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Jornal Paraná Janeiro 2026

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OPINIÃO

O agro é maratona,

não corrida de 100 metros

Sobreviver e prosperar no agronegócio não é sobre velocidade, mas sobre direção,

construir equipes fortes, processos claros e ambientes onde a verdade pode ser dita

Aparecido Mostaço

Oagronegócio exige respeito

ao tempo, aos ciclos

e à construção

diária de competências. Nada é

imediato - e essa dinâmica se

assemelha muito mais a uma

maratona do que a uma corrida

de 100 metros. Minha relação

com o agro, aliás, começou

muito antes de eu cruzar uma

linha de chegada em uma maratona.

Iniciei minha trajetória em 1981,

no Departamento de Pessoal da

Usina Santa Elisa. Ali aprendi,

desde cedo, que o agronegócio

é feito de gente: de quem planta,

de quem cuida da plantação, de

quem colhe, de quem administra

e de quem sonha. E, depois,

quando me tornei diretor de RH,

ampliei ainda mais essa visão:

sem gente boa, nada acontece.

Com gente boa, tudo é possível.

Inclusive atravessar os mais difíceis

obstáculos.

Como consultor de gestão, percebi

que para as empresas sobreviverem

é preciso lutar com

todas as forças e competências.

Não existe depois. É lutar com

tudo agora. Essa trajetória profissional

se conecta diretamente

com uma grande experiência

pessoal que tive em 2023,

quando completei minha primeira

maratona aos 56 anos.

Aprendi na prática que cruzar a

linha de chegada dos 42,195

metros, depende de planejamento,

preparo contínuo, alimentação

adequada, fortalecimento

físico e psicológico e

muita consistência. É preciso seguir

processo, 10k, 21k e os

42k. Não existe atalho. Cada

treino, cada ajuste e cada decisão

antes e durante a prova contribuem

diretamente para o

alcançar o objetivo.

No agro, acontece o mesmo: só

prospera quem entende que resultados

são fruto de disciplina,

planejamento, ética e da capacidade

de fazer o que precisa ser

feito no tempo certo. No agro,

fazer o que precisa ser feito hoje,

apenas amanhã, será tarde. E,

os atalhos, custam caro.

Para mim, a gestão de pessoas

é, hoje, um dos pilares fundamentais

que determinam o sucesso

no agronegócio. O setor é

competitivo e volátil; tecnologias

evoluem, mercados oscilam e as

pressões por eficiência aumentam.

A necessidade de disciplina

financeira ocupa os primeiros

itens da agenda do gestor. Fazer

mais com menos, deixa de ser

um jargão para virar um mantra.

Mas, no fim, tudo converge para

as pessoas.

Uma organização avança quando

forma equipes capazes de assumir

responsabilidades, antecipar

problemas e agir com visão

global. Liderar transformações

não é apenas delegar tarefas,

mas criar um ambiente onde as

pessoas sejam proativas e enxerguem

o todo - e o todo bem

feito. Não há mais espaço para o

líder “nuvem”, cada hora está de

um jeito. É preciso ter constância,

previsibilidade e respeito.

É aqui que a governança se torna

essencial. Muitos negócios do

agro ainda funcionam baseados

em intuição ou boa vontade, e

não em processos. Governança

é o que organiza papéis, decisões

e responsabilidades, permitindo

que a empresa avance com

direção e não dependa do improviso.

Assim como o mapa da

maratona orienta cada quilômetro,

demonstra os pontos de hidratação,

a governança reduz

riscos, aumenta a transparência

e dá previsibilidade às ações.

Empresas que estruturam processos

correm com segurança;

as que ignoram isso correm no

escuro e vão quebrar.

Mas existe um obstáculo silencioso

que compromete tanto

empresas quanto exércitos: o

medo de falar. Em muitos ambientes,

profissionais percebem

erros, mas não se sentem confortáveis

para alertar; têm ideias,

mas evitam expô-las; enxergam

riscos, mas preferem o silêncio.

Isso mina resultados e impede

ajustes de rota.

A história oferece um alerta

claro. O general Marco Licínio

Crasso, um dos homens mais

ricos de Roma, entrou para a

história por uma derrota desastrosa

na Batalha de Carras -

consequência de uma decisão

impensada que ninguém teve

coragem de contestar. O erro

poderia ter sido evitado se houvesse

transparência e liberdade

para questionar. Nas empresas,

acontece o mesmo: onde não

há espaço para o contraditório,

há espaço para o fracasso.

No agro, como na maratona,

vencer é fruto de constância e

clareza. É saber ajustar o ritmo,

revisar estratégias, cuidar das

pessoas e tomar decisões éticas

mesmo quando o caminho

parece mais longo. O negócio

prospera quando a equipe corre

alinhada, enxergando não apenas

suas funções individuais,

mas a importância de cada

passo para o todo.

No fim, sobreviver e prosperar

no agronegócio não é sobre velocidade,

mas sobre direção. É

sobre construir equipes fortes,

processos claros e ambientes

onde a verdade pode ser dita. É

sobre ter disciplina para seguir

o plano, determinação para enfrentar

os desafios e humildade

para ouvir quem está ao nosso

lado.

Porque, no agro, como na maratona,

só vence quem faz o que

precisa ser feito - e no tempo

certo

Aparecido Mostaço, 43 anos

de agronegócio, CEO Energia

Humana Consultoria e EHC Capital,

maratonista amador e

apaixonado por desafios

2

Jornal Paraná


CENTRO-SUL

Moagem atinge 598,19

milhões de toneladas

Volume foi esmagado até final da primeira quinzena de dezembro,

2,36% a menos que o registrado no mesmo período no ciclo anterior

Na primeira quinzena

de dezembro, as unidades

produtoras da

região Centro-Sul

processaram 5,92 milhões de

toneladas, registrando queda

em relação as 8,81 milhões da

safra 2024/2025. No acumulado

da safra 2025/2026 até 16

de dezembro, a moagem atingiu

598,19 milhões de toneladas,

ante 612,67 milhões de

toneladas registradas no mesmo

período no ciclo anterior -

recuo acumulado de 2,36%.

Na primeira metade do mês,

operaram 90 unidades produtoras

na região Centro-Sul,

sendo 71 unidades com processamento

de cana, dez

empresas que fabricam etanol

a partir do milho e nove

usinas flex. No mesmo período

da safra anterior, 127 unidades

produtoras estavam em

operação.

No acumulado desde o início

da safra, 208 unidades já haviam

encerrado as operações

até 16 de dezembro, ante 209

usinas no mesmo período do

ciclo anterior. Para a segunda

quinzena do mês, outras 36

unidades produtoras reportaram

a intenção de encerrar a

safra.

Produção de

açúcar e etanol

A produção de açúcar nos primeiros

quinze dias de dezembro

totalizou apenas 254,24 mil

toneladas, registrando queda de

28,66% na comparação com a

quantidade registrada em igual

período na safra 2024/2025

(356,35 mil toneladas). No acumulado

desde o início da safra

até 16 de dezembro, a fabricação

do adoçante totalizou 40,16

milhões de toneladas, contra

39,81 milhões de toneladas do

ciclo anterior.

Na primeira metade de dezembro,

a fabricação de etanol

pelas unidades do Centro-Sul

atingiu 740,61 milhões de litros,

sendo 393,59 milhões

de litros de etanol hidratado

(-20,62%) e 347,02 milhões

de litros de etanol anidro

(+30,18%). No acumulado do

atual ciclo agrícola até 16 de

dezembro, a fabricação do biocombustível

totalizou 30,27

bilhões de litros (-5,37%), sendo

18,72 bilhões de etanol hidratado

(-8,17%) e 11,55 bilhões

de anidro (-0,43%).

Do total de etanol obtido na primeira

quinzena de dezembro,

54,14% foram fabricados a

partir do milho, registrando

produção de 400,96 milhões

de litros neste ano, contra

377,97 milhões de litros no

mesmo período do ciclo 2024/

2025 - aumento de 6,08%. No

acumulado desde o início da

safra até 16 de dezembro, a

produção de etanol de milho

atingiu 6,43 bilhões de litros –

avanço de 14,49% na comparação

com igual período do

ano passado.

Na primeira quinzena de dezembro,

as vendas de etanol

totalizaram 1,53 bilhão de litros.

O volume comercializado

de etanol anidro no período foi

de 582,49 milhões de litros -

avanço de 18,03% - enquanto

o etanol hidratado registrou

venda de 943,22 milhões de

litros - avanço de 8,18%.

No mercado doméstico, o volume

de etanol hidratado vendido

pelas unidades do Centro-Sul

totalizou 582,49 milhões

de litros, o que representa

um aumento de

Vendas de etanol e

mercado de CBios

18,33% em relação ao mesmo

período da safra anterior.

A venda de etanol anidro, por

sua vez, atingiu a marca de

893,96 milhões de litros,

avanço de 5,53%.

Em relação à qualidade da matéria-prima,

no acumulado da

safra até 16 de dezembro o indicador

marcou 138,38 kg de

ATR por tonelada, registrando

retração de 2,21% na comparação

com o valor observado

na mesma posição no ciclo anterior.

No acumulado desde o início

da safra até 16 de dezembro,

a comercialização de etanol

pelas unidades do Centro-Sul

somou 24,85 bilhões de litros,

registrando recuo de

1,64%. O volume acumulado

de etanol hidratado totalizou

15,47 bilhões de litros

(-5,34%), enquanto o de anidro

alcançou 9,37 bilhões de

litros (+5,14%).

Dados da B3 mostram que em

2025 a emissão de créditos de

descarbonização pelos produtores

de biocombustíveis atingiu

43,14 milhões, a maior

quantia anual já ofertada desde

o início do RenovaBio, e a

quantia aposentada pelos distribuidores

de combustíveis

somou 40,06 milhões de créditos.

Dessa forma, o saldo de

passagem de CBios para 2026

totalizou cerca de 19,50 milhões

de créditos.

Jornal Paraná 3


SAFRA 2024/2025

Santa Terezinha divulga

Relatório de Sustentabilidade

Desde 2010, a usina divulga

o documento, que integra

indicadores de Sustentabilidade,

contemplando os resultados

financeiros

ORelatório de Sustentabilidade/Comunicação

de Progresso da

Usina Santa Terezinha

reúne práticas ESG (Ambiental,

Social e Governança) e

é publicado após processo de

auditoria externa, realizada pela

PwC (PricewaterhouseCoopers),

uma das empresas de

renome do segmento.

Durante o processo de verificação,

o conteúdo é analisado

e considerado conforme os

critérios da Global Reporting

Initiative (GRI), na versão

Essencial do Standards, a

norma mais atual e amplamente

adotada para esse tipo

de publicação, em mais de 60

países.

Desde 2010, a Usina Santa Terezinha

divulga o documento,

que integra indicadores de

Sustentabilidade, contemplando

os resultados financeiros.

Atualmente, em sua 15ª edição,

o relatório reafirma o

compromisso da empresa

com o desenvolvimento sustentável,

ressaltando os valores:

Ética e Transparência.

as prioridades estratégicas da

empresa.

O documento reflete o compromisso

da Usina Santa Terezinha

com os quatro pilares

do Pacto Global das Nações

Unidas: Direitos Humanos,

Trabalho, Meio Ambiente e

Combate à Corrupção. Esse

alinhamento assegura que o

relatório seja reconhecido como

uma Comunicação de

Progresso (COP), sendo publicado

na base de dados do

Pacto Global. Além disso, o

relatório segue os princípios

dos Objetivos de Desenvolvimento

Sustentável (ODS), estabelecidos

pela ONU, reforçando

a contribuição da empresa

para os desafios globais

de sustentabilidade.

Ao longo do relatório, são

apresentados dados que englobam

o perfil da empresa,

sua estrutura de governança e

seu envolvimento com os stakeholders.

O conteúdo também

aborda os temas relevantes

identificados na Matriz de

Materialidade, garantindo que

o relato esteja alinhado com

4 Jornal Paraná



PERSPECTIVAS

StoneX vê retomada

do etanol em 2026

Com produção diversificada e projeção de recorde, indústria

aposta em renovação dos canaviais e força do etanol de milho

Osetor sucroalcooleiro

brasileiro encerra

2025 com importantes

marcos e expectativas

renovadas para o próximo

ano. Segundo análise da

equipe de Inteligência de Mercado

da StoneX, o ano passado

foi caracterizado por movimentos

relevantes nos preços,

produção e consumo do

etanol, além do fortalecimento

do etanol de milho, que já representa

uma parcela significativa

da oferta nacional.

Em 2025, os preços do etanol

seguiram o padrão sazonal do

setor. Durante o pico de safra,

entre junho e julho, o mercado

paulista registrou mínimas próximas

a R$ 3,10/litro, refletindo

uma paridade de 65% em relação

à gasolina. Na segunda

metade do ano, os preços voltaram

a subir, encerrando dezembro

em torno de R$

3,53/litro, o que representa alta

de 11,6% frente ao final de

2024.

Apesar do recuo no consumo

de etanol hidratado, o volume

de vendas permaneceu elevado,

ainda que inferior ao recorde

de 2024. Já as vendas

totais do biocombustível (anidro

e hidratado) mantiveramse

estáveis, impulsionadas pela

elevação da mistura obrigatória

do anidro na gasolina de

27% para 30% em agosto.

O mercado de gasolina C, que

influencia diretamente a competitividade

do etanol, apresentou

preços estáveis ao longo

de 2025 em São Paulo, variando

entre R$ 6,18/L e R$

6,05/L. Dois cortes nos preços

da Petrobras, em junho e outubro,

foram parcialmente compensados

por aumentos sucessivos

no ICMS, em fevereiro

de 2025 e janeiro de

2026. A valorização do real e a

queda nas cotações internacionais

do petróleo também

contribuíram para o cenário de

preços.

O etanol de milho consolidou

seu espaço em 2025, mesmo

sem atingir as projeções mais

otimistas do início do ano. O

destaque nacional foi o Maranhão,

com a usina da INPASA

em Balsas produzindo próximo

de 1 bilhão de litros anuais. A

margem operacional do produto

manteve-se favorável,

próxima a 40% em Mato

Grosso, resultado do recuo

nos preços do milho e da valorização

do etanol. Novos projetos

reforçam a expansão do

segmento: mais de 40 usinas

de cereais estão mapeadas

pela StoneX, sendo 12 nas regiões

Norte e Nordeste, o que

pode elevar o número de usinas

no país para mais de 70

até o fim da década.

O ano de 2025 também marcou

uma mudança no mix produtivo

das usinas do Centro-Sul,

que, apesar do recorde

na produção de açúcar, já

sinalizam retorno do foco para

o etanol devido à queda nos

preços do adoçante e à melhor

remuneração do biocombustível.

A reversão de tendência

deve se intensificar em 2026,

especialmente até abril ou

maio, com expectativa de redução

significativa na proporção

de produção voltada ao

açúcar.

Para 2026, as projeções são

otimistas. A oferta de etanol

deve alcançar novo recorde,

estimada em 36,1 bilhões de

litros, crescimento de 9,3% em

relação à safra anterior. Esse

avanço será impulsionado

tanto pelo aumento do mix alcooleiro

quanto pela expansão

do etanol de milho, além de

condições climáticas favoráveis

e renovação dos canaviais.

Apesar da alta do ICMS

da gasolina e do aumento da

mistura de álcool, a tendência

é de queda dos preços médios

do etanol, com a paridade

frente à gasolina se estabilizando

próxima a 66% em São

Paulo e o hidratado mantendo

participação próxima a 30% no

mercado.

Diante desse cenário, o setor

sucroalcooleiro aguarda 2026

como um ano de novas oportunidades,

mas também de

desafios para as margens das

usinas de cana.

6 Jornal Paraná


ETANOL

Preços ao produtor

seguem firmes em janeiro

Um novo impulso adicional pode ser observado à medida que o aumento da alíquota

unificada do ICMS sobre a gasolina comece a ser repassado ao consumidor final

Após duas semanas

de ritmo mais lento

entre as festas de fim

de ano, período marcado

por menor presença dos

agentes, o mercado de etanol

ao produtor voltou a ganhar

tração na primeira semana de

janeiro. O movimento é típico

do período de entressafra,

com preços encontrando liquidez

diária nas principais praças

de negociação, sustentados

pelos baixos níveis de estoques

nas mãos das usinas,

avaliam os especialistas da

Datagro.

A perda de competitividade do

etanol hidratado frente à gasolina

nas bombas do estado de

São Paulo, até o momento,

não tem se refletido em enfraquecimento

das negociações.

As distribuidoras seguem ativas

no mercado, recompondo

estoques intermediários após

o período de festas, enquanto

as usinas se aproveitam do retorno

da demanda para testar

patamares gradualmente mais

elevados de preços.

Um novo impulso adicional

pode ser observado à medida

que o aumento da alíquota unificada

do ICMS sobre a gasolina,

de R$ 0,10 por litro,

elevando o imposto de R$

1,47 para R$ 1,57/litro, em

vigor desde 1º de janeiro, comece

a ser repassado ao consumidor

final. Esse movimento

tende a favorecer a recuperação

da competitividade

do etanol hidratado em alguns

estados da região Centro-Sul.

Em contrapartida, estimativas

da Datagro indicam que o

preço da gasolina nas refinarias

da Petrobras segue 18,3%

acima da paridade de importação,

abrindo espaço para eventuais

ajustes por parte da estatal

no curto prazo. Caso se materializem,

tais reduções podem

limitar a continuidade da trajetória

de alta dos preços do etanol

hidratado.

Exportações registram pior desempenho em oito anos

Em linha com o DATAGRO

Line-up, as exportações brasileiras

de etanol reagiram em

dezembro, após dois meses

consecutivos de forte retração,

totalizando 173 milhões de litros,

aumento de 56,8% na

comparação anual, segundo

dados da Secretaria de Comércio

Exterior (SECEX). Ainda

assim, o volume permaneceu

6,3% abaixo da média dos últimos

cinco anos para o mês, indicando

uma recuperação

apenas parcial. No acumulado

de 2025, as exportações de

etanol do Brasil somaram

1,612 bilhão de litros, queda de

14,6% em relação a 2024 e de

20% frente à média dos últimos

cinco anos, configurando o

menor volume anual exportado

desde 2017.

As receitas com as exportações

de etanol alcançaram

US$ 101 milhões em dezembro

de 2025, crescimento de

67,5% na comparação anual,

refletindo tanto o aumento dos

volumes quanto a ligeira recuperação

de preços. O valor

médio do etanol exportado foi

de US$ 0,58/litro, acima dos

US$ 0,55 registrados em dezembro

de 2024. No acumulado

de 2025, as receitas

totalizaram US$ 934 milhões,

retração de 11,2% frente ao

ano anterior, apesar da elevação

do preço médio do litro

exportado de US$ 0,56 em

2024 para US$ 0,58 em 2025.

Em dezembro, a Coreia do Sul

permaneceu como principal

destino do etanol brasileiro,

com 98 milhões de litros,

equivalentes a 56,5% do total

exportado no mês. Na sequência,

os Países Baixos absorveram

40 milhões de litros

(23,2%), principal porta de entrada

do produto na Europa,

enquanto as Filipinas importaram

15 milhões de litros

(8,8%).

No acumulado de 2025, a Coreia

do Sul também liderou as

compras, com 780 milhões de

litros (48,4% do total), praticamente

estável na comparação

anual (-0,3%). Os Estados

Unidos figuraram como o segundo

principal destino, com

253 milhões de litros (15,7%),

queda de 18,4% frente a 2024.

Em contrapartida, os Países

Baixos ampliaram suas compras,

totalizando 221 milhões

de litros (13,7%), alta de

45,3% em um ano.

Outros destinos relevantes incluíram

Gana, com 61 milhões

de litros (3,8%), e Camarões,

com 49 milhões de litros

(3,0%), ambos com expansão

expressiva das importações,

de 40,8% e 129,1%, respectivamente.

Por outro lado, Filipinas

(3,8%) e Nigéria (2,8%)

reduziram suas compras de

etanol brasileiro em 36,3% e

59,9%, respectivamente. Os

demais 66 destinos responderam

por apenas 8,9% do volume

exportado em 2025.

Por outro lado, as importações

brasileiras de etanol registraram

forte crescimento em

2025, totalizando 319 milhões

de litros, avanço de 66,2% frente

a 2024 e o maior volume importado

desde 2021. Do total

adquirido, 43,9% tiveram origem

nos Estados Unidos,

29,9% no Paraguai e 26,2% na

Argentina, segundo a SECEX.

Jornal Paraná 7


AÇÚCAR

Queda de preços, desafios climáticos

e volatilidade marcam 2025

Em 2026, o aumento da moagem no Brasil e da produção de etanol de milho

deve gerar excedente de açúcar para exportação, enquanto estoques

globais elevados devem seguir pressionando os preços internacionais

Oano de 2025 foi

marcado por uma

conjuntura desafiadora

para o mercado

global do açúcar, influenciado

por fatores econômicos,

geopolíticos e climáticos que

impactaram o desempenho da

commodity ao redor do

mundo. A equipe de Inteligência

de Mercado da StoneX

realizou um balanço dos principais

acontecimentos do ano

e do que se espera para o

setor em 2026.

O balanço de 2025 evidencia

uma conjuntura de oferta robusta,

demanda retraída e um

ambiente global instável, consolidando

a tendência de queda

dos preços do açúcar. Os desafios

climáticos, as mudanças

estruturais no consumo e os

desdobramentos geopolíticos

permanecerão como pontos de

atenção para o setor em 2026,

exigindo acompanhamento

atento e estratégias adaptativas

dos principais agentes do mercado.

No que diz respeito aos preços,

o açúcar bruto negociado em

Nova Iorque encerrou o ano de

2025 em forte baixa pelo segundo

ano consecutivo, com o

contrato março/26 cotado a

US¢ 15,01/lb em 31/12/2025,

o que representa uma queda

anual de 22,1%, a maior registrada

desde 2017. Esse movimento

foi resultado de um

mercado sobre ofertado, mesmo

diante do déficit global no

ciclo 2024/25, impulsionado

pela robustez dos estoques

asiáticos e africanos, além do

recorde brasileiro de exportações

no ano anterior. Importadores

reduziram compras e o

consumo em mercados-chave,

como Índia e China, ficou

aquém do esperado, levando à

necessidade de revisões nas

projeções globais e consolidando

o viés baixista do mercado.

O início do ano chegou a ensaiar

uma recuperação, mas o

volume recorde de entregas nos

contratos de março e maio em

Nova Iorque evidenciou a fraqueza

da demanda física. Em

março, as entregas ultrapassaram

34 mil lotes (1,75 milhão

de toneladas), reforçando o

sentimento negativo que se intensificou

ao longo do ano, com

novo volume expressivo registrado

em outubro e o contrato

NY#11 atingindo o piso de US¢

14/lb em novembro.

Na Ásia, a preocupação inicial

com a produção foi gradualmente

substituída por otimismo,

especialmente devido às

chuvas abundantes registradas

na Índia e no Sudeste Asiático,

que favoreceram a safra 2025/

26. A Índia, após perdas expressivas

no ciclo anterior, projetou

uma recuperação com

estimativas acima de 30 milhões

de toneladas e anunciou

uma nova cota de exportação

de 1,5 milhão de toneladas para

a temporada. Por outro lado, a

China ampliou suas importações

para até 4,8 milhões de toneladas,

mas, mesmo assim,

não conseguiu sustentar os

Olhar sobre o ambiente global

O ambiente de oferta robusta

foi reforçado pela expectativa

de superávit global de 3,7 milhões

de toneladas em

2025/26 e pelas revisões para

baixo no consumo, especialmente

devido à retração da

demanda nos Estados Unidos

e à estagnação na China.

Esse cenário pressionou ainda

mais as cotações, atraindo

os fundos especulativos, que

ampliaram posições vendidas,

aproveitando fundamentos

pessimistas e um ambiente

macroeconômico global

de maior aversão ao risco.

Assim, o fluxo financeiro direcionado

ao mercado de açúcar

foi reduzido, intensificando

a volatilidade e fortalecendo

o viés baixista já predominante.

A volatilidade dos mercados

em 2025 foi acentuada por

instabilidades geopolíticas e

macroeconômicas. Dois conflitos

regionais relevantes na

Ásia, a escalada de tensões

na Caxemira e os confrontos

entre Tailândia e Camboja,

trouxeram preocupações pontuais

sobre a oferta, colocando

em risco áreas produtoras

estratégicas e ampliando

a percepção de risco

no setor. Esses episódios,

aliados ao uso crescente de

instrumentos protecionistas e

à fragmentação das relações

comerciais globais, reforçaram

o ambiente de cautela

entre investidores e agentes

do mercado.

preços globais diante da oferta

abundante, resultado do crescimento

da produção regional e

do contexto internacional favorável

ao aumento dos estoques.

No Centro-Sul do Brasil, apesar

de um ano marcado por

instabilidade climática, a região

manteve sua moagem acima

de 600 milhões de toneladas

em 2025/26. As limitações de

produtividade causadas pelo

Em 2026, o mercado brasileiro

de açúcar deve ser influenciado

pela competição entre açúcar e

etanol. No início do ciclo

2026/27, é esperado que as

usinas priorizem o etanol devido

aos melhores preços, mas o

aumento da moagem de cana

(620 milhões de toneladas) e

da produção de etanol de milho

limita o potencial de alta do álcool.

Mesmo com possível redução

do mix açucareiro, o

maior volume de cana e ATR

deve garantir um excedente de

açúcar para exportação acima

de 35 milhões de toneladas.

clima foram compensadas

pela maximização do mix açucareiro,

com expectativa de encerrar

o ciclo próximo a 40,2

milhões de toneladas de açúcar.

A estratégia adotada pelas

usinas e a maturidade dos investimentos

do setor garantiram

a oferta, mantendo o

Brasil como principal pilar exportador

e contribuindo para a

pressão baixista sobre os preços

internacionais.

Expectativas para 2026

No mercado internacional, o

alto volume exportado pelo

Brasil em 2025 recompôs estoques

e reduziu a demanda

global no primeiro semestre

de 2026. Apesar de leve

recuperação nas importações

no segundo semestre, a oferta

seguirá acima das compras,

mantendo a pressão

baixista. O ritmo de exportações

brasileiras será decisivo

e, caso haja expectativa de

déficit global para 2026/27,

as importações podem subir

e aumentar a volatilidade no

setor.

8 Jornal Paraná



ESTUDO

Zerar e até negativar a

pegada de carbono do etanol

A integração de bioenergia com captura e armazenamento de carbono e a

aplicação de biocarvão em áreas agrícolas podem ampliar os ganhos ambientais

Estudo de cientistas da

Embrapa Meio Ambiente

(SP) e da Universidade

Estadual de Campinas

(Unicamp) mostra que a

adoção de tecnologias promotoras

de emissão negativa é

capaz de transformar radicalmente

a pegada de carbono do

etanol brasileiro, reduzindo-a a

patamares próximos de zero ou

até mesmo negativos.

A pesquisa avaliou como a integração

de bioenergia com

captura e armazenamento de

carbono (no inglês, Bioenergy

with Carbon Capture and Storage

- BECCS) e com a aplicação

de biochar (ou biocarvão)

em áreas agrícolas poderiam

ampliar os ganhos ambientais

do RenovaBio, política nacional

de biocombustíveis lançada em

2017. Apesar do alto potencial

nos efeitos no clima, os resultados

também revelam que a

viabilidade depende de novos

mecanismos de incentivo econômico

e regulatório.

O BECCS é uma tecnologia que

captura o carbono biogênico,

de origem vegetal, emitido na

produção de etanol e energia

em usinas de cana-de-açúcar.

Durante a fermentação do caldo

e a queima do bagaço e da

palha para gerar vapor e eletricidade,

há liberação de CO₂,

que pode ser capturado e injetado

em formações rochosas

subterrâneas não porosas, onde

permanece armazenado de

forma segura. O processo, ainda

caro e complexo, exige prospecção

geológica e infraestrutura

adequada. No Brasil, a

Usina FS é pioneira na aplicação

do BECCS, iniciativa que

reforça o papel dos biocombustíveis

na redução das emissões

e na transição para uma economia

de baixo carbono.

Trata-se de uma tecnologia que

combina a geração de energia

a partir de biomassa com a

captura e o armazenamento

geológico do CO₂ emitido no

processo (nesse caso, em uma

usina de cana-de-açúcar). Já o

biochar, ou biocarvão, é um

material vegetal - como o bagaço

de cana - submetido à pirólise,

processo de aquecimento

com pouco oxigênio

que o transforma em uma estrutura

sólida e estável de carbono.

Aplicado ao solo, o

biochar melhora suas propriedades

físicas e atua como um

reservatório de carbono de

longa duração, ajudando no sequestro

de CO₂ e na sustentabilidade

agrícola.

Baseando-se na metodologia

oficial do programa, a intensidade

de carbono (IC) do etanol

hidratado brasileiro é de cerca

de 32,8 ramas de dióxido de

carbono equivalente por megajoule

(gCO₂e/MJ), medida que

expressa o total de gases de

efeito estufa emitidos adotando

o CO₂ como unidade padrão.

Caso o BECCS fosse incorporado

na etapa de fermentação,

o índice poderia cair para

+10,4 gCO₂e/MJ. A aplicação

de biochar nos canaviais, na

proporção de uma tonelada por

hectare, reduziria o valor para

+15,9 gCO₂e/MJ, explica Lucas

Pereira, pesquisador associado

à equipe de Avaliação do

Ciclo de Vida da Embrapa Meio

Ambiente. “Em cenários mais

ambiciosos, a captura de carbono

também durante a combustão

da biomassa permitiria

resultados negativos, alcançando

–81,3 gCO₂e/MJ,” relata

Pereira.

O resultado de ambos - BECCS

e biochar - evita que o carbono

retorne à atmosfera. O biochar

é um insumo agrícola obtido do

aquecimento de biomassa vegetal,

formando um material estável

que, ao ser aplicado ao

solo, mantém o carbono fixado.

Já no BECCS, o CO₂ emitido

nas caldeiras e na fermentação

é capturado e injetado sob pressão

em formações geológicas

no subsolo.

Captura em duas frentes

Apesar da relevância, nenhuma

das mais de 300 usinas

certificadas pelo RenovaBio

adota hoje essas tecnologias.

O principal entrave está

nos custos: enquanto os créditos

de descarbonização

(CBIOs), negociados em bolsa,

giram em torno de US$ 20

por tonelada de CO₂, os custos

estimados de BECCS variam

entre US$ 100 e US$

200/tCO₂ até meados do século.

Já o biochar, com benefícios

comprovados de sequestro

de carbono no solo,

custa em média US$ 427 por

tonelada.

De acordo com a pesquisadora

da Embrapa Meio Ambiente

Nilza Patrícia Ramos, o estudo

analisou duas frentes de aplicação

do armazenamento de

carbono na cadeia de etanol:

durante a fermentação alcoólica

e na geração de eletricidade

a partir de bagaço e

palha.

“A fermentação se mostra a

opção mais promissora, já que

o CO₂ emitido nesse processo

é relativamente puro e tecnicamente

mais fácil de capturar. A

captura na combustão, embora

capaz de gerar emissões

negativas em larga escala, esbarra

em custos muito mais

10

Jornal Paraná


altos e em desafios de infraestrutura,

como transporte e armazenamento

geológico do

carbono”, disse Ramos.

Ainda que já existam plantaspiloto

testando o armazenamento

de carbono em usinas

de etanol de milho no Brasil,

nenhuma unidade sucroenergética

opera com a tecnologia.

Os especialistas apontam que

é necessário mapear formações

geológicas adequadas

para o armazenamento permanente

do CO₂ e garantir a segurança

contra vazamentos.

A segunda tecnologia avaliada,

o biochar, é um produto da pirólise

de resíduos como palha

e bagaço. Quando aplicado ao

solo, destaca o pesquisador da

Embrapa Meio Ambiente Cristiano

Andrade, ele atua como

corretivo agrícola e pode sequestrar

carbono de forma estável

por décadas. A pesquisa

considerou duas taxas de aplicação:

1 t/ha, compatível com

a rotina atual das usinas, e 4

t/ha, que seria o limite viável

diante da disponibilidade de resíduos.

Cada tonelada de biochar

pode representar o

sequestro de 1,42 tCO₂e.

Além do sequestro direto, Andrade

esclarece que o biochar

pode melhorar a fertilidade do

solo e reduzir emissões de

óxido nitroso (N₂O), gás de

efeito estufa muitas vezes mais

potente que o CO₂. No entanto,

experimentos de curta duração

mostram que, em alguns

casos, as emissões de CO₂

podem aumentar após a aplicação,

além do efeito negativo

na fertilidade, em usos excessivos.

Comparação com gasolina e veículos elétricos

Para dimensionar o impacto,

os pesquisadores compararam

os cenários dos veículos movidos

a etanol, a gasolina e elétricos,

usando dados do Programa

Brasileiro de Etiquetagem

Veicular (PBEV) e do

banco internacional ecoinvent.

Mesmo sem tecnologias de

emissão negativa, o etanol de

cana, sendo biogênco, apresenta

menor intensidade de

carbono que a gasolina, de origem

fóssil. Com a adoção de

BECCS e biochar, a diferença

se amplia e, em alguns cenários,

o etanol pode apresentar

desempenho ambiental comparável

ou até superior ao de

veículos elétricos carregados

com eletricidade média do sistema

brasileiro.

O RenovaBio foi criado para estimular

a produção de biocombustíveis

com baixa emissão de

gases de efeito estufa (GEE) por

meio da emissão do CBIO –

ativo ambiental comercializado

em bolsa de valores - que cuja

unidade equivale a uma tonelada

de CO₂ evitada. Os créditos

são adquiridos por distribuidoras

de combustíveis fósseis

para compensar suas emissões,

criando um mercado regulado.

Embora o programa já tenha

consolidado um incentivo financeiro,

ele pode não ser suficiente

para viabilizar tecnologias

caras como a captura e armazenamento

de carbono e biochar.

A pesquisa sugere que

políticas complementares, linhas

de financiamento e a participação

no mercado voluntário

de carbono (VCM) serão cruciais

para destravar esses investimentos.

Em países como

os Estados Unidos, por exemplo,

o crédito tributário 45Q remunera

projetos de captura de

carbono com até US$

180/tCO₂, valor muito acima da

média praticada no Brasil.

Se implementadas em larga

escala, as tecnologias poderiam

gerar ganhos expressivos.

O estudo estima que a

combinação de armazenamento

de carbono (fermentação

e combustão) e biochar

em todas as usinas certificadas

poderia resultar em até

197 MtCO₂e em créditos de

carbono, o equivalente a 12%

de todas as emissões brasileiras

em 2022. O cenário mais

viável, com BECCS aplicado

apenas na fermentação, capturaria

cerca de 20

MtCO₂e/ano, uma média de

75 kt por usina.

Desafios para avançar

O impacto seria decisivo para o

cumprimento das metas climáticas

brasileiras, que preveem

reduzir as emissões líquidas

para 1.200 MtCO₂e até 2030 –

cerca de 500 Mt a menos do

que em 2022.

Apesar do otimismo, os autores

alertam para lacunas importantes.

A maior parte das usinas

ainda apresenta fragilidades no

inventário de dados agrícolas, o

que pode levar a superestimativas

ou subestimativas das

emissões. Além disso, a análise

de mudanças no uso da terra,

central para a sustentabilidade

da bioenergia, ainda carece de

maior detalhamento.

O estudo reforça, contudo, que

o Brasil tem condições de liderar

a transição para combustíveis

de “emissão negativa”.

Segundo maior produtor mundial

de etanol e biodiesel, o

país dispõe de infraestrutura

agrícola e industrial robusta e

de políticas já consolidadas,

como o RenovaBio.

Na avaliação dos pesquisadores,

o etanol brasileiro já ocupa

posição de destaque como

combustível de baixo carbono,

mas poderia dar um salto qualitativo

com a adoção de tecnologias

de “emissão negativa”.

Isso colocaria o país na

vanguarda da transição energética

global, disputando espaço

não apenas com fósseis,

mas também com veículos

elétricos e hidrogênio verde.

Para que isso ocorra, será

necessário equilibrar inovação

tecnológica, mecanismos

econômicos e políticas

públicas mais ambiciosas. O

futuro do etanol, conclui o

estudo, dependerá menos da

disponibilidade técnica e

mais da capacidade de o Brasil

articular incentivos econômicos

que tornem o carbono

negativo um ativo competitivo

no mercado internacional.

O artigo, de autoria dos pesquisadores

Lucas Pereira, Marília

Folegatti, Nilza Patrícia

Ramos, Cristiano Andrade,

Anna Pighinelli (Embrapa

Meio Ambiente), e Rosana

Galindo e Joaquim Seabra

(Unicamp), foi publicado na

ScienceDirect.

Jornal Paraná 11


DOIS

União Europeia-Mercosul

Mesmo avaliando que o impacto

do acordo entre a União

Europeia e o Mercosul para o

agronegócio será limitado e

gradual, o BTG Pactual vê

café, aves, etanol e açúcar

como os segmentos com

maior potencial de ganho estrutural.

Há espaço para diversas

empresas do setor se

beneficiarem do acordo no

longo prazo, ainda que de

forma modesta e progressiva,

com melhora nas condições

de preços e leve ampliação

dos mercados endereçáveis

de exportação. Ainda assim, o

PONTOS

banco ressalta que há nuances

importantes para os produtos

do agronegócío.

O BTG ressalta três pontos de atenção: O acordo ainda precisa ser ratificado, o que

abre espaço para ajustes regulatórios; A distribuição das cotas entre os países do

Mercosul só será definida após a ratificação, limitando a visibilidade sobre os impactos

para o Brasil; A maior parte das reduções tarifárias e cotas será implementada de

forma gradual, reduzindo os efeitos no curto prazo.

O acordo mantém a cota existente

de 180 mil toneladas de

açúcar e elimina as tarifas

dentro desse volume. Essa

cota equivale a cerca de 3%

das exportações brasileiras

Para o etanol, foi criada uma

cota de 650 mil toneladas,

sendo 450 mil toneladas livres

de tarifa, destinadas à indústria

química, e as 200 mil toneladas

restantes sujeitas a uma tarifa

de € 6,4 por hectolitro.

Esses volumes representam

As exportações brasileiras de

açúcar sofreram uma retração

de 19,3% no ano de 2025

em relação a 2024, e ficaram

em 30,864 milhões de toneladas,

de acordo com dados

do Agrostat, do Ministério da

Atenção

Açúcar

de açúcar em 2025, mas as

vendas para a União Europeia

já superam esse limite em

aproximadamente 670 mil toneladas,

o que indica um impacto

incremental limitado.

Etanol

cerca de metade das exportações

totais de etanol do Brasil

e mais de três vezes o que a UE

importou do país em 2025.

Ainda assim, como as exportações

respondem por apenas

4% da produção total de etanol,

o impacto é limitado. Com a

Exportações

Na prática, os produtores

podem se beneficiar de preços

realizados mais elevados

dentro da cota, mas os volumes

exportados tendem a

mudar pouco.

expansão do etanol de milho

adicionando entre 1 e 2 bilhões

de litros de capacidade por

ano, um mercado exportador

mais amplo e com preços melhores

é visto como positivo,

embora insuficiente em termos

de volume.

Agricultura. A redução dos

embarques ocorreu mesmo

diante de uma produção

maior na safra 2025/26 no

Brasil, e se deu em meio à recuperação

da oferta global de

açúcar. A receita com as exportações

brasileiras teve

uma queda de 30% e ficou

em US$ 13 bilhões. A redução

da receita foi mais acentuada

que a do volume por

causa da queda dos preços

internacionais.

Restrições ao Irã

O Irã é o 11 principal destino

dos produtos agropecuários

do Brasil. Mas a importância

do país do Oriente Médio para

o agronegócio nacional vai

além dos produtos que consome.

Dados do Comex Stat,

sistema do Ministério do Desenvolvimento,

Indústria, Comércio

e Serviços (MDIC),

Anúncio de tarifas dos EUA

contra quem exporta ao Irã

acendeu um alerta sobre possíveis

impactos ao comércio

brasileiro. As exportações do

agronegócio brasileiro para o

Irã totalizaram US$ 2,92 bilhões

em 2025, queda de

2,7% em relação a 2024,

quando os embarques somaram

US$ 3,00 bilhões. O

complexo sucroalcooleiro

somou US$ 189,1 milhões

em 2025, participação de

6,5% nas exportações do

agro para o Irã. O valor ficou

abaixo do observado em

2024, acompanhando o movimento

geral de queda das

vendas ao país.

Importação

Em um ano em que o etanol

surge como possível fonte de

fôlego para as usinas, diante de

preços e margens comprimidas

do açúcar, a rápida expansão

do biocombustível de milho

desponta como mais um fator

de preocupação para o setor

sucroenergético. O avanço

desse biocombustível intensifica

a concorrência no mercado.

Uma maior oferta de

etanol - somada a uma produção

elevada de etanol de canade-açúcar

e à perspectiva de

um mix mais alcooleiro na safra

2026/27 - tende a pressionar as

cotações e reduzir margens,

indicam que as importações

de produtos agrícolas do Irã

somaram US$ 84,5 milhões

em 2025. O principal foi a

ureia, insumo essencial para

a fabricação de fertilizantes

nitrogenados. Somente a

ureia respondeu por US$ 66,8

milhões do total importado no

ano.

Etanol de milho

em um ambiente já bastante

desafiador para as usinas. Para

o início da próxima safra, que

começa em abril, a expectativa

ainda é de preços mais firmes

para o biocombustível, o que

pode trazer algum alívio no

curto prazo. No entanto, o cenário

estrutural inspira cautela.

Na avaliação do professor do

Insper, Marcos Jank, uma expansão

excessiva do etanol de

milho pode criar distorções no

mercado, afetando diretamente

a competitividade do etanol de

cana e forçando o setor a direcionar

mais cana para a produção

de açúcar.

12

Jornal Paraná


CANA-DE-AÇÚCAR

Inovação e planejamento:

forças que transformam o plantio

Usinas e fornecedores enfrentam historicamente desafios conhecidos:

janelas climáticas estreitas, riscos de estiagem ou excesso de chuva

e a necessidade de sincronizar logística, insumos e equipes

Por Marcos Dallagnese,

diretor Comercial da Orbia

Oplantio da cana-deaçúcar

é uma das etapas

mais decisivas do

ciclo produtivo. Cada

hectare exige investimentos significativos

em melhoramento

genético, fertilizantes, defensivos

e operações mecanizadas.

Qualquer falha nesse processo

repercute por anos, já que se

trata de uma cultura semiperene.

No Centro-Sul, responsável

por mais de 90% da produção

nacional, atrasos no

plantio podem reduzir a produtividade

em até 20 toneladas

por hectare, comprometendo

diretamente a rentabilidade do

produtor.

Usinas e fornecedores enfrentam

historicamente desafios

conhecidos: janelas climáticas

estreitas, riscos de estiagem ou

excesso de chuva e a necessidade

de sincronizar logística, insumos

e equipes. Nesse cenário,

o planejamento antecipado

torna-se um diferencial competitivo.

Ele reduz custos, assegura

insumos no momento

adequado e ajusta o cronograma

às condições climáticas,

ampliando a longevidade e o

vigor do canavial. Estudos técnicos

indicam que programar

previamente compras e logística

pode reduzir em até 15% os

custos operacionais do plantio.

Ao mesmo tempo, o setor canavieiro

vive uma transformação

profunda. Agricultura de

precisão, integração de dados

climáticos e de solo, mercado

de carbono, bioenergia, automação,

inteligência artificial e

até blockchain passam a compor

o novo ecossistema da produção.

A combinação entre

dados, tecnologia e relacionamento

tornou-se o caminho

mais rápido para gerar eficiência

e valor.

A digitalização acelerou essa

mudança. Plataformas agrícolas

ampliaram o monitoramento,

a rastreabilidade e a eficiência

logística, permitindo ao produtor

comparar tecnologias,

preços, fornecedores confiáveis

e planejar compras com base

em dados históricos. Hoje,

mais de 70% dos produtores já

utilizam ferramentas digitais

para a gestão de insumos - um

movimento que reduz riscos e

melhora a performance operacional.

Outras tecnologias também vêm

redefinindo o manejo. O georreferenciamento

de máquinas

possibilita operações com precisão

milimétrica, garantindo gestão

de tráfego que diminui o

pisoteio das linhas, favorece o

desenvolvimento e aumenta a

longevidade do canavial. O mapeamento

detalhado do solo viabiliza

a aplicação em taxa variável,

otimizando o uso de corretivos

e fertilizantes conforme

as necessidades de cada área. A

irrigação assegura melhor implantação

e vigor contínuo, enquanto

drones aplicados na pulverização

de catação realizam

controles pontuais de plantas

daninhas. Já a rotação de culturas,

como a soja em áreas de reforma,

melhora a matéria orgânica,

controla invasoras e impulsiona

a produtividade futura.

Quando plataformas digitais conectam

produtores, fornecedores

e especialistas, criam-se

redes de inteligência que transformam

decisões em resultados

concretos. É possível prever

demandas, negociar com

estratégia e gerenciar o ciclo

produtivo de forma integrada e

segura.

A evolução do plantio da cana

passa, inevitavelmente, pela integração

entre planejamento e

tecnologia. Quem decide com

base em dados colhe mais, investe

melhor e constrói um caminho

sólido rumo à sustentabilidade

e à rentabilidade.

Marcos Dallagnese é Engenheiro

Agrônomo formado

pela UFSM (Universidade Federal

de Santa Maria). Acumula

23 anos de experiência

nos setores Químico e do

Agronegócio, com uma sólida

trajetória em empresas de referência,

na área comercial e

de marketing. Possui MBA em

Gestão Comercial pela FGV

(Fundação Getúlio Vargas) e

formação executiva em Agronegócio

pela John Molson

School of Business - Concordia

University. Na Orbia,

maior plataforma digital integrada

do agronegócio na

América Latina, assume a

missão de liderar a estratégia

comercial da companhia no

Brasil, com foco em fortalecer

a proposta de valor junto a

agricultores e parceiros da

cadeia.

Jornal Paraná

13


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