamento,
UX e levantar a pesquisa do zero
no onboarding do cliente. E ele tem uma
equipe agêntica que o atende. O que significa
isso? Um agente de pesquisa de
formatos, que é conectado a plataformas
como Foreplay, Atria, a própria Ad Library,
entende o ad manager do cliente, entende
TikTok, Meta e plataformas orgânicas,
para poder entender quais são os formatos
que mais estão performando ou viralizando
para conseguirmos traduzir isso
em hipóteses e testes criativos.
qualidade humana
Da mesma forma, temos agentes
de social listening que fazem scraping,
que é o mergulho e o entendimento
do que está sendo comentado dentro
de TikTok, Meta, YouTube, Reddit, marketplaces
etc. e traz um condensado
de informações sobre o que mais está
sendo falado semanticamente sobre a
marca ou não. Hoje já é possível ter uma
agência inteira funcionando através da
pesquisa, criação, edição e a postagem
sem intervenção humana. Mas também
sem a qualidade humana. Se nós somos
uma agência que produz criativos que
performam com mídia paga online, isso
quer dizer que a gente entende muito
bem a audiência, entende exatamente
os gaps e oportunidades que o time de
growth precisa para escalar a conta e trazer
resultado. Então, eu não quero usar a
inteligência artificial para fazer os meus
ads. Eu quero que ela tire os meus gargalos
e resolva os problemas mais operacionais
para que a gente consiga cuidar
da estratégia de criação. E eu quero
que, na verdade, ela ocupe o meu tempo
de pesquisa, ela ocupe o meu tempo de
realizar um briefing manual, ela ocupe o
meu tempo de responder e-mails, de realizar
coisas que vão dar mais tempo para
a gente fazer o que nós somos bons. Se
uma empresa contrata a gente, é porque
ela está esperando um 9 ou um 10. Se ela
quisesse um 6 ou um 7, ela conseguiria
usar a inteligência artificial para fazer.
Creator eConomy
A economia criativa é todo um ecossistema
de produção, de audiovisual, de
entretenimento, que já existe há décadas.
Enquanto a creator economy nasce
exclusivamente da produção de conteúdo
como um centro. Ela nasce do digital
e depois ela se expande para o mundo
“Com a
consolidação
da blockchain,
criadores
de conteúdo
conseguem retirar
os intermediários
do caminho”
físico. Acaba que a creator economy impacta
diretamente a economia criativa,
porque a gente está vendo a subversão
de alguns canais que eram canais prioritários
para canais de apoio, canais secundários,
como a própria televisão e alguns
programas que hoje têm mais força do
que a própria TV aberta. Mas, basicamente,
a creator economy, que é a economia
dos criadores de conteúdo, é completamente
dependente da tecnologia, assim
como vários outros negócios, mas a
tecnologia orbita essa economia porque
ela muda a forma que a gente consome
o conteúdo. Se ela muda a forma que a
gente consome o conteúdo, ela muda
também como a gente produz.
PlataFormaS
Então, hoje, por exemplo, se olhamos
para essa economia, ela tem como
principal ator dentro desse ecossistema
com mais peso as plataformas digitais,
porque é onde o criador de conteúdo publica
e cria seu conteúdo e se relaciona
com a sua comunidade, porque ele não
tem a posse dessa comunidade 100%.
Ele já tenta levar isso para outros canais,
cria eventos, criadores mais inteligentes
já conseguiram criar ecossistemas de
marca, se pensar como negócios. O momento
atual que a gente está vivendo é
um momento de profissionalização, principalmente
aqui no Brasil. Consigo dizer
que os nossos criadores de conteúdo
são extremamente criativos, só que falta
um pouco essa visão de economy. Falta
o criador se entender como dono de negócio,
falta ele pensar em recrutamento,
em estrutura, em fontes de receita.
Então, a gente está vivendo um grande
momento de transição, principalmente
com a inteligência artificial, que muda a
forma de produzir e consumir esse conteúdo,
mas é um momento onde quem
se manter atento às oportunidades pode
conseguir desenhar um modelo de negócio
muito interessante para o futuro.
internet morta
Nós temos dois cenários: o cenário
para 2026, na verdade, não é tão diferente
de 2025. O desenvolvimento da
tecnologia de inteligência artificial e os
agentes sistêmicos estão ainda sendo
tateados e entendidos como oportunidade
por marcas, criadores e plataformas.
Ou podemos ter a solidificação das
equipes agênticas e o sistema fluido de
criação de conteúdo. Se a gente caminha
para um lugar onde a inteligência artificial
representa mais de 80%, por exemplo,
do conteúdo que é produzido na internet,
a própria internet como canal de
socialização e consumo perde um pouco
o sentido. E caminhamos para o lugar
que a gente chama de teoria da internet
morta, onde esses fluxos agênticos pesquisam
conteúdo, produzem roteiro, editam
e publicam para serem consumidos
por outros algoritmos de inteligência artificial
que, por sua vez, produzem e consomem
esse conteúdo. E o ser humano
perde a força tanto da participação da
criação quanto do consumo. A teoria da
internet morta retrata esse lugar onde a
internet, na verdade, vira um local onde
inteligências artificiais produzem conteúdos
para serem consumidos por outras
inteligências artificiais e o ser humano
perde esse lugar de interação. Nesse
cenário, uma das coisas que vai ser mais
importante é a forma de criar, gerir e se
comunicar com a comunidade que o criador
de conteúdo tem, e o toque humano
por trás de toda a criação. Além disso,
com a consolidação da blockchain, criadores
de conteúdo conseguem retirar
os intermediários do caminho, como por
exemplo, as plataformas, e conseguem
uma relação direta com a sua audiência
e propriedade sobre o seu conteúdo. Ou
seja, a partir do momento que eu faço
um vídeo, uma imagem, um texto, ele
vira um ativo digital que consegue rentabilizar
através de qualquer plataforma
e canal na internet pela Web3. Vamos
ver cada vez mais a consolidação da tecnologia
nesse cenário de Web3, onde a
descentralização acontece e o criador de
conteúdo consegue ter mais propriedade
sobre as suas criações.
jornal propmark - 12 de janeiro de 2026 33
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Eletromidia fecha parceria com a RPC
e amplia operação comercial no Paraná
Afiliada da Globo assume a representação exclusiva das vendas locais
do inventário da empresa de OOH no estado, como parte da expansão
A
Eletromidia firmou um acordo com
a RPC, afiliada da Globo no Paraná,
para fortalecer sua operação comercial
no estado. A partir deste mês, a
RPC passa a atuar como representante
comercial exclusiva da Eletromidia para
vendas locais em todo o território paranaense,
abrangendo 100% do inventário
da empresa no estado.
A parceria faz parte da estratégia de
expansão regional da Eletromidia e se
apoia na estrutura comercial e no relacionamento
da RPC com anunciantes locais
e varejistas. O grupo de comunicação
conta com presença em oito sedes regionais
no Paraná e histórico de atuação
junto ao mercado local.
A operação comercial passa a ser
segmentada por perfil de anunciante: o
atendimento a campanhas locais e regio-
Marcelo Pacheco, CSO da Eletromidia, e Eduardo Boschetti, diretor-geral da RPC
Divulgação
nais, concentradas no Paraná, ficará sob
responsabilidade da RPC, enquanto marcas
sediadas no estado com planejamento
de mídia nacional continuarão sendo
atendidas pela equipe da Eletromidia.
“A união da nossa tecnologia e do
nosso inventário com a força de vendas
e o conhecimento regional da RPC cria
um ecossistema poderoso para os anunciantes
locais. Vamos conseguir chegar a
praças e clientes que exigem presença física
e relacionamento próximo, algo que
a RPC já domina com excelência”, afirma
Marcelo Pacheco, chief sales officer da
Eletromidia.
O acordo inclui uma frente de integração
de conteúdo, com a veiculação de
informações jornalísticas e de entretenimento
produzidas pela RPC nas telas da
Eletromidia no estado.
Mastercard ativa ‘cápsula de descanso’
no Aeroporto Internacional Tom Jobim
Criada pela WMcCann e produzida em parceria com a Eletromidia, a
ação traz o mote ‘Viver momentos que viram história: não tem preço’
A
Mastercard levou para a área de
embarque do Aeroporto Internacional
Tom Jobim – Galeão, no Rio
de Janeiro, uma ativação em modelo
de ‘cápsula privativa’ projetada no
formato do logo da marca. Criada pela
WMcCann e produzida em parceria com
a Eletromidia, a iniciativa traz o mote
‘Viver momentos que viram história:
não tem preço’. O objetivo é oferecer
conforto, privacidade e conveniência
aos viajantes.
O espaço estará disponível gratuitamente
por três meses, de janeiro a março,
mediante reserva online, para portadores
de cartões Mastercard elegíveis à
ação. A cápsula conta com cama, mesa
patrocínio
Ativação projetada no formato do logo da marca estará disponível até março
Divulgação
de trabalho, acesso à internet, frigobar,
puffs, cabideiro e iluminação, criando um
ambiente para descanso.
“A proposta da Mastercard é tangibilizar
sua assinatura global com uma ideia
inovadora, que conecta conforto físico a
uma experiência que não tem preço. O
espaço é um convite ao bem-estar durante
as viagens, reforçando nosso compromisso
com o que realmente importa
para os consumidores”, diz Taciana Lopes,
vice-presidente sênior de marketing
e comunicação da Mastercard no Brasil.
Durante o período de ativação, influenciadores
utilizarão a cápsula e divulgarão
a experiência em suas redes sociais
para ampliar a visibilidade da ação.
34 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
inspiração
Entre tecnologia e legado
Fotos: Divulgação
Já estive em mais de 50 países e em cada lugar aprendi algo
novo sobre cultura, colaboratividade, design, história
Tironi Paz Ortiz
Especial para o propmark
Ao fundar e liderar a Imply Tecnologia, muitas pessoas me perguntam: o que realmente
me motiva? Para mim, a resposta é clara: é a oportunidade de gerar tecnologia,
inovação e entretenimento, conectar pessoas e deixar um legado que beneficie
as próximas gerações.
Nossa empresa, nascida no Rio Grande do Sul, cresceu a ponto de levar soluções de tecnologia
para mais de 120 países. Somos hoje 500 pessoas dedicadas, distribuídas em quatro
frentes de negócio, mas a grandiosidade desse número se traduz em um valor ainda mais
importante: o poder do trabalho coletivo. A inspiração diária vem de poder colaborar tão diretamente
com uma equipe focada, definir metas claras, revisá-las mensalmente e celebrar
cada avanço e cada obstáculo juntos.
O que me motiva ainda mais é desenvolver produtos que fazem a diferença de verdade
no dia a dia das pessoas. Quando penso no terminal de autoatendimento, nos painéis eletrônicos,
plataformas de relacionamento e consumo para eventos e atrações, ou nas soluções
que transformam uma pista de boliche em momentos de lazer com tecnologia, me lembro
de que inovação não é só código, é utilidade, é experiência, é alegria.
Mas nem tudo é sobre tecnologia. Acredito profundamente que estamos aqui para algo
maior: deixar um legado humano. Independentemente de cargo ou ambição, cada um de
nós tem a possibilidade de inspirar, motivar e transformar. É por isso que sempre busco
trocar ideias, apoiar pessoas e incentivar sonhos.
As viagens que faço pelo mundo são parte essencial dessa jornada. Já estive em mais
de 50 países e em cada lugar aprendi algo novo sobre cultura, colaboratividade, design,
história. Essas experiências ajudam no desenvolvimento de produtos, claro, mas também
alimentam minha visão de mundo e minha empatia.
Equilibrar a vida profissional com a pessoal, família, amigos e tempo para refletir é outra
fonte permanente de inspiração. Para mim, sucesso não se mede apenas por números; se
mede por propósito, por significado.
Um episódio que me marcou profundamente como empreendedor foi a campanha
‘Jogando juntos pelo RS’, dirigida pela Imply durante as enchentes que devastaram o Rio
Grande do Sul. A iniciativa mobilizou clubes de futebol, empresas, entidades e cidadãos pelo
estado. Ao todo, foram arrecadados mais de R$ 29,5 milhões por meio da plataforma que
criamos. E não há nada mais inspirador do que ter condições de ajudar pessoas.
Esse valor não ficou apenas em doações simbólicas: foi convertido em ações concretas,
como a reconstrução de pontes comunitárias, infraestrutura para escolas, entrega de colchões,
fogões, geladeiras e muito mais. Sentir que a tecnologia que construímos pôde servir
para unir solidariedade e solução me enche de orgulho e reforça minha crença no papel
transformador das empresas na sociedade.
Mas, como todo empreendedor, também enfrento desafios. E como persistir quando os
desafios aparecem? Para mim, a resposta está na mentalização do sonho. Todos os dias de
manhã, reflito: “qual é meu sonho? Quais caminhos posso seguir para realizá-lo?” E se surgir
um obstáculo, penso rapidamente nas soluções possíveis. A sabedoria não está em evitar
problemas, mas em lidar com eles com discernimento e coragem.
Acredito que cada problema tem uma solução e que, como líder, meu papel é escolher
bem e agir com responsabilidade. O caminho nem sempre é simples, mas quando você tem
propósito, equipe talentosa e resiliência, você encontra um jeito de seguir adiante.
Inspira-me poder levantar de manhã, olhar para esse sonho e dizer: hoje vou construir
algo que ultrapassa o tempo, que impacta vidas, que deixa uma marca positiva. E é com esse
sentimento que sigo empreendendo, sempre com um olhar no presente e outro no futuro.
Tironi Paz Ortiz, CEO da Imply Tecnologia
jornal propmark - 12 de janeiro de 2026 35
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Alê Oliveira
Ogilvy Brasil é a campeã do Mídia’s Cup 2025
A Ogilvy foi a grande campeã da Série Ouro do Mídia’s Cup 2025, maior campeonato de futebol society do mercado
publicitário brasileiro. A agência conquistou o título após vencer a Publicis na final. Na disputa do terceiro lugar,
a Galeria venceu a WMcCann. Na série Prata, a agência Essence conquistou o título em cima da WE, enquanto
que a w+K ficou com o terceiro lugar após passar pela Mediabrands. As finais do campeonato, realizado pelo
Grupo de Mídia de São Paulo (GMSP), foram realizadas em 4 de dezembro, Dia Mundial da Propaganda.
Ogilvy Brasil sagrou-se a grande campeã do Midia’s Cup, maior campeonato de futebol society do mercado publicitário brasileiro
Ogilvy Brasil: campeã do Mídia’s Cup 2025
Publicis: segundo lugar na série Ouro
Galeria: terceiro lugar na série Ouro
WMcCann: quarto lugar na série Ouro
36 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
Fotos: Alê Oliveira
Essence foi a campeã na série Prata
We: segundo lugar na série Prata
W+K: terceiro lugar na série Prata
Mediabrands: quarto lugar na série Prata
Show de fogos de artifício na entrada da WE em campo
Ogilvy vence a Publicis nos pênaltis e sagra-se campeã
Essence conquista série Prata batendo a We nos pênaltis
Troféus do Mídia’s Cup 2025
jornal propmark - 12 de janeiro de 2026 37
última página
Alê Oliveira
Os livros do Lara
e do Marcello
Stalimir Vieira
é diretor da Base de Marketing
stalimircom@gmail.com
Stalimir Vieira
Terminar 2025 lendo as histórias de dois profissionais,
com quem tive o prazer de compartilhar
parte da vida profissional e me manter amigo, por
mais que o tempo tenha passado e a distância aumentado,
foi muito bom.
Ambos têm muito para contar e muito contam em
seus livros. Cada um à sua maneira, observando os fatos
do ponto de vista de suas atribuições e valendo-se de
suas experiências, traz uma contribuição de valor incalculável
para a compreensão da história recente da propaganda
brasileira.
Período muito discutido, mas pouco documentado de
maneira organizada e didática. O Luiz Lara e o Marcello
Serpa fazem isso com maestria.
Entendo que seus livros sejam complementares,
ainda que narrem períodos similares. As diferenças
das suas personalidades, vocações, relacionamentos e
papéis na publicidade permitem que conheçamos os
caminhos diversos que o negócio percorreu nas últimas
décadas para chegar ao que é hoje.
Os dois começaram muito jovens a se impor desafios
e a superá-los com obstinação. Quando falo jovens, falo
de jovens mesmo. Marcello veio trabalhar comigo na
DPZ-Rio com 24 anos, aos 31 era sócio da BBDO; quando
formamos a DLS, Lara tinha 25 anos, com 39 era sócio
da TBWA.
Talentosos, sim, e muito, mas também trabalhadores
incansáveis. Lembro-me da ocasião em que tínhamos de
apresentar a campanha de lançamento de uma marca
da Souza Cruz e o Marcello não podia ficar na agência.
Sua mulher ia viajar e ele precisava tomar conta da filha,
ainda bebê. Mas que eu não me preocupasse.
Como assim? Passei a noite pensando numa desculpa
para transferir a apresentação. Na manhã seguinte,
ele me aparece com uma série de anúncios magnífica, já
fotografada e com os layouts impecavelmente montados.
Sempre bom lembrar que não havia computadores,
era tudo na mão.
Criou, fotografou e montou os anúncios com a Fabiana
a tiracolo, entre uma mamadeira e outra. Impressionante.
O entusiasmo e o otimismo do Lara, nada
conseguia conter, nem mesmo as mais ameaçadoras
evidências.
Em março de 1990, recebemos um briefing da construtora
Kauffmann, que previa o uso de uma verba de
500.000 dólares (à época só era possível pensar em dólar,
tamanha a inflação).
Campanha criada, plano de mídia feito, a apresentação
foi marcada para o dia 15. Estava anunciada para
aquela tarde uma coletiva da, então, ministra, Zélia Cardoso
de Mello. O Brasil parava para saber o que Fernando
Collor ia fazer com o nosso dinheiro.
Menos o Lara, que não desistia nunca, e convenceu
o cliente a manter a reunião. Quando vi e ouvi que não
haveria mais dinheiro nenhum circulando no país, a não
ser uns trocados, liguei para a sede do cliente, pedindo
para falar com o Lara.
Atenção: não havia celular. A telefonista foi e voltou
várias vezes, dizendo que ele não podia atender porque
estava em reunião. Tanto insisti que me atendeu.
Só então, soube o que aconteceu, e voltou para a
agência para recomeçarmos tudo do zero. Enfim, o Lara
e o Marcello sempre foram dois apaixonados pelo que
fazem. É essa paixão que está ricamente registrada em
seus livros.
“Entendo que
seus livros sejam
complementares,
ainda que
narrem períodos
similares”
38 12 de janeiro de 2026 - jornal propmark
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