edição de 2 de fevereiro de 2026
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propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.077 - 2 de fevereiro de 2026 R$ 20,00
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PR ocupa posição estrutural nas
decisões estratégicas das marcas
Em um ambiente de maior escrutínio social, polarização, desinformação e pressão por resultados sustentáveis, as agências de comunicação corporativa
deixaram de ser acionadas apenas em momentos críticos e passaram a integrar a estratégia das empresas. Em especial nesta edição, o propmark reúne
entrevistas com lideranças do setor, dados de pesquisas recentes, análises de agências e depoimentos de representantes de marcas para mostrar a
função do PR como infraestrutura de decisão, conectando negócios, governança e confiança. O material também aponta os temas que devem ganhar ainda mais
relevância em 2026, como gestão de risco, protagonismo executivo, inteligência reputacional e a integração entre comunicação, marketing e produto. pág. 16
Programas ampliam acesso
à indústria da comunicação
Divulgação
Iniciativas de formação, mentoria e capacitação de talentos
como o Entre (foto), do Grupo Publicis, ganham força nas
agências como resposta às barreiras históricas de entrada
ao mercado e tentam ampliar a diversidade. pág. 32
Lei do profissional
multimídia regulariza
atuação no setor de
marketing de influência
Novo enquadramento legal, sancionado no
dia 6 de janeiro, profissionaliza o trabalho
dos influenciadores, que agora serão obrigados
a assinar contratos mais transparentes.
A expectativa é que um ecossistema mais
seguro para as marcas e sustentável para
os criadores de conteúdo fomente novos negócios
em um setor que atrai cada vez mais
verbas do mercado anunciante. pág. 26
Propeg vê adaptação como
chave para ter relevância
Vitor Barros, CEO da
empresa, explica como
a fragmentação de
mídia, a pressão por
resultados e o avanço
da tecnologia mudaram
o papel das agências.
Ele defende a criatividade
como diferencial
competitivo e fala
sobre cultura, liderança
e estratégia para o
decorrer do ano. pág. 10
Divulgação
editorial
Armando Ferrentini
Os vários papéis do PR
Muito se fala que as agências de relações públicas deixaram para trás sua
função principal como intermediárias entre as marcas e a imprensa. Essa
é, no entanto, uma meia verdade. Obviamente, as empresas de PR ampliaram
o seu escopo de atuação, passando a trabalhar com frentes como marketing
digital, branded content, gestão de reputação e eventos, por exemplo, mas o
princípio básico permanece.
É ainda a velha e boa assessoria de imprensa que, muitas vezes, os jornalistas
procuram quando precisam de fontes para suas matérias ou checar fatos
que nem mesmo a inteligência artificial pode confirmar. Também a divulgação
de novidades dos clientes por meio do ‘disparo de releases’ continua, sim,
sendo uma estratégia importante das agências para abastecer, com notícias,
os veículos.
Não há dúvidas de que todo jornalista gosta de dar furos e descobrir histórias
por si próprio. No entanto, estabelecer pontes e um relacionamento saudável
com profissionais de PR é fundamental, observando sempre a ética e a isenção
editorial, claro.
Nesta edição, o propmark traz o Especial Comunicação Corporativa que mostra
como a relevância desse segmento cresceu em um cenário de polarização, pressão
por transparência e velocidade das redes.
Segundo o ‘Censo das Agências 2025’, desenvolvido pela Abracom (Associação
Brasileira das Agências de Comunicação), hoje há 1.013 agências e consultorias
em operação no país e mais de 20 mil profissionais de comunicação em todo o
Brasil. Além da assessoria de imprensa, os serviços incluem gestão de reputação,
comunicação digital e social, produção de conteúdo, comunicação interna, gestão
de crises, relacionamento com stakeholders, relações institucionais, pesquisas,
eventos e apoio a agendas de governança e ESG.
A Abracom entende que em ano de eleições como 2026 os desafios se intensificam
com a polarização do debate público, o risco de desinformação e o avanço
da tecnologia. A reputação das marcas é ativo econômico, assim como a imagem
pessoal dos executivos C-level das companhias - muitas agências fazem, inclusive,
a gestão dos perfis dos clientes no LinkedIn.
Na publicidade, que trabalha essencialmente com construção de marcas, já há
algum tempo o PR passou a ocupar lugar no pelotão da frente. Muitas vezes, os
profissionais de relações públicas atuam desde a concepção de campanhas. Não
à toa, grupos como o WPP e o Omnicom têm as próprias agências de PR.
Um levantamento realizado pela Motim indica que 7 em cada 10 empresas consultadas
perceberam impacto positivo do trabalho de PR em 2025, com ganhos
comunicacionais associados a awareness e branding e, para parte relevante das
organizações, impacto direto no negócio.
A mesma pesquisa aponta também que nenhuma empresa que já utiliza o serviço
pretende reduzir investimentos em PR em 2026 — com parcela indicando
intenção de ampliar.
Influencers
O mercado de influenciadores promete uma virada neste ano. No último dia 6 de
janeiro, o governo federal sancionou a Lei n° 15.325, que regulamenta o exercício
da profissão de multimídia. Ao mesmo tempo em que o marco jurídico tira os
creators da informalidade, também aumenta a responsabilidade pelo conteúdo.
A certeza dos especialistas é de que, a partir de agora, não dá mais para tratar o
marketing de influência como algo amador.
Frase: “Editores de revistas são melhores comunicadores que os publicitários. Copie
suas técnicas” (David Ogilvy).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
Alan Strozenberg: ‘Criatividade
além da comunicação’
CEO & CCO da Baila Creative Co. detalha o reposicionamento da agência como
venture creative e defende a criatividade como capital para atuar além da
publicidade tradicional.
3ª
IA consegue escalar campanhas, mas
a publicidade ainda testa seus limites
Reportagem analisa como a inteligência artificial amplia produção e
personalização, ao mesmo tempo em que impõe desafios culturais, jurídicos
e de governança às marcas e agências.
Mídia programática em 2026: previsões
apontam foco, transparência e novos
sinais de atenção
Análises do VP da Adlook no Brasil indicam que o próximo ciclo da mídia
programática deve ser marcado por escolhas mais estratégicas dos
anunciantes, com maior exigência por transparência, qualidade dos sinais de
atenção e uso mais criterioso da inteligência artificial.
4ª
Levantamento mapeia 25 cargos com crescimento acelerado, destacando
funções ligadas à IA, dados, segurança, planejamento e eficiência
operacional.
5ª
LinkedIn lista os empregos
em alta no Brasil para 2026
CarnaUOL 2026
reúne oito marcas
Festival consolida-se como plataforma de ativações para anunciantes, com
PagBank como patrocinador master e presença de marcas como Petra, Avon,
Cacau Show e Beefeater.
jornal propmark - 2 de fevereiro de 2026 3
índice
propmark
propmark.com.br
Comunicação
corporativa avança
como ativo estratégico
Agências de PR atuam em
várias frentes aumentando
o papel dentro dos clientes
em parcerias de longo
prazo. Gestão de reputação,
marketing digital, branded
content e eventos são alguns
dos serviços prestados.
16
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Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Editora-assistente
Adrieny Magalhães
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
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Revisão
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Assinaturas
www.propmark.com.br/signup
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Nubank fecha parceria com Ironman
para ampliar experiência com cliente
O Nubank Ultravioleta se tornou patrocinador master
das provas de triatlo do Ironman. Estratégia da fintech
é aumentar sua presença no universo de bem-estar e
esporte voltado ao público de alta renda. A novidade
foi apresentada pela CMO Juliana Roschel. pág. 31
TIM marca presença no Festival de
Verão Salvador com cota master
Marcos Lacerda, VP de marca e comunicação da TIM,
afirma que a relação da operadora com festivais não
se limita a ações pontuais. “A música sempre esteve
presente na história da TIM no Brasil. Por isso, estamos
em festivais grandes e em eventos”, disse ele. pág. 30
Redação
Rua François Coty, 228
01524-030 - São Paulo – SP
tel. (11) 2065 0772 / 0766
redacao@propmark.com.br
@propmark
propmark
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As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................3
Conexões ...........................................................................6
Curtas .................................................................................8
Entrevista ..........................................................................10
Quem Fez ...........................................................................12
ESG no MKT ........................................................................14
Especial Comunicação Corporativa .................................16
Digital ................................................................................25
Marcas ...............................................................................30
Mercado .............................................................................32
Out of Home ......................................................................35
Opinião...............................................................................36
Inspiração ..........................................................................40
Click do Alê ........................................................................41
Última Página ....................................................................42
Como traduzir o
zeitgeist em
impacto real
Patrícia Colombo, vice-presidente
de conteúdo da Africa Creative,
destaca que hoje o seu trabalho
“conecta dados, creators,
storytelling e negócios, com foco
em relevância contemporânea,
consistência de marca e impacto
mensurável”. pág. 28
4 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
conexões
última hora
Conta nova
A Caloi definiu a D’OM Soluções Improváveis como sua nova agência de publicidade após
processo de concorrência. Liderada por Mario D’Andrea e Filipe Cuvero, a agência já iniciou
os trabalhos. O escopo da parceria engloba a comunicação da marca Caloi e de todo o
seu portfólio de produtos, incluindo mountain bikes, bicicletas elétricas e outras linhas. A
D’OM também passa a atender a marca internacional Cannondale, voltada a bicicletas de
performance. Caloi e Cannondale pertencem à Pon Holdings.
Post: 99 leva Ivete Sangalo ao pré-Carnaval
do Rio de Janeiro e São Paulo
Demais
Babi Pires
Vai ser histórico!
Flávio Saturnino
Post: Com apoio da Coral,
Kobra restaura mural de Oscar
Niemeyer em São Paulo
Parceria Kobra-Coral
Eric de Carvalho
O do Senna está precisando de
uma restauração faz tempo
@tintascoral faz a boa
Marcassa
Kobra na Paulista é o cobra do Copan
Palitos Poéticos
Post: “Há uma grande demanda
por métricas de atenção”, diz
Fernanda Massa
Orgulho!
Victor Massa
Post: Burger King e Serasa dão
sanduíche grátis pelo ‘aperto’
no fim do mês
BK e seu marketing genial!
isadoragq
telonas
A Semana do Cinema retorna ao calendário cultural em fevereiro de 2026 com ingressos a
preços promocionais em todo o país. A campanha acontece entre os dias 5 e 11 de fevereiro e
oferece entradas a partir de R$ 10. Idealizada pela Feneec (Federação Nacional das Empresas
Exibidoras Cinematográficas), com apoio da Abraplex (Associação Brasileira das Empresas
Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex), Ingresso.com e Grupo Consciência, a
iniciativa chega à sua oitava edição.
Duailibi Essencial
“O senso comum não é tão comum”. (Voltaire)
dorinho
ia no b2b
Pesquisa ‘Status do Marketing B2B’, feita pela Intelligenzia, indica que mais de 70% das
empresas brasileiras já utilizam alguma ferramenta de IA. Porém, o uso da tecnologia segue
concentrado em tarefas operacionais, como produção de conteúdo, brainstorming e automação
básica, com pouca influência direta em indicadores como receita, conversão ou geração de
leads. “Esse retrato da IA ajuda a explicar um movimento mais amplo observado na pesquisa: o
marketing B2B brasileiro entrou em uma fase de maior pragmatismo. Após anos marcados pelo
entusiasmo com novas tecnologias, as empresas passaram a separar hype de retorno real. A IA
avançou, mas ainda ocupa um papel de apoio”, afirma Emilia Bertolli, fundadora da Intelligenzia.
Criação
Marcelo Rosa (foto) é o novo diretor de
criação da Isla. Ex-W3Haus, o criativo
também passou pela FCB Brasil, MGNT,
Suno, F/Nazca, Loducca e Live The Agency.
Com 25 anos de carreira, Rosa trabalhou
para marcas icônicas do mercado, como
Nike, Brastemp, Itaú, Red Bull, Vivo, Skol
e Guaraná Antarctica. “Receber o convite
do John (Ricardo John, sócio da Isla) para
contribuir na construção da Isla no Brasil
é uma honra. Nossa ilha é uma porção de
pessoas talentosas cercadas pelo centro
de São Paulo por todos os lados”, comenta
o criativo.
6 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
curtas
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Rosto humano é tRunfo de anúncios
que utilizam ia paRa captaR atenção
Anúncios de inteligência artificial generativa apresentam desempenho tão elevado quanto
peças feitas por humanos. A constatação está no estudo ‘Anúncios de IA que funcionam:
Como a criatividade da IA se compara aos humanos’, realizado pela empresa de tecnologia
de publicidade de performance Taboola, sediada nos Estados Unidos, em parceria com as
universidades de Columbia, Harvard, Munique e Carnegie Mellon. A taxa média de cliques
em peças de IA foi de 0,76%. Já anúncios humanos atingiram o índice de 0,65%. Mas ambos
tiveram desempenho comparável diante de controles estatísticos mais rigorosos. O levantamento
analisou mais de 500 milhões de impressões e três milhões de cliques. “Quando
a IA é usada para aprimorar sinais humanos, como a confiança encontrada em um rosto
humano, ela não apenas iguala a performance humana, mas muitas vezes estabelece um
novo teto para o engajamento”, comenta Oded Netzer, vice-reitor de pesquisa da Columbia
Business School. Visuais gerados por IA aumentaram ou mantiveram as taxas de cliques
sem reduzir a performance de conversão, provando que os anunciantes não precisam
trocar qualidade por escala de produção. De acordo com o levantamento, as marcas de
alimentos, bebidas e finanças foram pioneiras na adoção de anúncios de IA.
Estudo dEscobrE o movimEnto do “distopismo”
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copa tErá sEis marcas no sbt E n sports
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Fenômeno cultural mistura distopia e otimismo para renovação de momentos adversos
Galvão Bueno e Tiago Leifert conduzirão as narrações dos jogos da Copa pelo SBT e N Sports
Distopia e otimismo se misturam no novo movimento cultural identificado pela 12ª edição
do estudo de insights e comportamento de consumo ‘The future 100’, da VML, que entrevistou
15.639 pessoas na Argentina, Brasil, China, Colômbia, França, Grécia, Índia, Itália, Japão,
México, Portugal, Arábia Saudita, Tailândia, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados
Unidos, entre os dias 24 de setembro e 3 de novembro de 2025. Chamado “distopismo”,
o fenômeno reconhece a busca por renovação em momentos adversos. “Trata-se de
projetar um futuro melhor, não apenas desejar o passado”, comentam Emma Chiu e Marie
Stafford, diretoras globais da VML Intelligence e coautoras da pesquisa.
Airbnb, Esporte da Sorte, Friboi, Haleon, McDonald’s e Seara patrocinarão as transmissões
das partidas da Copa do Mundo da Fifa 2026 no SBT e N Sports. O torneio ocorrerá entre os
dias 11 de junho e 19 de julho de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá. As exibições
serão realizadas em simulcast, com o mesmo sinal para TV aberta, pelo SBT, e nos canais
lineares da N Sports. Galvão Bueno e Tiago Leifert comandarão as narrações e comentários
ao lado de Alexandre Pato e Mauro Beting. Há negociações em andamento com outras
marcas interessadas em participar do projeto, que prevê 32 jogos, incluindo as disputas da
Seleção Brasileira.
nr7 rEnova lidEranças E posicionamEnto Espm abrE pós-graduação com glamour WE contrata bruna simõEs
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Natália Melo: construção de marca e geração de demanda
A NR7 anuncia Natália Melo como COO e Elaine Nishiwaki
como diretora de atendimento. Com a nova assinatura “Ocupe
seu lugar”, a agência do grupo CDI incorporou a operação
da Journey com núcleo voltado a enterprises. “A integração
da Journey à NR7 responde a uma demanda por estratégias
que unam construção de marca e geração de demanda”,
comenta Natália. A transformação “permite conectar comunicação
e negócio com ainda mais profundidade. É esse o lugar
que escolhemos ocupar”, define Henrique Repiso, CEO da
NR7, que passa a operar como uma plataforma de comunicação,
growth e marca, que une inteligência de dados e visão
estratégica de negócio, colocando a reputação como “um
alicerce para a escala de negócio”, complementa Natália.
Aulas ao vivo de curso em formato EAD começarão em abril
ESPM e Glamour fecharam acordo para abrir uma pós-graduação
em jornalismo e comunicação de moda e beleza,
oferecido no formato de ensino à distância, com aulas ao
vivo e início em abril. “A audiência busca formação qualificada
e conectada à realidade do mercado. A expansão da
área educacional aproxima redação, mercado e academia”,
diz Renata Garcia, diretora de redação da Glamour,
publicação da editora Globo Condé Nast, que já oferecia a
pós-graduação Negócios e Marketing Digital para Moda e
Beleza. Ambos os cursos possuem corpo docente formado
por profissionais atuantes e incluem palestras e estudos
de caso apresentados por executivos, marcas e redações.
As inscrições já estão abertas no site da ESPM.
Bruna Simões: formatos que gerem impacto e performance
Bruna Simões é a nova head de media da We. A expectativa
é que ela impulsione “a inovação a partir de um pensamento
analítico e estratégico, traduzindo dados em resultados
reais”, revela a executiva, que concentra esforços “em
conectar marcas a novas tecnologias e formatos que gerem
valor, impacto e performance”. Ao longo de 16 anos de
carreira, ela passou por FCB, Talent e Yahoo. Bruna responderá
ao chief media officer da agência, Luca Lima, e passa
a dividir com Julio Campos a direção da área de mídia, que
reúne mais de 60 profissionais. EMS, Cacau Show, Shopee,
Grupo Petrópolis, BYD, Bridgestone e Novibet estão entre
os clientes. A movimentação deve “sustentar o nível de
excelência das entregas da área de mídia”, aponta Lima.
8 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
entrevista
Vitor Barros
CEO da Propeg
Entre legado e adaptação
Com seis décadas de atuação no
mercado e presença própria em seis
capitais brasileiras, a Propeg atravessa um
momento de reflexão e reposicionamento
em um cenário marcado por fragmentação
de mídia e mudanças profundas no
comportamento do consumidor. À frente
da agência desde 2018, Vitor Barros conduz
uma operação que combina herança
familiar, independência e uma visão
descentralizada de liderança, apostando
na criatividade como ativo central. Em um
mercado mais conservador e orientado por
dados, o executivo defende a adaptação
constante sem abrir mão do DNA criativo
que historicamente marcou a publicidade
brasileira. Nesta entrevista ao propmark,
ele revisita sua trajetória na agência, fala
sobre liderança, desafios do presente, uso
de tecnologia e as prioridades estratégicas
da Propeg para os próximos anos.
Adrieny Magalhães
Como você resume a sua trajetória profissional até chegar ao
cargo atual na Propeg?
A história é bem interessante. A Propeg é uma empresa familiar e, desde
pequeno, eu sempre quis trabalhar aqui e com publicidade. Eu passava as
férias da escola indo para a agência, observando o que as pessoas faziam,
perguntando sobre os processos. Isso foi importante porque, desde cedo, eu
sabia que esse seria o meu futuro. Quando entrei na faculdade, comecei oficialmente
a estagiar na agência, pela produção. Meu pai sempre dizia que é
na produção que tudo pode dar errado, então é ali que você aprende o resto.
Foi uma experiência muito rica: entender como uma campanha é produzida,
conhecer gráficas, produtoras. Depois, passei por outros departamentos,
como criação e mídia, até me encontrar no atendimento, onde fiquei por bastante
tempo. Após me formar, fiz um estágio de seis meses na DM9, em 2012,
quando o Brasil vivia um auge criativo muito forte. Foi transformador trabalhar
em uma agência fora do ambiente em que eu sempre estive. Quando
voltei, assumi o papel de diretor de integração, com o objetivo de acelerar
o digital dentro da Propeg. Defendi que não deveria existir uma unidade separada:
tudo precisava ser digital. Esse movimento gerou desdobramentos
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importantes, como a criação do Grupo PPG, o lançamento de spin-offs e novas
frentes dentro da agência.
Esse processo culmina na sua chegada à posição de CEO. O que
marcou essa transição?
Em 2018, conduzimos o processo de sucessão: meu pai passou a ser chairman,
criamos um conselho de administração e eu me tornei CEO da agência. Desde então,
buscamos não apenas ser uma agência grande, mas relevante nos mercados
em que atuamos.
Como você define hoje o posicionamento da Propeg dentro do
mercado brasileiro?
A Propeg é hoje a única agência brasileira independente com operações próprias
em seis capitais. Isso nos dá uma visão de Brasil muito ampla, além
do eixo Rio–São Paulo. Desde 2018, também passamos a investir fortemente
na marca Propeg como uma agência criativa, ampliando nossa atuação no
mercado privado. Mais recentemente, no ano em que completamos 60 anos,
iniciamos uma consultoria com Fábio Fernandes, promovendo uma transformação
profunda no modo de pensar a agência. É um movimento que vai na
contramão das fusões e do apagamento de marcas vistos nas grandes hol-
10 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
“O desafio é entender como estar
presente nas diferentes formas de
contato com o consumidor”
dings. Estamos pensando em como construir os próximos 60 anos de forma
consistente e sustentável.
Como sua herança familiar influencia no seu dia a dia e na sua
atuação profissional?
É um privilégio trabalhar com meu pai por tanto tempo e aprender com a experiência
dele. O processo de sucessão foi bem estruturado, com apoio de um
conselho forte e profissionais experientes. Temos orgulho de ser uma agência
que passou para a segunda geração mantendo-se atual. Costumo dizer que uma
empresa com essa longevidade vem antes de você e precisa continuar depois de
você. Embora seja uma agência familiar, não significa que tenhamos que estar no
comando para sempre. O mais importante é a continuidade da marca.
Você passou por diferentes áreas ao longo da carreira. Como
essas experiências influenciam sua forma de liderar hoje?
Liderança nunca é individual, é coletiva. Ninguém faz nada sozinho. É fundamental
ter um time bom e alinhado, remando na mesma direção. Quando você trabalha
com pessoas muito boas, precisa ter a capacidade de se reinventar como líder
e rever suas próprias crenças. O mercado de comunicação muda o tempo todo, e
a capacidade de adaptação é essencial. Se você não se adapta, vê o negócio ruir.
A gente prefere encarar o desafio e seguir em frente.
Quais são os principais desafios que você enfrenta hoje e que
não existiam no início da sua carreira?
O maior desafio hoje é chamar a atenção, inclusive a nossa própria atenção, já
que nós também somos consumidores. A fragmentação de mídia é enorme. Há 20
anos, era muito mais simples: um filme de televisão, um anúncio de jornal e, muitas
vezes, isso resolvia tanto a construção de marca quanto a venda do cliente.
Hoje, não basta ter verba. O desafio passou a ser entender como estar presente
nas diferentes formas de contato com o consumidor e, principalmente, como fazer
isso de maneira relevante. Não é só aparecer onde o consumidor está, mas
conseguir estabelecer uma conexão sem ser invasivo, sem gerar rejeição. Tudo
acontece em tempo real e isso mudou completamente a dinâmica da comunicação.
Antes, você não tinha retorno imediato sobre uma campanha no momento
em que ela entrava no ar. Hoje, a reação é instantânea e isso acabou travando
um pouco a criatividade. O medo dos comentários, das críticas e da repercussão
imediata fez com que muitos clientes deixassem de ousar. Nosso papel, como
agência, é justamente ajudar os clientes a retomarem esse espaço criativo. Sempre
digo que, se você não é criativo — ou se não se permite ser criativo — você
acaba só “arrastando para cima”. Pode até não agradar todo mundo, mas quando
algo chama a atenção, a pessoa para, olha, se envolve. Esse continua sendo o
grande desafio da comunicação hoje.
Manter o DNA criativo da agência é um desafio nesse contexto?
Olhar para frente, mudar e se adaptar sempre fez parte da Propeg, mas sem
perder de vista um ponto essencial: propaganda precisa ser divertida e criativa.
Esse movimento que temos reforçado é justamente para não deixar isso se
perder. Se não fosse para fazer algo legal, se orgulhar do que a gente produz e
se divertir no processo, haveria muitas outras profissões possíveis. Todo mundo
que entrou para a publicidade, de alguma maneira, foi impactado por propaganda
em algum momento da vida. Existe algo muito especial em você estar com
amigos, reconhecer uma campanha e poder dizer: ‘eu participei disso’. Isso gera
um orgulho enorme. Quando a gente senta hoje em uma roda de amigos e lembra
de propagandas marcantes, quase sempre estamos falando de campanhas que
ficaram na memória coletiva. Está faltando uma quantidade maior de campanhas
que entrem nessas conversas entre amigos. Isso tem muito a ver com uma
publicidade que ficou mais conservadora, mais fragmentada. O desafio está em
como manter relevância e fazer coisas legais em todos os ambientes: no TikTok,
na TV, na internet, no jornal, onde for.
Quantas pessoas trabalham hoje na Propeg e como é liderar um
time tão diverso?
Hoje somos cerca de 260 pessoas espalhadas pelo Brasil. É um time diverso,
tanto do ponto de vista geográfico quanto geracional. A Propeg tem uma estrutura
bastante descentralizada, com vice-presidentes, executivos e diretores
que trabalham com autonomia. Eu não acredito em um modelo em que todas as
decisões ficam concentradas no topo. Não tem como funcionar assim. A construção
precisa ser coletiva e participativa, ainda que, em alguns momentos, seja
necessário tomar decisões mais objetivas por uma questão empresarial. Tenho
o prazer de trabalhar hoje com pessoas que já foram CEOs de outras agências
e que trazem uma bagagem enorme para o dia a dia da Propeg. A diferença é
que aqui conseguimos sentar em uma mesa e tomar decisões em 30 minutos.
Em muitas estruturas maiores, essas decisões precisam passar por vários níveis,
muitas vezes fora do Brasil, o que torna os processos mais lentos e burocráticos.
Essa agilidade, típica de um grupo independente brasileiro, faz muita diferença
na gestão e também é um dos fatores que mais atraem talentos para a Propeg.
Existe dificuldade em reter talentos, especialmente das novas
gerações?
Trabalhamos com todas as gerações. O desafio existe em todos os setores. A geração
Z provoca, questiona e faz repensar processos. Ao mesmo tempo, as gerações
mais experientes trazem repertório e bagagem. Quando você combina
essas forças, o resultado é muito positivo.
Dados, tecnologia e inteligência artificial já fazem parte da
rotina da agência?
Sim. Desde o ano passado, todos os departamentos passaram a usar algum tipo
de IA. O foco não é apenas criação. A inteligência artificial otimiza tempo, melhora
processos e potencializa profissionais. Ainda veremos uma consolidação das ferramentas,
mas estamos só no começo de algo muito transformador.
O que faz um cliente permanecer em uma agência?
Entrega de valor. Se a agência resolve problemas reais e entrega resultado, não
há motivo para troca. A ideia precisa estar a serviço do negócio do cliente. Tudo
começa com entender a dor e o problema a ser resolvido.
Há setores que a Propeg pretende explorar mais nos próximos
anos?
Há vários setores no radar, mas alguns ganham atenção especial. O automotivo
é um deles, principalmente diante das transformações trazidas pelos carros
elétricos, novas tecnologias e mudanças no comportamento do consumidor. É
um segmento que nos interessa muito porque exige um entendimento profundo
das particularidades regionais. Outro setor que acompanhamos de perto é o de
bebidas. Assim como no automotivo, é um mercado em que o conhecimento regional
é determinante. Os mercados consumidores são muito diferentes, e hoje
o consumidor está mais atento e mais exigente.
Pensando em 2026, quais são as prioridades estratégicas da
Propeg?
O foco principal é cultura e posicionamento. Crescemos bastante nos últimos
anos e este é o momento de mostrar, na prática, que aquilo que defendemos não
é só discurso. É o ano de provar que a lógica pode, de fato, ser invertida.
Para encerrar, que aprendizados recentes têm influenciado suas
decisões e sua visão de futuro para a Propeg?
Um aprendizado importante é entender que nem tudo acontece na velocidade
que a gente gostaria — e isso não significa que as coisas estejam paradas. Costumo
dizer: vamos devagar porque temos pressa. Às vezes, na ansiedade, deixamos
de perceber que os movimentos estão acontecendo. Esse olhar mais paciente
tem sido fundamental.
“Este é o momento de mostrar,
na prática, que aquilo que
defendemos não é só discurso”
jornal propmark - 2 de fevereiro de 2026 11
quem fez
Kelly Dores
interina
kelly@propmark.com.br
GALERIA.AG
McDonalD's
Fotos Divulgação
Título: onda de cheddar
CCO: Rafael Urenha
Direção Executiva de Criação: Rodrigo Marangoni
Direção de Criação: Gabriel Felde, Victor capato
Criação: caio oliveira, João capusso
Aprovação cliente: Ilca sierra, Guilherme coe, Bruna lahr e Pedro speich
Produtora: Vetor Zero
Produtora de Som: Pingado Áudio
Campanha traz o surfista brasileiro Pedro Scooby ‘pegando’ uma onda
surreal de cheddar para apresentar as novidades da linha. Além do filme,
a ação tem missões gamificadas no TikTok que incentivam os fãs a declararem
seu amor por cheddar, com uma moldura de avatar.
ALmApbbdo
BRaDesco
Título: super Pix
CCO: Pernil
Vice-presidentes de criação: Fernando Duarte e Henrique Del lama
Diretores de Criação: eduardo Vares e Philippe Degen
Criação: Bernardo silveira, Jessica Pinheiro, Marcelo carvalho e
Myrian cipriano
O veloz cão “Super Pix” é o protagonista do filme, que busca simbolizar
a rapidez, segurança e versatilidade das transações no banco.
O comercial faz paralelos entre o comportamento do animal e as
funcionalidades do serviço. A narrativa também reforça que, assim
como um cachorro está sempre ao lado do dono, os clientes também
podem contar com o Pix do Bradesco para o dia a dia.
LIvE thE AGEncy
ala
Título: a essência secreta nordestina
Diretora Executiva de Criação e Produção: Isabella Pipitone
ACD: Vanessa Guerra
Redatora Sênior: Juliana costa
Diretora de Arte Sênior: Thamara Maura
Diretora de Arte Pleno: Thially lima
Creator: amanda Menelau
Campanha desenvolvida em parceria com a Rastro aproveita
a popularidade da atriz Tânia Maria, de ‘O Agente Secreto’, que
contracena com o cantor João Gomes para propagar o orgulho
nordestino. Além do filme, estratégia conta com ações especiais
no Carnaval de Recife, no São João e em em outras frentes para
fortalecer a identidade de Ala como uma marca 100% nordestina.
12 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
esg no mkt
Alê Oliveira
Governança em xeque
A tentação do cinismo é compreensível,
mas o custo de sucumbir a ela é catastrófico
Alexis Thuller Pagliarini
Durante décadas, alimentamos uma narrativa
otimista sobre nosso futuro: sociedades evoluiriam,
gradual, mas firmemente em direção a
formas mais éticas de governança. Líderes seriam
constrangidos por instituições, normas internacionais
e pressão da opinião pública a respeitar direitos
humanos, proteger o meio ambiente e honrar acordos
multilaterais.
Empresas adotariam práticas ESG não apenas por
marketing, mas por reconhecerem que valor sustentável
depende de ecossistemas saudáveis e sociedades
estáveis. Esse consenso civilizatório, embora
sempre frágil, parecia representar o mainstream
das aspirações globais. Então, algo fundamental se
rompeu. O mundo assiste, perplexo, a uma potência
global ser governada por lógica radicalmente distinta:
poder bruto substituindo negociação; ameaças
unilaterais no lugar de acordos multilaterais. Países
aliados são tarifados arbitrariamente, ameaçados
sem pudor diplomático. Dentro de suas fronteiras,
imigrantes são caçados em operações militarizadas,
deportados sumariamente.
A crueldade não é efeito colateral, mas performance
deliberada de poder. Mais perturbador que as
políticas em si é a mensagem implícita: esqueçam
as regras, esqueçam as instituições, esqueçam a
ética. Quem tem poder faz o que quer. E funciona —
ao menos no curto prazo. E aí mora o perigo: exemplos
são contagiosos. Se a maior potência do planeta
pode governar assim e prosperar, por que outros
não fariam o mesmo?
Se acordos internacionais são descartáveis para
quem tem poder militar, por que países respeitariam
compromissos climáticos custosos? No mundo
corporativo, os ecos já se fazem sentir. Executivos
questionam: estamos sendo ingênuos? Enquanto
nos autoimpomos restrições, concorrentes menos
escrupulosos capturam mercado. A tentação do cinismo
é compreensível, mas o custo de sucumbir a
ela é catastrófico.
Porque embora a lógica do poder bruto funcione
no curto prazo para quem o detém, suas consequências
são destrutivas para todos — incluindo os
poderosos. A governança ética não era idealismo
ingênuo — era reconhecimento pragmático de que
problemas complexos e interconectados não se resolvem
unilateralmente. Exigem coordenação que
só é possível quando há confiança mínima, que só
existe quando há respeito a regras compartilhadas.
Então, o que fazemos neste momento de xeque?
Primeiro, reconhecer o óbvio: não voltaremos rapidamente
ao consenso anterior. O dano está feito.
Haverá mais líderes testando limites, mais empresas
questionando compromissos ESG. Segundo, resistir.
Nem tudo está perdido porque um ator poderoso
renegou normas. Há muitos países, empresas,
organizações e indivíduos comprometidos com formas
mais civilizadas de poder.
A União Europeia continua liderando a regulação
climática. Fundos trilionários mantêm critérios ESG
rigorosos. Movimentos sociais pressionam por consciência.
Terceiro, entender que esta é uma disputa
sobre qual tipo de mundo queremos. Aquele, onde
poder é a única moeda e onde empatia é fraqueza?
Ou outro, onde instituições importam e onde há
constrangimentos ao exercício arbitrário de poder?
A resposta será determinada por escolhas coletivas.
Cada empresa que mantém compromissos ESG
sob pressão; cada investidor que prioriza impacto
sustentável; cada consumidor que recompensa
práticas éticas; cada eleitor que rejeita demagogia
autoritária. A governança está em xeque, mas não é
xeque-mate.
O que está sendo testado não é apenas a viabilidade
de instituições internacionais ou práticas empresariais
responsáveis. É algo mais fundamental:
se nossa espécie é capaz de coordenação sofisticada
diante de ameaças existenciais ou se regrediremos
à lógica tribal de poder bruto. A história não
tem arco predeterminado. Ela vai para onde nós a
levamos.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
14 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
Reputação
precisa de
inteligência
de verdade.
IA também.
No Grupo Burson Brasil, a tecnologia
mais avançada só ganha valor se tiver
o olhar humano certo.
Nossas equipes usam todos os dias
ferramentas exclusivas de inteligência
artificial para ler cenários, prever
tendências e achar respostas. Mas é o
pensamento crítico que transforma tudo
isso em decisões que movem marcas.
Porque não basta ter algoritmos — é
preciso ter gente para dar sentido a eles.
www.bursonglobal.com
especial comunicação corporativa
Gestão de reputação ganha peso
estratégico no ambiente de negócios
Confiança, integração e gestão de riscos reposicionam o PR no centro
das decisões de negócio em um mercado mais exposto e complexo
Divulgação
Freepik
Fábio Santos: maturidade do setor e governança
Comunicação corporativa ganha centralidade nas estratégias das empresas em um cenário de maior exposição
Adrieny Magalhães
Por alguns anos, a conversa sobre
comunicação nas empresas foi
dominada por métricas de curto
prazo e pela lógica de crescimento
acelerado. Em 2026, o centro de gravidade
começa a mudar. A soma de polarização,
desinformação, pressão por
transparência, velocidade das redes e
amadurecimento do uso de dados empurra
as áreas de comunicação e as
agências de PR para uma função mais
contínua, conectada à estratégia e à
governança — e menos dependente
de iniciativas pontuais.
Essa inflexão aparece tanto nos
indicadores de mercado quanto no
discurso de quem está no dia a dia
das entregas. Para Fábio Santos, presidente
da Associação Brasileira das
Agências de Comunicação (Abracom),
“o mercado brasileiro de comunicação
corporativa é hoje, amplo, estruturado
e economicamente relevante”. De acordo
com o ‘Censo das Agências 2025’, desenvolvido
pela Abracom, este retrato
inclui 1.013 agências e consultorias em
operação no país e mais de 20 mil profissionais
de comunicação em todo o
Brasil, além de um escopo que deixou
de ser um serviço restrito à assessoria
de imprensa e passou a operar como
plataforma integrada, com atuação em
estratégia corporativa, gestão de reputação,
comunicação digital e social,
produção de conteúdo, comunicação
interna, gestão de crises, relacionamento
com stakeholders, relações institucionais,
pesquisas, eventos e apoio
a agendas de governança e ESG.
Ao mesmo tempo, a entidade faz
um alerta importante: essa maturidade
não é uniforme. “Em muitas organizações,
a comunicação continua
sendo acionada de forma reativa,
sobretudo em momentos de crise, e
não como uma função estratégica
permanente, capaz de antecipar riscos,
orientar decisões e gerar valor de
longo prazo”, diz Santos.
É nessa tensão — entre avanço e
lacunas — que se desenha o terreno
da comunicação corporativa no Brasil:
uma disciplina com mais demanda,
mais complexidade e mais cobrança.
exigências
O crescimento do setor não se explica
apenas por volume. Ele acompanha
a mudança do ambiente reputacional.
A Abracom descreve 2026 como
um ano em que os desafios se intensificam
com o avanço da tecnologia, o
risco de desinformação, a polarização
do debate público e a ampliação do escrutínio
sobre marcas e instituições.
Esse pacote de fatores ajuda a explicar
por que reputação passa a ser
tratada como ativo econômico e por
que comunicação interna volta a ganhar
peso como eixo de cultura e de
alinhamento. A síntese da entidade
é direta: “reputação não é campanha
nem ação pontual, mas uma gestão
contínua, com impacto direto sobre
competitividade, valor econômico e
sustentabilidade do negócio.”
O que está em disputa, portanto,
não é só presença no noticiário, mas
coerência, governança e capacidade de
sustentar decisões ao longo do tempo.
A consequência, para equipes internas
e agências, é um novo patamar
de exigência. De um lado, a urgência
“Reputação não
é campanha nem
ação pontual”
de responder em tempo real; de outro,
a necessidade de preservar consistência
e método. O tema de dados
também ganha densidade, não como
moda, mas como recurso para orientar
decisões, antecipar riscos e medir
a relação entre narrativa, confiança e
valor. A Abracom registra que cresce
a expectativa pelo uso de tecnologia
e inteligência artificial para produtividade,
mas com uma condição clara
dos clientes: isso deve vir acompanhado
de “olhar estratégico, criatividade,
curadoria humana e customização”.
PR como causa
Os dados reforçam a virada de
percepção. Um levantamento realizado
pela Motim indica que 7 em cada
10 empresas consultadas perceberam
impacto positivo do trabalho
de PR em 2025, com ganhos comuni-
16 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Alexandre Loures: gestão de risco e comunicação como infraestrutura estratégica
Zé Schiavoni: leitura de contexto, risco reputacional, IA e estratégia “glocal”
cacionais associados a awareness
e branding e, para parte relevante
das organizações, impacto direto no
negócio. A leitura do CEO da Motim,
Gabriel Oliveira, posiciona PR como
ativo de competitividade e não como
etapa final de divulgação. “Por muito
tempo, a área de PR e a construção
de reputação em si, foi tratada como
consequência. Hoje, as empresas mais
bem-sucedidas entendem que ela é
a causa, um ativo capaz de impactar
vendas, retenção, atração de talentos
e percepção de mercado. Marcas que
constroem narrativas consistentes
criam ciclos virtuosos, com menos dependência
de mídia paga e mais legitimidade
nas relações”, afirma.
No mesmo levantamento, o dado
de que nenhuma empresa que já utiliza
o serviço pretende reduzir investimentos
em PR em 2026 — com parcela
indicando intenção de ampliar — funciona
como indicador de resiliência
em um ano de incerteza. O PR deixa
de ser visto como suporte operacional
e passa a operar como disciplina
de confiança e gestão contínua, com
reflexos em métricas de negócio, relacionamento
e cultura.
intencionAlidAde
A mudança também aparece no
debate sobre marketing e comunicação
de negócios. Beatriz Ambrosio,
CEO e fundadora da Mention, associa
o momento ao esgotamento de
alguns vetores do digital: CAC mais
alto, saturação de canais e abundância
de conteúdo superficial. A executiva
descreve a inflexão de forma
direta: “Estamos vivendo uma transição
importante. A era da otimização
infinita dá lugar à era da intencionalidade.
Comunicação volta a ser sobre
construir significado, confiança e
valor real, e não apenas métricas de
curto prazo”, afirma.
AgênciAs
Do lado das grandes agências de PR
do Brasil, Zé Schiavoni, executive chairman
Brasil do The Weber Shandwick
Collective, aponta que companhias
multinacionais enfrentam pressões
globais e locais, ao mesmo tempo que,
recalibrar narrativas se tornou parte
do trabalho, com atenção permanente
ao risco reputacional. Ele descreve
o uso da inteligência artificial como
pilar operacional e estratégico da
Freepik
jornal propmark - 2 de fevereiro de 2026 17
atuação. “O uso de ferramentas de IA
para monitorar a opinião pública, prever
comportamentos e personalizar a
comunicação corporativa tem sido um
grande foco da nossa atuação, aliada a
uma consultoria executiva de alto nível,
o que é fundamental para moldar
estratégias que impactam os negócios
das corporações”, afirma.
Ao falar da evolução do conceito
“glocal”, Schiavoni descreve uma mudança
de patamar. “Há pouquíssimo
tempo, uma multinacional poderia ter
alguma tranquilidade ao aplicar uma
estratégia global no Brasil, com alguma
‘tropicalização’ nos conteúdos,
como costumávamos dizer. Agora, ultrapassamos
rapidamente o ponto de
inflexão das estratégias ‘glocal’ para
um novo patamar, muito mais sofisticado”.
Segundo ele, esse processo exige
análise aprofundada de contexto.
“Antes de qualquer aplicação local de
uma estratégia global, realizamos uma
análise detalhada do contexto cultural
e mercadológico brasileiro, com o uso
de ferramentas e metodologias proprietárias,
para mapear nuances culturais,
identificar territórios de oportunidade
e avaliar os riscos locais”, detalha.
Nesse novo cenário, prevenção e
brand safety deixam de ser temas episódicos
e passam a integrar o método.
“Protocolos de brand safety para todos
os pontos de contato das marcas,
como campanhas de marketing, mídia
paga, ativações e ações com influencers,
nunca se fizeram tão necessários”,
afirma Schiavoni. Em um ambiente
em que ruídos escalam em minutos,
o custo da correção tende a ser maior
do que o custo do planejamento.
Essa leitura é compartilhada pela
FSB Holding. Para Alexandre Loures,
sócio controlador do grupo, a comunicação
corporativa deixou de ser um suporte
tático para ocupar uma posição
central nas decisões das marcas. “A comunicação
corporativa no Brasil deixou
de ser um suporte tático para se tornar
uma alavanca estratégica central das
marcas. Em um ambiente de baixa confiança
institucional e maior escrutínio
social, comunicação não é mais apenas
‘mensagem’, é gestão de reputação,
antecipação de riscos e construção de
‘licença para operar’”, afirma.
Para Loures, essa mudança reflete
o novo perfil das demandas das
empresas, cada vez mais orientadas
à resolução de problemas complexos
de negócio. “Hoje, elas procuram comunicação
não apenas para ganhar
Claudio Rawicz: comunicação e papel estratégico das agências
visibilidade, mas para resolver problemas
complexos de negócio”, diz. Em
um contexto marcado por fragmentação
de públicos, aceleração digital
e aumento do risco reputacional, o
executivo avalia que a comunicação
passa a operar como infraestrutura
estratégica de decisão, conectando
governança, reputação e negócios.
“A comunicação
corporativa no
Brasil deixou de
ser um suporte
tático”
te a forma como nos posicionamos
com nossos colaboradores, e um dos
principais frutos dessa parceria foi o
lançamento de novos formatos de comunicação
por meio de vídeos curtos,
que valorizam o protagonismo das
pessoas e trazem a linguagem das redes
sociais para dentro da empresa.”
Experiência semelhante é relatada
pela Visa. Para Sabrina Sciama, senior
director de corporate communications
da companhia, a comunicação tem papel
central na forma como a marca se
posiciona e se relaciona com o mercado.
“A comunicação corporativa é uma
peça central na forma como a Visa se
posiciona, se relaciona e impacta o
mercado. Em parceria com a Marqueterie,
ampliamos nossa capacidade de
traduzir decisões estratégicas em narrativas
consistentes, oportunas e que
reforçam a confiança na marca”, afirma.
Sabrina conta que a proximidade
com a agência permite antecipar movimentos
e conectar comunicação e
negócio. “A presença constante da
agência no nosso dia a dia nos permite
antecipar riscos, identificar oportu-
Fotos: Divulgação
Sabrina Sciama: integração com o negócio e decisão de marca
e o lado do cliente?
Claudio Rawicz, diretor-executivo
de comunicação e sustentabilidade
da Volkswagen do Brasil e América Latina,
traduz essa agenda do ponto de
vista das marcas ao comentar o trabalho
em conjunto com a Race Comunicação.
“A Race Comunicação é uma
agência com longa experiência e iniciou
a parceria com a Volkswagen em
um momento especial para a marca,
que foi no lançamento do Tera, o carro
mais importante para a empresa nos
últimos 10 anos”, afirma.
Para Rawicz, o escopo da atuação
vai além da relação com a imprensa e
envolve a comunicação interna em escala,
conectando operação e cultura.
“A expertise da Race foi fundamental
para auxiliar nas nossas estratégias
de comunicação, tanto com a imprensa,
quanto na comunicação interna
das nossas quatro fábricas, que ficam
em São Bernardo do Campo, Taubaté e
São Carlos, em São Paulo, além de São
José dos Pinhais, no Paraná”, diz. Para
ele, a parceria também trouxe novos
formatos e linguagem. “A agência nos
ajuda a transformar continuamennidades
de reputação e atuar de maneira
mais integrada com o negócio”,
diz. Ela acrescenta que o trabalho conjunto
também se reflete em impacto
prático. “Quando alinhamos narrativas
institucionais aos nossos objetivos comerciais
— seja destacando soluções,
evidenciando cases ou posicionando
executivos em temas relevantes — a
Marqueterie nos apoia na construção
de mensagens que despertam interesse
do mercado e geram conversas
com potenciais parceiros.”
2026
A perspectiva para 2026 reúne fatores
que elevam a sensibilidade do
ambiente reputacional e aumentam
a demanda por comunicação integrada.
No diagnóstico da Abracom, o ano
combina avanço tecnológico, risco de
desinformação e polarização, além de
frentes regulatórias e macroeconômicas
que exigem preparo e clareza
para públicos diferentes.
Do ponto de vista de mercado, a
Motim fala da já citada “intencionalidade”,
sugerindo que a comunicação
corporativa tende a ganhar orçamento
quando consegue se provar como
instrumento de confiança e de redução
de risco — sem depender apenas
de mídia paga ou de “picos” de exposição.
O desafio, como aponta a Abracom,
é transformar o reconhecimento
em prática estruturada, com integração
real à estratégia e a indicadores,
e com espaço para leitura de contexto
e aconselhamento contínuo.
18 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
especial comunicação corporativa
Marqueterie reposiciona a gestão de
reputação como insumo estratégico
Bia Azevedo, managing partner da agência, detalha a evolução do
modelo, a integração entre disciplinas e os desafios do mercado
Adrieny Magalhães
Fundada em 2005, a Marqueterie
ampliou ao longo dos últimos
anos, seu escopo de atuação e a
profundidade das entregas, acompanhando
a transformação do papel da
comunicação dentro das empresas.
O que começou com foco mais concentrado
em assessoria de imprensa,
evoluiu para um modelo integrado
voltado à construção de reputação,
posicionamento e influência, reunindo
relações públicas, eventos, ativações
e programas de thought leadership.
Essa evolução também se reflete
no perfil de clientes atendidos. Se
antes a agência tinha presença mais
forte entre marcas de luxo e lifestyle,
hoje atua de forma consistente com
empresas de serviços financeiros, tecnologia,
bens de consumo e negócios
em transformação. “Hoje, nosso papel
vai além da visibilidade: contribuímos
para a construção de confiança e valor
de longo prazo”, afirma Bia Azevedo,
managing partner da Marqueterie.
Na estrutura das empresas, a agência
passou a ocupar um espaço mais
próximo da consultoria estratégica. A
execução segue como dimensão essencial
do trabalho, mas passa a estar
ancorada em decisões de alto nível,
consistência narrativa e gestão de risco
reputacional. “Cada vez mais, a comunicação
deixa de ser apenas output
e passa a ser input para decisões estratégicas
de negócio”, diz a executiva.
Entre as demandas corporativas
mais recorrentes, três frentes se
destacam: gestão de crises e preparação
para cenários sensíveis,
posicionamento de lideranças executivas
e mensuração do impacto da
comunicação nos negócios. A maior
exposição pública e a velocidade das
redes sociais levaram as empresas a
buscar estruturas preventivas. “Elas
querem estar preparadas antes que
algo aconteça e, quando acontece,
querem respostas rápidas e estratégicas”,
afirma.
À frente da agência, Débora Carvalho, Teresa Westin e Bia Azevedo conduzem um modelo de atuação orientado à reputação
O posicionamento de CEOs e executivos
também ganhou relevância,
diante do entendimento de que a visibilidade
pessoal impacta diretamente
a reputação corporativa e a capacidade
de atrair talentos, investidores
e parceiros. Nesse contexto, cresce a
demanda por programas de thought
leadership voltados à construção de
autoridade e legitimidade, e não apenas
à exposição midiática.
Já a pressão por métricas mais consistentes
revela uma mudança estrutural
na relação entre comunicação e
negócio. “CFOs e CEOs querem entender
como a comunicação gera valor mensurável.
Não basta mais contar clippings”,
diz Bia. O foco passa a estar na qualidade
da exposição e na contribuição para
indicadores como confiança, preferência
de marca e percepção de valor.
Os aprendizados de 2025 reforçaram
a necessidade de uma comunicação
mais integrada, mais rápida e
orientada à tomada de decisão. A capacidade
de responder a crises com
agilidade, sem perder profundidade
“Contribuímos
para a construção
de confiança e
valor de longo
prazo”
Divulgação
analítica, está diretamente ligada
à preparação prévia e a processos
claros. Nesse período, experiências
presenciais também passaram a ser
tratadas como ativos relevantes de comunicação,
capazes de gerar impacto
reputacional e cobertura qualificada.
A incorporação da inteligência
artificial entrou na operação como
ferramenta de apoio à produtividade,
monitoramento e análise. “Implementamos
governança de IA para ganhar
eficiência, mas nosso diferencial continua
sendo a capacidade humana de
interpretar contextos e construir relacionamentos”,
afirma.
Para 2026, a expectativa é de maior
maturidade na contratação da comunicação
como pilar estratégico. Os investimentos
da agência se concentram
na capacidade sênior em estratégia e
reputação, inteligência e dados e integração
de disciplinas. “Comunicação
corporativa que souber demonstrar
sua contribuição para o negócio tende
a ganhar mais espaço nas decisões das
empresas”, conclui Bia.
20 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
especial comunicação corporativa
Pros aposta na convergência de
disciplinas para ampliar o papel do PR
Daniela Graicar e Fernanda Tchernobilsky detalham a evolução do
escopo, o foco em reputação e os aprendizados recentes da agência
Adrieny Magalhães
Criada há dez anos a partir da
fusão de cinco agências com
especialidades distintas, a Pros
nasceu com a proposta de se organizar
menos pelo portfólio de serviços
e mais pelos desafios dos clientes. A
integração entre relações públicas,
conteúdo, eventos, endomarketing
e brand PR moldou desde o início um
modelo orientado à convergência de
disciplinas e à entrega de soluções
customizadas.
Nos últimos anos, essa lógica ganhou
ainda mais relevância diante
da multiplicação dos meios, da velocidade
da informação e da ampliação
dos espaços onde narrativas nascem
e se projetam. Além do PR criativo, a
agência passou a concentrar esforços
em projetos de live marketing e
na gestão da reputação pessoal de
altos executivos, entendendo que o
posicionamento das lideranças impacta
diretamente a relação entre
marcas e consumidores. “Evoluímos
de uma agência criativa para uma
parceira estratégica de negócio, ajudando
marcas e lideranças a ocuparem
um papel ativo na cultura e na
sociedade”, afirma Daniela Graicar,
co-CEO da Pros.
Esse reposicionamento também
redefiniu o papel da Pros dentro das
estruturas de comunicação das empresas.
A execução segue sendo parte
essencial do trabalho, mas passa a
estar ancorada em consultoria estratégica,
construção de narrativas, mapeamento
de riscos e relacionamento
com públicos-chave. “A era do simples
disparo de releases ficou para trás.
Hoje, o desafio é gerar relevância,
engajamento e confiança”, diz Daniela.
Segundo ela, a atuação integrada
permite conduzir conversas sensíveis
e construir um colchão reputacional
consistente no longo prazo.
A intensificação das crises aparece
como uma das principais demandas
que chegam às agências. A rápida
Fernanda Tchernobilsky e Daniela Graicar estão à frente do modelo baseado na integração entre RP, conteúdo, eventos e influência
circulação da informação e o ganho
de escala quase instantâneo dos temas
sensíveis levaram as empresas
a investir mais em abordagens preventivas,
como planos estruturados
de gestão de crise, monitoramento
contínuo de reputação, social listening
e preparação de executivos. “As
crises acontecem com mais frequência
e ganham proporções maiores”,
observa Fernanda Tchernobilsky, co-
-CEO da agência, citando dados da Deloitte
Insights que indicam que 60%
dos executivos acreditam enfrentar
mais crises hoje do que há dez anos.
Esse contexto reforçou a presença
do PR na mesa de decisão. Para
2026, a Pros parte de três premissas:
a crescente complexidade do cenário
reputacional, a relevância cada
vez maior do PR nas decisões estratégicas
e a busca por crescimento
com consistência. A agência tem investido
em eficiência e integração,
ampliando o uso de ferramentas,
processos e a conexão entre áreas
como criação, estratégia, produção e
“A era do simples
disparo de
releases ficou
para trás”
influência, sem abrir mão da relação
com formadores de opinião.
A expectativa para 2026 é de
consolidação da comunicação como
pilar estratégico nas empresas, com
maior busca por projetos de médio
e longo prazo, menos táticos e mais
estruturantes. “A reputação deixou
de ser apenas proteção. Ela influencia
o valor de marca, atração de talentos,
confiança e a relação com
consumidores”, afirma Fernanda.
Nesse cenário, a integração com marketing,
branding e negócios tende a
se intensificar.
Divulgação
A atuação integrada também define
o modelo de entrega da Pros.
Com histórico em conteúdo, influência,
ativações de marca e imprensa,
a agência trabalha essas frentes de
forma articulada desde a concepção
dos projetos. Dependendo do
desafio, o ponto de partida pode ser
o conteúdo, uma ativação ou uma
estratégia de influência, com as demais
disciplinas sustentando e amplificando
a narrativa.
Internamente, a agência investiu
em times mais multidisciplinares,
processos mais ágeis e uma cultura
de corresponsabilidade e autonomia,
buscando responder à velocidade do
mercado sem perder profundidade
estratégica. Para os próximos anos,
as executivas acreditam que tendências
como o PR reassumindo seu
papel como disciplina de confiança,
a valorização de experiências offline
e a liderança pública como ativo
de marca, devem ganhar ainda mais
peso na estratégia das empresas e
das agências.
jornal propmark - 2 de fevereiro de 2026 21
especial comunicação corporativa
Grupo Burson aposta em modelo
multimarcas para atender mercado
Com Burson, JeffreyGroup e Máquina, grupo estrutura no Brasil uma
operação integrada que combina tecnologia e gestão de reputação
Adrieny Magalhães
A
operação do Grupo Burson (do
WPP) no Brasil é estruturada a
partir de um modelo multimarcas
que reúne Burson, JeffreyGroup e
Máquina. A proposta é manter as identidades,
culturas e especializações de
cada agência, ao mesmo tempo em
que se consolida uma base integrada
de capacidades estratégicas, tecnológicas
e criativas para responder a
demandas cada vez mais complexas
de comunicação, reputação e relacionamento
institucional.
“Como grupo, nosso foco é continuar
trabalhando com as três marcas de
forma independente, cada uma com
seu perfil e expertise distintos”, afirma
Rosa Vanzella, CEO do Grupo Burson
Brasil. Segundo a executiva, a integração
ocorre principalmente entre
as equipes de atendimento da linha
de frente e áreas transversais como
criação, planejamento, inteligência
de dados, relações governamentais,
eventos, branded content, marketing
de influência e editorial. “Essa integração
garante que cada entrega possua
consistência estratégica, criatividade
e mensuração de impacto”, diz.
A estrutura brasileira é impulsionada
pelo uso crescente de inteligência
artificial generativa e
cognitiva, além de plataformas proprietárias
com modelos preditivos
aplicados à comunicação. “Usamos
IA generativa para trazer velocidade
e escala às atividades operacionais,
buscando eficiência e foco no pensamento
estratégico”, explica Rosa.
Ao mesmo tempo, ferramentas do
portfólio global do grupo ampliam
a capacidade analítica das equipes.
“Aproveitamos soluções como o Burson
Decipher, que usa IA cognitiva
para prever a viralidade e o impacto
potencial de uma narrativa antes
mesmo do lançamento de uma
campanha, garantindo que as mensagens
realmente ressoem com os
públicos certos.”
Grupo Burson reúne as agências Burson, JeffreyGroup e Máquina em um modelo multimarcas para atender diferentes demandas
Complementaridade
A definição de qual agência lidera
cada projeto considera o perfil do
cliente, o escopo do desafio e a necessidade
de atuação local, regional
ou global. “Levamos em consideração
não apenas a expertise da equipe,
mas também o perfil de cada
agência”, afirma Rosa.
A Máquina se posiciona como uma
marca local, com mais de 30 anos de
existência; a JeffreyGroup carrega
uma forte expertise regional na América
Latina; e a Burson atua com foco
global, conectando o Brasil às estratégias
internacionais do grupo.
“Reunimos marcas que têm suas
próprias histórias e são muito respeitadas
no Brasil”, diz a CEO. Para ela, o
diferencial está em oferecer profundidade
local combinada a metodologias,
tecnologia e inteligência de dados de
um grupo presente em mais de 40
países. “Essa combinação nos permite
operar com profundidade local, regional
e com visão global, conectando
narrativas, dados e reputação.”
A complementaridade também
evita sobreposição de atividades.
“Essa é a essência da estratégia de
portfólio em grandes grupos como a
Burson”, afirma Rosa. “Cada agência,
embora parte do mesmo grupo, é incentivada
a manter sua identidade e
especializações.” Segundo ela, a integração
fortalece o acesso a tecnologias,
equipes criativas e inteligência
de dados, sem diluir o posicionamento
individual de cada marca.
teCnologia e dados
Em 2025, algumas frentes ganharam
destaque dentro da operação
brasileira, especialmente eventos,
brand experience, criação e inteligência
de dados. “Vimos um crescimento
significativo em brand experience,
com eventos e ativação de produtos,
em formatos variados que vão desde
a participação de clientes em grandes
eventos já consolidados até a criação
de eventos proprietários”, afirma
Rosa. O branded content também se
consolidou como ferramenta estratégica,
ampliando o alcance e a profundidade
das narrativas corporativas.
Divulgação
“Reunimos
marcas que têm
próprias histórias
e são respeitadas
no Brasil”
A mensuração passou a ocupar
papel central. “O grupo continuou
investindo e crescendo na área de
inteligência de dados com uma abordagem
totalmente analítica para
mensuração de resultados e definição
de metas”, diz a executiva, destacando
também o desenvolvimento de ferramentas
de IA para apoiar as equipes
em suas atividades diárias.
visões para 2026
Para 2026, cada agência do grupo
projeta impactos específicos a
partir das tendências observadas.
Na JeffreyGroup, o foco está na combinação
entre inovação tecnológica
22 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
Rosa Vanzella: modelo multimarcas, integração de capacidades
Luis Joly: cultura de boutique, inovação tecnológica e reputação
e cultura de boutique. “Minha visão
para a JeffreyGroup em 2026 é de um
ano em que reforçaremos a inovação
tecnológica, um benefício que obtemos
por fazer parte do Grupo Burson,
combinado com a cultura de boutique
que trazemos de mais de 30 anos de
experiência no setor de comunicação”,
afirma Luis Joly, presidente da Jeffrey-
Group Brasil.
Segundo ele, o objetivo é unir ganho
escalável de tecnologia com proximidade
real e atendimento personalizado.
“Isso nos permite trabalhar
de forma diferenciada para preservar
e impulsionar a reputação de nossos
clientes em um ambiente de comunicação
cada vez mais complexo.”
Na Máquina, a leitura é de um mercado
ainda mais orientado ao cliente
e à integração. “Em 2025, ficou ainda
mais evidente que o mercado exige
agências profundamente orientadas
para o cliente”, afirma Leonardo Bersi,
vice-presidente executivo da agência.
Ele destaca a importância da escuta
constante, da proximidade e do entendimento
real do negócio. “O relacionamento
com a mídia permanece
central, mas opera de forma cada vez
mais integrada com branded content,
influência, projetos digitais, eventos,
public affairs e comunicação interna.”
Bersi também aponta o avanço do
uso estratégico de dados e IA. “Mais
do que eficiência operacional, dados
e tecnologia passaram a orientar decisões
estratégicas, desde a definição
de narrativas até a antecipação de riscos
reputacionais”, diz. Para ele, temas
como ESG, governança e gestão de crises
exigem das agências maior capacidade
de leitura de contexto e envolvimento
próximo com a alta liderança.
Já na Burson, o olhar está voltado
para o impacto das transformações
geopolíticas e tecnológicas sobre a
reputação. “O ano de 2026 aponta
para uma reconfiguração do cenário
da comunicação”, afirma Murilo Ohl,
vice-presidente executivo da Burson
Brasil. Ele cita o estudo ‘A Economia
Global da Reputação’, lançado em Davos,
que demonstrou que a reputação
adiciona, em média, 4,78% em retornos
anuais inesperados para os acionistas.
“Extrapolando esses dados, o
valor global da economia da reputação
é estimado em US$ 7 trilhões.”
Segundo Ohl, o investimento em
inteligência artificial permite medir,
prever e moldar a reputação. “Entendemos
que a reputação é multifacetada,
construída sobre fatos e a crença
compartilhada dos stakeholders”,
afirma. “Somos capazes de auxiliar
empresas e marcas a liderar em meio
a essas mudanças, garantindo que
suas narrativas e credibilidade sejam
fortalecidas no mundo pós-IA.”
brasil
Para o Grupo Burson, o cenário brasileiro
em 2026 tende a ser impulsionado
por fatores como o calendário eleitoral
e grandes eventos globais. “As eleições
devem movimentar o mercado, pois as
empresas ficam ainda mais atentas à
“O ano de 2026
aponta para uma
reconfiguração
do cenário da
comunicação”
Murilo Ohl: inteligência artificial e economia da reputação
Fotos: Divulgação
Leonardo Bersi: orientação ao cliente e integração de disciplinas
construção de reputação, gestão de
riscos e posicionamento institucional”,
afirma Rosa. A Copa do Mundo, mesmo
fora do Brasil, também deve estimular
campanhas, projetos digitais e experiências
de marca.
Nesse contexto, o grupo aposta na
consolidação do modelo multimarcas
como resposta à crescente complexidade
do mercado, combinando especialização,
tecnologia, leitura de cenário
e profundidade estratégica para
apoiar empresas em um ambiente de
comunicação cada vez mais sensível,
integrado e orientado à reputação.
jornal propmark - 2 de fevereiro de 2026 23
especial comunicação corporativa
Race ajusta seu modelo para um
ecossistema integrado e mediado por IA
Rogério Artoni, fundador e CEO da agência, analisa como reputação,
inteligência artificial e integração passaram a influenciar decisões
Adrieny Magalhães
Em um ambiente de maior exposição,
velocidade informacional
e aumento da complexidade dos
fluxos de comunicação, a Race Comunicação
tem reforçado uma atuação
mais estratégica junto às empresas.
A agência, que nasceu com foco em
relacionamento com a imprensa, ampliou
o escopo e passou a operar de
forma integrada, combinando consultoria
e execução, alinhada ao posicionamento
‘do insight à influência’.
Hoje, a Race entrega desde consultorias
mais profundas — com leitura
de cenário, reputação e stakeholders
— até projetos táticos em relações
públicas, comunicação interna e
marketing digital. O movimento também
se reflete no perfil de clientes,
com migração natural para grandes
companhias nacionais e multinacionais,
mantendo uma atuação multissetorial
como escolha para diversificar
repertório e reduzir concentração
em um único segmento.
Dentro das estruturas de comunicação
das empresas, o papel da Race
se concentra na consultoria estratégica
e na gestão de reputação, com
execução em frentes como imprensa,
comunicação interna e canais
digitais corporativos. “A execução é
essencial, mas sempre ancorada em
estratégia e visão de longo prazo”,
afirma Rogério Artoni, fundador e
CEO da agência.
Entre as demandas corporativas
mais recorrentes, a agência aponta
a busca por integração entre frentes
como imprensa, influenciadores,
comunicação interna e social media.
O objetivo, segundo Artoni, é reduzir
ruídos, ganhar consistência de discurso
e simplificar fluxos de briefing,
alinhamento e aprovação, concentrando
a interlocução em uma única
agência. Esse movimento também
aparece em projetos regionais, com
demanda por atuação integrada em
múltiplos países, em especial na
Rogério Artoni, CEO da Race Comunicação, analisa a ampliação do papel do PR
Divulgação
“A comunicação
interfere na
visibilidade e
autoridade das
marcas”
mentos devem se concentrar em
eficiência, integração e impacto
da comunicação nos negócios, com
empresas ampliando o escopo para
parceiros capazes de operar com
visão estratégica e execução consistente
em diferentes frentes. Nesse
contexto, Artoni aponta a valorização
de operações mais ágeis: “Deve
América Latina, o que amplia a necessidade
de coerência narrativa,
governança da comunicação e eficiência
operacional.
Os aprendizados de 2025, na visão
do executivo, passam pela consolidação
da inteligência artificial no
trabalho de comunicação. “O principal
aprendizado de 2025 foi a consolidação
da inteligência artificial como
uma camada estrutural do trabalho
de comunicação”, diz. Para 2026, a
expectativa é de uma operação mais
integrada ao uso responsável de IA,
com foco em eficiência, ampliação da
capacidade analítica e preservação
do valor do pensamento crítico e da
leitura de contexto.
A agência avalia que os investihaver
uma menor participação dos
grandes conglomerados de PR e uma
valorização crescente de agências
boutique integradas”.
Outro ponto levantado pelo CEO é
a influência da comunicação corporativa
sobre decisões de negócio em
ambientes mediados por IA. Para Artoni,
o trabalho das agências passa a
impactar como marcas e temas são
interpretados por sistemas de inteligência
artificial, com efeitos sobre
descoberta, reputação e decisão.
“Narrativas bem construídas, consistentes
e distribuídas em canais
confiáveis, influenciam diretamente
o ranqueamento, a visibilidade e a
autoridade das marcas nesses ambientes”,
afirma.
No modelo de entrega, a integração
com outras disciplinas ocorre
como alinhamento, buscando coerência
de discurso e consistência de posicionamento,
sem sobreposição de
funções. A agência se posiciona como
eixo de articulação para reduzir fragmentação
e desalinhamento entre
áreas, conectando comunicação institucional,
imprensa, influenciadores
e canais digitais corporativos às estratégias
mais amplas dos clientes.
Internamente, a Race afirma ter
acelerado a incorporação de ferramentas,
revisto fluxos de trabalho
e reforçado diretrizes éticas conectadas
ao uso de IA, com maior cuidado
em governança, transparência e
responsabilidade, além de contratações
orientadas a profissionais
que combinem domínio tecnológico,
visão estratégica e relacionamento
próximo com o cliente.
Para o executivo, as tendências
para o setor passam por uma comunicação
cada vez mais orientada por IA e
pelas lógicas de GEO, pela redução da
fragmentação — com centralização
em menos parceiros — e pelo tratamento
de reputação e posicionamento
como ativos estratégicos do negócio,
ligados à gestão de riscos, confiança e
competitividade no longo prazo.
24 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
digital
Streaming com anúncios ganha espaço,
mas traz novos desafios ao mercado
Eduardo Sani, CEO da Adsplay, analisa como o avanço dos planos
com publicidade impactam a relação entre plataformas e espectadores
Bruna Nunes
O
avanço dos planos de streaming com anúncios
está redesenhando a relação dos assinantes
com as plataformas e ampliando o
debate sobre a estratégia de mídia nesses ambientes.
Um estudo realizado pela Hibou em 2024
mostra que, no Brasil, 68% das 2.012 pessoas entrevistadas
são contra a presença de propagandas
em serviços assinados, enquanto apenas 9%
consideram a publicidade como algo positivo.
Apesar da resistência dos usuários, o modelo
segue sendo estratégico no ponto de vista do
mercado publicitário. A pesquisa Digital i, divulgada
pelo Deadline, analisou um período de 12
meses (entre o quarto trimestre de 2024 e o final
do terceiro trimestre de 2025) e apontou que 40%
das contas ativas da Netflix utilizam planos com
anúncios. O percentual representa um avanço em
relação aos 26% registrados no mesmo intervalo
do ano anterior, acima do crescimento observado
no Disney+ (9%) e no Max (6%).
Ainda segundo o levantamento, o Prime Video
mantém a maior proporção geral de usuários em
planos com anúncios, que alcança 82%. Para Eduardo
Sani, CEO da Adsplay, a explicação está na percepção
de valor. “O principal fator é a relação custo-benefício.
O consumidor aceita anúncios desde que o preço
seja mais acessível e a experiência não seja excessivamente
intrusiva”, explica. Ele destaca que o modelo
se diferencia da TV tradicional pela quantidade
e pelo contexto das inserções. “O streaming entrega
menos interrupções, melhor contextualização e
maior percepção de valor do conteúdo. Além disso,
o usuário já está acostumado com publicidade no
digital, então o modelo não gera rejeição real, desde
que o volume seja controlado. Na prática, o consumidor
prefere pagar menos e conviver com anúncios a
cancelar o serviço”, sintetiza.
Meios
Sani prevê que, neste ano, “o streaming com
anúncios deve se consolidar como uma categoria
própria dentro do mix de mídia”, isso porque, do seu
ponto de vista, o modelo não se encaixa integralmente
nem como mídia de massa nem como digital
tradicional. “Ele não é apenas digital, porque entrega
alcance e impacto comparáveis à TV, e não é apenas
mídia de massa, porque oferece segmentação,
mensuração e controle típicos do digital”, diz.
A previsão não é equivocada, afinal, em 2025 a
internet superou o investimento publicitário feito
Segundo a pesquisa Digital i, divulgada pelo Deadline, 40% das contas ativas da Netflix utilizam planos com anúncios
Divulgação
Eduardo Sani, CEO da Adsplay: “Não é apenas digital”
em TV, em volume. Dados do último painel do Cenp-
-Meios, de janeiro a setembro do ano passado, mostram
que a TV faturou R$ 7.843.564 (somando TV
aberta e TV por assinatura), com 40,3% de share, já a
Internet recebeu R$ 8.066.727 das verbas, com 41,5%
de participação no bolo publicitário.
Freepik
vantageM
Na avaliação do CEO, o crescimento desse modelo
também tem impacto direto na forma como as
marcas estruturam seus planos de mídia. “O crescimento
dos planos de streaming com anúncios está
forçando as marcas a repensarem o planejamento
de mídia de forma mais integrada entre alcance e
performance”, afirma.
Do ponto de vista técnico, o formato reúne atributos
valorizados pelos anunciantes e “as vantagens estão
na combinação entre dados, contexto e atenção”.
Segundo Sani, as plataformas permitem segmentação
baseada em dados demográficos, interesses e comportamento
de consumo, além de avanços na mensuração.
“A mensuração evoluiu muito, com métricas
mais próximas do digital, como alcance incremental,
frequência controlada e estudos de brand lift”, diz ele.
No entanto, ainda há desafios. “O principal limite
ainda está na padronização entre plataformas e na
integração completa dos dados com outros canais do
plano de mídia”, observa o CEO, que destaca que as soluções
programáticas e de mensuração cross media
têm acelerado esse processo.
“As marcas que entenderem isso mais cedo vão
sair na frente, usando o streaming não como complemento,
mas como um pilar estratégico do planejamento
de mídia”, finaliza.
jornal propmark - 2 de fevereiro de 2026 25
digital
Lei do profissional multimídia tira
criadores de conteúdo da informalidade
Novo enquadramento legal prevê acordos comerciais com formatos,
prazos, canais, métricas, governança e entregas mais transparentes
Janaina Langsdorff e
Vitor Kadooka
O
presidente Luiz Inácio Lula da
Silva sancionou a Lei n° 15.325,
que regulamenta o exercício da
profissão de multimídia, no dia 6 de janeiro.
O novo enquadramento legal da
atividade abrange o desenvolvimento
de interfaces digitais, criação de portais
e sites, animações, jogos eletrônicos,
publicações digitais, gestão de
recursos e redes sociais e direção de
conteúdo audiovisual.
O marco jurídico da profissão contempla
conteúdos criados com planejamento,
coleta, pesquisa, avaliação,
seleção, interpretação e organização
de fontes. Edição, roteirização, sonorização,
produção e direção também
integram o escopo do trabalho. O
profissional multimídia também será
responsável pelo controle, reprodução,
publicação e inserção de publicidade.
Do improviso à profissionalização,
a “virada não está apenas no texto
da lei dos influenciadores, mas na
mudança de mentalidade que ela
provoca”, diz a especialista em marketing
digital Camila Renaux. “A partir
de agora, não dá mais para tratar
o marketing de influência como algo
amador ou acessório. Ele passa a exigir
planejamento, profissionalismo e
responsabilidade real sobre o que é
comunicado”, confirma.
Raphael Pinho, co-CEO da Spark,
concorda. “A nova legislação altera
a percepção do setor, elevando
a gestão e criação de conteúdo de
uma prática, muitas vezes, encarada
como informal para uma profissão legalmente
reconhecida, com funções
nítidas e legitimadas”, atenta Pinho.
O critério apurado para a escolha
de criadores de conteúdo pelas
marcas, contratos de publicidade
mais detalhados e transparência
em conteúdos patrocinados devem
qualificar o mercado, afastando influenciadores
despreparados. Bruno
Profissionalização de influenciadores inclui contratos de publicidade mais detalhados e transparência em conteúdos patrocinados
Peres, professor e coordenador de
pós-graduação em comunicação e
marketing digital na ESPM, enxerga
um efeito imediato na relação entre
marcas e criadores de conteúdo, que
passa a incorporar as engrenagens
típicas de acordos comerciais.
“A própria comunicação do Planalto
descreve o profissional de multimídia
como alguém que atua em
múltiplas etapas do ciclo de conteúdo,
e isso pressiona o contrato a sair
do genérico para um desenho mais
robusto de entregáveis, formatos,
prazos, canais, métricas e governança”,
avalia Peres.
A formalização traz a reboque segurança
jurídica. “Não implica excluir
os criadores menores, micro e nano,
mas sim abrir uma oportunidade de
inclusão por meio da regularização.
Além disso, as questões tributárias e
a responsabilidade sobre a atividade
econômica tornam-se mais transparentes”,
observa Pinho, da Spark.
No que tange a direitos autorais
e propriedade intelectual, a lei deixa
lacunas. “O mercado tenderá a amadurecer
por camadas contratuais. A
base jurídica continua sendo a Lei de
Direitos Autorais”, orienta Peres. Outro
vácuo está na regulação do conteúdo.
“Se a lei não é um ‘manual de
conteúdo’, ela desloca a responsabilidade
prática para governança, onde
marcas e agências passam a ser o
principal filtro de qualidade e integridade
do ecossistema”, indica Peres.
O acadêmico aponta ainda o lado
menos opcional e mais estruturado
da autorregulação. “O Brasil já tem
referência consolidada no Conar
(Conselho Nacional Autorregulamentação
Publicitária), inclusive com
guia específico para publicidade por
influenciadores, cuja lógica central
é reduzir ambiguidade, deixar claro
o que é publicidade, evitar simulação
de espontaneidade e aumentar
transparência”, sinaliza Peres.
Ao reforçar o reconhecimento profissional
e a necessidade de transparência
quando há monetização, a
lei permite que marcas e agências
Freepik
“Marcas e
agências passam
a ser o principal
filtro de qualidade
e integridade do
ecossistema”
internalizem padrões como requisito
de contratação e não como recomendação.
Protocolos de evidência e validação
também devem guiar empresas
e agências em projetos ligados a
temas sensíveis, como saúde, educação
e finanças. “Isso significa exigir
substanciação de alegações (o que
eu prometo tem evidência?), disclaimer
proporcional ao risco, revisão
prévia quando a categoria exigir
26 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Raphael Pinho: marco legal é oportunidade de inclusão Camila Renaux: visibilidade sozinha já não basta Fabio Gonçalves: acúmulo de funções e burnout
e rastreabilidade (links, afiliados,
cupons e auditoria)”, explica Peres. A
referência legal de responsabilização
em caso de publicidade enganosa já
consta no Código de Defesa do Consumidor,
que proíbe tal prática.
Embora as diretrizes das plataformas
sejam necessárias, o que sustenta
o padrão do setor, na opinião
de Peres, é a tríade marca e agência,
autorregulação e responsabilização
legal. “No campo de dados, por exemplo,
campanhas com segmentação,
lookalikes e retargeting em parceria
com creators, precisam respeitar
princípios e bases legais da LGPD,
o que também puxa cláusulas de
privacidade, segurança e compartilhamento
de dados para dentro da
negociação”, esclarece Peres.
As regras ajudam a esclarecer os
limites de uma atividade que interfere
no comportamento, consumo e
valores da sociedade. Longe de restringir
criatividade e talentos, segundo
Camila Renaux, a legislação deve
valorizar aqueles que trabalham de
forma ética e responsável, instaurando
um ambiente mais seguro para as
marcas.
“A influência que se sustenta apenas
em alcance e informalidade perde
espaço. Sobrevive quem entende
impacto, reputação e responsabilidade.
Visibilidade sozinha já não basta.
Influenciar, agora é - ainda mais
- assumir consequências pelo que é
produzido e compartilhado nas redes
sociais”, adverte a executiva.
Com mais organização fiscal e
compliance, o setor encara a lei como
um impulsionador de negócios e não
uma barreira. “Contudo, independentemente
de leis, a própria evolução
do mercado nos últimos anos já atua
como um filtro natural, mantendo em
cena apenas quem está disposto a se
profissionalizar”, pondera Raphael Pinho,
da Spark.
O advogado Fernando Moreira, especialista
em direito empresarial e
doutor em engenharia de produção
com ênfase em governança e compliance,
lembra que existem hoje
cerca de 20 milhões de criadores
de conteúdo no Brasil, “muitos sem
CNPJ ou proteção jurídica”, alerta. “A
iniciativa surge diante da pressão
por mais segurança ao consumidor e
padronização de práticas hoje definidas,
em grande parte, pelas próprias
plataformas”, situa o especialista em
direito processual civil e em direito
público.
A saúde mental é outro ponto de
tensão alimentado por baixo rendimento,
exigência por desempenho
e presença constante nas plataformas.
Segundo dados do estudo
Creators e Negócios 2025, da YouPix,
cerca de 53% dos influenciadores já
sofreram burnout, condição agravada
entre criadores com renda de até
R$ 2 mil por mês - considerada a faixa
mais vulnerável.
“Muitos criadores, principalmente
os que ainda ganham pouco, acumulam
funções: são roteiristas, editores,
apresentadores, comerciais e
analistas de performance ao mesmo
tempo. Isso, aliado à instabilidade financeira
e aos prazos cada vez mais
curtos impostos pelas plataformas e
pelas marcas, cria terreno fértil para
“Influenciar
é assumir
consequências
pelo que é
produzido e
compartilhado
nas redes sociais”
a exaustão”, atesta o especialista em
marketing de influência Fabio Gonçalves,
diretor de talentos brasileiros e
norte-americanos da Viral Nation.
Apesar de sua abrangência, as
normas abrem caminho para novos
mecanismos jurídicos, associativos e
profissionais, fortalecendo a sustentabilidade
dos negócios. “Trata-se do
marco legal inaugural da profissão. A
responsabilidade pelas questões éticas
e pelo combate à desinformação
continua sendo do mercado e da sociedade.
O diálogo entre todos os atores
desse ecossistema é indispensável
para fomentar boas práticas”,
frisa Raphael Pinho, da Spark.
França
A Assembleia Nacional da França
aprovou na semana passada a proibição
do uso de redes sociais por menores
de 15 anos.
O texto segue agora para apreciação
do Senado. Se aprovado, o projeto
de lei começa a vigorar em setembro,
início do ano letivo. O presidente da
França, Emmanuel Macron, havia pedido
pressa para a análise da medida
em um vídeo divulgado no dia 24 de janeiro
pela emissora francesa BFM-TV.
“Os cérebros das nossas crianças e
dos nossos adolescentes não estão à
venda. As emoções das nossas crianças
e dos nossos adolescentes não
estão à venda nem podem ser manipuladas.
Nem por plataformas americanas,
nem por algoritmos chineses”,
declarou Macron.
Autoridades britânicas também
anunciaram a possibilidade de vetar
o uso de redes sociais por adolescentes.
Conteúdos nocivos e permanência
excessiva nas plataformas estão
entre os principais dilemas, mesmo
com os mecanismos ofertados para
monitoramento dos responsáveis.
No início de janeiro, por exemplo,
a plataforma de games Roblox divulgou
novas regras para acesso ao chat,
que agora depende de verificação de
idade e consentimento dos pais. A
medida pretende proteger crianças e
pré-adolescentes de interações inadequadas
com adultos, como o grooming
- contato com estranhos. Mas o
endurecimento das regras enfureceu
os próprios usuários, mostrando o
forte apelo do ambiente digital e a
exposição aos seus riscos.
A Austrália proibiu o uso de plataformas
por menores de 16 anos com
lei instaurada no fim do ano passado.
A Dinamarca pode ser o próximo país
a adotar a mesma regra.
jornal propmark - 2 de fevereiro de 2026 27
digital
‘Ser social first é ter o pulso da audiência’
Publicidade e transformação
caminham concomitantemente. E
a tecnologia digital acelerou com
assertividade nunca vista antes
nos processos de interatividade
das marcas com os consumidores.
Atualmente, tudo começa pelo
digital. Ou social first, no jargão
do segmento. Patrícia Colombo,
vice-presidente de conteúdo da
Africa Creative, está ciente disso
e, nas suas próprias palavras, atua
na agência “com foco em projetos
e campanhas que traduzem o
zeitgeist em impacto real”. Jornalista,
Patrícia migrou há cerca de 10
anos para o mercado publicitário,
primeiro na AlmapBBDO, depois na
WMcCann e atualmente na Africa
Creative desde 2024. “Meu trabalho
conecta dados, creators, storytelling
e negócios, com foco em relevância
contemporânea, consistência de
marca e impacto mensurável”.
Patrícia Colombo: “A verdadeira diferenciação continua sendo humana”
“O mercado ainda opera em um
ciclo contínuo de test & learn”
Divulgação
Paulo Macedo
CONCEITO SOCIAL FIRST
Existe um claro shift cultural nas
agências brasileiras à medida que
o share de investimentos em mídia
digital cresce ano após ano. O social
já transformou a comunicação, não
é novidade. Quem ainda não se moveu
nesse sentido, ficou para trás.
Para as marcas, as plataformas são
ao mesmo tempo um campo aberto
de insights sobre comportamento e
uma arena altamente competitiva
pela atenção do consumidor. Nessa
disputa, só se constrói equity quando
se traduz essa presença em relevância
cultural, com criatividade
contextualizada a cada plataforma.
Ser social first é estar no pulso da
audiência, aproximando-se genuinamente
de seus interesses e comportamentos.
Isso exige escuta ativa,
avaliações qualitativas e quantitativas
e entendimento profundo da
natureza de cada canal. O desafio é
equilibrar essa hiperconexão com a
exaustão generalizada.
IMPACTOS
Quanto mais conectadas à verdade
e às necessidades do consumidor,
mais consistentes serão a criatividade,
a performance e os resultados
de negócio. O mercado ainda opera
em um ciclo contínuo de test & learn,
que é reflexo da velocidade tecnológica
e do impacto disso no consumo
de mídia. O grande desafio está em
equalizar o DNA da marca às conversas
do público e à linguagem do entretenimento,
sem perder coerência.
É muito fácil se descolar de posicionamento
e tom de voz para surfar a
trend da vez, por ansiedade de não
ficar de fora. O que realmente move
o resultado é briefing sólido, estratégia
clara e coragem criativa para
explorar novas possibilidades preservando
a essência da marca. Essa
combinação garante relevância cultural
sem abrir mão da identidade - e
aí está o equilíbrio entre performance
e construção de equity.
DESAFIO
Novas disciplinas e expertises
vão surgir, exigindo que nós nos atualizemos
constantemente. E aí entramos
também no dilema atual: navegar
no anseio pelo uso da IA para
otimização de custos e a tendência
direta de uma comunicação cada
vez mais massificada, robotizada,
fria, comoditizada que não gera conexão.
No social a gente não consegue
mais nem identificar se aquele
meme engraçadinho do cachorrinho
ou do gato de fato aconteceu ou se
é IA. Ver o impacto disso até no que
a gente usava para desopilar dentro
do digital é bem frustrante - e aqui
falo sob o ponto de vista de consu-
28 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
midora e de pessoa cronicamente
online. Ao mesmo tempo, a comunicação
social também dependerá
de lideranças capazes de formar
equipes multidisciplinares
e data
driven, que transformem
dados
em insights e insights
em criatividade
conectada
à verdade. Esse
será o diferencial
para marcas que
quiserem continuar
presentes
no pulso da cultura.
TRANSFORMAÇÃO
Deixou de ser apenas sobre partir
de verdades via grandes pesquisas
de comportamento e passou também
a ser sobre captar o pulso vivo
das comunidades (das dores às delícias
da vida) e entender como as
marcas podem contribuir em ambos
os contextos. Para conteúdo, isso
muda tudo: a gente não cria mais
para as pessoas, cria com a cultura.
Passamos a aprofundar ainda mais
o entendimento sobre o consumidor
de forma mais real e imediata. Isso
exige sensibilidade para linguagem,
timing e formato, e coragem para
abandonar ideias que não fazem
sentido no feed, mesmo que pareçam
promissoras no keynote. No
fim, social first definitivamente não
torna o processo mais simples, mas
com certeza torna o conteúdo mais
honesto, mais vivo e muito mais relevante
culturalmente.
RELEVÂNCIA
Segundo o Relatório Global Digital,
o Brasil tem mais de 140 milhões
de usuários de redes sociais, o que
representa 67,8% da população.
Além disso, somos a segunda população
que mais passa tempo online
no mundo. Diante desses dados, não
considerar o social como uma das
espinhas dorsais da estratégia,
enfraquece demais o potencial de
conexão das marcas com seus consumidores.
Outros meios, como o
offline, seguem fundamentais para
impacto e construção de marca.
Mas é no social, pela proximidade
e pela atuação contínua, que essa
relação se fortalece e se traduz em
legitimidade.
“O Brasil tem
mais de 140
milhões de
usuários de redes
sociais, o que
representa 67,8%
da população”
EQUILÍBRIO
Existe uma necessidade clara de
balancear os meios a partir dos KPI’s
e objetivos de negócio de cada campanha.
Mas é importante
ter consciência
de que,
hoje, a entrega
orgânica de conteúdos
nativos
das marcas está
cada vez mais limitada
pelo funcionamento
dos
algoritmos. Afinal,
é do interesse
das plataformas
estimular investimentos
crescentes em mídia paga.
Por isso, considero fundamental
garantir o uso da mídia paga de forma
assertiva, sem abrir mão da excelência
criativa em conteúdos que
gerem identificação.
CREATORS
A escolha estratégica de creators
precisa atender os objetivos
de campanha, mas sempre garantindo
que eles estejam conectados
ao posicionamento e aos valores
da marca, e que sejam uma ponte
de endosso com a comunidade com
quem se pretende construir uma
relação mais próxima. E mais do que
isso: garantir que seu briefing seja
assertivo, mas jamais limitador. Não
dá para achar que você, publicitário
ou profissional de marketing de
uma marca, conhece melhor aquela
audiência do que o próprio creator
que a construiu. Liberdade criativa
(claro, com dos and don’ts) aqui
deve ser inegociável.
LISTENING
Repito, é sobre garantir um rico e
aprofundado compilado de dados que
vão gerar insights potentes que se
transformarão em iniciativas criativas
mais assertivas e conectadas às
verdades culturais e comportamentais
do consumidor. Fortalecer o senso
de identificação. Além disso, dados
nos ajudam a otimizar formatos e segmentação
para que a ideia chegue ao
target certo e no contexto correto, e
na otimização de investimentos.
KPIS
Começam pela construção de
brand equity: presença constante
em social só faz sentido se fortalece
a marca. A consideração é igualmente
fundamental, especialmente em
um contexto em que o consumidor
está saturado de mídias interruptivas.
E a conversão final tende a crescer
com isso, mas precisa ser trabalhada
de forma coerente com o
papel do conteúdo. O ponto central
é que o mercado precisa entender a
diferença entre conteúdo que gera
valor e relacionamento e anúncio
que busca performance imediata.
Cada um tem métricas próprias - e
ainda vejo muita gente confundir o
que é anúncio e o que é conteúdo.
AWARENESS E VENDAS
Gera impacto de vendas e a tendência
é crescente. Não à toa o TikTok
aterrissou no Brasil com seu
Shop, que já é um sucesso global.
Fora outras marcas de retail e-commerce.
É a experiência do conteúdo
totalmente conectado a vendas
com oportunidades e benefícios diferenciados
para os usuários.
EXEMPLOS
Um case recente em que conseguimos
transformar resultado de negócio
a partir de social foi o projeto
‘Tá Feito com Fernanda Torres’ para o
Itaú. Criamos uma série original com
o objetivo de humanizar a conversa
sobre dinheiro, ainda cercada de tabus
na nossa sociedade, usando o
entretenimento
como porta de entrada.
A estratégia
foi social-first e
cross plataforma,
com cada episódio
lançado em um
canal diferente,
sustentado por
um ecossistema
de conteúdos que
conectava as features
digitais do
Itaú às conversas
culturais das redes.
O impacto foi
direto no negócio: só nessa frente,
conquistamos milhares de novos
clientes ativos em features como
Cofrinhos e Controle de Gastos, e
milhões de Contratações de Pix com
Cartão. Além disso, os conteúdos
geraram milhões de visualizações,
taxas altas de retenção, repercussão
em PR e, principalmente, relevância
cultural - reposicionando o Itaú como
um parceiro que fala de finanças de
“O social já é a
espinha dorsal da
comunicação e vai
continuar sendo
o espaço onde
cultura, consumo
e entretenimento
se encontram”
forma próxima, criativa e contextualizada.
Outro case recente é o de
Sadia, com a campanha ‘Receitas de
Rebeca’. Para reforçar o recurso do
chatbot com inteligência artificial da
marca no WhatsApp, convidamos a
atleta olímpica como narradora de receitas,
ampliando a acessibilidade e
aproximando a marca do dia a dia dos
consumidores. A estratégia foi social
first, com vídeos no digital estrelados
pela própria Rebeca e pelos embaixadores
Arthur Paek e Mohamad Hindi,
em sinergia com TV aberta e presença
nas embalagens. O social foi o motor
da conversa cultural, impulsionando
descobertas e interações com o bot.
O impacto em negócio foi direto: excelentes
resultados de visualizações,
incremento de novos usuários no bot
e aumento significativo nos cliques
para compra. O social foi determinante
para converter engajamento em
resultado comercial.
IA E CRIATIVIDADE
A IA trouxe escala e eficiência para
a criação em social, acelerando a produção
de assets e permitindo testar
mais formatos em menos tempo. Aliada
aos algoritmos de recomendação,
ela amplia a capacidade de personalizar
e direcionar conteúdos. O risco,
no entanto, é transformar essa escala
em um volume de assets genéricos
que só interrompem a experiência do
usuário. A verdadeira
diferenciação
continua sendo
humana: a visão
criativa que entende
cultura, contexto
e emoção. A IA
potencializa, mas
não substitui.
FUTURO
Eu não acredito
em um (futuro) depois
do social. O social
já é a espinha
dorsal da comunicação
e vai continuar sendo o espaço
onde cultura, consumo e entretenimento
se encontram. O que veremos
é uma aceleração tecnológica, com
inteligência artificial, social commerce
e experiências imersivas ganhando
força. O próximo passo não é substituir
o social, mas expandir seu papel como
motor de conversas, negócios e retail,
cada vez mais integrado às plataformas
e à jornada do consumidor.
jornal propmark - 2 de fevereiro de 2026 29
marcas
TIM conecta música, creators e ‘BBB’em
estratégia de comunicação para 2026
Marcos Lacerda, VP de marca e comunicação, comenta iniciativas no
Festival de Verão e outros movimentos da operadora ao longo do ano
Adrieny Magalhães
A
participação da TIM no Festival de Verão Salvador
2026 marcou mais um movimento da
operadora em grandes eventos culturais e de
entretenimento. Patrocinadora master pelo quarto
ano consecutivo, a marca levou ao festival ativações
voltadas à criação de conteúdo.
Realizado nos dias 24 e 25 de janeiro, o Festival
de Verão Salvador chegou à sua 25ª edição reunindo
cerca de 50 mil pessoas na Arena FV, nova sede do
evento. Em um ambiente com presença de marcas e
experiências, a TIM estruturou sua atuação a partir
de ações presenciais, tecnologia e integração com
plataformas de entretenimento de grande alcance.
A criação, o planejamento e a execução das ativações
da operadora no evento ficaram a cargo da
Sherpa42, que trabalhou pela primeira vez com a
TIM após processo de concorrência. A BETC Havas foi
responsável pelo key visual, pela campanha de divulgação
e pela atuação da marca nas redes sociais.
O principal ponto de contato com o público foi a
Casa Creators, espaço montado dentro da Arena FV e
voltado à produção de conteúdo para redes sociais.
O ambiente funcionou como um estúdio aberto e
recebeu workshops conduzidos por influenciadores,
com orientações práticas sobre formatos de vídeo
curto e engajamento. Passaram pelo espaço nomes
como Nicole Bahls, Dani Calabresa, Gretchen, Pepita
e Pedro Bonvivant. Somadas às ativações do estande
da operadora, as ações reuniram mais de 5 mil
pessoas ao longo dos dois dias.
Em entrevista ao propmark, Marcos Lacerda, VP
de marca e comunicação da TIM, afirmou que a presença
da empresa em eventos desse porte acompanha
a forma como o público se relaciona com cultura
e entretenimento. “A gente acredita muito na
diversidade e inclusão, e isso passa pela conversa
no Brasil inteiro. O brasileiro gosta de falar de todos
os assuntos, de todos os estilos e gêneros, e a TIM
participa dessa conversa”, diz.
Lacerda ainda explicou que a relação da marca
com festivais não se limita a ações pontuais. “Quando
a gente guarda lembranças da nossa vida, normalmente
tem uma trilha sonora. A música sempre
esteve presente na história da TIM no Brasil. Por
isso, estamos em festivais grandes e em eventos
locais, acompanhando diferentes cenas”, afirma.
A aproximação com o ‘BBB 26’ também esteve
presente nas ativações do festival. A TIM levou para
o evento ex-participantes de diferentes edições do
programa, como Aline Mattos, Alan Passos, Elana
Ex-participantes do ‘Big Brother Brasil’ integram de ação da TIM no Festival de Verão Salvador 2026
“Acreditamos muito na
diversidade e inclusão”
Marcos Lacerda: música, creator economy e ‘BBB’
Fotos: IR Fotografia/ Divulgação TIM
Valenaria, Gleici Damasceno, Gizelly Bicalho, Isabelle
Nogueira e Fernanda Bande, que participaram de encontros
com o público.
Os movimentos da marca no Festival de Verão
dialogam com o desempenho da TIM no ‘BBB 26’. Levantamentos
realizados pelas plataformas Sprinklr
e Talkwalker apontam a operadora entre as marcas
mais mencionadas na primeira semana do reality,
em um ranking liderado pelo iFood. O monitoramento
considera associações diretas e indiretas entre
marcas, dinâmicas do programa e conversas nas
redes sociais.
Lacerda afirmou que a ampliação da presença
digital exige uma comunicação mais distribuída.
“Quando a gente propõe um conteúdo diferente, isso
vira conversa. Este ano, estamos ampliando esse
movimento nas redes, com uma plataforma própria
de creators e influenciadores”, diz.
O executivo compartilhou que 2026 será um ano
de intensificação desses movimentos, com foco na
ampliação da presença da marca em plataformas
de entretenimento, música e redes sociais. “A gente
está muito animado com esse ano. O ‘BBB’, a música
e os festivais ganham ainda mais peso, e isso vem
acompanhado de uma atuação mais forte nas redes,
com creators de todo o Brasil, conversando com diferentes
culturas e públicos”, finalizou.
30 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
marcas
Nubank Ultravioleta reforça estratégia
em esportes com patrocínio ao Ironman
Parceria oferece pacote de benefícios operacionais e financeiros,
além de experiências de bem-estar à jornada dos clientes de alta renda
Vitor Kadooka
Em meio a um ciclo de novidades, o Nubank Ultravioleta
anunciou, no último dia 27, em São
Paulo, o patrocínio master das provas de triatlo
do Ironman. A iniciativa integra a estratégia
da fintech de ampliar sua presença no universo
de bem-estar e esporte voltado ao público de alta
renda.
Lançado em 2021, o Ultravioleta passou por
uma reformulação em agosto, com a ampliação
de benefícios ligados a viagens e experiências,
como acesso à sala VIP no Aeroporto de Guarulhos,
cashback e acúmulo de pontos por meio do
NuViagens. O movimento acompanha a expansão
do Nubank, que soma 112 milhões de clientes e
anunciou recentemente um investimento de R$
2,5 bilhões, ao longo de cinco anos, para a ampliação
de seus escritórios em cidades como São Paulo,
Campinas, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
No campo do wellness, o banco aposta em
experiências físicas como forma de estreitar a
relação com esse público, incluindo a criação de
uma unidade do Ultravioleta no Parque Ibirapuera.
A parceria com o Ironman segue essa lógica ao
integrar benefícios financeiros e operacionais à
jornada dos atletas.
Com o acordo, clientes Ultravioleta passam a
ter acesso a vagas adicionais em provas esgotadas
da temporada 2027, fast-pass para retirada de
kits e check-in de bicicletas, 15% de desconto em
provas Triday e IronKids, além de pagamento via
NuPay.
O pacote inclui ainda seguro-viagem em parceria
com a Chubb e benefícios no NuViagens, como
acúmulo de até nove pontos por dólar gasto ou
5% de cashback na reserva de passagens e hotéis.
Em 2026 serão realizadas 10 provas, que impactarão
diretamente mais de 15 mil atletas amadores
e profissionais, além de atrair mais de 250 mil espectadores
e movimentar cerca de R$ 150 milhões
no Brasil.
Segundo Juliana Roschel, CMO do Nubank,
a estratégia busca ampliar o papel da marca
na experiência do cliente. “Para além do
que é bom para nós, é o que é bom para o nosso
cliente. Tentamos entender o que é releva
te para eles e o que podemos oferecer como
contribuição real para a jornada nesse universo.
O valor não está em logos unidos, mas no
valor que construímos para o cliente”, afirma.
Dados internos explicam a estratégia da marca,
A novidade foi apresentada por Juliana Roschel, CMO do Nubank, e Carlos Galvão, CEO da Unlimited Sports
“O valor não está em
logos unidos, mas no
valor que construímos
para o cliente”
Divulgação
já que cerca de 27% da base de clientes Nubank
Ultravioleta possui interesse no território de esportes
e bem-estar.
A atuação do Nubank no esporte inclui ainda o
apoio à SP City Marathon e a parceria global com
a escuderia Mercedes-AMG Petronas na Fórmula 1,
iniciativas que integram a estratégia de posicionamento
da marca em plataformas de lifestyle e
experiências de alto engajamento.
jornal propmark - 2 de fevereiro de 2026 31
mercado
Sete iniciativas criadas para formar e
incluir novos talentos na publicidade
Programas educacionais, cursos gratuitos e projetos de mentoria
adotados por agências buscam reduzir barreiras de acesso, ampliar a
diversidade de perfis e criar caminhos para entrada no mercado criativo
Bruna Nunes
Em um mercado que ainda enfrenta
desafios de acesso e representatividade,
iniciativas de formação
e capacitação voltadas a jovens
e profissionais de grupos sub-representados
se tornam essenciais para
a evolução do setor. Cursos gratuitos,
programas educacionais, laboratórios
criativos e projetos de mentoria são
estruturados no calendário das agências.
O tema dialoga com diagnósticos
recentes do próprio mercado. De acordo
com o Censo 2024 do Observatório
da Diversidade na Propaganda (ODP),
pessoas com deficiência representam
apenas 1% do quadro geral das agências
brasileiras e não ocupam cargos
de CEO, por exemplo.
Nesse contexto, iniciativas unem
o mercado com o objetivo de promover
mudanças efetivas e estruturais.
É o caso do Fill the Gap, idealizado
por AlmapBBDO, Artplan e Droga5 em
parceria com a ESPM, que direciona
esforços à formação de lideranças
executivas de talentos de grupos
sub-representados. Já programas
como o D&AD Shift atuam em outra
frente ao questionar a exigência da
formação acadêmica tradicional,
oferecendo capacitação gratuita a
talentos autodidatas que não tiveram
acesso ao ensino superior, mas
buscam ingressar na indústria criativa.
A seguir, o propmark reúne alguns
dos projetos conduzidos por agências
e organizações do mercado.
Fotos: Divulgação
Futuros Sonhadores - Artplan
Desenvolvido pelo Comitê de
Diversidade da Artplan, tendo
Debora Moura como uma das
idealizadoras, o projeto Futuros
Sonhadores conecta jovens da
rede pública ao mercado. Em
parceria com a Escola Técnica
Estadual Adolpho Bloch, a
iniciativa leva conhecimento
prático e vivência profissional para
dentro da escola. O programa atua
na redução da evasão escolar e
na apresentação da publicidade
como possibilidade de carreira
para estudantes da rede pública.
Fill the Gap - AlmapBBDO,
Artplan, Droga5 e ESPM
O Fill the Gap é gratuito e
voltado à formação de lideranças
executivas de grupos subrepresentados.
Com duração
de seis meses, o curso combina
desenvolvimento técnico e
emocional em trilhas como
liderança, ESG, finanças e cultura
organizacional, e busca conectar
os participantes a oportunidades
concretas no mercado, com
desafios práticos e networking
com lideranças da indústria.
32 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
VMLab - VML Brasil
O VMLab é um laboratório experimental
formado por jovens da geração Z, que
propõe um modelo alternativo ao estágio
tradicional. O programa trabalha com
perfis híbridos de creators e makers e
prioriza competências como criação com
IA, produção de conteúdo e film making
mobile, em dinâmicas ágeis e colaborativas.
Coordenado por lideranças criativas da
agência, o projeto inclui mentorias com
profissionais seniores e imersões com
executivos da VML e parceiros de mídia. A
iniciativa aposta em recrutamento contínuo
e não convencional, com o objetivo de
atrair talentos diversos, estimular trocas
intergeracionais e aproximar novas
linguagens do processo criativo da agência.
Entre - Grupo Publicis
O Entre é um curso gratuito de
capacitação em criação do Grupo
Publicis, voltado a mulheres pretas
e pardas. O programa reúne 40
participantes em aulas online,
realizadas no período noturno,
entre setembro e dezembro,
com foco no desenvolvimento
técnico e na vivência prática de
mercado. A iniciativa conta com o
envolvimento de todas as agências
do grupo e apoio de parceiros
institucionais. Além da formação
técnica, o Entre mantém um banco
de talentos compartilhado com o
mercado e prioriza a contratação
das alunas ao final do curso.
jornal propmark - 2 de fevereiro de 2026 33
Fotos: Divulgação
Escola Africa - Africa Creative
A Escola Africa é um programa
de formação e mentoria com
encontros presenciais e online. A
iniciativa aborda áreas centrais
da publicidade, como criação,
planejamento, mídia, conteúdo e
gestão, além de temas como ESG.
Aberto a parcerias, o projeto tem
foco na empregabilidade. A edição
mais recente ocorreu em parceria
com a Universidade Zumbi dos
Palmares e reuniu participantes
de diferentes perfis, como
profissionais 50+.
Kennedy’s - Wieden+Kennedy
São Paulo
O Programa Kennedy’s é voltado
a jovens de origem periférica
e a grupos sub-representados,
com foco especial em raça e
comunidade LGBT+. Com duração
de nove meses, o curso oferece
aulas práticas e teóricas sobre
diferentes áreas da agência,
como criação, estratégia, mídia
e produção. Buscando ampliar o
acesso à publicidade, o programa
não exige formação superior nem
experiência prévia.
D&AD Shift
O D&AD Shift é um programa
global de formação gratuita
voltado a talentos autodidatas
que não tiveram acesso ao ensino
superior. No Brasil, a iniciativa
é realizada em parceria com o
Google e oferece seis meses de
atividades, combinando aulas,
workshops e briefings reais
apresentados por marcas. O
curso conta com mentoria de
profissionais da indústria criativa e
apresenta altos índices de inserção
no mercado.
34 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Abrigo Amigo chega a Fortaleza e deve
alcançar 50 unidades até fevereiro
Cidade é a primeira do Nordeste a receber o projeto da Eletromidia
e Claro, que oferece apoio para quem aguarda o transporte à noite
O Abrigo Amigo funciona diariamente e conta com atendimento remoto especializado em pontos de ônibus durante a noite
Executivos da Eletromidia, Claro e representantes do poder público de Fortaleza
A
Eletromidia e a Claro anunciam,
em parceria com a Urbmídia
(Grupo Urb) e a Prefeitura de
Fortaleza (CE), a inauguração do Abrigo
Amigo Claro na cidade. As empresas
informam que, ao todo, serão entregues
50 unidades, 20 no primeiro
momento e mais 30 até fevereiro, em
diferentes regiões da cidade.
O evento, que marcou o início da
operação local, contou com a presença
da secretária municipal da mulher
de Fortaleza, Fátima Bandeira, e do
prefeito, Evandro Leitão.
“Para nós, da Claro, é um orgulho
colocar nossa infraestrutura a serviço
de um projeto que une tecnologia
e cuidado com as pessoas. Essa parceria
representa muito mais do que
conectar abrigos; é sobre usar nossa
rede para criar experiências urbanas
mais humanas, inclusivas e seguras.
Cada chamada de vídeo feita em um
Abrigo Amigo Claro é sustentada por
uma rede de fibra e 5G de alta performance,
garantindo que ninguém fique
desamparado em momentos de vulnerabilidade”,
disse Ane Lopes, diretora
de marca e comunicação da Claro.
O projeto funciona diariamente
das 20h às 5h da manhã e oferece
atendimento remoto especializado
para quem aguarda o transporte público
à noite. As atendentes – todas
mulheres – são treinadas para manter
contato por vídeo, oferecer suporte
e acompanhar a espera. Cada unidade
é equipada com câmeras de alta
resolução, microfones sensíveis e
alto-falantes, conectados à central de
monitoramento.
Para garantir um atendimento
ainda mais ágil e seguro, o projeto
conta com a parceria da Secretaria
da Segurança Pública e Defesa Social
do Estado do Ceará (SSPDS/CE). A colaboração
permite acionar rapidamente
as forças policiais quando necessário.
“A chegada do projeto a Fortaleza
traduz a missão da companhia como
agente de transformação urbana em
benefício da população. O Abrigo Amigo
demonstra como a mídia out of
home pode ter um papel muito mais
profundo, podendo ir além da comunicação
e assumir uma função social.
Fotos: Divulgação
Em Fortaleza, essa expansão marca
um avanço significativo na criação de
cidades mais acolhedoras e tecnológicas,
nas quais cada ponto de mídia
tem potencial para se tornar, igualmente,
um ponto de atenção e cuidado”,
destacou José Carlos Angelucci Jr.,
CRO da Eletromidia.
Vale lembrar que o Abrigo Amigo
foi criado pela AlmapBBDO em 2023
para a Eletromidia e ganhou Leões de
Ouro e Bronze no Cannes Lions. Há unidades
instaladas em São Paulo (SP),
Rio de Janeiro (RJ), Campinas (SP), Cuiabá
(MT), Sorocaba (SP) e Porto Alegre
(RS). Em setembro de 2025, a Claro assumiu
como patrocinadora exclusiva.
Com isso, o projeto superou o triplo
de tamanho, passando de 82 para 298
abrigos, com meta de alcançar 635
unidades ativas até o início de 2027.
patrocínio
jornal propmark - 2 de fevereiro de 2026 35
opinião
Divulgação
TV aberta: base
da comunicação,
da economia e da
democracia
Sandra Martinelli
é CEO da ABA (Associação Brasileira
de Anunciantes) e membro do
Executive Committee da EFA - World
Federation of Advertisers
Sandra Martinelli
Em um cenário de mídia cada vez mais fragmentado,
a TV aberta segue sendo um pilar essencial
da comunicação brasileira.
Longe de representar o passado, ela continua
cumprindo um papel estratégico para a sociedade,
para o mercado e para a democracia.
Dados do estudo Inside Video 2025, da Kantar Ibope
Media, mostram que a TV linear permanece como
a principal forma de consumo de vídeo no Brasil,
com alcance praticamente universal.
Em um país diverso e desigual, poucos meios conseguem
combinar escala, capilaridade, gratuidade e
confiança como a TV aberta.
Para o consumidor, ela representa acesso democrático
à informação, ao entretenimento e aos grandes
eventos ao vivo.
O estudo evidencia que o brasileiro não substituiu
a TV com a chegada das plataformas digitais —
ele passou a combinar meios.
Streaming, redes sociais e TV aberta coexistem,
mas a TV segue central quando o assunto é jornalismo,
esporte e entretenimento de grande relevância
social.
Para o mercado anunciante, a TV aberta continua
sendo um ativo estratégico.
Ela oferece alcance rápido, ambiente seguro,
credibilidade editorial e capacidade comprovada de
construção de marcas no médio e longo prazo, além
de potencializar campanhas digitais em estratégias
integradas e omnichannel.
Esse papel não é exclusivo do Brasil. Um estudo
recente encomendado pela National Association of
Broadcasters mostra que a radiodifusão aberta nos
Estados Unidos gera US$ 1,19 trilhão em atividade
econômica e sustenta 2,46 milhões de empregos.
O dado reforça que a TV aberta é infraestrutura
econômica e social.
No campo da democracia, sua importância é ainda
mais clara. A TV aberta garante acesso gratuito e
confiável à informação, reduz desigualdades informacionais
e sustenta o jornalismo profissional.
Segundo o mesmo estudo, só o jornalismo local
movimenta US$ 54 bilhões em PIB nos EUA, evidenciando
que jornalismo forte é base democrática e
econômica.
O entretenimento também exerce papel central
ao criar experiências coletivas, fortalecer a identidade
cultural e conectar marcas, cidadãos e comunidades.
Do ponto de vista da ABA (Associação Brasileira
de Anunciantes), fortalecer a TV aberta é fortalecer
todo o ecossistema da comunicação.
Em um mundo de múltiplas plataformas, a TV
aberta segue sendo a base presente e parte fundamental
do futuro.
“Em um país diverso
e desigual, poucos
meios conseguem
combinar escala,
capilaridade,
gratuidade e
confiança como
a TV aberta”
36 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
opinião
Divulgação
Da era agêntica à
mensuração unificada
Gustavo Souza
Ao final de cada ano, é quase inevitável a tentação
de avaliar o que passou e projetar o que
está por vir. Considerando tudo o que vivemos
em 2025 e olhando para a frente, fica clara a magnitude
da transformação que a IA está promovendo na
interação das pessoas com o mundo — o que inclui,
diretamente, a forma como elas se conectam com
o seu negócio. A jornada de descoberta e compra
dos consumidores está transcendendo as pesquisas
tradicionais, evoluindo para uma experiência muito
mais conversacional e dinâmica. No Brasil, país com
um dos maiores índices de engajamento digital do
planeta, essa evolução é um caminho sem volta. Para
os profissionais de marketing, o momento não é
de receio, mas de encarar essa nova realidade como
a grande oportunidade que ela de fato representa.
Já conseguimos antecipar três mudanças essenciais
para o sucesso em 2026. A primeira é a
redefinição fundamental do comportamento do
consumidor. Estamos indo além das buscas por
palavras-chave básicas em direção à busca multimodal,
que integra texto, imagens e áudio. Em 2026,
esse movimento amadurecerá para experiências
baseadas em agentes autônomos. Com a tecnologia
mais robusta e popularizada, veremos consumidores
delegando a pesquisa e a conclusão de
compras a assistentes de IA, o que permite ciclos de
decisão significativamente mais ágeis.
Nesse novo horizonte, o conteúdo assume o papel
de moeda mais valiosa. As marcas precisarão se
aprofundar em informações ricas e detalhadas para
responder a questionamentos cada vez mais específicos.
Imagine um consumidor perguntando ao seu
assistente: ‘qual companhia aérea oferece o maior
espaço para as pernas na saída de emergência?’
Para responder, a marca deverá ter construído um
repertório original que ateste Experiência, Especialidade,
Autoridade e Confiabilidade (EEAT, conjunto
de diretrizes de avaliação de conteúdo estabelecidas
pelo Google) em múltiplos formatos. Aqueles
que conseguirem se integrar com naturalidade a
essa jornada intuitiva e fluida serão os que, de fato,
prosperarão. Vale destacar também que a IA está
democratizando não apenas o potencial criativo,
mas toda a eficiência operacional. A ascensão dessas
tecnologias não chega para substituir o talento
humano, mas para potencializá-lo, servindo como
um catalisador para a nossa própria engenhosidade.
Para 2026, a vantagem competitiva decisiva pertencerá
às empresas que automatizarem processos de
ponta a ponta, da concepção à análise de dados. Ao
utilizar uma infraestrutura de IA para agilizar a produção,
as marcas reduzem drasticamente o tempo
de lançamento de suas campanhas. Os anunciantes
de maior sucesso serão aqueles que usarem a
tecnologia para potencializar sua essência criativa,
garantindo a qualidade e o nível de detalhamento
necessários para influenciar jornadas de decisão
cada vez mais dinâmicas e personalizadas.
A disputa pela atenção qualificada também será
um pilar central deste ano. O ecossistema de conteúdo
nunca esteve tão fragmentado, com a TV Conectada
e as plataformas de streaming consolidando-
-se como as novas preferências de consumo. Diante
de uma infinidade de formatos — que transitam do
legado da TV linear aos vídeos curtos em dispositivos
móveis —, as marcas precisam dominar três
frentes fundamentais: a primeira é o planejamento
integrado de vídeo, que deve operar de forma unificada
para evitar desperdícios e garantir uma visão
clara do impacto no consumidor.
A segunda é a cocriação de conteúdo premium;
colaborar com criadores e estar presente em eventos
ao vivo assegura que a mensagem da marca
respeite o tom de voz e o perfil da audiência. Por
fim, temos a mensuração integrada, que torna-se
obrigatória. À medida que os consumidores transitam
entre navegação e pesquisa, as estratégias de
marketing devem se adaptar. Adotar soluções como
a de Marketing Mix Modeling será essencial para medir
o retorno real dos investimentos e decidir onde
intensificar esforços. O futuro da publicidade será
mais intuitivo, criativo e mensurável do que nunca.
Ao abraçar essas mudanças, podemos construir não
apenas campanhas mais eficazes, mas também entregar
melhores experiências para as pessoas que
estamos tentando alcançar.
Gustavo Souza
é diretor de produtos e soluções
publicitárias do Google Brasil
“O futuro da
publicidade será
mais intuitivo,
criativo e
mensurável
do que nunca”
38 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
Ministério da Cultura Apresenta:
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inspiração
Economia circular
Fotos: Unplash e Divulgação
Negócios precisam gerar lucro, mas também impacto. Porque
empreender, no fim das contas, é transformar o mundo
Augusto Freitas
Especial para o PROPMARK
Qual a importância de “virar a chave” e entender que um negócio também precisa
construir legado? Há mais de 20 anos trabalho com itens essenciais, de
baixo custo energético e logística eficiente, presentes em hospitais, escolas
e restaurantes. Mesmo assim, há alguns anos começaram a surgir críticas sobre
o descarte incorreto do plástico, um alerta de que nosso impacto não terminava
no consumo. Ao analisar com mais profundidade, percebemos que o problema não
estava no produto, mas na falta de estrutura e consciência para o pós-consumo.
Nosso produto é leve, acessível e altamente reciclável. Quando descartado corretamente
e reinserido na cadeia, deixa de ser um problema e se transforma em
ativo, podendo virar cadeiras, bandejas, móveis e escadas, por exemplo. Essa compreensão
despertou em mim o desejo de atuar na economia circular e deu origem
ao Recicla Junto, projeto que nasce do entendimento de que, como indústria, precisamos
ir além da fabricação e assumir responsabilidade por todo o ciclo.
A iniciativa ganhou força quando foi validada nos estádios, primeiro no Criciúma
e depois no Vasco. Ver cooperativas uniformizadas, capacitadas e com acesso
direto ao resíduo mostrou que estávamos diante de um modelo social, ambiental e
economicamente viável. O engajamento das torcidas, a dignidade do trabalho das
cooperativas e a aproximação espontânea de instituições interessadas em apoiar
o projeto, sem pedir nada em troca, evidenciaram o potencial da iniciativa. Ali percebi
algo simples e poderoso: ninguém perde; todos ganham: cooperativas, clubes,
marcas, sociedade e meio ambiente.
Como líder, isso me inspira diariamente. Acredito que empresas não existem
apenas para gerar lucro, embora o lucro seja importante, claro. Elas existem para
servir, transformar, inovar e criar cultura. Ver nossas equipes engajadas e conectadas
ao propósito reforça que estamos construindo algo maior que nós mesmos.
A economia circular, para mim, é o futuro das empresas. Quando uma companhia
coloca 1.000 kg de produto no mercado e recicla 1.000 kg, ela gera emprego
duas vezes, movimenta a economia duas vezes e reduz seu impacto ambiental. É
um modelo eficiente, responsável e necessário para uma sociedade que sofre os
efeitos do consumo excessivo.
Hoje, meu maior orgulho não são as sete unidades da empresa nem a presença
em todo o Brasil e parte da América Latina. Meu maior orgulho é a mudança de
consciência. Entender que empreender é servir: sejam funcionários, fornecedores,
clientes, comunidades ou a sociedade. Essa percepção transformou minha forma
de liderar e fortaleceu o propósito de deixar um legado que meu filho possa olhar
com orgulho. Como também mostrou que é possível criar um projeto socialmente
relevante, economicamente viável e ambientalmente saudável.
E, para quem deseja empreender com propósito, deixo três princípios: comece
pequeno, porque quem é fiel no pouco é fiel no muito; tenha coragem, pois o risco
existe, mas deve ser calculado; e pense no legado, já que empreender não é só sobre
o hoje, é sobre o impacto que fica. Negócios precisam gerar lucro, mas também
impacto. Porque empreender, no fim das contas, é transformar o mundo.
Augusto Freitas, fundador do Recicla Junto e CEO da Cristalcopo
40 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Alê Oliveira
Heineken convida a ‘viver o momento antes de postar’
A Heineken apresenta a ‘Social Off Socials Exhibition’, exposição que reúne fotografias produzidas por influenciadores que receberam câmeras analógicas durante a
campanha ‘Social Off Socials’, criada em parceria com o coletivo criativo Notthesamo, anfitrião da exposição. A mostra é o resultado direto da iniciativa, que estimula
a socialização real entre as pessoas e convida o público a viver o momento antes de compartilhá-lo, reforçando o mundo offline como a verdadeira rede social.
Cliques da fotógrafa Bruna Blumenberg na noite de estreia da exposição
Carolina Cesario, do Publicis Groupe Brasil, contempla as obras da mostra fotográfica
Fotografias feitas por influenciadores utilizando câmeras analógicas
Social Off Socials Exhibition no coletivo criativo Notthesamo, em São Paulo
jornal propmark - 2 de fevereiro de 2026 41
última página
Divulgação
Novas fábulas
Flavio Waiteman
As fábulas, hoje em dia esquecidas e subestimadas,
figuram entre as formas de comunicação
mais poderosas já criadas, desempenhando
papel decisivo na formação ética e intelectual das
pessoas.
Todas elas escritas com um jeitão em comum.
Sempre aconteciam, não ali onde o escritor morava,
mas num reino muito, muito, muito distante. Afinal,
o autor poderia perder a cabeça ou ser banido do seu
país, se nomeasse diretamente o personagem que
inspirou o texto. Por isso, além de morarem longe, os
protagonistas eram reis, bobos, sultões, cavaleiros,
mágicos, bruxas e crianças. As crianças sempre levavam
a pior. As fábulas eram uma maneira de educar
novas gerações. Prepará-las para o mundo.
Elas moldavam os comportamentos de quem estava
aprendendo a viver, mas também implementavam
novos conceitos para os adultos. Ao ler a fábula
para as crianças, os adultos também se davam conta
de outros aspectos da vida e ganhavam aprendizados.
Havia a identificação óbvia com atitudes de
personagens. Sobretudo, as fábulas ajudavam as
pessoas a entender o momento presente e sobreviver
a ele.
Quanto a sua atratividade como peça de comunicação,
o arco narrativo das fábulas ambicionava
manter a atenção da audiência utilizando ferramentas
de atenção como perigo, ação, aventura, vingança,
inteligência e coragem. E terminava sempre com
uma mensagem valiosa para o contexto da época.
Mas com um particular: a mensagem a ser extraída
nunca era explícita, ela precisava ser entendida.
Quem ouvia a história encontrava na mágica das palavras
esse aprendizado. Como uma descoberta. Era
a tal da “moral da história”.
Um ótimo exemplo é João e Maria, escrita pelos
Irmãos Grimm, que usavam como pano de fundo os
problemas reais da época, sobretudo fome, pobreza
e abandono infantil. Ao mostrar crianças deixadas
na floresta, enfrentando perigos como a bruxa que
devorava crianças e a maneira de sobreviver a isso
com astúcia e união.
A fábula ajudava as pessoas a entenderem os perigos
da escassez, a vulnerabilidade das crianças e a
obrigação dos adultos em protegê-las.
O Jacob e o Wilhem eram craques! Entendiam
que, a depender de como a história fosse narrada,
os corações se fechariam. Sim, a gente ouve com o
coração primeiro. O que ele permite vai ao cérebro.
O que o coração rejeita é rotulado e descartado imediatamente.
Ou fica ali produzindo o seu efeito. Tem
gente muito boa com coração perdido.
A vantagem em dizer sem falar e fazer entender
sem mostrar é uma arte que faz falta hoje.
Adoro comunicação, independentemente do formato
em que surja. Novas fábulas podem vir a ajudar
o mundo nesse momento estranho que estamos
passando. Claramente moldado por comunicação
que entra pelo ouvido (direito ou esquerdo) ou olhos
(também esquerdo e direito) e é interpretado pelo
coração para ser descartado ou aceito. O cérebro só
procura argumentos para justificar aquilo que a pessoa
é realmente dentro de si.
Alguns títulos que pensei para as novas fábulas,
em formato de livros de aeroporto. Daqueles que os
pais em viagem de negócios compram para os filhos.
Em papel mesmo. E os lê à noite para as crianças, enquanto
o celular está numa gaveta longe do quarto.
“O menino e o rei algotimo”, “Ana e a tela hipnótica”,
“A raposa e o código”, “Lia e a cobra Like”, “O lenhador
e a máquina que decide”, “Bruno e a aldeia
dos perfis vazios”. E todos, claro, acontecendo num
reino muito, muito, muito distante.
Flavio Waiteman
é sócio e CCO da Tech&Soul
flavio.waiteman@techandsoul.com.br
“A vantagem em
dizer sem falar e
fazer entender sem
mostrar é uma arte
que faz falta hoje”
42 2 de fevereiro de 2026 - jornal propmark
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