edição de 19 de janeiro de 2026
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propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.075 - 19 de janeiro de 2026 R$ 20,00
Freepik
IA ganha escala na publicidade e
desafia autoria, cultura e intenção
A inteligência artificial deixou o campo experimental e passou a ocupar o centro das estratégias de marcas e agências, impulsionada pela promessa de
escala e personalização. Mas, à medida que campanhas passam a ser desenvolvidas com apoio da tecnologia, o debate se desloca: não basta saber se a
IA funciona, e sim o que está sendo escalado e a que custo. Profissionais apontam ganhos claros de eficiência, mas também alertam para riscos culturais,
jurídicos e simbólicos. Em um setor pressionado por volume, a discussão sobre autenticidade e intenção humana ganha peso. A reportagem investiga como
a IA está sendo aplicada na prática, onde ela entrega valor real e por que escalar não é, necessariamente, sinônimo de impacto. pág. 12
Volta às aulas leva marcas a
reverem estratégias de comunicação
Divulgação
Wise Up, Cultura Inglesa, CNA, Wizard by Pearson e BIC lançam campanhas e ações para dialogar
com um consumidor mais cauteloso, em um cenário de maior comparação de preços
e decisões tratadas como investimento. pág. 24
Agências tratam
saúde mental como
pauta de gestão
Pressão por resultados, metas e alta exigência
criativa balançam o bem-estar emocional
dos colaboradores. A partir do ‘Janeiro
branco’, lideranças discutem ações permanentes
e mudanças estruturais no ambiente
de trabalho. “Equipes saudáveis são mais
produtivas, inovadoras e conectadas”, avalia
Rejane Romano, do Publicis Groupe. pág. 20
Divulgação
editorial
Armando Ferrentini
IA e saúde mental
Do hype ao temor de que empregos serão perdidos, a inteligência artificial continua
impactando o mercado de trabalho sob vários aspectos. Aprender a usar
bem a ferramenta é o atual desafio. Já há relatos de empresas que demitiram
funcionários que não se adaptaram ou não conseguiram incorporar a IA a sua rotina.
Na publicidade não seria diferente. Setor que depende fundamentalmente do talento
humano, a propaganda vive um momento em que a IA se tornou parte da rotina dentro
de agências e clientes, mas uma coisa é certa: ela não substitui o pensamento criativo.
A tecnologia acelera processos, não necessariamente reduz custos, mas escala campanhas
publicitárias, sendo que o grande teste dos profissionais é como fazer bom uso da
IA, com ética e transparência, de uma forma que a publicidade não se torne pasteurizada.
Ou seja, que não fique tudo igual e a criatividade seja relegada a segundo plano.
Matéria de capa desta edição revisita o tema, trazendo depoimentos de lideranças do
mercado para mostrar os ganhos reais da tecnologia e os limites do modelo. Um dos
caminhos sem volta é a maneira como a IA mudou totalmente o processo de criação.
Se antes a folha em branco era o ponto de partida, agora os profissionais entram na era
da curadoria intelectual.
Uma vez que a tecnologia virou commodity, o verdadeiro diferencial competitivo é o
pensamento crítico que criativos e produtores colocam sobre aquilo que a ferramenta entrega.
Não se trata também de aumentar o volume, produzindo mais conteúdo que não
comunica nem entrega valor.
A questão fundamental é usar o ‘tempo economizado’ para refinar estratégias e ampliar
o olhar, pois no final a decisão sempre será humana. Uma boa analogia é que a inteligência
artificial acelera o ‘como’, mas não resolve o ‘o quê’. 2026 promete ser um ano
de maturação do entendimento de que a IA automatiza o volume e libera os humanos
para o valor. “O erro é achar que isso reduz custos sem exigir investimento em talento
mais qualificado”, observa Allan Barros, CEO da Pullse e da Acelerai.
Outro destaque desta edição é uma matéria sobre o ‘Janeiro branco’ no mercado publicitário.
Aproveitando o mês da campanha que convida a sociedade a cuidar da saúde
mental e emocional, a reportagem do propmark ouviu agências brasileiras para mostrarem
as iniciativas que desenvolvem para manter o bem-estar de seus colaboradores.
Em um setor que convive com pressão criativa, alta competitividade e prazos curtos
constantemente, a questão não pode nem deve ser tratada com ações pontuais, mas
sim com iniciativas duradouras ao longo do ano.
A Africa Creative, por exemplo, investe na construção de diálogo por meio do programa
‘Saúde janeiro a janeiro’, além de iniciativas voltadas à integração e ao bem-estar físico,
como grupos de corrida e encontros semanais fora do ambiente do escritório.
Já no Publicis Groupe, além da plataforma LionCare, que oferece telemedicina e terapia
online, e parcerias com Wellhub e Totalpass, existe um direcionamento para apoiar os
colaboradores no cuidado com a saúde financeira, reconhecendo seu impacto direto
na saúde mental.
A TV1, que no primeiro dia do ano recebeu os funcionários com um livro de reflexões,
implementa práticas como ‘Short friday’, day off no aniversário, políticas de trabalho remoto
temporário para cuidado com familiares e o monitoramento constante do clima
organizacional.
Falando em livro, há empresas que têm adotado clube do livro entre seus colaboradores
como forma de distração e bem-estar. Vale lembrar que em um país que
ocupa o segundo lugar no ranking mundial de casos diagnosticados de síndrome
de Burnout, segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), é fundamental
investir em clima organizacional para a longevidade dos talentos.
Frase: “Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente”
(Érico Veríssimo).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
Keeta inaugura primeiro Centro
de Suporte a Entregadores no Brasil
Espaço em São Paulo reúne descanso, atendimento operacional e
treinamento para parceiros. A iniciativa integra uma estratégia mais ampla
de suporte, tecnologia e segurança para entregadores da plataforma.
3ª
Pipo Calazans abre agência
para atender iFood e JHSF
Ex-CEO da DM9, o executivo prepara nova agência em parceria com Thomaz
Tagliaferro. Segundo fontes do propmark, iFood, Decolar e JHSF estariam
entre os primeiros clientes do novo negócio.
Sadia aposta em campanha para
reforçar consumo de frios no verão
Criada pela Africa Creative, a comunicação amplia a presença da marca
no verão com filmes para TV, desdobramentos digitais, OOH e ações com
influenciadores. A estratégia destaca praticidade, versatilidade e receitas
rápidas para diferentes momentos do dia.
4ª
Com Copa, eleições e avanço da IA, lideranças do setor apontam foco maior
em execução, eficiência e impacto mensurável, mantendo o valor humano
como diferencial da criatividade.
5ª
Agências redesenham estratégias
diante de um ambiente mais exigente
Live marketing deve ganhar papel
estratégico em 2026, aponta Ampro
Levantamento da entidade indica crescimento do segmento, com destaque
para tecnologia, dados, personalização e comunidades como vetores de
expansão nas estratégias das marcas.
jornal propmark - 19 de janeiro de 2026 3
índice
Publicitários avaliam
prós e contras do
uso da IA na criação
A inteligência artificial
deixou de ser novidade, mas
agências e marcas ainda
testam os limites do uso da
ferramenta. Ela funciona bem
com uma boa curadoria
intelectual, mas traz desafios
de autoria e autenticidade.
Flint tem nova CEO para acelerar
negócios da creator economy
12
A plataforma de edutainment Flint inicia 2026 com uma
nova liderança executiva, com a chegada de Manuela
Villela como nova CEO. Ela também integrará o quadro
societário, ao lado de Thiago Gomes (COO) e Fernanda
Paiva (brand advisor). pág. 19
CEO do Beto Carrero World fala
sobre o crescimento do parque
Alex Murad, filho do
fundador do Beto Carrero,
conta como acompanhou
desde a infância a
transformação da antiga
fazenda no maior parque
temático da América
Latina. O local completa
34 anos, se consolidando
como um dos principais
destinos turísticos do
país, com mais de cem
atrações. pág. 8
propmark
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Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
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As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................3
Conexões ...........................................................................6
Curtas .................................................................................7
Entrevista ..........................................................................8
Quem Fez ...........................................................................10
Mercado .............................................................................12
Digital ................................................................................19
Agências ............................................................................20
Marcas ...............................................................................24
Out of Home ......................................................................28
Opinião...............................................................................29
Inspiração ..........................................................................31
ESG no MKT ........................................................................32
Click do Alê ........................................................................33
Última Página ....................................................................34
99Food estreia no
Recife com campanha
de OOH da Kallas Mídia
A 99Food marca sua entrada no
mercado do Recife com uma
operação de out of home
desenvolvida nos ativos da Kallas
Mídia OOH. A estratégia
ocupa os principais corredores
urbanos da capital pernambucana
e municípios do entorno. pág. 28
4 19 de janeiro de 2026 - jornal propmark
conexões
última hora
A Samsung Ads anunciou um novo
time executivo para a América
Latina, com reforços no Brasil e no
México.
Sucesso, Felipe!
Thaís Vicenzi
neooh
O Instituto Ayrton Senna celebra 30 anos de atuação com uma campanha institucional que
reforça a importância da educação para o desenvolvimento do Brasil. Com o conceito ‘Na
corrida pelo futuro, o grande prêmio do Brasil é a educação’, a iniciativa, criada pela agência
35, passa a contar com o apoio da NEOOH, que amplia a visibilidade da comunicação em um
circuito nacional de mídia out of home. A parceria prevê a veiculação da campanha em ativos
digitais distribuídos por parques, terminais rodoviários, aeroportos e academias Bodytech.
“A NEOOH tem em seu DNA o apoio a inúmeras causas sociais e buscamos nos unir a projetos
que promovam iniciativas em pilares como educação e inclusão. O trabalho de longa data do
Instituto Ayrton Senna é amplamente reconhecido, necessário e faz uma grande diferença
para a sociedade”, diz Leonardo Chebly, CEO da NEOOH. Inspirado no legado de Ayrton Senna,
tricampeão mundial de Fórmula 1, o instituto atua desde 1994 como um centro de inovação
em educação, com iniciativas voltadas ao desenvolvimento do potencial de crianças e jovens.
Obrigado, propmark.
Eraldo Benazzi
Congratulations, Felipe Lacordaire, well
deserved.
John Arciniegas
Muito feliz por você, Eraldo Benazzi!!!
Isabella Barreto
Pipo Calazans abre agência para
atender iFood e JHSF
Toda minha admiração e torcida,
Duailibi Essencial
@pipocalazans
ianblack
Muito sucesso! Arrepia!
andre_cais
Que bacana!! Break the leg, queridão!
natashacastro1
Pipo é fera! Vai brilhar.
sergiolima
Muito craque, sucesso!!!
rattoshow
“Inteligência é a rapidez em ver as coisas como são” (George Santayana).
dorinho
openai
A OpenAI anunciou a chegada de Maria Clara Fleury Osorio como head de marketing para a
América Latina. A executiva passa a liderar a estratégia da empresa na região, com o objetivo
de ampliar a conexão da marca com os públicos locais e apoiar o crescimento do ChatGPT
e das demais soluções da companhia. Com experiência em marketing para empresas de
tecnologia, na nova função será responsável por adaptar a estratégia de marketing da
OpenAI à realidade cultural da América Latina, conectando o uso de ferramentas de IA ao
cotidiano das pessoas por meio de comunicação, casos de uso e iniciativas alinhadas às
especificidades da região. Ela já atuou na Adobe e passou mais de uma década no Google.
oracle
Paulo Ribeiro é o novo diretor sênior de
marketing da Oracle para a América Latina.
O executivo responderá a Luiz Meisler, VP
executivo da Oracle para a região. Com mais
de 20 anos de experiência, Ribeiro construiu
sua trajetória em empresas de tecnologia
e plataformas globais como AWS, WeWork,
Wellhub e IBM. O executivo terá como foco
o fortalecimento do marketing estratégico
da Oracle na América Latina, conectando
objetivos de negócio, clientes e equipes.
Ribeiro afirma que sua visão de liderança
está baseada em colaboração, clareza e
na criação de ambientes que estimulem o
desempenho das pessoas.
6 19 de janeiro de 2026 - jornal propmark
curtas
Divulgação
ex-dm9, PiPo caLazaNS PrePara
aberTura de Nova agêNcia
Os executivos Pipo Calazans (foto) e Thomaz Tagliaferro, que dividiam o comando
da agência DM9 até a desativação da marca pela holding americana Omnicom
no início deste ano, estão preparando a abertura de uma nova agência de
comunicação multidisciplinar. Segundo fonte do propmark, as marcas iFood,
Decolar e JHSF seriam os primeiros clientes do portfólio do novo negócio. Os
anunciantes, como esclarece a fonte, não vão seguir com o Omnicom na nova
Lola\TBWA, anunciada para suceder DM9 e a Lew’Lara\TBWA. Um grupo nacional
de comunicação pode dar suporte à iniciativa que vem sendo construída desde o
fim do ano passado. No mercado, circula o nome do Dreamers. Mas a assessoria
de imprensa da empresa não confirma a informação. Consultado, o iFood, assim
como a Decolar, prefere não comentar o rumo da sua publicidade após o fechamento
da DM9. O Omnicom, porém, tem instrumentos para questionar na Justiça
a migração de clientes da DM9 por meio de ex-funcionários. A fonte acredita que
a medida já está sob a orientação de advogados.
Divulgação
iab tem novo head de políticas públicas
Gustavo Borges: “Chego ao IAB Brasil para ajudar a traduzir
a complexidade do ambiente digital”
O IAB Brasil divulgou a chegada
de Gustavo Borges para o cargo
de head de políticas públicas. O
executivo assume a função com a
missão de ampliar e estruturar o
diálogo da associação com o poder
público em temas ligados ao
desenvolvimento do ecossistema
de publicidade digital. Borges
atua há mais de 20 anos em
projetos que conectam tecnologia
e direitos humanos. Ao longo da
carreira, foi consultor do Supremo
Tribunal Federal e do Tribunal Superior
Eleitoral, além de integrar
comitês do Conselho Nacional de
Justiça. “Chego ao IAB Brasil para
contribuir com a qualificação
técnica do diálogo entre o ecossistema
de publicidade digital e o
poder público, ajudando a traduzir
a complexidade do ambiente
digital para os formuladores de
políticas públicas”, afirma Borges.
luca lima chega à we como vp de mídia
Ex-LePub, Luca Lima vai liderar equipe da agência composta por mais de 60 profissionais
A We anunciou a chegada de Luca Lima como vice-presidente de mídia. O executivo, que atuava
na LePub, passa a liderar a área responsável por integrar estratégias de mídia e dados às demandas
de negócio dos clientes da agência. Com mais de 17 anos de experiência no mercado
publicitário, Lima assume uma operação composta por mais de 60 profissionais, dedicada ao
atendimento de marcas como EMS, Cacau Show, Shopee, Grupo Petrópolis, BYD, Bridgestone e
Novibet, entre outras. “Estamos muito felizes em anunciar a chegada do Luca ao time. A experiência
e a visão estratégica dele serão fundamentais para consolidar a posição da We como
referência em soluções de comunicação integradas e orientadas por dados”, afirma Maurício
Almeida, managing director da We.
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Repense ganha a conta da spic bRasil investimentos em ia na miRa do vaRejo samsung ads amplia equipe executiva
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Otávio Dias (Repense) e Roberto Monteiro (SPIC Brasil)
A Repense conquista a conta de comunicação da SPIC Brasil. A
agência será responsável pela estratégia integrada de comunicação
da empresa, com foco em campanhas digitais, gestão
always on das redes sociais, comunicação interna e desenvolvimento
das campanhas publicitárias da marca. A SPIC Brasil
atua no segmento de geração de energia com foco em fontes
renováveis e integra o Grupo SPIC, presente em mais de 45
países. A parceria amplia a atuação da Repense em projetos
ligados a setores regulados e de alta complexidade, com
demandas institucionais e de governança. A SPIC Brasil soma
5,6 GW em ativos voltados à geração de energia e à transição
energética. Segundo a empresa, o investimento em inovação
e sustentabilidade amplia a relevância da comunicação.
90% dos varejistas devem aumentar verba para IA neste ano
A Nvidia divulgou a terceira edição do relatório ‘Estado da
IA no varejo e em bens de consumo embalados’, que analisa
como a inteligência artificial vem sendo aplicada nas operações
de varejo e CPG, com efeitos diretos em experiência do
cliente (CX), marketing, logística e cadeias de suprimentos.
Segundo o estudo, 91% dos entrevistados afirmam que suas
empresas já utilizam ou avaliam o uso de IA, enquanto 90%
indicam que devem aumentar os orçamentos destinados à
tecnologia em 2026. O foco dos investimentos recai sobre modelos
e softwares de código aberto, agentes de IA e soluções
de IA física, voltadas à automação de armazéns e operações
logísticas. Os dados também mostram impactos financeiros
associados à adoção da tecnologia.
Eraldo Benazzi, Felipe Lacordaire, Cris Camargo e José Melchert
A Samsung Ads anunciou a formação de um novo time de
liderança para a América Latina, com reforços estratégicos
no Brasil e no México. As nomeações marcam uma nova etapa
da operação regional da companhia, sob a gestão de José
Melchert, diretor sênior de vendas e operações Latam. Eraldo
Benazzi assume o cargo de head de sales Brasil, Cris Camargo
passa a liderar a área de agências e vendas indiretas Latam,
e Felipe Lacordaire ocupa a posição de head de operações de
negócios e finanças Latam. Segundo a empresa, a movimentação
acompanha a evolução do mercado de publicidade em
TV conectada (CTV) e a ampliação da atuação da Samsung
Ads na região. O objetivo é atuar com uma estrutura mais
organizada para o desenvolvimento de negócios.
jornal propmark - 19 de janeiro de 2026 7
entrevista
Alex MurAd
CEO do Beto Carrero World
Beto Carrero World transforma
legado familiar em estratégia
À frente do Beto Carrero World, Alex Murad,
filho do fundador Beto Carrero (João Batista
Sérgio Murad), acompanhou desde a
infância a transformação da antiga fazenda
no maior parque temático da América
Latina. Aos 34 anos, o empreendimento se
consolida como um dos destinos turísticos
mais visitados do Brasil, reunindo cerca de
dez áreas temáticas e mais de cem atrações
entre brinquedos, experiências imersivas
e espetáculos artísticos. Localizado em
Penha, no litoral norte de Santa Catarina,
o parque tem estruturado sua expansão
a partir de um portfólio de parcerias
nacionais e internacionais com marcas
como DreamWorks Animation, Hasbro,
Paramount, Mattel e, agora, Galinha
Pintadinha. “Começou muito pequeno, o
que não é comum nesse setor, e cresceu
movido por um sonho, por motivação e,
principalmente, por paixão”, afirma Murad.
Bruna Nunes
Como foi o processo de assumir a liderança do parque?
Foi uma coisa que aconteceu. Desde pequeno, meu pai me trazia para cá, toda essa
propriedade aqui, onde é o parque, era uma fazenda. Então, eu vi tudo isso sendo construído
do zero. É como se eu tivesse nascido aqui dentro e, para mim, é muito natural.
Eu faço essa mesma transição com a minha família, que sempre está aqui comigo,
acompanhando. Minha filha, meu filho, minha mulher. Para a gente manter essa base e
sempre ter uma empresa familiar.
Manter o legado do seu pai e transformar seu nome em um negócio
também traz desafios?
Eu acho que isso é o que nos motiva mais. Toda a história do meu pai, humilde, que
batalhou. Meu pai fez isso crescer ao longo da vida dele inteirinha. É o sonho dele, é o
sonho de todo o time. A gente tem um pessoal que trabalhou com o meu pai, e trabalha
até hoje aqui. Pessoas com 10, 15, 20, 25 anos, 30 anos de casa, que estão motivadas por
esse sonho. Famílias que foram construídas aqui.
Henrique Marquez/Divulgação
Vocês completam 34 anos como o maior parque temático da América
Latina. Na sua avaliação, qual foi o principal pilar para chegar
até aqui?
Paixão. Somos uma empresa apaixonada. A gente quer fazer essas coisas, a gente quer
fazer o produto crescer. A gente quer que o Beto Carrero cada vez se consolide mais
como ‘o destino’. E a gente não está motivado pelo lado financeiro, a gente está motivado
pelo lado do legado. O desejo é que daqui 50 anos esse parque, mais do que na
América Latina, esteja muito bem ranqueado no mundo, e vamos trazer várias atrações
para isso. Acho que a gente está bem maduro para criar coisas realmente incríveis e
estamos animados para essa nova fase.
Hoje o parque reúne diversas marcas parceiras. Você consegue
dimensionar esse ecossistema de parcerias?
Ah, são muitos. Assim, a gente começou isso há anos com a Dreamworks, que é um
estúdio muito legal, com o criador de ‘Shrek’, ‘Madagascar’. E para a gente foi um
grande aprendizado trabalhar com os americanos, que são líderes dessa indústria.
E a gente foi gostando e cada vez trazendo mais parceiros. Hoje, trazemos mais um.
Mais alguns vão vir.
Como foi o processo de adaptar marcas internacionais à cultura
8 19 de janeiro de 2026 - jornal propmark
“Eles gostam do que a gente entrega e cada vez mais
nós somos buscados por marcas, para estarem aqui”
brasileira? Houve a necessidade de traduzir essas experiências
para o nosso contexto?
Foi todo um processo para mostrar o quanto o Brasil tem potencial para eles. Eles desconhecem
um pouco da nossa realidade. Então, a gente trabalhou muito forte para
mostrar todo o potencial e para mostrar que a gente conseguiria lidar com a marca
deles. E hoje, a gente tem muito respeito para fazer com que isso aconteça. E cada vez
mais, marcas vêm nos procurar pelo nosso histórico.
Do ponto de vista estratégico, como você explica para os parceiros
a importância dos parques temáticos em um cenário tão dominado
pelo digital?
Eles que nos mostram esse caminho. Eles enxergam anos luz na nossa frente. Contam
com parques consolidados, como dizem, que têm 60 anos de idade e a gente está só
com 34. Então, eles mostraram essa importância. Que a única oportunidade de uma
criança realmente bater foto com o personagem favorito é dentro de um parque temático.
Então, é um segmento que eles olham, assim, com uma lupa. Eles acreditam que
a gente é esse grau de conexão. E é muito importante, como falamos, realmente tirar
essa geração nova um pouquinho de dentro de casa para vivenciar esses momentos
lindos e maravilhosos que vão ficar para o resto da vida marcados.
A comunicação do parque nas redes sociais é bastante próxima do
público. Como surgiu esse movimento de modernização?
Esse movimento começou durante a pandemia. A pandemia foi um grande choque para
o mundo inteiro, mas ela afetou o nosso setor como um alvo principal. A gente ficou
muito tempo fechado e não queríamos perder essa conexão com o nosso público. Então,
a gente foi muito ativo nas redes sociais e nos protocolos para poder voltar. O nosso
setor é muito pequeno. Então, a gente se uniu, não só o Brasil, como todo o mundo, para
implantar protocolos, para começar a introduzir isso dentro de um parque temático e a
cultura às pessoas, mesmo dentro de uma pandemia, que a gente conseguiria conviver
de certa maneira com o distanciamento social, respeitando algumas regras. Mas eu
acho que o comércio online mesmo explodiu.
Houve algum investimento decisivo para a retomada e continuidade
do negócio?
O parque não parou a partir daí. A gente estava na construção da área temática Nerf
durante a pandemia e continuamos construindo ela. Logo depois de a pandemia passar,
foi inaugurada com um fantástico show, que é o ‘No ritmo de Trolls’, um produto que
nos dá muito orgulho. A gente acabou de inaugurar também o Turbo Drive dentro da
área do Hot Wheels e está anunciando essa parceria com a Galinha Pintadinha. Então,
a gente não para. Os próximos anos sempre vão ser assim, nesse ritmo acelerado, para
cada vez consolidar mais o Beto Carrero como um grande destino.
Como funciona a curadoria das marcas parceiras? O que define se
uma parceria faz sentido para o parque?
É um processo feito em conjunto. E quando você faz uma coisa com mais pessoas,
eu acho que todas elas têm de respeitar cada uma um pouco a outra. Então, é
isso que faz com que a gente consiga trazer tantas marcas aqui. Temos esse jeitinho
que encanta a todos. Eles gostam do que a gente entrega e cada vez mais
somos buscados por marcas para estarem com os produtos deles aqui dentro
do parque.
Como surgiu a parceria com a Galinha Pintadinha?
É um sonho dos dois lados. Tanto o Beto Carrero como o pessoal da Galinha estão trazendo
essa área temática para o Brasil. A gente está trabalhando com um time de especialistas
absurdo.
Esse projeto vem sendo discutido há quanto tempo?
As coisas aqui tendem a demorar bastante. No nosso segmento, a gente prepara
as coisas com cinco anos de antecedência, às vezes seis, sete anos. Então, é um
processo que a gente estava conversando com eles. Os elencos que estamos trabalhando
em vários setores artísticos são elencos muito testados que trabalharam
em parques como o Epic Universe, que acabaram de sair, fizeram shows lá, fizeram
áreas temáticas. Então, estamos sendo muito bem assessorados e vamos criar um
produto realmente incrível.
Como é unir duas marcas brasileiras que alcançaram reconhecimento
internacional, como o Beto Carrero e a Galinha Pintadinha?
Eu acho que essas duas marcas conseguiram quebrar uma barreira, que é de ser
um produto reconhecido nacionalmente e explodir internacionalmente. O Parque
Beto Carrero é muito respeitado na América Latina, em qualquer roda que a gente
for conversar com grandes players, como o Universal ou qualquer outro parque,
eles olham o nosso case com muita satisfação de tudo que temos feito aqui.
E a Galinha Pintadinha é a mesma coisa. Então, é a união de duas pessoas que
estão tendo um grande sucesso, muito por mérito de trabalho, coisas que o meu
pai começou.
O público pode esperar mais novidades?
A gente vai introduzir três grandes áreas temáticas. Uma, vocês já descobriram, e as
outras, vocês vão descobrir um pouco mais para frente.
Além dos brinquedos, o parque investe fortemente em espetáculos
e outras artes. Isso faz parte do DNA deixado pelo seu pai?
É quase que um DNA. A gente tinha três pilares: show, parque e zoo. Meu pai também
tentou uma carreira de músico, mas não conseguiu, então o show e a parte do circo
sempre fizeram parte da nossa história e da nossa essência. E tem coisas aqui que
ainda respiram esse movimento.
E o zoo?
A gente viu que, ao longo das novas gerações, surgiram entendimentos diferentes
e fomos evoluindo a ponto de abrir mão de uma coisa que gostava muito, que é a
parte dos zoológicos, todo o envolvimento que o meu pai tinha com os animais. Sim, eu
sou apaixonado por animais silvestres, mas eu entendo que as novas gerações não
têm o mesmo pensamento que a geração do meu pai tinha, que a minha tem. Elas
pensam diferente e a gente precisa se modernizar e ser um parque que traga as novas
gerações.
Esse movimento também se reflete no compromisso com sustentabilidade
e impacto social? Quais iniciativas mostram esse cuidado
hoje?
A gente tem o Instituto Beto Carrero e o Passaporte Kelly. Não sei se vocês sabem,
minha irmã especialmente montou esse passaporte para dar gratuidade para pessoas
com deficiência, autismo. O parque é muito engajado com a comunidade. A gente faz
vários projetos internos também com os nossos funcionários e temos vários cases incríveis
de coisas que acontecem aqui dentro.
O parque recebe visitantes de diversas nacionalidades. Como essa
diversidade se reflete na operação?
A gente tem cubano, venezuelano, europeu, queniano, russos. Sã muitas culturas aqui. E
eu acho que isso é muito legal. O circo também vivia um pouco disso, dessa mistura de
culturas. Isso nos prepara para o público diverso.
Na sua visão, por que o modelo do Beto Carrero funcionou tão bem
no Brasil e se tornou um grande case para o país?
O Beto Carrero World é um case de sucesso que merece ser estudado. É um parque
que começou muito pequeno, o que não é comum nesse setor, e cresceu movido
por um sonho, por motivação e, principalmente, por paixão. Essa paixão é o que nos
impulsiona a continuar crescendo, a transformar o destino e a dar continuidade
ao sonho do meu pai. O olhar está sempre voltado para o crescimento e para a
evolução do parque. A parte financeira vem como consequência de um trabalho
bem-feito. Esse é, na minha visão, o grande segredo do nosso sucesso: somos apaixonados
pelo que fazemos.
“Esse é, na minha visão, o grande
segredo do nosso sucesso: somos
apaixonados pelo que fazemos”
jornal propmark - 19 de janeiro de 2026 9
quem fez
Kelly Dores
interina
kelly@propmark.com.br
AfricA creAtive
sadia
Fotos Divulgação
Título: ‘Verão 2026’
Diretor de criação: Rafael Carvalho
Criação: Felipe Previtali, Julio Rodrigues, Pedro Nunes, Brenda Maranhão,
amanda Marra, Gabriela Rocha e Karem Keiko
Co-COO: Renato Broggin
Diretora de atendimento: Michelle Zeger
Atendimento: Maria Gabriela Ramos, Juliana Pereira, stephanie Paiva e
isabela Tuma
Com imagens de dar água na boca, filme apresenta o conceito ‘Seu verão
pede frios Sadia’. Durante as férias e o verão, quando cresce a busca por uma
alimentação prática, anunciante aproveita para promover a versatilidade da
categoria na elaboração de diferentes pratos para diversas ocasiões, como
happy hour com tábua de frios, lanches fáceis e petiscos leves.
WMccANN
CHevROLeT
Título: ‘Breca varejo’
CCO: dani Ribeiro
ECD: alessandra sadock
Direção de criação: andré Leotta
Criação: alexandre santos, Cecília Braga, Felipe araujo,
Lucas Fujarra e Lucas Lacerda
CSO: agatha Kim
Em um ritmo típico de campanha do varejo, comercial apresenta
ofertas que fazem parte de pacote de benefícios
deste início de ano, que inclui: IPVA grátis, descontos de até
R$ 26 mil, cinco anos de garantia com revisões e peças inclusas,
além da primeira parcela apenas em 2027, para os
modelos Onix e Tracker.
AMPfY
OUTBaCK
Título: ‘Você cria, a gente prepara’
CCO: andrea siqueira, Fred siqueira
Direção de criação: Fabio Guima
Redação: Pedro Castello, Jordana Bispo e Janaína Neri
Dir. arte: Matheus Rosa, Rodrigo Bambrilla e Luiz Gustavo Maciel
Conteúdo: Fabricio Gudima e Thayna Herche
Diretor-executivo de negócios: Rodrigo Ribeiro
O gancho da campanha é exatamente a iniciativa da rede que permite
ao consumidor fazer a combinação preferida de sua comida, dentro
de mais de 600 opções. “Montando boards nunca antes vistas, o
consumidor é colocado no centro da conversa, já que é ele quem cria
a sua tábua personalizada com infinitas possibilidades de combinações”,
destaca Fabio Guima, diretor de criação da Ampfy.
10 19 de janeiro de 2026 - jornal propmark
mercado
IA consegue escalar campanhas, mas
a publicidade ainda testa seus limites
Profissionais reforçam que o bom uso da inteligência artificial se dá por
meio da curadoria intelectual e cultural, deslocando o papel do criativo
Freepik
O avanço da inteligência artificial na publicidade provoca uma reorganização dos processos criativos e acende discussões sobre o papel humano na criação
Adrieny Magalhães
Desde os primeiros testes com inteligência
artificial generativa, o
propmark acompanha de perto
como a tecnologia vem sendo incorporada
à publicidade — ora apresentada
como vetor de eficiência, ora como gatilho
para debates sobre autoria, trabalho
criativo e valor cultural. Ao longo
dos últimos anos, o uso da IA deixou o
campo experimental e passou a ocupar
o centro das estratégias de marcas e
agências, impulsionado por uma palavra
que se repete com frequência: escalabilidade.
Produzir mais, mais rápido e em múltiplas
versões se tornou um argumento
atraente em um mercado pressionado
pela fragmentação de canais, pela demanda
por personalização e por ciclos
cada vez mais curtos de atenção. À medida
que campanhas passam a ser desenvolvidas
com apoio intenso de IA — ou
inteiramente mediadas por ela —, a discussão
se desloca: não se trata apenas
de saber se a tecnologia funciona, mas o
que está sendo escalado e a que custo.
Casos recentes, como a campanha
de Natal da Coca-Cola, que produziu um
filme inteiramente com IA, e projetos
híbridos conduzidos por produtoras e
estúdios especializados, indicam que a
promessa de escala convive com resistências
culturais, desafios jurídicos e
uma complexidade operacional maior do
que o discurso inicial sugere.
Escala E tEnsão
Para Samir Nassif Palma, professor
da pós-graduação de analytics e inteligência
artificial aplicada ao marketing
da ESPM, a recepção do público às campanhas
feitas com IA tende a ser ambígua,
sobretudo quando elas recorrem
a narrativas emocionais. Há admiração
pela sofisticação técnica, mas também
desconfiança quando a emoção soa artificial
ou genérica.
“O incômodo maior não é ‘como foi
feito’, mas ‘por que foi feito’”, afirma. Segundo
o professor, a rejeição observada
em parte dessas campanhas é predominantemente
cultural. Questões técnicas
e geracionais aparecem, mas ocupam
um papel secundário diante da expectativa
de coerência entre discurso, processo
criativo e valores da marca.
Esse conflito se evidencia quando a
automação passa a disputar espaço com
a noção de autenticidade. Enquanto a IA
é associada à eficiência e à escala, a autenticidade
segue vinculada à intenção
humana e ao cuidado percebido pelo
público. “O desafio das marcas é mostrar
que a IA é meio, não fim, e que decisões
criativas continuam humanas”, diz Palma.
Na avaliação dele, a IA cumpre a
promessa de escalabilidade em frentes
como produção, personalização e testes.
O problema surge quando esse ganho
operacional é tratado como sinônimo de
relevância cultural. “Escala não garante
impacto. O ganho real está em liberar
tempo criativo estratégico.”
Produção sEm risco?
Na prática, a experiência de quem
opera grandes estruturas de produção
reforça essa leitura. Para Rafael Nasser,
diretor-geral da Hogarth Brasil, a escalabilidade
proporcionada pela IA se manifesta
principalmente em velocidade e volume,
sem eliminar etapas nem responsabilidades.
Segundo ele, o interesse dos clientes
pela tecnologia é praticamente unânime,
muitas vezes impulsionado pela expectativa
de redução de custos. Essa expectativa,
porém, nem sempre se confirma.
“Hoje, em regra, não é mais barato. Às vezes
é, mas o preço costuma ser parecido.
O que muda é o tempo”, afirma.
Nasser explica que o custo da produção
foi redistribuído. Se antes estava
concentrado em locações, equipes e logística,
agora inclui plataformas de IA em
formato enterprise, contratos específicos,
licenças, governança e compliance. “Não é
pegar um software barato e fazer um filme.
Para publicidade, isso não funciona.”
Esse cenário se conecta diretamente
12 19 de janeiro de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Rafael Nasser, da Hogarth: regulamentação da IA e limite
à leitura jurídica do uso de IA. Para Luís
Guedes, professor da FIA Business School,
a tecnologia amplia objetivamente o risco
para marcas e agências. “Quando a intervenção
criativa humana é baixa, cresce
a dificuldade de sustentar exclusividade
sobre o material e de evitar disputas futuras”,
afirma.
Segundo Guedes, a legislação brasileira
ancora a autoria em pessoas físicas, o
que torna arriscado tratar o output bruto
de IA como ativo exclusivo. Além disso,
campanhas podem gerar conflitos com
direitos de terceiros, como uso indevido
de obras, marcas, imagens ou vozes. “O
custo potencial do erro aumenta, especialmente
em um ambiente regulatório
em endurecimento”, diz.
Governança
A campanha desenvolvida pela Hogarth
para a LG ilustra esse modelo híbrido.
Campanha da LG, criada pela Hogarth, usou IA como ferramenta de produção e experimentação criativa
“A estratégia
é agir como se
transparência já
fosse exigência
formal”
sões, decisões criativas e autorizações.
“A estratégia mais segura é agir como se
transparência e rastreabilidade já fossem
exigências formais.”
Esse cuidado dialoga com o movimento
institucional observado no país. Em
2025, o Instituto Nacional da Propriedade
Industrial (INPI) abriu consulta pública
para discutir diretrizes de exame de pedidos
de patente relacionados à IA, reforçando
a lógica de que a criação protegida
Ela foi concebida para usar IA em praticamente
todo o filme — personagens, cenários
e narrativa —, com exceção dos produtos,
desenvolvidos em 3D tradicional
para garantir precisão técnica. O processo
manteve etapas clássicas, como storyboard,
animatic e aprovações, mas ganhou
velocidade.
Esse ganho, no entanto, exigiu um
cuidado adicional com direitos de imagem.
Segundo Nasser, o uso de pessoas
geradas por IA sem base contratual clara
expõe marcas e agências a riscos relevantes
no Brasil. A alternativa adotada foi
realizar casting tradicional, licenciar o uso
de imagem e, a partir daí, treinar os sistemas
de IA. “É mais trabalhoso, mas reduz
incertezas.”
Para Guedes, esse tipo de abordagem
tende a se tornar padrão. Ele defende a
adoção de modelos “human-in-the-loop”,
com documentação de briefings, versegue
associada ao trabalho humano. No
Congresso, projetos em tramitação abordam
desde governança geral da IA até
regras específicas sobre direitos autorais,
imagem e voz, sinalizando um ambiente
de maior atenção aos riscos.
o case coca-cola
Poucos exemplos recentes geraram
tanto debate quanto a campanha de Natal
da Coca-Cola. Em 2025, a marca apresentou
uma nova versão de seu tradicional
filme natalino, desenvolvida pela WPP
OpenX, com liderança da VML e apoio de
EssenceMediacom e Ogilvy, dando continuidade
à estratégia iniciada no ano anterior
com o uso de inteligência artificial.
A decisão reacendeu críticas no mercado,
especialmente pela associação da tecnologia
a um território simbólico historicamente
ligado à emoção e à tradição.
Na leitura de Rafael Nasser, diretor-geral
da Hogarth Brasil, o impacto da campanha
evidencia a importância do alinhamento
entre tecnologia e identidade de
marca. Ao retirar personagens humanos e
apostar em figuras animadas, a Coca-Cola
reduziu o estranhamento. “Esse universo
já aceita a mediação tecnológica”, avalia.
O episódio também expôs uma diferença
entre a percepção do mercado publicitário
e a do público. Enquanto parte
do setor reagiu negativamente, muitos
consumidores assumiram que perceberam
a campanha como “mágica”. Ainda
assim, o caso reforça um ponto central:
quanto mais humana é a promessa de
uma marca, maior o cuidado exigido ao
introduzir IA em sua comunicação.
Campanha da Coca-Cola integra inteligência artificial ao fluxo criativo como ferramenta de apoio à produção audiovisual
escala, com critério
O debate sobre escalabilidade se
mostra menos linear do que o discurso
inicial sugere. A IA entrega escala real em
jornal propmark - 19 de janeiro de 2026 13
Rodrigo Pirim
Fotos: Duvulgação
Gabriel Felde, da Galeria.ag: aceleração do processo
produção, personalização e performance,
especialmente em ambientes digitais e
campanhas de alta rotatividade. Exemplos
como campanhas com milhares de
versões adaptadas a diferentes públicos
demonstram esse potencial.
O risco está em tratar essa capacidade
como solução universal. Sem estratégia,
governança e aderência ao território
da marca, a IA pode gerar dissonância,
ruído cultural e exposição jurídica.
A reportagem do propmark aprofunda
a investigação trazendo a visão de agências
e produtoras, que detalham como a
escalabilidade via IA tem sido aplicada
na prática, quais ganhos são concretos e
onde ainda residem os principais limites
do modelo.
curadoria intelectual
A incorporação da IA ao processo criativo
não redefiniu o que é criatividade, mas
alterou profundamente como ela ocorre
dentro das agências. Se antes a criação
partia da folha em branco e avançava de
Ana Cester, da Africa Creative: apoio estratégico
“Estamos
entrando em uma
era de curadoria
intelectual”
ria não for bem feita — seja por questões
criativas ou éticas —, o risco é grande. No
fundo, a decisão continua sendo humana”,
ressalta ele.
Yuji Nakamura, CEO da Y’All, observa que
a criatividade deixa de ser sobre produzir
possibilidades e passa a ser sobre escolher
com intenção. “O criativo sai um pouco do
papel de executor e entra mais forte como
editor, curador e estrategista de linguagem.
Quem confunde velocidade com ideia
acaba sacrificando qualidade”, afirma.
Essa mudança de lógica também impacta
a autonomia dos times. Fred Siqueira,
cofundador e CCO da Ampfy, explica que a IA
já é usada de forma transversal na agência,
Alexandre Lucas, da Mod Group: imperfeição humana
forma linear — briefing, ideia, execução —,
hoje o ponto de partida mudou. A IA antecipa
caminhos, organiza referências, testa
hipóteses e acelera visualizações, comprimindo
o tempo entre imaginar e materializar
uma ideia.
Nesse novo contexto, o papel do criativo
se desloca. Bruno Perez, COO da Innocean
Brasil, define esse movimento como uma
mudança estrutural de função. “Estamos
saindo de uma era de execução braçal para
uma era de curadoria intelectual. A tecnologia
se tornou commodity; o verdadeiro
diferencial competitivo passa a ser o pensamento
crítico que as pessoas colocam
sobre aquilo que a ferramenta entrega”,
afirma. Para ele, o tempo economizado não
deve ser usado para gerar mais volume,
mas para refinar estratégia e intenção.
Marco Centenaro, CCO da Accuracy, faz
uma leitura semelhante ao afirmar que a
principal transformação não está na ideia,
mas no ponto de partida. “A IA tira o criativo
da folha em branco, mas ele assume um
papel central de curadoria. Se essa curadoda
experimentação à produção. “Ela permite
errar rápido, testar caminhos e materializar
ideias como nunca antes. O processo
criativo não muda, mas ganha uma ferramenta
poderosa que torna os profissionais
mais ousados e autônomos”, diz.
Para Thiago Rodrigues Alves, diretor
de criação e estratégia da AKM, a IA tem
atuado como um “segundo cérebro” principalmente
nas fases iniciais dos projetos,
sem substituir o pensamento humano. “No
pré-projeto, a IA ajuda na compreensão semântica
do briefing, no estudo de referências,
cases e perfis de público, ampliando
rapidamente o universo contextual”, afirma.
Já na etapa inicial de desenvolvimento,
a tecnologia acelera o deep dive estratégico
sobre objetivos, padrões sociais, comportamentais
e tendências, além de apoiar
a pesquisa visual e a construção de caminhos
criativos.
Velocidade não é ideia
Se a IA acelera processos, ela também
impõe um novo risco: o de confundir
Alexandre Ravagnani, da Cheil Brasil: eficiência Allan Barros, Pullse e Acelerai: criatividade exponencial André Havt, da OM Creative: ampliar possibilidades
14 19 de janeiro de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Bruno Perez, da Innocean Brasil: curadoria intelectual Cau Nunes, da Saliva: prototipagem acelerada Fabio Bottura, do Grupo Vati: expansão da capacidade
velocidade com criatividade. A possibilidade
de testar dezenas de caminhos em
minutos encurta o percurso, mas não garante
profundidade nem critério.
Otavio Schiavon, VP de criação da
BETC Havas, chama a atenção para
esse ponto. “A IA encurta os caminhos,
mas também testa o caráter do processo
criativo. Quando bem usada, ela
devolve foco ao pensamento estratégico.
Quando mal usada, empobrece o
caminho e padroniza o resultado. Criatividade
continua sendo escolha, não
automação”, afirma.
Bruno Zampoli, sócio e diretor criativo
da cccaramelo, faz uma distinção objetiva
entre eficiência e criação. “A IA acelera
o ‘como’, mas não resolve o ‘o quê’. Ela
tira fricção operacional, antecipa visual,
simula caminhos e encurta ciclos. Mas a
ideia, o recorte cultural e a decisão criativa
continuam sendo humanas”, afirma.
Alexandre Lucas, CEO do Mod Group,
aponta um risco estrutural ligado à homogeneização.
“A IA parte de tudo o que
está disponível na internet, e isso significa
partir de uma média. Uma ferramenta
acessível a todos tende a entregar soluções
muito parecidas. É aí que talento,
sensibilidade e repertório fazem toda a
diferença”, diz.
Cau Nunes, CCO da Saliva, reforça que
a tecnologia não cria genialidade do
nada. “O que eu vejo na prática é que
gente boa fica melhor. A IA não cria genialidade,
ela turbina quem já tem critério
e bagagem. Quando falta direção, ela
só escala ruído”, afirma.
consequência possível
A escalabilidade aparece como uma
das principais promessas associadas ao
uso da IA na publicidade, mas as respostas
das agências revelam uma leitura
mais complexa. Para muitos executivos,
escalar não é exatamente o objetivo
central — é uma consequência possível,
desde que haja direção criativa.
Fabio Bottura, co-CEO do Grupo Vati,
relativiza a centralidade da escala. “Es-
“A IA acelera o
‘como’, mas não
resolve o ‘o quê’”
cala e eficiência são secundários. O verdadeiro
poder da IA está na expansão da
nossa capacidade de realização e na diminuição
das barreiras para colocar uma
ideia de pé”, afirma. Para ele, o risco está
em usar o tempo economizado apenas
para produzir mais conteúdo que não comunica
nem constrói valor.
Bruno Perez é direto ao alertar para
o outro lado dessa equação. “Escala sem
direção vira spam. O erro está em pedir
para a IA criar a campanha, quando o
correto é definir primeiro o conceito humano
e usar a ferramenta apenas para
desdobrar essa visão”, diz.
Gustavo Gripe, fundador da Landsca-
pe, vê a escala como um desafio criativo
adicional, não como simplificação. “Para
fazer uma campanha boa e escalável, é
preciso mais criatividade do que antes.
Você precisa prever guidelines capazes
de se adaptar a inúmeros cenários. Não
é menos trabalho criativo, é outro tipo de
trabalho”, afirma.
O consenso que emerge é que a IA facilita
a multiplicação de versões, formatos
e peças, mas não resolve sozinha o
dilema entre volume e valor. Sem intenção
clara, a escala amplia o ruído; com
direção, pode ampliar o impacto.
Redução de custos e equipe
A promessa de redução de custos
acompanha quase toda nova tecnologia,
mas no caso da IA as respostas das agências
são mais cautelosas. A maioria reconhece
ganhos operacionais, mas rejeita
a ideia de substituição direta de pessoas.
Ana Cester, CDTO da Africa Creative, observa
que esse discurso não é novo. “Na
parte de dados e mídia, há anos se fala
Bruno Zampoli, da cccaramelo: decisão humana
Gustavo Gripe, da Landscape: lógica de sistema
Thiago Rodrigues Alves, da AKM: segundo cérebro
jornal propmark - 19 de janeiro de 2026 15
Fotos: Divulgação
João Gandara, da David: curadoria e verdade cultural Yuji Nakamura, da Y’All: apoio e clareza de pensamento Otavio Schiavon, da BETC Havas: sensibilidade humana
que a tecnologia vai substituir pessoas.
O que acontece, na prática, é que para
cada problema resolvido surgem outros
dez, que exigem novas competências”,
afirma. Segundo ela, cada profissional
passa a ter impacto proporcionalmente
maior, mas os níveis de exigência também
aumentam.
Para Allan Barros, CEO da Pullse e da
Acelerai, a criatividade exponencial reforça
essa lógica. “A IA não substitui pessoas,
substitui tarefas. Ela automatiza o
volume e libera os humanos para o valor.
O erro é achar que isso reduz custos sem
exigir investimento em talento mais qualificado”,
diz.
Onde a Ia aInda nãO alcança
Quando o debate avança para territórios
simbólicos — afeto, tradição e memória
cultural —, os limites da IA ficam
mais evidentes. A maioria dos entrevistados
concorda que a ferramenta reconhece
padrões, mas não vive cultura.
“A IA não viveu infância, não sentiu saudade,
não tem memória afetiva”, diz Otavio
Schiavon. “Ela pode organizar referências,
mas não entende o peso simbólico disso.
Se a campanha é para tocar as pessoas,
ela precisa ser escrita com o coração.”
João Gandara, ECD da David, afirma
que campanhas baseadas em afeto exigem
verdade perceptível. “Fica muito
claro quando tentamos terceirizar emoções
para uma máquina. A verdade não
aparece e o vínculo com a audiência
enfraquece”, diz.
Quem assIna?
Se a IA executa, quem assina? Para a
maioria das agências, a autoria não está
na ferramenta, mas na decisão. O papel
do autor se desloca da execução para a
intenção e para o sistema criativo que
orienta o uso da tecnologia.
Allan Barros defende que “a autoria,
hoje, está em quem pensa a arquitetura
do sistema criativo, define princípios, limites
e métricas. A IA escala a produção, mas
a intenção original precisa ser humana”.
“A autoria está
em quem pensa
a arquitetura do
sistema criativo”
Alexandre Ravagnani, CCO da Cheil
Brasil, reforça essa leitura. “A IA precisa
ser meio, não ponto de partida. Quando
conceito, insight e critérios de qualidade
são definidos por pessoas, a escala
amplia a ideia em vez de diluí-la”, afirma
o executivo.
Ale Sadock, ECD da WMcCann, sintetiza
ao dizer que a IA não pode ser voz. “Ela
é uma ferramenta poderosa na mão de
equipes talentosas. A ideia, o conceito e
as escolhas continuam sendo humanas.
Olhando a história, toda vez que tivemos
uma nova ferramenta que democratizou
processos em sua fase mais mecânica, o
talento se valorizou”, diz.
PrOduçãO audIOvIsual
No audiovisual, os efeitos da IA são
mais visíveis e imediatos. Há ganhos claros
de prazo e custo, especialmente na
criação de ambientes e universos antes
inviáveis. Rodrigo Esteves, diretor de criação
executivo da Oliver, observa que a tecnologia
democratizou execuções complexas.
“Hoje, pequenas e médias empresas
conseguem produzir trabalhos que antes
só seriam possíveis com grandes estúdios
e orçamentos muito mais altos”, afirma.
André Havt, CCO da OM Creative, aponta
que a IA funciona melhor quando vai
além da realidade. “Ela é incrível para
criar o impossível, o surreal, o que não
poderia ser filmado. O problema começa
quando tenta fingir algo que deveria ser
verdadeiro”, afirma.
Para Gabriel Felde, diretor de criação
da Galeria.ag, a IA altera principalmente
o ritmo e a materialização das ideias no
processo criativo. “Um sketch já nasce
como arte final, o mood vira shooting fotográfico
e o storyboard passa a ter luz,
Rodrigo Esteves, da Oliver: mudança de perfil Marco Centenaro, da Accuracy: curadoria criativa Fred Siqueira, da Ampfy: experimentação criativa e ética
16 19 de janeiro de 2026 - jornal propmark
Reprodução
Campanha do Mitsubishi Outlander criada pela Africa incorpora inteligência artificial ao processo criativo como apoio à construção estética, mantendo a curadoria humana
figurino e até celebridade”, afirma. Ainda
assim, ele ressalta que a IA atua como amplificador,
e não como substituta do pensamento
criativo. “Ela é uma ferramenta
que depende totalmente do operador.
Sem repertório, direção e intenção, a velocidade
pode ser confundida com criação.”
ia na prática
Na prática, parte do debate sobre inteligência
artificial na publicidade deixa de
ser conceitual quando a tecnologia passa
a operar dentro de narrativas claras, com
função definida e critérios criativos bem
estabelecidos. Um exemplo é o lançamento
de ‘Panelinhas Seara’, campanha desenvolvida
pela WMcCann em 2025, que parte
de um território emocional clássico — o
afeto associado à comida feita em casa —
para apresentar uma linha de pratos prontos
da marca. A comunicação apostou em
quatro personagens criadas em animação
3D, as “vovós” da campanha, construídas a
partir de um processo híbrido que combina
live action, inteligência artificial e dublagens
reais, garantindo expressões, gestos
e falas com maior naturalidade. Pensada
desde a origem para múltiplos pontos de
contato, como TV aberta, digital e ponto de
venda, a estratégia ilustra como a IA pode
viabilizar escala e consistência visual sem
assumir o protagonismo da narrativa.
Outro exemplo é a campanha de lançamento
do Outlander PHEV, da Mitsubishi
Motors, criada pela Africa Creative. Com
três filmes inspirados na estética dos editoriais
de moda, a comunicação adota uma
lógica híbrida desde a concepção, combinando
inteligência artificial, 3D e produção
cinematográfica tradicional para construir
cenários — do deserto à cidade, passando
pelo campo. A tecnologia aparece como
ferramenta para ampliar possibilidades
visuais e acelerar o desenvolvimento dos
“A IA é incrível
para criar o
impossível,
o surreal”
ambientes, mas o projeto mantém forte
presença humana: mais de cem profissionais
participaram da produção, entre roteiristas,
animadores e o stylist Dudu Bertholini,
responsável por traduzir cada cenário
em uma narrativa estética própria.
Os dois exemplos ajudam a materializar
um ponto recorrente nas entrevistas
ouvidas pela reportagem: quando a IA
sai do discurso e entra no trabalho, ela
tende a operar como aceleradora de processos,
amplificadora de variações e facilitadora
de escala. Mas, mesmo nos projetos
mais tecnológicos, direção criativa,
curadoria estética, decisões simbólicas e
responsabilidade cultural seguem sendo
atribuídas a pessoas.
O custO de errar
Se há um ponto de convergência entre
todos os entrevistados, ele está na ética.
Direitos de imagem, voz e autoria aparecem
como os principais riscos do uso
indiscriminado da IA. Ale Sadock destaca
que a legitimidade emocional não é automatizável.
Alexandre Lucas lembra que
plágio continua sendo plágio, independentemente
da tecnologia. Fred Siqueira cita
casos recentes envolvendo uso de voz sem
autorização para mostrar que o problema
antecede a IA, mas é amplificado por ela.
No limite, a tecnologia não redefine
sozinha a publicidade. Ela apenas expõe,
com mais clareza, quem tem direção criativa,
leitura cultural e responsabilidade —
e quem apenas produz volume.
Reprodução
Divulgação
Campanha da Seara criada pela WMcCann utiliza IA como ferramenta de produção e experimentação criativa
Ale Sadock, da WMcCann: pesquisa acelerada e craft
jornal propmark - 19 de janeiro de 2026 17
mercado
InPress lidera lista Scopen de agências
de PR mais atrativas para se trabalhar
Levantamento também aponta Itaú Unibanco como o cliente mais
desejado pelos profissionais do setor de comunicação corporativa
Estudo ouviu 239 profissionais de 41 agências de relações públicas
A
InPress Porter Novelli ocupa a
primeira posição no ranking das
agências de relações públicas
mais atrativas para se trabalhar no Brasil,
de acordo com a terceira edição do
levantamento ‘Best PR agency to work
for’, realizado pela Scopen.
O top 5 tem ainda Edelman, FSB, Burson
e Máquina. O ranking com as dez
mais citadas pode ser conferido abaixo. O
estudo também registra movimentações
relevantes em relação à edição anterior,
com avanços de agências como Pros e
Weber Shandwick.
A pesquisa inclui ainda o ranking ‘Best
marketer to work with’, que reúne as
empresas anunciantes mais desejadas
como clientes pelas agências de PR. Com
o Itaú Unibanco em primeiro lugar, figuram
entre as mais citadas Natura, Grupo
Boticário, Netflix e Coca-Cola.
Para os entrevistados, o cliente considerado
exemplar é aquele que mantém
relação próxima, compartilha informações,
apresenta objetivos claros e prepara
briefings consistentes.
No estudo, os profissionais de agências
de PR também avaliam os seus clientes
atuais em uma série de 13 atributos
estimulados, para análise best in class.
Entre os mais relevantes estão: É uma
companhia que busca inovar – transformar
seu negócio (72%); seguido de contar
com bons profissionais em sua equipe de
comunicação (70%); os interlocutores do
dia a dia podem tomar decisões – não
são juniores (70%); e são respeitosos nas
concorrências – limitando o número de
agências (67%).
As três marcas que mais aparecem
nesses rankings são: Unilever, que figura
em 11 dos 13 rankings – com cinco primeiras
posições; Itaú Unibanco, que aparece
nove vezes, com seis primeiras posições;
e BHP, que aparece sete vezes.
O levantamento ouviu 239 profissionais
de 41 agências de PR, entre julho e
agosto de 2025. A amostra é composta
majoritariamente por respondentes que
atuam em São Paulo (92%), com idade
média de 43 anos e maior presença de
cargos de liderança, como diretores de
área. Os dados indicam um cenário de
estabilidade no setor: apenas 13% afirmam
que, com certeza ou provavelmente,
pretendem mudar de trabalho, enquanto
47% dizem não considerar uma
troca no momento.
Entre os fatores que mais influenciam
uma eventual mudança de emprego,
condições econômicas e salário lideram,
citados por 68% dos entrevistados, seguidos
por projeção profissional (50%) e
flexibilidade de horários (17%).
Best PR Agency to woRk foR
posição AgênciA
1 In Press Porter novellI
2 edelman
3 FsB
4 Burson
5 máquIna
6 JeFFreyGrouP
7 Ideal axIcom
8 Pros
9 Fato relevante
10 WeBer shandWIck
Unsplash
“Os resultados
confirmam um
setor sólido e
maduro no Brasil”
Ainda assim, o estudo aponta que
aspectos intangíveis têm peso relevante
na escolha de uma empresa, como
respeito percebido pelos colaboradores
por parte de seus superiores (39%),
credibilidade percebida pelo colaborador
em relação aos seus superiores
e à empresa (20%), orgulho de pertencer
à empresa (15%), responsabilidade
da empresa na sociedade e seus valores
(13%), companheirismo e sentimento
de equipe (8%) e imparcialidade
com regras claras e ausência de discriminação
(5%).
Entre os fatores tangíveis, destacam-
-se conciliação (48%), que está acima de
aspectos como o contrato (26%), os benefícios
que recebem além do dinheiro
(15%), a localização (7%), os processos e
metodologias internas (4%) e o espaço
físico (0,3%).
“Os resultados confirmam um setor
sólido e maduro no Brasil, com altos níveis
de satisfação e baixa predisposição
à troca. Embora o salário siga como principal
fator de movimentação, respeito,
conciliação e credibilidade ganham espaço
como critérios centrais para atrair
e reter talentos”, afirma Paula Ribeiro,
diretora de estudos da Scopen Brasil.
Freepik
Best MARketeR to woRk with
posição AnunciAnte
1 Itaú unIBanco
2 natura
3 GruPo BotIcárIo
4 netFlIx
5 coca-cola
6 mercado lIvre
7 nuBank
8 unIlever
9 heIneken
10 amazon
18 19 de janeiro de 2026 - jornal propmark
digital
Plataforma voltada à profissionalização
na creator economy, Flint tem nova CEO
Startup anuncia Manuela Villela, ex-head of creator ecosystem do
YouTube, para assumir a liderança executiva e acelerar o negócio
A
plataforma de edutainment Flint
inicia 2026 com uma nova liderança
executiva, com a chegada
de Manuela Villela como nova CEO, que
também integrará o quadro societário.
O processo é parte de um plano de expansão.
Com a novidade, Christian Rôças,
que ocupava o posto desde a fundação
da empresa, em 2024, passa a atuar
como presidente do conselho, deixando
as funções executivas. Thiago Gomes e
Fernanda Paiva, ambos co-founders, seguem
como COO e brand advisor, respectivamente.
Tim Perissé permanece como
diretor criativo e de comunidades.
Ex-head of creator ecosystem do You-
Tube no Brasil, Manuela atuou por mais
de dez anos na plataforma, liderando es-
20260107_APP_Propmark_Anuncio_V03.pdf 1 07/01/2026 14:25:20
Thiago Gomes (COO), Manuela Villela (CEO) e Fernanda Paiva (brand advisor)
Divulgação
tratégias de canais de gaming, entretenimento
e lifestyle no país. Após sua recente
saída, liderou projetos estratégicos
para empresas como Adobe, Manychat e
WebTV Brasileira, além de integrar o conselho
consultivo da OffGrid.
“A Flint ocupa um lugar muito singular
no ecossistema criativo brasileiro. Assumo
a liderança executiva neste momento
para acelerar o modelo de negócio,
impulsionar o crescimento e desenvolver
novas frentes de receita”, diz Manuela.
A Flint já liderou projetos em parceria
com Google, Meta, LinkedIn, Natura, Porto,
Mercado Livre, Apsen e Supergasbras,
por exemplo, atuando em iniciativas de
educação, formação de creators e desenvolvimento
de comunidades.
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jornal propmark - 19 de janeiro de 2026 19
agências
‘Janeiro branco’ amplia debate sobre
saúde mental como agenda do mercado
Dados e relatos de lideranças indicam por que o cuidado emocional
deixou de ser pauta pontual e passou a integrar a gestão das empresas
Freepik
O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de casos diagnosticados de síndrome de Burnout; cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros convivem com os sintomas
Bruna Nunes
O
Brasil ocupa hoje a segunda posição no ranking
mundial de casos diagnosticados de síndrome
de Burnout, segundo a Associação Nacional de
Medicina do Trabalho (Anamt). Também conhecida
como síndrome do esgotamento profissional, a condição
é caracterizada por exaustão extrema, estresse
e esgotamento físico decorrentes de contextos
de trabalho desgastantes, marcados por excesso de
responsabilidades, alta competitividade e metas consideradas
difíceis de cumprir. A principal causa está
diretamente associada ao excesso de trabalho, mas
também a ambientes onde o profissional sente que
não dispõe de recursos, autonomia ou capacidades
suficientes para atender às exigências impostas de
forma contínua.
Dados da Anamt indicam que cerca de 30% dos trabalhadores
brasileiros convivem com sintomas da síndrome.
Reconhecida como doença ocupacional, ela passou
a integrar a classificação oficial da Organização Mundial
da Saúde em 2022, reforçando seu impacto no mercado
de trabalho e ampliando a responsabilidade das organizações
sobre práticas de prevenção, cuidado e gestão de
riscos psicossociais.
Todos os anos, o mês de janeiro concentra a campanha
do ‘Janeiro branco’, voltada à conscientização sobre
saúde mental. O período não passa despercebido pelo
mercado, afinal o início do ano costuma coincidir com a
retomada intensa das atividades corporativas, a definição
de metas, revisões de performance, reorganizações
internas e a pressão por resultados.
Trata-se de um momento em que expectativas se
acumulam, agendas se sobrepõem e o ritmo acelerado
tende a se impor rapidamente, criando um cenário
propício para o aumento de ansiedade, estresse e sobrecarga
emocional. Pesquisas recentes ajudam a dimensionar
esse cenário.
Um levantamento conduzido por Paul Ferreira, vice-
-diretor do Núcleo de Estudos em Organizações e Pessoas
(NEOP) da FGV EAESP, em parceria com as empresas
Talenses e Gympass, aponta que 43% dos respondentes
afirmam estar em situação de sobrecarga de trabalho.
Outros 31% relatam sofrer pressão direta por resultados
e metas, evidenciando como a lógica de desempenho
continua a ser um dos principais vetores de tensão no
ambiente corporativo.
O estudo também detalha quais fatores agravam o
desgaste emocional no dia a dia das organizações. Entre
os entrevistados, 30% dizem sentir que precisam estar
Em levantamento da
FGV EAESP, 43% dos
respondentes afirmam
estar em situação de
sobrecarga de trabalho
disponíveis o tempo todo, enquanto o mesmo percentual
aponta falta de reconhecimento. A ausência de empatia
ou apoio da liderança direta aparece para 27% dos
respondentes, ao passo que 22% relatam dificuldade de
desempenhar plenamente suas funções. Já 17% mencionam
falhas de comunicação com a liderança, um dado
que reforça o papel das relações e da gestão na experiência
emocional do trabalho.
Nas agêNcias
No mercado de comunicação, esse debate ganha contornos
ainda mais específicos. Pressão criativa, prazos
curtos, múltiplas demandas simultâneas, concorrência
intensa e a cultura de disponibilidade constante tornam
20 19 de janeiro de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
“Um colaborador
sob estresse
crônico dificilmente
consegue acessar
seu potencial
disruptivo”
Carla Guimarães: “Oferecer autonomia ao colaborador”
o setor particularmente vulnerável ao esgotamento
emocional. Diante desse cenário, a reportagem do
propmark convidou agências a compartilharem o que
estão fazendo para cuidar da saúde mental e emocional
de seus times neste início de 2026, desde as iniciativas
pontuais até políticas estruturais de longo prazo.
Na Africa Creative, Carla Guimarães Espindola, VP de
pessoas e comunicação, explica que o ‘Janeiro branco’ é
encarado como um ponto de partida para estabelecer
o tom do cuidado ao longo do ano. Em 2025, a agência
investiu na construção de diálogo por meio do programa
‘Saúde janeiro a janeiro’, além de iniciativas voltadas à
integração e ao bem-estar físico, como grupos de corrida
e encontros semanais fora do ambiente do escritório.
Em 2026, a estratégia avançou para a estruturação
tecnológica do cuidado, com a consolidação de uma parceria
com a Care Plus e a implementação de uma nova
plataforma de benefícios integrados. “O objetivo é oferecer
autonomia ao colaborador, garantindo acesso rápido
e desburocratizado a suporte psicológico e cuidados físicos,
entendendo que o bem-estar mental é indissociável
do equilíbrio biológico e social”, afirma.
Alan Strozenberg: “Senso de pertencimento cresce”
Alê Oliveira
Na Monks, Caroline Bitar, people director, relata que
a agência adota uma estrutura de benefícios voltada
ao bem-estar integral, combinando acesso 24 horas a
profissionais de saúde, programas de acolhimento e
iniciativas de inclusão. A flexibilidade aparece como um
pilar central da cultura da empresa, com ‘momentos off’
para cuidados pessoais ou familiares, além de monitoramento
contínuo por meio de pesquisas de satisfação
e engajamento, que ajudam a mapear riscos e orientar
decisões de gestão.
No Publicis Groupe, Rejane Romano, diretora de ESG,
destaca iniciativas permanentes como a plataforma
LionCare, que oferece telemedicina e terapia online,
além de parcerias com Wellhub e Totalpass. Para 2026,
o grupo direciona atenção especial à saúde financeira,
reconhecendo sua influência direta sobre o bem-estar
emocional. “Nosso foco será apoiar os colaboradores no
cuidado com a saúde financeira, reconhecendo seu impacto
direto na saúde mental”, conta.
Na Lápis Raro, Caio Gambini, head de pessoas & cultura,
aponta que a agência aposta em escuta contínua por
meio de uma plataforma interna que monitora o clima
da equipe, além da capacitação de lideranças para identificar
e agir diante de cenários de sobrecarga.
Já na TV1, Cassia Soumaili, diretora de recursos humanos,
ressalta que o ‘Janeiro branco’ não é tratado como
evento isolado, “mas como uma oportunidade para reforçar
conversas que já acontecem o ano todo”. Segundo
ela, a organização do fluxo de trabalho, a revisão de
processos e a redução de ruídos operacionais têm sido
fundamentais para minimizar os gatilhos de ansiedade
no cotidiano da agência. Para o primeiro dia presencial
do ano, a equipe foi recebida com um café da manhã de
comemoração e “um livro de reflexões”.
Para além das ações concentradas no início do ano,
as agências destacam políticas estruturais de longo prazo
como fator determinante para a sustentabilidade do
cuidado.
Na Africa Creative, a política de bem-estar evoluiu de
ações pontuais para o que a agência chama de “ecossistema
de suporte”, com acesso contínuo a uma rede
de especialistas e recursos disponíveis conforme a necessidade
dos colaboradores. “Saímos de um modelo
estritamente consultivo para um formato de suporte
Cassia Soumaili: “Cuidado não se restringe ao RH”
contínuo e acessível na palma da mão, garantindo que
o acolhimento esteja disponível no momento exato da
necessidade, com a agilidade que o nosso mercado exige”,
sintetiza Carla.
Na Monks, o bem-estar é tratado como política permanente,
organizada em ecossistemas que integram
saúde emocional, física e segurança financeira, entendendo
que esses fatores se retroalimentam. “Esse conjunto
de ações é monitorado anualmente por meio de
pesquisas de satisfação e engajamento, que permitem
à empresa identificar riscos e traçar planos de ação personalizados.
Ao unir segurança financeira com suporte
especializado e escuta ativa, a empresa promove um
ambiente psicologicamente seguro e adaptado às necessidades
individuais de cada talento”, reflete Caroline.
No Publicis Groupe, treinamentos para lideranças,
grupos de afinidade e programas como ‘Working with
cancer’ compõem uma agenda contínua, que busca criar
ambientes mais seguros e acolhedores. Rejane explica
que, em complemento a essas ações, cada agência do
grupo tem autonomia para desenvolver as suas iniciativas
específicas.
Rejane Romano: “Equipes saudáveis são mais produtivas”
jornal propmark - 19 de janeiro de 2026 21
Fotos: Divulgação
“Uma mente
sob estresse
crônico não
cria; ela apenas
reproduz”
Caroline Bitar: “Um ambiente psicologicamente seguro”
A Lápis Raro destaca benefícios estruturados e políticas
internas voltadas à equidade. “Também construímos
uma política interna que aumenta o benefício de educação
continuada quando este é aplicado a pessoas que
pertencem a grupos minorizados”, ressalta Gambini.
Na TV1, práticas como ‘Short friday’, day off no aniversário,
políticas de trabalho remoto temporário para
cuidado com familiares e o monitoramento constante
do clima organizacional são implementadas seguindo
a ideia de que “o cuidado não se restringe ao RH, mas
permeia decisões estratégicas de liderança”.
Para Alan Strozenberg, CEO e CCO da Baila, o bem-estar
não deve ser tratado como um benefício isolado, mas
como parte do desenho do ambiente organizacional. “Na
Baila, a gente entende que cuidar da saúde mental também
é construir um ambiente mais saudável e humano”,
diz o executivo. A partir dessa premissa, a agência tem
investido em iniciativas que estimulam convivência,
troca e pertencimento, como encontros mensais de integração
e descontração, que reúnem profissionais de
diferentes áreas fora da lógica cotidiana de entregas. A
proposta, segundo Strozenberg, é reduzir tensões, fortalecer
vínculos e favorecer um clima mais colaborativo,
especialmente em um contexto de alta exigência criativa
e pressão por resultados.
Na WMcCann, o cuidado com a saúde mental é estruturado
por meio da jornada Wellness, um programa permanente
que reúne benefícios voltados à prevenção e
ao acolhimento. A iniciativa oferece acesso a psicoterapia,
atendimento médico integrado e suporte multidisciplinar,
além de um serviço de atendimento emergencial
24 horas por dia. Segundo Cristiano Silva, diretor de pessoas
e cultura da agência, a empresa também promove
ações alinhadas ao calendário de qualidade de vida,
como práticas integrativas, e mantém uma rede interna
de colaboradores capacitados para identificar sinais de
sofrimento emocional e direcionar os profissionais ao
suporte adequado.
Impacto crIatIvo
Quando o debate avança para o impacto no trabalho
criativo, é consenso entre as lideranças ouvidas: saúde
mental também é estratégia de negócio. Na avaliação
de Caroline Bitar, “o trabalho criativo depende, funda-
mentalmente, da segurança psicológica; afinal, um colaborador
sob estresse crônico dificilmente consegue
acessar seu potencial disruptivo”. “Na indústria criativa,
nosso principal ativo é a capacidade cognitiva e a criatividade.
Uma mente sob estresse crônico não cria; ela
apenas reproduz”, concorda Carla Guimarães Espindola.
Em complemento, Rejane Romano observa que “cada
agência acompanha seus indicadores, mas, de forma
geral, sabemos que equipes saudáveis são mais produtivas,
inovadoras e conectadas”.
Na avaliação de Cristiano Silva, ambientes que priorizam
o cuidado emocional criam relações mais colaborativas
e sustentáveis ao longo do tempo. “Ambientes
que priorizam o cuidado emocional favorecem relações
mais colaborativas, reduzem o desgaste ao longo do ano
e criam condições mais saudáveis para a criatividade florescer”,
afirma. Para ele, esse cenário contribui para que
os profissionais se sintam mais amparados e conectados
à cultura da agência, fator que impacta diretamente
a permanência dos talentos.
Na Lápis Raro, Caio Gambini relaciona retenção à
segurança emocional e à diversidade de repertórios
dentro das equipes. “Diferenças de repertório, vivências
e gerações enriquecem o pensamento criativo, tornam
o resultado mais completo e inovador. E nada disso é
possível sem segurança emocional, ela é a base”, pontua.
Para ele, quando o ambiente permite a exposição
de ideias, referências e emoções sem medo, o vínculo
com a empresa se fortalece e o engajamento tende a
ser mais duradouro.
Para a TV1, a relação entre cuidado e retenção aparece
de forma direta no cotidiano. Cassia Soumaili observa
que, quando existe uma rede de apoio real, o engajamento
deixa de ser apenas uma métrica de RH. “Quando
o colaborador sente que existe uma rede de apoio e que
ele é ouvido, o engajamento deixa de ser uma métrica
de RH e vira um senso de pertencimento real”, afirma.
Na avaliação da executiva, esse pertencimento é o que
sustenta a permanência dos profissionais e cria condições
para entregas criativas mais consistentes ao longo
do tempo.
Na Baila, Alan Strozenberg também associa bem-
-estar à longevidade dos times. Para ele, quando o ambiente
é mais leve, colaborativo e baseado em relações
Valéria Oliveira: “Momento de alinhar expectativas”
de confiança, “o senso de pertencimento cresce”. Esse
vínculo, segundo o executivo, se traduz em maior envolvimento
das pessoas com a agência e na construção de
equipes mais estáveis em um mercado dinâmico e altamente
competitivo.
o papel da lIderança
Suzane Skura, psicóloga e docente do curso de psicologia
da Afya Centro Universitário de Pato Branco, afirma
que a liderança exerce papel central na forma como as
equipes lidam com as demandas do dia a dia, pois “para
além de estabelecer metas, as lideranças devem garantir
um ambiente emocionalmente seguro”. Segundo ela,
isso passa por reconhecer limites humanos, validar emoções,
respeitar horários e promover escuta ativa, criando
condições para que o início do ano não se transforme
em um gatilho de ansiedade e esgotamento. “Quando a
liderança demonstra coerência entre discurso e prática,
ela reduz significativamente o risco de que o início do
ano seja percebido como um período de sobrecarga e
não de organização”, explica.
A especialista ressalta que esse cuidado não pode se
limitar a iniciativas pontuais. Para Suzane, “uma política
permanente de cuidado com a saúde mental consiste
em práticas contínuas e estruturais”, como capacitação
de lideranças, canais seguros de escuta, acesso facilitado
a apoio psicológico, políticas claras de prevenção
ao assédio e uma cultura organizacional que valorize
o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Ela observa
que o monitoramento constante do clima organizacional
é parte desse processo, já que saúde mental deve
ser compreendida como algo dinâmico. Nesse sentido,
a recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1
(NR-1), no Brasil, reforça a responsabilidade das empresas
nesse cuidado contínuo.
“Os comportamentos prejudiciais à saúde mental
costumam aparecer de forma progressiva e, muitas vezes,
silenciosa”, alerta Suzane. No nível organizacional,
conflitos interpessoais frequentes, alta rotatividade,
aumento do absenteísmo, queda de produtividade e
crescimento dos afastamentos por adoecimento funcionam
como sinais de alerta. Já no plano individual, desmotivação,
dificuldade de concentração, irritabilidade e
sensação constante de esgotamento tendem a antece-
22 19 de janeiro de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
“Investir em clima
organizacional e
bem-estar é investir
na longevidade dos
talentos e na força
criativa da agência”
Caio Gambini: “Segurança emocional é a base”
Para o primeiro dia presencial do ano, os colaboradores da TV1 foram recebidos com um livro de reflexões
Divulgação TV1
Cristiano Silva: “Relações mais colaborativas”
der quadros mais graves.
Valéria Oliveira, mestre em psicologia educacional e
especialista em desenvolvimento de lideranças e cultura
organizacional, acrescenta que, no início do ano, o
papel da liderança deve ser o de regulador do ritmo e
tradutor da estratégia. “Janeiro não deveria ser apenas
o mês da cobrança, mas o momento de alinhar expectativas,
prioridades reais e capacidade de execução”, diz.
Para ela, líderes que ajudam o time a distinguir o que é
essencial do que é excesso reduzem a ansiedade e aumentam
o foco, criando espaço para diálogo e evitando
desgaste precoce ao longo do ano.
Valéria destaca que o conceito de liderança humanizada
não se confunde com permissividade. “Liderança
humanizada não é sinônimo de permissividade,
é sinônimo de consciência”, nas palavras da especialista.
Na prática, segundo ela, o método se diferencia pela
capacidade de combinar firmeza com empatia, sendo
clara nas expectativas e atenta aos sinais de sobrecarga.
“Eles entendem que pessoas não são recursos infinitos
e que performance sustentável depende de segurança
psicológica, confiança e senso de pertencimento. Em
contextos de alta pressão, a liderança humanizada é
aquela que sustenta o resultado sem sacrificar as pessoas
no processo”, complementa. Essas competências,
na avaliação da especialista, impactam diretamente
a performance quando deixam o campo do discurso e
passam a orientar decisões, comportamentos e rituais
de gestão.
“Organizações que integram essas competências à
forma como avaliam líderes, conduzem reuniões, dão
feedback e tomam decisões estratégicas tendem a ter
times mais engajados, adaptáveis e produtivos. Não é
sobre pauta social, é sobre inteligência organizacional”,
resume Valéria, ao afirmar que inteligência emocional,
diversidade, equidade e inclusão geram impacto real
quando ampliam perspectivas, melhoram a qualidade
das decisões e fortalecem a inovação.
“Em um mercado tão dinâmico e exigente como o
nosso, esse cuidado vai além do bem-estar. Ele é parte
da sustentabilidade do negócio e da criatividade. No fim,
investir em clima organizacional e bem-estar é investir
na longevidade dos talentos e na força criativa da agência”,
finaliza Strozenberg.
jornal propmark - 19 de janeiro de 2026 23
marcas
Compra de volta às aulas deixa de ser
sazonal e vira escolha de investimento
Escolas de idioma e empresas de papelaria ajustam comunicação
e portfólio para um consumidor mais cauteloso na hora de comprar
Freepik
Compras e investimento em educação e material escolar se tornam mais estratégicas em um cenário de maior comparação de preços e planejamento dos consumidores
Vitor Kadooka
Acompra de volta às aulas deixou
de ser apenas um movimento sazonal
do varejo para se consolidar
como um momento de decisão estratégica.
Comparação de preços e planejamento
de médio prazo passam a orientar
o comportamento de consumidores
que encaram gastos com educação e
material escolar como investimento, e
não apenas como reposição anual.
Uma pesquisa comparativa de preços
de material escolar realizada pelo Procon-SP
mostra que a diferença de valores
entre estabelecimentos pode ultrapassar
270% para um mesmo item. O levantamento,
feito em dezembro de 2025 em
papelarias de diferentes regiões da capital
paulista, analisou 134 itens e identificou
que, apesar de a variação média de
preços ter ficado próxima da estabilidade
em relação ao ano anterior, alguns produtos
apresentaram altas relevantes, como
cadernos, lápis de cor e tesouras, enquanto
outros registraram queda, como canetas
esferográficas e papel sulfite.
Na prática, esse contexto pressiona
empresas e varejistas a justificar valor
— seja por meio de diferenciação de design,
licenciamento, narrativa ou propósito
— e influencia diretamente as estratégias
de comunicação adotadas na volta
às aulas. No caso de papelaria e escolas
de idiomas, ajustes nas mensagens se
tornaram necessários para dialogar com
um consumidor mais atento a preço, propósito
e retorno percebido.
Esse movimento ganha escala em um
mercado de licenciamento que segue
em expansão no país. De acordo com dados
da Associação Brasileira de Licenciamento
de Marcas e Personagens (Abral),
o Brasil está entre os seis países com
maior faturamento em licenciamento no
mundo, ao lado de Estados Unidos, Japão,
Inglaterra, México e Canadá. Em 2024, o
setor movimentou R$ 27 bilhões, alta de
7% em relação a 2023.
Entre os segmentos que mais utilizam
licenciamento no Brasil, a papelaria
ocupa a segunda posição, atrás apenas
de confecção, seguida por brinquedos e
personal care. O protagonismo da categoria
ajuda a explicar por que, no período
de volta às aulas, empresas buscam unir
apelo emocional, identificação com personagens
e diferenciação no ponto de
venda. As propriedades mais licenciadas
no país são do ramo de entretenimento,
seguidas por marcas esportivas, moda,
música e artes, celebridades e games.
Para Marici Ferreira, presidente da
Abral, o licenciamento se consolidou
como uma estratégia relevante no mercado
brasileiro, especialmente em categorias
ligadas ao consumo recorrente e
ao público jovem. “O país está entre os
24 19 de janeiro de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Marici Ferreira, presidente da Abral: o país está entre os mercados mais importantes
Rodrigo Iasi, diretor de marketing da BIC Brasil e Argentina: mídia digital amplia
Ativação itinerante Arena UAU, da linha BIC Kids, integra a estratégia para a volta às aulas, com passagens em diversas capitais do país
Comunicação da Wise Up, chamada ‘Aperto’, reforça o inglês como ferramenta essencial para o desenvolvimento profissional
mercados mais importantes em licenciamento
no mundo, com destaque para
categorias ligadas ao público infantil e à
cultura pop”, afirma.
Segundo a executiva, o segmento
de material escolar está inserido na categoria
de papelaria e, nesse contexto,
produtos associados a marcas e personagens
conhecidos oferecem vantagens
competitivas claras no ponto de venda.
“Eles geram forte apelo emocional, especialmente
entre crianças e adolescentes,
e facilitam a decisão de compra em categorias
como cadernos, mochilas, estojos
e lápis de cor”, diz.
Marici destaca que fabricantes e varejistas
costumam relatar aumento relevante
de vendas após a adoção de linhas
licenciadas. “É comum que itens escolares
licenciados alavanquem os volumes
comercializados”, afirma. No segmento
de brinquedos, por exemplo, produtos
licenciados já representam cerca de 30%
do faturamento total do setor no Brasil.
Segundo ela, além do apelo emocional,
esses produtos passam por processos
rigorosos de aprovação, o que contribui
para a percepção de qualidade.
“O consumidor não compra apenas
um produto, mas o sentimento associado
àquela marca ou personagem”, diz. Para
a executiva, o licenciamento também reorganiza
a dinâmica do ponto de venda,
criando destaque visual, estimulando interação
e reduzindo a comparação direta
com itens genéricos. “O produto deixa
de ser apenas um item à venda e passa
a atuar como um ativo de comunicação,
deslocando a conversa de ‘quanto custa’
para ‘qual eu quero’.”
PAPELARIA
Para Rodrigo Iasi, diretor de marketing
da BIC Brasil e Argentina, o pico da
jornal propmark - 19 de janeiro de 2026 25
Fotos: Divulgação
Luciana Fortuna, diretora da Cultura Inglesa Fábio Meneghati, CEO e sócio da Greenz: maturidade Marcelo Bernardes, CEO da Purpple: despertar o desejo
volta às aulas exige planejamento ao
longo de todo o ano. “Esse planejamento
envolve tanto o desenvolvimento de
campanhas quanto a preparação de
lançamentos e inovações de portfólio,
garantindo relevância no ponto de venda
e na comunicação com o consumidor”,
afirma.
Segundo o executivo, a estratégia
parte da leitura do comportamento
de pais e estudantes e busca construir
uma narrativa consistente, posicionando
a BIC como parceira do aprendizado,
da criatividade e da rotina escolar. No
plano de mídia, o período concentra o
maior volume de investimentos da categoria
de papelaria, com foco na integração
entre canais. “O ponto de venda
tem papel central na decisão de compra,
com materiais de alta visibilidade
e comunicação clara dos diferenciais
dos produtos. A mídia digital amplia
alcance e engajamento, enquanto as
ações com varejo reforçam a execução
comercial”, diz.
Além disso, a marca investe em ativações
proprietárias, como a Arena UAU, experiência
itinerante da linha BIC Kids, que
propõe atividades lúdicas e educativas
para crianças e famílias, com passagem
por capitais como Salvador, Recife, Fortaleza,
Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e
Porto Alegre.
Em relação ao portfólio, Iasi destaca
que a volta às aulas segue sendo o
principal motor de vendas da categoria
dentro da companhia. Para o VAA 2026, a
BIC chega ao mercado com uma agenda
concentrada de lançamentos, incluindo
uma colaboração com a Netflix, inspirada
na série ‘Stranger things’, com novas versões
da caneta BIC 4 Cores.
“O período também é marcado por novidades
no portfólio de escrita, como lançamentos
da linha BIC Cristal, incluindo
versões Fina Fashion, Efeito Matte e Cristal
com figurinhas colecionáveis, além
de novas apresentações da BIC Gelocity e
da própria BIC 4 Cores, com acabamentos
diferenciados e edições especiais”, afirma.
As linhas voltadas ao público infantil
também ganham protagonismo, com
lançamentos que acompanham tendências
de representatividade, como novos
tons de pele e cores em tons pastéis nos
lápis de cor em madeira.
ESCOLAS DE IDIOMAS
Para Luciana Fortuna, diretora de
marketing da Cultura Inglesa, a volta
às aulas concentra um simbolismo que
vai além do calendário escolar. “A volta
às aulas é um momento simbólico e
estratégico por representar recomeço,
planejamento e decisão. É quando famílias,
estudantes e profissionais estão
Diferença de
valores entre
estabelecimentos
pode ultrapassar
270% para um
mesmo item,
diz Procon-SP
mais abertos a refletir sobre escolhas
de curto prazo”, afirma.
Em um setor tradicionalmente aquecido
no primeiro trimestre, a instituição
optou por lançar seu novo posicionamento
nesse período. “Exatamente pelo
aquecimento do mercado no começo
do ano, principal período de captação
de novos alunos, trazemos o novo posicionamento
da Cultura Inglesa e a nova
comunicação buscando nos diferenciar
da concorrência”, diz. A campanha parte
da ideia de que ‘O inglês da Cultura é o inglês
que você aprende, entra na sua vida
e fica’, conceito traduzido pela presença
do Lion no centro da narrativa.
Na avaliação de Fábio Meneghati, CEO
e sócio da Greenz, agência responsável
pela campanha, o movimento sinaliza
uma mudança mais ampla na comunicação
do setor educacional. Ao defender
que ‘O inglês é pra vida’, a Cultura Inglesa
Campanha da Cultura Inglesa, criada pela Greenz, destaca o personagem Lion com o mote ‘O inglês que você leva pra vida’
26 19 de janeiro de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
“É comum que itens
escolares licenciados
alavanquem os volumes
comercializados”
Nicadan Galvão, diretor de marketing do CNA
Flavio Waiteman, fundador e CCO da Tech & Soul
reforça um compromisso histórico com
a proficiência e com o impacto de longo
prazo do ensino. “Essa abordagem reflete
uma maturidade do mercado, em que instituições
educacionais passam a comunicar
propósito, método e impacto de longo
prazo, em vez de soluções rápidas”, diz.
No caso do CNA, Nicadan Galvão, diretor
de marketing da instituição, afirma
que o início de 2026 marca uma virada
estratégica na atuação da rede. “Um
passo importante na sua evolução como
marca, ampliando sua atuação para além
do ensino de idiomas e se posicionando
como uma plataforma de educação complementar”,
afirma.
Segundo o executivo, o movimento
responde às transformações nas demandas
do mercado e prevê a conversão
das mais de 700 escolas da rede em
hubs de aprendizagem, com a inclusão
de cursos de programação, robótica, inteligência
artificial e influencer. “Essas
áreas, assim como os idiomas, são cada
vez mais determinantes para o desenvolvimento
pessoal e profissional das
novas gerações”, diz.
Na visão de Flavio Waiteman, fundador
e CCO da Tech & Soul, agência
responsável pela campanha ‘Monstros
CNA’, a estratégia reflete uma mudança
na forma como o setor educacional
se comunica. “O aprendizado de novos
idiomas sempre será um diferencial
poderoso, mas novas habilidades passam
a ser cada vez mais relevantes,
principalmente para as futuras gerações”,
afirma.
Para Marcelo Bernardes, CEO da Purpple,
a campanha desenvolvida com a
Wizard by Pearson reflete uma mudança
estrutural na comunicação do setor
educacional no início do ano. “A campanha
que busca despertar o desejo
apenas comunicando uma mensagem
não é mais suficiente”, afirma. Segundo
ele, a fragmentação da atenção exige
uma atuação integrada entre mídia de
massa e comunidades conectadas a
contextos culturais relevantes.
A Wise Up, por sua vez, estreou uma
campanha nacional que reposiciona o inglês
como ferramenta de sobrevivência
no mundo profissional e pessoal. Intitulada
‘Aperto’, a comunicação se apoia no
dado de que apenas 13% dos brasileiros
que afirmam ter algum conhecimento
do idioma se consideram fluentes, segundo
pesquisa da Pearson em parceria
com a Opinion Box. O conceito e o direcionamento
estratégico da campanha
foram idealizados pelo consultor Sandro
Sezerdello, com execução do time interno
de marketing da Wise Up.
Campanha ‘Monstros CNA’, criada pela Tech & Soul, apresenta a nova fase do CNA, que amplia a sua atuação para além dos idiomas
jornal propmark - 19 de janeiro de 2026 27
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
99Food chega ao mercado do Recife
com operação de OOH em larga escala
Ocupando os ativos da Kallas Mídia, plano integra diferentes modais,
como sistema ferroviário, ônibus, mobiliário urbano e aeroporto
A
99Food marca sua entrada no
mercado do Recife com uma operação
de out of home desenvolvida
nos ativos da Kallas Mídia OOH. A estratégia
busca apresentar a plataforma
a consumidores, restaurantes e entregadores
locais, ocupando os principais
corredores urbanos da capital pernambucana
e municípios do entorno.
O movimento se apoia em dados do
Instituto Locomotiva, segundo os quais
58% da população da região metropolitana
pede delivery ao menos uma vez por
semana, enquanto 81% veem o serviço
como uma forma acessível de lazer. Nesse
contexto, a campanha foi desenhada
para garantir capilaridade e repetição de
contato, somando cerca de 3,5 mil faces
distribuídas pelas zonas Norte, Sul, Oeste
e Centro, além de Jaboatão dos Guarara-
Painéis estão instalados em vários pontos da capital pernambucana
Divulgação
pes, Olinda, Camaragibe e Paulista.
O plano integra diferentes modais:
nas 23 estações do sistema ferroviário,
são 107 faces entre painéis estáticos, digitais
e envelopamentos de vagões. Nos
ônibus, a operação envolve 120 veículos,
com 2.880 backseat, 120 vidros internos,
120 backbus e cinco ônibus totalmente
envelopados. O mobiliário urbano ocupa
papel central, com 140 faces de Mupi, 30
megaleds e 50 fundos de abrigo, além de
mockups 3D da bag da 99Food instalados
em cinco abrigos. A presença se estende
ainda a sete faces de grandes formatos e
a um circuito de 45 telas digitais no aeroporto,
cobrindo a jornada do passageiro.
A operação envolve a CP+B (comunicação),
a Recife Mecatron (produção do
projeto especial) e o Lab Kallas (criação
técnica).
CHICOOH+ lança projeto de mídia exterior
para cobrir datas comemorativas no país
De olho nos 11 feriados prolongados em 2026, a iniciativa busca
oferecer às marcas uma plataforma de visibilidade ao longo do ano
A
CHICOOH+ lança o Projeto Turismo
Hotspot, voltado para os feriados
e datas comemorativas do calendário
brasileiro. De olho nos 11 feriados
prolongados no país em 2026, a iniciativa
tem como objetivo oferecer às marcas
uma plataforma de visibilidade ao
longo do ano, aproveitando períodos de
maior circulação de pessoas, deslocamento,
lazer e consumo.
Segundo estimativas da FecomercioSP,
o turismo brasileiro pode alcançar
um faturamento recorde de até R$ 235
bilhões em 2026. O plano foi estruturado
a partir do comportamento do público
nos feriados, considerando a personalização
da jornada do consumidor desde
patrocínio
Proposta inclui ativos em trajetos de viagem, destinos de lazer e polos comerciais
Divulgação
o deslocamento de suas cidades até a
experiência no destino. A proposta inclui
ativos posicionados em trajetos de viagem,
destinos de lazer, polos comerciais
e regiões de convivência, além de projetos
especiais em telas digitais e formatos
customizados.
“Os feriados fazem parte da rotina cultural
e emocional do brasileiro. As pessoas
se deslocam, ocupam as cidades,
frequentam as praias, estradas, centros
comerciais e espaços de convivência.
Nosso plano permite que as marcas estejam
presentes nesses momentos de
forma consistente, estratégica e integrada
ao ambiente, ao longo de todo o ano”,
destaca Chico Preto, CEO da CHICOOH+.
28 19 de janeiro de 2026 - jornal propmark
opinião
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Vamos desinventar
Gustavo Bastos
é fundador da 11:21
Gustavo Bastos
Tenho visto algumas pessoas falando em reinventar
a relação das agências com os clientes. Acho
que a palavra boa seria desinventar.
De alguns anos para cá, vejo que muitos clientes
inventaram novas relações com suas agências, sempre
para o pior.
Falta respeito, falta motivação, falta transparência,
faltam até briefings claros.
Do lado das agências, muitas inventaram um medo
horrível dos clientes, de perder conta, de levar bronca por
ter apresentado uma ideia ousada demais, uma estratégia
diferente ou mesmo apenas por discordar do briefing.
O resultado são relações onde gerar um bom trabalho
de comunicação se torna quase inviável.
Só por acidente é que em um ambiente tão ruim, negativo
e cheio de medos, brota algo criativo, engraçado,
memorável.
Por mais que ambas as partes teoricamente queiram
sempre o melhor para as marcas, a construção de um ambiente
propício ao surgimento de ideias é fundamental.
Ter uma terra fértil para plantar e regar estratégias
e ideias, sem medo de errar e levar bronca ou, pasme,
perder a conta.
Ganhar e perder contas faz parte do nosso negócio,
então melhor perder por ter ido longe demais do que por
não ter saído do lugar.
Em geral, aquele cliente que insiste que você faça só
o que ele quer, tira a conta por causa de a agência ter
feito só o que ele queria.
Então, a questão não é de reinventar, mas de desinventar
esses obstáculos que foram sendo inventados
nas duas pontas desse relacionamento que, se bem
administrado, faz aparecer estratégias e ideias que se
tornam cultura popular, constroem marcas, aumentam
vendas e furam bolhas nas redes sociais.
A gente aproveita e desinfeta os processos de concorrência
longos, excludentes, estressantes e muitas
vezes sem resultado final.
Desinventa muitos obstáculos na relação com parceiros
e fornecedores, prazos de pagamento malucos
e mais um monte de coisas que foram inventadas nos
últimos tempos sem trazer nenhum benefício para nenhuma
das partes e muitos malefícios para o resultado
final das campanhas.
Na área criativa, podemos desinventar a preguiça
de criar o mais confortável ou a campanha complicada
em que a forma esconde a absoluta falta de ideia e de
emoção.
Tem ainda a energia que se coloca para ter um videocase
premiado, muitas vezes bem superior ao esforço
para ter uma campanha com alto nível criativo.
Desinventar isso seria muito produtivo. Imagine devolver
toda essa energia para a criação e produção de
campanhas memoráveis.
Nunca gostei da palavra reinventar, porque ainda por
cima parece que tem de jogar tudo o que foi inventado
fora e começar do zero, e nem sempre é assim.
Basta, na maioria das vezes, simplificar, lapidar, limpar,
voltar às origens, Back to basics (desculpe o anglicismo,
mas essa campanha é histórica e ilustra bem o
pensamento aqui).
Talvez essa seja a melhor providência a ser tomada
na relação entre agência e cliente e também com parceiros
e fornecedores: desinventar.
“Na área criativa,
podemos desinventar
a preguiça de criar o
mais confortável ou a
campanha complicada
em que a forma
esconde a absoluta
falta de ideia e de
emoção”
jornal propmark - 19 de janeiro de 2026 29
opinião
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A economia da
autenticidade
Flávio Santos
A
creator economy nunca esteve tão madura e,
ao mesmo tempo, tão humana. Se nos últimos
anos a conversa girava em torno de formatos,
plataformas e impulsionamento, o ano de 2026 marca
o retorno a algo mais essencial: as pessoas. A pesquisa
‘Mapa da Influência 2026’ mostra um deslocamento
claro do mercado. A tecnologia avança, a inteligência
artificial ganha velocidade, o social commerce explode,
mas o epicentro estratégico volta a ser a autenticidade,
a comunidade e o comportamento humano.
Eu, que sou entusiasta da economia da influência,
vejo que começamos a viver agora a economia da autenticidade.
Em um contexto saturado de conteúdo, ser
real virou o novo algoritmo. No nosso recente estudo de
‘Tendências da Creator Economy em 2026’, a tendência
mais citada pelos entrevistados foi justamente a necessidade
de humanização e transparência. As pessoas
buscam conversas verdadeiras, duradouras, com mais
imperfeição e menos polimento. É uma resposta ao
excesso de publicidade disfarçada e de discursos planejados
demais. O que funciona em 2026 é a coragem de
ser quem se é, e creators que entendem isso constroem
vínculos poderosos com suas comunidades.
Ao mesmo tempo, estamos vendo a fragmentação
definitiva da influência. As massas continuam existindo,
mas já não são mais o centro. A relevância cultural se
deslocou para nichos, subcomunidades e microgrupos
com interesses compartilhados. A pesquisa indica que
microinfluenciadores devem liderar o próximo ciclo
porque oferecem profundidade, engajamento real e
um senso de pertencimento que marcas sozinhas não
conseguem gerar. Quanto menor e mais segmentada a
comunidade, maior a capacidade de conversão.
Esse movimento só é possível porque o creator deixou
de ser apenas mídia e passou a se comportar como
empreendedor. Ele administra marca própria, constrói
produtos, cria IPs, forma comunidade, negocia com empresas
e utiliza dados para tomar decisões. Nossa pesquisa
revela que boa parte do mercado já enxerga a influência
como um negócio estruturado, com processos,
metas e indicadores como qualquer empresa.
O criador hoje é gestor da própria reputação e do próprio
ecossistema comercial. A inteligência artificial entra
na equação como um acelerador, e não como substituto.
A tecnologia tem o papel de escalar ideias, automatizar
tarefas e ampliar capacidade criativa, mas não substitui
o olhar humano. A IA ganha relevância especialmente na
análise de tendências, no estudo de comportamento e
na prototipagem rápida de conteúdo, mas o que continua
definindo impacto cultural é sensibilidade, repertório
e narrativa. A influência de 2026 será profundamente
humana na essência e tecnológica na execução.
Com a maturidade deste mercado, cresce também a
exigência por profissionalização e métricas consistentes.
O setor deixou para trás métricas de vaidade e passou
a medir atenção real, profundidade de engajamento,
fidelização, retenção e impacto nas decisões de compra.
A integração entre awareness, consideração e conversão
se fortaleceu, especialmente com plataformas que aproximam
conteúdo de venda, como TikTok Shop, Kwai Shop
e YouTube Shopping. A influência se tornou full-funnel.
O que vemos agora é a consolidação de uma nova
fase: marcas que deixam de fazer campanhas isoladas
para construir modelos de comunidade proprietária,
e creators que deixam de atuar apenas como influenciadores
para se tornarem parceiros estratégicos. As
empresas que compreenderem esse movimento vão
transformar influência em infraestrutura, integrando
dados, criatividade e comportamento. Os creators, por
sua vez, seguirão expandindo sua atuação para produtos
próprios, linhas licenciadas, plataformas independentes
e modelos de negócio cada vez mais sofisticados.
O futuro da influência será moldado por autenticidade
como valor central, comunidades como motor de relevância,
dados como guia estratégico e tecnologia como ferramenta
de escala. Aliás, acima de tudo, ele será moldado por
pessoas. Mesmo em um cenário dominado por IA, automação
e algoritmos, a influência continua sendo sobre conexão
humana, narrativas verdadeiras e sobre a capacidade
de construir significado em um mundo que nunca foi tão
cheio de ruído. No fim das contas, o futuro do marketing
não é apenas sobre creators nem sobre marcas. É sobre
confiança. E confiança, em qualquer era, continua sendo o
ativo mais difícil de construir e o mais fácil de perder.
Flávio Santos
é CEO da MField
“Em um contexto
saturado de conteúdo,
ser real virou o novo
algoritmo. As pessoas
buscam conversas
verdadeiras, duradouras,
com mais imperfeição
e menos polimento”
30 19 de janeiro de 2026 - jornal propmark
inspiração
O ritmo que constrói o caminho
Fotos: Divulgação
Aprendi a olhar para cada novidade com entusiasmo, mas também com
responsabilidade, buscando entender como ela pode potencializar relações
Marco Túlio Oliveira
Especial para o propmark
Ao longo da minha trajetória, descobri que algumas das respostas que buscamos
nos momentos de maior pressão estão escondidas nos lugares mais simples, como
na rotina silenciosa do esporte. Quando comecei a treinar, a motivação era quase
ingênua: cuidar do corpo, organizar a mente, ganhar ritmo.
Mas a vida, como sempre, tinha outros planos. No meio desse processo nasceu minha
filha, e tudo mudou de um dia para o outro. O tempo encolheu, as prioridades se reorganizaram
e, ainda assim, algo em mim insistia em manter o movimento. Foi ali que entendi
que resiliência não é força bruta; é a sutileza de continuar, mesmo quando nada está exatamente
encaixado.
Retomar os treinos depois desse período virou uma metáfora pessoal. Entre noites maldormidas
e novos papéis, percebi que o bem-estar não nasce de grandes revoluções, mas de
pequenas persistências. E essa compreensão me acompanhou em uma das maiores mudanças
da minha vida: assumir a liderança da Ana Gaming.
Mudar de empresa, de contexto e de ritmo é sempre desafiador, mas eu já sabia, pelo
esporte, que adaptação não é um ato isolado, é um hábito. A cada dia, a rotina se reorganizou,
as decisões ganhavam mais clareza e a energia renovada do treino se transformava em
lucidez para conduzir a companhia em meio a tantas transformações do mercado.
Outra descoberta desse período foi o valor de ouvir quem pensa diferente de mim. No
ambiente da Ana Gaming, estar próximo das novas gerações deixou de ser uma obrigação
profissional e se tornou um privilégio. A forma como os jovens se expressam, experimentam,
consomem e constroem suas relações desafia certezas antigas e acende novas perguntas.
Eles têm uma leitura do mundo que não apenas antecipa tendências: redefine o presente. E
acompanhar essa visão me ajuda a manter a empresa inquieta, curiosa e conectada ao que
realmente importa.
Mas vivemos um tempo em que nada permanece igual por muito tempo. A tecnologia
cria caminhos, pontes e atalhos em uma velocidade que muitas vezes nos ultrapassa. E,
mesmo admirando essa potência transformadora, sigo convencido de que nenhum avanço
vale a pena afastar o humano do centro das decisões. Inovação sem empatia vira ruído.
Eficiência sem propósito vira vazio. Por isso, aprendi a olhar para cada novidade com
entusiasmo, mas também com responsabilidade, buscando entender como ela pode potencializar
relações, talentos e experiências, em vez de substituí-los.
No fim, percebo que tudo se conecta. O esporte me ensinou a ter disciplina e constância;
ouvir novas gerações me ensinou humildade e curiosidade; a tecnologia me ensina, todos
os dias, a me reinventar.
E, entre um passo e outro, descobri que o futuro não é sobre prever o que vem aí,
mas sobre construir quem seremos quando ele chegar. Continuo acreditando que, em
um mundo acelerado, o que nos mantém inteiros não é a pressa, é a capacidade de permanecer
humanos.
Marco Túlio Oliveira, CEO Ana Gaming
jornal propmark - 19 de janeiro de 2026 31
esg no mkt
Alê Oliveira
Diversidade
cultural premiada
Vivemos um movimento de retomada da
valorização das manifestações culturais brasileiras
Alexis Thuller Pagliarini
O
cinema brasileiro vive um momento de celebração
e reconhecimento que vai muito além das
estatuetas.
Depois da trajetória marcante de ‘Ainda Estou Aqui’
em importantes festivais internacionais, a consagração
de ‘O Agente Secreto’ no Globo de Ouro, com prêmios
em duas categorias, reafirma algo que nós, brasileiros,
sempre soubemos: nossa cultura é potente, diversa e
profundamente criativa.
O mundo apenas volta a enxergar aquilo que, por vezes,
insistimos em negligenciar internamente.
Mais do que orgulho, esse momento simbólico ganha
ainda mais relevância quando lembramos de um passado
recente em que a cultura foi tratada com desdém,
como algo de menor importância.
Um período marcado por ataques às políticas públicas
de fomento, críticas rasas à Lei Rouanet e uma visão
míope que reduzia a cultura a gasto, e não a investimento.
Felizmente, vivemos agora um movimento de retomada
da valorização das manifestações culturais brasileiras,
reconhecendo nelas não apenas expressão artística,
mas identidade, economia e potência social.
Pela voz dos vitoriosos, que, além de talentosos, são
também ativistas, Fernanda Torres, Walter Salles, Wagner
Moura, Kleber Mendonça Filho e muitos outros de variados
segmentos da cultura, vemos valorizada a nossa
criatividade e diversidade cultural.
De fato, a diversidade cultural brasileira é um ativo
raro. Fruto de uma miscigenação intensa — indígena,
africana, europeia, asiática —, ela se manifesta de forma
vibrante no cinema, na música, nas artes visuais, no artesanato,
na literatura, na moda, no marketing e em tantas
outras expressões criativas.
É o nosso famoso borogodó: algo difícil de explicar,
mas impossível de ignorar. Essa força criativa sempre foi
percebida no exterior.
Em minhas muitas idas ao Cannes Lions Festival, presenciei
repetidas vezes o encantamento de estrangeiros
diante da criatividade brasileira. Bastava você se apresentar
como brasileiro em uma roda de estrangeiros e lá
vinha uma expressão de admiração e reconhecimento.
Não apenas pelos prêmios — que não são poucos —, mas
pela originalidade, sensibilidade e ousadia das nossas
ideias.
Não à toa, o Brasil figura constantemente entre os
três países de melhor performance no festival e, em
2025, foi o segundo mais premiado, atrás apenas dos
Estados Unidos.
Essa riqueza cultural transborda também para o universo
do marketing, da comunicação e das experiências
de marca.
A cultura brasileira inspira narrativas, ativa territórios,
mobiliza emoções e transforma encontros em experiências
memoráveis.
Na área do live marketing, eventos de todos os portes
se apropriam dessa diversidade para atrair público,
gerar negócios e fortalecer vínculos. Cultura, aqui, é linguagem
econômica e social.
Embora seja difícil mensurar com precisão o quanto
a cultura contribui para o PIB brasileiro, é inegável seu
impacto no que poderíamos chamar de FIB — a Felicidade
Interna Bruta.
A cultura gera prazer, pertencimento, autoestima
coletiva e bem-estar. Ela humaniza, conecta e amplia
horizontes. Em tempos de ansiedade, polarização e intolerância,
isso não é pouco.
Esse cenário positivo faz um contraponto claro a
movimentos globais preocupantes, em que governos
autoritários tentam impor padrões únicos, sufocar expressões
culturais e desvalorizar a diversidade como
estratégia de poder.
A história mostra que esse caminho empobrece sociedades,
limita a criatividade e enfraquece o futuro.
Que o Brasil siga na direção oposta. Que continue valorizando
sua cultura, sua diversidade e sua capacidade
criativa em 2026 e sempre.
Porque é nela que desenvolvemos um dos nossos
maiores patrimônios: a possibilidade de construir um
país mais sensível, plural, inovador e, sobretudo, mais
humano e próspero para todos nós.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
32 19 de janeiro de 2026 - jornal propmark
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Alê Oliveira
Time do União Mogi na Copinha Sil 2026
Marcas entram em campo na Copinha Sil 2026
A Copa São Paulo de Futebol Júnior 2026 (Copinha), maior e mais tradicional competição de base do mundo, estreou no dia 4 de janeiro com novo nome: Copinha Sil. O acordo
firmado com a Federação Paulista de Futebol consolida a Sil Fios e Cabos Elétricos como detentora dos naming rights da competição em uma iniciativa inédita na história da
empresa. Segundo a companhia, a entrada nos naming rights da Copinha representa um movimento de aproximação com o público jovem e formado por famílias. O acordo
contempla propriedades como exposição nas arenas e placas de campo, painéis de entrevistas e áreas de mídia, conteúdos oficiais e digitais da FPF e ativações especiais com
torcedores e participantes. Além da Sil, patrocinadora master, o evento conta com o apoio das seguintes marcas: Centauro, Bis, Eurofarma, Wizard e Penalty. A Copinha Sil 2026
possui os direitos de transmissão negociados com exclusividade para Record TV, Record News, Xsports e pelos canais CazéTV e Paulistão no YouTube. “A transmissão da Copinha pela
Record é muito mais do que futebol na tela. É uma oportunidade de dar visibilidade aos sonhos de milhares de jovens atletas que lutam para chegar ao profissional. A Copinha é
tradição, é emoção, é a porta de entrada para grandes carreiras. Ter essa competição na Record significa reforçar o compromisso da emissora com o público que gosta de futebol,
com os anunciantes e com a formação de novos ídolos”, declarou Alarico Naves, superintendente-comercial multiplataforma da Record. Reconhecida com um dos torneios mais
democráticos, reúne 128 equipes e quase 4 mil atletas de toda parte do país, tem o Corinthians como maior vencedor da história, com 11 troféus. Nesta edição, o União Mogi, time da
cidade de Mogi das Cruzes, uma das sedes da competição, fez história sob o comando do técnico Reginaldo França ao passar pela segunda vez em sua história à fase eliminatória
da competição. Fred Abib, secretário municipal de Esportes e Lazer de Mogi das Cruzes, comentou a importância de a cidade sediar o evento: “Estamos muito felizes em receber a
Copinha em Mogi das Cruzes, a maior competição do futebol de base no Brasil. Neste ano, a Prefeitura voltou a investir para a realização da competição em Mogi das Cruzes, dentro
das ações de incentivo ao esporte. O resultado está sendo bastante positivo tanto dentro de campo, com uma boa campanha do União Mogi, quanto com a presença dos mogianos
para acompanhar os jogos, valorizando ainda mais a competição”. A final acontece tradicionalmente na celebração do aniversário da cidade de São Paulo, no dia 25 de janeiro.
Alarico Naves, superintendente-comercial multiplataforma da Record
Fred Abib, secretário municipal de Esportes e Lazer de Mogi das Cruzes
Comissão técnica do União Mogi: João Coutinho, Felipe Tedesco, Reinaldo Silva,
Reginaldo França, Pierre Davidson e Elcio Milani
Marcas presentes nos jogos da Copinha Sil 2026
jornal propmark - 19 de janeiro de 2026 33
última página
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Flavio Waiteman
é sócio e CCO da Tech&Soul
flavio.waiteman@techandsoul.com.br
Estocolmo
Flavio Waiteman
Asérie da Netflix ‘Clark’, filmada na Suécia, conta a
história de um criminoso que realmente existiu,
Clark Olofsson.
Um homem extremamente charmoso, violento, com
um viés de empatia e crueldade. Tudo junto com altas
doses de manipulação.
As pessoas maltratadas por ele o adoravam e o defendiam,
mesmo sendo reféns de suas maldades.
Ficou conhecido, naquilo que nas rodas de bar comentamos
sobre a síndrome de Estocolmo.
Uma maneira elegante de explicar algo inexplicável
que é a inação frente a algo desagradável que te afeta
diretamente.
Assisti à série, com atores suecos ótimos, incluindo
Bill Skarsgard.
Não teve como não lembrar que vivemos no mercado
hoje um momento parecido.
Marcas e clientes sofrendo muito com o desaparecimento
de suas agências, profissionais seniores sendo
dispensados em programas de lucratividade e fazendo
parte de um movimento financeiro de terceiros enquanto
ficam paralisados, sem autonomia ou vontade de escolher
o próprio caminho.
E, às vezes, com um pequeno sorriso no rosto. Haja
charme.
Está chegando a hora de as empresas independentes
e as de donos darem as caras.
Quanto mais delas, melhor. Depois, Darwin que se vire
em fazer a seleção natural.
É com ele a parte de selecionar as mais adaptadas,
com melhores talentos, cultura e adaptação frente ao
mercado e seus desafios.
Aquilo que uma agência independente tem e que é
muito valiosa para quem paga a conta é o “não” que ela
ouve. Pelo menos é um não que gera valor aos clientes.
Um executivo de primeira linha contratado consegue
dizer não até um quarter difícil chegar. Mas em agência
de dono, o “não” é garantido.
O “não” que uma agência independente ótima recomenda
pode diminuir as distrações que acabam diluindo
força e intensidade de um conceito.
O “não” para fórmulas manjadas e para a muleta de
dados em vocabulário de coach de autoajuda também.
Outra vantagem das independentes, nesse universo
de buracos negros se engolindo, é falar com quem decide.
Olho no olho.
E só uma agência de dono vai poder decidir ter um
quarter pior, mas investir num quarter melhor para o
cliente e seu sucesso.
Só sabe a dor quem sente. Vale para a pedra no rim
ou para empresários.
Incluindo nessa equação uma safra cada vez mais
rara de empresários, os donos de agências.
Um ótimo início de 2026 e vamos pra cima com coragem
de fazer um ano que valha a pena.
“Outra vantagem
das independentes,
nesse universo de
buracos negros se
engolindo, é falar
com quem decide”
34 19 de janeiro de 2026 - jornal propmark